BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Série BOTÂNICA
GOVERNO DO BRASIL
Presidência da República
Presidente - Itamar Franco
Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT
Ministro - José Israel Vargas
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq
Presidente - Lindolpho de Carvalho Dias
Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG
Diretor - José Guilherme Soares Maia
Vice-Diretor de Pesquisa - I^edro Luiz Braga Lisboa
Vice-Diretor de Difusão Científica - Denise Hamú Marcos de La Penha
Comissão de Editoração - MPEG
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Editor-Associado - Pedro Luiz Draga Lisboa
Equipe Editorial - Lairson Cosia, Lais Zumero, Graça Overal
CONSELHO CIENTIFICO
Consultores
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Carlos Toledo Rizzini - Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Dana Griffin III - University of Florida
Enrique Forero - Missouri Botanical Garden
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Hermógenes Leitão Filho - UNICAMP
João Murça Pires - Museu Paraense Emílio Goeldi - CNPq
João Peres Chimelo - IPT
Nanuza L. Menezes - Instituto de Biociências - USP
Ortrud Monika Barth - Fundação Oswaldo Cruz
Paulo B. Cavalcante - Museu Paraense Emílio Goeldi
Therezinha SanfAnna Melhem - Instituto de Botânica de São Paulo
Warwick E. Kcrr - Universidade Federal de Uberlândia
William A. Rodrigues - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
© Direitos de cópia/Copyright 1993
por/by/MCT/CNPq/Museu Goeldi
JAH 1994 '
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SciELO
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Ministério da Ciência e Tecnologia
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
MUSEU PARAENSE EMÍLIO GOELDI
Boletim do
Museu Paraense
Emílio Goeldi
Série
BOTÂNICA
Vol. 8 (1)
1 ‘v'’. '
mi
MCT/CNPij
MUSEU PA RAENSE EMÍLIO GOELDI
Ministério da Ciência e Tecnologia - PR
CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
Parque Zoobotânico - Av. Magalhães Barata, 376, São Braz
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66.017-970. Belém-Pará-Brasil
O Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia foi
fundado em 1 894 por Emilio Goeldi e o seu Tomo I surgiu em 1 896. O atual
Boletim é sucedâneo daquele.
The Boletim do Museu Paraense de História Natural e Ethnographia was
founded in 1894, by Emilio Goeldi, and the first volume was issued in 1896.
The present Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi is the successor to
this publication.
REVISTA FINANCIADA COM RECURSOS DO
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2 3 4 5 6 SCÍELO;LO 11 12 13 14 15 16
CDD: 634.9285
674.1
ESTUDO ANATÔMICO DA MADEIRA DO
GÊNERO HEVEA'
Joaqiiim Ivanir Gomes^
Edna Maria Sodré da Silvai
RESUMO - Visando à identificação das espécies de Hevca, pela estrutura
anatômica da madeira, foi efetuado o estudo macro e microscópico empre-
gando-se as normas preconizadas pela COPANT (1973). Este estudo, além de
contribuir para a separação das espécies, possibilitou agrupá-las pelas afinida-
des interespecíficas com base nos caracteres anatômicos quantitativos. Com
base nesses caracteres, foi elaborada uma chave dicotômica, dando ênfase aos
raios e diâmetros dos vasos. Foi constatada a presença de espessamento espi-
ralado nas fibras de II. camargoana.
PALAVRAS-CHAVE; Amazônia, Hevea, Madeira, Seringueira
ADSTRACT - The objective of this study was the identification ofthe ílevea
species, by their secondary xylem anatomical stnicture, utilizing both macros-
copic and microscopic procedures, according to the rides preconized by CO-
PANT (1973). Resides of contributing to the separation of species, this study
has enabled to gnip them by interspecifical affinities, based upon quantitative
anatomical characters. Based on such characters, a dichotomic key was prepa-
red emphasizing the rays, and vessel diameters. It was verified the presence of a
spiral thickening in the fibres ofll. camargoana.
KEY WORDS: Amazon, Anatomy, Hevea, Wood, Rubber tree
^ Resumo de lese apresentada à obtenção de título de Mestre em Ciências Florestais, na Universi-
dade Federal do Paraná, em 1981.
2 Eng? AgP?, M.Sc., EMBRAPA-CPATU, Caixa Postal 48, CEP 66,095-100, Belém-PA.
3 Ass. de Pesquisa EMBRAPA-CPATU, Caixa Postal 48, CEP 66.095-100, Bel6m-PA.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 8(1), 1992
INTRODUÇÃO
No Brasil, a área de distribuição geográfica do gênero Hevea (Figura 1)
abrange toda a Hiléia, isto 6, os Estados do Amazonas, Pará, Acre e Amapá até
o Meridiano 77, parte noroeste do Estado do Maranhão, o norte dos Estados
de Mato Grosso e de Rondônia. Fora das fronteiras do Brasil, o gênero Hevea
tem sido observado nas Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolí-
via, em matas contíguas às da Amazônia brasileira, sendo que os extremos nor-
te, para Hevea, são o alto Orinoco e o baixo Essequibó e o ponto mais ao sul é
a Bolívia Oriental subandina (Ducke & Blaek 1954). Quanto ao porte, todas as
espécies são árvores, à exceção de Hevea camponim, que é um arbusto (em
touceira) das campinas de areia (caatingas amazônicas), não existindo qualquer
representante escandente. Em geral são árvores medianas até muito grandes,
sendo que os maiores representantes pertencem a Hevea ffiianensis e Hevea
brasiUensis que podem atingir 50 m de altura e 1-1,5 m de DAP (Pires 1973).
Algumas vezes a identificação positiva da madeira é possível somente
através das características botânicas da árvore. Em muitos casos, contudo, a di-
versidade estrutural da madeira, associada às variações conheeidas como cor,
peso, aspecto da grã figura, proporcionam um meio correto de identificação
(Panshin 1970).
Heywood (1970) ressalta que a anatomia da madeira tem sido usada com
sucesso em vários grupos de plantas, auxiliandt) a estabelecer a posição sis-
temática de famílias primitivas de angiospermas sem vasos condutores como
Winteraceae, Trochodendraceae e outras.
Os trabalhos anteriormente desenvolvidos sobre anatomia da madeira de
Hevea são muito elementares, tanto ao nível de repetições eomo de espécies,
pois a maioria dos estudos já realizados envolve especialmente Hevea hrasilien-
si.s, por .se tratar da espécie mais importante como produtora de látex.
Com os dados anatômicos obtidos nesta pesquisa, elaborou-se uma chave
dicotômica baseada nas características anatômicas quantitativas da madeira,
para separação das espécies estudadas, ou pelo menos oferecer subsídios para
tal. Desse modo, pretende-se contribuir para o esclarecimento de alguns pon-
tos ainda obscuros na taxonomia botânica, considerando que se trata de assun-
to complexo, o que se pode compreender pela volumosa sinonímia envolvendo
mais de 100 binômios ou trinômios.
MATERIAL E MÉTODOS
A maioria das amostras das espécies estudadas procedeu de Belém (Qua-
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Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 8(1), 1992
clra do Baldwin-CPATU/EMBRAPA), sendo que as amostras de Hevea
camargoana foram coletadas em Joanes, no município de Salvaterra, no Pará e
as de Hevea campontni no Tapajós (Pará) e em Roraima. A espécie Hevea
paludosa foi coletada na serra de Tunuí, no Amazonas c em Iquitos, no Peru.
Para cada espécie foram coletadas amostras de 3 a 5 árvores da região
mais próxima da casca e a uma altura de 1,30 m (DAP); vale ressaltar que no
caso de H. paludosa, as amostras foram retiradas apenas de duas árvores,
considerando a escassez e dificuldade na coleta do material.
A identificação do material herborizado foi feita pelo Dr. João Murça
Pires, pesquisador em Botânica do Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém,
Pará.
O material botânico correspondente às especies estudadas c encontra-se
arquivado nos herbários do CPATU/EMBRAPA e MUSEU GOELDI em
Belém-Pará, com os seguintes números de coletor:
Hevea henthamiana Muell. Arg.
Nelson Rosa 260; Manoel Cordeiro 1621 c Benedito Ribeiro (1829, 1836 c
1838).
Hevea brasiliensis (H.B.K.) Muell. Arg.
Nelson Rosa 268; Bento Pena 751, 753, 761 e Pires 12103
H. camargoana Pires
Nelson Rosa (3610 c 3612); Nilo T. Silva 4945 e Emanuel Oliveira 5957
H. camporum Duckc
Nilo T. Silva 4523 e Pires (10907 c 14480)
H. guianensis Aubl.
Nelson Rosa 262, Bento Pena 752, Manoel Cordeiro 1620
H. microphylla Ulc
Bento Pena 763; Manoel Cordeiro 1625 c Benedito Ribeiro 1827
H. niiida Marl. ex Muell. Arg.
Nelson Rosa 264; Bento Pena 755 c Benedito Ribeiro 1837
H. paludosa Ulc
O.svaldo Nascimento 227 e Pires 13254
H. paucipora (Spruce cx Benth.) Muell. Arg.
NcKson Rosa 265, Benedito Ribeiro 1830 e Pires 1.3254
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Estudo anatômico da madeira do gênero He\'ea
H. rigidifolia (Spruce ex Benth.) Muell. Arg.
Benedito Ribeiro (1931, 1832, 1833, 1834 e 1835)
H. spruceana (Benth.) Muell. Arg.
Nelson Rosa 267; Bento Pena (757, 758 e 759).
Os corpos de prova foram previamente preparados nas dimensões de 2 x
2 X 1 cm e posteriormente submetidos ao amolecimento através de cozimento
em água. No caso de Hevea camporum, devido ao diâmetro do caule ser muito
pequeno (cerca de 1,5 cm), foi utilizado o disco inteiro com 2 cm de altura.
Foram preparadas cerca de cinco lâminas por amostra sendo que os cor-
tes obtidos das amostras atacadas por fungos manchadores foram clarificados
com hipoclorito de sódio.
Para dissociação dos elementos fibrosos foi adotado o método de Schult-
ze citado por Shimoya (1966), sendo que, em vez do ácido nítrico concentrado,
utilizou-se solução a 50% c alguns grânulos de clorato de potássio. Após a ma-
ceração, que se processou em trés a cinco minutos, o material dissociado foi
colocado num funil de papel de filtro para lavagem com água destilada. Poste-
riormente o macerado foi deixado em safranina a 1%, durante 24 a 72 horas.
Para as pontoações intervasculares, parênquimo-vasculares e raio-vascu-
lares; diâmetro das células do parênquima axial e largura dos raios unisseria-
dos, foram realizadas 25 medições por amostra. Na determinação do número
de poros/mm^ foram efetuadas 100 contagens por amostra.
Com base nos dados quantitativos foram computados os seguintes parâ-
metros: média, desvio padrão e coeficiente de variação.
Foi utilizado o teste SNK (Student Newman and Keuls) para comparação
entre médias de alguns dados histométricos como número poros/mm^, diâme-
tro tangencial, espessura da parede dos vasos; número de raios/mm, largura dos
raios multisseriados em células; comprimento, diâmetro total, diâmetro do lu-
men e espessura da parede das fibras.
As fotomacrografias foram obtidas utiliz.ando-se Tessovar-Zeiss e as fo-
tomicrografias, os fotomicroscópios Olympus c Cari Zeiss com filme Kodak
Plus-X Pan 125 ASA-22 DIN, sendo imprimidas em papel fotográfico Kodak
F3 brilhante.
Os corpos de prova para as fotomacrografias foram devidamente prepa-
rados utilizando-se lixa de ferro n? 4(K) sob água corrente e micrótomo JUNG
com navalha apropriada.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 8(1 ), 1992
Hevea brasiliensis (HBK) Muell. Arg.
Parênquima com linhas em faixas concêntricas (com alé seis células de
largura), regularmente espaçadas, sinuosas, contínuas, às vezes interrompidas e
anastomosadas; há também paratraqueal escasso; séries com 3-7-12 células
(500-972-1500 ym) de altura e 10-2S-48 ^m de largura; cristais muito frcqücntes
com até cinco câmaras por células. Vasos difusos, solitários (60,55%),
múltiplos de 2 (31%), múltiplos radiais de até 12 vasos e ocasionalmente
racemiformes; muito poucos (0-2,4-12 poros/mm’), médios (54-/67-290 pm de
diâmetro); seção oval nos vasos solitários e achatada nos múltiplos; elementos
vasculares muito longos (232-7f6.?-1500 pm), com apêndices curtos cm uma ou
ambas as extremidades; placas de perfuração simples; espessura da parede com
4-7-16 pm de largura; tilos raramente presentes e cristais ocasionalmente
presentes nos tilos; pontoações intervasculares grandes (8-72-22 pm de
diâmetro), arcoladas c alternas, contorno poligonal, alongado, arredondado e
oval; abertura em fenda horizontal c ligeiramcntc oblíqua, inclusa c exclusa
apresentando coalescência envolvendo até quatro pontoações; pontoações
parênquimo-vascularcs grandes (7-74-30 pm de diâmetro), cm pares
scmi-arcolados e alternos; contorno poligonal, oval, arrendondado, alongado c
triangular; ocasionalmente apresentam-se alongadas, com tendência a formar
arranjos cscalariformes; pontoações raio-vasculares grandes (7-72-22 pm de
diâmetro), pares scmi-areolados de contorno oval, arredondado, alongado c
triangular; abertura em fenda horizontal, oblíqua e inclusa. Raios
heterogêneos, os unisseriados apresentam células eretas c quadradas; os
multisseriados apresentam predominância de células procumbentes c
raramente ocorrem raios com até cinco fabcas de células quadradas no melo do
raio; cm alguns trechos as células quadradas apresentam tendência a células
latericuliformes; numerosos (6-9-75 raiosimm); os raios unisseriados são nuiiío
fmos (75-24-40 pm); os multisseriados são finos (22-45-7?> pm); com 2-.?, 5-6
células de largura; quanto à altura, os raios unisseriados são extremamente
baixos (0,1-6,42-0,9 mm), com 1-5-13 células; os multisseriados são muito
baixos (0,2-6,67-1,7 mm), com 6-23-69 células; granulações arredondadas de cor
avermelhada muito freqüentcs. Fibras libriformes, não septadas gelatinosas
delgadas (finas), curtas (0,8-7,47-1,9 mm de comprimento, médias (14-25-48
um de largura); parede com 1-4-11 pm de espessura; pontoações simples,
abertura em fenda linear, oblíqua, inclusa c exclusa; na interseção com as
células do raio c parênquima, são conspicuamente arcoladas (plano radial).
Anéis de crescimento demarcados por zonas fibrosas com parede de células mais
espessas c achatadas tangcncialmcntc (Figura 3).
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Dol Mus. Para. Emílio Goeldi, sór. Bot. 8(1), 1992
Hevea camargoana Pires
Parênquimci formado por linhas finas, concêntricas, com 1-2-células
de largura, regularmente espaçadas, sinuosas e contínuas. Há também paratra-
queal escasso; série com células (640-S92-1382 pm) de altura e 24-J7-44
pm de largura; cristais ocasionalmente presentes até dois por células; espessa-
menlo espiralado presente nas amostras 3610 e 4945. Vasos difusos, solitários
(41,5%) e ocasionalmente em agrupamentos racemiformes, muito poucos
(0-2,4-15 poros/mm-), médios (50-/ft?-200 pm de diâmetro); seção oval nos so-
litários e poligonal nos múltiplos; elementos vasculares longos (150-67<í-1100
pm), com apêndices curtos cm uma ou ambas as extremidades; placas de perfu-
ração simples; espessura da parede com 2-5-8 pm de largura; tilos ocasional-
mente presentes; pontoações intervascularcs grandes (9-72-.34 pm de diâme-
tro), arcoladas, alternas, contorno arredondado, poligonal, oval e alongado;
abertura em fenda horizontal, inclusa, exclusa e ocasionalmente coalescidas
próximo à placa de perfuração, envolvendo até três pontoações; pontoações
parênquimo-vasculares grandes (8-77-18 pm de diâmetro), pares semi-arcola-
dos, alternos e ocasionalmente com tendência para arranjos escalariformes;
contorno arrendondado, oval alongado e triangular; abertura em fenda hori-
zontal, ligeiramente inclinada, inclusa e exclusa; pontoações raio-vasculares
grandes (8-74-19 pm de diâmetro), pares semi-areolados, alternos e ocasional-
mente apresentam tendência para arranjos escalariformes; contorno arredon-
dado, oval alongado c triangular; abertura em fenda horizontal, ligeiramente
inclinada, inclusa c exclusa. Raios heterogêneos; os unisseriados apresentam
células cretas c quadradas, os multisseriados apresentam até quatro faixas de
células procumbentes, intercaladas por células creias e quadradas, numerosos
(5-S-16 raios/mm); os raios unisseriados são muito finos (8-25-44 pm); os mul-
tisseriados são finos (20-.38-60 pm) com 2-3, 6-4 células de largura; os raios
unisseriados são muito baixos (0,2-17,4-1,1 mm), com 2-6-14 células de altura;
os multisseriados são muito baixos (0,2-6,54-1,4 mm), com 4-7.?, 4-34 células de
altura; granulações de cor alaranjada presentes nos raios. Fibras libriformes,
não septadas, gelatinosas, de paredes delgadas com espessamento espiralado;
curtas (0,8-7,29-2,1 mm) de comprimento; médias (20-.?.?-40 pm de largura; pa-
redes com 2-5-8 pm de espessura; pontoações simples, abertura em fenda li-
near c oblíqua; na interseção dos raios c das células do parênquima são conspi-
cuamente arcoladas. Anéis de crescimento demarcados por zonas fibrosas com
paredes mais espessas c achatadas tangcncialmcntc (Figura 4).
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Estudo anatômico da madeira do gênero Hevea
1'iguraH - ívipttn,., oiiaiomicos aoxiiciiKi avvuiiudiio uc//. camuiguwtu
a. Aspecto macroscópico (lOX) corte transversal.
b. Aspecto microscópico (50X) corte transversal.
c. Corte longitudinal radial (50X).
d. Corte longitudinal tangencial (50X).
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Boi. Mus. Para. Emílio Gocldi, .sér. Bot. 8(1), 1992
Hcvea camponim Duckc
Parênquima em linhas finas, concêntricas, de 1-2 células de largura, si-
nuosas e contínuas. Há também, ocasionalmente parênquima paratraqueal ali-
forme escasso, de extensão linear; série com 4-5,éf-ll células (461-70(10-1330
jum) de altura; e 22-J7-44 pm de largura; granulações arredondadas de cor
avermelhada c abundantes. Vasos difusos, solitários predominantes (62%),
múltiplos de 2-3 (30%), múltiplos radiais de até 10 vasos e ocasionalmente ra-
cemiformes; numerosos (1-77-32 poros/mm-) e médios (28-709-190 pm de
diâmetro); seção oval nos poros solitários e poligonal nos múltiplos; elementos
vasculares longos (418-640-950pm de comprimento), com apêndices curtos em
uma ou em ambas as extremidades; placas de perfuração simples; espessura da
parede com 4-0-8 pm de largura; tilos muito freqüentes, não esclerosados, com
ponloações simples; pontoações intervasculares médias (8-77-14 pm de diâme-
tro), areoladas, alternas, contorno poligonal, arredondado, oval e alongado;
abertura em fenda horizontal, lenticular, inclusa e exclusa e às vezes coalesci-
das próximo às placas de perfuração; pontoações parênquimo-vasculares gran-
des (7-72-20 pm diâmetro), pares semi-areolados, alternos e ocasionalmente
com tendência a arranjos escala ri formes; contorno arredondado e alongado,
abertura em fenda horizontal, inclusa a exclusa e coalescidas principalmente
próximo às placas de perfuração; pontoações raio-vasculares grandes (8-72-26
pm de diâmetro), pares semi-areolados, alternos, ocasionalmente com tendên-
cia a escalariformes; contorno arredondado e triangular; abertura em fenda ho-
rizontal, inclusa, e apresentando coalescência principalmente próximo à placa
de perfuração. Raios heterogêneos; os unisseriados são constituídos por células
eretas e quadradas; os multisseriados são compostos por células procumbentes,
eretas c quadradas, apresentando até duas faixas de células procumbentes in-
tercaladas por células creias e quadradas; numerosos (5-79,2-15 raios/mm); os
raios unisseriados são muito finos (14-27-32 pm); os multisseriados são muito
finos (20-29-53 pm), com 2-2, 7-4 células de largura (predominante bisseria-
dos); quanto à altura, os unisseriados são cxtrcmamenlc baixos (Ü,08-(7,J9-0,7
mm), com 2-5,8-20 células; os multisseriados são extrcmamcnic baixos
(0,2-9,47-0,9 mm), com 4-72-29 células; granulações de coloração avermelhada
muito freqüentes. Fibras libriformes, não scpladas, gelatinosas c delgadas; cur-
tas (0,5-7,79-1,60 mm de comprimento), estreitas (11-24-47 pm de largura); pa-
redes com 1-5-9 pm de espessura; pontoações simples, abertura cm fenda li-
near, oblíqua, inclusa a exclusa; nas intersccções com os raios são distintamen-
te areoladas (mais evidentes na seção rãúial). Anéis de crescimento demarcados
por zonas fibrosas mais escuras. (Figura 5).
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Estudo anatômico da madeira do gênero Hevea
Figura 5 - Aspectos anatômicos do xilcma secundário de //. camporum
a. Aspecto macroscópico (lOX) corte transversal.
b. Aspecto microscópico (50X) corte transversal.
c. Corte longitudinal radial (50X).
d. Corte longitudinal tangencial (50X).
15
liol. Mtis. I'ara. Emílio Gocidi, s&. Boi. S(l), I9‘J2
Hevea giiianensis Aubl.
Porênquima, em linhas finas, concêntricas, de 1-3 células de largura,
regularmente espaçadas, sinuosas, contínuas e às ve/es interrompidas;
parenquima paratraqueal escasso ocasionalmente presente; série com 5-5,5-15
células (742-972-1274 |im) de altura e 21-25-34 um de largura; cristais muito
frcqüentcs na amostra 1620; vasos difusos; solitários (57,3%), múltiplos de 2-3
(29%), múltiplos radiais de até 11 vasos e ocasionalmente racemiformes;
poucos (0-5,9-23 poros/mm’); médios (53-755-214 pm de diâmetro), seção oval
nos vasos solitários e achatada nos múltiplos; elementos vasculares muito
longos (294-755-1140 pm de comprimento), com apêndices curtos em uma ou
ambas as extremidades; placas de perfuração simples; espessura da parede com
4-6-8 pm de largura; tilos frcqüentemcnte presentes, contendo cristais
romboidais; pontoações intervasculares médias (8-79-14 pm de diâmetro),
areoladas, alternas, de contorno poligonal, oval e arredondado, abertura em
fenda horizontal, inclusa e exclusa, coalescentes próximo às placas de
perfuração; pontoações parênquimo-vasculares médias (8-79-12 pm de
diâmetro), pares semi-areolados e alternos; contorno oval, alongado, com
tendência a escalariforme; pontoações raio-vasculares grandes (8-72-15 pm de
diâmetro), pares semi-areolados e alternos; contorno oval e arredondado.
Raio.s heterogêneos; os unisseriados são constituídos por células eretas e
quadradas e os multisseriados apresentam até três faixas de células
procumbentes, intercaladas por faixas de células eretas e quadradas; em alguns
raios há tendência para formação de células latcriculiformes; numerosos
(6-9,5-13 raios/mm); os raios unisseriados são muito finos (14-29-33 pm); os
multisseriados são finos (17-52-46 pm), com 2-2, 6-3 células de largura; os
unisseriados são extremamente baixos (0,1-9, 5-0,8 mm), com 2-5-14 células de
altura; os multisseriados são extremamente baixos (0,2-9,45-1,3 mm), com
7-77,5-36 células de altura; cristais ocasionalmente pre.sentes na amostra 1620;
granulações de cor alaranjada muito frcqüentcs na amostra 752. Fibras
libriformes, não scpladas, com paredes delgadas c gelatinosas; curtas
(0,8-7, 2-1,8 mm de comprimento c médias (13,9-26,5-40,3 pm de largura);
paredes com 2-4-7 pm de espessura; pontoações simples, abertura em forma de
fenda oblíqua, inclusa e exclusa, contorno circular c no cruzamento com os
raios c células do parênquima são conspicuamcntc areoladas. Anéis de
crescimento bem distintos c demarcados por camadas de fibras achatadas
tangencialmcntc (Figura 6).
16
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
fíol. Mus. Para. Emílio Gneldi, s&. Boi. 8(1), 1992
Hevea microphylla Ule
Parênquima em linhas finas, concêntricas, de atê duas células de largura,
regularmente espaçadas e sinuosas. Há também parênquima paratraqueal
escasso; série com 4-7,.?-22 células (475-566-1233 ;im) de altura e 24-32-40 tim
de largura. Vasos difusos, solitários (50%), múltiplos de 2-3 (31,7%), múltiplos
radiais de até 7 vasos e ocasionalmente racemiformes; poucos (0-2,5-8
poros/mm-), médios (52-/26-196 ^m de diâmetro); seção oval nos poros
solitários e achatada nos múltiplos; elementos vasculares longos (200-636-1020
nm de comprimento), com apêndices curtos cm uma ou ambas as
extremidades; espessura da parede com 4-7-10 um de largura, tilos raramente
presentes, com pontoações simples; pontoações intervasculares médias (8-9-16
jum de diâmetro), areoladas, alternas, contorno poligonal, arredondado, oval e
alongado; abertura em fenda horizontal inclusa e exclusa; pontoações
parênquimo-vasculares médias (8-Í6-13 um de diâmetro); pares
semi-areolados, alternos; contorno ovai, arredondado, alongado c triangular;
abertura cm fenda horizontal e oblíqua, inclusa e exclusa; pontoações
raio-vasculares médias (6-/6-14 um de diâmetro), pares semi-areolados,
alternos; contorno oval, arredondado c triangular; abertura em fenda
horizontal, oblíqua, inclusa c exclusa. Raios heterogêneos; os unisseriados
possuem células cretas e quadradas; os multisseriados apresentam
prcdothinância das células horizontais em relação às cretas e quadradas; há
ocasionalmcntc uma fileira de células quadradas no meio do raio; numerosos
(5-5,7-12 raios/mm)] os raios unisseriados são muito finos (16-26-36 um); os
multisseriados são finos (20-33-52 um), com 2-2, 5-4 células de largura; quanto
à altura, os raios unisseriados são extremamente baixos (0,2-6,26-0,9 mm) com
2-6-15 células; os multisseriados são muito baixos (0,2-6,45-0,9 mm) com
7-77-30 células de altura; cristais ocasionalmcntc presentes. Fibras libriformes,
não septadas, gelatinosas; curtas (0,6-7,27-1,6 mm de comprimento) e médias
(20-37-40 um de largura); paredes com 2-5-7 um de espessura; pontoações
simples, abertura cm fenda linear, oblíqua, inclusa e exclusa; nos cruzamentos
com os raios c células do parênquima são conspicuamente areoladas. de
crescimento demarcados por zonas fibrosas achatadas tangcncialmcntc
(Figura 7).
18
2 3 4
.SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Boi. Mtts. Para. Emílio Goeldi, s&. Bot. 8(1), 1992
Hevea nitida Man ex Muell. Arg.
Parênquima cm linhas finas, concêntricas, com até duas células de
largura, regularmente espaçadas, sinuosas, contínuas e às vezes interrompidas.
Há também presença de parênquima paratraqueal escasso; série com 4-7-13
células (579-932-1204 pm) de altura e 14-26-36 pm de largura; cristais muito
freqüentes na amostra 264, sendo observados tanto no plano radial como no
tangencial. Vasos difusos, solitários (52,3%), múltiplos de 2-3 (36,7%),
ocasionalmente racemiformes c múltiplos radiais de até 7 vasos; poucos
(0-5-14 poros/mm^); médios (57-/46-270 pm), seção oval nos poros solitários e
achatada nos múltiplos; elementos vasculares longos (320-739-1200 pm), com
apêndices curtos em uma ou ambas as extremidades; placas de perfuração
simples; espessura da parede com 4-6-10 pm de largura; tilos presentes nas
amostras 264 c 1837; pontoações intervasculares grandes (10-/2-17 pm de
diâmetro), arcoladas e alternas, contorno arredondado e poligonal, abertura
cm fenda horizontal, ligeiramente oblíqua, inclusa c cxclusa, apresentando
coalescência cm alguns trechos; pontoações parênquimo-vascularcs grandes
(8-/2-18 pm de diâmetro); scmi-areoladas, alternas, de contorno oval,
arredondado c alongado, às vezes poligonal; abertura em fenda horizontal e
oblíqua, inclusa, exclusa c ocasionalmente coalescidas, envolvendo até 2
pontoações; pontoações raio-vasculares grandes (8-/2-18 pm de diâmetro),
pares semi-areolados, alternos ou irregularmcnte dispostos; contorno
arredondado, alongado c triangular; abertura inclusa, cxclusa e ocasionalmente
coalescidas envolvendo até 3 pontoações. Raios heterogêneos; os unisseriados
.são constituídos por células eretas e quadradas; os multisseriados apresentam
até quatro faixas de células horizontais intercaladas por faixas de células
latericuliformes; numerosos (6-9,7-13 raios/mm); os raios unisseriados são
muito finos (17-/9-28 pm); os mulli.s.seriados são finos (21-3./-48 pm), com
2-2, 5-5 células de largura. Quanto à altura os raios unisseriados são muito
baixos (0,08-6,29-0,7 mm), com 2-6-15 células; cristais e granulações de cor
alaranjada muito frcqücnies na amostra 264, sendo mais evidentes no corte
radial. Fibras libriformes, não septadas, gelatinosas c de paredes delgadas;
curtas (0,60-/, 27- 1,90 mm), médias (16-26-39 pm); paredes com 2-4-6 pm de
espessura; pontoações simples, abertura em fenda linear, oblíqua, inclusa c de
contorno circular; nas interseções com os raios e células do parênquima axial
são conspicuamente arcoladas. Anéis de crescimento demarcados por camadas
de fibras achatadas tangencialmcnte (Figura 8).
20
Estudo anatômico da madeira do gênero Ilevea
SciELO
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bol 8(1), 1992
Hevea paludosa Ule
Parênquima cm linhas finas, concêntricas, com até duas células de
largura, regularmente espaçadas, sinuosas, contínuas, às vezes interrompidas;
ocasionalmente ocorre o parênquima paratraqueal escasso; série com 4-5, 6-8
células (480-796-1050 pm) de altura c 22-28-35 jum) de largura. Vasos difusos,
solitários em maioria (66%), múltiplos de 2-3 (23%), ocasionalmente
racçmiformes e múltiplos radiais de 2-8; poucos (O-J-15 poros/mm^), médios
(66-765-161 um); seção ovai nos poros solitários c achatadas nos múltiplos;
elementos vasculares longos (313-682-696 pm), com apêndices curtos em uma
ou 3 mbas as extremidades; placas de perfuração simples; espessura da parede
de 4-5-8 tim de largura; tilos muito frcqüentes, não esclerosados, com
pontoações simples; pontoações intervasculares médias (8-76-13 ^im de
diâmetro), areoladas e alternas; contorno poligonal, arredondado, oval e
alongado; abertura em fenda horizontal, oblíqua, inclusa e lenticular, havendo
coalescência com até duas pontoações; pontoações parênquimo-vasculares
grandes (9-72-16 ^m de diâmetro); pares semi-areolados alternos e
irregularmente dispostos, eontorno poligonal, oval, arredondado, alongado e
triangular; abertura em fenda horizontal, oblíqua e inclusa; pontoações
raio-vasculares médias (8-9-13 ;um de diâmetro), pares semi-areolados,
alternos, e irregularmente dispostos; contorno poligonal, oval arredondado,
alongado e triangular; abertura em fenda lenticular, oval inclinada e inclusa,
com tendência a formar arranjos escalariformes. Raios heterogêneos; os
unisseriados são constituídos por células eretas e quadradas; os multisseriados
apresentam, ocasionalmente, até três faixas estreitas de células horizontais,
intercaladas por faixas de células eretas e quadradas; pouco numerosos
(4-7,4-12 raios/mm); muito finos (17-25-34 ;jm); os multisseriados são finos
(24-40-72 ;um) com 2-2, 4-3 células; quanto à altura os unisseriados são
extremamente baixos (0,06-6,8-0,4 mm), com 2-4-6 células; os multisseriados
são extremamente baixos (0,3-6,54-0,8 mm), com 6-72, .?-18 células; granulações
de cor vermelha e arredondadas presentes. Fibras libiformes não septadas,
abundantemente gelatinosas e de paredes delgada.s; curtas (0,8-7,22-1,8 mm),
médias (17-J6-39 ;um); paredes com 5-7-11 jum de diâmetro; pontoações
simples, abertura em fenda linear, vertical e exclusa; na interseção com as
células do raio e parênquima são conspicuamente areoladas. Anéis de
crescimento bem distintos e demarcados por camadas de fibras achatadas
tangencialmente (Figura 9).
22
Estudo anatômico da madeira do gênero J/e\*ea
Figura 9 - Aspectos anatómicos do xilema secundário de//. / jü/iíí/oío
a. Aspecto macroscópico (lOX) corte transversal.
b. Aspecto microscópico (50X) corte tran.sversal.
c. Corte longitudinal radial (50X).
d. Corte longitudinal tangencial (50X).
cm
2 3 4 5 s^CiELO ;l0 11 12 13 14 15
/ío/. Mtis. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 8(1), 1992
Hevea pmtdflora (Sprucc ex Benth.) Muell. Arg.
