cm i
SciELO,
ATAS DO SIMPOSIO
SÔBRE A
BIOTA AMAZÔNICA
VoL. 6: Patologia
Belém, Pará, Brasil, Junho 6-11-1966
EDITOR: HERMAN LENT
Publicado pelo
CONSELHO NACIONAL DE PESQUISAS
RIO DE JANEIRO, GB
1967
APRESENTAÇÃO
De 6 a 11 de junho de 1966, na cidade de Belém, Estado do Pará,
Brasil, foi realizado o Simpósio sôbre a Biota Amazônica, organizado
■pela Associação de Biologia Tropical, com a colaboração do Conselho
Nacional de Pesquisas do Brasil, tendo José Cândido de Melo Carvalho
como Presidente Executivo.
O Simpósio homenageava especialmente o Museu Paraense “Emi-
lio Goeldi” que comemorava seu 100.° aniversário.
Ao se iniciarem os trabalhos, achavam-se inscritos no Simpósio 16
países representados por 97 instituições, 256 pesquisadores inscritos
para apresentação de trabalhos que perfaziam um total de 22 confe-
rências e 198 contribuições originais. Associaram-se como observadores,
até êsse dia, 103 pessoas. Nos dias que se seguiram, até o encerramento,
o total geral de frequência dos inscritos foi a 611 pessoas. As contribui-
ções originais também aumentaram para 227.
Resolvemos editar estas Atas em 7 volumes, cada qual correspon-
dendo a uma das seções do Simpósio: Geociências, Antropologia, Lim-
nologia. Botânica, Zoologia, Patologia e Conservação da Natureza e
Recursos Naturais; serão todos publicados pelo Conselho Nacional de
Pesquisas do Brasil, que assumiu a responsabilidade global da edição,
da mesma forma como promoveu a realização e apoiou a execução do
Simpósio.
Em relação ao Programa do Simpósio distribuído na ocasião e,
ainda, ao próprio desenrolar das reuniões de cada Seção, as Atas não
incluem necessàriamente todos os trabalhos, retirados que foram alguns
por motivos vários.
Éste sexto volume corresponde à Seção VI (Patologia) que teve
como coordenador Djalma Batista (Instituto Nacional de Pesquisas
da Amazônia, Manaus); consta de um total de 302 páginas, e 31 figuras
no texto, e divulga 31 trabalhos, dos quais três conferências. O índice
do volume aparece a seguir pela ordem alfabética do sobrenome dos
autores, primeiro as conferências e depois as comunicações.
Herman Lent
Outubro, 1967
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SciELO
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ÍNDICE DO VOLUME 6: PATOLOGIA
Batista, Djalma
Parasitoses amazônicas (Conferência)
De Paola, Domingos
Patologia dos virus tropicais (Conferência)
WooDALL, John P.
Virus research in Amazônia (Conferência)
Aitken, Thomas H. G.
The canopy-frequenting mosquitoes of Bush Bush forest, Tri-
nldad, West Indies
Costa, Orlando Rodrigues da; Rodrigues Filho, Affonso; Vianna, Camillo
Martins; Britto, Rubens da Silveira; Lima, Luiz Flavio; & Guedes,
José Fernando
Pesquisa médico-social em pequena povoação amazônica. I —
Sintomatologia digestiva ligada ao enteroparasitismo e à carência
Costa, Orlando Rodrigues da; Rodrigues Filho, Affonso; Vianna, Camillo
Martins; Britto, Rubens da Silveira; Monteiro, Paulo Fernando; &
Lopes, Raimundo dos Santos
Pesquisa médico-social em pequena povoação amazônica. II — Ca-
rência alimentar
Costa, Orlando Rodrigues da; Rodrigues Filho, Affonso; Vianna, Camillo
Martins; Britto, Rubens da Silveira; Oliveira, Francisco Pedro de;
Martins Netto; & Rebelo, Antonio Carlos
Colônia agricola amazônica sob inquérito médico-social. I — Sin-
tomatologia digestiva ligada ao enteroparasitismo e à carência . .
Costa, Orlando Rodrigues da; Rodrigues Filho, Affonso; Vianna, Camillo
Martins; Britto, Rubens da Silveira; Cunha, Fernando; & Silva,
Milton
Colônia agricola amazônica sob inquérito médico-social. II —
Carência alimentar
Dias, Leonidas Braga
Miocardite experimental em camundongos produzida por virus
Aurà
Franco, Sérgio Raymundo Negrão de Souza
Incidência de parasitos intestinais em escolares de Lábrea, Ama-
zonas, Brasil
Freitas, Moacyr G. & Costa, Hélio Martins de A.
Pesquisas sôbre helmintos e artrópodes parasitos de animais
domésticos no Baixo Amazonas
Lacerda, Paulo Roberto Sampaio; De Paola, Domingos; Bruno Lobo,
Manoel; & Bruno Lobo, Gilda
Histopatologia das arboviroses do grupo C
Leitão, Ernesto Gondlm; Rodrigues Filho, Affonso; & Forte, Oswaldo
Luiz
O quimismo gástrico na sindrome anêmico-parasitária
Leitão, Ernesto Gondim; Silva, Edith Seligmann da; & Rodrigues Filho,
Affonso
Proteinas plasmáticas na sindrome anêmico-parasitária
Págs.
25
31
65
75
79
85
89
95
99
103
113
117
121
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Leitão, Ernesto Gondim; Lima, Ruy Guimarães; & Rodrigues Filho,
Affonso , , . . .
A eletroforese dos lipídios na sindrome anemico-parasitaria . .
Págs.
129
Leitão Ernesto Gondim & Rodrigues Filho, Affonso
As provas de labilidade plasmática na síndrome anêmico-para-
137
Leitão, Ernesto Gondim; Silva, Edith Seligmann da; & Rodrigues Filho
Affonso
As provas enzimáticas na smdrome anemico-parasitaria
143
Leitão, Ernesto Gondim; Otero, Neide Britto; & Rodrigues Filho, Affonso
O proteinograma eletroforético na síndrome anêmico-parasitária
149
Leitão, Ernesto Gondim & Rodrigues F^lho, Affonso
Importância da fração gama-globulina na síndrome anêmico-
157
Leite, José Monteiro
Doença de Jorge Lobo (estudo clínico-patológico, com apresen-
tação de cinco casos)
161
Lowenstein, Frank W.
Report on nutrition surveys in 11 Brazilian Amazon communities
between 1955 and 1957
177
Maneschy, Luiz; Rodrigues Filho, Affonso; Lima, Ruy Guimarães & Oli-
veira, Reinaldo Silveira de
Alguns aspectos do abscesso amebiano do fígado observados
no Pará
185
Moraes, Mario A. P. & Ferreira, José Luiz de Souza
Micoses superficiais e profundas na Amazónia
189
Otero, Neide Britto; Maneschy, Luiz Alberto Paiva; Lima, Ruy Guima-
rães; ViANNA, Camillo Martins; Rodrigues Filho, Affonso; & Britto,
Rubens da Silveira
Níveis sanguíneos de ferro orgânico na síndrome anèmico-pa-
rasitária
203
Pinheiro, Francisco de Paula & Dias, Leônidas Braga
Virus Mayaro e Una: Estudo de variantes produzindo grandes e
pequenas placas
211
Shope, Robert E.; Paes de Andrade, Amélia Homobono; & Bensabath,
Gilberta
The serological response of animais to virus infection in Utinga
forest, Belém, Brazil
225
Simpson, Larry P.
Morphogenesis and the function of the kinetoplast in
Leishmania
231
ViANNA, Camillo Martins; Rodrigues Filho, Affonso; & Britto, Rubens
da Silveira
Da nosologia amazônica: síndrome anêmico-parasitária
235
ViANNA, Camillo Martins
Puçangaria amazônica (ensaio de estudo)
251
ViANNA, Camillo Martins
Curiosidades do atendimento médico em pequena povoação ama-
zônica
271
ViANNA, Camillo Martins
Glossário popular em semiótica (Coletânea em localidade ama-
zônica)
285
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Atas do Simpósio sôbre a Bíota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 1-23 — 1967
PARASITOSES AMAZÔNICAS
DJALMA BATISTA
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, Amazonas
INTRODUÇÃO
A primeira referência a uma
doença parasitária do homem ama-
zônico, encontramo-la na memória
de Alexandre Rodrigues Ferrei-
ra (1), sôbre enfermidades da Ca-
pitania de Mato Grosso, agora di-
vulgada por Glória Marly D. C.
Fontes. Trata-se da descrição de
acessos típicos de malária, sob o
título de Intermitentes ou Sezoens
e Maleitas-. “O seu caracter con-
siste na sua intermissão; ficando
os febricitantes livres de febre, por
algumas horas, ou dias, segundo
he o genero a que ella pertence,
porque ou he quotidiana, ou ter-
cÃA, ou quartãa”.
Outras informações esparsas de-
paramos depois nos relatórios dos
presidentes da Província do Ama-
zonas. Dados de maior precisão,
embora ainda incompletos, só va-
mos deparar mais tarde em traba-
lhos de Matta (2), Campos (3), e
Thomas (4).
Merecem também ser lembrados,
como ponto de referência, os tra-
balhos de saneamento da região
percorrida pela Estrada Madeira —
Mamoré, durante a sua constru-
ção, de que resultaram os relatórios
de Belt (1908) , Lovelace, Tanaju-
ra e OswALDO Cruz (todos de . . .
1910), publicados em 1913 (5).
Cremos porém que o estudo sis-
temático, clínico e laboratorial, das
parasitoses do homem na região,
especialmente da malária, surgiu
com a expedição Chagas — Pedro-
so — Pacheco Leão, realizada em
1913, e de que resultou o famoso
relatório de Cruz sôbre as condi-
ções médico-sanitárias do Valle do
Amazonas (6).
Quando a Missão Rice visitou a
Amazônia, em 1924-5, trouxe um
grupo de tropicalistas, integrado
por Strong, Shattuck, Bequaert
& Wheler (7), ao qual devemos o
“Medicai Report of the Harvard-
Rice 7th Expedition to the Ama-
zon”.
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Atds do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Na década de 30, Evandro Cha-
gas, ao tempo da fundação do Ins-
tituto de Patologia Experimental
do Norte, depois Instituto Evandro
Chagas, iniciou o estudo do cala-
zar, nos municípios de Abaeté e
Mojuno, Estado do Pará, tratando
simultâneamente de uma série das
então chamadas grandes endemias.
Daí em diante o Instituto Evan-
dro Chagas, em boa hora depois en-
tregue à direção do SESP, realizou
numerosos inquéritos epidemioló-
gicos e pesquisas originais, esten-
dendo-os a vários pontos da área
amazônica, todos de grande inte-
rêsse para a ciência em geral e para
a saúde pública regional.
Diversos organismos federais
vêm, a partir da II Grande Guer-
ra, trabalhando sôbre malária e ou-
tras endemias rurais, reunindo
uma massa de informações muito
grande e importante.
Em 1954, criou-se em Manaus o
Instituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia, que está empreendendo
também investigações no cam-po da
parasitologia.
Fato de suma relevância a assi-
nalar, foi o aparecimento de nu-
merosos parasitologistas de reno-
me, nascidos na Amazônia, valen-
do a sua citação como homenagem
merecida e estímulo aos jovens que
estão se iniciando na pesquisa cien-
tífica — Orlando Costa, Leônidas
Deane, Maria P. Deane, Felipe Nery
Guimarães, Lobato Paraense, Mi-
guel Azevedo, Raimundo Dias.
ECOLOGIA DAS PARASITOSES
Há evidentemente uma relação
muito estreita entre os parasitos
que acometem o homem da Ama-
zônia, seus transmissores e hospe-
deiros, e o meio físico. Caracteri-
zam-se na região, claramente, os
“nichos naturais de doenças”, de
conceito de Pavlovsky (8), inte-
grando os estudos ecológicos e epi-
demiológicos, dentro da biocenose
hospedeiros-parasitos.
Verdade é que, na Amazônia, as
doenças que mais freqüentemente
acometem o homem são as parasi-
tárias, quase sempre sob o caráter
de doenças de massa, em conse-
qüência de fatos ecológicos, que
tentaremos revisar. E dentre os pa-
rasitos, sobressaem os protozoários,
como já assinalara Carlos Cha-
gas (9) : “Os protozoários são mais
abundantes nos trópicos, ao passo
que as bactérias mais freqüente-
mente ocasionam a moléstia infec-
tuosa nos climas frios”.
Talvez as causas disto estejam
ligadas à geologia, climatologia, hi-
drologia e fatôres florestais e fau-
nísticos próprios da região amazô-
nica. Procuraremos fixar tais pon-
tos-de-vista, através de exemplos
característicos, antes de passar em
revista as doenças parasitárias
mais encontradiças.
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SciELO
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Volume 6 (Patologia)
a) Constituição geológica: Só
dois focos de esquistossomose até
agora foram assinalados na Ama-
zônia, ambos no Estado do Pará:
Quatipuru (na região bragantina)
e Fordlândia (no rio Tapajós), o
primeiro na Formação Pirabas, e
o outro na Formação Itaituba, am-
bos em faixas de Carbonífero, onde
abundam sais minerais, para a for-
mação da carcassa dos caramujos
hospedadores. Eis um exemplo de
como a constituição geológica está
influindo sôbre a eclosão de uma
doença parasitária muito grave.
b) Fatores climáticos: A tem-
peratura alta, com umidade ele-
vada, reinante na Amazônia, cria
condições especiais para que os
ovos de vários helmintos, principal-
mente os Ancilostomídeos, deposi-
tados diretamente sôbre a terra,
evoluam até poderem aparecer as
larvas infestantes. A terra, segun-
do Beaver (10), funciona neste
caso como um verdadeiro hospeda-
dor inanimado.
Por outro lado, às chuvas que se
distribuem abundantemente por
todo 0 vale, a exceção dos poucos
meses de estiagem, devemos a for-
mação e a manutenção de coleções
de água estagnada ou corrente,
aquecidas pelo sol equatorial, nas
quais se criam favoravelmente os
mosquitos, cuja distribuição geo-
gráfica, incluindo 216 espécies, foi
estabelecida por Cerqueira (11).
Embora nem sempre, e felizmen-
te, os mosquitos transmitam doen-
ças, constituem sem dúvida uma
das mais terríveis pragas da Ama-
zônia, prejudicando o trabalho hu-
mano durante o dia, especialmen-
te devido aos maroins (Ceratopogo-
nídeos) e piuns ou borrachudos
(Simulideos) , e o repouso durante
à noite (Culicídeos) .
c) Fatores hidrológicos: É nas
corredeiras e águas que se movi-
mentam velozmente, que se desen-
volvem os Simulideos, entre os
quais figura o Simulium amazoni-
cum, transmissor da Mansonella
ozzardi.
Nas águas neutras ou alcalinas
das faixas de Carbonífero, se en-
contram Planorbideos, hospedado-
res intermediários de Schistosoma
mansoni. É verdade que águas
brancas de pH ácido, como as da
ilha do Careiro, e pretas, também
ácidas, do igarapé da Cachoeirinha,
em Manaus, já abrigam exempla-
res de Biomphalaria, como foi
constatado recentemente pelo
INPA.
A composição das águas é outro
fator a ser invocado quando se
considera a grande predominância
de Anopheles aquasalis na região
de Belém e tôda a zona de Salga-
do do Estado do Pará: as águas aí
são salobras. No restante da planí-
cie amazônica abundam as outras
espécies de Anofelinos, inclusive o
famoso A. darlingi, que, a partir de
1931, depois dos trabalhos de Davis,
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
mais tarde confirmados por Shan-
NON, passou a ser considerado o
mais importante transmissor de
malária da região.
d) Fatôres florestais e faunísti-
cos: Primeiro a floresta m^tém e
alimenta inúmeros animais que
atacam o homem (ofídios, por
exemplo) ou servem de reservató-
rios a parasitos que o acometem
(caso dos roedores, depositários da
Leishmania) .
Só nas florestas se criam os Fle-
bótomos, em cujo organismo se
passa a fase intermediária entre o
ou os reservatórios sUvestres das
citadas Leishmania e o organismo
humano) .
DOENÇAS DE TRANSMISSÃO
POR HEMATÓFAGOS
MALÁBIA
A mais difundida e a mais gra-
ve das parasitoses humanas na
Amazônia ainda é a malária. Essa
difusão deve ser conseqüência da
presença de Anopheles darlingi e
da grande densidade de outros
transmissores potenciais, tudo na
dependência das condições ecoló-
gicas propícias à sua criação. Na
biologia dos mosquitos, especial-
mente de darlingi, há que conside-
rar a antropofilia e a endofilia pre-
dominantes.
Para a transmissão, também in-
flui o fator temperatura, que se
apresenta nos limites ideais, isto é,
acima de 21°C e abaixo de 34°;
como êstes limites são raramen-
te ultrapassados, e considerada
a umidade raramente inferior a
60%, há transmissão de malária
na Amazônia pràticamente duran-
te 0 ano inteiro. Certas épocas, po-
rém, variando de lugar a lugar,
mostram recrudescência da ende-
mia.
Duas causas explicam por que a
malária foi, em fins do século pas-
sado e princípios dêste, aquilo que
OswALDo Cruz classificou de “du-
ende da Amazônia”, produzindo as
terríveis mortalidades verificadas
quando da exploração dos seringais
nativos e da construção da Estra-
da de Ferro Madeira — Mamoré:
l.° a imigração dos organismos fi-
sicamente depauperados, virgens à
infecção plasmodial; 2.° a inexis-
tência de mínimas condições de sa-
neamento, tanto urbano quanto
rural.
As obras da engenharia sanitá-
ria tentadas, a não ser nas capitais,
falharam total ou parcialmente: a
drenagem de um igarapé, por
exemplo, feita na vasante, ficava
prejudicada logo a seguir à enchen-
te sobrevinda com a estação chu-
vosa. Quininização e atebrinização,
curativas e preventivas, pouco in-
fluiram também sôbre a marcha
epidemiológica da doença, que só
cedia terreno à medida que os or-
ganismos alcançavam a própria re-
lativa imunidade ou resistência.
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Volume 6 (Patologia)
5
Depois da II Grande Guerra, po-
rém, modificou-se totalmente o pa-
norama, com as borrifações domi-
ciliares com 0 DDT, principal in-
seticida de ação residual, e a apli-
cação dos medicamentos curativos
à base de cloroquina.
É preciso porém salientar que
nas habitações do interior da Ama-
zônia, sempre cobertas de palha, a
ação dos inseticidas tem algumas
sérias limitações: as paredes das
casas, quando existem, têm gran-
des frestas entre as tábuas de ma-
deira ou de palmeira, outras vêzea
não vão até o teto, deixando uma
entrada livre para novas levas de
mosquitos.
A 1.^ conseqüência da utilização
dos novos elementos na luta con-
tra a malária foi a queda da mor-
talidade. Em Belém, o coeficiente
de mortalidade no ano de 1940 foi
em tôrno de 300 por 100.000 habi-
tantes, enquanto em 1959 baixava
para 8. Em Manaus, o coeficiente
de 1940 foi à volta de 360, seguin-
do-se uma elevação para 402 em
1944, baixando em 1959 a 10.
Outra modificação foi a perda de
terreno por parte do Pl. vivax. De
1942 a 1946, Deane (12), analisan-
do os resultados de 185.214 lâmi-
nas, provenientes de 207 inquéritos
(76 localidades), encontrou 3,1%
de positivos, sendo 63,2% de formas
de vivax, 36,6% de falciparum e
0,2% de malariae. De 115 localida-
des investigadas, entre 1942 e 1946,
81 tinham A. darlingi na sua fau-
na de mosquitos, e nas localidades
com esta espécie as hemoscopias
tiveram um máximo de 72,9% de
positividade; onde não havia dar-
lingi, o máximo da positividade foi
de 3,4%. Batista (13), em 801 exa-
mes, procedidos em Manaus, de
1940 a 1943, teve 34,45% de positi-
vos, sendo 31,5% para vivax, 1,7%
para falciparum, 0,9% para a as-
sociação vivax-falciparum e 0,1%
para vivax-malariae.
E comprovando o resultado espe-
tacular da nova tática da campa-
nha, tivemos o depoimento dos clí-
nicos: a malária deixara de com-
parecer às enfermarias e consultó-
rios naquela proporção prevalecen-
te dos tempos anteriores ao DDT e
à cloroquina, tempos em que se
justificava na Amazônia o precei-
to médicc de que se devia pensar
palúdicamente, parafraseando o
dito de Austregésilo, aí por 1918,
de que no Brasil se devia pensar
sifiliticamente.
Com o programa de aplicação de
sal cloroquinado, houve lastimável-
mente dois erros de conseqüências
funestas no combate à malária na
Amazônia: l.° a suspensão da apli-
cação do DDT, durante vários
anos; 2P a tentativa de introduzir
o sal cloroquinado em tôda a imen-
Volume 6 (Patologia)
7
UNIDADE
ANO
Amostras
sangue
examinados
POSITIVAS
FALCIPARUM
VIVAX
F + V
Mês de
maior
positividade
N.o
%
N.o
%
ACRE
1962
1.197
113
9.4
82
72,5
31
outubro
1963
4.403
40S
9.2
259
63.4
149
janeiro
1964
6.816
391
5,7
167
42.7
221
3
março
1965
7.370
363
4.9
164
45,1
195
4
dezembro
EONDONIA
1962
5.199
1.279
24.6
992
77,5
272
15
setembro
1963
7.951
1.970
24,7
1.453
73.7
500
17
abril
1964
8.734
1.569
17.9
967
61,0
590
10
fevereiro
1965
9.005
1.570
17,4
1.196
76,1
358
16
dezemlvo
ROR.\IMA
1962
2,761
919
33,2
657
71,4
261
1
outubro
1963
7.837
2.501
31.9
1.618
64.6
868
5
fevereiro
1964
5.949
1 053
17,7
530
50,3
512
11
janeiro
1965
7.991
560
7,0
269
48
284
7
novembro
AMAPÁ
1962
2.736
825
30.1
631
76,4
192
2
junho
1963
10.510
2.738
26,0
1.695
61,9
1.015
29
fevereiro
1964
15.677
2.240
14.2
1.260
56,2
975
5
janeiro
1965
12.486
1.346
9.2
715
53,1
620
1
janeiro
AMAZONAS
19«2
21.505
6.802
31.6
4.347
63.9
2.334
121
abril
1963
32.839
6 238
18.9
3.418
54.7
2.793
36
fevereiro
1964
32.286
2.849
8,8
1.502
52,7
1.316 *
31
fevereiro
1965
49.450
4.402
8.9
3.218
73,1
1.118
66
setembro
PARÁ
1962
51.706
15.778
30.3
10.546
67,3
4.909
213
janeiro
1963
77.320
20 154
26.0
11.816
58.8
8.088
250
março
1964
100. 150
16.878
16,8
9.254
54,8
7.476
148
agÔ3to
1965
103.409
11.366
10,9
4.747
41,8
6.512
107
janeiro
tôda a AMAZÔNIA
1962
85 084
25.606
30,0
17.254
67,3
8.000
.352
janeiro
1963
140 881
34.009
24,1
20.203
59.4
15.423
336
fevereiro
1964
169.609
24.980
14.7
13.682
54.7
11.010
20S
fevereiro
1965
189.711
19.605
10,3
10 309
52,0
9.097
200
março
Apesar dos dados acima se refe-
rirem apenas a 4 anos, não permi-
tindo conclusões mais seguras (in-
clusive por não termos vencido
aquêle prazo da “periodicidade pa-
raquinquenal” de Swellengrebel) ,
está comprovado que os índices de
positividade das amostras de san-
gue examinadas estão caindo, de
1962 a 1965, em todos os Estados e
Territórios da Amazônia. A positi-
vidade devida ao )alciparum tam-
bém caiu (exceto no Território de
Rondônia e no Estado do Amazo-
nas) porém não na mesma propor-
ção em que caiu a positividade ge-
ral, 0 que demonstra, mais uma
vez, que os medicamentos à base
de cloroquina são muito menos ati-
vos em relação à citada espécie que
ao P. vivax.
O quadro referente a tôda a
Amazônia mostrou que a busca ati-
va e passiva de casos, para exame
hemoscópico, aumentou de ano a
ano, enquanto a positividade vem
decrescendo também de ano a ano,
de 30% em 1962 para 10,3 em 1965,
1. I, SciELO
8
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
enquanto o aparecimento do falci-
parum, que foi de 67,3% em 1962
ainda estava em 52,0 em 1965.
O fato mais auspicioso a assina-
lar, porém, dos trabalhos da Cam-
panha de Erradicação da Malária
na Amazônia, é a situação alcan-
çada no Território do Roraima,
onde já existem áreas pràticamen-
te isentas da doença.
Temos que estar atentos, entre-
tanto, a um nôvo aspecto da malá-
ria, que já tinha sido assinalado em
1963 por Pessoa (16), da possibili-
dade do homem se infectar com
plasmódios de macacos. Estão sen-
do estudados presentemente o
Plasmodium simeum e o Plasmo-
dium brasilianum cujas formas
podem se confundir, respectiva-
mente, com as de P. vivax e P. ma-
lariae. Tais idéias estão tendo con-
firmação no Brasil com as pesqui-
sas de Deane (17), que vem traba-
lhando, inclusive, material da
Amazônia, em colaboração com o
INPA.
Grandemente sugestivas são as
informações de Makques & Doura-
do (18), no resumo dos trabalhos
na cidade de Manaus, no citado pe-
ríodo (1962 a 1965) , concluindo que
a endemia deixou de se constituir
um problema de saúde pública. Foi
estabelecida uma “barreira”, atin-
gindo 24.551 prédios, em 20 bair-
ros. “Dos 492 casos de P. falcipa-
rum investigados em 1965, 5 foram
classificados como “autóctones”,
ou seja 1% do total, embora pes-
quisas entomológicas intensivas
não tenham demonstrado a pre-
sença de espécies vetoras nos lo-
cais onde teria ocorido provável-
mente a transmissão, não se regis-
trando também outros casos de
malária nos citados locais”.
No Pará, um trabalho de Athias
(19) e colaboradores, concluiu, em
janeiro de 1965, que a malária,
através dos inquéritos realizados
em busca ativa e passiva, ainda
continua sendo um problema sani-
tário importante. Referem os auto-
res que 95% dos anofelinos captu-
rados nos 11 municípios trabalha-
dos, era A. aquasalis; referem tam-
bém a ausência de darlingi na ci-
dade de Belém, onde o aquasalis
sozinho, mantém a endemia, inclu-
sive na zona de Salgado.
LEISHMANIOSES
Das doenças parasitárias de
transmissão por hematófagos, na
Amazônia, o 2.° lugar, em freqüên-
cia, cabe às leishmanioses.
Já o relatório de Oswaldo Cruz
(6), baseado nas observações de
Chagas, Pedroso e Pacheco Leão,
as registrava minuciosamente, da-
tando daí provàvelmente os pri-
meiros diagnósticos etiológicos se-
guros das úlceras reinantes da
Amazônia. Coube também à citada
missão médica a prioridade da apli-
cação do tratamento antimonial.
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SciELO
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Volume 6 (Patologia)
pouco depois de sua descoberta
pelo paraense Gaspar Viana.
As “feridas brabas”, nas formas
cutânea e muco-cutânea, são uma
causa de grande sofrimento para
as populações do interior, onde se
encontram numerosos casos em
evolução, ao lado de pessoas com
cicatrizes denunciadoras ou muti-
lações da face. São atingidos mais
commnente os extrativistas, os tra-
balhadores das estradas e os agri-
cultores quando preparam roças
na terra firme.
Moraes (20) tem em elaboração
um trabalho, em Manaus, com
mais de 150 casos de leishamanio-
ses cutânea e muco-cutânea, diag-
nosticados pela pesquisa dos pa-
rasitos, ou pela anatomia patológi-
ca, ou ainda com auxilio da intra-
dermo-reação de Montenegro. To-
dos êsses casos foram originários
da hinterlândia e a finalidade do
autor é estabelecer a distribuição
geográfica da doença no Estado do
Amazonas.
A transmissão só se faz onde se
realizam derrubadas na floresta,
ou no seio da própria floresta, lá
onde os flebótomos têm os seus
criadouros, e onde também se en-
contram o ou os hospedeiros silves-
tres da doença. O transmissor in-
criminado na Amazônia, para as
formas cutânea e muco-cutânea, é
o Phlebotomus intermedius.
Com a visita de Lainson a Be-
lém, vindo de Honduras Britânica,
onde encontrara roedores süvestres
com lesões leishmanióticas na cau-
da, foram identificados os primei-
ros exemplares positivos de reser-
vatório silvestre da doença na
Amazônia, — ratos da espécie Ori-
zomys goeldii, com lesões típicas
também na cauda. Seguiram-se as
publicações de Guimarães & Aze-
vedo (21) e Guimarães & Costa
(22) , elucidativas do assunto.
A grande predominância é das
formas puramente cutâneas, se-
guindo-se-lhe as muco-cutâneas.
De forma difusa e lepromatóide da
leishmaniose são conhecidos na re-
gião 2 casos, o segundo dos quais
está internado na enfermaria do
Prof. Domingos Silva, na Santa
Casa de Belém, sendo responsável,
ao que tudo faz crer, a Leishmania
brasiliense, var. pifanoi: é o famo-
so Raimundinho, que todos os der-
matologistas e tropicalistas fazem
questão de ver de perto, e, quan-
do possível, de examinar, do qual
Guimarães (23) publica fotogra-
fias em artigo de revisão apareci-
do em janeiro de 1965.
Além das citadas formas tegu-
mentares, há ainda a assinalar
que Evandro Chagas diagnosticou
8 casos de calazar nos municípios
de Abaeté (hoje Abaetetuba) e
Moju, em 1938, no Estado do Pará,
havendo mais 18 casos diagnosti-
cados por viscerotomia, por Pena e
Pará. Alencar, Pessoa & Costa
(24) , partindo de um caso autócto-
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
ne de calazar procedente de San-
tarém, procederam, em 1961, a um
inquérito epidemiológico na referi-
da cidade, examinando mais de 500
pessoas, comprovando a presença
de leishmânias de morfologia idên-
tica à da L. doTiovani no esfregaço
da medula esternal de 3 pacientes.
Também encontraram 11 cães in-
fectados (esfregaços de fígado),
além de mais 8 descobertos após
reação de fixação de complemen-
to. Quanto ao transmissor de ca-
lazar na Amazônia, não foi ainda
especificamente determinado, po-
rém as capturas de flebótomos, re-
feridas por Deane (25) , mostraram
que, em 909 exemplares, 904 eram
de Phlebotomus longipalpis.
FILARIOSES
Duas filárias são encontradas na
Amazônia, com distribuição geo-
gráfica, epidemiologia e sintomato-
logia inteiramente diversas: b.Wu-
chereria bancrofti, na zona costei-
ra, cuja presença vai diminuindo à
medida que se sobe o rio Amazo-
nas, até Manaus, que parece ser o
limite Oeste do parasito; a outra é
a Mansonella ozzardi, na zona inte-
riorana, de Manaus para o Norte e
o Oeste. Os transmissores das duas
já estão bem determinados: Culex
pipiens fatigans para a bancrofti;
para a ozzardi, Cerqueira (26) de-
terminou, no grande foco de Coda-
jás, tôda a evolução do parasito no
organismo do Simulium amazcni-
cum. Buckley (27) tinha determi-
nado nas Antilhas, que a transmis-
são era feita pelo Culicoides furens.
A bancroftose está concentrada
na cidade de Belém, onde vários in-
quéritos já foram feitos, destacan-
do-se o de Causey et alii (28), em
1945, mostrando uma incidência de
10,8%, e o de Deane & Damasce-
No (29), em 1951, apresentando
9,8%.
Em Manaus, o l.° inquérito foi
feito por Maria Deane (30), em
1948, encontrando um índice de
microfilaremia de 2% de bancrofti.
Rachou, Lacerda & Barbosa (31),
em 1955, encontraram também
2%; Oliveira (32), em 1958, en-
controu apenas 0,33% de resulta-
dos positivos, e nem um caso au-
tóctone.
O que é importante assinalar é
que, coincidindo com a aplicação
de microfilaricidas, à base de pipe-
razina, o índice de microfilaremia
da cidade de Belém vem diminuin-
do: em 1957 era de 8,5%, caindo
em 1962 para 3,3. No interior do Es-
tado do Pará sòmente três muni-
cípios revelaram índices de média
endemicidade: Soure , em 1955,
teve um índice de positividade de
6,1%^ baixando para 2% em 1963;
Vigia, de 5,2% passou a 2,1; e Ca-
metá, de 4,5% a 1,4 (Athias &
Gueiros (33).
Quanto à Mansonella ozzardi,
foi objeto de um grande inquérito,
de 1952 a 1954, realizado por La-
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Volume 6 (Patologia)
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CERDA & Rachou (34), nas sedes
municipais dos Estados do Amazo-
nas e dos Territórios do Acre, Gua-
poré e Rio Branco. Os índices de
microfilaremia mais altos encon-
trados foram nas localidades da
margem do rio Solimões (Codajás,
Coari, Tefé, Fonte-Boa e São Pau-
lo de Olivença), e no alto rio Ne-
gro (Uaupés). Nos Territórios, ape-
nas 2 pessoas positivas foram en-
contradas na cidade de Boa Vista.
Lage (35) estudou amostras de
sangue, sôro e pele (biopsia) de ín-
dios do grupo Aruak, do rio Içana
(região do alto rio Negro), 63,1%
de sôros positivos e 63,8% de
esfregaços (métodos de Lleras) .
No Parque Nacional do Xingu, em
Mato Grosso, D’Andretta Jr. &
Silva (36) encontraram recente-
mente índios com a alta positivida-
de de 62,8% para microfilárias da
Mansonella ozzardi.
A patogenicidade de ozzardi era
considerada duvidosa, até 1958,
quando Batista, Oliveira & Ra-
BELLO (37) tiveram oportunidade
de comprovar, examinando a po-
pulação de Codajás, no Estado do
Amazonas, que causa realmente
uma moléstia benigna no organis-
mo humano, traduzida por uma sé-
rie de sintomas: dor de cabeça,
manchas vermelhas pelo corpo,
frieza das pernas, dores articulares
e adenite inguinal.
Ainda há a registrar que, em
amostras de sangue colhidas em
vila Pereira, no rio Surumu, Terri-
tório de Roraima, Oliveira (38)
encontrou, pela 1.^ vez no Brasil,
um caso positivo para Acanthcchei-
lonema perstans, em cidadão fran-
cês, oriundo da antiga Guiana In-
glesa, onde o parasito já havia sido
assinalado.
DOENÇAS COM HOSPEDADORES
ANIMADOS
ESQUISTOSSOMOSE
O 1.0 foco de esquistossomose na
Amazônia foi encontrado em Ford-
lândia, no rio Tapajós, município
de Itaituba, em novembro de 1949,
por Machado & Martins (39). Se-
guiram-se nêle estudos de Maroja
(40) e SiOLi (41).
Maroja encontrou, em 202 co-
proscopias, 72 resultados positivos
(36,6%), dos quais 45 pessoas nas-
cidas e criadas no lugar. Os Pla-
norbideos coletados foram exami-
nados, não sendo porém encontra-
dos com 0 parasito. A identifica-
ção mostrou serem Tropicorbis pa-
paryensis (hoje Biomphalaria stra-
mineus ) .
Em 1961, ScAFF & Gueiros (42),
entre 2.301 pessoas examinadas, ti-
veram 96 positivas para Schistoso-
ma mansoni (4,57%).
O 2.0 foco, de Quatipuru, muni-
cípio de Capanema, hoje municí-
pio de Primavera, também no Es-
tado do Pará, foi previsto por Sio-
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
LI (43) , depois de estudar a limno-
logia da região bragantina, e por
Maroja (40) , depois de um inqué-
rito epidemiológico. Os primeiros
doentes originários do mesmo fo-
ram diagnosticados em 1957, por
B. SÁ vindo a seguir os estudos de
Gueiros (44), que teve 15,9% de
positividade, em 673 exames de fe-
zes realizados em habitantes dos sí-
tios Santarém, Campo Grande,
Campo do Bem-Bom, Campo do
Careca e Campo do Basílio. Os ca-
ramujos existentes no foco são
dois importantes hospedadores:
Biomphalaria glabratus e B. stra-
mineus.
Trabalho conjunto do Instituto
e do Departamento Nacional de En-
demias Rurais, SESP e INPA, foi
realizado, na região. O inquérito
coprológico, então procedido por
Moraes (45) , entre 405 pessoas,
foi positivo em 49 (12%). As
reações intradérmicas, praticadas
por Aguiar & Batista, com antí-
geno recebido do Communicable
Diseases Center, mostrou, em 339
pessoas testadas, 60 positivas
(17,6%): todos os positivos, tanto
à coproscopia como à intradermo-
-reação, eram clinicamente assin-
tomáticos. Fittkau fêz, na ocasião,
estudos limnológicos, e Rodrigues
trabalhou com a vegetação de Qua-
tipuru assinalando, de mais impor-
tante, a presença de Caráceas. Cou-
be a Paraense a coordenação geral
da pesquisa, ainda não concluída,
e a malacologia da área.
Já tivemos oportunidade de re-
ferir o achado de caramujos do gê-
nero Biomphalaria (inclusive uma
espécie nova batizada de amazôni-
ca por Lobato Paraense (46) nos
igarapés e lagos da ilha do Careiro
e no igarapé da Cachoeirinha, a
Leste de Manaus, o que constitui
uma advertência para o perigo po-
tencial que representa a dissemina-
ção na Amazônia da endemia que
tanto castiga o Nordeste e o Leste
do Brasil. Em 1951, já denunciára-
mos o grave problema sanitário que
estava se criando na Amazônia,
com o aparecimento da esquistos-
somose em Fordlândia, justamente
quando a malária estava sendo efi-
cazmente.
Finalmente, negamos que os fo-
cos maranhenses de São Bento e
Cururupu estejam na região ama-
zônica, embora o limite da Ama-
zônia Legal seja o meridiano de
44°: ambos os municípios estão na
Baixada Maranhense, que nada
tem de hileana, como verificamos,
há dois meses, sobrevoando a
região.
TENÍASES
São encontrados casos isolados
de infestação por Taenia solium,
sem constituírem porém um pro-
blema de saúde pública.
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Volume 6 (Patologia)
13
Também há achados de ovos de
Hymenolepis nana em exames de
fezes.
DOENÇAS COM HOSPEDADOR
INANIMADO
t
HELMINTOSES INTESTINAIS
De acordo com o conceito de
Beaver (10), antes exposto, de que
o solo quente e úmido pode ser con-
siderado um verdadeiro hospeda-
dor intermediário para os ovos de
certos helmintos intestinais, pas-
saremos em revista algumas doen-
ças do grupo, que são das que mais
acometem o homem amazônico.
São particularmente importantes a
ancilostomose, a mais grave das en-
demias rurais da Amazônia, depois
da malária, pela grande espoliação
sanguínea que promove, e a asca-
ridiose, pela série de sintomas di-
gestivos e nervosos que produz, in-
clusive as migrações anômalas do
verme adulto.
Sendo as helmintoses doenças
primordialmente da infância, como
ensina Pessoa (16), provocam
grande prejuízo nos processos di-
gestivos e na assimilação, influin-
do portanto na evolução somática.
Reúnem os seus efeitos aos da po-
breza alimentar reinante. Segun-
do Beaver (10), sua prevalência
em distintas coletividades serve de
índice de sua categoria sócio-eco-
nômica.
Os dois inquéritos de Costa (47)
mostraram os seguintes resultados
quanto à ancilostomose:
CIDADES/ ESTADOS
POSITIVOS %
1.®
inquérito
inquérito
Cametá — Pa
31,9
27,9
Abaetetuba — Pa
29,0
27.0
Monte Alegre — Pa-
31,6
25,3
Itacoatiara — Am
49.4
23,5
TOTjU.
37,6
25,4
Em Coda j ás, no Estado do Ama-
zonas, Moraes (48) encontrou ....
68,6% de ancilostomídeos, pelo
exame direto, percentagem que se
elevou a 77,9 após sedimentação.
Nos municípios de Ponta de Pe-
dras e Soure, na ilha de Marajó,
Estado do Pará, Azevedo & Maro-
JA (49), em crianças entre 7 e 14
anos, encontraram dados impor-
tantes;
MUNICÍPIOS
POSITIVOS %
Zona
urbana
Zona
rural
Total
Ponta de Pedras
Soure
60,1
92,3
88,5
97,7
59,3
95,0
MÉDIA
76,2
93,1
S0.7
Nas duas principais capitais da
Amazônia, Belém e Manaus, as per-
centagens são mais baixas : em Be-
lém, no inquérito de Cause y, Cos-
ta & Causey (50) , os ancilostomí-
deos apareceram com 42,3% em
pessoas abaixo de 15 anos, e com
46,5 em pessoas de 15 anos e mais;
em Manaus, apenas entre escola-
14
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
res, usando método direto, Olivei-
ra (51) encontrou 49,8% de posi-
tivos, número um pouco mais alto
que 0 registrado para Belém.
Os dados apresentados mostra-
ram quanto as cidades do interior,
e especialmente a zona rural, são
mais castigadas pela ancilostomo-
se, 0 que deve ser conseqüência do
saneamento precário do meio e da
falta de hábitos higiênicos da po-
pulação. E tanto é assim que na
Colônia Militar de Cucuí, no alto
rio Negro, Estado do Amazonas, o
inquérito realizado por Carvalho
& Oliveira (52) mostrou apenas
20,7% de amostras de fezes positi-
vas para ancilostomídeos, compro-
vando que, onde medidas proteto-
ras da saúde do homem a educa-
ção sanitária são postas para fun-
cionar, as endemias rurais, princi-
palmente a ancilostomose, entram
a perder terreno e importância.
Na verdade a situação de Belém,
por exemplo, tem melhorado con-
sideràvelmente, como se depreen-
de da estatística do Departamen-
to Nacional de Endemias Rurais — ^
Circunscrição do Pará, publicada
por ScAFF, Gueiros & Bento (42) ,
em 1959 houve 22,2% de exames
positivos; em 1960, número idênti-
co; em 1961, 21,1%; em 1962,
27,2%; em 1963, 18,1% e em 1964,
15,5%. Basta comparar êstes resul-
tados com 03 de Causey et alii, aci-
ma referidos, publicados em 1947,
para se concluir que a situa-
ção está melhorando significativa-
mente.
Mas 0 1.0 lugar entre as helmin-
toses intestinais é ocupado na
Amazônia pela ascaridiose, logo se-
gui3a pela tricocefalose, como de-
monstram os seguintes dados, obti-
dos de vários inquéritos:
LOCALID.^DES
ESTADOS
EXAMES POSITIVOS %
INQUÉRITOS
Àscaris
Trichuris
Autores
Ano
Belém — Pa.
64.8
22.1
C.ACSEY et al. (50)
1943
Belém — Pa.
87,1
53.5
SC.AFF et al. (42)
1964
Nfanaus — Am
77.2
70,4
OLIVEIR.A (51)
1957
Cametá — Pa
81.5
75.0
COSTA (47)
1944
Abaetetuba — Pa
97.0
84.0
COSTA
1944
Monte Alegre — Pa.
76,2
58,8
COSTA
1944
Codaiás — Anu
87.5
83.2
M0R.AES (48)
1958
Cucuí — Am
80,6
72.8
C.ARV.ALHO et al. (52)
1961
Não é absolutamente destituída
de importância a incidência de es-
trongiloidiase e da oxiurose, sen-
do que a primeira só se apura me-
lhor usando o método de enrique-
cimento de Baerman, e a segunda
não pode ser investigada senão
através da anal swab.
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ZOO-PARASITOSES
TRANSMITIDAS AO
HOMEM
LEPTOSPIROSE
A primeira referência à leptospi-
rose na Amazônia foi feita por
Matta (53), em 1919, quando en-
controu leptospira na urina de um
paciente com doença icterígena
aguda.
Posteriormente em 1946, Dea-
NE (54) realizou um inquérito, para
Leptospira icterohemorrhagiae, en-
tre ratos da cidade de Belém, en-
contrando 11 exemplares infecta-
dos (19,6%), entre 56 examinados.
Tôdas as amostras isoladas mos-
traram-se virulentas para animais
de laboratório.
Em Manaus há noticia de um
caso, em 1962, que foi comunicado
à Associação Médica do Amazonas,
pelos Drs. Carlos Borborema e Emi-
lio Medauar, de doença de WeU em
paciente vindo do interior, em cuja
urina foi encontrado o espiroqueta
(embora sem ser tipado sorològi-
camente) e cujo quadro agudo ce-
deu completamente com medicação
antibiótica.
Vindo do Caracaraí, no Territó-
rio do Rio Branco, foi manda-
do a exame anátomo-patológico no
INPA, material de uma visceroto-
mia, em que Moraes (55) consta-
tou lesões características. Nessa
ocasião houve um surto de doença.
que matou várias pessoas, suspei-
tas clinicamente de leptospirose.
O problema existe, portanto, e
deve estar ligado a reservatórios
animais do parasito, especialmente
ratos domésticos e silvestres.
É um assunto que está exigindo
pesquisa acurada.
BALANTIDIOSE
Parasita do porco, o Balantiãium
coli vez por outra comparece nos
exames de fezes, coincidindo o seu
aparecimento com uma síndrome
diarréica ou disenteriforme, acom-
panhada de dores abdominais mais
ou menos intensas.
O 1.0 registro da presença do ci-
liado na Amazônia foi feito por
Fernandes (56) em Manaus, no
ano de 1937.
Pessoalmente temos encontrado
freqüentes vêzes, notadamente nos
últimos anos, em nosso laboratório
de patologia clínica, formas vege-
tativas de Balantidium coli, em fe-
zes levadas a exame.
DOENÇAS DE TRANSMISSÃO
NÃO DEFINITIVÃMENTE
ESTÃBELECIDA
PINTA OU PURU-PURU
O estudo mais completo sôbre a
pinta ou puru-puru na Amazônia
foi publicado por Guimarães & Ro-
drigues (57) tratando da distribui-
ção geográfica, dados clínicos e epi-
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16
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
demiológicos, etiologia, anatomia
patológica, sorologia e tratamento.
A doença, que é exclusiva do Nô-
vo Mundo, existe na Amazônia
principalmente entre índios e ca-
boclos (isto é, descendentes de ín-
dios e brancos), havendo rios em
que 0 número de casos é muito
grande (Içana, Purus, Juruá e So-
limões), e somente nos Estados do
Amazonas e Acre. As lesões iniciais,
papulo-eritemato-escamosas, loca-
lizam-se de preferência nas partes
descobertas do corpo; tornam-se
depois máculo-escamosas e por fim
discromodérmicas.
Além da transmissão direta, de
doente para são, há a crença de
que também se faça pela ingestão
das escamas, especialmente mistu-
radas a alimentos irritantes da mu-
cosa bucal. Biocca (58) registrou a
transmissão ritual, entre índios do
Alto Rio Negro, com a flagelação
de pessoas pintadas e em seguida
de sãos (sempre adultos ou moços
depois da puberdade) . Entre os
missionários do Alto Rio Negro, há
ainda uma forte convicção de que
os simulideos sejam transmissores
da pinta.
Nas fases primária e secundária,
a pinta é sensível, como as demais
treponematoses, à penicilina, como
foi aos arsenicais. Depois do apa-
recimento das lesões acrômicas,
pouco êxito se obtém com o anti-
biótico, assim como com os arse-
niciais pentavalentes, embora Gui-
marães & Rodrigues tenham re-
gistrado bons resultados em tôdas
as fases da doença.
TOXOPLASMOSE
Apesar de suspeitada clinicamen-
te muitas vêzes, a toxoplasmose
não foi ainda estudada, na Amazô-
nia. Houve um inquérito procedi-
do na ilha de Marajó, pela V Ban-
deira Científica da Faculdade de
Medicina da Universidade de São
Paulo, sob a chefia de Deane: foi
praticada a reação de Sabin-Feld-
man em 323 amostras de sangue
colhidas na cidade de Cachoeira do
Arari, de pessoas de 10 anos de ida-
de para cima, sendo 268 positivas
(83%), com títulos iguais ou su-
periores a 1:16; a intradermo-rea-
ção com toxoplasmina em 321 pes-
soas, foi positiva em 212 (66%),
em leitura após 48 horas e com pá-
pulas acima de 1 cm.
A prevalência da infecção, na
cidade referida, era portanto mui-
to alta: resta saber se os resulta-
dos das reações imunológicas cor-
respondem a achados clínicos, e se
os mesmos são extensivos a outros
locais da área amazônica.
Eis um assunto completamente
em aberto na patologia amazônica.
PARASITOSES COSMOPOLITAS
ENCONTRADAS NA AMAZÔNIA
OUTRAS TREPONEMATOSES
Além da pinta, a sífilis e a bou-
ba não podiam faltar na nosologia
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regional. É verdade que a sífilis, de-
pois da era da penicilina, entrou
em declínio; só últimamente, tal-
vez em conseqüência da resistência
a antibiótico, voltou a comparecer
mais freqüentemente, com as ou-
tras doenças venéreas, aos serviços
médicos.
Pessoa (16) fala na sífilis de
contágio não-venéreo, encontrada
nos Balcãs e algumas Repúblicas
Soviéticas: na Amazônia não há
notícia dela, como de resto no Bra-
sil.
A bouba foi ou ainda é muito di-
fundida no interior, sendo objeto,
atualmente, de intensa campanha
por parte do Departamento Nacio-
nal de Endemias Rurais, que apli-
ca penicUina, inclusive, em todos os
contatos dos boubáticos.
Há um fato importante a assi-
nalar, por todos nós, que pratica-
mos laboratório clínico na região:
as reações sorológicas, tanto as de
floculação como de fixação de com-
plemento, diminuíram de maneira
surpreendente a sua positividade,
de uns 15 anos para cá, correspon-
dendo à difusão do uso da penici-
lina.
TRICOMONÍASE
Largamente difundida, é respon-
sável por prurido vulvar e corri-
mentos vaginais, podendo a trans-
missão se fazer através de objetos
contaminados, vasos sanitários,
etc., ou, da mulher para o homem,
pelo contato sexual.
PROTOZOOSES INTESTINAIS
Há duas muito freqüentes: a
amebíase e a giardíase. Ambas com
sintomatologia variada, sobressain-
do as crises disentéricas. São ra-
ros os abscessos amebianos do fí-
gado.
Entre escolares, Causey, Costa
& Causey (50) encontraram em
Belém 16,6% de casos positivos de
Endamoeba histolytica e 20,9 de
Giardia lamblia. Em Manaus, Oli-
veira (51) encontrou 14,6% de
cada protozoário.
Vale a pena referir também o
crescimento acentuado da giardía-
se desde a II Grande Guerra, com
0 deslocamento de imigrantes para
a Amazônia.
ANIMAIS ACIDENTALMENTE
CAUSADORES DE DOENÇAS
NO HOMEM
OFÍDIOS
Realmente nem há tantas cobras
na Amazônia, como se apregoa,
nem predominam entre elas as ve-
nenosas. As mais importantes de
tôdas, e que só se encontram em
regiões densamente florestadas, são
as do gênero Lachesis, que produ-
zem grande quantidade de veneno,
de ação local e geral muito rápida
e grave. Sendo muito pequena a
2 — 37.152
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
produção de sôro anti-laquésico, e
exigindo o tratamento a aplicação
de grandes quantidades do mesmo,
na verdade a população da Ama-
zônia vive pouco protegida pela
eficiente medicação. Os soros poli-
valentes são constituídos apenas
de sôro anti-botrópico e anti-cro-
tálico.
Do gênero Crotalus só temos re-
presentantes nos campos do rio
Branco, de Marajó e do Puciari, o
que confirma a sua clássica distri-
buição geográfica.
As corais venenosas estão presen-
tes na Amazônia apenas com o gê-
nero Micrurus.
Bothrops há vários. Acreditamos
que o maior número de acidentes
ofídicos na região sejam causados
por êles.
PEIXES
Referimos apenas os choques elé-
tricos produzidos pelo poraquê
(Electrophorus electricus) e as fer-
radas de arraias (gêneros Dis-
cens e Potamotrygonidae) , extre-
mamente dolorosas, e que são se-
guidas de infecções graves se não
houver a imediata retirada do
“ferrão”, como chama o povo ao
terrível órgão de defesa e ataque.
Ainda merecem menção os aci-
dentes por mordida de piranhas
(gênero Pigocentrus) , de que há
cinco ou mais espécies nos rios e
lagos da Amazônia.
LARVAS DE MOSCAS
As larvas de môscas, depositadas
em escoriações da pele, não são
muito freqüentes, mas não podem
deixar de ser lembradas, por figu-
rarem, vez por outra, entre os so-
frimentos da população do interior,
que vive sem higiene.
OUTROS ANIMAIS
As pessoas que trabalham den-
tro d’água, especialmente na des-
corticação da juta, são assaltadas
algumas vêzes por sanguessugas
que, além da espoliação sanguínea,
ainda causam um mal-estar enor-
me, e são de difícil remoção.
O único espongiário de água do-
ce, o “cauixi” ou “cauxi”, que se
encontra especialmente nos igara-
pés das margens dos rios de água
prêta, desprende espículas muito
finas que causam prurido e irrita-
ções cutânea ou das mucosas (es-
pecialmente da conjuntiva ocular)
difíceis de suportar.
Os ribeirinhos e os que viajam
pelos rios especialmente à noite e
em certas fases do ano, são assal-
tados por um artrópodo de porte
médio, o “potó” {Paederus amazo-
nicus?), que elimina uma secreção
com cheiro de ácido fórmico, cau-
sadora de queimadura muito forte
e desagradável.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
As parasitoses na Amazônia, ape-
sar de numerosas, são passíveis de
combate eficiente, a exemplo das
de maior gravidade e que atingem
maior número de pessoas, como a
malária, as helmintoses (especial-
mente a ancilostomose) e as proto-
zooses intestinais (especialmente a
amebíase) .
A malária está batendo em reti-
rada nas capitais e nas regiões em
que está sendo sistemàticamente
combatida. As parasitoses intesti-
nais entrarão em declínio, como já
estão entrando nas capitais e cida-
des mais adiantadas, à medida que
as providências para o saneamento
do meio e a educação sanitária vãc
se fazendo sentir.
A bancroftose vem caindo ano a
ano, graças à medicação profiláti-
ca microfilaricida. E tudo faz crer
que a bouba será erradicada.
Outras parasitoses precisam ser
melhor estudadas, para estabeleci-
mento de plano de ataque seguro,
como as leishmanioses, esquistos-
somose, leptospirose, balantidiose,
pinta e toxoplasmose.
A ciência e a civilização, a ser-
viço do desenvolvimento social e
econômico, livrarão a Amazônia
mais cêdo ou mais tarde do estig-
ma de região inabitável, e aqui os
hcmens dominarão a natureza pri-
mitiva, para se tornarem realmen-
te senhores da terra.
RESUMO
O A. procurou reunir nesta con-
ferência dados sôbre as parasitoses
de maior importância para a pa-
tologia humana na Amazônia, re-
lacionando-as com fatores ecoló-
gicos (constituição geológica, cli-
ma, hidrologia, floresta e fauna).
Ao estudar cada doença, reuniu
as informações ao seu alcance, de-
pois de rever a bibliografia exis-
tente.
Foram consideradas as parasito-
ses transmitidas por hematôfagos
(malária, leishmanioses e filario-
ses), as de hospedador animado
(esquistossomose e teníases) e ina-
nimado (helmintoses intestinais)
as zoo-parasitoses transmitidas ao
homem (leptospirose e balantidio-
se), doenças de transmissão não
definitivamente estabelecida (pin-
ta e toxoplasmose), as parasitoses
cosmopolitas encontradas na Ama-
zônia (sífilis e bouba, tricomonia-
se e protozooses intestinais) e os
animais acidentalmente causado-
res de doenças no homem.
Maior destaque foi dado às doen-
ças de massa, especialmente malá-
ria e helmintoses intestinais.
Para o A., várias parasitoses es-
tão a exigir estudos mais profun-
dos, quanto à epidemiologia (leish-
manioses, leptospirose, balantidio-
se, esquistossomose, etc) e especifi-
camente quanto à transmissão
(pinta e toxoplasmose).
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Conclui o A. declarando-se con-
victo de que a ciência e a civiliza-
ção, a serviço do desenvolvimen-
to social e econômico, livrarão a
Amazônia, mais cedo ou mais tar-
de, do estigma de região inabitá-
vel, permitindo aos homens domi-
narem a natureza primitiva, para
se tornarem realmente senhores da
terra.
SUMMARY
In this report the author propos-
ed to resume the avaüable data
relating to the parasitic diseases of
greater importance in the Amazon
region and, at the same time, to
study the influence of some ecolo-
gical factors (geology, climate, hy-
drology, flora and fauna) on the
developing of these diseases.
He considered the parasitic di-
seases transmitted by hematopha-
gous insects (malaria, leishmania-
sis and filariasis), other animate
hosts (schistosomiasis and tenia-
sis) , and those contracted from
soil (intestinal worm infections).
He also considered some zoonosis
(leptospirosis and balantidiasis) ,
the cosmopolitan parasitic diseases
found in Amazônia (syphUis, yaws
trichomoniasis and intestinal pro-
tozoa infections) and the parasitic
diseases whose transmission has
not yet been definitely established
(pinta and toxoplasmosis) . The ve-
nomous animais found in Amazô-
nia were still considered.
The author gave special atten-
tion to the most prevalent para-
sitic diseases in the region, such
as malaria and helmintiasis.
He emphasized that the epide-
miology of certain diseases (leish-
maniasis, leptospirosis, balantidia-
sis and schistosomiasis) and spe-
cifically the transmission of pinta
and toxoplasmosis, need a more
profound study in the region.
The author concluded by assert-
ing that Science and civilization
in the field of social and economic
development, will, sooner or later,
free Amazônia from the stigma of
being unfit human existence, thus
permiting man to master the pri-
mitive wUderness and eventually to
become master of the land.
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Atas do Simpósio sobre a Bíota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 25-29 — 1967
PATOLOGIA DOS VIRUS TROPICAIS
DOMINGOS DE PAOLA •
Històricamente, representa o
Brasil, e particularmente a região
amazônica, um rico reservatório de
doenças por virus. Alguns dêsses
agentes insultantes foram, no pas-
sado, responsáveis por graves epi-
demias, com alta mortalidade,
como no caso da febre amarela ur-
bana. Esta doença, longe de ser ex-
tinta, continua a produzir vítimas
esporàdicamente na Amazônia —
a febre amarela silvestre, e bem re-
centemente, em outros territórios
brasileiros, como no norte do Esta-
do do Paraná, onde foram relata-
dos pelo menos, cêrca de 100 casos
fatais.
Recentemente muitos novos vi-
nis foram identificados, parti-
cularmente arbovirus, no Institu-
to Evandro Chagas, em Belém (Pa-
rá), graças aos progressos da me-
todologia diagnóstica. Tais virus
* Docente de Anatomia Patológica
da Faculdade de Medicina da Univer-
sidade Federal do Rio de Janeiro e da
Faculdade de Ciências Médicas da Uni-
versidade do Estado da Guanabara.
Professor de Patologia da Escola de
Pós-Graduação Médica da Universi-
dade Católica do Rio de Janeiro.
mantêm certamente seu ciclo bio-
lógico em pequenos animais selva-
gens (roedores e marsupiais) e
aves, tendo o mosquito como vec-
tor, constituindo assim seu eco-sis-
tema. Ora, a penetração do homem
na selva, na construção de novas
vias de comunicação, como por
exemplo a estrada Belém-Brasília,
estabelecendo os contatos entre zo-
nas urbanas altamente desenvolvi-
das com áreas “remotas” propiciou
ao homem sua integração neste
ecosistema virai. Passou o homem
a constituir também um hospedei-
ro, e como corolário natural, a con-
trair doenças virais com o mais va-
riável espectro de gravidade, até o
momento ainda não bem conheci-
do pelas autoridades médicas e de
Saúde Pública. Teoricamente, até
quando pelo menos permanecer
êste desconhecimento, as possibili-
dades do homem de se inferiorizar
pelas doenças virais são certamen-
te muito grandes e imponderáveis,
já que inevitável é o contato dêste
nôvo e complexo hospedeiro com
os agentes virais, tôda vez que se
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
programa o progresso de áreas des-
favorecidas, particularmente o tró-
pico úmido.
Acresça-se a tudo isto, um outro
fato nôvo — a integração social,
política e econômica intercontinen-
tal favorece a universalização dos
agentes virais e suas possíveis do-
enças, como ocorreu na história da
humanidade em relação a muitos
outros estados mórbidos, inclusive
as próprias doenças por virus. Re-
centemente estabeleceu-se a iden-
tidade do agente virai produtor de
encefalites em carneiros na Islân-
dia-Visna, com a encefalite da No-
va Zelândia-Kurú. Mais próximo de
nosso problema foi o isolamento de
arbovirus do grupo C, tidos como
peculiares à Amazônia, recente-
mente na Flórida, e a constatação
de significativos títulos de anticor-
pos entre os índios semínolas, da
região, segundo informação do
Communicable Diseases Center
(U. S. Public Health Service) de
Atlanta (Geórgia).
Infelizmente, para a região ama-
zônica, a importância do problema
não se restringe simplesmente à
sua potencialidade. Alguns exem-
plos concretos nos dão conta da
realidade do problema e de suas re-
percussões sociais e geo-econômi-
cas. Assim, o isolamento, na fron-
teira da Bolívia com o Estado de
Mato Grosso, de virus Machupo,
responsável pela febre hemorrági-
ca boliviana, faz antever sua inva-
são em território brasileiro. Recen-
temente, no Território do Amapá,
foi isolado por Pinheiro, em comu-
nicação pessoal, um nôvo virus —
Amapari, do mesmo grupo Tacari-
be. É verdade que, até o momento
0 isolamento se limitou a pequenos
roedores, não se tendo notícia de
doença no homem, se é que ela
existe. Há pouco tempo foi relata-
do na cidade de Belém e arredores,
surtos epidêmicos de doença febril
determinados, de acordo com os in-
quéritos sorológicos, por virus Oro-
pouche e Mayaro, segundo o rela-
tório do laboratório de virus do
Instituto Evandro Chagas. Em La-
brea, no Estado do Amazonas, de
algum tempo é relatada a exis-
tência de surtos epidêmicos de
“doença hepática” que comprome-
te crianças e com alta mortalida-
de. Embora neste caso não tenha
sido, até 0 momento isolado um
agente virai, a documentação aná-
tomo-patológica sugere fortemen-
te esta etiologia. De fato, em re-
cente reunião de patologistas re-
gionais (Dr. M. Morais, do I.N.P.A.;
Dr. Monteiro Leite, da Fac. Med.
de Belém; Dr. Leônidas Dias, do
Inst. Evandro Chagas; Dr. D. De
Paola e Sampaio Lacerda, da Fac.
Med. Rio de Janeiro) foi opinião
unânime se tratasse de uma for-
ma muito grave de hepatite epi-
dêmica, modificada em sua histó-
ria natural por condições locais
de subnutrição. Êstes dados não
são certamente originais, por-
em 1
SciELO
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Volume 6 (Patologia)
27
que fatos semelhantes foram assi-
nalados, há algum tempo também
na índia. Ainda, na região, na ci-
dade ce Imperatriz, no Maranhão,
que bordeia a estrada Belém-Brasí-
lia, dois casos fatais de encefalite
foram relatados. Quantos não fa-
tais ou subclínicos na região, até o
momento se desconhece. As pesqui-
sas virológicas efetuadas por pes-
quisadores do Instituto Evandro
Chagas (Dr. Francisco Pinheiro e
Gilberta Betsabá) dão conta de sua
etiologia virai. Desconhece-se até o
momento o tipo, embora sugira a
investigação sua natureza arbovi-
ral, provàvelmente um tipo nôvo
na região. Do ponto de vista ana-
tômico as investigações de Leôni-
das Dias e Francisco Duarte con-
duziram à descrição de um quadro
encefalitico com peculiar destrui-
ção de células de Purkinje do ce-
rebelo e a identificação de corpús-
culos eosinófilos citoplasmáticos.
Se de um lado êstes exemplos de-
monstram 0 fascínio da pesquisa
virológica e anatômica que a re-
gião propicia, não menor é a cruel-
dade destas perspectivas à sua po-
pulação.
Neste Simpósio, nos foi dada a
oportunidade de expor o problema
da patologia dos virus tropicais.
Permitam-me pois que descreva os
danos estruturais determinados por
virus peculiares à região, já que de-
monstramos anteriormente o cará-
ter universal dos agentes virais. As
condições ecológicas da região, e já
nos referimos ao fato, favorecem
o ciclo e a sobrevivência de virus do
grupo ARBO. Os relatórios da Fun-
dação Rockefeller mostram clara-
mente que mais de um têrço de ar-
bovirus identificadcs em seus vários
laboratórios distribuídos em várias
regiões do globo, o foram no Ins-
tituto Evandro Chagas em Belém.
A realidade atual é a de que exis-
tem mais virus isolados que doen-
ças descritas relacionadas a êsses
agentes. Esta verdade pode, num
juízo crítico rigoroso, fazer duvi-
dar da própria importância dêstes
agentes como produtores de do-
ença.
O primeiro passo seria, portan-
to, o de se estabelecer o quadro le-
sionai induzido experimentalmen-
te em animal susceptível — o ca-
mundongo, para depois avaliar os
danos da infecção natural.
Em 1963 tivemos a oportunidade
de analisar o quadro lesionai pro-
duzido experimentalmente em ca-
mundongos jovens e adultos, ino-
culados por via cerebral e intrape-
ritoneal, por protótipos de virus
Apeu, Nepuyo, Caraparu, Maritu-
ba, Oriboca, Itaqui, Murutucu,
Guamá, Catu e Moju, utilizando
títulos variáveis entre 10 - a 10 *.
Desta indagação resultaram dois
quadros lesionais básicos — o
de encefalite e o de hepatite. O
comprometimento do sistema ner-
voso foi patrimônio comum a todos
28
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
êles, como o é para todos arbovirus
em geral, por definição. Mas, de
singular foi a identificação de um
quadro de hepatite, caracterizado
por degeneração e necrose hepato-
celular nas porções mediozonais e
periféricas do lóbulo hepático, e,
caracteristicamente, preservação
da porção centro-lobular. Também
a ausência de mobilização mesen-
quimal tornou o quadro muito si-
milar ao que se descrevera na in-
fecção natural em macacos e ho-
mem, pelo virus da febre amarela.
Constatado assim um grupo de ar-
bovirus com peculiar tropismo pelo
parênquima hepático, pareceu-nos
importante comprovar o fato na
infecção natural. Esta etapa pôde
ser ultrapassada com a confirma-
ção do mesmo quadro em camim-
dongos-sentinelas, infectados justa-
mente com os mesmos tipos de vi-
rus hepatotrópicos — Itaqui, Mu-
rutucu, Oriboca e Caraparu.
Seguindo a mesma linha de
idéias, um nôvo grupo de trabalho
organizou-se, desta vez comandado
pelo Dr. Leônidas Dias, lun de nos-
sos colaboradores, para investigar
a ação patogênica de arbovirus iso-
lados na região, mas pertencentes
a outros grupos, como o grupo A e
B. Arbovirus do grupo A, como o
Mayaro e Aura foram inoculados
dentro da mesma Unha de experi-
mentação. Em relação ao virus
Mayaro foi comprovada sua afini-
dade pelo tecido conjuntivo jovem.
particularmente e pericôndrio, pe-
riósteo e no coração. A infecção
natural em camundongos-sentine-
las demonstrou esta mesma apti-
dão para a destruição de células do
tecido conjuntivo. Em relação ao
virus Aura, a infecção experimen-
tal em camundongos jovens produ-
ziu quadro de miocardite do tipo
degenerativo. Falta-nos, em relação
ao virus em aprêço, sua confirma-
ção nos quadros de infecção natu-
ral.
Em relação à patologia humana,
pesquisas são ainda incipientes,
considerando a linha de investiga-
ção que nos propusemos a seguir.
Os primeiros resultados foram obti-
dos, se bem que ainda parcialmen-
te, com os casos assinalados em La-
brea e Imperatriz. Ainda não co-
nhecemos o tipo de agente virai,
embora se suspeite em relação à
doença de Labrea do virus da hepa-
tite epidêmica, cuja virulência foi
atribuída às modificações dos me-
canismos de defesa do hospedeiro
pela subnutrição. Dois achados
anatômicos são perturbadores à
conclusão definitiva de sua natu-
reza, embora não se exclua sua
etiologia virai. Trata-se da identi-
ficação de intensa metamorfose
gordurosa nos hepatócitos e a de-
generação gordurosa das células
tubulares renais — êsses achados
foram assinalados na síndrome de
Reye, descrita em crianças origi-
nalmente na Austrália e depois na
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Volume 6 (Patologia)
29
Tcheco-Eslováquia e Estados Uni-
dos. Aliás, é esta a opinião, segun-
do comunicação pessoal, do Doutor
Klatskin, da Yale University, que
teve a oportunidade de examinar
um dos casos procedentes de La-
brea. Já em relação aos casos de
encefalite de Imperatriz, embora
tenha a patologia descrito entre
outros achados, o de corpúsculos
citoplasmáticos, fato aliás nunca
assinalado em encefalites por ar-
bovirus, pelo menos no homem, es-
pera ainda sua tipagem final, em-
bora as investigações preliminares
induzam fortemente sua etiologia
arboviral, ainda que por um tipo
nôvo à região.
Finalmente, dentro do campo de
especulação inteiramente teórico,
pelo menos em relação à região
amazônica, até o momento, vale
assinalar algumas características
anatômicas do quadro mórbido das
febres hemorrágicas, que guardam
as mais variáveis etiologias viróti-
cas. As informações que obtivemos,
se bem que ainda escassas, dão con-
ta de um quadro bastante com-
plexo. Ao lado dos fenômenos he-
morrágicos cutâneos e viscerais, as-
sinalam-se como denominadores
comims, a mobilização de siste-
ma retículo-endotelial e a hepatite.
Completam o quadro mórbido, em
intensidade que varia de entidade
mórbida para outra, as lesões do
sistema nervoso e dos rins.
Assim sendo, em conclusão, pa-
rece-nos justo que o patologista da
região deva se familiarizar com ês-
tes “novos” quadros nosológicos,
para estar melhor preparado e apto
na identificação destas doenças, e
assim contribuir, de maneira deci-
siva, nos programas de trabalho de
Saúde Pública na região.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 31-63 — 1967
vírus RESEARCH IN AMAZÔNIA
JOHN P. WOODALL
Belém Virus Laboratory, Instituto Evandro Chagas, Belém, Pará
This review covers virus isola-
tions and epidemiological studies
carried out in the Amazon basin,
which lies mainly in Brazil but also
includes parts of Colombia, Equa-
dor, Peru and Bolivia drained by
affluents of the Amazon river. The
viruses found in this area fali into
2 broad groups: those which are
the scorge of mankind and his do-
mestic animais the world over, and
those which are peculiar to the
Amazon forest and its creatures,
transmitted by mosquitoes and
only infecting man sporadically
when he ventures to cut down the
forest to build a road, a homestead,
or to cultivate crops. The first
group has been relatively well stu-
died in other parts of the world,
and the viruses in it can be clas-
sified on the basis of their structu-
re and biochemical properties. A
recently proposed classification
(1) is used in this review, which
discusses only those viruses which
have actually been isolated in Ama-
zônia. or for which there are sero-
logical data. Many common virus
diseases such as chickenpox, rubel-
la and infectious hepatitis are of
course present in the region, but
are not mentioned for lack of viro-
logical data. The second group is
less well understood, and structu-
ral and biochemical data are scan-
ty, so that the viruses are classi-
fied on the basis of their biologic-
al properties. Most of these
appear to be arthropod-borne ani-
mal viruses (arboviruses) , and can
be subdivided into groups accord-
ing to their serological relation-
ships (2).
Actual isolation of viruses from
Amazônia began relatively recent-
ly. Yellow fever had been known
in the region for hundreds of years,
but the first isolation of the virus
was made only in 1954, by the
staff of the newly-established Be-
lém Virus Laboratory (3). In 1955,
scientists from the USA isolated
strains of an arbovirus from Oki-
nawan colonists on the Bolivian
Amazon (4) , and collected human
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32
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
sera from the Peruvian and Boli-
vian Amazon for yellow fever pro-
tection tests and tests for other ar-
bovirus antibodies (5) . More re-
cently, a Comisión de Investiga-
ción de la Fiebre Hemorrágica dei
Beni, with support from the U.S.
National Institutes of Health, has
been investigating a highly fatal
virus epidemic in the Bolivian
Amazon (6). But the major effort
in virus isolation, identification and
serological survey in Amazónia has
been made by workers at the Ins-
tituto Evandro Chagas, Belém,
Pará State, Brazil. At that institute
the Belém Virus Laboratory (BVL;
was established in 1954 by an agree-
ment between the Fundação Ser-
viço Especial de Saúde Pública of
Brazil and the Rockefeller Foun-
dation. For more than 9 years this
laboratory was under the inspired
direction of Dr. O. R. Causey of the
Rockefeller Foundation, ably as-
sisted by his wife. In 1956 the
agreement was renewed and the
Department of Microbiology of the
University of Brazil, Rio de Janeiro,
joined the signatories. Since then
further collaboration has come
from the National Research Coun-
cil and National Museum of Brasil,
the Instituto Oswaldo Cruz in Rio
de Janeiro, the Instituto de Pesqui-
sas e Experimentação Agropecuá-
rias do Norte and the Water De-
partment at Belém, the Depart-
ment of Rural Endemics, the Na-
tional Department of Highways,
and Indústria e Comércio de Mi-
nérios S/A in Amapá Territory.
The organization of the laborato-
ry has been described by Causey
(7). Between November 1954 and
the end of 1965, over 2000 isola-
tions of at least 60 different virus
tjrpes had been made at the BVL,
and some 40 of these were original-
ly discovered by that laboratory.
Twenty-nine of those types are as
yet known only from Amazónia.
In 1961 a tissue culture labora-
tory was also established at the
Instituto Evandro Chagas, with
the help of a grant from the Rocke-
feller Foundation, and this is now
directed by Dr. F. P. Pinheiro. Be-
fore it was even fully operational
it was pressed into Service to diag-
nose a poliomyelitis epidemic in
Belém (8), and other enterovirus
and arbovirus studies have been
carried out there, the details of
which will be published elsewhere.
The laboratory of the Departa-
mento de Defesa Sanitária Animal
in Belém has been active in diag-
nosing cases of rabies in Amazónia,
and other laboratories outside the
region, such as the Pan-American
Foot-and-Mouth Disease Center in
Rio de Janeiro, have isolated ve-
terinary viruses from material sent
from the Amazon.
Volume 6 (Patologia)
33
POXVIRIDAE
Variola
A single isolation was made in
1961 at the BVL, from a Belém pa-
tient (9).
ADENOVIRIDAE
Adenoviruses
Types 2, 5, 7 and 11 have been
isolated from Belém patients (10).
HERPESVIRIDAE
Her-pes
Two strains were isolated at BVL
in 1960 from oral aphthae of chil-
dren, and were identified by CF
testing using hyperimmune herpes
serum supplied by the Trinidad Re-
gional Virus Laboratory. Further
strains have been isolated annual-
ly in mice and tissue culture from
Belém patients (10,61). Of 3 isola-
tions made in 1965 from children
aged 3 to 12 years with stomatitis,
one carne from a child with deli-
rium The virus has been reco-
vered from stool specimens as well
as oral swabs. In sera from the Pe-
ruvian Amazon, complement-fixing
antibody rates rise to 97% with
age (5).
MYXOVIRIDAE
Influenza
The 1957 pandemic of the Asian
A virus affected Belém, where sev-
eral strains were isolated be-
tween September and December
( 11 ).
Mumps
A serological survey among
inhabjtants of the Peruvian Ama-
zon revealed 75% positive by com-
plement fixation test (5).
Newcastle disease
Nine strains isolated from sick
chickens from Belém in 1958 were
identified by the haemagglutina-
tion inhibition test, and 2 further
strains were obtained in 1959 and
2 in 1960 in Belém (9). Poultry
farmers in Pará State routinely
vaccinate their flocks against the
disease.
Rabies
A few strains are isolated every
year at BVL from suspect animal
material submitted. In 1959 two
strains were isolated from dogs and
one each from a horse, a goat and
a cow, whilst in 1960 three more
strains were isolated from Belém
dogs (9). In 1965 one strain was
isolated from a dog’s brain from
Belém. Rabies is commonly diag-
nosed by the Faraco test at the
laboratories of the Departamento
de Defesa Sanitária Animal in Be-
lém, and they have recorded bat
rabies from Marabá, São Miguel
do Guamá, and Altamira in Pará
3 — 37.152
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34
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
State over the past few years,
with another isolate from a pool
of 10 brains of vampire bats, taken
in July 1965 at Parintins, Amazo-
nas State.
STOMATOVIRIDAE
Cocai virus
This is morphologically and se-
rologically close to Indiana vesi-
cular stomatitis virus, so is clas-
sed here. The prototype was isola-
ted in 1961 from Gigantolaelaps
mites ectoparasitic on an Oryzo-
mys rat in Trinidad (12). Mites of
the same genus taken from a rat
of the same genus trapped 92 km
from Belém on the Belém-Brasilia
highway in 1962 yieldel another
strain (12).
NAPOVIRIDAE
Poliovirus
All 3 types are endemic in Pará,
and presumably throughout Ama-
zônia. Between October 1961 and
March 1962 an epidemic occurred
in Belém, during which 27 type 1,
two type 2 and two type 3 poliovi-
ruses were isolated from faeces and
rectal swabs, and homologous anti-
bodies were found in the patients’
sera (8). Later in 1962 three more
strains of type 1 were isolated, and
in 1964 two more of type 1 and one
each of tipes 2 and 3 (10). In 1965
type 1 was isolated from 2 paralys-
ed children aged IV 2 and 3 years
at Belém (10).
Neutralizing antibody to all 3
types was found in 1955 in sera
from the Peruvian and Bolivian
Amazon (5). The commonest anti-
body among chüdren under 5
years old was type 1 in the Boli-
vian sample and type 3 in the Pe-
ruvian sample.
Coxsackievirus
An untyped Coxsackievirus was
isolated from a 20-month-old child,
one of the patients who also pro-
duced polio type 1 in the 1961-2
Belém polio epidemic (8) . In 1963 a
strain of B4 and in 1964 one of A5
were isolated (10). In 1965 eight
isolates of Coxsackie A viruses
(awaiting typing) were made at
Belém from children aged 1-7
years, with symptoms ranging
from nil through pyrexia to paral-
ysis; a strain of A2 was isolated
from the paralysed child aged
1 V 2 years who also produced
polio 1, one strain of A4 and 2 of
A5 were obtained from 1-2 year
old children with pyrexia, and 3
strains of B2 from children and an
adult, aged 40, with symptoms of
pleurodynia, or diarrhoea and
vomiting (10).
