ISciELOi
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L
cm
MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
1939
TOMO XIII
São Paulo, Brasil
Caixa Postal 65
índice
l’ât.
Noticiário
AI-CIDES PRADO — Notas Ofiologicas.
2. Obsers'acões sobre os ofídios da fauna amazônica, com a descrição dc
um novo genero c especie ^
3. Mais um caso de albinismo em serpente í*
4. Cinco especies nos-as de serpentes colombianas do genero Atraetns
WAGLER 15
AI.CIDES PRADO — Contribuição ao conhecimento dos escorpiões sul-americanos.
Sinopse das especies de Rhopalnrus 25
AI-CIDES PRADO i J. L. R10S-P.4TI.S0 — Contribución al estúdio de los Escor-
piones de Colombia ^1
W0I.FGANG BCCHERL — Os Quilopodos do Brasil 49
FL.WIO da FONSECA — Comportamento do bugio Alonatta fusca HUMBOLDT
inoculado com s-ims amarilico Asibi 363
On thc bchasdour of thc monkey Alonatta fusca Hf.MBOLDT inoculated
wilh .\sibi strain of yellow fever %'irus 367
FI-.\VIO da FONSEC\ & P.\l'LO ARTIGAS — Inquérito sobre a sensibilidade de
Cebns eirrifer ao s'irus amarilico 373
Investigations on the senslbility of Cebns eirrifer to the yellow fever vinis 377
FI..WIO da FONSECA & A. da SILV.A RA.MOS — Novo snbgcncro e novas especies
de annfelinas neotropicas (Diplera. Culicidae). Nota previa 383
l-fDWIG FRAENKEL & THAl.ES MARTINS — Estudos sobre a fisiologia sexual
das serpentes 393
BRI NO RANGEL PESTANA; JANDYRA PL.\NBT do AMARAL A LUIZ PEREIRA
BARRETTO NETO — Tipos de C diphlrríae em São Paulo. Reações
culturais, virulência, loxigcnicidadc e suas relações com os casos clínicos 407
.\RM.4NDO TABORD.A — Contribuição ao estudo da coagulação do sangue.
1. Falhas nos métodos dc coagulação do sangue pelos venenos dc cobra ... 431
ARM.tNDO T.XBORD.A — Elcctrodio dc vidro. Generalidades. Teoria. Tipos.
Aplicações 447
NOTICIÁRIO
Ao ser impresso o presente numero das “Memórias”, é a seguinte a relação
<lo pessoal técnico superior das varias secções do Instituto Butantan:
Direiori
Jaymf. Cavalcanti, Dipl. Mcd., Prof. Quim. Biol. Fac. Mcd. S. P.
Auitlentes-chefes :
Alcides Pilado B. Cienc. &. L., Dipl. Med.
CiCEP.o DE Molila Neiva, B. Cienc. & L., Dipl. Med. Veter., ex-Prof. Esc.
Med. Veter. S. P.
Flavio OLivEinA RiBEino da Fonseca, Dipl. Med. (D. M.), Prof. Parasit.
Esc. Paul. Med.
Joaquim Travassos da Rosa, B. Cienc. & E. Dipl. Mcd.
José Bernardino .\r.antes, Dipl. Farm., Dipl. Med. (D. M.).
Moacyr de Freitas .\morim, Dipl. Med.. Prof. Fac. Med. Veter. S. P.
Paulo Monteiro de B.arros Marrey, Dipl. Med.
SEBA.STIÃO de Camargo Calazans, Dipl. Med.
Tuales Martins, Dipl. Med., ex-Prof. Fisiol. E.sc. Paul. Mcd.
Assistentes:
Ariosto BClleb Souto, B. Cienc. A I... Dipl. Med.
Aristides Vallejo Freire, Dipl. Med.
Armando Taborda, B. Cienc. & L., Dipl. Quim.
Fernando Paes de Barbos, Dipl. Farm., Dipl. Med. (D. M.).
Jandyra Pijanet do Amaral. Dipl. Mcd. (D. M.).
José Rireiro do Valle, B. Cienc. A I... Dipl. Meil. (D. M.), Prof. Farmacol.
Esc. Paul. Med.
I.EONiOAs DE ToiEm PiZ-A. Dipl. Quim.
Paulo Ratii de Souza, Dipl. Med.
Assistente-quimico :
Antonio de Salles Teixeira, Dipl. Farm.
Assistentes auxiliares ;
Ananias Porto, Dipl. Med.
DoMiNCfOS Yebed. Dipl. Med.
Favobino Prado Junior, Dipl. Med.
Goswin Karmann, Dipl. Quim. Ind.
1-AURA Comette Taborda, B. Cienc. & L., Dipl. Quim.
WoLFGANO Büciierl, Dipl. Biol. Med.
Secç.ão de Medicina Experimental
Chefe» de Secção:
Francisco de Paula Barata Ribeiro' Dipl. Meti.
I.OURIVAL Francisco dos Santos. Dipl. Med.
Plínio de Lima, Dipl. Med. (D. M.).
Sylvio Garrido. Dipl. Med. Veter.
Toda a correspondência cientifica, relativa ãs “Memórias”, deve ser diri-
gida ao
Editor, MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN
Caixa Postal 65
S.^O PAULO, BRASIL
c«A I
S98.121
NOTAS OFIOLOGICAS
2. Observações sobre os ofídios da fauna amazônica, com a des-
'^rição de um novo genero e especie
POR
ALCIDES PRADO
Ao estudar alguns cspccimes de ofídios da fauna amazônica, nada mais
faço do que juntar uma pequena contribuição ao dilatado conhecimento do as-
sunto. Devo esta oportunidade ao interessante material que me foi gentilmente
cedido pelo prof. Samuel Pessoa, ilustrado catedrático de Parasitologia da Fa-
culdade de Medknna da Universidade de S. Paulo, sendo o mesmo coligido pelo
técnico daquele laboratorio, sr. Cesar Worontzow, que, com alguns compa-
nheiros, realizaram proveitosa excursão pelo \-asto “hinterland” brasileiro, entre
os anos de 1936 e 1937.
A area percorrida pela comitiva c toda ela recoberta por densa floresta e
recortada por inúmeros rios c riachos, como sóe acontecer em toda bacia hidro-
gráfica do Amazonas.
Dentro dessa paisagem tropical, onde as precipitações anuais são abundan-
tes, imagina-se, certamente, um clima quente e húmido.
As pesquisas foram realizadas a sudeste do Estado, ao longo do rio Pa-
rauari, na confluência deste com o rio Amana, c, finalmcntc, nas proximidades
do rio Maués, afluente da margem direita do Amazonas c onde os dois pri-
meiros desaguam.
Penso que a area que serviu de campo para tais trabalhos tenha sido, até
agora, quasi inexplorada, dai resultando um maior interesse pela questão.
Dessa mesma região proveiu a Bothrops pessoai Prado, talvez o primeiro
representante do grupo Bothrops lansbcrgii (Schlegel) encontrado no Brasil.
Alem desse, examinei no mesmo lote, exemplares que me chegaram incom-
pletos e que são os seguintes: uma Bothrops airox (L.), que, como a anterior,
foi capturada nas proximidades do rio Parauarí ; um exemplar adulto de Leima-
1
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
dophis viridis (Güxther) ; finalmeníe, uma forma jovem de Ltophis affinis
(GCnther), estes dois últimos colhidos nas vizinhanças do rio Amana.
Todo o material obtido pelos excursionistas veiu conservado em álcool, em
bom estado na sua maioria, excetuando-se apenas o colorido, que não deixou
de ser afetado, como é natural.
Alguns espedmes que serviram de objeto para estas observações, foram
doados à coleção ofiologica do Instituto Butantan.
Representa este gesto uma valiosa oferta e eu o registo com o maior prazer.
Eis, a relação do material examinado:
Boa hortulana horítilana (L.)
No. 19, jovem S , ru coleção do laboratorio de Parasitologia da Faculdade
de Medicina, procedente do rio Parauarí, Estado do Amazonas, com a data de
captura: fevereiro de 1937.
E. 54: V. 283; A. 1 : C. 122.
Spl. 14; Infl. 17.
Comprimento total 675 mm.; cauda 142 mm.
Referindo a Boa hortulana cookii Gray e a Boa hortulana hortulana (L.),
diz .Amaral, na tua “Lista Remissiva dos Ofidios do Brasil”, que estas duas
raças ainda são consideradas especies distintas no Catalogo de Boulenger, porém,
não tem duvidas quanto à identidade espedfica de ambas. Trata-se dc uma
forma própria da r^ão, ocorrendo tanto no nos.so país como nos paiscs vi-
zinhos. Além desse exemplar, dois outros, mj^is ou menos idênticos, se con-
tinham no mesmo bocal.
Anilius scytale (L,.)
Xo. 10.407, adulto 9 . na coleção do Instituto Butantan, procedente de
Membéca, Estado do .Amazonas, com a data dc captura: setembro de 1936.
E. 21 : V. 248: A. 1 ; C. 4/4-f-7.
Spl. 6 (3.* e 4.* junto à ocular) ; Infl. 7.
Comprimento total 600 mm. ; cauda 20 mm.
Genero que possue como representante uma única especie, que é a acima
citada. Seu colorido asscmelha-sc ao das "falsas corais”, razão pela qual, ge-
ralmentc. é conhecida por “cobra ccfral”. Esta espede ocorre no vale do
Amazonas, surgindo, igualmcntc. no Surinam (Guianas Holandesas), Perú e
Colombla.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17 If
Alcides Prado — Notas Ofiologicas. 2.
3
Hclicops polyUpis Günther
No. 10.055. adulto ê , na colei^ão do Instituto Butantan, procedente de
Maués, Estado do .Amazonas, com a data de captura: novembro de 1936.
E. 23; V. 122; .A. 1/1; C. 108/108-fl.
Spl. 8 (3.® e 4.* junto ao olho) ; Infl. 10; T. 2+3.
Comprimento total 550 mm.; cauda 220 mm.
E" uma esjiccie encontrada no vale do Amazonas c que também ocorre ao
nordeste do Perú. E’ conhecida por "cobra daçua”, cujo nome bem o merece.
Muito próxima à Helicops angulai a (L.), que ocorre na mesma região, distin-
guindo-se desta pelo numero das escamas dorsais, que é de 23-25, ao invés de 19.
Leptophis ahajtulla (L.)
No. 20, adulto S , na coleqão do laboratorio de Parasitologia da, Faculdade
de Medicina, procedente de Maués, Estado do Amazonas, com a data de captura :
novembro de 1936.
E. 15; V. 164; .A. 1/1; C. 136/136+1.
Spl. 9 (5.* c 6.* junto ao olho) ; Infl. 11 ; T 1+2.
Comprimento toul 1290 mm.; cauda 510 mm.
E’ uma especie que se encontra em sarias regiões do país e territórios vi-
zinhos.
Leimadophis porciíogyrvs (Wied)
No. 12, jovem 9 , n^ coleção do laboratorio de Parasitologia da Faculdade
de Medicina, procedente do rio Paiauari, Estado do Amazonas, com a data de
captura: janeiro de 1937.
E. 19: V. 153; A. 1/1; C. 50/50+1.
Spl. 8 (4.* e 5.* junto ao olho) ; Infl. 10; T. 1+2.
Comprimento total 351 mm.; cauda 41 mm.
Forma muito comum no Brasil e paises limitrofes, cujas variações no colo-
rido constituem um fato digno de nota. Amaral procurou, aqui, estudar a questão .
de raça. Este, ainda, afirma que Parker descrc\'eu uma raça para a Bolivia.
3
4
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Siphlophis cervtnus (Laurentius)
No. 10, jovem á , na coleto do laboratorio de Parasitologpa da Faculdade
de Medicina, procedente do rio Amana, Estado do Amazonas, com a data de
captura: feri-ereiro de 1937.
E. 19; V. 139; A. 1 ; C. 111/111+1.
Spl. 8 (3.^, 4.* e 5.“ junto ao olho) ; Infl. 10; T. 2+3.
Comprimento total 612 mm.; cauda 135 mm.
Especie própria da região equatorial, que ocorre no Brasil e paises limítro-
fes. Oferece um colorido proximo ao descrito por Boulenger: còr, em cima, ama-
relada, com manchas irregulares pardoescuras, formando sobre o dorso, faixas
da mesma côr; ventre amarelado, todo salpicado de pardo.
hnantodes ccnchoa (L.)
No. 11, jovem S, na, coleqão do laboratorio de Parasitologia da Faculdade
de Medicina, procedente do rio Unipadi, Estado do Am^onas, com a data de
captura: março de 1937.
E. 17; V. 270; .+ 1,/1 ; C. 168/168+1.
Spl. 8 (4.® e 5.® junto ao olho) ; Infl. 9; T. 1+2.
Comprimento total 970 mm.; cauda 296 mm.
Forma algum tanto espalhada pelo pais e territórios vizinhos, porém, pró-
pria da região onde foi capturada.
Leptodeira anntdaia (L.)
No. 25, adulto á , na coleção do laboratorio de Parasitologia da Faculdade
de Medicina, procedente do rio Amana, Estado do Amazonas, com data de cap-
tura: fevereiro de 1937.
E. 19; V. 195; A. 1/1; C. 94/94+1.
Spl. 8 (3.®, 4.® e 5.® junto ao olho) ; Infl. 10; T. 1+2.
Comprimento total 695 mm.; cauda 180 mm.
Espccie que ocorre no Brasil tropical e paises limitrofes. Além desse, fo-
ram examinados dois exemplares jovens, da mesma proveniência.
4
Alcides Pbado — Notas Ofiologicas. 2.
5
Orybelis julgidus (Daudin)
No. 10.064, adulto S , na coleção do Instituto Batantan, procedente do rio
Parauari, Estado do Amazonas, com a data de captura: fevereiro de 1937.
E. 17; V. 215; A. 1/1; C. 162/162+1.
Spl. 10 (5.*, 6.* e 7.* jimto ao olho) ; Infl. 10; T. 1+2.
Comprimento total 1500 mm.; cauda 487 mm.
Espede rara, própria da região equatorial, encontrada no Brasil e paises vi-
zinhos. Caracteriza-se pelo seu belo colorido, esverdeado em dma e verde daro
em baixo.
Alleidophis. gen. n.
Proximo ao genero Oxybelis Wagler, do qual se distingue pela conforma-
ção <ía cabeça, que é pouco alongada, pela presença de uma frenal cerca de
duas vezes tão longa quanto larga e pelo numero das escamas dorsais, que é
de 19, ao invés de 15 ou 17,
Dentes maxilares 22, anteriores, com e.xceção do l.° e 2.°, pouco maiores,
diminuindo de tamanho, gradativamente, de diante para trás, seguidos por tres
presas sulcadas; dentes mandibulares, do 3.° ao 5.®, fortemente aumentados.
Cabeça distinta do pescoço ; olho moderado, com pupila redonda.
Corpo levemente comprimido dos lados; escamas lisas, com fracas depres-
sões apicilares, em 19; ventrais angulosas lateralmente.
Cauda algum tapto longa; subcaudais pares.
Especie tipo:
ylUcidof>his worontsoui, sp. n.
i — Focinho arredondado e fracamente projetado. Diâmetro do olho,
metade da sua distancia do focinho. Rostral duas vezes tão larga quanto alta,
visivcl de cima; nasal dividida; intemasais mais curtas do que as prefrontais;
frontal uma vez e meia tão longa quanto larga, tão longa quanto a sua distancia
da extremidade do focinho, mais cuna do que as parietais; frenal cerca de duas
vezes tão longa quanto alta; 1 prcocular, estreitamente separada da frontal;
3 postoculares ; temporais 2+3; 8 supralabiais, 4.“ e 5.® junto ao olho; 4 infra-
labiais em contacto com a mental anterior respectiva, que é pouco mais longa do
que a posterior. Escamas em 19 filas. Ventrais 244; anal inteira; sub-caudais
113/113+1.
Verde bronzeada cm cima, com algumas manchas triangulares laterais, pardo-
amareladas, que, gcralmentc. não atingem a linha vertebral; cabeça da mesma
côr, com duas manchas arredondadas, pardo-amareladas, simétricas, sobre a nuca ;
ventre esverdeado, entrecortado de espaço a espaço, por arcas pardo-ama -ciadas,
que são o prolongamento das manchas laterais.
Comprimento total 885 mm.; cauda 222 mm.
5
6
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Holotipo, macho, sob o No. 10.062, na coleção do Instituto Butantan, S.
Paulo.
Procedência: rio .^mana. Estado do .Amazonas. Brasil.
Colecionado por C. Worontzow, incansável teaiico do laboratorio de Para-
sitologia da Faculdade de Medicina, em fevereiro de 1937, a quem o nome da
espécie é dado em homenagem.
Oferecido pelo prof. Samuel Pessoa, catedrático de Parasitologia da mesma
Faculdade.
RESUMO
Contribuindo para o estudo dos ofidios da fauna amazônica, examinei um
lote de serpentes, constante da relação seguinte: Bca hortulana hortulana (L.),
Anilius scylalc (L.), Helicofis polylepis Gü.vther, Leptophis ahactuUa (L.),.
Leimadophis poecüogyrus (Wied), Siphhphis cennnus (Laurentiüs), Imanto-
des cenchoa (L.), Leptodeira annulata (L.), Oxybelis fulgidus (Daudin). AUei-
dophis, gcn. n. e Alletdophts xvoronlacnin, sp. n.
ABSTRACT
Contributing to thc study of the snakcs of the Amazonian fauna, 1 examined
a lot of serpents. consisting of: Boa hortulana hortulana (L.), Anilius scytalc
(L.), Hclicops polylepis Günther, Leptophis ahaetulla (L.), Leimadophis poe-
cilogyrus (Wied), Siphhphis cervinus ( L.\urextius) , Imantodes cenchoa (L.),
Leptodeira annulata (L.), Oxybclis fulgtdns (I)acdix), Alleidophis, gcn. n. and
Alleidophis tcorontzowi, .sp. n.
BIBLIOGRAFIA
•r ; BouUnger, A. G. — Cat. Sn. BriL Mus. 1 :101,13i,280.18VJ.
Boulenger, A. G. — Cat. Sn. Brit. Mus. 2:113,131.1894.
Boulenger, A. G. — Cat. Sn. Brit. Mus. 3:37,84,97,191.1896.
lhering, R. tvn — Rev. Mus. Paulista 8:273-379.1911.
Brasil, y. — Defesa contra o ofidisino :3ü.
Gonus, J. F, — Rev. Mus. Paulista 10:503.1918.
Amaral, A. do — Mem. Inst. Butantan 4:3-127.1930.
Amaro!, A. do — Metn. Inst. Butantan 9:204,206.1935.
Amaral, A. do — Mem. Inst. Butantan 10:87.1935/36.
Prado, A. — Mem. Inst. Butantan 12:1.1938/39.
, (Tr&balbo da Sccç&o dc OfwtofU c Zoolofia Mcdka do lo»-
titmo BotanUn. aprcocDUdo i Scc. <k Hig. e 3ácd. Tropi»
da Asa. Paul. de Mcd. cm 4*V1I-J9. Dado à pnUi-
cidade em Janeiro dc 1940).
6
NOTAS OFIOLOGICAS
59S.i:i:S91.157
3. Mais um caso de albinismo em serp>ente
POR
ALCIDES PRADO
Sobre o colorido das serpentes, Brehm afinna que, embora a coloração seja
quasi sempre a mesma nurrci dada especie, as variações, por vezes, são tão con-
sideráveis, que dão em resultado a criação de novos nomes específicos. /Vinda
mais, que os casos de melanismo e sobretudo de albinismo são raros.
De fato, para justificar tais asserções, citarei o seguinte : o caso de Ditmars,
do Bronx Park de Nova York, que descreveu como Crotalus pulvis, um exemplar
albino de Crotalus terrificus, proveniente de Managua, na Nicaragua. E, entre nós,
a descrição de Bolhrops imequalis, de Magalhães, que representa uma profunda
variação no colorido normal de Bothrops allernaia. Ambos os casos foram tra-
tados por Amaral, em diferentes ocasiões.
Exemplos de anomalia de cromatismo de ofidios, como casos de xantismo e
eritrismo especialmente, foram igualmcme relatados por Amaral.
Gloyd, do laboratorio de Zoologia da Universidade de Michigan, estudou,
mais recentemente, as variações de colorido, sob a forma de desenhos aberrantes,
em especimes dos generos Elaphe, Thamnophis c Crotalus, procedentes de di-
versas regiões dos Estados Unidos.
Os casos de melanismo e de albinismo, para corroborar ainda parte da-
quelas afirmativas, são tão raros que os diversos autores nunca deixam de
registá-los.
Entre outros, apontarei o caso de Procter, estudado no Jardim Zodogico
de Londres, que verificou um exemplar albino de Naja naja, procedente de Delhi,
na índia. Mencionarei os trabalhos de Amaral, resultantes de observações feitas
«n Butantan, entre as espedes Pseudoboa trígemina, Sibynotnorphus turgidus e
Crotalus terrificus.
Ha pouco, Saporiti, no Jardim Zooogico de Buenos Aires, constatou um
caso típico de melanismo num exemplar de Bothrops altemata, vindo de Santa Fé,
na Argentina.
1
_>t.
10
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Sobre a questão genetica. com referencia à variação do colorido nos animais,
sabe-se que um cruzamento interespedfico foi cons^uido em peixes, por Ne^v-
man. cm 1918. O mais detalhado estudo da historia dos cromatoforos nesse tipo
de cruzamento foi realizado por A. Russel, segrmdo referencia de Goodrich.
Verificou-se que os embriões resultantes dessa hibridização não prosseguem
até à maturidade. No estado embrionário, a côr dos cromatoforos se mostra
inalterável em cada lun dos individuos, ou ambos, os cromatoforos, podem
achar-sc presentes no mesmo embrião.
Estes dados indicam que os cromatoforos acompanham a confusão do com-
plexo genetico hereditário. Nesse caminho é muito dificil ter-se conhecimento
das relações dos melanoforos dos diversos tipos paternais. Isto é explicado por
luna totaj ausência de nKlanoforos cm um albino mutante, contrastado com o
normal.
Quanto ao material corante, pode-se estabelecer que o pigmento parece variar
menos frequentemente do que os tipos celulares.
A fonna estrutural da melanina não é ainda conhecida.
O material corante dos xantoforos e eritroforos provavelmente é consti-
tuido por carotenoides.
Refere a presente nota um caso de despigmentação, ou melhor, de albinismo,
verificado num exemplar adulto de Pseudoboa neuzvicdii, enviado de Terenos,
Estado de Mato Grosso, Brasil, colecionado por Paulo Schleich Junior, a 29 de
maio de 1939, e caracterizado pelo colorido seguinte, conforme fotografia obtida
do natural (Fig. 1): rostral pardo-escura; intemasais amareladas; parte supe-
rior da cabeça e nuca, pardo-escuras; dorso, cauda c ventre, inteiramente bran-
cos, com apenas duas manchas pardo-escuras, irregulares e muito espaçadas sobre
o dorso: a primeira, maior, à direita, e a segunda, menor, à esquerda.
Nos exemplares normais adultos, sua coloração é, cm cima, de côr pardo-
palida, uniforme, com a parte superior da cabeça c nuca algum tanto enegrecida,
com ou sem faixa amarelada sobre as têmporas e occipicio ; ventre branco-amare-
lado. Alguns espedmes apresentam pequenas va^riações no colorido com en-
tradas laterais branco-amareladas por quasi todo o corpo, como nos mostra a
Fig. 2, que representa a fotografia de um desenho obtido do natural.
O exemplar em estudo, No. 10.065, apresenta os seguintes caracteres:
Adulto á :
E. 19; V. 205-f 1; C. 105.
Spl. 8 (4., e 5.“ junto ao olho) ; Infl. 8; T. 2-J-3.
Compr. total, 1261 mm.; cauda, 339 mm.
2
RESUMO
Trata-se de um caso de albinismo em serpente, verificado num exemplar
adulto de Psendoboa nemvicdii (D. & B.) .
Casos dessa natureza não são freqüentes, a julgar pelas observações dos
diversos pesquisadores.
Oferece o presente registo, exemplo bastante curioso, pois o especime apre-
senta-se quasi inteiramente branco ; apenas a cabeça e a nuca, além de dua,s man-
chas dorsais, espaçadas, são pardo-escuras.
Nas formas normais, a cabeça, o dorsõ e a cauda são, em cima, quasi uni-
formemente pardo-palidos, apresentando, às vezes, entradas esbranquiçadas late-
rais, sobre o dorso e a cauda; ventre sempre branco-amarelado.
ABSTR.\CT
This paper deals with a c^e of albinism of snakes, verified in an adult spe-
dmen of Pseudoboa ncvwiedii (D. & B.).
Thesc cases are not frequent, as it can be sccn by observations of sevcral
authors.
The present record shows a vciy cunous spedmen, for it is almost cntirely
white, excepting the head, neck and the two separated dorsal spots, whicli are
daxk brown.
The head, dorsal side and the tail of the normal specimens are, upside, of
almost uniform slight brown colour, presenting, sometimes, lateral white entrances
on the dorsal side and the tail; the ventral side is always white-yellowish.
BIBLIOGRAFIA
Brehm, A. E. — Le» Rept et lc$ Batr., Paris *.293. 1885.
Boulenger, A. G. — Cat. Sn. Brít. Mus. 3:112.1896.
Procter, J. B. — Proc. Zool. Soc. Loodon 4:1125.1924.
Amaral, A. do — Rev. Mus. Paulista 15:1,53,59,87.1927.
Amaral, A. do — Mem. List Butantan 7:75,81.1932.
Amaral, A. da — Mem. Inst Butantan 8:149,161.1933/34.
Cloyd. H. K. — Papers Mich. Acad., Sc. Arts & I.,ct 20:661.1934.
Saporiti, E. J. — Rev. Soc. Arg. Cienc. Nat 12:343.1937.
Goodrich, H, B. — The Aroer. Katuralist 83(746) :198. 1939.
iTnbalbo da Scc^So de OfíoloctA e Zoolofía Medica do Xn«-
titoto Btitactas, aprcscotado á S«c. de Hif. e Mcd. Trop.
da Asa. Paul. de Mcd. cm 4-VI1>39. Dado i ptibli*
cidade cm Janeiro de 1940).
3
Mfm- ItuL Baunlan
yòL xin — 19Í9
Alcides Praihi — XoUts Ofioiogtcus. 3.
Fi«. 2
cm
2 3 4 5 6 7 SciELO ;li 12 13 14 15 16 17
39*. 111:591 8SS
NOTAS OFIOLOGICAS
4. Cinco especies novas de serpentes colombianas do genero
Atractus TS^acler
POR
ALCIDES PRADO
Foram reunidas aqui, para publicação em nota previa, cinco especies novas
de ofidios do genero Atractus. Pertencem elas a dois lotes que vieram da Co-
lômbia, respectivamente, cm 1938 e 1939.
Alem dessas, outras pertencentes ao mesmo genero foram determinadas, como
sejam as seguintes: Atractus crassicaudatus (D. & B.), Atractus metas Bou-
lencer e Atractus bocourti Boulencer, esta ultima da fauna do Perú e
Equador.
O rcvmo. irmão Niceíoro Maria, do Instituto de La Salle, de Bogotá, que
tão brilhantemente se ocupa do assunto cm seu país, continua a ser o valioso co-
laborador da Secção especializada do Instituto Butantan, fato que é atcst.ado
pela presente remessa do importante material.
Atractus arangoi, sp. n.
(Fig. 1)
9 — Focinho arredondado. Rostral pequena, pouco mais larga do que
alta. visivel de cima ; intemasais muito pequenas ; prefrontais mais longas do q^je
largas; frontal mais longa do que larga, tão longa quanto sua distancia da ex-
tremidade do focinho, muito mais curta do que as parietais; f renal tres vezes
tão longa quanto alta; 2 postoculares ; temporais 1 -f 2, a postero-superior lon-
ga, atinge a extremidade da parietal respectiva; 7 supralabbis, 3.* e 4.® junto
ao olho; 3 infralabiais cm contacto com a mental respectiva de um unico par.
Escamas lisas, luzentes, sem depressões apicilares, cm 17. Ventrais 159; anal
inteira; subca,udais 25/25 -f- n. Pardo-palida em cima, com manchas pardo-
1
16
Memórias do Inslitulo Butanlan — Tomo XIII
i
escuras areoladas de claro, irregulares, em bastonetes, geralmente em uma unica
serie sobre o dorso ; cabeça pardo-escura ; garganta e ventre branco-amarela.dos.
Comprimento total 395 mm.; cauda 52 mm.
Holotipo, adulto 9 , sob o No. 136, na coleção do Museu do Instituto de
La Salle, Bogotá.
Procedência : Colombia.
Afim de Atractus major Boulenger, dí^ qual se distingue por possuir nu-
mero menor de ventrais e, provavelmente, de subcaudais ; pelo colorido geral e
pelo comprimento total, que é muito menor, pois A. major mede cerca de 700
mm.
Esta especie é dedicada à memória do grande cientista colombiano Posada
Arango.
Atractus inJistinctiis, sp. n.
(Fig. 2)
9 — Cabeça curta: focinho arredondado. Rostral petfjena, mais larga
do que alta, pouco visivel de cima; intemasais pequenas; prefrontais tão longas
quanto largas; frontal mais larga do que longa, tão longa quanto sua distancia
da extremidade do focinho, muito mais curta do que as parietais; frcnal duas
vezes tão longa quanto alta; 2 postocularcs ; temporais 1 -f- 2, a postero-supe-
rior, alcança a extremidade da, parietal respectiva ; 1 supralabiais, 3.* e 4.* junto
ao olho; 3 infralabiais em contacto com a mental respectis-a de um unico par.
Escamas lisas, sem depressões apicilares, em 17. Ventrais 170; anal inteira;
subcaudais 35/35 -j- 1. Pardo-avermelhada, com um indistinto traço negro
sobre a linha vertebral, o qual partindo da nuca termina quasi na extremidade
da cauda ; dois outros da mesma côr nos flancos ; cabeça negra ; lábios, garganta e
partes inferiores, branco-amarelados, porem esta ultima irregulamente mancha-
da de pardo.
Comprimento total 444 mm. ; cauda 48 mm.
Holotipo, adulto 9 , sob o No. 166, na coleção do Museu do Instituto de
La Salle, Bogotá.
Procedência: Ocana, departamento norte de Santander.
Proximo a Atractus maculatus (Günther) e a Atractus obtusirostris
VVerner, distingue-se daquela pelo maior numero das ventrais e das subcaudais
e pelo colorido, desta pelo maior numero das ventrais e menor das subcaudais
e pelo colorido.
2
Alcides Prado — Votas Oíiologicas. 4.
17
Atractus longimaculatus, sp. n.
(Fig. 3)
1
á — Focinho arredondado. Rostral pequena, pouco mais larga do que
alta, visivcl de cima; intemasais muito pequenas, pouco mais largas do que lon-
gas ; prefrontais tão longas quanto largas ; frontal pouco mais larga, do que longa,
quasi tão longa quanto sua distancia da extremidade do focinho, muito mais
curta do que as parietal; f renal duas vezes tão longa quanto alta; 2 postocrjia-
res; temporais 1 -f- 2, a postero-superior atinge a extremidade da parietal res-
pectiva; 7 supralabiais, 3.“ e 4.* junto ao olho; 3 infralabiais em contacto com a
mental respecti\'a de um unico par. Escamas lisas, sem depressões apicilares, cm
17. Ventrais 166; anal inteira; sub-caudais 21/21 1. Castanho-clara, com
tres series de manchas negras: l.“ sobre a linha vertebral, cm traço centinuo no
terço anterior do corpo, e sob a forma de pontilhados la,rgos nos dois terços rti-
tantes; 2.* e 3.* sobre cada um dos flancos, sob a forma de pontilhados finos.
Duas faixas negras dos lados da cabeça: uma que vai do angulo posterior do
olho à comissura dos lábios, outra, paralela a essa, caminha ao nivel das têmpo-
ras. Finalmente, um desenho negro cm V, de vertice posterior, sobre as pa-
rietais, e duas manchas negras: uma sobre a frontal e outra sobre a nuca.
Partes inferiores amarelas, marchetadas de negro.
Comprimento total 372 mm.; cauda 21 mm.
Holotipo, ad*jlto S , sob o No. 170, na coleção do Museu do Instituto de
La Salle, Bogotá.
Procedência: Região do Quindio.
Afim de Atractus maculatus (GO.vther), da qual se distingue pela frenal,
que é menos longa e pelo colorido geral.
Atractus maniaalcsensts, sp. n.
(Fig. 4)
S — Focinho arredondado. Rostral pouco mais larga, do que alta, não
muito visível de dma; intemasais pequenas; prefrontais tão longas quanto lar-
gas; frontal tão larga quanto longa, quasi tão longa quanto sua distancia da ex-
tremidade do focinho, muito mais curta do que as parietais; frenal duas vezes
e meia tão longa quanto alta; 2 postocula,res ; temporais I 2, a. postero-supe-
rior atinge a extremidade da parietal respetiva; 7 supralabiais, 3.* e 4.* junto
ao olho; 4 infralabiais em contacto com a mental respecti\-a de um unico par.
Escamas lisas, sem depressões apicilares, cm 15. Ventrais 152; anal inteira;
3
18
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
subcauclais 20/20 + 1. Castanho em cima, com duas series de manchas negras,
guarnecidas de claro, paravertebrais ; cabeça manchada de negro; lábios, gar-
ganta e ventre bra.nco-amarelados, sendo o ultimo salpicado de pardo.
Comprimento total 370 mm.; cauda 31 mm.
Holotipo, adulto ê , sob o No. 172, na coleção do Museu do Instituto de La
Salle, Bogotá.
E’ afim de Atractus punctiventris .-\m.\ral, que possue as seguintes caracte-
rísticas: f renal tres vezes tão longa quanto alta; 3 infralabiais em contacto com
a mental respectiva. Também o colorido ’e dimensões de A. punctiventris lhe são
diferentes. Atractus reticulatus Boule.vger, que lhe é também afim, assim
.«e apresenta: frontal pouco mais larga, do que longa; frenal duas vezes tão longa
■quanto alta. Colorido de A. reticulatus difere bastante da espede em apreço.
Paratipo, jovem 9 , sob o No. 157, na mesma coleção, procedente de Vila
Maria (ManizaJes).
E. 15; V. 154; A. 1 ; C. 18/18 -f 1.
Spl. 7 (3.* e 4.^ junto ao olho). Infl. 6 (3 em contacto com a mental res-
pectiva,) ; T. 1 2.
Colorido perfeitamente idêntico ao da especie tipo.
Atractus cotombianus. sp. n.
(Fig. S)
á — Fodnho obtuso. Rostral pequena, mais larga do que alta, visive! de
cima; intemasais muito pequenas; prefrontais tão longas quanto largas; frontal
tão larga quanto longa, tão longa quanto sua distancia da extremidade do fo-
cinho, muito mais curta do que as parietais; frenal duas vezes tão longa quanto
^ta ; 2 postoculares ; temporais 1 -j- 2. a postero-superior não vai alem do meio
da parietal respccti\-a; 7 supralabiais, 3.* e 4.* junto ao olho; 3 infrabbiais em
contacto com a mental respectiva de um unico par. Escamas lisas, brilhante.s sem
depressões apicilares. em 17. Ventrais 149; anal inteira; subcaudais 29/29 -f 1.
Pardo-olivacea cm cima, com faixa negra vertebral, a qual guardando a largura
de uma escama, vai da parte nucal à extremidade caudal t escamas, em geral,
tarjadas de negro; nos flancos, uma linha clara, a quaj envolve as extremidades
das ventrais e a fileira contigua das escamas dorsais; ventre inteirameníe negro,
luzente.
Comprimento total 362 mm. ; cauda 42 mm.
Holotipo, adulto í. sob o No. 174, na coleção do Museu do Instituto de
La Salle.
Procedência : Chocontá.
4
Alcides Pbado — Notas Ofiologicas. 4.
19
Próxima a Atractus fithrmonm Peracca, da qual se distingue peio menor
numero das ventrais e maior das subcaudais. Quanto ao colorido, A. fiihrmanni
não {X)ssue nem a faixa negra vertebral, nem a linha clara dos flancos.
Paratipo, jovem á , sob o No. 155 na mesma coleqão. Procedência: a
mesma da especie tipo.
E. 17; V. 144; A. 1; C. 29/29 + 1.
Spl. 7 (3.* e 4.“ junto ao olho). Infl. 3 em contacto
com a mental respectira; T. 1 + -•
Colorido idêntico, apenas o ventre se apresenta mesclado de branco.
(Trabalho da Secção dc Ofkdocia e Zoologia Medica, entrr-
goc para poblicaçâo ero outubro dc 1939. Dado i pu*
bliddadc etn Janeiro de 1940).
O
Cad. 2
Alcides Phado — Xotas Ofiologicas. í.
InsU Butantan
\'fÃ. XIII — 1939
N
Fií- 1
Atra^-lHS araaficf, »p. n.
r.r. 2
^tracíMi imJistimftas, «p. n.
F«. 3
^tractms »p. n.
AixiDES Prado — Sotas Ofiologicas. i.
Mem. Tn*t, Btrtantan
Vnl XIII — 1919
Fír. 4
Atracims tmami: 0 Írsrmsis, n.
Fir. 5
Atrãcimí coiombimmtu, n.
9
595. 46:591. 98*
CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DOS ESCORPIÕES SUL-
AMERICANOS
Sinopse das especies de Rhopalurus
POR
ALCIDES PRADO
O presente trabalho nada mais é do que a súmula das publicações feitas
sobre o assunto, no Brasil. Para sua feitura utilizei-mc da excelente chave da
autoria de Mello-Leitão, publicada nos Arquivos do Museu Nacional, vol. 34,
ano 1932, a qual aparece aqui ligeiramente modificada.
Na descrição sumaria 'das diferentes cspecice, servi-me dos traballios origi-
nais e, em muitos casos, dos exemplares existentes na coleção do Instituto Bu-
tantan, e que são representantes das seguintes especies: Rh. danicli, Rh. goia-
ícnsis, Rh. dorsomaculatus. Rh. roclui e Rh. kuUauda.
A prevalecer como carater distintivo duas elevações basilares no dorso da
Tesicula para Rh. tgicsiasi. como quer Wcmer, considerarei como boa a espede
Rh. dorsomaculatus. Si tal caractcristica for fato de observação corrente entre
as espedes de Rhopalurus, opinarei para que Rh. dorsomaculatus caiba na sino-
nimia daquela.
As demais especies me pareceram estáveis, razão pela qual cada uma delas
tem seu logar perfeitamente enquadrado na chave que acabo de estabelecer.
Chaiv de especies
1 — Segmento caudais II e III com 8 cristas 2
Segmento caudal II com 10 cristas; segmento
caudal III com a crista medio-lateral ora indis-
tinta, ora bem indicada 5
2 — Estemito I com a area triangular mediana gra-
nulosa Rh. agamemnoH
Estemito I com a area tringular lisa 3
1
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
26
3 — Denticulo subaculear ausente
Denticulo subaculear presente
4 — Dentes pectineos 20/20
Dentes pectineos 29/29
5 — Dentes pectineos 15 a 17
Dentes pectineos 20 a 27
6 — Cauda cerca de 5 vezes nia» comprida do que o
cefajotorace ; denticulo subaculear pequeno e pon-
tudo
Cauda cerca de 4J^ vezes mais comprida do que o
cefalotorace : denticulo subaculear representado por
um tubérculo
7 — Segmento caudal I com 12 cristas; estemito I com
um desenho negro lambdoide
Segmento caudal I com 10 cristas; estemito I não
como acima
8 — Mão menos ou tão larga quanto a tibb
Mão mais larga do que a tibia
9 — Côr geral pardo-amarelada, quasi uniforme
Côr geral, não assim
10 — Mão tão larga quanto a tibia; denticulo subaculear
«saliente, pontudo; dentes pectineos 21 a 22
Mão mais estreita do que a tibia ; denticulo subacu-
lear reduzido, agudo; dentes pectineos 25/25
1 1 — Vesicula com 2 elevações basilares no dorso
\'csicula sem 2 cle\'ações basilares no dorso
12 — Segmentos caudais 1 e II com 10 crista*»; III e IV
com 8
Segmentos caudais I a III com 10 cristas; IV com 8
13 — Mão pocico mais larga do que a tibia; dedo movei
com fraco lobo basilar; denticulo subaculear sa-
liente, em fomia de ponta de prego
Mão mais larga do que a tibia; dedo nKxvel com
forte lobo basilar; denticulo subaculear reduzido a
um tubérculo
14 — Cauda 6 vezes mais comprida do que o cefalotorace
Cauda cerca de 4 a 4J4 vezes mais comprida do que
o cefalotorace
Rh. junccus
4
Rh. iittennedius
Rh. danieli
6
7
Rh. acromclas
Rh. debilis
Rh. latnbdophorus
8
9
11
Rh. sicnochtrus
10
Rh. goiasensis
Rh. tnelleipalpus
Rh. iglesioji
12
13
15
Rh. dorsoitutculaius
14
Rh. rochai
Rh. barythcnar
2
Alcides Pr.\do
Contrib. ao conhecimenlo dos escorp. sul-americanos 27
15 — Cauda dilatada nos 2 últimos sarnentos Rh. laJicaiuia
Cauda não assim 16
16 — Tronco quasi uniformemente pardo-amarelado ; cau-
da da mesma côr, apenas com os segmentos IV e V
pardo-enegrecidos Rh. borelli
Côr geral pardo-negra, uniforme Rh. pintai
Rhopalurus agmnemnon (Kocn)
Androctonus agamemnon Koch, Arach. 6:103.1859.
