BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Série BOTÂNICA
GOVERNO DO BRASIL
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William A. Rodrigues - Instituto nacional de Pesquisas da Amazônia
© Direitos de Cópia/Copyrighl 1999
por/by MCT/CNPq/Museu Goeidi
17 FEV EEQO
I 'SciELO
/
DOAÇAO
ISSN 0077-2216
Ministério da Ciência e Tecnologia
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Boletim do
Museu Paraense
Emílio Goeldi
Série
BOTÂNICA
Vol. 13(2)
Belém - Pará
ãJ''
Dezembro de 1997
X
MCT/CNPq
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Parque Zoobotânico - Av. Magalhães Barata, 376 - São Braz
Campus de Pesquisa - Av. Perimetral - Guamá
Caixa Postal: 399 -Fones: Parque (091) 249-1233,
Campus (09 1 ) 246-9777 - Fax: (091) 249-0466
CEP 66040-170 - Belém - Pará - Brasil
O Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia foi
fundado em 1 894 por Emílio Goeldi e o seu Tomo í surgiu em 1 896. O atual
Boletim é sucedâneo daquele.
The Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia was
founded in 1 894, by Emilio Goeldi, and the first volume was issued in 1 896.
The present Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi is the successor to this
publication.
Accrcditcd with the International Association l'or Plant Taxonomy (lAPT)
for the purpose of rcgistration of all ncw plant nanies
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CDD: 588.0918115
A FAMÍLIA SPLACHNOBRYACEAE
(BRYOPHYTA) NO ESTADO DO PARÁ
Regina C. L. Lisboa^
AnnaL. Ilkiu-Borges^
RESUMO - É apresentada a distribuição de Splachnobryaceae no estado do
Pará, uma nova família de Bryophyta, aqui representada pela espécie
Splachnobryum obtusum (Brid.) C. Midi. Dados sobre a morfologia da
família e descrição da espécie-tipo, com fotomicrografias e comentários
ecológicos, estão incluídos.
PALAVRAS-CHAVE: Splachnobryaceae, Bryophyta, Ambiente perturbado.
Área urbana.
ABSTRACT - The distribution ofthe family Splachnobryaceae to the State of
Pará, where is represented by onespecie, Splachnobryum obtusum (Brid.)
C. Midi. , is presented. Description and morphological comments are given
to the family and type-specie, with photomicrographs.
KEY WORDS: Splachnobryaceae, Bryophyta, Disturbed environment,
Urban area.
’ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Dept° de Botânica. Pesquisadora. Caixa Postal
399, Cep 66040-170, Belém-PA.
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Dept“ de Botânica. Bolsista. Caixa Postal 399,
Cep 66040-170, Belém-PA.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
INTRODUÇÃO
Splachnobryaceae é uma família monotípica de musgos (Bryophyta),
criada por Koponen (1981), com a remoção do gênero Splachnobryum
C. Müll. de Pottiaceae. Esse mesmo gênero já havia pertencido anterior-
mente à família Splachnaceae.
Splachnobryum obtusum (Brid.) C. Müll., a única espécie represen-
tante da família no Brasil, foi citada pela primeira vez para o país por
Lisboa & Yano (1987), para o estado do Amazonas, ainda pertencendo à
família Pottiaceae. Em Yano (1989), a espécie é citada já na família
Splachnaceae. Em Yano (1995), S. obtusum é colocada dentro da família
Splachnobryaceae, sendo referida para os estados do Acre, Alagoas,
Ceará, Ilha de Fernando de Noronha, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio
Grande do Sul e São Paulo. Lisboa & Ilkiu-Borges (1995), a citam pela
primeira vez para o estado do Pará, destacando-a como uma das espécies
que apresentaram maior adaptação a condições adversas, dentro da área
urbana do município de Belém.
Este trabalho tem como objetivos apresentar a distribuição da espécie
no estado do Pará e, através de fotomicrografias, contribuir para o
conhecimento morfológico, facilitando sua identificação.
MATERIAL E MÉTODOS
O material botânico para o presente estudo é proveniente de coletas
realizadas na área urbana de Belém (Lisboa & Ilkiu-Borges 1 995) e na área
urbana do município de Anajás, ilha de Marajó, no período de 1991 a
1995, totalizando aproximadamente 1.200 amostras.
A coleta e a preparação do material botânico foram feitas de acordo
com as técnicas usuais apresentadas em Yano (1984) e Lisboa (1993).
A bibliografia utilizada para identificação foi Florschütz (1964) e
Koponen (1981, 1994).
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A família Splachnobryaceae (Bryophyta) no Estado do Pará
As fotomicrografias foram tiradas em microscópio binocular Nikon,
a partir de lâminas semi-permanentes, preparadas com uma solução
aquosa de glicerina a 30% e vedadas com esmalte incolor.
Todas as amostras referidas estão incorporadas à coleção de briófitas
do Herbário do Museu Paraense Emílio Goeldi (MG).
RESULTADOS E CONCLUSÕES
A família Splachnobryaceae, representada no estado do Pará pela
espécie Splachnobryum obtusum (Brid.) C. Müll., foi coletada abundan-
temente dentro da área urbana de Belém e na área urbana da cidade de
Anajás, Ilha de Marajó. Esta família caracteriza-se, segundo Koponen
(1981), pela ausência de paráfises no perigônio, o perístoma composto
principalmente de endóstoma, presença de ânulus, caliptra com células na
base arranjadas espiralmente, ausência de tecido condutor nos filídios e
usualmente no caulídio e pêlos incolores de mucilagem, originados das
grandes células basais no caulídio. O arquegônio solitário e lateral e a
ausência de uma hipófise são caracteres comuns com a família Splachnaceae.
Pottiaceae apresenta arquegônio caracteristicamente acrocárpico, perístoma
haplolepídeo e células do filídio papilosas. Essas diferenças morfológicas
nos órgãos vegetativos e reprodutivos justificaram, para Koponen (1981),
a criação da família monotípica Splachnobryaceae, cujo único gênero,
Splachnobryum, possui duas espécies para o neotrópico, de acordo com
Delgadillo et al. (1995), das quais apenas S. obtusum ocorre no Brasil:
Splachnobryum obtusum (Brid.) C. Müll., Verh. Zool.-Bot. Ges. Wien
19; 504. 1869 (Eiguras 1-2).
Basiônimo: Weisia obtusa Brid., Muscol. Recent. Suppl. 1: 118. 1809.
Localidade-tipo: Hispaniola (Haiti).
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Boi, Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
Descrição: Plantas muito pequenas, maioria menor que 5mm de
altura, desenvolvendo em tufos frouxos, verde-amarelados a avermelhados;
filídios oblongo-lingulados, 0,6-1 (-1,4) X 0,4-0, 5 mm, ápice obtuso,
margens crenuladas na região superior, inteiras para a inferior, células da
lâmina lisas, curto-retangulares acima, mais curtas em uma fileira na
margem, hexagonais (romboidais) na região mediana e longo-retangula-
res abaixo, costa única, terminando 3-4 células abaixo do ápice; esporófito
não visto, mas descrito em Koponen (1994).
Comentários: S. obtusum ocorre exclusiva e freqüentemente na área
urbana de Belém, até nas ruas mais movimentadas, sujeitas a tráfego
intenso e todo tipo de atividade humana, habitando muros, calçadas, valas,
em locais expostos a temperaturas e luminosidade altas. Em coletas
realizadas em Reservas Florestais ao redor de Belém, e em áreas com
vegetação mais ou menos ou totalmente preservada dentro do estado do
Pará, S. obtusum não foi encontrada. Na Ilha de Marajó foi coletada,
também, apenas em área urbana. Sempre ocorrendo sobre substratos como
pedras, muros e paredes. Essas observações levaram Lisboa & Ilkiu-
Borges (1995) a concluírem que a presença de S. obtusum pode ser uma
indicação de ambiente perturbado.
Segundo Koponen (1994), a espécie distribui-se desde o México até
o norte da América do Sul e Ilhas Ocidentais, estados da Geórgia, Flórida
e Louisiana, além do Hawai. No Brasil, como referido anteriormente, S.
obtusum ocorra nos estados do Amazonas, Acre, Alagoas, Ceará, Ilha de
Fernando de Noronha, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio Grande do
Sul e São Paulo (Lisboa & Yano 1987; Lisboa & Ilkiu-Borges 1995; Vital
et al.,\99\ \ Vital & Visnadi 1994; Yano 1989 e 1995).
Material Examinado: Brasil, estado do Pará: município de Belém,
Bairro Cidade Velha, Rua Tomázia Perdigão, sobre pedra em frente ao
Palácio Lauro Sodré, A. L. Ilkiu-Borges & M. C. Cavalcante 176 c 177,
12.x. 1993; idem, sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges & M. C. Cavalcante
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A família Splachnobryaceae (Bryophyla) no Eslado do Pará
181, 12.x. 1993; idem. Rua 16 de novembro, sobre calçada, A. L. Ilkiu-
Borges & F. Ilkiu-Borges 291 e 292, 6. XII. 1993; idem. Rua de Óbidos,
sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges íS:F. Ilkiu-Borges 287 e 293, 6. XII. 1993;
idem. Rua Ângelo Custódio, sobre calçada molhada, A. L. Ilkiu-Borges
& F. Ilkiu-Borges 294, 6. XII. 1993; idem. Praça da República, sobre
calçada, A. L. Ilkiu-Borges & M. C. Cavalcante 304, 6. XII. 1993; idem.
Bairro Batista Campos, Rua Apinajés, sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges
&F. Ilkiu-Borges 326, 17.11.1994; idem. Rua Conselheiro Furtado, sobre
saída de esgoto, A. L Ilkiu-Borges & F. Ilkiu-Borges 327, 17.11.1994;
idem. Bairro do Marco, Tv. do Chaco, sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges
& F. Ilkiu-Borges 344 e 348, 22.11.1994; idem, Tv. Curuzu, sobre
calçada, A. L. Ilkiu-Borges & F. Ilkiu-Borges 359 e 363, 22.11.1994;
idem, Av. Almirante Barroso, sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges & F.
Ilkiu-Borges 366, 367, 368, 369 e 370, 22.11.1994; idem, Tv. Mauriti,
sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges & F. Ilkiu-Borges 372 e 373, 22.11. 1994;
idem, sobre terra, A. L. Ilkiu-Borges & F. Ilkiu-Borges 374 e 375,
22.11.1994; idem. Passagem Cristina, sobre muro, A. L. Ilkiu-Borges &
F. Ilkiu-Borges 377, 22.11. 1994; idem, sobre monte de terra, A. L. Ilkiu-
Borges & F. Ilkiu-Borges 380, 22.11.1994; idem. Rua Angustura, sobre
calçada, A. L. Ilkiu-Borges & M. C. Silva 397, 3. III. 1994; idem, sobre
muro, A. L. Ilkiu-Borges & M. C. Silva 403, 3. III. 1994; idem, Av. F
de Dezembro, sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges & M. C. Silva 410 e 41 1 ,
3. III. 1994; idem, Pass. São Pedro, sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges &
M. C. Silva 419, 4. III. 1994; idem, sobre saída de esgoto, A. L. Ilkiu-
Borges & M. C. Silva 420, 4. III. 1994; idem, Av. P de dezembro, sobre
calçada, A. L. Ilkiu-Borges & M. C. Silva 428 e 432, 4. III. 1994; idem,
Tv. Pirajá, sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges & M. C. Cavalcante 449,
21.111.1994; idem. Bairro Pedreira, Tv. Estrela, sobre calçada, A. L.
Ilkiu-Borges & M .C. Silva 450 e 451, 7. IV. 1994; idem. Rua Humaitá,
sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges & M. C. Silva 455, 456, 457 e 458,
7. IV. 1994; idem. Rua Marquês de Herval, sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
& M. C. Silva 461, 463, 464 e 466, 7. IV. 19934; idem, sobre muro, A.
L. Ilkiu-Borges & M. C. Silva 462 e 465, 7. IV. 1994; idem, Av. Pedro
Miranda, sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges &M. C. Silva 470, 472 e 474,
7. IV. 1994; idem, sobre pátio (cimentado) de casa, A .L. Ilkiu-Borges &
M. C. Silva 475, 7. IV. 1994; idem, Tv. Vileta, sobre calçada, A. L. Ilkiu-
Borges & M. C. Silva 478, 486 e 487, 7. IV. 1994; idem, sobre muro, A.
L. Ilkiu-Borges & M. C. Silva 482,7. IV. 1994; idem, Tv. Mauriti, sobre
muro, A. L. Ilkiu-Borges & M. C. Silva 488 e 489, 7. IV. 1994; idem,
sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges & M. C. Silva 493, 495 e 496,
7. IV. 1994; idem. Bairro Matinha, Pass. Só Vendo, sobre muro, A. L.
Ilkiu-Borges &M. C. Silva 500, 14. IV. 1994; idem, Pass. Lameira, sobre
calçada, A. L. Ilkiu-Borges & M. C. Silva 503, 14. IV. 1994; idem. Rua
Antônio Barreto, sobre muro, A. L. Ilkiu-Borges & M. C. Silva 509,
14. IV. 1994; idem, sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges & M. C. Silva 511,
14. IV. 1994; idem. Bairro reduto, Av. Diogo Móia, sobre vala, A. L.
Ilkiu-Borges & M. C. Silva 521, 14. IV. 1994; idem. Bairro Val-de-Cans,
Conj. Residencial ENASA, sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges & M. C.
Silva 525, 17. V. 1994; idem. Bairro Souza, Pass. Elieser Levy, sobre
muro, A. L. Ilkiu-Borges & M. C. Silva 543, 17. V. 1994; idem. Bairro
Acampamento, Rua Barão do Triunfo, sobre vala, A. L. Ilkiu-Borges &
M. C. Silva 586, 25. V. 1994; idem, bairro Telégrafo, Rua Luiz Bentes,
sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges & M. C. Silva 591, 25. V. 1994; idem,
Rua Frederico Scheneippe, sobre calçada, A. L. Ilkiu-Borges & M. C.
Silva 592, 25. V. 1994; Ilha de Marajó, município de Anajás, Rio
Mocoões, sobre muro residencial. Rua Barão do Rio Branco, U. Maciel
2166, III. 1994; idem, sobre solo do jardim da residência de hóspedes da
prefeitura, U. Maciel 2167, III. 1994; idem, sobre muro do cais de arrimo,
frente da cidade, U. Maciel 2168 e 2169, III. 1994; idem, sobre muro da
praça do mercado municipal, U. Maciel 2176, III. 1994; idem, sobre
calçada da praça do mercado municipal, U. Maciel 2177, III. 1994; idem,
sobre pedra nos arredores da cidade, U. Maciel 2182, III. 1994.
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A família Splachnobryaceae (Bryophyta) no Estado do Pará
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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KOPONEN, A. 1981. Splachnobryaceae, a new moss family. Ann. Bot. Fennici,
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YANO, O. 1995. A new additional annotated checklist of Brazilian bryophytes.
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Botânica, 62p. (Manual, 4).
Recebido em: 09.11.96
Aprovado em: 02.04.97
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CHLORELLACEAE (CHLOROPHYCEAE,
CHLOROCOCCALES) DO LAGO ÁGUA PRETA,
MUNICÍPIO DE BELÉM, ESTADO DO PARÁ^
Regina Célia Viana Martins-Da-Silva^
RESUMO - O inventário florístico da família Chlorellaceae do lago Agua
Preta, parte do complexo de abastecimento de água do município de Belém,
PA, foi efetuado a partir de quatro coletas, no período de outubro de 1992
a agosto de 1993. Os resultados mostraram que a família Chlorellaceae está
representada por 12 táxons: Ankistrodesmus hsrmtdúKomárek, A.bibraianus
(Reinsch) Korsikov, A. fusiformis Corda sensu Korsikov, A. gracilis
(Reinsch) Korsikov, A. spivalis (Turner) Lemmermann, Kirchneriellacontorta
(Schmidlee) Bohlin, K. dianae (Bohlin) Comas, K. obesa (W. West)
Schmidle, Monoraphidium irregulare (G.M.Smith) Komárková-Legnerová,
M . mirabile (West & West) Pankow, Tetraedron caudatum (Corda) Hansgirg
e T. minimum (A. Braun) Hansgirg.
PALAVRAS-CHAVE: Algas, Amazônia, Fitoplâncton, Chlorellaceae.
ABSTRACT - An inventory of the Chlorellaceae was made in lake Água
Preta. This lake is the main component of the water reservoir of Belém in
Pará State. The inventory was based on four samples collected during one
year, from October 1992 to August 1993. The Chlorellaceae family is
represented by 12 taxa: Ankistrodesmus bernardii Komárek, A.bibraianus
(Reinsch) Korsikov, A. fusiformis Corda sensu Korsikov, A. gracilis
(Reinsch) Korsikov, A. sp\xd\\& (Turncr) Lemmermann, Kirchneriellacontorta
(Schmidlee) Bohlin, K. dianae (Bohlin) Comas, K. obesa (W. West)
' Parte da DLssertação de Mestrado - UFPa/MPEG.
^ Lab. de Botânica, Embrapa Amazônia Oriental. Caixa Postal 48, CEP 66017-970. Belém-PA.
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Boi, Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 13(2), 1997
Schmidle, Monoraphidium irregulare (G.M.Smith) Komárková-Legnerová.
M. mirabile (West& West) Pankow, Tetraedroncaudatum (Corda) Hansgirg
e T. minimum (A. Braun) Hansgirg.
KEY WORDS: Algae, Amazônia, Fitoplankton, Chlorellaceae.
INTRODUÇÃO
O primeiro levantamento sobre a ordem Chlorococcales no Estado
do Pará foi realizado por Kammerer (1938), que apresentou uma listagem
com 68 táxons infra-genéricos descritos, tendo ilustrado 19 deles; dentre
esses, descreveu como novos uma espécie, sete variedades e duas formas.
O segundo levantamento sobre a referida ordem no Estado foi realizado
por Martins-Da-Silva (1994), no qual inventariou 46 táxons infra-
genéricos, tendo apresentado descrição, ilustração, distribuição geográfica
no Estado do Pará e comentários para cada táxon estudado. Há outros
levantamentos de fitoplâncton realizados no Pará, porém não são especí-
ficos para as Chlorococcales, mas referem-se a seus representantes e
tornam-se taxonomicamente importantes na medida que ilustram e descre-
vem alguns táxons dessa ordem. Esses levantamentos encontram-se nos
trabalhos de Grõnblad (1945), Thomasson (1971, 1977), Uherkovich
(1976, 1981) e Huszar (1994).
O Estado do Pará é muito rico em ambientes limnéticos e pouco se
conhece, ainda, sobre suas algas. Este trabalho teve como objetivo o
estudo da família Chlorellaceae no lago Água Preta, visando a contribuir
para o aumento do conhecimento do fitoplâncton dessa região.
ÁREA DE ESTUDO
Atualmente, a captação, o tratamento e a distribuição da água em
Belém são efetuados pela Companhia de Saneamento do Pará (COS ANPA) ,
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Chlorellaceae (Chlorophyceae, Chlorococcales) do lago Agua Preta...
cuja represa é formada por dois grandes lagos, o Bolonha e o Água Preta,
que ocupam, respectivamente, áreas de 1.790.000m^ e 7.199.500m^.
O lago Água Preta possui capacidade de 10,55 x lO^m^, sendo o principal
lago que serve como abastecedor de água ao munieípio de Belém
(COSANPA 1981)
Segundo Dias (1991), a área estudada localiza-se no quadrante a
48°11’00” e 48°13’48'’W e 1°21’32'’ e r24’54'’ Sul, no Estado do
Pará, município de Belém (Figura la). Este estudo foi desenvolvido no
lago Água Preta, maior lago do complexo de abasteeimento de água da
cidade de Belém (Figura Ib).
Segundo a classifieação de Kõppen (1948), o clima é do tipo Af
tropical chuvoso, com temperatura superior a 18°C, sendo a média anual
de 25,7 °C. A média dos meses mais quentes chega a 26,5 °C e a dos meses
mais frios, a 25°C.
O índiee pluviométrico é bastante elevado, chegando a atingir a
2.200mm/ano nos meses mais chuvosos; e no período onde não há grande
intensidade de precipitação, alcança 30mm de altura.
O lago Água Preta encontra-se sobre sedimentos do Quaternário
Antigo e Recente, oriundos do Grupo Barreiras, o qual é formado por
sedimentos arenosos e argilosos de origem continental (Moreira 1966;
Ackermann 1969).
A cobertura vegetal é caracterizada por floresta densa de terra firme,
floresta de terra firme aberta, floresta de várzea, capoeira de terra firme
e áreas cultivadas (IDESP 1979).
MATERIAL E MÉTODOS
Foram realizadas quatro coletas ao longo de um ano: em 28 de
outubro de 1992, no início do período chuvoso; em 4 de fevereiro de 1993,
115
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
Figura la - Localização do lago Água Preta na cidade de Belém, (adaptado de BRASIL, 1976
e SECTAM, 1992).
