ISSN 0077-2216
BOLETIM DO
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Série BOTÂNICA
Governo José Samey
Secretaria Especial da Ciência e Tecnologia •
Secretário - Décio Leal de Zagottis
SCT
Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico - CNPq
Presidente - Crodowaldo Pavan
Vice-Presidente -José Duarte de Araí{jo
Museu Paraense Emilio Goeldi - MPEG
Diretor - Guilherme M. de La Penha
Vice-Diretor de Pesquisas -José Guilherme Soares Maia
Vice-Diretor Executivo - Celso Martins Pinto
Comissão de Editoração-MPEG
Presidente - Guilherme M. de La Penha
Vice-Presidente - Adélia E. de O. Rodrigues
Editor-Associado - Pedro L. B. Lisboa
Apoio Editorial - Graça Overal
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Lairson Barbosa
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João Murça Pires - EMBRAPA/CPATU
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Ortrud Monika Barth - Fundação Oswaldo Cruz
Paulo B. Cavalcante - Museu Paraense Emilio Goeldi - CNPq
Terezinha Sant’ana Melhen - Instituto de Botânica de São Paulo
Warwick E. Kerr- Universidade Federal de Uberlândia
William A. Rodrigues - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
© Direitos de cópia/Copyright 1989
por/by SCT-PR/CNPq/Museu Goeldi
0 4 AGO, 2009
cm
SciELO
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Secretaria Especial da Ciência e Tecnologia
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Boletim do
Museu Paraense
Emílio Goeld
Série
BOTÂNICA
Vol. 5(1)
Belém-Pará
Julho de 1989
SCT-PR/CNPq
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Presidência da República
Secretaria Especial da Ciência e Tecnologia.
CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
Parque Zoobotânico - Av. Magalhães Barata, 376, Sâo Braz.
Campus de Pesquisa - Av. Perimetral. Guamá.
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66.040. Belém, Pará, Brasil.
O Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia foi fundado
em 1894 por Emílio Goeldi e o seu Tomo I surgiu em 1896. O atual Boletim é
sucedâneo daquele.
The Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia Was
founded in 1 894, by Emílio Goeldi, and the first volume was issued in 1 896. The
present Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi is the successor to this
publication.
Apoio concedido, neste número:
SCT-PR/CNPq/FINEP - Programa de Apoio a Publicações Científicas.
CDD: 634.90216098116
COMPOSITION AND STRUCTURE
OF AN EASTERN AMAZONIAN FOREST
AT CAMAIPI, AMAPA, BRAZIL
Scott A. MorO, Benedito V. Rabelo^
Chih-Hua Tsou^ and Douglas Daly^
ABSTRACT-A forest inventory, based on a sample of 1000 trees 10 cm ormore
in diameter, was carried out in eastem Amazonian Brazil at Camaipi, Amapá.
The Camaipi forest is located in theAmazon Basin on sedimentary deposits about
45 km Nof the present-day Amazon River. Individual trees display the reverseJ-
shape size class distribution and have an a verage size of 643. 6 cm^. There are 546.
trees per hectare and a dominance of 35. 1 m^ per hectare. Geissospermum
argenteum is by far the most frequent, common, and dominant species. Its
Importance Value of 51.1 is among the highest recorded for a non-flooded
neotropical forest. Moreover, thepredominanceof trees ofthis species in the 30-39
cm size class interval and the high average tree size of 942.6 cm^ indicate that
some event within the last several hundred years promoted its establishment.
Because of the abundance of G. argenteum, the Apocynaceae ranks as the most
important family of trees in the Camaipi forest. Other important families are the
Sapotaceae, Mimosaceae, Burseraceae, Lecythidaceae, Caesalpiniaceae,
Chrysobalanaceae, Melastomataceae, and Lauraceae. Although diversity is
high, it is lower than a comparable forest on the Precambrian Guayana Shield at
Saül, French Guiana. The possible causes of the lower species diversity at
Camaipi are discussed.
*The New York Botanical Garden, Bronx, Ney York 10458-5126.
^Museu Ângelo Moreira da Costa Lima, Centro de Pesquisas Zoobotánicas, Rodovia Juscelino
Kubstichck, Km 10-Fazcndinha, Macapá, Amapá, Brasil.
cm
SciELO
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Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 5(1), 1989
KEY WORDS: Forest inventory, Phytosociology, Forest Stnicture.
RESUMO- Um inventário florestal, baseado numa amostragem de 1000 árvores
com diâmetros de 10 centímetros ou mais. foi efetuado para uma mata na Bacia
Amazônica oriental na localidade de Camaipi, Amapá. Essa mata está situada a
cerca de 45 km ao N do rio Amazonas sobre depósitos sedimentares. As árvores
mostram uma distribuição de “J" em reverso para as classes de tamanho e uma
área basal média de 643,6 cm^. Essa mata tem 546 árvores/hectare e uma área
basal total de 35,1 mw hectare. Geissospermum argenteum é a espécie mais
freqüente, comum, e dominante. Seu valor de importância de 51,1 está entre os
mais altos indices reportados para uma mata neotropical de terra firme. A
predominância de árvores desta espécie na classe de 30 a 39 cm de diâmetro e o
alto valor médio de área basal de 942, 6 cm^ indica que algum evento nos últimos
duzentos anos tem favorecido o estabelecimento desta espécie. Devido à alta
importância de G. argenteum, a Apocynaceae é a mais importante familia de
árvores na mata de Camaipi. Outras familias importantes são Sapotaceae,
Mimosaceac, Burseraceae, Lecythidaceae, Caesalpiniaceae, Chrysobalanaceae,
Melastomataceae. e Lauraceae. Embora a diversidade de espécies de árvores na
mata de Camaipi seja alta, ainda assim é mais baixa do que a diversidade de uma
mata sobre o Escudo das Guianas em Saül, Guiana Francesa. Aspossiveis razões
pela relativa baixa diversidade da mata de Camaipi são discutidas.
PALAVRAS-CHAVF: Inventário floristico, Fitossociologia e Estrutura da
floresta
INTRODUCTION
Quantitative ecological studies of the forests of the vast Amazonian hylaea
bcgan in Amazonian Brazil with the study of Black et al. in 1950. Their-work,
stimulated by lhe studies of Davis and Richards (1933, 1934) in Guyana(then
British Guiana), has promoted a series of papers on the forest vegetatíon of
Amazonian Brazil (Bastos, 1960; Cain et al., 1956; de Carvalho, 1980, 1981;
Dantas et al., 1980; Klinge & Rodrigues, 1968; Magnanini, 1952; Pires &
Koury, 1958; RADAM, 1974; Rodrigues, 19621. A reviewof ecological studies
throughout Amazônia is provided by Daly and Prance (1989). These studies
have demonstrated that: ( 1 ) the forests of Amazonian Brazil are rich in species;
(2) species composition and diversity changes drastically from one site to
another; (3) a relatively few species account for most of the importance value of a
given forest; and (4) many species are represented by one or fewer individuais per
hectare. Moreover, these studies provide data on the density, frequency,
dominance, and diversity of the species of trees studied.
A pioneer study of the phytogeography of the Amazon Basin is that of
Ducke and Black ( 1 954). They demonstrate that the flora of eastem Amazonian
Brazil has been, and continues to be, influeneed by the Amazon River. They
poinl out that species diversity appears to be lower in eastem than in central and
western Amazônia. They also suggest that species composition north and south
of lhe Amazon River is more divergent in eastem Amazônia than it is in western
Amazônia.
4
Composition and stniclure of Camaipi forest, Brazil.
The purpose of this paper is to describe a non-inundated forest of the
Amazonian floodplain and compare it with other neotropical forests, especially
one located at Saül, French Guiana on the Guayana shield.
STUDY SITE
This inventorv was carried out from September to October, 1983 and in
December, 1984 at Camaipi, Amapá (O°10’N,0°, 5 1°37’W) which is located about
30 km NW of Mazagão. The transects were located in a 2,380 hectare reserve of
the Empresa Brasileira de Agropecuária (EMPRABA). Although the reserve is
currently protected from the rampant deforestation taking place around it, there
is rio guarantee that it will remain protected because all or part of it may te
utilized in the future by EMBRAPA for agricultural experimentation.
TTie territory of Amapá can be divided into two distinct geological regions.
The Precambrian Guayana Shield which occupies the vast majority of the
territory and the smaller sedimentary areas which fringe the Atlantic coast and
the north bank of the Amazon River. The sedimentary areas were deposited in the
late Tertiary and the Pleistocene (Fittkau, 1974; Guerra, 1952). Camaipi is
located on the sedimentary deposits about 45 km N of the Amazon River. The
study site itself is situated on a low plateau at less than 100 m elevation and is
generally of low topiographic relief. It is dissected only by occasional small
streams. The interfluvial areas are nearly flat, broad plateaus.
The Camaipi site is covered by non-inundated (terra Jirme) forest and
therefore species diversity is not limited by periodic excesses of soil moisture. To
the eas\ and southeast this forest is bordered by savanna (campo), to the north
and West by other /erra Jirme forests, and to the south by periodically inundated
or várzea forest.
Aimual yearly rainfall is on the order of 2,500 mm (Nimer, 1977) and there
is a marked dry season beginning in July and ending in December (Salati, 1985).
The transects were placed in terra firme forest. The soils at the study site are
acidic, ranging from 4.8-4.9 pH. Phosphorous occurs in 1 p.p.m. and potassium
ranges from 6-16 p.p.m. Calcium and magnesium are present in 0.8- 1.1 mil
ecmi valents, the percent nitrogen ranges from 0. 1 3-0.25 , the percent carbon from
1.24-2.88, and the percent organic material from 2. 13-4.95. The range of values
depends on the location and depth of the sample.
METHODS
One thousand trees with diameters at breast height (DBH) equal to or
greater than 10 cm were sampled using the point-centered quarter method of
Cottam and Curtis (1956). Five separate transects, totalling 5()00 meters in
length, were established at azimuths of 140°. The transects were parallel and
scparated from one another by 1000 meters. The sample points along the lines
were placed 20 m apart. The sampling method and analysis of data follows that
descrited in more detail by Mori et al. (1983a).
The trees were marked with numbered aluminum tags and were revisited the
following year to gather data on mortality, to fill in missing data, and to collect
additional spccimens for trees not properíy vouchered. Herbarium collections
were gathered for all trees for which there was any doubt in identífication.
However, casily identifiable trees were also collected at least once. Tree and
5
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot, 5(1), 1989
voucher numbers for the species are provided in Table 1. A complete set of
voucher collections is deposited in the herbarium of the Museu Amapaense
(HAMAB) and a list of all species and their vouchers is available from the
sênior author. Only a limited set of voucher collections is deposited at NY.
Table 1 - Tree and voucher numbers for species discussed in the text The tree number
app)ears in parentheses and is.followed by the collection number in the series of S. Mori.
Anacardiaceae
Thyrsodium guianense Sagot ex March.
(2009) 15800; (2197) 15290; (2215) 15934.
Apocynaceae
Geissospermum argenteum Woods.
(2001) 15798.
Aspidosperma carapanauba Pichon
(2128) 15880; (2162) 15895; (2264) 15964; (2336) 16019; (2651) 16243.
A. macrocarpon Mart.
(2951) 16453.
Boraginaceae
Cordia exaltata Lam.
(2010) 15801; (2029) 15816A; (2031) 15818; (2072) 15842.
Burseraceae
Prolium firmum Swart
(2110) 15866; (2111) 15867; (2121) 15875; (2216) 15935; (2266) 15965;
(2311) 16000; (2312) 16001; (2381) 16050; (2421) 16095; (2465) 16122;
(2532) 16160A; (2543) 16166 (2644) 16239; (2699) 16271.
P. tenuifolium (Engl.) Engl.
(2018) 15808; (2339) 16021; (2348) 16027; (2412) 16093; (2493) 16138;
(2497) 16141; (2508) 16147; (2516) 16150; (2538) 16162; (2561) 16182;
(2579) 16198; (2585) 16202; (2592) 16205; (2608) 16217; (2610) 16219;
(2619) 16225; (2625) 16230; (2632) 16233; (2643) 16238; (2652) 16244;
(2671) 16259; (2682) 16262; (2703) 16274; (2704) 16275; (2766) 16314;
(2777) 16324; (2822) 16369; (2833) 16377; (2839) 16381; (2844) 16383;
(2892) 16410; (2927) 16434; (2994) 16483.
Tetragastris panamensis (Engl.) O. Ktze.
(2017) 15807; (2050) 15828; (2093) 15856; (2167) 15898; (2170) 15900
(2188) 15913; (2272) 15968; (2280) 15974; (2316) 16004; (2342) 16023
(2474) 16125; (2524) 16155; (2607) 16216; (2658) 16250; (2701) 16273
(2719) 16285; (2721) 16287; (2722) 16288; (2724) 16289; (2793) 16350
(2859) 16391; (2888) 16407; (2890) 16409; (2900) 16416; (2928) 16435
(2948) 16450; (2966) 16462; (2972) 16467; (2982) 16473.
Caesalpiniaceae
Tachigalia myrmecophila Ducke
(2020) 15180; (2126) 15880A; (2179) 15907; (2201) 15923.
6
continued
Composition and structure of Camaipi forest, Brazil.
Table 1 - continuation
T. alba Ducke
(2043) 15824; (2083) 15849; (2287) 15979; (2435) 16103; (2788) 16346;
(2826) 16373; (2964) 16460.
Humiriaceae
Saccoglottis guianensis Benth.
(2150) 15890; (2332) 16017; (2452) 16113; (2536) 16161; (2759) 16308;
(2791) 16348; (2824) 16371; (2902) 16417; (2919) 16429; (2930) 16437.
Lauraceae
Nectandra amazonum Nees
(2054) 15832; (2102) 15861; (2117) 15872; (2130) 15882; (2156) 15893;
(2166) 15897; (2178) 15906; (2302) 15994; (2432) 16101; (2618) 16224;
(2675) 16261; (2691) 16266; (2720) 16286; (2739) 16297; (2767) 16315.
Lecythidaceae
Lecyíhis per sis tens Sagot
(2214) 15933; (2361) 16039; (2386) 16054; (2438) 16104; (2604) 16213;
(2641) 16237; (2653) 16245; (2662) 16254; (2664) 16255; (2668) 16258;
(2672) 16260; (2874) 16399.
Lecvthis poiteaui Berg
■(2124) 15878.
Melastomataceae
Miconia punctata (Desr.) Don
(2310) 15999; (2315) 16003; (2354) 16032; (2597) 16207; (2617) 16223;
(2665) 16256; (2693) 16268; (2713) 16282.
Mouriri torquata Morley
(2012) 15803; (2101) 15860; (2233) 15942; (2256) 15959; (2366) 16041 A;
(2407) 16090; (2433) 16102; (2460) 16119; (2525) 16156; (2533) 16160
(2629) 16231; (2775) 16322; (2823) 16370; (2825) 16372; (2926) 16433.
Mimosaceae
Dinizia excelsa Ducke
(2639) 16236; (2846) 16385; (2877) 16401; (2889) 16408.
Pithecellobium racemosum Ducke
(2296) 15985; (2372) 16043; (2403) 16086; (2602) 16211; (2667) 16257;
(2753) 16304; (2817) 16366; (2829) 16374.
Myristicaceae
Virola michela Heckel
(2051) 15829; (2122) 15876; (2142) 15887; (2171) 15901; (2189) 15914;
(2258) 15960; (2352) 16030; (2405) 16088; (2486) 16133; (2539) 16163;
(2545) 16168; (2577) 16196; (2661) 16253; (2728) 16292; (2734) 16294;
(2769) 16317; (2773) 16321; (2794) 16351; (2807) 16361; (2896) 16413;
(2984) 16475.
Ochnaceae
Ouratea discophora Ducke
(2106) 15864; (2109) 15865; (21 12) 15868; (2113) 15869; (21 20) 15874.
SapKitaccae
Franchetella anibaefolia (A. C. Smith) Aubr.
(2039) 15823; (2074) 15843; (2165) 15896; (2173) 15903; (2411) 16092;
(2551) 16174; (2740) 16298; (2771) 16319; (2782) 16342; (2944) 16447;
(2965) 16461.
7
continued
SciELO
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi sér. Boi, 5(1), 1989
Table 1 - conclusion
F. gongrijpii (Eyma) Aubr.
(2076) 15845; (2289) 15980; (2331) 16016; (2337) 16020; (2392) 16057;
(2442) 16106; (2522) 16153; (2555) 16176; (2575) 16189; (2606) 16215;
(2609) 16218; (2624) 16229; (2654) 16246; (2957) 16456; (2958) 16457.
Manilkara amazônica Huber
(2153) 15892; (2347) 16026; (2694) 16269; (2708) 16278; (2838) 16380;
(2394) 16411; (2946) 16449; (2978) 16471; (2987) 16477; (2990) 16480.
M, huheri (Ducke) Chevalier
(2006) 15797; (2049) 15827.
Pouteria sagotiana (Baill.) Eyma
(2026) 15815; (2077) 15846; (2131) 15883; (2186) 15911; (2200) 15922;
(2353) 16031; (2380) 16049; (2382) 16051; (2485) 16132; (2698) 16270;
(2736) 16295; (2737) 16296; (2750) 16302; (2772) 16320; (2781) 16341;
(2785) 16345; (2936) 16442; (2961) 16459; (2971) 16466.
Sf^cies concepts were first established by studying the voucher collections
while still in the field. This allowed us to solve species problems by retuming to
examine the numbered trees. Duplicates of the voucher specimens were then sent
to specialists for identification or matched by the two sênior authors in the
herbaria of the Museu Goeldi (MG) or The New York Botanical Garden (NY).
Distance to Nearest ConsMcific (DNC) measurements were made for
eleven readily identifiable trees. The num^r of trees per species ranged from five
{Dinizia excelsa Dúcke) to 182 {Geissospermum argenteum Woods.). Only
nearest conspecifics 10 cm or greatcr were included in the sample.
The data of this study were compared with that gathered from three other
studies in which similar methods were employed. These other studies are based
on Work in Amazonian Ecuador (Balslev et al., 1 987), eastem extra- Amazonian
Brazil (Mori et al., 1 983a), and the Guayana Shield of French Guiana(Mori &
Boom, 1987).
