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BOTANICA
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Dezembro de 1998
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ISSN 0077 - 2216
SciELO
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Série BOTÂNICA
GOVERNO DO BRASIL
Presidência da República
Presidente - Fernando Henrique Cardoso
Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT
Ministro - Ronaldo Mota Sardenberg
Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico - CNPq
Presidente - Evando Mirra de Paula e Silva
Museu Paraense Emilio Goeidi - MPEG
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Diretor Adjunto de Pesquisa - David C. Oren
Diretor Adjunto de Difusão Cientifica - Antonio Carlos Lobo Soares
Comissão de Editoração - MPEG
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Editor-Associado - Pedro Luiz Braga Lisboa
Equipe Editorial - Lais Zumero, Socorro Menezes, Iraneide Silva, Elminda Santana
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Enrique Forero - New York Botanical Garden
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Chillean T. Prance - Royal Botanic Garden
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Warwick E. Kerr - Universidade Federal de Uberlândia
William A. Rodrigues - Instituto nacional de Pesquisas da Amazônia
© Direitos de Cópia/Copyright 1999
por/by MCT/CNPq/Museu Goeidi
7 FEV AGü
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DOAÇAO
ISSN
Ministério da Ciência e Tecnologia
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológic'
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Boletim do
Museu Paraense
Emílio Goeldi
Série
BOTÂNICA
Vol. 14(2)
b
À
Belém - Pará
Dezembro de 1 998
cm
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MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Parque Zoobotânico - Av. Magalhães Barata, 376 - São Braz
Campus de Pesquisa - Av. Perimetral - Guamá
Caixa Postal: 399 -Fones; Parque (091) 249-1233,
Campus (091) 274-0777 - Fax: (091) 249-0466
CEP 66040-170 - Belém - Pará - Brasil
O Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia foi
fundado cm 1 894 por Emílio Goeldi e o seu Tomo I surgiu em 1 896. O atual
Boletim c sucedâneo daquele.
The Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia was
founded in 1894, by Emilio Goeldi, and the first volume was issued in 1896.
The present Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi is the successor to this
publication.
Accrcditcd with the International Association for Plant Taxonoiny (lAPT)
for the purpose of registration of all new plant names
cm
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CDD: 583.931044
ADAPTAÇÃO MORFO-ANATÒMICA DE
PLANTAS JOVENS DE INGA VERA WILLD. E
VIROLA SURINAMENSIS {ROLLAIAD. EX ROTTB.)
WARB. À SUBMERSÃO'
Marcei do Nascimento Botelho'
Luiz Edson Mota de Oliveira^
Manuel Lousada de Oliveira''
Cláudio José Reis de Carvalho^
RESUMO — A tentativa de revegetação de áreas sujeitas a inundação
deve ter como prerrogativa o estudo de espécies que ocorrem natural-
mente nessas condições. Neste trabalho objetivou-se avaliar o
comportamento de algumas espécies arbóreas á submersão, quanto as
modificações morfológicas e anatômicas. O experimento foi conduzido
utilizando-se plantas jovens de Inga vera Willd. e Virola surinamensis
(Rolland. exRottb.) iVarb. Foram analisados trés tratamentos: (Tl) Cul-
tivo sem inundação; (T2) Cultivo com inundação do sistema radicular;
(T3) Cultivo com inundação total das planta. Entre o quinto e o oitavo
dias após a indução dos tratamentos todas as plantas cultivadas com
submersão do sistema radicular apresentavam um hipertrofiamento das
Trabalho apresentado à UFLA eomo parte da dissertação de mestrado do eurso de Fisiologia
Vegetal.
^ Faculdade de Ciências Agrárias do Pará. Professor. Av. Pcrimetral, 2501. Cep 66077-530,
Belém-PA. E-mail: mbotelho@amazon.coiTi.br
^ Universidade Federal de Lavras. Professor, Doutor. Depto. De Biologia. Caixa Postal 37.
Cep 37.000-000. Lavras-MG.
Universidade Federal de Lavras. Professor, Mestre. Depto. De Biologia. Caixa Postal 37.
Cep 37.000-000. Lavras-MG.
^ Embrapa/Amazônia Oriental. Pequisador PhD. Trav. Encas Pinheiro, s/n. Caixa Postal 48.
Cep 66017-970. Bclcm-PA.
93
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(2), 1998
leiUicelas. Após 28 dias, apenas nas plantas de ingá sob submersão do
sistema radicular, tornou-se visível a emissão de raízes adventícias.
Não houve a formação de aerênquimas em nenhuma planta até o final
do período experimental.
PALAVRAS-CHAVE; Virola, Inga, Morfologia, Anatomia, Submersão.
ABSTRACT - The aime ofthis work was to evaluate lhe behavior of two
species at flooding and total submerged, as to hoth morphological and
anatomical modifications. The experiment was conducted utilizing
young plants of Inga vera Willd. and Virola surinaensis (Rolland. ex
Rottb.) iVarb. Three treatments were analysed: (Tl) cultivation with no
Jlooding: (T2) cultivation with flooding of the root .System; (T3)
cultivation with total .submerged of the plant. Between the fifth and
eighth days after induction ofthe treatment, all the plants cultivated with
jlooding ofthe root system showed an elargement of lenticels. From the
28 days only on inga plants under flooding of the root system, emission
of adventicious roots became visible, but not finding formation of
aerenchymas.
KEY WORDS: Virola, Inga, Morfology, Anatomy, Submerged.
INTRODUÇÃO
As matas ciliares desempenham um papel fundamental na conser-
vação do solo e sustentação da fauna destes ecossistemas. Contudo, a
degradação destes ambientes e o represamento de rios com vistas a
construção de reservatórios tem contribuído para a destruição desta
vegetação.
De um modo geral, existe um número limitado de espéeies vege-
tais que podem sobreviver e/ou crescer em ambientes com baixa
disponibilidade de oxigênio (BDO), causada pela inundação do solo,
ou mesmo pela submersão total da planta (Kozlowski 1984; Kawase
1981).
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Adaptação morfo-anatômica de plantas jovens...
A adaptação destas espécies a BDO é possível graças a adaptações
morfológicas e anatômicas, as quais permitem o transporte e/ou arma-
zenamento do oxigênio para as partes submersas das plantas (Perata &
Aipi 1993), ou a adaptações metabólicas através do metabolismo anae-
róbico (Crawford 1978; Kozlowski 1984), ou então por uma ação
sinergístiea entre estas duas formas de adaptação (Kawase 1981).
O desenvolvimento das estruturas morfológicas e anatômicas,
parece estar relacionado ao aumento na concentração de etileno, devido
à submersão da planta, ou parte dela (Tang & Kozlowski 1984; Perata
& Aipi 1993; He, Drew & Morgan 1994).
Neste trabalho objetivou-se avaliar as características morfológicas
e anatômicas desenvolvidas nas duas espécies estudadas, em decorrên-
cia da BDO no meio, com vistas ao futuro aproveitamento destas
plantas em programas de revegetação de áreas sujeitas a inundações
periódicas, como as margens de reservatórios.
MATERIAL E MÉTODOS
Este trabalho foi conduzido no Setor de Fisiologia Vegetal do
Departamento de Biologia da Universidade Federal de Lavras (UFLA),
no período de 06/03 a 20/04/96, utilizando as espécies arbóreas, Inga
vera Willd. (ingá) e Virola surinamensis (Rolland. ex Rottb.) Warb.
(virola) eneontradas, naturalmente, em áreas sujeitas a inundações
periódicas.
As plantas de ingá utilizadas no experimento foram produzidas
em viveiros da UFLA, enquanto que as plantas de virola foram coleta-
das em áreas de várzea às margens do rio Pará, no município de
Belém-PA. As duas espécies passaram por um período de aclimatação
na área experimental devido, principalmente, as condições de lumino-
sidade adotadas neste experimento. Depois de 30 dias foram induzidos
três tratamentos: (Tl) cultivo sem submersão (testemunha); (T2)
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 14(2), 1998
cultivo com submersão do sistema radicular e (T3) cultivo com sub-
mersão total da parte aérea. Estes tratamentos foram aplicados
cultivando-se as plantas dentro de tanques de concreto com lâmina
d’água constante de mais ou menos 5cm e com o uso de solução nutri-
tiva (Tabela 1).
Tabela 1- Composição e concentração dos elementos nas soluções nutritivas utiliza-
das no experimento, nos três tratamentos.
Elemento
Concentração em ppm
Tratamento 1
(2L /vaso)
Tratamento 2
(600L /tanque)
Tratamento 3
( 1 800L /tanque)
N-N03-
77
4,62
1,71
N-NH4+
28
1,68
0,62
P
31
1,86
0,68
K
97,5
5,85
2,16
Ca
40
2,4
0,88
Mg
24
1,44
0,53
S
32
1,92
0,71
Fe
1,12
0,0672
0,0249
B
0,27
0,0162
0,006
Mn
0,11
0,0066
0,0024
Zn
0,131
0,0079
0,0029
Cu
0,032
0,0019
0,00071
Mo
0,05
0,003
0,0011
Cl
1,77
0,1062
0,0393
As trocas de solução nutritiva foram semanais no tratamento 1,
sendo que nos demais tratamentos os nutrientes foram colocados de
96
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Adaptação morfo-anatômica de plantas Jovens...
uma só vez, no início do trabalho, utilizando-se a quantidade total de
cada elemento, previsto para um período de 6 semanas.
O experimento foi conduzido, segundo o delineamento inteira-
mente casual izado, seguindo um esquema fatorial de 3 x 2 e as
avaliações foram realizadas aos 14 e 45 dias após a indução dos trata-
mentos (DAIT).
A morfologia externa, formação de lenticelas hipertrofiadas, raí-
zes adventícias, epinastia, abscisão foliar e estado geral das plantas foi
avaliada diariamente por meio de acompanhamento visual e anotação
dos sintomas apresentados. As avaliações anatômicas foram realizadas
apenas ao final do período experimental (45 dias). Como características
anatômicas foram avaliadas a formação de aerênquimas em raiz, caule
e folha, e o número, tamanho e localização dos estômatos nas folhas.
Os cortes, obtidos à mão livre, com o auxílio de lâmina de barbear,
foram clarificados com solução aquosa a 2% de hipoclorito de sódio,
passados em água destilada (três vezes) para retirar o excesso de álcali e
colocados em solução aquosa a 1 % de ácido acético. Utilizou-se a colo-
ração verde-iodo-acético e vermelho-congo, conforme Dop & Gautié
(1907). Montou-se lâminas semi-permanentes, utilizando como meio
de montagem glicerina a 50% em água (Vasconselos & Coutinho
1960). Para aumentar a duração das lâminas, lutou-se as lârninas com
uma solução de breu e cera de abelhas (1:3).
A localização e classificação dos estômatos, foi feita anterior-
mente a contagem do número e medição, realizada segundo técnica de
Laboriau, Oliveira & Salgado-Laboriau (1961) a partir de cortes para-
dénnicos feitos na região central do limbo de folhas localizadas no
mesmo lançamento, sendo que em cada tratamento foram feitos 10 cor-
tes em 5 folhas, isto é, dois por folha e, em cada corte, foram
observados quatro campos totalizando 40 campos por tratamento. A
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeicíi, sér. Boi., 14(2), 1998
montagem das lâminas seguiu as mesmas técnicas descritas
anteriormente.
Todas as contagens e observações foram feitas em um microscó-
pio Olympus CBB adaptado com câmara clara, com aumento de 400X.
As fotomicrografias foram realizadas em um microscópio Nikon com
aumentos de 200 e 400X.
A cada dois dias foi avaliado o comprimento foliar de três folhas
recém lançadas de cada tratamento, nas duas espécies, até a completa
expansão da folha.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O comprimento foliar nas plantas de ingá e virola totalmente sub-
mersas foi menor quando comparado aos demais tratamentos. Nas
plantas de ingá e virola sob submersão do sistema radicular e sem sub-
mersão não houve diferença estatística quanto ao comprimento foliar
(Figura 1).
