MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
1937
TOMO XI
*
São Paulo, Brasil
Caixa postal 65
MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
1937
TOMO XI
Sáo Paulo, Brasil
Caixa posta! 65
ÍNDICE
Pag.
Noticiário V
Sobre a chitnica dos horaionios scxuaes.
1. Estado actual da questão — C. H. SLOTTA 1
2. Obtenção da cstrona da urina de cguas prenhes — C. H. SLOTTA: 0.
SZYSZKA & E. B LANHE 17
3. Constituição das substancias estrogenicas obtidas com o anol — (L H.
SLOTTA & W. FOBSTER 31
O café sob o ponto de vista chimico.
1. Determinação do extraclo c da cafeína — C. II. SLOTTA «Sc C. NEISSER 30
2. Alcaloides do café — C. H. SLOTTA & C. NEISSER 40
3. Uso do café no preparo de sabão ou oleo comestível — C. II. SLOTTA
5: G. SZYSZKA • 5S
4. Determinação e extracção do acido chlorogenico do café — C. II. SLOT-
TA; C. NEISSER & A. CARDEAI 61
5. Tres novas substancias do café — C. H. SLOTTA S C. NEISSER ... 71
Effeitos do chlorogcnato de potássio c chlorogenato dc potássio c cafeína sobre
o coração do sapo. Bofo marinos — J. R. VALLE 63
Estudos sobre os venenos dc sapos brasileiros.
1. Composição do veneno dc Bufo marinos — C. H. SLOTTA S C. NEISSER 89
2. Sobre a adrenalina no veneno dc Bofo marinua — C. H. SLOTTA: J. R.
VALLE & C. NEISSER 101
Estudos chimicos sobre os venenos ophidicos.
1. Determinação dc sua toxicidade em camondongos — ('.. II. SLOTTA &
G. SZYSZKA 109
2. Sobre a forma dc ligação do enxofre — C. H. SLOTTA & H. L. FRAEN-
KEL-CONRAT 121
3. Teor da coagulação e da lecithinase — C. II. SLOTTA: G. SZYSZKA
& H. L. FRAENKEL-CONRAT 133
Novos estudos immunologicos sobre a substancia coagulantc do veneno dc Bothrop»
Jararaca — D. von KLOBUSITZKY & P. KONIG 149
Concentração da antitoxina tetanica por meio dc adsorpçâo — D. von KLOBUSITZKY 163
Estudos sobre laccrtilios neotropicos.
4. Lista Rcmissis'a dos laccrtilios do Brasil — AFRANIO do AMARAL . . 167
Contribuição aos conhecimentos dos ophidios do Brasil.
9. Nova especie de Colubrideo opisthoglypho confundi vel com Philodryas
gerra (SCHLEGEL, 1837) — AFRANIO do AMARAL 205
10. Redescripção de Philodryas gerra (SCHLEGEL, 1837) — AFRANIO do
AMARAL 213
Contribuição ao conhecimento dos ophidios do Brasil.
11. Synopse das Crotalideas do Brasil — AFRANIO do AMARAL .... 217
Estudos sobre ophidios neotropicos.
34. Novas notas sobre a fauna da Colombia e descripção de uma especie
nova de Colubrideo aglypho — AFRANIO do AMARAL 231
Regras Internacionacs dc Nomenclatura Zoologica (2.* edição) — AFRANIO do
AMARAL 241
Artigos de collaboração:
Alguns opiliões da collccção do Instituto Butantan — C- de MELLO-LEITaO . . 2í5
Um gencro e sete especies novas de aranhas — C. de MELLO-LEITÃO .... 311
Hermaphroditismo alternante proterogynico cm Rhabdias fiilleborni TRAV. —
ANDRE’ DREYFUS 289
Sobre a evolução de ovocytos contidos no testiculo do sapo — ANDRE' DREYFUS 299
NOTICIÁRIO
No Noticiário do tomo VI destas Memórias foram publicadas as linhas
gcraes da reorganização, scientifica por que havia passado o Instituto Butantan,
que, desde abril de 1931, se vem transformando em um centro de estudos bio-
logicos, dedicando-se, no dominio da medicina esperimental, especialmente a
trabalhos sobre pathologia humana. No Noticiário do tomo IX foi dito que
no Instituto já haviam sido criadas as ultimas secções technicas, previstas pela
reorganização de 1931, tendo mesmo, entre estas, sido installada a de Chimica
experimental.
Exprimiu-se nessa occasião a esperança de que, graças ao caracter moderno
impresso por essa organização, poderia avultar a contribuição do Instituto ao
progresso das scicncias biológicas em nosso meio. Dessa maneira, procurava-se
também encarecer a necessidade de se incrementarem as pesquisas experimen-
taes, ao invés dos estudos de systcmatica tão em voga entre nós c tcntava-sc
abrir caminho ás investigações originaes que em Butantan deveriam ser feitas
sobre uma infinidade de problemas de natureza chimica. Em uma instituição
que se dedica á biologia não é para admirar esse apreço pela chimica. Muito
pelo contrario; pois a vida é, em si mesma, um problema chimico a variar de
accordo com cada substracto physico-chimico.
£, pois, com especial agrado que neste tomo se annuncia a publicação de
uma grande serie de trabalhos sobre chimica, a versarem uns sobre a natu-
reza dos hormonios sexuaes, outros sobre a composição do café e outros, final-
rnente, sobre os princípios constituintes dos venenos dos batrachios e dos
ophidios. Esses estudos são ou serão completados pelas necessárias pesquisas
no terreno da physiologia e da pharmacologia, podcndo-sc esperar que, oppor-
tunamente, terão elles a applicação pratica desejada.
Em outros artigos, são publicados novos estudos sobre a substancia hemo*
coagulante do veneno da Jararaca c sobre a possibilidade de concentração da
antitoxina tetanica por adsorpção. Alem de algumas revisões sobre ophidios,
surge ainda neste volume a primeira tentativa de systematizaçSo de todas as
formas de lagartos registadas até hoje em nosso território e acompanhadas dos
respectivos nomes vulgares.
Apparece, outrosim, a 2.“ edição das Begras Internacionaes de Nomencla-
tura Zoologica com todas as opiniões emittidas pela Commissáo Internacional
até o anno de 1935, epoca em que se reuniu em Lisboa o ultimo Congresso de
Zoologia.
Entre os trabalhos de collaboraçáo contam-se dois artigos do prof. Mello
Leitão sobre opiliões c aranhas das collecções de Butantan c dois outros do
prof. André Dreyfus sobre interessantes questões de biologia geral no terreno
da reproducção.
Ao ser impresso o presente numero das “Memórias”, é a seguinte a rela-
ção do pessoal technico superior das varias secções do Instituto Butantan:
Directoria e Secção de Ophiologia e Zoologia Medica:
Afraxio do Amaral, B. Sc. & L., D. M-, D. Hyg. (Med. Trop., Harvard), Editor
das “Memórias do Instituto Butantan”.
Secções de Immanologia Experimental e Sorotherapia e de Bacteriologia
Experimental e Bacleriotherapia:
Paulo Artigas, B. Sc. & L., D. M. Prof. Fac. Pharm. Odont. S. Paulo.
Jaxdyra Planet, D. M.
Benedictus Mourão, D. M.
AniosTO Souto, D. M.
Secção de Viras e Virnstherapia:
Joaquim Travassos, B. Sc. A L., D. M.
Secção de Physico-Chimica Experimental:
Dioxysio von Klobusitzky, D. M. (Pécs), Ex-Priv. Doc. Chim.-Physiol., Univ.
Pécs.
Paulo Kõnig, D. Phil. Chim. (Vienna).
Secção de Parasitologia e Protozoologia:
Flavio da Fonseca, I). M.
Secção de Botanica Medica (com Pharmacognosia):
M. PirajA da Silva, D. M., Ex-Prof. Fac. Med. Bahia.
Secção de Chimica e Pharmacologia Experimentaes:
Cariais Slotta, D. Phil. Chim. (Breslau), Ex-Prof. Chimica, Univ. Breslau.
Geraldo Szyszka, I). Phil. Chim. (Breslau), Ex-Assist. Inst. Chim., Univ. Berlim.
Cláudio Neisser, D. Phil. Chim. (Gõttingen).
J. Ribeiro do Vaixe, D. M.
Secção de Physio-Patholngia ( com Endocrinologia c Ilistopathologia) :
Tiiai.es Martins, D. M. — Endocrinologia.
Moacyr Amorin, I). M. — Ilistopathologia.
Raul F. de Mello, I). M. — substituto.
Paulo R. dc Souza, I). M. — interino.
Secção de C.yto-Embryologia e Genelica Experimental:
Gertrudes von Ubiscii, I). Sc. (Estrasburgo), Ex.-Prof. Botanica (Genética),
Univ. Heidelbcrg.
Toda correspondência scicntifica, relativa às “Memórias”, deve ser diri-
gida ao
EDITOR, MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN
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612.4
SOBRE A CHIMICA DOS HORMONIOS SEXUAES
1 . Estado actual da questão
POR
C. H. SLOTTA
Os hormonios são substancias que, produzidas pelas glandulas de secreção
*ntema e transportadas pelo sangue, têm o poder de exercer ef feitos physiologicos
característicos em outras partes do corpo.
Para o esclarecimento de cada ef feito chimico, deve-se criar uma prova
cxacta, mas jxjuco complicada, com que se possa provar a dose de hormonio con-
tida nas diversas fracçõcs. Além disso, tendo de retirar quantidades infimas de
substancia de volumes enormes de material glandular, o chimico deve estar habi-
tado a elaborar elevadas quantidades de material numa escala industrial, ou
para esse fim uma fabrica que lhe forneça preparados já anteriormente puri-
ficados. Deve ainda dispor da capacidade c da possibilidade de effcctuar trabalhos
uiicro-chimicos com milligrammas de substancia extrahida, afim de conseguir o
UUulamento e o esclarecimento constitucional de cada hormonio. Si. finalmentc,
quizer dedicar-se á synthesc desses prindpios. toma-sc-lhc indispensável possuir
uni conjuncto completo de conhecimentos e meios complementares de apparclha-
Uiento, como sómente se encontram cm institutos de pesquisas chimicas de velha
tradição ou de grande dotação orçamentaria.
Não é de estranhar, portanto, que dos 30 hormonios no minimo, entrevistos
c onio producto de 11 glandulas endocrinas, só um pequeno numero delles tenha
s ido obtido em estado chimicamente puro. Com ef feito, conhecemos, até hoje,
sórnente a constituição exacta de 5 hormonios e a approximada de dois outros,
tendo que apenas quatro hormonios já são accessiveis á synthese industrial.
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
O seguinte quadro mostra-nos os hormonios de constituição chimica já
esclarecida r
H ormonio
Origem
Descobridor
Anno
1
Adrenalina
Medulla da suprarenal
Stolz
1904
2
Thyroxina
Thyreoide
Harington
1926
3
Progesterona
Corpo amarello
Slotta
1934
4
Estradiol
Folliailo
Doisy
1933
5
Testosterona
Testículo
Laqoeur
1935
6
Adrenosterona
Cortice da suprarenal
Rcichstein
1936
7
Corticoslcrona
Cortice da suprarenal
>
1937
Quanto ainda falta fazer! Sobre os hormonios da glandula pincal, da
parathyrcoide e do thymo não sabemos praticamente coisa alguma. Dos hor-
monios da hypophyse, provavelmente 15, apenas sabemos que consistem quasi
todos de substancias proteinicas mais ou menos complicadas, ou seja uma classe
de corpos que representa para a nossa chimica actual um terreno quasi intrans-
ponível. Sobre a insulina, hormonio do pancrcas, estamos igualmente pouco
informados: já foi obtida crystallizada, mas a sua estructura ainda está longe de
qualquer esclarecimento. Conhecemos melhor os hormonios da suprarcnal : a
adrenalina, hormonio da medulla, foi a primeira insulada em estado puro, ana-
lysada e synthetizada. No anno passado, foi insulada da cortice uma substancia,
que tem influencia nitida sobre os caracteres sexuaes secundários masculinos;
foi chamada adrenosterona. Conclue-se dahi que, não só as glandulas genitacs
produzem hormonios de acção sexual, mas também a suprarenal. cuja interfe-
rência no caso ate agora não se havia entrevisto. Ha poucos meses, soubemos
que, após muito trabalho, foi insulado da cortice suprarenal um outro hormonio,
este necessário á vida, e denominado corticoslcrona. Também o hormonio da
glandula thyrcaide já foi synthctizado : todavia, justamente neste caso ainda não
foi dita a ultima palavra quanto ás relações entre o hormonio e as sub>tancias
que o acompanham.
Durante os últimos oito annos, o esclarecimento dos homwnios sexuaes
progrediu com uma rapidez admiravel. Em 1934 c 1935, os dois hormonios
femininos e o hormonio sexual masculino foram insulados das respectivas glan-
dulas c ficou esclarecida a sua constituição. Foram produzidos por synthese
total ou por meia-synthese. Vemos dahi que, entre os annos de 1904 e 1926,
não se verificou muito progresso, mas que os últimos dez annos representam
uma época nova e mais produetiva neste terreno.
O esclarecimento relativamente rápido dos hormonios sexuaes explica-se
pelos seguintes factos:
Primeiro: Por se haverem encontrado prosas relativamente simples para
seu conhecimento. Podem-se castrar animaes. isto é, extirpar-lhes a$ glandulas
o
Slotta — Chimica dos hormonios
3
sexuaes, sem que isto lhes traga a morte: esta. no entanto, sobrevem facilmente
pela perda de outras grandulas de secreção interna. Conforme se injecte hor-
monio masculino ou hormonio feminino, appareoem certos phenomenos physiolo-
gicos nitidos, que podem servir de prova de especificidade.
Em 1923, foi elaborada por Allen e Doisy a prova para o hormonio follicu-
lar, a qual é empregada até hoje sem grandes modificações: o camondongo íemeo
castrado entra de novo no estro com preparados de hormonio follicular, o que
é pronunciadamente característico pela descamação de cellulas epitheliaes anu-
cleadas e comificadas na vagina. Em 1929, foi indicado por Gallagher e Koch
a prova “Gallo capão” para o hormonio do testiculo, e, no mesmo anno, Comer
e Allen apresentaram a prova para o hormonio do corpo amarello. E’ este o
niais complicado, visto que a coelha deve ser castrada após o coito e tratada
durante cinco dias consecutivos com hormonio de corpo amarello, antes que se
possa, por uma operação subsequente, verificar a transformação, na mucosa do
útero, da phase de proliferação para a phase de secreção, para assim se poder
determinar a effidenda do produeto.
Segundo: Por pertencerem estes tres hormonios a uma classe de corpos,
rçue foi explorada muito minuciosamente nos últimos trinta annos, e cujo esque-
leto estructural foi esclarecido definitiva c completamente cm 1932. Refiro-me
a substancias que possuem todas um núcleo cyclopentana-pcrhydro-phenantreno
e que denominamos esteroides. A esta classe pertencem, além dos hormonios
sexuaes, os esteroes (p. ex., a cholesterina), os addos biliares (como o addo
cholico) e os venenos cardíacos (como a digitoxina) e a vitamina D (Fig. 1).
Alguns derivados de
Cyc lopentana-perhydro -
pnenantnreno
( 9 C )
Vltaalna D
Cholesterina
(2 C)
Acido cholanlco
” (4 c)
Dlgltaxleenlna
Progesterona
Estradlol
restosterona
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Além de certas variações no núcleo, pode-se notar á primeira vista que as
cadeias lateraes dos esteroides possuem um comprimento muito difíerente. en-
quanto os hormonios sexuaes têm a cadeia lateral muito mais curta ou mesmo
nenhuma. Sómente depois de se terem extrahido os hormonios puros das glân-
dulas é que foi possivel applicar-lhes todos os conhecimentos que já se possuiam
sobre os esteroides. Isso favoreceu o esclarecimento estructural e possibilitou
também enfrentar a synthese dos hormonios, partindo de esteroes e acido$ bilia-
res facilmente accessiveis.
Terceiro : Pelo facto de já serem conhecidas antes do descobrimento dos
hormonios gonadaes, i. é. dos princípios retirados do folliculo, do corpo amarel-
lo e do testiculo, as substancias nas quaes elles são transformados pelo figado e
l>elos rins. e eliminados depois pela urina.
Essas substancias eliminadas pela urina podem ser usadas, como sabemos
hoje. como nnteria prima para a synthese dos proprios hormonios in ritro. Xo
fim da gravidez da mulher e do quinto ao oitavo mês da prenhez de éguas, p. ex.,
é eliminada com a urina uma substancia com dois átomos de hydrogcnio a menos
do que no hormonio follicular. substancia essa que na prova de Allen-Doisy
ainda possue de 20 a 25 % da acção do hormonio verdadeiro. E’ muito mais
fácil, naturalmente, insular-sc uma substancia activa de um liquido aquoso como
a urina, do que uma glandula. que contêm gordura, proteinas e outras impurezas.
Por este motivo nos foi apresentado, por Doisy em 1929 (1) e. logo depois,
por Uutenandt (2), o produeto de desdobramento do hormonio follicular extra-
hido da urina. Esta substancia, a estrona, foi considerada durante 5 annos. o
que é íacil de compreliender, como sendo o proprio hormonio follicular. Ainda
em 1929, foi encontrado na urina gravklica por G. F. Marrian, o produeto de
desdobramento do hormonio do corpo amarello (3), esclarecido posteriormente
por Butenandt c denominado pregnandiol (4) ; esta substancia, todavia, por não
possuir mais cf feito physiologico, não conduziu ao erro de ser tomada por um
hormonio.
Sómente após o insulamento e esclarecimento da estrona c do pregnandiol
tomou-sc possivel a pesquisa chimica. seguida da synthese dos hormonios se-
xuaes femininos, dos quaes trataremos a seguir.
De 1000 litros de urina gravidica humana obtêm-se. por extraeção com dis-
solventes orgânicos, um gramma de estrona e de um a dois grammas de pre-
gnandiol, enquanto a mesma quantidade de urina de éguas prenhes produz 20
grammas de estrona e uma pequena quantidade de substancias semelhantes
sómente fracamente estrogenicas. O pregnandiol, até hoje. foi sómente extra-
hido da urina humana. Como a estrona possue um grupo phenolico. pode ser
extrahida com benzol, álcool butylico ou chloroformio. Os extractos oleosos
obtidos podem ser purificados por distribuição entre solventes immisciveis. Por
4
SijOtta — Chimica dos hormonios 5
meio dos reactivos cetonicos obtêm-se os respectivos derivados, dos quaes a
es trona é recuperada em estado puro. Um gramma de estrona é capaz de pro-
vocar o estro em 8 a 10 milhões de camondongos castrados, enquanto um grarn-
ma da verdadeira folliculina ou estradiol pode provocar o estro em 30 a 50 mi-
lhões de camondongos castrados.
Pela transformação em hydrocarburetos syntheticamente accessiveis, de cons-
tituição já conhecida, pode-se provar que a estrona, o pregmndiol e também um
outro produeto insulado por Marrian. o estriol, têm o esqueleto dos esteroides
(Fig- 2).
xó Xj °
Estrona
( cejthyl . )
Estriol
ím
j(S.)
7-üethoxy-1.2-
cyclopenteno-phenanthreno cs, cu,
[CH^ígD
I>o estriol, que ê. physiologicamente, cem vezes menos activo do que a
estrona, pode-se obter esta ultima, deshydratando-sc com bisulfato de potássio (5).
Portanto, o estriol possue, em logar do grupo cetonico da estrona. duas hy-
droxylas vizinhas. Fundindo-a com potassa caustica, a molécula rompe-se neste
logar com formação de dois grupos carboxylicos, que, ao se aquecer no vacuo
com anhydrido acético, produz um anhydrido, mas não dá um annc! cetonico.
Baseado em casos analogos, sabemos que este acido dicarbonico deve ter-se origi-
nado rle um annel j>enta. isto ê, neste caso também o grupo cetonico da estrona
devia ter estado num annel penta. Este annel penta está collocado num esqueleto
de phenantreno na posição 1, 2, porque o acido dicarbonico mencionado pode
ser dcshydrogenado com selenio e a hydroxyla phcnolica pode ser removida
por destillação com zinco em pó, do que resulta 1, 2-dimcthylphenantreno (6).
O grupo phenolico foi localizado pela seguinte prova: a estrona foi mcthylada.
o grupo cetonico reduzido pelo selenio c o 7-methoxy-l, 2-cyclopenteno-phcnan-
treno obtido era idêntico á substancia syntheticamente accessivel. Assim ficou
provado que o grupo hydroxyla da estrona está no logar indicado e que o annel
cm
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c
Memórias cio Instituto Butantan — Tomo XI
escripto á esquerda é o aromatico (7). Ainda resta provar onde ficam o grupo
methyla e o grupo cetonico. Com iodeto de methyl-magnesio preparou-se o
carbinol, que scinde agua facilmente. A dupla ligação foi hydrogenada e o
systema. deshydrogenado com selenio, do que resultou o 7-methoxy-3’, 3'-dimethyl-
1, 2-cyclo-penteno-phenanthreno, também syntheticamente accessi%-el. Portanto
o grupo methylico está na posição 13 e o grupo cetonico em 17 (8).
Xo anno de 1933. dois chimicos industriaes, Schwenk e Hildebrandt, des-
cobriram um facto notável (9) : reduzindo-se o grupo cetonico da estrona com
sodio metallico e álcool ao álcool secundário, conseguem-se dois isomeros
opticos que são muito imis activos do que a substancia até então considerada
como hormonio follicular. A principio, pensou-se naturalmente que desta ma-
neira fosse possivel melhorar a actividade de um producto natural por via
synthetica. Já naquella época, porém, os dois descobridores suppunham que
talvez uma destas dihydro-estronas fosse o verdadeiro hormonio follicular. Em
1935, finalmente, Doisy (10) insulou de 1500 kilos de ovários de porco, como
uma unica substancia desta classe de corpos, o verdadeiro hormonio follicular,
que é idêntico a uma das duas dihydro-estronas. A essa substancia hoje deno-
minamos de estradiol e é justamente aquelle isomero optico, o que possue a
acção physiologica um pouco mais intensa.
Como já relatei, sabemos hoje que o pregnandiol encontrado, em 1929,
na urina gravidica representa a forma sob a qual o hormonio do corpo amarcllo
é eliminado. Apesar de o pregnandiol não apresentar mais ef feito physiologico^
lógo se suppusera que estivesse proximamente relacionado aos hormonios
sexuaes. Si o álcool diatomico pregnandiol (Fig. 3) for oxydado á dice-
e
tên a rcesaa constituição
e configuração do esqueleto
Pregnana
c-tSc-COO*
4 -,
H
Acido chollco
Acido cholanico
G
Slotta — Chimica dos hormonios 7
tona pregnandiona e os grupos cetonicos forem reduzidos nessa substancia,
obtem-se o hydrocarboneto, a pregnana, que também pode ser preparada do
acido cholico, passando pelo acido cholanico (4). Agora se conhece perfeita-
mente o esqueleto do acido cholico e mesmo a estereo-localização dos quatro
anneis entre si O facto, de o pregnandiol e o acido cholico fornecerem o
mesmo hydrocarboneto. a mesma pregnana. prova, portanto:
1) que ambos os corpos possuem o mesmo esqueleto;
2) que, tanto o pregnandiol, como o acido cholico, têm os anneis A e B
na posição ris;
3) que um dos dois grupos hydroxylicos do pregnandiol está no logar
onde no acido cholico se encontra a ramificação na cadeia lateral.
Por analogia á cholesterina, era de antemão provável que o grupo hydro-
xylieo do pregnandiol estivesse no logar indicado; mais tarde, isto ficou provado
pela oxydação do mono-acetato do pregnandiol para um acido dicarboxylico
característico.
Quando em 1929, comecei a trabalhar cm Breshu com o gynecologista
E. Fels. com a colaboração do chimico H. Ruschig, na instilação do hormonio do
corpo amarei lo da própria glandula, nada se sabia ainda sobre a relação
intima entre o pregnandiol da urina e o hormonio gravidico do corpo ama-
rello. Para dar uma idea da technica da insulação de tuna substancia tão
scnsivel, partindo de grandes quantidades de material, vou descrever o melhor
methodo para a purificação do hormonio do corpo amarcllo, como o obtivemos
depois de um intenso trabalho de cinco annos (11).
Partíamos geralmente da quantidade de ovários extrahidos na matança de
1600 porcos. Conforme sabemos hoje, esta quantidade de ovários contém mais
ou menos 80 mgs. de hormonio puro, do qual naturalmcntc se pode obter de
facto, pela technica a mais aperfeiçoada, sómente 30 mgs.. A matéria prima, 20
kgs. de ovários, fornecem, depois de cuidadosa enudeação das glandulas do
corpo amarello, mais ou menos 5 kgs. dc corpos amarellos, que,- bem moidos,
eram extrahidos durante 40 horas num extractor especial com álcool acidulado.
Muitissimo importante é, porém, que se evapore a solução de hormonio numa
temperatura mais baixa possivel num evaporador dc alta potência, isto c, que
permitta evaporar p. ex. 10 litros por hora a uma temperatura que não passe
de 25°. Depois da eliminação das phosphatidas obtêm-sc 65 gs. dc oleo crú, com
Pouco mais de 200 unidades physiologicas.
Por meio di distribuição deste oleo crú entre methanol e glycerina, de
um lado, e benzina, do outro, depois entre álcool de 70 % e benzina, pudemos
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XT
alcançar excellente purificação, obtendo 5 gs. de oleo intermediário com 160
unidades. Xeste grau de pureza, é finalmente possível applicar unia separação
chimici : o hormonio de gravidez (e as substancias que o acompanham, das
quaes ainda faiaremos) produz, com semicarbazida. semicarbazonas. Por des-
dobramento particulanoente cuidadoso desta semicarbazom com o soluto de
acido oxalico obtivemos o hormonio gravidico. depois de varias recrystallizações,
num rendimento de 30 mgs., que ainda corresponde a 60 unidades. Ainda não
estavamos bem certos si as duas formas crystallinas fossem formas i som eras
ou polymorphas de progesterona. Pelas experiencias biológicas de meu colla-
borador Fels verificamos tratar-se de isomeros. enquanto outros as consideram
como substancias polymorphas. A decisão definitiva entre estas duas opiniões
ainda não poude ser alcançada seja chimica. seja physicamente. As respectivas
experiencias biológicas ainda são disputáveis, devido á escassez de material dis-
ponível e ás difíiculdades das provas. Mas isto é uma questão de segunda ordem
Como já disse, ainda retirámos, durante no-sa extracção. uma outra subs-
tancia do corpo amarello, além do hormonio gravidico ou progesterona pro-
priamente dita. que agora é denominada allo-pregnanolona. Esta é obtida de 20
kgs. dc material numa quantidade de 2 mgs.. Como ainda veremos, é muito
semelhante á progesterona e alegro-me de, já no anno dc 1934. termos podido
descreve! -a em nossas primeiras publicações com sua formula e suas proprie-
dades, apesar da pequena quantidade em que foi obtida.
A progesterona possue. segundo a analyse. o mesmo numero de átomos de
carbono como o pregnandiol c também dois átomos de oxygenio como este.
porem 6 átomos de hydrogenio a menos. Admittindo-se que o pregnandiol repre-
sente a forma dc eliminação do hormonio do corpo amarello. então é cabive!
attribuir á progesterona o mesmo esqueleto que ao pregnandiol. Explica-se facil-
mente a falta de 4 átomos de hydrogenio em relação ao pregnandiol. por ser
a progesterona uma dicetona. Como ainda faltam mais dois átomos de hydro-
genio. a progesterona tem que encerrar uma ligação dupla. Pudemos verificar
esta ligação dupla por hydrogenação e localizal-a pela medição da absorpção
de luz. dc tal modo que a dupla ligação fica em posição £ a um dos grupos
cetonicos. A formula, por nós indicada (12) inicialmente, tem sido compro-
vada em todas as suas partes.
A constituição do produeto secundário ha pouco mencionado, que deno-
minei de allo-pregnanolona. também poude ser logo elucidada (Fig. 4).
5 6
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Slotta — Chimica dos hormonios
"0/küJv^
2 ) allo-Pregnanolona 3 ) allo-Pregnandlol
1) Progesterona
—ICS 01 "'
4) Pregnanolona
5) Pregnandiol
1) e 2) foraa Isoladas do corpo acaxello
3) e 5) da urina gravldlca.
Trata-se de um álcool cetonico, que ê uni producto intermediário de íor-
nração ou decomposição da progesterona. Parece-me mais provável que uma
Parte da progesterona seja particularmentc hydrogenada na glandula, dando a
allo-pregnanolona. Apparentemente, o grupo cetonico da progesterona é satu-
rado para um álcool secundário e ao mesmo tempo é saturada a dupla-ligação:
naturalmente o atoino de hydrogenio addicionado para a posição 5 pode ligar-se
ao grupo methyla em cis ou cm trans. Encontrei na glandula somente a
substancia trans, que, por hydrogenação subsequente, deveria produzir allo-
pregnandiol. que de facto mais tarde foi encontrado na urina por chimicos
suissos (13).
Pode -se deduzir da minha descripção, que a obtenção do hormonio do
corpo amarello acarreta grandes despesas c muito trabalho, segundo o mcthodo
indicado Logo depois da insulação, Butcnandt (14) e, independentemente,
Pernholz (15) conseguiram syntlietizar a progesterona. A primeira synthcsc
Parte do pregnandiol, que pode ser facilmente transformado em pregnandiona.
Por addiçâo de bromo obtcm-sc a bromodicetona (Fig. 5), da qual, fervida
C*0
ooS^
Pregnandiona ^ Pro^sterona
I
Estlgsasterlna
J - .1,
cm
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com pyridina, se scinde acido bromhydrieo e forma-se progesterona. Mas o
pregnandiol não é facilmente accessivel como matéria prima e por esta razão
é mais practico partir-se de um esterol do feijão Soja, o estigmasterol, por
meio de ozona, c obter uma oxycetona, a cuja ligação dupla se faz a addição
de bromo. Esta dibromo-oxycetona transforma-se em progesterona pela oxy-
dação com trioxydo de chromo e desbromação subsequente. Essas duas syn-
theses ainda não são ideaes e dahi se explica o actual preço exorbitante para o
hormonio progesterona, frequentemente insubstituivel na therapeutica.
Quando appareceu em 4 de julho de 1934 o meu trabalho em collaboração
com Ruschig e Fels (11) sobre as formas crystallinas, analyses e curvas de
absorpção etc. da progesterona, ainda não sabíamos que tinhamos tratado nelle,
pela primeira vez, da insulação de um hormonio sexual. Com eí feito, conside-
ravam-se naquelle tempo os productos de decomposição dos hormonios encon-
trados na urina como sendo os proprios hormonios do testiculo e do folliculo:
somente em 1935 foram insulados os verdadeiros hormonios das glandulas femi-
ninas e masculinas.
Quanto aos hormonios sexuaes masculinos, conseguiram-sc obter cm 1930,
em Milão (16), substancias elaboradas do testiculo, que em 500 gs. continham
1 unidade-capão. Como podemos avaliar hoje, estes preparados deviam conter
cerca de 4% de hormonio puro. Como se deu com o hormonio feminino, também
a difficil extracção da glandula do testiculo foi interrompida durante annos,
quando se verificou que na urina masculina apparecem substancias que agem
sobre os caracteres sexuaes secundários de castrados, como o proprio hormonio
da glandula.
A Schering-Kahlbaum A. G., que tinira organizado nos annos anteriores
de um modo amplo a colheita e extracção de enormes quantidades de urina gra-
vidica, possibilitando o trabalho de elucidação constitucional da estrona, colheu
então enormes quantidades de urina nos postos da Policia Bcrlinense (17). Esta
urina foi acidulada e extrahida por solventes orgânicos e o extracto, libertado
de matérias acidas. Obteve -se um oleo crú que foi purificado, por distribuição
entre dois liquidos immisciveis, por Butenandt e seus collaboradores. a tal ponto,
que a substancia activa poude ser eliminada como oxima. Depois do desdobra-
mento da oxima, a cetona foi sublimada no alto vacuo e recrystallizada de álcool
diluido. Assim, em 1931, foi possível obter de cerca de 2500 litros de urina
masculina 1 1 mgs. de uma oxycetona saturada, que foi denominada androsterona.
Como a formula da androsterona é Ci*H 30 O 2 . cila contem 8 átomos de hy-
drogenio a menos do que uma parafina saturada com 19 átomos de carbono e,
jjortanto. deve ser constituída de quatro anneis, tal como a estrona e a proges-
terona. Por analogia á estrona Butenandt, desde o principio, adoptou a formula
representada na Fig. 6 (18).
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Slotta — Chimica dos hormonios
11
A urina masculina contem
r'"V : — ro
.rtY^' • JXr^
Androsterona
Dehydro-androsterona
"as o testículo
£ 6°
^estosterona
OH
|N ►<*•*» H*H
ja&xrv*
Dlhydro-cholesterma
No anno de 1934, Butenandt encontrou ainda unia dehydro-androsterona,
^ apparece na urina na mesma quantidade que a androsterona. (19).
A investigação das substancias da urina masculina foi, porém, diíficultada
P° r dois motivos: em 1931, foram obtidas 15 mgs. de androsterona, e, até o
Principio de 1934, a quantidade total só poude ser augmentada de mais 10 mgs..
Naturalmente, estas quantidades não eram sufíidentes para estudos biologicos
° u chimicos. Além disso, a androsterona actuava sobre um dos caracteres sc-
^«s secundários de animaes castrados, mas não igualmcntc sobre todos; na
Prova do gallo-capão, ella dava bons resultados; na prova da vesícula esperma-
rica,
na qual a hypertrophia da genitalia accessoria infantil de roedores é usada
c °nto medida, essa substancia produzia apenas eífeitos muito moderados,
•^chava-se até duvidoso que a androsterona representasse o verdadeiro hormonio
^nal masculino.
Ambas as difíiculdades foram removidas no anno 1934. De um modo ge-
Ruzicka obteve as substancias masculinizantes por via synthetica; quasi ao
^smo tempo, após muito trabalho, foi insulado da própria glandula, isto é, do
tes ticul 0 do touro, o verdadeiro hormonio masculino por I^aqueur e seus colla-
^mdores.
Quanto á synthese da androsterona e de produetos semelhantes por Ru-
2j cka (20), naturalmente logo dá na vista, na formula supposta por Bute-
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nandt, que a substancia representa simplesmente o systema de anneis dos este-l
roes, sem qualquer cadeia lateral. Por isso, Ruzicka oxidou a dihydro-choleste-
rina e seus isomeros e epimeros com acido chromico, e obteve realmente. I
mesmo que em pequeno rendimento, a acetona desejada. Desta maneira, elle atél
poude penetrar algo sobre a estereo-localização do grupo hydroxyla e sobrei
a dos anneis A e B, pois, somente da forma chamada epiforma da dihydro-|
cholcsterina consegui u-se a própria androsterona. Até ficamos sabendo que ol
gmpo hydroxyla, e o atomo de hydrogenio se encontram em cis, os anneis Al
e B, porém, em posição trans um para o outro.
Quando Laqueur (21) e collaboradores insularam do testiculo o verdadeirol
hormonio masculino, ficou provado que esta substancia era a mais activa dei
todas as semelhantes quanto á sua acção physiologica e Laqueur a denominou dei
tcstostcrona. E’ uma oxycetona não saturada, que contém uma ligação dupla nal
posiçà . a, i em relação ao grupo cetonico, como prova a absorpção de luz. Por-I
tanto, era muito provável que tivesse a mesma estructura que a nossa progesA
Uroiia, possuindo, porém, em vez da cadeia lateral do hormonio gravidico, uml
grupo alcoolico secundário. Baseado em todas as experiencias de Ruzicka. logol
foi possível synthetisar-se (22) esta substancia c conseguir-se assim a detr. I
tração mais brilhante de sua constituição.
Neste caso, partiu-se da cholcsterina (Fig. 7).
* UM
r'"'S
c«i< c
PP'
(CrOj)
t (H *>
‘oCO^Mí
fOC0.C t M*
rOXO c^l,
(CrOg)
(Zn, depois
TiaOH)
Testosterona
Esta substancia deixa-se transfornvar facilmente em acetato dibromadc|
com bromo e acido acético anhydrico. Pela oxidação, já mencionada, com acic
chromico e eliminação do bromo foi conseguido o acetato de trans-dihydr
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Slotta — Chimica dos hormonios
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androsterona. Si este fõr hydrogenado em álcool com catalysador de nickel.
pode-se con^guir que só o grupo cetonico seja saturado para hydroxyla, mas
não a dupla ligação. Si o novo grupo hydroxyla for benzoylado. consegue-se
um derivado diacyla, no qual o radical acetyla possue menor affinidade do que
o radical benzoyla. Por meio de saponificação cuidadosa, obteve-se a substancia
com um grupo de hydroxyla livre do annel A, que. depois da addição de bromo
uo dupla ligação, é oxydada com acido chromico a um derivado cetonico. Pela
eliminação do bromo e saponificação do radical benzoyla, consegue-se a testos-
terona, na qual é deslocada por esta reacção a dupla ligação do annel B para
o annel A.
Mas, apesar de todos .estes resultados, restou ainda o facto incomprehen-
s,ve l, de uma certa matéria X no testículo, a augmentar o eífeito da testoste-
r ona. Mas também esta foi encontrada: apparentemente é o acido palmitico
Que auxilia o hormonio a ser mais bem reabsorvido pelos tecidos. Pode-se
alcançar também um ef feito mais intenso da testosterona, si esta fór esteri-
ficada; realmente, o ester propionico mostrou-se como o mais efficaz (23).
^*ás, o effeito do estradiol também é augmentado, si for usado como ester,
e > de facto, quasi sempre o estradiol é empregado como benzoaío.
Tanto o hormonio do folliculo, como o do testículo, não sendo esteri ficados,
sao decompostos rapidamente demais, e, com certeza, os hormonios se encon-
Icani nas glândulas, não em estado livre, mas sim em forma de esteres facil-
utente saponiíicaveis.
Tanto os hormonios como as vitaminas estão hoje cm grande moda na
Vencia, technica, literatura e mediana. Na medicina estes produetos offere-
c on grandes perigos, pois, acreditando-se no que dizem certos folhetos de pro-
Pugunda bem feitos, em qualquer estado morbido deve-se injcctar frequente-
mente e antes de qualquer outra medicação, um preparado de vitamina ou de
hormonio. Mas a questão da applicação clinica dos hormonios é de solução
m uito mais complicada do que suppõem os médicos em geral. O organismo
depende de um equilíbrio hormonal bem acertado. As glandulas sexuaes pro-
duzem seus hormonios somente, por assim dizer, sob ordem superior; neste
caso a hypophysc é a autoridade preposta á funeção de commando. Os hor-
Utonios, até agora chimicamentc desconhecidos, do lobo anterior da hypophysc
*ão os que estimulam no testículo c nos ovários a producção da testosterona,
do estradiol e da progesterona. Além disso, as glandulas sexuaes actuam nova-
n *cnte sobre a hypophysc, conforme está descripto com minúcia no exccllente e
m oderno livro de Thales Martins (24).
Ainda existe um numero infinito de problemas sobre hormomos sexuaes
a resolver, especialmente neste pais cheio de futuro para um chimico. Natural-
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
mente, como em todo o mundo, também aqui já se fabricam preparados, que
contêm (ou deviam conter) hormonios sexuaes. Estes, porém, na maior parte
consistem de glandulas seccas ou extractos de urina, e talvez, com frequência,
de um pouco de yohimbina. Além disso, já se encontram no mercado, impor-
tados, o benzoato de estradiol, a progesterona e o propionato de testosterona.
Quando, ha cerca de dois annos, me foi commettida a tarefa tão difficil
quão interessante, de installar no Instituto Butantan uma secção moderna de
chimica, já tinha, desde o principio, o intuito de continuar meus trabalhos sobre
hormonios sexuaes. Naturalmente, no inicio encontrámos difíiculdades em
criar as installações adequadas. Estes trabalhos, porém, já progrediram de tal
maneira, que nos foi possivel reatar em diversos pontos o trabalho sobre hor-
monios sexuaes. Os trabalhos de Ruzicka incitaram-nos a executar também aqui
a synthese de testosterona. A intima collaboração com a secção de Physiologia
do Instituto permittiu tomarmos também em consideração a possibilidade de
trabalharmos com o folliculo e o corpo amarello de cobras. Finalmente, come-
çámos a preparação industrial de estrona partindo da urina de éguas prenhes,
assumpto sohre o qual pretendemos, em collaboração com os drs. Szyszka e
Blanke, tratar em proximo trabalho.
RESUMO
Uma comparação dos hormonios até agora estudados apenas sob o ponto
de vista physiologico e os já chimicamente preparados, mostra que estes em
proporção áquellcs são em numero ainda bastante reduzido. O facto de que
justamente os hormonios sexuaes tenham sido descobertos em tempo relati-
vamente curto justifica-se perfeitamente. Existe uma differença nitida entre
os verdadeiros hormonios sexuaes, formados nas respectivas glandulas. e seus
produetos de desdobramento, que se apresentam na urina: o descobrimento da
estrona, do pregnandiol e da androsterona precedeu ao do estradiol, da proges-
terona c da testosterona, i. é.. ao dos verdadeiros hormonios.
Um conjuncto das diversas reacções empregadas para o esclarecimento dos
hormonios, feito em confronto com os vários processos syntheticos para sua
obtenção, é agora apresentado para cada um dos casos estudados.
Assignalaram-se também os novos trabalhos da Secção de Chimica do
Instituto Butantan nesse terreno, taes como: ensaios sobre a synthese da tes-
tosterona, extracção de hormonios do folliculo e corpo amarello de serpentes
e preparação industrial de estrona extrahida da urina de éguas prenhes.
14
Slotta — Chimica dos hormonios
15
P
ZUSAMMENFASSUNG.
Eine Zusammenstellung der bisher nur physiologisch festgestellten und
der schon chemisch dargestellten Hormone ergibt, dass die Zahl der letzteren
in Verhaeltnis zu den ersteren noch sehr klein ist. Dass gerade die Sexualhor-
n 'one verhaeltnismaessig schnell entdeckí werden konnten. wird begruendet. Es
"'ird scharf zwischen den wirklichen Sexualhormonen, wie sie in der Druese
gebüdet werden, und ihren Abbauprodukten. wie sie im Harn erscheinen,
unterschieden. Die Entdeckung des Oestrons, Pregnandiols und Androsterons
Sing der Aufíindung von Oestradiol, Progesteron und Testosteron, also der
der wahren Hormone, voran. Eine Zusammenstellung der Reaktionen zur
Aufklaerung der Hormone, wie auch eine Zusammenstellung der synthetischen
Wege zu ihrer Gewinnung, wird in jedem Falle gegeben. Die neuen Arbeiten
der chemischen Abteilung auf diesem Gebiete werden angedeutet: Versuche zur
Synthese des Testosterons, Extraktion von Hormonen aus Follikel und Gelb-
koerper der Schlangen und technische Herstellung des Oestrons aus dem Harn
v on schwangeren Stuten.
BIBLIOGR A PH I A
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15
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cm
16
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
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19. Butcnandt, A. & Daniicnbaum, H. — Hoppe-Seylers Z.physiol.Chem. 229:192.1934.
20. RuAcka, L.; Goldberg, M. W.; Meycr, }.; Bruengger, H. & Eichcnbcrgrr, E. —
Hei v. chim. Acta. 17:1395.1934.
21. David , K.; Dingcmanse , E.; Frcud, J. & Laqucur, E. — Hoppe-Seyhrrs Z. physiol.
Chem. 233:281.1935.
22. RuAcka, L- & U'cttstcin, A. — Helv. chim. Acta 18:1264.1935.
23. Ruxkko, L. & IVcttstein, A. — Helv. chim. Acta 19:1141.1936.
24. Martins, Thales — Glandulas Scxuaes e Hypophyse anterior. Editora Xaeional, 1936.
(Trabalho da Secçáo de Chimiea e Pharmacologia Expe-
rimental do Instituto Butantan, recebido em outubro
de 1937. Dado d publicidade em dezembro de 1937).
16
612.4
SOBRE A CHIMICA DOS HORMONIOS SEXUAES
2. Obtenção da estrona da urina de éguas prenhes
POR
C. H. SLOTTA ; G. SZYSZKA & E. BLANKE.
Embora no decurso do ultimo decennio tenham sido publicados innumeros
trabalhos sobre a estrona e o estradiol, o» respectivos auctores raramente indi-
0301 com minúcia o processo da preparação dessas substancias.
Já em 1927, um de nós (1) se dedicou á extracção do hormonio sexual
feminino do sueco do folliculo e mais tarde da urina dc mulheres gravidas.
Mais ou menos na mesma epoca, outros auctores (2) empregaram a urina como
^terial de partida para a extraeção dc substancias cstrogenicas. Também a
'ndustria, especialmente a firma Schering-Kahlbaum A. G., depois de ensaios
Pouco felizes com o emprego da placenta e do sueco follicular como material dc
P ar tida, desde o anno 1928. começou a extrahil-o. cm grandes quantidades, da
Urina dc mulheres gravidas. Graças a isso vieram os conhecimentos que mais
tar óe serviram para orientação na preparação industrial de grandes quantidades
estrona extrahida da urina dc éguas gravidas. Quando, cm 1930, Zondek
descobriu que a urina dc éguas prenhes expelle de 20 a 100 vezes mais
^rona do que a urina de mullieres gravidas, poude-se dar inicio á preparação
Producto cm maior escala, extrahindo-sc da urina de éguas bem mais ac-
Ccs sivel.
Segundo Zondek (3), é completamente impossível extrahir a estrona da
Urina, em geral ligeiramente alcalina, dc cguas prenhes, mediante emprego de
5 °lvcntes orgânicos, como sejam ether e benzol. Zondek, porém, mostrou que
a estrona pode ser extrahida da urina de éguas, fervendo-se esta, depois de aci-
dada, e extrahindo-se em seguida com benzol. Dc suas experiencias se conclue
** a estrona está na urina de éguas em uma combinação facilmente hydroly-
cm
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save!. enquanto que na urina de mulher ella se acha em estado livre. Basean-
do-se nesses dados, todas as fabricas e mesmo pesquisadores autonomos passa-
ram a acidular mais ou menos fortemente a urina de éguas antes de sua extracção,
deixando-a, ou repousar 8-14 dias á temperatura ambiente, antes de extrahil-a.
ou fervendo-a após a acidulação.
Sendo a estrona um tanto insolúvel em ether, emprega-se na technica para
a extracção, com preferencia, o benzol, o toluol ou o chloroformio. A respeito
da preparação, na firma Schering-Kahlbaum A. G., do oleo crú da urina de
mulheres gravidas, o qual serviu especialmente como matéria prima ás pesquisas
de A. Butenandt, sabe-se apenas que “foram elaborados methodos, para a obten-
ção em grande escala de um oleo com o grau de pureza 30 — 40.000 U. C.
por g.”. (4).
Todas as publicações sobre a extracção da estrona da urina de éguas con-
fessam que a hydrolyse acida é inevitável ; assim também Beall e collaboradores
(5 e 6) acidulam a urina concentrada até 1/4 de seu volume num pH de 1.0.
antes de extrahil-a com toluol. Girard (7), embora não indique exactamente
com o que elle extrahe, procede de modo semelhante.
Além dos methodos de extracção, nos últimos annos por todas as partes
elaboraram-se technicas pelas quaes se remove a estrona do soluto, mediante
algum meio de adsorpção. Doisy (8) foi quem mais se valeu desse processo.
Enquanto que elle antigamente extrahia a urina com álcool butylico, ultima-
mente passou a acidulal-a até que a solução attinja uma concentração em addo
chlorhydrico igual a N/l. Nesse processo a estrona se separa muito finamente
depois de uma semana, e é adsorvida por addição de um soluto concentrado de
benzoato de sodio ao acido benzoico precipitado. Tratando-se, então, o acido
benzoico com ether. obtém-se do ether. tanto a estrona, como o acido benzoico.
Executamos varias vezes esse processo sem resultado satisfactorio: todos
os methodos que exigem uma filtração de grandes quantidades de urina, são
extremamente desagradaveis. em vista do horrível cheiro das consideráveis quan-
tidades de liquido. Mesmo para as industrias, que teriam que trabalhar com
filtros fechados especializados, não achamos aconselhável esse processo.
Por mera gentileza do dr. Venancio Deulofeu, ficamos conhecendo um pro-
cesso de adsorpção adoptado na Argentina, no qual a urina, levada ao pH = 1.
repousa de 10 a 20 dias. Produz-se. então, pela addição de sangue e aquecimento
do soluto, um coagulo proteinico. o qual adsorve a estrona. Depois da filtra-
ção. pode a estrona ser separada do adsorvente mediante emprego de álcool-
Ainda não colhemos experiencias próprias com este methodo, visto que. pelos
motivos já expostos, nos repugnava a filtração da urina nos compartimentos de
que dispomos.
Enquanto que todos estes processos conduzem á adsorpção em um meio
bastante acido, ficou-se ultimamente conhecendo um processo de adsorpção. no
o
S ijotta 4 Al.
Estrona da urina
19
qual se faz passar uma corrente de di-oxydo de carbono pela urina, tendo silicato
de sodio em solução. O acido silicico assim precipitado deve adsorver (9) toda
a estrona em um soluto de acido carbonico. Isto seria tanto mais interessante,
quanto este resultado estaria em completo desaccordo com os dados fornecidos
Por Zondek. Dado que estas indicações sejam exactas, não resta duvida de que
a estrona, contida na urina, esteja em qualquer combinação com outras substan-
cias, devendo esta combinação ser bem instável.
Technica usada
Depois das experiencias pouco animadoras feitas com o processo de adsorpção
'!e Doisy (8), passamos primeiramente a acidular a urina de nossas éguas até o
PD = 1, deixando-a repousar 10 dias e extrahindo-a depois com benzol em um
extra ctor de vidro com agitador e chapa-filtro de vidro poroso, durante 24 horas,
desistimos, desde o principio, do emprego de chlorofomiio para a extracção,
'isto os apparelhos de extracção para solventes mais pesados do que agua serem
"«s difficeis de construir e sua capacidade mais reduzida. Além disso, o chlo-
coformio é um solvente bem mais caro do que o benzol.
Partimos sempre da urina de éguas, que se achavam do 4.° ao 9.° mês de
gestação. Segundo opinião unanime de pesquisadores, só nestes meses é o teor
0,11 estrona tão apreciável, que compense a fabricação. Beall e Edson, p. cx..
íornccem os seguintes dados a respeito (6) : 100 litros de urina contêm uma
me óia de 7,5 gs. de substancias estrogcnicas, o que poude ser provado colorimc-
tr >caniente. Segundo outros dados dos mesmos auctores, isto corresponde a
11111 teor medio de 2,5 gs. de estrona cm 100 litros de urina de éguas do 4.° ao
Q % *
• nies de prenhez.
Os auctores citados tratam o extracto de urina de tal modo. que se evapore
0 solvente (neste caso toluol) e extrahem o residuo com um soluto de hydro-
*}‘do de sodio. Pelo mesmo processo obtivemos tão grande quantidade de resi-
do, que nos vimos forçados a abandonar esse processo. Pelo repouso muito
Prolongado da urina em soluto acido, desdobra-se o acido hippurico contido em
^r^nde quantidade na urina equina, e o acido benzoico, facilmente solúvel em
solventes orgânicos, é extrahido na extracção subsequente, conjunctamentc com
a es *rona e a indirubina ou corante da urina.
Dahi nasceu a idea de procedermos a experiencias afim de verificarmos si
a mesma quantidade de estrona não poderia ser obtida de urina menos acidulada,
^icou provado que era este o caso e que podíamos obter a mesma quantidade
estrona até de uma urina fresca nada acidulada, a qual tem um pH de 8 a 9.
simplificou extraordinariamente a elaboração do oleo crit e conseguimo 4
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
extrahir, completamente e de uma só vez, quantidades apreciáveis de urina fresca
num extractor de metal. Nossas experiencias estão de certo modo em contra-
dicção com as indicações fornecidas por Zondek: no entanto, se acham de pleno
accordo com os dados da patente acima citada.
De conformidade com as indicações fornecidas pela Secção de Physiopa-
thologia deste Instituto. (Dr. Thales Martins), a urina posta á nossa disposição
continha em cada litro apenas 75. (XX) unidades camondongos (U.C.). Assim
sendo, o teor em estrona poderia, segundo provas biológicas, montar approxima-
damente a 750 mgs. por cada 100 litros de urina. O facto de que outros pes-
quisadores (3, 6, 8), inclusive o dr. Deulofeu, tenham encontrado valores mais
elevados, pode ser attribuido a que no nosso caso a urina por qualquer lapso
tenha estado misturada com urinas de éguas com menos meses de prenhez.
Sómente outras pesquisas poderão solucionar a questão de se saber si o alimento
dado aos animaes no Brasil ou por acaso as diversas raças têm alguma influen-
cia, nesse sentido.
De 100 litros de urina á nossa disposição, conseguimos sempre extrahir
cerca de 80 gs. de um oleo crú castanho-escuro, cuja elaboração mais ampla expe-
rimentamos a principio pela adsorpção chromatographica (10). Nenhum resul-
tado satisfactorio obtivemos com o oxydo de alumínio nem com o oxydo de cal-
cio. Dahi termos empregado de preferencia, para a purificação subsequente,
o optimo methodo de Girard (7).
Enquanto que geralmente se trata de separar corpos cetonicos mediante o
emprego exclusivo de hydroxylamina, semicarbazida ou reagentes semelhantes,
por serem compostos difficilmente solúveis cm agua. Girard prefere preparar
um derivado eetonico facilmente solúvel em agua. As substancias sem caracter
cetonico podem ser removidas desse soluto com ether. e então, o derivado ceto-
nico retido na agua pode ser desdobrado e só agora o proprio corpo cetonico,
extraindo com ether. De todos os reagentes aconselhados por Girard para esse
fim, escolhemos o “reagente T”, isto é, o chloreto de betaina-hydrazida
Cl (CHj)a N.CH 2 .CO.NH.NHj. o qual nós mesmos preparámos com ester ethy-
lico do acido chloro-acctico, trimethylamina e hydrazina.
Segundo prescripção de Girard, obtêm-se de 80 gs. de oleo crú mais ou
menos 5 gs. de uma fracção cetonica, bastante impura. Com hormonio purifi-
cado pudemos verificar que realmcnte toda a estrona é separada pelo "reagente
T” no sentido desejado, uma vez observadas estrictamentc as condições de for-
mação e decomposição (Vide experiencia 1).
O oleo obtido com a transformação pelo “reagente T”. crystalliza apenas
parcialmentc. Delle insulamos a estrona de tres differentes modos, não tomando
em consideração a completa remoção da equilina, equilenina, etc., sinão visando
apenas a preparação de um produeto crystallizado de alto grau de pureza. Dis-
4
S lotta & Al. — Estrona da urina
21
solvendo-se o oleo em um pouco de ether e deixando-se crystallizar lentamente
a -10°, obtem-se a estrona, depois de meticulosa lavagem com ether, em forma de
crystaes incolores. Este methodo é um pouco vagaroso, pois se tem que recrys-
tallizar os crystaes varias vezes de methanol, e elaborar as aguas mães (Vide
e xperiencia 2b).
E’ preferível sublimar a estrona no alto vacuo a 220-230°; para esse fim,
empregamos um apparelho especial de juntas esmerilhadas. Xão resta duvida
que este methodo exige um certo apparelhamento, o que o complica um pouco
(Vide experiencia 5).
O mais simples é, todavia, dissolver o oleo em álcool methylico e preparar
a semicarbazona da estrona, mediante emprego de acetato de semicarbazida (11).
Este oleo pode ser recrystallizado de álcool ou purificado por extracção com
a lcool. O composto incolor pode, pelo repouso, ser facilmente desdobrado de
sua solução em alcool methylico com acido chlorhydrico aquoso concentrado (Vide
experiências 1 e 2). Segundo nossas verificações, obtem-se tanto com a sublima-
ção no alto vacuo como pela purificação, passando pela semicarbazona, quando
muito, a quarta parte da fracção cetonica conseguida por Girard cm forma de
estrona crystallizada.
As marchas completas de elaboração por todos estes mcthodos foram jã
mais ou menos minuciosamente descriptos na literatura. Por motivos justifi-
cáveis ainda não foram publicados nesta sequência com tanta minúcia. Na parte
experimental expomos primeiramente algumas experiências características que
elucidam o que acabamos de dizer. Pequenas modificações das prescripçõcs
originae-, como seja o emprego de chloroformio cm vez de ether, ás quaes se-
gundo nossas experiencias damos preferencia, são apontadas na parte corres-
pondente. Justamente taes pontos, á primeira vista insignificantes, são na rea-
lidade de especial importância na elaboração de um processo efficiente para a
obtenção de grandes quantidades de material. Na parte final, descrevemos o
processo de elaboração, baseado cm todas as nossas experiencias e conforme o
praticamos hoje em dia (Vide experiencia 6).
Parte experimental
1.® Experiencia: obtenção quantitativa da estrona pelo " reagente T”.
46.6 mgs. de estrona purificada por sublimação, de p. f. 247-248°, foram
dissolvidos em 13 cc. de acido acético alcooJico a 9%, addicionando-se 0.6 gs. de
reagente T” e fervendo-se durante uma hora sob refluxo. A mistura de
cc. de soda caustica 1,5 N, com 40 cc. de agua e 24 gs. de gelo, foi coberta
c °tn 50 cc. de ether num funil de separação. Depois da addição do soluto al-
em
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
22
Memórias tio Instituto Butantan — Tomo XI
coolico, agitou-se durante 6 minutos, as camadas foram separadas e o soluto
aquoso novamente extrahido com 50 cc. de ether. Desdobrou-se, então, a hydra-
zona com 7 cc. de acido chlorhydrico concentrado e o hormonio foi dissolvido
em chloroformio. Depois de evaporado o solvente e seccado, obtiveram-se 57
mgs. de crystaes, os quaes foram fervidas, durante 2 horas sobre banho-maria,
com 5 cc. de um soluto a 10% de acetato de semicarbazida em álcool methylico
(Vide experienda 6c) e filtrados ao vacuo a 0°C. depois da crystallização e
então seccados. Seu rendimento foi de 48,7 mgs. de semicarbazona ou seja 86%
do theorico. Do soluto mãe ainda se puderam retirar mais ou menos 2 mgs.
2.* Experiencia: cxtracção da urina acidulada dc cguas.
a) 40 litros de urina de egua foram misturados com acido chlorhydrico-
concentrado, até que o papel de Congo se tornasse azul; addicionaram-se nova-
mente 4 litros de acido chlorhydrico concentrado, de modo a se obter um soluto
de addo chlorhydrico a N/l, e deixou-se repousar quatro semanas (em experiên-
cias semelhantes apenas 1 a 2 semanas, com resultados quasi idênticos). Ex-
trahiu-se, então, a urina com benzol, 3 vezes durante 8 horas, concentrando os
solutos benzoicos por evaporação. O residuo crystallizado foi dissolvido em 3
litros dc um soluto sodico, saturado com acido carbonico e extrahido com benzol
duas vezes 8 horas. Pela acidulação com acido chlorhydrico do soluto aquo-
so extrahido precipitaram-se 540 gs. de acido benzoico impuro.
Após lavagem do extracto dc benzol com agua e um soluto saturado dc bi-
carbonato de sodio, e após scccagem com sulfato de sodio, concentrou-se o mesmo,
obtendo-se 75 gs. de oleo crú. Este foi tratado com 10 gs. de “reagente T” em
250 cc. de acido acético alcoolico a 9% e depois, por neutralização do acido com
225 cc. de soluto de soda caustica a 1,5 N em 460 cc. de agua e 200 gs. dc gelo
c extracção com 2 vezes 200 cc. de ether, separado das substancias neutras que
não formam hydrazonas. Depois do desdobramento com 130 cc. de addo chlorhy-
drico concentrado e cxtracção completa com ether no extractor. obtiveram-se
2.658 gs. de residuo. Este forneceu 530 mgs. de semicarbazona bruta após trans-
formação com 30 cc. de um soluto de acetato de semicarbazida a 10% em álcool
methylico (Vide experiencia 6c.). Pdo desdobramento com um soluto aquoso
de acido oxalico (Vide experienria 4b). obtiveram-se 200 mgs. de estrona.
b) 40 litros de urina foram addulados até approximadamente um valor
igual a acido chlorhydrico 1/10 N (pH=l,2 — 1,4), dexando-sc repousar 4 se-
manas (em experiendas semelhantes, 1 a 2 semanas, com resultados quasi idên-
ticos). A urina foi extrahida com benzol, a principio durante 16 horas e, de-
pois, durante mais 8 horas. O extracto de benzol das primeiras 16 horas foi
seccado por evaporação, os 105 gs. de residuo pesado, dissolvidos em benzol e
neutralizados com 500 gs. de um soluto saturado de bicarbonato; seguiu-se a sec-
G
SijOtta a Al. — Eslrona da urina
23
do soluto benzolico com sulfato de sodio. Do soluto aquoso obtiveram-
-e. pela acidulação e extracção com benzol, 70 gs. de suhstancias acidas crystal-
dzadas. O residuo do soluto benzoico secco foi de 33 gs., o qual foi transfor-
mo em 5 gs. de “reagente T” em 109 cc. de acido acético akoolico. Após neu-
tralização, agitação com ether e desdobramento com 55 cc. de addo chlorhydri-
00 concentrado, obtiveram-se 1.23 gs. de corpos cetonicos.
O extracto benzolico das ultimas 8 horas, após lavagem com agua e carI>o -
m de sodio deu 3,4 gs. de residuo, dos quaes, após transformação com “rea-
Scnte T”, obtiveram-se 0,16 gs. de corpos cetonicos. O oleo cetonico castanho,
<t**i crystallino (num total de 1.39 gs.), foi misturado num tubo de vidro de
ccntrjfugador com um pouco de ether e congelado a -10°. Os crystaes foram
separados por centrifugação e lavados com ether frio até o residuo se tomar
^color. Obtiveram-se 200 mgs. de estrona de p. f. 248-257°.
c ) A mesma experienda como em 2b forneceu novamente 35 gs. de resi-
duo benzolico e 1.38 gs. de corpos cetonicos. Do ultimo obtiveram-se 324 mgs.
dc 'emicarbazona. os quaes, após addição de 3 cc. de acido chlorhydrico concen-
l7 ado em 10 cc. de álcool absoluto, forneceram 200 mgs. de crystaes do p. f.
248 - 257 ''.
d) 60 litros de urina do pH=l,4 após um repouso de 4 semanas foram
fxtrahidos no extractor de cobre descripto na experiencia 6, primeiramente com
kuizol durante 24 horas, c depois com um novo benzol outras tantas horas. Os
ex tractos de benzol foram concentrados separadamente até o volume de 2 litros,
ne utralizados com o soluto de soda caustica a 1.6% até a viragem da phcnol-
Ph‘haleina, e evaporados até a seccura. O primeiro extracto deu 52 gs. dc oleo
0111 e 10 gs. o segundo. Esse oleo, depois dc combinado com 7,5 gs., (2,5 gs.)
de reagente T” em 200 cc., (16 cc.) de acido chlorhydrico concentrado, deu
-•845 gs. e 0,594 gs. dc corpos cetonicos brutos. Depois de combinado com a
'luantidade correspondente de solutos de acetato de semicarbazida, obtiveram-sc
"*20 c 7o m g S semicarbazona.
Ema outra partida dc 60 litros de urina, hydrolyzada a um pH = l,4, for-
f ' Cccu 500 mgs. de semicarbazona.
Experiencia : elaboração dc urina não acidulada dc cçjua.
S0 litros de urina de egua, depois de 3 dias de repouso e com um
'd 1=8.2- — 9,0, foram extrahidos durante 48 horas, sendo o benzol concentrado
Prtncipio sob pressão atmospherica até 1 litro, e, já que neste caso é
l' rc *cindivel a lavagem com agua e alcali, evaporado ao vacuo até a seccura. O
r<í *!duo de extracção com benzol, numa quantidade approximada de 70 gs. após
Purificação com o “reagente T”. deu 3,096 gs. de uma fracção cetonica c esta
E'r sua vez 529 mgs. de semicarbazona.
1, | SciELO
7
24
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Uma segunda extracção deu 670 mgs. de semi carbaz ona e em outras extrac-
ções de urina, que ficára de 1 a 3 semanas, os resultados foram praticamente |
idênticos.
4. a Experiência: desdobramento da semicarbazona com:
a) acido sulfurico cdcoolico. 400 mgs. de corpos cetonicos foram aqueci-
dos em banho-maria com 20 cc. de acido sulfurico alcoolico 2/N até o ponto de
ebullição, o residuo dissolvido em ether e o soluto etherico, lavado com agua.
O residuo do ether deu 150 mgs. de crystaes fortemente coloridos, o que corres-
ponde a um rendimento de mais ou menos 45%.
b) acido oxalico aquoso. 205 mgs. de semicarbazona foram aque-
cidos em banho-maria durante 3 horas em um balão com 2,5 gs. de addo oxalico
e 3 cc. de agua. Depois de resfriados, triturou-se a massa crystallizada com
benzol e ether, misturou-se com agua e separou-se no funil de separação. A
camada aquosa foi novamente extrahida com ether-benzol, todo o soluto de
bcnzol-ether lavado com agua e soluto de bicarbonato diluido, seccado com sul-
fato de sodio e evaporado. O residuo do ether foi de 230 mgs. de crystaes li*
geiramente rosados, o que corresponde a um rendimento de 78%.
c) acido chlorhydrico alcoolico. 591 mgs. de semicarbazona bruta foram
aquecidos rapidamente sobre banho-maria em 25 cc. de álcool absoluto e
6 cc. de acido chlorhydrico concentrado até que tudo estivesse dissolvido. De-
pois de resfriado, tratou-se com ether, sendo o ether lavado varias vezes com
agua, seccado e evaporado. O residuo consistia de 382 mgs. do p. f. 232-254° e
o rendimento era de 79%.
De 324 mgs. de semicarbazona cm 10 cc. álcool e 3 cc. de acido chlorhydrico
concentrado extrahiram-se 200 mgs. de estrona do p. f. 248-257°, o que corres-
ponde a 75% do theorico.
5. ® Experiência: sublimação no alto vácuo.
A purificação da fracção cetonica obtida com o “reagente T”, em vez de
passar pela semicarbazona foi executada por sublimação no alto vacuo. Com
esse fim. recrystallizaram-se 1.6 gs. da fracção cetonica de 40 cc. de álcool abso-
luto sob cuidadosa addição de 26 cc. de agua, de modo a resultar álcool a 60%.
Em outras experiencias recrystallizou-se a mesma quantidade de fracção
cetonica de 25 cc. de methanol sob addição de agua, gotta por gotta, até turva-
ção; os 0.9 gs. de crystaes pardos obtidos, devidamente seccados na estufa a|
cm
•SciELO
0 11 12 13 14 15 16
Slotta 4 Al. — Estrona da urina
rr
A
‘ foram postos no tubo de sublimação (Vide figura 1). A junta esmeri-
estava devidamente untada com graxa de Ramsay (molle). O appare-
i°i então mergulhado em um pequeno banho a oleo e ligadas a agua de re-
I ,n geração e a bomba de alto
l v acuo. A estrona foi sublimada
I a “20-230° sob uma pressão de
I (>( - > - nun. durante 15 a 20 mi-
I nu!os . depositando-se na parte
|’ nt erna do apparelho refrigera-
Con ' agua. Obtiveram-se
gs. de crystacs ainda ligei-
l**nente pardos. Esses crystaes
1 Puderam ser recrystallizados por
I **** fecrystallizações de cada
l' e * 20 cc. de methanol sob
n, tfjducçã 0 cuidadosa de agua
1^ a ^ gottas) . até que o ->:u-
| to tenente começasse a tur-
J' ar -se. Obtiveram-se 0.42 g>.
I estrona de p. f. 256°.
Experencia: obtenção de
I ttr ona em escaJa setni-indus-
I
Extracção. O cxtractor
I ' n * unia cajKicidadc de 65 a 7"
I :
I
Fi*. t
r ° s >de figura 2) é enchi-
’ 1*1° orificio situado na tam-
i u- le 1 a ' !ura ^ torneira de
I aberta (B), com 60 litro? de urina fresca a um pH=8 — 9; a torneira
'■'hida (B) foi fechada; a torneira do ladrão (C). alxtrta. a urina. col>erta
niais ou menos 3 litros de benzol, até que em C escoe o l>enzol. Fecham-sc
_ ,0r neira do ladrão (C) e o orificio de entrada; colloca-se o recipiente de aque-
1150 (D) com 2/3 de seu volume (approximadamcnte 4 a 5 litros) de
CTlZol . ,
• uga-se o recipiente ao tubo que communica com o condensador (E) :
° agitador (F) em movimento; liga-se a agua de refrigeração a G e o
* or para o recipiente (D) e extrahe-se durante 48 horas.
^*gundo nossas experiencias. basta extrahir duas vezes durante 24 horas,
'lUe, para o segundo dia. só ficam 15% da quantidade total de hormonio.
cm
SciELO
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26
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Depois de resfriado, retira-se a tampa do orifirio de entrada (A), deixa-se
a urina pela torneira inferior (H) até a camada de benzol, desliga-se o recipie
te de aquecimento, e despeja-se o extracto nelle contido dentro de uma garrafd
Para a seguinte extracção enche-se novamente com 60 litros de urina, sendj
desnecessário cobril-a
uma nova camada de benzo
visto que este permane
sempre no extractor. Cc
pleta-se apenas alguma qu
tidade que se haja perdid
enche-se novamente o recip
ente de aquecimento com
a 5 litros de benzol e
tr;.':- -->■ novamente durant|
48 horas.
O extracto de benzol
4-5 litros é concentrado
evaporação até 3/4 litros,
filtrado em um balão
fundo redondo de 2 litro
devidamente lavado com
e finalmente concentradj
no vacuo em banho-mar
Obtem-se assim approxir
damente 50 gs. de um ol<]
crú vermelho-escuro.
b) Purificação com o “ reagente T” , segundo Girard.
Por commodidade, elabora-se de uma só vez o oleo crú de 5 extrac
250 gs. de oleo crú são dissolvidos em um balão de 2 litros, em 1.1 litro de
acético alcoolico a 9 °fc (preparado com 100 gs. de acido acético e 1 litro
álcool ethylico absoluto). Addicionam-sc 45 gs. de “reagente T”, lava-se
geiramente o gargalo com um pouco de álcool, e ferve-se o soluto durante
10
cm
•SciELO
0 11 12 13 14 15 16
Slotta 4 Al. — • Estrona da urina
hora sob refluxo. Deitam-se então 3,2 litros de agua, 1,8 kgs. de gelo moido
e 990 cc. de soda caustica em um garrafão de 20 litros com torneira no fundo;
a soda caustica deve estar preparada de modo que 10 cc. de seu soluto neutrali-
zem 10 cc. do acido acético alcoolico acima mencionado, o que pode ser compro-
vado por titulação com phenolphthaleina. O soluto alcalino aquoso é coberto
com uma camada de 1,8 litros de ether e o soluto alcoolico, já um tanto esfria-
do, addidonado de uma só vez. Lava-se então o balão duas vezes com 50 cc.
de agua e duas vezes com 50 cc. de ether, e agita-se devidamente o garrafão du-
rante uns 6 minutos. Depois da separação das camadas, solta-se o soluto aquo-
so pardo de cerca de pH=5, e escóa-se o ether. Após a limpeza do garrafão
de gorduras adheridas, agita-se novamente o soluto aquoso com 1,5 litros de
e; her. Depois da separação da camada aquosa pardacenta do soluto de ether
av ermelhado, preferivelmente retirando-se a ultima por meio de um siphão, dei-
tam-se 2 litros de chloroformio, accrescentam-se 500 cc. de acido chlorhydrico
^centrado e deixa-se repousar durante 1 hora, visando o desdobramento da
combinação de Girard, com o que se turva o soluto aquoso pela separação da
estrona ; ás vezes a estrona se separa em forma de flocos. Depois de uma hora
^ta-se devidamente, solta-se o extracto de chloroformio e introduz-se uma nova
camada de 500 cc. de chloroformio debaixo do soluto. Um quarto de hora mais
^de, agita-se de novo e retira-se o chloroformio. Trata-se a camada aquosa
Uln as 3 a 4 vezes de quinze em quinze minutos com 500 cc. de chloroformio,
-té que o extracto de chloroformio apenas esteja levemente colorido.
Os extractos de chloroformio reunidos, isto é, approximadamente 4 a 5
htros, são lavados com uma pequena quantidade de soluto de bicarbonato de
5 odio a 10%, depois, com agua em um grande funil de separação, e em seguida
Ceados com sulfato de sodio anhydro. Evapora-se primeiramente o soluto de
chloroformio sob pressão atmosphcrica c depois no vaeuo em banho-maria e
°htém-se, depois de seccado a 100°, 15 a 20 gs. de residuo.
c) Purificação pela scniicarbacona.
Segundo T. Reichstein (11) prepara-se um soluto de acetato de semicar-
ktzida: 100 gs. de hydrochloreto de semicarbazida c 150 gs. de acetato de sodio
Cr }'stallizado são triturados cm um crystallizador até se liquefazerem. Lava-se
^tão essa massi com 1 litro de methanol em um balão de Erlenmeyer. Depois
'k um repouso de 24 horas, filtra-se em um frasco de 1 litro.
Dissolvem-se os 15 a 20 gs. de crystaes brutos em 125 cc. de um soluto
^ acetato de semicarbazida e mantem-se a mistura durante 4 horas sob refluxo
^ um banho-maria em ebullição branda. Deixa-se repousar pelo menos 24
11
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
28 Memórias do Instituto Butantan - — Tomo XI
horas na geladeira, filtra-se ao vacuo, lava-se com um pouco de methanol frio
e secca-se. Obtêm-se 3 a 4 gs. de semicarbazona pouco coloridos, os quaes são
extrahidos no Soxhlet com 150 cc. álcool absoluto. A semicarbazona crystal-
liza do soluto alcoolico quasi que incolor, e quasi nenhuma semicarbazona per-
manece no soluto mãe depois de um repouso a uma temperatura de O 0 . E’ pre-
ferível recrystallizar a semicarbazona em um soluto aquoso de acetona com a
addição de carbono activo.
Os 3 a 4 gs. de semicarbazona pura são ligeiramente aquecidos em banho-
maria em 50 cc. de álcool absoluto e 15 cc. de acido chlorhydrico concentrado
até se liquefazerem. Depois de esfriados, são absorvidos em ether; o soluto é
lavado com agua em um funil de separação; o ether, seccado com sulfato de
sodio e evaporado. Obtêm-se 2 gs. de estrona do p. f. 248-257°, os quaes logo
podem ser utilizados directamente para a preparação subsequente do benzoato
de estradiol.
RESUMO
A extracção industrial da estrona de urina de éguas prenhes é conseguida
maus vantajosamente, quando a urina fresca é extrahida com benzol em um
extractor adequado. A acidulação previa da urina é desnecessária e deter-
mina. pelo desdobramento do acido hippurico, a formação de grandes quantida-
des de acido benzoico, que também são extrahidas pelo benzol e removidas com
difficuldade do soluto benzolico. Para a subsequente purificação o methodo
empregado por Girard mostrou-se muito proveitoso. As fracções eetonicas assim
obtidas podem continuar a ser purificadas mediante sublimação no alto vacuo
ou sobre a semi-carbazona. Em vista do cheiro desagradavel que desprende o
material, os methodos que visam sejrarar a estrona da urina por adsorpção, pa-
recem menos adequados de que os que se valem da extracção com solventes or-
gânicos, e descriptos neste trabalho.
Tanto por meio do ensaio physiologico, como pela separação chimica da
estrona da urina, foi verificado que apenas 7 50 mgs. de estrona estavam presentes
em 100 litros de urina, não tendo sido comprovadas, mesmo com o emprego de
urina de éguas do 5.° ao 9. # mês de prenhez, as verificações de maiores quanti-
dades daquella substancia, registadas por outros pesquisadores.
ZUSAMMENFASSUNG.
Die technische Gewinnung von Oestron aus dem Harn schwangerer Stuten
gelingt am besten, wenn der frische Harn in einem Spezialextraktor mit Benzol
12
Slotta & Al. — Estrana da urina
29
cxtrahiert wird. Den Ham vorher anzusaeuern. ist unnoetig und bedingt. dass
durch Zerfall der Hippursaeure grosse Mengen von Benzoesaeure entstehen, die
auch von Benzol aufgenommen werden und daraus schwer wieder zu entfemen
-ind. Fuer die weitere Aufarbeitung envies sich der Weg von Girard ais
ausserordentlich brauchbar. Die so erhaltenen Ketonfraktionen koennen durch
Hochvakuum-sublimation oder ueber die Semicarbazone weiter gereinigt werden.
" egen der Geruchsbelaestigung erscheinen die \ eríahren, die das Oestron
d«n Ham durch Adsorption entziehen, weniger geeignet ais die Extraktion mit
°rganischen Lõsungsmitteln, wie sie hier genau beschrieben wird.
Sowohl durch physiologische Prüfung wie durch chemische Isolierung der
zur Veríügung stehenden Ham enthaltenen Hormon-Mengen ergab sich.
dass in 100 Litern Ham nur 750 mg. Oestron enthalten waren. Die viel
Sfõsseren Mengen, die andere Forscher teilweise fanden. wurden auch dann
nicht erreicht. ais nur der Harn von Stuten im 5. bis 9. Trãchtigkeitsmonat
venvandt wurde.
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(Trabalho da Secção de Chimica e Pbarmacoloeia Kxper’ -
mental do IneUtuto Butantan. recebido em outubro de
1»J7. Dado á publicidade em dexembro de 1#S7).
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612.405
SOBRE A CHIMICA DOS HORMONIOS SEXUAES
Constituição das substancias estrogenicas obtidas com o anol
POR
C. H. SLOTTA & W. FORSTER
vcl
Em abril de 1937, Dodds e Lawson (1) indicaram que o p-propenyl-phenol
° u an °K HO . C«H« . CH :CH . CH 3 , em doses não superiores a 1 gamma, dava
Quitados positivos na prova de Allen-Doisy; do mesmo modo, o anol bcnzoy-
*p^°. C # H ; .CO.O.CeH 4 .CH rCH.CHj. devia possuir um efíeito semelhante,
-ssc cffcito tão pronunciado da parte de uma substancia de constituição tão
Mt *iples despertou, naturalmente, vivo interesse entre os chimicos especializados
T1 ° campo dos hormonios, pelo que nós taml>em resolvemos investigar o
^sumpto.
E verdade, que, por motivos puramente thcoricos, nos jwrecia pouco prova*
Hue o anol pudesse ter um efíeito physiologico semelhante ao da estrona.
01110 um de nós já provou ha alguns annos (2), é frequente acharem-se
Estancias chimicamente differentes. mas de efíeito mais ou menos idêntico,
tenham pesos moleculares dentro da mesma ordem de grandeza: assim se
c °m certos estimulantes, como a canfora, a hexetona, o cardiazol c a coramina,
embora sejam chimicamente differentes, têm peso molecular muito parecido.
^ 0 entanto, a estrona tem o peso molecular de 272 , enquanto o anol, apenas o
c 134- A’ luz da theoria que acabamos de expor, era de esperar que. não
P^Prianiente o anol em si, mas provavelmente um anol bi-molecular possuísse
a< Ptelle efíeito estrogenico.
Preparámos o anol pela desmethylização do anethol com o iodeto de ethyl-
^gnesio (3), evitando, porém, que o anol livre se pusesse cm contacto com o
’ Preparámos, em seguida, o benzoato com o proprio soluto. Como era de
Perar, 0 derivado de benzovla mostrou-se completamente inactivo (Expc-
P^cia 1).
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Xo decurso de nossas investigações, appareceu uma nova communicação clos|
mesmos auctores ingleses (4), que mostrava ser uma impureza do anol, facil-
mente solúvel em chloroformio, responsável pelo ef feito, e não o anol em si-
Por essa epoca, já tinhamos obtido em animaes estro completo na prova dei
Allcn-Doisy pela acção de certos produetos secundários da preparação do anol.
Certa vez, ao destillarmos o produeto da transformação do anethol com iodetol
de ethyl-magnesio directamente sob pressão commum. appareceu sob a forma dei
resina avermelhada uma fracção de ponto de ebullição mais elevado, a quall
produziu em quantidades de 60 gamma, um estro perfeito em femeas de camon-
dongo castradas. Determinámos o peso molecular dessa resina, que se mostrou, I
como aliás esperavamos, bi-molecular. Encontrámos apenas 261 (Experiência 2).|
em vez de 268, como peso molecular.
A principio, suppunhamos que a substancia activa tivesse surgido pelai
juneção de duas moléculas de anol a combinar as duplas ligações da cadeia I
lateral e a formar um annel de 4 átomos de carbono, conforme se admitte parai
a polymerização do acido cinnamico em ácidos truxillicos. Neste caso, serial
necessário que occorresse a absorpção de 3 moléculas de hydrogenio na hydro-|
genação da substancia activa para cada meia molécula (PM = 134!). Basean-
do-nos nesse peso molecular, achámos 4 moléculas de hydrogenio, como mostrai
a curva abaixo, tendo as curvas de hydrogenação dos ácidos crotonico e cinna-|
mico sido igualmente determinadas para fins de comparação. Si esta interpre-
tação com respeito aos valores obtidos para o peso molecular e a hydrogenaçãol
fosse cxacta, a polymerização deveria ter ccrtamcntc occorrido, de modo beni[
diverso.
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V
SroTTA a Forstek — Substancias cstrogcnicas
33
Em outras experiencias pareceu-nos também, a principio, que. com respeito
30 polymerizado activo do anol, não se tratava da juncção de moléculas de anel
com o auxilio de duplas ligações da cadeia lateral. Assim é que polymerizámos
anethol com acido sulfurico concentrado e com chloreto de zinco, na esperança
de desdobrar os grupos methylicos dos produetos de polymerização e obter, em
estado chimicamente puro, a substancia activa. Com acido sulfurico obtêm-se
Polymeros muito mais elevados, que contêm na molécula pelo menos S radicaes
de anethol. Com chloreto de zinco obtêm-se os chamados iso- e meta-anethoes,
0s quaes reconhecemos como bi-moleculares. Os produetos obtidos desse dimero
c °m acido iodhydrico, pelo desdobramento do grupo methoxylico. davam bi-ben-
zoatos oleosos, inactivos. Admittindo-se que os polymeros do anethol tenham
nir gido pela união no ponto das duplas ligações do anethol, estas experiencias
Pareciam falar a favor de uma polymerização de outro genero (Experiencias
3 - 4 e 5).
Como segunda hypothese, verificámos si, pela deslocação da dupla ligação
do anol, poderia surgir uma configuração chinoide, e si esta chino-propana se
Poderia reunir com uma nova molécula de anol para uma formação semelhante
a quinhydrona. Isto nos foi suggcrido especialmente pela côr vermelha, peso
Molecular e numero de duplas ligações na substancia activa. Purificámos o anol
mu 'to cuidadosamente através do seu benzoato c aqucccmo!-o no alto vacuo
a 240. Assim esperavamos obter uma polymerização de modo mais adequado c
tembcni um preparado mais puro.
Sob estas condições, deu-se realmentc uma modificação do anol no sentido
se formar uma resina avermelhada, da qual se pode extrahir por destillação o
an °l etn excesso. Infelizmente, esta resina não era uniforme. Uma parte se
dissolveu em chloroformio, e a outra permaneceu insolúvel; e ambas as partes
era m physiologicamente inactivas.
Einalmente, cremos ter encontrado uma solução j>ara o nosso problema,
a Pplicando ao nosso caso a theoria apresentada em um trabalho de Scrini
^ Stcinruck (5), que acabamos de receber. A determinação do peso molecular
nossa substancia activa em canfora só pode ter dado um valor bem appro-
X| ntado, uma vez que a resina não estava completamcntc pura c uniforme. Si
0 P*^ molecular da substancia examinada tivesse sido 15% mais alto do que o
^'ontrado. teria sido possível fazel-o concordar com a nossa hypothese sobre
a re lação entre o ef feito physiologico de varias substancias chimicas e a ordem
(L
, grandeza de seus pesos moleculares. Contando-se, porém, com um peso mo-
Cu, ar mais elevado, a quantidade de hydrogcnio absorvida já não corresponderá
1,1,1 s a 4. mas sim a mais ou menos 3 moléculas de hydrogemo. Os auctores
^ Ue ac abamos de citar, preparam, do mesmo modo que nós, o anol do anethol.
n,< riiante emprego de iodeto de ethyl-magnesio, e obtiveram como subprodueto
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
uma fracção de ponto de ebulição mais elevado, da qual, mediante acetylação,
obtiveram um producto crystallizado, Este é extraordinariamente
activo e, segundo a opinião dos auctores comprovada pelas analyses, trata-se de
um anol dimero, no qual ainda existem 2 radicaes de ethyia.
Ainda não podemos confirmar que a formula de constituição adoptada pelos
pesquisadores alemães seja a mais acertada; queremos, porém, consideral-a
apenas como provável. Cremos que com aquella substancia activa tínhamos em
mão um producto que correspondia ao obtido por elles, que. no entanto, puderam
conseguir o producto natural em forma crystallina mediante acetylação.
Protocollo das experiencias
1. Benzoato de anol, C t Hs.CO.O.C t H t .CH=CH— CH„
Aquece-se em um balão de um litro 8.1 gs. de aparas de magnésio, com 1 g.
de iodo, sob constante agitação sobre a chamma. Depois de esfriar, addicio-
nam-se 250 cc. de ether secco ao magnésio assim activado e, pingando-se 33 cc.
de iodeto de ethyia gotta a gotta, prepara-se, como de costume, um soluto de
iodeto de ethyl-magnesio. Depois da evaporação da maior parte do ether,
aquece-se o balão num banho de oleo a uma temperatura de 100°, enquanto se
deixam pingar 51 cc. de anethol. Para evitar a formação de espuma e solidifi-
cação da massa, addiciona-sc o anethol bem vagarosamente durante o espaço de
duas horas, elevando-se pouco a pouco a temperatura até 150°. O iodeto de
methyla que se desprende na reacção é condensado num refrigerador descen-
dente, c captado. Uma vez que não se formem mais vapores brancos, deixa-se
esfriar o balão e addicionam-se 200 cc. de ether. Sob refrigeração com gelo,
decompõe-se o sal de iodeto de magnésio do anol com 1-N acido sulfurico e um
pouco de gelo.
Extrahe-se novamente, sob completa refrigeração, o anol do soluto etherico
com 350 cc. de 1/N potassa caustica e trata-se immediatamente o soluto alcalino
de anol com chloreto de benzoyia. O benzoato de anol assim obtido fundiu pri-
meiramente a 120°, e a 124°C. depois da quarta e quinta recrystallização
em álcool.
2. Transformação do anol puro cm substancia activa.
a) Preparo c actividadc da substancia. Como ficou acima descripto, si
não se tem o cuidado, porém, de evitar o contacto da substancia phenolica com o
ar e de a transformar no benzoato, obtem-se o anol como um oleo amarellado,
aromatico ao aquecer. Na destillação ao vacuo de 60 mm. passava, desde 240*
até 300°. uma fracção que deixámos parada em balão aberto, com o que se
4
Slotta a Fokster — Substancias estrogenicas
35
tornou escura, solidificando-se ao estado de resina. Depois de duas semanas
^ repouso, foi seccada e moida e uma quantidade determinada, dissolvida em
oleo de sésamo para as determinações physiologicas (prova de Allen-Doisy).
A substancia foi administrada a femeas de camondongo castradas em 6
'° 5es de 0,3 cc. de oleo, uma por dia. As quantidades de 60, 80, 90 e 100 7 deram
•Multados positivos na prova de Allen-Doisy. (Dr. Thales Martins).
t>) Determinação do peso molecular. Foram pesados na micro-balança
'•123 mgs. de “anol escuro”, 11,902 mgs. de canfora. obtendo-se, segundo o me-
thodo <Je Ra^t ( 6 ) ( um jx;so molecular de 261, o qual se approxima a duas vezes
0 do anol = 134 X 2 = 268.
c ) Hydrogenação. Para experimentar o methodo e apparelho de Slotta e
^bnke (7) procedemos á hydrogenação de duas substancias que mostravam uma
•'Sação dupla aliphatica e uma aliphatica -f- 3 aromaticas, obtendo os seguintes
r «ultados:
1 ***.
Pf*o
Cataly-
sador
Sol-
Lé-
Prr«vlo
£.2
MoU.de II 2
Formula
molec.
rente
c ‘S C
b aro-
me tr.
ef
>-
Calcu-
lada*
Acha-
da*
CH j— CH=CH— COOU
86 05
Pt colloid.
Acido
200
69850
24.8
1.075
1
0^9
16.097 tngv
acético
c 6 H 5 -C1I=CH— COOH
132
Pt colloid.
41.9) mit».
l.lcm
3É0
701.45
24J5
3,663
4
4.15
(ho-c 6 h 4 -ch=ch-cm 3 )
2
26S,
r 4
4.06
*1 OC 6 Il 4 - CH-HCCCjHj,-
ch 3
PtOj 18.97
Idem
215
706.10
280
2 >I
1
HO— C j H 4 -CH-HC(Cj H 5) -
cn 3
mjç*.
1 3
3.26
Donde se poderia deduzir que a ligação dupla na cadeia lateral não foi
ltaca da pela polymerização (Vide esclarecimento na parte theorica).
3. Polymerização do aitethol com acido sulfurico.
Obtêm-se dois polymeros, “anisoinas”, cujo peso molecular não se acha indi-
Ca *° na literatura. A uma mistura ainda quente de 18 cc. de acido sulfurico
Reentrado com 5 cc. de agua. addicionamos 6 cc. de anethol com 6 cc. de álcool
T^luto. Obtivemos u’a massa amarella da qual conseguimos separar duas
.Jtfes pela differença de solubilidade em ether, com os pontos de fusão de
'■*2° e acima de 250°. O peso molecular era de cerca de 8 vezes o do
^ethol.
“•31 mgs. de anisoina (p. f. 140-142°) em 51.15 mgs. de exaltona (cyclo-
l^tadecanona) differença dos pontos de fusão = 0.5°; peso molecular encon-
,r ado -
2452; peso molecular calculado para 8 vezes o do anethol = 2584.
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3G
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
4. Polymerisação do ancthol com chlorcto dc zinco.
10 gs. de chloreto de zinco foram dissolvidos em um pouco de agua e addij
cionados de 20 gs. de anethol. Depois de se tratar a mistura com vapor suj
peraquecido (até 180°), obteve-se um oleo grosso que foi dissolvido em 40 cc.
benzol; ao soluto aquecido juntaram-se 40 cc. de alcoo! absoluto e a mistura
geladeira deu um precipitado branco que, depois de duas recrystallizações
mostrou um p.f. de 134-135° que foi descripto para o metanethol.
Ao soluto-mãe addicionaram-se mais 40 cc. de álcool absoluto, a quente,
que deu logar a nova precipitação de metanethol -f- oleo. Decantou-se o soluto
e tratou-se o precipitado com 50 cc. de álcool frio, que dissolveu o oleo, deixandcj
o metanethol. O soluto do oleo em álcool collocado na geladeira agora pre
pita primeiro o oleo e, depois de dois dias, forma crystaes nas paredes, de nia-l
tanethol. O oleo decantado, tratado novamente com álcool, se dissolve a quente|
deixando o metanethol.
Rendimento: 2,5 gs. metanethol puro
2 gs. de oleo puro.
Determinação do peso molecular.
5,21 mgs. metanethol em 52,4 mgs. de caníora
Differença dos pontos de fusão I o 16° = peso molecular 244
II» 14» =
261
505 : 2 =
Metlia = 253.
Peso molecular encontrado = 253.
Peso molecular calculado para 2 x anethol = 298.
5) Preparação dos benzoatos dos iso- e meta-dianoes.
Ambos os produetos de polymerização foram tratados com Hl para scindil
o grupo methylico e formar os dianoes.
1 g. do dimero -f- 10 gs. Hl -f- 0,2 gs. phenol (para solubilizar a substancial
-f- 0.1 g. phosphoro vermelho tratados a 140-150". Nos vapores que sahiranl
durante a rcacção pudemos verificar CH S I. A massa, depois de fria, foi c*|
trahida com ether; o ether, com soluto de soda caustica: e este, tratado
chloreto de benzoyla, para formar os benzoatos. Ambos os benzoatos eram subf|
tancias oleosas, sendo que o dibenzoato de iso-dianol, ao seccar. deu uma resif
quasi solida e o meta-dianol, um oleo grosso.
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Si-otta t . Forster — Substancias estrogenicas 37
prova physiologica, os benzoatos se mostraram inactivos em doses õe
gammas.
RESUMO
Provou-se como certa a hypothese, baseada em raciocínios puramente theo-
° 5 . de que a substancia com actividade estrogenica, obtida do anol, é um pro-
Uct ° bi-molecular. Das experiencias de polymerização do anethol resultou
r - Ue ’ com o chloreto de zinco, se obtêm productos bi-moleculares, enquanto que o
tra ‘arriento com acido sulfurico fornece productos com cerca de 8 vezes o peso
n '°k cu Iar. O producto activo, approximadamente bi-molecular, não pode ser
°^*'do por desmethylização do anethol bi-molecular. Portanto, a substancia estro-
^ eil!Ca representa um dimero, formado de modo diverso do obtido pela conden-
Sa ^° com chloreto de zinco.
