BOLETIMDOMUSEUPARAENSEEMILIOGOELDI
Série BOTÂNICA
GOVERNO DO BRASIL
Presidência da República - PR
Presidente - Fernando Henrique Cardoso
Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT
Ministro - Ronaldo Mota Sardenberg
Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG
Diretor - Peter Mann de Toledo
Diretor Adjunto de Pesquisa - Ima Célia Guimarães Vieira
Diretor Adjunto de Difusão Científica - Antonio Carlos Lobo Soares
Comissão de Editoração - COED
Presidente - Lourdes Gonçalves Furtado
Editor Associado - Mário Augusto G. Jardim
Editor Chefe - Iraneide Silva
Editores Assistentes - Socorro Menezes, Angela Pizzani
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CONSELIIOCIENTIFICO
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Fernando Roberto Martins - Universidade de Campinas
Ghillean T. Prance - Royal Botanic Gardens
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Paulo B. Cavalcante - Museu Paraense Emílio Goeldi
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William A. Rodrigues - Universidade Federal do Paraná
© Direitos de Cópia/Copyright 2003
por/by MCT/Museu Goeldi
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Ministério da Ciência e Tecnologia^
Museu Paraense Emílio Goeldi
Boletim do
Museu Paraense
Emílio Goeldi
Série
BOTÂNICA
Vol. 18(1)
Belém - Pará
Julho de 2002
SciELO
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MUSEU PARAENSE EMiLIO GOELDI
Parque Zoobotânico - Av. Magalhães Barata, 376 (São Braz)
Campus de Pesquisa-Av. Perimetral, 1901 (Terra Firme)
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O Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia foi fundado
em 1894 por Emílio Goeldi e o .seu Tomo I surgiu em 1896. O atual Boletim é
sucedâneo daquele.
The Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia was founded
in 1894, by Emilio Goeldi, and the first volume was issued in 1896. The present
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi is the successor to this publication.
Financiamento:
CNPq
CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO
científico E TECNOLÓGICO
Accredited with the International Association for Plant Taxonomy (lAPT)
for the purpose of registration of all new plant names
CDD: 583.320981132
LEVANTAMENTO DAS LEGUMINOSAS DO
ARQUIPÉLAGO DAS ANAVILHANAS,
BAIXO RIO NEGRO, AMAZONAS
Marlene Freitas da Silva
2
Luiz Augusto Gomes de Souza
RESUMO - O arquipélago das Anavilhanas está localizado no baixo
rio Negro, entre os municípios de Manaus e Novo Airão. Na área,
predomina vegetação de igapó e matas ribeirinhas onde foi efetuado
um levantamento das espécies de Leguminosae. O material coletado
e identificado foi incorporado ao acervo do herbário do INPA. Foram
relacionadas 67 espécies, distribuídas nas três subfamílias,
predominando Papilionoideae com 29 espécies, Caesalpinioideae
com 21 e Mimosoideae com 17. Os gêneros com maior diversidade
são Swartzia (oito espécies), Dalbergia, Dioclea, Inga, Macrolobium
e Ormosia, com três espécies cada. A posição taxonômica das tribos
e sinonímias das espécies são abordadas. A maioria das espécies
encontradas tem hábito arbóreo, ocorrendo ainda espécies
lianescentes e arbustivas. A distribuição geográfica foi considerada,
encontrando-se espécies com ocorrência em toda a região amazônica,
algumas estendendo-se até a América Central e do Sul. Outras
revelaram um certo grau de “endemismo”, por terem sido registradas
somente no Rio Negro, como o macucu ( Aldina heterophyllaj, a faveira-
branca fClalbrotropis nitidaj e a saboarana (Swartzia sericeaj. Na
avaliação do potencial bioeconômico das espécies, verificou-se que
a maioria tem na madeira o seu principal produto econômico, e estas
podem fornecer germoplasma para futuros estudos, exploração em
florestamento e reflorestamento e recuperação de áreas degradadas.
' UTAM/DEF. Av. Darcy Vargas, 1.200. Cep. 69.011-970, Manaus-AM.
marlene@inpa.gov.br
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
Outras espécies podem ser aproveitadas para produção de frutos
comestíveis, gomas naturais, cortiça, vernizes, laca, fitoterápicos,
ornamentais etc.
PALAVRAS-CHAVE: Anavilhanas, Rio Negro, Leguminosae,
Florística.
ABSTRACT - The archipelago of Anavilhanas is located in the bass
rio Negro, between the municipal districts of Manaus and Novo Airão.
In the area, igapó vegetation and riverine forests where a rising of
the species of Leguminosae was made prevails. The collected material
and identified it was incorporated at INPA herbarium. They were
related 67 species distributed in the three subfamilies, prevailing
Fabaceae with 29 species, 21 Caesalpinioideae and 17 Mimosoideae.
The genera with larger diversity are Swartzia (eight species),
Dalbergia, Dioclea, Inga, Macrolobium o/íí/ O rmosia, with three species
each. The disposition taxonomic of the tribes and synonymies of the
species are approached. Most ofthe found species has arboreal habit,
still happening species vines and shrubs. The geographical
distribution was considered, meeting species with occurrence in the
whole amazon area, some extending to Central America and of the
South. Another revealed a certain “endemic" degree, they have only
been registered in Rio Negro, as the macucu ('Aldina heterophyllaj,
the faveira-branca fCIathrotropis nitidaj and the saboarana ("Swartzia
sericeaj. In the evaluation of the bio-economic potential ofthe species,
it was verified that most has in the wood its main economic product,
and these can supply seeds for future studies, exploration in
reforestation and recovery of degraded areas. Other species can be
taken advantage of for production of eatable fruits, natural gums,
Cork, varnish, laccpier, medicines, ornamental, etc.
KEY WORDS; Anavilhanas, Rio Negro, Leguminosae, Floristic.
INTRODUÇÃO
A família Leguminosae representa um dos principais c mais
importantes grupos de plantas dentre as fanerógamas e,
quantitativamente, esta entre as três maiores famílias botânicas,
juntamente com a Orchidaceae e a Asteraceae. Mesmo assim, a sua
extensão, especialmente no que se refere ao número de espécies que
constitui a família e sua distribuição geográfica, diverge entre os autores:
Allen & Allcn (1981) estimam a família com 748 gêneros, abrigando
4
Levantamento das leguminosae do arquipélago das Anavilhanas...
cerca de 19.700 espécies, enquanto Corby (1981), considera que as
leguminosas abrangem cerca de 649 gêneros e um total de 17.030
espécies. Suas espécies estão representadas nos trópicos úmidos, nas
regiões temperadas, nas zonas áridas, na vegetação de altitude ou
montanhosa, nas savanas e nas terras baixas inundadas, como os igapós,
as várzeas e as florestas de terra firme da região amazônica.
Na natureza, as espécies de Leguminosae assumem os mais
diversificados tipos de hábitos ou formas vegetativas de vida, tais como:
árvores de pequeno a grande porte, arbustos, cipós e ervas que ocorrem
nos mais variados habitats, incluindo ambientes bastante antagônicos
como meios aquáticos, as várzeas e igapós da Amazônia, e ainda,
ambientes xerófitos, como as savanas, campinas e campinaranas
amazônicas.
A América tropical é o maior centro de diversidade de
Leguminosae e o Brasil é, particularmente, muito rico em espécies
silvestres da família. Na Amazônia, as leguminosas estão representadas
por cerca de 148 gêneros, o que corresponde a quase 1/3 do total da
família (3.100 taxa específicos e infraespecíficos), com padrão de
distribuição disjunta e/ou contínua e com cerca de 21 gêneros
provavelmente endêmicos. Nesta região “é na faixa que atravessa o
centro da região, de noroeste a sudeste, incluindo as bacias fluviais do
rio Negro (com o rio Branco) e afluentes (Japurá e Trombetas) do
lado Norte, e, as do rio Madeira e Tapajós, do lado sul do rio
Amazonas, que as leguminosas apresentam maior diversidade em
espécies” (Ducke 1949). A maior parte desta faixa pertence à Amazônia
Ocidental, onde as leguminosas são mais numerosas do que na
Amazônia Oriental. É oportuno ressaltar que é nesta faixa que estão
distribuídas as nove espécies conhecidas do gênero Elizabetha
(Caesalpinioideae, Amherstieae), além de muitos outros gêneros,
sobretudo da subfamília Caesalpinioideae, que tem dentro ou em tomo
desta área, o seu principal centro de distribuição.
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Em seu clássico levantamento das leguminosas da Amazônia
Brasileira, Ducke (1949) reuniu valiosas informações sobre 141 gêneros
e 867 espécies desta família. Até hoje, esta é a mais completa obra de
referência sobre os legumes da região.
Uma lista que complementa o trabalho de Ducke (1949), sobre as
leguminosas da Amazônia Brasileira foi preparada por Silva et al. (1989),
que publicaram os resultados de um levantamento efetuado nos principais
herbários da região (INPA, lAN/EMBRAPA e MG). Esta lista registra
cerca de 1 .241 espécies e inclui 310 táxons infraespecíficos (subespécie,
variedade e forma), distribuídos em 146 gêneros, nas três subfamílias:
Caesalpinioideae, Mimosoideae e Papilionoideae.
Este trabalho foi conduzido no arquipélago das Anavilhanas,
região do baixo rio Negro, com o objetivo de identificar as Leguminosae
presentes nos seus diferentes sistemas fitoecológicos, identificando-se
os táxons presentes, sinonímias associadas, sua distribuição geográfica
e potencial bioeconômico.
MATERIAL E MÉTODOS
O arquipélago das Anavilhanas compreende uma área de 350.000
hectares e está localizado no baixo rio Negro, entre os municípios de
Manaus e Novo Airão (latitude de 2”00’ a 3°02’S e longitude de 60‘’27’
a 6 1"07’W), onde predomina vegetação de igapó e mata ribeirinha. O
arquipélago é formado por centenas de ilhas, além de inúmeros lagos,
em uma área que se estende por 90 km de comprimento e 15km de
largura, em seu trecho mais largo (Sema 1977), distando 50km de
Manaus (Figura 1).
Dentro da área, duas bases do Ibama servem de apoio aos
pesquisadores e visitantes: a base flutuante, localizada na entrada do
Lago do Prato e, a base da terra firme, que permite o acesso às matas
ribeirinhas que margeiam o rio Negro. A mata de terra firme incluída
na Estação Ecológica tem aproximadamente 250.000 kmMe extensão.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. I8( I ), 2002
Poucos estudos foram feitos sobre a flora do arquipélago das
Anavilhanas. Maia et al. (1993), estudando a diversidade florística da
área inundável do arquipélago, identificaram 58 espécies pertencentes
a 56 gêneros e 45 famílias botânicas, destacando-se dentre elas, quanto
ao número de espécies, as famílias Leguminosae, Malphighiaceae,
Rubiaceae, Orchidaceae e Lacistemaceae.
Foi feito um levantamento das espécies de Leguminosae do
arquipélago das Anavilhanas, inicialmente para estudos de nodulação
e fixação biológica de nitrogênio, visando uma prospecção para
identificar espécies com potencial econômico e/ou agroflorestal. Para
este trabalho, foram realizadas seis visitas ao local, altemando-se os
períodos secos e chuvosos, nos meses de abril de 1987, fevereiro e
agosto de 1988, outubro de 1989 e fevereiro e outubro de 1994.
Três sistemas fitoecológicos com suas formações e subformações
foram considerados: o igapó, tipo de vegetação constantemente inundada
pelas águas pretas do rio Negro; a mata ribeirinha, que margeia os canais
e braços dos rios menores, localizados próximo à Base da terra firme em
áreas adjacentes ao arquipélago e, de afluentes menores, que deságuam
no rio Negro; e por fim, as matas altas da terra firme próximas às matas
ribeirinhas, em locais nunca atingidos pelos ciclos anuais de inundação.
Durante os trabalhos realizados, as espécies foram identificadas nos
diferentes tipos de vegetação, coletando-se material botânico, frutos,
cascas, amostras de solo e de nódulos, quando presentes. Utilizou-se no
campo uma ficha padrão de descritores, que reunia informações sobre o
local da coleta, características da matriz, características do material
botânico, incluindo folhas, flores e/ou frutos e sementes e a descrição
dos nódulos, se existentes. O material botânico foi tratado no campo
com álcool comercial e levado para estufa à óõ^C, no laboratório. A
identificação das espécies foi conduzida no herbário da CPBO/INPA,
por comparação com material bem identificado, de preferência por
especialistas, e as exsicatas foram incorporadas ao acervo do herbário.
8
Levantamento das leguminosae do arquipélago das Anavilhanas...
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Neste levantamento, foram identificados 67 táxones distribuídos
nas três subfamflias, predominando as Papilionoideae (29 espécies,
43,3%), seguida das Caesalpinioideae 21 espécies (31,3%) e,
Mimosoideae 17 espécies (25,4%), conforme apresentado na Tabela 1.
Conforme pode se constatar, as leguminosas são bastante
freqüentes e dominantes na paisagem e apresentam elevado índice de
diversidade, ocorrendo cerca de 43 gêneros na vegetação da Estação
Ecológica, fato este que pode estar associado aos ciclos anuais de
inundação do rio Negro, já que estas áreas, hoje sujeitas a inundações
periódicas, foram, outrora, floresta de terra firme (Iron & Adis 1979).
Na vegetação do igapó e nas matas ribeirinhas, as espécies apresentam
tolerância natural a essas mudanças estacionais do nível das águas,
que, no rio Negro, atingem seu pico mais elevado nos meses de maio e
junho. Dentre os gêneros encontrados com maior número de espécies
destacam-se: Swartzia, (oito espécies); Dalbergia, Dioclea, Inga,
Macrolobium e Ormosia, (três espécies em cada gênero); e Albizia,
Macrosamanea, Parkia, Peltogyne, Pithecellobiwn, Sentia e Tachigali,
com duas espécies em cada gênero. Finalmente, foram registrados 30
gêneros com somente uma espécie.
Neste trabalho, foram listadas espécies agrupadas em 16 tribos
da família Leguminosae, com maior freqüência numérica de espécies
nas tribos Ingeae e Amherstieae (ambas com 1 1 espécies), conforme
discriminado para cada uma delas na Tabela 1. As espécies,
classificadas nas tribos Cassieae, Dalbcrgieae, Sophoreae e
Swartzieae, apresentaram entre cinco a nove indivíduos; na tribo
Sclerolobieae foram encontradas duas espécies e, em Parkieae, três.
Pode-se inferir que as espécies classificadas nas tribos Acacieae,
Adcnanthereae, Cynometreac, Dimorphandrcac, Mimoseae, Galegeae
e Hedysareae são menos comuns na área de estudo e estão
representadas por somente um táxon.
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O hábito de crescimento das leguminosas no arquipélago é
predominantemente arbóreo (53 espécies - 79,1%), variando somente
quanto ao tamanho dos indivíduos, com árvores pequenas como a facarana
(Clitoria amazonum Benth.) e a faveira {Swartzia aiiriculata Poepp.)
e árvores de médio e grande porte como o macucu {Aldina heterophylla
Benth.), a arara-tucupi {Parkia decussata Ducke), a sucupira-do-igapó
{Diplotropis martiusii Benth.), o arabá {Swartzia polyphylla DC.) e a
pracuúba {Mora paraensis (Ducke) Ducke), entre outras.
Muitos trabalhos consideram a hipótese de que as leguminosas
mais primitivas tiveram origem na região tropical e apresentavam,
originalmente, hábito de crescimento quase que exclusivamente arbóreo
(Tutim 1958). Esta é uma constatação interessante, mesmo porque,
atualmente, mais de 95% das espécies pertencentes às subfamílias
Mimosoideae e Caesalpilionoideae, são lenhosas, explicando a
frequência e abundância de leguminosas arbóreas nas matas tropicais.
Quanto às espécies de lianas, sabe-se que existem mais espécies
nas matas tropicais que nas matas das regiões temperadas (Gentry 1984).
Neste levantamento, verificou-se que leguminosas lianescente são
importantes componentes da paisagem do arquipélago, constatando-
se a ocorrência de 1 3 delas, o que corresponde, até então, a 19,4% das
leguminosas identificadas na área. As lianas lenhosas são definidas
como sarmentosas, devido a se desenvolver em altura, utilizando-se
apenas de um suporte para o seu crescimento. Entre as famílias de
plantas vasculares arbóreas, muitas possuem espécies lianescentes e,
outras, como as Hippocrateaceae, Smilacaceae e Vitaceae são
constituídas exclusivamente de lianas.
Muitas leguminosas lianescentes nodulam e fixam nitrogênio pela
simbiose entre rizóbios e as plantas e, provavelmente, os cipós presentes
nesta vegetação do arquipélago podem nodular, desempenhando um
importante papel ecológico na reciclagem de nutiientes da floresta. Os
cipós lenhosos, por suas propriedades, possuem ciclo de vida menor
do que as árvores, e apresentam farta folhagem que levam à formação
10
Tabela 1 - Espécies da família Leguminosae encontradas no arquipélago das Anavilhanas (continuação)
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(Ducke) Ducke
Tachigali paniculata Amherstieae Tachi-branco Árvore Frequente Igapó 720 156.559
Aubl.
Tabela 1 - Espécies da família Leguminosae encontradas no arquipélago das Anavilhanas (continuação)
Sub-família/Espécie Tribo Nome popular Hábito Freqüência Vegetação Número Herbário do
de coleta INPA n°.
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Tabela 1 - Espécies da família Leguminosae encontradas no arquipélago das Anavilhanas (continuação)
Sub-família/Espécie Tribo Nome popular Hábito Frequência Vegetação Número Herbário do
de coleta INPAn°.
Pithecellobiiini inaeqiiale Ingeae Ingá-de-sapo Árvore Frequente Igapó 659 156.580
(Willd.) Benth.
Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
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Dalbergia inundata Dalbergieae Mosquiteiro Cipó Freqüente Igapó 661 156.582
Benth.
Dalbergia riedelii Dalbergieae Verônica Cipó Abundante Igapó 615 174.346
(Radlk.) Sandw.
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
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16
Levantamento das legiiminosae do arquipélago das Anavilhanas...
de uma biomassa com baixa relação C/N, o que a toma de fácil
decomposição, devido aos elevados teores de nitrogênio presentes em
sua constituição (Souza et al. 1994).
Observou-se que, dessas espécies de cipós, algumas comportam-
se, grande parte das vezes, como arbustos escandentes na fase juvenil
de seu desenvolvimento. Mecanismos de adaptação nestas lianas, como
gavinhas ou espinhos, facilitam o desenvolvimento destas plantas sobre
a copa da vegetação emergente ou permitem que as espécies dominem
as clareiras abertas, após o tombamento natural das árvores, servindo
de apoio e/ou sustentação para estas plantas trepadeiras. Em vários
pontos da vegetação os cipós lenhosos, pertencentes aos gêneros
Dalbergia, Dioclea, Miiciina, Machaerium e Pithecellobium, em
desenvolvimento rápido e agressivo, formam, muitas vezes,
emaranhados densos e intransponíveis de galhos, ramos e folhagem,
num processo que pode levar à morte espécies dos estratos inferiores.
Em uma fase posterior, o local apresenta-se como uma grande moita
verde, com muita produção de biomassa, às vezes pontilhadas de flores
e/ou frutos vistosos, destacando-se da vegetação o feijão-bravo {Dioclea
bicolor Benth.), com inflorescências eretas, roxas, que emergem na
paisagem ou a verônica {Dalbergia riedelii (Raflk.) Sandw.) com frutos
discóides, marrons, veludosos, ou mesmo timbó-de-jacaré {Degiielia
scandens Auh\.) e mosquiteiro-de-capivara {Dalbergia riparia (Mart.)
Benth.), cujos frutos destacam-se também entre a folhagem das plantas.
Uma única espécie com porte arbustivo foi encontrada na vegetação
do arquipélago, a faveira-de-rosca {Macrosamanea discolor (Willd.) Brit.
& Killip), que cresce nos bancos arenosos das margens dos igarapés e
nas praias, durante o período da vazante. A ausência de leguminosas
herbáceas na vegetação, deve-se, provavelmente, à pequena ocoirência
de áreas abertas ou matas secundárias, na área da Estação.
A fneqüência das espécies na paisagem foi considerada aleatoriamente,
estabelecendo-se como parâmetro os seguintes eventos: presente, frcqUente
e abundante. Sob este critério, 37 espécies foram consideradas presentes
(55,2%), 23 espécies frequentes (34,3%) e 7 espécies abundantes (10,5%).
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
Dentre as espécies abundantes na vegetação do igapó, destacaram-se o
lombrigueiro {Cruclia amazônica Benth.), o tento-amarelo (Onnosia
excelsa Benth.), o arapari (Macrolobium acaciifolium (Benth.) Benth.),
a acapurana {Campsiandra comosa Benth.) e o bico-de-arara {Parkia
í/Zíco/or Benth.), árvores estas que vegetam comumente na mata ciliar.
Para estas espécies, o mecanismo principal de dispersão dos frutos é a
hidrocoria, ou seja, a dispersão pela água. Segundo Scarano (1996) o
sucesso da propagação por sementes de espécies das matas inundáveis
pode estar associado a uma eficiente dispersão aquática dos diásporos e,
também, a uma combinação dos mecanismos de dormência na pré e
pós-dispersão. Nestas condições, as plantas criptocotiledonares de
crescimento rápido predominam sobre as de crescimento lento.
Nos estudos realizados em matas inundadas tem sido verificado que
a diversidade em espécies diminui no gradiente topográfico, em direção às
áreas submetidas a um maior período de inundação (Aires 1993). A riqueza
e a diversidade das espécies na mata de igapó do rio Jaú estão, positivamente,
relacionadas com a redução do nível da água e do período de inundação
anual (Ferreira 1995). Para este autor, habitais sujeitos a maiores períodos
de inundação anual, tendem a ser menos ricos e diversos em espécies, e
estas diferenças podem relacionar-se com a habilidade das espécies de
suportarem os diferentes níveis de inundação entre ecótipos.
As florestas de igapó do rio Negro são muito antigas e foram
foiTnadas ao longo do tempo pela influência da invasão anual das matas
ciliares pelas águas do rio, em locais anteriormente cobertos por florestas
de teira fiirne, expostas, há 1 milhão de anos antes, aos pulsos anuais de
inundação (Iron & Adis 1979). Geralmente, a inundação da floresta de
igapó inicia-se de março a abril, estendendo-se até agosto e setembro.
A maior parte das coletas no arquipélago foi efetuada na vegetação
do igapó (35 espécies, 52,2%), seguida por espécies amostradas na mata
ribeirinha (19 espécies, 28,4%), e, na mata de tema firme (13 espécies,
1 9,4%). O menor número de coletas efetuadas em áreas não inundáveis
deve-se, basicamente, à ausência de trilhas na mata de teira firme da
18
Levantamento das tesianinosae do arquipélago das Anavilhanas...
Estação Ecológica. Há também espécies que ocorrem tanto no igapó
quanto nas matas ribeirinhas, ou em outras áreas inundáveis como as
várzeas do rio Solimões, mas este aspecto não foi explorado neste estudo.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DAS
LEGUMINOSAS DO ARQUIPÉLAGO
Os registros sobre a distribuição geográfica das espécies nativas
são importantes nos estudos evolutivos da família, indicando possíveis
endemismos, e revelando espécies de distribuição contínua ou disjunta,
o que pode oferecer importantes informações para programas de
melhoramento genético, e auxiliar a identificação da variabilidade
natural das espécies.
Quanto às espécies encontradas no arquipélago das Anavilhanas,
deve ser mencionado que muitas delas não são restritas às florestas
brasileiras, ocorrendo também em vários países da América do Sul,
com algumas delas atingindo regiões do Caribe e América Central
(Tabela 2). Por outro lado, entre as exclusivamente brasileiras estão a
faveira-do-igapó {Albizia corymbosa (Rich.) Lewis & Owen), pracuúba
{Mora paraense (Ducke) Ducke), tento-amarelo {Ormosia excelsa
Benth.) e arabá {Swartzia polyphylla DC.).
Como pode ser verificado, algumas das espécies presentes nas
Anavilhanas estão amplamente distribuídas em toda a região amazônica,
tais como a ingá-turi {Inga alba (Sw.) Willd.), o arabá {Swartzia polyphylla
DC.), o jatobá {Hymenaea coiirbaril L.), o jutaí-café {Dialium guianensis
(Aubl.) Sandw.) c o mututi {Píerocatpiis santalinoides DC). Outras têm
ocoiTcncia geográfica restrita aos estados do Amazonas e Pará, não havendo
registros, até o momento, para outras unidades da região. Dentre estas,
incluem-se o membi {Chainaecrisía negrensis Irwin & Bameby), a jutairana
{Cynonietra sprnceana Benth.), a faveira-de-rosca {Macrosainanea
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Tabela 2 - Distribuição geográfica das leguminosas do arquipélago das Anavilhanas, baixo rio Negro, Amazonas.
Boi. Mu.'!. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
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Tabela 2 - Distribuição geográfica das leguminosas (continuação)
Levantamento das legiiminosae do arquipélago das Anavilhanas...
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Tabela 2 - Distribuição geográfica das leguminosas (continuação)
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* - Os estados do Brasil estão representados por suas siglas.
** - Os países extra Amazônicos são: Arg - Argentina, Bol - Bolívia, Col - Colômbia, Equ - Equador, Gua - Guatemala, Gui ■
Guiana, Gui-F - Guiana Francesa, Mex - México, Nic - Nicaragua, Pan - Panama, Par - Paraguai, Peru - Peru, Sur - Suriname
e Ven -Venezuela.
Levantamento das leguminosae do arquipélago das Anavillianas...
Finalmente, na área da Estação Ecológica, também foram
constatadas espécies pouco referidas para a Amazônia, cujas coletas
foram, até o momento, efetuadas somente no estado do Amazonas,
revelando possivelmente algum endemismo destas espécies, dentre elas
o macucu (Aldina heterophylla Benth.), a faveira (Swartzia macrocarpa
Benth.), a saboarana {Swartzia sericea Vog.), a faveira-branca
{Clathrotropis nitida (Benth.) Harms) e o arapari-vermelho {EUzabetha
speciosa Ducke), de acordo com Silva et. al. (1989).
Também há espécies aparentemente cosmopolitas que estendem-se
desde a região amazônica, alcançando diversos países da América do Sul
e Central, podendo atingir outros continentes, como o pau-de-rolha
{Aeschynomene sensitiva Sw.) que cresce também na África, o paracaxi
(Pentaclethra macroloba (Willd.) Kuntze) e o mututi {Pterocarpus
santalinoides DC.). Há registros de que duas espécies de origem neotropical,
como a ingá-mari-mari {Cassia leiandra Benth.) e o jatobá (Hymenaea
coiirbaril L.), espécies que passaram por processos de domesticação na
América (Clement 1 999), são cultivadas na África para produção de frutos
e/ou resina. Na vegetação da área, há espécies essencial mente amazônicas
como Albizia coryinbosa. Mora paraensis, Onnosia excelsa e Swartzia
polyphylla, espécies aparentemente cosmopolitas, que estendem-se desde
a região amazônica até os países da América do Sul e Central, como
Aeschynomene sensitiva e Pentaclethra macroloba.
Realçando a complexidade do estudo desta importante família, e,
para que melhor se compreenda a composição florística das leguminosas
das Anavilhanas, realizou-se um levantamento da sinonímia atual dos
nomes científicos das espécies, constatando-se 170 sinônimos dos
táxons encontrados (Tabela 3). Este elevado número de sinônimos,
especialmente para aquelas espécies que apresentam ampla distribuição
geográfica, mostra que algumas delas foram descritas mais de uma
vez, para diferentes locais c foram em alguns casos, re-aminjadas a
nível infragenérico, constatando-se mudanças de gênero e algumas
vezes, de subfamília, o que de certo modo dificulta o entendimento
tlesta família, pelos não taxônomos.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
Neste levantamento aqui realizado, 45 amostras de material botânico
da família foram incorporadas ao acervo do herbário do INPA, auferindo
um registro de 67,2% das espécies encontradas no arquipélago.
POTENCIAL BIOECONÔMICO DAS ESPÉCIES
Historicamente, as espécies nativas têm sido a fonte inicial de
matéria-prima para inúmeros produtos e subprodutos, como madeira,
medicamentos, celulose e papel, alimento para a fauna e para o homem,
fibras, óleos e resinas, gomas, e outros, existindo um enorme campo de
investigação acerca do potencial econômico das espécies. Outras espécies,
além de produtos, podem também oferecer serviços como: sombreamento
de cultivos, adubação verde, cobertura do solo, fixação biológica de
nitrogênio, forragem etc., indispensáveis para a produção continuada,
em sistemas de produção sustentável. Para fins de classificação das
leguminosas arbóreas quanto ao seu uso, Duhoux & Dommergues (1985),
estabeleceram três grupamentos distintos: árvores que produzem madeira
e miscelânea de subprodutos como lenha, óleo, resina, tanino, carvão e
celulose; árvores forrageiras e para alimento humano; e, árvores que
auxiliam a fertilidade do solo. Isto evidencia benefícios diretos e indiretos
da adoção nos sistemas de produção que incluem o plantio consorciado
de leguminosas arbóreas, com diferentes objetivos.
O principal produto econômico que as leguminosas das Anavi lhanas
oferecem é, sem dúvida, a madeira, notadamente a madeira-de-lei utilizada
para fins nobres, como: construções de embarcações, construção civil,
tacos, movelaria, tabuados e outros. Neste grupo, estão classificadas as
espécies cujos usos e propriedades mecânicas já foram de algum modo
investigados pelos tecnologistas de madeira, revelando o seu potencial
econômico e industrial. Dentre elas estão o macucu {Aldina heterophyUa
Benth.), o jutaí-café (Dialium guianense (Aubl.) Sandw.), a angélica-
do-pará (Dicorynia paraensis Benth.), a sucupira-do-igapó {Diplotropis
martiusii Benth.), a ingá-turi {Inga alba (Sw.) Willd.), a pracuúba {Mora
paraensis (Ducke) Ducke), a arara-tucupi {Parkia deciissata Ducke), o
24
Tabela 3 - Nomes científicos aceitos (continuação)
ESPÉCE SINONÍMIAS
Dalbergia riedelii (Radlk.) Sandw. Dalbergia enneandra Hoehne, D. pachycarpa Ducke, Ecastophylliim monetaria
Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér Bot. 18(1), 2002
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
pau-roxo (Peltogyne paniculata Benth.), o angelim-rajado
(Marmaroxylon racemosum (Ducke) Rec.), a saboarana (Swartzia
laevicarpa Amshoff), o girimum (Swartzia ulei Harms), o tachizeiro
(Sclerolobium hypoleucwn Benth.) e a fava-mutum (Vatairea guianensis
Aubl.). A maioria destas espécies já tiveram suas propriedades
tecnológicas e anatômicas da madeira estudadas, revelando o seu potencial
de comercialização nos mercados madeireiros, nacional e externo
(Loureiro et al. 1979; Sudam/IF*T 1981 ; Freitas & Chimelo 1982).
Por outro lado, há também, disponibilidade de espécies produtoras
de madeira para lenha e que podem ser aproveitadas com fins
energéticos ou para usos menos nobres, como azimbre, compensados,
caixotaria, etc., produzida por espécies como a faveira-camuzé
(Stryphnodendron giiianense Benth.), a taboarana (Acosmium nitens
(Vog.) Yakovl.), a faveira-do-igapó (Albizia corymbosa (Rich.) Lewis
& Owen), o arapari (Macrolobium acaciifolium (Benth.) Benth.), a
araparirana (M. multijiigum), o apeu (M. angustifoliiim), o paracaxi
(Pentaclethra raceinosa), o lombrigueiro (Crudia amazônica Benth.),
o arabá (Swartzia polyphylla DC.) e o cumaru-da-praia (Taralea
oppositifolia Aubl.). É evidente, entretanto, que esse potencial
econômico madeireiro da área não será explorado, por tratar-se de uma
área de conservação. Porém, a disponibilidade de germoplasma das
espécies que ocupam essas áreas pode, doravante, ter um importante
papel em programas de melhoramento genético, que incluam estudos
de progénies e procedências, para identificar recursos genéticos de
espécies nativas com potencial de aproveitamento futuro.
Dentre outros usos, as espécies encontradas apresentam ainda
variadas formas de aproveitamento, como o pau-de-rolha (Aeschynomene
sensitiva Sw.), cujas raízes, devido a baixíssima densidade de seu lenho,
são usadas na fabricação de cortiça para rolhas de gan-afa; a acapurana
(Campsiandra comosa Benth.), que é explorada pelos índios da
Venezuela, em época de pouca disponibilidade de alimento, na fabricação
30
Levantamento das leguminosae do arquipélago das Anavilhanas...
de produtos de panificação tais como pães, biscoitos e arepas. O processo
para a fabricação destes produtos a partir das sementes de Campsiandra
foi descrito por Barreiro etal. (1984a,b).
A produção de frutos pode revelar valor econômico para algumas
das espécies locais, como alimento para o homem, como a ingá-mari-
mari (Cassia leiandra Benth.), cujos frutos possuem sementes revestidas
por uma sarcotesta verde, adocicada, comercializados nos mercados
da região (Arkcoll 1984) e o Jatobá (Hymenaea courbaril L.), cuja
polpa farinácea é, embora em pequena escala, apreciada por parte da
população. Outras espécies, produzem frutos que são importantes para
a alimentação da fauna autóctone como a ingá xixica {Inga nobilis
Willd.) e a ingaí (Inga leiocalycina Benth.). Entretanto, a produção de
frutos pode ter aplicação mais ampla, como para a obtenção de outros
produtos como gomas naturais, produzidas por espécies do gênero
Parkia, dentre elas o bico-de-arara (Parkia í/Aco/or Benth.), abundante
na vegetação de igapó. Muitas vezes, o potencial dos frutos pode não
ser para uso direto como alimento. Arkcoll (1984), constatou que as
sementes secas de paracaxi (Pentaclethra macroloba (Willd.) Kuntze)
contêm 45% de óleo que pode ser usado na cozinha e para iluminação.
Após a extração do óleo, o restante é usado para alimentação animal e
a madeira desta espécie é muito utilizada na construção de canoas.
Para a produção de vernizes e lacas, a espécie mais destacada do
grupo é o jatobá (Hymenaea courbaril L.), cuja resina conhecida como
“copal” ou “jutaicica”, é amplamente aproveitada na indústria de colas,
lacas e vernizes (Cavalcante 1988).
Em outras situações, o valor intrínseco dessas espécies é como
planta medicinal. Como por exemplo: o lombrigueiro ou orelha-de-
cachorro (Criulia amazônica Benth.), cuja casca é utilizada como um
poderoso vermífugo (Loureiro et al. 1979); a fava-mutum, também
conhecida como fava-de-impingem (Vatairea gidanensis Aubl.), cujas
sementes são utilizadas no tratamento da impingem e o suco do fruto
31
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
contra efélides, ou seja manchas na pele causadas pelo sol e outros
problemas dermatológicos (Berg 1982), tais como o “pano branco”;
do jatobá, (Hymenaea coiirbaril L.), os índios extraem da seiva uma
substância que é utilizada no tratamento de enfermidades do aparelho
respiratório e urinário (Benza 1980).
Algumas dessas espécies produzem ainda sementes que são
muito utilizadas no artesanato popular, como o tento-amarelo
(Ormosia excelsa Benth.), com sementes unicolores e o mulungu
{Onnosia macrocalyxT)\xc\ít), que possui sementes bicolores (preto
e vermelho), usadas na confecção de adornos, pulseiras, colares,
abajus, cortinas etc.
Por fim, os aspectos ornamentais das leguminosas presentes nas
Anavilhanas merecem destaque, existindo plantas com flores vistosas
e com potencial para aproveitamento paisagístico, como o aiari
(Heterosternon tnimosoides Desf.), cujas flores são semelhantes às
orquídeas. Chama também atenção o ingá-de-sapo {Piíhecellobium
inaequale (Willd.) Benth.), que apresenta vistosa caulifloria vermelho-
escura em seus ramos e o mututi {Pterocarpus santalinoides DC.),
cuja copa se enche de inflorescências alaranjadas, exuberantes,
destacando-se da vegetação. Os indivíduos de facarana {Clitoria
amazonum Benth.), são arvoretas que produzem cachos pêndulos de
flores roxas a brancas, bastante vistosas nas áreas ao longo do rio.