116
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 13(2), 1997
quando as chuvas são abundantes; em 3 de junho de 1993, final da época
chuvosa e em 30 de agosto de 1993, quando o índice pluviométrico
apresenta-se baixo.
As amostras foram coletadas com rede de malha de 45/xm de
abertura. Foram também obtidas amostras de algas, através de espremido
de macrófitas do gênero Salvinia, existentes no local. O metafíton fora
coletado, passando-se somente o recipiente de plástico da rede na massa
d’ água superficial.
O material recolhido foi tratado segundo Bicudo & Bicudo (1970).
As amostras referidas neste trabalho encontram-se depositadas no Herbário
lAN, da Embrapa Amazônia Oriental.
A coleção recebeu os seguintes números de registro, para cada
amostra, de acordo com o período de coleta: lAN 174.083 (28/10/92),
lAN 174.084 (04/02/93), lAN 174.085 (03/06/93) e lAN 174.086
(30/08/93).
De acordo com os dados obtidos durante as observações ao micros-
cópio, mensurações e desenhos, foi realizada a identificação taxonômica,
baseada em Kómarek & Fott (1983), subsidiada por: Kammerer (1938);
Komárková-Legnerová (1969); Kovácik (1975); Comas (1980, 1984);
Tell & Mosto (1982); Sant’Anna & Martins (1982); Komárek (1983);
Hindák (1984); Sant’Anna (1984) e Nogueira (1991).
As formas celulares usadas na descrição das células foram padroni-
zadas de acordo com Stearn (1983). O padrão a, usado na descrição e
comentário de Ankistrodesmus bibraianus (Reinsch) Korsikov e
A. gracilis (Reinsch) Korsikov, foi calculado de acordo com Komárková-
Legnerová (1969).
118
Clilorellaceae (Chlorophyceae, Chlorococcales) do lago Agua Preta...
TRATAMENTO TAXONÔMICO
la. Indivíduo solitário 2
2a. Célula fusiforme adelgaçada para os ápices aciculares 3
3a. Célula sigmóide, ápices ocupando planos diferentes
Monoraphidium irregulare
3b. Célula arqueada, ápices ocupando o mesmo plano
M. mirabile
2b. Célula pentagonal ou tetraédrica com ângulos arredondados 4
4a. Célula pentagonal com processos e incisão profunda
Tetraedron caudatum
4b. Célula tetraédrica sem processos e sem incisão
T. minimum
Ib. Indivíduos coloniais 5
5a. Células totalmente envolvidas por mucilagem 6
6a. Células cilíndricas torcidas, sem pirenóide
Kirchneriella contorta
6b. Células lunadas com ou sem pirenóide 7
7a. Células com ápices afilados, pirenó ides presentes ....
K. dianae
7b. Células com ápices arredondados, pirenóides
ausentes K. obesa
5b. Células não envolvidas por mucilagem 8
8a. Células lunadas 9
9a. Células largas (3-4,5 /xm) A. bibraianus
9b. Células estreitas (1,8-2, 7 /xm) A. gracilis
8b. Células fusiformes 10
10a. Células fusiformes retas dispostas
cruciadamente A. fusiformis
10b. Células fusiformes espiraladas
ou arcuadas 11
lla. Células espiraladas A. spiralis
llb. Células arcuadas A. bernardii
119
cm
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi. sér. Bot. 13(2), 1997
Ankistwdesrnus bernardii Komárek.Nova Hedw., 37: 138/176, pl. 25,
fig. 65. 1983 (Figuras 2-4).
120
Chlorellaceae (Chlorophyceae, Chlorococcales) do lago Água Preta...
Colônia circular ou alongada; 4-64 células fusiformes, sigmóides ou
arcuadas, adelgaçando-se gradualmente para os ápices; 37-65,5 x 1,6-2 /xm;
dispostas irregularmente; cloroplastídio único, parietal, sem pirenóide.
AMOSTRAS EXAMINADAS: lAN 174.083; lAN 174.084; lAN 174.085;
lAN 174.086.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA NO ESTADO DO PARÁ: Lago Batata -
Oriximiná (Huszar, 1994)
COMENTÁRIO: De acordo com Komárek & ¥oii{\9%2i) Ankistrodesmus
bernarda Kom. apresenta morfologia muito próxima a A. densus Kors. do
qual difere apenas pelas células mais estreitas (1-2 [xm) no primeiro táxon
do que no segundo (3-5 /um). A. bernarda Kom. lembra, ainda, A. spiraüs
(Turner) Lemm., que também foi encontrado na área de estudo. Os dois
foram separados pela largura celular e pelo arranjo no centro da colônia;
A. bernarda tem 1-2 ^m de largura e as células levemente entrelaçadas,
e A. spiraüs apresenta 2-3 fxm de largura, com células entrelaçadas
densamente através de suas hélices.
Segundo Comas (1984), A. bernardii Kom. é muito abundante em
Cuba e parece ter sua distribuição geográfica nos trópicos e subtrópicos.
Franceschini (1992), ao estudar as algas continentais de Porto Alegre,
refere-se ao táxon em questão, como sendo de regiões tropicais.
Ankistrodesmus bibraianus (Reinsch) Korsikov. Protococcineae, 302,
fig. 265. 1953 (Figuras 5-6).
BASIÔNIMO: Selenastrum bibraianum Reinsch, Abh. Naturhist. Ges.
Nürnberg, 3 (2): 64, pl. 4, fig. 2a-2b. 1867.
Colônia irregular; 4-8-32 células lunadas, adelgaçando-se gradual-
mente para os ápices; 12-17 /xm de diâmetro; 3-4,5 /am de largura,
distância entre os ápices 8-10 /xm, parâmetro a= 12-17 /xm; dispostas com
região convexa voltada para o interior da colônia; cloroplastídio único,
parietal, sem pirenóide.
121
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
Figuras 5-6 - Ankistrodesmus bibraianus (Reinsch) Kors. 5a-6a. Uma célula da colônia.
AMOSTRAS EXAMINADAS: lAN 174.083; lAN 174.084; lAN 174.085;
lAN 174.086.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA NO ESTADO DO PARÁ: Fazenda
Taperinha - Santarém (Kammerer 1938; Grõnblad 1945, como Selenastrum
bibraianum Reinsch); lagos Jurucuí e Maicá - Santarém (Thomasson
1971, como Selenastrum bibraianum Reinsch); Região de Nhamundá -
Terra Santa (Thomasson 1977).
COMENTÁRIO: Komárková-Legnerová (1969) ú&íinQ Ankistrodesmus
bibraianus (Reinsch) Kors. apresentando células largas, medindo 18-
27-38 X 2,5-4, 5-6,5 ^m e parâmetro a= 2-13-18 fxm, e A. gracilis
(Reinsch) Kors. como tendo células estreitas que medem 20-31-44 x 1 ,4-
3-6 /xm e parâmetro a= 6-18-34 gm.
Komárek & Fott (1983) diferenciam as duas espécies em questão
através das seguintes medidas: para a primeira, 18-38 x (2,5) 4, 5-6,4 gm
e, para a segunda, 20-44 x l,4-3-(6) ^m.
122
Chlorellaceae (Clilorophyceae, Chlorococcales) do lago Água Preta...
Baseando-se no parâmetro a, considerado por Komárková-Legnerová
(1969), e na largura, de acordo com a última autora citada e Komárek &
Fott (1983), os indivíduos estudados enquadram-se em A. bibraianus
(Reinsch) Kors., uma vez que apresentaram parâmetro a, variando entre
12-17 fim e largura celular 3-4,5 fim.
O ápice das células variou nas populações analisadas. Foram
observados indivíduos com ápices bem afilados e outros ligeiramente
arredondados.
Ankistrodesmus fusiformis Corda sensu Korsikov. Protococcineae, 300,
fig. 263. 1953 (Figuras 7-8).
Colônia com 2-4-8 células fusiformes, retas, estreitas, adelgaçando-
se gradualmente para os ápices; 42-58,5 x 1, 9-3,0 fim; dispostas
cruciadamente; cloroplastídio único, parietal, sem pirenóide.
CVJ-t-
t\l-L-
Figuras 7-8 - Ankistrodesmus fusiformis Corda sensu Kors.
AMOSTRAS EXAMINADAS: lAN 174.083; lAN 174.084; lAN 174.085;
lAN 174.086.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA NO ESTADO DO PARÁ: Rio Tapajós -
Santarém (Uherkovich 1976).
COMENTÁRIO: A morfologia das células (fusiforme e reta, adelgaçando-
se lentamente para os ápices) e o arranjo destas em cruz, na colônia, são
123
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
características que separam Anidstrodesmus Jusiforrnis Corda sensu Kors. das
demais espécies do gênero.
Os indivíduos analisados apresentaram-se todos com as células retas,
característica que não deixa dúvida quanto a sua identifieação taxonômica.
Ankistrodesmus gracilis (Reinsch) Korsikov. Protococcinea, 305. 1953
(Figura 9).
BASIÔNIMO: Selenastrum gracile Reinsch, Abh. Naturhist. Ges.
Nürnberg, 3 (2): 65, pl. 4, fig. 3a-3b. 1867.
Figura 9 - Ankistrotesrnus gracilis (Reinsch) Kors.
Colônia circular; 4-8 células lunadas, estreitas, adelgaçando-se
gradualmente para os ápices; 30-45 x 1,8-2, 7 /xm e parâmetro a= 15-28
ixm; dispostas com região convexa voltada para o interior da eolônia;
cloroplastídio único, parietal, sem pirenóide.
AMOSTRAS EXAMINADAS: lAN 174.083; lAN 174.084; lAN 174.085;
lAN 174.086.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA NO ESTADO DO PARÁ: Fazenda
Taperinha- Santarém (Kammerer 1938; Grõnblad 1945, como Selenastrum
gracile Reinschj.
124
Chlorellaceae (Chlorophyceae. Chlorococcales) do lago Agua Preta...
S ÍIBLIOrtCA Ç'
5 b:- 3 i
9ri
COMENTÁRIO: Ankistrodesmus gracilis (Reinsch) Kors. é uma espés
próxima a A. bibraianus (Reinsch) Kors., que segundo Komárková-
Legnerová (1969) separam-se devido a primeira apresentar colônias se
desfazendo com muita facilidade, as células com dimensões de 20-31-44
X 1,4-3, 6 /xme parâmetro a = 6- 1 8-34 /xm; enquanto que a segunda espécie
forma colônias estáveis e as células medem 18-27-28 x 2, 5-4, 5-6, 5 /xm
e parâmetro a= 2-13-18 /xm.
Nas populações analisadas, desprezou-se a primeira característica
em questão por não se ter trabalhado com culturas destes indivíduos; e
utilizaram-se apenas a largura e o parâmetro a para identificar os
espécimes como A. gracilis (Reinsch) Kors., visto que exibem as
dimensões destes dois parâmetros de acordo com os limites encontrados
por Komárková-Legnerová (1969) e a largura enquadrou-se nos valores
indicados por Komárek & Fott (1983) para o referido táxon.
Ankistrodesmus spiralis (Turner) Lemmermann. Arch. Hydrobiol., 4:
176. 1908 (Figura 10).
BASIÔNIMO: Raphidium spirale Turner, K. svenska Vetenskakad.
Handl., 25 (5): 155, fig. 20, 26. 1892.
Colônia alongada; 4-8 células fusiformes, helicoidais na região
mediana (1-2 voltas), adelgaçando-se gradualmente para os ápices, 60-75
X 2, 2-2, 8 /xm; entrelaçadas densamente na porção mediana; cloroplastídio
único, parietal, sem pirenóide.
AMOSTRAS EXAMINADAS: lAN 174.083; lAN 174.085; lAN 174.086.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA NO ESTADO DO PARÁ: Fazenda
Taperinha - Santarém (Kammerer 1938; Grõnblad 1945).
COMENTÁRIO: Komárek & Fott (1983) separam Ankistrodesmus spiralis
(Turner) Lemm. das demais espécies do gênero pela morfologia celular
helicoidal com ápices agudos e o arranjo das células na colônia, entrelaçadas
através das espirais na região mediana.
125
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 13(2), 1997
II
Figura 10 - Ankistrotesmiis spiralis (Turner) Leinm.
As colônias analisadas neste trabalho foram muito semelhantes ao
material estudado por Sant’Anna (1984) e apresentaram-se, no máximo,
com oito células, unidas na região mediana por 1-2 voltas; o que facilitou
o reconhecimento do táxon.
Kirchneriella contorta (Schmidle) Bohlin var. elongata (G.M. Smith)
Komárek. Árch. HydrobioL, 56 (2): 256. 1979. Suplemento (Figura 11).
BASIÒNIMO: Kirchneriella ellongata G. M. Smith, Buli. Torrey bot.
Club, 43: 473, pl. 24, fig. 7. 1916.
Colônia arredondada, 45-75,8 /xm de diâmetro; 4-8 células cilíndricas,
torcidas, 1-2 voltas, 2-2,5 /xm de largura, altura da hélice 5, 8-7, 9 /xm;
dispostas irregularmente em mucilagem; cloroplastídio único, parietal
sem pirenóide.
126
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Chlorellaceae (Clilorophyceae. Chlorococcales) do lago Agua Preta...
Figura 11 - Kirchneriella contorta (Schmidle) Bohl. var. elongata (G. M. Smith) Kom.; a.
duas células da colônia.
AMOSTRAS EXAMINADAS: lAN 174.083; lAN 174.084; lAN 174.085.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA NO ESTADO DO PARÁ: Primeiro
registro da ocorrência da variedade.
COMENTÁRIO: Para Komárek & Fott (1983) existem três variedades de
Kirchneriella contorta (Schm.) Bohlin além da típica da espécie: K.
contorta (Schm.) Bohlin var. gracillima (Bohlin) Chodat, K. contorta
(Schm.) Bohlin var. elegans (Playfair) Kom. e K. contorta (Schm.) Bohlin
var. elongata (G.M. Smith) Kom.. Kirchneriella contorta (Schm.) var.
elongata (G.M. Smith) Kom. difere das demais espécies do gênero por
possuir células helicoidais.
O primeiro registro de sua ocorrência no Brasil foi feito por Nogueira
(1991).
Kirchneriella dianae (Bohlin) Comas. Acta bot. Cubana, 2: ?. 1980.
(Figura 12)
BASIÔNIMO: Kirchneriella limaris (Kirchner) Mobius var. dianae
Bohlin K. svenska. Vetush. - Akad. Handl., Afd. 3, 27 (7): 3-47. 1897.
127
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
Colônia arredondada, 47,5-64,5 /um; 4-32 células; lunadas, 9-11,5 x
5, 9-8,0 ^m, incisão em U alcançando quase metade da altura celular,
ápices afilados, voltados para o exterior da colônia, 3, 3-4, 5 (im de
distância entre os ápices; dispostas irregularmente em mucilagem;
cloroplastídio único, parietal, um pirenóide.
Figura 12 - Kirchneriella dianae (Bohiin) Comas; a. uma célula da colônia.
AMOSTRAS EXAMINADAS: lAN 174.083; lAN 174.084; lAN 174.085;
lAN 174.086.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA NO ESTADO DO PARÁ; Primeiro
registro da ocorrência da espécie.
128
Chlorellaceae (Chlorophyceae. Chlorococcales) do lago Água Preta...
COMENTÁRIO: Kirchneriella dianae (Bohlin) Comas foi original-
mente descrita como uma variedade de K. lunaris (Kirchner) Mõbius e
depois elevada à categoria de espécie por Comas (1980). Esse autor separa
K. dianae (Bohlin) Comas de K. lunaris (Kirchner) Mõbius devido à
primeira apresentar contorno das células ovoides, com os ápices voltados
para o exterior da colônia, e à segunda por ter contorno de suas células
arredondadas, arranjadas irregularmente na colônia.
Kirchneriella obesa (W. West) Schmidle. Ber. Nat. Ges. Ereiburg, 87:
16. 1893 (Eiguras 13-14).
BASIÔNIMO: Selenastrum obesum W. West, Jl. R. Microsc. Soc.,
12:734, pl. 10, fig. 50-52. 1892.
Colônia arredondada, 30-62,5 /xm de diâmetro; 4-16 células lunadas,
quase circulares, 8-11,5 /xm de diâmetro; incisão mediana em forma de U
em até 2/3 de sua altura; ápices arredondados, dispostas irregularmente
em mucilagem; cloroplastídio único, parietal, sem pirenóide.
AMOSTRAS EXAMINADAS: lAN 174.083; lAN 174,084.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA NO ESTADO DO PARÁ: Primeiro
registro da ocorrência da espécie.
COMENTÁRIO: Nas populações estudadas, observou-se ausência de
pirenóides nas células, que foi relatada para esta espécie por Tell & Mosto
(1982), Komárek (1983) e Hindák (1984). Porém, sua presença foi
registrada nos estudos de Sant’Anna & Martins (1982), Comas (1984),
Sant’Anna (1984) e Bittencourt-Oliveira (1990).
Hindák (1984) evidenciou a importância taxonômica da presença ou
ausência de pirenóides no gênero em questão; elaborou uma chave de
identificação onde essa característica está separando o gênero em dois
grupos, ou seja, as espécies que possuem e as que não possuem pirenóides,
posicionou K. obesa (W. West) Schm. no segundo grupo.
129
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi. sér. Bot. 13(2), 1997
Figuras 13-14 - Kirchneriella obesa (W. West) Schmidle. 13a. uma célula da colônia.
Marvan et al. (1984) propuseram que fossem excluídas do gênero,
as espécies que não possuem pirenóides, mantendo K. obesa (W. West)
Schm. pela presença dessa estrutura. Diante de tais divergências, há
necessidade de estudos mais aprofundados que venham esclarecer o
posicionamento taxonômico das espécies deste gênero; no presente,
preferiu-se que os espécimes encontrados fossem identificados como
K. obesa (W. West) Schm. por possuírem as células lunadas quase
circulares e a incisão em U.
cm
SciELO
Chlorellaceae (Chlorophyceae, Chlorococcales) do lago Agua Preta...
Monoraphidium irregulare (G.M. Smith) Komárkóvá-Legnerová. Stud.
Phycol., 106-107, pl. 19. 1969 (Figura 15).
BASIÔNIMO: Dactylococcopsis irregularis G. M. Smith, Ark. Bot., 17:
6, fig. 26-28. 1922.
Célula solitária, fusiforme, sigmóide, perfazendo 1-2 voltas, adelga-
çando-se gradualmente para os ápices aciculares; 45-75 x 3-4,5 fim;
ocupando diferentes planos; cloroplastídio único, parietal, sem pirenóide.
AMOSTRAS EXAMINADAS: lAN 174.083; lAN 174.084; lAN 174.085.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA NO ESTADO DO PARÁ: Lago Batata -
Oriximiná (Huszar 1994).
COMENTÁRIO: Monoraphidium irregulare (G.M. Smith) Kom.-Leg.
lembra M. contortum (Thurner) Kom.-Leg.; do qual difere pelo compri-
mento e o número de voltas que a célula faz ao longo de sua extensão. O
primeiro táxon referido apresenta 1-2 voltas ao longo de seu corpo e o
E
Figura 15 - Monoraphidium irregulare (G. M. Smith) Kom.-Leg.
131
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 13(2), 1997
comprimento varia de 40-72 /xm, enquanto o segundo faz de 0,5- 1 ,5 voltas
e mede 5-40 jum de comprimento.
Os indivíduos analisados apresentaram extensão superior ao limite
métrico fixado por Komárková-Legnerová (1969) e Komárek & Fott
(1983). Foram registrados, por Huszar (1994), para o Estado do Pará,
indivíduos com dimensões eelulares bem menores que os limites apresen-
tados pelos autores referidos acima.
Monoraphidium mirabile (West & West) Pankow. Algen. der Ostee. III.
Plank. ?. 1976 (Figura 16).
Célula solitária, fusiforme, arqueada, adelgaçando-se gradualmente
para os ápices aciculares; 70-95 x 2, 5-3, 5 /xm; ocupando o mesmo plano;
cloroplastídio único, parietal, sem pirenóide.
AMOSTRAS EXAMINADAS: lAN 174.083; lAN 174.086.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁEICA NO ESTADO DO PARÁ: Primeiro
registro da ocorrência da espécie.
COMENTÁRIO: Monoraphidium mirabile (West & West) Pankow apresen-
ta morfologia próxima a M. indicum Hindák do qual difere pelas
dimensões: o primeiro apresenta comprimento celular bem menor (60-155 x
2-5,5 /xm), enquanto que o comprimento do segundo varia de 120-260 /xm
X 3-5 /xm (Komárek & Fott 1983).
Os espécimes ilustrados por esses autores apresentam-se com e sem
pirenóides. Nos exemplares examinados neste trabalho não foram obser-
vadas as referidas estruturas.
