BOLETIM DO
ISSN 0077-2216
BOTANICS
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SciELO/MPEG,
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BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Série BOTÂNICA
GOVERNO DO BRASIL
Presidência da República - PR
Presidente - Fernando Henrique Cardoso
Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT
Ministro - Ronaldo Mota Sardenberg
Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG
Diretor - Peter Mann de Toledo
Diretor Adjunto de Pesquisa - David C. Oren
Diretor Adjunto de Difusão Científica - Antonio Carlos Lobo Soares
Comissão de Editoração - COED
Presidente - Lourdes Gonçalves Furtado
Editor Associado - Pedro Luiz Braga Lisboa
Editor Chefe - Iraneide Silva
Editor Assistente - Socorro Menezes
Bolsistas - Andréa Pinheiro, R. Hailton Santos
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William A. Rodrigues - Universidade Federal do Paraná
© Direitos de Cópia/Copyright 2001
por/by MCT/Museu Goeldi
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ISSN 0077-2216
Ministério da Ciência e Tecnologia
Museu Paraense Emílio Goeldi
Boletim do
Museu Paraense
Emílio Goeldi
Série
BOTÂNICA
Vol. 16(2)
Belém - Pará
Dezembro de 2000
Parque Zoobotânico - Av. Magalhães Barata, 376 (São Brás)
Campus de Pesquisa - Av. Perimetral, 1901 (Terra Firme)
Caixa Postal 399. CEP 66040-170 - Belém - Pará - Brasil
Fones: (55-91) 219-3301, 217-6000. Fax: (55-91) 249-0466
http://www.museu-goeldi.br
O Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia foi fundado em
1 894 por Emílio Goeidi e o seu Tomo I surgiu em 1 896. 0 atual Boletim é sucedâneo
daquele.
The Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia was founded
in 1894, by Emilio Goeidi, and the first volume was issued in 1896. The present
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeidi is the successor to this publication.
Accredited with the International Association for Plant Taxonomy (lAPT)
for the purpose of registration of all new plant names
CDD: 583.32109811
LEGUMINOSAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA - XII.
O PÓLEN DO GÊNERO HYMENOLOBIUM BENTH.
(LEGUMINOSAE PAPILIONOIDEAE)
Ely Simone Cajueiro GurgeV
Léa Maria Medeiros Carreira^
Márcia Nazaré dos Santos Pereira^
RESUMO - Hymenolobium Benth., gênero da família Leguminosae,
subfamília Papilionoideae, encontra-se representado na Amazônia
brasileira pelas espécies H. elatum Ducke, H. excelsum Diicke,
H. flavum Kleinh., H. grazielanum Lima, H. heterocarpum Ducke,
H. modestum Ducke, H. nitidum Benth., H. petraeum Ducke,
H. pulcherrimum Ducke, H. sericeum Ducke e H. velutinum Ducke.
Com o propósito de estudar sua morfologia polínica, botões florais
adultos foram coletados nos herbários MG (Museu Paraense Emílio
Goeldi, Belém), INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia,
Manaus) e lAN (Embrapa Amazônia Oriental, Belém). Os grãos de
pólen foram acetolisados, medidos, descritos e fotomicrografados. Para
descrevê-los usou-se uma sequência padronizada, baseando-se no
tamanho, forma, número de aberturas, estratificação e ornamentação
da exina. Os grãos de pólen das espécies analisadas são pequenos e
3-colporados. A forma varia de prolata esferoidal a subprolata, o amb
de triangular a circular, a endoabertura de circular a lolongada e a
superfície de psilada a microrreticulada.
■ PR-MCT/Museu Paraense Emílio Goeldi. Departamento de Botânica. Bolsistas de
Iniciação Científica/PIBIC. Processos; 100508/94-4 e 100508/94-4.
2 PR-MCT/Museu Paraense Emílio Goeldi. Departamento de Botânica. Pesquisador. Caixa
Postal 399. Cep 66040-170, Belém-PA. E-mail: lea@museu-goeldi.br
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
PALAVRAS-CHAVE: Morfologia polínica, Leguminosae
Papilionoideae, Amazônia brasileira, Hymenolobium.
ABSTRACT - Hymenolobium Benth., a genus ofthe legume family,
subfamily Papilionoideae, is represented in the Brazilian Amazon by the
species: H. elatum Ducke, H. excelsum Ducke, H. flavum Kleinh.,
H. grazielanum Lima, H. heterocarpum Ducke, H. modestum Ducke,
H. nitidum Benth., H. petraeum Ducke, H. pulcherrium Ducke,
H. sericeum Ducke, and H. velutinum Ducke. In order to study tlieir
pollen morphology, flower buttons dose to anthesis were obtained from
exsicata deposited in the herbaria ofthe MG (Museu Paraense Emílio
Goeldi, Belém), IN PA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia,
Manaus) e lAN (Embrapa Amazônia Oriental, Belém). Pollen grains
were treated with the acetolysis method, described, measured, and
photomicrographed. Descriptions followed a standard sequence, based
on pollen grain size, shape, number of apertures, ornamentation, and
stratification ofthe exine. The pollen grains íhat were analyzed are
small and 3-colporate. Tlieir shape varies from prolate spheroidal to
sub-prolate, the amb from triangular to circular, endoapertures from
circular to lolongate, and the exine from psilate to microreticulate.
KEY WORDS: Pollen morphology, Leguminosae Papilionoideae,
Brazilian Amazon, Hymenolobium.
INTRODUÇÃO
O estudo em questão foi desenvolvido com o principal objetivo
de analisar as espécies do gênero Hymenolobium Benth. que ocorrem
na Amazônia brasileira.
Hymenolobium, um dos gêneros da família Leguminosae, subfa-
mília Papilionoideae, encontra-se representado na Amazônia
brasileira pelas espécies H. elatum Ducke, H. excelsum Ducke,
H. flavum Kleinh., H. grazielanum Lima, H. heterocarpum Ducke,
H. modestum Ducke, H. nitidum Benth., H. petraeum Ducke,
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Leguminosas da Amazônia brasileira - XII. O pólen do gênero Hynienolobium Bentii
H. pulcherrimum Ducke, H. sericeum Ducke e H. veliitinum Ducke
(Silva et al. 1989), as quais são vulgarmente conhecidas como
“angelim”, “angelim comum”, “angelim pedra”, “angelim da mata” e
“angelim rajado” (Silva et al. 1977).
Dentre os raros trabalhos que versam sobre a morfologia polínica
de Hymenolobium, destacam-se o de Ferguson & Skvarla (1981), que
analisaram de um modo geral o pólen dos gêneros que constituem a
tribo Dalbergieae e o de Carreira et al. (1996) que descreveram o
pólen de H. petraeum.
O estudo taxonômico do gênero Hymenolobium foi realizado por
Mattos (1979) que observou afinidades distintas entre este e o gênero
Andira Lam. por meio da morfologia do fruto e do aspecto da planta viva.
Vários autores comentaram a respeito das características macroscó-
picas e da importância econômica da madeira de Hymenolobium,
informando o seu uso, principalmente na construção civil e naval, marce-
naria e na confecção de dormentes (Ducke 1936; Le Cointe 1947; Record
& Hess 1949; Loureiro & Silva 1968; Mattos 1979; Corrêa 1984).
Algumas espécies de Hymenolobium são utilizadas como orna-
mentais devido ao seu aspecto magnífico por ocasião da floração
(Ducke 1936). Outras, como H. excelsum são dotadas de propriedades
medicinais (Silva et al. 1977).
MATERIAL E MÉTODOS
Material Botânico
Botões florais adultos foram retirados de amostras existentes nos
herbários MG (Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém), lAN
(Embrapa-Amazônia Oriental, Belém) e INPA (Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia, Manaus).
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Atualmente na Amazônia brasileira ocorrem cerca de 1 1 espécies
descritas do gênero Hymenolobium, porém não foi possível conseguir
material de H. elatum Ducke e H. velutinum Ducke, cujas amostras
tipos estão depositadas nos herbários RB 1 1656 (Ducke s/n) e
SP (Ducke 1823), respectivamente.
A relação das espécies estudadas com suas respectivas referên-
cias de herbário e de palinoteca encontram-se na Tabela 1.
Métodos
Para a preparação das lâminas foi utilizado o método de acetólise
de Erdtman (1952).
As medidas foram realizadas num microscópio ZEISS adaptado
com escala micrometrada. As medidas dos eixos polar e equatorial
foram feitas em 25 grãos de pólen, em vista equatorial, utilizando-se a
objetiva de 40x. Com estes valores, foram calculados a média, desvio
padrão, coeficiente de variação e a faixa de variação (menor e maior
valores encontrados). As medidas da sexina e nexina foram feitas em
10 grãos de pólen, utilizando-se a objetiva de lOOx e calculada
somente a média aritmética.
Para as observações em MEV, os grãos de pólen, após a acetó-
lise, foram deixados por 24 horas em acetona a 50% e posteriormente
desidratados em acetona a 100% durante 30 minutos. Uma gota da
suspensão de pólen em acetona pura foi depositada sobre o suporte do
MEV e deixada secar por algumas horas a 37°C, antes de ser evapo-
rada com ouro.
Nas descrições polínicas foram usadas a seqüência padronizada
de Erdtman (1969), a classificação de Praglowski & Punt (1973) que
define as variações que ocorrem no padrão da superfície reticulada e a
nomenclatura baseada no Glossário Ilustrado de Palinologia de Barth
& Melhem (1988).
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As fotomicrografias de luz foram obtidas em um fotomicros-
cópio ZEISS e as de MEV em um microscópio eletrônico de varredura
ZEISS modelo DSM-940.
Nas descrições e nas legendas das figuras foram usadas as seguintes
abreviaturas: amb = âmbito; E = eixo equatorial; DL = diâmetro do
lúmem; MEV = microscopia eletrônica de varredura; ML = microscopia
de luz; Nex = nexina; NPC = número, posição e caráter das aberturas;
P = eixo polar; P/E = relação entre as medidas dos eixos polar e equa-
torial; P/MG = número da Palinoteca do Museu Paraense Emílio
Goeldi; Sex = sexina; s/n = sem número; VE = vista equatorial do grão
de pólen e VP = vista polar do grão de pólen.
RESULTADOS
1) Caracteres gerais dos grãos de pólen do gênero
Grãos de pólen pequenos, isopolares, de simetria radial, 3-colporados,
NPC = 345. O amb varia de subtriangular a circular, a forma de prolata
esferoidal a subprolata, a superfície de psilada a microrreticulada, a
endoabertura de circular a lolongada e o teto de liso a levemente
ondulado. A espessura da sexina é igual ou quase igual a nexina.
2) Descrições polínicas das espécies
1- H. excelsum Ducke (Figura 1, a-d): amb subtriangular, forma sub-
prolata esferoidal e de superfície microrreticulada. A endoabertura é circular.
P = 16,5 ± 0,4 (16,0 - 17,5) pm; E = 13,5 ± 0,7 (1 1,0 - 16,0) pm; DL = 0,83 pm;
P/E = 1,23. Sex = 0,7pm; Nex = 0,8pm. O teto é levemente ondulado.
2- H.flavum Kleinh. (Figura 1, e-h): amb circular, forma subprolata
e de superfície microrreticulada. A endoabertura apresenta-se encoberta
pela sexina. P= 18,5 ±0,3 (17,5-31,5) pm; E= 14,0 ± 1,0 (11,5- 17,5) pm;
DL = 0,85 pm; P/E = 1,32. Sex = 0,8pm; Nex = 0,9pm. O teto é liso.
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Leguminosas da Amazônia brasileira - Xll. O pólen do gênero Hymenolobium Benlli
Figura 1 - Pólen de Hymenolobium excelsum (ML); a) VP, corte óptico; b) Idem,
ornamentação da exina; c) VE, corte óptico; d) Idem, ornamentação da exina. Pólen
de Hymenolobium flavum (ML): e) VP, corte óptico; 0 Idem, ornamentação da exina;
g) VE, corte óptico; h) Idem, ornamentação da exina (2.000x).
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
3- H. grazielanum Lima (Figuras 2 a-c; 6 a-b): amb circular, forma
prolata esferoidal e de superfície psilada com perfurações. A endoabertura
está encoberta pela sexina. P = 19,5 ± 0,6 (17,5 - 21,5) pm; E = 17,5 ± 0,4
(16,0 - 20,0) pm; P/E =1,11. Sex = 0,9pm; Nex = 0,8pm. O teto é liso. Em
MEV, as pontuações encontram-se distribuídas de forma irregular, separa-
das por muro bastante espesso, com tendência a se ausentar nos colpos.
4- H. heterocarpum Ducke (Figura 2 d, g): amb subtriangular,
forma prolata esferoidal e de superfície rugulada. A endoabertura é circu-
lar, apresentando-se também encoberta pela sexina. P = 17,5 ± 0,4 (16,0 -
20,0) pm; E = 16,5 ± 0,4 (14,0 - 17,5) pm; P/E = 1,06. Sex = 0,9 pm;
Nex = 0,8pm. O teto é liso.
5- H. modestum Ducke (Figura 3 a, d): amb subtriangular, forma
prolata esferoidal e de superfície psilada. A endoabertura quando visí-
vel é circular. P = 18,0 ± 0,3 (16,5 - 20,0) pm; E = 18,0 ± 0,4 (16,5 -
20,0) pm; P/E = 1,00. Sex = 0,8pm; Nex = 0,7pm. O teto é liso.
6- H. nitidurn Benth. (= H. complicatiirn Ducke) (Figura 3 e, h;
6 c-d): amb subtriangular, forma prolata esferoidal e de superfície
microrreticulada. A endoabertura é lolongada. P = 18,0 ± 0,6 (16,0 -
20,0) pm; E = 16,0 ± 0,5 (13,0 - 17,5) pm; P/E = 1,12; DL = 0,82 pm.
Sex = 0,9 pm; Nex = 0,8 pm. Teto levemente ondulado. Em MEV,
verifica-se que as pontuações estão dispostas uniformemente, sobre-
tudo ao nível dos colpos.
7- H. petraeum Ducke (Figura 4 a, d): amb circular, forma sub-
prolata e de superfície psilada. A endoabertura é circular. P = 22,0 ± 0,5
(21,0- 24,0) pm; E = 17,0 ± 0,5 (15,0 - 20,0) pm; P/E = 1,29;
Sex = 0,7pm; Nex = 0,6 pm. O teto é levemente ondulado.
8- H. pulcherrimiim Ducke (Figura 4 e-h): amb subtriangular, forma
subprolata e de superfície psilada. A endoabertura está encoberta pela
sexina. P= 16,5 ± 0,5 (15,0- 18,0) pm; E= 14,0 ± 0,6 (11,5 - 16,0) pm;
P/E = 1,17. Sex = 0,8 pm; Nex = 0,8 pm. O teto é levemente ondulado.
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Leguminosas da Amazônia brasileira - XII. O pólen do gênero Hymenolobium Benth
Figura 2 - Pólen de Hymenolobium grazielanum (ML); a )VP, corte óptico; b) Idem,
ornamentação da exina; c) VE, corte óptico.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
Figura 2 (continuação) - Pólen de Hymenolobium heterocarpum: d) VP, corte óptico;
e) Idem, ornamentação da exina; 0 VE, corte óptico; g) Idem, ornamentação da exina
(2.000X).