Outras espécies com potencial ornamental, chamam atenção por seus
frutos extremamente coloridos e vibrantes, como o acapu-do-igapó
(Swartzia argentea Benth.) que tem frutos alaranjados, a saboarana
(Swartzia sericea Vog.), com frutos volumosos, man-ons, veludosos,
distribuídos na copa aberta formada por folhas grandes e atraentes, o
arapari {Macrolobium acaciifolium (Ducke) Ducke), de frutos
amarelos e, o lombrigueiro {Criidia amazônica Benth.), que produz
favas oblongas, marrons aveludadas. Estas espécies merecem uma
maior atenção devido ao potencial paisagístico que apresentam.
32
Levantamento das leguminosae do arquipélago das AnaviUianas...
CONCLUSÕES
1 . No levantamento efetuado das leguminosas do arquipélago das
Anavilhanas foram relacionadas 67 espécies, distribuídas nas três
subfamílias, predominando Papilionoideae com 29 espécies, 21
Caesalpinioideae e 17 Mimosoideae.
2. Os gêneros com maior diversidade foram Swartzia (oito
espécies), Dalbergia, Dioclea, Inga, Macrolobium e Ormosia, com
três espécies cada. A posição taxonômica das tribos e sinonímias das
espécies são abordadas. A maioria das espécies encontradas tem hábito
arbóreo, ocorrendo ainda espécies lianescentes e arbustivas.
3. A distribuição geográfica foi considerada, encontrando-se espécies
com ocorrência em toda a região amazônica, algumas estendendo-se até
a América Central e do Sul. Outras revelaram um certo grau de
“endemismo”, por terem sido registradas somente no rio Negro.
4. Na avaliação do potencial bioeconômico das espécies, verificou-
se que a maioria tem na madeira o seu principal produto econômico, e
estas podem fornecer germoplasma para futuros estudos, exploração em
florestamento e reflorestamento e recuperação de áreas degradadas. Outras
espécies podem ser aproveitadas para produção de frutos comestíveis,
gomas naturais, cortiça, vemizes, laca, fitoterápicos ou ornamentais.
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Recebido em: 23.11.00
Aprovado em: 05.12.01
35
CDD: 583.322044
MORFOLOGIA DO FRUTO, DA SEMENTE E DA
PLÂNTULA DE CALOPOGONIUM MUCUNOIDES
DESV. E DIPTERYX ODORATA (AUBL.) WILLD.
(LEGUMINOSAE, PAPILIONOIDEAE)'
Ely Siinone Cajueiro Gurgef
Marlene Freitas da Silva
Léa Maria Medeiros Carreira'
RESUMO - Informações sobre a morfologia de frutos, sementes,
germinação e plãntulas são importantes para se obter indicações
quanto às formas de germinação, manejo florestal e outros. Neste
estudo identificou-se a síndrome de dispersão dos diásporos e,
descreveu-se a morfologia dos frutos, das sementes, da germinação e
das plãntulas de Calopogonium mucunoides Desv. e Dipteryx odorata
(Aubl.) Willd. /lí espécies, apresentaram, respectivamente, fruto do
tipo legume e legume drupáceo; estreitamente elíptico e ovóide a
oblongo; superfície densamente serícea e glabra; deiscente e
indeiscente; síndrome de dispersão epizoocórica e sinzoocórica.
Semente reniforme e oblonga; testa em tons castanhos a quase negra;
hilo orbicular e oblongo; embrião axial, invaginado; eixo
embrionário curvo e reto, plúmula bem desenvolvida. Germinação
fanerocotiledonar epígea; primeiro protófilo (2), simples e composto
(2 a 3 pares folíolos); segundo protófdo (I); trifoliolado e paripinado
(2 a 3 pares folíolos); somente em Calopogonium mucunoides
estipulas ensiformes c estipclas filiformes.
1
I’arle da dissertação dc Mestrado da primeira autora (I’PG/I!TKN/INI’A/UA); Bolsa de pesquisa
ila CAPES,
MCT/Museu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação dc Botânica. Pesquisadora. C.P. 399.
Cep 66040-170, Belém-PA. esgurgcl@museu-gocldi.br; lca@museu-gocldi.br
INPA-Instituto Nacional dc Pesquisas da Amazônia. Caixa Postal 478. Cep. 69011-970,
Manaus- AM. marlenc@inpa.gov.br
37
Dol. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
PALAVRAS-CHAVE: Leguminosae-Papilionoideae, Morfologia,
Frutos, Plântula, Calopogonium mucunoides, Dipteryx odorata.
ABSTRACT - Informations about inorphology offriiits, seeds,
gennination and sedllings are important to obtain indications as the
germination fonns, forest handling and otliers. This study identified
the syndrome ofdispersion, to describe the inorphology of the fridts,
of the seeds, ofthe gennination and ofthe plãntidas o/Calopogonium
mucunoides Desv. and Dipteryx odorata (Aubl.) Willd. The species
presented fniit of the type legume and drupaceous legume
respectively; elliptic narrowly and ovate the oblong; surface densely
serice and glabrous; dehiscent and indehiscent; syndrome of
dispersion epizoochorous and synzoochorous. Seed reniform and
oblong; it tests in brown tones the almost black; hilum orbicular and
oblong; axial embryo, investing; curved and straight embryonic axis,
plumule well developed. Gennination phaneroepigeal; first protophyl
(2), simplc and composed (2 to 3 pairs ofleaflets); second protophyls
(1); trifoliolated and pinnated (2 to 3 pairs of leaflets); stipules
ensiforms and stipples filiforms only in Calopogonium mucunoides.
KEY WORDS: Leguminosae-Papilionoideae, Morphology, Fruits,
Sedlling, Calopogonium mucunoides, Dipteryx odorata.
INTRODUÇÃO
Leguminosae representa um dos principais e mais importantes
grupos de plantas superiores, com aproximadamente 650 gêneros e
18.000 espécies (Polhill etal. 1981).
O valor taxonômico dos caracteres morfológicos é avaliado pela
constância com que eles se apresentam. Quanto mais constantes, mais
confiáveis e, os caracteres mais estáveis são os reprodutivos, pois os
vegetativos sofrem influencia do ambiente (Lawrence 1970).
Estudos sobre a auto-ecologia, como a morfologia dos propágulos,
do desenvolvimento pós-seminal e de plântulas também tem aplicações
práticas em estudos ecológicos, no manejo florestal e na conservação da
fauna autóctone. Na seleção de espécies para enriquecimento da
regeneração natural é indispensável o conhecimento da sua fonna jovem.
38
Morfologia do fruto, semente e da plãntula de C. mucunoides e D. odorata ...
Calopogonium (Papilionoideae, Phaseoleae, Galactiinae) é
composto por cerca de seis a oito espécies tropicais e subtropicais, sendo
a maioria efetiva no controle de erosão (Ducke 1949, 1979).
C. mucunoides é conhecida popularmente como “enxada verde” (Ducke
1979; Silva et al. (s.d.)), utilizada para adubação verde e como forrageira
(Ducke 1979; Seiffert 1982).
O gênero Dipteryx (Papilionoideae, Dalbergieae, Geofraeinae) é
composto por cerca de treze espécies tropicais e subtropicais; são árvores
de tamanhos variados (Ducke 1949). D. odorata é conhecida
popularmente como “cumaru”, produz anualmente abundante quantidade
de sementes viáveis, disseminadas pela fauna autóctone e apresentam
um princípio ativo, a cumarina (Ducke 1949; Lorenzi 1998).
Com este estudo objetivou-se identificar a síndrome de dispersão
dos diásporos e descrever a morfologia dos frutos, das sementes, da
germinação e das plântulas das espécies.
MATERIAL E MÉTODOS
Material botânico
As matrizes selecionadas encontram-se em uma área com vegetação
de mata secundária, localizada na Estação Experimental de Olericultura
do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), no quilômetro
14 da AM -010.
Foi coletado material botânico fértil das matrizes, para confecção
de exsicatas e identificação. As amostras foram incorporadas aos
herbários INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus-
AM) e MG (Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém - PA), registradas
sob os seguintes números, C. mucunoides INPA - 197.180 e Dipteryx
odorata INPA - 200.815.
Os frutos foram coletados diretamente das copas ou no chão sob as
toatrizcs. Após a coleta, foram mantidos em temperatura ambiente por
39
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
24 horas e, posteriormente, beneficiados até a completa limpeza das
unidades de dispersão.
Métodos
Uma subamostra com 25 frutos e 25 sementes foi retirada
aleatoriamente para a morfologia. Após a extração, as sementes de
D. odorata foram embebidas em água por 24 horas antes da
semeadura. Antes da embebição, as de C. mucunoides, por
apresentarem dormência, passaram por um tratamento pré-germinativo
(ácido sulfúrico concentrado por 10 minutos).
Dos frutos, registrou-se a morfologia geral, classificação, cor,
textura, consistência do pericarpo, posição no fruto, deiscência e
indumento. As inferências sobre dispersão foram baseadas
comparando-se as características morfológicas de frutos e sementes
com trabalhos publicados. Os caracteres morfológicos das sementes
foram: a) externos: consistência, cor e textura da testa; forma e borda
das sementes, posição do hilo e da micrópila; b) internos: tégmen,
endosperma, embrião quanto ao tipo e forma.
Descreveram-se os principais elementos vegetativos para o
processo germinativo e plântulas. Considerou-se germinação, o
período entre o entumescimento da semente até a liberação dos
cotilédones, antes que o primeiro protófilo estivesse totalmente
formado e, plântula a fase de desenvolvimento em que os dois
primeiros protófilos estavam totalmente formados.
A biometria dos frutos e das sementes foi obtida medindo-se o
comprimento, largura, espessura e peso de frutos e sementes, com
auxílio de paquímetro digital Mitutoyo modelo Sc-6” (0,1 mm) e
balança Marte (0,00 Ig). As medidas de tamanho foram registradas
em centímetros para frutos e em milímetros para sementes. Para a
determinação do número de sementes por quilograma, peso de mil
sementes, teor de água e investimento do fruto em sementes
40
Morfologia do fruto, semente e da plântula de C. mucunoides e D. odorata ...
(percentual de pureza) utilizou-se as fórmulas recomendadas pela
RAS (Regras de Análise de Sementes) do Ministério da Agricultura
(1992).
Para o processo germinativo, utilizou-se vermiculita em
bandejas plásticas de 30 x 10 x 10 cm para C. mucunoides e de
80 X 40 X 20 cm para D. odorata. Para a morfologia da plântula
utilizou-se os mesmos recipientes e substratos usados no processo
germinativo, exceto para D. odorata, que foi repicado para sacos
de polietileno de 5 kg, devido ao porte da plântula.
A metodologia e a terminologia empregada estão de acordo
com os trabalhos de Boelcke (1946), Martin (1946), Systematics
Association Committee for Descriptive Terminology (1962), Font-
Quer (1963), Duke (1965, 1969), Lawrence (1970), Van der Pilj
(1972), Hickey (1973), Bravato (1974), Radford etal. (1974), Gunn
& Seldin (1976), Barroso (1976/1978), Duke & Polhill (1981); Ferri
et al. (1981), Gunn (1981, 1984, 1991), Lersten & Gunn (1982),
Kuniyoshi (1983), Roderjan (1983), Barroso et al. (1984), Van
Roosmalen (1985), Groth & Liberal (1988), Feliciano (1989), Stem
(1992), Damião Filho (1993), Oliveira (1993), Beltrati (1994, 1995),
Amorim (1996), Ferreira (1997), Freitas (1998) e Barroso et al.
(1999).
As ilustrações foram feitas manualmente, em lupa (Zeiss MC
80 DX) com máquina fotográfica adaptada (Zeiss DX), máquina
fotográfica Pentax (KlOOO) e Olympus (OM-4 Ti) com lentes de
aumento e Microscópio Eletrônico de Varredura (JMS-5400 LV,
JEOL).
41
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
RESULTADOS
Calopogonium muciinoides Desv.
Morfologia do fruto
Infrutescênciacom3± 12,70 (2 -8) frutos (Figura la), pedúnculo
da infrutescência sublenhoso, piloso. Legume reto (Figura Ib), simples,
seco, deiscente, quando maduro abre-se por duas valvas, placentação
marginal, polispérmico, unisseriado (Figura le), com 6 ± 1 1,55 (4 - 7)
sementes por fruto, separadas por septos que não se desprendem.
Estenocárpico, estreitamente elíptico (Tabela 1), ápice arredondado a
obtuso, com apículo de cerca de 0,16 cm (Figura Id), base cuneada-
atenuada, obtusa ou oblíqua, ligeiramente assimétrica, subestipitada,
com o cálice persistente (Figura Ic), margens inteiras, constrictas,
impressas, sutura longitudinal facilmente removível, sutura dorsal
(nervura principal da folha carpelar) evidenciada por uma linha imersa
que vai da base ao ápice do fruto, terminando em um apículo reto. Fruto
imaturo verde, maduro castanho. Pericarpo seco, cartáceo, extemamente
opaco e densamente seríceo, intemamente castanho claro e brilhante.
Dispersão epizoocórica. Funículo curto, seco e farináceo que quando
removido deixa em volta do hilo uma bordadura arilóide (Figura le).
Tabela 1 - Dimensões (cm), peso fresco (g), desvio padrão e coeficiente de variação
(C.V.) dos frutos de Calopogonium miicitnoides Desv.
Máxima
Média
Mínima
Desvio Padrão
C.V.(%)
Comprimento
3,27
2,81
2,36
0,21
7,45
Largura
0,47
0,42
0,36
0,03
6,14
Espessura
0,32
0,28
0,29
0,02
8,60
Peso
0,19
0,15
0,10
0,02
15,13
Morfologia da semente
Descrição externa: estenospérmica, varia de retangular a reniforme
(Figura 2a). Testa monocrômica, com depressões laterais, constituída por
duas camadas de tegumento, uma externa em tons castanhos, sendo o
42
Morfologia do fruto, semente e da plãntiila de C. mucunoides e D. odorata ...
claro mais comum, glabra e brilhante; e outra interna esponjosa, pétreas
desidratadas, membirináceas se hidratadas. Região hilar lateral, hiloorbicular
à oblongo, heterócromo, castanho-escuro, em depressão, contornado por
uma bordadura arilóide de consistência seca, farinácea, facilmente removível
(glauca), marfim-claro, pequena em relação a semente, bordadura hilar,
proeminente e mais escura do que a semente; ranhura hilar linear, bem
perceptível (Figura 2b). A lente localizada acima da região hilar, apresenta-
se elíptica, com uma fissura ao centro, heterócroma, da mesma cor da
bordadura do hilo. Micrópilae rafe imperceptíveis.
Descrição interna: tégmen membranáceo, amarelado (desidratado)
e amarelo-translúcido (hidratado). Endosperma contínuo, castanho claro
e pétreo quando desidratado, gelatinoso e hialino hidratado, delgado e
adnato ao tégmen. Embrião axial, foliáceo, invaginado, papilionáceo,
pleurorrizo, amarelado. Cotilédones planos, com lâminas paralelas,
levemente convexos, crassos, dominantes, amarelos; estreitamente
oblongos a elípticos, ápice emarginado a arredondado, margem inteira,
base assimétrica, entalhados com a radícula exposta, unidos somente ao
ápice do hipocótilo, quando abertos e, ao remover-se o eixo embrionário,
na lateral fica uma depressão impressa, enquanto que a forma da plúmula
fica impressa na base da superfície ventral dos cotilédones. Eixo
embrionário, situado entre os lóbulos cotiledonares, curvo, em forma de
foice, espesso, levemente amarelado (Figura 2d). Plúmula, acima do eixo
embrionário, bem desenvolvida, da mesma cor do eixo embrionário,
obovada. Morfometria e dados tecnológicos na Tabela 2.
Tabela 2 - Biometria (mm) e características tecnológicas das sementes de
Calopogonitim mucunoides Desv.
Biometria
Peso de 1 .000
Número de
Investimento
Teor de
Com.
Lar.
Esp.
sementes (g)
sementes
por kg
do fruto em
sementes %
água (%)
Máxima
3,53
2,84
2,06
-
-
-
-
Media
2,91
2,50
1,77
14,3
70.025,99
45,65
13,30
Mínima
2,41
2,24
1,49
-
-
-
-
Desvio
padrão
0,28
0,15
0,13
0,44
2.155,67
0,14
0,77
43
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
Morfologia da germinação
Fanerocotiledonar, epígea. Com a reidratação, a semente se
entumesce, aumentando o seu volume (Figuras 2c, 3b). Após a
semeadura, a radícula rompe o tegumento abaixo da região hilar,
inicialmente cilíndrica, curta, glabra (Figura 3c), esbranquiçada e, à
medida que ocorre o seu alongamento, adquire cor amarelada (castanho-
claro) a partir da metade de seu comprimento, o ápice é amarelado
com coifa inconspícua (Figura 3d). Coleto não evidenciado (Figura
3f)- Hipocótilo verde, cilíndrico, sub-herbáceo, curvo, posteriormente
reto, com raros pêlos simples, curtos, delgados, brilhantes, hialinos e
retos. Cotilédones amarelos, à medida que vão sendo liberados do
tegumento tomam-se verdes (Figuras 3a, 3e), com lâminas paralelas,
isófilos, glabros, nervuras não evidentes, prefolheação valvar,
estreitamente oblongos a elípticos, ápice emarginado a arredondado,
margem inteira, base cuneada assimétrica, subsésseis, pulvino reduzido,
achatado, com poucos pêlos simples, hialinos e retos.
Morfologia da plântula
Raiz primária axial, cilíndrica, delgada; raros pelos hialinos,
simples, raízes secundárias pouco ramificadas, irregularmente
distribuídas, com pelos semelhantes aos presentes na raiz primária.
Coleto não evidente. Hipocótilo epígeo, ápice verde esbranquiçado,
região basal roxo-esbranquiçada (Figura 4e). Paracotilédones epígeos,
discolores, face adaxial plano-côncava e abaxial carenada, ambas
glabras; nervuras não evidentes; estreitamente oblongos a elípticos,
ápice emarginado a arredondado, margem inteira, base cuneada
assimétrica, subsésseis, com poucos pelos simples, hialinos e retos
(Figura 4c). Epicótilo cilíndrico, verde-amarelado, ápice seríceo (Figura
4e). Primeiro protófilo dois, simples, verdes, discolores, face adaxial
levemente mais escura que a abaxial, ambas glabras, com exceção da
margem e nervura principal na face abaxial (Figuras 4b, 4e),
prefolheação conduplicada, nervação reticulada, nervura principal com
44
Morfologia do fruto, semente e da plãntiãa de C. mucunoides e D. odorata ...
pelos simples e hialinos; largamente ovais; ápice retuso, margem inteira,
ciliada, pelos simples, hialinos; base levemente cordada. Pecíolos longos,
canaliculados, verdes, delgados, com pêlos simples, e hialinos; dois
pulvinos, distai e proximal, cilíndricos, com pelos semelhantes aos do
pecíolo, pulvino proximal com um par de estipulas ensiformes (Figura
4f). Segundo protófilo um, composto, trifoliolado, folíolos verdes,
discolores, face adaxial serícea e levemente mais escura que a abaxial
densamente serícea, recoberta por pelos simples e hialinos (Figura 4a);
prefolheação conduplicada; nervação semelhante a dos primeiros
protófilos; folíolos ovais a largamente elípticos, ápice acuminado,
margem inteira, ciliada por pêlos simples; base assimétrica, folíolo
terminal com peciólulo curto, com pulvínulo cilíndrico, e um par de
estipelas filiformes (Figura 4d). Pecíolo semelhante aos dos primeiros
protófilos, porém com um par de estipelas filiformes apicais, onde se
inserem os dois pulvínulos dos folíolos laterais, muito curtos. Pulvino
proximal, verde, cilíndrico, com um par de estipulas ensiformes.
Dipteryx odorata (Aubl.) Willd.
Morfologia do fruto
Pedúnculo do fruto lenhoso, glabro e com estrias longitudinais
(Figura 5a). Legume drupáceo, indeiscente, monospérmico, com
placentação parietal (Figura 5b). Estenocárpico, ovoide a oblongo
(Tabela 3), ápice obtuso a levemente arredondado; base arredondada,
cálice persistente; margens inteiras, constrictas, impressas; as nervuras
são caracterizadas por uma linha rígida e saliente, mais aparentes na
base. Fruto imaturo verde, maduro castanho-escuro-avermelhado.
Quando maduro o exocarpo é cartáceo e quebradiço, glabro, opaco,
irregular e liso. Mesocarpo constituindo a polpa que é de cor castanha,
macia, farinácea, mais espessa que o exocarpo. Dispersão sinzoocórica.
Endocarpo lenhoso, castanho-claro, formando uma cavidade seminal,
cuja superfície é perolada e brilhosa. Funículo curto, lenhoso,
quebradiço e reto.
45
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
Figura 1 - Calopogoniuin nuicunoides Desv. Detalhes do fruto. A- Infrutescência
axilar. B- Legume isolado. C- Base do legume ampliada. D- Ápice do legume em
detalhe. E- Secção longitudinal do legume, ap- apículo; bl- bractéola;
bh- bordadura hilar; cp- cálice persistente; cs- cavidade seminal; f- fruto;
fn- funículo; Is- linha de sutura; ncd- nervura carpelar dorsal; cv- nervura carpelar
ventral; pd- pedúnculo; pe- pericarpo; pl- pêlos; s- sementes; so- septo.
46
Morfologia do fruto, semente e da piãntula de C. mucunoides e D. odorata ...
Tabela 3 - Dimensões (cm), peso fresco (g), desvio padrão e coeficiente de variação
(C.V.) dos frutos de Dipteryx odorata (Aubl.) Willd.
Máxima
Média
Mínima
Desvio Padrão
C.V. (%)
Comprimento
5,83
5,43
5,11
0,19
3,43
Largura
3,70
3,44
3,70
0,13
3,68
Espessura
3,37
3,14
2,97
0,11
3,52
Peso
29,42
25,95
21,04
2,11
9,19
Figura 2 - Calopogoniiim mucunoides Desv. Semente. A- Sementes reniformes.
B- Vista hilar da semente em MEV, evidenciando a ranhura hilar. C- Semente
desidratada e hidratada. D- Secção longitudinal do embrião papilionáceo.
ct- cotilédone; dl-depressão lateral; eh- eixo hipocótilo-radícula; le- lente;
prd- pólo radicular; rh- ranhura hilar.
47
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
Figura 3 - Calopogoniuni mucimoides Desv. Processo germinativo e formação do
primeiro par de protófilos. A- Cotilédone livre do tegumento. B- Semente
entumescida. C- Início da germinação (1 dia). D- Saída do tegumento (4 dias).
E- Cotilédones totalmente livres do tegumento (8 dias). F- Primeiro par de
protófilos simples totalmente formados e expostos (10 dias).
48
Morfologia do fruto, semente e da plãntula de C. mucunoides e D. odorata ...
Figura 4 - Calopogonium mucunoides Desv. Detalhes da plântula. A- Segundo
protófilo. B- Folha simples do primeiro protófilo. C- Cotilédones isófilos.
D- Pulvínulos dos folíolos do segundo protófilo, em detalhe. E- Plântula.
F- Pulvinos e estipulas dos primeiros protófilos. ct- cotilédones; ep- epicótilo;
foa- folíolo apical do segundo protófilo; foi- folíolo lateral do segundo protófilo;
ga- gema apical; hp- hipocótilo; pca- pecíolo do folíolo apical; pcp- pecíolo do
primeiro protófilo; pcs- pecíolo do segundo protófilo; pl- pêlos; plp- pulvino do
primeiro protófilo; pp- primeiro protófilo; pua- pulvínulo do folíolo apical;
pul- pulvínulo do folíolo lateral; sp- segundo protófilo; stp- estipula do primeiro
protófilo.
49
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
Morfologia da semente
Descrição externa: estenospérmica; variando de oblonga a elíptica,
ápice e base arredondados, margens inteiras. Testa monocrômica, sem
depressões, constituída por duas camadas de tegumentos, a externa
castanho-escura, quase negra, glabra e brilhante; com linhas de fratura
transversais de vários tamanhos (Figura 5c), cartácea e quebradiça
quando desidratada, membranácea se hidratada, camada interna
esponjosa com pontuações avermelhadas visíveis somente sob lupa;
região hilar lateral, sub-basal, próxima ao ápice da radícula, hilo
oblongo (mais comum) ou orbicular, heterócromo, castanho claro, em
depressão, circundado pela bordadura hilar elevada (proeminente),
homócroma; acima do hilo localiza-se a lente irregular, em depressão,
homócroma, ligeiramente mais clara que a testa (Figura 5d). Morfometria
e dados tecnológicos na Tabela 4.
Descrição interna: tégmen membranáceo, sem endosperma (Figura
5e). Embrião axial, invaginado, cotiledonar, esbranquiçado. Cotilédones
plano-convexos, crassos, espessos, esbranquiçados, oblongos, ápice
arredondado, margem inteira; base levemente cordada e assimétrica,
entalhados com a radícula exposta, unidos somente à região apical do
pólo radicular, quando abertos e ao remover-se o eixo embrionário fica
uma depressão impressa, deixada pela plúmula, no centro dos
cotilédones. Eixo embrionário com pólo radicular bem definido, cônico.
Tabela 4 - Biometria (mm) e características tecnológicas das sementes de Dipteryx
odorata (Aubl.) Willd.
Biometria
Peso de 1 .000
Número de
Investimento
Teor de
Com.
Lar.
Esp.
sementes (g)
sementes
por kg
do fruto em
sementes %
água (%)
Máxima
38,20
13,80
13,00
-
-
-
-
Média
33,55
12,85
12,25
2.883,14
347,12
10,74
30,26
Mínima
29,20
10,80
11,10
-
-
-
-
Desvio
padrão
2,16
0,68
0,50
9,53
11,85
0,30
0,30
50
Morfologia do fruto, semente e da plântula de C. mucunoides e D. odorata ...
mais espesso que as demais partes do eixo; epicótilo reto, esbranquiçado,
espesso e achatado; plúmula moderadamente desenvolvida ou
multipartida, da mesma cor do hipocótilo (Figura 5f).
Figura 5 - Dipteryx odorata (Aubl.) Willd. Fruto e semente. A- Vista lateral do
legume drupáceo. B- Secção longitudinal do fruto drupóide. C- Superfície da
semente em detalhe. D- Vista hilar da semente em detalhe. E- Camadas do tegumento
(lOOx). F- Embrião invaginado. bh- bordadura hilar. cr- contorno da radícula;
ct- cotilédone; ee- eixo epicótilo-radícula; en- endocarpo; es- estria; ex-exocarpo;
h- hilo; le- lente; me- mesocarpo; mi- micrópila; pd- pedúnculo; pm- plúmula;
prd- pólo radicular; ptg- primeira camada do tegumento; s- semente; stg- segunda
camada de tegumento; tm- tégmen; ts- testa.
51
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
Morfologia da germinação
Germinação fanerocotiledonar, epígea (Figura 6a). Após absorver
água a semente se entumesce, as linhas de fratura tomam-se visíveis a
olho nu, o contorno da radícula toma-se mais proeminente à medida
que se desenvolve, o tegumento da base da semente começa a romper-
se e, há a protusão da radícula, cilíndrica, curta, glabra, castanho claro
e, à medida que ocorre o seu alongamento, apresenta base mais escura
e espessa na região mediana surgem as raízes secundárias também
ferruginosas, cujo ápice apresenta-se amarelo (Figura 5c). Coleto
anguloso, evidenciado apenas pela diferença de cor entre a radícula e
o hipocótilo. Hipocótilo verde, curto, cilíndrico com leve achatamento
nos lados (anguloso) (Figura 5b); sublenhoso, curvo posteriormente
reto, glabro, rugoso devido à presença de pontuações arredondadas.
Cotilédones, inicialmente avermelhados e, após a saída do tegumento,
viridiscentes, semi-abertos, com lâminas paralelas, glabros, côncavos,
prefolheação valvar, nervuras não evidentes; oblongos, ápice
arredondado, margem inteira, base reta (truncada), subsésseis.
Morfologia da plântula
Raiz axial, angulosa, ferrugínea até próximo ao ápice e
amarelada no ápice, glabra e estriada, coifa ferrugínea. Raízes
secundárias pouco ramificadas. Coleto anguloso. Hipocótilo
cilíndrico, anguloso na área próxima a região de inserção dos
cotilédones, amarelo-esverdeado, glabro, estriado e rugoso em função
das estrias transversais castanho-escuras, pontuações presentes em
toda a superfície. Paracotilédones ausentes. Epicótilo anguloso, o
que lhe confere a forma elíptica quando visto em secção transversal,
longo, reto, espesso, sublenhoso, esverdeado, glabro, com
pontuações arredondadas, semelhantes as do hipocótilo. Primeiro
protófilo dois, compostos, paripinados, opostos, com dois a três pares
de folíolos opostos (Figuras 7b, d), subsésseis, discolores, face adaxial
brilhante e levemente mais escura do que a abaxial opaca, com pontos
52
Morfologia do fruto, semente e da plântula de C. mucunoides e D. odorata ...
Figura 6 - Dipteryx odorata (Aubl.) Willd. Processo germinativo e formação do
primeiro par de protófilos. A- Rompimento do tegumento e alongamento da
radícula (5 dias). B- Paracotilédones, livres do tegumento (8 dias). C- Exposição
do primeiro par de protófilos (10 dias), ct- cotilédone; hp- hipocótilo; pp- primeiros
protófilos; rd- radícula; rp- raiz primária; rs- raiz secundária; tg- tegumento.
53
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
Figura 7 - Dipteryx odorata (Aubl.) Willd. Detalhes da plântula. A- Segundo
protófilo. B- Parte aérea da plântula. C- Prefolheação convoluta em detalhe.
D- Primeiro protófilo. el- expansão laminar; ep- epicótilo; fo- folíolo; ga- gema
apical; pcp- pecíolo do primeiro protófilo; pp- primeiro protófilo; rq- ráquis;
sp- segundo protófilo.
54
Morfologia do fruto, semente e da plãntula de C. mucunoides e D. odorata ...
translúcidos, ambas glabras, com exceção da nervura principal na
face abaxial; prefolheação convoluta; nervação peninérvea reticulada,
com nervura principal bem evidente e impressa na face adaxial, com
muitos pelos ferruginosos e retos, nervuras secundárias e terciárias
imersas e pouco evidentes, lanceolados, ápice agudo, margem inteira,
levemente ondulada, base oblíqua. Pulvínulos reduzidos, verdes,
cilíndricos, com muitos pelos simples. Ráquis longa, canaliculada,
semi-alada, verde, com um prolongamento apical espatulado e muitos
pelos. Pecíolo curto, canaliculado, verde, pelos semelhantes aos dos
pulvínulos, e com pulvino proximal, cilíndrico, verde; na axila do
pulvino observa-se duas gemas sobrepostas e sésseis. Entre o primeiro
e o segundo protófilo observa-se uma expansão laminar, espatulada,
semelhante a um folíolo atrofiado (Figura 7c). Segundo protófilo
um, composto, paripinado, com dois a três pares de folíolos opostos,
semelhantes aos dos primeiros protófilos; pina também semelhante
as dos primeiros protófilos (Figura 7a).
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
Segundo Barroso et al. (1999) a família Leguminosae apresenta
14 tipos de frutos, sendo que o tipo legume ocorre em todas as
subfamílias e o tipo legume daipáceo apenas em Papilionoideae. Neste
estudo, o tipo legume foi encontrado em C. mucimoides e o tipo legume
drupáceo em D. odorata.
Nas Papilionoideae, a região hilar é bem distinta, sendo comum
ocon'er um arilo circundando o ponto de inserção do funículo à semente,
o que, para Corner (1951), trata-se de um arilo rudimentar mais
desenvolvido. Para Barroso et al. ( 1 984), esta é uma das características
do hilo das sementes das espécies pertencentes à subfamília
Papilionoideae, bem como a presença da fenda hilar. Neste estudo,
observou-se a bordadura e a fenda hilar apenas em C. mucunoides. A
ausência tanto da bordadura hilar quanto da fenda hilar também foi
observada em D. alata Voguei (Feneira 1997).
55
Boi. Mu.s. Para. Emílio Goeldi, sér. Dol. 18(1), 2002
As espécies de leguminosae analisadas por Duke (1969)
apresentaram germinação fanerocotiledonar ou criptocotiledonar. Soriano
& Torres (1992), ao estudarem onze espécies, distribuídas nas três
subfamílias, observaram que apenas uma, pertencente à subfamília
Papilionoideae apresentou germinação criptocotiledonar. As espécies aqui
estudadas apresentaram germinação fanerocotiledonar epígea, a forma
mais comum de germinação (Duke & Polhill 1981; Pablo Parra 1984).
A diferenciação do primeiro protófilo para o segundo protófilo
ocorreu de forma brusca em C. mucunoides, uma vez que a espécie
apresentou o primeiro par de protófilos simples e o segundo protófilo
trifoliolado, o que parece ser comum em espécies pertencentes a
subfamília Papilionoideae. No entanto, o mesmo não foi observado
em D. odorata que apresentou o primeiro protófilo composto.
A presença de estipulas nas plântulas, segundo Burkart (1952), é
uma característica relevante e, neste estudo, somente C. mucunoides
apresentou estipulas e estipelas na base dos pulvinos e dos pulvínulos,
quando, em geral, filiformes.
O presente trabalho atestou a necessidade do conhecimento
morfológico de frutos, sementes, da germinação e de plântulas, não
somente para auxiliar na sistemática vegetal, bem como para o manejo
dos recursos naturais, para o conhecimento da vegetação passada, do
clima, para o crescimento e estabelecimento da plântula, compreensão
do ciclo biológico, da regeneração natural das espécies estudadas,
caracterização da família, gêneros e espécies.
As ilustrações para frutos, sementes, processo germinativo e
plântulas, associadas às descrições, fornecem subsídios para o
reconhecimento prático dessas espécies ocorrentes em mata secundária.
C. mucunoides pode ser utilizada na recuperação de áreas
degradadas, uma vez que apresenta rápida germinação, após os
tratamentos de quebra de dormência c, conforme literatura consultada,
fixa nitrogênio e produz grande quantidade de biomassa.
56
Morfologia do fruto, semente e da plãntula de C. mucunoides e D. odorata ...
AGRADECIMENTOS
Aos responsáveis pelo LABAF/UA (Laboratório de Botânica
Agroflorestal da Universidade do Amazonas) pela concessão da lupa
Zeiss MC 80 DX. À equipe do PFRD/INPA/DFID (Projeto Flora da
Reserva Ducke/Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) pela ajuda
e empréstimo do equipamento fotográfico. Ao senhor Raimundo
Nonato, do Laboratório de Fitopatologia da Embrapa Amazônia
Oriental, Belém-PA, pelas micrografias eletrônicas de varredura.
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00
CDD: 583.32209811
582.1304463
- V
P0-
LEGUMINOSAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA -
VIII. O PÓLEN DO GÊNERO ANDIRA LAM.
(LEGUMINOSAE PAPILIONOIDEAE)
Léa Maria Medeiros Carreira
Maura Anjos de Andrade Kalunie'
Ely Siinone Cajueiro Gurgel'
RESUMO — Foi estudada a morfologia dos grãos de pólen das espécies
Andira cordata, A. cuyabensis, A. inermis var. inermis, A. macrothyrsa,
A. micrantha, A. multistipula, A. parviflora, A. surinamensis var.
surinamensis, A. surinamensis var. ovatifoliolata, A. trifoliolata e A.
unifoliolata, que ocorrem na Amazônia brasileira. Botões florais
adultos, foram acetolisados, medidos, descritos e fotomicrografados.
São pequenos, isopolares, de simetria radial, 3-colporados e
endoabertura circular. A forma varia de prolata esferoidal a
subprolata, amb subtriangular a circular e a superfície é punctada,
finamente granulada e microrreticulada. Os grãos de pólen das
espécies analisadas são homogêneos, tratando-se portanto de um
gênero estenopalino.Uma chave com base nos caracteres polínicos
foi elaborada a fim de separar as espécies nos três grupos polínicos
estabelecidos.
PALAVRAS-CHAVE: Morfologia Polínica, Leguminosae
Papilionoideae, Andira, Amazônia brasileira.
ABSTRACT - The pollen niorphology of the species, Andira cordata,
A. cuyabensis, A. inermis var. inermis, A. macrothyrsa, A. micrantha,
A. multistipula, A. parvillora, A. surinamensis var. surinamensis, A.
surinamensis var. ovatifoliolata, A. trifoliolata e A. unifoliolata
' MCT/Muscu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação de üotânica. Pesquisadora. C.P. 399. Cep
66040-170, l!elt'ni-PA. lca@nnisen-goeldi.hr; esgurgel@museu-goeldi.hr
“ MCT/Muscu Paraense Emílio (ioeldi. Coordenação de Holânica. liolsisla. processo CNPq/
MPEG 520886/95-0C.P. 399. Cep 66040-170. l!cldni-PA,
61
Ilol. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. IS(I), 2002
belowing to brazilian cimazon valley, was estuded. Bottons flowers
were acetolysed, descripted, measiires and fotomicrografy. Are sinalls,
isopolars, radial simetry, 3 colporated and the endoapertnres are
circular. Tlieir shape varies froni prolate spheroidal to sub-prolate,
anib subtriangidar to circular and the exine is puncted, finely
granulate and inicroreticulate. A pollen key based a polinic caracters
was elaborate to separate the three pollinic grups that were establish.