Tetraedron caudatwn (Corda) Hansgirg. Hedwigia, 27: 131. 1888
(Figura 17).
BASIÔNIMO: Astericiiim caudatwn Corda, Alm. Carlsbad., 9: 238, pl. 1.
fig. 2. 1839.
132
Chlorellaceae (Chlorophyceae, Chlorococcales) do lago Água Preta...
Figura 16 - Monoraphidium mirabile (West & West) Pankow.
Célula isolada, achatada, pentagonal; 4, 5-7, 5 x 3-7 pm; ângulos
arredondados, terminados em um processo com 2,5-4 pm de comprimento;
lados côncavos, incisão profunda; parede celular lisa; cloroplastídio único,
parietal, um pirenóide.
AMOSTRAS EXAMINADAS: lAN 174.083; lAN 174.086.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA NO ESTADO DO PARÁ: Lago
Jurucuí - Santarém (Thomasson 1971); região de Nhamundá - Terra Santa
(Thomasson 1977).
COMENTÁRIO: Tetraedron caudatum (Corda) Hansgirg é uma espécie
bem delimitada dentro do gênero. Seus cinco ângulos providos de processos
e a presença de uma incisão profunda o diferenciam das demais espécies do
gênero (Kovácik 1975).
A forma da célula, bem como a incisão em um dos lados se mantiveram
constantes cm todos os espécimes analisados, porém, o comprimento dos
processos variou mesmo em indivíduos que apresentavam as mesmas
dimensões celulares.
133
( 1 SciELO
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
lO
Figura 17 - Tetraêdron caudatum (Corda) Hansgirg.
Assim, como os resultados apresentados por Sant’Anna (1984) e
Nogueira (1991) trabalhando, respectivamente, com material de São
Paulo e Rio de Janeiro, as amostras analisadas neste trabalho apresenta-
ram-se muito pobres em número de indivíduos.
Tetraedron minimum (A. Braun) Hansgirg. Hedwigia, 27; 131. 1888
(Figura 18).
BASIÔNIMO: Polyedríum minimum A. Braun, Alg. unicell. 94, 1855.
Célula isolada, tetraédrica, quase plana; 7-12,5 /xm de lado; ângulos
arredondados; margens côncavas; cloroplastídio único, parietal, um
pirenóide.
AMOSTRA EXAMINADA: lAN 174.086.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA NO ESTADO DO PARÁ: Lago
Batata - Oriximiná (Huszar 1994).
COMENTÁRIO: Tetraedron minimum (A. Braun) Hansgirg caracteriza-
se pela célula tetraédrica quase plana e pela presença de pequenas papilas
nos ângulos (Kovácik 1975) as quais, segundo Nogueira (1991), podem
também estar ausentes.
134
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Chlorellaceae (Chlorophyceae, Chlorococcales) do lago Água Preta...
Figura 18 - Tetraêdron minimum (A. Braun) Hansgirg.
A quantidade de indivíduos encontrada nas amostras apresentou-se
sempre muito reduzida e todos com a forma celular tetraédrica e com
papilas ausentes.
O táxon, em questão, foi registrado para o Pará, no lago Batata
(Oriximiná) por Huszar (1994) porém com limites métricos inferiores
(4, 5-5, 5 /xm) aos encontrados (7-12 /xm).
CONCLUSÕES
A família Chlorellaceae, no lago Água Preta, está representada por
12 espécies: Ankistrodesmus bernardii KoméiXtk, A. bibraianus (Reinsch)
Korsikov, A. fusiformis Corda sensu Korsikov, A. gracilis (Reinsch)
Korsikov, A. spiralis (Turner) Lemmermann, Kirchneriella conforta
(Schmidlee) Bohlin, K. dianae (Bohlin) Comas, K. obesa (W. West)
Schmidle, Monoraphidium irregidare (G.M.Smith) Komárková-
Legnerová, M. mirabile (West & West) Pankow, Tetraedron caudatum
(Corda) Hansgirg e T. minimum (A, Braun) Hansgirg. O gênero
Ankistrodesmus, com cinco espécies, foi o que, qualitativamente, melhor
se fez representar, seguido de Kirchneriella (3 espécies), Monoraphidium
(2) e Tetraedron (2 espécies).
135
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
Kirchneriella obesa (W.West) Schmidle é um táxon cujas descri-
ções, em literatura, ainda divergem quanto à presença de pirenóides.
Torna-se de fundamental importância um estudo mais minucioso para que
se chegue a um esclarecimento quanto à presença dessa estrutura, pois a
tendência atual é excluir da ordem Chlorococcales os táxons que não
possuem pirenóides.
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. Carlos Eduardo de Mattos Bicudo (Instituto de Botânica de
São Paulo) e à Dra. Ermelinda Maria De-Lamonica-Freire (Universidade
Federal de Mato Grosso) pela orientação durante a execução da Disserta-
ção de Mestrado. À M. Sc. Ina de Souza Nogueira (Universidade Federal
de Goiás) , pela leitura crítica da parte taxonômica da referida Dissertação .
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Recebido em: 17.09.96
Aprovado em: 22.10.97
138
CDD 582.16
583.25
ANATOMIA COMPARADA DO LENHO DE QUATRO
ESPÉCIES DE GUAREA ALLAMAND EX LINNAEUS
DA ZONA DA MATA MINEIRA E DA
AMAZÔNIA BRASILEIRA
Maria Rohane de Linia^
Eido Antônio Monteiro da Silva^
Antônio Lelis Pinheiro^
Pedro L. B. Lisboa^
RESUMO - O objetivo deste trabalho é caracterizar microscopicamente o
lenho de quatro espécies de Guaxes. Allainand ex Linnaeus (Meliaceae) da
Zona da Mata mineira fGuarea guidonia (L.) Sleiimer, Guarea kunthiana
Adr. Jussieu, Guarea pendula Ramalho, Pinheiro et Pennington: Guarea
macrophylla siibsp. tuberculata (Vellozo) Pennington) e compará-lo com
espécies que ocorrem na Amazônia brasileira (G. guidonia, G. kunthiana e
G. macrophylla, sendo que esta última com a subespécie pachycarpa
(C DeCandolle) Pennington. Foram examinadas amostras de madeiras
obtidas de xilotecas de várias instituições de pesquisa do país, todas com
material de herbário comprobatório registrado, cuja identificação taxonômica
foi acatada. As observações anatômicas foram realizadas em cortes
histológicos, obtidos segundo as técnicas usuais em anatomia da madeira. São
apresentadas descrições das características anatômicas detalhadas do lenho de
’ Professor Assistente da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará, Av. Perimetral s/n, 66.040-170,
Belém, Pará.
^ Professor Titular da Universidade Federal de Viçosa, 36.570-000, Viçosa, MG.
^ Professor Assistente da Universidade Federal de Viçosa, 36.570-000, Viçosa, MG,
PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Pesquisador Titular. Caixa Postal, 399. Cep
66040-170. Belém-PA.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
cada uma das espécies e subespécies estudadas, bem como as comparações
feitas entre indivíduos da mesma espécie, procedentes das diferentes
regiões. Foi observada uma grande semelhança entre as espécies estudadas.
Estas apresentam um padrão genérico bem definido, em termos de distribui-
ção, arranjo e percentual das estruturas que compõem o xilema secundário.
As variações encontradas são principalmente de caráter quantitativo e são
comuns a todas as espécies e a todos os indivíduos observados. Não foram
encontradas diferenças marcantes que caracterizassem individualmente as
espécies ou subespécies estudadas.
PALAVRAS-CHAVE: Anatomia de madeira. Madeiras tropicais,
Guarea spp.
ABSTRA CT - The purpose ofthis project was to characterize microscopically
the wood from four species o/ Guarea Allamand ex Linnaeus (Meliaceae),
from the Atlantic Coastal Forest of Minas Gerais, Brazil [G. guidonia (L.)
Sleumer, G. kunthiana Adr. Jussieu, G. pendula Ramalho, Pinheiro et
Pennington, G. macrophylla tuberculata (Vellozo) Pennington] and
to compare it with samples from the Brazilian Amazon [G. guidonia, G.
kunthiana and G. macrophylla, this last species being represented by the
subspecies pachycarpa fC. DeCandolle) Pennington]. Wood samples from
the collections of various research institutes were examined, all having
herbarium voucher specimens with authoritative botanical identifications.
Anatomical observations were made on histological sections made according
to standard methodologies. Detailed anatomical descriptions are given of
thexylem characteristics ofeach ofthe species and subspecies studied, as
well as comparisons made among individuais ofthe same species that carne
from the two geographical regions. In all, a great similarity among the
studied species was observed. These species present a generic pattern that
is well defined, in terms ofthe distribution, arrangement and composition
ofthe structures the make up the secondary xylem. The variation that traí
found is mostly ofa quantitative nature and is common to all the species and
individuais studied. No rnarked differences were detected that could be used
to characterize any ofthe studied species or subspecies.
KEY WORDS: Wood anatomy. Tropical woods, Meliaceae, Guarea spp.
140
Anatomia comparada do lenho de quatro espécies de Guarea Allamand
INTRODUÇÃO
A família Meliaceae é predominantemente tropical (Girardi 1975)
estando representada por oito gêneros nas florestas naturais da América
do Sul: Cabralea, Carapa, Cedrela, Eluttheri, Guarea, Swietenia,
Riiagea e Trichilia (Pennington 1981). Das 200 espécies do gênero,
apenas, 23 ocorrem na Amazônia brasileira e 4 na Zona da Mata mineira
(Pennington & Styles 1975).
Este estudo analisa as características anatômicas microscópicas das
madeiras de quatro espécies do gênero Guarea Allamand ex Linnaeus,
ocorrentes na Zona da Mata mineira e na Amazônia brasileira.
As espécies da Zona da Mata mineira são Guarea guidonia (L.)
Sleumer, Guarea kunthiana Adr. Jussieu, Guarea pendula Ramalho,
Pinheiro et Pennington; Guarea macrophylla subsp. tuberculata (Vellozo)
Pennington. As espécies G. guidonia, G. kunthiana e G. macrophylla
também ocorrem na Amazônia, sendo que esta última com a subespécie.
pachy carpa (C. de Candolle) Pennington. O objetivo é identificar quais
das características microscópicas são de importância taxonômica, bem
como utilizar os dados qualitativo e quantitativo da anatomia da madeira,
para comparação entre as três espécies existentes nas duas regiões. O
objetivo é fornecer informações para futuros estudos sobre filogenia,
taxonomia, desenvolvimento e regeneração dessas espécies, como contri-
buição à utilização das espécies como matéria prima para fins econômicos .
MATERIAL E MÉTODOS
Material
As amostras de madeira das quatro espécies do gênero Guarea
estudadas têm material botânico registrado em herbário, cuja identificação
foi aceita, sendo apenas trocados os nomes científicos pela sinonímia em
uso, dada por Pennington (1981).
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j 1 SciELO
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
De cada espécie, foram estudados de um a três espécimes, de acordo
com a disponibilidade de material, listados a seguir:
Guarea guidonia (L.) Sleumer
MINAS GERAIS; DENDw 21461, Pedra do Anta-Entre Rios. Col.
Antônio Lelis Pinheiro, em 02.01.84. Identificado por Humberto de S.
Barreto, confirmado porT.D. Pennington. DEND 1847. PARÁ; lANw
2999, entre Estreito e Marabá. Col. J. M. Pires e N. Rosa, 13.630, em
15.09.70. IAN-140.519 (Guarea rusbigi).
Guarea kunthiana Adr. Juss.
MINAS GERAIS: DENDw 23991, Viçosa, Campo do Paraíso. Col.
Antonio Lelis Pinheiro, em 02.01.84. Identificado por Humberto S.
Barreiros, confirmado por T. D. Pennington. DEND 1846; AMAZO-
NAS: MGw 13061, Rio Negro, Rio Janapari, estirão Tacuera. Col. M. R.
Santos, 52; em 18.02.1977. MG-55.573 (G. grandifoliola C. DC.).
Guarea pendula Ramalho, Pinheiro et Pennington. sp. nov.
MINAS GERAIS: DENDw 2398, Viçosa, Mata da Silvicultura,
Universidade Eederal de Viçosa. Col. Antônio Lelis Pinheiro, em
28.07.89, identificado por Antonio Lelis Pinheiro, confirmado por T. D.
Pennington. DEND 1853.
Guarea macrophylla subsp. pachy carpa (C. DeCandolle) Pennington
PARÁ: MGw 3761, Fazenda Guaripé, a 22 km da Cidade de
Tucuruí. Col. N. A. Rosa, 3675, em 27.05.1980. Solo úmido, mata
virgem, árvore de 15 m de altura por 1 m. de circunferência, material
estéril. MG-73.688 (G. subsessiliflora C.DC.); lANw 2991, Carajás,
142
Anatomia comparada do lenho de quatro espécies de Guarea Altamand
Serra Buritirana, Rio Itacaiúnas. Col. J. M. Pires s/n, em agosto de 1970.
IAN-129018 (G. guedesii); RONDÔNIA: MGw 39351, Estrada da Alvo-
rada do Oeste - Costa Marques, km 90. Col. M.G. Silva, M.R. Santos,
C.R. Silva, s/n, em 06.07. 1983. Mata de terra-firme, inventário florestal.
Número de registro de herbário não encontrado (G. macrophylla Vahl.);
Guarea macrophylla subsp. tuberculata (Vellozo) Pennington
MINAS GERAIS: DENDw 2148, Viçosa, Mata da Prefeitura. Col.
Antônio Lelis Pinheiro, em 02.01.84. Identificado por Humberto
S. Barreiro, confirmado por T.D. Pennington. DEND 1848.
As siglas das xilotecas que doaram o material para o estudo são:
lANw - Instituto Agronômico do Norte (atual Centro de Pesquisa
Agroflorestal da Amazônia Oriental/EMBRAPA), Belém-PA; DENDw -
Setor de Dendrologia do Departamento de Engenharia Florestal da
Universidade Federal de Viçosa, Viçosa; MG. MGw Museu Paraense
Emílio Goeldi, Belém-PA.
Métodos
Corpos de Prova
Foram preparados dois corpos de prova das espécies Guarea guidonia
e G. kunthiana respectivamente, da região amazônica e da Zona da Mata
mineira e três corpos de prova de Guarea macrophylla SMhsvp.pachicarpa
procedente da Amazônia. Com relação às espécies Guarea macrophylla
subsp. tuberculata e Guarea pendula (tipo), estudou-se apenas um
indivíduo, coletado na Zona da Mata mineira.
Cortes Histológicos
Os cortes histológicos foram confeccionados, obedecendo as técni-
cas padronizadas para a anatomia da madeira. Os corpos de prova foram
143
1 SciELO
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
submetidos ao cozimento por aproximadamente 1 hora e 30 minutos e
destes foram obtidos cortes histológicos, orientados nos planos transversal
e longitudinal. Deste último, foram obtidos os cortes tangenciais e radiais,
sempre utilizando um micrótomo de deslise.
Os cortes foram clarificados em hipoclorito de sódio a 1 % , e corados
em uma mistura hidroalcoólica de safranina e azul-de-astra; durante a
passagem pela série alcoólica, para a desidratação alguns cortes foram
conservados ao natural, para a observação de inclusões e obstruções
celulares.
Material Macerado
Para a dissociação das células do xilema, o material foi macerado em
uma solução de ácido acético glacial e peróxido de oxigênio a 120 vol.,
na proporção de 1 : 1 , e submetido a uma temperatura de 60°C, durante 24
horas; em seguida, foi lavado em água corrente e corado com safranina.
De cada indivíduo, foram montadas 15 lâminas temporárias, em glicerina
e água (50%).
Contagens, Medições e Fotografias
Todas es estruturas foram contadas, mensuradas e fotografadas em
microscópio Zeiss-Docuval, utilizando, para as medições, um tambor
micrométrico.
Todas as medições (25 em média) e contagens foram feitas em 25
campos e, para todos os valores, foram obtidos média, valor máximo,
valor mínimo, desvio padrão e o coeficiente de variação, segundo as
normas reeomendadas por lawa Committee (1989).
Descrições
Todas as amostras foram descritas detalhadamente, de acordo com
as normas recomendadas pela International Association of Wood Anatomists
144
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Anatomia comparada do lenho de quatro espécies de Guarea AUamand
(lAWA Committee 1989). Para as observações de inclusões, como
cristais, grãos semelhantes a amido e sílica, foi utilizada a luz polarizada.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Descrição anatômica do lenho das espécies de Guarea estudadas
Guarea guidonia
Vasos em distribuição difusa, pouco numerosos, em média 9/mm^
(3-26), com 34% de solitários e 66% de múltiplos, em cadeia radial de 2-5
células, raros em grupamento dendrítico; os solitários apresentam a secção
variando de oval a angular, vazios, pequenos a médios, com diâmetro
igual a 128,8/xm, em média (Figura la); placas de perfuração simples,
predominantemente transversal nos vasos de maior diâmetro e inclinada
nos vasos mais estreitos; pontoações intervasculares alternas, poligonais,
todas diminutas (menor que Imm); elementos vasculares, variando de
curtos a extremamente longos, de comprimento médio igual a 761,7jum,
esses geralmente pouco evidenciados, em virtude do pequeno comprimen-
to em uma ou ambas as extremidades (Figuras 3f, g). Parênquima axial
paratraqueal aliforme confluente, chegando a formar faixas com mais de
três células, em alguns pontos (Figura la), do tipo seriado com 3-8 células
por série. não-estratificados, em média 12/mm, 34% sãounisseriados
e 66% são bisseriados, do tipo misto, com porções unisseriadas e porções
bisseriadas, (Figura Ib), homocelulares, de células procumbentes, na
maioria, havendo, porém, alguns heterocelulares, com células quadradas
nas extremidades, todos com menos de 1 mm de altura, sendo que os
unisseriados têm, em média, 276,9/un de comprimento e os bisseriados,
397,3p.m; o comprimento em número de células desses mesmos raios varia
de 5-23 células nos unisseriados e 6-36 células nos bisseriados; pontoações
raio-vasculares semelhantes às intervasculares, ou seja, alternas e diminutas.
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Bal. Mus, Puni. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2). 1997
Figuras 1-2; [) Gimrea guiclonia: la. cone transversal (50x); Ib. corte tangeneial (5üx); Ic.
corte radial (50x); Id. corte transversal destacando traqueoidc vascular/tr ( 130x). 2) Gimreii
kunthiana: 2a. corte transversal (50x); 2b. corte radial destacando pontuações radio-
vasculares (420x).
146
Anatomia comparada do lenho de quatro espécies de Guarea Allamand
Fibras, na maioria, não-septadas, com comprimento médio igual a
1773, 8/xm, parede sempre mais espessa (em média 0,7/mi) que o lume
(0,9/im, em média) e diâmetro médio igual a 2,3^m. Fibrotraqueídes
presentes, com comprimento médio igual a 1321, 0/xm, distinguíveis das
fibras por apresentarem-se um pouco mais curtos, menos fusiformes; a
espessura das paredes tem, em média, 0,7^m, sendo que o diâmetro do
lume apresenta-se, em média, com 2,5ixm e o diâmetro médio total é igual
a 3,9p,m. São mais difíceis de distinguir das fibras do que nas outras
espécies, podendo ser interpretados como fibras mais delgadas. Traqueóides
vasculares presentes em proporções variadas (Figura 3e) entre os indiví-
duos observados, que podem ser apenas terminações de vasos. Cristais
prismáticos presentes em células septadas do parênquima axial, formando
poucas fileiras de tamanhos variados (2-15 cristais por fileira); no
espécime de procedência amazônica, são encontrados em menor quantidade.
Guarea kunthiana
Vasos solitários (20%) e múltiplos (80%), em grupamento radial de
2-4 células, muito raros em grupos dendríticos, distribuídos de maneira
difusa (Figura 2a), poucos a numerosos, apresentando, em média, 9/mni^
(4-17/mm2); os solitários, com secção transversal de oval à angular, com
diâmetro tangencial médio igual a 127,3/im, vão de extremamente
pequenos a médios; placas de perfuração simples, transversal nos mais
largos e oblíqua nos mais estreitos; elementos de vaso de comprimento
médio igual a 530,7/xm, de um apêndice a outro, portanto, variando de
muito curtos a muito longos (Figura 4b); pontoações intervasculares
alternas e escalar iformes no mesmo elemento de vaso, sendo que, na
maioria, são apenas alternas poligonais, diminutas, todas com menos de
Imm de diâmetro. Parênquima axial paratraqueal aliforme confluente,
com presença de raros aliformes não-confluentes (Figura 2a), de aletas que
variam de estreitas a mais largas; do tipo seriado com 3-8 células por série,
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Figuras 3-4: 3) Giiarea guidonia, material macerado: 3a. fibra libriforme (300x); 3b. fibra
libriforme com pontuações areoladas (300x); 3c-3d. fibrotraqueídes (342); 4) Guarea
kunthiana, material macerado: 4a-4b. elementos de vaso largos (342x).