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Leguminosas da Amazônia brasileira - XII. O pólen do gênero Hymenolobium Benth
Figura 3 - Pólen de Hymenolobium modestum (ML): a )VP, corte óptico; b) Idem,
ornamentação da exina; c) VE, corte óptico; d) Idem, ornamentação da
exina.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
Figura 3 (continuação) - Pólen de Hymenolobium nitidum (ML): e) VP, eorte óptico;
0 Idem, ornamentação da exina; g) VE, corte óptico; h) Idem, ornamentação da exina
(2.000X).
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Leguminosas da Amazônia brasileira - XII. O pólen do gênero Hymenolobium Benth
Figura 4 - Pólen de Hymenolobium petraeum (ML): a )VP, corte óptico; b) Idem,
ornamentação da exina; c) VE, corte óptico; d) Idem, ornamentação da exina.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
Figura 4 (continuação) - Pólen de Hymenolobium pulcherrimiim (ML): e) VP, corte
ótico; f) Idem, ornamentação da exina; g) VE, corte óptico; h) Idem, ornamentação
da exina (2.000x).
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Leguminosas da Amazônia brasileira - XII. O pólen do gênero Hymenolobium Benth
9- H. sericeum Ducke (Figura 5 a, d): anxb subtriangular, forma
subprolata e de superfície psilada. A endoabertura é circular e encontra-
se encoberta pela sexina. P = 15,0 ± 0,4 (13,0- 16,5) pm; E = 12,5 ± 0,5
(1 1,5 - 15,0) pm; P/E = 1,20. Sex = 0,4pm; Nex = 0,3pm. O teto é liso.
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
Conforme os resultados obtidos, foi constatado que os grãos de
pólen das espécies analisadas são muito semelhantes entre si quanto ao
tamanho e ao número de aberturas, ou seja, são pequenos e 3-colporados.
Apresentam-se diferentes quanto ao âmbito, à forma e à ornamentação
da exina, portanto, variam de subtrianguar a circular, de prolata esfe-
roidal a subprolata e de psilada a microrreticulada. Possuem a
endoabertura circular, com exceção dos de H. nitidum, onde esta é
lolongada.
Para Ferguson & Skvarla (1981) a tribo Dalbergieae é constituída
por gêneros tropicais lenhosos, largamente distribuídos na América do
Sul. Seus grãos de pólen caracterizam-se por possuírem padrão uni-
forme, ou seja, são pequenos, 3-colporados, com poucas variações
apenas no teto e nas endoaberturas, confirmando desta forma que a
morfologia polínica das espécies aqui estudadas enquadram-se nos
padrões polínicos citados por Ferguson & Skvarla (1981).
O grau de similaridade quanto ao tamanho e número de abertura
permite sugerir tratar-se de um gênero estenopolínico.
Pelos caracteres polínicos estabelecidos verificou-se pequenas
variações existentes, quanto à ornamentação da exina dos grãos de
pólen das espécies.
Conclui-se portanto que embora o gênero seja estenopolínico é
possível caracterizar três grupos de superfície.
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Figura 5 - Pólen de Hymenolobium sericeum (ML): a) VP, corte óptico; b) Idem,
ornamentação da exina; c) VE, corte óptico; d) Idem, ornamentação da exina
(2.000X).
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Leguminosas da Amazônia brasileira - XII. O pólen do gênero Hymenolobium Benth
Figura 6 - Pólen de Hymenolobium grazielanum. (MEV): a )VP, aspecto dos colpos;
b) Idem, detalhes dos colpos e da ornamentação da exina. Pólen de Hymenolobium
nitidum. (MEV): c ) VP e VE, aspecto dos colpos; d) VP, detalhes dos colpos e da
ornamentação da exina.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
1) Psilada (H. grazielanum, H. modestiirn, H. petraeum,
H. piilcherrimum e H. sericeiun)\
2) Rugulada (H. heterocarpum)\
3) Microrreticulada (//. excelsiim, H.flavurn e H. nitidum).
AGRADECIMENTOS
À Dra. O. M. Barth pelas fotomicrografias obtidas no MEV do
Instituto Oswaldo Cruz.
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Brasileira - Lista Prévia. Acta Bot. Bras. 2(1): 193-237 (suplemento).
Recebido em: t7.12.98
Aprovado em: 20.09.00
129
^SciELO/MPEGji ^2 13 14
CDD: 589.1
363.739,2
LIQUENS COMO BIOINDICADORES
DA QUALIDADE DO AR NO
PARQUE ZOOBOTÂNICO DO MUSEU PARAENSE
EMÍLIO GOELDI (MPEG), BELÉM-PA
Sheyla Mara de Almeida Ribeiro^
Ivanete Nogueira Galhardo^
Rosildo Santos Paiva^
Eugênia Cristina Pereira^
Fernando Mota-Filho^
Nicácio Henrique da Silva^
RESUMO - Os liquens têm grande capacidade de fixar e acumular
poluentes do ar, o que permite utilizá-los como bioindicadores de
poluição atmosférica. Com o objetivo de avaliar o nível de poluição no
Parque Zoobotãnico do Museu Paraense Emílio Goeldi, área localizada
entre vias de constante e intenso fluxo de veículos, utilizaram-se dois
métodos de avaliação: o Biomonitoramento Ativo e o índice de Pureza
Atmosférica. No primeiro, o líquen Cladonia substellata Vainio foi
transplantado de um ambiente não poluído para 5 pontos da área em
estudo, a fim de se verificar a ação dos poluentes sobre a síntese de
pigmentos fotossintetizantes, que foram extraídos, mensalmente, com
acetona a 80% e quantificados por espectrofotometria em diferentes
comprimentos de onda. Um dos sinais visíveis de poluição é a
* UFPA-Universidade Federal do Pará. Departamento de Biologia. Campus Universitário,
Av. Augusto Corrêa, 1. 66075-900, Belém-PA.
^ UFPE-Universidade Federal de Pernambuco. Departamento de Ciências Geográficas.
Av. Prof. Moraes Rego, s/n. 50739-000, Recife-PE.
^ UFPE-Universidade Federal de Pernambuco. Departamento de Bioquímica. Av. Prof.
Moraes Rego, s/n. 50739-000, Recife-PE.
131
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
descoloração do talo liqiiênico. Isto ocorre em conseqüência da
degradação das moléculas de clorofilas, transformando-as em suas
respectivas feofitinas. No segundo método, os liquens presentes na área
de estudo foram analisados mediante frequência de espécies e
percentual de cobertura nos troncos das árvores. Sobre esses dados,
foram aplicadas fórmulas que permitiram calcular o IPA para a área
em estudo, onde observou-se pontos com alto, médio e baixo índice de
poluição.
PALAVRAS-CHAVE: Poluição Atmosférica, Biomonitores, Líquen,
Cladonia substellata Vainio.
ABSTRACT — Lichens fix and accumulate air pollutants and hence they
have been used as indicators of pollution. Two methods were used to
appraise the pollution in the Goeldi Museum: The Transplant metthod
and the Index of Atmospheric Purity (lAP). In that, the lichen Cladonia
substellata Vainio was collected in clean area and transplanted into
polluted area of Goeldi Museum, where they remain for a period oftime.
The pigments were extracted with acetone to 80% and their contents
obtained by spectrophotometric measurements. One ofthe visible signs
of pollution is the discoloration of thallus, which is caused by the break
down of chlorophyll molecules to their respective phaeophytins. A
second approach was to study the lichens through frequency of species,
relative frequency and predominant coiirse at trees. The lAP was
calculated for each studied area, where were obser\'ed points with high,
intermediate and low pollution indexes.
KEY WORDS: Air Pollution, Biomonitors, Lichen, Cladonia
substellata Vainio.
INTRODUÇÃO
Os liquens são resultantes da associação simbiótica entre algas e
fungos, onde a alga faz a síntese dos carboidratos e o fungo absorve e
conserva a água necessária ao conjunto. A reunião de dois seres de natu-
rezas distintas lhes confere notável capacidade adaptativa, sendo
132
Liquens como bioindicadores da qualidade do ar no Parque Zoobolânico do MPEG
encontrados do equador aos pólos sob as mais diversas condições.
Entretanto, a pureza do ar atmosférico é um fator crucial à presença e
sobrevivência dos liquens, visto que se alimentam basicamente de forma
higroscópica, absorvendo e acumulando poluentes do ar (Nieboer et al.
1972; Seaward 1977; Pilegaard 1978; Hale 1983; Nash III 1996).
Os trabalhos que falam da ação dos poluentes sobre o sistema de
pigmentação em liquens, frequentemente referem a degradação de
clorofilas como um bom parâmetro de detecção precoce de ambientes
poluídos (Vernon 1960; Hill 1963; Gries etal. 1995; Pereira 1998). As
algas elaboram, por fotossíntese, substâncias orgânicas, utilizando o
anidrido carbônico e a água como matéria-prima, e a luz como fonte
de energia. Os poluentes atmosféricos interferem nesse processo,
impedindo a síntese de clorofila ou transformando este pigmento em
feofítina, o que provoca a redução na taxa fotossintética dos liquens,
podendo levá-los à morte (Xavier-Filho 1983; Nash III 1996).
Rao & Le Blanc (1966) observaram que exemplares de Parmelia
caperata (L.) Ach. e Parmelia sulcata Tayl. transplantados para áreas
poluídas, apresentavam características anormais após o transplante,
tais como redução na espessura dos talos e perda da quantidade de
clorofila presente nas células das algas. Acreditava-se que a simples
mudança de ambiente fosse responsável por essas alterações, entre-
tanto, os liquens transplantados para áreas não poluídas, como
controle, continuavam saudáveis, demonstrando que os poluentes
atmosféricos eram, na verdade, os responsáveis pelos danos sofridos
pelo talo liquênico.
A sensibilidade dos liquens à poluição atmosférica tem sido estu-
dada há mais de cem anos, entretanto, avaliações críticas vêm sendo
realizadas apenas nas últimas décadas, com programas de pesquisa
conduzidos na Bélgica, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha,
Hungria, Japão, Nova Zelândia, Polônia, Escandinávia, Estados
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
Unidos e Venezuela. Cerca de 90% dos trabalhos que tratam do líquen
como bioindicador de poluição ambiental demonstram a correlação
entre distribuição das espécies e fontes poluidoras; e a importância da
biomonitoração da distribuição e violência das emissões de poluentes
(Seaward 1976; Hawksworth & McManus 1989; Seaward 1993).
Quando o ar toma-se poluído, como por exemplo, na instalação
de indústrias no perímetro urbano, algumas espécies tendem a desapa-
recer. Desta forma, é possível medir o grau de poluição da área a partir
do desaparecimento de espécies menos resistentes, através do levanta-
mento periódico da micota liquenizada componente do meio ambiente
em estudo (Seaward 1976, 1977).
Com o objetivo de avaliar o nível de poluição atmosférica no
Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), área
de grande importância histórica e diversificada vegetação, utilizou-se
dois métodos de avaliação: o Biomonitoramento Ativo e o índice de
Pureza Atmosférica (IPA). O primeiro é um método quali-quantitativo,
através do qual se estudou o comportamento fisiológico de Cladonia
substellata Vainio transplantada de um ambiente não poluído para a
área em estudo, a fim de se verificar a ação dos poluentes sobre a
síntese de clorofilas e feofitinas extraídas do talo liquênico; o segundo
trata-se de um método quantitativo, cujos valores são deduzidos mate-
maticamente, e que se baseia, fundamentalmente, no número de
espécies e biomassa liquênica da área estudada.
CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA
O Museu Paraense Emílio Goeldi é uma instituição de investiga-
ção científica que tem como finalidade pesquisar e preservar a flora, a
fauna e o homem da Amazônia, bem como seu ambiente físico.
O Parque Zoobotânico do MPEG ocupa uma área de 52.000 m^, com
amostras vivas da flora e fauna da Amazônia. São aproximadamente
134
Liquens como bioindicadores da qualidade do ar no Parque Zoobotânico do MPEG
2.000 plantas, entre árvores e arbustos, e 600 animais que vivem em
cativeiro ou soltos pelo parque, que está localizado no centro urbano
de Belém, Pará, Brasil, entre as avenidas 9 de Janeiro, Magalhães
Barata, Alcindo Caceia e Gentil Bittencourt (Figura 1).
MATERIAL E MÉTODOS
Biomonitoramento Ativo
Cladonia substellata Vainio foi coletada em solo arenoso da
Campina do Guajará, área distante de fontes poluidoras, localizada no
Povoado do Guajará, Município do Acará, Pará, Brasil. As amostras
coletadas foram acondicionadas em recipientes plásticos, juntamente
com seu substrato, sendo em seguida transplantadas para 5 pontos
selecionados no MPEG, de acordo com a proximidade do tráfego de
veículos nas avenidas entre as quais o parque se localiza. Os experi-
mentos foram montados e depositados nos canteiros laterais e centrais
do parque (Figura 2).
As análises foram iniciadas em outubro/95 com a extração de
pigmentos fotossintetizantes utilizados como padrão. Após o trans-
plante foram realizadas extrações mensais de novembro/95 a maio/96,
triturando-se 200 mg de talo seco e adicionando-se 10 mL de acetona
a 80%, sendo mantidos no escuro durante 48 h. Decorrido este
período, o material foi centrifugado e o sobrenadante submetido à
leitura espectrofotométrica nos seguintes comprimentos de onda:
663 nm, 645 nm, 666 nm, 536 nm.
Os resultados das leituras foram aplicados aos cálculos dos teores
de clorofilas “a” e “b” (Hill 1963) e feofitinas “a” e “b” (Vernon
1960).
135
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
Figura 1 - Trecho da cidade de Belétn-PA com a localização do Parque Zoobotânico
do Museu Paraense Emílio Goeldi.
índice de Pureza Atmosférica (IPA)
A área do MPEG foi dividida em 12 quadrantes de 0,46 ha
(Figura 2), nos quais se fez a contagem das árvores com diâmetro
igual ou superior à cobertura de uma tela de nylon de 25 cm x 25 cm,
dividida em 25 quadrados de 5 cm x 5 cm. Foram escolhidas 10 árvo-
res por quadrante para fixar a tela, excluindo-se as que não ofereciam
um substrato adequado ao desenvolvimento de liquens. A tela foi
fixada a 1,50 m acima do solo (DAP), na área do tronco com maior
136
SciELO/MPEG
cm
SciELO/MPEG
Liquens como bioindicadores da qualidade do ar no parque zoobotânico do MPEG
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
cobertura de liquens, conferindo-se, em cada árvore, o número de qua-
drados da tela que continham liquens, indicando o percentual de
cobertura nas árvores; o número de espécies presentes na superfície da
árvore envolvida pela tela, que indica a diversidade específica; o
número de espécies presentes em cada quadrado da tela, indicando a
abundância das espécies; e a direção predominante de crescimento dos
liquens nos troncos das árvores, obtida através de leitura de bússola.
Esses dados foram aplicados à fórmula do IPA, segundo Le
Blanc & De Sloover (1970).
Os valores do IPA obtidos para cada quadrante foram incluídos
nas classes de alto, médio e baixo índice de Pureza Atmosférica, de
acordo com a fórmula desenvolvida por Castro (1975), sendo que
quanto maior for o valor do IPA, menor será o nível de poluição
atmosférica.
