ISSN 0077-2232
Boletim do
Museu Paraense
Emílio 6oeldi
Séiie
Zoologia
M G
3^0 5
Vol. 1
Dezembro 1984
N.'’ 2
2 3 4 5 6 SciELO 20 11 12 13 14 15
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Série ZOOLOGIA
Semestral
Presidente do CNPq
Diretor do MPEG
Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque
José Seixas Lourenço
Editor Chefe
Editor Associado
Mario F. Simões
Fernando da Costa Novaes
CONSELHO CIENTiFiCO
Adriano L. Peracchi
Aristides Pacheco Leão
Fernando da C. Novaes
Gilberto Richi
Habib Fraiha Neto
Herbert Schubart
Horst O. Schwassmann
João M. F. de Camargo
Jorge Arias
João Cândido de M. Carvalho
Michael Goulding
Nelson Papavero
Paulo E. Vanzolini
Roger H. Arié
Willian L. Overal
Assinatura anual — USS 5.00 ou equivalente)
(porte simples)
Endereço: Av. Magalhães Barata, 376 — C.P. 399
66.000 - Belém - Pará - Brasil
1 4 MAR 1985-
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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeidi
Série Zoologia vol. 1(2)
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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Série Zoologia.
V. 1 — n.® 2 — 19G4 —
Belém, Museu Paraense Emílio Goeldi.
Semestral.
1. Zoologia • Amazônia
ISSN 0077-2232
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Boletim
Museu Paraense
Emilío Goeldi
Série
ZOOLOGIA
Vol. 1 (2)
BELÉM . PARA
Dezembro, 1984
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CONTEÚDO
JOSÉ C.M. CARVALHO — Miiideos Neotropicais, CCLII;
Descrições de novos gêneros e espécies da tribo Phylini
Douglas & Scott (Hemiptera) .
143
L.H. RAPP PY-DANIEL & V, PY-DANIEL — Observações
sobre Spatuloricaria evansi (Boulenger, 1892) (Os-
teichthyes; Loricariidae) e a sua predação em Simu.
liidae (Diptera; Culicomorpha) .
207
OSVALDO R. DA CUNHA & FRANCISCO P. DO NASCIMEN.
TO — Ofídios da Amazônia, XXI — Atractus zidoki no
leste do Pará o notas sobre A. alphosehogei c .4. schach.
( Ophidia, Colubridae) .
219
ROGER ARLÉ — O gênero Sphaeridia Linnaniemi, 1912 no
Braoil com descrição de novas espécies (Collembola.
. Symphypleona) .
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BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
ZOOLOGIA, VOL. 1 (2): 143-206. DEZEMBRO. 1984
Mirídeos Neotropicais, CCLII: Descrições de
novos gêneros e espécies da tribo Phylini
Douglas & Scott (Hemiptera).
José C. M. Carvalho (*)
Museu Nacional, Rio de Janeiro
Jtesuino: Neste trabalho o autor inclui descrição ou
notas sobre 36 espécies de Miridae (Hemiptera) da tribo
Phylini Douglas & Scott. São apresentadas 4 novas com¬
binações genéricas e descritos 6 gêneros e 29 espécies no¬
vos. Nesse grupo a técnica de coleta é fundamental
para o seu estudo taxonômico. A pubescôncia e as per.
nas se destacam facilmente, motivo pelo qual se deve
adotar o método de coleção a seco, evitando inclui-los
em meio líquido. No texto foi incluída uma chave para
identificação dos gêneros da tribo que foram encontra¬
dos na América do Sul até esta data.
O autor vem acumulando material da tribo Phylini Dou¬
glas & Scott da América do Sul há bastante tempo. Geral¬
mente as espécies são coligidas em meio líquido ou em
aparelhos luminosos do tipo Berlese, coletas que maltratam
muito os exemplares, eliminando uma boa parte ou totalmen¬
te a pubescência. Nessa tribo, a presença de pêlos esca-
miformes, facilmente destacáveis do indivíduo, representa
comumente um elemento fundamental para reconhecimento
dos gêneros ou mesmo das espécies.
Essa deficiência constituiu-se no principal motivo pelo
qual até 0 presente poucas espécies foram descritas na re¬
gião neotrópica, especialmente na América do Suí, perten¬
centes a essa tribo.
f * ) — Pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq).
— 143
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Boletim do Museu Paraense Emillo Goeldi, Zoologia, 1 (2)
O mesmo poderá ser dito em relação aos parempódios
(arólios) e pulvilos (pseudarólios), visto que além das per¬
nas serem facilmente destacáveis, os tarsos quando mal¬
tratados comumente se partem ou as unhas se deslocam
dos tarsos. Somente uma observação acurada através de
microscópio de varredura torna-se possível uma separação
segura entre as espécies de menor tamanho. Por deficiência
neste setor, presentemente, o autor excluiu deste t-^abalho
alguns gêneros da tribo.
Para facilitar o reconhecimento dos gêneros da tribo
na América do Sul o autor decidiu incluir uma chave para
sua identificação. Deve ser mencionado o fato de que de¬
vem os exemplares serem vistos no binocular entomológico
com grande aumento e luz incidente. A mensuração é ne¬
cessária para se ter segurança na comparação do compri¬
mento relativo de partes anatômicas.
Ao todo acharn-se mencionadas neste trabalho 28 es¬
pécies, das quais 2 representam novas combinações gené¬
ricas e 22 espécies novas. São também descritos 5 gêneros
novos.
Os holótipos acham-se depositados nas coleções do
Museu Nacional (MN), Rio de Janeiro; Museu Nacional de
História Natural dos Estados Unidos da América (USNMNH),
Washington, D.C. e Academia de Ciências da Califórnia
(CAS), São Francisco.
Os desenhos que figuram no texto são de autoria de
Paulo Roberto Nascimento, Maria Helena Barreto e Maria
Lilia Gomide da Silva, sob a supervisão do autor.
CHAVE PARA IDENTIFICAÇÃO DOS GÊNEROS DA TRIBO
PHYLINI DA AMÉRICA DO SUL
1. Espécie braquíptera, elitro sem membrana; cório, clavo
e cúneo fundidos; segmento II da antena muito grosso
. Tapuruyunus Carvalho, 1946
— Espécies macrópteras ou quando braquípteras, com he-
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Carvalho, J.C.M. — Mirídeos Neotropicais. CCLII
miéiitro tendo clavo, cório e cúneo separados por su¬
turas . 2
2. Clípeo muito desenvolvido (macho), prolongado sob for¬
ma de bico (curculioniforme) ou globoso . 3
— Clípeo normal . 4
3. Clípeo prolongado em forma de bico (curculioniforme):
segmento I da antena mais curto que a largura do vér¬
tice: segmento II sem tufo de cerdas longas na base:
rostro alcançando pouco além das coxas posteriores
.. Botocudomiris Carvalho, 1979
— Clípeo prolongado de maneira globosa-, segmento I da
antena igual ou mais longo que a largura do vértice:
segmento il com um tufo de cerdas longas na base; ros¬
tro alcançando o pigóforo.Arlemiris n. gen.
4. Segmento II da antena muito largo, explanado, com uma
escavação (convexidade) do lado interno: cabeça pontu¬
da: segmento I da antena muito grosso .
. Caiganga Carvalho & Becker, 1957
— Segmento II da antena desprovido de escavação (conve¬
xidade) interna, cilíndrico . 5
5. Segmento II da antena com curvatura subasal em forma
de U: pernas muito longas ...
.Anomalocornis Carvalho & Wygodzinky, 1945
— Segmento II da antena normal . 6
6. Olhos semipedunculados, afastados da margem anterior
do pronoto: vértice sulcado: segmentos I e II da antena
engrossados: hemiéiitro translúcido .
. Crassicornus Carvalho, 1945
— Olhos sésseis, contíguos à margem anterior do prono¬
to . 7
7. Corpo revestido de pêlos escamosos ou sedosos ou la-
nosos, prateados sob luz incidente, misturados com pê¬
los comuns (quando sedosos ou lanosos, segmento I da
antena mais longo que a largura da cabeça e espinhos
das tíbias com manchas negras na base) . 8
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— Corpo revestido de um só tipo de pêlos. 12
8. Espécies de pequeno porte, com espaço entre a búcula
e a margem inferior do olho (macho) menor que a grossu¬
ra do segmento I da antena .. Rhinacloa Reuter, 1876 (')
— Espaço entre a búcula e a margem inferior do olho maior
que a grossura do segmento I da antena.9
9. Tíbias posteriores com espinhos negros sem manchas
escuras na base; pulvílo inserido na base da unha com
ápice livre, alcançando o meio da unha .
. Reuteroscopus Kirkaidy, 1903
— Tíbias posteriores com espinhos negros tendo manchas
escuras na base; pulvilo pequeno, totalmente unido á
unha . 10
10. Segmento II da antena de comprimento aproximadamen¬
te igual (macho) ou menor (fêmea) que a largura da ca¬
beça . Lepidopsallus Knight, 1923
— Segmento II da antena em ambos os sexos mais longo
que a largura da cabeça (incluindo os olhos). 11
11. Espécies acima de 3,5 mm de comprimento; pêlos do
corpo nitidamente escamosos e densos .
. Gonzalezinus Carvalho, 1981
— Espécies abaixo de 3,5 mm de comprimento; pêlos do
corpo sedosos, com aspecto achatado, misturado com
pêlos comuns . Psallus Fieber, 1858
12. Segmentos I e II da antena fortemente engrossados, fu-
siformes; cor negra, brilhante . Bergmiris n.gen.
— Segmentos da antena de grossura normal, cilíndricos . 13
13. Comprimento do segmento II da antena menor que a lar¬
gura da cabeça (incluindo os olhos); em espécies onde
ambos forem aproximadamente iguais o fêmur poste¬
rior é claro, com manchas negras . 14
( 1 ) —
Em estudo recente (segundo comunicação pessoal), do co¬
lega R. T. Schuh (American Museum Natural History, New
York), o caracter acima citado, bem como o comprimento
relativo dos segmentos da antena ou sua grossura, não
constituem mais elementos seguros para caracterização des¬
se gênero.
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Carvalho, J.C.M. — Mírídeos Neotropicais. CCLII
— Comprimento do segmento II da antena maior que a lar¬
gura da cabeça; em espécies onde ambos forem apro¬
ximadamente iguais 0 fêmur posterior é de outra cor . 17
14. Espécies geralmente de coloração clara e tamanho pe¬
queno; fêmur posterior com manchas negras na face ex¬
terna . Campylomma Reuter, 1870
— Espécies geralmente de coloração escura ou sem man¬
chas na face externa do fêmur posterior.15
15. Rostro longo, alcançando o meio do abdome; cabeça pon¬
tuda entre as antenas; pubescência densa .
. Ranzovíus Distant, 1893
— Rostro não ultrapassando as coxas posteriores. 16
16. Antena apresentando dimorfismo sexual, segmentos I
e II engrossados (macho) ou linear (fêmea) .
. Spanogonicus Berg, 1883
— Antena sem dimorfismo sexual, espécies pequenas, ge¬
ralmente negras, com fêmur saltatorial .
. Chiamydatus Curtiss, 1833
17. Hemiéiitro vítreo, transparente; fêmures pálidos com
pontos negros .. Hyalopsallus Carvalho & Schaffner, 1973
— Hemiéiitro opáco; fêmures de outra cor. 18
18. Rostro muito longo, alcançando o segmento genital .. 19
— Rostro não ultrapassando as coxas posteriores.20
19. Cabeça horizontal, clípeo distintamente visível de cima;
corpo alongado . Parafulvius Carvalho, 1954
— Cabeça inclinada, clípeo vertical; corpo mais largo no
meio . Frotaphylus n.gen.
20. Espécies de comprimento igual ou maior que 3,5 mm de
comprimento . 21
— Espécies de comprimento menor que 3,5 mm de compri¬
mento . 24
21. Tíbias posteriores com espinhos pretos tendo manchas
negras na base. Plaglognathus Fieber, 1858
— Tíbias posteriores com espinhos sem manchas negras
na base . 22
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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeidi, Zoologia, 1 (2)
22. Rostro alcançando o segmento V do abdome; corpo com
pubescência longa e semi-adpressa .
. Chiloephylus n. gen.
— Rostro não ultrapassando as coxas posteriores.23
23. Espinhos das tíbias posteriores de coloração clara; fê¬
meas apresentando dimorfismo sexual .
. Araucanophylus n. gen.
— Espinhos das tíbias posteriores de coloração preta; fê¬
meas não apresentando dimorfismo sexual .
. Microphylellus Reuter, 1909
24. Cabeça com aspecto arredondando (convexa posterior¬
mente); olhos ligeiramente afastados da margem ante¬
rior do pronoto; rostro alcançando as coxas medianas
. Tytthus Fieber, 1858
— Cabeça mais larga que longa; olhos contíguos com a
margem anterior do pronoto; rostro alcançando as coxas
posteriores . Nigrimiris Carvalho & Schaffner, 1973
Anomalocornis rondoniensis n.sp.
(Pig. 1-4)
Caracterizada pela coloração da cabeça e da antena e
também pela morfologia da genitália do macho.
Macho: comprimento 2,4 mm, largura 0,8 mm. Cabeça:
comprimento 0,2 mm, largura 0,6 mm, vértice 0,32 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,3 mm; II 0,24 + 0,52
mm; III, 0,7 mm; IV, 0,6 mm. Pronoto: comprimento 0,5 mm,
largura na base 0,8 mm. Cúneo: comprimento 0,32 mm,
largura na base 0,20 mm (holótipo).
Coloração geral pálido-amarelada; olhos, segmento I da
antena e segmento II (exceto porção recurva do segmen¬
to) pretos, segmentos III e IV fuscos na parte apical; escu-
telo e cúneo um pouco mais escuros; membrana translú¬
cida.
Rostro muito longo, alcançando o pigóforo; segmento I
da antena mais grosso que os outros, com duas cerdas
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Carvalho, J.C.M. — Mirídeos Neotropicais. CCLII
Anomalocomis rondoniensls n.sp.: Flg. 1 — cabeça e antena vte-
tas de lado; Fig. 2 — vésica; Fig. 3 — parâmero esquerdo; Flg. 4
— parâmero direito.
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Boletim do Museu Paraense Emilio Goeidi, Zoologia, 1 (2)
erectas, segmento II recurvo (Fig. 1) pouco engrossado
para o ápice, III e IV longos e finos; pubescência formada
por um só tipo de pêlos semi-erectos; pernas muito longas
e finas, espinhos da tíbia posterior claro, fêmur posterior
com cerdas erectas na parte basal inferior.
Genitália: vésica do pênis (Fig. 2) alongada, com uma
dobra mediana, gonóporo secundário situado além do meio,
extremidade apical bifurcada, um dos prolongamentos bas¬
tante mais curto que o outro. Parâmero esquerdo (Fig. 3)
bastante curvo. Parâmero direito (Fig. 4) como mostra a
ilustração.
Fêmea: semelhante ao macho em coloração e aspecto
geral: segmento II da antena linear (segmento I, comprimen¬
to 0,2 mm; II, 0,7 mm; III, 0,7 mm; IV, 0,6 mm); olhos, seg¬
mento I e parte apical do segmento II da antena pretoS;
parte apical das coxas anteriores alaranjada.
Holótipo: macho. Brasil, Rondônia, Ji-Paraná, XI. 1983,
Roppa col. (do lado direito do retângulo), na coleção do
MN. Paràtipos: 1 macho e 2 fêmeas, mesmas indicações
que 0 tipo, na coleção do autor.
Difere das demais espécies do gênero pela coloração,
morfologia e comprimento da antena, especialmente pela
forma e grossura do segmento II do macho, bem como pela
morfologia da vésica.
O nome específico é alusivo ao Estado de Rondônia onde
os exemplares foram coligidos.
Anomalocornistucuruiensis n.sp.
(Fig. 5.8)
Caracterizada pela coloração vermelha do cúneo e pela
morfologia da genitália do macho.
Macho: comprimento 2,9 mm, largura 0,9 mm. Cabeça:
comprimento 0,2 mm, largura 0,6 mm, vértice 0,28 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,28 mm; ii, 0,50 mm na
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Carvalho, J.C.M. — Mirídeos Neotropicais. CCLII
parte mais alongada e 0,26 mm na parte globosa (inferior
ou mais curta): III, 0,41 mm; IV, 0,40 mm. Pronoto: compri¬
mento 0,34 mm, largura na base 0,20 mm.
Coloração geral ocrácea a pálido-amarelada; cabeça,
pronoto e escutelo tendendo a alaranjado-claro; hemiélitros
translúcidos, pálidos, embólio amarelado, cúneo vermelho
ou avermelhado, membrana fusca; antena com segmento I e
ramo mais longo do II negros, parte nodulosa (mais curta)
do II e segmentos III e IV pálidos.
Lado inferior e pernas pálido-amarelados, ápice da coxa I
avermelhado; mesopleura e lados do abdome no meio fus¬
cos.
Pubescência fina e semi-erecta; rostro longo, alcançan¬
do o pigóforo; segmento I e II da antena característicos
quando vistos de lado (Fig. 5).
Genitália: vésica fina, alongada, curva na região subasal
(Fig. 6), gonóporo secundário bem definido, extremidade
apical com um prolongamento fino, esclerosado e outro do
mesmo tipo membranoso. Parâmero esquerdo (Fig. 7) com
duas extremidades digitiformes bem nítidas. Parâmero di¬
reito (Fig. 8) alongado, com cerdas longas.
Fêmea: semelhante ao macho em coloração; compri¬
mento 3,0 mm, largura 1,1 mm, comprimento da cabeça 0,2
mm, largura 0,6 mm, vértice 0,28 mm; antena: segmento I,
comprimento 0,22 mm; II, 0,72 mm, cilíndrico, normal; III,
0,70 mm; IV, 0,40 mm.
Holótipo: macho, Tucuruí, Pará, Brasil, 1. 79, M. Alva¬
renga col., na coleção do MN. Parátipos: 1 macho e 1 fêmea,
mesmas indicações que o tipo, na coleção do autor.
Difere das demais espécies de gênero pela coloração
vermelha do cúneo e pela morfologia da genitália do macho.
O nome específico é alusivo à área da hidrelétrica de
Tucuruí onde os exemplares foram coligidos
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Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Zoologia, 1 (2)
Anomalocornis tucuruiensis n.sp.: Fig. 5 — cabeça e antena, vis¬
tas de lado; Fig. 6 — vésica; Fig. 7 — parâmero esquerdo; Fig. 8
— parâmero direito.
Arlemiris n.gen.
Phylinae, Phylini. Corpo alongado, liso, revestido de pê¬
los simples, semi-erectos.
Cabeça vertical, olhos contíguos a margem anterior do
pronoto, vértice arredondado, fronto convexa, clípeo longo,
horizontal, globoso, piloso, prolongado e arredondado na ex¬
tremidade anterior, característico do gênero; rostro muito
longo, alcançando o pigóforo, segmento II alcançando o ápice
das coxas anteriores, segmentos lii-IV finos, subigiiais; an¬
tena muito longa, segmento I grosso com pubescência mui-
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Carvalho, J.C.M. — MSrídeos Neotropicais. CCLll
to curta e uma cerda longa, erecta, segmento II também re¬
vestido de pubescência curta, fortemente curvo na porção
basal onde se encontra um tufo de aproximadamente 8-10
cerdas longas, finas e erectas, segmentos III e IV finos, com
pêlos curtos.
Pronoto trapezoidal, calos obsoletos, margem posterior
reta, escutelo plano.