HettrocUnut agamemnon Pocock, Jr. Linn. Soc 24:393.1893.
Centrurns agamemnon K»aepelis, Das Tierr. 8:94.1899.
RhopaJunis agamemnon Pocock, Biol. Centr. Amer. :37.1902.
Centrunis agamemnon Pentiieh, Ann. k. k. Kat, Hoffm. 27:240.1913.
Rhopalurus agamemnon Mello-Leitão, Mcm. I. O. Cruz 17:276.1924.
Rhopalurus agamemnon Meixo-Leitão, Arch. Museu Xac. 34:14.16.1932.
Rhopalurus agamemnon Prado & Rios-PatiSo. Rev. .Acad. Colombiana C. E. Fis.
Nat. 3.1939.
Proximo a Rh. junceus, porem com as patas muitas vezes enegrecidas e os
tergitos abdominais com faixas medianas mais claras. Estemito I com triân-
gulo mediano sem depressões punctiformes, porem com granulações finíssimas.
Denticulo subaculear bem visivel. Dentes pectineos 17 a 20.
Comprimento total 80 a 100 mm..
Brasil.
Rhopalurus junceus (Herbst)
Scorpto juneeus Herbst, N'at ungefl. Ins. 4:65.1800.
Heteroetenus juneeus Pocock, Jr. Linn. Soc. 24:324.1893.
Centrurtu juneeus Kraeptxix, Das Tierr. 8:94.1899.
Rhopalurus juneeus Mello-Leitão, Arch. Mus. Xac 34:14.1932.
Rhopalurus juneeus junceus Moreno, Mcm. Soc Cubana 13:65.1939.
Côr pardo-amarclada. Cauda pardo-escura, postero-inferionnente. Palpos
amarelados, com mãos amarelo-avermelhadadas. Patas amareladas.
Tergitos abdominais fortcmcnte granulosos. Estemitos lisos cm geral; I
coni triângulo mediano liso, apenas com algumas depressões punctiformes, e limi-
tado por sulcos longitudinais convergentes. Cauda, 5 a 6 vezes mais comprida
do (jue o cefalotorace. mais dilatada atrás no 3 , granulosa ; I segmento com 10
CTistas; II ao IV com 8; porções intcrcarinais com finas granulações; vesicula
ligeiramente granulosa, mais larga do que alta ; denticulo sulaculear ausente (no
3
28
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
jovem ha uma pequena protuberância). Palpos com mãos sem quilhas fortes;
dedo movei com forte lobo basilar. Dentes pectineos com 19 a 23 dentes.
Comprimento total 80 a 100 mm.
Brasil.
Rhopalurus intentudius (Penther)
Centnirus intermedius Pejítheu, Ann. k. k. Nat. Hofím. ?7:240.1913.
Rhopalurus intermedius Mixix>- Leitão, Arch. Mus. Nac. 34:14.1932.
Rhopalurus intermedius Prado & Rios-Patino, Rev. Acad. Colombiana C. E. Fis.
Nal. 3.1939.
Proximo a Rh. junecus, deste diferindo apenas pelo colorido e pela pre-
sença de um denticulo subaculear grartde. Elstemito I com a area triangular
mediana lisa, apenas com algumas depressões purKtiformes. Dentes pectineos
20 / 20 .
Comprimento total 90 mm.
Brasil (Piauí).
Rhopalurus danúli Prado & Rios-Patixo
Rhopalurus danieli Prado & Rios-PatiSo, Rev. Acad. Colombiana C. E. Fis. Nat.
3.1939.
Rhopalurus danieli Prado & Rtos-PATiüo, Mem. Inst. Butantan 13.1939.
S — Tronco pardo-amarelado. Cauda amarelada em cima, porem com o
ultimo segmento pardo-escuro; vesicula da còr deste. Palpos amarelo-palidos ;
mãos c dedos pardo-escuròs. Patas amarclo-palidas.
Cefalotorace granuloso; cômoro ocular com sulco mediano profundo. Ter-
gitos granulosos, com as cristas medianas acentuadas. Estemitos lisos em geral ;
I com arca triangular mediana lisa, apenas com algumas depressões punctifor-
mes. Cauda longa, cerca de 8 vezes mais comprida do que o cefalotorace, com
os segmentos gradualmente alongados; cristas l)em marcadas c granulosas: 1
com 10, II ao IV com 8 e V com 5; espaços intcrcarinais lisos inferiormente c
pouco granulosos em cima, com exceção do V que é grosseiramente granuloso;
vesicula ligeiramente alargada e granulosa ; denticulo subaculear saliente e rombo.
Palpos, com femores e tibias finamente granulosos; mão, levemente achatada do
lado externo e convexa do interno, mais larga do que a tibia; dedo movei com
8 fileiras de granulações no gume, e forte loho basilar. Dentes pectineos 29/29.
Comprimento total 95 mm. ; cefalotorace 8 mm. ; tronco 30 nun. ; cauda
65 mm.
Colombia (Andes colombianos).
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
-\i.ciDEs Prado — Contrib. ao conhecimento dos escorp. sul-americanos 29
Rhopalurus acromelas Lurz & Mello
Rkopalurus acromelas Lurz & Mello, Folha Med. 3(4) :25. 1922.
Rhofalurus acromelas Mello Campos, Mem. I. O. Cruz 17:252.1924.
Rhopalurus acromelas Wolsol, Abhand. Scnclc. NaL GcseL 3^358.1927.
Rhopalurus acromelas Mello-Leit.\o, Arch. Mus. Nac. 34:1441.1932.
S — Côr geral amarelo ocracea, algum tanto enegrecida ao nivd do cefa-
lotorace. tergitos abdominais e dois últimos segmentos caudais. Palpos maxi-
lares com tonalidade mais escura paru tibias, mãos e dedos.
Cauda, cerca de 5 vezes mais comprida do que o cefalotorace, alargando-se
ligeiramente no sentido apicilar; I e II segmentos com 10 cristas granulosas;
111 com a crista medio-lateral fraca, a qual é ausente no IV ; vesicula em baixo
com uma serie de grânulos; denticulo subaculear pequeno e pontudo. Palpos,
com a mão algum tanto mais estreita do que a tibia; dedo movei com 8 fileiras
de grânulos no giune e com vestigio de lobo basilar. Dentes pcctineos 17.
9 — Com tibia, mão e vesicula mais claras; cauda mais delgada.
Comprimento total da 9 , 54 mm. ; cefalotorace 6 mm. ; cauda 30 mm.
Brasil (Piauí e R. G. do Norte).
Rhopalurus debilis (C. L. Kocit)
Vaejovis debilis C. Koch, Arach. 8:21.1841.
Voejovis debilis Ksaepeus, Das Ticrr. 8:96.1899.
Rhopalurus debilis Bokelli, Boll. Mus. Tor. 25.1910.
Rhopalurus debilis Mello Campos, Mcm. I. O. Cruz 17:252.1924.
Rhopalurus debilis Mello-Leitão, Ardi. Mus. Xac. 34 :1440.1932.
3 — Cefalotorace amarelo, orlado de negro lateralmentc e ornado de grande
ttiancha enegrecida na altura dos olhos medianos. Tergitos abdominais amarclo-
pardos. com as cristas medianas respectivas escuras. Elstemitos abdominais ama-
J^lo-claros. Cauda mais escura do que o cefalotorace; V segmento amarelo-sujo,
wni as cristas latero-superiores ornadas de escuro. Patas amarelo-claras.
Cefalotorace algum tanto acliatado, com grânulos maiores ao longo da margem
posterior; cômoro ocular com sulco mediano bem marcado. Tergitos abdominais
irregularmente granulosos; cristas medianas denteadas. Estemitos abdominais
brilhantes e lisos em sua grande e.xtensão: I com área triangular mediana lisa.
porem com depressões punctiformes. Cauda, cerca de 4)4 vezes mais comprida
do que o cefalotorace, finamente granulosa, alargando-se le\'cmente do I ao V
^^mentos; I e II segmentos com 10 cristas; III com a crista medio-lateral
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
30
Mcniurias do Instituto Butantan — Tomo XIII
indistinta; vcsicula ovifomie, com 2 series de granulações; dentículo subaculear
reduzido a um tubérculo. PaJpos com femores e tibias finamente granulosos;
mão pouco mais estreita do que a tibia; dedo mo%el de comprimento superior a
2 vezes o da mão, com 7 fileiras de grânulos no gume e com lobo basilar.
Dentes pectineos 15 a 16.
Comprimento total 29 mm. ; tronco 1 1 mm. ; cefalotorace 4 mm. ; cauda 18 mm.
Brasil (Ceará).
Rhopalurus lambdophorus Mello- Leitão
Rhofalurus lambdophorus Mmz)- Leitão, Arch. Mus. Nac. 34:12.1932.
á — Cefalotorace ocraceo, com arcadas superciliares e orla em tomo dos
olhos medianos negras. Tcrgitos abdominais castanho-escuros. Estemitos da
mesma côr: I, com 2 fai.xas negras longitudinais curvas, de concavidade externa,
limitando o triângulo mediano; cada faixa com um curto ramo interno em .seu
terço apicilar, de modo a formar nesse estemito dois “lambdas” negros. Caud:t
pouco mais clara do que o tronco. Palpos e patas amareladas.
Cefalotorace granuloso, com cristas superciliares da mesma natureza. Ter-
gitos com cristas granulosas medianas bem acentuadas. Estemito I, com depres-
sões laterais finamente granulosas, e triângulo mediano liso ; os demais lisos, ccwn
exceção do V. Cauda densamente granulosa ; I segmento com 1 2 cristas ; 1 1 com
10; III e IV com 8; cristas superiores do II e III com dentículo apicilar maior;
vesícula grande, pouco granulosa ; dentículo subaculear retluzido a uma granulação
romlia. Palpos com femores e tibias granulosoe; quela da mão mais estreita do
que a tibia; dedo movei, cerca de lyí vezes mais comprido do que a mão, com
10 fileiras de grânulos no gume e com pequeno lobo basilar. Dentes pectineos
25/25.
Comprimento total 60 mm.; tronco 23 mm.; cauda 37 mm.
Brasil (Ceará).
Rhopalurus stcnochirus (Pexther)
Cenlrwus slenochirus Pentiicb, Ann. k. k. XaL Hoffm. 27:240.1913.
Rhopalurus slenochirus Mello Cavi>os, Mcm. I. O. Cruz 17:252.1924.
Rhopalurus slenochirus We*ne*. Abhand. Scnck. Gescl. 3:357:. 1927.
Rhopalurus stcnochirus Mello-Leitão, Arch. Mus. Nac. 34 :15,31 .1932.
9 — Côr pardo-amarelada, com tronco mais escuro. Cauda da mesma côr,
com as cristas inferiores e a ponta do aculeo enegrecidas.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Alcides Pb-\do — Contrib. ao conhecimento dos escorp. sul-americanos 31
Cefalotorace mais estreito na frente do que atrás, granuloso; cômoro ocular
com sulco mediano pouco profundo. Tergitos abdominais granulosos, com gra-
nulações maiores atrás ; cristas medianas fracas. Estemito I, com os lados depri-
midos e finamente granulosos ; área triangular mediana lisa, com depressões punc-
tiformes. Cauda, cerca de vezes mais comprida do que o cefalotorace, com
os segmentos gradualmente alongados no sentido apicilar; I e II segmentos com
10 cristas ; III e IV com 8; espaços intercarinais granulosos ; vesícula lisa em cima,
com grânulos obtusos, cm fileiras indistintas, em baixo ; denticulo subaculear repre-
sentado por pequena protuberância. Palpos maxilares, com femores e tibias gra-
nulosos; mão tão larga ou pouco menos do que a tibia; dedo movei, cerca de 2
vezes mais longo do que a mão, com 7 fileiras de grânulos no gume e com lol»
basilar fraco, recoberto de pequenos pelos. Dentes pectineos 23 a 24.
2 — ^lão com dedo movei sem lobo; dentes pectineos em numero pouco
maior.
Comprimento total da 9 , 53.5 mm. ; tronco 23,5 mm. ; cefalotarace 7 mm. ;
caufia 30 mm.
Comprimento total do á , 43 mm.; tronco 21 mm.; cefalotorace 5 mm.;
cauda 22 mm.
Brasil (Baia).
Rhopalums goiasensis, sp. n.
£ — Tronco pardo-oscuro ; tergitos alxlominais com cintas apicilares ene-
grecidas. Esternitos abdominais pardo-amarclados, It^vados de escuro. Cauda
pardo-amarclada, com exceção das cristas granulosas inferiores e dos 2 últimos
segmentos, que são negros ; vcsicula pardo-amarelada. com a ponta do aculco infus-
cada. Palpos maxilares da mesma côr, com mãos c dedos jiardo-ncgros. Patas
l«rdo-amareladas.
Cefalotorace granuloso, com grânulos maiores formando cristas; cômoro
ocular, com sulco mediano profundo. «>cndo este orlado de cristas granulosas.
Tergitos abdominais granulosos, com cristas medianas granulosas do I ao \T;
apenas basilar no VII, alem de 2 outras laterais. Esternitos lisos em sua maio-
*■>3. I com áreas laterais deprimidas e finamente granulosas ; área triangular me-
diana lisa, com raras depressões punctiformes; V granuloso, com 4 cristas da
tnesma natureza. Cauda forte, pouco mais de 5 vezes o comprimento do cefalo-
torace, alargando-se levemente no sentido apicilar; I e II segmentos com 10
cristas; III e IV com 8; espaços intercarinais apenas granulosos inferiormente;
vesícula com grânulos esparsos; aculco longo e curvo; denticulo subaculear sa-
liente, pontudo; palpos maxilares: femores e tibias com cristas granulosas; não
conve.xa intemamente, tão larga quanto a tibia ; dedo movei cerca de 2 vezes mais
longo do que ^ mão, com 8 fileiras de grânulos no gume e fraco lobo basilar.
I^tes pectineos 21/21.
cm
SciELO
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32
>[emorias do Instituto Butantan
Tomo XIII
5 — Côr pardo-amarelada do tronco e mãos. Dentes pectineos 22/22.
Comprimento total do á : 61 mm.; tronco 24 mm.; ccfalotorace 7 mm.;
cauda 37 mm.
Comprimento total da 9 : 63 mm.; tronco 26 mm.; ccfalotorace 7 mm.;
cauda 37 mm.
Holotipo e alotipo, respectivamente, sob os Xos. 66 e 31. na coleção do Ins-
tituto Butantan, S. Paulo.
Colecionado por Blaser, em dezembro de 1932.
Esta especie é afim de Rh. inelleipalpus, da qual se diferencia pela largura
da mão em relação à tibia : tão larga quanto esta em Rh. goiasetisis, e menos larga
em Rh. inelleipalpus; denticulo subaculear saliente e pontudo em Rh. goiasensis,
ao passo que o mesmo é reduzido e apenas agudo, cm Rh. tnelleipalpus; finalmente,
Rh. goiasensK parece possuir um menor numero de dentes pectineos.
Brasil (Cana Braiva, Goias).
Rhopalurus inelleipalpus Lutz & Mello
Rhofahtrus meUeifat (>tts Lutz & Meu.o, Folha Med. 3(4) :25. 1922.
Rhopalurus tnelleipalpus Mello Camk>s, Mcm. I. O. Cruz 17:275.1924.
Rhopalurus tnelleipalpus \V'e*xe*, .-\bhand. Senck. Xat. Cícscl. 3:358.1927.
Rhopalurus tnelleipalpus Mello- Leit.ão, .\rch. Mus. Xac. 34:15.31.1932.
9 — Tronco pardo-olivaceo, com um triângulo enegrecido ao nivel dos olhos
medianos. Tergitos abdominais com cintas basilares negras, interrompidas ao meio.
Esternitos abdominais I a IV claros; V pardo-oliraceo. Cauda com o segmento I
pardo-oliraceo ; II e III pardo-oli\-aceos escuros. Extremidades, inclusive palpos
maxilares, côr de mel.
Ccfalotorace granuloso, com grânulos maiores formando cristas. Tergitos
abdominais com cristas medianas denteadas. C^uda robusta, cerca de 5 vezes mais
comprida do que o ccfalotorace, não se alargando no sentido apicihr; segmentos
caudais I c II com 10 cristas, III e IV com a crista medio lateral respectiva
indistinta; espaços intercarinais granulosos; vesicula pequena, piriforme; den-
tiailo subaculear reduzido, agudo. Palpos com femores c tibias granulosos ; mão
achatada extemamente e conve.xa intemamente, mais estreita do que a tibia ; dedo
movei quasi 2 vezes mais comprido do que a mão, com 7 fileiras de grânulos no
gume c pequeno lobo basilar. Dentes pectineos 25/25.
Comprimento total 48 mm. ; tronco 17 mm. ; ccfalotorace 6 mm. ; cauda 31 mm.
Brasil (Ceará).
cm
SciELO
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Alcides Pr.\do — Contrib. ao conhecimento dos escorp. sul-americanos 33
Rhopalurus igUsiasi Werner
Rhopalurus igl iiasi Werkeb, Abhand. Scnck. Nat. Gcicl. 3:357.1927.
Rhopalurus iglesiast Meixd-Leitão, ArcK Mus. Nac. 34:15,31.1932.
Rhopalurus igUsiasi Pa.sDO, Mem. Inst. Butantan 12:6.1938/39.
9 — Tronco vermelho-escuro. Cauda vermelho-castanha; castanho-negra,
atrás. Palpos maxilares mais escuros para o lado das mãos. Patas amarelo-claro-
alaranjadas.
Cefalotorace granuloso, com cristas. Tergitos com cristas medianas curtas.
Estemitos lisos em sua maioria: I com área triangular mediana lisa. Cauda gra-
nulosa; I e II segmentos com 10 cristas; III com 8; espaços intercarinais geral-
ntente granulosos, com exceção do V’, que também apresenta um sulco longitudinal
aprofundado atrás ; vcskula pouco granulosa, com 2 protuberâncias basilares, muito
fedondas, no dorso; dentknilo subaculear pequeno, pontudo. Palpos maxilares,
com mão mais larga do que a tibia; dedo mot\’el 2 vezes mais comprido do que
a mão, com 7 fileiras de grânulos no gume e lobo basilar forte. Dentes pectineos
19 a 22.
Comprimento total 95 mm. ; tronco 35 mm. ; cauda 60 mm.
Brasil (Piauí).
Rhopalurus dcrsomaculatus Pr.mxi
Rhopalurus dorsouiaculatus Phado, Mem. Inst. Butantan 12:5.1938/39.
9 — Cefalotorace pardo-escuro, com ua manciia antracoidc irrt^lar à
altura dos olhos medianos. Estemitos pardo-enegrecidos. com exceção do I que
c pardo-amarelado. Cauda pardo-escura, com os 2 últimos de cor antracoidc,
'■«ttral ; vesícula pardo-aveniKlhada, com a ponta do aculeo infuscada. Palpos
pardos; dedos pardo-enegrecidos. Patas pardo-amareladas.
Cefalotora,ce granuloso, com granulações maiores em cristas. Tergitos gra-
nulosos. Eistemitos lisos cm sua maioria : I com áreas laterais deprimidas e fina-
niente granulosas; triângulo mediano liso com depressões punctifomies. Cauda
lorte. quasi 5 vezes mais comprida do que o cefalotorace, alargando-se ligeiramente
no sentido apicilar; I e II segmentos com 10 cristas; III e IV com 8; espaços
•ntercarinais granulosos ; vesícula com aculeo longo e cur\'o ; denticulo suliaculear
saliente, em fornia de ponta de prego. Mão levemente achatada do lado exter-
no e conve.xa do interno, pouco mais li^rga do que a tibia: dedo movei, com 8
fileiras de grânulos no gume e logo basilar fraco. Dentes pectineos 20/21.
Comprimento total 92 mm. ; tronco 38 mm. ; cefalotorace 1 1 mm. ; cauda
nim.
Brasil (Goiás).
cm
SciELO
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34
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Rhopalurtis rochai Borelu
RhofaUtrus rochai Boreixi. Boll. Mus. Tor. 25:2.1910.
Rhopalunis rochai MtXLO Campos, Mem. I. O. Cruz 17:252.1924.
Rhopalurtu rochai Weusek, Abhand Scnck. Xat. Gcsel. 13:358.1927.
Rhofaliirus rochai Meixo-Leitão, .Xrch. Mus. N'ac. 34:16,31.1932.
á — Tronco amarelo-cscuro. Cauda ocracea, com carinas medio-latero-
inferiores infuscadas; ponta do aculco pardo-escura. Palpos amarelados. Patas
amarelo-palidas.
Cefalotorace granuloso, com cristas. Tergitos abdominais fortemente granu-
losos. Estemitos lisos em sua maioria: I com áreas laterais deprimidas e fina-
mente granulosas ; triângulo merliano em relevo, liso, com depressões punctiformes.
Cauda forte, cerca de 6 vezes mais comprida do que o cefalotorace: I e II seg-
mentos com 10 cristas; III com a crista medio-lateral indistinta; vesicula quasi
esferica, com grânulos esparsos; dcnticulo subaculear representado apenas por I
tubérculo. Mão mais larga do que a tibia; dedo movei com lobo basilar forte.
Dentes pectineos 25 a 27.
Cauda proporcionalmentc mais curta.
, 53 mm.; tronco 17 mm.; cefalotorace 6 mm.;
9 — Tronco mais claro.
Comprimento total do 3 ,
cauda 36 mm.
Comprimento total da 9
cauda 42 mm.
Brasil (Ceara. R. G. do Norte, Pernambuco e Paraiba).
70 mm.; tionco 28 mm.; cefalotorace 7 mm.;
Rhopalurus barytUcmr (Pf.nthf.r)
CcHtrurus barythcnar Penther, .Ann. k. k. Xat. Hofm. 27:242.1913.
Rhopalurus barythcnar Melu> Campos, Mcm. I. O. Cruz 17:252.1924.
Rhopalurus barytli:nar Werne*. .\l>han<l Senck. Xat. Gcsel. 3:358.1927.
Rhopalurus barythcnar Mello-I.f.it.xo, .-Vreh. Mus. Xac. 34:16.31.1932.
9 — Cõr geral amarelo-clara, com o tronco algum tanto escuro. Cauda com
as cristas e a ponta do aculeo en^recidas. Palpos com mãos e tibias avermelha-
das. Patas amarelo-palidas.
Cefalotorace, mais estreitado na frente do que atrás, fortemente granuloso,
com cristas da tntema nafurcia, fracas. Tergitos granulosos, com cristas dorsais
fortes. Cauda, cerca de 4 a 4J^i vezes mais comprida do que o cefalotorace; I e II
segmentos com 10 cristas; III com 8; denticulo subaculear diminuto. Mão mais
larga do que a tibia, entumecida na sua base, com o lado inferior finamente gra-
nuloso; dedo movei, 2 vezes mais longo do que a mão, com lobo basilar forte.
Dentes pectineos 21 a 25.
10
cm
SciELO
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Alcides Prado — ■ Conlrib. ao conhecimento dos escorp. sul-americanos 3õ
Comprimento total da 9 , 65 mm , tronco 30 mm. : cefalotorace 8 mm. ;
cauda 35 mm.
Comprimento total do <J , 56 mm. ; tronco 23 mm. ; cefalotorace 7 mm. ;
cauda 33 mm.
Brasil (Baia e Minas Gerais).
Rhopalurus laticauda Thorf.ll
Rhopalurus laticauda Thosell, .Ann. Xat. Hist. (4)17:9.1876.
Rhopalurus laticauda Thorell, .At. Soc. Ital. 19:143.1877.
Rhopalurus laticauda var. sachsii K.\rsh, Mt. Mun. enL Ver. 3:118.1879.
Cenirurus laticauda Kraepeus, Mt. Mus. Hamb. 8:137.1891.
Ccntrurus laticauda Kilsepeus, Das. Tierr. 8:95.1899. ..
Ccntrurus laticauda Pextheb, .Ann. k. k. XaL Hofm. 27:240.1913.
Rhopalurus laticauda Mello Campos, Mem. I. O. Cruz 17:252.1924.
Rhopalurus laticauda Werxek, .Abhand. Senck. XaL Gesel. 3:357.1927.
Rhopalurus laticauda Mello-Leitão, Arch. Mus. Xac. 34:1531.1932.
Rhopalurus laticauda Prado & Rios- Patino. Rev. Acad. Colomb. C. F. Xat. 3.1939.
S — Cefalotorace e abdome de cõr tynarelo-parda. Cauda de côr amarelo-
clara, escurecendo até o castanho nos 2 últimos segmentos e vesícula. Palpos
>7Uxilares amarelo-claros; dedos escuros. Patas amarelo-palidas.
Tergitos abdominais e caudais, como também a vesiatla com granulações gros-
*ciras. Cauda com os 2 últimos segmentos alargados; II e III segmentos
com 10 cristas granulosas; V com cristas bem marcadas e uma profunda depressão
dorsal : vesícula com aculeo longo e curvo ; denticulo suliaculcar petjueno, pontudo,
^lão muito mais larga do que a tibia; dedos com cristas finamente granulosas;
dedo movei. 1J4 vezes mais longo do que a mão, com 8 fileiras de grânulos no
gume e sem lobo basilar. Dentes pectineos 23 a25.
9 De colorido mais ou menos idêntico ao do <J . Cauda com os 2 últimos
®cgmentos não tão alargados. Mão quasi tão larga quanto a tibia. Dentes pcc-
rineos em numero pouco menor.
Comprimento total. 48 a 60 mm.
Brasil (Piauí), Colombia, Venezuela c Guianas.
Rhopalurus borelli PocoCK
Rhopalurus borelli PococK, Arm. XaL Hist. (7) 10:377.1902.
Rhopalurus borelli PococK, Biol. Ontr. .Amcr. 37.1902.
Rhopalurus borelli Mello Campos. Mem. I. O. Cruz 17^252.1924.
Rhopalurus borelli Werxer. .Abhand. Senck. Xat. (jescl. 3:358.1927.
Rhopalunu borelli Mello-Leitão, .Arch. Mus. Xac. 34:15.31.1932.
Rhopalurus borelli Prado, Mem. Inst. Butantan 12 :6.1938/39.
11
cm
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3G
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
S — Tronco quasi uniformemente pardo-amarelado, com a área frontal do
cefalotorace infuscada. Estemitos abdominais amarelo-palidos. Cauda pardo-
amarelada, com exceção do IV e V segmentos, que são pardo-escuros, especial-
mente a parte infero-lateral do V, que é pardo-enegrecida, Palpos, cora femores
e tibias amarelo-claroe ; mãos e dedos infuscados. Patas amarelo-palidas.
Cefalotorace e tergitos abdominais fortemente granulosos. Estemitos lisos
em sua maior extensão: I com áreas laterais finamente granulosas e área trian-
gular mediana lisa e com depressões punctiformes. Cauda espessa e forte, cerca
de 5yj vezes o comprimento do cefalotorace; I a III sarnentos com 10 cristas;
IV com 8; espaços intercarinais fracamente granulosos em cima e fortemente em
baixo; veskula fracamente granulosa; denticulo subaculear saliente e forte. Palpos
finamente granulosos; mão relati>’amente estreita, tão larga quanto a tibia; dedo
movei com 8 fileiras de grânulos no gume e com lóbo basilar fraco. Patas fraca-
mente granulosas com cristas da mesma natureza. Órgãos pectineos dilatados
na base, com 19 a 20 dentes.
9 — Cauda pouco mais longa, quasi 6 vezes o conrprimento do cefalotorace.
Mão mais larga do que a tibia. Dentes pectineos 24 a 25.
Comprimento total da 9 , 75 mm. ; cefalotorace 8 mm. ; cauda 44 mm.
Comprimento total do ê , 77 mm. ; cefalotorace 8 mm. ; cauda 47 mm.
Brasil (Ceará c Piauí).
Rhopalurus pintoi Mello-Leitão
Rkopalurus pintoi Mello-Leitão, Arch. Mus. Kac. 34:11.1541.1932.
é — Cõr geral pardo-negra, uniforme. Estemitos abdominais castanho-
escuros.
Cefalotorace granuloso ; cômoro ocular com 1 sulco mediano profundo. Ter-
gitos alxlominais com cristas medianas muito acentuadas. Esternito I, liso, com
áreas laterais deprimidas e finamente granulosas ; área triangular mediana de base
posterior, lados sinuosos e angulo anterior arredondado; II a IV lisos, com algu-
mas depressões punctiformes, esparsas; V granuloso, com 4 cristas da mesma
natureza. C^uda, granulosa, cerca de 4J4 ^•ezes mais comprida do que o ccfalo-
torace; segmentos I a III com 10 cristas; IV com 8; vesícula pequena, globulosa
e granulosa; denticulo subaculear conico e rombo. Palpos com femores e tibias
granulosos ; mão mais larga do que a tibia ; dedo movei com 9 series de grânulos
no gume e 1 lóbo basilar pequeno. Patas granulosas. Dentes pectineos 20/21.
Comprimento total 55 mm. ; cefalotorace 7 mm. ; cauda 32 mm.
Brasil (Amazonas).
(TraL^Iho 4a Secçio 4e Ofidocia e Zoolofia Medica 4o
tn»tituto Bataatan, apresentado na sessão 4e 1J-1X-J9,
do Qube Zoolofico do Brasil. Dado á paUteidade
em Janeiro de 1940).
12
cm
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Alcides
Pr.\do — Conlrib. ao conhecimenlo dos escorpiões sul-americanos.
Mem, ln.«t. ButanUn
VoL XJÍI — 1&89
íf* ‘/M/wr»# y^~»4snists, »o. n.
Rhcfcimnts J9rs9mú*m!atns PKADn
Rhcf^mms IctúamJm Tuo«cu.
13
SciELO
11 12 13 14
Alcides Prado — Contrib. ao conhecimento dos escorpiões sul-americanos.
Ntcm. Inst. But^tan
VqI. XIII — 1939
Rkof^aíums çaiésrmsis, «p. n, Ç
SciELO
11 12 13 14
6 17
595.46:591-986
CONTRIBUCIÓN AL ESTÚDIO DE LOS ESCORPIONES DE
COLOMBIA
POR
ALCIDES PRADO y J. L. RIOS-PATIRO
(con 2 figuras tn el ttxlo)
El Instituto Butantan recibió hace tiempo para su clasificación algunos ejciti-
plarcs cie escorpiones de Colombia. Uno de ellos, provcnia de Restrepo (Meta),
y nos fué entregado por cl doctor Paulo Antunes, primer asistente de la Sccción
de Parasitologia dei Instituto de Higiene de S. Pablo. Su captura tienc feclia:
1934. Otros cinco venian de los Andes Colombianos y fueron remitidos por cl
í^evdo. Hermano Daniel, dei Colégio Departamental de S. José, de Medcllin.
Win feclia de captura: 1936.
Sobre los escorpiones colombianos, cspccialmcnte dei género Rhofalurus,
existen pcx^s informaciones. Sólamente, en Kraepelin, Penther, Mello Campos
y Mello-Lcitão, encontramos a)go seguro. Sin embargo, quisimos no perder esta
•nagnífica oportunidad de traer al campo de la aracnologia esta contribución.
í^te estúdio fué publicado en nota prévia cn: Rev. de la Acad. Colombiana de
Ciências Exactas, Fis. y Naturales 1939.
Rfiopalurus laticauda Thoreu-
Cefalotórax y abdómen de color amarillo-pardo. Cola de color amarillo-
clatc) obscureenéndose notáblcmente, hasta ilcgar al castano cn los dos últimos
*^ientos y la, vesicula. Palpos, amarillo-claro. Dedos de la mano mas obs-
^ros. Patas, amarillo-pálido. Tergitos abdominalcs y caudales, tanto como la
'■fsicula, con gruessas granulaciones. II y III segmentos caudales con diez quillas.
segmento ca"idal con profunda depresión dorsal y las carenas bién marcadas;
^n los dos últimos segmentos caudales muy anchos. Mano, mucho mas ancha
n*ie la tibia y con las carenas finamente granulosas. Dedo móvil sin lóbulo, con
hileras de granulaciones en sus aristas. Es una y media veces mas largo
‘lue la mano. Dientes pectineos: 23/24.
I^rgo total : 48 milímetros.
1
42
Memórias do Institulo Biitantan — Tomo XIII
Proc. : Restrepo (Meta).
No. 61, en la colección dei Instituto Butantan. Ejemplar .adulto, macho.
Fué coleccionado por el dr. Antunes, 1934.
Esta descripeión que hacemos basada en el ejemplar que recibimos, coincide
pcrféctamente con la original.
Parece que esta especie sea común en Colombia. según indican los autores
citados anteriormente.
Rhopalurus danieli Prado & Rios-Patixo
Hembra — Cefalotórax pardo-amarillo. Preabdómen dei mismo color;
tergitos de 1 a VI cada uno, com una faja. transversal, ennegrecida en Su porción
apic<*il; VII de color amarillo-claro ; esternitos pardo-amarillos. Cola, amarilla
encima ; sobre fondo dei mismo color, en Ia parte baja. sobresalen las carenas que
son pardo-obscura.s : el ultimo es pardo-obscuro; vesicula dei mismo color en
la ]»artc baja y amarilloso encima. Palpos amarillo-pãlido, con hileras de gra-
nulaciones pardas; mano y dedos pardo-obscuros, aquella pardo-rojizo encima.
Paias amarillo-pálido. Abertura genital y organos pectineos amarillo-palido.
Cefalotórax granuloso, con granulac!ones dispuestas en series obliaias y
longitudinales ; arcadas supraciliarcs granulosas; cle\-ación ocular con un sun-o
mediano profundo, guarnecido por fuertes granulaciones.
Tergitos I à VT fuértemente granulosos con carenas medianas bien notables,
prc.semándose en IV a VI una fonna de raqueta; carenas granulosas dei VTl
bien evidentes, siendo una pequena basilar, al cèntro. y otras dos a los lados
fuertes y simétricas.
Esternitos: lisos en su mayor extensión; estemito I. con las áreas laterales
deprimidas, densa y finamente granulosas; al centro con una fomiación trian-
gular y lisa en aumento, con depresiones puntiformes y pilosas; esternitos lisos
al centro y finamente granulosos a los lados; estemito V con cuatro cre.stas.
siendo dos medianas, las aiales partiendo de su porción apical alcanzan casi a
la porción contraria; y las otras laterales y simétricas que partiendo casi de
su porción basilar van mas allá de la mitad; porciones intercarenadas irrcgulár-
mente granulosas.
Cola larga y fina, ocho veces mas larga que el cefalotórax, no ampliandosc
en sentido apical ; todos los tergitos desde I al V. se alargan gradualmente ; ca-
renas bien marcadas, I segmento con diez crestas, II al IV con ocho y \* con
cinco : espacios entre las carenas, lisos en la parte baja y poco granulosos encima
con excepeión dei que es groséramente granuloso en la parte baja, apenas gra-
nuloso y surcado encima; vesicula ligeramente alargada y granulosa con e.'pina
larga y curra; denticulo subespinoso saliente y romo.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
ALCtDEs PiuDo Jc J. L. Rios-Patixo — Escorpiones dc CoIombia
43
Mandíbulas, poco salientes.
Palpos: fémur y tíbia fínamente granulosos, con carenas bien marcada>;
tnano lévemente achatada dei lado externo y convexa dei interno, mas ancha
<iue la tibia, poco granulosa, y con tres crestas de granuladones en su porcióii
externa; dedos mas laicos que Ia mano; dedo móvil con lóbulo; gianulaciones
de las aristas de los dedos dispuestas en ocho hileras.
Patas largas, con granuladones irregulares y carenas reducidas.
Organos pectineos, poco dilatados en la base y con dientes en número dc
29/29.
Medidas: largo total, 95 mm.; cefalotórax. 8 mm.; tronco, 30 mm.; cola.
65, mm. ; mano. 7 x 4,5 mm. ; dedo móvil. 9,5 mm. ; tibia. 10 x 2 mm. ; I seg-
niento caudal. 9 mm.; II, 11 mm.; III, 12 mm.; IV, 13 mm.; V, 12 mm.;
vesícula, 8 mm..
Proc. : Andes colombianos, Q»lombia.
Fué coleccionado por el revdo. Hermano Daniel. el 26-V'’I-36.
Holotipo, hembra, bajo el No. 54, en la colección de artrópodos dei Insti-
tuto Butantan, S. Pablo.
Paratipos, hembras, en numero de 4.
El nombre de esta especie, lo damos em homenagc al revdo. Hermano Daniel,
dei Colégio Departamental de S. José, de Mcdellin, quien nos remitió ,al Instituto,
d material que nos ha servido para el presente estúdio.
Esta especie difiere de Rhopalurus junceus (Herbest), porque posce un
dcntículo subespinoso bién nítido; por el número de dientes pectineos que es
de 29/29.
Es distinto de Rhopalurus agamemnon (Koch), por no posecr granula-
ciones en la saliência triangular dei I estemito ventral; los dientes pectineos de
R. agamemnon son de 17 a 20. al paso que nuestra especie alcanza a 29/29.
Se diferencia dc Rhopalurus itUermedius (Pextiikr), cuj^a descripeión ori-
ginal SC resume en la comparación hecha esta especie y R. agamotnnon: “Par-
uaguá (Piaui). 1 ejcmplar con 90 mm.. 20 dientes pequcõos de cada lado. No
corresponde en todo a R. agamemnon, siendo la salienda triangular, lisa y no
granulosa. Es diferente de R. junceus por cl colorido y por la presencia, dc un
denticulo subespinoso muy grande. Si este material, aconsejara un nuevo nom-
l>rc. propongo intermedius.”
Fucra de que el área de dispcrsión es complctamente distinta de la de
uuestra especie, esta presenta un número ma\-or de dientes pectineos verificado
uo solo en la especie tipo. sino también en los paratipos que lo fucran compara-
tivamente. caracter que noe parece bastante fijo.
(Tnbajo dc la Seteión dc Oíiolofia y Zoolofia Medica dd
Inctitato Botaatati dado a ta poMicidad m Enero dc
3
^«d. s
Alcides Piluk) Jt J, L. Hios-Fatixo Escarpiones de Colombia, ■ Um. imt
VoL XIII
Rkof^mms stníeii Pkam 4 Rios-TatiíIc
Botantan
— im
ê
os QUILOPODOS DO BRASIL
POU
WOLFGANG BÜCHERL
índice sistemático
Introdução
pag.
49
Método
49
bibliografia
Füiição dos Miriápodos na sistema-
50
íoologica
tl-ferenças entre Miriápodos e
Qui-
52
b^iodof
53
ferenças entre Insetos e Quilópodos
'■^*^cteristicos morfológicos comuns
54
Insétos e Quilópodos
54
PROGOSEATA
PROGOXE.ADOS ...
....
55
I • Ordem : — Symphila
Sinfilos . .
55
Ordem: — Pauropoda
Panrópodos
, ,
58
• Ordem: — Dipiopoda
Diplópodos
...
60
OPISTOCOXEATA
OPISTOGO.\*E.\DOS
71
C*»sse: — ChUopoda
Quilópodos
loções gerais
71
71
Pórma geral
71
Colorido
73
Habiut
73
Weios de defera
75
Luminosidade
78
Organiração externa
79
^ • Cabe f a
79
*) Labro
b) Outras peqas da placa
cc-
80
falica :
80
') Olhos
80
Antenas
81
pag-
e) Mandíbulas S2
í) Primeiros maxilares 82
g) Segundos maxilares 82
h) Forcipulas 83
i) Língua e Faringe 84
(Exames macro — e mi-
croscópicos) 84
2. Adaftafõc das f^ças bueais ao
alimento gfi
3. Tronco 90
a) Tergilos 90
b) Estemhos 91
c) Pleuntos 91
d) Paus 92
Ultimas patas 95
Segmento geniul 97
Segmento anal 98
III. Os Quilópodos como parasitas
humanos
Quilópodos como pseuroparasi-
tas humanos 99
1 . P sendoforasilas das fossas nasais 100
2. P sendo farasitas do afarelho di-
gtsth-o 101
IV. Quilópodos e meio-ambiente .. 101
1. Dependeneia dos Quilópodos da
l»s 101
2. Dependeneia dos Quilópodos do
calor e da humidade 102
V. Estrutura do Esqueleto e da epi-
derme 103
a) Epiderme 103
b) Cutícula 104
c) Apcndices da pele 106
e) Glandulas cuUneas 108
Órgãos sensoriais 115
3
pag
1 . Órgãos olfativos Hó
2. Órgãos gustativos 116
3. Órgãos táteis H6
4. Órgãos auditivos 116
5. Órgãos do sentido da lua .... 117
VI. Organização interna dos Qui-
lópodos 131
(Elxames macro — e micros-
cópicos) 131
1. Aparelho respiratório 135
a) Estigmas 136
b) Fisiologia do aparelho res-
piratório 138
2. Aparelho circulatório 139
a) Aorta cefalica 139
b) Coração 140
c) Vaso ventral 141
3. Aparelho reprodutor e evolufão 143
a) Aparelho reprodutor mas-
culino 145
b) Aparelho reprodutor femi-
nino 147
c) Ontogenia e ciclo evolutiw 149
Copula 149
Embriogenu 149
Segmentação do ovo 153
Formação das camadas embrio-
nárias 153
Preformação dos orgãos 154
Diferenciação histológica 156
d) Desenvolvimento após a
ruptura dos ovos 163
e) Crescimento e ecdyse .... 165
4. Tul>o digestivo 166
a) Intestino anterior 167
b) Intestino mídio 170
c) Intestino posterior 171
d) Fisiologia do tubo digestivo 174
5. l’asos de Malpighi 174
6. 5"ií/rm<i nervoso 175
a) Cadeia ventral 175
b) Cerebro 1~6
c) Cadeia visceral 187
VII. Sistemática 187
Noções gerais 187
CHILOPODA 193
1 . Subclasse : — Notostigmophora 196
pag-
1.