148
Anatomia comparada do lenho de quatro espécies de Guarea AUamand
em média quatro por série. Raios não-estratificados, 70% de unisseriados
e 30 % de bisseriados, chegando a 90 % em um dos indivíduos observados ,
homogêneos, de células procumbentes, todos com menos de 1 mm de
altura, sendo que a média está em 338,5;um de altura para os unisseriados
e 169,7/xm, para os bisseriados, a altura, em número de células, varia de
3-30células porraio, numerosos, em média 10 raios/mm linear; pontoações
raiovasculares (Figura 2b) também alternas e diminutas como as
intervasculares. Fibras predominantemente não-septadas, sendo muito
raras as septadas, com presença de poucas e minúsculas pontoações
areoladas, havendo, também, fibras com pontoações simples, com média
igual a 1434,4/11111 de comprimento; apresentando lume com diâmetro
médio igual a 0,9/xm e parede com espessura média de 0,7/um.
Fibrotraqueídes presentes, com comprimento médio igual a 607,2/iim,
apesar de difíceis de distinguir das fibras, são mais curtos e mais delgados
que aquelas, com o lume ocupando até 80% do diâmetro total da estrutura,
com média igual a 2,0/xm, espessura média da parede igual a 0,5/xm e
diâmetro total médio igual a 3,0/xm. Traqueóides presentes ou ausentes e
podem ser vasculares ou apenas terminações de vasos . Cristais prismáticos
raros em células septadas do parênquima axial. Máculas medulares
presentes.
Guarea macrophylla subsp. tuberculata
Vasos em distribuição difusa, com 22% de solitários e 78% de
múltiplos, em grupamento radial de 2-4 células e alguns grupos dendríticos
com até cinco células; secção transversal, variando de pouco angular à
perfeitamente oval, vazios (Figura 5a); variando de pequenos a médios,
com diâmetro tangencial médio igual a 122, 3^m; pouco numerosos a
numerosos (4-18/mm^), em média 8/mm^; elementos vasculares, varian-
do de curtos a muito longo, com comprimento médio igual a 727,9/um; de
apêndices curtos e bem-formados, ou ausentes nos elementos de vaso de
149
cm
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10 11 12 13 14 15 16
Boi. Mus. Para. Emilio Goeldt, ser. Boi. 13(2), 1997
Figuras 5-6; 5) Gucirea macrophytla subsp. tiiberculata: 5a. corte transversal com mácula
medular (50x); 5b. corte tangencial (50x); 6) Guarea macrophyUci subsp. pachyairpa: 6a.
corte transversal com mácula medular (50x); 6b. corte radial (50x).
cm
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Anatomia comparada do lenho de quatro espécies de Guarea AUamand
maior diâmetro, ou confundindo-se com a inclinação das placas de
perfuração dos elementos de vaso mais estreitos . Pontoações intcrvasculares
areoladas alternas, de forma poligonal diminutas, todas com menos de
1 /xm de diâmetro , alguns poucos elementos de vaso apresentam pontoações
alternas e escalariformes. Parênquima axial paratraqueal aliforme conflu-
ente (Figura 5a), do tipo seriado, com 5-10 células por série (em média
7 células). Raios não-estratificados, em média 11/mm linear (8-14/mm),
em maioria heterogêneos com células quadradas nas extremidades e
procumbentes em todo o corpo do raio e alguns homogêneos constituídos
apenas de células procumbentes, quase exclusivamente unisseriados
(89%), sendo muito raros os bisseriados (11%), todos com porções
unisseriadas, na maioria baixos, quase todos com menos de Imm de altura,
é raro os bisseriados apresentarem altura acima de 1 mm, tendo, portanto,
altura média de 490,9/im para os unisseriados e 533,8/im de altura média
para os bisseriados; pontoações raio-vasculares iguais às intcrvasculares,
diminutas, alternas e poligonais. Fibras septadas, na maioria, com
comprimento médio de 1598, 4/xm, de paredes com espessura média igual
a 0,7/xm e abertura de lume igual a 0,7/xm. Fibrotraqueídes presentes,
alguns muito semelhante às fibras, porém um pouco mais curtos, outros
apresentando espessamento espiralado na parede celular (Figuras 7a, b);
em média 1395,2/xm de comprimento, e mais delgados com parede igual
a 0,6/xm e lume com 1 ,8/xm, sendo o diâmetro total, em média, de 3,0jiim.
Cristais prismáticos em células septadas do parênquima axial, com poucas
fileiras de 2-10 cristais. Máculas medulares presentes.
Guarea macrophylla subsp. pachy carpa
Vasos solitários (Figura 6a), correspondendo a 37 % do total por mm^
e 63% de múltiplos, cm grupamento radial, alguns em grupamento
dendrítico, com 2-4 células por grupo, em distribuição difusa, pequenos
amédios, com diâmetro tangencial médio de 138,7/xm, vazios, com placas
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
Figuras 7-8; 7) Gimrea macrophylla subsp. tuberculata, material macerado: 7a. fibrotraqueíde
com espessamento espiralado (430x); 7b. fibrotraqueíde (342x); 7c. fibra libriforme (342x);
8) Guarea macrophylla subsp. pachycarpa: 8a. traqueóide (342x); 8b. fibrotraqueíde (342x);
8c-8i. elementos de vaso de dimensões variadas (342x).
SciELO
cm
Anatomia comparada do lenho de quatro espécies de Guarea Allamand
de perfuração do tipo simples, perpendiculares nos elementos de vaso mais
largos e oblíquas nos mais estreitos, apêndices curtos e bem-formados, ou
ausentes, em uma ou em ambas as extremidades do elemento vascular, ou
confundindo-se com a inclinação da parede terminal dos elementos mais
estreitos (Figura 8c); o comprimento médio dos elementos de vaso é igual
a 625, O^m; pontoações intervasculares areoladas, diminutas, alternas e
escalariformes no mesmo elemento de vaso, também ocorrendo apenas
alternas de forma poligonal. Parênquima axial paratraqueal confluente de
aletas finas a médias (Figura 6a) do tipo seriado, com 4-8 células por série.
Raios, em média, 11/mm linear, com 47% de unisseriados e 53% de
bisseriados, não-estratificados, com menos de Immde altura, na maioria,
tendo como altura média 172, 9^m para os unisseriados e 454, 7^m para
os bisseriados e a altura em número de células varia de 3-5 1 e 5-52 células
por altura, respectivamente; homocelulares de células procumbentes
(Figura 6b), na maioria, com raros heterocelulares, formados por células
quadradas nas extremidades e procumbentes no corpo do raio; pontoações
raiovasculares alternas não-poligonais, porém diminutas como as
intervasculares; em um dos indivíduos, foram encontrados corpúsculos
semelhantes a grãos de sílica nas células dos raios, pois não apresentaram
birrefrigência em luz polarizada, e em outros, as células dos raios
apresentaram conteúdo de aspecto óleo-resinoso. Fibras septadas e não-
septadas de igual predominância, com pontoações simples e areoladas
presentes e comprimento médio igual a 1551,5/im, paredes variando de
médias a espessas, chegando a alcançar o dobro do volume ocupado pelo
lume, espessura média igual a 0,7/xm, enquanto a largura média do lume
é de 0,7^m, conferindo um diâmetro total médio de 2,2/xm. Fibrotraqueídes
também difíceis de distinguir das fibras, com o lume (2,0jLim) mais largo
que a espessura das paredes (0,5/xm), dando um diâmetro total médio igual
a 2,0mm; mais curto que as fibras, comprimento médio igual a 865,5/xm.
Traqueóides presentes em pequena quantidade, não se caracterizando
como vasicêntricos nem como vasculares, provavelmente sejam tampões
153
cm
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Bot. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
terminais de vasos . Cristais prismáticos em células septadas do parênquima
axial, de raros a abundantes, formando fileiras de 3-30 cristais. Máculas
medulares presentes em todos os indivíduos observados.
Guarea pendula
Vasos de secção oval a angular, em distribuição difusa, de poucos a
numerosos (5-21/mm^), em média 1 1/mm^, com 41 % de solitários e 59%
de múltiplos em grupamento radial de 2-5 células, predominando os
múltiplos de duas células (Figura 9a), havendo, também, os agrupados em
padrão dendrítico; vazios, de muito pequenos a médios, com diâmetro
médio igual a 100, Omm; placas de perfuração simples, transversal nos
elementos de vaso de maior diâmetro, tornando-se inclinada nos mais
estreitos; os elementos de vaso variam de muito curtos a muito longos,
com média igual a 621,8^m de comprimento, de apêndices muito curtos
e bem-defmidos até ausentes nos elementos vasculares mais largos
(Figura 9g), sendo que nos mais estreitos se confundem com a inclinação
das placas de perfuração; pontoações intervasculares areoladas, diminu-
tas, alternas e escalar iformes, ocorrendo no mesmo vaso, ou apenas
alternas de forma poligonal. Parênquima axial paratraqueal aliforme
confluente , com rara ocorrência de aliformes não-confluentes (Figura 9a) ,
do tipo seriado com 4-8 células por série, em média com cinco células por
série. Raios não-estratificados, em média 11/mm linear, predominante-
mente unisseriados (81%), com ocorrência de poucos mistos com porções
unisseriadas e bisseriadas (13%), homocelulares, na maioria, com ocor-
rência de heterocelulares no mesmo indivíduo (Figura 9b); todos com
menos de Imm de altura, em média 404, 3mm para os unisseriados e
425,8/im para os bisseriados, a altura em número de células varia de 6-27
células por raio; pontoações raio-vasculares semelhantes às intervasculares,
alternas, poligonais e diminutas. Fibras não-septadas, sendo muito raras
as septadas, com comprimento médio igual a 1518, 4jam, de paredes
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
espessas (1 ,8/xm, em média) e lume estreito (em média 0,3/^"^ de largura).
Fibrotraqueídes presentes, distinguíveis das fibras por se apresentarem
mais curtos, menos fusiformes, com paredes mais delgadas, sendo a média
da espessura igual a 1 ,5;im e lumes mais largos com média igual a 1 ,7^m.
Traqueóides presentes, podendo ser do tipo vascular ou apenas como
terminações de vasos. Cristais prismáticos em células septadas do
parênquima axial, abundantes e formando longas fileiras (10-45 cristais,
por fileira). Máculas medulares não encontradas.
Considerações sobre a estrutura anatômica do lenho das espécies
estudadas
As espécies analisadas neste estudo apresentam um remarcado grau
de similaridade, o que torna a identificação do gênero facilitada na
observação macroscópica de caracteres como porosidade, grupamento e
arranjo de vasos, distribuição de parênquima axial e raios.
Na análise microscópica os vasos, geralmente têm distribuição
difusa, de contorno tangencial, variando de oval à angular, com ocorrên-
cia de solitários e múltiplos, predominando os múltiplos, em grupamento
radial de 2-5 células por grupo, principalmente em G. kunthiana e
G. macrophylla subsp. tuberculata, que apresentam o maior número de
vasos múltiplos/mm^ (Tabela 1). Quanto ao diâmetro tangencial, os vasos
variam de pequenos a médios, sendo que o mínimo foi registrado em um
indivíduo de G. kunthiana, coletado na Zona da Mata mineira, e o máximo
em G. guidonia, coletada na região amazônica. A freqüência varia de
poucos a numerosos, sendo G. macrophylla subsp. pachy carpa com
menor freqüência e G. pendula, com maior freqüência de vasos/mm^.
O comprimento dos elementos de vaso varia de muito curto a
extremamente longo e essa variação ocorre, inclusive, dentro do mesmo
indivíduo, o que confere à maioria dos espécimes observados um alto
desvio padrão entre os valores obtidos. As placas de perfuração são do tipo
156
cm
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Anatomia comparada do lenho de quatro espécies de Guarea Allamand
simples, em todos os indivíduos analisados, com inclinação que varia de
oblíqua a perpendicular, independente da espécie ou procedência; o
mesmo se dá com as pontoações das paredes laterais dos vasos que são do
tipo alternas, podendo, ou não, apresentarem forma poligonal e, às vezes,
alternas e escalariformes no mesmo elemento de vaso, o que parece,
também, não estar relacionado com a espécie e, ou, procedência. As
observações a respeito da porosidade e dos vasos, em geral, confirma o
descrito por Metcalfe & Chalk (1957), quanto às características da
anatomia da madeira da família Meliaceae, e o descrito por Kribs (1930),
a respeito do gênero Guarea.
Tabela 1 - Caracteres diferenciais dos elementos de vaso, raios, fibras e fibrotraqueídes
nas espécies de Guarea (Elem. de vaso = elemento de vaso; Freq. = frequência; Sol =
solitários; Mult. = múltiplos; Diam. = diâmetro; Uniss. = unisseriados; Biss. =
bisseriados; Fibrotraq. = fibrotraqueídes; Comp. = comprimento; 1. G. macrophylla
subsp. tuberculata; 2. G. tnacrophylla mhsç. pachy carpa).
Eleni. dc Vaso
Raios
Fibras
Fibrot
Espécies
Frcq.
Sol.
Mult.
Comp.
Diamet.
Frcq.
Uniss.
Biss.
Comp.
Comp.
mm^
(%)
(%)
fim
mm2
(%)
(%)
/xm
G. guidonia
3(9)26
34
66
761,7
128,8
8(12)15
34
66
1773,8
1321,0
G. kunthiana
4(9)17
20
80
530,7
127,3
6(10)15
70
30
1434,4
607,2
G. macrophyllaX
2(6)14
37
63
625
138,7
7(11)19
87
53
1551,5
865,5
G. macrophylla!
4(8)18
22
78
727,9
122,3
8(11)14
47
11
1598,4
1395,2
G. pendula
5(11)21
41
59
621,8
100,0
7(11)24
89
13
1518,4
685,2
O parênquima axial tem distribuição muito uniforme, sempre
paratraqucal aliforme confluente, em todos os espécimes observados, com
aletas que variam de muito estreitas (2-3 células de largura) até bem mais
largas (mais de cinco células na largura); seriado, em todos os indivíduos,
com 3-8 células por série. Presença de cristais prismáticos em células
septadas do parênquima axial, formando cadeias curtas (2-6 cristais por
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 13(2), 1997
cadeia) ou longas (10-42 cristais, por cadeia), exceto em G. kunthiana,
onde são completamente ausentes no espécime da Zona da Mata e muito
raros no indivíduo da mesma espécie coletado na Amazônia.
Os raios não são estratificados, com quantidade média por espécie
variando de 10-12 raios/mm (Tabela 1), em todos os indivíduos observa-
dos, uni e bisseriados, sendo que a maioria dos bisseriados apresentam
porções unisseriadas no centro ou nas extremidades; nos indivíduos
coletados na Zona da Mata mineira, as espécies G. pendula e G. macrophylla
subsp. tuberculata foram as que apresentaram menor quantidade de raios
bisseriados por milímetro linear. Dentre os de origem amazônica, apenas
G. kunthiana pode ser considerada de raios exclusivamente unisseriados,
pois estes foram registrados apenas como 9% do total de raios, porém a
mesma espécie coletada na Zona da Mata mineira apresenta 35 % do total
de raios como bisseriados e 65% de raios unisseriados. Quanto à altura,
em média, todas as espécies estudadas apresentam raios com menos de 1
milímetro e em todas as espécies a altura média dos bisseriados é maior
que a dos unisseriados, exceto em G. kunthiana, onde o quadro se inverte,
em virtude da escassez de raios bisseriados no indivíduo de procedência
amazônica. Em todas as espécies, predomina o tipo homogêneo, formado
de células procumbentes; somente G. pendula e G. guidonia apresentam
alguns raios heterogêneos, com células quadradas apenas na fileira das
margens, embora, no mesmo indivíduo, predomine o tipo homogêneo. As
pontoações raio-vasculares são semelhantes às intervasculares, ou seja,
minúsculas e alternas, em todos os indivíduos e em todas as espécies
estudadas. Em G. macrophylla subsp. pachy carpa, dois indivíduos
apresentam corpos semelhantes a grãos de sílica inclusos nas células dos
raios e um indivíduo apresenta impregnação de conteúdo com aspecto
óleo-resinoso.
As fibras libriformes apresentam-se septadas ou não, predominando
as não-septadas, exceto em um indivíduo de G. macrophylla subsp.
pachy carpa e em G. macrophylla subsp. tuberculata, onde a situação se
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Anatomia comparada do lenho de quatro espécies de Guarea Allamand
inverte, havendo a dominância de fibras septadas sobre as não-septadas.
O comprimento varia de médio a longo (Tabela 1). A parede, na maioria
das vezes é mais espessa que o lume. As pontoações da parede das fibras
são do tipo simples e areoladas, embora muito escassas e minúsculas.
Os fibrotraqueídes estão presentes em todos os indivíduos observa-
dos, sendo dificilmente distinguíveis das fibras, pois muitas destas podem
apresentar pontoações areoladas e minúsculas; talvez seja por isso que
Kribs (1930) e Metcalfe & Chalk (1957) refiram-se a fibras com
pontoações areoladas e nunca à presença de fibrotraqueídes. Quanto ao
comprimento, esses são mais curtos que as fibras (Tabela 1), têm paredes
da mesma espessura que estas, ou mais delgadas, mas o diâmetro do lume
predomina sobre a espessura das paredes. Em G. guidonia, os
fibrotraqueídes são ainda mais difíceis de distinguir das fibras, têm, em
média, o mesmo comprimento, porém não diferem muito em diâmetro, e
a relação parede-lume é a mesma das fibras, o que permite que sejam
interpretados como fibras mais delgadas.
Foi verificada a presença de traqueóides em todas as espécies e
indivíduos analisados, variando muito a quantidade de indivíduo para
indivíduo, exceto em G. macrophylla subsp. tuberculata, em que não
foram encontrados no material macerado.
Em todas as espécies observadas, foram registradas máculas medu-
lares em pelo menos um indivíduo, independente da procedência; apenas
em G. pendula, não houve nenhum registro, mas, apesar da amostra desta
ser de apenas um indivíduo, esta era procedente de material tipo.
Considerações sobre a anatomia das espécies estudadas
em relação com as diferentes procedências
Neste estudo verificou-se que não há alterações significativas na
anatomia da madeira dos indivíduos das duas regiões. As diferenças
apresentam pouca ou nenhuma interferência no padrão microscópico do
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. J3(2), 1997
gênero, que é determinado muito mais pela herança do que influenciado
pelo ambiente.
Existem evidências experimentais de que num único estoque gené-
tico oriundo de dois locais diferentes, os grupamentos de vaso são maiores
onde o ambiente é mais seco (Bissing 1982). Porém, a manutenção do
padrão genérico micróscopico se repete ao se analisar a quantidade de
vasos/mm^, por região e pela média nas espécies estudadas. Todas
apresentam um percentual de vasos múltiplos maior que de vasos solitários
(Figura 10). A quantidade total de vasos/mm^, por espécie, varia de 6,3
- 12 vasos/mm^. Nas espécies coletadas na Zona da Mata, essa quantidade
varia de 7,6 - 1 1 ,6 e, para as de procedência amazônica, a variação é de
6,3-12,4 vasos/mm^. A maior média de vasos por mm^ foi obtida em
G. guidonia, procedente da Amazônia, igual a 12 vasos/mm^ (Figura 11),
porém, a diferença desta para o indivíduo da mesma espécie, coletado na
Zona da Mata mineira, consiste, basicamente, na quantidade de vasos
múltiplos, já que na quantidade de vasos solitários, a variação é mínima.
G. kunthiana também apresenta uma pequena variação na quantidade de
total de vasos/mm^, porém, a variação ocorre tanto em solitários quanto
em múltiplos, ou seja, o indivíduo coletado na Zona da Mata é mais poroso
que o indivíduo coletado na Amazônia. G. macrophylla^xxhs^. tuberculata,
da Zona da Mata mineira, apresentou maior quantidade de vasos/mm^ que
G. macrophylla subsp. pachy carpa, sendo que o maior aumento foi
observado, também, na quantidade de vasos múltiplos.
Pesquisando o efeito de fatores ecológicos sobre as características
dos vasos, Baas et al. (1983) constataram que a presença de mais de 80%
de vasos múltiplos é uma característica comum entre espécies de ambien-
tes áridos, principalmentc entre as de hábito arbustivo.
Carlquist (1988) diz que vasos múltiplos em grupamento radial, pelo
menos teoricamente, oferecem ao sistema de condução o recurso de
formar novas rotas de condução, no caso de falência do vaso iniciahnentc
formado.
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Anatomia comparada do lenho de quatro espécies de Guarea Altamand
Figura 10 - Ocorrência (%) de vasos solitários (sol.) e múltiplos (mult.) em amostras de
Guarea da Zona da Mata Mineira (Z. Mata) e Amazônia (Amaz).
12
10
r,-!'