Hemiéiitro com pêlos semi-erectos, embólio estreito,
cúneo mais longo que largo na base, membrana biareolada.
Pernas longas e finas, unhas alongadas, parempódio ci¬
liar, pulvílo obsoleto.
Espécie tipo do gênero: Aríemiris roquettei n.sp.
Aproxima-se de Anomalocornis Carvalho & Wygodzinsky,
1945, diferenciando-se pela morfologia do segmento II da an¬
tena (Fig. 9) e sobretudo pela morfologia característica do
clípeo.
O nome genérico é dado em homenagem ao meu dileto
colega Roger Pierre Hypolite Arié, em reconhecimento pelo
seu trabalho sobre os Colembolos brasileiros.
Arlemiris roquettei n.sp.
(Fig. 9.13)
Caracterizada pela coloração da antena e pela morfolo¬
gia da genitália do macho.
Macho: comprimento 3,2 mm, largura 1,0 mm. Cabeça:
comprimento 0,2 mm, largura 0,7 mm, vértice 0,44 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,8 mm; II, 1,6 mm; III,
1.0 mm; IV, 0,8 mm. Pronoto: comprimento 0,4 mm, largu¬
ra na base 0,8 mm. Cúneo: comprimento 0,40 mm, largura
na base 0,24 mm (holótipo).
Coloração geral pálido-amarelada; olhos castanhos, seg¬
mento I da antena, porção apical do segmento II e ápice do
rostro pretos.
— 153
SciELO
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Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Zoologia, 1 (2)
Características morfológicas como indicadas para o gê
nero.
Genitália: vésica do pênis (Fig. 11) alongada, com dois
prolongamentos além do gonóporo secundário. Parâmero
esquerdo (Fig. 12) com lobos digitiformes finos e numero¬
sas cerdas dorsais. Parâmero direito (Fig 13) pequeno
simples.
Fêmea: desconhecida.
Holótipo: macho, Ji-Paraná, Rondônia, Brasil, XI. 1983.
Roppa col., na coleção do MN. Parátipos: 2 machos, mes
mas indicações que os tipos, na coleção do autor.
O nome específico é dado em homenagem a Edgard Ro-
quette-Pinto, eminente antropólogo brasileiro, pelo trans¬
curso do seu centenário de nascimento. O livro Rondônia,
juntamente com os trabalhos pioneiros de Cândido Mariano
da Silva Rondon, motivaram o nome Rondônia, dado atual¬
mente ao Estado da Federação onde a espécie foi coligida
Araucanophylus n.gen.
Phylinae, Phylini. Corpo alongado (macho), oval (fêmea),
recoberto por pubescência formada de um só tipo de pêlos,
sedosos e prateados sob luz incidente, liso. Nota-se acen¬
tuado dimorfismo sexual, as fêmeas com membrana mais
curta e mais compactas que os os machos.
Cabeça inclinada, vértice marginado, olhos grandes, con¬
tíguos ao pronoto, porção anterior pontuda entre as bases
das antenas, clípeo pouco saliente: rostro alcançando as co¬
xas posteriores.
Pronoto trapezoidal, margens desprovidas de carena,
retas; mesoescuto exposto; escutelo normal, plano.
Hemiélitro com pubescência semi-erecta, embólio es¬
treito, bem definido, cúneo cerca de duas vezes mais longo
que largo na base (macho) ou pouco mais longo que largo
(fêmea).
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Carvalho, J.C.M. — Mirídeos Neotropicais. CCLII
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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldl, Zoologia, 1 (2)
Antena com segmento I curto, cerca de metade da lar¬
gura do vértice, segmento II distintamente mais longo que a
largura da cabeça (macho) ou de comprimento igual ou me¬
nor que a largura da cabeça (fêmea), segmento II da largura
do vértice, pubescência curta e densa.
Pernas de comprimento médio, tíbias posteriores cas¬
tanhas com espinhos de coloração clara sem manchas es¬
curas na base.
Espécie tipo do gênero: Ariemíris roquettei n.sp.
Aproxima-se de Plagiognathus Fieber, 1858 e Mlcrophy-
lellus Reuter, 1909, ambos com segmento II da antena de
comprimento maior que a largura da cabeça (macho). Do
primeiro diferencia-se pela ausência de manchas negras na
base dos espinhos: do segundo diferencia-se pela colora¬
ção pálida dos espinhos das tíbias e também pelo dimorfis-
mo das fêmeas.
O nome genérico é alusivo aos araucanos, habitantes
primitivos da República do Chile.
Araucanophylus pacificus n.sp.
(Fig. 14.19)
Caracterizada pelo dimorfismo sexual e pela morfologia
da genitália do macho.
Macho: comprimento 3,8 mm, largura 1,4 mm. Cabeça:
comprimento 0,1 mm, largura 0,6 mm, vértice 0,32 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,12 mm; II, 0,92 mm;
III, 0,32 mm; IV, 0,20 mm. Pronoto: comprimento 0,4 mm,
largura na base 1,1 mm. Cúneo: comprimento 0,60 mm, lar¬
gura 0,36 mm (holótipo).
Coloração geral preta; brilhante na cabeça, pronoto e
escutelo; mais clara, tendendo ao ferrugíneo no hemiéiitro;
membrana fusca; segmentos I e II da antena castanho-cla¬
ros com a extremidade apical preta.
156 —
cm 1
SciELO
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Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Zoologia. 1 (2)
Lado inferior, coxas e pernas pretos; fêmures com ex¬
tremidade apical pálida; tíbias castanhas, espinhos claros,
sem mancha negra na base.
Pubescência densa, semi-adpressa, com um só tipo de
pêlo (embora prateado sob luz incidente); corpo liso; rostro
alcançando o ápice das coxas medianas; cúneo nitidamente
mais longo que largo na base.
Genitália: pênis (Fig. 16) com uma curvatura pouco
além do meio, alargado e com aba membranosa junto ao go-
nóporo secundário, extremidade apical afilada. Parâmero
esquerdo (Fig. 17) com dois lobos curtos e cerdas dorsais.
Parâmero direito (Fig. 18) alongado, com cerdas compridas.
Fêmea: comprimento 2,8 mm, largura da cabeça 0,7 mm,
comprimento do segmento II da antena 0,6 mm, comprimen¬
to do cúneo 0,32 mm, largura na base 0,22 mm.
Semelhante ao macho na coloração, corpo mais curto
e mais arredondado (Fig. 15).
Holótipo: macho, Santiago, Chile, 1952, Kuschel col.,
na coleção da CAS. Parátipos: 2 machos e 3 fêmeas, mes¬
mas indicações que o tipo; 3 fêmeas e 2 machos, 20 km N
of Concon, Valp. (Valparai.$o) Province, Chile, XI.26.50, Ross
& Micheibacher; 1 macho e 1 fêmea, 10 km E Zapudo, Acon.
(Aconcagua), Chile, Ross & Micheibacher: 1 macho e 2 fê¬
meas, Valparaiso, Chile, Kuschel col., 1952; 1 macho, Dal-
cahue, Chiloe Is., Chile, 1.22.62, R.L, Usinger; 2 machos,
Chile, Los Muermos Forest, 1.20.51, Ing. Rosas & Michei¬
bacher, na coleção da Academia de Ciências da Califórnia
e do autor.
O nome específico é alusivo à sua distribuição geográ¬
fica além dos Andes.
Araucanophylus sulinus n.sp.
(Fig. 20.23)
Caracterizada pela coloração do escutelo e do cúneo
e pela morfologia da genitália do macho.
158 —
cm 1
SciELO
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Carvalho, J.C.M. — MIrfdeos Neotropicais. CCLII
Macho: comprimento 3,0 mm, largura 1,2. Cabeça:
comprimento 0,1 mm, largura 0,6 mm, Vértice 0,28 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,12 mm; II, 0,84 mm;
III, 0,32 mm; IV, 0,24 mm. Ptonoto: comprimento 0,4 mm,
largura na base 1,0 mm. Cúneo: comprimento 0,44 mm,
largura na base 0,32 mm (holótipo).
Coloração geral preta; ápice do escutelo e metade ba¬
sal do cúneo pálidos, membrana fusca, aréolas negras.
Lado inferior negro, fendas coxais, co.xas (exceto a base),
trocânteres e ápices dos fêmures pálidos; num exemplar as
coxas e as pernas são pretas.
Rostro alcançando as coxas posteriores; pubescência
com um só tipo de pêlos, semi-erectos; tíbias com espinlios
pretos sem manchas negras na base.
Genitália: vésica (Fig. 21) enrolada sobre si mesma,
gonóporo secundário no terço apical, circundado por peque¬
na área membranosa. Parâmero esquerdo (Fig. 22) com pro¬
longamentos digitiformes bem definidos. Parâmero direito
(Fig. 23) alongado, afilado no ápice.
Fêmea: comprimento 3,6 mm, largura 1,6 mm apresen¬
tando dimorfismo; largura da cabeça 0,8 mm, comprimento
do segmento II da antena 1,0 mm; coloração negra, margem
interna dos olhos, faixa longitudinal no disco, escutelo
(exceto ângulos basais) e cúneo (exceto ápice) pálidos,
membrana translúcida, nervuras negras. Lado inferior cas¬
tanho, lados da cabeça, xifo, propleura, metade apical das
coxas e trocânteres pálidos.
Segmento II da antena ligeiramente engrossado para o
ápice, mais claro na metade basal.
Holótipo: fêmea, Chile, Bio Bio, El Abanico. Xll.30.1950,
leg. Ross & Micheibacher, na coleção da CAS. Parát\pos:
4 machos e 1 fêmea, mesmas indicações de localidade, na
coleção do autor; 1 macho, 30 km S Valdivia, Chile, 1.13.51,
Ross & Micheibacher; 1 macho, Huilinco, Chiloe Is., Chile,
1-21.62 R.L. Usinger col. (CAS).
— 159
cm 1
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Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Zoologia, 1(2)
Difere de Araucanophylus pacificas n. sp. pela morfo¬
logia da genitália do macho e pela coloração do escutelo e
do cúneo.
. O nome específico é alusivo à sua distribuição geográ¬
fica ao sul da República do Chile.
/(/
20
Araucanophylus sulinus n.sp.: Fig. 20 — macho, holótipo; Fig. 21
— vésica; Fig. 22 — parâmero esquerdo; Fig. 23 — parâmero
direito.
Bergmiris n.gen.
Phylinae, Phylini. Corpo compacto, revestido de pêlos
cilíndricos comuns, semi-adpressos, liso, afilado, tamanho
pequeno.
Cabeça semi-horizontal, aproximadamente tão longa
quanto larga, clípeo prominente, achatado, fronte e porção
anterior aos olhos afilada para a fronte: olhos contíguos ao
pronoto; antena com segmentos I e II muito grossos, o I
afilado para a base e o II fusiforme (levemente mais curto
e mais fusiforme na fêmea), ambos com pubescência den¬
sa, curta, cerdiforme, segmentos III e IV muito curtos e
finos, rostro alcançando a base das coxas posteriores.
160 —
cm 1
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Carvalho, J.C.M. — Mirídeos Neotropicais. CCLII
Pronoto liso, muito mais largo que comprido, afilado
para a cabeça, brilhante, escutelo plano.
Hemiéiitro com embólio bem definido, cúneo aproxima¬
damente tão longo quanto largo na base, membrana biareo-
lada.
Pernas de comprimento médio, fêmures engrossados,
tíbias com espinhos pálidos, curtos e dentículos esclerosa-
dos, unhas e parempódios do tipo Phylini.
Espécie tipo do gênero: Bergmiris eg^egius (Berg, 1883).
Difere de Atractotomus Fieber, 1858 e Criocoris Fieber,
1358 pela ausência de pêlos escamiformes.
Berg (1883) remeteu exemplares dessa espécie para
Reuter, que ao estudá-los assim se expressou :
Atractotomus? sp. vel n.gen. Ab omnibus speciebus euro-
paeis corpore squamis divellandis haud detecto sed longius remo-
tibus pubescenti tibiisque concoloriter pinulosis divergens. Atracto-
tomo nimio affinis.
Berg, naquela época afirmou :
Los caracteres diferenciales non son suficientes a mi modo
de ver, para la fundacion de um novo genero.
Acontece, porém, que os caracteres usados para definir
os gêneros de Phylini não permitem associar esta espécie
com os gêneros Atractotomus ou Criocoris- Tais gêneros
são por outro lado, típicos da região holártica e não foram
ainda encontrados na região neotrópica. Devido aos carac¬
teres que apresenta e ao fator zoogeográfico, decidi esta¬
belecer para a espécie um novo gênero e denominá-lo de
Bergmiris em homenagem ao eminente hemipterólogo Car¬
los Berg.
Bergmiris egregíus (Berg, 1883) n.comb.
(Pig. 24.27)
Atractotomus egregius Berg (1883 : 79; 1884 : 95)
Caracterizada pela coloração do corpo e pela morfolo¬
gia da genitália do macho.
—161
cm 1
SciELO
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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldl, Zoologia, 1 (2)
Macho: comprimento 3,3 mm, largura 1,4 mm. Cabeça:
comprimento 0,56 mm, largura 0,60 mm, vértice 0,28 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,28 mm; II, 0,92 mm;
III, 0,28 mm; IV, 0,28 mm. Pronoto: comprimento 0,60 mm,
largura na base 1,08mm. Cúneo: comprimento 0,44 mm, lar¬
gura na base 0,28 mm.
Coloração geral castanho-escura a preta; olhos casta¬
nhos. rostro e tíbias (exceto porção basal) pálidos: espinhos
da tíbia posterior de cor clara.
Características morfológicas como indicadas para o gê¬
nero.
Genitália: pênis (Fig. 25) com porção terminal da vési-
ca característica, gonóporo secundário subapical. Parâmero
esquerdo (Fig. 26) com ramo maior alongado e numerosas
cerdas dorsais. Parâmero direito (Fig. 27) pequeno, globoso.
Fêmea: semelhante ao macho em aspecto geral e colo¬
ração, um pouco mais robusta, segmento II da antena mais
curto e mais fusiforme. Comprimento 3,8 n-.m, largura 1,6
mm. Cabeça: comprimento 0,60 mm, largura 0,60 mm, vér¬
tice 0,36 mm. Antena: segmento I, comprimento 0,20 mm;
II, 0,68 mm; III, 0,36 mm; IV, 0,32 mm. Pronoto: comprimen¬
to 0,68 mm, largura na base 1,16 mm. Cúneo: comprimento
0,40 mm, largura na base 0,32 mm.
Exemplares estudados: macho e fêmea. Missiones, Lo-
reto, IX. 1935 (comparados com o tipo), Museo de La Plata;
macho, El Palmar E. Rios, 111.74; 4 fêmeas, S. (Serra) Bo¬
caina, 1650 m, S.J. (São José) Barreiro, SP (São Paulo),
1.1969, M. Alvarenga, na coleção do autor
Chiloephylus n.gen.
Phylinae, Phylini. Corpo alongado-oval, liso, revestido
por pubescência prateada (sob luz incidente), densa, longa e
semi-erecta.
Cabeça vertical, pontuda entre as bases das antenas,
vértice marginado, olhos contíguos ao pronoto, rostro muito
longo, alcançando o segmento V do abdome.
162 —
cm 1
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Carvalho, J.C.M. — Mirídeos Neotropicais. CCLII
Bergmiris egregius (Berg): Fig. 24 — macho; Fig. 25 — vésica; Flg
26 — parâmero esquerdo; Fig. 27 — parâmero direito.
— 163
SciELO
10 11 12
Boletim do Museii Paraense Emilio Goeldl, Zoologia, 1 (2)
Pronoto trapezoidal, calos obsoletos, pêlos da parte an¬
terior voltados uns contra os outros, ângulos anteriores ten¬
do ao lado uma cerda longa, erecta.
Hemiéiitro densamente piloso, fratura cuneal profunda,
cúneo grande, arredondado externamente próximo à base,
membrana translúcida, biareolada.
Pernas de comprimento médio, tíbias com espinhos cla¬
ros sem manchas escuras na base, unhas alongadas, pulvilo
muito pequeno, colada à base da unha.
Espécie tipo do gênero: Chiloephylus chiloensis n.sp.
Aproxima-se de 'Microphylellus Reuter, 1909, diferen¬
ciando-se pela morfologia da antena, pela pubescência mui¬
to mais longa e densa, pelos espinhos claros das tíbias e
sobretudo pela morfologia da vésica do pênis.
O nome genérico e específico são alusivos à ilha de
Chiloe, República do Chile, onde foram coligidas algumas
espécies da tribo Phylini.
Chiloephylus chiloensis n.sp.
(Fig. 28-33)
Caracterizada pela coloração do corpo e pela morfolo¬
gia da genitália do macho.
Macho: comprimento 3,8 mm, largura 1,4 mm. Cabeça:
comprimento 0,1 mm, largura 0,8 mm, vértice 0,32 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,2 mm; il, 1,0 mm; III,
0,3 mm; IV, 0,2 mm. Pronoto: comprimento 0,4 mm, largu¬
ra na base 0.40 mm (holótipo).
Coloração geral preta, hemlélitros castanhos-escuros,
membrana fusca translúcida. Lado inferior preto.
Pubescência formada por um só tipo de pêlos, densa,
semi-adpressa; rostro alcançando as coxas posteriores; seg¬
mento II da antena engrossado em toda sua extensão.
Genitália: vésica do pênis (Fig. 29-30) com duas cur¬
vaturas, gonóporo secundário subterminal, tendo entre ele
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cm 1
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Carvalho, J.C.M. — Mirídeos Neotropicais. CCLII
Chiloephylus chiloensis n.sp.: Fig. 28 — macho, holótipo; Fig. 29
— pênis; Fig. 30 — vésica; Fig. 31 e 32 — parâmero esqncrdo, Fig
33 — parâmero direito.
— 165
SciELO
12
Boletim do Museu Paraetise Emillo Gocidi, Zoologia, 1 (2]
6 a primeira e grande curvatura um campo membranoso com
numerosos dentículos esclerosados. Parâmero esquerdo
(Fig. 31-32) com prolongamentos digitiformes de compri¬
mento médio. Parâmero direito (Fig. 33) pequeno, alongado.
Fêmea: semelhante ao macho em coloração e aspecto
geral, segmento II da antena fino, comprimento 0,88 mm,
de coloração clara, preto apenas na extremidade apical.
Holótipo: macho, Dalcahue, Chiloe Is., Chile, 1.22.62,
R.L. Usinger col., na coleção da CAS. Parátipo: fêmea,
mesmas indicações que o holótipo, na coleção do autor.
O nome específico é alusivo à ilha de Chiloe, no sul
da República do Chile.
Crassicornus hondurensis n.sp.
(Fig. 34.36)
Caracterizada pela coloração e comprimento da antena
e pela morfologia da vésica.
Macho: comprimento 4,6 mm, largura 1,6 mm. Cabeça:
comprimento 0,2 mm, largura 0,8 mm, vértice 0,38 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,8 mm; II, 1,5 mm; III
e IV mutilados. Pronoto: comprimento 0,6 mm, largura na
base 1,1 mm. Cúneo: comprimento 0,46 mm, largura na
base 0,36 mm (holótipo).
Coloração geral pálido-amarelada com áreas negras e
vermelhas: cabeça, segmento I da antena e área anterior
aos calos vermelhos, olhos castanhos, segmento II da ante¬
na pálido-amarelado com porção apical e anel subasal ne¬
gros, membrana translúcida.