Encephalomyocarditis virus
An epizootic occurred from Ja-
nuary-April 1960 in Pará State
Volume 6 (Patologia)
35
TABLE 1
Name of virus, Belém prototype, and source of isolations, 1954-1965
Group
or
coniplex
Belém
prototype
\ame
SOURCE
Hu.uan
.Animal
.Arthropods
Sentinel
Wild
A
AN 8
Mucambo
X
+
+
+
+
AN 7526
EEE
+
+
+
H 407
NUyaro
+
+
AR 10315
Aura
X
+
AR 13136
Una
X
+
AR 35645
Pixuna
X
+
+
AN 70.00
WEE
+
B
II 111
Yellow fever
+
+
+
AN 4116
Bu^quara
X
+
+
+ -
H 7445
Ilhéus
+
+
+
AR 23379
St. Louis
+
+
+
c
AN 17
Oriboca
X
+
+
“h
+
AN 974
Murutucu
X
+
+
+
AN 15
M arituba
X
+
+
AN 848
.Apeú
X
+
+
+
+
AN 3994
Caraparu
X
■h
+
+
+
AN 12751
Itaqui
X
+-
+
+
AN 10709
Nepuyo
+
+
+
Guamá
H 151
Catu
X
+
+
+
+
AN 277
Guam^
X
+
+
+
+
AR 125C0
(Mojj)
X
+
+
+
Capim
AN 85S2
(Capín)
X
+
+
+
AN 10615
(Guajará)
X
+
+
+
AN 20076
{Bushbu jh T)
+
+
Mirim
AN 7722
(Mirim)
X
+
+
Bunyamwera
H 12208
Guaroa
+
AR 7272
(Ma?uari)
X
+
AR 8226
Kairi
+
+
+
AR 32149
(Sororoca)
X
+
Califórnia
AR 8033
.Melao
+
Wyeomyia
AR 278
(Tu?unduba)
X
+
AR 671
(Taiassui)
X
+
Símbu
.AN 19991
Oropouche
+
+
+
AN 84785
(Utinga)
X
-t-
Turlock
AN 32260
Turlock
+
+
Anopheles A
AR 35112
(Lukuni)
+
Rilebotomus fever
H 22511
(Candiru)
X
+
AN 24262
Icoaraci
X
+
AN 46852
(.\nhanga)
X
+
AN 47693
(Bujani)
X
+
AN 64582
Itaporanga
+
+
+
Changuinola
AN 28873
(Irítuia)
X
+
Untyped
+
Indiana VSV
AR 39377
Cocai
+
Timbó
AN 41787
Timbó
X
+
AN 42217
Chaco
X
+
Cotia
AN 58058
(Cotia?)
+
Tacaribe
AN 70563
(.Amapari)
X
+
+
Umjrouped
AN 73
Tacai uma
X
+
+
.AN 24232
(Piry)
X
§
+
AN 27236
(Pacui)
X
AN 27639
(.Acará)
X
+
+
AN 40290
Njarco
X
+
AR 40578
(Jurona)
X
+
AR 50117
(Tembe)
X
+
AN 67949
(-)
X
+
TOTAL
56 type*
38
16
25
35
38
X Oríitinal ifolation made in Belém.
§ Laboratory infection.
( ) UnpuUished.
cm 1
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36
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
(14). Virus was isolated frcm 33
sources: wild rodents, opossum,
horses, birds, sentinel mice and
mosquitoes. Antibodies were de-
monstrated in the blood of wild
rodents, horse and cow. This virus
has also been isolated from mos-
quitoes in África (15) but trans-
mission is thought to be generally
by contact rather than by mosqui-
to bite. It seems difficult, however,
to explain the sentinel mouse in-
fections other than by mosquito
transmission.
Foot and mouth disease virus
This disease is common among
livestock in Amazônia. Lingual epi-
thelium from cases occurring in
the region has been sent to labo-
ratories in Recife and Rio de Ja-
neiro, which have isolated 2 strains
of type O and one type A in 1962
from Município Careiro, Manaus,
and one type O from Amazonas
State, and one type C Rezende
from Belém in 1965 (16). A strain
of type O was also isolated in 1965
at the BVL from the blood of a
Belém bovine (61).
Mouse poliovirus
Type GD7 has been isolated
many times from the BVL mouse
colony since 1956, and appears to
be endemic to the colony. It is most
often picked up when infant mice
inoculated with material for virus
isolation attempts are kept beyond
the usual observation period of
12-14 days.
THE ARBOVIRUSES
We depart from the structural
classification here, because not
enough Information is yet availa-
ble on the ultrastructure of these
viruses to ensure that they form a
homogeneous group. Yet biologic-
ally the arthropod-borne animal
viruses share the properties of
transmission to vertebrates by the
bite of a haematophagous arthro-
pod after a period of multiplica-
tion within the arthropod, patho-
genicity for mice on inoculation,
and sensitivity to ether, chloroform
and sodium desoxycholate.
The arboviruses (and some other
agents) isolated at the BVL are list-
ed in Table 1, which also shows
the sources from which each carne.
Fifteen of them have been isolated
from natural infections of man,
and clinicai pictures for some of
these are described by Causey et
al. (17). The results of human se-
rum surveys for arbovirus anti-
bodies in the Amazon valley have
been published (18, 19, 41). Reser-
voirs and vectors are discussed by
Causey (20) . The methods used to
isolate arboviruses have been des-
cribed elsewhere (17,21) together
with summaries of the results ob-
tained up to 1957 (21) and May
1959 (17), and so have the me-
38
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
TABLE 2
Arbovirus isolations from man and maximum antibody rates,
Belém Virus Laboratory, 1954-65
VIRUS
NO. ISOL.\TES
aktibody
R.VTE a)
Field
Lab.
HI
XT
9
2
60%
10%
Mucambo
6
34%
>20%
3
Yellow fever
24b)
45%
Apeú.
3
15%
Caraparu
8
15%
Itaqui
1
3%
Marituba
2
Ic)
4%
Murutucu
4
4%
Oriboca
4
3%
Catu
9
Guamá
3
Guaroa
5
18%
Oropouche
15
Ic)
19%
H22511 (Candiru)
1
1/253
15 tvpes Total
97
4
a) Hl and N rates may be on different collections of sera
b) includes 3 isolations of 17D from vaccinated p?rsons.
c) these could have been natural infections.
TABLE 3
Arbovirus isolations from sentinel animais, Belém Virus Laboratory, 1954-65
VIRUS
Mouse
Monkey
Total
EEE
34
7
41a)
Mucambo
37b)
30
67
Bussuquara
9
Ic)
10
Ilhéus
1
1
SLE
1
1
Yellow fever
2
2
11
15
26
Caraparu
292
31
323
Itaqui
137
4
141
Marituba
11
13
24
I\ urutucu
25
18
43
Xepuyo . .
3
3
Oriboca
42
20
62
147
8
155
Guamá
181
22
203
AR 12590 (Moju)
89
89
AN 20076 (Bushbush?)
8
8
AN 8582 (Capim)
18
18
AN 10615 (Guajará)
33
33
AN 7722 (Mirim)
8
1
9
1
1
Turlock
3
3
Itaporanga
2
2
AN 27639 (Acará)
4
4
Tacaiuma
1
1
1095
175
1270
Xo. types isolated
22
16
26
a) also 2 isolates from sentinel chickens
b) one of these was a white rat
c) AUniatia btHzebul (all other sentinel monkeys were Cebu4)
1. I, SciELO
Volume 6 (Patologia)
39
TABLE 4
Virus isolates from rodents and maximum antibody rates
Belém Virus Laboratory, 1954-65
VIRUS
XECTOMYS
PROECHIMYS
ORYZOMYS
TOTAL
Xo.
isolates
Antibody
rate
Xo.
isolates
Antibody
rate
No.
isolates
.\ntibody
rate
isolates
EEK
1
4%HI
1
<1%HI
2
Mucambo
1
24%HI
4
43%HI
13
20%HI
18
Pixuna
1
_
1
Bussuquara
24%HI
15
70%HI
157HI
15
Caraparu
I
43%HI
5
29rcHI
2
217HI
8
Itaqui
1
4/12HI
2
26%HI
2
147HI
5
Munrtucu
2
14%HI
3
35%HI
1
37HI
6
Xepuyo
2/12HI
1
37, Hl
27HI
1
Onboca
23%HI
1
287HI
1
207HI
2
Cata
2
39%HI
4
45%HI
6
36%HI
12
Guamá
3
30%HI
14
437HI
12
227 Hl
29
AR12590 (Moju)
2
34%HI
7
43ToHI
8
177HI
17
•\X85S2 (Capim)
3ííHI
7
13%HI
1%HI
7
AN10615 (Guajará)
1
10%XT
1
Icoaraci
8%HI
9
28%HI
97HI
9
AN47693 (Bujani)
16%HI
2
85%HI
77HI
2
AN28873 (Irítuia)
1
1
AN27326 (Pacui)
2/28XT
317XT
7
38%XT
7
AX27639 (Acará)
2
1/6 XT
147XT
2
AX58058 (Cotia?)
1
1
EMC
4
3'34XT
4
Amapari
7
2/18CF
7
Total
14
81
62
157
No. typcs isolated
8
17
13
22
Sol thovn: isolfttions of Catu (1) from Ákodon, Kairí (1) from Oecomyi, Amapari (7) from Seacomyt gvianae, Icoaraci (1) and
AR125W) (Moju) (1) from unidentified rodenta.
*HI rates must be intenx^eted witb caution in the absence of N test data.
TABLE 5
Virus isolates from marsupiais and maximum antibody rates
Belém Virus Laboratory, 1954-65
CALLUROMYS
MARMOSA
DIDELPHIS
METACHIRCS
METACHIROPS
TO-
TAL
VIRCS
Xo.
Antibody
Xo.
.Antibody
Xo.
.\ntibody
Xo.
Antibody
No.
.•intibody
iiolatef
i-jolate*
rate
i»late<
rate
isolates
rate
isolatee
rate
isolates
rate
EEE
57 Hl
227HI
57HI
107 Hl
37HI
107HI
1
Mucambo
SLE
1 1
127 Hf
1
1
2/9HI
2
3
1
1
r^THI
89; Hl
.
177 Hl
47 Hl
107HI
3%HI
1/8HI
1
1
Itaqui
_
1
Murutucu ..
17^ Hl
1
23^HI
87HI
1/9HI
1
Oriboca.. .
87HI
237 Hl
1
4%HI
1/9HI
57HI
1
Guamá
1
397 Hl
1
457HI
2
277HI
1
4,'9HI
157HI
5
AX 8582 (Capim)
1
87 Hl
1
1
447 Hl
_
107 Hl
9%HI
_
1
AX 24232 (Piry)
1
1
EMC
j
j
Total
4
4
4
3
3
18
No. tj-pe» iaolated
4
4
3
3
2
12
*HI rate must be mterpreted with caution in the absense of X test data.
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
40
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
TABLE 6
Virus isolations from other wild vertebrates
Belém Virus Laboratory, 1954-65
\1RUS
Vertebrate sp.
No. isolates
Type
^■EE (AN70100)
Afj/rmotAértíla hauxtcelli
1
bird
Mocambo (AN88995)
Pipra erythroeephala
1
bird
SLE (AN69763)
Automolu* infutcatuê
1
bird
(AN69768)
Myrmothervla hauxxcdli
1
bird
(AN70032)
Thamnomaneg caenvi
1
bird
Murutucu (AN11249)
Bradypu» tridadylut
1
sloth
Catu (AN94103)
Mdotsus obtettTUt
1
bat
Kairi (AN11497)
Saimiri sp.
1
monkey
Oropouche (AN 19991)
Bradyjnis tridaeiylus
1
sloth
(Utínga) (AN84785)
Bradypvt tridactylus
1
sloth
Turlock (AN72648)
Myrmothfruia hauxwlli
1
bird
(AN73173)
Thamnophilus amazontetu
1
bird
(Anhanga) (AN46852)
Choloepw brasiliennt
1
sloth
Timbó (AN41787)
AmcíM arneiro arneiro
6
liiard
Chaco (AN42217)
Antfiva arneiro amei va
3
liiard
KentToppx calcaratv%
1
liaard
Marco (AN40290)
Ameiva arneiro ameita
4
lUard
(unnamed) (AN67949)
Carollia rubruja
1
bat
EMC (AN48124)
J acarta jacana
Hrd
(AN 18360)
3/<wiom nigrifront
1
bird
(AN18436)
Guira Qmra
bird
(AN18368)
Vrubviinga sp.
1
bird
TABLE 7
Arboviruses isolated from Aedes mosquitoes
Belém Virus Laboratory, 1954-65
VIRCS
ê,
a.
1
.o
«9
3
J
Ca
C
i
3
1
1
3
C
0
1
§
S
'C
1
■s.
3
«0
3
■8
3
e
A
t
5
w
c
Total
Total spp
Aurá
5
5
,
EEE
3
3
1
Mocambo
2*
2
1
Una
1
1
2
2
Ilhéos
1
1
1
I
3
7
5
Apeú
1
1
2
o
Onboca.
1
1
2
2
Goamá.
1
1
2
2
AN7722 (Mirim)
1
1
1
Kairi
1
1
1
AR7272 (Magoari)
1
1
2
2
Melao
1
1
I
Wyeomyia
1
1
I
3
3
Oropouche
1
1
1
Total
2
2
I
I
4
4
1
15
1
3
34
-
No. tjTies isol
2
2
I
1
4
4
1
8
'
1
14
-
* 003 p»l al«> cootaio?d one sp3cim?n each of Ae. «eapWam, P. JtrM and an unídentified sabetLioe.
1. I, SciELO
42
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15
a) jx>ul cüntainíHl one Psorophora sp. b) idcntificd only as Group Guamú. c) luixod ikjoI aiso containinK Aedes and ^fanaonia.
44
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
infection, and in another from
which EEE had been isolated a
week earlier, there was no Mucam-
bo antibody formation, suggesting
that interference might have oc-
curred (9) . Oryzomys could well be
the forest reservoir host, since it
has a higher titre viraemia than
other forest mammals during in-
fection with this virus, and 13, '21
of the isolations from wild animais
carne from rats of this genus. One
of these was from haemorrhagic
urine of an Oryzomys. There was
also one isolation from a sentinel
white laboratory rat, together with
a matching isolation from the mos-
quitoes caught resting in the clay
pipe in which the rat was expos-
ed (9). There was a single isolation
from a forest bird {Pipra erythro-
cephala) in 1965. Mosquito isolates
total 14 from Culex (including 8
from Culex B9*) , only 7 from other
genera.
Hl antibody rates of up to 34%
in man and up to 43% in rodents
and some Hl positive marsupiais
have been found in the Brazilian
Amazon (13,29), but confirmatory
N test data is lacking. Neutralizing
antibody has been found in a vul-
ture (Coragyps) and a bat (Carol-
lia perspicillata) . There is evidence
of cyclical activity of Mucambo vi-
rus in the Belém area, with peaks
in alternate years.
* BVL code for a taxonomically dif-
ficult species, probably C. {Melanoco-
nion) portesi (50).
Laboratory mice infected with
Mucambo virus have encephalitis
and fatty changes in the liver (80) .
Pixuna (BeAr 35645)
This virus was described by
Shope et al. (31) who demonstrat-
ed its dose relationship to VEE
and Mucambo viruses and summar-
ized the Information on the 3
strains known (2 from mosquitoes,
one from Proechimys). The same
paper records that a horse inocu-
lated with the virus became im-
mune, and resisted challenge with
Mucambo virus. No further isola-
tions have been made, except for
one from mice inoculated with the
blood of a sick laboratory worker.
However, this could not be reisolat-
ed, and the patient showed no
rise in antibody during convales-
cence (9) . Laboratory mice infect-
ed with Pixuna virus have ence-
phalitis and sometimes focal he-
patic necrosis (80).
Eastern equine encephalomyelitis
This virus (Belém prototype
BeAn 7526), which in the USA
causes serious epidemics, and epi-
zootics among horses and phea-
sants, is frequent in mosquitoes
and sentinel animais in some years
in the Belém area, and apparently
absent in others (33). It has been
isolated there in every month of
the year except November. Cau-
Volume 6 (Patologia)
45
SEY et al. (34) describe an epizootic
among horses in the Coastal region
of Pará State (Bragança) in 1960,
with 2 isolations from sick equines.
There have been 20 isolations from
Culex (including 12 from C. (Me-
lanoconion) taeniopus) from the
Belém forests and 3 from Ae. tae-
niorhynchus from the Bragança
region. One of the positive pools
of Culex spp., the pool of C. (M.)
spissipes, the 3 pools of Culex B9
and 4 of those of C. (M.) taeniopus
contained mosquitoes captured on
sentinel animais subsequently
shown to have been circulating
EEE virus, and therefore those iso-
lations should probably be dis-
counted (35). No human cases
have been recorded from Amazó-
nia, but there was an unexplained
high incidence of N antibody
(12/41) in 1953 in the popula-
tion of Cametá, Pará State. The
Hl antibody rate in that town
was still 12/55 over 6 years
later (9,13). Isolates from the vis-
cera of 2 birds were not confirmed
by reisolation, but 3% of Amazon
forest birds captured in 1963 were
found to have Hl antibody (the po-
sitives confirmed by NT), whereas
none of 610 rodents and only...
1 148 marsupiais captured in the
same area during the same season
as the birds was Hl positive, sug-
gesting a bird reservoir for the vi-
rus (35). In other years 3/19 Jaca-
na (34) and 12/126 Columbigallina
birds, and up to 5% of marsupiais
(Marmosa, Didelphis, Metachirops)
and Proechimys rodents have been
found Hl positive (13), but no N
tests were done. Sentinel chickens
gave one isolation and 5 Hl anti-
body conversions in February and
April 1963, 2 conversions in July
1964 (35), and a second isolation
in December 1965.
Laboratory mice naturally in-
fected with EEE have encephalitis
and lesions of the connective
tissues (80).
Western equine encephalomyelitis
This virus has a lower case mor-
tality in man in the USA than
EEE, but is also responsible for
large epidemics in man and horses
there. It was isolated for the first
time in Amazónia in 1964 (BeAn
70010) from a bird {Myrmotherula
hauxwelli) , and Hl antibody rates
of up to 14% (confirmed by N test-
ing) were found only in forest-
-dwelling birds, not in open field
birds nor in forest rodents or mar-
supiais (35) . Only 3/80 human se-
rá from Pará State have been
found protective (19). No human
or equine cases have been recorded
from the Amazon.
Mayaro
Six strains (Belém prototype
BeH 407) were isolated from pa-
tients during an epidemic of fever
among workers on the Rio Gua-
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
46
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
má, Pará State (36,37). A further6
cases, including one presumed la-
boratory infection, are recorded at
the BVL (9). One of these was iso-
latéd in parallel in infant mice and
BHK-21 cell culture (10). Neutra-
lizing antibody rates averaged 10%
throughout the Brazilian Amazon
(19,36). Hl antibodies rates are
high among certain populations,
such as that of Tefé, on the upper
Amazon river, with a rate in 1960
of 60% (13). Two isolations from
lizards are technically suspect; 25
isolations from Haemagogus spp.,
compared with only 3 from mos-
quitoes of other species, suggest
primate involvement in the epide-
miology (9). There have been no
isolations from wild vertebrates. Hl
antibody rates of 33% in monkeys,
7% in rodents, 5% in marsupiais,
28% in birds {Columbigallina) and
in 1 7 sloths (Bradypus) from
the Amazon forest have been
found (13), but no N tests have
been done. There has been one iso-
lation from a pool of mites {Gama-
sidae) combed from 4 Oryzomys
rats (9).
An experimental cebus inoculat-
ed subcutaneously with Mayaro
virus had leukopaenia, viraemia on
post-inoculation days 4 & 6, but
not 2, 9 & 11, and produced high
titre N antibodies (9). Laboratory
mice infected with Mayaro virus
have encephalitis and lesions of
the connective tissues (80).
Uruma virus, isolated by Schaef-
FER et al. (4) from 3 patients dur-
ing an epidemic of fever among
Okinawan immigrants in the Bo-
livian Amazon, is considered by
some to be a strain of Mayaro vi-
rus (38). ScHMiDT et al. (39) dis-
cuss the serology of Uruma virus.
Some 38% of the indigenous inha-
bitants of that part of Bolivia had
N antibodies (4).
Aura {BeAr 10315)
This was described by Causey
et al. (40) . It has been isolated on-
ly from mosquitoes (Ae. serratus 5
strains, Culex {Melanoconion) spp.
1 strain) . Hl antibody rates in man
and animais in the Brazilian Ama-
zon average less than 1% (40,41).
Laboratory mice infected with Au-
ra virus have encephalitis and
myocardial degeneration (80).
Una (BeAr 13136)
Causey et al. (40) also described
this type from mosquitoes, and. . .
10/12 of the isolates were from
Psorophora spp. They found Hl
antibody rates of 3% in man, the
Hl positives being confirmed by N
testing, and 1% or less in rodents
and domestic ungulates, in the
Brazilian Amazon. A human Hl
antibody rate of only 0.8% was
found in the Município of Be-
lém (41).
Volume 6 (Patologia)
47
GROUP B
Only 4 virus types of this group
have been isolated in Amazónia,
although there is serological evi-
dence that a fifth type, dengue,
may have been present some years
ago. This is based on a 1953 serum
survey which showed that (a) sera
protective against dengue 1 were
commoner than sera protective
against dengue 2, and (b) no per-
son less than 25 years old had den-
gue proctective antibody, this pro-
bably being related to the eradica-
tion of the vector, Aedes aegypti,
from the region within that pe-
riod (19). The 4 types which have
been isolated are yellow fever. St.
Louis encephalitis (SLE), Ilhéus
and Bussuquara viruses.
Yellow fever
Diagnosis of this disease had
been made for many years in Ama-
zónia on the basis of the pathology
of liver biopsy specimens secured
by an efficient viscerotomy Service
in Brazil. Vaccinations have been
carried out all over the region,
521,000 in the years 1937-54 in the
Brazilian Amazon alone (42). The
N antibody rate for an unvaccinat-
ed area (Capim River) was found
to be very dose to that for adults
from all areas combined (19).
The first isolations of the virus
in Amazónia were made at Belém
(prototype BeH 111) from 21 hu-
man cases and 16 mosquito pools,
between November 1954 and Au-
gust 1955. The human cases carne
from 2 epidemics near Belém,
one in labourers opening a road
through the Oriboca forest, the
other in adults and children of a
charcoal-burning and farming
community at Apeú (3,43). All of
the patients from whom the virus
was isolated survived the infection
and were subsequently shown to
have acquired specific antibody,
but 2 other cases, diagnosed clinic-
ally and pathologically respectively,
died. The mosquito isolates were
14 from Haemagogus spp., 1 from
Sabethini, and 1 from a mixed pool
of Aedes and Sabethini. Four of the
mosquito strains carne from the
Oriboca epidemic area, the others
from Lazarópolis do Prata (Pará
State) , Macapá (Amapá Territory)
and the Utinga forest near Belém.
After a gap of 5 years, a further
isolate was made in 1960 from the
blood of a sentinel monkey station-
ed 94 m from Belém along the
Belém — Brasília highway trace
(43). In the same year 3 strains
of 17D vaccine virus were isolated
at the BVL from recently inoculat-
ed persons, and in 1962 there
were 2 further isolations from pools
of Haemagogus spp. caught at km
87 and 94 respectively, of the Be-
lém — Brasília road (9). In De-
cember 1964 a strain was isolated
from the blood of a sentinel monk-
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
48
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
ey in Utinga forest, Belém, more
than 9 years since the last isola-
tion there (from Haemagogus),
and in view of the continuous sur-
veillance of the area during that
time, yeUow fever seems to have
been actually absent, probably
brought back by the movements of
monkeys (44). Eradication of jun-
gle yellow fever from Amazônia is
impossible, but continued Ae.
aegypti control has taken care of
any possibility of urban epidemics,
and vaccination is carried out
when indicated in rural locations.
St. Louis encephalitis
This is another vinis which
causes epidemics in the USA but
has not been isolated from man in
Amazônia. Isolations from Sabe-
thes belizarioi (BeAr 23379) and
from Gigantolaelaps mites combed
from an Oryzomys rat have been
made in the region (45) . There have
also been isolations from a pool
of Culex (Culex) mosquitoes (pro-
bably C. {C.)declarator) and 3
forest birds (35), and from a Di-
delphis marsupial and a sentinel
mouse group (9). As with EEE,
up to 17% of forest birds were
found to have Hl antibody con-
firmable by N test, but not rodents
or marsupiais (3,5).
Ilhéus
This virus has been isolated in
Amazônia twice from fever patients
(BeH 7445), twice from the blood
of sentinel monkeys, and 19 times
from mosquitoes, principally Pso-
rophora ferox (9,17) . No wild ver-
tebrate from the region has as yet
yielded virus. Hl antibodies have
been found in 10% of rodents, 15%
of marsupiais, 10% of Tamarin
monkeys, 4% of Bradypus sloths,
11% of Columbigallina birds and
4 13 lizards from the Brazilian
Amazon (13), but no N tests have
been done.
Bussuquara
The prototype (BeAn 4073) was
isolated at the BVL from the blood
of a sentinel Alouatta beelzebul
monkey, which later died with liver
pathology similar to that produc-
ed by yellow fever infection (46).
Other strains have come from sen-
tinel mice, Proechimys rats (which
gave strain BeAn 4116, most com-
monly used at the BVL) , and Culex
and Mansonia mosquitoes. Proe-
chimys has Hl antibody rates ri-
sing to a peak of as much as 70%
in the middle of the year (29). A
single N test positive bird serum
has been reported (35), and 68%
of Columbigallina birds and up to
8% of some species of marsupial
were Hl positive (13), but no N
tests were done on these.
GROUP C
This group was first established
to contain 5 new virus types isolat-
Volume 6 (Patologia)
49
ed at the BVL (17). Later a sixth
type was discovered (47) which
completed a cycle of serological
interrelationships (25) . Several
other types have since been des-
cribed from Trinidad and Panama,
but only one of these, Nepuyo ví-
rus, has also been encountered in
Amazónia (9). Antigenic variation
within the group has been dis-
cussed by Shope (48) . Three
strains of a Caraparu variant
(BeH 5546) have also been isolat-
ed from man and sentinel mice at
the BVL (78).
Table 11 summarizes the data
obtained at the BVL on these 7 ví-
rus types. Caraparu vírus emerges
TABLE 11
Group C vírus isolations and antibody rates,
Belém Vírus Laboratory, 1954-65
Oriboca
AN 17
Itaqui
AN 12751
Caraparu
AN 3994
Apeú
AN 848
Marituba
AN 15
Murutucu
AN 974
Nepuyo
a)
Isolates froio:
Man
4
1
7
3
3
4
Sentinel animab-
62
141
321
26
24
43
3
Rodents
2
5
8
6
Marsupiais
1
1
1
1
Áede*
2
2
CúUx
6
12
14
1
4
1
Other mosquitoes
6
1
1
~
TOTAL
83
160
351
33
27
59b)
4
Hl antibodies (maz.) in:
Man
3%c)
3%
15%
15%
4%
4%
Rodents
28%
26%
43%
12%
5%
35%
3%
Marsupiais.
23%
8%
22%
17%
27%
23%
11%
a) Belém prototype BeAn 10709
b) abo 2 isolations from a slotb {Braáyjnit) and a pool of Izodid ticks
c) Hl rates rnost be interpreted with caution in the absence of N test data.
as the most commonly isolated
type, and in fact it is the most fre-
quently found of all viruses in the
Belém area. Together with the clo-
sely related Itaqui virus, Caraparu
virus has been isolated more often
from rodents than marsupiais, has
higher antibody rates in rodents
than in marsupiais, and is appa-
rently carried almost exclusively
by Culex mosquitoes. Murucutu vi-
rus shares all these characteristics
except that its Hl antibody rate in
marsupiais (range 8-23%) is
higher than in rodents (range
1-8%). In contrast, Oriboca virus
has been isolated from a wide
range of mosquito species, and the
ranges of its Hl antibody rates in
rodents and marsupiais coincide,
although the highesí rates for both
Oriboca and Murutucu antibodies
are found in the arboreal genera
of marsupiais (Calluromys and
Marmosa) . There are scantier data
for the remaining 3 virus types, but
< — 37.152
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
50
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Apeú virus has been found in both
Aedes and Culex mosquitoes, and
its range oí Hl antibody rates is
higher in marsupiais, although
overlapping with the rodent range.
Marituba and Nepuyo also appear
to infect marsupiais preferentially,
and Hl antibody rates to the for-
mer are higher in arboreal than in
forest floor marsupiais. A mosquito
has still to be found carrying Ma-
rituba virus. Marituba virus was
isolated from a BVL worker, but it
is possible that this could have
been a natural infection (9). The
epidemiological significance of the
isolations of Murutucu virus from
a sloth and a pool of ticks collected
from marsupiais belonging to sever-
al genera is uncertain.
Antibody rates for the Group C
viruses require careful interpreta-
tion in view of their close serolo-
gical interrelationships. Thus Hl
& N tests for Oriboca antibodies
also detect Itaqui antibodies, and
vice versa. Similary Murutucu Hl
& N tests will also detect Marituba
antibody, and Caraparu tests will
detect Apeú antibody. However,
significant differences have been
found between the rates obtained
by Hl test for, e.g., Murutucu and
Caraparu antibody on the same
batch of sera (13). Shope et al.
(35) report a rate of 3% for Hl
antibody to Caraparu virus in for-
est birds, and a rate of 6% Muru-
tucu antibody has been found in
monkeys (13), but no N testing
was done.
Transmission to mice from na-
turally infected mosquitoes caught
in the Amazon forest has been
achieved for Oriboca virus with a
Culex (Melanoconion) sp., proba-
bly portesi, and for Nepuyo virus
with Culex of unidentifiable spe-
cies (49,50).
The histopathology of sentinel
mice naturally infected with Group
C viruses has been described by
DE Paola et al. (51) who found, in
addition to the expected encepha-
litic lesions, liver lesions in the
mice infected with Itaqui and Ca-
raparu viruses. Lives lesions have
also been found in howler monkeys
(Alouatta) experimentally infected
with the same 2 viruses, and in
infant mice inoculated and natur-
ally infected with Murutucu and
Oriboca viruses (52,80).
GUAMÁ GROUP
This group was also first esta-
blished on the basis of new isolates
from the BVL (17,53). Guamá
and Catu viruses are the second
and third most frequently encoun-
tered viruses at the BVL (after the
Group C agent Caraparu). Three
serologically related virus types are
separable as the BeAn 8582 (Ca-
pim) group or subgroup, and a
fourth type, BeAn 7722 (Mirim)
crossreacts with Guamá antigen
Volume 6 (Patologia)
51
but not antiserum by Hl test (13).
Fifty-two isolates of the Guamá
group made at the BVL have so
far defied further typing.
Table 12 summarizes the data
from the BVL on the 7 types. Only
Guamá and Catu have been iso-
lated from man, and serological
data for man is only available for
BeAn 8582 (Capim), where 1/37
people was Hl positive at Borba,
on the Rio Madeira, and 327 from
other parts of the Brazilian Ama-
zon were nega tive (13). It appears
that all the viruses except BeAn
20076 (Bushbush?) and BeAn
7722 (Mirim), for which the data
are insufficient, are more closely
involved with rodents than with
marsupiais, and with Culex rather
than with other species of mosqui-
toes. Isolations of Guamá and BeAr
12590 (Moju) viruses from pools of
male Phlebotomus spp. and of
Guamá from nestling birds (Tro-
glodytes) are of doubtful valid-
ity (13). The high antibody rates
in marsupiais for these same 2 ty-
pes are in the arboreal genera Cal-
luromys and Marmosa. One strain
of BeAr 12590 (Moju) was isolated
from an unidentified forest rat
(9), other strains of the same vi-
rus from the viscera of a Proechi-
TABLE 12
Guama group vírus isolations and antibody rates,
Belém Virus Laboratory, 1954-65
Guamá
Be.\n 277
Catu
Bell 151
BeAr 12590
(Moju)
BeAn 8582
(Capim)
BeAn 10615
(Guajará)
BeAn 20076
(Bushbush?)
BeAn 7722
(Mirim)
Isolates from:
Man
3
9
Sentinei animais
203
155
89
18
33
8
7
Rodents
29
12
18
7
1
Marsupiais
5
1
Aedet
2
— •
1
CuUx
31
21
5
26
i
2
2
Other mosqnitoes
5
1
2
TOTAL
278
198
114
52
33
10
10
Hl antibodies (max.) in:
Man
<3%
Rodents
43^»)
45%
43%
13%
8%b)
ll%b)
4%b)
Marsupiab
45%
15%
25%
0/0
2%
4%b)
4%b)
a) Hl rates must be int?rpreted with caution in the absence of N test data.
b) N antibody rates.
mys rat, and Mansonia spp. trap-
ped in Amapá Territory, and a
strain of Catu virus from the sali-
vary glands of a bat {Molossus
obscurus) also from Amapá (10),
all the other Amazonian strains of
these viruses being from Pará
State. Hl antibodies for BeAn
8582 (Capim) in rodents have been
shown to disappear rapidly, so
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
52
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
that the rate of 13% for Proechi-
mys represents only recent infec-
tions; Oryzomys have a much low-
er antibody rate than Phoechi-
mys for this vinis and for BeAn
10615 (Guajará), and no N anti-
bodies were detected to the latter
in 88 marsupiais tested (9, 13, 61).
Oryzomys is more commonly found
with viraemia to BeAr 12590 (Mo-
ju) than is Proechimys (9,13).
Transmission to laboratory mice
by the bite of naturally infected
mosquitoes caught in the Amazon
forest has been su^cessful with 4
of the virus types, as follows:
The histopathology of laboratory
mice naturally and experimentally
infected with viruses of the Guamá
group has been described (51,52);
the lesions were limited to the cen-
tral nervous System.
VIRUS
Mosquito
No. transmíssioDS
Refcrencc
Guamá
Cu^ (Af.) taeniopui
1
Toda à Sbope, 49
Cuia B17
1
> . 50
BeAn 20076 (Buahbush?)
CmUx 8pp.
1
>
Be An 8582 (Capim)
Culex spp.
2
>
BeAn 7722 (Mirim)
Cylex (Âf.) taenwput
1
»
Bunyamwera Group
Four types and a complex of
closely related strains belonging
to this group have been isolated
in Amazônia.
Guaroa virus has only been iso-
lated from man in the Amazon
valley (BeH 12208) although iso-
lations from Anopheles have been
made in Panamá (54) and the
Coastal region of Colombia (55).
The human isolations were from
a liver biopsy specimen and 4 sera
from patients with fever and pros-
tration (56-58) . An Hl antibody
survey of the population of the
Amazon valley gave an overall
rate of 18% (59), with a maxim-
um of 60% among the Mundu-
rucu Indians of the upper Rio Ta-
pajós (13). Birds from forests near
Belém had an Hl antibody rate of
0.3% (13). No N antibody tests
have been done.
Type BeAr 7272 (Maguari) was
at first identified as a strain of
Cache Valley virus (17), but is se-
parable by Hl and N test (60). It
has only been isolated from mos-
quitoes, once each from pools of
Anopheles nimbus, Aedes leucoce-
laenus and Ae. scapularis (9) and
from a mixed pool containing the
last named species but with a ma-
jority of Psorophora ferox (17).
Human Hl antibody rates average
6.5% over the Brazüian Amazon,
with a maximum of 24% at Soure,
on the island of Marajó in the
Amazon mouth; some of these po-
sitives have been confirmed by N
Volume 6 (Patologia)
53
test (13,61). Hl antibodies have
also been found in 2/897 birds
captured in 1963 at Belém (35),
and in 2/15 sheep, and N antibo-
dies in 11/15 horses and cattle
(13).
Kairi virus has been isolated
from a pool of Ae. scapularis (BeAr
8226) (17), a pool of Sabethini, a
pool of Wyeomyia spp., a sentinel
monkey, a Saimiri monkey and an
Oecomys rat (9). Human Hl anti-
body rates for the Brazilian Ama-
zon outside Belém (which was not
tested) average 3%, with a peak
of 7% at Eirunepe on the Rio Ju-
ruá (13) , but N tests have not been
done.
BeAr 32149 (Sororocá) virus has
been isolated only from mosquitoes
(Sabethini) collected on human
bait on tree platforms at Km 87
& 94 from Belém on the Belém —
Brasília highway (9). The 6 isola-
tions were all made in 1962, since
when there have been no more re-
coveries, and no serum survey data
are available, largely because it has
not been possible to produce a
haemagglutinating antigen from
these strains.
The Wyeomyia complex is repre-
sented in the Brazilian Amazon by
at least 2 sub-types, distinguish-
able only by cross-N testing, all iso
lated from mosquitoes, principally
Sabethini, but also from a mixed
pool of Aedes (9,17). The Belém
prototypes of these are BeAr 278
(Tucunduba) and BeAr 671
(Taiassui) .
From these data it appears that
the viruses of the Bunyamwera
group active in Amazónia have
cycles involving Aedes & sabethine
mosquitoes and arboreal hosts,
probably monkeys.
Califórnia Group
The only representativo of this
group so far found in the Amazon
is Melao virus (TRVL 9375) which
has been recovered there only from
mosquitoes, namely from a mixed
pool containing Pscrophora ferox
(Belém prototype BeAr 8033), a
pool of Aedes scapularis (17) , and a
pool of P. ferox (9) . Two isolations
reported from a sentinel cebus
monkey and a young saimiri mon-
key (17) were found on reexamina-
tion to be strains of Kairi virus (9)
— the Califórnia group is serologic-
ally related to the Bunyamwera
group (62) . Lack of success in pro-
ducing a high titred haemaggluti-
nating antigen has precluded se-
rum surveys.
Phlébotomus Fever Group
Five of the virus types of this
group are found in Pará State, 4
of them having been isolated ini-
tially at the BVL, and these 4 have
not been found outside Amazónia.
Although serologicaUy related to
the viruses of phlébotomus fever,
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
54
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
none has been isolated from Phle-
botomus, and only Itaporanga vi-
rus (63) has so far been isolated
from any arthropod. This has been
recovered from a pool of Culex
(Melanoconion) sp., probably cau-
delli (13), a pool of Culex of un-
identifiable species, and one of
Mansonia venezuelensis. Itaporan-
ga virus has also been isolated
from 4 groups of sentinel mice (Be-
lém prototype BeAn 64582) and a
Calluromys marsupial in the Bra-
zilian Amazon, and Hl antibody is
common in arboreal genera of mar-
supiais, and in forest birds (up to
10% (35), but absent from forest
floor mammals and open field birds
in the Belém area, suggesting that
transmission is confined to the for-
est canopy (13). Bats of at least
4 species belonging to 3 genera
have also been found with Hl anti-
bodies near Belém, but N tests have
not been done.
Icoaraci virus (BeAn 24262) has
only been isolated from forest
rodents, principally Proechimys,
which species has Hl antibody
rates of up to 56%, whereas other
species of rodents and marsupiais
have lower rates; Hl antibody has
also been found in reptUes and
sloths, but not in man in the Be-
lém area (64). The remaining 3
types are BeH 22511 (Candiru)
from a febrüe human, BeAn 46852
(Anhangá) from the organs of a
Choloepus sloth, and BeAn 47693
and 67744 (Bujaru) from the blood
of Proechimys rats (9, 10, 13). The
only sera from the Amazon valley
found to react by Hl with BeH
22511 (Candiru) antigen have
been from one human and one li-
zard (13) , and 2 birds, one of which
also had N antibody (35). On the
other and. Hl antibody to BeAn
47693 (Bujaru) virus was found in
13/53 people at Lábrea, on the Rio
Purus, and in 139/164 Proechimys
tested, as well as in up to 14% of
forest rodents and marsupiais (13) ,
but no N tests have been made.
Simbu Group
Two types of this group have
been isolated at the BVL. Oropou-
che was obtained from a pool of
Aedes serratus and the blood of a
sloth, Bradypus tridactylus (BeAn
19991) both collected on the Be-
lém — Brasília highway, and 15
strains were isolated from man in
1961 during an epidemic in Be-
lém (65) , when it is calculated that
the virus probably infected 11,000
persons, but without any known
deaths (13). One probable labora-
tory infection which was severe and
required prolonged convalescence
occurred in a female laboratory
technician at the BVL (9). The
second type, BeAn 84785 (Utinga)
was isolated in 1965 from another
specimen of Bradypus tridactyltis
captured at the Utinga forest, Be-
lém; it is clearly distinguishable
Volume 6 (Patologia)
55
serologically from Oropouche, al-
though related (13).
BeAn 24232 (Piry) Group
Strain BeAn 24232 (Piry) was
isolated in 1960 from the viscera
of a Metachirops opossum trapped
in the Utinga forest, Belém (9) . No
other isolations have been made in
nature. There is clinicai and sero-
logical evidence of a case of labo-
ratory infection in 1964 at the
BVL (61). Whitman (60) has pas-
saged the vinis serially in mos-
quitoes by inoculation. N antibo-
dies have been found in 3% of
marsupiais and 3% of rodents
tested (61).
Turlock Group
Turlock virus was isolated for
the first time in South America in
1961, from a sentinel mouse group
in the forest near Belém (BeAn
32260) (9). It was next isolated
from 2 birds of different species
captured in the same forest in
1964, and 5% of forest bird sera
tested that year had Hl antibodies,
many confirmed by N test, in con-
trast to only one Hl reactor among
211 forest rodents and marsu-
piais (35).
Anopheles A Group
A single strain (BeAr 35112) was
isolated in 1961 from a pool of Ano-
pheles nimbus collected from the
Belém — Brasilia highway (9). It
appears to be serologically identic-
al to TRVL 10076 (Lukuni) virus
from Trinidad (60,77).
Changuinola Group
Strain BeAn 28873 (Irituia) was
isolated in 1961 from an Oryzomys
rat trapped at Km 92 from Belém
on the Belém — Brasilia highway,
and 4 related strains were recover-
ed from Phlebotomus spp. collect-
ed at Km 87 & 94 in 1961, 1962
and 1963 (9,13) . Recent work has
shown that 4 of these strains are
clearly separable by N test in mice
or tissue culture (10, 61). Some of
these could be identical to other
strains of the Changuinola group
isolated in Panamá (54) .
Timbó Group
Six strains of Timbó virus (BeAn
41787) and 3 strains of Chaco virus
(BeAn 42217) have been isolated
from Ameiva ameiva ameiva lizards
at the BVL, and a fourth strain of
the latter was isolated from a
Kentropyx calcaratus lizard (66).
They are considered to be arthrop-
od-borne viruses on the basis of
their pathogenicity for mice and
their sensitivity to desoxycholate,
also Chaco has been successfully
passaged through mosquitoes by
inoculation (60).
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
56
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Ungrouped Arboviruses
The following strains, serologic-
aliy unrelated to any known ar-
bovirus, are assumed to be arbovi-
ruses because of their sensitivity
to desoxycholate and the fact that
they have been successfully pas-
saged serially in mosquitoes by ino-
culation (60) : Tacaiuma, BeAn
27639 (Acará,) Marco.
Tacaiuma (BeAn 73) virus was
originally isolated from the blood
of a sentinel monkey in the Oribo-
ca forest near Belém (17). It has
since been found 3 times in pools
of Haemagogus spp. caught in Pará
State (9), and once from mosqui-
toes of the same genus caught in
Amapá Territory (10). Hl anti-
bodies, mostly confirmed by N test,
have been found in Pará State in
man (0.5%), horses (24/48) and
rodents (0.8%) (13), and in forest
birds (6%) (35), but not in marsu-
piais, cows, sheep, bats, edentates,
monkeys or lizards (13).
Strains of BeAn 27639 (Acará)
virus have been isolated from 6
groups of sentinel mice and 2 Nec-
tomys aquaticus amazonicus water
rats in Pará State (9,13), and N
antibody has been found in Nec-
tomys (2/18), Proechimys (12%),
Oryzomys (4%) and marsupiais
(3%) (61).
Strains of Marco virus (BeAn
40290) were isolated 4 times from
Ameiva ameiva ameiva lizards at
Belém, but nothing is known of
the prevalence of antibodies in liz-
ards or other vertebrates (66).
The next 2 types are desoxycho-
late sensitive and were isolated
from mosquitoes. The single known
strain of BeAr 40578 (Jurona) vi-
rus carne from a pool of Haemago-
gus spp. captured in 1962 at Km 87
from Belém on the Belém — Bra-
sília highway (9) and about 20% of
forest birds have Hl antibody (35) .
This antibody has not, however,
been confirmable by N testing and
may be due to cross-reacting Sim-
bu or Bunyamwera group anti-
bodies (13). Two strains of BeAr
50117 (Tembe) virus carne from
Anopheles nimbus caught at Km
87 and 94 but nothing is known of
the occurence of antibodies in ver-
tebrates (9).
Strain BeAn 58058 was isolated
from the blood of an Oryzomys rat
captured in the Utinga forest, Be-
lém in 1963 and it appears to be
serologically related to Cotia vi-
rus (9) , but behaves differently in
tissue culture (10). Cotia virus
(67), which has been isolated ma-
ny times in São Paulo State, is
assumed to be an arbovirus on the
basis of its recovery from sentinel
mice and its sensitivity to desoxy-
cholate.
MISCELLANEOUS VIRUSES
Tacaribe Group
This serological group includes
the following viruses (68) : Tacari-
Volume 6 (Patologia)
57
be, isolated from bats and possibly
from mosquitoes in Trinidad; Ama-
pari, isolated from forest rodents
and their ectoparasites in Brazil;
Machupo, from rodents and hu-
man cases of the highly fatal Bo-
livian haemorrhagic fever; and Ju-
nin, isolated from rodents, their
ectoparasites and human cases of
Argentinian haemorrhagic fever.
These form a geographic series,
with a transition somewhere in
Brazil between the 2 Southern
types which are highly pathogenic
for man, and the 2 equatorial types
which, as far as is at present
known, do not involve man.
Fourteen isolations of Amapari
virus from Oryzomys goeldii and
Neacomys guianae, and one from
gamasid mites combed from infect-
ed Oryzomys, had been made from
Amapá Territory, Brazil, up to the
end of 1965 (10, 69). All but one of
the rodent isolations have been
from pooled viscera, and the virus
can probably remain for at least
26 days in the viscera of an appa-
rently healthy Oryzomys, since
one rat of this species was held
alive for that length of time after
capture before being sacrificed,
and its viscera yielded Amapari
virus.
Machupo virus has so far been
isolated only from the Beni region
of Bolivia, which is part of the
Amazon basin. Five isolations from
fatal human cases and 9 from the
spleens of the semi-domestic ro-
dent Calomys callosus have been
described (70,71). A fine effort in
logistics was involved in airlifting
a field laboratory and personnel
from Panamá to San Joaquin, in
the Beni, where the townspeople
were sickening with haemorrhagic
fever at the rate of 10 a week, with
case fatality rates up to 20% (72).
The virus was first isolated in in-
fant hamsters from autopsy mate-
rial (70), and the writer had the
privilege of being present in the
field laboratory at San Joaquin at
the time in 1963 when this success
was achieved.* Subsequently the
rodent Calomys was implicated,
and a rodent control operation was
launched in the town in 1964 with
US Army assistance; 2 weeks after
the operation had covered the area,
human cases of haemorrhagic fev-
er ceased dramatically (73). Fur-
ther studies on the virus and dis-
cussion of its epidemiology have
been published (74).
Ungrouped viruses
Two distinct virus types have
been isolated from mammals of the
Amazon forest, which are desoxy-
cholate sensitive but unrelated se-
rologically to any arbovirus, and
there is no evidence as to their
mode of transmission. One is BeAn
27326 (Pacui), isolated 7 times
• Whilst in receipt of a travei grant
from the Rockeíeller Foundation.
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
58
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
from Oryzomys (9), which species
has a N antibody rate of 38%,
whilst Proechimys has a rate of
31% and Nectomys and forest mar-
supiais have lower rates (61). It
does not multiply in mosquitoes
after inoculation (60). The other
is BeAn 67494 from the blood of a
bat {Carollia subrufa) (13); this
produces acidophilic intranuclear
and intracytoplasmic inclusions
in mouse liver and brain (80). No
antibody data are yet avaUable.
Unidentified agents
Four agents producing CPE in
cebus kidney tissue culture but not
in chick embryo, Aotus or Alouatta
monkey kidney cultures or infant
mice, were isolated at the Instituto
Evandro Chagas tissue culture la-
boratory from the following mate-
rial: AN 28512, domestic cat, brain:
An 28531-6, Nectomys, brain-liver
pool; AN 28667-9, opossum, brain-
liver-blood pool; CM 3025, sentinel
mouse, blood. Other agents produc-
ing CPE were found in uninoculat-
ed cultures of Tamarin, Alouatta
and Cebus kidney. They are non-
pathogenic to baby mice, and may
belong to the simian virus se-
ries (75).
\
ENTOMOLOGICAL NOTES
Up to the end of July 1964, a to-
tal of 992,339 arthropods, mainly
mosquitoes, had been processed for
virus isolation at the BVL, in
20,758 pools (9,50) , and these had
produced 279 strains of virus (ex-
cluding 9 EMC strains). Isolates
from arthropods other than mos-
quitoes have been (through De-
cember 1965) one of Murutucu vi-
rus from ixodid ticks, 4 of the
Changuinola group and one each
of Moju and Guamá (doubtful)
from Phlebotomus spp., and 4 dif-
ferent viruses from pools of gama-
sid mites ectoparasitic on rodents:
Mayaro, SLE, Cocai and Amapari.
Several mosquito isolates were
made from pools of mixed species,
or even of mixed genera; these are
listed in Tables 7-10 under the
commonest species in the pool.
The workers in the Bolivian Beni
inoculated over 28,000 arthropods
(mostly Trombiculidae and Ixodi-
dae, with only 125 mosquitoes) into
mice, without isolating Machupo
virus; a large number of mosquito
pools remained to be processed as
of November 1964 (73).
The taxonomy of the genus
Culex is extremely difficult in the
Belém area. Many females can be
separated as species, but until the
corresponding males can be success
fully bred from them, their Iden-
tification is in doubt, and there-
fore these species are referred toby
BVL codes as Culex Bl, B7, etc.
Attempts at rearing eggs from
wild-caught females at the BVL
are succeeding, and as a result it
Volume 6 (Patologia)
59
appears that the Culex referred to
in early BVL reports as C. (Tino-
lestes) mojuensis, and in later ones
as Culex B9, is actually C. {Mela-
noconion) portesi (78). It is still
necessary to determine whether the
species identified from the Belém
area as C. (C.) coronator is in fact
C. (C.)mollis. References in BVL
reports to C. (Tinolestes) sp.
should read Culex spp. (subgenus
undetermined) , (50) and those to
C. (C.) virgultus should read C.
(C.) declarator (79).
SUMMARY
This review covers viruses isolat-
ed, or for which there is serologic-
al evidence of occurrence, in the
Amazon basin. These include the
viruses of variola, herpes, influen-
za, mumps polio, encephalomyo-
carditis, and rabies, several adeno
and Coxsackie viruses, mouse po-
liovirus, Newcastle and foot-and-
-mouth disease viruses, some 60
different types of arbovirus, and a
number of miscellaneous viruses
including the aetiological agent of
Bolivian haemorrhagic fever. Most
of these agents have been isolated
at the Belém Virus Laboratory of
the Instituto Evandro Chagas, Be-
lém, Pará, Brazil, since its opening
in 1954. Over 2,000 strains of arbo-
viruses have been isolated at that
laboratory, from man, wild and
sentinel animais, and arthropods.
Tables Show the sources of these
isolates by species, and maximum
antibody rates encountered in man
and wild vertebrates.
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THE CANOPY-FREQUENTING MOSQUITOES OF BUSH
BUSH FOREST, TRINIDAD, WEST INDIES
THOMAS H. G. AITKEN
University of the West Indies, Trinidad Regional Virus Laboratory,
P.O. Box 164, Port-of-Spain, Trinidad, West Indies
(With 2 text-figures)
Bush Bush island is a small area
of sandy high ground situated in
the Southern portion of the Na-
riva Swamp in eastern Trinidad
(Downs et ál., 1962). The island
lies approximately IVz m i 1 e s
(2.4 km) to the west of the coastal
road from which it is separated by
extensive open grassy swampland.
Immediately surrounding the is-
land, there is dense swamp forest
of Moriche and Cabbage palms and
various aquaphyllic hardwoods.
The island is more or less uniform-
ly covered with hardwoods ave-
raging 70 to 80 feet (21-24 meters)
The studies and observations upon
which this paper is based were conduct-
ed with the support and under the
auspices of the Govemments of the
West Indian Territories, the Govern-
ment of British Guiana, the Depart-
ment of Technical Cooperation of the
United Kingdom Government and The
Rockefeller Foundation.
in height. The forest appears to be
typical “Evergreen Seasonal For-
est: Carapa-Eschweilera type” as
classified by Beard (1946). The
trees are moderately covered with
vines, climbing aroids and epiphy-
tic bromeliads. Likewise there is a
moderate growth of forest floor ve-
getation, sufficiently sparse to per-
mit easy walking. In general, the
forest floor is well shaded except
for occasional clearings created by
falling trees.
Annual precipitation in Bush
Bush Forest over the past four
years has averaged 91 inches
(2,316 mm). Monthly rainfall re-
cords for the period 1962-1965 are
presented in Table I. There is a
dry season from January or Fe-
bruary to May and a wet season
from June to year’s end but with a
brief spell of dry weather again,
usually in September. Mean month-
5 — 37.152
66
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
ly temperatures vary from about
740 F. (23°C.) to 81°F. (27°C.). He-
lative humidity figures for the for-
est floor environment approach
saturation at night, dropping to
about 90% in the afternoons of the
wet months and 70% in the dry
months (based on thermohygro-
graph recordings in 1963 and . . . .
1964).
TABLE I
Rainfall (in inches) in Bush Bush Forest by Month, 1962-1965
1962
1963
1964
1965
Average
January.
3-20
6.00
3.64
5.85
4.67
4.20
2.04
0.90
3.66
2.70
0.10
2.16
1.48
2.00
1.44
April
1.86
2.30
8.52
1.47
3.54
May
2.41
9.00
5.87
4.96
5.56
4.82
9.09
15.61
10.63
10.04
July
7.30
11.72
14.17
8.80
10.50
Aogust
15.77
5.99
7.56
12.84
10.54
September
4.74
8.67
16.54
6.34
9.07
October
6.23
13.72
11.38
13.22
11.14
8.05
11.92
8.66
18.03
11.67
6.85
6.29
12.01
15.86
10.25
TOT.U.
65.53
83.90
106.34
103.66
91.11
Studies of the mosquitoes inha-
biting the canopy of Bush Bush
Forest commenced late in 1961 and
were continued intermittently over
the next four years. Originally
these studies were limited to day-
time collections at several tree sta-
tion towers utilizing human bait.
Later, night collections were added
when investigations of 24-hour
activity patterns were undertaken.
Eventually, collections were made
using traps hung in the forest ca-
nopy and baited with white mice
and chicks.
tied into the tree by means of iron
scaffolding (Fig. 1). The stations
were located in 100 foot (30 me-
ters)-tall Yellow Olivier trees {Bu-
chenavia capitata) and the mos-
quito catching platform was locat-
ed at 55 feet (17 meters), well
within the surrounding canopy.
One man was stationed at the base
of the tree and another on the 55
foot platform. Each man collected
mosquitoes for one hour after
which positions were switched.
Thus alternating back and forth
between the two stations, mosqui-
MATERIALS AND METHODS
toes were collected over the five
hour observation period from 9:00
Tree station towers were cons- a. m. to 2:00 p. m. In the case of
tructed of steel radio mast firmly 24-hour studies, a new team of two
Volume 6 (Patologia) 67
mosquito catchers carne on every
two hours. Mosquitoes were either
aspirated directly from the skin as
they attempted to bite, or else
were picked up in small hand nets
and then transferred to plaster-lin-
ed quart Mason jars. Collections
from the different leveis and for
the hourly intervals (in the case of
24-hour catches) were kept in sep-
arate jars. At night the men were
equipped with 2-cell flashlights
which were covered with red cello-
phane paper to reduce the light in-
tensity.
Trapping studies utilized small,
portable double-baited cage traps,
more commonly called. No. 10
traps (WORTH & JONKERS, 1962).
Traps were suspended by a nylon
Fig. 1 — View of tree station n.° 3. Bush Bush Forest, Trinidad.
cm
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
cord and pulley arrangement
(Fig. 2) from wooden booms rad-
iating out from the 55 foot plat
form at tree station No. 3. Four
traps were thus suspended in the
and were alternately baited with
four adult white mice and two 6-8
week old White Leghorn chicks.
For a three-month period in 1965,
two traps, respectively baited with
canopy approximately 20 feet apart mice and chicks, were also operat-
Fig. 2 — View of tree station n.° 3, showing three n.° 10 traps in position in the
canopy.
cm i
SciELO
Volume 6 (Patologia)
69
ed at ground levei at the base of
the tree. Traps were operated con-
tinuously for 24-hours from 7 a. m.
to 7 a.m. of the day following, or
else from 7 a. m. to 5 p. m. for a
daylight catch and 5 p. m. to
7 a. m. for a night catch. Mosqui-
toes were transferred from the ca-
ges to collection jars at the speci-
fied intervals by means of an aspi-
rator as in the case of human bait
collections.
RESULTS
Discussion is limited to selected
sessions as time does not permit
a detailed analysis of all the
catches. Accordingly the human
bait studies encompass 11 24-hour
catching sessions during the period
October-December 1961 and again
in November 1962. The No. 10 trap
collections utilizing mouse and
chick bait covered the three month
period July-September 1965 repre-
senting 13 24-hour sessions.
It should be noted that the hum-
an bait catch was far more re-
warding, particularly as concerns
numbers of mosquitoes collected.
Table II records the average num-
ber of mosquitoes caught per ses-
sion by the various methods at
TABLE II
Average number of mosquitoes caught per 24-hour session at ground levei
and in the canopy, Bush Bush Forest
Ground
Canopy
Xo. species
mosquitoes
Hum»n b»it
2.062
1,733
33
Mouje-baited tr»pe
90
38
25
Chick-b^ted traps
145
27
21
ground levei and in the canopy, as
well as the total number of species
recovered. Altogether there were 35
species studied.
There were many sessions when
the canopy traps caught no mos-
quitoes, particularly during the
daylight exposure periods. On only
One occasion did a ground-based
trap (chick bait) fail to make a
catch during the daylight hours. In
a year-long study of canopy trap-
ping, 20% of the day or night ses-
sions were negative. A breakdown
of negative results by bait animal
and time of day is presented in Ta-
ble III. Canopy traps proved less
attractive in daylight hours and
chicks were the least attractive
host. At ground levei, chicks drew
more mosquitoes probably because
of the greater abundance of avi-
phyllic Aedes and Mansonia mos-
quitoes.
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
70
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
TABLE III
Percentage of trapping sessions failing to catch canopy mosquitoes in Bush
Bush Forest, 20 Aug. 1964 — 28 Sept. 1965
Hort
Day
Night
Average
Mouse
33
í)
18
43
10
23
Average
3S
9
20
In Table IV the mosquito spe-
cies are arranged in descending
order of frequency of attraction to
various host baits from canopy to
ground levei. It is unfortunate that
a number of species are represent-
TABLE IV
Numbers of mosquitoes attracted te various baits in Bush Bush Forest and
percentage of catch frequenting the forest canopy
CHICK
B.UT
MOUSE B.UT
HUiUN
B.UT
Species
No. %
Species
No. %
Species
No. %
Culex sp. Ko. 13 —
2
lOO
Phon. trinidadensis
5
100
Sabcthes cyaneus
17
100
76
71
3
100
6
100
nigrípalpus
114
62
Hion. lassalli
1
100
.4edeo. squamipennis.
4
100
Mansonia titillans.. .
54
Aedeo. squamipennis
1
100
Phon. lassalli
166
98
Aedes fulrue
7
43
Culex accelerans
296
74
Anoph. bellator
73
97
Wyeo. medioalbípes.
107
37
Wyeo. medioalbipes
149
53
Sab. chloroptcrus....
37
97
Culex crybda
5
20
Culex nigripalpus
60
50
Culex sp. No. 13
22
95
amasonensis
76
17
Aedes fulvus
8
£0
accelerans
. . 3,463
8.8
spiasipes
220
14
Culex crybda
4
25
Haem. spegauinü.. ..
403
87
Man. venesuelensis..
771
11
223
23
Culex nigripalpus....
114
86
Culex 8p. Ko. 11....
11
declarator
26
23
Phon. trinidadensis...
34
85
portesi
93
10
spiasipes
73
19
Wyeo. medioalbipes..
.... 8,165
66
taeniopus
21
10
Maii. titillans
37
18
Culex portesi
149
63
declarator
223
4
yenexuelensis
160
12
Man. titillans
.. . 12,571
57
Aedes serratus
365
3
Aedes serratus
73
12
Culex CTj bda.
140
57
34
3
.\noph. oswaldoi
2
0
"caudelli”
66
9
Culex declarator
4
50
Psoropbora ferox.. . .
3
0
portesi
294
8
amaxonensis
696
44
Limatus durhami
5
0
taeniopus
33
3
spissipes
158
44
8
0
38
*‘caudelU”*
57
0
Wyeo.**clasoleuca'*7
1
0
Culex taeniopus
31
26
3
0
537
24
Psor. ferox
7
0
Man. Tenesuelensis...
7,432
14
Aedes scapularis
12
0
Anoph. osiraldoi
695
11
Culex vomerifer
22
0
Psor. ferox
468
11
. . 4.227
8
ToUl
205
6
1,658
20
T.im. durhami
98
5
Culex sp. Ko. 11
217
4
Psor. albipes
196
4
Psor. cinguiata
328
1
Phon. splendida
22
0
* CvUx *‘eandellC’ appean to be a
mixture of tbis species and C. ybarmiê Dyar
Lim. flarisetosus
27
0
TotaJ - .
41,745
46
Volume 6 (Patologia)
71
ed by few specimens. There were
three species with less than 10 in-
dividuais attracted to man, eight
species In the chick-bait collections
and 10 species in the mouse-bait
collections. AU such species, how-
ever, have been included in the list
as it is known from other studies in
Bush Bush Forest as well as else-
where in Trinidad that in most
instances they are either essential-
ly canopy or ground levei inhabi-
tants. Culex (Melanoconion) sp.
No. 13 (possibly zeteki Dyar) is the
one doubtfully placed species as
there has been little experience
with it. Judging from the human
bait coUections it would appear to
prefer the upper leveis of the
forest.
This study confirms previous
observations in the Rio Grande For-
est of Trinidad (Aitken, 1958)
and at the same time adds addition-
al species to the list of those fav-
oring the upper strata of the for-
est environment. Some of these
species (Culex and Aedomyia) dis-
closed their identity as a result of
extending the observation period
to the night hours. The following
10 species appear to be primarily
inhabitants of the forest canopy:
(1) Sabethes belisarioi Neiva
(2) Sabethes chloropterus (Hum-
boldt)
(2) Sabethes cyaneus (Fabrice-
us)
(4) Phoniomyia lassalli (Bonne-
-Wepster & Bonne)
(5) Phoniomyia trinidadensis
(Theobald)
(6) Haemagogus s. spegazzinii
Brèthes
(7) Aedeomyia squamipennis
(Lynch Arribálzaga)
(8) Anopheles bellator Dyar &
Knab
(9) Culex (Eubonnea) accelerans
Root
(10) Culex (Melanoconion) sp. 13
With the possible exception of
Aedeomyia squamipennis all of
these species will invade to varying
degree the forest floor environ-
ment, particularly where breaks in
the canopy permit penetration of
sunlight. The heliophyllic sabe-
thines (Sabethes and Phoniomyia)
as well as Haemagogus are well
adapted to their sunny environ-
ment as evidenced by their brü-
liant adornment of colored metal-
lic body scales. The nocturnally
active and sombrelooking Aedeo-
myia squamipennis, on the other
hand, was found commonly at
ground levei only near its breed-
ing areas in the open swamp.
When it enters the forest, squa-
mipennis invades the canopy en-
vironment. In 1964, for example,
there were 78,000 mosquitoes col-
lected in Bush Bush Forest
and 221 were Aedeomyia squami-
pennis. Of these, 181 largely carne
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
72
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
from mouse-baited traps situated
in the open swamp near the
breeding areas and the remaining
40 were trapped in the canopy.
Only four squamipennis were in-
cluded among the 17,600 mosqui-
toes collected from noctumally-
-operated sentinel mouse traps
located on the forest floor.
From the present sudies it ap-
pears that four or five species are
intermediate in their choice of ha-
bitat. These are Wyeomyia me-
dioalbipes Lutz, Mansonia titillans
(Walker) , Aedes fulvus Wiede-
mann, Culex (Culex) nigripalpus
Theobald and possibly Culex (Me-
lanoconion) crybda Dyar. In the
case of Mansonia titillans, observa-
tions of diel activity patterns de-
monstrated that invasion of the
canopy occurred primarily after
dark.
The remaining 20 species observ-
ed during the study are normally
found at ground leveis.
An interesting by product of the
study has been the host preference
shown by various mosquito spe-
cies. In general, man has shown
up favorably as an attractive host
for most of the 35 species. Most
Culex species showed a predilec-
tion for mouse bait. Birds attract-
ed Culex nigripalpus, C. declara-
tor and C. spissipes as well as Aedes
and Mansonia. With regard to Ae-
deomyia squamipennis, the Bon-
NEs (1925) observed adults often
entering Surinam houses in the
evenlng but they never bite. Lane
(1953) in his “Neotropical Culici-
dae” States that no observations
have been made on the feeding ha-
bits of squamipennis. Forattini
(1965) briefly mentions that adults
have been reported feeding on
birds. Mattingly (1949) found Ae-
deomyia africana Neveu-Lemaire
attracted to human bait only in the
forest canopy and never on the
ground. During a year-long study
(1964-1965) involving only canopy
mosquitoes in Bush Bush Forest,
58% of 212 Aedeomyia squamipen-
nis were attracted to chick bait and
92% engorged on these hosts as
compared with 42% being attract-
ed to mice and only 10% engorg-
ed. As further evidence of a lack
of interest in mouse bait, a 1964
study disclosed only a 4% engorge-
ment rate among 181 squami-
pennis in ground levei mouse-bait-
ed traps located in the open
swamp breeding areas of this spe-
cies. Squamipennis is obviously
little attracted to man, so we must
conclude that it is essentially avi-
phyllic in character.
SUMMARY
The Bush Bush Forest study
area is briefly described. Studies
of the canopy mosquito fauna de-
pended upon the simultaneous col-
lection of mosquitoes at ground
levei and in the canopy at a height
Volume 6 (Patologia)
73
of 55 feet. .Mosquitoes were coUect-
ed through the use of human bait
or light-weight traps baited with
white mice or young chickens.
Observation periods were 24 hours
in duration in order to equally
sample the nocturnal as well as
diurnal mosquito population. Ca-
nopy trapping yielded many fewer
mosquitoes than were attracted to
human bait, particularly during
daylight hours. Ten species were
considered essentially arboreal in
nature, four or five appeared inter-
mediate in choice of habitat and
20 species were considered terra-
phyllic. The little studied Aedeo-
myia squamipennis was frequently
observed feeding on birds in the
forest canopy.
REFERENCES
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aspects of the Trinldad virus re-
search program. Proc. Tenth Inter-
nat. Cong. Ent., 3: 573-580.
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tion of Trinidad. Oxford Forestry
Memoirs No. 20, 1945. Clarendon
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Venezuelan equine encephalomye-
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tion of the virus. Amer. J. Trop.
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Brazil.
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-402.
WORTH, C. B. & JONKERS, A. H., 1962,
Two traps for mosquitoes attracted
to small vertebrate animais. Mos-
quito News, 22 (1) : 18-21.
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 75-78 — 1967
PESQUISA MÉDICO- SOCIAL EM PEQUENA POVOAÇÃO
AMAZÔNICA. I - SINTOMATOLOGIA DIGESTIVA LIGADA
AO ENTEROPARASITISMO E À CARÊNCIA
ORLANDO RODRIGUES DA COSTA ♦, AFFONSO RODRIGUES FILHO »*,
CAMILLO MARTINS VIANNA *», RUBENS DA SILVEIRA BRITTO ♦** *** ,
LUIZ FLAVIO LIMA** e JOSÉ FERNANDO GUEDES**
Por iniciativa das cátedras de
Clínica Médica e de Parasitologia,
da Faculdade de Medicina da Uni-
versidade Federal do Pará, foi le-
vado a efeito levantamento de na-
tureza médico-social, junto aos
moradores de São Raimundo No-
nato, povoação mais conhecida
por Quatro Bôcas, do município
paraense de Nova Timboteua.
À margem da linha tronco do
sistema rodoviário do Estado, na
região bragantina, trecho em que
se superpõem a BR-316-Pa ex-
-BR-22), conhecida como rodovia
Pará-Maranhão, e a PA-25, essa
localidade dista 127 km de Belém
e sua população, ao ensejo da pes-
quisa, em janeiro de 1965, não pas-
• Da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Pará e do
Instituto Evandro Chagas, Belém, Pará.
*• Da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Pará, Belém.
*** Do Instituto de Desenvolvi-
mento Econômico e Social do Pará,
Belém .
sava de 253 pessoas, compreendi-
das em 55 famílias. E estava repre-
sentada por lavradores braçais do
Departamento de Estradas de Ro-
dagem do Pará e assalariados de 3
propriedades rurais situadas nas
imediações, nordestinos ou seus
descendentes, em grande número.
A localidade foi fundada em
princípios do século, mas não dis-
põe, sequer, de elementares meios
de vivência social, como luz, água,
pôsto policial, não tem cemitério,
embora, por último, tenha sido
construída escola primária pela
Aliança para o Progresso.
Condições de saúde dêsse povoa-
do são estudadas, em trabalho ain-
da não publicado, por um dos au-
tores, que também reuniu um glos-
sário de medicina rústica e um rol
de remédios empregados pelos seus
moradores, fruto de observação de
12 anos como responsável técnico
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
76
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
de um Pôsto Médico mantido pelo
Departamento de Estradas de Ro-
dagem do Pará.
Resultados preliminares dêsse
inquérito do ponto de vista sócio-
-econômico, foram registrados su-
màriamente em trabalho por dois
dos autores & José Maria Cardoso
Salles, levado ao I Simpósio Bra-
sileiro de Alimentação e Nutrição,
realizado em julho de 1965 em
Campinas, São Paulo (1) e ao
3.0 Congresso Médico Amazônico e
1.0 Congresso Médico da Cidade de
Belém, em janeiro de 1966 por dois
dos autores, com João Luiz Oli-
veira & Maria Virgínia Gomes da
Silva (2).
Também a êstes últimos concla-
ves os mesmos dois dos autores,
com Francisco Pedro de Oliveira
& Antônio Carlos Rebello, apre-
sentaram dados preliminares, den-
tro do assunto do presente traba-
lho (3).
Para efeito de melhor estudo e
interpretação, fêz-se mistér desdo-
brar essa pesquisa, para encarar,
de per si, aspectos de maior inte-
rêsse aos fins visados.
Sintomatologia digestiva relacio-
nada ao enteroparasitismo e à ca-
rência alimentar, eis um dos pon-
tos levados em conta, nesse desdo-
bramento.
Com êsse objetivo, foram esco-
lhidos 77 adultos ou 30,4% dos seus
253 habitantes, excluídas as crian-
ças, de modo a que as informações
a colhêr, muito em tom de queixas,
se revestissem de maior autentici-
dade.
Dêsse modo, os inquiridos fica-
ram assim agrupados, quanto à
idade:
13 anos 1
De 16 a 20 anos 11
De 21 a 40 anos 43
De mais de 40 anos 24
Total 77
Usou-se, para a coleta de dados,
o formulário que havia servido a
trabalho realizado por José Mon-
teiro, na Enfermaria São Francis-
co de Paula, do Hospital da Cari-
dade, da Santa Casa da Misericór-
dia do Pará, junto a portado-
res de Síndrome Anémico-parasi-
tária, quase todos lavradores ori-
undos da região bragantina (4) .
As perturbações digestivas, como
sinais e sintomas ligados à desnu-
trição e ao enteroparasitismo, fo-
ram catalogados como segue, em
ordem decrescente de seus percen-
tuais :
Sinais e Sintomas Perc.
Plenitude gástrica 59,7%
Náuseas 58,5%
Cárie dentária 57,0%
Eructação freqüente 57,0%
Inapetência 52,0%
Cólicas 52,0%
Pirose 51,0%
Ardência epigástrica 43,0%
Muco nas fezes 41,5%
Volume 6 (Patologia)
77
Intolerância alimentar . . 41,5%
Obstipação 35,0%
Tenesmo 32,4%
Restos alimentares 30,0%
Diarréia 28,6%
Disfagia 26,0%
Sangue nas fezes 26,0%
Ausência de dentes 26,0%
Sialorréia 24,8%
Coprólitos 22,0%
Vômitos 20,8%
Perversão do apetite 14,3%
Glossite 10,4%)
Alteração da papila lingual 6,0%
Queilite 3,9%
Estomatite ' 2,6%
Concomitantemente, pela cadei-
ra de Parasitologia foi colhido ma-
terial para coproscopias, o que é
objeto de avaliação ainda inédita.
CONCLUSÕES
Do que se apurou nessa pesqui-
sa, pode-se deduzir:
1) Deixam muito a desejar os ní-
veis de vida da população exami-
nada;
2) perturbações gástricas estive-
ram presentes em cêrca de 3 '5 das
vêzes, o que denota a importância
do problema, sabendo-se que ou-
tras queixas para o lado do aparê-
Iho digestivo, embora em menor
percentual isoladamente, prevale-
cem em casos não computados nes-
te ou naquele grupo, o que aumen-
ta a proporção dos atingidos no
global;
3) as manifestações de deficiên-
cia ou impropriedade da alimen-
tação representam o corolário da
situação observada.
4) 0 enteroparasitismo, quase
sempre por diferentes espécies, tem
participação imponente, direta ou
indiretamente, na fisionomia clíni-
ca encontrada.
SUMARIO
Em decorrência de levantamen-
to de natureza médico-social, insti-
tuído pelas cátedras de Clínica Mé-
dica e de Parasitologia da Faculda-
de de Medicina da Universidade
Federal do Pará, foi ressaltada, no
presente trabalho, a sintomatolo-
gia digestiva ligada ao enteropara-
sitismo e à carência, entre os mora-
dores da povoação de São Raimun-
do Nonato, mais conhecida sob o
nome de Quatro Bôcas.
Situada no município de Nova
Timboteua, Estado do Pará, dis-
ta 127 km de Belém, pela linha
tronco do sistema rodoviário pa-
raense, na região bragantina, a
BR-316-Pa. Abrange 55 famílias,
com o total de 253 pessoas. Dessas,
a pesquisa, que se realizou em ja-
neiro de 1965, atingiu 77, segtmdo
o quadro abaixo:
13 anos de idade .... 1
De 16 a 20 anos 11
De 21 a 40 anos 41
De mais de 40 anos 24
Total 77
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
78
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Para o fim aqui visado, foram as
crianças deixadas de lado, de modo
a que as informações prestadas ti-
vessem cunho de maior legitimi-
dade.
Os resultados colhidos, sob for-
mulário adequado, foram agrupa-
dos por sinais e sintomas, com per-
centuais correspondentes, em or-
dem decrescente de freqüência.
SOMMAIRE
En consequence de la leveé de
nature medicale-sociale, instituée
par les chaires de Clinique Medi-
cale et de Parasitologie de la Fa-
culté de Médicine de TUniversité
Fedérale du Para, a été rehaussé
dans le presente ouvrage, le symp-
tôme digestif lié a 1’entero-parasi-
tisme et au manque, entre les ha-
bitants du hameau de São Raimun-
do Nonato, plus connu sous le nom
de ‘Quatro Bôcas”.
Situé, au municipe de Nova Tim-
boteua dans l’etat du Para, a une
distance de 127 kilomètres de la
ville de Belém sur la ligne princi-
pale du réseau routier de 1’etat,
dans la region bragantine, la ... .
BR-316-Pa. renferme 55 familles au
total de 253 personnes. De celles-ci,
la recherche qui s’est realiseé en
1965, en a atteint 77 selon tableau
suivant:
Âgés de 13 ans i
De 16 à 20 ans 11
De 21 à 40 ans 41
De plus de 40 ans 24
Total 77
Pour le but ici-visé, les enfants
out été mis à part, de façon à ce
que les informations rendues aient
une plus grande marque de légiti-
mité.
Les resultats obtenus, sons for-
mulaires appropriés ont été grou-
pés par signes et symptômes, avec
les poucentages correspondants,
dans 1’ordre decroissant de fré-
quence.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Brito, R. S., Vianna, c. M. & Sal-
LES, J. M. C., 1966, Aspectos de Nu-
trição Humana do Estado do Pará.
Cad. Paraenses, 1: 1-122.
2. Rodrigues Filho, A. & outros, 1966,
Características sócio-econômicas
dos moradores da povoação de São
Raimundo Nonato. Trabalho apre-
sentado ao 3.0 Cong. Med. Am. e
1.0 Cong. Med. da Cidade de Be-
lém, Pará.
3. Rodrigues Filho, A. & outros, 1966,
Perturbações digestivas ligadas à
desnutrição e ao enteroparasitismo.
Inquérito na povoação de São Rai-
mundo Nonato. Trabalho apresen-
tado ao 3.0 Cong. Med. Am. e l.o
Cong. Med. da Cidade de Belém,
Pará.
4. Monteiro, J. V., 1963, Problemas di-
gestivos no Síndrome anêmicopa-
rasitário. Trabalho apresentado à
Fac. de Med. da U.P.
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 79-83 — 1967
PESQUISA MÉDICO- SOCIAL EM PEQUENA POVOAÇÃO
AMAZÔNICA. II - CARÊNCIA ALIMENTAR
ORLANDO RODRIGUES DA COSTA *, AFFONSO RODRIGUES FILHO
CAMILLO MARTINS VIANNA **, RUBENS DA SILVEIRA BRITTO ***,
PAULO FERNANDO MONTEIRO ** e RAIMUNDO DOS SANTOS LOPES ♦*
Significa o presente trabalho
complementação a outro, também
inscrito neste conclave, a propósi-
to de inquérito de natureza médi-
co-social de que foi objeto a povoa-
ção de São Raimundo Nonato, mais
conhecida sob o nome de Quatro
Bôcas, no município de Nova Tim-
boteua, Pará.