The pollen grains of the species analysed were hoinogeneous, thus
they are gcnera stenopalynous.
KEY WORDS: Pollen morphology, Leguminosae Papilionoideac,
Andira, Brazilian Amazon.
INTRODUÇÃO
Este trabalho tem como principal objetivo a análise polínica das
espécies do genexo Andira que ocoiTcm na Amazônia brasileira, afim
de se obter dados que possam contribuir para futuras pesquisas
relacionadas a este gênero.
O gênero Andira Lam., pertencente a família Leguminosae,
subfamília Papilionoideac, é representado segundo Mattos (1979) por
mais de 30 espécies, sendo que na Amazônia brasileira é registrada a
ocorrência de apenas 12 espécies (Silva et a/. 1989).
Ainda de acordo com Mattos (l.c.) a taxonomia do gcx\cvo Andira
é muito confusa devido à grande variação morfológica dos órgãos
vegetativos e à inexistência de tipos nomenclaturais das espécies. Esta
conclusão foi comprovada com o estudo taxonômico das espécies
brasileiras. Lewis (1987) fez um levantamento c uma breve descrição
taxonômica de 17 taxa que ocoirem na Bahia.
O gênero é constituído por árvores e arbustos de considerável
importância sob o ponto de vista ornamental (Coirêa 1926). Para Silva
et al. (1977) a espécie A. retusa (Bondt.) Pullc (sinônimo de
A. surinamensis (Bondt.) Pullc) é vulgarmente conhecida como “andirá-
uchi”, “lombrigueira”, “morccgucira” e A. patri flora Duckc, “sucupira
vermelha”, “sucupira chorona” e “sucupira de morcego”.
62
Leguminosas da Amazônia Brasileira VIII...
Com relação à morfologia polínica do gênero, Melhem (1968) e
Salgado-Labouriau (1973) analisaram os grãos de pólen das espécies
A. humilis Benth. (Sinônimo de A. laurifolia Benth. var. laurifoUa) e
A. vermífuga Benth., consideradas espécies características do cerrado.
Ferguson & Skvarla (1981) comentaram sucintamente a morfologia
polínica da tribo Dalbergieae. Carreira et al. ( 1 996) descreveram os grãos
de pólen de A. miiltistipula Ducke e Carreira et al. (200 1 ) os de A. inermis
var. riedelii Benth. dentre as espécies que ocorrem na restinga.
MATERIAL E MÉTODOS
Material botânico
Botões florais adultos foram retirados de amostras dos herbários
lAN (Embrapa Amazônia Oriental), INPA (Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia), K (Kew Botanical Garden), MG (Museu
Paraense Emílio Goeldi), e RB (Jardim Botânico do Rio de Janeiro).
As referências de herbário e de palinoteca das espécies analisadas
encontram-se na Tabela 1.
Métodos
Para a preparação das lâminas foi utilizado o método de acetólise
de Erdtman (1952).
As medidas foram feitas num microscópio ZEISS adaptando-se
uma ocular com escala micrometrada. As dos eixos polar e equatorial
foram obtidas do 25 grãos de pólen, utilizando-se a objetiva de 40x.
Com estes valores, foram calculados a média, variância, desvio padrão
e o coeficiente de variação. As medidas da exina foram tomadas em 10
grãos de pólen, usando-se a objetiva de lOOx, calculando-se somente a
média aritmética.
Para as observações em MEV, os graos de pólen foram
desidratados por 24 horas em acetona a 50% e, postei ioi mente, em
acetona a 1 00% durante 30 minutos. Uma gota da suspensão de pólen
63
Tabela 1 - Relação das espécies estudadas com suas respectivas referências de herbário e de palinoteca.
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1). 2002
64
Leguminosas da Amazônia Brasileira VIII...
em acetona pura foi depositada sobre o suporte do MEV e deixada
secar por algumas horas a 37°C, antes de ser evaporada com ouro.
Nas descrições polínicas foram usadas a seqüência padronizada
de Erdtman (1969), a classificação de Praglowski & Punt (1973) e a
nomenclatura baseada em Barth & Melhem (1988).
As fotomicrografias de luz foram obtidas num fotomicroscópio
ZEISS e as de MEV em microscópio eletrônico de varredura ZEISS
modelos DSM-940 e JEOL - JSM 5.400 LS.
Nas descrições e nas legendas das figuras foram usadas as seguintes
abreviaturas: amb- âmbito; E- eixo equatorial; DL - diâmetro do lúmem;
MEV- microscopia eletrônica de vamedura; ML- microscopia de luz;
Nex - nexina; NPC- número, posição e caráter das aberturas; P- eixo
polar; P/E- relação entre as medidas dos eixos polar e equatorial;
P/MG- número da Palinoteca do Museu Paraense Emílio Goeldi;
Sex - sexina; s/n- sem número; VE- vista equatorial do grão de pólen e
VP- vista polar do grão de pólen.
RESULTADOS
1) Caracteres gerais dos grãos de pólen do gênero
Grãos de pólen pequenos, isopolarcs, de simetria radial,
3 - colporados, NPC = 345. O awb varia de subtriangular a circular, a
forma de prolata esferoidal a subprolata e o teto de liso a finamente
ondulado. A cndoabcrtura c circular encontrando-se na maioria das
vezes encoberta pela sexina. A superfície é punctada, microrrcticulada
e finamente granulada, características estas usadas para o
estabelecimento dos grupos polínicos.
65
Boi. Mus. Para. Eititlio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
2) Descrições polínicas
Grupo polínico I
\-Andira cordata Arroyo: amb circular, formas prolata esferoidal
e oblata esferoidal, de superfície punctada. A endoabertura apresenta-se
encoberta pela sexina. P = 21± 0,6 (20 - 25) pm; E = 18 ± 0,7 (15-21)
pm; P/E = 1,17; P = 19 ± 0,6 (18 - 21) pm; E = 19 ± 0,5 (18 - 21) pm;
P/E = 0,99. A sexina (0,8 pm) é um pouco mais espessa que a nexina
(0,4 pm). O teto é finamente ondulado e as pontuações são nítidas.
2- Andira macrothyrsa Ducke (Figura 1 f); amb circular, forma
subprolata, de superfície punctada. A endoabertura apresenta-se
encoberta pela sexina. P = 18 ± 0,5 (16 - 21) pm; E = 14 ± 0,7
(12 - 17) pm; P/E = 1,31. A sexina (1,0 pm) é mais espessa que a
nexina (0,5 pm). O teto é finamente ondulado.
3- Andira inermis (Sw.) H.B.K var. inermis {*) (Figura 1 a-e):
amb subtriangular, forma prolata esferoidal, de superfície punctada. A
endoabertura apresenta-se encoberta pela sexina. P = 15 ± 0,5
(12- 17)pm;E= 12 ±0,4 (10- 14) pm;P/E= 1,24. A sexina (0,4 pm)
é quase da mesma espessura da nexina (0,3 pm). O teto é liso.
4- Andira iinifoliolata Ducke (Figura 2 a-e): amb subtriangular,
forma prolata esferoidal, superfície punctada. A endoabertura apresenta-
se encoberta pela sexina. P = 13 ± 0,5 (12 - 15) pm; E = 13 ± 0,6
(13 - 16) pm; P/E = 1,01. A sexina (0,8 pm) é um pouco mais espessa
que a nexina (0,4 pm). O teto é liso.
5- Andira micrantha Ducke: a/?//; circular, foima prolata esferoidal,
de superfície punctada. A endoabertura apresenta-se encoberta pela
sexina. P = 17 ± 0,5 (16 - 18) pm; E = 15 ± 0,3 (14 - 17) pm;
P/E = 1 , 10. A sexina (0,8 pm) é um pouco mais espessa que a nexina
(0,6 pm). O tetoé liso.
(*) Espécie representativa.
66
Leguminosas da Amazônia Brasileira VIU...
Figura 1 - Pólen dc Ainíiiv inerniis vM.inenuis, ML: a) VP, corte óptico; b) Idem,
superfície; c) VE, corte óptico; d) Idein, superfície. 2000x. MEV: e) VP, aspecto da
ornamentação da exina. 3500x. Pólen dc Aiulira mcicrothyrsa, MEV: 0 VP, aspecto
da ornamentação da exina. 3500x.
67
Dol. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
Figura 2 - Pólen àcAndira unifoliolata, ML: a) VP, corte óptico; b) Idem, superfície;
c) VE, corte óptico; d) Idem, superfície. 2000x. MEV: e) VE, aspecto da
ornamentação da exina e dos colpos. 3500x.
68
Leguminosas da Amazônia Brasileira VUI...
6- Andira rnultistipula Ducke (Figura 3 a-e): amb circular, forma
prolata esferoidal, de superfície punctada. A endoabertura apresenta-
se encoberta pela sexina. P = 15 ± 0,4 (12 - 16) pm; E = 13 ± 0,6
(11-16) pm; P/E = 1,11. A sexina (0,7 pm) é um pouco mais espessa
que a nexina (0,5 pm). O teto é liso.
7- Andira trifoliolata Ducke (Figura 3 f): amb circular, forma
prolata esferoidal, superfície punctada. A endoabertura apresenta-se
encoberta pela sexina. P = 17 ± 0,4 (16 - 20) pm; E = 15 ± 0,5
(13,5 - 16) pm; P/E = 1,13. A sexina (1,2 pm) é bem mais espessa que
a nexina (0,5 pm). O teto é liso.
69
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
Figura 3 - lYilen àcAndim mulü.Mipuhi, ML: a) VP, corte óptico; b) Idcm, superfície;
c) VE, corte óptico; d) Idem, superfície. 2000x. MEV: e) VP, aspecto da
ornamentação da exina e do colpo. 3500x. Pólen de Aiulira trifoliolata,
0 VE, aspecto da ornamentação da exina, dos colpos e da endoabcrtura. 3500x.
70
Leguminosas da Amazônia Brasileira VIII...
Grupo polínico II
8- Andira cuyabensis Benth. (*) (Figura 4 a-f): amb circular,
forma subprolata, de superfície microrreticulada. A endoabertura
é circular. P = 18 ± 0,5 (17 - 20) pm; E = 15 ± 0,5 (14 - 17) pm;
P/E = 1,21; DL = 0,82 pm. A sexina (0,7 pm) é um pouco mais
espessa que a nexina (0,5 pm). O teto é finamente ondulado e os
lumens são nítidos.
9- Andira surinamensis (Bondt.) Splitz. ex Pulle var. ovatifoliolata
N. Mattos: amb circular, forma prolata esferoidal, superfície
microrreticulada. A endoabertura apresenta-se encoberta pela sexina.
P = 12 ± 0,6 (11 - 16) pm; E = 12 ± 0,6 (10 - 15) pm; P/E = 1,02;
DL = 0,83 pm. A sexina (0,6 pm) é quase da mesma espessura da
nexina (0,5 pm). O teto é liso.
Grupo polínico III
10- Andira parvijlora Ducke: amb circular, forma subprolata, de
superfície finamente granulada. A endoabertura apresenta-se encoberta
pela sexina. P = 15 ± 0,4 (14 - 17) pm; E = 11 ± 0,4 (11 - 13) pm;
P/E = 1 ,35. A sexina ( 1 ,0 pm) é mais espessa que a nexina (0,5 pm). O
teto é liso.
11- Andira surinamensis (Bondt.) Spliz. ex Pulle var.
surinamensis (*) (Figura 5 a-Q: íimb subtriangular, forma prolata
esferoidal, superfície finamente granulada. A endoabertura é circular.
P= 17 ±0,3 (15- 17) pm;E= 15 ±0,5 (13- 17) pm;P/E= 1,1LA
sexina (0,6 pm) é um pouco mais espessa que a nexina (0,4 pm). O
teto é quase liso.
(*) Espécies rcpresentalivas.
71
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. I8( 1 ), 2002
Figura 4 - Pólen dcAiulira cuyahensis, ML: a) VP, corte óptico; b) Idem, superfície;
c) VE, corte óptico; d) Idem, superficie. 2000x. MEV: c) VP, aspecto da
ornamentação da exina c dos colpos. 3500x.; f) Detalhe do microrreticulo c do
colpo. S.OOOx.
72
Leguminosas da Amazônia Brasileira VIU...
Figura 5 - Pólen de Áiidirci suriíutiiicusis var. siiriíuiiiiensi.s, ML. a) VP, cot te
óptico; b) idem, superfície; c) VE, corte óptico; d) Ideni, superfície. 2000x. MEV:
e) VP, aspecto da ornamentação da exina. 5000x; f) Detalhe dos grânulos e do
colpo. 8000x.
73
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
Chave Polínica
Grupo Polínico I
1 - Grãos de pólen de superfície punctada.
1.1. Formas prolata esferoidal e oblata esferoidal
A. cordata
1.2. Forma subprolata
A. macrothirsa
1 .3. Forma prolata esferoidal
1.3.1. Amb subtriangular
A. inermis var. inermis
A. unifoliolata
3. 2. Amb circular
A. micrantha
A. multistipida
A. trifoliolata
Gmpo Polínico II
2 - Grãos de pólen de superfície microrreticulada.
A. cuyabensis
A. surinamensis var. ovatifoliolata
Grupo Polínico III
3 - Grãos de pólen de superfície finamente granulada.
A. parviflora
A. surinamensis var. surinamensis
74
Leguminosas da Amazônia Brasileira VIII...
DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
Pelos resultados obtidos neste trabalho, pode-se concluir que os
grãos de pólen das espécies analisadas são semelhantes entre si. Por
este motivo, o gênero Andira é considerado estenopalino. Desta forma,
pode-se também sugerir que a palinologia não reúne recursos
necessários, capazes de separar as espécies estudadas. Baseando-se
nas superfícies punctada, microrreticulada e finamente granulada,
estabeleceu-se grupos polínicos: I - grãos de pólen com superfície
punctada, representado pela espécie A. inennis var. inennis-, II - grãos
de pólen com superfície microrreticulada representado pela espécie
A. cuyabensis, III - grãos de pólen com superfície finamente granulada
representado pela espécie A. surinamensis var. surinamensis.
As categorias definidas permitiram separar espécies em níveis
de variedades; no caso de A. surinamensis var. ovatifoliolata enquadra-
se no grupo polínico II e A. surinamensis var. surinamensis no grupo
polínico III.
Melhem (1968) ao estudar os grãos de pólen de A. humilis,
A. laurifolia, A. vennifugaeA. paniculata, concluiu que não se separam
facilmente uma das outras por meio dos caracteres polínicos, ao passo
que os de A. paniculata mostram uma forma ligeiramente diferente em
vista polar. A referida autora informa que nos grãos de pólen de
A. humilis e A. vermifuga ocorre polimorfismo quanto à forma. Isto
também foi observado neste trabalho, em A. cordata, cujos grãos de
pólen são oblato esferoidal e prolato esferoidal.
Salgado-Labouriau (1973) observando o pólen das mesmas espécies
analisadas por Melhem (1968) constatou que a morfologia polínica das
mesmas era muito homogênea e estabeleceu o tipo polínico A/íí/íra.
Para Ferguson & Skvarla (1981) os grãos de pólen dos gêneros
pertencentes a tribo Dalbergieae são uniformes e não especializados,
coincidindo, desta maneira, com os das espécies do gênero Andira
aqui investigados.
75
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
Mattos (1979), ao fazer o estudo taxonômico do gênero
Hymenolobium Benth. observou afinidades distintas com o gênero
Andira Lam., tanto na morfologia do fruto, quanto no aspecto da planta
viva. Gurgel et al. (2000) observaram também que os grãos de pólen
do gênero Hymenolobium Benth. são semelhantes aos do gênero
Andira, quanto ao tamanho, simetria, número, posição e caráter das
aberturas, amb e forma.
AGRADECIMENTOS
À Dra. O. M. Barth pelas fotomicrografias obtidas no MEV do
Instituto Oswaldo Cruz e à Embrapa Amazônia Oriental, em especial
ao técnico Raimundo Nonato pela utilização do MEV.
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Recebido em: 17.01.01
Aprovado em: 04.12.01
77
CDD: 584.15
NOVA ESPÉCIE DE GALEANDRA LINDE.
(ORCHIDACEAE) DA AMAZÔNIA BRASILEIRA'
Silvana H. N. Monteiro'
João Batista F da Silva
RESUMO - É proposta uma nova espécie de Galeandra para a
Amazônia Brasileira: Galeandra santarena que apresenta as bordas
do labelo flabeladas, as laterais da coluna e o lóbulo mediano
retilíneo. Neste trabalho, a espécie é descrita, ilustrada e comentada.
PALAVRAS-CHAVE; Galeandra Lindl., Orchidaceae, Taxonomia.
ABSTRACT -New species for Genus Galeandra Lindl. ( Orchidaceae).
We propose one new specie for Galeandra founded in the Brazilian
Amazon: Galeandra santarena that presents the lip borders fan-shaped,
and the lateral side ofthe column and médium lobe retilinian. In this
paper the new specie is described, ilustrated and discussed.
KEY WORDS: Galeandra Lindl., Orchidaceae, Taxonomy.
INTRODUÇÃO
O gênero Galeandra Lindl. é composto por aproximadamente 31
espécies, distribuídas desde o sul da Flórida, México, atravessando a
América Central e Antilhas, espalhando-se por vários países da América
do Sul (Senghas 1995). Para o Brasil, são conhecidas 22 espécies e uma
variedade, sendo que 18 estão registradas para a Amazônia brasileira.
O centro de diversidade das espécies está localizado na Amazônia
equatorial (5” de latidude Sul e 5" de latitude Norte) (Monteiro 1999).
' Trabalho refercnle à dissertação dc mestrado em Agronomia, área de concentração em
Hiologia Vegetal Tropical, da Faculdade de Ciências Agrárias do Pará-FCAF,
^ MCT/Muscu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação de Botânica. Bolsista. C.P. 399. Cep
66040-170, Belím-PA. galcandra@hotmail,com
* MCIT/Muscu Paraense Emílio Goeldi. Bolsista. Tv. 14 de Março, 894 Bloco C, 101, Umarizal.
Cep 66055-490, Belím-PA,
79
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
No decorrer de uma revisão das espécies de Galeanclra na
Amazônia brasileira, verificou-se que uma das coletadas no estado do
Pará não se enquadrava em nenhum dos táxons já estabelecidos para o
gênero. Constatou-se, também, que esta espécie ocorre em outros Estados
e encontrava-se nas coleções de alguns herbários do país, erroneamente
identificada como G. clives Reichb. f. ou G. mincvc Reichb. f.
DESCRIÇÃO DA NOVA ESPÉCIE
Galeandra santarena S.H.N. Monteiro & da Silva, sp. nov.
Tipo: Brasil, estado do Pará, município de Santarém, Usina
hidrelétrica de Curuá-Una. Epífita em árvores mortas no meio da
represa. 13/06/1999, J.B.F. da Silva 661 (Holotipo, MG) (Figura 1).
Planta epiphytica; pseudobulbo elongato, cylindrico. Inflorescentia
2-6 floribus, terminali, racemosa vel paniculata; sepalis oblongo-
lanceolatis vel oblanceolatis, viridibus, maculatis bmnneis-rubris; petalis
oblongo-lanceolatis; labelo infundibuliformi (positione normale),
rombico-obovado (lamina expansa), leviter trilobato, albo-viridi vel albo-
flavo, parvis radiis ninaceis, marginibus loborum, apice emarginato,
margine crenata, marginibus loborum flabeliformibus, disco
tetracarinato, calcare porrecto, tenui; columna semi-cylindrica; anthera
sub-rotundata, prolata in cristam camosam; polinnius duabues solidis
ovoideis.
Erva epífita. Pseudobulbos alongados, cilíndricos, estreitando-se
para o ápice, pouco atenuados na base, algumas vezes
dorsoventralmente comprimidos, revestidos pelas bainhas escariosas,
pintalgadas, invaginantes, imbricadas, 0.80-0.95 cm de diâmetro,
providos de 4-15 folhas, sem folhas durante a antese. Folhas dísticas,
cartáceas, linear-lanceoladas aoblongo-lanceoladas, 5-15 cm decompr.,
5-10 mm de larg., acuminadas, com bainhas invaginantes, ereto-patentes
ou ligeiramente arqueadas. Inflorescencias cm racemos ou panículas,
subpêndulas, 2. 5-9.0 cm de compr., 2-6 llorcs; pedúnculo verde
80
Nova espéi de Galeandra LindI....
D
À
H
Pigura 1 - Galeandra santarcna. A) hábito; B) flor inteira; C) labelo (lâmina
aberta); D) sépala dorsal; E) pétala; F) sépala lateral; G)coluna; H) antera (vista
frontal); I) antera (vista dorsal); J) polinário.
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
pardacento, 1 .3-8.2 cm de compr., recoberto por várias brácteas; brácteas
19-53 mm de compr., escariosas, imbricadas, lineares, longamente
acuminadas, com bainhas invaginantes, raque verde-pardacenta,
0.8- 1.2 cm de compr. Ovário pedicelado verde-claro, 21-25 mm de
puberulos em toda sua extensão, sulcado no apice,
na base uma bráctea esverdeada, escariosa na antese, triangular
lanceolada, acuminada, 2-5 mm de compr. Flores médias para o gênero.
Sépalas livres, membranáceas, agudas ou ligeiramente apiculadas,
inferiormente pouco atenuadas, margens inteiras ou levemente revolutas,
indumentos pubérulos, principalmente na face abaxial, oblongo-
lanceolada a oblanceolada, esverdeadas com tons marrom-
avermelhados; sépala dorsal ereto-patente ou levemente incurvada, ca.
de 23 mm de compr., ca. de 5 mm de larg.; sépalas laterais levemente
falcadas, oblíquas, ligeiramente incurvadas, ca. de 24 mm de compr.,
ca. de 4 mm de larg. Pétalas da mesma cor das sépalas, ereto-patentes,
oblongo-lanceoladas, ca. de 23 mm de compr., ca. de 4 mm de larg.
Labelo membranáceo, infundibuliforme (em posição normal), rômbico-
obovado (lâmina aberta), levemente trilobado, 50-53 mm de compr.,
33-40 mm de larg., branco-esverdeado a branco-amarelado, pequenos
raios vináceos nas bordas dos lóbulos, ápice emarginado, margem
crenada, bordas dos lóbulos flabelada, parte interna da lâmina com
indumentos pubérulos a pubérulos-pubescentes, principalmente no
centro e nos lóbulos; disco composto por 4 carinas, as internas delgadas
e alongadas, muitas vezes inconspícuas, as externas engrossadas e
ligeiramente arqueadas em direção ao ápice; esporão alongado, delgado,
amarelo-ouro, retilíneo, internamente pubescente. Coluna
semicilíndrica, apiculada, com formato aproximadamente triangular (em
corte transversal) alas ao lado da cavidade estigmática e na base
pequenas aurículas vináceas nas laterais, glabra ou esparsadamente
pubérula, branca ou branco esverdeada, algumas vezes com suaves
manchas lilases nas laterais, ereta, ca. de 13 mm de compr., ca. de 5
mm de larg., laterais retilíneas. Antera subarredondada, prolongando-
se em uma crista carnosa, ápice obtuso, violáceo, base com uma
82
Nova espécie de Galeandra LindI..,.
saliência no dorso com indumentos diminutos, branca ou branco-
amarelada. Polinário com viscídio interno, central; estipe laminar,
alongado, formato aproximadamente triangular, polínias 2, sólidas,
amarelas, ovóides.
Etimologia: o epíteto específico foi escolhido devido à espécie
ser abundante na região de Santarém, no estado do Pará.
Distribuição geográfica: Galeandra santarena ocorre nos estados
do Pará e Rondônia, habitando, principalmente, as florestas ciliares.
Fenologia: floresce de novembro a junho.
Material adicional examinado (Parátipos): Brasil. Pará: Brasil,
Pará, rio cururu-Açú, 30/V/1957, Helmut Sick B679 (HB 4568).
Rondônia: município de Nova Floresta, margem do rio Mequens,
afluente da margem esquerda do rio Guaporé, J.B.F da Silva 810,
florem líquido (MG).
Galeandra santarena distingue-se das demais espécies do grupo
pelo aspecto flabelado das bordas do labelo, as laterais da coluna
retilíneas. Nas demais espécies do grupo a coluna é cinturada próximo
da base ou na seção mediana, o lóbulo mediano permanece em posição
retilínea, não se curvando para baixo como nas demais espécies.
G. santarena é próxima de G. duidensis Garay & G. Romero, porém
distingue-se desta por ter sépalas e pétalas mais estreitas e ausência de
listras vináceas, longitudinais na parte externa do labelo. G. santarena
foi confundida nas coleções de herbário com G. dives Reichb. f. e com
G. ininax Reichb. f.
AGRADECIMENTOS
Ao pesquisador Ricardo Seceo (MPEG), pelas sugestões, ao
Sr. Antônio Elielson Rocha (MPEG), pelas ilustrações, à Moira
Adams, pelo auxílio no abstract e ao Dr. José Maria Albuquerque
pela diagnose em latim.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GARAY, L. A., GONZÁLEZ, G.A.R. 1998. Schedulae Orchidium. Harv. Pap. Bot.,
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HOEHNE, C.F. 1910. Comissão de linhas telegráficas e estratégicas de Mato Grosso
ao Amazonas. Botanica, 1:34. Anexo 5.
HOEHNE, F.C. 1949. Iconografia de Orchidaceae do Brasil. São Paulo, F. Lanzara,
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SENGHAS, K. 1991. Galeandra. Native Colonibian orchids, 2:188-191.
Recebido em: 10,01.00
Aprovado em: 16.02.02
84
'o*"
(/
CDD: 584.50416
AVALIAÇÃO DO SISTEMA REPRODUTIVO EM
ACESSOS DE BACABINHA (OENOCARPUS
MAPORA KARSTEN.) EM BELÉM-PA‘
Maura Anjos de Andrade Kaluine'
Maria do Socorro Padilha de Oliveira^
Léa Maria Medeiros Carreira
RESUMO - A bacabinha é uma fruteira nativa da Amazônia com
potencial econômico para frutos, sendo utilizados na obtenção de
uma bebida conhecida por “bacaba ”, mas tem sido pouco estudada.
Neste trabalho, avaliou-se o sistema reprodutivo de acessos dessa
palmeira existentes na Coleção de Germoplasma da Embrapa
Amazônia Oriental, em Belém-PA. Foram escolhidos ao acaso, oito
acessos procedentes de Abaetetuba-PA e duas plantas por acesso.
Em cada planta foi marcada uma espata próxima a maturação para
a aplicação de cinco testes reprodutivos, sendo destinadas três
ráquilas para cada teste. As características avaliadas foram: flores
fecundadas (FF), flores caídas (FC), flores abortadas (FA) e frutos
colhidos (FRC), expressas em percentagens. As análises estatísticas
foram feitas com base no modelo matemático inteiramente
casualizado, em esquema fatorial SxScom seis repetições. Os acessos,
os testes reprodutivos e a interação acessos x testes diferiram entre si
para todas as características avaliadas ( P <0,01). Um acesso exibiu
a maior média para flores caídas, enquanto outros três alcançaram
as maiores médias para flores fecundadas e abortadas. Para a
percentagem de frutos colhidos, quatro acessos se destacaram dos
demais. Na agamospermia e na autopolinização natural foram
registradas as maiores percentagens de flores caídas. O contrário
' Parle da dissertação de mestrado do primeiro autor à Faculdade de Ciências Agrárias do Fará.
^Faculdade de Ciências Agrárias do Fará, BcIêm- FA. Av. Tancredo Neves. s/n. Cx. Fostal 917.
Cep 66077-530, Bclém-FA.
’ Embrapa Amazônia Oriental, Cx.F 48, Cep 66. 095-100, BcIém-FA. spadilha@cpatu.embrapa.br
* MCT/Muscu Faraense Emílio Gocidi. Coordenação de Botânica. Pesquisadora. C.F. 399. Cep
66040-170, Belím-FA. lea@muscu-gocldi,br
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ocorreu nos teste de polinização cruzada e aberta que tiveram as
maiores médias de flores fecundadas e abortadas, e também de frutos
colhidos. Com base nesses resultados pode-se coneluir que todos os
acessos são predominantemente alógamos.
PALAVRAS-CHAVE: Agamospermia, Autogamia, Polinização
cruzada. Reprodução.
ABSTRACT: The black palm is a native fruit bowl ofthe Amazonian
with economical potential whose thefruits are iised in the obtaining
of a drink known for “bacaba ", but it has been a little studied. In this
Work, the reproduetive System of black palm accessions belonging to
the Collection of Germoplasm of Oriental Amazonian Embrapa was
evaluated, at Belém, PA. In eight accessions comingfromAbaetetuba,
PA and two plants per accessions. A dose inflorescence was marked
the maturation in each plant for us to be applied five reproduetive
tests, being three, raehilla for each test. The appraised characteristies
were: fecundated flowers (FF), fali flowers (FC), aborted flowers
(FA) and picked fruits ( FRC), expressed in percentages. The statistical
analysis were made with base in the completely randomized design
in factorial 8x5 with six replications. The accesses, reproduetive
tests and the interaction access x tests they presented significant
differences forall the variables (P <0,01). One aceession presented
the more pereentage of fali flowers. Whole other three the more
percentages of fecundated flowers and aborted. For pereentage of
fruit set four accessions were the best. In agamospermy and self-
pollination were registered the more percentages of fali flowers.
Ilowever, in the test of cross-poilination and open oceured the more
means for feeundated flowers, aborted and friiti set. With base in
those resuits can be concluded that all the accessions present
predominance of the alogamy.
KEY WORDS: Agamospermy, Autogamy, Cross-poilination,
Reproduetion.
INTRODUÇÃO
A bacabinha {Oeiwcarpu.s imipora Karsten.), lambem conhecida
por bacaby é uma espécie de palmeira nativa da Amazônia que vem
surgindo como alternativa econômica para as regiões tropicais. A
rclevancia dessa cspecic esta no seu habito de crescimento predominante
em touceiras c na precocidade de produção de frutos, que inicia por
86
Avaliação do sistema reprodutivo em acessos de bacabinlia...
volta dos três anos de plantio, além de possibilitar a colheita de frutos o
ano inteiro (Oliveira 1994).
Apesar de ter várias utilidades, seu principal uso está nos frutos
de onde se obtém uma bebida de alto valor nutricional, conhecida na
região amazônica por “bacaba” e, principalmente por permitir a
extração de um azeite semelhante ao de oliva (Balick 1986), tanto da
parte comestível (epicarpo e mesocarpo) eomo do endoearpo.
Embora apresente bom potencial para exploração econômica, esta
espécie ainda lista-se como planta selvagem, não existindo informações
que possam elevá-la à categoria de planta domesticada, enfrentando
dessa forma, barreiras de caráter fitotécnico e fenológico. Na tentativa
de subsidiar tais estudos e viabilizar sua exploração raeional aEmbrapa
Amazônia oriental realizou várias coletas na Amazônia brasileira e
instalou um banco de germoplasma dessa palmeira.
O conhecimento sobre o sistema reprodutivo, ou seja, a forma
como os indivíduos trocam material genético, é considerado um dos
pontos importantes na domesticação e no melhoramento de qualquer
espécie por permitir a escolha do método mais adequado, os
delineamentos a serem adotados na avaliação do germoplasma até a
multiplicação, manutenção e distribuição da cultivar obtida (Allard
1971; Frankel & Galun 1977).
Estudos sobre o sistema reprodutivo em palmeiras arbóreas são
eseassos e, nos existentes têm-se constatado um predomínio da alogamia
(Bérnard & Noiret 1970; Sangare et Í//.1984; Bawa et al. 1985;
Anderson c/í/Z. 1988; Scarioteta/. 1991;Jardim 1991). Sobre a espécie
em foco há registros sobre a biologia floral (Oliveira et al. 1990; Oliveira
1994), não havendo nenhum trabalho sobre o seu modo de reprodução.
Em vista do exposto, avaliou-se o sistema reprodutivo cm
acessos de bacabinha na região de Belém-PA.
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MATERIAL E MÉTODOS
Este estudo foi realizado no banco de germoplasma do complexo
Oenocarpus/Jessenia pertencente à Embrapa Amazônia Oriental, em
Belém-PA. Nesse banco encontram-se instalados, em latossolo amarelo
textura média, arranjados no espaçamento de 7m x 7m, 45 acessos de
bacabinha, plantados seguindo a seqüência do ano da coleta.
Neste local foram selecionados oito acessos, procedentes de
coletas realizadas no município paraense de Abaetetuba, e duas plantas
por acessos, os quais na ocasião da coleta de dados encontravam-se
com onze anos de plantio e em plena fase reprodutiva e recebendo os
seguintes tratos culturais: roçagem mecanizada, coroamento, adubação
química e limpeza das plantas semestralmente.
A avaliação do sistema reprodutivo foi realizada nos meses de
maior floração (fevereiro a junho) em 1998, através da marcação de
um ramo florífero (espata) próximo à maturação, em cada planta.
Os testes foram efetuados numa mesma inflorescência, sendo cada
teste aplicado em três ráquilas, totalizando seis ráquilas/teste/acessos.
Os cinco testes empregados foram adaptados de Scariot et al. (1991),
sendo eles:
- Polinização aberta (PAT), onde as ráquilas foram apenas marcadas
para verificar a taxa de formação natural de frutos;
- Polinização abiótica (PAB), onde as ráquilas foram emasculadas
e isoladas com sacos confeccionados com tecido volta-espaço
para testar a existência ou não de fecundação por pólen trazido
pelo vento ou água;
- Polinização cruzada (PCR), sendo as ráquilas emasculadas e isoladas
com sacos confeccionadas com tecido brim c, na ocasião da antcse,
as flores femininas foram polinizadas com pólen de outra planta;
- Autopolinização (AUN), onde as ráquilas foram somente isoladas
com sacos de brim;
88
Avaliação do sistema reprodutivo em acessos de bacabinha...
- Agamospermia (AGA), sendo as ráquilas emasculadas e isoladas
com sacos de brim, sem levar pólen até as flores.
Nas inflorescências, os testes foram identificados com fitas plásticas
contendo a data da exposição da inflorescência, do isolamento, da
polinização e fecundação das flores.
Nos testes onde foram necessárias as polinizações artificiais, estas
foram realizadas no final da tarde (por volta das 1 7 :00h) com o auxílio
de uma seringa, onde foi adaptado na ponta um pequeno tubo plástico,
contendo a mistura de pólen (0, Ig) e talco inerte (0,2g). As polinizações
foram fracionadas em três aplicações (início, meio e final da floração
feminina) para aumentar sua eficácia.
As variáveis avaliadas foram: percentagem de flores fecundadas
(FF), de flores caídas (FC), flores abortadas (FA) e de frutos colhidos
(FRC). Para o cálculo das percentagens foram efetuadas contagens de
flores fecundadas, de flores caídas, de flores abortadas e de frutos
colhidos (que completaram a maturação), sendo divididas pelo total
das flores existentes nas ráquilas.
A verificação de flores fecundadas foi feita sete dias após a última
polinização quando foram retirados os sacos de isolamento das ráquilas.
Considerou-se como fecundadas as flores que apiesentavam ovário em
desenvolvimento (esverdeado) e com estigma escuro e anotado o número
da planta doadora do pólen; como flores caídas aquelas que encontravam-
se soltas dentro do tecido de isolamento, e abortadas aquelas que foram
fecundadas, mas caíram e fmtos colhidos os que completaram a maturação.
Os dados obtidos foram transformados em aico seno Vx+0,5,
sendo analisados através do modelo matemático inteiiamente
casualizado, cm esquema fatorial com dois fatores, fatoi 1 (acesso) e
fator 2 (testes reprodutivo) c seis repetições (Tabela 1). A significância
dos fatores foi avaliada pelo teste ‘ F , sendo a comparação das médias
feita pelo teste de Tukcy a 5% de probabilidade.
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liol. Mus. Para. Emílio Goeldi. sér. Boi. 18(1), 2002
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os quadrados médios obtidos para as quatro características avaliadas
nos acessos (A), nos testes reprodutivos (T) e na interação A x T, constam
na tabela 2. Verifica-se que os acessos avaliados, os testes reprodutivos
aplicados nos acessos e a interação acessos x testes diferiram
significativamente ao nível de 1% de probabilidade para todas as
características, fornecendo indícios de diferenças entre os dois fatores e
na interação entre eles.