Olhos pedunculados voltados para cima e para fora;
vértice escavado, fronte saliente; segmento I da antena gros¬
so, segmento II levemente curvo, pouco mais fino que o I;
rostro alcançando as coxas medianas; pubescência longa,
fina e erecta; pêlos da antena muito curtos, densos; tíbias
posteriores com cerdas muito longas, comprimento maior
que a grossura do fêmur.
166 —
cm 1
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Carvalho, J.C.M. — Mírídeos Neotropicais. CCLII
Genitália: vésica (Fig. 35) alongada, com duas curva¬
turas, gonóporo secundário subapical (Fig. 36), ápice carac¬
terístico. Parâmero esquerdo longo e curvo, prolongamento
digitiforme direito alongado. Parâmero direito muito peque¬
no, simples.
Fêmea: desconhecida.
Holótipo: macho, Lancetilia, Honduras, Aug., Honduras,
Stadelmann, na coleção do USNMNH.
34
35
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36
4 )
Crassicornus hondtirensis n.sp.: Fig. 34 — macho, holótipo; Fig.
35 — vésica; Fig. 36 — parte apical da vésica.
167
cm 1
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BolGtim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Zoologia, 1 (2)
Difere de Ci*assicornus rondoni n.sp. pela morfologia
e comprimento dos segmentos da antena, pela coloração do
cório e pela morfologia da vésica.
O nome específico é alusivo ao país onde o tipo foi
coligido.
Crassicornus rondoni n.sp.
(Fig. 37-42)
Caracterizada pela morfologia e comprimento da antena,
bem como pela morfologia da vésica.
Macho: comprimento 3,6 mm, largura 1,4 mm. Cabeça:
comprimento 0,2 mm, largura 0,7 mm, vértice 0,32 mm.
Antena: segmento 1, comprimento 0,4 mm; 11, 1,4 mm; 111,
0,8 mm; IV, 0,6 mm. Pronoto: comprimento 0,4 mm. largu¬
ra na base 1,0 mm. Cúneo: comprimento 0,48 mm, largura
na base 0,36 mm (holótipo).
Coloração geral pálido-amarelada com áreas vermelhas;
cabeça (exceto faixa clara no vértice e meio do pescoço),
duas manchas em frente aos calos, margem lateral anterior
da propleura vermelhas, duas manchas arredondadas no en-
docório (ao nível do ápice do clavo) laranja, segmento 1 da
antena castanho com porção basal vermelha, segmento II
pálido-amarelado com extremidade apical e anel subasal ne¬
gros, segmentos III e IV pálidos com ápices negros; cabeça
vista c'e lado com porção lateral pálida.
Olhos pedunculados para cima e para fora vértice arre¬
dondado; rostro alcançando as coxas posteriores; pubescên-
cia longa, fina e erecta; pêlos da antena curtos e densos;
segmento II da antena abruptamente engrossado no ápice.
Genitália: vésica alongada (Fig. 38) com curvatura
acentuada, afilada para o ápice, gonóporo secundário subapi-
cal, prolongamento apical com minúsculos dontículos escle-
rosados. Parâmero esquerdo (Fig. 40) com ramo digitifor-
me direito muito longo, ramo esquerdo bastante curvo.
Parâmero direito muito pequeno, simples. (Fig. 41).
168'
cm 1
SciELO
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Carvalho, J.C.M.. — Mirídeos Neotropicais. CCLil
G
Crassicornus rondoni n.sp.: Flg. 37 — macho, holótipo; Fig. 38 —
vésica; Fig, 39 — parte apical da vésica; Fig. 40 — parâmero es-
querclc; Fig. 41 — parâmero direito; Fig. 42 — parte apical da
vésica de Crassicornus rubritinctus Becker & Carvalho.
169
*
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10 11 12 13 14 15
cm
Boletim do Museu Paraense Emillo Goeidi, Zoologia, 1 (2)
Fêmea: desconhecida.
Holótipo: macho, Rondônia, Ji-Paraná, Brasil, XI. 1983,
Roppa coL, na coleção do MN.
Difere de Crassicornus hondurensis n.sp., pela morfo¬
logia da antena e pela extremidade apical da vésica (Fig. 39).
Possui neste aspecto corta semelhança com Crassicornus
rubritinctus Becker & Carvalho, 1975 (Fig. 42) que não pos¬
sui dentículos esclerosados no prolongamento apical, que
por sua vez é mais curto.
O nome específico é dado em homenagem ao Marechal
Cândido Mariano da Silva Rondon, a quem tivemos o prazer
de conhecer e admirar e considerado o maior protetor dos
indígenas brasileiros.
Frotaphylus n.gen.
Phylinae, Phylini. Corpo de porte médio, alongado-oval,
liso, revestido de pubescência formada por pêlos de um só
tipo.
Cabeça inclinada, pontuda anteriormente, vértice mar¬
ginado, fronte e clípeo planos, jugo grande: olhos deprimi¬
dos, contíguos ao pronoto, ocupando lateralmente a metade
posterior da cabeça; antena cilíndrica, segmento II cerca de
quatro vezes mais longa que o 1; rostro muito longo, alcan¬
çando 0 pigóforo (macho) ou o ovopositor (fêmea).
Pronoto trapeziforme, calos grandes e planos, margens
laterais retas e margem posterior reta; mesoescuto desco¬
berto: escutelo com depressão basal, pouco convexo.
Hemiéiitro com embólio bem delineado, fratura cuneal
longa, cúneo pouco mais longo que largo na base, membrana
biareolada.
Tíbias posteriores com espinhos castanhos sem man¬
chas escuras na base, pálido-amareladas; unhas longas, pa-
rempódio capilar, pulvílo invisível.
Espécie tipo do gênero: Frotaphylus morelral n. sp.
170 '
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Carvíílho, J.C.M. — Mirídeos Neotropicais. CCLII
Aproxima-se no aspecto geral de Monosynamma Scott,
1864 diferindo pelo comprimento do rostro e membrana mais
longa.
Frotaphylus moreirai n.sp.
(Fig. 43.46)
Caracterizada pela coloração geral do corpo e pela mor¬
fologia da genitália do macho.
Macho: comprimento 3,6 mm, largura 1,5 mm. Cabeça:
comprimento 0,2 mm, largura 0,8 mm, vértica 0,44 mm.
Antena: segmento I. comprimento 0,24 mm; II, 1,08 mm; III,
0,44 mm; IV, 0,24 mm. Pronoto: comprimento 0,6 mm, lar¬
gura na base 1,2 mm. Cúneo: comprimento 0,44 mm, largu¬
ra na base 0,32 mm.
Coloração geral alaranjada-lutescente com tendência a
avermelhado no endocório e cúneo; membrana fusca, seg¬
mento I e parte apical do segmento II da antena pretos, seg¬
mentos III e IV fuscos. Lado inferior lutescente, jugo aver¬
melhado, clípeo superiormente e búcula negros.
Características morfológicas como indicadas para o
gênero.
Genitália: Pênis (Fig. 44) alongado, com dois ramos na
porção apical, um deles contendo o gonóporo secundário.
Parâmero esquerdo (Fig. 45) com dois ramos característi¬
cos. Parâmero direito (Fig. 46) menor, simples.
Fêmea: idêntica ao macho, um pouco mais robusta.
Holótipo: fêmea (exemplar da direita no retângulo),
Estr. (Estrada) Rio Bahia, km 965, Encruzilhada, Bahia,
Brasil, 960 m, Seabra & Roppa, na coleção do MN. Parátipos:
1 macho e 2 fêmeas, mesmas Indicações que o tipo, na co¬
leção do autor.
Os nomes genérico e específico são dados em home¬
nagem ao Doutor Manoel da Frota Moreira, pelo relevante
trabalho realizado frente à antiga Divisão Técnico-Científica
— 171
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emillo Goeldl, Zoologia, 1 (2)
do Conselho Nacional de Pesquisas. Nessa posição teve
oportunidade, durante vinte e dois anos, de prestar relevan¬
tes serviços a causa do desenvolvimento científico no País,
bem como, ajuda material e estímulo aos pesquisadores em
geral.
43
46
■ \-'.-
45
K/
44
Frotaphylus morelrai n.sp.: Fig. 43 — macho, holótipo; Fig. 44 —
vésica; Fig. 45 — parâmero esquerdo; Fig. 46 — parâmero direito.
Gonzalezinus pemehuensis n.sp.
(Fig. 47.50)
Caracterizada pela coloração das pernas e pela morfolo¬
gia da genitália do macho.
Macho: comprimento 4,0 mm, largura 1,4 mm. Cabeça:
comprimento 0,2 mm, largura 1,1 mm, vértice 0,36 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,1 mm; ll-IV mutilados.
172 —
cm 1
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10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Zoologia, 1 (2)
Pronoto: comprimento 0,4 mm, largura na base 1,0 mm.
Cúneo: comprimento 0,64 mm, largura na base 0,44 mm.
Coloração geral negra; cabeça, pronoto e escutelo pre¬
tos; clavo castanho-escuro; cório castanho-claro; embólio e
cúneo mais claros; margem externa e ápice deste último
pálidos; membrana fusca.
Lado inferior negro; trocânteres pálidos; fêmures casta¬
nho-escuros na face superior e castanho-claros com alguns
pontos negros do lado inferior; tíbias pálidas com espinhos
pretos tendo manchas negras na base, articulação com fê
mur preta.
Pubescência do corpo composta por dois tipos; pêlos
escamosos prateados sob luz incidene, inclusive na cabeça,
pronoto e lados do externo e pêlos normais; rostro curto,
alcançando a base das coxas medianas.
Genitália: pênis (Fig. 48) com vésica alongada e acha¬
tada, gonóporo subapical, extremidade distai rombuda. Pa-
râmero esquerdo (Fig. 49) com os dois ramos bastante de¬
senvolvidos e cerdas dorsais. Parâmero direito (Fig. 50)
menor, como mostra a ilustração.
Fêmea: desconhecida.
Holótipo: macho, Pemehue, Gutierrez, II. 1,46, na cole¬
ção da CAS. Parátlpos: 2 machos, mesmas indicações que
o tipo, 1 macho, Melleco, Chile, Gutierrez col., 6.46, na co¬
leção do autor.
Difere de Gonzalezinus squamosus Carvalho, 1981 pela
coloração das pernas, pelo porte mais alongado e pela mor¬
fologia da genitália do macho.
O nome específico é alusivo ao local de coleta do ma¬
terial tipo.
Gonzalezinus squamosus Carvalho, 1981
(Fig. 51-56)
Gonzalezinus squamosus Carvalho (1981; 12, íig.)
Esta espécie parece ter ampla distribuição no Chile.
A coloração geral varia de preta a castanho-escura ou mes-
174 -
cm 1
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Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Zoologia, 1 (2)
mo castanha. As antenas variam de completamente pretas
ou com 0 segmento II mais claro para o ápice (fêmea). As
coxas e os fêmures também variam de completamente ne¬
gros ou quase negros a castanhos, em certos exemplares as
coxas são bastante mais claras que a região esternal. A
presença de espinhos pretos com manchas negras na base
é um carácter constante na espécie.
A figura desenhada para a vésica na ocasião da descri¬
ção original não é muito fiel por faltar a pequena expansão
membranosa que sai após a abertura do gonóporo secundá¬
rio (Fig. 51, 52). As ilustrações dadas para o parâmero es¬
querdo Fig. 53, 54) e direito (Fig. 55, 56) são fieis.
Exemplares estudados: Antunapu, Santiago, 13.X1I.1978,
G. Barria col.; Pov. Nuble, 10 km E Coihueco, 27 Dic. 1967;
Machali, Rancagua, 1.XII.78, R. H. Gonzalez; 25 km N Los
Angeles, 27 Dic. L. D. Pena col.; Coricó-Donihue, 5-8 Mov.
1967; Chile, Santiago, Los Condes, 1.XII. 1963; Chile, Nuble,
18 km E San Carlos, XII.24.1950, Ross & Micliclbacher; Chi¬
le, Bio-Bio, Negret, XII.31,1950, Ross & Micholbacher; Chile.
Angol, Jan.1. 1951, Ross & Michelbacher; Chile, Rio Bueno.
N. Osorno, 1.14.1951, Ross & Michelbacher, na coleção do
autor.
Microphylelus biobioensis n.sp.
(Fig. 57-60)
Caracterizada pela coloração da cabeça e pela morfolo¬
gia da vésica do pênis.
Macho: comprimento 3,0 mm, largura 1,3 mm. Cabeça:
comprimento 0,2 mm, largura 0,7 mm, vértice 0,36 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,2 mm; II, 0,8 mm; III,
O, 3 mm; IV, 0,3 mm. Pronoto: comprimento 0,4 mm, largura
na base, 1,0 mm. Cúneo: comprimento 0,44 mm, largura na
base 0,28 mm (holótipo).
Coloração geral preta a castanho-escura; cabeça com
duas manchas pálido-amareladas longitudinais seguindo a
176 —
2 3 4
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cm
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Carvalho, J.C.M. — Mirídeos Nootropicais. CCLII
margem interna dos olhos em toda sua extensão: membrana
fusca.
Lado inferior castanho-escuro; fenda coxal anterior e
área adjacenta da propleura, peritrema ostiolar e mesopleu
ra pálidos; coxas e trocânteres um pouco mais claros; tíbias
com espinhos negros sem manchas escuras na base.
Pubescência formada por um só tipo de pêlos, semi-
adpressa; rostro alcançando as coxas medianas.
Genitália: vésica do pênis (Fig. 58) com duas cui-va-
turas, gonóporo secundário subapical, extremidade afilada.
Parâmero esquerdo (Fig. 59) com prolongamento digitiforme
esquerdo longo e fino, o direito curto. Parâmero direito
(Fig. 60) alongado, com extremidade afilada.
57
Microphylellus biobioensis n.sp.: Fig. 57 — macho, holótipo; Fig.
58 — vésica; Fig. 59 — parâmero esquerdo; Fig. 60 — parâmero
direito.
Fêmea: semelhante ao macho em cor e dimensões.
Holótipo: macho, Chile, Bio-Bio, 6.46, Gutierrez co., na
coleção da CAS. Parátipos: 1 fêmea, mesmas indicações
que o tipo; 2 machos, El Abanico, Bio-Bio, Chile, XII.30.50,
177
cm 1
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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Zoologia, 1 (2)
Ross & Michelbacher; 9 fêmeas, Pemehue, Germain. 1894,
nas coleções da CAS e do autor.
Difere das espécies descritas para esse gênero pela
coloração da cabeça e pela morfologia da genitália do macho.
Rhinacloa crassitoma n .s. (^)
(Flg. 61-65)
Caracterizada pela morfologia do segmento II da antena
(fêmea) e também, pela morfologia da vésica.
Macho: comprimento 1,9 mm, largura 1,0 rnm. Cabeça:
comprimento 0,1 mm, largura 0,6 mm, vértice 0,28 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,14 mm; II, 0,62 mm; ill,
0,25 mm; IV, 0,1 mm. Pronoto: comprimento 0,4 mm, largura
na base 0,9 mm. Cúneo: comprimento 0,36 mm, largura na
base 0,24 mm.
Coloração geral castanho-escura a preta; margem interna
dos olhos, clavo para a base e segmentos III e IV da antena
pálidos; membrana fusca com pequena mancha pálida junto
ao ápice do cúneo; rostro (exceto ápice) e tíbias pálidos, es¬
tas últimas com espinhos pretos e cerca de 6 a 7 manchas
negras (na base dos espinhos).
Características morfológicas como mencionado para o
gênero.
Genitália: vésica (Fig. 63) alongada, com três curvatu¬
ras, gonóporo secundário distante do ápice. Parâmero es¬
querdo (Fig. 64) com um dos processos digitiformes longo
e fino. Parâmero direito (Fig. 65) pequeno, simples.
Holótipo: macho, E. (Estado) do Rio, Brasil, Petrópolis,
58, JCM Carvalho col., na coleção do MN. Parátipos: 2 ma-
(2) — Este trabalho já havia sido entregue para publicação quan.
do o autor tomou conhecimento de que o colega T.R.
Schuh (American Museum of Natural Hlstory, New York)
estava cogitando de uma revisão do gônero Rhinacloa Rcu-
ter. O material deste género foi então encaminhado no
hemlpterólogo, exceto a presente espécie, já incluída neste
trabalho polas características peculiares do segmento II
da antena da fêmea.
178 —
2 3 4
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cm
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Carvaiho, J.C.M. — Mirídeos Neotropicais. CCLil
chos e 2 fêmeas, mesmas indicações que o tipo; 1 fêmea,
Estr. (Estrada) Rio-Bahia, km 965, Motel da Divisa, 960 m.
Encruzilhada, Bahia, Brasil, Seabra & Roppa, na coleção do
autor.
Rhinacloa crassitoma n.sp.: Fig. 61 — fêmea, holótipo; Fig, 62 —
cabeça e antena do macho, vistas de lado; Fig. 63 — vésica; Flg.
64 — parâmero esquerdo; Flg. 65 — parâmero direito.
— 179
SciELO
12
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeidi, Zoologia, 1 (2]
Difere de Rhinacloa aricana, Carvalho, 1948 pela maior
grossura do segmento II da antena da fêmea, pela coloração
do clavo e pela morfologia da genitália do macho.
O nome específico é alusivo ao engrossamento do seg
mento II da antena da fêmea.
Paramíxia araguaiana (Carvalho, 1948) n.comb.
Rhinacloa araguaiana Carvalho (1948: 11)
Descrita no gênero Rhinacloa Reuter, 1876 essa espécie
deve ser transferida para o gênero Paramíxia Reuter, 1900 por
possuir parempódios membranosos e convergentes para o
ápice. Sua identidade dentro do gênero será revista oportu¬
namente.
Exemplares estudados: 2 machos e 1 fêmea, Aragarças,
Goiás. Carvalho col., na coleção do autor.
Plagiognathus obscurus Uhler, 1872
(Fig, 66.69)
Plagiognathus fraternus Uhler, 1895: 51.
Caracterizada pela coloração do vértice e pela morfolo¬
gia da vésica.
Macho: comprimento 4,0 mm, largura 1,7 mm. Cabeça:
comprimento 0,2 mm, largura 0,7 mm, vértice 0,36 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,2 mm; II, 1,2 mm; III,
0.6 mm; IV, 0,4 mm. Pronoto: comprimento 0,5 mm, largura
na base 1,2 mm. Cúneo: comprimento 0.60 mm, largura na
base 0,40 mm (holótipo).
Coloração geral preta com áreas pálido-amareladas; ca¬
beça, olho, antena, pronoto e escutelo pretos (exceto o vérti
ce que possui faixa transversal larga e mesoescuto com duas
manchas oblíquas pálidas): hemiéiitro castanho-escuro; man¬
cha basal e extremo ápices do cório (externamente) e emoó-
lio pálidos: cúneo negro com área basal, margem externa e
área apical pálidas: membrana fusca, aréolas negras: nervu¬
ras e pequena mancha contígua ao ápice do cúneo mais
claras.
*
Carvalho, J.C.M, — Mirídeos Neotropicais. CCLII
Lado inferior e coxas pretos; pernas páliüo-amareladas;
tíbias com espinhos pretos tendo manchas escuras na base
e ponto de contato com o fêmur negro.
Pubescência formada por um só tipo de pêlos semi
adpressos, cabeça pontuda entre as bases das antenas, vér
tice arredondado, pêlos das antenas curtos.
Plagiognathus obscurus Uhler: Fig, 66 — macho; Fig. 67 — vésica;
Fig. 68 — parfimero esquerdo; Fig. 69 — parâmero direito.