RESULTADOS
Biomonitoramento Ativo
Os resultados obtidos revelaram uma redução nos teores de pig-
mentos em todos os pontos analisados após o 1° mês de experimento,
com exceção da feofitina “a” que chegou a duplicar em alguns pontos,
demonstrando o impacto causado pelo aumento nos níveis de poluen-
tes atmosféricos.
No ponto I (Tabela 1) houve uma recuperação gradativa nos teo-
res de pigmentos, atingindo o pico máximo no mês de abril, com 76,85
g/L de clorofila “a”, 20,65 g/L de clorofila “b” e 104,6 g/L de feofitina
“a”, entretanto a feofitina “b” mostrou-se sempre negativa no decorrer
do experimento. No mês de maio ocorreu uma redução drástica nos
teores desses pigmentos, com exceção da feofitina “b”, que aumentou
de -20,75 g/L para -3,3 g/L.
138
SciELO/MPEG
15
Liquens como bioindicadores da qualidade do ar no Parque Zoobotânico do MPEG
Tabela 1 - Teores de clorofilas e feofitinas (g/L) extraídos mensalmente de liquens
do ponto I.
Out/95
(Padrão)
Nov/95
Dez/95
Jan/96
Fev/96
Mar/96
Abr/96
Maio/96
Cia
40,35
22,75
32,75
34,70
42,40
38,00
76,86
15,55
Clb
5,25
0,50
6,20
7,75
15,95
9,30
20,65
7,80
Fe a
12,52
29,70
44,25
47,10
60,80
49,45
104,6
20,40
Feb
-3,2
-8,65
-4,10
-11,95
-15,95
-8,80
-20,75
-3,30
Nos pontos II e V (Tabelas 2, 5) houve uma diminuição gradual
nos teores de pigmentos, culminando com a morte do talo liquênico no
mês de março.
Tabela 2 - Teores de clorofilas e feofitinas (g/L) extraídos mensalmente de liquens
do ponto 11.
Out/95 (Padrão)
Nov/95
Dez/95
Jan/96
Fev/96
Mar/96
Cia
40,35
27,95
15,65
20,55
7,95
-1-
Cl b
5,25
4,95
7,75
10,50
4,95
-1-
Fe a
12,52
35,30
21,40
29,65
10,50
-1-
Feb
-3,2
-8,40
1,65
-8,85
-1,10
-1-
+ Morte do líquen.
No ponto III (Tabela 3) observou-se um equilíbrio nas concentra-
ções de clorofilas “a” e “b”, bem como de feofitinas “a” e “b” que
mantiveram-se estáveis no decorrer do experimento.
Tabela 3 - Teores de clorofilas e feofitinas (g/L) extraídos mensalmente de liquens
do ponto III.
Out/95 (Padrão)
Nov/95
Dez/95
Jan/96
Fev/96
Cia
40,35
18,20
19,25
18,65
#
Clb
5,25
-0,50
6,20
10,25
#
Fe a
12,52
16,85
23,45
20,65
#
Fe b
-3,2
3,75
4,60
16,05
#
# Perda do experimento.
139
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2). 2000
No ponto IV (Tabela 4), os teores de pigmentos mantiveram-se
relativamente constantes nos primeiros meses, alcançando um ligeiro
aumento em abril. Em seguida caíram bruscamente, principalmente a
clorofila “b”, que passou de 1 1,55 g/L para 2,25 g/L no mês de maio.
Tabela 4 - Teores de clorofilas e feofitinas (g/L) extraídos mensalmente de liquens
do ponto IV.
Out/95
(Padrão)
Nov/95
Dez/95
Jan/96
Fev/96
Mar/96
Abr/96
Maio/96
Cia
40,35
27,35
13,55
12,65
15,00
12,15
19,30
5,65
Clb
5,25
3,00
9,25
4,20
6,15
9,75
11,55
2,25
Fe a
12,52
32,35
18,95
10,20
20,80
12,35
23,20
5,80
Feb
-3,2
-5,65
0,65
11,65
-4,25
4,70
2,35
-0,50
Tabela 5 - Teores de clorofilas e feofitinas (g/L) extraídos mensalmente de liquens
do ponto V.
Out/95 (Padrão)
Nov/95
Dez/95
Jan/96
Fev/96
Mar/96
Cia
40,35
30,45
14,45
17,95
3,80
-r
Clb
5,25
4,90
6,70
8,65
2,60
-1-
Fe a
12,52
36,15
20,05
20,35
3,40
-t-
Feb
-3,2
-4,30
6,05
1,35
2,50
-1-
+ Morte do líquen.
índice de Pureza Atmosférica (IPA)
A densidade da vegetação no MPEG foi expressa pelo número de
árvores por quadrante, sendo que os quadrantes 01 e 02 apresentaram
uma vegetação densa, com 154 e 122 árvores, respectivamente.
O quadrante 08 foi o que apresentou menor densidade, com apenas 19
árvores, distribuídas em uma área de 0,46 ha. Os demais quadrantes
apresentaram densidade média, variando de 44 árvores no quadrante 06
a 99 no quadrante 10, como mostra a Tabela 6.
140
SciELO/MPEG
Liquens como bioindicadores da qualidade do ar no Parque Zoobotãnico do MPEG
Tabela 6 - Valores do índice de Pureza Atmosférica (IPA) para cada quadrante do
Parque Zoobotãnico do Museu Paraense Emílio Goeldi, associados às classes de
pureza atmosférica e ao número de árvores com diâmetro igual ou superior a 25 cm,
presentes em cada quadrante.
QUADRANTES
IPA
CLASSES
NO ÁRVORES
01
4,99
Baixo
154
02
6,91
Médio
122
03
14,4
Alto
88
04
8,53
Médio
62
05
14,0
Alto
87
06
9,86
Médio
44
07
7,98
Médio
54
08
12,89
Alto
19
09
12,67
Alto
83
10
9,37
Médio
99
11
8,44
Médio
66
12
7,19
Médio
84
A análise das árvores mostrou que a direção de crescimento dos
liquens nos troncos das mesmas variou ao longo da área de estudo. Em
5,83% das árvores, os liquens apresentaram maior densidade e melhor
desenvolvimento na direção Norte. Nesta mesma percentagem,
ocorreu um melhor crescimento na direção Es-Sudeste. Em 5% das
árvores, os liquens se desenvolveram melhor na direção Sudeste, sendo
que esta mesma proporção foi observada para a direção Su-Sudeste,
Su-Sudoeste e Nor-Noroeste. A direção predominante de crescimento
dos liquens foi a Oeste, pois em 13,33% das árvores os liquens apre-
sentaram maior densidade e melhor desenvolvimento nesta direção.
A Tabela 6 mostra os valores do IPA em cada quadrante, associa-
dos às respectivas classes de pureza atmosférica. O quadrante 01 foi
considerado o mais poluído, sendo incluído na classe de baixo índice de
Pureza Atmosférica. Os quadrantes 02, 04, 06, 07, 10, 1 1 e 12 apresen-
taram média intensidade de poluição, com valores do IPA igual a 6,91,
8,53, 9,86, 7,98, 9,37, 8,44 e 7,19 respectivamente.
141
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
O menor nível de poluição foi observado no quadrante 03, que
apresentou IPA igual a 14,4, seguido pelo quadrante 05, que apresen-
tou IPA igual a 14. Os quadrantes 08 e 09 apresentaram IPA igual a
12,89 e 12,67 respectivamente, sendo incluídos na classe de alto
índice de Pureza Atmosférica.
Os dados obtidos permitiram o mapeamento da qualidade do ar
no MPEG, possibilitando uma visão geral do nível de poluição no
local (Figura 3).
DISCUSSÃO
A contaminação atmosférica é um problema enfrentado desde a
antiguidade, mas que alcançou níveis alarmantes com a massificação
dos transportes urbanos, que são as principais fontes poluidoras nas
grandes cidades. A queima do combustível utilizado pelos veículos,
libera grande quantidade de poluentes pela descarga dos motores
(Xavier-Filho 1983).
Estudos feitos por Semander (1926) e Gilbert (1965) demonstra-
ram que a ausência de liquens nos centros urbanos é resultado,
principalmente, da presença de poluentes. Por outro lado, Klement
(1956, 1958) e Rydzak (1958, 1969) sugeriram que a ausência de
liquens na cidade deve-se, inteiramente, ao fenômeno da dessecação.
Entretanto, de acordo com LeBlanc & Rao (1973), há um grande
aumento nas evidências que indicam que a poluição do ar é o fator
ambiental mais importante na determinação da sobrevivência ou não
desses organismos em ambientes urbanos.
O biomonitoramento da qualidade do ar no MPEG permitiu uma
estimativa do nível de poluição na área, que encontra-se localizada entre
vias de constante e intenso fluxo de veículos, estando sujeita aos poluen-
tes emitidos por suas descargas. Chen et al. (1995) e Losada et al.
(1995a, 1995b) avaliaram o nível de poluição atmosférica no Campus da
142
SciELO/MPEGji (2 13 14 15
Liquens como bioindicadores da qualidade do ar no Parque Zoobotânico do MPEG
IPA BAIXO
IPA MEDIO
IPA ALTO
Figura 3 - índice de pureza atmosférica (IPA) no Parque Zoobotânico do Museu
Paraense Emílio Goeldi.
Universidade Federal de Pernambuco, através do índice de Pureza
Atmosférica e da análise de fenóis corticais e medulares, bem como de
clorofilas e feofitinas extraídas do talo de Parmotrema praesorediosum
(Nyl.) Hale e Leptogium sp, relacionando a degradação das moléculas de
clorofilas e a ausência de liquens com o fluxo de veículos nas
proximidades.
cm i
,SciELO/MPEG
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot.. 16(2), 2000
A análise dos bioindicadores ativos no parque do MPEG mostrou
um distúrbio nos teores de pigmentos fotossintetizantes um mês após o
transplante do material, observando-se redução nos níveis de clorofilas
“a” e “b” e um considerável aumento na feofitina “a”, o que sugere a
ocorrência de uma desordem fisiológica. Mesmo na ausência de um
transplante controle, esta desordem pode ser atribuída à ação dos
poluentes, com base em vários autores que realizaram o transplante de
espécies para áreas controladas e concluíram que a poluição, e não a
mudança de ambiente, interferiu no desenvolvimento do líquen. É o
caso de Brodo (1961, 1966), que realizou o transplante de liquens para
áreas poluídas de Nova Iorque, comparando com amostras padrão
transplantadas para áreas controladas. Este autor observou que as
amostras controle permaneciam saudáveis, algumas vezes demons-
trando considerável crescimento de seus talos, enquanto aquelas dos
arredores da cidade de Nova Iorque morriam 3 a 4 meses após terem
sido transplantadas, atribuindo isto aos agentes poluentes, especial-
mente o dióxido de enxofre, abundante em ambientes urbanos.
Os cinco pontos analisados no MPEG apresentaram teores de
feofitina “a” sempre superiores aos de clorofila “a”, com exceção da
extração padrão realizada antes do transplante, que mostrou os teores
de clorofilas consideravelmente superiores aos de feofitinas. Isto
demonstra que após o transplante ocorreu a incorporação de poluentes
e a interferência destes no processo fotossintético dos liquens.
Os pontos I e IV apresentaram teores similares de clorofila “a” e
feofitina “a”, entretanto no primeiro os pigmentos mostraram-se
bastante elevados, indicando ser este uma área de transição, ao contrá-
rio do segundo que apresentou teores reduzidos, podendo ser
considerado uma área mais sujeita à poluição uma vez que a síntese de
pigmentos foi igualmente comprometida. Isto se deve, provavelmente,
a sua localização próximo a uma das vias de maior tráfego de veículos,
a Av. Magalhães Barata.
144
,SciELO/MPEG
11 12 13 14 15
Liquens como bioindicadores da qualidade do ar no Parque Zoobolãnico do MPEG
Sobre o ponto III não foi possível tecer informações precisas,
devido ao desaparecimento do experimento em fevereiro/96, deixando
uma lacuna no que se refere ao cruzamento de informações, sem, no
entanto, prejudicar a avaliação geral da área.
Os liquens dos pontos II e V apresentaram a síntese de pigmentos
também comprometida, apresentando baixos teores de todos os pig-
mentos, os quais foram reduzindo gradativamente até cessar
completamente no mês de março, com a morte dos liquens. No ponto
II, isso indica um nível elevado de poluição atmosférica que está rela-
cionado com sua localização próximo a uma das vias de intenso
tráfego de veículos, a Av. Gentil Bittencourt. No ponto V, isso pode
ser atribuído às condições de sombreamento do local e não à poluição
atmosférica, pois C. substellata é uma espécie que se desenvolve nor-
malmente em habitats extremamente expostos à luz solar. De acordo
com os dados do IPA, o quadrante 08, onde estava localizado o ponto
V, apresentou alto índice de Pureza Atmosférica, o mesmo ocorrendo
com o quadrante 05, ambos localizados no centro do parque e distante
das fontes poluidoras, estando protegidos pela barreira vegetal que
circunda a área.
Uma mesma espécie de fungo liquenizado pode apresentar
variações na sua composição química, dependendo das condições
microclimáticas a que estiver exposta. Legaz et al. (1986) referem a
influência do microclima sobre Cladonia verticillaris (Raddi) Fr.
ocorrente em solos arenosos de tabuleiros paraibanos. Em testes de
quantificação de pigmentos e fenóis, estes autores constataram que as
amostras localizadas sobre um dossel de Anacardium occidentale L.
possuíam maiores teores de pigmentos fotossintetizantes, enquanto as
que estavam expostas diretamente ao sol apresentavam maiores teores
de fenóis.
145
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 16(2), 2000
Devido à ausência de um estudo sobre as condições microcli-
máticas do parque, não foi possível analisar a influência de fatores
como temperatura, umidade e intensidade luminosa no desenvolvi-
mento e distribuição dos liquens. Tais dados, associados ao registro
das espécies de fungos liquenizados, podem gerar um interessante
trabalho de caráter fundamentalmente ecológico.
Os cálculos do IPA confirmaram os níveis de poluição constata-
dos nos pontos estudados no biomonitoramento ativo e possibi-
litaram uma avaliação geral da área, através do mapeamento do
índice de Pureza Atmosférica.
Os quadrantes localizados nas extremidades do parque foram os
mais afetados pela poluição atmosférica, uma vez que estavam mais
próximos das fontes poluidoras, com exceção dos quadrantes 03 e
09, que apresentaram altos índices de Pureza Atmosférica. Isto pode
ser devido, no quadrante 03, aos prédios construídos no local, que
podem estar funcionando como uma barreira de proteção contra a
ação dos poluentes; e, no quadrante 09, devido à presença de grandes
espaços não arborizados, o que permite maior eficácia do sistema de
ventilação natural, impedindo que os poluentes se acumulem no
local.
O quadrante 01, que apresentou o maior nível de poluição
atmosférica, está localizado na esquina da avenida Magalhães
Barata, via de intenso tráfego de veículos e próximo à curva de auto-
móveis, que pela necessidade de desaceleração e aceleração, libera
grandes quantidades de poluentes pelas descargas dos motores, além
disso, este quadrante apresenta grande densidade arbórea, o que
reduz o sistema de ventilação natural permitindo o acúmulo de
poluentes.