...A.,»',
I ZONA DA MATA
AMAZÔNIA
0. guldonia
0. kunihiana
0. macrophylla
Figura 1 1 - Freqüência média de vasos por milímetro quadrado (mm^) nas amostras de Guarea
da Zona da Mata Mineira e da Amazônia.
161
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi. sér. Bot. 13(2), 1997
No caso de Guarea, como se pode perceber, há realmente uma
pequena variação, tanto no número de vaso/mm^, quanto na proporção
solitários e múltiplos, que parece ocorrer muito mais de indivíduo para
indivíduo que de região para região; o padrão genérico com maior
quantidade de vasos múltiplos do que solitários é mantido e os pequenos
aumentos que ocorrem, parecem que independem da procedência.
Quanto ao diâmetro tangencial dos vasos, entre os indivíduos
procedentes da Amazônia, há mais uniformidade do que entre os indiví-
duos da Zona da Mata, sendo os primeiros, em média, um pouco maior
que os últimos (Figura 12). Entre os espécimes de origem amazônica, as
diferenças existentes são muito poucas (130, 7-138, 8;u.m) e mesmo entre
os indivíduos da Zona da Mata mineira, nos quais a uniformidade é menor,
a diferença não parece significante (100,0-122,2/xm); os mais estreitos
foram encontrados em G. pendula e os mais largos, em G. macrophylla
subsp. tuberculata. Comparando o diâmetro tangencial médio das espé-
cies estudadas, sem considerar a procedência, o maior diâmetro foi
registrado em G. macrophylla subsp. pachy carpa e o menor, registrado
em G. pendula.
140
120
100
80
G. guidonla
G. kuníhiana
G. macrophylla
o ZONA DA MATA III AMAZÔNIA
Figura 12 - Diâmetro (/xm) do.s vasos nas amostras de Guarea da Zona da Mata Mineira e da
Amazônia.
162
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Anatomia comparada do lenho de quatro espécies de Guarea Atlamand
Bissing (1982) diz que a dimensão dos vasos está sensivelmente
relacionada com a ecologia e que embora existam componentes fortemente
herdáveis, existe, também, uma grande margem para a plasticidade
fenotípica.
Nas espécies abordadas por este estudo, pode-se perceber uma
grande variação do diâmetro de vasos dentro da mesma amostra, mas
percebe-se, também, uma uniformidade entre os valores das médias entre
os indivíduos, de onde se pode deduzir que mesmo a variação encontrada
no diâmetro dos vasos dentro de cada amostra é a mesma para todas as
amostras, ou seja, todos os indivíduos e todas as espécies observadas
apresentam a mesma variação interna, no que diz respeito ao diâmetro dos
vasos, independente da região em que foram coletadas.
O comprimento dos elementos de vaso varia mais de uma espécie
para outra, do que de região para região (Figura 1 3) . Em ambas as regiões ,
G. guidonia apresenta o maior comprimento para os elementos de vaso e
G. o menor comprimento. Entre as subespécies G. macrophylla
s\xh?,p.tuberculata e G. macrophylla subsp. pachy carpa, a diferença é
mais acentuada, sendo que os mais longos foram registrados em
G. macrophylla subsp. tuberculata. O que determina o comprimento dos
elementos de vaso são as iniciais cambiais fusiformes e o crescimento
intrusivo (apesar de ser bem menor nos elementos de vaso, do que nos
elementos inperfurados que os acompanham), que ocorrem durante a
maturação das células derivadas (Carlquist 1988). Tal fato leva a deduzir
que o comprimento dos elementos de vaso está sujeito às pressões
ambientais exercidas sobre o processo de diferenciação celular. Mesmo
estando sujeito a variações provocadas pelo meio ambiente, a herança e o
aspecto evolutivo podem ser mais determinantes do comprimento do
elemento de vaso que a possível plasticidade fenotípica (Carlquist 1988).
Os raios, quanto à freqüência, apresentam variações bem maiores do
que os vasos. Não existe um padrão de uniformidade bem-definido
(Figura 14). A maioria dos indivíduos ocorrentes na Zona da Mata
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G. guidonia G. kutahiana G. macrophylla
0 ZONA DA MATA llll AMAZÔNIA
Figura 13 - Comprimento (/xm) médio dos elementos de vaso em amostras da Zona da Mata
Mineira e Amazônia.
llll ZONA DA MATA □ AMAZÔNIA
Figura 14 - Freqüência de raios por milímetro linear nas amostras de Guarea da Zona da Mata
Mineira e da Amazônia.
164
Anatomia comparada do lenho de quatro espécies de Guarea Allamand
apresenta maior quantidade de raios unisseriados do que de raios bisseriados,
apenas em G. guidonia a situação se inverte. Na região amazônica, apenas
G. kunthiana se assemelha às procedentes da Zona da Mata, que
apresentam mais raios unisseriados do que bisseriados.
No que diz respeito à quantidade de raios/mm e ao percentual de
unisseriados e bisseriados, G. guidonia não difere de uma região para
outra e se assemelha mais à G. macrophylla subsp. pachy carpa do que à
G. macrophylla subsp. tuherculata (Figura 15).
UNISS. Z. MATA
UNISS. AMAZÔNIA BISSER. Z. NUTA BISSER. AMAZÔNIA
O G. guidonia
I G. macrophylla
Figura 15 - Ocorrência ( %) de raios unisseriados (uniss.) e bisseriados (bisser.) nas amostras
de Guarea da Zona da Mata Mineira e da Amazônia.
As espécies estudadas apresentam raios bisseriados mais altos que os
unisseriados, exceto G. pendula, em que a situação se inverte. Em
G. kunthiana, a diferença é muito pequena; o espécime dessa espécie
coletado na região amazônica foi considerado possuidor de raios exclusi-
vamentc unisseriados, pois a quantidade raios bisseriados encontrada
nesse indivíduo (9%) é insuficiente para a amostragem preestabelecida
(lawa Committee 1989). Os indivíduos da Zona da Mata apresentam raios
mais altos que os indivíduos procedentes da Amazônia, porém,
comparando a altura de raios uni e bisseriados, estes últimos são bem mais
165
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
altos que os unisseriados nos indivíduos procedentes da Amazônia.
Quanto à altura em número de células, a comparação entre uni e
bisseriados se repete, com a ressalva de que, na Zona da Mata as células
são menores e em maior número que na Amazônia. Mais uma vez, por não
se ter dados seguros e completos sobre a procedência das amostras, as
interpretações a respeito das variações existentes, entre os raios nos
indivíduos e nas espécies, ficam prejudicadas, principalmente por serem
os raios muito sujeitos ao pedomorfismo. Para uma análise mais segura,
é necessário conhecer, rigorosamente, a localização da amostra na árvore,
pois, segundo Carlquist (1988), os raios variam em dimensões, composi-
ção celular e até em tipos, de acordo com a localização da amostra (se da
raiz, de galhos, com a altura no tronco, se mais próxima ou mais distante
da medula), consistindo um sensível indicador de pedomorfismo.
Os fibrotraqueídes apresentam uma variação de comprimento muito
maior que as fibras, tanto de espécie para espécie, como de região para
região. G. guidonia tem as fibras e os fibrotraqueídes mais difíceis de
distinguir um dos outros e, na Amazônia, praticamente, não diferem no
que diz respeito ao comprimento. Na Zona da Mata, a diferença é bem
perceptível, pois os fibrotraqueídes têm comprimento inferior a 1000/xm.
Outra espécie que apresenta fibrotraqueídes com comprimento acima de
1000/xm é G. macrophylla subsp. tubercidata, de ocorrência exclusiva na
Zona da Mata, e a diferença de comprimento com as fibras é muito
pequena (pouco mais que 200/xm). A espécie que menos difere no
comprimento, tanto de fibras quanto de fibrotraqueídes, de uma região
para a outra, é G. kunthiana-, vale lembrar que em G. macrophylla, além
das diferenças de procedência, tratam-se de subespécies diferentes.
A diferença básica entre fibras e fibrotraqueídes reside na espessura
da parede celular. Na Amazônia, todas as espécies têm fibras muito densas
de parede sempre mais espessa que o espaço ocupado pelo lume,
principalmente em G. guidonia, em que a espessura da parede ultrapassa
o diâmetro do lume em mais de 50% .
166
cm
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LO 11 12 13 14 15 16
Anatomia comparada do lenho de quatro espécies de Guarea Allamand
Como já foi mencionado anteriormente, a diferença básica entre
fibras e fibrotraqueídes, observada neste estudo, consiste no comprimento
(fibras são mais longas) e na relação parede-lume, em que o diâmetro total
pouco varia, porém, os fibrotraqueídes têm paredes mais delgadas e os
lumes são mais amplos do que nas fibras. Em G. guidonia, em que a
situação é menos definida, apesar da dúvida, tem-se o seguinte quadro; a)
na Amazônia, não existe diferença entre o comprimento desses elementos,
porém o lume é sempre maior que a porção ocupada pelas paredes no
diâmetro, que foi definida como fibrotraqueídes; b) na Zona da Mata, onde
as fibras têm quase o dobro do comprimento dos fibrotraqueídes, as
paredes dessas são mais espessas que o espaço ocupado pelo lume. Como
os fibrotraqueídes são formas de transição entre traqueóides e fibras
libriformes (Carlquist 1988), vale registrar sua presença, considerando a
eficiência e a segurança no processo de condução, já mencionadas
anteriormente como valor adaptativo; Carlquist (1984) afirma que tais
estruturas, mesmo não sendo próprias para a condução, podem funcionar
como um sistema condutor subsidiário para um desvio do fluxo, no caso
de falência de vasos solitários ou agrupados, para um outro vaso ou grupo
de vasos nas proximidades . Nesse mesmo trabalho, o autor considera parte
da família Meliaceae como portadora de fibras e parte como portadora de
fibrotraqueídes.
CONCLUSÕES
Para um estudo sobre as condições ecológicas das espécies, é
necessário uma quantidade maior de material, que permita um número
maior de repetições, com amostras de procedência, condições pedológicas
e climáticas do local de coleta bem-detmidas.
- O lenho de Guarea é muito semelhante entre as espécies estudadas,
obedecendo um padrão genérico muito bem-definido, em termos de
porcentagem, distribuição c arranjo de tecidos e estruturas que o compõem.
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- As variações nas dimensões de determinados tipos de células são
comuns a todas as espécies e os indivíduos analisados, levando a um valor
médio bem-uniforme entre os indivíduos e mesmo entre as espécies.
- Não foram encontradas diferenças marcantes que caracterizem,
individualmente, nenhuma das espécies ou subespécie apresentadas. As
diferenças encontradas podem ser atribuídas muito mais a características
individuais do que específicas ou mesmo regionais.
- O lenho das espécies de Guarea, abordadas neste trabalho,
apresenta estruturas bem-especializadas, associadas a estruturas em tran-
sição, como os fibrotraqueídes, os quais parecem estar correlacionados
com a manutenção de um sistema condutivo eficiente e seguro, para a
sobrevivência dessas espécies em regiões de climas bem variados, como
as regiões tropicais e subtropicais do planeta.
AGRADECIMENTOS
À Diretoria da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará e ao corpo
docente da Universidade Federal de Viçosa, em especial aos professores
Eido Antônio Monteiro da Silva (orientador da tese que originou este
trabalho); Moacyr Maestri, Antônio Lelis Pinheiro e Fernando Henrique
A. Vale, pelas idéias, sugestões e correções; Rosy Mary Isaías, pelo
auxílio nas medições, cálculo das porcentagens de tecidos; sugestões e
correções do texto; à professora Aristéa Alves Azevêdo, correções e
sugestões; aos funcionários do Setor de Dendrologia da mesma universi-
dade, em especial ao Sr. Arlindo Rodrigues e ao Sr. Fernando, pelo
preparo do material para estudos anatômicos; Assíria Nóbrega, pela ajuda
na descrição do material; à Carmen Regina Marcati, pelo empréstimo de
literatura.
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Anatomia comparada do lenho de quatro espécies de Guarea Allamand
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CDD:58I.6
CHARACTERIZATION AND UTILIZATION
OF VÁRZEA AND TERRA HRME EORESTS
IN THE AMAZON ESTUARY
Akio Tsuchiya'
Mario Hiraoka~
Carlos R. da Silva^
ABSTRACT - The várzea and terra firme forests of the Ilhas de
Abaetetuba, in the Amazon estuary, were compared as to their iitilization,
forest structiire, biomass, and tree-ring characteristics. Várzea forests are
inundated twice daily throughout the year. These forests have been altered
heavily by human activities, especially through the
managenient/cidtivation of açaí palm (Euterpe oleracea Mart.). Both the
niimber of trees and the niimber of tree species are limited due ta human
management and frequent inundations. Terra firme forests are also
composed of secondary forests, biit human impacts have been less and
possess more tree species with a higher wood density than the várzea
counterparts because latewoods are formed during the dry season.
Without human intervention, the forest biomass of the várzea exceeds that
of the terra firme. However, it is reduced to less than one-third when
strongly disturbed. It was alsofound that the wood density was closely
related to the brightness contrast between early and latewoods, and in
general, the várzea species with a low wood density had a small
brightness contrast.
FacuKy of Integrated Arts & Sciences, Hiroshima University, Higashi-Hiroshima, Hiroshima 739-
8521 , Japan.
Depariment of Geography, School of Humanities and Social Sciences, Millersville University,
Millersville, FA 17551-0302, U.S. A.
PR-MCT/CNFq. Museu Paraense Emílio Goeldi. Depto. de Botânica. Caixa Postal, 399, Cep 66.017-
970. Beléni-PA.
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Btil. Mus. Paru. Emílio Goeldi, sér. Boi. 13(2), 1997
KEY WORDS: Amazon estuary. Várzea forest. Terra firme forest, Açaí
palm (Euterpe oleracea Mart.), Tree-ring.
RESUMO - As características sobre manejo, estrutura florestal, biomassa,
e anéis de crescimento foram comparadas nas matas da várzea e terra
firme da região das Ilhas de Abaetetuba, estuário amazônico. As matas de
várzea são inundadas duas vezes ao dia, durante todo o ano, Estas matas
foram alteradas profundamente pelas ações humanas. A alteração mais
recente está ocorrendo pelo manejo/cultivo da palmeira açaí (Euterpe ole-
racea Mart.). Aqui, o número de árvores e o número de espécies .são restri-
tas por causa das condições ecológicas e intervenção humana. As matas
de terra firme são também compostas de matas secundárias, mas o impac-
to humano tem sido restrito e contém um número maior de espécies de ár-
vores com madeiras de alta densidade que a várzea. A longa estação seca
é responsável pela maior ocorrência de madeiras densas. Sem a inter-
venção humana, a biomassa da mata da várzea supera a da terra firme.
Constatamos que a densidade de madeira está relacionada ao contraste
de brilho entre a madeira nova (earlywood) e madeira madura (latewood).
Em geral, as espécies de várzea com madeiras de baixa densidade demon-
stra um contraste de brilho reduzido.
PALAVRAS-CHAVE: Estuário Amazônico, Oorestade várzea, floresta de
terra-firme, palmeira de açaí {Euterpe oleracea Mart.), Anéis de
crescimento.
INTRODUCTION
About 3% of forests in Amazônia are called várzea forests
(Goulding 1993). The tidal flooded forest lines the low-Iying terrain
around the mouth of the Amazon, and is inundated twice a day when the
fresh water is pushed back with the incoming tide. In contrast, forests
standing 7-8m above the floodlands are not influenced by the tidal
activity. These terra firme forests are usually found in the interior of the
islands.
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Characterizciiion and ntilization of várzea and terra firme forests in lhe Amazon estuary
Most people live along the numerous channels that drain the
estuary, since transportation and communication are effected mostly
through waterways. The recent growth of Belém’s population, now
surpassing 1.5 million, and the expansion of its economic influence are
changing the way local people manage their resources. Exploitation of
forest Products is accelerating, and cash crops such as açaí palm
{Euterpe oleracea Mart.) are mass produced to increase income (Brabo
1979; Anderson 1990). Following repeated cycles of clearing and
regrowth, current vegetation is made up mostly of secondary forests.
Although the area under açaí cultivation is still limited, there is an
urgent need to examine the forest biomass so that appropriate
management practices and policies can be established (SUDAM/PNUD
1994; Fearnside et al. 1990). The purpose of this study is to compare the
várzea and terra firme forests in the Amazon estuary under different
management patterns and moisture conditions.
RESEARCH AREA
The study area is located to the Southwest of Bélem (Figure 1). The
Ilhas de Abaetetuba (shaded area) are formed by olocene sediments
transported by Rio Pará, that drains the Southern estuary of the Amazon,
and by Rio Tocantins, that originates on the Brazilian Highlands.
The width of the várzea forest, found along the drainage channels,
varies between 100-3, 500m. The area is inundated twice a day
throughout the year. The diurnal tidal changes along the Rio
Maracapucu Mirí, near Abaetetuba, is shown in Figure 2. Twice a
month, during the spring tides, fresh water covers the forest floor to a
depth of 30cm or more for a period of up to three hours. However, the
seasonal changes in water levei are not as large as in the iniddle
Amazon, where it reaches 7 to 13m (Sioli 1984). The range decreases in
its lower cour.se. The seasonal difference between March and September
is about 2m at Abaetetuba.
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Boi. Mu.i. Para. Emílio Goeldi. sér. Bot. 13(2), 1997
49W
49t)0'w
0 10 km
1 I I I I I
Figure 1 - Research area (Ilhas de Abaetetuba). Black circie in lhe lower figure is lhe location
of várzea quadrais, and black iriangle is lhe location of terra firme quadrais. The várzea is
shown as a black shade.
174
Characterizotion and iililizatiaii of várzea and terra firme forests in tlie Ainazan esliiary
Figure 2 - Diurnal fluctuation ot' walcr deptii at Rio Maracapucu Mirí during Sep.j lo 4, 1993.
The area from eastern Pará to the Guianas is one of the rainiest
regions of Latin America. Annual precipitation averages 2,400mm in
Belém, and it exceeds 3,500mm in some places (Nimer 1972).
However, there is a major variation between the wet and dry seasons.
This influences the annual tree ring formation in the terra firme forest
that adjoins the várzea forest (SUDAM/DRN 1981). In várzeas, on the
other hand, trees are not influenced by seasonal changes in rainfall. Tbe
species and structures are different from those of terra firme forest
(Ayres 1993).
STUDY METHODS
Fieldwork was carried out in the várzea and terra firme forests of
the Ilhas de Abaetetuba during 1993 and 1994. Four várzea quadrats
were established along the Rio Maracapucu Mirí, and another four
quadrats were demarcated in a terra firme forest along the Rio
Maracapucu, about four kilometers away from the várzea quadrats
(Figure 1 ). The size of each quadrat was 400nF. In selecting the sites for
várzea quadrats, consideration was given to include açaí under diíferent
treatments.
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The number of trees in each species was counted, and the tree
height and diameter at breast height (DBH) of all the trees whose DBH
was larger than 5cm were measured in each of the three várzea (VZl to
VZ3), and terra firme (TFl to TF3) quadrats. Stem disks at a height of
I .Om were collected from the remaining quadrats (VZ4 and TF4).
Disks for stem analysis were collected from 7 species by felling the
main stem and cutting at intervals of 1.0 to 2.0m. They were polished
on both sides using a sandpaper (#40 and #100) attached to a grinder.
The ring widths of major and minor axes were measured by a
measurescope (Nikon, MM22) within an accuracy of 0.001 mm, and the
average was taken as the ring width for each year. The wood density of
I I várzea and 13 terra firme species was measured with an electronic
densimeter (Mirage Trading, EW120SG), after drying the disks at a
temperature of 90°C for 72 hours in a drying oven (Yamato, DV400).
In order to evaluate the tree-ring characterisitcs in two forests with
different water conditions, the reflected brightness spectrum of the
surface of tree disks was measured. A photograph was taken through a
microscope, where a CCD camera (Tokyo Electronic Industry, CS5510)
was mounted. The image was printed by a color video printer
(Mitsubishi, SCT-CPlOOO), after processing with an image analysis
software (NEXUS, QubeQOOO). The reflected brightness of radial
direction in each tree-ring was measured, and the brightness was
divided into 256 stages from 0 to 255 in each of the three components;
R, G and B.
RESULTS AND DISCUSSION
Forest Characteristics
The açaí palm is widely cultivatcd/managed in várzea forests.
Although the açaí agroforest is commonly located around the dwellings
along rivers, its area is limited (0.5-3.0ha). Açaí commonly occurs in
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Characteriztttion and iililizatian of várzea and lerra firme fore.it.i in lhe Amaion esluary
association with other trees, which are either planted or occur naturally.
The palni is raised by protecting the naturally regenerating ones or by
planting the seedlings. Açaí is a multi-stemmed palm. For maximum
production, each clump is pruned to have no more than 4-6 inature
stems (10-15m in height), aged 3-10 years. After reaching peak
production, old trunks are removed to promote the growth of juveniles.