Parênquima linhas finas, regularmente espaçadas, concêntricas, com até
duas células de largura, contínuas, sinuosas c às vezes interligando-se; há
também parênquima paratraqueal escasso, série com 3-5-7 células
(574-(5<5S-1260jum) de altura e 21-25-38 ;um de largura. Vasos difusos, solitários
(59%), múltiplos de 2-3 (33,7%), ocasionalmente múltiplos racemiformes e
múltiplos radiais de até 6 vasos; muito poucos (0-2,2-10 poros/mm^) e médios
(40-764-250 jum); seção oval nos poros solitários e achatada nos múltiplos;
elementos vasculares muito longos (427-762-1470 ;jm), com apêndices curtos
em uma ou ambas as extremidades; placas de perfuração simples; espessura da
parede com 4-7-12 jum de largura; tilos raramente presentes; pontoações
intervasculares grandes (8-74-19 ;L)m de diâmetro), areoladas e alternas;
contorno poligonal, oval e alongado; abertura em fenda lenticular, horizontal,
inclusa c cxclusa, apresentando coalescência próximo às placas de perfuração;
pontoações parênquimo-vascularcs grandes (8-77-13 jum de diâmetro), pares
semi-areolados, alternos, contorno arredondado, oval, triangular e alongado;
abertura em fenda lenticular, horizontal, oblíqua, inclusa e cxclusa; pontoações
raio-vasculares grandes (8-72-16 ym de diâmetro), pares semi-areolados,
alternos ou irrcgularmcntc dispostos; contorno oval, arredondado e triangular;
abertura em fenda lenticular, horizontal e oblíqua. Raios heterogêneos; os
unisseriados são constituídos cm sua maioria até quatro faixas de células
procumbentes, intercaladas por células eretas e quadradas; geralmente
apresentam predominância de células procumbentes c em alguns trechos há
tendência para formação de células latcriculiformes; numerosos (6-9,4-13
raios/mm); os raios unisseriados são muito finos (11-75-25 pm), os
multisseriados são finos (13-25-42 |jm), com 2-2, 6-4 células, de largura; com
relação à altura, os raios unisseriados são extremamente baixos (0,07-6,24-0,6
mm), com 2-4,5-11 células; os multisseriados são extremamente baixos
(0,2-6,44-1,1 mm), com 7-9,2-50 células; granulações arredondadas de
coloração alaranjada muito frequentes nos raios. Fibras libriformes, não
septadas, gelatinosas, delgadas a muito delgadas; curtas (0,8-7,.?5-l,9 mm),
médias (20-25-39 jam de largura); paredes com 2-4-7 ^im de espessura;
pontoações simples, abertura cm fenda linear, oblíqua, inclusa e cxclusa. Na
interseção das células dos raios c parênquima são conspicuamente areoladas.
Anéis de crescimento demarcados por zonas fibrosas achatadas tangencialmcntc
(Figiira 10).,
24
BoL Mus. Para. Emílio Goetdi, sér. Bot. 8(1), 1992
Hevea rigidifolia Spruce ex Benth.
Parênquima em linhas finas, concêntricas, com até duas células de
largura, sinuosas, contínuas e regularmente espaçadas. Parênquima
paratraqueal escasso ocasionalmente presente; série com 4-7-13 células
(570-P6S-1520;um) de altura e 20-25-45 pm de largura; cristais freqüen temente
presentes na amostra 1832, com até 4 câmaras por célula. Vasos solitários
(43,8%), múltiplos de 2-3 (40,8%), múltiplos radiais de até 9 vasos e
ocasionalmente racemiformes; poucos (0-4,9-20 poros/mm^), médios
(81-759-294 jum de diâmetro); seção oval nos solitários e achatada nos
múltiplos; elementos vasculares longos (150-7J5-1206 pm de comprimento)
com apêndices curtos em uma ou ambas as extremidades; placas de perfuração
simples; espessura da parede com 4-6-10 pm de largura; tilos ocasionalmente
presentes; pontoações intervasculares grandes (8-72-18 pm de diâmetro),
areoladas, alternas; contorno poligonal, arredondado e oval; abertura em fenda
horizontal e inclusa; pontoações parênquimo-vasculares grandes (8-72-18 pm
de diâmetro), pares semi-areolados, contorno oval, elíptico, alongado e
triangular com tendência a formar arranjos escalariformes; pontuações
raio-vasculares grandes (8-72-19 pm de diâmetro), pares semi-areolados,
contorno oval, elíptico, alongado e triangular, com tendência a formar arranjos
escalariformes. Raios heterogêneos; os unisseriados são constituídos em sua
maioria por células erectas e quadradas; os multisseriados são formados por
células procumbentes, eretas e quadradas, havendo três faixas de células
horizontais intercaladas por células eretas e quadradas. Há tendência para
formação de células latericuliformes; numerosos (4-79,5-15 raios/mm); quanto
à largura, os unisseriados são muito finos (12-29-32 pm); os multisseriados são
muito finos (15-29-49 pm de diâmetro), com 2-2, 4-3 células; quanto à altura, os
raios unisseriados são extremamente babcos (0,0-9,56-0,7 mm) com 2-6-12
células; o^ multisseriados são muito baixos (0,2-9,62-1,55 mm); com 7-79,6-49
células; cristais- muito freqüentes na amostra 1832. Fibras libriformes, não
septadas, gelatinosas e delgadas; curtas (0,5-7,2-1,82 mm), médias (11-26-40
pm); paredes com 3-5-12 pm de espessura; pontoações simples com fenda
linear, oblíqua, inclusa e conspicuamente areoladas nas interseções das células
do raio e parênquima. Anéis de crescimento demarcados por zonas fibrosas de
paredes mais espe-ssas e achatadas tangcncialmente (Figura 11).
26
SciELO
Boi. Mus. Para. Emílio Gocidi, sâr. Boi. 8(1), IW2
Hevea spmceana (Benlh.) Muell. Arg.
Parênquima em linhas finas, concêntricas, com até duas células de largu-
ra, contínuas, sinuosas e regularmente espaçadas. Parênquima paratraqueal es-
casso ocasionalmente presente; série com 3-7-10 células (450-597- 1350 pm) de
altura e 18-29-40 ;um de largura; cristais muito freqüentes nas amostras 757 e
758, com até 6 câmaras por célula. Vasos difusos solitários (56%), múltiplos de
2 (31%), múltiplos radiais de até 8 vasos e ocasionalmente racemiformes; mui-
to poucos (0-2, J-9 poros/mm^), médios (44-7JJ-204 /im de diâmetro); seção
oval nos solitários e poligonal nos múltiplos; elementos vasculares longos
(377-745-1 l(X)/um de comprimento), com apêndices curtos cm uma ou ambas
as extremidades; placas de perfuração simples; parede com 4-6-8 jum de espes-
sura; tilos muito freqüentes na amostra 758; pontoações intervasculares gran-
des (8-77-15 ;um de diâmetro), areoladas, alternas; contorno arredondado, po-
ligonal, oval, fenda inclusa e cxclusa e, ocasionalmente, apresentando coa-
lescência cm alguns trechos próximos às placas de perfuração; pontoações
parênquimo-vascularcs grandes (8-72-17 ;um de diâmetro), pares scmi-areola-
dos, alternos, ovais, arredondados, alongados e triangulares. Algumas vezes
apresentam-se coalescidas, envolvendo até duas pontoações; pontoações raio-
vasculares grandes (8-7J-20 ;jm de diâmetro), pares scmi-arcolados, alternos,
arredondados, alongados, ovais e triangulares; abertura inclusa e exclusa e,
ocasionalmente, coalescidas envolvendo até duas pontoações. Raios heterogê-
neos; os unisseriados são formados por células eretas e quadradas; os multisse-
riados apresentam até 4 faixas de células procumbentes, intercaladas com fai-
xas de células cretas e quadradas; ocasionalmente apresentam uma fileira de
células cretas e quadradas no meio do raio; numerosos (7-10,4-14 raios/mm);
quanto à largura os raios unisseriados são muito finos (1 7-26-44 /im); os mul-
tisseriados são finos (19-54-52 ;um) com 2-2,6-4 células; quanto à altura os
unisseriados são extremamente baixos (0,1-9,57-0,7 mm), com 2-6,5-20 células;
os multisseriados são muito baixos (0,2-9,62-7,5 mni), com 6-79-42 células; cris-
tais ocasionalmcnte presentes na amostra 758; presença de granulações arre-
dondadas de cor alaranjada. Fibras libriformes, não septadas, gelatinosas, del-
gadas a muito delgadas, curtas (0,8-7,24-1,9 mm), médias (17-54-57 /im); pare-
des com 2-5-7 ^m de espessura; pontoações simples com fenda linear, oblíqua,
fnclusa e cxclusa, porém distintamente areoladas no cruzitmento com as células
dos raios c parênquima axial. Anéis de crescimento demarcados por zonas fibro-
sas de paredes mais espessas e achatadas tangcncialmcntc (Figura 12).
28
2 3 4
.SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 8(1). 1992
Características anatômicas macroscópicas do gênero Hevea
Parênquima distinto só sob lente nas espécies H. camporum, H. camar-
goana e H. paludosa c visível a olho nu nas demais espécies; em linhas finas na
maioria das espécies, porém cm H. camporum ocorre parênquima aliforme es-
casso, de extensão linear, visível só sob lente. Poros distintos a olho nu na
maioria das espécies, à exceção de H. camporum. H. paludosa c H. camargoana
que são visíveis só sob lente; muito poucos a numerosos (1,4 a 32 poros/mm’),
em média poucos a médios (2,3-1 1 poros/mm-), sendo que H. camporum apre-
senta maior número de poros/mm^ (até 32 poros/mm-); linhas vasculares dis-
tintas a olho nu na maioria das espécies; placas de perfuração simples; tilos
ocasionalmente a muito frcqüentes. Raios no topo muito finos a finos, sendo
que na face tangencial são irrcgularmentc dispostos. Anéis de crescimento dis-
tintos a olho nu e demarcados por zonas fibrosas escuras.
Características anatômicas microscópicas do gênero Hevea
Parêm/uima em linhas finas, concêntricas, com 1-3 células de largura, re-
gularmente espaçadas, sinuosas e contínuas. Há também ocasionalmente
parênquima aliforme escasso, de extensão linear em H. camporum; série com
3-18 (5-8,8) células c 410-1530 (790-1000 ;um) de altura; 8-61 (26-37 Aim) de
largura. Vasos difusos, solitários (30-54%), múltiplos de 2-3 (34%), múltiplos
radiais de até 12 vasos c ocasionalmentc racemiformes; 0-32 (2,3-11) po-
ros/mm^; diâmetro tangencial com 28-294 (103-164) jum; seção oval nos po-
ros/mm^; diâmetro tangencial com 28-294 (103-164) ^m; seção oval nos poros
solitários e poligonal nos múltiplos; elementos vasculares com 150-1500
(618-820) Aim de comprimento; placas de perfuração simples; espessura da pa-
rede com 2-16 (5-8) ;um de largura; tilos presentes na maioria das espécies es-
tudadas; pontoações intervasculares 8-34 (9-14) jum de diâmetro, areoladas a
alternas; contorno poligonal arredondado, oval e alongado; abertura em fenda
horizontal a ligeiramente oblíqua, inclusa e exdusa e, ocasionalmente, apre-
sentando coalescência próximo às placas de perfuração; pontoações parênqui-
mo-vasculares com 7-30 (9-13) >um de diâmetro, pares semi-areolados, alternos
e ocasionalmente com tendência a arranjos escalariformes; contornos poligo-
nal, oval, arredondado, triangular e alongado; abertura em fenda horizontal,
inclusa e exdusa e, ocasionalmente, coalescidas próximo às placas de perfu-
ração; pontoações raiovasculares com 6-26 (9-14) >im de diâmetro; pares se-
mi-areolados, alternos e, ocasionalmente, com tendência a cscalariforme; con-
tornos poligonal, oval, arredondado, triangular e alongado; abertura em fenda
horizontal; inclusa a exdusa e, ocasionalmente, apresentando coalescência
próximo às placas de perfuração. Raios heterogêneos, sendo os unisseriados
Estudo anatômico da madeira do gênero líevca
constituídos por células eretas e quadradas e os multisseriados apresentam na
maioria das espécies até quatro faixas de células; 3-16 (7,4-10,4) raios/mm; os
raios unisseriados são muito finos (18-28 >um); os multisseriados são muito fi-
nos a finos (28-45 >um) com 2 a 3,5 células de largura; quanto a altura, os raios
unisseriados são extremamente baixos (0,24-0,42 mm) com 4-6,6 células; os
multisseriados são extremamente babcos a babcos (0,41-0,67 mm), com 12-23
células; cristais ocasionalmente presentes e granulações de cor alaranjada e
avermelhada muito freqüentes em H. benthamiana e H. brasiliensis respectiva-
mente; grãos de sílica presentes em H. benthamiana (Figura 13); Fibras libri-
formes, não septadas, gelatinosas e delgadas; presença de espessamento espira-
lado na parede das fibras de alguns espécimes de H. camargoana; curtas
(1, 1-1,4 mm), médias (25-34 ;um); parede com 3-7 um de espessura; pontoações
simples e abertura em fenda linear e oblíqua; na intersecção com as células do
raio e parênquima, são conspicuamente areoladas. Anéis de crescimento demar-
cados por zonas fibrosas com a parede das células mais espessas e achatadas
tangencialmente.
Chave dicotômica para separação das espécies de Ilevea com base nos caracte-
res anatômicos quantitativos da madeira.
l.a
1. b
2. a
2. b
3. a
3. b
4. a
4. b
5. a
5. b
6. a
6. b
7. a
7. b
8. a
8. b
9. a
9.b
lO.a
lO.b
2
4
H. camponim
3
lí. camargoana
H. paludosa
Diâmetro médio dos vasos até 109 ;um
Diâmetro médio dos vasos de 120-164 pm
Até 32 poros/mm- (em média 1 1 poros/mm^)
Até 15 poros/mm^ (em média 2,4-3 poros/mm^)
Fibras com espessura das paredes de 2-8um (em média 5>um)
Fibras com espessura das paredes de 5-1 1 pm (cm média 1 pm)
Raios multisseriados com até 69 células de altura
(em média 23 células) H. brasiliensis
Raios multis.seriados com até 52 células de altura (em média 12-20) 5
Diâmetro médio dos vasos 120-140 /tm 6
Diâmetro médio dos vasos 157-164 ;um 9
Raios multisseriados com 42-52 células de altura 7
Raios multisseriados com até 36 células de altura 8
Raios unis-seriados com largura até 44;um H. spmceana
Raios unisseriados com largura até 28^m H. nitida
Raios multisseriados freqüentemcntc com 2-3 células de largura //. guianensis
Raios multisseriados frequentemente com 3 células de largura H. microphylla
Raios multisseriados com largura média de 42>um //. benthamiana
Raios multis-seriados com largura média de 28-29 >um 10
Raios multisseriados com altura média de 0,62 mm fí. rigidifolia
Raios multisseriados com altura média de 0,44 mm II. pauciflora
31
BoL Mus. Para. Emílio Gneldi, s&. Bot. 8(1), 1992
Figura 13 - Detalhe do xilema secundário do género //cim- mostrando as pontoaçõcs intervascu-
lares (a), parénquimo-vasculares, (t>), fibras gelatinosas, (c) e grãos de sílica nos raios (d).
32
Estudo anatômico da madeira do gàiero Hevca
Análise estatística (Teste SNK)
No Teste SNK (Student Newman and Keuls) as espécies estudadas foram
consideradas como tratamentos e, para facilitar a sua conclusão, as espécies fo-
ram colocadas em ordem alfabética e enumeradas da seguinte maneira:
Tl
- H. benthamiana
T2
- H. brasiliensis
T 3
- H. camargoana
T4
- H. camporum
T5
- H. guianensis
Tó
- H. microphylla
T7
- H. nitida
Tg
- H. paludosa
T9
- H. pauciflora
TlO
- H. rigidifolia
Tfl
- H. spruceana
Os resultados são demonstrados na Tabela 1 e as espécies ou tratamentos
que estão unidos pelas barras horizontais não apresentam diferenças significa-
tivas entre si.
Verificou-se que na maioria das espécies estudadas a espessura das pare-
des dos vasos é um elemento fraco para separá-las. No caso das fibras, as dife-
renças entre espécies também são pequenas, à exceção de H. paludosa com fi-
bras de paredes mais espessas e H. spruceana com paredes mais finas.
33
Estudo anatômico da madeira do )^-ncro llevea
Tabela 2 - Ficha biométrica dos vasos das 1 1 espécies de Hevea estudadas.
VASOS
N- Poros/mm’ H tangencial Comp. ciem. va.scul. (;jm) Espess. da parede (pm) 0pont. interv. (pm) 0 pont. parenq. vascul. (pm) 0pont. raio-vascul. (pm)
^-spécies
Máx.
Méd.
Mín.
DP
CV
Máx.
Méd.
Mín.
DP
CV
Máx.
Méd,
Mín. DP
CV
Máx.
Méd.
Mín.
DP
CV
Máx.
Méd.
Mín.
DP
CV
Máx.
Méd.
Mín.
DP
CV
Máx.
Méd.
Mín.
DP
CV
benthamiana
13
4,2
0
2,7
64,3
248
157
54
35,9
22,8
1.360
820
380
177,2
21,5
12
8
4
2,2
28,6
16
11
8
1,3
11,5
24
14
8
2,3
11,6
21
13
8
2,1
19,8
brasUiensis
12
2,4
0
2,2
91,7
290
161
54
.34,9
18,6
1500
803
.332
178,1
20,5
16
7
4
2,5
36,8
22
12
8
1,8
14,6
30
14
7
3,2
22,7
22
12
7
2,1
17,3
camar/^oana
1.5
2,4
0
1,8
74,6
200
103
56
29,0
28,3
1100
618
1.50
1.38,5
22,4
8
5
2
1,5
29,4
34
12
9
1,0
8,4
18
11
8
1,9
17,5
19
14
8
1,9
14,3
bl. cainpontm
32
11,0
1
4,7
41,8
190
109
28
22,4
21,9
950
640
418
124,9
19,5
8
6
4
1,7
30,3
14
11
8
1,0
9,4
20
12
7
2,0
16,5
26
12
8
2,7
23,0
giiionensis
21
3,9
0
3,2
66,7
214
133
53
30,8
23,2
1140
753
294
161,5
21,4
8
6
4
1,6
27,6
14
10
8
1,4
13,3
12
10
8
1,4
13,6
15
12
8
1,5
12,8
^1- inicropliy/la
8
2,5
0
1,4
56,0
196
120
52
31,9
24,7
1020
631
200
l()l,3
26,4
10
7
4
1,6
21,9
16
9
8
0,9
8,2
13
10
8
1,1
10,9
14
10
6
1,6
14,8
1 1- niliila
14
5,0
0
2,9
58,0
270
140
57
29,0
20,7
1200
739
320
1 66,8
22,()
10
6
4
1,7
25,7
17
12
10
1,5
9,4
18
Í2
8
2,1
17,1
19
12
8
1,2
10,3
paludosa
15
3,0
0
3,0
58,2
161
105
66
22,9
21,8
969
682
313
1.38,8
20,3
8
5
4
1,5
28,3
13
10
8
1,5
12,5
16
12
9
1,9
20,2
13
9
8
1,5
28,3
bb paticijlora
10
2,3
0
1,9
82,6
250
164
40
30,3
18,5
1470
762
427
198,6
22,5
12
7
4
2,1
30,0
19
14
8
1,8
13,2
13
11
8
1,5
13,6
16
12
8
1,9
16,4
bb rigidifolia
20
4,9
0
3,2
65,3
294
1.59
81
31,7
20,0
1206
735
1.50
162,6
22,:
10
6
4
2,0
30,3
18
12
8
1,3
10,9
20
12
8
2,1
16,8
19
12
8
2,5
20,5
Ib spriiceana
9
2,3
0
1,8
78,3
204
1.33
44
26,4
19,9
1100
748
.377
156,4
20,9
8
6
•■4
1,6
26,7
15
11
8
1,3
11,4
17
12
8
1,9
16,4
20
13
8
2,2
16,9
0
M;ix.
Méd.
diâmetro
Mín.
valor máximo
DP
valor médio
CV
valor mínimo
de.svio padrflo
coeficiente de variaçclo
35
Estudo anatômico da madeira do género Ilevca
Tabela 4 - Ficha biomélrica elos raios das 1 1 espécies de Uevect estudadas.
Raios/nim Alt. raios multi.ss. (mm)
Espécies
Má.\.
Méd.
Mín.
DP
CV
Máx.
Méd.
Mín. DP
CV
//. henthamiana
12
8
3
1,3
16.2
1,0
0.2
0,18
32,4
II. hrasiliensis
1.S
<)
6
1.2
13.3
1.7
0,67
0,2
0,22
.32,0
11. camargoana
16
8
5
1,6
20,1
1,4
0,.S4
0,2
0,20
35,2
II. camponim
l.S
10,2
5
1.8
18,0
0,9
0,41
0,2
0,14
32,4
II. guianensis
13
9,.“;
6
1,4
14,7
1.3
0,48
0,2
0,10
26,2
II. microphylla
12
8,7
5
1,2
14.6
0.9
0,48
0,2
0,10
20,0
II. nitida
1.3
0,7
6
1,3
13.4
1,4
0,63
0,2
0,10
15.9
II. paludosa
12
7,4
4
1,4
16,1
0.8
0,54
0.3
0.11
19,8
11. paucijlora
1.3
9,4
6
1,4
14,9
1,1
0,44
0,2
0,18
41,0
II. rigidifolia
LS
10..3
4
1 ,.*;
14,7
1 ,.“;
0,62
0,2
0,20
.32,1
II. spniccana
14
10,4
7
1,3
2.“;. 2
1 ..^
0,62
0,2
0.21
33,0
V A 1. O R R S I) r F, R M 1 N A I) O S
Alt. raios mui. células Alt. raios uni.ss. (mm) Alt. raios unis.s (células) I.arg. raios multi.ss (pm)
Máx.
Méd.
Mín.
DP
c:v
Máx.
Méd.
Mín
DP
40
18,5
7
6,2
.33,5
0,7
0,33
0,1
0,10
69
23.2
6
6,6
28,9
0,9
0,42
0,1
0,10
34
13,4
4
-“i,!
.38,0
1,1
0,40
0,2
0,10
29
1.3,0
4
4,1
.31,5
0.7
0,.39
0,1
0.09
36
19,3
7
4,9
28,8
0,8
0,30
0,1
0,10
30
17,0
7
4.8
27.9
0,8
0,26
0.1
0,10
52
20,0
5
6,9
34,3
0,7
0.29
0,08
0,08
18
12.3
6
3.1
25,4
0.4
0,31
0,06
0.07
50
19,2
7
5,4
28,4
0.6
0,24
0,07
0,08
49
19,6
7
6,2
31.6
0,7
0,.36
0.07
0.10
42
18,9
6
6,1
32.4
0,7
0,37
0,1
0,10
C'V Más. MétI. Min. Dl* CV Máx. Méd. Mfn. Dl’ CV
.30.0
14
6.6
2
2,1
31,8
76
42
18
7,3
17,4
2.3.8
13
5.0
i
2.0
40,0
73
45
22
7,2
24,5
.31,7
14
6.0
2
2.1
.35,3
60
38
20
7,7
20,3
22.6
20
5,2
O
2.1
.36,2
5.3
29
20
4.5
15,4
.38,9
14
5.0
•)
1,8
.35,3
46
.32
17
5.3
16,7
.3.3,3
15
6.0
O
1.9
29,2
52
33
20
5,8
16,4
.30,2
15
6.0
2
1.9
32,2
48
33
21
5,9
17,7
23,9
6
4.0
T
1.1
26.8
72
40
24
10.4
26.3
33.5
11
4.8
2
1,6
.3.3,3
42
28
1.3
5,2
18,8
27.8
12
6.0
2
1,8
.30.5
49
29
15
5,2
17,7
25,3
20
6.5
2
2,1
32.3
52
34
19
5.1
15,1
Dirg. raios multiss (células)
Má.x. Méd. Mín. Dl’ CV
4
3.0
2
0,5
16,7
6
.3,5
2
0,5
14,3
4
2,6
1,9
2.3,5
4
2.1
2
0,3
15.0
3
2,6
0,5
19,2
4
2.8
2
0.5
.35,7
5
2,8
2
0,6
21,4
3
2,4
0,5
20,8
4
2.6
2
0,4
15,4
3
2,4
-)
0,4
16.7
4
2.6
0.4
15,4
l^rg. raios uniss (am)
Máx.
Méd.
Mín.
DP
CV
46
28
8
5,7
20,4
40
24
15
4,2
17.5
44
25
8
5,4
21,1
.32
21
14
4.0
18,6
.33
20
14
3,2
16,2
.3e,
20
16
5,4
24,3
28
19
12
2,9
14,8
34
25
17
4,3
16,9
25
18
11
3,0
12,8
32
20
12
3,2
15,7
44
26
17
4,4
13,0
.37
Boi Mus. Para. Emílio Gocidi, sór. Bot. 8(1), 1992
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Estudo anatômico da madeira do gênero Hevea
DISCUSSÃO
A família Euphorbiaceae possui 250 gêneros e mais de 500 espécies de
árvores e arbustos. A madeira desta família apresenta uma grande variação na
estrutura e em suas propriedades. Em geral os poros não são muito numerosos
e freqüentemente tendem a formar linhas radiais. O parênquima é pouco de-
senvolvido, muito fino, irregular, apresentando comumente linhas concêntricas
ou espaçadas tangencialmente. Os raios são muito finos, inconspícuos e não es-
tratificados (Record & Mell 1924).
Record (1938), estudando a estrutura do xilema secundário dos gêneros
de Euphorbiaceae, concluiu que estes gêneros apresentam poros muito gran-
des, com perfuração exclusivamente simples, pontoações distintamente areola-
das e grandes. As características mencionadas pelo referido autor, concordam
em parte com as encontradas nas espécies estudadas, pois a maioria apresenta
poros médios, segundo a classificação da norma COPANT (1973), porém é
importante salientar que Record (1938) estudou apenas H. brasiliensis e
H. nitida. Loureiro & Silva (1968) descreveram macroscopicamente â madeira
de H. guianensis e constataram que esta espécie apresenta até 3 poros/mm^ e
diâmetro dos poros compreendido entre 100-300 um. Os dados neste trabalho
para esta espécie (Tabela 2) diferem principalmente quanto ao diâmetro tan-
gencial médio (133 um), por se tratar de medições microscópicas.
A distribuição dos vasos mostra que na seção transversal, podem apre-
sentar-se solitários ou agregados de distintos tamanhos ou formas. Os vasos so-
litários são de contorno oval ou circular e os múltiplos achatados nas zonas de
mútuo contato (Esau 1959). Estas características são muito freqüentes na ma-
deira das espécies de Hevea em que os vasos são solitários, múltiplos radiais e,
ocasionalmente, racemiformes.
Os tilos são muito freqüentes nos vasos de Hevea, ocorrendo no cerne e
às vezes no alburno. A presença desses tilos é muito importante, pois, segundo
Eames & Macdaniels (1953), reduzem o ataque de fungos e a entrada de água e
oxigênio, sendo mais freqüente no cerne, porém podem ser encontrados
também no alburno.
Metcalfe & Chalk (1950) constataram que H. brasiliensis e H. spruceana
apresentam parênquima muito distinto, tipicamente apotraqueal em fabcas
contínuas uni e bisseriadas, freqüentemente contendo cristais em câmara com
oito células e algumas vezes com quatro. Record (1944) estudou H. brasiliensis
e H. nitida constatando a presença de parênquima abundante, reticulado e irre-
gular. O parênquima observado em Hevea e muito especialmente, nas espécies
H. brasiliensis, H. nitida e H. spruceana concorda parcialmente com os dados da
literatura, uma vez que em Hevea, além do parênquima apotraqueal em linhas
finas, possui parênquima paratraqueal aliforme de extensão linear. A altura da
série c a largura das células do parênquima axial de Hevea pouco contribuem
para separação das espécies, embora H. guianensis apresenta séries em maior
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número de células e H. paludosa e H. paudflora em menor número (Tabela 3).
A presença de cristais em câmara foi observada no parênquima das espécies de
Hevea, porém não é uma característica positiva para separação das espécies,
considerando que nem todas as amostras (árvores) de uma determinada espé-
cie apresentam cristais com regularidade.
Milancz (1932), estudando a ação modificadora do cálcio sobre as estru-
turas celulares, observou que os elementos do lenho secundário que mais co-
mumente encerram cristais pertencem ao parênquima. O autor também verifi-
cou cristais nas células dos raios, embora com menos freqüência. Na estrutura
do xilema secundário de Hevea é mais freqüente a presença de cristais no
parênquima do que nos raios.
Os raios de H. brasiliensis e H. spniceana, descritos por Mctcalfe & Chalk
(1950), apresentam quase as mesmas características relatadas neste trabalho,
ressaltando apenas que os raios de Hevea são finos. Record (1938), estudando
H. brasiliensis, constatou que esta espécie apresenta raios com até seis células
de largura e até 30 células de altura. A espécie estudada (Tabela 4) apresenta
raios com até seis células de largura (em média 3,5 células) e até 69 células de
altura (cm média 23 células). Em geral os raios de Hevea são heterogêneos o
que concorda com as descrições anatômicas de Metcalfc & Chalk (1950), Re-
cord (1944) e Hess (1948). Os raios das espécies de Hevea estudadas são cm
sua maioria heterogêneos tipo II, segundo a antiga classificação de Kribs
(1959), hoje não mais usada, conforme lAWA (1989) isto é, raios unisseriados
compostos de células eretas e quadradas ou somente de células eretas. Os raios
multisseriados apresentam as extremidades mais curtas que a parte multisse-
riada (seção tangencial) c constituídos de células eretas c quadradas (seção ra-
dial). Nas espécies H. camargoana, H. camporum e H. paludosa não há predo-
minância das células horizontais sobre as quadradas ou eretas, portanto, estas
espécies SC aproximam da classificação de raios tipo 1 de Kribs (1959).
É importante salientar que muitas espécies de Hevea apresentam raios
mistos, ou seja, camadas de células procumbentes (horizontais) intercaladas
por faixas de células eretas c quadradas ou somente de células cretas.
De acordo com Core et al. (1979), no crescimento normal, algumas árvo-
res depositam nas células compostos orgânicos como sílica, que frequentemen-
te sc encontram na forma de areia. Segundo Espinosa de Pernia & Peres Mo-
gollon (1985), a sílica comumente ocorre nas células radiais c às vezes no
parênquima axial c fibras, sendo que as formas mais comuns são ovóidcs, glo-
bular, oblonga irregular c cm agregados.
Segundo ter Welle (1976), o gênero Hevea não possui sílica na estrutura
do xilema secundário. Entretanto, em uma das amostras de H. benihamiana
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Estudo anatômico da madeira do gínero Hevea
observou-se grânulos arredondados de sílica nos raios, vistos na seção radial
(Figura 13).
Segundo as normas COPANT (1973), todas as espécies apresentam, em
média, fibras curtas e delgadas, à exceção de H. mycrophylla que são muito cur-
tas e em H. spruceana muito delgadas. É muito freqüente a presença de fibras
gelatinosas no gênero Hevea, concordando com a descrição de Metcalfe &
Chalk (1950) para o grupo Crotonoidae, no qual está incluído o gênero Hevea.
As fibras gelatinosas podem ser reconhecidas na seção transversal pelo fato da
camada interna da parede ser altamente refratária, tendo uma aparência de ge-
latina ou mucilagem. Estas fibras têm sido encontradas em muitos gêneros de
folhosas tornando-se um elemento importante na separação de famílias. Ou-
tras pesquisas revelam que as fibras gelatinosas tendem a ocorrer num lado do
caule e estudos posteriores mostram que essa característica do tecido é, em ge-
ral, conhecida como lenho de tensão (Rendle 1937).
Segundo Reinders (1955), os fibrotraqueóides apresentam um compri-
mento moderadamente alongado e comumente possuerm paredes espessas e
pontoações areoladas um tanto grandes. Estas pontoações são muito numero-
sas no plano longitudinal tangencial, enquanto nas fibras libriformes são pe-
quenas, simples e muito freqüentes no plano longitudinal radial. As fibras de
Hevea apresentam pontoações simples e são mais freqüentes no plano longitu-
dinal radial.
Em algumas amostras de H. camargoana foi constatada a presença de es-
pessamento espiralado nas fibras. Vale ressaltar que esta característica não foi
citada na bibliografia consultada.
Observa-se na Tabela 5 que os valores obtidos inerentes ao comprimen-
to, diâmetro e espessura das paredes das fibras, são parâmetros pouco indica-
dos para separação das espécies âc Hevea estudadas.
Dentro de uma árvore há uma variação horizontal na estrutura da madei-
ra, da medula à casca e uma variação vertical da base ao topo (Tsoumis 1968).
A variabilidade também pode existir de árvore para árvore da mesma espécie,
de local para local, ou mesmo no interior da própria árvore, sendo que as in-
fluências que afetam essas mudanças são clima, solo, umidade, espaçamento,
idade e, sem dúvida, fatores genéticos (Jane 1970 e Panshin 1970). O número
de vasos existentes em determinada área possui um interesse relativo e é um
caráter muito variável entre as diferentes espécies, podendo essa variação
também ser notada entre indivíduos botanicamente idênticos. Apesar dessas
variações, a sua feqüência média é um índice que não deve ser desprezado por
estar relacionado atm algumas propriedades físicas (Pereira 1933).
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A variação intraespecífica que ocorre nas espécies de Hevea, é mais
freqüente nos vasos, especialmente quanto à disposição, número por mm’ c
diâmetro tangencial. A variação que se verifica no parênquima axial é pouco
evidenciada. Entretanto, a largura dos raios (multisseriados e unisseriados)
apresenta pequenas variações nas espécies estudadas.
Essas variações em Hevea estão de acordo com Metcalfe & Chalk (1950)
no que concerne ao número de poros/mm^, diâmetro tangencial, comprimento
dos elementos vasculares e quantidade de parênquima que, segundo esses au-
tores, são características que podem ser influenciadas pele meio ambiente,
sendo então pouco importantes para os propósitos taxonômicos.
Sob o aspecto macroscópico torna-se muito difícil a identificação das
espécies de Hevea com base no diâmetro dos poros, número de poros/mm^ e
sua disposição, isto é, maior ou menor percentagem de poros solitários ou múl-
tiplos. Há algumas exceções como os casos de H. camargoana, H. camponim e
H. paludosa, que possuem o diâmetro muito pequeno tornando-se muito difícil
seu reconhecimento a olho nu, porém, sob lente verifica-se que H. camponim
apresenta maior número de poros por mm^ em relação H. camargoana e H. pa-
ludosa.
Solcrcdcr (1908) constatou a presença dc placas dc perfuração cscala-
riformes nos vasos dc alguns gêneros da família Euphorbiaccae, incluindo He-
vea.
Metcalfe & Chalk (1950) citam a ocorrência de espessamento espiralado
nos vasos de alguns gêneros da referida família, como Alchornea, Cleidion, Ela-
leriospenim, Mallofus, Pogonophora c Trewia. No caso dc Hevea foi constatada
a pre.sença dc estriações semelhantes e espessamento espiralado, pouco eviden-
te nos vasos dc H. benthamiana. É importante esclarecer que, dentre as cinco
amostras examinadas, essas características foram observadas nas amostras n-s
1621, 1836 e 1838, ocorrendo próximo às placas de perfuração.