Tabela 1 - Esquema da análise de variância para a avaliação do comportamento
reprodutivo em oito acessos de bacabinha. Belém-PA, 2000.
Fator de variação
Grau de Uberdade
Quadrado médio
Acesso (A)
A-1
QMA
Teste reprodutivos (T)
T-1
OMT
AxT
A.T-1
OMAT
Erro
(A-1). (T-1)
QMe
Vale ressaltar que a média para percentagem de flores caídas foi
alta (76,07%), possuindo baixo coeficiente de variação. O contrário
foi verificado nas demais características em que ocorreram baixas
percentagens e elevadas variações, com 57,30%; 41,73% e 37,36%
para flores abortadas, frutos colhidos e flores fecundadas,
respectivamente. Tais variações são comuns em experimentos de campo,
principalmente, em variáveis reprodutivas, como as aqui abordadas.
Em relação à comparação de médias entre acessos (A), foram
constatadas diferenças significativas para todas as características (Tabela 3).
Para flores caídas, o acesso 11005 alcançou a maior média
(79,61%), porém não diferiu significativamente de cinco acessos.
Enquanto o acesso 11008 exibiu a menor média (70,1 1%). De um
modo geral, os acessos tiveram altas percentagens de flores caídas.
Estas altas percentagens podem ter acontecido cm consequência da
manipulação das ráquilas, principalmente a emasculação manual
realizada em alguns testes, pois o estigma das flores femininas ficam
90
Avaliação do sistema reprodutivo em acessos de bacabinlia...
Tabela 2 - Quadrados médios para quatro características avaliadas em oito acessos
(A) de bacabinha submetidos a cinco testes reprodutivos (T) e para interação A x T.
Belém-PA, 2000.
Fonte de variação
Quadrados médios
FC
FF
FA
FRC
Acesso (A)
285,7758**
263,4036**
80,0518**
163,1049**
T. reprodutivos (T)
1031 3, 0845 *’j
8626,6973**
455,6488**
7382,1696**
AxT
285,0628**
259,2688**
48,5010**
177,9850**
Erro
42.5236
36,4907
17,5407
36,0933
Média
76.07
16.16
7.31
14.39
CV(%)
8,60
37,36
57,30
41,73
Dados transformados em Vx+0,5; FC: fruto caído; FF: flor fecundada; FA: flor
abortada; FRC: fruto colhido; **: significativo ao nível de 1% de probabilidade.
expostos, além dessas flores encontrarem-se distribuídas em tríades (duas
masculinas: uma feminina) ao longo das ráquilas. Assim sendo, acredita-
se que a condição morfológica e a distribuição espacial das flores
femininas tenham facilitado o contato com o estigma e ocasionado danos
que favoreceram a queda dessas flores.
Por outro lado, as maiores médias para flores fecundadas foram
obtidas nos acessos 11008, 11006 e 11017 com 21,81%, 17,93% e
17,66%, respectivamente. O acesso 1 1008 também apresentou a maior
percentagem de flores abortadas, mas não diferiu significativamente
dos acessos 1 1004 e 1 1017. Esta alta percentagem de flores abortadas
pode indicar a existência de algum tipo de incompatibilidade pós-
zigótica na espécie em questão ou, pelo menos, nos acessos estudados,
uma vez que essas flores foram fecundadas, apresentaram
desenvolvimento inicial do ovário, mas caíram precocemente. Pelo fato
da bacabinha ser uma espécie pouco estudada, sugere-se que estudos
dessa natureza sejam realizados de modo a compiovar ou não a
ocorrência de incompatibilidade.
Em relação à percentagem de frutos colhidos, quatro acessos
(11008, 11006, 11017 e 1107) destacaram-se dos demais, por
apresentarem 17,92% a 15,04% do total das flores avaliadas com
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
formação de frutos e completa maturação. As baixas percentagens de
frutos registradas nos acessos podem ter sido causadas por vários fatores,
pelo manuseio das ráquilas, pela técnica manual de emasculação das
flores que freqüentemente danifica os estigmas, por problemas de
viabilidade no pólen armazenado, pelo isolamento onde foi utilizado
um tipo de tecido grosso (brim) e pela existência de incompatibilidade
na mesma planta e entre acessos, pois não há tais informações sobre a
espécie em estudo, sendo assim difícil de controlá-los. Vale ressaltar
que há registros de incompatibilidade em palmeiras, Clement & Arcoll
(1984) encontraram autoincompatibilidade parcial na pupunheira.
Os testes reprodutivos (T), também exibiram diferenças entre si
para as quatro características avaliadas (Tabela 4).
Tabela 3 - Comparação de médias entre oito acessos de bacabinha para quatro
características avaliadas. Belém-PA, 2000.
Acesso
fcódiso)
FC
(%)
FF
(%)
FA
(%)
FRC
(%)
11005
79,61 a
12,98 c
5,31 b
12,38 b c
11012
79,17 a b
13,13 c
6,22 b
12,32 b c
11003
78,13 a b
14,09 b c
6,66 b
12,67 bc
11004
76,38 a b
15,43 bc
8,46 a b
12,06 c
11007
76,02 a b
16,29 b c
6,32 b
15,04 abc
11017
74,79 abc
17,66 abc
8,14 a b
15,76 abc
11006
74,32 b c
17,93 a b
6,88 b
16,97 a b
11008
70,11 c
21,81 a
10,45 a
17,92 a
DMS (Tukey)
5,16
4,77
3,31
4,75
Dados transformados em vx+u,o, , rv,. iruio caiuo, rr. iior lecunoaaa; m; uor
abortada; FRC: frutos colhidos; médias seguidas da mesma letra não diferem
significativamente pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
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cm
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Avaliação do sistema reprodutivo em acessos de bacabinha...
A agamospermia (AGA) e a autopolinização natural (AUN)
diferiram dos demais para percentagem de flores caídas, tendo exibido
as maiores médias, 88,5% e 86,28%, respectivamente. Esses resultados
já eram esperados, pois Oliveira et al. (1990) e Oliveira (1994)
detectaram que a bacabinha possui dois mecanismos que dificultam a
autogamia, um espacial (flores unissexuadas) e outro temporal
(dicogamia do tipo protandria). Dessa forma, esses fatores contribuíram
para as baixas percentagens de flores fecundadas.
O contrário ocorreu no teste de polinização cruzada (PCR) que
apresentou a menor média de flores caídas e as maiores para flores
fecundadas e frutos colhidos com 56,26%, 34,62% e 30,86%,
respectivamente. Assim, este teste se destacou dos demais para flores
fecundadas e abortadas, porém não diferiu significativamente da
polinização aberta (PAT) para a percentagem de frutos colhidos. Esses
resultados levam a crer que pelo menos os acessos testados dessa
palmeira sejam predominantemente xenogâmicos, necessitando de
pólen de outro indivíduo para que ocorra eficiência na taxa de produção
de frutos e na produção de sementes. A alogamia parece ser o principal
modo de reprodução das palmeiras, principalmente as arbóreas tropicais,
havendo vários trabalhos que relatam a ocomência desse sistema nessas
espécies (Mora-Urpí & Solis 1980, Beach 1984; Bawa et al. 1985;
Anderson e/ «/. 1988; Scariot 1991; Jardim 1991).
Na interação acessos x testes reprodutivos, foram constatadas
diferenças significativas para a percentagem de flores caídas, apenas
na polinização cruzada (P< 0,01) e polinização aberta (P< 0,05),
evidenciando a influencia desses testes nos acessos. Enquanto todos
os acessos apresentaram diferenças para os testes aplicados ((P< 0,0 1 ).
Através da comparação de médias pode-se verificar que os acessos
foram distintos somente na polinização cruzada, cm que três deles
(11003, 1 1005 c 1 1012) alcançaram os maiores valores (Tabela 5). De
um modo geral, pode-se considerar que os acessos exibiram as maiores
percentagens de flores caídas nos testes para a autogamia natural,
ugamospermia e polinização abiótica.
93
cm
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Tabela 4 - Comparação de médias entre cinco testes reprodutivos aplicados em
acessos de bacabinha para quatro características avaliadas. Belém-PA, 2000.
Testes reprodutivos
FC
(%)
FF
(%)
FA
(%)
FRC
(%)
Agamosp^ermia (AGA)
88,55 a
5,03 c
5,03 c
4,05 d
Autopolinização natural (AUN)
86,28 a b
6,86 c
6,24 c
4,85 c
Autopolinização abiótica (PAB)
84,69 b
8,06 c
4,50 c
7,72 b
Polinização aberta (PAT)
64,56 c
26,26 b
^ 8,83 b
24,47 a
Polinização cruzada (PCR)
56,26 d
34,62 a
11,94 a
30,86 a
DMS (Tukey)
3,66
3,39
2,36
3,37
abortada; FRC: frutos colhidos; médias seguidas da mesma letra não diferem sig-
nificativamente pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade.
Quanto à percentagem de flores fecundadas, foram evidenciadas
diferenças apenas para a polinização cruzada (P£ 0,01) e polinização
aberta (P< 0,05). Por sua vez, no desdobramento teste dentro de acessos
todos exibiram diferenças ao nível de 1% de probabilidade. Na
polinização cruzada, o acesso 1 1008 se destacou dos demais com média
de 57,95%, porém na polinização aberta a diferença foi pequena com
os acessos de maior e menor médias possuindo 29,60% e 18 82%
respectivamente (Tabela 6). Em todos os acessos, as maiores médias
foram registradas no teste de polinização cruzada. Todavia, nos acessos
1 1005 e 1 1012 este teste não diferiu significativamente da polinização
aberta. Estes resultados levam a crer que os acessos estudados devam
ter como mecanismo de propagação sexuada a alogamia, cm virtude
da predominância da polinização cruzada e aberta na fecundação das
Oores, sendo reforçada pela presença de Oores unissexuadas e da foi1c
protandria (Oliveira 1994).
94
cm
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Avaliação do sistema reprodutivo em acessos de bacabinha...
Tabela 5 - Comparação de médias para percentagem de flores caídas na interação
Acessos
Flores caídas (%)/Testes reprodutivos
(código)
AUN
AGA
PAT
PCR
PAB
11007
89,81 A a
89,81 A a
64,46 A b
51,90 CDc
84,11 A a
11006
89,81Aa
89,81 A a
61,71 A b
49,97 CDc
80,29 A a
11017
88,62 A a
89,81 A a
61,11 Ab
45,79 Dc
88,61 A a
11012
87,28 A a
89,81 A a
68,76 A b
64,76 AB b
85,23 A a
11005
86,34 A a
89, 14 A a
64,21 A b
69,17 ABb
89,18Aa
11003
85,62 A ab
89,81 A a
61,56Ad
75,09 Ac
78,57 A bc
11008
83,36 A a
85,98 A a
62,36 A b
32,71 Ec
86,15 A a
11004
79,36 A ab
84,24 A a
75,25 A b
60,65 BC c
85,37 A a
Dados transformados em Vx+0,5; AUN: autopolinização natural; AGA:
agamospermia; PAT; polinização aberta; PCR: polinização cruzada; PAB:
polinização abiótica; DMS (Tukey) para médias de acesso dentro de testes= 1 1,53
e para médias de teste dentro de acessos= 10,37; médias seguidas da mesma letra
maiuscula na mesma coluna e da mesma letra minúscula na mesma linha não
diferem significativamente pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
Tabela 6 - Comparação de médias para percentagem de flores fecundadas na
interação acesso de bacabinha x testes reprodutivos. Bel ém-PA, 2000.
Acessos Flores fecundadas (%)/Tcstes reprodutivos
(código)
AUN
AGA
PAT
PCR
PAB
11004
12,50 Abc
8,45 Ac
18,82 B b
30,04 CD a
7,36 Ac
11008
9,06A c
6,94 A c
28,33 AB b
57,95 A a
6,78 Ac
11003
7,30 Abc
4,05 A c
29,19 AB a
16,79 Eb
13,12Abc
11005
7,02 A b
4,57 A b
26,63 AB a
22,11 DE a
4,54 A b
11012
5,97 A b
4,05 A c
22,09 AB a
25,98 DE a
7,57 A b
11017
4,93 A c
4,05 A c
29,60 A b
44,79 B a
4,94 Ac
11007
4,05 A c
4,05 A c
26,30 AB a
38,69 BC b
8,35 A c
11006
4,05 A c
4,05 A c
29,10 AB b
40,62 BC a
ll,82Ac
agamospermia; PAT: polinização aberta; PCR: polinização cruzada; PAB:
polinização abiótica; DMS (Tukey) para médias de acesso dentro de testes= 10,68
e para médias de teste dentro de acessos=9,60; médias seguidas da mesma letra
niaiúscula na mesma coluna e da mesma letra minúscula na mesma linha não
diferem significativamente pelo teste de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade.
95
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér Boi. 2002
Analisando-se a percentagem de flores abortadas, foram obtidas
diferenças significativas para a autopolinização natural (P< 0,01),
polinização cruzada (P< 0,01) e polinização aberta (P< 0,05) na interação
acesso dentro de testes, enquanto cinco acessos exibiram diferenças
significativas (P<0,01) para teste dentro de acessos. Na autopolinização,
as maiores médias ocorreram nos acessos 1 1004, 1 1008, 1 1003 e 1 1005,
já na polinização cruzada três diferiram dos demais (11008, 1 1017 e
11007), porém, na polinização aberta as médias dos acessos foram
semelhantes, com apenas o acesso 1 1007 tendo alcançado o menor valor
(Tabela 7). Vale ressaltar que as maiores percentagem de flores abortadas
foram registradas na polinização cruzada e na polinização aberta, o que
reforça a possibilidade de ocorrência de incompatibilidade nos acessos.
Tabela 7 - Comparação de médias para percentagem de flores abortadas na
interação acesso de bacabinha x testes reprodutivos. Belém-PA, 2000.
Acessos
Flores abortadas (%)/Testes reprodutivos
(código)
AUN
AGA
PAT
PCR
PAB
11004
12,37 A a
8,45 A ab
6,81 AB ab
9,28 BC ab
5,41 A b
11008
8,40 ABb
6,94 A b
10,50 ABb
21,56Aa
4,88 A b
11003
6,81 AB a
4,05 A a
10,70 AB a
7,06 C a
4,64 A a
11005
5,26 AB a
4,57 A a
7,43 AB a
5,26 C a
4,05 A b
11017
4,93 B b
4,05 A b
12,82 A a
14,87 AB a
4,05 A b
11007
4,05 B b
4,05 A b
4,71 B b
14,76 AB a
4,05 A b
11006
4,05 B b
4,05 A b
10,66 B ab
10,78 BC a
4,86 A ab
11012
4,05 B b
4,05 A b
7,00 AB ab
11,95 BC a
4,05 A b
Dados transformados em Vx+0,5; AUN: autopolinização natural; AGA; agamospermia;
PAT: polinização aberta; PCR; polinização cruzada; PAB: polinização abiótica;
DMS (Tukey) para médias de acesso dentro de testes= 7,40 e para médias de teste
dentro de acessos=6,66; médias seguidas da mesma letra maiuscula na mesma coluna
e da mesma letra minúscula na mesma linha não diferem significativamente pelo
teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
96
cm
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Avaliação do sistema reprodutivo em acessos de bacabinha...
No que diz respeito à percentagem de frutos colhidos, apenas a
polinização cruzada apresentou diferença significativa para o
desdobramento acesso dentro de testes (P< 0,01), enquanto todos os
acessos mostraram diferenças entre si (P< 0,01) para os testes aplicados.
Na polinização cruzada, os acessos 1 1008, 1 1017 e 1 1006 se destacaram
com médias de 48,78%, 39,67% e 38,5 1 %, respectivamente (Tabela 8).
Este teste foi predominante na maioria dos acessos em que grande parte
das flores fecundadas formaram frutos e completaram a maturação, sendo
seguindo pela polinização aberta. Em virtude da bacabinha possuir
separação sexual e temporal já mencionados como mecanismos que
dificultam a autogamia (Oliveira 1994; Kalume & Oliveira 1998) e dos
acessos aqui estudados terem exibido as maiores percentagens frutos
férteis nos testes de polinização cruzada e aberta, pode-se considerar que
o sistema reprodutivo predominante seja a alogamia.
Tabela 8 - Comparação de médias para percentagem de frutos colhidos na interação
acesso de bacabinha x testes reprodutivos. Belém -PA, 2000.
Acessos
Frutos colhidos (%)/Testes renroHntivns
(códieo)
AUN
AGA
PAT
PCR
PAB
11005
6,53 A b
4,05 A b
25,31 A a
21,50 EF a
4,54 A b
11012
5,97 A b
4,05 A b
2I,19Aa
22,80 DEF a
7,57 A b
11008
5,16Ac
4,05 Ac
25,66 A b
48,78 A ac
5,94 Ac
11003
4,55 Ac
4,05 A c
26,97 A a
14,95 F b
12,84 Abc
11004
4,46 Ac
4,05 Ac
17,61 A b
28,02 CDEa
6,18Ac
11007
4,05 A b
4,05 A b
26, 10 A a
32,65 BCDa
8,35 A b
11017
4,05 A c
4,05 A c
26,09 A b
39,67AB a
4,94 A c
11006
4,05 A c
4,05 A c
26,81 A b
38,51 ABCa
11,41 Ac
Dados transformados em Vx+0,5;AUN: autopolinização natural; AGA; agamospermia;
PAT; polinização aberta; PCR: polinização cruzada; PAB: polinização abiótica;
DMS (Tukey) para médias de acesso dentro de testes= 10,62 e para médias de teste
dentro de ace.sso.s=9,55; médias seguidas da mesma letra maiuscula na mesma coluna
e da mesma letra minúscula na mesma linha não diferem significativamente pelo
teste de Tukey ao nível de 5 % de probabilidade.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
CONCLUSÕES
Os acessos de bacabinha apresentam diferenças para os testes
reprodutivos em todas as características avaliadas,
Nos acessos, a agamospermia e a autopolinização são responsáveis
pelas maiores percentagens de flores caídas, enquanto que as
polinizações cruzada e aberta respondem pelas maiores percentagens
de flores fecundadas e de frutos colhidos. Logo, o sistema reprodutivo
predominante nos acessos é a alogamia.
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98
Avaliação do sistema reprodutivo em acessos de bacabinha...
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Recebido em: 22.12.00
Aprovado em: 22.01.02
99
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10 11 12 13 14 15
cQ/
CDD: 338.1746
584.5
ASPECTOS DO PROCESSO DE EXTRAÇÃO DO
PALMITO DE AÇAIZEIRO (EUTERPE OLERACEA
MART.) POR MORADORES RIBEIRINHOS DO
MUNICÍPIO DE BREVES, PARÁ, BRASIL
Denise Cristina Tones Costa '
■y
Mário Augusto G. Jardim '
Pedro Luiz Braga Lisboa '
RESUMO - Nas florestas do estuário amazônico, a palmeira açaí
fEuterpe oleracea Mart.) distribui-se abundantemente e destaca-se
como uma importante espécie para a economia local, ao proporcionar
exploração extrativista de frutos e palmito. A industrialização do
palmito amazônico teve início no final da década de 60. A partir daí,
desencadeou-se um processo intensivo de extração do palmito,
colocando em risco suas reservas naturais em decorrência da
atividade exploratória. O presente estudo analisou o processo e a
situação da atividade extrativista do palmito cm áreas ribeirinhas
do município de Breves, Pará. Empregou-se como métodos de análise,
a observação direta e entrevistas previamente estruturadas. Foram
entrevistados 24 ribeirinhos, sendo 12 e.xtratores e 12 benef dadores.
Os resultados evidenciaram que a extração palmiteira no município
apresenta-se cm fase de declínio, onde as populações naturais de
açaizeiro já foram dizimadas na sua maioria. O sistema de
comercialização vigente explora o ribeirinho e ocasiona a
degradação do ecossistema. As altas freqiiências e intensidade de
corte estão gerando uma regeneração insati.fatória dos açaizais.
PALAVRAS-CHAVE; Euterpe oleracea. Extrativismo, Palmito,
Estuário amazônico.
MCT/IVIii.seii l’.iracnsc Bmílio Ooelcli. Coordenaç.ão dc Hotânica. Holsisla DCK. C.l’. 399.
66040- 170, l)clém-rA. dlorics@imiscii-gocldi.br
MCT/Muscu Paraense Emílio Ciocldi. ('oordenação dc Hotânica. I’csc|nisador. C.P. 399.
66040-170. Helém-PA. jardim@imiscn-gocldi.br; plisboa@muscii-gocldi.br
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cm
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Boi. Mux. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
ABSTRACT - The açaí palm tree fEuterpe oleraceae Mart.) is abmdant
in forests ofthe Amazon River estuary and stands out as an important
species for lhe local economy, siiice it provides botli fruits and palm
liearts. The industrialization of this palm began at lhe end of the
]960s and has intensified to the point of placing its natural
populations at risk due to uncontrolled exploitation. The present
stiidy analyzes the process and the current situation of palm heart
extrativism in riverine areas of Breves, Pará. Various methods were
employed in the stiidy: direct observation in the field and previously
stnictured interviews. Twenty-four river-dwellers were interviewed,
12 who Work in palm extraction and 12 who work in palm heart
Processing. Resiilts indicate that the palm heart extraction in Breves
is in decline as a consequence ofthe disappearance of most natural
populations of the açaí palm. River-dwellers who are under paid
for their labor do not benefit from the current system of palm heart
that also causes environniental degradation. High rates ofintensity
and frequency of palm cutting for palm heart extraction are
generating an unsatisfactory regeneration of açaí palm groves,
locally termed açaizais.
KEY WORDS: Euterpe oleracea, Extractivism, Palm heart, Amazon
river estuary.
INTRODUÇÃO
A extração dos recursos vegetais da Amazônia, executada em
moldes puramente exploratórios, tem sido reavaliada sob uma ótica
conservacionista nos últimos anos (Allegretti 1989).
Na pauta de importância dos piodutos do extrativismo amazônico
está a palmeira açaí {Euterpe oleracea Mart.). Para as comunidades
ribeirinhas do estuário amazônico, o açaizeiro representa o principal produto
extrati vista como fonte alimentar e socioeconômica (Calzavara 1 972).
As populações ribeirinhas aproveitam o açaizeiro em sua
totalidade, uma vez que esta palmeira apresenta um amplo potencial
de utilizações c possibilidades económicas. O grande destaque, sem
duvida, são os frutos c o palmito, ambos de elevada importância
econômica para a região (Jardim & Anderson 1987).
102
Aspectos do processo de extração do palmito de açaizeiro...
A industrialização do palmito amazônico teve início no final da
década de 60. A alta demanda, visando o abastecimento das inúmeras
fábricas instaladas, tem ocasionado a exploração predatória, causada
pela ausência de manejo sustentável dos açaizais. Tal situação ameaça
rapidamente as populações naturais desta palmeira em vários municípios
do estuário.
A degradação dos açaizais gera, ainda, paralela à questão
ecológica, uma complicada crise social e financeira.
É de caráter emergencial, portanto, o aprofundamento de
pesquisas que avaliem as condições e a situação do extrativismo do
palmito, a fim de embasar futuramente um uso sustentado deste recurso.
Diante do exposto, este trabalho tem por objetivo caracterizar e analisar
o processo de extração do palmito de açaizeiro por moradores ribeirinhos
do município de Breves, Pará.
MATERIAL E MÉTODOS
Área de estudo
Os estudos foram realizados no município de Breves (01”40’ S,
50°28’ W), localizado na mesoiregião leste paraense, no arquipélago
da ilha do Marajó, pertencendo à microiregião dos furos de Breves,
estado do Pará, Brasil (Figura 1).
As atividades econômicas de maior expressão são a indústria
madeireira e o extrativismo do palmito.
A pesquisa abrangeu moradores ribeirinhos, residentes nas
margens dos seguintes rios; Pracaxi, Paraucá, Ajará-Mirim, Jupatituba,
Macena e Parijós. E dos seguintes furos: de Breves, Alambique, Vira
Saia, Tajapuru c Urubu.
103
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
Figura 1 - Localização do município de Breves, ilha do Marajó, Pará.
104
Aspectos do processo de extração do palmito de açaizeiro...
Coleta e análise dos dados
Os métodos de campo basearam-se em entrevistas previamente
estruturadas e observação direta.
Foram entrevistados 24 moradores ribeirinhos atuantes na extração
do palmito.
Os dados de campo foram analisados com o auxílio do Programa
Excel (ambiente Windows) e Programa Origin 3.0 (desenvolvido pela
Scientific and Technical Graphics), de modo a permitir a análise
estatística e confecção de gráficos e tabelas.
De um modo geral, o questionário de extração de palmito aplicado
compunha perguntas abordando: quantidade extraída, técnicas de
extração, mercado consumidor, preço do produto, época de exploração,
atividades paralelas, carga horária de trabalho, condições das reservas
de açaizais etc.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Características da ação extrativista do palmito
Os extratores c beneficiadores de palmito atuam nessas atividades
em períodos que variam de 3 a 30 anos. Trata-se de um perfil bastante
abrangente, o que pcirnitiu o aprofundamento da análise, referenciando
a situação do momento atual com o tempo passado. Na Figura 2, o
tempo (em anos) na atividade palmiteira foi organizado em classes,
com cada uma destas contemplando cinco anos. A classe com maior
percentual de respostas foi a de 5 a 10 anos, com 29,1,7 %, seguida das
classes de 0 -5 c 15-20 anos, ambas com 16,67 %.
As principais atividades promotoras de subsistência econômica
das famílias ribeirinhas analisadas são: extração de madeira, scirarias,
comercialização do fruto do açaí, caça, pesca, cultivo de pequenas roças
de mandioca, pequenos comércios (de produtos da cesta básica), além
da extração do palmito.
105
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
Figura 2 - Classes de tempo de trabalho na atividade palmiteira, de acordo com a
percentagem de entrevistados, em áreas ribeirinhas do município de Breves-PA.
Com relação ao universo de trabalhadores analisado, teve-se como
atividades paralelas ao palmito; o cultivo de roças, citado em 15
entrevistas (62,5 % do total); a extração de madeira, com 9 (37,5 %) e
a comercialização do fruto do açaí com 5 citações (20,8 %). As
atividades menos mencionadas foram: caça, pesca, serrarias e o
comércio, que somadas correspondem a 29,1 % do total (Figura 3).
Em alguns casos, dentre os entrevistados, a atividade preponderante
não é a extração de palmito. Nessas situações, esta atividade cede espaço
ao cultivo agrícola ou atividade madeireira. Ressalta-se que algumas
destas atividades são exercidas ao mesmo tempo e, às vezes, intercalam-
se em períodos distintos ao longo do ano.
Com as entrevistas processadas neste estudo, foi possível perceber
as intrincadas estratégias de sobrevivência em que está inserido o
ribeirinho. Os recursos naturais, dos quais depende, oscilam cm função
de delicadas características biológicas, econômicas, sazonais e
ecológicas que precisam ser bem entendidas.
106
Aspectos do processo de extração do palmito de açaizeiro...
4í %
8,3%
8,3%
8,3%
20 , 8 %
Frutos de açaí
37 ,5 % Madeira
Roça
62,5%
2 4 6 8 10 12
Freqüència (n° de entrevistados]
14
16
Figura 3 - Atividades complementares em relação ao extrativismo do palmito, de
acordo com o número e a percentagem de citação nas entrevistas - áreas ribeirinhas
do município de Breves-PA.
Trabalhos desenvolvidos no município de Ponta de Pedras, ilha do
Marajó, analisaram o sistema de subsistência dos caboclos, fornecendo
informações das atividades de coleta, agricultura, caça e pesca que, em
muitas situações, assemelham-se à realidade ribeirinha de Breves
(Murrieta et fl/. 1989; Murrietae/a/. 1992 e Siqueira et o/. 1993).
Durante a pesquisa, observou-se que há uma prioridade da atividade
extrativa do palmito, em relação à comercialização do fruto do açaí em
Breves, impulsionada pela oportunidade gerada com a instalação de várias
fábricas. No entanto, a industrialização do palmito, possivelmente, causou
um estágio tal de degradação aos açaizais, de modo a não permitir que o
município, atualmente, se auto-abasteça do fruto.
Entre os entrevistados, mencionou-se que muitos ribeirinhos não
conseguiram sequer preservar os açaizais dos fundos de quintal, que
assegurasse o vinho para alimentação diária.
Brabo (1979), cm Muaná na ilha do Marajó, Já alertava que a
destruição do açaizeiro afetaria o abastecimento do vinho para as classes
de renda mais baixa (urbana c interiorana).
107
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
PROCESSO EXTRATIVISTA DO PALMITO
Matéria-prima
Com relação ao processo de corte do palmito, foram registrados
dois tipos de prática no estuário:
a) Corte na base do estipe - consiste em derrubar totalmente a
palmeira, e em seguida retirar “a cabeça do palmito” (extremidade apical
do açaizeiro);
b) Corte na parte central ou apical do estipe - consiste na subida
do extrator no estipe da palmeira, onde no ápice desta, realiza o corte
no meio ou logo abaixo das folhas, para a retirada do broto.
Brabo (1979) comenta que no início da exploração do açaizeiro
utilizou-se mais o corte do broto, o que veio ocasionar uma infinidade
de problemas. Tempos mais tarde, os palmiteiros constataram que se o
açaizeiro fosse derrubado e as touceiras limpas, a brotação se
desenvolveria espontaneamente.
Para Jardim (no prelo), os dois tipos de corte são prejudiciais às
populações Jovens de açaizais (plântulas e pcrfilhamentos). Na primeira
técnica, a queda do estipe sobre as plântulas provoca grandes perdas.
Já na segunda prática, a pennanência do estipe na touccira após o corte,
provoca liberação de enzimas que escorrem pelo estipe causando a
morte dos pcrfilhamentos. O autor relata, contudo, que atualmente a
prática mais usual é a do corte na base, em decorrência da possibilidade
de se extrair um maior número de cabeças/dia.
No presente estudo, apenas dois moradores afirmaram realizar a
prática de corte no meio do estipe. Os demais, praticam o corte através
da derrubada do açaizeiro na base do estipe. Estes, alegam que tal método
proporciona um rebrotamento e crescimento acelerado dos perfilhos.
Ainda na mata, ao se retirar a cabeça do palmito, é realizado um
pré-dcscascamento (desbainhamento prévio). Esta etapa consiste na
retirada de duas camadas de bainha das folhas, deixando-se mais
algumas camadas, objetivando a conservação do broto.
108
Aspectos do processo de extração do palmito de açaizeiro...
A Figura 4 apresenta dados das quantidades de cabeça de palmito
extraídas por dia, enquadradas em 5 classes, com amplitude de 50
cabeças de palmito cada uma, distribuídas de acordo com o percentual
de entrevistados. Observa-se que 75 % dos entrevistados, enquadrados
nas duas primeiras classes, extraem entre 50 a 150 cabeças/palmito/
dia. Apenas 20 % extraem entre 150 e 200 cabeças e, nenhum
entrevistado ocorreu na classe de 200 a 250. E, por fim, 5 % dos
entrevistados extraem entre 250 a 300 cabeças de palmito.
Segundo Nascimento (1993), os ribeirinhos em Gurupá (PA)
costumam comercializar as cabeças de palmito abatidas no porto da
fábrica em quantidades que oscilam de 100 a 150 cabeças, 2 a 3 vezes
por semana, por meio de canoas. Essa média de cabeças de palmito
extraídas, por dia, estão em perfeita harmonia com os valores
encontrados neste trabalho em Breves, bem como em demais estudos
em outras zonas do estuário (Poulet 1998; Pollack et al. 1996).
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50-100 100- 150 150-200 200-250 250-300
Classes de cabeças/painito/dia
Figura 4 - Ckusses de quantidade de cabeças de palmito extraídas diariamente,
de acordo com o percentual de entrevistados, em áreas ribeirinhas do município
de Breves-PA.
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Sazonalidade na extração
Ao se analisar o calendário de extração do palmito nos dados
processados neste estudo, observa-se que, dentre os 24 entrevistados,
8 afirmaram extrair palmito em meses de verão, 9 extraem
principalmente em meses de inverno, 4 atuam em todos os meses do
ano e 3 não forneceram informações (Tabela 1).
Tabela 1 - Calendário da extração de palmito por moradores ribeirinhos, no
município de Breves, estado do Pará.
Entrevistados
INVERNO (+chuva)
Dez Jan Fev Mar Abr Mai
VERÃO (- chuva)
Jun Jul Ago Set Out Nov
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
23
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
24
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
110
Aspectos do processo de extração do palmito de açaizeiro...
Considerou-se inverno e verão os períodos do ano de maior e
menor precipitação pluviométrica, respectivamente, segundo análises
de precipitação médias mensais tomadas em Breves no período de 1969
a 1980 (Sudam 1984). Dessa forma, os meses de dezembro a maio
correspondem à época mais chuvosa, e os de junho a novembro ao
período menos chuvoso.
Os dados abordados evidenciam que não existe um padrão
temporal para a extração do palmito.
Aqueles que trabalham com o palmito no inverno são os que se
envolvem na comercialização do fruto do açaí no verão. Portanto, eles
têm no palmito uma alternativa econômica para o período de entressafra
do fruto.
A extração de írutos e palmito, em épocas distintas do ano, foi
evidenciada por Jardim (1996), onde o autor discute que as variações
de picos de produção dos dois produtos são vistas pelos moradores
como opções para a sustentabilidade econômica.
Jardim &Anderson (1987) constataram que o açaizeiro floresce em
todos os meses do ano, apresentando como período de maior florescimento
fevereiro ajulho, e período principal de frutificação, agosto a dezembro.
Jardim (1996) concluiu que a sazonalidade extrativista de frutos e palmito
está associada ao padrão fenológico de floração e frutificação da espécie,
o que está em concordância com nossas observações.
Os resultados mostram também que os extratores do palmito no
verão, o fazem de fornia eventual, porque, no inverno, preferem extrair
madeira ou trabalhar na roça. Esses ribeirinhos não trabalham com a
coleta do fruto do açaí.
A decisão pela extração do palmito, em determinado período do
ano, está, portanto, intimamente relacionada com as demais alternativas
econômicas do ribeirinho e suas variações de mercado, preço, safra e
escoamento.
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O tempo de uso de uma mesma área na extração do palmito está
organizado na Figura 5, em classes com intervalos de 5 anos. Os dados
expressam como maior período de uso o intervalo de 5 a 10 anos
(31,25%). Observa-se, a amplitude de tempo na exploração de uma
mesma área para a extração de palmito, variando desde períodos curtos,
de 3 a 5 anos, até aqueles que vêm extraindo há 25 anos.
No caso dos períodos curtos, o morador ribeirinho ao utilizar-se
basicamente do extrativismo para a sua sobrevivência se vê obrigado,
em algumas situações, a migrar para outras terras, buscando maiores
reservas extrativistas ou novas opções de produtos extrati vistas.
Aqueles extratores que vêm utilizando a mesma área há um longo
tempo relatam que os açaizais estão muito dizimados. Possivelmente,
a elevada freqüência e a intensidade de corte do palmito estão
ocasionando uma regeneração insuficiente dos açaizais. Para se garantir
a sustentabilidade é necessário que o total explorado possa ser reposto
naturalmente ou através de técnicas de manejo.
Na portaria do Ibama de 09.0 1 .1992, determina-se uma rotação
mínima de três anos para a extração do palmito, desde que o mesmo
apresente diâmetro mínimo de 2 cm na sua parte comestível (miolo
ou creme) e, permitindo a exploração da palmeira, apenas em estado
adulto (após a primeira fmtificação). Em ação contrária ao determinado
pelo Ibama, os extratores de Breves têm tirado palmito com um
intervalo médio de 1 ano na mesma área, oriundos de palmeiras jovens,
com estipes de diâmetro inferior ao regulamentado.
Ao discutir acerca das regulamentações do Ibama, Grossmann et al.
(no prelo) afirmam que a referida portaria não tem sido muito aplicada, em
virtude da falta de fiscalização e omissão em algumas questões tais como:
a prática do processamento do palmito picadinho, que favorece o abate
de palmeiras de diâmetros inferiores ao permitido ou a venda clandestina
do palmito pelas fabriquetas oriundas de produtores que não praticam
manejo nos açaizais, mas que, na verdade, são os responsáveis pela maior
parte do abastecimento das fábricas.
1 12
Aspectos do processo de extração do palmito de açaizeiro...
Figura 5 - Classes de tempo de uso da terra no processo extrativista do palmito,
de acordo com a percentagem de entrevistados, em áreas ribeirinhas do município
de Breves-PA.