A formula proposta por Serini e Steinruck [»ra um preparado semelhante,
^tylado e altamente activo, parece bem acceitavel, pois ainda estão de accordo
C ° n ' cila os resultados da micro-hydrogenação c da determinação do peso mole-
C y' ar de nosso preparado activo, bi-molecular. Portanto, o anol bi-molecular,
‘^niente activo, provavelmente tamisem surgiu, nestas experiencias, com a desme-
> ização do anethol pelo iodeto de cthyl -magnésio, pela addição de dois radicacs
*^}la ao dimero formado.
ZUSAMMENFASSUNG
thc aus theoretischen Ueberlegungen aufgestelltc Hypothese. dass die aus
°* crhãltlichc oestrogen-wirksame Substanz cin dimolckulares Produkt dar-
C ^ 5, crwies sich ais richtig. Die Untersuchung der Polymcrisation von Anethol
dass nur mit Zinkchlorkl dimolekulare Produktc entstehen. wãhrend mit
^cfelsãure Substanzen vom ungeíãhr achtfachen Molekelgcwichtc gcbildet
crden Das aktive, ungefãhr dimolekulare Produkt lãsst sich aber durch
.. "^'hylierung des dimolekularcn Anethols nicht gewinnen. Die oestrogen-
‘y^ ai ne Substanz ist also durch ZusamtiK*nlagerung zweier Anol-Molcküle in
Sy., : CrCr ^ eisc c ntsta nden, ais bei der Zinkchlorid-Kondensation. Die Fonnel von
U! 'd Steinruck für ein ãhnliches, acctyliertes. hochaktives Prãparat ist sclir
Audi die Ergebnisse der Mikrohvdrierung und Molckularge-
^ s '^cstimmung unseres aktiven <limoleku!aren Prãparates aus Anol lassen
A- | . diesem Formel-Bild in Einklang bringen. Das dimolekulare, hochaktive
Ae*}, ISt a '"° hòchstwahrscheinlich bd der Entmethylierung des Anethols mittels
L/.> I -mag, l es iu m-j o did auch in unseren Versuchen in der Weise entstanden, da.-s
Aethyl-Reste miteingelagert wunden.
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38
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
BIBLIOGRAPHIA
1. Doàds, E. C. & Lawson, W. — Nature 139:627.1937.
2. Slotta, Carlos H. — Grundriss der modernen Arzneistofí-Synthese. Stuttgart 1931.
Ferdinand Enke, p. 139.
3. Spacth, E. — Monatshefte f. Chetnie 35:626.1914.
4. Dodds, E. C. & Lauson, W. _ Nature 139:1068.1937.
5. Serini, A. & Steinruek, K. — Naturwissenschaften 42:682.1937.
6. Rast, K. — Ber. dtsch. chem. Ges. 55:1051 e 3727.1922.
7. Slotta, Carlos H. <£- Blanke, E. — J. f. pralrtische Cbemie 143:3.1935.
(Trabalho da Secção de Cbimica e Pharmaeoloffia
raentaes do Instituto Butantan, recebido em nov
de 1937. Dado á publicidade em dezembro de 1937
8
612.3932
0 CAFÉ SOB O PONTO DE VISTA CHIMICO
1 . Determinação do extracto e da cafeína
por
C. H. SLOTTA & C. XEISSER
Introducção
A composição chimica e a acção physidogica do café como uma das bebidas
o^is apreciadas pelo homem, tem sido. já ha mais de cem annos, objccto de
*studo dos sdentistas. Infelizmente, faltou muitas vezes, para a solução do
Problema, a collaboração do chimico com o physiologista, tendo cada um pro-
seado resolver estas difficeis questões separadamente, c com recursos total-
n * T >tc inadequados. Desta maneira, originou-sc a grande confusão que encan-
gamos hoje na literatura, acerca das acções physiologicas do café; ficou-se
Snhecendo, com certeza, apenas um unico facto: que a acção da cafcina não
c idêntica á do café. As acções da cafeina são bem conhecidas c descriptas, en-
quanto as opiniões sobre a acção do café são grandemente contradictorias.
Enorme deve ser, portanto, o interesse pelas substancias, que, a par da
^fcina, ainda se encontram no café, substancias essas sobre as quaes. até hoje,
P°uco ou nada se sabe, tanto sob o ponto de vista chimico, como do physio-
,0 ?ico. Reconhecel-as, classifical-as chimicamente e, si possível, detcrminal-as
quantativamente, deve ser nosso escopo. E’ preciso para isso, porém, que se
,cn ha uma orientação exacta sobre o conteúdo das substancias, ou melhor,
grupos de substancias, bem conhecidas na infusão do café: cafeina e elementos
^hdos, que representam o extracto aquoso.
Estando no primeiro plano das nossas investigações o organismo humano
e a acção do café sobre elle, era natural que examinássemos bebidas, preparadas
a tnaneira daquelle que o brasileiro toma diariamente. O interessante c sur-
P re hcndente é que. ao que saibamos, tacs determinações do extracto de cafcina
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
não tenham sido feitas por via simples em bebidas usuaes; só assim se explica
o facto de termos chegado a resultados inteiramente novos, dos quaes trataremos
neste artigo.
Dados geraes
Os methodos para determinação do conteúdo de cafeina no café e na in-
fusão, bem como os methodos para determinação do extracto numa bebida,
foram estabelecidos na Europa, sendo, pois, adaptados ás condições de lá; em
geral, prepara-se na Europa um café de 26 a 50 gs. de grão para 1 litro de
agua. Todavia, o brasileiro bebe um café mais forte, cuja concentração oscilla
entre 100 a 200 gs. de pó por litro de agua. Vimo-nos, pois, obrigado a adaptar
os methodos de determinação ás nossas condições de bebidas, o que conseguimos
por meio de pequenas modificações, com simplificação da technica já existente,
segundo se verá na parte experimental.
Para evitar resultados eventuacs, conforme poderia acontecer si escolhés-
semos apenas um determinado typo de café, empregamos exclusivamente uma
mistura em partes iguaes de 5 differentes qualidades communs em S. Paulo
(União, Metropole, Serra, Jardim, Paraventi). Esses cafés tinham sido com-
prados no mesmo dia, no estado torrado e moido; sua mistura tinha as se-
guintes constantes analyticas :
Conteúdo de agua: 5,5%
Conteúdo de cafeina, calculado em café não seccado: . . 0.88%
( valor medio de 4 determinações)
Conteúdo de substancias extrahivers por agua: .... 23,92%
(segundo o methodo do “Handbuch der Lebensmittelchemie”, VI, 32).
Para verificar si. com a nossa escolha das concentrações, acertámos as
condições aqui usuaes, arranjámos bebidas de 12 differentes cafés da cidade,
misturámol-as e observámos: 1.® que a concentração da mistura se achava dentro
dos limites das nossas experiencias ; 2.® que o café geralmente empregado corres-
pondia quasi exactamente á nossa mistura, quanto á proporção entre o teor do
extracto e o da cafeina.
A preparação das infusões estava a cargo da mesma pessoa, tendo sido sem-
pre uniforme, de modo que também aqui se excluiram variações; obedeceu in-
teiramente á maneira pela qual o café é geralmente preparado no Brasil. Xos'a-
experiendas levam-nos a suppòr que os valores absolutos do conteúdo de ca-
feina e do extracto mal se modificariam com outros processos de preparação.
Com isso não se alterará, certamente, a relação desses valores entre si. Como
essa relação é essencial para as nossas conclusões, parece caber uma importância
especial aos resultados que obtivemos.
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Slotta 4 Xeisser — Extracto e cafeina do café
41
As bebidas foram preparadas sempre com a mesma quantidade de agua
' “^0 cc.), fazendo-se mudanças de concentração por meio de variação das quan-
t! dades de pó empregadas na preparação das bebida- (de 20 a 65 gs.. com diffe-
^ en Ças de 5 a 5 gs.)- Assim se conseguiu que a quantidade do liquido a filtrar
'°'*c sempre a mesma.
Parte experimental
A seguir descrevemos summariamcnte os methodos jxjr meio dos quaes
obtivemos os resultados acima mencionados. Os valores sobre os quaes se ba-
as curvas são todos valores médios, de, pelo menos, duas determinações.
l tria longo demais citar aqui os resultados isolados que montam a mais de 50;
Uimo-nos, pois, á descripção dos methodos e ás indicações dos seus limites
* erro:
Conteúdo de agua no pó — 100 gs. da mistura de jwrtes iguaes de 5 quali-
de café foram seccados na estufa a 100“ até o peso constante. A perda de
l** 0 importou em 5,5 g-, = 5.5%.
ontctido de cafeina no pó — As determinações foram executadas p reci-
piente segundo o methodo de Grossfeld e Steinhoff (Ztsclir. f. Untcrs. d. Le-
1931, 33). Resultou ]>ara a mistura (valor medio de 4 determinações.
v ° café não seccado) : 0.88% de cafeina — 0.02' í . O limite de erro do
“ °do importa, portanto, em cerca de 2% do valor absoluto.
j ! - jr,r octo aquoso do pó — A determinação foi feita j>do methodo do Hand-
* f l*r Lebcnsmittelchcmie. VI. 32. Resultado da mistura: 23,92%.
,. Con, cúdo de cafeina nas bebidas — A applicação do methodo de Jesscr
a, idl>uch der Lebcnsmittelchemie VI, 41) causou-nos difficuldades. A extrac-
d (— ' alcalinizadas jxir meio de chloroformio conduziu a emulsões
ICl Intente separareis. Observamos que a quantidade recommendada de soluto
,n ° (20 cc. <le uma solução de soda caustica a 2% ) era fortemente excessiva
fe? UP cni l >re K a,K l <) ajienas 8 cc. dessa solução, se podia também extrahir a ca-
,na c ompletamente, sendo fracamente alcalina a reacção com phenolphtalcina.
Lorn o nã
*olv.
n ào dispúnhamos de extractores para chloroformio. procuramos um dis-
c °te mais leve do que a agua, visto que extractores para taes liquidos sempre
P°dein arranjar: verificamos ser o benzol puro (p.e.78“) o dissolvente apro-
°- Quando se formavam emulsões no extractor. estas eram sqraradas facil-
. ,e Por meio de addição de algumas gottas de álcool. A extracção da cafeina
n ge o seu termo quando o dissolvente escorre descorado, o que cm regra se
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dava depois de 3 horas no máximo. O tratamento continuara, então, conforme o
methodo de Grossfeld e Steinhof (V. acima). As vezes verificamos ser neces-
sário addicionar algumas gottas a mais do que os 5 cc. recommendados de soluto
de thiosulfato, para obter descoloração completa do excesso de permanganato.
O limite de erro deste methodo acha-se a cerca de 2% do valor absoluto; como,
porém, os valores absolutos são tão baixos (entre 0,070 e 0.195%), trata-se,
nas discordâncias, somente de millesimos por cento dos valores relativos.
Exemplo: Bebida 5 (25 gs. de pó para 230 cc. de agua) deu. em 2 deter-
minações, respectivamente, 44,4 e 44.8 mgs. de cafeina, correspondentes res-
pectivamente a 0.0S9 e 0,090% de cafeina.
Determinação do cxtracto tia bebida — Para isto evaporamos numa capsula,
da maneira mais simples, exactamente 10 cc. da bebida, no banho-maria, sec-
cando depois a capsula durante 5 horas na estufa, a 100°. Depois desse tempo
o peso era constante. O limite de erro do methodo é menor do que 1%. Exemplo-
Bebida 4 (60 gs. de pó para 230 cc. de agua) deu 0,6605 e 0,6561 gs. de eX-
tracto, correspondentes a 6,60 e 6,56% respectivamente.
Tentando determinar o conteúdo do extracto aquoso por meio de eva-
poração da agua no vacuo, encontramos, por um lado, diííiculdades, devido 3<J
forte espumar das soluções (que se pode evitar com addição de uma pequena
quantidade de álcool esteárico), e não chegamos, por outro lado, a resultado*
concordantes, pois que, apparcntemente, além de agua, ainda se evaporam outra*
substancias no vacuo, provavelmente produetos da torrefação.
Preparação das bebidas — Em todos os casos adoptamos o seguinte p r<r
cesso: 230 cc. de agua eram aquecidos á ebulição, numa capsula aberta de po*"
cellana, sobre um fogareiro electrico; addicionavam, então, a quantidade óe
pó exactamente pesada, mexendo a mistura que se deixava ferver precisament*
um minuto. Depois filtravamos o todo immcdiatamente, a quente, através de
coador previamente humedecido; a bebida assim preparada era medida, depou
de fria, numa proveta, sendo logo depois levada á determinação.
Resultados
De antemão era de esperar que com uma certa quantidade de agua e uflt*
pequena porção de pó de café se obteria mais bebida do que com a mesma quan*
tidade de agua e maior porção de pó. E’ evidente que uma grande massa de borf*
não dissolvida, mas muito fina, retem, ao filtrar pelo coador, mais soluÇ 31 ’
aquosa do que uma pequena porção de residuo bem extrahido. E’ porém. *° r "
prehendente que esta dependencia seja tão pronunciada, como resulta de F 1 -
1. Yé-se que, com o emprego de 65 gs. de pó de café, se obtêm só 2/3 d*
4
Si.on a a Neisser — Extracto e ca f ei na do café
45
quantidade de liquido que se obtêm com 20 gs.. pondo-se de margem, natural-
mente, o facto de se ter no l.° caso uma bebida de maior valor quanto ao sabor
e nqueza em substancias. A differença é linear, isto é, o rendimento da bebida é
•uversamente proporcional á quantidade de café empregada.
A Fig. 2 mostra que a porcentagem do extracto se eleva de modo propor-
Cl0,, al á quantidade de café empregada, pelo menos dentro dos limites das in-
fusões que examinamos. A Fig. 3, porém, indica que é differente a porcentagem
cafeina, que tende a attingir logo um máximo nas bebidas mais concentradas,
'iobrando-sc depois a curva. Esse máximo é attingido com uma concentração
'fe 55 gs. de café por 230 cc. de agua. o que corresjxmdc ao que se chama um bom
Ca '^. Em concentrações mais altas, a porcentagem da cafeina não augmenta
uiais. conservando- se constante.
Kelacionando a porcentagem de extracto á porcentagem de cafeina. isto é.
^sbelecendo uma proporção % de extracto: % de cafeina. obtemos uma
nirvr - tnuito característica indicada na Fig. 4. A linha percorre um minimo
Pronunciado, sob uma concentração de 30 gs., j>ara depois subir fortemente,
isto resulta de que. com o augmento da concentração, se eleva uniformemente
a porcentagem do extracto. enquanto que a da cafeina logo attinge o seu rna-
Xuno. de modo que a proporção se desloca sempre mais a favor da porcentagem
do
«xtracto.
Registando o total cm grammas da bebida obtida c o total das quantidades
Cd fcina c extracto nella contidas, obtemos as cursas das Figs. 5 e 6. Estas
* ra, n a grande influencia que o augmento da concentração exerce sobre o
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Slotta ± Xeisser — Exlracto e cafeína do café
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^ndimento da bebida, diminuindo-o: enquanto (Figs. 2 e 3) porcentualmentc
au gmenta. com concentração crescente, quer o conteúdo de extracto, quer o da
cafeina, as quantidades totacs attingem, em ambos os casos, um máximo, que,
contudo, é mais pronunciado quanto ao da cafeina. pois é obtido sob uma con-
^ntração menor.
Interessante é ainda a questão: que porcentagem de agua e de substancias
extrahiveis por agua contidas no pó se torna a encontrar na bebida? A res-
ista a essas perguntas é dada pelas curvas das Figs. 7 e 8. Estas mostram que
0 rendimento do extracto sempre é um pouco maior do que o da cafeina. em
fsca ’ a especialmente pronunciada nas bebidas mais concentradas, resultado esse
'* Ue c °ncorda perfeitamente com a Fig. 4, relativa á proporção das porcentagens.
Surge agora a questão de saber qual a importância que os resultados men-
c °nados e as curvas delles têm na pratica.
Aqui no Brasil, ao contrario da Europa e da America do Xorte, o café
^ é usado apenas como estimulante, mas também como alimento. E’ super-
f!,, ° Irisar que o valor nutritivo da bebida depende directamente das substan-
^ solidas nella contidas: Fig. 2 mostra que o valor nutritivo augmenta sem-
I' rç . acompanhando de perto a concentração. Quando se quer, pois, aproveitar
° ^Ic como alimento, deve-se preparar com a maior quantidade possível de pó,
,a nto mais quanto da curva representada na Fig. 3 resulta que, desse modo, o
^Ic. mesmo nas mais fortes concentrações, não trás o risco de se tomar demais
cafeina. A partir da concentração de 55 gs. de pó para 230 cc. de agua, o con-
,c údo de cafeina não augmenta mais: enquanto isso, nas bebidas mais fortes o
conteúdo de substancias nutritivas c estimulantes continua a augmentar, como
^ v * pela comparação da Fig. 2. E’ este o sentido da tão característica curva
j 4: a proporção de extracto cm relação á cafeina augmenta fortemente
fedida que cresce a concentração; ou, cm resumo, a proporção de substancias
^ritivas c estimulantes, comparativamente com as substancias "toxicas”
J -na-sc cada vez mais favoravel nas bebidas mais fortes. Além disso o facto
s ’ bebidas fortes, occorrer um aproveitamento relativamentc melhor das
jT 5tanc| as extractivas do café em relação á cafeina (como o mostram compara-
irrKn, e as curvas 7 e 8) confirma as conclusões acima tiradas.
. A principio já se mencionou que o único facto certo sobre a acção phvsio-
f . 03 d° café era que esta é diversa da acção da cafeina. Enquanto que a ca-
*oxi,
-ría ‘solada, quando applicada cm doses maiores, é capaz de exercer uma acção
j ^ Ca . na bebida do café não se observam claramcntc nem symptomas agudos,
riironicos de intoxicação, pelo menos no organismo do homem são. Pelo con-
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
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trario : o uso do café produz subjectivamente apenas symptomas agradaveis,
maior vivacidade e mobilidade, dissipação do cançaço. augmento da capacidade de
acção do corpo e do espirito. A causa de todas estas acções favoráveis encontra-
se nas substancias extractivas aquosas do café, sendo que de nossas experiencias
resulta que se ingere tanto maior quantidade destas substancias quanto mais forte
se toma o café. Deste modo, fica confirmada scienti ficamente a experiencia do
apreciador de café. para quem um café forte, não só tem melhor sabor, como é
muito mais poderoso na sua acção estimulante.
RESUMO
Em minuciosas determinações feitas sobre a cafeína e sobre o extracto con-
tidos em bebidas dc concentrações diversas de café, foi obtido o seguinte resul-
tado pratico: ao passo que o teor em matérias extrativas augmcnta proporcio-
nalmente nas bebidas mais concentradas, o teor em cafeína nestas attinge logo
um máximo. Isto pode ser attribuido ao facto dc que a grande quantidade de p°
de café. empregada nas bebidas mais fortes, retém muita cafeina. E significa
que, num café forte, se aproveitam as matérias extractivas de valor nutritivo e
estimulante, porém não se ingere a cafeina contida em grandes quantidades e |
que talvez seja prejudicial á saude.
ZUSAMM EX FASSUXG
Es \verden genauc Restimmungen des Extrakt-und Coffeingehaltes «*]
Getraenken vou versebiedener Konzentration durchgeíuehrt. Das praktiscKj
Ergvbnis ist : Wachrend in den staerker konzentrierten Getraenken der Geba» I
an Extrakt-Stoffen gleichmaessig zunimmt. erreicht der Gehalt an Coffcin ei°|
Maximum. Der Grund dafuer ist darin zu suchen. dass die grosse Mengc Kaf*
fcepulver, die man l>ei den staerkcren Getraenken vrrwcndet. so vicl Cof feml
zurueckbadt, dass der Coffeingehalt im Gctracnk niemals ucl>er ein bestimmte*l
Mass hinausgeht. Dies l>cdeutet. dass man in einem starken Kafíee zwar diC|
fuer Krnaehrung und Anregung wichtigen Kxtraktiv-Stoífe in erhoehtem Masse zu |
sicli nimmt. nicht aber das in grossen Dosen vielleicht schaedliche Coffein.
(Trabalho da Secção dc Chimica e Pharmacoloiria
rimental do Instituto Butantan. recebido em março •
1937. Dado á publicidade em outubro de 1937).
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0 CAFÉ SOB O PONTO DE VISTA CHIMICO
2. Alcaloides do café
POR
C. H. SLOTTA & C. XEISSER
Introducção
Em todas as plantas e jiartes csscndacs dos vegetaes >■« encontram, além
'• e comjíoncntes quasi indiffcrentes. certos addos e bases que possuem especial
,ri teres«c. O grão de café contém, além de outros, principalmente acido tannico,
^nilícni o chamado acido chlorogenico. que parece ser de maxima importanda
^'a o gosto do café. Em um dos proximos artigos, trataremos mais <lc perto da
rt! a<;ào entre os ácidos e espedalmentc entre o teor do acido chlorogenico e o gosto
° ^afé. á luz dc nossas próprias experiências.
Tal vez mais importante ainda do que os ácidos do grão do café sejam as
Se * nelle contidas, isto é, as matérias organicas azotadas, pois é a ellas que o
deve seu ef feito estimulante. Em geral, o chimico considera como alcaloides
a T*llas bases vegetaes que têm um cf feito physiologico mais ou menos pronun-
<la ^ 0 . sendo que a este grupo jxrrtcncem também certos remedios importantes.
* aCs como a quinina, a morphina c a cocaina.
^os alcaloides do café conhecemos por enquanto trés: a cafeina. a trigo-
*”* na e a cholina; destas a cafeina. CsHjoN^Oj. é a mais importante. Ella é cn-
C, '^ tr ad a . na porcentagem dc 1, de um modo geral, no nosso café c possue o
r,, cito physiologico mais intenso. Justamente sua acção estimulante sobre o
'H* 0 e o espirito é o que procuramos ao ingerirmos o café. O café que contém
toma as jiessoas mais activas e bem dispostas, enquanto que o álcool as
°T*ce c cança.
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Café sem cafeina
No entanto, seria incorrer em erro pensar que o café tosse representado por
um soluto de cafeina; quem assim pensa faz um mau conceito do delicioso pro-
ducto, pois o café integral é mesmo muito mais rico em matérias importantes do
que gcralmente se acredita.
Influenciadas por uma propaganda medica errada e tendenciosa contra 3
cafeina, muitas pessoas chegaram a ter um receio exaggerado do café. Para provar
a sem razão desse receio basta dizer que na Pharmacopéa alemã não está mais
prescripto nenhum limite máximo para a dose da cafeina, conforme acontecia
antigamente, ao passo que para todos os outros alcaloides em voga ainda se faz
tal prescripção. Todavia, graças a tal propaganda medica, seguida pelo fabrico
de café isento de cafeina, por parte de firmas interessadas no monopolio daquelle
alcaloide e na col locação do producto nelle desprovido (café descaí einado).
muitas pessoas normaes que haviam passado a ter um medo excessivo e injus-
tificado do café integral, bem como algumas outras, fracas ou cardíacas que não
o bebiam, passaram todas a consumir esta bebida, embora sob a nova forma. Este
facto contribuiu indirectamente para o augmento do consumo global do café.
Princípios activos do café
Voltemos, porém, ao assumpto e indaguemos por que motivo o café livre
de cafeina tem effeito estimulante sobre os nervos e os intestinos. Estarão et»
jogo os outros dois alcaloides? A cholina, HO.CHa.CHj.N (CHjjj.OH, encon-
trada no nosso café no proporção de 0.02%, passará com certeza, inte-
gralmente para a bebida do café. De qualquer modo, sabemos que ella estimula j
o movimento intestinal c que uma parte do sabor do café é devida, quasi certa-
mente ás minimas quantidades deste alcaloide.
Muito mais importante, porém, é no café o conteúdo de trinoncllin a.
CtH t N 0 2 .H*0, embora pouco saibamos ainda sobre os efíeitos deste alcaloide-
Tal como a cholina, a trigonellina e seus sacs são muito facilmente solúveis e» 1 1
agua quente; assim, na preparação do café, passa esta substancia de maneit*l
muito mais completa do que a cafeina. Da cafeina contida no pó de café 5*1
encontra sómente a metade na bebida e, como accentuamos em nosso l.° artig 0 *!
ainda proporcionalmente se encontrará delia muito menor quantidade nas bebida*!
concentradas, isto é. preparadas com muito pó e pouca agua. Mesmo que no cat*l
a proporção da trigonellina fosse apenas 1/3 da cafeina, o café prompto pa^l
bebida poderia apresentar, sob taes circunstancias e por causa desta diííerenÇ 3 !
de solubilidade que é maior na trigonellina do que na cafeina. um teor appro* r |
madamente idêntico destes dois alcaloides.
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Slotta a Xeisser — Alcaloides do café
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, <
A proposito destas observações, temos feito uma verificação muito mais
Minuciosa do que jamais se tentou até hoje: a extracção preparatória é obtida
P°' nós na Secção de Chimica do Instituto, enquanto a pesquisa physiologica.
induzida pelo prof. Thales Martins na Secção de Physiopathologia, visa a in-
^uencia da trigonellina sobre os diversos organs do corpo.
A trigonellina encontra-se não sómente no grão de café, como também
R outras plantas e sobretudo em sementes. Foi descoberta em 1885 na semente de
Trigonella (1). Em 1886, a methylbetaina do acido nicotinico foi obtida synthe-
'•cainente e, em 1887, foi verificado que este produeto synthetico é idêntico á
tr >gonellina natural (3). Mais tarde, em 1894, se encontrou a mesma substancia
00 grão de café, sem que se provasse a sua identidade com a trigonellina. O des-
t^ridor denominou este novo alcaloide “cafearina” (4) c suas conclusões, a
Prmcipio postas em duvida, foram (10) confirmadas, 15 annos mais tarde, por
outros.
Etn 1910, finalmente, pela primeira vez se suspeitou que a cafearina poderia
* r idêntica á trigonellina (8), o que foi comprovado sómente em 1931 (9). A
^fearina, isolada do café da Guatemala, foi comparada com a trigonellina de
maneiras possíveis; além disto, foram feitas com esta “cafearina” as
Tí * sma s experiencias que já tinham sido realizadas muito antes (2) para a
^'tenção da trigonellina synthetica. Não ha, pois, duvida alguma de que a ca-
n na não é outra cousa do que a trigonellina, isto é, a methylbetaina do acido
^otinico.
Xo
numero de setembro de 1936 da “Revista do D. N. C.” apparcccu um
so ^ }re “Cafearina”: “historico, pesquisa e caracterização”, por Oscar Ri-
ro> que affirmou ter conseguido mais uma vez insular este alcaloide (aliás
^ Pequeníssima quantidade), demonstrando, assim, não ter talvez conhecimento
‘lados publicados já em 1935, a respeito da matéria. A formula bruta por
. n ° v amente representada como sendo CuHitOjNj, com uma molécula de agua
e^ystallização, deve ser mudada para CjHkOjX. Disse esse auctor que esperava
j ‘ :nuar o estudo, por pretender, não só verificar a formula bruta, como tam-
^ observar a acção da “cafearina" na economia animal, de sorte que não
rj. 5! ^ crava terminado o trabalho. De nossa parte, concordamos com esse ponto
’ 15 la, pois trabalhamos com a mesma finalidade.
t *^ S ata ^ as experiencias com a trigonellina foram-nos facilitadas, por termos
,<C) conseguir praticamente a quantidade necessária, extrahindo-a do café, ou
; J^ aran do-a syntheticamente. Antigamente se fazia a extracção da trigoncl-
r ^° café por meio do leite calcificado e, mais tarde, por acido sulfurico di-
•*do-
’ ^odemamente, conseguiu-se quasi integralmcnte o mesmo resultado por
- ° ^ vapor dagua sob pressão (10). Por nos faltarem as autoclavas ne-
r,as * preferimos a fabricação puramente synthetica por intermédio da nico-
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
tina que. sobre o acido nicotinico. produz trigonellina puríssima. Por este pro-l
cesso já obtivemos quantidades necessárias deste interessante alcaloide, assiml
como sua pesquisa physiologica já foi realizada com exito. Por outro lado. para ol
problema da trigonellina no café. seria de desejar um novo methodo. maisl
simples, com o qual se pudessem comparar as diversas qualidades de café. deter-l
minando-se suas differenças em conteúdo de trigonellina. Voltaremos em outrol
trabalho, a talar sobre estes novos methodos e principalmente a respeito do>|
successos alcançados com elles.
Nosso serviço obedece a tres finalidades principaes:
1.* Estabelecer base scientifica para a propaganda do uso do café: 2.* Mc*
lhorar o gosto de certas qualidades do café; 3*. Descobrir um meio technicol
com que se consiga evitar a queima da enorme superproducção de café. qu e l
deverá ser racionalmente applicada na criação de novas industrias.
Para alcançar estes fins. é absolutamente necessária a previa solução de tn I
problemas: l.° Obter methodos para determinar, com facilidade e exactidáo.l
a quantidade de cada elemento constitutivo das varias qualidades de café l
2.° Produzir as substancias chimicas principaes do grão de café sob a formal
mais pura e na quantidade necessária para que sua utilização chimica e technic*l
possa >er investigada. 3.° Possibilitar o exame physiologico. cm separado c f”
conjuncto, dos componentes cssenciaes, sob o ponto de vista do sabor, da acçá°|
cuphorica c do ef feito estimulante.
RESUMO
Aponta-se em primeiro logar a importância das bases contidas no cat c 'l
cafeína, trigonellina e cholina. Corrige- se o conceito erroneo sobre a prepat*'l
ção do café isento de cafeina: o uso do café isento dc cafeína não tem produzi^l
uma diminuição, mas, pelo contrario, um augmento no consumo mundial do caR|
cm geral. Pouca attenção tem-se dado até o presente á importância da trip^l
nellina. cuja historia é rapidamente dcscripta. A cafcarina é idêntica á tri'1
gonellina. Descrevem-se a* possibilidades do preparo e da analysc da tri? lT |
nellina.
ZUSAMMENFASSUNG
Es wird zunaechst auf die Bedeutung der im Kaífee enthaltenen Basen
Allgemcinen hingewiescn : Coffein, Trigonellin und Cholin. Die haeufig
sche Bewertung der Hetstellung von coffem-freieni Kaffee wird richtig geste®]
Der coffein-freie Kaffee bedeutet nicht eine Herabsetzung des Konsiuns vl
Kaffee uel>erhaupt. sondem hat zu einer zusetzlichen Steigerung des
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Slotta a Xeisskr — Alcaloides do café
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^sums gefuehrt. — Bis heute noch viel zu wenig beachtet ist die Bedeutung
< ^ es Trigonellins, dessen Geschichte kurz liesprochen wird. Das von verschiede-
tlen Seiten noch in neuester Zeit isolierte “Kaffearin” ist identisch mit Trigo-
ne IIin. Die Moeglichkeiten zur praeparativen Darstellung und zur analytischen
Erfassung des Trigonellins werden besprochen.
B I B LI OGRA PH I A
'• J ahns, E. — Ber.Dtsch.Chem.Ges. 18 ^2521. 1BÃ5.
’• Hantzsch, A. — Ber.Dtsch.Chem.Ges. 19:31.1886.
3 ‘ Johr.s, E. — Ber.Dtsch.Chem.Ges. 20:3840.1887.
I' I‘°Ua<iino, P- — Atti R. Acad dei l.ince: Rema 3(1) :J99. 1894.
3 - Hilger, A. & Juekenack, A. — Forschunfjsberichte ueber Lebvnsmittel 4:145.1897.
* ^ rfl /. E. — Zschr. oeffentl. Chcmic 10:279.1904*
• Politorff, K. & Goerte. O. — Wallach-Festschrift 5:569.1904.
*• Gorttr, K. — Annal.d.Chem.u. Pharm. 372:237.1910.
■ Htiiuschka, A. & Bruechner, R. — Joum.prakt.Chem. 130:11.1931.
otlbohm , F. & Mayer, F. — Zschr. f. Unters. d. Lcbensmittcl 61:202.1931 et
63 :47. 1932.
(Trabalho cU Secção «V Chi mica e Pharmmcoloffia Expe-
rimental do Inttituto Iiutantan, recebido em maio de
dc 1937. Dado á publicidade em outubro de 193?}.
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0 CAFÉ SOB O PONTO DE VISTA CHIMICO
3. Uso do café no preparo de sabão ou oleo comestível
POR
C. H. SLOTTA & G. SZYSZKA
Desde outubro de 1936 nossas experiencias preliminares nos vem mostrando
f !'* e não existe difficuldade alguma no aproveitamento rendoso c racional dos
resultantes da super-producção.
Otimamente foram embarcadas para Europa 3000 saccas de café, destina-
5 pesquisas industriacs. Tanto na Alemanha, como na America do Norte,
ton,r u-se muito a peito esse problema, empregando-se os processos mais modernos.
G mais natural seria que S. Paulo mesmo tomasse a iniciativa de extrahir
Ifl, lustrialmente as substancias aproveitáveis do café. O café já extrahido poderia
iÇr empregado para a geração <le vapor c com esse vapor se poderiam movimentar
Moinhos e os apparclhos de destillação c evaporação na fabrica, de modo
'tma empresa dessas theoricamente so gastaria café. Naturalmente ter-se-ia
eontar com uma perda constante de dissolventes, a qual, porém, em installa-
• ‘nodernas c com uma producção correspondente poderia ser relativamcntc
Í ^8n ificante. Em breve já não se poderá queimar mais o café em campos
n ° s proximos das cidades mais populosas, já que a população se oppõe mais
n>a,s a o incommodo proveniente do mau cheiro e da fumaça, e os hygienistas,
j 4 " , °d a razão, levantam protestos contra essa medida. O antigo e primitivo
,ei na de eliminação tem que ser abolido e novas medidas introduzidas.
*''ã° é porém, indifferente que se edifiquem e se ensaiem installaçõcs para
• * r “ ,r o café ou para utilizar o café. Naturalmente, destruir é sempre mais
< Cs 9 ue construir, mas a criação de uma nova industria sobre a base da
“producção do café é mais simples do que a principio parece. No mo-
em
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Memórias cio Instituto Butantan — Tomo XI
mento presente, temos em São Paulo á nossa disposição tudo aquillo que ne-
cessitamos para esse fim, a saber:
1 ) Matéria prima, que existe em quantidade quasi inacreditável. Si
300.000 toneladas de café têm que ser annualmente destruídas, em cada dia util
do anno podem ser utilizadas 1000 toneladas.
2) Machinas, que são facilmente adquiríveis em São Paulo; extractores
pequenos e installações de evaporação para a nossa Secção de Chimica já foram
construídas nesta cidade e, com a devida orientação na respectiva construcção
das machinas, a industria nacional podería igualmente construir apparelhos em
giandes dimensões. Caldeiras a vapor com combustão especial já estão expostas
á venda.
3) Experiências preparatórias, que já estão bem adiantadas. A tentativa
da construcção de uma usina pira extracção já não correrá mais o risco de .
fracasso. |
O ponto principal no momento já não é a parte puramente chimica e techni-
ca do problema, mas sim a parte economica. Suggestões não têm faltado sobre
quacs dos produetos do café merecem ser explorados: quiz-se do café produzir
álcool methylico e ethylico, licor, acido acético, acetona, ammoniaco, carvão vege-
tal c muitos outros produetos (1). Até agora, porém, não se pôs em practica
nenhuma das propostas.
Segundo nossas expericncias, por emquanto só o que compensa é a explo-
ração do oleo, da cafeina e provavelmente do acido chlorogenico, sem falar no
residuo <le cellulosa que. de qualquer modo, é tamliem destruída na queima do
café.
Sobre o problema da producção adequada do acido chlorogenico do caí*
dissertaremos em proximo trabalho. Technicamcnte ella não é facil. de sorte
que o problema do aproveitamento economico do acido chlorogenico só podera
ser solucionado satisíactoriamentc após grande e cuidadoso trabalho chimico-
Quanto á extracção da cafeina aqui no Brasil, já não existe mais dif f ieul"
dade, mesmo que fosse necessário preparar hydrocarburetos chlorados nun**
installação áparte. Com isso se augmentaria o campo de applicação para 0
chloro, resultante em grande quantidade «la clectrolyse de chloreto de sod'° .
(como hoje cm dia já se faz em Nictheroy). c que até agora só poude I
collocado em pequenas quantidades e que é de difficil eliminação. O uso ccon»'"
mico «la cafeina, mesmo no caso em que grandes quantidades fossem postas ,H ’
mercado, não offereceria grandes difíiculdades. No mercado mundial o vd 0 *
industrial «la cafeina ainda oscilla no minimo entre 30$000 a 50$000 o kilo c *
necessidade de cafeina justamente por parte da população brasileira ficaria cO"
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Slotta a Szyszka — S abão ou oleo do café
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^^3 com o estabelecimento de uma industria própria, podendo o país passar
‘°£° a ser o maior exportador desse sub-producto. Todavia, a extracção exclu-
s,Va de cafeína não traria tanta vantagem economica.
A exploração do café só seria de valor economico, si delle se cxtrahisse
tam bem o olee e este fosse beneficiado. A quantidade de oleo contido no grão
café oscilla bastante: segundo vários auctores. é de 4 a 14%. A porcentagem
adiçada por auctores norte-americanos a principio nos parecia alta demais (2) ;
dia. porém, se refere a uma mistura de café, constante de 14 % de café de
Santos. 50 % de Colombia e 10 % de Venezuela. Esse café crú foi primeira-
seccado e depois extrahido pelo ether de petroleo e pelo cther sulfurico,
* ln cuja operação se obteve 14,71 % de oleo. Na mesma extracção do café
forrado obtido com a mistura desses cafés já seccados, poude-se observar uma
Porcentagem de 16,10 % de oleo.
Para fins comparativos com os nossos resultados é de especial interesse o
'luaçlro referente ás constantes do oleo obtido com aquelle café torrado:
índice de iodo 96.05
índice de saponificação 172,08
índice de Reichert-Vollny 0,866
Insaponi ficáveis 10,2%
Saponificavel 87,0%
Acido linolico 29,5%
Acide oleico 20,9%
Acido palmitico 29,2%
Acido esteárico 6,4%
bis sementes cruas postas á venda nesta praça pelo “Café Jardim”, com-
'amente seccadas e após extracção com cther. conseguimos obter 14,7 % de
’ 0 rçual ainda continha 0,2% da caíeina do café. O mesmo café torrado e sec-
17,9% de oleo, o que está em perfeito accordo com a porcentagem obtida
a mistura de café dos norte-americanos. Após múltiplas outras extraeções
P^mentaes, feitas espccialmente com dois typos de café postos á nossa dis-
flç 1 '**° Instituto de Café. observámos, no entanto, que esse alto teor em
constituía uma excepção: o café nacional crú, já seccado, em geral accusava
Porcentagem de 7,2 a 8,5 % de oleo, de modo que estamos inclinados a
^ Jr conservadoramente que o café que nos pode interessar contém, depois de
ctainente seccado, em media 8 % de oleo. Do modo como é fornecido ao
*£? Café, isto é, seccado ao ar, ellc contem ainda approximadamente
' /0 de agua, de sorte que, á luz de nossas experiencias, podemos apenas
7 % de oleo ao café crú em geral.
3
«
58
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Para uma fabricação é dc grande valor que a extracção de oleo e cafeína
possa ser feita com um café ainda não seccado. A difficuldade consiste espe-
cialmente em encontrar machinas apropriadas para trituração, as quaes desinte-
grem o café seccado ao ar, até o ponto de facultar uma completa extracção.
Para experiências em laboratorio este ponto não apresenta um problema difficil.
mas para a exploração industrial ainda ha impealhos a eliminar.
Até agora extrahimos o café com ether sulfurico ou com uma certa íracção
de gasolina. A extracção pelo ether tem a vantagem de que este produeto e
fabricado em grande escala aqui no Brasil e tem o poder de extrahir comple-
tamente o oleo. Sua desvantagem consiste, porém, cm que approximadamente
a quinta parte da cafeina contida no café passa, já na extracção com ether, para
a fracção de oleo. Uma vez que se tenciona aproveitar o oleo para fazer sabão
commum, não se dando valor exclusivo á obtenção da cafeina, este facto não
influe. Tendonando-se, porém, aproveitar alguma vez o oleo como comestível
e ao mesmo tempo obter a cafeina na sua integra, é preferível a extracção com
gasolina.
A extracção com gasolina fornece um oleo que é bem mais claro e que
contem pouca cafeina. Ainda não tivemos opportunidade de fazer experiencia*
com sulfurcto de carbono produzido em S. Paulo, mas provovelmcntc seriam de
interesse. A escolha do dissolvente depende, por certas razões, de que ainda
falaremos, até certo ponto das propriedades thennicas dos referidos liquidos-
O calor de vaporização do ether de petroleo (79 cal.), do sulfureto dc carbono
(84 cal.) e do ether sulfurico (85 cal.) por g. não é tão differente. que mereça
que se lhe dispense muita attenção nas primeiras experienrias.
Para as nossas extracções no laboratorio empregamos extractores de vidro
typo Soxhlct e, para quantidades dc 8 ks. dc café crú moido, construimos u®*
extractor moderno que trabalha pelo principio de contra-corrente. No recipiente
interno o café está em peneiras sobrepostas. Entre o exterior do recipiente e a
parede interna do envolucro sobem os vapores do respectivo dissolvente e con-
dcnsam-sc no refrigerador collocado na tampa do extractor, de modo que de 1*
constantcmcnte cahe dissolvente, que atravessa a massa de café solubilizando 0
oleo c passando novamente ao balão aquecido.
Xaturalmente. após a extracção, a massa do café conserva uma elevada
quantidade de dissolvente, que em escala pequena só pode ser difíicilmcnte re-
tirada. Numa escala industrial deveria ser facil a sua expulsão por meio d<
temperaturas mais elevadas, permittindo assim uma recuperação quasi que com-
pleta. No mesmo extractor pode-se proseguir, após a extracção do oleo, com
a da cafeina. Nas experienrias in vitro sempre trabalhamos com chloroformio-
Para experiencias em grande escala seria preferível empregar outros hydrocarbti-
retos chlorados, com os quacs se pode retirar bastante rapida e mais facilmente
cm
SciELO
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Slotta * Szyszka — S tibão ou oleo do café
59
0 1% de cafeína contido no café brasileiro, de accordo com as nossas experien-
Cas - Também nesse caso torna-se necessária uma installação de recuperação do
dissolvente antes que o material, que consiste essencialmente em cellulosa, possa
***" 'lueimado Segundo nossas experiencias seriam necessários, para extrahir
üma tonelada de café em 24 horas e usando-se vapor para o aquecimento do dis-
^ vente, no minimo 2.200 kilos de vapor. Com uma construcção apropriada dos
tractores e evaporadores. como também por meio de outras providencias de
rjr dem chimico-technica deveria ser possível economizar-se no minimo 25 % desta
^tantidade de calor. Neste caso o residuo da extracção seria sufficiente como
c< >mbustivel, pois, segimdo estimativas cuidadosas, de uma tonelada de café se
' 800 kilos de residuo com os quaes é possível produzir-se 1.760 kilos de
' a por numa caldeira moderna. O essencial é que a fabricação seja dirigida de
^ m °do. que a fabrica se abasteça economicamente, utilizando como calor ex-
dusivamente o resultante da combustão dos resíduos de café.
Uni outro problema economico cm vias de solução é o de aproveitamento
°ko para o fabrico de sabão commum ou para consumo como alimento.
'- e Sundo nossas estimativas, de uma tonelada de café obtém-se 70 kilos de oleo,
f l u c, por sua vçz, fornecem 140 kilos de sabão, ou então 7 kilos de glycerina.
s *bão que preparamos é. sem qualquer refino, optimo para lavanderias. As
ex Periencias que visam aproveitar o oleo para fins comestíveis ainda não estão
COn duidas, parecendo que para esse fim é necessário retirar-se os insaponi ficáveis.
Pelos motivos acima expostos a pesquisa do oleo extrahido do café, visando
^ a proveitamento, é de importância para a installação de uma fabrica. O
P r °b!ema chimico que estamos agora atacando com o auxilio da Secção de Phy-
,1 d°gia e Pharmacologia visa o estudo do oleo no café em todos os sentidos,
a nalj-tica, como physiologicamentc.
. questão do aproveitamento industrial do café não deve ser considerada
'•'mente sob o ponto de vista technico; cila exige profundas reflexões de na-
* Urçza cconomica.
RESUMO
Experiencias feitas sobre a chimica do oleo do café extrahido do café bra-
“ eu ° accusaram, primeiramente, grandes divergências na porcentagem do oleo
^do nos cafés: desde 14,7%, no café crú. até 17,9%, no café torrado e
^ Cc °- Em gera] o café crú contém, além dos 10-12% de agua, apenas 7-8%
°'eo. Ensaios de caracter economico industrial demonstraram que os resi-
do café deveriam ser suffidentes como material de combustão para a ex-
Ção do café e que o oleo do café, depois de competente purificação c pre-
P°deria ser empregado para diversos fins.
5
60
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
ZUSAMMEXFASSUXG
Untersuchungen ueber die Chemie des Kaííee-Oels aus brasilianischem Kaí-
.fee ergaben zunaechst einmal grosse Unterschiede im Prozentgehalt der Katfees
an Oel. Es wurden bis 14.7% im Rohkaffee und bis 17,9% im geroesteten und
getrockneten Kaffee gefunden. Fuer gewoehnlich enthaelt der Rohkaffee aber
neben 10-12 % Wasser nur 7-8 % Oel. Ueberlegungen technisch-wirtschaftli-
cher Art ergaben, dass die Kaffee-Rueckstaende ais Feuerungsmaterial fuer die
Kaffec-Extraktion ausreichen duerften und dass das Kaííee-Oel nach entspre-
chender Reinigung bzw. Aufarbeitung fuer verschiedene Zwecke venvandt
werden kann.
BIBLIOGRAPHIA
. 1- Fontoura, C. & Andrade, P. B. de — Boletim da Associação Brasileira de Farmacêu-
ticos I, Janeiro 1932.
2. Bengis. R. O. & Anderson, R ■ J. — J.Biol.Chem. 10S : 138. 1934.
Bengis, R. O. — . Industrial & Enginecring Cbemislry 28 :290. 1936.
I Trabalho da Secção de Chimica e Pharmacologia Kx?*’
rimental do In«titsto Batantan. recebido em outubro
de 1937. Dado á publicidade em detembro de
2 3 4 5 6
cm
SciELO
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612 39J2
0 CAFÉ SOB O PONTO DE VISTA CHIMICO
4. Determinação e extracção do acido chlorogenico do café
POR
C. H. SLOTTA : C. XEISSER & A. CARDEAL
Ha já muito tempo é notorio que o café contem um acido tannico, chamado
ac ido chlorogenico, cuja constituição e configuração hoje em dia nos é pcrfci-
ta niente conhecida. Pode-se considerar o acido chlorogenico como o ester do
acj do cafeico com o acido quinico, ácidos que resultam do desdobramento do
I' r: meiro por agentes saponificantes.
Sabido é igualmente que o café contém alta porcentagem de acido chloro-
?Cnjc o. Mas a “determinação quantitativa desse acido ainda não foi conseguida
nvxlo satisfactorio” (1). Não ha duvida que existem muitos processos
^* ra essa determinação, mas após verificação exacta foram todos reconhecidos
Coni o imprestáveis, ou de emprego limitado (2).
D teor em acido chlorogenico do café não é sómente de interesse sob o
f°nto de vista sdcntifico. Tendo este acido um sabor íortemente adstringente,
* dc suppór que um teor mais ou menos elevado de acido chlorogenico poderá
n, !uenciar consideravelmente o sabor do café. Justamente para a maioria dos
***** brasileiros, cujo sabor duro é tantas vezes recriminado, o conhecimento
t * act o do conteúdo de acido chlorogenico é de summa importância. Sómente
^heeendo-o será possível reduzir o teor em acido chlorogenico, mediante ex-
^•«ncias de sclecção ou adubamento, sob constante controlo analytico. Além
dis5 <>. até ha i>ouco se desconheciam os ef feitos physiologicos do acido chloro-
?Cnic o. especialmente em combinação com as substancias, com que apparcee no
Experiências interessantes nesse sentido estão sendo executadas na secção
C Physiologia e Pharmacologia deste Instituto. Para a apreciação scientifica
1
62
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
da tolerância de um café, o conhecimento do teor do acido chlorogenico será de
grande importância. Finalmente, o conhecimento exacto do conteúdo de addo
chlorogenico será imprescindível para o provável aproveitamento industrial.
OH
-CH
HC CO 0-
CH
Acido chlorogenico
HO COCH
OH
HO
■CH
HC
-COCH
+
OH
H0-
■OH
«2
Acido cafelco
HO COCH
Acido qulnlco
Por todos estes motivos nos dedicamos, ha já um anno, á verificação de
antigos methodoó e á elaboração de novos para a determinação do acido chloro-
genico. Antecipamos que até hoje ainda não conseguimos elaborar um methodo
definitivo, realmente satisfactorio ; no entanto já temos idéas mais claras sobre
muitos pontos e pensamos estar pisando em terreno firme, motivo pela qual
temos o ensejo de transmittir um pequeno extracto das innumeras observações
feitas durante o anno.
cm
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Slotta a. Al. — Acido chlorogenico do café
03
Decisivas para a orientação de nossas pesquisas foram as exigências por
nc>s impostas ao methodo. Já que este deve ser adaptavel a analyses em serie,
e mister que seja 1) rápido, 2) ao alcance de auxiliares pouco competentes e
capaz de ser executado com o apparelhamento commurn de laboratorio. De
0utr ° lado, podemos renunciar a uma exactidão absoluta e nos contentaremos
c&m um limite de erro de uns 5 %. Considerando os methodos existentes sob
W5es pontos de vista, quasi todos são de antemão eliminados; pois, ou elles
e **8 en i uma grande habilidade experimental, ou requerem para a sua determi-
na ^° mais ou menos uma semana.
Em todo caso estes methodos indicaram o rumo a tomar em nossas pesqui-
***- Em regra, podemos differenciar tres grupos de methodos: no primeiro,
* termina o acido chlorogenico em si. por via gravimetrica, polarimetrica ou
titulação: no segundo, se lança mão de uma reacção de côr do acido
chlorogenico (com acido nitroso) e aproveita-se da intensidade da coloração
rç su!tante, colorimetricamente ; no terceiro, finalmente, se scinde o acido chlo-
r °Renico em arido cafeico e acido quinico, determinando-se então, de qualquer
"***<>. um desses ácidos (o acido cafeico). O acido cafeico, ao contrario do
5c ido chlorogenico e quinico, é solúvel em ethcr, podendo assim ser extrahido
°utras substancias complexas. A difficuldade consistia nos obstáculos exis-
tfT1ÍCs na preparação de solutos bastante puros do acido chlorogenico do café,
‘• Ue seria imprescindivel para a determinação.
Divergem bastante as opiniões sobre os agentes de extracção mais apro-
Pnados. Temos que tomar cm consideração que o café contem o acido chloro-
*' cn, co cm patte livre, diíficilmcntc solúvel em agua c facilmente cm álcool, c
F^tte como o sal de potássio, facilmente solúvel cm agua e quasi insolúvel
^ álcool ; ainda uma terceira parte dcllc se apresenta como um sal complexo
‘ e P°tassio com cafcina. o qual é também facilmente solúvel cm agua c difficil-
0lCnte cm álcool. Em virtude dessas peculiares solubilidades, a agua pura c o
*k°ol pur 0 (do mesmo modo o methanol. acetona, ethcr acético, etc.) ficam
Wiinados como agentes extractivos. Porisso, pensou-se em usar misturas de
1 'solventes, como álcool a 80%. Fizemos muitíssimas experiências para resol-
' cr este problenja. e chegamos á conclusão de que a acetona a 30% representa
^ °Ptimo dissolvente. Methanol a 50^í é igualmente apropriado, porém ex-
mais elementos secundários indesejáveis; o mesmo acontece com o álcool
Ul( io. Com acetona a 30% conseguimos, em duas horas, extrahir todo o
chlorogenico de uma amostra de 10 gs. de café crú (quantidade sempre por
nos empregada), uma vez que se renove o dissolvente dejxns da primeira hora.
completa extracção foi todas as vezes verificada pelo resultado negativo da
de Hoepfner (3).
3
64
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Os auctores, em sua quasi totalidade, empregam, para chegar a solutos de
acido chlorogenico do café, precipitados de seu sal de chumbo, o qual em seguida
é decomposto pelo hydrogenio sulfurado. E’ sabido que o acido chlorogenico
é precipitado completamente pelo acetato de chumbo; no entanto, ainda não
estava resolvida a questão de si o acetato de chumbo não precipita também
outras substancias, especialmente outros ácidos, e si as mesmas não são igual-
mente levadas até ao soluto final. E, finalmente, surgiu ainda a duvida de si
no precipitado de chlorogenato de chumbo, bastante volumoso, não se acham
adsorvidos outros saes de chumbo, em si solúveis e que, desse modo, perturbem
o desenvolvimento da determinação. Todos estes problemas pudemos solucionar
categoricamente, baseados em nossas experiendas. A suspeita de que saes de
chumbo solúveis sejam arrastados mechanicamente, na precipitação de chloro-
genato de chumbo, foi comprovada; do mesmo modo, saes de chumbo insolúveis
em agua foram igualmentc precipitados. Xo soluto isento do chumbo pela pre-
cipitação com hydrogenio sulfurado, encontramos, além do acido chlorogenico.
também outros ácidos, entre os quacs pudemos até hoje identificar o acido
acético e o acido cafeico, formando o primeiro um sal de chumbo solúvel em
agua, e o segundo, um insolúvel em agua. Não é, pois, de admirar que, p. eX..
o methodo de Jurany (4) nos dè resultados inexactos, visto que o mesmo traba-
lha com solutos ainda não libertados desses ácidos. Por mais que se lavem com
agua, não se conseguem afastar os saes de chumbo desses ácidos, em si solúveis,
do precipitado de chlorogenato de chumbo. Deixámol-os, portanto, dentro do
precipitado, pusemos cm liberdade, pelo hydrogenio sulfurado, os ácidos livres
juntamente com o acido chlorogenico c tratámos com ether o soluto assim obtido
durante varias horas no extractor automático. Experiências comparativas de-
monstraram que uma extracção rapida c intensa com ether, durante quatro horas,
consegue afastar esses ácidos quantitativamente.
Em algumas experiências em escala maior conseguimos, como já mencio-
námos, identificar o acido cafeico e o acido acético nesse extracto de ether.
Enquanto que o primeiro íóra obtido em estado crystallino, o ultimo poude ser
claramentc reconhecido pelo seu cheiro.
Com isto foi afastada uma fonte de graves erros dos antigos methodos-
Os methodos de precipitação do chumbo ainda encerram vários erros. A de-
composição do precipitado de chumbo procede -se rapida e completamente na
suspensão em agua ou agua-alcool, o sulfurcto de chumbo se deposita claramcn*
te c deixa-se filtrar com facilidade. Parece que até hoje se tem dado pouca
attenção á lavagem do precipitado de sulfurcto de chumbo. Este sal retém
rebeldemente o acido chlorogenico por adsorpção, de modo que muitas vezes,
ainda depois da decima lavagem com agua quente, obtínhamos uma reacção de
4
Slotta £ Al. — Acido chlorogenico do café
65
^°epíner positiva para o sulfureto de chumbo. Para evitar estas lavagens tão
irosas, lançámos mão de um artificio para as experiencias posteriores. Proce-
do* á decomposição de sulfureto de chumbo num balão volumétrico de vidro
. deixando-o esfriar após a passagem de uma corrente de hydrogenio sul-
,lJ radr) e completando o volume até a marca. Agitámos convenientemente, fil-
lr üno!-o num filtro secco e do filtrado empregámos uma parte aliquota (em
^ ,ra - a metade) para a determinação subsequente, após termos expulsado todo o
r ogenio sulfurado do soluto por areação. Em experiencias de controle veri-
!^ Inos que, com o emprego desse systema simplificado, não ha perda alguma:
-cin-se a mesma quantidade de acido chlorogenico, quando se emprega o mcthodo
ficado, ou quando se lava o sulfureto de chumbo até desapparecer a rcicção
^ ^ocpfncr.
^esse modo chega-se a um soluto claro, de còr ligeiramente amarclla, do
^ extra liem com ether os ácidos acima citados. E’ sómente necessário
Pellir o ether da camada aquosa, quer por ventilação, quer por aquecimento,
P°der-se proceder a sua determinação.
^ -^determinação do acido chlorogenico neste soluto, no entanto, não é das
r _ 5 s 'mples. Já antigos auctores declaravam que a determinação do residuo
Qua]
Por
evaporação fornece valores duvidosos.
^nte
^lais tarde lançou-se mão de mcthodos titrimetricos, os quaes foram igual-
msufficientes, ainda que a titulação fosse executada clectrometricamentc.
Jurany (4), finalmente, emprega a rotação do plano da luz polarizada, para
. P°der deduzir o teor em acido chlorogenico do soluto. A jiequcna rotação
^ C:1:ca do acido chlorogenico toma impossível neste caso a determinação
, J* lue, para experiencias cm serie, a titulação tem dado sempre os melhores
la< ^ os . orientámos os nossos ensaios neste sentido. Em analyscs prclimina-
p^^erminámos primeiramente as concentrações e os indicadores mais apro-
JS - Depois de alguma pesquisa, verificámos que o acido chlorogenico se
^ 0 l ' tU * ar admiravelmente cm solutos aquosos diluidos mediante um soluto
N de hydroxido de sodio, empregando-sc o vermelho neutro como indi-
Jqq tres exemplos encontrámos, em vez de 100% de acido chlorogenico,
: 99.80% e 99,30%.
d grau de cxactidão é mais do que suíficiente, a viragem de vermelho vio-
^ a vermelho alaranjado, bastante forte, permitte titular com uma exactidão
1145 Sottas. O emprego de solutos mais diluidos pouco augmenta a cxacti-
c hj/ ^ n ^ e 'iznientc, tivemos que verificar que a viragem nos solutos de acido
^‘co obtidos do café não é mais tão nitida. Isso, juntamente com outras
a 1ões, indica que, mesmo em nosso soluto final altamente purificado,
5
66
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
ainda existem outras substancias. A possibilidade de que estes corpos seja®
ácidos não pode ser posta completamente de lado : nesse caso simulariam u®
teor de acido chlorogenico elevado. A separação dessas substancias do acido |
chlorogenico seria muito difficil, si se tratasse realmente de ácidos, pois as p r0 '
priedades de precipitação e solubilidade não apresentam diíferenças perceptivei*-
Parece existir sómente um meio para esclarecermos a natureza dessas i®"
purezas : a titulação potenciometrica do soluto. Por meio de um potenciomet® |
poderemos decidir categoricamente si se trata de ácidos, matérias neutras o°
bases : esse apparelho permitte abranger ao mesmo tempo vários acido**
mesmo quando as suas constantes de dissociação apenas dif ferem por po* 1 *®;
umas das outras. O emprego do potendometro certamente ainda prestará o®
tros serviços: para retirar os ácidos soluvds em ether não será mais necessan*
uma extracção de 4 horas, pois que doravante se titularão os ditos addos
mesmo soluto conjunctamente com o acido chlorogenico. Mais tarde tratarem®*
da titulação potendometrica, uma vez que a pudermos executar. Para esse í® 5
caredamos até agora do apparelhamento necessário, que já está sendo adquirida
Antes de nos dedicarmos á titulação do addo chlorogenico pensavamos v* 1
um caminho seguro, saponificando o acido chlorogenico com um soluto aIcal® A
addulando o soluto, separando com ether o addo cafeico resultante, e doseando- 0
por titulação. Para esse fim verificámos que, na titulação do acido cafeico, 0
chloreto fcrrico se presta admiravelmente como indicador. Tendo, porém, m*®
tarde passado para as experiendas de desdobramento do addo chlorogenico po fCV
obtivemos sempre resultados divergentes. Uma metachromasia dos solutos a! 03 '
linizados indicava que se dava qualquer decomposição. Podíamos evitar e***
metachromasia. trabalhando sob exclusão de ar, p. ex., sob uma camada de
dissolvente indiffercnte (ether livre de peroxydos). Assim mesmo não nos
possível obter resultados satisfactorios. Finalmcntc verificámos que o aO^°
caieico puro não resiste a um tratamento alcalino e subsequentemente aCW°"
deixámos repousar addo cafeico puro com alcali sob dissolventes indifferentí* -
acidulando-o depois do prazo habitual com addo sulfurico c extrahindo-o *
seguir com ether. No soluto etherico encontrámos, em vez de 100% de add*
117,10%. Dá-se certamente um desdobramento pardal do addo cafeico ^
formação de dois ou mais addos no%*os. Abandonámos, pois. esta orienta< 3 ‘ v I
visto que todos os mcthodos que a seguem, perdem o valor analvtico.
Xo decurso de nossas experiendas (que por enquanto só se referem ao c3t<
crú) encontrámos que. nos extractos com álcool aquoso e acetona aquosa do ca<
uma parte do acido chlorogenico se deixa titular directamente, tomando-**
vermelho neutro como indicador. O addo chlorogenico assim obtido repres^ 1 *
aquclla parte existente em estado livre no café, i. é., nem como sal de pota ? * A |
nem como sal duplo de potássio e cafeina. Este acido chlorogenico livre e
cm
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Slotta * Al. — Acido chlorogenico do café
67
Primeiro valor que determinamos no decurso de nossa analvse. Mais tarde,
^Pois da precipitação do chumbo e das operações subsequentes, obtemos a quan-
kdade de acido chlorogenico total. Da difíerença desses teores resulta a quan-
^de dg acido chlorogenico combitiado no café. Como, pois, o chlorogenato de
?0tassio forma um composto completo com cafeina em proporções moleculares,
P^de-se calcular, guiando-se pelo teor de cafeina já obtido por outro processo,
i^mto acido chlorogenico existe em forma de chlorogenato de potássio c ca-
. ■ Conhecendo-se esse teor e mais o teor do acido chlorogenico combinado,
uz-se da differença dessas duas substancias o acido chlorogenico contido cm
rrwa de sal de potássio. No curso de nossas experiendas esperamos obter
-°s sobre o acido chlorogenico em suas 5 formas, os quaes em sua grandeza
j J-Uta e suas relações entre si certamente poderão soludonar varias questões
T aüvas ao sabor e aos ef feitos physiologicos. uma vez que tenhamos examinado
^udosamente um grande numero de cafés. Além disso, incluímos em nossos
aquelles ácidos ligados (efles são encontrados em forma de sal) que são
do soluto final pelo cther.
S^ndo a nossa determinação de addo chlorogenico. feita no decurso de uma
na qual com uma amostra de 10 gs. de café são determinados primeira-
r c n humidade, depois a porcentagem de gordura, o conteúdo de cafeina,
tersos teores de acido chlorogenico. e dos ácidos ligados, e finalmente a
^^llina, pensamos que, dentro de pouco tempo, poderemos atacar com exito
Problemas, ainda mal explorados, que dizem respeito ás causas chimicas do
*** do café.
Inniuncros problemas surgiram quando começámos com a apresentação pre-
do acido chlorogenico do café. Para as experiendas analyticas des-
^ 5 na primeira parte deste trabalho, assim conto para os exames physiolo-
P • °«cessitavamos de grandes quantidades de acido chlorogenico puríssimo.
^ • Para esse fim, nos interessássemos pela extracçâo industrial do acido
^ ' ^^nico em grande escala, executámos desde o principio as nossas experien-
011 Proporções semi-industriacs, i. é., com vários kilos de café. O unico
*- c] e preparação até agora existente para o acklo chlorogenico do café
niodo algum, satisfactorio. Elle se utiliza do poder de crystallização
«) «. ^
chi
0r °genato de potássio mais cafeina e despreza propositalmcnte a parte do
Hç ° c ^‘°rogenico em estado livre ou em forma de sal de potássio. Um peque-
approximado mostra com que grandes perdas voluntárias tem-se que
^®°Qtar nesse Caso: no café brasileiro existe unta media de 1% de cafeina.
í l Ua ntidade tem o poder de ligar 1,92 % de acido chlorogenico sob a forma
d uplo de potássio. Temos, porém, que contar com uni teor ntedio de
7
68
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
6% de acido chlorogenico, de modo que se perdem 2/3 da quantidade tottM
Na pratica, porém, o rendimento ainda é bem peor: em vez de 3 % de chloro-l
genato de potássio mais cafeina obtem-se apenas 1%, de modo que realmen*®!
só se consegue extrahir 1/10 do acido chlorogenico theoricamente calculado- 1
Para a extracção do café — em antithese á extracção analytica — outro» I
pontos de vista são decisivos. Sendo technicamente quasi impossível extra!« r j
uma massa tão volumosa como é o café crú á temperatura de cbullição do diss^* I
vente, teve-se que encontrar um dissolvente com o poder de extrahir complet*' I
mente do café o acido chlorogenico a uma temperatura moderada. Sóme ntf I
assim seria possivel operar em vasilhames abertos, remexendo o material, o
apresenta o trabalho mais rendoso numa operação em grande escala. O method*j
de apresentação acima mencionado (5) extrahe o café com agua fria, a q ,! ^l
praticamente só dissolve o sal de potássio do acido chlorogenico e seu compl®"]
com cafeina. Uma extracção bem mais completa conseguimos com álcool *
80% ou 70% numa temperatura de 60°. O methanol também deu bons rea-
tados em pequena escala; e ensaios com acetona diluída, dissolvente, segui^
nossas cxpericncias, bem adequado para as extraeções analyticas, estão sen^j
elaborados.
No decurso da elaboração concentrou-se fortemente o extracto por evap^
ração no vacuo, e precipitou-se então em fracções com álcool, processo
muito demorado e que exige grande habilidade experimental. Neste ponto &
preparação pudemos encontrar um aperfeiçoamento muito notável do anÕH
methodo, adoptando a precipitação por meio de methanol. Do soluto aquu^ I
castanho-escuro, obtinham-se antigamente, precipitando com álcool, primeiran** 1 ’ I
te grande quantidade de graxas, que eram desprezadas, e mais tarde, depois
repousar vários dias na geladeira, o chlorogenato de potássio mais cafeina ^ I
forma de crystaes. Preci pitando-se com methanol, obtém-se um soluto c
castanho-avenr.elhado, no qual se inicia quasi que instantaneamente a scpara<**|
dos crystaes, a qual está completa após 24 horas na geladeira. Deste
conseguimos elevar a producção do antigo methodo de 50%, de modo que
em dia obtém-se pelo menos a metade da quantidade thcoricanxmte calculada ^ |
chlorogenato de potássio mais cafeina contida no café.
O chlorogenato de potássio mais cafeina é. então, facilmente obtido
bom grau de pureza pela recrystallização em álcool aquoso ou methanol aq^^l
ou puro. Dos solutos aquosos desse sal extrahe-sc com chloroformio, quaíõj
tivamente, a cafeina, ficando em solução o chlorogenato de potássio. D*
soluto obtém-se então por acidulação o acido chlorogenico, porém nunca '
rendimento superior a 60%. A crystallização do acido chlorogenico, aí^l
como sua purificação subsequente, exige muita paciência, vi -to que elle po 5? I
pouca tendência para a crystallização.
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Slotta * Al. — Acido chlorogenico do café G9
Como podemos ver, a preparação do acido chlorogenico por esse mcthodo,
de todos os aperfeiçoamentos, é ainda bem pouco satisfactorio. A ex-
tra cção por meio de acetato de chumbo, como a empregamos na analyse, tem
Unicamente o inconveniente de que, de um lado, é muito cara e, de outro,
'"Plica no uso de grandes volumes de precipitados e filtrados. A crystallização
^ !r «cta do acido chlorogenico pouco promette em vista do acima exposto.
Por enquanto estamos certos de que o unico methodo industrialmente
4 proveitavel é aquelle em que se passa toda a quantidade do acido chlorogenico
café para o sal complexo de potássio com cafeina, addicionando ao extracto
l^alquer sal de potássio barato, mais a quantidade calculada de cafeina. Re-
c "Pcrando-se a cafeina quantitativamente, como pudemos ver no decurso de
“ c,55 ° trabalho, ella pode entrar sempre de novo no processo da elaboração,
5t3c l° as perdas insignificantes. Esperamos poder aperfeiçoar a apresentação
**1 complexo de potássio a tal ponto, que se possa empregar na practica para
1 extracção quantitativa. Si conseguirmos realizar essa nossa esperança, tere-
0,05 solucionado o problema da extracção de qualquer quantidade de acido
^ogcnico do café.
RESUMO
Escreve-se a importância do problema da determinação do acido chloro-
Çeilic o no café. Tendo-se os methodos até agora existentes mostrado insuííi-
C * at *« para a sua determinação, realizaram-se innumcros ensaios, com o fim de
** descobrir um novo processo que fosse applicavcl ás analyses cm serie. As
"‘•'culdades para a obtenção de solutos finaes, contendo todo o acido chloro-
^ en ‘ c °. foram encaradas cm varias experiências c, depois, vencidas. Executou-se
terminação do addo chlorogenico nos solutos finaes, mediante emprego de
"kção alcalina, e descreveram-se. tanto as fontes de erros, como os meios de
* rçni estes afastados.
Ei seguida relatam-se os progressos feitos no preparo do acido chlorogc-
nc °. mostrando-se a respeito as diversas difficuldades theoricas e practicas a
vencidas.Mcdiante um novo methodo de preparo consegue-se augmentar o
^"dimento de acido chlorogenico em 50%, embora, neste ponto, ainda se devam
**er novas experiencias para se ficar verdadeiramente satisfeito com os resulta-
** °*>tidos.
ZUSAMMENFASSUXG
Ee Wichtigkeit des
E wird l>csprochen.
Problems der Bestimmung der Chlorogensaeure im
Da die bisherigen Methoden zu ihrer Bestimmung
9
70
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
unbefriedigend sind, werden zahlreiche Versuche unternommen, eine neue M f '
thode zu finden, die fuer Serienanalysen geeignet ist. Die SchwierigkeiteA
reine Endloesungen zu erhalten, die die Chlorogensaeure vollstaendig enthalte^
werden durch Versuche belegt und schliesslich ueberwunden. Die BestimrmJCc
der Chlorogensaeure in diesen Endloesungen durch Alkali-Titration wird durch*
gefuehrt, und die auch dieser Methode anhaftenden Fehlerquellen, sowie
Moeglichkeiten zu ihrer Beseitigung werden besprochen.
Im zweiten Teile der Arbeit wird ueber Fortschritte berichtet, die bei
praeparativen Darstellung der Chlorogensaeure gemacht worden sind. Sowob-
die theoretischen, wie die praktischen Schwierigkeiten, die dabei zu uebenvindí* j
sind, werden behandelt. Mit Hilfe der neuen Methode gelingt es, die bish^
erhaltene Ausbeute um 50% zu verbessern. Jedoch auch diese Methode bedai*
noch weiterer Versuche. um wirklich befriedigende Ergebnisse zu liefem.
BIBLIOGRAPHIA
Handbuch der Lebensmittelchcmie 6:41.1934.
a) Handbuch der Lebensmittelchcmie 6:41.1934
b) llotfjncT, \V. — Ztschr.Untcrs.I-cbensm 66:238.1933.
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Freudcnbtrg, K. — Bcr.dtsch.chcm.Ges. 53:237.1920
(Trabalho da Seecão cr Chi mica c Pharn aeolo*ia I
li mm tal do Imtituto Butantan. recebido tm «“JJT ■
de 1 937. Dado á publicidade em dexembro de
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613.3932
0 CAFÉ SOB O PONTO DE VISTA CHIMICO
5. Tres novas substancias do café
POR
C. H. SLOTTA & C. XEISSER
Introducção
darmos inicio aos nossos trabalhos sobre o oleo do café, dedicámos
q* 0 * logo uma especial attenção aos insaponi ficáveis por acaso nelle contidos.
^ lnsa P°nificavel de qualquer producto gorduroso encontrou nos últimos tcm-
ür n intere. se todo especial, visto que nelle existem substancias muito interes-
e de alto valor, como sejam as vitaminas A c D, princípios de cf feito
‘ °K c nico e outras.
* °r isso. muito nos admiramos que. até o presente, quasi nada se tenha
to»
a pfoposito da substancia insaponi fica vel do café. Pode-se dizer que os
r . «studos existentes são da auctoria de Bengis c Anderson (1), dois pes-
j^^orcs norte-americanos, que se dedicaram apenas de passagem a esta ques-
4 ' ^centrando mais tarde sua attenção sobre os problemas relacionados com
**° c, f»Cação da gordura.
^ 0r suas experiências, todavia, nos certificamos que as gorduras do café
V-Jç ' c * a, ' v amente ricas em insaponi ficáveis. Bengis c outros auctores declaram
^ gorduras do café contém uma media de 10% de insaponificavel. Em
er as experiencias pudemos confirmar plenamentc esses dados; no entanto,
Ja *°' ^' to cm um outro trabalho desta serie, o teor em gordura osdlla
Hij; ° 045 diversas espedes de café e com elle também a porcentagem de insapo-
0 ^. eI - Além disso, verificou-se que o insaponificavel das gorduras do café
ü ma phytosterina, que é a nosso ver a sitosterina. Finalmente, Bengis
° u tuna substancia bem crystallizada, que elle denominou de “Kahweol".
1
72 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Sua “Kahweol” funde a 142-144° C. ; é muito sensível ao ar; tratada com 0
acido acético anhydrico, fornece um mono-acetato e, na hydrogenaçãq catalytio*
recebe 3 mol. de hydrogenio. Esse hexahydro-producto contém um novo grupo
hydroxyla, cuja origem Bengis explica pela hydrogenação do grupo cetonico d*
“Kahweol”. Por methodo directo não se poude verificar esse grupo cetonico-
Bengis propôs para o “Kahwéol” a formula Ci9H 26 Os.
.Marcha dos estudos
Nosso fito era primeiramente reproduzir essas experiências e, si possivd*
confirmal-as. Infelizmente já muito breve verificámos que o esclarecimento
chimico do insaponiíicavel do café é bem mais complicado do que Bengis supp u '
nha. De seus resultados pudemos apenas confirmar a existência da phytosterin»*
a qual, embora em pequena escala, conseguimos insular do insaponificavel et®
estado chimicamente puro. Em vista de seu ponto de fusão e rotação optie 3,
suppomos tratar-se de uma y sitosterina.
Ensaios minuciosos e repetidos levaram-nos á conclusão de que o insapom*
ficavcl do café representa uma mistura complicada, da qual pudemos, além
sitosterina, extrahir tres novas substancias puras cm forma crystallina.
Já possuímos uma quarta substancia, porém cm quantidade tão diminuta, q 1 *
por enquanto, ainda não a podemos descrever.
Essas cinco substancias representam apenas a metade do insaponificavel,
gundo calculo sobre o seu peso, de sorte que achamos ter fundamento para supp 0 *
que ainda existem outras substancias crystallizaveis no insaponificavel.
O residuo não crystallizado apresenta-se sob forma de uma resina vermelh 0 "
parda transparente, que ora estamos investigando.
Nenhuma das nossas noras substancias se identifica com a “Kahweol” &
Bengis. Nenhuma é scnsivel ao ar e seus pontos de fusão são inteiramente
ferentes. Em vista de nossas innumeras e minuciosas expericncias, acham 05
muito pouco provável que a “Kahweol” de Bengis tivesse escapado a nossas vista- 4-
suppomos antes que Bengis tenha tido em mãos uma mistura bastante impura, *
qual certamentc continha um ou outro dos nossos produetos, como também *
sitosterina. Sómente assim poderiamos explicar os dados numéricos da anal}' 5 *
de Bengis, mais ou menos correspondentes á formula CioHnsOa.
Enquanto desconhecermos a constituição chimica das novas substancias,
as desejamos denominar, preferindo designal-as provisoriamente como substa®'
cias "A”, “B” e “C”.
Estes tres produetos apparecem no insaponificavel em quantidades bem &
versas: quanto á quantidade, é de maior valor a substancia “B”, a qual
geral pode ser insulada numa porcentagem de 0,28 a 0,30 em relaC*^
•>
Slotta t. Xeisser — Substancias novas do café
*° ca fé) ; igualmente foi insulada em proporção idêntica numa experiencia
13 com café torrado. A porcentagem da substancia “A” no café é de
m o. m. 0,03, e a da substancia "C”, ainda menor; esta ultima até agora só ponde
cxtrahida de uma quantidade de 24 kgs., e seu conteúdo não é superior a
Ainda que, conforme já dissemos, o teor em gorduras e, portanto, em insa-
Ponificavel de um café esteja sujeito a grandes oscillações, parece que a por-
^kgem em substancia “B” pouco varia: de um café "Jardim” com um teor
^ gorduras de quasi 15%, pudemos retirar 0,30% da substancia “B"; de um
r ro 03 com um teor em gorduras inferior a 8% obtivemos 0,28% da substan-
cia "Dii . . . ,
a ■ practicamente a mesma quantidade.
Ern muitas experiencias reconhecémos, como muito eíficaz para a obtenção
Reparação do insaponificavel um methodo especial, cujos dados são explicados
Pane experimental. As gorduras isentas de caíeina são saponificadas á
•operatura do ambiente com hydrosoluto de soda sob fone agitação; experien-
^ comparativas mostraram que a saponiíicação dura. 12 horas. Já que possuia-
.. J% ^nipre grandes quantidades a saponiíicar para retirar quantidades suf-
.‘ c *ntes de substancias contidas no café cm uma porcentagem tão diminuta,
m °* que renunciar ao methodo bem mais rápido, si bem que mais caro. de
^J^ificação com potassa alcoolica. Extrahiamos do sabão o insaponificavel
. c *her, e, após evaporação do dissolvente, obtinhamo-lo em forma de massa
* ira - que, cm sua quasi totalidade, crystallizava na geladeira.
últimos annos a adsorpção chromatographica deu optimos resultados
f 'cparação de misturas complicadas de produeto* naturaes. Infdizmentc, foi
. < k f * 3 nossa esperança de chegarmos á meta com este methodo elegante, em
. a c' a lx)ração não se observava perda alguma. Para a obtenção apenas da si-
• -i- c aconselhável a adsorpção com oxydo de alumínio. Dissolve-se o
Ponificavel em acetona e deixa-se correr sobre uma columna de adsorpção,
^ ‘do-sc então a sitosterina na segunda zona bem mais colorida; dahi pode-se
!Ir 3 sitosterina com benzol, juntamente com um oleo castanho-escuro, e. após
*"'’ a poracão do benzol e recrystallização em álcool, ella surge sob a forma de
*** branquíssimos, enquanto o oleo permanece no soluto alcoolico mãe; dc-
5 ^ ^gunda recrystallização o ponto de fusão permanece constante.
Technica geral
Utna VCZ ^ ue ’ j ustamcnte - 3S outras substancias eram as que nos interessa-
t • Clabor3 mos uma separação por dissolventes, a qual deu optimos resultados
r eat' nnUnicra s P roV3S - Trituráramos o insaponificavel com uma carga indiffc-
P- ex„ sulfato de sodio secco, até obtennos um pó secco. que agitavamos
cm
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74
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
com ether de petroleo á temperatura ambiente; disso resultava a dissolução dai
substancias “A”, “C” e da sitosterina, assim como da maior parte do oleo náa
ciystallizavel. Xo residuo permanecia, além do sulfato de sodio, principal mentí
a substancia “B”, e também uma quantidade diminuta de um corante solúvel e®
álcool. Esse residuo era completamente extrahido com ether de petroleo, q uer
no apparelho de Soxhleth, quer num extractor construido a proposito para essí
fim; a operação em certos casos podia demorar de 2 a 3 dias. Pela refrigeração
do soluto obtínhamos a substancia "B” em forma de lindos crystaes um tan»
amarellos, os quaes geralmente fundem a 152-155°C. Uma segunda extracçá 0
com ether de petroleo, sem tomar em consideração o primeiro extracto, daí*
crystaes brancos de ponto de fusão 155-157°, o qual não se modificava com aí
recrystallizações subsequentes.
Para a obtenção das substancias "A”, “C” e sitosterina da fracção soluv»
em ether de petroleo frio, libertava-se o extracto, completamente, do dissolvente
no vacuo, e aquecia-se o residuo com álcool. Por refrigeração separava-se J
sitosterina do soluto. Para obtel-a na integra, era necessário repetir esse trat»'
mento. Concentravam-se então os filtrados reunidos por evaporação e, trituran-
do-se o residuo com acetona ou ether acético, obtinha-se o produeto "C”
forma de crystaes, enquanto “A" ficava no soluto. A substancia “A” obtinha- 5 *
depois, recrystallizando-se o residuo da evaporação com um pouco de ether àf
petroleo. Sua purificação era feita pela recrystallização com um pouco de ethe r
de petroleo ou mistura de alcool-agua. Desse modo, apparccia em forma
agulhas branquíssimas com o ponto de fusão 114-116°, facilmente solúveis c 0 *
todos os dissolventes orgânicos. A substancia “C” é menos solúvel. Ella cr)' 5 '
talliza facilmente em acetona, ether acético ou álcool, e tem, após varias puni*'
cações, um ponto de fusão constante de 129-130°.
As propriedades de solubilidade da substancia "B”, como é natural, foral”
estudadas mais cuidadosamente jã que a quantidade á nossa disposição era bc® 1
superior a dos outros produetos. É ella facilmente solúvel em ether, mcthan^'
álcool, chloroformio, acetona, acido acético glacial, anhydrido acético, pyridia*’
um pouco menos solúvel em benzol; pouco em ether de petroleo quente c cy^ 0 '
hexana ; quasi insolúvel cm ether de petroleo frio e completamcnte insolúvel cIÍ
agua. É recrystallizada vantajosamente, do modo indicado, em ether de petr^
leo, assim como em cyclohexann c em soluto concentrado de benzol. Das o 11
turas de ether, acetona e ether acético com muito ether de petroleo foi ella obõ°*
em forma de lindos crystaes, muitas vezes após separação inicial de um ol* 0-
De misturas de álcool, acetona, mcthanol ou acido acético com agua obtc®'-
igualmcntc em estado crystallino. Sua tendenda para a crystallização é já k* 5
tante pronunciada em seu estado natural, embora possa surgir, p. ex., no cth* 1
de petroleo, uma grande supersaturação. Essa substancia é insensivel ao
4
Si-OTT.v & N eis ser — Substancias novas do café 75
****° sens * vc I á luz, em cujo contacto ella se torna ligeiramente amarella ao
de poucos dias. Os ácidos, quer diluídos, quer concentrados, dostroem-na
r *pidamente ; no entanto, ella resiste aos alcalis, mesmo a quente.
Conseguimos encontrar uma linda e característica reacção de côres para a
*“«tancia “B”, a saber: dissolver uma partícula desse producto em álcool, e
‘ C:onar um a gotta de acido concentrado; immediatamente sc apresenta um
jogo de côres (ás vezes é necessário aquecer), que passa pelo roseo, ver-
^ e &o. violeta, azul e, íinalmente, azul esverdeado. Pela reacção de Liebermann-
^urchard, consegue-se passar de roseo para vermelho pallido; com a reacção
^r. balkowski, o acido sulfurico se toma vermelho, enquanto o chloroformio
PCrnian ece incolor.
Embora a substancia “B” seja insolúvel em agua, mandamos fazer uma
. 0Va Physiologica, em vista de se acharem contidas no insaponificavel das gor-
'm< aS CCrtaS substancias activas como ^ vitaminas e os hormonios. É sabido
a íracção gordurosa no oleo de côco contém uma quantidade elevada de
h product0 de oxydação do hormonio sexual feminino, com elevado ef feito
‘* or monico.
4 Xa sec Ção de Physio-pathologia do Instituto, o prof. Thalcs Martins teve
^Çtntdeza de fazer experiências physiologicas preliminares com a nossa substan-
con B *’ COm ° SCf?llinte resilItado: camondongos femeos castrados, tratados
uma dose total de 2,5 mgs. do producto **B” apresentaram phenomenos
dC a ° : d0SCS maiores Provocavam-lhes a morte; expericncias cm ratos
yyj castrados, mesmo com a administração de doses de approximadamcnte
P° r animal, não deram cf feito visivel. Ainda que estes resultados dc-
ser tomados como provisorios, são sufficientcmente interessantes para pro-
^* u ’ r nios no estudo.
Csc!arccimcnto chimico da substancia “B” é naturalmentc o nosso pro-
cuM* 1 ma ' S intcr€ssantc - P ara cu J a solução sc nos deparam por enquanto diffi-
'^es inesperadas. Purificámos energicamente essa substancia através de
l r s rccrystaUizações, e a analyse realizada com essa substancia, puríssima,
^-nos á supposiçáo de que lhe cabe a formula bruta CmHuQj. O peso mo-
’ 3r ** portanto, calculado em 50S. As primeiras determinações do peso
“Ccular foram executadas em canfora e accusaram valores instáveis c nada
^ r ° s - Dahi se deduz que o producto “B” não c sufficientcmente solúvel
^ ânfora, ainda que isto não se possa descobrir a olho nú. As determinações
molecular realizadas com exaltona deram valores pouco seguros. Final-
a srta. dra. Carst realizou, em nosso Iaboratorio, determinações do peso
cu.ar em escala semi-micro com benzol. as quaes accusaram pequenas diver-
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
gencias entre si. com o valor medio de 482. que concorda satisíactoriamente com
o valor admittido de 508. No entanto, não queremos considerar a formula e o
peso molecular como completamente seguros. Admittindo-se a formula
como certa, poderiamos estabelecer a funcção de 5 átomos de oxygenio. Ate
agora ainda não o conseguimos. Executámos micro-reacções sobre grupos hydro-
xylicos alcoolicos e phenolicos, grujxjs carboxylicos e sobre methylcetonicos, toda*
com resultados negativos. Segundo Zeisel, não se obtém iodeto de methyla com
addo iodhydrico; porisso nenhum grupo methoxylico pode estar contido na nW"
lecula. Do mesmo modo, as pesquisas de configuração lactonica foram negativa?-
Como é natural, já se tinha provado que a substancia “B” não continha nitroge*
nio, enxofre ou halogenio.
Em nossas experiências, para obter derivados crystallizados por meio "
reagentes cetonicos (hvdroxylamina, semicarbacida) só recuperavamos o material
original; no entanto, conseguimos levar a substancia "B” á reacção com anhydrido
acético em presença de acetato de potássio. Da mistura de facção obtiveir» 0 *
uma substancia com o ponto de fusão de 163,5 — 165°, a qual. misturada com
o material original, produzia uma grande depressão do ponto de fusão. Es=*
substancia é facilmente solúvel em ether de petroleo e. ao resfriar, apparece en*
forma de longas agulhas. Dispondo-se de um soluto impuro, obtêm-se semp* 4
crystaes amarellos. os quaes podem ficar em branquíssimos por sublimação &
vacuo de 0.02 mm. a uma temperatura de 150“. Essa substancia é insensível 3
luz c ao ar.
As analyses realizadas com essa substancia, que provisoriamente querem 0 *
chamar de “B-2”, correspondem perfeitamente a formula Seu f* í0
molecular, portanto, é calculado em 358, sendo que o valor medio das determin 3 '
ções de peso molecular feitas pela dra. Carst é 369, de modo que conferia bdq
com o valor exigido.
Tratámos a substancia “B-2” em soluto alcoolico á temperatura ambienta
bem como numa temperatura superior, com potassa titulada, e medimos o consun 10
cm potassa por titulação. Titulando-se immediatamente após a addição da p°'
tassa, não se observava consumo algum da potassa. No decurso de 90 minuto®*
81.4 mgs. de substancia “B-2” consumiam 2.22 cc. de potassa N/10: isto corre*'
pondia a um peso equivalente de 367. No tratamento ao calor verificou-se lin '
peso equivalente de 368. Temos, pois. elementos para suppor tratar-se ^
uma Uictona da formula C^HjoOj. Esta lactona não contém nenhum grtip- 1
acetylico, o que toma pouco provável a presença de um grupo pri
ou secundário de hydroxylas. O sal sodico do acido correspondente á lacto 1 **
com certeza passa, transitoriamente, pela acidulação para acido livre, o qual *
seguir dá logar novamente ao annel lactonico, pois, logo após a acidulação. **
consegue recuperar toda a lactona crystallizada.
G
Slotta & Neisser — Substancias noras do café 77
Enquanto não soubermos algo de definitivo sobre a constituição chimica da
5 -b>tancia “B-2”, não queremos fazer supposições sobre a marcha tão original
' a r •seção, a qual se desenvolve sob a acção do anhydrido acético sobre a substan-
Ca B Parece, porem, que encontrámos com essa reacção provavelmente a unica
existente para o esclarecimento da constituição da substancia “B”.
Comparando-se a formula bruta da substancia “B” com a substancia “B-2”,
yZ
*e que na mistura de reacção com acido acético anhydrico ha de existir ainda
Ulna °u varias substancias com um total de 10 átomos de carbono.
Conseguimos realmente insular mais uma substancia, embora em quantidade
ln *uffidente para uma analyse minuciosa. Procedémos do seguinte modo:
**®UUindo-se que, na reacção com anhydrido acético, além da áactona "B-2”,
** ten ha formado um álcool da substancia “B”. forçosamente clle tinha que estar
c °ntido na mistura cm forma de um acetato. Porisso, aquecémos a mistura
Cl ' ! u alcali ; o soluto apresentou então um odor aromatico. Dcstillando com
Va Por de agua, obtivemos um destillado turvo, com um odor ainda mais pro-
r,la >ciado. Extrahimos o destillado com ether, e do soluto etherico secco pude-
1005 °bter uma substancia branca crystallina por meio de concentração ao vacuo.
a qual dava micro-reacções, altamente positivas, de um álcool. A reacção de
******* era negativa. Xenhum successo tiveram por enquanto nossos ensaios,
** Uani o á obtenção, em maiores quantidades, dessa substancia, que procurámos
rr > stallizar, para esse fim. dircctamente da mistura de reacção, cm forma de
a Wato, visto que, embora tenhamos podido crystallizar o acetato, até hoje
não nos foi possivel purifical-o convenientemente. Estamos occupados
0 exame da marcha da reacção com anhydrido acético, e com o esclareci-
***° da constituição dos produetos de desdobramento dahi resultante, tencio-
nuiis tarde publicar novos trabalhos a respeito.
Descripçáo dar experiências
Obtenção c divisão do insaf>onificavtl do café crú.
Café crú foi ligeiramente seccado por aquecimento cuidadoso e depois
° *nt um desintegrador.
kgs. desse material foram extrahidos com ether cm tres porções iguaes
^ ex tractor de prateleiras, exigindo essa operação de 24-36 horas. Dos
ra «os filtrados foi evaporado o dissolvente. O residuo total pesava 1.730
* = 7a%.
. ^' v idido o residuo em tres porções foi addicionado a cada uma 1 litro de
r petroleo, ficando o soluto, destinado á separação da caíeina, em repouso
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
durante uma noite na geladeira. Foi filtrada então, por aspiração, a cafeina
crúa contida em cada porção numa porcentagem approximada de 20 gs. = 0,25% •
e retirado do filtrado o ether de petroleo, por evaporação.
O residuo gorduroso de cada porção foi posto, ainda quente, a saponificar
num soluto bem mexido, composto de 100 gs. de soda caustica commercial em 1
litro de agua, e o soluto bem misturado durante 6 a 12 horas. Foram addicio*
nados então mais 2 litros de agua e 1,5 litro de álcool, continuando-se a mexer
até a maior parte se dissolver. Reunidas as tres porções e juntada agua ate
perfazer 18 litros, procedeu-se á extracção com ether. durante tres dias. num
grande extractor para liquidos. Para facilitar a separação das camadas. f°*
addicionada uma pequena quantidade de ether de petroleo. Lavou-se o extraCtO
ethereo com agua, seccou-se com sulfato de sodio e expulsou-se o dissolvente
por destillação. O insaponificavel assim obtido pesava 148,5 gs. = 0,62 %
café = 8,6% da graxa.
O insaponificavel crystallizou depois de permanecer um dia na geladeira:
foi triturado com sulfato de sodio secco; para chegar a uma mistura adequada
foram precisos 250 gs. de sulfato de sodio. Essa mistura foi agitada na machi*
na com ether de petroleo (70-90°), filtrada e o residuo tratado de modo sente*
lhante. A essa fracção, facilmente solúvel em ether de petroleo frio, demos 0
nome de fracção a. Fracção b, insolúvel em ether de petroleo frio, deve se*
extrahida, com ether de petroleo fervente, da mistura com sulfato de sodi®*
durante vários dias, num apparelho Soxhlet. Depois de resfriado na geladeif 3
o soluto, separou-se um total de 67 gs. = 0,28% da substancia B, que se ap rC *
sentava amarellada, quasi branca, e fundia a 152-155° C.
A fracção a contém a substancia A, C e sitosterina: evapora-se compW**
mente o dissolvente, no vacuo. O residuo, um oleo castanho-avermelhado t ran*'
parente, é triturado com álcool quente. Ao resfriar, separa-se a sitosterina-
Concentra-se então por e% , aporação o soluto-mãe e repete-se esse tratamento
As porções de sitosterina reunidas são recrystallizadas em álcool e fundem ent* 0
a uma temperatura de 134-135°.
Expelle-se completamente o dissolvente do soluto-mãe da sitosterina, e trl ’
tura-sc o residuo com acetona ou ether acético; com Lsso crystalliza a substanc * 3
C, que se obtém, depois de varias recrystallizações em acetona ou ether acend-
em forma de crystaes quasi brancos com p. f. 128-129°.