146
SciELO/MPEG
Liquens como bioindicadores da qualidade do ar no Parque Zoobotânico do MPEG
CONCLUSÃO
O presente estudo foi relevante no levantamento de dados a res-
peito da poluição atmosférica em uma área verde dentro da cidade de
Belém-PA, de grande importância, tanto histórica quanto por sua
diversificada vegetação, a qual está localizada no centro de um perí-
metro urbano e, desta forma, sujeita à ação dos poluentes emitidos
pelas descargas de veículos automotores.
Apesar de ser uma primeira abordagem sobre o problema da
poluição atmosférica no Parque Zoobotânico do MPEG, este trabalho
mostra o valor e a contribuição que os estudos utilizando liquens
podem dar para a avaliação da qualidade do ar em áreas urbanas.
O Parque apresentou pontos críticos, como o quadrante 01, loca-
lizado próximo ao cruzamento da Avenida Magalhães Barata e
Travessa 9 de Janeiro e, em contrapartida, observou-se, também,
pontos de baixo nível de poluição, como os quadrantes 05 e 08, loca-
lizados no centro do MPEG, o que demonstra que a poluição na área
está relacionada com a proximidade das fontes poluidoras, neste caso,
os veículos automotores que trafegam pelas avenidas entre as quais o
Parque se localiza.
De forma geral, apesar de sua localização, a qualidade do ar no
Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi pode ser
considerada relativamente boa, uma vez que dos doze quadrantes ana-
lisados apenas um foi considerado altamente poluído, sendo os demais
incluídos nas classes de médio e alto índice de Pureza Atmosférica.
AGRADECIMENTOS
Os autores são gratos ao administrador do Parque Zoobotânico
do Museu Paraense Emílio Goeldi, Sr. Rafael Nascimento Filho e ao
CNPq pela concessão de bolsa de iniciação científica.
147
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
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UFPB-Editora Universitária, 83p.
Recebido em: 22.09.99
Aprovado em: 31.10.00
150
CDD:584. 15098 121
CATASETUM RIGIDUM, CATASETUM BIFIDUM
E CATASETUM PALMEIRINHENSE:
NOVAS ESPÉCIES DE ORCHIDACEAE
PARA O ESTADO DO MARANHÃO, BRASIPl
Alvadir T. de Oliveira^
João Batista F. da Silva^
RESUMO - Três novas espécies do gênero Catasetum L.C. Rich. ex
Kiinth (Orchidaceae - Catasetinaej, subgênero Orthocatasetum, seção
Isoceras, estão sendo descritas e ilustradas para o Estado do
Maranhão. Catasetum rigidum apresenta afinidade com Catasetum
galeritum Reich.f, Catasetum bifidum está relacionada com Catasetum
ciliatum Barb. Rodr., enquanto que Catasetum palmeirinhense
apresenta maior afinidade com Catasetum seccoi Silva & Oliveira.
PALAVRAS-CHAVE: Catasetum, Orchidaceae, Taxonomia Vegetal.
ABSTRACT - Tree new species oftlie genus Catasetum L.C. Rich. ex
Kunth (Orchidaceae - Catasetinaej. subgenus Orthocatasetum, section
Isoceras, /ro/;! Maranhão State are described and illustrated. Catasetum
rigidum presents ajfinity with Catasetum galeritum Reich. fi, Catasetum
bifidum is related with Catasetum ciliatum Barb. Rodr., while
Catasetum palmeirinhense presents more ajfinity with Catasetum seccoi
Silva & Oliveira.
KEY WORDS; Catasetum, Orchidaceae, Plant Taxonomy.
’ Projeto Integrado do CNPq/Processo: 521148/96-0.
^ Engenheiro Agrônomo. Trav. Angustura, 4138. Marco. 66095-040. Belém-PA. Correio
eletrônico: alvadir@zipmail.com.br.
^ Orquidólogo. Trav. 14 de Março, 894, Bloco C, Apt‘’ 101, Umarizal. 66055-490. Belém-PA.
151
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
INTRODUÇÃO
O gênero Catasetum L.C. Rich. ex Kunth apresenta mais de cem
espécies, com ampla distribuição geográfica na América Tropical,
sendo que na Amazônia está muito bem representado, aparecendo em
todos os ecossistemas da região, nos mais variados habitats. Este
gênero apresenta maior diversidade nos estados do Amazonas e Pará
(Silva & Oliveira 1998).
Segundo da Silva & Silva (1998), o estado do Maranhão está
situado geograficamente em uma região de transição entre várias pro-
víncias fitogeográficas, limitando-se a leste com a região Nordeste, a
oeste com a Amazônia, ao norte com o oceano Atlântico e ao sul com
a região Centro-Oeste. Ao sul desse estado, encontra-se a vegetação
típica de cerrado, intercalada com transição deste com a caatinga e o
cerrado, onde são freqüentes os mananciais de águas perenes chama-
dos brejos.
Dando prosseguimento ao estudo sobre Catasetinae do estado do
Maranhão, foi feito um levantamento nos brejos desta região, onde
obteve-se grande quantidade de material botânico do gênero
Catasetum. As espécies foram encontradas em toda a extensão de
ocorrência da palmeira babaçu {Attalea speciosa Mart. ex Spreng.).
A palmeira babaçu apresenta a sua principal área de ocorrência nas fai-
xas de transição limítrofes da floresta latifoliada equatorial. Assim, no
estado do Maranhão vamos encontrá-la em grande quantidade, depen-
dendo de solos mais úmidos e localizando-se quase sempre nos vales.
As espécies coletadas na região do Brejo da Palmeirinha no
estado do Maranhão, não foram enquadradas em nenhuma já descrita
ou citada por Cogniaux (1904), Mansfeld (1932), Hoehne (1942),
Foldats (1969), Pabst & Dungs (1975), Miranda (1986) e Romero &
Jenny (1993).
152
2 3
5
SciELO/MPEG
Catasetum rígidum, Cataseium hifidwn e Catasetum palmeirinhense: novas espécies para o Maranhão
Catasetiim rígidum Oliveira & da Silva sp. nov.
Tipo. Brasil: Maranhão, município de Tum - Tum, J.B.F. da
Silva, 825. (MG: 156674) (Figura 1).
Epiphyta, injiorescentia pendula, floribns cwn sepalis et petalis
oblongo-lanceolatis; labello infero, carnoso, saccifonne, foraniine
frontali vel ostio sub-lanceolati; interne duobiis prominentiis
simetricis, in lobis lateralibiis labelli, et intraeas, qiiattuor callis
pimctiacutis, inclinatis erga saccuni labelli; sacco labelli profundo;
margine lobo rum lateralium dentata vel leviter fimbriata, elevata;
lobo tenninali sub-triangulari, fortiter carnoso, plano, laevi,
apiculado, marginibus laevibus; columna sub-triangulari, omnino
exposita,cum antennis parallelis.
Epífita, pseudobulbo verde, fusiforme, sulcado, ereto, 10,2 cm
compr., 0,3 cm diâm.; folhas verdes, lanceoladas, côncavas, 12 cm
compr., 3 cm larg.. Inflorescência masculina pendente, 1-3 aneladas;
brácteas amplexicaules, lanceoladas, 13 mm compr.; raque 20 cm
compr., 2,5 mm diâm.. Flores 7 ou mais, verde-claras, ressupinadas,
eretas, distribuídas em toda a raque; brácteas florais apressas aos
pedicelos, triangulares, 8 mm compr.; pedicelos verdes, cilíndricos,
ligeiramente arqueados, 25 mm compr., 2 mm diâm.; sépalas verde-
claras, oblongo-lanceoladas, côncavas, a dorsal ereta, as laterais
ligeiramente arqueadas para trás, 34 mm compr., 16 mm larg.; pétalas
verde-claras, oblongo-lanceoladas, convexas, eretas, 32 mm compr.,
16 mm larg.; labelo infero, formando ângulo de quase 90° com a
coluna, carnoso, sacciforme, abertura frontal ou óstio sublanceolado;
internamente com duas protuberâncias simétricas, uma em cada lobo
lateral do labelo e entre estas duas protuberâncias dispõem-se quatro
calos pontiagudos, sobrepondo-se para dentro do saco do labelo; saco
do labelo internamente amarelo-claro, externamente verde-claro.
153
SciELO/MPEG
Boi Mus. Para. Emílio Goekti, sér. Bot., 16(2), 2000
Figura 1 - Cataselum rigidiim - A. Hábito, B. Inflorescência, C. Labelo e coluna em
vista frontal, D. Labelo em corte longitudinal, E. Flor em vista lateral, F. Coluna,
G. Antera, H. Polinário mostrando polínias, 1. Partes da flor: Sépala dorsal - sd,
sépalas laterais - sl, pétalas - p.
154
Catasetum rigicliim, Catasetum bifidiim e Catasetum palmeirinhense: novas espécies para o Maranhão
profundo, 5 mm prof., 2 mm larg.; bordos dos lobos laterais denteado a
levemente fimbriado, elevados; lobo terminal subtriangular, forte-
mente carnoso, plano, liso, apiculado, bordos lisos; coluna verde-clara,
subtriangular, robusta, carnosa, totalmente exposta, estreitando-se para
a base, 15 mm compr., 5 mm larg.; antenas paralelas, quase o compri-
mento da coluna, passando nas laterais dos quatro dentes que estão
dentro do saco do labelo, 12 mm compr.; antera esbranquiçada,
subtriangular, 15 mm compr., 5 mm diâm., polínias 2.
ETIMOLOGIA: O epíteto específico provêm do latim rigidu,
"duro, com consistência, rijo", em alusão à consistência do labelo nas
flores masculinas.
Catasetum rigidum Oliveira & da Silva está incluída no subgê-
nero Orthocatasetum, seção Isoceras. Assemelha-se com Catasetum
galeritum Reich.f., diferenciando-se por apresentar inflorescência
pendente, flores pequenas, labelo com abertura frontal ou óstio
subtriangular; internamente apresenta duas protuberâncias simétricas,
uma em cada lobo lateral do labelo. Entre estas duas protuberâncias,
dispõem-se quatro calos pontiagudos sobrepondo-se para dentro do
saco do labelo; os bordos dos lobos laterais são elevados, denteados a
levemente fimbriados e a coluna é totalmente exposta.
Catasetum bifidum Oliveira & da Silva sp. nov.
Tipo. Brasil: Maranhão, município de Tum - Tum, J.B.F. da
Silva, 523. (MG: 156672) (Figura 2).
Epiphyta, inflorescentia sub-ereta, floribus cum sepalis et petalis
lanceolatis; labello supero, carnoso, sacciforme, foramine frontali
vel ostio sub-circulari; interne prope basin tribus longis dentibus
simetricis, punctiacutis; sacco labello profundo; margine labiorum
lateralium porrigente portionem elatum, bipartitam, parvis fimbriis
155
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi. sér. Boi., 16(2), 2000
Figura 2 - Catasetum bifidum - A. Hábito, B. Flor em vista lateral, C. Coluna,
D. Antera, E. Polinário mostrando polínias, F. Partes da flor: Sépala dorsal -sd,sépala
lateral - sl, pétala, - p; G. Labelo em corte longitudinal.
156
Catasetum riguiiim, Catasetum hifidian e Catasetum palmeirinhense: novas espécies para o Maranhão
assimetricis, pimctiacutis, interdwn bipartitis; lobo terminali leviter
plano, praedito longis fimbriis assimetricis, pimctiacutis, interdiim
bipartitis, versatis infrontem; columna sub-triangulari, cum antennis
parallelis.
Epífita, pseudobulbo verde, fusiforme, sulcado, subereto, 13 cm
compr., 3,5 cm diâm.; folhas verdes, lanceoladas, côncavas, 18 cm
compr., 5 cm larg.; Inflorescência masculina ereta, 1-3 aneladas; brác-
teas amplexicaules, lanceoladas, 6 mm compr.; raque 17 cm compr.,
0,3 mm diâm.. Flores 4 ou mais, verde-claras, ressupinadas, eretas,
distribuídas no terço superior da raque; brácteas florais apressas aos
pedicelos, triangulares, 10 mm compr.; pedicelos verde-claros, cilín-
dricos, arqueados no terço médio, 26 mm compr., 2 mm diâm.; sépalas
verde-claras, pintalgadas de vermelho, lanceoladas, côncavas, a dorsal
ereta, as laterais arqueadas para trás, a partir do terço médio até o
superior, com margens enroladas, 23 mm compr., 6 mm larg.; pétalas
verde-claras, pintalgadas de vermelho, lanceoladas, convexas, eretas,
21 mm compr., 8 mm larg.; labelo supero, formando ângulo de 90®
com a coluna, carnoso, sacciforme, abertura frontal ou óstio subcircu-
lar; apresentando internamente próximo à base três longos dentes
assimétricos, pontiagudos, 5 mm compr.; saco do labelo verde-claro,
profundo, 9 mm prof., 6 mm larg.; bordo dos lobos laterais apresen-
tando uma porção elevada, bipartida, com pequenas fimbrias
assimétricas, o restante dos bordos com longas fímbrias assimétricas,
pontiagudas, às vezes com ápices bífidos; lobo terminal levemente
plano, formado por longas fimbrias assimétricas, pontiagudas, às
vezes com ápices bífidos, voltadas para frente, 7 mm compr.; coluna
verde-clara, robusta, carnosa, subtriangular, estreitando-se para a
base, 19 mm compr., 5 mm larg.; antenas alaranjadas, paralelas, mais
da metade do comprimento da coluna, passando entre os longos dentes
que estão dentro do saco do labelo, 9 mm compr.; antera esbranqui-
çada, subtriangular, 6 mm compr., 3 mm diâm., polínias 2.
157
Boi. M 11 .S. Para. Emílio Goelcli, sér. Boi., 16(2), 2000
ETIMOLOGIA: O epíteto específico provêm do latim bifidii,
"bífido, dividido em duas partes, em geral na parte superior", em
alusão à forma das longas fímbrias de ápices bífidos no labelo das
flores masculinas.
Catasetiim bifidum Oliveira & da Silva está incluída no subgê-
nero Orthocatasetum, seção Isoceras. Assemelha-se com Catasetum
ciliatum Barb. Rodr., diferenciando-se por apresentar flores pequenas,
sépalas e pétalas lanceoladas; labelo com três longos dentes simétri-
cos, pontiagudos, internamente próximo à base; bordo dos lobos
laterais apresentando uma porção elevada, bipartida, com pequenas
fímbrias assimétricas; o restante dos bordos apresentando longas fím-
brias assimétricas, pontiagudas, às vezes, com ápices bífidos; o lobo
terminal levemente plano, formado por longas fímbrias assimétricas,
pontiagudas, às vezes com ápices bífidos, voltadas para frente.
Catasetum palmeirinhense Oliveira & da Silva sp. nov.
Tipo. Brasil: Maranhão, município de Tum - Tum, J.B.F. da
Silva, 510. (MG: 156673) (Figura 3).