CONCLUSÕES
Com base nas características anatômicas macroscópicas c microscópicas
da madeira, concluiu-sc o seguinte:
- o gênero Hevea, quanto à estrutura macroscópica da madeira, é muito uni-
forme, tornando-se muito difícil a identificação das espécies sob esse aspecto.
- As características anatômicas microscópicas da madeira são mais indicadas
para identificação das espécies dc Hevea, principalmcntc os raios.
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- Sob o ponto de vista qualitativo, poucas espécies como H. brasiliensis e H.
camporum são facilmente reconhecidas pelos raios, uma vez que a primeira
espécie apresenta raios com 1-6 células de largura e a segunda, por apresen-
tar raios predominantemente uni e bisseriados.
- Foi constatada a presença de espessamento espiralado nas fibras de H. ca-
margoana de alguns espécimes.
- A espécie H. benthamiana apresentou algumas placas de perfuração do tipo
escalariforme e grânulos de sílica nas células dos raios, porém estas carac-
terísticas anatômicas ocorreram apenas em uma das amostras examinadas.
- Em cerca de 50% das espécies de Hevea estudadas ocorrem cristais rombói-
dais em câmara ou isolados no parênquima e, ocasionalmente, nos raios.
- A presença de fibras gelatinosas é uma característica muito freqüente no xi-
lema secundário (madeira) das espécies áe Hevea.
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Recebido cm 21.05.90
Aprovado em 27.03.91
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CDD: 584.90961152
A FLORA “RUPESTRE” DA SERRA DOS CARAJÁS
(G^MINEAE). I - ESTUDO TAXONÔMICO DAS
ESPÉCIES DOS GÊNEROS MESOSETUM STEUD. E
THRASYA H.B.K.
Maria de Nazaré do Carmo Bastos^
RESUMO - Estudo taxonõmico de espécies dos gêneros Mesosetum Steud. e
Thrasya II.B.K. (Gramineae) da Serra dos Carajás, Estado do Pará, Brasil;
com descrições, ilustrações e discussões. As espécies estudadas são: Mesose-
tum cayennense Steud., Thrasya longiligulata Bastos & Burman, T. parvula
A.G. Burman e T. petrosa (Trin.) Chase, ocorrentes na vegetação de canga
(plahtas que crescem diretamente sobre afloramento férrico, com escassa ca-
mada de humus) da Serra Norte.
PALAVRAS-CHAVE: Taxonomia vegetal, Mesosetum, Thrasya, Serra dos
Carajás, vegetação de canga
ABSTRACT - This study is about the taxonomy of species ofíhe genus Meso-
setum Steud. and Thrasya H.B.K (Gramineae), found in the Serra dos Ca-
rajás, State of Pará, BraziL It inchides descriptions, figures, and discussion.
The species studied are Mesosetum cayennense Steud., Thrasya longiligulata
Bastos & Burman, T. parvula A.G. Burman and T. petrosa (Trin.) Chase.,
which occur in the “canga” vegetation (Where plants grow directly on outcrops
ofiron ore with a thin layer of humus) ofthe Serra Norte.
KEY WORDS: Plant taxonomy, Mesosetum, Thrasya, Serra dos Carajás,
“canga” vegetation.
^ SCT-PR/CNPq/Museu Paraense Emílio Goeldi, Depto. de Botânica. CP 399, CEP 66.040
Belém-PA.
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INTRODUÇÃO
A Serra dos Carajás, localizada no Município de Marabá, Estado do Pará,
é uma formação que compreende uma série de serras separadas por extensos
vales, tendo duas elevações consideradas como principais, a Serra Norte c a
Serra Sul. A Serra Norte constitui-se de vários morros de minério de ferro di-
vididos em oito núcleos (N^, N 2 ,... Ng), com altitude de 600 a 800 m, a 6°S e
50°W, onde atualmente se desenvolve o Projeto Ferro-Carajás, com exploração
econômica de minério de ferro.
O platô destas serras possue uma vegetação que, apesar de sua peculiari-
dade, com espécies brotando diretamente sobre o afloramento férrico, até o
momento não foi estudada sob o ponto de vista taxonômico, o que representa
uma lacuna no conhecimento destas plantas. Os estudos realizados nesta área
detivcram-sc a levantamentos florísticos quantitativos e qualitativos, com o in-
tuito de registrar a flora, uma vez que a mesma se encontra sob influência da
exploração mineral e, por conseguinte, sujeita a perturbações, resultando em
destruição parcial ou total desta vegetação.
Este tipo de vegetação ainda não tem uma classificação definida, sendo
denominada ora de “vegetação de canga” ora de “campo rupestre”.
Seceo & Mesquita (1983) abordaram aspectos gerais da vegetação que
ocorre sobre o afloramento férrico e discutiram sua classificação fisionômica e
florística, preferindo utili/iir o termo “vegetação de canga” para dcnominá-la.
Silva (1987) refere-se a este tipo de vegetação como “campo rupestre” c
“vegetação metalõfita”, definindo-a como um tipo especial que cresce sobre
afloramento rochoso. O autor atenta para a importância desta vegetação sob o
ponto de vista ecológico, por scr um ecossistema com fronteiras geográficas
distintas, limitado a área de minas de ferro e com um número reduzido de
espécies se comparado à mata tropical, possuindo espécies com patrimônio
genético valioso, produto de uma seleção natural muito rigorosa.
Para o estudo da flora “rupestre” dc Carajás, optamos em usar o termo
“campo rupestre”, para a vegetação da canga.
Devido à importância desta vegetação pela presença de espécies endémi-
cas como Ipomoea cavalcaniei D. Austin, dc espécies com propriedades medi-
cinais como Pilocarpus macrophyllus Staph. (“jaborandi”), de espécies novas
para a ciência, aliado ao fato dc recobrir áreas sob influência dc exploração
mineral, surgiu a necessidade dc um estudo taxonômico para um melhor co-
nhecimento das espécies que aí ocorrem c deste modo auxiliar a identificação
dc material botânico proveniente dc estudos florísticos c fitossociolõgicos.
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Estudo taxonômico das espécies de Mesosetum e Thrasya
Este estudo poderá ser desenvolvido por taxonomistas de todo o Brasil, através
do Projeto “A flora rupestre de Carajás” idealizado por botânicos do Museu
Paraense Emílio Goeldi.
Num estudo preliminar verificou-se que a tribo Paniceae é a mais bem
representada no local. Segundo Pohl (1980), constatou-se 7 gèmxo% Axonopus,
Ichnanthus, Mesosetum, Panicum, Paspalum, Setaria e Thrasya totalizando 23
espécies.
Apesar de Panicum e Paspalum possuírem o maior número de espécies, o
primeiro gênero tratado foi Thrasya, por ter-se descrito recentemente uma no-
va espécie e por conseguinte trabalhado com o material disponível e a ele
acrescentou-se Mesosetum por ser afim a Thrasya e possuir apenas uma espécie
ocorrente no local.
Como parte deste projeto apresentamos o estudo taxonômico dos gêne-
ros Mesosetum Steud. e Thrasya H.B.K, representados naquela área pelas espé-
cies: Mesosetum cayennense Steud., Thrasya longiligulata Bastos & Burman,
Thrasya parvula A.G. Burman e Thrasya petrosa (Trin.) Chase.
O material examinado refere-se apenas às coletas feitas na Serra dos Ca-
rajás, porém foram examinados exemplares destas espécies depositados no
Herbário MG.
TRATAMENTO TAXONÔMICO
Mesosetum cayennense Steud., Syn. Gram. 118. 1854 (Figura 1)
Erva perene, ereta de 30 - 120 cm de altura, colmo glabro não ramificado,
ou ramificado nos nós inferiores; nós glabros; bainha papilo-híspida a glabra,
margens ciliadas; Kgula ciliada: lâmina foliar de 5 - 20 cm de comprimento, 3,0
- 5,0 mm de largura, pêlos papilo-híspido em ambas as faces, sendo que a face
dorsal algumas vezes se apresenta glabra. Racemos solitários, de 5 - 15 cm de
comprimento. Espiqueta de 4,0 - 5,0 mm de comprimento bisseriada; primeira
gluma de 2,5 - 3,0 mm de comprimento, ápice retuso, tufo de pêlos híspido-fer-
rugíneos próximo à margem do terço superior e na base; segunda gluma de 4,0 -
5,0 mm de comprimento, ápice irregularmente denteado, tufo de pêlos híspi-
do-ferrugíneos na base e dois tufos laterais no terço superior com alguns pêlos
maiores que os demais; lema estéril de 3,0 - 4,0 mm de comprimento, com dois
tufos de pêlos próximo às margens do terço superior, sendo alguns pêlos mais
compridos, pálea estéril ausente; antécio de 2,5 - 3,0 mm de comprimento; lema
fértil com ápice ciliado; pálea fértil glabra. Cariopse de 2,0 - 3,0 mm de compri-
mento.
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Figura 1: Mcsosctum cayennense A) Parte do racemo; H) Face abaxial da cspiguela, mostrando a
primeira gluma; C) Face adaxial da espigueta, mostrando a segunda gluma; D) Lema estéril, face
abaxial; E) Antécio; F') Semente.
tmm
Estudo taxonômico das espécies de Mesosetum e Thrasya
Distribuição Geográfica: Guiana Francesa, Suriname, Bolívia e Ndrte do Bra-
sil.
A espécie caracteriza-se por possuir primeira gluma com ápice retuso e
segunda gluma com ápice irregularmente denteado, com um tufo de pêlos hís-
pido-ferrugíneos na base e dois tufos próximo às margens, no terço superior.
É considerada forrageira nativa muito apreciada pelo gado, principal-
mente após a passagem do fogo (Filguciras 1989).
MATERIAL EXAMINADO
Pará-Marabá, Serra dos Carajás, Serra Norte, Nl, P. Cavalcante et M. Sil-
va 2619, 18.IV.1970 (MG); ibidem, P. Cavalcante 2171, 25.V.1969 (MG); ibi-
dem, N. A. Rosa et M.F.F. da Silva 4685, 19.1V.1985, (MG); ibidem, N4, AS.L.
da Silva et al. 1886, 19.III.1984 (MG); ibidem, N5, C.R. Sperling et al., 5612,
13.V.1982 (MG).
Thrasya Humboldt, Bonpland & Kunth
Planta herbácea, com lâmina estreita. Inflorescência, espiga unilateral,
normalmente solitária; ráquis alado envolvendo parcialmente as espiguetas.
Espiguetas em pares, numa única fileira, a inferior curto-pedicelada com o lema
fértil voltado para fora do ráquis, a superior longo-pedicelada com o lema fértil
voltado para fora do ráquis, o pedicelo encontra-se fundido ao septo do ráquis
quase na totalidade de seu comprimento, de maneira que as espiguetas pare-
cem ser curto-pediceladas; primeira gluma em geral pequena ou ausente; se-
gunda gluma menor ou do mesmo tamanho do lema estéril; lema estéril ligei-
ramente a profundamente sulcado, com tendência a partir-se ao longo da ner-
vura média; pálea estéril contendo uma flor estaminada, as vezes vazia ou mes-
mo ausente; lema fértil cartilaginoso uma pálea de mesma textura e compri-
mento.
Chave para espécies de Thrasya H.B.K. dos campos “rupestre” da Serra
dos Carajás
1. Ráquis de 10 - 30 cm de comprimento, espigueta de 4,0 - 6,0 mm de com-
primento, com calo bem distinto; segunda gluma e lema estéril distintamen-
te pilosos; lema estéril acuminado, profundamente sulcado, maior que o
antécio T. petrosa (Trin) Chase
1 '. Ráquis de 2 - 4 cm de comprimento; espigueta de 1,3 - 2,5 mm de compri-
mento; sem calo distinto; segunda gluma c lema estéril glabros.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 8(11, 1992
2. Primeira gluma com ca. dc 0,2 mm de comprimento; segunda gluma tão
longa quanto a primeira; lema estéril mcmbranáceo, 3 - nervado, com a ner-
vura média em geral suprimida; pálea estéril ausente, antécio densamente
papiloso T. parvula A. G. Burman
2'. Primeira gluma com ca. dc 0,1 mm de comprimento; segunda gluma tão
longa quanto o lema estéril, ápice cmarginado ou bífido; lema estéril mais
rígido que a segunda gluma, profundamente sulcado; pálea estéril bem de-
senvolvida; antécio papilo-estriado .... T. longiligulata Bastos & Burman
Thrasya longiliguíaia Bastos & Burman, Boi. Mus. Para. Emílio Ser. Bot., 4(2):
235, 1988
(Figura 3 A - D)
Planta possivelmente anual, ca. de 60 cm de altura; bainha pubescente
com alguns pêlos longos próximo à base da folha; lígula mcmbranácca, dc 1,5 -
2,0 mm de comprimento; lâmina foliar pubescente, com pêlos longos nas mar-
gens e próximo à base na face abaxial. Espiga terminal, solitária, arqueada, dc
2,4 - 6,0 cm dc comprimento; ráquis alado de ca. de 2,00 mm de largura, mar-
gens ciliadas. Espigueta dc 2,0 - 2,5 mm de comprimento, elíptica, aguda; pri-
meira gluma com ca. dc 0,1 mm dc comprimento, mcmbranácca; segunda gluma
ligeiramente menor que o lema estéril, caratácea, ápice cmarginado ou bífido;
lema estéril profundamente sulcado, partindo-se facilmente ao longo da nervu-
ra média; pálea estéril bem desenvolvida; lema fértil em geral papilo-estria-
do; pálea fértil com margens hialinas. Cariopse elíptica.
Distribuição Geográfica: Brasil, Pará.
A espécie caracteriza-se por possuir primeira gluma com ápice cmargi-
nado ou bífido, lema estéril mais rígido que a segunda gluma, profundamente
sulcado, antécio papilo-estriado.
MATERIAL EXAMINADO
Pará-Marabá, Serra dos Carajás, Mina Norte 1, NI, N.A. Rosa et M. F. F.
da Silva 4961, 19.IV.1985 (MG) (holotipo); ibidem, M.N.C. Bastos et N.A. Ro-
sa 469, 19.V.1987 (MG).
Thrasya parvula A.G. Burman, Brittonia 32(2): 217-218, 1980
(Figura 2)
50
cm
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Boi. Miis. Para. Emílio Goeldi, s&. Bot. 8(1), 1992
mk
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{■'igura 3; Thra,sya longiligiilata: A) Parte vegelaliva; H) cspigucla mostrando o ápice hífido da se-
gunda gluma; C) espigueta mostrando a primeira gluma e o lema estéril profundamcnte sulcado;
D) parte da espiga. T. pcirosa: E) parte do racemo; F) espigueta mostrando a segunda gluma pe-
quena como a primeira; G) espigueta mostrando a primeira gluma e o lema estéril partido no dor-
so; 1 1) antécio ciliado no ápice.
52
cm
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Estudo taxonômico das espécies de Mesosetum e Thrasya
Planta provavelmente perene, ca. de 55 cm de altura, bainha glabra ou
puberulenta, com pêlos longos, papilo-híspidos, isolados, principalmente pró-
ximo à base da folha; lígula membranácea, com ca. de 2,0 mm de comprimento;
lâmina foliar densamente pubescente em ambas as faces. Espiga solitária, ar-
queada, de 2,0 - 4,0 cm de comprimento; ráquis alado com ca. de 2,0 mm de lar-
gura envolvendo a base da espigueta, margens levemente escabrosas. Espiqueta
de 1,2 - 1,6 mm de comprimento, elíptica, subaguda ; primeira gluma com ca. de
0,2 mm de comprimento, membranácea, sem nervura; segunda gluma seme-
lhante à primeira; lema estéril do mesmo comprimento do antécio, 3 - nervado,
com a nervura média geralmente suprimida, membranáceo ; pálea estéril ausen-
te; antécio de 1,2 - 1,6 mm de comprimento, endurecido; lema fértil convexo,
conspicuamente papiloso; pálea fértil depressa, papilosa, margens hialinas.
Distribuição Geográfica: Brasil, Pará.
Thrasya parvula difere de T. longiligulata através do lema 3-nervado com
a nervura média ausente e antécio densamente papiloso.
MATTERIAL EXAMINADO
Pará, Óbidos, Jaramacaru, lagedo próximo ao barranco; WC4. Egler
310, 27.V.1957 (MG) (holotipo); Marabá, Serra dos Carajás, Mina Norte, Nj,
M.N.C. Bastos et N.A. Rosa 468, 19. V. 1987 (MG); ibidem, N4,yl.5.L. da Silva
1770, 14.III.1984 (MG).
Thrasya petrosa (Trin.) Chase, Proc. Biol. Soc. Wash. 24: 115. 1911.
Panicum petrosum Trin., Gram. Icon. 3: 280. 1836.
(Figura 3, E - H)
Planta perene, cespitosa, ca. de 1,5 m de altura; colmo glabro, nó apresso
tomentoso a puberulento; bainha foliar papilo-pilosa; lígula membranácea com
ca. de 1,0 mm de comprimento; lâmina foliar longa, podendo alcançar ca. de 50
cm de comprimento, 2,0 - 6,0 mm de largura, papilo-pilosa a glabra, margens
revolutas. Espiga, solitária, terminal de 15 - 25 cm de comprimento, levemente
arqueada; ráquis alado de 4,0 - 5,0 mm de largura envolvendo a base da espi-
gueta; espigueta lanceolada de 4,0 - 5,5 mm de comprimento, incluindo o calo
basal, primeira gluma ausente, ou muito pequena c hialina; segunda gluma de
4,0 - 5,5 mm de comprimento, dorso com pêlos híspidos, apressos; lema estéril
dc 4,0 - 5,5 mm de comprimento, pêlos hfspido no dorso, esparsos, localizados
principalmcnte próximo ao ápice, profundamente sulcado, partindo-se facil-
mente no meio do dorso; antécio de 3,5 - 4,0 mm de comprimento; lema fértil
53
cm
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Boi. Mits. Para. Emílio Gocidi, sér. Bot. 8(1), 1992
endurecido, com pequenos pêlos no ápice; pálea fértil um pouco menor que o
lema fêrlil, de mesma textura, glabra, ápice ciliado.
Distribuição Geográfica: Panamá, Costa Rica, Colômbia, Peru, Bolívia,
Brasil, Paraguai.
Esta espécie caracteriza-se por possuir ráquis alado, com 4,0 - 5,0 mm de
largura, cobrindo a base da espigueta, calo bem distinto, lema estéril profun-
damente sulcado partindo-se no dorso.
MATERIAL EXAMINADO
Pará, Marabá, Serra dos Carajás. N 4 , Mina piloto para exploração de fer-
ro, y4.5.L. da Silva et ai. 1865, 17.III.1984 (MG); ibidem, v4.5.L. da Silva et al.
1875, 19.111.1984 (MG); ibidem, A./l. Rosa et al. 4702, 24.IV.1985 (MG).
DISCUSSÃO
Mesosetum é um gênero que ocorre nas Américas no Norte, Sul e Central
c Oeste da índia. Segundo Swallcn (1937), Mesosetum é principalmentc sul-
americano, com um grande número de espécies ocorrentes cm savanas abertas,
arenosas, do Nordeste do Brasil.
Renvoize (1984) cita 26 espécies ocorrentes nos trópicos e subtrópicos
do Novo Mundo.
Filgueiras (1989) cita 25 espécies válidas para Mesosetum Steud. c pa-
ra M. cayennensis Steud. salienta que, apesar de possuir características florais
uniformes, pode apresentar um certo grau de poliformismo cujas principais
fontes de variações são a pilosidade da planta, constrição c pilosidade dos nós,
simetria da ligula, nervação c pilosidade da segunda gluma. Também chama
atenção para espécimes do Pará, onde foram encontradas plantas tanto hirsu-
tas como glabérrimas.
Apenas uma espécie de Mesosetum, M. cayennense Steud., foi coletada na
Serra dos Carajás, seus indivíduos vivem em pequenas moitas nas áreas de
campo “rupestre”, sendo facilmente percebidos quando em floração, por apre-
sentarem racemos dourados, devido à grande densidade de pêlos híspido-fer-
rugíncos no dorso da primeira e segunda gluma.
O gênero Thrasya, até o momento, possui cerca de 20 espécies, com limi-
tes de distribuição do Norte do México até o Paraguai (Burman 1988). No Bra-
sil ocorrem 1 1 espécies, das quais cinco na Amazônia. T. auricoma A.G.
54
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Estudo laxonóinico das cspícics de Mcsosetum c Ihrasya
Burman, T. kmffUguUua Bastos & Burman, T. pcirosa (Trin.) Chase e T. trini-
tensis Mez destas, T. oiiriconui A.G. Burman e T. iríniicnsis Mez não foram co-
letadas na área em estudo apesar de oeorrerem no Estado do Pará.
Seceo & Mesquita (1983) separam a vegetação não Horestal (savana) da Serra
Norte em vegetação de eanga aberta, vegetação de canga densa c campos natu-
rais.
Utiliziindo-sc esta classificação, podemos observar que T. petrosa e Meso-
setum cayennense são frequentes nos campos naturais (campo sem estrato ar-
bustivo), enquanto T. lonffliffilato c T. pamila habitam a vegetação de canga
aberta (onde existe um estrato arbustivo, cuja espécie predominante é Mimosa
acuiisiipiila Benth. var. nijpv).
Estas duas espécies de Thrasya ocorrem consorciadas no estrato inferior;
a primeira vista parecem ser uma única espécie, devido à semelhança vegetati-
va, entretanto, observando-se mais atentamente, nota-se que alguns indivíduos
apresentam na ráquis espiguetas escuras alternadas com espiguetas claras; a
cor escura deve-se ao lema fértil arroxeado próximo às nervuras laterais em T.
parviila, e outros indivíduos em que todas as espiguetas são claras, T. lonf^ilifpi-
laía, estes pequenos detalhes permitem .separar as duas espécies durante o tra-
balho de campo, uma vez que no laboratório, com auxílio da lupa, percebe-se
que as espiguetas são perfeitamenie distintas.
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. Alasdair G. Burman, pesquisador do Instituto de Botânica de São
Paulo, pela leitura do manuscrito e sugestões.
Suely Anderson, pela versão do texto para o inglês.
Klvl liRHNCIAS niDI .lOCiRAI l('AS
lUJRMAN. A.(i. & RAS IOS. M.N.C'. l‘W8. A ncw spccies ol Thrasya I l.li.K. ((miminciic) troni
l»r;i/.il. lioi Mus. Tara. Emílio doeldi. .xir. Kot. 4(2); 2.t.S-241,
l'II,(it)i;iRAS. l'.S. IWr Revisão ilc Mcsosetum Slcialcl ((ir;iniiiicne - l’iinicc;ic). Acta Amazôn.
IV (47 - 1 14).
R1;NV()I/|'„ S.A. 1VH4. The yra.xs of llahia. Kcw liull. : I .tUl.il
SliCeo, R. S. {í Ml iSUtJri A. A.I.. IVK.t. Nol;is sohrc :i vcgL-Uição ile ciiig:i il;i Serra Norte - 1 Hol.
Mu.s. I\ira. Emílio (loeldi. nova sér.. Rol.. .SV: 1 -1.4. 11.
55
cm
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Boi. Mus. Para. Einílio Goeldi, sér. Bot. 8(1), 1992
SILVA, M.F.F. 1987. Fstuüos botânicos em Carajás. SEMINÁRIO DESENVOLVIMENTO
ECONÓMICO E IMPACTO AMBIENTAL EM ÁREAS DE TRÓPICO ÚMIDO BRASI-
LEIRO. A EXPERIÊNCIA DA CVRD, 1. Belém, 1976. Anais. Rio de Janeiro,
SEMA/IWRB/CVRD, 93-99. il.
SWALl.EN, J. R. 1937. The Grass Gcnus Mesosetuin. Brittonia, 2:363 - 392
Recebido em 17.10.89
Aprovado em 18.04.91
56
CDD:
ANATOMIA FOLIAR DE VIROLA AUBLET
(MYRISTICACEAE)'
Mwilene Marinho Nogueira liraga-
Ri.SÜMO - Este trabalho trata de iim estudo anatômico de folhas de 47
binômios de Virolii do lirasil e de países vizinhos à região amazônica, feito
através de cortes transversais e epidermes dissociadas de fragmentos de folhas
herborizadas. As características comuns ao gênero analisadas com auxílio de
tim teste de taxonomia numérica são interpretadas em relação ao ambiente,
junto a inferências genéticas, com consetpiente avaliação do significado destes
caracteres para a taxonomia do grupo. As foUuts de Virola possuem uma
grande rkpiezit estrutural: são dorsiventrais, hiposlomãticas, com estômatos
paracíticos escondidos pelas células subsidiárias ou por papilas uni a tricelula-
res (neste caso, distintamente graminóides); pêlos uniarmados com aspecto rí-
gido ou delgado, sésseis ou pedictdados, em tufos ou com tendência à for-
mação de um eixo unisseriado vertical; epiderme com tendência ã estratifi-
cação e células com paredes onduladas por projeções ou retas em vista fron-
tal; células secretoras no mesofdo e com menor oconência na epiderme; ca-
nais secretores acompanhando os feixes vasculares e comumcnte abrindo-se
na superfície epidérmica; idioblastos com grandes drusas de oxalato de cálcio
principalmenie entre as células do parêniptima paliçádico; terminações vascu-
lares reforçadas por fbroesclereídeos ou com grandes traqiieídeos largos e
curtos imersos no parêntptima. Dentre as estruturas destacam-se os estcímatos
e os pêlos como de grande importância para a taxonomia do gnipo, visto que
representam adaptações essenciais a dois fatores comumenie limitantes: água
e inseto.
PAI.AVRAS-CIlAVi :; Analomia fi)liar, ViroUt. Myristicaccac.
/MiSTRACr - íhis work consists of an anatômica! study of the leaves of 47
binômia of Virola from Hrazil and of some amazonian neighbotiring
* 1’arlc dii Irahallu) dc Icsc do doutorado do (.'urso do Pós-Ciraduação IN1’A/I 'UA, Manaus, AM.
‘ UI MCi. ICH, Uolãmca.('l’248(),.^l270 lild.O I lOKI/ON l i:. M(..
57
Bot. Mus. Para. Emílio Goeldi, s&. Bot. 8(1), 1992
coitnirie.i. Analysis wa.s conducted ttsing cross sections and dissociated
epidennis of fragmenís of dried leoves. The sliarcd cliaracierislics at lhe
generic levei were analy.sed ihrough lhe numérica! lamnomy lechniqiies and
inierpreled in relalion lo lhe environmenl. Gcnelic aspecls as.wcialed wiih lhe
characiers were aho used for laxonomic piirposes. The kaves of Virola are
slnicliirally complex: lhey are dorsiveniral.i, hyposlomalics; paraciúcs siomaia.s
are overlayed by subsidiary cells or by one lo ihree celled papiUae (in lhi.i caie,
di.slinclly graminoids); uniarmcds hairs wilh a fine or rigid aipeci, sessile or
pediculale, in iiifl or wiih lendency of forming a iini.seriale verlical axi.i;
epidennis wilh stralificalion lendency, cells walls siraighl or ondidaled by
himen projeclions in fronlal view; sccretories cells in mesophyll biil
sporadically in lhe epidennis; secretories cannals following vascular bundies
and frec/uenlly opening on lhe epidcnnal surface; idioblasis wilh large cliisler
cry.slals of calcium oxalale mainly beíween lhe cells of paUsade parenchyma;
vascular endings reinforced by fibresclereids or wilh wide and shori iracpieids
imo lhe parenchyma. Among lhe slniclures obser\’ed lhe slomalas and hairs
are considered ofgreal imporlance lo lhe group lawnomy since lhese repre.senl
essencial adaplalions lo Iwo common limilingfaclors: waler end in.secl.s.
KlíY WORDS: Icaf analomy, Virola. Myristicaccac.
INTRODUÇÃO
Em 1976, o Dr. W. A. Rodrigues, do Dcpariamcnto dc Botânica do IN-
PA, Manaus - AM, ao concluir sua revisão taxonômica do gfincro Virola aler-
tou para a necessidade dc estudos complementares aos dc morfologia externa,
que permitissem o melhor conhecimento das espécies visando subsídios para
melhor fundamentar a taxonomia do grupo. Este trabalho constitui uma res-
posta parcial a esta questão.
Virola, Compsoneiira, Iryanihera, Ostcophloeum c Oloba constituem os
einet) géneros americanos da família Myristicaccac. Segundo Rodrigues (1980),
Virola é o mais amplamentc disperso, ocorrendo da Guatemala e Antilhas Me-
nores à Bolívia e Brasil Meridional (Rio Grande do Sul) c da costa ocidental
da Colômbia e Equador à do Atlântico, no Brasil, com maior número de espé-
cies na bacia amazônica. Ainda .segundo este autor, “as ?>5 espécies aqui reco-
nhecidas de Virola para o Brasil ocupam pelo menos ^ das maiores zonas llorís-
ticas brasileiras: llorestas da Hiléia Amazônica, lloreslas costeiras e cérrados”.
Na Amazônia são encontradas tanto em mata de terra firme, várzea, igapô e
caatinga ou pseudo-caatinga (= campinas).
58
cm
SciELO
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Anatomia foliar dc Viroia Aubkt
As plantas do gônero Viroia são dióicas c variam dc pequenos arbustos a
árvores de 40 m de altura c fuste até cerca dc 1,20 m dc diâmetro. Tem grande
valor medicinal e económico pela comercialização dc suas madeiras entre ou-
tros empregos (Rodrigues 1980).
Em geral os problemas taxonómicos em Viroia refcrcm-sc à:
• divisão do gônero em subgrupos: Warburg (1897) o separou em duas secções
- Amhlyanüiera e Oxyaniliera - bascando-sc principalmcnte em caracteres do
androceu (tamanho do andróforo cm relação à antera). Duckc (19.%) distri-
buiu as espécies amazônicas em sete grupos apoiado no indumento, forma
do fruto, espessura do pericarpo e aspectos do androceu. Smith (cm Smith
& Wodchousc 19.37) discordou dos autores acima c dividiu o gônero cm seis
grupos para o que considerou as características do androceu, folha e fruto,
utilizando o indumento da folha como primeiro elemento para distinção dos
grupos cm sua chave. Rodrigues (1980) não aceitou as divisões anteriores,
pois na análise minuciosa do material, concluiu que a relação do tamanho
entre andróforo e antera mostra grande variação mesmo entre espécies afins
e a pilosidade varia dentro da própria espécie.
• a existência dc alguns grupos onde as espécies não estão bem delimitadas,
ocasionando dúvidas quanto à sua validade como unidade taxonômica.
Muito pouca informação se encontra na literatura sobre a anatomia das
folhas dc Viroia: Warburg (1895 c 1897), Solcredcr (19(18), .Martin-Líivigne
(1909), Uphof (1959), Metcalfe & Chalk (1950), Roth (1977), Paula & Hcrin-
ger (1979) e Bernardi & Spichiger (1980). Dentre estes destaca-se o trabalho
detalhista de Warburg (1895), ao dc.screvcr a pilosidade encontrada nas Myris-
ticaceae. Em geral os demais refcrcm-sc a uma análise de um ou outro caráter
cm uma ou duas espécies de Viroia, enquanto Bernardi & Spichiger (1980) .se
detôm na morfologia dos pôlos observados com auxílio do microscópio eletrô-
nico de varredura dc 8 espécies dc Viroia.
São vários os trabalhos realizados com anatomia de madeira, pólen c no
âmbito fitoquímico, dos quais são relacionados a seguir aqueles que .são mais
cxpre.ssivos peU) número dc espécies analisadas e consequentemente pela am-
plitude das conclu.sôcs cm termos taxonómicos: Garratt (19.3.3) c Lisboa et
al. (1984) sobre anatomia de madeira c Wodchousc (cm Smith & Wodchousc,
1937). Walkcr & Walkcr (1979) c Carreira (1985) sobre pólen.
Rcccntcmcnte Sousa (1989) fez uma análise detalhada da anatomia foliar
do gônero Cotapsotmira caracterizando grupos anatômicos cm parte para-
59
cm
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Boi. Mus. Para. Emílio Gocldi, sír. Bot. 8(1), 1992
lelos aos laxonômicos, fundamentados cm tipos de estômatos, pôlos e presença
ou ausência de epiderme esclerificada.
A anatomia da folha de Knema (gênero asiático) foi estudada por
Siddiqui & Wilson (1975) e de todos os gêneros asiáticos: Gymnacranthera,
Horsfieldia, Myrisiica e inclusive Knema, Koster & Baas (1981) fizeram um
estudo anatômico comparado das folhas, muito rico cm observações c
avaliação dos caracteres. Consideraram muitos dos caracteres encontrados
como profundamente xcromórficos.
Assim, face à necessidade c à ausência de um estudo anatômico
sistematiz.ado da folha, foi rcaliz.ado este trabalho’ objetivando conhecer a
estrutura da folha das espécies de ViroUi e contribuir para a taxonomia do
grupo. Visando a uma avaliação de maior amplitude dos resultados,
procedeu-se à aplicação de um teste de taxonomia numérica simples (Roc
1974) com cartões perfurados na margem.
MATERIAL E MÉTODO
Foram estudadas folhas de espécies de Virola da Amazônia, de espécies
que ocorrem cm outras regiões brasileiras, bem como daquelas que chegam até
ã América Central.
O tratamento taxonômico está de acordo com a conccituação do
especialista Dr. W. A. Rodrigues, do Depto. de Botânica - INPA, expresso cm
suas determinações de herbário e cm sua revisão do gênero Virola no Brasil
(Rodrigues 1980), com exceção de alguns sinônimos, que quando havia
material disponível, foram trabalhados separadamente, como espécies
distintas, dados os problemas laxonômicos existentes (Ducke 1936 c 1938;
Smith & Wodchouse 1937 c Rodrigues 1980) com o fim de recolher elementos
que justificassem ou não sua situação como sinônimo. Desta forma foram
estudados 47 binômios de Virola, tratados como espécies neste trabalho.