The palm hearts {palmito) and the fruit are harvested for sale (Pollak et
al. 1995). Palm hearts are processed for export and the fruit is marketed
in the region. The açaí fruit juice, called vinho do açaí, obtained by
macerating and sieving the mesocarp, constitutes one of the main
components of the diet of the regional population. As such, it has
become the most important cash crop in the Amazon estuary.
In the açaí agroforests, therefore, most competing species or
branches are removed. The human impact can be estimated by counting
the number of açaí clumps. For example, quadrat VZl shows a limited
impact since the number of clumps is only 1 1 in an area of dOOm^,
whereas VZ2 with 42 clumps indicates a médium impact, and VZ3 with
83 clumps exhibits a strong impact. Other tree population in each of
those quadrats numbered 87 in VZl, 55 in VZ2, and 38 in VZ3,
respectively.
Terra firme forests are used mainly as sites for manioc {Manihot
utilissima) swiddens. The tubers, processed into manioc flour, are
destined mainly for domestic use (Moran 1995). The number of trees
felled and area cleared are small, in contrast to the várzea forests, since
manioc is not cultivated by every family and the crop is produced only
to meet household needs. Since ecological conditions are not favorable,
açaí is not raised in the terra íirme.
Tree age was counted from the stem disks of 41 trees at VZ4 (total
number of trees = 56), and from the disks of 55 trees at TF4 (total
number of trees = 80). Since the relationship between tree age and
radius had a large correlation coefficient in each quadrat, tree age was
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estimated in the other quadrats, and the trees were sorted by tree age
classes. On the average, the percentage of trees older than 30 years was
3.3% on the várzea and 5.6% on terra firme quadrats. It is believed that
the trees in these quadrats are about the same age.
Forest Structure
In the várzea quadrats, the number of tree species are less than
10/400m^, and about one half is composed by a single tree species
(Pterocarpus amazonicus), while in the terra firme quadrats, the number
of tree species is larger, i.e., 27 species in TF2, and the population is
dispersed into several species (Figure 3). This suggests that the high
water table, poor drainage, and frequent floods in the várzea severely
limit the number of species (Anderson 1988). Further, there is an
inverse relationship between the number of açaí and other trees. As
management increases, açaí population increases, while other trees
decline in number.
The counterpart of açaí palm in the terra firme forests is inajá
{Maximiliana maripa), a palm which reaches less than 20m in height.
Trees are taller than those in the várzea forests, and the canopy reaches
30m. Figure 4 offers a comparison of tree population in each height
class in 6 quadrats. There is no tree taller than 25m in the várzea, and
they seem to appear uniformly in each height class. In the terra firme,
however, trees can be divided into two classes; those less than lOin and
those above lOm. The result shows that the differences in human
impacts affect the number of shrubs and Juvenile trees near the forest
Iloor.
Forest Biomass
Disks for stem analysis were collected from 4 várzea and 3 terra
firme trees. They are (1) Pachira aciiaticci, (2) Vatairea ^nianensis, (3)
Pterocarpus amazonicus, (4) Virola sitrinamensis (várzea tree species).
178
Number of Individuais
Churaclerizíitinn and utilizatiaii of várzea and lena firme forests in lhe Ainazon estuary
60
50
40-
10 -
/
m
TF3
TF2
TF1
VZ3
9 11 13 15 17 19 21 23 25 27
VZ1
6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26
Tree Species
VZ1 : 1 Pterocarpus amazonicus, 2 Pachira acuatica, 3 Vatairea guianensis, 4 Virola
surinamensis, 5 Avicennia nítida, 6 Mangrfera indica, 7 Uargaritaria nobilis, 8 Caryocar
villosum VZ2: 1 Pterocarpus amazonicus, 2 Pachira acuatica, 3 Vatairea guianensis,
4 Uangifera indica, 5 Symphonia gloulifera, 6 Avicennia nitida, 7 Duroia macrophylla,
8 Virola surinamensis, 9 Uargaritaria nobilis, 10 Zygia sp. VZ3: 1 Pterocarpus amazonicus,
2 Hevea brasiliensis, 3 Virola surinamensis, 4 Pachira acuatica, 5 Pentaclethra macroloba,
6 Uargaritaria nobilis TF1 : 1 Vochysia vismiaefolia, 2 Coupia glabra, 3 Gustavia augusta,
4 Triplaris surinamensis, 5 Eschweilera amazônica, 6 Tapirira guianensis, 7 Emmotum
tagifolium, 8 Uanilkara amazônica, 9 Acacia polyphyla, 10 Apeiba burchelli, 11 Aspidosperma
eteatum, MDuguettia caulitiora, 13 Duroia macrophylla, 14 Iryanthera sagotiana, 15 Sagotia
racemosa, 16 Sterculia speciosa, 17 Sterculia elata, 18 Buchenauia sp,, 19 Undefined (Jeneira),
20 Erísma uncinatum TF2: 1 Hymenaea intermedia, 2 Vochysia vismiaefolia, 3 Triplaris
surinamensis, 4 Gustavia augusta, 5 Platonia insignis, 6 Eschweilera amazônica, 7 Uanilkara
amazônica, 8 Clidemia hirta, 9 Poragueiba guianensis, 10 Ormosia coutinhoi, 11 Svrartzia
racemosa, 12 Erisma uncinatum, 13 Acacia polyphyila, 14 Pachira acuatica, Didymopanax
morototoni, 16 Duguettia cauTritora, 17 Duroia macrophylla, 18 Goupia glabra, 19 Guarea
kunthiana, 20 Uora paraensis, 21 Simaruba amara, 22 Sterculia pilosa, 23 Tapirira guianensis,
24 Tovomita cephalostigma, 25 Vouacapoua americana, 26 Sterculia elata, 27 Buchenauia sp.
TF3: 1 Eschweilera amazônica, 2 Vochysia vismiaefolia, 3 Uyrcia falax, 4 Duguettia cauliflora,
5 Undefined (Cama), 6 Triplaris surinamensis, 7 Hymenaea intermedia, 8 Humiria balaamitera,
9 Pachira acuatica, 10 Gustavia augusta, 1 1 Duguettia tiagelaris, 12 Britoa acida, 13 Guarea
kunthiana, 14 Iryanthera sagotiana, 15 Pipthecetiobium decandrum, 16 Simaruba amara,
17 L/ndeffnsflf (Azuizínho), 18 Clidemia hirta
Figure 3 - Number of individuais of each Iree species in várzea and lerra firme quadrais.
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(5) Goiipia glahra, (6) Triplaris siirinamensis and (7) Vochysia
vismiaefolia (terra firme tree species). All of them are representative
tree species from each forest. Figure 5 is a vertical section of P.
acuatica, a várzea tree, and of T. surinamensis, a terra firme tree. The
vertical axis represents the height in which the disks were collected, and
the horizontal one is the location of tree-ring boundaries (dotted lines:
estimated tree-ring boundaries). The basal portion of P. acuatica is
wider, and the stem shows a long slope, while T. surinamensis has a
more vertical growth to that of a thickening one. It is believed that the
várzea species support the biomass by broadening the basal growth,
since they grow mostly on a clay surface where inundation is frequent.
Number of Individuais
Figure 4 - Number ol irec.s in eucli Iteiglii eluss m three várzea and three lena tirine quadral.s.
180
Cluimcleriziirioii aiul ulilizalioii <>f várzea and terra firme forests iii lhe Amazoii e.tltiarv
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The stem volume was calculated from tree-ring width data of each
disk by using the integration formula of solid revolution. Then, the
annual wood volume was added to understand the growth rate (Figure
6). In the várzea, wood volume of P. acuatica predominates, and the
volume of the other three species is about half. It is not possible to
directly compare the volume because tree ages are different. However,
the growth rate of P. amazonicits is apparently larger. Rodrigues (1989)
describes that this species grows faster and becomes the canopy layer in
várzea forests, while the other species, such as, P. acuatica and V.
surinamensis are found in the intermediate layer. Therefore, it is
believed that P .amazonicits continues growing but the growth of the
other species will reach the limit. These species were ranked as the top
four in the number of individuais (P. amazonicits: 104/1200m2, P.
acuatica: 21/1200m^, V. guianensis: 15/1200m2, V. surinamensis:
12/1200m^). Similar results are found for the terra firme species. T.
surinamensis, a canopy species, has a high growth rate and exceeds the
other two species. V. vismiaefolia is also one of the canopy species and
has the largest population (51/1200m^). The wood growth is still small
because it is a 15 year-old trees. However, its growth rate is comparable
to T. surinamensis.
Next, the forest biomass was compared in the 6 quadrats. Referring
to Higuchi et al. (1994), the following equations were used to estimate
the biomass: (1) In(FW)= -2.4768+2.230 1 ln(D) +0.65181n(H)
(5=<D<20cm), (2) ln(FW)= -3.8 1 02+ 1 .463 1 ln(D) +1.81901n(H)
(D>=20cm). Here, FW: fresh weight, In: natural log. D: DBH, H: tree
height. The FW of each quadrat was calculated by substituting DBH
and height data of all the individuais in the quadrat. Then, the FW was
converted to dry weight from the description of Higuchi et al. that the
dry weight represented about 60.4% of FW.
The result is shown in Figure 7. The difference among three terra
firme quadrats is small, while the biomass in várzea quadrats varies
182
Cliaracteiizalion and utilization oj várzea and lerra firme forexi.i in lhe Amaznn estuary
widely from 20.43t/400m2 at VZI to Ó.OltMOOm^ at VZ3. It is thought
that this was brought about by the different degrees of human
intervention related to the cultivation of açaí palm. The várzea which is
strongly disturbed has a small dry weight, while the várzea with small
human impact has a larger dry weight than that of terra firme. However,
the biomass of palms is excluded in this estimate. If the palm biomass is
included, the total biomass of disturbed quadrats such as VZ2 and VZ3
will be close to VZl .
Year
Figure 6 - Accumulalcd steiii wood volume ol four vár/ea specie.s (upperj and Uiree terra lirme
specie.s (lower).
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\
várzea
Terra Firme
-
— -
VZ1 VZ2 VZ3 TF1 TF2 TF3
Quadrate (400m^)
l'igure 7 - Coinparison of forcst biomass (dry wcight; ton) uinong tlirce vár/ea and ihrcc lena
fimie quadrais.
Tree-ring Characteristies
A comparative study of tree-ring characterisites, as they appeared
in the reflected brightness spectrum in early and latewood boundaries,
was carried out to better understand the above difference.
Figure 8 shows an example of reflected brightness in a radial
direction within a tree-ring of representativo tree species in each forest
type, i.e., Pterocarpiis amazoniciis for the várzea, and Triplaris
surinamensis for the terra firme. Along the vertical axis, brightness
varies from stage 255 (brightest color) to stage 0 (darkest color). In the
case of P. amazonicus, the latewood width is narrow (about 10%), and
the decrease in brightness is small in all three components (R, G, B). In
the brightness curve of T. surinamensis, the latewood width is larger
(latewood ratio: 40%), and all three components decrease in valuc
compared to tho.se of the earlywood.
Although várzea forest trees are subject to a limited water stress,
the counterparts in the terra firme forest slow down the cambial activity
during lhe dry season and the latewood is characterized by a small
184
Characterizcilion and utilization of várzea and terra firme forests in the Amaz.on estuarv
small proportion of tracheal element. Early and latewood boundaries are
formed here, and the boundaries appear in the brightness contrast. This
difference appeared in the wood density as well. The mean wood
density of 1 1 várzea species was 0.61g/cm^ while that of 13 terra firme
species was 0.70g/cm^.
Pterocarpus amazonicus
Figure 8 - Reflected brightness spectrum within a tree-ring of várzea species {Pterocarpus
amazonicus, upper) and terra firme species {Triplaris surinamensis, lower).
Next, the brightness index (BI) of trees was compared. Peak
brightness (PB) and bottom brightness (BB) were calculated by
averaging three components. Then, the BI was calculated from the
equation: BI = (PB - BB)/PB. The difference was divided by PB to
non-dimensionalize the absolute value of color stage. The BI was
calculated in 1 1 várzea tree species at VZ4, and 13 terra firme tree
!85
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Bot. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 13(2), 1997
species at TF4. After measuring the brightness curves of at least 20 tree
rings for one species, the average was defined as the BI peculiar to that
species. Figure 9 shows the relationship between the BI and wood
density. It is found that tree species with a large BI has a high wood
density, while those with a small BI has a low wood density. The latter
relationship is particularly marked in várzea forests, where species like
P. amazoniciis and P. acuatica, have a density less than 0.40g/cm^.
Obviously, there are exceptions. For example, várzea species like,
Pentaclethra macroloba, Giiarea kunthiana, Genipa americana, Duroia
macrophylla, Margaritaria nohilis, and Mora paraensis show high
values in both BI and wood density, with values comparable to those of
terra firme species. According to Rodrigues (1989), the reddish colored
wood of P. macroloba, G. kunthiana, G. americana, and M. nobilis are
resistant to insects and thus are employed in the local cabinetry and
furniture industries. The same author also notes the slow growth rate of
foregoing species. Trees with red color are common on the terra firme,
and their growth is likewise slow, but an adequate explanation does not
exist for their presence on the várzea. The presence of these anomalous
species on the várzea cannot be adequately explained in terms of a
highly aquatic environment alone. Further studies are needed from
different angles.
Early and latewoods can be easily distinguished in the tree rings of
terra firme species, e.g., T. surinamensis with a wood density of
0.79g/cm^. Analogous to tree rings of conifers, where earlywood is
whitish and latewood brownish, tropical uplands' counterparts can be
separated by color shades. The densities, on the other hand, varies
between 0.60 and 0.88g/cm^. Tree rings of várzea species are difficult to
distinguish on the basis of color shades alone. No obvious tree-ring
color differences exist. This fact implies that density differences
between early and latewoods are small, and most species have a low
density. Consequently, it is possible to argue that the wood quality of
most várzea species is not suitable lor construction and firewood.
186
Characíerization and urilization of várzea and terra firme forests in the Aniazon estuary
0.30 0.40
Brightness Index
Figure 9 - Relationship bctween brightness index and wood density of 1 1 várzea (upper) and
13 terra firme species (lower).
CONCLUSIONS
The forest structure, biomass, and tree-ring characteristics of
várzea and terra firme forests were compared in this study. The
following results were found:
(1) The Amazon estuary is one of the rainiest regions of Latin
America, yet there is a dry season between August to December, when a
300mm water déficit develops on an annual basis. Therefore, unlike the
frequently inundated várzea forests, the terra firme forests are
influenced by the seasonal moisture déficit.
187
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Boi Mus. Paru. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2). 1997
(2) In várzea forests, açaí palms are frequently managed. In such
areas the number of trees and species are limited. Likewise, tree height
differences are small. On the terra firme, the forests are divided into two
height classes and the canopy layer is taller than that of the várzea
forest. In areas under limited human impact, the variations in
aboveground biomass between várzea and terra firme quadrats are
negligible. This results from the fact that although the várzea forest has
a low average tree height and a low wood density, the growth rates of
várzea species are as large as those of terra firme. However, once the
forest is managed for açaí cultivation, the biomass is reduced to less
than one third.
(3) Terra firme species have a large brightness contrast between
early and latewood boundaries. This is related to the high wood density
caused by the dry season moisture deficiency. Várzea forest species
have a low wood density, since the water stress is limited by the
frequent tidal inundations.
An adequate amount of nutrients is transported from upriver
portions and deposited on the várzea, especially during the rainy season
spring tides (Souza 1990). The process is different on the terra firme
forests characterized by an ordinal process of litter decomposition
through micro organisms. This suggests, among other variables, a
necessity to place greater emphasis on root depth and soil nutrient
dynamics, as well as hydrochemistry, for a better understanding of
forest growth.
Várzea forest management practices have changed drastically
after the 1970s, as a result of the collapse of traditional agriculture
(Hiraoka 1995). Currently, the major source of income production for
most of the inhabitants is the açaí palm, while for others is the
manufacture of ceramic products like tile and bricks. In the former
case, açaí is managed through thinning of forests, while in the latter,
firewood is obtained by felling the várzea forest. Várzea forests are
188
Churacterization and utilization of várzea and terra firme forests in lhe Amazon estuary
limited in area and species, but they are subject to continued cutting,
despite their limited energy output, since they are found along rivers
where access and transport are facilitated. This study points to a need of
a future research where the focus would be on wood consumption by the
local inhabitants. In combination with the biomass data obtained in the
present study, an assessment of consumption and forest biomass
production can be made.
ACKNOWLEDGEMENTS
The authors are grateful to Professor José Carvalho de Moraes,
Federal University of Pará, for the climatic data. We would also like to
acknowledge the financial assistance provided by the Association for
Promotion of International Cooperation, the Ford Foundation, and the
Heinz Foundation.
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Recebido em: 06.06.97
Aprovado em: 06.02.98
190
CDD: 5X1.6340981 152
581.981 152()(XX)
ALGUMAS NOTAS ADICIONAIS SOBRE O EMPREGO
DE PLANTAS E OUTROS PRODUTOS COM HNS
TERAPÊUTICOS PELA POPULAÇÃO CABOCLA DO
MUNICÍPIO DE BARCARENA, PA, BRASIL'
Maria Christina de Mello Amorozo^
RESUMO - Estas notas têm a finalidade de complementar um estudo sobre
o uso terapêutico de plantas e outros produtos pelos caboclos'^ de duas vilas
do município de Barcarena, PA. Cerca de 40 espécies de plantascom algum
tipo de uso terapêutico foram registradas. Aí vias de administração mais
comuns dos remédios, ingredientes não vegetais utilizados nas preparações,
e certos procedimentos empregados na cura, como "puxação" e “ben-
zeção ”, são comentados brevemente.
PALAVRAS-CHAVE: Amazônia, Barcarena,
medicinais. Medicina popular.
Elnobotânica, Plantas
ABSTRACT - These notes are intended to complenient a survey of the
therapeutic use of plants and otlier produets by caboclo people from two
neighboring villages in Barcarena, PA, Brazil. About 40 plant species with
therapeutic use were recorded. The preferred aplication routes for
medicines, ingredients other than plants utilized in the therapeutic
preparations and certain procediires employed in healing processes, so as
"puxação ” and "benzeção ” are briefly commented.
KEY WORDS; Amazon, Barcarena, Ethnobotany, Medicinal Plants, Folk
Medicine.
Artigo originalmcnte publicado no Boletim do Museu Parueuse Emílio Goehli. série Botânica,
volume 9(2), 1993, ora reeditado, por dcci.süo da Comissão de Editoração Científica e da autora,
pelos erros gráficos da primeira versão.
UNESP. Instituto de Biociências. Depto. de Ecologia. Caixa Postal 199. CEP 13.306-900, Rio Claro-
SP.
Os caboclos amazônicos resultam da mestiçagem entre índios e portugueses, nos séculos XVI e
XVll, e afiicanos no século XVIll (Parker 1985).
191
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cm
Boi. Mu.k. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 13(2). 1997
INTRODUÇÃO
As presentes notas constituem uma complementação de um
levantamento botânico e ecológico das plantas usadas com fins terapêu-
ticos, realizado em duas vilas do município de Barcarena, Pará
(Amorozo & Gély 1988). A Vila de Itupanema e a Vila Nova do Piry
ficam a uma distância de duas horas de barco de Belém (Figura 1). O
município era tradicionalmente ocupado por famílias de caboclos cuja
economia se baseava principalmente em fruticultura (fruteiras nativas
como cupuaçu, castanha-do-pará, bacuri, açaí, etc.), roças (de man-
dioca, sobretudo), pesca, extração de produtos vegetais (inclusive
plantas medicinais) e em pequena medida a caça. Com a instalação do
Complexo Industrial Albrás-Alunorte para processamento da bauxita e
da alumina, grandes extensões de terra foram desapropriadas e muitas
famílias desalojadas de seus “sítios”. A Vila Nova foi um dos aglomera-
dos que surgiu depois da desapropriação, cada família recebendo aí, a
título de indenização por suas terras, um terreno de lOm x 60m, e o
direito a participar de uma roça comunitária. Os habitantes da Vila de
Itupanema tiveram melhor sorte, pois puderam conservar seus sítios,"^
porém as radicais mudanças trazidas pela construção e funcionamento
do Complexo estão introduzindo modificações muito significativas na
vida destas pessoas, que cada vez mais vão abandonando o trabalho
autônomo em suas propriedades (quando as conservam), para empregar-
se em serviços não qualificados na indústria (ver Amorozo & Gély
1988, para maiores informações).
MÉTODOS
Nesta etapa da pesquisa, o trabalho de campo foi realizado em set-
embro de 1987 e julho de 1988.
'* o sítio é uma área de cerca de 1 hectare, com predominância de árvores, especialmentc frutíferas.
192
Algumas notas adicionais sobre o emprego de plantas e outros produtos com fins terapêuticos
cm
2 3
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Figura 1 - Localização da área de estudo.