Epiphyta, inflorescentia ereta, floribiis ciim sepalis et petalis
lanceolatis; labello supero, carnoso, sacciforme, foramine frontali vel
ostio sub-elliptico; interne prope basin tribiis longis dentibus
assimetricis, punctiacutis, centrali dente parvo, ternuioreqiie, interim
lateralibus maioribiis crassisque; sacco labelli profundo; margine
loboruni lateralium longis dentibus assimetricis, elevatis; lobo
terminali apiculado, sub-retangulari, leviter versato deorsum, cum
callositate elata, regione centrali, punctiacuta, prolongata ex intus
sacei labelli, marginibus lobi terminalis, formatis dentibus
assimatricis; columna sub-triangulari, cum antennis parallelis.
158
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
Epífita, pseudobulbo verde, fusiforme, sulcado, ereto, 9 cm
compr., 3 cm diâm.; folhas ausentes no exemplar estudado. Inflorescên-
cia masculina subereta, 1-3 aneladas; brácteas amplexicaules,
lanceoladas, 1 1 mm compr.; raque 23 cm compr., 3 mm diâm.. Flores 5
ou mais, verde-claras, ressupinadas, eretas, distribuídas no terço supe-
rior da raque; brácteas florais apressas aos pedicelos, triangulares,
10 mm compr.; pedicelos verde-claros, cilíndricos, 30 mm compr.,
2 mm diâm.; sépalas verde-claras, lanceoladas, côncavas, a dorsal ereta,
as laterais ligeiramente arqueadas para trás, 23 mm compr., 10 mm
larg.; pétalas verde-claras, pintalgadas de vermelho, lanceoladas, con-
vexas, eretas, 21 mm compr., 10 mm larg.; labelo supero, formando
ângulo de quase 90° com a coluna, carnoso, sacciforme, abertura frontal
ou óstio subelíptico; internamente próximo à base apresenta três longos
dentes simétricos, pontiagudos, 2-4 mm compr.; saco do labelo verde-
claro, profundo, 9 mm prof., 7 mm larg.; bordo dos lobos laterais com
longos dentes assimétricos, elevados, 5 cm compr.; lobo terminal apicu-
lado, subretangular, levemente voltado para baixo, com uma calosidade
elevada na região central, pontiaguda, que se prolonga de dentro do saco
do labelo; bordos do lobo terminal formado por dentes assimétricos;
coluna verde-clara, robusta, carnosa, ereta, subtriangular, estreitando-se
para a base, 16 mm compr., 4 mm larg.; antenas paralelas, mais da
metade do comrimento da coluna, 9 mm compr.; antera esbranquiçada,
subtriangular, rostrada, 7 mm compr., 2 mm diâm., polínias 2.
ETIMOLOGIA: O epíteto específico é uma homenagem dos
autores ao local de coleta da espécie (Brejo da Palmeirinha).
Catasetwn palineirinhense Oliveira & da Silva está incluída no
subgênero Ortiiocatasetuin, seção Isoceras. Assemelha-se com
Catasetiun seccoi Silva & Oliveira, diferenciando-se por apresentar o
labelo silpero, com abertura frontal ou óstio subelíptico; três longos
dentes simétricos localizados internamente, próximos à base; l^ordos
160
SciELO/MPEG
Catasetum rigidum, Caíasetum bifidum e Calasetum palmeirinhense: novas espécies para o Maranhão
dos lobos laterais com longos dentes assimétricos; lobo terminal apicu-
lado, subretangular, levemente voltado para baixo, com uma calosidade
elevada na região central, pontiaguda, que se prolonga de dentro do
saco do labelo.
AGRADECIMENTOS
Ao pesquisador Ricardo Secco (DBO/MPEG), pelas críticas e
sugestões; ao Pe. José Maria Albuquerque pela elaboração das
diagnoses latinas; ao Sr. Antônio Elielson Rocha (DBO/MPEG), pelas
ilustrações das espécies.
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Recebido em: 06.09.99
Aprovado em: 07. 1 1 .00
cm
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SciELO/MPEG
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CDD: 581.981152
COMPOSIÇÃO FLORÍSTICA DAS FORMAÇÕES
HERBÁCEAS DA RESTINGA DO CRISPIM,
MARAPANIM - PARÁ l
Salustiano Vilar da Costa Neto^
João Ubiratan Moreira Santos^
Maria de Nazaré do Canno Bastos^
Dário Dantas do AmaraN
Luiz Carlos Batista Lobato'*
RESUMO - Para a caracterização florísticas das formações halófila,
psamófda e brejo herbáceo da restinga do Crispim, no município de
Marapanim, estado do Pará, foram efetuadas coletas botânicas
aleatórias de espécies em floração e/ou frutificação. Todas as espécies,
num total de 19, foram ilustradas e descritas baseando-se em caracteres
morfológicos, e separadas com auxílio de chave. Os resultados
definiram três formações vegetais halófila, localizada em região plana,
logo após a zona de estirâncio, tem como espécies caracetrísticas
Sesuvium portulacastrum L. e Blutaparon portulacoides (St. Hill.)
Mears.; psamófila reptante, situada nas primeiras cristas praiais,
apresenta como espécies Ipomoea imperati (Valil.) Griseb. e Sporobolus
virginicus (L.) Kunth. e brejo herbáceo, que se encontra no reverso dos
primeiros cordões arenosos, onde predomina Fimbristylis spadicea (L.)
Vahl., Paspalum vaginatum Sw. e Sporobolus virginicus (L.) Kunth.
' Parte da Dissertação de Mestrado do primeiro autor, defendida no Curso de Agronomia -
Biologia Vegetal Tropical - Faculdade de Ciências Agrárias do Pará-FCAP.
^ lEPA-Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá. Rodovia JK,
km 10, s/n. Fazendinha, Macapá- AP.
FCAP-Faculdade de Ciências Agrárias do Pará. Professor Visitante. Av. Perimetral, s/n.
Caixa Postal: 917. 66077-530, Belém-PA.
PR-MCT/Museu Paraense Emílio Goeldi. Departamento de Botânica. Av. Perimetral 1901.
Caixa Postal; 399. 66017-970. Belém-PA.
163
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 16(2), 2000
PALAVRAS-CHAVE: Florística, Restinga, Amazônia.
ABSTRACT - In order to determine the floristic characteristics of
vegetation of the oceanic dunes of Crispim, Marapanim Municipality,
Pará State. Northern Brazil, botanical collections of flowering and
fruiting specimens were made. AU 19 species found in these plant
communities were illustrated and described, based on morphological
characteristics, and a taxonomic key for their identification was
prepared. The residts indicate that there are three halophyte vegetation
formations. The first is located on lhe flat surface just behind the tidal
zone and Sesuvium portulacastrum L. and Blutaparon portulacoides
(St. Hill.) Mears. Are the dominant species. The second formation is of
decumbent psammophytes and is located on the first beach crests.
Ipomoea imperati (Vahl.) Griseb. and Sporobolus virginicus (L.) Kiinth.
Are the dominant species. The third formation is of herbaceous swamp
vegetation and is located immediately inland of the first sandy beach
crests (swells). The predominant species are Fimbristylis spadicea (L.)
Vahl., Paspalum vaginatum Sw. and Sporobolus virginicus (L.) Kimth.
KEY WORDS: Floristic, Restinga, Amazon.
INTRODUÇÃO
A costa brasileira estende-se do Oiapoque, no Amapá, latitude
04°52’45” Norte, ao Arroio Chui, no Rio Grande do Sul, longitude
33°45’ 10” Sul, num total de 8.728 km de extensão. Desses, aproxima-
damente 5.000 km são ocupadas por restingas, tendo seu ponto
setentrional no estado do Pará, mais precisamente em Salvaterra, na
ilha de Marajó, a 0° de latitude (PNMA 1995).
Vários autores têm-se referido ao ecossitema restinga para a
costa brasileira, alguns deles classificando-o segundo características
da vegetação, geomorfológicas, geológicas, oceanográficas e climáti-
cas, destacando-se os trabalhos de Rizzini (1979), Guerra (1962),
Suguio & Tessler (1984), Suguio & Martin (1990) e Araújo (1992).
164
Outros autores vêm-se dedicando ao estudo da vegetação que
ocorre nesse ecossitema, destacando-se, notadamente, aqueles que tra-
tam da classificação das formações vegetais que o compõe como
Rawitscher (1944), Ule (1967), Araújo & Henriques (1984), Santos &
Rosário (1988), Pereira (1990), Waechter (1990), Costa-Neto (1995) e
Bastos (1996).
O trabalho visa a conhecer as espécies vegetais das formações
herbáceas da restinga da praia do Crispim, no município de Marapa-
nim-PA, contribuindo para o conhecimento da vegetação das planícies
arenosas e litorâneas do norte do Brasil, preenchendo, dessa forma,
algumas lacunas sobre o conhecimento e distribuição do ecossistema
restinga ao longo do litoral brasileiro.
MATERIAL E MÉTODOS
A área estudada está situada na praia do Crispim, a 8 km da vila
de Marudá, município de Marapanim, no litoral nordeste do estado do
Pará, entre as coordenadas geográficas 00°37’06” a 00°34’42”S e
47‘’40’24” a47°38’00” W (Figura 1).
Foram realizadas coletas de material botânico fértil, nos períodos
de maior intensidade pluviométrica (junho) e de menor intensidade
(novembro).
As coletas obedeceram à metodologia convencional. Cada
amostra foi composta de um ou mais ramo(s) florido(s), herborizada
segundo as técnicas habituais e de acordo com Fidalgo & Bononi
(1984).
Para a separação das especies construiu-se chaves analíticas e o
material foi comparado com material bem identificado por especialis-
tas que se encontra depositado no acervo do Herbário do Museu
Paraense Emílio Goeidi (MG). Os espécimes não identificados através
165
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
Figura 1 - Localização da área da restinga do Crispim, município de Marapanim-PA.
de chaves ou por comparação, foram enviados aos especialistas para
análise. No laboratório, foi procedida a rotina para a incorporação dos
espécimes no Herbário MG.
Neste trabalho adotou-se a definição de Araújo & Henriques
(1984) para restinga, como sendo o ecossistema adjacente ao oceano,
ocorrendo em planícies arenosas de origem quaternária.
As espécies amostradas no inventário florístico das formações
halófila, psamófila reptante e brejo herbáceo, da praia do Crispim,
166
foram comparadas com as listas dos levantamentos florísticos de onze
estados brasileiros, da Guiana Francesa e Suriname, Lima (1951,
1960), Lindeman (1953), Reitz (1961), Andrade (1967), Silva (1972),
Lindemann, et al. (1975), Granville (1976), Bresolin (1979), de
Grande & Lopes (1981), Trindade (1982), Araújo & Henriques
(1984), Pinto, et al. (1984), Soares (1984), Cordazzo (1985),
Cordazzo & Seeliger (1987), Cordazzo & Costa (1989), Danilevicz
(1989), Barros et al. (1991), Thomaz (1991), Pereira et al. (1992),
Cremers & Hoff (1993), Cabral Freire & Monteiro (1993), Oliveira-
Filho (1993), Thomaz & Monteiro (1993), Cordazzo & Seeliger
(1995), Pereira (1995) e Martins (1998).
O sistema de classificação adotado para a apresentação das famí-
lias foi o de Cronquist (1981).
As sinonímias das espécies estão baseadas no Index Keiwensis
(1893 - 1990).
As espécies provenientes dos inventários foram descritas basea-
das nos caracteres vegetativos, hábito, tipo de folha, filotaxia, forma,
ápice e base da folha, tipo de inflorescência, forma da flor, tipo de
fruto, entre outros.
A terminologia adotada para indicar a forma e tipo de indumento
das estruturas da planta foi baseada nos trabalhos de Lawrence (1951),
Radford et al. (1974) e Rizzini (1977).
O material examinado após a descrição de cada espécie, segue a
seguinte ordem de citação Estado, localidade, nome e número de
coletor, data e sigla do herbário.
As ilustrações foram feitas de material herborizado, com auxílio
de estereomicroscópico acoplado a uma câmara clara Zeiss.
167
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 16(2), 2000
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Florística
Na área analisada, restrita a vegetação herbácea, foram encontra-
das as formações halófila e psamófila, associados à cordões arenosos,
tal como ocorre em toda a costa brasileira, embora alguns autores
utilizem distintas terminologias (Lima 1960; Reitz 1961; Andrade
1967; Esteves 1980; Trindade 1982; Araújo & Henriques 1984; Pinto
et al. 1984; Pereira 1990a; Waechter 1990; Cabral Freire 1993;
Oliveira-Filho 1993), bem como a formação brejo herbáceo, locali-
zada no reverso do cordão arenoso (Reitz 1961; Araújo & Henriques
1984; Pinto et al. 1984; Pereira 1990; Waechter 1990; Bastos 1996;
Martins 1998).
Essas formações são mencionadas para todo litoral brasileiro,
com exceção do brejo herbáceo, que no Nordeste é citada para alguns
Estados.
Nas formações halófila, psamófila e brejo herbáceo foram encon-
tradas 19 espécies pertencentes a dez famílias (Tabela 1). A grande
maioria das espécies são de hábito herbáceo, com algumas lenhosas,
como Dalbergia ecastophyllum (L.) Benth., Chrysobalanus icaco L.
e, a parasita Cassytha filiformes L.
Ambrosia microcephala DC. e Centrosema brasilianum (L.)
Benth. são exclusivas da formação psamófila reptante. No brejo
herbáceo, seis das espécies referidas não ocorrem em outra formação,
destas, quatro são Cyperaceae.
As espécies encontradas nas três formações, foram descritas e
são separadas por meio da chave analítica. Para cada espécie
elaborou-se uma prancha ilustrativa.