A diminuição e/ou paralisação do crescimento foliar sob BDO é
uma resposta normal a este tipo de estresse e é relatada por diversos
autores e por vários motivos (Smit, Stachoniak & Van 1 989; Vu & Yele-
nosky 1991; Pelacani 1992; Perata & Aipi 1993 e Barbosa 1995).
O comportamento das plantas de ingá sob submersão do sistema
radicular foi semelhante àquele observado no experimento realizado
por Pelacani (1992), contudo pode-se verificar que a submersão total
causou a paralisação total do crescimento foliar, indicando que depen-
dendo de alguns fatores tais como a espécie, a altura da coluna d’água, e
o tempo de submersão, ou seja, dependendo da intensidade do estresse,
as respostas a submersão e o desenvolvimento das estruturas morfoló-
gicas e anatômicas pode ser mais, ou menos evidenciado (Vartapetian
1980; Kawase 1981 c Laan et al. 1990).
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Adaptação morfo-anaíômica de plantas jovens...
(luo) yvnod OiN3l/\liydl\IOO
99
Figura 1 - Comprimento foliar de plantas de ingá e virola em função dos niveis de submissão: TI - cultivo sem submersão (■);
T2 - cultivo com submersão do sistema radicular (□) sistema radicular; T3 - cultivo com submersão total da parte aérea (•).
Médias de três repetições. As barras indicam o erro padrão das médias (I)
Boi. Mu.'!. Para. Emílio Goelcli, .^ér. Bot., 14(2), I99H
As plantas de ingá e virola apresentaram o mesmo comportamento
quanto ao comprimento foliar, provavelmente por serem naturais de um
mesmo grupo ecológico em relação ao ambiente onde são encontradas
naturalmente.
Foi observado que entre o quinto e o sexto dia após a indução dos
tratamentos, iniciou o aparecimento de lenticelas hipertrofiadas nas
plantas sob submersão do sistema radicular, no caule próximo da super-
fície (Figura 2a), entretanto, nas plantas cultivadas sem submersão e
com submersão total, não houve qualquer indício de hipertrofiamento
de lenticela até o final do período experimental. (Figura 2b). Além de
ser um fato normal sob estas condições (Pelacani 1992; Barbosa 1995)
e de promover uma melhor troca gasosa como o meio (Hook & Schol-
tens 1 980; Kawase 1981; Tang & Kozlowiski 1 984), o hipertrofiamento
das lenticelas parece estar relacionado, paradoxalmente, com a pre-
sença de oxigênio no meio, uma vez que, sob submersão total, onde
supunha-se quase inexistir o oxigênio não ocorreu o hipertrofiamento
das lenticelas (Figura 2b). O hipertrofiamento de lenticelas nas plantas
sob submersão do sistema radicular continuou a ocorrer até o final do
período experimental.
Mesmo sendo considerado como um fator decisivo para a sobrevi-
vência das plantas sob BDO (Hook & Scholtens 1980; Sena Gomes &
Kozlowski 1988; Yamamoto, Sakata & Teragawa 1995), até o final do
período experimental, a formação de raízes adventíceas foi observada
apenas nas plantas de ingá sob submersão do sistema radicular
(Figura 2c).
Os cortes anatômicos mostraram não haver a fonnação de aerên-
quimas ou qualquer outra estrutura de adaptação a BDO nas duas
espécies sob estas condições experimentais (Figuras 3-4), contrariando
alguns trabalhos que citam os aerênquimas como uma das principais
causas da tolerância a BDO (Newsome, Kozlowiski & Tang 1 982; Topa
100
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Figura 2 - a) Planta dc virola 1 0 dias após a submersão do sistema radieular, apresen-
tando a formação de lentieelas hipertrofiadas (L). b) Planta ingá 45 dias após a
submersão total, sem formação de lentieelas hipertrofiadas ou raizes adventícias,
c) Planta de ingá 30 dias após a submersão do sistema radieular, com formaçãp dc
raízes adventícias (R) c lentieelas hipertrofiadas (L) na base do caule, mostrada pelas
setas.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goelcli, sér. Bot., 14(2), 1998
Figura 3 - (A) Cortes transversais de eaule, (B) raiz e (C) folha de plantas de ingá
submetidas ao alargamento. A barra (— ) corresponde a 100 mm, Co - córtex; X -
Xilema; Pp- Parenquima paliçádico; Pl- Parênquima lacunoso, - epiderme ada-
xial; Cl, - epiderme abaxial.
cm
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Adaptação morfo-analômica de plantas jovens...
Figura 4 - (D) Cortes transversais de caule, (E) raiz e (F) folha de plantas de ivirola
submetidas ao alargamento. A barra (-) corresponde a lOOmm, Co - córtex; X -
Xilema; Pp- Parênquima paliçádico; Pi - Parenquima lacunoso,c„- epiderme adaxial;
Cb - epidenne abaxial.
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Boi. Mili. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 14(2), 1998
& McLeod 1986; Kludze, Delaume & Patrick Jr. 1993; Yamamoto,
Sakata & Teregawa 1995). Entretanto, Yoshida & Eguchi (1994) tra-
balhando com plantas de Cucumis sativus L., demonstraram que o
transporte de oxigênio a partir das folhas até às raízes submersas atra-
vés dos espaços intercelulares, foi suficiente para manter a respiração
aeróbica e, conseqüentemente, manter a planta viva.
Nas duas espécies aqui estudadas, devido a não formação de
aerênquimas, pode-se sugerir que os espaços intercelulares, juntamente
com o hipertrofiamento das lenticelas, foram suficientes para manter a
respiração aeróbica nas raízes das plantas sob submersão do sistema
radicular, enquanto que nas plantas totalmente submersas, a paralisa-
ção do crescimento parece ter sido suficiente para mantê-las vivas até o
final do período experimental (45 dias).
O número e tamanho dos estômatos não diferiu entre os tratamen-
tos nas duas espécies, mostrando que a principal adaptação não é em
relação ao número, tamanho e posição dos estômatos, e sim quanto a
condutância estomática (Harrington 1987; Sun et al. 1995) e conse-
quente assimilação de carbono pela fotossíntese e a taxa transpiratória
(Crane & Davis, 1988) (Tabela 2).
Através dos dados apresentados neste trabalho pode-se concluir
e/ou sugerir que a tolerância à submersão do sistema radicular foi
devido à grande habilidade destas plantas em produzir o hipertrofia-
mento das lenticelas nas regiões próximas a linha d 'água e conduzir o
oxigênio que penetrava através destas lenticelas pelos espaços interce-
lulares. As plantas sujeitas à submersão total sobreviveram devido a
paralisação do crescimento e, possivelmente, a manutenção dos seus
meristemas, através do melhor aproveitamento metabólico de suas
reservas.
Estudos complementares devem ser realizados no sentido de veri-
ficar o tempo máximo de sobrevivência destas e de outras espécies a
104
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Adaptação morfo-anatômica de plantas jovens...
submersão, bem como analisar parâmetros como a taxa fotossintética,
transpiratória e a atividade de enzimas específicas que possam, em con-
junto, elucidar de forma definitiva o mecanismo de tolerância a BDO
causada pela submersão nestas e em outras espécies da região amazô-
nica com vistas ao seu emprego no processo de revegetação de margens
de reservatórios hidrelétricos e demais áreas degradadas sujeitas a
inundações periódicas.
Tabela 2 - Valores médios do número, diâmetro polar e equatorial dos estômatos das
plantas de ingá e virola, submetidas ao cultivo sem submersão (Tl), com submersão
do sistema radicular (T2) e submersão total das plantas (T3), 45 dias após a
submersão.
Espécie
Tratamento
Número/mm^
DP
(pm)
DE
(pm)
TI
192b“
26,0a
13,41a
Ingá
T2
255a
28,1a
14,02a
T3
296a
27,8a
17,07a
Tl
162a
26,8a
14,63a
Virola
T2
210a
25,0a
1 6,46a
n — r- _ . ,■ :
T3
111b
26,2a
15,85a
As médias seguidas pelas mesmas letras, em cada espécie e nas colunas, não diferem entre si a 5% dc
probabilidade pclo teste de Tukey.
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London, 45(271): 187-192.
Recebido cm: 25.02.98
Aprovado cm 1 1 .01.99
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CATASETUM MOJUENSE E CATASETUM
TUCURUIENSE: NOVAS ESPÉCIES DE
ORCHIDACEAE PARA O ESTADO
DO PARÁ, BRASIL'
Alvadir T. de Oliveira-
João Batista F. da Silva^
RESUMO — Duas espécies novas para o gênero CataseXum L. C. Rich. ex
Kunth (Orchidaceae), subgênero Orthocatasetum, seção Anisoceras,
estão sendo descritas e ilustradas para o estado do Pará: Catasetum
mojuense e Catasetum tucuruiense, a primeira está relacionada com
Catasetum discolor, enquanto a segunda apresenta maior afinidade com
Catasetum albovirens.
PALAVRAS-CHAVE: Catasetum L. C. Rich. ex Kunth, Orchidaceae,
Taxonomia.
ABSTRACT — Two new species of Catasetum L. C. Rich. ex Kunth
(Orchidaceae) subgenus Orthocatasetum, section Anisoceras, from Pará
State, are described and illustrated. The species are Catasetum
mojuense e Catasetum tucuruiense. The first one presents affinity with
Catasetum discolor, while the other one presents affinity with Catasetum
albovirens.
KEY WORDS; Catasetum L. C. Rich. ex Kunth, Orchidaceae,
Taxonomy.
Projeto Integrado do CNPq/Processo: 52 1 626/93-5.
PR/CNPQ/MCT. Museu Paraense Emílio Goeldi. Depto. de Botâniea. Bolsista de Inieiação
Cientíllea. E-mail: alvadir@zipmail.com.br
Trav; 14 de Março,894/Bloco C, Apto 101/Umarizal/66055-490/Belém-Pará.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot.. 14(2), 1998
INTRODUÇÃO
O gênero Cataseíum L. C. Rich. ex Kunth. tem uma distribuição
bastante significativa, desde o sul do México, passando pela América
Central e do Sul, até o estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, aden-
trando o Uruguai e a Argentina.
As espécies são encontradas, conforme pôde ser comprovado pela
literatura, em diferentes ecossistemas, desde condições puramente ter-
restres até aquelas rupícolas e epifíticas. A região Amazônica,
possivelmente é centro de dispersão de alguns subgrupos naturais de
Cataseíum, onde as espécies apresentam uma variabilidade morfoló-
gica bastante evidente. Esta particularidade é, sem dúvida alguma,
importante para a avaliação e nominação especifica, razão principal
deste trabalho.
Em continuidade ao estudo taxonômico sobre Catasetinae da
Amazônia, após análise de alguns exemplares das últimas coletas reali-
zadas na região, nas quais destacaram-se as espécies novas descritas a
seguir. Baseou-se nas obras de Cogniaux (1904); Mansfeld (1932);
Hoehne (1942); Foldats (1970); Pabst & Dungs (1975) e Romero &
Jenny (1993).
DESCRIÇÃO DAS ESPÉCIES
Cataseíum mojuense Oliveira & da Silva sp. nov.
Tipo: Brasil, Estado do Pará, Município de Mojú , J.B.F. da Silva,
562. (MG 0150477) (Figura 1).
Epiphyta; InJJorescentia masciilis, subereta; Jloribus cum sepalis
lanceolatis, petalis oblongo-lanceolatis; labello infero, foramine
frontali vel ostio subeliptico, lobo laterali cum margis elevata, leviter
fimbriatum, lobo tenninali apiculato; columna carnosa, ereta,
antennis decussaíis; anthera subtriangulari, rostrata, pollinis 2.
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Calaseium mojuense e Cataseíum tucuniiense: novas espécies...