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 13(2), 1997
Foi empregada a técnica de observação participante e de entrevis-
tas. Levantaram-se dados junto a 22 informantes sobre a utilização de
plantas e outros produtos para o tratamento de diversos males. Foram
feitas excursões de coleta a matas, sítios e praias de várzea na compan-
hia dos informantes, que selecionavam as plantas e indicavam seu uso.
As espécies coletadas foram herborizadas e identificadas e se encontram
no Herbário do Museu Paraense Emílio Goeldi (MG) em Belém (PA).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Novas plantas com usos terapêuticos
O Apêndice 1 traz as plantas e os produtos vegetais com uso ter-
apêutico que ainda não haviam sido registrados na primeira fase do
trabalho. Às cerca de 240 espécies já compiladas (ver Apêndice 1 e 2
em Amorozo & Gély 1988), foram acrescentadas mais 40. Este número,
bastante expressivo no total, só vem confirmar a idéia que se fazia a
respeito do conhecimento e utilização da flora por caboclos amazônicos
e não deve ser muito diferente da quantidade de plantas utilizadas com
este fim em outras regiões amazônicas.
Doenças e vias de administração dos remédios
A Tabela 1 mostra o número de plantas citadas,^ o número médio
de receitas por informante e as vias de administração de remédios mais
usadas para as doenças e/ou sintomas comumente reconhecidos pelos
informantes. Não se descrimina se as receitas são iguais, citadas por
informante distintos, ou se são diferentes, citadas por um mesmo infor-
mante, ou vários.
Estas plantas estão listadas nos Apêndices I e 2 em Amorozo & Gély (1988) e no Apêndice I deste
trabalho.
194
Tabela 1 - Doenças e vias de administração dos remédios.
Algumas notas adicionais sobre o emprego de plantas e outros produtos com fins terapêuticos
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195
Inchaço
Picada de animais venenosos
Ectoparasitas (carrapatos, carapanãs, bernes)
dípteros hematófagos.
Boi. Mu.'!. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
A via externa, através de banhos e fricções corporais (e às vezes
pincelagem da garganta e gargarejo no caso de dor ou inflamação local),
é muito utilizada para os sintomas gripais, somando mais de 52% das
recomendações de uso. Nestes banhos, entra uma profusão de plantas
diferentes, combinadas não só segundo a necessidade, mas também con-
forme a disponibilidade ou facilidade de acesso a elas.
A via externa é extremamente importante no caso de dores de
cabeça. Cerca de 79% das receitas com esta indicação são ministradas
deste modo, através de banhos na cabeça ou aplicações tópicas na fonte
do paciente. Houve ainda receitas que recomendavam cheirar mucura-
caá (Petiveria alliacea L.) ou cânfora (Hyptis suaveolens Point.), duas
espécies com odor muito ativo.
Já havia sido observada a predileção dos caboclos pelo uso de ban-
hos, inclusive dissolvendo comprimidos na água dos banhos ao invés de
tomá-los contra dor de cabeça e gripe (Amorozo & Gély 1988: 63). O
emprego maciço desta forma de administração no caso de dores de
cabeça leva a pensar que deve existir uma razão para este procedimento,
que não seja apenas a de otimizar a performance terapêutica dos compo-
nentes da preparação.
Dores de cabeça e febre foram citadas às vezes como tendo causas
“não naturais” (ver Maués 1977); a febre em crianças pode ser sintoma
de “quebranto” ou “olhado de uiara”; em adultos, febre, dor de cabeça e
mal-estar podem ser sintomas de “mau-olhado”, “olhado de uiara”, ”tra-
balho” feito por pajé.^ Os banhos são usados indiscriminadamente, não
importa a etiologia do sintoma.
É interessante que, à via externa tópica para se atingir uma dor
localizada na cabeça, contrapõe-se preferencialmente a via oral para
atingir males localizados em outros órgãos internos: distúrbios do
aparelho digestivo (73% das menções), e vermes (92%), problemas do
Todas estas "doenças” são causadas por interferência acidental ou deliberada de uma terceira pessoa,
ou entidade sobrenatural.
196
Algumas notas adicionais sobre o emprego de plantas e outros produtos com fins terapêuticos...
fígado (92%), problemas de rins e coração (100%) e aparelho genital
feminino (71%).
O fato de a via oral ser inexpressiva para o tratamento de dores de
cabeça, enquanto é importante para o tratamento de órgãos localizados
no tronco, talvez esteja ligado a uma concepção cabocla da organização
interna do corpo humano e das vias de acesso e comunicação com o
meio externo, reconhecidas para cada órgão. Infelizmente, estas
questões não chegaram a ser abordadas durante o curto período de esta-
dia no campo.
Os problemas de pele, quaisquer que sejam, são quase que unica-
mente tratados por via tópica (95%), embora possa ser reconhecido que
eles são a expressão de problemas internos; do mesmo modo, tratamen-
tos externos são empregados contra o reumatismo (83%) e a
“rasgadura” (80%).
A via externa foi a única mencionada para o tratamento de
infestações por ectoparasitas, tendo sido também a via de administração
preferencial no caso de picada de animais peçonhentos (79%).
Ingredientes não vegetais utilizados na composição de receitas
A Tabela 2 traz os produtos de origem animal mais usados na
medicina popular em Barcarena. Os informantes reportaram que os
itens derivados de animais silvestres (como a banha de várias espécies)
vêm se tornando escassos, devido tanto ao desmatamento na área, para a
construção do Complexo Industrial, quanto à proibição à caça imposta
pela Albrás nas áreas transformadas em “reserva”.
Produtos como cachaça e álcool são muito empregados como
veículo para as macerações de plantas usadas topicamente para reuma-
tismo, “doença que entorta”, sintomas gripais. Remédios para
reumatismo preparados com cachaça e plantas, por exemplo, mururé
^ Para explicação dos termos usados na designação de doenças, ver lista explicativa no fim do artigo.
197
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Búl. Mus. Para. Eitiílio Goeldi. sér. Bot. 13(2), 1997
(Brosimum acutifolium Hub.), marapuama (Ptychopetalum olacoides
Benth.) ou gengibre (Zengiber officinale Rose.) podem ser também
ingeridos.
Tabela 2 - Produtos de origem animal com usos curativos em Baracarena.
Produto
Finalidade do uso
Modo de usar
Banha de arraia
“doença que
entorta”
a)
Com cipó-pucá {Cissus sicyoides L.), tabaco
(Nicotiana tabacimi L.), arruda (Ruta graveolens
L.), catinga-de-mulata (Aeollantiius suaveolens
Spreng) e cedro (Cedrela odoraia L.).
Acrescentar urina para amornar. Fazer
“puxação”.
asma
b)
Tomar com chá dc catinga-de-mulata, japana
(Eupatorium ayapana Ventcn.) ou arruda.
Banha de boto
macho ou fêmea
“esipla”
7
Banha de
galinha
“esipla”
c)
Com pirarucu (Bryophyllum calicinum Salisb.)
ou ganha-aqui-ganha-acolá {Bryophytwn sp).
Passar.
gripe
d)
Com andiroba (Carapa guyanensis Aubl.) ou
sebo de holanda. “Fomentar” a garganta.
asma
e)
Com mel de abelha ou óleo doce. Tomar
Banha de jibóia
asma
Mesma receita que b)
Banha de
macaco
reumatismo
0
Passar no local.
Banha de
preguiça-real
reumatismo
g)
Com banha de tartaruga ou tracajá e alho. Passar
no local.
Banha de
tartaruga
“esipla”
asma
reumatismo
h)
Com malvarisco {Piper marginatum Jacq.).
Colocar sobre o local.
Mesma receita que b)
Verg)
Banha dc
sucuriju
asma
Mesma receita que b)
“Casa” de
tananga (espécie
de formiga)
asma
i)
Com carucaá (Cordia niultispicalu Chain.);
tomar.
198
Algumas notas adicionais sobre o emprego de plantas e outros produtos com fins terapêuticos...
Tabela 2 - Produtos de origem animal com usos curativos em Baracarena. (continuação).
Produto
Finalidade do uso
Modo de usar
Cupim e “casa”
de cupim
(espécie
miudinha)
Fel de paca
“doença que
entorta”
Fezes velhas de
cachorro
sarampo que
“pega” na
garganta
Leite de peito diarréia
dor de ouvidos
Mel de abelhas asma
gripe
fortalecer
reumatismo
sarampo
‘Miolo” de boto para cachorro
ficar bom de
caçada
j)
Com laranja-da-terra {Citrus aurantiwn L.),
casca de mangueira (Mangifera indica L.), jutaí-
mirim (Pterocapus amazonicus), faramacani
(Cactaceae), apii (Dorstenia asaroicles Gard.),
pampulha (Hibiscus rosa-sinensis L.),
guaribinha (Polypodium decuinanutn Willd).
Tomar como lambedor, com açúcar.
k) Fricção com copaíba {Copaifera spp), cipó-pucá,
cravo (Tagetes cf. erecta L.), catinga-dc-mulata,
óleo elétrico (Piper callosum Ruiz et Pac.).
1 )
Torrar e moer; com mel de abelha, pincelar a
garganta e tomar chá de sabugueiro (Satnbuctis
nigra L.).
“carne crescida”
nos olhos e outros
problemas
m) Tomar com murta-cabeluda (Myrcia bracteata
(Ricb) D.C.). Pode .ser substituído por vinho.
Para diarréia de quebranto, tomar com alfazema,
alecrim e erva-doce.
n) Pingar nos ouvidos, com trevo-roxo {Scutellaria
sp.) ou catinga-de-mulata.
o) Pingar nos olhos, com gapuí {Martinella obovata
(HBK) Bur. et K. schm.).
p) Tomar com cebola-berrante, ou gemada e
carucaá.
q) Entra na composição de quase todas as receitas
de xarope ou lambedor. Ver por exemplo apií e
carucaá. Apêndice 2 em Amorozo & Gély
(1988).
r) Tomar, com várias plantas. Ver amapá. Apêndice
2 cm Amorozo & Gély (1988).
Com cachaça e gengibre. Tomar.
Vcrl)
s)
t)
Colocar sal c areia no miolo; colocar a ponta de
uma agulha no miolo, e misturar na comida do
cachorro só o qiic vier com a agulha senão ele
poderá ficar louco. O cachorro ficará bom
caçador, porque o boto c muito mariscador.
199
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Tabela 2 - Produtos de origem animal com usos curativos em Baracarena. (continuação).
Produto
Finalidade do uso
Modo de usar
Pelo de porco
picada de arraia,
u) Defumar, com borra de café.
preto
tucandeira
(espécie de
formiga)
Pelo de
prcguiça-real
piolho de galinha
v) Defumar o galinheiro.
Urina
“doença que
entorta”
Ver a)
gripe
w) Tomar, com limão, alho e mel de abelha. É
preferível urina de criança, mas se não houver,
tomar a própria, colocando açúcar.
“olho ruim”
x) Lavar a cabeça e o rosto.
Alimentos, como leite e leite condensado, são tomados juntamente
com o mastruz (Chenopocliiim ambrosioides L.) ou caxinguba (Ficus
insípida Willd.) contra vermes. Talvez o leite ajude a atenuar o efeito
tóxico destas plantas.
As gemadas podem ser ingeridas com plantas contra males que
atacam os pulmões, além de serem usadas em receitas para fortalecer.
Também para fortalecer, usa-se canela, chocolate, tutano, até topica-
mente, dependendo da região do corpo que se quer fortalecer.
Contra pedra nos rins, uma informante recomenda tomar um chá
com canarana {Costas cf. spicatus SW.), quebra-pedra {Phyllantiius sp.)
e abacate {Persea americana Mill.), ao qual se acrescente três pregos na
brasa. Para “dar cor” em uma pessoa anêmica, uma outra moradora
recomenda passar o suco do jenipapo (Genipa americana L.) em uma
peneira, esquentar um pedaço de ferro até ficar bem vermelho c colocá-
lo dentro do suco que o paciente irá tomar.
Produtos encontrados em farmácias, como cânfora, sebo de
holanda, arnica, óleo-elétrico, enxofre, pílulas de Jalapa, Específico
200
Algunuis notas adicionais sobre o emprego de plantas e outros produtos com fins terapêuticos...
Pessoa, e remédios comuns como Emplastro Sabiá, Vick-Vaporub, San-
ador, Gelol, Fimatosan, Biotônico Fontoura, e Emulsão Scott,
comprimidos anti-gripais e anti-piréticos, além de injeções de Benzeta-
cyl, foram mencionados para os mais diversos fins, nem sempre
condizentes com suas prescrições originais.
Em alguns casos, quando os sintomas de uma doença se prolon-
gam por muito tempo sem que se alcance um alívio com remédios mais
comuns, observou- se que se inicia um processo de experimentação em
que é válido tentar de tudo, e que pode correr paralelamente a tratamen-
tos indicados por médicos ou outras pessoas abalizadas. Uma senhora
que já sofria há muitos meses de uma espécie de eczema nos pés, rela-
tou que, após tomar e passar vários remédios (tanto caseiros como “de
médico”), sem melhora, resolveu experimentar passar óleo queimado de
carro nas pernas. A mulher de um informante, que havia ficado imobili-
zado por causa de um derrame cerebral, contou que estava tentando
várias receitas para friccionar as pernas do marido; assim, ela vinha
usando a banha de vários animais, conforme a disponibilidade dos
produtos, desde a banha do carneiro (que tinha apresentado os melhores
resultados), até a de jacaré, sucuriju, guariba, tutano de veado, óleo do
“bichinho” do caroço de tucumã e banho com poraquê fervido, que
ainda não havia usado pela dificuldade de se obter o material. Até min-
hoca frita com azeite já havia experimentado para friccionar as pernas
do marido, porque “minhoca é bicho mole, quando a perna fica dura
assim...”
"Puxar" e "Benzer”
A “puxação” e a "benzeção” são dois dos procedimentos mais uti-
lizados para o tratamento de vários males entre os habitantes de
Itupanema e Vila Nova. Embora não se tenha feito um levantamento
sistemático entre os especialistas sobre suas atribuições e
201
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
procedimentos, em conversas, alguns dos informantes declararam que
sabiam “puxar” e "benzer”, e fizeram alguns comentários a respeito,
que são transcritos a seguir, com um intuito apenas ilustrativo.
Estas duas atividades são geralmente exercidas por um mesmo
indivíduo, mas não necessariamente. A “puxação” enfeixa tipos de mas-
sagem cuja finalidade é tratar de diversos problemas; dores de coluna ou
dos membros, “ajeitar” ossos quebrados ou deslocados, desmentidura,
“rasgadura”, espinhela, “peito aberto”. O “puxador” pode passar previa-
mente no local a ser “puxado”, a banha de algum animal ou sebo de
holanda, para auxiliar a tarefa. Os remédios serão receitados conforme o
problema tratado. As “puxadeiras”, assim como as parteiras, sabem
reconhecer quando uma mulher está grávida, “puxando” sobre seu ven-
tre entre o terceiro e quarto mês de gestação. Elas também sabem
“endireitar o bebê na barriga da mãe”, mas geralmente não “assistem”,
isto é, não fazem o parto.
A “benzeção” é utilizada contra vários males, como quebranto,
susto, diarréia, dor de cabeça, febre, “esipla”. Ela pode ser feita com
água benta, vassourinha e orações tiradas de catecismos ou outros
livros de oração. Parece ser consenso que saber benzer é um dom con-
cedido por Deus, e deve ser desenvolvido pelo contemplado, sob pena
de ele ficar gravemente enfermo. Os remédios também são prescritos
de acordo com a necessidade. Uma benzedeira declarou que “os remé-
dios vêm na cabeça da gente”, enquanto um senhor disse que pessoas
mortas lhe apareciam em sonhos para ensinar remédios ou a forma de
benzer.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A maneira como os caboclos utilizam as plantas e outros produtos
na sua medicina está subordinada não apenas à procura de uma eficácia
consagrada pela experiência de uso, mas também à maneira como eles
202
Algumas fiotas adicionais sobre o emprego de plantas e outros produtos com fins terapêuticos. . .
percebem a etiologia das doenças e o modo de ação dos remédios, que
por sua vez devem derivar, pelo menos em parte, do seu modo de
entender a anatomia humana.
Estudos mais aprofundados a respeito destas relações poderiam
trazer contribuições interessantes para o entendimento do sistema ter-
apêutico caboclo, um sistema basicamente sincrético, onde entram
elementos da cultura indígena e portuguesa. O conhecimento assim
alcançado, além do interesse puramente acadêmico, poderia trazer
resultados práticos, ao fornecer uma base em que se alicerçasse a
implantação de sistemas de saúde mais adaptados a cultura e as
condições da região.
AGRADECIMENTOS
Agradeço ao CNPq, pela concessão do Auxílio de Pesquisa
00401884/87 e ao Museu Paraense Emílio Goeldi, pelo suporte logís-
tico; ao Sr. Nelson de Araújo Rosa, do Departamento de Botânica do
Museu, pela identificação das plantas; a Dra. Elaine Elisabetsky, da
UFPa, pela leitura crítica do manuscrito.
A Eliane Pichara de Oliveira e Zuleica Castilho, pelo auxílio no
campo. E sobretudo aos moradores de Itupanema e Vila Nova, pela
amizade e disposição de ajudar.
203
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 13(2), 1997
LISTA EXPLICATIVA DE ALGUMAS DAS DOENÇAS
CITADAS
Bilida: excrescência branca sobre os olhos.
Desmentidura: torção, luxação.
“Doenças que entortam”: com sintomatologia variada, desde o
“entortamento” em qualquer parte do corpo, tremor, enrolamento da
língua e dificuldades para falar e engolir, até perda do controle
motor dos membros, elas são causadas, segundo os caboclos, por
exposição do corpo a mudanças bruscas de temperatura, de quente
para frio.
“Escorrimento de mulher”: corrimento vaginal.
“Esipla”: os sintomas aparentes são vermelhidão na pele, inchação,
inflamação, “quentura” e dor locais, febre e dor de cabeça. Corrupt-
ela de erisipela. “Esipela” ou “esipelão” são variantes do termo;
assim como a “esipla”, o “esipelão” pode se originar de problemas
no sangue.
Espinhela, “peito aberto”: alterações na região do apêndice xifóideo
do esterno, causadas muitas vezes porque a pessoa carregou muito
peso.
“Força de sangue”: o estado em que se encontra o sangue (grosso,
embolado, ou fraco) influencia a saúde em geral; as receitas são uti-
lizadas para “equilibrar” o sangue (ver Fleming-Moran 1975: 38-
42).
- “Marrudá” de sangue: diarréia com sangue.
“Olho ruim”: problemas nos olhos.
“Penamonia”: pneumonia.
- “Rasgadura”, “Carne rasgada”: “carne que se abre por dentro, não
precisa sair sangue”; pode ser causada por carregar peso.
- “Vento caído”: doença que ataca crianças muito pequenas, com
febre, diarréia e afundamento da moleira.
204
Algumas notas adicionais sobre o emprego de plantas e outros produtos com fins terapêuticos...
REFÊRNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AMOROZO, M.C.M, & GÉLY, A. 1988. Uso de plantas medicinais por caboclos do Baixo
Amazonas. Barcarena, PA, Brasil. Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, Sér. Bot., Belém, 4( 1 ):
47-131.
FLEMING-MORAN, M.V. 1975. The folkview of natural causation and disease in Brazil and
its relations to traditional curing practices. University of Florida, 126 p. Tese de
mestrado.
MAUÉS, R.H. 1977. A ilha encantada: medicina e xamanismo numa comunidade de
pescadores. Universidade de Brasília, 235 p. Tese de mestrado.
PARKER, E.P. 1 985. Caboclization: the transformation of the Amerindian in Amazônia 1615-
1800. In: The Amazon caboclo: historical and contemporary perspectives. Williamburg,
William and Mary Press, 32; 1-49.
WEBER, A.W. 1982. Mnemomic three-letter acronyms for the families of vascular plants: a
device for more effective herbarium curation. Taxon 3(l):74-88.
Recebido em 04.12.90
Aprovado em 30. 1 0.92
205
Algumas notas adicionais sobre o emprego de plantas e outros produtos com fins terapêuticos...
APÊNDICE
Apêndicel - Novas plantas e produtos vegetais com uso terapêutico na região de Barcarena (PA). Explicação das convenções e abreviações no fim do apêndice.
Nome vulgar
Fam.
Nome
Científico
n" de
coleta
Hábito
Habitat
Cult./
Esp.
Uso local
Parte da
planta utilizada
Modo de preparo
e aplicação/posologia (1)
Observações
Outros usos
Abutarana
CLS
Senna latifolia
CA 295
H
C
E
tumor
"grelo” (broto)
Pegar sebo de holanda, uma folha fresca, e
o tumor "vem a furo”
(G.F.W.)