168
Composição florística das formações herbáceas da restinga do Crispim, Marapanim-PA
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169
Sporobolus virginicus (L.) Kunth erva H,PR,BH
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 16(2), 2000
Chave de identificação das espécies
1. Planta parasita, sem folhas ou áfilas, caule alaranjado Cassytha fiUfonnis
r. Planta não parasitas, com folhas, caule de outras cores
2. Folhas compostas, frutos do tipo legume ou sâmara
3. Folhas opostas, flores com corola amarela Vigna liiteola
3’. Folhas alternas, corola de outras cores
4. Arbusto ereto, folhas compostas unifolioladas, frutos do tipo sâmara
Dalbergia ecastophyllum
A'. Erva volúvel ou reptante, folhas trifolioladas, fruto do tipo legume
5. Erva volúvel, escandente, estipulada, folhas ovadas a oblongas
Centrosema brasilianum
5’ Erva reptante, estolonífera, folhas obovadas, sem estipulas
Canavalia rosea
2’. Folhas simples, frutos de outros tipos
6. Folhas com bainha, nervuras paralelas
7. Caule cilíndrico, nodoso e oco nos entrenós, folhas com bainha fendida e
com lígula
8. Inflorescência com única panícula contracta, terminal, cilíndrica, com espi-
guetas distribuídas em todo ráquis Sporobolus virginicm
8’. Inflorescência com dois racemos terminais conjugados e divergentes,
achatados, com espiguctas distribuídas em apenas um dos lados
Paspalum vaginatum
T . Caule de secção triangular, sólido e sem nós, folhas com bainha fechada sem
lígula
9. Plantas com mais de um metro de altura, folhas com as margens totalmentc
serilhadas Cyperu.i ligularis
9’. Plantas entre 20 e 50 cm de altura, folhas com as margens lisas ou serriha-
das apenas no ápice
10. Folhas incompletas, reduzidas a bainha, inflorescência sem brácteas
foliáceas Eleocharis geniculata
10’ Folhas completas, inflorescência com brácteas foliáceas
170
2 3
5
SciELO/MPEG
1 1 . Planta atingindo 25 cm de altura, folhas com o ápice serrilhado, haste
escabrosa Pycreiis polystachyos
11 Planta atingindo entre 40 a 50 cm de altura, folhas com o ápice liso,
haste grabra
12. Folhas atingindo a metade de altura da haste, inflorescência con-
tracta, com raios aproximadamente do mesmo tamanho
Fimbristylis cyniosa
12’. Folhas ultrapassando a altura da haste, inflorescência laxa, raios
desiguais entre si Fimbristylis spadicea
6’. Folhas sem bainha, nervuras não paralelas
13. Folhas opostas
14. Plantas não estoloniferas, latescentes, pecioladas, cartáceas, flor solitária,
gamopétala, branca Rhabdadenia biflora
14’. Plantas sem essas características
15. Flores solitárias, axilares e terminais, sem brácteas protetoras, tépalas
róseas Sesuvium portidacastnon
15’. Flores em inflorescências terminais tipo gromérulo, pétalas brancas,
protegidas por brácteas paleáceas Blutaparon portulacoides
13’. Folhas alternas
16. Arbusto, corola dialipétala, fruto carnoso Chrysobalanus icaco
16’. Erva, corola gamopétala, fruto seco
17. Folhas pinatifidas, inflorescência em racemo de capítulos terminais,
fruto aquênio Ambrosia microcephala
17’. Folhas de outras formas, inflorescência cimosa ou flores solitárias,
axilares, planta latescente, frutos de outros tipos
18. Folhas orbiculares, semi-orbiculares, reniformes, ovais, obovadas à
elípiticas, limbo inteiro, flores lilases Ipomoea pes-caprae
18’. Folhas lineares, lanccoladas, oblongas, limbo freqUentemente com
dois a três lobos, flores brancas com o centro amarelado
Ipomoea imperati
171
SciELO/MPEG
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 16(2), 2000
Lauraceae
Cassytha filifonnis L. Sp. Pl. 35. 1753.
Cassytha americana Nees., Syst. Laurin. 644.
Cipó parasita. Ramo glabro, alaranjado, fixadado ao hospedeiro
através de haustório. Folhas ausentes. Inflorescência em racemo,
flores e botões florais esverdeados. Fruto globoso.
Espécies rara nas formações psamófila reptante e brejo herbáceo.
(Figura 2).
Material examinado: BRASIL. PARÁ: Marapanim, Restinga do
Crispim. Costa Neto et al. 30, 1 l/lV/97 (MG), ibidem. Bastos et al.
999, 14/V1/91 (MG).
Fabaceae
Vigna luteola (Jacq.) Benth. in Mart. Fl. Bras. 15(1): 194. 1859.
Dolichos luteolus Jacq. Hort. Vindob. 1:39. 1770.
Phaseolus luteolus (Jacq.) Gagnep. in Le Cointe, Fl. Gen. Indo-Chine,
2:229. 1916.
Erva volúvel, perene. Ramos glabros. Folhas compostas, trifolio-
ladas, opostas, pecioladas, glabras em ambas as faces, membranáceas,
ovais, ápice agudo e base obtusa. Inflorescência em racemos axilares,
corola amarela. Fruto legume seco, multiseminado.
Especie comum na formação psamófda reptante e brejo herbáceo
(Figura 3).
Material examinado: BRASIL. PARÁ: Marapanim, Restinga do
Crispim, MG. Costa Neto et al. 21, 1 l/IV/97 (MG), ibidem, Bastos
etal. 929, 14/V1/91 (MG).
172
Pigura 2 - Cassyíha filiformis L. - Lauraceac (S.V. Costa Neto et al. 30): A - hábito
um ramo; B - inflorescência; C- flor; D - fruto.
173
SciELO/MPEG
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
Figura 3- Vigna luteola (iacq.) Benth.-Fabaceae(S.V. Costa Neto a/. 21): A- hábito
de um ramo; B - flor ; C - inflorescência e fruto.
174
Dalbergia ecastophyllum (L.) Taub. in Engl. & Prantl: Naturl.
Pflanzenfan, vol. III, 3. 1894.
Pterocarpus ecastaphyllum (L.) A Murray in Linnaeus, Syst. Veg., ed.
13:533. 1774.
Arbusto de aproximadamente dois metros de altura. Ramos glabros.
Folhas compostas, alternas, pecioladas, unifolioladas, glabras em
ambas as faces, cartáceas, elípticas a ovadas, ápice agudo e base obtusa.
Inflorescência axilar. Fruto seco sâmaróide, com uma única semente.
Fspécie comum na formação brejo herbáceo (Figura 4).
Material examinado: BRASIL. PARÁ: Marapanim, Restinga do
Crispim, MG. Costa Neto et al. 23, l/IV/97.
Cenírosema brasilianum (L.) Benth. Comm. Leg. Gen.: 54. 1837.
Clitoria brasiliana Linn. Sp. Pl. 753. 1753.
Bradburya brasiliana Kunth. Rer. Gen. 164. 1891.
Erva volúvel, perene. Ramos glabros, estipulas triangulares.
Folhas compostas, trifolioladas, pecioladas, alternas, folíolos glabros
em ambas as faces, membranáceos, ovado-oblongos, elípticos, ápice
agudo, base obtusa. Flores solitárias ou agrupadas em racemos
axilares, corola violácea. Fruto legume seco, multiseminado.
Espécie rara na formação psamófila reptante (Figura 5).
Material examinado: BRASIL PARÁ: Marapanim, Restinga do
Crispim, Bastos et a/. 930, I4A^I/91 (MG).
Canavalia rosea (Sw.) DC. Prodr. 2:404. 1825.
Dolichos maritimus Aubl. Pl. Gui. 2:765. 1775.
Doliclios obtusifolius Lam. Encyc. 2:295. 1786.
Dolichos roseus Sw. Prod. Veg. Ind. Occ. 105. 1788.
Canavalia maritima Thouars. in Desv. Joum. Bot. 1:80. 1813.
Canavalia obtusifolia DC. Prod. 2:404. 1825.
175
SciELO/MPEG
Boi. Mus. Para. Emílio Coekli, sér. Bot., 16(2), 2000
Figura 4 - Dalbergia ecaslophyllum (L.) Taub. - Fabaceae (S.V. Costa Neto et al. 23):
A - bábito cie um ramo; B - flor; C - fruto.
176
SciELO/MPEG
Figura 5 - Centrosema brasilianum (L.j Benth. - Fabaceae (Bastos et al. 930);
A - hábito de um ramo com flor e fruto.
SciELO/MPEG
Boi. Mus. Para. Emílio Gneldi, sér. Boi.. 16(2). 2000
Erva perene, reptante, estolonífera. Ramos glabros. Folhas com-
postas, trifolioladas, pecioladas, alternas, folíolos glabros em ambas
as faces, carnosos, obovados, ápice emarginado mucronado, base
obtusa. Inflorescência em racemo axilar, corola lilás. Fruto legume
seco, multiseminado.
Dominante na formação psamófila reptante e em locais com
grande movimentação de areia, atuando como fixadora (Figura 6).
Material examinado; BRASIL. PARÁ; Marapanim, Restinga do
Crispim, Costa Neto et al 22, 1 l/IV/97. (MG), ibidem, Bastos et al
924, 14/VI/91 (MG).
Poaceae
Sporobolus virginicus (L.) Kunth. Kunth, Rév. Gram. 1;67. 1829.
Agrostis virginica L., Sp. Pl. 63. 1753.
Agrostis littoralish 2 Lm.,T?Lh\. Encycl. 1; 161. 1791.
Vilfa virginica (L.) Beauv., Ess. Agrost. 16, 182. 1812.
V/7/a //tíora/A Beauv., Ess. Agrost. 16, 147, 181. 1812.
Sporobolus littoralis (Lam.) Kunth, Rév. Gram. 1; 68. 1829.
Erva perene, rizomatosa. Colmos ascendentes, glabros, cilíndri-
cos, com nós e entrenós. Folhas simples, alternas, com bainhas
lineares, grabras em ambas as faces, membranáceas, ápice agudo.
Inflorescência em panícula terminal contracta, cilíndrica, com espi-
guetas distribuídas em todo o ráquis.
Abundante na área estudada, presente nas três formações vegetais
(halófila, psamófila reptante e brejo herbáceo) (Figura 7).
Material examinado; BRASIL PARÁ; Marapanim, Restinga do
Crispim, Costa Neto et al 15, I l/IV/97 (MG) ibidem. Bastos et al
922, 14/VI/9L
178
SciELO/MPEG
Figura 6 - Canavalia rosea (Sw.) DC. - Fabaceae (S.V. Costa Neto et cil. 22):
A - hábito de um ramo; B - inflorescência; C - fruto e semente.
179
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
Figura 7 - Sporobolus virginicus (L.) Kunth. - Poaceae (S.V. Costa Neto et al. 15):
A - hábito de um ramo; B - inflorescência, C - flósculo, D - lígula.
cm
180
SciELO/MPEG
Paspalum vaginatiim Sw. Prodr. Veg. Ind. Occ. 21. 1788.
Digitaria foliosa Lag., Gen. et Sp. Nov.4. 1816.
Paspalum tristachyiim (Schult) Le Conte, Jour. Phys. Chym. 91; 285. 1820.
Digitaria tristachya Schult., Mantisa 2; 261. 1824.
Paspalum brachiatum Trin. Ex Nees, Agrost. Bras. 62. 1829.
Paspalum folioswn (Lag.) Kunth., Rév. Gram. 1: 25. 1829.
Paspalum kleineanum Presl., Rei. Haenk. 1: 209. 1830.
Paspalum inflatum A Rich. in Sagra, Hist. Cuba 11; 298. 1850.
Paspalum distichum var. tristachyum Wood, Class-Book ed.3. 783. 1861.
Paspalum distichum var. vaginatum Swartz. Ex Griseb. Fl. Brit. W.
Ind. 541. 1864.
Paspalum reptans Poir. Ex Doell in Mart. Fl. Bras. 2; 75. 1877.
Paspalum vaginatum var. nanum Doell in Mart., Fl. Bras. 2; 75. 1877.
Paspalum reimarioides Chapm., Fl. South. U. S. 665. 1883.
Paspalum vaginatum var reimarioides Chapm., Fl. South. U. S. ed 3.
577. 1897.
Paspalum distichum var nanum Stapf in Dyer, Fl. Cap. 7; 371. 1898.
Sanguinaria vaginata (Swartz) Bub., Fl. Pyren. 4; 258. 1901.
Paspalum didactylum var. anpinense Hayata. Icon. Pl. Formosa. 7; 54,
27. 1918.
Erva perene, rizomatosa. Colmos ascendentes, glabros, cilíndri-
cos, com nós e entrenós. Folhas simples, lineares, opostas, com bainha,
glabras em ambas as faces, membranáceas, ápice agudo. Inflorescência
com dois racemos terminais conjugados e divergentes, achatados, com
espiguetas distribuídas em apenas um dos lados. Dominante na forma-
ção psamófila reptante c brejo herbáceo (Figura 8).
Material examinado; BRASIL. PARÁ; Marapanim, Restinga do
Crispim, Costa Neto et al. 14, 1 l/IV/97 (MG), ibidem. Bastos et al,
923, I4/VI/91 (MG), ibidem, idem 940, 14/V1/91 (MG).
181
cm
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 16(2), 2000
Figura 8 - Paspalwn vaginatiim Sw. - Poaceae (S.V. Costa Neto et cil, 14): A - hábito
de um ramo; B - ráquis; C - lígula.
182
Cyperaceae
Cyperus ligularis L. Amoen. Acad. V.31. 1759.
Mariscus rufus H.B.K. Nov. Gen. et Sp. 1. 216. t. 67. 1815
Mariscus ligularis Urb. Symb. Antill. 2.165. 1900
Erva perene de aproximadamente 1,20 m de altura. Haste trian-
gular, glabra. Folhas simples, rosuladas, glabras em ambas as faces,
coriáceas, lineares, com bainha, ápice agudo, com margens serrilhadas.
Inflorescência corimbo de umbela.
Forma pequenas moitas isoladas na formação brejo herbáceo
(Figura 9).
Material examinado: BRASIF. PARÁ: Maracanã, Restinga de
Fortalezinha, Lobato 1563, 22/1/94 (MG).
Eleocharis geniculata (L.)Roem & Schult, Syst. Veg. 2:150. 1817.
Scirpus geniculatus L. Sp. Pl. 48. 1753.
Scirpus caribaeus Rottb. Desc. Nov. Pl. 46; Prog.24.
Scirpus capitatus Will ex Kunth, Enum. Pl. 2:145.
Eleocharis capitata (Will ex Kunth)R. Br. Prod. 225. 1810
Eleocharis microformisVíüódty .InVroá. Acad. Sc. Philad. 10. 1862. 1863.
Eleocharis caribaea (Rottb.) Blake in Rhodora, 10: 24. 1918.
Eleocharis setacea R. Br. Prod. 225
Erva anual ca. 20 cm de altura. Haste triangular, glabra. Folhas
reduzidas à bainha, fundidas na base da haste. Inflorescência captuli-
forme, terminal.
Espécie freqüente na formação brejo herbáceo (Figura 10).
Material examinado: BRASIL. PARÁ: Marapanim, Restinga do
Crispim, Costa Neto et al. 20, 1 l/lV/91 (MG), ibidem. Bastos et al.
926, 14/VI/9I (MG).
183
SciELO/MPEG
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
Figura 9 - Cyperiis ligiüaris L. - Cyperaceae (L.C.B. Lobato 1.563); A - hábito;
B - espiga; C - inflorescência.
184
SciELO/MPEG
15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 16(2), 2000
Pycreus polystachyos (Rottb.) P.Beauv. Fl. Owar. 2: 48, t.86. 1807
Cypems polystachyus Rottb. Desc. Nov. Pl. 39, Prog. 21. 1778.
Cyperus scopellatus Rich. In Act. Soc. Hist. Nat. Par. 1:106. 1792.
Cyperus microdontus Torrey in Ann. Lyc. N. York. 3:255. 1836.
Cyperus fugax Lieb. in Vidensk. Seisk. Ski'. V.2:196. 1851.
Cyperus texensis Steud. Syn. Pl. Cyp. 9.
Cyperus paniculatus Rottb. Desc. Nov. Pl. 40, Prog. 22.
Cyperus filicinus Vahl., Enum. 2:332.
Pycreus odoratus, Urb. Symb. Antill. 2: 164.
Erva perene ca. 25 cm de altura. Haste triangular, escabrosa no
ápice. Folhas simples, rosuladas, grabras em ambas as faces, membra-
náceas, lineares, com bainha, serilhadas no 1/3 distai, ápice agudo.
Inflorescência em umbela.
Espécie comum na formação brejo herbáceo (Figura 1 1).
Material examinado: BRASIL. PARÁ: Marapanim, Restinga do
Crispim, Costa Neto et al. 18, 1 1/IV/97(MG). ibidein. Bastos et al.