— 181
2 3
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cm
Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Zoologia, 1 (2)
Genitália: vésica (Fig. 67) alongada, gonóporo logo após
o fim da parte espiralada do canal seminal, parte apical divi¬
dida em dois lobos afilados. Parâmero esquerdo (Fig. 68)
com ramo digitiforme esquerdo fino e alongado. Parâmero
direito (Fig. 69) simples, globoso.
Fêmea: desconhecida.
Exemplares estudados: macho, Chile, Prov. (Província)
Arauco, Est. Peral, Contulmo, i. 1-2.1966, na coleção do autor.
Difere das demais espécies do gênero pela morfologia
da vésica do pênis e pela coloração do vértice e hemiéiitros.
A espécie deve ter sido introduzida no Chile. O exem¬
plar estudado corresponde a variedade fraternus (Uhier,
1895) devido ao escutelo completamente negro.
Reuteroscopus carmelitanus n.sp.
(Fig. 70.74)
Caracterizada pela coloração do hemiéiitro e pela morfo¬
logia da genitália do macho.
Macho: comprimento 3,0 mm, largura 0,9 mm. Cabeça:
comprimento 0,2 mm, largura 0,5 mm, vértice 0,24 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,1 mm; II, 0,5 mm; III.
0,5 mm; IV, 0,2 mm. Pronoto: comprimento 0.4 mm, largura
na base 0,8 mm. Cúneo: comprimento 0.48 mm, largura na
base 0,24 mm.
Coloração geral castanha a cinamómea com áreas pálido-
amareladas; segmentos I e II da antena castanho-claros, mais
escuros na porção apical; segmentos III e IV negros; comis¬
sura corial, faixa semicircular abrangendo a extremidade api¬
cal do cório, embóllo e base do cúneo branca, ápice do cúneo
e parte transversal da nervura da membrana pálidos.
Lado inferior castanho-escuro; trocânteres pálidos; fê¬
mures e tíbias castanho-claros a pálido-amarelados.
Corpo com dois tipos de pubescência: pêlos sedosos,
prateados sob luz incidente e pêlos normais; cúneo muito
Carvalho, J.C.M. — MIrídeos Neotropicais. CCLIl
Reuteroscopus carmelitanus n.ep.: Fig. 70 — macho; holótipo;
Flg. 71 — vésica; Fig. 72 — parâmero esquerdo; Fig. 73 e 74 —
parAmero direito.
— 183
SciELO
12
Boletim do Museu Paraense Emilio Goeidi, Zoologia, 1 (2)
longo, duas vezes mais longo que largo na base; rootro al¬
cançando as coxas posteriores.
Genitália: pênis (Fig. 71) com vésica alongado, gonó-
poro secundário subapical, porção apical afilada e escavada.
Parâmero esquerdo (Fig. 72) alargado no meio, com prolon¬
gamentos dos lados. Parâmero direito (Fig. 73,74) pequeno,
globoso.
Fêmea: semelhante ao macho em coloração e dimen¬
sões.
Holótipo: macho, Carmo do Rio Claro, MG (Minas Ge¬
rais, Brasil), Carvalho & Becker col., na coleção do MN.
Parátipos: 6 machos e 27 fêmeas, mesmas indicações que
o tipo; 1 macho. Chapada dos Guimarães, 4.11.1961, Brasil,
MT (Maio Grosso), J. & B. Bechyné; 1 macho, Brasil, Minas
Gerais, Carmo do Rio Claro, Janeiro 1978, Carvalho &
Schaffner; 2 machos, Goiás, Brasil, R. (Rio) Verde, Carva¬
lho; 2 machos e 1 mêmea, Goiás, Brasil, Caiapônia, Carva¬
lho, na coleção do autor.
Difere das demais espécies do gênero pela coloração
do hemiéiitro e pela morfologia da genitália do macho.
O nome específico é alusivo à cidade de Carmo do Rio
Claro, Estado de Minas Gerais, onde mais de uma vez, fo¬
ram coligidos exemplares.
Reuteroscopus cisandinus n.sp.
(Fig. 75-86)
Caracterizada pela coloração do hemiéiitro e pela mor¬
fologia da genitália do macho.
Macho: comprimento 3,0 mm, largura 1,2 mm. Cabeça:
comprimento 0,2 mm, largura 0,6 mm, vértice 0,28 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,1 mm; II, 0,9 mm; III,
0,8 mm; IV, 0,4 mm. Pronoto: comprimento 0,4 mm, largura
na base 1,0 mm. Cúneo: comprimento 0,54 mm, largura na
base 0,36 mm.
Carvalho, J.C.M. — Mírídeos Neotropicais. CCLII*
Reuteroscopus cisanãinns n.sp.: Fig. 75 — macho, holótipo; Fig.
76 — vósica; Fig. 77 e 76 — parâmero esquerdo; Fig. 79 e 80 —
parümero direito.
— 185
SciELO
12
Boletim do Museu Paraense Emilio Gocidi, Zoologia, 1 (2]
Coloração geral sulfurescente com áreas negras; ante¬
na (exceto segmento I), escutelo, clavo, mancha dos lados
da comissura corial (de extensão variável) e membrana fus¬
cos a negros: nervuras pálidas.
Lado inferior e pernas sulfurescentes; segmento III dos
tarsos negro. Em alguns exemplares a cabeça e os calos
assumem tonalidade escura e a membrana possui manchas
claras ao lado do ápice do cúneo e em seu meio, junto à
margem externa.
Pubescência formada por dois tipos: pêlos sedosos,
prateados sob luz incidente e pêlos normais; rostro longo
alcançando o segmento VI do abdome.
Genitália: pênis (Fig. 76) com vésica alongada, porção
além do gonóporo secundário alongada, fina. Parâmero es¬
querdo (Fig. 77, 78) alargado no meio, com duas ramifica¬
ções digitiformes afiladas. Parâmero direito (Fig. 79,80)
pequeno, globoso.
Fêmea: semelhante ao macho em côr e dimensões.
Holótipo: macho, Goiás, Brasil, R. (Rio Verde), Carva¬
lho, na coleção do MN. Parátipos: 5 fêmeas e 2 machos,
Goiás, Brasil, Aragarças, Carvalho; 5 fêmeas e 1 macho,
mesmas indicações que o holótipo; 2 fêmeas, itatiaia
(1.800 m), Dalcy & Travassos, 8.1.50; 1 fêmea, Parque Esta¬
dual do Rio Doce, MG (Minas Gerais), Brasil, M. Vulcano
e F. Pereira: 1 macho, Xavantina, M. Grosso, 6.19.47, JCM
Carvalho: 1 macho, Barbalha, Ceará, V.1969, M. Alvarenga,
Brasil, na coleção do autor.
Difere das demais espécies pela coloração do hemiéli-
tro e pela morfologia da genitália do macho.
O nome específico é alusivo à larga dispersão que tem
a espécie.
Reuteroscopus ecuadorensis n.sp.
(Fig. 81.84)
Caracterizada pela cor da antena e pela morfologia da
vésica do pênis.
Carvalho, J.C.M. — Mirídeos Neotropicais. CCLii
Reuteroscopus ecuadorensis n.sp.: Fig. 81 — macho, holótipo; Fig.
82 — vésica; Fig. 83 — parâmero esquerdo; Fig. 84 — parâmero
direito.
— 187
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12
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeidi, Zoologia, 1 (2)
Macho: comprimeno 2,8 mm, largura 1,2 mm. Cabeça:
comprimento 0,1 mm, largura 0,7 mm, vértice 0,36 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,2 mm; II, 1,0 mm; III,
0,5 mm; IV, 0,2 mm. Pronoto: comprimento 0,5 mm, largura
na base 1,0 mm. Cúneo: comprimento 0,40 mm, largura na
base 0,28 mm (holótipo).
Coloração geral citrina a amarelada com áreas negras;
olhos, escutelo, clavo, mancha no endocório ao nível da co¬
missura corial e membrana castanho-escuros a fuscos;
segmento II da antena para o ápice e segmentos III e IV
negros.
Lado inferior e pernas citrinos; ápice do rostro e ápi¬
ces dos tarsos negros; espinhos das tíbias pretos sem man¬
chas na base.
Rostro alcançando as coxas posteriores; pêlos sedosos
misturados com cerdas negras, mais evidentes na cabeça
e no pronoto.
Genitália: vésica do pênis (Fig. 82) característica, com
gonóporo secundário grande, dois lobos arredondados e um
prolongamento espiculiforme mediano. Parâmero esquerdo
(Fig. 83) curvo, com prolongamento digitiforme explanado.
Parâmero direito (Fig. 84) curto, engrossado.
Fêmea: semelhante ao macho em coloração e dimen¬
sões.
Holótipo: macho, Ecuador, 8 mi of Quevedo, 11.3.55,
E.l. Schilinger & E.R. Ross, na coleção da Academia de
Ciências da Califórnia. Parátipos: 2 machos e 2 fêmeas,
mesmas indicações que o tipo e na coleção do autor.
O nome específico é alusivo ao país onde os exempla¬
res foram coligidos.
Reuteroscopus goianus n.sp.
(Fig. 85-90)
Caracterizada pela coloração do corpo e pela morfolo¬
gia da genitália do macho.
188-
2 3 4
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cm
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Carvalho, J.Ç.M. — Mirídeos Neotropicais. CCLII
Macho: comprimento 3,8 mm, largura 1,5 mm. Cabeça:
comprimento 0,2 mm, largura 0,7 mm, vértice 0,28 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,2 mm; II, 1,2 mm: III,
6,0 mm; IV, 0,4 mm. Pronoto: comprimento 0,5 mm, largura
na base 1,2 mm. Cúneo: comprimento 0,48 mm, largura na
base 0,32 mm.
Coloração geral castanha (com tonalidade tendendo ao
avermelhado) e algumas áreas pálidas; ápice do escutelo,
comissura corial, anel semicircular formado pela fratura
cuneal, ângulo interno do cúneo e nervura radial, nervura
cubital ápice do cúneo pálidos; membrana fusca. Em alguns
exemplares existe indicação de uma faixa longitudinal estrei¬
ta ao longo do disco do pronoto.
Lado inferior castanho-avermelhado; margem das fen¬
das coxais I e II e margem inferior da proploura pálidos; tí¬
bias castanho-claras com espinhos pretos sem mancha ne-
Qfa na base.
Pubescência constituída por dois tipos: pêlos sedosos
alongados, prateados sob luz incidente e pêlos normais;
fostro alcançando o segmento VI do abdome; segmento II
da antena muito longo.
Genitália: pênis (Fig. 86) com vésica alongada, por-
Ção além do gonóporo secundário mais larga no meio. Parâ-
aiero esquerdo (Fig. 87, 88) alargado e convexo no meio,
com dois ramos digitiformes, o maior rombundo. Parâmero
direito (Fig. 89, 90) pequeno, globoso.
Fêmea: idêntica ao macho em cor e dimensões.
Holótipo: macho, Goiás, Brasil, R. (Rio) Verde, Carva¬
lho, na coleção do MN. Parátipos: 1 macho e 1 fêmea, mes-
cias indicações que o tipo; 8 fêmeas, Goiás, Brasil, Caia-
Pônia, Carvalho; 1 fêmea. Nova Teutônia, Santa Catarina,
Brasil, 27^ 11’ N 50P 22’ W, October 1970, Fritz Plaumann;
1 fêmea. Argentina, Silvestri, Tigre, VI. 1899, na coleção do
autor.
— 189
cm i
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10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeidi, Zoologia, 1 (2)
Difere das demais espécies pela meia lua pálida exis¬
tente na base do cúneo e nervuras da membrana e no ápice
do escutelo, bem como, pela morfologia da genitália do
macho.
O nome específico é alusivo ao Estado de Goiás onde
o autor coletou os primeiros exemplares da espécie.
85
86
87
Reuteroscopus goianus n.ep.: Fig, 85 — macho, holótipo; Fig. 86
— vésica; Fig. 87 e 88 — Parâmero esquerdo; Fig. 89 e 90 — pa.
râmero direito.
Reuteroscopus guaranianus n.sp.
(Fig. 91-95)
Caracterizada pela coloração do cório e pela morfologia
da genitália do macho.
190 —
cm 1
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10 11 12 13 14 lí
Carvalho. J.C.M. — Mirídeos Nt.otropicais. CCLII
Macho: comprimento 3,8 mm, largura 1,4 mm. Cabeça:
comprimento 0,2 mm, largura 0,6 mm, vértice 0,32 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,2 mm; II, 1,2 mm; III,
0,8 mm; IV, 0,4 mm. Pronoto: comprimento 0,6 mm, largura
na base 1,0 mm. Cúneo: comprimento 0,60 mm, largura na
base 0,40 mm.
Coloração geral amarelada (sulfurescente) com áreas
castanhas a cinamómeas; cabeça, antena e pronoto sulfu-
rescentes; escutelo, clavo e faixa larga transversal, apical
do cório atingindo a margem externa do embólio castanhos
a cinamómeos; metade basal do hemiéiitro e cúneo amare¬
lados, mais pálidos; membrana fusca, com manchas pálidas:
uma junto ao ápice do cúneo e outra em seu meio tocando
a margem externa.
Lado inferior e pernas sulfurescentes.
Pubescência de dois tipos: pêlos alongados sedosos
prateados sob luz incidente e pêlos normais cerdiformes.
mais abundantes no pronoto e na margem externa do em¬
bólio; espinhos das tíbias pretos sem manchas negras na
base; rostro alcançando meio do abdome.
Genitália: pênis (Fig. 92) com vésica característica,
tendo um ramo central escicrosado subdividido em galhos
com ramificações, o espículo maior com ápice típico (Fig.
93). Parâmero esquerdo (Fig. 94) curvo, extremidade apical
dilatada e afilada. Parâmero direito (Fig. 95) globoso. sim¬
ples.
Fêmea: idêntica ao macho em cor e dimensões.
Holótipo: macho. Chapada dos Guimarães, 4.2.1961,
Brasil, MT (Mato Grosso), J. & B. Bechyné col., na coleção
do MN. Parátipos: 1 macho e 2 fêmeas, mesmas indicações
que o tipo, na coleção do autor.
Difere das demais espécies sulfurescentes pela mor¬
fologia da genitália do macho, pelo comprimento do rostro
e da antena.
O nome específico é alusivo à tribo indígena dos guara¬
nis que habitavam a região sudoeste do Brasil.
191
cm i
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10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emiiio Goeldi, Zoologia, 1 (2)
Reuteroscopus guaranianus n.sp.: Fig. 91 — macho, holótipo; Fig.
92 — vésica; Fig. 93 — ápice da vésica; Fig. 94 — parâmero es.
querdo; Fig. 95 — parâmero direito.
Reuteroscopus matogrossensis n.sp.
(Fig. 96.99)
Caracterizada pela coloração do cório e pela morfolo¬
gia da genitália do macho.
Macho: comprimento 3.0 mm, largura 1,1 mm. Cabeça:
comprimento 0,2 mm, largura 0,6 mm, vértice 0,6 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,1 mm; II, 0,9 mm; III,
0,8 mm; IV, 0,4 mm. Pronoto: comprimento 0,4 mm, largura
na base 0,9 mm. Cúneo: comprimento 0,40 mm, largura na
base 0,28 mm.
192 —
SciELO
Carvalho, J.C.M. — Mirfdeos Neotropicais. CCLII
Coloração geral sulfurescente com áreas negras; ante¬
na (exceto segmento I), escutelo. clavo, mancha arredonda¬
da dos lados da comissura corial e membrana fuscos a ne¬
gros; nervura radial e porção transversal da cubital na mem¬
brana pálidas; área contígua ao ápice do cúneo mais clara.
Lado inferior e pernas sulfurescentes.
Pubescência formada por dois tipos: pêlos sedosos,
prateados sob luz incidente e pêlos normais; rostro alcao-
96
te
1 . 0 °^
v
99
Rcuteroscopus matogrossensis n.sp.: Fig. 96 — macho, holótipo;
Fig. 97 — vésica; Fig. 98 — parâmero esquerdo; Fig. 99 — parâ-
mero direito.
■193
cm 1
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10 11 12 13 14 15
Bolotim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Zoologia, 1 (2)
çando o meio do abdome (visto com dificuldade devido aos
exemplares acharam-se com muita cola na ponta do triân¬
gulo de papel); cúneo curto; segmentos II e III da antena
longos.
Genitália: pênis com vésica (Fig. 97) característica,
com um espículo esclerosado tendo quatro dentículos.
Parâmero esquerdo (Fig. 98) curvo, com extremidade apical
alargada. Parâmero direito (Fig. 99) globoso, simples.
Fêmea: semelhante ao macho em cor e dimensões.
Holótipo: macho, Rosário, Oeste, MT (Mato Grosso,
Brasil). XI. 1963, M. Alvarenga col., na coleção dc MN.
Parátipos: 2 fêmeas, mesmas indicações que o tipo, na co¬
leção do autor.
Difere das demais espécies pela mancha arredondada
ao lado da comissura corial, pelo comprimento dos segmen¬
tos II e III da antena e pela morfologia da genitália do macho.
O nome da espécie é alusivo ao Estado onde ela foi
coligida.
Reuteroscopus paraensis n.sp.
(Fig. 100-103)
Caracterizada pela coloração uniforme do corpo e pela
morfologia da vésica.
Macho: comprimento 3,2 mm, largura 1,5 mm. Cabeça:
comprimento 0,2 mm, largura 0,6 mm, vértice 0,36 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,2 mm; II, 0,8 mm; III,
0,3 mm; IV, 0,2 mm. Pronoto: comprimento 0.4 mm, largu¬
ra na base 1,2 mm. Cúneo: comprimento 0.50 mm, largura
na base 0,40 mm (holótipo).
Coloração geral ocrácea a citrina; olhos castanhos;
membrana translúcida.
Pubcscência constituída por pêlos sedosos, achatados
e prateados sob luz incidente e pêlos comuns; rostro alcan¬
çando as coxas posteriores.
194 —
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 lí
Carvalho, J.C.M. — Mirídeos Neotropicais. CCLII
Genitália: vésica (Fig. 101) alongada, gonóporo secun¬
dário subterminal, porção além do gonóporo bifurcada em
dois ramos característicos. Parâmero esquerdo (Fig. 102)
com dois prolongamentos digitiformes laterais. Parâmero
direito (Fig. 103) alongado, simples.
Reuteroscopus paraensis n.sp.: Fig. 100 — macho, holótipo; Fig
101 — vésica; Fig. 102 — parâmero esquerdo; Fig. 103 — parâme.
ro direito.
Fêmea: semelhante ao macho em cor e dimensões.
Holótipo: macho, Jacareacanga, Pará, Brasil, IX. 1970,
F. R. Barbosa col., na coleção do MN. Parátipos: 3 machos
— 195
SciELO
Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Zoologia, 1 (2)
e 3 fêmeas, mesmas indicações que o tipo e na coleção do
autor.
Difere das demais espécies brasileiras do gênero pela
coloração ocrácea uniforme do corpo e pela morfologia a
parte apical da vésica no macho.
O nome específico é alusivo ao Estado do Pará sob
cuja Jurisdição se encontra Jacareacanga.
Reuteroscopus venezuelanus n.sp.
(Fig. 104.107)
Caracterizada pela coloração da antena e das cerdas do
pronoto e pela morfologia da genitália do macho.
Macho: comprimento 3.2 mm, largura 1,0 mm. Cabeça:
comprimento 0,1 mm, largura 0,6 mm, vértice 0,36 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0.2 mm; II, 1,0 mm; III,
0,5 mm : IV, 0,2 mm. Pronoto: comprimento 0,4 mm, largura
na base 1.0 mm. Cúneo: comprimento 0,44 mm, largura na
base 0,28 mm (holótipo).