Figura 1 - Cataseíum mojuense. A) Hábito; B) Inflorcscência com llor; C) Partes da
Flor: Sépala dorsal - sd, scpalas laterais - sl, pétalas - p; D) Antera, E . Polinário eom
polinias; F) Flor em vista frontal.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(2), 1998
Epífita; pseudobulbos fusiformes, eretos, verdes, 13 cm compr.,
3.5 cm diâm.; folhas lanceoladas, verdes, côncavas, 23 cm compr.,
4.5 cm larg.. Inflorescência masculina, subereta, arqueada no terço
superior, verde-claro, 1-5 aneladas; brácteas amplexicaules lanceola-
das, 0,8 cm compr.; raque 21 cm compr., 0,3 cm diâm.. Flor 1,
ressupinada, verde-clara, ereta;, brácteas florais apressas ao pedicelo,
triangular, 7 mm compr.; pedicelo cilíndrico, arqueado no terço médio,
verde-claro, 22 mm compr., 2 mm diâm.; sépalas verde-claras, cônca-
vas, lanceoladas, a dorsal ereta, as laterais ligeiramente arqueadas para
trás, 25 mm compr., 10 mm larg.; pétalas verde-claras, pintalgadas de
marrom, oblongo-lanceoladas, convexas, eretas, 25 mm compr., 14 mm
larg.; labelo verde, infero, formando ângulo de quase 90° com a coluna,
sacciforme, carnoso, com abertura frontal ou ostio subelíptico; lobos
laterais com bordos elevados, levemente fimbriados; lobo terminal api-
culado; saco do labelo profundo, 16 mm prof, 13 mm larg.; coluna
branca, subtriangular, apiculada, 14 mm compr., 7 mm larg.; antenas
curtas que se cruzam no ápice; antera amarelada, subtriangular, 6 mm
compr.,4 mm diâm.; polinias 2.
O epiteto específico refere-se ao loeal onde a espécie foi encon-
trada, sendo a espécie de hábito epifítico.
Catasetum rnojuense Oliveira & da Silva está incluída no subgê-
nero Orthocatasetum, seção Anisoceras. Assemelha-se a Catasetum
discolor (Lindl.) Lindl., diferenciando-se por apresentar flor com sépa-
las lanceoladas, pétalas oblongo-lanceoladas, labelo infero, com
abertura frontal ou ostio subelíptico, bordos dos lobos laterais elevados,
levemente fimbriados e eoluna com as antenas curtas que se cruzam no
ápice.
Catasetum tucimiiense Oliveira & da Silva sp. nov.
Tipo: Brasil, Estado do Pará, Município de Tucurui , J.B.F. da
Silva, 508. (MG 0150476 ). (Figura 2).
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Calasetum mojuense e Catasetum lucuruien.se: novas espécies...
Figura 2 - Catasetum tiictintiense. A) Hábito; B) Flor cm vista lateral; C) Coluna;
D) Labelo em corte longitudinal; E) Flor em vista frontal; F) Antera, G) Polinário
com polínias, H) Partes da flor; Sépala dorsal - sd, sépalas laterais - sl, pétalas - p.
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BoL Mus. Para. Emílio Goeídi, sér. Bot., 14(2), 1998
Epiphyta, Inflorescentia masculis, subereta; floribus cum sepalis
lanceolatis et petalis lanceolatis; labello supero, ovoide, trilobatum,
foramine frontali ostio triangulatum; lobis lateralibus cum margis jlec-
tit ad ostio, denticulati, lobo terminali emarginatus cum trini calli,
laterali simetrici et angustati, medianus leviter apiculatus; columna
triangulari, carnosa, ereta, antennis decussatis, anthera
subtriangulari, rostrata, pollinis 2.
Epífita; pseudobulbo fusiforme, ereto, verde, 16 cm compr., 2 cm
diâm.; folhas lanceoladas, verdes, côncavas, 2 cm compr., 3,5 cm larg.;
Inflorescência masculina, subereta, verde-arroxeada, 1-3 aneladas e
brácteas amplexicaules lanceoladas, 0,1 cm compr.; raque 27 cm
compr., 0,4 cm diâm.. Flores 6 ou mais, ressupinadas; brácteas florais
triangulares, 10 mm compr.; pedicelos cilíndricos, arqueados, verdes,
40 mm compr., 2 mm diâm.; sépalas rosadas, lanceoladas, côncavas, a
dorsal ereta, as laterais arqueadas para trás, 22 mm compr., 10 mm
larg.; pétalas rosadas, lanceoladas, convexas, onduladas, 23 mm
compr., 14 mm larg.; labelo supero, ovôide, carnoso, trilobado, com
abertura frontal ou ostio triangular; lobos laterais côncavos, denteados,
com bordos voltados para o ostio; lobo terminal emarginado, com três
protuberâncias, sendo as laterais simétricas e ponteagudas, a mediana
apiculada; coluna verde, triangular, posicionada a partir do terço basal
para fora do labelo, horizontalmente em relação ao labelo, 15 mm
compr., 4 mm larg.; antenas cruzadas, orientadas para dentro do labelo;
antera amarela, subtriangular, rostrada, 7,5 mm compr., 2,2 mm diâm.;
polinias 2.
O epiteto especifico refere-se ao habitat da planta, nos lagos for-
mados cm decorrência da barragem que originou a Hidrelétrica de
Tucurui. As plantas estavam alojadas nos galhos superiores de árvores
secas, parcialmente submersas, dentro do lago.
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Catasetum mojuense e Catasetum tucundense: novas espécies...
Catasetum tucuruiense Oliveira & da Silva está incluida no subgê-
nero Orthocatasetum, seção Assemelha-se com Catasetum
albovirens Barb. Rodr., diferenciando-se por apresentar labelo ovoide,
com lobos laterais voltados para o ostío; lobo terminal emarginado,
com três protuberâncias, sendo as laterais simétricas e ponteagudas e a
mediana apiculada; a coluna está posicionada a partir do terço basal
para fora do labelo.
AGRADECIMENTOS
Ao pesquisador Ricardo Secco (DBO/MPEG), pelas críticas e
sugestões; ao Sr. Antônio Elielson Rocha (DBO/MPEG), pelas
ilustrações.
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Recebido cm: 20.05.98
Aprovado em: 06.05.99
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MUSGOS DA ILHA DE MARAJÓ
CHAVES (PARÁ)
III
Regina C. L. Lisboa'
Anna Cristina M. Muniz^
Ubirajara Nery Maciel'
RESUMO -Em continuidade ao projeto que visa a conhecer a brioflora
da Ilha de Marajó, no estado do Pará, foi realizado o estudo dos musgos
(Bryophyta) do municipio de Chaves. Foram identificadas 18 espécies,
das quais Calymperes palisotii (C. Mull.) S. Edwards, Octoblepharum
albidum Hedw. e Hyophila involuta (Hook.) Jaeg. & Sauerb., foram as
mais frequentes. Os resultados são comparados com os dos municípios
de Afuá eAnajás, estudados anteriormente.
PALAVRAS-CHAVE; Bryophyta, Musgos, Ilha de Marajó, Pará.
ABSTRACT — [Mosses from Marajó Island, Brazil. III. Municipality of
Chaves] Mosses were collected in the municipality of Chaves, on Marajó
Island, in the northern Brazilian State of Pará, in continuation of the
survey of the Bryophyta flora of the Island. Eighteen species were
identifiedfrom the municipality, of which Calymperes palisotii (C. Mull.)
S. Edwards, Octoblepharum albidum Hedw. and Hyophila involuta
(Hook.) Jaeg. & Sauerb. were the most frequent. The results are
compared with those from the municipal ities of Afuá and Anajás, studied
previously.
KEY WORDS: Bryophyta, Mosses, Marajó Island, Pará.
MCT.PR/CNPq. Dcpto. dc Botânica. Museu Paraense Emílio Goeldi. Caixa Postal 399, Cep
66.040-170. Belcm-PA.
Museu Paraense Emílio Goeldi. Bolsista de Iniciação Científica - PIBIC.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(2), 1998
INTRODUÇÃO
Dentre os 12 municípios que compõem a Ilha de Marajó, estudos
taxonômicos da brioflora já foram realizados nos seguintes municípios:
Salvaterra (Lisboa et al. (1993), Afuá (Lisboa & Maciel 1994) e Anajás
(Lisboa a/, 1998).
A importância dessas pesquisas pode ser avaliada pelo resultado
obtido no município de Afuá, onde foram identificadas 3 1 espécies e
uma variedade de musgos, das quais vinte e oito por cento foram coleta-
das pela primeira vez no estado do Pará. Para o município de Anajás,
das 34 espécies de musgos identificadas, cinco também foram coleta-
das pela primeira vez no estado. Este trabalho estuda os musgos do
município de Chaves, em continuidade ao projeto que tem como obje-
tivo o conhecimento da brioflora da Ilha de Marajó.
ÁREA DE ESTUDO
O município de Chaves apresenta o clima equatorial super úmido;
é um dos municípios mais ventilados da Amazônia, pela sua situação na
Ilha de Marajó, em frente ao Oceano Atlântico. Tem as seguintes coor-
denadas geográficas: 00°09’51” de latitude Sul e 49°58’46” de
longitude W. Gr. (Figura 1). Possui área de 13.143,90 Km^, com uma
população de 15.345 habitantes e densidade populacional de 1,167, de
acordo com a contagem da população de 1996, do Instituto Brasileiro
de Geografia e estatística (IBGE), retirada da Internet.
Na literatura não foi encontrado nenhum trabalho tratando especi-
ficamente da vegetação do município de Chaves. Mas no mesmo
período de coleta das briófitas, foi realizado um inventário de um
hectare na mata de várzea, cujos resultados serão apresentados em
Silva & Maciel (s.d.). Dentre esses resultados. Silva (comunicação pes-
soal, 1998), observa que o tipo de vegetação dominante é a mata de
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Musgos da Ilha de Marajó -UI- Chaves (Pará)
ESCALA
Figura I - Mapa da Mesorrcgião do Marajó, destacando a área de estudo, o municí-
pio de Chaves, Para.
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Boi Mus. Para. Emilio Goeldi, sér. Boi., 14(2), 1998
várzea, onde podem ser encontradas com maior freqüência, as palmei-
ras de Açai (Euterpe oleracea Mart.) e Murumuru {Astrocaryum
munimuni Mart.), além de árvores de Mouriri grandiflora DC., Tape-
rebá (Spondias mombim L.), Ucuuba {Virola surinamensis (Rol.)
Warb. e cipós de Machaerium floribundum Benth.
O material desse trabalho foi coletado nessa mata de várzea, em
um campo alagado e na zona urbana da cidade de Chaves.
METODOLOGIA
A coleta do material botânico, no município de Chaves, foi reali-
zada nos meses de fevereiro e março de 1994, num total de 83 amostras
de briófitas.
Para identificação do material coletado, a nível específico, foi uti-
lizada a bibliografia usual citada em Lisboa (1993), Reese (1993) e
Sharp et al. (1994) e/ou através do método comparativo com material
de referência.
Após identificado, montado e registrado, o material foi incorpo-
rado ao herbário “João Murça Pires” do Museu Paraense Emílio Goeldi
(MG).
O substrato sobre o qual as briófitas foram coletadas segue a clas-
sificação de Robbins (1952): corticícolo — tronco e ramos de árvores
vivas; epíxilo — ramos e troncos caídos e em decomposição; terrestre —
superfície do solo ou líter.
RESULTADOS
No material coletado no município de Chaves, foram identificadas
9 famílias e 18 espécies de musgos, relacionadas na Tabela 1, que tam-
bém indica o número de ocorrências para cada espécie, ecossistemas e
substratos de coleta.
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Musgos cia Ilha de Marajó -III- Chaves (Pará)
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
Dentre as 9 famílias relacionadas, destacam-se Calymperaceae,
Leucobryaceae, Pottiaceae, Bryaceae e Sematophyllaceae, pelo
número de ocorrências. A família Sematophyllaceae também se desta-
cou pela riqueza de espécies.
Calymperes palisotii é a mais freqüente, seguida por
Octoblepharum albidum, Hyophila involuta, Taxithelium planum,
Bryiim apiculatiim e Sematophyllum subsimp/ex, todas comuns na
região amazônica, de acordo com Lisboa (1993), Lisboa et ai (1993),
Lisboa & Maciel (1994) e Lisboa & Ilkiu-Borges (1995).
O ecossistema onde foram coletados o maior número de musgos
foi a mata de várzea, local de perturbações naturais, em função das
marés e dos ventos. A zona urbana, o campo alagado e margem da
estrada, locais também coletados, sofrem perturbações antrópicas, o
que se reflete no menor número de espécies.