O estudo restringiu-sc praticamcnlc ao material herborizado listado a
seguir:
1. Virola alhidiflora Ducke: /l. Diicke s.n.. Brasil, Amazonas, São Paulo de
Olivença, .3/10/1931 (RB 2456.3); A. Ducke s.n.. Brasil, Amazonas, São Paulo de
Olivença, 25/2/1932 (RB 24564). 2. Virola caducifolia W. Rodr.: W. Rodrigues &
D. Coêllio 9263, Brasil, Amazonas, km 120 da estrada Manaus-llacoaliara,
20/11/1973 (INPA 40932). 3. Virola calopliylla Warburg: R. Spnice 3207,
Venezuela, Amazonas, rio Cassiquiarc, 4/1853 (NY). 4. Virola calopliylloidea
c|uc rcnrc.scnla uma condensação dos principais resultados e conclusões da lese apre.senlada ao
INI’A/l''tJA em IW2 para ohienção do Ululo de doutor em Ciíncias Itiolõgicas.
60
Anatomia foliar dc Viroh Auhict
Markgraf ( = V. colophylla segundo Rodrigues, 1980): Ule 8846, Brasil,
Amazonas, Rio Negro, 5/1909 (MG 13869). 5. Virola carinata (Spr. ex Benth.)
Warburg: Raimundo da Mota 103, Brasil, Amazonas, Manaus, \4ni]9n (INPA
74352). 6. Virola coelhoi W. Rodr.: D. Coelho s.n.. Brasil, Amazonas, Tefé,
21/10/1975 (INPA 53124); R.L. Fróes 26220, Brasil, Amazona.s, rio Tefé,
12/6/1950 (lAN 551 18). 7. Virola crehriner\-ia Ducke:/1. Ducke s.n.. Brasil, Pará,
Gurupá, 10/8/1918 (MG 17182); L. Williams & N.T. Silva 18245, Brasil, Pará,
Porlcl, 26/10/1955 (lAN 95016). 8. Virola aispidaia (Spr. ex Benlh.) Warburg:
R. Spnice 1794, Brasil, Amazonas, Manaus, 9/1851 (NY). 9. Virola decorticans
Ducke: A. Ducke s.n.. Brasil, Amazonas, São Paulo de Olivença, 4/1 1/1927 (RB
19571). 10. l''irola diver^ens Ducke: A. Ducke s.n.. Brasil, Amazonas, Manaus
27/4/1932 (RB 24550). 11. Virola dixonii Liltie: E.L. Lillle Jr. & R.G. Dixon
21092, Equador, Esmeraldas, San Anionio, 18A7/1965 (NY). 12. Virola duckei
A.C. Smilli: A. Ducke s.n., Brasil, Amazonas, Manaus, 31/8/1931 (RB 24562).
13. Virola elonpata (Benth.) Warburg: Hipóliio Filho & L.M. da Silva 211.
Brasil, Amazonas, Humaitá, 24/9/1975 (INPA 70541). 14. Virola flexuosa A.C.
Smilh: W.A. Rodri^nies, P.I.S. Braga & D.F. Coelho 10160, Brasil, Amazonas,
Tefé, 23/8/1979 (INPA 84443). 15. Virola gardneri (A. DC.) Warburg: Ceorge
Gardner 5596, Brasil, Rio de Janeiro, 1841 (NY). 16. Virola guggenheimii W.
Rodr.: O.P. Monteiro & ./. Ramos s.n., Brasil, Amazonas, km 220 da esirada
Manaus-Porio Velho, imiVDCt (INPA 59445). 17. Virola kukachkana L.
Williams (= V. alhidiflora segundo Rodrigues, 1980): A. Arostegui V. 115,
Peru, Lorelo, Maynas, 20/8/1963 (NY). 18. Virola lepidota A.C. Smilh (= V.
calophylla segundo Rodrigues, 1980): B.A. KrukojJ 6889, Brasil, Amazonas,
Humaitá, 29/10/1934 (NY). 19. Virola lieneana Paula & Heringer: E. P.
Heringer et ai s.n.. Brasd, Distrito Federai Brasília, Slllim? {INPA 81931). 20.
Virola lorelensis A. C. Smilh: E.P. Killip & A.C. Smilh 27359, Peru, Lorelo,
Iquiios, 2-8/8/1929 (NY). 21. Virola macrocarpa A.C. Smilh: Al Geniry & M.
Fallen 17792, Colômbia, Chocô, estrada cnire Yulo e Ceriegui, 17/8/1976
(INPA 69294), 22. Virola malmei A.C. Smilh: B. Maguire, J.M. Pires, C.K.
Maguire & N.T. Silva 56266, Brasil, Maio Gro.sso, estrada Brasil ia- Acre,
25/8/1963 (INPA 36266). 23. Virola marlenei W. Rodr.: M.F. Silva et ai 753,
Brasil, Amazonas, estrada Manaus-Porlo Velho, \4n/\912 (INPA .36844).
lA.Viroki megacarpa A. Gentry: M. Nee & E. Tyson 10983, Panamá, estrada El
LIano - Carti, 28/3/1974 (INPA 69289). 25. Virola michelii Heckcl: M.G. Silva
Sl C. Rosário 372, Brasil, Pará, Itaituba. 14/11/1978 (INPA 94440). 26. Virola
micraniha A.C. Srnith: Schulles & Black 46377, Colômbia, Água Preta,
Trapccio, 8/1 1/1946 (lAN 20479). 27. Virola minutiflora Ducke: A. Ducke s.n..
Brasil, Amazonas, Manaus, 31/1931 (RB 24560). 28. Virola moilissima (Poepp.
ex A. DC.) Warburg: G. Tessmann 3473, Peru Middle Ucayali, Yarinacocha.
s.d. (NY). 29. Virola muhicostata Ducke: A. Ducke s.n.. Brasil. Pará,
61
cm
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10 11 12 13 14 15
Boi. Mus. Para. EmÜio Goeldi, sér. Boi. 8(1), 1992
Rio Branco dc Óbidos, 27/12/1913 (RB 24972). 30. Viroki multiflora (SlandI.)
A.C. Smilh: W.A. Scfiipp 279, Honduras Britânicas, estrada dc ferro Stann
Crcck, 16/7/1929 (NY). 31. Virola multinema Ducke: A. Diicke s.n.. Brasil,
Amazonas, Manaus, 15/5/1932 (RB 24555). 32. Virola ohovata Ducke: y4. Ducke
1509, Brasil, Amazonas, Esperança, 24/3/1944 (RB 50695). 33. Virola officinaUs
Warburg: H. Velloso 1080, Brasil, Bahia, Ilhéus, 15/9/1944 (INPA 44496). 34.
Virola oleifera (Schott) A.C. Smith: H.P. Velloso s.n.. Brasil, Rio de Janeiro,
Tcrczópolis, 13/2/1943 (INPA 50549). 35. Virola par\’ifolia Ducke: A. Ducke
s.n.. Brasil, Amazonas, Camanaus, 12/10/1932 (RB 24553). 36. Virola pavonis
(A. DC) A.C. Smith: z4/ Geniry, J. S. Vigo &J. Afonson 25526, Peru, San Martin,
Mariscai Caccrcs, 11/3/1979 (INPA 96571). 37. Virola peniviana (A. DC.)
Warburg: J. S. Vigo 6227, Peru, Lamas, 10/5/1973 (INPA 41195). 38. Virola
polyneura W. Rodr.: G.T. Prance et ai 14425, Brasil, Amazonas, rio Curuqueté,
19/7/1971 (INPA 32641). 39. Virola rufula (A. DC.) Warburg: W. Rodrigues &
O.P. Monteiro 9373, Brasil, Amazonas, km 134 da estrada Manaus-Itacoatiara,
28/6/1974 (INPA 43568). 40. Virola rugidosa (Spruce) Warburg: R. Spruce 3140,
Venezuela, Amazonas, rio Negro, 10/1853-54 (NY). 41. Virola sehifera Aublet:
M.F. Prevost 790, Guiana Francesa, ilha dc Caycnne, 17/9/1979 (INPA 1(X)946).
42. Virola sessilis (A. DC.) Warburg: G. T. Prance, E. LIeras & D.F. Coelho
18932, Brasil, Mato Gro.s,so, Chapada dos Guimarães, 13/10/1973 (INPA
42421). 43. Virola suhsessilis (Bcnth.) Warburg: A. Fernandes & Matos s.n..
Brasil, Piauí, Corrente, 13/11/1979 (INPA 93354). 44. Virola .siirinamensis
(Rol.) Warburg: s.coL, Guiana Holandesa, Hab Kabocirc, s.d. (INPA 6952). 45.
Virola theiodora (Spr. cx Bcnth.) Warburg: R. Spruce s.n.. Brasil, Amazonas,
Manaus, 12-3/1850-51 (NY). 46. Virola urbaniana Warburg; Rizzo 5527, Brasil,
Goiás, Morrinhos, 26/9/1970 ("INPA 62929). 47. Virola venosa (Bcnth.)
Warburg: R. Spruce 1401, Brasil, Amazonas, Manaus, 12-3/1850-51 (NY).
De cada amostra de folha foram feitos:
1) Di.ssociação para obtenção dc epidermes em vista frontal: em geral
dois pequenos quadrados com cerca de 7mm de lado foram disssociados com a
mistura de Jeffrey, corados com Azul dc Astra e Fucsina Básica e montados cm
gelatina-glicerinada.
2) Cortes tran.sversais a mão livre e no micrótomo: neste caso pequenas
amostras de material foram fervidas cm água, à qual foram adicionadas
algumas gotas dc sabão líquido c uma gota de glicerina. Os cortes a mão livre
foram feitos com lâmina de barbear, descorados com algumas gotas de água
sanitária diluídas em água, em seguida corados com Azul dc Astra c Fucsina
Básica e montados em gelatina-glicerinada. Em alguns casos, do material
62
Anatomia foliar de Virola Aiihict
reidraiado, foi processada uma pequena amosira para inclusão cm parafina,
obtenção de cortes microtômicos seriados que também foram corados com
Azul de Astra c montados cm Bálsamo de Canadá.
3) Raspagens de pêlos: das espécies cujos pêlos caíam durante a
dissociação, as partes aéreas dos pêlos foram raspadas com estilete e montadas
em gelatina-gliccrinada. Raspagens de pêlos foram feitas cm algumas espécies
muito pilosas para permitir a observação da superfície epidérmica, como cm V.
caducifolia.
4) Contagens: uma vez que os estômatos de Virola são muito pequenos e
cm muitas espécies encobertos por papilas, as contagens de estruturas foram
feitas num campo com 0,17 mm- de área, cm dez campos diferentes.
5) Medições: foram obtidas com uma escala embutida na ocular
comparada com escala micrometrada.
6) Desenhos: foram feitos eom câmara clara adaptada ao microscópio.
7) Fotomicrografias: foram realizadas num microscópio com câmara
fotográfica acoplada. Neste trabalho, a título de melhor ilustrar as
características estruturais das espécies do gênero Virola, foram incluídas
fotografias obtidas de material fresco-fixado c mesmo com plano de corte não
citados na metodologia geral, como os cortes paradérmicos da epiderme, além
de material herborizado não relacionado anteriormente, informações a
respeito acompanham as legendas.
8) Testes químicos: foram feitos com cortes a mão livre rcidratados para
identificação de lipídios (Sudam 111) c cristais, apenas naquelas espécies onde
os cristais ocorrem com maior freqüência (ácido sulfúrico a 50%).
Com os dados obtidos foram feitas descrições detalhadas das espécies que
serão publicadas oportunamente e foi montada uma tabela de características
que serviu de ba.se para um teste de taxonomia numérica. Com este teste foram
preparados, através de medidas de similaridade fenética, um fenograma, um
diagrama de círculo com as espécies ligadas a nível de 70% de similaridade e
um gráfico de relação com o ancestral, ulilizandtt cartões periurados na
margem e uma agulha de tricô (conforme Roe 1974),
Na primeira tabela foram incluídas todas as características observadas
nas amostras, inclusive aquelas já conhecidas como variáveis. Assim surgiu um
fenograma que separava melhor as espécies, mas não demarcava bem os
grandes grupos. Como conseqüência foi leita uma .segunda tabela da qual
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Boi Mus. Para. EmíHo Gocidi, s&. Boi. 8(1), 1992
apenas participaram as características conhecidas ao longo do trabalho como
mais constantes, resultando um fenograma inverso ao anterior, que separa bem
os grandes grupos, mas não as espécies próximas.
A espécie V. poivifolia, da qual só se conhecia o exemplar TIPO, foi
trabalhada com a falta de alguns dados sobre os pelos, mas dado o seu alto
relacionamento com espécies próximas, mesmo com ausência destes caracteres,
foi mantida no teste, entretanto sua posição deve ser analisada com restrições.
Duas espécies, V. lieneana c V. kukachkana, só participaram da segunda
matriz e fenograma, por inclusão tardia no estudo.
RESULTADOS:
1) Descrição geral:
Todas as espécies de Virota tém as folhas dorsiventrais, hipostomáticas c
pilosas. Algumas espécies perdem seus pêlos facilmente mas deixam as bases
destes inseridas entre as células epidérmicas.
• EPIDERME ADAXIAL - em vista frontal e corte transversal:
Nesta epiderme, quando observada em vista frontal, logo se distingue a
região da nervura pelas células alongadas e/ou enfileiradas.
Entre as células epidérmicas da lâmina ocorrem comumente bases de
pêlos e aberturas de canais secretores (Figuras 1, 2, 3). Em algumas espécies,
esta epiderme possui ainda células secretoras e/ou regiões claras circulares que
correspondem a idioblastos cristalíferos subepidérmicos (Figuras 4, 5, 6 - ver
mais detalhes em estruturas secretoras e mesofilo).
As células epidérmicas têm paredes retas ou paredes onduladas por
projeções do lúmen celular (Figuras 7 a 12), em ambos os atsos com espessura
variável. As projeções quando focalizadas ao nível da parede periclinal externa
mostram ondulações de profundidade diversa. Focalizando um pouco mais
abaixo, o aspecto que se tem é de um “colar” com contas mais ou menos
separadas umas das outras, dependendo da largura de cada ondulação (Figura
9). Cada “conta” corresponde ã região de maior deposição de cutícula que se
encontra no ponto mediano entre duas ondas adjacentes, uma em direção
oposta à outra. Focali/.ando as paredes anticiinais, ao nível ou próximo da
parede periclinal interna, aquelas se apresentam retas, com ou sem pontuações
(Figuras 10, 1 1).
64
Anaioinia foliar de l irola Aiihict
Com cxccção dc V. dt-conicans e V. ffi^enheimii, iodas as espécies de Vi-
roki lém as folhas, do lado adaxial, glabras quando adultas, islo é, seus pêlos
são caducos. ’
Um pêlo de Viroki comumente está diferenciado em três regiões - a base
o pedículo de articulação e uma parle aérea, a qual pode estar subdividida em’
pedículo de sustentação e ramos (Figura 13), tendo cada região as seguintes ca-
racterísticas:
- a base do pêlo, que se situa ao nível das células epidérmicas, como continui-
dade destas, são uni a pluricelulares. Em algumas espécies predominam as ba-
ses uni ou bicciuiares sobre as pluricelulares (Figura 1), na maioria das espé-
cies não ocorre tal predominância, aparecendo na mesma folha bases uni e plu-
ricelulares cm quantidades semelhantes (Figura 2).
Em y. dccortiains (Figura 2) e V. friifi^enheimii o número de células das
bases é tão grande, cerca de 20 a 30, que é po.ssível vê-las a olho nu.
- o pedículo de articulação, intermediário entre a base e a parle aérea propria-
mente dita, sempre permanece sobre a base quando a pane aérea cai, é ainda
recoberto pela cutícula e geralmcntc unicelular, raramente ocorrendo um
pedículo pluricelular, como em V. decoriiccms. No caso dc ter mais de uma cé-
lula estas .se dispõem num mesmo plano, articuladas lateralmentc, não .se .so-
hrepõem.
- a parle aérea dos pêlos, que varia em número de células e organização, em K
dccoriiains possui dc 2 a 4 células, ramificadas ou não, de paredes espe.ssas.
Quando não ramificadas, as células estão dispostas numa série apenas e a célu-
la distai termina afilada, o pêlo tem então a forma acicular (Figura 14 A - a, b).
Quando ramificada, a ramificação propriamente dita, ocorre apenas na penúl-
• ima célula distai, ficando a última célula como um prolongamento da célula
interior, o que confere o aspecto dc uma bifurcação (Figura 14 - c a g). A parte
proximal é constituída por uma ou mais células superpostas, não ramificadas,
^onio uma haste - o pedículo de sustentação.
Em y. a parle aérea possui um curto pedículo dc susien-
lação unicelular e três ou mais ramos curtos ou longos, de paredes espessas;
^ada ramo ao articular-se pela sua região proximal com a região proximal da
^■<^lula anterior (Figura 14-B) origina um eixo vertical unis.seriado, onde a re-
fi'ao distai de cada ramo termina livre. É provável que esta espécie tenha
•anibém pêlos não ramificados, como os descritos para K deconicans visto que
lêm na epiderme abaxial e que o número de células das ba.ses dos pêlos va-
riam de 3 a 8 (ba.ses com número pequeno de células em geral suportam pêlos
rriais simples estruiuralmente), porém estes não foram observado.s.
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A frcqücncia dos pelos 6 variável enlre as espécies, compreendendo de 0
a 1 p61o/(),17 mm- (Gráfico 1).
A cutícula ora aprcscnla-se com o aspecto liso, ora finamente granulada,
granulada e/ou com rachaduras em vista frontal.
O corte transversal da folha mostra variações na altura e largura das célu-
las epidérmicas, a ausência ou presença de divisões perielinais c anticlinais se-
cundárias (Figura 15) que podem ser raras, freqücntcs ou de tal forma comuns
que originam cm V. siirinomensis uma epiderme estratificada (Figura 18) e dei-
xa dúvidas, quanto à origem, tal a diferenciação que chegou, a camada subc-
pidérmica cm V. dixonii, que mais lembra uma hipoderme (Figura 16).
A cutícula espessa ou fina, penetra mais profundamente entre as células
epidérmicas, atingindo o nível da pcriclinal interna ou não. O lúmcn da célula
emite projeções (Figuras 17, 19 c 20) que variam no grau de inclinação, largura
c comprimento, sendo mais estreitas c eretas cm V. calophylla (Figura 20) e V.
calopliylloidea e mais largas e inclinadas em V. elonfraia (Figuras 17 c 19) c V.
marlenei, entre outras.
• EPIDERME ABAXIAL - cm vista frontal e corte transversal:
As células que se encontram sobre as nervuras são cm vista frontal, bem
distintas das células que revestem o limbo, até mesmo aquelas que se encon-
tram sobre as terminações vasculares.
Em geral, entre as células epidérmicas podem ser observados: os pêlos ou
somente suas bases encobertas pareialmentc pelo pedículo de articulação (Fi-
guras 21 a 26), estómatos, aberturas de canais .secretores e células secretoras
(Figuras 21 a ?>\ - ver mais informações destas últimas em estruturas secreto-
ras).
As células epidérmicas comuns do limbo têm a superfície lisa c/ou papi-
losa ou com papilas bem definidas (Figuras 15, 16, 32 a 37, 65 a 67, 72, 73, 75,
76 c 82). As papilas mais bem desenvolvidas são globosas, com um colo basal
ou não, podem ser digitiformes, geminadas, agrupadas por uma mesma capa
euticular formando “muralhas” ao redor dos estómatos (Figuras 36 e 37) ou
ainda com divisões perielinais que originam papilas com mais de uma célula
(Figuras 15, 67, 73 e 76). Quanto menos diferenciada a papila, mais inconstan-
te, aparecendo ou não na mesma folha, por outro lado, quanto mais diferen-
ciada, mais constante.
66
i SciELO
Anauwtia foliar de Virola Aiihiel
As células da epiderme tôm paredes retas, em mais de 90% das espécies
analisadas ou paredes onduladas resultantes de projeções do lúmen celular
como cm K gíirdnerí ou independentes de projeções, isto é, toda a parede anti-
clinal é ondulada. Em geral as paredes são finas mas em algumas espécies são
espessas. Comumente quando as ondulações são muito frouxas, isto é, este
caráter pouco diferenciado, tem uma ocorrência mais variável, o contrário se
observa quando mais diferenciadas, isto é, quando as ondulações são mais pro-
fundas, com curvaturas mais pronunciadas.
Algumas espécies de Virola tém os pêlos caducos e outras têm os pêlos
persistentes. Os pêlos da epiderme abaxial apresentam as mesmas regiões que
os da epiderme adaxial: base, pcdículo de articulação, parte aérea com ou sem
pedículo de sustentação c ramos.
As bases de pêlos têm de 1 até mais de 30 células: cm algumas espécies há
predominância de ba.ses unicelulares (Figura 21) c/ou bicelulares, noutras (a
maioria) sõ ocorrem bases com número pequeno de células (de 1 a 10) sem
predominância, ou somente bases multicelularcs (Figura 27), ainda outras
espécies possuem tanto as bases de pêlos unicelulares como também multicclu-
larcs, sem predominância (ver indirctamente pelo tamanho, a variação do nú-
mert) de células das bases dos pêlos nas Figuras 21 a 27).
A média do número de bases varia de 0 a 1(K)/0,17 mm-, mas a maioria
das espécies tem de 0 a 10 bases de pêlo.s/0,17 mm- (ver a variação de densida-
de nas Figuras 21 a 27).
O pcdículo de articulação mais comum é unicelular, mas pode também
ser bi, tri ou pluricelular (Figura 34), quando com mais de uma célula todas
estão dispostas no mesmo plano horizontal.
Os pêlos que possuem grande número dc células na base c pedículo dc
articulação pluricelular são aqueles com a parte aérea mais desenvolvida c
mais rígida. Já aquelas epidermes que po.ssucm uma cobertura densa de pêlos,
consequente de maior número dc pêlos por área, têm pêlos de paredes delga-
das, com aspecto delicado.
A parte aérea dos pêlos, muitíssimo variável, pode então ser séssil ou pe-
diculada (com pedículo dc sustentação). Os pêlos sésseis podem ter 1, 2 ou
mais ramt)s. No primeiro caso, a parte aérea é unicelular (cada ramo é consti-
tuído por uma célula), o pêlo é cônico e possui a extremidade basal globosa,
que se apõia .sobre o pedículo de articulação c a extremidade distai afilada e li-
vre. Quando o pêlo .sé.ssil tem dois ou mais ramos, então, duas ou mais células,
a região proximal de cada ramo é angulosa c vários ramos podem se articular
67
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Boi Mus. Para. límíUo Gocidi, sér. Boi. 8(1), 1W2
lado a lado sobre um mesmo plano horizontal (Figuras 23, 33, 51 - a a c, 53 - a,
b, d). Quando ocorrem mais ramos, estes ficam superpostos aos primeiros to-
mando o aspecto de um tufo ou aspecto arbustivo, visto de perfil ou estrelado
quando em vista frontal (Figuras 38 a 40, 50, 51 - d, e, 52, 53 - c, e a g, 55 - a a i)
ou então a região proximal de cada ramo (unicelular) articula-se não lateral-
mente, mas sobrepondo-se ao ramo anterior, parcial ou totalmente, originando
um eixo unisseriado (Figuras 41, 47 a 49, 54, 55 - j, 1, 59 - a, b). A região proxi-
mal alongando-se caracteriza melhor este eixo dando ao pClo um aspecto arbo-
rescente ou dendrítico.
Geralmente os pôlos menos complexos, mais simples, coram-se com azul
de astra, corante afim à celulose, tôm as paredes espessas e são rígidos, em al-
gumas espécies, porém, possuem as paredes finas, o que lhes confere um aspec-
to delicado (Figuras 33, 38 a 41, 52 a 54), às vezes como se estivessem inflados.
Muito raramente, ocorrem pêlos com duas ou trés células unisseriados e
sem formar ramos tipicamente laterais (Figuras 43, 45, 56 - a, 57 - a, 58 - a)
com a forma acicular, já referidos também para a epiderme adaxial.
Os pêlos pediculados são portadores de um pedículo de sustentação uni a
tricelular (Figuras 42, 44, 46, 56 a 59 - c). Neste as células sobrepõem-se for-
mando uma haste sobre a qual dispõem-se os ramos. Estes podem ser em nú-
mero de 1 (se considerarmos o pêlo unisseriado, de forma acicular, como um
pediculado, cuja última célula, o ramo, está disposto verticalmcntc), 2, 3 até 21
como cm V. megacorpo (Figura 59 - c). Como nos pêlos sésseis, os ramos po-
dem estar organizados sobre o pedículo de sustentação, articulando-sc 2, 3 ou 4
ramos no mesmo plano (Figuras 44, 56 - b a c), sobrepondo-se parcial e/ou to-
talmente pelas regiões proximais (Figuras 57 - b a g, 58 - b), um a um, até for-
mar com maior número de ramos, um eixo unisseriado com aspecto arbores-
cente (Figuras 46, 56 - c a g, 57 - h a o, 58 - c a g, 59 - c). Este aspecto fica mais
típico quanto mais se alonga a região proximal de articulação e quando com
maior número de ramos. Neste eixo unisseriado, os ramos terminais, dois ou
três últimos, podem se articular num mesmo plano (Figura 56 - c a g).
Em geral os pêlos variam no comprimento c diâmetro das células, bem
como já referido acima, na espessura e composição da parede, já que uns são
afins à fucsina. Alguns são retorcidos e tortuosos, enquanto outros têm o as-
pecto delicado.
Ainda dentro de um mesmo pêlo os ramos podem ter medidas diferentes,
como cm V. alhidipora (Figura 55) onde os ramos proximais são mais curtos
enquanto os distais são mais alongados. Noutras espécies ocorre o inverso, os
ramos mais curtos são os distais.
68
Anatomia foliar dc Virola Auhict
Em algumas espécies dc Virola só ocorrem pfilos sésseis, cm outras
somente pelos pediculados c ainda noutras estão presentes tanto pCIos sésseis
como pediculados. A ocorrência dos dois tipos numa mesma folha dá origem à
formação de estratos, como por exemplo em V. albidijlora.
Em geral há uma grande quantidade dc combinações diferentes de tipos
dc base, com tipos de pedículo dc articulação, dc sustentação c ramos nos
pClos, cm espécies diferentes ou então, até numa mesma folha.
Comumente os pelos menos complexos e diferenciados, com menor
número de células na base e pedículo de articulação, com poucos ramos c em
forma de estrela ou tufo tém ocorrência mais inconstante, ao passo que os
pediculados com maior número dc células na base c pedículo de articulação
com aspecto arborescente são mais constantes.
Os cslómatos são paracíticos c dc dois tipos: tipo “clongala” c tipo
“multinervia” (primeira vez observados nestas espécies) sendo este caráter
invariável dentro dc uma folha, entre folhas dc diferentes regiões da copa dc
um indivíduo c entre indivíduos diferentes dc uma mesma espécie (resultados
inéditos de um estudo feito com V elon^fata e V. calopliyUoidea dc coleta
padronizada dcnlro da copa e entre espécimes diversos das diferentes espécies
provenientes de material herborizado).
No estómato tipo “elongata”, as células-guardas encontram-se
encobertas pelas células subsidiárias que se estreitam cm direção à superfície
externa da folha (Figuras 68, 69). No tipo “multinervia” as células-guardas
estão dispostas no mesmo nível das células subsidiárias externamente (Figuras
65, 66). Em ambos a parede pcriclinal externa e interna são espessas na região
equatorial, delimitando um lúmen estreito enquanto nas regiões polares estas
paredes são delgadas permitindo um amplo lúmen celular.
No estómato tipo “multinervia” a parede pcriclinal externa é comumente
cutinizada (cora com fuesina e reage positivamente com Sudam III) c seu
espessamento na região polar interrompc-se dc tal forma a deixar bem
delimitadas as áreas sem espe.ssamcnto, como num estómato de Gramineac c
Cyperaceae, de fácil observação cm vista frontal (Figuras 6?<, 64). No estómato
tipo “elongata” os cspessamenlos, tanto da pcriclinal externa quanto interna,
não são cutinizados, coram-sc com azul dc asira c cm vista frontal da superfície
externa não são visíveis as áreas polares sem espessamento (Figuras 60 a 62),
apesar di) corte transversal nesta região mostrar o lúmen amplo.
Espécies com estómato tipo “multinervia” são, com poucas exceções,
portadoras de papilas bem diferenciadas de tal forma que os estómatos ficam
total ou parcialmentc encobertos por tais estruturas.
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A média do número dc cstômatos varia dc 25 a 145/0,17 mm-, sendo mais
frequentes espéeies onde a média está em torno de 50 a 80/0, 17 mm’ (Gráfico 1).
A cutícula cm algumas espécies mostra expressiva ornamentação, fácil dc
observar tanto em vista frontal quanto em corte transversal, como cm V.
elongala, V. calophylla, V. calophyUoidea, V. mollissima c V. obovaia, enquanto
noutras espécies esta ornamentação é menos distinta ou inconspícua.
• MESOFILO - cm corte tranvcrsal:
Nas folhas dc ViroUi o mesofilo comumente é interrompido pela presença
dc nervuras, células secretoras, canais secretores c idioblaslos cristalíferos.
- Parônquima paliçádico: tem o número de estratos variando dc 1 até 3,
com células curtas c largas como cm V. elongata (Figura 70), V. obovata
(Figura 71) e K venosa ou com células longas c estreitas como cm V. subse.ssilis
(Figura 75). É muito frequente, cm diversas espécies, a ocorrência dc células
bifurcadas, até mesmo na camada mais externa do parônquima paliçádico.
- Parônquima lacunoso: com número variável dc camadas, 4 a 8 cm geral,
com muitas ou poucas lacunas, em alguns casos praticamente atípico, isto é,
sem lacunas. Comumente tem as células alongadas dispostas hori/ontalmcntc
na folha, paralelas às epidermes (o que aparece caracterizado nas Figuras 70 a
73).
- Idioblaslos cristalíferos: neste gôncro é típica a ocorrência de um
idioblasto globoso dc paredes finas, contendo uma drusa dc oxalalo de cálcio,
disposto entre as células da primeira camada do parônquima paliçádico
(Figuras 16, 73, 74 c 76), raramcnlc na segunda. Em muitas espécies,
idioblaslos menores estão presentes com certa constância, no último estralo de
células do parônquima lacunoso. Em geral, o tamanho do cristal, bem como
sua freqüôncia variam: num mesmo corte podem aparecer vários idioblaslos,
até mesmo geminados, enquanto cm outros cortes, às vezes é difícil encontrar
algum.
Cristais Icnticularcs pequenos foram observados principalmcnte no
parônquima lacunoso de diversas espécies; cm V. Jlexuosa, além dos cristais
Icnticularcs foram encontrados cristais prismáticos solitários.
- Terminações vasculares: basicamente ocorrem dois tipos dc
terminações: uma com traqueídeos envolvidos por csclcrônquima (por
fibroesclcrcídeos - Figura 86) e outra com iraqueídeos envolvidos diretamcnic
pelo parônquima lacunoso (Figura 87). As terminações livres no parônquima
comumente são representadas por iraqueídeos muito largos e curtos com
reforço em geral espiralado ou cscalariforme. Já as terminações envolvidas por
fibro-csclereídeos largos e curlos, com muitas pontuações grandes e
arredondadas, conforme a proximidade da terminação, geralmentc envolvem
traqueídeos estreitos c alongados.
70
Anatomia foliar de Virola Aublet
ESTRUTURAS SECRETORAS:
- Células secretoras: são comuns ao género, tipicamente distribuídas entre as
células do mesofilo e de tamanho “gigante”, quando comparadas às demais
células da folha. Entre as diferentes espécies, tais células apresentam muita
variação em relação à freqüência e posição. Geralmente, dispõem-se abaixo da
primeira camada de células do parénquima paliçádico e entre as primeiras
camadas do parénquima lacunoso (Figuras 16, 67, 71, 73 e 84). Em corte
transversal, tém a forma elíptica ou redonda, cm cortes paradérmicos tém
sempre a forma circular (Figura 80) e estão rodeadas pelas células do
parénquima lacunoso dispostas radialmente. A secreção aparece cm forma de
glóbulos grandes ou pequenos, imersa no meio citoplasmático, em algumas
espécies ocorrem como glóbulos densos c amarelados.
Células secretoras epidérmicas são cm geral de tamanho menor que as
descritas acima, com paredes finas e conteúdo semelhante, praticamente
afloram na epiderme (Figuras 83 e 85), a camada de cutícula que as recobre é
finíssima e nesta, cm alguns casos, é possível observar um pequeno poro
central. Em vista frontal reconhece-se uma célula secretora como uma região
clara que contrasta com o restante da epiderme (Figuras 27 a 29). Em V.
micraníha c V. gardneri a abertura destas células na epiderme é um pouco mais
diferenciada c constante, enquanto noutras espécies é muito variável.
- Canais secretores: foram aqui chamados de secretores, mas em verdade
dcsconhccc-sc a função que realizam. São comuns ao género. Normalmcntc
abrem-sc na epiderme adaxial, mais raramente na abaxial. Em vista frontal
aparecem como uma região muito pequena, clara, triangular ou quadrangular,
às vezes mais alongada, não muito distinta, na junção de trés ou quatro células
epidérmicas (Figuras 3, 30, 31). No corte transversal da folha mostram-se
estreitos ou largos, articulados ou não. Acompanham as terminações
vasculares em suas extremidades, ramificam-se e penetram entre as células do
parénquima paliçádico antes de atingirem a epiderme (Figuras 77 a 82).
Geralmente tém a parede delgada, tipo de cre.scimenlo intrusivo, o que lhes
confere um aspecto tortuoso, com áreas de pontuações em toda a sua extensão.
Em algumas espécies, parle do conteúdo tem a forma de bastões, noutras tem a
forma de glóbulos e reagem positivamente com Sudam 111. Sem dúvida alguma,
mais estudos quanto à estrutura destes canais são necessários, principalmentc
através de cortes seriados e abrangendo todas as espécies.
71
cm
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2) Teste de laxonomia numérica com caracteres fenéticos:
Na Tabela 1 estão relacionadas as características utilizadas após análise
do material para o teste com cartões perfurados na margem. Aquelas assinala-
das com asterisco, mais os integrantes do item XXXI compuseram a segunda
tabela com dados mais constantes em ocorrência (ver informações em Material
e Método).
TABELA 1 - Caracteres e seus estados de estrutura da folha de espécies de Vi-
rola - elementos básicos para o teste de taxonomia numérica (caracteres em al-
garismos romanos, estados em arábicos).