RESULTS
Size. The trees of Camaipi display the reverse J-shape or negative
exponential distribution characteristic of most forests (Figure 1 ). The percent of
trees per 10 cm size class interval is: 10-19 (52.9%), 20-29 (22.5%), 30-39
(11.6%), 40-49 (6.1%), 50-59 (2.8%), 60-69 (1.7%), 70-79 (1.4%), 80-89
(0.4%), 90-99 (0.3%), 100-109 (0.1%), 110-119 (0.2%h The average basal
area per tree 10 cm or greater DBH at camaipi is 643.6 cm2 (Table 2). The size
class distribution of Geissospermum argenteum diíTers markedly from that of
the overall forest There are many fewer trees in die 1(T 1 9 cm interval ( Fi^e 1 )
and the average basal area per tree of 942.6 cm2 of this species is muchlarger.
Frequency. In order to calculate frequency, five consecutive points were
combined to máke a single sampling unit, i.e., points 1-5 = sampling unit 1 ; points
6-10 = sampling unit 2; and so forth. In this way 250 points yielded 50 sampling
units. The presence of each species was recorded each time it appeared in a
sampling unit. The 205 species found in the 1000 tree sample gave 734
occurrences. The absolute frequency of a species is the number of sampling units
in which it occurs, whereas the relative frequency is the total number of
occurrences of a given species divided by 734.
8
Composilion and struclure of Camaipi forest, Brazil.
Table 2- Sample size, tree densities, average basal area/tree, total basal area/hectare, and
np trees/species in four lowland, neotropical forests. Includes all trees 10 cm or greater in
diameter. The data were gathered using the point-centered quarter sampling method.
Locality
Sample
Size
(no. trees)
Density
(trees/
hectare)
Average
Basal Area/
tree (cm^)
Basal Area/
hectare
(m2)
No.
Species/
800 trees
Anangu
(Balslev et al.
1987)
800
728
462.9
33.7
244
Bahia
(Mori et al.,
1983)
600
819
519.1
46.3
■
Saül
(Mori & Boom,
1987)
800
619
856.7
53.0
295
Camaipi
1,000
546
643.6
35.1
188
9
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi, S(J), 1989
The most frequent species is Geissospermum argenteum which occurred in
44 out of the 50 (88%) sampling units. This species is found throughout the entire
foresL An additional 13 species were found in 25% or more of the sampling units
(Table 3). TTiese species are: Tachi^lia myrmecophila Ducke (27
occumnccs), Protium tenuifolium (Ençl.) Engl. (22), Tetragastris panamensis
(Engl.) O. ICuntze(22), Virola micnelii Heckel {19), Lecytnis persistens Sagot
nS), Pouteria. sagotiana (Baill.) Eyma (16), Thyrsodium guianense Sagot ex
March. (16), Manilkara amazônica Huber (13), Mouriri torquata Morlev (13),
Protium Jirmum Swart (13), Nectandra amazonum Nees (13), Franchetelía
gongrijpi (Eyma) Aubr. (Iz), and Miconia punctata (Desr.) Don (12).
Density. There are 546 trees equal to or greater than 10 cm DHB per
hectare at Camaipi. Geissospermum argenteum, with a relativedensity of 18. j%
and an absolute density of nearly 100 trees per hectare, is by far the commonest
species. The next most common, Lecythis persistens, has a relative density of
4.9% and an absolute density of 26.8 trees per hectare (Table 3). Ninety-five of
the 205 species have absolute densities of only one tree per hectare.
Dominance. Average tree size of the 1 ,000 tree sample is 643.6 cm2. This
yields a total basal area for the 546 trees per hectare equal to or greater than 1 0 cm
DBH of 35. 1 m2/hectare. Geissospermum argenteum, with a relative dominance
of 26.8% and an absolute dominance of 9.4 m^, is by far the most dominant
species in the Camaipi forest Other species with high dominance values are listed
in Table 3.
Table 3 - Twenty-five most important tree species the forest of Camaipi. Values a re given
for the 1.000 trees greater than or equal to 10 cm DBH sampled, not per hectare.
Species
No.
Occurrences
No.
Trees
Basal area
(cm2)
Importance
Value
Geissospermum argenteum
44
183
172,504.7
51.1
Tachigalia myrmecophila
27
44
35,264.6
13.5
Tetragastris panamensis
22
29
26,530.0
10.0
Lecythis persistens
18
49
9,288.7
8.8
Protium tenuifolium
22
34
11,496.4
8.2
Manilkara amazônica
13
15
23,784.6
7.0
Virola michela
19
23
8,515.6
6.2
Pouteria sagotiana
16
20
11,107.5
5.9
Thyrsodium guianense
16
19
7,909.3
5.3
Tachigalia alba
11
12
13,384.2
4.8
Mouriri torquata
13
15
7,544.2
4.4
Aspidosperma carapanauba
7
8
17,299.3
4.4
Dinizia excelsa
5
5
18,143.9
4.0
Aspidosperma macrocarpon
6
6
16,016.3
3.9
continued
10
Composirion and structure of Camaipi forest, Brazil.
Table 3 - conclusion
Species
No.
Occurrences
No.
Trees
Basal area
(cm2)
Importance
Value
Nectandra amazonum
13
15
3,601.2
3.8
Protium firmum
13
15
3,178.1
3.8
Franchetella anibaefolia
10
12
7,145.1
3.7
Manilkara huberi
7
8
11,523.4
3.5
Pithecellobium racemosum
11
11
5,887.9
3.5
Franchetella gongrijpi
12
15
2,111.9
3.5
Lecythis poiteaui
7
9
9,493.7
3.3
Miconia punctata
12
13
2,362.4
3.3
Saccoglottis guianensis
9
10
6,371.1
3.2
Ouratea discophora
9
16
2,237.6
3.2
Cordia exaltata
11
13
1,696.7
3.1
Importance Values. Importance values (IV) were calculated by adding the
relative frequency, relatíve density, and relative dominance of each species
(Curtis & Cottam, 1962). The IV of a species gives an indication of (1) how
trequently it is encountered throughout the forest (relative frequency), (2) how
abundant it is (relative density), and (3) how larçe its individuais are (relative
dominance). Therefore, the sum of these values is an indication of the overall
importance of a given species in a community.
By far the most important species at Camaipi is Geissospermum argenteum
with an IV of 5 1 . 1 . The 25 most important species at Camaipi are listed in Table
3. These 25 species account for 58.5% of the 300 point FV index.
Family Importance Values Using Cronquist’s (1981) System of classi-
fication, a total of 47 families of plants were found in the 1(XX) tree sample. Only
seven individuais were not placed to family and five of these were legumes that
belong to either the Caesalpiniaceae or the Fabaceae (Table 4). In order to
evaluate which of these families are most important at Camaipi, we used the
Family Importance Value (FIV), which is the sum of the relatíve diversity, the
relative density, and the relatíve dominance for all individuais of the family in the
sample (Mori et al., 1983b). The Apocynaceae(FrV=57.8), Sapotaceae(30.1),
Mimosaceae (24.9), Burseraceae (20.8), and Lecythidaceae (18.2) are the five
most important tree families at Camaipi. The 30 most important families are
listed in Table 4.
Diversitv. A total of 205 species was encountered in the 1(XX) tree sample.
One hundred and eighty-eight species appeared among the first 8(X) trees
sampled. Diversity in the 800 trees sample was calculated in order to allow
comparison with other 8(X) trees samples from Aflangu, Ecuador and Saül,
French Guiana.
Spatial paüerns. Of the 1 1 species examined in the Distance to Ncarest
Conspecific (DNC) analysis, all butManilkara huberi (Ducke) Chevalier haver
a clumped distributíon (Table 5).
11
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bou, 5(1), 1989
Mortality. Fourteen months after the 1000 trees sample was initíally
marked, only 1 1 trees had died. Six of these trees were still standing, whereas five
had their trunks snapped in one way or the other. One of the latter, with its trunk
broken 2 m from the ground, had its trunk filled with a termite nest. The other four
had probably been broken by adjacent tree falis. A few other trees were nearly
uprooted or had resprouted from broken trunks but these were not included in the
mortality census because they were still alive.
Table 4 - Thirty leading tree families of Camaipi. Based on Family Importance Value
(FIV) for the 1000 trees sample.
Family
No. Trees
Basal Area
(cm2)
No.
Species
FIV
Apocynaceae
207
213,622.4
8
57.8
Sapotaceae
99
67,833.5
20
30.1
Mimosaceae
57
57,649.2
21
24.9
Burseraceae
88
49,123.0
9
20.8
Lecythidaceae
80
37,267.9
9
18.2
Caesalpiniaceae
63
51,294.8
7
17.7
Chrysobalanaceae
40
13,129.8
14
12.8
Melastomataceae
45
13,888.0
10
11.5
Lauraceae
39
12,403.0
10
10.7
Fabaceae
18
14,416.1
11
9.4
Annonaceae
15
5,413.2
9
6.7
Anacardiaceae
30
10,720.4
4
6.6
Myristicaceae
26
9,541.7
5
6.5
Myrtaceae
22
2,600.1
7
6.0
Rubiaceae
6
7,811.9
4
3.8
Ochnaceae
18
2,747.8
3
3.7
Moraceae
6
4,802.2
4
3.3
Vochysiaceae
5
8,516.7
2
2.8
Boraginaceae
14
1,817.4
2
2.7
Hugoniaceae (= Linaceae)
5
10,075.0
1
2.6
Combretaceae
7
5,476.7
2
2.5
Malpighiaceae
10
3,390.1
2
2.5
Humiriaceae
10
6,371.1
1
2.5
Quiinaceae
6
1,348.6
3
2.3
Legumes
5
4,225.9
2
2.1
Clusiaceae
4
1,429.9
3
2.1
Celastraceae
5
3,508.7
2
2.0
Euphorbiaceae
3
927.2
3
1.9
Arecaceae
6
2,077.5
2
1.9
Meliaceae
6
1,255.4
2
1.8
Rcmaining families
55
18,922.8
23
19.9
Total
1,000
643,608.0
205
300.0
12
Composition and structure of Camaipi forest, BrazU.
DISCUSSION
The forest at Camaipi is comparable to other tropical forests (Table 2;
Gentry, 1982a; Herwitz, 1981)innumberoftreesequaltoor^eaterthan lOcm
DBH per hectare (546), in average tree size (643.6 cm2), dominance (35. 1 m^),
and in the J-shape or negative exponential distribution of its tree size classes.
The extremely high Importance Value of 51.1 for Geissospermum
argenteum is unusual for non-flooded tropical forests wiúiout edaphic
restrictions. Pires (pers. comm.), however, reports that this species is common in
many other areas of eastem Amazonian Brazil. Importance Values ranging from
12.3 (Myrtaceae indet. 17; Mori et al., 1983a), 23.4 {Vochysia quianensis
Aubl.; Cain et al., 1956), 27.1 (Iriartea deltoidea R. & P.; Balslev et al., 1987),
27.3 (Scheelea sp., Balslev et al., 1987) to 28.7 {Mabea brasiliensisMuell. Arg.]
Silva, 1980) have been calculated for other comparable neotropical forests. An
IV of 54.7 has been registered for Mollia lepidota Spruce ex Benth. from a
periodically inundated forest along the Rio Xingu (Campbell et al., 1986).
However, if there are edaphic limiting factors at Camaipi, they are not apparenL
Hectare samples of trees from moist tropical forests with no soil limitations
will usually include representatives from ca. 40 to 50 families when Cronquisfs
(1981) System of classification and a minimum tree diameter of 1 0 cm are used as
standards. The Camaipi sample included 47 families among the 1000 trees
surveyed. Previous studies have shown that the Arecaceae, Bombacaceae,
Burseraceae, Caesalpiniaceae, Chrysobalanaceae, Euphorbiaceae, Fabaceae,
Lauraceae, Lecythidaceae, Meliaceae, Mimosaceae, Moraceae, Myristicaceae,
Myrtaceae, Sapotaceae, and Vochysiaceae are usually the most important
families of trees in lowlaiíd, moist neotropical forests (Balslev et al., 1987; Cain et
al., 1956; Dansereau, 1947; Davis and Richards, 1934; Fanshawe, 1954;
Gentry, 1982a; Grubb et al., 1963; Maas, 1971a, Í971b; Mori et al., 1983a,
1983b, 1987; Prance et al., 1976, Sabatier, 1985; Schulz, 1960; Silva, 1980;
Takeuchi, 1962; Veloso, 1946). The Apocynaceae, with the highest Family
Importance Value of all families at Camaipi (57.8), now has to be added to this
list
Our 1000 tree sample was laid out along transects that covered five
kilometers in length. Therefore, the total number of species sampled in
comparison to a similar number of trees sampled in linear or square quadrats is
expected to be greater (Mori & Boom, 1987). It is also important to understand
that diversity values obtained with the point-centered quarter method can not be
converted to absolute diversity per hectare. Consequently, the diversity figures
for Camaipi can only be compared with those obtained in studies in which the
same number of trees was sampled Iw the point-centered quarter method with the
sample points spaced 20 m apart (Tabela 2). In comparison with the diversity
data from Anangu and especially Saül, the presence of 188 species among the
first 800 trees indicates relatively low diversity. In contrast, 295 species were
found in the 800 trees sample from Saül.
It has been documented that tree species diversity varies considerably at
different sites in the Neotropics. Counts of trees equal to or greater than 10 cm
DBH on 1-ha plots in Amazónia have yielded values as low as 87 (Pires, 1957)
and as high as 300 (Gentry, 1986a) dilTerent species. Several explanations may
account for this vast dilTerence in three species diversity. In the first place, forests
on soils with limiting factors are known to possess fe wer species per unit arca than
13
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sir. Boi., 5(1), 1989
forests on soils without limiting factors. For example, in a study of a Guyanan
forest, Davis and Richards (1934) recognized five diíTerent vegetation types,
which they attributed to differences in soil moisture and organic content. Their
extreme cases, the “Mora” forest association, which occurs on highly organic
soils that never dry out, and the “Wallaba” forest association, which is found on
white sand soils that rapidiy dry out in the dry season, showed least species
diversity. Pires and Koury ( 1 958) and Campbell et al. ( 1 986) have demonstrated
that eastem Amazonian non-flooded forest is richer in species than periodically
inundated (várzea) forest. The well-drained soils at Camaipi have no apparent
edaphic limitations to species diversity.
Greater topographic relief may also promote species diversity. The
influence of the Andes in providing opportunities for plant speciation has recently
been emphasized by Gentry ( 1 982b). However, even less dramatic changes in
relief can increase species diversity by providing ^eater habitat diversity. For
example, in a study of the ecology of neotropical I^cythidaceae, Mitchell and
Mori (1987) have shown that certain species prefer ridge tops while others prefer
valley bottoms. Of the study areas listed in Table 2, the Camaipi forest has the
least topographic relief and, therefore, its low tree species diversity may be
partially explained by fewer oportunities for niche specialization.
Eastem Amazonian botanists generally agree that lower species diversity,
as well as dominance by fewer species, prevails in the early successional stages
of Amazonian forests (Pires, pers. comm.). Saldarriaga ( 1 987) has demonstrated
that fcwer species and lower biomass characterize secondary forests up to 80
years after shifting cultivation in Venezuelan Amazônia. The extremely high
importance value of Geissospermum argenteum (Table 3), along with the
disproportionately high numberof trees in the larger size intervals of this species,
suggest that some disturbance event promoted its establishment within the last
several hundred years. If true, the lower tree species diversity of the'Camaipi
forest may be partially explained by the relative immaturity of this forest The
relatively hi^ Family Importance Value of the Melastomataceae (Table 4), a
family more common in secondary than mature forests, supports this hipothesis.
Nevertheless, some primary forest species (e.g., Dinizia excelsa, Manilkara
huberi, and Pithecellobium racemosum Ducke) are present
Species diversity may also be related to the abundance and distribution of
rainfall. Gentry ( 1 982a) points out that wetter neotropical forests generally have
more diverse plant communities than do drier ones. However, he has recently
suggested that rainfall beyond 4000 mm per year is not accompanied by an
increase in plant species diversity (Gentry, 19{56b). The distribution of rainfall
throughout the year also has to be taken into consideration. Nevertheless, the
Camaipi forest has a dry season and rainfall regime comparable to that of the Saül
forest, yet the latter forest is 1.6 times richer in species (Table 2).
Climatic changes that have taken place throughout geological time may
have a considerable impact on species diversity. For example, the contraction of
neotropical forests into refugia during glacial periods ofthe Pleistocene is thought
by many to promote sf^ciation (Prance, 1 982a and papers therein). Acoording to
this theory, tree species diversity is expected to be greater in areas of former
14
Composition and structure of Camaipi forest, Brazil.
refugia or at zones of contact between species that were formerly isolated in
different refugia. The Camaipi forest does not coincide with any of the areas
hypothesized as refugia for woody angiosperms by Prance (1982b). In contrast,
the species rich forest at Saül is found in the eastern Guiana refuge (Prance,
1982b).
Finally, the past and present extent of the Amazon River may ha ve greatly
influenced species diversity at Camaipi. Ducke and Black (1954) have shown
how the Amazon River in eastern Amazónia has restricted latitudinal migration
of plants, whereas the same has not occurred in western Amazónia. Camaipi is
located on recently deposited sedimentary rocks of the Amazon basin and was
most certainly flooded throughout much of the Tertiary and Quatemary (Fittkau,
1974). Consequently, the Camaipi forest has a much shorter evolutionary past
than, for example, the forest on the Precambrian Guayana Shield at Saül.
Our analysis of the distribution pattems of 1 1 selected trees species at
Camaipi indicates that 91% of the species have clumped distributions (Table 5).
This confirms the resuits of Armesto et al. ( 1 986), Hubbell ( 1 979), and Mitcheli
and Mori (1987) which suggest that many species of trees in tropical forest have
clumped distributions.
Table 5 - Distance to nearest conspecific (DNC) Analysis for Camaipi. All trees greater than or
equal to 10 cm DBH^.
Species
No. of
Trees
DNC
(m)
Variance to
Mean Ratio
Index of
Dispersion
Probability
Value
Geissospermum
181
6.94
1.60
293.80
.005
argenteum
clumped
Lecythis
49
7.47
5.71
274.10
.005
persistens
clumped
Tachigalia
43
10.04
2.46
103.40
.005
myrmecophila
clumped
Protium
29
12.96
4.78
133.84
.005
tenuifolium
clumped
Thyrsodium
19
11.79
5.64
101.52
.005
guianense
clumped
Ouralea
16
11.32
2.14
32.1
.005
discophora
clumped
Cordia
13
13.33
7.60
91.2
.005
exaltata
clumped
Miconia
11
22.17
5.69
56/95
.005
punctata
clumped
Manilkara
8
26.67
1.49
10.46
NS
huberi
random
Aspidosperma
6.50
45.97
.005
carapanauba
clumped
Dinizia
5
22.64
4.55
18.2
.005
excelsa
clumped
15
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 5(1), 1989
Hartshorn (1978) has demonstrated the frequent occurrence of tree falis in
neotropical fbrests. In one of the lowland Costa Rican forests he studied,
Hartshorn calculated a turnover time of 1 18 ± 27 years. Tumover time of the
Camaipi forest is comparable to that calculated by Hartshorn. In a 1 4 month
period 1 . 1 % of the trees equal to or greater than 1 0 cm DBH at Camaipi had died.
