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CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTIFICO E TECNOLÓGICO
INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
NOVA SÉRIE
BELÉM — PARA — BRASIL
BOTÂNICA
N? 49
17, SETEMBRO, 1975
O GÊNERO RAUVOLFIA PLUM. EX L. (APOCYNACEAE)
NA AMAZÔNIA BRASILEIRA ( * )
Angela M. C. Leite
Museu Goeldl
RESUMO — Estudo comparativo e distribuição geográ-
fica das espécies do gênero Rauvolfia na Amazônia Bra-
sileira.
Introdução
Com nove espécies tipicamente amazônicas, o gênero
Rauvolfia Plum. ex L. acha-se bem disperso na região, o que
podemos observar conforme mapa (fig. 1) constante deste
trabalho.
Segundo suas características genéricas, passaram à si-
nonímia : Cyrtosiphonia, Dissolaena, Heurckia e Ophioxylon,
constatado por Bentham & Hooker (1895) . Sofreu uma revi-
são feita por Rao (1956), o qual agrupou as trinta e quatro es-
pécies americanas do gênero em cinco séries e três subsé-
ries; torna-se portanto desnecessária nova revisão, pelo que
forneceremos apenas dados que possibiltem a determinação
e a distribuição das espécies na Amazônia Brasileira.
Não há estudo fitoquímico ou citação de uso em medici-
na popular na região, como ocorre com espécies extra-ama-
zônicas, por exemplo R. sellowii Muell. Arg., medicamente
usada na hipertensão arterial (Andrade & Santos, 1954), e
psiquiatria (Campos et al, 1954) . Em R. ligustrina R. & S.,
porém, já foi constatada a presença do alcalóide reserpina
(Cardoso & Venâncio, 1956) .
( * ) — Trabalho apresentado na Sessão de Temas Livres do XXVI Con-
gresso Nacional de Botânica. Rio de Janeiro, 1975.
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R. ligustrina R, aS.
R. macrontho K.Schum.
R. pochyphyllo Mgf.
R. paraensís Ducke
R, pentaphylla Duckt
R. poliphyllo Benlh.
R, proecox K.Schum.
R. sprucei Muell. Arg.
R. weddeiliano Arg.
Fig. 1 — Distribuição geográfica das espécies de Rauvolfia.
Descrição do gênero
Arvores, arbustos ou subarbustos em geral latescentes;
folhas simples inteiras, pecioladas ou subsésseis, verticüa-
das, com glândulas axilares, consistência membranácea ou
coriácea, nervação penado-reticulada com nervuras secundá-
rias arqueadas na margem, exceto /?. pentaphylla Ducke,
cujas nervuras secundárias são transversais: inflorescência
cimosa terminal ou axilar; flores em geral pequenas, brancas
ou esverdeadas: cálice pequeno sem escamas, lascínios ovais
ou acuminados, concrescidos ou sub-iivres: coroia sinistror-
sa, hipocrateriforme ou urceolada: região de insersão dos
estames em geral pilosa, anteras oval-agudas de base divi-
dida: estigma piloso capitado, bífido no ápice: ovário 2-c3r-
pelar, 2-locular e 2 ou 4-ovulado; fruto drupácoo, subglobo-
so, conato.
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CHAVE PARA A SEPARAÇÃO DAS ESPÉCIES
1 — Caule lenticelado 2
Caule não lenticelado R- weddeiliana
2 — Nervuras secundárias arqueadas 3
Nervuras secundárias transversais ... R. pentaphylla
3 — Inflorescência terminal 4
Inflorescência terminal e lateral .... R. ligustrina.
4 — Ovário 2-carpelar e 4-ovulado 5
Ovário 2-carpelar e 2-ovulado R- polyphylla.
5 — Corola salveforme 6
Corola tubular 7
6 — Estames inseridos na fauce R- praecox.
Estames inseridos pouco abaixo da
fauce R. macrantha.
7 — Corola esparsamente pilosa na fauce 8
Corola visivelmente pilosa na fauce R. pachyphylla.
8 — Corola com estrias R. paraensis.
Corola sem estrias R. sprucei.
Descrição e distribuição geográfica das espécies
Rauvolfia ligustrina R. & S.
Syst. Veg. 4: 805. 1819 (T.: Humboldt & Bonpland s.n.) = R. ter-
nifolia H. B. K., Nov. Gen. et Sp. 3: 232. 1819 (T.: Humboldt 148).