Organizada pela cátedra de Clí-
nica Médica e de Parasitologia, da
Faculdade de Medicina, da Univer-
sidade Federal do Pará, essa pes-
quisa abarcou vários ângulos de es-
tudo, dentre êles o que respeita a
distúrbios carenciais, que aqui é
abordado.
Tôda a população do povoado
não passou, à época, janeiro de
* Da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Pará e do
Instituto Evandro Chagas, Belém, Pará.
** Da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Pará, Belém.
* * * Do Instituto de Desenvolvi-
mento Económico e Social do Pará,
Belém.
1965, 253 pessoas, compreendendo
55 famílias. Lavradores, braçais do
Departamento de Estradas de Ro-
dagem do Pará ou assalariados de
3 propriedades rurais das imedia-
ções, são quase todos nordestinos
ou descendentes de nordestinos.
Com a precariedade das condi-
ções sócio-higiênicas que oferece,
apesar de existir desde o princípio
do século, a localidade que demora
à margem do principal tronco ro-
doviário paraense, na região bra-
gantina, desfruta da regalia das li-
nhas de ônibus em trânsito e dis-
põe de escola pública primária.
Comportou o presente estudo 105
moradores ou 41,5% do total, esco-
lhidos dentre os de idade mais
baixa, quando mais significativas
são as manifestações carenciais, a
refletir melhor as condições locais,
até porque 32 adultos se dedicavam
a ocupações diversas, fora de Qua-
tro Bôcas, por mais de 30 dias.
80
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Ficaram assim constituídos os
grupos em exame:
Pessoas
De 0 a 5 anos 43
De 6 a 10 anos 40
De 11 a 20 anos 21
Mais de 20 anos 1
Total 105
Perante o 3.° Congresso Médico
Amazônico e l.° Congresso Médico
da Cidade de Belém, foram expos-
tos os primeiros dados desta pes-
quisa, por quatro dos autores com
Luiz Flávio Lima, José Fernando
Lopes (1), tal como dois dos auto-
res, com João Luiz de Oliveira &
Maria Virgínia Gomes da Silva, o
fizeram, no mesmo conclave, em re-
lação a características sócio-eco-
nômicas dessa população (2) .
Preenchidas as fichas individuais
adequadas, por sinal já experimen-
tadas em levantamentos procedidos
na Enfermaria São Francisco de
Paula, do Hospital da Caridade, da
Santa Casa da Misericórdia do
Pará, foram catalogados os sinais
e sintomas observados, consoante a
origem, como segue, em percen-
tuais:
I — CARÊNCIA PROTÍDICA
1. Palidez 40,6%
2. Edema 6,6%
II — CARÊNCIA
DE VITAMINA A
1. Cabelos:
1.1. Sêcos 14,3%
1.2. Quebradiços 5,7%
1.3. Descoloridos 2,9%
2. Pele:
2.1. Xerose 14,3%
2.2. Piodermites 6,6%
2.3. Ictiose 1,9%
2.4. Hiperqueratose fo-
licular 1,9%
3. Olhos:
3.1. Manchas das con-
juntivas 14,3%
3.2. Ardor 4,7%
3.3. Fotofobia 4,7%
3.4. Nictalopia 0,9%
3.5. Espessamento das
conjuntivas 0 9%
3.6. Opacificação da
córnea 0,9%
4. Resfriados freqüentes 38,1%
5. Diarréia crônica 13,3%
6. Unhas estriadas 6,6%
III — CARÊNCIA DE TIAMINA
1. Anorexia 30,4%
2. Dispnéia de esfôrço 20,0%
3. Formigamento 14,3%
4 . Dor à pressão das pan-
turrilhas 10,5%
5. Edema 6,6%
Volume 6 (Patologia)
81
6 . Constipação
3,8%
6 . Gengivite marginal . .
1,9%
7. Atrofia muscular ....
0,9%
7 . Retração gengival . . .
0,9%
8 . Paralisia muscular . .
0,9%
VII — CARÊNCIA DE
IV — CARÊNCIA
VITAMINA D E CÁLCIO
DE RIBOFLAVINA
1 . Cáries dentárias ....
57,0%
1 . Fotofobia
5,7%
2 . Abdome proeminente
21,0%
2 . Ardor nos olhos ....
5,7%.
3. Pés chatos
13,3%
3 . Dermatose marginal
3,8%
4 . Deformações torácicas
5,7%
4. Intertrigo retro-auri-
5. Manchas brancas do
cular
3,8%
esmalte
5,2%
5 . Descamação labial . . .
2,9%
6 . Atraso da dentição . .
3,8%
6. Hipertrofia das papi-
7 . Escapula alata
2,9%
las fungiformes
2,9%
8 . Posição corporal defei-
7. Fissuras — ângulos
tuosa
2,9%
externos dos olhos . .
1,9%
9 . Deformação dos mem-
8. Congestão circuncor-
bros
0,9%
neal
1,9%
10. Atraso do desenvolvi-
9 . Estomatite angular . .
1,9%
mento motor
0,9%
10. Blefarite
0,9%
11. Sulco de Harrison . . .
0,9%
11. Fissuras labiais ....
0,9%
VIII — CARÊNCIA DE FERRO
V — CARÊNCIA DE NIACINA
1 . Palidez
40,0%
1 . Diarréia
20,0%
2 . Anorexia
30,4%
2 . Língua rubra
18,1%
3. Perversão do apetite
25,6%
3 . Edema da língua . . .
1,9%
4 . Dispnéia de esforço . .
20,0%
4. língua magenta
1,9%
5. Perda de pêso
17,2%
6. Dificuldade de apre-
VI — CARÊNCIA
ensão
16,2%
DE VITAMINA C
7 . Cansaço
13,3%
1. Palidez
40,0%
8 . Perda de memória . . .
13,3%
2 . Perdas dentárias ....
33,4%
9 . Pigarro
12,4%
3. Manifestações alérgi-
10. Unhas estriadas
6,6%
cas freqüentes
6,6%
11. Unhas quebradiças ..
6,6%
4. Manifestações hemor-
12. Palpitações
5,7 %
rágicas da pele
2,9%
13 . Atrofia das papilas
5 . Hemorragias g e n g i-
linguais
3,8%
vais
1,9%
14. Sôpro cardíaco
2,9%
6 — 37.152
82
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
BÓCIO
1. Unhas quebradiças .. 6,6%
2. Unhas estriadas 5,7%
3. Atraso psico-motor .. 0,9%
4. Infiltrações 0,9%
CONCLUSÕES
Pode-se inferir dos elementos se-
miológicos encontrados:
1) Predominam manifestações
de carência proteica, de vitami-
na C, e de ferro, em cêrca de 2 '5
das amostras colhidas, vindo em se-
guida as atribuíveis à carência de
vitamina^ A, de BI e de niacina;
2) as cáries dentárias estão pre-
sentes em 57% dos casos, o mais
alto percentual observado, fazendo
entrar em linha de conta a carên-
cia de vitamina D e cálcio, que, to-
davia, não está representada, em
proporção idêntica, por outras ma-
nifestações;
3) por (Jonseguinte, são precá-
rias, embora não alarmantes, as
condições constatadas, sob o pon-
to-de-vista nutricional.
SUMARIO
A “enquête” levada a efeito na
povoação de São Raimundo Nona-
to, mais conhecida sob o nome de
Quatro Bôcas, do município de
Nova Timboteua, no Pará, pelas cá-
tedras de Clínica Médica e de Pa-
rasitologia, da Faculdade de Medi-
cina da Universidade Federal do
Pará, em janeiro de 1965, deu opor-
tunidade a que, dentre outros es-
tudos, se fizessem observações sô-
bre evidências de distúrbios caren-
ciais, objeto do presente trabalho.
Em população de 55 famílias,
com 253 pessoas, foram examina-
das 105, de preferência as de idade
mais baixa, em que as manifesta-
ções carenciais se fazem mais evi-
dentes, refletindo condições locais,
de vez que 32 moradores adultos se
mantinham freqüentemente afas-
tados da povoação, em atividades
diversas ao longo da rodovia Be-
lém — Brasília, por períodos aci-
ma de um mês.
Enquadraram-se nos seguintes
grupos etários as pessoas examina-
das:
De 0 a 5 anos 43
De 6 a 10 anos 40
De 11 a 20 anos 21
Mais de 20 anos 1
Total 105
Os sinais e sintomas atribuíveis
ao déficit alimentar, em resultado
dessa pesquisa, foram agrupados,
sob percentual, segundo sua ori-
gem, em relação à carência de pro-
teínas, de vitamina A, de tiamina,
de riboflavina, de niacina, de vita-
mina C, de vitamina D e cálcio, de
ferro e de iodo.
SOMMAIRE
L’enquête faite au village de São
Raimundo Nonato, plus connu sous
Volume 6 (Patologia)
83
le nom de “Quatro Bôcas”, du mu-
nícipe de Nova Timboteua, Etat
du Pará, par les chaires de Clini-
que Médicale et de Parasitologie de
la Faculté de Médicine de TUniver-
sité Féderale du Pará em janvier
1965, donna 1’opportunité de ce
que, entre autres études, on fit des
observations sur les évidents trou-
bles dús aux manques alimentai-
res, qui est 1’objet de ce travail.
Dans une population de 55 fa-
milles dans un total de 253 person-
nes, 105 furent examinés, de pré-
férence celles de bas âge, chez les-
quelles les manques alimentaires se
font plus évidents, car les condi-
tions locales s’y réfléchissent
d’avantage, puis 32 habitants adul-
tes etaient fréquemment absents
du village, occupés à de diverses
occupations au long de la grand
route Belém — Brasília pendant
plus d’un mois.
Ont été réunis dans les suivants
groupes d’âges, les personnes
examinées :
De 0 à 5 ans 43
De 6 à 10 ans 40
De 11 à 20 ans . . .
De plus de 20 ans
105
Les signes et symptomes attri-
bués au déficit alimentaire, en re-
sultat de cette recherche, ont été
groupés en poucentage, selon leur
origine, en relation au manque de
protéines, de vitamines A, de tia-
mine, de riboflavine, de niacine, de
vitamine C, de vitamine D et cal-
cium, de fer et de d’iode.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Rodrigues Filho & outros, 1966,
Carência alimentar no interior do
Pará. Dados de inquérito na Povoa-
ção de São Raimundo Nonato e co-
lônia agrícola de Sumaúma. Traba-
lho apresentado ao 3.° Cong. Med.
Amazônico e 1.® Cong. Méd. da Ci-
dade de Belém.
2. Rodrigues Filho & outros, 1966,
Características sócio-econômicas
dos moradores da povoação de São
Raimimdo Nonato. Trabalho apre-
sentado ao 3.° Cong. Méd. Amazô-
nico e l.° Cong. Méd. da Cidade de
Belém.
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 85-88 — 1967
COLÔNIA AGRÍCOLA AMAZÔNICA SOB INQUÉRITO
MÉDICO- SOCIAL. I — SINTOMATOLOGIA DIGESTIVA
LIGADA AO ENTEROPARASITISMO E À CARÊNCIA
ORLANDO RODRIGUES DA COSTA *, AFFONSO RODRIGUES FILHO ** **• ,
CAMILLO MARTINS VIANNA »♦, RUBENS DA SILVEIRA BRITTO *♦»,
FRANCISCO PEDRO DE OLIVEIRA ♦*, JOSÉ MARTINS NETTO ** e
ANTONIO CARLOS REBELO**
Ao ensejo da realização, por par-
te de equipe das cátedras de Clíni-
ca Médica e de Parasitologia, da
Faculdade de Medicina da Univer-
sidade Federal do Pará, de pesqui-
sa de natureza médico-social, em
janeiro de 1965, visando o interior
do município de Nova Timboteua,
na zona bragantina, foi alcançada
a Colônia Agrícola de Sumaúma,
distante poucos quilômetros da po-
voação estudada primeiro, nesse
levantamento.
E’ uma das várias colônias de
agricultores existentes nessa re-
gião fisiográfica, com grande pre-
ponderância de elementos nordes-
tinos ou seus descendentes.
• Da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Pará e do
Instituto Evandro Chagas, Belém, Pará.
*• Da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Pará, Belém.
**• Do Instituto de Desenvolvi-
mento Econômico e Social do Pará,
Belém.
Ocupa área relativamente exten-
sa, como é a regra em casos dessa
natureza, de vez que não há casas
geminadas, nem, sequer, arrua-
mento, mas iargas e irregulares
distâncias entre as moradias, cada
qual na localização que melhor
aprouve ao seu construtor.
Algumas delas se encontravam
desocupadas, porque seus morado-
res haviam se deslocado, por algum
tempo, para outros locais onde es-
peravam obter melhor rendimento
de determinadas culturas em épo-
cas adequadas.
Consigne-se que, em mais de
uma casa, os colonos se tinham re-
fugiado para mais longe, por re-
ceio de entender-se com a equipe
médica, fugindo sempre ao seu
contato.
É compreensível que, com vistas
aos sinais e sintomas digestivos, o
inquérito, nesta parte, incidisse, de
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
86
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
preferência, em adultos, para me-
lhor fidelidade no preenchimento
do formulário.
E, por isso, estimada tôda a po-
pulação da Colônia Agrícola de
Sumaúma em 120 pessoas, a pes-
quisa se ateve a 35 ou 29,1%, assim
agrupadas, quanto à idade:
Pessoas
13 anos 1
De 15 e 16 anos 3
De 21 a 40 anos 21
Acima de 40 anos 10
Total 35
Foi utilizado, para anotação, o
formulário experimentado ante-
riormente por José Vilella Mon-
teiro, nas enfermarias de São
Francisco de Paula e Santo Antô-
nio, do Hospital da Caridade, da
Santa Casa da Misericórdia do
Pará, quando organizou o roteiro
semiológico para pesquisa de pro-
blema digestivo (1).
Dois dos autores, com Fernando
Cunha e Milton Silva, expuseram,
em sessão plenária do III Congres-
so Médico Amazônico e I Congres-
so Médico da Cidade de Belém, efe-
tivado em janeiro de 1966, os pri-
meiros dados dêsse estudo (2).
Completada a revisão dos formu-
lários, ficaram evidenciadas as se-
guintes perturbações digestivas, re-
lacionadas à desnutrição e ao en-
teroparasitismo, em ordem decres-
cente dos percentuais apurados nos
35 moradores da colônia agrícola
de Sumaúma:
Sinais e Sintomas Perc.
Pírose 74,5%
Plenitude gástrica 71,5%
Náuseas 60,0%
Cárie dentária 54,5%
Vômitos 54,5%
Eructação 54,5%
Intolerância alimentar ... 51,5%
Ardência 51,5%
Sialorréia 48,5%
Cólica 46,0%
Inapetência 46,0%
Muco nas fezes 43,0%
Tenesmo 37,0%
Restos 31,4%
Coprólitos 31,4%
Obstipação 31,4%
Ausência de dentes 22,8%
Diarréia 22,8%
Sangue nas fezes 22,8%
Disfagia 22,8%
Perversão do apetite 20,0%
Glossite 17,2%
Alteração papilar 5,7%
Estomatite 2,8%
Queilite 2,8%
Os resultados da copro-parasi-
toscopia, a cargo da cátedra de Pa-
rasitologia, constam de trabalho
ainda inédito, não discrepando dos
altos Índices de infestação encon-
tradiços nos meios rurais.
Volume 6 (Patologia) 87
CONCLUSÕES das por períodos de safras, quan-
„ í- • i. j do os moradores se deslocam em
Pelo que ficou registrado, verifi- . , , ^
ca-se que- ^ terras de melhor rendi-
, , ■ . mento para determinados cultivos,
) em cerca de 3/4 dos casos, oferece oportunidade de compara-
houve queixas, consideradas es- ção de dados com os de aglomera-
as isoladamente; (jo de povoação situada à distância
2) mas, se se computarem no de alguns quilômetros.
no conjunto, a incidência é bem A repercussão do enteroparasitis-
maior, de vez que perturbações de g ^a carência na sintomatolo-
mais baixo percentual tanto ocor- digestiva foi detectada em en-
reram em casos já sobrecarregados trevistas individuais com 35 mora-
de outras, como nos outros, fazen- dores, de idades que garantissem
do com que, pràticamente, quase j^aior fidelidade às informações
todos, a apuração, tivessem quei- consoante o quadro a seguir, den-
xas a consignar; tre as 120 pessoas em que ficou es-
3) em suma, evidências de dis- timada a população global da co-
função para o lado do aparelho di- lônia;
gestivo, atribuíveis ao enteropara-
sitismo e às deficiências ou impro- De 13 anos de idade 1
priedades nutricionais. ® 16 anos 3
De 20 a 40 anos 21
SUMÁRIO mais de 40 anos 10
Equipe das cátedras de Clínica Total 35
Médica e de Parasitologia, da Fa-
culdade de Medicina da Universi- „ , , ,
T-, j , , T, - • Os dados, coligidos em percen-
dade Federal do Para, que, em ja- , . , . ^ _
„ . , ,. . . ... tuais, falam a favor de condiçoes
neiro de 1965, se dirigiu ao interior ... . .
, ...... rr,. i. nutricionais nao satisfatórias, pre-
do município de Nova Timboteua, . ,. .. .
, ^ ^ , sentes distúrbios digestivos na vi-
na zona bragantina, em estudos de - • , -í.- • ^ i.- ,
„ . T,. . , , . gencia de parasitismo intestinal,
natureza medico-social, achou in-
teressante estender suas observa-
çoes a colonia agrícola de Sumau-
ina, que pode ser tomada como L’equipe des chaires de Clinique
típica dessa zona fisiográfica pa- Médicale et de Parasitologie de la
raense. Faculté de Médicine de 1’Univer-
É que a dispersão das moradias, sité Fédérale du Pará, qui en jan-
sem casas geminadas e, até, sem vier 1965 s’est rendue à rinterieur
arruamento, com casas desocupa- du munícipe de Nova Timboteua,
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
88
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
dans la zone bragantine, en des
etudes médico-sociales, trouva in-
téressant étendre leurs observa-
tions à la Colonie Agricole de
“Sumaúma”, qui pourrait être
prise comme le type de cette ré-
gion physiographique de 1’Etat.
C’est que, les demeures étant dis-
persées, sans maisons geminées.
et même sans rues, avec des mai-
sons inhabitées aux époques des la-
bours, lorsque, les habitants se dé-
placent à la recherche de meilleu-
res terres pour certaines cultures,
offrent 1’occasion de faire la com-
paraison des dounnées, avec les
agglomérations des hameaux et
villages situés à une distance de
quelques kilometres.
La répercussion de l’entero-pa-
rasitisme et du manque, dans les
symptômes digestifs, a été détecté
en des entrevues individuelles avec
35 habitants ayant des âges qui
puissent assurer une plus grande
fidelité aux informations.
Selon le tableau suivant, parmi
les 120 personnes dont fut estimée
la population globale de la Colo-
nie, on trouva:
Agés de 13 ans 1
de 15 à 16 ans .... 3
de 20 à 40 ans 21
de plus de 40 anos . . 10
35
Les données réunis en pourcen-
tages parlent en faveur des condi-
tions nutritives qui ne sont pas sa-
tisfaisantes, qui présentent des
troubles digestifs causés par le pa-
rasitisme intestinal.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Monteiro, J. V., 1963, Problemas
digestivos no Sindrome Anêmico-
parasitário. Trabalho apresentado
à Fac. de Med. da U.P.
2. Rodrigues Filho, A. & outros, 1966,
Perturbações digestivas ligadas à
desnutrição e ao enteroparasitismo.
Inquérito em colônia agrícola. Tra-
balho apresentado ao 3.° Cong.
Med. da Am. e ao l.° Cong. Med.
da Cidade de Belém.
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 89* *94 — 1967
COLÔNIA AGRÍCOLA AMAZÔNICA SOB INQUÉRITO
MÉDICO-SOCIAL. II — CARÊNCIA ALIMENTAR
ORLANDO RODRIGUES DA COSTA *, AFFONSO RODRIGUES FILHO **,
CAMILLO MARTINS VIANNA *♦, RUBENS DA SILVEIRA BRITTO
FERNANDO CUNHA ** e MILTON SILVA **
Outra parte do inquérito de que
foram alvos, em janeiro de 1965, os
moradores da Colônia Agricola de
Sumaúma, situada no município
paraense de Nova Timboteua e a
poucos quilômetros de povoação
antes investigada, diz respeito a si-
nais e sintomas de carências ali-
mentares, dentro do critério esta-
belecido pelas cátedras de Clínica
Médica e de Parasitologia, da Fa-
culdade de Medicina da Universi-
dade Federal do Pará.
A zona bragantina, em que está
compreendida, oferece a maior den-
sidade demográfica da Amazônia
clássica, 0 as atividades de sua po-
pulação rural são tradicionalmen-
te voltadas para a lavoura, em lar-
ga escala. Várias colônias de agri-
cultores, algumas com existência
* Da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Pará e do
Instituto Evandro Chagas, Belém, Pará.
* * Da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Pará, Belém.
* * * Do Instituto de Desenvolvi-
mento Económico e Social do Pará,
Belém.
desde fins do século passado e prin-
cípios dêste, outras, já decadentes
pelo esgotamento do solo, vêm en-
tretendo a produção agrícola que,
através de gerações, ainda hoje é
apanágio dessa região fisiográfica.
É inerente a essas colônias agrí-
colas a dispersão das moradias, es-
palhadas por grandes áreas, a difi-
cultar todo tipo de assistência, mé-
dico-social ou técnica.
Daí o interêsse da comparação
de elementos obtidos, debaixo do
mesmo critério de percepção, em
um e em outro caso, isto é, a po-
voação e o núcleo agrícola.
Dispunha-se, já, de alguns dados
para referência, dentre êles os de
trabalho por um dos autores com
Francisco Pereira, quando, estu-
dando 0 problema da carência en-
tre 160 trabalhadores rodoviários,
oriundos inclusive da zona bragan-
tina e sediados em mimicípio limí-
trofe ao de Nova Timboteua, foram
descritos quadros de avitaminoses.
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
90
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
#
correlacionados ao complexo B e a
vitamina C (1).
Os grupos mais jovens da po-
pulação foram os agenciados para
a inspeção clínica, por mais vulne-
ráveis às deficiências alimentares.
Por essa razão, dentre os 120 habi-
tantes, em que ficou estimada a po-
pulação de Sumaúma, as 75 pes-
soas escolhidas, ou 62,5% do total,
assim se agruparam:
Pessoas
De 0 a 5 anos 52
De 6 a 10 anos 31
De 11 a 20 anos 15
De mais de 20 anos 4
75
Para o roteiro semiológico, foi
usado formulário já utilizado por
Yaci Alcântara, em levantamento
feito entre internados da Enferma-
ria São Francisco de Paula, do Hos-
pital da Caridade, da Santa Casa
da Misericórdia do Pará, com idên-
ticos fins (2).
As cifras preliminares, sujeitas a
correção, foram dadas a conhecer,
sob citação de responsabilidade de
três dos autores, em trabalho apre-
sentado, por dois dos autores, ao
I Simpósio Brasileiro de Alimenta-
ção e Nutrição, realizado em Cam-
pinas, São Paulo, em julho de
1965 (3).
Também ao 3. o Congresso Médi-
co Amazônico e l.° Congresso Mé-
dico da Cidade de Belém, de janei-
ro de 1966, foram reproduzidos os
primeiros dados, por dois dos auto-
res, mais Luiz Flávio Lima, José
Fernando Lopes, Paulo Fernan-
do Monteiro, Raimundo dos San-
tos Lopes & José Martins Netto
(4)
Depois de revisada a apuração,
as constatações clínicas ficaram
assim catalogadas, sob percentual
decrescente :
I — CARÊNCIA PROTÍDICA
1. Palidez 34,6%
2. Edema 11,7%
II — CARÊNCIA DE
VITAMINA A
1. Cabelos:
1.1. Sêcos 22,8%
1.2. Quebradiços 8,9%
1.3. Descoloridos 6,9%
2. Pele:
2.1. Xerose 8,3%
2.2. Piodermites 4,8%
2.3. Hiperqueratose fo-
licular 3,4 %o
2.4. Ictiose 2,0%
3. Olhos:
3.1. Fotofobia 15,8%
3.2. Ardor 12,4%
Volume 6 (Patologia)
3.3. Manchas das con-
3
. 4 . Espessamento das
conjuntivas
4,8%
3
.5. Opacificação da
córnea
4,8%
3
.6. Enrugamento das
conjuntivas
4,2%
3
. 7 . Nictalopia
2,8%
4.
Resfriados freqüentes
38,1%
5.
Diarréia crônica ....
14,5%
6.
Unhas estriadas ....
12,4%
III — CARÊNCIA DE TIAMINA
1.
Anorexia
20,6%
2.
Formigamento
15,8%
3.
Dispnéia de esfôrço .
14,0%
4.
Edema
11,7%
5.
Dor à pressão das
panturrilhas
8,9%
6.
Constipação
8,9%
7.
Atrofia muscular . . .
2,6%
8.
Diminuição dos refle-
xos aquilianos e pate-
lares
1,4%
9.
Abolição dos reflexos
tendinosos
1,4%
10.
Paralisia muscular . .
0,7%
IV — CARÊNCIA DE
RIBOFLAVINA
1.
Fotofobia
15,8%
2.
Ardor nos olhos
12,4%
3.
Hipertrofia das papi-
las filiformes
7,6%
4.
Hipertrofia das papi-
las fungiformes ....
6,9%
5.
Intertrigo retro-auri-
cular
5,5%
6 . Estomatite angular . .
7. Fissuras — ângulos
externos dos olhos . . .
8. Fissuras labiais
9 . Descamação labial . .
10. Dissebáceas do sulco
naso-labial
11. Congestão circuncor-
neal
12. Dermatose marginal
13 . Eczema seborréico . . .
14. Blefarite
15. Queilose
91
4,2%
2 , 8 %
2 , 8 %
2 , 8 %
2 , 8 %
2 , 0 %
1.4%
0,9%
0,7%
0,7%
V — CARÊNCIA DE NIACINA
1. Diarréia
14,7%
2. Língua rubra
8,9%
3 . Língua magenta ....
2,8%
4 . Dermatose pelagrosa
1,4%
5. Abolição dos reflexos
tendinosos
1,4%
VI — CARÊNCIA DE
VITAMINA C
1 . Palidez
34,6%
2 . Perdas dentárias ....
19,37o
3. Manifestações alérgi-
cas freqüentes
11,7%
4. Hemorragias gengi-
vais
11,7%
5. Manifestações hemor-
rágicas de pele
9,67o
6 . Retração gengival . . .
6,2%
7 . Gengivite marginal . .
5,5%
VII — CARÊNCIA DE
VITAMINA D E CÁLCIO
1 . Cáries dentárias ....
33,0%
2. Abdome proeminente
24,0%
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
92
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
3. Pés chatos 18,5%
4. Atraso da dentição . . 13,1%
5 . Posição corporal defei-
tuosa 11,7%
6. Manchas brancas do
esmalte 11,5%
7. Deformações torácicas 7,6%
8. Escapula alata 6,2%
9. Atraso do desenvolvi-
mento motor 2,0%
10. Sulco de Harrison .. 1,4%
11. Deformações crania-
nas 0,7%
VIII — CARÊNCIA DE FERRO
1. Palidez 34,6%
2. Perversão do apetite 22,0%
3. Anorexia 20,6%
4. Perda de pêso 16,5%
5. Perda de memória .. . 15,8%
6. Dispnéia de esfôrço .. 14,0%
7. Cansaço 14,0%
8. Pigarro 11,0%
9. Unhas estriadas 11,0%
10. Palpitações 9,6%
11. Dificuldade de apre-
ensão 9,6%
12. Unhas quebradiças .. 9,6%
13. Sôpro cardíaco 4,8%
14. Atrofia das papilas
linguais 4,2%
IX — BÓCIO
1. Unhas estriadas 11,0%
2. Unhas quebradiças .. 9,6%
3. Atraso psico-motor .. 3,4%
4. Infiltrações edemato-
sas da pele 3,4%
CONCLUSÕES
À vista da situação traduzida no
quadro acima, tem-se que:
1) em pouco mais de 1/3 dos ca-
sos, ficaram patentes as deficiên-
cias de proteínas, de vitamina C e
de ferro;
2) em 2.0 lugar, sobressaíram as
de vitamina A, de e de B-;
3) isso denota do ponto-de-vista
nutricional, situação de desalento,
embora, sôbre certos aspectos, com
melhores condições que as de po-
voação não distante, também obje-
to de idêntica pesquisa.
SUMARIO
Objetivando comparar, do pon-
to-de-vista da nutrição, os elemen-
tos obtidos, sob 0 mesmo critério
de percepção, de moradores reuni-
dos em povoado, com os de ocupan-
tes de moradias dispersas, numa
mesma região fisiográfica, as cáte-
dras de Clínica Médica e de Para-
sitologia da Faculdade de Medici-
na da Universidade Federal do
Pará, completaram, em bandeira
médica empreendida à zona bra-
gantina, no mês de janeiro de 1965,
a pesquisa programada para o in-
terior do município paraense de
Nova Timboteua, ao incluir a co-
lônia de Sumaúma no seu roteiro
de trabalho, visando a ocorrência
de sinais e sintomas de carências
alimentares entre os seus habitan-
tes.
Volume 6 (Patologia)
93
Escolhendo, na quase totalidade,
os moradores bem jovens, por
serem os mais vulneráveis às defi-
ciências nutricionais e, por isso,
melhor espelham as condições am-
bientes, a inspeção clínica atingiu,
dentre a população estimada em
120 pessoas, a 75, ou mais de 60%
dos moradores, como segue:
De 0 a 5 anos 25
De 6 a 10 anos 31
De 11 a 20 anos 15
De mais de 20 anos 4
Total 75
As observações colhidas, com
anotação, em formulário adequa-
do, dos sinais e sintomas percebi-
dos, êstes figuram em percentuais,
ordenados segundo a etiologia ca-
rencial: de proteínas, de vitami-
na A, de tiamina, de riboflavina, de
niacina, de vitamina C, de vitami-
na D e cálcio, de ferro e de iodo.
SOMMAIRE
Afin de comparer, au point de
vue de nutrition, les éléments obte-
nus du même aspect de perception
des habitants réunis dans les vil-
lages, avec ceux qui occupent des
demeures éparses dans une même
région physiographyque, les chai-
res de Clinique Médicale et de Pa-
rasitologie de la Faculté de Médi-
cine de rUniversité Fédérale du
Pará, ont complété en une expedi-
tion médicale entreprise à la zone
bragantine au mois de janvier
1965, le programme ayant pour but
la recherche à 1’interieur du muní-
cipe de Nova Timboteua, en ajou-
tant la Colonie Agricole de “Su-
maúma”, à son itinéraire de tra-
vail, visant en 1’occurrence des sig-
nes et symptômes de manque ali-
mentaire parmi ses habitants.
Ont été choisis, dans sa “quasi”
totalité de jeunes habitants, pour
en être les plus vulnérables aux
insuffisances nutritives et qui,
pour cette même raison, demons-
trent des conditions ambiantes, à
rinspection clinique, a attaint 75
personnes, ou soit 60% parmi les
120 habitants qui y furent estimés,
comme il s’ensuit:
De 0 à 5 ans 25
De 6 à 10 ans 31
De 11 à 20 ans 15
De plus de 20 ans 4
75
Les observations faites, notées
en formulaires appropriés, des sig-
nes et S3nnptômes connus, figu-
rent en pourcentage, ordonnées se-
lon 1’étiolement dú au manque de
protéines, de vitamines A, de
tiamine, de riboflavine, de niacine,
de vitamine C, de vitamine D, de
calcium, de fer et d’iode.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1 . ViANNA, C. M. & Pereira, F. N.,
1965, O problema da carência ali-
em 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
SciELOi'o
2
3
5
6
11
12
13
14
15
L.
cm
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 95-97 — 1967
MIOCARDITE EXPERIMENTAL EM CAMUNDONGOS
PRODUZIDA POR VIRUS AURÁ *
LEONIDAS BRAGA DIAS
Instituto Evandro Chagas, Belém, Pará
Danos estruturais do miocárdio
podem ocorrer espontaneamente
no camundongo, assim como o
quadro tipico de miocardite pode
ser induzido experimentalmente
com virus de diferentes grupos e
tipos, salientando-se pela sua
constância, particularmente os
virus Coxsackie B. Na própria pa-
tologia humana são numerosos os
exemplos de alterações anatômi-
cas e distúrbios funcionais do co-
ração no curso de numerosas vi-
roses, como a poliomielite, a gri-
pe, as viroses exantemáticas como
0 sarampo e varicela, parotidite
epidêmica, encefalomiocardite, psi-
tacose e ornitose, febre amarela,
dengue, febre de Pappataci, hepa-
tite epidêmica e doença citome-
gálica.
* Trabalho da Secção de Patologia
do Instituto Evandro Chagas (F.S.E.
S.P.) , Belém, Pará, parcialmente supor-
tado pelo Research-grant AI 06238-02
(U.S. Public Health Service) .
Tais fatos demonstram a Impor-
tância do problema, particular-
mente na região amazônica, onde
numerosos novos tipos de virus têm
sido isolados, particularmente os
arbovirus. Justifica-se, portanto, o
maior interêsse do patologista na
especulação de virus peculiares à
região, desprovidos de qualquer in-
forme sôbre sua ação patogênica,
mesmo em animais de experimen-
tação.
Dos novos arbovirus isolados vale
ressaltar a produção de lesões mio-
cárdicas do tipo degenerativo na
infecção experimental com virus
Middelburg (Kokernot e cols., . . .
1957) e Chikungunya (Weinbren
e cols., 1958) ou mesmo lesões in-
filtrativas intersticiais obtidas com
0 virus Sindbis (Taylor e cols.,
1955) . Dos isolados na região ama-
zônica, Dias e cols. (1966) reprodu-
ziram experimentalmente lesões no
interstício miocárdico, do tipo
destrutivo, com virus Mayaro e da
encefalomielite equina (EEE). Ês-
96
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
tes resultados foram confirmados
mesmo na infecção natural com
camundongos-sentinelas.
No presente relato queremos des-
tacar novamente a injúria miocár-
dica determinada por outra amos-
tra isolada na região — o virus
Aura.
MATERIAL E MÉTODOS
Foi utilizada a amostra Be Ar
10 . 315 de virus Aurá, protótipo iso-
lado de ”pool” de 99 Culex (Mela-
noconion) sp. coletados na floresta
do Instituto de Pesquisas e Expe-
rimentação Agropecuária, em Be-
lém.
Lotes de 6 camundongos jovens e
6 adultos foram inoculados por via
cerebral e via intraperitoneal, com
suspensões de virus da décima pas-
sagem, em cérebro de camundongo,
com diluições que variaram entre
10“- a 10-®, na dose usai de 0,02 ml
para os recém-nascidos e 0,03 ml
para os camundongos adultos.
O estudo histopatológico foi rea-
lizado em 16 animais jovens e 10
adultos, sacrificados todos sintomá-
ticos e fixados em formol neutro
a 10%. Os recém-nascidos foram
fixados in toto, após prévia abertu-
ra das cavidades craniana e tóra-
co abdominal; dos adultos foram
retiradas tôdas as vísceras para
fixação isolada. Após inclusão em
parafina foram os espécimes sub-
metidos aos métodos rotineiros de
coloração.
RESULTADOS E COMENTÁRIOS
Em todos os camundongos exa-
minados, independente da via de
inoculação, foram comprovados
quadros encefalíticos de gravida-
de variável com o título de inócu-
lo. Em 2 de 7 camundongos adul-
tos inoculados por via cerebral e
em 1 de 3 inoculados pela intrape-
ritoneal a encefalite assumiu ca-
ráter grave, exibindo, a par das al-
terações neuronais, infiltrados
leucocitários perivasculares, não
presente nos animais recém-nas-
cidos.
Em relação ao comprometimen-
to miocárdico, foi êste observado
somente em camundongos recém-
-nascidos, assumindo caráter fun-
damentalmente degenerativo e de
distribuição focal, com rara ten-
dência à distribuição difusa. Tais
danos independem da via de ino-
culação e foram observados com
todos os títulos de diluição.
As lesões mais discretas estão re-
presentadas por fina vacuolização
da fibra, associada frequentemente
a uma intensa eosinofilia e homo-
geneização de sua estrutura; tal le-
são evolui para franca hialinização
e dissociação das fibras miocárdi-
cas. As lesões mais graves estão
constituídas por franca hialiniza-
ção das fibras, com dissociação e
fragmentação em pequenos blocos,
ao lado dos fenômenos de degene-
ração nuclear, particularmente a
cariorrexis. Em raras eventualida-
Volume 6 (Patologia)
97
des pôde ser observada alteração
intersticial representada por mode-
rado edema e discreto acúmulo lin-
focitário nos capilares peri-lesio-
nais.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Dias, L. B„ Shope, R. E. & De Paola, D.,
Pathology of the arboviruses: I.
New aspects of the pathology of
experimental and natural infection
mice by group A viruses of the
Amazon region. (Em publicação) .
Kokernot, R. H., Meillon, B., Peter-
SON, H. E., Heyman, C. S. & Smith-
BURN, K. C., 1957, Middleburg virus.
A hitherto unknown agent isolated
from Aeães mosquitoes during an
epizootic in sheep. South África J.
Meã. Sei., 22: 145.
Taylor, R, M., Hurlbut, H. S., Work,
T. H., Kingston, J. R. & Frothing-
HAM, T. E., 1955, Sindbis virus: a
newly recognized arthropod-trans-
mitted virus. Amer. J. Trop. Meã.
Hyg., 8: 387.
Weinbren, M. P., 1958, The occurence
of Chinkungunya virus in Ugan-
da. III. Identification of the agents.
Trans. R. Soc. Trop. Meã. Hyg., 52:
259.
7 — 37.152
cm 1
g SciELOio
11 12 13 14 15 16
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 99-102 — 1967
INCIDÊNCIA DE PARASITOS INTESTINAIS
EM ESCOLARES DE LABREA,
AMAZONAS, BRASIL
SÉRGIO RAYMUNDO NEGRÃO DE SOUZA FRANCO
Instituto Evandro Chagas, Belém, Pará
Em virtude do aparecimento pe-
riódico de enfermidade de caráter
desconhecido, em Lábrea, a equipe
do Instituto Evandro Chagas (Fun-
dação Serviço Especial de Saúde
Pública), de Belém, deslocou-se
mais de uma vez para efetuar pes-
quisas no local.
Aproveitando uma dessas via-
gens, pareceu-nos interessante efe-
tuar exames parasitológicos em es-
colares de Lábrea, como ponto ini-
cial de um trabalho mais amplo, no
campo da parasitologia.
O município de Lábrea está si-
tuado na Zona fisiográfica do Rio
Purus, um dos principais afluen-
tes do Rio Amazonas, com luna po-
pulação estimada em cêrca de . . .
7.350 habitantes, pela Inspetoria
Regional de Estatística.
Existe no município apenas uma
aglomeração urbana, a cidade de
Lábrea, que é a sede, com 1.252
habitantes, de acordo com o Cen-
so Demográfico de 1950, aonde foi
efetuado o trabalho. A cidade de
Lábrea fica a 7° 16’ de latitude sul
e 68°48’ de longitude W.Gr, distan-
te de Manaus em linha reta 697
km, direção 49° 10’ s.o., estando a
60 m acima do nível do mar.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram utilizadas 311 amostras
de fezes, da população escolar, en-
tre 5 e 19 anos, coletadas em vi-
dros contendo fixador de Schau
dinn.
Por ocasião da distribuição dos
frascos eram feitas as devidas re-
comendações. Não foi exigido o uso
de purgativo salino.
Foi usado êsse expediente, não
só por ser a demora na cidade de
apenas poucos dias, o que não per-
mitiria examinar o material no
próprio local, assim como, para
possibilitar a confirmação dos diag-
nósticos de protozoários, empre-
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
100
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
gando a coloração pela Hematoxi-
lina férrica.
Foram empregados dois méto-
dos: a) fezes diluídas em solução
de cloreto de sódio a 0,85%; b) fe-
zes diluídas em Lugol de Weigert.
Para a confirmação diagnóstica
de protozoários foi utilizada a co
loração pela Hematoxilina férrica.
As amostras de fezes foram exa-
minadas no Laboratório da Seção
de Parasitologia do Instituto Evan-
dro Chagas. Era observada tôda a
preparação (lamínula pequena . . .
22 mm X 22 mm) , sem preocupa-
ção de tempo, sendo que eram exa-
minadas 3 lâminas de cada mate-
rial.
ANÁLISE DOS RESULTADOS
Nas tabelas 1 e 2 é feita a apre-
sentação dos resultados por grupos
etários, número e percentual por
espécie.
TABELA I
Helmintos intestinais
Incidência por espécies em escolares entre 5-19 anos, Lábrea, Amazonas
GRUPOS
ETÁRIOS
N.o
de
exami-
nados
N
» E PERCENTUAL DE
ESCOLARES COM EX. LAB.
POSITIVO
N.®
%
A. lumbrícoides
T. trichiura
A ncilostomideos
S. stercoralis
N.®
%
N.o
%
N.o
%
N.o
%
5 — 9
94
87
92,5
82
87,2
62
65,9
38
40,4
10
10,6
10 — U
167
161
96,4
153
91,6
109
65,2
97
58,0
18
10,7
15 — 19
50
49
98,0
44
88,0
29
58,0
26
52,0
5
10,0
TOT.-iL
311
297
95,4
279
89,7
200
64,3
161
51,7
33
10,6
TABELA II
Protozoários intestinais
Incidência por espécie em escolares entre 5-19 anos, Lábrea, Amazonas
GRUPOS
ETÁRIOS
N.O
N.o E
PERCENTUAL DE
ESCOLARES
COM EX. L.AB. POSITIVO
de
exami-
nados
N.o
%
E. hútolytiea
E. coli
E. naTia
I. blktschlii
G. lamblia
N.o
%
N.o
%
N.o
%
N.o
%
N.o
%
5 — 9
94
6
6,3
2
2,1
4
4,2
0
0
0
0
2
2,1
10 — 14
167
16
9,5
0
0
8
4,7
2
1.1
2
1,1
5
2,9
15 — 19
50
5
10,0
0
0
3
6.0
1
2,0
0
0
1
2,0
TOT.AL ....
311
27
9,0
2
0,64
15
4,8
3
0,9
2
0,64
8
2,5
Volume 6 (Patologia)
101
Foi revelado para helmintos. . .
95,4% de positividade nos exames
de 311 amostras, sendo que em or-
dem decrescente temos a destacar
para Ascaris lumbricoiães 89,7%,
para T. trichiura 64,3%, para An-
cilostomideos 51,7% e para Stron-
gyloides stercoralis 10,6%. Foram
rotulados com Ancilostomideos os
ovos e larvas de Ancylostoma duo-
denale e Necator americanus.
Para protozoários foi observado
apenas 9,0% de positividade, sendo
que em ordem decrescente temos
para E. coli 4,8%, para Giardia
lamblia 2,5%, como os de mais fre-
qüente encontro, somente em duas
oportunidades foi revelada a E. his-
tolytica. Os resultados positivos ao
exame direto foram comprovados
pela Hematoxilina férrica.
Agradecimentos — Agradecemos a
colaboração recebida da equipe do Ins-
tituto Evandro Chagas, composta dos
Drs. Francisco de Paula Pinheiro e
Gilberta Bensabath, assim como dos
laboratoristas José Rocha Cerqueira,
Guilherme Brigido Nunes, Jonas Almei-
da e Tiburcio Melo, para a execução do
referido trabalho.
SUMÁRIO
O autor em trabalho realizado
em Lábrea, Estado do Amazonas,
Brasil, feito em 311 escolares, en-
controu 95,4% de positividade po-
dendo-se destacar, em ordem de-
crescente, como de maior freqüên-
cia Ascaris lumbricoides 89,7%,
T. trichiura 64,3%, Ancilostomi-
deos 51,7% e Strongyloides sterco-
ralis 10,6%.
Em relação aos protozoários ape-
nas foi observado 9,0% de positivi-
dade e como mais freqüentes E.
coli 4,8%, Giardia lamblia 2,5%,
somente em 2 oportunidades foi re-
velado E. histolytica.
Foram empregados dois métodos
diretos: a) fezes diluídas em solu-
ção salina (cloreto de sódio a
0,85%); b) fezes diluídas em Lugol
de Weigert. Para confirmação
diagnóstica de protozoários foi
usada a coloração pela Hematoxi-
lina férrica.
São apresentados dois quadros
nos quais é mostrada a incidência
por espécie e por grupo etário, em
números e percentual.
SUMMARY
The author presents the result
of an intestinal parasites survey
made in Lábrea town, Amazonas
State, Brasil. Stool samples were
examined from 311 school indivi-
duais, between the ages of 5 and
19 years. The survey showed an in-
testinal helminth rate of 95.4%.
The incidence of other intestinal
helminth was as follows: A. lum-
bricoides 89.7%, T. trichiura
64.3%, hookwcrms 51.7%, S. ster-
coralis 10.6%.
The same stool specimens show-
ed the rate of 9.0% for human
instestinal protozoa. The most fre-
quent was E. coli 4.8%; Giardia
lamblia showed a rate of 2.5%. E.
cm 1
SciELO
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
histolytica appeared in only 2 of
all examinations.
Two methods were used: a) di-
rect examination in saline solu-
tion (0,85%); b) feces diluted in
Weigerfs lugol. For differential
diagnosis of protozoa, iron hema-
toxilin was used. Two tables are
presented showing the incidence of
all parasites found by species,
number, percentage and age group.
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Pessoa, S. B., 1963, Parasitologia Mé-
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Atas áo Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 103-112 — 1967
PESQUISAS SÔBRE HELMINTOS E ARTRÓPODES
PARASITOS DE ANIMAIS DOMÉSTICOS
NO BAIXO AMAZONAS
MOACYR G. FREITAS e HÉLIO MARTINS DE A. COSTA
Escola de Veterinária, Universidade Federal de Minas Gerais,
Belo Horizonte, Minas Gerais
(Com 11 figuras no texto)
A pecuária do Estado do Pará,
representada quase que exclusiva-
mente pela criação de gado bovi-
no e de búfalos, pràticamente res-
tringe-se às áreas do baixo Amazo-
nas e da ilha de Marajó. Cêrca de
50% dos animais abatidos para
consumo da população de Belém
provêm destas áreas. O restante é
adquirido no Estado de Goiás.
A região focalizada, situada na
zona equatorial, de clima quente e
úmido, que corresponde às áreas de
maior densidade de criação de gado
bovino e de búfalos, deve propiciar
excelente meio ambiente à dissemi-
nação das doenças parasitárias,
principalmente das gastrenterites
verminosas.
Em vista da importância sempre
crescente da pecuária nestas áreas.
Trabalho realizado com auxílio fi-
nanceiro do Conseiho Nacional de Pes-
quisa.
aliada à falta de informações sôbre
a ocorrência de parasitos nos re-
banhos de maior significação eco-
nômica, deliberamos efetuar um
levantamento parasitológico na re-
gião com 0 objetivo precípuo de
colhêr dados necessários à elabo-
ração de futuros planos de contro-
le às doenças parasitárias que
grassam nos animais domésticos
daquelas áreas.
Na Bacia Amazônica, com exce-
ção de alguns poucos trabalhos,
nada foi realizado com vistas ao le-
vantamento da fauna zooparasitá-
ria dos rebanhos de significação
econômica, segundo Freitas &
Costa (1959). Gordon (1922) teve
oportunidade de verificar, em sui-
nos do Amazonas, um nematóide
semelhante ao Necator america-
nus, sem contudo apresentar ne-
nhuma conclusão. Provàvelmente,
cm 1
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104
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
0 material encontrado pelo autor
devia ser o Necator suillus consi-
derado nova espécie por Ackert &
Payne (1922) e posteriormente
descrito, mais pormenorizadamen-
te por Ackert & Payne ( 1923) . Gor-
DON & Young (1922), estudando
parasitos de cães e gatos no Ama-
zonas, verificaram as seguintes es-
pécies em: 1) Cães; Ancylostoma
caninum, Ancylostoma brasiliensis,
Toxocara canis, Dirofilaria immi-
tis, Dipylidium caninum^ Ctenoce-
phalides canis, Trichodectes canis.
Heterodoxas longitarsus e Rhipice-
phálus sanguineus; 2) Gatos: An-
cylostoma caninum, Ancylostoma
brasiliensis e Toxocara cati.
Segundo Skrjabin (1921), a pre-
sença do Stephanurus dentatus foi
assinalada no Amazonas, por Nat-
TERER em 1834, em suínos de ori-
gem chinesa.
Travassos & Freitas (1964), em
pesquisas helmintológicas realiza-
das no Pará, assinalaram em: 1)
Bovinos: Haemonchus similis, Co-
operia punctata, Cooperia pectina-
ta, Trichostrongylus axei, Bosicola
radiata e Dictyocaulus viviparus;
2) Búfalos; Moniezia sp., Bunosto-
mum phlebotomum e Haematopi-
nus tuberculatus; 3) Pato domésti-
co; Tetrameres sp.; 4) Galinha:
Heterakis sp. e Oxyspirura sp.
Os resultados aqui apresentados
estão baseados em colheita de ecto-
parasitos e em exames “post-mor-
tem” de animais abatidos no Ma-
tadouro Maguary, situado nas pro-
ximidades de Belém (Pará) e em
animais sacrificados especialmen-
te para a obtenção de material pa-
rasitológico, originários da ilha de
Marajó e de áreas compreendidas
pelo Baixo Amazonas. Alguns pe-
quenos animais sacrificados proce-
diam das proximidades de Belém.
Todo 0 material parasitológico
foi colhido durante o mês de de-
zembro de 1965.
A lista que segue abaixo foram
acrescentadas as espécies assina-
ladas por Travassos & Freitas
(1964).
Pela primeira vez são assinala-
das no país as ocorrências, em equi-
nos e suínos, respectívamente, das
espécies Gyalocephalus equi Yorke
& Mcfíe, 1918 e Necator suillus
Ackert & Payne, 1922, cujas des-
crições resumidas seguem a pre-
sente lista.
Em bovinos foi encontrado um
Paramphistomatidae, identificado
ao gênero Cotylophoron Nãsmark,
1937; em ovinos foram encontra-
das, igualmente, duas espécies do
mesmo gênero. O material constan-
te dêstes achados acha-se em estu-
dos para publicações posteriores.
No intestino de suínos foi assi-
nalado outro Echinostomatidae,
identificado ao gênero Echinochas-
mus Dietz, 1909, que está sendo es-
tudado para publicação posterior.
Volume 6 (Patologia)
105
Lista de Parasitas
1 — EQUINOS
Classe CESTODA (Rudolphi, 1808) Fuhr-
mann, 1931
Familia anoplocephalidae Cholod-
kowsky, 1902
Anoplocephala perfoliata (Goe-
ze, 1782)
Par anoplocephala mamillana
(Mehlis, 1831)
Classe NEMATODA (Rudolphl, 1808)
Familia strongylidae Baird, 1853
Trioãontophorus tenuicollis
Boulenger, 1916
Strongylus equinus Muller, 1780
Alfortia edentata (Looss, 1900)
Delafondia vulgaris (Looss,
1900)
Familia cyathostomidae Yamaguti,
1961
Gyalocephalus equi York &
Macfie, 1918
Gyalocephalus capitatus Looss,
1900
Cyathostomum (Cylicodonto-
phorus) sp.
Cyathostomum (Cylicoeercus)
sp.
Cyathostomum (Cylicoeyclus)
spp.
Familia oxyüridae Cobbold, 1864
Oxyuris equi (Schrank, 1788)
Familia ascarididae Blanchard,
1849
Parascaris equorum (Goeze,
1782)
Familia filariidae Clauss, 1885
Setaria equina (Abilgaard,
1789)
Classe ARACHNIDA Lamark, 1815
Familia ixodidae Murray, 1877
Anocentor nitens (Newmann,
1897)
Familia psoroptidae Canestrini,
1892
Psoroptes equi (Hering, 1838)
Gervais, 1941
2 — BOVINOS
Classe TREMATODA Rudolphi, 1808
Familia paramphistomatidae Fis-
choeder, 1901
Cotylophoron sp.
Classe NEMATODA (Rudolphi, 1808)
Familia strongyloididae Chitwood
& Mcintosh, 1934
Strongyloides papillosus (Wedl,
1856)
Familia trichuridae Railliet, 1915
Capillaria bovis (Schnyder,
1906)
Familia syngamidae Leiper, 1912
Mammomonogamus laryngeus
(Railliet, 1899) Ryzhikov, 1948
Familia cyathostomidae Yamaguti,
1961
Oesophagostomum radiatum
(Rudolphi, 1803) * *
Familia trichostrongylidae Leiper,
1912
Trichostrongylus axei (Cob-
bold, 1879) *•
Cooperia curticei (Giles, 1892)
Cooperia punctata (v. Linstow
in Schnyder, 1907) *
Cooperia pectinata Ransom,
1907 **
Haemoncus similis Travassos,
1914 •
Haemoncus contortus (Rudol-
phi, 1803)
Familia protostrongylidae Leiper,
1926
Dictyoeaulus viviparus (Bloch,
1782)
Familia filariidae (Cobbold, 1864)
Clauss, 1885
Setaria cervi (Rudolphi, 1819)
Familia dipetalonematidae Wehr,
1935
Onchoeerca sp.
* Espécies assinaladas também por
Travassos & Freitas (1964).
* • Espécies assinaladas somente por
Travassos & Freitas (1964).
cm 1
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Classe ARACHNiDA Lamaik, 1815
Familia ixodidae Murray, 1877
Boophilus microplus (Canestri'
ni, 1887)
3 — BUBALINOS
Classe CESTODA (Rudolphi, 1808) Fuhr-
mann, 1931
Familia anoplocephalidae Cholod-
kowsky, 1902
Moniezia sp. * *
Classe NEMATODA (Rudolphi, 1808)
Familia strongyloididae Chitwood
& Mcintosh, 1934
Strongyloides papillosus (Wedl.
1856)
Familia trichostrongylidae Leiper,
1912
Cooperia curticei (Giles, 1892)
Familia ancylostomattdae Nicoll,
1927
Bunostomum phlébotomum
(Railliet, 1899)
Familia protostrongylidae Leiper,
1926
Dictyocaulus viviparus (Bloch,
1782)
Familia ascarididae Blanchard, 1849
Neoascaris vitulorum (Goeze,
1782)
Classe INSECTA Linnaeus, 1758
Familia haematopinidae Enderlein,
1904
Haematopinus tuberculatus
(Burmeister, 1838)
4 _ OVINOS
Classe TREMATODA Rudolphi, 1808
Familia paramphistomatidae Fis-
choeder, 1901
Cotylophoron spp.
Classe NEMATODA (Rudolphi, 1808)
Familia trichuridae Railliet, 1915
Trichuris sp.
Familia cyathostomidae Yamaguti,
1961
Oesophagostomum columbia-
num (Curticei, 1890)
Familia trichostrongylidae Leiper,
1912
Cooperia curticei (Giles, 1892)
Trichostrongylus axei (Cob-
bold, 1879)
Trichostrongylus colubriformis
(Giles, 1892)
Haemoncus contortus (Rudol-
phi, 1803)
5 — CAPRINOS
Classe NEMATODA (Rudolphi, 1808)
Familia trichuridae Railliet, 1915
Capillaria bovis (Schnyder,
1906)
Familia cyathostomidae Yamaguti,
1961
Oesophagostomum columbia-
num (Curticei, 1870)
Familia trichostrongylidae Leiper,
1912
Cooperia curticei (Giles, 1892)
Trichostrongylus colubriformis
(Giles, 1892)
Haemoncus contortus (Rudol-
phi, 1803)
Familia ancylostomattdae Nicoll,
1927
Bunostomum trigonocephalum
(Rudolphi, 1808)
6 — SUÍNOS
Classe TREMATODA Rudolphi, 1808
Familia paramphistomatidae Fis-
choeder, 1901
Echinochasmus sp.
Familia trichuridae Railliet, 1915
Trichuris trichiura (Linnaeus,
1771)
Familia strongylidae Baird, 1853
Globocephalus urosubulatus
(Alessandrini, 1909)
Familia cyathostomidae Yamaguti,
1961
1 Volume 6 (Patologia) 107
1 Oesophagostomum dentatum
Familia ascaridida,,; Blanchard,
1 (Rudolphi, 1803)
1849
1 Oesophagostomum longicau-
Toxocara canis (Werner, 1782)
1 dum Goodey, 1925
Familia dipetalonematidae Wehr,
1 Família stephanuridae Travassos
1935
1 & Vogelsang, 1933
Diro filaria immitis Leidy (1856)
1 Stephanurus dentatus Diesing,
Classe INSECTA Linnaeus, 1758
1 1839
Familia trichodectidae Burmeister,
1 Família trichostrongylidae Leiper,
1838
1 1912
Trichodectes canis (De Geer,
1 Hyostrongylus rubidus (Hassall &
1778)
1 Stiles, 1892)
Familia pulicidae Stephens, 1829
1 Família ancylostomatidae Nicoll,
Ctenocephalides felis felis
1 1927
(Bouché, 1835)
1 Necator suillus Ackert & Pay-
Classe arachnida Lamark, 1815
1 ne, 1922
Familia ixodidae Murray, 1877
1 Família prothostrongylidae Lei-
Amblyomma sp.
per, 1929
Metastrongylus salmi Gedoelst,
8 — GATOS DOMÉSTICOS
1923
Familia ascarididae Blanchard, 1849
Classe trematoda Rudolphi, 1808
Ascaris suum Goeze, 1782
Familia dicrocoeliidae Odhner,
Familia spiruridae Oerley, 1885
1911
Ascarops strongylina (Rudol-
Eurytrema fastosum (Kossack,
phi, 1819)
1910)
Physocephalus sexalatus (Mo-
Classe insecta Linnaeus, 1758
lin, 1860)
Familia pulicidae Stephens, 1829
Classe ACANTHOCEPHALA Rudolphi, 1808
Ctenocephalides felis felis 1
Familia oligacanthorhynchidae
(Bouché, 1835) 1
Southwell & Macfie, 1925 1
Macracanthorhynchus hirudi-
9 — GALINHA 1
naceus (Palias, 1781)
Classe CESTODA (Rudolphi, 1808) Fuhr- 1
mann, 1931 1
7 — CÃES DOMÉSTICOS
Familia hymenolepididae Railliet 1
Classe CESTODA (Rudolphi, 1808) Fuhr-
& Henry, 1909 1
mann, 1931
Echinolepis carioca (Maga- 1
Familia dilepididae Railliet & Hen-
Ihães, 1898) 1
ry, 1909
Familia davaineidae Fuhrmann, 1
Dipylidlum caninum (Linna-
1907 1
eus, 1758)
Davainea proglottina (Davai- 1
Classe NEMATODA (Rudolphi, 1808)
ne, 1860) 1
Familia trichuridae Railliet, 1915
Raillietina tetragona (Molin, 1
Trichuris vulpis (Froel, 1789)
1858) 1
Familia ancylostomatidae Nicoll,
Familia dilepididae Railliet & Hen- 1
1927
ry, 1909 1
Ancylostoma caninum (Erco-
Amoebotaenia cuneata (Lins- 1
lani, 1859)
tow, 1872) 1
cm 1
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Classe NEMATODA (Rudolphl, 1808)
Familia trichuridae Railliet, 1915
Capülaria collaris (Linstow,
1873)
Capülaria annulata (Molin,
1858) Cram, 1926
Familia subuluridae Yorke & Ma-
plestone, 1926
Subulura ãifferens (Sonzino,
1890)
Familia heterakidae Railliet &
Henry, 1914
Heterakis sp. * *
Familia ascarididae Blanchard, 1849
Ascaridia galli (Schrank, 1788)
Freeborn, 1923
Familia spiruridae Oerley, 1885
Gongylonema freitasi Costa,
1965
Familia thelaziidae Skrjabin, 1915
Oxyspirura mansoni (Cobbold,
1879)
Familia tropisuridae Yamaguti,
1961
Tropisurus americanus (Cram,
1927)
10 — POMBO
Classe TREMATODA Rudolphi, 1808
Familia eucotylidae Skrjabin, 1924
Tanaisia bragai (Santos, 1934)
Classe NEMATODA (Rudolphi, 1808)
Familia trichostrongylidae Leiper,
1912
Ornithostrongylus quadriradia-
tus (Stevenson, 1904)
11 — GALINHA D 'ANGOLA
Classe CESTODA (Rudolphi, 1808) Fuhr-
mann, 1931
Familia davaineidae Fuhrmann,
1907
Raillietina tetragona (Molin,
1858)
Classe NEMATODA (Rudolphi, 1808)
Familia thelaziidae Skrjabin, 1915
Oxyspirura mansoni (Cobbold,
1879)
12 — PATO
Classe NEMATODA (Rudolphi, 1808)
Familia heterakidae Railliet &
Henry, 1914
Heterakis sp.
Familia tropisuridae Yamaguti,
1961
Tropisurus sp. * *
Gyalocephalus eqiii Yorke &
Macfie, 1918 (Figs. 1-6)
Cyathostomatidae. Bôca abrin-
do-se, diretamente, na extremida-
de anterior. Cavidade bucal curta,
mais ou menos cilíndrica. Paredes
da cápsula bucal espessas. Coroa
franjada externa originando-se do
colar bucal. Coroa franjada inter-
na originando-se da cápsula bucal.
Três grandes dentes, em forma de-
crescente, no fundo da cavidade
bucal. Esôfago dilatado anterior-
mente, englobando parte da cavi-
dade bucal.
Machos — Os machos medem,
em média, 8,16 mm (7, 79-8, 83) de
comprimento por 0,365 mm
(0,317 — 0,408) de largura. Com-
primento do esôfago — 0,997 mm
(0,982 — 1132), em média. Largu-
ra máxima do esôfago, em média,
— 0,228 mm (0,211 — 0,264). Dis-
tância média da extremidade ante-
rior ao anel nervoso, papila cervi-
cal e poro excretor, respectivamen-
te — 0,400 mm (0,378 — 0,408),
0,503 mm (0,483—0,574), e 0,483
Volume 6 (Patologia)
109
1
Gyalocephalus equi Yorke & Macfie, 1918. Fig. 1: Região anterior; Fig. 2: Guber-
náculo visto de frente; Fig. 3: Gubernáculo, visto de lado; Fig. 4: Região
posterior da fêmea, mostrando a projeção da vagina; Fig. 5: Região posterior
do macho, mostrando a bolsa copuladora e o cone genital, visto de lado; Fig. 6:
Raio dorsal médio.
milímetros. Comprimento dos espí-
culos — 1069 mm (0,932 — 1208),
Comprimento do gubernáculo —
0,173 mm (0,150 — 0,198). Largu-
ra da bôlsa copuladora — 0,890 mm
(0,755 — 1132). Comprimento do
cone genital — 0,511 mm (0,423 —
0,559).
Fêmeas — As fêmeas medem em
média 10,32 mm (9,54 — 11,12) de
comprimento por 0,482 mm (0,393
— 0,544) de largura. Esôfago me-
dindo, em média, 1,132 mm (0,997
— 1253) de comprimento por. . .
0,252 mm (0,196 — 0,272) em sua
parte mais larga. Distância média
da extremidade anterior ao anel
nervoso, papila cervical e poro ex-
cretor, respectivamente, 0,556 mm
(0,393 — 0,558), 0,567 mm (0,528
— 0,619) e 0,548 mm. Comprimen-
to médio da cauda — 0,258 mm
(0,226 — 0,287). Distância média
da vulva à extremidade posterior
— 0,675 mm (0,498 — 0,815) . Com-
primento médio da projeção da va-
gina — 0,211 mm (0,121 — 0,272).
Comprimento médio da vagina e do
ovejector, respectivamente, 0,419
mm (0,378 — 0,468) e 0,374 mm
(0,302 — 0,423). Os ovos medem
0,130 mm de comprimento por
0,064 mm de largura, em média.
Necator suillus Ackert & Payne,
1922 (Figs. 7-11)
Ancylostomatidae. Região ante-
rior recurvada dorsalmente. Cavi-
dade bucal subglobulosa; cápsula
bucal de paredes espessas e quiti-
nosas. Na base da cavidade bucal
existe uma projeção cônica, ladea-
cm 1
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110
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
da por duas lancetas laterais e duas
lancetas ventrais, triangulares. Bô-
ca de contorno mais ou menos elíp'
tico, apresentando na margem
ventral duas lâminas cortantes,
Circundando a bôca localizam-se
oito papilas cefálicas, sendo quatro
de cada lado.
Machos — Os machos medem,
em média, 5,66 mm (5,2 — 6,0) de
comprimento por 0,326 mm (0,317
— 0,348) de largura. Comprimen-
to do esôfago — 0,461 mm (0,438
— 0,475) , em média. Distância mé-
dia da extremidade anterior à pa-
pila cervical, anel nervoso e poro
excretor, respectivamente, 0,320
mm (0,301 — 0,340), 0,241 mm
(0,226 — 0,279), 0,254 mm (0,219
— 0,279). Comprimento dos espi-
culos — 0,440 mm (0,415 — 0,491) .
Dimensões do telamon — 0,063 mm
de comprimento por 0,041 mm de
largura.
Fêmeas — As fêmeas medem, em
média, 7,80 mm (5,90 — 10,10) de
comprimento por 0,420 mm (0,362
— 0,483) de largura. Na região da
vulva a largura mede em média
0,423 mm (0,355 — 0,476) . Esôfa-
go medindo em média 0,503 mm
(0,468 — 0,554) de comprimento.
Distância média da extremidade à
papila cervical, anel nervoso e poro
Necator suillus Ackert & Payne, 1922. Fig. 1: Região anterior mostrando a cavi-
dade bucal com a projeção cónica e as lancetas; Fig. 2: Telamon; Fig. 3: Ramo
do raio dorsal médio; Fig. 4: Extremidade distai do espículo; Fig. 5: Bolsa
copuladora, vista lateralmente.
Volume 6 (Patologia)
111
excretor, respectivamente, 0,351
mm (0,324 — 0,362), 0,244 mm
(0,181 — 0,295) e 0,299 mm (0,272
— 0,321). Comprimento médio da
cauda — 0,199 mm (0,166 — ■
0,272). Distância média da vulva à
extremidade anterior — 3,316 mm
(2,703 — 3,813). Comprimento mé-
dio da vagina — 0,140 mm (0,129
— 0,166). Comprimento médio do
ovejector — 0,283 mm (0,264 —
0,340). Ovos medem 0,062 mm de
comprimento por 0,038 mm de lar-
gura, em média.
Buckley (1935), reestudando o
Necator suillus, sob os pontos-de-
-vista, morfológico, biológico e ex-
perimental, concluiu pela validade
da espécie.
RESUMO
Os autores, considerando a im-
portância sempre crescente da pe-
cuária do Baixo Amazonas, aliada
à falta de informações sôbre ocor-
rência de helmintos e artrópodes
parasitos dos animais domésticos,
realizaram um levantamento para-
sitológico na região. Os resultados
são apresentados sob a forma de
lista de parasitos, enumerados por
hospedeiros. Pela primeira vez são
assinaladas no Brasil as seguintes
espécies: Necator suillus Ackert
& Payne, 1922, em suínos e Gya-
locephalus equi Yorke & Macfie,
1918, em eqüinos. Foram ainda as-
sinalados dois Paramphistomatidae
do gênero Cotylophoron, em bovi-
nos e ovinos e um Echinostomati-
dae do gênero Echinochasmus, em
suínos.
SUMMARY
Because of the lack of Informa-
tion concerning worm and arthro-
pod parasites of domestic animais
in the Baixo Amazonas and Mara-
jó Isle a survey was made in de-
cember, 1965, for the purpose oí
finding out the kinds of parasites
occuring in the animais from the
region. The results are based on
postmortem examinations of
animais slaughtered in abattoirs
and captured in the Belém and Ma-
rajó Isle. These results are given
in the accompanying check-list
according to hosts. The following
parasites are recorded for the first
time in Brazil: Necator suillus
Ackert & Payne, 1922, from pigs,
and Gyalocephalus equi Yorke &
Macfie, 1918, from horses.
Two species of Paramphistoma-
tidae — genera Cotylophoron were
present in the material examined
from cattle and sheep, and one
species of Echinostomatidae - - ge-
nera Echinochasmus in material
collected from pigs.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ackert, J. E. & PAYNE, F. K., 1923, In-
vestigations on the control of
hookworm diseases. XII. Studies on
the occurrence, distribution and
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
112
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
morphology of Necator suillus, in-
cluding description of the others
species of Necator. Amer. J. Hyg.,
3: 1-25.
Buckley, J. J. c., 1935, Some observa-
tions on Necator suillus Ackert and
Payne, 1922, J. Helminth., 13; 67-
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Freitas, M. G. & Costa, h. M. A., 1959,
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brates. 536 pp. J. & A. Churchill,
London.
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol, 6 (Patologia): 113-115 — 1967
IIISTOPATOLOGIA DAS ARBOVIROSES DO GRUPO C
PAULO ROBERTO SAMPAIO LACERDA, DOMINGOS DE PAOLA,
MANOEL BRUNO LOBO e GILDA BRUNO LOBO
Hospital dos Servidores do Estado, Rio de Janeiro, GB
Recentemente, nôvo interêsse re-
sultou da tentativa de identifica-
ção dos danos estruturais determi-
nados por arbovirus do grupo C,
quer em animais, possíveis reser-
vatórios, quer particularmente no
homem.
Os trabalhos pioneiros de Cau-
SEY, introduzindo na Amazônia um
nôvo recurso de detecção de arbo-
virus, com o emprêgo de animais
sentinelas (camundongos e maca-
cos) , permitiram valorizar a região
como rico manancial dêstes agen-
tes injuriantes. É óbvio que a maio-
ria dêstes virus foi isolada quer em
mosquitos ou em pássaros, e even-
tualmente em micro-epidemias de
estado infeccioso sistêmico, parti-
Trabalho, realizado com a colabora-
ção do Instituto Evandro Chagas
(F.S.E.S.P.) e suportado pelo Research-
-grant AI-06238-02 (U.S. Public Health
Service), do hospital dos Servidores do
Estado e da Cadeira de Anatomia Pa-
tológica e Instituto de Microbiologia da
Faculdade de Medicina da Universidade
Federal do Rio de Janeiro e Faculdade
de Ciências Médicas, Universidade do
Estado da Guanabara.
8 — 37.152
cularmente em populações vizi-
nhas à cidade de Belém. No mo-
mento em que a região amazônica
tornou-se mais acessível a rápidos
surtos de progresso, graças às no-
vas vias de comunicação, pôs-se o
homem em contato com o eco-sis-
tema dêstes numerosos arbovirus.
Cabe portanto no momento,
como mais um problema básico de
Saúde Pública desta região, o me-
lhor conhecimento da relação vi-
rus-homem, através a identifica-
ção de seus possíveis danos, no or-
ganismo hospedeiro, ou no de seus
eventuais reservatórios.
No presente trabalho procura-
mos relatar as modificações histo-
patológicas verificadas em camun-
dongos experimentalmente infecta-
dos com várias amostras de arbo-
virus do grupo C.
MATERIAL E MÉTODOS
Foram inoculados 1 . 176 camun-
dongos (lotes de 6 jovens e 6 adul-
em 1
SciELO
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114
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
tos), por via intraperitoneal e ce-
rebral, com os protótipos de virus
Nepuyo, Apeu, Marituba, Oriboca,
Caraparu, Itaqui e Murutucu, em
títulos variáveis entre 10~- e 10~**.
Foram incluídos 390 animais, sacri-
ficados paralíticos ou aparente-
mente sãos, após fixação em for-
mol a 10% (os camundongos jo-
vens foram fixados in toto) e sub-
metidos aos métodos rotineiros de
coloração.
RESULTADOS E COMENTÁRIOS
De um modo geral, os quadros
lesionais básicos obtidos foram os
de encefalite com tôdas as amos-
tras utilizadas e de hepatite, com
as amostras de virus Oriboca, Ca-
raparu, Itaqui e Murutucu, quer
em animais submetidos à ino-
culação cerebral, quer peritoneal,
geralmente com os títulos de 10~-
a 10-^, com pequenas variações de
amostra para amostra.
O quadro encefalítico está repre-
sentado sobretudo por alterações
neuronais, sem distribuição topo-
gráfica especial ou peculiar, carac-
terizadas por tumefação hidrópica,
vacuolização nuclear com margi-
nação cromatínica, retração celu-
lar com degeneração hialina, ne-
crose e figuras de neuronofagia.
Não foram identificados corpús-
culos de inclusão, quer nucleares,
quer citoplasmáticos. As lesões ex-
sudativas pobres nos camundongos
jovens de curta sobrevivência (1 a
3 dias), estão repressentadas por
delicados infiltrados perivasculares
sob forma de manguitos linfo-plas-
mocitários, ou difusamente na lep-
tomeninge.
O quadro hepático foi observado
de modo constante com as amos-
tras de virus Oriboca, Caraparu,
Itaqui e Murutucu. A hepatite está
representada por lesões degenera-
tivas do hepatócito, do tipo dege-
neração hialina, tumefação hi-
drópica, metamorfose gordurosa
em graus variáveis, transformação
corpuscular do tipo Councilman,
de distribuição mediozonal e peri-
férica no lóbulo hepático, com ca-
racterística preservação centro-lo-
bular. As células de Kupffer não
exibem modificações quantitativas
ou qualitativas e o componente in-
flamatório muito escasso ou nulo,
representado raras vêzes por dis-
creto infiltrado linfocitário portal.
Estas lesões acima descritas foram
melhor caracterizadas nos animais
adultos, de maior sobrevivência (7
a 10 dias).
CONCLUSÕES
A infecção experimental em ca-
mundongos, por arbovirus do gru-
po C, produz, ao lado do quadro en-
cefalítico, patrimônio comum dês-
tes agentes, um quadro de hepati-
te constante e peculiar a 4 amos-
tras, consideradas portanto tam-
bém hepatotrópicas — • Itaqui, Ori-
boca, Murutucu e Caraparu. A via
Volume 6 (Patologia)
115
de inoculação não altera a especi-
ficidade, mas a maior sobrevivên-
cia dos animais possibilita melhor
juizo da evolução das lesões. A fal-
ta de mobilização mesenquimal, a
preservação centro-lobular, a con-
figuração de corpúsculos do tipo
Councilman, aproxima êste qua-
dro experimental com o da infec-
ção natural em macacos e homem
com 0 virus da febre amarela.
Cabe, no momento, identificar as
possiveis lesões na infecção natu-
ral em animais reservatórios ou no
homem. Para tal se fará necessá-
rio valorizar melhor os casos de en-
cefalite e hepatite da região, atra-
vés a cooperação entre a patologia
e a virologia, no afã de se estabe-
lecer em têrmos definitivos a cor-
relação entre agente injuriante vi-
rai e o homem, complexo hospe-
deiro.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
De Paola, d., 1963, Pathology of Arbo-
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natural infecction of mice by ar-
boviruses of group C in Amazon,
(em publicação).
cm 1
SciELO
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. tí (Patologia); 117-120 — 1967
O QUIMISMO GÁSTRICO NA SÍNDROME
ANÊMICO-PARASITÁRIA
ERNESTO GONDIM LEITÃO, AFFONSO RODRIGUES FILHO
e OSWALDO LUIZ FORTE
Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Pará, Belém
A síndrome anêmico-parasitária
encerra problemas dos mais com-
plexos, principalmente os relacio-
nados à anemia, à carência e ao
poli-parasitismo intestinal múlti-
plo.
Em nossos serviços estamos rea-
lizando estudo completo nos indi-
víduos portadores desta síndrome,
e em nosso Plano de Trabalho pro-
curamos verificar de que maneira
se comporta o quimismo gástrico
nestes pacientes, de vez que êste
método já fôra estudado em várias
formas de anemias (2-5).
Garin (3) fêz estudo em 37 pa-
cientes portadores de anemia ver-
minótica e não verificou nenhuma
alteração, mesmo naqueles indiví-
duos onde a anemia era muito in-
tensa; JoLLY (3) em ,suas observa-
ções, também chegou à mesma con-
clusão. Larizza & VENTxniA (3) en-
contraram acloridria em alguns
doentes portadores de anemia anci-
lostomótica e Cannavó (1) achou
hiperacidez, hipoacidez e anaclori-
dria em doentes portadores desta
mesma parasitose. Estudos mais
recentes feitos por Urso & Mas-
TRANDEA ( ) permitiram o esclare-
cimento dessa diversidade de re-
sultados; é que no início da doen-
ça há hiperacidez acompanhada de
fenômenos espásticos e hiperciné-
ticos, para, com a evolução da
doença, observar-se hipocloridria
com hipotonia gástrica.
Em trabalhos ainda mais recen-
tes têm sido procuradas as múlti-
plas explicações para a anemia ver-
minótica, sabendo-se que esta ane-
mia depende não somente da de-
ficiência de ferro, mas também de
muitos outros fatôres como sejam
a carência proteica, a deficiência
vitamínica, o poliparasitismo e tal-
vez mesmo alguns outros fatôres,
no estado atual do nosso inteiro
d esconhecimento .
Rodrigues Filho e colaboradores
(4) em portadores de síndrome
cm 1
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
anêmico-parasitária, encontraram
hipocloridria em 68% de uma sé-
rie de 25 pacientes, 28% dêles com
normocloridria e apenas 4% com
hipercloridria, não evidenciando
correlação entre a acidez livre e o
grau de anemia apresentada pelos
doentes.
ViANNA (5) estudando pacientes
portadores de síndrome anêmico
parasitária em relação ao quimis-
mo gástrico, assinalou os seguintes
resultados; 38,7% com normose-
creção e hipocloridria; 33,3% com
hiposecreção e hipocloridria; 10,0%
com normosecreção e normoclori-
dria; 6,7% com hiposecreção e nor-
mocloridria; 6,7% com hiposecre-
ção e hipercloridria; 3,3% com hi-
posecreção e hipercloridria e 3,3%
com hipersecreção e hipercloridria.
Material e Métodos — Nosso
trabalho constitui o estudo feito
em 37 pacientes portadores de sín-
drome anêmico parasitária, inter-
nados nas diversas enfermarias do
Departamento de Medicina Inter-
na da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Pará, ser-
viço do Prof. Affonso Rodrigues
Filhos, cujos pacientes eram porta-
dores de taxa de hemoglobina que
variava de menos de 2 gramas até
9 gramas %.
O suco gástrico fôra colhido atra-
vés sonda de Einhorn, com os pa-
cientes em jejum de 12 horas. Após
colheita da amostra de jejum, la-
vagem gástrica com sôro fisiológi-
co e excitação da secreção gástri-
ca pela insulina, com injeções sub-
cutâneas de lOU, iniciamos a reti-
rada das amostras subseqüentes de
suco gástrico com intervalos de 15
minutos. A dosagem de ácido clo-
rídrico livre foi feita utilizando-se
0 reativo de Topffer com substân-
cia indicadora e a acidez total com
auxílio da solução alcoólica de fe-
nolftaleina a 1%.