Pollack et al. (1996), em pesquisa na ilha do Marajó, eoncluíram
que o corte freqüente do palmito deixa os estandes de açaí com poucos
estipes amadurecidos e uma proporção relativamente alta de touceiras
mortas. Neste estudo, em 19 latas destinadas à exportação, foi encontrado
49% de palmito com um diâmetro inferior a 2cm. De acordo com o
Ibama, este lote de palmito estava ilegal e não devia ser comercializado.
Decadência da atividade paimiteira
O esgotamento das reservas de açaizais em decorrência da
superexploração nos últimos 30 anos, vem causando o declínio desta
atividade extrativa em Breves. As extensas reservas de açaizais, de
outrora, são citadas como uma paisagem do passado. Poucos
conseguiram preservar seus açaizais.
Em face da atual escassez de matéria-prima, muitos palmiteiros
mantêm a atividade de forma esporádica (extrativistas ocasionais),
afirmando que em tempos passados o ritmo de exploração era intenso.
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Nascimento (1993) cita que a exploração desordenada do açaizeiro
tem representati vidade notória no município de Breves, onde as fábricas
palmiteiras diminuíram a jornada de trabalho, devido ao esgotamento
da matéria-prima. Algumas empresas foram transferidas para outros
municípios, repetindo o caráter itinerante da atividade extrativista.
Brabo (1979) e Pollack et al. (1996) relatam sobre a diminuição
da carga de trabalho nas fábricas de palmito. Este fato serve como um
indicador de pressão sobre o recurso, em decorrência do progressivo
desaparecimento da palmeira ao longo do estuário.
Foi observado, ainda, que muitos ribeirinhos, já com suas reservas
de açaizais deterioradas, apresentam como manutenção do trabalho
com o palmito a aquisição da matéria-prima da área de terceiros.
A extração de palmito em áreas de terceiros pode ser através de
três processos: a) arrendamento de área; b) invasão de área; e c)
contratação como mao-de-obra de terceiros.
O envolvimento com a atividade de extração do palmito no açaizal
ocupa o palmiteiro cerca de 3 a 4 dias na semana. O fato de não
trabalharem todos os dias da semana, eomo já foi mencionado antes, é
em deeorrência da diminuição da oferta de matéria-prima. Aqueles que
extraem e beneficiam o produto, envolvem o restante da semana nas
atividades de beneficiamento.
O deslocamento até o local de extração é realizado, em 70,59 %
dos casos, por meio de canoa. Apenas dois entrevistados afirmaram
efetuar o caminho a pé, e três de barco a motor. Na maioria dos casos,
os que se deslocam de canoa ou barco, ainda percorrem extensões
consideráveis a pé, em decoirência da exploração maciça oconáda
próxima às margens, onde já não existem mais açaizais.
O tempo médio gasto no percurso até a área de extração é de 38
minutos. O palmiteiro geralmente inicia seu dia de trabalho em direção
ao açaizal pela manhã, bem cedo, e conclui do meio para o final da tarde.
114
Aspectos do processo de extração do palmito de açaizeiro...
O extrator costuma denmbar o açaizeiro selecionado, cortar a
extremidade apical (palmito) e, deixá-lo na trilha. Ao final do dia de
trabalho, retoma agrupando as cabeças de palmito num feixe e o carrega
nas costas até a canoa ou barco a motor.
Comercialização
A comercialização do palmito bruto/cabeça, ou seja, ainda
envolvido com as bainhas das folhas é uma prática bastante encontrada
ao longo dos rios do estuário.
Na venda, em razão dos baixos preços pagos, o extrator tem um
ganho menor no palmito bmto do que no produto beneficiado em potes.
Portanto, mesmo sendo trabalhoso, alguns extratores preferem beneficiar
a fim de obter lucros melhores.
Em muitos casos, o extrator vende as cabeças de palmito para
que a fabriqueta (pequena fábrica de beneficiamento do palmito, mantida
por ribeirinhos) beneficie. Ocorre aí a chamada “venda na produção”,
ou seja, o comprador irá pagar pelo preço do número de vidros que
render as cabeças de palmito comercializadas. Este sistema é bem mais
vantajoso para o extrator, que também costuma comercializar
diretamente com as fábricas de Breves ou com atravessadores em seu
próprio trapiche.
A forma de pagamento predominante é o sistema de troca por
mercadoria (aviamento). A fábrica e o atravessador, neste caso, detêm
um comércio com produtos da cesta básica, que são utilizados na troca
por palmito, como forma de pagamento ao palmiteiro. Ocorre que tais
produtos apresentam os preços superf aturados, que acabam por aviltar
o preço do palmito, sem que o ribeirinho tenha outra alternativa de
venda de seu produto.
Este sistema de crédito sem dinheiro é conhecido como aviamento
e, segundo Santos (1980), foi a base da economia durante o ciclo da
boiTacha. Nessa época, o negociante sediado em Belém, supria de
mantimentos a empresa coletora das “drogas do sertão”, para receber
em pagamento, a matéria-prima coletada.
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Wagley (1985) apud Diegues (1991) relata que os caboclos
ribeirinhos vivem isolados nas margens dos rios e estão ligados ao
mercado através do sistema de aviamento, pelo qual recebem querosene,
roupas, munição, remédios, sal, e outros produtos do comerciante. Esse
crédito o caboclo deve pagar com a produção (borracha, castanha,
peixes etc.), ficando, frequentemente, individado com o comerciante.
Foram registrados os preços de R$ 0,15 na cabeça de palmito de
primeira qualidade e R$ 0,08 na de segunda qualidade.
Para se ter uma noção do que representa a extração de palmito na
economia ribeirinha mensal, efetuou-se o seguinte cálculo:
considerando-se que o extrator retire as 100 cabeças de segunda
qualidade que, em média, costuma extrair, trabalhando 3 vezes por
semana, ele terá um ganho mensal de R$ 96,00.
Essa renda estimada, na verdade, se perde nos aviltantes preços
cobrados pelos produtos adquiridos da fábrica, pelo referido sistema
de aviamento.
CONCLUSÕES
O presente estudo registrou um diversificado sistema de estratégias
de sobrevivência do ribeirinho, no qual atividades como extração de
madeira, cultivo de roça, caça, pesca, comercialização do fruto do açaí
somam-se à extração do palmito.
Com relação ao calendário de extração do palmito, os dados
processados evidenciaram que não existe um padrão de época do ano
para a extração. O palmito é retirado indiscriminadamente por todo o
ano, sendo um indicativo da forte pressão ao recurso.
No comércio do palmito, a remuneração é baseada principalmente
na troca por mercadorias da cesta básica, na qual os preços encontram-
se superfaturados por parte do atravessador ou da fábrica. Este sistema
força o extrator a optar por uma lógica de exploração iiTacional.
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Aspectos do processo de extração do palmito de açaizeiro...
Os relatos expuseram, com unanimidade, uma extração palmiteira
em declínio. As grandes reservas de açaizais compõem um cenário do
passado. A indústria do palmito em Breves se ressente, consequente-
mente, da escassez da matéria-prima, da diminuição da carga de trabalho
e do enfraquecimento da atividade.
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SUDAM/Projeto de Hidrologia e Climatologia da Amazônia. 1984. Atlas
climatológico da Amazônia brasileira. Belém, 125 p. (Publicação, 39).
Recebido em: 17.07.00
Aprovado em: 16.02.02
118
. 1 ^
&
CDD: 583.24041662
BIOLOGIA FLORAL E MORFOLOGIA POLINICA
DE Q. AMARA L. (SIMAROUBACEAE)
Flcívia Cristina Araújo Barata
2
Léa Maria Medeiros Carreira
,?
Márcia Motta Maués
RESUMO — O estudo descritivo do pólen e da biologia floral de Quassia
amara L (Siinaroubaceae) foi desenvolvido em área de terra firme no
Campo Experimental da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém-Pará,
durante o período de julho de 1997 a setembro 1998. Esta espécie
desempenha importante pape! econômico devido ao aproveitamento de
seus princípios ativos, que atuam no combate a diversas moléstias e
também como inseticida natural. Apresenta-se como planta arbustiva,
que a pleno sol floresce durante todo o ano. Ai flores são bissexuadas,
reunidas em inflorescências paniculadas eretas. A antese ocorre por
volta das 22 horas e a senescência manifesta-se com 3-4 dias após a
antese. As anteras são amarelas, deiscência rimosa, com exposição do
pólen entre II e 12:30 horas, estando dispostas centralmente
circundando o gineceu. O estigma é fdiforme e apresenta maior
receptividade no ápice. O pólen, juntamente com o néctar é o recurso
ofertado pela flor, e apresenta maior viabilidade após a abertura das
anteras. Foram registradas visitas esporádicas do beija-flor. Trigona
fulviventris é a espécie de abelha que visita as flores de Q. amara à
procura de néctar. É considerada pilhadora e apresenta um
comportamento destrutivo na flor. Os grãos de pólen são médios,
3(-4)-colporados, superfície punctada no apocolpo e microrreticulada
no mesocolpo. A biologia floral demonstrou que esta espécie apresenta
um conjunto de características florais que a torna atraente à polinização
ornitófda. Contudo, o fato do polinizador realizar visitas rápidas e
esporádicas, não impediu a frutificação no experimento de Q. amara.
' IIFRA-Univcrsidade Federal Rural da Amazônia. Av. Taneredo Neves, s/n. Cx. Postal 917.
66077-530, Bele'm-PA.
^ MCT/Muscu Paraense Emílio Goeldi, Coordenação de Botânica. Pesquisadora. C.P. 399.
66040-170, Belím-PA. lea@museu-gocldi.br
^ Embrapa Amazônia Oriental. Pesquisadora. Cx. Postal 48. 66. 095-100, Belém-PA.
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PALAVRAS-CHAVE: Biologia floral. Pólen, Plantas medicinais,
Quassia amara.
ABSTRACT - The descriptive stiidy of the polleii grains and floral
biology of Quassia amara L. ( Simaroubaceae) was carried out in the
Embrapa Amazônia Oriental Experimental Eield, in Belém-Pará, during
the period of Jidy, 1997 to September, 1998. This species occupies an
important economical position, due to the use of its active siibstances
which are utilized in the therapeutics of several diseases and the
fornudation of natural insecticides as well. Q. amara is a shrub that
blooms during the whole year The flowers are bisexual, arranged in
erect panicidate inflorescences. The anthesis started around 22 o 'clock
and the senescence begun 3-4 days afler the anthesis. The anthers are
centrally disposed surrounding the gynoecim and opened
longitudinally, with the pollen exposure between 11 and 12:30 o’clock.
The stigma is filiform and the apex was the area of major receptivity.
The pollen and the néctar are the resources presented by the flower.
The hummingbird pollinated the flowers in sporadic visits. Trigona
fulviventris was the bee species that visited the flowers ofQ. amara
searching for néctar. These bees were considered thieves and are
characterized by presenting a destructive behavior in the flower. The
morphologic analysis of the pollen grains revealed that these are
médium, 3(-4)-colporate. punctate surface in the apocolpo and
microreticulate in the mesocolpo. The floral biology demonstrated that
this species presents a group of floral characteristics that turns it
compatible with the ornithophilous pollination. However, despite the
effective pollinator accomplished fast and sporadic visits the
fructiflcation of Q. amara was not impeded.
KEY WORDS: Floral biology, Pollen, Medicinal plants, Quassia amara.
INTRODUÇÃO
Estudos sobre o pólen e a biologia floral fazem parte dos
conhecimentos básicos dos ecossistemas tropicais, mostrando-se
importantes para o manejo c conservação dos recursos naturais, assim
como procuram explicar as relações existentes entre as espécies c o
ambiente em que elas ocoiTcm. Para a compreensão dessas relações, é
necessário esclarecer como se dão os fenômenos entre as plantas e o
seu meio e como estão interligados (Kagcyama 1987 ). Informações
sobre a biologia floral baseadas cm características florais, como
120
Biologia floral e morfologia polínica de Q. amara L.
organização das inflorescências, deiscência das anteras e recompensa
floral, associadas ao comportamento das plantas em seu ambiente,
contribuem para a interpretação da biologia da polinização de uma
comunidade (Ramirez et al. 1990). Faz-se também necessária a
realização de estudos complementares, como análise do néctar, detecção
dos osmóforos, que são as glândulas de odor, e pigmentos florais.
Atualmente, poucos trabalhos de biologia floral vêm sendo
desenvolvidos com as plantas medicinais. Estas plantas têm despertado
grande interesse da comunidade científica, devido à sua baixa toxicidade
e efetiva ação no combate a diversas moléstias. Entretanto, o baixo
nível de conhecimento sobre a biologia reprodutiva de algumas dessas
plantas, principalmente no que se refere ao sistema reprodutivo,
polinização e/ou biologia floral, dificulta seu cultivo. Entre essas plantas
encontra-se Quassia amara L. (Simaroubaceae), uma planta medicinal
conhecida vulgarmente como “quina” ou “falsa-quina”, objeto de
estudo neste trabalho.
A família Simaroubaceae apresenta distribuição pantropical c é
representada por arbustos e árvores, que podem ser encontrados tanto
em mata de várzea como em terra firme. Esta família se distingue de
outras principalmente pela presença de substâncias amargas, que podem
estar presentes no caule, nas folhas e nas raízes de suas espécies.
Pertencentes a esta família, Quassia, Picrasma, Simaba, Castela,
Picramnia e Simarouba, são gêneros onde se pode encontrar tais
princípios amargos (Joly 1975; Bairoso 1991). O intenso sabor amargo
é o caráter mais geral da família (Cavalcante 1979).
O gênero Quassia foi descrito por Linnaeus, na segunda edição
de Species Plantarum em 1762. Cronquist (1944) informa que o
gênero é monotípico na América e relata a ocorrêneia da espécie
africana Q. africana Baill. Entretanto, Coirêa (1984) cita a ocorrência
de Q. cedron Baill., Q.ferruginea D. Dictr. e Q. versicolor Spreng.
cm outros estados do Brasil c que também se caracterizam por
apresentarem princípios amargos.
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Barroso (1991) revela que o nome Quassia foi dado em homenagem
a um negro do Suriname, de nome Quassi, que em meados do século
XVni adquiriu fama por curar doentes de febres malignas com o auxílio
desta planta. Para a referida autora, no Brasil o gênero é predominante na
região Norte, distribuindo-se geograficamente até o Maranhão.
A “quassina” é um dos princípios ativos produzidos pela quina.
Trata-se de um alcalóide de forte sabor amargo, ao qual se atribui
propriedades inseticidas e medicinais. E utilizado no controle de pragas
(Le Cointe 1947; Lameira 1995). Na medicina popular vem sendo
utilizado há muitos anos, sob a forma de chás e alcoolatos, no combate
a verminoses, males do estômago e intestino, e como antiinflamatório
e antimalárico (Berg 1982; Corrêa 1984). Albuquerque (1989) cita que
o chá das folhas ou casca é febrífugo, adstringente e serve para atonia
do aparelho digestivo.
De acordo com Rocha Neto et ai (1997), as pesquisas sobre o
aproveitamento da quassina, no combate a doenças tropicais como a
malária, vêm sendo intensificadas por pesquisadores do Hospital
Universitário Barros Barreto e do Instituto Evandro Chagas, Belém-PA.
No Brasil, as propriedades terapêuticas atribuídas à quina se baseiam
apenas na cultura popular, fundamentada em experiências de sua
utilização pelas populações que a cultivam em quintais ou que habitam
áreas onde ela ocorre naturalmente. Duque & Vasques (1994) revelam
que estão sendo feitos estudos clínicos no Texas, Guatemala, República
Dominicana, México e Panamá, para que a quassina seja usada também
no tratamento de carcinomas e células infectadas com o vírus HIV.
O objetivo deste trabalho foi o estudo da biologia floral e
morfologia polínica de Quassia amara L., como contribuição aos
programas de melhoramento genético, desenvolvimento do sistema de
produção e melhor aproveitamento do potencial econômico da espécie,
uma vez que a falta de conhecimentos básicos dificulta o
estabelecimento de um sistema de cultivo para a mesma.
122
Biologia floral e morfologia polinica de Q. amara L.
REVISÃO DE LITERATURA
Considerações taxonômícas e distribuição geográfica
Simaroubaceae é uma família tipicamente tropical, pertencente à
ordem Sapindales, constituída por 200 espécies distribuídas em cerca
de 20 a 30 gêneros. A família é morfologicamente variável, porém
apresenta caracteres comuns a todos os gêneros como: presença de
quassinóides, carpelos separados com um só estigma, folhas compostas,
alternas, flores bissexuadas, pentâmeras e frutos drupáceos. Apresenta
estreitas afinidades taxonômicas com as Rutaceae, Burseraceae,
Meliaceae e Cneoraceae. As afinidades com as Rutaceae são ainda
maiores, por possuírem propriedades químicas e anatomia da madeira
semelhantes (Cronquist 1981). As Rutaceae diferem das
Simaroubaceae pela ausência de quassinóides. Em vez disso, possuem
limonóides, que são terpenóides precursores dos quassinóides que,
dentre inúmeras propriedades terapêuticas, são indicados no tratamento
da malária (Hoehne 1978; Poveda 1995).
Barroso (1991) cita que Engler (1931) dividiu esta família em
seis subfamílias, cada uma delas compreendendo tribos e subtribos.
Das seis, Simarouboideae é uma das maiores e compreende a maioria
dos gêneros na América, incluindo Simaba, Siinaroiiba, Quassia,
Castela, Picrasma e Picrolemma.
Willis (1966) informa que a família apresenta 40 espécies
distribuídas na América Tropical. De acordo com Thomas (1990) o
centro primário de distribuição da família é a América Tropical, com
distribuição secundária no Oeste Tropical Africano. De um modo geral,
a distribuição das Simaroubaceae apresenta a seguinte classificação;
Neotropical, Norte da América do Sul e disjunta entre as índias
Ocidentais, América Central e México.
Fostcr (1982) e Gomez (1986) citam que, devido às propriedades
terapêuticas de Quassia amara L. terem sido usadas por séculos, é
muito difícil determinar com exatidão sua distribuição natural e origem.
123
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Boi. Mu.s. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. J8(l). 2002
pois há forte influência antrópica. Para esses autores, a distribuição da
espécie vai do sul do México até a Amazônia brasileira. Thomas (1990),
investigando as coleções dos herbários na América do Sul e na América
Central, relatou uma distribuição mais ou menos contínua desde as
Guianas, passando pela Venezuela e Colômbia, até o norte da
Nicarágua.
Segundo Le Cointe (1947) Qiiassia anuira é uma espécie de
origem indígena mas encontra-se também cultivada. Para Foster (1982)
e Gomez (1986) a espécie é nativa de bosques secos e úmidos, com
penetração regular de luz. Floresce ao final da estação das chuvas e
início da estação seca. Trata-se de uma espécie que se desenvolve bem
em ambientes úmidos e tropicais. Por ser um arbusto de fácil
regeneração após a poda, facilita o seu manejo.
É cultivada como ornamental em alguns lugares do Caribe e
América do Sul e também na Ásia, onde foi introduzida (Forcro 1989).
Importância econômica
Quassia amara L., conhecida vulgarmente como marupá,
murubá, quina e quina-dc-caiena, fornece madeira que pode ser
utilizada nas obras de caixotaria e carpintaria. Seu extrato é tóxico
para insetos, sendo usado cm papel mata-moscas (Le Cointe 1947).
É citada por Corrêa (1984), Bcrg (1982) c Lameira & Pinto (1995)
devido à sua ação medicinal no tratamento da malária, flatulências,
diarréias, anemia, c moléstias do estômago, sendo administrada
principalmcntc na forma de chás c alcoolatos. São produtos vegetais
que a medicina popular emprega há muitos séculos, sem deixar de
tomar as devidas precauções com a ação rclativamcntc tóxica destas
substâncias. Estudos realizados por Grandolini ct al. (1987)
investigam um novo princípio amargo que ainda não tinha sido
identificado. Trata-se de uma dihidroncoquassina que foi isolada do
lenho c que está sendo testada como anticanccrígcna.
124
Biologia floral e morfologia polínica de Q. amara L.
Matta (1913) estudou os quatro glucosídeos homólogos presentes
na espécie, considerando a quassina como o principal deles, cuja
fórmula é descrita como Cll H12 03. Na opinião do autor, este
glucosídeo ocupa o primeiro lugar na escala dos medicamentos amargos.
Hoehne (1978) relata a fabricação de caixas feitas com a madeira
para guardar documentos e material de herbário preciosos, livrando-os
do ataque de insetos. Em ensaios in vitro realizados com extratos
aquosos e orgânicos de Simciba cedron, Simarouba amara Aubl. e
Quassia sp. Ferracini et al. (1990) revelam que estes extratos
demonstraram efeito repelente em larvas de Scrobipalpuloides (praga
do tomateiro), e que o extrato preparado com as folhas de Quassia sp.
provocaram 100% de mortalidade.
Valarini et al. (1991) testaram o poder de ação de extratos de
Quassia sp., Simaba cedron e Simarouba amara para inibir pragas e
doenças do feijoeiro. Os resultados obtidos mostraram que dentre todas
as plantas analisadas, os melhores extratos com potencial contra
fitopatógcnos foram os de Quassia sp. e S. cedron.
Visando a atender às demandas do mercado que dependem da
matéria-prima oriunda do extrativismo. Rocha Neto et al. (1997)
estudaram a domesticação de Q. amara analisando o comportamento
ecofisiológico da planta em três diferentes condições de luminosidade:
pleno sol, parcialmentc sombreado e sombreado.
Aspecto.s palinológicos
Poucos trabalhos sobre a morfologia polínica da família
Simaroubaccac foram encontrados durante esta pesquisa. Erdtman
(1952) descreveu de forma sucinta os grãos de pólen da família c teceu
comentários sobre o pólen de Quassia amara e, em 1969, fez uma
breve descrição sobre o pólen de Quassia africana Baill. Salgado-
Laboriau (1973) se referiu à morfologia polínica da família,
estabelecendo para as espécies que ocoiTem no ceiTado o tipo polínico
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. I8( I }, 2002
Simaba. Cavalcante (1979) cita a descrição polínica apenas para a
espécie Simaba cedwn. Juárez-Jaimes & Martinez-Mena (1992)
estudaram a morfologia polínica das seguintes espécies da família
Simaroubaceae do estado de Guerrero, México: Alvaradoa
amorphoides Liebm., Picramnia antidesma Sieber ex. Stend.,
P. polyantha Planch., Quassia amara, Recchia mexicana Moç. & Sesse
e Simarouba glauca DC.
Sobre o pólen, Dafni (1992) revela que a avaliação da viabilidade
é o primeiro passo para entender como um grão de pólen germina no
estigma, determinando uma fase crucial para a fertilização. Avaliando
técnicas para os estudos de biologia da polinização, Keams & lonye
(1993) revelam que os testes de viabilidade do pólen são extremamente
importantes para trabalhos com monitoramento do pólen para
estocagem, estudos de incompatibilidade e fertilidade e também para
avaliar as chances da germinação após a exposição a várias condições
adversas do meio.
Contribuição ao estudo da biologia floral
Para compreender o ciclo de vida da flor, sua cstmtura e todas as suas
manifestações ao longo deste ciclo, faz-se necessário o estudo da biologia
floral. No Brasil, os trabalhos mais antigos sobre biologia lloral datam de
meados do século XIX, feito por Fritz Müller /'/; Faegri & Pijl (1979).
O estudo da biologia floral de uma espécie apresenta um campo
bastante abrangente, incluindo trabalhos dc identificação das plantas e seus
possíveis polinizadores; os dispositivos (recursos e atrativos) usados pelas
flores para atrair os visitantes, por exemplo: pólen, néctar, óleo, aroma c
resina; os sistemas de cruzamento e comportamento floral; a coleção e
estudo dos visitantes de flores em todo o limite de distribuição das plantas;
íis ob.servações detalhadas sobre o comportamento dos visitantes nas flores;
estudos diários, sazonais e periódicos dos polinizadores e a análise do
pólen transportado pelos visitantes (Baker & 1 lurd 1 968).
126
Biologia floral e morfologia polínica de Q. amara L.
Ramirez et al. (1990) citam que nos trabalhos de melhoramento
genético, um dos maiores inconvenientes que dificultam a execução dos
programas de hibridações e de autofecundações, reside na baixa fertilidade
ou mesmo esterilidade do pólen. Por isso, ressaltam a necessidade de
haver uma fonte de informações precisa a respeito do pólen.
Segundo Dafni (1992) se o processo básico da polinização começa
com a exposição e liberação dos grãos de pólen, qualquer fator como
tamanho, forma, modo de dispersão e viabilidade dos grãos de pólen é
preponderante para que o processo de polinização seja bem sucedido.
Dafni (1998) estudando a receptividade do estigma, afirma que
estas observações são fundamentais para determinar a maturação das
flores, o sucesso da polinização em diferentes estádios do ciclo de vida
da flor, bem como, as chances de seleção gametofítica. Qualquer
experimento de polinização artificial deve ser acompanhado por testes
de duração da receptividade do estigma.
Atualmente, pouco se conhece sobre a biologia floral de espécies
medicinais nativas da Amazônia. Não foram encontradas informações
sobre a biologia floral de Q. amara na literatura.
Santos & Maués (1998) estudando a biologia floral de espécies
florestais, analisaram a morfologia da flor de Simarouba amara
(Simaroubaceae) e fizeram inferências sobre sua provável síndrome
de polinização.
MATERIAL E MÉTODOS
Área de estudo
As observações de campo foram feitas na área experimental da
Empresa Brasileira de Pesquisa Agrollorestal - Embrapa Amazônia
Oriental em Belém-Pará, a 01 °28’ de latitude sul, 48°27’de longitude
oeste de Greenwich e 12,8m de altitude, em um plantio de Q. amara
localizado cm área próxima ao laboratório de botânica.
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O plantio encontra-se com aproximadamente cinco anos e a quadra
mede 15, 5m de largura x 21,5 m de comprimento, sendo constituído
de 88 indivíduos, que foram propagados por meio de enraizamento de
estacas, a partir de plantas coletadas no município de Moju-PA, em
1994. De acordo com Rocque (1976) o município de Moju localiza-se
na microrregião do Baixo Tocantins, a 61 km de Belém. A cidade de
Moju está localizada à margem direita do rio Moju, a 1°53’02” de
latitude Sul, 48°46’06” de latitude Oeste e 18 metros de altitude. O rio
Moju desemboca no rio Pará, formando juntamente com o rio Guamá,
a baía de Guajará, que banha a cidade de Belém (Figura 1).
Tratos culturais utilizados no plantio
De acordo com as informações fenológicas obtidas no Laboratório
de Fisiologia Vegetal da Embrapa Amazônia Oriental, as plantas
começaram a produzir flores aos dois anos de idade. O plantio recebe
tratos culturais, tais como coroamento e adubação. O coroamento é
feito mensalmente. A adubação é feita a cada três meses, por meio da
aplicação de NPK, na proporção de lOg x 28g x lOg, respectivamente.
Camivalia ensiforwis, DC. vulgarmente conhecido como feijão-dc-
porco, foi plantado nas entrelinhas para facilitar a fixação de nitrogênio.
O trabalho foi desenvolvido no período de julho de 1997 a
fevereiro de 1999. As análises de campo foram feitas em uma
amostragem de 20 indivíduos, escolhidos aleatoriamente. Estas
análises foram desenvolvidas no Campo Experimental da Embrapa
Amazônia Oriental (Belém-PA) e as de laboratório, no Laboratório
de Entomologia da Embrapa Amazônia Oriental e na Coordenação
de Botânica do Museu Paraense Emílio Goeldi (Belém-PA). Os
registros meteorológicos foram cedidos pelo Laboratório de
Climatologia da Embrapa Amazônia Oriental. Tais informações são
indispensáveis, uma vez que as variações climáticas como vento,
chuva, umidade do ar, qualidade e intensidade de luz são alguns
128
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
dos principais fatores que podem influenciar determinados
parâmetros reprodutivos, bem como a atividade dos polinizadores
de Q. amara.
Material Botânico
No experimento do campus da Embrapa Amazônia Oriental
foram selecionados aleatoriamente dois indivíduos. De cada, foram
retiradas cinco amostras de ramos com flores. No município de Moju,
na área de ocorrência natural, foram retiradas seis amostras de ramos
estéreis de três indivíduos, dos quais apenas um indivíduo foi escolhido
com a finalidade de registrar a ocorrência no município. Esse material
botânico foi determinado no período de junho de 1998 ajaneiro de
1999 pelo auxiliar técnico Sr. João Carlos Lima Oliveira e
supervisionado pela pesquisadora Silvane Tavares, ambos locados
na Embrapa Amazônia Oriental. Após a identificação, as amostras
foram registradas e incorporadas aos herbários lAN (Embrapa
Amazônia Oriental) e MG (Museu Paraense Emílio Goeldi) conforme
indicado na Tabela 1 .
Tabela 1 - Amostras de ramos de Q.amara com as respectivas referências de herbário.
N° dc Indivíduos
Colctor/N° Col.
N° Herbário
Procedência
1
Barata, F. .s/n
lAN 165948
Embrapa- Amazônia
Oriental, Belém-PA
1
Barata, F. s/n
MG 155666
Embrapa- Amazônia
Oriental, Belém-PA
1
Trindade,
I. & Barata, F. s/n
lAN 166783
Mojú
130
Biologia floral e morfologia potínica de Q. amara L.
METODOLOGIAS
Biologia floral
No período de julho de 1997 a novembro de 1998, a biologia
floral foi investigada quanto à morfologia das flores, detecção de
pigmentos e osmóforos, horário e seqüência da antese, abertura das
anteras, viabilidade do pólen, receptividade do estigma e duração das
flores e fmtos. Foram também descritos a disposição das inflorescências
nos ramos e o hábito das plantas.
Para a determinação do processo de antese, dez botões florais
adultos foram escolhidos em inflorescências de diferentes indivíduos e
acompanhados de duas em duas horas. O acompanhamento da floração
obedeceu as fases: 1- botão floral desde o início do desenvolvimento
ate a véspera da abertura e 2- flor em recente antese acessível ao visitante
e/ou receptiva à polinização, até entrar em processo de senescência.
Dentre os 20 indivíduos pré-selecionados, a frutificação foi observada
c acompanhada cm 15 indivíduos desde o desenvolvimento primário
dos óvulos, até os frutos imaturos e frutos maduros prontos para serem
dispersos. A mensuração das partes florais foi realizada em 50 flores,
com o auxílio de um paquímetro digital MITUTOYO, modelo
DIGIMATIC CALIPER 500-404 CD-S15M.
Os dados da estrutura da flor como forma, tamanho, aspecto do
gineceu, localização e tipo de recursos florais ofertados, foram obtidos
cm laboratório.
Para a detecção dos osmóforos, outras 50 flores previamente
protegidas com sacos plásticos à prova de pólen c insetos, foram coletadas
c acondicionadas cm recipientes de vidro e imediatamente levadas ao
laboratório, onde foram submersas cm solução aquosa de vcmiclho neutro
( 1 : 1000), de acordo com Vogei citado por Faria (1989), em diferentes
intervalos de tempo, ou seja, I minuto, 30 minutos, 1 hora, 2 horas c
3 horas. Após cada intervalo, as llorcs eram retiradas c lavadas cm água
destilada para eliminar o excesso do corante. As áreas intensamente
coradas de vermelho-escuro indicaram a localização dos osmóforos.
131
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
Vapores de amónia foram utilizados na determinação do tipo de
pigmento presente nas flores conforme Vogei citado por Faria (1962).
Flores frescas foram colocadas em um recipiente contendo 2ml da
solução de hidróxido de amónia, (NH4 OFI) a 5%. Este foi
imediatamente fechado para que o gás revelasse os pigmentos florais.
A receptividade do estigma foi testada, utilizando-se pcróxido de
hidrogênio a 6% Zeisler citado por Faria (1989) e a solução Baker (Dafni
1998), que detecta a presença de uma enzima, a esterase. A solução
Baker consiste de lOml de tampão fosfato a IM, com pH 7. 3-7. 5,
adicionada de 5-10 mg de nitroblue-tetrazólio, para dar uma cor
ligeiramente amarela, 6 mg de nicotinamida adcnina di-nuclcotídeo e
1 ml de etanol a 95%. De um modo geral, as enzimas são elementos
vitais do metabolismo das plantas, estando envolvidas em muitos
compostos orgânicos durante o processo respiratório. A técnica da solução
de Baker correlaciona a presença de esterase com a viabilidade do tecido.
De duas em duas horas, das 8:00h às 18;00h, dez estigmas foram
coletados e analisados. Este procedimento foi o mesmo para as três fases
florais analisadas: flor recente, fiorde um dia após antese c fiorde dois
dias após antese. Em lâminas de microscopia, os estigmas foram
submersos em uma a duas gotas da solução, colocados em câmaras
úmidas feitas com placas de Petri e acondicionados cm uma incubadora
biológica YAMATO modelo IL 700 a 37°C por 20-35 minutos. Após
este período, os estigmas foram levados ao estereoscópio OLYMPUS
modelo SZH com a finalidade de observar a região mais receptiva do
estigma que assumia uma coloração azulescuro.
Antes de submeter os estigmas aos testes químicos, estes eram
previamente checados cm um estereoscópio, para evitar que algum
dano no tecido vegetal ou a presença de grãos de pólen germinando na
superfície, pudessem alterar o diagnóstico.
A presença de cxsudatos na superfície estigmática foi observada
a olho nu c com o auxílio de uma lupa manual.
132
Biologia floral e morfologia polínica de Q. amara L
Com a finalidade de ilustrar as estruturas reprodutivas das flores,
como as anteras, o ápice do estigma e o ovário, estas foram
fotomicrografadas em um microscópio eletrônico de varredura JEOL,
modelo DSM-940. Para isso, o material foi fixado em glutaraldeído, a
3%, dissolvido em uma solução tampão de fosfato de potássio 0,1 molar,
por 24 horas, e posteriormente, desidratado em acetona a 30%, 50%,
70%, 80%, 90% e 100% e submerso por 24 horas em solução de
clorofórmio. A metodologia empregada nesta análise foi adaptada do
método de Postek (1980).
Procedeu-se a análise do néctar, determinando o teor de açúcar
(Grau Brix) e sua produção durante o ciclo de vida da flor. A cada 2
horas, dez flores eram coletadas e imediatamente analisadas no período
das 8 às 18 horas. Foram testadas as fases de flor recente, flor de um
dia e flor de dois dias. Para medir o grau brix, foram utilizados os
refratômetros BELHINGHAM & STANDLEY, especialmente
adaptados para amostras de no mínimo Iml e microcapi lares também
de 1 ml para coletar e medir o néctar das flores.
Viabilidade e contagem dos grãos de pólen
A viabi lidade foi detectada a partir de grãos corados pela solução
Baker (Dafni 1992), a mesma já descrita e utilizada para avaliar a
receptividade do estigma. A presença de enzimas biocatalisadas nos
processos metabólicos tem a sua atividade estreitamente relacionada
com a viabilidade do pólen. De cada um dos 15 indivíduos previamente
amostrados, foi selecionada uma ílor, totalizando 15 llores para cada
hora cm cada fase. Como a flor apresenta dez anteras, foram testadas
•30 anteras por fase, ao longo do dia. As anteras foram colocadas cm
•■•nia lâmina na presença de uma gola da solução Baker, delicadamente
niaccradas, c o pólen foi separado dos resíduos vegetais. Com o auxílio
um estilete, a mistura foi homogeneizada c a lâmina acondicionada
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
em câmara úmida previamente aquecida, a qual foi depositada em uma
incubadora biológica a 37°C, por 30 minutos. Após este período, a
lâmina foi retirada da câmara úmida para a evaporação da solução.
Para o processo de preparação de lâminas semi-permanentes, uma
gotícula de glicerina foi adicionada a este material, cuja lâmina foi coberta
com lamínula e vedada com esmalte sintético. Os resultados foram
analisados em um microscópio ótico OLYMPUS Modelo BH-2,
contando-se 500 grãos de pólen por lâmina em cinco a seis campos
distintos. Os grãos de pólen viáveis assumem uma cor azul escura, c os
inviáveis não sofrem alteração de cor.