Para a obtenção da substancia A concentra-se o soluto-mãe da substanc^
C, pondo-se o residuo a crystallizar com ether de petroleo. Uma vez purifica^
por meio de recrystallização com um pouco de ether de jietroleo, a substanC* 3
funde a 114-116°. Ella crystalliza em forma de agulhas curtas, branquissim 3 *'
8
Slotta a Xeisser — Substancias novas do café
79
Analyscs da substancia B.
5,003 mgs. subst. perderam a 60° no a v., 0,076 mgs. H^O
4,862 mgs. ” ” a 100° ” ” ” 0,130 mgs.
60“ :1 .52% HoO; 100»: 2,67% H-0
*327 mgs. subst.: 13,615 mgs. CO^ 3,860 mgs. H;0; 0.019 mgs. residuo.
4732 mgs. ” : 13,140 mgs. 00=; 3,710 mgs. HiO.
Achado: C = 75,66% H = 8,80%
C = 75,73% H = 8,77%
Calculado: C 32 H 41 0 5 ( 508) C: 75,58% H: 8,66%
determinação do peso molecular cm bcnsol.
(Dra. Ca» st)
Concentração :
Peso molecular:
Media :
482
7.0
*''*uma experiencia exeaitada com o café torrado, pudemos de 500 gs. insular
S s - de insaponi ficavel crú, sendo o café empregado rico cm gorduras. Conse-
f'í|. rn0s °^ ter do insaponificavel a substancia B e a substancia A em forma crys-
. Ina - Não fizemos pesquisa de outras substancias, visto que naquella occasião
. Unhamos ainda elaborado o processo de separação descripto para o insapo-
ttíficavcl.
Cxperiencias physiologicas com a substancia B.
(Píof. Thalts Mastins)
^ Seis camondongos femeos castrados foram injectados, no decurso de tres
g ’ cinco vezes com quantidades diversas de um soluto a 1,19% da substancia
cm oleo de sésamo. Os camondongos 3 a 6 morreram no decurso da expe-
n cnci a .
^mondongo 1 : recebeu cada dia 0,6 ce., total 1,8 cc..
^mondongo 2: recebeu cada dia 0,8 cc., total 2,4 cc..
Os dois camondongos accusaram. desde o quarto ao oitavo dia, prova de
^* n 'Doisy positiva. Elles tinham recebido, respectivamente, 2,14 mgs. e 2,85
® 5 - de substancia B.
^ Oois ratos machos receberam desde o sexto ao vigésimo dia após a castra-
g • cada dia, respectivamente, 0,1 cc. e 0.2 cc. de um soluto a 10% da substancia
^ °lco de sésamo. O primeiro animal recebeu uma dose total de 140 mgs.;
cm
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80
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
o segundo 280 mgs.. Tres dias após a injecção matámos os animaes com ether:
os pesos concordavam mais ou menos com o do animal de controlo.
Laudo da necropsia: Bom estado geral, nenhuma lesão macroscópica, gen*'
talia atrophiada.
Desdobramento da substancia B com anhydrido acético.
2 gs. de substancia B foram aquecidos com 1 g. de acetato de sodio e 10 ce-
de anhydrido acético, em banho-maria, durante meia hora, despejando-se, então-
50 cc. de agua, com o que o precipitado, a principio oleoso, se crystallizou inin#*
diatamente. O material foi filtrado depois de repouso na geladeira, comprimi^ 5
fortemente e recrystallizado em duas porções de 100 cc. de ether de petroleo
(70-90°), donde se obteve 1,22 gs. de crystaes amarellos liem formados. Co#
relação ao peso molecular, representa elle 79,7% do theorico.
O filtrado do produeto de desdobramento B-2 foi alcalinizado primeir 3 '
mente com soda caustica diluida, e depois com um soluto concentrado de carbo -
nato de sodio. Desti llaram-se então do soluto, 2 vezes, 100 cc. de agua; a P n '
meira fracção tinha um cheiro fortemente aromatico. Ella foi extrahida
extractor com ether e o ether seccado com sulfato de sodio, durante a noite e
então destiliado. O resíduo, a principio lácteo turvo, crystallizou-se. solidifica 1 *'
do-se na geladeira cm um precipitado branco microcrystallino, o qual. tratad 0
segundo Feigl com anhydrido acético, hydroxy lamina e ferri-ião, deu reacfi 3
dos alcoocs altamente positiva.
Sublimou-se para a analyse a substancia B-2 em alto vacuo de 0,02 nin*-’
ella passou numa temperatura de 150° do banho de oleo. O sublimado brar»c<*
foi recrystallizado duas vezes com ether de petroleo, com o que se obteve J
substancia em forma de grandes prismas uniformes, incolores, p.f. 163,5 — l^* -
Analyse s da substancia B-2.
Determinação do peso molecular em bensol.
(Dra. Carsi)
Concentração: 0.9 1,6 2.3%
Peso molecular: 367 361 381
369
5,337 mgs. subst. perderam, a 80° no a. v., 0,28 ttiÇ*
0,21 mgs. lífl
Media :
4,639 mgs. subst.
5,337 mgs. í
4,611 mgs. ” :
12.480 mgs. C
5,316 mgs. ” :
14,370 mgs. C
10
Si-Otta & Xeisser — Substancias novas do café 81
Achado : C = 73.81 % H = 8.32%
C = 73,72% H = 8.42%
Calculado: C»»H 3O 0 4 (358) C : 73,74% H : 8.38%
Titulação lactonica da substancia B-2.
87.3 mgs. substancia B-2 foram dissolvidas em 5 cc. de álcool absoluto e addi-
j ' JnafJ os de 2 cc. N/2 NaOH (F: 1.059). Juntamente com uma prova em
_ c °. foi aquecida num banho-maria durante \yí hora. accrescentando-se
tres gottas de phenolphtaleina ; titulação com N/10 HC1 :
Controlo :
Substancia B-2:
7.38 cc.
7.38 cc.
Ci consunxj de 2.37 cc. N/10 NaOH para 87,3 mgs. corresponde a um
Peso equivalente de 36S.
fixamos repousar 81,4 mgs. de substancia B-2 cm um soluto de álcool
*üto á temperatura ambiente com N/10 NaOH, e depois de 15, 30. 60 c 90
ü,os > titulamos em camparação á uma prova em branco:
Consumo de soda caustica depois de
15 30 60
90 minutos:
1,30 0.64 0,23 0.05 cc.
C* consumo total de 2,22 cc. de soda caustica corresponde a um
Peso equivalente de 367.
Analv,
'.VJe da substancia A.
“*•208 mgs. subst. perderam, a 60° em a. v., 0,158 mgs. HjO
3.969
mgs.
a 60“ em a. v. f 0,140 mgs. H-0.
■*.050 mgs. subst. : 11,885 mgs. CO», 3,750 mgs. H»0
3 -829 mgs. " : 11,225 mgs. CO». 3.580 mgs. H~0
Achado: H»0 = 3,76%
H»0 = 3,53%
Calculado: C~H 34 Oí C = 80,00%
C = 80.03%
C = 79.95%
H = 10,36%
H = 10,46%
H = 10,31%
11
cm
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82
Memórias do Instituto Butnnlan — Tomo XI
RESUMO
Xa fracção insaponificavel do oleo do café existem tres substancias até
agora desconhecidas. Essas substancias, agora descobertas, podem ser chama-
das de A. B e C. A substancia A occorre no café na porcentagem de 0.03% I
a substancia B, na de 0,3%; a substancia C, na de mais ou menos 0.001%-
Além dessas substancias poude-se insular, também, numa phase de separação cuida-
dosamente orientada, a sitosterina em estado chimicamente puro. Além desta-
é provável que no insaponificavel haja outras substancias crystallizaveis.
Descrevem-se as qualidades chimicas e physicas da substancia B, assim corno
o resultado da verificação physiologica preliminar de sua actividade estrogenica-
Para a substancia, que funde a 155-157°, discute-se a possibilidade de &
Cs-jHuOj a sua formula. Pela acção do acido acético anhydrico. poude-se
trahir um producto de desdobramento com a formula C;;H 30 Oí, com a propn f '
dade de uma lactona, tendo na mesma reacção surgido um outro corpo crystal*
lizado, com forte reacção positiva de um álcool.
in der unverseiíbaren Fraktion des Kaffeefettes berichtet. Substanz A ist i f; ‘
weiterer kristallisierbarer Substanzen im Unverseiíbaren ist wahrscheinlich.
ZUSAMMENFASSUNG.
Es wird ueber die Auffindung von drei, bisher unbekannten Substanz * 11
in der unverseiíbaren Fraktion des Kaffeefettes berichtet. Substanz A ist &
Kaffee zu 0,03%, Substanz B zu 0,3% und Substanz C zu etwa 0,001%
enthalten. Ausser diesen Substanzen Hess sich in einem gut durchgearbeitete®
Trennungsgang auch Sitosterin in reiner Form isolieren; die Anwesenb* 11
weiterer kristallisierbarer Substanzen im Unverseiíbaren ist wahrscheinlich.
Eigenschaften eines Lactons hat. In derselben Reaktion entstcht ein wcit* 1 **
kristallisierter Stoff, der stark positive Reaktion auf Alkoholc gibt.
BIBLIOGRAPHIA
1. Btngís, R- O. & Anderson, R. J. — J.Biol.Chem. 47:99.1932.
(Tnb* ho dâ Secçio de Chim ira « Pha rma co iog-a
«ba ho da Secção de Chimiea « Pha rma colo* ta 9
mental do Instituto Butantan. recebido em outo*
1957. Dado á publicidade em detembro de 19#V
12
612.3932:591 .11
EFFEITOS do chlorogenato de POTÁSSIO E CHLO-
Rogenato de potássio e cafeína sobre o
CORAÇÃO DO SAPO, BUFO M ARI NUS
POR
J. R. VALLE
I ntroducção
^ Pliannacodynamica dos constituintes do café. exclusive a caícina, apenas
^boçada e poucos são ainda os trabalhos relativos ao acido chlorogcnico.
<**>do
Ctti 1849 por Payen, de alto teor no infuso e condicionante, segundo
< ' Uns > do gosto forte da bebida.
^ acido chlorogcnico, Ci#HjsO# + 1 / - H-O, de t>eso molecular 363, existe
^ c combinado no café. sob a forma de um sal de jxitassio c de um complexo
sta 'cl com a cafcina.
solutos destes saes cm liquido de Ringcr ou de Clark, cm pH 7.4, da
^teração fornecida pela Secção de Chimica do Instituto, tem còr verde-clara,
*
^ hr SS3 n ° ^' m a ^^ umas ^oras. P 31 ^ 1 ° vc rde-e.-curo e, depois, para o cas-
K Esta mudança depende do desdobramento do acido chlorogenico cm
^ jS cafeico e quinico e coincide com baixa pequena da alcalinidade do liquido
- ' ; ologi co empregado.
^ Eendrich (1) af firma serem menos toxicos os produetos de desdobramento
chlorogenico e, porisso, preconiza o emprego do “Café-Idéa" (Idee Kaf-
j isento de chlorogenatos. Sómente este dado traduz a importância pratica
t4tu do pharmacodynamico dos ácidos chlorogenico, quinico e cafeico.
cm
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84
Memórias do Instituto Butantan — Ton.o XI
Neste trabalho, cuidaremos do primeiro, sob as duas formas de chlorogenato
de potássio e de chlorogenato de potássio e cafeina. Entretanto, como ha de-
composição destes saes em meio alcalino no fim de algum tempo, verificam» 5
também os effeitos de solutos antigos como introducção para o estudo posterior
do quinato e do cafeato de potássio.
Segundo as experiencias de Seel (2), é a seguinte a ordem de toxicidade
decrescente das substancias referidas: acido quinico, acido cafeico, acido chloro-
genico, acido chlorogenico-cafeina e, finalmente, cafeina. Conforme Kochmanfl
(3), não são toxicas as doses per os de 1 g. de acido chlorogenico por kg- de
coelho e de 70-85 mgs. por 20 gs. de rato.
Estudando os effeitos do acido chlorogenico, do chlorogenato de potas?* 5
e do complexo, injectados pela via intravenosa em pombos, cães e coelhos, vC '
ri ficámos a pequena toxicidade destas substancias.
Nenhum effeito foi observado nas doses de 20 mgs. do complexo por kg.
pombo, de 30 mgs. por kg. de coelho e de 50 mgs. por kg. de cão. Em
cadella de 20 kgs. de peso injectámos, na saphena. 800 mgs. do complexo c, l*> uC °
de|X)is, 370 mgs. de acido chlorogenico, tendo apenas observado pequena bai**
«la pressão arterial.
2
Valle — Chlorogenalo e cafeína sobre o coração
8õ
liquido de Clark e ajustada a concentração hydrogenio-ionica = pH. 7.4 (me-
ttlo do colorimetrico). O liquido de períusão deixava o orgão através das aorta*
Acionadas.
1 ) Chlorogenato de potássio. Os solutos foram obtidos a partir de um
^°to "stock” a 1 % (ião chlorogenato), derivado do complexo pela extracção
^ 01 lei na com chlorofonnio. O soluto “stock”, contendo de 0,001 a 0,01 %
*-a-/ tnmethyl, 2-6 dioxypurina. de pH 5.0 consemdo em geladeira, per-
n,ItlIa ° facil emprego do sal, dada a sua difficil obtenção em substancia e a sua
n, tabilidade em solutos alcalinos.
2) Complexo: chlorogenato de potássio e cafeina. Os solutos foram
<*«**. partindo-se da substancia que é um pó amargo, não deliquescente e
'■ítáraniente esverdeado.
^ Sabido que o peso molecular do complexo é 586 e 392 o do chlorogenato
Potássio, para a mesma concentração de 1 % em ião chlorogenico 1.110 mgs.
lorogenato de potássio correspondem a 1.660 mgs. do complexo.
O seguinte quadro mostra as modificações de còr e do pH de solutos re-
CCnits e antigos do chlorogenato de potássio c do complexo a 2°/oo, calculadas
. ‘ ao chlorogenato, feitas em liquido physiologico de Clark, com a concentra-
fco H-
■onica ajustada c deixadas á temperatura do laboratorio:
Sola
Soi *ios a 2«/~
^ (f, 'orogcnato)
rrn Llark
Chlorogenato de fotassxo
Chlorogenato de potássio
cafeína
Coloração
fH
Coloração
/>//
0,0 recente
Verde
7.5
Esverdeada
7.5
* *P>V* 24 hs. .
Verde escuro ...
7.6
Verde
7.5
* 3 dias .
Castanho
7.4
Castanl»
7.5
* 6 » .
Cór de charuto .
7J
Còr de charuto .
7.4
cm
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86
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Resultados
Os ef feitos do chlorogenato de potássio e do chlorogenato de potássio e
cafeina são comparáveis qualitativamente: em pequena concentração reduzem 3
amplitude systolica, e, em concentração maior, provocam distúrbios da conducçáo.
como bloqueio auriculo-ventricular, extra-systoles e parada diastolica do coração-
Estes phenomenos são obtidos mais facilmente no coração insulado e independe®
da atropinização previa. O quadro e os graphicos annexos objectivam os re-
sultados experimentaes. A acção cardio-depressora do chlorogenato de potass®
e do complexo é pouco pronunciada, mesmo na diluição de 0.5%, quando &
substancias são injectadas na veia abdominal anterior.
Os ef feitos do chlorogenato de potássio e do complexo a 0.5 % sobre o
coração insulado são discretos (Graphicos 1 e 2). Nas concentrações 1 e -
por mil. a reducção da amplitude systolica, provocada pelas duas substancias. e
bem nitida. tanto no coração normal, quanto no atropinizado. Os graphicos
3 e 4, 5 e 6 mostram ainda que, na mesma concentração calculada em chlorogc*
nato. o complexo agiu de maneira menos pronunciada do que o chlorogenato &
potássio. Também Secl, em 1935, assignalou a desintoxicação do acido chlot -0 '
genico pela cafeina. facto este expressamente referido pelo mesmo auctor nu®
parecer sobre o ‘Tdee-Kafíee”.
A acção cardio-depressora do chlorogenato de potássio é bem evidente &
concentração de 3°/oo (Graphico 7) e já o soluto a l°/oo provoca distúrbios
conducção (Graphico 8). De um modo geral, pudemos verificar ainda que 05
produetos antigos, mormente de chlorogenato de potássio, contendo os p r<r
duetos de desdobramento do acido chlorogenico, eram mais toxicos para o c°*
ração insulado do sapo do que os solutos recentes. Assim, a passagem pelo co®'
ção, durante 75 segundos, do soluto recente de chlorogenato de potássio a 3^"*’
provocou reducção de 70 % da amplitude systolica e parada diastolica de ^
segundos ; o soluto antigo reduziu de 80 % a amplitude systolica e detemui»®*
uma parada diastolica de 20 minutos.
Um estudo comparativo entre os ef feitos do chlorogenato, do cafeato e
quinato de potássio será feito, entretanto, posteriormente.
I
Sol. 0.5 */•• (soluto recvnte) ... 55 scpindos Nenhum ef feito aptvciavcl.
Sol. 0.5 */•• ( » de 2 dias) . 50 » Rcducção de 35 r /o da amplitude systolica.
Valle — Chlorogenato e cafeína sobre o coração
87
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5
da conducção, com parada diastolica de
88
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
RESUMO
No presente trabalho são estudados os eí feitos do chlorogenato de potas
e do complexo chlorogenato de potássio e caíeina sobre o coração insulado c
“in situ” do sapo, Bufo marinus.
Proporcionalmente ã dose empregada, estas substancias reduzem a amplitu*
de systolica e provocam distúrbios da conducção. Estes ef feitos são mais pi -0 "
nunciados com o chlorogenato de potássio, do que com o complexo, mostr
as experiencias que a cafeina desintoxica o acido chlorogenico. Também os so-
lutos antigos, contendo os productos de desdobramento deste ultimo, de u®
modo geral, revelaram-se mais toxicos do que os solutos recentes.
ABSTRACT
The eífects of potassium chlorogenate and of potassium and caffein chloro-
genate complex were investigated upon the heart, cither isolated or in situ, ° !
the toad Bufo marinus. It was found that these substances cause a reductio 9
in the systolic amplitude and disturbances in the heart conductivity, proporttO"
nately to the dosage used of the substances. the former having a more marke
action than the latter. Tlie experiments also showed caffein to neutralize tb*
toxic effects of chlorogenic acid, the splitting products of which appearing 1,1
old Solutions render these more toxic than the recent ones.
BIBLIOGRAPHIA
1. Lmdrieh at-ud Sen, lí. — cit. infra.
2. .S tfl, II — Zur Pharmakodynamik einigcr Bvstandteile dej Kaffecs — Die Mcd. " e *‘
(40) 1935 (Sep.).
3. Kocktnann, M. — Kann die Chlorogcnsãure ini Kafice Giftwirkungcn entfalten?
Die Mcd. Wclt (17). 1934 (Sep.).
(Trabalho do I^boratnrio dc Pharmacoloffia do . .
Dutantan, r*c«bido em outubro de 1957. Dado i
cidade em dezembro de 1937).
6
ClorojK O.S%o
SciELO
613 . 3141:615 « 4 : 597.8
estudos sobre os venenos de sapos brasileiros
1. Composição do veneno de Bufo marinus
POR
C. H. SLOTTA & C. XEISSER
Desde ha muito as secreções glandulares das diversas especies de sapos que
V UCln e Dei tos toxicos sobre os animacs menores, especialmente sobre preda-
Cr i CS . e as c °i )ras . têm sido objecto de numerosas pesquisas chimicas e pharma-
pesquisa chimica das secreções começou a apresentar os primeiros suc-
r,. 505 ’ < l uan do ha cerca de 25 annos, dois pesquisadores norteamericanos (1)
"Cguiram insular corpos crystallizaveis das secreções glandulares da especie
us. Desde então se obtiveram substancias de especies de sapos de
{r . 0 tttundo, todas differentes entre si e também não idênticas ás substancias
*** Pfimeiramentc insuladas dc Bufo marinus.
r n ^ i )r °S resso essencial no campo dos venenos dc sapos cm geral deu-se com
^tudos de Heinrich Wieland em Munich, que se extendem através dos ulti-
, ^ annos (2a-g). Elle verificou, em varias especies. que as substancias de
ÍnC ' a P h >' si °l°S ica contidas nos venenos de sapos sempre pertencem a duas
írentç s classes de corpos: as bufaginas neutras (formula 1), que representam
, nas com um annel lactona, e as bufoteninas basicas (formula 3), que são
^•'«dolyl-cthyi
-aminas.
^ *' u Dgina encontra-se, em parte, livre e, em parte, ligada á suberyl-arginina ;
ll ^timo caso, trata-se de bufotoxinas. As indolyl-ethyl-aminas são bases em
tiç C terc ‘ a rias, em parte quaternarias ; no ultimo caso falamos de bufotenidmas.
de 15 venenos de sapos differentes insularam-se, ou as mesmas substan-
ou substandas ao menos muito semelhantes a estas. É dc extranhar
cm
SciELO
_0 11 12 13 14 15 16
90
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Bufotenlna.
n
Slotta 4 Xeisser — Venenos de sapos
91
***• justamente acerca da buíagina da especie de sapos examinada em primeiro
isto é a warnio-buíagina, não se haja ainda chegado a um accordo. E
‘“'«no, quanto ás formulas brutas da warino-bufagina, foram registados por
* 8íte dos americanos, durante os últimos annos, resultados muito divergentes.
Porisso, foi de interesse especial para nós o facto de a especie Bufo ntarinus
*** So abundante e representar não só em Jamaica, como também no Brasil.
‘* r *r.d ç parte da população dos sapos. Entre nós, num grupo de 1000 sapos re-
**«4* ao Instituto Butantan, 940 correspondem a Bufo marinus, 57 a Bufo
^ ra °« Oi-ãs, e 3 a Bufo crucifcr. Temos, por isso, abundancia de veneno de
fi »/o
Marinas 0 q Ue seduzia, pelas razões já mencionadas, a um novo estudo
• v avuuEia, J “ u
’" a substancia afim de enfrentarmos as questões pendentes.
j. P r *Paro do veneno. Procedíamos do seguinte modo: o veneno era extra-
^ a mão e seccado ao ar, na geladeira, depois de addicionadas algumas gottas
^ c ^loroformio. Em seguida, as secreções, em forma de crostas, eram tritura-
, e seccadas. durante alguns meses, em deseccadores a vacuo, até se tomarem
^zaveis. O pó impalpável, pardo claro, e que produz estemutações, era
^“^do num deseccador a vacuo.
Assim obtivemos 180 gs. dc veneno de 2500 exemplares, tendo uma parte,
y. ’ s *do extrahida duas vezes — ou seja por animal, uma media de cerca de
de secreção secca.
^ Pudemos verificar que, também no caso do nosso veneno, obtivemos os me-
, J ' es resultados pelo methodo indicado por Wieland (2g), no anno passado,
4 elaboração do veneno dc Bufo vul garis. Pareceu-nos, porem, necessário
^ ’ lr mais uma serie dc purificações subsequentes, afim dc se chegar a produ-
^mpletamente uniformes e garantidamente livres de impurezas
A elaboração foi executada na seguinte sequência:
^ Secreção, extrahida com chloroformio.
P^iduo, utilizado na extraeção de elementos básicos.
Extracto concentrado, precipitado pelo cthcr dc petrolco.
Precipitado recrystallizado dc methanol aquoso.
tr_ Bufagina natural em acetona, filtrada sobre oxydo dc aluminio c eluida
'^^oroformio.
Residuo secco do filtrado, recrystallizado de methanol e agua.
Recrystallização com álcool absoluto; ether absoluto; ether de petrolco.
r- : / ^ Absorpção sobre oxydo de aluminio como em 4., c eluição com chlo-
0r mi 0 .
^ Residuo secco do filtrado, recrystallizado de alcool-agua.
Xova recrystallização de alcool-agua.
cm
SciELO
_0 11 12 13 14 15 16
92
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
10) Dissolução em acetona e filtração através de um pouco de oxydo *
alumínio.
11) Addição de agua em excesso, a quente, ao filtrado.
Segundo este methodo, obtivemos a bufagina em forma de uma substa^r*
perfeitamente branca, de crystallização homogenea e de ponto de fusão defini^
a qual se manteve constante mesmo após recrystallizações repetidas. VeriticaO-"
da tabella I que o ponto de fusão, a rotação óptica e os dados analyticos são &
pouco differentes dos indicados por auctores que já trabalharam sobre ^
assumpto.
TABELLA I
Ponln de fusão %C %/í
Abel & Macht (1) 217-218° + 11» 70,99 8.26
Jenstn & Chen (3) 212-213» 71,89 8,03
Auctores 205.5-208.3° + 93° 70,79 8,16
A formula CmHuOs, que ultimamente parece não merecer mais nem 3 cC "
fiança do proprio auctor, não entra em consideração, porque o peso molect^
já anteriormente determinado, é de cerca de 450. ao passo que se calcula
aquella formula um peso molecular de 400. Determinámos, por titulação &
grupo lactonico, o peso equivalente como sendo 478, resultado este que exd'^
complctamente a formula com 24 átomos de carbono e só permitte a disco**
sobre as formulas com 28 ou 27 átomos de carbono.
TABELLA II
Calculado sobre
C m H 3 ,0 6 : C
: 7130%
H : 770%
> >
:
72,00%
8,00 %
> >
Ce,H 3G 0 6 :
71.01%
7,95%
> >
C;;H, s O a ;
70,787c
836%
Achado :
7079%
8.16%
A formula C; S H 38 0 G não pode estar certa, conforme mostram as nossas»
lyses, as quaes na tabella II foram compostas em proporção, comparativan*^
aos teores calculados para as formulas cm apreço. Resta, portanto. s ^ nyeti ^[i
discussão acerca das formulas com 27 átomos de carbono. Mesmo que, ha> ^
um peso molecular tão elevado, não se possa decidir só pela analyse si ha 2
de hydrogenio mais ou menos, a formula CrrHjsOs se apresenta como a
provável de todas, como se vê da tabella II. Contudo, a wuriiio-bufagina <h l ;
por um CHj. da vu/graro-bufagina. já melhor elucidada em sua constituiçã°-
supposição de se tratar simplesmente de uma imlgaro-bu í agi na com um
methylado foi afastada pela determinação do grupo methoxyla, effectuada r
4
Slotta * Xeisser — Venenos de sapos
í»3
dra. Carst em nosso laboratorio. Provavelmente, a marmo-bufagina dif-
,'‘ ç da rwf^aro-bufagina, por ter a primeira um radical propionyla no mesmo
ttn que a ultima possue um radical acethyla. Pudemos determinar 2 átomos
°*ygenio no grupo lactona, alem de um grupo alcoolico secundário, pela for-
***> de um aC etato; o quarto atomo de oxygenio encontra-se no grupo propio-
enquanto que o ultimo atomo de oxygenio deve estar contido em um grupo
' rox }'la terciário. Até o momento, os nossos resultados estão bem de accordo
C ' Tn a formula 2.
Parece-nos que a formula com 24 átomos, de carbono, defendida por Jensen
* p 1 * 31 (3a), se refere a um corpo do qual se desprendeu o radical propionico,
. ou pardalmente, por seccagem demasiado intensa; assim, as analyses esta-
^ F^rfeitamente de accordo.
Quanto ás substantias basicas contidas no veneno, obtivemol-as, extrahindo
methanol o residuo da extracção com chloroformio (vide acima).
A ° contrario do que acontece com os venenos das outras esperies de sapo,
^ '«neno de Bufo tnarinus não continha nenhuma base, que pudesse ser extra -
do soluto alcalino com ether. A unica base que obtivemos dessa fracção,
^ Precipitação com arido picrico, era differente da bufotenina e bufotenidina.
íuas propriedades, tanto chimicas, como physicas. A base precipitou-sc como
;,^ t0 a marello, fadl de purificar. Este picrato, quando molhado com álcool.
fc** 0 acido chlorhydrico, se transforma em um picrato de cor vermelha bri-
com o mesmo ponto de fusão. Partindo do picrato, que crystalliza com
molécula de agua de crystallização, produzimos o flavianatc. c ambos os sacs
31 analysados.
analyses resultou claramente que ao corpo deve ser attribuida a formula
14 pX*. Estes dados. em coniuncto com as nronripd.iH<*« hvrirrv4>1nr»tn »
JrTnu!a 4 - Esta base é a substancia fundamental da bufothionina, um produeto
do h ” V *' 2 ‘ EstC5 dados ’ cni conjuncto com as propriedades do hydrochloreto e
í, J rÍ0(lct0 - < l ue lambem produzimos, asseguram ao corpo a constituição da
CH = CM
xh 3
H
Fonrula 4.
Dehydro-buf otenlna ,
J °rio, contendo enxofre, do veneno de uma especie argentina de sapos. Sua
tüI Çã° já foi estabelecida, desde que Wieland conseguiu transformal-a cm
' /0r °'bufotenina. por hydrogenação da ligação dupla, sendo a constituição desta
cm
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94
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
substancia assegurada por synthese. Portanto, convem denominar a base
secreção de Bufo marinus de dehydro-bufotenina. A formula desta substaB^ 1
está bem de aecordo com a formação dos 2 picratos, também observada no O'
da bufotenina: no picrato vermelho, o acido picrico está ligado ao átomo &
nitrogênio que se encontra no annel; no picrato amarello estável está ligado *
grupo amino aliphatico.
Mencionamos mais uma vez o facto estranho de não poder a base ser es
trahida com ether do soluto alcalino, o que é possível no caso da bufotenina, &
qual só falta a ligação dupla. Poderiamos explicar isto do seguinte modo: *
dupla ligação diminue a basicidade do grupo amino; o grupo amino, então iri
camente básico, forma com o grupo hydroxyla phenolico, levemente acido, 0*°*
betaina, de modo que devemos escrever, com mais acerto, a constituição segu**^ -
a formula 5. Esta formula explica todas as propriedades do corpo de nr>
satisfactorio.
.N<“‘
H \CH 3
Formula 5 .
H
Betaina da dehydro-bufotenina,
Depois de concluídas as nossas experiencias, tivemos ensejo de conh* 4 ^
um trabalho de Jensen e Chen (4), publicado no anno passado, no qual já ***
estabelecida a identidade entre esta base e a base resultante do desdobrai**?*
da bufothionina. sem indicação, porém, sobre a constituição destas substanc** -1
Descripção das experiencias
1. Preparação da marmo-bufagitui.
167 gs. de secreção completamente secca e pulverizada foram extrahidos
rante vários dias com chloroíormio isento de álcool.
O extracto foi concentrado no vacuo á temperatura ambiente até ma*’ ^
menos 100 cc., e. sob constante revolver, despejado em 1 litro de ether de 1*"
troleo. Deixou-se repousar vários dias na geladeira, aspirou-se a bufagina
tural, ligeiramente pardacenta, seccando-se em seguida a uma temperatura
100°. Seu filtrado, na concentração, já não deu mais quantidades aproveita** 1-
foi, porisso, desprezado.
6
Slotta a Xeisser — Venenos de sapos
95
^Recrystallizou-se a bufagina natural de methanol aquoso quente, aspirando-se
* )rj,s de repousar vários dias na geladeira e deixando-se então seccar ; seu peso
** * 17,5 gs..
H ^solveu-se em acetona, fazendo-se atravessal-a uma columna de oxydo
^ ^ltaamio (Brockmann) de uns 20 cm. de altura, e lavando- se depois com
^ O ‘0rmio. Sómente na superfície appareceu um annel estreito, sujo; o resto
columna estava incolor; o filtrado, ligeiramente amarello. Concentrou-se no
0 a temperatura ambiente, obtendo 1 1,2 gs. de crvstaes amarellados. Estes
•OCâm
•j. n rec rystallizados em methanol-agua ; resultando 8,4 gs. com p. f. 195-200°.
a recrystallizar com álcool absoluto; ether absoluto; ether de petroleo:
P ' f - 197-202°.
dissolveu-se novamente em acetona (mais ou menos 300 cc.) e fez-se pas-
^° r um a columna estreita de oxydo de alumínio (Brockmann). Depois da
com chloroformio surgiu novamente um estreito annel sujo na superfi-
o filtrado muito ligeiramente
residuo secco do filtrado foi dissolvido em 200 cc. de álcool
’• enquanto a columna permaneceu incolor e
^eUado. O
'a f C despejado em mais ou menos 700 cc. de agua quente. Durante a noite,
^geladeira, crystallizaram 4,80 gs. de agulhas quasi incolores do p. f. 203-205°.
novamente recrystallizadas e deram 4,17 gs. de ciystaes com o p. f
-209°
c °l j erti
d»
dissolveu-sc, então, em 200 cc. de acetona c fez-se atravessar um filtro
0 com uma camada de 2 cm. de oxydo de alumínio (Brockmann). lavando-
0111 seguida com 50 cc. de acetona. Na superfície surgiu uma estreita cama-
^Pardacenta. O filtrado incolor foi aquecido c introduzido, sob agitação, em
cc. de agua, previamente aquecida a 52°. Immcdiatamcntc iniciou-se a for-
de pequenas agulhas brancas. Depois de uma noite na geladeira, proce-
á aspiração: obteve-se 3,61 gs. de crvstaes de p. f. 205,5-208,5°, o qual
^^occeu constante, mesmo após repetidas rccrystallizações.
^ l >ar a a determinação da rotação óptica dissolveu-se 0,9327 gs. de substan-
^ 50 cc. de chloroformio, medindo-sc a rotação cm um tubo de 20 cm..
+ 0,347 X 100
a = +0,347° Tal n = = +9.30°
LajD 20 X 1.8654
5,071 mgs. subst. perderam no
5,078 mgs. ”
5,040 mgs. subst.
5.049 mgs. ”
Analyses
a. v. a 100° 0.031
_ — — mgs.
a 100° 0,029 mgs.
: 13.060 mgs. C0 2 : 3,620 mgs. H-O
: 13.130 mgs. CO* : 3,740 mgs. H-O
cm
SciELO
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or>
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Achado :
C 70,67%
H 8.04%
70,92%
8,29%
Media :
Calculado :
70,79%
8,16%
C 3 tHs«06
71,01%
7,95%
70,78%
8,36%
2. Titulação do grupo lactouico
106,1 mgs. de murwo-bufagina foram dissolvidos em 30 cc. álcool absolu* •
deixando-se repousar durante a noite com 500 cc. de soluto de soda caust * 3
N/10. Em seguida, titulou-se o excesso, simultaneamente com uma prosa
branco, com acido chlorhydrico N/10.
Sol. de soda caustica N/10 gasta:
Peso equivalente achado:
” ” calculado para
QrjHsisO* :
2.22 cc.
478
456
3. Acetato dc mnrino-bufagiua.
O acetato foi preparado como de costume e purificado por recrystalli* 3 ^
com mcthanol-agua. Seu p. f. oscillava entre 225-230®.
4,899 mgs. subst. perderam no a. v. a 100° 0,018 mgs.
4,881 mgs. '
Achado :
Calculado :
CsaHjsOj
C-dHíoOj
4. Preparação da dehydro-bufotcnina.
O residuo da extracção de chloroformio (vide 1) repousou durante 10 d***
em 2 litros dc methanol, sendo depois decantado, addicionando-se novamente **
residuo 2 litros de methanol, deixando-se repousar mais uma vez durante U
á temperatura ambiente.
Os extractos de methanol reunidos foram completamente scccados no
á temperatura ambiente. O residuo resinoso pardacento foi dissolvido em cet< ’
: 12,610 mgs.COj 3,450 mgs. H 3 0
C 70,46% H 7,91%
69,88% 7,63%
69,60% 8,00%
8
Slotta s. Xeisser — Venenos de sapos
97
^ 1^0 cc. dc álcool absoluto e misturado com cerca de 1 litro de chloroformio
i "' J tor te agitação. Depois de decantado, o residuo foi novamente tratado com
^ pouco de alcool-chloroformio.
C» componentes insolúveis em alcool-chloroformio foram dissolvidos em
~ t tratados com ether durante varias horas no apparelho. afim de extrahir
*Qdo suberylico. Alcalinizou-se, então, o soluto aquoso com hydroxydo de
. c extrahiu-se com ether, no respectivo apparelho, a bufotenina acaso nelle
“ aa - O soluto etherico, no entanto, só deixou pequena quantidade de residuo.
. ^is de afastados, por aquecimento, os solventes voláteis do soluto aquoso,
' Çm-se ligeiramente com acido sulfurico e aspirou-se o sulfato de baryo.
^ ,c >onou-se ao filtrado, a quente, um soluto de 6 gs. de acido picrico em 500
agua. Occorreu immediatamente uma precipitação, que se aspirou, sur-
Uma °ova quantidade de precipitado, depois de repouso na geladeira, du-
uma noite. Estas duas porções foram recrystallizadas cm alcool-agua.
dis tjnguiam um pouco pela cór, enquanto o seu p. f. de 189* era o
Ujç. 1)3,71 ambas. Com o fito de purificação, rccrystallizou-se ainda varias
^ ^ com methanol-agua, até as duas porções obterem a mesma forma crystalli-
». T 3 mcsma cor. O rendimento foi dc 6,09 gs. c o p. f. 188,5-189*. No
a 100° nenhuma perda de peso.
* 00° mgs. subst.: 8,835 mgs. CO-; 1,920 mgs. HjO; 0,015 mgs. residuo
2 . 17 mgs. ” ; 0,416 cc. N* 28,5*, 748 mm.
<569 " : 0.356 cc. N ; . 27,0*, 749 mm.
mgs.
Achado: C 48,34% H 4,31%
Calculado :
c iaH M ONj.C.H 1 0 I N,. H-O 48,12% 4,23%
N 15,35%
N 15,53%
15,58%
5. r
1 ra nfformação do picrato.
^ v /^ r ' n< 'o-se o picrato amarello com acido chlorhydrico alcoolico, este toma
'^^ amentC Uma C ° r vernK *^ a v,va - Aspira-se, então, o picrato, assim
ítv; 0 ' e lava-se com um soluto de álcool c acido chlorhydrico. O ponto de
c 0 ponto de fusão de mistura dos dois picratos é 188,5°.
Preparação do flavianato da dchydro-bufolcnina.
4 ^f' Iou ' 5c 1 g. dc picrato com 4 cc. dc acido sulfurico diluido mais 16 cc.
e ether, diluiu-se noramente com agua c extrahiu-se no apparelho com
Concentrou- se o soluto aquoso no vacuo e precipitou-se com acido fla-
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
vianico. No dia seguinte, filtrou-se o resíduo vermeiho-sujo por aspiração,
dissolveu-se quente em alcali fraco, fazendo-se passar uma corrente de nitro-
gênio, e acidulou-se, então, com acido sulfurico. O residuo vermelho vivo f°*
separado por aspiração e lavado com agua. Decompôs-se numa temperatura
superior a 250°.
3,111 mgs. subst. perderam no a. v. a 100°
11,272 ”
3,109 ”
11,132 ”
tt rt tf rt tt tt tt
” : 0,288 cc. N a , 26°. 749
" : 5,124 mgs. BaS0 4 .
0,002 mgs.
0,140 mgs.
mm.
Achado :
N 10,42% S 6,32%
Calculado :
C, 2 H,«ON 2 . CioH 8 0 3 X-S
10 . 86 % 6 , 21 %
7. Preparação do hydrochloreto da dehydro-bufotcnina.
Cobriu-se com 1 g. de picrato com 15 cc. de acido chlorhydrico alcoolic*
(com o que se deu a transformação em picrato vermelho) e pôs-se a íert**j
Depois dc esfriado precipitou-se com ether. Aspirou-se depois de algum tcmp°
a mistura do picrato vermelho e hydrochloreto, repetindo-se o mesmo tratamento
acima descripto. Puseram-se. então, a ferver os crystaes com álcool e carbono
activo, filtrou-se e precipitou-se o filtrado com ether. Desse modo se obtive*
ram laminas quadradas brancas num rendimento de 61% do theorico. Na micro"
determinação do ponto de fusão verificou-se o desprendimento de agua a um*
temperatura de cerca de 130°, fundindo-se a substancia nitidamente a uma tem*
peratura dc 247° sob forte decomposição.
RESUMO
Depois dc uma introducção sobre os componentes dos venenos de sapo &
geral, vem descripto o processo de preparação e purificação cuidadosa da buf»'
gina do veneno do Bufo marinus. As qualidades da substancia assim obtid*
são comparadas com os dados de auctores mais antigos, discutindo-se a possi rf ‘
formula de sua constituição chimica. de accordo com os dados mais seguros sob^
a ridtfaro-bufagina e confirmados por analyses muito c.xactas; da fracção &
veneno dc Bufo marinus, contendo as bases, insulou-sc uma base sob a forma
diversos saes, cujas analyses unanimemente indicam a formula CbHhON» pam *
própria base. Esta é reconhecida como dehydro-buíotenina.
10
Slotta & Xeisser — Venenos de sapos
99
ZUSAMMEXFASSUNG.
im
Nacfa einer Einfuehrung ueber die Inhaltsstoffe der Kroetengiíte
•Algemei nen wird die Darstellung und sorgfaeltige Reinigung des Bufagins aus
B »fo wannuj-Gift beschrieben. Die Eigenschaíten der so erhaltenen Substanz
^wden mit den Angaben aelterer Autoren verglichen und eine neue Konstitu-
•‘onsformel diskutiert, die sich an die weitgehend gesicherte Formei des zntlgaro-
^ u * s gins anlehnt und durch sehr gut stimmende Analysen gestuctzt wird. —
^ Us der die Basen enthaltenden Fraktion des Giftes von Bufo nutrmus wurde
t,0e Base in Form verschiedener Salze isoliert. deren Analysen eindeutig auf
Formei Ci;H 1( OX; fuer die Base selbst hinweisen. Sie wird ais Dehydro-
^ u ^°tenin erkannt.
BIBLIOGRAPHIA
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J **s*n, H. Sr Chen, K. K. — J.Biol.Chem 116:87.1936.
(Trabalho da Secção de Chim Ura r Phartnacoiog ia Lapa*
ri mental do Instituto Butantan. recebido cm outubro de
1937. Dado A publicidade em dezembro de 1937).
11
cm
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612.3141:615 94:597.5
estudos sobre os venenos de sapos brasileiros
2. Sobre a adrenalina no veneno de Bufo marinus
POR
C. H. SLOTTA : T. R. VALLE & C. NEISSER
Em 1912 Abel e Macht (1), nos Estados Unidos, conseguiram isolar duas
Sy ^tancias crystallinas da secreção das glandulas parotoides do sapo Bufo mari-
***■ A analyse chimico-pharmacologica minuciosa de uma das substancias de-
^«trou tratar-se de adrenalina, hasc que até então sómente tinha sido encontra-
** ^o matéria endocrinica activa na medulla suprarenal.
Tendo a existcnda de tal hormonio na secreção toxica do sapo já chamado
^benção, maior surpresa causou a relativamentc alta porcentagem de adrena-
^ nclla registada por Abel c Macht. Estes af firmavam terem obtido de
3.42
gs. de veneno 0,243 gs. de adrenalina crystallizada, pesados uma hora depois
Su a extracção, o que corresponde a 4.5%. Prcsumindo-sc que o veneno
Atinha
«o
agua, e que durante sua elaboração ccrtamentc se tenha perdido 1/3
a drenalina, pode-se contudo ainda contar com pelo menos 7% de adrenalina
k v <neno natural. Para fins comparativos. Abel c Macht mencionaram que
.Skr.dula suprarenal do boi contem 0,3% de adrenalina.
^rante muitos annos, este resultado se manteve de pc. emlxira ninguém o
^firmasse. Jensen e Chen, que nos últimos dez annos se dedicaram ao estudo
* Cc reção toxica das mais variadas especies de sapo, examinaram-na. afim de
tff'- ICar 3 P rescn< > a de adrenalina. Já cm 1923, Novaro (2), baseando-se nos
. physiologicos. indicava a provável existência de adrenalina no veneno
' a Po sul-africano Bufo regularis. Mais tarde, essa supposição foi apoiada
cr . Chen « Chen (3), que calculavam em 4,6% a adrenalina contida nessa sc-
guiando-se pelo methodo da pressão arterial. Em 1935, Jensen (4)
^iu insular 0,3% de adrenalina desta secreção do sapo, porcentagem esta
cm
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102
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
que está em completa contradicção com o enorme teor, calculado segundo pes*
quisas physiologicas.
Já ha mais tempo, Jensen e Chen (5) conseguiram insular 0,2% de adre-
nalina. em estado bruto, da secreção secca do sapo chinez, commumente design*'
do com o nome de Ch’ an Su. Depois Jensen (4) insulou adrenalina num teor
de 0,4% do veneno do Bufo arenarum (sapo argentino), resultado este, inde-
pendente e simultaneamente obtido pelo pesquisador argentino Deuloíeu (6)-
Enquanto que grande quantidade de adrenalina foi obtida do veneno de Bufo
marinus, apenas se conseguiram obter pequenas quantidades da secreção do sapo
chinez, sul-africano e argentino, e em duas especies (7) foi a sua presença af*'
nas admittida. guiando-se pela reacção physiologica e chimica.
Já que tinhamos á nossa disposição abundante material de veneno do Bufo
marinus, pareceu-nos interessante submetter o resultado obtido, ha 25 annos, P 01
Abel e Macht a uma nova verificação, uma vez que os resultados citados, 0°*
últimos annos. já careciam de confirmação. Com o veneno preparámos prime 2 '
ramente uma emulsão aquosa e procedemos ao exame sobre a sua acção vas®"
constrictora, segundo methodo de Loewen-Trendelenburg.
Já qualitativamente obtivemos um cf feito muito pronunciado. Procurand* 5
avaliar esse ef feito segundo sua ordem de grandeza, preparamos solutos de ve *
neno em concentrações variadas, e comparámos o effeito vaso-constrictor, ass' r ‘
obtido, com o effeito de um soluto padrão de adrenalina pura ( 1 : 300 . 000 )-
Como explicaremos mais pormenorizadamente na parte experimental, ob-ervám^
que o veneno do Bufo marinus, em vista de seu effeito vaso-constrictor. parf^
conter menos dc 2% de adrenalina.
Algumas reacções chimicas do veneno natural indicavam também a existe®*
da de uma substancia, que chimicamente se assemelha á adrenalina. A'' 2lí
observámos, por exemplo, que solutos ligeiramente alcalinos do veneno, expos***
ao ar c á luz, se coravam cm pouco tempo cm rosa. A reacção com chlorcto ^
ferro, bastante característica, si bem que não especifica para a adrenalina. cf *
positiva: com solutos áridos obtinha-se uma coloração verde; e vermelha escu^
em meio alcalino.
Bascando-nos nessas experiências preliminares, dispuzemo-nos a separar &
veneno dc sapo a adrenalina cm estado crystallino. Nossos primeiros ens* 20 *
tiveram resultados negativos, os quaes, segundo hoje sabemos, foram motiva^
pela elaboração pouco rapida e sob condições menos cuidadosas. A adrenal 20 *
caracteriza-se por uma extrema sensibilidade com relação á luz c ao ar. espe^
mente cm solutos alcalinos. Ficou prosada a necessidade premente de execu : * f
mos essa tarefa tanto quanto possivcl numa atmosphera do mais puro nitrog*®^
No principio, procedémos do seguinte modo: depois da extracção completa &
veneno de sapo pelo chloroformio e ether, foi o mesmo triturado num grande v °"‘
2
Slotta a Al. — Adrenalina no veneno de sapo
103
de agua e centrifugadas as substancias mucoides precipitadas. Este soluto
^ libertado de albumina e outros elemento^ básicos por precipitação com sal
p c ^ Um bo, e o chumbo removido do soluto filtrado pelo hydrogenio sulfurado.
^ . ^“‘Se então a concentral-o no vacuo, agitando novamente o soluto com dis-
^ entes de lipoides e, finalmente, concentrando-o fortemente. Com a addição
amrnoniaco á solução concentrada assim obtida, e na geladeira a adrenalina
• alhzou, sendo recrystallizada varias vezes com o fito de maior purificação.
De 4 gs. de veneno secco obtivemos. 54 mgs. de adrenalina recrystallizada,
Wntsdade esta correspondente a 1,35%. Uma vez que a nossa elaboração foi
4 . Ra,s ^‘dadosa e rapida possível, estamos certos de que as nossas perdas em
|| ^ na lina foram muito insignificantes. Achamo-nos, pois, no direito de affir-
4 ' na ^ereção secca do sapo Bufo marinus de nenhum modo existe mais
° 1 ** 2% de adrenalina.
Está excluída qualquer duvida sobre a uniformidade e a pureza do nosso
r 'Parado, assim como sobre sua identidade com a adrenalina: ponto de fusão,
óptica e actividade physiologica concordam perfeitamente com os dados
81 '«fratura.
Ainda que. de um lado, não possamos confirmar a quantidade tão elevada de
^•fitalma indicada por Abel e Macht. de outro lado verificámos ser o teor de
^ *-al:na no Bufo marinus bem maior que o encontrado nas secreções toxicas
! ^\ f ’ Cnwis especies de sapo. Não ha, pois, duvida alguma de que o sapo Bufo
nu s constitue neste caso uma exccpção.
( difficil é. no entanto, explicar a divergência entre os nossos resultados
^ fie Abel e Macht. Estes escrevem que cm outras experiências obtiveram
*,> quantidades de adrenalina e que creem poder tirar dahi a conclusão de
;> ' a Porcentagem da adrenalina varia com a estação e as circunstancias”.
Untando, pois, os resultados por nós obtidos nas pesquisas de veneno uma
«Hia
Crn vários milhares de sapo, extrahidos cm diversas estações do anno,
^ n> nos no direito de dar mais credito á porcentagem de 2% de adrenalina
* \«' Cneno de sap°. por nós verificado, que aos teores tão elevados de Abel
la cht.
^ Achamos, pois, que os nossos resultados merecem toda a confiança, já que
^ as experiências chimicas e physiologicas, procedidas uma independente-
f, ‘ c ^ outra, existe uma perfeita concordância, enquanto que, nas demais
c;'. ?s de veneno, apenas se pode isolar uma fracção do principio vaso-constri-
P r o\ado por via physiologica.
^ *abido que no veneno do Bufo marinus existe mais uma base que pude-
^^ rec °nheccr como sendo a dehydro-bufotenina. Também nos venenos de
‘i h . e *P ec ’ cs de sapos, existem bases semelhantes, que se distinguem em geral
}dro-bufotenina, á semelhança da adrenalina, pelo seu cí feito vaso-cons-
cm
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104
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
trictor. A presença dessas bases pode ser o motivo pelo qual nas experiencia*
physiologicas se encontra mais principio vaso-constrictor do que a quantidad<
de adrenalina chimicamente isolada.
Descripção das experiencias
6,4 gs. de veneno secco foram completamente extrahidos num extracu*
Soxhlet primeiramente com chloroformio e depois com ether, operação esta q 1 *
durou tres horas. O veneno natural assim extrahido foi bem triturado com ma 1 - 5
ou menos 350 cc. de agua, e centrifugada a solução turva. O precipitado to-
varias vezes lavado com agua e esta mesma agua depois novamente juntada
soluto principal. Dahi por diante todas as operações foram executadas num*
atmosphera do mais puro nitrogênio.
Addicionou-se acetato de chumbo até não mais surgir precipitado, filtra* 5 '
do-se em seguida e deixando-se passar uma forte corrente de hydrogenio sulf°‘
rado pelo filtrado. Lavado convenientemente o sulfureto de chumbo filtrad*
o soluto foi concentrado no vacuo até mais ou menos 100 cc., agitando-se
seguida varias vezes com uma mistura de ether-chloroformio a 1,4. O volu * 554
do soluto aquoso foi reduzido a 15 cc. e depois dividido em tres partes igu 3 ®* -
as quaes foram guardadas sob uma camada de ether de petroleo e sob ufl 5 *
atmosphera de nitrogênio.
Uma vez que ensaios de uma das partes do soluto deram resultados pos* 11 "
vos, addicionou-se ammoniaco concentrado ás duas outras partes até reacÇ 3 °
alcalina. Depois de deixar repousar dois dias na geladeira filtrou-se por 3SP 1 '
ração; os crystacs foram lavados cm agiu e ligeiramente seccados no deseccadot*
Dissolveu-se a seguir em um soluto bem diluido de acido acético, filtrou-9* £
addicionou-se ammoniaco concentrado sob uma camada de ether de petroleo nufl 5 *
atmosphera de nitrogênio. Observou-se quasi que instantaneamente a fornia^
de crystaes na geladeira. Filtrou-se no dia seguinte, lavou-se com agua, ale 01 ’
c ether c deixou-se scccar no descccador:
Quantidade obtida: 53,6 mgs.
Ponto de fusão: 20S-212®
Do mesmo modo procedeu- se á rccrystallização. O ponto de fusão f 5C0Ü
desta vez entre 211-213® sob decomposição.
Para determinação do poder rotatorio dissolveram-se 11.3 mgs. em 1 cC '
de agua, na qual previamente tinham sido dissolvidos um pouco de acido ac** 108
c um grãozinho de sulfito de sodio.
x = — 0,29®- [*F =
» 1 J D
— 29
0.5 X L13
= — 51.3®
cm
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Slotta a Al. — Adrenalina no veneno de sapo
10.1
Ensaio physiologico
*■ Mcthodo.
O eí feito vaso-constrictor do veneno do Bufo tnarinus è bem conhecido, e
' ^tudo das propriedades sympathico-mimeticas da substancia tem sido realizado
differentes auctores. Empregando a conhecida preparação de Loewen-
•^delenburg, de perfusão do trem posterior da rã. inicialmente procurámos
' e ’ e nninar a intensidade vaso-constrictora de solutos do veneno natural como si
’*Mvessem 2 e 5% de adrenalina, acertada a diluição a 1 por 300.000.
Utilizamos exemplares médios de Lcptodactylus occellatus. A canula de
^ r fusão introduzida na aorta abdominal era ligada por um tubo de vidro em
e dois tubos de borracha a dois vasos de Mariotte de pressão constante: um
' ct inha soluto physiologico de Clark e o outro, a diluição do veneno feita em
' filtrada e com pH = 7,2 — 7,6. O debito da preparação, expresso em
***** do liquido pcrfuso a sahirem pela veia abdominal anterior, era registado
n camente, graças ao emprego de uma chave interruptora particular e de um
eletromagnético de Deprez. Com a inscripção concomitante do debito e
‘ CTn Po no papel enfumaçado de um cymographo obtivemos traçados que permit-
• tanto a contagem do numero de gottas por minuto, no decurso da expe-
a . como a confecção das curvas do graphico annexo.
K f iultados .
^ ^ ^i^emos inicialmcntc a determinação do ef feito vaso-constrictor de um soluto
P°r 1 50.000 da Suprarenina Baycr, levando cm conta a sua actividade como
Ucto synthetico raccmico duas vezes menos activo do que o produeto Icvogyro.
^ rt *ultado foi tomado como padrão do cf feito vaso-constrictor de uma solução
^ ^renalina natural a 1 por 300.000. Com esta solução o debito cahiu. no
■TOndo minuto de perfusão, de 22 para 1 gotta por minuto (Graphico B.) ou
jvjç. S°ttas cm 5 minutos de perfusão com liquido de Gark para 13 nos pri-
’ 5 ? minutos após o inicio cia perfusão com a suprarenina (11.7%).
lí
1 — Experiências com o veneno natural.
.y.*) Soluto a 1:6000 de veneno natural. Correspondente á diluição de
000 de adrenalina natural, si contivesse 2% dessa substancia. O cffeito
> • ! C >nstr ' ctor P°de scr apreciado no graphico A. O debito cahiu. no segundo
'■'> Ü ‘° dc perfusão, de 28 para 5 gottas por minuto ou de 137 gottas em 5 minu-
Perfusão com Clark para 25. nos primeiros 5 minutos após o inicio da
ü| * 0 com o veneno (18,2%).
cm
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10G
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
b) Soluto a 1 :15.000 do veneno natural. Este soluto, si o veneno conti-
vesse 5% de adrenalina natural, corresponderia á diluição de 1 por 300.000. O
ef feito vaso-constrictor pode ser apreciado na curva D. O debito cahiu de 1®
para 3 gottas, no segundo minuto de perfusáo. Considerando 5 minuto» antes c
após a perfusáo com o veneno, temos a relação 49 para 10 ou 20 ^ó.
2 — Experiência com a adrenalina retirada do veneno.
Os ensaios foram feitos nas mesmas condições, empregando-se a diluição a
1 por 300.000. O ef feito vaso-constrictor pode ser apreciado no graphico C- O
debito cahiu de 20 para 3 gottas no segundo minuto de perfusáo. Considerando
5 minutos antes e após o inicio da perfusáo temos 100:12 ou 12^c.
Nestas condições, temos que a queda do debito de perfusáo por cento f°‘
practicamente a mesma com a Suprarenina e com a adrenalina retirada do veneno
do Bufo marinus. Também os ensaios com o veneno natural mostraram qi*
não contêm nem 2% da substancia activa.
cm
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Slotta *. Al. — Adrenalina no veneno de
sapo
107
RESUMO
Um pequeno resumo de toda a literatura sobre o teor em adrenalina no
'eneno de sapos mostrou que existem quasi sempre grandes divergências entre
15 verificações physiologicas e os dados da separação chimica. Espedalmente, o
teor em adrenalina por muitos auctores registados no veneno do Bufo tnarinus
Queria, á vista da literatura moderna, uma verificação.
Esta acaba de ser executada por meio de intima collaboração do trabalho
Physiologico com a determinação chimica, tendo provado, consistentemente que,
00 veneno do Bufo tnarinus, não se encontra mais de 2% de adrenalina. O
ensa io physiologico chegou a esse resultado por meio da avaliação quantitativa
^ vaso-constricção feita pela prova de Loewcn-Trendelenburg. A separação
Arnica, feita sob as mais escrupulosas precauções, deu um teor de 1,35% de
a drenalina, de modo que, incluindo as perdas certamente insignificantes, de ma-
aeira alguma se poderá calcular um teor superior a 2%.
ZUSAMMENFASSUNG.
Eine kurze Zusammenfassung der gcsamten Literatur ueber den Adrenalin-
S«halt der Kroetengifte ergab, dass zwischcn physiologischem Nachweis und
C ** mis cher Isolierung fast stets grosse Unstimmigkeiten bestehen. Insbesondcre
^urfte der von den aeltesten Autoren im Gifte von Bufo tnarinus gefundenc,
^hr hohe Adrenalingehalt im Lichte der ncucren Literatur einer Nachprucfung.
Diesc wurde in enger Zusammcnarbcit zwischcn Physiologen und Chcmiker
'Jurchgcfuehrt und ergab cindcutig, dass im Gifte von Bufo marinus kcincsfalls
al s 2% Adrenalin cnthaltcn sind. Die physiologischc Prucfung kam zu
^ e >en Resultat durch quantitative Auswertung der im Loewcn-Trcndelenburg-
gemessenen Vasokonstriktion. Die chcmischc Isolierung untcr allcn Vor-
,>c ^tsmassregeln ergab einen Gchalt von 1,35% Adrenalin, sodass unter Einrcch-
” Un g der sichcrlich geringfuegigen Vcrluste keincsfalls mit cincm hochcren
^vhalt als 2% gerechnct wcrdcn kann.
‘ A
BI BLIOGRAPHIA
dbel, J. J. & Macht, D. J.'— J.Phirm.&lixp.Therap 3:319.1911
avaro, V. — C.R.Soc.Biol. 88:371.1923.
Ch en. K. K. & Chen. A. L. — J .Phann.&Exp.Therap. 49:303.1933.
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
4. Jcnsen, H. — J.Ara.Chem.Soc. 57:1765.1935.
5. Jcnsen. H. &■ Chen. K. K. — J.Biol.Chem, 82:397.1929.
6. Deulofeu, V. — Ztschr.Physiol.Cbem. 237:171.1935.
7. Chen. K. K. fie Chen, A. L. — Arch.intem.Ptiarmaccxiyn.Therap. 97:297.1934.
(Trabalho 4*» Secções de Chimica « Pharmaeoloffia
rimentaes e de Phrsio-patholoffia do Instituto Bata#*
tan, recebido em outubro de 1937. Dado á publictdad*
em dezembro de 1937).
cm
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612.31412:615 94:598.122
estudos chimicos sobre os venenos ophidicos
1. Determinação de sua toxicidade em camondongos
POR
C. H. SLOTTA & G. SZYSZKA
No estudo do ef feito toxico de venenos ophidicos c no exame do poder ncu-
,r »lizante de nossos soros ophidicos vem-se. ha muitos annos, empregando, no
Instituto Butantan, exclusivamente pombos adultos, como animaes de cxpericn-
08 (1, 2, 3.). Em si representa o pombo o animal ideal para as determinações
teor da toxicidade, pois além de não estar sujeito ás influencias de factorcs
ternos, como temperatura ou estações do anno, é extremamente sensível ao
Vçr *no ophidico, de modo que com facilidade se obtem um limite de erro inferior
4 *0%. Visto que, para a i mm uni ração de cavallos, o teor de toxicidade de cada
VtI >eno c, para a applicação clinica, o poder de neutraliração de cada sòro têm
^ ser determinados com muita cxactidão. não ha duvida que jvira essas expe-
r!Çl iCias, nas quaes apenas se necessita de alguns animaes, o pombo continuará
^ n do o animal de experiencia mais adequado.
No entanto, quando ha um anno começámos com as nossas experiendas
^bre 0 veneno ophidico. usando espedalmente a peçonha de Crotalus t. tcrrificus,
fàreccu-nos logo que, em trabalhos puramente chimicos, teríamos que renunciar
er *iprego de pombos para a determinação do teor da toxicidade dos nossos so-
* üt os. Em taes pesquisas, para se poder determinar um enriquedmento em
5l, bstanda toxica, isto é. o grau de purificação do principio activo c exprímil-a
^ a lgarismos, o unico recurso consiste em determinar-^e sobre animaes o teor
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
de toxicidade de um soluto ou de uma substancia. Como, naquella occasião.
ainda não se sabia bem a que classe de corpos chimicos pertenciam os principio*
activos do veneno ophidico, tínhamos que lançar mão de methodos que facilitas-
sem a pesquisa desses venenos. Considerando que até então não se dispunha
de nenhum dado definitivo, resultante de ensaios feitos para insular a toxina de
cobras, pareceu-nos de antemão impossível obter o numero necessário ás innu-
meras inoculações a serem feitas. Além disso, tínhamos que esclarecer primei'
ra mente a influencia de vários factores, como temperatura, luz, acidez e con-
centração de saes sobre solutos de venenos ophidicos; tinhamos, igualmente, q ue
obter uma idéa dara da influencia da seccagem sobre o veneno, etc.. Para ess<
fim, necessitavamos de numero considerável de animaes, para termos pelo meno*
uma idéa geral da sensibilidade do veneno ophidico ás influencias chimicas 4
physicas: para isso, em certa occasião, tivemos que gastar 1.200 animaes duran-
te 3 meses. Nessas provas, não exigíamos uma exactidão além de 5%, mas
sim a possibilidade de realizar, em grande escala, experiendas nas quaes os di-
versos problemas pudessem ser examinados sob os mais diversos pontos de
vista. Os animaes de experiencia em qualquer quantidade têm que ser facil-
mente obtidos, e isso a um preço modico; um limite de erros de 10-15^ é pc r "
feitamente admissível para o fim a que se destina. Por enquanto, não se podem
dispensar as experiendas em animaes, visto que ainda não se conhece nenhum*
reacção chimica característica, que forneça dados quantitativos capazes de indi-
car qualquer enriquecimento ou concentração obtida na substancia ou fracçã 0
toxica do veneno ophidico.
O animal de experienda, que corresponde a todas estas exigências, é o ca-
mondongo. Antigamente era bastante difficil o emprego de camondongos par*
experiencias, visto que eram muito raros e di ff iceis de criar em S. Paulo. F 4 "
lizmente, o serviço zootcchnico da Secção Agricola do Instituto Butantan con-
seguiu superar essas difficuldades. dispondo a qualquer hora de um numero
sufficiente desses animaes.
Uma vez que esses animaes recebam um alimento uniforme e rico em v1 '
taminas (mingau de pão branco, leite com um pouco de oleo de figado) e cava-
quinhos de madeira de cedro (com cavaquinhos de outras especies de madeira*
contendo certos tanninos e princípios amargos, elles morrem depressa) e sejam
mantidos, com a maxima limpeza, em gaiolas de zinco com tampa de tela de
arame, e numa temperatura constante de 23-24°, conseguem-se criar c dispô*
2
Slotta a Szyszka — Toxicidade de venenos ophidicos
111
para experiencias, mesmo num clima tão inconstante e húmido como o
Paulo. A proposito, observamos que espedalmente a temperatura em
são mantidos os animaes de experienda exerce uma influencia decisiva
jA_
e as provas, a ponto de, nos dias frios, a dose mortal minima ser maior.
&eve
ridade
dia
'em-se, portanto, manter os camondongos em um bioterio aqueddo a electri-
a uma temperatura de 23-24°, onde permanecem pelo menos durante um
antes da experienda. Considerando que o peso do animal desempenha um
importante, tomamos desde o prindpio como base de nossas unidades o
*>• de animal.
■Animaes utilizados: devem ter em regra o peso de 15 gs.. não se mantendo
05315 de 8 juntos nas gaiolas acima mendonadas. Não se faz diíferença algu-
^ entre femea e macho, visto que não se poude observar qualquer divergen-
** P rov «niente da differença de sexo. Excluímos apenas as femeas já prenhes
_ ^ acabavam de ter cria. visto que estas demonstravam ser menos sensi-
VCÍS ao ve neno ophidico. A classe de pesos de 15 gs. compõe-se apenas de ani-
° 5acs jovens.
Solutos : os diversos venenos ophidicos para a determinação do teor de to-
dade devem ser preparados do seguinte modo : 50 mgs. de uma peçonha sccca
530 dissolvidos, cuidadosamente e sem agitar muito, em um balão volumétrico
f , 2; ° cc - cm um pouco de soluto physiologico, afim de evitar muita formação
espuma do soluto proteinico; cm geral basta cobrir a substancia toxica
1°® f«na camada de soluto de chlorcto de sodio, deixando repousar por algum
Justamente na preparação dos solutos do veneno de Crotalus obtivemos
^ s resultados com a technica aconselliada por Brazil (4), a qual consiste na
*‘ 5s °Iuçâo Previa do veneno cm um soluto mais concentrado de chlorcto de
^ 0d!o - de modo que, depois de completado o volume até a marca com agua
filada, resultassem 250 cc. de soluto physiologico no balão. A esses solutos
IC »onava-se 1/5 do volume total de liquido existente no balão volumétrico:
^ “«ente 50 cc. na preparação de 250 cc.. Pela addição do soluto saturado
^■Pagina, que por litro continha 1,5 gs. de substancia, conseguimos, nas ex-
ICT5Cias permanentes, que as soluções, mesmo depois de permanecerem meses
estufa, continuassem completamente livres de cultura de bactérias; nas pri-
^ experiencias, porém, feitas sem essa precaução luetamos com difficulda-
^i provenientes. Esses solutos base eram então diluídos com sòro phy-
cm
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112
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
siologico, a tal ponto que se injectava 0,1 cc. até no máximo de 0,5 cc. por ca-
mondongo.
Injccção: os solutos toxicos devem ser administrados aos camondong 0 *
nas concentrações indicadas, em duas partes iguaes, por via subcutânea, aci®*
dos omoplatas direito e esquerdo. Temos sempre o especial cuidado de semp 1 *
empregar a mesma technica nas injecções: estas são feitas pela manhã, a®i-
da refeição que se dá, ao meio dia. aos animaes, ou algumas horas mais tard*-
Os animaes são marcados por um systema determinado e levados novamente p 313
o bioterio aquecido; por ser mais commodo, demos sempre as injecções no p® -
prio laboratorio. Seguindo-se as mesmas normas, obtêm-se sempre os mes® 0 *
resultados, na repetição dos ensaios com os mesmos solutos. Assim pode
facilmente alcançado um limite de erros de 10-1 5^, o qual é mais do que
ficiente para os nossos fins na chimica.
Enquanto estavamos ainda occupados com as pesquisas de determinação
teor de toxicidade nos camondongos, appareceram dois trabalhos sobre vene 1 * 1
ophidico, feitos nos laboratorios de dois pesquisadores de chimica, mundialntf® 4
conhecidos. Até agora, apenas médicos e biologos se haviam dedicado ao estud 3
dos venenos ophidicos, de sorte que quasi todas as suas indicações sobre coinp' 7 '
sição chimica apresentavam erros mais ou menos graves; por isso, as novas f* 5
quisas, tanto de F. Micheel e F. Jung (5), como de H. Wicland e W. Konz (^’
por serem os primeiros ensaios sobre a pesquisa da constituição do veneno op®*
dico, têm uma importância especial.
Parece que para a chimica pouco a pouco se approxima o tempo cm *1'“*
ousaremos buscar a solução da natureza dos princípios toxicos e activos dc e -
truetura protcinica, que se encontram, p. ex., nos venenos de origem ani® 3 ’
e nos hormonios de hypophyse. E’ interessante que por parte, tanto de Mich^'
como de Wieland, e, ainda nas provas de venenos de abelha feitas por out®*
auctores (7 e 8), se hajam empregado camondongos brancos, como animaes
experiencia. Micheel toma até como unidade de veneno o gramma de ca®®*
dongo, o que também nós tínhamos considerado vantajoso; enquanto isto. Wi<d*®*
emprega camondongos de pesos mais ou menos iguaes, tomando como unid*® 6
a quantidade de veneno necessário para matar um animal inteiro.
Definição do teor de toxicidade: segundo nossas cxpericncias. é ahsoh***
mente necessário não adoptar como hase para a unidade o camondongo como i
in*-
cm
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Slotta a Szyszka — Toxicidade de venenos ophidicos
113
mas tomar em consideração o seu peso, pois só assim se poderão obter va-
k> r es comparativos dentro do limite de erros de 10-15%. Além disso, se deve
iixa
r o tempo de avaliação, de accordo com a experiencia, em 8 a 22 horas: si
** Iaz - de um lado, essa avaliação dentro de tempo muito reduzido, com injec-
^° Cs de solutos toxicos mais concentrados, os resultados se tomam incertos e
Ba * 0r o limite de erros; si, doutro lado, ella é feita tardiamente, os resultados
110 tombem incertos, pois se sabe que os camondongos, 22 horas depois da
i í J Ph cação da injecção, não morrem mais por eííeito directo do veneno. Só-
° !eate os animaes mortos, portanto, dentro daquelle periodo devem ser compu-
Como unidade camondongo ( UC ) denominamos aquella quantidade de
medida em gammas que, sob as condições acima dtadas, ainda tem o
P rj de r de matar 1 g. de camondongo num espaço de 8 a 22 horas, sendo exigido
^ de 3 camondongos novos dum peso medio de 15 gs., injectados com a res-
; t,Va dose (= UC X 15 gs.), pelo menos dois tenham morrido typicamente
toxicados dentro do prazo indicado. Da dose minima mortal para um gramma
Carr> ondongo calcula-se então o teor em toxicidade (TT), isto é, o numero de
' tHí dadcs camondotigo contido cm 1 mg. de veneno seccado no alto vácuo a 35° C.
0 teor da toxicidade de alguns venenos ophidicos, assim obtido, fornece a
*&uinte
1)
2)
2 )
<)
5)
Tobella
U. C.
sícco :
T. T.
Crotalus t. terrificus (padrão)
0.45
2220
Crotalus t. terrificus (commum)
0.6
(0.52)
1920
Crotalus atrox
20.0
(17.34)
58
Rothrops jararaca
4.0
(3.6)
280
Bothrops alternata
6.0
(5.06)
200
•V
°tas :
1 )
A secreção toxica do Crotalus t. terrificus foi extrahida no verão e im-
^tamente seccada no alto vacuo. ficando como rosiduo secco 24,9%.
I 2) Trata-se de uma quantidade mais elevada de veneno secco, colhida pelo
**“Uto no decurso dos últimos tres annos. Ê, pois, um veneno medio de todas
es taçôes do anno, de animaes de idades difierentes, e, das duas variedades de
° l< du s i terrificus brasileiras: collincatus e coUirhombeatus (9). Esse veneno
l ’ n ^ a 12,6% de agua, a qual foi expellida no alto vacuo a 35°C sobre pentoxydo
P
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P
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cm
114
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
de phosphoro. durante poucas horas. O facto de Micheel (5) ter achado $
gamma/g camondongo como D. M. L., é por elle attribuido á pouca activida^
do veneno que empregou.
3) O veneno do Crotalus atrox foi. ha vários annos, trazido da America
Norte pelo director deste Instituto, dr. Afranio do Amaral, que nol-o offerece'-
para estudos. Contém 13.3% de agua. que é retirada pelo processo indicado
numero 2).
4, 5) São venenos de 2 espedes communs de Bothrops, os quaes *
semelhança do veneno do Crotalus t. terrificus, são extrahidos na rotina bi-set 0 *"
nal em nosso Instituto e seccados na estufa a 37°. O veneno do Bothrops j ir1 '
raca continha 10.1% de agua e o do Bothrops altcrnata, 15,6%.
Uma vez certos de que os nossos teores de toxicidade podiam ser reprodu**'
dos com diversos venenos, dentro de um limite de 10-15% de erro, dedicamo-J**
ao estudo da conservação dos solutos da peçonha de Crotalus t. terrificus sob
mais diversas condições, valendo-nos do nosso methodo recem-elaborado pa 13
determinação do teor de toxicidade. Como orientação para os demais traball** -
era para nós de especial interesse conhecer o comportamento dos solutos toxic^
com relação a diversas temperaturas e a diversos graus de acidez. Os solut 0 *
de veneno, com excepção do ensaio ainda por descrever a 37°, foram sempre coF
servados na geladeira a uma temperatura entre 2 e 4® acima de zero, em fras c °’
com rolhas esmerilhadas. Não expellimos o ar dos frascos por nitrogênio ou r
um outro gas neutro. Os ensaios foram executados exclusivamente com o 0°^'
veneno de Crotalus t. terrificus que chamamos de "medio” (vide acima No. '
e, por commodidade, justamente com o veneno secco, tal qual o recebemos. ^' ca *
experiencia em separado mostrou que este veneno perdia, na seccagcm sob**
pentoxydo de phosphoro num vacuo de 0,01 mm. a 35®C, 12,6% de agua. Co* 31 '
contra-prova, realizámos também verificações do teor de toxicidade com vC* 1 *®*
complctamente secco. Estas accusaram exactamcnte no teor de toxicidade. ^
augmento correspondente a perda de agua.
MS
O teor de toxicidade de um soluto de veneno normal, conservado livre
bactérias pela addição de Nipagin, mantem-se constante em 1920, e mesmo dep'-*'
de 112 dias. Somente depois deste periodo é que elle começa a baixar, ficar>’
ainda em 1640 depois de 153 dias. O soluto, mesmo depois de tres meses, p 0 ****
ainda o mesmo cf feito. O seu grau em acidez oscillava durante todo o
devido á presença da pequena quantidade de Nipagin fracamente acida, en {re
e 4,5. (Curva 1).
cm
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Sotuto de 80 /«*•». do tenrao communt (mm de mguti > ■/<• Cndmttta /. trrrifieua
c/i j -50 cc. í/c soluto phyaiologioo, com 75 mgs. </e "Ntjtagin”
a pll = 4 — 4,5, conservado na geladeira a -/• 2® ale -j~ 4* C.
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Slotta *. Szyszka — Toxicidade de venenos ophidicos
117
Como exemplo elucidativo da maneira pela qual obtivemos os dados do dia-
^ Tin,tn a No. 1, devemos citar os protocollos do 13.°, 112.° e 153.® dias, correspon-
datt « aos nossos Nos. 1, de 4/XI/36; 6, de 11/11/37 ; 7, de 24/III/37.
Conservação de um soluto de veneno a 37° (Vide diagrammas Nos. 1, 2)
Na estufa, um soluto de veneno conserva-se quasi inalterado durante muito
•^Po ; a queda do teor de toxicidade durante grande lapso de tempo é quasi nulla,
c °osiderando-se que as DD. MM. LL. de 0,6-0, 7-0, 8 de veneno com um conteúdo
^ *2,6% de agua. correspondem a 1920, 1640 e 1430. Sómente depois de 54
*** cahe o teor de toxicidade para 1430, chegando mesmo, depois de 142 dias a
teor de 1270, o qual então desce mais rapidamente, para attingir um teor de
7fít
depois do 183° dia. Para examinar a influencia do grau de acides sobre o
t<0r de toxicidade (Vide diagrammas Nos. 3, 4, 5) preparamos tres solutos, ana-
aos empregados nos diagrammas Nos. 1, 2. que foram levados por titulação
Crjm ammõniaco, a pH 8,2 ou pH 12 e com acido chlorhydrico a pH 1, sem tam-
Cada 15 dias procedémos á verificação do grau de acidez dos solutos, e,
^clo necessário, fizemos novas titulações. Ficou patenteado que, quanto
nos afastavamos do pH natural de um soluto de veneno, que é de
5 (sem addição de “Nipagin”) tanto para o lado acido como para o alca-
tanto mais depressa cahia o teor de toxicidade, emlx>ra sua queda fosse mais
no lado alcalino. Enquanto que, depois de 2 meses, o soluto de pH = 8.2
Possuia mais ou menos 50 a 60% de seu teor de toxicidade, e o de pH = 1
possuia 40 a 50% o seu teor num soluto, levado ao pH = 12, cahiu nesse
^ a menos de 5%.
todos esses ensaios conclue-se que o camondongo branco pode ser empre-
vantajosamente como animal de controlo nas experiencias cm serie c nas
' J ' is de controlo do enriquecimento de solutos de veneno, oífcrcccndo, em com-
com os pombos, enormes vantagens cm vista de sua barateza c da facili-
^ de serem criados. Ainda mais, o emprego de camondongos possibilita a
de trabalhos e pesquisas, que, em vista do acima exposto, com o emprego
Pombos não poderiam ser realizados, tomando-se em consideração a despesa
lon , . .
0 numero avultado de animacs que taes ensaios exigem.
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
RESUMO
A determinação da toxicidade do veneno ophidico foi obtida com uma
ctidão de 10 a 15% de erro, mediante injecção subcutânea de um soluto do ven
em camondongos. A unidade camondongo (UC.) é aquella quantidade de venC*- 1
capaz de matar 1 g. de camondongo dentro de 8 a 22 horas. O teor de toXJ®
dade de um veneno corresponde ao numero de unidades camondogo contida
em 1 mg. do veneno seccado no alto vacuo a 35°. Assim o teor de toxicidade d 1
veneno do Crotalus t. tcrrificus é de 2220, e o de Bothrops jararaca é de 28^
Solutos do veneno do Crotalus t. tcrrificus podem ser conservados na geladeif*
durante 3 meses, sem que se lhes altere o teor de toxicidade. A 37°, o teor
toxicidade decresce consideravelmente depois de um mês e meio. Com 016
pH = 1, o teor de toxicidade decresce rapidamente; com um pH = 12, decres**
ainda mais rapidamente; mas com um pH = 8,2, elle se conserva um P 00 ^
melhor. Solutos do veneno do Crotalus t. tcrrificus conservam-se especialm^
com um pH = 4 ou pH = 5.
ZUSAMMENFASSUNG
Die Pruefung des Giftwertes von Schlangengift, wurde mit einer Gcnatfs
keit von 10-15% durch subcutane Injektion der Gift-Loesung an Maeusen 31^?^
fuehrt. Eine Macusc-Eitthcil (ME) ist die Menge von Gift, die 1 g-
innerhalb von 8 bis 22 Stunden toetet. Der Giftwert eines Giftes ist die Z**'
von Macuse-Einheiten, die in 1 mg. des im Hochvakuum bei 35° getrockn* 4 **
Giftes enthaltcn ist. Der Giftwert von Crotalus t. terrificus-G ift ist 2220. ^
von Bothrops jararaca 280. Giftloesungen von Crotalus t. tcrrificus-Giit
sen sich im Eisschrank 3 Monate ohne Acndcrung des Giftwertes aufhcK^
Bei 37° faellt der Giftwert schon nach 1.1/2 Monaten betraechtlich ab.
pH = 1 sinkt der Giftwert sehr schncll, aber bei pH = 12 ganz ausserordent
I*
ijcfe
rasch. Etwas besser haltbar sind Loesungen bei pH = 8.2. Loesungen
Crotalus t. tcrrificus- Gift sind am besten bei einem pH = 4 bis pH = 5. hal*
BIBLIOGRAPHIA
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1937. Dado á publicidade em derembro de 1937).
11
612 - 3141 : 398.122
ESTUDOS CHIMICOS SOBRE OS VENENOS
OPHIDICOS
2. Sobre a forma de ligação do enxofre
POR
C. H. SLOTTA & H. L. FRAENKEL-CONRAT
INTRODUCÇAO
r ^ analyse do nosso veneno usual de Crotalus t. terrificus secco accusou
^*5%, H r= 5,9%, N = 13,2%. S = 3.4% (0 = 30,0%). Outros auctores
ÇTlc °ntraram num veneno de Crotalus t. tcmficus, provavelmente apenas scc-
^ ar, C = 43,4%, H = 6.6%. N = 12,6% e S = 2.9%, o que concorda
l ^ eit *mente com os nossos valores, tomando-se cm consideração os 10,8% de
^ Atidos no veneno, que elles certamentc analysaram. Comparando-se estes
<■; r analyse com a media das analyses das proteínas (C = 50-54%, H =
N’ = 17,0 — 17,6%. S = 0,3-2,3%. O = 21.5-23,5%), o que mais se
i j ° alto teor de oxygenio e de enxofre no veneno. O primeiro nos leva
^ POr ^ue compostos ricos em oxygenio — como as glycidas — entram em
* r ci ^ artC na const ' tu ' < > ao do veneno, á semelhança de outras substancias pro-
‘ O alto teor em enxofre poude ser igualmcntc observado nos venenos de
V, * C ° 5 * assim encontraram-se 3,2% de enxofre no veneno natural e 5,1% (2)
Vj ; 1 ,Ca do de Naja naja; e 4,6% no veneno natural e 5.5% no purificado de
;a fki' '*■
(3).
r *o
ür Pfehendeu-nos, assim como aos auctores desses trabalhos citados, o facto
*s . P°dcrcm ser verificados grupos -SH livres com nitroprsussito de sodio
de Folin; no entanto, pudemos encontrar, no veneno de Crotalus t.
lfUl a PÓs reducção com acido sulfuroso, grupos — SH como o reagente de
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Folin, o que não nos tinha sido possível alcançar com nitroprussito de sodio,
em si já é de reacção menos sensível. Micheel (4), ultimamente, parece **
observado algo de parecido com o veneno de Naja, si é que interpretamos de**-*
mente uma observação feita em seu ultimo trabalho.
Dá-se algo semelhante com uma outra substancia proteinica, physiolog^
mente muito activa, a insulina, a qual contem um teor de enxofre na
ordem de grandeza (3,3%), o qual não existe, nem sob a forma de grupos **
nem em ligações -S-S-facilmente reduzíveis (5). Ha já vários annos, foi
trado (6) que a cysteina (-SH) representa um meio de reducção especifico F*^
as ligações -S-S- proteinicas. sendo por sua vez deshvdrogenada para cy 5 ’
(-S-S-) :
Prct.— S— S— Prot. + CjHgO^.SH = 2 Prot — SH + C^H^Oj X.S— S XOjH*^
(Cysteina) (Cystina)
De accordo com esses dados, conseguiu-se finalmente (5a, b) provar q ,Jí
enxofre na insulina está realmente ligado em forma de pontes -S-S-. Pela ^
especifica da cysteina, estas pontes puderam ser destruídas e isto com perda
pleta da actividade do hormonio.
Tratando-se, no caso da reacção de cysteina (-SH) com proteína (-S-S 1
da deslocação de um estado de equilíbrio, é natural que, para alcançar um
mento quantitativo de proteína (-SH), se necessite de um grande excesso
cysteina. Além disso, a reacção depende grandemente do pH (5b) ; pois, *
pH inferior a 6, ella não se manifesta; num pH=6-7 é ainda bastante lenta. *
passo que se mostra cada vez mais rapida á medida que cresce a alcalinid*^
Assim é que um pH = 7.5-8.0 se mostrou optimo para as proteinas fortem**' 1 '
sensíveis aos alcalis, como. por exemplo, a insulina.
Experiências
Era, pois, indicado estudarmos a influencia da cysteina (-SH) sobre o
veneno de CrotaJus t. tcrrificus. Empregámos para esse fim o veneno r cc^
extrahido, muito activo, sem qualquer purificação. Com effeito, fôra veriffr*^
tanto por nós como por outros auctores (4), que os resultados de experien^* -
com venenos ainda não purificados podem ser relacionados directamcnte, „
principio, com a ncurotoxina pura. Para isso addicionámos uma quantidade *
vezes maior de cysteina (-SH) ao nosso soluto do veneno; acertámos o seu P
a 7,6 com carbonato de sodio e tampão de phosphato. Determinámos, enl*‘
depois de varias horas de repouso á temperatura ambiente, a toxicidade, fl
decahira rapidamente (Vide curva 1). O facto de a toxicidade não haver des*? -
parecido completamente parece ser devido á formação de um equilíbrio; em
to>'
cm
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Slotta & F.-Conrat — Enxofre em veneno ophidico
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Ca5 °- com excesso ainda maior de cysteina, pudemos diminuir bastante mais o
*<or de toxicidade. Para controlo, fizemos passar uma corrente de oxygenio por
parte do soluto de cysteina (-SH) sob addição de uma dose minima de iões
r “prieos como catalysador oxydante, até se dar a reacção negativa dos grupos
com nitroprussito de sodio, i. é. até á presença exclusiva de cystina (-S-S-),
^ se precipitou parcialmente. Esta suspensão de cystina (S-S-) foi addicionada
4 “nia parte do soluto de veneno já regulado a um pH=7,6. sendo a mistura guar-
sob as mesmas condições que o outro soluto, e controlados os seus teores de
! °*ieidade simultaneamente. O teor de toxicidade do soluto de controlo não
***&& em absoluto durante o tempo de experiencia. Tanto o soluto toxico com
^«na (-SH), como o com cystina (-S-S-), tinha no final do ensaio o mesmo
^ (7,6) que no começo.
Parai el lamente, submettémos aos mesmos ensaios o veneno da Boihrofs
Ifraraca, que é a serpente mais abundante no Brasil meridional. Este veneno,
P^uindo apenas a sexta parte da toxicidade do Crotalus t. tcrrificus, perdeu pro-
i^cionalmente em toxicidade, como mostra a curva 2. enquanto os controlos, ef-
Ie ctuados de modo idêntico que para o veneno de Crotalus t. tcrrificus, não deixa-
I J* n » entrever queda do teor de toxicidade, ou apenas um decréscimo dentro dos
^íes de erro. Iníelizmente, não dispúnhamos de veneno fresco de Naja flaz-a
011 N aja naja. O preparado, bastante antigo, de veneno de Naja naja. que pos-
pomos, encerrava apenas a septima parte da actividadc registada por outros,
-°nde o facto de termos preferido repetir inteiramente esses ensaios com um
Vç t>eno fresco.
Influtncil <U eysteino sofcr» o ftor d* taiiciisJ< (Til
é* solutos do vtnono <U
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Esses ensaios de desintoxicação apenas podem ser interpretados pelo desd- v
bramento das pontes -S-S- sob perda da actividade neurotoxica, mediante a
fluência da cysteina (-SH) sobre os componentes neurotoxicos do veneno ophidic*
conforme mostram as Formulas 1 e 2. Do mesmo modo como se deu com J
insulina, foi-nos impossível ligar por dehydrogenação com cystina (-S-S-) 05
grupos -SH, de modo que a actividade neurotoxica do veneno fosse recuperada.
R-XH-CH-CO-XH-R. . .CO-NH-CH-CO-*
R-XH-CH-CO-XH-R. . .CO-XH-CH-CO-XH-R
i I
CH,
I
S
CH..
(FORMULA 1)
I
CH.
i
s
CH.
SH
S + cysteina(-SH )
CH» SH
R-XH-CH-CO-XH-R. . .CO-XH-CH-CO-XH-R
CH.
CH.
SH
(FORMULA 2(
SH
CH»
R-XH-CH-CO-XH-R... CO-XH-CH-CO-^'
DISCUSSÃO
Recentemente, Michcel e collaboradores descreveram (3. 4) um enrique»-
mento considerável da neurotoxina no veneno de Naja. Xesses trabalhos li
importantes foi estabelecida uma hypothese sobre a ligação do enxofre no vei***
ophidico, hypothese esta que está em contradicção completa com o nosso
de vista. E’ verdade que trabalhamos com espccies de venenos ophidicos dif !<
rentes das que foram utilizadas pelos citados auetores; contudo, cremos <l ue
enxofre contido nos componentes neurotoxicos de todos os venenos ophidi°- v
esteja ligado, de maneira semelhante, nas moléculas; temos, com cf feito, a ,flr
pressão, baseada em innumeras observações, de que o arranjo dos elementos c °"'
titutivos desse grupo de substancias naturaes não apresenta differenças
inentacs.
Micheel (3), como nós a principio, tampouco conseguiu verificar, com 1
rcacções usuacs, ligações de -SH ou de -S-S-, e chegou assim á hypothese de ( T JÍ
o enxofre no veneno ophidico está contido sob uma forma de ligação bem di vCÍ **
da das proteinas communs, i. e., da thiolactona (Formula 3). Desde
segundo seus estudos a neurotoxina de Naja flava tem um peso molecula r
2500-4000 e um teor de enxofre de 5.5%, a molécula contém de 4 a 7 atonto-' ^
4
Slotta & F.-Conrat — Enxofre em veneno ophidico
123
^oire. De
seu trabalho não se deprehende si todos, ou apenas alguns destes
fornos de enxofre, são abrangidos por ligações de thiolactona; cm todo caso,
suppõe que a toxicidade da substancia está intimamente ligada ao grupo ou
° 3 «n^tpos thiolactonicos.
Apoia sua hypothese no seguinte ensaio: deixou, durante 24 horas, actuar
ox )'genjo, a um pH=9-10, sobre o soluto do veneno, que assim perde 50% de
^ toxicidade. Esse mesmo soluto foi então tratado com cysteina (-SH) a
^ PH=2-3, recuperando deste modo a metade da actividade perdida. Para
**-arecer 0 processo dessa reacção, indicou o seguinte eschema: em presença do
o annel thiolactonico se abre (Formula 3) ; com oxygenio, o thiol, assim
r ^mado (Formula 4), é deshydrogenado até á forma inactiva de bisulfureto
ortnula 5); esta, por sua vez, mediante cysteina (-SH) em excesso,
tor na-se novamente, por intermédio dum acido-thio-carbonico, em thiolactona
'Formula 3).
CH„
(FORMULA J)
XH,
I
CH-CO (4-XaOH)
(FORMULA 4)
XH a
CH;... CH-CO (4-0,)
SH
OXa
(FORMULA 6)
nh 2
I
CH,... CH-CO
(4- cystvioa(-SH) 4 H')
XH,
div
a nossa
depois de termos provado a existência de grupos -S-S- nos venenos
Posição, podemos dar a seguinte explicação ao ensaio de Michcel: pela
rolyse alcalina, taes pontes-S-S- são desdobradas em thioes c ácidos sulfc-
n,c ° s instáveis, i. é, as neurotoxinas da Formula 1 passam para as ligações corres-
l^dentes á Formula 6. Esta mudança occorre espontaneamente cm ambiente
[^onmentc alcalino c é accelerada pelo oxygenio (7). de modo que a inactivação
''Orada é perfeitamente esclarecida.
A rcactkvção parcial do produeto obtido com cysteina (-SH) cm soluto
4c, do parecia-nos, desde o principio, um tanto duvidosa. Agora Michcel declara,
^ ultimo trabalho (4), que a reactivação de taes “produetos de oxydação”
reducção com cysteina (-SH) foi “alcançada apenas em alguns casos, sendo
-rtl Possivel reproduzir com segurança as condições de reacção”. Mesmo no caso
‘ e Michcel não ter tido em mão um produeto de desdobramento por hyd rolyse.
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
mas sim o composto de -S-S- inactivo exigido por seu eschema, jamais lhe tertf
sido possível reduzil-o sob as condições por elle indicadas. As pontes -S-S-
proteínas só podem ser hydrogenadas com cysteina (-SH) em solutos 4 ul -''
neutros ou alcalinos, como já dissemos uma vez. Xo entanto, jamais os esf**
cialistas nesse assumpto (5,6) conseguiram essa reacção a um pH=2-3,
modo indicado por Micheel.
(D
(-fXaOHt
( + H,S0 3 )
R-XH-CH-CO-XH-R. . .CO-XH-CH-CO-XH-R R-XH-CH-CO-XH-R. . .CO-XH-CH c ° *
1
ch„
1
1
ch 2
1
ch 2
1
u
1
SH
SH
SH
SH
(FORMULA «>
(FORMULA 7)
S.SOjl 1
I
SOH
1
SOH
1
S.SOjH
1
CR,
CH,
CH,
CH.