Ordem: — Scutigeromorpha ..
198
Subfamilia : — Pselliophorinae
198
Genus : — Brasilophora
BCcbexl
203
1.
Brasilophora nuirgaritata
BCchem,
204
2.
Brasilophora paulista BCxacaz.
209
Subfamilia : — Scutigerinae . . .
215
Genus: — Brasiloscutigera Bü-
CHERI.
215
3.
Brasiloscutigera tiridis Bü-
CHERL
216
2.
Subclasse : — Pleurostigmophora
226
2.
Ordem : — Litobiomorpha ....
226
Família : — Lithobiidae
226
3.
Ordem: — Scolopendromorpha
227
1.
Familia: — Scolopendridae
229
A. Subfamilia : — Scolopendri-
1.
Genus: —
- Scolopendra L. ...
231
1.
Scolopendra liridicomis Xewp.
235
la.
Scolopendra ziridicomis nigra
n. subsp.
237
Ib. Scolopendra viridicomis viridi-
comis n.
subsp
237
2,
Scolopendra subspinipes Leach
239
3.
n
erplorans Chamb. .
240
4
"f .
-
morsitans L.
241
5.
-
arihrorhabdoides Rni
242
6.
"
altemans Leach . . .
242
7.
-
gigante» Leach . . .
243
8.
-
armata Krplíí
244
9.
-
robusta Krpix. . . .
244
10.
-
ziridis Say
245
11.
"
angulata Xewp. . . .
245
Genus: -
- Arthrorhabdus Poc.
246
Arthrorhabdus spinifer Kbh-n.
246
3.
Genus: —
Cormocephalus Xewp.
246
a)
Subgenus
: — Cormocephalus
Xr.wp. .
247
1.
Cormocephalus mediosuleatus
243
2.
Cormocephalus bonaerius Att.
249
3.
impressus PoB. . .
249
3a.
" neglectus
Crakb
249
4.
amazonae Cbamb.
250
5.
"
venesuelianus Brõl.
250
6.
-
brasiliensis H. & S.
2.s0
7.
*•
ungulatus Meih. .
251
4
pag.
pag.
” andinus Ksm.it. . .
251
13. " C)muslicus
" aurantiipes Newp.
251
Karsch
274
Subgenus: — Hemiscolopendra
252
” (”) dolosus Att. .
274
Hemiscolopfndra laevigatus Por.
252
2. Genus: — Rhysida
275
Gcnus: — Rhoda Meix
252
1. Rhysida ctlcris Humb. & Sauss
277
Rhoda thayfri Meix
253
2. ~ nuda Newp.
277
" calcarata Poc.
253
2a. ” ” riograndensis n.
G«nus: — Scolopcnárofsis Br.
251
subsp
277
Scolopendropsis bchUnsis Brax.
254
3. ^ longipes Xewp.
278
Subfamilu : — Otostigminae
3a. ” longipes longipes Xewp
278
Krplx
255
” brasiJiensis Krplx. ..
279
Gcnus : — Otosliffmus Por. . .
256
•ía- " " rubra, n.
Subgenus: — Coxopieurotostig-
subsp.
279
•nus BCcherl
259
2. Familía: — Crypiopidae
280
Olosligmus (C) catnlcanli
A. Subfamilia: — Cryptopinae
BCcuerl
259
Attt.m*
Subgenus : — Dactylilcrgitius
1. Gcnus: — Mitnops Krplx. ...
281
Verh
259
iíimops occidenlalis Chamb. .
281
Olosligmus (D) caudatus Brõl.
259
2. Genus: — Paraerypiops. Poc
283
Subgenus : — Ecuadopleurus
Paraerypiops inexpeelus Chamb.
282
Veru
260
3. Gcnus: — Cryplops Leach. ..
282
Olosligmus (E) insignis Ksms
260
1 . Subgenus : — Chrotnalanops
( ” ) silvesirii Krplx
260
Verh
283
( ”) " intfr.
Crypiops (Ch) bivillalus Poc
283
( ") medius Krplx
261
2. Subgenus: — Trigonocrypiops
Subgenus: — Androlosligmus
Verh
284
Verh
261
Crypiops ( T) iheringi Brõl. . .
285
Olosligmus (A) scabricauda H.
3. Subgenus: — Crypiops I.EACK.
287
& S. (redescnção pelo A.) ..
263
Crypiops (C) healhii Chamb.
283
Olosligmus (A) scbr. demflloi
1. ” ( ") crassiper Sav.
288
Verhoetp
264
2. ’■ ( ") galalheae Meix.
288
Olosligmus (A) pococki Krplx
265
2. " ( ”) deleclus Silv. .
284
( ") gotidii Brõl .
265
■l- " ( ") monilis Gerv. .
289
( ”) clavifer Chasib
265
S- ” (") Irisleratus Att.
289
Subgenus: — Parolosligmus ..
266
6. ” (") pa 1 a g 0 nic u s
Olosligmus (P) pradoi BCcherl
268
Meix
290
( ") libialis Brõl. .
269
7. " (”) furciferens ...
290
( ") bürgeri Air. .
269
B. Subfamilia: — Scohpoerypiopi-
( ") longisligma B -
nae Att.
290
chesl
269
1 . Gcnus : — Scolopocrypiops
( ") longipes BO-
Xewp.
291
CHEXL
270
Scolopocrypiops miVríií Xewp.
291
( ”) litnbalus Mcix
271
2. Gcnus: — Olocrypiopt Haase
292
( ”) sulcalus Meix
271
1 . Olocryplops ferrugineus Brõl.
293
( ”) intrmis Por. ..
272.
la. Olocryplops ferrugineus ferru-
( ”) kretsü Bücberl
272
gineus L
293
(.”) a m a s 0 H a e
Olocryplops f. f. var. ferrugi-
Cbaub
273
gineus Att.
294
( ") lidius Chamb.
273
Olocryplops f. f. var. parcespi-
( ") easus CiiAMR.
274
nosns Krplx
294
5
Otocryflofs /. f. \-ar. tnacrodon
KSLfLS
Ib. Olocryftops /. rftv/i Brõl. . .
Ic Otocryplops /. invcrsus Chamb.
2. Olocrtptopstiulanosiomusíiiyíf.
3. Otocryplopí scxspinosus Say ..
3 . Gcnus : — Nncporlia GtJtv. . .
Xczcporlia longllarsis Newp. . .
" ” fonfjitarsis
Xewp.
" sy Iva e
Chamb. .
bice g o i
Brõu . .
4. Ordem: — GfophUomorpha ..
Subordem : — GeophUidoi' . . .
1. Superfamilia : — PliKodísmata
2. Superfamilia : — Adesmaía ...
1. Família; — flinuuilaríídat- ...
’ “ • — Schendylidae ....
— OryúUa
— Aphilodontidac
pas
294
299
299
306
306
5.
: — Gonibregmatidac .
pag-
311
6,
■ — Hitnaniosomida.'
311
7.
: — ScoUoptanidjc
31 1
8.
: — GeophUidae
311
Distribuição geografka dos
Escolopendromorfos
316
IX.
APEXDICE
AXH.AXG
329
1.
Brasilianische Sentigeriden
329
2
Bemerkungen über Scolopndra
víridifomis
338
3.
VERHOEFFS neue Otostigmi-
nemmtcrgattuniren
339
4.
Xeue Studien am Genus: —
Jihvsida
348
5.
Trigonocryptops iheringi u. tri-
angulifer: — cin wisscnschaft-
Itches Missverstandnis
350
6.
Xeucs über Scolopocryptops,
OtocriptoPs u. Scu-Portia
353
IX.
Vocabulário dc Termos técnicos
357
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
os QUILOPODOS DO BRASIL
POR
WOLFGAXG BCCHERL
INTRODUÇÃO
O estudo dos miriápodos, tão bcni iniciado e aprofundado por inúmeros-
especialistas, no tocante à fauna européa, tem sido quasi completamente negli-
genciado entre nós.
Entretanto, justamente as pesquisas tniriapodológicas, esquecidas por óra,
são de su)tio tnilôr e de ináxitna importância na vida económica e social da
^'■onV. visto serem os miriápodos transportadores de parasitas prejudiciais ao
Kado doméstico e mesmo ao homem : — a coccidiose, a gregarina, etc.
Além disso, encontram-se entre os Quilopodos muitos pseudoparasitas, prin-
^T>almcnte entre os Gcojilo/nàrfos que, liabitando nas cavidades bucais, nasais e
"'esmo no intestino, são causadores de varias moléstias humanas.
A relcvancia do estudo dos Quilopodos ainda mais se salienta, si Icvannos
^ conta, a dimensão de muitas fôrmas brasileiras, como as centopeias, cuja
|^rde<lura, acompanhada pelo injetamento do liquido das glândulas de veneno,
* muito dolorosa, acarretando frequentemente sintomas muito sérios: — fel)rc
vómitos, paralisias locais, ás vezes, persistentes, sucedendo-se mesmo casos
tnorte. causados principalmente pela ferroada da Scolopcndra gigaiitea, que
26 cms..
.-\fóra a utilidade prática, o estudo dos miriápodos é quasi indispensável
'Omo ciénda preliminar para qualquer assunto de entomologia, pois filogcncti-
os tniriapodos representam a chave ]>ara o reino dos insétos.
Aproveitamos a oportunidade para apresenar nossos agradecimentos ao
‘^Ustre colega. Dr. Alcides Prado. cuja preciosa coleqão nos foi muito util na
'^^boração deste trabalho.
MÉTODO
O boni exilo de qualquer trabalho cientijico depende cm primeiro logar da
escolha de métodos. Na intenqão de realizar um estudo minucioso e exato
*^brc os Quilopodos brasileiros, não s<'>mentc no toncante á sistemática, como
I
50
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
também quanto á morjologia extema e interna, á anatomia e jisiologia dos orgãos
vitais e, principalmente, quanto á biologia, baseiamo-nos no material deste e ds
outros institutos que nos cederem temporariamente suas coleções.
Procedemos á autopsia de mais ou menos 100 exemplares, afim de localisar
com exatidão os orgãos internos.
Conser\'amos vivos 50 exemplares que usamos para experiencias jisio-
biológicas: — permanência debaixo d’agua; maneira de comer; alimentos prefe-
ridos; quantidade de alimento; localização dos oj^ãos olfativos e gustativos;
capacidade regeneradora das antenas e extremidades. Conseguimos alimentar
alguns exemplares com Carmin, constatando, ao proceder á autopsia, a deposição
deste elemento nos vasos de Malpighi. Etc
Foram feitos numerosos cortes de todos os orgãos de diversas especies. com
os métodos basófilos, acidófilos e alcalinos.
Afim de estudar a morfologia externa, foram feitos preparados macroscó-
picos das especies mais comuns, tanto dos apendices cefálicos como das zonas
pleurais c extremidades.
O trabalho é ilustrado com 60 desenhos originais do A. e 11 fotografias
feitas na Secção de Fotomicrografia deste Instituto.
BIBLIOGRAFIA
Infelizmentc ainda não temos obras cientificas que tratem exclusivamente
dos miriápodos brasileiros ou mesmo neotrópicos. No entanto, dada a enorme
estensão do território . brasileiro, os diversos climas, as regiões nitidamente áridas
ou chuvósas, é facil prevêr o futuro promissor do estudo sistemático neste
ramo da nossa fauna.
As obras escritas por especialistas estrangeiros, tratam muito pouco dos
miriápodos brasileiros.
Diz Goeldi, comentando a monografia de C. L. Kocn (1863) que: — “Si
o conteúdo desta obra constituisse de perto o essencial dos conhecimentos acerca
dos miriápodos brasileiros, forçoso seria chamarmos estes conhecimentos ainda
de paupérrimos!”
Na citada obra. Koch menciona sómente 12 especies de miriápodos exis-
tentes no Brasil.
Humbert e Saussure (1872) em “Études sur les Myriapodes" (Paris
1872*, obra esta talvez a mais perfeita de então, principalmente por conter a
descrição exata dos miriápodos brasileiros, colhidos aqui por Johannes Nattere*
em 18 anos de longas peregrinações e lerados para o Museu de Vienna, já
enumeram 79 especies exclusi\-amente brasileiras.
S
WoLFGAXG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
51
Em 1886 o Prof. Hubert Ludwig calculou o total dos miriápodos existentes
no mundo inteiro em 800 especies, das quais 418 para o continente americano,
200 especies para a Europa, e 80 especies para o Brasil.
PoRAT cita 103 especies brasileiras.
Attems, pelos fins do século passado, mendona 117 especies.
Brõlemann, em 1902, enumera já 206 espedes, das quais 48 Quilopodos.
Attems, finalmcnte, dta mais de 70 Quilopodos brasileiros, em 1925.
Dos livros que apareceram só dtaremos os que interessam à fauna sul-
‘^^ricana.
^Items, C. — in Therese, Prinzessin voo Baycm : — In Südaroerílca gesanunelte Myriapoden
und Arachnoiden — Zool. Am. 23 (615) 1900.
dtUms, C. — Xetie, durch den Schiffs%-erkehr in Hamburg cingeschieppte Myriapoden.
— Mitt. aus d. naturhist Muscimi, 18: 111-116, 1901.
^rõleniann, II. íf-'. — Un mystericux myriapode.
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do Mtucu Paraense (1): 3, 1900.
^rôlemann — Myriapodcs d'.\merique. Mem. Soc. Zoll. France: 13, 1900.
^ròlemann — Les Myriapodcs du Musée de São Paulo — Rev. do Museu Paulista 5. 1901.
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0
SciELO
11 12 13 14
f
6 17
52
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
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nel’ TAmerica meridionale. .Ann. Mns. Civ. Xat. Gênova 14. 1895.
Sihrstri, F. — A^iaggio dei Dott. Alfredo Borelli nella Republica .Argentina e nel Paraguay.
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Sihetiri, F. — \’iaggio dei Dott. .Alfredo Borelli nel Chaco Bolis-iano e nella Republica
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1903. Die systematische Stellung und Einteilung der Myriapoden. Anschauungen
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Sehubart, O. — Tausendfüssler oder Myriapoden: I. Diplopoda: Die Tierwelt Deuasdhlarjds,
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Ilesít, R. — Tiergeographie auf õkologischer Grundlage Jena, 1924.
Krãf>elin. K. — Resision der Skolopendriden. Mitt a. naturh. Museum Hamburg 20 1903;
Die geographische Verbreitung der Skolopendriden Zool. Jahrb. SuppI. 8. Fests-
chrift 1905.
Vcrhoeff, K. 11'. — Pasing bei München, e
& Graf AlUms — \’'ienna, $5o atualmente os especialistas de maior renome na cienda
miriapodologica.
Posição dos miriápodos na sistemática zoologica
Os miriápodos pertencem à classe dos Eutracheados. Estes são arlrópodos
com a cabeça l)em destacada do tronco, possuindo sómente utn par de antenas:
respiram por traqueas, cujos estigmas se acham colocados em ordem metamcrica
nos lados pleurais (ou no lado superior) do corpo.
Neste grupo de artrópodos distinguimos 4 subclasses:
lU
Wolfgaxg BCt.herl — Os Quilopodos do Brasil
53
1 . Os Miriápodos.
2. Os Quüopodos.
3. Os Apterigogeneos.
4 . Os Insetos.
Deixando de lado as duas últimas sulxlasses. chegamos á subclasse: tnyriá-
poda ou Miriápodos.
Eulrotjiwados, com segnKiitos geralmcntc l>eni numerosos, com muitas pa^as.
possuindo um a dois pares de mckxilarcs; um ou dois pares de extremidades em
^úa segmento do tronco. Os poros genitais estão situados num dos segmentos
onteriores do tronco.
Os grupos, reunidos nesta subclasse, são
Os Sinfilos;
Os Peatrópodos;
Os Diplópodos.
Antigamente os Quilopodos tambem pertenciam a ésta sulxrlassc por mns-
*^reni semelhante em sua constituição morfologica ; após um e.\anK minucioso
®^5tatou-sc, porém, que diferiam sob muitissimos aspectos desta subclasse, apro-
Xnnando-se mais aos insetos. Em relação á jKisição anterior ou posterior do
genital Pocock divide os Miriápodos c Quilopodos cm Progoneados c
^hftogoiisados, sendo os primeiros os verdadeiros .Miriápodos e os segundos
^ Quilopodos.
Diferenças entre miriápodos e quilopodos
MIRI.\PODOS
QUILOPODOS
1. Póros gmitais no fim do tronco.
2. Dois pares de maxilares.
3. As partes medianas das mandíbulas ião
fracas ou ausentes.
4. Esqueleto de quitina pura.
'^Icareos ;
5. .\s placas pleurais foram mais de um
escleríto.
6. Os estigmas podem ser fechados.
7. Sistema traqueal sempre com anasto-
mose. quando os estigmas sio pares.
11
A. PROGONEADOS
0 > orifícios genitais abreni-se no terceiro ou quarto segmento do tronco.
^*0 anatnorfos. As patas do primeiro segmento do tronco são atrofiadas ou
inteiramente. O labro (denominamos "labro” o labio superior e "labio"
*wiplesmente o labio inferior) forma uma só placa com o cUpeo.
Os maxilares estão soldados, reimindo-se no gnatochilario. O labio desá-
I P®rcccu.
1.* Ordem — Sjmphyla — Sinfilos
São Miriápodos pequenos, semelhantes aos Quilopodos; com poucos seg-
do tronco, tendo cada .segmento um só par de extremidades. Têm um
de maxilares e uma placa oral, bem semelhante ao gnatochilario dos
^•Ptopodos.
BIBLIOGRAFIA:
~ — I Progenitori dcgli Inseti e dei Miriapodi, Man. Acead. Torino 1886 ;
p. — Beitrãge ror Kenntnis der niederen Mjrriapodoi. Z. Zool. 59. 189S.
J — The Genera and Species of the Order Symphila, Quart. J. microsc. Scl 1903.
"y. R. — Habits and Struetur of Scutigcrella imniaculata. Proc. Soc. nat
^ Boston 33. 1913.
Qassifkatioo of the Order Symphila. J. Linnean Soc. 32. 1913.
ff'. — über den Bau der Mundteüe too Scutigcrella immaculata.
Arch..
Katurgcsch. 91. 192S.
^ -^lém dos citados, Packard, Haase, Latzel, Bõrner e Verhoeff se dedi-
^ ao estudo destes animais ainda muito pouco conhecidos, principalmente
**^nte á ontogenese e ao estado embrionário e postembrionario. Os filhotes
^^■ados já possuíam seis pares de patas.
5j^, ^^lormc demonstra a arvore filogenetica. os Sinfilos representam o ramo
e j' ^'^'‘^ttivo dos miriápodos. São de tamanho diminutissimo, muito frágeis
Evitando a luz, se encontram sob pedras, folhas cm decomposição,
húmida e debaixo da casca de arvores, onde se aproveitam das galerias
IS
56
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
■feitas por outros insetos. Dada a constância de temperatura neste habitat, os
Sinfilos se tornaram cosmopolitas.
Cabeça: — Na cabeça existem duas antenas multiarticuladas, sendo princi-
palmente os últimos artículos a séde dos órgãos scnsoriais.
A existência de ocelos ainda é dusddosa, como também a de um orgão
tõmõsvaryano. Os dois únicos estigmas existentes abrem-sc abaixo á inserção
das antenas e comunicam com duas traqueias não ramificadas, há não ser ni
parte anterior do tronco (Fig. 1).
Os apendices bucais constam de:
a) um par de maxilares reunidos na linlta mediana n’uma chapa, que
apresenta um lábo externo, que termina n’um bordo denticulado, e um lóbo interno,
oriundo da soldadura de duas plaquinhas, encimado por três orgãos táteis; ésta
chapa mediana é muito parecida com o gnatochilario dos Diplópodos e é pro-
\'avelmente oriundo da transformação do segundo par de maxilares;
b) um par de matidibtilas com bordos um tanto denteados;
c) unta liipofaringe na cavidade bucal.
O tronco consta de 12 segmentos verdadeiros com 12 pares de patas, sendo
os segmentos sem patas artículos intercalares: os prétergitos, também deno-
minados tergitos suplementares.
As paias constam de 6 artiailações : — co.ra, trocltanter, jeimtr, tihia, pri~
$neiro e segundo tarso, terminando o ultimo por uma unha com uma ou duas
unhas secundarias menores. .-\s coxas são comprimidas lateralmente e têm afixo
um estilete com um saco respiratório (Fig. 2). A presença de tergitos suplemen-
tares e de e.stiletes tem induzido muitos A.\. a considerarem cada segmento coin®
sendo duplo, (como nos Diplópodos) supondo que os estiletes fossem apena*
um resto de mais uma pata. Outros, porem, aceitam como mais certo, qn^
estes segmentos intercalares sirvam para dar maior flexibilidade ao corpo. íaW
este, que também se repete em muitos Quilopodos.
O ultimo seguK-nto do tronco, o telsoti, fonnado por um tprgtto, um estef'
Ml/o, e dois pleuritoj, tem dois apendices (Patas anais tran.sformadas?).
onde sai o canal de uma glandula cericigenica (Fig. 3).
Existem aindtt dois tubérculos na frente, encimados por duas cerdas long^
e rijas.
O intestino é retilíneo c consta de um esôfago, um intestino médio e nif
proctodéuin com dois tubos malpighianos.
As 2 glandulas salh-ares extendem-se mais ou menos até ao 4.” segmí***®
do tronco.
II
cm
SciELO
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Wolfgang BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
57
Aparelho respiratório — Além da respiração pelas 2 traqueas, situadas
abaixo das antenas, existe ainda em larga escala a respiração cutanea e a res-
piração pelos saquinhos, fixos na coxa das patas.
Sistema nervoso — Há um protocerebro, deuterocerebro e tritocerebro, com
comissura, infracosofageana. Diante do esôfago está situado o gânglio frontal.
O nervus recurrens se extende por dma do tubo digestivo.
A cadeia ventral consta de 11 gânglios, sendo reunidos os 2 conetivos.
Aparelho circulatório — O vaso dorsal ou coração emite uma aorta cejalica,
havendo, ao que parece, outras artérias.
Aparelho genital — Os testiculos são pares, como também os canais defe-
fcntes. que dão nas vesiculas seminais. Estas se unem no orifício genital, situa-
*ios diante do 4.° par de patas. Também os o%’arios são pares, mas fundem-se
^ póro genital.
Sistemática — Ha uma só familia: Scolopendrcllidae — Escolopendrelideos.
Especies — Symphylella vulgaris Hansen: — Europa;
Scolopcndreüa nothacantha Gcrv. índia;
. ” imaculata Newport ; Europa ; -■Mgeria.
15
2.* Ordem — Pauropoda — Paurópodos
São Miriápodos pequenos, com poucos segmentos, dos quais cada um tent
1 s<) par de patas. Antems com 3 flagelos longos. Um só par de maxilares.
BIÜLIOGRAFIA:
Silvestri, F. — Ordo Pauropoda in Berlcsi: Acari, Myriopoda ct Scorpiones hocusque in
Italia reperta. Portki, 1902;
KrnyoH, F. C. — The Morphology and Gassification of the Pauropoda. Ved. Med. d.
Naturh. For. Kopenhagen 1902;
Lubbock, J. — On Paurópus, a new type of Centipede. Trans. Linnean. Soc. 1866;
Haiuen, H. J. — On the gcnera and species of the Ordcr Pauropoda. Kopenhagen 1902.
LaIstI —
SchmidI, P. —
listes animaisinhos não possuem olhos e coração, nem mesmo traqueias.
São quasi microscópicos; fogem da luz e vi\’em em mattas .sombrias, húmidas,
sob follias em decomposição, nutrindo-se de vegetais cm detrito. Ontogeneti-
camentíj são auamorfos, isto é: as larvas só possuem 3 pares de patas no 2.®.
3.° e 4.® segmento. Existem 10 segmentos no tronco e 1 segmento anal (Só-
mente Decapaúros possuc 11 segmentos). Os segmentos estão cobertos por 6
térgitos, oriundos ca,da um da união de dois. Cada tergitd, exceto o primeiro,
possue cm cada lado uma cerda longa, comprida e rigida (tricobotria).
Gcralmente existem 9 pares de patas. O primeiro segmento do tronco ó
fraco e tem patas ruílimentares. O.s térgitos 2-5 apresentam cada vez 2 pares de
patas, o que póde ser considerado como indido dc diphpodta.
Cabeça — tem 2 antenas bifidas com 3 flagelos. Existem 4 articulos basais
mais grossos. Das ramificações uma apresenta dois, a outra 1 flagelo. A primeira
tem ainda, no meio, um orgão sensorial. Existem um par de mandíbulas inar-
tiailadas e 1 par de maxilares bem fracos, reunidos no labia.
Tem 3 pares de glandulas salivares, 1 par de maxilares c 1 par dc bucais.
O aparelho digestivo é rétilineo e recebe 2 tubos malpighianos. respi-
ração é feita atravéz da superjicie toda.
16
WoLFGAKG BCxheri. — Os Quilopodos do Brasil
59
Aparelho geniiai: — O o\-ario é impar, como também o oviduto e a vagina,
revestida de quitina. O póro genital está situado na base do 2.® par de patas.
Também existe um receptáculo seminal.
Os testiculos são 4, reunindo-se cada vez dois em um espermaduto. Os 2
rspermadutos confluem num unico canal deferente, que, de seu turno, se bifurca
em 2 canais ejaculatórios com 2 penis, situados também na base do 2.® par
paas.
Shtematica — Há duas famílias:
l'auropodidac-Pcuropodideos — animais velozes; corpo cilíndrico, longo;
compridas (Fig. 4).
*• Genero: Decapauropus; 13 segmentos: 1 .
2- - : Polypouropus; 12 ” : \ atrof»das: 6 tergitos
2- " : Brachypauropus; 6 tergitos, patas de 6 artículos;
Puripouropodidae — Euripauropodideos — animais lentos, corpo achatado,
fortemente quitinoso; a cutícula scmeiada de poros respiratórios; 6 tergitos.
17
3.* Ordem — Diplopoda — Diplópodos
São Miriápodos tendo o corpo bem redondo ou cilíndrico, com um par de
maxilares formando o gnatochilario e dois pares de patas em quasi todos os
segmentos do corpo.
BIBLIOGRAFIA:
SUViStri — Sistema Diplopodum — .\nn. Mus. Cic. Stor. Nat Gênova: 18. 1897;
Bode — Polyenus lagunu. De Greer. Inaug. Diss. Halle 1877;
MetschnHoff — Embryologie der doppelfüssigen M>TÍopoden. Zeitschr. wisschen. Zoll.
1874, 24.
Voges — Beitrãge zur Kenntnis der Juliden. Z. Zool. 31. 1878;
Haasf — Sclilesiens Diplopoden. Z. Entomol. X.F.H. 11. 1886.
Attems — System der Polydesmidcn. 2 Teile. Dcnkschr. Akadetn. Wiss. Wien 1898 — 99.
Sehubari, 0. — Tausendfüssler oder Myriapoden; I: Diplopoda Die Tierveli Deutschlands,
28. Teil. 1934.
O corpo dos Diplópodos é em regra de fórma cilíndrica ou meio cilíndrica,
ás vezes mais achatada.
Cabeça — Na cabeça existem antenas curtas, providas de protuberâncias c
pêlos sctisoruàs de fôrmas variadas. As antenas terminam em botão. Acima
destas estão os olhos, que são simples, formados por stemaíidcos aglomerados.
Em algumas fôrmas os olhos são ausentes.
Atrás do labro estão em ambos os lados da boca as tnandibulas, desprovidas
de palpos. Elxiste uma hipojarínge e uma epifaringe.
As mastdibulas possuem uma chapa de trituração e terminam, quasi geral-
mente em um dente agudo, movei. O primeiro par de maxilares é atrofiado.
O segundo par está soldado, formando a chapa oral de baixo, bem complicada
em sua construção. E’ o gnatochilario com lôbos externos e internos, ambos
providos de pêlos sctisorims. Nesta peça existem também palpos mais ou menos
acentuados (Fig. 5).
Tronco — distingue-se em protorax e mclatorax.
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Wolfoang BücKEnL — Os Quilopodos do Brasil
61
O protorax consiste em 4 segmentos simples, isto é, não oriundos da união
de dois, e que, portanto, só ostentam 1 par de partas, 1 par de gânglios nervosos,
^ par de estigmas e 1 par de ostiolos cardíacos. O primeiro segmento é ápodo.
O metatorax (abdome de outros AA.) é comprido tendo numerosos seg- "
"^los. dos quais cada um resulta da união de 2. Temos, pois, segmentos
duplos diante de nós. Dai o nome deste grupo de animais. Cada segmento
Pussue 2 pares de patas, 2 pares de estigmas, 2 pares de gânglios nervósos e
^ pares de ostiolos cardíacos.
Em Glomeris o tronco é curto.
A cutícula da péle é dura e muito rica em carbonato de caldo, perfurada
Pclos canais de mm'tas glandulas odoríferas protetoras. Cada segmento ostenta
^f^gilos (nas costas), estemitos (no lado de baixo) e pleuritos ("em ambos os
^*dos). Estas 3 placas estão unidas, formando um anel, ou separadas. Os
**PtWit05 são homónomos, afóra os segmentos do protorax. Os tergitos são
longos do que os esternitos, o que permite ao animal, enrolar-se numa
'^Piral. Os tergitos e os esternitos são ligados entre si por uma membrana
delgada, permitindo ao animal, curvar-se para os lados. Uma musculatura
complicada favorece a estes movimentos.
As pata.s curtas e fracas apenas permitem uma locomoção lenta. São fixas
^ tronco na linha mwlia do lado ventral e terminam n’uma unha principal e
unhasinhas em fórma de pêlos. Cada pata consta dos seguintes artkulos:
^°^a, préjcmuT*, fetnur, tibia, primeiro e segundo tarso. O ultimo com as refe-
unhas. As patas do protorax possuem no tarso um pente de pêlos curtos,
servem para limpar as antenas c as peças bucais. Certas patas do macho
transformadas cm gonópodos. (Fig. 6).
Sistema nervoso — O sistema nervoso consiste n’um gânglio cerebral, divi-
em proto-, deutero- e tritocerebro. Dela parte a cadeia ventral de gânglios
^‘*'’’®nomamente segmentados. O nervus rccurrcns parte da comissura suprae-
**^^eana. O gânglio frontal está soldado ao tritocerebro. Existe também a
^*^!^sura infraesofageana, que compreende os gânglios do aparelho bucal. Os
*^‘”^tos de 2 pares de extremidades possuem cada um 2 pares de gânglios,
segmentos do protorax possuem um par somente.
^íá também um sistema de nervos viscerms.
ojf sensoriais — exceto os ocelos existem como orgãos sensoríais pêlos
nas antenas e um orgão semelhante no gnatochilario. .■Mêm disso liá
j^eabeça. entre as antenas e os ooclos. um orgão scnsorial, ate agora ainda
*titc discutido. E’ o orgão de Tõmõswar\, que emite para o interior da
unia fosseta encruzilhada muito profunda, tendo dentro células sensoríai»
‘Ulares, alongadas, ás quais conduz o nervo tõmõswaryano emitido pelo
^^'ocerebro.
19
62
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
Aparelho digestivo — O aparelho digestivo é, com poucas exceções, {Glo-
meris), rétilineo, tendo o anus no ultimo segmento. Distingue-se um esôfago,
muito fino, relatiramente curto, diante do qual terminam 2 a 4 glandulas salivares.
Em seguida vem o intestino médio, largo, muito comprido, cuja superficie
interior está coberta por diverticulos glandulares curtos. Este é separado do
reto por um csfincter.
O rito recebe Ic^o no começo, na região do esfincter, 2 a 4 vasos malpi-
ghianos. E’ curto mas alargado. Possue paredes rugosas, muito tipicas. No
final é estrangulado, alargando-se de non’o no anus.
Aparelho circulatório — Como orgão central do aparelho circulatório fun-
ciona um vaso dorsal, dividido segmentalmente em uma serie de camaras. Dde
partem, de um lado, a aorta anterior., curta e, em cada segmento duplo, dois
pares de artérias laterais. Nestes segmentos existem, como já vimos, 2 osiíolos
cardiacos. Nos segmentos do protorax encontra-sc apenas um par de ostiolos c
um par de artérias laterais.
Ao redor da cadeia ganglionar ventral encontra-se o sinus ventralis.
Existem diversos tipos de leucócitos.
Respiração — Os Diplópodos respiram por traqueas, largas e retas, bifur-
cadas geralmentc, partindo delas, após a bifurcação, os ramos traqueanos finos,
que vão aos orgãos e á musculatura do corpo.
Afinam-se gradativamente, de modo que, toda e qualquer parte ou orgão.
por mais afastado que seja, c abastecido com oxigênio, elemento vital para toda /|
a função organica.
Os orificios estigmaticos abrent-se sob as partes basilares dos membros.
Sua abertura é provida de pêlos que a protegem contra a poeira c a penetração íi
de corpúsculos extranhos. Nos segmentos duplos existem 2 pares de estigmas- ||
Muitas vezes se confundem com estigmas as aberturas de glandulas cutâneos, i
protetoras, situadas no lado superior de cada segmento impar, sccretando ujO I
liquido nauseabundo, que, cm alguns generos contem acido cianidrico. (Fon' ;
tara gracilis) . í
Nos Lisiopetalideos c nos Chordeumotideos existem no segmento anal 2 ou J
3 pares de glandulas cericigenicas. f]
Aparelho genital — Temos em ambos os sexos dois orificios genitais, sepa- i
rados, tendo o póro genital perto das coxas do segundo par de patas. j
Os ovários são pares, ainda que envolvidos num envolucro comum : rcU*
nem-sc num canal impar que se bifurca de novo em 2 ovidutos. Estes terminan* [j|
num receptáculo seminal, onde ficam retidos os espermatozóides.
Os testiculos formam um anel muito oblongo. O canal deferente é inipa^ (||
c muito longo e dá em 2 espennadutos, terminando cada um num orgão copuladof* jj
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Wolfgang Bücheul — Os Quilopodos do Brasil
63
Os imchos dos diplópodos possuem patas copuladoras espedais, tranfor-
“'adas. Chamam-se gonópodos. São as patas do 7P segmento. Variando de
genero em genero e de espede em espede. são característicos importantes para a
classificação. Assim os A.\. antigos, não tendo notado este fenomeno, classi-
^cavam muitas vezes, as femeas, que não possuíam gonópodos, como especies
nó\-as.
Nos Opistandrios os gonópodos se encontram no fim do tronco, sendo deno-
'ttinados teiópodos, por este motivo.
Os Polyxenideos carecem de gonópodos.
As femeas são quasi sempre maiores, e põem os ovos dentro da terra, cons-
fniindo ninhos especiais para este fim.
Há anamorjese, possuindo as laivas, ao sairem do ovo, apenas 3 pares
patas, e muito poucos segmentos.
Algumas fôrmas, como Polyxenus e outras, têm partenogenesc.
Os Diplópodos são inofensivos para o hotmm. São exclusiramente herbí-
(só algumas espedes comem casualmente substancias animais decompos-
de locomoção lenta; escondem-se de preferencia debaixo de pedras, no
*oIo húmido, sob folhas ou madeiras em decomposição.
Hefendem-sc dos inimigos, enrolando-sc numa bola ou espiral e secretando
® liquido protetor.
SISTEMÁTICA
1. Subordem — Psellaphognatha — Pselafofnatos
Animais pequeninos, raramente encontrados; evitam a luz, vivendo na terra,
Ptxlras ou cm ar\ores mortas, dccomposas. Preferem como alimento subs-
****^^5 animais em detrito.
p O corpo é macio, cilindrico e peludo. O tegumento é livre de sais calcarios.
este motivo não resistem á secagem. O labro é indepen<lente. As tuandi-
estão escondidas dentro da boca. O gnatochilarío possuc de cada lado
* 2 palpos grandes, que variam de fórma conforme a especie. .As coxas da*
são bem dilatadas. Os tnachos não possuem gonópodos. Occlos presentes
*tisentes. Traqueas ramificadas. As femeas põem 10-20 ovos que unem
pacote recobrindo-o com um onvolucro.
l^xiste sómentc uma familia. a dos:
FOLIXE.NIDEOS:
13-17
onnas pequenas com 11-13 aneis no tronco, e 15-19
pares. Os pleurilos são separados dos estcrnkos e
segmentos. Patas
dos Icrgitos. As
21
G4
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
patas terminam em ventosa^ ou vesículas adesi^•as, permitindo aos animais subi-
rem paredes lisas. Glandulas odoríferas ausentes.
Polyxenus largurus — Europa.
Este grupo contêm a maioria dentro das 8000 e^jecies e 70 familias dos
micr. 1). \’ivem cm matas sombrias sendo também encontrados cm cupins e em
formigueiros. São herbívoros e cosmopolitas. cutiaila dura, lisa, isenta de pêlos,
é imprcgna,da de carbonato e fosfato de caldo, perfurada por inúmeros canais das
As partes laterais do gnatochilario ostentam palpos rudimentares unciformes.
Os machos possuem sempre gonópodos. As glandulas protetoras odoríferas
gozam de secreção abundante.
Esta subordem compreende as formas mais belas de Diplópodos, de tamanho,
ás vezes, bem avantajado, chegando alguns exemplares à mais de 20 cm.. Per-
tencem a este grupo os embuás, piolhos de cobra, etc.. Frequentemente ostentam
colorido muito variado e bêlissimo. Aneis pretos com faixas amarelas ou ancis
esverdeados, brilliantcs com faixas negras ou amacias. Possuem inúmeras patas,
funcionando sempre na locomoção um grupo delas simultaneamente, de modo que
uma onda parece percorrer o corpo do animal. Este modmento ondulatorio é
mecânico, podendo ser observado, segurando o animal na mão. O ritmo mecâ-
nico das patinhas ê, sem durída, uma das maneiras de locomoção mais graciosas
em todo o reino animal.
O corjx) curto e largo facilmente se enrola numa bola. Consta de 14-
segmentos. Os machos têm telopoditos gonopodicos. As traqueas são rait
ficadas.
LIXLVCOMORPHA :
tronco no máximo 14. foramina rtpugnatoria (Òrificios odoríferos) situados nas co«t**
em linha mediana.
Ghmcris marginata Vill: — Europa;
Glomeris pustulata Latr. — Europa ;
2. Subordnn — Chilognatha — Quilognatos
Diplópodos.
glandulas cutaneas unicelulares. O Utbro denteado é imido á chapa da cabeça.
1. Tribu — Opisthandria — {Oniscomorpha)
P.\LAEOMORPHA
ONISCOMORPHA
Sphaerotherianos ;
Glomerideos : estes com segmentos óo
AR.MADILLOMORPHA:
22
Wolfgang BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
6Ó
2. Tribu — Proterandria — (Helminthomorpha)
Corpo alongado com 19 a mais de 100 segmentos. Nos machos os 2 pares
de patas do 7P sarnento e ás vezes ainda os pares das patas vizinhas são trans-
formados em gonópodos.
Traqueas não ramificadas, cm espirais. Glandulas protetora.*:.
COLOBOGXATHA:
Familia: — POLYZOXIIDAE;
Genero: — SIPHOXOTUS: — BRAXDT: — 1836
Ex. Sipkonotus bratUiensis BRAXDT : — 1831.
JULIFORMES: Brasil (fig. 7)
EUGXATHA :
POLYDESMOIDEA;
XEM.ATOPHORA:
Chordeumoidca ;
Striaroidea ;
Lysiopctaloidca ;
Stenunijtiloidca.
Existe uma infinidade de diplópodos no Brasil, pertencendo todos os ani-
a esta tribu. Mencionamos algumas especies provisoriamente, esperando
mais tarde, tenhamos ocasião de voltar ao assunto, quando tratarmos mais
detalhadamente dos Miriápodos:
Poraspirobolus paulistus Bròl.: — Santos;
^hinocricus goeldii Brõu: — Pará.
Sptrobolus amasonicus Giebel : — Amazonas ;
Spirobolus tnaximus L.
^Pirostreptus amcricanus Brandt: — Brasil;
^icudonannolene paulista Bròl.: — São Paulo: etc...
23
WoLFG.VNG Blxherl — Os Quilopodos do Brasil
Mein. Tnst.
Vol. XIII — 1M9
IV.
7
Fi*. 2
extraBidi^e de Senti^eU^ 9/1
V/ B-ucXerl
Fif. J
Apcndicc coa gUodolas cCTiciccnicu. 10 1
Mcm. Inst. Bctantan
Os Quilopodos do Brasü
NVolfgakg Bucherl
VoL XIII — 1939
SciELO
cm
WoLFQANG BCcherl — Os QuHopodos do Brasil
Metn. Inst. Butxntan
VoL XIII — 1939
rl
6
par Ó€ paUs áe Poiydtrmui. 15/1
Man. Inct. Bot^ntan
Vol. XIII
1939
WoLFG.vxG Büciierl — Os QuHopodos do Brasil
28
‘ OPISTOGONEADOS
Sob este nome são conhecidos os QUILOPODOS, sobre os quais faremos
seguinte um estudo especializado.