Coloração geral pálido-amarelada a citrina com áreas
castanhas: olhos, segmentos ll-IV da antena escutelo, clavo,
mancha no cório ao nível da comissura e membrana (contí¬
gua ao ápice do cúneo] pálidas.
Lado inferior e pernas citrinos; fêmures posteriores
com duas fileiras de pontuações escuras inferiormente; es¬
pinhos das tíbias pretos sem manchas negras na base; ápice
do rostro e segmentos III dos tarsos negros.
Rostro alcançando as coxas posteriores; pêlos sedo¬
sos misturados com cerdas claras.
Genitália: vésica do pênis (Fig. 105) característica,
com três prolongamentos esclerosados. Parâmero esquerdo
(Fig. 106) com prolongamento digitiforme esquerdo expla¬
nado. Parâmero direito (Fig. 107) alongado, escavado do
lado interno.
Fêmea: semelhante ao macho em coloração e dimen¬
sões.
196 —
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Carvalho, J.C.M. — Mirídeos Neotropicais. CCLII
104
107
/
105
106
^euteroscopus venezuelanus n.sp.j Fig. 104 — macho, holótipo; Pig.
105 — vésica; Fig. lOG — parâmerb esquerdo; Fig. 107 — parâmero
direito.
Holótipo: macho, Venezuela, Guanare, Est. Portuguesa,
IX. 10-13.1957, Borys Malkin col., na coleção do USNMNH.
Parátipos: 1 macho e 3 fêmeas, mesmas indicações que o
tipo, na coleção do autor.
Difere das demais espécies do gênero pela morfologia
da vésica, pela cor da antena e das cerdas do pronoto,
— 197
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (2)
O nome específico é alusivo ao país onde os exempla¬
res foram coligidos.
Spanogonicus aricanus n.sp.
(Fig. 108-112)
Caracterizada peia coloração do vértice e peia morfo¬
logia da genitália do macho.
Macho: comprimento 2,3 mm, largura 0,8 mm. Cabeça:
comprimento 0,2 mm, largura 0,6 mm, vértice 0,28 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,16 mm; II, 0,50 mm; III,
0,50 mm; IV, 0,30 mm. Pronoto: comprimento 0,3 mm, lar¬
gura na base 0,7 mm. Cúneo: comprimento 0,30 mm, largura
na base 0,20 mm.
Coloração geral negra, opaca; cabeça (exceto vértice
que é pálido ou mais claro), antena, pronoto e escutelo pre¬
tos; hemiéiitro castanho-claro, mais claro na base e no meio
do clavo; membrana fusca.
Lado inferior negro; clípeo, jugo e loro mais claros;
pernas pretas; trocânteres e extremo ápice dos fêmures
pálidos; tíbias castanhas com espinhos negros sem mancha
escura na base.
Pubescência simples, com um só tipo de pêlo; segmen¬
tos I e II da antena engrossados, o segundo um pouco acha¬
tado e ligeiramente curvo; rostro alcançando as coxas me¬
dianas.
Genitália: vésica (Fig. 110) curva, com área subapical
alargada ao lado do gonóporo secundário, extremidade api¬
cal afilada. Parâmero esquerdo (Fig. 111) com ramo basal
alongado, prolongamento digitiforme direito maior que o es¬
querdo. Parâmero direito (Fig. 112) pequeno, afilado na ex¬
tremidade distai.
Fêmea: braquíptera, com a mesma coloração do macho,
segmento II da antena um pouco mais fino que o I, cilíndrico.
198 —
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 lí
Carvalho, J.C.M. — Mirídeos Neotropicais. CCLll
108
109
Spanogonicus aricanus n.sp.: Fig. 108 — fêmea, holdtipo; Fig. 109
— cabeça e antena do macho, vistas de lado; Fig. 110 — vésica;
Fig. 111 — parâmero esquerdo; Fig. 112 — parâmero direito.
199
cm i
2 3
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emilio Goeidi, Zoologia, 1 (2)
Holótipo: macho, Arica, Chile, 6.43, Carvalho col., na
coleção da CAS. Parátipos: 3 machos e 7 fêmeas, mesmas
indicações que o tipo; 2 machos. Peru, Cailao, Xi.16,50, Mi-
chelbacher & Ross, sweeping agric. área, na coleção do
autor.
Difere de Spanogonicus provincialis Berg, 1883 pela co¬
loração do vértice, menor tamanho e pela morfologia da ge¬
nitália do macho.
O nome específico é alusivo à cidade de Arica, ao nor¬
te do Chile, onde o autor coligiu os primeiros exemplares.
Spanogonicus provincialis Berg, 1883
(Fig. 113-117)
Spanogonicus provincialis Berg (1883: 79); id. (1884 : 95).
Esta pequena espécie com 2,6 mm de comprimento é
preta com o segmento I da antena e terço apical das tíbias
testáceos. No macho os segmentos I e II da antena são
grossos, o II um pouco laminado, levemente curvo e mais
estreitado para a extremidade apical.
Genitália: vésica (Fig. 115) com duas curvaturas, go-
nóporo secundário subapical tendo em sua frente um pe¬
queno prolongamento mais esclerosado. Parâmero esquer¬
do (Fig. 116) com prolongamento digitiforme direito fino, o
seu homólogo esquerdo mais grosso e rombudo na extre¬
midade. (Fig. 117).
Exemplares estudados: 25 machos e fêmeas: Tucuman,
Argentina, XI.1949, Wygodzinsky col.: Gran Chaco, Paraguay,
260 km W Paraguay River, VI. 13,1935, A. Schulze; Carmo
do Rio Claro, MG (Minas Gerais), 1.1958, Carvalho & Becker;
Galeão, D.F. (Rio de Janeiro), X.1.1956, Brasil, M. Alvaren¬
ga: Carmo do Rio Claro, Minas Gerais, 1947, Carvalho col.;
São Paulo, Capital, Messias Carrera col.; Fazenda São João,
Diamantino, Mato Grosso, 400 m. 11.1981, M. Alvarenga col..
na coleção do autor.
200 —
cm i
,SciELO
10 11 12 13 14
Carvalho. J.C.M. — Mirídeos Neotropicais. CCLii
Spanogonicus provincialis Berg: Fig. 113 — macho; Pig. 114 —
cabeça e antena do macho, vistas de lado; Fig. 115 — pênis; Fig,
116 — parâmero esquerdo; Fig. 117 — parâmero direito.
— 20
cm ±
SciELO
Boletim do Museu Paraense Emilio Goeidi, Zoologia, 1 (2)
Tytthus columbiensis n.sp.
(Fig. 118)
Caracterizada pela coloração do hemiéiitro e do seg¬
mento I da antena.
Macho: comprimento 3,6 mm, largura 1,0 mm. Cabeça:
comprimento 0,4 mm, largura 0,6 mm, vértice 0,30 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,3 mm; II, 1,0 mm; III,
0,6 mm; IV, 0,3 mm. Pronoto: comprimento 0,4 mm, largu¬
ra na base 0,8 mm. Cúneo: comprimento 0,44 mm, largura
na base 0,24 mm (holótipo).
Coloração geral castanho-escura a preta com áreas
brancas; cabeça, pronoto e escutelo pretos; olhos castanhos;
antena com segmentos I e II pretos, segmentos III e IV pá¬
lidos; hemiéiitro castanho-escuro; porção basal (até o meio
do clavo) e dois terços basais do cúneo brancos; membrana
fusca.
Lado inferior negro; coxas II e III, trocânteres e seg¬
mentos II e III do rostro pálidos; fêmures e base das tíbias
negros; porção apical das tíbias pálida.
Cabeça afilada entre as bases das antenas; olhos dis¬
tantes do pronoto por um espaço aproximadamente igual a
grossura do segmento I da antena; pronoto sinuado dos la¬
dos, calos fundidos, margem posterior do disco convexa;
rostro alcançando as coxas medianas.
Genitália: não dissecada por ser exemplar único.
Fêmea: desconhecida.
Holótipo: macho, Palmira (V.) (Colombia), IX.26.58.
G. Bravo, em arroz, na coleção do USNMNH.
Difere das demais espécies do gênero pela coloração
do hemiéiitro e da antena.
O nome específico é alusivo ao país onde a espécie
foi coligida.
202 —
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Carvalho, J.C.M, — Mirídeos Neotropicais. CCLII
Tytthus hondurensis n.sp.
(Fig. 119)
Caracterizada pela coloração do segmento I da antena e
morfologia da cabeça e posição dos olhos.
Macho: comprimento 2,5 mm, largura 0,8 mm. Cabeça:
comprimento 0,3 mm, largura 0,4 mm, vértice 0,24 mm.
Antena: segmento I, comprimento 0,16 mm; II, 0,88 mm; III,
0,60 mm; IV, 0,40 mm. Pronoto: comprimento 0,3 mm, lar¬
gura na base 0,5 mm. Cúneo: comprimento 0,32 mm, largu¬
ra na base 0,20 mm (holótipo).
Coloração geral pálida ou pálido-fusca com áreas ne¬
gras; cabeça, pronoto e escutelo, segmentos II a IV da an¬
tena pretos; segmento I pálido com a base negra; metade
apical do clavo fusco.
Lado inferior negro; abdome castanho; coxas (exceto a
base) e base dos fêmures pálidos, porção distai dos mesmos
castanha a pálido-amarelada; rostro com segmento I escuro,
os demais pálidos.
Rostro alcançando as coxas posteriores; cabeça arre¬
dondada (globosa), olhos distantes do pronoto por um es¬
paço equivalente a grossura do segmento II da antena; pro¬
noto estreitado no meio, calos salientes; pubescência curta,
semi-adpressa.
Genitália: não dissecada por ser exemplar único e
frágil.
Fêmea: desconhecida.
Holótipo: macho, Lancetilia, Honduras, Aug., Stadel-
mann, na coleção do USNMNH.
Difere de Tytthus mundulus (Breddin, 1896) pela colo¬
ração da cabeça, pela situação dos olhos o pelo segmento
I da antena com mancha negra na base.
O nome específico é alusivo ao país onde foi coletado
0 exemplar tipo.
— 203
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emillo Goeidi, Zoologia, 1 (2)
118
119
f!/
Tytthus columbiensis n.sp.; Fig. 118 — macho, holótipo
Tytthus hondurensis n.sp.: Fig. 119 — macho, holótipo
SUMMARY
In this paper the author deais with descriptions of new
genera and new species, as well as, new taxonomical
changes in the tribe Phylini (Phylinae, Miridae, Hemiptera),
as follows:
Anomalocornis rondoniensis n.sp., Brazil; A. tucurulensis
n.sp., Brazil: Arlemiris n. gen., A. roquettel n.sp., Brazil;
Araucanophylus n.gen., A. pacificus n.sp., Chile; A. suli¬
nas n.sp., Chile; Bergmiris n. gen., B. egreglus (Berg) n.
comb.. Argentina: Chiloephylus n. gen., C. chiloensis n.sp..
204-
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15
Carvalho, J.C.M, — M’rídeos Neotropicais. CCLII
Chile; Crassicornus hondurensis n.sp., Honduras; C. rondoni.
n.sp., Brazil; Frotaphylus n.gen., f. moreirai n.sp., Brazil;
Gonzalezinus pemehuensis n.sp., Chile; G. squamosus Car¬
valho, Chile; Microphylellus biobioensis n.sp., Chile; Rhi-
nacloa crassitorr.a n.sp., Brazil; Paramixia araguaiana (Car¬
valho) n.comb., Brazil; Plagiognathus obscums Uhier, Chi¬
le; Reuteroscopus carmelitanus n.sp., Brazil; R. cisandinus
n.sp., Brazil; R. ecuadorensis n.sp., Ecuador; R. goianus
n. sp., Brazil; R. guaranianus n.sp., Brazil; R. matogrossen-
sis n.sp., Brazil; R. paraensis n.sp., Brazil; R. venezuelanas
n.sp., Venezuela; Spanogonicus provincialis Berg, Argenti¬
na, Brazil, Paraguay, S. aricanus n.sp., Cliile, Peru; Tytthus
columbiensis n.sp., Colombia; T. hondurensis n.sp. Hon¬
duras.
Illustrations of habitus or parts of the body and male
genitalia are included.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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— 205
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emillo Gceldi, Zoologia, 1 (2)
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1895 — Hemiptera of Colorado in Gillette C.P. & Baker, C.F
Buli. Col. Exp. Sta., 31: 53-55.
(Aceito para publicação em 21/08/84)
206 —
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
boletim do museu paraense EMÍLIO GOELDl
ZOOLOGIA, VOL. 1 (2): 207-218. DEZEMBRO, 1984
Observações sobre Spatulorícaría evansi
(Boulenger, 1892) (Osteichthyes; Loricariidae)
e a sua predação em Símuliidae (Oiptera;
Culicomorpha)
L, H. Rapp Py-Daniel
V. Py-Daniel
Instituto Nacional do Pesquisas do Amazônio
Resumo: A análise de material ictiológico provenien¬
te do rio Maranhão (Distrito Federal/Goiás) revelou a
presença de 5 exemplares de Spatulorícaría evansi iBou-
lenger, 1892), espécie não assinalada desde 1893, e mais
alguns exemplares de Hypostominae (Hypostomus cf.
commersonii Valenciennes, 1840 e Hypostomus sp.).
Após breve histórico de S. evansi, são comentadas as ob¬
servações sobre as associações dos hábitos alimentares
com os habitats dos loricarídeos em estudo. Ressalta-se
o primeiro encontro de predação de simulídeos por lo¬
ricarídeos, sugerindo.se a possibilidade do uso destes pei¬
xes para o controle biológico de simulídeos
INTRODUÇÃO
Os exemplares de loricarídeos aqui estudados são pro¬
venientes do rio Maranhão (47®35' O e 15°23’ S), um dos for
madores do rio Tocantins. As coletas foram feitas por ar-
poamento, na época de seca máxima no Planalto Central
(início de agosto de 1977), dentro da área do Parque das
Aguas Emendadas, onde em épocas de cheia, pode ocorrer
comunicação entre alguns dos formadores das bacias do
Prata, Amazonas e São Francisco.
O rio Tocantins vem sendo intensamente estudado (Con¬
vênio INPA/ELETRONORTE), principalmente no seu curso
207
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emilio Goeidi, Zoologia, 1 (2)
inferior, devido à instalação de uma hidrelétrica (Tucuruí)
no Estado do Pará.
Com 0 represamento, toda a fauna aquática sofrerá, di
retamente, uma série de perturbações que poderão propor¬
cionar total desaparecimeno de algumas espécies particular¬
mente adaptadas às condições bio-físico-químicas do caudal
inferior. Um provável deslocamento, rio acima, deverá ser
feito por algumas espécies na tejitativa de encontrar condi¬
ções mais favoráveis e com isto ocorrerá competição entre
as formas já instaladas no caudal superior e estas espécies
migrantes.
HISTORICO DOS ACHADOS
Spatuloricaria evansi (Boulenger, 1892) foi originalmen¬
te descrita para o rio Jangada, Mato Grosso, baseada em
um único exemplar, macho, com evidentes características de
diformismo sexual secundário (cerdas em toda a margem
do focinho e da cabeça).
Isbrücker (1972), estudando paralectótipos de Loricaria
lata, sensu lato, do "Museum of Comparativo Zoology",
Cambridge, provenientes de Goiás (localidade exata desco¬
nhecida), coletados provavelmente em 1893, designou este
material como Loricaria sp., incertae sedis, comentando po¬
rém, que estes exemplares apresentavam grande semelhan¬
ça com Loricaria evansi Boulenger, 1892. O mesmo autor
(1973), baseado neste material de Goiás e no tipo de L evansi,
redescreveu a espécie, confirmando a identificação dos pa¬
ralectótipos de Loricaria lata, sensu lato, como Loricaria
evansi. Neste mesmo trabalho sugeriu que as diferenças
entre estes exemplares e outras espécies de Loricaria pos¬
sibilitariam a inclusão de L. evansi em outro gênero, prova¬
velmente Spatuloricaria Schultz, 1944, e comentou detalha¬
damente as semelhanças e diferenças entre L. evansi e
Spatuloricaria pheipsi (espécie-tipo do gênero). Como a des¬
crição original de Spatuloricaria pheipsi também está basea-
208 —
cm 1
SciELO
3 10 11 12 13 14
Py-Daniei & Py-Daniel — Observações sobre...
da em um único exemplar, macho, com nítido dimorfismo
sexual, Isbrücker sugeriu a necessidade de um estudo mais
detalhado entre estas espécies e outras mais próximas [en¬
tre elas Loricaria nudiventris (Valenciennes, 1840)] para
melhor esclarecimento da posição genérica de L. evansi.
Em 1978, isbrücker considerou já definitivamente válida a
inclusão de L evansi, L nudiventris e outras espécies em
SpatLiloricaria, sem maiores comentários.
Todas as outras espécies de Spatuloricaria ocorrem fora
do Brasil (Venezuela, Colômbia. Peru), com exceção de S.
nudiventris (Valenciennes, 1840), e originalmentc descrita
do rio São Francisco, e assinalada também para o médio rio
Uruguai (Devincenzi & Teague, 1942).
Dekeyser et al (1976) assinalaram uma espécie de
Loricaria, provavelmente L. nudiventris, para o rio Maranhão
(Distrito Federai/Goiás).
Revendo o material utilizado por Dekeyser et oi. (em
mal estado de preservação), podemos afirmar tratar-se de
S. evansi.
As principais diferenças entre S. evansi e S. nudiven¬
tris são: abdome totalmente liso em S. nudiventris; om
S. evansi observa-se pequenos, porém nítidos, grupos de
odontodes dispersos; número de placas torácicas : 4 em
S. nudiventris e, no mínimo, 7 em S. evansi (pode ocorrer
em exemplares muito jovens um número menor de placas :
5-6).
Com base na detalhada redescrição de Spatuioricaria
evansi, feita por Isbrücker (1973), consideramos o material
do rio Maranhão como pertencente a esta espécie, sendo
portanto o 1'^ registro de coleta depois de 1893.
Através da análise da Tabela I, com as relações morfo-
métricas e merísticas do material de S. evansi do rio Ma¬
ranhão e do material analisado por Isbrücker, nota-se que o
nosso menor exemplar (61,0 mm) apresentou algumas dife¬
renças do material analisado por aquele autor, como; largu-
209
cm i
.SciELO
10 11 12 13 14
Boletim do Museu Paraense Emillo Goeidi, Zoologia. 1 (2)
TABELA 1 — Relações morfométricas e merísticas de *>. evansi
do rio Maranhão e a variação destas mesmas rela.
ções entre o material analisado por IsbrUcker (8
exemplares, inclusive o tipo desta espécie).