R-XH-CH-CO-XH-R... CO-NH-CH-CO-XH-R R-XH-CH-CO-XH-R. . .CO-XH-CH-* *■
Como é que Micheel chegou á sua hypothese. tão complicada? O mais
seria, naturalmente, suspeitar a occorrencia do enxofre em pontes -S-S-
tn-
tando-se de proteinas isentas de thiol, mas ricas em enxofre, e que são des^ r
braveis pela cysteina (-SH). Isto Micheel não conseguiu esclarecer, não pot < l-’ í
faltem pontes-S-S- no veneno, mas sim porque lhe passou despercebido <l llC
reacção depende grandemente do pH, o que somos obrigados a admittir á h"
dos seus estudos, que acabámos de citar, nos quaes elle suppõe ter consegui^ 0
rcducção a um pH=2-3 com cysteina (-SH).
Embora isso nos parecesse pouco acertado, á luz da literatura, para n 0 ** 3
melhor orientação procurámos inactivar, com cysteina, solutos de veneno 3 ^
pH=4-5. i. é, com menos acido do que no caso de Micheel; no entanto,
depois de algumas semanas, não pudemos observar qualquer queda do teor
toxicidade.
Preso áquella sua hypothese certamente errônea, Micheel também em ííU_
novos trabalhos (4) omitte essa explicação (que ora damos) tão clara a
interessantes ensaios. Si elle deixa repousar algumas horas solutos diluido»
veneno com bisulfito, surgem os seguintes phenomenos:
cm
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Slotta Sí F.-Coxbat — Enxofre em veneno ophidico
127
aparecimento de grupos-SH ; 2) apparecimento de um precipitado
•-sohrve! em agua, com um teor de enxofre mais elevado ; 3) deslocação da
óptica em sentido negativo; 4) inactivação do ef feito toxico”.
Repetimos as experientias de Micheel com o nosso veneno de Crolalus t.
«*ficus e chegámos a resultados correspondentes. Também em nosso caso
'“^pitou-se mais ou menos em peso a metade da quantidade da matéria prima
' 3 substancia retida no soluto deu, com o reactivo de Folin, a reacção nitida
■ ÉFupos -SH. A rotação óptica variou no mesmo sentido e em proporções
' Cl *&antcs. Precipitado e soluto são practicamente atoxicos. Tudo isto é mais
5311 Prova de que se pode transmittir, com o devido critério, os resultados obtidos
Vç nenos de Naja para a chimica dos venenos de Crotalus e vice-versa.
-Micheel procurou esclarecer a influencia de bisulfito sobre o veneno com
SQsão do seu annel thiolactonico. Como experiencia modelo, elle indicou
hatamento da lactona da homo-eysteina (Formula 8) com bisulfito, onde
l f’Pirecem, por hydrolyse subsequente do composto primário (Formula 9), os
” lI P 0s -SH (Formula 10). Mas, com a apresentação deste seu eschema, não
Pode esclarecer explicitamente o apparecimento simultâneo de um thiol e de
31 composto mais rico em enxofre no veneno ophidico. Podendo a substancia
rica em enxofre ser dissolvida em alcali e precipitada quasi quantitativa-
, .* r ' e Com acido, como nós verificámos, não deve cila ser tão sensível a cíícitos
r °lyticos. o aue se devia suspeitar á luz do cschema de Micheel.
■^rCH-NH,
" Co (4-H,SO,)
bomoeysteina
(FORMULA #>
CHj-CHj-CH- NH-
I ‘ I
S COOH
SOjH
<+H,0)
(FORMULA 10)
CHj-CHj-CH-NH,
I
SH
+ H»SO,
COOH
%undo a nossa concepção, as neurotoxinas são substancias com ligações
. TkiPtx..»,. — — — — - rltt f itn m . I . « («wwt 1? — - \ _ . . »
•S-S. J
Portanto, a sua reacção com sulfito c de fadl explicação. As pontes
V>|
»o desdobradas pelo acido sulfuroso, no sentido da Formula 7, cm um
. e Um acido thiosulfonico. Com ef feito, é esta a reacção commum c normal
t 'Ubstancias com pontes -S-S-. Com sulfato de sodio não se dá simplesmente
^ucção da cystina, o que se deduz do não-apparccimento de sulfato de
ao demais, só a metade da cystina pode ser transformada em eysteina.
a outra forma o addo cysteino-sulfonico (8).
^ssa maneira explicam-se as 4 observações feitas por Micheel c amplamcnte
n ° s comprovadas: 1) o composto thiolico é relativamente bem solúvel e os
^Pos
thiolicos também podem ser verificados no soluto; 2) o composto do acido
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
thio-sulfonico é pouco solúvel a frio e bem estável, possuindo naturalmente ca-
2 vezes o teor de enxofre que a neurotoxina; 3) a variação da rotação opti° :
compre hensivel, mesmo assim não permitte tirar conclusões de grande alcai**
4) o desapparecimento da toxicidade em relação á desintoxicação da neuroto* 1 ^
não é de admirar, dando-se, por desdobramento, reducção, ou hydrolyse.
Em outra serie de experiencias (4) Micheel conseguiu desintoxicar a &
neurotoxina por oxydação com oxygenio, em ambiente acido por addição
cysteina (-SH) e muito oxydo cuproso. Segundo as experiencias de out&
(9), a cystina (-S-S-) se oxyda lenta, mas quasi completamente em soluÇ*
acida, dando acido cysteinico HO a S.CH ; .CH(XH 2 ).COOH. Si bem que
experiencias de Micheel a solução fosse menos acida e o tempo mais breve. e '
emprega, porém, muito catalysador de metal pesado e forte corrente de oxyg*®*
Em todo caso acreditamos que, em suas experiencias, se haja dado o desdobr*
mento das pontes -S-S- do veneno, por oxydação.
Em geral, pelas nossas experiencias ficou unanimente pro\ - ado que nas
versas neurotoxinas existem pontes-S-S- normaes, que são de importância d* 1 ’
siva para o ef feito do veneno. Como pensamos ter mostrado, todos os tac*’"
observados por Micheel falam a esse favor e não contra.
Em todas as outras proteínas altamente activas (p. ex., insulina, proteína^'
toxinas, vinis) até agora não se descobriu entre os amino-acidos, encontrai
como produetos de desdobramento, um que fosse particularmente caracteri>H c ‘
quanto á sua estruetura ou quantidade, para a proteina activa corresponde^
A natureza parece construir sempre as proteínas com os componentes já cont*"
eidos; a actividade parece depender mais da estruetura geral do que de pou 0 ”
componentes heterogêneos. A theoria de Micheel requer um agrupamento
átomos, no qual um grupo thiolico deveria estar localizado em uma posição f 3 '^
ravcl para fechar o annel lactonico, digamos na posição ú , quanto a um
carboxylico. Um tal composto ainda não é conhecido entre os produetos ^
desdobramento de substancias proteinicas. No entanto, justamente nas protci 0 *
altamente activas o seu teor de -SH c -S-S- é de importância decisiva: a instd 1 ®*
perde sua actividade pela hydrogenação das pontes -S-S-, enquanto que as
teinases cathepticas por ella se tornam mais activas.
Protocollo das experiencias.
I. Desintoxicação do veneno de Crotalus t. terrificus com cysteina
Foram preparados os seguintes solutos:
a) Soluto de veneno: 4 mgs. de veneno de Crotalus t. terrificus to* 31 ”
dissolvidos em 4 cc. de soluto a 8,5% de chloreto de sodio.
8
cm
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Slotta & F.-Coxrat — Enxofre em veneno ophidico
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I 5 ) Soluto dc cysteina: 75 mgs. de hydrochloreto de cysteina (Kahlbaum)
orani dissolvidos com 50 mgs. de carbonato de sodio em 7,5 cc. de agua, tratada
^'iamentc com uma corrente de nitrogênio, e 3 cc. desse soluto, mantidos sob
^ogenio.
c ) Suspensão de cystina (-S-S-) : os restantes 4,5 cc. do soluto foram
Bas * u rados com um pouquinho de chloreto de cobre, deixando-se atravessar
° nia corrente de oxygenio até que a prova de nitroprussito de sodio fosse nega-
“' a (30 minutos).
Experiência feita com uma quantidade de cystciiui 20 vexes maior.
Addicionaram-se a 10 cc. de um soluto de phosphato-tampão de pH=7,5,
j^'° ^ual tinha passado durante muito tempo uma corrente dc nitrogênio, 1,5 cc.
, ÜIn soluto de veneno (a) e 3 cc. de um soluto de cysteina (-SH), sendo com-
• a da até a marca de 25 cc. e a mistura, depois de expellido o ar com nitrogênio,
a repousar num balãozinho com rolha esmerilhada a 21°.
contra-prova, addicionaram-se, a igual quantidade de soluto de tampão
** Vç neno (a), 3 cc. de suspensão de cystina (-S-S-) (c), sendo o volume
J^Pfetado com agua até a marca (25 cc.), e guardada a mistura como acima.
°PH
líoraj
nos solutos de experiencia c controlo era = 7,6 no inicio da prova e 24
mais tarde.
j series de 6 camondongos foram injcctados os dois solutos 15 minutos,
^ ‘°ras e 22 horas mais tarde e, assim, obtida a D.M.L. do veneno. A unidade
^ Ca niondongo (U.C.) do nosso veneno natural era de 0,8 gamma. Na prova
j . contr olo, esse teor permaneceu estável (=0,8 gamma). Na prova com cys-
('SH), elle importava cm 1,0 gamma, depois de 15 minutos; 2,0 garnmas.
V>i
j. 5 de 3 horas; e 2,4 garnmas, depois dc 24 horas. Depois dc descontados
^ J '° (teor de humidade do veneno tomado cm consideração) c calculados os
rç-.' 5 t0XIC > da de (T.T.), verificou-se a queda da toxicidade, a qual se vê
t °^ U2, da na Curva 1. Essa experiencia foi repetida sob as mesmas condições
** rts nltados, lançados na mesma mrva.
Experiencia com uma quantidade de cysteina 40 vexes maior.
iirf ^ m £ s - de hydrochloreto de cysteina c 27 mgs. dc carbonato dc sodio foram
^ * ! Çionados a um soluto de 2 mgs. de veneno dc Crotalus t. terrificus cm 0,2 cc.
jj, r ° Physiologico, 2,4 cc. tampão de phosphato c 2,4 cc. de agua, tratados com
: , v ‘^ Cn io, c, 24 horas mais tarde, accrcscentada a mesma quantidade de
r0chlor eto de cysteina e carbonato de sodio ; desse modo, no total realmente
* tía 40 vezes mais cysteina do que veneno. A U. C. do veneno assim tratado
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
era, no dia seguinte, superior a 9.0 gamma: o T.T. era menor do que 110. de
rnodo que cahiu até 5%.
II. Desintoxicação do veneno de Bothrops jararaca com cysteina (-SH)
a) Soluto de 7-eneno : 8,8 mgs. de veneno de Bothrops foram dissolvido*
em 1,1 cc. de um soluto a 8.5% de chloreto de sodio.
b) Soluto de cysteina: 220 mgs. hydrochloreto de cysteina e 148 mgs. ^
carbonato de sodio foram dissolvidos em uma mistura de 4,5 cc. tampão de
phosphato (pH=7,5) saturado com nitrogênio e 6,1 de agua; e 4,5 cc. des**
soluto foram conservados sob nitrogênio.
c) Soluto de cystina (-S-S-) ; A cysteina no soluto restante foi, confort 1 *
descripção acima, transformada em cystina (-S-S-) por meio de oxygenio-
4.5 cc. de soluto de cysteina (-SH) (b) foram accrescentados de 0,5 cC
de um soluto toxico de Bothrops (a) e conservados a 21° sob nitrogênio.
Para controlo, misturaram-se 4,5 cc. de uma suspensão de cystina (-S-S*)
com 0,5 cc. de soluto toxico (a).
A U. C. do nosso veneno de Bothrops era de 4 a 5 gammas. O veneno 0*
prova de controlo, constante de 4 a 24 horas, accusava uma U.C. de 4,5 gaiTim* 5-
O veneno tratado com cysteina (-SH) accusava, depois de 4 horas, uma
de 9,0 gammas; depois de 24 horas, 11,2 gammas; e, numa repetição da exf* -
riencia. 11.7 gammas. Depois de descontados 10,% (teor de humidade do ^
neno de Bothrops) e calculados em T.T., observou-se a queda descripta
Curva 2.
III. Influencia de bisulfito de sodio sobre o veneno de Crotalus t. terrif^ 0 *'
m
1) 22 mgs. de veneno de Crotalus t. tcrrificus e 66 mgs. bisulfito
sodio foram dissolvidos em 3 cc. de agua e o soluto, deixado a repousar á t e ^ T
peratura ambiente; 17 horas mais tarde, surgiu um precipitado. A suspeB** 1,1
tinha uma U.C. de 20 gammas, isto é, um T.T. de apenas 50 unidades a 8®***
O precipitado pesava 9,8 mgs. depois de seccado no alto vacuo. Xão se dis* 0 ^
em 0,1/X de ammoniaco, sendo no entanto solúvel em 1,2 cc. 0,1/N hydroX)
de sodio, podendo ser novamente precipitado cm 1 cc. 0,1/X de acido chlot^'
drico, com o que se recuperam 7,8 mgs. de uma substancia sccca.
2) 20 mgs. do veneno de Crotalus t. terrificus em 0,2 cc. de um soluto
chloreto de sodio a 4,25% foram misturados com 2 porções differentes de
fito de sodio em 2 cc. de agua;
Experiência a: com 20 mgs. de bisulfito de sodio.
10
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depois de 4 horas, formaram-se 3,6 mgs. de precipitado; depois de 24
°° Tas , novaniente 3,6 mgs. ; e dois dias mais tarde, outros 2,9 mgs., o que perfez
6ai . de 10,1 mgs. A U.C.depois de 4 horas era de 3 gammas e o T.T.,
^ jr tanto, apenas 333.
Experiência b : com 40 mgs. de bisulfito de sodio.
„ Depois de 4 horas obtiveram-se 5,6 mgs. de precipitado; depois de 24 horas
/ t
togs., depois do qual não se formou nenhum outro precipitado. A quantidade
er a portanto de 12,7 mgs.
__ 3) A reacção foi repetida com soluto diluido afim de evitar uma precipi-
do producto. 35 mgs. de veneno de Crotalus t. terrificus foram dissolvidos
2,5 cc. de um soluto de chloreto de sodio a 8,5%, sendo-lhes addicionado
to- de um soluto de bisulfito de sodio a 5% c completada a marca com agua
J CC. A rotação óptica foi:
ao principio da experiencia 32,1° ± 3.6*
depois de 1 hora 42,9® dfc 3,6*
depois de 17 horas 55,0° ± 5,4®
Este ultimo valor não se alterou nem depois de outras 24 horas.
RESUMO
w _. Ds teores de toxicidade decahem rapidamente ao se deixarem repousar os
to> de veneno de Crotalus t. terrificus e de Bothrops jararaca com um grande
v! fSs ° de cysteina (-SH) a um pH=7, 6 e á temperatura usual, enquanto os
^ 05 de controlo conservam o mesmo teor de toxicidade com cystina (-S-S-)
I _.‘ ro do mesmo prazo de experiencia e sob as mesmas condições. A cysteina
p > ê um meio de reducção especifico para as ligações -S-S- em proteínas.
_ isto ficou provado que os compostos ncurotoxicos do veneno ophidico
j® 11 ligações normacs de -S-S-, cuja presença desempenha o papel prepon-
n to na acção neurotoxica. O facto de que a queda da toxicidade corresponde
Qal mente a uma acção sobre o componente neurotoxico, decorre da própria
^inação da D.M.L. c dos phenomenos sob os quaes os animaes perecem.
Eodc. se portanto, excluir a hypothcse de Michcel de que o enxofre esteja
nas neurotoxinas das serpentes, em ligações thiolactonicas.
ZUSAMMENFASSUNG
Eejm Stehenlassen der Loesungen der Gifte von Crotalus t. terrificus und
r °ps jararaca mit einem grossen Ueberschuss von Cystein (-SH) l>ei pH
11
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7,6 und unter gevroehnlicher Temperatur nehmen die Giftwerte ausserordentlk* 1
schnell ab, waehrend Kontroll-Loesungen mit Cystin(-S-S-) innerhalb &
Versuchszeit unter denselben Bedingungen denselben Giftwert behalten. ^' aS
ist Cystein(-SH) ein spezifisches Reduktionsmittel fuer -S-S- Bindungen 13
Proteinen. Somit ist bewiesen, dass die neurotoxische Komponente ^
Schlangengiftes normale -S-S-Bindungen enthaelt, und dass das Vorhanden<*-
dieser fuer die Wirkung des Neurotoxins eine wesentliche Rolle spielt. Das» **
sich naemlich bei der Giftwertsabnahme im wesentlichen um die Beeinflusí^
der neurotoxischen Komponente des Schlangengiftes handelt, folgt aus der A**
der Bestimmung der D.M.L. und den Erscheinungen, unter denen die
sterben.
Die Hypothese von Micheel, dass der Schwefel in den Xeurotoxinen &
Schlangen in Thiolacton-Bindung vorhanden sei, wird abgelehnt.
BIBLIOGRAPHIA
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(Trabalho da Sccçào d* Chtmica r Pharmarologia
rimtnUw do Instituto RuUn**a. recebido etn
bro d* 1937. Dado á pub irdade em drxeitib^
1937>.
12
612 . 31412 : 615 . 94 : 593.122
ESTUDOS SOBRE OS VENENOS OPHIDICOS
3- Teor da coagulação e da Iecithinase
POR
c. H. SLOTTA ; G. SZYSZKA & H. L. FRAENKEL-CONRAT
Todos os venenos ophidicos contêm, em quantidades variaveis, enzymas pro-
'^>ticas e outras, ao lado das neurotoxinas que. conforme já mostrámos, repre-
composições proteinicas com pontes — S — S — . Os venenos que contém
•^tivamente poucos principios ncurotoxicos. ajiesar de serem bastante peri-
“V" 05 - produzem um ef feito principalmente nocivo a outros tecidos. Essas le-
Jes » apresentadas sobretudo por edemas e phcnomcnos hemorrhagicos, são ap-
^rentemente provocadas pelas enzymas protcolyticas e coagulantes. No prin-
‘**° f lcste século, investigou-se minuciosamente uma outra enzyma dos venenos
éditos, que, todavia, na sua toxicidade não desempenha um papel tão impor-
‘ e como, de inicio, se suppusera. Esta enzyma é a Iecithinase que seinde o
gorduroso central da lecithina, formando assim a lysolecithina, que pro-
^do
*5z
a hemolyse, i. é, a dissolução dos globulos vermelhos do sangue. Dessa
• VTn a mais tarde trataremos pormenorizadamente.
® complexo das enzymas proteolyticas dos venenos ophidicos ainda foi
0 mvestigado. Aquellas que actuam sobre o mechanisnio de coagulação, fo-
°bjecto de recente estudo e interessante artigo de Eaglc (1). Normal-
* parece ser o seguinte o processo da coagulação do sangue: a prothrom-
^ sob a influencia do chamado systema calcio-liematoblastos é transformada
'brombina, substancia que tem o poder de transformar o fibrinogenio em fi-
f, Em vez desse systema, pode-se obter, de modo artificial, a coagulação,
dç.. J °* se a fP r a papaina sobre o fibrinogenio, precipitando-se a fibrina; po-
: çiia] tambeni ’ em 1 °g ar dessc systema, empregar a trypsina, a qual transforma
^ Ciente a prothrombina em thrombina. Eagle observou ainda que o papel
'^Psina pode ser exercido por uma enzyma, como, p. ex., a que se encontra
cm
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no veneno de Bothrops jararaca ou Bothrops alrox. Estes dois venenos co®"
têm. além dessa, uma outra enzyma que transforma o fibrinogenio em f ibrín*-
ou pelo menos em um complexo semelhante á fibrina. O efíeito coagula®*
do veneno de Crotalus t. terrificus parece ser exercido apenas por uma eru.' - ® 51
deste ultimo typo. Esta enzyma toma, pois. o logar da thrombina, ou da {**
paina.
systema caldo-hematoblastos
fibrinogenio
prothrombina-
thrombina-
-( papai®*-
(trypsina)
Finalmente, cm certos venenos, dos quaes mais nos interessam os de Crot
atrox, Naja flava c Naja naja, pode-se verificar a presença de enzyma», ^
destroem a prothrombina e o fibrinogenio e, por isso, tnes venenos, encara®^
de um modo geral, não têm acção coagulante.
Eagle provou que o veneno das especies de Bothrops, já em concentra^
muito diminutas, pode transformar a prothrombina em thrombina, enquanto <
esta reacção difíicilmente se verifica com o veneno de Crotalus t. terrificus-
efíeito muito mais accentuado do veneno de Bothrops jararaca, no que se
á coagulação, decorre especialmente de sua capacidade em produzir com
rapidez a quantidade sufficiente de thrombina. O veneno de Crotalus t- *****
ficus somente coagula, devido a um factor semelhante á papaina, o qual tr *^
forma o fibrinogenio directamente em fibrina. Nesse particular, nossas
riencias concordam perfeitamente com as de Eagle.
ff
Para os nossos fins mostrou-se pratico não fazermos differença cn' re ,
diversas phases do mechanismo de coagulação. Nas provas utilizámos o r ' ^
tado global desses processos, i. é, a coagulação de sangue oxalatado. .
nando-se do veneno a ser examinado quantidades crescentes, mas sempre d iN ^
vidas na mesma quantidade de soluto physiologico, á mesma quantidade de
gue oxalatado, este coagula cm prazos decrescentes. Em concentrações }
elevadas, o veneno augmenta o tempo de coagulação, o que se deve attri
ibO* ‘
outros factores destruetivos. Essa variação torna-se mais patente quando ap>
tados em curvas os valores alcançados, registando-se nas ordenadas o
prazo de coagulação em segundos por 1000, e lançando- se nas abeissas em e»c***^
garithmica o peso do veneno em gaintnas, contido cm 1 cc. da mistura de - *
e veneno. Dessas curvas de coagulação temos um exemplo na seguinte, q l *
responde ao veneno de Bothrops jararaca e de Crotalus t. terrificus.
cm
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Slotta a Au — Venenos ophidicos e coagulação
135
Em nossos ensaios de enriquecimento dos componentes ncurotoxicos, feitos
C ° ni ° veneno de Crotalus t. tcrrificus, tivemos de registar, ao mesmo tempo, a
4 f < * a ° favorável ou desfavorável do tratamento chimico sobre a acção do prin-
®Pio coagulante; por essa razão, tornou-se preciso determinar o teor dc coagu-
• a ° da fracção usada. Sendo impossível estabelecer curvas para todos os
*“ TaUj de purificação, conforme os obtivemos, pareceu-nos mais simples c cffi-
C * ntc determinar esses teores de coagulação, dc modo a fixarmos a quantidade
^“fcinia ^ vcneno q UC dissolvida em 1 cc. dc soluto physiologico e addicionada a
de sangue oxalatado, coagulasse os 6 cc. de liquido exactamcntc em 10
JJWos. A esta quantidade de veneno em gammas, referida a 1 cc. (portanto,
■' |r lida por 6) chamamos de unidade dc coagulação ( UCo ). O teor dc coagu-
"%ao ( TCo ) é o numero que indica quantas UCo. assim obtidas, estão contidas
^ ' mg. do preparado de veneno scccado’no alto vacuo. Desse modo se ob-
011 numeros de facil determinação e retentiva, os quacs exprimem nitidamente
Poder coagulante de um veneno. Os venenos das cspecies de Bothrops tèm
^ TCo muito elevado, que oscilla entre 1445 (Bothrops jararaca) a 3300 ( Bo-
r °t‘s atrox), enquanto o TCo dc Crotalus t. tcrrificus c apenas de 30.
^ A determinação do TCo é. muitas vezes, igualmente util no reconhecimento
q £ rau de pureza dos venenos. Segundo o trabalho de Eagle, o veneno de
Ualus atrox destroe a prothrombina, bem como o fibrinogenio e, porisso, não
c ffeito coagulante.
_ todavia, não somente sob o ponto de vista pratico é importante a determi-
^ v* 0 do TCo. Assim é que obtivemos, por meio da determinação comparativa
* TCo e TT de solutos de veneno de Bothrops jararaca c de Crotalus t. terri-
cm
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Memórias «lo Instituto Butantan — Tomo XI
ficus, expostos a certas influencias, resultados theoricos muito interessantes-
segundo dissemos acima, o grande poder coagulante daquelle veneno bothrop ,c0
é devido, no opinar de Eagle, a um componente semelhante á trypsina. ao P* SrJ
que o poder coagulante daquelle veneno crotalico deve ser attribuido exclusiva*
mente á sua enzyma de acção parecida á da papaina. Isto mesmo foi por n 05
comprovado de duas maneiras: a papaina distingue-se, com effeito, de outra*
proteinases por sua resistência ao calor e pelo facto de poder ser activada p° f
compostos contendo grupos — SH. A proposito pudemos provar claramente q»*
a enzyma coagulante do veneno de Crotalus t. tcrrificus também possue e* 1 * 5
duas propriedades.
Deixámos solutos de veneno sob diíferentes temperaturas e a different**
pH. Enquanto o principio neurotoxico e coagulante de solutos de veneno ^
B. jararaca, em temperaturas elevadas e mesmo a pH optimo, se mostra
cepcionalmente instável, tanto que após 24 horas a 50° o TT, assim como 0
TCo, cahiu a 4% (Vide Experiência 5a.), os solutos de veneno de Crotalus *•
tcrrificus se mostraram bem mais estáveis (Vide Experiência 5d). Ao pH
o TCo deste veneno permaneceu estável durante 2 dias, mesmo a 50“, e o 1
cahiu somente a 70% do teor inicial. Esses resultados tomam-se mais cor- 1 *
prehensiveis á vista das curvas seguintes:
cm
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Slotta í. Al. — Venenos ophidicos e coagulação
137
resistência, relativamente grande ao calor, da enzyma de coagulação do
CT °talico, que, só por si, provaria a sua natureza semelhante á papaina,
^'•oduj. se melhor ainda no seu comportamento (prindpalmcnte em compara-
c °m a enzyma de coagulação do veneno l>othropico) á cysteina ( — SH):
. ^ 5 °* Porém, deve-se levar cm conta, conforme já mostrámos, aliás, no nosso
anterior, que todos os venenos ophidicos por nós examinados são extre-
sensíveis a taes compostos — SH. Conforme verificámos cm nossas
-> ^^ncias. os componentes activos dos venenos são intimamente ligados, po-
destruir alguns por meio de certos processos, não sendo, porém, pos-
j
^se
^ «'■ou Ui i pv/t iii-.iv/ viv vv . |/iwvwawo, uav/ svuuu,
‘ ^parál-os sem perda de suas actividades. Assim, tivemos desde o inicio,
addicionámos cysteina( — SH) ao veneno de Crotalus t. tcrrificus, que
j. ^ c otn uma perda das actividades do complexo total do veneno. Esta se
r ° u sob a forma de queda do TT. Existindo no veneno de Crotalus t.
5 ^ ,f wj um componente sob a forma de papaina. clle pode ser activado por
v 1 cysteina ( — SH). Dessa maneira, porém, no inicio o TCo deste ve-
> ^Oiinue bem menos do que o TT.
i ^ li> experiencias No. 6 a e b, concluc-se que rcalmentc o TCo do soluto
( ÍI1Cn o crotalico, sob a influencia de cysteina ( — SH), decahiu após 24 ho-
v, ' <1 * lle nte a 25% do teor inicial, ao passo que o TT após o mesmo tempo,
‘*'«10 soluto, importava somente cm 0.5% do teor inicial. No veneno bo-
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
thropico o TCo estava reduzido, após 4 horas, somente a 4% do original, p° r "
que o componente, de acção parecida com a trypsina, deste veneno não p°^ c
ser activado por meio de compostos — SH ; enquanto isto, o TT importava ern
23% do teor inicial. O resultado destas experiencias, que outra vez confirma®
plenamente o trabalho de Eagle, torna-se bem claro á vista das seguintes curva*-
Qued& do "teor de toxicidedee teor de coc^ul&ç&o
ô.pds bddiçixo de c^síein&^-SH) & os solutos de veneno de:
Em Bothrops jararaca os TTCCoo decahem rapidamente e, em Crott iM*
tcrrificus bem mais lentamente, do que os TTTT.
Conforme já dissemos no começo, lemos boas razões para attribuir 3° 5
componentes neurotoxicos e proteolyticos a maxima importanda na acção p h J"
siologica global do veneno ophidico. Esta supposição torna-se tanto mais ' n3 '
vel quanto se acredita, segundo as experiencias acima, que a cnzyma coaguWn
está incluida no componente proteolytico.
Entretanto, é ainda importante na completa caracterização dos venenos, ^
nhccer-se o seu teor em lecithinase. Para a determinação desta enzyma elabd"
ramos também um methodo padrão. Propositalmente, não talamos cm unidade*
hemolyticas, ou de poder hemolytico. No entanto, a enzyma lecithinase
responsável pela hemolyse que occorre no organismo sob a acção do vener 0 -
porém esse ef feito é complexo pelo facto de existirem ainda outros pnncip* 05
no sòro, que, em parte, estimulam a acção da lecithinase e, em parte, a parai)'
sam. Uma vez que não nos interessava examinar a symptomatologia das P ,cl ’
das de cobra, e que nossa orientação nos estudos não estava dirigida no sentid 0
clinico, mas no puramente chimico, tinhamos que procurar um processo de df
1, | SciELO
G
Slotta & Al. — Venenos ophidicos e coagulação
139
er minação P ara a ledthinase, que possivelmente excluísse aquella complexidade,
•°sse facilmente realizável por outrem e se mostrasse capaz de indicar, real-
e, si possível, exclusivamente, o ef feito desta enzyma.
A reacção enzymatica entre a lecithinase e a lecithina depende muito, como
i Ua lquer processo enzymatico, da concentração assim do substrato como da en-
z ytna, do pH, da temperatura e, principalmente, do tempo. Pelo contrario, a
in fluencia da lysolecithina, formada, sobre as hematias não depende quasi do tem-
P°- existindo concentração sufficiente de lysolecithina, o sangue hemolysa quasi
In stantaneamente. Precisavamos, consequentemente, de determinar antes a con-
tração minima de lysolecithina capaz de lysar hematias de determinada especie
eiri diluição determinada.
Para esse fim, da gema de ovo preparámos lysolecithina pura e com ella
tutánios ensaios sobre hematias de cavallo. Nosso preparado, muito purifi-
I ^j 0 ’ COn seguiu hemolysar, na quantidade de 60 y e no volume de 2 cc., os glo-
j ° s ^nguineos quasi que instantaneamente. Essa mistura, além dos 60 y de
^thina, continha em 0,8 cc. de soluto physiologico. 0,2 cc. de N/15 tampão
Phosphato ao pH = 7,4 e 1 cc. de uma emulsão a 4% de hematias bem la-
adas de cavallo.
j . Afim de estabelecer condições perfeitamente iguaes para a determinação da
ec uhinase no veneno ophidico, fixámos os seguintes íactores para o exame : tem-
* r 3tura a 37°; pH a 7,4: tempo = 2 horas: volume do soluto: quantidade e
hwlidade da lecithina; quantidade e qualidade das hematias de cavallo. O pH
" / .4 e a temperatura = 37° foram escolhidos para que a expericncia se ap-
l^ximasse o mais possível das condições naturacs dos humores no corpo. Pela
^ ição de 0,2 cc. de tampão de phosphato N/15, facilmente obtem-se o pH
sujado. Observa-se também que os teores alcançados dependem grandemente
. 8Ue sc use de uma boa lecithina e cm emulsão recente cm soluto physiolo-
^ Cr ’ e de que os globulos sanguíneos sejam frescos (permanência tnaxima de
r ^ as na geladeira). E’ claro, que a quantidade da lecithina addicionada, do
''■ s mo modo que o tempo da reacção, desempenha um grande papel. Enquanto
r eaeção entre a lysolecithina e os globulos sanguíneos, como já referimos ad-
^ sc produz quasi instantaneamente, a acção da lecithinase sobre a lcdthina,
’ P°rtanto, a formação de lysolecithina, é de apparedmcnto variavel, por se tra-
de ef feito cnzymatico, que depende, não só da quantidade da enzyma, como
^betn do substrato presente, isto é, da concentração de lcdthina existente, e
ü ‘ a Çâo da acção. Como já mostramos, 60 y de lysolecithina bastam para a im-
ediata hcmolyse. Dalti termos fixado em 100 y a quantidade dc lcdthina. De
l^alqucr modo, é necessário que a suspensão de ledthina não tenha repousado
rt,ü >íos dias. visto que a lecithina em soluto aquoso é hydrolysada paulatinamente,
n do nasdmento a outros produetos de desdobramento, que não a lysoledthina.
cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
140
Essa limitação do prazo de repouso é tanto mais necessária quanto já não e
muito grande o excesso de lecithina empregado nas experiendas.
Denominamos unidade de lecithinase ( UL ) a quantidade de veneno en '
gammas. justamente necessária para a completa hemolyse de 1 cc. da alludid*
mistura. Desde que o volume total, usado no processo, é sempre de 2 cc., J
UL corresponde á metade da quantidade introduzida de veneno. A quantida^
de UULL contida em 1 mg. de veneno é por nós denominada de tear de i íCl '
t hinos e (TL).
Os venenos de Bothrops contêm quantidades muito diminutas de lecithinase-
Bothrops jararacussu, p. exemplo, possue apenas TL = 32; mesmo o vene°°
bem fresco de Bothrops jararaca tem apenas TL = 0,7, e quasi que pratica -
mente não hemolysa em nosso processo experimental : pelo contrario, o TL do
veneno de Crotalus t. tcrrificus é de 133.
A lecithinase é apparentemente ainda mais instável do que a coagula^
Quando percebémos que o veneno crotalico (C. t. terrificus), em soluto cons* r *
vado a 50°, perde o TCo na mesma proporção que o TT, concluímos q l!e *
queda do TL não occorre parallclamente ; pelo contrario, pois a lecithinase e
destruída mais rapidamente. A qualquer pH usado, ella já decrescia de 1^ *
8, dentro de 24 horas.
O modo mais suave de atacar a neurotoxina, como já mostrámos, consis**
em transfonnal-a por meio de cysteina( — SH). Enquanto o TT do veneno **■
Crotalus t. terrificus, depois de 4 horas de mistura com uma quantidade 20 **"
zes maior de cysteinaf — SH), cahe até quasi a metade, o TL no mesmo temP 0
cahc para 20 ou = 15%.
Descripção das experiencias.
I. Experiências de coagulação.
1) Determinação do tempo de coagulação em differentes concentraÇÕ 15 '
Curva 1 com annotação da concntração em escala logarithmica.
A. Bothrops jararaca — Veneno collectado no Instituto, contendo 10.1^
de agua. Concentrações relativas a veneno sem agua.
100O
:gundos)
“•1000
seg.
•y/ec.
Co (segundos)
1
**. -1
720”
1.4
10
100"
10
440”
2J
20
77"
13
360"
2,8
30
70"
143
295”
3.4
40
61”
16.4
220"
4,5
50
58"
173
195"
5.1
60
53"
18.9
ISO *
<5.7
7u
50"
20
135"
7,4
RO
48"
20.8
120”
8,3
90
45"
222
cm
SciELO,
L0 11 12 13 14 15 16
Slotta £ Au — Venenos ophidicos e coagulação
141
B. Crotalus t. Icrrificus — Veneno fresco seccado no alto vacuo; teor
to xiddade = 2500; dissolvido em soluto de cloreto de sodio a 8,5%; di-
•“^o c om agua distillada até conter 0,85% de cloreto de sodio.
20
1380”
C,7
200
170"
5.9
30
720”
1,4
300
170"
5.9
40
630”
1.6
400
170”
5.9
30
630”
1,6
500
210”
4.8
60
480”
2.1
600
180”
5.6
70
400”
zs
700
200”
5,6
80
320”
3.1
800
270"
37
90
300”
3.3
900
360”
2,8
100
270”
3,7
2) Determinação do teor de coagulação.
Mim de determinar, por um processo pratico, o teor de coagulação, cm-
^cçáinos sangue de cavallos sadios, a 100 cc. do qual foram addicionados, itn-
^atamente após a colheita, 6 cc. de soluto de oxalato dc sodio a 3%. O
', ' m a foi conservado em temperatura ambiente durante uma hora, após a co-
to; esta mostrou-se a maneira pratica de obtenção de tempos constantes dc
''togulação. O soluto de veneno a ser examinado (0,1 a 1 cc.) é pipctado cm
J ° s de ensaio dc 15-16 mms. dc diâmetro c o volume, completado para 1 cc.
soluto physiologico. A cada minuto seguinte, collocam-se, cm um desses
5 cc. do sangue oxalatado bem misturado, começando-se com o tubo que
^•tém a menor concentração de veneno. Determina-se o tempo por meio dc
ytoomctro de marcação. Os tubos dc ensaio são ligeiramente agitados logo
° recebimento do sangue, repetindo-se a agitação dc 2 em 3 minutos, quan-
0s globulos vermelhos começam a se depositar. Depois dc 10 minutos, exa-
ífllt to‘ Sc o primeiro tubo dc ensaio, afim dc verificar si o sangue já coagulou,
^^^toinando-sc cm seguida de minuto a minuto os outros tubos ; scguc-se a ordem
rçue foram enchidos, para se examinar a coagulação. A coagulação corres-
a ° P° nto exacto cm H uc ° san 8 ue começa a deslisar no tubo inclinado,
a *orma de massa compacta. A quantidade de veneno no tubo de ensaio, em
1 Primeiro se verifica essa coagulação, é dividida por 6, obtendo-se assim a
^^ntração do veneno em cc.. isto é, a unidade de coagulação (UCo). O nu-
dessas unidades coagulantes. assim determinadas em 1 mg. dc veneno, é o
^ coagulação (TCo). Nas determinações do teor de coagulação referi-
•^nos sempre ao preparado de veneno, seccado no alto vacuo a 35° até obten-
too (jç
toio,
^vita-
peso constante. Deixa-se escorrer o sangue na parede do tubo dc en-
a fim de evitar formação de espuma cxaggerada. que igualmente se procura
n <i agitação.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
142
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
3) Exemplo da determinação de um teor de coagulação TCo. — V enen°
fresco de Bothrops jararaca, seccado no alto vacuo a 35.°, 0,1 mm. até o p eS °
constante.
0,5 Y/cc.
2 Y/cc.
330”
0,6
750”
3
270”
0,7
570”
4
150”
5
210”
0,8
490”
6
180”
0,9
515”
7
120”
1,0
435”
A minima dose coagulante acha-se em 0,7, sendo assim o teor de coag 11 '
lação = 1445.
4) Teores de coagulação de vários venenos ophidicos.
1) Crotalus t. terrificus TCo = 30
alW
2) Crotalus atrox
id°
3) Bothrops jararaca
Veneno fresco, seccado no
vacuo.
Veneno amarello claro, fornecí 0
por Afranio <lo Amaral (1927)
Veneno amarello claro, forneci
por Afranio do Amaral (1921)-
Veneno de boa apparencia, obti^ 0
por Afranio do Amaral, em S flI1
Diego (Cal.) (1925).
TCo = 1445 Veneno fresco, seccado no 3
vacuo. „
TCo = 1670 (*) Veneno commum, do “stod'
do Instituto.
4) Bothrops jararacussu TCo = 1670 Veneno do Instituto, reseccado el1
alto vacuo.
TCo = 2000 Veneno da collecção do Instituto, re
seccado em alto vacuo.
TCo = 3300 Veneno da collecção do Instituto, re
seccado em alto vacuo.
TCo = 2500 Veneno da collecção do Instit ut °
reseccado em alto vacuo.
TCo = 670 Veneno antigo, colhido no Instit ut °|
parecendo deteriorado, reseccado
alto vacuo.
5) Bothrops neuwiedii
6) Bothrops atrox
7) Bothrops alter nata
8) Bothrops cotiara
ti o
(*) E’ poisivel que na acção dente veneno impuro, tirado do “elock”, liveiee havido interferência Saci*
10
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Slotta & Ai.. — Venenos ophidicos e coagulação
143
5 ) Influencia do grau de acides e da temperatura sobre o TC o.
tio.
V eneno
TT.
TCo
T empe-
pH
T empo
Resultado
ratura
TT.
% do
TT. orig
TCo
% do
TCo orig.
5a
Bothrops jararaca
220
1670
50°
1
24 horas
33
15 %
33
2,0 %
(collecção do Ins-
5
24
33
15 %
66
4,0 %
tituto)
8,7
24
33
15 %
6
0,4 %
13
24
33
15 %
6
0,4 %
b
Bothrops jararaca
220
1670
37°
5
24
67
4,0 %
96
67
4,0 %
192
67
4,0 Já
6,15
24
125
7,5 %
96
100
6,0 %
192
67
4,0 %
7
24
670
40,0 %
96
500
30.0 Vo
192
200
12,0 Vo
c
Bothrops jararaca
220
1670
25»
5
24
400
24,0 Vo
06
200
12,0 Vo
120
110
6,6 Vo
192
50
3,0 Vo
6,25
24
1000
60,0 Vo
96
670
40,0 Vo
120
400
44,0 Vo
192
330
19,8 Vo
7
24
1250
75,0 Vo
96
670
40,0 Vo
120
670
40,0 Vo
192
450
27,0 Vo
7,4
24
200
91,0 %
1500
90,0 Vo
44
1250
75,0 Vo
68
1110
66,5 Vo
d
C r otalus t. tcrri-
fictiS
2200
30
50°
1
24
670
30,4 %
10
33,3 Vo
48
3
10,0 Vo
72
125
5,7 %
3
10,0 Vo
5
24
1670
76,0 %
30
100 Vo
48
30
íoo Vo
72
1250
57,0 %
10
33,3 Vo
8,7
24
1000
45,5 %
20
67,0 Vo
48
10
33,3 Vo
72
125
5,7 %
5
16,6 Vo
13
24
125
5,7 %
3
10,0 Vo
11
144
Memórias cio Instituto Butantan — Tomo XI
6 ) Influencia da cysteina( — SH) sobre o TCo e TT. — Quantidade de
cysteina( — SH) 20 vezes maior do que a quantidade do veneno.
1) Realização pratica da determinação do teor da lecithinasc.
a) Emulsão de globulos sanguíneos: O sangue de cavallo normal é deS'
fibrinado por meio de um pincel de borracha e os globulos sanguíneos, separados
por centrifugação. Estes são lavados 5 vezes com soluto physiologico, nova'
mente separados e enfim empregados em emulsão de 4 % para as experiencia s
de hemolyse.
b) Suspensão de lecithina: 250 mgs. de lecithina pura são agitados
durante a noite com 500 cc. de soluto physiologico, resultando uma emuls a °
homogenea colloidal, que se mostrou estável durante alguns dias. 0,2 cc. de ste
soluto (100 7 ) são applicadas para cada experiencia de hemolyse.
c) Reacção: Os seguintes solutos são misturados em tubos de ensaio f*'
nos e altos, observando-se a ordem indicada:
0,2 cc. tampão de phosphato — pH 7,4.
0,05-0,6 cc. do respectivo soluto de veneno cm soluto physiologico
0,2 cc. suspensão de lecithina (b)
1,0 cc. emulsão de globulos sanguíneos (a)
Volume completado finalmente para 2 cc. com soluto physiologico. Todas as P r °'
vas permanecem durante 2 horas na estufa a 37°. Determina-se qual o solu t0
completamente hemolysado. A quantidade de veneno sufficiente para a henio'
lyse de 1 cc. desta mistura é definida como unidade de lecithinasc (UL).
seguintes determinação servem de exemplos:
12
Si.otta & Al. — • Venenos ophidicos c coagulação
145
1) Teor de lecithinase do veneno de Crotalus t. terrifiens : O soluto de
Ve neno continha 100 7 de veneno de Crotalus t. terrifiens seccado no alto vacuo.
^ resultado mostrava que todas as provas que continham 15 7 ou mais de ve-
nen °, estavam completamente hemolysados. A unidade de lecithinase era, por-
* a nto, de 7,5 7 e o teor de lecithinase, de 133.
2) O teor da lecithinase do veneno de Bothrops jararacussu: A 0,2 cc.
de tampão de phosphato foram addicionadas, em uma serie de tubos, quantidades
Ç r escentes de um soluto de 200 7 de veneno fresco de B. jararacussu, seccado,
Iden tico ao descripto acima, além de soluto de lecithina e emulsão de globulos
Satl guineos. Repouso durante 2 horas á temperatura de 37°. Em todos os tu-
0s > que continham 62 7 ou mais de veneno, a mistura estava completamente
^molysada. A unidade de lecithinase era, portanto, de 31, o teor de lecithi-
nase de 32.
3) Teor de lecithinase do veneno de Bothrops jararaca: Da mesma ma-
neir a foram addicionadas á lecithina e á emulsão de globulos sanguineos quan-
j ldade s crescentes de um soluto de veneno de Bothrops jararaca, que continha
•000 7 de veneno em 1 cc. Nos tubos que continham 3000 7 ou mais de
VeilCn o, ,a mistura estava completamente hemolysada; em doses de mais de
6000
'ant,
lant
7 a hemoglobina se achava destruída, o soluto era de côr castanha e bas-
e turva. A unidade de lecithinase do veneno de Bothrops jararaca era, por-
°> de 1,5, mas o teor da lecithinase era somente de 0,7.
4 ) Influencia da cysteina sobre 0 teor de lecithinase do veneno de Crotalus
ter rificus : 2,65 mgs. de veneno de Crotalus t. terrificus foram dissolvidos
2°' n 30 mgs. de hydrochloreto de cysteina e 33 mgs. de carbonato de sodio, em
' Cc - de uma mistura de 3 cc. de tampão de phosphato e 7 cc. de soluto phy-
Sl °logico, pelo qual se fizera passar uma corrente de nitrogênio; o ar foi expel-
0 do recipiente por nitrogênio, deixando-se o soluto fechado á temperatura
^ biente. Para controlo, deixamos o mesmo soluto, porém sem hydrochloreto
. c 7steina e carbonato de sodio. Após 4 horas, determinamos nas duas expe-
^' en eias o teor de lecithinase : o veneno tratado com cysteina mostrava a unidade
e lecithinase como 50 7 sendo, pois, o teor de lecithinase de 20, enquanto o
° r de lecithinase do controlo permanecia em 133.
RESUMO
Afim de medir 0 poder coagulante dos venenos ophidicos de maneira sim-
^ Cs e fixal-o em numeros claros, foi estabelecida a definição de unidade de coa-
^lação e teor de coagulação. A unidade de coagulação ( UCo ) é a quantidade
e v ’eneno em gainmas, que coagula 1 cc. de uma mistura de 5 partes de sangue
e c avallo e uma parte de soluto physiologico de cloreto de sodio. O teor de
13
cm
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14G
Memórias do Institulo Butnntan — Tomo XI
coagulação ( TCo ) é o numero que determina quantas unidades de coagulaÇ a °
estão contidas em 1 mg. de um preparado de veneno seccado no alto vacuo.
Os venenos bothropicos contêm uma cnzyma semelhante á trypsina que tran s '
forma a prothrombina em thrombina, do (pie resulta o grande poder coagulai
destes venenos. O veneno de Crotalus t. terrificus não contém este componente
semelhante ú trypsina, porém somente (como, aliás, se conclue do trabalho ^
Eagle) um semelhante á papaina, que transforma o fibrinogenio em fibrina. P° u
de-se agora definitivamente provar que esta enzyma do veneno de Crotalus ■
terrificus também possue as duas principaes propriedades da papaina: a r eS,s
tencia ao calor e a de poder ser activado por compostos — SII.
Finalmente, foi definida a unidade de lecithinase ( UL ) desses venenos co» 10
sendo a quantidade de veneno em gammas, que hemolysa uma emulsão de h CIlia
tias e lecithina com pH a 7,4, completamente, em 2 horas. O teor de lechn 1
nase (TL) é, consequentemente, a quantidade de unidades de lecithinase coflh 8
em 1 mg.. Os teores de lecithinase dos venenos bothropicos são pequenos,
comparação com os teores de lecithinase do veneno de Crotalus t. terrificus.
efl 1
ZUSAMMENFASSUNG
Um die Koagulations-Kraft der Schlangengifte in einfacher Weise m es5Êl1
und in einprágsamen Zahlen angeben zu kõnnen, wurde der Begriff der Koagiil ase
Einheit und des Koagulase-Wertes geprãgt. Danach ist die Koagulations-Ev* 1 ' 1
( KoE ) diejenige Menge Gift in gamma, die 1 ccm eines Gemisches aus 5
Pferdeblut und 1 Teil physiologischer Kochsalz-Lõsung innerhalb von genau
Minuten zum Koagulieren bringt. Der Koagulase-Wcrt ( KoW ) ist die 7 a ’
die angiebt, wieviel so erhaltene Koagulase-Einheiten in 1 mg des im Hochvaku
getrockneten Giftpráparates enthalten sind.
Die Gifte der Bothrops- Arten enthalten ein trypsin-áhnliches Ferment, ^
Prothrombin in Thrombin íiberführt, wodurch die starke Koagulations-Fõrdef a ’
dieser Gifte hervorgerufen wird. Das Gift von Crotalus t. terrificus ent
diese trypsin-áhnliche Komponente nicht, sondem nur, wie schon aus der Ar ^
von Eagle hervorgeht, eine papain-ãhnliche, die Fibrinogen in Fibrin verwan
Es konnte nun einwandfrei gezeigt werden, dass dieses Ferment des CrotaW
terrificus^ Giftes auch die zwei hervorstechendsten Eigenschaften des Pap a
besitzt : seine Hitzebestándigkeit und seine Aktivierbarkeit durch -SH-VU
dungen.
Es wurde weiterhin die Lecit hinase-Einheit (LE) der Gifte ais diej en
çfly
Menge Gift in gamma definiert, die innerhalb von 2 Stunden eine bestinuntei ^
pH 7,4 eingestellte Lecithin-Blutkorperchen-Aufschwcmmung vollkommen
Jííí
14
cm
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612 . 3143 : 598.122
NOVOS ESTUDOS IMMUNOLOGICOS SOBRE A SUBSTANCIA
COAGULANTE DO VENENO DE BOTHROPS JARARACA
POR
D. VON KLOBUSITZKY & P. KÔNIG
I Etn publicações anteriores escrevemos sobre a fixação da substancia coagu-
atlte > obtida da secreção natural da glandula venenifera da Bothrops jararaca,
01110 também sobre a Bothropotoxina por meio de differentes antivenenos
’ Dos nossos resultados conclue-se que os referidos componentes do
etl ° assim purificados se fixam por outras regras e proporções, como era de
CQ Perar á base da fixação do veneno natural. Conforme communicamos em
lnu açã° a estas pesquisas, resolvemos realizar immunizações com estas
)st ancias e examinar a capacidade de fixação do sôro dos animaes em-
Pre §ados.
c oai
^ objecto das pesquisas que relataremos agora é a determinação das qua-
es dos sôros, que são obtidos por meio de immunização com uma fracção
Mante do veneno natural da serpente mencionada.
® soluto usado, contendo 0,85% NaCl, tinha as seguintes características, ao
j viciada a immunização: dose minima letal (D.M.L.) — 1,6 cc. (D.M.L. é
Se minima sufficiente para matar, por via intravenosa, um pombo adulto, em
( c mit iutos) ; 1 cc. do soluto coagulou 5 cc. de sangue de cavallo, contendo 0,3%
Sul em 2’20. “A quantidade correspondente á D.M.L. provocou a coa-
da mesma quantidade de sangue oxalatado em 1’50”: o soluto foi
i^ado, conservado constantemente no frigo a 4°C e as empolas necessárias á
üni zação foram retiradas da geladeira 1-2 horas antes da inoculação. Apezar
^odo de conservação, o soluto mostrou actividade bem differente após 8
dç.
st e
^ nas , isto é, ao fim da immunização: sua D.M.L. subiu a 3,5 cc. ; o tempo
er Hmlaçâo por lcc. foi de 7’ e pola D.M.L., de 1’20”. O nitrogênio do soluto
2,4 nig % (micro-Kjeldahl).
iu ^ f, m de poder comparar o poder coagulante dos vários solutos de veneno,
’ °as substancias coagulantes purificadas, escolhemos uma dose que denomi-
° s 4e unidade, assim definida: unidade coagulante é a quantidade minima
cm
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10 11 12 13 14 15 16
150
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
que em 1 cc. é sufficicnte para coagular completamente 5 cc. de sangue oxalata<i°
de cavallo na temperatura ambiente (20-22M3), em 5 minutos (*). No i u ' cl °
da immunização, o soluto continha 3,5 e, no fim, 1,6 unidades coagulantes P° r
1 cc., razão pela qual tomámos como base, cm nossas posteriores experiencias o 5
valores médios. Desta maneira resultou que todos os animaes receberam, elT1
77,4 cc. de soluto inoculado, 162 unidades coagulantes e 30 D.M.L. Applicaa^ 0
veneno natural na immunização, a proporção entre a D.M.L. e a unidade c° a '
gulante seria de 1:1,5, ao passo que o mesmo em nosso caso foi de 1:5,4.
Para a immunização, escolhémos uma cabra (C 1) e um bode (C 2) n ° s
quaes inoculámos o soluto por via subcutânea. Como este, ao nosso ver, e 0
primeiro caso, em que se usou veneno de cobra fraccionado e livre de corp° s
albuminosos typicos, achamos necessário relatar minuciosamente o curso
immunização.
Data
Quantidade
inoculada
Cabra
1 9
Cabra
2 $
temperatura
media diaria
peso
temperatura
media diaria
peso
1.5.8
0,2
38,1°C
18 kilos
38,5°C
27 kilos
16.8
0,4
38,1
38,5
19.8
0,6
38,0
38,1
22.8
0,9
37,8
38,4
23.8
19
28
25.8
1-2
38,3
38,5
28.8
1,5
37,5
37,6
30.8
17
25
31.8
1,8
38,2
37,9
3.9
2,2
38,4
38,5
7.9
2,7
38,0
38,2
10.9
3,2
37,8
37,9
13.9
3,7
38,1
22,5
38,2
25
15.9
4,5
38,3
38,4
18.9
5,0
38,0
38,1
21.9
5,5
38,1
38,2
24.9
6,0
38,4
38,4
27.9
18
28
28.9
7.0
38,2
37,8
30.9
7,0
38,2
38,0
3.10
8,0
38,2
38,0
4.10
20
30
4.10
Exame de sangue
5.10
8,0
38,1
38,4
8.10
8,0
38,1
38,3
9.10
Exame de sangue
(*) Consideramos coagulação completa
ponto altingrdo pelo sangue no formar no tul*o u’n
ma» 9 *
clu'*'
2
Kiobusitzky & Konki
Substancia coagulante
151
METHODO
As misturas obtidas com os solutos de veneno natural e com os fraccionados
n ' ais sôro foram postas na estufa durante Yi hora, antes da applicação. A fixa-
^ a ° da substancia neurotoxica foi determinada por meio de injecção das misturas
aa v eia asillar de pombos de 300-350 gms. de peso, escolhendo as quantidades de
n iodo, que correspondiam pelo menos a uma D.M.L.. Afim de determinar a
Ca Pacidade de fixação de referencia á qualidade coagulante, foram postos 5 cc.
sangue oxalatado de cavallo nas misturas usadas para injecção e medido com
Urtl relogio de parada o tempo de coagulação completa. O sangue oxalatado
l Jr ° vinha do mesmo cavallo em descanso. A respeito das oscillações diarias do
ei »P° de coagulação, daremos nos vários quadros somente os resultados de pes-
'Msas realizadas no mesmo dia e com a mesma amostra de sangue.
Parte experimental
Em primeiro logar, determinámos a capacidade neutralizante do sôro ca-
pt ' ln o em relação ao veneno natural. Empregámos para esse fim dois venenos
Aferentes de Bothrops jararaca. Uma amostra de veneno, denominada
V?ne no a, o qual foi colhido bem fresco e seccado; outra, chamada veneno b, o
C l üa l provinha de nosso “stock” accumulado durante annos. As características
^ es sas duas amostras de veneno podem-se resumir no seguinte :
Veneno a
^ L. = 0,04 mg.
4 ni P° de coagulação por D, M. L. =
’ E. M. L. = 1,4 unidade coagulante
Veneno b
D. M. L. = 0,13 mg.
tempo de coagulação por D. M. L. =
3’30” 1 D. M. L. = 2 unidades
coagulantes.
Se cc 0
I. Experiência com solutos de venenos naturaes.
E Experiência com veneno a e sôro C 1.
O soluto de veneno applicado continha por cc. 0,04 mgs., isto é, um conteúdo
correspondente a 1 D. M. L.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
152
Memórias do Instituto Rutantan
Tomo XI
a) Fixação da actividade neurotoxica.
Denominação
da mistura
Mistura po.rta na estufa
Quantidade
inoculada
Resultado
soluto de
veneno
sôro
I . . . .
4 cc.
2 cc. dil. 1:10
1,5 cc.
morte após 27
II ... .
4 cc.
4 cc. dil. 1:10
2,0 cc.
symptomas leves.
sobrevida
III ... .
4 cc.
4 cc. dil. 1$
2,0 cc.
nenhum symp tonia
IV ... .
4 cc.
2 cc. não dil.
V . . . .
4 cc.
4 cc. não dil.
| não foram mjectadas
li) Fixação do poder coagulante.
1,5
cc.
da mistura
I produzem coagulação
em
2,0
cc.
tt
ff
II
ti
tf
2,0
cc.
ff
ff
III
ff
ff
1,5
cc.
ff
tf
IV
tf
tt
2,0
cc.
ff
tf
V
tf
ft
4’
6,40”
6,50”
8 ’
21 ’
2. Experiências com veneno a e sôro C 2.
a) Fixação da actividade neurotoxica.
Denominação
da mistura
Mistura posta na estufa
Quantidade
inoculada
Resultado
soluto de
veneno
sôro
VI ... .
4 cc.
4 cc. dil. 1:17
2 cc.
morte após 8’
VII ... .
4 cc.
4 cc. dil. 1:15
2 cc.
symptoimas l eveS ’
sobrevida
VIII ....
4 cc.
4 cc. dil. 1:12
2 cc.
nenhum sympt 0lIia
IX ... .
4 cc.
4 cc. dil. 1 :10
2 cc.
nenhum sympt 0111 *
X . . . .
4 cc.
4 cc. dil. 1 :5
não foi injectada ^
b) Fixação do poder coagulante.
2 cc.
da mistura VI
produzem coagulação
em
4’10”
2 cc.
tt
ft
VII
ff
ft
a
4’30”
2 cc.
ft
tt
VIII
tt
tt
tt
4’40”
2 cc.
tf
tt
IX
tt
ti
a
4’40”
2 cc.
ff
ft
X
ft
ft
tf
8’20”
4
KijOmjsitzky a Konig — Substancia coagulante
153
“■ Experiências com veneno b e sôro C 1.
O soluto dc veneno applicado continha por cc. 0,1 mg. ; a D. M L
era de 1 )3 cc.
a) Fixação da actividade neurotoxica.
^ e nominação
mistura
Mistura posta na estufa
Quantidade
inoculada
soluto de
veneno
sôro
Resultado
XI
XI I • .' .’
Xlii .
Xiv
Xv ' ' '
5,2 cc.
0,8 cc. dil. 1 :1
1,5 cc.
morte após 15’
5,2 cc.
1,2 cc. dil. 1 :1
1.6 cc.
symptomas graves,
sobrevida
5,2 cc.
1,6 cc. dil. 1 :1
1.7 cc.
symptomas leves,
sobrevida
5,2 cc.
2,4 cc. dil. 1:1
1,9 cc.
nenhum symptoma
5,2 cc.
2,0 cc. não dil.
não f<
ai injectada
b) Fixação do poder coagulante.
Cc - da mistura XI produzem coagulação em 7’ 40”
b6 c c , » „
1.7
’ Cc - da mistura XIII produzem coagulação em
j. cc - ” ” XIV
XII ” ” ” 6’
3,20”
3,30”
cc. » » xv ,, » ” » 8 . 50 ”
Experiências com veneno b e sôro C 2.
a) Fixação da actividade neurotoxica.
Cn °mi
da
•naçao
mistura
Mistura posta na estufa
soluto de
veneno
soro
Quantidade
inoculada
Resultado
Xvi
Xvii
XVm
0,4 cc. dil. 1 :2
0,8 cc. dil. 1 :2
1,6 cc. dil. 1:2
1.4 cc.
1.5 cc.
não foi injectada
morte após 18’
nenhum symptoma
1,4
b) Fixação do poder coagulante.
Cc - da mistura XVI produzem coagulação em 2,40”
1,7
cc.
Cc. »
XVII
XVIII
2,40”
2,45”
‘V»,
cm
SciELO
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154
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XI
II. Experiências com um soluto fraccionado de veneno, DB.
O soluto DB foi obtido por meio de precipitação, seguida de adsorpção
fracção de globulinas. Como descrevemos o methodo de fabricação e piirifi^ 10
em outro trabalho (5), mencionaremos aqui somente que a fracção de globul> oaS
foi obtida por meio de precipitação com (NH^nSCq até a meia saturaça°>
que a adsorpção foi feita por meio de Cr(OH) 3 . Ao soluto dialysado foi j unta
NaCl até attingir 0,9%. Este soluto mostrou-se, do mesmo modo que o aPP* 1
cado para a immunização, coagulante em alto grau e menos neurotoxico do l lE
os solutos de veneno natural, (*) tendo as seguintes características na dil u ^ a °
de 1 :2,5 :
D. M. L. = 0,8 cc.
Tempo de coagulação por cc. — 1’25”
Tempo de coagulação por D. M. L. = 1,35”
I D. M. L. = 6 unidades coagulantes.
1. Experiências com o soluto DB e sôro Cl.
a) Fixação da actividade neurotoxica.
Denominação
da mistura
Mistura posta na estufa
soluto de
veneno
sôro
XIX ....
XX ... .
3,2 cc.
3,2 cc.
4 cc. dil. 1,5:
2 cc. não dil.
Quantidade
inoculada
1,8 cc.
1,3 cc.
Resultado
morte após
13 ’
nenhum symP t0
ifl ’ 3
b) Fixação do poder coagulante.
1,8 cc. da mistura XIX produzem coagulação em 3,45”
1,3 cc. ” ” XX ” ” ” 1,15”
(*) Não foi possivel applicar o soluto usado para n immunização nas experiências de fixnç» 0 * .. , 1 c .
diminuição da sua actividade neurotoxica. Quando diminuímos o soluto, por meio de ullrafiltração » 11 ^ i
volume original, verificámos, talvez devido á adsorpção desigual na membrana ultrafiltrante, que ^ I
modificação na proporção actividade neurotoxica: poder coagulante, o que tornou o soluto scmclbant*
natural. Assim: \
a) antes da ullrafiltração: D.M.L. = 3,5 cc.; tempo de coagulação por cc. = 2*20”; tempo C f
pof D.M.L, = 1,20”; ^ 5 0
b) depois da ullrafiltração: D.M.L. = 1,2 cc.; tempo de coagulação por cc. — 4’; tempo de co» 8 ü
D.M.L. = 3*40”.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Ki.ohusitzky t Kõnig • Substancia coagulante
2. Experiências com o soluto DB e sôro C2.
a) Fixação da actividade ncurotoxica.
155
denominação
4a mistura
Mistura posta na estufa
Quantidade
inoculada
Resultado
soluto de
veneno
sôro
XXt . .
3,2 cc.
4 cc. dil 1:5
1,8 cc.
morte após 9’
XXII .
3,2 cc.
2 cc. não dil
1,3 cc.
morte após 13’
XXIII .
3,2 cc.
4 cc. não dil.
1,8 cc.
nenhum symptoma
b) Fixação do poder coagulante.
,’ Cc - da mistura XXI produzem coagulação em 3’
j cc. » » xxn ” ” ” 6’
>0 f) ff XXIII ” ,y yy g'
III. Experiência com veneno de Cascavel.
No decurso de nossas pesquisas anteriores, pudemos determinar que o sôro
^otalico, obtido por immunização com o veneno natural de Cascavel sul-
r 'cana (Crotalus terrificus terrificus), neutraliza, do mesmo modo que o sôro
>'botl
a nti-.
b,
'0r a
V Ctl,
v en.
bropico especifico, a neurotoxina purificada da Bothrops jararaca, em-
a capacidade de fixação do sôro anti-crotalico seja bem menor em relação ao
etl ° natural da Bothrops jararaca (3). Pudemos também mostrar que o
la nt e
V:
^ n ° de Cascavel possue um certo poder coagulante e que a substancia coagu-
n elle contida é fixada pelo sôro anti-bothropico (4). Afim de completar
er minação, procedemos a um exame do poder de fixação do nosso sôro
1110 em ligação ao veneno natural de Cascavel. Em relação á alta actividade
e r °toxica e ao poder coagulante relativamente pequeno deste veneno, as duas
Cl6s fixação foram determinadas cm dois solutos de concentrações differen-
b J ara experiencias de coagulação applicamos um soluto de 1 °/o e, para o
1116 d a fixação da neurotoxina, uma diluição de 1 :2000 do mesmo.
^ quadro seguinte mostra o poder coagulante :
1 Çç ,
1 soluto original produz coagulação em 0,55”
• ' ” ” diluido a 1:1 produz coagulação em 1’15”
ce. »
Cc. »
Cc. »
Cc »
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
156
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
A D. M. L. foi determinada iguaimcntc em pombos por injecção ititra v
nosa ; fixamos, porém, o tempo de observação em 24 horas, devido ao lento des eI1
volvimento da actividade do veneno. 0,2 cc. do soluto original diluido a 1 :2000i
ocrrespondentes a 0,001 mg. de substancia secca: nenhum symptoma. 0,3 cC '
da diluição mencionada, correspondentes a 0,0015 mg. de substancia secca: nl ° rte
0,4 cc. da diluição, correspondentes a 0,002 mg. de substancia secca: morte.
Por conseguinte, na concentração por nós applicada, a D. M. L. era
0,3 cc., isto é, 0,0015 mg..
1 . Experiências com sôro C 1.
a) Fixação da actividade neurotoxica.
Denominação
da mistura
Mistura posta na estufa
Quantidade
inoculada
soluto de
veneno
sôro
XXIV . . .
0,6 cc.
5 cc. não dil.
1,8 cc.
XXV . . .
0,6 cc.
2 cc. não dil.
1,3 cc.
XXVI . . .
0,6 cc.
2 cc. dil. 1 :1
1,3 cc.
Resultado
nenhum syniP
morte
morte
to»' 3
b) Fixação do poder coagulante.
Para esta experiencia diluimos o soluto original a 1:6. 1 cc. dessa óil u '^
produziu coagulação em 2,50” e 0,5 cc., diluido com 0,5 cc. NaCl (sol. phy s ^
em 4,50”. Desta e de determinações anteriores concluímos que 1 D. M. L-
responde a 0,0019 de unidade coagulante.
Denominação
da mistura
Mistura posta na estufa
Volume
usado
Sol. original
dil. a 1:6
sôro
XXVII ....
1 cc.
1 cc. não dil.
1 cc.
XXVIII ....
1 cc.
1 cc. dil. 1 :1
1 cc
XXIX ....
1 cc.
1 cc. dil 1 :2
1 cc.
XXX ....
1 cc.
1 cc. dil. 1:5
1 cc.
XXXI ....
1 cc
1 cc. dil. 1 :8
1 cc.
XXXII ....
1 cc.
1 cic. dil. 1:10
1 cc.
XXXIII ....
1 cc.
1 cc. dil. 1:20
1 cc.
Coag» la?;
eru
cm
SciELO
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Klobusitzky & Konig — Substancia coagulante
2. Experiências com sôro C 2.
a) Fixação da aotividade neurotoxica.
157
e nominação
113 mistura
Mistura posta na estufa
Quantidade
inoculada
Resultado
Sol. original
dil. a 1:2000
sôro
XIV
0,5 cc.
3 cc. não dil.
1,8 cc.
morte
XV
0,6 cc.
2 cc. não dil.
1,3 cc.
morte
XVI
0,6 cc.
2 cc. dil. 1 ’1
1,3 cc.
nenhum symiptoma
1)) Fixação do poder coagulante.
denominação
da mistura
Mistura
posta na estufa
Volume
usado
Coagulação
em:
Sol. original
dil. a 1:6
sôro
XXXVII . . .
1 CC.
1 cc. não dil.
1 cc.
3’5”
*XXVIH
1 cc.
1 cc. dil. 1 :1
1 cc.
4'10"
xxxix . . .
1 cc.
1 cc. dil. 1 :2
1 cc.
4’
XL . . .
1 cc.
1 cc. dil 1:5
1 cc.
4'
XLI . .
1 oc.
1 cc. dil. 1:8
1 cc.
4’3ü”
XLII . . .
1 cc.
1 cc. dil. 1:10
1 cc.
4'40”
Xliii . . .
1 cc.
1 cc. dil. 1:20
1 cc.
3’15”
s òr 0
IV Experiências para controlo com sôro anti-bothropico.
A-fim de comparar o poder neutralizante do nosso sôro caprino com o do
re Pet
vai,
Por
P^Si
a nti-bothropico commum, obtido por immunização com veneno natural,
«nos todas as experiencias com um sôro anti-bothropico concentrado mono-
Cnte . fabricado neste Instituto para fins therapeuticos. Este sôro neutralizava
Cc - 2,2 mgs. de veneno natural da Bothrops jararaca. Os resultados dessas
lUisas são resumidos em seguida:
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
158
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Capacidade neutralizante do sôro anti-bothropico.
a) Activklade neurotoxica.
Denominação
da mistura
Mistura posta na estufa
Quantidade
inoculada
Resultado
XLIV . . .
4 cc. veneno a + 4 cc. sôro dil. 1 :50
2 cc.
symptomas leves,
sobrevida
XLV . . .
5,2 cc. » b + 0 8 cc. » » 1:10
1,5 cc.
symptomas leves,
sobrevida
XLVíI . . .
5,2 cc. » b -1- 1,2 cc. » » 1:10
1,6' cc.
nenhum sympton 13.
XLVII . . .
3,2 cc. DB dil. 1 :2,5 + 4 cc. » » 1 :25
1,8 oc.
symptomas graves,
sobrevida
XLVIII . . .
3,2 cc. DB dil. 1 :2,5 + 2 cc. s> » 1:10
1,3 cc.
nenhum symptorna.
XLIX . . .
3,2 cc DB dil. 1 :2,5 + 4 cc. » » 1:10
não foi
injectada.
b) Poder coagulantc.
2
CC.
da
mistura XLIV
produzem coagulação
em 51’
1,5
cc.
a
ff
XLV
ff ff
” 14’
1,6
cc.
>>
ff
XLVI
ff ff
” 50’
1,8
cc.
ff
ff
XLVII
ff ff
” 20’
1,3
cc.
ff
ff
XLVIII
ff ff
” 60’
1,8
cc.
ff
ff
XLIX
ff ff
” 90’
Discussão dos resultados.
Um ligeiro exame dos quadros anteriores mostra-nos que os sôros obtid° 5
de caprinos infectados com as fracções fixaram bem menos o poder coagulai
do veneno natural como também do soluto fraccionado DB, do que o anti-s^ r °
obtido por immunização com veneno natural. O seguinte quadro mostra ° s
respectivos dados de comparação.
10
Kixjuusitzky & Konig — Substancia coayulante
159
Veneno o Veneno b Soluto DD
Sôro anti-
bothropico
D . M . L. fixada por cc. .
55
55
30
1 D . M . L. + quantidade de sôro
neutralizante retarda a coagula-
ção por
47’
10’30”
18’
C 1
D . M . L. fixada por cc.
10
5
2
1 D.M.L. + quantidade de sôro
neutralizante retarda a coagula-
ção por
2’40”
0’
0’
C 2
D.M.L. fixada por cc.
15
15
1
1 D.M.L. + quantidade de sôro
neutralizante retarda a coagula-
ção por
0’
0’
2’ 30"
Conforme se vê claramente por este quadro, o sôro C 2 foi excepcionalmente
act ivo, quanto á sua capacidade de fixação neurotoxica, apezar das pequenas
Entidades de D. M. L. usadas, pois o sôro anti-bothropico era concentrado,
eil( luanto que os sôros caprinos não o eram. O poder neutralizante dos dois
S ° r °s caprinos relativamente ao poder coagulante era pequeno. Seria falho tomar
l, nidades coagulantes contidas em 1 D. M. L. como base de comparação, porque
ex periencias estão provando que a quantidade de sôro, que neutraliza o effeito
neur °toxico estriotamente correspondente á unidade coagulante, não augmenta o
tettl Po de coagulação de maneira correspondente. Desse quadro parece poder-se
c °ndui r que o sôro C 1, que neutralizava menos D. M. L., era mais activo relati-
Vai Uente á substancia coagulante, do que o sôro C 2, estabelecendo-se assim, uma
P r °Porção invertida entre a capacidade de fixação em relação ao componente neu-
^°l°xico e o poder coagulante. Si isto é um facto não se pode affirmar com cer-
2a > á base das pesquisas realizadas, porque para isso seria necessário fazer expe-
r ' e ncias seriadas com diluições bem differentes. Essa duvida ainda augmenta em
ls * a de parecerem os sôros caprinos, em maiores concentrações, apressar a coa-
Ma São (Vide as misturas XIII, XIV, XVI, XVII, XVIII). Aqui queremos
as %nalar que, comparando-se as quantidades de sôro necessárias para augmentar
tei npo de coagulação de 1 D. M. L. por um certo tempo, digamos 4 minutos, os
°'s sôros caprinos se mostram equivalentes conforme o quadro seguinte:
11
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
1 00 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Quantidades de sôro, que augmentam o tempo de coagidação de 1 D. M. L. em 4-
Sôro anti-bothropíco
C 1
C 2
Veneno a
0,01 cc.
0,5 cc.
0.2 cc.
Veneno b
0,02 cc.
0,4 cc.
0,4 cc.
Sol. DD
0.04 cc.
1,0 cc.
0,8 cc.
Até agora só se pode af firmar com certeza que o sôro immune obtido P° r
meio de immunização com uma dessas fracções de veneno, que têm maior acti vl "
dade coagulante e poder neurotoxico mais baixo do que o veneno natural, é be 111
mais fraco em relação ao poder coagulante do que o antisôro por meio de inu* 1 * 1 '
nização normal, isto é, por veneno natural. Esse resultado se poderia expl> car
facilmente, considerando-se a substancia coagulante como uma haptena, isto e ’
uma substancia que, separada do componente neurotoxico, não possue caract er
antigenico. A pequena capacidade neutralizante dos nossos sôros caprinos, obse r '
vada relativamente á substancia coagulante, pode ser atribuída á interferencia
componentes activos existentes em estado natural no soluto applicado par a 3
immunização. O caracter de haptena da substancia coagulante explicaria tanib elíl
o facto de os sôros caprinos terem um ef feito visivelmente menor em relação a °
soluto fraccionado DB do que relativamente ao veneno natural. No decurso da 5
experiencias de immunização, sobre as qúaes falaremos mais tarde, procurarei 1105
verificar si a substancia neurotoxica purificada do veneno natural, a bothrop 0
toxina, que, conforme sabemos, não possue poder coagulante algum, se coinp° rt3
á maneira de uma haptena.
A’s experiencias com veneno de cascavel temos muito pouco a acrescenta 1
Os resultados referentes ao poder coagulante (1,5 cc. de sôro não retarda a c ° a
gulação) confirmam a nossa affirmação anterior de que a substancia coagnla |lte
do veneno de Cascavel deve ser differente da substancia coagulante do vene 110
bothropico. O ef feito coagulante mais rápido, observado nos soros capi" 11105
(Vide as misturas XXVII, XXVIII, XXIX, XXX) pode ser devido, de a01
lado, ao pequeno poder anti-coagulante deste veneno, e, de outro lado, ao cal c '°
addicionado aos soros. Em experiencias em que addicionamos 5 cc. de sa
equino normal a 2 cc. de soros caprinos não diluídos ou diluidos a 1:1, 1 :S, 1
1 :20, não notámos a influencia dos soros caprinos sobre o tempo de coagulaÇ a °'
RESUMO
Dois soros caprinos obtidos por meio de immunização com um soluto p llfl
ficado, obtido por fraccionamento e seguido de adsorpção do veneno natural
12
Klobusitzky & Konio — Substancia coagulante
101
J ar aracn ( Bothrops jararaca), por meio de Cr(OH) 3 demonstraram a seguinte
^Pacidade de fixação, apezar de possuir esse soluto, em comparação com o veneno
^aturai, maior poder coagulante e menor actividade neurotoxica:
1 • Os sôros caprinos neutralizaram os componentes neurotoxicos do veneno
n atural e uma fracção coagulante obtida desse veneno, bem mais do que o poder
COa gulante do mesmo.
2. O poder coagulante do veneno da Cascavel ( Crotalus terrificus ) não
neutralizado pelos soros.
A’ base desses resultados de nossas pesquisas, parece que os componentes
c ° a gulantes do veneno de serpente, separados de sua fixação natural, se devem
c °nsiderar como haptenas.
foi
ABSTRACT
T-wo sera obtained from goats immunized with a solution of Bothrops
^araca, venom previously purified by means of fractionation and adsorption
Cr(OH) 3 showed a certain capacity of fixation although the purified antigen
possessed a higher coagulating power and a lovver neurotoxic activity than
e or iginal poison:
1 • They neutralized more completely both the neurotoxic constituents of
th,
r om ;
natural poison ( Bothrops jararaca ) and the coagulating fraction extracted
d than its original coagulating activity.
2. They failed to neutralize the original coagulating activity of the rattlesnake
( Crotalus terrificus).
^ the light of tliese findings it seems that the coagulating constituents of
° Se stiake poisons, after separation from their natural binding substances,
% ■
l0 Ul |( l hç conisidered as haptens.
BIBLIOGRAPHIA
1 . ,
v °n Klobusitzky, D. & Kônig, P. — Mcm. Inst. Butantan 10:233.1937 et Arch. f.
2 exp. Path. & Pharmakol. 181:387.1936.
v °n Klobusitzky, D. Cr Kònig, P. — Mem. Inst. Butantan 10:245.1937 et Zschr. f.
3 Immunitatsf. 89:145.1936.
v ° n Klobusitzky, D. & Kônig, P. — Mem. Inst. Butantan 10:205.1937 et Zschr. f.
4 Immunitatsf. 87:202.1936.
Voit Klobusitzky, D. Cr Kbnig, P ■ — Mem. Inst. Butantan 10:217.1937 et Zschr. f.
$ Immunitatsf. 87:330.1936.
v °’ 1 Klobusitzky, D. Cr Kônig, P. — Mem. Inst. Butantan ct Arch. f. exp. Path. u.
dharmakol. a ser publicado.
(Trabalho da Secção de Phy»ico-Chimica do Instituto Butan-
tan, recebido em novembro de 1937 ; n ser publicado
também cm alemão in Zschr. f. Immunitütsf. Dado a
publicidade em dezembro de 1937).
13
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614.478
CONCENTRAÇÃO DA ANTITOXINA TETANICA POR
MEIO DE ADSORPÇÃO
POR
D. von KLOBUSITZKY
A- purificação e concentração das antitoxinas é um problema que, além de
^ ran de importância theorica, possue também uni valor puramente pratico.
0l Uprehende-se, por isso, que actualmente as pesquisas sobre a purificação das
^'toxinas sejam realizadas, não só pelo methodo chimico clássico, introduzido
Po ■■ 71 *
° r Tizzoni e Cattoni (1), como também por meio de processos physicos, bio-
loi
&>cos ou enzymologicos.
lüe
No estado actual da questão, os methodos physicos, e principalmente o
s e baseia no emprego de vários meios de adsorpção, são os mais estudados.
x Periencias sobre adsorpção da antitoxina diphterica já foram feitas por
r ° ns on (2), no século passado e, ba mais ou menos 25 annos, por Marshall e
er (3), sem que houvessem despertado maior interesse. Todavia, os
^alk,
tr 'ibalh os
ln Sül a ,
fundamentaes de Willstátter e de sua escola, sobre a purificação e o
‘arnento dos fermentos pelos methodos de adsorpção, obtiveram tão grande
ess °> que os pesquisadores começavam de novo a applicar aquelles processos
es tudo das toxinas e antitoxinas bacterianas
Os methodos especiaes adoptados para este fim particular baseiam-se no
h-
c t° c] e ser possível retirarem-se do soro as antitoxinas por meio de vários
Wr,
° x ydos de alumínio ou caolim commercial, de tal maneira que, depois de
Itcl
a eJuição conveniente, as antitoxinas ficam por fim em soluto aquoso. As
lr Hcas elaboradas (4-7), principalmente para a purificação da antitoxina
cli Pht.
er 'ca, têm, porém, na maioria dos casos a grande desvantagem de impli-
a Ssi
u determinação das condições óptimas de adsorpção para cada caso; ainda
'A o rendimento delias é muito variavel.
^nt,
faseando-nos em experiencias por nós realizadas em 1933, nas quaes
‘Uttos insular a antitoxina tetanica, inclinamo-nos a acreditar que a adsor-
cm
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1 04 Memórias do Insiitulo Butantan — Tomo XI
pção é relativamente facil e se realiza de modo bastante regular, mas a segun<l a
parte do processo, isto é, a eluição da antitoxina é que traz muito desperdice
e não decorre com regularidade, de sorte que o rendimento final mostra grandes
oscillações.
Depois de ter verificado que a antitoxina não perde a actividade dentro d e
8 dias entre pH 3,8 e 9,3, mesmo quando guardada na temperatura ambiente*
iniciámos as experiencias de adsorpção por meio de caolim.
Experiências
Damos a seguir a descripção duma das 16 tentativas que fizemos. A e *'
periencia escolhida foi a que deu o melhor rendimento entre todas e foi levad 3
a effeito por meio de uma technica que se baseia, em sua essencia, no methodo
de Kligler e Olitzki. A modificação principal, por nós introduzida, consis te
no emprego de um pH baixo para a adsorpção e dum meio bastante alcali ' 10
para a eluição.
Technica : Dilue-se o soro antitetanico com tres volumes de agua e juntam-
a cada 100 cc. do liquido 25 gs. de caolim e o sufficiente de HNO a N/l para oW er
o pH=3,8. Depois, agita-se bem durante 4 horas á temperatura do ambic° te '
Centrifuga- se o caolim e despreza-se o liquido sobrenadante, que em regra 11:10
possue mais do que 20% do poder antitoxico original. Junta-se ao caol" 11 ’
conforme o methodo de Fedor e seus collaboradores, agua com 1% de glycocO^
e NaOH N/l, até que o pH do liquido seja = 9,4. O volume desta
• • • • -270C
glycocollada deve ser igual ao do soro diluído. Agita-se o caolim a ò/
durante 6 horas, centrifugando-se em seguida. Ajusta-se o pH do liquido sobr®
nadante a=7,4 e reduz-se o seu volume á vontade pela ultra-filtração atra'
duma membrana de collodio a 10% em acido acético glacial. O poder antitoN c °'
bem como o conteúdo em No, são verificados em todas as phases do proceS s °’
este ultimo pelo micro-methodo de Kjeldahl (*).
Os resultados destas verificações podem ser resumidos como segue
cc. de soro tetânico, de 100 unidades antitoxicas por cc., forneceram por
processo 8 cc. de antitoxina purificada com um poder antitoxico de 1.400 ll11 '
. 200
este
dades por cc.. O rendimento total era portanto de 56%. O soro diluido
co^
600 cc. de agua dcstillada continha 3,17 mgm. de No por cc., de modo 4 l,e _
1 mgm. do No correspondiam 7,9 unidades antitoxicas. Depois de adsorpó
cc ■
o volume do liquido sobrenadante era ele 650 cc.. Este liquido doseava P° r ^ ^
mais do que uma unidade e menos do que 5 unidades antitoxicas e contn
na mesma quantidade, 0,64 mgm. de No; portanto, tomando-se como l ,oí
(*) Os doseamentos do poder antitoxico (oram feitos, cm parte, pelo nosso collcga, dr. l luvio da 1' 0,, ‘
eni parle, pela auxiliar, d. Chloé de Lima, aos «pines agradecemos o valioso auxilio.
icc í
O
Kj.obusitzky — Concentração de antiloxina
165
an htoxico 3 unidades por cc., a 1 mgm. de No correspondiam 5 unidades. No
Pfoducto final encontrámos 1,55 mgm. de N 2 por cc., de modo que 1 mgm. de
correspondia a 903 unidades antitoxicas. A concentração que conseguimos
attingir era, neste caso, calculada em relação ao nitrogenio=:l 14 vezes.
DISCUSSÃO
Ueixando de lado o valor puramente theorico desta experiencia e occu-
P ar >do-nos somente com o seu significado pratico, devemos confessar que —
P e '° menos por enquanto — os methodos de adsorpção não podem ser consi-
er ados adaptaveis para fins industriaes. A causa disto reside principalmente
na grande irregularidade da eluição. O rendimento das nossas 16 experiencias
çi ar .iou entre 8% e 56%. Até agora, não foi publicada technica alguma de
^ão que desse regularmente um rendimento acceitavel para fins práticos.
s experiencias em geral, inclusive as nossas, mostram que a adsorpção das
^toxinas não c selectiva, isto é, que as antitoxinas são adsorvidas juntamente
111 as proteínas e só a eluição nos dá a possibilidade de separd-as. A este
^ Spe ’t°, as antitoxinas bacterianas comportam-se de modo perfeitamente igual
0 do veneno de Bothrops jararaca (8).
Uma outra desvantagem do emprego dos methodos de adsorpção para fins
^dustriaes é a necessidade de forte diluição. Partindo, por exemplo, apenas
6 10 ütros de soro, já temos que centrifugar e ultrafiltrar (ou destillar no
Cl, °) mais ou menos 40 litros de liquido, 0 que torna muito dispendioso o
r ° c esso na pratica.
Uor fim, devemos levar em consideração que, usando-se os methodos de
s ° r Pção, o preparo leva muito mais tempo do que empregando-se a concen-
* a ° pelos methodos communs. O phenomeno de adsorpção é influenciado
Clr cunstancias que não podem ser determinadas e fixadas previamente com
Retidão necessária, de modo que o doseamento do poder antitoxico é indis-
n savel em cada phase da manipulação.
RESUMO
16 tentativas feitas para concentrar antitoxina tetanica por meio de
’ 0r PÇão por caolim foram observados os seguintes factos:
a ) O titulo da antitoxina tetanica não fica alterado entre o pH=3,8 e
me smo quando foi ella conservada 8 dias na temperatura ambiente;
r A adsorpção por caolim ao pH=3,8 realiza-se de modo bastante
u ' ar , reduzindo-se de mais ou menos 80% o poder antitoxico do soro;
Ms
9 .3.
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
ICO
c) Esta adsorpção não é selectiva, visto que todas as proteinas f> caI11
também ad sorvidas;
d) E’ possível separar das proteinas a antitoxina pelo methodo de F ed° r
ao pH= ± 9,3, mas esta separação não é regular e seu rendimento é mt' lt0
variavel
No decurso duma das concentrações feitas o rendimento em antitoxina i 0 1
de 56% e o augmento do poder antitoxico do producto, calculado em relação a °
nitrogênio, foi de 144 vezes. Do ponto de vista pratico, pode-se concluir ( l l,e
os methodos de adsorpção não são por enquanto applicaveis á concentração &
antitoxinas em larga escala.
ABSTRACT
d;
Sixteen attempts made to conoentrate tetanus antitoxin by means of adso r
ption through kaolin have brought out the foilowing facts:
a) betwcen pH=3,8 and pH=9,3, the titer of the antitoxin did not l°° s£
potency even after keeping it for 8 days at room temperature;
b) adsorption through kaolin at pH=3,8 takes place rather regularly afl
the antitoxic titer of the serum decreases of about 80% ;
c) this adsorption is not selective since all the proteins are also adsor ve<
d) it is possible to separate the antitoxin írom the proteins by Fed° r ^
method at pH=9,3 ± ; that separation, however, is not regular and its y' e
is very variable.
In the course of one of the concentrations thus performed the antito* 1 ''
yield equalled 56%, whilst the antitoxin titer increased 114 times as calciu a
from the nitrogen content. The conclusion to be drawn from these experir° eI1 ^
is that the adsorption methods are not as yet applicable to the large scale cofl cefl
tration of antitoxins.
BIBLIOGRAPHIA
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Pathol. Pharmakol. 181 :387. 1936.
(Trabalho da Secção de Physico-chimica do Instituto
tan, apresentado ao 3.° Congresso do Chimico X ^\\C
cm julho de 1937 no Rio de Janeiro; a ser V ^ jo *
também em injrlôs in Journ. of Immunology*
publicidade em dezembro do 1937).
4
598. 118. 1
ESTUDOS SOBRE LACERTILIOS NEOTROPICOS
4. Lista Remissiva dos Lacertilios do Brasil
POR
AFRANIO do AMARAL
PROLOGO
No decurso do ultimo septennario, tenho estado a estudar os lagartos en-
fados no Brasil, com o intuito especial de comprehender-lhes as relações
° m os representantes da Ordem, encontradiços nos países vizinhos, em parti-
c ular,
^nte
<*rti
e na região neotropica, em geral. Graças a esse estudo, tenho incidente-
descoberto diversas formas novas, algumas das quaes vieram completar
^ 0s hiatos até então existentes na gradativa seriação morphologica dos La-
b rt °s e sobretudo evidentes na familia dos Teiideos.
j Desde que, até agora, não se publicou ainda um catalogo systematico e in-
r ,tlv o sobre essas formas, a não ser o trabalho de Boulenger (Catalogue of the
Mj
4l ltlo$
^ d as famílias, generos, especies e raças de Lacertilios até agora registados no
/^il. Sua publicação visa despertar a critica dos entendidos e a contribuição
s es pecialistas, para melhor comprehensão da matéria.
12ar ds in the British Museum), o qual, infelizmente, já data para mais de 50
a actual Lista Remissiva representa apenas uma tentativa de systematiza-
cm
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A
Fam. GECKONIDAE
I — Gen. Briba Amaral, 1935
in — • Mem. Inst. Butantan 9:253.1935.
Typo : brasiliana
1. — • Briba brasiliana Amaral, 1935.
Briba brasiliana Amaral, 1935 — loc. cit. :253.
Nome vulgar: Lagartixa.
Distribuição: Typo e cotypos procedentes do noroeste de Minas Geraes.
II — Gen. Coleodactylus Parker, 1926.
in — Ann. & Mag. N. H.. 9.17:298.1926.
Typo : meridionalis
2. — • Coleodactylus meridionalis (Boulenger, 1888).
S phaerodactylus meridionalis Boulenger, 1888 — Ann. & Mag. N. H., 6 .
Coleodactylus meridionalis Parker, 1926 — Ann. & Mag. N. H., 9.17: 298-
Coleodactylus meridionalis Burt & Burt, 1933 — Transact. Aead. Sc. St.
Louis 28 (1,2) :1.
Nome vulgar: Lagartixa.
Distribuição: Por todo o districto nordestino.
3. — Coleodactylus zernyi Wettstein, 1928.
Coleodactylus zernyi Wettstein, 1928 — Zool. Anz. 76:110, Fig. 1.
Coleodactylus zernyi Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 1.
Nome vulgar : Lagartixa.
Distribuição: Vallc amazonico (Pará).
! : 2 -$'
cm
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Amaral — Lacertilios neotropicos
109
III — Gen. (ionatodes FlTZINGER, 1843.
>n — Syst. Rept. :91 . 1843.
Typo : albo guiar is
4. — (ionatodes humeralis Guiciienot, 1855.
^yvinodactylus humeralis Guichénot, 1855 — in Castelnau, Exp. Amér. Sud.
Zool., Rept. : 13.
^ ° n atodcs humeralis Boulenger, 1885 — Cat. Liz. Brit. Mus. 1:62.
^° na todcs humeralis Procter, 1923 — Proc. Zool. Soc. :1064.
^ ° n <itodes humeralis Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :3.
Nome vulgar : Lagartixa.
Distribuição: Districto equatorial (Pará e Amazonas).
5. — Gonatodes spinulosus Amaral, 1932.
Ç
° n atodcs spinulosus Amaral, 1932 — Mem. Inst. Butantan 7:56. Figs. 7-8.
Nome vulgar : Lagartixa.
Distribuição: Holotypo procedente do rio Juruá, Amazonas.
IV — Gen. Gymnodactylus Spix, 1825.
Ifi
~~~ Lacert. Brasil. Spec. Novae: 17.1825.
Typo : geckoides
6. — Gymnodactylus amarali Baruour, 1925.
C i
ç },,n °dactylus amarali Barbour, 1925 — Proc, Biol. Soc. Wash. 38:101.
ç nin °dactylus amarali Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 3.
^ Hn °dactylus amarali Amaral, 1932 — loc. cit. :58.
Nome vulgar: Lagartixa.
Distribuição: Districto nordestino (Piauhy).
7. — Gymnodactylus conspicuus Amaral, 1932.
Q
^ Ul "°dactylus conspicuus Amaral, 1932 — • Mem. Inst. Butantan 7:57. Figs.
9-10.
Nome vulgar: Lagartixa.
distribuição: Holotypo e paratypos procedentes de Villa Nova, Bahia.
170
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
8. — Gymnodactylus geckoides Spix, 1825.
Gymnodactylus geckoidcs Spix, 1825 — Lacert. Brasil. Spec. Novae:l7,
18: 1.
Gymnodactylus geckoidcs Boulenger, 1885 — Cat. Liz. Brit. Mus. 1:39.
Gymnodactylus geckoides Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :4.
Nome vulgar: Lagartixa.
Distribuição : Bahia.
9. — Gymnodactylus mattogrossensis Berg, 1895.