• EPIDERME ADAXIAL em vista frontal
I - Quanto à forma das paredes: *
1. com paredes retas
2. com paredes onduladas por projeções do lúmen
3. predominantemente retas com raras projeções
II - Espessura da parede das células:
4. muito espessas
5. muito finas
6. intermediárias
III - Ocorrência de canais secretores atingindo a superfície:
7. presentes
8. ausentes
IV - Ocorrência de células secretoras: *
9. presentes
10. ausentes
V - Número de células das bases dos pêlos: *
11.0
12. 1 , 2 ou mais células (com predominância de 1)
13. 1, 2 ou mais células (com predominância de 2)
14. 1,2, 3, 4 ou mais células
15. 2 a 12 células
16.4 a 10 células
17. 2 a 20, até 30 células
VI - Número de bases de pêlos por 0,17 mm’: *
18.0- 1,0
19. 1,1 -2,0
20. 2,1 -5,0
21.5,1 - 10,0
22. 10,1 em diante
72
Anatomia foliar de Virola Aiihiet
VII - Quanto à permanência dos pêlos: *
23. pêlos caducos
24. pêlos persistentes
• EPIDERME ABAXIAL cm vista frontal
VIII - Quanto à forma das paredes: *
25. com paredes retas
26. com paredes onduladas
27. com paredes onduladas por projeções do lúmcn
IX - Espessura da parede das células:
28. paredes muito espessas
29. paredes muito finas
30. paredes com espessura intermediária
X - Qcorrêneia de canais secretores atingindo a superfície:
31. presentes
32. ausentes
XI - Qcorrêneia de células secretoras atingindo a superfície:
33. presentes
34. ausentes
XII - Qcorrêneia de papilas: *
35. sem papilas, superfície das células lisas
36. células papilosas
37. células com papilas não divididas secundariamente
38. células com papilas divididas (mais de 1 célula)
39. papilas não frcqüentcs
XIII - Tipo de estômato quanto à coloração: *
40. o espessamento da célula-guarda cora-se com azul de astra
41. o espessamento da célula-guarda cora-se com azul de astra c fuesina
XIV - Tipo de estômato quanto ao nível que ocupa junto às células
subsidiárias: *
42. cstômalos imersos nas células subsidiárias
43. estômatos nivelados externamente com as células subsidiárias
XV - Número de estômatos por 0,17 mm^: *
44. 21 a 50
45.51 a 80
46.81 a 110
47. 111 em diante
XVI - Número de bases de pêlos por 0,17 mm’: *
48. 0 a 9
49. 10 a 19
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50. 20 a 29
51. 30 a 39
52. 40 a 49
53. 50 a 59
54. 90 a 99
XVII - Número de células das bases de pêlos: *
55. predominam números pequenos: 1 a 10, raramente maior que 10
56. predominam números grandes: 8 a 30, raramente menor que 8
57. só ocorrem bases com número pequeno de células
58. só ocorrem bases com número grande de células.
59. predominam bases unicelulares e/ou bicelulares (mais de 50%)
60. ocorrem bases com 1 - 30 células sem predominância
XVIII - Número de células no pedículo de articulação: *
61. uma célula
62. uma a quatro células
63. raramente mais que uma célula
XIX - Quanto ao pedículo de sustentação: *
64. pêlo séssil, sem pedículo de sustentação
65. pêlos com pedículo de sustentação predominanlemente unicelular
66. pêlos com pedículo de sustentação 1, 2 ou 3 - celular
67. pêlos sésseis e pediculados na mesma folha (com pedículo predominante-
mente unicelular)
68. pêlos sésseis e pediculados na mesma folha (com pedículo 1, 2 ou 3 celular)
XX - Quanto ao número de células da parte aérea do pêlo: *
69. pêlos unicelulares e pluricelulares ramificados
70. pêlos pluricelulares ramificados
71. pêlos, além de outro tipo, também unisseriados pluricelulares
XXI - Tipos de pêlos quanto à organização dos ramos: *
72. pêlos dispostos em tufos, arbustivos
73. empilhados um a um, predominantemente
74. pêlos dendríticos, arborescentes
75. tufos pediculados c arborescentes
76. tufos não pediculados c arborescentes
XXII - Quanto à espessura da parede dos pêlos: *
77. paredes espessas
78. paredes finas
XXIII - Quanto ü forma dos ramos: *
79. acicu lares
80. inflados
74
Anatomia foliar de Virola Auhiet
XXIV - Quanto à disposição dos pêlos em estratos;
81. formando apenas um estrato
82. formando mais de um estrato
83. formando um segundo ou terceiro estrato com ausência do primeiro (pêlos
sempre pediculados)
• FOLHA EM CORTE TRANSVERSAL
XXV - Quanto ao número de estratos da epiderme adaxial: *
84. células sem divisões periclinais secundárias - epiderme uniestratificada
85. células com divisões periclinais secundárias - epiderme com tendência à
estratificação ou estratificada
86. epiderme com camada subepidérmica muito diferenciada lembrando
hipoderme
XXVI - Quanto à ocorrência de idioblastos cristalíferos no parênquima
paliçádico:
87. freqüentes
88. raros
XXVII - Quanto à ocorrência de idioblastos cristalíferos na última camada do
parênquima lacunoso: *
89. presentes
90. ausentes
XXVIII - Quanto à ocorrência de células secretoras no mesofilo:
91. muito freqüentes
92. freqüentes
93. raras
XXIX - Terminações vasculares: *
94. constituídas por traqueídeos largos ou estreitos envolvidos por parênquima
95. constituídas por traqueídeos estreitos envolvidos por fibro-esclereídeos
XXX - Quanto à ocorrência de bainha de extensão parenquimática nas
terminações vasculares:
96. presentes
97. ausentes
XXXI - Quanto ao tipo de estômato em vista frontal:
• com áreas polares livres de espessamento de fácil observação
• com áreas polares livres de espessamento não evidentes quando focalizados
ao nível da parede periclinal externa
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Dc cada labcla foi preparada uma matriz de similaridade fenética (Figura
88 - da primeira tabela). Da primeira matriz derivaram: um fenograma (Figura
89), um diagrama de círculo cm que as espécies estão ligadas ao nível dc 70%
(Figura 91) c um gráfico dc relação das espécies com o ancestral (Figura 92).
Deste último foram obtidos por substituição da espécie pelo caráter tipo dc
estômato c tipo de pélo, dois outros gráficos (Figura 93 e 94, respectivamente).
Da segunda matriz foi realizado apenas um segundo fenograma (Figura 90).
O fenograma da primeira tabela (Figura 89) que envolveu todos os carac-
teres, mostra um grupo de espécies bem distintas das demais e um agrupamen-
to dc parte das espécies com estômato tipo “multincrvia”, a um nível dc simila-
ridade de 74% enquanto neste nível as espécies com estômato tipo “clongata”
mostram afinidade apenas entre pequenos grupos dc espécies.
Já o fenograma da segunda tabela (Figura 90) da qual participaram carac-
teres mais constantes, de “maior peso taxonômico” evidencia uma nítida sepa-
ração entre as espécies dc estômato tipo “multincrvia” c “clongata”. Da mes-
ma forma aponta a presença dc espécies com estômatos tipo “multincrvia” que
estão bem isoladas das demais.
A existência de dois grandes grupos está caracterizado também no dia-
grama dc círculo, onde o tipo dc estômato pode ser indicado como elemento
de distinção entre os grupos (Figura 91).
O gráfico dc relacionamento da espécie com o ancestral hipotético (Figu-
ra 92) indica as espécies mais antigas (mais próximas do ancestral), bem como
aquelas mais derivadas (mais distantes do ancestral).
A substituição do número da espécie pelo caráter tipo dc estômato (Fi-
gura 93) identifica uma evolução paralela dos dois grupos dc estômatos c que
espécies com estômatos do tipo “multincrvia” estão mais próximas do ances-
tral.
Já a substituição do número dc espécies pelo caráter tipos dc pêlos indica
uma linha dc diferenciação dc pêlos sésseis mais próximos do ancestral, segui-
dos dc pêlos séssil/pcdiculado (os dois ocorrendo numa mesma folha) c com
pêlos pcdiculados ocupando cm geral o extremo oposto ao ancestral (Figura
94). Além deste aspecto evolutivo da estrutura de pêlos sésseis para pedicula-
dos, observa-se que, basicamente, as espécies com pêlos sésseis que se situam
em posição oposta ao ancestral são aquelas cujos pêlos têm paredes delgadas,
aspecto inllado c em geral ocorrem densamente sobre a epiderme abaxial.
76
Analornia foliar de Virola Auhlet
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
I. Considerações sobre a estrutura anatômica da folha:
As folhas das espécies do gênero Virola possuem uma grande quantidade
de caracteres que, face à constância de ocorrência, por um lado são importan-
tes, pois indicam o significado destes na adaptação ao ambiente; por outro lado
por consistirem, decorrentes da citação anterior - constância, bons elementos
para avaliação taxonômica do grupo.
Além disto, a ampla variedade de distribuição e forma de estruturas, den-
tro de um mesmo indivíduo ou entre indivíduos diferentes, afora permitir o es-
tabelecimento dos possíveis caminhos de evolução de estruturas dentro do
grupo, são elementos valiosos por representarem a dinâmica do processo adap-
tativo/evolutivo passo a passo - a história anatômica.
Indo mais longe, levantaríamos a questão se o quadro de adaptações re-
flete a Amazônia no passado, ao tempo do estabelecimento do gênero ou re-
quisitos para a manutenção do mesmo, ao longo do tempo na região.
Para melhor clareza na discussão, os tecidos e estruturas são, a princípio,
analisados isoladamente, assim:
A - EPIDERME AD AXIAL:
Nesta são quatro os aspectos considerados mais relevantes:
1. o contorno das paredes anticlinais reto ou ondulado por projeções do lúmcn
celular;
2. a presença e características dos pêlos;
.1. a ocorrência de divisões celulares secundárias;
4. a presença de estruturas secretoras aflorando na epiderme.
1. Quanto às paredes anticlinais:
Dos 47 binômios estudados, 44,7% possuem a parede reta, enquanto
55,3% têm a parede ondulada por projeções do lúmen celular, cujas ondu-
lações sô ocorrem ao nível da parede pcriclinal externa, junto à cutícula, mais
internamente o contorno da parede sendo reto. Todas as espécies com paredes
retas têm estômatos tipo “multinervia”, o inverso não ocorre, isto é, há espé-
cies com estômato tipo “multinervia” que têm paredes onduladas. Todas com
cslômato tipo “clongaia” têm paredes onduladas por projeções.
Sitholcy (1971) refere-se a estas ondulações para Mangifera indica e Minm-
sopsis elengi como conseqüência da cutiniz.ação profunda da célula epidérmica.
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A impressão que se lem, no entanto, 6 de que estas ondulações resultam de
uma ação mais dinâmica da célula de emitir projeções durante o período de
expansão, mesmo porque a cutinização profunda se referir-se a nível de pene-
tração, pode ocorrer até na periclinal interna sem corresponder a uma ondu-
lação da periclinal externa.
Este tipo de ondulação ocorre mesmo em plantas primitivas. Pant &
Khare (1971) descrevem as células epidérmicas de Tmesipteris tannensis (Psilo-
tales) como de paredes onduladas e na fotomicrografia da Prancha 1-D do
mesmo trabalho, podem-se observar as ondulações junto à parede periclinal
externa atravessadas por um traço reto mediano que corresponde às paredes
anticlinais retas e, naturalmente, ao contorno da periclinal interna, sendo este
o aspecto típico da parede ondulada por projeções.
Da mesma forma, pelas fotomicrografias de Baranova (1972 - Figura 10 -
epiderme superior e Figura 8 - epiderme inferior) as espécies de Winteraccac -
Buhbui ouriculata e Tosnumnia piperíia possuem paredes onduladas ao nível da
cutícula e retas próximo à parede periclinal interna.
Em vários outros trabalhos, pode deduzir-se pelas fotomicrografias a
ocorrência de paredes onduladas por projeções, que tanto pode ser na epider-
me superior ou inferior ou em ambas, como por exemplo, Paula (1974) em Ca-
lophylliim hra.siliensi.s (Foto 2 - epiderme superior e Foto 1 - epiderme inferior)
e Paula (1976) em Campa valioi aff. macropoda (Foto 1 1 e Figura 5-E), ambas
Guttiferae; Vattimo (1975), em várias espécies dcAniha (Lauraccac); >1. ripa-
ria (Fotos 5 e 6), A. fragrans (Foto 8), A. permollis (Foto 16) e A. parviflora
(Foto 18); Vilhena (1978) em Endopleiira uchi (epiderme superior e inferior,
várias fotos) e Hiimiriastrum cuspidatum (Figura 10 - A principalmentc) - Hu-
miriaceae. Assim paredes onduladas por projeções aparentemente têm uma
ocorrência ampla entre as plantas.
Apesar desta última consideração e de já em 1908 Solereder ter citado
aspectos descritos por Vesque da folha de Anonaceae, entre os quais “cm cer-
tas espécies de Ariahoiiys, Xylopia e Anona, as paredes laterais das células
epidérmicas aparecem onduladas em foco superior, retas cm foco inferior”, o
que corresponde às referidas projeções, a resoluçãi) de que estas ondulações
são resultantes de projeções do lúmcn celular aparecem claramcnte no traba-
lho de Smith ei al. (1974) sobre uma espécie de Hipocrateaccae de Santa Cata-
rina - Peritassa calypsoides.
Napp-Zinn (197.^) faz referência a estruturas semelhantes dentro do tó-
pico cetodesmos, porém não trata da correlação destas com paredes onduladas.
78
Anatomia foliar de Virola Aublei
Provavelmente, uma grande quantidade de plantas, cujas paredes das cé-
lulas epidérmicas foram descritas como onduladas, tém esta ondulação resul-
tante de projeções do lúmen celular, uma vez que cm certas epidermes é até
mesmo difícil observar tais projeções em si. O corte paradérmico associado ao
corte transversal da folha c epiderme dissociada são essenciais para tal con-
clusão. Em Virola, em muitos casos, as projeções estão dispostas tão vertical-
mente e a cutícula que as recobre é tão fina, que as projeções podem ser obser-
vadas em vista frontal, como regiões claras dispostas nas margens das células.
Dentro dos géneros americanos de Myristicaceac, as informações que se
tem em relação às paredes anticlinais são;
- em Otoha, as sete espécies que compõem o gênero têm paredes retas (Braga
et ai, inédito);
- em Osteopfiloeum, com apenas duas espécies, uma delas, O. platispcrmum
possui células da epiderme adaxial com paredes onduladas por projeções do
lúmen celular, enquanto cm O. sukatum, de dois espécimes, um tem paredes
retas, já o outro tem paredes onduladas por projeções (Braga & Monteiro, iné-
dito);
- em Compsoneura, Sousa (1989) verificou em todas as 12 espécies, a existência
de paredes onduladas, sendo que 8 destas têm paredes onduladas por projeções
do lúmen celular na cutícula, enquanto as outras 4, além deste caráter, têm as
paredes anticlinais próximas à pcriclinal interna, também onduladas mas sem
ser por projeções.
Koster & Baas (1981) trabalhando com os gêneros asiáticos de Myristica-
ceae, citam a presença de células com “paredes sinuosas cm foco superior c re-
tas a levemente encurvadas em foco inferior” ou “paredes anticlinais sinuo.sas
cm foco (muito) superior c retas a ligeiramente encurvadas cm foco inferior” c
que cm corte transversal da folha mostram a parede pcriclinal externa recorta-
da, correspondendo às áreas finas de cutícula vistas frontalmente, da .seguinte
forma:
- em Gymnacranthera, 5 das 6 espécies que constituem o gênero têm paredes
onduladas por projeções;
- em Horsfieldia, das 8 espécies estudadas (o gênero é constituído de 50 espé-
cies), a metade tem paredes onduladas por projeções, 3 espécies têm paredes
retas c em H. sylvesiris ocorre variação deste caráter entre espécimes diferentes;
- cm Knema c cm Myrística, nas 31 c 13 espécies estudadas das 83 e 72 que tota-
lizam cada gênero rcspcctivamcntc, todas têm paredes onduladas por pro-
jeções.
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Em 1908, Solcrcdcr relacionava paredes laterais onduladas com espécies
que crescem em habitais úmidos, enquanto paredes relas são comuns cm espé-
cies que ocupam habitais secos. Recenlemenie, Wilkinson (1979), revendo a
questão, lembra que tem sido encontrada uma relação entre sinuosidade da pa-
rede c exposição da folha à luz solar, isto é, a sinuosidade sendo freqüente em
folhas de sombra.
Em geral as espécies de ViroUi com paredes relas são plantas cuja altura
média lhes permite mais exposição à luz, cumpre lembrar aqui que muitas
espécies são emergentes na floresta amazAnica. Em oposição, as espécies de
paredes onduladas tém um porte menor, porém mais informações de coleta de
material são necessárias para melhor avaliar esta correlação (considerando o
tipo de vegetação, a altura desta, se a planta ocorre cm várzea ou igapó onde a
exposição à luz pode estar ou não mais intensificada).
No que concerne ao papel destas projeções, lembra-se que, entre outras
possibilidades, a ondulação da parede lateral pode, conforme Habcrlandt
(1928) representar um melhor “encaixe” das células epidérmicas, qualificando
mecanicamente a epiderme contra “stress” por tensão. Estas ondulações, por
outro lado, constituem um aumento na superfície de contato não só caracteri-
zando o melhor encaixe, como citado por Habcrlandt, mas significando
também maior superfície de troca, de comunicação entre células vizinhas.
No caso das ondulações por projeções do lúmcn celular cm que as áreas
de maior contato por aumento de superfície cm comum estão restritas à su-
perfície foliar junto à cutícula, pcrccbc-se que seria muito válido c profícuo um
investimento no estudo da ultraestrutura e significado funcional destas pro-
jeções.
2. Quanto aos pêlos:
Os pClos da epiderme adaxial cm Virola talvez tenham uma função es-
pecífica de proteção da folha nova, pois a maioria das espécies tém a epiderme
adaxial glabra nas folhas adultas c pilosa quando nova.
Apenas duas espécies, V. dccorlicans c V. ffi^enheimii, mantém os pêlos
nesta epiderme cm folhas adultas.
Q)m exceção destas duas espécies onde a manutenção do pêlo poderia
ser questionada como uma retomada da função de proteção, as demais têm as
bases (células ao nível da epiderme) cm geral em pequena quantidade por área,
com número reduzido de células, mas rclativamcntc constantes.
80
Anatomia foliar de Virola Auhki
Em V. decorticans c V. gitggenheimii os pClos mantidos são, principalmcn-
tc nesta última espécie, pelo aspecto - de paredes espessas, com ramos pontea-
gudos - pequenas armas contra a herbivoria.
Sousa (1989) cila a presença de pêlos decíduos cm todas as 12 espécies
estudadas de Compsoneura e Koster & Baas (1981) rcfcrcm-sc a “pClos presen-
tes, ao menos nas folhas jovens, nas superfícies adaxial e abaxial ou somente na
superfície abaxial...”, para as espécies asiáticas de Myristicaceac.
3. Quanto à ocorrência de divisões secundárias nas células da epiderme:
Em corte transversal, muitas espécies, basicamente aquelas que têm
estômatos tipo “multincrvia” apresentam divisões secundárias pcriclinais e an-
liclinais, cuja ocorrência varia entre rara, frcqücnle ou constantemente entre
as espécies. Merece destaque o paralelismo de presença destas divisões se-
cundárias nas papilas da epiderme abaxial da mesma folha.
Em algumas espécies como V. siirinamensis, cm várias amostras de herbá-
rio, põdc-se observar a constância de ocorrência destas divisões em indivíduos
diversos, bem como uma estratificação bem diferenciada; já em V. dixonii a pre-
sença de uma camada .subcpidérmica de células distintas, principalmentc pela
posição não ordenada com a camada externa sugere uma hipoderme, porém a
tendência às divisões secundárias no gênero aliada à presença de divisões se-
cundárias nas papilas da epiderme abaxial da mesma folha reforça a identifi-
cação desta camada como parle de uma epiderme estratificada. Evidenlcmcntc
estudos ontogcnéticos comprovariam a natureza da mesma.
Warburg (1987) fez, referência a uma camada subcpidérmica em Dyalian-
ihera (= Otoba).
Em Compsoneura, Sousa (1989) não observou tendência à estratificação
porém rcfcrc-sc ü prc.scnça de uma provável hipoderme em C. atopa. Já Koster
& Baas (1981) citam uma hipoderme adaxial como uma camada contínua de
células translúcidas, distintas da epiderme, para algumas espécies de Horsjlel-
dio c Myrisíica. Em algumas espécies de Knema c espécimes de Aí. f^iaileriifolia
a hipoderme é desenvolvida apenas localmcntc, cspccialmcnlc junto às nervu-
ras mediana c maiores entremeada com o parênquima paliçádico.
Na literatura cm geral, a estratificação da epiderme é apontada como
uma estratégia para esconder o parênquima clorofiliano da luz. cxce.ssiva ou pa-
ra adicionar às funções da epiderme a de reservar água.
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liol. Mus. Para. Emílio Gocídi, sér. ISot. 8(1), I9<J2
Rodrigues (1980) cita a prefcrCncia de V. surínamensis por lugares panta-
nosos c férteis, ilhas baixas c quase toda a zona fluvial do Acre, Amazonas c
seus afluentes, acompanhando as margens dos rios, igarapés, furos c paranás
até onde a terra possa ser alagada, limitando-se à mata periodicamente
inundávcl. Não ocorre geralmentc nos rios de água preta ...” Além disso re-
fere-se à V. surinamensis como uma essência heliófila c uma das mais ampla-
mente dispersas ultrapassando inclusive as fronteiras, sendo “a única até então
conhecida que se estende para o norte pelo arquipélago das Antilhas até Gua-
dalupe”.
Em relação à V. dixonii, não se dispõe de muitas informações quanto ao
habitat, a não ser que o material estudado é proveniente de um bosque úmido
tropical de Esmeraldas (no litoral do Equador).
Ainda que as informações a respeito sejam esparsas, é importante levar
cm consideração a tendência à estratificação não como um caráter essencial
para o estabelecimento do gênero já que sua ocorrência é esporádica, mas tal-
vez importante para melhor qualificar uma espécie, como por exemplo, V. suri-
namensis para ocupar outros ambientes. Por outro lado, o fato de apresentar
uma tendência representa a possibilidade fenética “acccssívcl” para exploração
do caráter, utiliz.ada de forma maior ou menor numa ou noutra espécie.
4. Quanto à presença de estruturas secretoras na epiderme:
São comuns no gênero Virota aberturas de canais secretores na epiderme,
representadas por uma pequena região onde a cutícula é muito mais delgada
ou talvez até mesmo interrompida. Em corte transversal da folha são encon-
trados comumente junto aos feixes vasculares, principalmente na extremidade
do lado do xilema, onde ora atravessam por entre as células do parênquima pa-
liçádico atingindo a superfície epidérmica, ora percorrem a folha cm sentido
contrário. Desconhecendo a naturcz.a do conteúdo c com poucas informações
mesmo sobre as caraeterísticas estruturais c ultraestruturais destes canais, tor-
na-se limitada alguma discussão a respeito, até para nomeá-los como secretor
ou cxcretor.
Nestas circunstâncias permite-se apenas pensar que representam um
caráter mais importante taxonomicamente a nível de subfamília, pois foram
encontrados por Sousa (1989) em todas as espécies de Compsoneura no meso-
filo, enquanto somente cm C. racemosa atingem a epiderme. Naturalmente,
com mais dados, estudos feitos através de cortes seriados em diversos planos,
somados à análise ultraestrutural poderiam contribuir para a caracterização de
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Anatomia foliar de l-lrola Aiihicí
níveis taxonômicos diversos, bem como avaliação do conteúdo c assim levantar
informações importantes para a fisiologia e ecologia, cssencialmente levando
em consideração a riqueza da entomofauna e adequabilidade do meio para a
proliferação de fungos que existem na Amazônia.
Koster & Baas (1981) encontraram estruturas peculiares cm espécimes
de Knema e Myrisiica como as descritas acima para Virola, que, acreditam, po-
deriam ser os sacos taniníferos citados na literatura, porém reconhecem a im-
possibilidade de identificá-los a partir de material herborizado.
Garratt (1933) observou a ocorrência de tubos taniníferos nos raios do
xilema de todas as Myristicaceae que estudou, contudo, estes tubos não pos-
suíam pontuações, ao contrário daqueles da folha de Virola. Metcalfe & Chalk
(1950) citaram sacos taniníferos alongados nos feixes vasculares de Myristica-
ccae, mas sem detalhes.
Além dos canais secretores, células secretoras podem ser encontradas
aflorando na epiderme. Têm maior ocorrência na epiderme abaxial, tanto em
número por área como cm número de espécies em comparação com a epider-
me adaxial. Em compensação, em V. micrantha e V. gardncrí as células que aflo-
ram na epiderme adaxial o fazem de tal forma, parcialmente encobertas pelas
células vizinhas com um reforço cuticular nas anticlinais, o que confere à re-
gião da célula secretora cm vista frontal, um aspecto diferenciado evidenciando
um investimento maior cm organização (ver a discussão a respeito cm Mesofi-
lo - células secretoras).
Outros caracteres da epiderme como espessura e ornamentação da cutí-
cula, altura e largura das células epidérmicas, entre outros, não foram aqui re-
latados, visto que .são mais variáveis, obrigam a análise de maior amostragem
de material, bem como de material de preferência fresco e fixado, já que a rei-
dratação nem sempre é perfeita, ocasionando a leitura de medidas não reais.
B - EPIDERME ABAXIAL:
Como na epiderme adaxial, são discutidos apenas os aspectos considera-
dos mais relevantes:
1. características dos estômatos
2. a presença c características dos pêlos
3. a presença de papilas
4. a presença de divisões celulares secundárias nas papilas
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5. O contorno das paredes anliclinais reto ou ondulado, com ondulações resul-
tantes ou não de projeções do lúmen celular
6. a presença de estruturas secretoras aflorando na epiderme
1. Quanto às características dos estõmatos:
Da quantidade relativamente grande de folhas estudadas dentro de um
mesmo indivíduo (trabalho realizttdo à parle, inédito, com material obtido de
forma padronizada, de várias regiões da copa, várias regiões dentro da folha),
entre indivíduos diferentes (provenientes de coletas diferentes depositadas no
herbário do INPA) e nos 47 binômios analisados, foi possível reconhecer-se
dois tipos básicos de estõmatos:
- estõmalo tipo “multinervia” observado pela primeira vez em V. muliinervia,
que se caracteriza por estar nivelado externamenie com as células subsidiárias
e epidérmicas, quando não papilosas e pelas características do espessamento da
parede e formato do lúmen, assemelha-se aos estõmatos de Cyperaceae e
Gramineae - constituindo um estõmalo graminóide (Braga 1984), com uma
particularidade de ter o espessamento da parede periclinal externa cutinizado.
Comumente as espécies que possuem estõmalo tipo “multinervia” tém
papilas que encobrem as células-guardas cm geral (ver tõpico sobre papilas).
- estõmalo tipo “elongata” observado pela primeira vez cm V. elongata, difere
do primeiro por encontrar-se quase que totalmente imerso nas células subsi-
diárias c por não ter a parede periclinal externa cutini/iida.
Dentro do género Virola este tipo de estõmalo ocorre nas espécies da
Secção Oxyonthera de Warburg (1897) com exceção de V. calophylla, V. caloph-
yUoidea, V. kpidota c V. miicrocarpa, enquanto o primeiro, estõmalo tipo “mul-
tinervia”, está presente cm todas as espécies da Secção Amblyanihera de War-
burg com exceção de V. urhaniana.
Afora as exceções, este resultado comum na subdivisão do género, basea-
do cm caracteres diferentes, de õrgãos diferentes, vegetativo (folha - estõmalo)
c reprodutivo (dor - androceu), não pode ser entendida como mera coincidên-
cia, porém estas estruturas reforçam-se como caracteres taxonõmicos. Natu-
ralmcntc, torna-se necessário compreender o significado destas estruturas para
estas plantas, principalmcntc levando em consideração o ambiente amazônico
ao tempo de expansão adapialiva/cvolutiva destes componentes.
Na Figura 9.'^, que mostra a relação das espécies com o ancestral hipotéti-
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Anatomia foliar dc Virola Aubkt
CO, pode vcrificar-se que as espécies com estômalos do lipo “multincrvia” evo-
luíram paralelamente às espécies com estômato tipo “elongata”. Considerando
que em ambos os casos há uma similaridade de produto, isto é, ambos os gru-
pos escondem seus estômatos, seja por papilas, seja por células subsidiárias,
torna-se mais importante avaliar o porquê de esconder os estômatos e não a
forma como foi feito. A estratégia de esconder estômatos é conhecida como
adaptação à economia de água, o que aparentemente soa como incoerência vis-
to a tão conhecida disponibilidade de água na Amazônia. Porém, existem me-
ses de seca na região que podem ter uma repercussão maior, constituir um
ponto crítico que seja mais limitante do que para uma planta com menor dis-
ponibilidade de água, mas contínua ao longo do ano.
Ao julgar a hipótese acima como plausível, como correta a interpretação
de esconder estômatos como estratégia à limitação da água e adicionando-se o
conhecimento da importância da água para as plantas, reavalia-se a forma dis-
tinta de esconder estômatos caracterizando dois grupos, como de grande valor
para a taxonomia, naturalmente lembrando serem caracteres constantes em
ocorrência, em virtude de se concluir ser esta adaptação vital para a existência
ou sobrevivência do gênero na região.
Nos demais gêneros americanos de Myristicaceae, até então temos:
- estômato tipo “elongata” - foi encontrado cm todas as Otoba (Braga ei al,
inédito) c em 1/3 das espécies dc Compsoneura (Sousa 1989). Neste último gê-
nero com uma variante - não está escondido pelas células subsidiárias).
- estômato tipo “multincrvia” - foi encontrado cm Osteophloeum (Braga &
Monteiro, inédito), Iryanthcra (sem informação dc quantidade) c em 2/3 das
espécies dc Compsoneura (Sousa 1989) - neste último gênero também com
uma variante - a presença de estrias radiais, quando observadas em vista frontal
da célula-guarda, além dc não estar escondido sob papilas.
Koster & Baas (1981) referem-se às células-guardas frcqücntementc
“embebidas” nas células subsidiárias, mais conspicuamente cm Gymnacranthe-
fa e Knenia, nestas numa seção perpendicular ao poro, as células subsidiárias
envolvem totalmcntc as células-guardas, exceto os lados do poro. Citam a difi-
euldade de observar o complexo cstomático nas espécies dc Knenia devido à
Sua ocorrência num nível inferior ao das células epidérmicas, o que os cortes
transversais esclarecem ao mostrar o complexo cstomático fortemente submer-
so, com uma cutícula fina, encoberto por papilas mais ou menos orientadas ho-
fizonialmentc oriundas das células vizinhas. Em Myrísiica o complexo cslomá-
tico “submerso” está parcialmentc encoberto por papilas mais ou menos eretas
tias células epidérmiais vizinhas.
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Comparando os resultados obtidos com Virola c aqueles de Koster & Ba-
as, realça-se a importância das características dos eslômaios - estarem escondi-
dos, para parte da família, visto que foi uma adaptação tanto das espécies ame-
ricanas como das espécies asiáticas que também crescem na floresta pluvial
tropical. Verifica-se, porém, que a resposta adaplativa foi mais redundante nas
espécies asiáticas, porquanto utilizam os requisitos que as espécies americanas
desenvolveram separadamente (esconder estômatos ou pelas células subsidiá-
rias ou por papilas), em conjunto, como por exemplo cm Knema. Naturalmen-
tc estas observações incitam ao conhecimento anatômico foliar das espécies
africanas, além de uma boa complemcntação das demais no sentido de contri-
buir para caracterização da distribuição dos géneros por volta da época da se-
paração dos continentes.
Ainda em relação aos estômatos, deve-se considerar como importante a
variação numérica existente entre as espécies de Virolo que se situa entre 147,5
a 855,5 por mm-, enquanto Sousa (1989) encontrou cerca de 50,4 a 408,5 por
mm- entre as espécies de Compsonciira. Ainda este autor observou uma re-
lação inversa entre tamanho c freqüéncia, isto é, quanto maior o estômato,
menor a freqüéncia. Esta relação não ocorre em Virola, onde a variação de
freqüéncia é muito maior, ao passo que o tamanho dos estômatos geralmenlc é
regular.
Por outro lado, um dado interessante surge ao comparar os géneros Viro-
la e Compsoneiira quanto ao tamanho: Sousa encontrou de 9,5 a 25,5 um para
a largura e 23,5 a 50,0 um para o comprimento do estômato, em Virola estas
mesmas medidas situam-sc entre 1 1 a 18 um e 18 a 33 um respcctivamenie. As-
sim com exceção das menores medidas para comprimento encontrada cm Viro-
la, as medidas de Compsoneura englobam aquelas em amplitude de variação,
enquanto com relação à freqüéncia os números mínimo e máximo de Virola
correspondem ao dobro daqueles de Compsoneura. Desta forma uma relação
inversa entre tamanho c freqüéncia do estômato não se manifesta entre os dois
géneros. Sem dúvida alguma para avaliar estes dados, além de outras infor-
mações, esscncialmente as medidas de cunho fisiológico, é necessário levar cm
conta as características dos estômatos estarem escondidos, a presença de espes-
samento cutiniz.ado ou não das paredes periclinais interna c externa, bem como
em determinadas espécies a repercussão da pilosidade excessiva.
Koster & Baas (1981) citam variação no tamanho dos estômatos das
espécies asiáticas estudadas de 18 a 21 mm para a largura e 15 a 39 um para o
comprimento, porém não fazem referências ã densidade.
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2. Quanto aos pêlos:
Warburg (1895) já reconhecia a importância dos pêlos para a família
Myristicaceae, de tal forma que os descreveu minuciosamente, salientando en-
tre outros aspectos as alterações na direção dos planos de divisão celular que
promoveram o desenvolvimento de um pêlo “com crescimento simpodial para
monopodial”.
Em Virola os pêlos são redundantes em informações: freqüência por área,
tamanho, variação ou não de formas na mesma folha, bem como a variação das
suas partes estruturais - base, pedículo de articulação, pedículo de sustentação,
ramos e mesmo em resultados indiretos como por exemplo a relação do núme-
ro de pêlos por número de estômatos por área.