N9 exemplar/
Rclac5èr''\,^_^ comprimento
Morfométricar'''\,_^P°‘^'’°°
c Merísticas
1
140,0
(mm'
2
175,0
(mm>
3
222,0
(mm)
4
61,0
(mm)
5
225,0
(mm)
“Isbrücker'
52,3 -174,3
(mm)
Comprimento
pré-dorsal
2,9
2,87
2,9
3,0
2.8
2,7 . 3,0
Comprimento
pós-anal
2,24
2,35
2.36
2,1
2,36
1,8 - 2,2
Comprimento
da cabeça
4,1
4,0
4,2
4,2
4,0
3,9 . 4,3
Largura
da cabeça
5,1
5,2
5,1
5.5
4.7
4,8 . 5,4
Altura
da cabeça
8.9
9,3
10.2
9,6
8,9 . 10,3
Altura do corpo
na base da dorsal
8,7
9,1
8.8
11,5
8,5
—
Largura do corpo
na base da dorsal
6,2
5,8
5.9
8,2
5,5
—
Comprimento
do focinho
1.7
1.6
1.6
1.9
1.6
1.7 . 1,9
Distância
inter orbital
5,0
5,1
4,6
4.7
4,7
4.6 . 5,2
Máximo diâmetro
orbital
4,9
5,5
5,9
4,4
5,3
—
Número de placas
laterais
32/31
31/31
32/32
30/31
31/32
31 33
Número de placas
torácicas
8/8
11/11
9/10
9/9
5 . 11
Confluência das
placas laterais
22/20
20/20
20/20
19/21
20/20
18 . 21
Número de dentes
no pré.maxilar
4
3
4
4
4
2 . 5
Número de dentes
no dentário
5
3
3
3
4
2 . 4
Número de placas
entre dorsal/caudal
20
20
20
21
20
—
Número de placas
entre anal/caudal
18
18
18
18
18
—
210 —
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Py-Danie| & Py-Daniel — Observações sobre...
ra da cabeça x comprimento padrão, 30 placas laterais de
um lado; não foram observadas placas torácicas, enquanto
que, no seu menor exemplar (52,3 mm), Isbrücker encontrou
5-7 placas torácicas. Observou-se ainda que os nossos exem¬
plares maiores (175-225 mm) apresentaram um comprimen¬
to pós-anal ou comprimento do pedúnculo caudal proporcio¬
nalmente menor, e o comprimento do focinho proporcional¬
mente maior.
ANATOMIA DO APARELHO DiGESTIVO
Dentes faríngeos muito desenvolvidos. Rastros bran¬
quiais curtos e pouco numerosos. Estômago tubular, pouco
diferenciável do resto do intestino. Comprimento do intes¬
tino 1,5 vezes maior que o comprimento padrão.
HABITAT
Na época de seca no Planalto Central (julho a setembro)
0 rio Maranhão sofre uma grande diminuição no volume de
suas águas, possibilitando uma transparência que permite
uma perfeita visualização dos peixes.
As margens do rio são constituídas por vegetação rela¬
tivamente densa (gramíneas, Ficus sp. etc...), numa região
tipicamente de formação de cerrado. O rio apresenta um
grande número de meandros e uma variação considerável
de profundidade, existindo locais com águas represadas,
onde se formam verdadeiros poços, em que a velocidade da
água se encontra bem diminuída o a profundidade alcança
quase 1,5 m.
O trecho do rio onde foram feitas as coletas apresenta
as seguintes características: a) vão central do tipo arenoso;
b) margens constituídas por vegetação de grande porte em
alguns pontos: seixos e cascalhos em outros; c) leito com
grandes pedras em certos locais: d) temperatura da água
mantendo-se aproximadamente nos 22”C.
— 211
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeidi, Zoologia, 1 (2)
S. evansi foi principalmente coletada próxima às mar¬
gens sem vegetação, sobre seixos e cascalhos, a pouca
profundidade (mais ou menos 0,30 m) e com velocidade da
água bastante reduzida.
Os Hypostominae se mantiveram exclusivamente sobre
fundo arenoso (a profundidade de mais ou menos 1,0 m) ou
sobre pedras de grande porte.
COMPORTAMENTO
S. evansi encontrava-se totalmente imóvel sobre o subs¬
trato. O horário de coleta ocorreu entre 11:00 e 14:00 horas,
o período mais quente do dia.
Na água, estes peixes apresentavam um padrão de co¬
res indefinido. Ao serem retirados da água, tinham sua co¬
loração modificada para 5 faixas transversais escuras sobre
0 dorso. Esta coloração se manteve mesmo após a morte e
fixação dos peixes (fixados em formol a 10%).
S. evansi e Hypostomus spp. coabitavam áreas muito
próximas (distâncias inferiores a 1,5 m.), mas de substratos
distintos.
DISCUSSÃO
S. evansi foi considerado um peixe onívoro, devido à
diversidade e qualidade dos itens alimentares encontrados
no seu conteúdo digestivo (ver Tabela 2).
Encontrou-se no conteúdo intestinal um dente do pró¬
prio indivíduo cujo conteúdo estava sendo analisado.
Os Hypostominae foram considerados iliófagos, obser¬
vando-se em seus conteúdos intestinais a presença domi¬
nante de algas Naviculaceae (Anomoioneis sp., Pleurosigma
sp., Frustulia sp.), Achnanthaceae (Cocconeis sp.), Cymbella-
ceae [Amphora sp.) e restos de vegetais não identificados,
juntamente com grande quantidade de grãos de areia.
212 —
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Py-Daniel & Py-Daniel — Observações sobre.,
TABELA 2 — Resultado da análise do conteúdo digestivo dos 5
exemplares de Spatuloricaria evansi (Boulenger, 1892).
N9 do exerrplar/
Comprimento
padrão
Conteúdo Digestivo
1
140,0
(mm)
2
175,0
(mm)
3
222,0
(mm)
5
61,0
(mm)
4
225,0
(mm)
VEGETAIS :
Algas —
(Diatomáceas)
(+ + +)
(+ + + ■
.+ + +)
;+ + +)
?
Restos não identificados
(+ H" +
(+ + +
!+ + + ^
( + )
(+)
ANIMAIS:
Insetos —
— Ephemeroptera
ninfas
( + )
( + )
( + )
( + )
— Colooptera
larvas
(+++'
(+ + + '
r+++^
adultos
—
—
(+ + +)
— Diptera
Simuliidae
pupas
( + ^
(+)
Chironomldae
larvas
(+)
-
(+)
Tanyderidae
pupas
—
—
(+)
—
—
— Trichoptera
larvas
(++>
(-f- +)
_
(+ ++)
casulos vazios
—
—
(+)
( + )
—
— Lepidoptera (Micro)
pupas
( + )
(+)
— Plecoptera
ninfas
- -
-
_
( + )
Material parcialmente dige¬
rido e não Identificado
,4- + + )
(+ + + ^
(+++
(++)
(+ + +)
Dente do próprio indivíduo
—
—
—
—
( + )
Sedimentos (grão do areia)
muite
muito
muito
pouco
muito
( + ) =: presença d- I a 5 Indivíduos, (+4.) = a presença de 6 a 10 , =
presença de n-ols do 10 indivíduos, (?) = nõo foi feita observação para algas diato-
•^óceas, (—') ousônclo
— 213
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emiiio Goeidi, Zoologia, 1 (2)
Angelescu & Gneri (1949), fizeram um excelente estudo
comparando anatomicamente loricarídeos de hábitos oní-
voros e de hábitos iliófagos. Eles trabalharam com duas
espécies de Loricariinae: Loricaria vetula [ = Paraloricaria
vetuta (Valenciennes, 1840)], Loricaria anus [ = Loricariich-
thys anus (Valenciennes, 1840)] e 3 espécies de Hyposto-
minae : Plecostomus plecostomus = Hypostomus plecosto-
mus (Linnaeus, 1758), Plecostomus commersonii (= Hypos¬
tomus commersonii Valenciennes, 1840) e Plecostomus
punctatus (= Hypostomus punctatus Valenciennnes, 1840).
Quanto aos Loricariinae, onívoros, Angeiescu & Gneri
constataram a presença de dentes faríngeos bem desenvol¬
vidos, estômago pouco definido e intestino reiativamente
comprido (1,3 vezes maior que o comprimento pad^^ão em
Paraloricaria vetula e 1,7 vezes maior que em Loricariichthys
anus). Observaram ainda que suas dietas básicas consta¬
vam de moiuscos e crustáceos.
Quanto aos Hypostominae, liófagos, Angelescu & Gneri
verificaram que sua alimentação era basicamente composta
de partículas de argila, pequenas partículas de quartzo, de¬
tritos de tecidos vegetais, restos de crustáceos de plâncton
(raros), espiculas de esponjas e abundância de diatomáceas,
semelhante à composição alimentar encontrada por nós nas
espécies de Hypostominae do rio Maranhão.
Spatuloricaria evansi pertencente a outro gênero, apre¬
senta características anatômicas semelhantes às espécies
de Loricariinae estudadas por Angelescu & Gneri
Apesar de existirem diferenças relevantes na forma dos
dentes nas três espécies [em P- vetula são pequenos, for¬
tes, nitidamente bifurcados e em número de no mínimo 5 em
cada hemimaxila; em Loricariichthys anus, os dentes são
rudimentares, frágeis, finos, fracamente cuspidados e mais
numerosos (até 20 no pré-maxilar e até 30 no dentário); em
S. evansi, os dentes são grandes, finos, fortes e pouco nu¬
merosos (até 5 no pré-maxilar e até 5 no dentário)], elas
214 —
SciELO
Py-Daniel & Py-Daniel — Observações sobre...
apresentam dieta alimentar semelhante (onívora), podendo
esta diferença anatômica na dentição estar simplesmente
relacionada com o habitat e, conseqüentemente, com mi¬
croorganismos por elas predados.
PREDAÇÂO DE SIMULIIDAE POR SPATULORICARIA
Assinala-se pela primeira vez predação de Simuliidae
por peixes da família Loricariidae.
O fato de terem sido encontradas pupas de Simuiiidae
no conteúdo digestivo de Spatuloricaris evansi, vem levan¬
tar importantes questões :
— Têm os loricarineos, em casos específicos, um pa¬
pel constante na predação destes dípteros ou apenas fazem
uma predação ocasional ?
— Caso 0 papel de predação seja constante, poderiam
estes peixes (exclusivamente neotropicais) ser utilizados no
controle biológico de espécies de simulídeos com fêmeas
antropófilas envolvidas na transmissão de patógenos ao
homem (p.ex.: Onchocerca volvulus, Mansonella ozzardi
etc...) ?
Estudos futuros poderão propor testes de predação
Igrau de eficiência) de algumas espécies desta família de
peixes sobre dípteros simulídeos, para constatar-se a viabi¬
lidade de utilizá-los como controle biológico.
No local de coleta dos peixes foram capturados 19
exemplares de fêmeas de simulídeos que estavam picando
pessoas, pertencentes a duas espécies: Simulium pruino-
sum Lutz, 1910 (18 fêmeas) e Simulium sp. (1 fêmea).
Das pupas, por dissecção foram retirados exemplares
(fêmeas), pertencentes a duas outras espécies não identifi¬
cadas: Simulium sp. A (pelas associações dos caracteres
de pupa e fêmea, esta espécie se coloca dentro do grupo:
Simulium lutzianum Pinto, 1931; S. romanai Wygodzinsky,
1951; S. adolfolutzl Wygodzinsky, 1951; S. gabaldoni Ramírez
— 215
I'SciELO
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeidi, Zoologia, 1 (2)
Pérez, 1971; S. iguazuensis Coscarón, 1976). Este grupo é
suficientemente distinto dos demais subgêneros já estabele¬
cidos e aceitos para a região Neotropical, e no futuro, deve
rá levar a sua própria designação oubgenérica. Simulium sp.
B (pelas poucas associações de caracteres passíveis de se¬
rem feitas entre a pupa — tipo e forma de brânquias e tu¬
bérculos — e a fêmea — forma das gonapófises, é provável
que pertença ao subgênero Notolepria).
CONCLUSÃO
A diferença de hábitos alimentares entre S. evansi,
Loricariinae, e os Hypostominae, encontrados no rio Mara¬
nhão (DF/GO) está intimamente relacionada ao fato de ex¬
plorarem diferentes nichos dentro de um mesmo habitat.
A constatação de que S. evansi foi coletada em águas
com velocidade reduzida, onde dificilmente se encontrariam
formas imaturas de Simuliidae, demonstra que S. evansi
também explora outros locais durante a sua alimentação
(p.ex.: águas com turbulência), mas mesmo assim não
competindo com as formas de Hypostominae.
O fato de ter sido observada pela 1®^ vez a predação
(ocasional ou não) de Simuliidae por Loricariidae (exclusiva¬
mente neotropicais) vem abrir grande precedente que pode
vir a ser de enorme valia no controle das formas aquáticas
dos simulídeos cujas fêmeas estejam envolvidas na trans¬
missão de patógenos ao homem e outros animais.
SUMMARY
Five specimens of Spatuloricaria evansi (Boulenger,
1892), are reported for the first time since 1893, as well as
a number of Hypostominae (Hypostomus cf. commersonii
Valenciennes, 1840 and Hypostomus sp.), collected In the
rio Maranhão (Federal Dlstrict/Stato of Goiás — Brasil). A
216 —
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Py-Daniel & Py-Daniel — Observações sobre...
review of previous records of S. evansi is made. Obser-
vations of the feeding habits and habitats of these species
are made. Predation on pupae of Simuliidae (Diptera: Culi-
comorpha) is recorded for the first time and the possibilities
of using Loricariidae fishes as biological control of aquatic
forms of black flies are discussed.
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217
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Bületim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Zoologia, 1 (2)
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221.236.
(Aceito para publicação em 12/03/84)
218 —
cm i
SciELO
10 11 12 13 14 15
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
ZOOLOGIA, VOL. 1 (2): 219-228. DEZEMBRO, 1984
Ofídios da Amazônia
XXI - fltractus zídoki no leste do Pará e notas sobre
A. alphonsehogeí e a. schach. (Ophidía, Colubridae)
Osvaldo Rodrigues da Cunha
Francisco Paiva do Nascimento
Museu Paraense Emllla Goeldl
Resumo : Registra-se a ocorrência de Atractus ziãoki
Gasc & Rodrigues, ao sul do rio Amazonas, na região
leste do Pará. Insere-se também dados merísticos e
notas sobre as espécies A. alphonsehogeí Cunha & Nas¬
cimento e A. schach (F. Boie), da mesma área.
Esta comunicação visa em primeiro lugar registrar a
ocorrência de Atractus zidoki ao sul do rio Amazonas, na
região leste do Pará. Segundo, ratificar a validade dos ca¬
racteres de A. alphonsehogeí e A. schach, obtidos sobre no¬
vos exemplares coletados na referida área, após a publica¬
ção do trabalho do Cunha & Nascimento (1983), que definiu
as espécies de Atractus da Amazônia oriental.
Foram identificados nas coleções do Setor de Herpeto-
logia mais seis exemplares de Atractus, não examinados no
estudo citado por razões diversas. Antes haviam sido estu¬
dados 45 exemplares, 26 <3 e 19 5, dos quais, a espécie
alphonsehogeí representada por 14 exemplares (7 á e 7 $)
e schach por 12 espécimes (10 <3 e 2 $). Ambas parecem
ser as mais freqüentes no leste do Pará. Mostramos que
alphonsehogeí fica caracterizada como espécie distinta de
zidoki, posto que ambas estão em simpatria nesta região,
embora seus representantes tenham sido apanhados em lo¬
cais diferentes. Para localizar os pontos de coleta, conferir
mapas em Cunha & Nascimento (1978 e 1982).
■219
2 3 4
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boletim do Museu Paraense Emílio Goeidi, Zoologia, 1 (2)
Atractus zidoki Gasc & Rodrigues
Atractus zidoki Gasc & Rodrigues, 1079: 549; Hoogmoed, 1980:
27; Cunha & Nascimento; 14.
Diagnose — Dentes maxilares 5; nasais divididos, em
largo contato com o primeiro labial e metade do segundo;
loreal curto, estreitado junto à órbita e tocando na metade
do segundo labial, parte do terceiro e parcialmente com o
prefrontal; 2 postoculares, o superior maior, quase o do¬
bro; temporais 1-f2, posterior longo; supralabiais 7/7, ter¬
ceiro e quarto em contato com a órbita; 7/7 infralabiais,
3 dos quais tocam o par de mental; 4 guiares antecedem
a primeira ventral. Escamas dorsais em 17-17-17 filas, lisas,
com duas fossetas apicais em todas as escamas; a primei¬
ra fila de paraventrais ligeiramente dilatada em relação às
dorsais; tubérculos nas escamas dorso-látero-anais dos
machos. Ventrais 172-173 e caudais 38/38-41/41 nos machos
e 179 ventrais e 28/28 caudais na fêmea; anal inteira. O he-
mipênis configura-se não diferenciado, não bilobado; sulco
espermático bifurcado, característico, idêntico às descrições
de Gasc & Rodrigues (Ibid.) e Hoogmoed (Ibid). Comprimen¬
to; n^ 13.265 Ç, cabeça e corpo 227mm. cauda 24mm,
total 251mm; n^ 12.266 <5, cabeça e corpo 166mm, cauda
30mm, total 196mm; 13.268 S. cabeça e corpo 164mm, cau¬
da 28mm, total 192mm.
O padrão do colorido é variável no macho e na fêmea
e entre indivíduos: a fêmea 13.265 apresenta o padrão bas-’
tante semelhante ao exemplar macho figurado por Hoogmoed
(1980:28) do Surinam, enquanto os machos 13.266 e 13.269
aproximam-se ao padrão mostrado por Gasc & Rodrigues
(1979:551) da Guiana Francesa. A fêmea exibe o colorido
fundamental pardo claro no dorso e lados; cabeça com
manchas pardo escuro irregulares, intercaladas por espaços
claros; manchas grandes no rostral, prefrontais e frontais;
uma faixa nucal clara, interceptada medianamente; grande
220-
cm 1
SciELO
10 11 12 13 14 15
Cunha & Nascimento — Ofídios da Amazônia. XXI
parte dos supralabiais claros, tingidos de pardo na borda
superior e posterior; uma faixa clara estende-se ds cada
lado pelas paraventrais desde a primeira ventral até quase
0 final da cauda, marginada por uma faixa pardo-escuro, por
cima e por baixo, sendo esta mais larga e estendendo-se
pela extremidade das ventrais; paralelamente estende-se
uma faixa pardo-escuro desde o pescoço até o final da cau¬
da: uma faixa nucal escura marginando a faixa nucal clara;
na porção paravertebral, pequenas manchas pardo-escuro,
às vezes em forma de asa de borboleta, às vezes irregulares,
dispostas duas a duas paralelamente ou desigualmente, as
quais estão circundadas às vezes por duas, três ou quatro
escamas mais claras; região ventral imaculada: algumas
pequenas manchas nos infralabiais e extremidades dos
mentais.
Os dois machos exibem coloração mais escura e com
parte do padrão da fêmea, mas as manchas escuras do dor¬
so são menores, menos simétricas e muito irregulares: de
modo geral as bordas das escamas são escuras formando
uma espécie de reticulado; a faixa pardo-escuro dorso-lateral
é mais larga, abrangendo duas escamas, bastante acentuadas:
ambos apresentam ainda uma nítida faixa escura vertebral;
0 colar nucal claro é bem acentuado, mas também interrom¬
pido na porção mediana: face ventral imaculada: algumas
manchas escuras nos infralabiais e mentais.
Comentários — Os espécimes do leste do Pará são
idênticos ao exemplar da serra do Navio, Amapá, analisado
por Cunha & Nascimento (1983:14-16), tanto nos caracteres
merísticos como no padrão de coiorido. identificam-se com
as descrições apresentadas por Gasc & Rodrigues (1979:548)
e Hoogmoed (1980:27). A tabela abaixo serve de compara¬
ção entre os representantes das populações do Surinam,
Guiana Francesa, Amapá e região leste do Pará (Brasil).