Gymnodactylus mattogrossensis Berg, 1895 — Ann. Mus. Buenos Aires 4.
Gymnodactylus mattogrossensis Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :4.
Nome vulgar: Lagartixa.
Distribuição: Matto Grosso.
-191'
V — Gen. Hemidactylus Oken, 1817.
in — Isis :1 183. 1817.
Typo: mabouia (= tuberculeaux).
10. — Hemidactylus mabouia (Jonnès, 1818).
Gccko mabouia Jonnès, 1818 — Buli. Soc. Philom. : 138.
Hemidactylus mabouia Cray, 1845 — Cat. Liz. Brit. Mus. :1 54.
Hemidactylus mabouia Boulenger, 1885 — Cat. Liz. Brit. Mus. 1:122 (P
parte).
Hemidactylus mabouia Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :4.
Nome vulgar: Lagartixa ou Briba (corruptela de Vibora).
Distribuição: Por todo o districto oriental (N. E. e S. E.) e
oriental.
VI — • Gen. Homonota Gray, 1845.
in — Cat. Liz. Brit. Mus. : 1 71 . 1845.
cê# 0 '
cm
2 3
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Amaiial — Lacertilios neotropicos
171
Typo : darumii (= gaudichaudii)
11. — Homonota brachystoma Amaral, 1935.
Hoinoiiota brachystoma Amaral, 1935 — Mem. Inst. Butantan 9:254, Fig. 8.
Nome vulgar: Lagartixa.
Distribuição: Typo e cotypos de Canna Brava, Goiás.
VII — Gen. Phyllopezus Peters, 1877.
— Monatsb. Akad. Wi.ss. Berlin :415 . 1877.
Typo: pollicaris (= goyazensis)
12. — Phyllopezus pollicaris pollicaris (Spix, 1825).
^hecadactylus pollicaris Spix, 1825 — Lacert. Brasil. Spec. Novae:17, Tab.
18 : 2 .
hyllopezus goyazensis Peters, 1877 — loc. cit. :415.
^ ef nidactylus mabouia Boulenger, 1885 — loc. cit.: 122 ( pro parte).
Phyllopezus pollicaris Müller & Brongersma, 1933 — Zool. Mededeel. Mus. II.
N. Leiden 15(3,4) :156 ( pro parte).
Phyllopezus pollicaris Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 9 ( pro parte).
Nome vulgar: Lagartixa.
Distribuição : Bahia e Minas Geraes.
VIII — Gen. Sphaerodactylus Wagler, 1830.
i n
S Phae,
S Pk
Syst. Amph. :143 . 1830.
Typo : sputator
\
13. — Sphaerodactylus amazonicus Andersson, 1918.
r odactylus amazonicus Andersson, 1918 — Arkiv f. Zool. 11 . ( 16) :1.
ae rodactylus amazonicus Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :10.
Nome vulgar: Lagartixa,
distribuição: Valle amazonico (Amazonas).
5
172 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
14. — Spliaerodactyhis pfrimeri M. Ribeiro, 1937.
Sphaerodactylus pfrimeri M. Ribeiro, 1937 — “O Campo” :46-47. 2 F'a s ‘
(out. 1937).
Nome vulgar: Desconhecido.
Distribuição : Typo de Goiás.
Nota : Em seu citado trabalho, Miranda Ribeiro, ao enumerar os Geck°
&
nideos occor, rentes no Rrasil, omittiu, em relação ao ultimo trabalho de Burt 1
Burt por elle mencionado, o genero Hemidactylus, cuja especie mabonia esse
auctores assignalam no “Nordeste da America do Sul”; e, igualmente, offlid lU
as formas por mim registadas in “Memórias do Instituto Butantan” vol. 9-^ '
a salx:r: Briba Amaral, com a especie typo brasiliana; Gonatodes Fitzinger, c ° nl
a especie spinolosus j)or mim descripta em 1932; Homonota Gray, com a esp eC ' e
brachystoma Amaral.
IX — - Gen. Thecadactylus Oken, 1817
in — • Isis : 1 183 . 1817.
Typo: rapicaudns (= laevis)
15. — Thecadactylus rapicaudus (Houttuyn, 1782).
Gekko rapicauda Houttuyn, 1782 — Verhandl. Zeeuwsch. Genoot. Wet. Vl' 55 " 1
gen 9:323.
Thecadactylus rapicaudus Boulenger, 1885 — loc. cit. : 1 1 1 .
Thecadactylus rapicaudus Burt & Burt, 1933 — loc. cit. : 1 1 .
Nome vulgar : Lagartixa.
Distribuição: Districto equatorial (Valle amazonico).
ui
B — Fam. I G U A N I D A E
X — • Gen. Anisolepis Boulenger, 1885.
Anu. & Mag. N. H. 5.16:85.1885.
Typo : undulatus (= ihcringii)
cm
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Amaral — Lacertilios neotropicos
173
16. — • Anisolepis grillii Boule.nger, 1891.
nisolepis rjrillii Boulenger, 1891 — Ann. Mus. Civ. Stor. Nat. Gênova
2.10:909.
4nis olepi s griltii Burt & Burt, 1933 — loc. cit. : 1 1 .
Nome vulgar : Papa-vento.
Distribuição: Sudeste (Paraná).
d«i
17. — Anisolepis lionotus Werner, 1896.
Us °lcpis lionotus Werner, 1896 — Verhandl. k. k. zool. — bot. Ges. Wien
46 :470.
^ nis olepis lionotus Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 12.
Nome vulgar : Papa-vento.
Distribuição: Districto meridional (Santa Catharina).
18. — Anisolepis undulatus (Wiegmann, 1834).
~ acv, onct„s undulatus Wiegmann, 1834 — Herp. Mexicana :46.
Cíj »*-» 1
4n
4} %
d».
4t
'Mus undulatus Boulenger, 1885 — Cat. Liz. Brit. Mus. 2:121.
Asolepis ihcringii Boulenger, 1885 — Ann. & Mag. N. H. 5.16:85.
! isolepis bruchi Koslowsky, 1895 — Rev. La Plata 6:417.
l,í °lepis undulatus Boulenger, 1891 — ■ Ann. Mus. Civ. Stor. Nat. Gênova
2 . 10 : 909 .
' Sole pis undulatus Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 12.
Nonie vulgar : Papa-vento.
I
r &entitia.
^ Distribuição: Extremo sul (Rio Grande do Sul) até o Uruguay e a
■n .
XI — Gen. Anolis Daudin, 1802.
Hist. Nat. Reptiles 4:17.1802.
Typo : carolincnsis bullaris)
19. — • Anolis bruneti Tiiominot, 1887.
4>i r
' s bruneti Thominot, 1887 — Buli. Soc. Pliilom. 7.11:184.
li . ,
4, ‘0li
! s bruneti Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 14.
^oiries vulgares: Camaleão ou Papa-vento.
D
Atribuição : Desconhecida.
cm
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174
Memórias do instituto Butantan — Tomo XI
20. — Anolis catenifer Ahl, 1925.
Anolis catenifer Ahl, 1925 — Zool. Anz. 62:85.
Nomes vulgares : Camaleão ou Papa-vento.
Distribuição : Desconhecida.
21 . — • Anolis chrysolepis Dm. & Bibe., 1837.
Anolis chrysolepis Duméril & Bibron, 1837 — Erp. Gén. 4:94.
Anolis chrysolepis Boulenger, 1885 — Cat. Liz. Brit. Mus. 2:89.
Anolis chrysolepis Burt & Burt, 1933 — loc. c/í : 14.
Nomes vulgares : Camaleão ou Papa-vento.
Distribuição: Districto tropical (desde Goiás até o Amazonas).
22. — Anolis garbei Amaral, 1932.
Anolis garbei Amaral, 1932 — Mem. Inst. Butantan 7 :62, Figs. 17-18.
Nomes vulgares: Camaleão ou Papa-vento.
Distribuição: Holotypo do Pará.
23. — • Anolis holotropis Boulenger, 1895.
Anolis holotropis Boulenger, 1895 — Ann. & Mag. N. H. 6.15:522.
Anolis holotropis Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 16.
Nomes vulgares : Camaleão ou Papa-vento.
Distribuição: Extremo sudoeste (Matto Grosso).
24. — Anolis lindeni Rutiiven, 1912.
Anolis lindeni Ruthven, 1912 — Proc. Biol. Soc. Wash. 25:163.
Anolis lindeni Burt & Burt, 1933 — loc. cit.:\7.
Nomes vulgares: Camaleão ou Papa-vento.
Distribuição: Valle amazonico (Pará).
25. — ■ Anolis nasofrontalis Amaral, 1932.
,1 i2
Anolis nasofrontalis Amaral, 1932 — Mem. Inst. Butantan 7:58, Figs. 11
Nomes vulgares: Camaleão ou Papa-vento.
Distribuição: Holotypo e allotypo do Pará.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Amaral — Lacertilios ncotrojncos
175
26. — Anolis pseudotigrinus Amaral, 1932.
>l0 ^ s pseudotigrinus Amaral, 1932 — Mem. Lnst. Butantan 7:60, Figs. 13-14.
Nomes vulgares : Camaleão ou Papa-vento.
Distribuição : Holotypo do Espirito Santo.
27. — • Anolis transfasciatus Amaral, 1932.
^ n °hs transfasciatus Amaral, 1932 — Mem. Inst. Butantan 7:60, Figs. 15-16.
Nomes vulgares : Camaleão ou Papa-vento.
Distribuição: PIolotypo do Espirito Santo.
XII — Gen. Enyalioides Boulenger, 1885.
Cat. Liz. Brit. Mus. 2:112.1885.
Typo : heterolepis
28. — Enyalioides laticeps laticeps (Guichénot, 1855).
yuhoidcs laticeps Guichénot, 1855 — in Castelnau — Expéd. Amér. Sud.
£ 2 °ol. Rept. :20, Tab. 5.
^yrtioides laticeps Boulenger, 1885 — loc. cit. :113.
y^ioides laticeps laticeps Burt & Burt, 1930 — Proc. U S Nat Mus 78
Art. 6:9.
Nonie vulgar : Papa-vento.
Distribuição: Valle amazonico.
í
í
29. — Enyalioides leecliii Boulenger, 1885.
■ >a ti°idcs leechii Boulenger, 1885 — loc. cit. :473.
fendes leechii Burt & Burt, 1933 — Transact. Acad.
28 (1,2) :24.
■^ome vulgar: Papa-vento.
Atribuição : Valle amazonico.
Sc. St.
Louis
XIII — Gen. Enyalius Wagler, 1830.
S yst. Amph. : 150. 1830.
Typo : catenatus
9
170
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
30. — Enyalius bibronii Boulenger, 1885.
Enyalius bibronii Boulenger, 1885 — loc. cit. : 1 19.
Enyalius bibronii Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :25.
Nome vulgar : Papa-vento.
Distribuição : Districto nordestino.
31. — ■ Enyalius catenatus catenatiis (WiF.n, 1821).
Againa cate nata Wied, 1821 — Reise Brasil. (1815-1817) 2:247, Abbd.
Enyalius catenatus Boulenger, 1885 — loc. cit. : 1 18.
Enyalius catenatus catenatus Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :25.
Nomes vulgares : Anijú-acanga ou Papa-vento.
Distribuição: Districtos oriental e nordestino.
31a. — Enyalius catenatus paulista Iiierjng, 1898.
,iq2
Enyalius catenatus paulista Ihering, 1898 — Proc. Acad. Nat. Sc. Phila. •
Enyalius catenatus paulista Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :25.
Nome vulgar: Papa-vento.
Distribuição : Typo de S. Paulo.
32. — Enyalius fitzingeri (Wiegmann, 1834).
Laemanctus fitzingeri Wiegmann, 1834 — Herp. Mexicana :46.
Enyalius fitzingeri Boulenger, 1885 — loc. cit. :121.
Enyalius fitzingeri Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :25.
Nome vulgar : Papa-vento.
Distribuição : Desconhecida.
33. — Enyalius iheringii Boulenger, 1885.
Enyalius iheringii Boulenger, 1885 — Ann. & Mag. N. H. 5.15:192.
Enyalius iheringii Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :25.
Nome vulgar: Papa-vento.
Distribuição: Extremo meridional (Rio Grande do Sul).
XIV — Gen. Garbesaura Amaral, 1932.
in — Mem. Inst. Butantan 7:64.1932.
Typo : garbei
10
Amaral — Lacertilios neotropicos
177
34 — ■ (larbesaura garbei Amaral, 1932.
Garbesaura garbei Amaral, 1932 — loc. cit. :64, Fig. 21.
Noine vulgar : Desconhecido.
Distribuição : Holotypo do Pará.
XV — Gen. Hoplocercus Fitzinger, 1843.
in — Syst. Reptil. :78. 1843.
Typo: sphiosus
35. — Hoplocercus spinosus Fitzinger, 1843.
^ °plocercus spinosus Fitzinger, 1843 — Syst. Reptil. :78.
ti°plocercits spinosus Boulenger, 1885 — Cat. Liz. Brit. Mus. 2:199.
^°plocercus spinosus Burt & Burt. 1933 — loc. cit. :26.
Nome vulgar : Papa-vento.
Distribuição: Sudeste e sudoeste (S. Paulo e Matto Grosso).
XVI — Gen. Iguana Laurentius, 1768.
’ n Synops. Reptil. :47.1768.
Typo : iguana (= tubcrculata)
36. — Iguana iguana (L., 1758).
AlLCr ta iguana Linneu, 1758 — Syst. Nat. :206.
y i, ana tubcrculata Boulenger, 1885 — loc. cit. :189.
y u aiia iguana Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :26.
Nomes vulgares: Sinimbú ou Tejubú ou Tijibú.
Distribuição : Districtos eciuatorial e tropical até iierto do parallelo 20° S .
XVII — Gen. Leiocephalus Gray, 1827.
Philos. Mag. (London) 2.2 :207. 1827.
Typo : carinatus
11
178
Memórias do Instituto Butanlan — Tomo XI
37. — Leiocephalus dumerilii (Steindachner, 1869).
Ophryoessoides dumerilii Steindachner, 1869 — Novara, Reptil. :33 Pab. 2.
Liocephalus dumerilii Boulenger, 1885 — loc. cit. :170.
Leiocephalus dumerilii Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :27.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição: Valle amazonico (Pará).
38. — Leiocephalus tricristatus (Duméril, 1851).
Ophryoessoides tricristatus Duméril, 1851 — Cat. Méth. Coll. Reptiles :66.
Liocephalus tricristatus Boulenger, 1885 — loc. cit. :170.
Leiocephalus tricristatus Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :29.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição : Não conhecida.
XVIII — Gen. Leiosaurus Dm. & Bibr., 1837.
in — Erp. Gén. 4:241.1837.
Typo : bcllii
39. — Leiosaurus paronae (Peracca, 1897).
Aperoprisitis paronae Peracca, 1897 — Boll Mus. Zool. Univ. Torino 12 (299)
Leiosaurus paronae Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :30.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição: Extremo sul e sudoeste.
XIX — • Gen. Liolaemus Wiegmann, 1834.
in — Plerp. Mexicana : 18. 1834.
Typo : chiliensis
40. — Liolaemus glieschi Aiil, 1925.
Liolaemus glieschi Ahl, 1925 — Zool. Anz. 62:88
Liolaemus glieschi Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :32.
Nome vulgar : Desconhecido.
Distribuição: Extremo meridional (Rio Grande do Sul).
12
cm
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Amaral — Lacertilios ncolropicus
179
41 . — • Liolaemus occipitalis Mertens, 1928.
^ °laeinits occipitalis Mertens, 1928 — Blatt f. Aquar. u. Terrarienk. 15:302.
Waetnus occipitalis Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :3 6.
Nome vulgar : Desconhecido,
distribuição : Desconhecida.
42. — Liolaemus wiegmannii (Dm. s- Bibr., 1837).
p
ro Votretus wiegmannii Duméril & Bibron, 1837 — Erp. Gén. 4:284.
Genius wiegmannii Boulenger, 1885 — loc. cit. :15ó
0 a evius wiegmannii Burt & Burt, 1933 — loc. cit :38.
Nome vulgar : Lagarto.
Distribuição: Extremo meridional (Rio Grande do Sul).
XX — • Gen. Norops Wagler, 1830.
t'n _ „
Syst. Amph. : 149. 1830.
Typo : auratus
43. — ■ Norops marmorata Amaral, 1932.
r °Ps mannorata Amaral, 1932 — Mem. Inst. Butantan 7:62, Figs. 17-18.
Nome vulgar : Desconhecido.
Distribuição: Holotypo de Minas Geraes.
hl
44.
> °P S sladcniac Boulenger, 1903 —
l hr 0 .
s iadcniae Burt & Burt, 1933
Norops sladeniae Boulenger, 1903.
Proc. Zool. Soc. London 2:69.
— loc. cit. :38.
Vr
1 °me vulgar: Desconhecido.
distribuição: Extremo sudoeste (Matto Grosso).
XXI — ■ Gen. Polychrus Cuvier, 1817.
Nègne Animal 2:40.1817.
Typo : marmoratus
13
180
Memórias do Tnstitulo Butnntnn — Tomo XI
45. — Polychrus marmoratus marmoratus (L., 1758).
Lacerta marmorata Linneu, 1758 — Syst. Nat. :208.
Polychrus marmoratus Merrem, 1820 — Syst. Amph. :48.
Polychrus marmoratus Boulenger, 1885 — loc. cit. :98 ( pro parte).
Polychrus marmoratus marmoratus Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :41.
Nomes vulgares : Camaleão ou Papa-vento.
Distribuição: Districtos equatorial e nordestino (de Amazonas ate
nambuco).
per-
45a. — • Polychrus marmoratus acutirostris (Spix, 1825).
.4
Polychrus acutirostris Spix, 1825 — Lacert. Brasil. Spec. Novae :15. Tab. 1
Polychrus acutirostris Boulenger, 1885 — loc. cit. :99.
Polychrus marmoratus acutirostris Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :4l.
Nome vulgar: Camaleão ou Papa-vento.
Distribuição : Districtos oriental, meridional e sul-occidental (desde a
até o Rio Grande do Sul e países vizinhos).
XXII — ■ Gen. Proctotretus Dm. & Bibr., 1837.
in — Erp. Gén. 4:266.1837.
Typo : pectinatus
46. • — Proctotretus aziireus (Müller, 1880).
rcfy.
Tropidocephalus azurcus Müller, 1880 — Verhandl. Nat. Ges. Basel 7:160-
Saccodeira azurea Boulenger, 1885 — loc. cit. :160. -j
Proctotretus azurcus Burt & Burt, 1930 — Proc. U. S. Nat. Mus. 78 Ar 6 ^ ..
ysr
Proctotretus azureus Burt & Burt, 1933 — Transact. Acad. Sc. St.
28(1,2) :41.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição : Extremo meridional.
XXIII — • Gen. Strobilurus Wiegmann, 1834.
in — Herp. Mexicana : 18 . 1834.
Typo : torquatus
14
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Amaral — Lacertilios neotropicos
47. — • Strobilurus torciuatiis Wiegmann, 1834.
S ,r °bilurus torquatus Wiegmann, 1834 — Herp. Mexicana :18.
$ tr °bilurus torquatus Boulenger, 1885 — loc. cit. :181.
tr °bilunis torquatus Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :44.
Nome vulgar: Lagarto,
distribuição : Districto nordestino.
XXIV — Gen. Tapinurus Amaral, 1932.
1 Mem. Inst. Butarrtan 7:65.1932.
Typo : scutipunctatus
181
la Pk
48. — • Tapinurus scutipunctatus Amaral, 1932.
,,ir us scutipunctatus Amaral, 1932 — loc. cit. :65, Figs. 22-25.
Nome vulgar : Lagarto,
distribuição : Holotypo e paratypos da Bahia.
XXV — Gen. Tropidurus Wied, 1824.
^ Abbd. Naturgesch. Brasil. 1824.
Typo : torquatus
[ r °Pidu
49. — • Tropidurus semitaeniatus (Spix, 1825).
semitaeniata Spix, 1825 — Lacert. Brasil. Spec. Novae :13. Tab. 26: 1.
v -‘<nts semitaeniatus Boulenger, 1885 — loc. cit. : 1 78.
' Vqj. •
' »rus semitaeniatus Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :47.
Ki
d;
ornes vulgares : Papa-vento ou Lagarto.
Atribuição : Bahia.
Tropidurus spinulosus (Cope, 1862).
\ spinulosus Coj)e, 1862 — Proc. Acad. Nat. Sc. Phila. :351.
t‘m^ Uru ' s spinulosus Boulenger, 1885 — loc. cit. : 1 75.
P‘d ;
K
d;,
Ur us spinulosus Burt & Burt, 1933 — hc. cit. :47.
°irie vulgar: Lagarto.
lstr ibuição: Extremo meridional e sul-occidental (Matto Grosso até o
’ Gra 'ide do Sul.
15
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo XI
51. — Tropidurus torquatus torquatus (Wied, 1820).
Stcllio torquatus Wied, 1820 — Reise Brasil. (1815-1817) 1:106.
Tropidurus torquatus Boulenger, 1885 — hc. cit. : 17(3.
Tropidurus torquatus torquatus Burt & Burt, 1930 — Proc. U. S. Nat. Mus. 7&
Art. 6:27.
Tropidurus torquatus torquatus Burt & Burt, 1933 — Transact. Acad. Ss. St*
Louis 28(1,2) :48.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição : Extremo meridional sul-occidental.
51a. — Tropidurus torquatus hispidus (Spix, 1825).
Agatna hispida Spix, 1825 — Lacert. Brasil. Spec. Novae :12. Tab. 15:2.
Tropidurus hispidus Boulenger, 1885 — loc. cit. : 177.
Tropidurus torquatus hispidus Burt & Burt, 1930 — Proc. U. S. Nat. Mus. ^
Art. 6:26.
Tropidurus torquatus hispidus Burt & Burt, 1933 — Transact. Acad. Sc.
Louis 28(1,2) :48.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição: Districto nordestino.
XXVI — • Gen. Urocentron KAur, 1827.
in — Isis 19:612.1827.
Typo : azureum
52. — Urocentron azureum (L., 1758).
Laccrta azurea Linneu, 1758 — Syst. Nat. :202.
Urocentron azureum Kaup, 1827 — in Oken — Isis 19;612.
Urocentron azureum Boulenger, 1885 — hc. cit. :182.
Urocentron azureum Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :48.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição : Districto equatorial.
XXVII — ■ Gen. Urostroplius Dm. & Bibr., 1837.
in — • Erp. Gen. 4:77.1837.
Typo : vauticri
16
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Amaral — Lacertilios neotropicos
183
53. — ■ Urostrophus vautieri Dm. & Birr., 1837.
Urostrophus vautieri Duméril & Bibron, 1837 — loc. cit. :78. Tab. 37:1.
U r °sirophus vautieri Boulenger, 1885 — loc. cit. : 123.
Urostrophus vautieri Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :49.
Nome vulgar: Papa-vento.
Distribuição: Districtos tropical e sub-tropical.
C — Fam. A N G U I D A E
XXVIII — Gen. Diploglossus Wiegmann, 1834.
1,1 ' — Herp. Mexicana :36. 1834.
Typo : fasciatus
54. — • Diploglossus fasciatus Wiegmann, 1834.
diploglossus fasciatus Wiegmann, 1834 — Herp. Mexicana :36.
diploglossus fasciatus Boulenger, 1855 — loc. cit. :28 7.
Nome vulgar: Lagarto, Briba ou Bivora (Vibora).
Distribuição: Districtos oriental e nordestino.
55. — Diploglossus lessonae Peracca, 1890.
iploglossus lessonae Peracca, 1890 — Boll. Mus. Zool. Univ. Torino 5(77) r
1-5.
diploglossus lessonae Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 50.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição : Desconhecida.
56. — Diploglossus tenuifasciatus Parker, 1924.
diploglossus tcnuifasciatus Parker, 1924 — Ann. & Mag. N. H. 9.13:586.
diploglossus tcnuifasciatus Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :50.
N onie vulgar: Lagarto ou Briba.
Distribuição: Extremo do districto nordestino.
17
184
Memórias cio Instituto Butantan — Tomo XI
XXIX — • Gen. Ophiodes Wagler, 1828.
in — Isis :740.1828.
Typo : striatus
57. — Ophiodes striatus grilli (Boulenger, 1913).
Ophiodes grilli Boulenger, 1913 — Ann. Mus. Civ. Stor. Nat. Gênova 3.6-49'
Ophiodes grilli Burt & Burt, 1933 — loc. cit. : 50.
Nomes vulgares : Cobra-vidro ou Quebra-quebra.
Distribuição: Districto sul-oriental (Paraná).
57a. — Ophiodes striatus striatus (Spix, 1825).
Pygopus striatus Spix, 1825 — Lacert. Brasil. Spec. Novae:25. 1 ab. 28-1-
Ophiodes striatus Boulenger, 1885 — Cat. Liz. Brit. Mus. 2:296.
Ophiodes striatus Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 51.
Nomes vulgares : Cobra-vidro ou Quebra-quebra.
Distribuição: Por todo o território, do lado oriental.
57b. — • Ophiodes striatus vertebralis (Bocourt, 1881).
Ophiodes vertebralis Bocourt, 1881 — Miss. Sc. Mex. Amer. Cent. :459.
22 G :3.
Ophiodes vertebralis Boulenger, 1885 — loc. cit.:297.
Ophiodes vertebralis Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 51.
Nome vulgar : Cobra-vidro.
Distribuição: Extremo meridional (Rio Grande do Sul).
Tab'
D — Fam. T E 1 1 D A E
XXX — ■ Gen. Ameiva Meyer, 1795.
in — Synops. Reptil. :27. 1795.
Typo: ameiva (= americana)
18
cm
SciELO
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Amarai. — Laccrlilios neotro picos
185
58. — Ameiva ameiva ameiva (L., 1758).
l-acerta ameiva Linneu, 1758 — Syst. Nat. :202.
4ntei va surinamensis Boulenger, 1885 — loc. cit. :352 (pro parte).
■dineiva ameiva ameiva Barbour & Noble, 1915 — Buli. Mus. Conip. Zool. 59:462.
^nteiva ameiva ameiva Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 51.
Nomes vulgares : Jacaré-pinima ou Bico-doce.
Distribuição: Desde o valle amazonico até os districtos oriental, centro-
° r 'ental c Occidental.
58a. — Ameiva ameiva Iaeta (Cope, 1862).
4);
» n
%e ‘va Iaeta Cope, 1862 — Proc. Acad. Nat. Sc. Phila. :65.
^ Hle iva surinamensis Boulenger, 1885 — loc. cit. :352 (pro parte),
^wieiva ameiva Iaeta Barbour & Noble, 1915 — loc cit. :467.
n eiva ameiva Iaeta Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :5 1 .
Nome vulgar: Tciú.
Distribuição: Districto sul-oriental.
XXXI — • Gen. Anotosaura Amaral, 1932.
— ■ Mem. Inst. Butantan 7:68.1932.
Typo : collaris
59. — ■ Anotosaura collaris Amaral, 1932.
°t°saura collaris Amaral, 1932 — loc. cit. :69, Figs. 36-40.
Nome vulgar : Desconhecido.
Distribuição: Holotypo da Bahia.
XXXII — • Gen. Apatelus Amaral, 1935.
" Mem. Inst. Butantan 9:249.1935.
Typo : bresslaui
60. — Apatelus bresslaui Amaral, 1935.
Pate lus bresslaui Amaral, 1935 — loc. cit. :350, Figs. 4-7.
Nome vulgar : Desconhecido.
Distribuição : Holotypo de S. Paulo.
4 «,
Vi
VT *NTAN
19
cm
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18G Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
XXXIII — ■ Gen. Arthrosaura Boulenger, 1885.
in — Cat. Liz. Brit. Mus. 2:389.1885.
Typo: reticulata
61. — • Arthrosaura concolor (Tschudt, 1847).
Pantodactylus concolor Tschudi, 1847 — Arkiv f. Naturg. 30:48,50.
Arthrosaura concolor Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 55.
Nomes vulgares: Lagarto ou Calango.
Distribuição: Districto equatorial (Extremo septentrional).
62. — • Arthrosaura kocki (de Jeude, 1904).
Prionodactylus kocki de Jeude, 1904 — Notes Leyden Mus. 25:91.
Arthrosaura kocki Brongersma, 1928 — • Zool. Anz. 78:333.
Arthrosaura kockii Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :55.
Nome vulgar: Calango.
Distribuição: Extremo septentrional (Pará).
XXXIV — • Gen. Arthroseps Boulenger, 1898.
in — Proc. Zool. Soc. London. :920. 1898.
Typo: werneri
63. — Arthroseps flumiuensis Amaral, 1932.
Arthroseps fluminensis Amaral, 1932 — loc. cit. :66, Figs. 26-30.
Nome vulgar: Calango.
Distribuição : Holotypo do Rio de Janeiro.
64. — • Arthroseps werneri Boulenger, 1898.
Arthroseps werneri Boulenger, 1898 — Proc. Zool. Soc. London. :921.
Arthroseps werneri Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :56.
Nome vulgar: Calango.
Distribuição : Districto meridional.
20
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Amaral — Laccrtilios neotropicos
187
XXXV — • Gen. Calliscincopus Ruthven, 1916.
,n ~~ Occ. Pap. Mus. Zool. Univ. Mich. 22:2.1916.
Typo : agilis
65. — • Calliscincopus agilis Ruthven, 1916.
^ a Wscincopus agilis Ruthven, 1916 — loc. cit. :2.
retl °scincus rotnani Andersson, 1918 — Arkiv f. Zool. 11(16) :5, Figs. 3-4.
re tioscincus brasüiensis Müller, 1923 — Zool. Anz. 57:49.
^ a Miscincopus agilis Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :58.
Nome vulgar: Calango.
Distribuição: Valle amazonico.
XXXVI — Cnemidophorus Wagler, 1830
'** — Syst. Amph.: 154. 1830.
Typo : murinns
66. — Cnemidophorus lemniscatus lemniscatus (L., 1758).
' <lCcr ta leniniscata Linneu, 1758 — Syst. Nat. :209.
* efn idvphorus lemniscatus Boulenger, 1885 — Cat. Liz. Brit. Mus. 2:363.
nidophorus lemniscatus lemniscatus Beebe, 1919 — Zoologica 2:212.
ncn, idophorus lemniscatus lemniscatus Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :59.
Nome vulgar: Calango.
Distribuição : Valle Amazonico.
67. — • Cnemidophorus ocellifer (Spix, 1825).
7v
ç ]Us ocellifer Spix, 1825 — Lacert. Brasil. Spec. Novae:23. Tab. 25.
ç, >e,lll dophorus ocellifer Peters, 1877 — Monatsb. Akad. Wiss. Berlin:414.
* ern idophorus ocellifer Boulenger, 1885 — loc. cit. :3 72.
tetn idophorus ocellifer Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :59.
Nome vulgar: Calango.
Distribuição: Districtos tropical e sub-tropical, desde o Nordeste (Per-
,ltc o), pelo centro, até o Sudoeste (Matto Grosso).
21
188
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
XXXVII — Gen. Colobodactylus Amaral, 1932.
in — Mem. Inst. Butantan 7:70.1932.
Typo: taumyi
68. — Colobodactylus taunayi Amaral, 1932.
Colobodactylus taunayi Amaral, 1932 — loc. cit.:70, Figs. 41-45.
Nome vulgar: Calango.
Distribuição: Holotypo e paratypos de S. Paulo.
XXXVIII — Gen. Colobosaura Boulenger, 1887
in — Cat. Liz. Brit. Mus. 3:508.1887.
Typo: modesta
69. — • Colobosaura mentalis Amaral, 1932.
Colobosaura mentalis Amaral, 1932 — loc. cit.:72. Figs. 46-50.
Nome vulgar : Calango.
Distribuição: Holotypo e allotypo da Bahia.
70. — • Colobosaura modesta (Reinii. & Lütk., 1861).
Pefiodactylus modestus Reinhardt & Lütken, 1861 — Vidensk. Meddel.
Foren. Kjobenh. :280. Tab. 5 :7.
Perodactylus modestus Boulenger, 1887 — Cat. Liz. Brit. Mus. 2:423.1885 &
3:508 ( Colobosaura modesta).
Colobosaura modesta Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :60.
Nome vulgar: Calango.
Distribuição: Typo do Morro da Garça.
XXXIX — Gen. Dracaena Daudin, 1802.
in — Hist. Nat. Reptiles 2:421.1802.
Typo : guianensis
22
cm
2 3
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Amaral — Lacertilios ncotropicos
189
71. — • Dracaena guianensis Daudin, 1802.
Eracacna guianensis Daudin, 1802 — Hist. Nat. Reptiles 2:423 Tab. 28.
Eracaena guianensis Boulenger, 1885 — loc. cit. 2:338.
Eracacna guianensis Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 61.
Nome vulgar : Calango.
Distribuição: ' Desde o valle amazonico até o districto nordestino.
NL — Gen. Ecpleopus Dm. & Bibr.. 1839.
in — Erp. Gen. 5:434.1839.
Typo : gaudichaudii
72. — • Ecpleopus gaudichaudii Dm. & Bibr., 1839.
Ecpleopus gaudichaudii Duméril & Bibron, 1839 — loc. cit.: 436.
Ecpleopus gaudichaudii Boulenger, 1885 — loc. cit.: 401.
Ecpleopus gaudichaudii Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :61.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição : Desconhecida.
XLI — • Gen. Elaphrosaura Amaral, 1932.
in — Mem. Inst. Butantan 7:67.1932.
Typo: spitzi
77). — • Elaphrosaura spitzi Amaral, 1932-
Elaphrosaura spitzi Amaral, 1932 — loc. cit. :68, Figs. 31-35.
Nome vulgar : Lagarto.
Distribuição : Holotypo da serra de Cubatfio, S. Paulo.
XLII — • Gen. Euspondylus Tschudi, 1845.
in — Fauna Peruana, Flerpet. :41 . 1845.
Typo : maculatus
23
190
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XI
74. — Euspondylus champsonatus (Werner, 1910).
Prionodactylus champsonatus Werner, 1910 — Mitt. Naturh. Mus. Hamburg
27(2) *31.
Euspondylus champsonatus Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :62.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição: Districto meridional.
75. — • Euspondylus cupreus Andersson, 1916.
Euspondylus cupreus Andersson, 1916 — Goteborgs Kungl. Vetensk. VitterhetS'
samhalles Handl. 4.17(5) :6.
Euspondylus cupreus Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :62.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição : Desconhecida.
76. — Euspondylus quadrilineatus (Boettger, 1876).
Cercosaura (Pantodactylus) quadrilineatus Boettger, 1876 — Ber. Senckenb-
Ges. :141. Tab..
Prionodactylus quadrilineatus Boulenger, 1885 — loc. cit. :393.
Prionodactylus quadrilineatus Griffin, 1917 — Ann. Carnegie Mus 11:428.
Prionodactylus albostriçjatus Griffin, 1917 — loc. cit. :314.
Euspondylus quadrilineatus Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :64.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição: Districto centro-meridional.
XLIII — ■ Gen. Gymnoplithalmus Merrem, 1820.
in — Syst. Amph. : 74. 1820.
Typo : lineatus (= quadrilineatus )
77. — Gymnoplitlialmus lineatus (L., 1758).
Lacerta lineata Linneu, 1758 — Syst. Nat. :209.
Lacerta quadrilineata Linneu, 1766 — Syst. Nat. 1:371.
Gymnophthalmus quadrilineatus Merrem, 1820 — Tent. Syst. Amph. :74.
Gymnophthalmus quadrilineatus Boulenger, 1885 — loc. cit. :427.
Gymnophthalmus lineatus Andersson, 1900 — Bihang Svenska Vet. — Ak® 1 '’
Handl. 26 Sect. 4(1) :16.
Gymnophthalmus lineatus Burt & Burt. 1933 — loc. cit. :65.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição : Districto equatorial.
24
1, | SciELO
Amaral — Lacertilios neotropicos
191
78. — • (iymnophthalmtis multiscutatus Amaral, 1932.
^yttonophthalmus multiscutatus Amaral, 1932. — loc. cit. :73, Figs. 51-55.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição: Holotypo do sertão da Bahia.
XLIV — Gen. Heterodactylus Spix, 1825.
ln ~~~ Lacert. Brasil. Spec. Novae. :25 . 1825.
Typo: imbricatus
79. — • Heterodactylus imbricatus Srix, 1825.
^ ef erodactylus imbricatus Spix, 1825 — Lacert. Brasil. Spec. Novae :25 Tab.
/ 27:1 ‘
ete rodactylus imbricatus Boidenger, 1885 — loc. cit. :422.
^ eler odactylus imbricatus Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :66.
Nome vulgar : Lagarto.
Distribuição : Districto centro-meridional e oriental.
80. — ■ Heterodactylus lundii Reinii. & Lütk., 1861.
^ et erodactylus lundii Reinhardt & Lütken, 1861 — Vidensk. Meddel. Nat. Foreti
Kjõbenh:214. Tab. 6:10.
ete rodactylus lundii Boulenger, 1885 — loc. cit. :423.
ete rodactylus lundii Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :66.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição: Typo da serra de Piedade.
XLV — • Gen. Iphisa Gray, 1851.
1 Proc. Zool. Soc. Lcmdon :39. 1851.
Typo: elegans
*Ph
tfih
81. — iphisa elegans Gray, 1851.
l Ph
elegans Gray, 1851 — loc. cit.: 39.
lSa elegans Boulenger, 1885
loc. cit. :424.
loc. cit. :66.
tls a elegans Burt & Burt, 1933
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição: Valle amazonico (Pará).
25
192
Memórias do Instituto Butnntan — • Tomo XI
XLVI — Gen. Kentropyx Spix, 1825.
in — Lacert. Brasil. Spec. Novae :21 . 1825.
Typo : calcaratus
82. — Kentropyx calcaratus Spix, 1825
A
Kentropyx calcaratus Spix, 1825 — I^acert. Brasil. Spec. Novae :21. Tab. 22-
Monoplocus dorsalis Günther, 1859 — Proc. Zool. Soc. London:404.
Centropyx pelviccps Cope, 1868 — Proc. Acad. Nat. Sc. Phila. :98.
Centropyx calcaratus Boulenger, 1885 — loc. cit.: 341.
Kentropyx calcaratus Burt & Burt, 1933 — loc. cit.:66.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição: Districtos equatorial e tropical.
83. — Kentropyx paulensis Bokttger, 1892.
Kentropyx paulensis Boettger, 1892 — Kat. Reptil. Samml. Mus. Sencke 1 ^
Naturf. Ges. 1 :73.
Kentropyx paulensis Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :6 7.
Nome vulgar : Lagarto.
Distribuição: Drstricto centro-meridional.
84. — Kentropyx williamsoni Rutiiven, 1929
Kentropyx williamsoni Ruthven, 1929 — Occ. Pap. Mus. Zool. Univ.
(206) :1.
Kentropyx williamsoni Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :6 7.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição: Valle amazonico.
XLVII — Gen. Leposoma Spix, 1825.
in — Lacert. Brasil. Spec. Novae :24. 1825.
Typo: sdncoidcs
Mick-
2G
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Amahal — Lacertilios neotropicos
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88. — • Neusticurus bicarinatus (L., 1758).
^ acc, 'ta bicarinata Linneu, 1758 — Syst. Nat. :201.
^ e,l sticurus bicarinatus Duméril & Bibron, 1839 — loc. cit. :64.
eus ticnrus bicarinatus Boulenger, 1885 — loc. cit.:3 81.
ej isticurus bicarinatus Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 69.
Nome vulgar: Lagarto,
distribuição: Districto tropical.
L — • Gen. Pantodactylus Dm. & Bibe., 1839.
1,! Erp. Gén. 5:428.1839.
Typo: schreibersii (= dorbignyi)
89. — Pantodactylus amazonius (Ruthven, 1924)
°t’°glossus amazonius Ruthven, 1924 — Occ. Pap. Mus. Zool. Univ.
p Ali ch. (153) :1.
lt °dactylus amazonius Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :70.
N,
°me vulgar: Lagarto.
Distribuição: Districto Occidental e tropical (Matto Grosso).
90.
41 ,
^ °0lossus gracilis Werner, 1913
Q,,í oda,
Pantodactylus gracilis (Werner, 1913).
Mitt. Naturh. Mus. Haniburg. 30,2:13.
N,
Di
r Co Sl
■Orf,
ac tylus gracilis Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :71.
°ine vulgar: Lagarto.
atribuição: Districto sul-oriental (Santa Catharina).
91. — ■ Pantodactylus schreibersii (Wiegmann, 1834).
aura schreibersii Wiegmann, 1834 — Herpert. Mexicana :10.
ct ylus schreibersii Boulenger, 1885 — loc. cit. :388.
‘oda,
act ylus schreibersii Burt & Burt, 1933 — loc cit.:7\.
°me vulgar : Lagarto.
’ st ribuição: Extremo meridional.
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Memórias fio Instituto Butantan — Tomo XI
85. — - Leposoma percarinatum (Müller, 1923).
Hylosaurus percarinatus Müller, 1923 — Zool. Anz. 57:146.
Leposoma taeniata Noble, 1923 — Zoologica 3(15) :303.
Hylosaurus muelleri Mertens, 1925 — Senckenbergiana 7 :76.
Leposoma percarinatum Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :68.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição: Valle amazonico (Pará).
86. — ■ Leposoma scincoides Spix, 1825.
r\
Leposoma scincoides Spix. 1825 — Lacert. Brasil. Spec. Novae:24. Tab. 27 • '
Leposoma scincoides Boulenger, 1885 — loc. cit. :386.
Leposoma scincoides Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :68.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição: Valle amazonico.
XLVIII — • Gen. Micrablepharus Boettger, 1885.
in — Zschr. f. Naturw. 58:217.1885.
Typo: maximiliani {— glaucurus)
87. — Micrablepharus maximiliani (Reinh. & LÜTK., 1861).
Gymnophthalmus maximiliani Reinhardt & Lütken, 1861 — loc. cit.: 21 1-
5:6.
Micrablepharus maximiliani Boulenger, 1885 — loc. cit. :426.
Micrablepharus maximiliani Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :68.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição : Districto sul-occiclental.
XLIX — Gen. Neusticurus Dm. & Bibr., 1839.
in — • Erp. Gén. 5:61.1839.
Typo : bicarinatus
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Amaral — Lacertilios ncotropicos
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LI — Gen. Placosoma Tschudi, 1847
’ n — Arch. f. Naturg. 13,1 :50.1847.
Typo : cordylinum
92. — ■ Placosoma cordylinum TSCHUDI, 1847.
ac °soma cordylinum Tschudi, 1847 — loc. cit. :5l.
^cosotna cordylinum Boulenger, 1885 — loc. cit. :39 7.
hcosotna cordylinum Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :72.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição: Districto tropical até Rio de Janeiro.
««
LII — • Gen. Stenolepis Boulenger, 1887.
Proc, Zool. Soc. London :640.1887.
Typo: ridleyi
93. — ■ Stenolepis ridleyi Boulenger, 1887.
etl °lepi s ridleyi Boulenger, 1887 — loc. cit. :640.
en °lepi s ridleyi Burt & Burt, 1933 — loc cit. :76.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição: Nordeste (Pernambuco).
LIII — Gen. Teius Merrem, 1820.
"" Syst. Amph. :60. 1820.
Typo: teyou (= viridis).
94. — Teius teyou teyou (Daudin, 1802).
c 'tii teyou Daudin, 1802 — Plist. Nat. Reptiles 3:195.
I
j. <s teyou Boulenger, 1885 — Cat. Liz. Brit. Mus. 2:379
1 ie 'u s
I ^ teyou teyou Burt & Burt, 1930 — Proc. U. S. Nat. Mus. 78, Art. 6 :37.
^ Pl u
s teyou teyou Burt & Burt, 1933 — Transact. Acad. Sc. St. Louis
28 (1,2) :76.
N°mcs vulgares : Lagarto ou Teiú.
distribuição: Districto centro-meridional.
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Memórias do Instituto Butnntnn — Tomo XI
LIV — ■ Gen. Ttipinambis Daudin, 1802.
in — Hist. Nat. Reptiles 3:6.1802.
Typo: tcguixin (= monitor).
95. — ■ Tupinambis duséni Lonnberg, 1910.
Tupinattibis duscni Lonnberg, 1910 — Arkiv f. Zool. 6(9) : 1 .
Tupinambis duscni Burt & Burt, 1933 — U>c. cit. :77.
Nomes vulgares: Lagarto ou Teiú.
Distribuição: Districto meridional (Paraná).
96. — • Tupinambis nigropunctatus Srix, 1825.
Tupinambis nigropunctatus Spix, 1825 — Lacert. Brasil. Spec. Novae:18.
Tab. 20.
Tupinambis nigropunctatus Boulenger, 1885 — loc. cit.:337.
Tupinambis nigropunctatus Burt & Burt, 1933 — loc. cit. '.77.
Nomes vulgares: Lagarto ou Tejú-assú.
Distribuição: Districto equatorial (Valle amazonico).
97. — ■ Tupinambis teguixin (L., 1758).
Lacerta tcguixin Linneu, 1758 — Syst. Nat.:208.
Tupinambis tcguixin Boulenger, 1885 — loc. cit. :335.
Tupinambis tcguixin Burt & Burt, 1933 — loc. cit. -.77.
Nomes vulgares: Tejú-assú ou Teiú.
Distribuição: Por grande parte do território.
E — Fam. AMPHISBAENIDAE
LV — Gen. Amphisbuena L., 1758.
in — Syst. Nat. :209.1758.
Typo: fuliginosa
Nota : Genero carente de meticulosa revisão, que provavelmente lhe r ^._
lirá as especies, agrupáveis talvez em subgeneros e representadas por > n
duos portadores de enormes variações morphologicas.
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Amahal — Lacerlilios neotropicos
98. — • Amphisbaena albissima Amaral, 1932.
n Phisbaena albissima Amaral, 1932, — loc. cit.: 55, Figs. 4-6.
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição: Holotypo de S. Paulo.
197
99. — Amphisbaena brachyura Amaral, 1932.
m Phisbaena brachyura Amaral, 1932 — loc. cit. : 55, Figs. 1-3.
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição : Holotypo de Alagoas.
100. — Amphisbaena fuliginosa (L., 1758).
^ Phisbaena fuliginosa Linneu, 1758 — Syst Nat. : 229.
Phisbaena fuliginosa Boulenger, 1885 — loc. cit. :437.
Phisbaena mattogrosscnsis Peracca, 1898 — Boi. Mus. Zool. Univ. Torino.
13(326) :1.
Phisbaena fuliginosa Burt & Burt, 1933 — loc. cit.:79.
Phisbaena mattogrosscnsis Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 80.
Phisbaena fuliginosa fuliginosa Amaral, 1935 — Mem. Inst. Butantan 9:231
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição: Raça commum e representativa do districto norte-occidental.
4
100a. — Amphisbaena fuliginosa alba (L., 1758).
^ Phisbaena alba Linneu, 1758 — loc. cit.: 229.
n Phisbaena alba Boulenger, 1885 — loc. cit.: 438.
Phisbaena alba Burt & Burt, 1933 — loc. cit.:78.
n Phisbaena fuliginosa alba Amaral, 1935 — loc. cit.: 231.
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição: Raça commum e representativa do districto sul-oriental.
101. — Amphisbaena petrei Dm. & Bibr., 1839.
phisbaena petrei Duméril & Bibron, 1839 — Erp. Gén. 5 :486.
"Phisbaena leucocephala Peters, 1878 — Monatsb. Akad. Wiss. Berlin:778,
Fi
■g. 1.
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Memórias <lo Instituto Butantan — Tomo XI
Amphisbaena subocularis Peters, 1878 — loc. cit. :779, Fig. 2.
Amphisbaena mertensii Strauch, 1881 — Mécl. Biol. Acad. S. Petersburgo 11 :385 |
Amphisbaena beniensis Cope, 1885 — Proc. Amer. Philos. Soc. 22:184,188’
Fig. 2.
Amphisbaena beniensis Boulenger, 1885 — loc. cit. :439.
Amphisbaena leucocephala Boulenger, 1885 — loc. cit.: 441.
Amphisbaena mertensii Boulenger, 1885 — loc. cit. :441.
Amphisbaena petrii Boulenger, 1885 — loc. cit. :440.
Amphisbaena subocularis Boulenger, 1885 — loc. cit. :440.
Amphisbaena beniensis Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :78.
Amphisbaena leucocephala Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :80.
Amphisbaena mertensii Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :80.
Amphisbaena petrii Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 81.
Amphisbaena subocularis Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :82.
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição: Districto tropical, desde o nordeste, através do centro,
o sudoeste e países vizinhos.
at«
102. — Amphisbaena ridleyi Boulenger, 1889.
Amphisbaena ridleyi Boulenger, 1889 — J. Linn. Soc. London 20:481.
Amphisbaena ridleyi Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 81.
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição : Typo da Ilha Fernando de Noronha.
103. — Amphisbaena silvestrii Boulenger, 1902.
Amphisbaena silvestrii Boulenger, 1902 — Ann. & Mag. N. H. 7. 9:287-
Amphisbaena silvestri Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :81.
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição: Typo de Matto Grosso.
104. — Amphisbaena vermicularis vermicularis (Spix, 1824).
Amphisbaena vermicularis Spix, 1824 — Serp. Brasil Spec. Novae :73-
25: 2.
Amphisbaena brasiliana Gray, 1865 — Proc. Zool. Soc. London :448.
Amphisbaena steindachneri Strauch, 1881 — loc. cit. :40 7.
Amphisbaena vermicularis Boulenger, 1885 — loc. cit.: 441.
fab'
32
cm
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Amarai. — Laccrlilios neolropicos
199
^ m phisbaena mitchclli Procter, 1923 — Proc. Zool. Soc. Lomdon : 1065.
^ ni phisbaena brasiliana Burt & Burt,, 1933 — loc. cit. :80.
^ phisbaena mitchclli Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 81.
^ ^Phisbaena steindachncri Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 81.
^ nphisbacna vermicularis Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :82.
Phisbaena vermicularis vermicularis Amaral, 1932 — Mem. Inst. Butantan
7:54 & 9:225.1935.
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição: Forma septentrional, commum nos districtos equatorial e
tr °Pical.
104a. — Amphisbaena vermicularis centralis Amaral, 1935.
^“Phisbaena vermicularis centralis Amaral, 1935 — loc. cit. 9:255, Fig. 9,
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição: Forma central, procedente do districto tropical (Goiás e
ln as Geraes).
104b. — • Amphisbaena vermicularis darwinii (Dm. & Bibr., 1839).
Phisbaena danvinii Duméril & Burt, Bibron, 1839 Ern Gén 5-490
dmph: - ' ' ■
isbaena angustifrons Cope, 1861 — Proc. Acad. Nat. Sc. Phila. :70.
4i
4j.
dm
mildei Peters, 1878
Monatsb. Akad. Wiss Berlin:779, Fig 3.
- loc. cit. ;391.
Phisbaena
n Phisbaena gracilis Strauch, 1881
Phisbaena albocingulata Boettger, 1885 — Zschr. f. Naturw. 58:215.
Phisbaena albocingulata Boulenger, 1885 — loc. cit.: 443.
^ 1 Phisbaena darwinii Boulenger, 1885 — loc. cit. :442.
^ l Phisbaena gracilis Boulenger, 1885 — loc. cit. :444.
'‘Phisbaena mildei Boulenger, 1885 — loc. cit. :445.
Mi;
4t ;
“Phisbaena dubia Müller, 1924 — Mitt. Zool. Mus. Berlin 11 :86.
dtl;
dm
Phish
aena albocingulata Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :78.
d*
dm
1 Phisbaena darwinii Burt & Burt, 1933 — loc cit. :79.
1 Phisbaena dubia Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :79.
n Phisbaena gracilis Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 80.
^ Phisbaena mildei Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :80.
'Phisbaena vermicularis danvinii Amaral, 1932 — loc cit. 7:54. & 9:255.1935.
Ni
°nie vulgar : Cobra de duas cabeças.
Distribuição: Forma meridional, commum no districto subtropical, desde
a ulo, Matto Grosso até o Rio Grande do Sul e países vizinhos.
33
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Memórias do Institulo Butantan — Tomo XI
LVI — Gen. Anopsibaena Stejneger, 1916.
in — Proc. Biol. Soc. Wash. 29:96.1916.
Typo : kingii
Nota: Segundo mostrou Stejneger, o primitivo nome Anops, usado P° r
Bell, Boulenger e outros, estava preoccupado por um Crustáceo, in Oken, 181^
105. — • Anopsibaena kingii (Bell, 1883).
Anops kingii Bell, 1883 — Proc. Zool. Soc. London. :99.
Anops kingii Boulenger, 1885 — loc. cit.: 451.
Anopsibaena kingii Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :82.
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição: Districto meridional.
LVII — • Gen. Aulura Barbour, 1914.
in — Proc. N. Eng. Zool. Club 4:96.1914.
Typo : anômala
106. — Aulura anômala Barbour, 1914.
Aulura anômala Barbour, 1914 — loc. cit.: 96.
Aulura anômala Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :82.
Nome vulgar : Cobra de duas cabeças.
Distribuição : Desconhecida.
LVIII — • Gen. Leposternon Spix, 1824.
in — Serp. Brasil. Spec. Novae .70. 1824.
Typo : microcephalum
Nota: Genero carente de revisão meticulosa, que provavelmente lhe r e ^ 1
zirá o numero de especies, todas muito affins e representadas por indivi^ 1 ' 0
portadores de enormes variações morphologicas.
34
], | SciELO
Amaral — Lacertilios neotropicos
201
107. — Leposternon crassum (Strauch, 1881).
^ e Pidosternon crassum Strauch, 1881 — loc. cit. :433.
I- C p!dostcrnon crassum Boulenger, 1885 — loc. cit.: 465.
apostemo» crassum Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :83.
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição: Districto tropical.
108. — • Leposternon guentheri (Strauch, 1881).
^ e Pidosternon guentheri Strauch, 1881 — loc. cit. :449.
^ e Pidosternon guentheri Boulenger, 1885 — loc. cit. :466.
[' e P°sternon guentheri Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :83.
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição: Até ha pouco desconhecida. O Instituto Butantan possue
C ' Xci nplarcs procedentes de S. Paulo e de Matto Grosso.
109. — Leposternon infraorbitale (Berthold, 1859).
^ e Pidosternon infraorbitale Berthold, 1859 — Gõttingen Nachr. :179.
' e Pidosternon infraorbitale Boulenger, 1885 — loc. cit. :463.
e P°sternon infraorbitale Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :83.
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição: Nordeste (Bahia).
110. — Leposternon microcephalum Spix, 1824.
^ e P°sternon microcephalus Spix, 1824 — Serp. Brasil. Spec. Novae:70.
j Tab. 2d:2.
j C P l dosternon microcephalum Boulenger, 1885 — loc. cit. :462.
e P°sternon microcephalum Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :84.
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição: Commum no Rio de Janeiro.
■ e Pi(l
■ e Pid,
111. — Leposternon octostegum (Duméril, 1851).
■osternon octostegum Duméril, 1851 — Cat. Móth. Coll. Reptiles : 1 50.
^ ■ '°stcrnon octostegum Boulenger, 1885 — loc. cit. :468.
^° s ternon octostegum Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :84.
^°nic vulgar: Cobra de duas cabeças,
^•stribuição: Desconhecida.
* U, *«»*K
35
cm
SciELO
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202
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XI
112. — Leposternon petersii (Straucii, 1881).
J.cpidosternon petersii Strauch, 1881 — loc. cit. :438.
Lepidosternon petersii Boulenger, 1885 — loc. cit.: 464.
Leposternon petersii Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :84.
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição : Desconhecida.
113. — Leposternon polystegum (Duméril, 1851).
Lepidosternon polystcgum Duméril, 1851 — loc. cit.: 149.
Lepidosternon polystcgum Boulenger, 1885 — loc. cit.: 464.
Leposternon polystcgum Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :84.
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição: Nordeste (Bahia).
114. — • Leposternon rostratum (Straucii, 1881).
J.cpidosternon rostratum Strauch, 1881 — loc. cit.: 433.
I^cpidostcrnon rostratum Boulenger, 1885 — loc. cit.: 464.
J.cposternon rotratum Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 84.
Nome vulgar: Cobra de duas cabeças.
Distribuição: Nordeste (Bahia).
,de
115. — • Leposternon scutigerum (Hemprich, 1820).
Amphisbaena scutigera Hemprich, 1820 — Verhandl. Ges. Naturf. Fr el111
Berlin 1 :129.
Lepidosternon scutigerum Boulenger, 1885 — loc. cit. :469. ^
Leposternon scutigerum Burt & Burt, 1930 — Proc. U. S. Nat. ^ uS '
Art. 6:41.
f 0lJP
Leposternon scutigerum Burt & Burt, 1933 — Transact. Acad. Sc. St.
28(1,2) :85.
3(5
Nome vulgar : Cobra de duas cabeças.
Distribuição: Districto centro-oriental (Rio de Janeiro).
Amaiial — Lacertilios neotropicos
203
116. — Leposternon wuchereri (Peters, 1879).
^ e pidostcrnon wuchereri Peters, 1879 — Monatsb. Akad. Wiss. Berlin:276.
Fig. 2.
Lcpidosternon wuchereri Boulenger, 1885 — loc. cit.: 466.
epidostcrnon sinuosum Peracca, 1895 — Boll. Mus. Zool. Unrv. Torino
10 ( 200 ) : 1 .
eposternon sinuosum Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :85.
eposternon wuchereri Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :85.
Nome vulgar : Cobra de duas cabeças.
Distribuição : Desconhecida.
D — Fam. SCINCIDAE
LIX — Gen. Mabuya Fitzinger, 1826.
I,! ~~~ Neue Classif. Reptil. :23. 1826.
Typo : carimta
117 — Mabuya mabouya mabouya (Lacépède, 1788).
Acerta mabouya Lacépède, 1788 — Hist. Nat. Quadr. Ovip. 2:378, Tab. 24,
( pro parte).
fobuia nnilix Roíilenwr. 1887 — loc. cit. 3:190.
a '-’uia agilis Boulenger, 1887
k>uya agilis Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :86
k
a buya agilis agilis Amaral, 1935 — loc. cit. 9:246.
a buy a mabouya mabouya Dunn, 1935 — Proc. Acad. Nat. Sc. Phila. 87:544.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição : Districto equatorial e tropical, desde o valle amazonico até
Faulo e Matto Grosso.
117a. — M.abuya mabouya dorsivittata (Cope, 1862).
af) uia dorsivittata Cope, 1862 — Proc. Acad. Nat. Sc. Phila. 9:350.
Ul <i dorsivittata Boulenger, 1887 — loc. cit. :192.
Kb
k
nh «ya dorsovittata Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :86.
kqb
u ya agilis dorsivittata Amaral, 1935 — loc. cit. 9:247.
lt ya dorsovittata Dunn, 1935 — loc. cit . :547.
37
cm
SciELO
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204
Memórias do Insliluto Butantan
Tomo Xí
Nota : Burt c Dunn, cm seus trabalhos, grapharam dorsovitlala, o q ue e
incorrecto, pois Cope escreveu dorsivittata.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição: Districto sub-tropical, rle S. Paulo para o sul e sudoeste e
países vizinhos.
118 — • Mabuya frenata frenata (Cope, 1862).
Emoea frenata Cope, 1862 — Proc. Acad. Nat. Sc. Phila 5 :187.
Mabuia frenata Boulenger, 1887 — loc. cit. :194.
Mabuya frenata Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :86.
Mabuya frenata frenata Dunn, 1935 — loc. cit. :551.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição : Districto sub-tropical, de S. Paulo para o sudoeste e país eS
vizinhos.
119 — ■ Mabuya guaporicola Dunn, 1935.
Mabuya guaporicola Dunn, 1935 — loc. cit. :549.
Nome vulgar : Desconhecido.
Distribuição: Typo de Guaporé, Matto Grosso Occidental.
120 — • Mabuya nigropalmata Andersson, 1918.
Mabuia nigropalmata Andersson, 1918 — Arkiv f. Zool. 11(16) :8.
Mabuya nigropalmata Burt & Burt, 1933 — loc. cit.: 86.
Mabuya nigropalmata Dunn. 1935 — loc. cit. :554.
Nome vulgar: Lagarto.
Distribuição: Valle amazonico (Amazonas).
121 — • Mabuya punctata (Gray, 1838).
Tiliqua punctata Gray, 1838 — Ann. & Mag. N. H. 2:289.
Mabuia punctata Boulenger, 1887 — loc. cit.: 160. Tab. 9:1.
Mabuya punctata Burt & Burt, 1933 — loc. cit. :86.
Mabuya punctata Dunn, 1935 — loc. cit. :535.
Nome vulgar : Lagarto.
Distribuição : Ilha Fernando de Noronha.
38
SciELCVo
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
L.
cm
II
Memórias elo Inslilulo Iitilanlnn — Tomo XI
PAG.
Tropidurus Wied
. . . 181
semitaeniatus (Spix)
. . . 181
spinulosus (Cope) . ;
. . 181
torguatus hispidus (Spix) .
. . 182
torquatus torquatus (Wied)
. . 182
Urocentron Kaup
. . . 182
azurutm (Linneu)
. . 182
Urostrophus Duméril &
Bibron 182
vauticri Duméril âr Bibron
. . 183
Fam. A N G U I D A E
Diploglossus Wiegmann
fasciatus Wiegmann
lessonae Peracca ....
tenuifasciatus Parker
Ophiodes Wagler
striatus grilli (Boulenger)
slriatus strialus (Spix)
striatus vcrtcbralis (Booourt)
Fam. T E I I D A
Ameiva Meyer
ameiva ameiva (Linneu) .
ameiva lacta (Cope)
Anotosaura Amaral
collaris Amaral ....
Apatelus Amaral
brcsslaui Amaral . . .
Arthrosaura Boulenger
cone olor (Tschudi) ....
kocki (de Jeudc) ....
Arthroseps Boulenger .
fluminensis Amaral ....
zverncri Boulenger ....
Calliscincopus Ruthven
agilis Ruthven
Cnemidophorus Wagler
lemniscatus lemniscatus (Linneu)
ocellifcr (Spix)
Colobodactylus Amaral
taunayi Amaral
Colobosaura Boulenger
mentalis Amaral
modesta (Reinhardt & Lütken)
Dracaena Daudin . .
guianenses Daudin ....
Ecpleopus Duméril Cr Bibron
guadichaitdii Duméril & Bibron
Elaphrosaura Amaral
spitzi Amaral ....
Euspcndylus Tschudi
champsonatus (Wemer)
cuprcus Andersson .
quadrilineatus ( Bocttgcr) .
Gymnophthalmus Merrem
lincatus (Linneu)
multiscutatus Amaral
Heterodactylus Spix
imbricatus Spix ....
Imdii Reinhardt Cr Lütkon
Iphisa Gray .
elegans Gray
Kentropyx Spix
calcaratus Spix ....
paulensis Bocttger
williamsoni Ruthven .
Leposoma Spix . .
percarinatum (Müller)
scincoidcs Spix ....
Micrablepharus Bocttger
maximiliani (Reinhardt âr Lütken)
Neusticurus Duméril & Bibron
bicarinatus (Linneu)
Pantodactylus Duméril & Bibron
amasonius (Ruthven) .
gracilis (Werner)
schreibersii Wicgmann .
Placosoma Tschudi
cordylinutn Tschudi
Stenolepis Boulenger
ridlcyi Boulenger
Teius Merrem
teyou tcyon ( Daudin ) .
Tupinambis Daudin
duseni Lõnnberg
nigropunctatus Spix
teguixin (Linneu)
Fam. AMPHISBAENlD
Amphisbaena Linneu .
albissima Amaral ....
bracliyura Amaral ....
fuliginosa alba (Linneu)
fuliginosa fuliginosa (Linneu)
40
cm
SciELO
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índice systematico
III
pctrci Duméril & Bibron
PAG.
. 197
microcephalum Spix .
PAG.
. 201
ridleyi Boulenger
. 198
octostcgum (Duméril) .
. 201
s 'lvestrii Boulenger
. 198
petcrsii (Strauch) ....
202
Vc rmicuhiris ccntralis Amaral
. 199
polystegum (Duméril) . . .
. 202
Ver micularis dafwinii (Duméril
&
rostratum (Strauch) . . .
. 202
Bibron)
. 199
scutigerum (Hemprich)
. 202
Ver micularis vermicularis (Spix)
. 199
wuchcrcri (Peters)
203
Anopsibaena Stejneger
kin 9n (Bell)
Aulura Barbour
an °mala Barbour
Leposternon Spix
Cr zssum (Strauch) .
Ouciilhcri (Strauch)
'nfraorbitale (Berthold)
200
200
Fam. S C I N C I D A
Mabuya Fitzinger
mabouya dorsivittata (Cope) .
mabouya mabouya (Lacépède)
frenala frcnata (Cope) .
guaporicola Dunn ....
nigropalmata Andersson
punctata (Cray)
41
cm
SciELO
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ÍNDICE
ALPHABETICO
acutirostris ( Polychrus ), 180
Amphisbaena leucoccphala, 197, 198 j
acutirostris ( Polychrus marmoratus), 180
Amphisbaena mattogrosscn.vs, 197 I
Agama catenata, 176
Amphisbaena mertensii, 198 1
A gama hispida, 182
Agama semitacniata, 181
agilis agilis (Mabuya), 203
Amphisbaena mildei, 199 j
Amphisbaena mitchclli, 199 í
Amphisbaena petrei, 197 j
agilis ( Calliscincopus ), 187
Amphisbaena petrii, 198 I
agilis dorsivittata (Mabuya), 203
Amphisbaena ridleyi, 198 j
agilis ( Mabuia ), 203
Amphisbaena silvestri, 198 1
agilis (Mabuya), 2T)3
Amphisbaena silvestrii, 198
agilis (Mabuya agilis). 203
Amphisbaena steindachneri, 198, 199
alba (Amphisbaeita). 197
Amphisbaena subocularis, 198
alba (Amphisbaena fuliginosa) , 197
Amphisbaena vcrmiailaris, 198, 199
alba (fuliginosa Amphisbaena), 197
Amphisbaena vermieularis centralis, 199
albissima (Amphisbaena) , 197
Amphisbaena vermieularis darwinii, 199
albocingulata (Amphisbaena), 199
Amphisbaena vermieularis vermieularis.
albostrigatus (Prionodactylus) , 190
198, 199 |
Alopoglossus amazonius, 194
Amphisbaenidae, 196 )
1 Alopoglossus gracilis, 194
Anguidac, 183 1
1 amarali (Gymnodactylus) , 169
angustifrons (Amphisbaena) , 199
antasonicus (Sphacrodactylus) , 171
. «Anijú-acanga», 176
1 amazonius (Alopoglossus) , 194
Anisolepis, 172
1 amazonius (Pantodactylus), 194
Anisolepis bruchi, 173
I Ameiva, 184
Anisolepis grillii, 173
| Ameiva ameiva ameiva, 185
Anisolepis iheringii, 173
t ameiva ameiva (Ameiva), 185
Anisolepis lionotus, 173
ameiva (Ameiva ameiva), 185
Anisolepis undulatus, 173
Ameiva ameiva lacta, 185
Anolis, 173
| ameiva (Laccrta), 185
Anolis bruneti, 173
j Ameiva lacta, 185
Anolis catcnifcr, 174
ameiva laeta (Ameiva), 185
Anolis chry sole pis, 174
1 Ameiva surinamensis, 185
Anolis garbei, 174
I Amphisbaena, 196
Anolis holotropis, 174
9 Amphisbaena alba, 197
Anolis lindeni, 174
L Amphisbaena albissima, 197
Anolis nasofrontalis, 174
| Amphisbaena albocingulata, 199
Anolis pseudoteigrinus, 175
| Amphisbaena angustifrens, 199
Anolis iransfasciatus, 175
1 Amphisbaena beniensis, 199
anômala (Aulura), 200
K Amphisbaena brachyura, 197
Anops kingii, 200
1 Amphisbaena brasiliana, 198, 199
Av.opsibaena, 200
1 Amphisbaena darwinii, 199
Anopsibaena kingii, 200
1 Amphisbaena dubia, 199
Anotosaura, 185 1
9 Amphisbaena fuliginosa, 197
Anotosaura collaris, 185 I
1 Amphisbaena fuliginosa alba, 197
Apatelus, 185
I Amphisbaena fuliginosa fuliginosa, 197
Apatelus bresslaui, 185 '
E Amphisbaena gracilis, 199
f 42
Aperopristis paronae, 178 .
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Índice alphabctico
V
'^‘hrosaura, 186
^hrosaura concolor, 186
r, hrosaura kocki, 186
r, Brosaura kockii, 186
ythroseps, 186
r, hroscps flumincnsis. 186
r mroscps wcrncri. 186
/‘'‘ca, 200
11 Mro anômala. 200
„y ca {L acerta), 182
~' ,rca (Saccodeira), 180
Ureu fn ( Urocentron ), 182
“'"■cmj ( Prototrctus ), 180
b J"- eus . ( Tro pid ocephalus) , 180
bih' e " s J. s (Amphisbaena) , 198
'otiii (Enyalius), 176
J a dttala ( Laccrta ), 194
Jfdnatus (Nfusticurus) , 194
íR i c °-doce», 185
í,“ IV °r a», li83
brai toma ( Homonota ), 171
b r „.-! ura (Amphisbaena), 197
l lr . ?na ( Amphisbaena ), 198, 199
( Briba ), 168
bJ ! ,en As ( Trctioscincus ),
sslaui ( Apatclus ), 185
“fiba».
187
fi
B,
t Hh 170, 183
' 6a - 168
brasiliana, 168
brj “ .(Anisolepis), 173
( Anolis ), 173
. . 1Q* 10,7
CültT 1 186, 187, 188, 189.
( Ccntropyx ). 192
C a /r ra . hs (Kentropyx), 192
Ca/ ; !'! c,nco A«-f. 187
176
, c lí nWo/.« í agilis, 187
O^o», 173, 174, 175, 180.
O (A gama), 176
calenatus (Enyalius) ,
< Wn" ,l, ' r ( En y ali " s )> 176
fQf^ ( Enyalius calenatus), 176
t«l paulista (.Enyalius), 176
' e hl','i Cr (Anolis), 174
C fll , (Amphisbaena vermicularis) , 199
V** calcaratus, 192
pelviceps, 192
1 5 a, ' r « ( Pantodactylus ) quadrilineatus,
C„.
%tnl aUra schrcibcrsii, 194.
\i n , S ° nalu s (Euspondylus ) , 190
( Prionodactylus ) ,
190
(Anolis), 174
%n,ti 0phorus > 187
;i Porus Icmniscatus, 187
C Hí/ Moruí Icmniscatus Icmniscatus, 187
*Cob r °i > Borus ocellifcr, 187
2 n a n dc duas cabvças», 197, 198, 199,
*°* 201, 202, 203.
«Cobra — vidro», 184
Colcodactylus, 168-
Coleodactylus mcridionalis, 168
Coleodactylus zcrnyi, 168
collaris (Anotosaura) , 185
Colobodactylus, 188
Colobodactylus taunayi, 188
Colobosaura, 188
Colobosaura mentalis, 188
Colobosaura modesta, 188
concolor (Arthrosaura) , 186
concolor (Pantodactylus) , 186
conspicuus (Gymnodactylus), 169
ccrdylhmm (Placosoma) , 195
aassum (Lepidosternon), 201
crassum ( Lepostcrnon ), 201
cupreus (Euspo>ulylus), 190
darwinii (Amphisbaena), 199
danvinii (Amphisbaena vermicularis), 199
Diploglossus, 183
Diploglossus fasciatus, 183
Diploglossus lessonae, 183
Diploglcssus tenuifasciatus, 183
dorsalis (monnplocus), 192
dorsivittata (Mabuia), 206
dorsivitlata (Mabuia agilis), 206
dorsovittata (Mabuya), 206
dorsovittata (Mabuya mabuya), 206
Draraena, 188
Dracaena guianensis, 189
dúbia (Amphisbaena), 199
dumerilii (Leiocephalus), 178
dumerilii (Lioccphalus) , 178
dumerilii (Ophryoessoides), 178
duséni (Tupinambis) , 196
Ecpleopus, 189
Ecplcopus gaudichaudii, 189
Elaphrosaura, 189
Elaphrosaura spitzi, 189
elegans (Iphisa), 191
Emoca frenata, 204
Enyalioides, 175
Enyalioidcs laticcps, 175
Enyalioides laticcps laticcps, 175
Enyalioides leechii, 175
Enyalius, 175
Enyalius bibronii, 176
Enyalius calenatus, 176
Enyalius catcnatus calenatus, 176
Enyalius catcnatus paulista, 176
Enyalius fitzingeri, 176
Enyalius iheringii, 176
Enyalius undulatus, 173
Euspondylus, 189
Euspondylus champsonatus, 190
Euspondylus cupreus, 190
Euspotulylus quadrilineatus, 190
fasciatus (Diploglossus), 183
43
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
VI
Memórias do Instituto liulanlan
Tomo XI
fitsingcri ( Enyalius ), 176
fitsingcri (Laenumctus) , 176
fluminensis (Arthroscps) , 186
frcnata ( Emoca ), 204
frcnata frcnata ( Mabuya ), 204
frcnata ( Mabuia ), 204
frcnata (Mabuya), 204
frcnata ( Mabuya frcnata), 204
fuliginosa alba (Amphisbaena) , 197
fuliginosa (Amphisbaena) , 197
fuliginasa (Amphisbaena fuliginosa) , 197
fuliginosa fuliginosa (Amphisbaena) , 197
garbei (Attolis), 174
garbei (Garbesaura) , 177
Garbesaura, 176
Garbesaura garbei, 177
gaudichaudii (Eepleopus) , 189
Gccko mabouia, 170
gcckoidcs (Gymnadactylus) , 170
Gcckonidac, 168
Gckko rapicauda, 172 .
glicschi (Liolaemus), 178
Gonatodes, 169
Gonalodcs humeralis, 169
Gonatodes spinulosus, 169
goyasensis (Phyllopcaus). 171
gracilis (Alopoglossus) , 204
gracilis (Amphisbaena) , 199
gracilis (Pantodactylus) , 194
grilli (O phiodes) , 184
grilH (Ophiodcs striatus), 184
grillii (Anisolepis,) , 173
guaporienia (Mabuya), 204
gucnthcri (Lepidostemon) . 291
guentheri (Leposternon) , 201
guianensis (Dracacna), 189
Gymnadactylus, 169
Gymnodactylus amarali, 169
Gymnodactylus conspicuus, 169
Gymnodactylus gcckoidcs, 170
Gymnodactylus humeralis, 169
Gymnodactylus mattogrossensis, 170
Gymnophthalmus, 190
Gymnophthalmus lincatus, 190
Gymnophthalmus maximiliani, 193
Gymnophthalmus multiscutatus, 191
Gymnophthalmus quadrilincatus. 190
Hcmidactylus, 170
Hcmidactylus mabouia, 170, 171
Hctcrodactylus, 191
Hctcrodactylus imbricatus, 191
Hctcrodactylus lundii, 191
hispida ( A gama ), 182
hispidus (Tropiduros) , 182'
hispidus (Tropidurus torquatus), 182
holotropis (Anolis), 174
Homonota, 170
Homonota brachystoma, 171
Hoploccrcus, 171
Hoploccrcus spinosus, 177
humeralis (Gonatodes), 169
humeralis (Gymnodactylus) , 163
Hylosaurus mueltcri, 193
Hylosaurus pcrcarinatus, 193
Iguana, 177
Iguana iguana, 177
iguana (Iguana), 177
iguana (Laccrta), 177
Iguana tuberculatü, 177
Iguanidac, 172
ihcringii (Anisolepis), 173
ihcringii (Enyalius), 176
imbricatus (Hctcrodactylus), 191
infraorbitalc (Lepidostemon). 201
infraorbitalc (Leposternon). 201
Iphisa, 191
Iphisa clegans, 191
«Jaearé-pinima», 185
Kentropyx, 192
Kcntropyx calcaratus, 192
Kentropyx paulensis, 192
Kcntropyx williamsoni , 192
kingii (Anops), 200
kingii (Anopsibaena), 200
kocki (Arthrosaura) , 186
kocki (Prionodactylus), 186
kockii (Arthrosaura), 186
Laccrta ameiva, 185
Laccrta azurea, 182
Laccrta bicarinata, 194
Laccrta iguana, 177
Laccrta lemniscatus, 187
Laccrta lincata, 190
Laccrta mabouya, 203
Laccrta marmorata, 180
Laccrta quadrilineata. 190
Laccrta teguixin, 196
Laccrta tcyrn, 195
Lacmanctus fitsingeri, 176
Lacmanctus undulatus. 173
lacta (Ameiva), 185
lacta ( Ameiva ameiva), 185
«Lagartixa*, 168, 169, 170, 171, 172' .«J,
«Lagarto», 178, 179, 180, 181, 182, 183. V
189, 190, 191, 192, 193, 194, 1#>
203, 204-
laliccps (Enyalioidcs) , 175
laticcps (Enyalioidcs laliccps), 175
laliccps laticcps (Enyalioidcs) . 175
lecchii (Enyalioidcs), 175
Lcioccphalus, 177
Leioccphalus dunrcrilii, 178
Lcioccphalus tricristatus, 178
Lciosaurus, 178
Lciosaurus paronac, 178
44
cm
SciELO
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índice alphabelico
VII
^uniscalus ( Cnemidophorus ), 187
ei, »iiscatus ( Cnemidophorus Icmniscatus ) ,
, 187
' "‘mscalus ( Laccrla ), 187
c, nniscatus lemniscatus (Cnemidophorus),
187
j c Pidostcmon crassum, 201
dosternon gucntheri, 201
: e pidosternon infraorbitalc, 201
■ c Pidoslcrnon microccphalum, 201
: c P<dostcmon octostcgum, 201
pPidosternon petersii, 202
jP'dostcnwn polystegum, 202
jPidesternon rostratum, 202
c P>dosternon scutigerum, 202
r c Pidostcrnon simiosum, 203
fPidosteruon wuchcreri, 203
5 e Posorm , 192
j c P°soina percarinatum, 193
c Posoma scincoidcs, 193
e Posonia tacniata, 193
Postcnwn , 200
. c P°stcnion crassum, 201
j C P°stcrnnn gucntheri, 201
. c Postcrnon infraorbitalc, 201
J-Pc-stcnwn microccphalum, 201
^Postcrnon microccphalus, 201
- c Pasternon octostcgum, 201
_ e P°stcrnon petersii, 202
J-Postemon polystegum, 202
, c P°stcrnon rostratum, 202
JPosternon scutigerum, 202
, í P°stcrnon sinuosum, 203
e Posternon wuchcreri, 203
183
197. 198
190
f Ss °nae ( Diploglossus j ,
y Uc Ocephala (À mphisbacna ) ,
.!"*»» (Anolis). 174
!!’ co, a (Laccrla) , 190
1'l^atus (i Gymnophthalmus ) ,
j[° ce phalus dumerilii, 178
:\° c ephalus tricristatus, 178
~\ o! ne>nus, 178
Jpiaemus glieschi, 178
jplactnus occipitalis, 179
' t0, ueinns wicgmannii, 179
!° n °tus (Anisolepis) , 173
h n fü (Hctcrodactvlus) , 191
'Wouia ( Gecko ), 170
'" 'oiua (Hemidactilus), 170, 171
^j >ou ya dorsiviltata ( Mabuya ), 203
C; - vo ( - Lact ' rl <‘'>, 203
, , - Vn ( Mabuya rmbouya),
Lfbouyn mabouya (Mabuya),
A;°; !“ «P»Vw, 203
A/°; (° dorsiviltata, 203
. <, oȒa frenata, 204
j. °o:«o nigropalmata, 204
‘ o6 «ía punctata, 204
203
203
Mabuya, 203
Mabuya agilis, 203
Mabuya agilis agilis, 203
Mabuya agilis dorsiviltata, 203
Mabuya dorsovittata, 203
Mabuya frenata, 204
Mabuya frenata frenata, 204
Mabuya guaporicola, 204
Mabuya mabouya dorsovittata, 203
Mabuya mabouya mabouya, 203
Mabuya nigropalmata, 204
Mabuya punctata, 204
marmorata (Laccrla), 180
marmarata (Norops), 179
marmoratus acutirostris (Polychrus) , 180
marmoratus marmoratus (Polychrus) , 180
marmoratus (Polychrus) , 180
marmoratus (Polychrus marmoratus), 180
mattngrosscnsis (A mphisbacna), 197
mattogrossensis (Gymnodactylus) , 170
maximiliani (Gymnophthalmus) , 193
maximiliani (Micrablcphnrus) , 193
mentalis (Colobosaura) , 188
meridionalis (Colcodactylus) , 108
meridionalis (S phaerodactylus) , 168
mertensii (Amphisbaena) , 198
Micrablcpharus, 193
Micrablcphnrus maximiliani, 193
microccphalum (Lcpidosternon), 201
microccphalum (Lcpostcrnon) , 201
microccphalus (Lcpostcrnon) , 201
Microlophus spinulosus, 181
mildei (Amphisbaena) , 199
mitchclli (Amphisbaena) , 199
modesta (Colobosaura) . 188
modestus (Pcrodactylus) , 188
Monoplocus dorsalis, 192
mucUcri (Hylosaurus) , 193
multiscutatus (Gymnophthalmus), 191
nasofrontalis (Anolis), 174
Ncusticurus, 193
N custicurus bicarinatus, 194
nigropalmata (Mabuiá), 204
nigropalmata (Mabuya). 204
nigropunctatus (Tupinambis) , 196
Norops, 179
Norops marmorata, 179
Norops sladcniac, 179
occipitalis (Liolacmus) . 179
occlifer (Cnemidophorus) , 187
ocelifcr (Tejus), 187
octostcgum (Lcpidosternon) , 201
octostcgum (Lcpostcrnon) . 201
Ophiodes, 184
Ophiodes grilli, 184
Ophiodes striatus, 184
Ophiodes striatus grilli, 184
Ophiodes striatus striatus, 184
45
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
VIU Memórias do Tnstituto
Butantan — Tomo XI
Ophiodes siriatus vertebralis, 184
quadrilincatus (.Euspondylus) , 190
j Ophiodes vertebralis, 184
quadrilincatus ( Gymnophthalmus ,), 190
Ophryocssoidcs dumerilii, 178
quadrilincatus (Prionodactylus) , 190
Ophryaessoides tricristatus, 178
«Quebra-quebra», 184
Pantodactylns, 194
rapicanda (Gckko), 166
Pantodactylns amasomus, 194
rapicaudus ( Thecadactylus ), 172
Pantodactylns concolor, 186
ridlcyi ( Amphisbacna ), 198
Pantodactylus gracilis, 194
ridlcyi ( Stcnolepis ), 195
( Pantodactylus ) quadrilincatus (Ccrcosau-
ro.mani (Trctioscincus) , 187
ra ), 190
rostratum (Lepidostcrnon) . 202
Pantodactylus schreibcrsii, 194
rostratum Leposlcrnon) , 207
«Papa -vento», 173, 174, 17S, 176, 177, 180,
Saccodcira asurca, 180
181, 183.
schreibcrsii (Cercosaura), 194
parnnac ( Aperopristis ), 178
schreibcrsii (Pantodactylus) . 194
1 parnnac (Lciosaurus) , 178
Scincidac, 203
paulcnsis (Kcntrnpyx) , 192
scincoidcs (I.cposoma) , 193
paulista ( Enyalius catenatus) , 176
seutigerum (Lepidostcrnon), 202
pelviceps ( Ccntropyx ), 192
seuligerum (Leposlcrnon), 202
| pcrcarinatum (Lcposoma) , 193
scutipunctatus (Tapinurus) , 181
I percarinalus ( Hylosaurus ), 193
scmitacniata (Agama), 181
Peradactylus modestus, 188
semitaeniatus (Tropidurus) , 181
| petersii (Lepidostcrnon), 202'
silvestri (Amphisbacna) , 198
petersii (Lepostcrnnn) , 202
silvestrii (Amphisbacna). 198
petrei (Amphisbacna) , 197
<tSinimbú», 177
petrii (Amphisbacna) , 198
sinuosum (Lepidostcrnon) . 203
pfrimeri ( Sphacrodactylus ), 172
sinuosum (Lepo.stcrnon) . 203
Phyllopesus, 165
sladcniae (Norops), 179
Phyllopcsus goyascnsis, 171
Sphacrodactylus, 171
1 Phyllopesus pollicaris, 171
Sphacrodactylus amaznnicus, 171
Phyllopcsus pollicaris pollicaris. 171
Sphacrodactylus mrridionalis, 168
Placosoma, 195
Sphacrodactylus pfrimeri, 172
Placosoma cordylinum, 195
spinosus (Hoploccrcus), 177
pollicaris (Phyllopcsus') , 171
spinulnsus (Gonatodes) , 169
pollicaris ( Phyllopcsus pollicaris). 171
spinulosus (Microlophus) , 181
pollicaris pollicaris ( Phyllopcsus ), 171
spinulosus (Tropidurus) , 181
1 pollicaris (Thecadactylus), 171
spitsi (Elaphrosaura), 189
1 Polychrus, 179
sleindachneri (Amphisbacna) , 198, 109
Polychrus acutirostris, 180
Stcllio torquatus, 182
Polychrus marmoratus, 180
Stcnolepis, 195
Polychrus marmoratus acutirostris, 180
Stcnilcpis ridlcyi, 195
Polychrus marmoratus marmoratus, 180
striatus grilli (Ophiodes), 184
polystegum (Lepidostcrnon) , 202
striatus (Ophiodes), 184 1
1 polystegum (l.cpostcmon) , 202
striatus (Ophiodes striatus), 184 I
Prianodactylus albostrigatus, 190
striatus (Pygopus), 184 |
Prionodactylus champsonatus, 190
striatus striatus (Ophiodes), 184 í
I Prionodactylus Icocki, 186
striatus vertebralis (Ophiodes), 184
Prionodactylus quadrilincatus, 190
Strobilurus, 180
^ Proctolrctus, 180
Skobiurus torquatus, 181
Proctotrctus asurcus, 480
subocularis (Amphisbacna) , 198 i
Proctolrctus wicgnmnnii, 179
surinamensis (Ameiva), 185
1 pseudotigrinus ( Anolis ), 175
tacniata (Leposoma), 193
| punctata ( Mabuia ), 204
Tapinurus, 181 j
| punctata ( Mabuya ), 204
Tapinurus scutipunctatus, 181 I
punctata (Tilinqua) , 204
taunayi (Colobodactylus), 188 j
Pygopus striatus, 184
tcguixin (Lacerta), 196 i
quadrilincata ( Lacerta ), 190
tcguixin (Tupinambis), 196
1 quadrilincatus ( Cercosaura ) ( Pantodacty -
Teiidae, 184
\ lus), 190
1 40
«Teiú», 185, 195, 196
cm
SciELO
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índice alphabetico
IX
Tei
■y, 195
y s teyou, 195
ly teyou teyou, 195
«T.
196
^JÚ-assú»,
Í r ÇÍübú», 177
f e Jus ocellifer, 187
.yfasciatus (Diploglossus) , 183
y°u (I.accrla) , 195
Z° U 195
( l0,i (Tcius teyou). 195
fl 0u teyou (.Tcius), 195
^eadactylus, 172
j, eca dactylus pollicaris, 171
t J cadac tylus rapicandus, 172
1'jibú*., 177
tt'nqua punctata, 204
hispidus ( Tropidurus ),
lo qua tus (Stellio), 182
lo^ Ual,ls ( Strobilurus ), 181
tof Hatus torquatus (Tropidurus),
torl UatUs (Tro^durus), 182
tfaT US (Tropidurus torquatus),
Trè-Cytus (Ano lis), 175
ytioscincus brasiliensis, 187
_ • ...
180
182
182
‘der; , 10/
t t ; . atus (Leiocephalus), 178
fc£í*Ww (Liocephalus) , 178
■j, r, status (Ophryoessoidcs), 178
. r 0tis1„ - . . . . ...
pfjidoecphoius asureus, 180
181
j .opidurus hispidus, 182
■j,opidurus semitaeniatus, 181
°Pidurus spinulosus, 181
Tropidurus torquatus, 182
Tropidurus torquatus hispidus, 182
Tropidurus torquatus torquatus, 182
tubereulata (Iguana), 181
Tupinambis, 196
Tupinambis duseni, 196
Tupinambis nigropunctatus, 196
Tupinambis tcguixin, 196
undulatus (Anisolepis) , 173
undulatus (Enyalius), 173
undulatus (Lacmanctus) , 173
Urocentron, 182
Uroccntron azureum , 182
Urostrophus, 182
Urostrophus vautieri, 183
vauiieri (Urostrophus), 183
vermieularis (Amphisbacna) , 198, 199
vermieularis (Amphisbacna vermieularis,),
198.
vermieularis ccntralis (Amphisbacna) , 199
vermieularis darwinii (Amphisbacna), 199
vermieularis vermieularis (Amphisbaena) ,
198, 199
vcrtcbralis (Ophiodes), 182
vertebralis (Ophiodes striatus), 182
«Víbora», 183
werneri (Arthroseps) , 183
wicgmannii (Liolaemis), 171
wiegmannii (Proctotretus) , 179
williiamsoni (Kcntropyx), 192
wuchereri (Lepidosternon) , 203
ivuchereri (Leposternon), 203
sertiyi (Colcodactylus), 168
(Trabalho da Secção de OphioloKia e Zoolopria Medica do
Instituto Uutantan, recebido em outubro de 1937*
Dado á publicidade em dezembro de 1937).
47
cm
SciELO
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598.1281
CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DOS OPHIDIOS
DO BRASIL
Nova especie de Colubrideo opisthoglypho confundivel
Philodryas serra (Sciilegel, 1837 )
com
roií
AFRANIO do AMARAL
1NTRODUCÇÃO
Em trabalho anterior (1), conservei a especie Philodryas serra com o
c °nceito em que ella appareceu no trabalho de Boulenger (2). Todavia, já
Ilac iuella occasião, eu estava convencido de que o nome Philodryas serra represen-
ta realmente um composto. Isto, porque em verificações, que vinha fazendo
tde 1935, havia notado que os exemplares até então classificados como P.
Ser ra se podiam distinguir em dois grupos, um dos quaes se caracterizava pela
P re sença de escamas dorsaes carinadas e o outro, pela ausência de escamas
^ e Sse typo.
Sem duvida, a confusão desses dois grupos de exemplares sob uma só desi-
£ ,la Ção especifica data de quasi um século, conforme se verá pela seguinte
RESENHA BIBLIOGRAPHICA
1. Schlcgel, em 1837 (3), descreveu e figurou sob o nome de Hcrpetodryas
Sery a uma serpente dotada de escamas carinadas no dorso e na nuca e com a
Se £uinte pholidose: escamas dorsaes 21; placas ventraes 238-244; placas sub-
^'idaes 106 pares. Pelo proprio nome especifico se verifica que Schlegel se
«avia
impressionado com o caracter áspero O’mi=aspero) das escamas
cm
SciELO
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206
Memórias do Instituto Butanlan — Tomo XI
dorsaes. Nestas condições, deverão classificar-se como Philodryas serra todos
os exemplares portadores de escamas dorsaes asperas e de um numero de placas
ventraes approximado daquellc que Schlegel assignalou.
2. Fitzinger, cm 1843 ( 4), ligou a espccie serra ao genero Tropidodip sas ’
attribuindo-a a Schlegel (3), seu descobridor. Registou, portanto, uma cspe c,e
absolutamente idêntica á deste herpetologo.
3. Duméril & Bibron, em 1854 (5), no entanto, ao darem a descripção de
Dryophylax serra, atrribuiram a essa espccie a posse de escamas dorsaes, ° ra
carinadas, ora lisas, dizendo, textualmente: “Cette espèce nous offre une parti'
cularité tout-à-fait exceptionelle, cn ce que, chez certains individus, !es écaiU e *
du trone sont parfaitemente planes, tandiz que chez d’autres, ni plus jeunes 11
moins âgés, dles ont une forte carène, qui, du reste, n’est point une saillie du
derme, mais seulement de 1’epiderme, car elle manque dans les points ou c ette
surpeau a été détruite”.
Felizmente, pela analyse da formula por elles registada para a pholklose d e
sua especie serra, verifiquei que Duméril e Bibron haviam realmente confuu
dido duas formas differentes de ophidios sob tal nome especifico. Assim é q t,e
assignalaram para a sua especie serra: a) presença de 178 a 228 placas ventra eS ’
b) escamas dorsaes, ora carinadas, ora lisas.
4. Günther, em 1858 (6), incluindo na bibliographia de sua Philodry a
serra o trabalho de Duméril & Bibron (5), ao lado da descripção original
Schlegel (3), reproduziu o erro daqudles dois herpetologos, embora houv e5se
assignalado a presença de escamas dorsaes carinadas somente na especie re ^ e
rida. Por conseguinte, P. serra de Günther é também um composto.
5. Cope, em 1869 ( 7), descreveu a especie Teleolepis striaticeps, P° rta
dora de escamas carinadas desde o dorso até perto da cabeça, conforme, abas,
proprio nome especifico está a significar. Nestas condições, a especie sW
ticeps é um estricto synonymo de serra no conceito de Schlegel.
6. Este mesmo auctor, em 1885 (8), todavia, ao se referir á especie Ph* 0
dryas serra reproduziu o erro commettido por Duméril e Bibron e seguido 1
Günther, e que constituiu na assimilação de exemplares de escamas carinadas
outros de escamas lisas sob a mesma designação especifica.