Os pacientes submetidos ao gas-
tro-acidograma estavam livres de
medição anti-anêmica e anti-hel-
míntica, a fim de que fôssem evi-
tadas modificações no resultado
real de nosso pretendido objetivo.
Em alguns dêstes pacientes após
terapêutica marcial e desparasiti-
zação, realizamos repetição dêste
método de exame.
Análise dos Resultados — Os re-
sultados encontrados nos 37 paci-
entes estudados estão assinalados
no quadro 1;
QUADRO I
RESULTADOS
FREQC
N.®
Ê.\CIA
cr
Vo
Normosecrejâo c/hipocloridria
11
2y,7
Hiposecreção c/hipoclorídría
tl
29,7
Normosecreção c/normocloridria
A
10.8
Hiposecreção c/normocloridria
5
13.6
Normosecreção c-liipercloridria
8.1
Hiposecreção c/hipercloridria
2
5.4
Hipersecreção c/hipercioridria
I
2,7
Nos casos submetidos à terapêu-
tica verificamos normalização da
curva.
Volume 6 (Patologia)
119
CONCLUSÕES
Nossos trabalhos de pesquisa
permitiram formular as seguintes
conclusões :
1 — A hipocloridria foi observada
em 59,4% dos casos estuda-
dos.
2 — Observamos após o trata-
mento, isto é, após terapêuti-
ca marcial e a desparasitiza-
ção, a normalização da Curva
de Acidez.
3 — Com a normalização da Curva
de Acidez, após terapêutica,
a sintomatologia clínica tra-
duzida pela sensação de ple-
nitude gástrica, desapareceu
por completo.
SUMARIO
Os autores estudam o conteúdo
gástrico de 37 pacientes portadores
de -síndrome anêmico-parasitária
internados nas enfermarias do Hos-
pital de Caridade da Santa Casa de
Misericórdia do Pará (Departa-
mento de Medicina Interna da Fa-
culdade de Medicina da Universi-
dade Federal do Pará — serviço do
Prof. Affonso Rodrigues Filho, pa-
cientes com menos de 2 g de he-
moglobina até 7 g, verificando re-
sultados dignos de nota, com nor-
malização na curva de acidez após
a terapêutica marcial e desparasi-
tismo, acompanhados também do
desaparecimento da sintomatologia
digestiva referida pelos pacientes
observados.
RÉSUMÉ
Les auteurs ont étudié le con-
tenu gastrique de 37 patients por-
teurs du Syndrome Anémique-Pa-
rasitaire, internés dans les infir-
meries de l’Hôpital de Charité
“Santa Casa de Misericórdia” du
Pará (Département de Medecine
Interne de la Faculté de Médecine
de rUniversité Fedérale du Pará, à
la charge de Monsieur le Profes-
seur Affonso Rodrigues Filho) ,
avec moins de 2 grammes d’hémo-
globine, vérifiant des résultats dig-
nes de remarque, avec normalisa-
tion de la courbe d’acidité, aprés
la thérapeutique principale et dé-
parasitisme, accompagnés aussi de
la disparition de la symptomatolo-
gie digestive cités par les patients
qui avaient été observés.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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sulla clinica deiranchilostomiasi.
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Anêmico-Parasitária, Trabalho
apresentado na II Jornada Médi-
ca da Amazônia, Cidade de Abaete-
tuba. Estado do Pará.
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Vol. 6 (Patologia): 121-128 — 1967
PROTEÍNAS PLASMÁTICAS NA SÍNDROME
ANÊMICO-PARASITARIA
ERNESTO GONDIM LEITÃO, EDITH SELIGMANN DA SILVA
e AFFONSO RODRIGUES FILHO
Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Pará, Belém
Numerosas têm sido as investi-
gações relacionadas às proteínas
plasmáticas em pacientes portado-
res de anemia verminótica. Em
1956, em trabalho que apresenta-
mos no 2P Congresso Médico da
Amazônia, tecemos considerações
em tôrno dêste problema (3).
As inúmeras funções das pro-
teínas plasmáticas estão na depen-
dência de seu peculiar estado de
solução. Estando presente em to-
dos os locais onde chega o fluxo
sanguíneo, se compreende que gra-
ças à sua grande superfície
( 140 . 000 m-) , elas desempenham
as seguintes importantes missões:
a) regulação da pressão coloidos-
mótica; b) transporte de medica-
mentos quimioterápicos aos luga-
res de infecção; c) derivação até
aos órgãos excretores, dos catabó-
licos celulares e histicos; d) defe-
sa contra as infecções bacterianas;
e muitas outras de menor impor-
tância.
Entretanto, estas funções de con-
junto só realizarão seus objetivos
quando as proteínas plasmáticas
possuírem uma composição fisioló-
gica adequada; daí o organismo ter
grande interêsse em mantê-la nor-
mal, o que conseguirá com um
com um quádruplo equilíbrio nó
qual participam os seguintes fa-
tóres: a) composição normal em al-
bumina, globulina e fibrinogênio;
b) constância da concentração de
hidrogeniontes (isohidria) ; c) con-
teúdo invariável em componentes
minerais (isoionia); d) constância
da pressão coloidosmótica (isoto-
nia).
Somente dentro destas condições
0 plasma sanguíneo poderá alcan-
çar sua ótima capacidade funcio-
nal (11).
Há no plasma sanguíneo 6, 8, a
10% de proteínas, dentre as quais
destaca-se a seroglobulina e a se-
roalbumina. A primeira é classica-
mente dividida em 3 frações; a) o
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
fibrinogênio (o mais instável, com
ponto de coagulação térmica mais
baixo — uns 56° — , precipitável
pela solução de sulfato de amónia
a 1/4 de saturação); b) a euglo-
bulina; c) a pseudo-globulina.
Geralmente, a relação albumi’
na/globulina é da ordem de 2/1,
predominando portanto ligeira^
mente a albumina. Esta relação
desloca-se com vantagem para as
globulinas, na inanição, nas doen-
ças infecciosas e nos processos de
imunidade em geral, sempre que
aumentam os fenômenos de desin-
tegração celular; êste aumento das
globulinas está geralmente relacio-
nado com o da chamada “labilida-
de coloidal” do plasma ou do sôro
sanguíneo.
As globulinas, especialmente o
fibrinogênio, são dentre os colóides
plasmáticos os mais hidrófobos e
os mais fàcilmente floculáveis.
Mas outras vêzes vamos obser-
var, em lugar do aumento das glo-
bulinas, a diminuição das albumi-
nas, as quais, sendo mais hidrófi-
las, explicam certas modificações
plasmáticas características de cer-
tos estados mórbidos.
Assim é que Kahn (6) admite di-
minuição das albuminas, ou seja,
da porção mais hidrófila, no sôro
dos indivíduos portadores de neo-
plasias malignas.
De um modo geral as manifes-
tações clínicas da deficiência pro-
teica estão na razão direta da rapi-
dez com que ela se instala. Assim,
nas perdas bruscas de proteínas,
nas hemorragias e nas grandes
queimaduras, a conseqüência será
0 “shock”.
Entretanto nas perdas demora-
das, os sintomas e sinais podem
ser muito leves, traduzidos por
mal-estar, debilidade, astenia, os
quais após semanas ou meses se-
rão seguidos de perda de pêso, al-
terações cutâneas, diminuição da
resistência às infecções, transtôr-
nos de cicatrização, insuficiência
hepática, edemas, diminuição da
concentração de hemoglobina e
de proteína plasmática, observan-
do-se pela biópsia do fígado, alte-
rações na estrutura das células
hepáticas (2).
Rodrigues Filho (7) assim se
expressa: “Já em 1930, Gilberto
V iLLELA e Castro Teixeira chega-
vam à conclusão que as proteínas
do plasma se encontram diminuí-
das na ancilostomose e esta dimi-
nuição só afeta a fração albumina;
as globulinas se mantém normais
ou levemente aumentadas. Naque-
la época não explicavam ainda ês-
tes dois autores brasileiros a razão
de ser dessa alteração na compo-
sição do plasma. Hoje sabemos que
isto pode ter sua justificativa ba-
seada nos seguintes fatos: carên-
cia proteica do regime alimentar,
deficiência de absorção ao nível do
intestino e perda da albumina
através do rim”.
Volume 6 (Patologia)
123
ViANNA (10) observou na síndro-
me anêmico-parasitária diminuição
das proteínas totais e da albumina
em 38,5% e 80,8%, respectivamen-
te, e aumento da globulina em
50,7% dos casos examinados.
Silva e col. (8) observaram di-
minuição das proteínas plasmáti-
cas totais em 33,33% em um gru-
po de pacientes anêmicos-parasita-
dos, ocorrendo hipoalbuminemia
em 93,79% e hiperglobulinemia em
QUADRO I
PROTEÍNAS PLASMATICAS NA SÍNDROME ANÊMICO PARASITARIA
Observação realizada em 142 pacientes
Caso
Alb.
Glob.
Ind.
P.T.
Caso
Alb.
Glob.
Ind.
P.T.
Caso
Alb.
Glob.
Ind.
P.T.
1
3,30
4.20
0,78
7,50
2
2.74
3,66
0,74
6,40
3
3,33
4.77
0,69
8.10
4
1,78
4,42
0,40
6,20
5
3,12
4,38
0,71
7,50
6
3,24
2,96
1.09
6.20
7
2,42
3,28
0,73
5,70
8
3,72
3,78
0,98
7,50
9
1,77
4,63
0,38
6,40
10
2.62
2,88
0,90
5,50
11
3,08
4,72
0,65
7,80
12
3,29
3,11
1,05
6,40
13
3,89
2,51
1,54
6,40
14
1,91
3,59
0,53
5,50
15
1,44
4,36
0.33
5,80
16
1,77
3,87
0.45
5.50
17
3,27
3,73
0,87
7,00
18
1.12
6,18
0.18
7,30
19
2,50
4,50
0,55
7,00
20
3.06
3,94
0,77
7,00
21
2,75
4,25
0,64
7,00
22
1,10
4,10
0,26
5,20
23
3,48
4,02
0,86
7,50
24
2,75
3,65
0,75
6,40
25
2.03
5,41
0.38
7,50
26
2,31
4.99
0.46
7,30
27
2,65
3,15
0.84
5,80
28
2,67
3,73
0,71
6,40
29
3,23
3,37
0,95
6,60
30
2.41
3.09
0,77
5,50
31
1,64
4,36
0..37
6.00
32
2,25
3,45
0,65
5,70
33
2,58
4.22
0,61
6.80
34
3,07
3,33
0,92
6,40
35
2,55
3,65
0,69
6,20
36
3,26
4,34
0,75
7,60
37
2,48
4,12
o.eo
6,eo
38
1,88
4,12
0,45
6,00
39
2.23
2,77
0.80
5,00
40
2,41
4.19
0,57
6.60
41
2.41
3,59
0,67
6,00
42
2,68
2,82
0,95
5.50
43
3.00
3,20
0,48
6,20
44
1,98
2,62
0,75
4.60
45
2,70
3,70
0,72
6,40
46
2,42
4.18
0,57
6.60
47
2,66
3,34
0,79
6.00
48
2,22
4,38
0,50
6,60
49
3,00
4,00
0.75
7,00
50
1,93
3,87
0.33
5,80
51
3,52
4,28
0,82
7,80
52
4,15
3,95
1,05
8,10
53
2.15
4,65
0,46
6,80
54
4,05
4,35
0.93
8,40
55
2,70
4,10
0.65
6.60
56
2,88
3,12
0.92
6,00
57
3.18
3.42
0,92
6,60
58
3,55
3,75
0.94
7,30
59
1,86
3.64
0,51
5.50
60
4,86
3,24
1,50
8.10
61
3,31
2,89
1,14
6,20
62
2,24
3,76
0,59
6,00
63
2,67
3,93
0,67
6,60
64
2,36
3,84
0.61
6,20
65
1,76
4,64
0,27
6.40
66
3,64
4,36
0.83
8,00
67
3,31
3.49
0,94
6,80
68
3,13
4,07
0.76
7,20
69
2,56
4,64
0.55
7.20
70
3,93
5,77
0.68
9.70
71
4,43
2.97
1,49
7,40
72
2.49
6,21
0,40
8.70
73
3,63
4,37
0.83
8,00
74
4,05
4.15
0,97
8,20
75
2,39
4,41
0,54
6,80
76
2,77
3,23
0.85
8,00
i 1
3,65
5,05
0.72
8,70
78
4,00
4,40
0,90
8.40
79
2,73
4,07
0,67
6,eo
80
2,65
3,25
0,81
5,90
81
3.20
4,40
0,72
7,60
82
2,79
5,21
0,53
8,00
83
4,58
5,12
0,89
9,70
84
3,20
5,30
0.60
8,50
85
4,19
5.31
0,78
9,50
86
2,93
5,37
0,54
8,30
87
3.37
4,63
0,72
8,00
88
2,84
3.96
0,71
6,f0
m
2,19
5,01
0,43
7,20
90
3.18
3,42
0,92
6,60
91
4,20
3.40
1,23
7,eo
<J2
2,12
4,78
0,60
7,20
93
4.24
2,76
1,53
7,00
94
3,82
3.78
l.Ol
7,60
'95
4,25
3,35
1,26
7,60
96
2,52
5,28
0,47
7,80
97
2,92
4,78
0,61
7.70
98
3,12
3.28
O.SO
7,00
99
2,33
5,27
0,44
7,60
100
2.98
3,62
0,82
6,eo
101
2,84
2,56
1,10
5,40
102
2,36
4.24
0,55
6.60
103
2.76
4.64
0.59
7.40
101
2,38
2,62
0,90
5,00
105
3,01
4.19
0,71
7,20
103
3,14
4,46
0.70
7.60
107
1.69
3.41
0.49
5.10
108
2,31
5.03
0,47
7.40
109
2.80
5,20
0,53
8,00
110
2.20
5,40
0,40
7,60
111
2,37
8,83
0,26
11.20
112
2.72
6.78
0,40
9,50
113
2,18
6,52
0,33
8,70
114
3,20
?,?0
1,45
5.40
115
2.74
2.96
0.92
5,70
116
3.35
1.75
1,91
5.10
117
2.55
3,05
0.83
5.60
118
0.86
5.04
0.17
5.90
119
2,03
4.97
0,40
7.00
120
2,93
3,87
0,75
6.80
121
2,98
4.42
0,67
7.40
122
1,46
4,64
0,31
6,10
123
2,90
4,10
0.70
7,00
124
3.03
4,97
o.eo
8,00
125
0,52
5,68
0,09
6,20
126
2,92
4.78
0.61
7,70
127
3.12
3,88
0.^0
7,00
128
?,33
5.27
0.44
7,60
129
2,98
3,62
0.82
6,60
130
2.84
2,56
1.10
5,40
131
2,36
4.24
0.55
6,eo
132
2,76
4,64
0,59
7,40
133
2,38
2.62
0.90
5,00
134
3,01
4.19
0.71
7,20
135
3.14
4.46
0.70
7.60
136
1,69
3,41
0,49
5.10
137
2,31
5.09
0,45
7.40
138
2.80
5,20
0.53
8.00
139
2.20
5,40
0.40
7,60
140
2,37
8,83
0,26
11,20
141
2,72
6,78
0.40
9.50
142
2,18
6,52
0.33
8,70
NOTA — Alb. = Albumioa.
Glüb. =,globuliua.
Ind. = índice Albumina Globulina.
P.T. = Protoinas Totais.
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
124
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
53,12 dêsses casos, relacionando
êstes achados à carência proteica
que se constitui um problema gra-
ve na região amazônica.
Salles et alii (9) verificaram di-
minuição da fração albumina e au-
mento da fração gama-globulina
nos casos estudados.
Leitão e col. (4,5) observaram
diminuição da fração albumina em
83,13%, aumento das globulinas
em 85,72% dos casos estudados e
onde as proteínas totais expressa-
ram-se normais em 67,54%.
MATERIAL E MÉTODOS
O presente trabalho de pesquisa
relaciona-se ao estudo das proteí-
nas plasmáticas na síndrome ané-
mico-parasitária. Para isto estuda-
mos 142 pacientes portadores des-
ta síndrome, expressos no Quadro
I, cujos doentes estiveram interna-
dos nas diversas enfermarias de
Medicina Interna do Hospital de
Caridade da Santa Casa de Mise-
ricórdia do Pará (Departamento de
Medicina Interna da Faculdade de
Medicina da Universidade Federal
do Pará — serviço do Prof. Affonso
Rodrigues Filho), todos provindos
do interior do Estado do Pará, a
maioria da zona bragantina, uma
das áreas fisiográficas do Estado,
onde dedicavam-se à lavoura e cuja
seleção fôra feita antes da utiliza-
ção de terapêutica anti-anêmica e
parasitária. Eram pacientes poli-
infestados e apresentavam níveis
de hemoglobina compreendidos en-
tre menos de 2 g até 7 g. A dosa-
gem química das proteínas totais
e fracionadas fôra feita pelo
método de Greenberg e conside-
rados normais os seguintes resul-
tados: (1)
Proteínas totais: g/ 100 ml de
sôro = normal 6 a 8 g.
Sôro albumina: g/100 ml de
sôro = normal 4 a 6 g.
Sôro globulina: g/100 ml de
sôro = normal 1,2 a 2,8 g.
índice albumina / globulina
normal 2/1.
ANÁLISE DOS RESULTADOS
Submetendo à análise o material
apresentado no Quadro II, obser-
vamos:
a) a sôro-albumina evidenciou-se
normal em 7,74% e diminuída
em 92,26% dos 142 casos estu-
dados;
b) a sôro-globulina demonstrou-se
normal em 7,00% e aumentada
em 93,00% dos casos estudados;
c) as proteínas totais situaram-se
normais em 68,30%, aumenta-
das em 13,38% e diminuídas em
18,32% dos casos estudados.
d) a relação albumina/globulina
expressou-se normal em 10,56%
e diminuída em 89,44% dos ca-
sos estudados.
Volume 6 (Patologia)
125
QUADRO II
RESULTADOS VERIFICADOS EM 142 PACIENTES PORTADORES
DE SÍNDROME ANÊMICO PARASITARIA, QUANTO ÀS PROTEÍNAS
DO SÔRO SANGUÍNEO
PROTEIN.\S
XORM-iL
.iCMEXT.4D.\
DIMIXUID.Í
Número
%
Número
%
Número
%
Sôro-AlbunÚDa
11
7,74
131
92,26
S^o-OIobulina
10
7,00
132
93,00
Proteinas Totais
97
68,30
19
13.38
26
18,32
Relação Albumina Globulina
15
10,56
127
89,44
DISCUSSÃO
Sabe-se que a síntese da sôro-al-
bumina realiza-se em sua imensa
maioria no hepatócito e que a ca-
rência proteica do regime alimen-
tar, a deficiência de absorção do
nível do intestino e a albuminúria,
aliados a uma incapacidade funcio-
nal do hepatócito são elementos su-
ficientes para determinar a dimi-
nuição desta sôro-albumina. Sabe-
-se também que a composição fisio-
lógica adequada das proteínas plas-
máticas é mantida através da com-
posição normal albumina, globuli-
na e fibrinogênio, somada à isohi-
dria, isoionia e isotonia (constân-
cia da pressão coloidosmótica) .
Uma vez que esta composição fisio-
lógica seja rompida, pelas causas
as mais variadas, desde o déficit
funcional do hepatócito, até às su-
bordinadas à carência alimentar,
déficit de absorção e albuminúria,
entrará então em jôgo o aumento
da síntese das globulinas à custa
de um mecanismo de origem ain-
da discutido, acreditando-se entre-
tanto que se forme principalmen-
te nos órgãos do sistema retículo-
-endotelial.
No que diz respeito ao aumento
das globulinas evidenciado pelas
nossas pesquisas, seu mecanismo
permanece obscuro. Entretanto,
três hipóteses podem ser formula-
das:
1. a) mecanismo compensador na-
tural, visando corrigir a bai-
xa da pressão osmótica, deter-
minada pela hipoalbumine-
mia;
2. ^) reação mesenquimal de defe-
sa pelo estímulo ao sistema
reticulo-endotelial ;
3. ^) admite-se que o fígado sinte-
tize parte das globulinas; po-
rém, quando insuficiente,
passa a sintetizar muito mais
por intermédio das células de
Kupffer, pois esta globulina
sendo constituída de uma
molécula mais grosseira, é de
mais fácil elaboração que a
albumina, considerada como
fração mais delicada.
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
126
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
CONCLUSÕES
Os nossos trabalhos de pesquisa
permitiram formular as seguintes
conclusões:
1) A diminuição da sôro-albumina
em 92,26% dos casos de sín-
drome anêmico-parasitária não
deixam dúvida quanto à capa-
cidade funcional do hepatócito,
à carência proteica do regime
alimentar, à deficiência de
absorção ao nível do intestino
e à perda de albumina através
do rim; carecendo êste último
mecanismo de confirmação ex-
perimental.
2) O aumento da fração globulina
em 93% dos casos nos parece
ser realmente conseqüência do
mecanismo compensador na-
tural, reação mesenquinal de
defesa ou maior elaboração pe-
las células de Kupffer.
3) A diminuição do índice albumi-
na/globulina em 89,44% dos ca-
sos está realmente subordinado
ao aumento da fração globuli-
na por causas referidas na con-
clusão anterior, e cujo aumen-
to merece especial destaque pois
que na maioria dos casos de
síndrome anêmico - parasitária
estudadas pelos autores na ele-
troforese em papel ela não só
ocupou na grande maioria dos
casos estudados mais de 50%
das proteínas totais, como tam-
bém a própria fração gama-
-globulina, somente ela, em al-
guns casos chegou a atingir e
até mesmo ultrapassar êste per-
centual.
SUMARIO
Os autores relatam os resultados
obtidos em 142 pacientes portado-
res de síndrome anêmico-parasitá-
ria, internados nas enfermarias do
Ho.spital de Caridade da Santa
Casa de Misericórdia do Pará (De-
partamento de Medicina Interna da
Faculdade de Medicina da Univer-
sidade Federal do Pará — serviço
do Prof . Affonso Rodrigues Filho) ,
pacientes vindos do interior do Es-
tado, com anemia, carência e poli-
-parasitismo, nos quais não havia
sido tentada qualquer terapêutica.
Referido estudo está relacionado
às proteínas plasmáticas, cujo ín-
dice percentual atingiu a mais de
50% (68,30%) onde as proteínas
totais estavam normais e onde en-
tretanto a fração gamaglobulina
apresentou valores surpreendentes
correlacionados à nítida diminui-
ção da fração albumina, compro-
vando desta maneira, sugestivas
alterações subordinadas à síntese
desta fração no hepatócito.
SOMMAIRE
Les auteurs ont récit des résul-
tats obtenus sur les patients por-
teurs de Syndrôme Anémique Pa-
rasitaire, internés dans les Infirme-
ries de rHôpital de Charité “Santa
Casa de Misericórdia do Pará”
Volume 6 (Patologia)
127
(Bepartement de Médicine Inter-
ne de la Faculté de Médicine de
l’Université Fédérale dü Pará — à
la charge de Monsieur le Profes-
seur Affonso Rodrigues Filho), vé-
nus les patients de rintérieur de
1’Etat, avec anemie, manque et
poly-parasitisme, dont on avait pas
encore tehté aucune thérapeuti-
que. Cette étude est en relation
avec les Protéines Plasmatiques,
dont le pourcentage a attaint plus
de 50% (68,30%) on les Proteines
totales étaient normales et cepen-
dant la fraction gamma-globuline
a présenté dans valeurs surpre-
nantes en correlation à une nette
diminuition de la fraction d’albu-
mine, prouvant de cette façon, de
sugestives alterations subordou-
nées à la synthese de cette frac-
tion sur 1’hepatocite.
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Vol. 6 (Patologia): 129-136 — 1967
A ELETROFORESE DOS LIPÍDIOS NA SÍNDROME
ANÊMICO-PARASITÁRIA
ERNESTO GONDIM LEITÃO, RUY GUIMARÃES LIMA e
ÃFFONSO RODRIGUES FILHO
Faculdade de Medicina, Universidade Fedefal do Pará, Belém
A síndrome anêmico-parasitária,
entidade nosológica de sintomato-
logia múltipla, caracterizada tam-
bém e mui especialmente pelo tri-
nômio anemia, parasitismo múlti-
plo e carência proteica, tem sido
objeto de atenção sob os mais va-
riados aspectos, de vez que ela tem
constituído fator constante com re-
flexos sócio-econômicos para os ha-
bitantes da hiléia amazônica.
Objetivamos neste trabalho o es-
tudo do metabolismo dos lipídios
pela glândula hepática tendo em
vista que somos daquêles que acre-
ditam no comprometimento do fí-
gado dos pacientes portadores des-
sa enfermidade. Segundo Carvalho
(4), nas verminoses haveria toxi-
nas de origem helmíntica que agi-
riam ao lado da anoxemia decor-
rente da anemia, impedindo a oxi-
dação dos ácidos graxos pelo fíga-
do, levando assim à infiltração gor-
durosa do mesmo.
Observadas desde há muito, as
alterações hepáticas decorrentes
das carências alimentares, conti-
nuam a receber, em nossos dias,
contribuições ao seu estudo, tendo
sido revelados novos e interessan-
tes aspectos a tal respeito. É assim
que PoppER & ScHAFNER (15), clas-
sificam as alterações hepáticas de
causa dietética em: a) fígado gor-
do da obesidade; b) atrofia parda
do fígado por hiponutrição; c) fí-
gado gordo nutricional com cirro-
se; d) fígado gordo nutricional
simples ou alcoólico; e) fígado gor-
do nutricional, com degeneração
hepato-celular; f) subnutrição tro-
pical.
Viana (14) chama a atenção
para o elevado número de pacien-
tes (94,5%) que apresentaram
acentuada hipo-colesterolemia no
grupo estudado, correndo tal acha-
do provàvelmente a conta de uma
insuficiência hepática dêstes pa-
cientes.
9 — 37.152
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
130
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
MATERIAL
Pretendendo investigar as princi-
pais alterações relacionadas ao me-
tabolismo dos lipídios nesta síndro-
me, estudamos 65 pacientes porta-
dores de carência alimentar, poli-
-parasitismo e anemia, expressos
no Quadro I, diagnosticados pelo
Quadro Clínico, exame de fezes e
quadro hemático, internados nas
enfermarias de Clínica Médica da
Santa Casa de Misericórdia do
Pará (Departamento de Medicina
Interna da Faculdade de Medicina
da Universidade do Pará, Serviço
do Professor Affonso Rodrigues Fi-
lho), de ambos os sexos, com vá-
rios grupos de idade e cuja seleção
fôra feita antes da utilização de te-
rapêutica anti-anêmica e parasitá-
ria, afastando-se tôda e qualquer
causa que pudesse modificar o ver-
dadeiro resultado de nosso preten-
dido objetivo. Os pacientes em es-
tudo apresentavam níveis hemoglo-
bínicos compreendidos entre menos
de 2 g até 7 g%, oriundos do inte-
rior do Estado do Pará, Região Bra-
gantina, uma das zonas fisiográfi-
cas do Estado do Pará, e a que
apresenta maior densidade demo-
gráfica de tôda a Amazônia brasi-
leira, fato que vem consolidar a
opinião de Rosa e Silva (13) quan-
do afirma que o “binômio — Ca-
rência alimentar e enteroparasito-
se”, muito comum no homem rural
brasileiro, constitui sérios proble-
mas de conseqüências imprevisí-
veis.
MÉTODOS
Usamos tampão veronal/veronal
sódico pH = 8,6 e fórla iônica 0,10;
tiras de papel Whatmann n.° 1, de
34 cm de comprimento e 5 cm de
largura, intensidade de corrente
de 2 mA por tira de papel e um pe-
ríodo de separação eletroforética
de 6 horas.
Em cada tira depositamos 0,03
do sôro sanguíneo correspondente.
A obtenção dêste sôro foi feita com
retirada de 20cc de sangue, estan-
do 0 paciente em jejum prévio;
após retração do coágulo foi cen-
trifugado a 5.000 rpm durante
5 minutos, separado o respectivo
sôro, evitando-se hemólise. A dosa-
gem dos lipídios foi feita pelo mé-
todo de Kunkell - Ahrens - Eisen-
menger (1) e consideradas normais
as seguintes concentrações (1),
( 11 ).
Alfa-lipo-proteína, 15 a 20%;
Beta-l-lipo-proteína, 40 a 50%;
Quilomicrons, 0 a 40%;
Lipídios totais, 530 a 780 mg%;
Relação Beta/alfa, 2,5 a 3,5;
Colesterol total, 180 a 250 mg%;
Ester do colesterol, 60 a 80% do
colesterol total.
A fonte de corrente utilizada foi
o aparelho Shandon-Power Supply-
-Tipo 2.541 — “VOKAN” e o coran-
Volume 6 (Patologia)
131
QUADRO I
LIPIDOGRAMA ELETROFORÉTICO EM 65 PACIENTES PORTADORES
DE SÍNDROME ANÊMICO PARASITARIA
Número
do
caso
Alfa-Lipo
%
Beta-1-Lipo
%
QuilomiCk’ons
%
Lipidics
Totais
Relaç 0
Beta/.\lfa
Col.sterol
Total
mg%
E-stcr.
mg %
1
25,62
56,40
:7,98
328
2,20
131
103
2
25,74
31,62
42,64
870
1,22
131
128
3
28,69
42,62
28,69
359
1.48
110
100
4
45,45
10,61
43,94
339
0.23
119
110
5
49.04
45.01
5,95
522
0,91
20o
125
6
43, OJ
38,36
18,55
318
0.89
110
100
7
23.88
41,40
34.72
314
1,73
99
86
8
48,52
32,51
18,97
408
0,67
140
135
9
56,18
11,12
32,70
477
0,19
131
127
10
34,18
29,03
36,73
354
0.85
123
89
11
55,14
18,72
26,14
700
0,33
163
160
12
1,52
73,79
24,69
332
4,90
112
98
13
64,66
5,72
29,62
297
0,88
114
61
14
0,28
75.03
24,66
3VV
283
154
142
15
47,35
16,51
36,14
321
0,34
114
96
16
81,95
1,58
16,47
820
0.19
280
275
17
28,72
49,91
21,37
571
1,73
175
165
18
66,45
14,40
19,15
465
0,21
154
152
19
54,27
26.54
19,19
339
0,48
107
98
20
57,91
26.26
15,83
335
0,45
144
142
21
51,08
26,74
22,18
415
0,52
131
126
22
53,76
7,25
38,99
372
0,13
127
119
23
42,77
20,05
37,18
339
0,46
110
98
24
34,28
33,31
32,41
359
0,97
144
138
25
35,63
16,43
47,94
584
0,46
184
176
26
67,74
16.39
15,87
372
0,24
127
120
27
40,38
40,39
19,23
307
1,00
114
110
28
31,53
43,33
25,14
390
1,57
63
60
29
49.45
42,66
7,89
368
0,86
119
100
30
28,82
36,03
35,15
555
1.3
87
80
31
20,90
54,30
24,f0
1000
2,5
350
310
32
18,30
63,66
18,01
377
3.4
300
210
33
9,43
60,14
30,43
424
6,3
390
270
34
60,62
18.16
21,22
424
2.9
2S0
210
35
10,98
45.0J
43,93
428
4,19
270
200
36
12,35
63,97
23,68
680
5.1
350
270
37
36,03
32,45
31,52
419
0.9
220
190
38
27.76
23,97
48,27
317
0,85
100
75
39
65,64
26,92
7,44
390
0,41
240
180
40
47.69
23,84
28,47
390
0.50
250
200
41
23,76
62,20
14,04
770
2.6
110
99
42
61,05
28,15
10,80
380
0.4
240
195
43
26,51
26.51
46,98
430
1
150
90
44
21,25
32,77
45,98
720
1.05
150
89
45
38.05
32,80
29,15
381
0,80
180
75
46
43,07
21,28
35,65
650
0,49
300
260
47
19.71
40,44
39,85
497
2,00
170
145
48
33,00
39.28
27,72
700
1.1
220
160
49
52.11
20,66
27,16
571
0.39
123
no
50
4.80
39.56
354
0,86
125
100
51
48,60
28,40
23,00
500
0.58
168
156
52
55,55
26,85
17,69
432
0,48
149
135
53
24.43
28,35
44,22
328
1,03
146
130
54
18,83
70,55
10,62
377
3,74
123
115
55
47,21
20.68
32,11
377
0,44
136
130
56
20,13
49,76
30,11
442
2,47
154
123
57
8,28
68,28
23,44
350
8.24
119
110
58
49.75
17,56
32,69
410
0.35
218
181
59
42,36
31,00
26,58
354
0,73
123
1 15
60
33,21
30,50
36,29
1400
0,91
173
170
61
14,58
58,0)
27,33
432
3.6
lo4
148
62
37,36
37,62
25,02
372
1,00
95
90
63
40,68
28,94
30,38
494
0.71
206
198
64
22,25
48,69
29,06
382
2.1
96
80
65
44.37
14,47
41,16
311
0,93
120
100
132
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
te o Sudan Black B; a densitome-
tria fôra feita pelo Densitômetro
Zeiss, e a expressão das áreas das
diferentes frações a partir dos grá-
ficos obtidos, foi analisada pelas
integrais de Gauss (1), (10), (11).
ANÁLISE DOS RESULTADOS
Avaliando os resultados obtidos
em nossa casuística, inerentes ao
lipidograma eletroforético no gru-
po de pacientes considerados, obti-
vemos os seguintes dados, referi-
dos no Quadro II, dizendo respeito
às alterações quantitativas das fra-
ções lipídicas:
a) A fração alfa-lipo-proteína ex-
pressou-se normal em 12,31% e
aumentada em 87,69% dos ca-
sos;
QUADRO II
RESULTADOS VERIFICADOS EM 65 PACIENTES PORTADORES
DE SÍNDROME ANÊMICO PARASITARIA, QUANTO
AO LIPIDOGRAMA ELETROFORÉTICO
FRAÇÕES
XOR.MAL
AUMENTADA
diminuída
Número
%
Número
%
Número
%
ilfa-lipo-proteinas
8
12,31
57
87,69
B eta-Iipo-proteinas
54
83.07
11
16,93
Quilomicrons
56
86,15
9
13,85
Lipídios Totais...
61
93,84
4
6,16
Relação Beta/.Alfa
4
6,16
7
10,77
54
83,07
b) a fração beta-lipo-proteína de-
monstrou-se normal em 83,07 %
e aumentada em 16,93% dos ca-
sos;
c) Os quilomicrons apresentaram-
-se normais em 86,15% e au-
mentada em 13,85% dos casos;
d) Os lipídios totais mostraram-se
normais em 93,84% e aumen-
tados em 6,16% dos casos; e
e) A relação beta/alfa-lipo-proteí-
na registrou-se normal em . . .
6,16%, aumentada em 10,77%
e diminuída em 83,07% dos ca-
sos.
DISCUSSÃO
Os lípides do sangue circulante
são bàsicamente constituídos por
ácidos graxos, livres ou combina-
dos a outros elementos. Um dêstes
elementos é o colesterol, que em-
bora não sendo um lípide sob o
ponto-de-vista químico (é um este-
rol), pode, por seu comportamen-
to, ser considerado como tal. Das
diferentes combinações resultam os
seguintes tipos de substâncias ge-
nèricamente chamadas lípides san-
guíneos: 1) ácidos graxos livres
(não combinados) ; 2) colesterol li-
Volume 6 (Patologia)
133
vre (não combinado) ; 3) triglicé-
rides (combinação de 3 ácidos gra-
xos com 0 glicerol); 4) colesterol
esterificado (combinação do coles-
terol com ésteres de ácidos gra-
xos); 5) fosfolípides (combinação
de ácidos graxos a diversos fosfáti-
des).
Nenhum dêsses lípides é solúvel
em água, e sendo o sangue um meio
fundamentalmente aquoso, torna-
-se necessário que êsses elementos
gordurosos encontrem maneira de
se tornarem solúveis e conseqüen-
temente miscíveis e incorporáveis
ao sôro. Essa maneira é represen-
tada pela conjugação dêsses lípides
a complexos proteicos, formando
as lipo-proteínas. Sendo a parte
proteica aquela que confere à mo-
lécula o grau de solubilidade, tan-
to maior será esta quanto maior
fôr a quantidade de prótides exis-
tentes. As diferentes proporções
com que prótides e lípides entram
na formação dos complexos lipo-
proteicos dão origem a que se cons-
tituam diversas classes de lipo-pro-
teínas apresentando densidade, ta-
manho, solubilidade e importância
fisiopatológica distintas. Embora
qualquer classificação de lipo-pro-
teínas seja até certo ponto conven-
cional, variando conforme os auto-
res e os critérios adotados, pare-
ce-nos contudo que 3 categorias po-
dem ser separadamente apreciadas
( 1 , 11 ):
a) Quilomicrons — Em virtude
de seu grande tamanho e de seu
baixo conteúdo em prótides, os qui-
lomicrons são pouco solúveis, o que
os torna extremamente instáveis e
fàcilmente degradáveis. Essas ma-
cromoléculas carregam lípides, em
particular triglicérides, da parede
intestinal, através dos linfáticos,
para a corrente sanguínea onde so-
frem ràpidamente a ação de lipa-
ses lipo-proteicas que desdobram os
triglicérides. Fragmentam-se assim
os quilomicrons e seus componen-
tes vão ser utilizados por vários te-
cidos, o fígado principalmente, na
formação de outros conjugados li-
po-proteicos mais estáveis e de me-
nor tamanho. Êsses conhecimentos
tornaram-se possíveis graças a es-
tudos com isótopos radioativos . . .
(2, 5).
b) Lipo-proteínas Beta — Sob o
ponto-de-vista da aterogênese, são
essas as mais importantes lipo-pro-
teínas do sangue, pôsto que se ad-
mite serem elas as responsáveis
pela deposição de material lipídico
na parede arterial, originando as-
sim ou agravando um processo
aterosclerótico (8). É ao nível do
tecido hepático, principalmente,
que essas lipo-proteínas se for-
mam. Sua função primordial pa-
rece a de transportar lípides do fí-
gado para os tecidos adiposos de
armazenamento. Por motivos a se-
rem discutidos, as lipo-proteínas
beta podem depositar-se e degra-
dar-se na intimidade das artérias.
134
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
o que constitui desvio essencial-
mente patológico de suas finalida-
des precipuas no transporte dos li-
pídios. A beta-lipo-proteína é uma
Euglobulina de forma esférica.
Representa apenas 5% da taxa to-
tal da Protidemia. Constitui a fra-
ção lipo-proteica mais importante
à qual estão ligados aproximada-
mente 3 /4 dos lipídios totais séri-
cos. Podemos estimar em 50 a
60%, ou 70 a 75% para outros au-
tores, a percentagem de lipo-pro-
teínas que aparece como beta-li-
poproteína, isto é, que ela contém.
A relação ou quociente colesterol/
/fosfolipídios é de 1,10 a 1,53, to-
mando-se como média 1,50. Sua
constituição lipídica está repre-
sentada por; colesterol livre e es-
terificado (45%), fosfolípides e
gorduras neutras, havendo predo-
mínio do colesterol, principalmen-
te em forma de ésteres (1,11).
c) Lipo-proteína-alfa — É uma
pseudoglobulina de forma elipsoi-
dal. Apresenta velocidade de eletro-
migração semelhante à da alfa-1-
-globulina, ou seja mobilidade ele-
troforética situada entre albumina
e globulina-alfa-1. Representa 3%
dos protídios totais. Normalmente,
25 a 30%, para outros autores 35%
dos lipídios séricos, migram como
alfa-l-lipoproteína. Sua relação ou
quociente colesterol/fosfolípidos é
de 0,42 — 0,62, aceitando-se 0,5
como têrmo médio (1, 11).
A constituição lipídica desta fra-
ção consiste preferencialmente em
ésteres do colesterol e fosfolípides
predominando êstes últimos (1).
O papel exato das lipo-proteínas
alfa no transporte lipídico não
está bem estabelecido. São elas sin-
tetizadas ao nível do fígado princi-
palmente e parecem tomar parte
na produção de quilomicrons na
parede intestinal. Fredrickson e
col. (7) tendo observado rápida tro-
ca de colesterol marcado entre qui-
lomicrons e lipoproteínas alfa, su-
gerem que estas se constituem em
veículos para o transporte dêsse es-
teróide “dos quilomicrons para 0
fígado”.
Finalmente, não poderíamos dei-
xar de fazer referências às lipoal-
buminas, que são complexos forma-
dos pela associação de ácidos gr.a-
xos livres e albumina. Constituem
fração pequena, porém metabólica-
mente ativa de lipoproteínas. Pa-
recem provir de duas fontes prin-
cipais: fígado (9) e tecido adiposo
(6). Devem desempenhar impor-
tante papel nas funções energéti-
cas e possivelmente no transporte
recíproco de ácidos graxos entre o
fígado e o tecido adiposo. Sua con-
centração no sangue é variável e
sensível a fatores endócrinos e nu-
tricionais.
Maiores estudos são necessários
para melhor compreensão do signi-
ficado das lipo-albuminas.
Volume 6 (Patologia)
135
CONCLUSÕES
Os nossos trabalhos de pesquisa
permitiram formular as seguintes
conclusões :
a) A fração alfa-lipo-proteína ex-
pressou-se aumentada em 87,69%
dos casos. Tendo em vista que esta
fração lipídica é constituída pre-
dominantemente de fosfolípides, e
que a relação colesterol/fosfolípi-
des é menor do que a unidade, po-
demos considerar que êste aumen-
to sugestivo está realmente subor-
dinado a uma alteração da glân-
dula jecoral no que diz respeito à
síntese desta fração, nos pacientes
que estudamos.
b) A sugestiva percentualidade
da fração beta-lipo-proteína, em
tôrno de 83,07%, índice de norma-
lidade digno de ser anotado, vem
corroborar nos resultados obtidos
por ViANNA (14), de vez que esta
fração beta-lipo-proteína está re-
presentada por colesterol livre e
esterificado em um percentual de
45%, e em proporções bastante
menores, os fosfolipídios e gordu-
ras neutras, e onde o quociente
colesterol/fosfolipídios é de 1,10 a
1,53.
c) A diminuição da relação be-
ta/alfa, em um elevado percentual
(83,07%), vem de modo bastante
sugestivo confirmar e ratificar as
conclusões do nossso trabalho, as-
sinaladas anteriormente.
SUMÁRIO
Os autores relatam os resultados
obtidos em 65 pacientes portadores
de síndrome anêmico-parasitária,
nos quais foi realizado o lipido-
grama eletroforético com resulta-
dos valiosos relacionados à fração
alfa-lipo-proteína, e que puderam
aumentar ainda mais a suspeita
dos autores no que diz respeito ao
sofrimento da célula hepática dos
doentes estudados. Ditos pacientes
estiveram internados nas enferma-
rias do Hospital de Caridade da
Santa Casa de Misericórdia do Pa-
rá (Departamento de Medicina In-
terna da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Pará —
serviço do Professor Affonso Rodri-
gues Filho) , apresentando taxas de
hemoglobinas compreendidas entre
menos de 2 g até 7 g, com anemia,
carência e poli-parasitismo, prove-
nientes do interior do Estado do
Pará, e livres de qualquer terapêu-
tica anti-anêmica e parasitária.
SOMMAIRE
Les auteurs font le récit des ré-
sultats obtenus sur les patients
porteurs du syndrome anemique-
parasitaire, sur lesquels ont été
réalisés le lipidograme electroforé-
tique avec des resultats de grand
valeur en relation à la fraction
alpha-lipo-protéine, et qui ont pu
augmenter, de ce qu’il s’agit de la
souffrance de la cellule hépatique
des malades qui ont été en obser-
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
136
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
vation. Les sus-dits patients ont
éte internés dans les infirmeries de
I’Hôpital de Charité “Santa Casa
de Misericórdia” du Pará (Depar-
tement de Médicine Interne de la
Faculté de Médicine de FUniver-
sité Fédérale du Pará, à la charge
de Monsieur le Professeur Affonso
Rodrigues Filho, présentant des
taux d’hémoglobine compris en-
tre moins de 2 grammes, jusqu’à
7 grammes, avec anémie, manque
et poly-parasitisme, provenant de
Finterieur de FEtat du Pará, et
sans aucune thérapeutique anti-
-anémique et parasitaire.
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de Trabalho Cientifico apresentado
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 137-142 — 1967
AS PROVAS DE LABILIDADE PLASMÁTICA
NA SÍNDROME ANÊMICO-PARASITÁRIA
ERNESTO GONDIM LEITÃO e AFFONSO RODRIGUES FILHO
Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Pará, Belém
O estudo do fígado e das provas
funcionais hepáticas tem merecido
a atenção de vários pesquisadores,
não só de maneira geral, mas tam-
bém de modo mais particularizado,
principalmente no que diz respeito
a esta glândula hepática e à sín-
drome anêmico-parasitária, onde
encaramos com especial atenção as
condições de anemia, enteroparasi-
tose múltipla e carência proteica
( 11 ).
A espécie do parasita em causa,
sua quantidade, seu ciclo no inte-
rior do organismo, as possibilidades
de migrações para o fígado, o grau
e extensão das lesões na parede in-
testinal e conseqüentemente um
dos obstáculos de modo a prejudi-
car a absorção das substâncias nu-
tritivas (1,6,9), todos êstes fatôres
constituem mecanismos múltiplos
capazes de possibilitarem o com-
prometimento hepático da síndro-
me que estudamos.
Trincão (10), ao estudar a an-
cilostomíase, referiu em alguns ca-
sos a positividade das reações co-
nhecidas como provas de labilida-
de plasmáticas.
Rodrigues Filho (7), estudando
pacientes anêmicos e portadores
de parasitose intestinal, observou
também alterações de provas fun-
cionais hepáticas.
ViANNA (11) relata alterações
nas provas ditas de labilidade plas-
mática com resultados valiosos que
merecem ser considerados.
O conteúdo do plasma sanguíneo
em gama-globulina e lipo-proteínas
(alfa-2 e beta), tem grande influ-
ência nos testes de floculação e
turvação, respectivamente (8), e
onde a fração albumina e alfa-1-
-globulina atuariam como fatôres
de estabilização, inibindo as flo-
culações nas provas de função he-
pática (4). Desta maneira, as al-
terações qualitativas e quantitati-
vas das frações proteicas do plasma
sanguíneo, são, em última análise.
cm 1
SciELO
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138 Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
QUADRO I
AS PROVAS DE LABILIDADE PLASMATICA EM 65 PACIENTES PORTADORES
DE SINDROME ANÊMICO PARASITARIA
N.» do caso
Hanger.
Cafalina-
-Colesterol
Turvação
do Timol.
Mac-Lagan
Reação
de
Kimkel
Floculâção
de Lugol.
Mallee & Woolf
1
0.6
9.8
+
2
1.0
6.7
3
2.2
5.7
4
1.0
4-3
5
3.4
4.5
6
++
2,7
4 5
7
1.0
6.3
8
2.2
3.4
9
3.7
4.8
10
0. 5
4.1
11
3.1
7-9
12
3.3
5.4
13
10
3.1
14
1.1
7.2
15
+++
2.3
5 2
16
2.8
4.6
17
1.5
5 2
18
3.3
10.4
+
19
1.1
0.7
20
0.9
5 0
21
2.2
5.7
22
+
2.8
12.7
23
0 8
4.0
24
1.7
8.1
25
3.1
18-7
26
2.4
14 1
+
27
1.0
4.7
28
2.3
11.9
29
0 7
5.5
30
2.6
4.2
31
6.8
12.4
32
0.9
2.8
33
3 3
7.4
34
3.9
7.0
35
6.5
9.5
36
2.6
3.2
37
3.4
5.8
3S
1.1
3-6
39
3.5
6.0
40
2 5
5.0
41
1.0
2.0
_
42
3-4
7.0
+
43
0 6
2.8
44
0 7
1.6
45
3,4
4.2
46
1.0
3.0
47
0 3
2.2
48
5 2
12 0
+
49
2.6
5 0
50
0.9
2.4
51
1.0
5 2
52
0.7
6.9
53
1.5
4 0
54
2.4
6 1
55
1-0
1.9
56
2.1
5.7
57
0 7
7.2
58
0 5
6.4
59
+++
3.1
6.8
60
3.0
8.1
61
++
1.9
5.9
62
1.0
4 6
63
11
4.5
64
3 1
4.8
65
3, 1
5.2
XOTA — = Negativo.
4 - = Positivo,
Volume 6 (Patologia)
139
as responsáveis pela positividade
das provas de floculação e de tur-
vação.
MATERIAL E MÉTODOS
Visando uma colaboração ao es-
tudo da síndrome anêmico-parasi-
tária, principalmente no que diz
respeito às provas de labilidade
plasmática estudamos um grupo de
65 pacientes portadores desta sín-
drome, e que se encontravam in-
ternados nas enfermarias de Me-
dicina Interna do Hospital de Ca-
ridade da “Santa Casa de Miseri-
córdia do Pará” (Departamento de
Medicina Interna da Faculdade de
Medicina da Universidade Federal
do Pará, serviço do Prof. Affonso
Rodrigues Filho).
Os pacientes em estudo apresen-
tavam vários grupos de idade, de
ambos os sexos, provindos do in-
terior do Estado do Pará, mui es-
pecialmente da região bragantina
(zona da Estrada de Ferro de Bra-
gança), uma das áreas fisiográfi-
cag do Estado, onde exerciam suas
atividades na lavoura.
Eram portadores de taxas de he-
moglobina compreendidas entre
menos de 2 g até 7 g, um nítido es-
tado de carência e comprovado po-
li-parasitismo, e cuja seleção fôra
feita antes da utilização de tera-
pêutica anti-anêmica e parasitária,
de tal modo a afastar-se qualquer
causa capaz de modificar o real re-
sultado de nosso pretendido obje-
tivo.
Foram realizadas as seguintes
provas funcionais hepáticas:
a) Turvação do Timol (Maclagen)
(3) com índice de normalidade
até 4,5 unidades;
b) Turvação do Sulfato de Zinco
(Kunkel) (4), com índice de
normalidade compreendido en-
tre 2 e 8 unidades.
c) Reação da Cefalina-Colestero]
(Hanger) (3), com positivida-
de + -1-, e -f-
d) Reação de floculação com solu-
ção de Lugol (Mallen y Woolf)
(3), com fraca e forte positivi-
dade compreendida entre 1 e 2
cruzes respectivamente.
ANÁLISE DOS RESULTADOS
Analisando-se o material apre-
sentado no Quadro II e relaciona-
do às provas de labilidade plasmá-
tica, observa-se o seguinte:
a) A floculação da Cefalina Coles-
terol demonstrou-se positiva em
7,69% dos casos e negativa em
92,30%.
b) A reação de floculação do Lu-
gol expressou-se positiva em . . .
7,69% dos casos e negativa em
92,30%, resultados concordan-
tes com a prova anteriormente
analisada.
cm 1
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140
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
QUADRO II
RESULTADOS VERIFICADOS EM 65 PACIENTES PORTADORES DE SÍNDROME
ANÊMICO PARASITARIA, QUANTO ÀS PROVAS
DE LABILIDADE PLASMÁTICA
PROVAS DE
FUNÇÃO
HEPÁTICA
NORMAL
AUMENTADA
POSITIVA
NEGATIVA
N.o
%
N.“
%
N.o
%
N.o
%
Floculação da Cefalina-Colesterol.
5
7,69
60
92,30
Floculação do Lugol
5
7,69
60
92,30
Turvação do Timol
62
95,38
3
4,62
Reação de Kunkel
83,07
11
16,93
c) A Turvação do Timol eviden-
ciou-se normal em 95,38% e au-
mentada em 4,62% dos casos
d) A Reação de Kunkel apresen-
tou-se normal em 83,07% e au-
mentada em 16,93% dos casos.
DISCUSSÃO
A análise dos resultados apresen-
tados, principalmente no que diz
respeito à Cefalina-Colesterol e à
Turvação do Timol, parece à pri-
meira vista que apresenta discor-
dância em relação aos achados de
outros pesquisadores (5), (71,
( 11 ).
Entretanto Rodrigues Filho (7)
lembra que as provas funcionais
hepáticas por meios químicos ou
qualquer outro processo de labo-
ratório são sempre carentes poi
questões de várias ordens:
1) nenhum teste nos dará a idéia
do todo, em virtude das múlti-
plas atividades da glândula;
2) a reserva da capacidade fun-
cional da glândula é tão gran-
de que, mesmo com destruição
de 80 a 90% não há evidência
de um funcionamento paren-
quimatoso deficiente (7) ;
3) a regeneração tissular se faz tão
satisfatòriamente que qualquer
deficiência será logo compen-
sada.
Ainda é Rodrigues Filho (7)
que formula a seguinte pergunta:
“Como corrigir as deficiências
apontadas para a exploração fun-
cional hepática?” E completa: “Co-
nhecendo as limitações dos méto-
dos empregados e interpretando
bem os resultados”, sugerindo ain-
da que devemos seguir a orientação
de Fraga Filho & Rodrigues da
Silva (2) :
a) Investigação multi-funcional.
b) Sensibilidade, simplicidade e
equabilidade às condições clíni-
cas do momento.
CONCLUSÕES
Nossos trabalhos de pesquisa
permitiram formular as seguintes
conclusões :
Volume 6 (Patologia)
141
a) As provas de labilidade plas-
máticas têm o seu valor para o
julgamento da capacidade fun-
cional do fígado nos portadores
de síndrome anêmico-parasitá-
ria.
b) Os resultados discordantes en-
tre nossos achados e o de outros
pesquisadores não invalida a
importância destas provas de
função.
c) Necessário se torna a continui-
dade do presente trabalho, a
fim de que com uma muito
maior casuística possamos con-
firmar ou infirmar os resulta-
dos apresentados.
SUMÁRIO
Os autores relatam os resulta-
dos obtidos no estudo feito em 65
pacientes portadores de síndrome
anêmico-parasitária nos quais fo-
ram realizadas provas funcionais
hepáticas ditas de “Labilidade
Plasmáticas” e cujas alterações não
vieram afastar a importância da
participação do fígado nos porta-
dores desta síndrome, que fatal-
mente está correlacionado ao dese-
quilíbrio proteico que acompanha
ditos pacientes.
SOMMAIRE
Les auteurs font le récit des re-
sultats obtenus dans par étude fai-
te sur des patients porteurs du
syndrôme anémique - parasitaire
auxquels ont été réalisé des preu-
ves fonctionelles hépatiques dites
“labilités plasmatiques” dont les
altérations n’éloignent pas l’im-
portance de la participation du
foie chez les porteurs de ce syndrô-
me, qui fatalement sont en corre-
lation avec le désequilibre protéi-
que qui accompagne les patients.
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 143-148 — 1967
AS PROVAS ENZIMÁTICAS NA SÍNDROME
ANÉMICO-PARASITÁRIA
ERNESTO GONDIM LEITÃO, EDITH SELIGMANN SILVA
e AFFONSO RODRIGUES FILHO
Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Pará, Belém
A enzimologia hepática, capítu-
lo da bioquímica celular, no estado
atual de nossos conhecimentos vem
assumindo importante significado
fisiopatológico, e constituindo um
dos primeiros objetivos dos estudos
em Hepatologia. Neste capítulo da
bioquímica tem merecido especial
valor o estudo das transaminases
que são importantes enzimas que
catalizam os processos de transa-
minação, e que desempenham pa-
pel de alto valor no metabolismo
do hepatócito. O teor dêsses enzi-
mas no sôro pode subir se as célu-
las que os produzem se encontram
em metabolismo ativo ou sofreram
lesão (4). O estudo das tran-
saminases glutâmico - oxalacética
(T. G. O.) e glutâmico-pirúvica
(T. G. P.) tem sido considerado
como elemento de alto alcance e
considerado como uma prova es-
trutural do hepatócito de grande
valia. As altas concentrações de
T.G.O. e T.G.P. no fígado se refle-
tem nos níveis séricos muito ele-
vados, particularmnete de T.G.P.,
fato êsse que se observa nas afee-
ções associadas à lesão hepatocelu-
lar. A dosagem das transaminases
no sôro tem se mostrado um teste
extremamente sensível de lesão he-
patocítíca (6). Os níveis mais ele-
vados de T.G.O. encontram-se no
coração, seguidos pelo fígado em
níveis maiores do que em qualquer
dos seguintes órgãos (músculos es-
queléticos e rim), enquanto que a
T.G.P. é encontrada no fígado em
níveis mais elevados do que nos de-
mais órgãos. De maneira geral, po-
de-se dizer que os valores aumen-
tados das transaminases refletem
necrose tissular. As alterações de
T.G.P. seriam mais especificamente
relacionadas às lesões hepáticas
que as da T.G.O. Wrobleski & La
Due (9), De Ritis (2), Chinsky &
Sherry (1), entre outros, dedica-
ram-se à verificação da importân-
cia da avaliação das transaminases
cm 1
SciELO
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144
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
no diagnóstico de afecções hepáti-
cas, reconhecendo que embora não
específicas para as doenças estuda-
das, as elevações tanto da ativida-
de da T.G.O., como da T.G.P., são
de grande valia para a orientação
do diagnóstico. Toledo, Granato &
Boa VISTA Nery (7), demonstraram
o predomínio da T.G.P nas hepa-
topatias agudas e da T.G.O., nas
crônicas, acordando com Wrobles-
Ki & La Due (9) .
MATERIAL E MÉTODOS
Visando o comportamento das
transaminases em portadores da
síndrome anêmico-parasitária (8),
foi que nos propusemos ao presen-
te estudo. Assim observamos 65 pa-
cientes que estiveram internados
nas enfermarias de Medicina In-
terna do Hospital de Caridade da
Santa Casa de Misericórdia do
Pará (Departamento de Medicina
Interna da Faculdade de Medicina
da Universidade Federal do Pará
— Serviço do Prof. Affonso Rodri-
gues Filho), portadores da síndro-
me em estudo, com anemia, carên-
cia e parasitismo múltiplo, prove-
nientes do interior do Estado do
Pará, mui especialmente da zona
Bragantina, uma das áreas fisio-
gráficas do Estado, onde exerciam
suas atividades na lavoura. Ditos
pacientes foram utilizados para es-
tudo antes do uso de terapêutica
anti-anêmica e helmíntica, e eram
QUADRO I
AS PROVAS ENZIIMATICAS NA SÍN-
DROME ANÊmCO PARASITÁRIA
(Obervação em 65 pacientes)
N.® do caso
T.G.P.
(Unidades)
T.G.O.
(Unidades)
TOTAL
(Unidades)
1
40
40
80
2
20
40
60
3
10
40
50
4
20
10
30
5
35
20
55
6
15
25
40
7
20
15
35
8
35
25
60
9
33
?0
53
10
150
40
190
11
25
45
70
12
42
20
62
13
20
15
35
14
40
45
85
15
30
40
70
16
45
20
65
17
40
40
80
IS
20
30
50
19
15
5
20
20
20
25
45
21
30
45
75
22
5
55
60
23
25
20
45
24
15
45
60
25
5
30
35
26
15
40
55
27
35
40
75
20
45
65
29
20
40
60
30
125
115
140
31
95
40
135
32
30
20
50
33
75
22
97
34
115
80
195
35
75
40
115
36
45
22
67
37
30
12
42
3S
20
35
55
39
155
45
200
40
135
130
265
41
10
25
35
42
190
27
217
43
62
20
82
44
40
37
77
45
75
10
85
46
70
22
92
47
25
20
45
48
165
50
215
49
0
20
20
50
50
30
80
51
35
40
75
5? .
0
55
55
53
70
30
100
54
25
10
35
15
25
40
56
30
45
75
57
65
45
110
58
50
30
80
59
35
45
80
60
35
20
55
61. -. --
15
30
45
62
15
25
40
63
35
50
85
64
65
30
95
65 -
70
17
87
Volume 6 (Patologia)
145
portadores de taxas de hemoglobi-
na compreendidas entre menos de
2 g até 7 g.
ANÁLISE DOS RESULTADOS
Analisando os resultados conti-
dos no Quadro II, verifica-se:
a) a transaminase glutâmico-pi-
rúvica (T.G.P.) manteve-se
normal em 47,69% e aumenta-
da em 52,31% dos casos.
b) a transaminase glutâmico-oxa-
lacética (T.G.O.) manteve-se
normal em 75,38% e aumenta-
da em 24,62% dos casos.
c) a T.G.P. e T.G.O. (transamina-
ses) expressaram-se normais em
55,38% e aumentadas em
44,62% dos casos.
QUADRO II
resultados verificados em 65
PACIENTES PORTADORES DE SfN-
DROME ANÊMICO PARASITÁRIA,
QUANTO ÀS PROVAS
ENZIMATICAS
(T.G.P. E T.G.O.)
PROVAS ENZIMATICAS
NORMAL
AUMEN-
TADA
%
X.o
%
Trao-saininase Glutâmicc^Piní-
vica. (T.G.P.) , .
Transaminase Glutâmico-Oxa-
_Iacética. (T.G.O.)
T.G.P. + T.G.O
31
49
36
47,69
75.38
55.38
34
16
29
52,31
24.62
44.62
DISCUSSÃO
Observando-se os resultados ana-
lisados verifica-se que na afecção
estudada a T.G.P. apresentou-se
elevada em 52,31% em contraste
com a T.G.O., cujo percentual de
aumento girou em tôrno de ....
24,62%, achados êstes que provà-
velmente devem indicar a possibi-
lidade de lesão hepática.
Merece destaque especial nesta
oportunidade o fato de que no XV
Congresso Brasileiro de Gastrente-
rologia, realizado em Goiânia, os
autores apresentaram semelhante
trabalho com resultados aproxima-
dos (T.G.P. 51,5% dos casos), onde
nos propusemos a realizar novos
estudos com nôvo grupo de pacien-
tes, a fim de que pudéssemos pos-
sibilitar conclusões mais sólidas so-
bre 0 assunto em foco. (3).
CONCLUSÕES
O presente trabalho de pesquisas
nos permitiu formular as seguin-
tes conclusões:
a) A avaliação da T.G.P., demons-
trando resultados acima dos
limites considerados normais
(30U), em um percentual de
52,31% dos casos estudados, su-
gere a possibilidade de um real
comprometimento hepático na
afecção em tela.
b) O aumento da T.G.O. em ....
24,62 % dos casos em estudo não
pode ser desprezado, face o pre-
domínio delas nas hepatopatias
crônicas (9) e por cujos moti-
vos devemos também considerar
10 — 37.152
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
146
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
como mais um elemento a fa-
vor da possibilidade de um com-
prometimento hepático na sín-
drome anêmico-parasitária.
SUMÁRIO
Os autores realizaram estudos
em 65 pacientes portadores de sín-
drome anêmico-parasitária, inter-
nados nas diversas enfermarias do
Hospital de Caridade da Santa
Casa de Misericórdia do Pará (De-
partamento de Medicina Interna
da Faculdade de Medicina da Uni-
versidade Federal do Pará — Ser-
viço do Prof. Affonso Rodrigues Fi-
lho), provenientes do interior do
Estado, com taxas de hemoglobina
de menos de 2 g até 7 g, carentes
e poli-parasitados, nos quais foram
feitas transaminase glutâmico-pi-
rúvica e transaminase glutâmico-
oxalacética e cujos resultados su-
geriram a possibilidade de um
real comprometimento hepático na
afecção estudada.
SOMMAIRE
Les auteurs ont réalisé 1’étude
sur des patients porteurs de syn-
drôme anémique-parasitaire, inter-
nés dans les diverses Infirmeries
de rHôpital de Charité de “Santa
Casa de Misericórdia” du Pará
(Departement de Médicine Inter-
ne de la Faculté de Médicine de
rUniversité Federale du Pará, à la
charge du Monsieur le Professeur
Affonso Rodrigues Filho), prove-
nant de rinterieur de 1’Etat, avec
des taux d’hémoglobine de moins
de 2 grammes, jusqu’a 7 grammes,
par manque alimentaire et poly-
-parasitiques, sur lesquels ont été
faits des Transaminases Glutami-
que-Piruvique et Transaminases
Glutamique-Oxalacétique, dont les
résultats sugérent la possibilité
d’une réelle compromission hepati-
que dans 1’affection étudiée.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Serum transminase as a diagnostic
aid. Arch. Intern. Med., 99 (4'» ;
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donça, D. V., oliveira, H. C. & Ro-
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ratoriais (hepatograma) . Estudo
Volume 6 (Patologia)
147
6 .
particularizado do lipidograma ele-
troforético, suas modificações e im-
portância no diagnóstico. Ensaio
de Trabalho Científico apresentado
à Cátedra de Clínica Médica da
Faculdade de Med. da Univ. Fede-
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cionales Hepáticas. In: Tratado de
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hepatitis. J. Amer. Med. Ass., 160
(13) : 1130-1134.
cm 1
SciELO
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 149-156 — 1967
O PROTEINOGRAMA ELETROFORÉTICO NA SÍNDROME
ANÊMICO-PARASITARIA
ERNESTO GONDIM LEITÃO, NEIDE BRITTO OTERO
e AFFONSO RODRIGUES FILHO
Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Pará, Belém
A síndrome anêmico-parasitária,
subordinada às condições de carên-
cia, à enteroparasitose e à anemia,
constituindo um quadro clínico ex-
traordinàriamente rico e polimor-
fo (12-13), tem sido objeto de es-
tudos por todos aqueles que, como
nós, temos acompanhado os gra-
víssimos problemas sócio-econômi-
cos por ela determinados.
Silva e colaboradores (10), es-
tudam a hipoproteinemia na sín-
drome anêmico-parasitária, situam
seus valôres e relacionam a baixa
da fração albumina e o aumento
das globulinas à carência alimen-
tar e ao parasitismo intestinal.
A eletroforese em papel, ofere-
cendo um estudo mais significati-
vo e particularizado das diferentes
frações proteicas no curso de di-
ferentes enfermidades, com um
método mais preciso de pesquisa
clínica, tem sido capaz de fornecer
melhores resultados de modo a so-
lucionar problemas até então inso-
lúveis, principalmente dizendo res-
peito à relação “A/G-Hiper-Nor-
mo-Hiper-proteinemias” e o estudo
de pacientes em precárias condi-
ções de saúde (6).
Estudos mais aperfeiçoados têm
sido feitos e seus resultados já pu-
blicados, utilizando como método-
a imuno-eletroforese (3-5) , que re-
laciona as alterações das proteínas
plasmáticas à reação de precipita-
ção antígeno-anticorpo (3) e à mi-
gração de uma molécula coloidal
através de seu meio de dispersão,
produzida por uma fôrça eletromo-
triz (4-14), solvendo desta manei-
ra, problemas que estavam aquém
das possibilidades da eletroforese
em eletrólitos estabilizados.
No presente trabalho pretende-
mos investigar as principais alte-
rações proteicas no sôro sanguíneo,
dos pacientes portadores de síndro-
me anêmico-parasitária, relacio-
cm 1
SciELO
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150
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
nando-as a seguir com os resulta-
dos obtidos em trabalhos anterior-
mente apresentados (6-11-12).
MATERIAL
Estudamos 142 pacientes porta-
dores de síndrome anêmico-parasi-
tária, expressos no Quadro 1, diag-
nosticados pelo Quadro Clínico,
exame de fezes e quadro hemático,
que estiveram internados nas En-
fermarias de Medicina Interna da
Santa Casa de Misericórdia do Pará
(Departamento de Medicina Inter-
na da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Pará, Ser-
viço do Professor Affonso Rodri-
gues Filho), de ambos os sexos,
com vários grupos de idade e cuja
seleção fôra feita antes da utiliza-
ção de terapêutica anti-anêmica e
parasitária, afastando tôda e qual-
quer causa que pudesse modificar
0 verdadeiro resultado de nosso
pretendido objetivo. Os pacientes
estiveram em estudo e apresenta-
vam níveis hemoglobínicos com-
preendidos entre menos de 2 gra-
mas e 7 gramas, oriundos do inte-
rior de nosso Estado, fato que vem
consolidar a opinião de Rosa e Sil-
va (9) quando afirma que o binô-
mio “carência alimentar e entero-
parasitose”, muito comum no ho-
mem rural brasileiro, constitui sé-
rios problemas de conseqüências
imprevisíveis.
MÉTODOS
As dosagens das proteínas totais
no sôro sanguíneo foram feitas pelo
método fotométrico de Greenberg,
e consideradas normais as seguin-
tes concentrações (1-2-15) :
Proteínas totais: 6 a 8 g/100 ml
de sôro.
Albumina, 52,30 a 50,68%;
Alfa-l-globulina, 3,83 a 6,58%;
Alfa-2-globulina, 6,46 a 9,64%;
Beta-globulina, 10,00 a 11,17%;
Gama-globulina, 16,92 a 21,17%.
A eletroforese em papel foi exe-
cutada pela técnica de Grassmann
e Hanning, sôbre papel de filtro
“Whatmann” n.° 1, de 34 cm de
comprimento e 5 cm de largura, em
tampão Veronal/veronal sódico,
pH8.6, fôrça iônica 0,10, intensi-
QUADRO I
ELETROFORESE EM PAPEL DE 142 PACIENTES PORTADORES DE SÍNDROME
ANÊMICO PARASITARIA
N.« do
Ca«o
Albumioa
%
globulinas %
Proteínas
totais
g%
Alfa-I
Alfa-2
Beta
Gama
Anômala
1
44.00
7,33
4.80
12,26
31,61
7,50
2
42,81
4,68
9.84
10,62
32.05
6,40
3
41,11
3,20
6.54
10.61
38,54
8,10
Volume 6 (Patologia)
151
N.® do
Caso
Albumina
%
GL0BÜLIN.4S
AIfa-1
.Alfa-2
Beta
4
28,70
4,67
11,77
20,32
5
41,60
1,73
11.46
12,35
6
52,25
5,16
6,93
9,67
7
42,45
6,49
12,45
8,42
8
49,60
2,93
4,80
14,13
9
27,65
8,28
9,68
8,59
10
47,63
6.00
4,90
10,72
11
39,48
3,97
7,69
14,48
12
51,40
4,53
7,96
9,21
13
60,78
4,21
6,09
9,21
14
34,72
8,72
9,45
14,02
15
24,82
13,27
17,58
5,17
16
32,18
10,36
11,27
10,54
17
46,71
3,00
12.00
10,00
18
15.34
9,31
9,17
11,50
19
35.71
4,00
3,28
10,57
20
43,71
5,57
3,00
8.28
21
39,28
2,85
11,71
13,57
22
21,15
5,19
5,19
11,34
23
46,41
3.20
10,13
12,40
24
42,96
3,59
4,37
6,25
25
27,86
6,13
9,33
10,53
26
31,64
6,57
10,41
10,29
27
45,68
7,41
7,58
10,17
28
41,71
3,75
7,03
3,75
29
48,93
6,81
8,78
12,72
30
43,42
5,94
7,92
10,63
31
27,33
8,66
16.33
16,33
32
39,47
6,31
9,47
8,42
33
37,94
5,58
8,82
11,91
34
47,96
5,93
6,09
7.03
35
41,12
3,87
11,93
11,61
36
42,89
. 1,71
4,73
5,92
37
37,57
8,48
7.12
10,00
38
31,33
7,66
5,16
9,00
39
44.60
3,60
6,20
14,60
40
36,51
4,84
14.84
• 8,78
41
40,16
3,50
9,00
13,33
42
48,72
4,18
5,63
11,81
43
48,38
5,64
7,74
16,77
44
43,04
3,47
10,43
12,63
45
42,18
6,71
9,21
14,68
46
36,66
5,90
4,39
7,57
47
44,33
5,66
6,83
15.66
48
33,63
3,93
11,05
9,39
49
42,85
2,42
7,57
8.57
50
33,27
10,00
13,62
16,37
51
45,12
5,76
10,25
11,92
52
31,61
8,52
11,02
17,91
53
51,23
9,50
5,67
14,81
54
48,21
4,40
6,78
8,80
55
40.90
3,33
5,33
7,72
56
48,00
3,66
7,66
9,83
57
48,18
7,72
6,81
12,87
58...
48,63
3,97
8,63
9,04
59
33.82
7,09
11,45
11,63
60
60,00
4,07
4.44
8,64
61
53,38
4,51
4,67
10,48
62
37,33
5,33
5,00
8,83
63
40,45
3,78
9,09
13,78
64
38.06
5,96
9,35
13,22
65
27,50
8,12
11,25
10,00
66
45,50
0,50
8,75
10,00
67
48,68
3,23
10,14
12,06
68
43.47
3,61
9.72
11,38
69....
35,50
3,88
7,77
5,83
70
40,51
3,60
5.05
13,50
71
59,86
1,89
3,91
8,24
72....
28,62
1,49
2,18
3,33
73
45,37
4,87
7,00
8,62
74
49,39
3,78
5,49
! 10,85
%
Gama
34.54
33.08
25.99
30,19
28.54
45.80
30.75
34,38
26,90
19.71
33.09
39.16
34,93
16.58
54,68
46.44
39.44
25.45
57,13
27,86
42.83
25,73
41.09
17.41
43.76
22.76
24.17
31,35
36,33
32,37
24.56
31.47
44.75
36.88
46.85
26.80
23,97
34.00
29,70
13.57
30,43
27,22
45.48
27,52
41,99
38.59
17.24
26.95
26,79
12.50
31.81
42.72
30.85
24.42
23.84
36.01
19.01
36.96
40.18
32,90
33,41
37.51
35.25
25.89
31.82
46.97
37.34
26.10
64,38
34,14
30.49
Anômala
0,29
0,72
11,71
0,21
20,42
11,75
7,92
3.38
8,43
4,20
11,06
7,90
9,50
4,15
6,20
5,89
3,81
3,33
5,62
Proteínas
totais
g %
6,20
7,50
6,20
5,70
7.50
6,40
5.50
7.80
6.40
6.40
5,50
5.80
5.50
7,00
7,30
7,00
7.00
7.00
5.20
7.50
6.40
7.50
7,30
5.50
6.40
6,60
5.50
6.00
5.70
6.80
6,40
6.20
7.60
6.60
6,00
5.00
6.60
6.00
5.50
6,20
4.60
6.40
6.60
6,00
6,60
7.00
5.80
7.80
6.80
8,10
8.40
6,60
6.00
6,60
7,30
5,50
8,10
6,20
6,00
6,60
6,20
6.40
8,00
6.80
7,20
7.20
9.70
7.40
8.70
8,00
8.20
152 Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
N.o do
Caso
Albumina
%
GLOBÜLINAS %
Proteínas
totais
g %
Alfa-1
Alfa-2
Beta
Gama
Anômala
75
35.14
3,09
8,23
7,20
46,32
6,80
76
34,62
3.00
14,75
4,37
43,26
8,00
77
41.95
2,07
4,02
9,31
42,65
8,70
78
47,61
0,59
2,38
12,62
26,80
8,40
79
40,15
1,03
7,79
8,69
42,94
6,80
80
44,91
3.90
13,39
7,62
30,18
5,90
81
42,10
2,89
2,37
6,45
46,19
7,60
82
34.84
1,50
4,37
3,50
55,79
8,00
83
47,22
3,81
5,26
10,41
33,30
9,70
84
37,65
8,47
8,94
4,70
40,24
8,50
85
44.10
4.95
9,37
9,89
31,69
9,50
86
35,30
4,58
12,29
10,00
37,83
8,30
87
42,12
3,12
11,00
10,87
32,89
8,00
88
41,76
0,88
2,79
11,18
43,39
6,80
89
30,42
4,44
7,08
6,39
51,67
7,20
90
48,18
3,03
10,45
7,12
31,22
6,60
91
56,58
3,16
1,31
5,92
33,03
7,60
92
33,61
5.69
15,55
9,58
35,57
7,20
93
60,57
2,28
3,85
6,71
26,59
7,00
94
50.26
6,31
5,52
10,39
27,52
7,60
95
55,92
2,89
5,78
11,18
24,23
7,60
96
32,30
12,05
5,25
1,66
48,74
7,80
97
37,92
1,95
1,82
5.06
53.25
7,70
98
44,57
1.14
1,86
17,00
35,43
7,00
99
30,66
6,58
6,84
14,08
41,84
7,60
100
45,15
2,12
4,24
22,12
26,37
6,eo
101
52,59
1,67
16,67
12,41
16,66
5,40
102
35.76
2,73
5,45
22,73
23,33
6,60
103
37,30
1,76
2,57
20,54
37,83
7,40
104
47,60
2,60
14,80
15,20
19,80
5,00
105
41,80
1,67
2,08
20,97
33,48
7,20
106
41,31
0,53
4.47
15.13
38,56
7,60
107
33,14
5,69
11,37
9,41
40,39
5,10
108
31,22
1,62
4,45
2,03
60,68
7,40
103
35,00
2,25
5,00
19,00
38,75
8,00
110
28,94
4,21
5,25
13,97
47.63
7,60
111
21.16
2,50
2,86
4,46
69,02
11,20
112
28,63
2.00
8,21
12,42
48,74
9,50
113
25,06
1,03
0,11
0,57
73,23
8,70
114
59,25
0,92
4,07
6,67
29,09
5,40
115
48,07
7,54
4,56
18,60
21,23
5,70
116
65,69
1,18
2,55
6,08
24,50
5,10
117
45,54
1,61
4,28
13,40
35,37
5,60
118
14,58
0.85
1,70
2,54
80.33
5,90
119
29,00
8,71
7,85
9,01
45,43
7,00
120
43,09
2,50
5,44
9,41
39,56
6,80
121
40,27
3,65
3,92
4,32
47,48
7,40
122
23,93
6,23
10,49
14,43
44,92
6,10
123
41,43
2,14
7,00
8,28
41,15
7,00
124
37.87
1,25
5,87
7,12
47,89
8,00
125
8,39
1,29
2,90
0,81
86,61
6,20
126
37.92
1,95
1,82
5,06
51,23
7,70
127
44,57
1.14
1,86
17,00
35,43
7,00
128
30,66
6,58
6.84
14,08
31,84
7,60
129
45.15
2,12
4.24
22,12
26,37
6,60
130
52,59
1,67
16,67
12,41
16,65
5,40
131
35,76
2,73
5,45
22,73
33,33
6.60
132
37,30
1,76
2,57
20,54
37,83
7,40
133
47,60
2,60
14.80
15,20
19,80
5,00
134
41.80
1,67
2,08
20,97
33,48
7,20
135...