As variações encontram-se nas ventrais, bem mais ele¬
vadas nas populações da Guiana Francesa, enquanto as cau¬
dais estão nos limites. Quanto à dentição, os exemplares
— 221
cm 1
SciELO
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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldl, Zoologia, 1 (2}
ventrais
caudais
dentes
ê
9
S
9 1
Gasc & Rodriguss
185
197
42
27
4
Cunha & Nascimento
(1983)
177
43
5
Leste do Pará
173
179
41
28
5
Hoogmoed
173.182
39-44
4.5
do Pará e do Amapá coincidem, mas variando nos de Suri-
nam. É possível que exista também alguma variação no pa¬
drão de colorido entre as populações do Brasil e as do Su-
rinam e Guiana Francesa. Neste caso pode-se supor que
a população do leste do Pará configure uma raça geográ¬
fica.
A espécie antes conhecida de três localidades do Suri-
nam e uma da Guiana Francesa, atualmente estende-se
através do Amapá e leste do Pará, com probabilidade de
ampliar-se para o sul deste Estado e oeste do Maranhão.
A área da cidade de Capitão Poço, onde os exemplares
foram capturados, apresenta cobertura vegetal constituída
de recentes (cerca de 30 anos) roçados e capoeiras, com
resíduos de floresta primária degradada nas adjacências,
onde se localizam aglomerações humanas à margem de ro¬
dovias principais e secundárias.
Material examinado — Espécimes n'' 13.265 9,13.266 á
e 13.268 (5, coletados na localidade Santa Luzia, situada na
rodovia PA-253, que liga Ourém a Iritüia via Capitão Poço,
ao sul do rio Guamá, em agosto de 1975 por F. Nascimento.
Atractus alphonsehogei Cunha & Nascimento
Atractus alphonsehogei Cunha & Nascimento, 1983: 25.
Diagnose — Dentes maxilares 6; loreal longo; suprala-
biais 7/7; infralabiais 7/8 e 7/7; 2 postoculares; temporais
222 —
cm 1
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10 11 12 13 14 15
Cunha & Nascimento — Ofídios da Amazônia. XXI
1+2; dorsais 17^17-17, lisas nas fêmeas e machos, mas
nestes as da porção látero-anal com tubérculos, e em am¬
bos os sexos todas com fossetas apicais, mal perceptíveis;
ventrais 154 e caudais 26/26 no macho; 171 ventrais e
20/20 caudais na fêmea. Comprimento do macho, 195mm
cabeça e corpo e 28mm da cauda, total 223mm; fêmea.
225mm cabeça e corpo e 21 mm da cauda, total 246mm.
O padrão de colorido é idêntico ao dos exemplares an¬
teriormente estudados por Cunha & Nascimento (1983:26).
Caracteriza-se principalmente por uma faixa clara occipital
na porção mediana da cabeça; as escamas dorsais apre¬
sentam de modo perceptível, uma pequena mancha anegra-
da no ápice; uma estria amarelada estende-se através das
escamas paraventrais, desde a primeira ventral até o final
da cauda, marginada de pardo-escuro na borda das ventrais
e na porção superior por uma larga faixa de duas escamas,
também pardo-escuro; percebem-se ainda estrias escuras
paralelas dorso-laterais. Face ventral amarelo imaculado.
Comentários — Esta espécie está bem caracterizada
pelos espécimes estudados. No trabalho anterior estabele¬
cemos 8 principais caracteres diferenciativos entre alphon-
sehogei e zidokl, que os situam como espécies distintas,
apesar da convergência do padrão de colorido, e tubérculos
para-anais. Os dois exemplares foram coletados em área
florestada das proximidades do rio Gurupi.
Material examinado — Exemplares n’ 13.907 3, e
13.908 9, outubro de 1977, localidade Colônia Nova, BR-316
(Km 264), próximo ao rio Gurupi, Pará.
Atractus schach (F. Boie)
Brachyorrhos schach F. Boie, 1827: 540; Hoogmoed, 1980;
31; Cunha & Nascimento, 1983: 16.
Diagnose — Dentes maxilares 7; loreal longo; 2 posto-
culares; temporais 1+2; supralabiais 7/7; infralabiais 7/8;
escamas dorsais 17-17-17 lisas, sem fossetas apicais; ven¬
trais 141 e caudais 27/27.
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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeidi, Zoologia, 1 (2)
O padrão do colorido é o mesmo descrito por Cunha &
Nascimento (1983:17) em 12 exemplares, com suas varia¬
ções. Como é um indivíduo macho, existe uma linha escura
vertebral, do occipício à base da cauda.
Comentários — Contamos no momento 13 exemplares
de A. schach que juntamente com alphonsehogei e flammí-
gerus snethiageae são as espécies que aparecem em maior
número. O espécime estudado ajusta-se perfeitamente às
análises de Hoogmoed (1980:31) o Cunha & Nascimento
(1983:16) para esta espécie. Há porém ligeira variação nas
ventrais que são mais baixas que as apresentadas em Cunha
& Nascimento (Ibid.), mas dentro da amplitude dada por
Hoogmoed (Ibid.), O exemplar coletado procede de área
mista de roças, capoeiras antigas e resíduos de mata degra¬
dada.
Material examinado — Espécime n"^ 13.277 â, coletado
na localidade Santa Luzia (PA-253), 15 quilômetros de Capi¬
tão Poço, (rodovia entre Irituia e essa cidade), por F. Nasci¬
mento em agosto de 1975,
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem ao Auxiliar Técnico do Setor de
Herpetologia, Reiginaldo R. de Moraes, pela perspicácia em
localizar os exemplares deslocados e eficiência na função;
a Astrogilnete R. Carvalho, pelo trabalho datilográfico; aos
zoólogos Dr. M. Goulding, pelo resumo inglês, e Dr. Paulo
E. Vanzolini, pela leitura e sugestões na disposição do texto.
SUMMARY
The occurrence of Atractus zidoki Gasc & Rodrigues is
registered, south of the Amazon river, and more specifically
in the eastern part of the State of Pará. Meristic data and
additional notes aro given for A. alphonsehogei Cunha &
Nascimento and A. schach (F. Boie) from the same area.
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Cunha & Nascimento — Ofídios da Amazônia. XXi
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOIE, F.
1827 — Ueber Merrem’s Versuch eines Systems der Amphibien,
Marburg, 1820. Erste Lieferung: Ophidier. Jsis (Oken),
20: 508.566.
CUNHA, Osvaldo R. da & NASCIMENTO, Francisco P. do
1978 — Ofídios da Amazônia. X — As cobras da região leste
do Pará. Publ. Av. Mus. Pa. Emílio Goeldi, Belém,
31 : 1-218. il. mapa.
1982 — Ofídios da Amazônia. XIV — As espécies de Micrurus,
Bothrops, Lachesis e Crotalus do Sul do Pará e oeste
do Maranhão, incluindo áreas de cerrado deste Estado
(Ophidia: Elapidae e Viperidae). Boi. Mus. Pa. Emí¬
lio Goeldi, n. ser. Zool., Belém, 112: 1-58. il. mapa.
1983 — Ofídios da Amazônia. XX — As espécies de Atractus
Wagler. 1828, na Amazônia Oriental e Maranhão. (Ophi¬
dia, Colubridae). Boi. Mus. Pa. Emílio Goeldi, n. ser.
Zool., 123: 1-38. ü.
GASC, Jeaní-Pierre & RODRIGUES, M.T.
1979 — Une nouvelle espèce du genre Atractus (Colubridae,
Serpentes) de la Guyane Française. Buli. Mus. Natn.
Hist. Nat., Paris, 1 (2): 547-557.
HOOGMOED, Marinus S.
1980 — Revision of the genus Atractus in Surinam, with the
ressurection of two species (Colubridae, Reptilia). No¬
tes on the Herpetofauna of Surinam VII. Zool. Verh.,
Leiden 175: 1-47. U.
(Aceito para publicação em 15/09/84)
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boletim do museu paraense EMÍLIO GOELDI
ZOOLOGIA. VOL. 1 (2): 229-255. DEZEMBRO, 1984
0 gênero Sphaeridia Línnaníemí, 1912
no Brasil com descrição de novas espécies
(Collembola-Symphypleona) *
Roger Arié
Museu Nocionol, R(o de Jonefro
Resumo : São assinaladas e estudadas as primeiras
espécies do gênero Sphaeridia coletadas no Brasil, nos
Estados do Pará, Amazonas, Rio de Janeiro e Minas Ge.
rais. São estudadas oito espécies, sendo seis novas para
a ciência. A espécie típica do gênero Sphaeridia pumi.
lis (Krausbauer, 1898) foi encontrada cm grande número
perto de Manaus. São descritos e figurados os ca.
racteres sexuais secundários dos machos inclusive a sua
pigmentação característica. É a seguinte a relação das
espécies tratadas: Sphaeridia pumilis (Krausb.) Ma¬
naus (AM), S. paroara cp.n. Marudá (Pará), S. he-
loisae sp.n. Rio, S. betschi sp.n. Rio, S. carioca sp.n.
Rio, S. cardosi sp.n. Rio, S. fluminensis sp.n. Nov.
Friburgo (RJ), S. biniserrata (Salmon) Minas Gerais e
Itatiaia.
INTRODUÇÃO
O gênero Sphaeridia Linnaniemi, 1912, de ampla distri¬
buição no mundo, não foi ató a presento data assinalado no
Brasil. O tipo do gênero S. pumilis (Krausbauer, 1898) foi
durante meio século a única espécie mencionada na litera¬
tura, dada como cosmopolita. Folsom & Mills (1938) revi¬
sando o gênero Sminthurldes Boerner 1900, trataram de
< *) — Trabalho realizado sob os auspícios do Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico — CNPq.
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Sphaeridia ainda como subgênero de Sminthurides- Data de
1948 o trabalho clássico de Denis no qual é analisada a es¬
pécie S. pumilis- Em 1956 Stach elevou Sphaeridia ao nível
de gênero. Em 1949 um trabalho minucioso de Jeannenot
sobre a espécie pumilis, serviu de ponto de partida para os
estudos mais recentes de Delamare Deboutteville & Mas-
soud (1963 e 1964a e b), Massoud & Betsch (1966, 1970 o 1972),
Massoud & Delamare Deboutteville (1964), Betsch & Massoud
(1970) e Murphy (1960 e 1966). Todos esses autores contri¬
buíram de maneira decisiva para o conhecimento da família
Sminthurididae e particularmente para a sistemática do gê¬
nero Sphaeridia.
Aqui devemos citar duas obras importantes para a ta-
xionomia, biogeografia e biologia dos Symphypleona, a tese
de Richards publicada em 1968 e a recente e magistral mo¬
nografia de Betsch (1980).
A presente contribuição tem por objetivo descrever
espécies coletadas por nós e colaboradores em diversas
áreas naturais brasileiras, num total de oito espécies, sendo
seis novas para a ciência. Não damos descrições exausti¬
vas mas foram utilizados todos os caracteres específicos
reconhecidamente importantes, os quais, no gênero Sphae¬
ridia, são principalmente caracteres sexuais secundários dos
machos, as fêmeas sendo freqüentemente quase idênticas.
Um certo dimorfismo sexual de coloração (pigmentação ca¬
racterística dos machos) é aqui assinalado pela primeira
vez em algumas espécies e os curiosos processos quitino-
sos do tubo ventral descrito por Murphy em Cingapura fo¬
ram encontrados aqui nos machos de cinco espécies. Como
ele observamos que a estrutura dessas formações é alta¬
mente específica.
As espécies do gênero Sphaeridia, extremamento di¬
minutas e delicadas, foram estudadas e montadas em meio
líquido segundo técnica por nós descrita em trabalho ante¬
rior (Arié & Mendonça, 1982).
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Arié, R. — O gênero Sphaeridia Linnaniemi, 1912...
São aqui estudadas as seguintes espécies ;
Sphaeridia heioisae sp.n.
" betschi sp.n
" carioca sp.n
” cardosi sp.n.
■' fiuminensis sp.n.
’ oaroara sp.n.
’ biníscrrata (Salmon)
' ci. pumiiis (Krausb.)
Rio de Janeiro
Nova Fiiburgo (R J.)
Marudá (Pará)
Itatiaia (RJ) Minas Gerais
Manaus (Amazonas)
Sphaeridia heioisae sp. n
(Fig. 1-12)
Habitus e coloração: Habitus ncrmal para o gênero.
Apresenta dimorfismo sexual de coloração. Fêmea uniíor-
memente incolor com matiz arroxeado muito leve nos flan¬
cos. Cabeça, pernas e fiirca incolores. Antenas claras com
0 segmento IV inteiramente roxo. Segmentos II e III ligeira¬
mente pigmentados na parte apical. Machos (Fig. 1) com
corpo e cabeça pigmentados de roxo escuro, com uma área
clara na parte dorso-posterior do corpo e com a parte fron¬
tal da cabeça geralmente clara. Pernas e furca claras. Esta
pigmentação é do intensidade variável mas é constante e
quase sempre muito contrastada.
Descrição do macho: Comprimento de 225 a 315 pm.
Coloração característica como acima descrito (ver fig. 1).
Antenas com as modificações preênseis típicas do gênero.
Num macho medindo 270 (todas as medidas em pm), a ante¬
na total mede 212 a 215, sendo o comprimento dos artículos
l-ll-lll-IV respectivamente de 25-62, 5-25-100. Ant. II e III
(Fig. 4) com todas as cerdas normais, sendo 6 longas sobre
Ant. II e 3 longas sobre Ant. III. Uma pequena ponta cônica
sobre o tubérculo setígero, na base do espinho (Fig. 2). Que-
totaxia de Ant. IV (FIg. 5) formada de pêlos finos e longos,
somente um na parte apical, curvo na base, mais grosso e
dirigido para o ápice, pode ser chamado de sensitivo Ant./
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Diag. cefálica 1,8 a 2,0. O gênero é considerado como pos¬
suindo 8-8 olhos mas nesta espécie só aparecem 6 cornéu
las desenvolvidas e perfeitas, sem nenhum sinal de outras
cornéulas deformadas como tem sido assinalado freqüente-
mente.
Tibiotarso posterior (Fig. 12) possuindo no terço apical
o habitua! fânero modificado, caracter sexual secundário dos
machos adultos do gênero Sphaericlia, aqui em forma de fo¬
lha de ápice afilado e truncado (Fig. 3 e 12). Esta formação
muito peculiar é embasada num tubérculo baixo. Há um es¬
pinho serrilhado no terço basal do lado interno do tibiotarso.
Este espinho é menos serrilhado e mais fraco que os dois
espinhos correspondentes existentes nas fêmeas. Unhas
simples, apêndice empodial afilado mas sem filamento ter¬
minal nas P. III (Fig. 11 e 12), com um filamento apical
nas P.l.
Furca: Mucro metade do comprimento da dens ou um
pouco menos, alongado, mais fino na metade apical, pratica¬
mente liso mas em orientação favorável pode aparecer a
crista interna muito finamente serrilhada. O ápice levemen¬
te espatulado. Dens com 14 a 16 pêlos dorsais e laterais.
Na extremidade apical externa há um espinho cônico carac¬
terístico (Fig. 8, 9 e 10).
Como nas demais espécies há 3 tricobotrias no grande
abdominal (padrão invertido) e 2 no segmento ano-genital,
sendo uma curta. Parte posterior do grande abdominal com
cerdas erectas finas e ligeiramente inclinadas para trás.
Tubo ventral com formações quitinosas complicadas
(Fig. 6 e 7). Há uma forte apófise posterior e peças laterais
terminando com uma garra fina (Fig. 6).
Três colônias principais foram estudadas, na primeira
de Corrego Alegre (Floresta da Tijuca) os machos adultos
medem de 230 a 250 pm, sendo o comprimento de Th. mais
Abd. de 175 pm, dens-mucro 100 pm, tibioparso III 80 e Ant.
IV 90. Na segunda de Itaguaí (Horto Florestal Sta. Cruz) os
machos medem 275 a 300 pm. Ná terceira da Restinga de
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Arié, R. — O gênero Sphaeridia Linnaniemi, 1912..
Jacarepaguá, encontramos machos de 350 pm, Th. mais Abd.
225 e dens-mucro 125. Os exemplares da baixada sendo li"
geiramente maiores que os da Floresta da Tijuca mas idên¬
ticos em todos os caracteres.
Sphaeridia heloisae sp.n.: 1 — Habitus dorsal macho; 2 — Ant. II
macho, tubérculo estífero; 3^ órgão tibio^rsal III macho.
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Boletim do Museu Paraense Emilio Goeidi, Zoologia, 1 (2)
Sphaeridia heloisae sp.n.: 4 — Macho Ant. II e III; 5 — idem
Ant. IV.
Descrição da fêmea: Comprimento 350 a 400 pm. Co¬
loração clara unifome com Ant. IV tingido de roxo. Al¬
guns raros exemplares leve e uniformemente lavados de
roxo claro inclusive as pernas. Para uma fêmea medindo
360 pm, a antena total é de 215,5 sendo Ant I 25, Ant. II 38,
Ant. III 37 e Ant. IV 112,5. Ant. IV semelhante à do macho
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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Zoologia, 1 (2)
Tibiotaisos posteriores sem o fânero modificado dos
machos mas mostram do lado interno duas fortes cerdas
farpadas (Fig. 11). Unha como no macho. Furca semelhan¬
te à furca do macho, a dens possuindo o mesmo espinho
cônico apical.
Sphaeridia heloisae sp.n.: 11 — Fêmea, tarso III; 12 — Macho,
Idem.
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Corpo mais globular que o do macho. Três tricobotrias
sobre o grande abdominal e duas no segmento ano-genital.
Tubo ventral simples, normal sem os processos quitinosos
do macho. Sempre encontramos nas colônias estudadas as
fêmeas um pouco maiores que os machos..
Afinidades: Esta espécie é facilmente reconhecida pe¬
los seguintes caracteres sexuais secundários do macho:
fânero em forma de folha do tibiotarso; processos do tubo
ventral: dimorfismo sexual de coloração, e também por ca¬
racteres gerais finos comuns aos dois sexos como a dens
com o seu espinho cônico presente na extremidade apical
externa. Pertence à série de espécies cujos machos pos¬
suem as formações quitinosas do tubo ventral descritas por
Murphy (1966) em diversas espécies orientais.
Material examinado: Rio de Janeiro, Horto botânico do
Museu Nacional 1975 (Holoisa Castello Branco col.). Flores¬
ta da Tijuca — Corrego Alegre, numerosos exemplares,
1975-78 (Cleide Mendonça e R. Arié col.). Itaguaí (R.J.)
Horto Florestal Sta. Cruz, numerosos exemplares (Rosa
Quitans col.). Teresópolis (R.J.) Cachoeira do Imbuí, algs.
exemplares. Humus sobre rocha com Selaginella 14/12/81
(R. Arlé col.).
Holótipo macho e alótipo fêmea montados em meio
líquido procedentes de Itaguaí (Horto Florestal Sta. Cruz)
coletados por Rosa Quintans. Lâmina H2 no Museu Nacio¬
nal. Parátipos na coleção do autor (M.N.) e no Museu Pa¬
raense Emilio Goeldi — Belém.
Esta espécie é dedicada à nossa colega o amiga Heloi-
sa Castello Branco que, quando nossa estagiária, realizou
paciente e dedicada atividade de coleta, encontrando esta
Sphaeridia pela primeira vez.
Sphaeridia betschi sp. n
(Fig. 13.18)
Habitus e coloração: Habitus como na figura 13. Co¬
loração contrastada no macho. Thorax e parte anterior do
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Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Zoologia, 1 (2)
abdome assim como o segmento ano-genital fortemente
pigmentados (roxo escuro), a maior parte do abdome bran¬
ca (Fig. 13), cabeça clara, Ant. IV roxo. O tubo ventral, a
dens e os artículos II e III das antenas, podem ser levemen¬
te tingidos de roxo. Pernas claras. Fêmeas uniformemente
claras com o quarto artículo antenal pigmentado e cada cor
néula sobre uma mancha preta.