7. Boulenger, em 1896 (9), ao redescrever a especie Philodryas serrú '
tornou ainda mais flagrante essa confusão, pelas seguintes razões: ^
a) Incluiu na bibliographia de serra, além do trabalho original de Schl e » ^
(3), as referencias de Duméril & Bibron (5), Günther (6) e Cope (8)’
quaes, segundo mostrei, correspondem a duas formas distinctas;
b) assignalou a presença de escamas dorsaes, ora lisas, ora mais ou n iell °
distinctamente carinadas;
cm
SciELO
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Amaral — Novo Colubrideo opistoghjpho
207
c) arrolando seis exemplares então existentes no Museu Britannico e
' l:i »do o numero de ventraes nelles occorrentes, tornou patente que confundira,
s °b o nome de serra, duas especies distinctas. Sem ter examinado o material
arr olado por Boulenger, estou convencido de que os exemplares c, d, c devem
ter escamas dorsaes carinadas, correspondendo de facto a P. serra; mas os exem-
Ptares a, b, f devem ter escamas dorsaes lisas, correspondendo, pois, a outra
es Pecie.
SERIE EXAMINADA
Ao exame comparativo e meticuloso de 1 10 exemplares existentes na col-
^ C( são (l 0 Instituto Butantan, verifiquei que elles podiam ser divididos em dois
gn 'Pos. Esses dois grupos são facilmente distinguíveis já á primeira vista,
presença de escamas dorsaes lisas, em um (86 exemplares) e mais ou
tfle nos carinadas, em outro (24 exemplares). Cada um desses grupos corres-
Ponde, a meu ver, a uma especie bem definida. De um lado, os portadores de
Çsc ainas dorsaes mais ou menos carinadas identificam-se com a especie Philo-
by,
do;
de;
serra no conceito de Schlegel. De outro lado, os possuidores de escamas
rsa es lisas representam indiscutivelmente uma especie aparte que eu agora
s, gnarei sob o nome de
Cr ani 0 :
Rebordo supero - ex-
terno do parietal
^ Dentes maxillares
c) , .
% palatinos
» ptcrygoideos
e)
» mandibulares
^ h olid
Philodryas pseudo-serra, sp. n.
(Figs. 1-4; Tab. I)
DIAGNOSE DIFFEREN Cl AL
P. pseudo-serra
presente, bera nitido e liga- ausente,
do á articulação parieto-
supratemporal.
14 + 2
8, os 2 anteriores pouco
maiores
1(5
25, dos quaes 1.3-14 situados
antes da ponta do osso ar-
ticular e 12-11, depois.
lose-
Typ 0 de escamas dor-
savs
Placas ventraes
Placa anal
Placas subcaudaes
P. serra
lisas desde a nuca até a
base da cauda; eriçadas na
ponta da cauda.
178 — 213
dupla
88—119
13 + 2
7, os 2 anteriores bem
maiores
14
21, dos quaes 11-12 situados
antes da ponta do osso ar-
ticular e 10-9, depois.
carinadas desde a nuca até a
base da cauda ; carena bem
nitida no $ , cujas escamas
supra-anaes (e placas para-
anaes) chegam a ser tu-
bercularvs; lisas na ponta
da cauda.
226 — 244
dupla (ás vezes, inteira).
98 — 111
3
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
208
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XI
DEFINIÇÃO
Morphologia — Colubrideo, Boiginco, opisthoglypho. Corpo c cauda b® 3
alongadas. Cabeça algo distincta do pescoço. Crânio: parietal com o rebord 0
supero-extemo bem nitido e ligado á articulação parieto-supratemporal ; dei>t es
maxillares 14, seguidos, após curto diastema, por 2 presas chanfradas; dente 5
palatinos 8, os 2 anteriores pouco maiores do que os demais; dentes pterygoid eoS
16; dentes mandibulares 25, dos quaes 13-14 situados para a frente da p° n ^
do osso articular e 12-11, para trás delia. Pholidose : escamas dorsaes em
filas, todas ilisas, e com dupla fosseta apicilar ; escamas da ponta da cauda efl
çadas; placas ventraes arredondadas, em numero de 196; placa anal dup^’
placas subcaudaes 112. Olho pouco menor do que metade do comprimento
focinho, que é antes saliente do que truncado. Rostral tão larga quanto alta
porção visivel de cima cerca de 1/3 da distancia da frontal ; internasaes p°
mais curtas do que as prefrontaes ; frontal cerca de 1 vez e 1/2 tão longa qn
UCO
.I3f>t°
larga, pouco mais longa do que sua distancia da ponta do focinho e tão l° n ® a
quanto as parietaes; angulo antero-externo da frontal apenas contiguo
vezes separado) ao angulo superior da preocular, que é unica e cujo ang 1
anterior está bem proximo (quasi contiguo) e ao mesmo nivel do angulo p ostef0
superior da nasal ; postoculares 3 ; temporaes, todas pequenas, esquamifo rlfleS '
em numero de 2+3; supralabiaes 8, 4." e 5." contiguas á orbita; 5 infralabí ae
contiguas ás mentaes anteriores que são mais longas do que as posteriores-
Hcmipenis — Dividido, calyculado c não capitado; cálices polygonaes, P r °
fundos, sulco bifido, occupado mesialmente por uma crista longitudinal, col^
de numerosos pequenos espinhos ; porção calycular interna margeada por 3
nitidas de espinhos dispostas parallelamente ao sulco e, de cada lado, atc
ponta.
Coloração — Corpo pardo-olivaceo em cima, com grandes manchas veft ^
braes pardo-negras, transversaes, subquadrangulares, de bordas anterior e P°
terior gcralmente côncavas e de bordas lateraes rectilincas, bordas todas clat 3
as claras inferiores formam de cada lado uma faixa clara longitudinal inteif°|\
pida, em cada intcrvallo de 2 manchas; cabeça pardo-olivacea com 5 faixas esc
longitudinaes descontinuas, a mais baixa das quaes atravessa a orbita; 13
pardo-alaranjados com manchas negras; ventre pardo-anegrado com estrias
gitudinaes amarello-olivaceas ; ponta da cauda esbranquiçada nos jovens.
. de
Holotypo — 9 , No. 802 na collecção do Instituto Butantan, procedem
Porto Martins, Estado de São Paulo.
Allotypo — S , No. 9633 na collecção do Instituto Butantan, procedente
Hansa, Estado de Santa Catharina: ventraes 193, subcaudaes 102 p. ; tenip° r ‘
1 + 3.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Amaral — Novo Colubrideo opistoghjpho
209
Paratypos — Constantes da relação abaixo, com as seguintes variações de
Pholitlose: postoculares 3 (ás vezes 2, 4 ou 1) ; supralabiaes 8 (excepcional-
^^te 7 ou 9) ; temporaes 2 + 3 (ás vezes 1 ou 3 + 2 ou 4) ; ventraes — 3 í :
I8 1 — 204. 9 9 : 189 — 209; subcaudaes — 3 3 : 102 — 119, 9 9 : 90 —
112 .
Nota: — Duméril e Bibron assignalam o limite minimo de 178 ventraes
Crtl exemplar que provavelmente é desta especie; e Boulenger, o máximo de
213 ventraes e o minimo de 88 subcaudaes no exemplar f do Museu Britannico.
RELAÇÃO DOS EXEMPLARES
Localidade
Sexo
Post-
Oc.
Temp.
Sp.-
Lab.
E.D.
V.
A.
Sb.
C.
^° r to Martins, S. Paulo . . .
an sa, Santa Catharina ....
• 9
3/3
2+3
8/8
21
196
2
112
Holotypo
• 3
3/3
1+3
8/8
21
193
2
102
Allotypo
‘ aul) até, S. Paulo
• 3
3/3
1+2
8/8
21
191
2
43+
Paratypo
^ m anso, S. Paulo
■ 3
3/2
1+3/ 1+2
8/8
21
190
2
114
»
ar ão de Ibitinga, S. Paulo .
S. Paulo
. 3
3/3
2+3
8/8
21
190
2
112
■ 3
3/3
1 +3/2+3
8/8
21
192
2
113
»
, ant aleão, S. Paulo
■ 9
3/3
2+3
8/8
21
192
2
102
»
>er Pentario
. 3
3/3
1 +3/2+3
8/8
21
186
2
112
»
. 9
3/3
2+3
8/8
21
204
2
101
»
f . *
^ lz de Fóra, Minas
. 3
3/3
1+3
8/8
21
182
2
105
»
. 3
3/3
2+3
8/7
21
196
2
112
"° r ernbatahy, S. Paulo
. a *hias Barboza, Minas . . . .
üe luz (Areias), S. Paulo .
. 3
2/2
1 +3/2+3
8/8
21
187
2
115
»
. 9
3/3
1 +3/1+2
8/8
21
201
2
90
. 9
3/3
1+2/1 +3
8/8
21
198
2
100
j,°by, S. Paulo
. 3
3/3
2+3
7/8
21
182
2
114
P^embé, S. Paulo
. 3
3/3
1+3
8/8
21
190
2
107
»
r ata, g_ Paulo
- rpu hy, S. Paulo
9
3/3
2+3
8/8
21
195
2
58+
. 3
3/3
1+3
8/8
21
187
2
111
■, erpe ntario
. 9
3/3
1+2/2+3
8/8
21
199
2
104
»
, ar 8em Grande, S. Paulo . .
. 9
3/3
2+3
8/8
21
202
2
46+
Manoel, S. Paulo
9
3/3
2+3
8/8
21
197
2
109
>has. S. Paulo
. 9
3/3
2+3
9/8
21
192
2
103
^ntario
. 3
3/3
2+ 2/2+3
8/8
21
185
2
116
»
^ 0lla Jesus, S. Paulo
. 9
3/3
2*1 3
8/8
21
208
2
101
■»
• Q 5t ^’ a s Barboza, Minas . . .
. 3
3/3
2+3
8/8
21
198
2
104
»
[? Odessa, S. Paulo
. 9
3/3
2+3
7/8
21
197
2
107
* Ca ° Filho, S. Paulo
. 3
3/3
1+2
8/8
21
186
2
109
> » »
^°8y das Cruzes, S. Paulo .
t. etlr °i Minas
. 3
3/3
2+3
8/8
21
191
2
110
. 3
3/4
1 +2/2+3
S/8
21
191
2
114
. 9
3/3
2+3
8/7
21
195
2
104
IW Péva . S. Paulo
9
3/3
1+3
8/8
21
200
2
96+
Uca ‘ú, S. Paulo
. 9
3/3
2+3
8/8
21
195
2
112
5
210
Memórias do Iiistilulo liulmilan — Tomo XI
No.
Localidade
Sexo
Post-
Oc.
Temp.
Sp-
Lab.
E.D.
V.
A.
Sb.
C.
2120
Santa Barbara, Minas
3
3/3
1+2
8/8
21
191
2
110
2558
Leme, S. Paulo
3
3/3
2+2
8/8
21
183
2
109
2560
Pirituba, S. Paulo
s
3/3
l*-f-3
8/7
21
187
2
109
2562
Vargem Grande, S. Paulo . . .
9
3/3
2+2/ 1+3
8/8
21
197
2
102
2563
Butantan, S. Paulo
3
3/3
1+2/1+3
8/8
21
191
2
117
3337
Serpentário
5
3/4
2+3
8/8
21
204
2
106
3572
»
3
3/3
2+3
8/8
21
199
2
105
4320
Cayeiras, S. Paulo
9
3/3
1+3
8/8
21
195
2
107
9223
?, Estação do Norte
3
3/3
1 +3/2+3
8/8
21
191
2
107
9227
Jaraguá, Santa Catharina ....
9
3/3
1+2
8/8
21
197
2
96
9230
Hansa, Santa Catharina
3
3/3
2 +2/2 +3
8/8
21
186
2
115
9260
Carvalho Araújo, S. Paulo ....
9
3/3
24-3/1+3
8/8
21
199
2
100
9262
Araguaya, Espirito Santo ....
9
3/3
2+3
8/8
21
201
2
105
9263
» » » ....
3
3/3
1+3
8/8
21
191
2
110
9264
» » » ....
s
3/3
2+3
8/8
21
185
2
104
9281
Hansa, Santa Catharina
9
3/3
1+3
8/8
21
196
2
105
9283
Araguaya, Espirito Santo ....
3
3/3
1 +2/1+3
8/8
21
200
2
115
9285
Hansa, Santa Catharina
3
3/3
1+2/1+3
8/8
21
186
2
112
9286
Alfredo Maia, Espirito Santo
s
3/3
1+2
8/8
21
194
2
56+
9295
Araguaya, Espirito Santo . .
9
3/3
3+3/2+S
8/8
21
203
2
105
9363
» » »
3
3/3
2+3
8/8
21
194
2
116
9376
» » » ....
3
3/3
2+4/2+ 3
8/8
21
190i
2
102
9379
Rio Claro, Rio de Janeiro
3
3/3
2+2/2+4
8/8
21
197
2
118
9381
Araguaya, Espirito Santo ...
9
3/3
2+3
8/8
21
209
2
106
9417
Morro Azul, Rio de Janeiro
9
3/3
3+3
8/8
21
189
2
108
9444
Mogy das Cruzes, S. Paulo . .
S
.3/3
1+2/1+ 3
8/8
21
191
2
111
9445
Araguaya, Espirito Santo ....
6
3/3
1+3/2+3
8/8
21
189
2
111
9502
Serra Azul, Paraná
3
3/3
1+3
8/8
21
189
2
74+
9542
Areal. Rio de Janeiro
á
3/3
2+3
8/8
21
193
2
64+
9576
Piquete, S. Paulo
9
3/3
2+|3
8/8
21
206
2
100
9581
Pedra Corrida, Minas
9
3/3
1 +6/2+4
8/8
21
192
2
101
9594
Barão Homem de Mello, Rio
<3
3/3
2 f 3/1+2
8/8
21
199
?
114
9595
Mendes, Rio de Janeiro
9
3/3
2+3
8/8
21
201
2
107
9609
Suzano, Minas
9
3/3
2+3
8/8
21
205
2
109
9616
Baruery, S. Paulo
9
3/3
2+3
8/8
21
204
2
94
9619
Areal, Rio de Janeiro
9
3/3
2+3
7/8
21
200
2
108
9629
Rio Claro, Rio de Tanciro ...
9
3/3
2+3
9/8
21
196
2
66+
9639
Campo Limpo, S. Paulo
6
3/3
2+3
8/8
21
181
1
111
9662
Baruery, S. Paulo
9
3/3
1 +2/2+3
8/8
21
191
2
106
9663
» » »
9
3/3
2+4
8/8
21
190
2
107
9665
Rio Claro, Rio de Janeiro . . .
9
3/3
2+)3
8/8
21
208
2
104
966 6
Porto das Flores, Minas ....
9
3/3
2-^-3
7/7
21
200
2
105
9684
Araguaya, Espirito Santo . . .
9
3/3
24-3
8/8
21
200
2
107
9693
Mogy das Cruzes
3
3/3
2-i-3
8/8
21
199
2
106
9695
Rio Claro, Rio de Janeiro ..
3
3/3
2+3/2+ 2
8/8
21
191
2
119
9703
Hansa, Santa Catharina
3
3/3
2+3/ 1+2
8/8
21
189
2
112
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Amaral — Novo Colubrideo opistoylypho
211
Localidade
^ugenio Lcfèvre, S. Paulo . .
K°mem de Mello, Rio de Jau.
U ^ an 'Paio Moreira, S. Paulo
^ ai 'sa, Santa Catharina
( ® n genheiro Cesar, S. Paulo
!j Si «o, Minas
lo Con s.° Zacarias, Paraná
Ar;
a guaya, Espirito Santo
B:
Post-
Temp.
Sp-
E.D.
V.
A.
Sb.
Oc.
Lab.
C.
3/3
1+2/2+ 3
8/8
21
205
2
106 Pa:
3/3
2+3
8/8
21
198
2
106.
3/3
2+3
8/8
21
195
2
112
3/3
1+2
8/8
21
190
2
113
1/1
2+3
8/8
21
194
2
64p.+n.
3/3
3+4/2+ 3
8/8
21
208
2
101
3/3
2+3
8/8
21
193
2
105
3/3
2+3
8/8
21
187
2
115
occorre no
districto centro-meridional do
Mi;
r asil, desde a Serra do Mar até o planalto dos Estados de Espirito Santo,
'nas Geraes, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catharina (zonas
total: 1.185 mm. (cauda: 230 mm).
^ 0s campos e das florestas orientaes).
Comprimento máximo : No. 9666
B
RESUMO
A’ luz de uma revisão tjue acaba de ser feita, a cspecie de Colubrideo
0, "ineo Philodryas serra (Schlegel, 1837) Boulenger, 1896 é subdividida em:
■ serra (Schlegel, 1837), com escamas dorsaes asperas e P. pseudo-serra
^ n 'aral, 1937, com escamas dorsaes lisas.
ABSTRACT
In the light of a revisionary study which lias just been finished the form
Colubridae Boiginae Philodryas serra (Schlegel, 1837) Boulenger, 1896 is
P into two species, namely: P. serra (Schlegel, 1837), bearing keeled dorsal
Sca ' e s and P. pseudo-serra Amaral, 1937, bearing smooth dorsal scales.
I
BIBLIOGRAPHIA
dinaral, A. do — Contribuição ao Conhecimento dos Ophidios do Brasil. VIII. Lista
2 Remissiva dos Ophidios do Brasil (2. a edição) in Mem. Inst. Butantan 10:142.1936.
boulenger, G. A. — Cat. Sn. Brit. Museum 3:134.1896.
q Schlegel, H, — Ess. Physion. Serp. 1 (2) :150 et 2:180 tab. VII: 1 & 2. 1837.
5 ‘ Bitsinger, L. — Syst. Rcpt. 1:26.1843.
‘ Bitinérip A. & Dibron, G. — Erpét. Gén. 7:1113.1854.
■j Günther, A. — Cat. Col. Sn. : 1 25 . 1858 .
C ope, E. P. — Proc. Amer. Philos. Soc. 11:153.1869.
9 ’ Cope, E. D. — toe. cit. 22:192.1885.
Boulenger, G. A. — > Cat. Sn. Brit. Museum 3:134.1896.
(Trabalho da Secção de OphioloRia e Zoolopia Medica do
Instituto Butantan, recebido em outubro de 1937.
Dado li publicidade em dezembro de 1937).
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
598.1281
CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DOS OPHIDIOS
DO BRASIL
10. Redescripção de Philodryas serra (Schlegel, 1837)
POR
AFRANIO do AMARAL
No trabalho anterior, mostrei que, á luz da bibliographia ophiologica, a
es Pecie redescripta em 1896 por Boulenger, sob o nome de Philodryas serra, é
re almente um composto das 2 formas seguintes : Hcrpetodryas serra Schlegel,
^37, e a nova especie Philodryas pseudo-serra, por mim agora descripta.
Acentuei também que a fusão de exemplares de caracteres differentes em uma
s ° especie representa um erro commettido em primeiro logar por Duméril e
R 'bron, em 1854.
Para rectificar esse erroneo conceito de Duméril e Bibron, repetido por
^ünther, Cope e Boulenger, para só citar os principaes herpetologos envolvidos
110 caso daquella fusão, é que fui levado a descrever a nova especie P. pseudo-
Sen a (Schlegel, 1837), o que faço agora.
Resta-me, portanto, para completar a revisão do assumpto, redescrever a
e specic.
F > hilodryas serra (Schlegel, 1837)
(Figs. 1 — 4; Tab.).
hcrpetodryas serra Schlegel, 1837 — Ess. Physion. Serp. 2:180. tab. 7:112.
hryophylax serra Dm. & Bibr., 1854 — • Erp. Gén. 7:1113 ( pro parte ).
hilodryas serra Günther, 1858 — Cat. Col. Sn. : 1 25 (pro parte).
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
214
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Tclcolcpis striaticcps Cope, 1869 — Proc. Amer. Philos. Soc. 11:153.
Dryophylax serra Jan, 1879 — Icon. Gén. Oph. 49. tab. 4:11 {pro parte)-
Tropidodryas serra Cope, 1885 — loc. cit. 22:192 ( pro parte).
Philodryas serra Boulenger, 1896 — Cat. Sn. Brit. Mus. 3:134 ( pro parte).
Philodryas serra Amaral, 1936 — Mem. Inst. Butantan 10:142.1936 (P r °
parte).
Morpliologia — Colubrkleo, Boigineo, opisthoglypho. Corpo e cauda
longos, corpo mais longo e mais fino do que em P. pseudo-serra. Cabeça alg°
clistincta do pescoço. Crânio : parietal sem rebordo, supero-externo ligado a
articulação parieto-supratcmporal ; dentes maxillarcs 13, seguidos, após curto
diastema, por 2 presas chanfradas; dentes palatinos 7, os 2 anteriores ber 11
maiores do que os demais; dentes pterygoideos 14; dentes mandibulares 21»
dos quaes 11-12 situados antes da ponta do osso articular c 10-9, para tras
delia.
Plwlidosc — Escamas dorsaes em 21 filas, todas carinadas, carena bem
nitida nos 3 3, cujas escamas supra-anaes (e as placas para-anaes), chegam a
ser tuberculares ; escamas com dupla fosseta apicillar ; escamas da ponta da cauda
lisas; placas ventraes arredondadas, em numero de 226 — 244 (33 :226 — 236 ,
$ $ : 228 — 244) ; placa anal dupla (ás vezes, unica) ; placas subcaudaes 98 —
(33: 101 — 111; $ Ç : 98 — 103). Olho pouco menor do que metade do
focinho, que é antes truncado. Rostral um pouco mais larga do qua alta, a
porção visivel de cima cerca de 1/4 — 1/5 da distancia da frontal; internasae s
pouco mais curtas do que as prefrontaes; frontal cerca de 1 vez e 1/2 a 1 vez e
2/3 tão longa quanto larga, tão longa ou um pouco mais longa do que sua diS'
tancia da extremidade do focinho e tão longa ou um pouco mais curta do Q ue
as parietaes; angulo antero-externo da frontal geralmente bem contiguo a °
angulo superior da preocular, que é ás vezes dupla e cujo angulo anterior es ta
afastado e em nivcl inferior ao angulo postero-superior da nasal (em P. pseud 0 '
serra não existe tal desnivelamento, porque cada prcfrontal não ultrapassa, sob re
o lado infero-externo, a borda superior da nasal, conforme acontece em P. serre) >
8
postoculares 3; temporaes esquamiformes, 2 -f 3 ou 2 a 3 4- 4; supralabiaes >
4." e 5“ contíguas ao olho; 5 infralabiaes contíguas ás mentaes anteriores ci lie
são mais longas do que as posteriores.
Hcmipenis — Dividido, calyculado e não capitado; cálices sub-polygon* 1 ^'
razos, sulco bifido, occupado mesialmente por uma crista longitudinal, cobe rta
de numerosos pequenos espinhos; porção calycular interna margeada por 1
bem nitida de espinhos dispostos parallelamente ao sulco e, de cada lado, at
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Amaral — Philodryas serra
2ir>
Coloração — Corpo pardacento em cima, com grandes manchas vertebraes
Pardo-chocolate, quadrangulares, de bordas em geral rectilineas e mais claras;
^beça parda, com 5 faixas escuras longitudinaes descontinuas, a mais baixa das
c l l 'aes atravessa a orbita ; lábios pardo-alaranjados com manchas negras ; ventre
Pardacento, geralmente côr de tijolo, salpicado ou manchado de negro; ponta da
Cau da esbranquiçada nos jovens.
Distribuição — Esta especie occorre nos districtos nordestino, central e
Ce ntro-meridional, desde a faixa littoreana até os contrafortes da Serra do Mar
( z °nas maritima e das florestas orientaes).
RESUMO
Red escrevesse a especie de Colubrideo Boigineo Philodryas serra (Schlegel,
^37) ( depois de desmembrados os exemplares portadores de escamas dorsaes
lis as, nella erroneamente incluídos por Duméril e Bibron, em 1854, Günther, em
^858, Cope, em 1885 e Boulenger, em 1896. Estes exemplares pertencem á
e spe c ie P. pseudo-serra Amaral, 1937.
ABSTRACT
The species of Colubridae Boiginae Philodryas serra (Schlegel, 1837) is
r edescribed following the elimination of all specimens bearing smooth dorsal
Ca les which had erroneously been included in it by Duméril and Bibron in
I 854 , Günther in 1858, Cope in 1885 and Boulenger in 1896. Such specimens
be long to the species P. pseudo-serra Amaral, 1937.
(Trabalho da Secção de Ophiologia c Zoologia Medica d»
Instituto Butantan, recebido em novembro de 1937.
Dado á. publicidade em dezembro de 1937).
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Mcm. Inst. ijutantan
•'Mahal — Philorf ruas pseudo-serra, P, serra.
Vol. XI — 1 037
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Philodryas pseudo-serra
Mem. lnst. Hutantiin
V»l. XI - 1937
Amaiiai, Philod ruas pseudo-serra, /’. serra
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Philodryas serra
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598.128.1
CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DOS OPHIDIOS
DO BRASIL
11. Synopse das Crotalideas do Brasil
POR
AFRANIO do AMARAL
(Com 29 gravuras no texto )
1.” PARTE
As serpentes solenoglyphas estiveram, durante muitos annos, reunidas numa
^ faniilia, sob a denominação de Viperidae. Este grupo, criado em 1840 por
° n aparte ( in Mem. Accad. Torino 2.2:393), prevaleceu até os fins do século
Assado, quando Boulenger, o grande especialista do Museu Britannico, ainda
0 re conheceu (m Cat. Sn. Brit. Mus.3:463 et 518.1896) como uno. Isto occor-
feu . apesar de vários auctores já haverem precedentemente proposto, em termos
peitáveis pelas Regras Intemacionaes de Nomenclatura Zoologica, a divisibi-
aa de do alludido grupo em 2 famílias bem distinctas. Assim é que, para uma
'kstas
Par:
, Fitzinger, em 1843 (in Syst. Rept. :28), criara o nome Chcrsophes e,
ra a outra, a denominação Bothrophes. Sem falar em outras designações que
1190 Podem ser reconhecidas pelo codigo internacional de nomenclatura, diversos
° m «s foram applicados a estas 2 famílias. Delles, Viperidae e Crotalidae,
Cr iados por Cope, respectivamente, em 1859 (in Proc. Acad. Nat. Sc. Philadel-
Ia ; 333 ) e 1864 (in loc. cit. :231) receberam, durante muito tempo, a prefe-
etlc 'a dos herpetologos.
As 2 famílias Viperidae e Crotalidae incluíam grande numero de formas
facilmente se reunem nos 2 distinctos grupos correspondentes, a saber:
A. Fosseta lacrimal ausente; osso maxillar não escavado
em cima l. a família.
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218
Memórias elo Institulo liutanlim — Tomo XI
13. Fosseta lacrimal presente; osso maxillar escavado
em cima 2.“ familia.
Sob o ponto de vista da systematica, estes 2 grupos poderiam ficar subordi-
nados a uma superfamilia, caracterizada pela verticalidade dos ossos niaxi liares
e para a qual seria cabivel o nome Crotaloidcae, proposto por Stejneger (in Buli
58 U. S. Nat. Mus. :256. 1907). Cabe, porém, accentuar que Stejneger, ao crig ir
aquella superfamilia, mostrara (in loc. cit. :442) que a denominação Vipcridac
não podia prevalecer na nomenclatura, porque o nome generico Vipcra, que l* ie
dera origem, fora criado somente em 1768 por Laurentius (in Syn. Reptilium :99)
e é synonimo de Colubcr, criado por Linneu (in Syst. Nat. 1:216.1758), c0111
antecedencia de uma década. Sem embargo disto e em virtude da confusão ( l ue
resultaria da fixação do nome Colubcr como typo dessa familia de serpentes sol e '
noglyphas (a qual teria de receber a denominação de Colubridae, já preoccupada
por um grupo de serpentes desprovidas de presa inoculadora), Stejneger crioU 0
nome Cobridac, cujo genero typico é Cobra Laurentius, 1768 (in loc. cit . : 103) ,
tomado, in sensti strictiorc, como synonymo de, e preexistente a, Bitis Gray, 1^42
(in Zool. Miscell. :25 ct 69).
Dessa discussão da matéria resulta que as serpentes solenoglyphas (sup er '
familia Crotaloidcae ) , caracterizadas pela posse de maxillares verticaes, se ag rU
pam em 2 familias, a saber :
A.
Fosseta lacrimal
em cima
ausente; osso maxillar não
escavado
Cobridac
B.
Fosseta lacrimal
em cima
presente ; osso maxillar
escavado
Crotalidae
Destas familias, a l.“ (Cobridac) não tem representantes no hemispherio o c
cidental, isto é, nas regiões nearctica e neotropica. A 2.“ (Crotalidae ) , todav’ 3 '
é quasi característica desta parte do mundo, porque, embora possua representai^ 5
em outras regiões, a maioria destes occorre nas Américas.
A familia Crotalidae subdivide-se em 2 subfamilias reconhecidas desde
(in Rept. U. S. Nat. Mus. :1 131 . 1898), assim:
a) presença de appendice caudal articulado (“crcpi-
taculum”) Crotalinae.
b) ausência de appendice caudal articulado LachcsitUfC ■
Não só na região neotropica, como na região nearctica, occorrcm reprcs el1
tantes destes 2 subgrupos, havendo do 2.° formas também na região paleard ca
Da subfamilia Crotalinae fazem parte dois generos, assim reconhecíveis •
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Amap.au — Synopse das Crotalidcas do Brasil
21 !)
1 • T«po da cabeça coberto de escamas maiores ou
menores, algumas escutiformes Crotalus Linneu, 1758.
2. Topo da cabeça coberto de escudos bem con-
figurados Sistrurus Garman, 1883.
Do genero Crotalus, que é peculiar ao hemisphcrio Occidental, occorrcm
representantes nas duas regiões, neotropica e nearctica. O genero Sistrurus é
Por bem dizer typico da região nearctica, pois apenas uma de suas especies
(5\ ravus ) se encontra no México oriental e, pois, bem pouco para fóra da divisa
Meridional, aliás pouco nitida, daquella zona.
A subfamilia Lachesinae comprehende tres generos, que assim se distinguem :
1 • Topo da cabeça coberto de escudos con-
figurados Agkistrodon Eeauvois, 1799.
Este genero também occorre na região palearctica e, no nosso bemispberio,
Mas regiões nearctica e neotropica, mas seu unico representante neotropico (A.
oitincatus) só se distribue do México até Honduras.
2. Topo da calaça coberto de escamas ou
escudos irregulares :
2a. Escamas supracephalicas granulosas, escamas
dorsaes com carena tubercular ; escamas da
ponta da cauda longas e espinhosas Lachesis Daudin, 1803.
2b. Escamas .supracephalicas chatas e carinadas;
escamas dorsaes em carena mais ou menos
alongada ; escamas da ponta da cauda não dis-
tinctas das demais Bothrops Wagler, 1824.
Estes dois generos são exclusivos da região neotropica.
Por mero desconhecimento da matéria, muitos auctores confundem sob a
s ° denominação de Lachesis as formas componentes desses 2 generos acima, os
'lUaes, segundo mostrei em 1926 ( in Rev. Mus. Paulista 14:39-40), se apartam
‘Pndamental mente ainda pelos seguintes caracteres, de indiscutível valor taxo-
lomico :
a) dentes pterygoideos, cuja série ultrapassa a articulação transverso-
Pteryg 0 id ea nas especies de Bothrops e não a ultrapassa na especie unica de
^ ac hesis ;
b) pulmão tracheal, que occorre nas varias especies de Bothrops e não
c °'Hparece, nem sob forma vestigial, na especie unica de Lachesis:
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Memórias do Instituto Butnntan — Tomo XI
c) systema de reproducção, que é ovo-viviparo nas varias especies de
Bothrops e oviparo na especie unica de Lachesis, segundo mostrei em 1927 ( í,!
Rev. Mus. Paulista 15:43-45).
A’ luz da systematica é, portanto, erro, e erro crasso, incluir no genero
Lachesis certas serpentes solcnoglyphas, como a Jararaca, a Jararacussu, 3
Urutú e outras especies affins, cujos caracteres satisfazem, no mais alto gra u >
á definição de Bothrops. (*)
2.» PARTE
Esclarecidos, desse modo, os pontos mais importantes da systematica das
Crotalideas em geral, passemos a assignalar synopticamentc a differenciação das
especies occorrentes no Brasil.
Definição:
Serpentes relativamente grossas, de escamas asperas, de cabeça distinota
(bem mais larga do que o pescoço), de cauda curta, de pupilla vertical (confo r '
mada á vida nocturna), providas de 2 grandes presas moveis na parte antero-
superior da bocca e caracterizadas particularmente, assim pela presença de escava-
ção superior nos ossos maxillares, como pela posse de um orifício (fosseta
lacrimal) entre a narina e a orbita, á maneira de uma narina supplementar de cada
lado, donde decorre a denominação de “cobras de 4 ventas”, que lhes dá o p° v0 '
Differenciação:
+ • Presença de appendice caudal articula-
do (“crepitaculum”) : chocalho ou
guizo (Fig. A) subfam. Crotalimc:
Flg.
I. Topo da cabeça com escamas irregu-
lares, ás vezes escuti formes sobre o
focinho (Fig. B) gen. Crotalus Linneu, 1758.
<«>
(*) Eaie erro fundamental, de animilaçáo da» eupecie* de Bothrop» no genero Lachllit, ainda recenlem<*° ,é
perpetrado por J. Vellard in Boi. Sec. Agric. Ind. Com. Pernambuco 1 (1) :30. 1936 et 2 (2) :192 et •«‘l**
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Amaral — Synopsc das Crotalideas do Brasil
221
Especie unica no Brasil (Fig. 1)
C. terrificus (Laurentius, 1768)
Nota: Esta cspecie é representada no Brasil pela
raça Crotalus terrificus terrificus, da qual, em 1927
(m Rev. Mus. Paulista 15:89-91) registei duas varie-
dades, a saber:
a)
cnllirhombcatus
b)
Ei*. B
mareas nucaes sob a for-
ma de losangos
marcas nucaes sob a for-
ma de 2 faixas lineares
. longitudinaes collilmeatus. (**)
Nomes vulgares : Cascavel ; Cascavel de quatro
ventas (nordeste) ; Boicininga ou Boiçununga e Mara-
cá (Amazônia), Boiquira (sul), Maracaboia (centro).
Distribuição gcographica: Forma commum a todas as zonas seccas do pais,
es peeialmente abundante no centro e nordeste e relativamente rara no extremo sul.
A esta sub-differenciação, que parece ainda estar em vias de constituição,
c °rresponde um caracter chromatico predominante no veneno de cada uma delias :
a v ar. collirhombcatus, que occorre sobretudo no nordeste, possue um veneno
Wasi sempre amarellado, ao passo que a var. collilineatus, que se encontra sobre-
tll do no sul, apresenta um veneno de côr quasi sempre esbranquiçada. Sendo a
c °r do veneno funeção de sua composição chimica (segundo mostrei in Buli. Anti-
Ve nin Inst. America 3:7.1929), pode-se acceitar a forma nordestina como uma
especie physiologica bem distincta da especie physiologica representada pela forma
Meridional.
Ausência de appendice caudal articulado, subfam. Lachcsinae:
Topo da cal>eça com escamas granulosas
(Fig. C.) ; escamas dorsaes com carena
tubercular (Fig. D) ; escamas da ponta
da cauda longas e espinhosas (Fig. E) . . gen. Lachesis Datjdin, 1803:
Especie unica do genero (Fig. 2) L. muta (Linneu, 1766).
Nomes vulgares: Surucucu (Amazônia e centro). Surucucu de fogo
(nordeste), Surucucu pico de jaca (Bahia), Surucutinga ou Surucucutinga
dentro e sudeste).
I{ . v 1 1 Rprfnkmrnlí, Klnnhrr, Inlvrz por nüo hnvrr rotnprrhrnditlo o que ru rscrevl rm vrrnaciilo naqiirlla
(p. 90), npplicamlo cu cbsc# doia nome»' u '* vurirdndca", íc* crcr que cu Ihci «lera valor capccifiro.
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Distribuição gcographica : Especic encontrada na região propriamente tr0
picai, onde habita as matas e florestas.
1 1 . Topo da cabeça com escamas chatas e carinadas (Fig. F) ;
escamas dorsaes com carena alongada (Fig. G) ; escamas
da ponta da cauda não distinctas das demais (Fig.
gen. Bothrops VVaglrr,
cm
2 3 4 5 6 SCÍELO 10 n 12 13 14 15 16
Amarai, — Si/nopse das Crotalideas do Brasil
IIA. Cauda prehensil (Fig. I):
223
UB.
Fig. I
Placas subcaudaes quasi todas inteiras, em numero de
71 a 83 ; colorido do dorso cinzento com faixas trans-
versaes castanho-escuras, bi fidas e a terminarem em 2
pontos negros de cada lado; colorido do ventre parda-
cento com manchas amarellas um pouco esparramadas
sobre os flancos (Fig. 3) B. castelnaudi D. et B., 1854.
Distribuição gcographica: Especie rara, dendricola acci-
dental, procedente das zonas septentrional e centro-occi-
dental.
Placas subcaudaes quasi todas divididas, em numero de
56 a 71 ; colorido do dorso verde, com uma série de
pintas amarello-avermelhadas de cada lado da linha ver-
tebral e com uma lista puncti forme de côr amarella de
cada lado do ventre (Fig 4) B. bilineata (Wied, 1825).
Nomes vulgares: Surucucu de patioba, Surucucu de
pindoba e Patioba (sul da Bahia), Ouricana e Uricana
e Surucucú pinta de ouro (sertão da Bahia), Jararaca
verde (centro até Espirito Santo).
Distribuição gcographica : Especie dendricola, própria á
Bahia e outros districtos da zona hygrophila tropical.
Cauda semi-prehensil (Fig. J):
Fig. j
"lAN
cm
2 3 4 5 6 SCÍELO lo h 12 13 14 15 16
221
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
a. Placas subcauuaes divididas em geral, mas com nitida
tendência á união, em numero de 48 a 65 ; colorido do
dorso pardo-amarcllado, com marcas lateraes subtrian-
gularcs ou irregulares e com o centro claro (Fig. 5)
B. insularis (Amaral, 1921)
Nome vulgar: Jararaca ilhoa.
Distribuição gcographica : Especie semi-dendricola, con-
finada á Ilha da Queimada Grande (littoral de S. Paulo).
IIC. Cauda não prehensil (Fig. K) :
Fig. K
IIC’ Placas subcaudaes quasi todas divididas:
IIC’a. Borda anterior da fosseta lacrimal formada pela 2. a
supra-labial (Fig. L) :
Fig. L
1 . Supralabiaes geralmente 7 ; escamas dorsaes forte-
mente carinadas (ca rena curta e subtubercular ) em
23 a 33 filas; ventraes 180 a 231; colorido do dorso
roseo-pardacento com estreitas manchas lateraes an-
gulares, ligadas de leve a 2 pintas negras para ventraes
(Fig. 6) B. atrox (LinneU,
Nomes vulgares: Caissaca (nordeste) c Jararaca
(norte).
Distribuição gcographica: Especie terrestre encontra-
da em toda a zona tropical até S. Paulo.
cm
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Amaral — Sgnopsc das Crolalideas do Brasil
225
2. Supralabiaes 8; escamas dorsaes fortemente carinadas,
em 25 filas; ventraes 164 a ?; colorido do dorso cin-
zento amarellado com estreitas manchas lateraes an-
gulares, ligadas de leve a 2 pintas negras para-ventraes
(Fig. 7) B. neglecla Amaral, 1923
Distribuição geographica : Especie terrestre, oriunda
da Bahia.
3. Supralabiaes geralmente 8; escamas dorsaes fraca-
mente carinadas (carena longa e baixa), em 20 a 27
filas; ventraes 175 a 216; colorido do dorso verde-
olivaceo, com estreitas manchas lateraes suh-triangu-
lares ou irregulares, geralmente confluentes com 2
pintas negras paraventraes (Fig. 8) B. jararaca (Wied, 1824).
Nomes vulgares : Jararaca, Jaraca ou Jaracá, Jara-
raca dormideira, Jararaca preguiçosa, Jararaca da
mata virgem, Jararaca do cerrado e Jararaca do campo.
Distribuição geographica-. Especie terrestre, distri-
buída da Bahia para o sul e communnissima especial-
mente no Paraná e Santa Catharina.
Nota: Segundo mostrei alhures ( in Contrib. Harvard
Inst. Trop. Med. & Biol. 2:26.1925), a nossa Jara-
raca foi confundida com a “Fer-de-lance” da Mar-
tinica por Boulenger (in Cat. Sn. Brit. Mus.
3:535.1896) sob o nome de Lachcsis lanccolatus, o
que levou muitos auctores, mesmo brasileiros, a lhe
applicarem este nome. Ora, como a serpente da Mar-
tinica (lanccolatus) , descripta por Lacepède em 1789,
é um estricto synonymo da especie atrox, descripta
por Linneu em 1758 e á qual corresponde a nossa Cais-
saca, cuja nitida separação da Jararaca foi entre nós
de ha muito estabelecida, não se comprehende a razão
de se terem aqui applicado a estas especies dois nomes
scientificos, que afinal representam uma só e mesma
forma. Denominar a nossa Jararaca de Lachcsis lan-
ccolatus é imperdoável, porquanto não corresponde á
especie lanccolatus ( — atrox), nem ise pode ligar ao
genero Lachcsis.
9
226
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XI
4. Supralabiaes geralmente 8; escamas dorsaes nitida-
mente carinadas (carena sublonga e alta), em 23 a
27 filas; ventraes 170 a 186; colorido do dorso ama-
rello-escuro com largas (bem abertas) manchas late-
raes ligadas de leve a (jovens), ou confluentes com
(adultos), 2 pintas negras para-ventraes (Fig.
9) B. jamracussu Lacerda, 1884.
Nomes vulgares : Jararacussú ou Jararacussú verda-
deiro, Jararacussú malha de sapo, Cabeça de sapo ou
Patrona (Bahia e nordeste), Jararacussú tapete,
Urutú dourado, preto, amarello ou estrella e Suru-
cucu dourado (Rio de Janeiro e sudeste de Minas
Geraes).
Distribuição geographica : Especie semi-acpiatica, en-
contradiça á beira de brejos e correntes nas zonas
baixas desde o littoral do sul e leste até o centro-oeste.
5. Supralabiaes 8; escamas dorsaes nitidamente cari-
nadas (carena longa e alta) cm 27 filas; ventraes 164
a 167 ; colorido do dorso amarello-pardacento com es-
treitas manchas lateraes, confluentes a 2 pintas para-
ventraes (Fig. 10) B. pirajai Amaral,
Distribuição geographica: Especie procedente do sul
da Bahia.
lIC’b. Borda anterior do fosseta lacrimal separada da 2. a supra-
labial (Fig. M).
!
Fig. M
1 . Supralabiaes 8 a 11; escamas dorsaes distinctamente
carinadas (carena longa e baixa) em 29 a 35 filas;
ventraes 165 a 190; colorido do dorso pardacento com
grandes ocellos lateraes, por vezes confluentes longi-
tudinal ou transversalmente ; topo da cabeça annegra-
do, com um desenho esbranquiçado, mais ou menos
irregular, ao centro (Fig. 11) B. alterna ta D. et B., ^
10
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Amaral — Synopse das Crotalideas do Brasil
227
3.
Nomes vulgares : Urutú, Cruzeiro ou Cruzeira, Co-
tiara ou Coatiara e Jararaca rabo de porco (extremo
sul) ou Jararaca de agosto (região da Lagoa dos
Patos) .
Distribuição geographiea : Espccie terrestre, própria
da zona serrana, desde o sudeste de Minas Geraes,
através de S. Paulo e até Rio Grande do Sul.
Supralabiaes 8 a 9 ; escamas dorsaes distinctamente
carinadas (carena longa e baixa), geralmente em 27
filas (25 a 29) ; ventraes 152 a 165; colorido do dor-
so verde-olivaceo com manchas lateraes pardo-negras
sub-triangulares, cada ponta correspondente e super-
posta a uma pinta negra para-ventral ; topo da cabeça
annegrado, com um desenho esverdeado claro, em
forma de dupla cruz, mais ou menos irregular, ao
centro (Fig. 12) B. eotiara (Gomes, 1913).
Nomes vulgares: Cotiara ou Coatiara, Boicotiara
(S. Paulo e Paraná), Jararaca preta (centro de Santa
Catharina).
Distribuição geographiea : Especie terrestre, encontra-
da na zona serrana do sudeste de Minas Geraes, su-
doeste do Rio de Janeiro c nordeste de S. Paulo e,
depois, do Paraná para o ,sul.
Supralabiaes 8; escamas dorsaes distinctamente cari-
nadas (carena longa e baixa) em 25 a 27 filas, ven-
traes 150 a 160; focinho não truncado, nem recurvo;
colorido do dorso roseo ou tijolo em series de pintas
lateraes negras, simples ou duplas e superpostas; topo
da cabeça rubro-pardo, geralmente com manchas anne-
gradas, sendo 1 impar, anterior sobre o focinho (in-
ter-canithal ) e 2 ou 3 pares posteriores, geralmente
fundidos em forma de uma estria parietal de cada
lado (Fig. 13) B. itapetiningac (Boulenger, 1907).
Nome vulgar: Cotiarinha.
Distribuição geographiea : Especie própria ao interior
de S. Paulo e Paraná.
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Memórias do Instituto IUitnntan
Tomo XI
12
4 .
5.
Supralabiaes 7 a 8 ; escamas dorsaes distinctamente
carinadais (carena longa e baixa), em 19 a 21 series;
ventraes 139 a 158; focinho algo truncado e recurvo
para cima; colorido rio dorso pardo avermelhado, com
manchas lateraes escuras, triangulares, próximas entre
si ; topo da cabeça pardo com 1 faixa clara transversal
sobre o focinho e 1 marca também clara, em forma
de 8 irregular, na região fronto-parietal (Fig.
14) B. erythromelas Amaral, 19$'
Distribuição geographica: Especie terrestre, própria
dos districtos áridos da zona nordestina (da Bahia
ao Ceará).
Supralabiaes 8 ou 9, sendo mais longa a 4. a ; escamas
dorsaes distinctamente carinadas (carena longa e baixa),
em 21 a 25 series; ventraes 160 a 170; focinho 'seini-
pontudo; subocular separada das supralabiaes por 1
serie de escamas ; colorido do dorso pardo com faixas
transversaes escuras; topo da cal>eça escuro com uma
6 .
ponta clara irregular sobre a coroa (Fig. 15) B. iglesiasi Amaral,
Distribuição geographica: Especie procedente do sertão
do Piauhy.
Supralabiaes 8 a 9, sendo mais longas a 3." e 4.* ; esca-
mas dorsaes distinctamente carinadas (carena longa e
baixa), em 21 a 27 series; ventraes 163 a 187; focinho
semi-pontudo ; subocular separada das supralabiaes por
2 a 3 series de escamas; colorido do dorso variavel,
desde o oliva ao roseo, com manchas lateraes irre-
gulares, escuras e tarjadas de branco, oppostas,
alternadas ou confluentes ás do outro lado e rodea-
das de pintas (manchas menores) de igual colorido ;
topo da cabeça pardacento com 3 a 5 marcas, sendo
1 impar sobre o focinho (inter-canthal) c 1 a 2
pares parietaes (ás vezes fundidos), negras, tarjadas
de branco (Fig. 16) B. ncmviedii WagleR-
Nomes vulgares: Jararaca ou Jararaca-de-rabo-branco
(S. Paulo até o extremo sul), Bocca-de-sapo (Matto
Grosso), Ralxi-de-osso (Goyaz) e Tira-peia (nordeste).
1923.
1®
24
cm
SciELO
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Amaral — Synopse das Crotalideas do Brasil
229
Nota : Segundo mostrei recentemente (in Contrib.
Harvard Inst. Trop. Biol. & Med. 2:56-62, tabs.
XIII-XVL 1925; Mem. Inst. Butantan 4:114-115 et
237-239. 1930 et 10: 158-160. 1936), a especie B.
newmedii é sub-divisivel em raças geographicas, dis-
tribuídas pelos differentes districtos do Brasil, com
excepção apenas do valle amazonico, onde a especie
ainda não foi assignalada.
(Trabalho da Secção de Ophiologia e Zoolo K ia Medica do
InBtituto Butantan, recebido em outubro de 1937. Da-
do A publicidade em dezembro de 1937).
13
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SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Amaral — Synopse das Crolalideas do Brasil.
Fig. 2
Lachcsis mula
Mcm. Inst. Rutantan
Fig. 1
Crotalus terrificus
Vol. X[ — 1937
cm
.
s?
Mem. Inst. Butantnn
Amahal
Sfjnopse das Crolahdcas do Brasil .
Bothroí) !t bilinvala
SciELO
Fig. 3
Ilothrops castelnaudi
Amaiiai, — Synopsé das Crotalideas do Brasil.
Mcm. Inst. Butantan
Vol. XI — 1937
Flg. 5
Bothrops insularia
Fig. 6
Bothrops nlrox
Amahal — Sunopse das Crolalideas do lirasil,
Mem. Inst. Butantan
Vol. XI — lí) 37
Fig. 7
Itolhrops neglecta
Fig. 8
Ilothrops jararaca
aiiai, — Sijnopsc das Crotalideas do Brasil.
Mem. Inst. Tíutnntnn
Vol
XI
li) 3 7
llothrups pirajai
SciELO
cm
Fig. 9
Ilolhrops jararacussu
Amaiial
Synopse das Crolalideas do Brasil.
Mcm. I nst. Butantan
Vol. XI — 1037
Fig. 15
Dolhrops iglesiasi
Fig. 16
flothrop a neuwiedil
598.128G
ESTUDOS SOBRE OPHIDIOS NEOTROPICOS
34. Novas notas sobre a fauna da Colombia e descripção de
uma especie nova de Colubrideo aglypho.
POR
AI-RANIO do AMARAL
De meus distinctos correspondentes na Colombia, Rev°. Niceforo Maria, do
Instituto de La Salle, Bogotá, e Rev°. Daniel, do Collegio Departamental de San
José, Antioquia, recebi ha algum tempo vários novos exemplares de repteis para
effeito de identificação. Desses exemplares, um representa especie nova para a
sciencia e dois correspondem a formas ainda não registradas na Colombia.
As localidades em que foi colligido este material são as seguintes: Barran-
quilla (Atlântico) ; Bello (Antioquia) ; Carare (Santander) ; Cúcuta (fronteira
da Venezuela) ; Girardot (Rio Magdalena) ; Ibagué (Tolima) ; La Ceja (An-
tioquia) ; La Estrella (Antioquia) ; Medellin (Antioquia) ; Muzo (norte de
Bogotá) ; Pueblo Rico (Chocó) ; Sasaima (noroeste de Bogotá) ; San Pedro
(Antioquia) ; Rio Negro (Antioquia) ; Sibaté (sul de Bogotá) ; Sonsón (sul
de Medellin, Antioquia) ; Titiribi (rio Cauca, oeste de Medellin, Antioquia) ;
Villavicencio (Meta, leste de Bogotá).
Esse lote, composto de 23 exemplares, corresponde a 19 formas differentes,
a saber:
Fam. TYPHLOPIDAE
Helmintliopliis canellei Mocquard, 1903
11. cancllci: Amaral — - Mem. Inst. Butantan 4:8, 135.1929 (1930).
Esta especie, cujo typo procede do Panamá e que não havia ainda sido
registada na Colombia, caracteriza-se pela presença de 4 supralabiaes, 2 preo-
cm
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232
Memórias <!o Instituto Butantan — Tomo XI
culares e de rostral larga, podendo das demais especies occorrentcs naquelle
país, e por mim registadas (1), facilmente distinguir-se pelos caracteres as 31 '
gnalados em um dos meus trabalhos anteriores (2).
No. 149 (I. L. S.), procedente de Villavicencio. Exemplar adulto, typico.
Dimensões: Comprimento total 195 mm.; cauda 20 mm..
Leptotyphlops macrolepis (Peters, 1857)
L. macrolepis: Amaral — Mem. Inst. Butantan 4:139.1929 (1930) ;7:107.
1932 et 9:209.1935; Buli. Antivenin Inst. America 4(4) :90. 1931.
Esta especie, já assignalada na Colombia, é representada por um exemplar
jovem: No. 150 (I. L. S.), procedente de Ibagué.
Dimensões : Comprimento total 90 mm. ; cauda 10 mm..
Registado originalmente na Venezuela, este ophidio subterrâneo parece
commum na Colombia e no Brasil. Examinando comparativamente exemplares
jovens e adultos, procedentes da Colombia e do Brasil (Estados de Matto Grosso
e Espirito Santo) não pude descobrir nelles quaesquer fundamentaes differenças
morphologicas, apesar da enorme distancia geographica que os separava. Apenas
a rostral surge ás vezes mais curta, o que, todavia, me parece ser antes devido
ao factor idade ou á maneira de preservação do material.
Fam. COLUBRIDAE
Helicops dnnieli, sp. n.
Corpo algo curto; cabeça pequena; olhos dirigidos para cima c para o lado»
narinas dirigidas para cima. Rostral mais larga do que alta, visível de cinta»
internasal unica; prefrontacs mais largas do que longas; frontal mais larga p° s
terior do que anteriormente, mais longa do que sua distancia da extremidade do
focinho e um pouco mais curta do que as parietaes ; nasal semi-dividida ; fre° a
um pouco mais alta do que longa; preocular 1, alta, mas bem afastada da frontal»
postoculares 2 ; temporaes 2 + 2 ; supralabiaes 8/9 (apenas a 4a. contigna 3
orbita) ; 5 infralabiaes contíguas ás mentaes anteriores que são longas qnan 0
as posteriores. Escamas dorsaes em 19 filas, todas fortemente carinadas desdo
a nuca até a cauda, menos a serie paraventral, que é lisa. Vcntraes 143 ; an
2; subcaudaes 62 p..
Colorido: Dorso pardo-roseo com 4 series alternadas de manchas negra^’
cabeça negra ; lábios claros manchados de negro anteriormente ; nuca com
curta mancha branca transversal de cada lado; garganta branca com algnm* u
pintas negras e 1 estria negra, de cada lado, entre as mentaes c as infralabia e '
cm
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Amaral — Ophidios da Colombia
233
ventre branco com 2 series longitudinaes de crescentes negros, dispostos de sorte
a formarem 2 faixas escuras separadas por 3 faixas claras, as 2 externas exten-
didas até o meio da 2. a serie de escamas dorsaes.
Holotypo : Exemplar immaturo 9 , No. 9872, na collecção do Instituto Bu-
tantan. Correspondente ao exemplar No. 35, colhido em Carare (Santander) e
vemettido pelo Rev°. Hermano Daniel, a quem a especie é dedicada, como home-
nagem ao seu lahor em pról do conhecimento da fauna herpetologica da
Colombia.
Dimensões: Comprimento total 235 mm.; cauda 55 mm..
Nota: Na collecção do Instituto de La Salle existe um exemplar, No. 99,
f lüe havia sido por mim anteriormente classificada como H. Icopardina, segundo
^ acha registado in Mem. Inst. Butantan 7:109.1932. A’ luz do estudo agora
feito, passo a identificar esse especime com a nova especie.
H. danieli é affim a II. angulata (L.) e II. scalaris Jan, das quaes se dis-
hngue pelo maior numero de ventraes e pelo colorido.
Eudryas boddaertii (SentZEN, 1796)
Drymobius boddaertii : Amaral — Mem. Inst. Butantan 4:154.1929(1930);
ffull. Antivenin Inst. America 4(4) :91 . 1931.
Eudryas boddaertii : Amaral — Mem. Inst. Butantan 7:110.1932.
Representada na collecção por 2 exemplares:
No. 32 (C. D.), procedente de Bello. Adulto 9, com a seguinte pholidose:
Spl. 9/9; D. 17; V. 182; A. 2; Sbc. 63 p. + n..
Dimensões : Comprimento total 935 mm. ; cauda 200 mm..
No. 33 (C. D.), procedente de Medcllin. Semi-adulto <5 , com a seguinte
Pholidose: Spl. 9/9; D. 17; V. 176; A. 2; Sbc. 101 p..
Dimensões: Comprimento total 953 mm.; cauda 200 mm..
O colorido do No. 32 é o seguinte: cinza-azulado no dorso até o lado das
Ve ntraes, com uma faixa clara longitudinal em cada lado da parte anterior do
C0r po ; faixa ocular pouco nitida ; centro do ventre cinza claro immaculado. O
°°lorido do No. 33 é o seguinte: cinza-claro (ou pardo acinzentado onde foi
c onservada a camada córnea) no dorso até o lado do ventre, com 4 faixas claras
longitudinaes, sendo 2 de cada lado: a la. entre a serie 1 e a serie 2 de escamas
e n 2." entre a serie 4 e a serie 5 de escamas, faixas estas ligadas transversal-
^dite por estrias escuras desde a nuca até o meio do corpo ; faixa trans-ocular
kont nitida; lábios claros, tarjados de escuro; garganta clara, bem manchada c
la >'morada dc pardo; ventre claro no centro, com pintas pardas lateraes.
cm
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234
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Stuart (3), tratando dos exemplares occorrentes na Colombia, distribuiu-os
peilas seguintes formas: E. b. boddacrtii (Sentzen), no Sul e no Centro; E. q ui1i '
quelineatus (Steindachner), no Leste c no Norte; E. ruthvcni Stuart, na Sierra
Nevada. Si estivesse correcta a relação entre essa differenciação e a distribuição
geographica, assignaladas no referido trabalho, os 2 exemplares ora por mim exami-
nados deveriam chorologicamente corresponder á forma typica, o que não acon-
tece, pois o de No. 33 corresponde á forma de Duméril e Bibron. Tenho,
aliás, a impressão de que Stuart, para reconhecer aquellas formas, foi levado a
subdividir excessivamente a especie boddacrtii, dando valor exaggerado a cara-
cteres chromaticos, pois as differenças morphologicas que assignalou, não sa°
nitidas, nem convenientes. Assim é que, ao distinguir E. ruthvcni de E. q u,n '
quelineatus e de E. boddacrtii, se baseou no “maior numero de subcaudaes”. O ra '
o numero que registou destas placas varia de 114 a 121 ; no entanto, Bouleng eI
(4) já havia assignalado em exemplares da forma typica, oriundos da Vene-
zuela e das Guianas, o limite de 113 a 115 subcaudaes.
Dendrophidion bivittatum (Dm. & Bibr., 1854)
Drymobius bivittatus: Amaral — Mem. Inst. Butantan 4 : 1 54 . 1929 ( 1930) •
Dendrophidion bivittatum-. Amaral — loc. cit. 9:210.1935.
No. 39 (C. D.), procedente de Medellin. Adulto á : Spl. 9/9; D. 17;
148; A. 2; Sbc. 92 p..
Dimensões: Comprimento total 690 mm.; cauda 230 mm..
Colorido: Dorso acinzentado, com as 2 faixas paravertebraes nitidas e con 1
uma linha negra longitudinal entre a 2a. e a 3a. series de escamas.
Plirynoiiax poecilonotus shropshirei (Barbouk & Amaral, 1924)
P. p. shropshirei: Amaral — Mem. Inst. Butantan 4:317. Fig. 4,156.
(1930); Buli. Antivenin Inst. America 4(4) :91 . 1931.
Esta raça é representada na collecção por um unico exemplar:
No. 155 (I. L. S.), procedente de Muzo. Aulto <í , com a seguinte ph 0 * 1 '
dose: Spl.? (lábios mutilados); D. 24 (23); V. 203; Sbc. 115 p..
Dimensões: Comprimento total 1380 mm.; cauda 330 mm..
Colorido: Pardo alaranjado, com o dorso listado de amarcllo e as csca
pintadas de preto; ventre avermelhado, mudando para pardo até anegrado P° s
teriormente.
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Amaral — Ophidios da Colombia
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Leimadophis epinephelus (Cope, 1862)
L. epinephelus'. Amaral — Mem. Inst. Butantan 4:165.1929(1930) et
9 :21 1 . 1935 ; Buli. Antivenin Inst. America 4(4) :91 . 1931.
Representada na collecção por 2 exemplares:
No. 34 (C. D.), procedente de Titiribi. Adulto & : Spl. 8/8; D. 17; V.
147; A. 2; Sbc. 53 p. ; 5/4 infralabiaes contiguas ás mentaes anteriores.
Dimensões: Comprimento total 470 mm.; cauda 115 mm..
Colorido: Ventre amarello-roseo com manchas negras.
No. 41 (€. D.), procedente de La Ceja. Adulto S : Spl. 8/9; D. 17: V.
'53; A. 2; Sbc. 52 p. ; 4/4 infralabiaes contiguas ás mentaes anteriores.
Dimensões : Comprimento total 450 mm. ; cauda 95 mm..
Colorido: Ventre avermelhado com manchas pretas.
Lygophís taeniurus albiventris (Jan, 1863)
L. t. albiventris: Amaral — Mem. Inst. Butantan 4:21,170.1929(1930) et
9 -21 1 . 1935 ; Buli. Antivenin Inst. America 4(4) :9 1 . 193 1 .
No. 147 (I. L. S.), procedente de Villavicencio. Adulto 9 : Spl. 7/7; D.
17 i V. 137; A. 2; Sbc. 67 p..
Dimensões: Comprimento total 420 mm.; cauda 110 mm..
Colorido: Azul olivaceo (sem a camada córnea), com a região vertebral
^is escura e a paraventral mais clara, separadas posteriormente por uma linha
nc S r a, tarjada de claro, que se accentua ao longo da cauda ; ventre claro levemente
inchado de negro.
Exemplar anomalo, desprovido de f renal e com 1 só preocular, represen-
tat] do talvez um hybrido das 2 raças occorrentes na Colombia — albiventris e
i6i
l t’ r <icocularis.
Atractus crassicaudatus (Dm. & Bibr., 1854)
U A. crassicaudatus: Amaral — Mem. Inst. Butantan 4:186.1929(1930);
Antivenin Inst. America 4(4) :92.1931.
. No. 146 (I. L. S.), procedente de Sibaté. Immaturo S : Spl. 6/6; D. 17;
• 152 ; A. 1 ; Sbc. 27 p..
Eimensões: Comprimento total 175 mm.; cauda 20 mm..
Colorido: Roseo-anegrado em cima, com mancha temporal creme-rosea.
cm
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo XI
Atractus lasallei Amaral, 1931
A. lasallei: Amaral — Buli. Antivenin Inst. America 4(4) :87. 1931 ; Mem-
Inst. Butantan 7:114.1932.
No. 38 (C. D.), procedente de Medellin. Adulto 3 ; Spl. 7/6; D. ^ r
V. 165; A. 7; Sbc. 24 p. ; postoculares 2/2; temporaes 1 -(- 2 (1 fundida corn
a parietal á direita) ; 4 infralabiaes contíguas ás mentaes anteriores e todas
tuberculanes.
Dimensões : Comprimento total 325 mm. ; cauda 25 mm..
Colorido: Dorso e ventre anegrados, com os flancos estriados de branco.
Atractus loveridgei Amaral, 1930
A. loveridgei : Amaral — Buli. Antivenin Inst. America 4(2) :28. 19-$’
Mem. Inst. Butantan 4:187.1929(1930); 7:114.1932 et 9:213.1935.
No. 40 (C. D.), procedente de San Pedro, Adulto 9 : Spl. 7/7; D. 17; '
169; A. 1; Sbc. 14 p..
Dimensões : Comprimento total 455 mm. ; cauda 30 mm..
Colorido: Dorso pardacento, com 3 linhas longitudinaes negras de cad a
lado; ventre roseo, com manchas negras, sobretudo nos lados.
Atractus obtusirostris Werner, 1924
A. obtusirostris: Amaral — Mem. Inst. Butantan 4:188.1929(1930) el
7:116.1932; Buli. Antivenin Inst. America 4(4) :92. 1931 .
No. 153 (I. L. S.), procedente de Sasainia. Jovem 3 : Spl. 8/7; D.
V. 160; A. 1; Sbc. 42 p..
Dimensões: Comprimento total 135 mm.; cauda 20 mm..
Colorido: Pardo em cima, mais claro no flanco, com indicio de estn
1-0
lateral ; ventre claro, com manchas pardas medianas ; cabeça escura com 111311
clara temporo-labial.
cl ' 3
Atractus puiictiventris Amaral, 1932
A. punctiventris : Amaral — Mem. Inst. Butantan 7:117.1932.
No. 151 (I. L. S.), procedente de Sonsón. Adulto 3 : Spl. 7/7; D. 1^
157; A. 1; Sbc. 28 p. ; infralabiaes e guiares com tubérculos.
Dimensões : Comprimento total 430 mm. ; cauda 55 mm..
. V-
Colorido : Dorso pardo chocolate, com manchas claras longitudinaes, no
vallo de manchas escuras ; ventre anegrado, com pintas claras, sobretudo nos
inter-
lado 5 '
cm
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Amaral — Ophidios da Colombia
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Pseudoboa cloelia (Daudin, 1803)
P. clocliti: Amaral — ■ Mem. Inst. Butantan 4:205.1929(1930) et 7:120.
1932; Buli. Antivenin Inst. America 7(4) :93. 1931.
No. 37 (C. D.), procedente de Rio Negro. Adulto 9 : Spl. 7/7; D. 17;
V. 215; A. 1; Sbc. 63 p..
Dimensões : Comprimento total 725 mm. ; cauda 125 mm.,
Colorido : Plúmbeo no dorso até o lado das ventraes e das subcaudaes ; ventre
c laro ao longo do centro.
Tantilla scmicincta (Dm. & Bibr., 1854)
T. semicincta : Amaral — Mem. Inst. Butantan 4:222.1929(1930). Buli.
Antivenin Inst. America 4(4) :93. 1931.
Representada na collecção por 3 exemplares:
No. 144 (I. L. S.), procedente de Barranquilla. Adulto $ : Spl. 7/7; D.
15 ; V. 169; A. 2; Sbc. 63 p. ; postoculares 2/2.
Dimensões: Comprimento total 515 mm.; cauda 125 mm..
Colorido: Dorso negro, com 16/18 manchas brancas de cada lado até o ventre
e com 1 faixa transversa branca na nuca, 3 sobre o dorso, 1 ao nivel do anus e 3
s °bre a cauda; faixa branca nuchal interrompida no centro; focinho branco, ros-
Ral manchada de negro inferiormente.
No. 148 (I. L. S.), procedente de Cúcuta. Adulto á : Spl. 7/7; D. 15;
V - 166; A. 2; Sbc. 67 p..
Dimensões: Comprimento total 255 mm.; cauda 60 mm..
Colorido: Dorso branco, com 2 faixas negras longitudinaes até a altura
'1° anus; cabeça escura; focinho mais claro, rostral escura inferiormente; labiaes
escuras, com u lancha /clara preocular nitida e postocular apagada ; manchas
r ancas, bem nitidas.
No. 154 (1. L S.), procedente de Cúcuta. Adulto 9 : Spl. 7/7; D. 15;
169; A. 2; Sl)c. 49 p. + n. ; frontal longa; postoculares 1/1.
Dimensões: Comprimento total 245 mm. + n. ; cauda 15 mm. + n..
Colorido: Dorso branco, com 1 serie de manchas negras redondo-alongadas,
'^ e cada lado, quasi fundidas entre si, de sorte a simularem 1 faixa longitudinal,
^parada da do lado opposto pela côr branca do fundo sob a forma de faixa e
"herrompida no 1/6 anterior onde se fundem as manchas negras lateracs; dorso
A' 1 cauda negro, com manchas transversaes brancas ; cabeça escura, mais clara
110 focinho e entre a frontal e a supraocular; rostral escura inferiormente; nuca
b
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Memórias ilo Instituto Butantan
Tomo XI
com 1 faixa clara de cada lado, quasi ligada á opposta; lábios escuros, com uma
mancha clara preocular e outra postocular.
Esta enorme variação do colorido em exemplares de uma mesma especie
e procedentes de idêntica região, mostra a que influencias teriam ficado sujeitos,
no decorrer de sua evolução, ophidios de hábitos subterrâneos como os do
genero Tantilla.
Fam. E L A FM D A E
Micrurus nnnelattis (Peters, 1871)
M. annelatus : Amaral — Mem. Inst. Butantan 4:228.1929(1930): Buli
Antivenin Inst. America 4(4) :94. 1931.
No. 152 (I. L. S.), procedente de Girardot. Adulto á : Spl. 7/7; D. ^
V. 199; A. 2; Sbc. 50 p. ; 4 infralabiaes contíguas ás mentaes anteriores.
Dimensões: Comprimento total 620 mm.; cauda 105 mm..
Colorido: Dorso negro, com 39 aneis brancos equidistantes anteriornient e
até perto da cauda, onde se approximam de 2 a 2 ; cabeça negra, com anel branco
cruzando por trás dos parietaes.
Micrurus mipartitus (Dm. & Bibr., 1854)
M. mipartitus: Amaral — Mem. Inst. Butantan 4 :231 . 1929(1930) et 7:1-'
1932; Buli. Antivenin Inst. America 4(4) :94. 1931.
No. 42 (C. D.), procedente de La Estrella. Immaturo 9 : Spl. 6/4 (3a. 3
e 5a. fundidas á esquerda) ; D. 15; V. 300; A. 2; Sbc. 26 p..
Dimensões: Comprimento total 260 mm.; cauda 10 mm..
Colorido: Dorso negro, com 47 aneis brancos sobre o corpo e 2 sot> rf
a cauda.
Micrurus spixii Wagler, 1824
M. spixii: Amaral — Mem. Inst. Butantan 4:232.1929(1930).
Esta especie, que não havia ainda sido registada na Colombia, é representa 1
na collecçâo por um exemplar:
V.
No. 145 (I. L. S.), procedente de Cúcuta. Jovem 9 : Spl. 6/7; D. I a ’
200; A. 2; Sbc. 24 p. ; temporaes 2 + 2.
Dimensões: Comprimento total 210 mm.; cauda 15 mm..
Colorido: Dorso branco-roseo, com 10 triadas de aneis pretos sobre
corpo e 1 sobre a cauda, cuja ponta é preta; focinho negro até a altura
região ocular.
da
da
cm
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Amaral — Ophidios da Colombia
239
Fam. CROTALIDAE
Bothrops atrox (L., 1758)
B. atrox: Amaral — Mem. Inst. Butautan 4:234.1929(1930); 7:123.1932
e ‘ 9:216.1935; Buli. Antivenm Inst. America 4(4) :94. 1931.
No. 156 (I. L. S), procedente de Pueblo Rico. Adulto $ : Spl. 8/8; D. 25;
'• 171; Sbc. 53 p. ; carina das escamas dorsaes bem alta e curta, conforme
^signalei anteriormente (5).
Dimensões: Comprimento total 1420 mm.; cauda 170 mm..
Colorido: Roseo pardo, com manchas escuras tarjadas de claro em forma
A de cada lado, ás vezes fundidas com as oppostas de sorte a constituírem
^ transversaes, donde o nome vulgar de “Echis”, que recebe a especie na
Colombia.
RECTIFICAÇAO
Devido á minha ausência na Europa, não pude acompanhar a revisão das
pr ov as dos “Estudos sobre Ophidios Neotropicos” XXXII e XXXIII, que, em
^35, publiquei no vol. IX destas Memórias. No texto desses trabalhos appare-
Cer atn algumas transposições de linha cuja rectificação aproveito a opportu-
,1,r Iade para fazer:
la., á pagina 213, a 4a. linha do texto relativo a Atmctus latifrons (Günther)
'' e ve passar para a 3." linha do texto relativo a Atractus niceforoi Amaral. Essa
!' n ha está assim redigida: “na collecção do Instituto Butantan: Spl. 7; D. 15;
V - 146; A. 1; Sbc. 22p.”;
2a., a indicação bibliographica de Atractus loveridgci Amaral deve ser ] ter-
çada com a relativa a Atractus niceforoi Amaral.
3a., a pagina de gravuras das “Novas Especies de Ophidios da Colombia"
4 Presenta como Fig. 5 o desenho dorsal de Leptocalamus limitaneus, o qual deve
lcar como Fig. 2; de seu lado, a Fig. 2 representa o desenho em semi-perfil de
^ P°stolcpis niceforoi, o qual deve ficar como Fig. 5.
ABSTRACT
In a lot of serpents lately received from Colombia representatives of two
^ >es wcre found which liave never lx'en registered in that country, namely:
el> ninthopliis canellci Mocquard, 1903 and Micrurus spixii Wagler, 1824.
s Pec
lll ' í an r An
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590.1
Regras internacionaes de nomenclatura zoologica
TRADUCÇÃO PARA O PORTUGUÊS
2 a EDIÇÃO
POR
AFRANIO do AMARAL
PREFACIO DA 2. a EDIÇÃO
A procura que teve a 1* edição da traducção portuguesa, por mim publica-
^ a új Memórias do Instituto Butantan 5:235-264.1930, das Regras Internacionaes
Nomenclatura Zoologica, veiu mostrar a falta que uma iniciativa dessa ordem
es biva a fazer aos círculos biologicos do Brasil e de Portugal.
Anima-me a publicar esta 2, a edição a circunstancia de haverem sido emit-
idas, por parte da Commissão Internacional de Nomenclatura Zoologica, 19
ll0v as opiniões que tomaram os Nos. 115 a 133, sobre questões que, de 1931 em
^' a nte, foram por ella esclarecidas e cuja divulgação em nosso idioma se tornou
^Periosa.
São Paulo, dezembro de 1937.
JUSTIFICAÇÃO DA 1.» EDIÇÃO
Ha muitos annos se vem fazendo sentir nos meios scientificos do Brasil e
'' c Portugal a necessidade duma edição portuguesa das Regras Internacionaes
Nomenclatura Zoologica, obrigados como se vêem os technicos dos dois países
a ° manuseio constante de edições em linguas estrangeiras, com cujas particula-
bdades nem sempre têm elles a ventura de estar familiarizados. A crescente
C ° n tribuição, oriunda de Portugal c especialmente do Brasil, ao progresso da
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242
Memórias do Instituto Uutantan
Tomo XI
zoologia em geral c da zoologia medica em particular, justifica por sem duvida
o esforço que resolvi fazer ao traduzir aqucllas Regras para a nossa lingua.
Na verdade, deste assumpto já me venho oceupando ha alguns annos. Assim
é que, em 1925 e 1926, publiquei, na Revista do Museu Paulista, varias notas
sobre Questões de Nomenclatura Ophiologica, para justificar a passagem, p al ‘ a
a synonymia, de algumas especies de ophidios consideradas até então como va-
lidas. Também em 1925 o Harvard Institute for Tropical Biology and Medicine
reuniu no volume II de suas "Contributions” uma serie de artigos meus, em
alguns dos quaes tratava eu de repôr em seus devidos termos outras questões
attinentes á nomenclatura de ophidios neotropicos.
Ao ter conhecimento desses trabalhos que estavam a revelar um provável
interesse por este assumpto em nosso meio, o secretario da Commissão Interna-
cional de Nomenclatura Zoologica e membro do Instituto Nacional de Saude
Washington, Prof. Charles W. Stiles, me convidou, em fins de 1927, a traduzi 1
para o português o importante Codigo, que tão precioso auxilio tem prestado 3
quantos trabalham em systematica zoologica.
Parece-me desnecessário encarecer a necessidade da introducção de um Co-
digo dessa natureza em nossa lingua, porquanto ao nosso meio é perfeitanien lL
applicavel a opinião, expressa por aquella Commissão, de que se pode com seg 11 '
rança asseverar que relativamente poucos zoologos, ao começarem a sua carreR 3
profissional, fazem uma idéa, perfunctoria que seja, das questões de nomend 3 '
tura, devido especialmente a que não se exige ainda, em nossos Collegios ° u
Faculdades, qualquer conhecimento de grammatica zoologica por parte daquelC"
que se candidatam a um diploma scicntifico. Por isso mesmo, é de esperar q 11 '
a presente edição receba benevolo acolhimento da parte dos zoologos brasileR 0 "’
e portugueses, cujas suggestões serão tomadas no devido apreço para a prog reS
siva melhora do trabalho em futuras tiragens.
São Paulo, setembro de 1930
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Amaral — Regras de nomenclatura zoologica
24 :!
REGRAS E RECOMMEND AÇÕES
CONSIDERAÇÕES GERAES
Artigo 1 - A nomenclatura zoologica é independente da nomenclatura bo-
tânica no sentido de que o nome de um animal não se rejeita simplesmente por
s ^r idêntico ao nome de uma planta. Si, todavia, um organismo é transferido
do reino vegetal para o animal, seus nomes botânicos devem ser acceitos em no
mendatura zoologica com seu valor botânico original ; e si um organismo é trans-
ferido do reino animal para o vegetal, seus nomes retêm o valor zoologico.
Recommendação — Faz-se bem em evitar a introducção em zoologia de nomes gene-
r ‘cos já em uso em botanica.
Artigo 2 - A designação scientifica de animaes é uninominal para subge-
beros e todos os grupos mais altos, binominal para especies e trinominal para
subespecies.
Vide Opiniões Nos. 19, 20, 24, 35, 43, 46, 50, 54.
Artigo 3 - Como nomes scientificos de animaes se devem usar palavras
f 10e sejam latinas ou latinizadas, ou então consideradas e tratadas como taes,
n o caso de não serem de origem classica.
NOMES DE FAMÍLIAS E SUBFAMILIAS
Artigo 4-0 nome de uma familia se forma pela addição da terminação
l dac e o de uma subfamilia, pela addição de inac, á raiz do nome de seu genero
t.Vpo.
Artigo 5-0 nome de uma familia ou subfamilia deve ser mudado quando
Se troca o nome de seu genero typo.
NOMES GENERICOS E SUBGENERICOS
Artigo 6 - Os nomes genéricos e subgenericos estão sujeitos ás mesmas
^ e gras € recommendações e, do ponto de vista da nomenclatura, são coordenados,
lst ° é, possuem o mesmo valor.
Vide Opinião No. 72.
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Artigo 7 - Um nome generico torna-se subgencrico, quando o genero cor-
respondente passa a subgenero, e vice-versa.
Artigo 8 - Um nome generico deve consistir de uma só palavra, simpl eS
ou composta, escripta com letra maiuscula inicial c empregada como substantivo
no nominativo singular. Exemplos: Canis, Perca, Ceratodus, Iíymcnolep^.
Rccommendação — Certos grupos biologicos, propostos distinctamente como grup 35
collectivos e não como unidades systcmaticas, podem ser tratados por convcaiiencia co®°
si fossem generos, mas sem requererem especie typo. Exemplos ; Agamndistcnnum, A» 1 '
phistomulum. Agamofilaria, Agamomcrmis, Sparganwn.
Vide Opinião No. 44.
Recommcndaçõcs — As seguintes palavras podem ser usadas como nomes gcneric° s
a) Substantivos gregos, com os quaes se devem seguir as regras de transcripÇ*
latina [transliteração (vide Appendicc F)]. Exemplos: Ancylus, Amphibola, Aply sU> ’
Pompholyx, Physa, Cylichna.
b) Vocábulos gregos compostos, nos quaes o attributivo deve preceder a palav^ 3
principal. Exemplos: Stcnogyra, Pleurobranchus, Tylodina, Cyclcstomum, Sarcocys ,lS ’
Pclodytcs, Hydrophilus, Rhisobius.
Isto. todavia, não exelue vocábulos formados á maneira de Hippopotamus, isto
vocábulos em que o attributivo sugue a palavra principal. Exemplos: Philydrus, Diorh >- a '
c) Substantivos latinos. Exemplos; Ancilla, Aurícula, Dolium, Harpa, Oliva, ó-d
jectivos {Pr a sina) e participios passados ( Productus ) não são recommendados.
d) Vocábulos latinos compostos. Exemplos: Stiliger, Dolabrifcr, Sctnifusus.
e) Derivados gregos ou latinos que exprimam diminuição, comparação, semelbaní 3,
ou posse. Exemplos : Dolium, Doliolum; Strongylus, Eustrongylus; Limax, Linutcd^'
Limada, Limadna, Liimdtcs, Limacula; Lingula, Lingulella, Lingulepis, Lingulina, •^' |l
gulops, Lingulopsis; Ncomcnia, Proneomcnia; Buleo, Archibutco; Gordius, Parag° r " í
Polygordins.
í) Nomes mythologicos ou heroicos. Exemplos: Osiris, Vénus, Brisinga, VelR^’
Crimora. Si não forem latinos, tacs nomes devem receber uma terminação latina (At9 l
rus, Gündulia) .
g) Nomes proprios usados pelos antigos. Exemplos; Cleópatra, Belisarius,
h) Patrouymicos modernos, aos quaes se junta uma terminação que denote dcdicat prl3
a. Nomes que acabam por uma consoante, recebem a tcrmnação iux, i a > 0
ium. Exemplos: Sclysius, Lamarckia, Kõllikcria, Miillcria, Stalia, Krpyefia, lbaãc-ut
(i o ^
(j. Nomes que acabam pelas vogaes c, i, o, u, ou y, recebem a terminação <>s, 0
um. Exemplos: Blainvillca, Wyvillea, Cavolinia, Fatioa, Bernaya, Qunya, Schulsca.
Y . Nomes que acabam por a, recebem a terminação ia. Exemplo; Dcmaia.
ç . Em nomes genéricos formados de patronymicos, omit tem-se as partícula 8 ^ ^
não estejam ligadas com o nome, mas retêm-se os artigos. Exemplos: Blainvillca,
denia, Chiajea, Lacepedca, Dumcrilia.
4
Amaral — Regras de nomenclatura zoologica
245
s . Com patronymicos que consistam de dois vocábulos, apenas um destes se usa
formação de um nome genérico. Exemplos : Sclysius, Targionia, Edxvardsia, Dathiersia.
Z ■ O uso de substantivos proprios na formação de nomes genéricos compostos
e objcctavel. Exemplos: Bugrimmia, Buchiceras, Hcromorpha, Mõbiusispongia.
i) Nomes de navios que se devem considerar como mythologicos (V cga) ou como
Patronymicos modernos. Exemplos; Blakea, I Iirondellca, Challcngcria.
j) Nomes barbaros, isto é, de origem não classica. Exemplos: Vtmikoro, Chilosa.
acs palavras podem receber uma terminação latina. Exemplos; Yctus, Fossarus.
k) Palavras formadas por combinação arbitraria de letras. Exemplos: Neda, Clan-
Cu, us, Salifa, Torix.
l) Nomes formados por anagramma. Exemplos; Dacelo, Verlusia, Linospa.
Artigo 9 - Si um genero é dividido em subgeneros, o nome do subgenero
vPico deve ser o mesmo que o do genero (vide Art. 25).
Artigo 10 - Quando se desejar citar o nome de um subgenero, colloca-se
Csse nome entre parentheses depois do generico e antes do especifico. Exem-
fos : Vanessa ( Pyrameis ) cardui.
NOMES ESPECÍFICOS E SUBESPECIFICOS
Artigo II - Os nomes específicos e subespecificos estão sujeitos ás mes-
regras e recommendações e, do ponto de vista da nomenclatura, são coor-
'kftados, isto é, possuem o mesmo valor.
Artigo 12 - Um nome especifico torna-se subespecifico, quando a especie
c ° r respondente passa a subespecie, e vice versa.
Artigo 13 - Embora substantivos específicos derivados de nomes de pes-
s ° a s se possam escrever com letra maiuscula inicial, todos os demais nomes es-
P ec ificos devem ser escriptos com minuscula inicial. Exemplos: Rhizostoma
Kvicri ou Rh. Cuvieri, Francolinus Lucani ou F. lucani, Hypoderma Diana ou
• diana, Laophontc Mohammed ou L. mohammed, CEstnis ovis, Corvus corax.
Artigo 14 - São nomes específicos:
a) Adjectivos que grammaticalmcnte devem concordar com o nome gene-
r ' c °' Exemplo: Felis marmorata.
b) Substantivos no nominativo em apposição ao nome generico. Exetn-
: Felis leo.
I' c) Substantivos no genitivo. Exemplos : rosac, sturionis, antillarum, gal-
,cte > sancti-pauli, santac-hclcnac.
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Si o nome é escolhido como dedicatória a uma ou mais pessoas, forma-se n
genitivo de accordo com as regras de declinação latina, desde que o nome tenha
sido empregado e declinado em latim. Exemplos: Plimi, Aristotclis, Victof v,
Antonii, Elisabcthac, Pctri (nome dado).
Si o nome é um patronymico moderno, forma-se sempre o genitivo P***
addição, ao nome exacto e completo, de » si a pessoa for homem, ou de ae 51 a
pessoa for mulher, mesmo que o nome tenha uma forma latina; colloca-se 0°
plural si a dedicatória comprehende varias pessoas do mesmo nome. Exempl°' •
Cuzieri, Mõbiusi, N une si, Merianae, Sarasinorum, Bosi (não Boz-is), Sa-'' nü ’"
(não Salmonis ).
Recommendofão — O melhor nome especifico é um adjectivo latino, curto, euph°° c ‘
c dt facil pronuncia. Vocábulos gregos, latinizados ou barbaros podem, todavia, ser usado*-
Exemplos: gymnocrphalus, echinoccccus, ziesoc, oguti, hoaclli, urvbitinga.
E' bom evitar-se a introducção dos nomes typieus e t ypus para designar espeoes °' s
subcspccks novas, porquanto taes nomes são sempre capazes de produzir confusão í uta ra -
VUe Opiniões Nos. 8, 50, 64.
Air. iço 15-0 emprego de nomes proprios compostos que indiquem dedi-
catória, ou de vocábulos compostos que indiquem comparação com um obje ctl>
simples não representa exoepção ao Art. 2. Nestes casos, os dois vocábulos £ l uf
compõem o nome especifico são escriptos como uma só palavra com ou
hyphcn. Exemplos: Sanctac-Catharinac ou sanctaccatharinac, Jan-Mayeni 011
janmayeni, cor nu- pastoris ou cornupastorís, cor-anguinum ou corangninum, (€ ^ c
-nulli ou ccdonulli.
Expressões como rudis planusquc não são admissíveis como nonie
especificos.
Vide Opinião No. 50.
Artigo 16 - Nomes geographicos devem ser empregados como substanti' -0 *
no genitivo, ou collocados em forma adjectiva. Exemplos: sancti-pauh, sonc ,al
-hclcnac, cdzoardiensis , diemenensis, mageüanicus, burdigalcnsis. xnndobo ******
Recommena'a(ão — Nctncs geograpbicos usados pelos romanos ou escriptotes Ia****
da idade media devem ser adoptados <fc preferencia a formas mais recentes. Pal J ' ra
como bordeausuicus e viennensis são más; todavia, não devem ser rejeitadas por isso-
0
Artigo 17 - Si se deseja citar o nome subespeciíieo, deve-se escrever
nome immediatamente após o especifico, sem a interposição de qualquer
de pontuação. Exemplo: Rana eseulenta marmorata Hallowell, mas não A
csculnita (mannorata) ou Rana marmorata Hallowell.
Artigo 18 - A notação de hybridos pode-se fazer de varias maneiras; ***]
todos os casos o nome do pai precede o da mãi, com ou sem os sym bolos do sc;t0
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Amarai. — Regras de nomenclatura zoologica
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a) Os nomes dos dois pais são unidos pelo signal de multiplicação (X)-
Exemplo: Capra hircus S X O vis aries 9 e Capra hirctis X Ovis artes são
formas igualmente boas.
b) Podem-se também citar hybridos sob forma de fraeção, ficando o pai
Como numerador e a mãi como denominador. Exemplo .
Capra hirrus
Ovis aries " ^ StC
segundo methodo é preferível, tanto mais quanto permitte a citação da pessoa
que primeiro publicou a forma hybrida como tal. Exemplo:
c) A forma de fraeção também é preferível quando um dos pais é hybrido.
Exemplo: -~ r/r - a — . Todavia, para o ultimo caso sc podem usar
Parenthescs. Exemplo: ( Tetrao Ictrix X Telrao urogsllus) X Gallus gallus.
d) Quando os pais do hybrido não são conhecidos como taes [pais], o hy-
krido recebe provisoriamente o nome especifico como si fosse uma verdadeira
especie e não um hybrido; todavia, o nome gencrico é precedido pelo signal de
Multiplicação. Exemplo: X Coregonus dolosus Fatio.
FORMAÇÃO, DERIVAÇÃO E ORTHOGRAPHIA DE
NOMES ZOOLOGICOS
Artigo 19 - A orthographia original de um nome deve ser conservada, a
Menos que deixe transparecer um erro de transcripção, um la p sus calam i ou um
erro typographico.
Vide Opiniões Nos. 8. 26, 27, 29, 34, 36, 41, 60, 61, 63, 70.
Recommendafão — Na graphia de nomes scientificos é aconselhável o uso de caracte-
r *s diíferentes dos empregados no texto. Exemplo: Rana esculenta [itálicos] Linneu, 1758,
^tve na Europa.
Artigo 20 - Na formação de nomes derivados de linguas em que se usa o
^phabeto latino, deve-se conservar cxactamcntc a graphia original, inclusive
s 'gnaes diacriticos. Exemplos: Selysius, Lamarckia, Kõllikcrio, Müllcria, Slàlia,
^ r 4ycria , Ibanczia, Mõbiusi. Mediei, Czjrvki, spitzbergensis, islandicus, paro-
yuayeitsis, pat agonie us, barbadensis, fãrõensis.
Recommer.dações — Os prefixos sub e pseudo devem ser usados somente com adjecti-
y os e substantivos, sub com vocábulos latinos, pseudo cora vocábulos gregos e não devem
*I>parecer ligados a nomes proprios. Exemplos: subviridis, subchelatus, Pseudaeanthus,
^*eudophis, Pscudomys. Palavras coroo sub-IVilseni e pseudo-graleloupana não são recom-
endadas.
As terminações oides c ides só devem ser empregadas em combinação com substanti-
v °* gregos ou latinos; não o devem cm combinação com nomes proprios.
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Nomes geographkos e patronymicos de paises que não têm orthographia reconhecida
ou que não usam o alphabeto latino, devem ser transcriptos para o latim de accordo cotn
as regras adoptadas pela Sociedade Geographica de Paris (Vide Appendice, letra G).
Na creação de novas designações baseadas em nomes proprios e pessoas, escripto*
algumas vezes com ã, õ ou ü, outras vezes com ae, oe e ue, recommenda-se que o*
auetores adoptem ae. oe e ue. Exemplo : mutUeri de preferencia a mStteri.
NOME DE AUCTOR
Artigo 21-0 auctor de um nome scientiíico é aquella pessoa que primeiro
publica o nome ligado a uma indicação, definição, ou descripção, a menos q ue
esteja claro no texto da publicação que alguma outra pessoa é responsarei P° r
tal nome e sua indicação, definição, ou descripção.
Artigo 22 - Desejando-se citar, o nome do auctor deve seguir o nome seien-
tifico sem interposição de qualquer signal de pontuação ; outras citações que se
desejem (data, sp. emend., sensu stricto, etc.) devem seguir o nome do auctor.
ficando delle separadas por virgula ou parentheses. Exemplos: Priniates Linneu*
1758, ou Primatas Linneu (1758).
Recommenda(ão — Na abreviação do nome do auctor de uma designação sdentibe*-
o escriptor andará bem si seguir a lista de abreviaturas publicada pelo Museu Zoo!ogP £í
de Berlim (1).
Artigo 23 - Quando se transfere uma espede para um genero differente
do original ou se combina o nome especifico com qualquer nome generico dif * c '
rente daquelle com que o primeiro foi publicado originalmente, deve-se reter :l3
notação, mas collocar entre parentheses, o nome do auctor de tal designaÇ 30
especifica. Exemplos: Tacnia lata Linneu, 1758. e Dibothrioccphalus
(Linneu, 1758) ; Fasciola hepatica Linneu, 1758, e Distoma hepatic' ,v>
(Linneu, 1758).
Desejando-se ritar o auctor da nova combinação, escrere-se-lhe o n ° :1>c
depois das parentheses. Exemplo: Limnatis nilotica (Savigny, 1820) Moqu' n '
Tandon. 1826.
Artigo 24 - Quando se divide uma espede, as espedes restrictas 3 *l uC
estava ligado o nome especifico original da espede primitiva, podem receber
uma notação que indique, tanto o nome do auctor original, quanto o do revis pr '
Exemplo: Tacnia solium Linneu, partim, Goeze.
(1) Li«t« der Autor** vooUfi«*h*r Art-uod Cottmagmomea >B«imai*af*«t*llt *»n
fu r Natorkundo in Berlia. B#rlm. 2. Anflaç*. t°, UH.
Zoolof en d»*
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Amaral — Regras de nomenclatura zoologica
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lei de prioridade
Artigo 25-0 nome valido de um genero ou especie só pode ser aquelle
sob que um genero ou especie foi primeiro designado, contanto que:
a) Tal nome tenha sido publicado e acompanhado de uma indicação, ou
definição, ou descripção; e
b) O auctor tenha applicado os principios de nomenclatura binaria.
Vide Opiniões Nos. 1, 2, 4, 5. 9. 10. 12, 13, 15-17, 19-21, 24. 28. 37-40, 46, 49-54,
*-59, 65-67, 73-78, 84, 85. 87, 88, 90.