A razão pólen/óvulo (P/O) foi determinada a partir da contagem
dos óvulos e grãos de pólen por flor, de acordo com estudos feitos
porCruden (1977). ParaCruden (1981), esta relação reflete a eficiência
da polinização, sugerindo que o estudo da razão P/O é ainda o melhor
indicativo para se inferir o sistema reprodutivo das plantas. A contagem
do pólen obedeceu à metodologia de Dafni (1992), que consiste em
macerar uma antera fechada em solução de 0,5 ml de álcool a 70%,
quatro gotas de detergente e três gotas do corante azul de metileno, a
0,5%. Adiciona-se álcool, a 70%, até completar Iml. Foi colocado
Iml desta solução em seis lâminas. Os grãos de pólen foram contados
por volume de suspensão. Este procedimento foi testado em dez
anteras de flores diferentes. A média do número de grãos de pólen
foi calculada e multiplicada pelo fator de diluição e pelo número de
anteras por flor. O número de óvulos foi determinado pela contagem
destes no ovário da mesma flor usada para contagem de pólen. A
razão pólen/óvulo foi determinada pela divisão estimada do número
total de grãos de pólen pelo número de óvulos. Testes complementares
de autopolinização espontânea foram realizados para fins de
comparação com os resultados da razão pólen/óvulo. Um dia antes
da antese, 25 inflorescências distribuídas em cinco indivíduos
diferentes, cinco em cada planta, foram protegidas com sacos à prova
de pólen e insetos para verificar a ocoirência ou não de autopolinização
c, consequentemente, a formação de frutos.
134
Biologia floral e morfologia polínica de Q. amara L.
Morfologia do pólen
Botões florais adultos foram coletados diretamente de amostras
retiradas no campo experimental, cujo grãos de pólen foram acetolisados
segundo o método de Erdtman (1952), medidos, descritos e
fotomicrografados. O método de acetólise consiste basicamente em
submeter os grãos de pólen a uma mistura de anidrido acético e ácido
sulfúrico 9: 1, proporcionando uma reação entre a esporopolenina e o
anidrido acético em meio ácido. Com este procedimento, o conteúdo
celular é destruído e a exina fica transparente, permitindo o estudo
detalhado da membrana externa. Posteriormente fez-se a montagem
da lâmina com gelatina glicerinada (Kisser 1935) e, para tomar as
lâminas definitivas e isentas de contaminação procedeu-se a lutagem
com parafina (Müller 1947). Para obtenção das medidas, foi utilizado
um microscópio ZEISS, adaptado com uma ocular micrometrada. As
medidas dos eixos polar e equatorial foram feitas em 25 grãos de pólen
escolhidos ao acaso, em vista equatorial e utilizando-se a objetiva de
40x. Com esses valores, foram calculados a média, a variância, o desvio
padrão e o coeficiente de variação. As medidas da exina e dos diâmetros
dos lumens foram feitas em dez grãos de pólen, usando-se a objetiva
de lOOx, e calculadas somente as médias aritméticas. Na descrição
polínica foi usada a scqüência padronizada de Erdtman (1969), a
classificação de Praglowski & Punt (1973), que define as variações
que ocorrem no padrão da superfície reticulada, e a nomenclatura
baseada no Glossário Ilustrado de palinologia de Barth & Melliem
(1988). Nas descrições, nas legendas das figuras e no texto foram
usadas as seguintes abreviaturas: amb = âmbito; E = eixo equatorial;
Lo = Ilix obscuritas; MEV = microscopia eletrônica de varredura;
ML = microscopia de luz; NPC = número, posição e caráter das
aberturas; P = eixo polar; P/E = relação entre as medidas dos eixos
polar e equatorial; P/MG = número de registro da Palinoteca do Museu
Goeidi; VE = vista equatorial do grão de pólen; VP = vista polar do
grão de pólen.
135
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Observação dos visitantes e/ou polinizadores
O comportamento dos visitantes e/ou polinizadores nas flores foi
registrado no período de intensa floração, junho a agosto de 1998, por
meio de observações diretas no campo que totalizaram 180 horas.
Anotou-se o horário e a freqüência das visitas, bem como o
comportamento do visitante (polinização ou pilhagem). Além destas
visitas, utilizou-se a metodologia de Dafni (1992), que consiste em
observações de 10 minutos a cada hora, completando 12 horas de
observação (das 6 às 18 horas).
Coletaram-se abelhas com auxílio de rede entomológica, mortas
em frascos mortíferos contendo acetato de etila e posteriormente
identificadas por comparação com a coleção de insetos do Laboratório
de Entomologia da Embrapa Amazônia Oriental. Eoi adotado o método
da acetólise para verificar a presença e identificação dos grãos de pólen
no corpo das abelhas. Para este procedimento, 100 abelhas foram
coletadas no campo e depositadas em frascos contendo ácido acético
glacial, para remover os grãos de pólen do corpo das abelhas. Este
material foi peneirado em telas de latão e procedeu-se a acetólise.
O comportamento da visita do beija-flor nas flores foi observado
quanto à freqüência, horário c duração.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Aspectos morfológicos
Quassia amara, Linn. Sp. Pl. cd. II.
Nas condições de cultivo cm que foi conduzido o experimento,
Q. amara L. é considerada uma espécie arbustiva, cuja população
apresenta indivíduos com altura média de 1 ,7m, c 2,3cm de diâmetro.
Os botões florais adultos medem cerca de 2.'í,7mm de comprimento.
As inflorcsccncias são paniculadas c eretas, localizadas no ramo
terminal, sendo que o eixo central mede cerca de 17,5cm de
136
Biologia floral e morfologia polínica cie Q. amara L
comprimento, e o desenvolvimento das flores ocorre no sentido base-
ápice. As flores são tubulosas, bissexuadas, com prefloração valvar,
actinomorfas, sem aroma, com cálice pequeno, 5-lobado, os lobos
oblongo-triangulares; a corola é vistosa, com cinco pétalas livres, mais
longas do que largas, vermelho-vivo, glabras, com 3,5-4,5cm de
comprimento (Figura 2). O androceu, com aproximadamente 3cm de
comprimento, é composto por dez estames livres, inseridos no disco
cupuliforme, que circunda o gineceu apocárpieo. Os filetes são
vermelhos, membranosos e glabros, apresentando apêndiees pilosos
na base. As anteras, com cerca de 2,7mm de comprimento, são
dorsifixas, com deiscência rimosa, amarelas, de consistência carnosa
nas flores jovens e acastanhadas, com consistência rija nas flores adultas
(Figura 3a, e, f, g). Em MEV foi possível verificar que a deiscência da
antera atinge um extremo a outro da teca, e que a parede das anteras é
constituída por tecido papiloso (Figura 4).
O gineceu mede 3,8cm de comprimento; apresenta ovário supero,
pubescente, pentalocular, com um óvulo em cada lóculo. O estilete é
vennelho, filiforme e alongado. O estigma é diminuto, com l-2mm de
diâmetro na região apical, ligeiramente papiloso, pentassulcado, situado
acima do conjunto de anteras. (Figura 3b, c, d). Em MEV foram
evidenciados o ovário pentalocular suportado pelo disco nectárífero e
a superfície estigmática constituída de numerosas papilas (Figura 5).
O nectário mede 2,2mm de comprimento, e está localizado na porção
basal das pétalas. Durante toda a duração da flor há produção de néctar.
A maior concentração de açúcar no néctar foi de 34%, observada às 10
horas, na fase de flor de um dia. A fase de flor em recente antese foi a
que apresentou produção máxima de néctar de 1 6ml, às 14 horas (Figuras
ó c 7). Segundo pesquisas feitas por Baker et al. ( 1 998), a composição
de açúcares no néctar está intimamente relacionada com o grupo de
Polinizador, sendo o néctar a base energética recebida pelos visitantes ao
entrarem em contato com as flores. Os referidos autores analisaram
himbém o néctar de Q. amara c o caracterizaram como típico para beija-
Hores por apresentar elevado conteúdo de sacarose.
137
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. I8( I j, 2002
Os frutos são drupáceos, ovoides, vermelhos, com l-l,5cm de
comprimento e 2-3cm de diâmetro. Nem sempre todos os cinco óvulos
são fertilizados e quando isto ocorre, estes resultam em frutículos,
adquirindo a cor negra quando maduros.
Considerações sobre a fenologia reprodutiva
A espécie apresenta picos de floração e frutificação entre os
meses de junho a setembro, caracterizando seu bom desenvolvimento
em ambientes com forte penetração de luz. A estação das chuvas no
início do ano influencia fortemente o estado fisiológico da planta,
causando decréscimo de floração e inviabilizando os testes enzimáticos
feitos, que avaliam as estruturas reprodutivas. De acordo com
informações obtidas na área de ocorrência natural, situada no
município de Moju, estado do Pará, Q. amara apresenta floração
única que vai de julho a outubro, encontrando-se cm ambientes
parcial mente sombreados por grandes árvores.
No período cm que a média de precipitação pluviométrica é
baixa, foi verificada intensa atividade metabólica por parte da planta,
como o desenvolvimento de mais de uma inflorcscência no mesmo
ramo terminal. Estas inflorescências se caracterizam por apresentar
diferentes fases da sucessão floral, como flores em processo de
senescência, frutos cm desenvolvimento, flores em recente antesc e
botões florais. Q número de inflorescências por planta é
significativamente maior neste período, que se pode encontrar cerca
de 19 a 27 inflorescências por planta. Nos outros meses, quando a
média de precipitação pluviométrica é alta, de janeiro a março, este
número torna-se rclativamente menor, com cerca de 7 a 14
inflorescências. Os dados climatológicos referentes ao ano de 1 997
encontram-se na Tabela 2.
138
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
è
Figura 3 - Peças florais de Q. amara, a) ídor em corte longitudinal; b) Vista geral
do gineceu; c) Estigma, detalhe da porção apical do estilete; d) Ovário pentalocular
inserido no disco nectarífero; e) Vista geral do androceu; f) Anteras detalhe da
inserção dorsifixa e deiscência rimosa; g) Apêndices fdiformes na base do filete.
140
cm
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Biologia Jloral e morfologia polínica de Q. amara L.
Figura 4 - Antera de Q. amara, em MEV: a) Vista geral da face ventral das tecas e
deiscência, (50x); b) Detalhe da superfície e de grãos de pólen dispostos ao longo
da deiscência, ( lOOx); c) Vista geral da inserção dorsifixa, (50x); d) Idem, detalhe
da superfície papilosa e do filete, (lOOx).
I‘igiira 5 - Gineceu cm MFV; a) Ovário, mostrando os lóculos na margem c no
^'cntro um corte da retirada do estilete, ( lOOx); b) Porção apical do estilete, aspecto
estigma, (5()x).
cm
SciELO
Dol. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1). 2002
■ FlMTeoente
■ Flor 1 dia
□ Flor 2 dias
oaoo laoo
1200 14:00
HORA
16:00 laOO
Figura 6 - Avaliação da produção de néctar ao longo do dia nas 3 fases do ciclo de
vida da flor.
12:00 14:00
HORA
Figura 7 - Concentração de açúcar no néctar das flores de Q. amara nas 3 fases do
ciclo de vida da flor.
Tabela 2 - Média dos dados climatológicos referentes ao ano de 1997. T- temperatura
média compensada (°C);UR-umidade relativa média compensada (%); PP-preciptação
pluviométrica (mm); EV-evaporação piche (mm); IN (h)-insolação hora e décimo.
VARIÁVEL
T/°C
UR/%
PP/mm
EV/mm
IN/h
MESES
Janeiro
25,8
89
345,8
1,4
3,4
Fevereiro
26,1
86
342,9
1,5
54
Março
26
89
508,7
1,5
4
Abril
26,4
89
491,6
1,4
4,7
Maio
27,1
84
271,6
1,9
7,2
Junho
27,1
75
61,2
2,6
8,9
Julho
26,2
79
76
2,4
9,1
Agosto
26,3
83
105
2,2
8,1
Setembro
26,9
76
28,1
3
8,3
Outubro
27,2
73
6,9
3,6
8,1
Novembro
26,9
77
94,3
2,8
6,9
Dezembro
26,6
82
244
2,2
6,1
26,55
81,83
214,68
2,21
10,73
142
cm
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Biologia floral e morfologia polínica dc Q. amara L
Biologia floral
A flor, desde o lançamento das anteras até a queda das pétalas,
dura em média quatro dias. Geralmente no terceiro ou quarto dia, as
pétalas ficam levemente aderidas, aos poucos caem, restando apenas o
gineceu. Ocorrendo fecundação, o desenvolvimento dos óvulos até a
formação do fruto maduro tem uma duração média de 22 a 27 dias. A
antese envolve uma fase noturna e outra diurna, levando de 8 a 10
horas para finalizar o processo, que se inicia por volta das 22horas. O
estigma é a primeira estrutura a ser lançada. Nesta fase, já está receptivo
e encontra-se acima do conjunto de anteras, permanecendo assim
durante todo o ciclo de vida da flor.
A sequência dc abertura segue um processo gradativo e sincrônico
entre as flores. No decoirer da noite, as anteras vão surgindo no ápice
do botão, por entre as pétalas ainda soldadas, até que às 8:00h da manhã
todas as anteras já são visíveis. As flores podem finalizar a antese,
apresentando diferentes arranjos nas pétalas. Algumas mantêm as pétalas
coniventes c tanto o androceu quanto o gineceu permanecem unidos
até a senescência. Outras, apresentam um amanjo espiralado e o conjunto
androceu e gineceu fica livre no centro da flor. Na ocasião da antese,
as anteras permanecem todas fechadas.
Segundo Faegri & Pijl (1979), a flor tem um tipo estrutural
classificado como tubulosa, uma vez que apresenta estruturas sexuais
centrais, existindo um espaço entre a corola e os órgãos reprodutivos,
que SC apresentam inclusos.
A deiscência das anteras ocorre entre 1 1 e 12:30 horas . O pólen
é amarelo c pulverulento. Nesta fase, as anteras são carnosas e amarelas.
Uma vez abertas, permanecem assim até o final dc seu ciclo dc vida,
lornando-sc acastanhadas c enrijecidas com o passar das horas.
A receptividade do estigma inicia no período dc pré-antese, antes
óa abertura das anteras. O período mais receptivo foi verificado
'nicdialamcntc após a abertura das anteras, coincidindo com os horários
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cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
de maior viabilidade do pólen (entre 1 1 e 12 horas). O ápice do estigma
foi considerado o local de maior receptividade. O estigma da flor recente
apresenta maior receptividade que nas fases subsequentes. Foram obtidos
resultados semelhantes, com duas metodologias distintas, utilizando-se
a solução Baker e o peróxido de hidrogênio (H O ). Com o H O a 3%,
2 2
bolhas de ar saíam continuamente e formavarh cordões que duravam
mais de 4 minutos. A solução Baker reagiu em menos de 30 minutos,
deixando negra a região central do ápice do estigma. Estigmas do botão
floral adulto e da flor com dois dias não apresentaram atividade enzimática.
Segundo Richards (1997), na fase de maior receptividade pode-
se observar uma turgescência das papilas estigmáticas que usualmente
secretam soluções açucaradas. São estas soluções provenientes da
atividade enzimática que determinam a viabilidade da estrutura sexual.
O autor classificou os tipos de estigmas de acordo com a presença ou
ausência de exsudatos, morfologia cuticular do ápice do estigma e
hidratação do pólen. De acordo com esta classificação, os estigmas de
Q. amara L. são secos, isto é, não apresentam exsudatos, a cutícula
está disposta continuamente e a hidratação do pólen é interna. Com
tais características, o autor concluiu que é através de uma cobertura
lipoproteica secretada pelo tapetum, que os grãos de pólen aderem à
superfície estigmática.
O teste dos osmóforos revelou a localização destes, indicando
que as flores exalam odor, porém este é praticamente imperceptível ao
olfato humano. Com 1 minuto de imersão da flor no vermelho-neutro,
coraram-se apenas o ápice do estigma e a região de deiscência das
anteras. Com 30 minutos, as alterações observadas eram as mesmas e
não foram detectados osmóforos cm outras regiões da flor no dccoiTcr
das análises. Com 2 horas, as flores apresentavam as mesmas
características. Endress (1994) comenta que as flores polinizadas por
pássaros são menos perfumadas e que, ao contrário de outros tipos de
glândulas, as secreções produzidas pelos osmóforos não são visíveis,
mas altamentc voláteis.
144
cm
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Biologia floral e morfologia polínica de Q. amara L.
No teste de pigmentação, as pétalas vermelhas submetidas ao
vapor de hidróxido de amónia adquiriram uma tonalidade azul escura
em 2 minutos, indicando a presença de antocianinas.
ASPECTOS PALINOLÓGICOS
Morfologia polínica
Os grãos de pólen de Q. amara L. são médios, isopolares, simetria
radial, forma subprolata, âmbito variando de subtriangular a quadrangular,
3(-4)-colporados, longicolpados, parassincolpados, de superfície punctada
ao nível do apocolpo e micrometiculada nos mesocolpos. A endoabertura
é lalongada. De acordo com Erdtman (1969) esta variação no número
de aberturas do grão de pólen está relacionada com dimorfismo polínico.
P= 42,4 ± 0,1 (39-44)mm; E= 34,1 ± 0,41 (32-3 8)mm; P/E= 1,24;
NPC=345; DL= 0,95mm A sexina (2,88mm) é um pouco mais espessa
que a nexina (l,92mm) (Figuras 8 e 9).
Erdtman (1952) descreveu os grãos de pólen da família como
3-colporados, oblatos-prolatos, com seu maior eixo medindo 42mm e o
de Q. amara como 3-colporado, ângulo-apcrturado, suboblato, sexina
da mesma espessura da nexina, ou ligeiramente mais fina. Ainda Erdtman
( 1 969), o pólen de Quassia africana é goniotremado e tricolporado. Para
Salgado-Labouriau (1973) os grãos de pólen da família Simaroubaceae
apresentam geralmentc 3-colporos, a forma varia de oblata a prolata, o
âmbito é mais ou menos circular; a sexina é reticulada às vezes com
estrias ou padrão LO e o diâmetro maior de 15-45 mm.
De acordo com Juárez-Jaimes & Martinez-Mcna (1992) o pólen
de Q. amara é tricolporado, suboblato, de colpos com membranas lisas,
exina semitectada, microestriada e simplesbaculada com cerca de
36,5mm de eixo polar. O mesmo autor considera a família
Simaroubaceae estenopolínica por apresentar características uni formes
quanto ao padrão morfológico.
145
cm
SciELO
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
Erdtman (1952) e Juárez-Jaime & Martinez-Mena (1992) apesar
de terem usado nomenclaturas diferentes para descrever os grãos de
pólen de Q. amara, obtiveram resultados semelhantes. A presença neste
trabalho de grãos de pólen 3(-4)-colporados de forma subprolata,
diverge dos autores acima referidos. Houve também divergência quanto
ao padrão de superfície, descrita neste trabalho como punctada a
microrreticulada e citada por Juárez-Jaime & Martinez-Mena (1992)
como microestriada, simplesbaculada.
Viabilidade dos grãos de pólen
Os grãos de pólen apresentaram índice de viabilidade satisfatório
até um dia após a antese. O pico de viabilidade foi observado em flores
recém-abertas, nos horários próximos à abertura das anteras, entre 1 1 c
14 horas (Tabela 3). Botão em pré-antcse não apresenta viabilidade e,
na flor de dois dias, esta é praticamente negativa (Figura 1 0).
Tabela 3. Percentagem média dos grãos de pólen viáveis de Q. amara em diferentes
horários.
Horário
Fases da Flor
Flor recente antese
Flor de um dia
Flor de dois dias
8:00
0
56,55 ± 2,47
6,67 ± 7,43
10:00
0
70,99 ±3,19
2,54 ± 4,09
11:00
86,51 ± 3,54
50,12 ±7,33
3,14 ± 3,34
12:00
93,35 ±3,19
47,06 ± 2,04
3,21 ±3,87
14:00
87,39 ± 6,69
71.53 ± 1.64
0.81 ± 1,45
16:00
53,64 ± 15,92
66,77 ±9,31
1,76 ±2,38
17:00
50,11 ± 7,34
57,04 ± 4,86
1,63 ±2,20
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cm
SciELO
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Biologia floral e morfologia polínica de Q. amara L
I"iguia 8 - P(Mcn dc Q. amara. ML: a) VP, pólen 3-colporados ornamentação da
exina, ao nível dos mesocolpos; b) Idem, ao nível do apoeolpo; c) VE, corte ótico;
tl) Idem, ornamentação da exina, ( 1250x); e) VP, pólen 4-colporados, corte ótico;
0 Idem, ornamentação da exina, (950x).
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
Figura 9 - Pólen de Q. amam. MEV: a) Vista geral, (150x); b) VP, aspecto dos
colpos e ornamentação dos mesocolpos e apocolpos, (2000x); c) VE, detalhes do
colpo e ornamentação do mesocolpo, (5000x).
-♦--Flor
recente
antese
— — Flor de 1
dia
Flor de 2
dias
HORA
Figura 10 - Avaliação gráfica da viabilidade do pólen de Q. amara.
148
Biologia floral e morfologia polínica de Q. amara,
Razão pólen/óvulo
Q. amara, com cerca de 360.666,67 grãos de pólen por flor,
apresenta razão pólen/óvulo de 7.213,33 ± 58.121, enquadrando a
espécie como xenogâmica obrigatória. De acordo com Cruden (1977)
as espécies xenogâmicas que apresentam razão pólen/óvulo num
intervalo de 2.108,0 -195.525,0 são dependentes de polinizador e
protândricas. Entretanto, o referido autor cita que espécies xenogâmicas
podem se apresentar como xenogâmicas facultativas, na ausência de
polinização cruzada ou quando há algum tipo de adaptação. Estes fatos
alteram as características da planta, que passa a se comportar como
autocompatível, protogínica e raramente dependente de polinizador.
Os testes de autopolinização indicaram que a planta é capaz de se
autopolinizar e produzir frutos, sem necessariamente depender de um
polinizador. Os resultados dos testes preliminares de autopolinização
mostraram que das 25 inflorescências envolvidas, 9 desenvolveram
frutos e produziram sementes.
Visitantes e/ou polinizadores
Do ponto de vista dos agentes de polinização, as flores atraem os
visitantes oferecendo-lhes pólen e néctar. Os beija-flores demonstram
ser visitantes que não costumam aparecer com assiduidade e pontualidade
compatível com a função de polinizadores efetivos ou legítimos. Foram
registradas 7 visitas, das quais, 5 ocorreram no penodo da tarde. O tempo
de visita por flor não ultrapassava 5 segundos. Raramente essas aves
visitam a área nos dois turnos do mesmo dia. Costumam inserir o bico
apenas uma vez na mesma flor, momento este em que os órgãos
reprodutivos, anteras e estigma, ficam livres, em contato com a região
frontal da cabeça do beija-flor. Essas aves visitam também outras flores
de diferentes plantas. As flores por eles visitadas não formaram frutos.
De acordo com Baker et al. ( 1 998) as flores que apresentam pétalas
vermelhas estão associadas com a polinização feita por pássaros, como
o beija-flor, devido ao fato da maioria dos insetos não enxergarem o
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liol. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. I8( I }, 2002
vermelho vivo e forte. Estas flores vermelhas formam nichos ecológicos
desocupados e atrativos para os pássaros que não são capazes de
visualizar a cor vermelha.
Trigona fulviventris (Guerin 1834), Hymenoptera, Apidae,
espécie de abelha que visita as flores de Q. amara L. é exclusivamente
pilhadora de néctar, pois retira o néctar sem polinizar as flores (visita
“ilegítima”). Estava sempre presente na área, sendo mais frequente a
partir das 10 horas, horário em que aumenta a produção e a
concentração de açúcar no néctar. Essas abelhas caracterizam-se por
perfurarem a base das pétalas com suas peças bucais, formando
orifícios para roubar o néctar. São capazes de perfurar os sacos de
plástico menos resistentes que protegem as flores nos experimentos.
As abelhas costumam visitar as flores desde a antese até o término da
produção de néctar. Janzen (1983) relata que esta espécie é frcqüente
nas florestas tropicais úmidas do México (Península de Yucatan), Costa
Rica e Brasil. Seu tamanho varia de 5-6,5 mm e sua coloração
característica é negra, com faixas cor de laranja no abdômen. Vive
em colônias c pode fazer ninhos subterrâneos na base das árvores.
Prefere as plantas ricas em substâncias químicas. O referido autor
cita ainda que na Costa Rica, T. fulviventris é frcqüentemcnte
encontrada nas flores de Q. amara. Roubik (1989) comenta que a
pequena T. fulviventris tem sido amplamentc divulgada como uma
praga dos pomares c se encontra cxclusivamente como pilhadora de
Q. amara.
Além das abelhas, foi verificada também uma elevada frequência
de formigas do gênero Pheidole sp. na área de estudo. Essas se
caracterizam pelo comportamento agressivo e tcmtorialidadc na disputa
pelo néctar com as abelhas.
Nenhum outro tipo de visitante ou polinizador foi detectado na
área, no horário em que foram feitas as observações no decorrer deste
estudo.
150
cm
SciELO
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Biologia flora! e morfologia polink a de Q. amara L
CONCLUSÕES
Quassia amara L. é uma espécie que apresenta grande potencial
para aproveitamento econômico devido às suas propriedades medicinais e
inseticidas. E típica dos bosques tropicais e mostra-se muito bem adaptada
a ambientes de cultivo. É fortemente influenciada pela estação chuvosa,
que altera a fisiologia de seus caracteres palinológicos, induzindo também
a diminuição ou até mesmo a perda da fertilidade dos seus caracteres sexuais,
o que inviabiliza qualquer estudo relacionado à reprodução.
Apresenta flores tubulosas, bissexuadas, que ofertam pólen e
néctar como recompensa aos visitantes. Acredita-se que a corola
tubulosa seja uma adaptação da planta para evitar a evaporação do
néctar, o qual é produzido continuamente até o término do ciclo de
vida da flor. A concentração de açúcar aumenta à medida em que o
néctar é produzido e acumulado na base das pétalas.
O amadurecimento do gineceu antes do androceu caracteriza um
estado de protoginia na flor. A protoginia é considerada um tipo de
dicogamia, e estabelece uma nítida separação das funções masculinas
e femininas. Contudo, devido ao fato de haver um sincronismo entre o
período mais receptivo do androceu, com produção, liberação e
viabilidade do pólen, e do gineceu, com receptividade do estigma, pode-
se inferir que estas funções não estão precisamente separadas em
Q. amara. Neste caso, não há separação temporal das funções sexuais,
e a dicogamia deve ser analisada como um fator de garantia na fertilização.
Apesar das flores de Q. amara possuírem osmóforos, estes
aparentemente são pouco ativos, uma vez que a reação com o vermelho-
neutro é muito fraca. Acrcdita-sc que o reconhecimento da flor, a curta
distância pelas abelhas, se faz pela visão do conjunto de anteras
amarelas, e também pela atração ao néctar.
Com base no desenvolvimento de testes rápidos e eficientes é
possível detenninar a viabilidade das estruturas reprodutivas. A resposta
enzimática aos testes é alta, revelando intensa atividade protoplasmática.
151
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liol. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. IS(I), 2002
A viabilidade do pólen demonstra ser significativa até 1 dia após a
antese. A fase de flor em recente antese, representa o momento ideal
para avaliação das condições reprodutivas da planta. É importante
esclarecer porém, que análises complementares utilizando testes
germinativos são excelentes subsídios para fins comparativos.
A descrição polínica obtida confere com alguns autores e discorda
de outros, principalmente com relação à presença de grãos de pólen
3(-4) colporados. De acordo com a literatura, a ocorrência de
dimorfismo polínico é resultado de hibridização. Outro fator divergente
refere-se ao padrão de ornamentação da exina, aqui citada como
punctada, no apocolpo, e microrreticulada, no mesocolpo. Nos
trabalhos anteriores já citados, os grãos de pólen são descritos como
3-colporados de superfície microestriada, simples baculada.
O alto valor da razão pólen/óvulo sugere que a espécie se apresente
como xenogâmica obrigatória. Porém, os testes reprodutivos preliminares
c também a característica pulverulenta dos grãos de pólen, que facilita a
autopolinização, indicam que a planta é capaz de se autopolinizar. Estes
indícios levam à hipótese de que, pelo fato de Q. amara apresentar
alterações no mecanismo de polinização cruzada e que a associação das
flores com o polinizador não é bem sucedida, a espécie encontra estratégias
para se adaptar e se autofecundar. Mesmo que um estudo fenológico
sistemático não tenha sido feito, foi possível constatar que a espécie
frutifica, independente da ação de um agente polinizador.
Trigomi fulviventris tem presença marcante nas flores de Q. amara.
Por ser exclusivamente pilhadora de néctar, é considerada visitante
ilegítima e não interfere na polinização.
Apesar de Q. amara produzir grandes quantidades de recursos e
apresentar todos os atributos florais co-adaptados que assegurem a
síndrome de polinização omilófila, o beija-flor em área cultivada, não
foi considerado um polinizador efetivo. As flores tubulosas, o néctar e
a cor vermelha das pétalas, apesar de estabelecerem uma relação
152
cm
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Biologia floral e morfologia polínica de Q. amara L
altamente específica provavelmente foram influenciados por fatores
externos, como a localização da área próximo ao tráfego de carros e
pedestres e a presença de outros pássaros em plantas próximas. É provável
que em área natural, o beija-flor atue como um polinizador efetivo. Desse
modo, sugere-se que um estudo posterior seja desenvolvido em área de
ocorrência natural e também que o cultivo de Q. amara seja implantado
em locais isolados, longe dos fatores externos acima citados.
Se a polinização não ocorre, as flores iniciam mudanças rápidas e
gradativas que envolvem redução expressiva da receptividade do
estigma, da viabilidade do pólen, e da produção de néctar, colapso e
abscisão da corola, até que a senescência seja completa finalizando o
ciclo de vida da flor.
Dada a grande importância da utilização das plantas como
alternativas reais para a geração e o aproveitamento dos recursos
naturais, Q. amara tem gerado expectativas tanto no mercado agrícola,
por ser uma alternativa ao controle de pragas, diminuindo a
contaminação ambiental, como na busca de novos agentes terapêuticos.
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Aprovado cm: 16.02.02
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CDD: 634,956
DINAMICA DE REFLORESTAMENTOS VISANDO
A RESTAURAÇÃO DA PAISAGEM FLORESTAL
EM ÁREAS DE MINERAÇÃO NA AMAZÔNIA'
2
Rafael de Paiva Salomão'
Aires Henriques de Matos
2
Nelson de Araújo Rosa
RESUMO - Na região de Porto Trombetas, Oriximiná (PA), a
Mineração Rio do Norte ( MRN), promove a lavra da bauxita desde a
década de 70. De acordo com o meta anual de produção é desmatada
uma área que varia de 120-150 ha/ano. Após a lavra, inicia-se o
processo de restauração da paisagem florestal, através do
rejiorestamento com espécies arbóreas da Amazônia. O ecossistema
artificial, formado após a lavra da bauxita, pode ser considerado
como o extremo da degradação ambiental, pois teve as propriedades
físicas, químicas e biológicas profundamente alteradas.
Fisionomicamente, os reforestamentos têm-se mostrado promissores.
Contudo, os parâmetros para uma avaliação mais precisa sob a ótica
científica e empresarial não eram conhecidos. O monitoramento então
é indicado como forma de diagnosticar e subsidiar os diversos
procedimentos de recuperação das áreas degradadas pelas atividades
intrínsecas da mineração. O Programa de Monitoramento Ambiental/
MRN, iniciado em J996, objetivo, entre outros, monitorarar
anualmente as plantações florestais. Neste trabalho, analisa-se a
dinâmica desses reflorestamentos, no período compreendido entre
os dois anos iniciais da pesquisa dos plantios anuais de 1981 a 1987
e de 1992 a 1996. Nos reflorestamentos de 8! a 87 foram implantadas
2 parcelas permanentes (25xI0m), nos de 92, 94 e 95, 3 parcelas, no
de 93, 4 parcelas c no de 96 (início da pesquisa) 25 parcelas,
totalizando 52 paicclas (1,3 ha). Foi lançada I parcela em área sem
' Traliallio |■marlciado pelo l’rograma de Moniloramento Ambiental, Mineração Rio do Norte-MRN.
^ M(T/Museu Paraense Pmílio (ioeldi. Coordenação de Holânica. C.P. 399. 66040-170, lielcbn-
PA. saloniao@museu-goeldi.hr
’ UPKA-Univcrsidade I-ederal Rural da Amazônia. Av. Tancredo Neves. 2501, 66077-530,
llel(ím-PA.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
adição de solo superficial nos plantios de 92/94/95 e 2 parcelas nos de
93/96. Os parâmetros calculados foram: ( i) a diversidade e a abundância,
(ii) a mortalidade corrente anual, (iii) o crescimento diamétrico e
correspondente incremento corrente anual, (iv) o incremento corrente
anual da área bascd. Houve uma diminuição do número de espécies
monitoradas nos reflorestamentos em 92, 94 e 96 de 2, 2 e 17 espécies,
respectivamente. O número de indivíduos monitorados manteve-se
constante, no período analisado, somente nos plantios de SI, 84 e 86,
nos demais diminuiu. A mortalidade nos plantios onde foi usado solo
superficial, para cpiaisqucr das idades analisadas, foi sempre inferior a
I07c; contrariamente ao obsenmlo nos plantios sem solo superficial -
à exceção do ano de 1994 que foi de 2,1%. O incremento do crescimento
diamétrico, na década de 80, variou de +0,27% (em 1982) a +7,05%
(1984). Já para a década de 90 esta variação do incremento foi de
+ 11,04% a +166,32% (1996), para reflorestamentos com solo
superficial; naqueles reflorestamentos onde não se usou solo superficial
os limites foram de +15,52% (1994) a +I92,3l%( 1996). O incremento
corrente da área basal foi positivo em praticamente todos os anos (com
ou sem solo superficial) à exceção de 1982.
PALAVRAS-CHAVE: Reflorestamento heterogêneo. Parcela
permanente. Dinâmica florestal. Restauração florestal. Área degradada.
Mineração bauxita, Amazônia.
ABSTRAT - Mineração Rio do Norte (MRN) has been niining bauxite
since tlie 1970s in tlie Porto Trombetas, Oriximiná (PA) region.
According to its production scliedule, an area averuging 120 to 150
ha/year is laid waste. As soou as mining is through, tlie process of
restoringfore.st landscape is started, by means of reforestation witli
tree species from tlie Amazon. The artificial ecosysteni resulting froni
bauxite mining may be considered as being tlie iitmost ofenvironment
degradation, as physical, Chemical and biologic properties havc been
profoundly altered. lo physiography, reforestation has proved to
be promising. Ilowever, there were no e.stablished parameters for
scientific or managerial evaluation. Monitoring was then indicated
as a means for diagnosis and assistance of the divers procedures for
recovering areas degraded by mining activities. lhe MllN/Prot-ram
of Environniental Monitoring which was started in 1996 ainis at the
yearly monitoring offorest plantations. In this .study, the dvnamics of
reforestation procedures undertaken in lhe flrst two years of the
research, nainely plantations of 1981 through 1987 and 1992 through
1996, are analyzcd. In the 81 to 87 procedures, 2 pernianent píots
(25xI0m) were iniplanted. In 92, 94 and 95, 3 plots. In 93, 4 plots. and
in 96 (bcginning of research) 25 plots, adding iip to 52 plots ( 1.3 ha).
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Dinâmica de reflorestamentos visando a restauração da paisagem...
hl tlie years of 92, 94 and 95, 1 plot was laimched in an area witii no
addition of siirface soil, and in the years of93 and 96, 2 sucli plots.
The paraineters calcidated were: (i) diversity and abundance, (ii)
current yearly mortality, (iii) diameter growtli and corresponding
current yearly increase, (iv) annual current increase of basal area.
There was a decrease in nuniber of species being monitored in
reforestations undertaken in 92, 94 and 96, respectively of 2, 2 and
17 species. The niimber of individuais being monitored remained
unchanged only in the plantings ofSl, 84 and 86 - it decreased in the
reinaining ones. Mortality in plantings in areas with surface soil, for
all ages under analysis, was always lower than I07c, as opposed to
what was observed in plantings with no surface soil - except for the
yearof 1994, when the rate was 2.1%. Increase in growth of diameter
in the I980s ranged from +0.27 (in 1982) to +7.05% (in 1984). But in
the 1990s it ranged from +11.04% to + 166.327o (in 1996), in
reforestations with surface soil; where no surface soil was added,
limits ranged from +15. 527c (1994) to + 192.3 17o (1996). Current
increase in basal area was positive in practically all years of the
study (with or without addition of surface soil) excepting 1982.
KEY WORDS; Heterogeneous reforestation, Permanent plot, Forest
dynamics, Forest restoration, Degraded area, Bauxite mining, Amazon.