TTiis gives a crude estimate of a tumover time of 90 years.
ACKNOWLEDGMENTS
We are grateful to the National Science Foundation of the United States of
America and to the Conselho Nacional de Pesquisas of Brazil for the opportunity
to participate in two Projeto Flora Amazônica expeditions to Amapá. We thank
the Museu Goeldi and the Museu Amapaense Angelo Moreira da Costa Lima for
providing much of the equipment and field support needed to cairy out these
expeditions. We are especially trankful to Antônio Farias, then director of the
Museu Amapaense for his suTOort, and to Gelson dos Santos Lopes for allowing
us to stay on his property at Camaipi during the course of our study. We trank
John Pruski for his help in sending specimens to specialists for identification, the
specialists in taxonomy for their determinations of our collections, Carol Gracie
for the preparation of Figure 1, Marcos Rocha de Andrade of EMBRAPA for
facilitating the analysis of our soil samples, and John D. Mitchell for his field
assistance and for his analysis of the DNC data. We are grateful to Brian Boom,
Carol Gracie, and John D. Mitchell for their criticai reviews of various stages of
the manuscript.
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Recebilkj em 25.10.88
Aprovado em 29.05.89
18
CDD: 583.4209811
NEW BRACTEATE SPECIES OF
ESCHWEILERA (LECYTHIDACEAE)
FROM THE AMAZON VALLEY
Scott A. Mori^
ABSTRACT - Eschweilera cyathiformis and E. rabeliana are described as new
species. They join E. bTa.cieos&(Poeppig exBerg) Miers as the only species ofthe
genus with persistem bracts and bracteoles on the inflorescences.
KEY WORDS: Eschweilera, Lecythidaceae, new species, Amazônia.
RESUMO- Novas espécies do gêneroEscbyie\\eT?L^E. cyathiformis and E. rabe-
liana são descritas. Só as duas espécies novas e E. bracteosa (Poeppig ex
Berg) Miers têm brácteas e bractéolas persistentes nas inflorescências.
PALAVRAS-CHAVE: Eschweilera, Lecythidaceae, Espécies novas e Amazônia.
INTRODUÇÃO
Eschweilera is the largest (ca. 90 species), most cortmlex, and most poorly
collected genus of neotropical Lecythidaceae. T axonomy of the genus is especially
difficult in the Àmazon Valley where thematest number of species is tbund.
Classification of the genus is made more dimcult by the absence of reco^zable
monophylletic groups within the genus, and by the veçetative similarity ofmost of
the species. Only a few species can bíe identified with certainty when sterile.
During the course of a study of Eschweilera for inclusion in a monograph of
the zygomorphic-flowered Lecythidaceae for Flora Neotropica (Mori & Prance,
* The New York Botanical Garden. Bronx, New York 10458.
19
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 5(1), 1989
manuscript), several new species with bracteate inflorescences have been
discovered. Eschweilera bracteosa is the only otlier species heretofore described
with a similar inflorescence. Pending fhrther collections and study, I assume that
these species represent a monophylletic group 'múãn Eschweilera.
Key to Bracteate Species of Eschweilera
1 . Leaf blades with distinctly smooth and shiny adaxial surfaces, 7-1 1 x 2.5-5
cm. Bracts and bracteoles of adjacente flowers tightly congested, mostjy
overlapping. Flowers 2.5-3 cm diam. E. cyathiformis.
1 . Leaf blades without distinctly smooth and shiny adaxial surfaces, 10-28 x 4-
12.5 cm. Bracts and bracteoles of adjacent flowers not tightly congested,
mostly not overlapping. Flowers 4-5 cm diam.
2. Leaf blades with adaxial surface often undulate. Pedicel 17-62 mm long.
Petals white; staminal ring with over 400 stamens. Widespread, plants of
central and western Amazônia 2. E. bracteosa.
2. Leaf blades with adaxial surface plane. Pedicel 10-14 mm long. Petals pink
or lilac; staminal ring with fewer than 400 stamens. Limited to type locality
in eastem Amazônia 3. E. rabeliana.
1. Eschweilera cyathiformis Mori, sjp. nov. Type. Brazil. Amazonas: Manaus-
Itacoatiara Highway, km 135, 17 ôct 1966 \u), Prance et al. 2665 (holotype,
INPA; isotype, NY).
Ab E. bracteosa etE. rabeliana fdiis minoribus (7-1 1 x 2.5-5 nec 10-28
X 4-12.5 cm) cum pagina adaxiali laevi nitida; bracteis plus congestibus; et
floribus minoribus (2.5-3 cm nec 4-5 cm diam.) differt.
Trees, to 30 m tall. Bark thick, fissured. Leaf blades usually elliptíc,
infrequently oblong, 7-11 x 2.5-5 cm, glabrous, without punctae, conaceous
smooth and shiny adaxially, dull abaxially, with 8-12 pairs of lateral veins, all
oi^ers of venation salient abaxially, only midrib salient adaxially; apex acute to
bluntly acuminate; base obtuse to rounded; margins entire, with scars left by
caducous hairs; petiole 12-20 mm long. Inflorescences terminal, racemose, the
rachis straight, glabrous, without lentícels, 3-6 cm long, the pedicel bases
remaining as short knobs ca. 0.5 mm long after flowers fali, the pedicels 12-18
mm long above articulation; subtended by single persistent bract and two
persistent bracteoles, the bracts and bracteoles congested, glabrous, oblong, 5-8
mm long. Flowers, 2.5-3 cm diam.; calyx-lobes 6, ascending, not imbricate or
scarceiy imbricate, very widely ovate, slightly convex abaxially, slightly concave
adaxially, 4-5.5 x 4-5 mm; petals 6, 17-22 x 14-16 mm, usually yellow,
sometimes cream-colored; hood of androecium 13x15 mm, with double coil.,
yellow; staminal ring asymmetric, extending up ligule, with 290-350 stamens, the
filaments clavate; hypanthium glabrous, gradually tapered into pedicel; ovary 2-
locular, with 6-10 ovules attached to basal placenta, the summit umbonate, the
style obconical, ca. 1 .5 mm long. Fruits cup-shaped to turbinate, the calycine ring
inserted above middle, the supracalycine zone erect or slightly inclined inward,
the infracalycine zone tapered into woody pedicel, asymmetric at base, 2-3 x 2-4
cm (excluding pedicel and opercuium). Seeds unknown.
20
New braaeate speciesfivm Amazônia.
Distribution. A mediiun-sized tree of non-flooded forest known only from
central Amazônia in the vicinity of Manaus (Fig. 2). It flowers in Sep. and Oct.
Specimens examined. BRAZIL. Amazonas; Manaus-Caracaral Road km
60, INPA Biological Reserve, Sep 1975 (fl), A. B. Anderson 202 (INPA, NY)-
^ ^ ^ (fr). Loureiro et al. s. n. INPÀ
NY), km 135, 12 Sep.1972 (fl), O. P. Monteiro & Coêlho 169
(NY); Manaus, Reserva Florestal Ducke, infrontof Quadra 8, 10 Jan 1966('frl
iV. A. Rodrigues & Osmarino 7391 (NY). ’
2. Eschweilera bracteosa (Poeppig ex Berg) Miers, Trans. Linn. Soe. London
30(^: 274. 1874; Lecythis bracteosa Poeppig ex Berg, Linnaea 27: 455.
1850. Type. Brazil. Amazonas: Tefé, no date (fl), Poeppig 2265 (holotype,
W; isotypes, G-BOISS, LE, photo LE at NY).
This is a very distinctive species widespread in central and western
Amazônia (Fig. 2). íts bracteate inflorescences and very long pedicels separate it
from other species of the genus. Moreover, the undulate adaxial surface of many
of the collections is an aid in identifícation.
3. Eschweilera rabeliana Mori, sp. nov. Type. Brazil. Amapá: Municipality of
Mazagão, BR 156, incomplete road toward Monte Dourado, 75-80 km WSW
of Macapá, 5-10 km SW of Rio Preto, Approx. 0o08’S, 51°48’W, 19 Dec
1984 (fl), Daly & Cardoso 3917 (holotype, HAMAB; isotypes, COL, F,
MG, NY, P, U, US, VEN) (Figures 1, 2).
Ab E. bracteosa et E. cyathiformis foliis glaucentibus in pagina abaxiali;
inflorescentiis plerumque axillaribus (nec plerumque terminalibus); rhachidibus
inflorescentiarum puberuliis (nec glabris); et petalis roseis vel lilacinis (nec
luteis vel £ilbis) diftert.
Understory trees, to 12 m tall. Bark brown, with abundant, shallow,
vertical cracks, the outer bark 3 mm thick, the inner bark 6 mm thick, the slash
pinkish, with altemating, vertically oriented, white and pink streaks. Leaf blades
elliptic to widely elliptic or oblong, 10-18 x 5-9 cm, glabrous, somewhat
glaucescent abaxially, coriaceous, with 9-13 pairs of lateral veins; apex
acuminate; base obtuse to rounded; margins entíre; petiole 10-23 mm long.
Inflorescences usually axillary, sometimes terminal or ramiflorous, racemose,
usually unbranched, whitish puberulous, the principal rachis 4-6 cm long,
subtended by persistent, clasping cataphylls, the pedicel 10-14 mm long,
subtended by a single oblong, wrsistent bract 5.5-9 x 2-5.5 mm and two oblong,
persistent bracteoles 5-7 x 2-3.5 mm, both inserted at same levei. Flowers ca. 5
cm diam.; calyx-lobes 6, ascending, imbricate, very widely ovate to ovate, thick,
gibbous at base, convex abaxially, flat to slightly concave adaxially, 5-7 x 4.5-6
mm; petals 6, pink or lilac, widely to narrowly obovate, 20-36 x 1 4-25 mm; hood
of androecium ca. 26 x 26 mm, with distinct double coil, yellow, with poorly
developed externai marginal groove betwccn appendages and hood proper,
staminal ring asymmetric, with ca. 300 stamens, the filaments 1.6-1. 8 mm long,
clavate, with scattered, rcddish-brown pigment spots, the anthers 0.4-0.6 mm
long; hypanthium tapered into wcll-defincd pedicel; ovary 2-locular, each locule
21
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi. sér. Bpl, S(l). 1989
E. bracfeosa
E cyathiformis
Figure 1 - The bracteate species of Eschweilera. A-B,£. rabtliana; C, E. bracteosa; D-E, E.
cyathiformis. A, habit (Mori d Cardoso 17468). B, medial section of flower bud {Daly d Cardoso
3917). C, inflorescence (Maguire 29281). D, iriflorescence (Anderson 202). E, fruit (Rodrigues d
Osmarino 7391).
22
New bracteate speciesfrom Amazônia.
with 7-11 ovules attached to peg-like placenta arísing from floor of locule, the
style not differentiated from summit of ovary. Fruits unknown.
Distribution. An understory tree of non-flooded forest known only from the
type locality near to the Amazon River in Amapá, Brazil (Fig. 2). The flowering
collections have all been gathered in Dec.
Specimens examined. BRAZIL. Amapá: Municipality of Mazagào, BR156
road under construction which will connect Macapá with Monte Dourado, 8 1 km
WSW of Macapá, ca. 1 1 km SW of Rio Preto 0°8’S, 51°48’W, 20 Dec 1984
(fl), Mon £ Cardoso 17468 (CAY, HAMAB, K, MO, NY); Municipality of
Mazagào, Road to Banakoba, 11 Dec 1980 (fl). Rabelo & Nonato 1073
(HAMAB); Municipality of Mazagào, Road to Camaipi, 19 Jan 1984(fl),/?aZ>e/o
et al. 2503 (HAMAB, NY).
Within its distribution, E. rabeliana is most readily confused with E.
pedicellata, another species of understory tree with large flowers and pink or lilac
petals. The new species diflers from E. pedicellata in its: bark with more well-
developed vertical cracks; more coriaceous leaves; persistent bracts and
bractcoles; and 2- vs. 3-coiled androecial hood.
This species in named is honor of my friend Benedito Rabelo who first
discovered it and with whom 1 have participated on two Programa Flora
expeditiçns to Amapá, Brazil. Mr. Rabelo is the curator of the herbarium of the
Museu Angelo Moreira da Costa Lima, Macapá, Amapá.
23
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 5(1), 1989
UTERATURE CITED
MORI, S.A. & PRANCE, G.T. The zygomorphio-flowered species ofLecythidaceae. (Manuscript).
Recebido em 25.10.88
Aprovado em 12.05.89
24
SciELO
10 11 12 13
CDD: 634.902160981 II
ESTUDO FLORÍSTICO DE 1 HECTARE
DE MATA DE TERRA FIRME NO KM 15
DA RODOVIA PRESIDENTE MÉDICI -
COSTA MARQUES (RO-429), RONDÔNIA^
Ubirajara N. Maciel^
Pedro L. B. Lisboa^
RESUMO - Um inventário florístico foi realizado em 1 hectare de mata de terra
firme, no Km 15 da RO-429 (Presidente Médici- Costa Marques), no Estado de
Rondônia. A área foi dividida em 40 parcelas de 10 mX 25 me em cada parcela
delimitou-se uma subparcela de 5 m X 1 m, para o levantamento das espécies do
sub-bosque. Foram identificadas 90 espécies pertencentes a 33 famílias, num
total de 602 indivíduos com CAP = 30 cm de limite mínimo. Um volume total de
madeira com casca de 320.820 m^/ha e uma Área Basal de 34.47m^/ha foram
encontrados. As famílias que apresentaram maiores valores de importância
(V.I.F.) foram: Sterculiaceae 41.54 (26.7%), Meliaceae 30.86 (13.6%) e
Moraceae 29.42 (7.3%). As espécies de maior densidade foram: Theobroma
cacao com 142 indivíduos (23.6%), Guarea kunthiana 51 (8.5%) e Guadua
superba 44 (7.3%). Galesia integrifolia apresentou Valor de Importância de
Espécies (V. I.E. ) de 18. 1, sendo a espécie de maior Dominância Relativa (Do.R.)
com 14.1%.
PALAVRAS-CHAVE: Floresta tropical, Fitossociologia, Rondônia.
ABSTRACT- This article present data of I ha inventory of uplandforest in the
State of Rondônia, at Km 15 ofthe Presidente Médici - Costa Marques high way.
The inventory area was dividedinto 40sub-areas of25mX 10 m. AU individuais
with girth at breast height (GBH) 30 cm were surveyedfor measurements of DBH
an stem height. Wood volume and basal area was calculated for each specie. A
total 602 individuais, 90 species, a wood volume of 320,820 m^ and a basal area
of 34,47 mVha werefound in the I ha area. The most abundant species were:
'Trabalho fmaildãdí) pelo Programa POLONOROESTE, com recursos repassados pelo con-
vénio CNPq/SUDECO/BIRD.
^SCT-PR/CNPq/Muscu Paraense Emílio Goeldi - Depto. dc Botânica.
25
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 5(1), 1989
Theobroma cacao (23,6%), Guarea kunthiana (8, 5%) e Guadua superba (7,3%).
The Galesia integrifolia species (18,1%), showed the most Species Importance
Value.
To evaluate the understory, aSX Im rectangle was dejlned in each sub-area
where all plant present in each rectangle were counted and identified.
KEY WORDS: Tropical forestry, Phytossociology, Rondonia.
INTRODUÇÃO
Em 1981, considerando o noroeste do Brasil como área prioritária para o
desenvolvimento, o governo brasileiro criou o Programa Integrado de Desen-
volvimento do Noroeste do Brasil (Polonoroeste), abrangendo uma área de
304.500 km2 dos Estados de Rondônia e Mato Grosso, situada entre os
paralelos 8° e 18° de Latitude Sul e os meridianos 54° e 66° 20’ de Longitude
Oeste.
Uma das metas do Programa era a complementação da BR-364 (Cuiabá-
Porto Velho), por onde tem chegado a Rondônia um intenso fluxo migratório de
colonos de outras regiões brasileiras, em busca de terras disponíveis para a
lavoura e pecuária, extração de minérios como a cassiterita e o ouro, e para o
extrativismo madeireiro.
A colonização de Rondônia tem sido apontada por diversos autores
(Feamside 1982; Lisboa 1986; Lisboa et. al. 1987) como a principal causa do
acelerado processo de extermíneo das florestas do Estado, uma vez que são
freqüentes as derrubadas e a queima de grandes áreas naturais, pouco conhecidas
botanicamente.
Até 1977, poucas referências existiam sobre a flora de Rondônia. Alguns
autores (Hoehne & Kuhlmann 1951; Guerra 1953; Ducke & Black 1954;
Kuhlmann 1954, 1977 e Rizzini 1963) fizeram referências pouco detalhadas
sobre a sua flora. Outros trabalhos mais recentes (Projeto Radam, 1978, 1979;
Salomão & Lisboa 1988; Carreira & Lisboa, no prelo; Lisboa & Lisboa, no
prelo), têm abordado mais detalhadamente alguns aspectos da vegetação e da
flora da região.
À exceção dos trabalhos elaborados pelo Projeto Radam, os outros, ainda
inéditos, subvencionados pelo Programa Polonoroeste, no Museu Emilio Goeldi e
outras Instituições de Pesquisa e Universidades brasileiras trouxeram uma
sensível melhora para o conhecimento botânico na área do Programa.
Conquanto esse conhecimento tenha melhorado, ele ainda é precário em
relação à grandeza territorial da área, à diversidade da vegetação e a sua
composição floristica.
Neste trabalho são apresentados os resultados de mais um estudo floristico
realizado em mata de terra firme, no Estado de Rondônia.
MATERIAL E MÉTODOS
1. Área de Estudo
Localizada no Km 15 da RO-429 que liga as cidades de Presidente Mé^ci
e Costa Marques (Figura 1), a área é típica de mata de terra firme úmida.