Classe: — Quilopodos:
I. Noções gerais
Forma geral:
O corpo é achatado, filiforme ou redondo. O tegumento é dc quilina, sc<n
^alcarios. Porta,nto permite ao animal uma locomoção muito atis^a.
j Os Quilopodos são denomina,dos Opislogoncados por causa da posição
do orifício genital.
^iste um Idbro, isolado e independente do clipeo.
O colorido c geralmentc monótono, amarelo ou vermelho escuro, com faixas
ou azuis nos bordos trazeiros dos tergitos. Os estemitos são amarelos,
^tas têm o mesmo colorido, porém misturado com verde. A quilina é de
^ ***tencia elastica, principalmcnte nos pretergilos e presternitos, de modo que
^*nimais gozam de muita agilidade. Esta agilidade também é necessária, les^an-
^ conta, que os quilopodos são carnívoros, incansáveis caçadores de insetos,
minhocas e outros animais.
Quilopodos dividcm-sc cm 4 grupos:
a) Escutigerideos ;
b) Ltlhobiideos;
c) Escolopendrideos;
d) Geofilideos.
?rupo mais importante, sob o ponto de \nsta da zoologia medied, e, sem
o dos Escolopendrideos. Será este o grupo, que nos ocupará mais
^^^^ente. O tamanho é diferente nos 4 grupos, dependendo sempre do
29
cm
SciELO
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
numero de segtnentos existente'. O tronco não é interrompido em torax e abdo-
me. A cabeça é separada do tronco, podendo ás vezes exceder um pouco a lar-
gura dos tergilos ou ser mais estreita.
A composição da cabeça é igual em quasi todos os Quilopodos. Os seg-
mentos cefálicos primitivos desapareceram, mas ainrla são indicados por suluras
e apendices correspondentes. Há na cabeça;
1 par de antenas;
1 par de mandibulas;
2 pares de maxilares;
1 par de patas mandibulares ou forcipulas.
Além disso existe ainda um labro.
O numero dos segmentos do tronco e dos anéis é variavel. O menor numero
existentes é de 15, no animal adulto; o mais commum é de 2-23; e o numero
maior é de 31-173 nos Geofüideos.
Os Escutiqcrideos e Anamorjos são mais curtos, porém em compensação
mais largos. Os Escolopcndrideos já chegam a uma bôa extensão. E’ este 0
grupo que possue os gigantes entre os Quilopodos como a Scolopcndra çiganiea,
que mede 26 cm..
Os Geofüideos são os mais estreitos e delgados, porém também os maii
compridos. Na mesma proporção, em que aumenta o comprimento do tronco,
diminui o tamanho da cabeça. Por conseguinte também o cerebro perde sua
função central, em favor da cadeia ventral. Esta decentralização progressiva do
sistema nervoso demonstra-se facilmente, dividindo o animal em duas metade^-
Fizemos 7 experiências a este respeito. A parte anterior com a cabeça
permaneceu viva em 4 casos durante 15 dias; em 3 outros exemplares conser-
vou-se durante 23 dias. parte anterior morreu de uma só vez. Nada foi
regenerado nem mesmo no segmento cortado.
\ parte posterior conservou-se vie^a até ao 7.® dia, em alguns exemplares.
Porém a rigidez cadavérica já se fazia notar antes desse dia. Os primeiros
segmentos a morrer foram os da frente, pérto do córte, enquanto que os seg-
mentos de trás se conservavam vivos. Tocando a ponta do corpo, estes animais
acéfalos, erguiam as últimas patas cm atitude de defesa, como costumam fazef
as Escolopendras vivas. ,
Quatro dias após desta, experiencia a mórte foi se estendendo paulatinamente.
Na parte anterior o tronco já estava imóvel. O segmento final com as patas
morria por ukimo.
Estas experiencias demonstram a decentralização relativamente grande do
sistema nervoso, gozando ainda cada gânglio da cadeia ventral de bastante ir.de'
Pendencia.
30
i
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
73
A cabe^ póde ter a mesma largura dos segmentos, podendo ser mais larga,
estreita.
Comprimento — Os Escutigerideos: — 1,5-5 cm;
Os Anamorfos: — 6mm — 60 mm;
Os Escolopendromorfosí — 15 mm. — 260 mm;
Os Geofilomorfos: — 15 mm — 170 mm;
Excluindo os segmentos intercalares, cada segmento possue 1 par de extre-
midades.
Além do ultimo segmento, portador de patas, existem ainda dois segmentos
P^nuenos, o genital e o anal. Os segmentos dos Epimorfos são mais ou menos
^*»nónomos: iios Anamorfos e em Scutigera encontramos sarnentos intercalares.
Colorido:
O colorido, como já foi dito. é uniforme. Alguns animais porém ostentam
^^cs bem originais: azul muito vistoso, claro ou verde escuro intenso. O tom
frequente é o amarelo e o vermelho tijolo, que va,ria entre tons claros c
^®<^ros com transição para o negro. Os pigmentos são de natureza muito frágil,
assim que o material, conserv’ado em álcool a 70^. descora em pouco
l«npo, principalmente o verde e o azul.
Hflbitat:
Os Quilopodos são verdadeiros cosmopolitas. Xâo há região do mundo,
faltem estes animais.
entanto ainda não foram encontrados cm aguas doces ou salgadas. Por
*^on animais camh-oros. frequentemente são forçados a mudarem de habitat.
^*•"3 não morrerem por falta de alimento. Carecendo a sua quitina de carbo-
de caldo, também não dependem de um sólo rico em cal.
Veriioeff distingue os Quilopodos conforme seu habitat em:
3) animais que vivem sob folhagem: — sob vegetais cm detrito: sob mus-
i «n montes de folhas juntadas pelo wnto ; sob samambaias, chegando mesmo
*** Pmo de casas, onde se escondem cm hortas, sob folhas de legumes, dclxiixo
tijolos:
Eithobius, Scolioplanes. Schendyla;
t) Animais que vivem em troncos de arvores: — e>n fendas e cascas de
*^l3s silvestres:
31
74
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
GfofiHdeos, Gchendyla, Scolwplatifs.
c) Animais que vivem ás margens dos riachos, sem quasi nunca se afas-
tarem dó alcance da^ aguas, caçando insetos, bezouros, atirados á margem pela
agua: Lamyctcs;
d) animais que lávem ás margens dos tnarcs — (E’ essencial que as praias
sejam rochosas). A areia é cuidadosamente esntada. Quando chega a enchente,
os Qmlopodos ficam em pequenas cavernas, envoltos em algas, prendendo-se nas
pedras. Assim pódem permanecer debaixo d’agua 30-40 horas.
Fizemos experiencias, metendo um Olostigmineo n’um copo d’agua doce,
permanecendo ele ainda, %Tvo após 3 dias e 14 horas; enquanto que outro exem-
plar com o qua) repetimos a mesma experiencia morria logo ao 2.° dia.
Muitos Geofilomorfos, preferem a praia rochosa dos mares por ser ela farta
de produtos que lhes servem de alimento.
e) Animais que vivem sob pedras: — Scohpendromorfa : — As Escolo-
pendras ou centopeias estabelecem sua morada sob uma, pedra achatada, de pa-
redes rugósas. Debaixo da mesma constroem uma cavemasinha, por onde não pe-
netra a luz. Durante o dia a lacraia descansa, meio dobrada para o lado, de modo
que a cebeça fique perto da cauda. Quasi nunca se estica completamente. Cada
individuo rive isolado, não tolerando mesmo que outro penetre o habitaculo, ha
não ser no tempo das núpcias. A' noite a escolopcndra sai de seu esconderijo c
caça pelos arredores, voltando sempre de novo á sua caverna. Parece mesmo que
o animal não póde viver sem sua pedra. Abre em baixo da mesma um corredor
vertical, de 7-10 cm. de profundidade. No fundo este corredor se alarga, e nesta
segunda cavidade a Escolopcndra p>õe ovos e protege seus filhotes.
Mas também já obser>*amos lacraias sob folhas de ar\-ores. em montes de ti-
jolos, em corredores escuros de antigas casas, até mesmo nos arrabaldes de São
Paulo. Em Santos, nas casinhas, cola,das ás encostas dos montes (Montserrat.
Morro de São Bento) é bastante comum.
f) Animais que vhvm debaixo da terra — aproveitam-se dos corredores
feitos pelas minhocas que também lhes servem de caça.
Quando o chão é bem mole, elas mesmas constroem caminhos subterrâneos,
voltando de vez em (juando para cima. — Geofilideos.
Ainda há Quilopodos, que vivem em cavernas subterrâneas, não chegando
nunca á luz do dia. Perdem os olhos, orgãos supérfluos, e, em compensação, se
guiam pelo tato desenvolvendo-se então as antenas. Por esta razão muitos Litlio-
biidcos subterrâneos são cegos, enquanto que seus parentes, que vivem á luz do
dia. possuem muitos ocelos.
Todos os Quilopodos evitam a luz solar direta; preferem a sombra e a hu-
midade.
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WoLFGANG Bücheri. — Os Quilopodos do Brasil
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Caçadores camivoros, vivem isolados. E’ raro encontrar Lithobiideos em
®^sa sendo \4stos sómente quando, após uma estação secca, a chusma cai abun-
dinte e quente.
Xos meses de Maio a, Outubro os Quilopodos são encontrados mais rara-
niente, que no résto do ano.
Sobre a idade dos Quilopodos quasi nada consta. Porém, presume-se que
iormas grandes perdurem mais de 4 anos, trocando muitas vezes a pele.
Meios de defesa:
Os Geofilideos, quando atacailos, enrolam-se de maneira que os estcmitos
^'*luem para o lado de fóra. Estes são munidos de glandulas de defesa, que se-
^rtam gottasinhas mal cheirósas. côr de rósa.
Os Geofilideos também correm de trás para diante, .\tacados por um animal
*^is forte, largam as patas, que quebram entre a coxa e o trochanter, regeneran-
em seguida.
Varias especies de Lithobiideos fingem estar mórtos permanecendo imóveis
o corpo lateralmente encuiA^ado. E’ o meio que empregam quando não lhes
^sta outro, como a fuga precipitada, verificada comumente nos Escutigerideos.
* que, de noite, costumam visitar as cosinhas de casas velhas. .Acendendo repenti-
’*^cnte a luz elétrica, eles com velocidade fantastica, sobem as paredes e mesmo
vidros das janelas, esquivando-se desta maneira da luz.
Certos Lithobiideos pequenos pos.suem a faculdade de secretar fios de cera
P^l^s glandulas das coxas dos últimos 3 pares de patas, nos quais se dc|)enduram,
descer assim de logares altos.
A anna de defesa, e ataque das escohpendras constituem as forcipulas. Estas
terminam em dois aguilhões fortes, ponteagudos. perfurados pelo canal de ve-
.'\ glandula de veneno está situada dentro das forcipulas, e chega a 2 mm.
largura e 4-6 mm. de comprimento.
A mordedura é muito dolorosa. E’ sempre mortal para animais inferiores. .As
'^folopcndras também atacam e de\-oram outras escolopendras.
Pelos fins de Dezembro de 1938, conscrA^amos duas lacrmas vi>-as, sendo uma
16 cm., e a outro de 1 1 cm. de comprimento. Depositamo-las nunu caixa que
'outinha terra, pedregulho e pequenas pedras. Colocamos no centro um ■vaso com
algodão, embebido em agua fresca. Pudemos obser\*ar como chuparam o algodão,
**^ndo agua desta maneira durante 5 minutos mais ou menos.
Xo dia 6 de Janeiro brigaram, enroscando-se e mordendo uma a outra. .A
*’'enor ficou imediatamente paralizada largando a outra, enquanto esta conser-
as presas enterradas nas pleuras da vitima. Após alguns minutos a menor
*''’ha morrido. Xo dia s^uinte a lacraia havia comido uma parte da outra e mais
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76
Memórias do Institulo Butantan — Tomo XIII
3 minhocas de 6 centimentros de comprimento. Ficara muito abatida provavel-
mente em consequência dos ferimentos que também levára, sarando porém com-
pletamente logo após. Xo dia 11 de Janeiro demos mais 8 minhocas grandes á
lacraia. No dia 24 já não havia mais nem signal de minhoca.
Ao abrir a caixa encontramos a lacraia bem conservada e muito viva, dando
.saltos raivosos, distendendo as presas posteriores do corpo em atitude de ataque.
No dia 26 tomamos um rato branco, de dois meses de idade, de 13 cm. de com-
primento. No principio a lacraia se refugiava noutro campo, consers-ando sem-
pre as duas ultimas patas em posição ereta. Deu então repentinamente um bóte
celere em direção ao rato, prendendo-se no mesmo com as ultimas patas, largan-
do-o logo após. .•\proximamo-la ao rato, que se atirou sobre a lacraia, mordendo-a.
Ela se defendeu enroscando o agressor e começando a envolvê-lo pela cabeça, en-
terrando as presas profundamente na nuca do rato. Este gritava lastimavelmente,
estremecendo pelo corpo todo. A lacraia não o abandonou mais. Nem mesmo usan-
do de uma pinça conseguimos separa-los. Apenas um minuto após o rato esta\'a
morto, enrijecendo imediat.amcnte. Só então a lacraia largou sua ritima.
Procedendo a autopsia do rato N^erificamos que a lacrab tinha justamente
atingido uma veia do mesmo. O coração ainda palpitara. O pulmão, a bile e o
baço estavam normais. O fígado, porém, mostrava ligeiro congestionamento. O
efeito letal parecia ter achnndo d’uma paralisia completa do sistema nervoso.
Em 22 e em 27 de Fevereiro obtivemos mais duas lacraias grandes. Em 28
do mesmo mês. cada uma matou um rato de 8 cm. de comprimento. Desta vez um
dos ratos foi mordido na perna e o outro nas costas. Enterradas as forcipula.®,
ambos gritavam, estremecendo continuamente. Depois de separar os ratos das
lacraias estes se encolheram continuando a gritar. Esticaram as pernas que logo
enrijeceram. O temp decorrido entre a mordedura e a morte foi de 5 minutos
apenas. Num deles verificamos ligeira hemorragia bucal. Os orgãos internos,
porém, cm ambos foram encontrados em perfeito estado.
Parece-nos, portanto, que o veneno da lacraia opera cm primeiro logar so-
bre o sistema nervoso, semelhante ao veneno do escorpião. Espéramos continuar
nossas pesquisas, afim de estudar também a cficacia do veneno cm cobaias, etc —
As espccies menores de Escolof>rndromórfos não são tão perigósas para
o homem, porque gcralmente não conseguem perfurar a pele humana, o que não
se dá com as lacraias grandes, de 10 cm. para cima.
Si a Scolopcndra znridicornis. de 11 cm. consegue matar um rato dentro de
alguns minutos, é de presumir, que as escolopendras grandes, principalmente a
giçantea, que atinge um comprimento de 26 cm. e que tem presas formidáveis,
também seja pcrigósa para o homem.
Verhoeff cita um caso de um homem robusto, que foi viajar para a África,
onde foi picado por uma escolopendra, ficando por muito tempo paralizado no
corpo inteiro.
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Wolfgang BCxherl — Os Qnilopodos do Brasil 77
Avgust Barthmeyer & Hans Schmalfuss (Sammlung von Vergiftungs-
fãllen. 4 (9) 1933. Verlag Vogei, Berlin), fazem um relatório sobre o envenena-
por escolopcndras.
Pawlowsky, E. N. “Giftticre und ilire Gifligkeit'', Jena, 1927, afirma que
a niordedura da lacraia sómente é letal para animais pequenos.
Faust, E. st. “Vergiftungen durcli tierische Gifte” in Flf.ury, F. & Zang-
— Lehrbuch der Toxikologie, Berlin. 1928; — relata casos mortais tio lio-
devido á mordedura de escolopcndras da índia.
Vexzmek, G. “Giftige Tiere und tierische Gifte”, Stuttgart, 1932 : — fala de
caso mortal, ocorrido numa criança de 7 anos. mordida na cabeça por uma
(Filipinas).
Pawlowsky menciena ainda o caso ilum oUcial que bebéra agua num apo-
nto escuro não percebendo a lacraia que havia no copo.
Esta mordeu-o na garganta morrendo o oficial logo após, sendo a morto
mais pela falta de ar que pelo envenenamento.
O medico B.artumeyer e o Prof. Schmalfu.ss relatam um fato muito inte-
'^cssante: — “Um marujo tralialhava a bordo do navio “Duisburg” da Hapag, an-
forado no porto de Malaga em Dezembro de 1932. Sentiu que havia sido picado no
^*^ço por algum bicho. Éra uma lacraia, mais tarde identificada por .\ttems como
*^do uma Scclopcndra subspinipes. O animal media apenas 12 an. de com-
primento. Logo após a mordedura, seitu as mesmas dõres, que se costumam ve-
rificar em mordeduras de cobras. A ferida tomou-se azul com contorno aroxeado.
^ braço inchou muito, doendo horrivelmente. Um estremecimento j)crpa.ssou o
que ficou como que fóra de controle do sistema nervoso. O paciente sofreu
*^*tlucs de sufocação. Suor frio lhe corria pela testa. O coração batia apressada
e irregularmente. Os s^asos linfáticos inflamaram-se, correndo estrias ver-
®'cíhas por todo o braço. Desinfetaram a ferida com álcool, tratando-a com iodo. #
^fante 15 minutos o paciente tcs'c que sugar a ferida, desinfetando em seguida
* boca com agua boricada. Como não tinham outra coisa á mão. deram-lhe cada
horas 60 gramac de "cognac”, para impedir uma paralisia cardíaca.
Dois dias após o mamjo tinha recuperado a sau<le.
O referido demonstra claramentc que se tratava de um envenenamento bem
*^•0. E si levarmos em consideração que no Brasil existe a mesma lacraia {Sco-
^Pfndra subspmmpcs), chegando não só a 12 cm. de comprimento, mas a 25 e
ainda mais, podemos facilmente crer que possa liaver casos que também
letais para o homem.
Assim PoRTER, C. cm “Introduccion al Estúdio de los Miriapodos, Santiago
Chile, Imprensa Universitária. 1911” diz. que a mordedura da Scolopendra m-
pó<le produzir a morte.
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Existem mais ou menos 10 especies de cjcolopendras brasileiras cuja mor-
dedura é temida:
Scolopendra tnorsilans: — 12 cms. ;
" alternans: — 19 cm.;
” arthrorhabdoides: — 5 cm.;
” arnuita: — 10 cm.;
" giganica: — 27 cm.;
” angulata: — 17 cm.;
” exploram: — 10 cm.;
” viridicomis: — 17 cm.;
” znrídis: — 13 cm.;
” polymorpha: — 13 cm.
Todas cias possuem presa^ inoculadoras. Depositam, geralmente, uma quan-
tidade pequcnissima no homem porque, sendo afugentadas imediatamente, não
lhes é possivel injetar maior dóse de veneno. (-\ tendência para inocular demora-
damente o veneno lui vitima indefesa, demonstramos na experiencia feita com ratoí
relatada anteriormente). Desta maneira se explica como, na maioria dos casos,
os acidentes não têm outras consequências, que dôres intensas, inflamaqões e fe-
bre mais ou menos alta, sendo possivel neutralizar o veneno com aplicações de
amoniaco.
E’ lamentável, não haver relatório sobre casos de envenenamento por la*
craias do Brasil. O povo confunde as escolopendras com os escorpiões, chaman-
do a todos estes de Lacraus, tomando dificil, discernir os acidentes causados pelas
verdadeiras lacraias.
Pouco verosímil é certamente o fato que relata Brehm, dizendo que .-VW--
x.\NDRE VON Humboldt, cm suas \'iagens pelos sertões do Brasil, tenha vista
crianças indigenas extrairem do sólo as escolopendras de mais de 2-3 polegada-,
conKndo-as em seguida. Quem conhece a lacraia, não terá a coragem de segura-la
na mão e muito menos de comê-la.
Vou descrever as especies venenosas e perigosas mais detalhadamente quando
tratar da sistemático. Na coleção do Instituto Butantan encontramos cxemplars*
belissimos, de tamanho colossal.
Luminosidade :
Certos Quilopodos da familia dos Geofilideos possuem glandulas que seerfr
tam uma substancia luminósaf, deixando também, em alguns casos, um rastro
minoso atrás de si. A este grupo pertencem : — Stigmotogaster subterraneus, Or>‘0
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Wolfgang BCxherl — Os Quilopodos do Brasil
79
^barica, Orphnaeus brevilabiatuSj Geofilus electricus e longtcornis e Scolioplanes
^<ujipes.
Este fenômeno ainda não foi estudado suficientemente. Dubois pensa que a
•olwtancia luminosa seja secretada, pelas células epiteliais do intestino. Macé,
contrario, opina, pela secreção luminosa das glandulas anais e coxopleurais.
Ga2agnaire observou como uma massa luminosa amarelada, de consistência
de uma luminosidade azul-avermelhada foi secretada pelas glandulas dos
*sternitos.
Não se sabe ainda si os citados animais luzem sempre ou sómente por algum
e si a luminosidade é geral em ambos os sexos.
Póde ser também um estado anormal, de um ataque em massa por baterias
^^ntinósas, simbiontes, comensalistas ou parasitas.
II. Organização externa
Como na coleção do Instituto Butantan existe a Scohpendra tnridicornis cm
P^de abundancia, e como ésta tem proporções a,vantajadas para a obser\-ação,
P*^^Puzemos-nos fazer a descrição dos Quilopodos, e especialmente dos Estohpcn^
'^'omorfos, segundo este modelo.
1 ) Cabeça :
A cabeça é sempre acliatada. Tem as antenas na parte anterior e as peças
na parte inferior. Percebe-se uma ligeira incurração da parte superior para
® lado de baixo, ficando deste modo o labro colocado ventralmentc. Desta ma-
**^ra origina-se a grande abertura bucal. A placa cefalica não é formada de uma
P<^, mas resulta da união de 4 placas prímitkns, indicadas amda por suturas
ou menos apagadas. Entre elas sobresai a "lamina frontalis", c alwixo desta,
® cltpea, c os pleuritos cefálicos. Entre as antenas a pla/Ki cefalica c um pouco
dando origem a uma fossa curta e réta. Os Escolopendridios carecem de
sulco frontal mediano. Vide fig. 8.
A lamina dorsalis representa a placa dorso-antcnal. Deante da mesma cn-
''^ra-se a placa oral, curva para baixo. O "clipeo” é a parte ventral anterior,
^óflc ser desprovido de aculeos {Scolopendra) ou possuir cerdas longas enfilei-
ou dispostas irregularmente (Cryptops). A formação estrutural do clipeo
'^ria muito nos Quilopodos. Acentua-se frequentemente no mesmo um campo
^iangular, formado por sulcos finos, e mais adeante um campo oblongo tnenor.
é a “area postantenal” , coberta de cerdas, ou desprovida delas
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
O clipeo teni o labro no seu bordo posterior.
a) Labro — O labro está ligado ao clipeo por meio de uma pele fina, trans-
parente. Deve ser considerado como chapa ventral do segmento antenal. A sutura
que separa o labro do clipeo, é sómente ausente em Cíutctechclyne.
No centro o labro possue um dente forte, quitinoso. Ainda existem duas
secções laterais, que formam outra.s duas protuberâncias quitinósas denteadas. Na
margem posterior destas duas peças originam-se pelos curtos, ás vezes muito cer-
rados. Vide fig. 8.
Atrás do labro, existe, ás vezes, uma placa “palatina”, com póros redondos de
sensibilidade gustativa.
Em quasi todos os grupos o labro é coberto por cerdas e pequenos aculeos,
de função olfativa e gustatizxi. Sómente no genero Scolopendra o labro se en-
contra completamente desprovido de pêlos, cerdas e aculeos.
b) Outras peças da placa ccfaUca — Enquanto a placa cejalica constituc
uma superficie uniforme no lad dorsal dos Quilopodos, supcrficie apenas riscada
por dois sulcos longitudinais, que na frente, ás vezes, já são bem fracos ou in-
teiramente desaparecidos, ela é dividida no lado ventral, nas mais diferentes pla-
quinhas. Além do clipeo e do labro temos nos dois lados extremos os “ pleuritos
cefálicos". Na Scolopendra viridicornis são peças longas, de consistência muito
dura, mostrando cada uma duas protuberâncias, que servem de apoio aos ma.n~
lares.
Éstas peças são denominadas “pleuritos principais".
No lado anterior existe no interior outra plaquinha, ás vezes dividida cn»
duas: os “pleuritos secundários, anterior e posterior".
A maneira dos pleuritos se dividirem cm csclcritos por meio de suturas, \-aria
muito nos generos, oferecendo ótimas normas para a classificação.
Otocryptops e Tcathops possuem pleurito secundário anterior; Scolopendra
não possue. Em Rhoda o pleurito secundário dcsaijareceu quasi completamente.
existindo apenas uma sutura no pleurito principal.
Na r^ião do pleurito secundário posterior existe uma cavidade na qual gir*
a articulação da mandíbula.
O pleurito principal termina diante do bordo posterior da placa cefalica.
c) Olhos — Os Cryptopidcos não possuem olhos, tendo no máximo saliei*'
cias vitreas em logar dos mesmos. Provavelmente distinguem a claridade da es-
curidão. Também são cegos todos os Geofilideos e cm geral todos os QuilopodoS
subterrâneos, que nunca chegam á superficie. Para eles os olhos seriam completa-
mente supérfluos. Estes animais, em compensação jiossuem antenas muito inai*
desenvolvidas e mais compridas. Nos outros grupos, Lithobiideos e Escolopetf
drideos, temos 4 ocelos bem desenvolvidos, quando se trata de animais diurnos.
38
Wolfgaxg Bücherl — Os Quilopodos do Brasil
8t
desaparecendo a perfeição dos olhos na mesma proporção que os animais se lor-
ludfugos e subterrâneos.
Os olhos estão agrupados atrás das antenas, em forma do cruzeiro do sul.
O ultimo é um pouco maior. Os Escolopendrideos possuem 4 olhos ; os Lithobü-
deos 1-40.
Nos Escutigerideos os olhos são mais desenvolvidos: — amontoados em
P^fttdofacetas, que constam mais ou menos de 200 olhos simples, guarnecidos de
®°*^eas hexagonais.
d) Antenas — Os Quilopodos possuem sempre antenas mais ou menos lon-
São filiformes, podendo os articulos ser m.ais longos do que largos ou vice-
'^ersa, O numero de articulos varia muito em cada grupo e mesmo em cada familia
* B^nero. Xos Geofilideos as antenas nascem da placa cefalica bem próxima uma
di outra; nos Liíhobiideos e Escolopendrideos já existe um espaço maior. Xos
^'futigerideos finalmente são bastante separadas.
Nos Geofilideos o numero dos articulos é de 14; nos Escolopendrideos 17-33
(somente Karlops tem 11 e Tidops 13) ; nos Liíhobiideos 18 até acima de 100;
Escutigerideos ainda mais de 100.
As antenas possuem cerdas e pêlos. Os primeiros articulos basilares são ge-
^njente desprotndos de pêlos. Os outros articulos são inteiramente cobertos de
P^los curtos e densos, quasi invisiveis na Escolopendra.
O numero de articulos desprovidos de pêlos, e principalmente, a maneira, em
os pêlos cobrem o 4.° ou 5.® articulo, ê tão característico, que ser\-e para a sis-
j^^tica. Os pêlos cobrem todo o articulo uniformemente ou então existem /í«
'■“í longitudinais de cerdas mais compridas, ou acumuladas em protuberan-
"*»’.etc...
Distinguem-se cerdas ôcas, massiças e cúpulas sensoriais.
^ As cerdas ôcas formam a transição para os estiletes sensoriais dos Lithobii-
Possuem um canal largo, que dá passagem ás células trichogcnicas, e
ao
*»ervo.
. ^ orgão tatil dos Quilopodos são as antenas. Os estiletes e cerdas têm fun-
^ Tivemos ocasião de obsçrs-ar s’arias vezes, quando o Escolopettdrídio
^®comove, as antenas em continuo movimento, óra batendo no chão, óra to-
os objêtos ou abrançando-os, enfim, sondando sempre o terreno. Sómente
^^^o o animal descansa, as antenas também repousam. Principalmente os ar-
^ terminais são a sêde do olfato. Embebendo um pincel em clorofórmio, tere-
*^^a ou. amoníaco e pondo-o deante do animal, este recua imediatamente. Fi-
^ s êstas experiências repetidas vezes com Otostigmineos e Escohpendras
'Çndo-se sempre o mesm resultado. Cortando, porém, as duas antenas, os ani-
“3o percebiam mais o pincel.
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cm
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S2 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
c) Mandíbulas — Todo Quüopodo possue duas mandíbulas. Éstas ser\'en»
para dilacerar os bocados, ou quebrar a quitina dos insetos. A mandibula consta
de duas peças principais: — uma larga, outra estreita: — (Vide fig. 9).
Elxiste na base um apendice forte, o bastão, que é uma formação cndocsquc-
letal, mais ou menos curva, oferecendo logar de inserção aos musculos.
Segue a placa do bastão, da qual diz Verhoeff, que se une ao bastão sciti
sutura alguma, o que nós não podemos confirmar, quanto as Escolopendras, nas
quais se encontra uma sutura, bem nitida no centro. E’ continuada por um apen-
dice, mais longo que largo, terminando numa articularão gibósa, cuja cabeça gira.
como já vimos, na cavida,de do pleurito secundário posterior da placa cefalica.
A placa triangular c separada da placa do bastão por um sulco profundo. O
bordo anterior, que trás as cerdas longas, os dentes e os pêlos curtos, póde scr
repetido em lamel^ homónomas nos Geojilideos, enquanto que nos outros QuüO'
podos existe geralmente uma só lamela.
-•\s cerdas são fomiadas por uma haste, da qual panem cerdinhas laterais.
Os dentes são muito fortes, prindpalmente nos Escolopendrideos. Em animais jo'
vens ainda se encontram bem isolados, enquanto que em adultos se soldam sem-
pre mais, de modo que fica dificil perceber o« limites entre eles. Parecem format«
ás vezes, um unico bloco.
Em quasi todos os Escolopendrideos encontra-se asimetria interessante, com
5 dentes na mandibula, direita e 4 sómente na esquerda.
f) Primeiros nusxilares — Os primeiros maxilares constituem uma i>c<?
delgada, transparente, muito dificil de ser extraida complctamente. — Vide
fig. 10.
Xo centro existe uma placa delgada, soldada na base, com 2 apcndices ^
parados, cobertos de pelos curtos. O articulo superior dos telopoditos é o mai*
desenvolvido. Sua supcrficie c coberta por aculeos. .\s cerdas finais são prorida*
de cerdinlias secundarias, laterais. Xas outras peças existem aculeos fortes, en-
fileirados.
g) Segundos maxilares — Elstes conser%'aram ainda a forma de pata pO'
mitira. (Vide fig. 11). Ambas as coxas estão soldada,s no centro por uma ponte
estreita. Xo logar da junção existe um sulcosinho meio apagado ou inteirament*
desaparecido. As placas coxostemms são semeadas de aculeos. O femur é o
tiailo mais longo do telopodito. Une-se ás coxas por meio de uma articulação fP'
ratória. que permitte um movimento de fóra para dentro. Xo lado interior, cn»*
baixo, existe ainda um sulco, a incisão primitiva do trochanter. Ésta sutura des»*
parece quasi nos Escolopendrideos, sendo ainda bem visivel em outras fonnaJ-
O segundo telopodito forma, no lado interno, perto da ponta apical, um
sobrcsaliente. encimado por um aculeo comprido, presente em todos os Escoltf"
4U
WoLFGAXG BCcuerl — Os Quilopodos do Brasil
83
Ptdrideoi e Criptopidcos ncotropicos, ausente, porém, nos Cripiopideos do Velho
Mundo.
O terceiro telopodito termina numa unha, larga, curta geralmente, em fórma
pá, ladeada por duas unhas secundarias ou p)or uma só ou então sem as mes-
Scutigera possue 4 telopoditos.
N’o lado mediano do ultimo telopodito existe uma, dobra cuticular saliente,
apresenta uma fileira de cerdas longas, divididas, alargadas na ponta em forma
Uma colher.
h) Forcipulas — São as forcipulas que tomam os Quilopodos animais pe-
nosos, pois contém o aparelho inoculador de veneno.
Pnra alguns AA. as forcipulas já fazem parte do tronco (primeiro par de
do tronco), outros tomam-nas ainda como apêndices cefálicos. Morfohgi-
^ontente são patas, e fisiologicamcnte pertencem á região das peças bucais. (Vide
% 12 '.
Distinguem-se nas forcipulas: tergito, estemito, pleuritos e telopoditos.
^os Quilopodos passando a placa cefalica por cima do tergito forcipular ou
encobrindo o primeiro verdadeiro tergito do tronco a parte posterior da
cefalica, o tergito forcipular está sempre coberto por uma placa quitinosa.
ortanto não necessita de quitina para a própria proteção. Assim o tergito for-
é sempre atrofiado, rudimentar, de pele macia, transparente, de modo
em material macerado, se vém somente duas ilhas de quitina, muito pe-
^ticnas.
As coxas do telopodito estão geralmente soldadas com o estemito, dando
^Rcm ao " coxosternum" . Xo lado ventral estão fundidas completamente, de mo-
lue não resta senão um sulcosinho curto no meio. no bordo anterior. Xo lado
*^**1 as duas pla,cas não se tocam, deixando livre uma fenda larga. (Vide fig. 12).
^a, frente ha uma placa dentaria, que apresenta 4-{-4, 5-|-5ou3-|-3 dentes
pretos, agudos ou um tanto obtusos, inteiramente isolados em animais j«-
Os dentes do meio são geralmente mais fortes. Em animais adultos os
^*cs internos soldapi-se, permanecendo os exteruos sempre isolados. Alguns
^^^os apresentam aaileos longos cm lugar de dentes. Frequentemente existe em-
'^o dos dentes do centro uma cerda longa e fina que brota d’um tubérculo ou
_ algutna cavidade. Quanto ao resto o coxosternum é inteiramente despro-
de pélos ou aculeos. O fetnur tem no lado interior um apcndice quitinos<>
duas a tres plaquinhas em forma de dentes.
, A tiòia e o primeiro tarso formam articulos estreitos, muito mais largos que
O segundo tarso é soldado com a unha. Ésta é muito forte e pontuda nos
^ ^°*opendrideos e constituc uma terrível arma de ataque. Perto da ponta está
^*^*crtura do canal de veneno. O canal não se acha, no centro da unha. mas i>erto
’**®cgcni de modo que póde ser notado atravéz da cuticula negra. Em animais
41
SciELO
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
jovens o canal ainda é u)*w fossa na superficií, que só paulatinamente se
funda, semelhantemente à constituição do dente inoculador das cobras venenosa*
opistoglifas e solenoglifas.
A glandula dc veneno encontra-se nos tarsos ou no fetnur. Xos grandes Es-
colopendridios se encontra no femur, proximo do lado externo, medindo 5 mm-
de comprimento. (Vide fig. 13).
1) Lingua e Faringe — A hipofaritige é um simples prolapso cutâneo.
cavidade bucal tem paredes fórtes, rugósas. aptas a triturar mais o alimento. -■'
garganta é muito musculosa, guarnecida de chapas para a ulterior trituração
alimento. A parte anterior da htpofaringe é a "lingua”. Xa base desta encon*
tra-se o saco faringeano, sustentado pelo garfo faringeano. A lingua da Escolo'
pendra ocupa quasi toda a cavidade buccal.
Exames macro — e microscopico
Mandíbula — Considerando diversas mandíbulas da Scolopendra viridiconái
(preparados diafanolizados e deshidratos em pota^sa a 60° ou Xilol fenicado)-
observamos muitas modificações morfologicas na cspecie viridicornis, o que ali^
no.s obriga a estabelecer 2 sube:,pecies conforme demonstra a sistemática. Ésta*
modifica,ções se acentuam principalmcnte na fileira dentieulada e nos feixes àe
pêlos colocados ao lado dos dentes. Xotamos asimetrta accntua,da no numero d«»
dentes, ostentando uma mandibula 4, a outra 5 dentes. Cada. dente é constituid®
por tres placas agudas ligciramenle recur\-as, sendo a placa mediana 2-3 veze*
maior que as duas placas laterais. Os dentes aumentam progres.< ivamente em
manho, sendo o maior situado proximo aos pêlos. Xo lado basilar observanio*
unta stilura nitida, separando os dentes do resto da mandibula, constituindo dest*
maneira uma verdadeira placa dentaria analoga às do coxosternum forcipular, ta*®
que escapou á atenção dc muitos especialistas curopêus. As peças basilares
cada dente atingem esta sutura transversal. Xotamos distintamente uma
irregular divisória, separando claramente a formação dos dentes do resto da pla^*
dentaria.
Xo lado interno principiam as fileiras de cerdas, atnas no prindpio, p*'®'
longando-se cm fei.xes bifurcados.
/“* tnaxilares — (Preparados macroscopicos, diafanolizados e desidrat**
dos cm Xilol fcnicado) : Os primeiros maxilares demonstram uma camada q®’*
tinósa fina, dc maneira que conservam flexibilidade. Xas zonas, onde os artieul®*
dos tehpoditos se unem, a quitina é mais espessa. Xo bdo interno, basilar ^
primeiro articulo lelopoditico existe uma especie de articulação, atingindo ne>í*
local a quitina grande espessura. O lado externo do ultimo articulo telopoeli®*^
ê coberto de póros finíssimos.
42
WoLFGANG BCchebl — Os QuUopodos do Brasil
83
Segundos maxilares — E’ notável o fato de haver indicação bastante acen-
de unia sutura mediana no coxosternum. Eni alguns exemplares de Sco-
^Pendra viridicomis é bem visível, enquanto que em outros, da mesma especie,
****>lj«n exemplares adultos, ésta sirtura é ausente.
•5 ramos traqueanos penetram os artículos (3 ramos grossos, os outros mais
Dois tendões passam atravéz dos artículos, e se inserem na base (um
cada lado) da garra terminal, sersãndo um para lerantar, o outro para do-
brã-la.
Placas cefálicos com antenas. (Preparados diafanizados em potassa a óOÇi) :
'■funoj traqueanos entram nas antenas, partindo destes ramificações finissimas,
**^*niravelmente bem snsiveis, que vão á periferia de cada articulo. Do 4.® arti-
«n diante já se observam pelos finíssimos, muito numerosos do 7.® em diante.
obser\-amos estiletes nas antenas nem mesmo nos artículos terminais.
Placa cefalica — São observadas suturas longitudinais bem visíveis, termi-
atrás em suturas poliedricas, que constituem a fôrma das células epiteliais.
■ * frente da placa cefalica existe uma sutura quitinizada dorsal e outra, majs
íraca
'■entrai. Xo lado dorsal, na região em que termina a sutura, acentua-se uma
*^cira elevação triangular.
dois dentes quitínósos, laterais, do lahre são separados por suturas da
nubinósa interna e do proprio labro, de mapeira que não podcnws consi-
^'^■las como sendo méras protuberâncias quitinizadas deste, (Attems) mas for-
****^‘"^4 independentes.
P^gitos, estigtna, pleuritos e patas. (Preparados diafanolizados, desidra-
^ ' com Xilol-fenicado) ; Os dois sulcos cpiscutais são profundos, separando o
S'-o cni 3 placas, quasi independentes. A quitina contêm muitos grânulos acas-
^'los ou aA’ermelbados. De \xz cm quando abser^^amos um circulo, livre dc
^^wlos. encontrando-se outro circulo menor no mesmo, quitinoso, provido de
. diminuto. Xa zona anterior e posterior a quitina divide-se cm ilhas lon-
7^>anis, contendo igualmente grânulos. São separadas umas das outras por
claras, livres de grânulos, podcndo-sc obseiA-ar em alguns logares fracas
^^Ções de suturas. A quitina destas 2 arcas é extrentamente fina dc maneira
'^^guardar a flexibilidade. Uma borda estreita, nitida separa o tergito de todas
*®*>as laterais, sendo esta borda apenas interrompida pelos sulcos ephcutats.
^ *'o pretergito observamos algumas fileiras de espinhos pequenos, continuan-
** fileiras mesmo dt-ntro do tergito. A mesma formação de espinhos obser-
na borda externa, no peritrema do estigma. A parede do cálice estigmal c
P®*" fileiras cerradas de pêlos finíssimos, esbranquiçados. O fundo do ca-
^ * gnameddo por outra fileira de pêlos longos, cerrados, que ,«c tocam quasi
^tro.
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cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Os sulcos medianos do estemito são pouco profundos, não separando o es-
temito em 3 placas, como se dá no tergito. Xa zona posterior os sulcos apagam
progressivamente, até desaparecerem completamente. Não se observa quasi mais
granulação da zona quitinósa. Existem, porém, pequenos pêlos, ainda que em
numero restrito.
Nos cjcleritos que concorrem para constituir a coxa, podemos observar uma
fileira de glandulas na procoxa (35 glandulas. tendo num dos cantos uma espi-
cula finissimaj). A itictacoxa e a coxa superior demonstram algumas fileiras de
pêlos longos, encontrando-se entre eles alguns estiletes pretos, curtos e grossos.
Muito interessante é a jonnação de pêlos pretos, longos, recurvos e grossos na
ponta terminal, finos na base, completamente sulmtersos nas camadas quitinósa^
atingindo com a ponta terminal a superfeie interna da cxocuttcula. Encontram-se
na zona limitrofe entre a coxa superior e injerior.