INTRODUÇÃO
Na região dc Porto Trombetas, munieípio de Oriximiná (PA), a
Mineração Rio do Norte (MRN), promove a lavra a céu aberto da
bauxita desde a década de 70. O minério encontra-se no subsolo de
uma área coberta pela floresta tropical densa, da sub-região dos baixos
platôs da Amazônia, domínio da floresta densa das baixas altitudes
cuja fisionomia apresenta dois estratos distintos: um emergente e outro
uniforme. Trata-se de uma floresta que se destaca no bioma amazônico
por apresentar alta diversidade arbórea e valores altíssimos de biomassa
(Salomão & Santos 1997, Salomão eí al. 1999) e, também, elevado
volume de madeira de grande valor comercial (Projeto Radambrasil
1976).
Para a extração da bauxita é necessário remover toda essa
vegetação, pois a mesma encontra-se entre 4-6 m de piolundidade. De
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hol. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
acordo com a meta anual de produção, a empresa desmata uma área
que varia de 120 a 150 ha por ano. Após a lavra, inicia-se o processo
de restauração da paisagem florestal, através do reflorestamento com
espécies arbóreas quase que exclusivamente nativas da Amazônia,
conforme experiências já bem sucedidas relatadas por Carpanezzi et
cil. (1990a) e Kageyama (1992). Deve-se atentar para o fato de que
se considera que o ecossistema artificial, formado após a lavra da
bauxita, pode ser considerado como o extremo da degradação
ambiental, pois teve as propriedades físicas, químicas e biológicas
profundamente alteradas, sendo superados somente pelo ambiente
formado nos ‘lagos de rejeito’ e estudados por Franco et al. (1992).
O paradigma desses reflorestamentos deve nortear-se pela restauração
da paisagem florestal, no menor espaço de tempo possível e ao menor
custo, propiciando o máximo de acumulação de biomassa, aliada a
uma alta biodiversidade, de tal forma que os benefícios sociais e
ecológicos da recuperação das áreas degradadas pela mineração a
céu aberto, em regiões originalmente cobertas por florestas tropicais
amazônicas sejam otimizados quer pela instalação de sistemas
agroflorestais (Wandelli et al. 1997) ou pela conservação ambiental
em si (Carpanezzi et al. 1990b).
Fisionomicamente, os reflorestamentos mistos ou heterogêneos
executados pela empresa, a partir de 1 98 1 , têm-se mostrado promissores.
Contudo, os parâmetros para uma avaliação mais precisa, sob a ótica
científica c empresarial dos reflorestamentos não eram conhecidos (Barth
1 989). Assim sendo, o monitoramento desses refiorestamentos é indicado
como forma de diagnosticar e subsidiar os diversos procedimentos de
recuperação das áreas degradadas pelas atividades intrínsecas da
mineração. Obviamente, estudos da físico-química c da biologia do solo
c dos organismos vivos que afetam diretamente a sueessão (dispersores
de sementes), refletindo num maior ou menor grau da biodiversidade
desses ecossistemas artificiais, são de extrema importância c têm também
que ser estudados numa escala temporal. Para atender a essas premissas.
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Dinâmica de reflorestamentos visando a restauração da paisagem...
teve início em 1996, o Programa de Monitoramento Ambiental/MRN
que, entre outros, objetiva monitorar as plantações florestais desenvolvidas
pela empresa desde 1981.
Para se conhecer a dinâmica desses reflorestamentos, parcelas
permanentes foram então instaladas nos plantios de cada ano bem
como na floresta tropical primária que ali se encontra (Salomão et
al. 1997) - as informações obtidas no estudo da floresta primária
visam a subsidiar as decisões acerca das técnicas silviculturais de
produção e restauração das áreas degradadas (Davide 1994;
Rodrigues & Gandolfi 1996; Salomão et al. 2000), prover um
estoque de sementes das espécies empregadas - já identificadas
cientificamente - e permitir avaliações comparativas da dinâmica
dessas florestas primárias em contraposição aos reflorestamentos.
O estudo da dinâmica dos reflorestamentos teve início em 1996,
envolvendo o monitoramento dos plantios efetuados nas décadas
de 80 e 90.
Quais são as espécies florestais que melhor se adaptaram às
condições ambientais de pós-lavra da bauxita nos reflorestamentos
em Porto Trombetas? Quais são aquelas que não são aptas às
condições vigentes do novo ecossistema artificial a restaurar? Alguns
estudos abordando estas questões são apresentados por Guedes et
al. ( 1997 ), Barbosa í?r a/. (1997a,b), Drumonde/a/. (1997), Marques
et al. ( 1 997) c Salomão & Rosa (2000).
O estudo da dinâmica dos reflorestamentos teve início cm 1996,
envolvendo o monitoramento dos plantios efetuados nas décadas de
80 c 90. Neste trabalho, analisar-se-á a dinâmica dessas plantações
florestais no período compreendido entre os dois anos iniciais da
pesquisa (1996 c 1997) com objetivo de avaliar a restauração da
paisagem florestal cm áreas degradadas pela atividade de mineração
de bauxita a céu aberto.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
METODOLOGIA
Caracterização da área de estudo
Localização
A área de estudo está situada na Floresta Nacional Saracá-Taqüera,
subordinada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama), inserida na microrregião do Médio
Amazonas paraense, município de Oriximina, estado do Pará, onde se
encontra o projeto de mineraçao de bauxita da Mineraçao Rio do Norte,
no distrito de Porto Trombetas (1" 21' S - 56" 22’ W), município de
Oriximiná-PA. O Projeto de Mineração encontra-se a cerca de 100 km
a oeste da confluência do Rio Tombetas com o Rio Amazonas distando,
em linha reta, 450 km de Manaus a leste e 850 km a oeste de Belém.
Clima
O clima da região é o AFl que apresenta precipitação
pluviométrica média anual variando entre 2.500 mm e 3.000 mm. As
áreas sob influência desse subtipo localizam-se na porção nordeste e
oeste do estado. As áreas que apresentam esses valores pluviométricos
ocorrem predominantemente no litoral paraense, com penetrações para
o continente, no eixo Belém-Tailândia e, também, na direção nordeste-
sudoeste da ilha do Marajó. Além dessas, existem outras duas mais:
uma na confluência dos rios Tapajós e Juruena c a outra abrangendo as
partes média e baixa dos rios Trombetas e Nhamundá.
Como regra geral na Amazônia, o clima apresenta dois períodos
climáticos distintos: inverno, de dezembro a maio, quando ocoiTem as
maiores precipitações pluviométricas e, verão, de junho a novembro,
quando a estiagem é bem acentuada. De acordo com Sudam (1984) a
temperatura média, a precipitação pluviométrica, a umidade relativa e
a insolação anuais para região são de respectivamente: 26‘’C, 2. 197mm,
81% e 2.026 horas.
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Dinâmica de reflorestamenlos visando a reslaura{ão da paisagem...
Geologia
Na bacia amazônica os depósitos de bauxita são associados à série
Barreiras do Terciário, constituídos de arenitos, siltitos e,
ocasionalmente, conglomerados. As lateritas são encontradas no topo
dos platôs, fortemente dissecados pela erosão, remanescentes do
peneplano Terciário que estendem-se ao longo do lado nordeste do rio
Amazonas, desde as vizinhanças de Oriximiná até Jardilândia, no rio
Jari (Lapa 2000). Estes platôs são bem definidos, têm os topos planos,
achatados, cuja elevação varia de 70 a 120m, com altitude de 150 a
200m em relação ao nível do mar.
Solo e Geomorfologia
Predominam na área o latossolo amarelo distrófico, textura muito
argilosa e o latossolo amarelo distrófico textura argilosa, sob floresta
densa de relevo plano com bordos dissecados (Radambrasil 1976).
Geomorfologicamente a região encontra-se na unidade morfoestrutural
do planalto dissecado rio Trombetas - rio Negro, onde nas proximidades
da margem direita do rio Trombetas há relevos tabulares e ocoire a
exploração de bauxita (Radambrasil 1976).
Vegetação
A área acha-se inserida na região da floresta tropical densa, sub-região
dos baixos platôs da Amazônia, domínio da floresta densa das baixas
altitudes, cuja fisionomia rcferc-se à floresta localizada principal mente nos
platôs Terciários c Icreaços antigos c recentes, apresentando-se em dois
estratos distintos: um emergente e outro unifoime. As principais espécies
que caracterizam o estrato emergente são: Dinizia excelsa (angelim-j-iedra),
Bertholleíia excelsa (castanheira) e Ccdrelinga catanaefonnis (cedrorana).
O estrato uniforme é caracterizado pov Maiiilkara spp (maçarandubas),
Pmtiiiiii spp (breus) e Poiiíeria spp (abius). Trata-se de tlorestas com alto
volume de madeira de grande valor comercial. Comparada com outras
áreas florestais da Amazônia é uma das mais Ixilas com sub-bosque limpo,
boa regeneração natural e fácil penetração (Radambrasil 1 976).
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fí(fi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. }8{I), 2002
Método de amostragem
Os reflorestamentos analisados referem-se aos plantios anuais de 198 1
a 1987 e 1992 a 1996. Nos plantios florestais de 8 1 a 87 foram implantadas
duas parcelas permanentes, nos de 92, 94 e 95, três parcelas, no de 93,
quatro parcelas e no de 96 (início da pesquisa) 25 parcelas. Foi também
lançada uma parcela em área sem adição de solo superficial nos plantios de
92/94/95 e duas parcelas nos de 93/96. No total, foram implantadas 52 parcelas
permanentes ( 1 ,3 ha) - cada parcela tem 25m x lOm = 250 m^ ou 0,025ha.
Todos os indivíduos amostrados foram registrados, plaqucados e
identificados em laboratório (Herbário João Murça Pires (MG) do MPEG).
Mediu-se sempre o diâmetro ao nível do solo (DAS) de cada indivíduo
registrado; o DAP (diâmetro a l,30m do solo) também o foi desde que se
apresentasse - os diâmetros eram medidos com fita diamétrica ou paquímetro
quando eram muito pequenos. A altura total era estimada através de varíis de
alumínio com 2 e 5 metros de comprimento, subdivididas em cm - maiores
detalhes dos procedimentos de campo, ver Salomão et al. ( 1 997).
Os parâmetros calculados foram: (i) a diversidade e a abundância cm
cada ano de monitoramento, (ii) a mortalidade corrente anual, (iii) o
crescimento diamétrico e con-espondente incremento coircnte anual, (iv) o
incremento comente anual da área basal. A mortalidade coircnte anual,
doravante tratada simplesmente como mortalidade, é entendida como sendo
o número de indivíduos mortos durante o período de um ano, neste caso
de 1996 a 1997. O crescimento diamétrico rcfcrc-sc ao crescimento do
diâmetro basal (DAS) c/ou DAP. O incremento coircnte anual da área
basal (ICA^„) rcfcre-sc também ao período considerado. As análises destes
parâmetros levam cm consideração: ( 1) o ano de plantio; (2) a colocação
ou não de solo superficial no preparo da área anual de plantio c, (3) as
técnicas silviculturais empregadas no ano do plantio cm questão.
* Solo superficial, rcfcrc-sc à serapilheira ipic í a camada superficial dc solos sob floresta,
consistindo dc folhas caídas, ramos, caules, cascas, frutos c sementes (equivalente ao horizonte
0 dos solos minerais) acrescida do horizonte A.
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Dinâmica de rcflorestamentos \nsando a restauração da paisagem...
Método de plantio
O preparo do solo é feito eom um trator de esteira Catteipilar
D-6 que primeiramente nivela o substrato. Em seguida, eaçambas com
capacidade de 6-8 m^ adicionam a ‘terra preta’, ou solo superficial, no
terreno de 2 em 2 metros. O trator a espalha superficialmente e com
um escarificador acoplado no hidráulico, demarca as linhas de plantio,
que eqüidistam em 2 metros.
Nas linhas de plantio as mudas são plantadas a cada 2 metros
(espaçamento de 2 x 2 m) perfazendo um total de 2.500 mudas por
hectare. A adubação só é praticada no plantio e constitui-se de uma
mistura homogeneizada por 10 minutos em betoneira, composta por
150 kg de NPK 4-14-8, 40 kg de termofosfato magnesiano (Yoorin),
18 kg de FTE BR 12 (micronutrientes Zn = 9%, Mg = 2%, B = 1%,
Mo = 0,1%, Cu = 0,8%, Fe = 3%). Por ocasião do plantio, em cada
cova são colocadas 40 g desta mistura de fertilizantes mais 40 g de
calcário (PRNT = 95%, CaO = 32%, MgO = 14%).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nos rcflorestamentos implantados entre 1981 a 1996, pela
Mineração Rio do Norte (MRN) na Flona Saracá-Taqüera/lbama, em
Porto Trombetas, foram registrados pelo monitoramento 3.066
indivíduos, totalizando 169 espécies distribuídas em 39 famílias. Este
número de espécies coirespondc a 66% do total de espécies (256)
plantadas nos rcllorestamentos até o ano de 1996 (Salomão etal. 1997).
Dessas 256 espécies utilizadas nos rcflorestamentos, Salomão et
al. (1997) fazem algumas considerações relevantes: {\) Cassia multijuga
(man-maii pequeno), Dipíenx magnifica (cumaai-rosa) c Uymenolobium
excelsiim (angelim-da-mata) foram plantadas em todos os anos analisados;
(2) outras cinco espécies só não foram plantadas cm um ano do período;
Aspiclosperma excclsnm (caraiíanaúba), Jacaraiula copaia (parapará),
Oenocarpiis mapora (bacaba), Parkia multijuga (paricá-grande) c
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Boi. Mu.'!. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
Tcipirira guianensis (tatapiririca); (3) 100 espécies foram plantadas em
apenas um dos anos do período analisado; (4) 23 espécies são exóticas
à floresta amazônica, sendo seis delas do gênero Eucalyptus.
Todas as espécies amostradas nos diversos anos de plantio, com
o respectivo número de indivíduos e o DAS medio, referentes aos dois
anos do monitoramento, acham-se listadas no Anexo 1. Houve uma
diminuição do número de espécies monitoradas nos reflorestamentos
com solo superficial em 92, 94 e 96 de 2, 2 e 17 espécies, respectivamente
(Tabela 1). Já nos plantios sem solo superficial, apenas no de 94 não
houve diminuição do número de espécies monitoradas. O número de
espécies variou, para mais ou para menos, em alguns anos de plantio devido
ao fato de na segunda mensuração e observação anual ter-se conseguido
identificar espécies que ficaram indeterminadas no ano anterior. O número
de indivíduos monitorados se manteve constante no período analisado,
somente nos plantios de 81, 84 c 86, nos demais diminuiu.
Considerando-se os reflorestamentos com solo superficial os
limites extremos médios do DAS foram de 10,35 cm (plantio de 1983)
e 12,32 cm (1987), para o ano 1; já no ano 2 estes limites foram de
10,66 cm (1983) c 12,50 cm (1987), ou seja, houve uma variação
positiva de 30% c de 1 ,5% destes limites, rcspcctivamcnte (Tabela 2).
O incremento do crescimento diamétrico, na década de 80, variou
de -1-0,27% (em 1982) a -1-7,05% (1984). Já para década de 90 esta
variação do incremento foi de +11,04% a +166,32% (1996), para
reflorestamentos com solo superficial; naqueles renorestamentos onde
não se usou solo superficial os limites foram de +15,52% (1994) a
+ 192,31% (1996). Analisando-se os plantios de 94, 95 c 96, com c
sem solo superficial, observa-se que pcrccntualmcntc os incrementos
diamétricos .são próximos entre si (Tabela 2). Todavia, cm termos
absolutos, tanto no ano 1 quanto no ano 2, estas médias diamétricas
são aproximadamente 1 ,6, 2,5 c 1 ,7 vezes maiores nas áreas com solo
superficial cm relação àquelas que não o têm.
166
cm
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Dinâmica de rejlorestamentos visando a restauração da paisagem...
o efeito do solo superficial nas áreas de plantio é essencial para o
desenvolvimento das mudas e, conseqüentemente, das futuras árvores.
E a matéria orgânica “entrando” num sistema francamente desestruturado
como o resultante das áreas reflorestadas após as atividades intrínsecas
da mineração. O retomo de matéria orgânica ao solo é essencial, e sua
aplicaçao se toma indispensável. Nas florestas tropicais, plantadas ou
piimárias, esse ciclo é dinâmico e ininterrupto. O principal efeito da
matéria orgânica é sobre a bioestrutura do solo. Neste sentido, a
incoiporação superficial de qualquer material celulósico é adequado; o
efeito conetivo sobre o pH ocome, desde que seja aplicado em condições
que favoreçam uma microvida, em parte, aeróbica — em condições que
não favorecem a microvida este efeito não ocorre (Piimavesi s.d.).
Em florestas plantadas, nos primeiros anos de vida, as mudas têm
um rápido crescimento — incremento com taxas crescentes — tanto do
diâmetro quanto da altura. Após alguns anos, o vigor do crescimento
diminui o ritmo -incremento com taxas decrescentes -estabilizando-se
numa certa idade da floresta com taxas uniformes de cr'escimcnto As
baixas taxas (positivas) do incremento diamétrico anual observadas na
década de 80 (Tabela 2) em contrrrposição às altas taxas da década de 90
podem ser explicadas pelas técnicas silviculturais adotadas nurn c noutr'o
momento. Na década de 80, a incorpor-ação do solo superficial nas áreas
a ser-em r-eflor-estadas er-a feita diferentemente de como atualmente o é.
Naqueles plantios, o solo superfrcial era incorporado ao solo estéril através
de um equipamento denominado “niotoscraper'. Ao incorporar o solo
superficial na ár-ca, o fazia ao longo de todo o perfil do solo. Às vezes a
camada ficava a alguns metros da superfície, noutras ficava superficial
(Figura 1). Desta forma, os plantios apr-esentam gr-ande variação no
crescimerrto das árvores. Já na década de 90, o solo superficial era
espalhado superficialmente por um trator de esteira, formando uma
camada de ± 20 cm de espessura. A adoção desta nova técnica aumentou
sensi velmeirte o crescimento dos novos rellor-estamentos, visualizado a
painir dos valores drr área basal (Tabela 3).
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
Tabela 1 - Dinâmica do número de espécies (N° spp) e de indivíduos (N" Ind.)
monitorados nas parcelas permanentes (N) dos reflorestamentos de 1981 a 1996,
com respectiva mortalidade. Porto Trombetas (PA).
Ano de
n
Ano !
:1996
Ano 2:1997
Mortalidade
Plantio
(250 m^)
spp.
N“ Ind.
spp.
N“Ind.
Corrente Anual
COM SOLO SUPERFICIAL
1981
2
14
67
14
67
0
1982
2
15
46
15
44
2
(4,3%)
1983
2
18
48
18
47
1
(2,1%)
1984
2
18
51
18
51
0
1985
2
18
68
18
67
1
(1,5%)
1986
2
24
44
24
44
0
1987
2
13
69
13
68
1
(1,4%)
1992
2
21
66
19
63
3
(4,5%)
1993
2
38
103
38
101
2
(1,9%)
1994
2
41
98
39
92
6
(6,1%)
1995
2
36
114
36
107
7
(6,1%)
1996
23
102
2.038
85
1.861
167
(8,2%)
SEM SOLO SUPERFICIAL
1992
1
19
77
17
68
9
(11,7%)
1993
2
25
134
20
120
14
(10,4%)
1994
1
17
47
17
46
1
(2,1%)
1995
1
21
49
17
35
14
(28,6%)
1996
2
36
168
31
126
42
(25,0%)
Um outro fator que contribuiu para um melhor crescimento das
plantas foi a melhoria da qualidade das mudas produzidas no horto
florestal da empresa. A padronização dos saquinhos plásticos das mudas,
aliada ao preparo de um substrato altamcntc equilibrado, com
fertilizantes químicos minerais e orgânicos, num pH adequado, c com
propriedades físicas (drenagem, acração, textura) adequadas,
otimizaram cm muito o vigor das mudas ali produzidas, com
consequentes reflexos no desenvolvimento dessas mudas no campo.
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Dinâmica de rejloreslamenlos visando a reslatiração da paisagem...
Certamente outro fator positivo introduzido foi a adoção de um maior
número de espécies arbóreas amazônicas usadas nos plantios florestais
(Salomão et a/. 1997).
Tabela 2 - Valores médios do diâmetro basal (DAS) e respectivo incremento, com e sem
solo superficial, nos diversos anos dos reflorestamentos em Porto Trombetas (PA).
ANO DE
MEDIADAS (CM)
INCREMENTO
PLANTIO
Ano 1: 1996
Ano 2: 1997
CORRENTE ANUAL (%)
COM SOLO SUPERFIC
[AL
1981
10,94 (8,32)
11,30 (8,56)
+ 3,29 (+2,88)
1982
10,95 (7,69)
10,98 (7,77)
+ 0,27 (+ 1,04)
1983
10,35 (8,07)
10,66 (8,34)
+ 3,00 (+3,35)
1984
10,50 (8,63)
11,24 (8,85)
+ 7,05 (+2,55)
1985
11,14 (9,08)
11,55 (9,32)
+ 3,68 (+2,64)
1986
10,99 (8,80)
11,42 (9,06)
+ 3,91 (+2,95)
1987
12,32 (8,78)
12,50 (8,98)
+ 1,14 (+2,28)
1992
5,89
6,54
+ 11,04
1993
4,34
5,25
+ 20,97
1994
4,77
5,51
+ 15,51
1995
3,53
4,87
+ 37,96
1996
0,95
2,53
+ 166,32
SEM SOLO SUPERFICIAL
1992
1,96
2,82
+ 43,88
1993
1,53
2,09
+ 36,60
1994
2,90
3,35
+ 15,52
1995
1,46
1,91
+ 30,82
1996
0,52
1,52
+ 192,31
Nota: Os números entre cochetcs rcferem-se ao DAP (diâmetro a 1,30 m do solo)
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18( I), 2002
A área basal (AB) é um importante parâmetro para a caracterização
da estrutura de uma floresta - plantada ou primária. Neste trabalho,
adotou-se como procedimento metodológico medir sempre o diâmetro
da planta (muda, arvoreta ou árvore) ao nível do solo (DAS) e, quando
a planta o apresentasse, também o DAR Conseqüentemente, a área
basal foi calculada em função de ambas as variáveis (Tabela 3).
As altas taxas de incrementos anuais observadas nos
reflorestamentos da década de 90, com ou sem solo superficial, eram
esperadas, pois o crescimento das mudas nos primeiros meses é mais
vigoroso; à medida que os nutrientes do torrão (volume de solo oriundo
do horto) vão se esgotando, o crescimento da muda diminui. Todavia,
como explicar então os elevados percentuais do dos plantios
sem solo superficial (exceto o ano de 1995) em relação àqueles, de
mesmo ano, com solo superficial? Como dito na Metodologia, o
diâmetro mensurado era sempre o diâmetro basal ou diâmetro ao nível
do solo (DAS) e o DAR quando se apresentava. No intervalo de um
ano pôde-se observar que naquelas áreas onde não se aplicou a camada
de solo superficial, a erosão laminar foi bem mais intensa. As marcas
nos piquetes de madeira que delimitam as parcelas evidenciam tal fato.
Então, no ano 2, a medida do diâmetro foi feita um pouco mais abaixo
que no ano anterior e como a planta tem diâmetro maior na região do
coleto, esta medida superestimou o diâmetro. Já naquelas áreas com
solo superficial a erosão é bem inferior, quase imperceptível, a partir
do segundo ano de plantio pois a vegetação, tanto o reflorestamento
em si quanto a sucessão natural, já cobre todo o solo (Salomão et al.
1998). Talvez, para este tipo de estudo seja mais prudente tomar a
medida do diâmetro a p.ex: 10 cm acima do solo.
170
cm
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Dinâmica de refloreslameiUos visando a restauração da paisagem...
Tabela 3 - Valores da área basal em função do DAS e do DAP, com o respectivo
incremento anual, nos reflorestamentos de diversas idades, Porto Trombetas (PA).
ANO DE
ÁREA BASAL (M2*H A- 1 )
INCREMENTO CORRENTE
PLANTIO
ANO 1: 1996
ANO 2: 1997
ANUAL área basal (%)
COM SOLO SUPERFICIAL
1981
15,93 (8,97)
16,51 (9,43)
-1-3,64 (-1-5,13)
1982
10,35 (4,26)
10,13 (4,19)
-2,13(-r 1,64)
1983
10,02 (5,46)
10,44 (5,82)
-f-4,19(-H 6,59)
1984
11,41 (7,25)
12,95 (7,67)
-1- 13,50 (-1-5,79)
1985
16,99 (10,40)
17,96 (10,62)
-1-5,71 (0-1-2,12)
1986
11,38 (6,33)
12,18 (6,71)
-1- 7,03 (-1- 6,00)
1987
26,73 (13,20)
28,97 (13,61)
-t- 8,38 (-1-3,11)
1992
7,24
8,47
-t- 16,99
1993
6,05
8,22
-1- 35,87
1994
5,30
6,55
23,58
1995
3,09
5,56
-f 79,94
1996
0,39
2,32
-1- 494,87
SEM SOLO SUPERFICIAL
1992
0,15
0,27
-H 80,00
1993
0,97
1,44
-1- 48,45
1994
1,57
2,12
-t- 35,03
1995
0,43
0,47
■f 9,30
1996
0,10
0,61
510,00
* Os números entre colchetes referem-se aos valores de
função do DAP.
área basal calculada em
171
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeidi, sér. Boi. 18(1), 2002
Figura I - Perfil de solo preparado como o equipamento nioto.scmper. A régua
metálica tem 2,0 metros de comprimento. Observar que em A a área demarcada e
ampliada, em setas apontam para restos orgânicos de galhos, tocos, troncos, raízes
e porções de terra-preta - tudo isto entre 2 e 4 metros de profundidade na Mina
Saracá, Porto Trombetas (PA).
Analisando-sc a área basal, em função do DAP, nos
refloreslamentos da década de 80, observa-se, para quaisquer dos
anos monitorados, uma variação atípica. O maior valor de área basal
(13,61 m2*ha ) ocorreu num rcflorcstamento com 10 anos de idade
(ano de plantio: 1987) enquanto que o rcflorcstamento mais antigo
(1981), com 16 anos de idade, apresentou 9,43 m^*ha '. lal variação
ocoiTCU, sobretudo, pelas técnicas silviculturais observadas àquela época
de plantio, ou seja, no ano de 87 a empresa plantava linhas homogêneas
de uma mesma espécie. Uma das espécies muito plantadas foi o
Sclemlohiiim paiiiciilatiiiii - Cacsalpiniaccac (tachi-do-campo) que tem
um crescimento anual muito expressivo (Anexo 1 ), daí os altos valores
desses pantios cm relação aos demais.
172
Dinâmica de reflorestamentos visando a restauração da paisagem...
O incremento eorrente da área basal (Tabela 3), é positivo em
praticamente todos os anos (com ou sem solo superficial) à exceção de
1982. Contrariamente, o incremento médio anual, que é o diferencial
entre crescimento total dividido pela idade total, nos anos analisados
não o é, ou seja, é negativo para todos os anos, à exceção de 1983
quando se equivalem. Essa tendência observada necessita de futuras
mensurações anuais para se confirmar.
Quanto maior a área basal de uma determinada floresta, maior será
a produção/acumulação de biomassa. Em relação aos demais ecossistemas
antrópicos da Amazônia, como se comportam estes re florestamentos no
tocante a acumulação de biomassa? Esta intemogação pode ser em parte
respondida através da avaliação da área basal. Em uma floresta secundária
originada após o abandono dos tratos sil viculturais de uma plantação de
seringueira, com aproximadamente 50 anos, no planalto de Belteira,
município de Santarém (PA). Oliveira & Silva (1995) calcularam uma
área basal de 21,2 m^*ha 'para indivíduos com DAP> 5,0 cm. Na mais
antiga área de colonização agrícola da Amazônia brasileira - a região
Bragantina, no nordeste do Pará - submetida a mais de uma dezena de
ciclos de corte - queima - plantio - abandono, desde o final do século
passado, (Vieira et aí. 1998, Salomão et al. 1998) estimaram para
capoeiras (florestas secundárias) de 5, 10 e 20 anos uma área basal de
4,0 m^*ha ‘, 10,9 m2*ha-'e 17,5 m^^ha ', respectivamente. Em pastagens
de uso intensivo a moderado abandonadas com até 8 anos de idade, em
Paragominas (PA), Uhl et al. (1988) observaram valores de biomassa
inferior àquele observado por Salomão (1998) para capoeiras de 5 anos
(anteriormente referida) que foi de 13,1 t*ha '.
As capoeiras estudadas por Salomão et al. (1996, 1998) e Vieira
et al. ( 1 996) assim como as pastagens avaliadas por Uhl et al. ( 1 988) são
exemplos de grande degradação llorestal, em consequência da atividade
antrópica e não servem como “padrão” para a Amazônia e sim para um
“alerta”. Todavia, se comparados os resultados destes estudos com os dos
renorestamentos executados cm solos extremamente degradados (físico,
químico c biologicamente) como o são os resultantes da atividade de
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
mineração, percebemos que estes resultados parciais podem ser
considerados promissores no que tange à produção/acumulação de
biomassa (Figura 2), sobretudo se se observa os resultados dos
reflorestamentos da década de 90 quando as novas práticas silviculturais
adotadas contribuem para um melhor desenvolvimento das plantas.
Idade (anos)
Figura 2 - Estimativas da área basal em reflorestamentos de 10 a 16 anos em Porto
Trombetas (PA), eapoeiras de 5, 10 e 20 anos em Peixe-Boi (PA) e floresta seeundária
de 50 anos em Belterra (PA).
A mortalidade nos plantios onde foi usado solo superficial, para
quaisquer das idades analisadas, foi sempre inferior a 10%;
contrariamente ao observado nos plantios sem solo superficial - à
exceção do ano de 1994 que foi de 2,1% (Tabela 4). As altas taxas de
mortalidade observadas nos reflorestamentos sem solo superficial são
explicadas, sobretudo, pela ausência virtual da matéria orgânica.
Algumas consequências dessa prática já foram discutidas anteriormente.
Um outro fator que contribui decisivamente para estas elevadas taxas
refere-se ã baixa disponibilidade de água nesses solos. As taxas de
mortalidade superiores a 5%, observadas nos reflorestamentos, com
solo superficial, nos anos de 94 a 96, podem ser consideradas normais
diante da alta densidade de plantas (menor espaçamento) à época de
plantio, sobretudo no ano de 1996 (Salomão et al. 1997).
174
cm
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Dinâmica dc reflorestamentus visando a restauração da paisagem...
Outro fator a ser considerado, refere-se às espécies com
características ecofisiológicas não adequadas àquele estágio sucessional
(época de plantio) e que pereceram precocemente - deveriam ser
plantadas num segundo momento que não o do plantio anual, por
necessitar de condições ambientais adequadas para um perfeito
desenvolvimento. Como exemplo, podemos citar as espécies
classificadas ecofisiologicamente como secundárias, que são as que
crescem depois das pioneiras. As pioneiras são aquelas que se instalam
em primeiro lugar no processo de sucessão natural e que têm menor
porte, crescimento mais rápido, produção de maior número de sementes
e que são em geral pequenas, suportam o sol pleno, têm madeira de
baixa densidade e raízes superficiais, em sua maioria. Dois outros gmpos
de espécies que necessitam de sombra são as tolerantes (crescem na
sombra até atingir o dossel, frutificando somente quando expostas ao
sol) e as reprodutoras a sombra - que são aquelas que completam todo
o ciclo de vida em condições de sub-bosque (sem luz direta). Como
exemplos marcantes destes dois grupos temos os diversos abius,
abiuranas, angelins, cumarus, breus, algumas faveiras etc.
Quais são as espécies florestais que melhor se adaptaram às
condições ambientais de pós-lavra da bauxita nos reflorestamentos em
Porto Trombetas? Quais são aquelas que não são aptas às condições
vigentes do novo ecossistema artificial a restaurar?
Salomão & Rosa (2000) avaliaram todas as espécies que
apresentaram mais de 20 indivíduos monitorados nos
reflorestamentos de Porto Trombetas. Estas totalizaram 34 espécies
distribuídas em 14 famílias botânicas; somente as leguminosas
(lato sensu) totalizaram 50% do total de espécies, as anacardiáceas
três e as demais duas ou uma. Para cada espécie foi calculado o
incremento periódico anual (IPA), entre 1996 e 1999, relativo ao
crescimento anual do diâmetro basal de cada indivíduo, gerando-
sc, a seguir o IPA médio da espécie (IPAmédio sp). Procedeu-se a
análise de variância desta variável e aplicou-se o teste dc Tuckey
175
cm
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1 Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. IS(I), 2002
1 Tabela 4: Mortalidade de plantas com respetivos número de indivíduos nos
1 reflorestamentos de diversas idades. Porto Trombetas (PA).
1 Ano DE
Abundância (N“ Ind*ha'‘)
Mortalidade An'ual
1 Plantio
Ano 1
Ano 2
(NMnd*ha-')
%
1 COM SOLO SUPERHCIAL
1981
1.340
1.340
0
0
1982
920
880
40
4.0
1983
960
940
20
2.1
1984
1.020
1.020
0
0
1985
1.360
1.340
20
1.5
1986
880
880
0
0
1987
1.380
1.360
20
1.5
1992
1.320
1.260
60
4.6
1993
2.060
2.020
40
1.9
1994
1.960
1.840
120
6.1
1995
2.280
2.140
140
6.1
1996
3.527
3.237
290
8.2
SEM SOLO SUPERnCIAL
1992
3.080
2.720
360
11.7
1993
2.680
2.400
280
10.5
1994
1.880
1.840
40
2.1
1995
1.960
1.400
560
28.6
1996
3.360
2.520
840
25.0
(95% de probabilidade) para identificar aquelas espécies com 1
IPAmédio semelhantes. Os resultados oriundos do teste de Tuckey 1
aliados ao índice de cada espécie - Índice sp = IPAmédio sp* I
[(Z IPAmédio sp) / N” spp] permitiram subsidiar a 1
classificação da aptidão ecolpgic.a da espécie - excelente, boa, 1
regular, fraca c inapta (Tabela 5). 1
176
cm
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Dinâmica de rejiorestamentos visando a restauração da paisagem...
S. miiltijiiga, S. guianensis, S. paniculata respectivamente, mari-
mari pequeno, fava camuzê e tachi-do-campo (todas leguminosas) e
T. guianensis (tatapiririca) foram consideradas como excelentes quanto
à aptidão ecológica; pela análise estatística têm crescimentos
semelhantes e apresentaram crescimento anual superior ao dobro da
média. Destas espécies, o tachi-do-campo é realmente a de melhor
desenvolvimento quando se considera o diâmetro e a altura da árvore;
trata-se de uma espécie que deve ser investigada intensamente, dadas
as suas excelentes qualidades de crescimento e desenvolvimento em
áreas inóspitas, como o são aquelas provenientes das atividades
minerárias a céu aberto. A tatapiririca e a castanheira-do-brasil também
são outras que merecem atenção especialíssima.
Seis espécies foram classificadas como boas (crescimento entre a
média e o dobro dela): quatro leguminosas (A. polyphylla, P niultijuga,
/. ediilis e A. lurhinata) e duas exóticas para a Amazônia -
A. occidentale (caju) e E. ciiinini (azeitona).
Exatos 50% das espécies analisadas foram consideradas com
aptidão regular (crescimento entre a média e a metade dela), destacando-
se também duas espécies exóticas com bom crescimento:
L. leucocephala (leucena) e L. toinentosa (oiti). Sete espécies dessa
classe (ou 41%) são leguminosas; apocináceas e anonáceae apresentam
duas espécies cada e as demais seis famílias têm uma espécie cada.
Cinco espécies (incluindo duas leguminosas) foram enquadradas
como de fraca aptidão. Todas elas necessitam de sombra nos anos iniciais
de desenvolvimento, sendo que Spondias liitea (taperebá) tem, também,
preferência por solos encharcados. O plantio destas espécies deve ser
feito após a formação de um dossel inicial.
P. diickei (macacaúba) e C. racemosa (guariúba) foram
consideradas inaptas: esta necessita de sombra nos estágios iniciais c
aquela é intensamente predada pela anta (Tapyrus anta), assim como o
são também o jenipapo (G. americana) c o pajurá-de-óbidos (P. speciosa).
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cm
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BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(J), 2002
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178
Tabela 5 - Classificação das espécies arbóreas de acordo com os resultados do teste de Tuckey (Ccontinuação)
Dinâmica de refloresíamentos visando a restauração da paisagem...
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179
Ilol. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Dol. 18(1), 2002
CONCLUSÃO
Houve uma diminuição de 21 espécies monitoradas, no período
de um ano, nos pantios florestais de 1981 a 1996 em decorrência da
mortalidade observada no referido período.