As principais associações evidenciadas entre as espécies de mus-
gos, na área de estudo, foram: Calymperes palisotii & Octoblepharum
albidum; Calymperes palisotii & Lejeunea flava (Sw.) Nees;
Calymperes palisotii & Acrolejeunea torulosa (L. et L.) Schiffn. e
Hyophila involuta & Biyum apiculatum.
A espécie mais freqüente foi Calymperes palisotii, tendo sido
coletada 30 vezes, 2 1 das quais na margem da mata de várzea, o que
indica tolerância a altas intensidades de luz e temperaturas.
Hyophila involuta, outra espécie muito freqüente, ocorre caracteris-
ticamente na zona urbana, onde a ação do homem se faz sentir mais
intensamente.
Bryum apiculatum, Calymperes erosum, C. palisotii, Callicostella
pallida, Octoblepharum albidum, Hyophila involuta, Sematophyllum
subpinnatum, S. subsimplex e Taxithelium planum, são espécies
121
cm
SciELO
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Boi Mus. Para. Emílio Coeldi, sér. Bot., 14(2), 1998
comuns com o município de Anajás. Por outro lado, Isopterygium
tenenim, Sematophyllum subsimplex, Trichosteleum fluviale, Barbula
agraria, Hyophila involuta, Calymperes palisotii, C. erosum,
Octoblepharum albidum e Fissidens prionodes, são comuns com o
município de Afuá.
C. erosum, C. palisotii, O. albidum, Hyophila involuta, S. subsim-
plex e T. planum são espécies comuns aos três municípios: Chaves,
Anajás e Afuá.
Deve ser observado que Anajás situa-se centralmente na Ilha de
Marajó, enquanto Afuá e Chaves estão praticamente na foz do rio Ama-
zonas com o Oceano Atlântico, sofrendo influência direta de marés de
água doce, de água salgada e, quanto a Chaves, ventos constantes
(Figura 1).
Dos três municípios estudados, foram encontradas 15 famílias e
3 1 espécies de musgos em Afuá, 17 famílias e 34 espécies em Anajás e
apenas nove famílias e 18 espécies em Chaves. A diversidade de Cha-
ves é, portanto, bem menor do que a encontrada em outros municípios.
É evidente que a localização geográfica, já discutida, criando ambien-
tes naturalmente perturbados, como várzeas, beiras de praias, com
muito vento e marés salgadas, dificultam o estabelecimento de espécies
pouco resistentes.
Quanto aos períodos de coleta nos municípios estudados, foram
todos na época chuvosa: janeiro de 1992 para Salvaterra e Afuá e feve-
reiro de 1994 para Anajá e Chaves.
Os dados encontrados são satisfatórios, levando em consideração
o número de amostras analisadas. Entretanto não se pode considerá-los
definitivos. Novas coletas poderão elevar o número de espécies e de
famílias, já que a área amostrada foi pequena, em relação ao tamanho
do município.
122
cm
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Tabeía 1 - Musgos do município de Chaves, Pará.
Musgos da Ilha de Marajó — III — Chaves (Pará)
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123
Chryso - hypnum diminutivum (Hampe) Buck
Isopterygium tenerum (Sw.) Mitt.
LEUCOBRYACEAE
Octoblephanim albidum Hedw.
Tabela 1 - Musgos do município de Chaves, Pará. (continuação)
Boi. Mus. Para. Emílio Goeidi, sér. Boi., 14(2). 1998
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124
cm
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Legenda: Substratos: C - corticícolo; E - epíxilo; T - terrestre;
Ecossistemas: MV - mata de várzea; CA - campo alagado;
Musgos da /lha de Marajó — III — Chaves (Pará)
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«9
A determinação da diversidade real de briófitas no muWí pk> ^
Chaves, somente estará completa quando, através de sucessivas coletas,
em ecossistemas diferentes, não forem mais encontradas novas ocor-
rências para a região.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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da Ilha de Marajó. I. Chaves. Inédito.
Recebido cm: 25.05.98
Aprovado em: 01.12.98
125
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10 11 12 13 14 15
k/
CDD: 581.981152
COMPOSIÇÃO FLORISTICA DE UMA FLORESTA
SECUNDÁRIA NO MUNICÍPIO DE IGARAPÉ-AÇU,
ESTADO DO PARÁ, BRASIL'
Francisco Plácido Magalhães Oliveira-
Mário Augusto Gonçalves Jardim^
RESUMO - Foi realizado um inventário Jloristico em 1,2 ha de uma flo-
resta secundária na Fazenda Escola da Faculdade de Ciências Agrárias
do Pará, município de Igarapé-Açu, Pará, constituída de capoeiras com
idades variando de 15 a 30 anos de pousio. Delimitou-se aleatoriamente
32 parcelas de 20 x 20 m (400 nP), onde foram amostrados e medidos
indivíduos com DAP > 5 cm e registrada a presença de espécies do
estrato herbáceo/arbustivo e cipós, através de caminhadas ao longo das
parcelas. Os principais parâmetros fitossociológicos calculados ao
nível de família e espécie foram: Densidade (DR), Freqüência (FR),
Dominância (Dom) e índice de Valor de Importância (IVI). Os resulta-
dos do inventário Jloristico na floresta secundária determinaram 46
famílias, 84 gêneros e 99 espécies e no levantamento de espécies do
estrato herbáceo/arbustivo, 28 famílias, 41 gêneros e 48 espécies. As
famílias com maior índice de valor de importância foram
Anacardiaceae, Clusiaceae, Myrtaceae, Mimosaceae, Lacistemaceae e
Flacourtiaceae. As espécies mais significativas quanto ao valor de
importância foram Tapirira guianensis, Vismia guianensis, Myrcia
sylvatica, Inga hcterophylla e Lacistema pubescens.
' Trabalho realizado com recursos da CAPES/FCAP/MPEG.
^ Faculdade dc Ciências Agrárias do Pará, Mestrado em Agronomia/Biologia Vegetal
Tropical.
^ PR-MCT/CNPq, Museu Paraense Emilio Gocldi. Depto. dc Botânica. Caixa Postal, 399.
CEP 66.040- 170. BcIcm-PA.
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Boi. Mus. Para. Emilio Goelcii, sér. Boi., 14(2), I99H
PALAVRAS-CHAVE: Inventário florístico, Floresta Seeundária, Parâ-
metros Fitossoeiológieos.
ABSTRACT — A floristic inventory was setiip in 1.2 ha of a secoudary
foresl in lhe School Farm of Faculdade de Ciências Agrárias do Pará,
miinicipality of Igarapé-Açu, Individuais with DBH > 5 cm and lhe
ruderal specles with smaller diameter were counled and measured. The
main fitossociological parameters calculaled lo lhe family levei and
species were: Denslty, Frecjuency, Domlnance and Index of Importance
Value, The residis delermined 46 families, 84 genera and 99 species for
individuais 5 cm DBH and 28 families, 41 genera and 48 species for
ruderal species, The families wilh higher index imporlance were
Anacardiaceae, Clusiaceae, Myrlaccae, Mimosaceae, Lacislemaceae
and Flacourliaceae. The mosl significam species were Tapirira
guianensis, Vismia giiianensis, Myrcia sylvalica, Inga helerophvlla and
Lacislema pubescens,
KEY WORDS: Floristie Inventory, Secondary forest, Fitossoeiological
Analysis.
INTRODUÇÃO
O modelo de desenvolvimento agrícola proposto para a Amazônia
brasileira, aliado ao extrativismo de madeira e atividades itinerantes
dos pequenos produtores, teve como conseqüência o surgimento de
imensas áreas degradadas, nas quais atualmente não há mais floresta
primária e nem são usadas de forma produtiva (Kube 1994).
Em algumas áreas da Amazônia Oriental, como a Região Bragan-
tina, as atividades antrópicas têm causado a substituição da floresta
tropical úmida pela vegetação secundária (Penteado 1967; Falesi et al.
1980; Dcnich 1986/1991 ; Vieira 1996).
A forma de cultivo dessas áreas c baseada no regime alternado de
floresta c agricultura pelo método (corte, queima e cultivo).
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Composição Jloristica de uma floresta secundária...
constituindo-se essencialmente de dois subsistemas consecutivos: a
fase de cultivo de plantas úteis e a da vegetação secundária com pousio,
de solo para armazenamento de matéria orgâniea, nutrientes e controle
de ervas daninhas (Denieh 1991).
As florestas secundárias são importantes para a eonservação dos
trópicos, devido diminuirem a pressão sobre as florestas primárias e se
forem sustentavelmente manejadas, ajudam a melhorar a qualidade do
solo e da água, o qual conserva material genético, nutrientes e matéria
orgânica do solo (Brown & Lugo 1990).
O presente trabalho trata do estudo da composição florística de
uma área de floresta secundária na Fazenda Escola da FCAP, no muni-
cípio de Igarapé-Açu com objetivo de verificar aspectos
fitossociológicos nas áreas de eapoeiras.
MATERIAL E MÉTODOS
Caracterização da área de estudo
O estudo foi desenvolvido no município de Igarapé-Açu, locali-
zado no nordeste do estado do Pará, totalizando uma área de 768 km‘
(Figura 1 ). A área de estudo pertence a Fazenda Escola de Igarapé-Açu
(FEIGA) da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará. Possui uma área
de 100 ha, originada mediante a instalação de projetos agrícolas para
cultura de urucum, limão, arroz, milho,feijão e jardim clonal de serin-
gueira. Devido a diversificação de culturas, atualmente constitui-se de
capoeiras de diferentes idades variando de 15 a 30 anos de pousio.
O clima é caracterizado por chuvas relativamente abundantes,
com período de forte estiagem de setembro a dezembro com tempera-
tura e precipitação pluviométrica apresentando variações anuais (Diniz
1986). Os solos dominantes pertencem ao grande grupo Latossolo
Amarelo textura média.
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Boi. Mus. Para. Emílio Coeldi, sér. Boi., 14(2), 1998
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Figura I - Localização da área dc estudo, no município dc Igarapé-Açu, Pará, Brasil.
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Composição Jlorística de uma floresta secundária...
Com relação a cobertura vegetal do município, o inexpressivo
remanescente florestal, formado em geral por matas de várzea e igapó,
encontra-se restrito às margens dos rios e igarapés, muito embora,
empobrecido por diversos processos de utilização (Watrin et al. 1 996).
Inventário Florístico
Foi considerada uma área de 250 x 740 m (18,5 ha) correspon-
dendo a faixa de vegetação a ser estudada. Nesta área, foram
delimitadas aleatoriamente 32 parcelas de 20 x 20 m (400 m^) com área
total amostrai de 1,2 ha, onde foram incluídos na amostragem todos os
indivíduos arbóreos e arbustivos, com DAP igual ou superior a 5 cm, e
registrado a presença de espécies do estrato herbáceo/arbustivo e cipós,
através de caminhamento ao longo das parcelas.
Os trabalhos de inventário foram realizados no período de
25-28/5/96 e 12-16/8/96. O material botânico foi identificado ao nível
de família, gênero e, a maioria (87,75%) ao nível de espécie. Os parâ-
metros fitossociológicos calculados ao nível de família e espécie
foram: Densidade (DR), Freqüência (FR), Dominância (Dom) e índice
de Valor de Importância (IVI), por meio das seguintes formúlas:
Densidade Relativa da espécie i (Dai - indiv./ha) Dri = 1 OO.ni/N
Onde: ni = número de indivíduos amostrados da espécie i
N = número total de indivíduos
Freqüência Relativa da espécie i (Fri - %) FRi= lOO.FAi/FA
Onde: FAi = freqüência absoluta da espécie i
FA = freqüência absoluta de todas as espécies
Dominância Relativa da espécie i(DoRi-%) DoRi= lOO.Abi/ABT
Onde: ABi = somatório das áreas basais dos indivíduos da espécie i
ABT = área basal total
índice de Valor de Importância da espécie i (IVI) . . . IVI = DRi + FRi + DoRi
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
Em 1,2 ha de floresta secundária, foram amostrados 4476 indiví-
duos vivos, compondo densidade total por área (DTA) de 3199
indivíduos/ha. A área basal total amostrada por hectare foi de 187 m7
Nestas parcelas foram amostradas 99 espécies distribuídas em 8 1 gêne-
ros e 46 famílias. As espécies com respectivas famílias estão listadas no
Anexo 1 . Para o município de Igarapé-Açu cita-se o de Denich (1991),
realizado em capoeiras baixas de 4-5 anos, onde constatou um total de
183 espécies de 54 famílias entre árvores, cipós e subarbustos.