Subarbusto, caule lenticelado: folhas 3-verticiladas ani-
sófilas, membranáceas, elíptico-ovais, ápice geralmente acu-
minado, base obtusa, curto pecioladas (subsésseis) , 6-10 pa-
res de nervuras secundárias arqueadas terminando na mar-
gem; inflorescência terminal e lateral muito florida, flores de
2 a 4 mm; cálice 5-lobado, lobos acuminados glabros, corola
de tubo delgado piloso na face interna e lobos arredondados;
5 estames inclusos na garganta, com anteras ovais e filete
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visível; ovário 2-carpeIar, 2-ovulado, estigma capitado leve-
mente bilobado.
AMAZONAS: Sto. Aotônio do Içá; 27. VIII . 1906; A Ducke
(MG 7626) .
PARÁ; Monte ‘Alegre, Colônia Itauajurí; 27.1.1917; A. Ducke
(MG 16712). Rio Maicuru, Caá-ussu, Município de Monte
Alegre: 10.111.1953; R. L. Fróes 29507 (lAN) . Monte Ale-
gre, beira de estrada; 4. V. 1953; D. A. Lima (lAN 80846).
Cateia, rio Maicuru; 15. VII. 1957; G. A. Black 57-20117 (lAN).
Rauvolfia macrantha K. Schum. ex Mgf
Fedde Rep. Spec. Nov. 20: 117, 120. 1924 (T.: Ule 5174!) = R.
micrantha K. Schum. ex Ule in Engl. Bot. Jahrb. 40: 136. 1907
(nom. nud., sphalm.).
Arbustos de caule lenticelado; folhas 4-verticiIadas vi-
sivelmente anisófilas, membranáceas, ovais, ápice acumina-
do raro agudo, base atenuada, curto-pecioladas, 6-7 pares de
nervuras secundárias arqueadas terminando próximo à mar-
gem, face superior parda e lustrosa e inferior clara e opa-
ca; inflorescência terminal, flores conspícuas de 14 a 26 mm;
cálice visivelmente 5-lobado, lobos acuminados glabros; co-
rola salveforme branca com vilosidades na face interna, lo-
bos ovais: 5 estames fixados pouco abaixo da garganta, an-
teras oval-acuminadas e filete pouco visível: ovário 2-carpe-
lar e 4-ovulado, estigma cilíndrico capitado levemente bi-
lobado.
AMAZONAS: rio Juruá, Marari; IX. 1900; Ule 5174 (MG íy-
pus) . Rio Japurá, Jupará; 15. IX. 1904; A. Ducke (MG
6772) . Igarapé Tonhon, Ituxy, Município de Eurinepê (rio
Juruá): 30. XI. 1946; R. L. Fróes 21806 (lAN) . Rio Icana,
Estirão Santana: 22.111.1952; R. L. Fróes 27977 (lAN) . Re-
gião do rio Negro, Barcelos, 22. VI. 1957; R. L. Fróes 33843
(lAN) . Região do rio Negro, arredores de Barcelos;
22. VI. 1957; R. L. Fróes 33847 (lAN).
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Fig. 2 — R. ligustrina : 1) ramo; 2, 3 e 41
chyphylla : 5) ramo florlfero; 6, 7 e 8) d'
tha: 9 o 10) detalhes d?
5
LEITE. A. M. C.
O GÊNERO RAUVOLFIA PLUM. . . .
Rauvolfia pachyphylla Mgf.
Pedde Rep. Spec. Nov. 20: 117, 121. 1924. (T.; Ule 8736!) = Aspi-
pidosperma quadriovulatum Pitt. in Boi. Cient. y Tecn. Mus. Com.
Venez. 1: 66. 1925 (T.: Pittier 9465).
Arbusto e subarbustos, caule visivelmente lenticela-
do com presença de catáfilos ou suas marcas nas axilas;
folhas 5 ou 6-verticiladas, coriáceas, ovais, ápice acumina-
do e base atenuada, curto-pecioladas, 8-10 pares de nervu-
ras secundárias arqueadas terminando próximo à margem;
infiorescência terminal; flores de 5-11 mm; cálice 5-lobado;
lobos acuminados; corola tubular, lobos ovais, pilosa na gar-
ganta; 5 estames com anteras ovais inseridos na garganta;
ovário 2-carpelar; 4-ovulado; estigma cilíndrico capitado,
2-partido no ápice.
RORAIMA: I. 1910; Ule 8736 (MG typus).
Rauvolfia paraensis Ducke
Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro 4: 167. 1925 (T.: Ducke, MG 17299!)
= R. amazônica Mgf. in Notzblatt 9: 960. 1926 (T.: Ducke s.n.).