Xa região das anopleuras existe uma fonnação triangular, composta de uma
aglomeração de peças quitinósas, separadas umas das outras por membranas
transparentes e 2"-3 sulcos longitudinais. .Ao longo déstas “anopleuras” obser-
vamos uma fileira de círculos quitinósos, alguns ma,iores que outros, mas con-
sertando sempre a fila. Servem de ponto de inserção aos musculos. Garantem
consistência relativamente grande ás zonas pleurais, facultando, contudo, grande
flexibilidade. -Assim se explicam fa,cilmente os movimentos bruscos da lacraia,
cuja área dorsal consiste de placas quitinósas rigidas.
Xas patas podemos observar muitas traquéas, que emitem ramificações para
todas as periferias. O tendão da garra terminal principia no prefe7nur, engros-
sando progressivamente no 7.® tarso; emitte 2 ramos para as bases dos esporões
secundários e insere-se na linha mediana da ultima garra. O esporão do primeiro
tarso não tem tendão; é rigido, portanto. Xa ponta apical, dorsal, onde a garra
termina no 2.® tarso observa-se uma articulação. Xo lado dorsal, á base do 2.®
tarso vemos uma inserção de um outro tendão, e um semelhante no lado ven-
tral. Musculos que le\'antam c dobram os articulos. também estão presentes.
2) Adaptação das peças bucais ao alimento
Diz Verhoeff (Bronn’s — Klassen und Ordnungen des Tierreiches) quc
sómente rarissimas vezes foi possivcl obsers^ar os Quihpodos quando comiam-
Em seguida ele descreve suas obsers-ações em Lithobiideos. Tivemos ocasião dc
conservar rivos muitos Escolopendridcos, como viridicornis subsipinipes. Paro-
tostigmus tibialis e scabricauda, Rliysida brasiliensis ; Trigonocryptos ibe*
ringi, podendo observar estes animais enqua^ito comiam. São muito vorazes. Uma
Scolopendra viridicornis de 14 cm. de comprimento de^•orou uma minhoca dc
44
Wolfoang BCchebl — Os Quilopodos do Brasil
87
*2 cm.. Aproximando uma minhoca muito fina ao animal e não conseguindo feri-
la com as fordpulas, desprezou a prêsa. Em seguida colocamos 4 ratinhos re-
CQnnascidos na caixa. A escolopendra ]<^o as^ançou, matando com uma ferroada
u*n ratinho ainda sem pêlos. Rasgando-lhe o ventre come<;ou a sugar o sangue,
^^cpois devorou o intestino inteiro. Não arrancou pedaços mas comeu o animal
roteiro progressi>"amente. Após 10 minutos não restava na^a mais do ratinho, que
tinha o tamanho de 4 cm. .\té os ossos foram engolidos.
O aperitivo aumentara ainda o apetite da escolopendra, pois avançou logo
P^Ta o segundo rato. Ta,mbcm este foi devorado. No dia seguinte não encontra-
mais vestigios dos outros dois ratinhos. .A escohpettdra estava, roliça, in-
gorda e preguiçosa.
Durante a refeição observamos a, lacraia conx) enfiava a calreça e as antenas
*>o rato. A cabeça ficou ensanguentada. Segurou o rato com as forcipulas e os
^lopoditos do segundo maxilar.
No dia seguinte a lacraia enrolou-se levemente num canto, ocupada em lim-
P**" os réstos de seu lauto jantar.
Tivemos ocasião de observar bem de perto o ato de comer cm Parotostigmus
*tabricauda. Elste apanhou a lar\-a de um inseto, segurando-a com as patas ante-
riores. Durante este ato ergueu a parte anterior do tronco. Enterrou num movi-
roor'to rápido as presas na carne mole da vitima. Ésta se contorceu alguns ins-
**otcs, ficando paralisada logo após. Observamos então movimentos acelerados dos
P®lpos dos segimdos m^ilares, como também das forcipulas que introduziam as-
*'ro 05 bocados no âmbito das mandibulas. Cortaram pedaços inteiros da larva. .As
^das e pêlos mandibulares não deixam a comida escapar pelos lados da boca.
^’ão absen-amos movimentos mastigadores. percebendo que tudo êra engulido
*os pedaços. Os primeiros maxilares servem de pás ou conchas, quando se trata
de sugar o sangue de alguma vitima.
Abrindo o intestino de unu lacraia, encontramos o slomodcum repleto de
P*rtcs de cuticula quitinósa de colcópteros. No intcMino médio, porem, estes res-
cuticulares já não existiam mais. Teria vomitado as peças indigeriveis?
Os Escolopcndridcos nunca comem ttm animal que não tcnlia sido morto jwr
presas inoculadoras. O veneno mais fraco e menos eficaz ê o dos Geofilo-
••TOrfoi, que sómente possuem uma glandula pequenissima.
Após alguns dias de secea, quando a chuva cai abundante e quente, aparc-
^em com as minhócas os Gcojilideos. incansáveis caçadores de vermes. Sucede
** Vezes que o Geoftlideo se lança sobre uma minhóca 5-8 \-ezes maior que ele.
^ roinhóca gerahncnte escapa, ao caçador. Existem, porém, no Brasil, Gcofilideos
17 cm. de comprimento, de cujas garras minhóca alguma escapa. Pl.ateao
®l>scrvou os Lithobiidcos e a eficacia de seu veneno. Nutrem-se principalmcntc dc
***®*cas, mutucas, dipteros e outros pequenos insêtos.
• 45
SCÍELO3
13
88 Memórias do Instiliito Butantan — Tomo XIII
Os Eicolopendromórfos, principalmente as formas maiores, atacam lagar-
tas, minhocas enormes, ratos, insetos de quitina mole, lars-as grandes, etc. . •
Porém já os observamos comendo pedaços de banana e outras frutas que colo-
cavamos no viveiro. Também substancias vegetais em detrito são devoradas
pelos Escolopendromórfos.
Quando se encontram com outro animal, não estando com fome e sendo o
adversário respeitarv^el (rato, minhoca grande) ambos desatam a fugir. O mesmo
acontece quando duas lacraias se encontram. Caso. porém, estiverem com fomí
ou si outro incidente qualquer impédir a fuga, então se trava uma luta ás vezes
tremenda, que termina com a morte de um dos contendentes. Duas lacraias
uma vez enroscadas uma na outra, não se largam mais até que uma delas morra
e então, ainda raivosa, a outra começa a devorar a adversaria. Foram obser-
vados fatos de canibalismo em todos os Quüopodos. Principalmcnte um animal
fraco ou muito lento, não é poupado de forma alguma.
As Escolopcndras grandes, quando enraivecidas, agridem mesmo o homem,
e qualquer animal, que se lhes depara no caminho. Assim uma Jararaca nó^^a
já morreu nas garras duma lacraia.
As Escolopcndras, vivendo cm seu esconderijo de pedras, se encontram
frequentemente com seus antagonistas, tão ferozes ou ainda mais ferozes que elas
mesmas: — as aranhas caranguejeiras (Grammostola. Lycosa, Cicnus) e os
escorpiões.
.\fim de obseiA^ar o seu comportamento num eventual encontro, juntamos estes
animais num viveiro.
\'erhoeff escreve que até hoje nada se sabe a respeito. Supõe que um
escorpião, por ter mais força muscular nas pinças sáia vitorioso de uma
luta com o Quilopodo. óra, quem já observou uma luta entre um Quilopodo
c um Escorpião, sabe que o ultimo não faz uso das pinças para esmagar o adver-
sarío, mas segunt-o apenas levemente com as mesmas, afim de, com a cauda
erguida, poder desferir o golpe certeiro com o ferrão. Este golpe que quasi
nunca falha, concede a vitoria ao escorpião.
Reunindo escorpião^ aranha e lacraia, obseni‘a,-sc que cada um se recolhe
num canto, permanecendo imóveis, com as armas de ataque preparadas. Esta
atitude espectati\'a póde durar horas inteiras, sem que nunca um dos tres pro-
ceda a um ataque. Afinal, cada um procura um buraco para fugir. Xo caso de um
dos animais se aproximar ao outro, este vira o corpo, de maneira que possa
observar o adversário, aprontando-se para qualquer eventualidade. Mas nem
assim o ataque se procede. Observamos mesmo, uma escolopendra passar por
entre o rabo dum escorpião (Tityus serrulatus), sem que este fizesse uso dc
sua temivel arma. O mesmo se deu com a Grammostola.
48
WoLFGANO BCxherl — Os Quilopodos do Brasil
89
P^o^•ocando a luta artificialmente, as lacraias, mesmo as maiores são ven-
não porque seu veneno seja menos eficaz, mas porque não cons^ueni
suas presas furar a quitina do escorpião, enquanto que este desfere golpe
*obre golpe com seu aculeo de veneno, nos lados plurais moles da lacraia. Tam-
com a aranha se dá o mesmo : — os pêlos urticantes protejem-na, de modo
a lacraia não se póde aproximar, enquanto que seus pleuritos moles, ofere-
á adversaria um campo de batalha desvantajoso para si mesma. Contudo,
numa luta entre uma Grcmunostola enorme e unm Scolopcndra znridicornis, luta.
^ qual ambos os contendores apanharam feridas, das quais gotejara o sangue
^nco, pcrcebctnos que a aranha, incontinente, encolheu-se imóvel num canto.
POfêm não paralisada, enquanto que a lacraia que Icv^ára uma ferida grande no
penúltimo tergito. continuara sua, marcha como si nada houvesse acontecido,
^lesino após 6 horas a aranha ainda permanecia perfeitamente movei, não para-
lisada.- porém, ainda na posição encolhida. Da ferida caiam gotas cristalinas
sangue, que o animal lambia de vez em quando.
O fato. relatado por Verhoeff, que um Lilhobius de 2 cm. tenha picado
'®na aranha, morrendo ésta logo paralisada, não nos parece portanto verosimil,
* não ser que a aranha tenha sido peqiK-nissima. N'ota-se claramente que estes
^ animais, que devem se encontrar frequentemente na na,tureza, dado o mesmo
^'tat. fogem um do outro, evitando cuidadosamente qualquer encontro. Re-
jeitam a luta. como que concientes da força do adversário. Mesmo, quando o
liomcm provoca artificialmente uma luta, como no caso referido, a agressão c
*pcnas instantanea.
Os Escuiigeridcos são caçadores incansáveis de dipteros. Velozes como um
se lançam sobre as moscas, e enlaçando-as com suas longas patas lhes
'l^^fércm o golpe final com seus ferrões.
Parece-nos que. excetuando as lacraias, o veneno dos Escutigerideos, c o
**'*is eficaz entre os Quilopodos. K. D' Herkclais relata o caso de uma senhora
•^rdida no dedo por um Escutigeridio, ter sofrido durante 36 horas dôres hor-
*^'«s em todo o braço. Isto c muito significativo, quando se lera em conside-
*^ão que- ps Escutigerideos apenas atingem o tamanho de 2-5 cm.
Após a refeição, os Quilopodos limpam as peças bucais, principal mente as
<^>ttcnas. S<^r^ a antena com as forcipulas e com as escovas do primeiro e
*^9undo maxilar começam a limpar articulo por articulo, minuciosamente. Co-
***^*>am a limpeza com os articulas basilares, empregando especial cuidado no«
*iticulos apicais. Repetem o processo diversas vezes (5 vezes). Limpa uma
fletia repetem o processo com a outra. Finalmente são limpas as forcipulas
' ® primeiro par de patas do tronco.
Verhoeff, à pagina 324 cm Bronn’s “Klassen u. Ordn. des Tierreiches”
®Pina que. os Quilopodos que costumam limpar-se após a refeição, preferem
47
90
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
geralmente anhnais secos como alimento, portanto bezouros e outros insetos qui-
tinósos. Não podemos confirmar esta afirmação, porque sempre observamos que
justamente as lacraias preferem minhocas de pele húmida, e viscosa. Mesmo
durante a refeição não se importam de lambusar as antenas. Ao beber agua,
mettem as antenas no liquido, de modo a, molha-las inteiramente. Não fazem
caso de manchar suas antenas com sangue. Por meio da limpeza posterior
removem no\’amente as manchas. Continuamente as glandulas sali^^ares secre-
tam um liquido que humedece as peças antes de serem limpas.
A limpeza tem diversas finalidades: conservar o corpo húmido, fator
importantissimo, para animais de sangue frio, principalmente quando res-
piram ainda em grande parte através de póros cutâneos, pois a quitina se conserva
mais flexível, quando é humedecida; e, finalmente, as cerdas e os pêlos senso-
riais necessitam o maior ^seio, afim de poderem exercer sua função olfativa.
A limpeza também afasta os parasitas, cogumelos e açorianos. Obser\’amos.
porém, na Escohpendra virídicornis e em alguns Parotostogmineos e em Rhysida,
muitos a,carianos, amontoados densamente na região dos pretérgitos e dos plcu-
ritos, principalmente em redor dos estigmas, numa r^ão, portanto, de onde
poderiam facilmente ser removidos.
3. Tronco:
No tronco distinguem-se:
placas dorsais ou tergitos;
” ventrais ou cstermtos;
” pleurais ou pleuritos, subdivididas em escleritos.
São prindpalmente os escleritos que servem para a sistemática das familias
e gcncros. Estes se repetem sempre cm todo o reino dos insetos, de modo que,
considerando os filogeneticamente, devem ainda oferecer muita novidade interes-
sante para toda a sistcinatica entotnologica.
Entre um e outro tergito e esternito existem segmentos intercalares, o5
pretergitos e presternitos, importantes sómente para os Geofilomorfos. (preter-
gitos em Crypiops, Theatops).
a) Tergitos: Os tergitos mostram colorido mu‘to \-ariado, de amarelo
claro até castanho escuro avermelhado. Muitas vezes também são verde-escuros.
As margens posteriores pódem ser azuis ou verdes. Entretanto é raro encon-
trar um colorido extraordinário, como na Scolnpcndra morsitans e Sc. hardwikei.
Os tergitos não são do mesmo tamanho cm todo o comprimento do corpo.
Principalmentc o 2., 4., 6., 9., 11., 13. etc. . ., são mais estreitos. Isto se acentua
ainda mais nos Anamorfos, nos quais aparecem sómente como ligas estreitas
Wolfgang BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
91
A Scutigera possue apenas 7 placas grandes, portando cada uma um estigma
t'fspiratório na parte posterior. Entre éstas 7 placas existem ainda 6 menores.
Os tergiios ostentam quasi sempre 2 sulcos longitudinais, bem nitidos, que
podem ter bifurcações ou outros sulcos laterais.
Geralmente os tergitos são lisos, ma’s ou menos brilhantes, podendo, em
*íguns generos, existir nas placas posteriores tubérculos ou fileiras de espículas
oiiudas quasi imperceptiveis. (Vide fig. 14).
b) Estemitos: — Os eslcmitos são sempre menores que os tergitos, per-
o> tindo assim ao animal maior flexibilidade. Todos os esternitos são mais ou
oienos do mesmo tamanho. Geralmente as placas anteriores passam um pouco
por cima da seguinte, cobrindo o f*ré-estemiio e uma pequena pa,rte do proprio
'demito seguinte. Sómente em Cryptops e Otocryptops o estemito anterior é
coberto na i>arte posterior pela placa seguinte, resultando um “endoestemite”.
Vide fig 15.
As extremidades originam-se na zona próxima dos esternitos. Também as
Placqs ventrais ostentam geralmente 2 sulcos longitudinais, ainda que não cor-
respondentes aos episcutais. As vezes encontra-se um suko mediano unicc
nenhum. Também podem existir multiphs depressões nos esternitos.
c’ Pleurítos: — Os pleuritos, si fossem mais conhecidos, poder am oferecer
®rinias normas para a sistemática, como já mencionamos. Porém ao estudo
r^estas piaras se opõem muitas dificuldades, primeiro, porque se trata geralmente
peles finas, transparentes, mal visiveis, divididas cm dobras e pregas; cm
**gundo logar, porque os esclerítos pleurais não só diferem cm numero, posição
* ordem de genero em genero, mas também de especie cm especie e até mesnat
***”*<^ e mesma especie. .Ainda mais, num indiriduo diferem na região anterior
^ posterior do tronco; na r^ão estigmal e na desprovida de estigma. .A dis-
em animais jovens também é diferente da de animais adultos. (Vide
% 16).
Os AA. como Silvestri, Veriioeff, Sograff, Attems etc... denominam
® *nesmo escleríto com vários nomes diferentes, dificultando desta maneira ainda
o estudo dos mesmos.
^*as pleuras inserem-se as patas e os estigmas Cpl^tirostigmoforos).
Os esclerítos são ilhas de quitina, que nadam na pele transparente da pleura
*^*<^tram-se transições omnímodas desde esclerítos bem nitidos até quasi intei-
*^**^tc apagados, mal perceptíveis. Estas placas vitreas são mais numerósas
^ lormas compridas, nas quais servem de inserção aos musculos pleurais. Os
^^vtigerídeos tém os esclerítos mais delgados.
49
92
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Os csclcrUos vão se tomando menores e mais fracos quanto mais se afas-
tarem da cabeqa, desaparecendo inteiramente no ultimo segmento, no qual a
coxa ocupa o logar entre o tergito e esternito.
Nos Geofilideos encontram-se esckrítos mais numerosos. Di\-idimos os pleu-
rítos em 3 reg ões:
a região estigmal, paralela ao tergito;
a região intercalar, paralela á primeira;
a região da coxa. ao lado do esternito.
Na 1.® região distinguem-se:
o escleríto prescutal, deante do estigma;
o escleríto estigma!, que rodeia o estigma;
o escleríto posiscutal.
Estes 3 esclerítos repetem-se em cada segmento.
Na 2.“ região temos:
4 placas intercalares, das qua‘s 3 estão numa fileira que corresponde bem
aos 3 mencionados esclerítos da 1.* região. A 4.“ placa fica ao lado da 3.*
entre ésta e o escleríto postcutal.
E’ claro que não se encontr^ ésta ordem em todos os generos e espedes c
mesmo nos sarnentos do tronco de um só individuo. No Ethmostigmus, na
frente do escleríto prescutal, ainda existem 3 plaquinhas em forma de triângulo,
as anopleuroj.
Na 3.® região di.stinguimos a: Hipocoxa e a Metacoxa.
.\ eucoxa tvnbem é «ubdividida em: Rucoxa superior; Eucoxa inferior'
(coxocardo ou " coxo pleura” ) ; f Eucoxa posterior);
Na terceira região se inserem as patas.
Sobre a procoxa encontra-se ainda uma peqa hemilunar: a catopleura.
.\ primeira e a segunda região já não se encontram na cscolopendra. Aqui
se percebe apenas uma membrana fina. transparente, com muitas dobras, sendo
cm alguns logarcs mais condensada, originando pequenissimos esclerítos mais
ou menos enfileirados: Vide fig 16.
d) Patas: Os Quilopodos possuem .««mente um par de patas em cad.i
segmento do tronco. Os Escolopendrídeos possuem geralmente 21 pares, exce-
tuando a Scolopendropsis bahiensis, que possue 2 pares a mais. Os Geofilideos
possuem o maior numero de patas.
Cada pata tem 6 articulos: coxa, trochanter, prefemur, femur, tibict, tarso 1>
e tarso 2. O segundo tarso ostenta sulcos horizontais, parecendo ser subdivi-
50
WoLFGANG Blxherl — Os Quilopodos do Brasil
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dido eni mais outros artículos, o que, porem de fato não se verifica, nem mesmo
®os Escutigcrideos
A coxa ou melhor a eucoxa (3.* r^ião já mencionada) tem a forma de um
mais fraco e delgado no lado superior. No lado inferior divide-se pelo
tstilote endoesqueletico" (cost^ coxalis) em coxa superior, na frente, e coxa
*’*ferior atrás. A ultima, póde ser subdisndida em coxa inferior propriamente
e co.ra posterior. Da coxa superior, em certos generos. separa-se uma pe<pi,
d^ominada “Coxocardo” (coxopleura de Verhoeff), que articula com a
fotoplcura.
Entre o estemíto e a coxa encontra-se uma cavidade de quitina dura, reni-
forme, "conus lateralis”. Gira na mesma a cabeqa inferior da "costa coxalis”.
A costa coxalis emite o “procesjus costae”, um tubo longo que se perde
dentro do tronco. No lado externo o proccssus costae termina numa cabeqa
*niculosa. Ésta gira numa caridade, formada pelo trochanter. Vide fig. 17.
Desta maneira temos 2 artículos giratórios: um entre o estemito e a coxa,
® outro entre a coxa e o troclianter.
Ésta construção complicada, da coxa e de suas partes varia muito em cada
dos 4 grandes grupos de Quilopodos.
Assim também a maneira de locomoção é sempre diferente, como taml>cm o
'ompr mento da pata.
Em nenhum outro logar se póde admirar melhor a finalidade bio~ecologica
*^Um animal, finalidade ésta sempre conseguida pela adaptarão maravilhosa de
*^5 orgãos.
Damos em seguida um esquema que demonstra melhor esta adaptação:
HIPOCOX.\
Procoxa
Metacoxa
.....
^^°^^Pm<iromorfa
forte
forte
maior
um pouco menor
forte
ausente
‘^^•^tigfrideos
ausente
ausente
EUCOX.\
Superior e inferior
Posterior
Coxocardo
/• formam meio anel
ausente
ausente
’ 3/4 de um anel
ausente
quasi sempre pres.
■ " 4/5 de um anci
bem desenvolvido
soldada a euc. sup.
í. •• 1 • * •
anel mtciro
ainda maior
toma parte na for-
marão do anel.
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
Quanto mais fraca for a hipocoxa. tanto mais forte e melhor se desenvolve
a eucoxa. Consequentemente também a locomoção se acelera. Sendo o anel
da Eucoxa bem forte e bem soldado, o animal não se arrastará mais pelo chão.
Sua corrida se tomará livre. A coxa se salienta progress‘.vamente, crescendo
mais para fóra do âmbito das pleuras, de modo que o tergito e o esternilo, que
são placas quitinósas rigidas. não impedem mais um mo\ámento inteiramente
livre do fnitur e do prefemur. Assim os Escutigerideos têm o prefemur .repa-
rado do tronco, girando em todos os sentidos, permitindo uma corrida célere
ao animal, muito importante para quem vive de dipteros fugidios; trepa paredes
desprovidas de proteção, devendo temer a cada momento um ataque repentino
de um passaro ou outro inimigo, perante o qual só uma fuga velóz garante a
salmção.
Os Geofilideos, pelo contrario, com a eucoxa posterior e o coxocardo ausentes,
possuem patas muito curtas, estando o prefemur ainda quasi inteiramente nO
interior da pleura, de modo que só pódem mover a pata no sentido de frente
para trás. Também não necessitam outro movimento, porque vivem exclusiva-
mente em subterrâneos, em canais furados pelas minhócas. Para estes animais as
patas longas seriam sómente um obstáculo. Xão precisam temer inimigos «
as minhócas ainda são mais lentas, garantindo desta maneira sempre seu alimento.
A costa coxalis acompanha o crescimento da eucoxa cm sentido oposto,
isto é, torna-se mais traca e estreita, quanto mais se desenvolve. Também isto
se e.xplica fadlmente, si le\’armos em consideraçãço, a função fisiológica deste
estilete cndoesqueletico, de servir de esteio, principalmente quando a eucoxa ainda
é um anel estreito, frágil e quebradiço. Formando um tubo perfeito, quitinoso, a
costa coxalis já não tem razão de existir.
O aperfeiçoamento da coxa corresponde com o desenvolvimento do telopif
dito. pata toma-se mais comprida, os .orticulos mais distendidos ou então
subdivididos em diver.sas secções, facilitando a locomoção.
Os Geofilideos e os Escutigerideos formam os 2 pontos extremos, havendo
no jxrmicio, como transição e acomo<lação paulatina os Lithobiideos c EscO"
lopendrideos.
Numa Escolopendra grande, em repouso, os primeiros 4 pares de patai
estão dirigidos para a frente, preparados para locomover-se; os 4 penúltimo*
pares se dirigem para trás no intuito de empurrar o corpo. As patas intef'
mediarias conservam a posição ordinaria,.
■A
A locomoção é mais um serpentear, movendo-se as patas em forma ondO'
latória, como se verifica nos Diplópodos.
Encontramos exemplares na coleção do Instituto, cujos estemítos mostra!»
claramentc os riscos que as pedras cravaram nos mesmos. maneira d<r»
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Chilopodos vencerem os obstáculos, que se lhes deparam no caminho, depende
comprimento do corpo e das extremidades e da flexibilidade dos tergitos.
Um Lithobiideo, que encontra em seu caminho uma, pedrinha ou um galho, corre
*bnplesmente por dma do mesmo, como si não houvesse empecilho algum deante
si ; um GeofiUdeo, porém, terá que subir d’um lado, descendo do outro. Tive-
mos ocasião de observar este modo de locomoção em inúmeros Quilopodos veri-
^■^^do sempre o mesmo.
Ultimas patas: O ultimo par de extremidades encontra-se, na Familia dos
^colopendrideos, encaixado no ultimo segmento visivel. Excetuando este 21.° seg-
“segmento pr^enital” ainda se encontram mms dois outros: o segmento
Çfnital e o anal. (Vide fig. 18).
A placa dorsal deste segmento é geralmente mais desenvolrida que os
^gitos anteriores. Na escolopendra acentua-se, em muitos casos, uma fossa
carina longitudinal no meio deste tergito. Ésta carina c, ás vezes, bem
Não raramente o ultimo tergito apresenta nos lados posteriores apêndices
^*^0 nos Lithobiideos e em alguns Escolopendridcos, {Trigonocryptops). As
®*^nas laterais não são formadas por saliências do tergito, como poderia parecer
* Um observador superficial, porém pelos bordos das coxoplcuras que se encaixam
baixo das margens do tergito, levantando-as.
O esternito é pequeno, devido ao enorme desenvolvimento das coxo pleuras.
^®m quasi sempre uma fossa pouco profunda, imperccptivel no centro. Seu
^rdo posterior é réto ou arredondado. As placas pleurais são quasi impercep-
diminutissimas, unidas ás coxas das patas, de maneira que podemos falar
^o.ropleuras. Éstas ocupam todo o l(^r entre o tergito e o esternito. São
**^edondadas atrás, na, escolopendra. terminando num apêndice longo, cilíndrico
conico com ponta de um ou mais espinhos.
As coxoplcuras são cobénas por póros de numerosissimas glandulas cscrc-
*°riais. Dificilmente as coxas deixam a,inda entrevér sua primitiva composição
diversas peças. Exteriormente encontra-se um sulco longitudinal, ás vezes
^si apagado. Interiormente este logar é demarcado por um musculo que se
ai. Este musculo é o homologo do “estilete coxal” das outras extremidade.
Aliás póde-se notar no corpo, principalmente dos Escolopendridcos, que os
^^itos se tomam nKnores conforme aumentam as coxas.
O trochanter é muito fraco, principalmente nos Epimorfos. Os dois artículos
subdividem-se geralmente em grande numero de anéis, de modo que a
íica muito extensa. Isto é uma grande vantagem para os Escutigerideos,
por meio das mesmas, enlaçam a presa. Newportia possue 14 destes arti-
9G
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
culos. Xo segundo tarso ou pretarso encontra-se uma unha bastante forte com
duas unhas secrmdarias. excetuando os GeofUideos, cujas patas são desarmadas.
A unha final não assenta diretamente no segimdo tarso, mas existe ainda o
principio de um no\’o articulo que denominaremos 3° tarso. Obser^-amos mais
de 150 Escolopetidrídcos a este respeito. Temos a impressão que há tendenda
de prolongar as pernas por mais um articulo. Sabemos que isto não repre-
senta novidade alguma no reino animal, onde tudo está em evolução continua,
ainda que muitas gerações sejam necessárias para que esta se complete.
Cupipcs e Plulonium possuem as patas finais em forma de tenazes ou pinças,
que lhes permitem uma defeza energica contra qualquer agressão. Para, este
fim, os articulos são mais curtos e grossos. Em algumas especies éstas ultimas
articulações se achatam, tomando o aspecto de folhas. Sacudindo uma lamina
contra a outra, afugentam e espantam os inimigos ou atraem o consorte.
.•\s patas dos Gefilideos são fracas e indefezas. Servem de orgãos táteis.
São como antenas a,ntagônicas. Este fato se explica facilmente si levarmos eif
conta a vida subterrânea destes animais, que perseguem as minhocas em seus
corredores estreitos. Patas muito fortes c longas, seriam antes obstáculo qu-
auxilio. O corredor é as vezes tão estreito que impossibilita a saida. P<J*
este motivo a natureza proveu os GeofUideos de orgãos sensoriais. também nas
ultimas extremidades, de maneira que estes funcionam como verdadeiro antenas,
quando os animais correm de trás para diante. .As ultimas extremidades doi
outros Escolopcndrideos são m.ais desenvolvidos e ricamente diferenciados. Os
caracteristicos são constantes, dc maneira que as particularidades destas extre-
midades servem para a classificação. As patas também exercem múltiplas íu"'
ções biológicas.
Os articulos basilares são mu to grossos nos Epimorfos', permitindo maiof
comprimento ás extremidades.
Uma das funções prindpais das ultimas patas é a distinção se.xua,l, exis*
tente em muitos generos de Quilopodos. Encontramos nos GeofUideos as e.xtrc-
midades dos machos mais gróssas que as das ferneas. O macho de Scolioplan^^
apresenta pêlos e cerdas no lado inferior. Os machos de Lithobiideos trazem pt^
tubcrancias, sulcos ou apendices. Os Otostigmineos do Brasil possuem tjua^
todos (machos) apendices bem esquisitos, em forma de porrete, pera ou estilete-
Ésta distinção sexual póde também passar ao ultimo tergito no macho, que ent
alguns Parotostigmeos é muito prolongado, tendo feixes de pêlos longos e rui'’<>*
nos la,dos.
O maclio da Escolopettdra morsitans ostenta margem saliente bem acentuada
no trochanter, prefemur, femur e principalmente na tibia e no tarso. (Tipo d*
coleção miriápodologica do Museu Paulista, classificada pelo Prof. BrõlemaX>'*‘
Sómente se encontram caraetêres sexuais em anima's adultos.
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Xos Lithobiidcos as ultimas patas exercem a função de verdadeiras antenas.
Em outros generos acentuam-se muitas cerdas e pêlos táteis. Xa escolopendra
já não se verifica isso, sendo as extremidades completanKnte núas, si excetuar-
mos os espinhos, que ai são muito grandes e fortes. Outra função das ultimas
®*tremidades é a de serv rem de armas oíenstz-as e principalmente dejotsivas.
completamente impossivel segurar com a mão uma Escolopendra viva de uns
^5 cm. de comprimento. Pois é capaz de sangrar a mão humana com os espinhos
*8odos, desenvolvendo muita força com as ultimas patas. Os espinhos são
colocados para dentro, de maneira que. ao fecharem as patas, servem de pinças,
^ódem perfeitamente prender um animal pequeno. Só então a escolopendra
'^olve rapidamente a cabeça para trás, dando o bote afim de enterrar as forci-
P*>l3s inoculadoras do veneno.
T vemos ocasião de observar por diversas vezes, nas Escolopendras que
*®*'scr\ainos vivas, que nunca se arremessam contra a presa, nem a atacapn pela
^•■ente. Agem sempre defensi\-amentc. isto é. passam ao lado da vitima. Caso
* presa roçar o corpo da escolopendra, ésta ergue o ultimo par de patas para
® ®r ; um novo contacto faz com que as patas se fechem rapidamente, segurando
* presa. A lacraia então enrosca-se completamente no corpo do outro animal, en-
lerrando as pinças inoculadoras do mesmo.
Estes movimentos das ultimas patas são. como já vimos, mo-vnmcntos refle-
automáticos. Mesmo cortando um animal pelo meio, ainda executa estes
mentos tipicos de agarrar.
Geralmente as ultimas patas agem cm comum, sómente em Trígonocrypiops
' ^Ihtnostigmtts cada pata se move independentemente da outra. Na tibia e no
l*^meiro tarso encontra-se uma fileira de dentes obtusos. E’ suficiente que um
**'imal lhes toque, para que os dois articulos se fechem imediatamente, como
caniwtc de gume denteado. (Vide fig. 19).
A autotomia das patas c quasi geral nos Quilopodos. Quando se segura
animal numa pata. esta, quebra logo entre o trochanter e o prefemur, para
seguida ser regenerada. A autotomia é um meio de proteção, quando os
Qa«7o/>odof são agarrados por um adversário mais forte. (Vide fig. 18).
^^ffmenlo genital: O segmento genital é diminuto e quasi insnsivel no lado
*^P<^rior. As placas dorsais dos Anamorfos são ainda bem distintas, o que já
se dá com os Epimorfos. São triarticulados nos Lilhohiideos, tendo a arti-
***^30 basilar 2-4 esporões, para segurar os ovos. O articulo final serve par.i
o sólo. (Vide fig. 20).
Eara este fim póde haver 1-3 ramificações. Elstcs apendices movem-se em
de ,e„„.
Os apendices dít femea da Scutigera possuem sómente dois articulos, sendo
^•nente soldados os articulos basilares.
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Memórias do Instituto Butantan* — Tomo XIII
As femeas dos Escolopendrideos não possuem apêndices genitais. Nos Geo
fUideos se encontram 1-2 articulos apendiculares.
Os apendices genitais nos machos são simples, prindpalmente nos Afuy
morfos. Algumas fôrmas de Escolopendras possuem estiletes (2) curtos, qu«
também pódem ser ausentes ou quasi imperceptíveis.
Os machos possuem um penis, retraído ou saliente.
Segmento anal : O segmento anal é o verdadeiro ultimo segmento do corpo
dos Quilopodos. Termina no mesmo a ultima porção do réto. O anus está
«scxmdido numa placa triangular, formada dum “tergíto" e de duas chapas anais-
III. Os Quilopodos portadores de parasitas
Elste capitulo não de'xa de ter sua importância na zoologia médua prind-
palmente por muitos Quilopodos se encontrarem nas proximidades do homem-
corno os Escutigeridios, que durante a noite visitam as cozinhas mal fechadas,
trepando por cima de tudo, contagiando, deste modo, as comidas repostas, mal
fechadas. Muita infecção de protozoários póde ser originada desta maneira.
Na ecologia vegetal ainda não foi observado nenhum fato em que os Quilo-
podos estragassem plantas culturais, como se dá com algumas especies de Dipl^
podos, que, sob certas circunstancias, alastrando-se pelas plantações de batatas»
principalmente, causam grandes estragos, dignos de atenção dos dirigentes de uma
nação. Si certos Quilopodos pequenos forem observados em tubérculos da man*
dioca. batata doce, ba,tatinha ou em outros frutos ou raizes, não devem set
considerados destruidores destes vegetais, pois apenas .se aproveitam dos cor-
redores já perfurados por insetos, afim de, por meio destes, encontrarem seu
alimento.
Também não se encontra simbiose. Verhoeff, á pag. 351, de Broxns: — '
"Klassen u. Ordnungen des Tierreiches” a,firma que não existe mxttualismo entre
Quilopodos e Insetos conforme se verifica com Diplópodos e formigas ou cupins-
Parece-nos porém que ésta afirmação ainda carece de ulteriores estudos, pois
conservamos algun.s exemplares de Parotosligmus, de traqueas e estigmas bem
caracteristicos, retirado de cupins. Não podemos afirmar, si ali se encontrai^am
casualmente. Resta fazer outras pesquisas neste sentido.
Conser\'amos há mais de um mez uma Scolopendra tdridicomis de 14 cm-
de comprimento, uma femea de Parotosligmus dcmelloi Verhoeff, de 10 cm-
de comprimento, 3 Diplópodos e um Coleoptero, da familia dos Ela,teridios,
misturados numa ca-xa pequena. Todos estes animais vivem perfeitamente
juntos sem um fazer mal ao outro. Este fato ainda é mais digno de menção,
notando que não lhes demos alimento algum, afim de provocar briga. Estão
5fi
Wolfoang BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
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^os bem juntinhos debaixo d’uma pedra. Ao abrir a caA-ema, percebemos
o Diplópodo eliminava um suco pelo anus e que os outros, o Coleoptero e
^ lacraias chupavam. Já se acastumaram de tal maneira á rida em comum que
®ria hora depois de afugentados se reimiam de novo.
Seria muito interessante proseguir nestes estudos da simbiose e mutualismo
®tfe Quilopodos.
As formas grandes de lacraias são geralniente vehiculadoras de acarianos,
já rimos.
Muitas lanas de dipteros são endoparasitas dos Quilopodos. Mencionamos
*^ente o Creophüus e o Proctotrupes. Em muitos exemplares da coleção mir a-
Podologica do Instituto obsenam-se faixas irregulares, de um colorido amarelo
^o, que transparece através da cutícula. Cremos tratar-se ai também de lanas
'l® dipteros. Isto é muito frequente nos Parotostigminios.
Dubojq descreve em “Archives de Parasitologie” 6. 1902, Gregarinas no
®hestino médio da Scolopcndra dngulala.
epitélio encontra-se a Adclea dimidiala.
Ko mesmo local, porém, intercelularmente, foi descobérto o Plerocepludus
**ohilis Schneider, uma gregarina.
E.xiste uma família inteira de Gregarínldeos que parasita exclusi\amente cm
^*^ias. E’ a familia dos Dactylophoridios com os generos : — Rhopalonia. Dac-
^'lophorus, Trichirynchus, Echinomcra.
Também este capitulo ainda carece de estudos ulteriores, que ainda nos farão
^^^obrir muito mais parasitas.
Quilopodos como pseudoparasitas do homem:
Carlos Porter, em “introduccion al estúdio de los Miriópodos, Santiago
^ Chile, 1911", menciona entre os Quilopodos, encontrados no homem, os gcne-
■ — Scutigeros Lilhobius, alguns Geofilidios e poucos Diplópodos. Segundo
^tíHoEFF, os primeiros dois generos seriam muito duvidosos.
O pseudo-parasitismo compreende quasi exclusivamente os Geofilomorfos.
Encontramos muitos casos, já descritos na parasitologia méd ca. sendo muito
**'*>*^r ainda o numero de casos não conhecidos que ocorrem no interior, porque
^ Geofilideos pódem ser ingeridos com qualquer fruta que se come apressada-
Os Geofilideos também i)cnetram pelas fossas nasais quando o homem
P^oita ao relento. R. Blancuard em '‘.-Xrchives de Parasitologie, 1898",
®*®>ciona mais de 30 casos isolados, fortuitos.
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
TRATA-SE DE MEROS CASOS DE PSEUDOPAR.\SITISMO.
Já no ano de 1599 V. Trinca\'eli in Opera Omnia, Venetiis, 2, descreve
uni caso curioso, que não póde deixar de ter sido provocado por um Quilopodo
e que passaremos na integra:
“Ego qnidem Venetiis nobilissimum patricium vidi. qui, dum febre labo-
rarei ct quotidiano praesertim noctu dolore tentaretur; tandem per nasum ver-
men ejecit obscurioris coloris, longitudinis 4 fere digitorum, qui utrimque se-
cundum longitudinem quosdam tenues et breves pedes habebat et exceptus \'itreO
cyaíhu velociter ferebatur; ejectus autem fuit involutus mucis, crassoque et nigro
sanguine e qua etiam putrescente matéria ortum habuerat”.
Este parasita descrito apresenta de fato todos os caracteristcos de um GcO~
filideo.
Blanchard divide os Quilopodos em
1. Pseudoparasitas das fossas nasais;
2. Pseudoparasitas do aparelho digestivo.
1. Pseudoparasitas das fossas nasais
Entre os pseudoparasitas das fossas nasais acentuam-se antes de íudo
Geofilideos, principalniente Geophilus carpophagus ; GcophiUis clcctricus; Gco-
philus lougicornis e Geophiliis cephalicus. Ingerindo frutas apressadamente, prin*
cipalmcnte us^as não lavadas, ou alface mal preparada, estes pseudoparasitas p<*
netram a cavidade bucal. Dahi passam ao estomago ou então ás vias nasais. Alo*
jam-se no “r/mij fronlalis” ou no "sinus tnaxilaris" . Geralmentc os parasitas
abandonam este logar, após alguns d as. Porém também já foram observados
Gcojilidccs, jxirasitando no nariz humaro durante 6-9 anos. .As cavidades nasais
parecem oferecer a estes Quilopodos um meio de vida liastante comodo, encon-
trando humidade e ar. Xutrem-se de epitélio e do fluido catarrico que provocam
e do sangue, que é eliminado após suas mordeduras na mucosa. Os sintomas, qu-
sc acentuam, consistem em pruridos muito persistentes, formigamento, inflaniação,
dôres intensas de cabeça. O paciente sente até os movimentos do animal. As mu-
cosas do nariz se inflamam veementemente ; o fluxo catarrico é abundante, sen-
do misturado com sangue coagulado.
Enquanto o parasita vive no nariz, a dôr de cabeça é persistente, e atró*.
perdurando através de meses e anos. As pessoas atacadas passam as noites cin
continuas insônias. As dôres acentuam-se nas regiões da testa, das frontes ^
do nariz.
Continuando a crise por muito tempo, verificam-sc ataques nervósos, deh*
rios e mesmo loucura temporaria. O indhriduo corre o risco de perder a vóz ; tre*
mores lhe sacodem todo o corpo ; sofre ataques de angustia. A região em que n*
dôres mais se acentuam são principalmente a testa e as fontes.