Quanto a densidade relativa, cinco famílias apresentaram os maio-
res valores: Clusiaceae (24,49 %), Myrtaceae (20,14 %), Mimosaceae
(13,80 %), Lacistemaceae (8,10 %) e Flacourtiaceae (5,80 %). As
cinco famílias com índice de valor de importância acima de 10 %
foram: Anacardiaceae (104,45), Clusiaceae (31,2), Myrtaceae (29,53),
Mimosaceae (20,75), Lacistemaceae (14,54) e Flacourtiaceae (1 1,64)
(Figuras 2 e 3).
OUTRAS
17 , 27 %
CLUSIACEAE
Figura 2 - Famílias mais importantes cic acordo com a densidade relativa (DR%), cm
1 ,2 ha de vegetação secundária da Fazenda Escola, município de Igarapé-Açu, Pará.
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Composição Jlorísiica de uma Jloresta secundária...
FLACOURTIACEAE
LACISTEMACEAE
MIMOSACEAE
MYRTACEAE
CLUSIACEAE
ANACARDIACEAE
11,64
J 31,28
20
40
104,45
80
100
120
Figura 3 - Famílias mais importantes de acordo com o índice de valor de importância
(IVI) em 1,2 ha de vegetação secundária da Fazenda Escola, município de
Igarapé-Açu, Pará.
Considerando a densidade relativa destacam-se as espécies Vismia
guianensis (24,45%), Myrcia sylvatica (13,0%), Inga heterophylla
(11,16%), Lacistema pubescens (8,1%), Banara guianensis (5,0%),
Tapirira guianensis (4,46%) e outras espécies menos representativas
somando 33,6 % (Figura 4).
De acordo com o índice de valor de importância destacam-se as
espécies Tapirira guianensis {102,74 %), Vismia guianensis (26,69 %),
Myrcia sylvatica (18,96 %), Inga heterophylla (15,14 %) e Lacistema
pubescens ( 1 3,0 %) (Figura 5). A espécie Tapirira guianensis apresen-
tou árvores mais desenvolvidas, onde 208 indivíduos alcançaram
dominância relativa de 93,07 %.
Segundo Vieira (1996), T. guianensis é classificada ecologica-
mente como pioneira dentro da estrutura da floresta secundária, o que
pode explicar o seu desempenho em crescimento e área basal.
133
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Boi. Mti.i. Para. Einilio Gocldi, .sir. Bot., 14(2). 1998
Clusiaceae foi a segunda família mais importante, com densidade rela-
tiva de 24,49 % e I VI de 3 1 ,27 %, para duas espécies Vismia guianensis
e V. cayennensis. A espécie V. guianensis com 1095 indivíduos repre-
sentou 24,44% do total amostrado. Esta espécie é muito difundida
entre a vegetação secundária nova, ocorrendo com regularidade com
grande número de indivíduos e alto valor de fitomassa (Denich 1991).
OUTRAS
33 , 65 %.
VISMIA GUIANENSIS
24 , 45 %
TAPIRIRA
GUIANENSIS
4 , 64 %
BANARA
GUIANENSIS
5 %
MYRCIA
SYLVATICA
13 %
LACISTEMA
PUBESCENS
8 , 1 %
INGA HETEROPHYLLA
11 , 16 %
Figura 4 - Espécies mais importantes de acordo com a densidade relativa (DR%) em
1,2 ha de vegetação secundária da Fazenda Escola, município de Igarape-Açu.
A família Myrtaceae apresentou 8 espécies, onác Myrcia sylvatica
obteve maior densidade relativa ( 1 3,02%) para um número de 583 indi-
víduos. A soma das espécies de Myrtaceae corresponde a 20,1 1% do
total de indivíduos amostrados. A altura média foi de 3,4 m, com
máxima de 8,0 m. Encontrada em 23 parcelas Myrtaceae somou 901
indivíduos com densidade relativa de 20,14% e IVl de 29,49. Denich
(1991) encontrou 13 espécies da família Myrtaceae, com abundância
de 20.840 indivíduos/ha em capoeiras novas de 4 a 5 anos no município
de Igarapé-Açu, correspondendo a 26% do total amostrado ( 8 O.OOO 9 . A
espécie Myrcia JJorihunda foi a mais representativa da família, sendo
134
2 3 4
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Composição floristica de uma jloresta secundária...
uma das mais importantes da vegetação secundária nova, e afirma
ainda, que esta familia é a mais freqüente nas capoeiras novas. Vieira
(1996) estudando capoeiras de 5, 10, 20 e 40 anos nos municípios de
Peixe-Boi e Timboteua, estado do Pará encontrou 8 espécies de
Myrtaceae com reduzido número de indivíduos e DAP 5 cm.
Figura 5 - Espécies mais importantes de acordo com o índice de valor de importância
(IVI) em 1,2 ha de vegetação secundária da Fazenda Escola, município de
Igarapé-Açu.
A família Mimosaceae, representada por 6 espécies, contribuiu
com 13,79 % de todos os indivíduos, apresentando uma densidade
relativa de 13,80 % e IVI de 20,74 %, Inga heterophylla foi a espécie
mais importante com 500 indivíduos obtendo densidade relativa de
1 1,16 % e IVI 15,14 %. Ocorreu em 22 das 32 parcelas e seus indiví-
duos variaram quanto a altura entre 5 e 26 m. Denich (1991) obteve
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Boi. Mik. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(2), 1998
para esta família 12 espécies em capoeiras de 4 a 5 anos, mas sua fre-
qüência foi relativamente baixa, sendo I. heterophylla a mais
importante da família.
A família Lacistemaceae com !VI de 14,53 % é representada por
Lacistema pubescens com 363 indivíduos, obtendo densidade relativa
de 8,10%. As árvores de L. pubescens apresentaram altura média de
5,20 m. De acordo com Denich (1991) esta espécie foi uma das mais
freqüentes em capoeiras novas (4-5 anos); é também, quanto ao número
de indivíduos, a espécie mais importante encontrada na vegetação
secundária estudada por ele, sendo dominante com 13,8% (1 1.080) do
total de indivíduos. Para Vieira (1996) esta espécie comporta-se como
pioneira média com árvores de 2 a 15 m de altura e encontrada como
uma espécie dominante em capoeiras de 10, 20 e 40 anos.
Para a família Flacourtiaceae ocorreram 4 espécies, obtendo valo-
res de densidade relativa de 8,10% e IVI de 14,53 %, Banara
guianensis foi a mais representativa desta família com 223 indivíduos
amostrados, com densidade relativa de 4,98% e IVI de 7,5 1 %. A altura
média foi de 4,0 m. Esta espécie encontra-se entre as 10 principais
espécies da vegetação secundária nova quanto a produção de fitomassa
(Denich 1991).
Vários estudos florísticos foram realizados em floresta secundária
na região Amazônica, entre eles o de Lisboa ( 1 989), sobre uma vegeta-
ção arbórea (0,5 ha) de uma floresta secundária em Rondônia de
aproximadamente 1 5 anos sofrendo apenas dois cultivos antes do aban-
dono. Foram identificadas 1 1 3 espécies pertencentes a 39 famílias e um
total de 760 indivíduos com CAP > 15 cm. As famílias com maiores
valores de importância (VIF) foram: Cochlospermaceae,
Leguminosae, Moraceae, Euphorbiaceae e Caricaccae. As espécies
com maiores valores de importância (VIE) foram Cochlospemnim
oricoccence, Scipium marmieri , Inga edulis , Apeiba albijlora e
136
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Composição Jlorística de uma floresta secundaria...
Cecropia sciadophylla. As famílias com maiores densidades relativas
foram Leguminosae (20,13%), Moraceae (15,13%), Euphorbiaceae
(8,55%) e Caricaceae (8,25%).
O autor acima citado observou que a altura média de árvore/arbus-
tos encontrados em todas as áreas do levantamento é de 2,1 m, embora
indivíduos isolados das espécies Bômbax longipedicellatum, Cecropia
palmata, Ormosia paraensis, Phitecellobium cochleatum e Visinia
guianensis tenbam apresentado alturas de 5 m.
Vieira ( 1 996), realizou inventário (indivíduos com DAP 5 cm) em
floresta secundária de diferentes idades de pousio (5, 1 0, 20 e 40 anos),
nos municípios de Peixe-Boi e Nova Timboteura no nordeste paraense,
obtendo como mais freqüentes as espécies Vismia guianensis, Croton
matourensis, Lacisíema pubescens, Inga thibaudiana e Tapirira
guianensis.
Das 99 espécies registradas neste estudo, 20 (20,2 %) ocorrem em
floresta primária da zona Bragantina, conforme dados de Vieira (1996),
em estudos na mesma região, o que demonstra que com o passar dos
anos (pousio), a capoeira pode recupera aos poucos sua riqueza e
espécies.
No presente estudo, foram registradas a presença das espécies do
estrato berbáceo/arbustivo, totalizando 28 famílias, distribuídas em 41
gêneros e 48 espécies, onde as mais representativas em número de
espécies foram Arecaceae (4), Dilleniaceae (4) e Rubiaceae (4). As
espécies de maior freqüência foram os cipós Davilla kunthii e
D. riigosa (Dilleniaceae), Memora allamandiflora e Arrabidea sp.,
(Bignoniaceae), Tabernaemontana jlavicans (Apocynaceae),
Machaerium quinata (Papilionaceae), Sabicea aspera (Rubiaceae),
Phenaskospermum guianense (Strelitziaceae) e Costus spicatus
(Zingiberaceae), Anexo 1.
137
cm
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Boi. Mux. Para. Emilio Goeldi, .xér. Boi., 14(2), 1998
Denich (1989) identificou 183 espécies em uma capoeira nova,
onde 40 (21,9%) eram trepadeiras (cipós) e 6 (3,3%) peseudocaules.
Destas, Davilla kunthii foi a mais representativa dos trepadeiras com
5,3% dos indivíduos amostrados. No geral as espécies do estrato herbá-
ceo-arbustivo identificadas neste estudo, são de ocorrência comum nos
inventários realizados em vegetação secundária na região Bragantina
(Denich 1989, 1991 e Vieira 1996).
CONCLUSÕES
De acordo com o inventário florístico as espécies com maior
número de indivíduos foram Vis/uia guianensis, Myrcia sylvatica e
Inga lieterophylla e quanto ao valor de importância (IVI) Tapirira
guianensis, evidenciado principalmente pelos valores de área basal
apresentados.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BROWN, S. & LUGO, A. E. 1990. Tropical sccondary forests. 9. Trop, Ecol, 6: I-3I.
DENICtt, M. 1986. Composição jloristica de capoeiras baixas no nninicipio de
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EALESl, I.C.; BAENA, A.R.C. & DUTRA, S. 1980. Conseqüéncias da exploração
agropecuária sobre as condições físicas c químicas dos solos das microrregiões
do Nordeste Paraense. Boi, Pese/, EMPRAPA/CPATU. Belém, 14: 1-49.
138
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Composição florislica de uma floresta secundária...
KUBE, R.1994. Primeiras experiências com sistemas agroflorestais na Amazônia
Oriental. Belém, UFPA/Núcleo de Altos Estudos dos Amazônicos (Papers do
NAEA, 17).
LISBOA, P.L.B.1989. Estudo florístico da vegetação arbórea de uma floresta
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PENTEADO, A.R. 1967. Problemas de colonização e de uso da terra na Região
Bragantina do Estado do Pará. Universidade Federal do Pará (Coleção
Amazônica, Série José Verríssimo.) Belém.