Árvores abundantemente lactíferas, caule lenticelado;
folhas 5-verticiladas, raro 4 ou menos, anisófilas, membra-
náceas, ovais ou elíptico-ovais, ápice agudo (folhas maio-
res) ou acuminado (menores), base atenuada, longo-pecio-
ladas, 8-10 pares de nervuras secundárias arqueadas termi-
nando na margem, face superior parda e inferior um pouco
mais clara; infiorescência terminal com poucas flores, flo-
res conspícuas de 8-16 mm; cálice visivelmente 5-lobado,
lobos deltiformes; corola tubular branca estriada, lobos le-
vemente ovais e pouco pilosa na região da garganta; 5 esta-
mes ligeiramente sésseis inseridos na garganta, com ante-
ras oval-agudas; ovário 2-carpelar, 4-ovulado, estigma capi-
.^^ado bífido.
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PARÁ: Sta. Izabel do Pará, E. F. 03 Bragança; IS.IX.igiS;
A- Ducke (MG 17299 typus) . Belém, Utinga; 27.VIII.1941 ;
A. Ducke 785 (MG, lAN) . Esperança (Boca do Javari);
03 .x. 1942; A. Ducke 1118 (MG, lAN) . Belém, Utinga;
10 . VII. 1949; J. M. Pires 1526a (lAN) . Vila Nova, rio Ta-
pajós, cachoeira Chorão, 12 km abaixo; 21. VII. 1951; J. M.
Pires 3577 (lAN) . Alto Tapajós, Vila Nova, perto da ca-
choeira do Chacarão; 24.1.1952. J. M. Pires 4021 (lAN) .
Lago Curuaí, planalto de Santarém; 13. IV. 1955; R- L. Fróes
21712 (lAN) . Sta. Izabel do Pará, E. F. de Bragança;
28. IX. 1555; N. T. Silva 451 (lAN) . Levantamento do Mos-
queiro; 15.111.1971; E. Oliveira 5584 (lAN) . Estrada Belém-
-Salinas; 10. VIII . 1974; G. S. Pinheiro 693 (lAN) . Curuçá;
02 . VIII. 74; A. Silva 14862 (lAN) .
Rauvolfia pentaphylla (Hub.) Ducke
Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro 3: 244. 1922 (T.t Ducke MG 11038!)
= Couma pentaphylla Hub. in Boi. Mus. Goeldi 7: 124. 1913, nom.
nud., R. duckei Mgf., in Fedde Rep. Spec. Nov. 20: 121. 1924 (T.:
Ducke, 16544!).
Árvores de grande porte, latescentes, caule lenticelado;
folhas 5-verticiladas, anisófilas, membranáceas, elípticas ou
elíptico-ovais, ápice agudo ou acuminado, base atenuada,
curto-pecioladas, numerosas nervuras secundárias transver-
sais terminando na margem; inflorescência terminal pouco
florida, flores conspícuas de 15-32 mm; cálice 5-lobado, lo-
bos agudos glabros; corola infundibuliforme branca estriada,
visivelmente pilosa de tubo estreito e lobos ovais, 5 estames
subsésseis inseridos na garganta, anteras oval-agudas; ová-
rio 2-carpelar, 2-ovulado, estigma cilíndrico capitado.
AMAPÁ; Porto Platon, rio Araguarí; 03.11.1955; J. M. Pires
et N. T. Silva 4784 (lAN) .
AMAZONAS : Manaus, cachoeira Grande, capoeirão do Cam-
po Experimental; 26.VI.1932; A. Ducke, s/n*? (lAN 23941). Ma-
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flor. R. pen-
da flor.
FIg. 3 — R. paraensis : 1) ramo; 2, 3 e 4) detalhes da
taphylla : 5) ramo florífero; 6. 7 e 8) detalhes
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naus, cachoeira Grande; 25. VII. 1943; A. Ducke 492, 11° col.
(MG, lAN).
PARÁ: Óbidos; 09.111.1908; A Ducke (MG 10237). Óbi-
dos; 09.111.1909; A. Ducke (MG 10238). Óbidos, serra da
Escama; 10. IX. 1910; A. Ducke (MG 11032). Óbidos, serra
da Escama; 22. IX. 1910; A. Ducke (MG 11038 typus) Óbi-.
dos, serra da Escama; 25. XII. 1910; A. Ducke (MG 11502).