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As perturbações ner\-ósas são provocadas, conforme Blancuari^ pelas irri-
‘*Ções continuas da mucosa, sobre a qual o pa,rasita está assentado. O referido
®^ico, não liga importanc a. portanto, ás repetidas mordeduras venenosas des:c
P**udoparasita, enquanto que Du Moulin opina que as picadas, seguidas sempre
Wo esvaziamento das glandulas de veneno, prindpalmente, quando são feitas pe-
•^icamente, chegam com o tempo, a infiltrar tanta toxina no organismo, quanto
oecessaria para uma alteração profunda do sistema nerA-oso.
A expulsão do pseudoparasita prosegue por meio de espirros fortes, provo-
*^os artificialmente por álcool, éter, agua de colonia, formol, etc quando
® Quilopodo não abandona voluntariamente seu logar. Também é aconselhável
®*T^f^ar diluições antisépticas. Frequentemente porem estes meios não têm
^fito algum, sendo necessária uma intervenção cirurg ca.
2. Pseudopar 2 Lsitas do aparelho digestivo
Os Quilopodos chegam ao aparelho digestivo por meio de frutas, colhidas
P^ncipalmente do chão e mal examinadas. Este perigo, de engulir a um destes
^‘•^itas, é tanto maior, quanto menos mastigada fôr a comida. Parece, porem,
0 pseudoparasita não se acha bem á vontade num meio, pobre de oxigênio,
que resista perfeitamente á fermentação. Também o calor de 37-38 gráus
lhe faz mal. A quitina protege-o contra os sucos gástricos e intestinais.
estomago o pseudoparasita demora-se apenas alguns dias, raramente al-
meses Os sintomas são semelhantes aos das verminóses: — o paciente cma-
• perde o apetite, sofre de distúrbios gastro-intestmais, vomitos c cólicas
As vezes manifestam-se desfalecimentos. Sempre fatigado, o paciente
as noites com insônias cruéis, resultando como consequenda sérios dis-
nervosos.
. Eliminando o pseudoparasita, por meio de oleo de ridno, os sintomas tani-
’ ^Icsaparecem quasi imediatamente.
Além do hopKm muitos outros vertebrados são pa^sitados por Quilopodos
^■Palmente os pórcos. que costumam revolver o lodo, em busca de alimento.
Teinos porém, pouquissimos dados, devido á falta de estudo ulterior. Koe-
. relata um caso. cm que um Geofilideo foi encontrado mesmo num ovo
^ galinha.
I\'. Quilopodos e meio-ambiente:
1. Dependencia dos Quilopodos da luz:
^ Quilopodos são animais noturnos. Diz Verhoeff, cm sua classica c ma-
^*^1 obra em “Bronns Klas.sen und Ordnungcn des Tierrcichcs, á pag. 371”,
’ ^quanto que alguns Diplópodos são vistos durante o dia e mesmo cm pleno
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
sol, isto é completamente impossível aos Quilopodos. Quer sejam cegos, quer
possuam olhos, e\ntam sempre cuidadosamente a luz. Sómente quando o céu est»
muito nublado é possível encontrar um Geofilideo ou Lithobiidco em pleno dia.
O A. afirma que observou este fato diversas vezes. Ésta opinião de Verkoef?
nos parece porém um tanto exagerada, pelo menos quanto aos EscolopendrideoS»
É verdade que não apreciam absolutamente a luz do dia e\'itando cuidadosamente
o sol. Tirando as tampas e as lages das ca\-emas dos viveiros, onde guardamos
Escohpeudrideos vivos, obser^-amos que procuram logo esconder-se da claridade-
Não sendo possível metem sómente a cabecinha debaixo de alguma pedra. Ti-
vemos porém, ocasião de observar, repetidas vezes, lacraias grandes, que en>
pleno sol de verão correm pelos caminhos e estradas de rodagem de nosso in-
terior,
Comtudo é certo, que nenhum Quilopodo aguenta por muito tempo o s<^*
Continua \'erhoeff, que o motivo não é propriamente a evaporação e a seca-
gem do corpo, mas a sensibilidade extretna contra uma luz intensa, que atra-
vessa todo o corpo.
Fizemos algumas experiências com irnia lampada eletrica, ^rificando o
mesmo.
Obsenvmos em va,rios exemplares vivos que tínhamos encerrado em caixa*
complctamente resguardadas da luz do dia que os Quilopodos são animais tipic*'
mente noturnos. Afim de verificar, si neste estado distinguem o dia da noite colo*
camos flócos de algodão húmido e limpo nas caixas. Durante o dia o algodá®
permanecia limpo e portanto intacto. Após uma noite porém encontramO-í®
sujo de barro.
2. Dependencía dos Quilopodos do calor e da humidade
Os Quilopodos procuram sempre a humidade. Quanto mais seca fôr a ^
gião, tanto mais profunda controem suas cavernas e ninhos. Bebem muit®»
evitam porém molhar completamente o corpo na agua.
Contudo já obseiramos que, quando chegam remessas de esco’opendras
vas, passam ás vezes, semana, sem beber, durante a viagem. Logo ao chegai'
tendo colocado uma vasillia d'agua deante das mesmas, elas submergiam a í**
beça completamente n’agua bebendo ininterruptamente durante algum tempo.
Humedecem constantemente as diferentes partes do corpo co a sali\’a.
partes do corpo que não estão ao alcance da boca, são provida,s de glandulas. <1*^*
secretam um oleo graxo, ou então, as paredes de quitina são muito grossas e
tas, evitando desta maneira a evaporação.
Este fato de espessamento de quitina, se verifica principalmente nos
hpendrideos que vivem em regiões áridas, notadamente quando as formas vive***
mais ou menos á superfície do sólo.
GO
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WoLFa\NG BCxreri. — Os Quilopodos do Braúl 103
Os Escolopendrideos sentem á humidade através de toda a superfície d»
*®TX). Os Quilopodos mostram muita resistência á agua. Quando, por ocasião
'Je enchentes repentinas, são levados pelas ondas, ficam horas a fio á tona d’agua,
então, por meio de ondulações do corpo, procuram conservar uma certa di-
*'cçào. Podendo agarrar-se á margem, logo continuam seus movimentos na*
Intuais.
Hennixgs in “Zur Biologie der Myriopoden, 1 — Biol. Zentralblatt 1903,
) ” afirma que os Quilopodos são capazes de fazer verdadeiramente movimen-
natatórios e de submergir n’agua. Verhoeff contesta ésta afirmação, su-
Pondo que a submersão sómente possa ser efettiada quando encontram uma pe-
na qual se agarram.
Os Geofilidcos aguentam mais tempo debaixo d’agua. Os tergitos e os ester-
principalmente nos Escolopendrideos não se humedecem n’agua, de\ndo aos
®^s graxos e á epicuticula, constituída de ácidos gordurosos e de colesterina.
V. Estrutura do esqueleto cutâneo e da epiderme
(A estrutura do esqueleto cutâneo como também a anatomia interna de cada
foram estudadas por meio de cortes histológicos de 5-7 micras de gros-
Afim de obtermos plena certeza no diagnostico da construção morfologico-
^*®lom:ca, empregamos 3 colorações diferentes: H.-E., van Gieson c Mallory.
'■®'urontando scmj)rc as 3 colorações, foi possível, obter um quadro nitido da
®^l’tuição morfologico-anatomica da escolopendra. Além disso conseguimo.s fo-
/^*^ar os orgãos mais importantes, localizadas nas diferentes regiões do corpo
artrópodo).
O corpo dos Quüopodos é revestido por fóra por uma camada dura, consis-
a camada, epidermal ou simplesmente a quitina, que abrange tambem as ex-
^idades. No seu lado interno inserem-se os musculos.
Ambos os sistemas, o tegumento e a musculatura, estão em intimo contacto
^ffologico e funcional.
^ integumento consta de 2 camadas ininterruptas, a epiderme e a cuticula.
está sobreposta. Sob a epiderme encontra-se ainda a membrana basilar.
^ Epidertne: A epiderme ou hipoderme é de origem eclodermal. Consta
’>nia unica camada epilelial, que forma tambem a cuticula. A epiderme é uma
muito fina, transparente e vitrea. Contudo sua espessura pódc variar, con-
° a, função e idade de cada indivíduo. Em estado de descanso o e/>i-
® ® achatado, antes c após a renovação cuticular tem a forma cilíndrica,
^^«positando a cuticula inteira na potassa, aquecida á 50®, aparece a forma-
"lular da epiderme, como tambem das outras camadas, que descreveremos
Qlj * *
^S^nda. Os limites entre as células estão sujeitos a muitas variaç<‘)C5. .\pa-
61
104 Memórias cio Instituto Butantan — Tomo XIII
recem geralmente sob forma hexagonica. As células epidermais são muito es-
treitas e longas, deixando perceber nitidamente os contornos celulares. Xa co-
loração H.-E. as células epidermais mostram coloração vermelha e núcleos azueis,
podendo ha\'er 2-3 núcleos numa única célula. A cromatina nuclear é dividid»
em flocos. De s-ez em quando observmios entre as células epiteliais outras muito
maiores, com conteúdo nuclear granuloso, transparente. São as células trichà-
gcnas. e as células scnsoriais profundas, cujos canais, perfurando a cutiail*
quitinósa, vão á periferia.
Em alguns logares observamos distintamente inserções da musculatura dor-
so-lateral. Xa coloração de Mallory as células epiteliais e os feixes musculares
são roxos enquanto que as células scnsoriais e trichogenas conservam a coloração
vermelha. Em certos logares a cuticula e a epiderme demonstram lacunas larga*
que constituem os canais de saida das células secretoriais, obturadas no lado
terminal pela epicuticula. Considerando a constituição inteira da cuticula perifé-
rica dos Escolopendrideos, temos a impressão da existência de uma analogia pef*
feita entre o tubo digestivo anterior e o réto de um lado e a consttuição mor-
fologica da cuticula de outro, com exceção de estar ausente na ultima a camad*
muscular, envolvente. Enquanto que encontramos no lado externo da carapaÇ*
a epicuticula, seguida da exo- e endocuticula, e da epiderme, obseni-amos o con-
trario no tubo digestivo em que a epiderme passa por fóra da endo-exo e
cuticula.
b) Cuticula: A cuticula forma um verdadeiro exoesqueleto mais ou meno*
elástico, mas bastante grosso. De>e a sua origem á epiderme. Quanto á sua fof
mação ainda nada consta de certo. Reichelt supõe que a cuticula seja um
duto secrctorial de toda a superficie da epiderme, produto este que se póde ma-
nifestar tainbcm sob a forma de gotasinhas; P. Schulze, pelo contrario, afinn*
que o plasma cpidermal mesmo se transforma gradati\’amente em substancia cn*
ticular. E’ mais provável que a ação commum entre a transformação e a sccreçã®
da cpMcrme. seja a geradora da cuticula. A cuticula c de diferente espessura
corpo dos Quilopodos. Xão reveste sómente o exterior, como também o réto c ^
stomodeum, os orgãos genitais e as traqueaj. A substancia basica da cuticula ^
a quitina. dc composição quimica ainda pouco esclarecida. E’ um hidrato de
hono com um complexo coloidal. Xão c-xiste cm estado puro no corpo dos
hpodos, mas sempre conjuntamente com incrustações organicas ou anorg*'”*
cas. Conserva, contudo, uma relativa flexibilidade.
A quitina é solúvel em diafanol com clóro-iodeto dc zinco.
.'\ cuticula consta de 3 camadas principais:
a epicuticula;
a cxocuticula;
a endocuticula.
62
Wolfgang BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
105
A constituição cuticular toma-se mais nitida com Mallory. onde as 3 cama-
se distinguem nitidamente, enquanto que com H.-E. ou Van Gieson demons-
Irani coloração uniforme.
A epicuticula: A epkuticula é uma pele extremamente fina, e transparente.
Passando por cima da exocuticula, também existente nas extremidades. Não é
^'^ituida de quitina, porém de ácidos gordurosos e colestcrím, portanto d’uma
*ubstanda lipoide, que protege o animal contra a secura. A epicuticula com
^••E. permanece incolor; com Mallorj- porém tóma uma coloração amarela ou
'^^nnellia.
A exocuticula : Também é denominada camada pigmentaria ou epiderme. De-
®**^stra células hexagónais, em sua superfície inferior. Não afirmamos com isso
éla mesma consista de células mas éstas são apenas as fôrmas das células
*P'dermais.
A exocuticula é a camada ma's fórte da cutícula e é formada de quitina. Mos-
colorido diferente, amarelo, marron, verde ou mesmo azul. Coloridos extraor-
**>narios são raros, como por exemplo, côr de rósa, \noleta, cm alguns e.xemplarcs
Otostigma scabricauda e dcmelloi. A exocuticula está situada debaixo da r/>i-
^Jtcula. constituindo uma camada mais grossa, lisa ou denticulada, conforme os
^'Versos locais morfológicos. Nunca obserA^amos preto. Com H.-E. demonstra
colorido violáceo e vermelho ou amarelo com Mallon’. Nos locais onde há
«lenticulos, encontram-se estes situados numa zona homogênea de peles finíssimas,
conjunto forma impressõees hexagónais, causadas pelas células cndocuti-
''ílares.
A endocuticula: Ésta é a camada mais grossa oríunda de muitas camadas fi-
**'*?imas, sobrepostas como folhas de um libro, Nos Quilopodos a cutícula tem di-
espessuras nas diferentes partes do tronco, sendo mais grossa nos tergitos
^^lernitos. Entre os tergitos e esternitos como também nos pleuritos ela se
»Tina
■'^qui se distingue em esclerítos, ilhas quitinósas mais grossas, e membranas.
finas, flexiwis e transparentes. Nas ultimas a exocuticula é finíssima, de mo-
” nue ésta parte é muito movei e flexivcl, permittindo ao animal movimentos la-
de baixo para cima, e vice-versa. A endoaiticiüa é 8-10 «zes mais grossa
a exo-e epicuticula juntas. Constitue camadas lamelares sobrepostas em nu-
^0 de 20-30 mais ou menos. Geralmente as lamelas são ligeiramente onduladas,
**^^ndo p^lelamente á exocuticula. Entre a camada lamelar existe ainda uma
substancia que corre em sentido oposto. Ésta na coloração de Mallorv’ é
•J^lhada enquanto que aquela é azul pálido. Com H.-E. ambas as substancias
0 basilar a camada lamelósa se condensa. Na camada lamc-
1 alguns logares, células bastante grandes, com núcleo c
. Quando amontoadas, os limites intercclulares se tonnm
r.3
106
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
As células, de preferencia^ se aproximam mais á exocuticula. Além destas
células encontramos na camada lemalar células sensortais, bem nitidas, cobertas
por uma célula protetora transparente. Os apendices setisoriais destas células per-
furam a exo-e cpicuticula, terminando na periferia externa em crateras, tubérculo*
ou cm espinhos. Os canais das células trichogenas também percorrem cm linha reta
toda a cuticula, terminando num aculeo ou pêlo. Além desses elementos encontra-
mos substancias luzidias, rcfringentes fortemente á luz. e que pro\-avelmente são
elementos secretoriais semelhantes ás substancias graxas (é pro\'avcl que conte-
nham elementos cereos). Pseudópôros perfuram toda a cuticula.
A membrana basilar: A membrana basilar envolve as células epidennicas
comuns e as células glandulares da epiderme.
c) Apendices da pele: O esqueleto qu tinóso é perfurado em toda a super*
ficie por muitos poros e canais que servem principalmente para a respiração cu-
lança, que ainda é bem desenvolvida, principalmente porque o sistema respirató-
rio traqucal ainda é muito primitivo, sendo necessário um exercido ativo, afim ^
garantir um arejamento dos orgãos internos do animal.
Distinguem-se canais de 2 tipos: — os que deixam passar os nervos dos p*
los e aculeos sensoriais, e os canais que scr\’cm de saída ás glandulas cutaneoS
Estes últimos atravessam a> camada lamelar da endocuticula, formando aí m’’
taso capilar muito fino.
Pêlos: A olho nú a superfície dos tergítos, estemitos e das patas parece
desprovida de qualquer pélo, sendo mais frequente se dar este fato com o*
Iiscolopendridcos. (Vide fig. 21).
Comtudo um aumento de 300 vezes mostra muitos pelos finíssimos, dispôsto*
irregularmcnte. AunKntam em proporções nos diferentes logares do tronco, priO'
cipalmcnte na cabeça, onde já pó<lem ser percebwlos a olho nú. Xos Quilopodo*
cégos, como os Cryptopideos, o tamanho e o numero destes pelos e muito maií*^’
que nos hscolopendrideos.
Aculeos: Os aculeos existem cm menor numero e numa dispos'ção determ**
nada. principalmentc nas peças bucais c nos aptndicts. São mais frequentes n*’*
Anamorfos que nos Epimorjos, mas tambtm nos Criptopideos são muito bem de-
senvolvidos. Tanto Os pêlos como os aculeos pertencem biologicamente ao geiicm
de verdadeiros cabelos, isto é, não são méras formações da substancia cut cula*”’
ainda que esscncialmcnte sejam de origem cxocuticular. Formam uma verdadei'-*
articulação com a cuticula. São, portanto," moveis e òcos, estando em contaC***
com a epiderme através d’um póro, que perfura a quitina (Fig. 22).
Originam-sc de células epidermais grandes, a.s células tr chógenas. Éstas cc
lulas distinguem-se do epitélio uniforme, formando protuberâncias, que correspo®*
dem ao futuro aculeo ou pélo, recebendo quitina em sua superfície. A célula tricb^
gena revéste o aculeo por dentro. E’ geralmente atravessada por ncurojibrd<^'
61
Wolfgang Büciierl — Os Quilopodos do Brasil
107
Póde tambcm acontecer, em aculeos velhos princ'palmente, que a celula triclwgcna
atrofie, desaparecendo completamente de maneira que o pêlo ou aculeo se re-
^Itua a uma formação morta (Fig. 23).
Infelizmente ainda sabemos muito pouco sobre a imf>ort<mcia biologica des-
^ pcloj. o fato dc accntuarem-se mais nas peças bucais, nas extremidades e no
do coipo, parece insinuar que os pêlos servem de sêde aos orgãos sensoríais.
Muito interessante é a formação de pêlos nos machos de alguns Otostigmi-
como no Parotostigmus caudatus, onde se enfileiram no apendice digitifor-
do ultimo tergito, exercendo uma função sexual, ainda não estudada.
Os pêlos são dlindricos de comprimento moderado, com ponta fina. Mas
existem as mais diversas modificações, podendo haver pêlos ramificados;
achatados lateralmente; pêlos com pontas retorcidas; pêlos alai^dos na
^•a em forma de pá. etc. . . .
^ ^as patas os pêlos são mais fortes. Aí ser\-em de esteios na locomoção. Os
í*^los glandulares e os aculcos inervados são modificações especiais. Em algumas
bucais os pêlos existem em «leterminada posição e numero fixo, de modo
olcreccm característicos muito bons para a sistemática. (Vide fig. 24).
Espinhos: Os espinhos são formações duras, fortemente quitinisadas, forma-
' Pría quitina e epiderme. Pálem ser muito agudos, obtusos ou então apresen-
***” tini bordo apical em forma de um gume.
Encontram-se nas peças bucais, nos apcndices c cm alguns gêneros, nas ul-
patas. Quasi sempre estão em posição mais ou menos nitida. Também scti
“"t«ro é constante, de modo que oferecem no\"0 indicio para a sistemática.
P*>fêni
Colorido da pele: Quasi todos os Quilopodos ostentam colorido intenso.
mais ou menos uniforme. Varia gcralmentc dc um amarelo claro a um
^**^lbo escuro, em todas as transições como o amarelo luzidio, amarelo escuro,
^^l^^lho tijolo c vermelho sangue. Os tons <la coloração acentuam-se quanto
' Rfossa fôr a quitina. .As vezes encontra-se pigmento preto na epiderme,
^palmentc nos occlos. Xo resto do corpo este pigmento ainda não foi
^n-ado.
^^^Iguns exemplares demonstram colorídos lindíssimos: — tergítos — ama-
,j^*'^mielhados ; esternílos — amarelos; patas esverdeadas ou côr dc rósa; ul-
P'^fçâo dos tergítos verdes.
Hy.! P ^lorído póde oríginar-se dc diversas maneiras. Já o corpo gorduroso pôde
P^nicntos, como também o sangue. O intestino e o seu contciido jiódem
^*Parccem através da quitina.
algumas espeaes acentua-se uma linha clara, 'que percorre to<la a super-
iongitud nal do corpo: — o coração.
f^^*^^onne a origem do colorido distingum-se cores pigmentares e cores
^‘nrais.
65
108
Memórias do Inslitulo Butantan — -Tomo XIII
Cores pigmentares : — Éstas se originam na cutícula ou na epiderme ou então
ho substrato subepidcrmal. Os pigmentos cuticulares são os mais comuns. Sua
séde está na exocuticula que também é denominada camada pigmentaria. Penetra
a quitina incolor com grânulos amarelo-avermelhados e pretos nos océlos.
Os pigmentos cuticulares se formam após cada eedise, de modo que ura ant'
mal logo após a eedise embranquece completamente. Os pigmentos cutilares per-
sistem mesmo quando morto o animal. Pertencem á classe das melaninas, qu*
se originam sob absorção de oxigênio, sob a influencia de oxidais, precipitando:
se as substancias cromógenas.
Os pigmentos epidennais têm sua sêde nas células da epiderme. São gota-
sinhas ou grânulos que formam o colorido subcuticular que transparece através óa
cuticula. Enquanto que os pigmentos cuticulares são amarelos, vermelhos, alaran-
jados e pretos, estes são verdes, azueis, amarelos e azulados. São pouco constan-
tes, empalidecendo logo após a morte. Por este mot'vo desaparecem justament-
os coloridos verdes em animais conservados em álcool ou formol.
A composição química dos últimos pigmentos é a mais diversa. Tambcnt
os pigmentos subepidermais são pouco constantes. São, em parte, de origem
pocromica.
Côres estruturais: Man’festam-se em conjunto com as côres pigmentareí-j
Éstas absorvem certos raios luminosos de determinado comprimento de ond."»-
refletindo outros. Vimos que a epicuticula é uma c^ada fina. transparente e
trea. Reflete os raios luminósos por interferência, de modo que se originam re-
flexos luminosos es\-crdeados e azueis ou metálicos, que mudam de aspecto, ijuand®
são vistos d’outro lado. Assim também se origina o intenso brilho da Scolif
pendra subspinipes.
Comtudo resta ainda muito a scr esclarecido neste sentido. Conservando tet'
tas Escolopcndras cm álcool, transparecem pelo vidro com reflexos doirado*-
Basta tira-las do álcool e deixar seca-las para que estes reflexos desapareça®*’’
e) Glândulas cutâneos: As glandulas cutaneas .são todas glandulas sccrtbf
riais, isto c. absorvem certos elementos fluidos da linfa eliminando-os.
Origlnam-se do cetoderma, cspecialmcnte de células epidermais. Por fi^^
estão fechadas por uma membrana quitinôsa muito fina, através da qual difundí*®
a íocreção por via ostnotica. Mas tambera póde liaver canais abertos. Muitas ve*^
a cuticula fórtna uma cavidade intracelular, onde a secreção se acumula. A cclw^
glandular póde ser ma'or que as células epiteliais vizinhas. Porém não perfur* *
membrana basilar da tpidenne, dobrando-a para dentro. No plasma da ceí®**
glandular distinguimos duas zonas : — a zona da formação da secreção, que ta®*"
bem contêm o núcleo, e a £ona de alargamento do canal deferente, onde a ,sccre<^
se acumula, antes de ser. sob forma mokailar, difundida para fóra.
66
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Wolfgaxg BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
109
Uistinguimos glandulas cutaneas, isoladas e compostas. Póde tambcm haver
entre éstas duas formas, como se observa nitidamente nas glandulas das
píacas ventrais do Geofilideos.
Cada glanduIa possuc um flagelo fino, znbralil. no canal secretor.
Glandulas cutâneos unicelulares: Podem ter o mesmo tamanho das células
*P*derniais >nzinhas tendo o mesmo nivel destas, ou então se aprofundam na epi-
como já disse, sendo maiores e arredondadas.
Glandulas culancas pluricelulares: Na formação das glandulas mulíicelulares
^■ntrani muitas células, de igual ou diferente construção. Distinguimos:
^ Placas glandulares: cujo tipo vemos nas glandulas das coxopleuras dc Qui-
^Podos, capazes de eliminar uma substancia cericigcnica. Formara sempre um
'^Po poroso, nitidamente delimitado, reto, pouco convexo ou concavo;
Peixes glandulares: células afundadas entram an contacto fisiológico co-
Seus canais secretores reunem-sc em feixes c terminam na pele numa placa
1'^urada por muitos poros finos: (glandulas labiais dos Quilopodos).
Glandulas ocas, profundas: pertencem ás placas ou aos feixes glandula-
' estando sempre aprofundadas na epiderme. Não possuem canais que comuni-
eoni o mundo exterior, terminando pelo contrario, num atrio comum, numa
glandular, revestida dc uma intima cuticular. A membrana basilar da
^^emie reveste estas glandulas por fóra. como a membrana própria.
um destes três tipos de glandulas multicelulares pertencem:
1. glandulas dos estemitos;
2. glandulas coxais c aneds;
3. glandula de veneno;
4. glandulas dc segtncnlos cefálicos.
T? *
evidente que nem sempre estes tipos aparecem nitidamente. Pelo con-
muitas vezes, os três tipos se confundem c formam desta maneira glandu-
^^^^Pástas e complexas. As glandulas tambcm não estão estrita e cxclusiva-
. ' distribuídas nos logares mencionados, ainda que sejam encontrados prin-
nos mesmos.
glandulas dos estemitos: Nos Geofilideos éstas glandulas são isoladas ou
loadas em feixes ou em placas. Seus canais ttrminam numa peneira de
que formam um campo poroso delimitado no meio do estemito. O campo
• vezes, ser rodeado por um anel de quitina.
íi„ especies possuem 2 pares de glandulas em cada canto do esternito.
^^hendyla sómente as placas anteriores são pro\ndas dc glandulas. Cada
67
110
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
glandula têm seu canal proprio, muito fino e comprido. O núcleo fica no fundo
da célula. A glandula é rodeada por fibras musculares estriadas que, com sua
contração, auxiliani o esvaziamento da mesma. O suco secretado mostra colorido
variavel. Em Himantarium Gabrielis côr de rósa (Gottasinhas côr de rósa) ; em
Choetechelyue côr mais clara. A secreção destas glandulas também possue poder
fosforescente em alguns anima's. não se sabendo ainda, si a fosforescência é de-
vida á própria secreção ou á existência de baterias como já mencionamos: —
Scolioplancs crassipes.
Glandulas coxais e anais. Os Geofilideos possuem muitas glandulas coxens,
porém sómente 2 anais. Os Lilhobiideos possuem glandulas coxais nos ultimos
4 pares de patas numa serie enfileirada, mais raramente em duas séries, ou entái’J
são irregularmente dispersas. Nos Ephnorfos sómente se encontram nas coxopk**'*
ras das ultimas patas; terminando livremente na superficie nos Escolopendro-
mórfos.
Nos Geofilideos as glandulas coxais se encontram nos lados. Pódem estar |
superficie ou nas ca\ndades. Êstas cavidades se encontram no lado interior da*
coxas ou na péle intermediaria perto do segmento anterior.
Os canais glandulares pertencem a um feixe de cclul^, são largos mas ctif
tos nos Lithobiideos, compridos e finos nos Epimorfos (Veriioeff). Em
rostoma principiam com um alarganwnto arredondado, sendo a parede engt^'
sada por meio de filamentos espirais. A parede é recoberta por cabelos, que
tram a secreção.
A importância das glandulas coxais ainda não está esclarecida sufic’cnt<t'
mente. Talvez exerçam função copuladora, principalmente nos Lithobiidf^
(Willem). Veriioeff verificou fios eliminados pelos póros coxa's de Lithobi*^
que Se condensam numa rede afim de com ela capturarem suas vitimas, como ta*”*
bem o fazem cértas aranhas. O produto das glandulas dos Epitnorfos é mais flui<^
.-\s glandulas anais têm a mesma construção que as coxais. Scutigera pos****
um “Orgão coxal”, que consiste numa capsula epidérmica com um tecido: o
fragma, no interior. Está situado entre a coxa e o trochanter. O diafragma poS''*'
fibras clasticas e orifícios, 1 para o nervo da extremidade. 2 para a artéria ^
veia de sangue. Herbst opina que este aparelho esquisito ser^-e de ponto d
ncração, quando se perde a pata, que sempre quebra facilmente entre a c^^xi
trochanter. Este fato é muito importante para os Eseutigerideos que possUi:**
patas compridissimas.
Glandulas de veneno: Como acabamos de vêr, quando falamos da efie*^
do veneno dos Quilopodos, principalmente dos Escolopendrideos, são as gla0‘^*'
las de veneno de magna importância para animais, que se nutrem exclusi\'ain**'^
de outros animais. (Foto 2).
08
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
WoLFGANO BCcherl — Os QuHopodos do Brasil
111
As glandulas de veneno tem sua séde nas \orcifulas, principalmente no /<■-
Nas Escohpendras grandes alcançam um tamanho de 5 mm. e 1 mm. de
^^•^ra. O canal de saída, termina perto da ponta do cujuühão. Nenhum Quüo-
P®<lo carece das mesmas. São glandulas amontoadas em feixes. As células glan-
'íulares são muito compridas, dispostas radialmente em redor do canal colhcdor
'"•num. Seu núcleo fica bem no fundo. Entre cada célula existem feixes muscu-
^cs, que pódem exercer pressão sobre as células, provocando assim o seu cs-
'^^iaiTiento. O canal colhedor alarga-se atrás numa cspecie de vesícula, para den-
da qual terminam os finos canais de cada célula.
Na vesicula o veneno é consers^ado e acumulado.
Pequenos animais ficam imediatamente paralisados. Sobre a composição do
'^-no a'nda se sabe muito pouco. Devido á falta lamentável de materbl fresco,
pudemos, por óra, fazer experiencias nos-as neste sentido. Já vimos, num
capitulo deste trtaado, a tficacia do veneno sobre ratos. Resta ainda
experiencias sobre a ação do veneno sobre o aparelho digestivo, os mus-
o coração, os nervos, afim de ver se a toxina opera cm primeiro logar so-
o sistema neivoso ou sobre o coração ou então conjuntamente sobre ambos os
^íos. Parece-nos que de preferencia paralisa o sistema neivoso. O veneno é
fluido claro incolor. A glandula de veneno é rodeada por uma ramificação
traquea forcipular.
Pokter em seu ensaio sobre QuHopodos chilenos, diz, que as espccics cuja
***®*’dedura deve ser temida pelo homem não chegam a 50. .As cspecies mais pe-
são as EJcolopendras de Umanho regular e grande das regiões tropicais
* ''*f>tropicais. Qua«i todos os QuHopodos mordem cm defeza própria, inoculando
'^cno. \ mordedura, não tem outras consequências, sinão dôres intensas, infla-
locais, que são neutralizadas com aplicações de amoníaco. .A picada c
para insetos e outros animais de pórte pequeno, produzindo sempre a imo-
**açâo absoluta da vitima.
Í*^ic3
resultados até hoje obtidos, quanto ao estudo do veneno c de sua com-
N*o quimica ainda são muito escassos. Os A.A. da Europa geralmentc usa-
^ para as suas experiencias animais pequenissimos. os Lithobiidcos. O Lilho-
®ícança apenas o tamanho de 3-5 cm.. E’ claro que o efeito produzido pela
^^ura da lacraia de 20 e tantos cm., dada a igualdade de veneno, deve ser
jj^J^tavclmente maior e mais grave. Plateau (1876), MacLeod (1878),
(1898), Faust (1919), Frederico (1924), Martini (1923), Ve-
(1925) fizeram estudos e experiencias, principalmcntc com Líthobius.
*^izendo-se frequentemente quanto aos resultados.
(1904) diz da escolopcndra : — “Fait des morsures tres doulou-
^ chez lliomme avec oedémc de la partie atteinte”.
»
G9
112
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
Faust (1906) afirma que a natureza quim'ca deste veneno e os seus com- '
ponentes ainda são inteiramente desconhecidos. A mordedura das Escolopcn-
dras europeias, pequenas, pro^^ocam no homem, sómente fenomenos locais, q«^
se manifestam em forma de pequenas inflatnofões. No verão, porém, a afecçáo
é mais grave que no inverno: — verificam-se injlanuj^õc^ locms muito graves,
que se alastram por todo o membro. Não foram porém verifcados sintotnJS
gerais.
Heymoxs (1925) diz mais ou menos o mesmo, referindo-se aps Lithobii-
deos. "Geralmente não pódem perfurar a péle humana: si o conseguirem, con* '
tudo, verifica-se ap>enas dôr passageira”.
Calmette (1905), Martixi (1923), Eysell (1924) nos dão a^ mesmaS
referencias.
Balei de Castro (1921) descreve mais detalhadamente um caso de mof*
dedura numa perna, produzido pela Scohpcndra hcros.
WooD (1866) fala numa criança de 4 anos, que morreu devido á mordí*
dura de uma escolopcndra.
Sebastiany (1870) cita 2 casos ocorridos pela ferroada da Scolopenàf*
nwrsitons: — em uma, criança de 8 anos e num homem de 49 anos. Vcrific*'
ram-se intensissimas dôres locais, vómitos, dôres de cabeça muito fortes, tof*
nando-se o local afetado muito vermelho, com uma aureola preta no centro, daO'
do-se também uma “inflammation des vaisseaux IjTnphatiques”.
Hirst (1920) e Castallani (1919) não referem nada de novo.
Chalmers (1919) menciona diversos casos mortais. Descreve da segui*’*^
maneira os efeitos gerais: — “Effects of the venom. The poison causes lo*^
and general symptoms. At first there is itching, but this is quickly followed ^
intense pain. which extens all over the limb.
A red spot appears at the side of the bite, which enlarges and bccoo’^
black in the centre, and sometimes there are lymphangitis and lympliadeflt^
The general symptoms are great mental anxicty, vomiting, irregular pulse, d>*
ziness, and headache”.
OwANo (1917) e Corxwall (1915) tentaram estudar a natureza quin*^
do veneno. Não podemos considerar os trabalhos deles como sendo conip^
tos, po’s fizeram sómente experiencias cm animais.
if*
Scunee (L(LL) descreve melhor o efeito do veneno da Scohpendra
sitatts.
Parece que todos estes AA., prescindindo de proprios estudos e experieO'
o que é muito desculpável, dada a dificuldade de arranjar material vivo,
70
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WoLFGANG Bccherl — Os Quilopodos do Brasil
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complicações dificílimas de um estudo farmacologico detalhado, repetem mais
menos o que Dubosq (1898) já tem descrito:
“L’homme est trés sensible au venin: mais les effects s-arient selon 1’epoquc.
hiver la morsure provoque une petite élesmre ortíeé disparuc une hcurc
aprcs".
Continua, dizendo que no verão •. — “L'inflanimation pre^resse pendam
*^tc-six, quarante-hu't heures ou meme 3 jours et s’étend loin de 1’endroit
P*qué. Une morsure á un doigt cause 1’enflure de toute la main et de la moitié
^ la\-ant bras”.
Hase: — “(über die Giftwirkung der Bisse der Tausendfüsse, Berlin-
in Centralbl. für Parasitol. und Baktcriol. und Infektionskrankheitcn,
1926 e 1928), tendo sómente á mão Lilhobüdcos c Escolopendrideos de tamanho
®üito pequeno, fez cumtudo experiencias relevantes cm seres humanos e al-
em si mesmo. Verificaram-sc sempre dôres muito violentas, no mesmo ins-
**’*’^i em que as pinças perfuram a pele. Em seguida originam-se pustulas e cm-
seguidas por hemorragias locaLs.
Das duas aberturas, feitas com as pinças, s^a um pouco de sangue, ma-
'*'|«stando-se um eritréma, causado pela hiperemia no local afetado. A venni-
é muito intensa seguida por forte hemorragia.
conseguiu fazer um estudo comparado do veneno de Lilhobiidcos e
^olopendrtdeos. Chegou á conclusão, que se trata rcalmente de venenos espcci-
sendo o dos Escolopendrideos muito mais eficaz. Chegou mesmo a afirmar
a composição do veneno varia entre uma especie e outra. Teriamos então um
paralelo com o veneno ofidico que também varia de especie cm especie,
l'-'dendo naturalmente haver certo parentesco entre o veneno de algumas espe-
’ de outro lado um maior afastamento entre o de outras espedes.
. ^ase chegou á seguinte conclu.são: que as cspecies morfologicamente pare-
podem perfeitamente ter dijercn(as toxicologieas.
Si juntarmos todos os resultados, obtidos em conjunto, pelos AA. citados,
falar de 2 fases, que ocorrem num indivíduo mordido pela lacraia.
*) fase local :
principal: pustulas, empolas;
eritrema, vermelhidão acentuada;
dôr violenta, e persistente até o 3.° dia.
secundaria: a ferida sangra um pouco;
hemorragias fortes;
inchação do membro.
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cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
b) jase geral :
vómitos ;
aceleramento do pulso;
dôres gerais;
inchação do membro inteiro;
dôr de cabeça violenta;
distúrbios nervosos;
(Eventualmente sucede a morle ou paralisia leni pararia quando se trata <1*
uma lacraia tropical de tamanho grande e quando a vitima é de constituição frac*
(cr'ança) (Verhoeff).
Glândulas cefálicos: Encontram-se na Escolopendra 2 glandulas taringea*
nas, cujos canais de saida estão situados perto do labro. Além disso existem
4 qlaudulas maxilares, muito grandes, que vão para dentro dos segmentos
tronco, terminando as 2 primeiras ao lado da hipofaringe e as 2 ultimas na chap*
externa do coxoslcrno dos segundos maxilares. Éstas glandulas se dividem em
muitos lóbos, envoltos pelo tecido conjuntivo e abastecidos por vasos sanguineoSi
traqueas e nervos.
Função das glandulas cutaneas: E’ claro que as glandulas pódem entrai
em atividade quando irritadas pelos centros nervosos. Para que isto se dé, ‘
necessário que os nervos se comuniquem de fato com as glandulas como vimo*
nas glandulas maxilares ou salivares. Ésta comunicação ainda não con->l^
quanto ás outras glandulas, de modo que se póde afirmar que elas se encontram
cm função continua, óra despejando seu conteúdo, óra coligindo e conscrv’and®
a secreção c acumulando este fluido.
A própria secreção depende muito de fatores do exterior, principalmentc m**
QuiloMdos, que são animais de sangue frio. A importância das glandulas
a vida destes animais ainda não foi estudada. Ésta lacuna no nosso saber ^
tanto mais persistente, quanto é dificil, fazer uma analise dos componentes
secreções. Pondo em ordem as glandulas, conforme a sua função fisiológica
organismo do Quilopodo podemos distinguir entre;
a) Glandulas exuviais: ainda pouco estudadas, de suma importância ^
ato da renovação cwticular (eedise).
b) glandulas salivares: cuja secreção auxilia a digestão;
c) glandulas ccricigenicas: em muitos Lilhobiideos ;
d) glandulas de veneno; (todos os Quilopodos) ;
e) glandulas fosforecentes ; (Geofilideos).
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WoLFa\NO Bücheri. — Os Quilopodos do Brasil
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f) glandulas de oleo graxo: que impedem que o corpo se humideça com
*gua, o que é muito importante para a respiração cutanea.
g) glandulas de adesão: cuja. secreção possibilita a adesão das patas dos
Q^üopodos em paredes lisas: Escutigerideos.
ORGÃOS SENSORIAIS
Os orgãos scnsorials são receptores, prosndos de células sensoriais, que
tõdetn perceber certas irritações do mundo exterior, transnütindo estas irrita»
ao sistema nervoso. Os elementos essenciais destes orgãos são as células
*^»soríais ou células ner\'ósas sensoriais, de uma ou mais neurofibrilas. O
Piasfna e o núcleo désfas células estão dentro dos pêlos ou aculeos sensoriais,
^iíélio ou siAepitelio. /Vs células nervosas sensoriais têm a capacidade de
^«r/orijiar a irritação do meio — ambiente em excitação nervosa. Pódctn
***titir fibrilas para a periferia ou para o interior dos pêlos.
Células sensoriais simples sem outros aparelhos auxiliares são raríssimas nos
^^ilopodos. Ouasi sempre as células sensoriais entram cm contajcto com forma-
^°*s cuticulares, que lhes scr\’em de adjutório, aumentando as irritações ou trans-
***^lindo-as d’uma maneira apropriada ás referidas células ou então colaboram
reforçar a excitação central. São os pêlos, cerdas, estiletes, aculeos, etc...
Conforme as irritações do meio ambiente podemos também distingu'r os
^^^ttores das mesmas:
^^lações
quitnicas:
^'°Çôes mecânicos:
^ da temperatu
'^^òes luminosas:
1 .
2 .
3 .
4.
5 .
6 .
7 .
8 .
9 .
orgãos olfativos,
orgãos gustathvs;
orgãos táteis;
orgãos estáticos;
orgãos do sentido do movimento e da posição;
orgãos auditivos;
orgãos do sentido da temperatura;
orgãos do sentido da luz;
orgãos do sentido da dôr.