Descrição do macho: Comprimento de 225 a 250 pm. A
espécie é um pouco menor que S. heloisae. quase todos os
exemplares examinados medem pouco mais de 225 pm. An¬
tenas mais curtas que em S. heloisae- Para um exemplar de
250 pm, a antena total mede 152,5 e os artículos l ll-lll-IV
medem respectivamente 15 — 37,5 — 25 — 75. Relação
Ant./Diag.cef. — 1,35.
A quetotaxia antenal é menos desenvolvida que om
S. heloisae. Não há ponta cônica na base do espinho de
Ant. II. O número de cornéulas é de 6 de cada lado, não
aparecendo sinais dos outros dois olhos.
Tibiotarso posterior (Fig. 16) extremamente original,
fortemente modificado por três tubérculos salientes, c mais
basal com um pêlo achatado em forma de folha estreita e
muito transparente. O mais apical que é também o mais
alto, provido de uma forte cerda reta dirigida para o ápice
e atingindo a base da unha. O terceiro em posição lateral
externa possui também uma cerda reta porém mais curta.
Esta formação do tibiotarso III do macho é mais do que uma
modificação de fânero e altera a própria forma da perna.
É única entre as espécies de Sphaeridia. No lado interno e
na mesma altura dos tubérculos há duas cerdas fortes e
farpadas (Fig. 16) que podem ser mais ou menos desen¬
volvidas.
Furca: dens com 14 a 17 pêlos, sem o espinho cônico
da extremidade externa presente em S- heloisae- Mucro em
média metade do comprimento da dens, nitidamente espa-
tulado no ápice (Fig. 14 e 15). Tubo ventral simples, igual
ao da fêmea sem nenhuma formação quitinosa.
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Sphaeridia betschi sp.n.: 13 — Habitus macho; 14 — Mucro; 15
— Dens e mucro; 16 — Macho tibiotarso III.
Fêmea: Comprimento 270 a 360 p.m. Coloração total¬
mente clara, sem nenhuma pigmentação, às vezes Ant. IV
levemente tingida. Para uma fêmea de 320 [im a antena total
é de 188 [im, sendo os segmentos l-ll lll-IV como 18 — 37,5
— 37,5 — 95 . Seis cornéulas desenvolvidas dn cada lado.
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Tibiotarso posterior sem a modificação própria do ma¬
cho, do lado interno uma forte cerda curva, levemente far
pada, entre esta e a base do tarso uma outra cerda mais
fina, erecta e lisa. Furca como no macho, dens sem espinho
cônico apical. Três tricobotrias sobre o grande abdominal
e duas no segmento ano-genital. Tubo ventral normal.
Numerosas populações foram observadas no maciço da
Tijuca sem nenhuma variação nos caracteres do macho, so¬
mente os exemplares coletados na restinga de Jacarepaguá,
perto da Pedra de Itaúna (José Cardoso col.), se separam
das demais populações pela pigmentação difusa no corpo e
por uma diferença constante no tibiotarso posterior. O tu¬
bérculo basal que normalmente é provido dum fânero modi¬
ficado, levemente achatado e de fraca refração, como na
figura 16, mostra aqui uma cerda normal como nos dois ou¬
tros tubérculos (Fig. 18). As cerdas farpadas internas são
pouco desenvolvidas mas os demais caracteres são idênti¬
cos e a própria estrutura específica do tibiotarso continua
a mesma. Enquanto não pudermos estudar melhor esta po¬
pulação devemos considerá-la como uma variação intra-es-
pecífica localizada.
Afinidades: Esta espécie é muito bem caracterizada
pelos tibiotarsos posteriores do macho de estrutura única
no gênero. Também a ausência de processos quitinosos no
tubo ventral e a coloração dos machos a afastam ladical-
mente de S. heloisae. Como sempre as fêmeas de Sphaeri-
dia são de difícil identificação. Em relação à S. heloisae as
fêmeas da presente espécie distinguem-se por caracteres
do tibiotarso posterior e da furca pois não mostra o espinho
cônico apical presente nos machos e fêmeas de S heloisae,
além de serem de tamanho menor.
S betschi é a espécie comum e de grande dispersão
nas montanhas da Tijuca, a única ocorrência em baixada
(Restinga) corresponde a uma forma aberrante.
Material examinado: Rio — Tijuca, Floresta da Tijuca,
diversas coletas (C. Mendonça e R. Arié col. 1980-82). Es-
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Sphaeridia betschi sp.n.: 17 — Dens e mucro (Restinga); 18 —
Idem, tibiotarso III (Restinga).
trada da Vista Chinesa (C. Mendonça e R. Arié col. 6/11/82).
Paineiras (Alunos col. 10/10/82). Nova Friburgo (R.J.)
mata secundária (R. Arié col. 23/02/83). Restinga de Jacare-
paguá, Pedra de Itaúna, charco (José Cardoso col. 13/07/83).
Holótipo macho e alótipo fêmea montados na mesma
lâmina, em meio líquido, procedentes da Tijuca (Paineiras),
no Museu Nacional ■ Rio. Parátipos no Museu Goeldi Belém
e coleção R. Arié.
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Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Zoologia, 1 (2)
Dedicamos esta espécie ao nosso colega e amigo Dr.
Jean-Marie Betsch. Laboratoire d’Écologie Générale —■
Brunoy.
Sphaeridia carioca sp. n.
(Fig. 19-22)
Habitus e coloração: Habitus como na figura 19. Cabe¬
ça volumosa em relação ao corpo. Macho de cor clara com
uma grande mancha preta cobrindo a parte dorsal do grande
abdominal sem atingir o segmento ano-genital mas anterior¬
mente ligando-se à parte posterior da cabeça. Antenas pig¬
mentadas menos o primeiro artículo. Pernas e furca claras.
A fêmea não foi encontrada.
Descrição do macho: Comprimento 225 pm. Antenas cur¬
tas, pouco mais compridas que a diagonal cefálica. Antena
total 125 pm, Ant. IV 68,5. Dens-mucro 68,5. Tibiotarso III 55.
Diagonal cefálica 112,5. Relação Ant/D.cef. = 1,11.
O tibiotarso posterior (Fig. 20) apresentando no lugar
do fânero modificado uma simples cerda fina.
Antena (Fig. 22) com as modificações preensoras dos
segmentos II e III muito simples, um pequeno tubérculo com
uma seta de comprimento inferior à largura dos artículos.
Tubo ventral com formações quitinosas complexas
(Fig. 21). O processo posterior saliente em forma de cabe¬
ça de pato
Três tricobotrias em triângulo invertido no grande abdo¬
minal e duas no segmento ano-genital. Seis cornéulas bem
formadas de cada lado. Fêmea não conhecida.
Afinidades: Esta espécie, de tamanho reduzido, tem
um habitus muito especial (Fig. 19) com sua cabeça grande
e antenas curtas. .A conformação do processo quitinoso do
tubo ventral, combinado com a ausência de pêlo modificado
no tibiotarso posterior a caracterizam muito bem.
Material examinado: Rio de Janeiro — Floresta da Ti-
juca 6/11/82 1 macho (R. Arié col.).
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Rrlé, R. — O gênero Sphaeridia Linnanienti, 1912...
Holótipo macho montado em lâmina meio líquido, pro¬
cedente da Floresta da Tijuca. Am. 2129 Arié. Museu Nacio¬
nal -Rio.
Sphaeridia carioca sp.n.: 19 — Macho habitus; 20 — Idem, tL
biotarso III; 21 — Idem, tubo ventral; 22 — Idem, antena.
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Boletim do Museu Paraense Emillo Goeldi, Zoologia, 1 (2)
Sphaeridia cardosi sp. n.
(Fig. 23-27)
Habitus e coloração: Habitus normal para o gênero.
Coloração arroxeada, semelhante nos dois sexos. Pigmen¬
tação difusa irregular sobre todo o corpo inclusive antenas,
pernas e furca.
Descrição do macho: Comprimento 225 pm, coloração
difusa. Antenas com as adaptações preensoras simples, não
estudadas especialmente. Para um macho de 225 pm a ante¬
na total mede 138, sendo o comprimento dos segmentos
l-ll-lll-IV respectivamente de 20 — 33 — 22 — 63. Relação
Ant./D.cef. = 1,23. A dens-mucro mede 75 pm sendo o mu-
cro um pouco mais comprido que a metade da dens. Mucro
estreito, quase liso e levemente espatulado. Seis cornéulas
bem formadas de cada lado (Fig. 25). Tibiotarsos posterio¬
res (Fig. 26) sem fânero modificado mas com um simples
pêlo como em S. carioca.
Antena com as setas preensoras dos artigos II e III re¬
lativamente curtas, não maiores que a largura do segmento
e ultrapassadas em comprimento pelos demais pêlos.
Tubo ventral com formações quitinosas muito caracte¬
rísticas (Fig. 23 e 24), há um processo posterior alto e trun¬
cado provido na base dum apêndice em forma de bico agudo
e curvo. Esta conformação foi encontrada invariável em po¬
pulações do Silvestre (Tijuca), represa dos Três Rios e res¬
tinga de Jacarepaguá.
Fêmea: Comprimento de 270 a 350 pm, antena total de
137 a 150 pm. Mesma pigmentação que o macho. Sem mar¬
cas específicas marcantes.
Afinidades: A caracterização desta espécie afim de
S. carioca, será feita pela conformação dos processos do
tubo ventral (Fig. 23 e 24) em combinação com a ausência
de fânero modificado nos tibiotarsos posteriores do macho
e com a pigmentação difusa no corpo inclusive pernas.
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Rrlé, R. — O gênero Sphaeridia Linnaniemi, 1912...
Z3
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lO/j
N
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27
Sphaeridia carãosi sp.n.; 23 — Macho tubo ventral (Silvestre);
24 — idem tubo ventral (Restinga); 25 — Grupo ocular; 26 —
Macho Tibiotarso III; 27 — Dens e mucro.
Material examinado: Rio: Tijuca (Silvestre) diversos
exemplares machos e fêmeas 23/07/83 (R. Arié col.). Res¬
tinga de Jacarepaguá — Pedra de Itaúna, beira de charco,
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Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi. Zoologia, 1 (2)
diversos exemplares 13/07/83. (José Cardoso col.). Repre¬
sa dos Três Rios, diversos exemplares machos e fêmeas
17/10/82 (R. Arié col.).
Holótipo macho e alótipo fêmea montados na mesma
lâmina, em meio líquido, procedente da Tijuca (Silvestre).
Museu Nacional, Rio. Parátipos na coleção ArIé (Mus. Nac.)
e no Instituto Oswaldo Cruz — Rio.
Esta espécie é dedicada ao jovem botânico José Cardo¬
so, amigo nosso que foi seu primeiro coletor.
Sphaeridia flumínensis sp. n
(Fig. 28-31)
Habitus e coloração: Habitus como na figura 28. Mui¬
to leve pigmentação difusa presente nos dois sexos, mas
concentrada na parte inferior do corpo. Antena IV mais for¬
temente pigmentada.
Descrição do macho: Comprimento 225 pm. Antenas
maiores que nas espécies S. cardosi e S. carioca- Relação
Ant./Diag.cef. = 1,5. Seis cornéulas de cada lado. A dens-
mucro mede 80 pm. Mucro não espatulado medindo metade
do comprimento da dens. O tibiotarso posterior possui uma
cerda curva e quase Junto um pêlo fino e reto (Fig. 29) mas
não há tubérculo nem elevação. O tubo ventral (Fig. 30 e
31) tem expansões muito características, visto lateralmente
0 processo posterior parece parte de um anel e os proces¬
sos laterais são bidentados.
Fêmea: Comprimento 270 pm. Corpo muito globular.
Antenas curtas. Relação Ant./Diag.cef. = 1,0. Dens-mucro
= 100. Mucro com metade do comprimento da dens, não
espatulado. Tricobotrias normais. Na parte superior e pos¬
terior do grande abdominal os pêlos medem 25 pm. As cer-
das da parte interna do tibiotarso posterior fracas, vimos
duas apenas levemente bifurcadas.
Afinidades: é mais uma espécie com expansões do
tubo ventral que darão a chave para a sua identificação.
Suas afinidades são difíceis de precisar.
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Ar!é, R. — O gênero Sphaeridia Linnaniemi, 1912
'íF'
28
Sphaeridia fluminensis sp.n.: 28 — Habitus, macho; 29 — Macho
tibiotarso III; 30 e 31 — Idem, tubo ventral.
Material examinado: Nova Friburgo (R.J.), mata secun¬
dária em declive, alt. lOOOm. 2 machos, 3 fêmeas, 23/02/83
(R. Arié col.).
Holótipo macho montado em lâmina, meio líquido.
Am2134 Museu Nacional - Rio.
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Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Zoologia. 1 (2)
Sphaeridia paroara sp. n.
(Fig. 32-37)
Habitus e coloração: Totalmente incolor nos dois sexos.
Habitus normal do gênero.
Descrição do macho: Comprimento 200 a 225 p.m. Ante¬
nas normalmente longas. Relação Ant./Diag.cef. = 1,60.
Artículos antenais l-ll-lll-IV medem respectivamente 25 —
50 — 25 — 80. Tibiotarso III 62,5 p.m. Dens + mucro 80, mucro
medindo metade do comprimento da dens, com bordos para¬
lelos e quais lisos e com uma forte vesícula apical. Antena
(Fig. 34) com as modificações preensoras bem desenvolvi¬
dos. Fânero modificado do tibiotarso III (Fig. 35 e 37) em
forma de espinho reto engrossado e rombudo, embasado num
tubérculo baixo. Do lado interno encontramos duas cerdas
curvas ligeiramente dentadas (Fig. 37). Seis cornéulas bem
formadas como na figura 36, cada uma na sua própria man¬
cha de pigmento.
Tubo ventral com expansões características (Fig 32 e
33). Um processo posterior grande em forma de dedo diri¬
gido para a frente e dois processos laterais arredondados
largos e envolventes.
Fêmea: Comprimento 315 pm. Ant./Diag.cef. = 1,10.
Ant. I-II-III-IV medem respectivamente 20 — 31 — 31 — 87,5.
Tibiotarso posterior sem o fânero modificado do macho mas
do lado interno possui as duas cerdas fracamente dentadas
como observado no macho.
Para uma fêmea de 315 pm a dens-Fmucro = 87,5. Dens
medindo 62,5 e mucro 25. A relação dens/mucro = 2,5. O
mucro um pouco mais curto e mais largo na base que no
macho mas com a mesma grossa vesícula apical. A dispo¬
sição das cornéulas como no macho (Fig. 36), sendo 4 de
tamanho igual em uma linha curva e duas ligeiramente maio¬
res separadas, cada uma numa mancha de pigmento.
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Arié, R. — O gênero Sphaeridia Linnaniemi, 1912
37 — Tibiotarso III.
Esta espécie da região amazônica, pequena e totaimen-
te incoior, poderá ser identificada faciimente pelo tubo ven-
tral e caracteres do tibiotarso posterior dos machos. O mu-
cro possui uma forte vesícuia apical nos dois sexos e na
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Arié, R. — O gênero Sphaeridia Linnaniemi, 1912...
face interna do tibioarso III encontramos as mesmas cerdas
levemente dentadas que assinalamos na descrição do ma¬
cho. Não pode haver confusão com as espécies aqui descri¬
tas. Foi observado um exemplar de 210 [xm, provavelmente
fêmea jovem, com somente cinco cornéulas de cada lado.
Material examinado: Marudá (Pará), diversos exempla¬
res machos e fêmeas juntamente com Collophora sp.
4/03/1970 (R. Arié col.)..
Holótipo macho e alótipo fêmea montados numa mesma
lamina, em meio líquido — Museu Nacional - Rio. Parátipos
na coleção R. Arié.
Sphaeridia biniserrata (Salmon, 1951)
(Fig. 38.41)
Identificamos 13 exemplares machos e fêmeas proce¬
dentes de Carmo do Rio Claro (Minas Gerais) 13/09/959 (R.
Arié col.) como pertencente à esta espécie da Malasia re-
descrita por Massoud & Delamare (1964). Anteriormente tí¬
nhamos coletados alguns exemplares no Itatiaia (R.J.). Da¬
mos alguns desenhos justificando a determinação. Novos
estudos serão necessários.
Sphaeridia pumilis (Krausbauer, 1898)
Numerosos exemplares foram coletados em Manaus
(AM), em 1979, por Joachim Adis durante suas pesquisas
no igapó Tarumã (Adis, 1981).
Não há dúvida que pertencem ao complexo S. pumilis,
assinalado um pouco em toda parte no mundo, mas o que
significa este complexo ainda é uma interrogação.
Nossos desenhos mostram dens e mucro da fêmea, mu-
cro de jovem perfil de cabeça e antena de macho, das popu¬
lações de Manaus.
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Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, Zoologia, 1 (2)
43
Sphaeridia punilis sp.n.: 42 — Fêmea, dens 3 mucro - dorsal; 43
— Fêmea, mucro. dorsal; 44 — Jovens (210 /^m) mucro; 45 —
Macho (250 <Am). Esquema cabeça-antena, frontal; 46 — Fêmea,
cerdas farpadas do tiobiotarso III.
AGRADECIMENTOS
Somos gratos ao nosso colega Dr. Jean-Marie Betsch
(Lab. d'Écologie génerale du Muséum. Paris. Brunoy) pelo
acolhimento em seu laboratório, sugestões e bibliografia
como também pela apreciação crítica dos nossos desenhos
e ao Museu Goeldi pela oportunidade de publicação, espe¬
cialmente a Mario F. Simões pelo auxílio editorial.
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Arié, R. — O gênero Sphaeridia Linnaniemi, 1912...
RÉSUMÉ
Le genre Sphaeridia Linnaniemi, 1912 est très largemem
répandu mais aucune espèce de ce genre nayant été signa-
lée du Brésil nous avons entrepris une première recherche
dont le résultat est la présente contribution. Le but de ce
travail est donc de donner une description précise des huit
espéces, dont six nouvelles pour la Science, récoltées par
nous et nos collaborateurs dans diverses régions naturelles
du Brésil. Les espèces nouvelles décrites ici sont établies
principalment sur Tétude des caractères sexuels secondaires
des mâles localisés sur les tibiotarses postérieurs, les
antennes et le tube ventral. Ce dernier caractère décrit par
Murphy à Singapour, est très important, nous Tavons re-
trouvé ici chez cinq espèces et comme Muhphy nous avons
constaté sa grande spécificité. Chez trois espèces (S. heloi-
sae. S. betschi, et S. carioca) nous décrivons un dimorphisme
sexuel de coloration pas encore observé dans le genre. Chez
ces espèces les mâles sont spécifiquement pigmentés tandis
que les femelles sont d'une couleur claire uniforme. Sauf
pour S. carioca, connue seulernent par le mâle, les femelles
ont pu être identifiées et décrites malgré le peu de caractè¬
res distinctifs. L’espèce type du genre S. pumilis a été
trouvée en quantité près de Manaus par Joachim Adis
durant Ia réalisation de son projet dans Tlgapó Taruman Mi¬
rim [Adis, 1981). Les formes connues sous ce nom consti-
tuent une espèce variable et cosmopolite ou bien un com-
plexe qui reste à étudier.
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(Aceito para publicação em 08/10/84)
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