Parecem ter em Virola, ao comparar com outros gêneros, o máximo de
investimento em explorar as possibilidades de formas dentro do padrão
“uniarmado” (= cada célula emite apenas um ramo).
Estudando esta variabilidade de pêlos no microscópio, através de epi-
dermes dissociadas, raspagens com estilete e cortes transversais seriados da fo-
lha, pode-se tirar algumas conclusões, sem sequer supor ter esgotado o assun-
to:
- em todo o gênero a parte aérea “ramificada” é, dentro da classificação de
Warburg (1895), constituída de pêlos uniarmados (einschenkenlige);
- pêlos com parte aérea bem desenvolvida têm pedículos e partes basais
também mais desenvolvidos;
- a evolução estrutural dos pêlos em Virola pode ser aceita como a apresentada
na Figura 95, tomando como base uma seqüência lógica de estrutura simples
para complexa, onde mostram uma tendência à formação de tufos, seguida ou
não de um desenvolvimento posterior de um eixo vertical, unisseriado, que po-
de ou não conter um pedículo de sustentação.
Podem observar-se duas linhas prováveis de desenvolvimento que possi-
bilitam funções diferentes:
• os pêlos se diferenciaram como estruturas protetoras contra ataque de inse-
tos já nos primórdios foliares, apresentando assim paredes espessas, porções
distais dos ramos ponteagudos com aspecto “espinhento”, com um crescimen-
to predominantemente vertical, culminaram esta tendência com pêlos pedicu-
lados (portadores de um pedículo de sustentação).
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• OS pêlos se diferenciaram como estruturas relacionadas à economia de água,
constituindo-se com ramos inflados, de paredes delgadas, número grande de
pêlos por área, caracterizando um crescimento horizontal no sentido de cobrir
a superfície foliar. Reduziram suas bases comumente a uma única célula, re-
dução esta considerada como resultante de uma alteração funcional, não im-
buída de um sentido de primitividade estrutural, mas decorrente de readap-
tação funcional.
Dentre as espécies de Virola enquadradas nos dois grupos de estômatos
ocorrem paralelamente: espécies cujos pêlos aparentemente estão mais rela-
cionados com proteção contra a herbivoria (maior número de espécies) bem
como espécies cujos pêlos atuam vinculados à economia de água (menor nú-
mero de espécies), isto é, tanto no grupo com estômatos tipo “multinervia”
quanto no grupo com estômatos tipo “elongata” há espécies com um tipo ou
outro de pêlo.
Dentro destes grupos distintos pelos estômatos ocorrem também parale-
lamente espécies com pêlos sésseis, espécies com pêlos sésseis e pediculados e
com apenas pêlos pediculados (esta afirmativa é feita com certas restrições pa-
ra 0 grupo de estômato tipo “elongata”, onde os pêlos sésseis encontrados em
V. divergens e V. cuspidata provavelmente se originam da região da nervura -
que podem ser diferentes daqueles do limbo, os quais não foram objeto deste
trabalho, mas que durante a raspagem poderiam se misturar aos demais).
Na Figura 94 observa-se que as plantas mais relacionadas com o ancestral
são aquelas com pêlos sésseis, o que caracteriza este tipo como básico e precur-
sor dos demais, enquanto as plantas com pêlos pediculados ocupam uma po-
sição oposta, ou seja, que mais se distanciam do vértice do ângulo. As plantas
com pêlos sésseis e pediculados na mesma folha ocupam uma posição interme-
diária, traduzindo uma etapa seqüencial de um processo evolutivo - do simples
para o complexo. Interessante é verificar que as plantas com pêlos sésseis que
mais se distanciam do ancestral são aquelas com pêlos de paredes finas,comu-
mente inflados, com grande freqüência na epiderme - os pêlos relacionados
com a economia de água. A posição destas plantas com pêlos sésseis, distantes
do ancestral por apresentarem pêlos com função diferente dos demais, suporta
a hipótese de que, num dado momento, a questão de economia de água voltou
a fazer pressão, a ponto de alterar a função do pêlo, aparentemente subtraindo
uma proteção contra a herbivoria típica do grupo.
A relação próxima entre número de pêlos X número de estômatos nas
espécies com pêlos de paredes delgadas (Gráfico 1) pode talvez equivaler à en-
contrada entre estas estruturas e alterações do habitat de terrestre para epífitas
em Bromeliaceae por Tomlinson (1969), o que identifica, nesta família, a im-
portância da diferenciação dos pêlos como estruturas relacionadas com a eco-
nomia de água, para o que concorre não apenas alterações qualitativas como
também quantitativas.
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Anatomia foliar de Virola Aublet
Assim os pôlos em Virola poderiam significar:
- pela amplitude de ocorrência e represeniatividade de um processo evolutivo,
um segundo parâmetro (o primeiro representado pelos estômatos) para orien-
tar grupamentos taxonômicos. Desta forma cada grupo de estômatos estaria
representado por subgrupos quanto à presença de pêlos sésseis, sésseis e pcdi-
culados na mesma folha c pediculados;
- por constituírem um segundo investimento na diferenciação de estru-
turas ligadas ao processo de economia de água, um argumento para re-
forçar a conclusão de que as Virolas, na Amazônia, têm problemas com
falta de água.
E como a água pode representar um fator limilante (da mesma forma
como a herbivoria) para a própria sobrevivência da planta, 6 natural que ocor-
ra a fixação destes caracteres - estômatos e pêlos, ligados à economia de água c
proteção contra a herbivoria, ocorra a nível de genólipo e sejam decorrentes
deste fato importantes caracteres taxonômicos.
Em Compsoneiira, Sousa (1989) encontrou pêlos persistentes completos
apenas na epiderme abaxial. Como em Virola, distinguem-se nestes pêlos: a ba-
se, entre as células epidérmicas, um pcdículo de articulação, um pedículo de
sustentação e ramos de paredes delgadas.
A organização dos ramos constitui um elemento importante para a sepa-
ração dos pêlos em dois grupos já conhecidos desde Warburg (1895): pêlos
uniarmados ou unirramosos, como já citados para Virola, cm que cada célula
só origina um ramo e pêlos birramosos ou biarmados no qual cada célula ori-
gina dois ramos, como num pêlo malpiguiáceo. Em Compsoneura ocorrem os
dois tipos.
Apesar de C. atopa apresentar uma densidade efetiva de pêlos, estes mos-
tram-se importantes quando, juntamente com o caráter epiderme csclerificada
ou não e tipo de estômato, dividem o gênero Compsoneura em dois grupos dis-
tintos. Realça-se aqui, o efeito de “casamento” dos caracteres que evidente-
mente tem um significado genético mais elaborado, o que, por exemplo, não
ocorreu cm Virola, isto é: cm Compsoneura um grupo anatômico constitui-se
por ter o estômato tipo “debilis” (semelhante ao tipo “multinervia” de Virola),
células epidérmicas não csclcrificadas c pêlos unirramosos enquanto o outro
grupo po.ssui estômato tipo “capitcllata" (como o tipo “clongata”), células
epidérmicas csclcrificadas c pêlos com células birramosas - sem intermediações
de caracteres - os dois grupos sendo então muito bem definidos anatomica-
mente.
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Como também foi observado em Virola nas espécies com pêlos de pare-
des delgadas, Sousa (1989) encontrou bases de pêlos principalmente unicelula-
res nas espécies de Compsoneura (que em geral tem pêlos de paredes delgadas)
definindo a base como um componente maleável, um suporte que varia con-
forme o porte do pêlo.
Em Osteophloeum os pêlos são uniarmados (Braga & Monteiro, inédito)
e em Otoba exibem não somente o padrão biarmado, mas mostram em algumas
espécies a tendência de células distais serem tri a multiarmadas o que configura
uma forma diferente de crescimento horizontal, nova para a família, através de
um pêlo escamiforme que é por princípio muito mais eficiente para atuar em
função da economia de água (Braga et ai, inédito)."' Este investimento nos pê-
los de Otoba reafirma ainda mais a posição de considerar a água como um fator
limitantc para a família na Amazônia.
Koster & Baas (1981) encontraram pêlos birramosos nas espécies de
Gymnacranthera e Myristica, enquanto unirramosos para as espécies de Hors-
fieldia e Knema. Em geral (exceção para algumas espécies de Knema) os pêlos
têm paredes delgadas e bases principalmente unicelulares e densidade variável,
maior em espécies de Myristica.
Desta forma, novamente se enfatiza a necessidade de estudos nos demais
gêneros americanos e aqueles africanos, bem como de informações comple-
mentares dos asiáticos para a compreensão do significado destes caracteres em
toda a família, o que concorreria para empreendimentos sobre a fisiologia, eco-
logia, filogenia e consequentemente uma taxonomia mais bem fundamentada.
Metcalfe (1987) apresenta uma fotografia da epiderme abaxial de V. lore-
tensis com um pêlo birramoso. Este tipo de pêlo não foi encontrado em ne-
nhuma espécie de Virola, o que sugere um erro de identificação da espécie.
3. Quanto às papilas:
Em Virola ocorrem desde epidermes lisas, levemente papilosas, com pa-
pilas bem definidas, papilas bem diferenciadas com um “colo”, papilas digiti-
formes, bem como aquelas que se soldam lateralmente formando “muralhas”
A ttlulo de curiosidade, foram seccionados quadrados de folhas fixadas em álcool 70% dc V.
elongata e Otoba glycicarpa, em seguida colocadas numa estufa a 60? C até secarem por alguns
minutos. Após, pingou-se sobre cada quadrado uma gota d'águn. Na folha dc K elongata, nada
aconteceu; na dc Otoba, a gota foi imediatamente absorvida como se a folha fosse um mata-
borrão.
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Anatomia foliar dc Virola Aiibtcí
em torno dos estômatos. Entre estas últimas mais diferenciadas é comum a
presença de divisões secundárias originando papilas com mais dc uma célula, o
que não 6 conhecido na literatura sobre papilas.
Este caráter é importante para a taxonomia, se avaliado com o conheci-
mento de sua amplitude de variação, bem como em última análise com a vincu-
lação da sua importância funcional. Assim, na maioria das espécies da Seção
Oxyanthera dc Warburg, onde as epidermes são lisas ou Icvcmentc papilosas,
este caráter é inconsistente, muito variável, ora ocorre, ora não, variação esta
observável até numa mesma folha. Já na maioria das espécies da Seção Ani-
blycmthera, onde as papilas revelam todo um investimento em formas diferen-
ciadas, sua ocorrência é muito mais constante, sendo então sua presença consi-
derada como um elemento importante para identificação taxonômica. Nesta
Scçdo Amblyanthera, a diferenciação de papilas configura, pela forma como es-
tas se direcionam sobre os estômatos (aquelas mais diferenciadas), como uma
estratégia relacionada com economia dc água. A presença dc divisão secundá-
ria nas papilas dc algumas espécies corrobora o significado da estratégia dc es-
conder os estômatos.
Papilas não foram observados por Sousa (1989) em Compsoneura, mes-
mo naquelas espécies com estômato similar ao tipo “multinervia”, porém fo-
ram encontradas cm Osteophloeiim, que possuc este lipo dc estômato (Braga &
Monteiro, inédito) c por Koster & Baas (1981) na epiderme abaxial de muitas
espécies de Knema, cm Horsfieldici iryoghedii e em Myristica giganiea c M. mcün-
gayi.
Como papilas têm sido referidas como estruturas unicelulares, cita-se a
seguir as principais diferenças encontradas entre estas e os pêlos cm Virola:
- as papilas são totalmcnte revestidas por cutícula, enquanto os pêlos só têm
cutícula até o limite do pcdículo dc articulação (pode ocorrer cutinização da
parede celular da parte aérea dc alguns pêlos, mas não uma camada cuticular);
- os pêlos sempre estão diferenciados cm base, pcdículo de articulação c ramos,
enquanto nas papilas as células epidérmicas ba.sais (no caso dc papilas bi ou
tricelulares) não mostram nenhuma alteração, isto é, são semelhantes às de-
mais células epidérmicas no que se refere à forma, tamanho e coloração.
4. Quanto às divi.sõcs celulares secundárias:
Estas divisões que só foram observadas nas células com papilas, além da
importância adaptativa dc encobrir os estômatos são interessantes por mostra-
rem um paralelismo dc atuação entre epiderme adaxial c abaxial. Apesar dc es-
tarem submetidas a pressões ambientais diferentes, utilizam o mesmo proces-
so, concomitantemcntc, para atender a questões diferentes.
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5. Quanto às paredes anticlinais:
Predominam na epiderme abaxial células com paredes anticlinais retas
(mais de 90% dos binômios analisados) enquanto paredes onduladas sem pro-
jeções e por projeções são pouco freqüentes.
Considerando que estas superfícies estão comumente na sombra, seria de
esperar, segundo as informações de Wilkinson (1979), que predominassem
nestas as paredes onduladas, porém tal não ocorre, provavelmente pelo fato da
presença de papilas ou pêlos em grande quantidade interferirem na resposta
destas células ao meio ambiente.
Destaca-se neste aspecto, em oposição à ocorrência comum de paredes
retas, a epiderme cujas células têm paredes muito onduladas e por projeções
como em V. gardneri o que dada à elaboração - por projeção, pode fundamen-
tar uma exploração taxonômica.
Em Compsoneura, Sousa (1989) descreve como sendo comum no gênero
a epiderme abaxial com células onduladas por projeções, bem como por pro-
jeções mais ondulações de toda a parede anticlinal.
Koster & Baas (1981) citam flanges cuticulares ligeiramente sinuosas em
algumas espécies de Gymnacranthera e Horsfiddia, enquanto os demais gêne-
ros e espécies têm paredes mais ou menos retas.
Novamente a falta de informações mais apuradas bem como de uma in-
terpretação funcional destas estruturas, impedem as discussões quanto ao cará-
ter parede reta e ondulada, além da ondulação por projeção.
Como no caso da epiderme adaxial, muitos outros caracteres observados
não foram aqui explorados pelas condições do trabalho, mas certamente con-
tribuirão quando da avaliação mais completa da folha.
6. Quanto à presença de estruturas secretoras aflorando na epiderme:
Como na epiderme adaxial, são dois os tipos de estruturas secretoras que
atingem a epiderme abaxial: canais secretores, para os quais são válidas as ob-
servações feitas para epiderme adaxial e células secretoras. As células secreto-
ras, apesar de ocorrerem em maior número de espécies e mesmo em maior
densidade na epiderme abaxial, têm esta ocorrência muito variável, ora estão
presentes, ora não, às vezes na mesma folha, o que não lhes confere confiabili-
dade para a identificação taxonômica, porém são importantes no sentido de ca-
racterizar um processo de alterações de ocorrência ou melhor adaptabilidade
funcional, considerando-as como resultantes de uma “migração” de células se-
cretoras do mesofilo. Neste aspecto podem refletir uma adaptação maior a um
processo de defesa contra a herbivoria (ver mais discussão cm Mesofilo - Idio-
blastos secretores).
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Anatomia foliar cIc Virota Aubkt
Em Compsoneura, Sousa (1989) encontrou células secretores freqücntcs
na epiderme abaxial de C rigidifolia e com menor frequência em C. excelsa.
Koster & Baas (1981) citam a presença de células que julgam ser secreto-
ras, semelhantes pela descrição às de Virola, comuns tanto na epiderme adaxial
quanto na abaxial em espécies dos quatro gêneros asiáticos.
C - MESOFILO:
No mesofilo reconhece-se a possibilidade de explorar as características
dos tecidos clorofilianos, principalmente nos casos extremos de variação, não
somente vi.sando à taxonomia, mas também à relação com o ambiente. No en-
tanto, como foi observada em V. calophylla e V. elongata (material fresco-fixa-
do de coleta padronizada de vários níveis da copa), a variação destes caracteres
pode acontecer dentro do mesmo indivíduo, conforme a posição na copa, assim
a representatividade destes dados é avaliada com limitações, dada à falta de in-
formações quanto à origem do material herborizado.
Mesmo com as restrições acima, despertam atenção a expressividade do
parênquima paliçádico de V. siibsessilis, não só em número de camadas como
também da altura das células, o que poderia ser justificado pelo ambiente em
que cresce - é própria dos campos cerrados do Brasil Central (Rodrigues 1980),
apesar de que outras espécies que se desenvolvem no mesmo habitat, como V.
sessilis e V. urbaniana, não apresentam este parênquima tão desenvolvido.
Por outro lado, o parênquima não típico, com células curtas c largas de
algumas espécies como V. elongata, V. obovaia c V. venosa, talvez seja decor-
rente destas espécies, que constituem árvores pequenas, não se exporem à lu-
minosidade, por não emergirem do dossel.
O número de camadas c grau de compactação do parênquima lacunoso
naturalmentc mostra variação entre as espécies que poderiam estar refletindo
as condições do meio.
Em Comp.soneura, Sousa (1989) observou que as folhas em geral têm
parênquima paliçádico pouco diferenciado e que o parênquima lacunoso, tipi-
camente frouxo ou tipicamente compacto, tem algum valor diagnóstico para as
espécies. Além disso, correlaciona a presença de parênquima lacunoso com-
pacto na maioria das espécies que têm estômatos tipo “capitellata” (Grupo
Anatômico 11 de Compsoneura) enquanto o parênquima frouxo ocorre nas
espécies com cstõmato tipo “dcbilis" (Grupo Anatômico 1).
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Koster & Baas (1981) colocam o caráter parénquima lacunoso compacto
ou não dentro de uma lista de caracteres que tem algum valor taxonômico e de
diagnóstico a nível de espécies, mas somente em alguns gêneros.
Certamente os dados mais signifícantes do mesofilo são os que se referem
à presença de idioblastos, aos três tipos principais já relacionados por Foster
(1956): excretores (ou secretores), traqueodais e esclerenquimatosos.
Analisando cada um destes temos:
- Idioblatos com cristais: a existência de cristais lenticulares ou prismáticos, em
maior ou menor quantidade, em células parenquimáticas comuns do mesorUo
não sugere muita diferenciação, ao contrário, a presença de células diferentes
em tamanho e forma, portadoras de grandes drusas de oxalato de cálcio, entre
as células do parénquima paliçádico ou entre as células do parénquima lacuno-
so, sugere maior elaboração, maior investimento e provavelmente maior im-
portância.
Em Virola, a presença de idioblastos com drusas de oxalato de cálcio en-
tre as células do parénquima paliçádico constitui um caráter genérico, enquan-
to a presença de idioblastos semelhantes na última camada do parénquima la-
cunoso é um caráter específico e apenas algumas espécies, não próximas, o
possuem. Já a presença de cristais em células comuns do parénquima clorofi-
liano parece variável.
Sousa (1989) cita cristais de oxalato de cálcio solitários ou agrupados c
de formas variadas, prismáticas a aciculares em células comuns do mesofilo,
bem como grandes drusas em idioblastos distintos entre as células do parén-
quima paliçádico restritas a algumas espécies, mas ressalta a necessidade de
analisar maior quantidade de material para confirmar principalmente os casos
de ausência de cristais em muitas espécies.
Koster & Baas (1981) relatam tanto idioblastos cristalíferos com grandes
drusas no mesofilo da maioria das espécies asiáticas, sendo que em Knertia e
Myrisíica restringem-se ao parénquima paliçádico, - pequenas drusas nas célu-
las parenquimáticas comuns do mesofilo, no tecido fundamental da nervura
principal bem como na epiderme e ainda cristais isolados com formas variadas,
fusiformes, aciculares e prismáticos. Listam a posição de grandes drusas no
mesofilo como um caráter de valor diagnóstico e taxonômico a nível de género,
a presença de cristais peculiares na epiderme (em Myrisíica e Knema) como um
caráter de algum valor diagnóstico e taxonômico a nível de espécie, sendo bai-
xo o valor a nível de género, e, tamanho de drusas em Myrisíica, como de pe-
queno valor taxonômico e diagnóstico a nível de espécie ou variedade.
94
Anatomia foliar de Virola Aublet
Quando se avalia estes resultados concomitantemente às prováveis
funções destes cristais na planta, tomando como base a revisão feita por Fran-
ceschi & Horner, Jr. (1980) onde listam: produto final do metabolismo, re-
moção do excesso de Ca do sistema, processo de osmoregulação, armazena-
mento de cálcio ou oxalato, proteção contra animais e suporte mecânico, veri-
fica-se a.necessidade de delimitar mais profundamente a ocorrência destes cris-
tais cm Myristicaccae c principalmentc, em que circunstâncias têm uma corre-
lação tão premente com o meio, quando passam a ter importância taxonômica
ampla como os idioblastos com grandes drusas de oxalato de cálcio. É curiosa a
presença destas predominantemente entre as células do parênquima paliçádico
e, às vezes, emergindo entre as células epidérmicas.
- Terminações vasculares (idioblastos traqueodais ou csclercnquimatosos): as
terminações vasculares mais diferenciadas que se encontram em Virola - aque-
las envolvidas por um reforço esclcrcnquimático, fibrocsclercídcos, curtos e
largos conforme a proximidade do fim da terminação, atm muitas pontuações
grandes c arrendondadas ou terminações imersas no parênquima comum e
constituídas por traqueídeos largos e curtos foram também observadas por
Sousa (1989) em Compsoneura. Em Virola as terminações com fibroesclereí-
deos encontram-se principalmentc nas espécies com estômato tipo “clongata”,
enquanto aquelas com traqueídeos largos e curtos são comuns nas espécies
com estômato tipo “multincrvia”. Já em Compsoneura as terminações com fi-
broc.sclcrcídcos ocorrem nas espécies com estômato tipo “debilis” (= multi-
nervia), enquanto as terminações com traqueídeos largos e curtos aparecem
nas espécies com estômato tipo “capitcllata” (= elongata), isto é, o inverso do
que foi encontrado cm Virola.
Koster & Baas (1981) não fazem referências às terminações vasculares
com detalhes.
Evidcntcmcntc, terminações com fibroesclereídcos pressupõem reforço,
porém, quando se trata de fibrocsclercídcos largos c curtos, cm alguns casos
*^nis propriamente um csclcrcídco, com muitas c grandes pontuações, pode-se
pensar numa dupla função - talvez a reserva de água da mesma forma como
Tuckcr (1964), Lersten & Girvcy (1974) c Zimmcrmann (198.1) sugerem para
traqueídeos terminais grandes c curtos.
É possível pensar nestes fibrocsclercídcos como uma grande caixa recep-
tora da água que chega cm traqueídeos compridos c finos.
Mauseth (1988) mostra na Figura 12.15 “fibroc-sclcrcídeos semelhantes,
Pnra os quais sugere também a função de armazenamento de água.
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Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. BoL 8(1 ), 1992
Naluralmente são necessárias mais informações a respeito, quanto às
suas características e ocorrência, para melhor compreensão e questionamento
das possibilidades funcionais das mesmas.
- Idioblastos secretores (ver canais secretores em epiderme): as grandes células
secretoras do mesofilo não só representam uma característica do gênero Virola,
mas também da família Myristicaceae bem como de famílias relacionadas (Ta-
bela 2).
Em Virola, apresentam uma grande variação na freqüência, tamanho e
posição no mesofilo. Enquanto esta variação não estiver bem definida, é acon-
selhável a utilização deste caráter como específico, apenas considerando seus
limites máximos e mínimos de ocorrência, isto é, encontram-se freqüentemente
ou não.
Sousa (1989) diz que “estas células secretoras estão amplamente distri-
buídas no gênero e nas espécies em que elas aparecem, são quase sempre bas-
tante comuns, excetuando C. ulei, onde são pouco freqüentes, raras ou mesmo
faltam, como é o caso do espécime de C. ulei - INPA 104441”.
Koster & Baas (1981) referem-se às células secretoras mais ou menos
esféricas, grandes... encontradas no mesofilo e no tecido fundamental da nervu-
ra principal na maioria dos espécimes estudados, usualmente em grande
freqüência, também em Gymnacranthera...”.
Além disso, falam que há indicações de que em alguns casos o conteúdo
destas células são semelhantes a taninos ou, no caso de Horsfieldia iryaghedii,
até mesmo mucilaginoso. Ainda comentam que a presença dos pequenos idio-
blastos na epiderme provavelmente têm distribuição irregular e inconstante
por espécie.
É interessante levar em consideração “a migração” das células secretoras
do mesofilo para ambas as epidermes, caracterizando um meio termo evolutivo
do caminho citado por Gottlieb & Salatino (1987) “... óleos essenciais são de-
positados em estruturas anatômicas que evoluíram de células oleíferas, cavida-
des e canais secretores a pêlos glandulares”, no sentido de expor o conteúdo ao
meio ambiente.
Evidentemente, é necessário estabelecer a natureza química do conteúdo
destas células, tão referido na literatura como óleos essenciais, bem como ava-
liar as citações de taninos ou mucilagem, no sentido de determinar suas
funções. Esta última possibilidade sendo bastante curiosa, pois representaria
uma alteração considerável da natureza química e função deste tipo de célula,
visto que óleos essenciais e taninos estão em geral relacionados com proteção
contra herbivoria, enquanto mucilagem comumcnte, entre outros empregos,
relaciona-se com reserva de água.
%
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Anatomia foliar de Virola Auhiel
Tabela 2 - Algumas características de estruturas anatômicas de folhas* de Magndliales, de acordo com
Cronquist (1968).
Características
Magnoliaceae
Winteraceae
Annonaceae
Canellaceae
Myristicaceae 1
Hemandiaceae
Monimiaceae
Lauraceae
Degeneriaceae
Eupomatiaceae
Himantandraceae
AustrobaSeyaceae
Lactoridaceae
Illiciaceae
Schisandraceae
Amborellaceae
Trimeniaceae
Gomortegaceae
Calycanthaceae
Epiderme superior:
- paredes retas
+
4-
4
4
- paredes sinuosas
+
+
4-
4*
4
4
Epiderme inferior:
- paredes retas
-t-
+
4-
- paredes sinuosas
+
+
4-
4
4
Presença de papilas
na epiderme inferior
+
+
+
+
4-
4
4
Hipoderme
+
+
+?
4-
4
4
4
Epiderme estratific.
+?
Estômato:
- paracílico
+
+
+
4-
4-
4
4
4
7
+?
4
4
4
- anomocítico
+
+
4-
4-
(-?
+?
Células secretoras:
- no mesófilo
+
+
4-
+
4-
4-
4
4
4
4
4
4
4
+?
+?
4
4
- na epiderme
4-
4-
4
+?
Htpo-
derne
4
Esclereídeos
no mesófilo
+
4-
4
Cristais
+
+
4-
4-
4-
4
4
4
4
Terminações vasculares
imersas cm:
> purenquima
+
+
4-
+
4
- esclarenquima
+
+ ■
+
4-
4-
4-
4
4
+?
+?
4
Pêlos
unicelulares
+
4-
4-
4
4
estrelados
+
+
4-
4*
4
Tcfi»
Tem
peitados
4-
4-
+
4
Pêlo*
Pêio*
dendrí ticos
glandulares
4-
4-
Características segundo:
Warburg ( 1 897). Metcalfe & Chalk (1950), Moncy et al. ( 1 950), Bailey & Smith ( 1 954), Fries ( 1 959),
Uphof(1959),Tuclccr(1964), Baranova(1972)cSalles & Paula (1979).
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II. Considerações sobre a estrutura anatômica e o meio ambiente:
Avaliando os resultados obtidos do estudo anatômico da folha de Virola
aliados à análise dos mesmos pelo teste de taxonomia numérica, verifica-se que
toda a caracterização da folha no gênero está intimamente associada a uma
adaptação ao ambiente, essencialmente a dois fatores de grande significado:
economia de água e proteção contra a herbivoria. A estratégia inicial em res-
posta à pressão de economia de água foi comum: esconder os estômatos. Da
maleabilidade genética das primeiras Virolas resultaram duas formas distintas
anatomicamente: estômatos escondidos pelas células subsidiárias e estômato
com aspecto graminóide conspícuo escondido por papilas. Esta primeira dife-
renciação foi decisiva para dividir o gênero em dois grupos (Figuras 90 e 91),
permitindo a evolução paralela dos mesmo (Figura 93), sugerindo fixação do
caráter derivada da adequação das alterações. A importância desta adaptação
se manifesta de forma incisiva também nas espécies asiáticas estudadas por
Koster & Baas (1981) que costumam esconder estômatos (sob papilas, células
subsidiárias ou ambos) e também nos gêneros americanos Otoba (escondido
por células subsidiárias e Osteophloeum (escondido por papilas). Interessante é
a presença do tipo de estômato “elongata” e “multinervia” em Compsoneura,
porém independente de “estarem escondidos”. Ignora-se a implicação de ser
ou não graminóide dentro deste contexto, principalmente por desconhecer o
seu significado fisiológico.
Uma segunda estratégia em resposta à pressão de economia de água se
manifesta essencialmente pela alteração estrutural/funcional e pela freqüência
de pêlos. Basta olhar na Figura 94 as plantas com pêlo séssil que ocupam po-
sição oposta ao ancestral, que têm predominantemente pêlos de paredes del-
gadas, de aspecto inflado e ocorrem em densidade semelhante aos estômatos
(Gráfico 1 - resultados limitados por uma linha pontilhada). Em geral, o aspec-
to destes pêlos não sugere proteção contra herbivoria como nos demais, mas
sim uma relação com a economia de água.
Merece atenção o fato de que esta segunda adaptação à economia de
água se deu paralelamente nos grupos pertencentes a estômatos diferentes, isto
é, tanto espécies com estômato tipo “elongata” como “multinervia” diferencia-
ram este tipo de pêlo.
No que concerne à adaptação contra herbivoria, seria possível correla-
cionar a presença de estruturas secretoras tendendo a ou emergindo na epi-
derme (tanto canais como células secretoras) e talvez cristais como participan-
tes da defesa, porém os pêlos, merecem destaque especial na execução deste
papel.
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Anatomia foliar de Virola Aublet
A presença de pôlos em ambas as epidermes na folha jovem sugere a
função de defesa numa estrutura muito atraente como é o caso de uma folha
em diferenciação ou mesmo proteção contra os raios solares excessivos ou ou-
tro fator. Da mesma forma a presença de pêlos apenas na epiderme do lado
abaxial (com exceção de V. decorücans e V. guggenheimii) na folha adulta, visto
que diversos aspectos tornam esta superfície mais viável para os insetos duran-
te o dia (comunicação pessoal do Dr. A. Salatino - Instituto de Biociências -
USP - SP). A importância destes pêlos mostra-se repercutida no investimento
em densidade, organização estrutural e tamanho. Dentro da organização estru-
tural destaca-se a diferenciação de pêlos sêsseis unicelulares ou pluricelulares
em tufos (com ramos saindo do mesmo plano e/ou planos superpostos de arti-
culação) para pediculados com desenvolvimento de um eixo unisseriado de on-
de as células emitem ramos tomando um aspecto arborescente, com paredes
espessas e extremidades ponteagudas caracterizando uma estrutura rígida e
dando cobertura de atuação, em parte, maior que daqueles pêlos sésseis (defi-
nindo essencialmente a passagem de simpodial para monopodial apontada por
Warburg em 1895).
Da mesma forma como ocorre com pêlos relacionados com economia de
água, a tendência de diferenciação de pêlos sésseis para pediculados (com um
elo representado por folhas portadoras dos dois tipos de pêlos) desenvolveu-se
tanto no grupo que possue estômatos tipo “elongata” quanto tipo “multiner-
via”.
O investimento em proteção contra herbivoria é bastante plausível le-
vando em consideração a rica entomofauna da Amazônia, já o investimento re-
lacionado com economia de água, a princípio por esconder estômatos e poste-
riormenle, num segundo investimento, por pêlos, desviando estes do trabalho
comum na maioria das Virolas, obriga a repensar esta questão desde a época
da deriva dos continentes, o estabelecimento do gênero Virola na Amazônia,
além de levar em consideração o impacto dos meses de “inverno amazônico”.
Uma definição do relacionamento filogenético entre os gêneros america-
nos associados aos caracteres anatômicos foliares dos mesmos poderia contri-
buir para fundamentar esta proposição.
III. Considerações sobre a estrutura anatômica e inferências genéticas:
A folha contribui de forma marcante para a compreensão da adaptação e
estado atual das Virolas por apresentar distintamente os “passos evolutivos”
de diversas estruturas convergindo num aspecto: os estágios mais primitivos.
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mais simples de qualquer estrutura são mais inconstantes, enquanto os mais di-
ferenciados são mais constantes, isto é, os mais simples parecem mais maleá-
veis, enquanto os mais evoluídos parecem ser mais fixados, aparentemente por
terem atingido um estágio de “clímax” na otimização funcional.
Este fato pôde ser observado nas seguintes estruturas:
células epidérmicas papilosas^
papilas com um colo'*
papilas digitiformes'*
papilas agrupadas'* ’
divisão secundária da célula —
epidérmica rara ou freqüente’
célula secretora distinta em —
vista frontal como uma região clara
epiderme estratificada
célula secretora com o bordo
reforçado pela cutícula e com células
vizinhas também diferenciadas como
região clara
pêlos: - base unicelular**
- ped. de art. unicel.
- séssil*
- ramos organizados num ■
plano ou mais: tufos
base pluricelular
ped. art. pluricelular
pediculado (com ped. de sust.)
ramos organizados num eixo
unisseriado: pêlo arborescente
3 muitas vezes associada a uma variação quantitativa
^ com divisão secundária originando papilas com mais de uma célula
3 culminando pela fusão das papilas formando um “paredão” em tomo do estômato
^ com exceção dos casos em que o pêlo passou a ter função relacionada com economia de água,
quando a regressão passa a ser um caráter evolutivo.
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Não apenas sob este ângulo, informações do mecanismo genético podem
ser obtidas das características anatômicas das folhas, assim, o paralelismo de
evolução dos pêlos de séssil para pcdiculado, bem como a adaptação dos pêlos
às questões de economia de água, ocorrendo nos grupos de estômatos distintos
mostram que existe independência destes caracteres (estômatos e pêlos), já o
mesmo não ocorre em Compsoneiira onde Sousa (1989) verificou dois grupos
distintos onde, no Grupo I, todas as espécies possuem estômatos tipo “debilis”,
pêlos unirramosos, epiderme de paredes delgadas não lignificadas e traqueí-
deos terminais estreitos envolvidos por fibroesclereídeos, enquanto no Grupo
II todas as espécies têm estômatos tipo “capitellata”, pêlos birramosos, epi-
derme com parede espessa e lignificada e terminações vasculares com traqueí-
deos alargados e sem reforço esclerenquimático - denotando aparentemente
uma associação dos caracteres a nível genético.