26
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sir. Bot., 5(1), 1989
classificada por Brasil, DNPM, Projeto RADAM-BRASIL (1978), como
Floresta Tropical Aberta, com bambu. O solo é um Latossolo Vermelho
Amarelo Distrófico, com relevo plano a suavemente ondulado.
2. Delimitação da Área de Estudo, Contagens e Medidas Efetuadas
Uma àrea de 1 ha de mata de terra firme foi dividida em 40 parcelas de 25 m
X 10 m. Nesse local, árvores com circunferência igual ou superior a 30 cm,
tomadas a 1,30 m de altura acima do solo (CAP), foram medidas com fita
métrica. A estimativa da altura dos troncos (até a primeira ramificação) foi feita
com o auxílio de uma vara de 5 m de comprimento, encostada à árvore.
De cada espécie diferente que surgiu durante o transecto foi coletada uma
amostra para identificação. A maioria das árvores estava estéril, de modo que a
sua identificação foi feita através de amostras de ramos inférteis. Pequenas
amostras de madeira de todas as espécies diferentes também foram colhidas para
auxiliarem na identificação botânica, através da estrutura anatômica do lenho
secundário.
Dentro de cada parcela foram delimitadas subparcelas de 5 m X 1 m, onde
as espécies presentes foram anotadas, para o conhecimento do sub-bosque.
As amostras coletadas foram registradas e incorporadas no Herbário
^xsicatas) e Xiloteca (madeira) do Departamento de Botânica do Museu
Paraense Emílio Goeldi.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para toda a área estudada, foram anotados 602 indivíduos, pertencentes a
90 espécies e 33 famílias (Tabela 6).
O volume de madeira com casca registrado, foi de 320.820 m^/ha e a área
basal total de 34.47m2.
Esses valores podem ser comparados com os de dois outros levantamentos
florísticos feitos em áreas próximas, onde foram utilizadas amostragens do
mesmo tamanho e com a mesma metodologia (Tabela 1).
A área do Km 15 da RO-429, que simbolizamos pela letra C, tem uma
biomassa^ superior às outras duas. Não havendo uma diferença muito acentuada
do número de invidíduos entre as áreas A e C, atribui-se à espessura dos
indivíduos medida pela circunferência a 1 .30 m do solo, o fator determinante do
valor maior da área basal nesta área.
O volume total de madeira supera apenas a área da BR-364 (que chamamos
de B), porém, é inferior a do Km 90 da RO-429 (área A). O volume total menor
observado em C quando comparado à área A, apesar desta conter menor número
de invidíduos e menor área basal, deve-se ao fato da predominância das árvores
de altura mediana na área C. Sendo o volume uma relação entre a altura do fuste e
a espessura das árvores, a floresta mais emergente na área A determinou o
surgimento de valores de volume superior cm A. Na área C, predominaram as
árvores com altura entre 6 e 10 m, contra 4 a 9 m na área C (Figura 2).
■* Parâmetro expresso em valores de àrea basal (m^).
28
Estudo floHstico de mata de terra firme em Rondônia.
ALTURA DO FUSTE (m)
Figura 2. Número de indivíduos em função da altura do fuste na área amostrada no Km 15
da RO-429, Rondônia.
A composição floristica é bem menos diversificada na área C estudada.
Apenas 90 espécies foram identificadas contra 128 e 171 das áreas e B. Esta
menor diversidade deve-se à maior freqüência de algumas espécies. Apenas 3
espécies repetiram-se 237 vezes na área, sendo responsáveis pela presença de
39.4% dos indivíduos.
Tabela 1 — Estrutura da vegetação de 03 áreas de 1 ha cada, inventariadas em Rondônia.
Parâmetros
(Ã)l
RO-429,
km 90
(B)2
Br-364
(P. Médici-Jiparaná, Km 17)
(C)3
RO-429,
Km 15
Área basal total (m^)
26.074
31.05
34.47
Volume total (m’)
367.45
271.119
320.82
Número de indivíduos
593
573
602
Número de espécies
128
171
90
Número de famílias
30
43
33
I. Lisboa & Lisboa, no prelo; 2. Salomão & Lisboa (1988); 3. Este trabalho.
As espécies mais freqüentes em número de indivíduos foram Theobroma
cacao 142 (23.6%), Guarea kunthiana 5 \ (8.5%), Guadua superba 44 (7.3%).
e Iriartea setigera 40 (6.6%), seguindo-se outras com menor presença, como
mostra a Tabela 2. Mas, apesar da alta densidade, elas nem sempre representam
as espécies dominantes, uma vez que o parâmetro dominância relativa é
diretamente proporcional à área basal. As espécies predominantes foram
Galesia integrifolia (14.1%), Theobroma cacao (8.3%), Pseudolmedia
macrophylla (5.40%) e Hasseltia JJoribunda (5.00%), seguindo-se outras,
conforme a Tabela 2.
29
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot, 5(1), 1989'
Tabela 2- Espécies de maior V.I.E. na área da RO 429, Km 15, Rondônia.
Espécies
No. de
Ind.
Vol.
(m3)
A.B.
(m2)
F.R.
%
D.R.
%
Do.R.
%
V.I.E.
Theobroma cacao L.
142
9.349
2.84
8.0
23.6
8.3
39.9
Guarea kunihiana A. Juss.
51
9.769
1.57
7.5
8.5
4.6
20.6
Guadua superba Hub.
44
4.162
0.52
5.7
7.3
1.5
14.5
Iriartea setigera (Mart) Wendl.
40
6.471
0.74
6.5
6.6
2.1
15.2
Pseudolmedia macrophylla Trecul.
26
16.028
1.82
5.2
4.3
5.4
14.9
Hasseltia floribunda H.B.K.
24
9.543
1.70
5.0
3.9
4.9
13.8
Euterpe precatória Mart.
21
3.831
0.41
4.0
3.5
1.2
8.7
Theobroma speciosa Spreng.
14
1.144
0.25
2.7
2.3
0.7
5.7
Astrocarvum murumuru Mart.
13
1.119
0.29
2.5
2.2
0.8
5.5
Trichilia verrucosa C.DC.
13
6.030
0.81
2.7
2.2
2.3
7.2
Galesia integrifoUa (Spreng.) Harms.
10
52.333
4.86
2.3
1.7
14.1
18.1
Xilopia amazônica R.E. Fries
10
1.818
0.24
2.3
1.7
0.7
4.7
Amphyrrox longifolia Spreng.
9
1.345
0.29
2.0
1.5
0.8
4.3
Brosimum potabile Ducke
8
15.118
1.55
1.7
1.3
4.5
7.5
Cupania scrobiculata L.C. Rich.
8
2.738
0.21
2.0
1.3
0.6
3.9
Guarea pterorhachis Harms.
8
1.317
0.23
1.7
1.3
0.7
3.7
Astrocaryum príncipes Rodr.
7
1.855
0.22
1.5
1.2
0.6
3.3
Outras espécies
145
176.859
15.92
36.7
25.6
46.2
108.5
Totais
602
320.820
34.47
100.
100.
100.
300.
A.B. - ârea basal; F.R. - frequência relativa; D. R.- densidade relativa; Do. R. -dominância relativa; V.I.E. - valor
de importância das espécies.
As espécies botânicas predominantes neste inventário são diferentes
daquelas registradas em outros feitos nas áreas próximas ou de outras regiões
mais afastadas. Nos estudos feitos em áreas próximas, por Lisboa & Lisboa (no
prelo), predominaram Aniba parviflora, Tetragasíris altíssima e Iryanthera
ulei, enquanto no de Salomáo & Lisboa (1988) predominaram' Tetragasíris
altíssima, Bertholletia excelsa e Iriartea ventricosa.
Para a regiào de Manaus, portanto mais afastada, Prance et ai (1976)
encontraram Eschweilera odora como a espécie dominante. Dantas & Muller
( 1 979) e Campbell et o/. ( 1 986) em Altamira (PA), rio Xingu, citam Cenostigma
tocantinum como a espécie dominante.
A variação da dominância na composição florística, observada em áreas de
florestas adjacentes em Rondônia e em outras regiões, pressupõe que para se
conhecer com segurança a flora de áreas extensas na Amazônia são necessários
minuciosos levantamentos de locais nào muito distantes entre si. O acelerado
desmatamento que no momento ocorre em Rondônia pode estar destruindo
imensuráveis estoques genéticos, dos quais nada se conhece, uma vez que os
inventários realizados até o momento ainda são poucos para se avaliar a flora
como um todo e geralmentc feitos em regiões distantes entre si.
A notável freqüénciadocacau(7; cacao) no Km 15 da RO-429, revela que
áreas florestais com essas características poderiam ser manejadas eco-
nomicamente, sem comprometimento da sua biomassa para a exploçaçào
madeireira ou simples eliminação para o estabelecimento da agropecuária. Arcas
naturais, com elevada densidade de espécies economicamente importantes para
o pais, deveriam também ser preservadas para um estudo mais profundo do
estoque genético de suas populações. Duckc ( 1 953) já referia que o cacau ocorre
espontaneamente em áreas do oeste amazônico.
30
*
Estudo Jlorístico de mata de terra firme em Rondônia.
Na amostragem deste inventário não foi observada a ocorrência de espécies
fornecedoras de madeiras nobres, que usualmente ocorrem em quase todas as
áreas florestais de Rondônia, como a Cerejeira (Torresia acreana Ducke) e o
Mogno {Swietenia macrophylla King).
Na Tabela 3 estão os maiores valores de importância de famílias (V.I.F.)
que foram: Sterculiaceae - 41.54 (26.7%), Meliaceae - 30.86 (13.6%),
Moraceae - 29.42 (7.3%), Leguminosae - 28.74 (4.2%), Palmae - 25.11
(14.1%), Sapotaceae - 21.22 (2.7%) e Phytolacaceae - 16.87 (1.6%),
perfazendo 70.2% do total de famílias que ocorreram.
Tabela 3 - Valor de Importância das Famílias (V.I.F.), na área do RO 429, Km 15. Rondônia.
Família
No.de
spp.
No.de
Ind.
AB
(m2)
Vol.
(m2)
Dv.R.
%
D.R.
%
Do.R.
%
V.I.F.
Sterculiaceae
4
161
3.57
16.552
4.44
26.74
10.36
41.54
Meliaceae
7
82
3.26
23.127
7.78
13.62
9.46
30.86
Moraceae
10
44
3.79
34.721
11.11
7.31
11.00
29.42
Leguminosae
12
25
3.88
47.647
13.33
4.15
11.26
28.74
Palmae
5
85
1.87
13.907
5.56
14.12
5.43
25.11
Sapotaceae
9
16
2.95
29.298
10.00
2.66
8.56
21.22
Phytolacaceae
1
10
4.86
52.333
1.11
1.66
14.10
16.87
Bombacaceae
3
9
2.50
30.516
3.33
1.50
7.25
12.08
Flacourtiaceae
1
24
1.70
9.543
1.11
3.99
4.93
10.03
Graminae
1
44
0.52
4.162
1.11
7.31
1.51
9.93
Combretaceae
1
6
2.62
36.005
1.11
1.00
7.60
9.71
Lauraceae
5
6
0.15
1.098
5.56
1.00
0.44
7.00
Myristicaceae
3
13
0.32
2.501
3.33
2.16
0.93
6.42
Sapindaceae
3
10
0.23
2.792
3.33
1.66
0.67
5.66
Annonaceae
2
11
0.25
1.855
2.22
1.83
0.73
4.78
Lecythidaceae
3
5
0.11
0.933
3.33
0.83
0.32
4.48
Ru tace ae
2
6
0.29
3.874
2.22
1.00
0.84
4.06
Violaceae
1
9
0.29
1.345
1.11
1.50
0.84
3.45
Guttiferae
2
2
0.04
0.281
2.22
0.33
0.12
2.67
Apocinaceae
2
2
0.04
0.330
2.22
0.33
0.12
2.60
Myrtaceae
1
1
0.35
2.703
0.17
1.02
2.30
Caricaceae
1
2
0.27
1.500
0.33
0.78
2.22
Burseraceae
1
5
0.08
0.445
0.83
0.23
2.17
Urticaceac
1
5
0.08
0.210
0.83
0.23
2.17
Boraginaceae
1
5
0.07
0.812
0.83
0.20
2.14
Chrysobalanaccae
1
5
0.06
0.218
0.83
0.17
2.11
Polygonaceae
1
2
0.12
0.528
0.33
0.35
1.79
Euphorbiaceae
1
2
0.09
1.065
0.33
0.26
1.70
Rubiaceae
1
1
0.04
0.129
0.17
0.12
1.40
Nyctaginaceae
1
1
0.03
0.145
0.17
0.09
1.37
Simarubaceae
1
1
0.02
0.098
0.17
0.06
1.34
Bignoniaceae
1
1
0.01
0.102
0.17
0.03
1.31
Ulmaceae
1
1
0.01
0.045
0.17
0.03
1.31
Totais
90
602
34,47
320,820
100,00
100,00
100,00
300,00
com casca cm m-’; Dv.R - Diversidade Rclauva(üv.K. — No. toiai uc spp. ua lamiiia/no. lotai dc spp. I UU); u. R.
Densidade Rclaliva (D.R. - No. dc indivíduo da cspccic/No. Uilal de indivíduos. 100); Do.R — Dominância
Relativa (Dti.R. * AH total da sp/AH total do inventário).
Nos estudos florísticosde SalomãoA Lisboa( 1988) e Lisboa & Lisboa (no
prelo), Moraceae apareceu como a família mais importante com 53.2 (17.9%) e
31
SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., S(I), 1989
66.5 (22.1%) de V.I.F., respectivamente. Analisando a vegetação como um todo
e o alto índice de V.I.F. alcançado por Moraceae no presente trabalho (29.42 e
17.3%), esta família parece ser a mais bem representada na região dos
municípios (Ji-Paraná, Presidente Médici e Costa Marques), inventariados em
Rondônia. 0 V.I.F. mais elevado registrado para Sterculiaceae no Km 15 da
RO-429, deve-se à população de cacau {T. cacao), que ali está concentrada,
apresentando índices de V.I.F. inexpressivos nas florestas adjacentes, estudadas
por Salomãc & Lisboa (1988) e Lisboa & Lisboa (no prelo).
Observa-se na Tabela 4 que os maiores valores para a área basal e volume,
ocorrem nas menores classes de circunferência (= 30 cm) onde predominam o
maior número de indivíduos.
Tabela 4 - Porcentagem de Área Basal (%) e Volume (m^) em função da Área basal (m^), segundo
as classes de circunferência na área da RO 429, Km 15, Rondônia.
Classes
Diamétricas (cm)
No. de
Indiv.
AB.
(m2)
Ab.
(%)
Vol.
(m3)
30- 60
420
8.10
23.6
75.39
60- 90
99
3.89
11.3
36.25
90-120
28
2.11
6.2
19.57
120-150
18
2.38
6.9
22.14
150-180
12
2.36
6.9
22.14
180-210
7
1.92
5.6
17.96
210-240
6
2.26
6.6
20.86
240-270
6
2.97
8.6
27.59
270 - 300
-
-
-
-
300-330
3
2.22
6.5
20.53
330-360
-
-
-
360-390
-
-
-
-
390-420
-
-
-
-
420 - 450
1
1.58
4.6
14.76
450-480
-
-
-
-
480-510
1
1.99
5.9
18.61
510-540
-
-
-
-
540-570
-
-
-
-
570-600
1
2.68
7.8
25.02
Totais
602
34.47
100.0
320.82
a) f(fator)“ 100/AB ■■2.91; Ab * Área Basal percentual (Ab=*AB.O; Vol. “ Volume percentual (Vol.j/ 100. AB)
o aparecimento de espécies adicionais, representado na curva gráfica
(Figura 3), mostra que, após uma tendência à estabilização a partir da vigésima
parcela, há uma nova tendência de crescimento ao final da amostragem,
denotando que diversas novas espécies surgiram nas últimas parcelas. Para se
alcançar uma amostragem ideal, mais parcelas seriam necessárias para uma
perfeita representatividade da flora árborea da área de estudo.
No estudo do sub-bosque (Tabela 5) foram identificadas 63 espécies.
Tratando-se de plantas jovens ou adultas geralmente estéries, nem todas
puderam ser identificadas a nível de espécie. Essas plantas estão distribuídas em
46 géneros e 36 famílias. O número de indivíduos não foi determinado, uma vez
que nem sempre c possível determinar o que é um indivíduo, sobretudo nas
e^ccies massivas ou de reprodução por apomixia, como Ulyra ciliatijolia
(Graminae), Heliconia stricta (Musaceae) c Costus sp (Zingibcraceae).
32
Nf OE ESPECIES
Estudo Jlorístico de mata de terra firme em Rondônia.
Tabela 5 - Espécies mais freqüentes no sub-bosque.
Espécies
No. de subparcelas
de Ocorrência
F.R.
%
**
Adenocalymna subincanum Huber
36
90
Acacia paniculata Willd.
22
55
*
Olyra ciliatifolia Raddi.
22
52.5
Pseudomedia macrophylla Trecul.
18
45
Guarea kunthiana A. Juss.
18
45
Inga sp.
17
42.5
**
Bauhinia guianensis Aubl.
15
37.5
Piper calosum Ruiz et Pav.
15
37.5
**
Cybianthus sp.
14
35
*
Pharus glaber H.B.K.
13
32.5
«
Calatea lutea
13
32.5
Xylopia sp.
11
27.5
Heliconia striata Huber
11
27.5
Clarisia sp.
11
27.5
*
Piper sp.
10
25
• - hábito herbáceo
**- cipós
FR - freqüência relativa
A curva cumulativa de espécies adicionais no sub-bosque mostrou-se
estobilizada (Fi^ra 3) desde a sétima subparcela, revelando que a amostragem
foi superdimensionada.
Figura 3. Curva cumulativa do aparecimento de novas espécies nas parcelas e subparcelas, no
Km 15 da RO-429, Rondônia.
Os dados obtidos neste estudo indicam que esta mata não é interessante do
ponto de vista^da exploração de madeira. Espécies madeireiras consideradas
comercializáveis tiveram presença pouco significativa cm número de invididuos.
33
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi sér. Bou, 5(1), 1989
Entre estas estão a ucuuba (Virola theiodora), o freijó {Cordia alliodora), o
louro itaúba (Mezilaurus itauba), o parqjarà Çacaranda copaia) e a jacareúba
{Callophyllum brasiliensis). Em contrapartida, a ocorrência de Theobroma
cacao em alta densidade de invidíduos indica que esta mata deveria ser
considerada como prioritária para preservação, como recomenda Clement &
Arkoll (1979).