O incremento médio corrente anual do diâmetro foi positivo em
todos os anos de plantio.
A adoção de novas técnicas silviculturais adotadas nos plantios
da década de 90 mostraram-se compensadoras no crescimento
diamétrico das plantas.
À exceção do plantio de 1982, o incremento corrente anual da
área basal foi positivo em todos os demais anos, com ou sem solo
superficial.
A área basal média dos reflorestamentos da década de 80 é de
8,3 m2*ha ' (plantios com 10 a 16 anos de idade) contra 10,9 m^^ha ‘
para capoeiras de 10 anos, submetida a vários ciclos de corte e queima,
ou seja, 24% inferior a mais antiga área de colonização agrícola da
Amazônia.
A mortalidade nos plantios onde foi usado solo superficial foi,
cm média, cinco vezes inferior a observada nos plantios sem solo
superficial, ou seja, a mortalidade média naquelas foi de 3,0%,
enquanto nestes foi de 15,6%, no período de 1996 a 1997.
A adição de solo superficial (serapilheira + horizonte A) na área
de plantio é a responsável pelas magnitudes dos incrementos
observados.
AGRADECIMENTOS
A Mineração Rio do Norte, cm especial aos funcionários João
Carlos Coelho Henriques, Alexandre Franco Castilho c Dclmo Fonseca
da Silva c também ao Ibama/MMA.
180
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Dinâmica de reflorestamentos visando a restauração da paisagem...
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Recebido em: 30.10.00
Aprovado cm: 30.05.02
183
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
liol. Mus. Para. Emílio Gneldi, sér. Boi. 18(1), 2002
Anexo 1: Espécies monitoradas nas parcelas permanentes dos reflorestamentos
de 1981 a 1996, com respectivos números de indivíduos (NI) e valores médios do
diâmetro ao nível do solo (DAS, em cm), nos anos 1 (1996) e 2 (1997), Porto
Trombetas (PA).
Espécie Ano 1 Ano 2
NI
DAS
NI
DAS
Ano de Plantio: 1981
I. Asiroiüimi gracile
28
8,9
28
9,0
2. Bagassa gidanensis
2
10,5
2
10,6
3. Cariniana micraniha
3
5,7
3
5,8
4. Dinizia excelsa
2
17,2
2
17,3
5. Dipleryx odoraki
II
7,2
11
7,3
6. Enterolobiiim maxiniuin
I
22,0
1
21,9
7. límerolobiurn schomburgkii
4
16,4
4
16,4
8. Goiipia glabra
3
17,5
3
18,3
9. llevea gidanense
4
18,0
4
18,5
10. Uymenaea coiirbaril
I
10,6
1
10,8
/ 1. Jacaranda copaia
2
18,8
2
19,3
12. Parkia nuddjiiga
3
6,4
3
6,7
13. Parkia nidda
I
10,6
I
11,4
14. Parkia alei
2
21,2
2
21,6
Ano dc Plantio: 1982
I. Astronium gracUe
11
6,2
II
6,3
2. Bagassa gidanensis
3
13,6
I
15,0
3. Cariniana ndcrandui
4
9,4
4
9,2
4. Clitoria racemosa
1
16,2
1
17,0
5. Coiiepia longipendida
2
14,4
2
15,1
6. Diploiropis niardusii
1
21,4
I
22,6
7. Dipteryx odoraía
7
10,9
7
1 1,0
8. Enlerolobinin inaxinniin
4
10,2
4
10,1
9. Eiicalypliis loreliana
I
14,2
1
14,4
10. Gaupia glabra
1
26,0
1
27,1
II. llevea gidanense
3
10,5
3
10,8
12. Uymenaea parvifolia
1
4,2
1
4,2
13. Parkia nidda
1
8,8
1
8,8
14. Solinreyia e.xcelsa
5
15,3
5
15,2
1.8. Valairea sericea
1
12,3
1
12,3
184
Dinâmica de refloreslamentos visando a restauração da paisagem...
I. Astromiun gracile
Ano de Plantio: 1983
3 7,9
2
7,5
2. Astromdm lecointe
1
5,1
1
5,2
3. Cariniana micrantha
7
5,9
7
6,0
4. Coceveibastrwn martianiun
4
17,9
4
18,1
5. Diospyriis praetermissa
2
14,8
2
15,3
6. Dipteryx odorata
5
5,9
5
6,1
7. Enlerolobiiim schomburgkii
2
8,2
2
8,4
8. Ilevea giiianense
1
8,5
1
8,4
9. Ilymenolobitim sp
1
10,8
1
11,2
10. Malayba oly gandra
2
12,4
2
13,2
11. Myrciafallax
2
16,6
2
17,0
12. Parkia nudtijuga
1
9,8
1
9,6
13. Parkia pendida
4
12,9
4
12,9
14. Sclcrolobiian inclinonii
1
22,8
1
24,3
13. Stercidia pniriens
1
10,4
1
11,0
16. Tapirira myriantha
2
9,0
2
10,0
17. Trailinickia biirserifoPia
8
9,6
8
9,8
18. Virola inicbclli
1
13,3
1
14,1
1. Astronium gracile
Ano de Plantio: 1984
1 7,9
1
8,2
2. Perlliolletia excelsa
3
13,3
3
14,8
3. llnchenavia grandis
1
8,8
1
9,0
4. llnchenavia parvifolia
5
8,6
5
8,9
5. Cassia nudiijnga
1
26,0
1
26,0
6. Coceveibastniin martianiun
4
18,4
4
18,7
7. Crolon sp
1
2,0
1
21,6
8. Dalbergia spruceana
3
8,1
3
8,4
9. Dipteryx odorata
14
8,1
14
8,3
10. Enterolobinin schomburgkii
4
7,7
4
7,9
11. llcvca gnianensc
1
15,2
1
16,0
12. llymenaea reticniaia
3
7,1
3
7,4
13. llymenolobinm sp
1
12,0
1
12,0
14. Mczilanrns itanba
1
12,8
1
12,9
13. Parkia tmiilijnga
2
15,3
2
15,6
16. Swartzia cornigala
1
22,6
1
23,2
1 7. Tabcbnia ocracea
2
8,6
2
8,6
18. Trailinickia bnrscrifolia
3
11,7
3
12,3
185
2 3 4
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
1. Aspidosperma macrocarpwn
2. Beiliicia imperialis
3. Beríholletia excelsa
4. Cariniana micrantha
5. Cassia sp
6. Citrus sinensis
7. Dinizia excelsa
8. Diospyrus praetermissa
9. Dipteryx magnifica
10. Enterolobium ma.xinuim
11. Guatteriaolivacea
12. llymenaea coitrharil
13. Joanesia heveoides
14. Macrolohium campestre
15. Parkia multijiiga
16. Sclerolobiitm cf melinonii
17. Swartzia cf polyphylla
18. Tacliigalia myrmercopliylla
1. Aimona cf temdpes
2. Apeiba burcitelli
3. Aspidosperma macrocarpwn
4. Belliicia imperialis
5. Cariniana micrantha
6. Croton laniowensis
7. Dalbergia spriiceana
8. Dipteryx odorata
9. Goitpia glabra
10. Giiatteria olivacea
I /. llymenaea coiirbaril
12. Ilymenolobiwn sp
13. Jacaranda copaia
14. Martiodendron parxnfoUa
15. Miconia poeppegii
16. Parkia nmitijtiga
! 7. Peltogyne panicidata
Plantio: 1985
8,1
6
8,2
17,8
3
18,0
7,1
1
7,4
3,7
1
3,9
25,2
I
25,2
2,1
2
2,3
10,4
3
10,5
11,9
4
12,6
4,2
4
4,7
24,2
1
24,3
10,7
1
11,2
8,1
11
8,7
18,2
4
18,4
7,8
5
8,1
11,8
13
12,0
19,7
5
21,2
8,1
1
8,8
12,2
1
12,5
Plantio: 1986
18,3
1
18,6
13,7
1
14,1
9,4
2
10,2
16,3
3
16,7
10,2
1
10,5
17,5
1
18,0
19,0
I
19,2
3,7
I
4,2
15,1
1
15,8
23,0
1
24,0
9,5
1
9,3
3,8
1
4,0
29,3
I
30,0
7,0
I
7,5
28,1
1
28,7
13,0
5
13,4
2,9
2
3,1
Ano de
6
3
1
1
I
2
3
4
4
1
I
II
4
5
14
5
I
I
Ano dc
I
I
2
3
I
I
I
I
1
I
I
I
I
I
I
5
2
186
Dinâmica de refiorestamentos visando a restauração da paisagem. .
18. Solinreyia excelsa
6
6,0
6
6,3
19. Sterciilia pniriens
1
7,2
1
8,0
20. Tabebuia ocracea
3
3,8
3
3,9
21. Tabebuia se rratifolia
2
4,0
2
4,2
22. Tapirira guianensis
3
11,9
3
12,6
28. Tapirira myriantha
3
10,7
3
11,5
24. Xylopia nilida
1
16,8
1
17,0
Ano de Plantio: 1987
1. liellucia imperiaUs
1
18,5
1
19,5
2. Bertiiolletia e.xceisa
1
2,5
1
2,7
3. Coiona macrocarpa
1
5,9
1
6,2
4. Dipiotropis marliiisii
2
8,5
2
8,3
5. Dipiotropis purpúrea
15
6,5
15
6,6
6. Eugenia cuinini
1
13,7
I
13,8
7. Ilymenolobium sp
1
5,1
1
5,4
8. Inga aiba
1
16,4
1
16,3
9. Miconia poeppegü
14
6,9
13
6,9
10. Scieroiobium paniculaium
16
28,7
16
30,1
11. Simaruba amara
I
11,6
1
11,6
12. Tabebuia ocracea
1
3,0
1
2,9
13. Tapirira myriantha
14
5,9
14
6,0
Ano de Plantio: 1992
1. Acacici mangium
1
9,5
2. Apeiba glabra
1
8,0
1
8,5
3. Aspidosperma exceisum
1
1,8
1
2,0
4. liowdichianitida
10
3,0
10
3,3
5. Casearia pitumba
1
2,0
1
2,0
6. Cassia multijuga
3
13,0
3
14,0
7. Cedrela odorata
3
1,3
3
2,0
8. Dipiotropis purpurea
4
2,3
3
2,6
9. Geissospermum serriceum
6
3,7
6
4,1
10. üuatteria oTmtcea
1
12,3
1
13,6
II. Ilymenolobium sp
2
3,2
2
3,5
12. Inga faicistipuia
7
3,2
7
3,8
13. Ixuicacna ieucocephaia
5
15,0
5
17,0
14. Mezilaurus itauba
1
2,2
1
2,2
15. Oenocarpus cf mapora
1
1,9
1
3.1
187
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
llol. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. IS(I), 2002
16. Ormosia liolerytlira
! 7. Plaümyscium ditckei
18. Schcjflera morototoni
19. Tabebuia ocracea
20. Tapirira guianensis
21. Terminalia ivorensis
1. Acacia mangium
2. Aspidosperma excelsum
3. Aspidosperma macrocarpum
4. Buchenavia grandis
5. Dalbergia spniceana
6. Dinizia excelsa
7. Dipteryx odorata
8. Enterolobiiwi maximum
9. Escliweilera obversa
10. Eschwedera sp
1 1. Eugenia cumini
12. Geissospenmim serriceiim
13. Guatleria umbonata
14. llymenaea pandfolia
Inga edidis
16. Inga falcistipida
1 7. Inga inicrocalyx
18. Inga nilida
19. Ixnicaena leucocepliala
20. Ixrphanthera laclescens
21. Marlyodendron elala
22. Mez.Uaurus ilaiiba
23. Myrcia cf acimiinaia
24. Newlonia siiaveolens
25. 1’arkia muilijuga
26. 1’arkia opposilifolia
27. Pellogyne paniculala
28. 1’lalimysciuin dnckei
29. 1’roliuni heplaphylium
30. 1’sidium guajava
2,0
1
2,0
1,9
10
1,9
19,7
3
21,0
12,2
2
12,4
17,2
2
20,0
5,3
Plantio; 1993
25,2
2
28,8
0,6
1
0.5
3,6
2
4,6
1.0
1
1,2
3,4
11
3,8
2,2
1
3,3
4,1
4
5,2
9,1
1
11,0
1,2
3
1,3
2,2
1
2,5
7,2
3
8,8
2,0
4
2,7
4,8
2
6,2
2,4
1
3,2
11,5
3
13,5
5,0
2
5,8
0,8
1
1,5
5,4
1
8,4
6,3
8
6,
5,1
7
6,2
1,0
1
1.2
2,1
3
2,9
1.5
1
2,0
3,6
2
4,6
7.7
1
7.9
5.5
2
6,2
1,8
7
2.3
1,0
2
1,1
1,5
2
1,5
1,8
2
1,3
1
10
3
2
2
1
Ano de
2
1
2
2
II
1
4
I
3
1
3
4
2
I
3
2
1
I
8
7
I
3
I
2
I
2
7
2
2
3
188
Dinâmica de refloreslamentos visando a restauração da paisagem...
31. Sclerolobium melinonii
5
2,5
5
3,2 1
32. Sclerolobium sp2
5
4,2
5
6,1 1
33. Stryphnodendron polystachyum
1
1,3
1
1,9 1
34. Stryphnodendron paniculatum
1
3,2
1
4,3 1
35. Tabebuia ocracea
I
4,4
1
5,7 1
36. Tachigalia alba
2
6,4
2
7,8 1
37. Tachigalia myrmercophylla
1
0,9
1
1,1 1
38. Tapirira guianensis
3
8,1
3
9,3 1
Ano de Plantio:
1994
I. Adenanthera pavonima
2
6,7
2
7,5 1
2. Anacardium tenuifolium
2
6,7
2
7,5
3. Annona dencicona
1
1,9
0
4. Annona montana
2
3,2
1
3,3
5. Apeiba glabra
2
1,2
1
1,6
6. Aspidosperma eleanuin
2
3,7
2
3,8
7. Aspidosperma e.xcelsum
3
3,0
3
2,9
8. Aspidosperma macrocarpnm
4
3,1
4
3,4
9. Aspidosperma sp2
2
3,6
2
4,2
10. Bowdichia nítida
2
3,3
2
3,2
1 1. Buchenavia grandis
5
4,3
5
5,6
12. Couma macrocarpa
2
6,9
1
3,4
13. Dalbergia spruccana
12
2,5
11
3,1
14. Dinizia e.xcelsa
5
5,4
5
6,4
15. Diptcry.x odorata
5
2,1
5
2,3
16. Enteroiobium ma.xinnim
4
4,5
4
5,2
1 17. Erisma racemosa
3
3,7
3
5,4
1 18. Eugenia cumini
5
8,2
5
9.6
1 19. Eugenia jambolana
1
3,4
1
3,6
1 20. Geissospennum serriceum
3
1,7
3
1,8
1 21. Genipa americana
6
5,8
6
6,0
1 22. Guatteria umbonata
2
4,6
1
6,4
1 23. llymenaea courbaril
4
2,1
4
2,3
1 24. llymenaea palustri
2
1,6
2
1,7
1 25. Inga falcistipula
3
4,3
3
6,4
1 26. Uiphanthera lactescens
6
4,7
6
5,2
1 27. MezUaurus itauba
4
l.I
4
1.2
1 28. Miconia poeppegii
1
189
20,6
1
24.4
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goetdi, sér. Boi. 18(1), 2002
29. Ormosia holerythra
30. Parkia mídtijuga
31. Parkia oppositifolia
32. Peltogyne paniculata
33. Peltogyne sp
34. Platimysciwn diickei
35. Protium heptaphyllum
36. Schejflera morototoni
37. Schefflera paraensis
38. Sclerolobium melinonii
39. Sclerolobium sp2
40. Simaba gidanensis
41. Simaruba amara
42. Swartzia racemosa
43. Tacliigalia myrmercopliylla
44. Tapirira guianensis
45. Trattinickia burserifolia
46. Trattinickia cflawrencei
47. Virola sebifera
48. Vismia cayennensis
49. Vismia latifolia
1. Adenanthera pavonima
2. Anacardium lenuifolium
3. Aspidosperma macrocarpum
4. Astronium gracile
5. Berlhollelia e.xcelsa
6. ISowdiclua nitida
7. Brosimum parinarioides
8. Caesalpinia ferrea
9. Caryocar villosiim
10. Cassia mídtijuga
11. Cliloria racemosa
12. Cotima macrocarpa
13. Dalbergia spniceana
14. Dinizia e.xcelsa
15. Diptery.x odorala
1,7
1
1,7
5,0
8
5,6
4,3
8
4,8
1,2
4
1,4
0,8
1
0,9
1,4
3
1,4
0,9
1
1,0
9,4
6
9,9
2,5
1
2,6
1,4
1
1,6
2,7
1
2,8
1,0
1
1,1
2,9
0
1,5
2
2,2
2,4
1
3,1
6,6
1
8,3
11,0
1
11,7
8,6
1
9,0
0,8
1
0,9
14,2
1
16,7
8,5
1
10,3
Plantio : 1995
2,5
5
4,0
4,3
1
5,7
1,8
4
2,9
2,0
12
2,6
2,2
1
3,3
2,4
9
3,3
0,5
1
0,5
2,1
1
2,5
4,6
1
6,4
9,9
6
13,9
4,9
4
6,2
2,3
1
2,9
1,8
4
3,3
1,7
1
2,7
1,7
3
2,2
1
8
8
4
1
3
1
6
1
1
1
1
1
2
1
I
1
1
1
1
1
Ano de
7
1
4
12
I
9
1
1
I
6
5
I
5
2
3
190
Dinâmica de rejioreslamentos visando a restauração da paisagem...
16. Enterolobium schomburgkii
1
3,0
7
4,0
17. Eugenia ctiinini
5
7,1
5
9,2
18. Guatteria olivacea
I
3,3
1
4,9
19. Guatteria umbonata
7
2,7
4
4,6
20. Hymenaea courbarU
3
2,7
3
4,0
21. Hymenaeaparvifolia
4
2,3
3
3,4
22. ílymenolobium sp
2
4,2
2
5,5
2.1. Jacaranda copaia
2
0,8
1
1,3
24. iMcmelia floribimda
2
2,2
2
3,7
25. lunicaena Icucocephala
10
2,3
3
1,7
26. l^phanthera lactescens
8
2,7
8
3,7
27. Matayba guiancnsis
4
2,5
4
3,5
28. Ocotea guiancnsis
1
2,6
1
2,9
29. Ormosia Iwlerythra
4
1,9
4
2,6
.10. Parkia inuilijuga
8
4,4
8
5,7
.1 1 . 1’ellogyne paniculala
2
1,1
2
1,3
.12. Eeltogyne sp
3
1,5
3
1,9
.1.1. Flatimyscium duckei
3
1,7
3
2,3
.14. Psidiuin guajava
II
2,0
10
2,4
.15. Ptcrocarpus rlwiri
1
3,8
1
3,7
.16. Spondias lulca
1
1,9
1
2,2
.17. Stryphnodcndron polyslachyum
4
0,5
2
1,3
.18. Tapirira guianensis
7
3,7
7
5,7
.19. Vatairea sericca
3
2,9
2
3,9
40. Visinia Ialifolia
1
2,0
1
3,7
Ano dc Plantio : 1996
1. Abarcnia lurbinala
89
0,7
83
2,3
2. Acacia holoccricea
2
1,8
0
.1. Acacia polypliila
90
1,2
90
3,3
4. Adcnanthcra pavonima
37
1,3
36
4,1
5. Aiouca sp
2
0,4
2
1.0
6. Aiouca sp2
3
0,4
3
2,0
1 7. Anacardiinn occidcnialc
53
1,9
53
3,4
\ 8. Apciba burrliclli
27
0,6
24
1.7
1 9. Arccaccac 1
1 1
0,1
0
1 10. Arccaccac 2
1
0,1
0
\ 1 1 . Aspidospcrina c.xccisuin
9
1.8
6
2,0
191
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 18(1), 2002
12. Aspidosperma macrocarpiim
13. Aspidosperma spl
14. Astronium gracUe
15. Bellucia imperialis
16. Bômbax sp
17. Bômbax sp2
18. Bowdichia iiitida
19. Brosimum parinarioides
20. Byrsonima chrysophyUa
21. Byrsonima crassifolia
22. Byrsonima spl
23. Caesalpinia ferrea
24. Cassia mídtijuga
25. Clirysobalaniis icaco
26. Clarisia racemosa
27. Clitoria racemosa
28. Clusia sp
29. Copaifera duckei
30. Dalbergia spriiceana
31. Dinizia e.xcelsa
32. Diospyrus praelermissa
33. Dipteryx magnifica
34. Dipteryx odorata
35. Ditckesia verntcosa
36. Endopleiira uchi
37. Entada polyphylla
38. Enlerolobium schombtirgkii
39. Erylhro.xylium sp
40. Eugenia ciimini
41. Eugenia patrisii
42. Euterpe oleracea
43. FrancheteUa sp
44. Gcissospermum serriceum
45. Genipa americana
46. Guattcria oUvacea
47. Gualteria poepigiana
48. Gualteria umbonala
0,8
3
2,1
1,2
1
1,2
0,6
56
1,6
2,5
8
4,0
0,7
21
2,3
0,5
1
0,8
0,5
26
2,7
0,7
2
1,1
2,3
15
3,0
1,3
18
2,5
0,4
1
1,6
0,9
57
2,2
2,1
43
6,7
0,6
2
2,4
0,5
63
0,8
2,1
24
5,0
0,8
4
1,3
0,2
1
0,3
0,8
69
2,0
0,5
3
1,6
0,3
4
0,5
0,7
12
1,2
1,4
30
2,2
0,3
1
0,3
0,4
6
1,0
0,7
1
1,2
0,7
97
2,3
0.4
7
0,6
0,9
17
2,6
0,4
6
0,6
0,1
0
0,4
7
0.5
0,5
86
1,5
1,3
98
2,8
0,8
24
2,2
0,8
9
2,1
0,8
25
2,1
3
I
61
8
21
I
27
2
15
21
1
57
44
2
76
24
4
2
80
4
4
15
30
1
9
1
98
8
17
6
3
14
88
98
24
10
25
192
1 Dinâmica de reflorestamentos visando a
restauração da paisagem...
1 49. llumiria balsamifera
2
0,8
2
1,1
1 50 . Hymenaea courbaril
34
1,0
34
2,3
51 . Hymenaea pannfolia
11
0,9
9
2,3
52. Hymenolobiwn sp
3
0,6
2
1,1
1 53. Indeterminada
19
0,6
1
0,6
1 54. Inga ediilis
29
1,6
29
3,7
55. Inga íhibaudiana
2
3,5
1
2,2
56. Laetia procera
3
0,5
3
2,0
57. Leucaena lencocepliala
99
1,7
94
3,6
58. Licania spl
1
0,5
1
1,0
59. Licania sp2
2
0,3
2
1,5
60. Licania tomentosa
29
1,0
28
2,5
61. Lophantheralactescens
62
1,3
61
2,5
62. Matayba giiianensis
2
0,5
2
1,1
63. Mezilaurus itaiiba
96
0,5
86
1,0
64. Micropholis sp
1
0,5
1
1,1
65. Micropholis spl
1
0,2
0
66. Micropholis venulosa
50
0,4
34
0,9
67. Minquartia giãanensis
3
0,3
3
0,9
68. Myrcia bracteala
1
0,7
1
0,7
69. Myrcia cf obtusa
5
0,6
5
0,8
70. Myrcia sp
1
0,5
1
0,6
7 1. Myrciaria silvatica
4
0,4
3
0,5
72. Myrtiluma eugenifolia
5
0,5
4
1,1
73. Oenocarpus bataiia
9
0,1
0
74. Oenocarpus bataua var bataua
2
0,1
0
75. Oenocarpus cf mapora
23
0,1
6
0,1
76. Ormosia holeiythra
7
0,3
7
0,8
77. Parkia multijuga
114
1,3
114
3,6
78. Parkia nitida
2
0,7
2
2,6
79. Parkia oppositifolia
10
1,2
10
3,5
80. Parkia pendida
3
1,1
3
4,4
81. Parkia velutina
2
0,5
2
1,7
82. Platimyscium duckei
21
0,5
20
1,3
83. Pouteria speciosa
75
0,5
61
0,9
84. Psidium guajava
15
0,8
15
1,7
85. Pterocarpus rhoiri
14
1,3
13
2,9
193
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi.
86. Sandwitiodoxa egregia
87. Schefflera paraensis
88. Sclerolobiwn paniculatiim
89. Sena reticulata
90. Simaruba amara
91. Spondias Iiitea
92. Stryphnodendron polystachyum
93. Stryphnodendron gidanensis
94. Swarizia sp2
95. Swarizia racemosa
96. Swarizia sp
97. Tabebuia barbata
98. Tabebuia serratifolia
99. Tachigalia alba
100. Tapirira guianensis
1 01. Terminalia catappa
102. Terminalia ivorensis
103. Trattinickia burserifolia
104. Trattinickia rhoifolia
1 05. Vismia guianensis
2002
0,5
1
0,9
0,8
1
1,5
3,0
19
5,7
4,4
12
6,9
0,8
13
2,4
1,0
53
1,8
0,4
12
1,4
1,5
1
7,3
0,4
2
0,8
0,9
13
1,4
0,4
26
0,8
1,3
6
2,7
1,1
31
2,6
0,5
22
1,1
1,1
127
2,9
2,5
6
4,8
1,6
13
3,7
0,4
9
0,8
1,8
1
4,6
2,3
1
3,5
. 18 ( 1 ),
1
1
20
12
44
57
15
1
2
14
27
6
31
23
128
6
13
14
1
1
194
NOTAS SOBRE A PRIMEIRA OCORRÊNCIA DE
CROTON URUCURANA BAILE. (“SANGRA-
D’ÁGUA”) NA AMAZÔNIA BRASILEIRA
Ricardo de S. Secco'
Inês Cordeiro'
RESUMO - Croton urucurana Bailt. (Euphorbiaceae), espécie
conhecida como " sangra-d’ágiia” ou "sangre-de-drago” , é
registrada pela primeira vez para a Amazônia brasileira. São
apresentados a descrição, ilustração e os comentários da espécie,
incluindo notas sobre sua afinidade com Croton lechleri Miill-Arg. e
distribuição geográfica.
PALAVRAS-CHAVE: Croton, Euphorbiaceae, Taxonomia vegetal,
Fitogeografia.
ABSTRACT - Croton urucurana Baill., species known as “sangra-
d’àgua'' ou “sangre-de-drago” , is registered for tlie first time to
Brazilian Amazónia. The description, illustration and comments on
that species are presented, as well as a discussion on its affinities
with Croton lechleri Müll.Arg. and its geografical distribution.
KEY WORDS: Croton, Euphorbiaceae, Plant taxonomy,
Phytogeography.
INTRODUÇÃO
Croton urucurana Baill. (sangra-d’água) pertence às
Euphorbiaceae e, de acordo com Pieters (1998), encontra-se entre as
espécies conhecidas geralmente como “sangre-de-drago” ou “sangue-
' MCT/Museu Paraense Emílio Goeldi. Coordenação deBotâniea. Av. Perimelral 1901. Caixa
Postal 399, CEP 66017-970, Belém- PA. rseeeo@museu-goeldi.br
^ Seeretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Instituto de Botânica. CP 4005,
CEP 01061-970, São Paulo-SP.
195
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
de-dragão”, ao lado de Croton lechleri Müll.Arg., C. draconoides
Müll.Arg. e C. erythrocliilus Müll.Arg. (todas do Peru, utilizadas na
medicina popular peruana como cicatrizantes de feridas),
C. palanostigma Kl. (do Brasil e Peru) C. panamensis Müll.Arg. (do
Panamá e Bolívia), C. salutaris Ca&ar., C. echinocarpiis MüW.Arg. e
C. paidinianus Müll.Arg. ( do Brasil) e C. draco Schl. ( do México),
entre outras. De acordo com autores que trataram recentemente
C. iiruciirana, como Smith et cil (1988) e Cordeiro (1992), tal espécie
não ocorreria na Amazônia brasileira, restringindo-se ao Nordeste
(apenas Maranhão), Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, além da
Bolívia, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Consultando-se os principais herbários amazônicos (lAN, INPA
e MG), bem como coletores experientes na região, constatou-se que
realmente não havia nenhum registro conhecido dessa espécie na
Amazônia brasileira.
Como parte de uma grande revisão das espécies amazônicas de
Croton, foi analisada uma série de amostras do herbário da Universidade
Federal do Acre (UFAC), sendo que entre aquelas deparou-se com
uma, procedente do município de Basiléia (AC), bastante diferente das
espécies desse táxon já coletadas na região. Após uma acurada pesquisa
em coleções herborizadas e na literatura básica (Müller 1874;
Smith et al. 1988), se constatou tratar-se da primeira oeorrência de
Croton iiruciirana na Amazônia brasileira.
O objetivo deste trabalho é fornecer subsídios para o
conhecimento da taxonomia e fitogeografia de Croton L., gênero cuja
única revisão para as espécies brasileiras ainda é a de Müller (1874),
que se encontra bastante desatualizada.
196
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Ocorrência de C. urucurana na Amazônia brasileira
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Descrição e comentários da espécie
Croton urucurana Baill., Adansonia 4: 335. 1863. Tipo. Brasil.
Inter Bahia et Vitoria, Claussen s/n (síntipos, G, K; foto do síntipo,
lAN ); Peru. In Maynas Alto, Poeppig 1846 (síntipo, W); Peruvia
Orientali, Spruce 4582 (síntipo, K). (Figura 1).
Arvoreta a árvore 4-15 m alt. Ramos jovens tomentosos,
posteriormente pubérulos, indumento alvacento a ferrugíneo, tricomas
estrelados; resina avermelhada, cor de sangue. Folhas membranáceas,
cordadas a oval-lanceoladas, palmatinérveas; limbo 7.5- 13.5 compr.,
5.0-10.5 cm larg., face adaxial verde-clara, ferrugíneo-tomentosa nas
folhas jovens, pubérula nas adultas; face abaxial tomentosa, ferrugínea
sobre as nervuras, alvacenta entre elas; base cordada à auriculada, ápice
acuminado; pecíolo 6.0-9.0 cm compr., tomentoso com 2 a 4 glândulas
pateliformes, castanhas, no ápice; estipulas foliáceas 1.0- 1.5 cm compr.
Inflorescências em racemos, 10-25 cm compr., flores pistiladas e
estaminadas juntas, dispostas em fascículos ao longo da raque ou as
estaminadas acima das pistiladas, também em fascículos; brácteas ca.
2.0 mm; flores estaminadas ca. 5 mm de compr., pediceladas, sépalas
lanceoladas, pilosas externamente, glabras intemamente, ciliadas;
pétalas 5, lanceoladas, receptáculo piloso, disco 5-segmentado, estames
16, filetes vilosos na base; flores pistiladas pediceladas, geralmente ca.
5 mm compr.; sépalas 5, espatuladas, pilosas extemamente, glabras
internamente, pétalas reduzidas, glandulosas no ápice; disco
5-segmentado, ovário piloso, estiletes 2-partidos. Fruto globoso,
muricado, ca. 5 mm compr., sementes castanhas, estriadas na face dorsal,
veiTUCulosas na face ventral.
Nomes vulgares. Sangue-da-água, sangra- d’água, urucurana, sangue
de grado (?), sangue-de-dragão, sangre-de-drago, sangre de grado,
capixingui, tapixingui etc. A denominação “sangre-de-drago” (“sangue-
de-dragão”) é devido à presença de uma resina avcrnielhada, que lembra
sangue, especialmente no caule da espécie.
197
cm
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
Figura 1 - Croton iirucurciiia Baill. A. Ramo da planta, destacando-se a
inflorescência com flores estaminadas e pistiladas {Daly et al 9721).
198
LUD 9
Ocorrência de C. urucurana na Amazónia brasileira
Usos. Segundo Smith et al. (1988), a madeira de C. urucurana é
útil na construção civil e naval, em obras externas e internas, bem
como serve para confeccionar canoas, esteios, dormentes etc., e a
casca serve para curtume. De acordo com Neill 9195 (MO), no
Equador a resina da espécie é utilizada para estancar hemorragia e
promover cicatrização de ferimentos.
Distribuição (Figura 2). Equador, Peru (segundo www.mobot.org,
Tropicos), Brasil ( Acre, Maranhão, Mato Grosso, Goiás, Bahia,
Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e
Rio Grande do Sul), Bolívia, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Espécimes examinados. Brasil. Acre, município de Basiléia, basin
of rio Purus, upper rio Acre, Daly et al. 9721 (MG), 22.111.1998
(fl, fr); Acre, município Assis Brasil, basin of rio Purus, upper rio
Acre, left bank, seringal São Francisco, colônia Ipiranga, Daly et
al. 9833 (MG), 27.111. 1998 (estéril).
Croton urucurana é superficialmente semelhante à Croton
leclileri Müll.Arg., mas pode ser distinguida pelas seguintes
características; folhas com face abaxial ferrugínea, velutina, base
acentuadamente cordada a auriculada e estipulas ovais, foliáceas;
flores estaminadas com pétalas glabras internamente, tricomas
vilosos concentrados nas margens e na face externa, as sépalas com
tricomas vilosos nas margens.
Quanto à distribuição geográfica, até o momento não há registro
de C. leclileri no Brasil, Paraguai, Uruguai e na Argentina, e sim
apenas no Equador, Peru, na Colômbia e Bolívia (Figura 2).
De acordo com Webster (1993), C. urucurana e C. leclileri
pertencem à seção Croton, subseção Cyclostignia (Griseb.)
Müll.Arg.
199
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 18(1), 2002
Figura 2 - Distribuição geográfica atual de Croton unicurana BailI
(•) e C. lechieri Midi. Arg. (T).
AGRADECIMENTOS
Ao CNPq, pela Bolsa de Produtividade (processo n. 30 1 .252-86-6)
concedida ao primeiro autor para estudar Croton da Amazônia; ao Curador
do Herbário da Universidade Federal do Acre, pelo envio de amostras
herborizadas; à Profa. Regina Martins-Silva, do herbário lAN, pelo
empréstimo dos fototipos de Croton ; ao colega Douglas Daly, do New
York Botanical Garden, pela ajuda na obtenção de material coletado no
Acre; ao desenhista Carlos Alberto Alvarez, pela confecção das ilustrações.
200
Ocorrência de C. unicurana na Amazônia brasileira
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CORDEIRO, I. 1992. Flora da Serra do Cipó, Minas Gerais: Euphorbiaceae. Boi.
Bot. USB, 13:169-217.
MÜLLER, J. 1873. Euphorbiaceae: Croton. In: MARTIUS, C.F.P. & EICHLER,
A.G. (eds.). Flora Brasiliensis 1 1(2): 82-273.
PIETERS,L. 1998. Lfl "sangre de drago”, uma droga tradicional de Sudamérica.
Constituyentes biologicamente activos. Quito, Ediciones Abya-Yala, 209 p.
SMITH, L.B.; DOWNS, R.J. & KLEIN, R.M. 1988. Euphorbiaceae. Parte 1. In:
REITZ, R. {e.á.). Flora Ilustrada Catarinense. Itajaí, Herbário Barbosa
Rodrigues.
WEBSTER, G.L. 1993. A provisional synopsis of the sections of the genus Croton
(Euphorbiaceae). Taxon 42: 793-823.
Recebido em: 13.12.01
Aprovado cm: 31.07.02
201
SciELO
11
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cm
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íEUJERPE OLERACEA MART.) PQR MORADORES RIBEIRINHOS DO
MUNICÍPIO DE BREVES, PARÃ, BRASIL '
Denise Cristina Jorres Costa. Mário Augusto G. Jardim,
Pedro Luiz Braga Lisboa
BIOLOGIA FLORAL E MORFOLOGIA POLÍNICA DE Q. AMARA L.
(SIMARQUBACEAE) ' , ' .
Flávia Cristina Araújo Barata. Lea Maria Medeiros Carreira.
Mareia Motta Manes 1 1 J i58
DINÂMICA DE REFLORESTAMENTOS VISANDO A RESTAURAÇÃO DA PAISAGEM
FLORESTAL EM ÃREAS DE MINERAÇÃO NA AMAZÔNIA
Rafctel de Paiva Salomão. Aires Henriques de Matos,
Nelson de Araújo Rosa '
Nota ' '
NOTAS SOBRE A PRIMEIRA OCORRÊNCIA DE CROTON .URUCURANA
BAILL. (••SANGRA-D'ÃGyA") NA AMAZÔNIA BRASILEIRA
Ricardo de S. Seceo. litês Cordeiro - 195-201
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BRASIL
GOVERNOU
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