VIEIRA, I.C.G. 1996. Forest succession after shifting cultivation in Eastern
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WATRIN, O.S.; SANTOS, J.R. & VALÉRIO FILHO, M.1996. Análise da dinâmica
na paisagem do Nordeste Paraense através de técnicas de geoprocessamento.
In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO. Salvador,
Anais... Salvador, 1996. CD-ROM.
Recebido em: 09. 1 0.98
Aprovado cm: 05.03.99
139
cm
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10 11 12 13 14 15
Boi. Mu.'!. Para. Emílio Coeldi, sér. Boi., 14(2), 1998
Anexo 1
Listagem das espécies amostradas no inventário floristico de
1,2 ha de vegetação secundária na Fazenda Escola de Igarapé-Açu,
Pará, em ordem alfabética por familia.
1 . Anacardiaceae
1 . Tapirira guianensis Aubl.
2. Annonaceae
2. Annona montana Macfad.
3. Annona paludosa Aubl.
4. Duguettia echinophora R.E. Fries
5. Guatteria poeppigiana Mart.
6. Rollinia esxucca (Dun.) DC
7. Xylopia aromatica BaelI
3. Apocynaceae
8. Ambelania acida Aubl.
9. Himatanthus sucuuba (Spruce ex. Muell. Arg.) L.E. Woodson
1 0. Rauvolfia sp.
1 1 . Tabernaemontana flavicans Willd ex. Roem. & Schult.
4. Araliaceae
12. Didymopanax morototoni Aubl.
5. Arecaceae
13. Astrocaryum mumbaca Mart.
6. Asteraceae
14. Wuljfta baccata Kuntze
7. Bignoniaccae
15. Jacaranda copaia D. Don
8. Boraginaceac
16. Cordia inultispicata Chain.
9. Burscraceae
17. Protiuin heptaphyllum March.
18. Te tragas tris sp.
140
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Composição jloristica de uma floresta secundária...
10. Caesalpiniaceae
19. Swartzia brachyrrachis Harms.
20. Tachigalia paniculata Aubl.
1 1 . Chrysobalanaceae
21 . Licania leptostachya Benth.
22. Hirtella piresii Prance
12. Clusiaceae
23. Vismia guianensis (Aubl.) Choisy
24. Vismia cayennensis (Jacq.) Pers.
13. Combretaceae
25. Tenninalia amazônica (J.F.Gnel) Exell
14. Connaraceae
26. Connarus perottettii var. angustifolia (DC) Planch.
27. Bernadinia fluminensis (Gard.) Planch. Var. villosa (Shell) Forero
15. Dichapetalaceae
28. Tapura singularis Ducke
16. Elaeocarpaceae
29. Sloanea grandijlora Sm.
17. Erytroxilaceae
30. Eiyíroxyliim leptoneurum O.E. Shultz.
18. Euphorbiaceae
31. Croton matourensis.AuhX.
32. Hevea brasiliensis (Willd. ex. Adr. de Juss.) Muelh.Arg.
33. Maprounea guianensis Aubl.
34. Margariíaria nobilis Linn.
35. Sapiiim marmieri Huber
19. Flacourtiaceae
36. Banara guianensis Aubl.
37. Casearia grandijlora Camb.
38. Casearia javitensis HBK
39. Laetia procera Eichl.
20. Humiriaceae
141
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 14(2), 1998
40. Hwniria balsanifera Jaume
4 1 . Sacoglottis guianensis Benth var. sphaerocarpa Ducke
21. Icacinaceae
42. Emotum sp.
22. Lacistemaceae
43. Lacistema pubescens Mart.
23. Lauraceae
44. Nectandra cuspidata Ness & Mart.
45. Ocotea guianensis Aubl.
46. Ocotea tomentella Sandwith.
47. Ocotea sp.
24. Lecythidaceae
48. Eschweilera coriaceae (A.P. de Candolle) S.A. Mori
49. Couratari pulchra Sandw.
50. Lecythis lurida (Miers.) Mori
51. Lecythis usitata var. paraensis Kunth
25. Malpighiaceae
52. Byrsonima crispa A. Juss
26. Malvaceae
53. Pavonia malacophylla Britton
27. Melastomataceae
54. Miconia alata DC
55. Miconia argyrophylla DC
56. Miconia ciliata DC
57. Miconia minutiflora DC
28. Myristicaceae
58. Virola sebifera Aubl.
59. Virola surinamensis (Rol.) Warb.
29. Mimosaceae
60. Abarema jupunba (Willd.) Britton & Killip
61 . Inga alba (SW) Willd.
62. Inga ediilis Mart.
142
cm
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Composição floristica de uma floresta secundária...
63. Inga heterophylla Willd.
64. Inga thibaudiana Aubl.
65. Stryphnodendron guianense Benth.
30. Monimiaceae
66. Siparuna guianen.sis Benth.
31. Moraceae
67. Cecropia palmata Willd.
68. Perebea sp.
32. Myrcinaceae
69. Cybianthus mirianíhos Miq.
33. Myrtaceae
70. Eugenia patrisii Vahl.
7 1 . Myrcia bracteata DC
72. Myrcia cuprea Kiaersk
73. Myrcia eximia DC
74. Myrcia fallax DC
75. Myrcia sylvatica DC
76. Myrciaria tenella Berg.
77. Psidium guianensis SW.
34. Nictaginaceae
78. Neea ovalifolia Spruce ex. J.A. Schmidt.
79. Guapira sp.
35. Ochnaceae
80. Ouratea paraemsis Maguire
36. Olacaceae
8 1 . Heisteria ovata Benth.
37. Papilionaceae
82. Der ris sp.
83. Poecilanthe ejfusa (Huher) Dueke
84. Ormosia sp.
38. Polygonaeeae
85. Coccoloba sp.
143
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(2), 1998
86. Gouania cornifolia Reiss
39. Rubiaceae
87. Alibertia sp.
88. Palicourea guianensis Aubl.
40. Rutaceae
89. Citrus Union (L.) Burm.
90. Zanthoxyum rhoifolium Lam.
41. Sapindaceae
91. Cupania diphylla Vahl.
92. Pseudinia fructescens Radlk.
93. Talisia sp.
42. Sapotaceae
94. Pouíeria sp.
43. Simarubaceae
95. Simaniba amara Aubl.
44. Solanaceae
96. Solanum canipanifonni Roene et Schultz.
45. Vochysiaceae
97. Qiialea sp.
46. Verbenaceae
98. Lantana camara Linn.
99. Vitex trijlora Vahl.
144
cm
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CDD: 584.150981
NOVAS OCORRÊNCIAS DE ORCHIDACEAE
BENTH. & HOOK PARA O BRASIL'
Manoela F F da Silva^
Alvadir T. de Oliveira^
João B. F. da Silva''
RESUMO — São apresentadas seis espécies de Orchidaceae registradas
pela primeira vez para a flora brasileira: Coryanthes vieirae Gerlach.,
Dichaea kegelii Rchb.f, Epistephium hernandii Garay, Mendoncella
burkei (Rchb.f.) Garay , Scelochilus ecalcaratus Determann e Sobralia
valida Rolfe. O trabalho apresenta um mapa de distribuição geográfica,
bem como ilustrações das espécies.
PALAVRAS-CHAVE: Orchidaceae, Flora Amazônica, Conservação.
ABSTRACT—Six species of Orchidaceae are registered for the first time
to brazilian flora. 'Coryanthes vieirae Gerlach., Dichaea kegelii Rchb.f,
Epistephium hernandii Garay, Mendoncella burkei (Rchb.f.) Garay,
Scelochilus ecalcaratus Determann and Sobralia valida Rolfe. This
paper presents a map with geographical distribiition as well as the
ilustrations of these species.
KEY WORDS: Orchidaceae, Amazonian flora, Conservation.
Projeto Integrado do CNPq/Processo: 521 148/96-0.
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botâniea. Pesquisadora. Caixa
Postal 399, Cep 66040-170, Belcm-PA.
^ Trav. Angustura, 4138/Marco/66095-040/BelciTi-Pa. E-mail; alvadir@zipmail.com.br
Trav. 14 de Março, 894/Bloco C, Apto 101/Umarizal/66055-490/Bclém - PA.
145
Boi. Mus. Para. Emílio Goekli, .sé/-, Bo!., 14(2), 1998
INTRODUÇÃO
Devido a apresentar uma grande superfíeie e loealização predomi-
nantemente tropieal, o Brasil é um dos países mais ricos em
Orchidaceae, sendo que a região amazônica, por apresentar os mais
diversos tipos de ecossistemas e de habitats , com áreas de difícil acesso
e mal conhecidas, é considerada como uma das mais abundantes em
espécies desta família.
Com as coletas de materiais provenientes de excursões feitas pelo
projeto “Estudo e Conservação de Orquídeas em Áreas Críticas na
Amazônia Brasileira” , foram constatadas novas ocorrências de espé-
cies para o Brasil; constatação esta verificada na bibliografia
consultada para a Flora Orquídica (Foldats 1969; Dressler 1993; Silva
& da Silva 1993; Silva & da Silva 1997; Silva et al. 1995).
RESULTADOS
Foram identificadas seis espécies de Orchidaceae registradas pela
primeira vez para o Brasil, sendo os gêneros Cory^anlhes Hook.,
Dichaea Lindl., Epistephiuin Kunth., Mendoncella A. D. Flawkes,
Scelochilus Klotzsch, e Sobralia Ruiz et Pav. representados cada um
por uma espécie, conforme detalhamento a seguir. Tais espécies ocor-
rem na região norte da América do Sul, conforme indicado em mapa de
distribuição geográfica (Figura 1).
Coiyanthes vieirae Gerlach., Onjuideologia. 18(1): S. 3 - 21. 1991.
(Figura 2).
Epífita com pseudobulbos agregados, eretos; folhas linear —
lanceoladas, côncavas. Inflorescência ereta, flores terminais, sépala
dorsal subovada, as laterais falcadas, pétalas falcadas; labclo com hipo-
quílio subrcniforme, fomiado por duas estruturas com tamanhos
146
cm
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Novas ocorrências de Orchidaceae Benlh. <& Hook para o Brasil
Figura I - Mapa de distribuição das seis espéeies tratadas. 1 ) Coryanthes vieirae
Gerlach.; 2) Dichaea kegelii Rchb.f.; 3) Epislephiiim hernandii Garay;
4) Mendoncella burkei (Rchb.f.) Garay; 5) Scelochiliis ecalcaratiis Dctermann;
6) Sobralia valida Rolfc.
147
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(2), 1998
Figura 2 - Coryantiies vieirae: A) Hábito; B. Detalhe da flor; C) Detalhe do hipoquí-
lio; D) Corte longitudinal do Labelo; E) Partes da flor: sépala dorsal - sd, scpalas
laterais - sl, pétalas - p.; F) Antera; G) Polinário com polinias.
148
*
P
SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
Novas ocorrências de Orchidaceae Benth. & Hook para o Brasil
diferentes; a superior maior, pubescente na região central próximo ao
bordo; a inferior menor, glabra; mesoquílio curto, com lamelas; epiquí-
lio subelíptico, com cavidade profunda em vista lateral, bordos lisos;
coluna clavifonne, robusta.
Distribuição: Brasil (Roraima), Colômbia, Peru.
Habitat: Mata submontana, floresta úmida.
Material examinado: Brasil, Estado de Roraima, Serra do Suru-
cucu, floresta baixa ao lado da savana, a 950 m.n.m., J.B.F. da Silva,
798 & A. Cardoso. 05/1 1/96. MG 150510.
Dichaea kegelii Rchb. f , Linnaea. 4 1 : 1 29. 1 877. (Figura 3)
Epifita pendente, caule revestido com bainhas foliares; folhas
elipticas, imbricadas. Inflorescência com uma flor, sépalas e pétalas
elípticas, carnosas; labelo carnoso, porção basal em forma de lâmina,
deltoide-obovada. Coluna ereta, subtriangular.
Distribuição: Brasil (Roraima), Suriname (Tipo), Venezuela.
Habitat: Mata submontana, floresta úmida.
Material examinado: Brasil, Estado de Roraima, mata do Igarapé
da Funai a 800 m.n.m., J.B.F. da Silva, 634 & A. Cardoso. 02/1 1/96.