Tabela 6 - Famílias e espécies, listadas alfabeticamente, em 01 ha de mata de terra firme, RO 429,
Km 15, Rondônia
NOME CIENTÍFICO
Annonaceae
Unonopsis guatterioides (A.DC.) Fries
Xylopia amazônica R.E. Fries
Apocynaceae
Aspidosperma eteinbachii Mgf.
Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood
Bignoniaceae
Jacaranda copaia (Aubl.) D. Don
Bombacaceae
Bômbax sp.
Chorisia crisifolia H.B.K.
\falisia cordata Hub. & Bompl.
Boraginaceae
Cordia alliodora Chamier
Burseraceae
Protium Unuifolium Engl.
Caricaraceae
Jacaratia spinosa (Poepp.) A.DC.
Chrysobalanaceae
Hirtella excelsa Steud.
Combretaceae
Buchenavia grandis Ducke
Euphorbiaceae
àlicidendron amazonicum Ducke
Flacourtiaceae
Hasseltia floribunda H.B.K.
Gramineae
Guadua superba Hub.
Guttiferae
Callophyllum brasiliensis Camb.
Rheedia macrophylla Planch. & Triana
Lauraceae
Mezilaurus itauba (Meissn.) Taub. ex Mez.
Nectandra pichurim (H.B.K.) Mez.
Nectandra sp.
Ocotea glandulosa Lasscr
Ocotea opifera Mart
Lecythidaccae
Couratari stellata A.C. Smith
COL.* No. No. Árvores AB(m2)
1439
1
0.013
1430
10
0.240
1408
1
0.031
1436
1
0.008
1435
1
0.012
1459
1
0.060
1463
2
2.169
1388
6
0.275
1393
5
0.073
1437
5
0.084
1423
2
0.271
1391
5
0.060
1441
6
2.616
1390
2
0.094
1451
24
1698
1389
44
0.518
1453
1
0.028
1449
1
0.009
1399
2
0.097
1414
1
0.009
1433
1
0.030
1409
1
0.008
1440
1
0.008
1413
1
0.063
continua
34
Estudo florístico de mata de terra firme em Rondônia.
Tabela 6 - continuação
NOME CIENTÍFICO
COL.* No.
No. Árvores
AB(m2)
Eschweilera coriacea Mart. ex Benth.
1448
1
0.010
Gustavia augusta L.
1460
3
0.035
Leg. Caesalpinoideae
Apuleia molaris Spruce
1401
2
0.920
Swartzia sp.
1444
4
0.225
Zollemia paraensis Hub.
1419
4
0.110
Leg. Mimosoideae
Acacia polyphylla D.C.
1458
1
0.019
Enterolobium sp.
1464
1
0.204
Inga ingoides (Rich) Willd.
1452
1
0.022
Inga spl
1406
5
0.192
Inga sp2
1407
1
0.015
Pithecelobium niopoides Spr. ex Benth.
1417
3
1.596
Leg. Papilionoideae
Derris sericea (H.B.K.) Ducke
1424
1
0.021
Erythrina fusea Loureiro
1411
1
0.539
Vataireopsis sp.
1443
1
0.021
Meliaceae
Guarea gomma Pulle
1421
1
0.017
Guarea kunthiana A. Juss.
1403
51
1.574
Guarea pterorhachis Harms
1410
8
0.225
Guarea sp.
1465
5
0.155
Trichilia pleeana (A. Juss.) C.DC.
1420
3
0.309
Trichilia septentrionalis C.DC.
1425
1
0.170
Trichilia verrucosa C.DC.
1400
13
0.809
Moraceae
Brosimum potabile Ducke
1466
8
1.552
Clarisia ilicifolia (Spreg.) Lam. & Ross.
1467
3
0.049
Clarisia sp.
1446
1
0.091
Ficus spl
1402
1
0.015
Ficus sp2
1412
1
0.030
Helicostilis pedunculata R. Ben.
1468
1
0.115
Perebea mollis (P. et E.) Hub.
1434
1
0.021
Pourouma acuminata Mart
1415
1
0.023
Pseudolmedia cf. laevis (R & P) Macbr.
1392
1
0.080
Pseudolmedia macrophylla TrecuI
1418
26
1.817
Myristicaceae
Iryanihera juruensis Warb.
1416
6
0.114
Virola elongata (Benth.) Warb.
1394
1
0.011
Virola theiodora (Benth.) Warb.
1398
6
0.194
Myrtaceac
Eugenia sp.
1457
1
0.351
Nyctaginaceac
Neea madeirana Standl
1456
1
0.026
Palmae
Astrocaryum murumuru Mart
1395
13
0.289
Astrocaryum pricipes Barb. Rodr.
1469
7
0.216
Euterpe precatória Mart
1387
21
0.407
Iriartea setigera (Mart.) WendI
1396
40
0.735
Scheelea martiana Bum
1461
4
0.226
continua
35
SciELO
11
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 5(1), 1989
Tabela 6 - conclusão
NOME CIENTÍFICO
COL,* No.
No. Árvores
AB(m2)
Phytolacaceae
Gallesia integrifolia (Spreng) Harms
1397
10
4.856
Polygonaceae
Coccoloba latifolia Lam.
1447
2
0.119
Rubiaceae
Indet.
1431
1
0.037
Rutaceae
Zanthoxylum acreana Krause
1438
2
0.020
Zanthoxylum rhoifolia Lam.
1470
4
0.267
Sapindaceae
Allophyllus leptosthachys Radik.
1442
1
0.010
Allophyllus ocidentalis (Sw) Radik.
1450
1
0.010
Cupania scrobiculata L.C. Rich.
1386
8
0.208
Sapotaceae
Ecelinusa lanceolata (M & E) Pierre
1462
I
0.047
Franchetela sp.
1429
1
0.032
Pouteria anibifoUa (H.S. Smith) Baehni
1422
1
0.287
Pouteria macrocarpa
1427
2
0.154
Pouteria procera Warb.
1428
5
1.855
Pouteria spl
1385
1
0.141
Pouteria sp2
1384
3
0.347
Pouteria macrophylla (Lam) Aubr.
1445
1
0.047
Syzygiopsis pachycarpa Pires
1454
1
0.042
Simarubaceae
Simaruba amara Aubl.
Sterculiaceac
1432
1
0.018
Sterculia speciosa Sch.
1404
4
0.438
Theobroma cacao L.
1383
142
2.842
Theobroma speciosum Sch.
1405
14
0.254
Indet.
1472
1
0.036
Ulmaceae
Ampelocera edentula Kuhlm.
1455
1
0.009
Urticaccae
Urera laciniata Wedd.
1471
5
0.079
Violaccae
Amphyrrox longifolia Spreng.
1382
9
0.292
• Coletor Ubirajara N. Maciel
AGRADECIMENTOS
À Secretaria de Ciência e Tecnologia, Indústria c Comercio de Rondônia
pelo apoio; aos auxiliares de campo do Departamento de Botânica do Museu
Goeldi, Carlos da Silva Rosário e Osvaldo Cardoso do Nascimento, pelo auxilio
no trabalho de campo e na identificação do material botânico.
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Recebido em 18.11. 88
ApfDvado em 23.04.69
37
CDD: 584.5098111
PUPUNHA BRAVA (BACTRIS DAHLGRENIANÁ
GLASSMAN): PROGENITORA DA PUPUNHA
(B. GASIPAES H.B.K.)?>
Charles R. Clement^
Jaime P.L. Aguiar^
David B. ArkcolP
João L. Firmino*
Raimundo C. Leandro^
RESUMO- A pupunha brava (^actris dahlgreniana^ pode ser considerada uma
possivel progenitora da pupunha (B. gasipaes^. Amostras de duas populações,
uma de Rondônia e outra do Acre, foram caracterizadas com os descritores de
pupunha e três amostras de frutos foram analisadas. A variação fenotípica é
discutida, bem como a composição centesimal e da qualidade do óleo. Três
análises discriminantes comparando a B. dahlgreniana e a pupunha demonstram
que as espécies são vegetativamente similares e reprodutivamente distintas, com
tendências que sugerem que a primeira é progenitora da segunda.
* Financiado pelos convênios Polamazônia/CNPq/INPA, Polonoroeste/CNPq/INPA
U^AID/INPA/CENARGEN-EMBRAPA e pelo INPA/SCT-PR.
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA/Secretaria Especial da Ciência e
Tecnologia-PR. Cx. Postal 478, 69.01 1 Manaus, AM.
••Centro Nacional de Tecnologia de Alimentos e Agricultura - CTAA/EMBRAPA, Av. das
^ Américas 29.510, Guaratiba, 23.020 Riodc Janeiro, RJ.
In^tUo Nacional de Pesquisas da Amazónia - INPA/Secretaria Especial da Ciência e
^ Tecnologia-PR. Rio Branco, AC.
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA/Secretaria Especial da Ciência e
Tecnologia-PR. Ouro Preto D’Oeste, RO.
39
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi, 5(1), 1989
PALAVRAS-CHAVES: Bactris gasipaes, Bactris dahlgreniana, variação
fenotipica, composição química, análise morfométrica.
ABSTRACT - Wild pejibaye (bactris dahlgreniana Glassman): ancestor of the
pejibaye (B. gasipaes H.B.K.)?.
The "pupunha brava" or wild pejibaye (Bactris dahlgreniana,) is thought to be a
possible ancestor of the pupunha or pejibaye (B. gasipaes,). Samples from two
populations, one from Rondônia and onefrom Acre, Brazil, were characterized
using the pejibaye descriptor list and three samples of fruit were analysed. The
phenotypic variation in this species is discussed, as well as its centesimal
composition and oil quality. Three discriminant analyses compared B.
dahlgreniana and pejibaye and demonstrated that these species are vegetatively
similar but reproductively different, with phenotypic gradientes that suggest that
the first is ancestral to the second.
KEY WORDS: Bactris gasipaes, Bactris dahlgreniana, phenotypic variation,
Chemical composition, morphometric analysis.
INTRODUÇÃO
Em 1898, na região do baixo Rio Ucayali, Peru, o Dr. Jacques Huber, do
Museu Paraense Emílio Goeldi, encontrou uma palmeira muito parecida com a
pupunha (Bactris gasipaes H.B.K.), importante espécie indígena domesticada
na Amazónia (Clement 1988). Em 1903, Huber encontrou a mesma espécie no
alto Rio Purus e Rio Acre, no Brasil. Huber (1904, 1906) a descreveu como
Guilielma microcarpa Huber (subseqüentemente reduzido a um sinônimo de
Bactris dahlgreniana Glassman ( 1 972), e lançou a hipótese de que esta poderia
ser uma progenitora da pupunha, até então considerada um “cultigen”, ou seja,
uma espécie domesticada sem progenitores aparentes na flora nativa.
Huber ainda supôs que a pupunha poderia ser de origem híbrida e que a B.
dahlgreniana j^eria ser um dos progenitores e B. insignis Martius o outro.
Mora Urpí (1979, 1984) concordou com a idéia de Huber, e sugeriu que a
hidridização poderia ter ocorrido mais de uma vez em mais de um lugar entre mais
de duas espécies progenitoras (Mora Urpí 1 984).
Burret ( 1 934) e MacBride ( 1 960) sugeriram que a pupunha é o resultado de
uma domesticação simples da B. dahlgreniana. Como corolário desta idéia, a
rica variação fenotipica evidente hoje na pupunha (Mora Urpí 1 984; Mora Urpí
& Clement 1985/88; Clement 1988) resultaria apenas do processo de
domesticação, como ocorre na maioria das espécies domesticadas (Harlan
1975), e não de uma hibridização.
Clement (1988) revisou a literatura das espécies do táxon Guilielma e
encontrou queÀ dahlgreniana eB. ciliata (Ruiz & Pavon) Martius não possuem
descrições específicas completas. MacBride ( 1 960) comentou, incorretamente,
que B. dahlgreniana é essencialmente um nomen nudum, pois desconhecia
Huber (190& 270):
Guilielma microcarpa Hub. n. sp. Caudice caespitoso valide spinoso,
drupis subglobosis vix ultra 1,5 cm. diâmetro metientibus coccineis.
Infelizmente, esta descrição não descreve a espécie de forma útil. Também, da
descrição de B. ciliata (Ruiz & Pavon, 1798 em Glassman 1972; Martius 1826;
40
Pupunha brava; progenitora da pupmha?
MacBride 1960) é impossível discriminar esta espécie das afins, especialmente
do B. dühlgreniana.
No presente trabalho, descreve-se a parte vegetativa e econômica (cachos e
frutos) da B. dahlgreniana com mais detalhes, embora sem informação sobre a
inflorescència e as flores, pois os estudos foram feitos na época de frutificação
f iara poder levar sementes ao Banco Ativo de Germoplasma de Pupunha do
NPA. Uma anãlise da variação fenotípica demonstra que B. dahlgreniana
difere da pupunha principalmente nos caracteres dos cachos e frutos, fato esperado
se esta espécie é a progenitora da pupunha e foi modificada por seleção durante o
processo de domesticação.
MATERIAL E MÉTODOS
Duas populações foram amostradas, uma perto de Rio Branco, AC (em
1987), e uma em Ouro Preto D’Oeste, RO (em 1988) (Figura lA). A primeira
população é da mesma região em que J. Huber (1 904) coletou originalmente os
primeiros exemplares no Brasil; a segunda foi inicialmente descoberta pelo Tec.
Mad. Danilo Silva F.° (Comunicação pessoal 1987) na região de Ouro Preto
D’Oeste. Dada a relativa raridade de exemplares nestas regiões, caracterizou-se
10 plantas em cada população, encontradas ao longo de um transecto rodoviário,
sem preocupar-se com uma amostragem estatisticamente aleatória. Depois de
coletada informação em Ouro Preto, realizou-se um levantamento da abundância
ao longo da rodovia BR-364, de Ouro Preto a Porto Velho.
Utilizou-se a lista mínima de descritores para pupunha (Clement 1986b)
para caracterizar as plantas. A lista contém 14 descritores do estipe e das folhas,
1 2 do cacho, 1 6 do fruto e 2 de pestes agrícolas. Clement ( 1986a) encontrou que
a maioria destes descritores são úteis para discriminar populações, embora
alguns sejam incluídos apenas por sua utilidade biológica ou agronômica.
Um lote de 100 sementes foi semeado no dia 05/02/87 em uma caixa de
madeira, com substrato de terriço de um Podzolo local, recoberto com uma
camada de serragem para manter a umidade. A avaliação da germinação foi feita
semanalmente.
Os dados morfológicos foram analisados estatisticamente e comparados
com dados sobre uma pupunha comercial, da raça “mesocarpa” Pastaza, do
Equador (Mora Urpí & Clement 1 985/88), e de uma outra possível população de
B. dahlgreniana, da região de Pucallpa, Ucayali, Peru (Mora Urpí & Clement
1985/88), obtidos anteriormente pelas expedições de coleta de germoplasma de
pupunha financiadas pela Agência de Desenvolvimento Internacional — AID, do
governo dos EUA (Clement & Coradin 1985/88). Utilizou-se a raça Pastaza
porque nenhuma população in situ de uma raça “microcarpa” de pupunha tem
sido caracterizada com esta lista de descritores. A população da possível B.
dahlgreniana de Pucallpa foi incluída porque Huber ( 1 904) relatou que também
encontrou esta espécie na região do baixo rio Ucayali, no Peru. A Figura 1 A
niostra a localização destas duas populações. Mora Urpí & Clement ( 1 985/88)
comentaram que esta população tem fortes indicações de hibridização com a
população local de pupunha comercial, de forma que esta análise também
poderia determinar a similaridade desta com B. dahlgreniana de Acre/Rondônia
e com a pupunha comercial.
Realizaram-se análises de freqücncias de diversos descritores (Sokal & Rolf
1969) e comparações das médias através da análise de variância, com o teste a
41
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 5(1), 1989
Figura 1 - A. Localização das duas populações de, Aicíní ddA(grenia/ia.noAcre(AC)eRoiidònia
(RO),Brasil, a população híbrídalde Pucallpa(PU), e a população da raça “mesocarpa” Pastaza
de B. gasipaes. B. Distribuição conhecida de B. dahlgreniana no Brasil.
priori da Diferença Mínima Significativa (Sokal & Rolf 1969). Sneath & Sokal
(1973) discutiram diversas técnicas de análise estatística multivariada para
analisar as relações fenéticas entre ^pos de seres vivos e indicar possíveis
relações filo^enéticas. Pimentel (1979) discutiu com mais detalhe a técnica de
análise discnminante, um tipo de teste de classificação entre grupos no espaço
multivariado depois de feita uma análise de variância multivariada. As distàncii^
no espaço discriminante são medidas em unidades do D, a raiz quadrada do EK
de Mahalanobis, bastante usada na análise das relações filogenéticas entre
grupos. Clement ( 1 986a) utilizou esta técnica na análise das relações fenéticas
entre populações de pupunha da Amazônia e da América Central. No presente
estudo, realizaram-se três análises discriminantes (uma utilizando somente os
descritores vegetativos, uma somente os reprodutivos e uma com todos) para
estudar as relações fenéticas entre as duas populações de B. dahlgreniana, a
população de Pucallpa e uma de pupunha.
Construiu-se um fenograma com unidades da distância generalizada (D^)
de Mahalanobis (1936), estimadas graficamente do espaço discriminante
42
Pupunha brava; progenitora da pupunha?
(Pimentel 1979), para estudar as relações fenéticas entre as populações.
Utilizou-se a técnica da união média (Criscri & López 1983), onde os centróides
mais relacionados são unidos primeiro e a média desta união é usada na próxima
união.
Adicionalmente, coletaram-se três amostras de frutos da população de
Ouro Preto para análise de sua composição centesimal (proteína pelo processo de
Kyeldahl, gordura por extração com éter de petróleo em Soxhlet e cinzas na
mufla a 555°C (AOAC 1975) e outros carboidratos por diferença). A
composição qualitativa do óleo foi determinada no CTAA/EMBRAPA através
de cromatografia em fase gasosa, em um aparelho Varian, modelo 3700/CDS
111, com colunas de vidro 15% ÓV, 275 Chromosorb P-AW. As condições de
otimização foram: 299°C para a temperatura do detector, 239°C para o injetor
e 22 1 °C para a coluna, e fluxo de gás de arraste de 30 ml por minuto. A composição
centesimal foi comparada com os resultados de Arkcoll & Aguiar ( 1 984), de uma
análise feita com amostras das raças “microcarpa”, “mesocarpa” e “macro-
carpa” da Amazônia brasileira, e a qualitativa do óleo com os de Serruya et al.