Por outro lado é interessante constatar que as espécies que possuem pê-
los sésseis em geral são as que constituem grupos com problemas taxonômicos,
onde tem surgido um questionamento para sinonimização, o que parece estar
em relação à pilosidade, ligado à tendência de especialização de pêlos sésseis
para pediculados, o que poderia significar indícios de um processo de espe-
ciação.
IV. Considerações finais sobre a estrutura anatômica da folha e a taxonomia do
gênero Virola:
Nas condições em que este trabalho foi feito, basicamente resultante de
observações de pequenas amostras de herbário, reconhece-se o valor da estru-
tura anatômica foliar das espécies de Virola como elemento importante para
auxiliar a revisão taxonômica do grupo.
Evidentemente, uma análise da folha completa envolveria maior número
de caracteres que confirmariam os grupamentos feitos ou talvez promovessem
pequenas mudanças, mas provavelmente não alteraria essencialmcnte as
tendências de evolução dos caracteres dentro do gênero e consequentemente
as relações derivadas destas.
Além disso, a análise da folha completa certamente contribuiria mais pa-
ra a caracterização a nível de espécie.
Em todo o gênero as folhas são dorsiventrais, com estômatos paracíticos,
células secretoras no mesofilo, canais secretores junto aos feixes vasculares e
com presença de pêlos uniarmados. Estes caracteres bem como aqueles que
possuem mais de uma forma de ocorrência como paredes retas ou onduladas.
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terminações vasculares imersas em parônquima ou em esclerônquima, presença
de papilas e cristais são comuns entre as Magnoliales (Tabela 2).
Após considerar a constância dos tipos de estômatos, bem como a importância
destes e suas adaptações (escondido) na economia de água e ainda consideran-
do a importância da água para a planta, dentro do quadro atual, reconhece-se
dois grupos taxonômicos dentro do gênero Virola tomando como base o tipo
de estômato:
Grupo A: cujas espécies possuem estômato tipo “multinervia”
Grupo B: cujas espécies possuem estômato tipo “elongata”
Reforçam esta interpretação os resultados da divisão do gênero feita por
Warburg (1897), que tomou como caráter distintivo a relação entre o compri-
mento do andróforo e da antera, excetuando as espécies V. calophylla, V. calo-
phylloidea, V. lepidota, V. macrocarpa, que são afins, e V. urbaniana, além de le-
vantar uma questão quanto à correspondência de caracteres vegetativos e re-
produtivos dentro da taxonomia.
Da mesma forma,- avaliando o significado evolutivo dos pêlos, dentro do
contexto funcional adaptativo à outra grande e antiga pressão do ambiente - os
insetos, ainda amparado nos resultados da relação das espécies com o ancestral
hipotético, reconhece-se novas subdivisões dentro dos grupos A e B, funda-
mentadas em: folhas com pêlo séssil, folhas com pêlo séssil e pediculado no
mesmo limbo e folhas com pêlos apenas pediculados. Desta forma:
Grupo A (com estômato tipo “multinervia”):
Subgrupo a (cujas folhas possuem apenas pêlos sésseis) com as seguintes espé-
cies:
V. malmei *
V. michela *
V. micrantha *
V. minutiflora *
V. multicostata *
V. multiflora *
V. multinervia *
V. ojjicinalis *
• V. caducifolia *
• V. carinata *
• V. coelhoi *
• V. crebrinervia *
• V. flexuosa *
• V. gardneri *
• V. kukachkana *
• V. lieneana *
V. oleifera *
V. parvifolia *
V. pavonis *
V. sessilis *
V. subsessilis *
V. surinamettsis •
V. urbaniana **
V. venosa *
Subgrupo b (cujas folhas possuem tanto pêlos sésseis como pêlos pediculados
na mesma folha):
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Bnl. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 8(1), 1990
Ducke (1936) não discute a divisão de Warburg (1897) e propõe sete
grupos (A, B, C, D, E, F e G), principalmente para as espécies de Virola da
Amazônia brasileira, baseado no indumento e forma do fruto e espessura do
pericarpo. Usa o caráter relação do comprimento da antera por comprimento
da coluna para os grupos de B a G e para subgrupos de A. Em Smith & Wode-
house (1937), Smith apesar de não aceitar a proposta de Warburg, adota o
caráter de proporção entre antera e andróforo na sua chave para separar os
seis grupos por ele propostos: Regulosae, Moilissimae, Sebiferae, Subsessilis, Ca-
lophyllae e Surinomcnsis. Da mesma forma, Rodrigues (1980) considera este
caráter inconsistente ao analisar maior número de exemplares do que Warburg
dispunha, mas emprega-o em geral, num terceiro nível de dicotomia de sua
chave para identificação das espécies brasileiras de Virola.
Por outro lado, Ducke (1936), Smith (em Smith & Wodehouse 1937) e
Rodrigues (1980) dão mais ênfase à identificação das espécies pelo indumento
do fruto e da folha, o que só deve ser feito com amostras variadas e com auxílio
do microscópio, uma vez que nas folhas com pêlos sésseis e pcdiculados, os
primeiros, às vezes, ficam encobertos e nem sempre são observados, além de
outros detalhes estruturais dos pêlos não serem explorados. Tanto Smith (em
Smith & Wodehouse 1937) quanto Rodrigues (1980) colocam como primeiro
elemento de divisão do gênero, na chave de identificação das espécies, o tipo
de pêlo séssil ou estipitado, praticamente duas opções, quando na realidade
existe uma terceira: pêlo séssil e pediculado numa mesma folha.
Evidentemente valeria investir num estudo sistemático detalhado do an-
droceu e mesmo anatômico para avaliar sua representatividade real para a ta-
xonomia do grupo.
Carreira (1985) agrupa as espécies de Virola em sete subtipos polínicos.
O subtipo polínico divergens engloba, com exceção de V. calophylloidea, todas
as espécies com estômato tipo “elongata”, além de V. carinaia e V. nigiilosa
que têm estômatos tipo “multinervia”. Os seis outros subtipos polínicos encer-
ram as espécies com estômato tipo “multinervia”.
Sem dúvida alguma, os resultados obtidos até então, longe de serem ter-
minais, permitem uma rcorientação dos estudos no gênero Virola e demais gê-
neros americanos dentro de uma preocupação de conhecer o valor dos caracte-
res, num dado momento para e após o estabelecimento dos mesmos.
Com todas as vantagens que a folha possa representar, e.ssencial mente
por ser a fábrica mais importante do planeta, não se pode esquecer que ela é
um dos órgãos da planta que vive dentro de uma lloresta... que fica no Equa-
dor... que...
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Anatomia foliar de ViroIaAubkt
V. Considerações sobre o teste de taxonomia numériea empregado:
A utilização do teste de taxonomia numérica mostrou-se válida por diver-
sos aspectos:
- é um teste simples que utiliza material acessível que pode mesmo ser impro-
visado - os cartões perfurados na margem (com poucas espécies é possível usar
ficha de cartolina perfurada com um furador manual) e agulhas de tricô:
- o “manusear” os dados permite observar de imediato a importância de alguns
caracteres e o oposto cm relação a outros;
- pela obrigatoriedade da montagem de uma tabela, requisito para outros testes
também, conduz à uma padronização nas observações;
- evita o preconceito científico, ou melhor, alerta para relações não observadas
facilmente, o que também é válido para outros testes pelo efeito da avaliação
tridimensional.
Um exemplo concreto deste último item listado: ao analisar os resultados
obtidos, não havia possibilidade de correlacionar tipos de estômatos quanto à
evolução, não se sabia o significado dos tipos de estômatos como foi deduzido
para pélo, quando pela lógica de partir do simples para o complexo foi estabe-
lecido um sentido de desenvolvimento evolutivo. O gráfico do ancestral hipoté-
tico (delimitado pelos estados mais comuns de cada característica) serviu como
um sinalizador para evidenciar um paralelismo entre os dois grupos com estô-
matos diferentes c conscqüentementc o significado deste paralelismo (escon-
der estômatos de formas distintas) c cm cada grupo reforçou a presumida di-
reção de diferenciação dos pêlos de mais simples para mais complexo.
Da mesma forma este gráfico foi importante para esclarecer a adoção de
uma nova função dos pelos de paredes delgadas, qualificando seus portadores
como um grupo que tende a se distanciar mais do ancestral. Além disso, que as
tendências observadas nos pêlos, tanto para a economia de água, como maior
diferenciação para proteção contra a herbivoria, são responsáveis, principal-
mente nestas últimas, pela variedade fcnotípica das folhas, por parte dos pro-
blemas taxonômicos existentes.
Pode-se dizer, cm síntese, que o teste de taxonomia numérica permitiu
avaliar os resultados anatômicos dentro de um processo evolutivo dinâmico.
Ao comparar os resultados obtidos com o teste de taxonomia numérica
cm Compsoneura, por Sousa (1989), com os de Vimia, verifica-se que, enquan-
to neste gênero os dois grupos mostram evolução paralela, cm Compsoneura os
dois grupos mostram divergência no caminho evolutivo, estão nitidamente
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liol. Mus. Para. Emílio Gocídi, sér. Hat. 8(1), 1992
HOjum
— -
l igunis I .1 <> ■ r.jmlciiin.' .kI.ixi.iI cm Ironliil. I 1 ^ lluiinluia VsiHclo gcnil niDsUajulo liascs
dc pClos conMiUiidas por pequeno numero de células. 2- V. dcconkaus: Idem, moslrando bases de
|)êlos com grande número de células ao lado de bases com pequeno número dc células. .í - K mídii-
ncnia (II. Alhuqutrque & L. Coelho s/n - INI’A 821(M): Dclallie da abertura dc um canal secretor
na epiderme. 4 - V. carinaia (Eróes 2.4753 - lAN 42070): Aspecto geral moslrando a região de uma
nervura e ãreas claras sob as ipiais (Korrem idioblaslos crista líferos. 5 - K mieramha: Aspecto geral
mostrando ãreas claras sob as (piais ocorrem células .secretoras. 0 - Idem. detalhe de duas alx-rturas
de células secretoras. ACANS = abertura de canal secretor, ACS = ãrea de células secretoras, AK.
= ãrea de idioblaslos crislalíleros. Hl’ = base de pClo e N = ners ura.
cm
SciELO
Anatomia foliar de VirolaAublet
Figuras 7 a 12 - Epiderme adaxial em vista frontal. 1 -V. vmosa (O.P. Monteiro s/n - INPA 50000):
Aspecto geral da epiderme ondulada por projeções do lúmen celular. 8 - Idem, detalhe das
ondulações. 9 - V. elongata (I~A. Aguiar & O.P. Monteiro s/n - INPA 124975): Aspecto da epiderme
com foco ao nível da parede periclinal externa evidenciando as “contas” resultantes da deposição
de cutícula entre duas projeções adjacentes de direção oposta (principalmente à direita em cima).
10 - Idem em corte paradérmico (enviezadol da epiderme mostrando o contorno da parede em
planos sucessivos: ao nível das projeções (A) e próximo à parede periclinal interna (B) onde as
paredes Já estão retas. 11 - Detalhe da figura anterior evidenciando paredes onduladas (A) e retas
(B) conforme o nível do corte. 12 - V. calophylloidea (Stewart 53 - INPA 94181): Aspecto geral de
uma epiderme com paredes especas, em foco as projeções superiormente (A) evidenciando as
ondulações e um pouco mais inicriormente (B) no limite interno das projeções. BP = base de pêlo,
no caso bicelular.
107
Anatomia foliar de VirolaAublet
Figura 14. A - Pêlos da epidemie adaxial de V. decorticans obtidos por raspagens: a e b - pêlos pedi-
cuTados não ramificados, c a g - pêlos pediculados ramificados. B - Pêlos da epiderme adaxial de V.
guggcnheimii obtidos por raspagens: todos são pediculados e ramificados.
109
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bol 8(1), 1992
150 um
' rí
tu
Figuras 15 a 20 - Corte transversal da folha dc V. malmei onde as células da epiderme adaxial e
abaxial sofreram divisões secundiírias (indicadas pelas setas). 16 - Corte transversal da folha de V.
dixonii com camada subepidérmica diferenciada lembrando uma hipoderme. 17 - Corte transversal
da folha de V. elongata (LA. Aguiar & O.P. Monteiro s/n - INPA 124975), região da epiderme ada-
xial, detalhe das projeções do lúmcn celular cortadas transversalmente. lS - Corte transversal da fo-
lha de V. surinamensis com epiderme em fase avançada de estratificação. 19 - Corte transversal da
folha de V. elongata (a mesma da figura 17), detalhe das projeções do lúmen celular cortadas longi-
tudinalmente. 20 - Corte transversal da folha de V. calopnylia, epiderme adaxial com cutícula espes-
sa com finas projeções do lúmcn celular. C = cutícula. ('S = célula secretora, líh = epiderme es-
tratificada, = leixe vascular. IC = idioblasto cristalífero, 1‘ = pélo e l’L = projeções do lúmcn
celular.
cm
SciELO
Anatomia foliar de VirolaAublet
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Figuras 21 a 26 - Epiderme abaxial em vista frontal. 21 - K lepidoia com bases de pêlos unicelulares
distribuídos regularmente, estômatos do tipo “elongata", pouco distintos, em parte pela ornamen-
tação da cutícula. 22 - V. elongata (O.P. Monteiro s/n - INPA 12294): Aspecto geral da epiderme
com poucas bases de pêlos, estas com número variado de células e estômatos distintos do tipo “e-
longata”. 23 - V. nifula (O.P. Monteiro - campus do INPA s/n) com grande quantidade de pêlos sés-
seis estrelados. 24 - V. theiodora (Prance 6281 - NY): Aspecto geral mostrando bases de pêlos com
número regular de células distribuídas também regularmente. 25 - K ^ggenheimii (O.P. Monteiro
& Costne - campus do INPA s/n) com bases de pêlos constituídas por numero variável de células. 26
- V. duckei com bases de pêlos com número variável de células e pcdículo de articulação em geral
tetracelular - a presença maciça de papilas bem diferenciadas encobre os estômatos. BP = base de
pêlo e PE = pêlos estrelados.
111
Boi. Mu.s. Para. Emílio Goctdi, sér. Bot. 8(1), 1992
ACANS
Figuras 27 a 31 - lEpidcrnic aliaxial cni vista Ironlal. 27 - V. miiliiiicnía (B. Albuquerque & L. Coêlho
s/n - INPA 82104): Aspecto geral mostrando raras bases multicelulares de pêlos c íSreas de células
secretoras epidérmicas distribuídas irrcgularmcnte. 28 - Idem, detalhes das células secretoras e
estômatos tipo '•multinervia". 29 - Idem, detalhe da célula secretora com conteúdo. 30 - V. elongaia
(l.A. Aguiar & O.P. Monteiro s/n - INPA 124975): Aspecto geral da epiderme com estômatos do ti-
po "elongata” e alsertura de canal secretor. 31 - Idem, detalhe da alxirtura do canal secretor.
ACANS = abertura de canal secretor, ACS = área de célula secretora e IIP = base de pélo.
cm
SciELO
Anatomia foliar de VirolaAublet
Figuras yiayi - Epiderme abaxial cm vista frontal. 32 - K carinata: Aspecto geral mostrando papi-
las pouco diferenciadas e bases de pôlo. 33 - V. michellii (O.P. Monteiro s/n - INPA 148218): Aspec-
to geral mostrando papilas bem diferenciadas e frcqüentes que delimitam as regiões de estômatos.
34. - V. mgulosa: Aspecto geral mostrando papilas bem diferenciadas e frequentes encurvadas so-
bre a região dos estômatos. 35 - V. carinata (Fróes &Addinson 29147 - lAÍN 78692): Detalhes das
papilas bem diferenciadas (com divisões secundárias) encurvadas sobre a região dos estômatos. 36 -
K parvifolia: Aspecto geral onde papilas articuladas íateralmente formam “muralhas” em torno dos
estômatos. BP = base de pClo, PA = pcdículo de articulação, no caso tctracelular, PAI’ = papilas,
”E = pôlos estrelados, no caso de paredes delgadas e RE = região de estômatos.
113
Boi. Miis. Bara. Emílio Goekli, s&. Bot. 8(1), 1992
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lOOjum
^Ofim
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<íOjum
i igura.s .W a 42 - I . íoiopliylloulfa: Aspecto geral da epiderme abaxial eni vista frontal, pêlos
estrelados de paredes delgadas cobrindo a superfície foliar. 39 - V. calophylloidea: Detallie dos
pêlos em corte transversal da folha, evidenciando a articulação dos ramos no mesmo plano c em
planos superpostos. 40 - V. ohovaia: Detalhe de um pêlo semelhante ao anterior onde se distingue a
base, pcdículo de articulação e ramos. 41 - V. coelhoi (Frôes 26220 - lAN 55118): Corte transversal
da folha, epiderme abaxiai coberta de pêlos de paredes delgadas organi74tdas num eixo uni.sseriado.
42 - V. elongata (I.A. Aguiar & O.P. Monleiro s^ - IN1’A 124975): Corte transversal da folha, pêlo
pcdiculado da epiderme abaxiai com ba.se, pedículo de articulação e sustentação e ramos
articulados no mesmo plano. BI’ = base de pêlo, PA = pedículo de articulação, PS = pedículo de
sustentação e R = ramos.
cm
SciELO
Anatomia foliar de VirolaAublet
c©
^50 fim
950 um
250um
250 fim
Figuras 43 a 49 - Pêlos obtidos por raspagens da epiderme abaxial: 43 - K divergais (Diicke s/n - RB
24548): Pêlo pcdiculado unisseriado não ramificado lateralmente. 44 - Idem, ^lo pediculado rami-
ficado com ramos articulados no mesmo plano. 45 - V. decorticans (Prance 12796): Pêlo pediculado
unisseriado não ramificado lateralmente. 46 - Idem, pêlo pediculado unisseriado ramificado. 47 a
49 - K urbaniana: Pêlos sésseis (alguns parecem ter um pedículo de sustentação, mas na verdade
apenas possuem pequenas protuberâncias - consideradas pequenos ramos) ramificados, unis.seria-
dos e/ou com articulações no mesmo plano.
115
Anatomia foliar de VirolaAubkt
Figura 51 - Pêlos sésseis, estrelados, com ramos articulados no mesmo plano e em planos superpos-
tos, obtidos por raspagens da epiderme abaxial de V. clongata: a a c - ramos articulados no mesmo
plano, d e f - ramos articulados no mesmo plano e em planos superpostos.
117
Anatomia foliar de VirolaAublet
Figura 53 - Pêlos sésseis estrelados obtidos por raspagem da epiderme abaxial de V. crebrinervia
com ramos inflados de paredes delgadas, articulados no mesmo plano (a e b) e cm mais de um pla-
no (c a g) formando um tufo.
119
Boi. Mus. Para. Emílio Gocldi, sér. Bot. 8(1), 1992
60 pm
F’igura 54 - V. caducifolia: Corte transversal da folha, epiderme abaxial com pêlos unisseriados de
paredes delgadas.
120
2 3 4 5 6
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Anatomia foliar de VirolaAublet
Figura 55 - Pêlos obtidos por raspagens da epiderme abaxial de V. albidiflora com pêlos sésseis es-
trelados, ramos articulados no mesmo plano e em planos superpostos como tufos (a a d, g a i - vis-
tos de perfil, e e f - em vista frontal) e pêlos sésseis com ramos dispostos quase totalmente unisse-
riados com aspecto arborescente.
121
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot. 8(1), 1992
Figura 56 - l'Ck)s pcdiculados obtidos por raspagcns da epiderme abaxial de V. dhxrgats: a - pâlo
unisseriado não ramificado lateralmenle, b a d - pôlos ramificados com ramos articulados no
mesmo plano e e a g - pfilos ramificados unisseriados com ramos terminais articulados no mesmo
plano.
122
cm
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10 11 12 13 14 15
Anatomia foliar de VirolaAublet
Figura 57 - Pêlos pediculados obtidos por raspagens da epiderme abaxial de V. decortkans: a * pêlo
unisseriado não ramificado lateralmenle, b a o - pêlos unisseriados ramificados vistos de perfil (em
e - vista dorsal).
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Anatomia foliar de VirolaAublet
Figura 59.a - Pêlo séssil ramificado obtido por raspagens da epiderme de K dixonii com ramos arti-
culados no mesmo plano e em planos superpostos visto de perfil, b - Pêlo séssil ramificado obtido
por raspagens da epiderme abaxial de V. urbaniana com ramos articulados de forma quase unisse-
riada. c - Pêlo pediculado ramificado de V. megacarpa.
125
Boi Mus. Para. Ernllio Goeldi. sér. Bot. 8(1), 1992
Figuras 60 a 64 - Epiderme abaxial em vista frontal, detalhe dos tipos cstomáticos. W) - V. ciispidata:
Estômato tipo “elongata". 61 - Idem. com foco num nível mais interno. 62 - K sebifera: Estômato
tipo “elongata” escondido pelas células subsidiárias e ornamentação da cutícula. 63 - V. caducifolia:
Estômato tipo “multinervia” com áreas polares sem espe^amento. 64 - V. carinata: E.stômato tipo
“multinervia". CG = célula-guarda e CSUB = célula subsidiária.
cm
SciELO
Anatomia foliar de VirolaAublet
Figuras 65 a 69 - Corte transversal da folha, cpidcTiiic abaxial. 65 - V. multicosiata (O.P. Monteiro &
M.M.N. Braga 1438 - INPA 66736): Epiderme com papilas, estômato tipo "multinervia”. 66 - K
guggenheimii: Detalhe do estômato tipo “multinervia”. 67 - K albidiflora (O.P. Monteiro &J. Lima
29 - INPA 98974): Detalhe de papilas bi e tricelulares isolando intemamente a região dos estôma-
tos. 68 - K obovata: Detalhe do estômato tipo “elongata” escondido pelas células subsidiárias e
cutícula ornamentada. 69 - V. sebifera: Detalhe do estômato tipo “elongata" escondido pelas células
subsidiárias e cutícula ornamentada. C - cutícula, CG - célula-guarda, CS - célula secretora, CSE -
câmara subestomática, CSUB - célula subsidiária, PAP - papila e RE - região de estômato.
127
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 8(1), 1992
'/OOpm
tOOum
Figuras 70 a 76 - Aspecto geral do corte transversal da folha. 70 ■
K elongata (IA. Aguiar & O.P.
Monteiro & M.M.N. ,
Monteiro s/n - INPA 124975). 71 - K obovata. 72 - K multicostata (O.P.
1438 - INPA 66736). 73 - V. albidiftora (O.P. Monteiro & J. Lima 29 - INPA 98974). 74 -K
caducifolia (B. Albuquerque & L. Coêlho s/n - INPA 82105). 75 - V. subsessilis. 76 - V. stirinamensis
(O.P. Monteiro & J. Lima 34 - INPA 98979). CANS - canal secretor, CS - célula secretora, CSE -
câmara subestomática, E - epiderme, EE - epiderme cstratincada, FV - feixe vascular, IC -
idioblasto cristalífero, P - pêlo, PAP - papilas, PP - parênquima paliçâdico, RE - região de
estômato, TE - terminação vascular e.sclcrificada.
cm
SciELO
Anatomia foliar de VirolaAublet
Figuras 77 a 82 - Detalhe de canais secretores em K muhicostata (O.P. Monteiro & M.M.N. Braga
1438 - INPA 66736). 77 - Em corte paradérmico da folha na região do parênquima paliçádico. 78 -
Em corte transversal da folha saindo da periferia de um feixe vascular e atravessando o parênauima
paliçádico cm direção â epiderme. 79 - Em corte transversal da folha, na extremidade adaxial de um
feixe vascular. 80 - Em corte paradérmico da folha na região do parênquima paliçádico
acompanhando os feixes vasculares. 81 - Percurso de um canal secretor entre os tecidos adaxiais da
folha, em corte transversal. 82 - Percurso de um canal secretor saindo da extermidade abaxial do
feixe vascular abrindo-se na epiderme do mesmo lado. CANS - canal secretor e FV - feixe vascular.
129
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bol 8(1), 1992
Figuras 83 a 87 - Células secretoras em corte transversal da folha. 83 - V. garclnch: célula secretora
abrindo-se na epiderme adaxial. 84 - V. muhkostata (O.P. Monteiro & M.M.N. Braga 1438 - INPA
66736); Célula secretora do mesofilo com parte da parede deslocada, com conteúdo. 85 - K minuti-
flora: Célula secretora abrindo-se na epiderme aba.\iai entre papilas. 86 e 87 - Terminações vascula-
res em corte transversal da folha. 86 - V. elongata: Terminação esclerificada. 87 - K minutiflora:
Terminação com traqueídeos livres no parfinquima. CS - célula secretora. TE - terminação escleri-
ficada e TRAQ - traqueídeos.
cm
SciELO
Anatomia foliar de VirolaAublet
Figura 88 - Matriz de similaridade fenética entre 45 binômios de Virola baseada nos caracteres
anatômicos observados em fragmentos de folhas herborizadas reidratadas: 1 - V. albidiflora, 2 -V.
caducifolia, 3 - V calojphylla, 4 - V. calophyUoidea, 5 - K carinata, 6 - K coelhoi, 7 - K crebrinetvia, 8
- V. cuspidata, 9 -V. decorticans, 10 - K divergens, 1 1 - K dixonii, 12 - K duckei, 13 - K elongala, 14 -
V. flexuosa, 15 - V. gardneri, 16 - V. guggenheimii, 17 - V. lepidoia, 18 - V. loreiensis, 19 - V.
macrocarpa, 20 - K rnalmei, 21 - K marlenei, 22 - K megacarpa, 23 - V. michelii, 24 - K micrantha,
25 - K minutiflora, 26- y. mollissima, 27 - K multicosiata, 28 - K multifora, 29- y muhinervia, 30 -
K obovata, 31 - K officinalis, 32 - V. oleifera, 33 - K parvifolia, 34 - K pavonis, 35 - y pcruviana, 36
- y. polyneura, 37 - y rujiila, 38 - K ntmlosa, 39 - K sebifera, 40 - K sessilis, 41 - K subsessilis, 42 -
y. surinamensis, 43 - K tneiodora, 44 - K urbaniana e 45 - K venosa.
131
Boi. Mus. Para. Emílio Gocicli, s&. Bot. 8(1), 1992
Figura 89 - Fenograma obtido a partir da similaridade fenética entre 45 espécies de Virola, baseado
nos caracteres anatômicos da folha. Obs.: tanto caracteres considerados constantes como variáveis
para o grupo foram incluídos neste fenograma. 1 - K albidiflora, 2 - V. cadiicifolia, 3 - K calophylla,
4 -V. calophylloidea, 5 - K carinata, 6 - V. coelhoi, 1 -V. crebrinervia, 8 - V. cuspidata, 9 - K aecorti-
cans, 10 -K divergcns, 1 1 - K dixonii, 12 - K duckei, 13 - K clongata, 14 - K flexuosa, 15 - K gardne-
ri, 16 - V. mggynheimii, 17 - K kpidota, 18 - K loretensis, 19 - K macrocarpa, 20 - V. mahnei, 21 - K
maricrtei, 22 - V. megacarpa, 23 - V. michelü, 24 - K micrantha, 25 - V. minutiflora, 26 - V. moilissima,
27 - K muhico.stata, 28 - K muhiflora, 29 - K multinervia, 30 - K obovata, 31 - V. ojjicinalis, 32 - K
oleifcra, 33 - K par\'ifoUa, 34 - K pavonis, 35 - V. peruviana, 36 - K polyneura, 37 - V. rufula, 38 - K
nig^losa, 39 - V. sebifera, 40 - K sessilis, 41 - K .suh.sessilis, 42 - V. surinámensis, 43 - V. thciodora, 44 -
V. urbaniana e 45 - K venosa.
132
cm
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10 11 12 13 14 15
Anatomia foliar de VirolaAublet
Figura 90 - Fenograma obtido a partir da similaridade fenética entre 47 espécies de Virola baseado
apenas nos caracteres anatômicos da folha considerados constantes para o grupo: 1 - V. albidiflora,
2 - V. caducifolia, 3 - V. calophylla, 4 - V. calophylloidea, 5 - V. carinata, 6 - V. coelhoi, 7 - K
crebrinervia, 8 - V. cu^idata, 9 - V. decorticans, 10 - V. divergens, 11 - K dixonii, 12 - V. duckei, 13 -
V. elongata, 14 - V. flexuosa, 15 - K gardneri, 16 - K guggenheimii, 17 - K íatkachkana, 18 - K
lepidota, 19 - V. lieneana, 20 - V. loretensis, 21 - K macrocarpa, 22 - V. malmei, 23 - V. rnarlenei, 24 -
K megacarpa, 25 - V. michelii, 26 - V. micrantha, 27 - V. minuliflora, 28 - V. mollissima, 29 - V.
mukicostata, 30 - V. multiflora, 31 - K multiner\’ia, 32 - V. obovata, 33 - V. ofpcinalis, 34 - V. oleifera,
35 - K parvifolia, 36 - K pavonis, yi -V. peruviana, 38 - K polyncura, 39 - K rufula, 40 - K rugidosa,
41 - K sebifera, 42 - V. sessilis, 43 - K subsessilis, 44 - V. snrinamcnsis, 45 - V. theiodora, 46 - V.
urbaniana, 47 - K venosa.
133
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, s&. Boi. 8(1), 1992
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Figura 91 - Diagrama de círculo de 45 espécies de Virota ligadas com 70% de similaridade fenética,
onde é possível observar dois grupos definidos: um cujas espécies tém estômatos tipo “elongata” e
outro com estômato tipo “multinervia". Obs.: as espécies que apresentam maior número de traços
ligando-as às outras espécies são aquelas mais relacionadas com o ancestral. 1 - V. albidiflora, 2-V.
caducifolia, 3 - K calophyUa, 4 - V. calophylloidea, 5 -V. carinata, 6 - V. coelhoi, 1 -V. crebrinervia, 8
- V. cuspidata, 9 -V. deconicans, 10 - K divergats, 11 - K dbcouii, 12 - K duckei, 13 - K elongata, 14 -
V. flexuosa, 15 - K gardneri, 16 - K giiggenhcimii, 17 - K lepidota, 18 - K lorelensis, 19 - K macro-
carpa, 20 - V. malmci, 21 - K marlenei, 22 - V. megacarpa, 23 - V. michelii, 24 - V. micrantha, 25 - K
minutijlora, 26 - V. mollissiina, 27 - V. multicostata, 28 - V. mídtiflora, 29 - K multinervia, 30 - K
obovata, 31 - K officinalis, 32 - K oleifera, 33 - V. parvifolia, 34 - K pavonis, 35 - K peruviaha, 36 - K
polyncura, 37 - K nifula, 38 - K nimíosa, 39 - V. sebifera, 40 - V. sessilis, 41 - K subsessilis, 42 - K su-
rinamensis, 43 - V. tneiodora, 44 - K urbaniana e 45 - K venosa.
134
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Anatomia foliar de VirolaAublct
Figura 92 - Relações das espécies de Virola com o ancestral hipotético - espécies mais próximas do
ancestral estão localizadas próximas ao vértice do ângulo (= ancestral). 1’ = número de estados em
comum entre cada duas espécies, K = número de estados de cada espécie e X = espécie. 1 - K
albidiflora, 2 - V. caducifolia, 3 - V. calophylla, 4 - V. calophylloidea, 5 - V. carinaia, 6 - K coethoi, 7 -
V. crebrinervia, 8 - V. cuspida ta, 9 - V. decórticans, 10 - K dtver^ns, 11 - K dixonii, 12 - K diickci, 13
- V. elongata, 14 - K flexuosa, 15 - K gardneri, 16 - K g^iggenheimii, 17 - K Icpidota, 18 - K lorctcnsis,
19 - V. macrocarpa, 20 - V. malrnci, 21 - V. marlenei, 22 - V. megacarpa, 23 - V. michelii, 24 - V.
micrantha, 25 - V. minutiftora, 26 - V, moilissima, 27 - K multicostata, 28 - V. multiflora, 29 - V.
rnultinenia, 30 - K obovata, 31 - V. officinalis, 32 - K oleifera, 33 - V. patvifolia, 34 - K pavonis, 35 -
V. peruviana, 36 - V. potynaira, 37 - V. nifula, 38 - V. ntgulosa, 39 - V.sebifera, 40 - V. satsilis, 41 - V.
siibscssitis, 42 - V. sunnamensis, 43 - K theiodora, 44 - V. urbaniana e 45 - K irnosa.
135
1 Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, s&. BoL 8(1), 1992
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^ O estôrrioto tipo elongata
• estômato tipo multinervia
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•
27 26 25 M 2'3 22 21 2'0 19
C Px
Figura 93 - Relato das espécies com o ancestral hipotético e tipos de estômatos encontrados em
Virola, onde se observa um paralelismo evolutivo entre espécies com estômatos tipo “elongata” e
“multinervia”. P = número de estados em comum entre cada duas espécies, K = número de esta-
dos de cada espécie e X = espécie. 1 - V. albidiflora, 2 - V. caducifolia, 3 -V. calophylla, 4 - V. calo-
phylloidea, 5 -V. carinata, 6 - K coelhoi, 1 -V. crebrinervia, 8 - V. cuspidata, 9 - V. aecorticans, 10 - K
divergeus, 11 - K dixonii, 12 - V. duckei, 13 - K elongata, 14 - K flexuosa, 15 - K gardneri, 16 - K gug- 1
genheimü, 17 - V. lepidota, 18 - K loretcnsis, 19 - K macrocarpa, 20 - K malmei, 21 - V. marlenei, 22 - 1
K mcgacarpa, 23 - v. micliclii, 24 - V. micrantha, 25 - V. minutiflora, 26 - V. mollissima, 27 - V. multi-
costata, 28 - K multiflora, 29 - K multinervia, 30 - V. obovata, 31 - V. officinalis, 32 - V. oleifera, 33 - 1
V. parvifolia, 34 - V. pavonis, 35 - V. peruviana, 36 - V. polyneura, 37 - V. rufula, 38 - K rumlosa, 39 1
- K sebifera, 40 - K sessilis, 41 - K subsessilis, 42 - K surinamensis, 43 - V. theiodora, 44 - K urbania- 1
na e 45 -V. venosa. 1
136
cm
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Anatomia foliar de VirolaAublet
13 -
14 -
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16
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19 '
20
21
22
23
24
25 -
Petos da epiderme inferior
• séssíl
* séssit / pediculodo
o pediculodo
» • o «
» • • •
o «
• «M • t*
» •»
~ÍT~
23 22
<Px
Figura 94 - Relação das espécies com o ancestral hipotético e tipos de pêlos encontrados na folha
de Virola. P = número de estados em comum entre cada duas espécies, K = número de estados de
cada espécie e X = espécie. Obs.; as espécies com pêlos sésseis que ocupam uma posição distante
do ancestral, junto aquelas de pêlos pediculados, são as que possuem pêlos de paredes e ramos
inflados. 1 - V. aíbidiflora, 2-V. caducifolia, 3 - V. calophylla, 4 - K calophylloidca, 5 - K carinata, 6
- V. coelhoi, 1 -V. crebrinema, S-V. ciispidata, 9 - K decorticans, 10 - K divergens, 11 - K dixonii, 12
- V. duckei, 13 - K elongata, 14 - V. flexuosa, 15 - V. gardneri, 16 - V. gug^nheimii, 17 - V. lepidota, 18
- V. loretcmis, 19 - K macrocarpa, 20 - V. malmci, 21 - V. marlcnei, 22 - V. megacarpa, 23 - V.
michela, 24 - K micrantha, 25 - K miniiliflora, 26 - V. mollissima, 27 - K muhtcostata, 28 - V.
multiflora, 29 - K mulnnervia, 30 - K obovata, 31 - K officinalis, 32 - V. oleifera, 33 - K parvifoUa, 34
- V. pavonis, 35 - K peruviana, 36 - V. potyneura, 37 - V. rufula, 38 - V: nigulosa, 39- V. sebifera, 40 -
K sessilis, 41 - K subsessilis, 42 - V. surinamensis, 43 - K theiodora, 44 - K urbaniaim e 45 - V.
venosa.