928, 14/VI/91 (MG).
Fimbristylis cymosa R.Br., Prod. 228.
Scirpus glomeratus Retz. Obs. 4:11
Scirpus obtusifolius Lam. Illustr. 1:141
Fimbristylis glomerata (Retz) Urb. Symb. Antill. 2:166
Fimbristylis obtusifolia (Lam.) Kunth, Enum. Pl. 2:240
Fimbristylis spathacea Roth, nov. Pl. Sp. 24
Fimbristylis multifolia Boeck in Linnaea, 38: 397.1874
Fimbristylis sintenisii Bockeler in Bot. Jahrb. 7:276. 1886.
Fimbristylis cymosa R. Br. Subsp. spathacea (Roth.) Koyama in J.
Jap. Bot., 46(3):66. 1971.
186
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi.. 16(2), 2000
Erva perene ca. 40 cm de altura. Haste triangular, glabra. Folhas
simples, rosuladas, glabras em ambas as faces, membranáceas, linea-
res, com bainha, ápice agudo, não ultapassando metade do tamanho da
haste. Inflorescência congesta ou contracta, em corimbo de umbelas.
Espécie comum na formação brejo herbáceo (Figura 12).
Material examinado; BRASIL. PARÁ: Marapanim, Restinga do
Crispim, Bastos et al. 957, 14/VI/91 (MG).
Fiinbristylis spadicea (L.)Vahl. Enum. 2: 294. 1806.
Scirpiis spadiceiis L. Sp. Pl. 51. 1753.
Scirpus castaneus Mich. Fl. Bor. Am. 1.31.
Scirpiis dorningensis Pers. Syn. 1. 67.
Sirpus pubendus Mich. Fl. Bor. Am. 1.31.
Fimbristylis castanea (Mich.) Vahl., Enum. 2:292.
Fimbristylis cylindrica Vahl. Enum. Pl. 2: 222.
Fimbristylis speciosa Rohde ex Sreng. Pugill. 1: 5.
Fimbristylis sterilis Nees in Linnaea. 9; 240. 1834.
Fimbristylis iimbellata Schrad ex Nees in Mart. Fl. Bras. 2: 73.
Erva perene de aproximadamente 50 cm de altura. Haste triangu-
lar, glabra. Folhas simples, rosuladas, glabras em ambas as faces,
membranáceas, lineares, com bainha, ápice agudo. Inflorescência
espiciforme, em dicásio, laxa, com 6 a 12 raios desiguais entre si, não
ultrapassando o tamanho das folhas.
Espécie dominante na formação brejo herbáceo (Figura 13).
Material examinado: BRASIL. PARÁ: Marapanim, Restinga do
Crispim, Costa Neto et al. 16, 1 l/IV/97 (MG), ibidem. Bastos et al.
932, 14/VI/91.
188
SciELO/MPEG
Figura 12 - Fimbristylis cymosa R. Br. - Cyperaceae (M.N. do C. Bastos et al. 957):
A - hábito; B - espiga.
189
SciELO/MPEG
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
Figura 1 3 - Fhnbrislylis .spadicea (L.)Vahl. - Cyperaceae (S. V. Costa Neto et al. 16):
A - hábito; B - espiga.
190
Apocynaceae
Rhabdadenia biflora (Jacq.) M.Arg. in Mart. Fl. Bras. 4, 1, 175. 1860.
Echites biflora Jacq. Prodr. VIll. 450
Erva perene. Ramos cilíndricos, delgados, glabros. Folhas
opostas simples, pecioladas, glabras em ambas as faces, cartáceas,
oblongo-ovatas, ápice cuspidado, base aguda. Flores solitárias, axila-
res e terminais, corola gamopétala, infundibuliforme, branca, centro
amarelado, lobos obovados.
Espécie rara na formação brejo herbáceo (Figura 14).
Material examinado: BRASIL. PARÁ: Marapanim, Restinga do
Crispim, Bastos e/ a/. 939, 14/VI/91 (MG).
Aizoaceae
Sesiivium portulacastrinn L. Syst., ed. 10. 1058. 1759.
Portulaca portulacastrum (L.) L. Sp. Pl. 446. 1753.
Sesuvium revolutifolium Ortega. Hort. Mart. Dec. 19. 1797.
Sesuvium pedimcidatum Pers., Syn. 2:39. 1806.
Sesuvium sessile Pres. Syn. 2: 39. 1806.
Sesuvium acutifolium Mique in Hoev. & De Vriese, Tijdschr. 10: 75. 1 843.
Sesuvium sessiliflorum Domb. ex Rohrb. in Mart. Fl. Bras. 14.2. 310. 1872.
Aizoon montevidense Spreng. Ex Rohr, in Mart. Fl. Bras. 14. 2. 310. 1872.
Sesuvium ortegae Spreng. Nachr. 1. Bot. Bart. Halle, 1:36. 1891.
Halimus portulacastrum (L.) Ktze., Rer. Gen. 1:263. 1891.
Erva perene, formando estolhões bastante ramificados, glabros.
Folhas simples, decussadas, sésseis, glabras em ambas as faces, carno-
sas, lineares a obovatas, ápice e base agudos. Flores pequenas,
solitárias, axilares ou terminais, tépalas róseas com apêndices verdes.
Dominante na formação halófila e comum no brejo herbáceo
(Figura 15).
191
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 16(2), 2000
Figura 14 - Rhabdadenia biflora (Jacq.) M. Arg. - Apocynaceae (M.N. do C. Bastos
et al. 939); A- hábito de um ramo com flores.
192
/I
Figura 15 - Sesuvium portulacastmm L. - Aizoaceae (S.V. Costa Neto et al. 11):
A - hábito de um ramo; B - flor.
193
SciELO/MPEG
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi.. 16(2), 2000
Material examinado: BRASIL. PARÁ: Marapanim. Restinga do
Crispim. Costa Neto et al. 11, 1 l/IV/97 (MG), ibideni. Bastos et al.
925, 14/VI/91 (MG).
Amaranthaceae
Bliitaparon portiilacoides (St. Hill.) Mears. inTaxon, 31(1):1 15. 1982.
Iresine portidacoides (St. Hill.) Moq. in DC. Prod. 13.2.341. 1849.
Philoxerus portidacoides St. Hill., Voy. Bras. 2: 436. 1833.
Erva perene, com estolhões cilíndricos, ramificados e glabros.
Folhas simples, decussadas, sésseis, glabras em ambas as faces, carno-
sas, lineares a lanceoladas, com nervuras proeminentes na face dorsal,
ápice e base agudos. Inflorescência capituliforme, axilar e terminal,
corola branca protegida por brácteas paleáceas.
Dominante da formação halófila. Esta população é parcialmente
ou totalmente destruída durante o período de marés de equinócio, de
sizígia e de tempestades (Figura 16).
Material examinado: BRASIL. PARÁ: Marapanim, Restinga do
Crispim, Costa Neto et al. 12, 1 l/IV/97 (MG), ibidem. Bastos et al.
1.023, 14/VI/91 (MG).
Chrysobalanaceae
Chrysobalanus icaco L. Sp. Pl. 1:513. 1753.
Pruniis icaco Labat. Itin. Am. 3:30. 1722.
Chrysobalanus purpurens Miller, Gard. Dict. ed. 8(2). 1768.
CInysobalanus pellocaipus G.F.W.Meyer, Prim. Fl. Esseq. 193. 1818.
Chrysobalanus ellipticus Solander ex Sabine, Trans. Hort. Soc.
London 5:453. 1824.
Chrysobalanus orbicularis Schumacher, Beskr. Guin. Pl. 232. 1827.
Chrysobalanus icaco var. pellocarpus (G.F.W.Meyer) Hoocker f., in
Mart. Fl. Bras. 14(2):7. 1867.
194
SciELO/MPEG
15
Figura 1 6 - BJutaparon portulacoides (St. Hill.) Mears. - Amaranthaceae (S. V. Costa
Neto et al. 12): A - hábito de um ramo; B - flor, C - inflorescência.
195
SciELO/MPEG
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Dot., 16(2), 2000
Chrysobalanus icaco var. elUpticus (Solander ex Sabine) Hoocker f.,
in Mart. Fl. Bras. 14(2):7. 1867.
Chrysobalanus savannanim Britton, Buli. Tpn'ey Club 48:331. 1922.
Chrysobalanus interior Small, Man. S. e fl. 645. 1933.
Chrysobalanus icaco var. genuinus Stehle & Quentin, Fl. Guad. & Dep.
& Mart. 2(3): 48. 1948.
Arbusto de ca. dois metros de altura. Ramos glabros, lenticela-
dos. Folhas simples, alternas, pecioladas, glabras em ambas as faces,
coriáceas, obovadas, ápice levemente emarginado, base obtusa.
Inflorêscencia em racemos terminais e axilares, corola dialipétala,
branca. Fruto carnoso, globoso, cor vermelho, preto ou róseo.
Espécie rara, com apenas indivíduos jovens, na formação psamó-
fila reptante e brejo herbáceo (Figura 17).
Material examinado: BRASIL. PARA: Marapanim, Restinga do
Crispim, Costa Neto et al. 28, 1 l/IV/97 (MG).
Asteraceae
Ambrosia microcephala DC. Prod. v 527. 1825.
Erva perene. Ramos glabros. Folhas simples, alternas, peciola-
das, pinatifídas, glabras em ambas as faces, membranáceas, ápice e
base aguda. Inflorescências terminais em racemos de capítulos, corola
branca, tubulosa. Fruto aquênio.
Espécie comum na formação psamófila reptante (Figura 18).
Material examinado: BRASIL. PARÁ: Marapanim, Restinga do
Crispim, Costa Neto et al. 26, 1 l/IV/97 (MG), ibideni. Bastos et al.
951, 14/VI/91 (MG), ibidem, idem 1.089, 14/VI/91 (MG).
196
SciELO/MPEG
15
Figura 17 - Chrysobalanus icaco L. - Chrysobalanaceae (S.V. Costa Neto et al. 28):
A - hábito de um ramo com fruto, B - flor.
197
Boi. Mu.'!. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., \6{2). 2000
Figura 1 8 - Ambrosia microcephala DC. - Asteraceae (S. V. da Costa Neto et al. 26):
A - hábito de um ramo com inflorescência; B - inflorescência; C - flor, D - folhas.
198
SciELO/MPEG
Convolvulaceae
Ipomoeapes-caprae (L.)Rottb. inTuckey, Marr. Exped. R. Zaire, 477. 1818.
Convolviiliis pes-caprae L., Sp. Pl. 159. 1753
Convolviilus brasiliensis L., Sp. Pl. 159. 1753
Ipomoea pes-caprae ssp. brasiliensis (L.)Van Ooststroom, Blumea. 3:
533, 1940
Erva perene, reptante, estolonífera. Ramos glabros. Folhas
simples, alternas, pecioladas, glabras em ambas as faces, cartáceas,
geralmente de disposição unilateral, orbiculares, semi-orbiculares,
reniformes, ovais, obovadas a elípticas, ápice emarginado e base
obtusa. Flores solitárias ou em dicásio, axilares, corola gamopétala,
lilás, infundibuliforme. Fruto capsular, ovoide.
Espécies comum na formação psamófila reptante e raro no brejo
herbáceo. Eficaz na fixação de sedimentos (Figura 19).
Material examinado: BRASIL. PARÁ: Marapanim, Restinga do
Crispim, Costa Neto et al. 24, 1 l/IV/97 (MG), ibidem. Bastos et al.
927, 14A^I/91 (MG).
Ipomoea imperati (Vahl) Griseb. Cat. Pl. Cubens, 203. 1866.
Convolvulus sinuatus Petagna, Inst. Bot. 2: 353. 1787.
Convolvuliis stoloniferus Cirilli, 01. Rar. Neapol. 1: 14, t. 5. 1788.
Convolvulus imperati V di\\\, Symb. Bot. 1: 17. 1790.
Batatas littoralis (L.) Choisy. Convolv. Diss.Sel. 1837, pro part.
Ipomoea littoralis (L.) Choisy, Fl. Or. 4: 112. 1879
Ipomoea stolonifera Gmelin, Syst. Nat. 2: 345. 1971.
Ipomoea acetasaefolia (Vahl) Rom. & Sch., Syst. Veg. 4: 246. 1919.
Erva perene, reptante, estolonífera. Ramo glabro. Folhas simples,
alternas, pecioladas, glabras em ambas as faces, cartáceas, lineares,
lanceoladas a oblongas, ápice truncado, base obtusa ou truncada.
margem freqüentemente com dois a três lobos. Flores solitárias ou em
dicásio, axilares, corola gamopétala, branca, infundibuliforme, com o
interior amarelado. Fruto capsular, globoso.
Espécie dominante na formação psamófda reptante (Figura 20).
Material examinado: BRASIL. PARÁ: Marapanim, Restinga do
Crispim, Costa Neto et al. 25, 1 l/IV/97 (MG), ibidem. Bastos et al.
931, 14/VI/91 (MG).
Distribuição Geográfica das Espécies
A maioria das espécies encontrada nas três formações (Tabela 2),
possuem ampla distribuição geográfica na costa brasileira, Guiana e
Suriname, exceto Ambrosia microcephala DC. e Rhabdadenia biflora
(Jacq.) M. Arg. que são restritas às restingas dos estados do Pará e
Maranhão, sendo que a última ocorre até o Suriname.
201
SciELO/MPEG
Boi. Mus. Para. Ernãio Goeldi, sér. Bot., 16{2), 2000
Figura 20 - Ipomoae imperati (Vahl) Griseb. - Convolvulaceae (S. V. Costa Neto
et al. 25): A- hábito de um ramo com flor; B- fruto; C- sépala.
202
SciELO/MPEG
Composição florística das formações herbáceos do restinga do Crispim, Maroponim-P A
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Boi, Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot.. 16(2), 2000
Dentre as espécies com ocorrência ao longo da costa,
Chrysobalanus icaco L. é referida por Prance (1989) e Klein (1984)
com limite austral, no Estado de São Paulo, Ipoinoea pes-capre Roth e
Ipomoea imperati (Vahl) Griseb. são encontradas até no Estado de
Santa Catarina (Reitz 1961), embora Waechter (1990) mencione
Ipomoea pes-capre Roth para Torres, no litoral do Rio Grande do Sul.
A não citação de determinados Estados costeiros na distribuição
geográfica das espécies, deve-se à inexistência ou existência de poucos
trabalhos sobre a flora da restinga.
CONCLUSÃO
Na restinga do Crispim, no sentido mar continente, entre as for-
mações estudadas, a primeira é a halófila, encontrada após a zona de
estirâncio, seguida da psamófila reptante, nas primeiras cristas praiais,
e por último, no reverso das cristas praiais, o brejo herbáceo. Há um
incremento no número de espécies por formações, à medida que elas
se afastam da linha de praia.
Nestas formações, as espécies são predominantemente de hábito
herbáceo, estolonífero ou rizomatoso, folhas carnosas ou cartáceas,
frutos geralmente secos (aquênio, cariopse e legume), provavelmente
por estarem sujeitas a salinidade, altas temperaturas, ação do vento e
movimentação de areia.