Gurupá; 26. IX. 1916; A. Ducke (MG 16544). Belterra;
24 . VI. 1947; G. A. Black 47-942 (lAN) . Fiio Curuaúna, ca-
choeira do Portão, região do planalto de Santarém;
14 . XI. 1954; R. L. Fróes 31413 (lAN) . Taperinha, paraná do
Ituquí, flancos do planalto de Santarém; 02. XII. 1954; R. L-
FrÓ3s 31191 (lAN) . Igarapé Cucarí, região do planalto de
Santarém; 15. VI. 1955; R. L Fróes 31749 (lAN). Rio Xin-
gu, em frente a Souzel. Município de Porto de Moz;
22 . XI. 1955; R. L. Fróes 32380 (lAN) . Óbidos, estrada Rio
Branco; 21. V. 1957; P. Cavalcante 93 (MG). Alto Tapajós,
Missão Cururu; 17. VII. 1959; W. A. Egier 942 (MG). Ja-
carenim, caminho para a serra de Almerim; 28.111.1963;
E. Oliveira 2405 flAN) .
Rauvolfia polyphylla Benth.
Hook Journ. Bot. 3: 241. 1841 (T.: Robcrt SchomburRk 891) = R.
polyphylla var. conniven.s Benth. ex Muell. Arg., Mart. Fl. Bras.
6: 31. 1860 (T.: Spruce 1896); R. polyphylla var. divcrgens Benth.
ex Muell. Arg. l.c. (T.: Sprucc 1837).
Arvores ou arbustos, caule imperceptivelmente esparso-
lenticelado; folhas 4 raro 5-verticiladas, pouco anisóiilas,
membranáceas, elípticas, ápice acuminado, base obtusa,
longo-pecicladas, aproximadamente 10 pares de nervuras se-
cundárias arqueadas terminando próximo à margem; inflo-
rescência terminal pouco florida, flores de 7 a 12 mm; cálice
5-lobado, lobos ovais levemente acuminados; corola tubular
esparso-pilosa, um pouco dilatada na garganta, lobos ovais;
5 estames inseridos na garganta, anteras oval-agudas subsés-
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seis; ovário 2-carpelar, 2-ovulado, estigma capitado levemen-
te bilobado.
AMAZONAS: Manaus, rio Tarumá; 09. IX. 1940; A. Ducke 626
(MG, lAN) . Margem do rio Negro; 23. IX. 1953; R. L. Fróes
28698 (lAN).
Rauvolfia praecox K. Schum. ex Mgf.
Fedde Rep. Spec. Nov. 20: 119. 1924 (T.: Ule 6256!); ex Ule in
Engl. Jahrb. 40: 400. 1908 nom. nud.
Árvores pequenas, caule lenticelado; folhas 3 ou 4-
-verticiladas, cartáceas, elípticas, ápice agudo raro acumina-
do, base atenuada, longo-pecioladas, nervuras secundárias
arqueadas delicadas terminando próximo à margem, face su-
perior lustrosa e inferior opaca; inflorescência terminal pou-
co florida; flores de 8-12 mm, cálice 5-lobado, lobos acumi-
nado-ovais; corola salveforme estriada, lobos ovais e tubo
estreito pouco piloso na região da garganta; 5 estames sub-
sésseis inseridos na garganta, anteras oval-acuminadas; ová-
rio 2-carpelar, 4-ovuIado, estigma capitado bilobado.
AMAZONAS : próximo à foz do rio Embira, tributário do rio
Caracuá, lat. 7.30°S, long. 70.15°W; Krukoff 5018 (ci-
tação Rao) .
AMAZÔNIA PERUANA; Iquitos; VII. 1902; Ule 6256 (MG
typus) .
Rauvolfia sprucei Muell. Arg.
Mart. Fl. Bros. 61: 34. 1860. (T.: Sprucc 1732) = R. laurcntíana
Woodson, in Ann. Mo. Bot. Gard. 18: 541. 1931 (T.: G. Klug 35).
Arvores pequenas, caule esparsamente lenticelado; fo-
lhas 4 ou 5-verticiladas ligeiramente anisófilas, membraná-
ceas, elíptico-ovais, ápice acuminado, base atenuada, 8-11
pares de nervuras secundárias arqueadas terminando próxi-
mo à margem; inflorescência terminal pouco florida; flores
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pin 4 R. polyphylla : 1) ramo; 2, 3 e 4) detalhes da flor. R. prae-
^ cox:, 5) inflorescêncla; 6) ramo; 7 e 8) detalhes da flor.
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conspícuas de 11-23 mm, cálice 5-lobado, lobos agudos; co-
rola tubular esparsamente pilosa na garganta e lobos cvais;
5 estames subsésseis inseridos abaixo da garganta, anteras
oval-acuminadas; ovário Zcarpelar, 4-ovulado. estigma calip-
triforme biapiculado.