Tod
bs
— - estes orgãos são compostos de papilas nervosas, isto é : uma
células sensoriais se reunem num grupo, estando munidos de aparelhos
com os quais formam uma unidade funcional. Conforme estes apa-
^ auxiliares distinguimos:
ilG
Memurias do Instituto Butantan
Tomo XIII
a) papilas de pêlos:
b) papilas de aculeos:
c) papilas cônicas:
d) papilas em forma de placa:
e) papilas côncavas:
Sensilla trichodea;
” chactica;
” basiconica;
” placodca;
” coeloconica;
1. Órgãos olfativos: São orgãos qucmorcceplorcs. Orientam o organ!sin®i
sobre outros corpos que desprendem odor. Xos Quilopodos temos os cstdctfS |
das antenas, que exercem ésta função. Existem principalmente nos articulo*
finais, em duas series longitudinais, uma cm cada lado. Póde haver uns 20
estiletes. Estes pódem estar em cima de tubérculos, pqpilas cônicas, ou então
nascem numa cavidade: papilas coeloconicas. Taml>em pódem estar ausente»
cm alguns generos. Os pêlos e estiletes olfativos aumentam perto da'ponta daí
antenas. Existem também em redor da boca. principalmente nos palpos 0*^
maxilares. Vide fig. 24.
2. Orgãos gustativos: Estes orgãos ser\em e.xclusivamente á jun(^
nutritiva, e, portanto, acham-se colocados sempre perto da boca. Reagem conü*
elementos, geralmcnte diluidos, com que estio em contacto imediato.
Xaturalmcntc póde liavc exceções, e é bem proravel que se descubra*®
ainda orgãos gustativos justamente nos logares, menos esperados. Por enqua»*®
muito jK)uco sabemos á respeito destes orgãos nos Quilopodos. Porém ê ju-'*®
prcsupô-los principalmcnte nos palpos dos ma.xilares. Pudemos descobrir
gustativos nas mandibuhs de muitos Parotostigminios.
3. Orgãos táteis: coincidem nos Quilopodos com os orgãos olfativ®*"
Assim mesmo as antenas e nos Lithobiideos e Geofilideos tamlxm as ulti*®**
patas servem de orgãos tate s. o que ê bem comprecnsivel, si levarmos em coU***
que os Geofilideos gosam da faculdade dc correr para trás. sem \nrar o corp®"
Orgãos estáticos e orgãos de sentido da posição ainda não foram estudad^
sendo sua existência, porém, quasi certa.
4. Orgãos auditivos: Porter cm “Estúdios sobre los Miri:qx)dos
nos’’ diz, que ainda, não foi encontrado um orgão auditivo especial dos
podos. Irá não ser que o orgão de Latzeu, pequeno saco qu tinoso, situado
região inferior da, cabeça de Seviigera, seja um orgão auditivo. O orgão, a ^
ele se refere um pouco confusamente, deve ser o orgão maxilar da
situado cm duas depressões laterais da placa basilar do primeiro maxilar. Xe^*^
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*^vidades existem pêlos e cerdas bífidas. Abaixo das duas depressões encon-
tram-se ncuronios. O orgão é completamente coberto por uma pélesinha muito
fnia e ondulada. As ondas acústicas fazem os pêlos vibrar. Como homólogo
® este oigão maxilar dos Escutigerideos existe nos LithobUdcos um orgão frontal,
*bndo em ambos os lados das fontes. Estes orgâos são crateriformes.
^> 0 » Escolopendridcos são bem redondos' e tão aprofundados no tecido que
chegam mais a tocar a quitina. Perderam portanto, o contacto com o mundo
'*tcrior, permanecendo sem função.
^^os Geofilideos o orgãc frontal está inteiramente ausente.
^•os Liihobiideos u orgão frontal ê bem caracteristic'). Veriioeff o descreve
seguinte maneira: “Xos Lithobiideos o orgão frontal tõmõszvryano fica situado
,as antenas e os ócelos,- porém- mais ao lado ventral. E’ constituído por
anel redondo, duplo ou quadruplo, que protege uma membrana finíssima c
**’**'*'> sensível, em cujo meio encontra-se uma jorma^ão crateríforme que cons-
utn verdadeiro tímpano, o orgão auditivo". Isto airda c confirmado pelo
de as formas cegas dos Lithobiideos terem descn\-olvido ainda mais este orgão.
PoRTER, pelo contrario e com menos razão, opina que o orgão de Tõmõsvar>-
um orgão olfativo. Fisiologicamente um timpano c pouco apto p.ara per-
irritações quimica«, ma« sim irritações mecanico-acusticas.
Ainda não foi estudada a ex'stcncia de orgãos do sentido da temperatura.
5. Orgãos do sentido da luz: Em muitos Escolopendridcos encontram-se
■•s variaveis em numero e agrupados aos lados da região cefalica. Geralmen.e
^ ^los são 4. sendo dispostos diagonalmente, o ultimo um pouco mais distante
^'^Iros três e também maior.
elementos fotoreceptores, as células Ansuais, são de origem ep dcrmica.
®^«ando de papilas bipolares. Cada célula visual consta de uma fileira de
e d 'um nervo otico.
orgãos visuais dos Quilopodos são ocêlos simples. .-\ contea ê nir\-a.
^ cndo as lentes ser côncaao-ctanvexas. bicômxjxas e planocons^cxas. É.«ta
da incurseição pódc ser verif cado num e mesmo animal, de modo que
visão dupla e até mesmo tripla, ajustada para todas as distancias.
^enntra-se também um corpe cristalino e um rhabdoma.
^ olhos dos Escutigerideos são os mais perfeitos de todos os Quilopodos.
t ’ ®fgâos \dsuais são pseudofacctados, de modo que as lentes ostentam fonna
^otial.
' Ocelos são constituídos da seguinte maneira:
118
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Um grupo de células suais se reime, entrando as suas fileiras de esti-
letes, também denominados rhabdomas, em união funcional. Sobre o rhabdonrt
encontra-se o aparelho dioptrico, que colhe e quebra os raios luminosos. Os
Qtãlopodos possuem ócelos simples, como j.á disse, isto é: uma ou mais célula*
visuais estão providas apenas de um aparelho dioptrico. Este aparelho consU
da comea, lentifonne ou redonda, formada pelas células corneagenas epidermai»
A comea origina-se da cuticula. Quasi sempre, quando se tira a cuticula do
animal, tk'sprega-se a comea.
Gkekaciier fala nos Escolopendridcos de células cristaloides^ que formam
um corpo vitreo. Verhoeff põe isso em durida, achando que se trata da
camada comeágena, que denomina lentigena.
O aparelho dioptrico permite que os raios luminosos, vindos de uma direção,
sejam colhidos e transmitidos, concentrados e reforçados, ao rhabdotna. ^
aparelho dioptrico reforça, portanto, os raios luminosos. Xesta função ainda ®
secundado pelo pigmento, que se encontra em redor da com.ea, excluindo f*’
jutros raios, que vêm de outra direção.
Nos Quilopodos as células da retina formam uma cavidade redonda, em cujo
fundo entram os nervos znsuais. No centro, diante das células visuais, estão os
rhabdotnas, cujos estiletes estão dispostos transversalmente nos Escolopendridcos,
vcrticalmente, portanto, aos raios da luz.
Nos Lithobiideos os estiletes são radiais.
Os ócelos estão em imima relação com o progresso da reno\-ação cuticulaf-
Ésta renovação é muito frequente nos animais jovens e adultos. A camada
comeana tem um risco no centro. Este é fechado antes da renovação cuticulafi
afim de dar origem a uma, nova córnea. O interior dos estiletes contém plasnt^
granuloso.
Neste conjunto podemos nos referir ma,is uma vez, á sensibilidade geral do*
Quilopodos contra a luz solar direta, que é mortal para quasi todos eles. N***
é uma fotorecepção, no verdadeiro sentido da palavra, porque esta é afixa ao*
ócelos, mas antes, uma percepção mecanica dos raios ultravioleta, nocivos. Cout®
os Quilopodos não possuem geralmente pigmentos pretos nos tergitos\ não' podet»
impedir completamente que estes ultraraios atravessem seu corpo. Por
motivo são obrigados a se refugiarem, durante o dia, em logares sombrios.
7fi
cm
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SciELO
cm
Ki(. S
ScaUttndr» vtrUuonit NEWPORT. Plac» Kfalica coa u amou*. 9/1
2 — OlhcM. J — Placa ccfalica rirta do lado inlmw. 4 — Sulco* Ion(ituditiai>. 5 —
Labro. 6 — Qipco. 7 — Picurito principal. S — Picurilo xcttndario poitcnor.
^olfc.vno Büchehl — Oi Quilopodos do Brasil
Mem. In«t. Btrtantan
Voi. XIII
1939
7
W.^uc\trX
Mcm. Inst. BaUi^^r
WoLPGANG Blcherl — Os Quilopodos do Brasil
Vol, XIII — \9S9
W. Dwclicrl
Fi». S
Sc 0 ÍPf^dra viri4i<amü. M^mdiLula. Aca«cto 25/1
B&»Uk>. 2 — do bastão. 5 — Triângulo. 4 — Articulação. 5 — Filexra d« oentc»*
rêlo» tatei». 7 — Cerdas lonns. divididas.
SciELO
78
n-fa
WoLFGANQ Bucherl — Os QuUopodos do Brasil
Vol. XIII —
Fic. 11
Scoío^tndra vi*i4Ú0rmis. Seftsodoe maxilares Com palpo triartkulado. Aomento 2i/l
j — CsxottcrDunu 2 — laciaio do trochantcr. 3 — Palpo triarticulado com farra tenaioal.
qoe serrem de escora.
SciELO
«OLFGANG BCxherl — Os QuUopodos do Brasil
^lefXL Intt. Botanun
Vol. XIII — 1939
Fif. 12
Scotffpmért viri^tcümit. Fortipolas vistas 4o lado dMsal. Aomvnto 25/1
* " Coxulcniuin com pixu dratiri»». 2 — Solco» qaitinoK». J — InciOo do tracbantCT. 4 —
Artico]acã& 5 — TdojiodiU). 6 — Atoilhõ» com una] de rtncno.
cm
2 3 4 5 6 7SCÍELO, ;l1 12 13 14 15 16 17
WoLKG.vxG Bucherl — Os Qttilopodos do Brasil
MezD. In»t.
VcJ. XIII
65 a-
Fi», 13
Scoioftmára firijúornis. Corte tranrreríil tUirH d» flandnla de reneno (Cd. H E. 5 micra) Aumento <
1 — Musculatura etrterior. 2 — (JUndula» de Tetictx). 3 — Ma«eulo« intcrflandulares. 4 — Ca
deferentes. 5 — Csnal deferente coraom. 6 — Bcner.to toxko.
Fif. 14
Scoi^pmJra viri«i^<^rNt/. Tergito coo estigma plenral. Aumento lS/1
1 ~ Sulcos episcutais. 2 — Pretergito, 3 *— Fstigma. 4 — Fileiras de glandulai cu?
SciELO
«OLFGANG Bücherl — Os Quilopodos do Brasil
M«m. Inst. ButAntan
VoL XIII — 19J9
1
W t)»erl
Fif. 15
Scoio^€n4rú viriduornis. Aoxncntc 14/1
* ~ Suloot locgitodiiuJ». 2 PUcaA irtercAlarrs.
V/f
euras
rif. 16
ri\anto 'k wn »efTDctito <k> trooco. Atimcnfo 12/1
cm
2 3 4 5 6 7SCÍELO, ;l1 12 13 14 15 16 17
WoLFGANG BCcherl — Os QuHopodos do Brasil
Menu Inst.
VoL XIII — 1919
Fiic. 17
Sccíof>en4Íra xHndUornis. Pteurito com pata c c»tiftno. Aometito 10/1
I — Kstifrmo. 2 — Anopleuras, 3 — Cotopleunu 4 — Prccoxa. 5 — Coxa «operior. 6 — Co**
inferior. 7 — Mctocoxo. 8 — Trrchanler. 9 — Prefemur. 10 — Fesnur. 11 — Ti^io. 12
Taroo 1. 13 — Tar*o 2. 14 — Garra com dois tsporces.
SciELO
Mem. Inst. Butantan
''olfgang BCxherl — Os Quilopodos do Brasil
\'oL XIII — 1939
Fi*. lí
Scoiaf^drm viridicamii. 21.* jar d« extmm'l*de*. 25/1.
W. BwcKerl
!
85
Mem. Inst.
WoLFGAKG Bückerl — Oi Qiülopodos do Brasil
VoJ. xm — I9J»
Fie. 19
Tngcn^cíypieps ikrrtnff%, 21.* paU com fileiras de dentes quitinosos no fcmnr, tibU ' '
1.» Uno. 15/1 "!
2 3 4 5 6 7SCÍELO ;l1 12 13 14 15 16 17
^'0Lrc.VNG BOcherl — Os Quilopodos do Brasil
Mem. Inst. Batantan
Vol. XIII
1939
'fS'^
Fif. 20
Scoíú^tndra tiri4icormis. S«finef)to« prcvenítal, fenital e a&al <k> macbo^ lS/1
W. S^ch^rl
Fif. 21
viridicornis. Pcloc e cerdas do artictilo terminal do 2.* maxilar, 25/1
cm
5 7SCÍELO ;l1 12 13 14 15 16 17
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
131
IV. Organização interna dos Quilopodos
NOTAS PRELIMINARES:
Exames macro- e microscopicos:
legião cejaUca: Xa regão cefalica vemos nos cortes microscopicos diver-
camadas musculares, a aorta cefalica, rodeada por traqueas; o esôfago e as
®'*'®ssuras subesofageanas.
Catnada muscular: distinguimos feixes dorso-laterais, que se in>erem no
dorsal externo e correm ao centro do corpo, um feixe grosso de cada lado.
“cs feixes musculares demonstram divergência acentuada de fóra para dentro.
‘ * 1 nha mediana dorsal inserem-se outros 2 feixes dorso-laterais, mais finos
Os primeiros, demonstrando divergência contraria àqueles, de maneira que
^to os externos como os internos se encontram no centro, formando assim dois
^^9ulos dorsais, cuja base se encosta na cuticula dorsal.
, ^'estes triângulos encontram-se feixes de musculatura longitudinal, muito con-
^cotes. Museulos longitudinais encontramos também no lado ventral do esôfago.
*^ofago é rodeado por uma camada espessa de museulos finos circulares exter-
, c museulos longitudinais internos. Na região esofageana anterior encon-
^*mos ainda, no lado ventral dois feixes de museulos logitudinais, que se encos-
^ "a muíailatura circular. Todos estes museulos são estriados, aparecendo
*’**Jamente, com a coloração de Mallorj- as estrias transversais vcnnellio-escuras.
0 resto do musculo azul escuro arroxeado. Com a Coloração H.-E. os
'^los são vermelho pálidos, sendo bem nitidos os seus nuclcos azueis, ccni
^ ^do granuloso. Os núcleos dos museulos longitudinais mostram grand'
^■^iistencia, enquanto que os dos museulos dorso-laterais são oblongos com a
^*^tina dividida cm flocos. E’ interessante notar que num feixe dorso-lateral
'''icleos se encontram todos enfileirados, ocujiando uma zona me<liana nnis
Kntre os diversos feixes encontramos elementos musculares isolados com
enormes.
*^oqueas: No lado dorsal na zona da aorta cefalica obsers-amos feires
^QOtá
^■anoj, dispostos simetricamente. /As duas traqueaj maiores ficam no lado
.encostando-se nelas no lado dorsal 4 traqueas enormes, 2 em cada lado.
^ ^ fodeadas por 3-5 traqueolos finos. No triângulo formado pelos musculo»
^*^laterais encontramos outra aglomeração traqueana. disposta la eralmente.
^ **’®neira que as duas traqueas grandes ficam no lado interno, e os traqueolos
ao redor das mesmas. Na zona que rodeia o esôfago e as comissuras
132
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
esofageanas deparam-se-nos 4 aglomerações traqueanas, consistindo cada
delas de duas a quatro traqueas grandes e 3-7 traqueolos.
O sisfema sanguíneo da região esojageana é constituido da aorta cefal^'*
situada no lado dorsal entre o esôfago e a cuticula dorsal, a artéria ventral
e 2 artérias laterais. Em toda zona esofageana anterior não encontramos nenh*" |
ma célula do corpo adiposo e nenhuma célula das glandulas salivares.
Zona do intestino anterior.
Musculatura: Já não se observa o triângulo formado pelos musculos dorí^
laterais externos e internos. Toda, zona com exceção d’uma arca dorsal é cobed*
por feixes musculares transivrsais que cobrem a area subepidermal da cutictí^*’
No lado dorsal, da linha mediana observ-amos 2 feixes grandes de muscui^
longituditujis. Ao lado dos mesmos existem outros feixes longitudinais
menos cons stentes.
O sistema muscular ventro-lateral é muito mais forte que o do lado dofS*^
excetuando-se diversos feixes de musculatura circular, cuja inserção se encoo®*
na zona entre os pleuritos e o estemíto; — na linha mediana ^-entrai encontra*®**'
feixes de musculos muito largos; outros feixes de musculatura, longitudinal
tramos nos la,dos.Fómiam a camada muscular mais grossa do organismo.
vaso dorsal possue muscularis cardíaca bem desenvolvida. -\s células exodt^
diacas formam 2 triângulos, 1 de cada lado, sendo a base ma,is larga no
dorsal. Entre o \'aso dorsal e o tubo digestivo encontramos algumas célula*
corpo adiposo. No lado ventro-lateral do tubo digestivo existem as glar^^*^
salivares, podendo-se perceber muito bem os limites inter-celulares. O conte®*^
de cada célula é granuloso. Com Mallorj' a coloração toma-se rósea.
os grânulos encontrapios vacuólos pequeníssimos. No lado dorsal das cot*^
suras longitudinais da cadeia ganglionar ^•cntral observamos a aorta ventral
guiar com linfocltos e alguns eritrocitos no centro. No lado ventral desta m«-^
cadeia deparam-se-nos as células do corpo adiposo. No lado supero-latera! ^
tubo digestivo observamos os vasos de Malpighi. Zona do intestino médio-
A maior area abrange o tubo digestivo. A túnica própria consiste numa í
de denticulos continuos, curtos. O intestino é completamentc envolvido
corpo a,diposo que, no lado ventral. abrange também a cadeia ganglionar
aorta ventral. No lado dorsal observamos entre o tubo digestivo e o cot^.
o ovário envolvido também pelo corpo adiposo. camada muscular cxierfl*
mais fraca que no intestino anterior. Elxistem também aqui feixes muscul**'’
longitudinais, ventro-laterais e circulares.
A zona do intestina posterior: o intestino posterior é muito estreito e
pletamente rodeado pebis células do corpo adiposo. Éstas formam um quad^’^
!)ü
cm
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3 11 12 13 14 15 16
WoLFGAXo BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
133
Perfeito com a ponta apical na região dos gânglios ventrais, c a ponta supe-
na região do vaso dorsal. O corpo adiposo é rodeado por musculos
^**®Ptudinais muito largos. Seguem feixes musculares dorso-laterais e, ao lado
®esmos, outros feixes longitudinais. Entre a cadeia zvntral e o tubo diges-
obser>-amos os v^sos malpighianos. As glandulas genitais a.ccessorias estão
*^das ao lado do tubo digestivo, demonstrando um conteúdo granuloso com
pequeníssimas coloridas de vermelho-vivo. Até aqui os exames -mi-
'^0‘copicos gerais.
Os Miriápodos c Quilopodos comparados com outros grupos de ínverte-
têm relati\amente pouca influencia sobre o homem. Daí provêm em
^^riro logar o fato, de serem tão pouco conhecidos, mesmo pelos cientistas.
•gnorancia é ainda muito maior, no tocante á morfologia inferna, á fisiologia,
^ ^ologia e á ecologia. Mesmo os especialistas, perckndo-se não raras vezes, em
*^-«itatica pura, — como tem acontecido com o benemerito Brõi.emann' nos
trabalhos relativamentc ás espccies bras'leiras, trabalhos estes feitos no
*^****Vi deste século, ignorou quasi de todo a biologia destes animais. Desta
^**ocira obtivemos, como resultado dos trabalhos dos mesmos, catalogos de
y»nina nuda”, baseados simplesmente em característicos externos, como o colo-
os espinhos de certas regiões do corpo, o tamanho do animal e os artiailos
* *ntenas. óra, quasi não se encontra outro grupo de artrópodos, onde justa-
estes característicos sejam mais variavTÍs.
^ resultado de todas éstas tentativas foi grande decepção para os leigos
^^^sunto, uma desconfiança baseada cm bôas razões para os especialistas cm
* um litigiar ininterrupto, debates contínuos, entre os especialistas.
^4ra não incorrer neste mesmo erro, após ter descrito a organização externa
^ Qftilopodos queremos tratar neste capitulo a organização interna, referindo-
*®*’Prc ás nossas próprias experiendas, em cortes histolc^'cos do sistema
(Jo tyjjQ digestivo, do aparelho circulatório e excrctor, das glandulas
etc.,,
j^Acrc^entarcmos os resultados de nossas observações, também sobre a fisio-
“ biologia, como aliás já temos feito no capitulo anterior,
azendo um córte longitudinal, através dos tergítos, podemos observar a
localização dos orgãos internos: no lado dorsal: uma camada de mus-
Uiloj
^ • atravessada pelas traqueas respiratórias ; um pouco abaixo : o vaso dorsal ;
aparece o aparelho genital, envolvido no corpo gorduroso; segue
4 Ca ? digestivo com os vasos de Malpighi ; finalmentc no lado de baixo :
^*a ganglionar ventral.
^^notação de ar é produzida por contrações do A*aso dorsal c do tubo
e ainda pelos movimentos do animal. Assim sempre se dá um
91
134
Memórias <io Instituto Butantan — Tomo XIII
aumento ou diminuição do volume interior, de modo que o ar, é expulso o®
aspirado. A rcnoração do ar é ver ficada mesmo nos canaliculos finissimos
ramificaçõ s traqu anas.
O aparelho circulatório é constituido por um ^-aso dorsal, dividido em outr»*
t.antas camadas, quando ha segmentos do tronco, percorrendo todo o comprime®*^
do corpo. Cada camara é unida á parede dorso-lateral do tronco por um 1^
de inusculos aliformes. O sangue, que banha os orgãos, penetra nestas camat**
pelos ostiolos, movimentando-se de trás para diante, devido á contrações rirnii^
fias camaras. Em cada camara nascem duas artérias laterais. Na cabeça ence®"
tra-se uma artéria mediana, que distribue o sangue entre as peças bucais e outí»*
apêndices cefálicos.
Em seguida vemos 2 arcos laterais que, reunindo-se na I nha mediana ^
tv
parte v nrral. fonnam um anel sanguíneo completo, que rodeia o esofago. ^
iwnto de reunião destes arcos, na parte ventral, parte um outro vaso, cliam»^|
"artéria ventral", que se dirige á parte posterior do tronco por sobre a
ganglionar. Do mesmo ponto sai também a artéria cefálica inferior, qu« [
dirige para a frente. De cada lado do anel sanguineo encontram- se artcfi»^
cifalicas la erais. O aparelho reprodutor é inteiramente envolvido pelo
gorduroso. Os sexos nos Quihpodos são separa^dos, sendo geralmente as feiK**
maiores do que os machos.
Os orgãos de geração parecem tubos compridos, que alcançam a cabeça ^
animais gi andes. Os tcsticulos dos Escolopendrideos são muito sinuosos-
ovário c impar, constituindo um cano comprido, alargado na parte jwsteí^
Encontram-se ainda sempre 2-4 glandulas a,cessorias e 2 receptandos scn'**'*'
nas femeas.
O orificio genital é também impar e está situado no penúltimo segn’^]
do tronco.
Os Quilopodos gcralmente são oviparos. Os ovos são muito numerosos.
dos ovos pequenas larvas, providas de um reduzido numero de segmentos,
8 pares de apêndices. Sómente após \’arias renovações cuticulares os QuUoP'^
adqu rem o numero de patas, que lhes compete.
O tubo digestivo consta de um stomodeum, alargado na parte
Este. é separado do intestino médio por irni esfincter. No começo do ''
entram os dois vasos de Malpighi, que secretam addo urico.
O apus termina no ultimo segmento do corpo. O tubo digestivo é retü*^
sofrendo, comtudo ,o reto algumas contrações.
Na trente encontram-sc 2-4 glandulas salivares.
O sistema nervoso consiste numa massa cerebroide, em um colar esof<>9*^
e na cadeia ganglionar ventral, que principia na cabeça.
92
cm
2 3
SciELO
3 11 12 13 14 15 16
WoLFGANO Blxherl — Os Quilopodos do Brasil
135
A massa cerebroide compreende 3 pares de lóbos ou gânglios que corres-
P*^dem a outros tantos segmentos primitivos, cefálicos.
O colar esofageano rodeia o esôfago.
A cadeia ventral se compõe d'uma serie de gânglios, colocados em todo o
*®*®primento do corpo, primiti\’amente pares, soldados quasi inteiramente, cor-
respondendo um par de gangl os a cada segmento.
A massa cerebroide dá origem aos ner\‘OS, que se distribuem pelos orgãos
eabeça, e aos que enervam o tubo digestivo.
Cada gânglio ventral emite nervos periféricos, em numero de 4, que vão
tnusculos e ás extremidades.
1. Aparelho respiratório:
A respiração é aquela parte do metabolismo, que consiste na renovação dc
^«nentos gasosos sendo absorvido oxigênio, para que se possa verificar a oxi-
^ão das substancias alimentidas nos tecidos, eliminando o dióxido de car-
que resulta desta mesma oxidação.
A respiração póde ser dupla: quimico-capilar: é a respiração dos tecido t
^ células, dando-se a oxidação nos tecidos ou em sua superficie, impregnada
«Icmcntos ferreos; e a respiração exterior; que consiste na renovação dos
. * Kazes citados, produzida pelo organismo do animal c o mdo ambiente. Um
**®'Plcs processo de difusão.
^•^âos respiratórios, seriam, portanto, aqueles orgãos dum animal, que
a respiração exterior (Weber).
N'os Quilopodos os orgãos respiratórios, as traqueas, ramificam-se progres-
^**'**>te, quanto mais penetram o corpo, colocando os canaliculos finiss'mos
^tacto direto com o teddo que absor\e o oxigênio.
'*n»ifi,
traqueas dos Quilopodos são de origem cctodcrm:U formando feixes
*»t;
•cados. São formados por tubos epiteliais finissimos, que por meio de
comunicam com o exterior,
tubo traqueal consiste:
de uma intinui no interior,
e du’a tnatris, no exterior.
já dissemos, as traqueas são de origem ectodcrmal. Portanto, sua
é igual á cuticula, sendo sómente a ordem inversa, permanecendo a
*^K/a bem no centro, revestindo os filamentos espirais. Em seguida encon-
Como
93
136
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
tramos a, epicuticula, que constitue a parede entre os filamentos. Em terceiro Ioga»
temos a cndocuticula, que fórma a parede de fóra da traquea, dando á mesma a
necessária dureza contra qualquer pressão de fóra, de maneira que o tubo perma-
nece sempre alargado. (Vide fig. 25).
Os filamentos espirais estão bem unidos um do outro. A traquea também
não é uniforme em todo o seu comprimento, havendo 1'geiro alargamento que ar-
mazena o ar.
No lado exterior a traquea é revestida pela matria. Ésta consiste de cclulas
cpilcliais achatadas, hexagonais, revestida por fóra por uma membrana basilar.
Sómente pudemos obser\-ar uma matric fraca nos QuilopodoÀ, e isto exclu-
sivaraente nas traqueas muito grossas, isto é, que permanecem bem perto do
estigma. Quanto mais se afina e ramifica tanto mais fraca e imperceptivel tam-
bém se toma a matriz, sendo já de todo imperceptivel nos canajiculos finíssimos
das ultimas ramificações traqueanas. Também a inttnta enfraquece, permanecendo
\nsivel sómente o jilamento espiral. (Vide fig. 25).
Perto do estigma encontram-se 2 tubos traqueanos que logo se ramificam. A
intitna é de natureza quitinósa. Perto dos tecidos os canalicuhs traqueanos se afi-
nam ainda mais, o jilantento espiral desaparece e a traquea termina no tecido por
meio de um traqucolo. A intima deste já não consiste mais de quitina, mas d’umâ
massa coloidal, albuminoide, a traqueana (Koch).
Os traqueolos já não contem ar, mas sim um liquido incolor. Este liquido
exerce função importantissima, para a difusão osmotica do oxigênio. Quanto
maior for o tecido, tanto maior será também sua necessidade de oxigênio e, con-
sequentemente, tanto maior seu poder de sucção, que se toma perceptível através
deste filtro liquido, de maneira que o oxgenio é aspirado.
Estes traqueolos ainda não foram estudados suficientemente, prindpalmente
nos Otosligmimos e Cryptopideos.
Observei estes orgãos finíssimos, nos testículos como nas glandulas de veneno
dos Escohpendrideos.
a) Estigmas: Propriamente dito, estignux significa apenas o póro respira-
tório uma fenda simples, por meio da qual as traqueas estão em contacto com o
ar. Nos Quilopodos, porém, já não se encontram estes estigmas simples. Estão
sempre rodeados por tatnpas, cálices, dobras e outros aparelhamentos, que per-
mitem abrir e fechar o estigma protegendo-o contra a entrada de corpúsculos eS'
t ranhos, como grãosinhos de areia ou poeira.
Os estigmas variam a construção de família em familia e de genero em gê-
nero. de modo que servem muito bem para a classif cação. Numero e posição dos
estigmas também variam.
WoLFGANO BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
137
Os estigmas nos Escutigerideos são 7, colocados na parte posterior dos ter-
Kitos. São portanto, impares. (Notosiigincphora).
Em todos os outros Quüopodos os estigmas se encontram nos lados pleurais,
{Eleurostigmophora) .
Os Lithobiideos possuem 6 pares de estigmas: nos segmentos 3, 5, 8, 10, 12, 14,
Os Escolopendrideos possuem 9 pares de estigmas nos segmentos 3, 5, 8, 10.
12. 14, 16, 18, 20.
Os Geofilideos têm outros tantos pares de estigmas, quantos são seus segmen-
tos do tronco, excehiando o ultimo e o primeiro. Nunca se encontram estigmas
*>os segmentos genital, anal e na eabeça. Acham-se colocados sempre mais perto
tlos tergitos que dos esternítos, e sempre atrás da pata. Em alguns generos são
^ pequenos, que sómente com muita dificuldade podem ser descobertos.
Os Quilopodos pleurostigmorfos demonstram estigmas de construção muito
^^riavel, podendo sempre ser dist'nguidas 3 partes prindpais:
O peri trema;
O atrio;
O poro estigmal propriamente dito.
Vide fig. 26.
O 'peritrema forma um anel quitinoso, muito estreito. Está colocado numa
Ciência das pleuras.
O atrio em alguns generos está situado no mesmo nivcl das pleuras, ficando
porém geralmente submerso. Suas paredes são providas de pelinhos curtos ou
°otras formações cuticularcs, que formam uma especie de filtro ou tampa, ve-
'l^do o acesso de eorpusculos extranhos. A formação do filtro e a posição mais
menos submersa variam de genero em genero ate mesmo de especie cm especie,
'lo maneira que é muito dificil dar aqui uma descrição exata, ficando isto reser^^ado
P*ra a parte sistemática deste trabalho. O cálice também \-aria em profundidade.
No fundo do cálice encontra-se o póro estigmal. No seu começo existem pe-
1®^ compridos, dispostos em forma de colar, que pódem obturar a entrada, per-
****nccendo livre apetus uma fendasinha muito estreita. (Fotomicr. 3).
Atrás do póro estigmal encontra-se uma cavidadd, em que entram as tra-
9*'caj.
Os Quilopodos anamorfos possuem estigmas alongados, com cálice profundo
interior. Este mesmo fato se verifica também nos Escolopendrideos, diferindo
Apenas pela forma mais ou menos triangular.
138
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Os estigmas dos Cryptof>ideos são quas: redondos.
Em Heierostoma o atrío desaparece completamente de maneira que o póro
estigtnal fica á mesma altura do peritrema (Verhoeff).
Os estigmas dos GcofUideos são sumamente pequenos, em forma de funS.
Conforme a construção do atrío e do cálice distinguimos: estigmas simples, alon-
gados, redondos ou triangulares; estigmas^ em fórma de meia espiral; estig^ms
de espiral duplo.
Os estigmas são formados por quitina elástico. Nas paredes do atrío inse-
rem-se fibrilas musculares, lisas; estas, coníraindo-se abrem o cálice; distenden-
do-se. fecliam-no.
Partem dos estigmas geralmcnte 2-6 traqueaj, que pódem anastomosar-se tto
mesmo segmento ou então formam um tubo comum com a traquea do segmento
seguinte. Quando existem mais de 2 traqueas, uma parte para o segmento da
frente, uma para o segmento de trás, e as outras para o centro. Aí se anastomnsam
com as traqueas do outro lado.
Os tubos exteriores fornecem ar ás extremiebdes, para os tecidos pleurais e
o sistema nervoso ventral. Os tubos interiores ramificam-se seguindo o curso do
vaso dorsal. As ramificações entram também no ovário, nos testiculos, e no te-
cido gorduroso.
O primeiro c o ultimo estigma do corpo são maiores do que os outros. Isto é
facil de entender, si levarmos em conta, que fornecem ar de um lado para, todas as
peças bucais e glandulas cefálicas, de outro lado ao segmento genital e ás glân-
dulas genitais secundarias e ao segmento anal.
Interessante é o sistema respiratório dos Esculigerideos . E’ certamente um
aparelho original em todo o reino soologico (V’er a prancha colorida).
Nos 7 tergitos anteriores encontram-se 7 estigtnas impares, com um perítre-
ma bastante saliente. Segue então o orifício estomatico interior, que dá para uma
camara de ar, muito larga e sinuosa. Nesta camara entram mais ou menos 600
traqueias.
b) Fisiologia do aparelho respiratório : Diz Verhoeff que quando o Qui-
lopodo está cm repouso, move comtudo continuamente as peças bucais e as an-
tenas. E’ claro que assim o sangue gira melhor, sendo as traqueas cefálicas com-
primidas. O mesmo se verifica, quando o animal corre, sendo notável que as
formas muito anastomosadas, por cujo corpo, portanto, o ar gira mais facilmente,
{Scohpendra), são mais lentas e preguiçosas, emquanto que as formas, que têm
poucas ou nenhumas anasiomoses (Anamorfos e Esculigerideos) são ageis r
energicas.
96
WoLFG.vNC BCxherl — Os Quilopodos do Brasil
139
Xão podemos, porém, confirmar int^ralmente ésta observação do A. citado,
^os animais qu; observamos desde algxms meses verificamos justamente o con-
trario. Abrindo a caixa, onde estão encerrados e retirando a placa de sua ca-
verna, pudemos sempre observar, que continuam durante algum tempo, comple-
tamente imóveis. Suas antenas não se movem. Seu corpo permanece colado ao chão.
Assim ficam durante um dia inteiro sem mudar de posção.
Podemos antes confirmar, quanto aos QuUopodos as opinião de Koch,
verificando, que mesmo em estado de descanso perfeito, a difusão entre o ar das
traqueas e o ar de fóra é perfeitamente suficiente para fornecer tamo ar fresco
^ organismo, quanto é. necessário. Também c du\’idosa a afirmação que a pres-
são, exercida sobre as traqueas pelos movimentos do t-aso dorsal, do tubo diges-
e dos musculos das extretnidades, aumente o arejamento das traqueas. As
experiências de Kocn demonstram claramentc que mesmo os mosnmentos mais
enérgicos destes animais provocam sómente uma graduação minima de ventilação
tias traqueas. O caso já é outro, quanto á contração dos musculos, que se inserem
nos tergítos, nos estemitos e nas pleuras. Si estes se contrairem, provocam um
estreitamento do lumen do corpo, portanto o or c expulso; si se distendem, au-
*nentando o volume das cazddades internas, o or se renova.
A expiração, portanto, é atis'a, enquanto que a inspiração é passiva, .-\inda
festa a pesquisar, si, nos Quilopodos nos quais se encontra anastomoses longitu-
dinais de um estigma para outro, um .sers-e para a expiração e o outro para a
'^Piração.
O oxigênio entra nos tecidos pela difusão osmotica através dos Iraqueolos.
O dioxido de carbono é eliminado tanto pelas traqueas como também através
tl^ superficic inteira do corpo.
A intensidade do consumo de oxigenio sobe gradatis-amente com a inten-
ndade do tnetabolismo geral, de modo que um animal em descanso precisa me-
**t>s oxigenio do que um animal cm continuo movimento.
2 . Aparelho circulatório
Xotas preliminares: Ex. microsc. de cortes histol, com H.-E., v. Ceson
e ^lallory.
a) Aorta cefalica: Passa por dma do esôfago; é triangular, sendo seu
'^teiido formado por uma substancia granulósa com col. roxa pelo método de
Mallorj-. E’ a linfa. Observamos também alguns éritrocitos que formam como que
*®na cadeioi ou uma aglomeração local. A aorta cefalica é rodeada por uma ca-
140
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
tnada epitelial, cujas células demonstram nudeos grandes com conteúdo granu-
loso. No lado externo esta camada é rodeada por um sépto ondulado. Xo liqu do
linfático encontramos ás vezes grandes vacuolos refringindo fortemente a luz.
Musculans ausente.
b) Coração: a niuscularis cardiaca consiste de musculos estriados. A
forma do coração é oblonga, mais estreita nos lados. Xo coração observamos cé-
lulas endocardiacas pequenas. As células pericardiacas são muito grandes coni
membrana celular forte, e conteúdo pouco consistente, podendo-se distinguir mui-
tos núcleos. As células exocardiacas cobrem toda arca entre o vaso dorsal e o
tubo digestivo, formando uma espccie de triângulo, cuja base, muito larga,
assenta no lado dorsal do tubo digestivo.
O vasu dorsal é constituido por uma série de camaras cardiacas, que acom-
panham em seu numero os segmentos do corpo. De cada camara parte um par
de artérias laterais finas, das quais um ramo '■a' á região plcural e o outro ao
tecido gorduroso. Podem-se ver as artérias até na ultima ponta da e-xlremidadc.
Xa frente o vaso dorsal é continuado pela aorta cefálica. O logar de transiqão
não pódc ser delimitado com exatidão. Desta artéria mediana saem 2 arcos la-
terais (Crossas aorticas) que, indo para baixo e rodeando o esôfago, form.mi
um anel completo, o anel sanguineo esofagiano.
A artéria cefálica mediana continua para a frente, dobra para baixo e sobe
por cima do esôfago, seguindo para trás o canal mais forte. Este, diante do
anel esofagiano, divide-se cm 2 ramos, muito curtos e fechados atrás. São pro-
vidos de forte musculatura. Contraindo-se continuamente, seix-em de bombas
sanguineas.
Nos Escolopcndrideos não obser\-amos estes 2 ramos.
A artéria mediana confinúa entre o cerebro e o esofago, emitindo ainda 3
pares de artérias, das quais uma \-ai á região cerebral e os outros 2 pares á re-
gião esofagiano.
O vaso dorsal term’na no local, onde os vasos de .Malpighi entram no reto
(Verhoeff).
Xa aorta cefalica encontram-se 2 plaquinhas cõnca\-as, musculosas c movci.s.
que exercem o papel de 2 comportas, sendo abertas pela corrente sanguinea que
vai de trás para diante e fechadas pelo sangue que corre em sentido inverso-
Vide fig. 27.
Xo fim de cada camara cardiaca encontra-se um par de ostiolos, um eni
cada lado, pelos quais o sangue aflue ao coração.
98
WoLFa\NO BCxherl — Os Quilopodos do Brasil
141
Os ostiolos formam comportas, que permitem a entrada do sangue, impe-
dindo porém, a saida do mesmo. Em sua formação entram feixes de ntusculos
transversais. (Foíomicr. 4).
A parede do zuso dorsal consta de 3 camadas :
a adventitia, por fóra é formada de lecido conjuntivo repassada por mimj-
^os finissimos longitudinais e transversais ;
a muscularis (camada do meio), que constitue a parte mais grossa;
a intima ou o endocardio, que é uma membrana tenuc, homogênea, com pou-
cos núcleos, oriunda da muscularis. Envolve também os vmsculos exteriores, dc
•tiodo que é melhor denomina-la perimisio (Verhoeff). A artéria cefalica me-
diana perde gradativamente a muscularis, e com ésta, a função da contractiblidade.
.Também as artérias laterais carecem de todo da muscularis, ou possuem-na
^mente no principio, conservando desta maneira só o perimisio. O vaso dorsal,
pulsátil, é rodeado pelo pericárdio, que forma o “sinus pericardialis”, no qual
^tá dependurado o coração. (Fotomicr. 5).
O tecido. do pericárdio tem muitas lacunas, de modo que o sangue póde en-
trar facilmente. Forma sacos longitudinais e cavidades pulsáteis.
Xo diafragma pcricardiaco inserem-se as bases dos musculos aliformes, que
di\*vrgcm dc fóra para dentro, estando dispóstos cm ordem segmentaria, um feixe
cada lado. (Fotomicr. 6). ’
c) O vaso ventral: O vaso sanguineo ventral está colocado entre o tubo
'^hestivo e a cadeia nervosa ventral, não terminando como o vaso dorsal no co-
ttteço do réto, porém no fim do corpo, dobrando ai um pouco para cima c termi-
tt^do numa bifurcação. Tambcm na frente o vaso ventral divide-se cm 2 ramos,
^rrritindo cada segmento 1 par dc artérias laterais, que abastecem com sangue ás
*^remidades e uma artéria impar. (Fotomicr. 7 e 8).
d) Fisiologia do coração: O sangue, por si só, poderia fluir para a frente,
para trás. Para que se estabeleça um aclo circulatório ordenado é preciso que
Órgãos pulsáteis funcionem ritmicamente.