A formação halófila caracteriza-se pela presença de Blutaparon
portulacoides (St. Hill) Mears. e Sesuvium portulacastriim L., e sua
cobertura vegetal é parcialmente ou totalmente destruída durante as
marés de equinócios, sizígias e tempestades.
Na formação psamófila reptante são predominante as espécies
Ipomoea pes-caprae (L.) Rottb., Ipomoea imperati (Vahl) Griseb,
204
cm
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Canavalia rosea (Sw.) DC. e Ambrosia microcephala DC., podendo
ser consideradas como as espécies que a caracterizam.
No brejo herbáceo as famílias Poaceae e Cyperaceae são
as dominantes absolutas, tendo a última a maior riqueza de espécies.
Esta formação caracteriza-se pelas espécies Cyperus ligularis L.,
Eleocharis geniculata (L.) Roem & Schult., Fimbristylis cymosa R. Br.,
Fimbristylis spadicea (L.) Vahl. e Pycreus polystachyos (Rottb.) Beauv.
AGRADECIMENTOS
À CAPES pela concessão da bolsa de Mestrado no Curso de
Agronomia - Biologia Vegetal Tropical da Faculdade de Ciências
Agrárias do Pará; e ao ilustrador botânico Antônio Elielson Rocha.
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Recebido em: 04.1 1.99
Aprovado em; 07.1 1.00
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CDD: 581.9811
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ASTEROPHORUM SPRAGUE (TILIACEAE);
UMA NOVA OCORRÊNCIA PARA
A AMAZÔNIA BRASILEIRA
Ricardo de S. Secco^
RESUMO - O gênero Asterophorum Sprague é registrado pela
primeira vez para a Amazônia brasileira. Antes, era conhecido apenas
para o Equador e Surina?ne. A distribuição disjunta de Asterophorum
entre o Equador e o Brasil evidencia a similaridade florística entre
esses países. As relações de Asterophorum com os gêneros Christiana
DC. e Carpodiptera Griseb. são discutidas.
PALAVRAS-CHAVE: Tiliaceae, Asterophorum, Fitogeografía.
ABSTRACT - The genus Asterophorum Sprague is reported to Brazilian
Amazônia for the first time. It was only previously known from Ecuador
and Suriname. The disjunct distribution o/ Asterophorum between
Ecuador and Brazil shows the floristic relationships between these
countries. The relationships of Asterophorum Sprague with Christiana
DC. and Carpodiptera Griseb. are discussed.
KEY WORDS; Tiliaceae, Asterophorum, Phytogeography.
' PR-MCT/Museu Paraense Emílio Goeldi, Departamento de Botânica. Av. Perimetral, 1901.
Caixa Postal: 399. 66017-970. Belém-PA. E-mail: rsecco@museu-goeldi.br
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Boi. Mus. Para. Emílio Goclcli, sér. Boi., 16(2), 2000
INTRODUÇÃO
A flora amazônica continua sendo um grande desafio para os
estudiosos da fitogeografía. A cada dia, a descoberta de novas entida-
des botânicas e de novas ocorrências de plantas na região confirmam o
quanto ainda é necessário estudá-la, para melhor conhecer a diversi-
dade e o número aproximado de seus táxones.
Tais ocorrências vêm fornecendo evidências sobre o paralelismo
entre as floras amazônico-nordestina (Andrade-Lima 1966; Prance &
Mori 1980; Secco 1990), a disjunção entre o Brasil e o oeste da África
(Secco 1990), e sobre as relações entre as floras do Equador e da Ama-
zônia (Secco 1997) e das Guianas e Amazônia Brasileira (Secco 1987;
Mori 1990; Silva & Silva 1996).
Neste trabalho, apresenta-se uma discussão sobre a nova
ocorrência do gênero Asterophorwn Sprague (Tiliaceae) na Amazônia
brasileira, antes citado apenas para o Equador e a Guiana (Jansen-
Jacobs & Westra 1983), bem como sobre suas relações com o gênero
Chrisíiana, como uma contribuição para o melhor conheeimento da
flora amazôniea, do ponto de vista fitogeográfico e taxonômico,
dando seqüência aos estudos anteriores de Secco (1987, 1990).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Asterophorwn Sprague é um gênero com distribuição exclusiva
na América Tropical (Figura 1) e está representado por duas espécies:
A. eburneum Sprague, descrita para o Equador, e A. mennegae M. J.
Jansen-Jacobs & L. Y. Th. Westra, descrita para o Suriname (Jansen-
Jacobs & Westra 1983). Até recentemente não havia qualquer registro
de ocorrência do gênero no Brasil.
Analisando-se coleções botânicas depositadas nos herbários MG e
lAN, verificou-se algumas procedentes dos estados do Amazonas e
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Asierophorum Spragiie: uma nova ocorrência para a Amazônia brasileira
15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
Pará, identificadas como Christiana DC., gênero com disjunção geográ-
fica entre o Brasil e a África. A partir deste fato, após uma acurada
pesquisa bibliográfica, constatou-se que tais amostras eram de
Asterophonim mennegae. Posteriormente, foram consultados os curado-
res dos herbários INPA, RB e SP e todos foram unânimes em informar
que Asterophonim não estava representado nos referidos herbários.
A nova ocorrência de Asterophorum na Amazônia brasileira
(Figura 1) é uma evidência sobre as relações existentes entre as floras do
Equador e da Amazônia, fato esse também registrado por Secco (1997)
em relação aos gêneros Aparisthmiiim e Alchornea (Euphorbiaceae).
Isto confirma também similaridades florísitcas entre as floras das
Guianas e da Amazônia, especialmente dos estados do Amazonas e
Pará. Esse fato foi constatado por vários autores, entre os quais Secco
(1987), que informou o caso de Sandwithia Lanj., um gênero outrora
conhecido apenas na Guiana e que foi encontrado posteriormente nos
estados de Roraima, Amazonas e Amapá; Mori (1990), que registrou
várias espécies de Lecythidaceae distribuídas entre as Guianas e a
Amazônia e, recentemente. Silva & Silva (1996) que registraram a
ocorrência de Caluera Dodge (Orchidaceae) no Pará, gênero esse
encontrado, anteriormente, apenas no Suriname e Guiana Francesa.
Outro fato importante a ser destacado é a presença de Asterophorum
na serra dos Carajás, o que enfatiza a necessidade de preservação
daquela área que, segundo Secco & Lobo (1988) e Silva et al. (1996),
já revelou várias espécies novas para a ciência e apresenta espécies
endêmicas, medicinais, ornamentais, vulneráveis, e também espécies
raras, como no caso de Asterophorum mennegae aqui tratada.
Prance et al. (2000) afirmam que, para complementar o inventá-
rio dos trópicos, seriam necessários muito mais estudos florísticos
detalhados de áreas menores, como o que foi feito na Reserva Ducke,
em Manaus. A vegetação da serra dos Carajás seria, certamente, uma
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Asterophorum Sprague: uma nova ocorrência para a Amazônia brasileira
daquelas que poderiam ser mais estudadas, floristicamente, na
Amazônia.
De acordo com Jansen-Jacobs & Westra (1983), Asterophorum
pertence à família Tiliaceae, subfamília Brownlowioideae, e apresenta
afinidades com Christiana DC., da mesma subfamília e cuja distribuição
fica entre a África e a América Tropical. Os mesmos autores enfatizam
que Asterophorum e Christiana são estreitamente relacionados, espe-
cialmente pelo aspecto das flores, e que a maior diferença entre esses
táxones estaria no fruto jovem, que em Asterophorum é sincárpico,
com 5 carpelos concrescidos (Figura 2B), enquanto que em Christiana
os 5 carpelos são quase livres, concrescidos apenas na base (Figura 3B).
A análise das coleções de ambos os gêneros revelou, também, as
seguintes diferenças morfológicas qualitativas, bastante significantes,
que os separam prontamente:
Asterophorum (Figura 2)
1. Folhas elípticas a elíptico-
lanceoladas, glabras a subglabras, com
raros tricomas estrelados sobre a
nervura principal, na face adaxial, base
3-nervada, obtusa, ápice acuminado a
caudado; pecíolo pubescente, tricomas
estrelados.
2. Inflorescência axilar em umbela.
3. Frutos sincárpicos.
4. Sementes 8-8,5mm diam.,
pintalgadas (padrão - Hevea).
Christiana (Figura 3)
1 . Folhas cordadas a oval-cordadas,
face abaxial com denso indumento de
tricomas estrelados, a adaxial com
tricomas esparsos, mais concentrados
nas nevuras, base 5-nervada, cordada,
ápice agudo a acuminado; pecíolo
densamente piloso.
2. Inflorescência composta, em panícula
de umbelas.
3. Frutos quase que totalmente
dialicarpelares.
4. Sementes 5mm diam., pintalgadas.
Analisando-se a gravura de uma espécie de Carpodiptera Griseb.
(Figura 4), gênero esse distribuído na África e América Tropical,
segundo Hutchinson (1969), observou-se semelhanças morfológicas
evidentes com Christiana, tais como folhas cordadas e inflorescências
em panículas ramificadas.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
Figura 2 - Asterophorum mennegae. A. Ramo com inflorescência em umbela e fruto
(7. P. Silva 150 - CVRD 200). B. Fruto {Pires 7041). C. Semente {Pires 7041).
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Asterophorum Sprague: uma nova ocorrência para a Amazônia brasileira
Figura 3 - Christiana africana. A. Ramo com inflorescência em panícula de umbelas
{Ducke MG 1611). B. Fruto {Pires & Black 1981). C. Semente {Pires & Black 1981).
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 16(2), 2000
Figura 4 - Carpodiptera africana Mast. A. Ramo com inflorescência em panícula
(Desenho adaptado de Hutchinson, 1969)
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Asterophorum Sprague: uma nova ocorrência para a Amazônia brasileira
Portanto, as semelhanças morfológicas entre Asterophorum e
Christiana parecem mais evidentes nas flores pistiladas, conforme foi
constatado pela análise das coleções J. P. Silva 150 (MG) e Pires 3765
(lAN). Tais flores apresentam cálice campanulado, densamente piloso
externamente, com tricomas estrelados; pétalas 5, glabras; ovário
tomentoso, rodeado por um feixe de estaminódios, estigma estipitado,
5-lobado, os lobos papilosos.
Material examinado
(Asterophorum mennegae). Brasil, Amazonas, serra do Aracá,
Rosa & Cordeiro 1999 (lAN, MG), 28.02.1977 (fr). Pará, Belém,
mata da Cia. Pirelli, fazenda Uriboca, Pires 7041 (lAN), 07/1958 (fr);
Parauapebas, serra dos Carajás, área do Zoobotânico, Rosa & Nasci-
mento 5127 (MG), 15.06.1989 (fr); Parauapebas, serra dos Carajás,
Zoobotânico, J. M. Pires 150 (herb. CVRD), 28.10.1988 (fl); Km 167-
173 da rodovia Belém-Brasília, Oliveira 565 (lAN), 25.04.1960 (fr);
Km 141 da rodovia Belém-Brasília, Oliveira 538 (lAN), 19.02.1960
(est); serra dos Carajás, Zoobotânico, Rosa & Nascimento 5084 (MG),
29.1 1.1988 (fr); serra dos Carajás, Zoobotânico, frontal da gaiola dos
jacus, J. P. Silva 150 - CVRD 200, 28.10.1988 (fl).
(Christiana africana). Brasil, Pará, limite Pará-Mato Grosso, rio
São Manoel, Pires 3765 (lAN), 03.01.1952 (fl); Altamira, rio Xingu,
Souza et al. 253 (MG), 11.10.1986 (fr); alto rio Tapajós, S. Raimundo,
foz do rio Cururu, Rosa & Santos 1925 (MG), 16.05.1977 (fr); rio
Tapajós, Goyana, Duche MG 16911 (MG), 11.01.1918 (fl). Acre, Rio
Branco, Ule 7871 (MG), 06. 1909 (fl). Maranhão, Codó, Duche MG 610
(MG), 18.06.1907 (fr); margem do rio Grajaú, Rodovia Br-316, Km 285,
Rosa & Vilar3003 (MG), 15.12.1978 (fr); Campos de Vitória do Mea-
rim. Rosa & Nascimento 2584 (MG), 29.06.1978 (est); ilha dos Botes,
Carolina, rio Tocantins, Pires & Blach 1981 (lAN), 24.05.1950 (fr).
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 16(2), 2000
AGRADECIMENTOS
Aos bolsistas do Programa de Capacitação Institucional-PCI/
MPEG, lone Bemerguy e Elielson Rocha, pela formatação do texto e
confecção das ilustrações, respectivamente.
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SECCO, R.S. & LOBO, M.G.A. 1988. Considerações taxonômicas e ecológicas
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SECCO, R.S. 1990. Padrões de distribuição geográfica e relações taxonômicas de
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Asterophorum Sprogue: uma nova ocorrência para a Amazônia brasileira
SILVA, M.RF.; SECCO, R.S. & LOBO, M.G.A. 1996. Aspectos ecológicos da
vegetação rupestre da serra dos Carajás. Acta Amaz. Manaus, 26; 17-44.
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ocorrência para o Brasil. Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. Belém,
12: 227-230.
Recebido em: 14.06.00
Aprovado em: 07.11.00
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BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
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Goeldr.
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Comissão Editorial.
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tidos ao Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi' ou contato com a Editoração:
Tels. (91) 219.3316/3317. Fax: (91) 249.0466. E-mail: editora@museu-goeldi.br
CONTEÚDO
Artigos originais
LEGUMINOSAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA - XII.
O PÓLEN DO GÊNERO HYMENOLOBIUM BENTH.
(LEGUMINOSAE PAPILIONOIDEAE)
/í/v Simone Cajueiro Giirgel, Ua Maria Medeiros Carreira,
Márcia Nazaré dos Santos Pereira H 1-129
LIQUENS COMO BIOINDICADORES DA QUALIDADE
DO AR NO PARQUE ZOOBOTÂNICO DO MUSEU PARAENSE
EMÍLIO (ÍOELDl (MPEG), BELÉM-PA
Shcyla Mara de Almeida Ribeiro, Ivanete Nogueira Galhardo,
Kosildo Santos Paira, Eugênia Cristina Pereira, Fernando Mota-Filho,
Nicáeio Henrique da Silva /.!/- ISO
CATASETUM RIGIDUM, CATASETUM BIFIDVM
E CATASETUM PALMEIRINHENSE: NOVAS ESPÉCIES DE
ORCHIDACEAE PARA O ESTADO DO MARANHÃO. BRASIL
Alvadir T. de Oliveira, João Batista E. da Silva 151-161
COMPOSIÇÃO FLORÍSTICA DAS FORMAÇÕES HERBÃCEAS
DA RESTINGA DO CRISPIM, MARAPANTM - PARÃ
Salnstiano Vilar da Costa Neto, João Ubiratan Moreira Santos,
Maria de Nazaré do Carmo Bastos, Dário Dantas do Amaral,
Luiz Carlos Batista Lobato 163-209
ASTEROPHOKUM SPRAGUE (TILIACEAE); UMA NOVA
OCORRÊNCIA PARA A AMAZÔNIA BRASILEIRA
Ricardo de S. Secco 211-221
I
GOVERNO U
FEDERAL!
Trabalhando em todo o Brasil
cm 12 3
,SciELO/MPEG
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