^980) e Arkcoll (não publicado), feitas com amostras da raça “microcarpa”
DESCRIÇÃO DA PLANTA
Bactris dahlgreniana Glassman (= Guilielma microcarpa Huber) é uma
palmeira que forma touceira, com perfilhos (ramificações) laterais que emergem
da base do estipe, em número que varia de 0 a 5. As plantas adultas podem
alcançar 1 5 a 20 m de altura. O estipe é monopodial, cilíndrico, de 10 a 20 cm de
diâmetro, com nós inermes e entrenós armados com numerosos espinhos pretos,
de 4 a 10 cm de comprimento, relativamente finos. Os entrenós podem variar dè
1 0 a 35 cm de comprimento na parte inferior do estipe, tomando-se cada vez mais
curtos na parte apical do estipe. A cor do estipe pode variar de cinza-claro a
marrom-esverdeado.
A coroa é composta por 12 a 26 folhas recurvadas, de 2,5 a 3,5 m de
comprimento, com os folíolos agrupados e inseridos em diferentes ângulos ao
lonço da ráquis (Figura 2). As folhas recurvadas apresentam-se em disposição
espiralada. 0 pecíolo é canaliculado, semi-amplexicaule, envolvendo dois terços
a três quartos da circunferência do estipe no ponto de inserção, apresentando uma
bainha fibrosa que se desprende com a idade, e pode variar de 70 a 150 cm de
comprimento. A ráquis é adaxialmente côncava na sua parte basal e toma-se bi-
facial depois do primeiro terço de seu comprimento, que pode variar de 1 50 a 300
cm. A face abaxial do pecíolo e da ráquis é armada com espinhos pretos, similares
aos do estípe, embora sempre menores, de 5 a 20 mm de comprimento, ou em
raros casos é inerme.
Os folíolos são linear-lanceolados, com base séssil e ápice bífido
acuminado. Apresentam-se agmpados em 2 a 9 em disposição alterna ao longo
da ráquis, com o mais basal jnserido perpendicular à ráquis e os demais
seqüencialmentc mais inclinados. Os primeiros 2 a 5 folíolos basais apresentam-
se separados ou fusionados, e os quatro a oito folíolos apicais são sempre
fusionados. O número total de foholos varia de 90 a 150 em cada lado, com um
lado sempre mais numeroso que o outro. Os folíolos da parte central da ráquis
variam de 45 a 90 cm de comprimento poi* 25 a 45 mm de largura máxima. A
nervação é paralela, com dois ou três, raramente quatro nervuras secundárias a
43
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 5(1), 1989
cada lado da central. As nervuras, especialmente a central, podem apresentar
pequenos espinhos (prickles) na fase superior, raramente na inferior. As bordas
também podem apresentar espinhos pequenos. Os folíolos sào de coloração
verde-escura, brilhante na fase superior, opaco na face inferior.
Figura 2 - Árvore de Bactris dahlgreniana numa clareira ao longo
da BR 364 em Ouro Preto d'Oeste, Rondônia. Observe os numerosos
cachos pequenos.
As inflorescéncias aparecem entre os peciolos mais velhos ou nos das
folhas já mortas, podendo ter uma na axila de cada folha. As inflorescéncias sào
monóicas, protegidas por uma espata de 30 a 60 cm de comprimento, densamente
armada com espinhos pequenos, uniformemente distribuídos nas partes basal e
central, mais densos na parte apical. O pedúnculo da inflorescència é curto, de 20
a 30 cm de comprimento, com três ou t^uatro brácteas estéreis antes da primeira
bráctea fértil. A ráquis da inflorescència varia de 15 a 25 cm, raramente mais,
com entre 45 e 85 raquilas, cada uma variando de 10 a 25 cm de comprimento
(Figura 3 A).
44
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
BoL Mus. Para. Emílio GoeldL sèr. BoL, 5(1), 1989
Entre 4 e 2 1 cachos de frutos podem madurecer, cada um com 200 a 2000
fhitos pequenos de 1 a 1 ,5 cm em diâmetro (Figura 3B), de coloração alaranjada
ou avermelhada. Os frutos sào drupas pequenas, com mesocarpo fibroso e
oleoso, raramente amiláceo, comestível. Variam de 10 a 20 mm de comprimento,
e 7 a 20 mm de diâmetro, raramente mais. O cálice é persistente, geralmente
redondo, de cor amarela e alaranjada. O fruto tem forma obovóide, às vezes
redonda, com ápice (remanescente do estigma) pronunciado, raramente aplanado
(Figura 3B). O exocarpo é fino, de cor alarajanda a avermelhada. O mesocarpo é
pouco espesso, de 1 a 2 mm, fibroso e oleoso, com muito pouco amido,
moderadamente a muito rico em caroteno. O fruto fresco pesa entre 1 e 3 gramas.
A semente é pequena, redonda, raramente obovóide, com três poros no
endocarpo duro, de cor marrom a marrom-escuro. Da margem dos poros partem
numerosas fibras pretas ou marrons, que se estendem na superfície do endocarpo
ou dentro do mesocarpo. O endosperma é branco e algo oleoso.
O padrão de germinação das sementes de B. dahlgreniana é diferente do da
pupunha, embora a curva da porcentagem acumulada de germinação seja similar
(Figura 4). A germinação iniciou-se quatro meses após a semeadura, enquanto
pupunha inicia-se após 60 dias. A maioria da germinação ocorreu entre 7 e 9
meses, enquanto na pupunha ocorre entre 60 e 120 dias. A curva de B.
^hlgreniana cobre um periodo de 10 meses, enquanto a curva de R gasipaes cobre
um periodo de 4 meses. Arkcoll (não publicado) observou que a pupunha oleosa
germina mais lentamente que a pupunha amidosa. Não se sabe se a germinação
demorada de B. dahlgreniana é devido ao alto teor de óleo (veja Tabela 2) ou à
ausência de domesticação, pois Hawkes (1983) menciona que modificações no
periodo de germinação, sempre no sentido de encurtá-lo, é um dos critérios para
distinguir plantas domesticadas; a curva de B. dahlgreniana é, portanto, típica de
uma progenitora silvestre.
d?
Figura 4 - Curva de germinação de Bactris dahlgreniana num subsUato de terríço.
46
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Pupunha brava; progenitora da pupunha?
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA E ECOLOGIA
A cobertura vegetal original na região de Rio Branco (AC) é classificada
como floresta tropical seca, com áreas de transição a floresta pré-montanhosa
úmida (Tosi 1983), seguindo o sistema de Holdridge (1967). Os solos são
principalmente Latossolos e Podzolos álicos. O clima é caracterizado como “Áfi”
no esquema de Kõppen, com uma estação seca pronunciada. A cobertura vegetal
na região de Ouro Preto D’Oeste (RO) é classificada como floresta tropical
úmida, com áreas de transição a floresta subtropical úmida. O clima é “ Afi”, com
uma estação seca pronunciada. Os solos são na maioria Terra Roxa estruturada
eutrófica, classificado entre os melhores solos agrícolas da Amazônia, embora
também existam Latossolos e Podzolos. B. dahlgreniana é um componente
típico, embora não abundante, das florestas altas destas regiões.
Huber ( 1 904) encontrou B. dahlgreniana no alto Rio Purus e no Rio Acre,
no Acre, bem como na região do Pampa de Sacramento, ent*j os Rios Ucayali e
Huallaga, no Peru. Ele comentou que recebeu informação sobre sua ocorrência
no alto Rio Juruá, também no Acre. As expedições da ÁID encontram a espécie
na região de Rio Branco (AC) mas não a encontraram perto do Cruzeiro do Sul
(AC), no alto Rio Juruá. A população de Pucallpa, Peru, parece ser de origem
híbrida e exemplares típicos não foram encontrados; na região de Contamana,
entre Pucallpa e a boca do Ucayali, foram encontrados exemplares típicos (Mora
Urpí & Clement 1985/88).
A Figura IB apresenta um mapa da distribuição conhecida de B.
dahlgreniana no Brasil. Os levantamentos tém acompanhado os eixos ro-
doviários e supõe-se que a espécie ocupe áreas ecologicamente similares nas
regiões adjacentes. Ao longo do BR 364 a espécie aparece em pequenas
populações de 5 a 10 indivíduos, geralmente com uns 5 km entre populações. Não
foi possível determinar a razão ecológica da ausência da espécie entre Ariquemes
e Porto Velho (RO), embora os solos pobres possam ser um fator limitante.
VARIAÇÃO FENOTÍPICA DE B. dahlgreniana
Pela descrição morfoló^ca apresentada é evidente que B. dahlgreniana é
vegetativamente muito similar à pupunha. Na Figura 5 apresenta-se uma
comparação das médias e erros-padrões de quatro descritores vegetativos.
Observa-se que a população de Pucallpa se comporta de forma diferente das
outras, provavelmente devido à hibrídização detectada por Mora Urpí &
Clement (1985/88). Isto é especialmente evidente com respeito aos espinhos,
pois houve plantas sem espinhos em Pucallpa. Embora existam diferenças entre
as populações, não existe uma tendência definida que possa ser utilizada para
diferenciar as espécies.
Em termos da morfologia reprodutiva, existem claras diferenças entre as
quatro populações. Na Figura 6 apresenta-se uma comparação de médias e erros-
padrões de quatro descritores dos cachos e dois dos frutos. Observa-se uma clara
tendência de aumento no peso do cacho e diminuição no número de frutos
conforme o grau de domesticação; este gradiente seria esperado se a pupunha
fosse domesticada a partir de B. dahlgreniana. Observa-se também uma suave
tendência de aumento no comprimento da ráquis e diminuição no número de
raquilas, ambas as quais apóiam a idéia de um gradiente entre as espécies. O
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., S(I), 1989
gradiente do peso dos frutos entre as populações é muito clara e segue o espwrado,
enquanto o gradiente da razão mesocarpo fruto mostra diferenças entre as
populações de B. dahlgreniana.
Na T abela 1 apresenta-se uma análise de freqüéncias da cor do exoca^ do
fruto. Observa-se que a cor amarela não se encontra nas amostras populacionais
com genes de B. dahlgreniana. Este descritor parece ser, portanto, uma
importante diferença entre as duas espécies, pelo menos nas populações
estudadas.
TABELA 1 - Freqüéncias da cor do exocarpo do fruto fértil maduro nas populações de B.
dahlgreniana, B. gasipaes e a híbrida de Pucallpa.
Cor
Rondônia
Acre
Pucallpa
Pastaza
amarelo
-
-
0,22
laranja
0,6
0,5
0,17
0,22
vermelho
0,4
0,5
0,83
0,56
Figura 5 - Médias e erros-padrões de quatro caracteres vegetativos de duas populações de Bactris
dahlgreniana (Acre, Rondônia), uma população híbrida (Pucallpa) e uma de B. gasipaes (^as\a.za)\
A. diâmetro à altura do peito - dap (cm); B. comprimento dos entrenós (cm); C. espinhos no estipc
(em 16 cm^); D. área foliar (m^).
COMPOSIÇÃO QUÍMICA DE B. dahlgreniana
Da população de Rondônia, trés amostras foram coletadas para análise
centesimal. Observa-se na Tabela 2 que a polpa de B. dahlgreniana contém uma
altíssima porcentagem de fibra, sendo inclusive o principaícomponente em duas
48
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Pupunha brava; progenitora da pupunha?
amostras. O teor de gordura é também muito elevado, na amostra 502, contendo
um teor tào alto como o da pupunha mais oleosa encontrado por Àrkcoll &
Aguiar ( 1 984). Se B. dahl^reniana for o progenitor da pupunha a suposição de
Sauer ( 1 958), de que o amido foi a razão da domesticação, não seria válida, pois
estas amostras quase não possuem amido. Assim, a suposição de Clement (1988),
de que o óleo foi o atrativo original, parece ser válida, já que o óleo presente
deveria fornecer uma quantidaoe importante de energia.
Na Tabela 3 apresenta-se uma análise dos ácidos graxos do óleo das três
amostras. Como o óleo da polpa de pupunha, este pode ser classificado como um
óleo palmitico-oleico (com uma razão de 30:60 versus uma de 30:55 encontrada
na raça “microcarpa” Pará); a gordura da amêndoa é também similar a da
pupunha, sendo rica em ácido láurico e mirístico (com uma razão de 45:25 vs
uma de 60:15 da raça Pará). Embora não se possa afirmar que as diferentes
razões dos ácidos graxos das amêndoas tenham significado filogenético, isto é
possível.
Se B. dahlgreniana for o progenitor da pupunha, o processo de do-
mesticação modificou completamente a composii^ão centesimal ao mesmo tempo
em que aumentou o tamanho do fruto. A Figura 6.E. mostra este aumento em
tamanho e pode-se supor que o principal fator modificado durante este processo
foi a quantidade de amido, piois a comparação das amostras de Rondônia com os
dados de Arkcoll & Aguiar ( 1 984) mostram que foi este o componente que mais
mudou. Uma possível explicação é que o amido requer um menor investimento
Tabela 2 - composição centesimal de très amostras de polpa e uma de caroço de Baclris
dahlgreniana, comparada com a composição média, máxima e minima de B. gasipaes de uma
mistura de populações e raças amazônicas.
Amostras
Mat. Seca
Proteína
Gordura
OutroC.
Fibra
Cinza
%p.f.
% p.s.
B. dahlgreniana
Polpa*
501
59,56
11,78
36,90
0,34
47,63
3,35
502
72,81
5,01
61,28
0,38
31,84
1,49
503
Caroço^
58,62
6,23
45,98
0,14
45,05
2,60
503
B. gasipaes^
Polpa*
73,93
6,99
32,12
5,77
53,64
1,48
média
44,3
6,9
23,0
59,5
9,3
1,3
mínimo
17,8
3,1
2,2
14,5
5,2
0,5
máximo
Caroço^
74,8
14,7
61,7
84,8
13,8
1,8
média
46,4
4,6
20,4
24,1
48,1
2,8
mínimo
20,0
3,5
16,8
15,2
36,0
1,2
máximo
78,0
5,1
23,5
34,4
57,0
3,2
• - polpa “ mesocarpo -I- exocarpo
2 - caroço — cndtKarpo + amêndoa
3 - Arkcoll & Aguiar 1984
49
2 3 4
:SciEL0
cm
10 11 12 13 14 15
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi, 5(1), 1989
energético pela planta, de forma que seria mais fácil modificar a quantidade deste
componente que a da gordura. Se esta idéia for válida, Clement( 1 988) tem razão
que a atração inicial foi o óleo, enquanto Sauer (1958) tem razão após iniciado o
processo de domesticação, pois a cada milénio os frutos ficariam mais amiláceos.
TABELA 3 - Composição dos ácidos graxos do óleo em uês amostras de polpa e iima de amêndoa
de Bactris dahlgreniana comparada com a de B. gasipaes, como porcentagem do óleo total.
B. dahlgreniana
B. gasipaes
Polpa
Amêndoa
3181
Serruya^
501
502
503
503
Polpa
Polpa
Amêndoa
C6:0
-
-
0,85
2.41
_
_
C8:0
-
-
0,01
1,82
-
-
3,30
Cl 0:0
-
-
-
2,05
-
-
3,05
C12:0
-
-
0,07
46,00
2,4
-
58,55
Cl 4:0
0,11
0,15
0,13
24,53
0,9
17,80
cis.-o
0,09
0,23
0,09
-
0,7
-
-
C16:0
30,71
28,98
28,98
11,83
23,6
40,17
4,66
C16:l
4,24
3,17
5,51
0,13
4,7
-
Cl 8:0
2,44
3,66
2,29
1,83
1.5
-
-
C18:l
57,26
59,26
59,57
8,42
61,8
53,56
8,58
C18:2
4,02
3,89
2,75
0,33
3,0
6,27
4,06
C18:3
1.12
0,65
0,69
0,14
0,6
-
-
1 - raça “microcarpa” Pará, progénie 318 (D.B. Arkcoll, não publicado).
2 - raça “microcarpa” Pará (Semiya et al. 1980)
- 9
}
8 4
-
S 3
-
tzo8
g 50-
Acrt Poiloxo
Pofidónio Pueoipo
Rondar
Acrt pQitoto
) PucolpQ
Figura 6 - Médias e erros-padrões de quatro caracteres dos cachos e dois dos frutos de duas popula-
ções de Bactris dahlgreniana (Acre, Rondônia), uma população híbrida (Pucallpa) e uma de B.
(Pastaza): A. peso do cacho (kg); B. comprimento da ráquis do cacho (cm); C. número de
frutos; D. número de raquila; E. peso do fruto (g); F. razão peso mesocarpo/peso fruto (%).
50
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Pupunha brava; progenitora da pupunha?
ANÁLISE MORFOMÉTRICA DE B. dahlgreniana E B. gasipaes
Na primeira análise utilizaram-se apenas os quatro descritores vegetativos
3 ue mostraram diferenças significativas entre os grupos e que não sào derivados
e outros descritores; dap (Figura 5 A), espinhos (Figura 5 C), número de folíolos
e largura dos folíolos (mm). Os dois últimos sào os componentes principais da
área foliar. As primeiras duas funções explicaram 67,4 e 31,5%, respec-
tivamente, da variação presente na matriz, sendo aue a primeira função utilizou
principalrnente os descritores dap e número de folíolos e a segunda utilizou os
outros dois. Na Figura 7A apresenta-se um çràfico bidimensional das duas
K meiras funções, que explicam 98,9% da variação. As populações de Acre e
callpa sào bem definidas (100% de classificação correta), mas as de Rondônia
e Pastaza se confundem com as outras (60 e 66.7% correta, respectivamente);
Rondônia se confunde com Acre (20%) e Pastaza (20%); Pastaza se confunde
com Rondônia (11.1%), Acre (11.1%) e Pucallpa (11.1%).