ACRE : Cruzeiro do Sul, rio Juruá, Km 20 da rodovia Cruzei-
ro do Sul-Japiim e Vila Maitá; 26. X. 1966; G. T. Prance et
al. 2875 (MG). Cruzeiro do Sul, rio Juruá & rio Moa, estra-
da Alemanha; 14. IV. 1971; G. T. Prance et al. 11907 (MG)
AMAZONAS : ilha de Bacaba, Uaupés; 01 .IX. 1945; R. L Fróes
21307 (lAN).
AMAZÔNIA BOLIVIANA : Pando, margem sul do rio Abunã, 5
km acima da foz; 14. XI. 1968; G. T. Prance et al. 8431 (MG).
Rauvolfia weddeiliana Muell. Arg.
Mart. Fl. Bras. 61: 32. 1860 (T.: Weddell 2966) = R. eUiptica Mal-
me, in Bihangtill K. Sv. Vet.-Akad. Hondl. Afd. III. 2410:13.
1899 (T.: Malme 1444B).
Arbusto ou subarbusto, caule não lenticelado; folhas
em geral 4-verticiladas, levemente anisófilas, coriáceas,
elípticas, ápice agudo ou acuminado, base aguda, curto-pe-
cioladas, 12-16 pares de nervuras secundárias levemente ar-
queadas terminando próximo à margem; inflorescência termi-
nal e lateral, pouco florida; flores conspícuas de 8-11 mm;
cálice 5-lobado, lobo agudo, corola salveforme de tubo estrei-
to e lobos ovais, com pilosidades na região da garganta;
ovário 2-carpelar, 4-ovulado, estigma capitado ligeiramente
bilobado.
PARÁ : Serra do Cachimbo, 425 m de altitude; 15.Xil.1956;
J. M. Pires et al. 6301 (lAN).
Comentário
Rauvoltia constitui um gênero tropical que se acha bem
representado na Amazônia Brasileira pelas nove espécies
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pjn, 5 R, sprucei : 1) ramo florifero; 2, 3 e 4) detalhes da flor
R. weddelliana : 5) ramo; 6 e 7] detalhes da flor.
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estudadas, sendo uma delas, R. weddeiliana Muell. Arg.
de ocorrência nova, citada com mais freqüência para a re-
gião Nordeste do Brasil; destas nove, verificamos cinco (5)
“typus” que podem ser encontrados no Herbário do Museu
Paraense Emílio Goeidi e os fototypus do Instituto Agronô-
mico do Norte. Como espécies mais freqüentes podemos
citar a R. paraensis Ducke e R. pentaphylla Ducke, usadas
na extração de madeiras.
Fazendo comparações entre os espécimes amazônicos
e os extra-amazônicos de R. lingustrina R. & S., chegamos
à conclusão que, o tamanho e o número de lenticelas do caule
dos espécimes coletados na nossa região, são maiores em
relação aos não amazônicos e as folhas diferem segundo o
habitat.
a) amazônicos :
a.1. mata: folhas pequenas
a. 2. “lugar baixo” (Ducke) :
mente cartáceas.
b)
e membranáceas.
folhas médias, ligeira-
nao amazônicas :
b.1. serra: folhas maiores e membranáceas.
b.2. capoeira: folhas estreitas e cartáceas.
b.3. caatinga: folhas pequenas e cartáceas.
Não foi observado o uso das espécies em medicina po-
pular, como ocorre com outras espécies não amazônicas, po-
rém a R. ligustrina R & S, é tida como planta venenosa na
região.
Agradecimentos
Ao nosso orientador Paulo B. Cavalcante e à ProP Nor-
mélia C. Vasconcellos, pela orientação e revisão do trabalho;
à Ma. Elisabeth van den Berg, pelo incentivo e apoio que nos
prestou com a maior dedicação. Ao colega Sidney E. B.
dos Santos pela valiosa colaboração c ao desenhista Raphael
Alvarez, pelas figuras do trabalho.
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SUMMAEY
The author presents a systematic and phytogeographic
studie of nine species of the genus Rauvolfia Plum. ex L.
{Apocynaceae) , with observations about their large distri-
bution in the Amazonic Region, caracteristic sight and
morphology.
BIBLIOGRAFIA CITADA
ANDRADE, G. DE N. & SANTOS, C. P. DOS
2954 O tratamento da hipertensão arterial pelos alcalóides
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tradas no Brasil. Arq. Serv. Flor. Rio de Janeiro. 3
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CDU 582.937-19(811)
CDD 583.72 581.é811
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