41,31
0,53
4.47
15,13
38.56
7,60
136
33,13
5,69
11,37
9,41
40,40
5,10
137
31,21
1,61
4,50
2,01
60,67
7,40
138
35,00
2,25
5,00
19.00
38,75
8,00
139
28,94
4,21
5,26
13,94
47,65
7,60
140
21,16
2,50
2,85
4,46
69,03
n,20
141
28,63
2,00
8,21
12,42
48,74
9,50
142
25,05
1,03
0,11
0,57
73,24
8,70
Volume 6 (Patologia)
153
dade de corrente de 2 mA por tira
de papel e um período de separa-
ção eletroforética de 6 horas, usan-
do-se 0 aparelho de “Shandon Po-
wer Supply — Tipo 2 . 541 —
“Vokan”. Em cada tira deposita-
mos 0,01 ml de sôro sanguíneo,
cujo sôro fôra obtido após retirada
de 10 ml de sangue, estando o pa-
ciente em jejum de 12 horas; após
retração do coágulo foi centrifuga-
do a 5 . 000 rpm durante 5 minutos,
separado o respectivo sôro, evitan-
do-se hemólise. O corante utiliza-
do foi o negro de aniUna lOB (Ami-
doschv?arz), a Densitometria feita
pelo Densitômetro Zeiss, após dia-
fanização das fitas (8) , e a expres-
são das áreas das diferentes fra-
ções proteicas fôra feita pelas per-
pendiculares e integrais de Gauss
(7).
ANÁLISE DOS RESULTADOS
Analisando-se os resultados veri-
ficados e expressos no Quadro II,
observamos o seguinte:
1) A fração albumina demons-
trou-se normal em 9,85% e di-
minuída em 90,15% dos casos.
2) A fração alfa-l-globulina de-
monstrou-se normal em 83,09%
dos casos e aumentada em . . .
16,91%.
3) A fração alfa-2-globulina evi-
denciou-se normal em 74,64%
e aumentada em 25,36% dos
casos.
QUADRO II
RESULTADOS VERIFICADOS EM 142 PACIENTES PORTADORES DE SÍNDROME
ANÊMICO PARASITARIA, QUANTO À ELETROFORESE EM PAPEL
FR.\ÇÕES
NORMAL
AUMENTADA
diminuída
Número
Cf
/o
Número
%
Número
%
Albumina '.
14
9.85
128
90,15
Alfa-l-globulina
118
83,09
24
16,91
Alfa-2-globulÍna
106
74.64
36
25,36
Beta-globuUna ...
80
56,33
62
43.67
Gama-globulina . .
11
7.74
131
92,26
Proteínas Totais
98
69,01
18
12,67
26
18.32
pendendo a 13,38% do total.
4) A fração beta-globulina situou-
-se normal em 56,33% e aumen-
tada em 43,67% dos casos.
5) A fração gama-globulina evi-
denciou-se normal em 7,74% e
e aumentada em 92,26% dos
casos.
6) As proteínas totais apresenta-
ram-se normais em 69,01%, au-
mentadas em 12,67% e dimi-
nuídas em 18,32% dos casos.
7) Verificou-se ainda a presença de
fração anômala de mobilidade
gama-globulina em 13,38% dos
casos estudados.
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
154
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
CONCLUSÕES
Os nossos trabalhos de pesquisa
permitiram formular as seguintes
conclusões :
a) Diminuição da fração albu-
mina em 90,15% dos casos, cujo re-
sultado força-nos a considerar de-
terminadas perturbações funcio-
nais no fígado, de vez que no estado
atual de nossos conhecimentos
considera-se como sendo no hepa-
tócito a sede de síntese desta fra-
ção proteica.
b) O aumento da fração beta-
-globulina em uma percentual de
43,67% leva-nos a aceitar que nos
portadores de síndrome anêmico-
parasitária poderá haver alterações
funcionais da glândula jecoral no
que diz respeito ao metabolismo
dos lipídios, face ser esta fração
lipo-proteica por excelência.
c) Subordinado ao resultado da
fração albumina, com diminuição
em 90,15% dos casos, a fração ga-
ma-globulina apresentou-se eleva-
díssima, com um percentual de
92,26%, e cuja elevação está rela-
cionada ao mecanismo compensa-
dor natural e a uma reação de de-
fesa pelo estímulo ao sistema re-
tículo-endotelial.
d) Finalmente, as proteínas to-
tais apresentando-se normal em
69,01 % dos casos de síndrome ané-
mico-parasitária, onde como já dis-
semos as condições de carência, en-
teroparasitose múltipla e anemia
fatalmente deixariam em dúvida
êstes resultados se os mesmos tives-
sem sido obtidos mediante dosagem
estritamente química das proteínas
do sôro sanguíneo, vem reforçar
cada vez mais a importância clí-
nica do proteinograma eletroforé-
tico em casos desta natureza.
SUMÁRIO
Os autores estudam detalhada-
mente 0 comportamento do protei-
nograma eletroforético em 142 pa-
cientes portadores de síndrome
anêmico-parasitária e verificam al-
guns aspectos de significante in-
térêsse, procurando correlacionar
ditos achados ao estado de carên-
cia, anemia e poli-parasitismo . Re-
feridos pacientes estiveram inter-
nados nas diversas Enfermarias do
Hospital de Caridade da Santa
Casa de Misericórdia do Pará (De-
partamento de Medicina Interna
da Faculdade de Medicina da Uni-
versidade Federal do Pará — Servi-
ço do Prof. Affonso Rodrigues Fi-
lho), provenientes em sua maioria
do interior do Estado; de ambos os
sexos, com vários grupos de idade
e cuja seleção fôra feita antes da
utilização de terapêutica anti-anê-
mica e parasitária, e que apresen-
tam níveis de hemoglobina com-
preendidos entre menos de 2 g a 7
gramas.
Volume 6 (Patologia)
155
SOMMAIRE
Les auteurs ont étudié minucieu-
sement la conduite du protéino-
gramme electroforétique dans des
patients porteurs du syndrôme
anémique-parasitaire, et ont véri-
fié quelques aspects de grand in-
térêt cher chant à établir la corre-
lation des sus-dites découvertes à
1’ètat de manque alimentaire, ané-
mie et poly-parasitisme. Ces pa-
tients ont été intemés dans plu-
sieurs infirmeries de l’Hôpital de
Charité “Santa Casa de Misericór-
dia” du Pará, (Departement de
Medicine Interne de la Faculté de
Medicine de rUniversité Fédérale
du Pará, (à la charge de Monsieur
le Professeur Affonso Rodrigues
Filho) provenant pour la plupart
de l’interieur de l‘Etat; plusieurs
groups d’âges, des deux sexes, dont
la selection a été faite avant
1’emploi therapéutique anti-ané-
mique et parasitaire et qui presen-
tait des niveaux d’hémoglobine
compris entre moins de 2 grammes
et 7 grammes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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das proteínas do sôro na gestante
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Trabalho apresentado ao XIV Con-
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12. ViANNA, c. M., 1961, Síndrome anê-
mico-parasitária. Tese, Faculdade
de Medicina da Universidade do
Pará, Belém.
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
156
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
13. ViANNA, c. M„ 1959, Síndrome ané-
mico-parasitária. Trabalho apre-
sentado à 1.®’ Semana de Estudos
da Enfermaria S. Francisco de
Paula. Serviço do Prof. Affonso
Rodrigues Filho.
14. WUHRMANN, F. & WUNDERLY, C. H.,
1954, Las Proteínas sanguíneas en
el hombre. 2.® Ed., Trad. espanhola.
Editorial Científico-Médica, Bar-
celona.
15. Xavier, R. G. Eletroforese. Aula
proferida em 8-12-60, na Escola
Paulista de Medicina (Hospital São
Paulo), Curso de Laboratório Clí-
nico.
16. Rodrigues Filho, A. 1954, Provas
de Função Hepática (Restrições
impostas pela verminose à inter-
pretação das provas de floculação) .
Tese, Faculdade de Medicina e Ci-
rurgia do Pará, Belém.
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Voi. 6 (Patologia): 157-159 — 1967
IMPORTÂNCIA DA FRAÇAO GAMA-GLOBULINA
NA SÍNDROME ANÊMICO-PARASITARIA
ERNESTO GONDIM LEITÃO e AFFONSO RODRIGUES FILHO
Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Pará, Belém
Estu(iando pela eletroforese em
papel a síndrome anêmico-para-
sitária que como já é de nosso co-
nhecimento está condicionada ao
poli-parasitismo, à carência e à
anemia chegamos a conclusões
bem significativas em relação às
diferentes frações proteicas e cujos
resultados já foram por nós ana-
lisados em outro trabalho, “O pro-
teinograma eletroforético na sín-
drome anêmico-parasitária”, apre-
sentado neste Simpósio.
Entretanto, tendo em vista os di-
ferentes aspectos e a importância
que a fração gama-globulina exerce
no estudo da síndrome que esta-
mos analisando preferimos formu-
lar 0 presente trabalho onde pro-
curaremos sôbre todos os meios in-
terpretar a diversidade que encon-
tramos.
MATERIAL
Estudamos 142 pacientes porta-
dores de síndrome anêmíco-parasí-
tária, que se encontram expressos
no Quadro I do trabalho acima in-
dicado e cujos resultados estão in-
cluídos no Quadro II do referido
trabalho.
ANALISE DOS RESULTADOS
Analisando-se os resultados ve-
rificados e expressos no Quadro II
já referido, observamos o seguinte:
1) A fração albumina demons-
trou-se normal em 14 casos,
correspondente a 9,85% e di-
minuída em 128 casos, equiva-
lente a 90,15%.
2) A fração gama-globulina de-
monstrou-se normal em 11
casos (7,74%) e aumentada
em 131 casos (92,26%).
3) Em 19 dos casos estudados e
correspondente a 13,38% foi
assinalada a presença de fra-
ção anômala de mobilidade
gama-globulina, fato que for-
çosamente virá aumentar ain-
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
158
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
da mais o número de casos
com aumento desta fração
gama.
4) Finalmente queremos assina-
lar que em muitos dos casos
por nós estudados, anotamos
alterações qualitativas de per-
fil eletroforético, com as se-
guintes características: a)
gama bastante elevada, de
base larga e diminuição nítida
na faixa de separação com a
beta-globulina; b) gama niti-
damente aumentada, de base
larga e perfeitamente sepa-
rada da fração beta-globulina.
No que se refere ao aumento das
globulinas, comprovado pelas nos-
sas pesquisas, seu mecanismo per-
manece obscuro.
Entretanto, 3 hipóteses poderão
ser formuladas:
1. ^) Mecanismo compensador na-
tural, visando corrigir a baixa
da pressão osmótica, determi-
nada pela hipo-albuminemia.
2. ^) Reação mesenquimal de de-
fesa pelo estímulo ao sistema
retículo-endotelial.
3. ^) Admite-se que o fígado por in-
termédio das células de Kup-
ffer, sintetize parte das glo-
bulinas circulantes; porém,
quando insuficiente, passa a
sintetizar muito mais, em vir-
tude de que sendo essa molé-
cula grosseira, é mais fácil-
mente elaborada, do que a fra-
ção albumina, que como sabe-
mos, é uma proteína muito
delicada, e de síntese difícil.
SUMÁRIO
Os autores estudaram pela ele-
troforese em papel, o sôro de 142
pacientes portadores de síndrome
anêmico-parasitária, provindos do
interior do Estado do Pará, inter-
nados nas Enfermarias do Hospital
de Caridade da Santa Casa de Mi-
sericórdia do Pará (Departamento
de Medicina Interna da Faculdade
de Medicina da Universidade Fe-
deral do Pará — Serviço do Prof.
Affonso Rodrigues Filho) , apresen-
tando níveis de hemoglobina com
menos de 2 g até 7 g, e nitido esta-
do de carência e poli-parasitismo.
Apresentam os achados verificados
em relação à fração gama-globuli-
na, com alterações qualitativas e
quantitativas de significativo valor
para a afecção estudada, e correla-
cionam ditos achados às profundas
alterações a que está sujeito o
S.R.E. dos referidos doentes.
SOMMAIRE
Les auteurs ont étudié par 1’élec-
troforèse sur papier le serum des
patients porteurs du syndrôme
anémique-parasitaire, provenant
de 1’interieur de 1’Etat du Pará, in-
ternés dans les infirmeries de l’Hô-
Volume 6 (Patologia)
159
pitai de Charité de “Santa Casa de
Misericórdia” du Pará, (Départe-
nient de Médicine Interne de la Fa-
culté de Medicine de TUniversité
Fédérale du Pará — à la charge de
Monsieur le Professeur Affonso Ro-
drigues Filho) , présentant des
niveaux d’hemoglobine contenant
moins de 2 grammes jusqu’à 7
grammes avec un net état de
manque et poly-parasitisme . Ils
présentent les résultats trouvés,
vérifiés en relation à une fraction
gama-globuline, avec des altéra-
tions qualificatives et quantitatives
de grand valeur pour l’affection
étudiée, et fait la correlation des
ces trouvailles avec les profondes
alterations auxquelles est sujet le
S.R.E. des sus-dits malades.
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 161-176 — 1967
DOENÇA DE JORGE LOBO (ESTUDO CLÍNICO-
-PATOLÓGICO, COM APRESENTAÇÃO
DE CINCO CASOS)
JOSÉ MONTEIRO LEITE
Universidade Federal do Pará, Belém
(Com 11 figuras no texto)
Os estudos de Lobo (11), em
1931, deram início a uma série de
especulações e trabalhos, culmi-
nando com a individualização de
uma nova entidade mórbida que
merecidamente porta o seu nome.
Fialho (6), em 1938, reporta-se
ao trabalho daquele professor ao
observar nôvo caso, em trapeiro,
residente no Rio de Janeiro. Pato-
logista emérito, além de analisar o
aspecto clínico da doença descre-
veu suas características histopato-
lógicas fundamentais. Em estudo
diferencial com outras formas de
blastomicose chegou à conclusão
que o caso que diagnosticara e o de
Lobo eram semelhantes, consti-
tuindo espécie à parte de micose.
Fonseca Filho & Leão (7), em
1940, colaboraram decisivamente
nessa afirmativa descrevendo as-
pectos culturais e sistemáticos que
lhes permitiram situar o fungo em
nôvo gênero e espécie (Glenospo-
rella loboi ) .
Rocha, Drolhe & Rutowish
(13), em 1941, apresentaram ter-
ceiro caso procedente da Amazônia,
salientando o aspecto queloidiano
das lesões.
Os estudos de Leão, Cury, Mello
& Goto (10), em 1946, baseados em
culturas do caso original de Lobo
permitiram a identificação de
novos aspectos parasitários, inclu-
sive com figuras de divisão em
“roda de leme” que sugeriam a in-
clusão do fungo em um mesmo gê-
nero com 0 agente causal da mi-
cose de Lutz-Splendore-Almeida .
Êste trabalho iniciou e precipitou
aquilo que denominamos de regres-
são aos fundamentos, no sentido
de situar a entidade apenas como
variante clínica da blastomicose
sul-americana.
11
37.152
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
162
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Assim e sucessivamente, Leão,
Goto & Cury (9), em 1948; Aze-
vedo (4), em 1949, concorreram
para a identificação desta doença
com a micose de Lutz. Decisivo
neste sentido foi o trabalho de Al-
meida (2) , apresentado ao 5.o Con-
gresso Internacional de Microbio-
logia, em que, reportando-se à ci-
tada tese de Azevedo e aos estudos
de Artagaveytia-Allende & Mon-
TEMAYOR (3) , concluiu pela identi-
dade dos dois fungos, situando
Glenosporella loboi na sinonímia
de Paracoccidioiães brasiliensis.
Nosso interêsse pelo assunto co-
meçou em 1952, quando examinan-
do material histológico no Serviço
de Câncer do Instituto Ofir Loiola,
em Belém do Pará, deparamos com
caso de blastomicose cutânea que
divergia dos padrões peculiares às
espécies conhecidas. O estudo de
mais dois casos semelhantes cor-
robou nossa impressão discordante
dessas últimas afirmativas, fazen-
do com que reabríssemos o assunto,
em tese (12), analisando os diver-
sos aspectos da doença e chegando
a conclusões que possibilitaram si-
tuar novamente a entidade como
espécie diferente de micose, como o
havia sugerido Lobo e é hoje acei-
to. Nos últimos dois lustros diag-
nosticamos mais 9 casos desta mi-
cose, dos quais destacamos 5 (dos
demais não existe documentação
fotográfica) para esta publicação.
CASOS REFERIDOS
Caso I (Registro 2.410/56 do
I. O. L.).
Mulher com 28 anos, paraense,
parda, lavadeira, procedente do
Município de Cametá, Estado do
Pará.
Início e evolução da doença: Sua
lesão evolui há 8 anos, tendo início
com prurido e aparecimento de pe-
quena “espinha” na face. Esta le-
são desenvolveu-se pela periferia,
sempre pruriginosa, não existindo
referência a traumas locais.
Exame dermatológico : Paciente
com lesão na hemi-face esquerda,
abaixo da apófise zigomática do
maxilar. O aspecto lesionai é que-
loidiano, com discretas boceladu-
ras, bordos nítidos e elevados e
contôrno serpiginoso. O revesti-
mento epidérmico apresenta-se dis-
tendido, brilhante e com coloração
pardo-rosada.
Histopatologia: Biópsia de pele
com epiderme hipotrófica e derme
invadida por difusa proliferação
histiócito-gigantocitária. Parasitos
esferoidais e cápsulas parasitárias
vazias chamam a atenção por sua
refringência e extraordinário nú-
mero; situados ao acaso, entre his-
tiócitos e células gigantes ou no
interior destas últimas dividem-se
exclusivamente por brotamento
simples que origina grandes gêmu-
las . Anexos cutâneos destruídos na
área lesada .
Volume 6 (Patologia)
163
Caso II (Proveniente do H. S.
E. Registro 211/64 do I. O. L.).
Homem, com 32 anos, paraense,
branco, lavrador, residente no Mu-
nicípio de Óbidos, Estado do Pará.
Início e evolução da doença: Le-
são evoluindo desde 1950 (4 anos)
iniciada por pequeno “caroço” no
bordo do pavilhão auricular. Re-
fere ter sido mordido várias vêzes
por carrapatos. Associa o desenvol-
vimento do nódulo com intenso
prurido ainda hoje existente.
Exame local: Apresenta espessa-
mento do bordo livre do pavilhão
auricular atingindo o helix, na
metade superior. Existem ainda
vários nódulos esferoidais, nitida-
mente individualizados (6 nódu-
los) ^ deformando a porção inferior
do helix e o lobo da orelha direita.
As lesões são proeminentes e bem
demarcadas, medindo a maior
2 cm; a pele que as recobre é lisa e
distendida chamando a atenção
pelo aspecto untuoso, coloração
vermelho-violácea e presença de
ectasias venosas. Manobra palpató-
ria revela consistência firme e
elástica com abaixamento da tem-
peratura cutânea.
Histopatologia: Cortes dos nó-
dulos evidenciam hipotrofia epi-
dérmica e histiocitose dérmica di-
fusa, de permeio com enorme
quantidade de parasitos esféricos
e bi-refringentes, em sua maior
parte reduzidos a cápsulas sem
conteúdo. Células gigantes de
Langhans e corpo estranho estão
aglomeradas em algumas áreas.
Figuras de divisão por brotamento
simples constituem o único modo
de reprodução do fungo.
Caso III (Registro 398/64 do
I. O. L.).
Homem com 60 anos, paraense,
negro, agricultor, residente no Mu-
nicípio de Vizeu, Estado do Pará.
Início e evolução da doença: Há
quatro anos, após pequenos trau-
mas por “lambadas de mato”, su-
cedeu-se intenso prurido e forma-
ção de “calombinho”, que transfor-
mou-se em nódulo, depois lobulado
até o aspecto atual.
Exame dermatológico: No 1/3
superior do dorso do nariz existe
formação tumoral bosselada ou di-
vidida em 3 nódulos salientes e bem
demarcados . Cobertura cutânea
delgada, lisa e brilhante, sem so-
luções de continuidade. Consistên-
cia firme e elástica à palpação.
Histopatologia: Existem lesões
dérmicas preponderantes com de-
saparecimento de anexos e infil-
tração das estruturas conjuntivas
por histiócitos densamente agru-
pados. Entre as células observa-se
enorme quantidade de blastomice-
tos dotados de membranas muito
refringentes. Fungos em gemula-
ção simples são vistos nas partes
profundas do derma . A reação tis-
sular aos parasitos é exclusiva-
164
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
mente produtiva, não havendo ex-
sudatos ou focos de necrose. Cé-
lulas gigantes de corpo estranho
concentram-se em alguns pontos,
às vêzes contendo parasites. A epi-
derme é acentuadamente hipotró-
fica.
Caso IV (Registro 537/65 do
I. O. L.).
Homem, com 56 anos, paraense,
negro, lavrador, natural de Came-
tá, porém residente em Baião, Mu-
nicipio do Estado do Pará quando
contraiu a dermatose.
Início e evolução da doença : Re-
fere pequena pápula inicial, lisa e
pruriginosa, com início há mais de
20 anos. Não se recorda de trau-
mas coincidentes. Constituiu-se
lentamente um nódulo “lombinho”
que se alastrou lateralmente origi-
nando placa queloidiana sôbre a
qual nôvo nódulo se formou.
Exame dermatológico: Lesão na
região peitoral direita, exatamente
sôbre o bordo inferior do músculo,
um pouco abaixo da linha dos ma-
milos e perto do bordo esternal. O
aspecto atual é nódulo-queloidiano,
com base infiltrada e alongada em
faixa transversa e limites perifé-
ricos bem demarcados. No porção
média da lesão existe nódulo esfe-
roidal. A epiderme é delgada e lisa,
com coloração pardo-rosada, pare-
cendp engordurada. À palpação a
consistência é firme e elástica.
No limite cutâneo superior e
contígua à lesão principal observa-
-se pequena pápula de 2 mm. No
braço direito, próximo ao cotovelo,
nota-se lesão papular esférica e lisa
(3 mm) , rosada e consistente, com
evolução de 1 ano.
Histopatologia: A biópsia do pe-
queno nódulo do braço evidencia
numerosos parasitos e cápsulas
parasitárias vazias abarrotando o
derma. Parasitos semelhantes, es-
féricos e refringentes, foram encon-
trados em esfregaços da lesão pei-
toral. Nos cortes histológicos os
fungos situam-se entre células his-
tiocitárias vacuolizadas e gigantó-
citos de corpo estranho, as primei-
ras com disposição epitelióide em
certas áreas. Figuras de reprodu-
ção por brotamento simples, com
uma ou duas gêmulas, constituem
a única forma de divisão. Elemen-
tos em “halteres” e formas “cate-
nuladas” são também freqüentes.
Epiderme em hipotrofia marcada,
separada das massas histiocitárias
por delgada barreira conjuntiva
livre de parasitos.
Caso V (Registro 589/65 do
I. O. L.).
Homem, com 42 anos, paraense,
negro, apanhador de castanhas,
nascido e residente no Município
de Baião, Estado do Pará, onde teve
início sua doença.
Início e evolução da doença:
Precisa que há 28 anos atrás notou
0 desenvolvimento de pequena
“verruga” na orelha, após mordida
'Volume 6 (Patologia)
165
de carrapatos. De maneira muito
lenta o bordo do helix tornou-se es-
pessado (“grosso”) e foram apare-
cendo nódulos cada vêz mais sali-
entes, originando o aspecto atual.
A lesão é pruriginosa desde o
início.
Exame dermatológico: Tôda a
orelha esquerda, exceção feita da
base de implantação está deforma-
da por nódulos de diversos tama-
nhos, bem individualizados e co-
bertos por pele lisa, brilhante e
muito delgada. Excetua-se o tumor
maior que está ulcerado e com
planos cicatriciais. Pelo exame
manual percebe-se abaixamento
da temperatura e palpa-se tecido
consistente e elástico. A coloração
dos nódulos é pardo-rosada e a pele
luzidia, originando aspecto repul-
sivo. Nos últimos anos vem notan-
do sensação de pêso e esqueci-
mento. O exame neurológico evi-
dencia distúrbios francos das sen-
sibilidades tátil e dolorosa.
Histopatologia: Cortes dos nó-
dulos maiores mostram atrofia epi-
dérmica extrema e áreas cutâneas
de ulceração. Nos nódulos menores
há hipotrofia considerável com re-
tificação dos limites da basal e re-
dução do corpo malpighiano. Não
existem quaisquer vestígios de ane-
xos cutâneos ou mesmo de estrutu-
ras vasculares que foram substi-
tuídos por densas massas de his-
tíócitos e células gigantes. Na der-
me profunda existem fenômenos
de reparo, salientando-se hiperpla-
sia conjuntivo-fibrosa que circuns-
creve e insula grupos histiocitários
e células gigantes parasitados. Em
tôda a derme existe notável quan-
tidade de corpúsculos parasitários
esferoidais e refringentes, desorde-
nadamente dispostos ou formando
arranjos "catenuiados”. A repro-
dução dos fungos faz-se por gemu-
lação simples apenas.
DISCUSSÃO E COMENTÁRIOS
O estudo desta série de casos
com lesões diversamente situadas
tem seu interêsse aumentado por
abranger períodos evolutivos vá-
rios, permitindo cotejo com aspec-
tos fundamentais anteriormente
descritos e possibilitando deduções
mais seguras quanto à patogenia
lesionai e seus fatôres de localiza-
ção. A discussão seguinte é também
feita em têrmos de comparação e
complementada por nossa experi-
ência anterior com a doença.
Área geográfica de incidência —
É hoje mais ou menos pacífico
considerar esta micose como enti-
dade individualizada, peculiar à
Região Amazônica; contudo a iden-
tificação de alguns casos em áreas
tropicais limítrofes tem levantado
dúvidas quanto a referida preva-
lência geográfica, sugerindo maior
cosmopolitismo à micose. Se benes-
ses são difíceis de salientar na
grande planície que ao menos se
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
lhe credite, por verdadeira, uma de
suas peculiares mazelas. Não im-
porta que uns poucos casos desta
doença tenham sido registrados em
regiões limítrofes ou mesmo no es-
trangeiro (16) . Tampouco a mi-
cose de Lutz, a doença de Gilchrist
ou a de Busse-Buschke são absolu-
tamente privativas das áreas geo-
gráficas a que se ligam pela sinoní-
mia; ninguém vai deixar de deno-
minar as duas primeiras de blasto-
micoses americanas ou à torulose
de blastomicose européia, porque
alguns casos foram identificados
em outros continentes. Na reali-
dade o que lhes marcou o “habi-
tat” foi a prevalência, e esta, no
que se refere à doença de Lobo é
quase que absoluta em suas liga-
ções com a exótica Amazônia.
Pensamos mesmo, que uma vez
estabelecidas as características
culturais do fungo produtor e deci-
dida a antiga controvérsia sôbre
sua terminologia genérica (Para-
coccidioides; Glenosporella) seria
de inteira justiça salientar o fato
reservando a denominação amazo-
nicum como a mais adequada para
designar a nova espécie parasitá-
ria.
Os 5 casos que apresentamos,
como todos os que até hoje vimos,
provêm da área amazônica; todos
procedem de Municípios do Estado
do Pará, situados em plena zona
tropical com índice pluviométrico
elevado e luxuriante vegetação.
Porta de entrada parasitária • —
Os casos que analisamos incidiram
em agricultores ou “mateiros” afei-
tos ao mister de colhêr castanhas
ou “sangrar” seringueiras em zo-
nas de mata . É evidente dos dados
de observação que a porta de en-
trada parasitária é cutânea, atra-
vés traumatismos que possibilitem
a implantação do fungo direta-
mente no conjuntivo dérmico. O
modo de inoculação dos parasitos
é assunto ainda presuntivo. Acha-
do saliente na história dêstes casos
foi a referência à picada de insetos
ou traumas por vegetais. É claro
que no presente estado de nossos
conhecimentos (sem provas expe-
rimentais) será apenas especula-
tivo 0 exame dessas possibilidades
mas, ao menos em um caso que an-
teriormente publicamos (12), no
de Azulay (5) e nas observações
II e V desta série houve correlação
com picadas de carrapatos que po-
dem ser possíveis vetores do fungo.
Ferimentos superficiais por ver-
gastadas de mato, como em nosso
caso III, constituem possibilidade
de não menor importância.
Agente etiológico — O agente
etiológico da doença de Lobo é im-
perfeitamente conhecido em suas
características de espécie. Como em
outras micoses, v. g., a rinospori-
diose, dificuldades na obtenção de
culturas, de inoculações, enfim da
determinação de seu ciclo biológico.
Volume 6 (Patologia)
167
dificultam a solução de problemas
de ordem sistemática.
Prescindindo de aspectos cultu
rais há que reconhecer, entretanto,
que as características do fungo em
seu ciclo parasitário e a reação que
desperta nos tecidos mais o afasta
do que aproxima de outras espécies
de blastomicetos. Poderíamos tal-
vez avançar que além da forma es-
feroidal que lhes é comum pouco
mais resta no estudo detalhado de
seus aspectos que os identifique . A
começar pelo número de parasitos,
que de tão extraordinário (figs. 1,
3, 5) monopoliza logo a atenção de
quem observa os preparados histo-
lógicos, não encontrando similar
em qualquer outra blastomicose
cutânea. Sucede-se o talhe das gê-
mulas que é notàvelmente unifor-
me, existindo parasitos de peque-
nas dimensões soltos nos tecidos e
muito menos as formas diminutas
(1 — 2 Li) que na blastomicose sul-
-americana são o resultado da
“criptoesporulação”. É nossa opi-
nião que a pequena variação no
talhe dos parasitos livres resulta de
característica retenção das gêmu-
las, que só se destacam ao atingi-
rem tamanho igual ou aproxima-
do ao da célula-mãe. Êste destaque
retardado coaduna-se perfeita-
mente com a presença de figuras
em “halteres” ou cadeias, numèri-
camente salientes nas lesões que
descrevemos (fig. 1).
A reprodução dos fungos nos te-
cidos foi sempre o brotamento sim-
ples na presente série de casos; o
número de gêmulas era reduzido
(uma ou duas) observando-se
união tubular infundibuliforme ou
pedículos entre os elementos em
divisão (fig. 2). A ausência de
“cripto-esporulação” é de grande
importância no diagnóstico dife-
rencial com a micose de Lutz, pois
desde os trabalhos de Almeida (1)
esta figura de divisão firmou-se
como 0 mais importante elemento
para a caracterização do P. brasi-
liensis. É verdade que tal forma de
divisão não está invariàvelmente
presente na blastomicose sul-ame-
ricana, podendo sua ausência na
entidade que estudamos decorrer
também dêste fato. Pareceria no
entanto estranho que isso aconte-
cesse em todos os casos de doença
de Lobo, onde seu encontro seria
mais provável (face a enorme ri-
queza parasitária) se tal figura de
reprodução fôsse peculiar ao fungo
de que nos ocupamos.
Em nossa experiência constitui
pois 0 brotamento simples a única
forma de divisão parasitária nos
tecidos.
Aspectos estruturais — A uni-
formidade de aspectos estruturais
na doença de Lobo não encontra
similar em outras blastomicoses .
Pode-se mesmo afirmar que a rea-
ção dos tecidos ao agente etioló-
gico, além de ímpar, identifica-se
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168 Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
por aspectos antagônicos em rela-
ção à motivada por outros fungos.
A começar pelas modificações hi-
potrofiantes da cobertura cutânea
sempre observadas. Nunca diag-
nosticamos caso desta doença em
que alterações hiperplásticas papi-
lomatosas ou pseudo-carcinomato-
sas se fizessem presentes, como é a
regra nas blastomicoses america-
Fig. 1 (caso IV) — Parasitos em “halteres” e formas “catenulaãas” ; gêmulas
de grandes dimensões -permanecem presas por pequenos pediculos às células ge-
radoras (H & E. X 320). Fig. 2 (caso III) — Reprodução por brotamento simples;
observe-se a união infundlbuliforme da gêmula com a célula-mãe e o seu
grande talhe (H & E. X 640)
cm
'Volume 6 (Patologia)
169
nas e na cromomicose. Hipotrofia
de grau acentuado com desapareci-
mento das cristas epidérmicas e re-
dução dos elementos do corpo mu-
coso foi a constante nestes casos e
tanto mais acentuada quanto
maiores as lesões. Esta atrofia pa-
rece ser passiva e de ordem mecâ-
nica, dependente da compressão
que sôbre as papilas dérmicas e as
estruturas epiteliais exercem os
maciços histiocitários e os próprios
parasitos (fig. 3). O caráter pro-
dutivo das reações dérmicas cons-
titui a outra feição típica do qua-
dro histológico. Ante a excitação
parasitária o organismo reage pela
produção de histiócitos e de células
gigantes que invadem o conjuntivo
substituindo suas estruturas e des-
truindo anexos cutâneos (figs. 3 e
4). Nos nossos casos a hiperplasia
histiocitária era notável com dis-
tribuição dérmica difusa de célu-
las arredondadas ou poligonais por
compressão recíproca (aspecto epi-
telióide)^ dotadas de um ou dois
núcleos centrais e com citoplasma
pulverulento ou finamente vesi-
culoso (fig. 4) . Nas áreas ricas em
parasitos a formação de células gi-
gantes e os fenômenos fibrosantes
de reparo dissociam os histiócitos
ou entre éles se interpõem destru-
indo 0 aspecto epitelióide difuso
das áreas pauci-parasitárias e tor-
nando difícil a visualização dos li-
mites citoplásmicos das células.
Em lesões antigas a hiperplasia
conjuntivo-fibrosa invade extensas
áreas do derma circunscrevendo e
bloqueando agrupamentos histio-
cito-parasitários e gigantócitos, ori-
ginando aspectos nodulares ou
pseudogranulomatosos (fig. 5) .
Granulomas verdadeiros, entretan-
to, no seu sentido de formações no-
dulares específicas não constituem,
segundo nossa experiência, estru-
tura reacional peculiar.
A reação dérmica produtiva his-
tiócito-gigantocitária da doença de
Lobo; as modificações epiteliais hi-
potrofiantes e a destruição de ane-
xos cutâneos são as características
histo-patológicas patognomônicas
que, complementadas pela invariá-
vel abundância de parasitos, im-
põem decisivamente o diagnóstico.
Considerações clínicas e patoge-
néticas — A doença de Lobo é for-
ma cutânea pura, localizada e be-
nigna de blastomicose. Do ponto
de vista clínico caracteriza-se por
evolução crônica com lenta pro-
gressão lesionai. Dos nossos paci-
entes (quatro homens e uma mu-
lher apenas; três negros, um
branco e um mestiço) aquêles de
mais recente evolução, contavam
já 4 anos quando os vimos. Os de-
mais evolviam havia 8, 20 e 28
anos, com notável localização le-
sionai. Êstes índices elevados não
surpreendem na doença que estu-
damos e são até uma de suas carac-
terísticas; o decurso dseta afecção
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L.
cm
Volume 6 (Patologia)
bora com remissões, durante o de-
curso evolutivo. Sinal subsequente
foi a formação de pequena pápula
(“espinha”, “carocinho”, “calom-
binho”, “lombinho”, “verruga”) in-
dolor. Em nosso caso IV pudemos
observar lesão incipiente dêste tipo,
pruriginosa, com superfície pardo-
-rosada e lisa, apenas saliente, ao
nível do braço direito. A formação
desta pápula que atribuímos à au-
to-inoculação por coçadura, foi
muito lenta, atingindo 3 mm de
diâmetro em um ano.
As lesões situaram-se em áreas
cutâneas diversas com preponde-
rância na face (4 casos) , salientan-
do-se a localização auricular (2
Fig. 5 (caso V) — As-pecto dérmico nodular pseudo-granulomatoso, por hi-
perplasia conjuntivo-fibrosa. (H & E. X 320). Fig. 6 (caso III) — Lesão nodular
assentada sôbre pele integra; existem 3 nódulos contiguos. Fig. 7 (caso II) —
Espessamento difuso do helix e lesões nodulares; a estase venosa é revelada
pelas ectasias vasculares.
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172
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
casos) . No caso IV a lesão era torá-
cica, situada na região mamária.
O aspecto dermatológico variou de
acordo com a situação das lesões e
o tempo de evolução; em sua mais
freqüente sede, a auricular, lesões
nodulares predominaram assesta-
das, ora sôbre pele sadia, ora sôbre
áreas de espessamento difuso, evo-
luindo para tumores sésseis ou pe-
diculados (figs. 7, 8 e 11).
Lesões da face, membros ou tó-
rax, adotam com freqüência as-
pecto queloidiano constituindo
“placards” elevados de espessa-
mento (figs. 9 e 11).
A coloração lesionai oscilou en-
tre o pardo-rosado e o vermelho-
-violáceo; as tonalidades mais in-
tensas são características das le-
sões da orelha e atribuíveis à difi-
culdade circulatória local. Outros
sinais de estase venosa corroboram
a assertiva, tais como abaixamento
da temperatura, sangramento co-
pioso após incisão e a presença de
ectasias vasculares, como as evi-
dentes em nosso caso II (fig. 7) . Na
generalidade dos casos os limites
com a pele sadia eram abruptos e
o revestimento cutâneo distendido
e adelgaçado, caracteristicamente
luzidio ou untuoso. Apesar da ex-
trema hipotrofia epidérmica a in-
tegridade cutânea é mantida por
longo tempo e, ressalvada a hipó-
tese de traumas, só existe ulcera-
ção tardiamente (caso V), assim
mesmo superficial e com tendência
à cicatrização. Na orelha o extre-
mo adelgaçamento da epiderme
permite perceber, por translucidez,
pequenas granulações arredonda-
das ou ovóides. Já anteriormente
mencionamos êste sinal (12), ob-
servando-o agora novamente e
muito nítido, nas áreas de espessa-
mento auricular, em nosso caso II
(fig. 7).
A palpação as lesões são firmes e
elásticas o que, associado ao abai-
xamento da temperatura, a colora-
ção avermelhada e ao caráter un-
tuoso lhes confere aspecto repul-
sivo.
Distúrbios da sensibilidade po-
dem surgir em casos avançados de
doença de Lobo. Manifestações de
ordem subjetiva como sensação de
pêso, tensão, distensão e dormência
(“esquecimento”) são queixas re-
feridas pelos portadores de grandes
lesões nodulares. No caso V desta
série existia hipoestesia dolorosa e
tátil. Aliás, em qualquer localiza-
ção, as lesões desta doença não se
acompanham de sintomatologia
dolorosa.
O modo de progressão, a julgar
pelo que as lesões permitem supor
e os doentes informam, caracteri-
za-se ora por alastramento perifé-
rico com espessamento difuso e ele-
vação cutânea moderada (forma
queloidiana) como em nosso caso I
(fig. 9), ora por simples desenvol-
vimento da lesão papular inicial
até formação de nódulo (forma no-
Volume 6 (Patologia)
173
dular) com lobulações posteriores
ou, de maneira combinada (forma
nódulo-queloidiana) , pela forma-
ção de nódulos ou tubérculos sôbre
zonas queloidianas de espessa-
mento como se vê nos casos II, IV
e V desta série. De qualquer ma-
neira a tendência à constituição
de nódulos ou tumores individuali-
zados e até pediculados (caso V,
fig. 10) é freqüente em todos os
casos de longa evolução, qualquer
Fig. 8 (caso V) — Nódulos auriculares com 28 anos evolutivos; a base de
implantação da orelha está poupada. Fig. 9 (caso I) — Lesão da face com aspecto
Queloidiano. Fig. 10 (caso V) — Vista posterior; presença de tumores individua-
lizados e pediculados. Fig. 11 (caso IV) — Forma nódulo-queloidiana; pequena
pápula independente é vista no limite superior da lesão.
cm 1
SciELO
174
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
que seja sua situação e forma de
progressão, razão porque julgamos
a expressão nódulo-queloidiana
como a mais adequada para desig-
nar o tipo lesionai nesta blastomi-
cose.
A possibilidade de se constituí-
rem lesões papulares independen-
tes ou nódulos contíguos separados
da lesão principal por pele íntegra
(caso IV, fig. 11) demonstra tam-
bém que a progressão local pode
efetuar-se de maneira descontínua
através do derma, por intermédio
de espaços linfáticos . Anterior-
mente já nos reportáramos ao
fato (12), ao discutir a patogenia
da doença.
Uma das principais característi-
cas desta micose é sua peculiar ten-
dência à localização. Jamais obser-
vamos ou encontramos em dados
da literatura casos com comprome-
timento de mucosas ou formas de
generalização, viscerais ou sistê-
micas, tão freqüentes na doença
de Lutz e na blastomicose norte-
-americana. Quando muito, lesões
situadas às proximidades de ca-
deias linfáticas drenam parasitos
para linfonodos, como no caso re-
ferido por Guimarães & Macedo
(8), e no de Trejos & Romero
(16), que constituem barreira su-
ficiente para deter a invasão. Em
lesões da orelha que anteriormente
descrevemos; nas que conhecemos
pela revisão da literatura (4, 5, 6)
e nos dois casos que agora apresen-
tamos, nunca houve invasão da
face ou mesmo da base de implan-
tação da concha auricular. Nosso
caso V, com 28 anos de doença,
Uustra bem esta característica de
localização.
Tampouco observamos formas
cutâneas extensamente dissemina-
das em outras situações . Em nossa
experiência desconhecemos for-
mas puras de doença de Lobo com
lesões ulcerosas francas dissemi-
nadas, como as descritas por Sil-
VERiE (caso I) (15), ou formas cro-
momicóides com comprometimento
integral de membros (Silva &
Azevedo) (14).
A ausência de reações exsudati-
vas de vulto, o tamanho considerá-
vel dos parasitos e a reação dér-
mica produtiva de bloqueio consti-
tuem, segundo pensamos, os princi-
pais fatôres de localização lesionai,
pois sendo imóveis os parasitos e
não havendo exsudatos que os pos-
sam carrear, sua ação patogênica
limita-se a um efeito de prolifera-
ção local.
A lenta progressão lesionai po-
deria relacionar-se com fraca capa-
cidade proliferativa dos fungos.
Embora a idéia pareça paradoxal
face à riqueza de parasitos nas le-
sões (o que a primeira vista faz su-
por ativa proliferação) tudo indica
que na realidade o contrário acon-
tece. O estudo detalhado das es-
Volume 6 (Patologia)
175
truturas parasitárias evidenciou
nestes casos nítido predomínio de
elementos desabitados sôbre as for-
mas viáveis ou em divisão. O fato
justificaria também a dificuldade
na obtenção de culturas e de inó-
culos em animais.
SUMÁRIO
O A. analisa sob vários aspectos
5 novos casos de doença de Jorge
Lobo observados em diferentes pe-
ríodos evolutivos. Todos os pacien-
tes procedem de Municípios do Es-
tado do Pará (Região Amazônica;,
no Brasil, onde contraíram a
doença. A entidade é considerada
como forma isolada dentre as
blastomicoses, com lesões dermato-
lógicas e quadro histo-patológico
peculiares, provàvelmente induzi-
dos por nova espécie parasitária.
Estudando o agente etiológico
em seu ciclo parasitário ressalta
diferenças de ordem numérica e de
talhe assim como particularidades
no modo de reprodução do fungo
que não são observadas nas demais
blastomicoses. Descreve como única
forma de divisão nos tecidos o bro-
tamento simples com pequeno nú-
niero de gêmulas. Analisando o fe-
nômeno inflamatório coloca em re-
levo a uniformidade dos aspectos
estruturais que considera típicos e
antagônicos aos observados em ou-
tras blastomicoses. A reação dér-
niica histiocitária difusa, a dispo-
sição epitelióide das células, o
grande número de gigantócitos e,
sobretudo, a reação produtiva dos
tecidos com compressão e hipotro-
fia da epiderme, constituem os
achados histopatológicos caracte-
rísticos.
Realce especial é dado no traba-
lho ao estudo clínico-evolutivo das
lesões, a sua situação cutânea-
-pura sem formas de generalização
e ao curso crônico, localizado e be-
nigno da afecção. Referindo-se à
patogenia da doença procura rela-
cionar a localização das lesões com
a natureza produtiva da inflama-
ção, a imobilidade e grande tama-
nho dos fungos e sua forma de re-
produção.
SUMMARY
Five new cases of Lobo’s disease,
each at a different stage, are studi-
ed. AU patients are from Amazon
Region, Brazil (State of Pará) . The
disease is regarded as an entity
between the blastomycosis with
distinctive cutaneous and histopa-
thologic lesions, induced probably
by a new parasitic especies.
The parasitic cycle is described,
with emphasis in variation of
number and size, as well as the
method of reproduction of the
fungus, this one not common with
others blastomycosis . There is
only one method of reproduction,
namely the simple budding with
delayed liberation scarce buds.
The tissue inflamatory changes
are considered as typical, and even
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
176
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
opposite to those of others blasto-
mycosis. The diffuse histiocytic
dermous reaction with epitelioid
character, the great number of
giant cells, beside the productive
tissue changes are, with the epider-
mic atrophy, the caracteristic his-
topathologic findings.
It’s emphasized the exclusively
cutaneous lesions, with any gene-
ralisation and the chronic benign
natural history. A correlation is
tried between the location of
lesions, the productive feature of
the inflammatory changes and the
size and method of reproduction of
the fungus.
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waldo Cruz (Número Especial do
Quinto Congresso Internacional de
Microbiologia) : 127.
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 177-184 — 1967
REPORT ON NUTRITION SURVEYS IN 11 BRAZILIAN
AMAZON COIVIMUNITIES BETWEEN 1955 AND 1957
FRANK W. LOVVENSTEIN
The first large scale nutrition
survey in the Brazilian Amazon
area had been organized by the
Institute of Nutrition of the Uni-
versity of Brazil in Rio de Janeiro,
the National Nutrition Council
and the Special Public Health Ser-
vice in 1954. Teams consisting of
a physician-nutritionist, a non-
medical nutritionist-dietitian, a
social worker and a laboratory
technician were visiting selected
communities first in the lower
Amazon region (East, South and
West of Belém in the State of
Pará) where they did dietary, cli-
nicai and laboratory surveys of a
stratified population sample of
between 5 — 10% of the people in
these communities. The author
joined one of these teams at the
The author presently with WHO in
Acera /Ghana was attached at the time
of the survey to S.E.S.P. (Special Pu-
blic Health Service) in Belém as Nutri-
tion Adviser under the bilateral AID
Program of the U.SJV.
12 — 37.152
beginning of 1955 and again at the
beginning of 1956. Family surveys
in the following 7 communities
were done under his supervision
and, at times, he did the clinicai
surveys as the only physician-nu-
tritionist of the team: Boa VisTa
(Territory of Rio Branco) Janua-
ry-February 1956, Maués (State of
Amazonas) February 1956, Ben-
jamin Constant (Amazonas) Fe-
bruary 1956, Cruzeiro do Sul (Ter-
ritory of Acre) March 1955, Ma-
capá and Mazagão (Territory of
Amapá) twice during two seasons,
March and September 1956, Bel-
terra July 1956. In view of the
relative uniformity of the method-
ology used either by the author
himself or by his associates under
his supervision the results of the
surveys in the above mentioned
communities can be compared
with reasonable accuracy. A total
of 2091 persons of all ages was
examined in these 7 communities.
cm 1
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
COMPARISON OF SOME DEMO-
GRAPHIC AND SOCIOLOGICAL
DATA IN 7 AMAZON
COMMUNITIES
1) Family size: Maués had the
largest families with 7.2 persons
per family and Bei terra the smai-
lest with 5 persons per family.
2) Nativity: Benj. Constant had
the largest number of native born
(95% whereas Belterra and Boa
Vista had only 50-60%). This is
due to the fact that there has been
a fairly high percentage of North
Eastern Brazilians (nordestinos)
who migrated to these two loca-
lities where they could find work
either as rubber gatherers (in Bel-
terra) or as cow herders (in Boa
Vista) .
3) Children of Schoolage: Theve
were more children of schoolage in
Benj. Constant than in any of the
other localities (43%). The lowest
percentage was found in Macapá
( 21 %).
4) Homeowners: Again Benj.
Constant was leading with 88% of
all men in the sample owning their
own homes whereas the percentage
in Macapá was only 57%.
5) Construction of Homes-,
a) Wood. The largest percent-
age of homes constructed of wood
was .found in Cruzeiro do Sul
(89% of all homes), the smallest
in Boa Vista and Maués (15%
only) .
b) Mud (adobe). Boa Vista had
the highest percentage of homes
constructed of mud (85%).
c) Brick. Maués had the largest
number of brick homes (25%) .
d) In Belterra was highest per-
centage of palm leaf huts found
(64% of all homes). The majority
of the homes in all 7 communities
had straw thatched roofs.
6) Orchards were found in most
homes with the highest percentage
in Maués (93%), the lowest in Boa
Vista (35.3%). Vegetable gardens
were less common, Maués showing
the largest percentage (38.7%)
and Boa Vista the smallest, namely
none. This latter finding is com-
mon to cattle raising areas else-
where such as Marajó island as
herdsmen lack interest in and
knowledge of gardening.
7) Raising of Animais-, Benj.
Constant was leading in the per-
centage of families raising small
animais (82.9%) whereas only
66% had small animais in Cruzeiro
do Sul. Almost 100% of the fami-
lies raising small animais had
chicken except in Belterra (73%).
Pigs were raised by 45% of the
families in Benj. Constant and
none in Belterra.
8) Fishing: The highest per-
centage of those fishing was found
in Benj. Constant (45%), the low-
est in Belterra and Boa Vista
(none).
Volume 6 (Patologia)
179
FOOD PATTERN AND FOOD
CONSUMPTION IN 7 AMAZON
COMMUNITIES
The food pattern in these com-
munities is relatively simple with a
few foods repeating themselves
from day to day. Meat either fresh
(carne verde) or dried (charque)
was the most frequently used food
in Boa Vista and Belterra, iish in
Benj. Constant and rice in Maués
and Cruzeiro do Sul. Bread was the
second most frequently used food
in Benj. Constant and Maués.
Sugar took first place in Macapá,
in all other places 3. or 4. place.
Daily Calorie consumption rang-
ed from 1985 in Macapá to 2905 in
Maués. The following table 1
shows mean calorie and protein
consumption as found in the 7
communities.
Table 1
Benj.
Cruaciro
^taués
Boa
Belterra
Macapá
Mazagão
Constant
do Sul
Vista
^I?an calories per unit*/day.
2352
2818
2905
2174
2341
1985
2248
-Hean protein (g) per unit/day
64
103
73
67.4
65
70
63.5
* Ünit refers to consumption unit = person weighted according to age distribution.
Mean fat intake ranged from mean intakes for other essential
24-33 g per unit/day. Ranges of nutrients are given in the follow-
ing table 2 .
Table 2
Calcium
Phosphorus
Iron
Vit. A
Vit. Bi
Vit. B2
Niacin
Vit. C
clange
150-384 mg
871-1153 mg
9-14.3 mg
567-2660 l.U.
0. 6-2.1 mg
0.9-2. 4 mg
7.8-20 mg
53.5-120 mj
Whereas the mean calorie and
protein intake can be considered
satisfactory in most places except
for the calorie intake in Macapá
and Boa Vista the fat intake is
very low (10-15% of total calories)
in all places; however, the accur-
acy of these figures must be ques-
tioned in view of the fact that the
invisible fat which is hard to esti-
mate did not enter into the cal-
culations. There may also be a
considerable variation in fat intake
according to season with a rising
intake during the season when the
fruits of the many different oil
palms in the Amazon are ripe and
consumed in appreciable quanti-
cm 1
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
ties in some areas. The mean
intake of Calcium and Vit. A was
low in all 7 communities, the
intake of Vitamins BI and B2 was
low in 6 of the 7 places (Cruzeiro
do Sul being the exception due to
a high consumption of pork meat) .
Niacin intake was low in 5 of the
7 localities being satisfactory in
Cruzeiro do Sul and Benj. Cons-
tant. Vit. C intake was satisfactory
to good in all communities except
in Boa Vista where food habits
were among the poorest.
COMPARISON OF THE FRE-
QUENCY OF POSSIBLE CLINIC-
AL SIGNS OF NUTRITIONAL
DEFICIENCIES IN 7
COMMUNITIES
The following table 3 gives the
percentage of persons found with
different signs in the 7 localities.
T.4BLE 3
SIGN
Benj.
Constant
Cruaeiro
do Sul
Maués
Boa
Vista
Belterra
Macapá
Mazagão
March
Sept.
March
Sept.
Thickening of conjuncÜTa
12.8
5-6
22.2
22-5
14
13.4
28.2
14 0
23.4
Gircumcorneal congestion
23.5
32.6
22.2
13.9
41
21.8
32.8
16.8
59.8
Hypertrophy of filiform papilae of tongne
24
19.5
25.9
23-5
36
28.2
18.9
13.1
26.2
Dental Caries
48
87.31
59.8
55.6
93
51.3
55
49.5
54 2
Gingivitis
14.5
10.2
13.8
10 2
19.9
10 0
13.9
13-1
20.6
Goitre
19.4
20
5.3
9.6
20 5
3.4
2.5
4.7
5.6
Curvcd legs
11.2
13
12.7
15
16.2
9.7
13.4
7.5
12.5
Thickening of the conjunctiva
may be a sign of Vit. A deficiency.
Its prevalence ranged from 5.6%
in Cruzeiro do Sul to 28.2% in Ma-
capá, Vit. A. intake, however, was
equally low in both places. There
are other factors besides nutrition-
al ones that may lead to thicken-
ing of the conjunctiva such as cli-
matic ones, e.g. exposure to dust,
strong winds; wether these may
have played a role in Macapá is
not known. Circumcorneal con-
gestion is frequently found in Vit .
B2 deficiency (Riboflavin) . The
range of its prevalence was be-
tween 13.9% in Boa Vista and
51.8% in Mazagão. There was no
correlation with the mean intake
of this Vitamin, in fact the intake
was lower in Boa Vista than in
Mazagão. Again other factors than
nutritional can influence the pic-
ture, particularly exposure to
strong sun and wind. — Hypertro-
phy of the filiform papillae of the
tongue occurs in early Niacin de-
ficiency. Its prevalence was lowest
in Mazagão (13.1%) in March and
highest in Belterra (36%) in July.
Niacin intake was low in both
places, even lower in Mazagão
Volume 6 (Patologia)
showing no correlation with the
prevalence of this sign.
The prevalence of gingivitis
(red, swollen gums) was equally
high in all 7 localities; a relation
with Vit. C deficiency is unlikely
because of the generally satisfac-
tory or even high intake of this Vi-
tamin. Again other factors may
have ben responsible for this gin-
givitis such as local (oral) food
irritants (farinha de mandioca?)
— Dental caries was prevalent in
all localities with an extremely
high percentage at Cruzeiro do Sul
and Belterra. Since dietary differ-
ences were relatively small be-
tween these communities differen-
ces in fluorine content of the
drinking water may have been res-
ponsible; the only community
however, where the fluorine con-
tent of the drinking water may
have been responsible; the only
community however, where the
fluorine content was know, is Bel-
terra here it was zero.
Endemic Goiter sliowed a low
prevalence in the two communities
not far from the coast where the
water of the river is still mixed
with tide water so that the iodine
content may be expected to be sa-
tisfactory. The highest prevalence
was found in Belterra with no
iodine in the water, in Cruzeiro do
Sul and Benj. Constant about
2.400 miles West of the Atlantic
181
Ocean where the water may also
be lacking in iodine; no analyses
have been made as yet. Finally the
prevalence of curved legs was not
high in all communities, possibly
indicating a low incidence of Vit.
D deficiency leading to Rickets
generally low in the humid tropics
where small children are running
naked, thus receiving enough ex-
posure to the sun.
BLOOD HEMOGLOBIN
Had been determined in a total
of 782 persons in 9 communities of
whom more than 80% were chil-
dren of schoolage. The method
used was the colorimertic one of
Sahli. The distribution curve
of Hemoglobin was consistent
throughout the various age groups
in the different communities, i.e. it
was either low or satisfactory in all
age groups in one locality. The
lowest values were found in Cas-
tanhal, East of Belém and Macapá,
the highest in Cruzeiro do Sul and
Benjamin Constant. Iron intake
was highest in Cruzeiro do Sul,
considerably lower in Macapá and
Mazagão. Worm infestations were
known to be common among Cas-
tanhal school children with about
80% showing hookworm, ascaris
and trichiuris. Severe hook worm
anemia was, however, rare. Worm
infestations may be assumed to be
S
c
iELOi'o
11
12
13
14
cm
182
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
also common in most other com-
munities although actual data are
lacking.
These findings are surprising in
view of the fact that several studies
of Hemoglobin and parasitic infes-
tation among schoolchildren in
Iquitos in the Peruvian Amazon
had shown even more widespread
and severe anemia than was found
by the author in Castanhal. One
would then have expected a higher
prevalence of anemia in Benj.
Constant and Cruzeiro do Sul
which are much closer to Iquitos
where ecological conditions are
more similar than between Cas-
tanhal and Iquitos.
Mean heights and weights had
been determined in selected age
and sex groups, mainly children of
school age in 7 communities; be-
cause of small numbers, however,
in many age-sex groups only those
groups have been selected for com-
parison which contained at least
10 of each. The following table 4
presents comparative data on mean
heights and weights by age for
girls in 4 localities.
,\GE
CAST.\.\HAL
N.«
MAR.ABÁ
X.o
FORDLANDIA
N.o
MAC.APÁ
N.»
Height
cm
Weight
kg
Height
Weight
Height
Weight
Height
W eight
y
111
19.8
14
112
19.4
13
8
114
20 2
13
119
21.6
17
9
120
23.3
10
123
23.7
14
10
130
29.4
11
128
27.1
18
124
28.7
11
128
25.2
10
12
138
32.4
21
138
31.9
10
142
34.9
16
13
140
34.8
16
144
38.3
10
149
41.6
14
From the table above it appears
that girls between the ages 7 and
9 are taller in Marabá than in Cas-
tanhal, these differences disappear
at age 10-12 to reappear at age 13
where Marabá girls are definitely
taller and heavier than Castanhal
girls. Fordlandia girls at age 10
are smaller than girls in the other
two localities, but at age 12 they
have more than caught up and at
age 13 they are by far the tallest
and heaviest of the three. Girls in
Macapá aged 10 are as tall as
those in Marabá, but weigh less
than any in the other 3 commun-
ities. These differences in growth
pattern are interesting, but no
attempt to interpret them is being
made because of the fragmentary
character of the data. Larger
groups by age and sex would have
to be examined and followed over
a number of years in order to find
out whether the differences found
above persist and only then an in-
Volume 6 (Patologia)
183
terpretation of their causes may
be attempted. In the only follow
up study done by the author on
Castanhal schoolchildren a signif-
icantly greater increase in weight
was found over a 6 months period
in those who ate two or more
“protective” foods daily (meat,
fish, eggs, cheese, vegetables,
fruits) as compared to those who
ate one or none.
Enlarged thyroid glands were
found in a high percentage of
children in Belterra (67%) and
Marabá (48.6%) whereas there
were only 13.7% in Fordlandia and
11% in Salinas with enlarged
thyroids. Dental caries was equally
high among the children of these
communities.
SUMMARY AND CONCLUSIONS
1) Results of nutrition surveys
in 11 Brazilian Araazon communi-
ties between 1955 and 1957 have
been presented comprising 2091
people.
2) Dietaiy patterns were found
to be fairly uniform with meat or
fish, bread, sugar, rice and cassava
(farinha de mandioca) forming
the biggest part of the daily fare.
3) Mean intakes of essential nu-
trients were marginally adequate
for most except Calcium and Vit.
A which were low. Signs of defi-
ciencies of calcium were not found,
those of possible Vit. A deficiency
did occur in a moderately high
percentage. Endemic goiter most
lücely due to primary iodine defi-
ciency, was frequent in two com-
munities (Belterra and Marabá) .
Dental Caries was widespread
throughout already in young chil-
dren.
4) Values for Hemoglobin were
found low in two communities
East and North of Belém in the
other communities they were fair
to satisfactory with a fair iron
intake.
5) Interesting differences were
found in mean heights and weights
between girls of school age in 4
communities. Interpretation of
these differences is not possible at
this time.
6) The fragmentary character
of these data is obvious and is due
to the fact that the author did
much of this work singlehanded
without the help of competent per-
sonnel or equipment. Therefore it
is difficult to arrive at definite
conclusions from these data. If
nothing else they have taught the
author that there are considerable
differences among people in the
vast Amazon region, differences
that remain largely unexplained at
this time. It is the hope of the
author that some time in the near
future enough true interest may
be generated among human biolo-
gists, biochemists and socio-antro-
pologists to study different groups
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of people in their habitat in the
different ecological areas known to
exist in the Amazon so that we
may then be in a position to
explain some of the differences
found in these fragments.
LIST OF PAPERS PUBLISHED
ON THE AUTHORS WORK IN
THE AMAZON AREA
1) Endemic goiter and nutri-
tion. 1. A study of some aspects of
their relationship in a Brazilian
Amazon Community. Amer. J.
Clin. Nutrit., 7; 331 (1959).
2) Some observations on the nu-
tritional status of Brazilian stu-
dents. Amer. J. clin. Nutrit., 8: 870
(1960).
3) A study of blood pressure and
measurements in medicai students
in the Brazilian Amazon city of
Belém. Cardiologia, 39: 46-56
(1961) .
4) Blood-pressure in relation to
age and sex in the tropics and sub-
tropics. A review of the literature
and an investigation in two tribes
of Brazil Indians. Lancet, pp. 389-
-392 (1961) .
5) Nutrition and health of
school children in a Brazilian
Amazon town. J. Trop. Pediatrics &
African Child Health, 8 (4) , 1963 .
6) Endemic goiter and growth.
Some aspects as found in a Brazil-
lian Amazon town. (unpublished) .
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 185-188 — 1967
ALGUNS ASPECTOS DO ABSCESSO AMEBIANO
DO FÍGADO OBSERVADOS NO PARÁ
LUIZ MANESCHY, AFFONSO RODRIGUES FILHO, RUY GUIMARAES LIMA
e REINALDO SILVEIRA DE OLIVEIRA
Universidade Federal do Pará, Belém
O abscesso amebiano do fígado
parece ser entre nós, uma compli-
cação não muito rara, haja visto
os casos estudados no Hospital da
Santa Casa de Misericórdia do
Pará, apresentados no presente
trabalho, afora os casos que não
podemos incluir em virtude de do-
cumentação imperfeita.
Quando procedemos o levanta-
mento dos casos de abscessos ame-
bianos ocorridos no Brasil, toma-
mos conhecimento de 13 casos, es-
parsos, descritos por vários autores
porém, com nunca mais de 4 casos,
como ocorreu com Amaral (2, 1,
6, 7, 8 e 9).
MATERIAL E MÉTODOS
Estudamos 10 casos de abscesso
amebiano do fígado em pacientes
internados no Hospital da Santa
Casa de Misericórdia do Pará, ocor-
ridos nos anos de 1956 a 1966.
O critério de diagnóstico foi a
história clínica, pesquisa de E. his-
tolytica nas fezes, cultura da secre-
ção do líquido obtido por punção
do abscesso e pesquisa simples de
E. histolytica; o aspecto do pús da
secreção, punção e biópsia do fí-
gado, esplenoportografia e última-
mente temos utilizado a pneumo-
abscessografia com bons resulta-
dos; método que passamos a des-
crever: com o doente na mesa de
raios X, fazemos assepsia no qua-
drante superior direito do abdô-
men, anestesiamos a pele e o tecido
celular subcutâneo, fazemos pun-
ção exploradora com auxílio de
uma agulha longa; atingindo o abs-
cesso retiramos a agulha explora-
dora e usamos a agulha de punção
biópsia do fígado, modêlo Vim Sil-
vermann, introduzimos e fazemos
a retirada do pús do abscesso; de
acordo com a quantidade retirada,
introduzimos o oxigênio, o que é
feito através do mandril da agulha
de punção, e regulada a quantida-
de deste por intermédio de um ma-
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nômetro regulado em ml por mi-
nuto. A injeção é feita até que o
paciente acuse desconforto.
Estamos preferindo êste método
à esplenoportografia por apresen-
tar documentação mais perfeita do
abscesso e pela simplicidade de seu
manejo.
Em seguida, pinçamos a borra-
cha que dá passagem ao oxigênio
e 0 radiologista faz radiografias
com 0 paciente deitado com incli-
nação da mesa em 45 graus, em
Trendelenbourg.
QUADRO CLÍNICO
O quadro clínico do abscesso
amebiano do fígado, é caracterís-
tico, considerando os sintomas e si-
nais que abaixo referimos e que são
descritos e observados pela maioria
dos autores:
Febre — Com caráter diário no
início da doença, com o evoluir da
afecção toma o aspecto intermi-
tente, importante entre nós êste
aspecto para o diagnóstico diferen-
cial com a malária. A curva febril
tem oscilações entre 38° e 39^ C
que passa a declinar com a simples
drenagem do abscesso.
Dôr — É o sintoma observado em
todos os casos que estudamos; de
localização sempre no hipocôndrio
direito, descrita como sensação de
pêso ou de pontada, irradiando-se
para o epigrástrio e hipocôndrio
esquerdo, exacerbando-se com a
inspiração profunda às vêzes com
a deambulação e as mudanças de
decúbito .
Hepatomegalia dolorosa — Ocor-
reu em todos os casos variando en-
tre 3 e 20 cm, como no caso des-
crito, que assumiu proporções gi-
gantescas, ocupando hipocôndrio
direito, epigástrio, flanco direito,
região umbilical, estendendo-se à
fossa ilíaca direita. Característica
importante descrita por Rodrigues
DA Silva, com os dedos em leque sô-
bre 0 hipocôndrio direito, a mais
leve percussão ocasiona dôr.
O fígado é algumas vêzes duro,
doloroso, com superfície regular.
Outras vêzes quando o abscesso é
volumoso, toma a consistência cís-
tica, mole, depressível à palpação.
Icterícia — Sinal observado em
30% dos casos, parece não está em
relação com o tamanho da tumo-
ração, como foi o caso descrito an-
teriormente, sem entretanto apre-
sentar icterícia, e sim com o local
que a compressão possa exercer, di-
ficultando a mecânica da drena-
gem biliar .
Além dos sintomas anteriores,
descritos como clássicos no quadro
clínico do abscesso amebiano do
fígado, outros sintomas ocorrem
que contribuem para a elaboração
do diagnóstico.
Diarréia, quando no passado pa-
tológico ou dentro da história clí-
nica atual, é também importante;
perda de pêso, encontrada em to-
Volume 6 (Patologia)
187
dos os nossos casos, anorexia, as-
tenia, calafrio geralmente prece-
dendo o acesso febril, vômitos e
plenitude gástrica.
Exames complementares — Efe-
tuamos em todos os casos cultura
de pús do abscesso usando o meio
de Amaral para E. histolytica,
mas em todos êles não obtivemos
positividade . À biópsia do fígado,
encontramos, em um caso, pre-
sença de trofozoitas.
No hemograma quando efetuado
no início da doença, existe leucoci-
tose variando de 18.000 a 29.800,
com desvio para a esquerda. Vale
a pena ressaltar que no caso em
que havia grande quantidade de
pús (4.050ml), 6.200 leucócitos foi
o achado; isto talvez decorra do
tempo de doença mais prolongado
e o estado de anergia do paciente.
O exame de fezes só conseguiu
positivar 20% dos casos estudados.
A punção do abscesso é importante
para o diagnóstico de abscesso
amebiano do fígado; a caracterís-
tica do pús achocolatado com
cheiro “sui generis”, diferente do
observado no abscesso piogênico
em que predomina o cheiro pútrido.
O líquido obtido por punção, va-
riou de 50 a 4.050ml.
Terapêutica — Em 8 casos pro-
cedemos a drenagem do abscesso
com auxílio da agulha de Vim Sil-
vermann; injetamos na cavidade
do abscesso 1.200.000 U de penici-
lina G sódica mais duas empôlas
de Aralem. Empregamos o clori-
drato de emetina 0.04 diàriamente
por via intramuscular, durante 10
dias e, para reforçar esta terapêu-
tica, usamos a Resochina na dose
de 4 comprimidos por dia durante
10 dias.
Com esta terapêutica obtivemos
80% de cura, índice bastante alto,
se compararmos com a casuística
de Cronin que em 1961 dava como
índice de mortalidade em abscesso
múltiplo cifras de 66% e 90% em
abscesso único.
Um de nossos doentes falaceu e o
diagnóstico foi feito através de ne-
crópsia; outro caso, em que não
efetuamos o tratamento clínico,
decorreu da dificuldade de esvazia-
mento do abscesso, somente conse-
guimos drenar 50ml de pús ao ten-
tarmos fazer a esplenoportografia
e, no momento em que iríamos
puncionar o baço fluiram 50ml de
pús, as outras tentativas realizadas
no hipocôndrio direito para atin-
gir 0 abscesso redundaram em fra-
casso; em vista disto tivemos que
enviar o paciente para a drenagem
do abscesso através da laparotomia.
CONCLUSÕES
1 — O abscesso amebiano do fí-
gado é complicação mais freqüente
do que se pensa.
2 — Os sintomas e sinais são os
já observados clàssicamente.
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3 — A pneumoabscessografia é o
método de eleição para docuxnenta-
ção do abscesso.
4 — O método usado para trata-
mento obteve 80% de cura.
SUMÁRIO
Os autores tecem considerações
sôbre alguns aspectos do abscesso
amebiano do fígado, no Estado do
Pará. Considerando certos aspectos
sintomatológicos, dando especial
ênfase à pneumoabscessografia, e
ao índice elevado de cura, com a te-
rapêutica empregada .
SOMMAIRE
Les auteurs font des observations
sur certains aspects de Tabcès
amebique du foie á 1’Etat du Pará.
Considerant certains aspects
symptomatologiques et de diagnos-
tique, en dormant plus d’emphase
á la pneumoabcesographie et à
1’indice élevé de guérison avec la
thérapeutique employée.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Alves, J. M., 1946, Amebíase hepá-
tica. Seleções médicas, i (3) : 21.
2 . Amaral, A. D. et alii, 1947, Amebia-
se. Estudo etiopatogênico, clinico,
terapêutico e epidemiológico, São
Paulo.
3. Blanc, F. & SiQuiER, H., 1945,
L’ameblase hepato-pulmonar. Boi.
clín. chirurg., Buenos Aires, fev.
4. Dionisio, a., 1962, Su un caso di
ascesso amebico dei lobo sinistro
dei fegati aperto nel mediastino.
Minerva Med., 53 (5) ; 109-112.
5. Mellone, o., 1940, Necrose ame-
biana do figado. Hospital, 18: 893.
6. Pontes, L. D. & Costa, N. T., 1953,
Abscesso amebiano do fígado. Rev.
Bros. Med., 10 (6) : 414.
7. Rodrigues Filho, A., 1959, A esple-
noportografia nos tumores e abs-
cessos hepáticos. Trab. apresentado
ao XI Congresso Brasileiro de Gas-
troenterologia. Belém.
8. Rodrigues Filho, A., et alii, 1957,
Abscesso amebiano do Fígado.
Arq. par. Cir., 3 (4) : 111-113.
9. Silva, J. R., 1947, Abscesso amebia-
no do fígado. Estudo de revisão e
apresentação de um caso. R. Bras.
Gastroenterol, 9 (5) : 215-234.
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 189-202 — 1967
MICOSES SUPERFICIAIS E PROFUNDAS NA AMAZÔNIA
MARIO A. P. MORAES e
Instituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia, Manaus, Amazonas
A prevalência das diversas mico-
ses humanas no Brasil já é bem
conhecida no sul, principalmente
nos Estados de São Paulo, Guana-
bara e Rio Grande do Sul. Torna-
-se agora necessário estender as
pesquisas às regiões Norte e Nor-
deste, pois sendo o Brasil um país
de dimensões continentais, com
áreas fisiográficas muito diversas,
não seria lógico esperar-se uma dis-
tribuição uniforme de sua flora
fúngica. Diferenças regionais de-
vem existir e sua determinação po-
derá lançar luz sôbre o comporta-
niento de alguns fungos de interês-
se médico. É sabido que se muitos
deles são de distribuição universal,
como certos dermatófitos, outros
bá que estão ligados estritamente
^ determinados biótopos, tendo
área de distribuição bastante res-
trita.
Trabalho do Instituto Nacional de
pesquisas da Amazônia (Diretor: Dr.
jalnia Batista) e da Faculdade de
eaicina da Universidade Federal
(Serviço de Dermatologia
Prof. Domingos Silva) .
JOSÉ LUIZ DE SOUZA FERREIRA
Faculdade de Medicina, Universidade
Federal, Pará, Belém
Um dos problemas fundamentais
da Micologia é, justamente, o co-
nhecimento da área endêmica, ou,
de acordo com a teoria de Pavlovs-
ky, dos focos naturais das do-
enças provocadas por fungos. O
exato conhecimento de sua preva-
lência poderá levar-nos à desco-
berta dos fatôres ecológicos aos
quais se acham condicionados os
fungos e possibilitar, talvez, a des-
coberta de seu mecanismo de
transmissão.
Na região amazônica, até algum
tempo atrás, pouco se conhecia a
respeito dessas doenças, principal-
mente por falta de especialistas . A
Amazônia, no entanto, apresenta
caracteres interessantes, bastando
citar-se que a doença de Jorge
Lobo tem seu habitat, no Brasil,
exclusivamente nela. Nos últimos
anos, várias contribuições têm sido
feitas, a maior parte, porém, mo-
tivada pelo achado fortuito de no-
vos casos. Não existem ainda tra-
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
balhos ordenados que precisem o
quadro micopatológico regional.
Tentando sistematizar os conhe-
cimentos até agora adquiridos, com
0 objetivo de estabelecer a situação
micopatológica atual, apresenta-
mos neste trabalho um resumo das
observações e pesquisas, algumas
ainda inéditas, feitas na região
amazônica pelos dois principais
órgãos que mais se têm preocupado
com o assunto — o Instituto Na-
cional de Pesquisas da Amazônia e
a Faculdade de Medicina da Uni-
versidade do Pará — e cuja expe-
riência já se conta por mais de uma
década .
Admitimos desde logo que as
conclusões podem não ser válidas
para tôda a região; trata-se de uma
zona equivalente a quase metade
da área total brasileira, e que, evi-
dentemente, dada sua extensão,
deve comportar variações locais.
Como os estudos, entretanto, foram
feitos em Manaus e Belém, os dois
mais importantes centros da Ama-
zônia, para onde converge quase
tôda a população doente da planí-
cie, e levando ainda em considera-
ção que, há muitos anos, vem se
processando um grande afluxo de
habitantes do interior para essas
capitais, acreditamos que nossas
observações traduzem realmente a
situação micopatológica da área.
É de esperar-se que os dados aqui
expostos, além de servirem para
um melhor conhecimento da dis-
tribuição real dos fungos de inte-
rêsse médico no Brasil, possam
também ajudar na compreensão da
ecologia de alguns dêles, como por
ex., do Paracoccidioides brasili-
ensis.
MICOSES SUPERFICIAIS
Piedra — A piedra é micose
muito espalhada, principalmente
entre indivíduos de baixa condição
social. Fischman (26), na cidade
de Manaus, examinando 1649 pes-
soas, de grupos diversos, verificou
uma prevalência de 7,9% de piedra
negra . Três casos de piedra branca
foram também encontrados, sendo
isolado 0 Trichosporon beigelii. O
nome vulgar pelo qual essa micose
é conhecida na região é “tirana”
ou “quirana”.
Pityriasis versicolor — É tam-
bém muito abundante, tanto entre
indivíduos de baixa como de posi-
ção social avançada. É conhecida
em tôda a Amazônia como “pano
branco” ou “titinga”. A última de-
nominação é a mais popular no
Estado do Pará. Pode ser encontra-
da sob as três variedades clínicas:
acromiante, hipercromiante e ver-
melha, a última principalmente
entre indivíduos de pele branca .
Tinea nigra — No Estado do
Amazonas foi vista apenas uma
vez (48). No Estado do Pará, entre-
tanto, já foi assinalada pelo menos
sete vêzes (19, 48), o que indica ter
ela uma certa freqüência no mes-
Volume 6 (Patologia)
191
mo. O número de observações não
é maior porque provàvelmente os
pacientes não lhe dão grande im-
portância, como sucede também
para com a piedra.
É de ressaltar-se um caso obser-
vado por Costa (20) , no Estado do
Pará, com localização plantar, for-
ma que só vimos referida uma
única vez, por Castellani (16) .
Tricomicose nodular — A trico-
micose flava é vista ocasionalmente
nos pêlos da axila e do púbis. Não
há referência nem nunca constata-
mos as outras variedades, rubra e
nigra .
Dermatofitoses — As dermatofi-
toses são extremamente freqüen-
tes, embora o espectro de derma-
tófitos seja muito estreito. Por or-
dem de importância os agentes
mais encontrados são: Trichophy-
ton tonsurans, T. mentagrophytes
e r. rubrum.
A tinea capitis é causada quase
que exclusivamente pelo T. tonsu-
rans. É mais freqüente em crianças
do sexo masculino que em crianças
do sexo feminino. Na cidade de
Belém do Pará, em 105 casos de
tinea capitis (52) (104 dos quais
causados pelo T. tonsurans) , houve
56% de meninos para 44% de me-
ninas. Em Manaus, em 173 casos
(52) (dos quais 167 causados pelo
T. tonsurans), os percentuais fo-
ram respectivamente 57 % e 43 % .
T. tonsurans, dermatófito antropo-
fílico, é transmitido por contacto
direto, de criança para criança, ou
então através de tesouras e nava-
lhas infectadas, nas barbearias.
O Kerion Celsi não é raro. Para
173 casos de tinea capitis, em Ma-
naus, houve 15 casos de Kerion
(52) . T. tonsurans foi ainda aqui o
principal agente, quase que o
agente exclusivo. Os meninos fo-
ram muito mais afetados que as
meninas, 12 para 3 respectiva-
mente .
A tinea favosa capitis nunca foi
assinalada na região. Consideram
Londero & col. (38) e Fischman
& col. (27) que o agente dessa ti-
nea, 0 Trichophyton schoenleini,
foi introduzido no sul do Brasil por
imigrantes italianos. Como essa
imigração foi extremamente es-
cassa no norte do Brasil, explica-
-se assim a ausência do favus na
Amazônia .
Importado também da Itália
para o sul do país, foi, segundo
Lindenberg (34), o T. violaceum,
ainda hoje assinalado no Rio e São
Paulo. Na última cidade têm sido
mesmo descritas várias epidemias
por êsse dermatófito. Rabello
(55) , em 1907, referiu tê-lo encon-
trado, no Rio de Janeiro, em duas
meninas vindas do Pará. O achado
deve ter sido acidental, ou êsse
fungo desapareceu do espectro da
região, pois em nossa casuística
não 0 encontramos uma única vez .
A tinea corporis em crianças é
geralmente associada à tinea ca-
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
pitis e tem como principal agente
o T. tonsurans. Quando não asso-
ciada é mais freqüente ter como
causa 0 T. mentagrophytes. Em
adultos, a tinea corporis bem como
a tinea cruris são causadas pelo
T. mentagrophytes. O T. rubrum
foi responsável por escasso número
de casos.