Meyer Irwin &
Barneby
colocar sobre o tumor.
Agrião
doenças do pulmão,
Suco batido com mel de abelha e gema de
Comprado no mercado
“penamonia”
ovo; tomar em jejum. Ver também erva-de-
passarinho.
Alecrim
quebranto de lua e de
Chá. Ou dar cru, com leite de peito.
Comprado na farmácia ou
gente, diarréia causada
por quebranto (em
crianças) “vento
caído”.
taberna.
Pessoas bravas
Chá.
(geralmente adultos).
Pegar menos de 25g, bater ou torrar (melhor
“emperreadas”, com
torrar), colocar em água e ferver. Pegar 1/2 1
“maus fluidos”.
de água benta e colocar neste banho, para
completar 1 1. Banhar a pessoa que está com
mal-estar, que tem os fluidos maus, e dar sete
batidas.
Alfazema
quebranto de lua e de
Chá. Ou dar cru, com leite de peito.
Comprada na farmácia
gente, diarréia causada
por quebranto (em
crianças) “vento caído”
Chá.
Algodoeiro
MLV
Gossypium
CA 282
a
Q
C
expelir catarro
folha
Tirar o sumo e misturar com mel de abelha.
A semente lhe foi dada por
barbadense L.
engordar
folha
Tomar sem ferver ou fervido.
Tomar o sumo com leite, em jejum.
uma pessoa de Belém
impingem
fruto
Raspar e colocar o sumo sobre a impingem.
Amansa
ACA
Lepidagathis sp.
CA 301
H
Q
C
amansar criança
folha
Esmigalhar em água e dar 3 banhos, uma vez
por dia.
Ameixeira
MRT
Eugenia ciimini (L.)
CA 276
A
Q
C
diarréia
casca do tronco
Ferver; tomar e fazer lavagem. Também fever
Alimentar (fruto)
Druce
com casca de uxi e tomar.
Ananá-curau<á
BML
A nanas .sp.
CA 308
H
Q
c
tirar chibança de
criança
folha
Banho. Colocar na água e bater.
-
207
cm
10 11 12 13
SciELO
17 If
19 20 21 22 23 24 25 26 27
29 30
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
Apêndicel - Novas plantas e produtos vegetais com uso terapêutico na região de Barcarena (PA), Explicação das convenções e abreviações no fim do apêndice, (continuação).
Nome vulgar
Fam.
Nome
Científico
n° de
coleta
Hábito
Habitat
Cult./
Esp.
Uso local
Parte da
planta utilizada
Modo de preparo
e aplicação/posologia ( 1 )
Observações Outros usos
Aninga-preta
ARA
Dteffenbackia cf.
CA 274
H
V/Q
E/C
“esipelão”, “esipla”
folha
Murchar no fogo ou ferver; ir molhando na
seguine (L.) Schott.
cachaça com cânfora e colocar sobre o local
atingido. Ou simplesmente murchar a folha e
colocar no local.
Arraia-de-
C
E
“marmdá” de sangue
folha
Banho de assento. Ferver com uma colher de
pata
sal e uma colher de vinagre branco.
Árvore-
gulosa
CA 271
A
C
E
abrir o apetite
folha
Enrolar e colocar no pescoço.
Assacu
EUP
Hurci crepitím.s L.
CA 314
A
C/M
E
ferrada de arraia
látex
Assacu
PPL
Eryth ri na aimn.onica
Krukoff
CA 327
A
C/M
E
ferrada de arraia
látexí?)
Barbalimão
CNN
Coniuirus perrottetH
(DC) Planchon var.
angustifolius Radth
CA 318
A
C
E
úlcera, gastrite,
“escorrimento” de
mulher
casca do tronco
Chá. Também bater a casca bem batida e
colocar para ferver com duas colheres de
Coca-Cola. Tomar para prender o intestino.
Também banho de asseio.
Quanto maior a árvore mais
travosa é a casca.
câncer
casca do tronco
Chá.
Antes não se usava localmente
ou folhas
com este fim, agora se usa.
coceira, “cavaquinho”.
casca do tronco
Banho.
A água com a casca batida fica
mucuim, berne na
cabeça
ou folhas
da cor de sangue.
Boldo
problema de fígado
Ferver com llor de mamão-macho (Carica
papaya L.), galhinho de amor-crescido
(Portulacu cf pilosa L.) e folha de sucuriju
(2). Tomar.
Comprado na farmácia
“Bordo”
CMP
Venionia condensata
Baker
CA 312
a
Q
C
fígado
folha
Ferver e tomar.
Cacau
STR
Theobwma caccio L.
*
A
Q/s
C
dor de cabeça de "mau
fnita verde
Unguento. Raspar a "gosma” da frutinha
olhado”
verde, colocar café em pó, sebo de holanda,
um pouco de vick-vaponib, bater um
pedacinho de alho, colocar tutano de boi.
Rasgar um pedaço de folha de papel Abate
(para enrolar cigarro), colocar na fonte da
pessoa.
baque, vermelhidão e
banha de cacau
Passar a banha no local e colocar em cima
inchaço
folha dc malvarisco-do-manso.
Canarana-do-
mato
ZIN
Cosíus cf. arabicus L.
CA 31.“)
C
C
E
dor de rim
folha
Junto com vinagre-do-mato e pirarucu
“esipla”
folha
{Bryophylluni ctilycinum Saüsb.). colocar
sobre o local.
208
Algumas notas adicionais sobre o emprego de plantas e outros produtos com fins terapêuticos...
Apêndicel - Novas plantas e produtos vegetais com uso terapêutico na região de Barcarena (PA). Explicação das convenções e abreviações no fim do apêndice, (continuação).
Nome vulgar
Fam.
Nome
Científico
11 ° de
coleta
Hábito
Habitat
Cult./
Esp.
Uso local
Parte da
planta utilizada
Modo de preparo
e aplicação/posologia (1)
Observações Outros usos
Capitiú
ANN
Annona montana
Macf.
CA 300
A
V
E
dor
folha
Chá.
Casca-doce
OCH
Ouratea .sp.
CA 316
A
C
E
garrafada de mulher
casca do tronco
Bater e colocar no sol. Misturar com outros
ingredientes (não especificados). Também
usada para defumações.
E odorífica.
Cipó-
DSC
Dioscorea martensis
CA 269
C
V
E
“curar” cachorro
“batata”
Cortar miudinho e colocar no tucupi da
camaleão
R. Knuth
mandioca mole. Deixar passar uns 8 dias, dar
banho nos cachorros e levá-los ao mato para
caçar.
Cipó-de-
PIP
Peperomia
CA 264
C
c
E
resfriado
cipó inteiro
Ferver para banho.
Este cipó brota do formigueiro
tracuá
fnacrostachya (Vahl)
de tracuá {Camponotus
A. Dietr.
femoratus (Fabr. 1804)), que
fica geralmente sobre árvores.
Existem outras espécies
também chamadas cipó-de-
tracuá pelo mesmo motivo.
Cominho
quebranto
Chá. Juntar com folha de cidreira (Lippia
alba N.E. Br.). Também benzer a criança.
Comprado na farmácia.
Cruatazeiro
EUP
Croton matourensis
CA 283
A
c
E
sapinho, ferida na boca
resina
Misturar com mel de abelha ou "mel rosado”
(Aubl.) M. Arg.
(comprado em farmácia) e passar 3 ou 4
vezes sobre o local, ou raspar a casca,
espremer o sumo e colocar no local.
Cupiúba
CEL
Goupia glabra Aubl.
CA 266
A
c
E
coluna
casca do tronco
Chá. S ecar ao sol , de.sprezar a parte de fora da
casca.
Cupiúba
PPL
Machaerium
CA 325
A
c
E
ferida apostemada
“leite” ou casca
Lavar a ferida com “leite” ou raspa da casca
aureiflomm Ducke
do tronco
(sumo).
Curimborana
BIG
Anemopaegma cf.
CA 268
C
c
E
febre
casca do caule
Raspar, colocar no álcool e passar no corpo
chrysoleuciim (HBK)
Saiidw
todo.
Erva-de-
LOR
Phythirusa paniciiiata
CA 381
P
s
C
doenças do pulmão,
folha
Suco com agrião, carucaá {Cordia
pas.çarinho
(HBK) Macbr.
“penamonia”,
multi.spicata Cham.), pimenta-de-lagarto
tuberculose
{Coccocypselum cí. íontamea H.B.K.), mel
de abelha e gema de ovo. Tomar.
a.sma
folha
Chá. Ferver três folha.s e tomar.
*
dor de dente
folha
Ferver e bochechar.
Feijão
FAB
queimadura
folha
Sumo da folha no local.
SciELO
209
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
Apêndicel - Novas plantas e produtos vegetais com uso terapêutico na região de Barcarena (PA). Explicação das convenções e abreviações no fim do apêndice, (continuação).
Nome vulgar
Fam.
Nome
Científico
n“ de
coleta
Hábito
Habitat
Cult./
Esp.
Uso local
Parte da
planta utilizada
Modo de preparo
e aplicação/posologia (1)
Observações
Outros usos
Jacaretaia
RHM
Gouania pyrifolia
Reiss
CA 323
C
C
E
ferida, coceira,
“cavaco”
de criança
“batata”, casca
de caule
Ralar a batata ou raspar o caule e colocar a
“espuma” resultante sobre o local.
Uma das informantes
denominou esta planta
curimborana.
Jiboinha-do-
mato
MNS
Cissampelos cf
fasciculata Benth.
CA 321
C
C
E/C
“esipla”
folha
Colocar sobre o local.
Também é usada a jibóia-de-
planta (pintadinha)
Juazeiro
ver
Casca-doce
Jutaí-mirim
PPL
Pterocarpus
amuzonicus
CA 310
A
V
E
asma
casca do tronco
Ferver uma panela com água. Colocar dentro
a casca do cupim miudinho, juntamente com
o cupim. Deixar amolecer bem e passar na
peneira. Juntar: suco de fruta de laranja-da-
terra (Cilrus auralium L.). casca da árvore de
manga (Mangifera indica L.), casca de jutaí-
mirim, um pedaço de jaramacaru (CAC). raiz
de apii (Dorstenia a.saroides Gard.) batida,
flor de pampulha (Hibiscus rosa-sinensis L.),
rizoma de rabo-de-guariba (ou guaribinha)
(Polypodium decunumum Willd.). Deixar
ferver até ficar grosso e temperar com açúcar.
Dar todos os dias.
Louro-rosa LAU Aniba cí. parvipora CA 291 A T/S E/C banho de S. João folha, casca do Secar (a casca), juntar com raiz de patchuli f-iisca fortemente odorífíca. Colocara
(Meiss) Mez tronco (Vetiveria zizanioides (L,.) I9ash.). raiz de No tempo dos pais da casca seca ao
arataciú (Sagolia racemosa BailI). raspa do informante, usava-se para sol dentro do
caule de cipó-luira (Guatteria scanden.s ficar feliz, dar sorte, ganhar álcool para
Ducke), pataqueira (Conobea scoparioides dinheiro. fazer
Benth.). Esfregar e deixar dentro d’água no perfume,
sol, para “cozinhar”, por pelo menos umas 3
horas, depois coar. Fazer na véspera do dia de
S. João. Levantar às 4h. da manhã, passar a
fogueira e tomar o banho.
Louro-rosa
QIl
Quiina pleridophylla CA 320
(Radth) Pires
A
C
E
ferida
casca do tronco
Banho. Raspar a ca.sca e utilizar para banhar
a ferida.
Muito travoso.
Macaca-cipó,
cipómacaca
APO
Odamadenia CA 298
fumigera Woods
C
C
E
“rasgadura”, “carne
rasgada”
látex
Emplastro.
Malva-rosa
“doença que entorta”
folha
Chá. Com folha de cravo (Tagetes cf erecta).
Comprada na feira, em Belém.
folha de arruda (Ruta graveotens L.) e de
catinga-de-mulata (AeoUandnis suaseolens
Spreng). Ou com pluma (cl. Tanaceium
vulgare L.), catinga-de-mulata, arruda e uns
pingos de bálsamo.
210
Algumas notas adicionais sobre o emprego de plantas e outros produtos com fins terapêuticos...
Apêndicel - Novas plantas e produtos vegetais com uso terapêutico na região de Barcarena (PA). Explicação das convenções e abreviações no fim do apêndice, (continuação).
Nome vulgar
Fam.
Nome
Científico
n® de
coleta
Hábito
Habitat
Cult./
Esp.
Uso local
Parte da
planta utilizada^
Modo de preparo
e aplicação/posologia (1)
Observações Outros usos
dor de coração
folha '
Chá.
Manacã-de-
cutia
ANN
Dnguetia flagellaris
Huber
CA 273
A
CIV
E
para cachorro caçar
cutia
lenho (por
dentro da casca)
Raspar, juntar cominho, uma ponta de
malagueta e cachaça. Amarrar num paninho e
colocar no “nariz” do cachorro.
folha
Socar, colocar na água e proceder como
acima.
Manacã-de-
veado
SOL
Brunfelsia guianemis
Benth
CA 317
a
C
E
reumatismo
“batata”
Raspar e colocar no álcool. Passar.
"curar” cachorro para
caçar veado
“batata”
Colocar a raspa com água no “nariz” do
cachorro.
Maniva-de-
veado
EUP
Manihot cf.
brachyloba Muell.
Arg.
CA 313
A
C/V/Q
E/C
ferrada de bicho
(aranha, tucandeira,
cobra) "esipelão”
folha
Tirar o sumo e esfregar no local. Para picada
de cobra, procede-se assim acrescentando
pimenta e alho.
Manuseada
quebranto de criança
quebranto de fome
Ralar e fazer chá. Não pode dar crua.
Chá com folha de pau-d’angola (Piper cf.
alatipeticolaíum Yuncker), pau-siri e uma
faixa de cigarro da casca de tauari (Couratari
gnianerisis Aubl.). Fever tudo e beber.
Comprada na farmácia. No dia
seguinte, a criança estava boa
do vômito e diarréia.
Mão-aberta
C
"esipla”
folha
Colocar álcool e embrulhar o braço.
Maracujá-de-
planta
PAS
Pas.siflora edulis
Sim.ç.
CA 277
T
Y
Q c
nervoso, abrir memória
e coração
folha
Chá.
Maracujá-
melão
malária
folha
Chá, com casca de carapanã (A.spidosperma
auriculatum M.G.F.) ou uma colher de leite
de amapá (Paratiancomia amapa (Huber)
Ducke).
Munguba
A
T
E
baque
látex
Misturar ao látex “peche” moído (breuzinho
que se compra em loja de ferragem), fazer um
emplastro e colocar sobre o local. Ou fazer
emplasto com sumo de mastruz
{Chetwpodium ambro.sioides L.).
Padu
a
C
para criança dormir
folha
Chá.
Pará-pará
BIG
Jaracanda .sp.
A
C
E
piolho de galinha
folha
Fazer fumaça para acabar com os piolhos.
Paricá
eSL
Schizolobium
amazonicum Huberex
Ducke
CA 319
A
C
E
diarréia
casca do tronco
Bater, fazer o chá e tomar.
211
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 13(2), 1997
Apêndicel - Novas plantas e produtos vegetais com uso terapêutico na região de Barcarena (PA)- Explicação das convenções e abreviações no fim do apêndice, (continuação).
Nome vulgar
Fam.
Nome
Científico
n° de
coleta
Hábito
Habitat
Cult./
Esp.
Uso local
Parte da
planta utilizada
Modo de preparo
e aplicação/posologia (1)
Observações
Outros usos
Pau-siri
quebranto de fome
Ver manuseada.
Comprar na farmácia e ralar.
Fica semelhante a canela em
pó.
Possuri
quebranto de criança
Chá. Não pode dar cru.
Comprado na farmácia - é
cheiroso.
Quiabo
MLV
Hibiscus sp.
H
R
C
para cabelo crescer
depressa
“baba”
Passar.
Rosa-da-sorte
OXL
Oxalis hedysarifolia
Raddi
CA 294
H
S
C/SE
para dar sorte
?
Banho de criança.
Sete-sangrias
EUP
Euphorbia hirta L.
CA 384
H
Q/R
E
“bilida”
látex
Colocar na vista (nos olhos).
Sucuriju
CMP
Mikania tindteyana
DC
CA 326
C
S
C
inchaço, “esipla”, íngua
no pescoço
folha
Murchar sobre brasas, colocar banha e passar
no local.
Tatajuba
A
T
E
purgante para
estômago, vomitório
látex
Uxi
HOU
Endopleura uchi
(Hub.) Cuatr.
A
T/S
E/C
diarréia
casca do tronco
Chá, com casca de ameixeira. Também
lavagem, com casca de cajueiro (Anacardium
occidentale L,); tirar as cascas na hora e
fever.
Fruto
comestível.
Vinagre>do-
mato
MLS
Aciotis longifolia
Triana
CA 322
s.a.
C
E
“esipla”
folha
Com canarana-do-mato e pirarucu, colocar
sobre o local . Ou socar a folha e colocar sobre
0 local, com alcânfor (de farmácia) e
cachaça.
Gosto levemente ácido.
Vindicá-
pequeno
vindicá-pajé
ZIN
Renealmia sp.
CA 293
H
Q
C
banho para felicidade
folha
Esfregar na água e deixar um pouco no sol . É
bom fazer cedo; melhor fazer na hora de
tomar. Esfregar na água, numa vasilha limpa,
com mucuracaá {Petiveria alliiicea L.), cipo-
alho {Pachyptera ailiacea (Lam.) Gcntry),
japana-roxa ou branca {Pupíitoriuni ayapana
Venten.) e deixar no sol.
Para esta receita, o vindicá-
pequeno é melhor do que o
grande. Pode fazer o mesmo
com vindicá grande. Folhas
são fortemente odoríficas.
7
PIP
Piper cyrtopodon
C.D.C.
CA 272
H
c
E
pano branco
folha
Tirar o sumo e passar no local, com enxofre.
212
V
Algumas notas adicionais sobre o emprego de plantas e outros produtos com fins lerapêutiçc^..§tH^iQjfj^j^ ^ '
Abreviações
Família
Hábito
Habitat
Cult./Esp.
(Cultivada/Espontânea)
Abreviações das
A - árvore
C
- capoeira
C - cultivada
famílias
a - arbusto
T
- mata de terra
E - espontânea
segundo Weber
firme
(1982)
s.a - sub-arbusto
V
- várzea
SE - sub-espontânea
H - herbácea
M
- mata de várzea
e terra firme
C - cipó
R
- ruderal
T - trepadiera
Q
- quintal
P - parasita
s
- sítio
(1) As plantas mencionadas nesta coluna, sem identificação, têm, na maior parte,
entrada na tabela. Para conhecer outros usos, consultar os apêndices 1 e 2 em
Amorozo & Gely (1988).
(2) Há duas espécies identificadas com este nome e usadas pela comunidade
{Boussingaiiltia sp. e Mikania lindleyana); para esta receita, não foi possível
saber qual das duas é usada.
213
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BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
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1) O Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi dedica-se à publicação de trabalhos de
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Apresentação de Manuscritos Submetidos à Publicação no Boletim do Museu Paraense
Emílio Goeldi" .
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66040-170, Belém, Pará, Brasil).
15) Para maiores informações, consulte o “Guia para Apresentação de Manuscritos
Submetidos à Publicação do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi" .
CONTEÚDO
Artigos originais
A FAMÍLIA SPLACHNOBRYACEAE (BRYOPHYTA)
NO ESTADO DO PARÁ
Regina C. L. Lisboa, Anna L. Ilkiu-Borges
... 103-II1
CHLORELLACEAE (CHIX)ROPHYCEAE,
CHLOROCOCCALES) DO LAGO ÁGUA PRETA, MUNICÍPIO
DE BELÉM, ESTADO DO PARÁ
Regina Célia Viana Marlins-Da-Silva
... I4I-I66
ANATOMIA COMPARADA DO LENHO DE QUATRO ESPÉCIES
DE GUAREA ALLAMAND EX LINNAEUS DA ZONA DA MATA
MINEIRA E DA AMAZÔNIA BRASILEIRA
Maria Rohane de Lima, Eido Antônio Monteiro da Silva,
Antônio Lelis Pinheiro, Pedro L. B. Lisboa
... I67-I97
CHARACTERIZATION AND UTILIZATION
OF VÁRZEA AND TERRA FIRME FORESTS
IN THE AMAZON ESTUARY
Akio Tsuchiya, Mario Hiraoka, Carlos R. da Silva
... I7I-I90
ALGUMAS NOTAS ADICIONAIS SOBRE O EMPREGO DE
PLANTAS E OUTROS PRODUTOS COM FINS TERAPÊUTICOS
PELA POPULAÇÃO CABOCLA DO MUNICÍPIO DE
BARCARENA, PA, BRASIL
Maria Christina de Mello Amorozo
... I9I-2I3
EM ACAO
SciELÕ
10 11 12 13 14 15 16
cm