MG 150760.
Epistephium liernandii Garay, Amei: Orch. Soc. Buli. 30:498. 1961.
(Figura 4)
Terrestre creta, caule herbáceo, eretos; folhas coriáceas, ovala-
do-lanceoladas; Inflorescência racemosa, flores grandes com sépalas
lanceoladas, livres e pétalas oblongo-lanceoladas, livres; labelo larga-
mente obovalado, cmarginado no ápice, envolvendo a coluna com seus
bordos crespados; disco com escamas carnosas que revestem a crista da
base até o ápice; coluna alongada, encurvada, semi-roliça.
149
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
Bo!. Mus. Para. Emílio Goelcli, sér. Bot., 14(2), 1998
Distribuição: Brasil (Roraima), Venezuela.
Habitat: Área aberta de savana.
Material examinado: Brasil, Estado de Roraima, Serra do Suru-
cucu a 919 m.n.m., J.B.F. da Silva, 617 & A. Cardoso. 05/1 1/96. MG
150750.
Mendoncella burkei (Rchb.f.) Garay, Orquideologia. 8(1): 28.1973.
(Figura 5).
Planta terrestre com pseudobulbos agregados, eretos; folhas coriá-
ceas, eretas, linear-lanceoladas; Inflorescência racemosa, ereta, flores
com sépalas e pétalas elíptico-lanceoladas; Labelo carnoso, porção
basal com calo formado por raias radiadas; lâmina obovada com bordos
ligeiramente ondulados, ápice arredondado e apiculado, porção apical
recurvada; Coluna grossa, clavada, ereta e encurvada.
Distribuição: Brasil (Roraima), Guiana, Venezuela.
Habitat: Áreas de savana.
Material examinado: Brasil, Estado de Roraima, Serra do Suru-
cucu a 1000 m.n.m., J.B.F. da Silva, 650 & A. Cardoso. 05/1 1/96. MG
151048.
Scelochilus ecalcaratus Determann, Selbyana, 7(1): 88.1982.
(Figura 6)
Epifita pendente, pseudobulbos pequenos, cilíndricos, com ape-
nas uma folha; folhas oblongas, coriáceas. Inflorescência racemosa,
pendente, flor com sépalas oblongas, côncavas e pétalas obovadas;
labelo oblongo, com par de esporão(calo) na porção apical; coluna
ereta, levemente encurvada.
Distribuição: Brasil (Pará), Guiana Francesa, Suriname.
Habitat: Várzea com influencia de maré c Manguczal.
152
cm
.SciELO
10 11 12 13 14
Novas ocorrências de Orchidaceae Benlh. á Hook para o Brasil
A
B
C
D
'a
F
Figura 5 - Mendocella hiirkei. A) Hábito; B. Detalhe da Flor; C) Labelo e coluna em
vista lateral; D) Labelo cm vista frontal; E) Coluna; F) Partes da flor: sópala dorsal -
sd, scpalas laterais - sl, pétalas - p; G) Antera cm vista dorsal; H) Antera em vista
vcntral; I) Polinário com polínias em vista dorsal; J) Polinário com polínias cm vista
ventral.
153
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(2). 1998
Figura 6 - Scelochilus ecalcaratii.s. A) Hábito; B) Detalhe da Infloreseência; C) Flor
em vista frontal; D) Coluna; E) Labelo em vista lateral; F) Pétala em vista lateral;
G. Partes da flor: sépala dorsal - sd, scpalas laterais - sl, pétalas - p; 11) Antera em
vista ventral; 1) Antera em vista lateral; J) Labelo e coluna cm vista lateral; K) Poli-
nário com polinias cm vista ventral; L) Polinário com polínias cm vista dorsal;
M) Polinário com polínias em vista lateral.
154
SciELO
Novas ocorrências de Orchidaceae Benth. & Hook para o Brasil
Material examinado: Brasil, Estado de Pará, Município de Santo
Antônio do Tauá, J.B.F. da Silva, 329. 02/94. MG 15051 1.
Sobralia valida Rolfe., Kew Buli. 65.1909. (Figura 7)
Rupícola ereta, caules em touceiras, alongados; folhas elípti-
co-lanceoladas; Inflorescência uniflora, flor grande, sépalas e pétalas
lanceoladas, concrescidas até próximo a base; Labelo soldado com a
coluna na parte inferior, bordos erguidos envolvendo toda a coluna,
levemente crenados, ápice emarginado; disco liso, suboblongo; Coluna
alongada, roliça.
Distribuição: Brasil (Roraima), Colômbia, Equador, Venezuela.
Habitat: Área aberta de savana.
Material examinado: Brasil, Estado de Roraima, Serra do Suru-
cucu a 930 m.n.m., J.B.F. da Silva, 626 & A. Cardoso. 1 1/1 1/96.
155
cm
SciELO
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(2), 1998
156
Figura 7 - Exemplar de Sobralia valida Rolfe. Foto de J.B.F. da Silva.
Novas ocorrências de Orchidaceae Benth. & Hook para o Brasil
AGRADECIMENTOS
Ao pesquisador Ricardo Secco (DBO/MPEG), pelas criticas e
sugestões e ao Sr. Antônio Elielson Rocha (DBO/MPEG), pelas ilustra-
ções das espécies.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DRESSLER, R. L. 1993. Phylogeny and classification of the Orchid Family.
Cambridge, Harvard University Press, 314 p.
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Botânico.
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Amazônia Brasileira, part. I. Acta Bot. Bras. 9(1): 163- 175.
Recebido em: 04.09.98
Aprovado em: 06.05.99
157
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
CDD: 582.01662
CARACTERIZAÇÃO POLÍNICA DO MEL DE
APISMELLIFERA L. EM ÁREA DE FLORESTA
SECUNDÁRIA NO MUNICÍPIO DE
IGARAPÉ- AÇU - PARÁ'
Francisco Plácido Magalhães Oliveira-
Léa Maria Medeiros Carreira^
Mário Augusto G. Jardim^
RESUMO - O presente estudo avaliou a ocorrência de tipos polinicos e
suas respectivas frequências no mel deApis mellifera L., em área de flo-
resta secundária na Fazenda Escola da Faculdade de Ciências Agrárias
do Pará, no municipio de Igarapé-Açu, Pará, Brasil. Durante o periodo
de agosto de 1995 a novembro de 1996 foram coletadas e analisadas as
amostras de mel procedentes de 5 colméias para identificação dos tipos
polinicos e determinação da porcentagem de ocorrência. Foram reco-
nhecidos 41 tipos polinicos distrihuidos em 23 familias, 29 gêneros e 31
espécies. Dez não puderam ser identificados. As familias mais represen-
tativas quanto ao número de espécies foram: Leguminosae-
Mimosoideae (5) e Arecaceae (4). As espécies com frequência polinica
dominante foram: Mimosa pudica L. (88,0%); Borreria verticillata
G.F.W.Mey. (74,8%) e Tapirira guianensis Auhl. (74,0%)). Concluiu-se
que, das espécies da vegetação secundária que mais contribuiu com ti-
pos polinicos no mel foi Tapirira guianensis.
PALAVRAS-CHAVE: Pólen, Apis mellifera, Melissopalinologia, Vege-
tação Secundária.
' Trabalho financiado pela CAPES/CNPq, MPEG, FCAP.
^ Faculdade dc Ciências Agrárias do Pará, Mestrado em Agronomia/Biologia Vegetal
Tropieal. Av. Perimetral, 2501. Cep 66077-530, Belcm-PA.
^ PR-MCT/CNPq. Museu Paraense Emílio Gocldi - Depto. De Botâniea. Caixa Postal, 399,
Cep 66040-170. Belcm-PA.
159
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 14(2), 1998
ABSTRACT - The present study evaluated die occurence of pollen types
and lhe re.^pective frequencies in honeys of Apis meilifera L. collected in
an area with secondary forest at lhe School Farm of lhe Facidty of
Agrarian Sciences of Pará, in lhe municipality of Igarapé-Açu, Pará,
Brazil. During lhe period of August 1995 to November 1996 honey
samples comingfrom 5 beehives and calculated lhe perceníage of pollen
types. During lhe pollen analysis of lhe honeys 41 pollen types
distributed in 23 families, 29 genera, 31 species and 10 undentified types
were established. The most representative families in relation to the
number of species were: Leguminosae-Mimosoideae (5) and Arecaceae
(4). The .species presenting dominant pollen types were Mimosa pudica
L. (88%); Borreria verticillata G.F.Mey (74,8%) and Tapirira
guianensis Aubl. (74,0%). The most important plant species of the
secondary vegetation for honey production was Tapirira guianensis.
KEY-WORDS: Pollen, Apis meilifera, Melissopalinology, Secondary
Forest.
INTRODUÇÃO
A melissopalinologia trata da identificação dos tipos polinicos
encontrados em amostras de mel e pode contribuir para identificação
das espécies vegetais que compõem uma flora apícola. Na região Ama-
zônica, existe uma grande diversidade de plantas que pode estar
influenciando na qualidade e quantidade do mel produzido. Conse-
quentemente, o conhecimento destas espécies poderá ser um indicativo
para o manejo apícola e produção de mel. Até o momento, apenas os
trabalhos de Absy & Kerr (1977); Absy et al. (1980,1984); Carreira et
al. (1986); Carreira & Jardim (1994); Kerr et al. (1987);
Marques-Souza (1993, 1996); Marques-Souza et al. (1993, 1995,
1996) c Vcnturieri & Maués (1995), têm contribuído para o entendi-
mento destas relações na Amazônia entre abelhas e flores e sua
influência na apicultura; porém, nenhum deles refere-se à áreas
florestais.
160
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10 11 12 13 14
Caracterização polinica do mel de Apis mellifera L...
Segundo Brandão et al. (1985) e Barth (1989) as florestas secun-
dárias são freqüentes em todo país e são caracterizadas por
comunidades sucessórias que se instalam a partir da destruição das for-
mações primárias. Apresentam espécies cujas estruturas florais são
ricas em néctar e pólen, utilizados pelas abelhas sociais e responsável
por expressiva produção de mel no país. No estado do Pará, as florestas
secundárias, ocorrem geralmente no nordeste paraense, onde a produ-
ção apícola, proveniente da criação da abelha Apis mellifera, tem sido
uma atividade muito vantajosa para o pequeno produtor. Desta forma,
ressalta-se a necessidade do conhecimento das espécies vegetais que
colaboram na produção do mel, seja em caráter polinífero ou nectarí-
fero, visando auxiliar o manejo apícola, por meio da interação entre
espécies vegetais e abelhas Apis mellifera.
O presente estudo objetivou identificar os tipos polínicos presen-
tes no mel de Apis mellifera, de colméias implantadas em área de
floresta secundária na Fazenda Escola da Faculdade de Ciências Agrá-
rias do Pará, no município de Igarapé-Açu.
MATERIAL E MÉTODOS
Este estudo foi desenvolvido na Fazenda Escola da Faculdade de
Ciências Agrárias do Pará (FEIGA), localizada no município de Igara-
pé-Açu. Apresenta áreas de vegetação secundária de diferentes idades,
em função do uso para instalação de projetos agropecuários (Figura 1 ).
As amostras de mel foram obtidas mensalmente de 5 colméias do
apiário da Fazenda Escola durante 13 meses abrangendo o período de
agosto/ 1995 a novembro/ 1996. Para as preparações das amostras de
mel, foram dissolvidas lOg de mel em 20ml de água destilada (baseado
em Maurizio & Louveaux (1965), homogeneizadas e acetolisadas
segundo Erdtman ( 1 952).
161
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(2), 1998
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Figura 1. Localização geográfica da área de estudo, no municipio de Igarapé-Açu,
Pará, Brasil.
162
Caracterização polinica do mel de Apis mellifera i. ...