137
Anatomia foliar de VirolaAublet
Gráfico 1 - Número de estruturas; estômatos, bases de pêlos da epiderme adaxial e bases de pêlos
da epidermes abaxial por 0,17 um^ de folha das espécies de Virola. Observar número de pêlos tanto
de epiderme abaxial quanto abaxial em geral pequeno, porém na maioria das espécies com pêlos de
paredes finas e ramos inflados, este número é rclativamente maior, quase sempre igualando o
número de estômatos. * = número de estômatos e ** = número de pêlos da epiderme abaxial
resultantes de uma única contagem. 1 - V. albidiflora, 2 - K cadiicifolia, 3 - K calopbylla, 4 - V.
calophylloidca, 5 - V. carinata, 6 - K coelhoi, 1 - V. crebrinervia, 8 - V. cuspidata, 9 -V. àecoriicans,
10 - K divergens, 11 - K dixonii, 12 - K duckei, 13 - K elongata, 14 - K flaxtiosa, 15 - K gardneri, 16 -
V. guggenheimii, 17 -V. kukachkana, 18 -K lepidota, 19 - K Heneana, 20 - V. lorctensis, 21 - V.
macrocarpa, 22 - K malinei, 23 - K marlenci, 24 - K megacarpa, 25 - K micbclii, 26 - K micrantha,
27 - V. rnmutiflora, 28 - K moüissima, 29 - V. multicostata, 30 - V. miiltiflora, 31 - V. midíinervia, 32 -
V. obovata, 33 - V. officinalis, 34 - V. oleifera, 35 - V. parvifoUa, 36 - V. pavonis, 37 - V. perttviana, 38 -
V. polyneura, 39 - V. nifida, 40 - K ruguíosa, 41 - V. sebifera, 42 - V. sessilis, 43 - V. siibsessilis, 44 - V.
surinatnaisis, 45 - K theidora, 46 - V. itrbaniana e 47 - K venosa.
139
Boi. Mus. Pura. Emílio Goeldi, s&. Bot. 8(1), 1992
isolados, denotando que no teste não existe uma determinação orientada da
metodologia para resultados programados ou viciados, de tal forma que o teste
revela a natureza da relação real entre as espécies cm função dos dados coleta-
dos, em função da similaridade c da premissa de que o ancestral hipotético
retém as características mais comuns.
Neste trabalho apesar de terem sido feitas duas tabelas, a segunda resul-
tante de uma reflexão quanto à primeira, reconhcce-sc a possibilidade de me-
lhorar a colocação de alguns itens, ou seja, reconhecc-sc que a organização da
tabela deve ser repensada c ponderada, explorando a literatura pertinente, o
que será mais lógico quando da avaliação da folha como um todo. Valeu aqui,
além de tudo, o espaço criado para as interrogações que ficaram.
AGRADECIMENTOS
Ao INPA c demais instituições que possibilitaram a realização deste tra-
balho; a todos os professores que contribuíram direta ou indiretamente para
minha formação científica, cspccialmcnte ao Dr. Pc. Leopoldo Kricgcr c Dr.
Ghillean T. Prance; ao Dr. William A. Rodrigues por todo o auxílio e pelas Vi-
rolas; a todos os amigos que participaram de alguma forma na elaboração des-
te, cspccialmcnte ao Sr. Osmarino Pires Monteiro, cu agradeço! foi-me permi-
tida uma grande viagem! um grande aprendizado! Obrigada!
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Recebido em 20.05.91
Aprovado em 03.12.91
142
CDD: 583.32109811
LEGUMINOSAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA - II
Cedrelinga Ducke (Leg. Mimos.)
Marlene Freitas da Silva}
Léa Maria Medeiros Carreira^
Angélica de Lima Cortês^
RESUMO - Este estudo faz parte do Projeto Leguminosas da Amazônia Bra-
sileira. Nele é tratado o gênero monotípico Cedrelinga Ducke, representado
pela espécie C. catenaeformis (Ducke) Ducke, cuja distribuição é restrita à re-
gião neotropical, em especial à Amazônia. Além do tratamento taxonômico,
outras informações estão incluídas, como a morfologia do pólen.
PALAVRAS-CHAVE; Leguminosae, Taxonomia, Amazônia.
ABSTRACT - This study is part of the Brazilian Amazon Leguminosae Pro-
ject. A monotypic genus is treated: Cedrelinga Ducke, represented by the spe-
cies C. catenaeformis (Ducke) Ducke, found only in the neotropics, especially
Amazônia, Supplementary information, such as pollen morphology, is provided
in addition to the taxonomic treatment.
KEY WORDS: Leguminosae, Taxonomy, Amazônia.
1 SCT/Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, Caixa Postal 478, Manaus, AM.
2 SCT/CNPq/Museu Paraense Emílio Goeldi, Depto. de Botânica, Caixa Postal 399, CEP 66040,
Belém, PA.
143
Boi Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bol 8(1), 1992
INTRODUÇÃO
O estudo do gênero Cedrelinga Ducke faz parte do projeto Leguminosas
da Amazônia Brasileira, o qual foi iniciado com o levantamento dessas espé-
cies nos principais herbários da região (Silva et aL 1989), com o objetivo de
atualizar a taxonomia dos diversos tata, atendendo assim às expectativas da
vasta região amazônica, onde muitas espécies estão ameaçadas devido ao pro-
cesso ocupacional e desenvolvimentista atual da região.
O gênero Cedrelinga, descrito por Ducke em 1922, é monotípico, tendo a
espécie C. catenaeformis (Ducke) Ducke como tipo genérico. Trata-se de um
gênero restrito à região neotropical e tem a Amazônia como seu centro de dis-
tribuição natural. Por ser considerado de grande importância econômica, di-
versos estudos abordando vários aspectos já foram realizados: da madeira ocu-
param-se Record & Hess (1949), Loureiro & Silva (1968), Lima Frazão (1983)
e Cardias & Jesus (1985); do pólen, Sorsa (1969) e Guinet in Polhill & Raven
(1981); os primeiros estudos silviculturais foram feitos por Alencar & Araújo
(1980); Magalhães & Blum (1984); Varela & Barbosa (1986/87) estudaram o
sistema de acondicionamento das sementes, e Sampaio et al. (inédito) fez um
estudo sobre a metodologia de espaçamento para plantio da espécie.
MATERIAL E MÉTODOS
Para o estudo taxonômico foram utilizadas as coleções depositadas nos
herbários do INPA, MG e lAN.
A identificação e a descrição da espécie seguiram a metodologia clássica
para os trabalhos de taxonomia (dissecação e mensuração), comparando-se o
material estudado com a coleção-tipo e a descrição original da espécie. Outras
informações adicionais foram retiradas de bibliografia especializada, das eti-
quetas do material consultado, completadas com observações feitas no campo.
Foi utilizado o sinal de exclamação (!) após a classificação do tipo exami-
nado.
Na preparação das lâminas de pólen foi utilizado o método de acetólise
de Erdtman (1952). Nas descrições polínicas foi usada a seqüência de Erdtman
(1%9) e a nomenclatura baseada no Glossário Ilustrado de Palinologia de Bar-
th & Melhem (1988). As fotomicrografias de luz foram obtidas no fotomi-
croscópico ZEIS e as de varredura no microscópio eletrônico JEOL-25 S-II a
12,5 KV.
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Leguminosas da Amazônia brasileira - II. Cedrelinga
Siglas e abreviações usadas nas descrições e nas estampas:
Amb = âmbito
D = densidade
DAP = diâmetro à altura do peito
D/C = diâmetro/comprimento
DE = diâmetro equatorial do grão de pólen
DM = diâmetro maior da políade
Dm = diâmetro menor da políade
DP = diâmetro polar do grão de pólen
lAN = Instituto Agronômico do Norte, atualmente EMBRAPA/CPATU
INPA = Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
MEV = microscopia eletrônica de varredura
MG = Museu Paraense Emílio Goeldi
ML = microscopia de luz
P-MG = palinoteca do MG
VG = vista geral
HISTÓRIA E POSIÇÃO TAXONÔMICA DO GÊNERO
O gênero Cedrelinga, descrito por Ducke (1922), é monotípico e tem a
espécie C. catenaefomüs (Ducke) Ducke como tipo genérico. A espécie como
originalmente descrita foi incluída por Ducke (1915) no gênero Piptadenia,
Secção II Piptocarpa, desconhecendo, o autor, a morfologia da flor e, princi-
palmente, “la forme absoluement singulière de son fruit”.
Como citado anteriormente, Ducke (1922) reconsiderou seu posiciona-
mento verificando a instabilidade da espécie no gênero Piptadenia, criando as-
sim o novo gênero Cedrelinga. Assim, a posição taxonômica do gênero somente
deve ser considerada dentro dos sistemas de classificação contemporâneos,
como os de Hutchinson (1926, 1959, 1967, 1969, 1973), Takhtajan (1969) e
Cronquist (1968, 1981), na original tribo Ingeae de Bentham & Hooker
(1862-1865), caracterizada pelos lobos do cálice valvares e numerosos estames
soldados na base formando um tubo (Elias in Pohlhill & Haven, 1981), o que a
distingue da iúbo Acacieae, onde os estames são livres.
As tendências evolucionárias da tribo Ingeae e outras são citadas por
Nielsen in Pohlhill «& Ravcn (l.c.).
145
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bol 8(1), 1992
Sorsa (1969), ao colocar o gênero Cedrelinga no tipo polínico Affonsea,
Grupo V, concluiu que este grupo é o mais homogêneo com relação à morfo-
logia do pólen. Consequentemente tem sido difícil subdividir o grupo em tipos
polínicos e também encontrar qualquer relação filética ou taxonômica e
tendências evolutivas no mesmo. O referido autor considera, ainda, que a mor-
fologia do pólen do Grupo V revela clara relação entre os gêneros incluídos no
ú\io Affonsea. Taxonomicamente, os gêneros Samanea eAlbizia (Cathomiion)
são segregados do gênero Pithecellobium e que entre os gêneros Cedrelinga e
Pithecellobium há estreita afinidade (Ducke 1922), diferindo entre si, particu-
larmente (Nielsen in Pohlhill & Raven (l.c.)):
CEDRELINGA Ducke
PITHECELLOBIUM Mart.
Estipulas: não espinescentes
Estipulas: espinescentes
Sementes: sem arilo e sem pleuro-
grama
Sementes: com arilo funicular e com
pleurograma aberto
TRATAMENTO TAXONOMICO
Cedrelinga Ducke in Ducke, y4rc/i. Jard. Bol. Rio de Janeiro 3:70-71, est. 6, 1922.
Macbride, Fl. Peru 13(3-l):65-66. 1943. Hutchinson, The Genera of Flowe-
ringPlants (Angiospermae). Dicotylenes, vol. 1:295. 1967.
Árvore grande de copa estreita cujo aspecto da córtex lembra a do verda-
deiro “cedro” (Cedrela odorata). Folhas bipinadas, alternas, longo-pecioladas
com uma glândula nectarífera na ráquis próximo ao ponto de insersão das pi-
nas: pecíolo subcilíndrico; pinas 3-4 pares, opostas; foliólulos grandes, coriá-
ceos, assimétricos, a face superior lustrosa, a inferior opaca. Inflorescência
composta de capítulos paucifloros, dispostos em panículas axilares, terminais
ou subterminais; flores hermafroditas, sésseis, 5-laciniadas. Fruto, lomento es-
tipitado, pêndulo, achatado, 4-5(6) articulado, torcido nas articulações, artícu-
los l-seminados.
1. Cedrelinga catenaeformis (Ducke) Ducke, Arch. Jard. Bol. Rio de Janeiro:
3:70-71, est. 6, 1922 (Estampa 1).
Piptadenia catenaeformis Ducke, ylrc/i. Jard. Bot. Rio de Janeiro 1:17,
t. 5 e 6. 1915. Tipos: Brasil. Pará, “próximo de Oriximiná, no rio
Trombetas inferior” mar. 1915, Ducke, s.n. (Lcctótipo! MG 15710).
Brasil, Pará, Óbidos, 6/III/1915, A. Ducke s.n. (Parátipo! MG
15704).
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Lcj^tininosas da Ainazônia brasileira - II. Cedrelinga
Árvore grande, 25-35 (48-70 m) de altura; córtex espessa, estriada longi-
tudinalmente, exfoliativa, rugosa. Folhas bi-pinadas, longo-pecioladas: maiores
do que em Piptadenia poeppigii, pecíolo subcilíndrico, 4-65 cm de comprimen-
to, canaliculado, com uma glândula no ápice; ráquis de 3,5-10(19) cm de com-
primento, ligeiramente anguloso, estriado, com uma glândula na extremidade
distai, dilatado na base, pinas 3-4 pares, opostas, pecioluladas; peciólulos de
4-5 mm de comprimento; folíolos coriáceos, ovado-elípticos, 5-10 (12) cm de
comprimento por 3-6 (6,5) cm de largura, freqüentemente assimétricos, ápice
acuminado, base irregular, margem inteira, ondulada, revolutiva, face superior
lustrosa e inferior opaca; nervuras (primária, secundárias e terciárias) proemi-
nentemente visíveis em ambas as faces; nervação peninérvea, inflorescôncia em
capítulos paucifloros, 8 m de diâmetro, dispostos em panículas axilares, termi-
nais ou subterminais, pedúnculo de 1,5 (2) cm de comprimento; ráquis
freqüentemente de 15 cm de comprimento, canopubescentes; flores renifor-
mes, sésseis, hermafroditas; cálice cupuliforme, sub-glabro a glabrescente, 1
mm de comprimento, 5-laciniados; lacínias triangulares; corola verde-amarela-
da, 4 mm de comprimento, profundamente 5-fendida; estames brancos, o do-
bro do comprimento da corola; conatos em um tubo, enrolados no botão. Fru-
to lomento, achatado, pêndulo, indeiscente, base estipitada, 1,5 m de compri-
mento, fortemente articulado formando compridas cadeias planas, torcido nas
articulações, o artículo terminal quase sempre abortado; artículos cartáceos,
indeiscentes, bi-valvares, 3-5 (6) uniespermos, 12-15 (18) cm de comprimento
por 3-4 cm de largura, superfície reticulado-venosa com uma das margens es-
pessa; semente plana, verde quando madura, elíptica, 5-6/fruto, unisseriada por
artículo, 2.5-3 (^5) cm de comprimento por 1.5 cm de largura, sem arilo; testa
lustrosa, marrom, delgada, papirácea, transparente; hilo punctiforme subapi-
cal; endosperma ausente; cotilédones simples com um único eixo radicular;
embrião reto; plúmula rudimentar. Germinação fanerocotiledonar, plântula
com apenas 1 par de folíolos por folha.
Material Examinado. BRASIL. Amazonas: Manaus, Campus do IN-
PA, out (est), Cortês 011 (INPA); Cachoeira Tarumã, out (est), Ducke 805 (IN-
PA, MG); id., mai (est), Rodrigues 5238 (INPA); id., jan (fr). Vieira s.n. (INPA
20874); Reserva Ducke, mar (est), Albuquerque s.n. (INPA 143004); id., fev
(est), Mello & Ramos s.n. (INPA 55222, 55223, 55226); id., fev (fl). Reis s.n.
ONPA 57707); id., 1976 (est). Reis s.n. (INPA 57711); id., ago (est). Reis s.n.
(INPA 58587); id., jul (est), Rodrigues 8188 (INPA); Hidrel. Balbina, dez (est).
Silva 98, 99, ItX) (INPA). Acre: Cruzeiro do Sul, próximo ao aeroporto novo,
nov (fr), Monteiro á Damião 402 (INPA, MG). Rondônia: Itapoã do Oeste. Fl.
Nac. Jamari, set (fl), Sérgio & Nepomuceno 317 (INPA); id., ago (est), Sérgio &
Nepomuceno 265, 294, 308 (INPA); id., fev (est), id. 279 (INPA). COLÔMBIA.
Caquetá, Puerto Boy, dez (est). Torres 649 (INPA). PERU. Pucalpa. Carr.
147
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Bot 8(1), 1992
K V*. '-1
9
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S«M'
Figura 1 - Cedrelinga catenaeformis. A) Hábito de um ramo com flores; B) C^ítulo em detalhe;
C) Lomento; D) Botão floral na pré-antese; E) Flor, F) Pétala; G) Gineceu; H) Estames; 1) Plântu-
la (Angulo 70; Sérgio 317). Desenho de W. Leite, 1989.
148
cm
2 3 4
SciELO
10 11 12 13 14 15
Leguminosas da Amazônia brasileira - II. Cedrelinga
Extraccion. Area Piloto, ago (ír). Angulo 70 (INPA), Deplo. San Martins, Prov.
Mariscai Cáceres. Car. Paio Blanco, mar (est), Simpson & Schunke 86 (INPA,
MG).
Nomes Populares. BRASIL. Amazonas, Pará, Acre e Rondônia: cedrora-
na, iacaica, paricá, yacayaca (Record & Hess 1949). PERU. Loreto, Tornillo,
Prov. Mariscai & Pucalpa: cedrorana. COLÔMBIA. Puerto Boy: achapo, ce-
drorana.
Distribuição. No Brasil a “cedrorana” Cedrelinga catenaeformis é encon-
trada com maior freqüência no Estado do Pará, na ilha de Breves, nos baixos
rios Moju e Tocantins, Gurupá, Xingu (entre Vitória e Altamira), baixo e mé-
dio Tapajós (Boa Vista, Cachoeira Inferiores e Cachoeira Mangabal), baixo
Trombetas (Serra Cururu, Oriximiná), Ducke (1915; 1922). No Estado do
Amazonas, é encontrada em Manaus e nos municípios de Parintins, Waupés,
São Paulo de Olivença e Tabatinga (Lima Frazão 1983). É encontrada ainda
nos Estados do Acre, em Cruzeiro do Sul, e de Rondônia, em Porto Velho,
Sto. Antônio, Teotônio e Itapuã do Oeste.
No Peru, é encontrada em Yurimaguas, Depto. de Loreto e Pucalpa.
Na Colômbia, em Letícia e Puerto Boy (Estampa 2).
PÓLEN
Um dos trabalhos mais completos sobre o pólen das Mimosaceae é o de
Sorsa (1969) que analisou o pólen de 49 gêneros, os quais, por apresentarem a
morfologia bastante heterogênea, foram divididos em 5 grupos constituídos
por 25 tipos polínicos. Neste, a espécie Cedrelinga catenaeformis encontra-se
incluída no Grupo V, Tipo Polínico Affonsea. Os demais gêneros que fazem
parte deste Tipo Polínico são membros da tribo Ingeae.
Um outro trabalho é o de Guinet in Polhill & Raven (1981), no qual o
autor faz comentários referentes aos caracteres polínicos de Cedrelinga.
Junto à Cedrelinga, outros gêneros estão incluídos na tribo Ingeae, como
Affonsea, Inga, Archidendron, Serianthes, Samanea, Enterolobium, Albàia, Pseu-
dosamanea, Wallaceodendron, Lysiloma, Pithecellobium, Calliandra e Cathor-
mion. Vários trabalhos já foram publicados a respeito da morfologia do pólen
de alguns desses gêneros: Erdtman (1952) descreveu sucintamente as políades
de Enterolobium cyclocarpum e Inga leptoloba e constatou que as aberturas dos
grãos são providas de membranas granuladas; Barros (1963) analisou a morfo-
logia do pólen de Inga edulis-, Barth & Yoneshique (1965) analisaram as polía-
149
BoL Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. BoL 8(1), 1992
des de algumas espécies dos gêneros Ajfonsea, Calliandra, Pithecellobium e de
Inga. Guinet (1965) estabeleceu 4 tipos polínicos distintos para descrever as
políades do gênero Calliandra. Guinet & Barth (1967) fizeram um estudo
comparativo entre a microscopia ótica e a eletrônica da estrutura da exina de
Calliandra. Salgado-Labouriau (1973) descreveu as políades de Calliandra par-
viflora, Enterolohium gummiferum (E. ellipticum, segundo Mesquita 1990), En-
terolobium contortisiliquum e do gênero Pithecellobium.
Os grãos de pólen do material examinado apresentam as seguintes característi-
cas:
- Políades grandes, achatadas, acalimadas, radiossimétricas, compostas de 16
grãos, 8 periféricos e 8 centrais (4 na face anterior e 4 na face posterior). Os
grãos são 6-porados, facilmente destacados da políade por apresentarem a exi-
na individual. A superfície é finamente reticulada. Diâmetro das políades: DM
= 63,5 q 2,0 (59,5 - 74,5) tim; Dm = 56,0 q 2,0 (52,5 - 59,5) pm; Diâmetro dos
grãos: DP = 22,5 q 0,7 (20 - 25) tim; DE = 19,5 q 0,8 (17,5 - 22,5) )im. A sexina
(1,7 mm) é mais espessa que a nexina (1,0 ym) ao nível da região distai do grão.
Na região proximal a exina é constituída apenas de nexina. (Estampa 3).
MADEIRA
Moderadamente pesada; cerne marron-claro, lustroso, predominante-
mente marcado com linhas vasculares vermelho-róseo entrelaçando-se gra-
dualmente no alburno mais claro; textura grosseira; grã direita; fácil de traba-
lhar recebendo bom acabamento; firme e resistente; cheiro e gosto indistintos
quando seca, apresentando odor desagradável quando úmida (Macbride 1943,
Record & Hess 1949). E resistente, ainda, aos fungos decompositores Lenzites
trabea e Picnoporus sanguineus (Cardias & Jesus 1985).
A descrição macroscópica do lenho é apresentada por Loureiro & Silva
(1968), e a microscópica em Lima Frazão (1983).
Usos
A madeira de “cedrorana”, tradicionalmente utilizada no mercado nacio-
nal, tem despertado, recentemente, grande interesse para exploração comer-
cial, e, segundo SUDAM/IPT (1981), tem grandes possibilidades de expor-
tação.
É de textura semelhante a do “cedro”, porém de grã mais grosseira, par-
dacenta, brilhante e exala cheiro desagradável quando úmida (D = 0,60 = 0,79
g/cm^). É usada, também, na indústria de celulose e papel (Le Cointe 1947).
150
Leguminosas da Amazónia brasileira - II. Cedrciinga
P'igura 2 - Cedrelinga caienaeformis: * Distribuição geográfica
151
l-igura 3 - a) VG da políade, corlc ólico. h) Idcm, ornamcniação da cxina. Aunienlo dc 45()x. c)
Vü do grão isolado da políade, corte ótico. Aumento de 12(K)x. d) MKV dos grãos isoladas da
políade. e) Idcm, detalhe da ornamentação da cxina. Aumento dc 750x. (Pires 1.360, lAN 37134,
Det: A, Ducke s/d, P-MG 0554).
cm
SciELO
Lcgiiminosüs da Amazônia brasileira - lí. Cedrelinga
Também, pode ser utilizada como dormentes, em construções civil e na-
val, vigamentos, marcenarias, carpintarias, cepos de bigornas e de açougue, atl-
çamento de ruas, implementos agrícolas (Loureiro & Silva 1968); chapas de
compensado, lâminas deeorativas, embalagens, moldes e modelos, decorações e
adornos, bobinas e carretéis (SUDAM/IPT, l.c.).
Alencar & Araújo (1980) recomendam, entre outras, Cedrelinga calenae-
formis para plantios na Amazônia, por apresentar bom crescimento em altura,
diâmetro e alta porcentagem de sobrevivência em plena abertura e sob sombra.
Fernandes & Jardim (1982) indicam que a espécie pode ser utilizada para re-
florestar áreas abandonadas, após cultivos sucessivos de ciclo rápido. Maga-
lhães «& Blum (1984) mostraram que a “cedrorana” pode ser usada em solos de
babca fertilidade, baixo teor de C, acidez e alta saturação de Al, apresentando
além de nodulações e infecção por microrrizas, um sistema radicular extenso
com possibilidades de explorar abundantemente o solo.
ECOLOGIA
Habitai. Habita, naturalmente, as matas altas de terra firme, formando, às
vezes, populações densas, preferindo as nascentes e cursos superiores dos rios e
margens baixas dos igarapés, em solo argiloso.
Fenologia. Floresce em dezembro e frutifica cm maio.
Dispersão. Os frutos articulados separam-se após a maturação e são leva-
dos pelo vento a grandes distâncias, indicando dispersão anemocórica (Lourei-
ro & Silva 1968). As sementes são consumidas por papagaios, araras e pelos
macacos-aranhas (Roosmalen 1984), sugerindo ainda dispersão ornitoeórica e
primatocórica.
ASPECTOS SILVICULTURAIS
Na Amazônia são insuficientes os estudos experimentais sobre tecnologia
de sementes de espécies florestais nativas, principalmcntc, no que se refere às
condições de armazenamento, para manter ou prolongar a viabilidade da se-
mente. Isto indica a necc.ssidadc de utilização de semente imediatamente após
a colheita, visto que inúmeras espécies aprc.scntam rápida perda de poder ger-
minativo, impedindo a disponibilidade de sementes para semeadura cm época
apropriada. Outrtts fatores, como irregularidade na produção de sementes, bai-
xa ocorrência da espécie por área, c outros, levam à falta de sementes, limitan-
do o aproveitamento da espécie cm manejos silviculturais (Varela & Barbosa
1986/1987).
15.1
Boi Mus. Para. EmOio Gocidi, s&. Anlropol. 8(1 }, 1992
Quanto ao armazenamento da semente, estes mesmos autores verifiea-
ram que as sementes da “eedrorana”, Cedrelinga catenaeformis, quando acondi-
eionadas em sacos de polictileno e de papel, apresentaram considerável re-
dução no poder germinativo aos 30 dias de armazenamento, se mantidas em
condições de 6.4-8. 1”C de temperatura e umidade relativa de 50%. Essas con-
dições de armazenamento, mesmo não sendo ideais, são mais favoráveis ao
prolongamento da viabilidade das sementes da espécie do que as condições
ambientais de temperatura c umidade relativa, normalmcnte elevadas. Aos 90
dias de armazenamento à temperatura de 6.4-8.1 -C, melhores resultados foram
obtidos quando as sementes estavam acondicionadas cm sacos de polictileno c
de papel. Sacos de papel cm condições ambientais foram prejudiciais à conser-
vação das sementes da espécie.
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Recebido em 21 .09.91
Aprovado em 25.02.92
156
cm
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HELICONIA LUCIAE Barreiros n. sp,
(Heliconiaceae)
CDD: 584.21
Humberto de Souza Baireiros'
RESUMO - Examinando material de Ileliconia do Amazonas, Brasil,
pertencente ao Herbário do Museu Goehli (MG), verifiquei que a espécie de
rí- 116317 MG divergia das demais lielicônias conhecidas, principalmente
quanto a certas características forais no que concerne, por exemplo, ao
cstaminódio que é linear mas dividido em duas lâminas da metade para o
ápice. A planta pertence à Sccçflo Zingiberastrum/lM</. Ror considerá-la nova
para a ciência, denominei-a de Ileliconia luciae Barreiros, sendo o epíteto em
homenagem a minha esposa Lúcia.
l’AI,AVRAS-ClIAVn: Ileliconia nova, Amazona.s.
ABSTRACT - In this paper the author describes and fgtires a new species of
I Icliconia E. from Amazonas, Brazil. This species have habit zingibcroidea
and the staminodio bilamellate.
KEY WORDS: New Ileliconia, Amazonas.
Ileliconia luciae Barreiros n.sp.
Ilerba pumilia 60cm alta v.ulira, rhizomatosa, foliis sub cincinnis
curtopetiolatis, glabris, viridibus; lamina clliplica 18-20cm longa, 4cm lata,
caudata, basi acuta. Infloresccntia erccta disticha, deltoidca, llcm longa,
cincinnoidea, aurantiaca, pcdunculo viridi ct longo; cincinnus (3-4),
muliiflorus, rachide sinuosa interntxliis longis; spathis 3-4 fafffiuis, angusiis,
ad.scendcntibus, aurantiaci.s, coriaceis, prima 1 Icm longa, alteris minoribus ct
proporcionalibus; bracteis interioribus 2cm longis, lincaribus, carthaccLs,
abditis; floribus tubulosis falcatis aurantiacis, longepcdicellatis; tepalis falcatis
4cm longis superne maculis atroviridis ornatis; anthcris longis, rimosis;
staminodio lineari ad apicem bilamellato, l,5-l,6cm longo; ovário trigono
4-6mm longo, stylo longo, stigmatc globoideo barbcllato.
1 l’c.sqiiis:idor cm Ciôncias Exalas c da Natureza - .lardim Botflnico do Rio dc Janeiro
157
Boi. Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Boi. 8(1), 1992
1
Figura 1" .HcUconía luciae Barreiros - A: hábito x2; B: llorxl; C: estaminódio xl,5.
158
Heliconia luciae Barreiros n. sp.
Species H. hirsuta affinis, differt notis floralibus, etc.
Tipus: T. Plowman et all 121127, Brasil, Amazonas, Mun. Maraã, Rio Japurá,
in sitio Cuiú-Cuiú (holotypus, MG).
Erva pequena 60cm alta ou mais, rizomatosa, folhas sob os cincinos, cur-
topecioladas, glabras, esverdeadas; lâmina elítica 18-20 cm longa, 4 cm larga,
caudada, base aguda. Inflorescência ereta, dística, triangular, llcm longa, cin-
cinóidea, alaranjada, pedúnculo esverdeado e longo; cincinos 3-4, multiflorios,
raque sinuosa com entrenós longos; espatas 3-4 falcadas, estreitas, ascendentes,
alaranjadas, coriáceas, a primeira llcm longa, as seguintes menores e propor-
cionais; bratéolas internas 2cm longas, estreitas, cartáceas, ocultas; flores tubi-
losas falcadas alaranjadas, longopediceladas; tépalos 4cm longos, acima com
mácula verde escura; anteras longas, rimosas; estaminódio linear da metade
para o ápice bilaminado, 1.5-l,8cm longo; ovário trigono 4-6mm longo, estilo
longo, estigma globoidep barbelado.
AGRADECIMENTOS
Ao Museu Emílio Goeldi pelo empréstimo do material de Heliconia L.
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159
Recebido em 25.11.91
1 SciELO
6 Editora Supercores
Travessa do Chaco, 688.
Tel. ; (091 ) 233-021 7. Fax: (091 ) 244-0701
Belém do Pará
BOLETIM DO MUSEU PARAENSE EMÍUO GOELDI
INSTRUÇÕES AOS AUTORES PARA PREPARAÇÃO DE MANUSCRITOS
1 ) O Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi dedica-se à publicação de trabalhos
de pesquisas cientificas que se referem, direta ou indiretamente, à Amazônia, nas
áreas de Antropologia, Arqueologia, Lingüistica, Botânica, Ciências da Terra e
Zoologia.
2) Os manuscritos a serem submetidos devem ser enquadrados nas categorias de
artigos originais, notas preliminares, artigos de revisão, resenhas bibliográficas ou
comentários.
3) A Comissão de Editoração é reservado o direito de rejeitar ou encaminhar para
revisão dos autores, os manuscritos submetidos que não cumprirem as orientações
estabelecidas.
4) Os autores são responsáveis pelo conteúdo de seus trabalhos. Os manuscritos
apresentados devem ser inéditos, não podendo ser simultaneamente apresentados a
outro periódico. No caso de múltipla autoria, entende-se que há-concordãncia de
todos os autores em submeter o trabalho à publicação. A citação de comunicação de
caráter pessoal, nos manuscritos, é de responsabilidade do autor.
5) A redação dos manuscritos deve ser, preferencialmente, em português, admitindo-
se, contudo, manuscritos nos idiomas espanhol, inglês e francês.
6) O texto principal deve ser acompanhado de resumo, palavras-chave, “abstract”,
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numeradas consecutivamente, independentes das figuras e tabelas.
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10) O titulo deve ser sucinto e direto e esclarecer o conteúdo do artigo, podendo ser
completado por um subtítulo. O titulo corrente (resumo do titulo do artigo) deverá
ser encaminhado em folha separada para que seja impresso no alto de cada página
ímpar do artigo e não deverá ultrapassar 70 caracteres.
11) \s referências bibliográficas e as citações no texto deverão seguir o “Guia para
/ .oresentação de Manuscritos Submetidos ã Publicação no Boletim do Museu
Pa. aense Emilio Goeldi".
12) No artigo aparecerá a data do recebimento pelo Editor e a resptectiva data de
aprovação pela Comissão Editorial.
1 3) Os autores receberão, gratuitamenfe, 30 separatas de seu artigo e um fascículo
completo.
1 4) Os manuscritos devem ser encaminhados com uma carta à Comissão de Editoração
do Museu Paraense Emilio Goeldi-CNPq (Comissão de Editoração, Caixa Postal
399, 66.000 Belém, Parà, Brasil).
15) Para maiores informações, consulte o “Guia para Apresentação de Manuscritos
Submetidos ã Publicação do Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi".
CONTEÚDO
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