Na segunda análise utilizaram-se apenas os sete descritores reprodutivos que
mostraram diferenças significativas entfe os grmxjs e que não são derivados de
outros descritores: pxiso do cacho (kg - Fi^ra 6 À), comprimento da ráquis do
cacho (cm - F igura 6 B), número de frutos (Figura 6 C), comprimento e diâmetro
transversal do fruto fértil (mm), peso do fruto fértil (g - Fimra 6 E) e peso da
semente (g). As duas primeiras funções explicaram 92,8 e 6,7%, resp^ctivamente,
da variação presente, sendo que a primeira função utilizou principalmente os
descritores comprimento e peso dos frutos e a segunda utilizou comprimento da
ráquis e diâmetro transversal do fruto. Na Figura 7 B apresenta-se um gráfico bi-
dimensional (que explica 99,5% da variação). As populações de Rondônia e
Acre se confundem um pouco (90 e 80% de classificação correta, respec-
tivamente; Rondônia se confunde com Acre ( 1 0%); Acre com Rondônia (20%)),
Pastaza é claramente definida (100% correta) e Pucallpa (83.3% correta) se
confunde um pouco com Pastaza (16.7%). Os resultados da análise de
classificação de Pucallpa e Pastaza foram esperados, pois Mora Urpí & Clcment
(1985/88) registraram índices de hibridização entre a população local (cf. R
dahlgreniana) e a pupunha. A última análise discriminante foi feita com todos os
descritores anteriormente usados. As très funções explicaram 82,3%, 1 1,8% e
5,9% da variação, respectivamente, sendo que a primeira função utilizou
principalmente o comprimento e o peso do fruto fértil, a segunda utilizou espinhos
no estipe e a terceira utilizou largura dos folíolos. Na Figura 7 C apresenta-se um
gráfico bi-dimensional (que corresponde a 94% da variação) e na Figura 7 D
apresenta-se um gráfico tri-dimensional mostrando apenas as posições dos
centróides (as médias tri-dimensionais) de cada população. Esta análise mostrou
resultados muito mais claros que os anteriores, com as populaças do Àcre e de
Rondônia se confundindo um pouco e bem distintas das demais.
Na Figura 8 se apresenta um fenograma extraído da Figura 7D, que
demonstra de outra forma as relações fenéticas entre as nopulaç&s estudadas,
através da distância generalizada de Mahalanobis (D2). Observa-se que as
populações de Rondônia e Acre sào muito similares, como esperado, pois sào
consideradas a ser da mesma espécie. Ainda que a Figura 7D sugira que a
população de Pucallpa seja mais semelhante às populações de B. dahlgreniana,
o fenograma indica que esta ixipulaçào tem maiores afinidades com a população
de pupunha, embora estas afinidades sejam menos distintas. Esta afinidade seria
esperada numa situação de hibridização entre pupunha e a espécie local (cf. B.
51
2 3 4
:SciEL0
cm
10 11 12 13 14 15
Pupunha brava; progenitora da pupunha?
dahigreniana), especialmente se os caracteres avaliados têm alta heredabilidade
e o genótipo da pupunha seja dominante. O que surpreende é que a afinidade entre
estes dois grupos de populações é extremamente pequena, de 72 unidades de D^.
Esta afinidade é tão remota que B. dahigreniana poderia não ser a espécie
encontrada em Pucallpa, apesar dos comentários de Huber (1904).
W.B. Chavez F. (comunicação pessoal) tem observado a população
hibrida de Pucallpa, a de B. dahigreniana no Acre e uma outra similar na bacia
do Wo Palcazu, afluente do tóo Ucayali. A cabeceira do Rio Palcazu é
imediatamente adjacente à área em que Ruiz & Pavon (1798, em Glassman
1972) coletaram B. ciliata. Chavez observou que a população do Palcazu tem
afinidades com a de Pucallpa e especialmente com a do Acre. Isto poderia
significar que a população de Pucalpa não é uma híbrida de B. dahigreniana com
pupunha, mas sim de B. ciliata. Porém, sem maiores detalhes sobre B. ciliata é
impossível determinar definitivamente.
Rondônia
Acre
Pucallpa
Pasfaza
10 98765432 1 OD
100 81 64 49 36 25 16 9 4 1 0
Figura 8 - Fenograma das relações entre as populações estudadas de ti. dahtgreniana, B. gasipaes
e a possível híbrida de Pucallpa. Aprimeira escala. D, é do espaço discriminante, que é a raiz
quadrado da segunda escala, a distância generalizada de Mahalanobis, D^.
CONCLUSÕES
Existem diversas tendências que apóiam a posição de Burret (1934) e
MacBride ( 1 960) sobre as relações entre B. dahigreniana e pupunha. Em ordem
de importância são: 1) as similaridades vegetativas e reprodutivas entre as
espécies; 2) o aumento nas dimensões do fruto e a redução no seu número,
esperadas durante um processo de domesticação ( Harlan 1 975 ; Hawkes 1 983 ); e
3) as modificações na composição centesimal, com o aumento acentuado do teor
de amido, esperado se a seleção favoreceu o caráter amiláceo durante muito
tempo. No entanto, existem algumas pequenas anomalias, cuja importância não é
clara: 1) as diferenças nas razões dos ácidos graxos da amêndoa; e 2) a posição
fonética da população de Pucallpa.
Embora a maioria das tendências apóiam a suposição de B. dahigreniana
como progenitora da pupunha, sem a descrição botânica da inflorescência e das
flores, e sem análises citogenéticas e izoenzimáticas, não é possível definir esta
relação filogcnética com absoluta certeza. A identificação taxonòmica da
população da Pucallpa precisa ser feita, bem como uma descrição botânica de B.
cilita.
53
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 5(1), 1989
AGRADECIMENTOS
Desejamos agradecer ao Dr. Roger Sanders (Fairchild Tropical Garden,
Miami) pela ajuda com algumas referências e a Sra. Rosa Clement pela correção
do português.
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54
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Pupunha brava; progenitora da pupunha?
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Recebido em 30. 1 .89
Aprovado em 13.S.89
55
:SciEL0
cm
2
3
5
10 11 12 13 14 15
CDD: 582.1609811
583.6850981 1
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO
DENDROLÓGICO DE GLYCOXYLON
INOPHYLLUM (MART. EX MIQUEL) DUCKE
(SAPOTACEAE)
Pedro L. B. Lisboa^
RESUMO - Foi feito o estudo dendrológico de uma espécie amazônica
euxilófora, Glycoxylon inophyllum, sob dois aspectos, a) Árvore - caracteres
botânicos gerais, hsbiXeXs, distribuição geogrpfica, nomes vulgares efenologia. b)
Madeira - caracteres gerais, descrições anatômicas macro e microscópica e
comparação morfométrica de amostras coletadas nos ecossistemas de campina e
campinarana amazônica.
PALAVRAS-CHAVE: Dendrologia, Anatomia de madeira. Campina,
Campinarana.
ABSTRACT- In this paper, a contribution to the dendrological knowledge of the
amazonian species Glycoxylon inophyllum isgiven by the author. It includes a
botanical description, geographical distribution, habitats, anatomical
descriptions of wood and one morphometrical comparison of some wood elements
in two distinct habitats: campina and campinarana forest.
KEY WORDS: Dendrology, Wood anatomy. Campina and Campinarana forests.
1. INTRODUÇÃO
Glycoxylon inophyllum é uma espécie comum à maioria das campinas2
amazômcas. Este tipo de vegetação, freqüente ao norte da calha do rio
ySCT-PR/CNPq/Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica.
referência geral à campina amazônica ou apenas campina, inclui os termos campina c
campinarana.
57
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. BoL, S(l), 1989
Amazonas, ocorre em pequenas manchas que lembram o aspecto de “ilhas”
dispersas no interior da mata pluvial de terra firme, sobre solo arenoso. As
campinas formam um forte contraste com a exuberância da floresta alta, uma.vez
que a sua composição florística, estrutura e biomassa são distintas. Sendo mais
l^xas que a floresta adjacente, contêm uma biomassa mais modesta que permite
identificá-las facilmente.
Um conhecimento mais detalhado da vegetação de campina amazônica
pode ser obtido em Andersone/. al. (1975), Lisb«a(Í975),Braga(1975)e Braga
e Braga (1975).
As espécies arbóreas que compõem a flora das campinas apresentam uma
significativa diferença de hábito, em áreas onde a vegetação é mais aberta
(campina) ou mais fechada e alta (campinarana). Nas campinas, onde as plantas
estão mais expostas ã luz, os indivíduos adultos de Glycoxylon inophyllum
variam de 2 a 5m de altura, com ramificações desde a região basal. Nas
campinaranas, onde estão menos expostos à luz, os indivíduos podem alcançar
até io m de altura e 1 2 m de fuste.
Desta variação de hábito de G. inophyllum entre campina e a campinarana,
nasceu a curiosidade de estudar a espécie sob o ponto de vista dendrolóçico,
enfatizando uma análise da morfometna comparada dos elementos estruturais do
lenho de indivíduos dos dois locais.
2. MATERIAL E MÉTODOS
A descrição botânica, os dados fenológicos, a distribuição geográfica c os
habitais foram baseados em observações de campo e em material herborizado
de diversas instituições de pesquisa (INPA, MG, CPATU/EMBRAPA e
NYBG), conforme as indicações a seguir:
Glycoxylon inophyllum (Mart. ex Miq.) Ducke
BRASIL - Estado do Amazonas: Albuquerque 651 (INPAl; Cavalcante 667
(MG); Ducke 920, 1547 es/n. Herb. 1 101 (MG); Fróes 21390, 22851, 28292
(lAN); Prance, Coêlho, Harley & Kubitzki 11346 (INPA); Rodrigues 177
(lAN); Rodrigues 916 (MG), 965, 1104, 8716 (INPA); Rodrigues & Coelho
7325, 7332 (INPA); Schultes <& Rodrigues 26175 (INPA); Spruce 1393
(NYBG); Lisboa 867, 868, 869, 870, 871, 886, 888, 889, 890, 891, 892
(INPA). Estado do Pará: Ducke s/n. Herb. 9121, 10464 (MG); Pires, Black&
Dobzhansky 4110 (lAN); Silva 3686 (lAN).
Para o estudo anatômico do lenho foram coletadas amostras de madeira de
dez indivíduos entre arbustos, arvoretas e árvores, conforme recomendações da
ABNT ( L973). Cinco coletas foram feitas em campina c cinco cm campinarana.
O material das cinco primeiras foi coletado no Estado do Amazonas, no Km 2 do
ramal Terra Preta, à esquerda da Rodovia AM-070, Cacau-Pirèra - Ma-
nacapuru. Km 5. O material das cinco árvores de campinarana foi coletado no
mesmo Estado, na rodovia BR-174, Manaus - Caracarai, Km 45, em frente à
Reserva Biológica de Campina, pertencente ao convênio INPA/SUFRAMA. O
58
cm
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Contribuição ao estudo de glycoxylon inophylium (Sapotaceae),
material estudado foi registrado e depositado no Herbário e Xiloteca do INPA,
com as indicações abaixo:
Glycoxylon inophylium (Mart. ex Miq.) Ducke
BRASIL - Estado do Amazonas: Manacapuru. Ramal Terra Preta, Km 2:
Lisboa 867, 868, 869, 870, 871 (INPA: 62006 (X-6485), 62007 (X-6486),
62008 (X-6487), 62009 (X-6488), 64010 (X-6489); Estrada Manaus -
Caracaraí, Km 45: Lisboa 888, 889, 890, 891, 892, 62443 (X-6495), 62444
(X-6496), 62445 (X-6497), 62446 (X-6498), 62447 (X-6499).
Os cortes histológicos foram retirados de pequenos corpos de prova
fervidos em água comum durante 1 hora, com espessura variável entre 16-20
micra, em micrótomo de deslize Reichert, alvejados em água sanitária a 50%
aquecida e corados com sàfranina hidroalcoóhca e verde-iodo. Alguns cortes
foram conservados ao natural. Após passagem em série alcoólica e xilol, for^
montados em bálsamo do canadá, entre a lâmina e lamínula. O material
macerado proveniente de diminutos cavacos longitudinais foram imersos em
soluçào macerante (50% ácido nítrico + 38% água oxigenada 1 30v. + 1 2% de
água destilada), colocados em estufo ± a 60% e, depois de alguns dias, lavado em
água corrente e corados com safranina hidroalcoóhca. Para o exame das es-
truturas, os feixes de material macerado foram dissociados sob microscópio
estereoscópico Olympus e montados em bálsamo do canadá, entre lâmina e
lamínula.
Para as mensurações e contagens dos elementos foi utilizado o Projetor
Universal UP-360-TII Olympus com as objetivas 50Xe 100X,e escala de vidro
com 0,05mm de unidade mínima de graduação equivalente cada uma a 50 e 10
micra com as respectivas objetivas. Para as espessuras da parede dos elementos
de vaso e das fibras foi usada a ocular E. Leitz, com tambor micrométrico. Os
desenhos foram feitos em microscópio e câmara clara E. Leitz.
As descrições macro e microscópicas obedeceram às normas da Comissão
Pan-americana de Normas Técnicas (COPANT 1974) e a terminologia é,
fundamentalmente, aquela recomendada pelo Comité de nomenclatura da
International Association of Wood Anatomists (lAWA 1964).
3. RESULTADOS
Caracteres Botânicos - arbusto ou árvore mediana com casca acasta-
nhada, desprendendo em placas finas, exudando látex, sem cheiro distinto;
folhas simples, opostas ou alternas, cartáceo-coriáceas, lâmina oblongo-eUptica,
margem inteira, base e ápice obtusos, glabras cm ambas as faces; nei^ura
mediana prominula na face superior c proeminente no dorso; inflorescència
ramiflora, axilar, flores hermafroditas, brancas, sépalas 5, acastanhadas; pétalas
5, branco-esverdeadas, glabras; estames 5, epipétalos; anteras rimosas,
dorsifixas; ovário súpero; estilete simples; fruto baga, amarelo extemamente,
polpa gelatinosa, transparente, comestível, quando imaturo contém látex,
quando maduro é suculento c doce; sementes 1 , raro 2 ou 3, acastanhadas e
duras.
Distribuição Geográfica - No Brasil ocorre desde o alto rio Negro
até o litoral do Estado do Pará, porém é mais frcqüentc na bacia do rio Negro.
Segundo Aubrévillc (1972) ocorre ainda na Venezuela, no Rio Guainia (Figura
59
cm
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BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 5(1), 1989
60
Figura 1 - Distribuição geográfica de Glycoxylon inophyllum
Contribuição ao estudo de glycoxylon inophylium (Sapotaceae).
Nomes Vulgares - casca doce, pau-doce.
Fenologia - na Amazônia floresce a partir de novembro e frutifica a partir
de dezembro, prolongando-se até abril.
Características Gerais da Madeira - madeira pesada (0,90- 1 ,00 g/cm3),
com casca levemente adocicada a princípio e logo amarga e adstringente; cerne
castanho claro; albumo nào diferenciado do ceme; grã regular, textura média;
superfície sem lustre, lisa ao tato, cheiro indistinto. Não muito fácil de tra-
balhar.
Record & Hess (1949) comentam que as espécies amazônicas de
Glycoxylon têm poucos usos, exceto os frutos doces que são comestíveis. Citam
ainda que a casca tem baixo conteúdo de tanino e que a madeira não é muito
resistente ao apodrecimento.
Descrição Macroscópica - parènquima bem visível sob lente em
numerosas linhas sinuosas, aproximadas, formando fino retículo com os raios.
Poros visíveis sô sob lente, numerosos, pequenos, solitários (35%), múltiplos de
2-3 predominantes (54%) e em pequenas cadeias radiais ( 1 1 %), vazios. Linhas
vasculares pouco perceptíveis a olho nu, retas. Raios no topo, finos e numerosos,
somente perceptíveis sob lente; na face tangencial curtos e irregularmente
distribuídos, na radiai pouco contrastados. Camadas decrescimento delimitadas
por zonas fibrosas mais escuras.
Descrição Microscópica (Figuras 2 e 3) - vasos de secção ovalada a
circular, parede 1.5 - jum, em média 3 jum, distribuição difusa, uniforme,
extremamente pequenos a pequenos, entre 30-90 pm de diâmetro tangencial,
maioria entre 50-80 pm (73%), vazios, ocasionalmente obstruídos por tilos; de
pouco numerosos a numerosíssimos (7 a 54 por mm-^), mais frequente de 23 a 32;
geminados predominantes (3696), seguindo-se os solitários (35%) e pequenas
cadeias radiais (29%); placas de perfuração simples; pontuações intervasculares
alternas, inclusas; elementos vasculares de muito curtos a extremamente longos,
com uma variação de 220 - 1 .090 de comprimento, mas frequente entre 5 1 0
- 730 pm, de diferentes formas (higura 4), a maioria apresentando apêndices
curtos ou longos cm uma ou ambas extremidades, ocasionalmente há outros sem
apêndices; presença de traqueídes vasicéntricas. Raios irregularmente dispostos,
heterocelulares, do tipo I da classificação de Kribs (1959), unisseriados a
multisseriados, predominando os bisseriados (56%), seguindo-se unisseriados
(26%), trisseriados (17%) c tetrasseriados (1%); de extremamente baixos a
baixos (100- 1.260 um), maioria entre 100-376 um (40%); raios fusionados
variando de 3 10 -2.150 /un, maioriaentre 715- 979/rm (3896), representando
um alto índice de ocorrência (41,6%); altura em no. de células varia de 3 - 40
células, maior freqüência de 6 - 1 6 células (52%); os fusionados variando de 10-
6 1 células, maioria entre 25 - 39 (62%); número de raios por mm linear 8-14,
com maior freqüência entre 11-13 (55%); pontuações radiovasculares
Fwqucnas. Presença de substância semelhante à sílica nas células do parènquima
radial (Figura 5), bem evidenciada nas 3 secções. Parènquima axial do tipo
apotraqucal, cm linhas onduladas, predominante as unisseriadas, às vezes
formando trechos irregulares ou interrompidos. Cristais raros, diminutos, do tipo
rombóide, presentes nas células do parènquima axial (Figura 5) e mais raramente
ainda cm fibras c no lúmen dos vasos. Fibras estreitas (19,4 - 23,2 /rm),
espessura da parede 3,14-6,10 um, em média 4-5 pm\ diâmetro do lúmen
varia de 9,42 - 2 1 ,98 pm, cm média 1 6,23 pm, frcqüentementc septadas, de 1 a
61
cm
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BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. BoL, 5(1), 1989
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Figuras 2, 3 - 2. S«cçio transversal (30X) 3. Secçio tangencial (50X).
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sír. Bot., 5(1), 1989
Figura 5 -Desenho esquemático mostrando estrutura semelhante a corpos silicosos (S), cristal
rombóide em célula do parcnquima axial (C), células do parênquima radial (R), células do
parénquima axial (P), fibras (F), elemento de vaso (V).
4 scptos, maioria de 3, elementos fibrosos de muito curtos a longos, entre 900 -
1970 /xm, maioria de curtos a longos, entre 1 .410 - 1 .620 /im de comprimento.