Quanto à tinea unguium e à ti-
nea pedis, 0 número de casos é ain-
da pequeno em nossa casuística
para que se possa dizer dos princi-
pais agentes.
Lesões intertriginosas podais e
crurais são extremamente fre-
qüentes na região, devidas a leve-
duras (Candida albicans, C. tropi-
calis e C. parapsilosis) . As mesmas
leveduras são responsáveis também
pelo grande número de perionixis
vistas em donas de casa e, princi-
palmente, em lavadeiras de profis-
são.
Uma única vez encontramos o
Microsporum gypseum como para-
sita, embora seja êste fungo tão
abundante no solo da Amazônia
(47, 52) como no do resto do país
(18, 21, 22, 36). Tratava-se de um
caso de Kerion, em criança do sexo
masculino .
MICOSES PROFUNDAS
PQucas são as espécies de fungos
produtoras de micoses profundas
na região. Três doenças apenas
têm freqüência apreciável — a es-
porotricose, a cromomicose e a
doença de Jorge Lobo — sua pre-
valência variando, entretanto, de
um local para outro.
A esporotricose é a micose domi-
nante, apesar do número de casos
em nossos registros ser provavel-
mente ainda inferior ao real. Tra-
ta-se de micose cujo diagnóstico e
tratamento estão hoje bastante di-
fundidos entre os clínicos, o que faz
com que a maioria dos doentes não
mais seja enviada aos serviços es-
pecializados .
Sua presença ria região amazô-
nica é de conhecimento muito an-
tigo. OswALDo Cruz (24) assina-
lou-a em seu relatório sôbre as con-
dições médico-sanitárias do vale do
Amazonas (1913) e Matta (44),
em 1941, referiu ter tratado de
cêrca de 40 casos dessa micose, du-
rante sua longa prática em Ma-
naus.
Pode apresentar-se sob forma
linfangitica ou não. É freqüente
sua localização na face em crian-
ças. O diagnóstico diferencial deve
ser feito principalmente com a
leishmaniose tegumentar, freqüen-
tíssima na região, e que pode mes-
mo, não raro, revestir a forma lin-
fangitica nodular ascendente. Essa
forma linfangitica da leishmanio-
se, no entanto, apresenta nódulos
pequenos e que nunca se rompem .
Epidemiològicamente, difere a
esporotricose das demais micoses
profundas por uma série de carac-
Vohime 6 (Patologia)
193
terísticas . Enquanto a maioria dos
pacientes, nas outras micoses, é
constituída por indivíduos adultos
do sexo masculino, a esporotricose
tem pelo menos 1 4 de seus pa-
cientes nas faixas etárias abaixo
dos 15 anos. É bastante alta tam-
bém a participação do sexo femi-
nino. Além disso, enquanto os pa-
cientes são em geral, para as ou-
tras micoses, homens do campo,
lavradores procedentes do interior,
a esporotricose se manifesta mais
entre citadinos, atacando domésti-
cas, operários, comerciários, etc.
É freqüente entre pessoas que li-
dam com palha usada para emba-
lagem de garrafas, louças e outras
niercadorias . Em Manaus, tivemos
oportunidade de constatar uma pe-
quena epidemia entre trabalhado-
res do depósito das Lojas Brasilei-
ras, cuja função era desempacotar
objetos vindos das fábricas do sul e
acondicionados com palha . Tais
casos não podem ser considerados
autóctones.
A cromomicose é a segunda mi-
cose, em freqüência, no Estado do
Pará e a terceira no Amazonas.
Neste Estado é ela suplantada pela
doença de Jorge Lobo.
Até dezembro de 1962, haviam
sido descobertos no Estado do Pará
54 casos de cromomicose, a maioria
dos quais, por Silva (56, 57). La-
nientàvelmente, a confirmação foi
feita quase sempre através de exa-
tties histopatológicos, muito pouco
se podendo dizer sôbre as espécies
produtoras. A área de maior en-
demicidade foi por nós (51) verifi-
cada ser uma pequena parte do
Estado, conhecida como Zona Bra-
gantina, situada a leste da Capital.
Embora seja esta zona a parte mais
povoada da Amazônia, não nos pa-
rece que a prevalência da cromo-
micose na mesma seja exclusiva-
mente uma questão de maior pro-
babilidade, em virtude da maior
densidade demográfica. A referida
zona sofreu, no decorrer dêste sé-
culo, uma profunda transformação
no seu revestimento florestal, con-
seqüente a desmatamento desorde-
nado, que pode muito bem ter con-
dicionado uma alteração ecológica
propiciadora ao desenvolvimento
do fungo causador. Se essa hipó-
tese fôr verdadeira, a construção de
novas estradas ora em andamento
na região, e a conseqüente derru-
bada da floresta para abertura de
novas frentes agrícolas, deverá
provocar um incremento na preva-
lência dessa micose.
No Estado do Amazonas tem sido
ela raramente vista. Seis casos fo-
ram até agora registrados por nós,
cinco dos qu^ais, em que se isolou
0 fungo, produzidos por Fonsecaea
pedrosoi.
A doença de Jorge Lobo tem sido
encontrada, no Brasil, exclusiva-
mente na região amazônica. Al-
guns anos atrás, um de nós (Mo-
raes, 50) escreveu ser ela a micose
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
profunda mais freqüente no Estado
do Amazonas. A assertiva (ponto
de vista de um patologista) deve
ser corrigida, pois é a esporotricose,
na verdade, a micose predominante
em tôda a região, embora nem to-
dos os casos possam ser considera-
dos, como vimos, autóctones. A
doença de Lobo, contudo, a vem se-
guindo muito de perto naquele Es-
tado.
A localização predominante das
lesões tem sido no pavilhão auri-
cular. Em um total de 29 casos re-
feridos na literatura brasileira,
apareceu ela nesse órgão 12 vêzes,
ou seja, em 41% dos casos.
Apesar do grande número de ten-
tativas para obter-se o agente em
cultura, nada foi até agora conse-
guido. Os fungos cultivados por
Lobo (35), Fonseca Filho & Leão
(28) , Fonseca Filho (29) e Car-
neiro (15) parecem nada ter com
a doença. O de Fonseca Filho &
'Leão (obtido do caso de Lobo) é
hoje considerado ser Paracoccidioi-
des brasiliensis , supondo-se ter ha-
vido uma troca de culturas (2, 3, 4,
5, 31, 32, 33, 54). O de Fonseca Fi-
lho e o de Carneiro foram identifi-
cados por Borelli (10, 11) como
sendo Redaellia elegans Ciferri,
1930, muito embora, na opinião do
mesmo autor, R. elegans seja na
verdade um aspecto aberrante de
certo*s Aspergilli e Penicillia.
Azevedo (5), baseado no fato de
que o fungo obtido por Lobo se
comportava como P. brasiliensis,
lançou a hipótese da doença de
Jorge Lobo ser apenas uma forma
clínica (cutânea pura) da blasto-
micose sul-americana. As áreas de
distribuição das duas doenças, po-
rém, não justificam a hipótese.
Enquanto a blastomicose sul-ame-
ricana é freqüentíssima no sul do
país, todos os casos da doença de
Lobo provém da Amazônia, onde a
doença de Lutz constitui raridade.
A blastomicose sul-americana
merece aqui referência especial,
justamente pela sua raridade. O
mesmo autor, Azevedo (7), em tra-
balho publicado em 1954, conse-
guiu reunir apenas 7 casos diag-
nosticados no Pará, em período
abrangendo cêrca de 10 anos.
Mesmo êsses 7 casos, por falta de
observações clínicas adequadas,
deixam dúvidas sôbre serem real-
mente autóctones. No Estado do
Amazonas, Matta (40), com tôda
sua longa experiência na região,
encontrou apenas um caso de po-
sadasia coccidióidica como êle de-
nominou a doença — em 1920. Nós,
em um período de quase 8 anos, em
Manaus, observamos apenas 3
casos. Podemos portanto afirmar
que se trata de uma doença rara
na região amazônica. Esta conclu-
são, aliás, está de acôrdo com as
idéias de Borelli (12), de que P.
brasiliensis tem uma área de dis-
tribuição limitada pela tempera-
tura, não podendo viver em locais
Volume 6 (Patologia)
com temperatura média anual aci-
ma de 23°C e abaixo de 18°C, com
um ótimo de 20°C. A temperatura
média anual na região amazônica
é de 26°C, com uma variação de
20° a 35°C, portanto imprópria à
vida do fungo. Sendo a micose de
Lutz rara na Amazônia, é difícil
explicar-se o achado de Batista &
col. (9) acêrca do isolamento de P.
brasiliensis do solo dessa região,
usando uma técnica micológica co-
mum para a obtenção de fungos
saprófitas do solo. Além disso, a
acidez da maior parte dos solos das
chamadas terras firmes da Ama-
zônia deve ser, conforme as experi-
ências de Medina & Bodiziak (46)
no Paraná, contrária à existência
de P. brasiliensis nos mesmos.
Outras micoses que têm sido re-
feridas raramente na região ama-
zônica são: a rinosporidiose, a his-
toplasmose e a maduromicose .
A rinosporidiose foi assinalada 5
vêzes . No Estado do Amazonas, até
recentemente, havia apenas um
caso, descrito por Aben-Athar (1)
há 25 anos atrás. No Pará, o pri-
meiro caso foi publicado por um de
nós (Moraes, 49), em 1952, e Aze-
vedo (8), em 1958, referiu outros
dois . É interessante assinalar-se
que dois dos três casos paraenses
provinham da cidade de Vizeu,
próxima ao limite com o Estado do
Maranhão. Isto por algum tempo
nos fêz suspeitar que todos os casos
encontrados na Amazônia tivessem
195
sido importados do Nordeste. Como
é sabido, a rinosporidiose é bem
freqüente nesta parte do Brasil.
Cantídio & col. (14) mostraram
que dos 23 casos brasileiros conhe-
cidos, quase a metade era prove-
niente dos Estados do Nordeste. A
existência de açudes e de descam-
pados açoitados pelo vento, segun-
do êles, seria responsável pela
transmissão da doença. Recente-
mente, entretanto, tivemos oportu-
nidade de diagnosticar mais um
caso, 0 quinto da Amazônia e se-
gundo do Estado do Amazonas.
Êste caso, em um menor de 13 anos,
que nunca havia saído do local de
seu nascimento, o chamado paraná
do Cambixe, na ilha do Careiro,
mostrou que a rinosporidiose é re-
almente um dos componentes do
quadro micopatológico amazônico.
A histoplasmose foi diagnosti-
cada apenas duas vêzes no Estado
do Pará e uma no Estado do Ama-
zonas.
Os micetomas constituem uma
das micoses de mais antigo conhe-
cimento na Amazônia . Oswaldo
Cruz (23), em 1910, encontrou o
primeiro caso, com grãos pretos, em
paciente proveniente do Estado do
Pará . O fungo foi classificado pelo
Prof. Parreiras Horta como Madu-
rella oswaldoi. Matta (45), em
1944, publicou dois casos do Ama-
zonas, um vindo do Rio Juruá, com
grãos branco-amarelados, e o ou-
tro, do baixo Rio Madeira, com
S
c
iELOi'o
11
12
13
14
cm
196
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
grãos pretos . Citou ainda dois
outros casos, um de grãos amare-
lados, achado por Praguer em cau-
cheiro boliviano, e o outro, de
grãos brancos, achado por Pinho.
Embora de conhecimento antigo
nunca mais foi essa micose referi-
da. Somente Azevedo (6) diz ter
encontrado um caso, por êle classi-
ficado como maduromicose pulmo-
nar, em que havia grãos branco-
-amarelados no escarro. A radio-
grafia dos pulmões foi normal mas
a broncoscopia revelou uma fístula
no brônquio E. o material daí co-
lhido deu crescimento a um Asper-
gillus do grupo nidulans.
No mesmo trabalho menciona
ainda Azevedo um caso de actino-
micose com grãos branco-amarela-
dos, encontrado no Pará, em 1944,
e cujo diagnóstico foi confirmado
pela histopatologia .
COMENTÁRIOS
Os primeiros estudos sôbre mi-
copatologia humana na região
amazônica foram levados a cabo
por Matta (40, 41, 42, 43, 44, 45),
no Estado do Amazonas. Publicou
êle, desde 1920, trabalhos sôbre
blastomicose sul-americana, espo-
rotricose, micetomas e sôbre algu-
mas micoses superficiais . No Esta-
do do Pará, só na segunda metade
de década de 40 surgiram as pri-
meiras comunicações, feitas por
Aben-Athar (1) e Azevedo (5) .
Estudos sistemáticos, entretanto,
visando estabelecer o quadro mico-
patológico regional, foram inicia-
dos só muito recentemente. É, por
isso, meio temerário abalançarmo-
-nos a conclusões definitivas, mas,
do que ficou dito acima, podemos
resumir :
As diversas micoses superficiais
da pele e dos pêlos são extrema-
mente freqüentes, salientando-se a
pityriasis versicolor. As dermatofi-
toses, embora muito espalhadas,
têm um espectro bastante reduzido.
T. tonsurans e T. mentagrophytes
são isolados monotonamente, tanto»
em Belém como em Manaus, de
quase todos os casos de tinea. Êsses
dermatófitos, aliás, parecem predo-
minar em todo o Norte e Nordeste
(13, 59) do Brasil . Há assim um ní-
tido contraste com o que se passa
no sul do país, onde trabalhos fei-
tos em São Paulo (17, 53), Guana-
bara (30) e Rio Grande do Sul
(37) mostram, não só um espec-
tro mais amplo como também ma-
ior percentagem de microsporias,
as quais no Rio Grande do Sul che-
gam a atingir quase 70% dos ca-
sos. Seria interessante que um
trabalho de colheita e identifica-
ção de dermatófitos fôsse feito em
outros Estados, pois além de ser-
vir para um melhor conhecimento
da distribuição dêsses fungos no
Brasil, serviria ainda para a desco-
berta de possíveis alterações que vi-
essem a se processar no decorrer
Volume 6 (Patologia)
197
dos anos, sabido que a flora fún-
gica de um determinado local não
é uma situação estática, mas dinâ-
mica, podendo-se modificar sob a
influência de diversos fatores so-
ciais a anti-sociais.
As micoses profundas não tive-
ram ainda qualquer estudo siste-
mático na Amazônia. As fontes
disponíveis para a colheita de da-
dos são muito deficientes, não pos-
suindo, quase sempre, dados epide-
miológicos completos e exames mi-
cológicos. A cronomicose, como vi-
mos, tem sido diagnosticada mais
vêzes pelo exame histopatológico
do que pela cultura do fungo. A
conseqüência é que, embora já mais
de 50 casos tenham sido diagnosti-
cados na região, não se pode afir-
mar qual o agente dominante. É
nossa impressão ser Fonsecaea pe-
drosoi espécie exclusiva.
A imprecisão dos dados epidemio-
lógicos levou-nos a pensar, como
já referimos, ser a rinosporidiose
inexistente na Amazônia. Nossa
crença na importação dos casos,
trazidos pela grande imigração nor-
destina, foi baseada não sô na lar-
ga existência dessa doença no Nor-
deste, como também em que decor-
ridos 25 anos da descoberta do pri-
meiro caso do Estado do Amazo-
nas, apesar da melhoria dos servi-
ços médicos na região, nenhum ou-
tro fôra assinalado. O inverso se
verificou para outras micoses, co-
mo a doença de Jorge Lobo e a cro-
momicose; à melhoria dos serviços
médicos correspondeu um incre-
mento na prevalência das mesmas.
Insistimos na necessidade de ob-
servações com dados epidemiológi-
cos tão completos quanto possíveis,
não só na Amazônia como em ou-
tras regiões do Brasil, pois só assim
se poderá delimitar a área de dis-
tribuição ou, melhor, os focos na-
turais dos diversos fungos de inte-
rêsse médico.
Nos Estados Unidos, por ex., es-
tudos epidemiológicos levaram à
determinação precisa da área en-
dêmica da coccidioidomicose . Mad-
DY (39) mostrou que essa área vir-
tualmente se superpunha à cha-
mada Biozona Sonorana Inferior,
que compreende parte do Sudoeste
dos Estados Unidos, sendo clima-
tolôgicamente caracterizada por
alta temperatura no verão e inver-
nos moderados. O conhecimento
da área de distribuição e dos fatô-
res aos quais o fungo se acha liga-
do levou à descoberta de sua trans-
missão e à adoção de meios contra
a mesma. O Coccidioides immitis
se desenvolve melhor junto às to-
cas de certos roedores, situadas ge-
ralmente na base de certos arbus-
tos, onde maior é o teor de umida-
de e mais baixa a temperatura . Os
próprios roedores podem ter cocci-
dioidomicose pulmonar e, através
dêles,- por cultura, dós pulmões, é
possível chegar-se, ségundo Em-
MONS & col. (25), à delimitação da
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
198
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
área endêmica, com mais precisão
do que usando-se os testes cutâneos
sujeitos a erros relacionados com
a migração das populações .
Durante a 2.^ Guerra Mundial,
medidas profiláticas foram toma-
das nos campos de treinamento do
Sudoeste dos Estados Unidos, com
0 objetivo de baixar a incidência
da doença entre os recrutas (58) .
O êxito obtido só foi possivel gra-
ças ao conhecimento da área endê-
mica e das características do para-
sita.
Das três micoses profundas pre-
dominantes na região amazônica,
a doença de Lobo está indiscutivel-
mente ligada à floresta tropical.
Quase todos os doentes provém do
interior da Amazônia e têm uma
atividade extrativista .
A esporotricose, embora mais fre-
qüente, é importada numa boa pro-
porção dos casos. Micose muito co-
mum entre comerciários, princi-
palmente entre os que lidam com
palha de embalagens, deveria ser
encarada como uma doença profis-
sional em certas ocasiões.
A cromomicose parece estar li-
gada ao abate da floresta e utiliza-
ção das clareiras para agricultura .
Virá a ter, sem dúvida, sua área
endêmica aumentada, com o avan-
ço, agora, das populações amazô-
nicas para a chamada “terra fir-
me”, mercê da abertura de novas
estradas .
Para concluir diremos alguma
coisa sôbre dermatófitos do solo na
Amazônia. Amostras de vários lo-
cais foram testadas por um de nós
e por Miranda & Moraes (47), se-
gundo a técnica de Vanbreuse-
ghem. Foi isolado o Microsporum
gypseum, sistemàticamente, de
quase todos os locais. Três amos-
tras, uma de Quatipuru, no Estado
do Pará, uma de Macapá, no Ter-
ritório do Amapá e outra de Ma-
naus, permitiram obter a forma
perfeita Naninzzia incurvata) dês-
se fungo. Um outro queratinófilo
muito abundante no solo da região
é o Chrysosporium tropicum, erra-
damente identificado por Miranda
& Moraes (47), em Manaus, como
Trichophyton mentagrophytes. O
Keratinomyces ajelloi nunca foi
encontrado.
RESUMO
Registram os autores neste tra-
balho as micoses humanas mais
freqüentes na região amazônica,
numa contribuição para o conheci-
mento da área endêmica dessas
doenças no Brasil .
Como já era de esperar-se, as mi-
coses superficiais são encontradi-
ças, destacando-se a pityriasis ver-
sicolor e certas dermatofitoses . T.
tonsurans e T . emntagrophytes
são os dermatófitos mais comuns.
Chama a atenção a reduzida faixa
de dermatófitos, pràticamente res-
trita àqueles dois fungos.
Volume 6 (Patologia)
199
Das micoses profundas são mais
freqüentes a esporotricose, a cro-
momicose e a doença de Lobo . Esta
última é encontrada em tôda a
área amazônica e, no Brasil, sò-
mente aí. Outras micoses como a
histoplasmose, e rinosporidiose e
micetomas têm sido assinaladas
raramente . Um caso recente de ri-
nosporidiose, em paciente que
nunca vivera fora do Estado do
Amazonas, veio confirmar a pre-
sença dessa micose na região.
Insistem os autores na necessi-
dade de novas pesquisas para que
se possa delimitar perfeitamente a
área de distribuição dos fungos de
interêsse médico no país, apontan-
do ao mesmo tempo algumas das
mais importantes diferenças exis-
tentes, a respeito, entre o Norte e
0 Sul do Brasil.
SUMMARY
The principal human mycoses of
the Amazon region are reviewed,
in a contribution to the knowledge
of the geographic distribution of
these diseases in Brazil.
As expected, the superficial my-
coses are very common in the re-
gion, mainly the pityriasis versico-
lor and some dermatophytoses . T.
tonsurans and T. mentagrophytes
are the species responsible for most
cases of dermatophytoses. The lo-
cal spectrum of dermatophytes is
very narrow, practically restricted
to those two fungi.
The most frequent deep mycoses
are the sporotrichosis, the chromo-
blastomycosis and Lobo’s disease.
Lobo’s disease is found in Brazil
only in the Amazon region.
Other mycoses, such as histo-
plasmosis, rhinosporidiosis and
mycetomas have been seen only
rarely. A recent case of rhinospo-
ridiosis in a patient who had never
lived out of the Amazonas State
confirmed the presence of this my-
cosis in the region.
The authors emphasize the ne-
cessity of new studies throughout
the country to establish the exact
geographic distribution of the fun-
gi of medicai importance in Brazil.
At the same time, they point out
some of the most important dife-
rences existent, on this subject,
between the North and South Bra-
zil.
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 203-209 — 1967
NÍVEIS SANGUÍNEOS DE FERRO ORGÂNICO
NA SÍNDROME ANÉMICO-PARASITÁRIA
NEIDE BRITTO OTERO, LUIZ ALBERTO PAIVA MANESCHY, RUI GUIMARÃES
lima, CAMILLO MARTINS VIANNA, AFFONSO RODRIGUES FILHO
e RUBENS DA SILVEIRA BRITTO
Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Pará, Belém
Vêm, já, de alguns anos, as pes-
quisas, por parte da equipe do De-
partamento de Medicina Interna
da Faculdade de Medicina da Uni-
versidade Federal do Pará correla-
cionadas a conjunto de fatores, de
ordem etio-patogênica, semiológica
c médico-social, que conduziram,
pela freqüência e simultaneidade
de suas manifestações, à concep-
ção de individualizá-los como enti-
dade clínica, sob o àspecto de diag-
nóstico, de propedêutica, de men-
surações organo-biológicas, de tra-
tamento e prognóstico.
E essa idéia, exposta repetida-
mente em reuniões científicas, sob
argumentos idôneos de prontuários
clínicos numerosos, obteve, por
tim, a sanção do XII Congresso
brasileiro de Gastrenterologia, rea-
lizado em 1960, na cidade flumi-
nense de Campos, quando foi ad-
mitida também a nomenclatura
proposta de Síndrome anêmico-pa-
rasitária (1) .
Razoável acêrvo de investiga-
ções, de experiências, de comprova-
ções, clínicas ou técnico-laborato-
riais, já é disponível, em tôrno do
tema, ilustrando-o e enriquecendo-
- 0 , para firmá-lo e conceituá-lo.
O trabalho, ora em exposição,
encara mais uma facêta em estu-
do, que é a dos níveis sanguíneos
de ferro orgânico.
Em verdade, o conceito de sín-
drome anêmico-parasitária remon-
ta, em sua significação causal, ao
tripé básico de natureza nutricio-
nal : carência protéica, carência vi-
tamínica e carência mineral.
Daí advém, em última análise,
tôda a imponência semiótica, mais
rica num ou noutro sentido segun-
do a carência predominante, seja
por deficiência de nutrimentos,
seja por espoliações parasitárias.
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
204
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
seja por condições sócio-econômi-
cas que, de resto, englobam as duas
situações .
E, dentre a carência mineral, so-
breleva, nesses estados, a do ferro,
com todo o cortejo sintomatológico
decorrente, que se superpõe, agra-
va ou complica os demais “défi-
cits”.
A repercussão no teor de hemo-
globina tem sido objeto de vários
levantamentos, havendo relatos
freqüentes de eventualidades com
menos de 2 gramas por 100 ml .
Tais taxas, de tão baixas, se entre-
mostraram teòricamente incompa-
tíveis com a sobrevida; mas o que
as observações revelam é que são
reversíveis, respondendo satisfatò-
riamente à terapêutica marcial.
Vários relatos técnicos, como os
de dois dos autores, com Ernesto
Gondim Leitão (2), Gerson No-
gueira, Francisco Pinheiro &
Osório Goes (3), outro dos autores
(4), Francisco Pinheiro (5), o
mesmo dos autores com Lizette
Lins & Edith Seligmann Silva
(6), um dos autores (7), Manuel
Fernandes de Oliveira (8) e ou-
tro dos autores (9), tornaram evi-
dente, em diferentes ocasiões, o
baixo teor, não raro excessivamen-
te baixo, de menos de 2 gramas por
100 ml, a que pode chegar a hemo-
globinemia, aliás nem sempre em
exata correlação com a hematime-
tria, nos casos da entidade clínica
de que se está cuidando.
São 39 os casos sôbre os quais a
pesquisa ora relatada, todos diag-
nosticados como síndrome anémi-
co-parasitária — 30 dêles com for-
mas puras, sem complicações, isto
é, sem quadros clínicos superve-
nientes — dentre lavradores inter-
nados de outubro de 1965 a abril
de 1966, na Enfermaria São Fran-
cisco de Paula, do Hospital da Ca-
ridade da Santa Casa da Miseri-
córdia do Pará e oriundos de diver-
sos municípios paraenses.
Seguiu-se o método de Woong,
que estabelece como normais as ci-
fras de 44 a 56 mg por 100 ml de
sôro, por punção feita em jejum.
( 10 ).
Aliás, em trabalho anterior, pre-
•sente ao 3.° Congresso Médico
Amazônico e l.° Congresso Médico
da Cidade de Belém, dois dos auto-
res referiram suas primeiras 14 ob-
servações sôbre a tese (11). Êsses
casos, por sinal, estão incorporados
à casuística de agora.
Além da dosagem do ferro orgâ-
nico, que constituiu o escopo prin-
cipal da investigação, foi feita con-
comitantemente, para efeito de
comparação, a da hemoglobinemia
e verificada a hematimetria.
Fernando Galvão, J. Bacchi Na-
veira & J. Rodrigues da Silva, em
estudo realizado na cátedra de
Volume 6 (Patologia)
205
Doenças Tropicais e Infectuosas,
da Faculdade Nacional de Medici-
na, da Universidade do Brasil, pas-
sam em revista, de modo sucinto, o
metabolismo do ferro e, então, ex-
plicam :
“o complexo ferro-siderofilina ou
transferrina representa a principal
forma de transporte nos líquidos orgâ-
nicos. Ê êste complexo que costuma ser
dosado com o nome de ferro sérico ou
plasmático. Uma vez transportado, êle
é conduzido aos órgãos de estocagem,
fígado, baço e medula óssea”.
Embora argumentando à base de
valores com técnica que não foi a
seguida no presente trabalho, êles
ensinam :
“A beta-l-globulina que tem o pêso-
-molecular de 90.000 pode levar dois
átomos de ferro em estado férrico.
Laurell, citado por Wintrobe, acredita
que, com esta união, a globulina cons-
titua uma autêntica portadora de ferro,
à semelhança do que é a hemoglobina
para o oxigênio. Por outro lado, o ferro
plasmático reflete o balanço entre o
ferro absorvido ao nível dos intestinos
e o proveniente do catabolismo da he-
moglobina, que vai e volta de e para
os depósitos e tecidos, e aquele que vai
à medula para a síntese de hemoglo-
bina”. (12)
O Quadro I, em anexo, relaciona,
por doente, na ordem do interna-
mento, os 39 casos de síndrome
anêmico-parasitária, com a dosa-
gem de ferro orgânico e de hemo-
globina e a contagem de eritrócito.
QUADRO I
NÍVEIS DE FERRO ORGÂNICO, HE-
MOGLOBINOMETRIA E HEMATIME-
TRIA EIVI 39 CASOS DE SÍNDROME
ANÊMICO-PARASITARIA
N.”
Fe
Hg
}le
1
- 1
mg
3.5
g
1.400.000
2
1
mg
4
g
1.500.000
3
— 1
mg
4
g
1.400.000
4
- I
mg
6
g
2.100.000
5
— 1
ing
7
g
3,200.000
G
2
ing
8.5 g
3.500.000
7
7
mg
5.5 g
2.200.000
8
?
mg
4.5
g
1.400.000
9
2
mg
5
g
2.100.000
10
— 1
mg
3
g
1.100.000
11
8
mg
5.5 g
2.400.000
12
0,6 ms
3 5
g
1.400.000
13
6
ng
4.5 g
1.900.000
14
0.8 nig
2
g
1.000.000
15
2
mg
5.5 g
2.400.000
16
0,8 mg
2
g
0.700.000
17
7
mg
2.5 g
1.100.000
18
1
mg
5
g
2.300.000
19
0,6 mg
4
g
1.500.000
?0
8
mg
5
g
2.000.000
21
15
mg
5
g
2.300.000
22
1
mg
3
g
1.400.000
23
17
mg
8
g
3.100.000
24
8
mg
6.5 g
3.100.000
25
8
mg
3
g
1.400.000
26
8
mg
3
g
1.200.000
27
10
mg
4
g
1.400.000
28
20
mg
8
g
3.300.000
29
0,6 mg
5
g
1.400.000
30
17
mg
6.5
g
3.000.000
31
— 1
mg
2
g
1.000.000
32
16
mg
7
g
2.600.000
33
0,4 mg
5
g
1.800.000
34
28
mg
9.5 g
3.900.000
35
3
mg
4.5 g
2.200.000
36
14
mg
7.5 g
2.300.000
37
11
mg
5
g
1.700.000
38
4
mg
4
g
1.400.000
39
7
Kg
4
g
2.200.000
CO.VVENCAO:
Fe =“ ferro orgânico por 100 inl.
Hg = hemoglobina por 100 ml.
He = hemátias por mm3.
cm 1
SciELO
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206
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
A apuração está esquematizada
nos agrupamentos abaixo, para
1) Ferro orgânico (Woong)
Menos de 1 mg
De 1 a 2 mg
De mais de 2 a 5 mg
De mais de 5 a 10 mg
De mais de 10 a 20 mg
De mais de 20 a 30 mg
2) Hemoglohinometria (Sahli)
De 2 a 3 g
De mais de 3 a 5 g
De mais de 5 a 8 g
De mais de 8 a 10 g
3) Hematimetria
Menos de 1 milhão
De 1 a 2 milhões
De mais de 2 a 3 milhões
De mais de 3 a 4 milhões
mais simples percepção do con-
junto;
13 casos
6 ”
2 ”
10 ”
7 ”
1 ”
39 casos
8 casos
19 ”
10 ”
2 ”
39 casos
1 caso
20 casos
12 casos
3 ”
39 casos
Como está à vista, os indices he-
matológicos obtidos estão extraor-
dinàriamente baixos, embora sem
exata correlação entre si. De fato,
entre os 13 casos de menos de 1 mg
de ferro, a taxa de hemoglobina
varia de 2 g (3 casos) a 7 g (1 ca-
so), enquanto o número de hema-
tias vai de 700.000 (1 caso) a
3.200.000 (1 caso).
Para pôr bem em evidência essa
situação, foi organizado o Quadro
II, em anexo, no qual, por ordem
ascendente da dosagem de hemo-
globina, estão discriminados, com
a respectiva contagem de hema-
tias, os 13 casos que revelaram me-
nos de um miligrama de ferro or-
gânico .
QUADRO II
HEMOGLOBINEMIA E HEMATIME-
TRIA EM 13 CASOS COM MENOS DE
1 MG DE FERRO SÉRICO POR
100 ML
Hg
He
2 g
700.000
2 g
1.000 000
2 g
l.OOO 000
3 g
1.100 000
3.5 g
1.400 000
3,5 E
1.400 000
4 g
1.400 000
4 g
1.500 000
4 g
1.500 000
5 g
1.400 000
5 g
1.800 000
6 g
2.100 000
7 g
3.200 000
COXVEXC.lO:
Hg = hemoglobina por 100 ml.
He — hemátias por m^.
Volume 6 (Patologia)
207
Idêntico critério serviu à elabo-
ração do Quadro III, também em
anexo, que especifica, por grupos
de igual nivel de ferro sérico, a do-
sagem de hemoglobina, em série
ascendente, com a correspondente
hematimetria, nos outros 29 casos
em estudo.
QUADRO III
HEMOGLOBINOMETRIA E HEMATI-
metria por grupos de igual
NÍVEL DE FERRO SÉRICO EM
26 CASOS
Fe
Hg
He
1
mg
3
g
1.400.000
1
mg
5
g
2.300.000
2
mg
4.5
g
1.400.000
2
mg
5
g
2.100.000
2
mg
5.5
g
2.400.000
2
mg
8.5
g
3.500.000
3
mg
4,5
g
2.200.000
4
mg
4
g
1.400.000
6
mg
4.5
g
1.900.000
7
mg
2.5
g
1-100.000
7
mg
4
g
2.200.000
7
mg
5.5
g
2.200 000
8
mg
3
g
1.200 000
8
mg
3
g
1.400.000
8
mg
5
g
2.000.000
8
mg
5.5
g
2.400.000
8
mg
6.5
g
3.100.000
10
mg
4
g
1.400.000
11
mg
5
g
1.700.000
14
mg
7.5
g
2.300.000
15
mg
5
g
2.300.000
16
mg
7
g
2.600.000
17
mg
6,5
g
3.000.000
17
mg
8
g
3.100.000
20
<ng
8
g
3.300.000
28
mg 1
9.5
g
3.900.000
CONVENÇÃO:
Fe = ferro orgânico por 100 ml.
Hg = hemoglobina por 100 ml.
He = hematias por mm*.
Refira-se, para orientação, que,
sôbre o nivel sanguíneo de ferro
orgânico, a normalidade, pelo mé-
todo usado (Woong) , está entre 44
e 56 mg por 100 ml. E, para com-
paração, fique acentuado que, pelos
resultados obtidos, 13 vêzes, ou
33,3 , as cifras de ferro sérico es-
tiveram abaixo de 1 miligríima; 2
vêzes, ou 5,1%, ficaram em 1 mili-
grama exato; 4 vêzes, ou 10,2%,
não passaram de 2 miligramas; 1
vez, ou 2,6 '< , estiveram em 3 mili-
gramas, em 4 miligramas e em 6
miligramas; 3 vêzes, ou 7,7%, fo-
ram de 7 miligramas; 5 vêzes, ou
12,8%, atingiram a 8 miligramas;
1 vez, ou 2,6%, figuraram com 10
miligramas, com 11, com 14, com
15 e com 16 miligramas; 2 vêzes,
ou 5,1%, chegaram a 17 miligra-
mas; e 1 vez, ou 2,6%, alcançaram
os maiores níveis, os quais, entre-
tanto, não ultrapassaram de 20 e
de 28 miligramas, respectivamente.
CONCLUSÕES
Os registros obtidos, consoante o
que ficou exposto, permitem tirar
as seguintes ilações:
1) são muito reduzidas as taxas
de ferro sérico comprovadas;
2) em 1/3 das vêzes, graus mí-
nimos foram atingidos (menos de
1 mg para 44 a 56 mg de dosagem
normal, ao método de Woong) ;
3) não parece ocorrer correspon-
dência exata, pelo menos em bai-
cm 1
SciELO
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208
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
xos níveis, entre as cifras de ferro
orgânico, de hemoglobinemia e de
heniatimetria;
4) pesquisas no mesmo sentido
convém sejam continuadas, para
que se alcancem condições de signi-
ficância estatística conclusiva.
SUMÁRIO
Em série de 39 internamentos
sob diagnóstico de síndrome ané-
mico-parasitária, dentre lavrado-
res procedentes de vários municí-
pios paraenses, procedeu-se a veri-
ficações sôbre dosagem de ferro
orgânico, no sangue, pelo método
de Woong.
Concomitantemente, para fins de
correlação de dados, foram averi-
guadas a hemoglobinometria e he-
matimetria, em todos os casos.
Tendo presente que a normali-
dade, para o método usado é de 44
a 56 mg por 100 ml; e que a maioi
dosagem encontrada, nos casos es-
tudados, foi de 28 mg, mas que 13
vêzes ou 33,3%, o nível sanguíneo
de ferro orgânico estêve abaixo de
um miligrama, segue-se que os Ín-
dices hematológicos são extraordi-
nàriamente baixos, embora sem
exata correlação entre êles.
SOMMAIRE
En une série de patients inter-
nés pour diagnostic de Syndrome
anémique-parasitaire, parmi des la-
boureurs provenant de plusieurs
munícipes, de 1’Etat du Para, ou
a procedé a des verifications sur le
dosage du fer organique dans le
sang, d’apres la methode Woong.
Conséquemment, et pour but de
correlations de dounées, on a véri-
fié rhemoglobinométrie et Thema-
timetrié dans tous les cas en vue.
Comme normalement, d’apres la
méthode, d’usage est de 44 à 56
mg par ml, et que le plus haut do-
sage qui fut trouvé dans les cas en
étude, fut de 28 mg plus de 13 fois
ou 33,3% , le niveau sanguin de fer
s’est trouvé au-dessous d’un milli-
gramme, il s’ensuit que les indices
hématologiques obtenus sont ex-
trêmement bas quoique sans une
exacte correlation entre eux.
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U -
37.152
cm 1
g SciELOio
11 12 13 14 15 16
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 211-224 — 1967
vírus MAYARO E UNA: ESTUDO DE VARIANTES
PRODUZINDO GRANDES E PEQUENAS PLACAS
FRANCISCO DE PAULA PINHEIRO e LEÔNIDAS BRAGA DIAS
Instituto Evandro Chagas, Fundação Serviço Especial de Saúde Pública,
Belém, Pará
(Com 4 figuras no texto)
Diversos investigadores têm rela-
tado variações no diâmetro e mor-
fologia das placas produzidas por
certos arbovirus em cultura de te-
cido, utilizando a técnica de Dul-
becco (1) . Assim é que, placas
grandes e pequenas foram obser-
vadas com os virus da Encefalite
Equina Oeste (2,3), S. Luiz (4) e
Sindbis (5) . Durante as tentativas
de obtenção de placas com arbovi-
rus isolados na região Amazônica
(6) , evidenciou-se que diversas des-
sas amostras eram capazes de de-
terminar formação de placas em
culturas de embrião de galinha e
que, com algumas delas, tais como
as de Mayaro e Una, arbovirus per-
tencentes ao Grupo A de Casals
(7) , produziam-se placas com diâ-
metros diferentes . Procurou-se en-
Esta investigação recebeu o auxílio
ua Fundação Rockefeller, e a coopera-
ção parcial da U.S. Public Health grant
AI — 06239.
tão, investigar algumas das pro-
priedades dessas variantes, no que
tange as suas características mor-
fológicas, capacidade seletiva de-
terminada por certos hospedeiros,
influência do DEAE dextrana * ca-
pacidade de produzir alterações em
linhagens celulares e em cultura
primária, relações antigênicas e
estudo das lesões determinadas em
camundongos recém-nascidos .
MATERIAIS E MÉTODOS
Virus — A amostra de Mayaro
submetida a clonagem, BeAr 20290,
foi isolada de um “pool” de 93 Hae-
magogus spp, capturados no Km 87
da rodovia Belém — Brasília em
1960, enquanto que a de Una, BeAr
13136, foi isolada em 1959(8), de
um “pool” de 113 Psorophora ferox
coletados na floresta do Instituto
* DEAE
Uppsala.
— Dextran, Pharmacia
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
212
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
de Pesquisas e Expei-imentação
Agropecuárias do Norte, situado
nas adjacências de Belém. Outras
amostras dos virus acima referidos
também foram examinadas, porém,
não clonadas, tais como o protótipo
de Mayaro, BeH 407, isolado do
sangue de um caso humano febril
encontrado em São Miguel do Gua-
má. Estado do Pará, em 1955 (9),
e duas amostras de Una, BeAr 20690
e BeAr 30826, ambas isoladas de
Psorora ferox, coletadas em Tefé
Estado do Amazonas e no Km 94
da rodovia Belém — Brasília respec-
tivamente (8).
Culturas de tecido — 1) Em-
brião de galinha (EG) — Tanto as
culturas destinadas à técnica das
placas como as empregadas na ob-
servação de efeito citopático foram
preparadas de acôrdo com o méto-
do utilizado por Henderson & Tay-
LOR (10) . Quanto ao meio do
“overlay”, foi utilizada a fórmula
de COLEMAN (11) .
2) Linhagem GMK (rim de Cer-
copithecus aethiops) recebida atra-
vés da Dra. G. D. Hsiung, Yale Uni-
versity, introduziu-se uma única
alteração no seu cultivo, qual seja,
a reãução de duas vêzes da concen-
tração do meio 199 no meio de ma-
nutenção .
3) Linhagem HEp 2 recebida
igualmente da investigadora acima
indicada. Utilizou-se o meio EES,
Eagle (12) para o crescimento e
manutenção das células, com as se-
guintes modificações: a) omissão
do hidróxido de sódio; b) elevação
da concentração do bicarbonato de
sóáio (7,5'i) de 0,9 para 2^( ; c)
introdução de caldo Triptose
(DIFCO) na proporção de 10(^ .
Clonagem das placas — Pipetas
Pasteur com a extremidade recur-
vada eram introduzidas através do
agar, na periferia das placas, efe-
tuando-se então aspirações suces-
sivas por meio de uma pêra de bor-
racha . O material obtido era emul-
sionado em 3 ml de albumina bo-
vina fração V (Armour) a 0,75%
em solução fisiológica, e posterior-
mente titulado em culturas de em-
brião de galinha, pela técnica de
Dulbecco (1) . Placas de diluições
terminais eram então submetidas
a clonagens sucessivas.
Imunização de Animais — Nas
cobaias que receberam dose única
de virus vive utilizou-se a via in-
tracerebral (i.c.); nas que recebe-
ram mais de uma dose de virus, a
primeira foi pela via i.c., enquanto
que as demais pela via intraperito-
nial (i.p.) . Camundongos recebe-
ram injeções de virus pela via i.p.
bem como 1 ou 2 doses de suspen-
são a 50% de células derivadas de
uma variante dc Sarcoma 180 (13).
Os estoques imunizantes consisti-
ram em crescimento virai obtido
Volume G (Patologia)
213
em cultura líquida de embrião de
galinha sendo os fluidos infectan-
tes colhidos 48 a 72 horas após ino-
culação das células com as varian-
tes purificadas . Algumas vêzes uti-
lizou-se cérebro de camundongos
com inóculo, exceto quando se tra-
tava de cobaia .
Testes sorológicos — Os testes
de inibição de placas (IP) foram
efetuados segundo a técnica de
PoRTERFiELD (14), cnquanto que os
testes de inibição de hemaglutina-
ção (IH), conforme a descrição
feita por Clarke &Casals (15), po-
rém utilizando-se microplacas e pi-
petas conta-gôtas. Antígenos he-
maglutinantes de Mayaro foram
preparados a partir de sôro de ca-
mundongo de 2-3 dias, sangrado
Pig. 1 _ Variantes G e P de Mayaro (BeAr 20290) em cultura de embrião de
galinha, 7 dias após inoculação.
cm 1
2 3 4 5 6 SCÍELO;LO 11 12 13 14 15 16
214
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Fig. 2 — Variantes G e P de Una (BeAr 13136) em cultura de embrião de galinha,
9 dias após inoculação.
24 horas após a inoculação, tratan-
do-se 0 sôro pela técnica modifica-
da da acetona — éter (13) . Antí-
genos de Una foram preparados
pelo método da sucrose-acetona,
seguido de tratamento pelo sulfato
de protamina, utilizando-se cére-
bro de camundongos moribundos
como fonte de antígeno hemaglu-
tinante .
RESULTADOS
DESCRIÇÃO DAS VARIANTES
DE MAYARO E DE UNA
As variantes obtidas com cada
um dêsses virus foram designadas
placas grandes (G) e pequenas
(P) . O inoculo que deu margem à
observação dessas variantes consis-
Volume 6 (Patologia)
215
tiu em suspensão de cérebro de ca-
mundongos infectados, diluído 10
vêzes sucessivamente e titulado em
cultura de EG sob camada de agar.
As placas grandes de Mayaro fo-
ram submetidas de 12 a 14 passa-
gens consecutivas, sempre a partir
de placas individuais repicadas das
diluições limites, observando-se que
0 diâmetro das placas grandes va-
riava de 4 a 8 mm, ocasionalmente
até 12 mm, enquanto que o das
placas pequenas oscilou entre 1 e
2 mm e, em raras vêzes, até 3 mm .
As placas grandes de Una mediram
de 3 a 5 mm e, algumas vêzes, atin-
giram até 7 mm, ao passo que as
pequenas não ultrapassaram de
1.5 mm, exceto em raras ocasiões
quando chegaram a medir até
2 mm de diâmetro. Tôdas as medi-
das foram feitas no 7.° dia após
inoculação. As variantes de Una
mantiveram seus diâmetros unifor-
mes a partir da passagem, sen-
do retificadas 18 vêzes consecutiva-
mente. Outrossim, as variantes de
Mayaro apresentaram reversão ex-
pontânea de grande para pequeno
tamanho e vice-versa, porém em
baixa proporção (inferior a 3%) e,
quando as placas grandes dêsse vi-
rus, foram submetidas a passagens
consecutivas em cultura de em-
brião de galinha mantidas sob meio
líquido, surgiram mutantes peque-
nas que, a partir da passagem,
passaram a predominar sôbre as
Fig. 3 — Virus Mayaro (BeAr 20290), variante P. — Observa-se, em a, necrose
com dissociação edematosa das fibras; em ambas, a fragmentação da cromatina
^uclear (cariorexis) é o aspecto evidente do dano das células conjuntivas. Lesões
“6 moderada intensidade (+-|-) (Hematoxilina-Eosina, aumento aproximado
X 250).
cm 1
SciELO
216
Atas do Simpósio sâbre a Biota Amazônica
Fig. 4 — Virus Mayaro (BeAr 20290) variante G. — Pericondrite, em d; mio-
site, em b; periostite, em c, onde também se observa lesão virai do tecido intersti-
cial do músculo suprajacente, e das lacunas medulares primitivas (setas) subja-
centes; em d, necrose do tecido dérmico. Aspecto dominante de fragmentação da
cromatina nuclear (cariorexis) . Lesões intensas (+++) em a, b, c, e moderada
(++) , em d. (Hematoxilina-Eosina, aumento aproximado x 250) .
placas grandes . Observou-se, igual-
mente, 0 aparecimento de mutan-
tes grandes quando as placas pe-
quenas foram passadas nas referi-
das culturas porém, mesmo após
5 passagens seguidas, essas mutan-
tes grandes eram em número infe-
rior a 1 das placas pequenas .
Volume 6 (Patologia)
217
EVIDENCIAÇÃO DE VARIANTES
DE GRANDES E PEQUENAS PLACAS
em outras AMOSTRAS DE MAYARO
E UNA
O protótipo do virus Mayaro no
Laboratório de Virus de Belém,
amostra BeH 407, assim como as
amostras BeAr 20690 e BeAr 30826
do virus Una, apresentaram, quan-
do plaqueadas, variantes grandes e
pequenas, cujas dimensões se apro-
ximavam das descritas para as
amostras submetidas a purifica-
ção. É interessante observar que,
embora as duas amostras de Una
fossem plaqueadas com inóculo de-
rivado da 2 .a passagem intracere-
bral em camundongo recém-nasci-
do, elas apresentaram distinta pro-
porção entre o número de varian-
tes grandes e pequenas . Assim, en-
quanto a amostra BeAr 30826 apre-
sentou predominância de placas
grandes sôbre as pequenas (10:1),
observou-se fenômeno oposto com
BeAr 20690 isto é, as placas peque-
nas eram em número maior (32:1).
ALTERAÇAO NA PROPORÇÃO
NUMÉRICA EXISTENTE ENTRE
AS PLACAS GRANDES E PEQUENAS,
MEDIANTE PASSAGEM SUCESSIVA
EM CAMUNDONGOS
Passagem em série pela via cere-
bral, em camundongos de 2 a 3
dias de material não clonado das
amostras BeH 407, BeAr 20290 e
BeAr 13136 resultou numa inver-
são da relação numérica entre as
placas grandes e pequenas dêsses
virus. Nas primeiras passagens
notou-se o predomínio das placas
grandes, que foram, porém, rapida-
mente substituídas pelas menores,
nas passagens subseqüentes (Ta-
bela 1) . O efeito foi mais notável
com as amostras BeAr 20290 e
BeAr 13136 pois, já nas 4.^ e 5.^
passagens respectivamente, cons-
tatou-se a predominância das pla-
cas pequenas. O mesmo fato não
ocorreu com BeH 407 pois, mesmo
após 13 passagens consecutivas em
cérebro de camundongo, ainda foi
possível encontrar maior número
TABELA 1
influência da passagem seriada em cérebro de camundongos sôbre a proporção
numérica existente entre variantes G e P de amostras de Mayaro e Una
não clonadas
M.IY.VRO BE.\R
M AY.VRO — UEIl 307
Xível de
Passagem
Relação
placa PKj
Nível de
passagem
Relação
placa P:G
•í
4
5
1:30
3:1
5:1
5
13
l:-*0ü
1:1
— IJE.\R 131.36
Nírel de
passagem
Kelação
placa P:G
* ^'aniun.loníros <Ip 2 ' - ?, dias.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
218
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
de placas grandes sôbre as peque-
nas, se bem que essa predominância
tenha sido sensivelmente reduzida.
INFLUÊNCIA DO DEAE DEXTRANA
NAS DIMENSÕES DAS VARIANTES
Quando esta substância foi in-
corporada ao meio do “overlay” na
proporção de 400 [.ig por ml de meio,
observou-se nítido aumento de diâ-
metro das placas pequenas de Una
e Mayaro, que passaram a ter di-
mensões muito próximas às apre-
sentadas pelas variantes maiores.
Estas não sofreram qualquer alte-
ração de tamanho em presença de
idêntica concentração de DEAE.
EFEITO DAS VARIANTES “P” E “g”
EM DIVERSAS CULTURAS DE TECIDO
MANTIDAS SOB MEIO LÍQUIDO
Dentre as culturas testadas, a li-
nhagem GMK mostrou-se a mais
sensível às variantes. A multipli-
cação virai nesta linhagem, foi
acompanhada de rápida destruição
das células, com produção de altos
títulos infectantes (Tabela 2),
sendo que a variante G de Una
apresentou efeito destrutivo mais
TABELA 2
Teste de inibição de placas (1) (2) com os variantes G e P de Maiyaro e Una
SÔROS
.íntígenos
Vírus
Origem
Número de
injeções
Mayaro
G
Mayaro
P
Una
G
Una
P
Ma>*aro G
Cobaia
1
40 +
40
0
0
Mayaro G
>
3
â 320
160
10
10
Mayaro P
>
2
^ 320
80
0
0
Una G
>
o
0++
0
80
40
Una G
>
3
0
0
320
160
Una P
>
3
0
0
40
80
+ Recíproca do títolo do soro.
.\usencia de inibição na diluição 1 = 10.
rápido do que a variante P; toda-
via, não houve diferença signifi-
cante entre G e P de Mayaro no
que concerne êste detalhe .
Outrossim, apenas a variante P
de Mayaro causou destruição das
culturas de embrião de galinha sob
meio líquido, e nenhuma delas pro-
duziu danos estruturais nas célu-
las da linhagem HEp 2, quando ob-
servadas sob o aumento de 80 x.
RELAÇÕES ANTIGÊNICAS ENTRE
AS VARIANTES “P” E “G”
Cruzamento antigênico entre
Mayaro e Una foi observado ante-
riormente (8) . Sôros imunes e hi-
perimunes preparados contra as
variantes G e P dos dois virus fo-
ram examinados em provas cruza-
zadas contra antigenos preparados
a partir dessas variantes, através
Volume 6 (Patologia)
219
de testes de IH e IP. Nas Tabelas
3 e 4 podemos observar o resultado
dessas provas. Diferenças pràtica-
mente insignificantes são demons-
tradas entre as variantes G e P de
Mayaro, o mesmo podendo ser dito
com relação às variantes de Una.
No que diz respeito às relações en-
tre as mutantes de Mayaro com as
de Una, observou-se, pelo método
de IP, que os sôros das primeiras
inibiram as últimas com igual in-
tensidade, porém as áreas de ini-
bição foram inferiores às observa-
das contra as variantes homólo-
gas. Todavia, no sentido oposto,
esta inibição foi nula, exceto com
um sôro de cobaia anti-placa G de
Una, que inibiu, embora de modo
fraco, as variantes de Mayaro. Ou-
trossim, pelo teste de IH as reações
entre as mutantes de Mayaro e-
Una foram sempre negativas, ex-
ceto com um sôro anti placa G de
Mayaro que reagiu levemente 1:10
com as variantes de Una .
TABELA 3
Teste de inibição de placas (1), (2) com os variantes G e P de Mayaro e Una
SÔROS
■\NTÍGE.VOS
Vírus
Origem
Injeç5es
Mayaro
G
Mayaro
P
Una
G
Una
P
^tayaro G
Cobaia
1
14.4
12
7
6.5
^íayaro G
Camundongo
2
15
12.2
9
8
Mayaro P
Cobaia
2
15
13.3
7.6
6
^íayaro P
Camundongo
3
15.5
16.5
8.5
9
Una G
Cobaia
2
7
5
17
16.5
Una G
Camundongo
2
0
0
20
20
Una P
Cobaia
3
0
0
18
21
Una P
Camundongo
2
0
0
15.5
19.2
1 — Dose de vírus nos testes variou de 4 a 30 mil UFP por placa de petrí de 100 mm de diâmetro.
2 ~ Lekura efetuada entre o 3.® e 4.® dia após inoculaÇCo.
3 Diâmetro de inibição em mm.
TABELA 4
Título infectante das variantes G e P de Mayaro e Una em diversos sistemas
vírus
(1) T C D50O.2 ml
ü F P/0.2 ml (!)
(1) D L 50
E G (2)50
GMK (3)
EG
Camundongo
Mayaro G
0
5.5
5.3
NF (4)
^^aya^o P
6.5
6.5
7,0
NF
Una G
0
5.7
4,5
4.5
Una P
0
4.5
4.5
4.3
1 Resultados expressos sob forma logarítmica.
3 Cultura de cmbriáo de galinha.
3 — GMK = rim de macaco verde (Çcrcopithecus aethiops).
4 ^ Náo foi feita.
^ Período de observação dos tubos de EG inorulados foi de 6 dias.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
220
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
HISTOPATOLOGIA
Para o estudo das lesões histoló
gicas foram inoculados, por via
i.c., camundongos de 2 e 3 dias
com doses aproximadas de 3, 0/0,1
ml log UFP (Unidade formadora
de placa), sacrificando-se os ani-
mais quando moribundos. A fixa-
ção foi imediata, com formol neu-
tro a 10%, após abertura mediana
do crânio e das cavidades torácicas
e abdominal.
Foram examinados 8 animais de
cada uma das variantes.
Os inóculos do vírus Mayaro
(BeAr 20290) provinham, no caso
da variante G, de material da 13.^
passagem em cultura de embrião
de galinha sob camada de agar e
da 14.3' passagem no caso da va
riante P; os de virus Una (BeAr
13136), foram todos da 18.^ passa-
gem, no referido sistema celular .
Com 0 vírus Mayaro, os achados
foram semelhantes aos já assinala-
dos por um de nós (16) , com amos-
tra não purificada e da 2.^ passa-
gem em cerébro de camundongo.
Além das lesões do sistema nervo-
so central, há lesões de caráter de-
generativo-necrótico do tecido con-
juntivo jovem pericôndrico, periós-
tico, dérmico, do interstício mus-
cular esquelético, miocárdio e pul-
monar, com diferenças quantitati-
vas das lesões, pois foram mais in-
tensas com a variante G (Tabela
5) . Outras localizações do mesmo
processo foram ocasionalmente ob-
servadas em troncos nervosos espi-
nhais e na polpa de germens dentá-
rios. Foram notáveis as diferenças
de intensidade lesionai da muscula-
tura esquelética, com discreto ou
moderado comprometimento dos
grupos musculares torácicos e in-
TABELA 5
Intensidade e freqüência das lesões histopatológicas com o virus Mayaro
em Camundongos de 2 a 3 dias "
LOCALIZAÇ.\0 DAS
LESÕES (3)
VARIANTE
i G
VARIANTE
P
+ ■ -H
++ ++-1-
+ +
-F+ -!-++
Pericôndrio
Periósteo
Derma
Músculo torácico
Músculo pélvico
M^cárdio
Pulmão
•)
5
6
3 1
4
53 3
6
3
2
3 4
1 4
3 4
4 4
4
1 4
1
2
3
1
3
1; + = lesôes ocasionais; 4" = discretas; 4*+ “ nioderadas; 4*++ “ intensa».
2; número de animais apresentando les5es.
3; excluídas desta taVIa as lesões do sistema nervoso central.
Volume 6 (Patologia)
221
tenso envolvimento dos grupos
niusculares da cintura pelviana.
Com o virus Una não foram iden-
tificadas lesões outras senão aque-
las do sistema nervoso central
(16), sem que fossem encontradas
diferenças quantitativas com as
duas variantes.
DISCUSSÃO
O estudo de diversas proprieda-
des de variantes dos virus Mayar >
(BeAr 20290) e Una (BeAr 13136),
produzindo grandes e pequenas
placas, permitiu estabelecer certas
diferenças biológicas com relação
ao tropismo celular e intensidade
de lesões em camundongos de 2 ou
3 dias, no caso das variantes de
Mayaro .
Com relação às variantes de Una
tais diferenças foram pràticamente
limitadas à diversidade de dimen-
sões das placas, bem como pelo me-
nor período de sobrevivência (3 0>
de camundongos inoculados com
a variante P, do que com a varian-
te G (4,9) . Esta diferença de ta-
manho das placas deixou de ocor-
rer quando o DEAE dextrana foi
incorporado em concentrações ade-
quadas ao agar do “overlay”, pois
3-s placas pequenas adquiriram ta-
manho igual ao da variante G, in
dicando assim, a presença de um
inibidor presente no agar, respon-
sável pelo diâmetro reduzido das
placas produzidas pelas partículas
sensíveis ao mesmo. Trata-se, pro-
vàvelmente, do mesmo inibidor que
atua sôbre as placas pequenas de
Mayaro.
É interessante observar que, ten-
do sido as variantes de Mayaro
aquelas que mostraram instabili-
dade das dimensões de suas placas,
no entanto apresentaram pelo me-
nos duas outras diferenças bioló-
gicas, diferenças estas que não fo-
ram encontradas com as variantes
de Una, que no entanto mostraram
estabilidade quanto ao tamanho,
quando passadas em cultura de
EG, sob agar.
Os testes sorológicos empregados
(IP e IH) demonstraram que as
variantes de Mayaro são homogê-
neas, assim como as do virus Una
(Tabelas 3 e 4) . Entretanto, é pos-
sível que outras técnicas sorológi-
cas mais sensíveis do que as usa-
das, permitam estabelecer diferen-
ças antigênicas que aqui não pu-
deram ser constatadas.
A existência de variantes produ-
zindo grandes e pequenas placas
parece ser uma ocorrência não
muito rara entre os arbovirus, pois
foi constatada em tôdas as cinco
amostras estudadas aqui . Favorece
esta hipótese o fato de que o mes-
mo fenômeno tem sido observado
com os virus da Encefalite Equina
Oeste (2,3), S. Luiz (4), Sindbis
(5) , bem como Pixuna (BeAr
35645) e Bussuquara (BeAn 4116),
( 6 ) .
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
222
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
O achado de que a variante G
de Mayaro produz em camundon-
gos de 2 ou 3 dias lesões mais m-
tensas no tecido conjuntivo jovem
(pericôndrio, periósteo e intersti-
cio muscular) , do que a variante P
da mesma amostra é de bastante
interêsse, merecendo estudos mais
detalhados, bem como a compara-
ção com as amostras de Mayaro de
origem humana.
RESUMO
Dois arbovirus do Grupo A en-
contrados na região amazônica,
Mayaro (BeAr 20290) e Una (BeAr
13136) foram observados produzin-
do grandes e pequenas placas em
cultura de embrião de galinha sob
agar.
Após serem submetidas a clona-
gens sucessivas, algumas proprie-
dades dessas variantes foram inves-
tigadas, verificando-se que a va-
riante G de Mayaro causava lesões
mais intensas em tecido conjuntivo
jovem de camundongo de 2 ou 3
dias, do que a variante P do mes-
mo virus. Esta última ocasionou
destruição das células de embrião
de galinha cultivadas sob meio li-
quido, o que não se verificou com
a variante G. Entre as variantes
G e P de Una notou-se apenas que
o íempo médio de sobrevivência
dos camundongos de 2 ou 3 dias é
menor com a variante P (3,0) do
que com a variante G (4,9) .
A existência de grandes e peque-
nas placas também foi observada
em outra amostra de Mayaro
(BeH 407) de origem humana, e
em 2 outras amostras de Una
(BeAr 20690 e BeAr 30826), am-
bas isoladas de mosquitos.
Observou-se maior número de
placas grandes nas primeiras pas-
sagens das amostras de Mayaro
(BeAr 20290 e H 407) e Una (BeAr
20290 e BeAr 30826) em cérebro de
camundongo. De modo contrário,
a amostra BeAr 20690 de Una apre-
sentou predominância de placas pe-
quenas .
SUMMARY
Two group A arboviruses found
in the Amazon region, Mayaro
(BeAr 20290) and Una (BeAr
13136) were found to produce large
and small plaques in chick embryo
cultures that had an agar overlay.
After being cloned several times,
some properties of these variants
were studied. The variant G (L) of
the Mayaro virus caused more in-
tensive lesions on the young con-
nective tissue of baby mice^ than
the variant P (S) of the same virus.
The latter variant destroyed chick
embryo cells maintained with fluid
médium, whereas the variant G
did not. The only diference noted
between variants G and P of Una
virus was that the average survival
time of baby mice infected with
variant P (3.0) was shorter than
Volume 6 (Patologia)
223
that of those infected with the
variant G (4.9) .
The existence of large and small
plaques was also noted in another
strain of Mayaro (BeH 407), of
human origin, and in two other
strains of Una (BeAr 20690 and
BeAr 30826) both of which were
isolated from mosquitoes . There
were more large than small plaques
in the first passages in mouse brain
of the Mayaro strains BeAr 20290
and BeH 407, and the Una strains
BeAr 13136 and BeAr 30826. On
the other hand, the third strain of
Una, BeAr 20690, had more small
than large plaques in the first pas-
sages.
Agradecimentos — Os autores pres-
tam 0 seu reconhecimento aos Drs.
Miguel Cordeiro de Azevedo, diretor, e
Otávio de Mendonça Maroja, do Ins-
tituto Evandro Chagas, e John P. Woo-
dall, da Fundação Rockefeller, pelo va-
lioso criticismo apresentado a êste tra-
balho.
Outros agradecimentos são exten-
sivos à Sra. C. Nakauchi, Srta. L. P.
Guimarães, Sr. L. Bahia e Sra. E. C.
Alfaia pela cooperação na parte téc-
nica. À Srta. Stella Beatriz Bacellar por
datilografar êste trabalho. Ao Sr. Cri-
sôgono Ferreira da Silva pela confecção
das Tabelas.
referências bibliográficas
1. Dulbecco, R., 1952, Production of
plaques in monolayer tissue cul-
tures by single particles of an
animal virus. Proc. Nat. Acad. Sei.,
38: 747-752.
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224
Atas do Simpósio sóbre a Biota Amazônica
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 225-230 — 1967
THE SEROLOGICAL RESPONSE OF ANIMALS TO VIRUS
INFECTION IN UTINGA FOREST, BELÉM, BRAZIL
ROBERT E. SHOPE*, AMÉLIA HOMOBONO PAES DE ANDRADE
and GILBERTA BENSABATH
Belém Virus Laboratory, Instituto Evandro Chagas, Belém, Pará
(With 3 text-figures)
A mammal recapture program
has been carried out in Utinga
forest, Belém, Brazil since June,
1962 (Causey, 1963). As tropical
rodents and marsupiais were trap-
Ped, marked, and released, blood
specimens were taken for virus
isolation attempts in baby mice.
At 2 to 3 week intervals, returning
animais were studied serologically.
Hemagglutination-inhibition (Hl)
tests were performed on acetone
extracted sera by techniques
Previously described (Shope, 1963) .
The viruses used are listed in Ta-
ble 1.
* Present address:
Arbovirus Research Unit, De-
R^^"^6nt of Epidemiology and Public
University School of Med-
cine, New Heaven, Connecticut.
. 1'l*®se studies were supported by
he Fundação Serviço Especial de Saú-
Conselho Nacional de Pesquisas,
Oswaldo Cruz, and the Rock-
efeller Foundation.
-- 37.:S2
Neutralization (N) testing was
performed in baby mice using
either mouse serum or brain as
virus source, incubating the serum-
-virus mixture for 1 hour at 37^0,
and inoculating either intracere-
brally (IC) or intraperitoneally
(IP) . Animal sera were tested in a
final dilution of 1:4 with approxi-
mately 100 LD 50 of virus. Results
were interpreted as negative if all
mice died, and as positive if 4 or
more out of 6 survived.
Eighty-five forest-acquired virus
infections were studied over a 3
year period with serological deter-
minations in serial bleedings. In
every animal, virus was isolated
from the blood.
Figure 1 shows the Hl responses
of animais infected with Mucambo
virus of group A and Bussuquara
virus of group B . In 104 bleedings
prior to, or at the time of viremia.
cm 1
SciELO
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226
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
TABLE 1
Vir uses Used in Serological Testing
Group
Virus
Strain
H A
Preparation
N Test
Virus Source
Route
A
Mucambo
Be An 10967
brain
serum
i.p.
B
Bussuquara
Be An 4116
brain
c
Caraparu
Be An 3994
serum
serum
i.p.
Nepuyo
Be An 10709
serum
Murutucu
Be An 974
serum
Guamá
Guamá
Be An 277
serum
serum
i,p.
Catu
Be H 151
serum
serum
i.p.
(Moju)*
Be Ar 12590
serum
(Capim)
Be An 8582
brain
serum
i.c.
Ungrouped
(Acara)
Be An 27639
serum
i.c.
(Pacui)
Be An 27326
brain
i.c.
Phlebotomus
Itaporanga
Be An 64582
brain
fever
(Bujaru)
Be An 47693
brain
Icoarací
Be An 24262
brain
• Viruses in parentheses are unpubliahed and mention here does not constitute formal description.
Fig. 1 — Hl Response of animais infecteã with group A and group B viruses.
Each O represents a ãetermination of Hl antibody to Mucambo virus (serial
bleedings of 9 Oryzomys, 2 Proechimys, and 1 Metachirops) ; each X to Bussu-
quara virus (serial bleedings of 12 Proechimys) .
Volume 6 (Patologia)
227.
no inhibition was dctected . In one
animal the initial bleeding SVz
months before infection, had a
titer of 1:10 and the possibility of
this representing maternal anti-
body is raised. AU bleedings follow-
ing cessation of viremia contained
Hl antibody which persisted for
the duration of observation (425
days in the longest observation).
Initial titers were higher than
later ones . Testing with Mucambo
virus in 4 animais confirmed the
presence of N antibody following
infection .
Figure 2 shows the Hl response
of animais infected with group C
and group Guamá viruses. In 134
bleedings prior to, or at the time
of viremia, no inhibition was de-
tected. One animal had a 1:10
reaction at the time of Guamá
viremia. Hl antibody was not de-
tected in 6 animais following
viremia. In contrast to the res-
ponse after infection with viruses
of groups A and B, Hl antibody in
most of the animais became either
non-detectable, or was apparently
lost and restimulated, or fluctuat-
ed . This fluctuation might be
explained by variation in sensitivi-
ty of antigen from test to test,
however, an alternative explana-
Pig. 2 — Hl Response of animais infected with group C anã group Guamá
viruses. Each O represents a determination of Hl antibody to Caraparú virus
(serial bleedings of 2 Oryzomys, 3 Proechimys, 1 Nectomys), Nepuyo virus
(1 Proechimys) , or Murutucú virus (2 Proechimys) ; each X to Guamá virus
(S Oryzomys, 10 Proechimys, 1 Nectomys, 1 Didelphis, 1 Calluromys) , Catú virus
(4 Oryzomys, 4 Proechimys) , Mojú virus (4 Oryzomys, 3 Proechimys, 1 Nectomys) ,
or Capim virus (2 Proechimys) .
cm
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228
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
tion is that Hl antibody to groups
C and Guamá is short-lived and is
restimulated by recurrent natural
exposure of the animal to the same
or related viruses. Table 2 shows
results of testing of a Proechimys
after Guamá infection in whicti a
response to both Guamá and Moju
antigen was detected, then lost.
Guamá antibody reappeared with
TABLE 2
Hl testing of Proechimys RO 5889 with group Guama viruses
Bleeding date
Viru.4 Isolated
Hl Results
Group B
Group Guamá
Bussuquara
Guamá
Moju
Catu
Capim
22 IV '64
0
0
0
0
0
6 V
Guamá
0
0
0
0
0
21 V
0
40
40
0
0
26 V
Bu-»uquara
12 VI
40
0
0
0
0
2 VII
>80
80
0
0
10
22 \H
40
40
0
0
0
7 VIII
40
40
0
0
0
25 VIII
40
10
0
0
0
18 IX
40
80
20
10
0
15 X
80
40
20
40
0
20 X
80
40
20
20
10
Capim antibody, then again dimi-
nished to rise later accompanied
by a generalized Guamá group
reaction. Serology for Bussuquara
virus, also isolated from this same
animal, is included to illustrate
the consistency of response in
group B.
N testing with 4 animais infected
with Caraparu, 10 with Guamá, 2
with Catu, and 1 with Capim virus
showed uniform development of N
antibody following viremia.
The Hl response of animais
infected with phlebotomus fever
groiip viruses is shown in Figure 3.
As with groups C and Guamá, the
Hl antibody levei fluctuated and
sometimes became non-detectable .
Table 3 shows N test results
with Acará and Pacui viruses. AU
animais developed significant N
antibody following viremia.
These results offer a firm basis
for interpretation of Hl antibody
in surveys of wild animais in
Utinga forest: firstly, non-specific
reactions are not anticipated since
bleedings prior to infection were
generally negative; secondly. Hl
antibody to Mucambo and Bussu-
quara virus following viremia may
be expected to persist for the life
of the animal; and thirdly. Hl
reactions following infection with
viruses of groups C, Guamá and
phlebotomus fever are likely to re-
Volume 6 (Patologia)
229
Fig. 3 — Hl Response of animais infecteã with group Phlebotomus fever
viruses. Each 0 represents a determination of Hl antibody to Icoaraci virus
(serial bleedings of 4 Proechlmys) , Bujaru virus (serial bleedings of 2 Proechi-
mys), or Itaporanga virus (serial bleedings of 1 Calluromys).
TABLE 3
Results of N Testing with Ungrouped Viruses
Genus
\1rus Isolated
liOg Neutraliaation Index
Pre
Post
Days after víremia
^eclomyi
Acará
<1.0
2.9
8
Oryiomyt
Pacui
0
>2.3
10
Pacui
<0.3
>2.2
22
>2.1
49
Pacui
<0.2
>2.9
15
>2.9
97
Pacui
<0.5
>2.2
19
Pacui
<0.7
>3.1
15
present recent primary infection or
anamnestic responses to exposure
to a virus in the same serological
group and this antibody may not
persist for the life of the animal .
SUMMARY
Hemagglutination-inhibition and
neutralization testing of serial
bleedings of 85 feral mam-
em
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230
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
mais recaptured in Utinga forest,
Belém, Brazil demonstrated devel-
opment of antibody to 14 different
viruses isolated from the blood.
Antibody to groups A and B viruses
persisted during the observation
period; that to groups C, Guamá,
and phlebotomus fever became
non-detectable or fluctuated in
many animais .
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Atas do Simpósio sõbre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia); 231-234 — 1967
MORPHOGENESIS AND THE FUNCTION OF THE
KINETOPLAST IN “LEISHMANIA”
LARRY P. SIMPSON
Rockefeller Institute, New York, U.S_A.
The kinetoplast is a structure
"With mitochondrial properties
unique to the parasitic flagellates
of the family Trypanosomatidae
and to a few free-living species. It
has long been known that the
kinetoplast is Feulgen-positive and
that it also takes up standard
mitochondrial stains such as Janus
Green B. It does not stain for basic
proteins . It is a disc-shaped, slight-
ty concave structure, always found
at the base of the flagelium, intim-
9'tely associated with but not
connected to the basal body .
Within the matrix of the kineto-
plast can be seen a lamellar struc-
ture, which in some micrographs
seems to be composed of fibrils
arranged in a supra-spiral-like
conf iguration . There is good evi-
dence to suggest that this material
Is, or contains, the stainable DNA.
The unusual nature of this mito-
chondrion is probably associated
with the complex developmental
changes occurring during the life
cycle of these cells. The members
of any one genus can exist in
several different morphological
forms. The transformation of mor-
phogenetic change from one to the
other occurs when the cell moves
from one environment to another
as, for example, from the verte-
brate to the insect host.
For example, L. donovani lives
in the mammalian host as an
intracellular parasite — the so-
-called LD bodies. The isolated LD
bodies can transform to the flagel-
lated leptomonad or culture form
in 20-40 hours at 27®C. Rudzinska,
D’Alesandeo & Trager observed,
as early as 5 hrs., a change in the
morphology of the kinetoplast-
DNA and an apparent biogenesis
of mitochondria from the kineto-
plast. We thought this system
might shed some light on the
function of the kinetoplast. -
Using the criteria of size and
leptomonad. form this transforma-
tion was found to be dependent on
cm
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
a source of several amino acids.
The addition of further nutrients,
such as glucose or blood sped up
the process. The extent of trans-
formation was obtained by mea-
suring relative cell size in stained
smears at various times . The
optical density of the suspension
provides another method for mea-
suring increase in cell mass. The
cells tend to clump after about 5
hours in culture, but this can be
eliminated by mild sonication of
f ormalin-treated samples . Direct
cell counts of such preparations
demonstrated that no cell division
occurs during the first 20-30 hours
of the process.
Cyanide-sensitive respiration was
found to Show a 2-4-fold in-
crease during the transformation,
as would be expected from the dif-
ferent Q02’s (nMO^/min/lOxells)
of the freshly isolated LD’s and the
culture leptomonads: The LD’s
showed a Q02 of 0.29 (±.001) in
saline-buffer-glucose to 0.42 (±13)
in Médium C, while the logphase
leptomonads gave values of 1. 8-2.2.
The final increase is variable be-
cause the extent of transformation
may vary from 15 to 75% in dif-
ferent preparations. The increase
in respiration is inhibited by
Actinomycin D, puromycin, mito-
mycin C, and chloramphenicol .
The effect of Actinomycin D is not
necessarily due to the selective
inhibition of RNA synthesis-which
does indeed occur — but may be
due to a direct inhibition of respi-
1 ation — which was demonstrated
tu occur with the leptomonad.
LD’s kept in saline-buffer-glu-
cose for 20 hours at 27°C showed
no increase in oxygen uptake and
no morphogenesis, but when resus-
pended in Médium C, their respi-
ration increased 3.2-fold in 28
hours .
It was demonstrated that the
initial respiration was due to the
LD’s and not to splenic mitochon-
drial contamination as follows:
The oxygen uptake of isolated
spleen mitochondria exhibited a
50% decrease in 4 hours at 27°C
in Médium C, whereas that of LD
preparations showed no change.
Furthermore, treatment of the
spleen mitochondria with a Bacto-
trypsin preparation at 37oc for 30
mins. brought about an 83% de-
crease in respiration, while identic-
al treatment of LD preparations
had no effect .
We then investigated the lep-
tomonad form, the product of
this morphogenetic process. The
organism chosen was Leishmania
tarentolae, which could be grown
in a defined médium (Médium C).
Total cell DNA was isolated from
L. tarentolae by a phenol method.
Two bands were evident in CsCl
equilibrium centrifugation, the dif-
ference in densities being .013
g/cc. Velocity sedimentation show-
Volume 6 (Patologia)
233
ed the DNA to be remarkably ho-
mogeneous, as indicated by the
Sharp boundaries in the tracings.
The major CsCl component (nu-
clear DNA) has an S 2 o,w of about
21 .
The respiration of L. tarentolae
was then studied. The Q02 was
found to vary with the. age of the
culture — being highest in the log
phase . Addition of glucose to
washed cells stimulated the oxy-
gen uptake two-fold. KCN, amytal,
Na azide, and antimycin A all
inhibited the respiration, indicat-
ing that the normal cytochrome
Chain was functional here. In the
case of the leptomonad of L. dono-
vani, there was a four-fold glucose
stimulation.
L. tarentolae grown in the pre-
sence of ac^iflavin become a- or
<^2/skinetoplastic; that is, as shown
by Mülphordt and by Trager and
Rudzinska, they exhibit a morpho-
logical loss of DNA in the kineto-
Plast and a general deterioration
of the mitochondria . They also
lose their ability to grow in axenic
culture. The maximum percent-
^ge of dyskinetoplastic cells ob-
tained with one strain was over
90%. The “atypical” kinetoplasts
in these cells did not stain with
Janus Green B as do normal kine-
toplasts and functioning mitochon-
dria. DNA was then isolated from
normal and dyskinetoplastic cells.
Note the complete disappearance
of the minor band, confirming that
it represents kinetoplast DNA.
Evidence presented indicates
that at least one of the initial
effects of acriflavin is a specific
inhibition of kinetoplast-DNA syn-
thesis, thus leading to a dilution of
kinetoplast-DNA upon further cell
division. The specificity of effect
seems to be due to a specific loca-
lization of the dye in the kineto-
plast, as seen by fluorescence mi-
croscopy. At high dye concentra-
tions, the cells do not divide and
rapidly degenerate — and the
dye is seen to bind also to the
nucleus and cytoplasm. No de-
generativo effect was noticed at
4°C, although the dye was found
to both organelles. Hence, meta-
bolic activity is necessary for the
dye to have an effect . It is interest-
ing to note that acridine orange
binds equally at all concentrations
to both the nucleus and the kine-
toplast and does not have the dys-
kinetoplastic-producing effect .
We have recently obtained a
mutant of tarentolae (NW strain)
which exhibits an enhanced sensi-
tivity to acriflavin and a decrease
in the percentage of dyskineto-
plastic cells formed . The mutation
seems to be in the permeability of
the cell to the dye. The maximum
percentage of dyskinetoplastic
cells obtained after 6 days of
growth was 62%.
cm
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
It was hoped that selective bind-
ing of acriflavin to the kinetoplast
would provide a method to selec-
tively inhibit its genetic function
by photodynamic action. However,
visible irradiation of such cells
damage as evidence by a decrease
in oxygen uptake and flagellar
inotility . This does, however, again
demonstrate the mitochondrial
nature of the kinetoplast.