NOTA DO TRADUCTOR; Dfcvo irisar aqui que a redacção deste ar
tigo 25, sobre a lei de prioridade, foi modificada e ampliada pelo Congresso
Internacional de Zoologia reunido cm Budapest, Hungria, de 4 a 9 de se-
tembro de 1927. Com as modificações introduzidas, conforme rccommcn dação
unanime da Commissão Internacional de Nomenclatura Zoologica, este artigo
25 ficou assim redigido:
Artigo 25 — O nome valido de um genero ou especie só pode ser aquelle
sob que um genero ou especie foi primeiro designado, contanto que :
a) tal nome (antes de 1.® de janeiro de 1931) tenha sido publicado e
acompanhado de uma indicação, ou definição, ou descripção: e
b) o auctor tenha applicado os principios de nomenclatura binaria.
c) Tcdavia, qualquer nome generico ou especifico publicado após 31 de
dezembro de 1930 só terá caracter de aprevcitabilidade (e. portanto, também
de validez) á luz das Regras, si for, c somente depois que for, publicado,
(1) com um resumo de caracteres (ou diagnose: ou definição; ou des-
cripção condensada) que differcncie ou distinga o genero ou a especie. de outro
genero ou especie;
(2) ou com uma clara citação bibliographica de tal resumo de caracte-
res (ou diagnose; ou definição; ou descripção condensada). Ainda mais.
(3) tratando-se de um nome generico. com a designação definida c
clara da especie typo (ou genotypo; ou autogcnotypo ; ou orthotypo).
Outrosim. a alludida Ccmmissão adaptou ainda a seguinte resolução:
a) pede-se a qualquer auctor que, ao publicar um nome como novo. de-
clare positivamente que elle é novo, que faça esta declaração apenas em uma
publicação (isto é, na primeira), ç que não junte a data ao nome no momento
de sua primeira publicação.
b) pede-sc a qualquer auctor que, ao citar um nome generico, especifico,
ou subespecifico, indique pelo menos uma vez o do auctor c o anno da pu-
blicação do nome citado, ou uma indicação biblicgraphica completa.
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
A P PLICA Ç AO DA LEI DE PRIORIDADE
Artigo 26 - A decima edição do Systtma Naturac de Linneu (1758) e °
trabalho que iniciou a applicação geral consistente da nomenclatura binaria
biologia. Portanto, a data 1758 é acceita como ponto de partida da nomencla-
tura zoologica e da Lei de Prioridade.
Vide Opiniões Nos. 3, 12, 13, 15, 16, 51, 52.
maií
Artigo 27 - A Lei de Prioridade prevalece e por consequência
antigo nome aproveitável se retém:
a) quando se designa qualquer parte de um animal antes do propn®
anima! ;
b) quando se designa qualquer phase evolutiva antes do adulto;
c) quando os dois sexos de um animal se têm considerado como espe^®
distinctas ou mesmo como pertencentes a generos differentes;
d) quando um animal representa uma successão regular de gerações <ü* se '
melhantes que se têm considerado como pertencentes a espccies distinctas oU
mesmo a generos differentes.
Vide Opiniões Xos. 44, 48.
Artigo 28 - Um gencro formado pela fusão de dois ou mais generos 0,1
subgeneros recebe o nome valido mais velho, genérico ou subgenerico. de s* 05
componentes. Si os nomes tiverem a mesma data. prevalecerá o escolhido r*
primeiro revisor.
A mesma regra é applicavel quando se unem duas ou mais espccies ou sU ^*
especies para formar uma só espccie ou subespecie.
CS***
Recommendação — Na ausência de qualquer revisão previa, rccomnvnda-se o
belecimento da precedcncia pelo seguinte processo:
a) Um nome generko accmpanliado de especificação de um typo tem precede 1 ***
a um nome sem tal especificação. Si todos os generos tiverem, ou nenhum tiver,
especificados, dá-se preferencia iquelfe nome generico cuja diagnose for a mais aproP fiao ^
•
b) Um nome especifico acompanhado de descripção e gravura tem preferencia a
acompanhado só de diagnose, ou só de gravura.
'meif®
c) Em igualdade de condições, deve-se preferir aquellc nome que apparecc
na publicação (precedcncia de pagina).
Vide Opinião No. 40.
Artigo 29 - Si se divide um gencro em dois ou mais generos restricto^
nome valido deve ser retido para um dos generos restrictos. Si um typo
10
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Amaral — Regras de nomenclatura zoologica
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sido estabelecido originalmente para tal genero, retém-se o nome generico para
o genero restricto que contenha esse typo.
Recommendofão — Para facilitar a citação, recommen da-se que, quando se tomar uma
Wpecie mais antiga como typo de um genero novo, se combine realimmte o nome deila com
o novo nome generico que se citará também com o nome antigo do genero. Exemplo :
CilbrrteUa Eigenmann, 1903, Smithswiion Misc. Oll., v. 4.', p 147, typos Gilberlclh alata
(Steindachner) = Anaeyrtus alatut Stcináachner.
Vide Opinião Xo. 10.
Artigo 30 - A designação da especie typo de generos deve obedecer ás
seguintes regras ( a-g), applicaveis na seguinte ordem de precedencia:
Vide Opiniões Nos. 11. 14. 18, 23. 31-33, 42, 43. 43, 62, 68, 69, 71, 79, 81. 86
I. Casos em que o typo generico é acceito apenas por motivo da publicação
°riginal :
a) Quando, na publicação original de um genero, uma das especics é posi-
tivamente designada como typo. essa especie será acccita como typo. a despeito
'k quaesquer outras considerações (Typo por designação original). (Vide
Opinião No. 7).
b) Si, na pubicaçâo original de um genero. o termo typicus ou typus for
11 sado como um novo nome especifico para uma das especics, este será tomado
c °*no “typo por designação original”.
c) Um genero proposto com uma só especie original toma essa especie
c °nto typo ( Generos monotypicos). (Vide Opiniões 6, 9, 22, 30, 42, 47).
d) Si um genero. sem typo originalmente designado (como cm a) ou indi-
co (como em b), contém entre suas especies originaes uma que possua com
0 caracter especifico ou subespecifico o nome generico, seja clle valido ou syno-
n >tnico, tal especie ou subespecie se torna ipso facto typo do genero (Typo por
^ntonymia absoluta). (Vide Opiniões Nos. 16, 33. 35).
II. Casos em que o typo generico não é acceito apenas por motivo da
I^blicação original.
e) Excluem-se de consideração as seguintes especics na determinação de
*7Pos de generos (Vide Opiniões Nos. 14, 32, 35, 56) :
% . Especies que não estavam incluídas sob o nome generico por occasiâo
publicação original.
{j. Especies que eram especies inquirendae no ponto de vista do auctor
nome generico, por occasiâo da publicação.
Y- Especies que o auctor ligou cm duvida ao proprio genero por elle
^do.
11
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
f) Caso um nome generico sem typo originalmente designado seja pro-
posto como substituto para outro nome generico, com ou sem typo, o typo de
qualquer dos dois, uma vez estabelecido, torna-se ipso facto typo do outro.
Opiniões Xo s. 9, 46) .
g) Si um auctor, ao publicar um genero com mais de uma especie valida-
deixa de designar (como em a), ou de indicar (como em b e d) o typo, este
pode ser escolhido por qualquer auctor subsequente e tal designação não esta
sujeita a mudança (Typo por designação subsequente). (Vide Opiniões Nos. 6.
O sentido da expressão “escolher o typo” deve ser tomado ao pé da letra-
selecção de um typo.
III. Recommcnda(ões — Xa escolha de typos por designação subsequente, os auro-
res farão bem cm yoguir as seguintes recommendações :
facilmente obtenivel ou áquella de que se pode obter um exemplar typo.
o) Dar preferencia a uma especie pertencente a um grupo que contenha um nl
tão grande quanto possível de especies (Regra de De Candolle).
p) Em generos parasitarios escolher, si possível, uma especie que occorra no b
ou algum animal usado como alimento, cu em alguma especie hospedeira muito c
c espalhada.
9. 10, 32, 56).
Menção de uma especie como illustração ou exemplo de um genero, não constit’-'-
h) Em caso de generos linneanos. escolher como typo a espede mais coram» 00 *
medicinal (Regra linneana, 1751).
j) Si o genero contém especies excticas c não exóticas no ponto de vista do a0< *
original, a escolha do typo deve recahir em especie não exótica.
k) Si algumas das especies originaes tiverem sido classificadas em outros g CI * r
deve-se dar preferencia ás especies que houverem permanecido no genero original (Tf?
por eliminação).
n) Dar preferenda á espede mais bem descripta, figurada, ou conberida. ou
12
Amaral — Regras de nomenclatura zoologica
253
q) Em igualdade de condições, preferir uma cspccie qi*.- o auctor dc genero tenha
tea lmente estudado quando, ou antes que, propôs o genero.
r) Tratando-se de escriptores que costumam collocar como cabeça (“chcf de file”)
uma certa espede principal ou typica e descrever as demais por meio de citação compa-
rativa com ella, a escolha do typo deve recahir na alhidida espede.
s) Tratando-se de auctores que adoptavam a “regra da primeira especie” como cri-
tério para a fixação dos typos genéricos, as primeiras espedes por ellcs designadas devem
ter tomadas como typos dos respectivos generos
t) Em igualdade de condiçcA-s. deve prevalecer a precedenria dc pagina na escolha
do typo.
Artigo 31 - A divisão de uma especie em duas ou mais cspecies restrictas
*std sujeita ás mesmas regras que a divisão de um genero. Mas um nome espe-
cifico que indubitavelmente se baseie em um erro de identificação, não pode ser
retido para a especie mal determinada mesmo que ella seja mais tarde collocada
cm genero differente. Exemplo: Tacnia pectinata Gocze, 1782= Cittolacnia
Pectinata (Goeze), porém a especie erroneamente determinada por Zeder, 1S00,
como "Tacnia pectinata Goeze” = Andrya rhopaloccphala (Richm) ; a especie
de Zeder não recebe o nome de Andrya pectinata (Zeder).
Vide Opinião No. 13.
REJEIÇÃO DE NOMES
Artigo 32 - Um nome genérico ou especifico, uma vez publicado, não pode
*cr rejeitado por motivo de falta de propriedade, nem mesmo por seu auctor.
Exemplos: Nomes como Polyodon, Apus, albus, etc., uma vez publicados, não
devem ser rejeitados pela al legação dc que indicam caracteres contradictorios
a °s apresentados pelos animaes assim denominados.
Artigo 33 - Um nome não deve ser rejeitado por causa de tautonymia, isto
e . por serem idênticos ao nome gencrico o nome especifico ou o subcspedfico.
Exemplos: Trutta trutta, Apus apus apus.
Artigo 34 - Um nome generico deve ser rejeitado como homonymo quando
•touver sido previamente usado para algum outro genero **) de animaes. Exemplo:
(1) Além da nrfafl • wU» tirÍM *rupa«. •« la f il n ••• «I» frand*
***dada para •• aartam. parlar *1 uaa dada Mm# nl«ranira. |n#tM #a laprífrarfica. »•(< arm-
>Wa anta. voa caatalK ante* da cr#aç •• d# mi*« —ar» ftiuri aaiU • latara nodaa#a d»
, — c. D. Samoa*. atiailian *»dai Maia m qua# «b A. D 17*1. |ta»fíU« «I tp#o#bi« a a im altura
^*a«rta »aal. ValaliWii rrwiilMm adiatialiU» a Carla Davu «Itrriam enafeata*. Vri» 1 a kaleedr* janua-
ira, .i t,~m 4mmW ú. imo. m:. r>.
A «Wtiaufi* akn 1M1-MS* »•!« appanaaAa «m p»mi.
2* 5. II. f Cl— M- NmrwUtor aaa l af tota. Luta alpkaUlka d# tada* •• fcaarka* qua tem iada
Ij^ada* par nataralúta* para «atacara racaalc* a fa*aa d e ad# a« Umpa* aai* rraaalM alá • fua da acusa d#
tm 2 paru*: I. L»*ta i«ppka«Ur. II. lalti uaiivrial. Taikii|laa, 1U2, I*.
^ C. O. Yimaotu. lairi iaaW»«* I-*«U alpkaUtara da faarra* * *ab«carra* prapa«ta« para a*a cm
''■'i « • citada* M Zaal«xteal Rccacd. IIM-IHIO a lW.lfll, juoliarnu ra*a aalra* aaa#« naa incluída* M >a-
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Trichina Owen, 1835. nematoide, é rejeitado como homonymo de Trich » *>
Meigen, 1830. insecto.
Vide Opiniões Xo*. 12, 29, 83.
CODIGO DE ETHICA
Sem se arrogar o arbitro de pontos de ethica geral, a Commissão está persuadida
que ha uma face deste assumpto sobre que tila é competente para falar, e, assim, a
peito suggere ao Congresso a adopção da seguinte resolução:
Considerando que — a expericncia tem demonstrado que auctores não raramente P“‘
blicam por inadvertência, como novas designações de generos ou especies, nomes que e*tí ü
preoccupados. c
Considerando que — a expericncia tem demonstrado que ouros auctores, ao descobn*
rem tal homonymia, têm publicado novos nomes para substituir aqueües homonymos,
Fica resok-ido que — quando algum zoologo notar que o nome generico ou especin c °
publicado por qualqtjer auctor vivo como novo c realracnte tun homonymo e, pois, in>4*®’
veitavel á luz dos artigos 34 e 36 das Regras de Nomenclatura, sua acção no caso der*
ser, do ponto de vista da ethica profissional, notificar ao alludido auctor os factos encc°'
trados e dar-lhe ensejo amplo de propor um nome em substituição.
Artigo 35 - Um nome especifico deve ser rejeitado como homonyn* 1
quando tiver sido previamente usado para alguma outra espccie ou subespe 00
do mesmo genero. Exemplo: Taenia ovilla Rivolta, 1878 (sp. n.) é rejeita^
como homonymo de T. avilta Gmclin, 1790.
Quando, por consequência da união de dois generos, dois animaes difl e
rentes, que possuam o mesmo nome especifico ou subespecifico, são incluír-
em um genero. o nome especifico ou subespecifico mais recente deve ser rej c:
tado como homonymo.
Nomes cspecificos da mesma origem e siginificação serão considerados
monymos si se distinguirem entre si apenas pelas seguintes difíerenças:
a) Uso de ac, oe e c, como caendeus, coeruleus, ceruleus; ci. i e 001,1
chiropus. cheiropus: c e k como viicrodan, mikrodon.
b) Aspiração ou não aspiração de uma consoante, como oxyryncus, 0
rhynchus.
— '
meoeUlor 7ooloo irtti d. S. H. Cooip.I*4o ••• por Ck.rl». O... V.IrrHoo-. • «**»*• P«» D *’
l.ndr.., 1»S . ms. «*. •*
— Tb. 7o.lo« ir.l Rr»or4. XXXVIII (w «.). Coo li» <*■«•« 4. liuroton "lotir. -
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— RniiUf rum imUcíkW An*«n. P»»kí>e««U pnr J. V. Crnu. Awri l-lt(lITt-lMT) . 11-1'*
u-:o( im-itt?), :i :3(ir>«-iw2). Lipri*. w. iro, iw. iw. r». ^ ^
_ >'«m#ncUt*r inmilnm istrrum ri «a Wr nr rum. Eili ir*ri (ItlA rf *r»d» publicr«U V * T
Pr«uMM«h« Akr<JemU der WistrmcKafira ns Brrlui.
14
!: *í ori,
Amaral — Regras de nomenclatura zoologica 253
c) Presença ou ausência de um c antes de t, como autumnaiis, auctumnalis.
d) Consoante simples ou geminada: liloralis, littoralis.
e) Terminações ensis e icnsis em nomes geographicos, como timorensis.
ensis.
Artigo 36 - Homonymos rejeitados não podem ser usados. Synonymos
Ajeitados podem ser usados de novo no caso de restauração de grupos erronea-
^te suppressos. Exemplo: Tacnia giardi Moniez, 1879 foi suppresso como
^'Onymo de Tacnia ovilla Rivolta. 1878: mais tarde foi descoberto que Tacnia
***&» estava preoccupado ( Taenia ovilla Gmelin, 1790). Tacnia ovilla, 1878, é
!íI Ppresso como homonymo e não pode ser mais usado: considerado "natimorto”,
pode ser revivido mesmo que a especie seja collocada em outro gcncro (Thy-
^c.osoma) . Tacnia giardi, 1879, que foi suppresso como synonymo. torna-se
^do como resultado da suppressão do homonymo Taenia ovilla Rivolta.
Recommendações — E* conveniente evitar a introducção de novos nomes gencriccs
dif firam de nomes genéricos ji em uso, pela terminação ou por uma pequena variação
cuthographia que possa determinar cenfusão. Todavia, uma vez introduzidos, taes nomes
P ' devem ser rejeitados por essa razão. Exemplos: Picus, Pica; Polyodus, Polyodon.
^Tvdonla. Polyodontas, Potycdontus; Macrodon, Micrcdon.
- A mesma recommcndação applica-se a novos nomes específicos era qualquer gcncro.
^Plos : et calor, nccatrix; furcigcra, furcifera; rhofaloccfhala, rhotaliocefhala.
Si dois ou mais adjectivos são derivados da radical de um nome geographico, não é
^■sel havei usar mais de um dclles como nome especifico no mesmo genero, nus. uma
1 introduzidos, não se devem rejeitar por essa razão Exemplos: hisfanus, hisfanicus;
"‘ceeniij, moluccanus; sine*sis, sinicus, chinensis: ceylonicus, seylanicus.
Esta recommcndação applica-se também a outras palavras derivadas da mesma radical
* dijtinctas entre si apenas pela terminação ou por uma simples mudança na orthographia.
SUSPENSÃO DAS REGRAS EM CERTOS CASOS
Fica resolvido: - Que. por este documento, se confere poder plenário á
/^missão Internacional sobre Nomenclatura Zoologica, para, em nome deste
^gresso, suspender as Regras quando applicadas cm um caso dado qualquer,
'^Je que, cm seu julgamento, da estricta applicação das Regras resulte clara-
maior confusão do que uniformidade, com a condição, todavia, de que,
r lnte pelo menos um anno, se dê noticia cm duas ou mais das seguintes pu-
^Cações: Bulletin de la Societé Zoologiquc de France, Monitore Zoologico,
^bfe. Science (N. Y.) c Zoologischer Anzeiger, de que se está considerando
Possibilidade da suspensão das Regras applicadas a tal caso, tomando-se assim
*J**iveI a zoologos, principalmcnte especialistas no grupo em jogo, apresentarem
Aumentos a favor ou contra a suspensão em estudo: e também com a condição
15
t»^
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256
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
de que a votação na Commissão resulte unanime em favor da suspensão; e fin^'
mente com a condição de que, si da alludida votação resultar uma maioria
dois terços da Commissão completa, mas não unanimidade a favor da suspensa^
a Commissão fique desde logo auctorizada a submetter os factos á consideração
do primeiro Congresso Internacional;
Fica resolvido : - Que, no caso de uma questão ser affecta ao Congt* 5 * 0,
nas condições acima d es criptas, com uma maioria de dois terços da Commi-'^ 0
em favor da suspensão, mas sem um voto unanime, caberá ao Presidente d 3
Secção de Nomenclatura nomear um conselho especial de 3 membros, dos q ua<5
dois pertencentes á Commissão (um que tenha votado de um modo e outro <!'■*
o tenha feito de modo opposto na questão) e o terceiro um ex-membro da Com-
missão que não tenha expresso em publico sua opinião sobre o caso; e que cite
conselho especial deverá rever os factos apresentados e seu relatorio, adoptad 0
por maioria ou por unanimidade, será final e inappellavel no que concerne *°
Congresso ;
Fica resolvido: - Que a auctoridade precitada trate, na primeira occasiã^
e especialmente, de questões de nomes de phases larvarias e da transfere^- 1
de nomes de um genero para outro; e
Fica resolvido: - Que o Congresso não somente approva inteiramente 1
plano que foi iniciado pela Commissão, de tratar com comités cspeciacs a resp^ -
de determinados grupos cm qualquer caso, mas ainda auctoriza e instrue 3 Com
missão a continuar e desenvolver essa orientação.
Vide Opiniões Nos. 76, 80, 82, 89, 90.
APPENDICE
A. — E’ muito desejável que a proposta de cada novo grupo systematico seja
(vnhada de uma diagnose, tanto individual quanto differencial, do grupo, cm inglês,
alemão, italiano, ou latim.
Esta diagnose deve declinar o nome do museu cm que o exemplar typo foi dej»* 15 *^
c dar o r.uroero (catalogo do museu) do referido exemplar.
Recommenda-se que nas descripçõcs publicadas de uma nova cspecie ou subesP 0 - 1 ^
se designe e rotule como typo apenas um exemplar, ficando como poratypys os dem*’
exemplares examinados pelo auctor na mesma occasião.
B. — Em publicações feitas em outras linguas que não o inglês, francês. alemão.
liano. ou latim, é desejável que a explicação das gravuras apparcça traduzida e®
destas linguas.
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Amaral — Regras de nomenclatura zoologica
257
C. — O systema métrico de pesos e medidas e o thcrmomctro centígrado de Celsius
*So adoptados como padrão. O mieron (0,001 mm.), representado pela letra grega p.
t adoptado como unidade de medida em trabalhos de microscopio.
D. — A indicação de augmento ou de reducção, tão necessária á comprchensáo de uma
ilustração, deve ser expressa antes cm algarismos do que pela menção do systema de lentes
asado.
E. — A indicação de augmento ou reducção de um objecto c geralmentc linear Usa-
** o signal de multiplicação para augmento e o de íracção para reducção. Exemplos:
50 indica que o objecto está augmentado 50 vezes. significa que clle está reduzido
^ vezes.
Si se deseja especificar que o augmento c em linha, superfície, ou massa, deve-se
r epresen;ar assim : X 50 l para indicar augmento numa dimensão ; X 50 2 para indicar
*ugmento em area; X 50* para indicar augmento em volume.
F- TrotuIiUrofõo de falaz-ras gregas — A seguinte lista indica a maneira por qur
* devem transliterar palavras gregas :
t
=
e
*1
=
e
final
r,
=
a
»
=
th
t
=
i
X
=
c
{
=
X
P
=
r
9
SSS
y
Ot
=
ac
%•>
=
au
SI
=
i
«V
=
eu
<P
. ot
=
oe
final
ov
=
um
final
=
us
CO
=
u
rr
=
ng
TX
=
nch
7*
=
nc
í
=
rh
i
=
he
(OdXtc;) Hyalcj. c não liyaWa
(r.v^r,yr,) Pirma, e não Pirma
(ns^r.vrj Pirenu, c não Pire nr
(rr.ftóç) Tctltys, c não Tc/ys
(paXic;) Balia, e não Ba Ira
(Isxoxpf.vr,) Hippocrena, c não HipporJirencs
(fivo;) iVvnus, A'enophora
(sespív) Ptv-rum
C/fíi) Hybolithus. e não Hibolites
(Xqivxlc;) Limnara. c não Limnra
(rXa-nti;) Gluucns
(X«n.Oí) Chílostrmum. e não Chrilostoma
(«W Eurus
(clxim) D i orca, Dendrorca, e não Dioica, Dcndroica
(infesto) Ephippóim, c não Ephippion
(ip?aÀ4;) Euomphalnr. c não Euomnhaloí
(Àoorr.picv) Lutcrium. e não Lotcrium
(*77»?*’-*) Anoaria. e não Angaria
(ày,f3TOjio>) Anrãistomum. e não An.oistoma
(Srptvt rpov) Ancistrodon. c não A^histrodon
(#fa) Rke a
(ippaia) //rrmaea. e não Erma ca
G. — Translitcrafão de nomes geografhicos e fr o frios — Os nomes geographicos de
^*5 que empregam caracteres latinos se devem escrever com a orthographia da região
^ due se originam.
Os seguintes paragraphos applicam-se somente aos nomes geographicos de países que
^ tem alphabeto verdadeiro ou usam httras differentes das latinas
Komes de logares. estabelecidos
•**niplos : Argel, Moscou.
por longo uso, conservam sua orthographia usual.
17
238
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
1. As voga cs o, e, i e a pronunciam-se como cm francês, italiano, espanhol [e por-
tuguês], ou alemão. A letra t nunca é muda.
2. O som francês u ê representado por i com dierese, ccmo cm alemão
3. O som francês ou ê representado por u, como em italiano, espanhol (ou portu-
guês], alemão, etc.
4. O som francês tu ê representado por et, pronunciado como ca palavra
francesa otil.
5. O som longo de uma rogai é indicado por um ac cento rircumflexo; o srtn
interrompido é indicado por um apostropho.
6. As consoantes b, d, f, j, k, I, m, n, f, q, r, t, v, e s são pronunciadas como
em francês.
7. As letras per têm sempre o soro duro, como nas rogaes francesas; gamtllt
e tirof.
8. O som representado em francês par ck ê designado por r*. Exemplos: SUrif,
K os hg ar.
9. Kh representa a guttural aspera e gk, a guttural branda dos arabes.
10. Tk representa o soro cora que termina a palavra inglesa ^itA ( >em grego),
Dk represenu o som inicial do vocábulo inglês Ikaat ( ; em grego).
11. Fora de tal emprego (9 e 10) «la letra * modificando a que a precede. * ê
sempre aspirado; o apostropho. por conseguinte, não «e usa jamais antes de uma palavra
que cetnecc por k.
12. A semi vogal representada por y ê pronunciada coroo em yolt.
13. A scroivogal tr ê pronunciada como no vocábulo inglês 11'd/tum.
14. Os sons duplos d/. Ick. U. etc. indicaro-se por letras correspondentes aos sons
que o» compõem. Exemplo: Moitkim.
15. O n i pronunciado gu coroo no francês srigntur [kA em pirtugués],
16. As letras x, e e <7 não se usam, por serem duplicatas de outras letras que re-
presentam os mesmos sons; mas <J pode servir para indicar o arabc gof e a aspirada
branda jvdc ser empregada para representar o arabc ot*.
Dcvc-sc tentar indicar, tão cxactaraente quanto possível, por meio das letras citadas
acima, a pronuncia local, sem procurar dar uma representação completa de todos os sons
que Se ouvem.
1. Significação da pala na “indicação" no Art. 25a. — A palavra "iudieafSo" no
Art. 25a deve ser interpretada como segue:
A. Em relação a ncroes rtftcifitot correspooíe a uma “««JiVafJo” ; (1) uma citação
bibliographka. ou (2) uma gravura publicada (illustração), ou (3) uma citação deíinidt
de um nome anterior para o qual se propõe uma nova designação.
Nota do tsaovcto»: — Algumas «lestas indicações dirigem-se natural-
mente aos povos de lingua inglesa.
RESUMOS DAS OPIXtOES EMITTIDAb
18
Amaral — Reqras de nomenclatura zoologica
250
B. Em relação a nomes genericos : (1) uma citação bibliographica, ou (2) uma cita-
ção definida de um nome anterior para o qual se propõe tuna nova designação, ou (3) a
citaçao ou designação de uma especie typo.
Em caso nenhum se deve considerar a palavra “indicação ” como correspondente a ro-
tulos de museu, exemplares de museu, ou nomes vernáculos.
2. Natureza de um nome systematico. — A Commissão é de opinião unanime
que um nome, no sentido do Codigo, corres pende á designação pela qual são conhecidos os
objectos reaes. Em outras palavras, nós designamos os propcios objectos, e não a nossa
concepção de taes objectos. Nomes baseados em formas hypotheticas, por conseguinte, não
tem significação em nomenclatura e de nenhum modo merecem consideração á luz da Lei
de Prioridade.
Exemplos; Pilhecanthropus Haeckel, 1866, sendo o nome de um genero hypothctico,
não tem significação á luz do Codigc c, portanto, não invalida Pitbecanthmhus Dubois,
1894; Gigantofora minuta Looss, 1907, g. n., sp. n., não tem significação alguma á luz do
Codigo, porquanto é considerado como nome de uma unidade phantastica, baseada em
nenhum objecto real.
3. Situação de publicações datadas de 1758. — A decima edição do “Systema
Xaturae" de Liiweu appareceu muito cedo no anno de 175-8 e, por motivos práticos, pode se
presumir que esta data seja : primeiro de janeiro de 1758. Assim, quaesquer outras publi-
cações zoologicas, datadas de 1758, se podem presumir como tendo apparecklo depois do
dia primeiro de janeiro. No que respeita ã data. todas essas publicações podem, portanto,
ser julgadas merecedoras de consideração debaixo da Lei de Prioridade.
4. Situação de certos nom-s publicados como manuscriptos. — Nomes manus-
criptos têm entrada em nomenclatura quando impressos vm ligação com as disposições do
Art. 25, v a questão de sua validez não é influenciada pelo facto de tacs nomes serem
acceitos cu rejeitados pelo auctor responsável por sua publicação.
5. Situação de certos nomes pre-linneanos reimpressos após 1757. — Um nome
pre-linneano, inelcgivcl por causa dv sua publicação antes de 1758. rão se torna elegível s ; m-
plcsmente por ser citado ou reimpresso, com sua diagnose criginal. depois de 1757. Pa-a
tornarem-se elegiveis sob o Codigo, taes noim-s devem ser refo-çados por adopção ou accei-
tação por parte do auctor que publica a reimpressão. Exemplos: A citação, posterior a
1757, de uma referencia bibliographica soore um trabalho anterior a 1758 não firma nomes
technicos por ventura contidos na alludida referencia: a situação synonymica de nomes pre-
lmncanos, como occorrc na decima edição do «Systema Xaturae» de Lirmcu, não firma taes
nomes sob o Codigo.
6. No caso de um genero A Linneu, 1758, com duas especies Ab e Ac. — Quando
um auctor subsequente divide o genero A, especies Ab e Ac, deixando o genero A apenas
com a especie Ab e o genero C, monotypico, com a especie Cc, esse auctor deve ser con-
siderado como tendo fixado o typo do genero A [Vide Artigo 30a].
7. Sobre a interpretação da expressão "g.n., jp.n.” á luz do Artigo 30a — A ex-
pressão “g.n , sp n " usada na publicação de um novo genero, do qual nenhuma outra especie
é aliás designada como gcnotypo, deve ser acceita como designação, á luz do Artigo 30a.
8. Sobre a retenção te ii ou i em nomes específicos patronymicos sob o Artigo
14c e Artigo 19. — Patronymicos específicos, publicados originalmente com a termi-
nação ii (como Sihrankii, ebbeibomu) devem, de accordo com o Artigo 19, ser conservados
19
cm
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2C0
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
cm sua forma original, a desjvsto do Artigo 14c que estabelece que elles deviam ter sido
formados apenas como um «
9. Applicaçio do nome de um ger.ero composto a um dos seus elementos que ne-
cessite de nome. — Depende de varias circunstancias a decisão sobre si o nome de um
genero composto, quando formado inteiramente de generos mais velhos, c applicavel a
um dos seus elementos componentes que necessite de cm nome. Ha circunstancias sob
que tal nome pode ser usado, outras sob que não o pode ser (Art. 30)
10. Designação de genotypos para generos publicados com idênticos limites. — Si
dois generos com os mesmos limites são formados independentemente por difíerentes
auctores, sem designação de genotypos. qualquer auctor subsequente pode designar os
genotypos (Art. 30g). c, si os typos designadas não são idênticos especificamente, os
dois nomes gencrico* podem (em igraldado de condições) ser usados para generos res-
trictos que contenham os alludidos typos [Vide An. 23).
11. Designação de genotypos por Latrcille, 1310. — A "Table des genres avec
1’indication de rcspcce que leur scrt de type». in eCcnsidcrations générales» de La-
treille (1810), deve ser acceita como designação de typos dos generos nella ioduados
[Vide Art. 30).
12. SUfhatlottras fimbriitiu (Goldfuss, 1820) vs. Stefionoceros rirWicmii Ehren-
berg. 1832. — O nome generko Stefhanoeer. s. 1832, dcTe ser usado dc prefeivncia a Corc-
nella, 1820 ( prcoccupado, 1768); o nome especifico fimbrialut. 1820 tetn prccrdencia a
eieUiamií, 1 832. que é considerado (Ehrentarrg. 1832 b. 12S. c 1838 a, 400-401) como redeoo-
minação «1c fimifiaiuf, 1820. Klirenberg teve ratão cm reicitar Coronella, 18J>. mas errou
cm rejeitar fimbrialut, 1820, não havendo razão apparente para perpetuar o seu erro.
13. Nome especifico do carangueijo da areia. — O nome pre-lirmeano (1743) are-
k arius dc Cates In não c approveitavrl á luz do Codigo, embora tenha sido "reimpresso"
cm 1771; q uadraius, 1793 aifirma-se que está prcoccupado ; olbieons. 1802, sendo o nome
especifico immcvliato na lista, torna-se valido diante do» argumentos apresentado».
14. Espccie typo de lithtojto**! Rafinesque. 1819. — A designação de £. Nntn •
oiies Rafinesque. 1819, como typo de Elheotloma Rafinesque. 1819. conforme fez Agas*
siz cm 1834. não è invalidada, por ter Agassix usa.!.., cume base para sua diagnose gené-
rica. caracteres tirados de uma errônea «kterminação especifica de 1839. Não somente
Agassiz affirmou cUramcntc que “lilh. Unaioifn Raf." rrj ty/o de “Etheostema Raf.",
mas ainda, mesmo que se tome itn consideração a questão da identificação crronca d.
/:. bUtmwidet por Kirtland. a conclusão a tirar é que esta identificação errônea não
excluiu deste nome especifico os exemplares origina es de E. blenuiaidet; pelo contrario
o nome usado por Kirtland. 1839. ainda incluía os exemplares typo; retirando-se agora
os exemplares erroneamente determinados em 1839, os quaes pelo Artigo 30e («) são ex-
cluídos de consideração na designação de gvnotypo. permanecem os exemplares typo ori-
ginar» de 1819. os quaes. diante dos argumento» apresentadas, rrp-esentam o typo do
genero
15. Cratfedaeutia towerbii Lankrster, 1880. sf i. vs. Liaumcafim victaria
AUman, 1880. <7 ".. tf n . Medusa de agua doce. — Cnufedaciuta nruerbii Lankester, 17
de junho de 1880. tem nitVla prioridade sobre íimmo <sr>r «fi»m vietoria Altman. 24 de junSj
de 1880. A apresentação de um trabalho a uma vxieda^le «cientifica não consótue publi-
ração no sentido do Codigu. A G munis «án não tem auctoridade para sanccíonar uso que
infrinja as disposições do Codigo [Vide Capitulo “Suspensão das Regras", p. 249],
20
Amaral — Regras de nomenclatura zoologica
261
16. Situação de nomes específicos pre-binominaes (publicados antes de 1758) sob
o Art 30d. — Ao se decidir sobre a presença de um caso de absoluta tautonymia
(sob o Art. 30d), deve-se acceitar a citação, em synonymia, de um nome especifico
prebinomina! claro, como prova de sua conformidade com as exigências do Art. 30<L
Exemplos: Equus caballus (Equus citado em synonym-a no sentido do "cavallo”), Alai
torda ( Alca citado em synonymia no sentido da «Alca»),
17. Devem acceitar-se os generos de Weber, 1795? — O Xomcnclator Entomo-
logicus de Weber, 1795, satisfaz os requisitos do Artigo 25 e, pois, devem ser acceitos
<>s generos nellc incluidos desde que individualmente estejam de accordo com as con-
dições do Codigo.
18. Typo de Hydrus Schneider, 1799. — De accordo com os argumentos, caspius
Schneider, syn. hydrus Palias, é o typo dc Hydrus Schneider. [Vide Art 30d],
19. Plesiops vs. Pharofteryx. — Diante dos dados, não está claro si, por sua na-
tureza, este caso é de nomenclatura ou de zoologia. Tanto quanto a evidencia permitte jul-
gar, a pergunta sobre si Rüppell errou cm acceitar Plesiops como idêntico a Pharofteryx
deve ser respondida do ponto de vista systematico. Si, cm face de nossa actua! cencepção
dos limites gencricos, Rüppell tinha razão, não ha motivo apparente para não se acceitar
a sua decisão no terreno da nomenclatura.
20. Devem-se acceitar os generos de Gronow, 1763? — Gronow, 1763, c binário,
embora não consistentemente binominal. O Artigo 25 requere que um auctor seja biná-
rio c o Artigo 2 requere que os nomes genéricos sejam uninominaes- A’ luz destes
Artigos, os generos de Gronow devem ser acceitos como preenchendo as condições pres-
criptas pelo Codigo para o competente aproveitamento de um nome [Vide Opinião 89],
21. Devem-se acceitar os generos de Klein, 1744, reimpressos por Walbaum,
*792? — Quando Walbaum cm 1792 reimprimiu em forma condensada (mas não acceitou)
os generos de Klein de 1744, clle com esse acbn não deu aos generos dc Klein situação
alguma cm nomenclatura e, por conseguinte, os generos de Klein não se tornam aprovei-
táveis á luz do Codigo presente, pelo facto dc terem sido citados por Walbaum.
22. Ceraticthys vs. CMa. — Quaesquer que tenham sido as intenções originaes dc
Baird, clle e Girard publicaram inicialmcnte (1853) Ceraticthys como um gcncro monoty-
pico, descrevendo o genotypo (C. t -igilax) e não dando indicação alguma de que não pre-
tendiam com isso publicar um “g.n., sp.n.”. Diante do Artigo 30c, vigilax i o typo de
Ceraticthys.
23. Aspro vs. Cheilodipterus ou Arnbassis. — Diante dos argumentos apresentados,
Centrnpomus rmerodon pode ser considerado typo de Aspro 1802, supprimindo-sc este ultim >
como um synonymo de Cheilodipterus e salvando-se. assim, Arnbassis.
24. Anlennarius Commerson, 1798, e Cuvier, 1817, vs. Histrio Fischer, 1813. —
Antcnnarius Commerson é um nome uninrminal (Art. 2) de um auctor que usou uma no-
menclatura binaria (embora não binominal) (Art. 25). Adquiriu valor nomcnclatorial em
virtude de sua publicação por Lacépèdc em 1798 e deve trazer esta indicação ao invés de
Cuvier, 1817. Portanto, não é necessário supprimil-o em beneficio de Histrio, 1813. [Vide
Opinião 89],
25. Damesiella Tornquist, 1899. vs Damesella Walcott, 1905. — Diante das Re-
commcndações do Artigo 36, não é necessário rejeitar Damesella, 1905, em virtude da exis-
tência de Damesiella, 1898 (1899?).
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
2ó. Cyfsilums vs. Cyfuluns. — Em ris:» do numero de erro» typcgraphieos em
Swainson 1838 e 1839, a Commissão ê de opinião que Cyfsilums é um erro typographico
evidente que deve ser correcto para Cjfselurus.
27. Rufftlia e Rufollia vs. Rifftllia. — Desde que é evidente um erro typographico,
RupfeUa e RufolUa devem ser correctos para Riffvltia.
28. Deve-se dar prioridade ã “Nouvelle Classification" de Meigen, 1800. em re-
lação ã sua “Versuch” de 1803? — Os nomes genéricos contidos na “ Nouvelle Classi-
fication” de Meigen, 1800, devem ter prccedencia aos usados em sua “Versuch” 1803
em todos os casos em que os primeiros forem considerados validos sob o Codigo In-
ternacional
29. Pachynatkus vs. Pachygnalhus. — Baseada no argumento constante da Opinião
36 e na existência do nome anterior Pochygnathu s. 1834, AracK, a Commissão é de parecer
que Paehynathus Swainson, 1839 deve ser suppresso.
30. Generos de aves Swainscn, 1827. •— Os genero» de aves, pubhcados por
Swainson no Philosophical Magarire dc 1827, são moootypico* c, de accordo com o
Artigo 30c. as espécies ali mencionadas são typos dos seus respectivos generos. Por
consequência, estes typos devem ter prccedencia aos typos dc Swainson designados,
mais tarde, no Zoologtcal Journal de 1827
31 Columbina vs. Ckafmfftlia. — Em 1840 Cray designou Columbo fas ter ma Linneu
como typo dc Columlino Spix Como esta especie não i uma das originaes de Columbina
Spix. a designação do typo por Cray não é valida e Columbina (•) permanece vem um
typo designada O typo valido de Cbosuuftlia Swainson é Columba fastrrina Linneu. de-
signada por Cray em 1841.
[(•) Xota escripta por Stejneger (membro da Commissão): "Ao ser
redigida a Opinião 31. o aactor não tinha visto a segunda edição dos Generos
de Aves de Gray. publicada em I84J, nem os documentos apresentado» na
occasião trataram claramente da questão e. porisvo. lhe escapou que Colum-
bina tiro filou Spix fora designada por Gray em 1841. p75. cotxv> typo de
Columbina. Este acto dc Gray é indtbitavelmente valido e. portanto, o typo
dc Columbina i C. sUefitau Spix Em vista deste facto trazido ao conhe-
cimento da Commissão pelo Sr W. E Qydc Todd. a Opinião 31 fica aqui
mudada, dc accordo com elle e será submettida aos membros para a devida
approração
Aller., 1911, Science, 336, designou ifrítrola Spix como typo de Columbina
Spix, 1825'].
32 Typo do genero SfKtx — De accordo com os argumentos apresentados, sabulosa
t o typo dc Sflirx Linneu. 1758.
33. Typo do geneno Ruti/us Raíinesque. 1620 — Cyfrinus rutilus i o typo de Rníiluf
Rafmesque. 1820. RuSilut flargyrus i o typo de PLtrgyrut Rafinesqw. 1820.
34. lEskna vs. Xjckna. — Desde que a publicação original não evidencia a derivação
da palavra, a graphsa original XjUna deve ser conservada.
35. Typos de generos de auctores binários mas não binominaes. — Xa determi-
nação do typo dc um genero. a seVeção deve limitar-se ás cspecies incluídas no nome gene-
rico por occasião de sua publicação original, tivessem ou não etlas sido de» -grada» binomi-
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Amaral — Regras de nomenclatura zoologica
2G3
nalmente Si, todavia, um nome genérico é proposto distinctamente como substituto para
outro nome generico anterior, as especies deste devem ser tomadas em consideração.
36. Emenda de Trioxocera, Dioxocera e Penloxjcera. — A Commissão é de pare-
cer que a publicação original de Trioxocera, Dioxocera e Penioxoccra evidencia a presença
de um erro de transcripção (ou transliteração) e que estes nomes devem ser emendados
para Trioxocera, Dioxocera e Penioxoccra.
37. Devem acceitar-se os generos da “ Omithologia” de Brisson, 1760? — Os no-
mes genericos de aves usados por Brisson (1760) são aproveitáveis sob o Codigo.
38. Situação dos nomes latinos em Tunstall, 1771. — Os nomes latinos usados na
Omithologia Britanica de Tunstall, 1771, são aproveitáveis desde que sejam identifi-
cáveis por meio das referencias que fez de bibliographia, paginas e illustrações, ou
pelas citações de nomes ingleses de Pennant. 1768, ou de nomes franceses de Brisson,
1760.
39. Situação dos nomes latinos em Cuvier. 1800. — Os nomes latinos dos quadros
systematicos usados por Cuvier, 1800 ("Leçons d'anatomic comparéc"), são aproveitáveis
desde que sejam identificáveis por meio das citações bihliographicas constantes da pa-
gina xix da Introducção.
40. Salmo eriox vs. S. trutia e 5. fario; Eniochus acuminatus vs. H. macrolepi&itus.
— Diante dos argumentos apresentados, não é necessário substituir fario ou trutla por eriox;
a selecção de macrolefúiotus por Cuvier (1817) tem precedência sobre a selecção de acumi-
imíuj por Jordan & Seale. 1906.
41. Athlennes vs. Ablennes. — Desde que a publicação original revela um evidente
lapsus calami, o nome Athlennes deve ser correcto para Ablennes.
42. Typo de Carapus Rafinesque, 1810. — Carapus Rafincsquc. 1810, é monotypice,
typo Gymn^tus acus Liimcu.
43. Situação de generos cujas especies typo estão citadas sem descripção addi-
cionaL — Os caracteres attríbuidos a Teleogmus, Isoflata, Allodemta. e AphobetoiJeus
abrangem os generos e as especies typo, e os nomes genericos especiíicos respectivos estão
publicados no sentido do Codigo.
44. Leptocefhalus vs. Ccmger. — Leptocephalus Gronovius, 1763 & Gmelin, 1789, typo
morrisii, tem preccdencia a qualquer nome generico posterior, pelo qual se tenha designado
a phasc adulta deste animal. (Vide Opinião 89J.
45. Typo de Synpnathus Linneu, 1758. — Até onde se pode julgar pelos argumentos
apresentados, o typo de Syngnathus Linneu, 1758, não foi jamais claramente designado e não
ha objecção a que se designe como tal a espede acus Linneu. em observanda ao costume e
conveniência geravs.
46. Situação de generos publicados originalmente sem designação clara de algu-
ma especie. — Em generos publicados sem menção nominal de qualquer especie, nenhuma
espede é aproveitável como genotypo, a menos que possa ser reconhecida pela publicação
generica original; si apenas uma espede está em jogo. a descripção generica é equivalente í
publicação de “X-*ís albus, g.n., rf si varias especies são referidas, mas não menciona-
das pelo nome, uma delias deve ser tomada como typo; si (coroo cm Arlaitus Foerster, 1863)
na publicação original do gencro não ha evidenda de quantas espedes estão em jogo, esse
genero contém todas as espedes do mundo que possam caber na descripção generica con-
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forme foi publeado originalmente, e a primeira esperie publicada em ligação com o geoero
Coimo Aclastus rufifet Ashmead, 1902) ifto facto torna-se typo.
47. Carcharüu, Carcharkinus e Carcharodon. — Carckjrias Rafinesquc. 1810. ê nv no-
typico, typo Carchariat taurus Rafinesquc.
48. Situação de certos nomes genéricos de aves publicados por Brehm m Isis.
1828 e 1830. — IX-sdc que os nomes de Brehm, 1828 e 1830 dependem exclusivamcnte de
designações vema cuias, elles são isomhw nuda t não merecem citação.
49. Sifhonophora ascUfiadifolii vs. Scctarophora asAtpiadis. — Diante dos dados apre-
sentados, asclcpiadijolii Thcmas, 1879, é preferível a atcUpiodit Cosven. 1895.
50. Afhit aiptilcgiac flaia vs. Afhit trirhAa. — Desde que O nome Afhit oqtvk-
ffiac flavo Kittcll. 1827, ê multinominal e inaproveitavel sob o Codigo. Afhit trirhoda
Walker, 1849. é o nome correcto para esta esperie.
51. Devem acceitar-se os nomes do “Museum Calonnianum", 1797? O "Mu-
setnn Calonnianum", 1797, não é acccrtavel como base para qualquer trabalho nomenclatorial.
52. Semoti/uj corfiirolit vs. Scmctuuj bullarii. — Diante dos argumentos apresenta-
dos, corforolit tem prioridade sobre bulhris. São c possível ã Commissão exarar uma
opinião sobre a pergunta; Que constitue uma descripção adequada? A citação da locali-
dade typo A- uma esperie não c suffiriente para estabelecer um ncroc ã luz do Alt. 25a
do Codigo. Si são apresentados caracteres específicos em addhamcnto ã localidade typo,
esta se terna uma parte da descripção e deve ser considerada ermo um elemento importante
na determinação da identidade da esperie.
53. Halicamfut koilomatcAon vs. Halicamf uj o 'a ri. — O nome especifico pruyi
Kaup. 1856. tem prioridade sobre kaüamatcdon BK-cker. “cerca de 1865”.
54. Phaxinus Rafinesquc vs. Ph \rinut Agassiz — Os gêneros Oobula. Phc.rinis
c Alburnus foram crcação de Rafinesquc. 1820. Jordan & Evcrmann. 1896. allegam que
Phoxinus Agassir, 1835. c idêntico a Fhoximts Rafinesquc 1820. e. jx>r tanto. proclamam
ter reconhecido Phonnus 1820. Esta allcgação deve ser considerada correcta até que
sc prove o contrario c Cyprinux fhtxinut (ica como typ» dc Fhoxinus 1820 e de Fhoxinut
1835. Si se allega que Alburnus 1820 c idêntico a Alburnus 1840. Cyfrinus alburnus torna-
se typo dc Alburnus 1820
55. Typo do genero Ondatra Link. — Diante dos argumentos apresentad s. sibe-
thicus i o typo de Ondatra Link.
56. Typo de Filaria Mueller. 1787. — Muellcr (1787, pp. 64 e 70) citou, visivel-
mente por erro, a mesma gravura (estampa 9. fig. 1) de Redi fura Atcarit renalix Gmel.
e Filaria martit Gmel. Gmclin (1790a, pp3G32 e 3040) conservou este lapso. Rudd-
plti (1809a. p.69) reconheceu e corrigiu o erro e. desde então. Filaria martit tem sido
consistenicmcntc distinguida de Atcarit 'rnaht. não havendo actualmnte motivo para não se
reconhecer a correcçâo do lapso de Mueller por parte de RudolphL Assim sendo. F. martit
fica o "mo typo dc Filaria e Filaria não i mudada para Dioctafhymr, Dicctofhyma ou
EusknagyUtt.
57. Nomes oriundos do “Iter Palaestinum" de Hasselquist, 1757, e da tradoeção
de 1762, são insustentáveis. — O "Iter Palaestinum" foi publicado antes de 1758 e edi-
tado, cm relação á sua ncsnenclatura, psr Lirneu A traducção alemã por Gadcbosch. pu-
blicada cm 1762. não confere validez aos nomes publicados na edição original de 1757.
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Amaral — Regras de nomenclatura zoologica
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58. Esox, Lucius e Bclonc. — “Considerando-se com severidade", nem Rafinesque
(1810, “Caratieri”, p.59), nem Cuvier (1817, p.183) designou c typo de Esox Litmeu, 1758;
Jordan & Gilbert, 1882, p.352, escolheram Esox lucius Linneu como typo de Esox.
59. Data de Amphimerus. — O nome do trematoidc A mphimerus Barker não data
do apparedmento das separatas («tirés à part»), mas do tempo da publicação dos Studies
from the Zoolcgical I.aboratory, The University oi Nebraska, No. 103.
60. Salmo iridia vs. Salmo irideus. — Salmo iridia é cvidentemente um lapsus co-
lami ou um erro typographico e pode ser emendado para Salmo irideus.
61. Emenda de Chaemepelia para Chamaepelia. — A palavra Chacmepelta Swain-
son, 1827, deve ser emendada para Chamaepelia.
62. Especies typo de outros generos não estão excluidas de consideração na se-
lecçâo do typo de um genero. — Desde que o Artigo 30 não excluc de consideração as
especies typo de outros generos na selccção do typo de um genero dado, as seguintes espe-
cies typo, designados por Gray, são, em face dos dados apresentados, os typos validos des
seguintes generos; Fulmarus, typo Procellaria glaciolis; Thalasscus, typo Sterna cautiaca;
Herodias, typo Ardea garzetla; Calharista, typo Vultur aura; Morpknus, typo Falco uru-
bitinga; Helinaia, typo Motocilla -ermrvcra.
63. Leuciscus haíuensis vs. Leuciscus hatoiuiuis. — l.cuciscus kakuensis deve ser
correcto para Leuciscus hakouensis, em virtude de ter occorrido com o primeiro, seja um
lapsus calami. seja um erro typographico.
64. Letras seriadas tses como a, b, c, etc. não são acceitaveis como nomes es-
pecíficos. — Letras seriadas como a. b. c. etc., não se devem considerar como verdadeiros
nomes específicos.
65. Caso de um genero baseado em especie erroneamente determinada. — Si um
auctor designa uma certa especie como genotypo, deve-se presumir que sua determinação da
especie esteja correcta; si se apresenta um caso em que pareça que ura auctor baseou o
sen genero sobre determinados exemplares, ao invés de o íaxer sobre uma especie, seria
bom submetter-se o caso, com todos os pormenores, ã Commissáo. Prcscntemcnte é difficil
estabelecer-se uma regra geral para taes casos.
66. Nomes de Nematoideos e Gordiaceos collocados na Lista Official de Nomes
Genericos. — Os seguintes nomes de Se ma Ioda e Gordiacea são por este meio collocad s
na Lista Official de Nomes Genericos: Aneylostoma. Ascoris, Dracunculns, Gnathostoma,
Necator, Strongyloides, Trichostrongylus, Gordius, e Paragordius.
67. Cento e dois nomes de Aves collocados na Lista Official de Nomes Gene-
ricos. — Os cento e dois nomc ; . seguintes de aves são por este meio collocados na Lista
Official de Nomes Genericos; Acryllium, JEcUmopuorus. eEgithina. èEgotheles, .Epyornis.
Aix, Alauda, Anas. Apaloderma, Aptenodytes, Apteryx, Aramus. Ardea. Astrapia, Asturi-
na, Aulacorhynchus, Baíaeniceps, Batrachostomus, Brotogeris. Bubo, Burhinus, Cairina.
Campephaga. Capito, Catharles, Centrocercus, Cephalopterus, Cerecpsis. Chaur.a. ChrysoU u
phus, Cicinnunis, Circaitus, Clamator, Coccycus, Coereba, Colaptes, Colluricincla, Coturmx,
Crotophaga, Diomedea, Dromas, Ectopistes. Egretta. Elanus. Eurylaimus, Eurynorhynchus ,
Eurypyga, Fulmarus, Gallinago, Gampsdnyx, Goura. Gypaêtus, Haematopus. Haliaeelus.
Haliaslur, Helicmis, Ibidorhyncha, Jynx, Lanius, Leis t es. Mamtcodia, Musophaga, Scophrcn,
Sotomis, Sumida, Sictea, CEdicnemus, Opisthocomus, Oriolus, Pachycepkala, Pandion, Pa-
rotia. Parus, Pezoporus. Phacthon, Pharomachrus. Phocnicopterus, Platalea, Platycercus,
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
PolypUctron, Porsana, Psittacus, Psopkia, Pteroghssus, P til* ris, Rollus, Recureirostra,
Sericulus, Sitia, Sphenorynchus, Spindalis. Strigops, Struthio, Stumella, S turnos, Sumia,
Syrrhaptes, Tachyphonus, T hotr.no phüus. Trichoghssus, Uratelomis, Virto.
68. Especies typo de Pleuronectes Linneu, 1758a. — Fleming. 1828, 196, não de-
signa o typo de Pleurcnectes.
69. Espccie typo de Sparus Linneu, 1758 — Fleming, 1828, 211, não designa o
typo de Sparus.
70. Caso de Libellula americana L.. 1758. vs. Libellula ameríeattus Drury, 1773. —
Em virtude de ser Libellula americanas Drury, 1773 um lapsos calami evidente, em logar
de Gryllus americanas, este lapso deve ser correcto e o nome es peei tico no caso. a mer : ca-
nas 1773, não está invalidado por Libellula americana 1758.
71. Interpretação da expressão "especies ty picas" na Synopsis de Westvrood,
1840. — As especies citadas por Wcstwood. 1840 (“An Introduction to the Modcrn
Qassification of Insects”, Vcl 2. Synopsij, papnação separada, pags 1 a 158), como “es-
pecies typicas ", devem ser acceitas como designações claras de genotypos para os generos
respectivos Quanto ao facto de uma determinada cspecie considerada representar oJ não
o gcnotypo valido, isto depende de dois factores: primevro. de si a especie era aproveitável
como genotypr»; segando, de si a sua designação em 1840 era precedida por qualquer outra
denemi nação.
72. Formulas zoologicas de Herrera. — As designações de animacs de accordo
com o systema proposto por Herrera. no caso submettido a consideração, são formula* e
nãc nomes. Fortanío, tilas não têm valor em nomenclatura e, assim, não estão sujeitas a
consideração sob a I.ei da Prioridade Nenhum auctor é obrigado a citar essas designações
em qualquer quadro de svnonymia, índice ou outras listas de nomes.
73. Cinco nomes genéricos de Crinoideos. oitenta e seis nomes genericos de
Crustáceos e oito nomes genericos de Acarinos. collocados na Lista Official de Nomes
Genericos. — Os seguintes nomes são por este meio collocados na I.ista Official de
Nomes Genericos: CRINOIDEA; Antedon, Bathy crinas. Holopus, Metacrinus. Rhixccri-
nus. CRUSTACEA: Acanthocyclus, Aclaea, Actaeomorpha. Aetumuus. Areania, Ar chias.
Arenaeus. Alergatis, Atergatopsis, Banareia. Bothynectet. Bcllia. Benihc chasc on. Cophyro,
Car pilins. Carpitcdes, Carpopoms, Carupa, Chlorodopsis, Ccenophtlalmus. Corysloiles. Cryp-
toenemus, Cyelodms, Cyuao, Dacryopilumnus. Dairj, Deckenia, Dome cia, Ebala, Etiloboccra,
Epimelus, Erimacrus. Erimetopus. Euphylax, Favos. Gecarcinucus, Hepitella. Hetcrolitha-
dia, Hetetcnucia, Hcteroáus, Hydrothelphusa, lHacontha, Iphiculus, Iphis, ha, Leucosilh,
Lbsecarcinus, Lilhadi\ Lup-cyc!ns. Memcryptus. ityrodes. Sucia, Mursia, Xursil.a, Ony-
ehomorpha, Oreophorus, Osachila, Paroeyclois, Paratkelphuso, Parathranites, Parilia. Pari-
phiculus. Persephona, Phlyxia, Pirimcla, Ptatymera, Podophthalmus, Pclybius, Pcrtumnus,
Potamocorcinus, Pctamonautes, Pseudophilyra. Pseudothelpkusa, Rondalia. Scylla, Speltro-
pkorus, Sphaerocarciuus, Telmessvs, Thalamita. Thalamitoides. Thalamonyx, Tios, Trachy-
carcinus, Trichodoctylus, Tnehopeltaricn, Paldivia ACARINA: Amblycmna. Argas, Der-
macentor, Haemaphysalis, Hyolomma, hodes, Rhipicenlor, Rkipicephalus.
74. Lista de Nomina Conservando de Apstem. 1915. — A Commissão não tem
poderes para adoptar em bloco a lista proposta de Nomina Conservanda de Apstein, mas
está prompta a considerar separadamente nomes que lhe forem apresentados com provas
razoavelmente completas.
21 »
Amaral — Regras de nomenclatura zoologica
2G7
75. Vinte e sete nomes genericos de Protozoários, Vermes, Peixes, Repteis e
Mammiferos incluídos na Lista Official de Nomes Zoologicos. — Os vinte e sete
nomes genericos seguintes são por este meio collocados na Lista Official de Nomes Zoo-
logicos, com as especies typo dadas no corpo desta Opinião; PROTOZOA: Volvox.
VERMES: Himdo, Lumbricus. PISCES: Ammodytes, Anarkichas, Atherina, Fistularia,
Mugi], Myxine, Trachinus, Uranoscopus, Xiphias. REPT1LIA: Draco. MAMMAL1A:
Balaena, Pos, Castor, Delphinus, Erinaceus, Hippopotamus, Hystrix, Monodon, Moschus,
Ovis, Phcca, Sus, Taipa, Ursus.
76. Situação de Pyrosoma vs. Monophora; Cyclosalpa vs. Holothuria; Salpa v«.
Dagysa; Doliolum, Appcndicularia e Fritillana. — O Secretario está auctorizado e acor-
seliiado a insistir sobre o seguinte: — casos apresentados cm busca de opinião devem ser
acompanhados dc dados razoavelmente completos que permittam uma consideração justa
dos pontos cm jogo. Pyrosoma 1S04 tem prioridade sobre Monophora 1804. Cychsatfa
1827 não é invalidado por Holothuria 1758 (typo physalis), que, todavia, invalida Physalia
1801. O uso actual de Holothuria (typo tubulosa) em relação a echinodermas não está
de accordo com as Regras, mas c aconselhável que os auetores usem Physalia 1801 para o
siphonophoro português c Holothuria 1791 como ger.erc do “pepino marinho" (“sca cucum-
ber"), até que se resolvam possivelmente suspender as Regras nestes dois casos. Como
a apresentação dos casos de Salpa, Appcndicularia, Doliolum e Fritillaria é incompleta e
contem erros, estes casos ficam lançados na lista indefinidamente, mas sem juízo formado;
as Regra» devem ser impostas nestes casos, a menos que fique demonstrado que de sua
applicação resulta maior confusão do que uniformidade [Vide Opiniões 77 e 80],
77. Trinta e cinco nomes genericos de Prctozoarios, Celenterados. Trematodeos,
Cestoideos. Cirripcdios, Tunicados c Peixes collocados na Lista Official de Nomes Ge-
nericos. — Os seguintes nomes são por este meio collocados na Lista Official de Nomes
Genericos: PROTOZOA: Arcella. COELENTERATA : Hydra. TREM ATODA : Hc-
tniurus, Schistosoma. CESTODA: Anoptocephola, Hymrnolcpis, Monicíia, Stilcsia, Thyso-
nosoma. CIRRIPED1A: Lepas. TUNICATA : Pyrosoma. PISCES: Acipenser, Callio-
nymus, Chimacra. Clupra, Coryphaena, Cottus, Cyclopterus, Cyprinus, Diodon, Gadus,
Gasterosteus, Gobius, Lophius, Mormyrus, Mullus, Muraena, Osmervs, Perca, Salmo, Scon i-
ber, Scorpaena, Silurus, Syngnathus, Zeus.
78. Caso de Dermaccntor andrrsoni vs. Dermacentor venustus. — Diante dos argu-
mentos apresentados, a Commissão é de opinião que Dermacentor xenustus procede dc Marx
in Neumann, 1897, exemplar typo — No. 122 da Collecção Marx (Museu Nacional dos
Estados Unidos) colhido de Otis artes, Texas, e que Dermacentor andersoni provém de
S tiles, 1908, holotypo No. 9467 U.S.P.H. & M.H.S. (Serviço da Saude Publica e di
Hospital de Marinha dos Estados Unidos), oriundo de Woodman. Moniana.
79. Caso do “Système des Animaux sans Vertèbres" de Lamarck, 1801a. —
“Considerando-se com severidade”, o “Système des Animaux sans Vertèbres” de Lamarck,
1801a, não deve ser acceito como designação de especies typo.
80. Suspensão das Regras no caso de Holotruria e Physalia. — > Ficam por este
meio collocados na Lista Official de Nomes Genericos o genero de Echinodermas Holo-
thuria Linn, 1767, restr. Bruguière, 1791. typo H. t-emula 1767= H. tubulosa 1790, e o
genero de Siphonophoros Physalia Lamarck 1801, typo P. pelágico 1801= Holothuria phy-
salts 1758.
268
Memórias do institulo Butantan — Tomo XI
81. Genctypo de Cimtx, Acanthia, Clinocoris e KUnofkdos. — Diante dos argu-
mentos apresentados á Comraissão, o percevejo commum da Europa, Cimtx Uctularius, é
o gcnotypo dc Cimcx 1758. Acanthia 1775, Clinocoris 1829 e Klinophilos 1899 ( Clinopki -
lus 1903) e a sua designação technica apropriada sob as Regras é Cimtx Uctularius.
Cimtx Linn-, 1758. typo C. Uctularius. é por este modo ccllocado na Lista Oííicial de
Xomes Genéricos.
82. Suspensão das Regras para Musca Linneu, 1758a, typo M. domtsiico —
Por força dos poderes conferidos ã Commissáo pelo 9.® Congresso Internacional de Zoo-
logia para suspender as Regras em qualquer caso determinado, quando, a juizo seu. da
applicação rcstricta das Regras resulte claramente maior confusão do que uniformidade, o
Artigo 30 fica aqui suspenso em relação a Masco Linneu. 1758; e Musca domestica Linceu.
1758, passa a ser designado como typo de Musca. sem opinião prcíormada em relação a
outros casos.
83. Acantkisa pyrrhopygia Vigors & Horsfield, 1827. vs. Acanthisa fyrrhofyyia
Gould, 1848. — A Regra de Homonytnos tem por principio que qualquer nome idêntico,
regularmente publicado, dc data posterior ê “nati-morto e não pode ser revivido". Acan-
tkica pyrrhopygia Vigors & Horsfield, 1827. invalida Acanthisa fyrrhofygia Gould. 1848.
84. Nomes de Trematodeos. Cestoideos e Acantocephalos collocados na Lista
Official de Nomes Genericos. — Os scyuintei nomes são por este meio collocados na
Lista Official dc Xomes Genéricos : TREMATODA: Dicrocotlium. Fasciola. Castro*
discus. H tttrofhy/s. CESTODA; Urtcainca, Dipylidium. Echinococcus. Tatnia. ACAX-
THOCEPHALA : Gigantorhynchus
85. Noventa e oito nomes genericos de Crustáceos collocados na Lista Official
dc Nomes Genericos. — O» seguintes nome», são por e»tc meio collocados na Lista
Official de Xomes Genericos: CRUSTACEA : dcmatofltura. Asthtncgnatkus. Baihyflax,
Camplandnum. Camftoflax. Catoptrus. Ceratoflax, Chasmagnathus, Chasm^cercinns, CUsto-
cocloma. Cyrtograpsus, Dissodactylus , Durckktimia Epiranthus. Euckirografsus, Eucratt,
Eucratodts, Eucratofsis. Euryrtitos, Euryplax, Eurytium. Fobia. Golcnt, Geryon. Glyfto-
grafsus, Glyptoflax, Gomtza. Gontflax, Holimtde, Htlict, Hephthoptlto. Htxa.^tt. Hclo-
metofns, Holothuriopkilus, Homalaspis, Lo.hnofodus, í.rttcdius. Liagnrt. Libystts, l.icmt' 0 ,
Lipattthcsiuj. Litccktira, Lophoponoptus, Lofhopilumnus, I.ybia. Mclybia. Mctasnarma. Mt-
topocarcinot, Mícrofanoft. Xotou yx, Otdiflax. Omn.ttiocarcinus. Opisthopus. Ocfhn^xarihtis,
Panoflax, ParagaUnt. Parofanoft, ParapUirophrycoidts, Paraxantkus. Percnm, Ptrigraf-
sus, Püumnoidts, Pilumnus, Pinnaxodcs. Pinnixa, Pinncthsrclia, Pinnotktrrs. PlamtS, Pla-
tychirogrofsus, Platyfilumnus. Platyxonthus, Polydtctvs. Prionoplax, Pstudocorcinus, Pstu-
d o pinnixa, PstudorhomHJa. Psofhtlicus. Ptychognnthus. Pyxidognatkus, Rh : thropauofrus,
Rhuopa. KuppclIioUcs. Sarmal-um . Scalopidia. Seltroplax, Specrarcinus, Sphatrcxiis Tc-
traranthus. Trtrias, Thaumastoplax, Ultca. 1'aruna. Xonthasia. Xanthcthus. Xtnophthalmo-
des, Xtnophtkalmus. Zosimus. Zasymodrs.
86. Conulinus von Martens. 1895 — O nonv generico Conulinus voo Martens. 1895.
toma como typo Buliminus (Conulinus) connlus Rv., c não é necessa*iamente iftvaldado
pelo nome Conulina Bronn.
87. Situação de paginas de prova em nomenclatura. — Paginas de prova de im-
pressor não constituem publicação e, portanto, não têm valor debaixo das Regras Intema-
cioiwcs dc Xotnenclatura Zoolcgica.
28
Amaral — Regras de nomenclatura zoologica
269
88. Otarion diffractum vs. Cyphcispis bmtruisleri. — O nome de uma especic não
se desqualifica, simplesmente porque o auctor incluiu em sua concepção partes de corpo A:
mais de uma espede. O nome de um genero baseado em tal cspccie é, portanto, aprovei-
tável. Otarion diffractum Zenlcer é valido. Atarion deve ser preferido a Cyphaspis; c
C. burmeistcri Barr. é synonymo de O. diffractum.
89. Suspensão das Regras no caso de Gronow 1763, Commerson 1803, Gesolls-
chaft Schauplatz 1775 a 1781, Catesby 1771, Browne 1789, Valmont de Bomare
1768 a 1775 — Em virtude de Suspensão das Regras em qualquer caso em que tal sus-
pensão possa ser considerada necessária de accordo com a interpretação adoptada, agora e
mais tarde, pela Commissão, dcclaram-sc os seguintes trabalhos ou publicações eliminadcs
de consideração no que concerne aos seus nomes systcmaticos e segundo as respectivas datas :
Gronow 1763, Commerson 1803, Gesellschaft Schauplatz 1775 a 1781, Catesby 1771, Browne
1789, Valmont de Bomare 1768 a 1775.
90. Relatorio sobre dezeseis nomes genericos de Mammiferos para os quaes se
solicitou Suspensão das Regras. — Xenhum dos dezeseis nomes recebeu voto unanime
para Suspensão; por consequência, a Commissão não tem poderes para susjwndcr as Regras
em relação a elles. Seis nomes (a saber Cerco pilhe cus, Gaxella, Hippotragus, Lagidium,
Nycteris e Manatus) receberam a maioria de dois terços ou mais para su&prnsão e, pois,
devem ser levados á decisão final de um comitê tspccial de tres membros, a ser nomeado
pelo Presidente da secção de nomenclatura do proximo Congresso Internacional. Dez no-
mes (a saber; Echidna, Anthtopopitheeus, Cocloger.ys, Chircmys. Dasypus, Dicotyles, Gateo-
pithecus, Hapale, Rhytina e Simia) deixaram de receber na votação a maioria de dois terços
para a suspensão c, pois, a Lei de Prioridade não se applica em tacs casos (•).
(•) Xota no Tradlcto* : — Veja-se a respeito a recente monograi>hia
publicada pelo Secretario da Commissão Internacional de Xomcnclatura Zoo-
logica, Dr. Ch. VVardell Stilcs, com a collaboração de M. B. Orlcman m
Hygienic Laboratory Bullctin Xo 145 (U. S. Public Health Service).
91. Trinta e cinco nomes genericos de Mammiferos collocados na Lista Official
de Nomes Genericos. — Os seguintes nomes são por este modo collocados na Lista Of-
ficial de Xomes Genericos: Alces, Arvicola, Ateies, Bisou. Btadypus, Canis. Copra. Cebus.
Cen-us, Choloepus, Condylmra, Cricetus, Crocuiwa, Cystophora, Dasyprocta, Didelphis, Ere-
thicon, Felis, Guio, Haiich crus. Lepur, Lynx, Mus, Myrmscophaga, Sasua, Chibos, PhyU
lostomus, Procyon, Putonus, Rangifer, Rhinolephus. Rupicapra, Sciurus, Sorex, Vespertilio.
92. Dezeseis nomes genericos de Peixes, Amphibios e Repteis collocados na Lista
Official de Nomes Genericos. — Os seguintes nomes são por este meio collocados na
Lista Official de Xomes Genericos: PISCES; Biennius, Echeneis, Esox, Ophidicm. AM-
PHIBIA: Cryptobranchus, Desmognathus, Siren. REPTILIA: Alliçator, Calamario, Ckc-
lydra, Crotolus, Derm-ickelys. Erctinas, Laccrta, Mabuya, Phrynosoma.
93. Doze nomes genericos de Peixes collocados na Lista Official por força de
Suspensão das Regras. — Os seguintes 12 nomes genericos de peixes são por este meio
collocados na Lista Official de Xomes Genericos, de accordo com o Poder Plenário para
Suspensão das Regras: Conger Cuv., 1817 (Murar na conger L.) ; Corrganus Lirai., 1758
(Salmo lavarei us L.) ; Eleotris Blcch & Schneider, 1801 ( gyrinus Cuv. & Vai.) ; Epine-
phclus Bloch, 1792 (marginalis Bloch) ; Gymnothorax Bloch, 1795 (reticularis Bloch) ; Ma-
29
cm
SciELO
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
lapterurus Lacépède, 1803) (Silurus eleetricus L-). Sfustelus Linck, 1790 (Squalus mustelus
L. 1= Afustelus /tfíTÍx]): Polynemus Linn., 1758 (paradisaeus L); Seu ma Linn.. 175S
(u»?:'ra L. = Cheihdipterus aquila Laccp., segundo restr. de Cuvier, 1815); Serranas Cuv.
( Perca cabriUa L.) ; Slolephorus Lacêp, 1803 (commers '(lianaz Lacêp.); Teuthis Linn.,
1766 {javus L).
Os nomes agora correntes não devera ser abandonados a raenos que haja razões indis-
cutíveis para sua mudança.
94. Vinte e dois nomes de Molluscos e Tunicados collocados na Lista Official de
Nomes Genéricos. — Os seguintes nomes são por este modo collocados na Lista Oíficial
de Nomes Gcncricos: MOLLUSCA: Anodmla, Argonauta, Buecinum. Calyptraea, Colum -
bella, Dmlalium, Helix, Limas, Maetra, Mya. Sfytilus, Ostrea. Physa. Se fu, Sphaeriunt.
Succinea , Teredn. TUNICATA : Botryllus, Clavelina, Diasona, Distaflia, M A gula.
95. Dois nomes genericos de Protozoários collocados na Lista Official de Nomes
Gcncricos. — Os seguintes nomes sio por este meio collocados na Lista Official dc
Nomes Gcncricos — PROTOZOA: Endamceba. Tryfanesoma.
96. Museum Boltenianum. — A Commissão acceita o Museum Boltenianum 1798
como sendo aproveitável do ponto de vista ncmenclatorial 4 luz das Regras Internacionacs.
97. O “Tentamen" de Hübner, 1806 creou generos monotypicos? — O Tenta-
ram de Hübner. 1806 foi sem duvida preparado essencialmente como um manuscripto multí-
plice. ou como uma pagina de prova (Vide Opinião No. 87), para exame e critica por um
grupo rcstricto de peritos, isto é, cm Ixpidcptera, e não para distribuição geral como um
registo cm zoologia. Por consequência, é discutivel a conclusão dc que foi publicado em
1806. Mesmo que se admitta como premissa sua publicação em 1806, é discutirei que os
binomios nelle contidos se devam interpretar como nomes genericos ligados a específicos.
Mesmo que se admitta que tacs bine mios representam combinaçõ* de n-roes genericos com
especificos. elles são cs*mcia!mente nomina nu da (tendo-se em vista a data que trazem),
desde que os anctorcs. que não possuem informações esotéricas a seu respeito, não podem
interpretai -os definitivamente sem consultarem a literatura mais recente. Si publicads mais
tarde com dados mais pvsitivos. esses nomes passam a ser aproveitareis na data de sua
republicação
,J Brauer e Bergenstamm. — Interpretando-se com rigor, Brauer e Bergens-
tamm (1889-1894) não fixaram os typos para os nomes genericos mais antigos, excepto nos
casos em que af firmam claramente que a especie roenci nada é o typo do generc.
99. Endamceba Leidy, 1879 v*. EntamceS i Casagrandi & Barbagallo. 1895. — Enta-
moeba 1895, com btatiae como typo por designação subsequente (1912), é absolutamente
synonyma de Endamceba l.eidy. 1879a. p.300. typo hloltae. c invalida Entamoeba 1895. typo
por designação subsequente (1913): hominis=eolt.
100. Suspensão das Regras para Spirifer e Syrin-iatkyris. — Em virtude de Sus-
pensão das Regras, Anomia stnata Martin fica estabelecido como genotypo de Spirifer Sower-
by, 1816, e Syringathyris typo Winchel! (= Spirifer carteri Hall) fica estabelecido como
genotypo dc Syringothyris Wrncbel], 1863.
101 Situação nomenclatorial de Danilewslcy — “Contribution ã 1’étude de la mi-
crobiose malariquc" in Annales de Tlnstitut Pasteur. 1891, VoL 5, paginas 758-782. —
As designações technicas latinas, usadas por Danilewslcy, 1891, Annales de ITnstitut Pas-
teur, Vol. 5 (12), pp. 758-782, não estão sujeitas a citação sob a Lei de Prioridade, 4 luz
da alludida publicação
30
Amaral — Regras de nomenclatura zoologica
271
102. Proteocephala Blainville, 1828. vs. Proteocepkalus Weinland, 1858. Um no-
me generico (exemplo Proteocephalus , 1858) não e invalidado pela publicação anterior dc
um nome idêntico ou semelhante de ccllocação systematica mais elevada (exemplo Pnteo-
cephala, 1828). Si Taenia ambígua (tp. de Proteocephalus. 1858) é congenerico de ocettata
(tp. de Ichthyotaenia, 1894). Ichthyotaenia è um synonyroo subjectivo de Proleocephalus .
103. O nome generico Crus, typo Ardea gms. — O typo de Grus Palias. 1767. é
Ardea gms Linn.. 1758. por Uutonymia absoluta. Crus o por este modo col locado na Lista
Official dr Nomes Genéricos.
104. Cincoenta e sete nomes generico* collocados na Lista Official. Os se-
guintes 57 nomes genéricos, com especies typo citadas, são por este modo collocados na
Lista Official de Nomes Genericos: PROTOZOA; Rursaria. Eimcria, Loierania, Plasmo-
dium, Sarcoeystis. CESTODA; Ligula. NEMATODA: Filaria. Heterodera, Rhabditis.
Slrongylus . Sarcoeystis. OLIGOCHAETA : Enchytraeus. HIRUDINEA; Haemadipsa.
Limnatis. CRUSTACEA: Armadillidium. Astacus, Câncer, Diaptomus. Gammarus, Ho-
marus. Kephrops, Oniscus, Pandnlus, Fenaeus, Porctllio. XIPHOSURA; Limilus. SCOR-
PIONIDEA : Seorpio. ARANEAE ou ARANEIDA : Avicularia . Dendryphau les, Dysdc-
ra, Lntrcdectus, Segestria. ACARINA: Chcyletrs. Chnríoplrt. Demodex, Dermanyssus.
Glyciphagus, Polydesmus, P sor optes, Rhisnglyphus, Tromlridium. THYSANURA : Lepxs-
tr.a. COLLE.MBOLA: Podura. ORTHOPTERA : Blattn. EctoHus. Gryllus, Periplaneto.
ANOPLURA: Pediculus, Phthirus. HEMIPTERA : Anthocons. Sabis. Notonecta. Rcdu-
iius. Triatoma. DERMAPTERA; Forfieula. SUCTORIA s. SIPHONAPTERA s.
APHANIPTERA: Pulex. MAMMALIA : Cercopithecus.
105. Nomes de Crustáceos por Dybowski (1926), suppressos. _ Fica resolvido
que os novos nomes publicados no trabalho de Dybowski. “Synoptiches Vcrrcichnis mit
kurier Bcsprechung der Gattungen tmd Arten dieser Abteilung der Bakalflohkrcbse" (Bul.
intemat. Acad. polonaise d. Sei. et d. Lcttres. 1926. No. l-2b, jan.-fev., pp.1-77), são por
este meio suppressos. de accordo com Suspensão das Regras, por isso que a applicaçáo das
Regras para sua acceitação “resultará evidentemente em maior confusão do oue uniformidade".
106. O typo de Oestrus Linn., 1758, é O. otit. — O typo de Oestrus Linn. 1758.
é O. ovis (Art. 30g). A designação de Oestrus equi Fabr. por Latruillc como typo de
Oestrus não ê valido (Art. 3Gg). Os 5 seguintes nomes de generos de Dipteros são por
este meio collocados na Lista Official de Nomes Genericos: Cephenemyia (typo trompe),
Gasterophilus (typo equi de Clark, synonvmo de iuirstmalis de Geer), Hypoderma (typo
bovis). Oedemogena (typo tarandi ), e Oestrus (typo oris).
107. Eckinocyamus pusillus vs. Echinocyorr.ns min mus — O caso de Echinocyamus
pustllus vs. Eckinocyamus minutus c cbjecto de duas interpretações diametralmentv oppos-
tas. Baseandosc no pnnapio de que um nome cm uso corrente não deve ser supplantado
por um anterior mas raramente adoptado, ou por um nome não a <1 optado, a menos que o
argumento stja ambiguo e que as premissas não estejam sujeitas a differenças de opinião,
a Commissão, tendo cm vista a situação algo incerta dc minutus, c de Opinião que pu-
sillus 1776 não deve ser suppresso por minutus 1774
108. Suspensão das Regras para Gasella 1816. — De accordo com a Suspensão
das Regras. Gasella Blainville. 1816, especie typo Capra dorcas Linn., 1758a. é adoptado de
preferencia a Oryx, e po r este modo é collocado na Lista Oficial de Nomes Genericos.
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It — MT*«»
cm
SciELO
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272 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
109. Suspensão das RcgTas para Hifí Irajus 18*6. — De accordo com a Sus-
pensão das Regras (si for preciso), Hippotroaus Sundevall, 1846, especie typo Antílope
leucophaea Palias. 1766, é adopeada de preferencia a Egocerus Desmarest. 1822, e a
Osanna Rcichcnbach, 1845 (não Aegoceros Palias, 1811), sendo por este roodo coüocada na
Lista Official de Nomes Genericos.
110. Suspensão das Regras rara Lagidtum 1833. — De acrordo com a Suspen-
são <tas Regras, I.a<jidiuni Mcyon, 1833. especie typo Lagidium peruanum Mcyen, é adoptado
de preferencia a Viscoccio Oken, 1816. genotypo “ l-cp^s clilcnsis Molina', e por este modo
c col locado na Lista Official de Nomes Genericos.
111. Suspensão das Regras para .Wcteris 1795. — Dc accordo com a Suspensão
das Regras, Nycttrii Cu vi cr & Geoíiroy, 1795. especie typo Vespertilio hispidus Schrebcr,
1774, é adoptado de preferencia a Petalio Cray, 1838, genotypo Xsctcria javanica Geofíroy.
e e por este modo collocada na Lista Official de Nomes Genericos
112. Não foi acceita a Suspensão para Stanatus 1772 vs. Triehechuj 1758. — Não
foi acceita a Suspensão das Regras para o caso de Monatuj Brúnnich, 1772, especie typo
Tri.hcckus manotuj Linn., 1758a. localidade typo Antilhas, versus Triehechuj Linn, 1758a.
monotypo T. manalus; por consequência, o nome Triehechuj i applicado ao peixe-boi em
ver dc ã morsa. Triehechuj Litm.. 1756a. typo T. manalus, i por este modo collocado
na Lista Official dc Nomes Genericos.
113. Sor cofies Latreille, 1802, typo seabtei, collocado na Lista Official — Sor-
eoftes Latreille data dc 1802. em vez de 1804 ou 1806, como é frequentemente citado. Foi
originalmentc mnnotypico, contendo somente Aeantj scabiei. A designação, feita em 1810,
do typo dc Acarus pajjerinui c invalida de accordo com o Artigo 30c c 30e a. A accei-
tação dc Acarus scabiei como especie typo de Acarus i invalidada pelo Artigo 30g. donde
Acarus tiro (syn. farinoe) i o typo de Acarus. Sorcoptej Latr., 1802, typo scabiei é
este modo collocado na Lista Official dc Nomes Genericos.
114. Dc accordo com a Suspensão. Símia. Símia satyruj e Pithecuj são suppees-
sos. — Dc accordo com a Suspensão das Regras, os nenses -Símia, Simia jstyruj e P*~
thecMs são por este roodo stipprcssc», baseando-se era que sua retenção, de accordo com
as Regras, produzirá maior confusão do que uniformidade.
115. Situação de Leucochilus. — A Commissáo supprime Leucoehilus von Mar-
tens. 1881, em favor de Leucorhila von Martens. 1860. typo Pupa fallax Say. Qualquer
outra orientação neste ponto traria o risco de gerar confusão duradoura c constante entre
dois generoj bera affins
116. Bulimus Scopoli. 1777, srs. Pulinus Mueller, 1781. vs. Bulimus Bruguière.
1792. — A Commissáo não interpreta Bulimus Scopoli. 1777, como um obvio erro typo-
graphico; os argumentos não mostram que o genotypo (que deve ser escolhido dentre as
quatro espccics originabnente incluídas) tenha sido definitiva e convenientemente designado
Bnlmus Mueller, 1781. tem por typo Bslinus scncgaUnsij e não está invalidado por BuU-
mMJ. 1777. Bulinr.cs Bruguière, 1792, typo hacmasiomus seu oblonga, i um homooymo
morto dc Bulimus, 1777.
117. Typo de Uthostrotwn. — De accordo com a Suspensão das Regras. LithcJ-
trotion é por este meio adoptado. com Lithaslrnlicn strialun cotão especc trpica, e c ccllo-
rado na Lista Official de Nomes Genericos.
32
Amaral — Regras de nomenclatura zoulogica
273
118. Scalpellum gabbi Wade, 1926, nonren nudum. — O nome Scalpellum gabbi
\Vade, 1926 é um nomen niuliim na data de 1926, desde que seu proprio auctor claramcnte
o tornou dependente de exemplares hypotheticos [Vide Opinião 2],
119. Seis nomes generi.os de Molluscos, collocados na Lista Official de Nomes
Genéricos. — Os seguintes seis nomes genericos de MOLLUSCA são por este meio
collocados na Lista Official de Nomes Genericos, com os typos citados ; Cerion (utu),
Olracina (voluta), Xeritina (pulligera ), ClousUia (ngosa), l'itrina ( pellucida ), Torruitclli-
na (clausa).
120. Situação de Achatinus, 1810. — Achatinu r, 1810, representa emenda de Acha-
tina, 1799. sendo-lhe, pois, synonymo objectivo; a designação de zebra como typo de Acka-
tinus contraria o artigo 30o e e. Achatinus, 1810, invalida qualquer uso ulterior de Acha
tinas em sentido diíferente.
121. Necessidade não provada da Suspensão das Regras no caso de Agasoma
Gabb, 1869, typo sinuatum. — Desde que os argumentos apresentados para a Susjxnsão
das Regras no caso de Agasoma não convenceram os sete consulentes conchologistas e
paleontologistas que estudaram a questão, a Commissão não tem base para approvar a
proposta de Suspensão. Agasoma Gabb, 1869, typo sinuatum, c por este meio collocado
na Lista Official de Nomes Genericos.
122. Sete nomes genericos de Primatas collocados na Lista Official de Nomes
Genericos. — Os seguintes nomes genericos dc PRIMATA são por este meio colloca-
dos na Lista Official de Nomes Genericos, com as espccies typo citadas: Colobus (poly-
cornos), Galago ( galogo ), Gorilla ( gorilla ), Hylobates (lar), Lemur (catta), Pithecia
(pithccia), Tarsius ( sfectrum )
123. Suppressâo de “ Onomatologia Historiae Naturalis Completa” de P. F.
Gmelin. — Em vista de causar divergência dc opinião na interpretação de muitos dos
nomes usados cm Onomatologia Historiae Naturalis Completa de P. F. Gmelin (1758-
77), a adopção delles cm nomenclatura produziria maior confusão do que uniformidade.
Por este motivo, todo esse trabalho (vols. 1 a 7) c por este meio excluido de uso,
dc accordo com a Suspensão das Regras (si preciso ior), á luz das Regras Interna-
cionaes de Nomenclatura Zoologica.
124. Subdivisões de generos de Linneu, 1758. — As varias subdivisões de gêne-
ros publicadas por Linneu em 1758 não são acceitas como possuidoras de valor sub-
gencrico na data referida (1758), á luz das Regras Internacionaes.
125. Boros Herbst, 1797, e Borus Agassir, 1846, vs. Borus Albers, 1850. —
Bons Agas5iz, 1846. representa emenda dc Borus Herbst, 1797. sendo-lhe, pois, um abso-
luto synonymo; Borus Albers, 1850, c homonymo morto.
126. Novos nomes em “Procrome” de d’Orbigny, 1850 são nomenclatorialmente
aproveitáveis. A' luz da evidencia e da opinião dc eminentes especialistas consulta-
dos, a Gwnmissão não tem base para declarar inaproveitaveis ou ccmo r.omina r.uda os
novos nomes apparecidos em “Prodromc” de d’Orbigny, 1850, dc accordo com as Regras.
127. Suspensão das Regras para LcdidocycUna Gtimbel, 1868. typo .V»mmu/it«
mantelli — A' luz da opinião de especialistas, consultados no grupo correspondente,
a Commissão por este mdo suspende as Regras e colloca Lepuiocyclina Gümbcl, 1868,
typo Xummuhtes mantelli. na Lista Official de Nomes Genericos, com Cyclosipkon Ehrcn-
33
cm
SciELO
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274 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
berp. 185t>, typo Xummuliles manuUi, como seu synmq ma objectivo. Os cor.sulentts são
quasi unanimemente accordes cm declarar que a appbcação das Regras neste caso produ-
ziria maior confusão do que uniformidade.
128. Xjcleribia, 1796. Pupipara. e Spiuhtntix. 1826, .-'.farina. — A' luz da Suspen-
são das Regras. Xycleribia Latreille, 1796. com pedicularia Latreille. 1805. como typo. e
Spintumix von Hcydcn, 1826, com myoti Kolenati, 1856, corno typo. são por este meio
collocados na Lista Official de Nomes Gctk- ricos.
O nome especifico t-espertilionis de todos os auctores é por este meio invalidado para
os seguintes nomes gemtricos : Acarvs. Acrochalidia, Celeripes. Dermanyssus, Diplostas-
pis. Gamam s. Hippobosca, Ichoronyssus, Lipmyssus, Listropoda. Megistopoda. Xycleribia,
Pfdiculus. Pcnicillidio, Periglischrus. PhShiridiunr, Pteroptus. Sarcoptes. Spiniurnix, Strebla.
ã base de que a applicação das Regras produziria maior confusão do que uniformidade
129. Bi pi” na ria 1835 vs. Luidia 1839 — As Recras são por este meio suspensas no
caso de Bipinnaria 1855, vs. Luidia 1859. ã base de que «da applicação estricta das Regras
resultaria indiscutivelmente maior confusão do que uniformidade». Luidia Forbcs, 1839.
com o monotypo fragilíssima 1859 (synonymo subjectivo de Luidia ciliaris 1857), é por
este meio ccllocada na Lista Official de Nomes Genericos Os nomes Auricularia, Bipin-
naria, Brachiolaria e Pluleus são por este meio excluídos de aproveitabilidade como nomes
genericos e reservados como designações de phases de desenvolvimento.
150. Lylaeeras Suess, 1865. collocado na Lista Official de Nome» Genericos.
— A’ luz da Suspensão das Regras. Lylaeeras Suess, 1865 (gcrotypo. Amm nilfs fimbria-
tus Sowcrby) c por este mci> collocado na Lista Official <le Nomes Genericos.
131. Especie typo de Tromikoson-.a Mortensen. 1903. — A especic typo de 7> -
mikosoma i T. koehleri.
132. Situação da» "Gattungsbezeichr.ungen” de Sobolew. 1914. — As "Gattungs-
bczciclinungcn ” publicadas por Sobolew. cm 1914. são da mesma natureza que a» dc«i-
gnações publicadas por Herrera. isto é. forntulas. e não nomes genericos. não tendo,
pois, situação em Nomenclatura [Vide Opinião 72J.
155. Urpthot Dana e Phwoetphalidat Sar*. — .V luz «las Regras, o typ> dc
Urolhoe i V. rostratus. O auctor original dc um n<me de familia tem liberdade «fc esco-
lher qualquer gvncro incluso como typo nomenclatorial de tal familia. Não lhe é necessá-
rio escolher o mais velho gencro incluso como genero typo para essa familia. A' luz dos
presentes argumentos, è «lesnecessario substituir pelo novo nome Vrathridae 1932 o mais
antigo Phorocephalidae.
(Trabalho <U Secção d* Opkio!«f{â v Zoo!ofia Medica A.
Instituto Butantan. recebido cm novembro dc 1MT.
Dado á pubiridade cm dnembro dc 1IS7).
34
595.4381
ALGUNS OPILIÕES DA COLLECÇÃO DO INSTITUTO BUTANTAN
POR
C. de MELLO-LEITÁO
(Com 9 gravuras no texto)
Recebe o Instituto Butantan, dos pontos mais diversos do Brasil, apre-
ciável contingente de Arachnideos. especialmcntc formas cryptozoicas, entre as
quaes se encontram especies de Lycosa c Ctcnus, de peçonha activa mesmo para
o homem, e que por isso interessam mais de perto a esse Instituto. Com taes
aranhas são remettidos com frequência Opiliões da familia Gonylcptidac, que
impressionam, assim pelo aspecto extravagante do macho, como pela secreção
altamente fétida (quando recente) de suas glandulas cephalothoracicas. Esses
“boduns”, “aranhas-bodes” ou “frades fedorentos” (designação commum no Rio
Grande do Sul, segundo Gliesch) são tidos como venenosos, gozando da mesma
infundada fama que os “escorpiões-vinagrc” e que os “sólpugos”. Essas remes-
sas vão contribuindo para o conhecimento de nossa fauna e não é de estranhar
o numero de especies novas em Ordem tão pouco estudada. A região neotro
pica é terreno quasi inexplorado em todos os grupos de invertebrados e mesmo
os territórios que parecem mais conhecidos rese~vam ainda um rico thesouro de
formas inéditas. Um exemplo hastará: a pequena Republica do Panamá teve
suas aranhas estudadas por O. c F. Piekard-Cambridge (1886-1903) i« Biologia
Central Americana e. mais tarde, por Pefunkevitch (1925) que de 2S0 especies
colligidas descreveu 43 noras, e por Banks (1929), que acrescentou mais trinta
ainda não conhecidas. Pois bem: em novembro de 1936, Chamberlin e Ivié,
numa collecção feita na ilha de Barro Colorado, por Chickering, encontraram
mais 69 especies e 4 generos novos.
Os dois generos e as nove especies de Opiliões, que passo a descrever, pro-
vêm dos Estados de S. Paulo. Paraná, Santa Catharina e Rio Grande do Sul.
1
276
Memórias do Institulo Butantan — Tomo XI
Sub-familia PACHYLINAE
Genero Isopucrolia M.-L.
Isopucrolia tripos, sp. n.
(Fig. 1)
£ %
\
n». »
l«*pser*li* tripa*. *p. a.
£ — 8 mm.
Femores: 1,5 — 12 — 8,5 — 19 mm.