Camadas de crescimento não muito distintas, às vezes delimitadas por zonas
exclusivamente fibrosas.
4. DISCUSSÀO E CONCLUSÕES
Considerações sobre a morfometria de alguns elementos anatômicos na
campina e na campinarana.
A figura 6 apresenta a amplitude de variação de tamanho c a frcqücncia dos
elementos anatômicos considerados neste estudo, bem como a faixa de maior
ocorrência de valores obtidos, separadamente, para as amostras procedentes da
campina e da campinarana. Pode ser observado que quase sempre a amplitude de
64
Contribuição ao estudo de glycoxylon inophyllum (Sapotaceae).
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ELEMENTOS VASCULARES ( cooprimMI. .m pot )
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Figura 6 - CR Campinarana CA Campina; Amplitudes de variação em tamanho e frequência de
elementos do lenho G. inophyllum: amplitude de variaçào faixa de maior ocorrência
dentro da amplitude de variaçào • raios fusionados. Terminologia COPANT: B - Baixos, C -
curtos (as), EB - extremamente baixos, EC- extremamente curtas, EP - extremamente pequenos,
L- longos (as), M - médios, MB - muito baixos, MC - muito curtos (as), ML- muito longos, MN-
muito numerosos, MPe -muito poucos, MPq -muito pequenos, N -numerosos, NS -numerosíssimos,
Pc- poucos, PN - pouco numerosos, Pq - pequenos.
variação é maior para os elementos das madeiras da campinarana. A
exceção é para o comprimento de fibras, com maior amplitude de vanaçâo na
campina. No caso da amplitude para as faixas de maior incidência de valores
registrados (linha forte), o mesmo não ocorre. Dos elementos considerados,
quatro deles (diâmetro tangencial dos vasos, número de vasos por mm^,
comprimento de elementos vasculares e espessura da parede de fibras) mos-
traram uma maior amplitude de variação nas amostras da campinarana e um
(altura dos raios cm mm) para a campina. Para o comprimento das fibras e o
número de raios para mm linear, as amplitudes se equivaleram para ambos
ecossistemas. Considerando a terminologia da tabela COPANT para contagens
65
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 5(1), 1989
e mensurações de elementos do xilema notam-se diferenças que mesmo não sendo
significativas estatisticamente, fazem variar a terminologia. Para o comprimento
de fibras, a maior ocorrência de valores obtidos mostra que na campinarana as
fibras variam de curtas a longas porém 34% delas são longas. Para a campina, a
variação vai de muito curtas a longas, porém a quase totalidade delas são fibras
curtas.
O diâmetro tangencial dos vasos apresenta amplitude de variação se-
melhante para os dois locais, porém na faixa de maior incidência de valores
registrados, a amplitude é maior nas amostras da campinarana. Para a freqüência
de elementos de vasos por mm^, a variação na campinarana é de pouco
numerosos a numerosíssimos, mas a grande maioria se situa na faixa de muito
numerosos. Na campina, a maior freqüência dos elementos de vaso está dentre as
faixas de numerosos e numerosíssimos.
O comprimento dos elementos vasculares apresenta variação considerável
na campinarana (muito curtos a muito longos), enquanto varia apenas de curtos e
longos na campina. As amplitudes de maior ocorrência são quase semelhantes.
O número de raios pro mm mostra uma amplitude de variação muito
semelhante entre a campina e campinarana (numerosos a muito numerosos em
ambos locais), tanto para amplitude geral como para a amplitude das faixas dos
mais freqüentes. A altura dos raios em mm, para os raios simples e os fusionados,
registrou amplitudes também quase idênticas. Na campinarana, a altura varia de
extremamente baixa até baixa, enquanto na campina está limitada entre
extremamente baixa e muito baixa.
A esfjessura da parede das fibras situa-se, em ambos os casos, entre os
valores de 3 e 6, tendo a faixa de maior incidência uma maior amplitude na
campinarana.
Apesar dos elementos constituintes do lenho estudados apresentarem
certas semelhanças nas amplitudes dos valores gerais e nos de maior incidência
para ambos os locais considerados, se faz necesáario um certo cuidado no estudo
das contagens e mensurações das estruturas lenhosas das madeiras. É impres-
cindível a verificação da ocorrência da planta nos dois habitais, uma vez que uma
descrição baseada em madeiras coletadas apenas em um dos ecossistemas, pode
conduzir a dados incompletos, mesmo que o número de amostras utilizadas no
estudo seja aparentemente significante.
As diferenças nas variações de amplitude nas faixas de maior incidência ou
não deve-se, provavelmente, às condições ambientais distintas entre a campina e
a campinarana. Na campina, as plantas parecem apresentar uma tendência a
reduzir o tamanho e a freqüência das estruturas anatômicas, devido às condições
de exposição mais intensa da radiação solar a que estão submetidas. Na
campinarana, onde o dossel é mais fechado, as plantas estão menos expostas à
radiação, em conseqüéncia essa limitação é menor, uma vez que a oferta de
umidade c maior.
AGRADECIMENTOS
Aos laboratoristas Antônio Barbosa e Maria Aparecida Silva, do Instituto
de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo/IPT, pela ajuda na
confecção, coloração e montagem dos cortes histológicos. Ao laboratorista do
66
Contribuição ao estudo de glycoxylon inophyllum (Sapotaceae).
INPA, Wilson Meirelles, pela maceração e mensuraçáo do material dissociado.
Aos auxiliares de campo Dionisio Coelho e Osmarino Monteiro, do INPA, pela
ajuda na coleta do material estudado.
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vegetação das campinas amazônicas. III. A vegetação lenhosa da campina da reserva biológica
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1964. Multilingual
Recebido cm 27.3.89
Aprovado cm 12.5.89
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CDD: 583:950981 131
CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO
MORFOLÓGICO, FITOGEOGRÁFICO E
ECOLÓGICO DE HEVEA CAMPORUM DUCKE
(EUPHORBIACEAE)i
Luiz O. Adão Teixeira^
Ricardo de S. Secco^
RESUMO — Apresenta-se uma série de ir\formações de campo e de laboratório
sobre a espécie Hevea camporum Ducke, com o objetivo de eliminar dúvidas
quanto a sua correta identificação, uma vez que a referida espécie vem sendo
confundida com Hevea guianensis var. marginata, ao longo da BR-1 74 (Manaus-
Caracarai). Entre outros aspectos, Hevea camporum se destaca de H. guianensis
var. marginata por apresentar frutos e sementes pequenos, foliolos com ápice
agudo voltado para baixo, indi viduos que não passam de 3 me formam touceiras,
ocorrendo em campina baixa e aberta, sqfeita a alagamento periódico. As
irformações aqui registradas visam fornecer subsidios para a preservação do
potencial genético do género Hevea.
PALAVRAS-CHAVE: Hevea,
genéticos, Fitogeografia.
Hevea camporum. Seringueira, Recursos
'Trabalho orientado pelo co-autor (Bolsa de Pesquisa/CNPq, proc. np 301.252/86-6), como parte
do programa de estágios do DBO - Museu Goeldi.
^CNPSD - EMBRAPA.
^PR/SCT/CNPq/Museu Paraense Emílio Goeldi - Depto. de Botânica.
69
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot., 5(1), 1989
A BSTRA CT - Ir\formalion derived fromjield and laboratory sludies is presented
to facilitate lhe correct identification of Hevea camporum Ducke (Euphor-
biaceae), which is frequently copfused with H. guianensis var. marginata. Field
sludies were conducled north of Manaus, Amazonas, along lhe BR-174 highway
(Manaus-Caracarai). Among lhe distinguishing features, H. camporum has
smallerfruits and seeds than H. guianensis var. marginata, and leaflets with acute
ápices curved basally. Individuais werefound of less than 3 m in height with
multiple trunks. H. camporum was alsofound in scrubby and grassy savannas
which are subject to periodic flooding. The genetic resources ofH. camporum are
an unknown and untapped resource for the rubber trees of the genus Havea.
KEY WORDS: Hevea, H. camporum, Rubber tree, Genetic resources,
Phytogeography.
INTRODUÇÃO
Hevea camporum é uma espécie de “seringueira” descrita originalmente
por Ducke (1925), de material incompleto (^nas valvas da cápsula) prc^
veniente da regiào dos camp>os do rio Madeira, Èstado do Amazonas. A espécie
ficou por longo tempo como sendo aberrante, pelo seu pequeno porte, portanto
duvidosa para o gênero e considerada rara.
Posteriormente, segundo Egler & Pires ( 1 96 1 ) foi coletada nos campos do
Cururu (Tapajós - Pará), nas catinps do rio Ananuá, afluente do rio Branco
(Território de Roraima) e ao longo da estrada Manaus - Caracaraí. Essa forma
de Hevea camporum existente ao norte do Amazonas é bastante comum nas
campinas da serra do Àracá (Murça Pires, com. pessoal).
De acordo com informação de Murça Pires existem basicamente duas
populações de Hevea camporum: uma ao sul do rio Amazonas e outra ao norte -
bacia de captação dos rios Negro e Branco (Figura 1). Nessa área ao norte,
Hevea camporum costuma estar associada a Barcella odora (Figura 2), uma
palmeirinha outrora tida como bastante rara na Amazônia, e que hoje se sabe ser
bastante frequente, inclusive formando “campinas de Barcella".
Uma forma anã de Hevea, proveniente de igapós situados nos campos
naturais da ilha do Marajó, foi inicialmente identificada como Hevea camporum
por Pires ( 1 973). Postenormente, o mesmo autor (1981) chegou à conclusão que
se tratava de uma espécie nova, descrevendo-a como Hevea camargoana. Essa
espécie é bastante comum nos campos das vizinhanças e no aeroporto de Joanes
(Marajó).
Verificando que a correta identificação de Hevea camporum ainda é objeto
de equivoco por parte de certos coletores da região, os autores acharam por bem
fornecer uma série de observações de campo e laboratório com vistas a
proporcionar um melhor conhecimento da referida espécie.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
1 . Notas de Campo
Informações pessoais fornecidas pelos Drs. J. M. Pires e William
Rodrigues sobre a existência de Hevea camporum próximo ao km 350 da rodovia
70
Contribuição ao conhecimento de Hevea campontm.
Figura 1 - Distribuição geográfica de Hevea camporum.
71
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. BoL, 5(1), 1989
Figura 2 - Touceira de H. camporum (em primeiro plano) associada com Barcella odora (veja a
seta), na estrada Manaus-Caracaraí.
72
Q>ntrílmiçáo ao conhecimento de Hcvca camppnim.
Manaus-Caracarai, levaram o agrônomo Vicente H. C. Moraes a fazer coleções
nessa localidade, para fins de comprovação. Entretanto, constatou-se que os
espécimes procedentes de indivíduos raquíticos, ali coletados por Moraes,
realmente não pertenciam a H. camporum e sim a H. guianensisAuhX. var.
marginata Ducke. Informações adicionais de Moraes confirmam que essas
plantas possuem folhas com folíolos cujos ápices são dirigidos para cima e não
reclinados, como seria o normal para H. camporum. Infelizmente os propágulos
desta coleção de H. camporum trazidos para experimento não sobreviveram.
Em junho de 1983, participou-se de uma excursão ao km 350 da BR-174,
com o objetivo de esclarecer a dúvida acima exposta. No entanto, encontrou-se
apenas Hevea guianensis var. marginata (folíolos voltados para cima), va-
riedade que se apresenta como uma forma de carência devido à extrema pobreza
em nutrientes das campinas dessa área. Isto levou diversas pessoas a pensar que
se tratava de H. camporum, tendo em vista a existência de muitos indivíduos
frutificando com a altura em tomo de 2,0 m. Esse porte exíguo é logo associado a
H. camporum, característica marcante para a qual o próprio Ducke (1925)
chamou a atenção. Entretanto, verificou-se que essa mesma variedade chega a
atingir cerca de 15 m de altura, na beira da mata, o que é um disparate se
associado a H. camporum.
Em estudo no herbário do INPA, deparou-se com um exemplar de Hevea
coletado no km 350 da BR-174, em maio de 1985, pelo pessoal daquela
Instituição. Esta seringueira não era//, guianensis var. marginata, variedade da
qual já se sabia da ocorrência naquele trecho da estrada.
Retornou-se ao km 350, coletando amostras no exato local que havia sido
visitado pelo INPA. Identificou-se então esse material como Hevea aff.
camporum, em vista do material apresentar apenas frutos (imaturos). Em
posterior excursão a essa área, encontraram-se plantas com fmtos maduros que
foram comparados com os frutos da H. camporum típica. Tanto no tamanho
como na forma dos fmtos e sementes não foram constatadas diferenças
relevantes.
2. Diferenças Morfológicas e Afinidades entre as Hevea Estudadas
Todo este problema com relação à coleta de uma típica H. camporum não
permite que se confundam os dois tipos distintos de seringueiras que ocorrem na
campina do km 350 da BR- 174. Entretanto, seguem algumas características que
separam nitidamente estas Hevea, para evitar que os coletores pouco fami-
liarizados com o gênero possam se confundir.
I. Hevea camporum
- Os indivíduos não passam de cerca de 3,0 m de altura para 3 cm de
diâmetro, são raquíticos (Figura 3A)
- Folíolos voltados para baixo (reclinados) à semelhança de H. rigidifolia
(Figuras 3B, 5A)
- Folíolo com ápice agudo e de coloração mais clara
- Caule de coloração acinzentada, freqüentemente portando muitos
liquens
- Planta isolada, ou formando touceiras
73
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 5(1). 1989
Figura 3 - Hábito de H. camporum. A) Da Manaus-Caracaraí, observe o porte raquítico. B) Da
rodovia Transamazônica, com ninho de cupim (veja a seta) e foliolos voltados para baixo.
Figura 4 - //. guianensis var. marginata da Manaus-Caracarai. A) Observe-se o porte vigoroso,
arbóreo (a seta indica uma comparação com um homem de 1 ,80 m). B) Foliolos voltados para cima,
em detalhe.
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Contribuição ao conhecimento de Hevea camporum.
- Não forma copa
- Frutos e sementes bem pequenos (Figura 5B)
- Látex de coloração branca
- Habita partes mais baixas
- Ocorre na campina baixa e mais aberta
- Apresenta coloração rósea no coleto
- Apresenta um tipo de xilopódio (Figura 6AB)
2. Hevea guianetisis Aubl. var. marginata Ducke (km 350, BR-174)
- O porte em geral é bem maior (Figura 4A)
- Folíolos ascendentes (Figura 4B)
- Foliolos com ápice obtuso e de coloração mais escura
- Caule de coloração marrom-escuro
- Planta isolada, com apenas um caule (não forma touceiras)
- Em geral forma copas
- Frutos e sementes maiores (Figura 5B)
- Látex amarelado, maior intensidade quando coagulado
- Habita partes mais altas
- Ocorre na campina mais alta, mais fechada e na mata ao redor da
campina
- Não apresenta coloração rósea no coleto
- Não apresenta um certo tipo de xilopódio
A forma de H. camporum do km 350 da BR-1 74, da rodovia Manaus (AM)
- Caracaraí (RR) tem muita afinidade com a//, camporum típica, coletada pelo
autor em uma campina do km 250 da rodovia BR-230 (Transamazónica), no
sentido de Humaitá (AM) - Jacareacanga (PA), o que o levou a considerar
ambas como uma mesma espécie. Relaciona-se, a seguir, alguns caracteres
indicativos desta afinidade:
- Morfologia de frutos e sementes
- Botão floral de coloração vermelho escarlate
- Folíolos para baixo à semelhança de H. rigidifolia
- Folíolos com ápice agudo
- Presença de um tipo especial de xilopódio (Figura 6AB)
- Coloração rósea no coleto
- Forma touceiras
- Ambas apresentam o mesmo porte
- Ocorrem em campinas com alagamentos periódicos
Há uma ligeira diferença quanto à forma dos androceus (Figura 7 ABC), em
relação aos indivíduos da Manaus-Caracaraí e da Transamazónica. Esta
diferença se evidencia: nos lacinios do disco, que no primeiro caso tèm ápices
agudos, enquanto no segundo caso são emarginados; na disposição das
anteras e no ápice da coluna cstaminal. Entretanto, somente uma análise de um
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BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sèr. Bol, 5(1), 1989
Figura 5 - As “heveas” estudadas. A) Folíolos de H. camporum voltados para baixo, em deulhe.
B) Ramos de //. camporum (à esquerda) e H. guianensis var. marginata (à direita). Observe-se
a diferença dos folíolos e tamanho dos frutos (nas setas).
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Contribuição ao conhecimento de Hevea camporum.
Figura 6 - Xilopòdios de //. camporum. A) Da Manaus-Caracarai (a seta indica as Icnticelas). B)
Da Transamazônica.
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Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi., 5(1), 1989
maior número de indivíduos das duas localidades poderá revelar se estas
diferenças são estáveis.
De acordo com Joaquim Ivanir Gomes (com. pessoal), do CPATU/
EMBRAPA, existem ligeiras diferenças quanto à estrutura do lenho de Hevea
camporum e Hevea guianensis var. marginata. Entre estas cita o menor
tamanho e a menor freqüência de poros p/mm2 em H. guianensis var.
marginata. Fica evidente que estes caracteres são de pouco valor taxonômico,
nào servindo para diferenciação entre estas Hevea.
Figura 7 - Morfologia da flor masculina de H. camporum. A) Corte evidenciando androceu. B)
Androceu cm detalhe (indivíduo da Manaus-Caracarai), evidenciando arranjo de anteras e lacinios
agudos do disco (veja a seta). C) Idem (indivíduo da Transamazônica), evidenciando arranjo de
anteras e lacinios emarginados do disco (veja a seta).
CONCLUSÃO
As informações aqui registradas são de grande importância, uma vez que há
um especial interesse pela preservação do potencial genético do gênero
Hevea e, no caso específico de H. guianensis var. marginata, a mesma vem
sendo testada no CNPSD/EMBRAPA, pelo pesquisadorVicente H. C. Moraes,
como material para enxertia de copa por apresentar tolerância ao Microcyclus
ulei, agente causador da doença conhecida como “mal das folhas”, fator
limitante para a expansão da heveicultura na região amazônica.
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. João Murça Pires, bolsista do CNPq, pelas sugestões ao texto; ao
CNPSD/EMBRAPA, pelo apoio nas pesquisas de campo; ao Dr. William
Overal, pela versão do resumo para o inglês.
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SciELO
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CONTEÚDO
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