Para a análise das amostras do mel, levou-se em consideração os
tipos polinicos encontrados nas preparações, os quais foram identifica-
dos e quantificados. Nesta análise quantitativa, foram contados 500
grãos de pólen das amostras das 5 colméias em estudo. Calculou-se as
porcentagens para o pólen dominante (PD), quando determinada espé-
cie representava mais de 45% do total de grãos de pólen; pólen
acessório (PA) quando representado de 1 5 a 45% e de pólen isolado
(PI) com menos de 15%. Este último grupo foi subdividido em pólen
isolado importante (Pli) quando de 3 a 15% e pólen isolado ocasional
(Pio) quando até 3%.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram encontrados 41 tipos polinicos distribuidos em 23 familias,
29 gêneros, 31 espécies e mais 10 tipos indeterminados, cuja freqüên-
cia variou ao longo do periodo de amostragem (Tabela 1). As variações
polinicas mais acentuadas foram evidenciadas durante o mês de março
com 1 8 tipos polinicos e as menos acentuadas nos meses de agosto/95 e
abril/96, com 07 tipos polinicos por amostra.
No mês de março/96, as espécies Tapirira guianensis (com
5 1 ,0%) e Mimosa pudica (com 22,0%) apresentaram maior freqüência
polinica. No mês de agosto/ 1995 foram as espécies Borreria
verticillata (com 74,8%) e Mimosa pudica (com 22,0%); para o mês
abril/96 íovam Mimosa pudica (80,2%) q Andropogoii sp. (1 1,6%).
Os tipos polinicos referentes às familias e espécies mais freqüen-
tes nas amostras de mel, durante o período de amostragem estão
representados no Quadro I .
É válido ressaltar que entre as sete famílias em maior número de
espécies na área, apenas quatro apresentaram frequências polinicas
superiores à 10%, como pode ser constatado para Leguminosae-
163
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167
^SciELO
Quadro 1 - Ocorrência dos principais tipos polínicos com respectivas familias e espécies nas amostras de mel, durante o
período de agosto de 1995 a novembro de 1996, na área da Fazenda Escola de Igarapé- Açu, Pará.
Boi. Mu.í. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 14(2), 1998
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168
Caracterização polinica do mel de Apis mellifera L. ...
Mimosoideae {Mimosa pudica), Rubiaceae (Borreria verticillata e
Borreria latifolia) e Anacardiaceae {Tapihra guianensis). As demais
foram Poaceae/Gramineae (Andropogon sp.), Labiatae {Hyptis
atronibens), Flacourtiaceae {Banara guianensis), Lacistemaceae
{Lacistema pubescens), Moraceae (Cecropia palmata) e Leguminosae-
Papilionoideae {Derris sp.).
Considerando Mimosa pudica uma espécie essencialmente políni-
fera e Cecropia e Gramineae anemófilas, os diagnósticos das amostras
de mel foram caracterizados em mel monofloral, bifloral e heterofloral
conforme os respectivos tipos polínicos das espécies (Quadro 2).
Na análise polinica das amostras de mel foram identificadas 5
espécies de Leguminosae-Mimosoideae, entre as quais Mimosa pudica
foi intensamente visitada pelas abelhas durante todo o período de
amostragem (13 meses), destacando-se durante cinco meses como
pólen dominante (PD). Nos meses de janeiro e fevereiro obteve-se
valores menores (10%) justificados pelo período de chuvas e/ou pela
disponibilidade de outra fonte, como por exemplo a espécie Tapirira
guianensis, registrada como pólen dominante (PD) para esse período.
Mimosa pudica é uma espécie ruderal, de floração contínua, que
ocorre com freqüência na área da Fazenda Escola de Igarapé-Açu -
FEIGA e proximidades. Zander & Maurizio (1975) a consideram
como superrepresentada em quantidade de grãos de pólen (mais de
90% do total), o que justifica a elevada freqüência deste tipo em todo o
período de amostragem, tendo sido encontrada, na maioria dos levanta-
mentos realizados sobre flora apícola (Carreira et ai 1986; Santos
1991; Carreira & Jardim 1994).
Para Rubiaceae foram identificadas 3 espécies presentes no mel.
Borreria verticillata foi a mais importante, ocorrendo durante 12
meses, com freqüência polinica acima de 10% em 7 meses; no mês de
agosto ocorreu como pólen dominante (PD); Borreria latifolia foi a
169
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 14(2), 1998
Quadro 2 - Diagnóstico das amostras de mel analisadas quando representadas por
pólen dominante (PD) e pólen aeessório (PA) ou valores próximos a estes,
levando-se em consideração super e sub-representaçào e o pólen anemófilo.
1995/Mês
Espécies
Diagnóstico do Mel
Agosto
Borreria verlicillata
monofloral
Setembro
Borreria verlicillata, Hyptis atroruhens.
Mimosa pudica
heterofloral
Novembro
Borreria verlicillata, Mimosa pudica,
Tapirira guianensis
heterofloral
Janeiro
Tapirira guianensis
monofloral
Fevereiro
Tapirira guianensis, Derris sp.
bifloral
Março
Tapirira guianensis
monofloral
Abril
Mimosa sp.
monofloral
Maio
Tapirira guianensis, Banara guianensis,
Lacistema sp.
meterofloral
Junho
Banara guianensis, Lacistema sp., Borreria
verlicillata. Mimosa sp.
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Borreria verlicillata. Mimosa sp.
bifloral
Agosto
Borreria verlicillata. Mimosa sp.
bifloral
Outubro
Mimosa sensitiva
Monofloral
Novembro
Mimosa sensitiva, Borreria verlicillata
bifloral
segunda mais freqüente por 9 meses, com maior valor (14,6%) em
novembro/95.
Gonçalves et al. (1996) citam esta família como uma das mais
visitadas em uma região de mata secundária com elementos de vegeta-
ção rudcral cm Alcântara (MA) (Barth 1989; Carreira et al. 1986;
Carreira & Jardim 1994) e em alguns municípios do estado do Pará.
A família Anacardiaceac foi representada nas amostras de mel
pela espécie Tapirira guianensis durante 9 meses, alcançando valores
de pólen dominante (PD) para os meses de janeiro-março. Portanto, foi
intensamente utilizada como fonte de alimento nesse período, o qual
170
Caracterização polinica do me! de Apis mellifera L. ...
corresponde ao de elevada pluviosidade, servindo para as abelhas como
fonte de manutenção da colônia. A espécie é procurada pelas abelhas,
tanto para coleta de néctar quanto para pólen (Absy & Kerr 1977; Absy
etal. 1980, 1984; K^rvetal. 1986; Carreira eia/. 1986; Santos 1991).
Outras tipos polínicos encontrados foram das familias Myrtaceae,
com os tipos Myrcia eximia e M.sylvatica, que apresentam destacada
importância como fonte de pólen paras as abelhas sociais
(Cortopassi-Laurino 1982; Absy et al. 1984; Ramalho et al. 1985;
Cortopassi-Laurino & Ramalho 1988; Barth 1970/1989; Marques-
Souza 1993) e Flacourtiaceae que ocorreu com o tipo Banara
guianensis que durante os meses de maio e junho com pólen acessório
(PA). É uma espécie da floresta secundária visitada avidamente por
campeiras de A. mellifera para coleta de pólen (Zschoche 1995).
Outras familias como Lacistemaceae, Poaceae, Labiatae,
Leguminosae-Papilionoideae e Moraceae, também foram importantes
para as abelhas como fonte de recursos alimentícios, apresentando
espécies com freqüências polinicas acima de 10%, destacando-se a
espécie Cecropia palmata (Moraceae), que ocorreu durante 9 meses
nas amostras de mel. É uma espécie de rápido crescimento, muito
comum nas formações vegetais secundárias, e citada em diversos traba-
lhos sobre flora apicola (Ramalho et al. 1985; Cortopassi-Laurino
1988; Barth 1989; Marques-Souza e/ a/. 1993).
De um modo geral, nota-se uma generalização do hábito de coleta,
com alternância de uso de espécies da floresta secundária (árvo-
res/arbustos) e plantas rudcrais (herbáceas/arbustivas), destacando-se
Mimosa pudica, Tapirira guianensis e Borreria verticillata como as
mais representativas no espectro polínico das amostras de mel no
periodo de agosto/95 a novembro/96 (Figuras 2 e 3).
De acordo com Marques-Souza et al. (1993), a generalidade apre-
sentada pelas abelhas está mais relacionada com o curto periodo de
floração da maioria dessas plantas, do que com outros fatores externos.
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Figura 2 - Tipos polinicos: a-b) Mimosa pudica-, c-d) Borreria verticillata-,
c-h) Tapirira guianensis-, i) Myrcia eximia-,]) Myrcia sylvalica-, 1-ni) Sírypimodendron
giiianense ( 1 OOOx).
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como por exemplo, a competição pelo mesmo alimento com outros
visitantes.
Concluindo, considerou-se que as áreas de floresta secundária, no
nordeste paraense, do municipio de Igarapé- Açu, apresentam potencial
para o desenvolvimento da atividade apicola, além da observação de
Barth ( 1 989) que considera que a base da apicultura brasileira ainda é a
capoeira, que floresce o ano inteiro e contribui com mel de excelente
qualidade, com sabor e aroma agradáveis.
A área da Fazenda Escola no municipio de Igarapé-Açu, no Pará,
apesar de ser uma área restrita (100 ha), pode representar um perfil de
utilização das fontes mais importantes de néctar e pólen em áreas de
floresta secundária pelas abelhas.
Comparando-se os dados da análise polinica deste estudo com os
de Carreira (1986), Carreira & Jardim (1994), Venturieri & Maués
(1995), pode-se afirmar que as espécies que ocorrem em florestas
secundárias de diferentes estádios de pousio podem ser utilizadas pelas
abelhas A. mellifera como fonte de recursos para armazenamento de
mel, reprodução e auto-alimentação, uma vez que, a composição floris-
tica das capoeiras nos diversos estádios de sucessão apresentam
similaridade de espécies e padrões de florescimento aproximados.
A apicultura no estado do Pará está caracterizada por dois perio-
dos distintos, equivalentes aos do clima regional: o primeiro, que
corresponde ao chuvoso e vai de dezembro a junho, é considerado cri-
tico pela escassez de recursos e excesso de chuvas, mas apresenta
espécies como Tapirim guianensis que floresce nesse periodo; o
segundo, diz respeito ao periodo seco, de julho até inicio de dezembro,
onde a colônia alcança seu maior crescimento, proporcionado pela
abundância de recursos das numerosas espécies vegetais que florescem
nesse período (Alencar et ai 1979; Absy et ai 1984; Gonçalves et ai
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Caracterização polinica do mel de Apis meUifera L. ...
1 996; Denich 1 986; Maués et al. 1 996) e quando se obtem boas colhei-
tas de mel.
Para os agricultores, que possuem sitios em áreas de floresta
secundária com diferentes idades de pousio, a apicultura pode ser uma
atividade com possibilidades de aumentar a renda familiar, servindo de
fonte alimentar alternativa e medicinal, além de aumentar a produção e
a produtividade de frutos e grãos através da eficiente polinização reali-
zada pelas abelhas Apis, bem como conservar e/ou manejar espécies da
capoeira com fins de enriquecimento da flora apícola.
CONCLUSÕES
a) A diagnose geral das amostras indica tratar-se de mel hetero-
floral de Mimosa pudica, Tapirira guianensis e Borreria verticillata ao
longo dos 13 meses de coleta;
b) A espécie Tapirira guianensis foi intensamente utilizada
no período chuvoso, sendo importante fonte de manutenção das
atividades da colméia, com vistas à reprodução e manutenção das
colônias;
c) As espécies ruderais. Mimosa pudica, Borreria verticillata e
Hyptis atrorubens foram as fontes mais importantes de pólen durante o
período seco;
d) Considerando-se as freqüências polínicas, caracterizou-se
como fontes apícolas potenciais as espécies: Mimosa pudica (espécie
polínifera), Banara guianensis e Cecropia palmata e Andropogon sp.
(espécie anemófila), Myrcia spp., Hyptis atrorubens, Inga spp.,
Stiyphnodendron guianense, Vernonia scabra, Tapirira guianensis,
Borreria verticillata e B.latifolia.
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Boi. Mia. Para. Emílio Goeldi, .lér. Boi., 14(2), 1998
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Recebido cm: 09.10.98
Aprovado cm: 1 7.06.99
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