In summary, the kinetoplast
seems to be a highly differentiated
mitochondrion uniquely adapted
to the unusual life cycles of the
hemoflagellates . It contains a
DNA of different buoyant density
and hence different base ratio
than the nuclear DNA and this
may represent up to 10% of the
total cell DNA. This DNA could
not be detected in acriflavin-induc-
ed dyskinetoplastic L. tarentolae.
Finaily, a process of cellular dif-
ferentiation involving the kineto-
plast was partially defined in
terms of nutritional requirements,
nucleic acid metabolism and res-
piration changes . There was a
good correlation between the in-
crease in cell size, the appearance
of leptomonad morphology and the
increase in respiration . This
process may now provide a system
with which to investigate the pos-
sible role of mitochondrial DNA in
mitochondrial biogenesis and in
cellular differentiation .
ABSTRACT
The LD-leptomonad transforma-
tion of L. donovani was found to
be dependent on a source of
several amino acids, with further
nutrients speeding up the process .
The LD’s have a cytochrome-type
respiration which increases seve-
ral-fold during the transformation.
Various inhibitors of RN A and
protein synthesis inhibit the mor-
phogenesis and the increase in res-
piration. The respiration of L. ta-
rentolae was shown also to be of
the cytochrome type by means of
respiratory inhibitors. Acriflavin
at low concentrations binds specif-
ically to the kinetoplast and spe-
cifically inhibits kinetoplast-DNA
replication. Visible irradiation of
such acriflavin-treated cells photo-
d 5 mamically inhibits cellular res-
piration.
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 235-249 — 1967
DA NOSOLOGIA AMAZÔNICA: SÍNDROME
ANÊMICO-PARASITÁRIA
CAMILLO MARTINS VIANNA, AFFONSO RODRIGUES FILHO
e RUBENS DA SILVEIRA BRITTO
Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Pará, Belém
A homologação, pelo XII Con-
gresso Brasileiro de Gastrenterolo-
gia, realizado de 19 a 23 de julho de
1960, na cidade de Campos, Estado
do Rio de Janeiro, do conceito
de síndrome anêmico-parasitária,
para o quadro clínico, assim indi-
vidualizado sob essa denominação,
que reúne sinais e sintomas ligados
u anemia, à carência proteico-vita-
mínico-mineral e ao poliparasitis-
mo intestinal, deu oficial e catego-
ricamente foros de autenticidade
às observações clínicas que o De-
partamento de Medicina Interna,
da Faculdade de Medicina, da Uni-
versidade Federal do Pará^ vinha
catalogando, sob êsse critério.
Representou a aceitação de argu-
mentos, repetidamente renovados
c enriquecidos, sôbre a vigência
dessa plêiade semiológica, assim
associada, a impor estudo global,
como entidade isolada, de tanto se
repetir em conjunto.
Integrou a conclusão a que che-
gou a comissão encarregada de
elaborar a súmula dos depoimentos
colhidos de várias regiões do país,
através questionário que consti-
tuiu o Inquérito Nacional sôbre
Carência Proteica, promovido pela
Federação Brasileira de Gastrente-
rologia e apurado nesse XII Con-
gresso Brasileiro de Gastrenterolo-
gia, ao admitir que “o quadro clí-
nico decorrente do estado carencial
e do parasitismo intestinal pode
ser designado por síndrome anêmi-
co-parasitária” (1) .
Inscreveram-se, aliás, nesse mes-
mo conclave científico, trabalhos
versando sôbre o assunto, oriundos
da equipe do Departamento de Me-
dicina Interna da Faculdade de
Medicina da Universidade Federal
do Pará, como segue:
— Um dos autores, com Eduar-
do ViRGOLiNo & Otávio Leite, apre-
sentou “Alguns aspectos clínicos
da síndrome anêmico-parasitária”.
cm
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236
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
de uma série de 85 doentes em que
houve predomínio de quadro anê-
mico, decorrente da associação pa-
rasito-carência, com taxas de he-
moglobina de menos de 2 gramas,
até 11 gramas. Após contar os
principais sinais e sintomas apura-
dos nesses doentes, 59 dos quais
procediam do interior do Estado,
externou-se sôbre as situações clí-
nicas encontradas, quando achou
difícil dissociar o quadro de parasi-
tismo misto do dependente pròpria-
mente da carência (2) .
— Edith Seligmann Silva, com
dois dos autores & Leonidas Frei-
tas Matos, abordou a “Hipoprotei-
nemia na síndrome anêmico-para-
sitária, com dosagem de proteínas
totais e parciais pelo método de
Greenberg, em 64 pacientes, encon-
trando 22 ou 33,33% de hipopro-
teinemia total, 60 ou 93,75% de al-
bumina plasmática abaixo do nor-
mal e 34 ou 53,12% de globulinas
totais aumentadas, às vêzes com
inversão albumina-globulina, por
conseguinte . Nem sempre verificou
correspondência entre o grau de
hipoalbuminemia e o de hipo-he-
moglobinemia (3).
— A mesma autora, Edith Se-
ligmann Silva, relatou os resulta-
dos da dosagem de colesterol total,
pelo método de Bloor, em 30 anê-
micos portadores de enteroparasi-
tas, 29 dos quais com colesterol
abaixo de 150 mg e 20 inferior a
100 mg, um dêles com 43 mg; e em
12 infestados mas não anêmicos, 11
dos quais com colesterol abaixo de
150 mg e 6 inferior a 100 mg, 2 dê-
les com 86 mg como os de níveis
mais baixos (4) .
— Dois dos autores, com Neide
DA Silveira Britto & Amilton de
Almeida Santos, verificaram glice-
mia sempre normal em 70 portado-
res de síndrome anêmíco-parasítá-
ria, alguns com hemoglobinemia
muito baixa (5).
— José Maria Salles, Luiz Ma-
NEscHY, Neide da Silveira Britto
& JACOB Atallah dosaram a ure-
mia em 45 casos e a creatininemia
em 27 casos de SAP, comprovando
normalidade para a creatinina e
taxa inferiores de uréia em 31 ou
68,9%, a mais baixa com 2,3 mg.
E, em 29 dêsses pacientes, compa-
raram os resultados dos valores das
proteínas totas, da uréia e da he-
moglobina, esta última com 11
casos abaixo de 2 gramas, 4 com
2 g, 3 com 2,5 g, 4 com 3,5 g, 1 com
4 g, 1 com 4,5 g, 3 com 5,5 g, 1
com 6 g e 1 com 6,5 g (6).
— Um dos autores, com Osval-
do Luiz Forte & Luiz Alberto
Paiva Maneschy, constatou em sé-
rie de 25 casos de SAP, 17 ou 68%
com hipocloridria, 7 ou 28% com
normocloridria e apenas 1 ou 4%
com hipercloridria, mas não encon-
trou correlação entre a acidez livre
e o grau de anemia (7) .
Contribuiram tais estudos para
a manifestação do Relatório, apro-
Volume 6 (Patologia)
237
vado pelo plenário, do XII Con-
gresso Brasileiro de Gastrenterolo-
gia, ao acentuar que, “seja qual for
0 grupo etário, as pluricarências se
apresentam quase sempre agrava-
das pelos parasitos intestinais, que
podem interferir na digestão e na
absorção dos alimentos” e que “a
associação de verminoses às pluri
carências nutricionais é tão encon-
tradiça em tôda parte”, como
“quanto à anemie é inegável que a
participação do parasitismo intes-
tinal dever ser também conside-
rada”.
PESQUISAS ANTERIORES
Já em 1956, foram presentes ao
II Congresso Médico da Amazônia,
realizado em janeiro, na cidade de
Macapá, Território Federal do
Amapá, os dois trabalhos seguintes
que abriram caminho às observa-
ções subseqüentes :
— Dois dos autores, com Ernes-
to Gondim Leitão & Danilo Vir-
gílio Mendonça, revisaram 2.201
exames copro-parasitoscópicos, rea-
lizados no último semestre de 1954
e no decorrer de 1955, pelo Labora-
tório de Análises Clínicas, do Hos-
pital da Caridade, da Santa Casa
da Misericórdia do Pará e selecio-
uaram 100 ou 4,53% com mais de
4 espécies de parasitos, verificando
a presença de A. lumbricoides 95
vêzes, T. trichiura 92, E. histolytica
66, ancilostomídeos 63, T. hominis
49, E. coli 46, G. lamblia 41, S. ster-
coralis 30, E. nana 27, C. mesnili
21, /. butschili 17 e B. coli 1 vez,
englobadas 55 amostras proceden-
tes de Belém, e 45 do interior do
Estado (8) .
— Os mesmos dois autores &
Ernesto Gondim Leitão cataloga-
ram 100 casos (12 de Ambulatório
e 88 de internados) dos Serviços
Médicos, do mesmo hospital, todos
sob taxas excessivamente baixas de
hemoglobinemia, teoricamente in-
compatíveis à vida, já que 8 se
apresentavam com menos de 2 g,
12 com 2g, 11 com 2,5 g, 25 com
3 g, 4 com 3,5 g, 21 com 4 g, 8 com
4,5 g e 11 com 5 g, ou seja de me-
nos de 12% a 29% pelo método de
Sahli, dentre os quais a sobrevivên-
cia de 98 (1 óbito por glomerulone-
frite crônica e outro por neoplasia
hepática) “deve estar condicionada
à adaptação a fatores anemiantes
de ordem permanente e progressi-
va, relacionados a diferentes cau-
sas, umas de natureza alimentar e
outras de natureza espoliativa”,
por isso que “doentes com 4 e 5 g
se apresentavam em piores condi-
ções gerais que outros com 3 e até
com menos gramas de hemoglobi-
na” (9).
# # #
E foi em 1957, quando da elabo-
ração de plano de trabalho curri-
cular, por um dos autores (10) , que
vieram a suscitar interêsse, para
fins de programação de estudo, a
freqüência e a simultaneidade de
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
238
Atas do Simpósio sôbre a Biota, Amazônica
elementos semióticos identificáveis
à escassez de nutrimentos e às es-
poliações entero-parasitárias .
— Aliás, 0 mesmo autor, com
Gerson Nogueira, Francisco Pi-
nheiro & OsoRio Goes, relatara,
nesse ano, 23 casos de verminóticos
com 3 gramas e menos de hemoglo-
binemia, dos quais 10 ou 43,47%
com dosagem inferior a 2 gramas,
todos recuperados pela terapêutica
marcial, desparasitização e dieta
proteica liberal, durante interna-
mento no Hospital da Caridade, da
Santa Casa da Misericórdia do
Pará (11) .
• * •
Resultados se fizeram sentir por
ocasião da I Semana de Estudos da
Enfermaria São Francisco de Pau-
la, do Hospital da Caridade, da
Santa Casa de Misericórdia do
Pará, em dezembro de 1958, assim:
— Um dos autores alinhou da-
dos e expôs observações que condu-
zem à individualização da síndro-
me anêmico-parasitária (12).
— Jorge Loureiro do Amaral
reforçou argumentos, sob aspectos
clínicos, para conceituação dessa
tese (13) .
— Neide da Silveira Britto dis-
cutiu normas para o contrôle he-
matológico nesses casos (14) .
— Francisco Pinheiro conside-
rou- aspectos hematológicos então
percebidos (15) .
— Carlos Alberto Salgado Bor-
ges investigou o valor da pressão
venosa em 12 dêsses casos, sem per-
ceber medidas anormais (16) .
— Gerson Nogueira ateve-se a
normas quanto ao recurso da pun-
ção biópsia do fígado, em casos de
anemia avançada (17) e
— Carlos Reeordão encarou sob
o ponto de vista da sintomatologia,
das perturbações orgânicas, do tra-
tamento e das implicações de na-
tureza sócio-económica, o estudo
do parasitismo intestinal múltiplo
em pacientes internados (18) .
* * *
No ano de 1959, em 3 oportuni-
dades, houve apresentação de tra-
balhos sôbre o tema:
1) II Semana de Estudos, da
Enfermaria São Francisco de Pau-
la, do Hospital da Caridade, reali-
zada em fevereiro.
Figurou apenas o estudo de Os-
valdo Luiz Forte & Luiz Alberto
Paiva Maneschy, com a descrição
de 86 biopsias do fígado, como mé-
todo de exploração propedêutica,
nesses casos (19) .
2) XI Congresso Brasileiro de
Gastrenterologia, realizado em Be-
lém-Pará, de 5 a 9 de outubro.
Por um dos autores, com Neide
DA Silveira Britto, Lizette Lins
& Edith Seligmann Silva, foram
revistos 88 prontuários, internados
de 1955 a 1959, comparadas a hi-
pohemoglobinemia e a hipoprotei-
nemia, em presença de poli-infesta-
ções (1 caso com 8 espécies distin-
Volume 6 (Patologia)
239
tas) , encontrando 15 casos com
menos de 2 g de hemoglobina, 35
entre 2 e 5 g, 22 entre 5,5 e 8 g e
16 entre 8,5 e 10,5 g. As proteínas
totais foram pesquisadas em 57
dêsses casos, 24 dos quais ou 42,1%
com taxa abaixo de 6 g (20) .
Outro dos autores relatou a sua
experiência de 194 punções hepáti-
cas, como recurso diagnóstico, in-
cluídos 69 casos de SAP, com ape-
nas 2 acidentes ao todo, ou 0,51%
( 21 ).
3) I Jornada Médica Paraense,
realizada em Capanema, de 27 a 28
de dezembro.
Oois dos autores, com Luiz Al-
berto Paiva Maneschy, Osvaldo
Luiz Forte & Jacob Atallah, ao
descreverem características pato-
lógicas de 120 lavradores da zona
bragantina, internados no Hospital
da Caridade, da Santa Casa da Mi-
sericórdia do Pará, deram ênfase
ao encontro do quadro carencial,
em terreno de entero-parasitismo
múltiplo ( 22 ) .
— Também Edith Seligmann
Silva, Osvaldo Luiz Forte, João
Feio Neto & Amilton Santos se
preocuparam com o problema clí-
nico dos lavradores bragantinos,
dentre internados no mesmo hospi-
tal, verificando que, de 128 dêles,
95 ou 74,22% portavam de 2 a 8
espécies distintas de enteroparasi-
tos (23) .
Independentemente dessas reu-
niões técnicas, Osvaldo Luiz Forte
expôs a sua experiência de 19 casos
de biopsia gástrica, aí incluídos 16
diagnosticados de síndrome anémi-
co-parasitária, nos quais não foi
percebida qualquer alteração de
estrutura da mucosa do estômago
(24) e
— Libório Martins Albim, tam-
bém em trabalho, como o anterior,
apresentado à Faculdade de Medi-
cina, entendeu chamar a atenção
para a diversidade de sintomatolo-
gia, a compor conjunto de certa
freqüência, em doentes de poli-in-
festação intestinal, ao manusear as
observações clínicas de uma série
de internamentos (25) .
Essas foram as investigações de
maior monta que, com a atenção
despertada para a simultaneidade
de sintomas atribuíveis à anemia
de grau avançado e à carência nu-
tricional, sempre presente a poli-
-infestação intestinal, conduziram
a encarar êsse conjunto clínico
como um todo.
Sedimentada essa convicção, a
idéia, sob o argumento de numero-
sas observações lastreadas em me-
dições e provas tecnico-laborato-
riais, foi levada, em têrmos de es-
tudo, à consideração do XII Con-
gresso Brasileiro de Gastrenterolo-
gia, que, em suas conclusões, ad-
mitiu a nomenclatura proposta, de
síndrome anêmico-parasitária e,
por conseguinte, a sua individuali-
zação clínica.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
240
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
INTENSIFICAÇÃO E APROFUN-
DAMENTO DAS PESQUISAS
De então em diante, com o estí-
mulo dêsse reconhecimento, a equi-
pe do Departamento de Medicina
Interna deu prosseguimento aos
estudos, visando não só robustecer
as observações já feitas, como pro-
ceder a verificações ainda não apu-
radas, sob ângulos novos do pro-
blema .
No mesmo ano de 1960, em se-
tembro, um dos autores & José
Maria Salles examinaram, em 30
casos de SAP sem complicações,
internados no Hospital da Carida-
de da Santa Casa da Misericórdia
do Pará, as cifras de colesterolemia,
que em 28 ou 93% estavam abaixo
de 150 mg, o mais baixo com 58
mg, ao método de Bloor, comparan-
do-as com as taxas de hemoglobi-
nemia e a hematimetria, que tive-
ram como limites menos de 2 g e
930.000 e 9 g e 3.950.000, respecti-
vamente. Não houve caso de ele-
vação do colesterol sanguíneo e o
quadro comparativo levou à con
clusão de que a dosagens reduzidas
de colesterolemia correspondia di-
minuição da hemoglobinemia e do
número de hematias (26) .
« « «
Em 1961, a tese de livre docência
de .um dos autores capitulou, a pro-
pósito do estudo de 108 internados
no Hospital da Caridade, da Santa
Casa da Misericórdia do Pará, com
o diagnóstico de SAP, subsídios sô-
bre condições sócio-econômicas, as-
pectos clínicos, dados hematológi-
cos (hemoglobina, hematócrito,
leucócitos, eosinófilos, mielograma,
hemossedimentação, plaquetas)
proteínas plasmáticas (totais e
parciais, relação albumino-globuli-
na, proteinograma eletroforético) ,
provas de punção hepática, coles-
terol, gastro-acidograma, biopsia
gástrica, retossigmoidoscopia, par-
ticipação cardíaca (ECG, radiolo-
gia cardíaca, pressão venosa), gli-
cose, uréia e creatinina, amilase,
tempo de sangramento e de coagu-
lação, pigmentos biliares na urina,
densidade e albuminúria. (27).
Por ocasião do XIII Congresso
Brasileiro de Gastrenterologia, em
julho dêsse ano, na cidade de Reci-
fe, novos trabalhos constaram de
sua agenda:
— Dois dos autores, com Ronal-
do DE Araújo, relataram os resul-
tados da punção-biopsia do fígado,
em 19 casos selecionados de SAP
sem concomitância de outra afec-
ção, concluindo que “os achados
histológicos são extremamente dis-
cretos” e que, em 31,75% (6 vêzes)
havia normalidade estrutural (28) .
— Eduardo Ferreira Virgolino
& Carlos de Santa Helena Magno
e Silva, com um dos autores, estu-
daram o eletrocardiograma de 20
hospitalizados por SAP, mas sem
lesões oro-vasculares, cardiopatia
reumática ou cardiopatia sifilítica
Volume 6 (Patologia)
(5 casos com idade entre 13 e 15
anos, 6 entre 18 e 22, 8 entre 32 e
42 e 1 de 50 anos), sem terem en-
contrado alterações dignas de re-
gistro (29) .
— Neide da Silveira Britto,
José Maria Cardoso Salles e um
dos autores analisaram as varia-
ções dos títulos plaquetários, em
30 prontuários com o diagnóstico
de SAP, correlacionando também a
hematimetria (3 casos abaixo de 1
milhão, 10 de 1 a 2 milhões, 13 com
mais de 2 até 3 milhões, 3 com
mais de 3 até 4 milhões e 1 com
mais de 4 milhões) e a hemoglobi-
nemia (9 casos de 2 g, 3 de 2,5 g, 3
fie 3 g, 3 de 3,5 g, 3 de 4 g, 2 de
5.5 g, 2 de 6 g, 2 de 7 g, 1 de 7,5 g, 1
de 8 g, e 1 de 9 g) , quando consta-
taram que 23 casos ou 76,6% ti-
hham níveis abaixo de 150.000 pla-
quetas por mm® e que nem todos
esses casos de trombocitopenia
coincidiam com as mais baixas
taxas de hematias ou de hemoglo-
bina (30).
— Houve, êsse ano, os seguintes
trabalhos sôbre o tema, apresenta-
dos à Faculdade de Medicina, da
Universidade Federal do Pará:
— Maltrício Rocha acompanhou
cuidadosamente a evolução de 12
internamentos por SAP, em 5 dos
quais, aliás idosos, 2 com beriberi,
comprovou insuficiência cardíaca
congestiva, explicada não como de-
corrência direta da anemia, que
ugiu apenas como fator desenca-
heante em miocárdio já lesado,
— 37.152
241
tanto assim que em caso com me-
nos de um milhão de hematias e
hemoglobina inferior a 2 gramas,
porém em jovem, essa lesão não se
instalou (31) .
— Amilton de Almeida Santos,
medindo a pressão venosa, encon-
trou valôres dentro da faixa de
normalidade, em 20 hospitalizações
por SAP, embora os baixos índices
de hemoglobinemia (32) .
— Manoel Wilson dos Santos
Penna submeteu 17 internados por
SAP a esquema de exame neuroló-
gico, concluindo que os quadros en-
contrados, atípicos e variados, não
em relação com o grau de anemia,
são predominantemente periféri-
cos, podendo atribuir-se, algumas
vêzes, a uma carência isolada, co-
mo o beriberi, mas a carência múl-
tipla ordinàriamente; e que o au-
mento de pressão do líquido céfalo-
-raqueano observado talvez se ex-
plique por perturbações do meta-
bolismo proteico afetando as pró-
prias proteínas do líquor, tanto
que a proteinorraquia deu valôres
abaixo da normalidade (33) .
* ♦ *
Em 1962, foi presente ao XIV
Congresso Brasileiro de Gastrente-
rologia, realizado em Londrina-Es-
tado do Paraná, a pesquisa de Nei-
de DA Silveira Britto sôbre a me-
dula óssea de 20 casos de SAP, to-
dos hospitalizados, constatando
como regra: 1) material hipercelu-
11
12
13
14
cm
242
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
lar, relação leuco-eritoblástica qua-
se invertida na maioria dos casos;
2) eritropoiese hiperplástica e nor-
moblástica (em alguns casos hi-
perplasia discreta), predominância
de eritroblastos jovens (êstes, es-
pecialmente os ortocromáticos, são
pequenos e muitos apresentam ape-
nas pequena fímbria de citoplasma
que faz lembrar os linfócitos) ,
grande número de mitoses; 3) gra-
nulocitopoiese sem alterações ou
hipoplástica, eosinofilia evidente
em grande número de casos, mito-
ses; 4) megacariocitos linfocitoides
em sua maioria e raros, algumas
plaquetas livres no esfregaço, nú-
cleos nús com freqüência; 5) au-
sência de células estranhas à me-
dula (34) .
Assinale-se a apresentação, pe-
rante a Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Pará, dos
seguintes trabalhos em tôrno do
assunto:
— José Expedito de Magalhães,
ao relatar os resultados de 81 biop-
sias do fígado, 12 das quais em ca-
sos de SAP, discutiu o valor prope-
dêutico dêsse meio de exploração
diagnóstica, citando técnica, indi-
cações, contra-indicações e compli-
cações (1 caso de morte) (35) .
— Fernando Martins Noura in-
vestigou até que ponto o estudo de
pejfil eletroforético das proteínas
do líquido céfalo-raqueano pode
contribuir para identificação do
SAP, ao submeter 8 doentes, além
das medidas rotineiras de hemo-
globina, hematias e volume globu-
lar, às dosagens de proteínas totais
do sangue e do líquor; VDRL, cito-
logia, citometria do líquor; à pes-
quisa dos reflexos tendinosos e à
eletroforese do sangue, não conse-
guida em 7 tentativas, o proteino-
grama eletroforético do liquor, ini-
cialmente simples, depois liofiliza-
do, mas constatando que as proteí-
nas totais do líquido céfalo-raquea-
no, embora a queda das proteínas
totais do sangue em 50% dos ca-
sos, se mantêm dentro da normali-
dade (36) .
— Selma Machado Vieira, vi-
sando selecionar os casos de car-
diopatias, compulsou 1.100 pron-
tuários do Hospital da Caridade, da
Santa Casa da Misericórdia do
Pará encontrou 210 ou 19%, dos
quais 76 com SAP, o que deu a in-
cidência de 36,19%, aliás a maior
observada, dentre as condições
mórbidas concomitantes (37) .
— Também Arnaldo Gama da
Rocha & Carmem Garcia Tuma,
em levantamento de 500 prontuá-
rios seriados, do mesmo hospital,
contataram 75 ou 15% de SAP,
dentre os diagnósticos estabeleci-
dos (38) .
* * *
Em 1963, figuraram na progra-
mação do XV Congresso Brasileiro
de Gastrenterologia, que se reali-
zou em julho, na cidade de Goiâ-
nia, os dois trabalhos a seguir:
Volume 6 (Patologia)
— Ernesto Gondim Leitão,
Edith Seligmann Silva, Danilo
Virgílio Mendonça & Helio Couto
de Oliveira, com um dos autores,
visando o comportamento das
transaminases glutâmico-oxalacé-
tica e glutâmico-pirúvica, e de um
grupo de provas de floculação e
turvação, apreciaram os resultados
em 33 internados sob diagnóstico
de SAP, constatando elevação da
atividade de T.G.P. em 51,5% e
T.G.O. em 9,1% dos casos, o que in-
duz a possível e real comprometi-
mento hepático, embora as outras
provas não permitam conclusões
seguras, dada a disproteinemia
sempre presente (39) .
— O mesmo dos autores, com
Ernesto Gondim Leitão, Danilo
Virgílio Mendonça, Helio Couto
r>E Oliveira & Neide da Silveira
Britto, levou a cabo 77 proteino-
gramas eletroforéticos, alguns com
provas funcionais hepáticas, em
outros tantos hospitalizados por
SAP, verificando, em resumo: di-
minuição da fração albumina em
64 casos (83,13%) e 69 (89,61%) e
aumento em 2 (2,59%) e 8
(10,39%), em relação à concentra-
ção absoluta e relativa respectiva-
mente; diminuição da fração alfa
1-globulina em 51 (66,23%) e 57
(74,03%), idem, idem; diminuição
da fração beta-globulina em 34
(44,16%) e 38 (49,55%) e aumen-
to em 24 (31,17%) e 33 (42,86%),
idem, idem; aumento da fração ga-
243
ma-globulina em 66 (85,72%) e 73
(94,82%), idem, idem; proteínas
totais normais em 52 (67,54%),
diminuídas em 14 (18,18%) e au-
mentadas em 11 (14,28%) casos
(40).
— Perante a II Jornada Médica
da Amazônica, que teve lugar de
15 a 18 de agôsto, na cidade para-
ense de Abaetetuba, Ernesto Gon-
dim Leitão, Osvaldo Luiz Forte,
com um dos autores, relataram o
estudo do gastro-acidograma em
37 casos de SAP, nos quais a hipo-
cloridria, observada 22 vêzes
(59,4%) antes do tratamento, ce-
deu ante a terapêutica marcial e
a desparasitização, normalizando-
-se a curva de acidez (41) .
— Em sessão da Sociedade Mé-
dico Cirúrgica do Pará, um dos au-
tores, ao dissertar sôbre novos as-
pectos da patologia tropical, enfa-
tizou a importância atribuída à in-
dividualização da síndrome anémi-
co-parasitária, como conjunto clí-
nico de observação corrente, na re-
gião (42) .
Trabalhos apresentados, nesse
ano, à Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Pará, a
respeito:
José Villela Monteiro enca-
rou 39 casos de SAP, sujeitando-os
a roteiro semiológico com vistas ao
aparelho digestivo (43) .
Maria da Providência Coelho
Braga submeteu 37 casos de inter-
namento por SAP às provas de tur-
11
12
13
14
cm
244
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
vação e floculação do timol, turva-
ção pelo sulfato de zinco, turvação
pelo sulfato de cádmio, Takata-
Ara, cefalina-colesterol, transami-
nases glutâmico-pirúvica e glutâ-
mico-oxalacética, conclmndo que,
dadas as modificações da labilida-
de coloidal do sôro, é de admitir
provável insuficiência do hepató-
cito, embora a presença da dispro-
teinemia possa mascarar os resul-
tados (44) .
— Manoel Fernandes de Oli-
veira, com base em 138 prontuá-
rios do Hospital da Caridade, da
Santa Casa da Misericórdia do
Pará, com diagnóstico de SAP, ave-
riguou 0 comportamento da hema-
timetria e da hemoglobinemia face
ao tratamento, verificando que, de
60,6% de casos com hemoglobina
inferior a 5 g, inclusive 10,1% com
menos de 2 g, por ocasião do inter-
namento, resultou, antes da alta,
cêrca de 3 meses depois, em média,
encontro de 63% abaixo de 11 g;
que de 38,4% com menos de 2 mi-
lhões de hematias, no internamen-
to, se chegou a 63% com menos de
4 milhões, na alta; e que as cifras
de hematias se normalizam antes
das de hemoglobina (45) .
— Carmem Garcia Tuma sele-
cionou 100 casos não complicados
de SAP, hospitalizados, para verifi-
caç a leucocitometria e, em espe-
cial, a eosinofilia, não somente an-
tes, como depois da ferroterapia,
mas não encontrou relação estreita
de causa e efeito nessas observa-
ções (46) .
Yaci Alcântara relacionou,
em 45 internamentos por SAP, as
evidências de estado carencial,
distribuindo-as percentualmente
quanto à carência de tiamina, ca-
rência de vitamina A, carência de
vitamina C, carência de vitamina
D e cálcio, carência proteica e ca-
rência de ferro (47) .
m * *
Em 1964, há a referir o estudo
feito por Osvaldo Gerardo Rios
Arévalo sôbre 654 prontuários do
Hospital da Caridade da Santa Ca-
sa de Misericórdia do Pará, para
fins de verificar o que chamou pa-
tologia associada, ou seja, conco-
mitância de doenças, dentre elas a
síndrome anêmico-parasitária,
constatando apenas 30,1% de afec-
ção única, 40,8% de 2, 16,1% de 3,
7,8% de 4, 0,9% de 5, 0,4% de 6,
afora casos sem diagnóstico (48) .
* * *
Por ocasião da III Jornada Mé-
dica Paraense, em janeiro de 1965,
na cidade de Santarém, Estado do
Pará, houve a apresentação de um
trabalho de dois dos autores com
Neide da Silveira Britto, em que
se renovaram, com maior número
de observações e sob reforço de
mais recursos propedêuticos, argu-
mentos em favor da caracterização
clínico-laboratorial da síndrome
anêmíco-parasítária (49) .
Volume 6 (Patologia)
245
Também foi apreciado, nesse
conclave, um estudo de Ernesto
Gondim Leitão, Edith Seligmann
Silva, Danilo Virgílio Mendonça,
Helio Couto de Oliveira, & um dos
autores, com vistas ao comporta-
mento das transaminases glutâ-
mico-pirúvica, desta vez em mais
33 internados sob diagnóstico de
SAP, todos com o “test” concomi-
tante das provas de Hanger, de
MacLagen e de Kunkel; 12 com a
ideação de Takata-Ara e em 10 com
3- prova da turvação pelo sulfato
de cádmio, sem obter, todavia, re-
sultados conclusivos (50) .
* ♦ *
Em janeiro de 1966, quando se
realizou o 3.° Congresso Médico
Amazônico e l.° Congresso Médico
da Cidade de Belém, dois dos auto-
res tecem considerações sôbre os
níveis de ferro sérico em 14 casos
de SAP, inclusive antes e depois do
tratamento pelo sulfato ferroso, re-
ferindo que 0 ferro orgânico esta-
va, algumas vêzes, quase indosá-
vel, de tão baixo (51) .
Na mesma ocasião, Ernesto
Gondim Leitão & Raynero de Car-
valho Maroja, com dois dos auto-
res^ abordaram o estudo do lipido-
grama eletroforético em uma série
de internados, com o diagnóstico
de SAP, sem complicações, no Hos-
pital da Caridade, da Santa Casa
da Misericórdia do Pará (52) .
CONCLUSÃO
Trabalhos como êsses e outros
mais que estão em andamento con-
tribuem para firmar a convicção
sôbre a legitimidade, já agora ofi-
cialmente admitida, de serem con-
siderados em conjunto, como um
todo clínico, os sinais e sintomas
vinculados à anemia, à carência
proteico-vitamínico-mineral e à en-
tero-infestação múltipla, configu-
rando a síndrome anêmico-parasi-
tária, dentro do quadro nosológico
regional .
SUMÁRIO
É ensaiado o escorço histórico
das observações que conduziram ao
conceito de síndrome anêmico-pa-
rasitária como individualidade clí-
nica, por parte de equipe do Depar-
tamento de Medicina Interna, da
Faculdade de Medicina, da Univer-
sidade Federal do Pará.
Argumenta-se em têrmos de con-
junto de sinais e sintomas, todos
remontando clinicamente a estado
carencial tríplice, de proteínas, de
vitaminas e de minerais, com a su-
perposição, em agravo, de ampla
infestação intestinal, a rememorar,
em tudo, condições médico-sociais
de baixíssimos padrões.
São apontados e sintetizados os
vários trabalhos desenvolvidos em
tôrno da tese, quer encarando-a de
forma genérica, quer fixando-lhes
detalhes, clínicos ou laboratoriais.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
246
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
visando firmar ou infirmar a legi-
timidade da conceituação .
A idéia, levada convictamente a
diversas reuniões técnico-científi-
cas no país, com o apoio de nume-
rosas comprovações, foi aceita,
com aquela nomenclatura, em do-
cumento-relatório do Inquérito Na-
cional sôbre Carência Proteica,
perante o XII Congresso Brasileiro
de Gastrenterologia, realizado na
cidade fluminense de Campos, em
1960.
Outras pesquisas se seguiram,
debaixo do mesmo critério e há, no
presente trabalho, notícia de ou-
tros mais em andamento, amplian-
do estudos e, também, encarandc
aspectos não revistos do tema .
SOMMAIRE
L’ébauche d’un essai historique
des observations qui ont conduit
au diagnostique du Syndrôme Ané-
mique-parasitaire comme indivi-
dualité clinique, a été faite par
1’equipe du Departement de Medi-
cine Interne de la Faculté de Mé-
dicine de TUniversité Fedérale du
Pará.
On argumenta en termes d’en-
semble, les signes et symp tomes
provenant tous, cliniquement, du
triplice manque de protéines, de vi-
tamines et de minéraux, avec sup-
position aggravante d’une ample
infection intestinale, pour rappeler
en tout, les très basses conditions
médico-sociales .
But été notes et synthetisés les
divers travaux développés autour
de la thèse, soit en 1’envisageant
sous la forme générique, que, soit
en les fixant details sous 1’aspect
clinique ou des laboratoires, cher-
chant à affirmer ou à nier la légi-
timité du diagnostique.
L’idée présentée avec conviction
aux plusieurs reunions techniques-
-scientifiques du pays, avec 1’appui
de nombreuses preuves, fut accep-
té avec la nomenclature en un do-
cument-rapport de 1’Enquête Natio-
nale sur le manque des protéines,
au Xlleme Congrès BresUien de
Gastro-enterologie qui s’est réalisé
à la ville de Campos en 1960 .
D’autres recherches s’ensuivi-
rent avec le même but, et il y a
dans 1’actuel travail des notices au
sujet d’autres qui sont en cours en
les amplifiant et aussi en envisa-
geant des aspectes non revus dans
le thème .
BIBLIOGRAFIA
1. Inquérito Nacional sôbre carência
protéica, 1960, XII Congresso Bra-
sileiro de Gastrenterologia.
2. Vianna, c. M., Silva, c. S. H. M. &
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nicos da Síndrome Anêmico-para-
sitária. Trabalho apresentado ao
XII Congresso Brasileiro de Gas-
trenterologia.
3. Silva, E. S., Vianna, C. M. & Rodri-
gues filho, a., 1963, Hipoproteine-
mia na Síndrome Anêmico-parasi-
tária. Rev. Ci. Biol., 1: 5-13.
Volume 6 (Patologia)
247
6 .
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parasitária. Trabalho apresentado
ao XII Congresso Brasileiro de
Gastrenter ologia .
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-parasitária. Trabalho apresentado
ao XII Congresso Brasileiro de
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& Maneschy, L. a. P., 1960, Qui-
mismo gástrico na Síndrome Anê-
niico-parasitária. Trabalho apre-
sentado ao XII Cong. Bras. de Gas-
trent.
8. Rodrigues Filho, A. & outros, 1956,
Poli-infestação parasitária. Tra-
balho apresentado ao II Cong. Med.
da Amazônia.
9. Rodrigues Filho, a.. Leitão, E. G.
& Vianna, c. M., 1956, Hipohemo-
globinemia ambulatória. Trabalho
apresentado ao II Cong. Med. da
Amazônia.
Vianna, c. M., 1957, Plano de tra-
balho. Arq. Paraenses Cir., 3: 103-
-107.
11. Vianna, c. M. & outros, 1957, Ane-
mia verminótica. Rev. Acad. Med.,
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Vianna, c. M., 1958, Síndrome Anê-
mico-parasitária. Trabalho apre-
sentado à I Semana de Estudos da
Enf. s. Francisco.
Amaral, J. l., 1958, Alguns aspectos
clínicos na Síndrome Anêmico-pa-
rasitária. Trabalho apresentado à
I Semana de Estudos da Enf. S.
Francisco.
10
12
13
14. Britto, N. S., 1958, Contrôle hema-
tológico na Síndrome Anêmico-
-parasitária. Trabalho apresentado
à I Semana de Estudos da Enf. S.
Francisco.
15. Pinheiro, F., 1958, Alguns aspectos
hematológicos na Síndrome Anê-
mico-parasitária. Trabalho apre-
sentado à I Semana de Estudos da
Enf. S. Francisco.
16. Borges, C. A. S., 1958, Pressão ve-
nosa. Trabalho apresentado à I Se-
mana de Estudos da Enf. S. Fran-
cisco.
17. Nogueira, G., 1958, Punção biópsia
do fígado em anêmico. Trabalho
apresentado à I Semana de Estu-
dos da Enf. S. Francisco.
18. Rebordão, C., 1958, Parasitismo in-
testinal múltiplo. Trabalho apre-
sentado à I Semana de Estudos da
Enf. S. Francisco.
19. Forte, O. L. & Maneschy, L. A. P.,
1959, Punção biópsia do fígado. Tra-
balho apresentado à II Semana de
Estudos da Enf. S. Francisco.
20. Britto, N. S. & outros, 1959, Hipo-
hemoglobinemia na Síndrome Anê-
mico-parasitária. Trabalho apre-
sentado ao XI Cong. Bras. de Gas-
trent.
21. Rodrigues Filho, A., 1959, Punção
biópsia do fígado. Trabalho apre-
sentado ao XI Cong. Bras. de Gas-
trent.
22. Rodrigues Filho, A. & outros, 1959,
Características patológicas dos
doentes oriundos da região bragan-
tina internados na Enfermaria São
Francisco. Trabalho apresentado à
I Jornada Médica Paraense.
23. Silva, E. S. & outros, 1959, O pro-
blema do parasitismo intestinal
múltiplo no grupo lavrador inter-
nado na Enf. S. Francisco. Tra-
em
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
248
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
balho apresentado à I Jornada Mé-
dica Paraense.
24. Forte, O. L., 1959, Biópsia gástrica.
Ensaio de trabalho científico. Tra-
balho apresentado à Fac. de Med.
da U. P.
25. Albim, L. M., 1959, Síndrome do
Parasitismo intestinal múltiplo.
Trabalho apresentado à Fac. de
U. P.
26. ViANNA, C. M. & Salles, J. M. C., O
colesterol na Síndrome Anêmico-
-parasitária. (Inédito) .
27. Vianna, C. M., 1961, Síndrome
Anémico-Parasitária. Tese. Fac. de
Med. da U.P. 125 pp., Belém.
28 . Vianna, c .M., Araújo, R. & Rodri-
gues Filho, A., 1961, Alterações do
parênquima hepático de pacientes
com Síndrome Anêmico-parasitá-
ria. Trabalho apresentado ao XIII
Cong. Bras. de Gastrent.
29. ViRGOLiNO, E. F., Magno e Silva, C.
S. H. & vianna, C. M., 1961, Contri-
buição ao estudo do ECG na Sín-
dfome Anémico-parasitária. Tra-
balho apresentado ao Xni Cong.
Bras. de Gastrent.
30. Britto, N. S., Salles, J. M. C. &
vianna, c. M., 1963, Níveis plaque-
tários na Síndrome Anémico-para-
sitária. Rev. Ci. Biol., 1: 15-19.
31. Rocha, M., 1961, Incidência da in-
suficiência cardíaca na Síndrome
Anémico-parasitária. Trabalho
apresentado à Fac. de Med. da U. P.
32. santos, a. a., 1961, Pressão venosa
na Síndrome Anémico-parasitária.
Trabalho apresentado à Fac. de
Med. da U. P.
33. Penna, m. W. S., 1961, Aspectos
neurológicos da Síndrome Ané-
mico-parasitária. Trabalho apre-
sentado à Fac. de Med. da U. P.
34. Britto, N. S., 1962, O mielogra-
ma na Síndrome Anémico-parasi-
tária. Trabalho apresentado ao
XIV Cong. Bras. de Gastrent.
35. Magalhães, J. E., 1952, Punção
biópsia do fígado. Trabalho apre-
sentado à Fac. de Med. da U. P.
36. Noura, F. M., 1962, Algims aspectos
da Síndrome Anémico-parasitária.
Trabalho apresentado à Fac. de
Med. da U. P.
37. Vieira, S. M., 1962 Incidência de
cardiopatias no Serviço do Prof.
Affonso Rodrigues Filho. Trabalho
apresentado à Fac. de Med. da
U. P.
38. rocha, a. G. & Tuma, C. G., 1962,
Alguns aspectos da patologia ama-
zônica. Trabalho apresentado à
Sem. de Debates Cient. dos Ac. de
Med.
39. Leitão, E. G. & outros, 1965, Tran-
saminases na Síndrome Anêmico-
-parasitária. Trabalho apresentado
à III Jornada Médica Paraense.
40. Rodrigues Filho, A. & outros, 1963,
Contribuição ao estudo da patolo-
gia amazônica. A eletroforese em
papel na Síndrome Anémico-para-
sitária. Trabalho apresentado ao
XV Cong. Bras. de Gastrent.
41 . Leitão, E. G., Forte, O. L. & Rodri-
gues Filho, A., 1963, Gastro-acido-
grama na Síndome Anémico-para-
sitária. Trabalho apresentado à II
Jornada Médica da Amazônia.
42. Vianna, c. M., 1963, Comunicação
feita à Soc. Med. Cirurg. do Pará.
43. Monteiro, J. V., 1963, Problemas
digestivos na Síndrome Anêmico-
-parasitária. Trabalho apresentado
à Fac. de Med. da U. P.
44. Braga, m. P. C., 1963, Algumas
provas de função hepática na Sín-
drome Anémico-parasitária. Tra-
Volume 6 (Patologia)
249
balho apresentado à Fac. de Med.
da U. P.
45. Oliveira, M. F., 1963, Hemati-
metria e níveis de hemoglobina em
portadores de Síndrome Anêmico-
-parasitária. Trabalho apresentado
à Fac. de Med. da U. P.
46. Tuma, c. G., 1963, Leucocitometria
na Síndrome Anêmico-parasitária .
Trabalho apresentado à Fac. da
Med. da U. P.
47. Alcântara, l. R. g., 1963, Aspectos
de carência múltipla na Sín-
drome Anêmico-parasitária. Tra-
balho apresentado à Fac. de Med.
da u. P.
48. Arévalo, o. G. R., 1964, O problema
da patologia associada nos doentes
internados na Santa Casa de Mise-
ricórdia do Pará. Trabalho apre-
sentado à Fac. de Med. da U. P.
49. Britto, N. S., Rodrigues PIilho, A.
& Vianna, c. M., 1965, Etiopato-
genia da Síndrome Anêmico-para-
sitária. Trabaiho apresentado à III
Jornada Médica Paraense.
50. leitão, E. G. & outros, 1965, Tran-
saminases na Síndrome Anêmico-
parasitária. Trabalho apresentado
à III Jornada Médica Paraense.
51. Otero, N. S. & Lima, R. G., 1966,
Níveis de ferro sérico na Sín-
drome Anêmico-parasitária. Tra-
balho apresentado ao 3.° Cong.
Méd. da Amazônia e l.° Cong. Méd.
da Cidade de Belém.
52. Leitão, E. G. & outros, 1966, Lipi-
dograma eletroforético na Sín-
drome Anêmico-parasitária. Tra-
balho apresentado ao 3.° Cong.
Méd. da Amazônia e l.° Cong. Méd.
da Cidade de Belém.
cm
SciELO
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 251-269 — 1967
PUÇANGARIA AMAZÔNICA
(Ensaio de estudo)
CAIVIILLO MARTINS VIANNA
Departamento de Estradas de Rodagem, Pará
É nosso propósito, no presente
trabalho, considerar um problema
dos mais interessantes observado
ontre os moradores da povoação de
São Raimundo Nonato, povoação
essa situada no municipio de Nova
Timboteua, na zona bragantina,
no Estado do Pará.
Tal problema se prende ao em-
Prêgo dos medicamentos do cha-
mado receituário popular, ou rús-
tico, no local conhecido por “re-
médio velho”, “remédio do mato”,
‘remédio caseiro”, “remédio an-
tigo”, “remédio atôa”, “remédio
Que o povo ensina” ou “puçanga”
Em relação a êste último têrmo,
CÂNDIDO DE Figueiredo grafa: pu-
Çanga — medicamento caseiro,
mèzinha. Feitiço, (do tupi poçang)
(2); o Pe. A. Lemos Barbosa (3)
escreve poçanga, também e o Pe.
Antonio Ruiz de Montoya escreve
pohângâ, para significar remédio,
de um modo geral (4) .
Amando Mendes usa burundan-
ga como mèzinha usada na feiti-
çaria (5) .
As garrafadas ou mexerufadas,
constituem um ramo perfeitamen-
te definido da medicina rústica e
não serão consideradas no presente
trabalho (6) .
Não restam dúvidas que os meios
curativos, a partir, preferencial-
mente, da flora, e, algumas vêzes,
da fauna, atualmente empregados
pelos moradores de Quatro Bocas,
nome pelo qual é conhecida a po-
voação, não são de uso exclusivo de
seus habitantes, como já vimos em
relação ao vocabulário médico-po-
pular (1) .
É perfeitamente válido aceitar
sejam os referidos medicamentos
idênticos aos usados em outras
áreas da chamada zona da Estra-
da de Ferro de Bragança (7), ou
mesmo, em grande parte das de-
mais áreas fisiográficas do Estado,
como também do nordeste brasilei-
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
252
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
ro, de onde são originários a gran-
de maioria de seus habitantes (8).
O que pode ocorrer, são as varia-
ções a que estão relacionadas, as
condições de vida, dessas diversas
áreas.
É possivel identificar, na Amazô-
nia brasileira, zonas de influências,
as mais diversas. A ilha de Mara-
jó, por exemplo, apresenta caracte-
rísticas tão específicas que a isolam
dentro do quadro representativo
da Hiléia Brasileira.
Os seringais, balatais e cauchais
(9), constituem outras facêtas et-
nográficas da Amazônia, o mesmo
se podendo dizer dos garimpos, lu-
gares êsses, onde o homem se adap-
tou a duras penas.
Muito mais modernamente, na
longa história da colonização do
chamado Inferno Verde (10), os
malvais, nas terras relativamente
altas das regiões do Salgado e Bra-
gantina, os jutais nas zonas alaga-
das do Baixo Amazonas, e as plan-
tações de pimenta do reino, nas zo-
nas guajarina e bragantina, vie-
ram dar nova fisionomia à vida só-
cio-econômica dos amazônidas.
A pimenta do reino aculturada
pelos imigrantes japoneses como
sucedeu com a juta, constitui, na
atualidade, um dos maiores susten-
táculos da economia da região,
apresentando novos aspectos ao já
diversificado panorama da planí-
cie.
No que diz respeito a coloniza-
ção da Amazônia, o mecanismo
fundamental do processo, foi o
mesmo do observado nas demais re-
giões do país. O índio porém, não
só veio a ser o mais considerável
co-participante da miscigenação,
como valioso agente do processo
econômico (11) . Dos 3.300.000 ne-
gros que entraram no Brasil no de-
correr de três séculos, sòmente
20.000 vieram para o Norte Brasi-
leiro, sendo portanto um dos que
menos sofreram a influência da es-
cravidão (12) .
Acreditamos que o emprêgo dos
medicamentos do chamado recei-
tuário popular, tenha obedecido, e
obedeça ainda, influênnas as mais
diversas. Leandro Tocantins, já
citado (12), por exemplo, fala da
importância, na Amazônia, no iní-
cio da colonização portuguêsa das
chamadas drogas do sertão, algu-
mas delas consideradas medicinais
e, da grande aceitação que tinham
na Europa .
Na época atual, entretanto, a
não existência de possibilidades
curativas de qualquer origem ou
procedência, em grandes áreas, in-
tervém de maneira acentuada,
como uma das causas fàcilmente
identificadas na continuação do
emprêgo dos chamados remédios
caseiros, domésticos, do mato, ou
puçangas, como se vê no vocabu-
lário de têrmos regionais de Azeve-
do (13) .
Volume 6 (Patologia)
253
Na planície amazônica, o pro-
blema assistencial às populações
do interior é dos mais precários,
resguardando-se as atividades da
Fundação Serviço Especial de Saú-
de Pública, onde ela funcione.
A carência de postos onde se pu-
desse prestar assistência médica,
foi considerada em trabalho recen-
te por Amyntor Bastos (14) .
A ação do govêrno do Estado do
Pará se faz sentir precàriamente,
pela carência de profissionais ha-
bilitados que possa dispor.
O Departamento de Estradas de
Rodagem, através do seu Serviço
de Assistência Social (15), e as
missões religiosas, assim como al-
guns Serviços Federais, alcançam
número reduzido de hileianos.
A rarefação demográfica, tor-
nando difícil a instalação de cen-
tros assistenciais que atendessem
maior número de pessoas (16) e as
possibilidades em adquirir medica-
mentos, uma vez que, o rendimen-
to é gasto quase que exclusivamen-
te na obtenção de alimentos, são
outros fatôres que fazem com que
os habitantes do interior paraense,
lancem mão, como remédios de
mais pronto alcance, das mêzinhas
domésticas.
Onde existem os farmacêuticos,
Gstes, bem ou mal, representam o
papel de médico prático. Entre-
tanto, nas pequenas vilas e povoa-
Çoes, não são encontrados. Nessas
circunstâncias é que os entendedo-
res, pajés, entendidos, grujões ou
mèzinheiros, representam a única
possibilidade que têm os morado-
res do interior de serem atendidos,
mesmo aproveitando, êsses “douto-
res de raiz”, a incultura, supersti-
ção, etc. dos referidos moradores.
Periòdicamente surgem êsses
“doutores de raiz”. O mais conhe-
cido dêles todos, nos últimos anos
é o chamado mestre Modesto que
exercia suas atividades na ilha de
Marajó, onde prestava assistência
à pessoas das mais diversas cama-
das sociais, incluindo os que iam
de Belém com a única finalidade de
serem consultados por êle (17) .
Faz parte do folclore mocorongo
a história de Hilário Patureba, exí-
mio puçangueiro que veio do Acre
para Santarém, cantada em músi-
ca de José Agostinho da Fonsêca e
letra de Felisbelo Sussuarana, com-
posta em 1925.
Acreditamos que os medicamen-
tos rústicos, com o correr dos tem-
pos vão apresentando modificações
com a introdução de novos elemen-
tos . É o caso, por exemplo, dos tra-
tamentos feitos a partir do quero-
sene, do óleo diesel, dos refrigeran-
tes, da água de bateria e da própria
pimenta do reino, produtos êsses de
introdução relativamente recente,
mòrmente os últimos.
Em Quatro Bocas, assim como
nos outros lugares, a tradição oral
é a maneira mais encontrada na
transmissão dos conhecimentos
existentes sôbre puçangaria.
cm
SciELO
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254
Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
LIGEIROS BOSQUEJOS SÔBRE
O PROBLEMA DOS MEDICA-
MENTOS RÚSTICOS DESDE OS
TEMPOS COLONIAIS ATÉ
A ÉPOCA ATUAL
Não restam dúvidas que no pe-
ríodo colonial os médicos e boticá-
rios reinóis ou brasileiros, deverão
ter sido influenciados pelos ensina-
mentos dos extraordinários médi-
cos da côrte; o doutor Garcia de
Orta, “médico português, e varão
grave, de raro e peregrino enge-
nho”, e o “doutor Cristovão da
Costa, médico doutíssimo” .
Sôbre o primeiro, é de interêsse
pôr em evidência “a forma origi-
nal e objetiva como deixara expres-
sas as suas idéias e os seus concei-
tos, através do seu notável livro,
acabado de imprimir em 10 de abril
de 1563, há quatrocentos anos, e
cujo título completo é o seguinte:
Colóquios dos simples, e drogas
E cousas mediçinais da índia, e
ASSI DALGUAS FRUTAS ACHADAS NEL-
LA, ONDE SE TRATAM ALGUAS COUSAS
TOCANTES AMEDICINA, PRATICA, E
OUTRAS COUSAS BOAS, PELO SABER, CO-
POSTOS PELLO DOUTOR GARCIA DOR-
ta: físico DEL Rey Nosso Senhor,
VISTOS PELLO MUYTO REVERENDO SE-
NHOR, HO LICENCIADO AlEIXO DiAS
Falcan, desembargador da casa da
SUPRICAÇÃ INQXnSIDOR NESTAS PAR-
TES COM PRIVILÉGIO DO CONDE VISO
REY.
Impresso em Goa, por Joannes
DE EnDEM aos X DIAS DE ABRIL DE
1563 ANNOS, considerado não ape-
nas um monumento da ciência mé-
dica tropical, terapêutica e farma-
cognosia, como ali nos são trans-
mitidos profundos conhecimentos
sôbre a história natural, antropo-
logia, vida social e conhecimentos
históricos sôbre o extremo oriente”
(18).
O segundo deixou publicado em
1578 o Tractado de las drogas, y
MEDICINAS DE LAS ÍNDIAS ORIENTAIS,
que teve o mérito de realçar a obra
de Garcia de Orta (19).
Carlos Clúzio, deu realce extra-
ordinário às obras dos autores ci-
tados, resumindo e traduzindo para
0 latim, além do aditamento que
fêz a cada capítulo, sempre que en-
tendeu de fazê-lo. O mesmo autor
traduziu, abreviou e publicou, em
1574 com o título de De simpli-
CIBUS MEDICAMENTIS EX OCCIDEN-
TALI InDIA DELATIS, QUORUM IN ME-
DICINA USUS EST, DE NiCOLAU Mo-
NARDEs, que trata das plantas do
Novo Mundo (20).
Sôbre o assunto encontramos
nos Lusíadas (21) o que se segue:
e se buscando vás mercadoria
que produze o aurífero Levante,
canella, cravo, ardente especiaria,
ou droga salutífera, e prestante...
No Brasil o estudo do problema
é sobremodo interessante, sendo
conhecido o chamado livro do Ar-
boristas das Missões, datado de
1790, que descreve mais de cem
plantas medicinais conhecidas pe-
Volume 6 (Patologia)
255
los guaranis das Sete Missões, no
Rio Grande do Sul, e copiado do
original por alguém que não sabia
ler, dai as incorreções existentes
( 22 ).
O cônego Francisco Bernardino
de Souza, em 1873, fala das pro-
priedades curativas do óleo de an-
diroba, do leite de açacu, do óleo
de ucuúba, entre outros (23) .
A monografia intitulada “Enfer-
midades endêmicas da capitania
de Mato Grosso, constante da “Via-
gem filosófica” do extraordinário
médico luso-brasileiro Alexandre
Rodrigues Ferreira, trata, em 1842
da Corrupção, Máculo ou Mal do
Bicho, a rectitite gangrenosa epi-
dêmica, cujo tratamento era feito
desde a introdução de pedaços de
limão Per Anum, até as aplicações
locais de tampões embebidos em
pólvora e pimenta.
O cirurgião licenciado Antonio
José de Araújo Braga, preparou
urn capítulo sôbre a medicina rús-
tica, que deveria ser incluído na
História Filosófica e Política dos
Estabelecimentos Portuguêses, na
Capitania do Rio Negro.
Os informes acima são citados
por Olympio da Fonseca (24) .
Rubens da Silveira Britto ob-
teve informações na antiga povoa-
ção de Vila Bela da Santíssima
Trindade, hoje cidade de Mato
Orosso, sede do município de Mato
Grosso no Estado do mesmo nome.
sôbre o mesmo método de trata-
mento, em 1952 (25) .
N. J. Moreira publicou o seu
“Diccionário das plantas médicas
brasileiras” (26) .
Goeldi não deixa de citar as pro-
priedades curativas do uraçú ou
gavião real grande: “a carne, a
banha, e até o excremento desta
ave, passam por excelentes remé-
dios”, e continua “do acauã . . .
consideram-na ave santa e encan-
tada, padroeira contra as morde-
duras de cobras” (27) .
Martius (Zur Ethnographie
Amerikas) refere que “pennas e
unhas do caracará, do ibiyaú, do
saci, são freqüentemente encon-
tradas nas mãos dos curandeiros
índios” (27).
Em 1961, encontramos, em far-
mácia de Bragança, couro de pei-
xe-boi para uso medicinal; entre-
tanto ainda não achamos referên-
cias sôbre o assunto, nem mesmo
no livro de José Veríssimo ou na
monografia de Nunes Pereira, que
faz uma revisão completa sôbre
êsse sirenídeo, na Amazônia (28,
29) .
O Barão de Marajó diz, sôbre o
muiraquitã: “. . . pedras que se di-
ziam dotadas de propriedades ma-
ravilhosas como um verdadeiro
amuleto ou talismã” (30) .
~ Ainda sôbre o muiraquitã, de
grande importância no fabulário
amazônico, há o estudo de Barbosa
Rodrigues (31) .
cm
SciELO
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Frederico Barata (32) abordan-
do 0 mesmo assunto, nos diz o se-
guinte: “o Bispo D. Frei João de
São José na sua Viagem e visita do
SERTÃO EM o BISPADO DO GrAM-PARA
EM 1762 E 1763, informa . . . estas
são as decantadas pedras-verdes
que em França se estimam tanto;
. . . manda aplicar nas dôres ne-
phriticas em cima da parte affec-
tada, pois há grandes experiências
n’êste particular. São notáveis es-
tas pedras para as hemorroides
inflamadas, e também em offensa
dos nervos, provando bem nos es-
tupores depois de trazidas ao me-
nos três semanas junto ao corpo; e
também esfregando com elas a
boca posta à banda e endireita”.
Era tal a importância das dro-
gas do sertão, que em Belém, e
mesmo na capitania, constituiam
dinheiro corrente (33) .
Gustavo Edwall apresenta uma
relação bastante ampla das plan-
tas indígenas do Estado de São
Paulo com a indicação, em medi-
cina, de inúmeras delas (34).
Arthur Vianna diz que “ ... o
povo do Pará, com especialidade o
do interior, possui largos conheci-
mentos sôbre as propriedades cura-
tivas de uma infinidade de plan-
tas: a matta, a dois passos de dis-
tância é uma farmácia inexgotá-
vel” (35) .
Filogônio Lisbôa em relatório
apresentado ao presidente da pro-
víncia do Maranhão, relaciona 50
espécimes de plantas medicinais
(36) .
Lino de Macedo na sua obra
(37) , “indispensável a quantos
pensem emigrar para a riquíssima
e florescente região amazônica”,
enumera uma série de receitas:
“acauã, ave rapineira considerada
pelos índios ave santa e encanta-
da, padroeira contra as mordedu-
ras das cobras; o bálsamo da ca-
bureíba ou cabureúba, o qual é
milagroso para curar feridas fres-
cas, e para tirar os signaes d’ellas
no rosto; carapanuba, empregada
em casos de icterícia; cumbarú ou
cumaru, empregado como nervino,
analeptico, cordial, diaphoretico e
emmenagogo; guaraná, é calman-
te, subtônico e adstringente, repu-
tado como anti-febril e nas diar-
rheias agudas ou chronicas, nas
moléstias das vias urinárias prove-
nientes de relaxamento dos órgãos
e nas excitações nervosas, e como
preservativo das febres intermi-
tentes da cholera da enxaqueca e
até contra a tísica; jurupario ou
pelle do diabo solvida, produz alí-
vio à mais violenta dor de cabeça;
cuaximguba ou lombrigueira, em-
pregando-se 0 leite ou gomma resi-
na líquida pela sua ação anthel-
mintica e cáustica; leite de maça-
randuba, com vantagem nas mo-
léstias do peito; manacam ou ma-
nacá, poderoso excitante do syste-
ma linphatico e modificador enér-
gico da idiosincrasia escrophulosa.
Volume 6 (Patologia)
257
muito recommendado na sjrphilis,
no rheumatismo e em outros incô-
modos; marupá a casca da raiz em-
prega-se como tônico enérgico nos
fluxos cerosos, hemorrhagias pas-
sivas, febres intermitentes, dysen-
terias, affecções verminosas e as-
thenicas; tamacuaré, espécie de
lagarto, anti-dartroso muito enér-
gico”.
Huber, citado por Theodoro Bra-
ga (38), diz que o leite do amapá, é,
na medicina popular, considerado
como poderoso remédio contra gol-
pes, feridas, etc. e, tomado interna-
niente, contra infecções dos pul-
mões.
Sabemos pelo mesmo autor, que
na exposição do Rio de Janeiro, em
1908, figuraram no mostruário do
Pará, plantas medicinais enviadas
pelo município de Breves (38) .
Lobão Júnior, nos fins do século
passado, e no princípio dêste, pu-
blicou em jornais de Belém, artigo
sôbre a propriedade medicinal de
algumas de nossas plantas: “a
ngua da bananeira São Thomé as-
sociada à creosota e ao chloro-hy-
dro-phosfato de cálcio, no trata-
niento da tísica pulmonar até o se-
gundo gráo”, “o cará no tratamen-
to do anthraz e do furunculo”, “o
cará no tratamento da pústula ma-
ligna”, jatuaaúba, como emme-
nagogo”, “língua de vaca como
^■nti-rheumatico”, “amor crescido,
como hemostático”, “contribuição
3-0 estudo do batatão”, “o amor
n — 37.152
crescido, nas queimaduras”, “o
amor crescido será útil na varío-
la?”, “o côco e suas utilidades” e
“o guaraná e suas atividades”. A
relação acima vem na monografia
do referido autor: “O paludismo
segundo a escola da Algeria” (39) .
Alfredo Augusto da Matta
(40), estudou o problema da flora
medicinal na Amazônia e em par-
ticular a do Estado do Amazonas.
Mello Moraes Filho em estudo
sôbre a Amazônia, diz que “as
plantas gozam entre êsses bárba-
ros, de virtudes miraculosas” (41) .
Alfredo Lamartlne acha que “o
esplendor florestal das matas do
Pará, são representantes variadas
e, preciosas plantas medicinais”
(42).
Penna de Carvalho informa que
0 Govêrno Imperial arbitrou uma
pensão mensal de cem mil reis a
famoso curandeiro que tratava a
lepra com um remédio que tinha
por base “o sueco expresso da plan-
ta conhecida pelo nome de para-
carí’”. Nesse trabalho, o autor dá
ciência que o doutor Américo
Campos apresentou, para concurso
a prêmio, à Sociedade Médico Ci-
rúrgica do Pará, “estudo sôbre as
propriedades therapêuticas da pa-
taqueira ou hervão” e “o impiris-
mo no Amazonas” (43) .
Ernesto de Oliveira diz que “o
pajé representava o papel de semi-
-deus, com maior prestígio nas tri-
bus que o próprio tuchaua” (44) .
cm 1
SciELO
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Leandro Tocantins (12), já ci-
tado, diz que “das árvores e ervas
medicinais, abundantes nas matas
e nos campos da Amazônia, con-
tam-se prodígios e, freqüentemen-
te, se enviavam à metrópole, para
gasto dos hospitais reais e milita-
res — conforme se lê na carta de
Miguel P. de Souza ao bispo do
Pará, em 14 de julho de 1812.
Anísio Jobim em estudo sôbre o
município de Manacapurú, relacio-
na muitas essencias de uso comum
na medicina, empregadas pela po-
pulação, principalmente dos pon-
tos mais centrais (45) .
O Canuaru, nos diz Jorge Hur-
LEY, é um sapinho arbóreo, feiti-
ceiro, muito estimado nas puçan-
gas de uso externo, na Amazônia
(46).
O Vocabulário de Crendices
Amazônicas, de Osvaldo Orico é
um excelente repositário da puçan-
garia hileiana (47) .
Raul Coimbra, farmacêutico pa-
raense, apresenta um catálogo dos
dados principais sôbre plantas uti-
lizadas em medicina e farmácia,
com um apêndice sôbre algumas
drogas de origem animal usadas
em farmácia galênica (48) .
Paul le Cointe em trabalho sô-
bre o Estado do Pará, apresenta
uma relação bastante ampla de ár-
vores e plantas medicinais existen-
tes no Pará, umas cujo princípio
ativo é conhecido e outras não
(49).
O extraordinário etnólogo Curt
— de nome — Nimuendajú —
por adopção — com 43 anos dedi-
cados ao estudo do índio brasileiro,
se preocupou em estudar as plan-
tas e os animais que entram na
alimentação e na medicina da in-
diada (50) .
Novamente Paul le Cointe em
outro livro muito mais completo,
sôbre as árvores e plantas úteis da
Amazônia trata das principais apli-
cações e propriedades de uma série
de árvores, incluindo sua utiliza-
ção na medicina popular (51) .
Pio Correia, segundo Pimentel
Gomes, autor do “Dicionário das
plantas úteis do Brasil”, diz que o
óleo da castanha do Pará, tem
aplicação em preparados farma-
cêuticos (52) .
O óleo da andiroba também
apresenta propriedades medici-
nais (53), e é de largo emprêgo
na Amazônia.
Algumas partes do pirarucú
são empregadas nas mèzinhas
amazônicas, particularmente a sua
língua (54), usada para ralar o
guaraná, produto tônico e refrige-
rante, fabricado pelos índios Maués
(55).
Em junho de 1797, D. Rodrigo de
Souza Coutinho escrevia, em nome
da Rainha, à seu irmão. Governa-
dor e Capitão General do Estado do
Grão Pará e Maranhão, recomen-
dando tôda diligência e atividade
Volume 6 (Patologia)
259
para facilitar a descoberta da ár-
vore da quina (56) .
Adelino Brandão tratou do pro-
blema da medicina popular do
norte do país em publicação recen-
te (57) . O mesmo ocorrendo com
Osvaldo Orico (58) .
O óleo do cajú é apresentado, en-
tre outros óleos vegetais, no trata-
mento da lepra, na índia, por
Souza Araújo (59) .
Ferreira Teixeira diz serem nu-
merosas as plantas no arquipélago
de Marajó (60).
O assai, cujo vinho tem a mais
ampla distribuição em nosso Es-
tado, é apresentado como anti-es-
crofuloso, por Gonsalves (61) .
Anísio Jobim fala das providên-
cias tomadas pelo governador Go-
mes Freire de Andrade contra o
estrago de certas drogas do sertão,
que tinham grande aceitação para
uso na medicina. Nos diz ainda
que Frei José da Madalena, usava
no Rio Negro, por volta de 1730, va-
cina contra a bexiga (62) .
Couto de Magalhães em 1852,
fala das propriedades curativas da
anhuma (63) .
Wagley, no seu excelente livro
sôbre uma comunidade amazônica,
aborda temas de puçangaria (64).
José Maria Condurú, entre as
propriedades do dendê, inclui as
medicinais (65) .
A carência completa de técnicos,
motivou a improvisação, de dois
vultos prestigiosos na floresta
amazônica. O rezador e a parteira
( 66 ).
Jaime de Sá Menezes afirma; de
tal maneira astutos, os indígenas,
guiados pelos instintos, foram,
tanto quanto puderam, valendo-se
dos recursos que a natureza lhes
oferecia ao manejo empírico da
medicina que se tripartia em ani-
mista, naturista e mágica (67).
Alceu Maynard de Araújo tem
trabalho sôbre a medicina rústica
paulista (68) e nordestina (69) .
Os índios amazônicos aproveita-
vam as plantas indígenas na sua
medicina, isso de acôrdo com Mar-
Tius & Spruce, o primeiro citado
enumera no seu “Systema mate-
riae medicae vegetabUis,” mais de
cem espécies. É o que nos informa
Gastão Cruls (70) .
Raul Coimbra, já citado, apre-
senta nova edição do seu livro, re-
vista e aumentada, pelo professor
farmacêutico E. Dmiz da Silva
(71).
Eduardo Galvão ao estudar o
problema da aculturação indígena,
no Rio Negro, diz que o tratamento
das doenças pelos Muttauari-sara
e pajés, são partes da herança tri-
bal, sempre avivada pelos índios
que continuam a descer das malo-
cas para os sítios (72) .
Karol Lenko considerou o as-
sunto em estudos processados no
Amapá (73) .
cm
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Moreira Neto, do Museu Para-
ense Emílio Goeldi, em trabalho
destinado à caracterização das
frentes pioneiras que penetram e
ainda hoje atuam sôbre territórios
tribais Kaiapó, no baixo Araguaia,
diz que o tratamento usual é feito
à base de rezas e benzeções e os
poucos medicamentos elaborados
nos centros urbanos são conheci-
dos e utilizados (74) .
No Rio Tefé, os índios usariam
para a extirpação da ameba, o su-
mo da erva-cidreira, com gema de
ôvo e açúcar, como terapêutica efi-
caz (75) .
Completo e excelente trabalho
sôbre remédios caseiros a partir da
flora é o de Balbachas, com apre-
sentação de uma extensa e minu-
ciosa relação de plantas medicinais
(76) .
Os seringueiros recorriam às pí-
lulas de jalapa e a outras drogas
que a medicina do tempo aconse-
lhava, e que eram obrigatórias na
lista de fornecimento do barracão
(77) .
Karol Lenko estudou o proble-
ma do “jasmim de cachorro” (fe-
zes sêcas) (78) citando o trabalho
de Francisco Morato Roma (1661)
“Luz da medicina prática racional
e metodicamente, guia de enfer-
meiros, divididas em três partes”;
ês.se mesmo autor fala do emprêgo
médico do tatuzinho (79), peque-
nos crustáceos pertencentes a or-
dem dos isópodas; assim como a
medicina popular na ilha dos Bú-
zios (80) . O mesmo Lenko, tratan-
do da interferência da anhuma
(81) na crendice popular arrola os
seguintes estudos sôbre o tema;
“Tratado da terra e gente do Bra-
sil” de Fernão-Cardim, fins do sé-
culo XVI; “Poranduba maranhen-
se” de Frei Francisco de Nossa Se-
nhora DOS Prazeres, 1919; “Ensaio
corográfico sôbre a província do
Pará” de Antonio Ladislau Mon-
teiro Baena, 1839 e “Lendas e tra-
dições brasileiras” de Affonso Ari-
Nos, 1917. O autor citado acima
fala ainda das propriedades curati-
vas do cavalo marinho e arrola os
trabalhos sôbre o assunto de Tho-
MAs Ewbank “Life in Brazil”
1956; “Cachaça moça branca” de
José Calazans, 1951 e “Alguns as-
pectos da pesca do litoral” de
Carlos Borges Schimidt de 1947,
todos girando sôbre as proprieda-
des curativas do hipocampo (82) .
O mesmo autor (83) ao falar das
virtudes terapêuticas do anum, ci-
ta 0 trabalho “Cozinheiro Nacio-
nal”, publicado no século passado,
por B. L. Garnier, de autor anô-
nimo que trata do mesmo assunto.
As plantas medicinais da hileia
brasileira, foram igualmente estu-
dadas pelo extraordinário botânico
Ducke que, junto com Huber, fo-
ram os maiores estudiosos da flo-
ra amazônica (84) .
Volume 6 (Patologia)
261
Alceu Maynard de Araújo,
..apresentou recentemente uma
classificação sôbre medicina rústi-
ca, como prefere chamar (85) .
A castanha do Pará também en-
tra no receituário popular (86) .
CouTiNHO DE Oliveira possui um
trabalho sôbre medicina popular,
rezas e crendices (87) .
Número de abril de 1964 da re-
vista Chácaras e Quintais traz re-
lação de livros sôbre medicação po-
pular “Riquezas Medicinais da
Flora Brasileira”, de Frei Carlos
Valetti; “Formulário terapêuti-
co” de Dias da Rocha, 1947; “Estu-
dos de matéria médica brasileira”
de Mello Oliveira, 1905 e “Plan-
tas medicinais brasileiras” de Fre-
derico Freire, 1934 .
Monteiro, relaciona a mandioca
no rol da medicina rústica (88) .
Longe de ser problema dos tem-
pos coloniais, florescem no Brasil,
práticas primitivas de medicina:
ervateiros e raizeiros, procuram su-
prir, à sua maneira, a falta do mé-
dico (89), (90).
Atchley, recentemente, diz da
influência nociva do curador, na
evolução médica (91) .
Em farmácia de Belém, o autor
adquiriu medicamento a partir da
flora da região, cuja fórmula per-
tence ao eminente botânico brasi-
leiro, Barbosa Rodrigues e que vai
anexada ao presente trabalho.
RELAÇÃO DOS MEDICAMENTOS
RÚSTICOS USADOS ENTRE OS
MORADORES DA POVOAÇÃO DE
QUATRO BOCAS
Daremos primeiro o nome da
doença e em seguida a indicação
terapêutica .
1. IMPALUDISMO — Chá da
raiz pisada do rinchão, com
fôlha de abacate. Usa-se vá-
rias vêzes ao dia.
2. VERMES — Chá da flor do
mangeriobão, machucada, co-
zida e esfriada. Toma-se em
jejum, como purgante.
3 . REUMATISMO — Fricção com
banha crua, tirada na hora.
Esfregar até derreter, do jeito
que sai do cururú . óleo diesel
e querozene são equivalentes.
4. DESINTERIA — Chá da raiz
de retirante, socada com grêlo
de goiabeira.
5. AMARELIDÃO — Fôlha de
pariri cozida, até ficar apura-
da. Coloca-se açúcar e usa-se
várias vêzes ao dia .
6. BRONQUITE — Chá bem
grosso da raiz de pecaconha e
raiz de muçambê, com açúcar.
Quase um lambedor.
7. SARAMPO — Chá da flor do
sabugueiro .
8. DOENÇA DOS OLHOS — Su-
mo da fôlha de vassourinha,
frio, coado, dosado com leite
do peito e colocado às gôtas.
cm
SciELO
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
9. AMEBA — Chá da batata de
purga (batatão) .
10 . SÍFILIS — Chá da raiz da sal-
sa braba .
11 . DOR DE OUVIDO — Sumo de
arruda com leite do peito. Pre-
parado à semelhança do nú-
mero 8.
12. DOR DE URINA — Chá da
raiz de quebra-pedra, côco ver-
de e alfazema. Usa-se em xí-
caras pequenas, várias vêzes ao
dia.
13. DOR DE ESTÔMAGO — Chá
da fôlha de carmelitana, dosa-
do com sal.
14 . CORAÇÃO — Chá da fôlha de
lima, tomado como água.
15. HEMORRAGIA UTERINA —
Banana prata bem verde e
misturada com açúcar dôce.
Dar crú.
16. BLENORRAGIA — Chá da
raiz da cabeça de negro. Meio
copo ao almoço, café e janta,
como purgativo.
17. FÍGADO — Chá da fôlha de
sucurijú, como água.
18. BAÇO — Sumo de mastriço
com leite crú, de gado. Em je-
jum, 1 copo.
19. TUBERCULOSE — Sumo da
fôlha do melão de São Caetano
socada no pilão . Meio copo em
jejum, todo dia.
20. AMÍDALAS — Banha derreti-
da de tejuaçu passada à noite,
no pescoço ou na goela.
21 . ASMA — óleo derretido de bo-
to, mais sumo de mastruço.
Colher de chá para as crianças
e das de sopa para adulto.
22. RETIRADA DE CORPO ES-
TRANHO — Emplastro de fel
de paca.
23. INCHAÇÃO DA PERNA
Banho de cozimento de casca
do cedro e fôlha de capeba
(malvarisco) .
24. DOR DE DENTE — Óleo da
casca do côco, tirado no ôlho
do machado.
25. TOSSE — Pimenta do reino
pilada com açúcar ou sob a
forma de lambedor.
26 . BUCHO INCHADO — Chá da
fôlha de eucalipto.
27. PRISÃO DE VENTRE — La-
vagem do chá da fôlha de eu-
calipto .
28. REUMATISMO — Gasolina
para fricção.
29. INDIGESTÃO — Chá da cas-
ca da laranja.
30. ARRÔTO CHÔCO — Chá da
casca da laranja, temperado
com sal.
31. COQUELUCHE — Lambedor
da casca da manga.
32 . DOR DE CABEÇÃ — Sebo de
Holanda ou banha de cacau.
Derreter e colocar na fronte.
33. FERIDA CRÔNICA — Pedra
lispe, em cima.
34. CAVALO DE CRISTA E VER-
RUGA — Colocar em cima,
água de bateria.
1. I, SciELO
1 Volume 6 (Patologia) 263
1 35. MOUQUICE — Esgravatar o
do) , misturado com anil e óleo
1 ouvido, com rabo de tatu.
de andiroba, para passar.
1 36. PRISÃO DE URINA — Chá de
49 . INSÔNIA — Chá de flôr de la-
1 maria mole .
ranja.
1 37. CATARATA — Sumo do ôlho
50. TUBERCULOSE — Leite de
1 da melancia. Socado coado e
amapá. Meio copo em jejum.
1 temperado com leite do peito.
todo dia.
1 Usa-se de manhã e à noite.
51. ORQUITE — Banho morno da
1 38. DEFLUXO — Chá da raiz da
entrecasca do cedro.
1 pecaconha, no inverno serve
52. PASSAMENTO (AGONIA)
para tosse.
Chá da perpétua branca, com
39. PARA CRIANÇA QUE CUSTE
açúcar .
A NASCER — Chá de catinga
53 . RIM E FÍGADO — Chá da fo-
da mulata ou catinga da mu-
lha caida do abacate.
lata, mais chicórea.
54. CATARRO NO PEITO —
40. DESMANCHO DE CRIANÇA
Lambedor da raiz de muçam-
— Chá da raiz de retirante .
bê.
41. FEBRE COM DEFLUXO —
55. ASMA — Semente de urucu.
Chá da raiz do rinchão, com
tirada da caixota. Uma fervu-
açúcar .
ra, tirando-se nove vêzes e es-
42. TOSSE COM DEFLUXO —
puma, mais erva doce, meio
Chá da raiz do fredegoso, com
quilo de açúcar. Lambedor.
açúcar.