Patas : 16 — 40 — 27,5 — 57 mm.
Borda anterior do ceplialothoracc com dois tubérculos medianos e um de
cada lado. Ceplialothoracc com algumas pequenas granulações atrás do co-
moro ocular, que é muito rugoso e apresenta um pequeno tubérculo mediano.
Escudo abdominal irregularmente granuloso, todas as areas inermes, as areas
I e IV divididas por um sulco mediano. Areas lateraes com duas filas de
grânulos; area V e tergitos livres com uma fila. bem como o operculo anal
e os esternitos livres. Area estigmatica rugosa, sem granulações. Ancas
IV* com alguns grânulos; III com uma fila mediana de grânulos e uma fila
posterior de dentes; II e I com uma fila media de grânulos, maiores nas
ancas I.
cm
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Mello-Leitão — Oi>iliões do fíiitanlan
Palpos: trochanter com um espinho; fêmur com um espinho basilar ven-
tral e outro apicilar interno, mais robusto; patella inerme; tibia com 5 robus-
tos espinhos internos e tres externos ; tarso com 3 internos e quatro externos.
Tarsos de 7 — 14 — 9 — 10 segmentos, a porção distai dos tarsos II
de quatro segmentos. Femores I e III direitos, IV levemente sinuosos. Pa-
tas IV do macho : ancas muito salientes, truncadas, com curta apophyse apici-
lar externa ; trochanter com uma apophyse basilar dorsal e tres apicilares : a
superior e a inferior iguaes e a interna muito maior, curva para dentro; fêmur
quasi direito, levemente flexuoso no apice e com pequeno espinho apicilar.
Colorido geral pardo-queimado, sendo o escudo dorsal marmorado de
denegrido.
Hab. : Ribeirão Pires, S. Paulo.
Typo : No. 68. na collecção do Instituto Butantan.
Isopucrolia conspersa, sp. n.
(Fig. 2)
2 3
cm
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27S
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
£ — S mm.
Femores: 4 — 11,7 — 8 — 18,5 mm.
Patas : 15,5 — 41 — 26 — 55 mm.
Borda anterior granulosa. Cephalothorace granuloso. Comoro ocular
granuloso, com um cone mediano baixo. Áreas I a IV do escudo abdominal
inermes e irregularmente granulosas; as areas I e IV divididas por um sulco
mediano. Arcas lateraes com duas filas de granulações. Area V e tcrgitos
livres com uma fila de grânulos pontudos. Operculo anal com uma fila de
grânulos arredondados e estemitos livres com uma fila de pequeninas gra-
nulações. Area cstigmatica quasi lisa. Ancas IV granulosas; III com duas
filas marginaes de dentes ponteagudos ; II e I com uma fila media de grânulos
grosseiros.
Femores I, II c IV direitos, III curvos cm S. Tarsos de 7-11-10-9 segmen-
tos; a porção terminal dos tarsos II (como dos outros) de tres segmentos.
Palpos: trochantcr com um espinho; femur com um espinho basilar ven-
tral c outro, mais robusto, apicilar interno, e com uma fila ventral de grâ-
nulos ; patclla inerme ; tibia com quatro espinhos internos c tres externos ;
tarsos com tres espinhos de cada lado.
Patas I\ do macho: anca granulosa, de apophyse apicilar externa muito
curta ; trochantcr mais longo do que largo, com uma apophyse basilar exter-
na, duas apophyscs dorsacs (a interna bem maior, curva) c uma apophyse
interna ventral ; femur granuloso, livremente dobrado no apice.
Colorido geral castanho queimado. Visto a sccco, o corpo apparccc den-
samente pontilhado de secreção branca.
Hab. : Mogy das Cruzes, S. Paulo.
Typo: Xo. 77. na collccção do Instituto Butantan.
Xota: Podem -cparar-sc as tres cspecies de Isopucrolia pela seguinte chave:
A — Comoro ocular granuloso; as granulações da area V e de todos os ter-
gitos são pontudas /. consfersa.
AA — Comoro ocular liso, as granulações da area V c tergito livre I são
arredondadas :
B — Borda anterior com grandes granulações espersas; tcrgitos li-
vres II e III com granulações pontudas; corpo mosqueado de
branco I. uniformis.
BB — Borda anterior apenas com 4 tubérculos; tcrgitos livres II e
III com granulações arredondadas; corpo marmorado de dene-
grido /. tripos.
cm
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Mello-Leitão — Opiliõcs do Bulanlan
279
Genero. Pachyloides Holmb.
Pachyloides taurus, sp. n.
(Fig. 3)
A
Fi*. S
PithyloidM taarai. ip. n.
$ e o — 7 mm.
Fcmorcs do macho : 3,5 — 7 — 6 — 11 mm.
Femores da femea : 3 — 6 — 4,8 — 7 mm.
Patas do macho: 13,5 — 27 — ? — 31 mm.
Patas da femea: 12 — 25 — 17 — 24 mm.
Borda anterior do cephalothorace inerme c lisa. Comoro ocular com dois
altíssimos espinhos subcontiguos e dois tubérculos atrás dos espinhos.
Cephalothorace com algumas pequenas granulações esparsas. Arcas I a
IV do escudo abdominal irregularmente granulosas, com granulações maiores
e menores. Areas lateraes com duas filas de grânulos. Arca V com uma
fila anterior de granulações maiores e outra posterior, de granulações me-
nores. Tergitos livres com uma fila de grossas granulações. Operculo anal
irregularmente granuloso. Esternitos livres com uma fila de pequenos grâ-
nulos. Area estigmatica lisa. Ancas muito granulosas, com pequenas gra-
nulações. Tarsos de 6-10-7-7 segmentos.
Palpos : trochanter com um espinho ; femores com um espinho basilar
ventral e outro apicilar interno ; patella inerme ; tibia com 4 espinhos de cada
lado e tarso com tres internos e quatro externos.
5
cm
SciELO
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280
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Patas IV do macho: anca granulosa, com a apophyse apicilar externa
pontuda, levemente curva para trás; trochanter mais longo de que largo, com
uma notável apophyse apicilar dorsal, dirigida para dentro e curva em chifre
de touro: fêmur pouco granuloso, dobrado no terço apicilar e com um espi-
nho apicilar interno.
Colorido geral : mogno escuro.
Hab. : Santa Maria. Rio Grande do Sul.
Typo: Xo. 78. na collecção do Instituto Butantan.
Xota: Conhecem-se actualmente dez cspccies de Pachyloidcs, que podemos
separar pela chave abaixo:
-d — Arca I do escudo abdominal apenas com uma fila de granulações:
B — Areas II e III também com uma fila de grânulos .
P. iheringi R' VR -
BB — Areas II e III densamente granulosas — P. Ihorclli Holmb.
A A — Arca I do escudo abdominal densamente granulosa:
B — Arcas I a IV do escudo abdominal com uma fila regular de gra-
nulações, bem maiores:
C — Arca IV dividida; femur IV do macho curvo em S e com tres
pequenos espinhos basilares : tergitos livres com uma fila de grâ-
nulos; tibias II do macho inermes . . . P. armalus Rwr.
CC — Arca I\ inteira; femur IV do macho curvo regularmente para
dentro e tib:a III com dois espinhos apicilarcs:
D — Tergitos livres com uma fila de grânulos; apophyse apicilar
dorsal do trochanter IV do macho curva para dentro e para
trás ; ccphalothoracc apenas com dois tubérculos atrás do co-
moro ocular p. calcartibialis R' VR -
DD — Tergitos livres com duas filas de grânulos; apophyse apicilar
dorsal do trochanter IV do macho curva para fora c para
diante ; cephalothorace densamente granuloso atrás do comoro
ocular p. falla.v M.-L-
BB Arcas I a I\ densa c irrcgularmente granulosas:
C “ Borda anterior do cephalothorace com uma elevação mediana :
D — Femur IV curvo nos dois sexos . . P. lubcrndalus Mueix~
DD — Femur IV direito nos dois sexos ... P. fi%chcri MueU-
CC — Borda interior do cephalothorace inerme e lisa :
D — Femur IV direito, anca IV lisa, espinhos do comoro ocular
baixos P. orienlalis R' VR -
DD — Feniur IV curvo ou dobrado, anca IV granulosa, espinhos do
comoro ocular muito elevados:
cm
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Mei.lo-Leitão — Opiliões do fíutantan
281
£ —
EE —
Fêmur IV do macho muito curvo, com robustíssimo espinho ba-
silar; tibia III do macho com robusto espinho interno; area V
com uma fila de grânulos P. beUicosus Rwr.
Fêmur IV do macho apenas dobrado no terço apicilar e com
espinho basilar; tibia III inerme; area V com duas filas de
granulações P. taums M. - L.
Genero Guaranilia, g. n.
Comoro ocular com alto espinho. Areas I, II, IV e V do escudo dorsal,
tergitos livres e operculo anal inermes; area III com dois espinhos. Fêmur dos
palpos com um espinho apicilar interno. Todos os tarsos de mais de seis segmen-
tos. Este genero é muito proximo de Guaraniticus, do qual se distingue por
ter todos os tarsos de mais de seis segmentos. Ha 6 generos com dois espinhos
na area III, comoro ocular com um espinho e fêmur dos palpos com espinho
apicilar interno e que apenas se sejaram pela segmentação dos tarsos; são elles:
Eugyndes Roewer — 4.6.Ó.6.
Gyndesoides Mello-Leitão — 5.Ó.5.6.
Klobinia Mello-Leitão — 5.n.5.6.
Oglobinia Canals — S.n.6.6.
Guaraniticus Mello-Leitão — ó.n.n.n.
Guaranilia. g.n. — n.n.n.n. Deste o typo é:
(iuaranilia nigrosulcata, sp. n.
( Fig. 4)
Fia. «
Csirinilia niimulcali, g. n.. sp n.
cm
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282
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
3 * — 8 mm.
Femores: 4 — 7 — 6 — 8,5 mm.
Patas: 15,5 — 27 — 20,5 — 28 mm.
Borda anterior inerme e lisa. Cephalothoracc liso. Comoro ocular liso
com alto espinho mediano, erecto. Areas I a IV do escudo abdominal den-
samente granulosas, a area III com dois espinhos, area I dividida por um
sulco mediano e area IV inteira. Areas lateraes com uma fila de granula-
ções, bem como a area V, os tergitos e estemitos livres. Operculo anal dor-
sal com algumas granulações esparsas e o ventral com uma fila de grânulos.
Area cstigmatica e ancas densamente granulosas. Femores I e II direitos:
II e IV curvos em S. Tarsos de 7 - 13 - 13 - 13 segmentos.
Palpos: trochanter com dois espinhos; fêmur com dois espinhos basilares
ventraes c um apicilar interno; patclla inerme; tibia com quatro espinhos de
cada lado c tarso com 4 externos e 3 internos.
Patas IV do macho: anca com poucas granulações dorsaes e provida dc
curta apophyse apicilar externa bifida, transversa, de ramos iguaes, c peque-
na apophyse apicilar interna dirigida para trás; trochanter mais longo do
que largo, com dois espinhos basilares (um dorsal c outro ventral) c tres
apophyses: supero-externa (a maior), supero-interna c inferior; femur cur-
vo em S, com filas dc grânulos na face dorsal, duas filas de dentes na ven-
tral c dois robustos espinhos divergentes no terço e medio.
Colorido geral: castanho queimado, o escudo dorsal com grande mancha
esbranquiçada que occupa quasi toda a sua extensão, com os espinhos da.
arca III c os sulcos negros.
Hab. : Scngés, Paraná.
Typo: Xo. 72, na collccçáo do Instituto Butantan.
Sub familia GONYLEPT1NAE
Genero Thcliospelta, g. n.
Comoro ocular com dois espinhos. Ares I, II c IV do escudo abdominaf r
tergitos livres e operculo anal inermes ; area I dividida por um sulco mediano .
area III com uma eminencia mamillar mediana. Palpos de femur c patci.a
delgados e inermes. Tarsos I de seis segmentos, os outros de mais de sets.
Este genero se distingue dc todos os outros de Gonylrptincu pelo curioso tu-
bérculo da area III e pela estruetura dos palpos, semelhante á dos palpos dc
Goclopygimc ; todavia, suas unhas dos tarsos III c I\ são typicamente dc
Gonylcptinae. Typo:
cm
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Mello-Leitío — Opiliões do fíutantnn
283
Theliospelta granulata, sp. n.
( Fig . S)
0
Flf. 6
Th*lio*pe|t» cranulata. g. n. *p. o.
<S — ~ mm.
Borda anterior lisa e inerme na face dorsal c provida, de cada lado da
face anterior, de quatro grânulos pontudos dirigidos para diante. Ccphalo-
thorace com algumas granulações esparsas. Comoro ocular liso, com dois
pequenos espinhos. Areas da região mesotergal irregularmentc granulosas,
sendo as granulações mais densas na eminencia mamillar da area III. Areas
lateraes muito granulosas. Arca IV, tergito e opereulo anal ventral cora
uma fila de grânulos ; opereulo anal dorsal liso na porção mediana e granuloso
dos lados. Area estigmatica e ancas densamente granulosas.
Palpos: trochanter com uma granulação setifera basilar e duas apiedares;
femur delgado, direito, inerme ; patella delgada, direita, inerme ; tíbia muito
mais espessa do que a patella e com 4 robustos espinhos de cada lado; tarso
da espessura da tíbia, com tres espinhos externos e dois internos e com uma
dupla fila de numerosos espinhos curtos, triangulares.
Patas 4 do macho: anca granulosa, com robusta apophyse apiedar ex-
terna, transversa bifida ; trochanter mais longo do que largo, com um espinho
externo, sub-basdar e dois apiedares internos geminados e divergentes ; fe-
cm
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284
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
mur curvo em S, com uma apophyse basilar dorsal, uma fila interna de espi-
nhos, dos quaes 4 maiores, e uma fila externa de tubérculos.
Colorido geral amarello-queimado ; o cephalothorace fulvo; as granula-
ções do escudo dorsal negras, as da eminencia mamillar avermelhadas ; apo-
physe das ancas IV negras.
Hab. : Inhaiba, S. Paulo.
Typo: Xo. 67, na collecção do Instituto Butantan.
Genero Weyhia Roewer, 1913
Weyhia serriperna, sp. n.
(Fig. 6)
Fi«. S
Weyhia serriperna. »p. n.
£ — 12 mm.
Femures: 6 — 11 — 10 — 17 mm.
Patas : 23 — 41 — 33,5 — 53 mm.
Borda anterior do cephalothorace com dois tubérculos na eminencia me-
diana c uma fila de pequenas granulações de cada lado. Comoro ocular com
dois tubérculos e algumas granulações. Cephalothorace liso, com dois tu-
bérculos atrás do comoro ocular. Areas I e II do escudo abdominal com
algumas granulações espersas e dois tubérculos baixos; arca III com duas
filas regulares e dois tubérculos mais altos, hcmisphericos. Areas lateraes
com duas filas de grânulos; area IV e tergitos livres com uma fila de gra-
nulações pouco numerosas. Operculos anacs lisos. Estemitos livres com
uma fila de pequenos grânulos. Area estigmatica e ancas densamente gra-
nulosas. Tarsos de 6-10-7-8 segmentos.
10
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Mello-Leitão — Opiliões do Bulanlan
285
Palpos: trochanter com um espinho; femur com pequena granulação ba-
silar ventral ; patella lisa e inerme ; tibia com quatro espinhos internos e tres
externos ; tarso com dois espinhos principaes de cada lado.
Patas IV do macho: anca granulosa, com robusta apophyse apicilar ex-
terna, obliqua, biíida; trochanter mais largo do que comprido, apenas provido
de pequenos tubérculos basilares dorsaes; femur direito com uma apophyse
incudiforme basilar dorsal e uma fila de robustíssimos espinhos na face interna.
Colorido geral : negro uniforme.
Hab. : Porto União, Santa Catharina.
Typo: Xo. 73, na collecção do Instituto Butantan.
Weyhia granulosa, sp. n.
(Fif. 7)
. ( •
Fif. 7
Wfyhi* granulou, sp. n.
0 * — 11,5 mm.
Femores : 5,5 — 9,5 — 8 — 10,5 mm.
Patas : 20 — 34 — 28 — 39 mm.
Borda anterior do cephalothorace com dois espinhos na elevação me-
diana e uma fila de grânulos de cada lado. Cephalothorace com algumas gra-
nulações esparsas. Comoro ocular liso, com dois pequenos tubérculos. Áreas
I a III densamente granulosas e com dois tubérculos baixos e anedondados.
Areas lateraes densamente granulosas. Arca IV e tergitos livres com duas
filas de grânulos. Operculo anal dorsal com dois pequeninos tubérculos, o
ventral liso. Esternitos livres com uma fila de grânulos pequeninos. Arca
estigmatica e ancas IV com um grande numero de pontos deprimidos, seti-
feros. Areas III lisas, com uma fila marginal anterior e outra posterior de
dentes ponteagudos, as ancas II com uma fila de grânulos e anca I com duas.
11
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Tarsos de 6-9-7-8 segmentos.
Palpos : trochanter com dois tubérculos ; femur com um tubérculo basi-
lar ; patella inerme ; tibia com 4 espinhos internos e tres externos ; tarsos com
dois de cada lado.
Patas IV do macho: anca granulosa, com robusta apophyse apicilar ex-
terna, transversa, biíida; trochanter mais largo do que comprido, com uma
apophyse cônica basilar externa ; femur curvo em S, com robusta apophyse
dorsal e duas filas de espinhos e dentes, irregularmente dispostos de cada
lado.
Colorido geral : castanho denegrido.
Hab. : Pirahy, Paraná.
Typo : Xo. 69, na collecção do Instituto Butantan.
Xota: Estas duas espccies são bem caracterizadas pelos femores IV dos
machos. Sua posição entre as demais cspecies de Weyhia, já bem numerosas,
será dada em próxima publicação.
Genero Penygorna M.-L., 1936
Penygoma bimaculata, sp. n.
(Fig. 8)
< 7 _
K*. 8
Onritru hlBiirtWi, sp- n.
irr» * IfTfitM ííttw. ajto* d*
12
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Mello-Leitão — Opiliões do Butanlan
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<3 — 8 mm.
Femores: 4 — 8,5 — 6,5 — 8,5 mm.
Patas : 14,5 — 28,5 — 21 — 29 mm.
Borda anterior do cephalothorace com duas eminências e dois espinhos
de cada lado. Comoro ocular granuloso, com dois altos espinhos. Ccphalo-
thorace densamente granuloso atrás do comoro ocular. Areas I a III densa-
mente granulosas e com dois tubérculos baixos. Areas lateraes com duas
fiias de granulações. Arca IV e tergitos livres com um espinho mediano e
uma fila de grossas granulações. Operado anal granuloso. Esternitos li-
vres com uma fila de grânulos. Arca estigmatica e ancas muito granulosas.
Tarsos de 6-11-7-8 segmentos.
Palpos: trochanter com dois pequeninos turberculos seti feros; femur com
uma fila vcntral de 4 grânulos; patclla inerme; tibia com 4 espinhos internos
e 3 externos; tarso com 4 espinhos de cada lado.
Patas IV: ancas com curto espinho apiedar externo; trochanter com
quatro espinhos internos em fila; femur com duas filas inferiores de espinhos.
Colorido geral: pardo escuro, denegrido: cephalothorace com duas gran-
des manchas amarellas.
Hab. : Colonia. Rio Grande do Sul.
Typo: Xo. 71, na collccção do Instituto Butantan.
Sub-familia BOURGUYINAE
Gcnero D e s p i r u s Roewer. 1929
Despirus ustus, sp. n.
(FV. 9 )
13
It — Bnmui
2 3 4
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
£ — 0.3 mm.
Temores: 7 — 14,5 — 9,5 — 19,5 mm.
Patas: 22 — 53 — 30 — 59 mm.
Borda anterior do cephaiothorace com uma tila de granulações. Comoro
ocular com quatro grânulos e dois espinhos obliquamente dirigidos para diante.
Cephaiothorace com uma area granulosa atrás do comoro ocular. Area I com
uma zona media granulosa; II com uma zona media granulosa um pouco
mais larga e uma fila de grânulos junto ao sulco III; area III com dois
espinhos c granulosa nos tres quintos médios ; area IV dividida, com uma fila
de grânulos em seu terço medio. Áreas lateraes com uma fila de grânulos
c duas zonas irregularmente granulosas. Area V e tergitos livres com uma
fila de granulações. Operculo anal granuloso. Estemitos livres com uma
fila de granulações. Area estigmatica e ancas densamente granulosas, com
as granulações setiferas. Tarsos de 6 — 12 — 8 — 7 segmentos.
Palpos: trochanter com um espinho; femur com um espinho basilar c
outro apicilar interno; patella inerme; tibia com 4 espinhos de cada lado c
tarso com tres. Ancas IV do macho granulosas, com duas apophyses apici-
lares curvas, quasi iguaes; trochantcrcs mais longos do que largos, com um
espinho sub-basilar interno.
Colorido geral: fulvo, sombreado, com os espinhos negros, liem como as
apophyses das ancas IV.
Hab. : Mogy das Cruzes, S. Paulo.
Typo: No. 76, na collecção do Instituto Butantan.
Nota: Enquanto Dcspirus fanvlus (Rwr.) tem o aspecto de Discocyrtus,
e. por isso. alias, foi posto primitivamente nesse genero, D. ustus lembra um
Ncomitobates.
<Trmb*!bo de eolUboraçio do Museu S»ôomI, Rio. receb.-
do para publicação em março de 1M7. Dado á
blicidade, em aeparata. em abril de 1M").
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HERMAPHRODITISMO ALTERNANTE PROTEROGYNICO EM
RH ARDI AS FÜLLEDORM TRAV.
POR
ANDRÉ DREYFUS
(com 8 figuras)
Rhabdias bufonis (Angiostomum nigrovcnosum) apresenta um cyclo hete-
rogonico com uma phase parasitaria, no pulmão do sapo ou da rã, e outra livre,
no meio exterior. Enquanto que as formas de vida livre são bisexuadas, í<i
verificado desde 1865 por Leuckart (1) c por Metschnikofí (2) que no pulmão
só se encontram femeos. Da inexistência de machos surgiu a idéa de que o
desenvolvimento dos ovulos se désse por parthenogenese, até que o estudo de
taes femeas feito por Schneider (3) mostrou que, muito embora fossem esses
animaes phcnotypicamente femeas incontestáveis (presença de 2 ovários, 2 úteros,
etc.), a analyse de seus ovários revelou a presença ncllcs de zonas testicularc >.
São, pois, henrophroditas, ou, melhor, femeas transformadas (só cm relação ã
gomda) em hermaphroditas, pois o resto do animal, como dissemos, apresenta
caracteres apenas femininos.
O numero de zonas testicularcs que se encontra em cada ovário não poude
ainda ser esclarecido de modo definitivo. E’ muito facil demonstrarmos a exis-
tência de 2 zonas testicularcs por ovário, pois nas formas adultas encontramos
com grande frequência uma zona testicular encravada no ovário em situação
mais ou menos alta, ao passo que o receptáculo seminal se mostra cheio de
espermatozóides. Ora, estes espermatozóides, bem como os utilizados para a
fecundação dos numerosos ovos que se encontram em pleno desenvolvimento no
utero, só podem ter sido formados por uma zona testicular mais precoce do
que aquella que está evolvendo em pleno ovário, mesmo porque nella frequen-
temente ainda não ha espermatozóides. Como em formas velhas Schlcip (4)
encontrou zonas testiculares jovens, crê este auctor que talvez se possa formar
uma 3.* zona testicular por ovário. Não discutiremos esta questão, na presente
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
nota, mesmo porque não interessa no problema que aqui vamos analysar. O que
nos preoccupa é sabermos o que apparece em l.° logar, si uma zona ovular
(hermaphnxlitismo protenogynico) ou testicular ( hermaphroditismo proteran-
drico).
Tivemos ensejo, trabalhando com Rhabdias fiilleborni Trav. de observar um
animal bastante jovem, cujos úteros continham apenas poucos ovos em segmen-
tação. Basta comparar a Fig. 1. que é um aspecto do conjuncto de exemplar
daquclla especie. com a Fig. 2, que mostra um Rhabdias commum do pulmão,
para se poder avaliar com facilidade da juventude de nosso exemplar.
Estudando uma zona testicular admiravelmente nitida apresentada por este
animal (Fig. 3) — (para se ter idéa de sua séde, vêr a Fig. 1) — tivemtos nossa
at tenção chamada para uma particularidade que a distingue das zonas testiculares
encontradas facilmente nas formas cre-cülas.
Para que a possamos comprehender, convem que nos detenhamos um pouco
na analysc da zona testicular desse Rhabdias jovem. Olhemos para a Fie. 4
que nos mostra o limite superior da zona testicular em apreço. Veremos ahi uni
ovocyto e. abaixo delle. 2 espennatocytos de I.* ordem a occujnr toda a largura
da zona espermatica. Só este facto já c um indicio claro de que tal zona tes-
ticular é muito jovem, pois, si a compararmos com o limite superior de uma
zona testicular de Rhabdias adulto (Fig. 5), veremos que aqui o numero de
esjicnnatocytos. que occupam a hrgura da zona testicular. é de cerca de 10 (ta!
numero varia, mas é sempre muito superior a 2). Essa região sujxrrior da zona
testicular. zona de transição de Schleip. nada de espcdal apresenta, além de stn
estreiteza.
O mesmo não occorre, si nos detivermos no exame da zona inferior. En-
quanto que. numa zona testicular de Rhabdias adulto, vemos um aspecto muito
característico, liem estudado por Schleip. que llie deu o nome de zona de dege-
neração. aspecto que se pode verificar muito bem em nossa Fig. 5 a. o mesmo
não aconteceu com a zona testicular jovem. E’ assim que, si a examinarmos,
veremos ahi os espermatozóides (Fig. 6, a) ao contacto de um ovocyto de aspecto
absolutamente nornnj e nenhum signa! de degeneração poderá ser observado,
apesar de se tratar de zona testicular evolvida, isto é, já tendo elaborado esper-
matozóides.
Foi tão notável particularidade que nos levou a examinar com o
máximo cuidado os cortes seriados na alludida região. O exame da Fig. 7
mostm-nos que, pouco abaixo da zona testicular que estamos estudando, se podem
vêr o reecptaculum sc minis ( b ) c nelle numerosos espermatozóides. E’ o que
se pódc observar com clareza na Fig. 8, I. onde foi cuidadosamente desenhada
a zona testicular e. abaixo delia, o rcccptandum seininis , embora, por infelicidade.
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DnEYFTJS — Hernuiphroditismo alternantr
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uma alça tivesse causado, em nosso corte, a falta de um pedaço do tubo ovarico
que vae do ovocyto que fecha a zona testicular (b) até o receptáculo (o), vendo-se
nessa região, onde foi cortado o utero. dois ovos em desenvolvimento. Os cortes
seriados mostraram-nos. porém, que nenhum phenomeno degenerativo, como era
de se esperar pelo estado do ovocyto a. existia no presente «Uso.
Como explicar tão curiosa differença entre as zonas testiculares de um
animal adulto (existcncia de uma zona de degeneração) e de um animal jovem
(ausência dessa mesma zona) ? O exame dos cortes seguintes, do qual o
mais instructivo (que no preparado era o immediato ao figurado em I) está
desenhado em II, responde á nossa interrogação. Vemos ahi os espermatozóides
(o) contornarem o ovocyto que fecha a zona testicular e passar entre os ovocytos
para o reccptaculum snninis (8, II b). Somos assim levados á conclusão de
que taes espermatozóides vão ser encarregados de fecundar os primeiros ovocytos
que. emlwra nascidos antes delles. só amadurecerão quando já existirem esjxrr-
matozoides. A necessidade de explicar como se dava a fecundação destes pri-
meiros ovocytos era um dos argumentos em favor da idéa de que a elalwração
dos esjiermatozoides devesse preceder a dos ovulos. O nosso tachado explica
perfeitamente como se dá tal fecundação.
A opinião, segundo a qual os espermatozóides contidos no receptáculo seminal
rlesse Rhabdias jovem puderam ter sido elaborados por uma zona testicular
formada anteriormente á que estamos estudando, não nos parece sustentável :
a) por não haver então explicação para a inexistência da zona de degeneração
na zona testicular jovem por nós estudada: b) pelo facto de serem pouco
numerosas a> zotlas testiculares que se formam num ovário de Rliabdias. lí'
assim que, durante toda a vida do animal em geral, só encontramos uma zona
testicular por ovário. Tal zona provém de ccllulas ovogotvcas que. em vez
de seguirem a evolução ovogenetica. transformando-se em ovocytos, evolvem
differentemente dando espermatocytos. Isto se passa em nivel alto de ovário
(zona de synapse) e, á proporção que a zona testicular evolve, desce até que,
finalmente, alcança o receptáculo seminal, onde ficam depositndos os esper-
matozóides. Estes espermatozóides fecundarão os ovocytos que forem successi-
vamente amadurecendo.
Como Schleip encontrou em geral uma zona testicular cm evolução e esjier-
matozoides (evidentemente formade* por uma zona testicular mais antiga) no
receptáculo seminal, acreditou que o numero de zonas testiculares deveria ser
pelo menos de 2 por ovário. Em animaes muito grandes encontrou uma z»na
testicular jovem e por isso admittiu que talvez o numero delias pudesse ser 3.
Xossos achados em Rhabdias fiillcbonii são concordes com os de Schleip em
R. bufonis. Ora. será razoavel que, num animal tão jovem como o que estu-
damos e onde ha uma zona testicular tão reduzida de tamanho (2 ccllulas para
toda a largura do testículo) em relação á mesma zona no adulto, já se tenha
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292 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
anteriormente formado outra zona testicular. quando acabamos de ver que,
durante toda a vida do adulto, onde são postos ovos em numero enorme (ver
Fig. 2), uma unica ou no máximo 2 zonas testiculares serão formadas?
Do exposto pensamos poder chegar á seguinte conclusão: A zona tes-
ticular jovem por nós encontrada deve ser, muito provavelmente, a primeira
zona testicular formada no Rhabdias. Antes de sua formação, o ovário deu
nascimento a ovulos cuja fecundação foi assegurada pelo facto de os primeiros
espermatozóides, formados depois delles na zona testicular inicial, se terem insi-
nuado entre òs ovocytos, situados abaixo e em via de crescimento e, chegados
ao reccptaculum seminis, nelles terem penetrado. Assim se explica por que
motivo falta, nesta primeira zona testicular, a zona de degeneração. Ao se formar
mais tarde uma nova zona testicular, contendo ainda o receptáculo seminal os
espermatozóides formados pela primeira zona, permanecem os espermatozóides
da segunda zona no local de sua formação e descem ao longt> do ovário, sim-
plesmente em consequência da descida da zona testicular. onde se encontram,
sem sc insinuarem entre os ovocytos situados abaixo c dos quaes ficam sepa-
rados pela zona de degeneração. Vemos assim que os espermatozóides da 1*
zona fecundariam ovulos situados adiante delles e outros mais numerosos, for-
mados depois delles, ao passo que os esjwrmatozoides formados nas seguintes
zonas testiculares só poderão fecundar ovocytos nascidos depois delles.
COMMENTARIO
Os auctores que nos precederam no estudo das phascs jovens da forma
hermaphrodita dc Rhabdiasidac, foram Schneider (3) c Schleip (4), pois Boveri
(5), que estudou o cyclo chromosomico de Rhabdias bufonis. não fala nas phascs
jovens.
Schneider diz textualmente o seguinte: “Infelizmente também é mais difíi*
cil do que nos hermaphroditas de vida livre ter a certeza de que o ovário no
estado mais joven fornece esperma, porque os orgãos sexuaes de Ascaris nigro -
venosa não se deixam eventrar facilmente, mas ficam ligados solidamente com
a parede do abdome. Consegui, porém, encontrar um exemplar que ainda não
continha ovos, e sim espermatozóides cm estado ainda não desenvolvido, de
forma granulosa e situados na parte potterior das tubas” (*). Parece-nos que.
si levarmos em conta a precariedade da technica usada por Schneider (trabalho
não cytoiogico), a descripção insufíiciente que nos dá e a ausência de qualquer
figura que esclareça as duvidas, em opposição ao aspecto nitido por nós cncon-
(•) M UUer i«l m iwb Kkvervr ili b»i J«n frvtlakaadaa Z»itl*r »kIi dnàl n ■Wm^ra, 4 jm 4*t
ta via*m (rukftva Sudiaa d*n 5in*ea b*r»it#«. da 4a Ga«<hU<ht*argan- 4*r A Maria nicrovanaa* ikh akfcl Wabi
bfraoidrtkkni Uma, i*r>d»rn í««t mil «lar Lfibtmad lauataMabiaie* la4«M i»l »• «ir d««h gflraaea.
Fwaiplir ta l»4»a. aa<h ktim Lar roUiifil. »«kl iWr 5a««a ia 4*m iwh na»al»kà#llia 5*adiaaa ala
kvraif* Kncela. aa4 f«ar ana Hinlmad# d»r TaWn ” L«(. CÍt. ia Bikl.. p. J1T.
I, | SciELO
4
Drbyfcs — Hermaphroditismo alternante
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trado, deveremos, quando muito, suspender nosso juizo, até que noras observa-
ções venham demonstrar si se formam primeiramente ovulos ou espermatozóides
na gonada dos Rhabdiasidae.
Quanto a Schleip, diz: “No animal mais jovem que me foi dado vêr não
encontrei espermatozóides maduros nos receptáculos seminaes e sim uma zona
testicular em cada canal germinativo. Numa delias existem ovos (na direcção
do orifido sexual) que se encontram em nitida degeneração. Na outra ha dois
ovos em segmentação, de aspecto normal. Como ha espermatozóides maduros
em ambos os testículos, é possível que alguns delles tenham alcançado os ovos.
E’ pena que exactamcnte este preparado estivesse um pouco alterado. Por este
motivo não desejaria dar por estabeleddo que, conforme 9e deprchenderia desta
observação isolada, se formem de facto, no canal germinativo. primdramente
ovocytos e depois espermatocytos. Mesmo porque isto estaria em opposição á
opinião de Schndder arima referida. Espero alcançar resultados definitivos
quando se consiga obter estados jovens da geração hermaphrodita por infestação
experimental das rãs” (*). E Schleip accresccnta: “Os indivíduos da geração
parasita não merecem, portanto, o nome de hermaphroditas proterandricos, mesmo
abstrahindo o facto de se formarem primeiramente ovos, a julgar por uma
unica observação. Pelo contrario, clles são em expressão resumido, “herma-
phroditas alternantes” que produzem primeiro espermatozóides, depois ovos, cm
seguida novamente espermatozóides e finalmente, ainda uma vez, ovos. Os
ovos formados depois das primeiras cellulas seminaes são fecundados por estas
c, quando deste modo os espermatozóides chegam quasi que a ser consumidos
inteiramente, avança o segundo contingente de cellulas seminaes entrementes for-
mado acima e torna a encher o receptáculo, permittindo, assim, também a fe-
cundação dos ovos situados acima da zona testicular. Não posso dizer com
segurança quantas vezes se repete esta formação alternada das duas modalidades
de cellulas sexuacs, nem si ha uma terceira formação de espermatozóides, o que
dependerá da quantidade de ovos produzidos por um animal” (**).
(•) **la dem jun«>tea mi» SU Cetichl |*Ume.»n»« Ti er (and kb k«àaa lectifea $penaka ia dea b«idea
«amenbrhãltrrn. »*hl abe» *i#e lUdenroo* ia jeder Kelarihre. Ia dar fiara lirfrn anterbalb firfen dia Ca-
•chlechttefínocf bia) tá», dm aich deatlkb ia DfffBerttaa befiadea. ia dee aaderea, i«ei «kh íurrbeade Ei er
«•« narmalra Anrnhra. Da ia dra beidra Q»<iearf|waea t xh tchan fertiga «penaiea befiadea, m itt et mãçlicb,
dam «taifa fta dietea «a den Eiera («laaftea oad dieta brfrachletea. Leidar itt ferade dietet Priparat «t«ai
mltUI. Se mãrkta kk et daker aacb akbt fõr fettfetlelh aatebea. datt. «ie aut dtrtae «mea Beabacbtaaf
berrar* «bea «arde. tatiíchlkh kn de» Ketmrãkr* eoertl Oiecytea oad dana $penaate* 7 lra («büdet «erdea; et
«arda dirt aoch der abaa aafefãkrten Beebeebtunf rea Scbarkier «idrriprvcbea. Eadfõltife Etfebaitte balí#
kb «a erlaaftn. ««ao et fcitznfea itt. joieadlkbe 5tadtra der i*ittnieo Ceaeratiaa durrb kãattlkba lafrktiaa dee
Frêtcbe heraerutkbea.** Lk. CtL. ia Brbl.. p. B.
(••) -D*a ladiv tdo*n der para«iti*«brn Ceaeratiaa «evdiraea aU« dea Niara praleraadritcbe Zwilter axbt.
aacb «rna «ir davaa abeebea. datt. narb tmrr Beebacbtvaf ta teklkttea. âberbaapt toerit Ekr gebildet «erdra;
•a adera ik k« kart aatfrdrâckt. ~alterekreade Z»itlee*\ «eleba etteet! 5 penem a. dana Eter. darauf «k dee
Spermka uad acklireilkk aaebaialt Ekr «reeofea. Dk aacb dea eriUo Saateaaellea s«btld«tea Ekr «erdea »ta
ertUrea befrucktrt. oad «eua allmiblmb dadorcb dk Spenaka na bera aaffebraacbt tiad. itt der uaterdettea tka
entttaadeaa ivrita SaU »aa 5amenaellen aacbgcrãckt oad fõllt dat R «capta enium «kder aa(. damii aacb dta
oberbalb der Had«naaaa lk«*adea Ekr kefrocbtet «erdea kãaara. Ti« aft dkta ab«ecbtelade Bildnc d«« be»d*«
CeccklecbUtellee tkb «kderbalt. ab tkb âberbaapt «ia drittí» Mal Spenaka bfldea. kaaa kk akbt tkker
Et «ird dat tta der M«af« der Ekr abbiafea. «eleba ita «ínem Tkr «rneuft «erdea.** I,ec. cit. ta Btbl.. p. 99.
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29-1 Memórias do Instituto Bulantan — Tomo XI
Fizemos essa longa dtação para mostrar as duvidas de Schldp sobre o as-
sumpto que estamos estudando: começa descrevendo uma forma jovem por elle
achada e onde se teriam formbdo primeiramente ovulos, chegando a dizer: “é
possível que alguns delles (espermatozóides) tenham alcançado os ovulos” e os
hajam fecundado. E’ exactamente nosso ponto de vista. Depois, parece ac-
ceitar o ponto de vista de Schneider, declarando que se formam primeiro esper-
matozóides. depois ovulos. depois espermatozóides e “finalmente”, ainda uma
vez. ovos. E, depois de ter assim fixado o numero de vezes em que se dá a
formação das cellulas sexuaes. diz que não sabe quantas vezes se da esta al-
temancia.
Parece-nos, em conclusão razoavel. que devemos conservar a designação de
hcrmaphrodita alternante, proposta por Schleip, a que acrescentaremos prote-
rogynico. para a forma parasita e hcrmaphrodita de Rhabdias füllcbonii.
Restaria discutir um ultimo ponto: o hermaphroditismo tão commum entre
os nematoides foi sempre descripto como proterandrico. Será o caso do Rhabdias
uma exce])ção? E. neste caso, que relações existem entre o hermaphroditismo
alternante proterogynico de Rliabdias e o hermaphroditismo proterandrico dos
demais nematoides? Esta questão, extremamente interessante, será por nós
discutida em proximo trabalho.
RESUMO
1 — 0 encontro de um exemplar bastante jovem da forma patosita e hcrma-
phrodita de Rhabdias füllcbonii, permittiu estudar l>eni uma zona tes-
ticulaf.
2 — A zona testieular distinguia-se das zonas testicularcs das formas adultas,
por não apresentar, no limite inferior, a area de degeneração, que nor-
tnalmente separa a zona testieular do resto do ovário.
3 — A observação cuidadosa dos cortes seriados mostrou que os espermato-
zóides formados nesta zona testieular se insinuavam entre os ovocytos
situados abaixo c iam para o rcceptaculum seminis. facto que não occorre
nas zonas testiculares do adulto.
4 — Desse estudo se pode concluir que. neste animal, primeiramente se formam
ovocytos, depois espermatozóides, os quaes descem entre os ovocytos situa-
dos adiante delles. indo fecundai -os no rcceptaculum seminis. Asíim se
explica como. fabricando este animal primeiramente ovulos, podem este?
ser fecundados.
5 — * T rata-se, portanto, de um anintal que fabrica, altemativamente. ovulos e
espermatozóides (pelo menos 2 vezes cada) e. por isso, merece ser cha-
mado um hcrmaphrodita alternante proterogynico.
1, | SciELO
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Drevfus — Hermaphrodilismo alternante
295
RÉSUMÉ
En étudiant la forme hermaphrodite et parasite de Rhabdias füllcborni, on
a rencontré une forme três jeime (Fig. 1) dans laquelle chaque utéms ne con-
tenait que quelques oeufs (a comparer avec la Fig. 2 qui montre 1’adulte avec
les utérus remplis d’oeufs en évolution). II s'y trouvait une zone testiculaire
particulièrement nette (Fig. 3) qui se distinguait des zones testiculaires des
formes adultes (Fig. 5), non seulement à cause d’unc moindre épaisseur (2
cellules. Fig. 4, contre environ 10). mais surtout parce que la zone de dégénera-
tion (Fig. 5. a), qui separe inférieurement le testiculc de 1’ovaire. nc s’y trouvait
pas (Fig. 6). L’examen des coupes sériées a montré que dans la forme jeune
les spermatozoldes contoumaicnt 1’ovocyte qui marque la limite inférieure de
1’ovaire. s'insinuaient entre les ovocytes et allaient se tasser dans 1c rcccptaculum
sc minis (Fig. 7. a), ce que l’on peut voir plus clairement par l’examen du dessin
(Fig. 8). qui montre en I o le récéptacle rempli de spermatozoides. D’oü la
conclusion suivante: les spermatozoides formes dans la prcmièrc zone tcs-
tictilaire se chargent non seulement de la fécondation des nombreux oeufs qui
viendront terminer leur évolution dans le récéptacle séminal aprcs que la zone
testiculaire y soit arrivée (ce qui se passe également pour la deuxicme zone
testiculaire qui se formera plus tard). mais aussi de ceux qui ont commencé
leur évolution avant qu’aie débuté la formation des premiers spermatozoides.
II s’ensuit que Rhabdias füllcborni cst un hermaphrodite alternant protcrogyni-
que. On discute cnsuite les travnux de Schneider et de Schleip qui ont
antérieurement abordé ce proWème et on annonce. pour une prochainc publi-
cation, un travail oíi il ser a discuté la question de 1’hermaphrodisme protéran-
drique si fréquent chez les nematodes et la relation entre cet hermaj>hrodismc
soi-djsant protérandrique et l'hermaphrodismc altemant protérogynique des
Rhabdiasidae.
ZUSAMMENFASSUNG
Bei dem Studium des Zwitters und Parasiten Rhabdias füllcborni wurdc
eine sehr junge Form ( Fig. 1), bei der jeder Uterus nur einigc Eier enthielt, ge-
íunden (Vergleiche mit Fig. 2, die dic crwachsenc Form zeigt mit dem von Eiem.
die sich in der Entwicklung befinden. angefülltem Uterus). Es findet sich hier
eine deutliche Hodenzone (Fig. 3). die sich von der der erwachsenen Tierc un-
terscheidet (Fig. 5), niclit nur auf Grund einer geringeren Grôsse (2 Zcllen,
Fig. 4, gegenüber ungefãhr 10), sondem auch hauptsãchlich wcil sich dort
keinc Degcnerationszone befindet (Fig. 3a), die den Hodcn unten von dem
Eierstock tremit (Fig. 6).
cm
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296
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XI
Eine Untersuchung der Serienschnitte hat gezeigt, dass in der jungen Form
die Spermatozoen die Ovocyten umgeben, die die untere Grenze des Ovariums
angeben. Sie drãngen sich dann zwischen die Ovocyten und sammeln sich im
Receptaculum sc minis (Fig. 7, a) an. Das ist deutlich an der Zeichnung Fig. 8
zu sehen, die in I o das Receptaculum gefüllt mit Spermien zeigt.
Daraus ist folgender Schluss zu ziehen : Die Spermatozoen werden in der
I. Hodenzone gebildet. Sie haben nicht nur die Aufgabe, die zahlreichen Eier zu
befruchten. die in das Receptaculum scminis gelangen, um dort ihre Entwicklung
durchzumachen, nachdem die Hodenzone bis dorthin reichte (was cbenfalls iür
die zweite Hodenzone, die sich spãter bildet, gilt), sondem sie müssen auch
die Eier befruchten, deren Entwicklung schon begonnen hatte. ehe die ersten
Spermatozoen mit ihrer Ausbüdung anfingen. Demzufolge ist Rhabdias fülle -
borni ein wechselnd proterogynischcr Z witter.
Dann wurden die Arbeiten von Schncidcr und Schlcip, die früher dicsc^
Problem schon berührt haben, erõrtert und für eine nãchste Verõ f fenthchung
eine Arbeit angekõndigt, worin er die Frage des protcrandrischen Hermaphro-
ditismus behandeln will, der so hãufig bei den Nematoden vorkommt, und wo
cr die Beziehung zwischen diesem sog. proterandrichen und dem wechselnd
prot erogy m" sehen I icrmaphroditisnius der Rbnbdiasida: darstellen wird.
BIBLIOGRAPHIA
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Ltuckart , K. — in Helminthologische Experimentaluntersuchungen, 4. S, Gõttingoi
Nachrichtcn No. 8. 1865.
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Boveri, íh — Cber das Verhalten der Geschlechtschromosomen bei Hermaphrvditismus,
in Vcrhandlungen der Phys.-med. Gesellschaft zu Würzburg N. F. 41. 1911-
EXPLICAÇÃO DAS FIGURAS
Todos os cortes provem de material fixado em Allen, corado pda hematoxylina ferrica.
As Microphotos 1, 3, 4, 6, 7 e desenho 8 são de um mesmo Rhabdias jovem. As Micro-
photos 2 e 5 são de Rhabdias adulto.
Fig. 1 — • Aspecto geral, mostrando a zona testicular (a) o receptáculo seminal (b) e 05
2 úteros (c, d), cada um com apenas alguns ovos.
Fig. 2 — Aspecto geral de uma forma adulta de Rhabdias, mostrando o grande numero
de ovos cm evolução no útero.
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Dreyfus — Hermaphrodilismo alternante
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Fig. 3 — Zona testicular de R. jovem encravada entre 2 ovocytos. Em o, parte superior
do testículo (espermatocytos).
Em b, parte inferior (espermatozóides).
Fig. 4 — • Limite superior da zona testicular da Fig. 3. Vêem-se, debaixo do ovocyto. 2
espermatocytos de 1.* ordem (phase diplotena), enchendo toda a largura do tubo
espermatko.
Fig. 5 — Zona testicular de R. fülUbomi adulto. Em a, limite inferior da zona testicular
(zona da degeneração). Em b, seu limite superiot em contacto com ovocytos.
Fig. 6 — Limite inferior da zona testicular da Fig. 3. Em a, espermatozóides ao contacto
de ura ovocyto de aspecto norma! (semelhante ao que forma o limite superior
da zona testicular. Vide Fig. 3).
Fig. 7 — Zona testicular (a) e rfceptaculum teminis (6), situados na extremidade pos-
terior do corpo do Rhabdias.
Fig. 8 — I. Zona testicular e receptáculo seminal (a) cheio de espermatozóides. Na zona
testicular vêem-se bem: ovocyto que limita inferiormentc a zona testicular (i>),
espermatozóides (c), espermatídes (d), espcrmatocyto de 2.* ordem cm mitose
(r), espcrmatocyto de 1.* ordem em mitose (/) (visto de face), espermatocytos
na prophase da 1.* mitose de maturação (g), ovocyto que limita cm cima a zona
testicular (A).
Em II. foi desenhada toda a extremidade inferior do animal Legenda como
em I: intestino contendo sangue digerido (g).
(Trabalho de collaboraçio do La borato rio d« Biologia Oral
da Faculdade de Philosophia. Seienc ; a» e Letra* da Uni-
versidade de S. Paulo, recebido para publicação em
julho de 1937. Dado á publicidade, em separata, em
agosto d~ 19371.
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A. Drevfus — Hermaphroditismo em R. fülleborni Trav.
Mem. Inst. Butantan
Vol. XI
1937
391 46 : 3 » 7. 8
SOBRE A EVOLUÇÃO DE OVOCYTOS CONTIDOS
NO TESTÍCULO DO SAPO
roR
ANDRÉ DREYFUS
{com 15 figuras)
Em nota (1) que acabamos de communicar á Sociedade <le Biologia de São
Paulo, referimos ter encontrado por 2 vezes em testiculos do sapo Bufo marinus.
que estavam sendo examinados para outro fim. ovocytos jovens, semellnntes aos
que podem ser vistos ao lado no orgão de Bidder. Acreditamos não ser tal
facto excepcional, pois dos testiculos por nós examinados (cerca de 80) só eram
feitos alguns cortes. E\ portanto, possível que se trate de occorrcncin relati-
vamente frequente. Convém, todavia, levar em conta que a quasi totalidade dos
cortes dos 2 casos por nós examinados apresentaram ovocytos c. por isso, o
facto de só termos ol) sentido poucos cortes dos demais testiculos não teria
grande importância. Acreditamos que seria interessante que se fizesse um
estudo systematico do assumpto, afim de se esclarecer até que ponto factores
raciaes (hereditários) e mesologicos estão implicados nesse phenomeno.
Revendo cuidadosamente nossos prepnrados, verificámos, cm um dos dois
citados casos, aspectos que nos pareceram interessantes c que passamos a referir:
E* assim que encontramos em um typo o cytoplasma cheio de espermato-
zóides (Fig. 1). Sobre a cxacta rtuureza dessas cellulas basta o exame das
varias figuras do presente trabalho para levantar qualquer duvida. Que não se
póde tratar de um artefacto é sobejamente demonstrado por: a) integridade no
aspecto dos ovocytos, onde se encontram os espermatozóides; b) aspecto nor-
mal do corte nas vizinhanças desses ovocytos ; c) ausência de qualquer cellula
estranha em muitos outros ovocytos dos mesmos cortes.
Examinámos então, cuidadosamente, todos os cortes seriados e tivemos a
opportunidade de vêr alguns outros aspectos interessantes que passamos a relatar :
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
a) o da Fig. 2, que interpretamos como entrada dos espermatozóides num
ovocyto ; b) o da Fig. 3. que nos mostra um ovtocyto no qual já houve uma
penetração mais accentuada do que a observada na Fig. 2; c) o da Fig. 4,
que nos mostra, num ovocyto penetrado pelos espermatozóides, o núcleo recalcado
para a parte mais extrema do pólo animal do ovocyto, pólo que é a sua séde
normal; d) o da Fig. 5, pela qual se vê que, tendo sido penetrado por esper-
matozóides, um ovocyto foi destruido quasi completamente por elles e rompido,
de sorte a só se encontrar um resto do ovocyto sob a forma de cresoente. Este
aspecto suggere, como acabamos de af firmar, que os espermatozóides, que pene-
traram no ovocyto, o destruiram, tendo-se, quem sabe, alimentado á custa
delle.
Facto estranho, que no; pareceu a principio incomprehensivel, foi encon-
trarmos, como se vê nas diversas figuras, espermatocytos dentro de ovocytos e
ao lado dos espermatozóides. Examinando, porém, os duetos espermaticos em
suas porções intra-testiculares, tivemos a explicação desse facto, pois dentro
delles também podem ser observadas taes ccllulas da linhagem seminal, prova-
velmente desprendidas das empolas seminaes e levadas pelos espermatozóides
ao descerem para as rias genitaes. E’ o que se vê com clareza nas Figs. 4 e 6. Tal
achado explica perfeitamente para nós a presença de cellulas semelhantes dentro
do ovocyto. Confirma nosso ponto de vista o exame da Fig. 7, que mostra
o ovocyto da Fig. 2, visto com maior augmento e onde se observa que, ao
mesmo tempo que os espermatozóides, penetra também um espermatocyto. A
Fig. 8 mostra um grupo de ovocytos (a), dos quacs um unico ( b ) penetrado
por espermatozóides; notam-se, nesta microphotographia, os ovocytos do orgão
de Biddcr (c), situados extemamente e perfeitamente comparáveis aos que se
enoontram dentro do testiculo. Nestes ovocytos do orgão de Bidder jamais
encontramos espermatozóides e muito menos espermatocytos. Observe-se agora
a Fig. 9, que nos mostra, dentro de um ovocyto, entre outras cellulas, dois es-
permatocytos de 1.* ordem (o, b) que, apesar de sua séde (dentro de um ovo-
cyto), ostentam bcllas mitoses, o que parece confirmar nosso ponto de vist3
de ser o ovocyto utilizado como alimento pelas cellulas que nelle entraram. A
menos que se prefira admittir que as cellulas da linhagem seminal secretem
substancias que lysam o ovocyto, pois o que se não póde pôr em duvida (ride
Fig. 5) é que o ovocyto é destruido.
O exame das Figs. 10, 11 e 12 mostra-nos que a destruição dos ovocytos
contidos no testiculo também se póde dar por mecanismo completamente diverso,
isto é, sem penetração de espermatozóides. Vê-se com clareza, na Fig. 10»
hérnia do núcleo e apparecimento de uma fenda no cytoplasma; na Fig. 11. a
membrana nuclear já se apresenta rompida c a fenda cytoplasmatica é maior do
que na figura anterior e, finalmente na Fig. 12, o cytoplasma já está completa-
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301
mente scindido em 2 fragmentos. Observa-se em a um fragmento do cytoplasma
do ovocyto, desfazendo-se em grânulos em contacto com espermatocytos syna-
pticos. Não nos foi possivel estabelecer as possíveis relações entre esses esper-
matocytos e o cytoplasma do ovocyto. A origem dos ovocytos encontrados neste
testículo não poude ser esclarecida suífidentemente. As Figs. 13 e 14 mos-
tram-nos os aspectos mais jovens que encontramos. Já são cellulas de aspecto
nitidamente ovocytario, cuja origem nos foi impossivel detenninar.
COMMENTARIO
A presença de ovocytos no testiculo do sapo já foi descripta desde muito
tempo por vários pesquisadores: Spengel (2), Hoífmann (3), Friedmann (4),
Cerutti (3) cm sapos europeus e, em sapos americanos, por Miss King (6) no
Bufo lentiginosus. Nenhum destes auctores encontrou espermatozóides dentro
de ovocytos. A unica indicação bibliographica que encontrei de achado que á
primeira vista poderia parecer semelhante ao meu, foi uma referenda ao tra-
balho de E. Knappe, publicado no Morphol. Jahrb. (Das Biddersche Organ,
Vol. XI, 1886) que me foi infelizmente impossivd consultar, pois tnl revista
pareoe não existir no Brasil e que c aqui dtado através de Harms (7).
Falando de transformações que julga de significação secretoria e que podem
ser encontrados no orgão de Bidder, diz Harms que a substancia nuclcolar se
reduz a grãos chromophilos que pódem passar para o cytoplasma sem que se
saiba si o fazem intactos ou dissolvidos. Ha uma decomposição a dar elementos
em forma de bastonetes que podem ficar em volta do nudeo ou dispersos no
cytoplasma e, entre cilas, grãos osmiophilos. E acrescenta : “ Dicse eigcnartigcn
Stãbchenmassen sind audt von Knappe gesehcn worden. Er kommí zu der
merkwürdigen Auífassung, dass es sich hier um Spemiatozoen handelt, die sich
im Bidderschen Organe des Mãnnchens in anormaler Wdse bildeten. Welche
Bedeutung diese stãbchenartigcn Gebilde haben, vermag ich nicht zu sagen.
Dass sie nichts mit Spermatozoen zu tun haben, ist wohl selbstverstãndlich. Sie
verschwinden übrigens bei den weiteren Secrctionsphasen und sind dann nicht
mehr nachzuweiscn” (Vol. I, p. 209).
Como se vê do escripto, o achado de Knappe foi no orgão de Bidder e não
cm ovocytos do testiculo e pelo que diz Harms nada tem que ver com esper-
matozóides. Repetiremos aqui que nunca observámos espermatozóide tilgutn em
ovocytos do orgão de Bidder.
Procurámos também a literatura sobre batrachios submettidos a experimen-
tações que conduziam á mudança de sexo ou pelo menos ao apparecimento de
ovocytos no testiculo, e também não encontrámos referencia alguma á possibili-
dade de penetrarem espermatozóides nos ovocytos. E’ assim que percorremos
3
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
os trabalhos de: a) E. Witschi, que estudou (8) o modo pelo qual degeneram
os ovocytos na inversão sexual dos gyrinos íemeas de Rana sylvatica após a ap-
plicação de temperatura alta, bem como o desenvolvimento dos machos e dos
hermaphroditas rudimentares de Ram temporário e (9) na transformação do
ovário em testiculo nelles observada só fala em degeneração de ovocytos; b) de
Champy (10), que estudou vários exemplos de transformação de gonada. acre-
ditando numa possibilidade de evolução ovi forme de espermatogonias em vários
typos de animaes, evolução que seria um primeiro passo no sentido do herma-
phroditismo; encontrou também uma tal evolução ovi forme nos tubos asperma-
togenicos de culturas iii-zntro, bem como em todos os casos em que ha parada
da espermatogenese ; c) de Guyénot e Ponse. que observaram em testiculo de-
sapo, enxertados sob a pelle ou no peritonio de sapos machos castrados, uma
transformação do testiculo em gonada hermaphrodita com ovogenese fortemente
predominante. Os fragmentes no momento de serem transplantados não apre-
sentavam signal de ovocytos. O exame cytologico mostrou mais tarde numerosos
ovocytos intracanaliculares : “On peut suivre la transformation directe, semb!e-t-il.
de cellules primordiales, à noyaux lobés en ovocytcs ; le procédé le plus normal pa-
rait étre une evolution des spermatogonies, groupées en nids, vers 1’aspect cararté-
ristique des ovogonies, ptüs des ovocytes” ; d) de Buros (12), que estudou em
lanas pnmbiosadas de Amblystomo a transformação de femeas em machos.
Em nenhum destes casos Ínvia qualquer cousa de comparável com o que obser-
vamos. Como os nossos sapos eram destinados a estudo differente, foram con-
servados apenas os testículos incluidos em parafina. Nada sabemos, pois, dos
duetos sexuacs, nem dos caracteres sexuaes secundários. Podemos apenas dizer
que o exame summario, a que sempre procedémos antes de desprezar os animaes,
nada de especial nos revelou. Acreditamos que o phenomeno que foi por nós
observado provavelmente não ultrapassou a esphera da gonada, nenhuma reper-
cussão tendo tido sobre o resto da genitalia e muito menos sobre os caracteres
sexuaes secundários. Somos levado a tal conclusão, não só por nada de anormal
termos observado em nossos animaes. mas ainda pelo facto de achados semelhan-
tes (presença de ovocytos na massa testicular) terem sido feitos sem que os
mesmos se tenham acompanhado de qualquer outro symptoma de hermaphroditis-
mo ou intersexualidade. No trabalho acima referido de Guyénot e Ponse está
mesmo assignalado que. apesar da “pousée” intensa de ovogenese do testiculo
transplantado, a intersticial era normal, bem como os caracteres sexuaes secun-
dários masculinos.
Considertmdo, por fim, que os ovocytos por nós encontrados apresentaram
evidentes signaes de degeneração, já pela invasão dos espermatozóides, já pelos
phenomenos de fragmentação c lyse observáveis nas figuras 10, 11 e 12, parece
razoavel concluirmos que o sapo, no qual taes phenomenos se observaram, estava
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303
firmando sua sexualidade masculina, pela perda do unico signal nelle presente
de hermaphroditismo. a saber: a presença de ovocytos no testiculo. Adiante
veremos observações de Miss King, que taml>em estão de accordo com a inter-
pretação que acabamos de dar: phenomeno puramente local (testicular), sem re-
percussão geral. (Fazemos aqui abstracção do orgão de Bidder. ovnrio rudi-
mentario presente normalmente em todo sapo).
Evidentemente a penetração de espermatozóides nos ovocytos suggere a
idéa de uma fecundação. Acreditamos que aqui em absoluto não se possa pensnr
nisso. E’ verdade que Brachet (13) descreveu a fecundação prematura em ovos
de echinodermas. Trata-se, porém, de ovocytos já avançados em sm evolução,
onde a vesícula germinativa já se tinha rompido ou se havia dissolvido sua
membrana. Sã», pois, ovocytos nos quaes o cytoplasma já tinhn adquirido um
oerto grau de maturidade, compatível com a penetração dos espermatozóides
(polyspermia).
De outro lado, na fecundação prematura, ha nothveis modificações dos es-
permatozóides penetrados no ovocyto, os quaes desde logo synchnonizam sua
chromatina á do ovocyto, isto é, transformam sua chromatina de tal forma que
elJa assume immeditamente o aspecto que no momento caracteriza a chromatina
do ovocyto.
Ha, além disso, apparccimcnto de asteres espermaticos. cm relação com
cada um dos espermatozóides que penetraram. Nada de semelhante c observável
em nosso caso: Os espermatozóides que em grande numero são encontrados
dentro de ovocytos nenhuma modificação cstructural de gencro dos acima citados
apresentam.
Bataillon (14) mostrou a possibilidade da fecundação prematura nos am-
phibios. O unico dado que poderia approxinur o aspecto por nós observado
de uma fecundação prematura é o seguinte: na fecundação polyspermica de
um OTO maduro de anuro, a penetração dos espermatozóides se dá por toda a
superficie do ovo, ao passo que, m fecundação prematura, a entrada dos esper-
matozóides se dá sómente no pólo superior, e isso por causa de rigidez polar do
ovocyto. No nosso caso, a entrada de todos os espermatozóides deu-se num
ponto do ovocyto (Fig. 2). Todavia, foi antes para o lado do pólo vitellino.
Ix>go, aqui, só podemos attribuir tal facto a outra causa qualquer (ponto de
menor resistência?), mesmo porque os ovocytos por nós encontrados são demasia-
damente jovens para já terem chegado ao período cm que se estabelece a rigidez
pohr, causa da penetração pelo pólo animal. Estamos aqui diante de ovocytos
extremamente jovens, onde ainda não começou a elaboração do vitcllo e nos
quaes, portanto, a chamada "maturidade cytoplasmatica”, indispensável á pe-
netração dos espermatozóides, absolutamente ainda não se estabeleceu. E’
sabido que, salvo raras exccpções ( Dinophilus apatris, Fasciola hcpatica, vários
5
304
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Turbei Iarios, etc.), a entrada do espermatozóide só é possivel no ovocyto que
chegou ao termo do desenvolvimento, com o vitello já perfeitamente formado.
Cremos, por isso, que a nossa interpretação, de que a penetração dos esperma-
tozóides é seguida de destruição do ovocyto que seria utilizado como alimento
pelos espermatozóides e demais cellulas da linhagem seminal com elles penetrados,
é a mais razoavel.
Quanto á origem dos ovocytos que aqui estamos descrevendo, não foi possí-
vel por meio de nossos preparados estabelecel-a com segurança. Os ovocytos
mais jovens que encontrámos (Figs. 13 e 14) já tinham, como foi dito acima,
aspecto nitidamente ovocytario. King, no trabalho acima citado, acredita que:
“It is highly improbable that these cells origimte in Bidder’s organ and subse-
quently migrate into the sex-gland, as there is never any opening between these
struetures”; e ainda "I am strongly indined to the opinion that these cells are
primordial gcrm-cclls in which, for some unknown reason, the course of deve-
lopment has been changed so that the cells increase in size with unusual rapidity
and assume tlic characteristics of rudimentary ora. Cells oí this kind must,
therefore, bc considered as degenerating edis. Their presence in the sex-gland
is apparently riot harmful to the individual, since none of the young toads in
which they are found seem to differ in any other way from the normal typc”
(p. 163). Guyénot e Ponse acreditam, como vimos, que os ovocytos testiculares
derivam das cellulas germinativas primordiacs com núcleo lobado, opinião que
também é defendida por Champy. A Fig. 15 mostra-nos, lado a lado, uma cel-
lula primordial com núcleo lobado (a), um ovocyto muito joven (b) e outro
mais crescido (c). Não ousamos, porém, sobre tal fundamento affirmar que de
cellulas semelhantes á espermatogonia-mãe que aqui vemos (cellula um nudeo
lobado) derivaram os ovocytos.
RESUMO
4 —
Em 2 testiculos de sapo (em cerca de 80 examinados) foram encontrados
ovocytos em plena massa testicular (Figs. 1, 3 c 4).
Em alguns desses ovocytos havia espermatozóides numerosos e alguns es-
permatocytos (Figs. 1, 3, 4 e. particularmente, 9).
Os espermatozóides parece haverem penetrado activamente nesses ovocytos,
levando oonsigo os espermatocytos (Figs. 2 e 7), pois nas vias espermati-
cas é possivel ver, entre os espermatozóides, alguns espermatocytos (Fig. 6).
Os espermatozóides parece haverem devorado o ovocyto, pois se encontra-
ram restos de ovocytos que haviam sido destruídos pelos espermatozóides
(Fig. 5).
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5 — Xos ovocytos do orgão de Biddcr, não foram encontrados espermatozóides
(Fig. 8).
6 — As cellulas mais jovens da serie ovular encontradas já eram ovocytos
(Figs. 13 e 14), não se podendo affirmar que os ovocytos derivassem de
espermatogonias-mães (Fig. 15).
7 — Além da destruição dos ovocytos por phagocytose espermatozoidica, foi en-
contrada uma degeneração ovocytaria consistindo em hérnia do núcleo
(Fig. 10), ruptura da membrana nuclear (Fig. 11) e fragmentação do
cytoplasma (Figs. 10. 11 e 12).
RÉSUMfi
On a rencontré par deux fois, sur un total d‘environ S0 testieules du crapaud
Bufo tnarinus, examines dans un autre but, des ovocytes en pleine masse testi-
cuhire (1). En examinam plus attentivcment les préparations. on a vu. dans
un de ces deux cas. des spermatozoídes en grand nombre, à 1’intérieur de certains
ovocytes (Figs. 1, 3, 4). Dans un certain nombre dc ces ovocytes on y avait
non seulement de nombreux spermatozoídes, mais aussi des spermatocytcs (Figs.
1, 3, 4 et spécialement 9 oü l’on voit des mitoses spcrmatocytaires). Les sper-
matozoides ont probablement pénétré activemcnt dans ces ovocytes en transpor-
tam avec cux spcrmatocytes, c’est ce que l’on peut voir à la Fig. 2 (pénétration
des spermatozoídes) et, avcc un plus fort grossissement, à la Fig. 7 (pénétra-
tion des spermatocytcs et des spermatozoídes). L’hypothèsc qui vient d'être
faite est fortement soutenue par 1’obsen-ation de la Fig. 6 qui nous montre que,
normalemcnt, dans les voies séminales intratesticulaires, l’on peut égalemcnt voir
des spermatocytes entre les spermatozoídes. On admet que, peut-être, les sper-
matozoídes se nourrissent aux dépens de 1’ovocyte, les spermatocytes (mitoses)
agissant de même. Ceei se justifie par 1’examen de la Fig. 5 qui montre un
reste d’ovocyte détruit par des spermatozoídes. En plus de cette forme de des-
truction des ovocytes une autre a été rencontrée. II s’agit d’hemie nuclcaire
(Fig. 10), rupture de la membrane nucléairc (Fig. 11), et fragmentation du
cvtoplasme (Figs. 10, 11, 12).
En examinant 1’organe de Bidder, on n’y a jamais vu de phénomènes
de ce genre. La Fig. 8 montre cet organe avec son aspect habituei et d’autre
part à 1’intérieur du testicule. un certain rtombre d’ovocytes dont un, pénétré par
des spermatozoídes. Sur 1’origine de ces ovocytes on ne peut rien avancer.
L’examen de la Fig. 15 montre un gros ovocyte, un plus petit et une sperma-
togonie-mère à noyau lobé. II y a-t-il une filiation à établir entre ces sperma-
togonies et les ovocytes?
* * *
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306
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
On analyse ensuite des cas semblables. oii 1’on a rencontré des ovocytes dans
Ia masse testiculaire de crapaud, mais jamais la pénétration de spermatozoídes
dajis les ovocytes: Spengel (2), Hoffmann (3), Friedmann (4), Cerutti (o),
Miss King (6). Harms (7) cite une trouvaille de Knappe qui aurait vu des
éléments à forme de spermatozoide dans les ovocytes de 1'organe de Bidder.
On n’a pas pu se procurer ce travail, mais étant donné la critique de Harms qui
ne croit pas à ces soi-disant spermatozoídes et le fa.it que cette observation a
été faite sur 1’organe de Bidder. il est fort probable qu’il n’y ait rien de commun
entre les observations de Knappe et celles que l’on décrit ici. On analyse
ensuite d’autres travaux d’ordre experimental: Witschi (8 et 9), Champy (10)
Guyénot et Fonse (11), Burns (12). II n’y est fait aucune référence à la
possibilite d’une pénétration de spermatozoídes dans des oslocytes. On discute
ensuite la question de la fécondation prématurée pour arriver à Ia conclusion
qu’il ne peut pas s’agir ici d’un tel phénomène (les spermatozoídes qui pénètrent
les ovocytes ne montrent aucune modification de Ieur strueture. absence d’asters
spermatiques. absence de maturation cytoplasmique de Fovocyte, indispcnsablc
à cette maturation, etc..
Commc les animaux étaient étudiés dans un autre but. on n’y a pas tait
1’examen attentif des conduits génitnux, mais à peine un examen sommaire.
Étant donné que les ovocytes étaient cn voie de destructlon, il est fort probable.
commc Miss King l’a vu chez Bufo lontiginosus, que le phénomène ici rapporté
soit localisé au testicule qui, par la destruction des ovocytes y contenus. était
cn voic daffirmer définitivement sa condition masculine.
ZUSAMMENFASSUNG
Man traf zweimal, bei im Ganzen ungefãhr 80 Hoden der Krõte Bufo
marinus, die zu einem anderen Zweck untersucht wurden, auf Ovocyten, die
mitten in der Hodenmasse lagen. Bei genaueren Untersuchungen der Prãparate,
wurde in cinem der beiden Fãllc cinc grosse Anzahl Spermien gesehen. die sicli
innerhalb einiger Ovocyten befanden (Figs. 1. 3. 4). In einigen diescr Ovocyten
fand man nicht nur zahlreicbe Spermatozoen. sondern auch Spermatocyten (Figs.
1, 3, 4 und besonders 9. wo man Spermatocytenmitosen sicht). Die Sperim-
tozoen sind wahrschcinlich in diese Ovocyten eingedrungen, wobei sie die Sper-
niatocyten mit sich brachten. Dies kann man in Fig. 2 sehen (Eindringen der
Spermatozoen) und mit stãrkerer Vergrõsserung in Fig. 7 (Eindringen von
Spermatozoen und Spermatocyten). Die el>en aufgestellte Hypothese wird stark
unterstützt durch die Beobachtung an Fig. 6, wo man sieht, dass normalcr
Weise in deu intratcsticularen Samenkanãlcn sich ebenfalls Spermatocyten zwi-
schen Spermatozoen finden. Es wurde hinztigefügt. dass die Spermatozoen
cm
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Dreyfus — Evolução de ovocytos
307
sich wohl auf Kosten der Ovocyten eraãhren, ebcnso die Spermatocyten (Mito-
sen). Das wird gerechtfertigt durch Fig. 5, die uns den Rest einer von Sper-
matozoen zerstõrten Ovocyte zeigt. Atisser dieser Form von Zerstõrung der
Ovocyten beobachtete man noch anderes. Es handelt sich uni dne bruchsackar-
tige Kernvonvõlbung (Fig. 10), einen Bmch der Kemmembran (Fig. 11), und
Zerfall des Cytoplasmas (Fig. 10, 11, 12).
Eine Untersuchung des Bidderschen Organs zeigte nienials einen derartigen
Sachverhalt. Fig. 8 bringt dieses Organ in seinem gewõhnlichen Aussehen und
andrerseits im Innem des Hodens eine Anzahl von Ovocyten, von dencn eine
von Spermien durchdrungen ist. Cber den Ursprung dieser Ovocyten ist noch
nichts vorzubringen. Die Untersuchung von Fig. 15 zeigt uns eine dicke Ovocy-
te, eine kleinere und eine Spermatogonie mit gelappten Kem. Ob sich
vielleicht die Sperniatogonien zu Ovocyten verwandeln?
* * *
Es wurden dann die Fãlle, in denen Onocyten in den Hodcn der Krõte
gefunden wurden, die aber niemals von einem Eindringen von Spermatozoen in
Ovocyten berichten, behandelt: Spengel (2), Hoffniann (3). Friedmann (4),
Cerrutti (5), Miss King (6).
Harms (7) cnvãhnt eine Beobachtung von Knappc, der in den Ovocyten
des Bidderschen Organs Elemente in Forni von Spermatozoen gesehen hal>en
"•'11. Die Arbert war nicht verschafíbar, aber da die Kritik bei Harms, der an
diese sogenannten Spermatozoen nicht glaubt. gegeben ist, geht hervor, dass
diese Beobachtung am Bidderschen Organ gemacht wurde und es besteht die
Wahrscheinlichkeit, dass keinerlei Gemcinsamkeit zwischen den von Knappc ge-
machten Feststellungen und den hier beschriebcnen besteht. Dann wurden die
anderen Abeiten experimentellen Inhalts besprochen: Witschi (8 u. 9), Champy
(10), Guyénot u. Ponse (11). Bums (12). Nirgends wurde eine Bezugnahme
auf die Mõglichkeit eines Eindringens von Spermatozoen in Ovocyten gefunden.
Es wird darauf die Frage der vorzeitigen Befruchtung crürtert, woraus sich
ergeben hat, dass es sich hier nicht um einen derartigen Vorgang handeln kann.
(Die Spermatozoen, die in die Ovocyten eindringen, zeigen keinerlei Verãnderung
des Baus. es fehlen Asteren der Spermien usw.).
Da die Tiere zu einem anderen Zweck untersucht worden sind, hat man
ihrem geschlechtlichen Yerhalten keirve besondere Aufmerkasamkeit gewidmet,
sondern nur eine summarische Untersuchung vorgenommen. Da die Ovocyten
auf detn Wege der Zerstõrung waren. ist sehr wohl mõglich, dass, was Miss
King bei Bufo Icntigiuosus gesehen hat, dieser Tatbestand, mit dem wir uns
9
2 3 4
5 6
D 11
12 13
14 15 16
!
308
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
beschãftigten, auf den Hoden lokaJisiert ist und durch die Zerstõmng der stch
dort befindenden Ovocyten endgültig hiermit die mãnnlichc Bestimmung erreicut
ist.
BIBLIOGRAPHIA
1. Dreyfus, A. — Sobre a occurencia de ovocytos no testículo do sapo Bufo monnus.
Revista de Biologia e Hygienc 8.1937.
2. Sfengel, J. IV. Das Urogenitalsystem der Amphibien. Arbeit d. zoolog-zootom.
Inst. Würzburg 3. 1870.
3. Hoffmanm, C. K. — Entwicklungsgeschkhte der Urogenilorgane bei den Anamisia
Zcitschr, wiss Zoologie 44. 1886.
4. Friedmamt, /•'. — Rudimentãre Eicr in Hoden von Rana vtridis. Arch. milsr. Ana..
52. 1898.
5. Cerulti (A.) — Sopra due casi di anomalia delVapparato reproduttore nel Bufo xulgans
Lam. Anat. Am. 30. 1907 .
6. King, H. D. — Some anomalies in lhe genital organs of Bufo Untiginosus and their
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7. Hanns. J. II'. — Kõrper und Keimzellcn, Vol. I. Springer. Berlin.1926.
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10. Champy, Ch. — Caracteres sexuels et Hormone, Doin, Paris. 1924.
11. Gytuot. E. et Pouse, K. — Invcrsion experimentale du type sexuel dans la gonade
du crapainl. C. R. Soc. Biol. 89. 1923.
12. Burns. R. K. Junior — The proccss of sex transiormation in paraWc*ic Atnblystoma —
I. Transiormation from ícmalc to male. Journ. of. Exp. Zool. 5S. 1930.
13. Brochei, A. — L'oeuf et les facteurs de 1'ontogénèsc — 2icme. ed. Doin, Paris. 1931.
14. Bataillon, E. — Étudcs cytologiqucs ct expêrimcntales sur les oeufs immaturcs de
Batracicns. Arch. f. Entwickl. — 117. 1929.
EXPLICAÇÃO DAS FIGURAS
Fig. 1 — Um ovocyto em C ujo interior ha numerosos espermatozóides c alguns esper-
matoej-tos.
2 — Um ovocyto no qual se vê o inicio da penetração dos espermatozóides dentro
do cytoplasma do ovocyto, o núcleo vitellino fragmentado.
3 — Um ovccyto, do qual approximadamente metade penetrada por espermatozóides
e cspcrmatocytos.
4 — Ovocyto com o núcleo foriemente deslocado para um dos pólos da cellula, cyto-
plasma invadido por celhilas sexuaes masculinas. Ao lado do ovocyto, um vaso
e, ao lado deste, um dueto cspermatico intratcsticular ( visto com imtor augmenlo
na Fig. 6) e outro abaixo do ovocyto.
10
Dreyfus — Evolução de ovocytos
309
5 — Empola seminal contendo 2 ovocytos jovens (num delles, o nuclco foi attingido
pelo corte) e um crescente (<j), ultimo vestígio de ovocyto destruído por cel-
lulas da linhagem seminal situadas acima do crescente,
ó — Corte de um dueto seminal intratesticular da Fig. 4. Xa luz do dueto vêem-se
espermatozóides e espermatocytos.
7 — Forte augmento da zona da penetração dos espermatozóides da Fig. 2, mos-
trando, ao lado dos espermatozóides espermatocytos (o), penetrando no ovocyto.
S — Aspecto dc conjuncto, mostrando a massa testicular, contendo ovocytos (o), dos
quaes 1 penetrado por esperma f ozoides (b). Ao lado do testículo, fragmento
do orgão de Bidder (c).
9 — Ovocyto, contendo ccllulas da linhagem seminal. Em a e b, 2 espermatocytos dc
1.* ordem em mitose.
10 — Ovocyto, mostrando hérnia do núcleo e fenda no cytoplasma.
11 — Ovocyto, mostrando núcleo hemiado c com membrana nuclear rompida c fenda
no cytoplasma.
12 — Ovocyto mostrando, além dc hérnia nuclear, fragmentação do cytoplasma cm 2
blocos. Em a residuo do cytoplasma, des fazendo- se cm grânulos e em relação
ccm espermatocytos synapticos.
13 — 2 ovocytos jovens no interior de uma empola seminal.
14 — Empola seminal, contendo 1 ovocyto jovem.
15 — Lado a lado: uma espermatogonia-mãe (a), um ovocyto jovem (6) c outro
mais crescido (c).
(Trabalho de col labo ração do Laboratorio de Bloloaia Geral
da Faculdade de Philosophía. Scíeticíaa e tetra* da Uni-
versidade de S. Paulo para publicação em julbo de
1937. Dado á publicidade, em separata, em asoato
de 1937).
11
j 11 12 13 14 15 16
A. Dreyfis — Ovocytos no tesliculo do sapo
Fie. 1
Fie. 3
Fie. 4
Fie- 5
Mim. Inst. Butantan
Vol. XI — 19*7
A. Deeyfcs — Ovocylos no testículo do sapo
Mcm. Injt- Butantan
VoU XI — 1937
Fie. 'I
Fie. 12
Fite. 13
Fie- U
Fig. 15
'0 11 12 13 14 15 16
595 . 44 :9S1
UM GENERO E SETE ESPECIES NOVAS DE ARANHAS
POR
C. dk MELLO-LEITAO
No ultimo lote de aranhas dos Estados de São Paulo, Santa Catharina e
Rio Grande do Sul, que me foram enviadas para estudo pelo Instituto Bu-
tantan, havia um genero novo e sete especies que passo a descrever:
Fam. ACTINOPODIDAE
Gen. Actinopus Pf.rty, 1833
Actinopus trinotatus, sp. n.
ç — 20 mm.
Patas
Fetirar
Paiclla-tibia
Protarso
Tarso
Total
I
5
6
3
1,5
15,5 mm.
II
5
6
3
1.7
15,7 mm.
III
5.5
5.5
3
1,5
15,5 mm.
IV
6,5
6,5
4
1.8
18,8 mm.
Cephalothorace liso e brilhante, de região cephaüca muito elevada. Olhos
anteriores em fila levemente procurva, os médios quasi duas vezes menores do
que os lateraes, separados um do outro cerca de dois diâmetros e quasi tres
vezes mais distantes dos lateraes. Olhos médios posteriores elípticos, subcon-
tiguos aos lateraes e situados um pouco adiante dos mesmos. Rastello muito
robusto, em uma apophyse interna, saliente, formado de numerosos espinhos
conicos, curtos e fortes. Cheliceras com seis robustos dentes em cada margem
do sulco ungueal. Peça labial soldada ao esterno, muito mais longa do que larga,
afilando-se para o ápice; tanto ella como as ancas dos palpos. com areas densa-
mente cuspulosas. Esterno sem sigillas. Patas dos dois primeiros pares com
espinhos curtos, muito numerosos, nas faces lateraes e inferior das tibias, pro-
1
312
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
tarsos e tarsos; nas patas do terceiro par, as tibias apresentam apenas fracos
espinhos apicilares e os protarsos apresentam numerosos espinhos curtos dor-
saes e lateraes; nas patas posteriores sò os tarsos são densamente espinhosos.
Colorido geral castanho escuro; o cephalothorace apresenta tres manchas
testaceas: uma mediana, na borda anterior do clypeo; e duas atrás da região
ocular, nos sulcos que limitam a região cephalica. Esterno e ancas mais claras.
Hab. : Lagoa do Norte, Santa Catharina
Typo: No. 289, na collecção do Instituto Butantan.
Fam. D1PLURIDAE
Fam. Diplura C. Koch, 1850
Diplura doiichosterna, sp. n.
(Fig. 1)
o — 12 mm.
Patas
Fetnur
Palvlla-libia
Protarso
Tarso
Total
I
6
7,5
5
3,8
22,3 mm.
II
6
?
y
✓
?
III
5
6
6
4
21 mm.
IV
7
9
7,5
4.5
28 mm.
Cephalothorace baixo, de fovea thoracica quasi direita. Comoro ocular
muito elevado, pouco mais longo do que alto. Olhos anteriores grandes, em li-
nha fortemente procurva, os médios circulares e um pouco maiores. Olhos
médios posteriores contíguos aos lateraes. Peça labial muito mais larga do
que longa, sem espinulos apicilares. Esterno muito estreito, cerca de tres vezes
mais longo do que largo. Todos os tarsos flexuosos e delgados. Patas muito es-
pinhosas, com os espinhos dispostos sem ordem; tarsos I e II, com tres ou
quatro pequenos espinhos; tarsos III e IV, com espinhos mais abundantes. Ancas
dos palpos sem lyra. Fiandeiras iguaes á metade do comprimento do abdome,
com os tres segmentos iguaes, pouco afastados na base.
Cephalothorace pardo-escuro, vestido de curta pubescencia sedosa clara. Ab-
dome negro, com abundante pubescencia sedosa, longa, flava. Esterno e ancas,
de colorido pardo-escuro; peça labial ainda mais escura. Cheliceras castanho-
escuras.
Hab.: Lagoa do Norte, Santa Catharina.
Typo: No. 298, na collecção do Instituto Butantan.
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
cm
Meu.o-Leitão — Sovas aranhas
313
Gen. Prosharmonicon, g. n.
Cephalotorax humilis valde recurva. Tuber oculorum saltem duplo latius
quam longius, a margine írontali spatium oculum lateralem circiter aequanti se-
junctum. Oculi antici magni. intcr se anguste et aeque distantes, lineam valde
procurvam íormantes, medii evidenter minores. Medii postici parvi, angulosi,
alteralibus posticis sejuncti.Laterales antici et postici inter se vix separati, hi pau-
lo minores. Pars labialis convexa, haud latior quam longior, mutica. Coxae
pedum maxillarium, prope basin, area parva parce et minute spinulosa munitac,
lyra ex setis claviformibus duodecim armatae. Pedes (IV, I, II. III) longi et
graciles, tarsis flexuosis ut in Diplura. Mamillac superiores abdomine haud bre-
viores, articulis tribus subaequis. Mamillac inferiores spatio diâmetro mamil-
lae triplo latiore a sese distantes. Typus:
Prosharmonicon maculatum, sp. n.
9 — 15 mm. (sem as fiandeiras)
Abdome
: 8 mm..
Fiandeiras
superiores: 8 mm..
Patas
Fêmur
Patvlla-tibia
Protarso Tarso
Total
I
5,5
7
4 3
19,5 mm.
II
5
6.5
3,5 2.5
17,5 mm.
III
5,5
4,5
3.5 2,5
16 mm.
IV
5,5
7
52 3
20.7 mm.
Esterno com as sigillas anteriores não unidas na linha mediana ; as sigillas pos-
teriores circulares e separadas da margem lateral cerca de um diâmetro. Chelice-
ras com a margem externa do sulco ungueal inerme e a interna com sete dentes
dispostos em dois grupos : o apicilar de quatro, com o dente proximal muito menor,
e o basilar de tres, com o dente distai pequeno e bem separado do pequeno dente
do grupo apicilar. Olhos lateraes anteriores quasi duas vezes maiores do que os
lateraes posteriores.
Cephalothorace cór de mogno claro; patas c palpos pardos com pelos tri-
gueiros. Cheliceras fulvo-escuras, quasi negras. Esterno pardo com abundan-
tes cerdas erectas negras. Peça labial e ancas dos palpos e das pernas de colo-
rido igual ao do cephalothorace. Abdome quasi negro, com quatro pares de
faixas obliquas para fora e para trás, formadas por filas de pequenas manchas
claras. Ventre castanho-escuro uniforme.
Hab. : Lagoa do Norte, Santa Catharina.
Typo : No. 237, na collecção do Instituto Butantan.
3
*
314
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
Fam. LYCOSIDAE
Gen. Lycosa Latreille, 1804
Lycosa thoas, sp. n.
(Figs. 2, 3)
9 —
Patas
• 24 mm.
Fcmur
Patella-tibia
Protarso
Tarso
Total
I
9
12
7.8
5
33.8 mm.
II
8,8
11.5
7,5
4,5
32.3 mm.
III
8
10
7.5
4
29,5 mm.
IV
11
13
10.5
5,5
40 mm.
Cephalothorace pouco elevado. Area dos olhos dorsaes de largura quasi duas
vezes maior do que o comprimento, os olhos II maiores. Olhos anteriores relati-
vamente grandes, em fila levemente procurva. equidistantes, separados um diâme-
tro. Clypeo proclive e levemente concavo, mais alto do que o diâmetro dos olhos
anteriores. Face baixa duas vezes mais larga do que alta, de lados muito oblí-
quos. Cheliceras com a face posterior rugosa; borda inferior com tres robustos
dentes e a superior com tres. dos quaes o medio é duas vezes mais robusto do que
os outros. Tibias I e II com 2-2-2 espinhos inferiores; protarsos densamente
escopulados «até a base, com dois espinhos basilares inferiores e 1 externo.
Cephalothorace castanho escuro, denegrido, com estreita faixa amarella de
cada lado, quasi marginal. Cheliceras. palpos. peça labial, esterno, ancas e patas
do mesmo colorido do cephalothorace. Abdome castanho-negro uniforme.
Hab. : Alfredo Chaves, Rio Grande do Sul.
Typo: No. 294, na collecção do Instituto Butantan.
»
Fam. C T E N I D A E
Gen. Neoctenus Simon, 1897
Neoctenus eximius, sp. n.
(Fig. 4 )
9 — 8 mm.
Patas
Fcmur
Patclla-tibia
Protarso
Tarso
Total
I
4,5
5,5
3.5
22
15,7 mm.
II
4,5
5,5
3.5
2 2
15.7 mm.
III
4
4
3
2,3
13,3 mm.
IV
5.5
6
5,5
2,3
19,3 mm.
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
cm
Mf.ixo-Leitão — Xovas aranhas
313
Cephaluthorace mediocremente elevado, de região cephalica ao tnesmo nivel
da thoracica. os olhos posteriores mui levemente pedunculados. Olhos anteriores
em linha direita, iguaes e equidistantes. Olhos posteriores formando um trapé-
zio de base posterior, muito mais largo do que longo, os quatro olhos iguaes, os
anteriores separados por uma distancia quasi igual á extensão da fila anterior.
Tibias I e II com espinhos longos, fracos, semi-erectos, na face inferior, sendo
quatro internos e tres externos; protarsos com 2-2 espinhos inferiores, seme-
lhantes, e com densas escopulas.
Cephalothorace pardo-denegrido, com larga faixa longitudinal mediana es-
branquiçada. que vae da borda posterior até o meio da area dos olhos posteriores.
De cada lado, junto ás margens, ha uma estreita faixa sinuosa pouco nitida.
Cheliceras denegridas com tres faixas fulvas, sendo a externa muito nitida e as
duas outras indecisas. Patas denegridas com os femures ornados de duas es-
treitas faixas claras. Ancas testaceas. com abundante pontilhado negro, seme-
lhante ao das ancas e com larga faixa longitudinal mediana negra. Peça labial
denegrida de ponta clara. Laminas maxillares testaceas, lavadas de fusco.
Abdome cinzento-negro, com uma larga faixa mediana longitudinal branca; ven-
tre cinzento-negro uniforme.
Hab. : Casa Branca, S. Paulo.
Typo: Xo. 295, na collecção do Instituto Butantan.
Fam. CLUBIONIDAE
Gen. Corinna C. Koctt, 1842
Corinna tridentina. sp. n.
(Fig. 5)
? —
Patas
15 mm.
Fêmur
Patvlla-tibia
Protarso
Tarso
Total
I
6.2
8,5
4,5
3.3
22,5 mm.
II
6
8
4,5
3.3
21.8 mm.
III
6,5
7
5
3,5
22 mm.
IV
7
8.5
7,5
3.5
26,5 mm.
Cephalothorace relativamente pouco elevado e mediocrcmente convexo, re-
vestido de curta pubescencia sedosa deitada. Olhos posteriores em fila procurva,
iguaes. os médios separados menos de dois diâmetros e a mais de dois diâmetros
dos lateraes. Olhos anteriores em fila levemente procurva, os médios bem
3
316
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XI
maiores, equidistantes, separados cerca de um diâmetro dos médios. Area
dos olhos médios bem mais longa do que larga, parallela, os olhos anteriores
quasi duas vezes maiores. Esterno de rebordo pouco notável. Peça labial pouco-
mais longa do que larga, de borda livre direita. A margem inferior do sulco
ungueal armada de seis robustos dentes. Tibias I e II com 2-2-2-1-2 espinhos
inferiores e protarsos com 2-2.
Cephalothorace e cheliceras de colorido fulvo-negro, bem como a peça
labial, as laminas maxillares, as patas e os palpos. Esterno e ancas côr de
mogno. Abdome de dorso castanho uniforme, sem escudo basilar; ventre pardo.
Hab.: Araguary, Minas Geraes.
Typo: Xo. 292, na collecção do Instituto Butantan.
Fam. ANYPHAEMDAE
Gen. Teudis Cambridge, 1896
Teudis hirsutus, sp. n.
(Figs. 6. 7)
ê —
Patas
7,5 mm.
Fetnur
Patvdla-iibia
Protarso
Tarso
Total
I
4.5
6.8
4.7
1,5
17,5 mm.
II
4
5.8
3,2
1.8
14.8 mm.
III
3
3,5
3.2
1,5
11.2 mm.
IV
4.5
5.5
6
1,5
17,5 mm.
Cephalothorace pouco estreitado adiante. Olhos posteriores cm fila leve-
mente procurva, iguaes e equidistantes. Olhos anteriores em fila levemente re-
curva, mais estreita do que a foça posterior, também de olhos iguaes e equidis-
tantes. Area dos olhos médios mais alta do que larga, mais estreita adiante.
Tibias I e II com 2-2 longos espinhos inferiores e 1-1 lateraes; protarsos com
dois longos espinhos basilares c dois outros mais curtos, na face inferior e com
um de cada lado. Cheliceras robustas, verticaes; a margem inferior do sulco
ungueal inerme, a superior com dois pequenos espinhos largamente separados.
Peça labial duas vezes mais longa do que larga, excedendo muito o meio das
laminas, que são longas e dilatadas no apice.
Cephalothorace e patas amarello-testaceos, as patas com longos pêlos semi-
crectos, acinzentados. Cheliceras. peça labial e laminas maxillares fulvo-claras.
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
Mello-Leitão — Sovas aranhas
317
Esterno amarello sulfureo. Abdome testaceo, de tons levemente avermelhados,
côr de tijolo.
Hab. : Corumbatahy, S. Paulo.
Typo: No. 246, na collecção do Instituto Butantan.
(Trabalho de collabo ração do Muteu Nacional. Rio. recebido
em outubro de 1937. Dado a publicidade em dezembro
de 1937».
1, | JSciELO
Mem. In«t, Butantan
Mello-Leitão — Sete aranhas novas
Vo!. XI — lí» 3;
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SciELO
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