56. CRIANÇA QUE CUSTA A
43. EMPANZINAÇÃO — Chá da
NASCER — Cabaça de roçado.
raiz da angélica, com açúcar.
um pedaço torrado, sem quei-
44. TONTEIRA — Gema de ôvo
mar, colocado no chá da chi- 1
batida mais sumo de mastruço
córea . 1
cru. Faz-se o unguento no pa-
57. icterícia — Vinho verde, 1
pel e se aplica o emplastro na
mais alfazema torrada, toma- 1
fronte .
do em jejum, um cálice de 1
45. ESPINHELA CAÍDA — Reza
manhã, à tarde e à noite . 1
benzida com ramo de vassou-
58. OPAÇÃO — Banho da cana 1
rinha .
sêca, mais salva. Toma-se três 1
46. amídala — Azeite de andi-
goles da mistura, antes do 1
roba, para passar ou beber.
banho. 1
47 . amídala — Banha de te-
59 . ATAQUE — (epilepsia) — Ti- 1
juaçu para beber.
rar a roupa, queimá-la, jogan- 1
48 . PAPEIRA — Barro de casinha
do as cinzas no rumo da cor- 1
de leão (espécie de marimbon-
rente. Usa-se ainda, baba de 1
cm
SciELO
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264
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
cavalo alazão cansado, coloca-
do diretamente na bôca do
doente .
60. ESCORRIMENTO — Lava-
gem uterina da casca do breu .
61 . DOR NA GOELA — Banha ou
sangue da galinha roxa. O
sangue pode ser tirado do de-
do grande . Usa-se bebendo ou
passando no pescoço.
62. AMENORREIA — Chá da raiz
da mejerioba com uma pitada
de sena, mais três folhas de
pluma .
63. INTOXICAÇÃO ALIMENTAR
— Chá de pluma, mais pele
sêca, torrada — de dentro —
da moela da galinha. Como
vomitório. Não surtindo efeito
da primeira vez, na segunda é
infalível .
64 . ERISIPELA — Chá da maniva
de veado, pisada com a nata
do leite cru, mais cânfora,
mais reza.
65. HEMORROIDE DE QUAL-
QUER NATUREZA — Chá da
erva moura, com fôlha, raiz e
tudo.
66 . DOENÇA VENÉREA — Banho
de capim santo.
67. REUMATISMO — Fricção
com banha de jiboia.
68. DOENÇAS DO ESTÔMAGO E
- DO INTESTINO — Chá da
flôr da castanheira.
69. VENTO ENCAUZADO — Chá
da fruta da pimenta do reino .
70. PRISÃO DE OBRA — Chá da
pimenta longa, de igapó.
71. FILARIA — Emplastro das
folhas, grandes, de capeba,
com azeite carrapato ou de an-
diroba.
72 . LEITE PRÊSO (MASTITE) —
Sal torrado. Passar em cima
do seio. Tira-se o leite e pisa-
-se no pilão, de tal maneira
que esguiche para todos os la-
dos.
73. LEITE PRESO EM MÔÇA —
Purgante de azeite de carra-
pato e chá de sena.
74. ENTANGUIDO — Durante
três sextas-feiras seguidas, me-
dir a altura, na bananeira,
cortando a árvore, em seguida.
75. PANO BRANCO — Fôlha pi-
sada de rabo de raposa.
76. IMPINGE — Leite do lacre,
depois de quebrar o ôlho ou o
sumo do manjeriobão do Pará.
77. HÉRNIA — Reza. Costuran-
do-se um paninho com agulha
nova, durante a mesma.
78. CONJUNTIVITE — Água que
mina do corte, ou sumo da ba-
tata do gapuí. Pode-se mistu-
rar com clara de ôvo.
79. REUMATISMO — Chá de mu-
cura-caá, mais raspa da raiz,
depois de três dias. Colocai
em cima.
80 . DOR NA GOELA — Lambedor
da raiz de muçambê, mais fô-
lha de algodão prêto.
1 Volume 6 (Patologia) 265
1 81. PEITO ABERTO — Mede-se
91 . PARA ABRIR O APETITE —
1 com uma vara a distância que
Leite de amapá, do amargo.
1 vai do cotovêlo até a ponta do
com vinho e mel de abelha .
1 mindinho. Depois coloca-se a
92 . FERRADA DE ARRAIA — En-
1 dita vara, pela frente, de om-
costar a genitália externa de
1 bro a ombro. Em seguida faz-
mulher, na sesura, devendo a
1 -se um emplastro de leite de
mulher ficar trepada em cima
1 succuba ou leite de pocoró.
do doente.
1 Quando o emplastro cair, po-
93. PICADA DE TUCANDEIRA
1 de medir novamente, já estará
(espécie de formiga) — Colo-
1 melhor .
car uma pedra de açúcar, em
1 82. ASMA — Chá da raiz da vas-
cima .
sourinha ou sumo do sabu-
94 . MORDIDA DE COBRA — Ba-
gueiro ou ainda semente pila-
nha de tatu, basta passar na
da do gergelim prêto.
sesura, e tomar um pouco com
83. CALO SÊCO — Agua de sal
água amornada.
para passar a dor.
95 . FACILITAR O PARTO — Chá
84. CATARRO NO PEITO OU
de gergelim — do branco ou
GRIPE — Chá da casca da la-
de prêto — pisado, tira-se o
ranja serenada.
sumo e dá-se para beber, a fim
85 . VÔMITO — Guaraná (refrige-
de “vir as fôrças”.
rante) fervido .
96. AMARELIDÃO — Leite de
amapá com café ou mesmo 1
86. IMPALUDISMO — Chá da
guaraná. Não é preciso dieta 1
raiz de pacoral.
grande . 1
87. PARA ACELERAR O PARTO
97 . INSÔNIA — Fôlha de lima ou 1
— Chá da raiz da chicórea.
de laranja. Fazer chá para to- 1
mais raiz de gergelim.
mar tôda bôca da noite, com 1
88. PRISÃO DE VENTRE — La-
doce (açúcar) . 1
vagem da fôlha de cicreira.
98 . ATAQUE DE VERME — Pisar 1
com fôlha de melão de São
um dente de alho, fazer chá e 1
Caetano .
dar para tomar; também se dá 1
89. PICADA DE MARIMBONDO
para cheirar o dito dente . 1
Colocar o aço frio do ferro
99. DOR DE CÓLICO — Em cri- 1
(terçado) em cima sem mo-
ança de menos de dez anos, 1
lhar, senão, incha.
hortelã do miúdo, põe-se água 1
90. PICADA DE COBRA — Chá
no fogo com quatro ou cinco 1
de birra (maconha) .
galhinhos até ferver, deixa-se 1
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
baixar, põe-se uma ponta de
doce, cobre-se e dá-se de colhe-
rinhas.
SUMÁRIO
O autor baseado em experiência
de doze anos de atividades como
responsável pelo pôsto médico do
Departamento de Estradas de Ro-
dagem do Pará, na povoação de
São Raimundo Nonato, apresenta
uma série de medicamentos rústi-
cos, passando em revista autores
brasileiros e estrangeiros que apre-
sentam suas observações sôbre o
tema.
SOMMAIRE
L’auter appuyé par 1’expérience
de douze ans d’activités comme
responsable du poste-médical du
D.E.R. — Para, du village de São
Raimundo Nonato, a présenté une
série de médicaments rustiques
passant en revue des auteurs bré-
siliens et étrangers qui présentent
leurs observations sur le thème.
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
Vol. 6 (Patologia): 271-284 — 1967
CURIOSIDADES DO ATENDIMENTO MÉDICO
EM PEQUENA POVOAÇÃO AMAZÔNICA
CAMILLO MARTINS VIANNA
Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Pará, Belém
OBJETIVO
Considerar alguns aspectos do
atendiniento médico efetuado no
posto médico existente na povoa-
ção de São Raimundo Nonato, no
oiunicípio paraense de Nova Tim-
boteua, na zona bragantina, foca-
lizando a parte mais interessante
ãêsse atendimento, assim como fa-
tos relacionados ao nascimento, vi-
da e morte de seus moradores.
CONSIDERAÇÕES GERAIS
O posto médico desempenha, nos
pequenos aglomerados populacio-
íiais, onde exista, papel da mais
alta importância na sociedade lo-
cal, influindo sensivelmente, nas
condições de vida e saúde dêsses
pequenos centros do interior ama-
zônico .
Na Amazônia Brasileira, onde a
carência do atendimento médico é
fato inconteste (1), tomamos como
posto representativo o situado na
povoação de São Raimundo Nona-
to, mais conhecida como Quatro
Bocas, situada à margem da estra-
da tronco que liga Belém, capital
do Estado, à cidade de Bragança,
na costa atlântica.
A partir do ano de 1954 o Ser-
viço Médico do Departamento de
Estradas de Rodagem do Pará, pas-
sou a prestar assistência médico-
-dentária aos habitantes da vila de
Taciateua, sede da 2 .^ Residência
Rodoviária, daquele Departamento
(2), no atual município de Santa
Maria do Pará.
No princípio, alguns chamados
esporádicos, e depois mais frequen-
tes, nos levaram a estender o aten-
dimento a Quatro Bocas, em local
situado na periferia da povoação,
em casa pertencente a engenheiro
do DER .
O aumento constante do número
de pessoas atendidas deu como re-
sultante, a construção do atual
posto médico. A assistênica pres-
tada não se limita aos residentes
em Quatro Bocas, como também
cm
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272
Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
não está restrita aos funcionários
do órgão rodoviário (3), sendo ex-
tensiva aos moradores dos municí-
pios e das colonias agrícolas vizi-
nhas.
O funcionamento do posto apre-
senta duas características bem de-
finidas, no tangente ao atendimen-
to: o que está sob a responsabili-
dade do enfermeiro residente e o
que está na dependência da pre-
sença dos médicos e dentistas, atra-
vés dos chamados comandos médi-
co-rodoviários (4), realizados aos
sábados, com a participação dos
acadêmicos da última série do cur-
so de medicina, tendo em vista o
treinamento da assistência médico-
-rural .
A povoação de Quatro Bocas tem
sido motivo de diversos trabalhos
técnicos-científicos, apresentados
em reuniões, conclaves, conferên-
cias, assim como a inquéritos sócio-
-econômicos e parasitoscópicos .
ALGUNS ASPECTOS DO ATENDI-
MENTO MÉDICO
As pessoas das colonias agrícolas
distantes, usualmente alcançam o
posto por intermédio dos chamados
paus-de-arara, que são caminhões
adaptados, rústicamente, ao trans-
porte de passageiros. Não existin-
do linha regular, a solução é dei-
jcar o lugar de origem, a pé, às pri-
meiras horas da manhã.
Quando não é possível a ida
ao posto, algum amigo ou familiar
é quem apresenta as queixas, oral-
mente ou por escrito.
Bem poucas vêzes chegam ao
posto trazidos em rêde ou em ani-
mais de cela.
A afluência ao posto não parece
obedecer a nenhuma norma fixa.
Assim é que nos dias de chuva o
número de pessoas diminui sensi-
velmente; por outro lado, nos dias
de missa, que se realiza no 3.° sá-
bado de cada mês, a procura chega
ao dôbro dos dias normais. Quando
há solicitação do padre em deter-
minados dias o atendimento não
chega a se processar.
Outras vêzes, mesmo não sendo
frequente, os transportes coletivos
que passam pela povoação, fazem
paradas mais demoradas, por soli-
citação dos passageiros, com a fina-
lidade de serem atendidos. De ou-
tra feita, quase todos os convida-
dos de um casamento que se reali-
zava na povoação, foram ‘tirar”
consulta .
No atendimento predominam as
mulheres, vindo em seguida as cri-
anças e finalmente os homens, em
número sempre reduzido.
Usualmente as mães levam sò-
mente uma ou duas crianças, dei-
xando em casa a maioria. A con-
sulta dos ficantes é feita a partir
das informações da acompanhante
— às vêzes vizinha — e da possível
semelhança com a doença das que
vieram .
Volume 6 (Patologia)
273
Invariavelmente apresentam
suas queixas da maneira mais eco-
nômica possível, não adiantando
aprofundar a inquirição, pois, pou-
co cu quase nada além do já dito,
iremos obter.
A solicitação do remédio é bem
mais frequente que a própria quei-
xa. Quase sempre tais remédios, ou
são do receituário popular ou pe-
nicilina e sulfa, sendo que êstes
dois podem ser considerados como
influência da ação do FSESP.
É quase norma geral que as mo-
cinhas do povoado se apresentem
por último, fazendo uso dos seu.s
melhores vestidos.
A monotonia dos casos clínicos é
a norma obrigatória, não deixando
dúvida quanto ao predomínio do
entero-parasitismo múltiplo e da
carência associada. Pràticamente
60 a 70^ dos casos gira sôbre elas,
em adultos, pois, quanto às crian-
ças é o percentual total, levando em
conta, naturalmente, as intercor-
rências .
As doenças respiratórias, agudas
ou crônicas, podem ser situadas,
por ordem de freqüência, imediata-
mente abaixo das acima referidas.
Entre 40 a 50% do pessoal aten-
dido, é repetição de consulta, mòr-
mente entre os moradores de Qua-
tro Bocas.
A valorização de sinal ou sinto-
ma é norma geral, sendo considera-
dos, como doença isolada. Dar ca-
racterísticas de gravidade a êsses
sinais e sintomas, ou doença be-
nigna, é de uso corrente.
Quando há elevação térmica, o
confinamento ao quarto único —
camarinha — é feito sistemàtica-
mente, ficando pràticamente essa
dependência às escuras, pois até as
frestas são obstruídas . As vêzes sô-
bre a cama ou rêde do doente colo-
ca-se uma coberta ou lona, visando
impedir a entrada de uma possível
gôta de chuva.
As dietas a que são submetidos
os doentes são as mais carentes
possíveis, visto serem constituídas
de mínguas e caldos, não se fazen-
do uso de carne ou verduras. Nes-
se particular as que mais são atin-
gidas são as parturientes no perío-
do denominado resguardo .
Durante a fase de doença e mes-
mo em plena cura, com receio de
recaída, não fazem uso de preceitos
elementares de higiene pessoal e
andam sempre calçados, coisa que
não ocorre comumente.
Durante a menstruação as mu-
lheres suspendem qualquer tipo de
medicação de que estejam fazendo
uso.
Observamos com razoável fre-
qüência, pessoas que tenham tido,
em alguma época da vida, aconte-
cimento patológico de maior ou
menor importância, restringirem
grandemente suas atividades atri-
buindo tôdas as condições mórbi-
das que ocorrerem à doença inicial.
18 —
37.152
cm 1
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Aos doentes graves, ou a que isso
pareça, a afluência à residência é
incomum, havendo pessoas habili-
tadas a passar a noite — fazer
quarto — na casa dêsses doentes.
Os nascimentos ocorridos na po-
voação são assistidos por parteiras
leigas e não pelo enfermeiro.
Qualquer modificação, para pior,
no quadro clínico, durante o em-
prêgo, de determinado medicamen-
to, é atribuída a êsse remédio, cujo
uso é suspenso.
Por outro lado, quando o medi-
camento surte efeito, êle deverá ser
empregado nas mais diversas cir-
cunstâncias. Da mesma maneira,
não surtindo efeito às primeiras do-
ses, é rejeitado, por ineficaz.
Algumas vêzes o emprêgo de me-
dicamentos é acompanhado de die-
tas as mais absurdas, invariàvel-
mente suspendem o uso de frutas,
porquanto qualquer modificação
no quadro clínico é atribuído a es-
sa fruta.
Em determinados dias santifica-
dos, mòrmente nos chamados gran-
des dias que correspondem aos três
últimos dias da Semana Santa,
suspendem o emprêgo dos medica-
mentos .
Havendo coincidência com a
ingestão de alimentos ou mesmo
na vigência de certas condições at-
mosféricas, 0 uso do remédio é
transferido.
A quebra da rotina alimentar po-
de ser responsabilizada pela não
eficácia do medicamento . Uma do-
ente atribuiu sua doença ao fato
de, no puerpério, deixar de fazer
uso de água corrida — de igarapé
— para beber água puxada de poço.
Algumas vêzes atribuem todos os
seus males ou a doenças inexisten-
tes ou à quebra dos seus hábitos de
vida. Entre as primeiras temos as
pretensas doenças do fígado, dos
rins e reumatismos.
A qualquer estágio de determi-
nada doença, é atribuída gravida-
de, mòrmente se aparecem, isola-
dos ou associados, sinais ou sinto-
mas, que a primeira vista possam
significar mau presságio, tais co-
mo dispnéia, convulsão, desmaio,
cianose e mesmo sudorese .
De outra forma, nos casos graves
de espoliação nada de positivo se
faz, excetuando as punições, quan-
do há perversão do apetite .
Muitos vêzes, duas ou mais pes-
soas vêm a consulta, porém sòmen-
te uma delas é que apresenta a
queixa das demais. O informante
pode ou não ser portador de doen-
ça.
É bastante freqüente a apresen-
tação das queixas por escrito, quer
do que venha à consulta quer dos
que ficaram em casa. São escritas
a lápis e feitas quase que exclusi-
vamente pelas mulheres. Vejamos
um exemplo:
Volume 6 (Patologia)
275
Escelentricimo doutor . . |
Dezejo felicidade
Escrevo-lhe êste bilhetinho so-
mente para lhe dizer que estou
com uma melhorinha. Agora es-
tou com mais esperança. Tam-
bém o medicamento foi pouco, as
engeção só foram tres e a doença
já estar velha já faz oito anos
que eu sofro desta equisema.
Mas peço-lhe a V . alteza que me
mande mais, do mesmo medica-
mento, calcimag, se não for im-
possível, calcimag em líquido en-
geção pomada e comprimido.
Sim, comigo o senhor não per-
de. Nada mais, de sua amiga
Maria Ana da Conceição.
Certos doentes, se acometidos de
febre, vêm ao posto com a cabeça
coberta com um chapéu de palha.
Invariavelmente, as crianças nes-
sas condições são trazidas enrola-
das em pano, tendo-se o cuidado de
lhes resguardar a cabeça.
Comparar a doença de que é por-
tador com a de algum familiar, ou
conhecido, algumas vêzes já fale-
cidos, é frequente.
A apresentação, ao mesmo tem-
Po das queixas de duas ou mais
pessoas pelo informante, é hábito
corriqueiro .
Algumas vêzes interpretam suas
gueixas usando frases ou expres-
sões de difícil interpretação.
I^ão muito valor às dietas,
achando mesmo que devem acom-
panhar, obrigatòriamente o em-
prêgo de qualquer medicamento.
Mesmo existindo o prospecto que
acompanha o remédio, muitas vê-
zes solicitam que “assentemos no
papel”, o que consta na referida
indicação .
Em certas condições o único res-
ponsável pelo agravamento da sin-
tomatologia ou o aparecimento de
outros dados, perfeitamente nor-
mais, dentro das características da
doença é atribuída ao medicamen-
to em uso.
Fazer quarto significa permane-
cer na casa dos doentes graves ou
assim donsiderados . Os mais jo-
vens fazem a visita durante o dia
e os mais velhos, na parte da noite,
havendo pessoal bastante habilita-
do nesse mister.
Nessas ocasiões, o uso do café é
hábito e, em certas ocasiões, cacha-
ça entre os homens .
Quando alguém “levou a vela”
significa que esteve gravemente
enfermo.
Os mortos são vestidos com o
que de melhor possuem e velados
por 24 horas, na sala principal da
casa.
O caixão é feito na povoação, por
pessoal habilitado.
O pano usado no revestimento do
caixão, muda de côr de acordo com
as seguintes características: côr
azul, quando se trata de “anjo” ou
seja natimorto ou criança até sete
anos, côr roxa no caso de jovens
cm
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
de ambos os sexos e côr preta para
os adultos.
O enterramento de pessoas que
tenham posses é realizado na sede
do município de Nova Timboteua a
28 quilômetros de distância. Os
menos afortunados são sepultados
na vila de Taciateua, distante sò-
mente 8 quilômetros, no municí-
pio de Santa Maria do Pará .
Quando é possível o caixão é levado
por meio de caminhão, porém al-
gumas vêzes é transportado em
“pau-de-carga”, vara comprida e
resistente, na qual é amarrado —
a ombro e a “pêso de cana”. Mais
ou menos a cada 200 metros, os
transportadores se revezam. Os
parentes e amigos acompanham o
“finado” a sua última morada.
Sete dias depois do enterramento
há a chamada “visitação de cova”,
durante a qual, os familiares e
amigos vão acender vela, deixar
flôres e conversar sôbre as qualida-
des do extinto.
É freqüente encontrar, na sala
da frente de certas casas a fotogra-
fia, em quadro, de um nati-morto,
num caixão enfeitado de flôres e
fitas. Na maioria das vêzes é o pri-
mogênito.
A qualquer hora, coincidindo
com 0 nascimento de um nôvo ha-
bitante, pode-se ouvir dois estouros
■ de ‘foguete de rabo” — ou tiro de
carabina — no caso do recém-vin-
do ser do sexo feminino e três “pa-
poucos” se for do masculino.
Mesmo nas casas mais humildes,
nessas ocasiões há, obrigatoria-
mente o que se chama “mijo da
criança”, consistindo invariável-
mente em oferecer aos visitantes,
cachaça, vinho, cerveja, refrigeran-
te ou bolacha.
O atendimento se processa com
a distribuição de fichas numera-
das, cabendo os primeiros números
aos moradores das colônias; siste-
màticamente os que recebem mais
altos números para tomar consul-
ta, são os que se colocam à porta
do posto.
Muitas vêzes a queixa é feita di-
retamente ao enfermeiro ou a ou-
tra pessoa que esteja acompanhan-
do o doente.
Pedir “um particular” é de uso,
mòrmente em se tratando de mu-
lheres. Invariàvelmente se prende
a assunto da esfera genital.
A solicitação para exame de uri-
na, visando a identificação de al-
bumina ou exame de sangue de um
modo geral, é comum, sendo que a
primeira é obrigatória entre as
gestantes.
Quase sempre as gestantes
opõem obstáculos ao emprêgo de
qualquer medicamento.
Certas mocinhas se caracterizam
por falar imperceptivelmente, difi-
cultando a interpretação da quei-
xa.
Determinados alimentos básicos,
como leite, ovos, carne, etc, são ex-
cluídos da alimentação habitual,
1 Volume 6
(Patologia) 277
1 às vêzes em caráter definitivo, por
Muitas vêzes, uma simples xíca-
1 'ofenderem a doença ou fazerem
ra de café, um ôvo, caranguejo.
1 mal.
etc, pode ser imputado como cau-
1 Mesmo com indicação, as pessoas
sador dos mais diversos quadros
1 que extraem dente deixam passar
clínicos .
1 alguns dias, sem fazer uso dos me-
Muitas vêzes não é o alimento,
1 dicamentos .
em si, mas sim a forma como é in-
1 Os que sabem lêr, principalmen-
gerido, ou mesmo, o horário da ali-
1 te nas colônias, controlam os re-
mentação, 0 causador da doença.
1 médios cuja aplicação foi de acôr-
Uma doente atribuiu os seus ma-
1 do com as instruções da bula.
les ao fato de haver comido alimen-
1 Nas colônias, igualmente, aquê-
to quente, e sentado na terra. . .
1 les que possuem aparelho para
fria .
aplicação de injeções, ficam respon-
Geralmente, as espôsas, mães ou
sáveis pela administração das mes-
irmãs é que apresentam as quei-
mas.
xas dos maridos, filhos ou irmãos.
As aplicações de injeções por via
que não vêm a consulta.
intramuscular tem maior preferên-
Invariàvelmente complementam
cia às de uso endovenoso.
a queixa, apalpando ou passando
Neste último caso, o braço es-
a mão sôbre a área que julgam do-
querdo é poupado, por acharem ha-
ente .
ver certo risco, visto ser o “braço
As mãos e os pés frios, mesmo
do coração”.
no momento da consulta, é dado de
Há nítida preferência, entre os
grande importância como causa 1
adultos, pelos medicamentos inje-
patológica .
táveis, pois são considerados de
Responsabilizam a dentição por 1
efeito mais concreto.
um sem número de condições mór- 1
A abstinência alcoólica, mesmo
bidas . 1
nos habituados é observada, na vi-
É muito comum as mães deixa- 1
gência de qualquer medicamento.
rem crescer os cabelos dos filhos 1
“Purgante para verme” é expres-
do sexo masculino quando êstes 1
são corriqueira, sendo válida quan-
escapam de uma doença grave, ou 1
to ao significado, uma vez que sò-
assim considerada. 1
naente são valorizados os anti-hel-
Tentar primeiro a cura com me- 1
niinticos que tenham efeito pur-
dicamentos rústicos e só depois I
gativo.
procurar o médico, é hábito fre- 1
Não existe cemitério na povoa-
qüente . 1
Çao, sendo encontrados somente os
“Mal como todo”, “que faz mê- 1
vestígios do antigo campo santo .
do”, “de jeito e qualidade”, “mais 1
cm
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Atas do Simpósio sôhre a Biota Amazônica
medonha do mundo”, “quase mor-
reu”, “pôdre por dentro”, são ex-
pressões usadas para reforçar as
características de gravidade que
dão às suas queixas.
Os vidros vazios dos medicamen-
tos usados são guardados ou apro-
veitados pelas crianças para brin-
quedo .
E’ muito comum apresentarem à
consulta, o vidro ou a caixa vazia
do remédio a fim de obter outro.
Os equivalentes ou que tenham no-
me comercial diferente, não são
bem aceitos.
Às vêzes solicitam determinado
remédio, não existindo, pedem ou-
tro, e assim sucessivamente. Um
solicitou seguidamente: “piula pa-
ra corar”, “picilina”, “sufra”, “pur-
gante pra verme”, remédio para
“canseira nas pernas” e, finalmen-
te “jeção de fortificante”.
Determinadas pessoas, muito
embora tenham chegado às primei-
ras horas, só procuram falar com
o médico, depois do atendimento
haver terminado.
Durante as visitas à domicílio, o
médico é acompanhado por diver-
sas pessoas, quase sempre crianças,
Numerosos vizinhos esperam o mé-
dico para assistirem à consulta, na
casa do solicitante.
- As crianças que comem “viço”,
são severamente punidos pelos res-
ponsáveis, pois tal procedimento,
além de ser considerado desrespei-
to à autoridade dos pais, é humi-
lhante .
A epilepsia é considerada doença
contagiosa e os portadores dessa
doença, são aceitos com restrição,
no meio social.
O emprêgo de lavagens intesti-
nais nos processos dolorosos do ab-
dome ou mesmo nos estados febris,
é muito comum .
O uso de purgativos drásticos
para “limpar o sangue”, é fre-
qüente .
Os parentes dos mortos guardam
luto fechado por muitos anos.
É hábito dos moradores oriun-
dos de outros municípios do Esta-
do, se dirigirem ao lugar de origem,
durante o tempo de finados, a fim
de “iluminar” seus mortos.
Os doentes considerados graves,
ou parturientes em trabalho de
parto, são encaminhados para ou-
tros centros, transportados em rê-
des atadas em “páus-de-arara” e
acompanhados por grande número
de parentes e amigos.
A promessa de oferecer pequenos
agrados aos médicos, visando con-
seguir melhor assistência, é corri-
queiro .
O emprêgo de refrigerantes por
parte de doentes considerados gra-
ves, às vêzes como alimentação úni-
ca, é a norma.
A não confirmação por parte do
médico, de casos supostamente
graves, não é bem recebida pelo
doente ou familiares.
Volume 6 (Patologia)
279
Muitos procuram o médico so-
mente para verificar se a medica-
ção prescrita por “entendido” ou
farmacêutico está realmente ade-
quada .
Alguns, embora comparecendo,
uão se apresentam à consulta, por
darem preferência aos medicamen-
tos caseiros ou em conseqüência do
uiédico, em consultas anteriores,
uão terem podido solucinar seus
problemas. Outros, por acanha-
mento ou nervosismo.
Um mesmo individuo, pode se
apresentar por mais de uma vez,
por motivos diversos, num mesmo
dia de consulta.
Muitas vêzes chegam à consulta
somente para ouvir opinião sôbre
assuntos relacionados à preserva-
ção da saúde.
Invariavelmente a pessoa mais
expedita da família, ou da casa, é
a responsável pelo doente, pela die-
ta e pelo emprêgo dos medicamen-
tos.
As crianças que vêm à consulta
fazem questão, cada qual, de levar
na mão, o remédio que lhe foi pres-
crito.
Raras crianças deixam de se
apresentar chorando à consulta .
Algumas vêzes o acompanhante
interrompe bruscamente o infor-
hiante, por achar que aquêle não
está apresentando bem suas quei-
xas.
Certas senhoras solicitam a reti-
rada do enfermeiro, para então,
apresentar suas queixas.
Alguns maridos acompanham as
esposas, por não permitirem que
elas sejam examinadas, sem a sua
presença .
Bem poucos solicitam ao médico,
“meter o aparelho”, ou que lhes
seja tomada a tensão arterial.
É comum algumas pessoas apre-
sentarem suas queixas a outras
pessoas que estejam também
aguardando a vez de serem atendi-
das.
Comparar a indicação terapêu-
tica com outra feita anteriormente
— anos antes, mesmo — não é in-
comum.
Às vêzes as queixas são apresen-
tadas num linguajar, que só o lidar
continuado faz compreender. Ex-
pressões diferentes, ou mesmo vo-
cábulos, podem significar o mesmo
sinal ou sintoma.
Da mesma maneira que acredi-
tam na influência dos mais diver-
sos fatores no aparecimento da sin-
tomatologia que apresentam, as
restrições impostas às suas ativi-
dades habituais, servem de justifi-
cativa a período mais ou menos
longo de inatividade.
Certos medicamentos já em de-
suso, como o azul de metileno, são
procurados, de quando em quando.
Outras vêzes medicamentos
anunciados nas emissoras do Esta-
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
do do Maranhão, são igualmente
solicitados .
Há uma certa consideração
àquelas pessoas que tenham sido
operadas, internadas nos hospitais
de Belém, ou mesmo escapado de
doença realmente grave.
Costumam apresentar, durante
várias consultas, receitas feitas
meses antes.
Não poucas vêzes acatam mais
as opiniões dos parentes ou ami-
gos, à do médico, modificando ou
substituindo a terapêutica insti-
tuída .
As rezadeiras, os entendedores e
os farmacêuticos, gozam de grande
prestígio .
Nunca aceitam sem restrições,
uma possível intervenção cirúrgi-
ca, dada a possibilidade de morrer
na pedra — mesa cirúrgica dos
hospitais, e no caso de morte, ser
levado para a academia — necróp-
sia na Faculdade de Medicina.
As crenças, abusões e supersti-
ções influem enormemente nos há-
bitos alimentares e no tratamento
das doenças.
A fragmentação das queixas, é
quase a norma geral; depois de
conseguir um remédio nova quei-
xa, e assim sucessivamente quan-
tas sejam as queixas que julguem
ser doenças diferentes.
O emprêgo de determinados re-
médios — mòrmente os purgantes
para vermes, — deve ser feito na-
queles dias em que a lua esteja
propícia e, tomados de madrugada.
Os “quartos da lua” contraindi-
cam o emprêgo de certos medica-
mentos .
Intercalar as queixas dos acom-
panhantes com as dos que estão
“tirando consulta”, é muito co-
mum.
Na vigência do emprêgo de de-
terminados medicamentos — prin-
cipalmente os chamados purgantes
para verme — os adultos deixam
de trabalhar e as crianças não fre-
quentam o colégio, nesse dia.
Há temor acentuado de contágio
com os portadores de doenças da
pele — eczema, picdermite, etc.
— por julgarem de origem leprosa
— epilepsia e doença do peito, en-
tre outras.
Aceitam a recrudescência de de-
terminados sintomas, picada de co-
bra, por exemplo, pela influência
da lua cheia.
Invariàvelmente, tôda crise as-
mática está sujeita a influência da
lua.
As parturientes ficam cinco dias
na cama ou na rêde — onde fazem
tôdas as suas necessidades — só
levantando a partir do sexto dia,
sem sair do quarto.
Amarram a cabeça com um pano
durante trinta dias, que significa
resguardo do banho de igarapé, só
tomando banho morno no décimo
quinto dia.
Volume 6 (Patologia)
231
Até 15 dias não saem de casa
nem se aproximam do fogo.
Até o oitavo dia só comem gali-
nha com pirão escaldado, de fari-
nha sêca, não fazendo uso nos três
primeiros dias dos ‘miúdos”: pés,
asas, moela, cabeça, etc.
Podem comer peixe que não seja
“carregado”, gó branco, por exem-
plo — o vermelho é reimoso.
O recém-nascido só vai se ali-
nientar com massa de mandioca
■ 0 carimã — a partir do quinto
dia.
Se a mãe não tiver leite, “susten-
ta” no chá: erva-doce, canela, er-
va-cidreira, dado de instante a ins-
tante .
A criança sai do quarto com
quinze dias, ficando com a cabeça
coberta por um barrete, até a mãe
acabar o resguardo.
Os purgativos são tomados pela
niadrugada, não se devendo sair de
casa para pegar sol, pois estão ar-
riscados a “inchação”.
Nesse dia, só comem caldo de
pinto com água de arroz, sem fa-
rinha. Depois da “reação”, podem
comer três, quatro pedaços, cozi-
dos, sem sal. Nesse dia também,
não devem pegar chuva.
Para apressar a expulsão dos res-
tos placentários, sopram nas duas
niãos fechadas ou em uma garrafa
ou ainda vestem às avessas a ca-
oiisa do marido.
Para facilitar o parto, seguram
sal na mão direita e sopram numa
garrafa vazia.
Outras vêzes, bebem a urina do
marido, com a mesma finalidade.
São encontradas com bastante
freqüência, crianças louras de
olhos azuis, entre os descendentes
de nordestinos.
Só esporàáicamente, identifica-
mos casos de icterícia e todos pu-
deram ser rotulados de hepatite por
virus .
Somente são conhecidos dois ca-
sos de tuberculose pulmonar.
Não existem “mulheres da vida”.
Tôdas são “ocupadas”, casadas ou
não.
Há quatro anos que não morre
nenhum adulto, por doença.
São bastante frequentes as mor-
tes nos primeiros dias ou semanas
de vida, por gastrenterite ou por
falta de comida, segundo seus mo-
radores .
Encontramos com razoável fre-
qüência, aqueles que retribuem os
trabalhos do médico com um
“agrado”, invariàvelmente um
“bicho de criação”: galinha, pinto
ou pato.
A filariose, pelo menos na forma
elefantiásica, não é conhecida na
povoação .
Não existem cegos em Quatro
Bocas .
Em dezembro de 1963, ocorreu o
único atropelamento na povoação,
acarretando a morte de dois mo-
radores .
cm
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282
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
Vimos somente um caso de neo-
plasia benigna — operado poste-
riormente no Hospital da Caridade,
em Belém, — de tamanho gigante,
fixado na face interna da coxa di-
reita. O portador julgava ser hér-
nia.
Não tomamos conhecimento de
acidente coronariano de qualquer
natureza .
Igualmente desconhecemos ca-
sos de acidente vascular encefálico
ou suas sequelas.
Desconhecemos qualquer caso
que clinicamente, pudesse ser rotu-
lado de diabetes.
O mesmo ocorrendo quanto às
cardiopatias congênitas cianóticas.
Os antigos moradores falam de
“tumor nas tripas” — provàvel-
mente crise apendicular aguda —
somente assistido por nós uma vez,
em japonês que provisòriamente
morava na povoação.
Somente em quatro oportunida-
des examinamos portadores de bó-
cio — de pequenas proporções —
e todos do sexo feminino.
As perturbações do ciclo mens-
trual são referência bastante fre-
qüente .
Alguns casos de corrimento pu-
deram ser clinicamente rotulados
de doença venérea, trazidas “de
fora” pelos maridos.
* Na história patológica da povoa-
ção, a malária ocupa lugar de des-
taque, chegando mesmo a interfe-
rir no progresso de Quatro Bocas.
Em 1926, pràticamente todos os
seus moradores foram atingidos de
febre elevada, intermitente, prece-
dida de calafrio, algumas vêzes com
icterícia e morte ao final, em al-
guns casos.
Como decorrência disso, houve a
retirada de grande número de mo-
radores, ou para outros lugares da
região bragantina ou mesmo de
volta para o nordeste de origem .
Ao cravo plantar foi atribuída
grande importância, nos primeiros
anos de colonização. Na época
atual, não vimos nenhum caso.
Os casos de conjuntivite são
diagnosticados com pouca freqüên-
cia e incidem mais em criança.
Resguardando a falta de prática
em diagnosticar, nunca vimos ca-
sos de tracoma.
Não identificamos, ainda, a exa-
me clínico, nenhum caso de lepra.
Como desconhecemos qualquer
caso de neoplasia maligna.
Os antigos moradores dizem que
nos primeiros anos de colonização,
quando havia mata na região, êles
gozavam melhor saúde.
Em 1958/1959, bem poucos fo-
ram os moradores que escaparam
de um surto de alastrim ocorrido
em Quatro Bocas.
Depois de um período razoavel-
mente longo de desaparecimento, a
malária voltou a aparecer a partir
de 1958. Atualmente casos espo-
rádicos são identificados.
Volume 6 (Patologia)
283
A gripe e o resfriado comum apa-
recem em ondas periódicas, não
havendo seus habitantes escapado
da “pandemia” de 1955, a chama-
da gripe asiática.
Não existem obesos nem pessoas
excessivamente magras, em Quatro
Bocas.
Há na povoação um posto de dis-
tribuição de remédios da Campa-
nha de Erradicação da Malária.
O Departamento de Estradas de
Rodagem possui pôsto médico com
enfermeiro residente.
Existem três parteiras na povoa-
ção e sòmente uma delas tem curso
prático da FSESP.
A povoação de São Raimundo
Nonato não possui água encanada,
ssgôto e luz.
Algumas casas não possuem fos-
sas nem banheiro.
Os restos alimentares são joga-
dos pela janela da cozinha, para o
quintal, ficando aí uma área cons-
tantemente úmida.
O lixo doméstico é jogado no
quintal, não sendo enterrado.
As moscas, mòrmente em certas
épocas do ano, são abundantes.
Os “carapanãs” começam a
cair” a partir das primeiras ho-
ras da noite.
Os acidentes domésticos, princi-
palmente entre as crianças, são de
escasso encontro.
As síndromes neuro-distônicas e
as cefaléias tipo enxaqueca, podem
ser encontradas com razoável fre-
qüência .
A úlcera péptica, clinicamente
diagnosticável, nunca foi detectá-
vel.
O único método anticoncepcio-
nal que conhecem é o coito inter-
rompido .
Os maridos não mantêm relação
sexual durante o período mens-
trual das esposas. O mesmo não
ocorrendo em qualquer período da
gravidez .
No período pós-parto a relação só
se processa 30/40 dias depois do
primeiro banho.
ELUCIDÁRIO
1 — CARREGADO — Com reu-
ma.
2 — DOENÇA DO PEITO — Co-
mo tuberculose pulmonar.
3 — DE FORA — Das outras vi-
las ou povoações.
4 — CARAPANÃ — Mosquito.
5 — CAIR — Aparecer, surgir.
6 _ FOGUETE DE RABO —
Fogo de artifício. Pequena
porção de pólvora na extre-
midade de uma vara fina.
7 — INCHAÇÃO — Edema.
8 — LIMPAR O SANGUE — Pu-
rificar o sangue.
9 — MULHERES DA VIDA —
Meretrizes .
lO — PAPOUCOS — Estampidos.
cm
SciELO
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284
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
11 — REAÇÃO — Efeito do re-
médio.
SUMARIO
O autor, como decorrência de
sua experiência no atendimento
médico aos moradores da povoação
de São Raimundo Nonato, no mu-
nicipio paraense de Nova Timbo-
teua, aborda aspectos que tanto se
ligam às circunstâncias de nasci-
mento, quanto às de vida e às de
morte de seus moradores.
SOMMAIRE
L’auteur, en consequence de son
expérience en donnant assistance
aux habitants du village de São
Raimundo Nonato au municipe de
Nova Timboteua, aborde les as-
pects qui se rapportent tout aussi
bien aux circonstances de naissan-
ce, comme à celles de la vie et de
la mort de ses habitants.
BIBLIOGRAFIA
Bastos, A. V. A., 1959, Contribuição ao
plano de saúde pública para o in-
terior da Amazônia. 153 pp.. Tese.
Fac. de Farm. da Univers. do Pará.
ViANNA, c. M. & outros, 1963, Dinâmica
funcional do DER-Pa. Trabalho
apresentado à II Jornada Médica
Paraense.
VIANNA, C. M. & ViANNA, G. M., 1959, A
participação do DER-Pa no estudo
médico sanitário da região bragan-
tina. Trabalho apresentado à I
Jornada Médica Paraense.
ViANNA, C. M. & outros, 1963, Sob
os comandos médicos-rodoviários.
Trabalho apresentado à II Jornada
Médica Paraense.
286
Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
CONSIDERAÇÕES GERAIS
A partir do ano de 1954 o Depar-
tamento de Estradas de Rodagem
do Pará, por intermédio do seu
Serviço de Assistência Social, pas-
sou a prestar assistência médico-
-dentária aos moradores de São
Raimundo, existindo atualmente,
um posto de atendimento, com en-
fermeiro residente. A presença do
médico se faz sentir através dos
chamados comandos médico-rodo-
viários invariàvelmente realizado
aos sábados (4) .
A participação de acadêmicos de
medicina da última série do curso
médico, visando treinamento de
assistência rural, vem acontecendo
nos últimos 7 anos.
O contacto continuado com os
que procuravam o posto médico,
deu como resultante a coleta de
têrmos, frases e expressões do vo-
cabulário médico de seus morado-
res, vocabulário êsse, cuidadosa-
mente anotado e interpretado, com
o correr dos tempos .
Pela experiência que temos em
lidar com doentes originários do
interior do Estado, principalmente
da região bragantina (5, 6), acre-
ditamos que 0 vocabulário médico
atualmente em uso na povoação,
não é restrito aos seus moradores.
É possível, entretanto, existirem
pontos de afastamento quando
confrontado com o das outras
áreas fisiográficas do Pará, prin-
cipalmente das mais afastadas da
região bragantina, onde as condi-
ções de vida apresentam certas ca-
racterísticas que as fazem diferir
entre si.
É preciso considerar, ainda, que
a extensão territorial da Amazônia
Brasileira abrangendo mais de 2/3
do território nacional torna difícil
a uniformização do modo de falar
de seus habitantes. A riqueza do
linguajar usado nos castanhais, se-
ringais e cauchais, com sensível in-
fluência do vocabulário Nheenga-
tú ou neo-tupi (7) , principalmente
onde as frentes pioneiras (8) en-
traram, e ainda entram em con-
tacto com os primitivos moradores,
deve ser valorizada como um dos
fatôres que interferem na diversi-
dade das características das várias
zonas não só do Pará como de tôda
a Amazônia.
CouTiNHo DE Oliveira (9) diz
que numa região vastíssima as pe-
culiaridades de expressão e deno-
minação se multiplicam em fun-
ção de latitudes e longitudes, va-
riando grandemente a maneira de
entender, designar, interpretar e
figurar sêres e fenômenos .
A colonização da região amazô-
nica, foi, em todos os seus aspectos
fundamentais, semelhante à do
restante do país, com maior parti-
cipação numérica dos índios (10).
Em época mais recente, os nordes-
tinos desempenharam relevante
papel, e é com razão que Sílvio
Volume 6 (Patologia)
287
Meira considera a zona bragantina
como um pedaço do nordeste bra-
sileiro, nos hábitos, na vida agríco-
la e na massa demográfica (11) .
É interessante confrontar o pre-
sente trabalho com os existentes
sôbre o tema, mòrmente aqueles
diretamente relacionados com a
Amazônia, e mais especificamente
ao vocabulário médico. Assim te-
mos: diversos trabalhos de Alfre-
do Augusto da Matta — publica-
dos de 1919 a 1941 — destacando-
-se o Vocabulário da Região Ama-
zônica, e outros referentes à medi-
cina e ciências afins; Coletânea de
Têrmos Médicos Regionais do Gua-
poré, de Acrisio Souza Leite, pu-
blicado em 1953; Coletânea publi-
cada na Revista Roche, em 1960,
sôbre a linguagem médica popular
no Brasil.
No Glossário paraense ou cole-
ção de vocabulários peculiares à
Amazônia e especialmente à ilha
do Marajó, de Vicente Chermont
de Miranda, publicado em 1905; em
A Amazônia de Lino de Macedo, de
1906; no Vocabulário popular, con-
tribuição ao estudo do vocabulário
popular do norte e nordeste brasi-
leiros de Raymundo Magalhães,
1911; no Meu Dicionário de Coisas
da Amazônia em dois volumes, de
Raymundo Moraes publicado em
1931 e no Vocabulário Amazônico;
Estudos de José Amando Mendes,
ds 1942, encontramos alguns têr-
mos relacionados ao tema do pre-
sente trabalho.
O autor possui, ainda inédito,
um Glossário Médico Marajoara.
Faremos a apresentação do voca-
bulário por ordem alfabética. Em
seguida a cada um dêles daremos
a explicação dada pelo próprio res-
ponsável pela queixa quando ne-
cessária .
ABALO — Crise emocional. “Pen-
sava que era uma fantasma e
me deu um ...”
ABCEDADO — Atoleimado.
ADQUIRIR A DOENÇA — Adoe-
cer.
AFETIVA — Contínua, relativa a
dor ou a febre.
AGONIA — Mal estar, algumas
vêzes acompanhado de angústia.
AGUACEIRO — Sialorréia .
AGUADILHA — O mesmo que sia-
lorréia.
ALCANFRO — Cânfora .
ALEIJO — Aleijão, defeito físico.
ALOJA — Regorgitação. “Senti
uma aloja, que baldeei a bóia”.
ALTERAÇÃO — Mal estar súbito,
outras vêzes palpitação.
ALTERAR — Piorar. “O remédio
alterou com a doença”.
ALVOROÇO DO SANGUE — For-
migamento, parestesia.
AMEAÇO — Suposição de alguma
coisa. “Senti um ameaço de fe-
bre”.
AMINDOLAS — Amídala. “Dói no
topo da guela parece as ... ”
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
AMINIA — Anemia . “Tem uma . . .
fora da marca” .
AMOLESTADO — Adoentado.
AMORRINHAÇÃO — Indisposição.
ANDAR DE GUIA — Relativo a
cego.
ANJO — Criança até 7 anos
(quando morre) .
APALAÇAR — Diminuir de inten-
sidade . Relativo a dor ou a febre.
AP ATACADO — Disseminado . Re-
lativo a doença eruptiva.
APENIS — Apêndice cecal.
APERTAR O . . . QUE SÓ NAMBU.
— Estímulo visando acelerar o
parto .
APODERAR — Aparecer. “Me . . .
uma gastura na boca do estam-
bo”.
APOSTEMAR — Infeccionar .
APRESENTAR — Surgir. “Me
apresentou uma dor nos peitos” .
A PUS — Pus. Usado no feminino.
ARCA — Torace . “O melhor remé-
dio para a . . . caída é benzedu-
ra”.
AR ENCAUSADO — Mal estar to-
rácico ou abdominal. Acreditam
ser doença.
ARASTÊNICO — Nervoso, neuras-
tênico .
ARDIMENTO — O mesmo que ar-
dência .
ARREAÇÃO — Diarréia.
ARREBENTAÇÃO — Hérnia.
- ARRÔCHO — Dor do tipo constric-
tivo.
ARROJA — Secreção lacrimal.
"... que fica tudo grudento” .
ARRUINADO — Infectado. “. . .
comeu caíca e a ferida arrui-
nou” .
ARRUPIAMENTO — Horripilação.
AS GAZES — f. pl. Acreditam ser
causadores de males os mais di-
versos .
ASMO — Asma . “ . . . não pode
nem puxar o fôrgo todo.”
ATAQUE — Crise aguda . Às vêzes
evacuação muco-sanguinolenta .
ATAQUE DE AMEBA — Evacua-
ção líquida ou pastosa, com ou
sem estrias de sangue.
ATAQUE DE RIM — Combalgia de
qualquer natureza.
ATAQUE DE VERME — Convul-
são, principalmente se em cri-
ança.
ATESTAR — Diagnosticar. “Ates-
te a origem dessa espremedura.
ATOJA — Mal-estar localizado.
“Levanta debaixo da costela e
atoja na bôca do estômo”.
AVEXAME — Mal estar, angústia.
As vêzes taquicardia.
BABIÇO — O mesmo que sialor-
réia.
BAIXINHA — Região externai.
“... que os grujão chamam de
espinhela caída”.
BALDEAÇÃO — Vômito . “ . . . a
boia toda, é bem dos figo”.
BALSO — Dispepsia.
BATICUM — Palpitação.
BESTEIRA — Vagina. “... da
menina uma matéria que dá um
pixé danado.
BICHA — Relativo a mola.
Volume 6 (Patologia)
289
BICHO D’AGUA — Relativo a mãe
d’água, como fator de doença.
BILIDIA — Às vêzes como catara-
ta.
BIRReiro — Fumador de maco-
nha.
BOCA DA ... — Região hipogás-
trica .
boca do ESTAMBO — Região
epigástrica .
boiar — Surgir. Relativo a do-
ença eruptiva ou alérgica.
bola — Mola.
Bolacha — Rótuia.
bradar — Relativo a doença.
Surto . “ . . . entre os colônios de
Quatro Bocas.
BUBUIA — Piodermite.
bucho — Estômago. Às vêzes re-
lativo a todo o abdome.
bucho FôFO — Timpanismo ab-
dominal . Considerado doença
grave .
bucho inchado — Plenitude
gástrica. Para tudo que é gê-
nero alimentivo.
BACARACA — Catarata. “... já
ântiga que está matando a luz
dos olhos” .
CAIACANGA — Doença sem im-
portância .
CAIR DOENTE — Início da mens-
truação.
caixa do catarro — Tórax.
Cambota — Que tem as pernas
tortas, arqueadas.
C^PAINHA — Úvula.
CAncaro — Corresponde ao can-
cro venéreo.
CANÇO — Relativo a câncer.
CANDEIA — Escotoma cintilante.
CANSEIRA NAS PERNAS — Sen-
sação de dor nas pernas.
CANSEIRA NO ESTÔMAGO —
Sensação de desconforto epigás-
trico .
CANTAREIRA — Fossa supra-cla-
vicular.
CARNAIDADE — Às vêzes como
ferida antiga.
CARNE RASGADA — Distensão
muscular .
CAROÇO ESPECÍFICO — Hemor-
roide. “Há muitos anos tenho
um. . . na via.”
CARREGAÇÃO — Conjuntivite ca-
tarral .
CÉU DA BOCA — Pálato. “Pela
enquanto sinto um engasgume
no ... ”
CHEIA — Grávida.
CHIAR — Relativo a asma.
COISA — Como pênis ou vagina.
Às vêzes desmaio.
COISA D’AGUA — O mesmo que
bicho d’agua.
COISA DE MOÇA — Relativo à
menstruação .
COISA DE RAPAZ — Relativo a
doença venérea.
COISA FEIA — Doença grave. Às
vêzes tuberculose, doença vené-
rea ou câncer.
COISA FEITA — Feitiço.
COISA QUE NASCE EM MULHER
Mola.
COISA VELHA — Relacionado à
prisão de ventre.
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37.152
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CÓLICO — Relativo a cólica. “ . . .
levanta no pé do pente e doi
como tudo”.
COMENDO FEBRE — Hiperpire-
xia. "... não posso nem jogar
bomba”.
COMER VÍCIO — Perversão do
apetite .
COMPRIMIDO — Comprimido.
CONGRATULOU — Coagulou. “O
sangue ... no lugar que a draga
bateu” .
CONSERTAR O SANGUE — Re-
gularizar o fluxo menstrual .
“ . . . remédio para”.
CONTRAMINADO — Contamina-
do.
CONVULUSÃO — Convulsão.
“Quando dá a. . . êle desconhece
todo mundo”.
CRAVO — Mal perfurante plantar.
CRUIS — Região inter-escápulo-
-vertebral. “Dor na. . . que nem
podia brocar capoeira”.
CURAR NO RASTRO — Medicar
na ausência da pessoa ou ani-
mal.
CURUBA — Piodermite. “Estava
emaconhado de . . . nas pernas” .
DALTRO — Pé de atleta.
DE BARRIGA — Gestante .
DE CURURU PRA BAIXO — Sem
dieta, podendo comer de tudo.
DERREIA — Diarréia .
DESADORADO — Paroxismo do-
loroso.
DESÂNIMO — Indisposição, im-
potência. “Tenho um desânimo
para mulher que não dá nem
para cumprir a obrigação”.
DESARRANJO — Diarréia.
DESCONFORME — Intensa, vio-
lenta, relativo a dor.
DESCORADO — Anêmico. “Não
aguenta nem levantar um ca-
vaco” .
DESEMPACIÊNCIA — Agitação,
nervosismo. “Até para encoiva-
rar roçado”.
DESMANCHO — Diarréia.
DESMANTELO — Menstruação ir-
regular. “Tenho um . . . que vem
como uma purgação com panca-
da d’água.
DESODORADO — O mesmo que
desadorado.
DESPACHAR — Eliminação dos
restos placentários.
DESTEMPERAR — Exacerbar, re-
crudescer. Relativo a dor.
DESTIORADO — Em precárias
condições físicas.
DIAGNOSTIMO — Diagnóstico.
“O . . . do doutor da SESP foi
apênis sulfurosa”.
DISFARÇAR — Diminuir de inten-
sidade. “A piula só fez. . . o do-
sai”.
DISMAZIA — Metrorragia .
DISTRAIR — Relativo a extração
dentária .
DOBRAR — Exacerbar . Relativo a
dor.
DOENÇA DO AMAZONAS — Cir-
rose, outras vêzes beriberi.
DOENÇA DO MUNDO — Doença
venérea .
Volume 6 (Patologia)
291
DOENÇA ENCOSTADA — Doença
associada .
DOENÇA QUE DEUS NÃO MAN-
DA — Feitiço .
dor agoniada — Dor acompa-
nhada de sensação de mal estar.
dor atravessada — Dor com
irradiação .
dor cansada — Dor persistente.
dor de ar — Atribuída ao vento
encausado .
dor de mulher — Cólica mens-
trual. “ . . . à moda dor de mu-
lher”.
dor nas urinas — Disúria. Às
vêzes para justificar chôro de re-
cém-nascido .
dor perseguida — Contínua,
persistente .
dorsal — Dor generalisada .
“Vim de peis no zimboleu e estou
com um ... ”
Dosaria — o mesmo que dorsal.
. que anda pelo corpo todo.
Elegia — Alergia.
EMACONHADO — Disseminado.
Relativo a doença eruptiva ou a
piodermite .
EMBOMBA — Cicatriz de pioder-
mite.
EMBRULHAÇÃO — Náusea. “Até
pongó me dá. .
Empolada — Áspera, relativo a
pele.
EMPRastou — Aumentar de in-
tensidade. Relativo a dor.
ENCASCAR — Fixar. “Na minha
maginação é coisa feita, pois só
encasca coisa ruim”.
ENCAUSADO — Prêso . “Basta co-
mer peixe de pelha para ficar
com vento. . . ”
ENCOSTAR — Aparecer. “A febre
encosta na boca da noite” .
ENDEFLUXADO — Com coriza .
ENDURMÊNCIA — Dormência,
formigamento .
ENFERMIDADE — Úlcera da per-
na, tuberculose ou outra doença.
ENGASGO — Deglutição difícil.
ENGULHO — Náusea. “Até tulapa
me dá. . .”
ENJANGUERETADO — Doente,
sem característica de gravidade.
ENTABOADO — O mesmo que
emaconhado.
ENTANGUIDO — Franzino.
ENTENDEDOR — Prático, o mes-
mo que grujão.
ENTÔJO — Enjôo da gravidez.
ENXUME — Plenitude gástrica.
“Depois da janta me dá um en-
xume que chega a provocar”.
ERMES — Hérnia. “Não posso
carregar paviola porque tenho
um ermes orgonal ... se a opera-
ção for riscosa prifiro morrer na
ilharga dos meus”.
ESBAQUEADO — Abatido, cansa-
do.
ESBARRAR — Cessar, terminar.
Relativo a dor ou febre.
ESCORRÊNCIA — - Corrimento ge-
nital nas mulheres. “... mais
danisca do mundo.
escorrimento — O mesmo
que escorrência.
cm
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Atas do Simpósio sobre a Biota Amazônica
ESCLOROSA — Atero-esclerose .
. é coisa da velhiça.”
ESCURECIMENTO — Sensação de
desmaio.
ESMURECIMENTO — Adinamia.
Às vêzes impotência sexual.
ESPINHELA CAÍDA — Depressão
de parte ou de tôda a região es-
ternal .
ESPREMEDURA — Provável có-
lica intestinal em recém-nascido.
ESQUECIDO — Sem tato, ou am-
nésia. “. . . que se for contar tu-
do 0 que sinto só me lembro da
metade .
ESQUEXELA — Entorse. “Caí da
caçamba no esfarte e me deu...”
ESTATALADO — Queda sem am-
paro. “Caí da burra e fiquei es-
tatalado na rodagem”.
ESTOMA — Estômago.
ESTOMBO — O mesmo que esto-
rna.
ESTOMO — O mesmo que es-
tombo .
ESTOMO SUJO — Dispepsia.
EVAPORANDO FEBRE — Hiper-
pirexia acompanhada de sudo-
rese.
FALTA DE FOGO — Dispnéia.
“At^ para margulhar sinto ...”
FALTA DE FÔRGO — O mesmo
que falta de fogo.
FALTA DE NERVO — Nervosismo.
FALTA DE SANGUE — Anemia.
“ . . . mais danisca do mundo” .
FALTA NO ESTOMO — Dispepsia.
“Só sinto. . . dor, em paragem
nenhuma” .
FALTO — Sensação anormal de
enchimento gástrico.
FALTOU — Relativo à menstrua-
ção.
FARNIZIM — Mal estar acompa-
nhado de nervosismo.
FASTIO — Inapetência. Conside-
rado doença grave, principal-
mente se em recém-nascido.
FASTIOSA — Inapetente .
FAZER MAL — Intolerância ali-
mentar .
FEBRE — Impaludismo. “Se não
fôsse a piula da CEM, a. . . aca-
bava com êle.”
FEBRE ALTERADA — Febre in-
termitente .
FEBRE ALVOROSA — O mesmo
que febre alterada.
FEBRE DA BRASÍLIA — Impalu-
dismo que acomete os que vão
botar roça na estrada de Brasí-
lia.
FEBRE DA ESTRADA — O mes-
mo que febre da Brasília. “É um
febroeiro sem marca”.
FEBRE DOIDA — Impaludismo.
FEBRE DOS DENTES — Hiperpi-
rexia atribuída ao aparecimento
dos dentes.
FEBRE GRANDE — Impaludismo.
FEBRE POR DENTRO — Sensa-
ção de corpo quente, geral ou lo-
calizada .
FEITIO — Constituição. “ . . . nun-
ca mais pegou o feitio”.
FEL — Gôsto amargo . “ . . . um
aguadilho a moda fel” .
Volume 6 (Patologia)
293
FERIDA BRABA — Úlcera da per-
na de qualquer natureza.
FERIDAL — Piodermite, quando
há confluência. “ . . . que arruina
quando come peixe de esporão”.
fervilhar — Parestesia . “É
uma fervilhação como um bicho
vivo roendo por dentro”.
figos — Fígado . Inúmeras doen-
ças são atribuídas a êle.
fogo SALVAGE — Herpes. “. . .
aparece a modo uma queima-
dura” .
força de sangue — Pioder-
mite ou urticária. Atribuem ori-
gem luética.
formar de moça — Apareci-
mento da menstruação, na pu-
berdade.
FORMIGAGEM — Parestesia.
FORTIDÃO — Exacerbação.
Fortificante — Revigorante.
fraco — Tuberculoso, impotente
ou doente mental.
fraqueza — Lipotimia. “A caí-
ca caiu na fraqueza do Cabeça e
deu um passamento nêle.”
fraqueza no juízo — Esque-
cimento ou doença mental.
fraqueza nos nervos — Dor
nos membros ou nervosismo.
FREDEGOSO — Planta usada em
niedicação caseira.
FREVILHOCA — Parestesia. “Bas-
ta afogar mandioca para dar . . . ”.
frieza no sangue — Desâni-
hio. “ . . . que não dá para levar
de eito a capina do roçado”.
FUA — Descamação furfurácea.
FURUNQUE — Furúnculo.
GASTURA — Azia, falta de memó-
ria. “Tenho uma. . . no juízo”.
GOMA — Depósito, sedimento.
“Estou urinando com uma...
no fundo.
GOMITO — Vômito.
GORPADA — Regurgitação.
GRAVIDEZA — Gravidez. “A visi-
ta não veio, acho que é . . . ”
GROSSA — Relativo a pele. Ás-
pera.
GRUJÃO — Prático, entendedor.
GUINERREIA — Gonorréia.
GUMITO — Vômito . As vêzes bal-
deação.
HEMORROIDAL — Hemorroide.
Morroidal é mais usado.
IDADE ALCANÇADA — Meno-
pausa.
IDADE, CAIR NA — Menopausa.
IMPEDIDO — Prisão de ventre.
IMPINJA — Tinea circinada.
IMUNDIÇA — Doença venérea.
INFRAMAÇÃO — Inflamação. Às
vêzes dor abdominal ou torácica.
INJEÇÃO GRIPANTE — Injeção
anti-gripal .
INQUIZEMA — Eczema.
INSTILAÇÃO — Coriza.
ISQUENÊNCIÃ — Infartamento
do gânglio sub-maxilar.
IZIPRA — Erisipela .
JEÇÃO — Injeção.
JEJUM — Abstinência sexual.
JUSSARA — Prurido intenso, ge-
neralizado .
cm
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Atas do Simpósio sôbre a Biota Amazônica
LANÇOU — Vomitar. . não se-
gura mais nem pongó.
LANGANHO — Pouco desenvol-
vido.
LANGLE — Gânglio.
LANGLIO — Gânglio.
LAMBEDOR — Xarope muito açu-
carado. “ . . . cozonhar rama de
mato para fazer. .
LARINGES — Oro-faringes .
LASTRINHO — Alastrim. “Por
obra de 30 0 lastrinho bradou
solto pela rua”.
LAVAGE — Clister.
LEVANTAR — Convalescer.
LEITE PRÊSO — Mastite. Atri-
buída ao arroto da criança quan-
do mama.
LIMPAR A QUALIDADE — Me-
lhorar, convalescer.
LIMPAROLA — Prurido generali-
zado.
LIMPAR O SANGUE — Relativo a
curar possível doença luética.
LIMPAR OS INTESTINOS — De-
sintoxicar .
LIQUE — Líquido. “Remédio. . . é
bom porque não ofende a doença.
MACURU — Espécie de berço.
MADURO — Catarro de coloração
esverdeada. Outras vêzes rela-
tivo a tumor.
MÃE DO CORPO — Útero. Acre-
ditam ser a causa de uma série
* de doenças .
MAL — Epüepsia. Algumas vêzes
tuberculose ou lepra.
MARIA PRETA — Cicatriz de pio-
dermite. Atribuem origem lué-
tica.
MASSA — As vêzes goma .
MASTRUIZ — Mastruço. Usado
na terapêutica doméstica.
MATÉRIA — Carnição . Outras vê-
zes muco ou restos alimentares
eliminados com as fezes.
MEIA SAÚDE — Com alguma
queixa . “ . . . é um destranstôr-
no, bom de um jeito doente de
outro”.
MENOS DO CÉU URUBU E DA
TERRA CURURU Dieta livre
MEXER — Deflorar . “ . . . com mi-
nha filha, mando a precatória
buscar êle para casar nos dois”.
MILITÂNCIA INTESTINAL —
Desconforto abdominal ou diar-
réia.
MOFINA — Indisposição. “Desde
que caí da pantrulha fiquei ...”
MONDRONGO — Ponfo ulticaria-
no. “ . . . aparece depois de bater
malva” .
MORMAÇO — Sensação de hiper-
pirexia .
MORRAGIA — Hemorragia .
MORROIDAL — Hemorróide.
MORROIDAL BRANCA — Pre-
sença, nas fezes de oxiuros.
MORRIDAL DE BOTÃO — Varizes
do plexo hemorroidário .
MORROIDAL DE CATERRO —
Quando há eliminação de muco
nas fezes.
1 Volume 6
(Patologia) 295
1 MORROIDAL DE PUXO — Tenes-
OPADO — Anêmico.
1 mo.
ORGONAL — Relativo ao canal
1 MORROIDAL DE SANGUE — Eli-
inguinal .
1 minação de sangue, de mistura
ORVALHO — Ovário.
1 ou não com as fezes.
OVOS — Testiculos.
1 MORROIDAL SÊCA — Tenesmo .
PALIDÃO — Anemia . “Tomou es-
1 MORTO — O mesmo que esqueci-
sa .. . de tanto comer viço . ”
1 do.
PANEMA — Falta de sorte. “O
MOUQUIÇA — Surdez.
avião pegou o couro da barriga”.
1 MOUQUICE — O mesmo que mou-
PANO BRANCO — Ptiriase versi-
quiça .
colo. Atribuída ao sol ou ao fí-
Mundiça — Doença venérea.
gado.
MURRINHA — Mal estar, indispo-
PAPANGU — Atoleimado. “Não
sição .
serve nem para corrigir roçado”.
NáGUINAS — Nádega.
PAPOCAR — Surgir, aparecer. Re-
NÃO FIRMA NO SENTIDO — Re-
lativo a doença eruptiva.
lativo a doença mental.
PARADA — Amenorréia.
Não ser moça — Não ser mens-
PARDO — Pálido . Relativo a ane-
truada. “Estou dentro dos 20
mia.
anos e ainda não sou moça . ”
PARTES — Órgãos genitais exter-
nascida — Tumoração de peque-
nos.
nas proporções .
PARTO — Restos placentários .
NATUREZA — Doença psico-so-
PASSAMENTO — Desmaio.
mática. “Remédio de doutor não
PASSAR DO SENTIDO — Esqueci-
dá jeito doença da natureza.
mento . 1
negócio — No sentido de doen-
PAU DA VENTA — Ossos próprios
ça, outras vêzes como passa-
do nariz. 1
mento .
PÉ DA BARRIGA — Região pu- 1
NOSAL — Onda peristáltica visi-
biana. “Dor no. . . que só ali- 1
vel.
veia no pé da noite. Dói como 1
novidade — Relativo a doença.
trinta . ” 1
OCALIPE — Eucalipto. Usado em
PÉ DO PENTE — Região pubiana. 1
medicina rústica .
PEGANDO FEBRE — Acometido 1
OFENDER — Intolerância alimen-
de surtos febris . 1
tar ou medicamentosa.
PEGAR — Mamar no seio. 1
OFENDER — Intolerância alimen-
PEGAR CORAGEM — Melhorar, 1
a remédio. Não surtir efeito.
convalescer . 1
OIÇA — Ouvido .
PEITOS — Relativo a tórax. 1
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PELHA — Pele.
PENIS — Apêndice.
PERDER — Abortar.
PEREBA — Piodermite .
PEREBAGEM — O mesmo que pe-
reba.
PEREBAL — O mesmo que pere-
bagem .
perímetro — Períneo.
PERSEGUIDA — Vagina.
PERTURBAÇÃO — Instabilidade
emocional .
PIANDO — Crise de asma.
PINICÃO — Prurido.
PINICAÇÃO — O mesmo que pi-
nicão.
PIÇARRA NOS PEITOS — Rela-
tivo a enterro. “Levou piçarra
nos peitos”.
PICILINA — Penicilina.
PIO — Asma.
PIRIRICAR — Prurido .
PISADO — Hemorragia subcutâ-
nea. “Levei um baque no pau-
-de-arara dos cabeludos”.
PITIÚ — Cheiro desagradável.
PIULA — Pílula. “Um escrito para
comprar piula no farmacete”.
PIXÉ — Odor desagradável.
PODRE — Como inflamação. “Es-
tou podre das tripas”.
PODRURA — O mesmo que podre.
PORCARIA — Doença venérea.
PORRIDÃO — Estado vertiginoso.
possuídos — Órgãos genitais
- externos do homem.
PRECISÃO — Defecar ou urinar.
“Quem não tem privada faz pre-
cisão no mato” .
PRENDER O CORAÇÃO — Angús-
tia súbita.
PREJUDICAR — O mesmo que
ofender.
PRISÃO — Obstipação crônica.
“Um remédio para tornar ... li-
berta” .
PRISÃO DE ARRÔTO — Dificul-
dade de eructar.
PRISÃO DE GASES — O mesmo
que prisão de vento.
PRISÃO DE OBRA — Constipa-
ção intestinal.
PRISÃO DE VENTO — Dificulda-
de de eliminar gases pelo reto.
PROJETADA — Causada. “A in-
fermidade foi projetada pela
queda da pantrolha.”
PROVOCAR — Vomitar.
PUÇANGA — Remédio caseiro .
PURGAÇÃO — Secreção, escorrên-
cia ou escorrimento.
PUSTEMA — Ferida onde haja
pus.
PUXADO — Crise asmática.
PUXAR O FOGO — Respirar pro-
fundamente .
PUXAR SUSPIRAÇÃO — O mes-
mo que puxar o fogo.
QUEBRANTO — Feitiço. “Ando
quebrando da fina com êsse . . . ”.
QUEBRAR O RESGUARDO —
Não obedecer a quarentena pós-
-parto.
QUEIMANDO FEBRE — Hiperpi-
rexia.
QUEIMOR — Azia. “. . . na boca
do estorno que parece zinhavre”.
Volume 6 (Patologia)
297
QUENTURA — Sensação de febre,
outras vêzes como cólica.
QUER DIZER — No sentido de cer-
teza . “ . . . que é lastrinho” .
ramo — Pneumonia ou acidente
vascular cerebral.
ramo de ar — O mesmo que
ramo.
RECOLHER — Relativo a desapa-
recimento de doença eruptiva.
REMeDIO atoa — Remédio ca-
seiro .
Remédio da der — Remédio
fornecido pelo Departamento de
Estradas de Rodagem.
remédio da SESP — Remédio
pela FSESP.
remédio de FARMACETI —
Remédio vendido em farmácia.
REMÉDIO DOIDO — O mesmo
que remédio do mato.
REMÉDIO DO MATO — O mesmo
que puçanga.
remédio velho — O mesmo
que puçanga.
remédio que o povo ensina
— O mesmo que remédio do
mato.
REMORSO — Náusea. “Basta to-
car em caça de pena ou de casco
para sentir. .
remorso de parto — Qual-
quer complicação pós parto.
REMOSA — Que tenha reuma .
RENDIDURA — Hérnia.
Resguardo — Quarentena.
“Quebrou o resguardo quando
pisou no chão.”
RESPONDER — Irradiar.
REPUGONAR — Náusea.
REUMATISME — Reumatismo.
REZA — Método de cura. Usa-se
galho de mastruço ou vassouri-
nha.
ROEDEIRA — Pruriginosa.
RÔMITO — Vômito.
RONCHA — O mesmo que pisado.
RONQUEIRA — Asma .
RUTURA — Hérnia. “Me queixo do
caçoá que botei na burra” .
SAPRECADO — Chamuscado. “Fi-
cou com a pelha da barriga . . .
pelo crozenio.
SACATRIZ — Cicatriz .
SAFOCAR — Sufocado.
SALUÇO — Soluço. “Nem roço
nem empeleita eu dou vencimen-
to por causa do ...” .
SAMBUDO — Criança barriguda e
opada .
SANGUE NOVO — Urticária.
SANGUE PRÊSO — Mal estar, an-
gústia .
SANGUE RUIM — Piodermite.
SEGURAR O PÊSO — Conservar o
pêso corporal.
SENTAR — Murchar. Relativo a
doença eruptiva .
SESURA — Cisura .
SIFRA — Sífilis.
SINAL DO HOMEM — Pênis.
SUFRA — Sulfa.
SULFURO — Supurou.
SUPÔSTO — Relativo a prótese
dentária .
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SUSPENDER O PARTO — Térmi-
no da eliminação dos restos pla-
centários .
SUSPENSÃO — Relativo a ame-
norreia .
SUSTENTAR — Relativo a vô-
mito.
SURDURA — O mesmo que mou-
quiça .
TABUAÇÃO — O mesmo que en-
taboado ou emaconhado.
TANGULO ou TANGULO-MÂN-
GULO — Passamento.
TATO — Memória. “Não tenho
nem ... na cabeça.”
TEMPO — Menstruação.
TETO — Tétano.
TIRAR REMÉDIO — Se consultar.
TIRIÇA — Ictericia, outras vêzes
anemia .
TIRIÇOSO — O mesmo que tiriça.
TITINGA — Pano branco.
TOCANDO BARRO — Perversão
do apetite.
TOCO DA GUELA — Oro-faringe.
TOLO — Atoleimado. “Não serve
nem para corrigir roçado, parece
cancaia de capoeira” .
TOMAR UMA CONSULTA — O
mesmo que tirar remédio.
TONTIÇA — Tonteira.
TORNAR CONTRA — O mesmo
que ofender a doença.
TOSSE SÊCA — Sem expectora-
ção.
TREMA — Tremor. “No começo
dos princípios era uma . . . ” .
TREMURA — Tremor, às vêzes
nervosismo .
TROVEJO — Borborigmo. “... a
moda chuva de cabeceira”.
TUBERCULOSA Tuberculose
pulmonar .
TUMOR DE PUS — Quando há
pus na tumoração.
UÇURA — Úlcera gastro-duodenal.
URINA DOCE — Diabetes. “Urina
dôce que dá até formiga.”
URINA PRÊSA — Retenção ou di-
minuição da urina.
URINA SOLTA — Poliúria.
UTRO — Útero.
VÃO — Quadrante superior do ab-
dome. “Sentou o cabo da foiça
no. . .”
VAGO — Dismaio, passamento.
VAZIO — Fossa iliaca direita. Ou-
tras vêzes sensação de fome.
VEIA DO CORAÇÃO — Jugular
esquerda .
VEIA QUEBRADA — Varizes.
VENTANIA — Borborigmo.
VERMAS — Verme. Invariàvel-
mente relacionado ao áscaris.
VERMELHA — Erisipela. “Quem
nada pissui usa remédio velho
na. . .”
VERTER AGUA — Urinar.
VEXAME — Taquicardia.
VIA — Reto.
VIÇO — Relacionado ao hábito de
comer barro.
VIÇOSO — Anêmico, que come ví-
cio.
VISITA — Menstruação. “Faz
três meses que minha visita não
chega”.
1 Volume 6 (Patologia) 299
1 VISTA — ôlho.
PIEMA — Asma.
1 VISTA CURTA — Enxergar pou-
PURGANTE FRESCO — Purga-
1 CO.
tivo salino . “ . . . para limpar o
1 VISTA MORTA — Olhar fixo dos
sangue” .
1 desidratados .
PUXAR — Espécie de massagem .
1 VIVER DOENTE — Não gozar
SACO — Bôlsa escrotal. “Nem es-
1 saúde .
fricção deu jeito na quebradura
1 XAQUECA — Enxaqueca.
do...”
1 ZANÔIO — Vesgo.
ZOLHO — ôlho.
1 ZIPRA — Erisipela.
ELUCIDÁRIO
1 ZONZEIRA — Zumbido.
1 ZONZURRO — Zuada. “Tenho um
AFOGAR MANDIOCA Colocar
de molho a mandioca.
1 ... na caoeça que parece canti- ...
ga de grilo”.
ALIMENTIVO — Alimentício.
ZUADA — O mesmo que zonzurro.
AVIÃO — Picareta .
BOCA DA NOITE — Crepúsculo.
APÊNDICE
BOTAR ROÇADO — Fazer roça.
BROCAR — Derrubar o mato para
APÁ — Omoplata. “Dor no. . . que
fazer roça .
não posso nem botar roçado” .
BROLHAR — Brotar.
BOQUEIRA — Enantema.
CABELUDO — Colono que vem fa-
BE tempo — Nascido a têrmo.
zer feira em Belém .
É 0 mais coisinha dos moleques,
CAÇAMBA — Caçamba bascu- 1
mas é de. . .”
lante . 1
BOR ARDOSA — Ardência epigás-
CAÇUÁ — Espécie de paneiro . 1
trica. “Até quebra jejum dá...
CAÍCA — Espécie de peixe salgado. 1
EMBOLOADO — O mesmo que
CANCAIA — Arvores sêcas das ca- 1
emaconhado. “Brolharam pelo
poeiras . 1
corpo todo ficando ...”
CASAR NOS DOIS — Casar no ci- 1
ENXUME — Plenitude gástrica .
vil e no religioso . 1
“Até uritinga dá enxume.”
CAVACO — Espécie de telha da 1
MALINEZA — Feitiço.
madeira. 1
PACURY — O mesmo que entan-
COLÔNIO — Lavradores que mo- 1
guido.
ram em colônia agrícola. 1
paliando — Diminuindo. Rela-
CORRIGIR ROÇADO — Examinar 1
tivo a dor.
a roça . 1
pegar criança — o trabalho
DANISCA — Danosa. 1
da parteira .
DE PEIS — A pé. 1
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DOI COMO TRINTA —Dor exa-
cerbada .
DRAGA — Ferro de cova.
EMPELEITA — Empreitada.
ENCOIVARAR — Amontoar os
garranchos dos roçados para a
queima .
ESFARTE — Asfalto.
ESFRICÇÃO — Fricção, massa-
gem.
FARMACETI — Farmacêutico.
FOIÇA — Foice.
ILHARGA — Junto a.
JOGAR BOMBA — Pescar com di-
namite .
MARGULHAR — Mergulhar.
PANTROLHA — Patrol. Máquina
rodoviária, raspadeira.
PAU-DE-ARARA — Transporte
rústico, caminhões adaptados.
PAVIOLA — Padiola.
PONGÓ — Espécie de peixe.
QUEBRA JEJUM — Merenda, na
parte da manhã.
QUEBRANDO DA FINA — Passan-
do baixo, sem sorte.
RISCOSA — Arriscada.
RÔÇO — Roçagem.
RODAGEM — Leito estradai .
TAIPA — Parte da carroçaria do
caminhão.
TULAPA — Tilapia.
URITINGA — Espécie de peixe.
ZIMBOLÉO — Aos trambolhões .
ZINHAVRE — Azinhavre.
SUMARIO
São apresentados pelo autor têr-
mos, frases, e expressões subordi-
nadas ao vocabulário médico popu-
lar dos moradores da Povoação de
São Raimundo Nonato, como de-
corrência do atendimento prestado
aos seus moradores.
SOMMAIRE
Sont présentés par 1’auteur des
termes, des phrases et expressions
subordonnées au vocabulaire mé-
dical populaire des habitants du
village de São Raimundo Nonato,
en consequence de 1’assistance
donnée à ses habitants.
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Volume 6 (Patologia)
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