Assim vemos ondas pcristalticas percorrerem todo o toso dorsal, no sentido
trás para diante. A contração sistolica é exercida pela camada muscular, à
'^^tenção diastolica se faz passi\*amente ou pela contração dos musculos aliformes.
^ranie a diástole o sangue é aspirado através dos estiolos no vaso dorsal. .\
*^tole provoca a direção da corrente sanguinea á aorta da cabeça, no fim da qual
u sangue é despejado na cavidade cefálica. Dai o unico caminho abérto é a ca-
^ade abdominal, na qual o sangue corre para trás, devido também aos movi-
^etiios peristalticos do vaso ventral. :
142
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Desta maneira todos os orgãos internos são banhados pelo sangue. Portanto,
ainda que os Quüopodos tenham lun aparelho circulatório bem primitivo, gozam
contudo, d’uma perfeita circulação, que põem todos os orgãos do corpo em contacto
com o sangue fresco, renovado, rico em oxigênio, estando assim o metabolistno
perfeitamente salsaguardado.
O sangue: O sangue consiste propriamente d’um tecido fluido, formado dai
células sanguineas e do plasma sanguineo.
O plasma sanguineo ou a hetnolinfa dá origem ao sôro dos tecidos. Mais
da metade do volume geral do plasma sanguineo é constituide por agua, diminuin-
do ésta, quando os Quilopodos estiverem em regiões sêcas. O plasma dos Qk'*
lopodos é geralmente incolor, ligeiramente arroxeado ou avermelhado. O sôrO
contém corpúsculos gordurosos e outros derivados albuminoides.
A presença de elementos anorganicos, como magnésio, cobre, calcio, ealio,
sodio, nitratos e carbonatos de cobre, sulfatos e fosfatos, encontrados sempre em
insitos, ainda não foi aver'guada.
As células sanguineas constam de linfocitos e amebocitos.
Os linfocitos são pequenos, mas de grande numero, originando-se nos cof
pos linfáticos que, nos Escohpertdrideos se encontrara colocados entre o 4.° e o 21°
sarnentos, nas artérias laterais do toso dorsal, dentro de apendices, havendo tam-
bém no cwo ventral 3-6 destes apendices. Tornam-se facilmente \-isiveis pela in-
jeção de carmim.
O protoplasma dos linfocitos é escuro (Verhoeff).
Os amebocitos são maiores tendo um núcleo envolto em plasma claro. Pó-
dem formar pseudópodos.
Verhoeff menciona ainda outros corpúsculos extranhos, de sign'ficação des-
conhecida. Alem disso ele fala de corpúsculos sanguineos menores, médios c
maiores.
Conforme as pesquisas de Muttkowski resalta claramente, que todas as
diferentes formas de corpúsculos se podem unificar n’uma unica fôrma comufl»
primitiva, diferindo as diversas células sanguineas apenas conforme o gráu de
desenvolvimento ou conforme a função diferente (fagocitóse, leucockos secreto-
res, leucócitos transportadores de alimentos, etc...).
Haber provou, comtudo, que durante o ciclo evolutivo d’um corpúsculo san-
guineo pôde haver mudanças ciclicas de sua forma.
ff
100
WoLFGANO Bücherl — Os Quüopodos do Brasil
Quanto a estes fatos, afirma Weber, vemos ciaramente que é preciso ter
stuno cuidado na descriqão de diversas células ^sanguineas. Falando Verhoefp
corpúsculos maiores, médios e menores dentro da linfa, cremos tratar-se apenas
'lunia unica fórma primitiva, sendo as outras fôrmas simples derivados.
Trataremos aqui também do tecido conjuntivo, composto de elementos elas-
f>^s com muitas lacunas e vacuolos, contendo fibras musculares lisas e estriadas.
^ tecido conjuntivo enche as lacunas do corpo. (Fig. 28).
E’ composto em grande parte pelo:
Corpo adiposo : As células adiposas ou gordurosas formam geralmente lóbos
**Tegulares de forma diferente. As células são mais ou menos hexagonais tendo
'On núcleo pequenissitno no centro. O plasma contêm grãosinhos de funcção des-
^hecida. Cada célula é bem nitidamente separada da outra. As células adiposas
*cumulam as substancias de reseriM, para distribui-las principalmente aos or-
mais sensiveis, como o coração, os orgãos genitais e o sistema nervoso.
^unca são encontradas entre os musculos. Unem-se ás vezes, formando uma es-
de tecido epitelial. (Foto 6).
Os grânulos e as gotasinhas dc gordura constam de ácidos gordurosos e de
•ttbstancias albuminoides.
Células de carmim: O teddo conjunti%'0 contem certas células que aceitam
^ carmim (carminofilas), quando este é injetado no sangue. São dc origem tne-
**^uimatica e rodeiam os rasos sanguineos e as glandulas salivares (Verhoeff).
3. Aparelho reprodutor e evolução :
A'<k<7j prhias: E’ muito dificil reconhecer os sexos exteriormente. Nos Qui-
^Podos não se encontra hennafroditismo. Para a sistemática é de suma, impor-
saber,' si o exemplar é macho ou femea, porque os característicos diferem
^ ambos os sexos mais ou menos. Nos Lithobüdeos e Escutigerideos os sexos
Podem ser distinguidos facilmente, devido aos apendices genitais exteriores, dife-
*^tes em cada sexo. Ésta facilidade se torna minima, justamente na,s formas
P"andes de certos Escolopendrideos, que carecem ás vezes de todo, dos apendices.
Parotostigmineos, comtudo, tem apendices sexuais secundários.
Em nossa exposição tomamos dc modelo a Scolopendra vcridicomis da qual
^rtnos pesquisas em mais de 50 exemplares.
Os Quüopodos são opistogoncados, isto c seu póro genital termina no fim
do corpo, no segmento genital. (Vide fig. 29).
j'4 1 Mcniorias do Instituto Butantan — Tomo XIII
a) Aparelho reprodutor masculino: A parte principal do aparelho repro-
dutor do macho, os tcsticulos; estão situados entre o 4.® e 15.® segmento do corpo
Nos Gcojilideos os testículos são sempre pares e apresentara 4 tubos deferentes
(t^asa dcfercntia), que, no fim do corpo, abraçam o réto. Lithobius possue. apenas,
um testiculo, que íórma um laço, prendendo-se na parede costal, proximo ás glân-
dulas salivares.
Nos Escolopetxdtidcos o numero de testiculos varia muito, mesmo de especic
em es|)ecie e até de individuo em individuo, dep>endendo, como cremos, o mt
mero c o maior ou menor desenvolvimento deste grao de maturação. CryptofS
hortensis tem 4 testiculos (Vericoefe). Cryptops pucta'us 8-9, pxxlendo o ui-
timo ser atrofiado. Cada testiculo têm o seu tubo deferente. Todos estes tubos
dão finalmente no vas deferens comum, e mais largo.
Scolopcndra dalmatica tem 18 testiculos, e cingulata 22-24: He>-mons. 0
vas deferens forma no fim um sinus genitalis, que contém secreção granulosa de
significado desconhecido.
Scolopcndra zdridicornis tem testiculos muito bem desenvolvidos. Os testi-
culos ficam entre o intestino e o vaso dorsal ; começando no 4.® vão até ao 15-
segmento do corpx). Estão inteiramente envoh-idos pelo tecido adiposo, que ai
forma células poliedricas, muito bem separadas umas das outras. O numero dc
testiculos é 18 ou 20, estando sempre 2 ligados, de modo que temos 9-10 pares.
Os testiculos -são oblongos, com as p>ontas afinadas, encontrando-se sempre 2 pa-
ralelos. Enquanto que Heymons tem observado em Scolopcndra dalmatica, que
os 18 testiculos, elipsoides, conservam em todo o seu perairso a mesma direção,
da esquerda em cima para a direita cm baixo, em Scolopcndra cingulata 22-24
testiailos da direito á esquerda, não potlemos confirmar uma posição fixa, quanto
á especic brasileira de Scolopcndra viridicornis. Nesta a posição dos testiculos
(18-20) descreve um semicírculo, indo os da frente da esquerda para a direito c
os dc trás da direita para a esquerda, tendo no meio, todas as transições. (Vide
fig. 29).
O primeiro par de testiculos está um pjouco afastado dos outros. Existem sem-
pre curtas lacunas entre cada p»r. Éstas lacunas ainda aumentam nos 3 últimos
pares. Os testiculos são mqito brancos e facilmente visiveis. logo que se abre o
tecido adi|X>so. Entram nas mesnas ramificações finissimas das traqueas.
Em outros exemplares da mesma Escolopendra obseivamos que ex‘ste so-
mente um intcr\-alo entre o 1.® c o 2.® testiculo, não mais entre os outros.
Cada testiculo px)ssue seu proprio ^'as deferens. Todos reunem-se no vas de-
ferens comum, mais largo, que começa atrás do ultimo testiculo. Este vas defe*
rens é muito sinuoso, formando diversas alças. Sua parte dianteira é fina c delgada.
•102
WoLFGANC BCcHERt. — Os Quilopodos do Brasil
145
Sua pane posterior é muito grossa, formando 2-12 alargamentos, em forma de
caniaras, que denominarei camaras “espermatoforicas”, pois em cada uma delas
se encontra um espermatóforo. Cada camara tem no centro, no sentido venical.
'Hna saliência e uma cavidade aos dois lados. O espermatóforo está assentado
nesta saliência por meio de um hilo concavo (Vide f g. 30), emitindo duas pro-
tuberâncias nas cavidades laterais. O espermatóforo é reniforme. com colorido
entre vermelho e castanho, medindo 3mm. de comprimento c 1,5 mm. de lar-
gura. Sua casca é dura e quitinósa. No lado dorsal ésta casca possue 2 sulcos que
se cruzam, um horizontal, mais fraco, e um vertical, forte. Ostentam ligeiras cur-
Os espermatóforos contêm os espermatozóides c uma massa homogênea, fina-
nicnte granulada, incolor. Pro\'avelmcnte os espermatóforos partem-se nos If^ares
destas suturas, libertando assim os esp>ermatozoides, que são fios longos e finos
ÍSchaufler).
Os Quilopodos anamorfos possuem um par de vesículas seminaes. Os epimor-
fos carecem destas vesiculas.
Em todos os Quilopodos encontram-se 2 pares de glandulas accessorias. O
vas deferens bifurca-se em baixo, seguindo um ramo fino á esquerda, enlaçando
u réto. Em seguida unem-se de novo, formando um ligeiro alargamento, no qual
^tram os canais das 2 glandulas secundarias anteriores. (Fotomicr. 7).
Os canais das duas outras gbndulas soldam-se, entrando no duetus cjacula-
torius que termina no penis.
Pudemos também obserrar na Scolopendra viridicomis estas duas glandulas
*«cssorias, das quais as 2 maiores, ficam sobre o ^•as deferens. e as outras duas no
*ado inferior. Os cana s d’um par entram no duetus cjaculatorius e as duas outras
base do penis. Neste logar os caniculos constituem uma verdadeira rede, de
que é dificil dizer, si este fato também é verificado em todos os Escolo-
Pfndridcos.
Tomam-se necessárias pesquisas ulteriores principalmente quanto aos Pa-
^otostigmineos e Cryptopideos.
As glandulas do lado ventral são as menores. Nas glandulas pódem-se dis-
*>t>gUT muito bem as diversas células, mais ou menos poliedricas ou redondas.
F^onnam uma massa homogênea, com muitos grânulos. O ramo fino da bifurca-
^ão do vas deferens, forma o arcus genitalis. Perdeu sua função fisiológica, dei-
tando perceber, que originariamente, os prototipos dos Quilopodos possuíam um
deferens duplo. (Fotomicr. 9),
O ramo grosso constitue o tubo func onal; estreitando-se no fim. passa a
o duetus ejaeulaiorius, que dá no póro genital, rodeado pJo aparelho co-
Pnlador.
14G
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
O testículo cresce progressívamente na medida em que o animal amadurece.
Póde também formar laços e malhas.
\'erhoeff descreve magistralmente a espemiatogenese.
“O testículo é formado por uma tenue muscularis c um peritonio. Xo testí-
culo novo vêm-se a‘nda membranas celulares; estas desaparecem gradativamente
com a idade, de modo que em animais completamente adultos, desapareceram
as membranas celulares, dando logar a um amontoado de células (Syncytium)-
Os núcleos das células foliculares são muito grandes. Mesmo quando não existe
epitélio dfstinto, passam comtudo massas nucleares da perifer‘a para o centro do
folicuk). A di^’isão dos núcleos é indireta ou cariocinética.
Muitas células assim partidas, formam o material nutritivo, de modo que se
encontram :
Células nutritkm e espertnatogoneos com um nucleolo visivel.
Os espermatogonios ou células germinativas ficam sempre ma’s constrangi-
dos pelo tecido folicular, dando ^sim origem a cadeias longitudinais testiculares,
que absorvem as células nutritivas.
Conforme a necessidade podem a'nda outros espermatogonios ser dissolvidos
para serstírem de substancias alimentícias para as células germinativas. Sómente
depois deste processo as cadeias recebem comissuras transversais formando as-
sim espermatocitos.
Estes, dividindo-se, dão origem aos espermatideos. Destes, finalmente, nascem
os espermatozóides filiformes e definitivos.
Verhoeff poz todo este processo complicadíssimo num quadro muito claro:
Células indiferentes do epitélio gcrm;nativo :
células germinati\-as células nutritis-as indiferentes (syncytium)
I I
espermatogonios espermatogonios abortivos (alimento)
I
espermatidios
I
espermatozóides.
Os espermatozóides são incluídos numa massa liquida, secretada pelas acoes-
sorias, que endurece logo, formando assim os espermatójoros.
A parte grossa do vas deferens, que contêm as camaras cspermatoforicas.
aceitou, a nosso ver, a função das vesículas seminais, pois encontram-se justa-
mente nas formas, em que estas faltam. Cada camara forma desta maneira uma
verdadeira vesicula.
As glandulas genitais accessorias formam a casca dos espermatóforos e a se*
ereção, na qual nadam os espermatozóides.
104
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
147
b) Aparelho reprodutor feminino: Gimo o aparelho reprodutor do macho,
*ssim também o da femea está situado entre o tubo digestivo e o coração (Vide
%- 31).
O ovário, ent animais, maduros, extende-se até aos sarnentos da cabeça.
Originariamente o ovário era par, reunindo-se, depois na frente, de modo que
*^ultou uma alça.
Esta se estreita gradativamente, até resultar um tubo impar, mais ou me-
®os largo, sendo sempre muito comprido. O o\ario é rodeado por uma camada
de niusculos. Consta de um epitélio genital, homogêneo. Em animais jovens não
*e encontra a'nda vestigio de ovulos. Estes são sómente encontrados em adultos.
Como os testiculos assim também os ovários são envoltos no tecido adiposo.
Vide fig. 32.
Na Scolopendra viridicornis (Fig. 31) o ovario representa um tubo, longo,
*síreito no começo, alargando-se em seguida. No lado posterior estreita-se de
®ovo, entrando paulatinamente no vas deferens. O peritoneo e a musculatura
**o mais desenvolvidos no lado ventral que no dorsal; assim também o epitílio
Çfrminativo é mais forte naquele, no qual se formam o\nilos. O peritoneo é muito
fino. quasi imperceptivel. A tnuscularis também é fraca, demonstrando os mus-
^*dos estriação muito escassa,
O ovario carece de cavidade central, mas está repleto de células e núcleos,
fi^ente os ovários jovens não apresentam ainda divisões intercclulares (Syn-
fWíttm).
A disposição dos ovulos no ovario é irregular, estando óra. os ovulos gran-
des na frente e os menores atrás, óra, em disposição inversa ou então obedece a
ordem completamente espontânea. Geralmente um só ovulo ocupa toda lar-
Pira do orario, acontece porém 2 ou 3 otoIos pequenos serem justapostos no
•nesmo plano.
Entre os ovulos observam-se estádios de divisão.
A evolução dos óvos é muito semelhante á dos espermatosoider.
Todos os núcleos celulares e foliculares são rodeados por plasma originado
células do epitélio germinativo ventral, diluidas, quando chegam ao lado de
(Verhoeff). Algumas células, porém não se dissolvem; crescem muito; for-
membrana celular, fornecendo assim os futuros ovulos e as células fol culares
aderentes.
O lado ventral do ovario seria, portanto, o "germarium".
O xntelino produz núcleos vitclares. São substancias nutritiA^ts, que se
dissolvem, alimentando os ovulos desta maneira.
Nos ovulos em formação vêm-se primeiro crescer os núcleos, depois for-
®^-se núcleos e, finalmente, um anel plasmatico com membrana fina
ÍVERnOEFF).
148
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Soldani-se então as células foliculares com os o\'ulos. O plasma sincicial
diminue na proporção que os ovulos crescem. Muitos oi^onios degeneram, ser-
vindo de alimento aos ovulos definitivos.
Deste processo evolutivo, pouco claro. \*erhoeff, fez o seguinte quadro:
Em seguida as células foliculares rodeiam completamente o osailo, formando
o córion.
Devemos acentuar aqui que as primeiras fases da oc^enese ainda são
bastante desconhee das e que é muito proravel, que estudos aprofundados, nos
trarão ainda muita surpreza.
Na primeira fase as células genitais primitivas dão origem a oogonios.
Na segunda fase ariginam-se os oocitos e as células nutritivas. (Depdolla).
A terceira jase é a fase do crescimento :
a) primeiro periodo do creschnento : o oocito ainda se encontra no ger-
mario. O crcsdmento do plasma e do núcleo é diminuto. A cromaiina do núcleo
forma filamentos, que se disolvem, em srguida, em grãosinhos.
b) segunda fase de crescimento : Ésta é feita no vitelino. A cromotina
continua a dissolver-se em grânulos ; o pia mia celular crcsce muito. O ooplasnut
recebe gema nutritiva, formada pelo dcutoplasma.
O dcutoplasma consta de grânulos gordurosos e de substancias albuminoide».
No fim deste segundo periodo a casca do ovo se forma, a saber: uma membrana
vitelina, a camada periférica, formada pelo ooplasma ; e a casca propriamente dita,
o córion, originado pelo epitélio folicular.
O certon tem a consistência da substancia quitinosa, porém não é idêntico
á esta. A corionina é de origem mesodermal protegendo o ovo; permi:te. com-
tudo, a troca de gazes.
O córion da Scolopendra viridicornis principia bem grosso. Em estados
mais arançados. afina-se gradatiramente. de modo que é de presumir que desa-
pareça completamente (Weber).
O ovário é continuado pelo ovidúto. O oviduto dos Lithobiideos é impar,
emitindo em seguida um ramo que abraça o réto, unindo-se após novamente ao
tubo principal antes de terminar no póro genital. Este fato póde ser consi-
Celulas indiferentes do epitélio germtnativo i'«ntral :
cclulas germinatK-as
celuias foliculares
ovulos
células nutritivas
ovos
ovulos atrofiados (alimento).
106
WoLFGAXG BCcheiil — Os Quilopodos do Brasil
149
derado como sendo o mais primitivo dos Quilopodos. Nos Ephitorfjs, o oviduto
c sempre impar: quando houver uma curta ramificação, o ramo. que enlaça o
^■fto, é fino e atrofiado e sem função própria, como nos orgãos do macho.
Xa Escolopendra estas duas ramificações não se unem mais, entrando ambas
juntas no sinus gcnitaUs, no mesmo logar da embocadura das 2 glandulas acccs-
sorias. O oviduto direito é mais largo, conlinuando ao longo do réto. Encon-
Iram-se ainda 2-3 pares de glandulas apendiculares seminais. Uma destas glan-
dulas secreta um liquido que tem a, capacidade de conser>-ar vivos os espenna-
tosoides (Verhoeff). As glandulas superiores fornecem uma substancia que
envolve os ovos ao serem depostos. Estes ovos são colocados nos apendices
Senitais da femea. Neste logar pódem ser humedecidos constantemente pela
secreção das glandulas accessorias.
As glandulas superiores das femeas dos Geofilidcos são muito pequenas.
Na Escolopendra viridicornis sómente se encontram duas gla,ndulas accesso-
fóra dos receptáculos semina s. Êstas glandulas contem um liquido para
^^^írA-ar vivos os espermatozóides. Glandulas para humedecer os ovos, por-
'*nto, não existem. Isto é um fator importante, para pro\‘ar, que as fôrmas
P^des, sulamericanas, não sejam oviparas, mas viviparas. As duas glandulas
muito lobadas, encobrindo em grande parte o reto, os receptáculos e a parte
•nferior do vas deferens.
Os receptáculos seminais são comuns ás femeas de todos Quilopodos. For-
ampolas mais ou menos grandes (Fig. 31), que recebem os espermatozóides,
a, fecundação dos ósnilos.
O reeceptaculo, devido á sua origem ectodermal, é constituido por uma intima
*l*nt:nósa. Seu epilélio é mais ou menos glandular. .\ parede contem fibrilas
*®u*cula^es que pódem formar feixes, por meio dos quais se exerce .pressão sobre
^ receptáculos, de modo que os espermatozóides são expulsos.
c) Ontogenia e ciclo evolutivo :
Copula: Para que se efetue, é preciso que ambos os sexos se encontrem,
modo que o espermatozóide possa ser transportado para a femea. Nos Quilopo-
ainda se tem obsers-ado sómente muito poucos casos de copula. Nos Esco-
^P^ndridios grandes nada consta a respeito. Sendo estes animais muito ferózcs.
modo a não se tolerarem, é proravel, que o macho deponha os esperma-
^foros em logares, onde se encontram femeas e que estas recebam os elementos
nais do chão.
Embriogenia: Também este capitulo carece ainda de estudos mais detalhados,
***^cipalmente a embriogenia dos Anamorfos. .\ dos Epimorfos foi estudada por
^®craff (Geophilus proximus) Metschxikoff e Heymons (Scolopendra dai*
*'*^ica e cingulata). Todos estes comtudo, obtiveram resultados diferentes
^Rhoeff).
150
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Seguiremos neste capitulo as exposições magistrais de X^^erhoeff (Bronn’s
Klassen und Ordnungen des Tierreiches) , acrescentando nossas observações,
feitas na Scolopendra viridtcornis.
Os OTOS são redondos ou ligeiramente alongados, envoltos pelo córion. A
fecundação dos o\’ulos nem sempre se realiza It^o após a copula, principal-
mente nos Escolopcndrídeos tropicais, onde a femea póde guardar por muito tempo
os espermatozóides nos receptáculos seminais. A fecundação sempre é verifi-
cada. quando o o\’ulo passa perto da embocadura dos tubos dos receptáculos semi-
nais. Logo em seguida a femea desóra. As femeas dos Quilopodos de 16 pares
de patas depõem os ovos um por um. Estes ficam colocados á parte terminal,
ventral entre as ultima.s patas, sendo humedecidos constantemente pela secreção
das glandulas accessorias. Desta maneira não pódem resecar. As femeas dos
Epitnorfos depõem mu tos ovos em seguida, cuidando-os, até que os filhotes
perfurem o córion. O numero de ovos é de 15-33.
A mãe refi^’a-se então sob o sólo, numa cavidade, que da construira para
este fim.
Verhoeff, em Bronn’s “Klassen u. Ordnungen des Tierreiches”, afirma
que alguns Escolopendrideos, segimdo A A. antigos, são viviparos, o que não
passa\a de uma afirmação bem duddósa, po's Silvestri e antes de tudo, HeV-
MONS, provaram o contrario, pelo menos no tocante ás especies européas dos
Escolopendrideos. Heymons conseguiu obscr\-ar exatamente a postura dos ovoí
(no numero de 30 mais ou menos). O tempo da postura é no principio do més
de Junho. Os ovos ficam colados no ventre materno. Sómente em fins de Julho o*
filhotes abandonam o córion, trepando aos tergítos do organismo materno.
Antes de' discutir este assunto, queremos dar as noções gerais sobre o qu^
se entende em biologia sob oznparidade, ovovhdparidade e vivtparidade.
Oviparidade se verifica, quando a postura se dá antes de começar a CTOluçâo
embrionária.
Vivipar idade existe quando os filhotes abandonam o organismo matemo
sómente depois de terminada a evolução embrionária. O filhote nasce nestes
casos como larva, quando se dá metamorfose, ou então numa forma já completa-
mente idêntica á adulta.
Ovoviviparidade comprende todas as graduações entre os dois extremos, p®”
dendo ainda o animal novo nascer como germe ou embrião.
Apezar da afirmação de Heymons, no tocante á postura de ovos da ScO'
lopetidra dalmatica, devemos confirmar novamente a op'nião antiga, confonnc
a qual certas Escolopendras tropicais seriam viviparas. ou mais acertadamente
ovoviviparas.
108
WoLFGANG Bvcherl — Os Quüopodos (lo Brasil
151
Por óra ainda não pudemos obser\'ar diréramente a «viparidade. Mas, disse-
^do mu tas femcas da Scolopcndra viridicortúí, tivemos ocasião de observar
®*nipre embriões, em estados muito avançados. (Vide fig. 33).
Nestas femeas o siniK genitalis está muito alargado, formando cavidades
iterais. Nestas cavndades se encontram os embriões, geralmtnte em numera
sendo os da frente ainda menos desenvolvidos e menores que os da parte
trás. Muitas vezes encontram-se sómente 2 embriões. Os embriões maiores
deixam entrevér muito bem a futura cabe<;a com seus segmentos. Também
•odo o tronco já está segmentado, havendo também as preformações das futuras
®Oremidades, ainda que as ultimas sejam fraquisimas e quasi imperceptiveis.
ponta terminal do <x)rpo existe um apendice como résto das substancias
^Tnentares. O embrião está envolto numa pclitnila muito fina, transparente.
não é bem aperta,da ao corpo, distendendo-sce numa rede cntremalhada de
bilras e filamentos. Em caso algum póde ser comparada a um córion. Por
*^tro deste envolucro se encontra mais uma pelicula, opaca, que ostenta outros
**ntos séptos musculares, quantos são os segmentos do corpo. O colorido destes
'''^briões é escuro, um tanto amarelado, emquanto que os embriões pequenos, da
^'■ente, formam ainda uma mas'a disforme muito branca, já ostentando encur-
***nento tipicamente embrionário.
Os embriões maiores alcanc^am o tamanho de 3 mm.
Heymons. cm “Entwicklungsgescnichte der Skolopender, Bibl. Zool. 1901”.
*^'rina que as Escolopendras são oviparas. Acrescenta porém, que algumas pos-
'***1 ser vtviparas mesmo que este fato ainda não esteja comprovado. Descreve
^^**^mcnte a postura dos óvos da Scolopcndra europea: “A postura dos óvos
^ ffita numa pequena cavidade de 3-8 cm. de profundidade. O numero de óvos
* 15-20, no máximo 33. Sendo a superficir do ovo viscosa, forma-se um
*8lomerado de ovos, (X>lados uns nos outros. Os ovos são muitissimo sensiveis e
'^bcados, sendo impossivel, mesmo com o máximo cuidado, conserva-los vivos.
*^*•*000 afastados do ventre materno. Perecem poucos dias após. O simples
^oníacto com a terra c suficiente, para que pequenos grãos de terra adiram aos
infeccionando-os. Os ovos estão presos entre as ultimas patas maternas,
humedecidos de vez em quando pela secreção glandular. Seceo, o ovo
imediatamente. A femea revista os ovos frequentemente, separando os
**'’’3gados e devorando-os, afim de não contagiarem os bons. Também protege
' 'Irfcnde sua cria, principalmente com as ultimas patas. Si ela for acossada
^endo movimentos bruscos, pode acontecer facilmente, que os ovos caiam, sendo
desprezados pela femea. Durante todo este periodo, que póde durar algumas
****^nas, a femea. tendo toda ésta carga de ótos entre as ultimas patas, devendo
k*'otfgç.]Qj contra o contacto com o solo. imobiliza-se completamentc. Não póde
*”^tar-se nem siquer beber agua.
1Õ2
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XJII
Ésta oviparidade póde ser muita certa e pro\'ada nas Escolopendras europeus,
que são de tamanho diminuto, em comparação com as nossas especies, que
merlem mais de 20 cms.. Como acabamos de dizer, conseguimos extrair embriões
de 3 mm. da Scolopendra inridicornis. Si estes embriões antes de serem expe-
lidos do organismo materno fossem incluidos numa casca de ovo e em seguida
colados entre as ultimas patas da mãe, então se originaria um aglomerado considf
ravel, do tamanho de alguns cm.. Impossivel seri^ proteger ésta massa contra o
contacto com o solo; impossivel seria também, caberem todos os ovos entre a»
ultimas extremidades do animal adulto.
E.‘itanios convencido, portanto, no tocante á Scolopendra viridicornis, c
talvez também quanto ás ouíras especies grandes do Brasil, aparentadas com
a x-iridicornis, a Scolopendra gigantea e Scolopendra subspinipes, tratar-se, sinão
de ziviparidade, pelo menos da ovoziviparidade. Fatores, que aconselham ésta
conclusão, podem ser aduzidos muitos, como o fator da ausência do segundo par
dc glandulas genitais accessorias, justamente este par, que tem a função dec
secretor um liquido para humedecer constantemente os ovos póstos. Um outro
fator é que os embriões se encontram sómente no numero de 3-5 na femea,
enquanto que nos exemplares que põem ovos, estes são sempre em numera
acima dc 15. O jator biológico mais importante é, sem duvida, o germe
ler percorrido no organismo materno as primeiras fases da evolução embrionário,
de modo que se póde percelier perfeitamente a segmentação e as preformações
prim'tivas das futuras patas, emquanto que, conforme a definição da oviparidade,
a evolução embrionária só principia quando o ovo se encontra fóra do animal
adulto. Neste ponto o magistral Verhoeff é um tanto obscuro, pois fala em
sua obra da evolução embrionário, sem nunca citar o momento tm que o ovo c
expelido do organismo materno; pelo contrario, dá a entender que a ez-olucã-i
se perfaz, quando o ovo já se encontra fóra.
Comtudo. mais ad ante, mostra uma figura de um embrião, em estado
muito avançado já, dc modo que se vejam perfeitamente todas as patas, afit'
mando que é um embrião “e.rtraido do organistno materno”. Conforme a
definição biologica de Weber sobre ovo- e vhiparidade, Verhoefe se contradiria-
A ontogenese dos Quilopodos compreende uma série de trasformações.» a
começar da fecundação, passando pela evolução embrionária ou embriogenese,
percorrendo a fase postembrional ou metamorfose, até chegar ao estado definitivo,
o animal perfeito, jovem. Também este ainda percorre diversos ciclos, ate
atingir a maturação sexual.
A evolução é seguida pelo per odo da senexeneia e. finalmente, pela mort^-
A Embriogenese abrange todos os processos, que fazem com que um óvulo
unicelular forme um organismo pluricelular, independente. A fase embrionan*
termina geralmente quando o filhote abandona o ovo (Quilopodos otn poros)
ou o organismo materno (Quilopodos ovoviviparos ou viviparos).
WoLFGAXG Bücherl — Os Quilopodos do Brasil
133
Divide-se a embriogenese em 4 períodos, a saber:
1 . o período da segtneniaíão do ovo ;
2. o período da formarão das camadas;
3. o período da formação dos orgãosy
4. o período da diferenciação histoíogica;
A segmentação'. A segmentação compreende uma série de procesMs mitó-
*^os sucessivos, que dão em resultado a formação de células cada vez menores
® mais diferenciada^. A s^mentação depende em grande parte da presença
^ distribuição do vitélio nutrith-o, ou das substancias de reserva contidas no oto.
j O vitélio se apresenta sob a forma de esferas ou gotas, formando uma massa
•^tite, que resiste á segmentação. O vitélio ou deutoplasma es:á distríbuido
dentro do ovo dos Quilopodos mais ou menos simetricamente. O ovo dos Chi-
^Podos é um tanto centrolecital e muito rico cm xnlélio. A segmentação é
^Porentemente total. Não ha blastema. Rigorosamente falando a segmentação
® nperficial. Começa com a divisão mitotica do núcleo central. Estes novos
“'^cleos. rodeados por ooplasnta, migram através do deutoplasma cm direção á
P^ifería do ovo. Ai sofrem divisões ulteriores, atingindo finalmcnte o "blas-
‘fnia” periférico.
Estando agora complctamcnte fóra do âmbito do deutoplasma, também o
plasma começa a segmentar-se superficialmente. Deste modo orígina-se
camada celular, epitclial, perifcríca, o Blastoderma (Weber).
Temos agora a massa vitelar no centro, e uma camada germinatkia, super-
^^1. Por fóra.
O polo animal é constituído de uma só camada celular, enquanto que o
P^lo vegetal, vitelar, consta de varias camadas.
Pormação das ceanadas: No polo animal as celulas dirídem-se acelcrada-
indo muitas para o interior do ovo. Também o vitélio, já separado em
celulares, caminha para o interior do ovo.
As 3 camadas celulares, o ecto- ento- e mesoderma, portanto, üriginan>sc
imigração celular e vitelar das zonas polares e circumpolarcs.
^ Desta maneira começa a formar-se o germe, na sentido de trás para diante.
^ Mesoderma forma duas faixas divergentes, que iniciam num ponto comum,
'•'^soderma é de origem ectodermal.
Gastrulação não existe nos Quilopodos.
As celulas, que estão por entre as fai.xas mesodermais, transformain-se em
^*>las mesenquimatosas. As macromeras do vitélio fornecem o endoderma.
^ O futuro embrião fica préformado numa parte do lado wntral e numa zona
Ambas éstas zonas são unicelulares no começo.
154
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Formarão dos orgãos: Ko germe embrionário acentuam-se, em primeiro
logar, 3 segmentos primithos, no lado posterior. Ainda não foi possivel des-
cobrir si estes segmentos desaparecem de novo, durante a formação ulterior, ou
si resultara os orgãos definitivos dos mesmos (Verhoeff). Em seguida salien-
tam-se 2 outros segmentos, logo adiante dos 3 primeiros, e um outro atras
destes 3. Na mesma medida, que se originam novos segmentos, alonga-se gra-
dati\’amente o germe. Bem distante, destes 6 segmentos, salientam-se maU
4 segmentos. Diante da boca origina-se a placa cefálica impar, e atrás da
mesma, as indicações deu futuras antenas. Pouco depois seguem os outros
segmentos cefálicos, sendo os primeiros as fcfrcipulas, que constituem um segmento
muito bem desenvolvido; em seguida os segundos ma.vUares e os segmentos das
extremidades do corpo. Por ultimo se formam os segmentos dos primeiros
xilares e as mandibulas. Entre as antenas e as mandibula,s existe uma distancia
relativamente grande, nascendo neste local um outro segmento primitivo, n
preforcipular.
Ao segmento forcipular seguem, nos Escohpendrideos, os 21 segmentos da*
extremidades, que, no começo, em nada se distinguem dos segmentos cefálico*»
Todos juntos parecem simples estrias transversais mais ou menos estreitas ®
distantes umas das outras.
Ao ult’mo segmento do tronco segue o segmento do telsori, e adiante ainda
um segmento muito estreito, intermediário.
Resumindo, podemos fazer a seguinte tabela da segmentação primitiva:
a) segmentos cefálicos:
1 . placa cefálica impar ;
2. tubérculos antenais, pares:
3. segundos maxDares;
4. s^mento forcipular, muito forte.
b) segmentos do tronco:
5. -25 : os segmentos das extremidades Escolopendrideos) :
c) Mais outros segmentos cefálicos:
26. primeiros maxilares;
27. mandibulas.
d) segmentos finais:
28 . segmento intermediário ;
29. telson.
WoLFGANO Bixherl — Os Qnilopodo^ do Brasil
155
Xo lado ventral os segmentos se unem paulatinamente, fazendo desaparecer
* fa xa ventral. Terminada, porém, a s^mentação. se afastam de novo, dando
®*%em a uma nora faixa ventral.
Pela formação dos folhetos ou das camadas e pela, segmentação sucessiva
diversas zonas, o germe no principio uniforme e achatado, se transforma
^ embrião segmentado. Este, no começo, conser\-a ainda a forma achatada.
Em breve, porém cresce por cima do vilelio, recebendo assim a forma definitira.
A segmentação exterior dos Quilopodos prindpia sempre com um alarga-
da ponta apical (protocefalon).
As extremidades ficam préformadas por um par de entumecimentos curtos,
**Tedondados. que se dist'nguem logo em seguida cm 3 partes:
uma protuberância mediana;
uma, sxcção exterior;
uma secção interior.
As extremidades do tronco não se desenvolvem conforme á sua posição no
^*Po, mas segundo sua função fisiológica. Assim, logo em seguida ou mesmo
‘miultaneamcnte com a formação das fordpulas também se originam as ultinuis
Deste fato se percebe a analogia destes dois segmentos dos Quilopodos,
**”*0 assim que podemos chamar as ultimas patas de "segmento fordpular ter-
®>inal”. Abaixo do clipeo, percebe-se uma prega da pele, que rai produzir o
(Verhoeff).
Durante este ciclo evolut vo nascem ainda apendices postorais, que formam
^fnntenas embrionários. E’ ésta uma formação, dc grande importância filoge-
'**^iea, pois demonstra claramente a descendeneu^ dos Quilopodos e o seu paren-
intimo com os crustáceos. As préantenas embrionárias mais tarde desa-
P*'‘ccem. O acron ou placa cefalica é preoral.
Os gânglios nervósos ventrais são préformados por duas faixas longitudi-
finas, tendo saliências em cada segmento.
Finalmente alargam-se as faixas longitudinais. O germe se curva entre
® ttono e o decimo segmento, dividindo assim o vitélio em duas partes. O ovo
**^ta-se.
Aparecem agora na membrana veniralis os esternítos e na membrana dor-
Os tergitos. O vitélio penetra pelo corpo; a forma do germe se acentua
nitidamente. Agora podemos falar de um embrião verdadeiro.
Aparece já uma cuticula tenra, A-itrea, amarelada, com um dente primitivo,
longo (Einzahn), colocado no segundo maxilar.
^este estádio encontramos os embriões, que conseguimos extrair de di-
^^sos animais da espede Scolopendra viridicomis. (Figura 33). O córion
**^*^^ta no meio, e após alguns dias a cuticula embrionária é renorada.
113
cm
SciELO,
11 12 13 14 15 16 17
156
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
O embrião entra no estado jeial.
O feto cresce rapidamente, gastando sempre mais reserva alimentida, o
iritclio. E’ bem possivel, que nas formas ovovivíparas, onde o vitélio não c
tão bem desenvolvido como nas osnparas, o feto seja alimentado dirétamente
pela secreção leitosa das glandulas accessorias. De fato, quando se fazem cortes
na região genital de uma femea, ferindo uma destas glandulas vê-se perfeitamente
escorrer o suco leitoso, muito branco.
Agora o féto troca a cutícula pela segunda tfr. Reveste-se de pele no>'at
que, no principio, mostra nit damente a estrutura celular de quitina (parece nffl
mosaico poligonal) : é o primeiro estado da adolescência.
O animal, neste estado ensaia os primeiros movimentos locais. Mas aind*
pennanece no lado ventral da mãe. Esta defende energicamente sua próle-
Quando algum perigo ameaça, distende as ultimas patas em atitude de defeza-
Faz movimentos bruscos; dá saltos ameaçadores com a parte dianteira do corpOi
de modo que o agressor, conhecendo a terrível eficac'a do veneno, fi^
anKdrontado.
Comtudó afirma Heymoxs, não se póde falar numa afeição especial que *
mãe tenha para com seu filhotes. Pelo contrario, aqui se trata apenas de um
processo inconsciente, mecânico, de movimentos reflexos do sistema nervoso, pr®"
vtxrado p>ela postura dos ovos e p>elo contacto dos mesmos com a, região genit*^
materna.
Heymoxs consegu’u afastar os ovos da parte ventral da mãe, sem que d*
o percebesse, substituindo-os por um pequeno pedrt^lho aredondado. A feme*
protegeu esta pedrínha durante 8 dias, sem notar a diferença. Neste ponto somo*
forçados a fazer uma pequena observação: primeiro o A. afirma que os ovo*
são qua^i diariamente revistos pela femea que ingere os encontrados em nús
condições, afim de imped r a contaminação dos bons. óra si ela conserva^ [|
durante 8 dias uma pedra, protegendo-a como sendo um ovo perfeito, excluindo
a hipótese de não poder distinguir um ovo de uma pedra, devemos constatai
uma certa incoerência ou mesmo contradição nas afirmações do ilustre A.
Após os primeiros movimentos locomotórios no ventre materno, os íUU'
maisinhos se aventuram também a trepar para o lado superior do organisin®
materno. Uma vez ai, abandonam completamente a mãe, ficando porém sciU*
pre ainda nas imediações e sob os cuidados da mesma.
Após uns 30 dias efetua-sc uma nova eedise, pois o crescimento c bastante rá-
pido e a quitina não é elastica. O animalsinho tem agora o tamanho de alguns ou-
(Falamos sobre Escolopendrideos) .
Diferenciação histológica : Por conveniência e para dar maior clareza ao qu**
dro evolut‘vo, tão complexo em si, costumamos separar a ontogénese nos 4 p^
Üt
WOLFCAXG BCcHERL
Os Quilopodos do Brasil
157
^^os, sem pretender com isto, que os 4 ciclos estejam separados nitidamente
do outro. Pelo contrario, encontra-se uma transição continua de um periodo ao
tornando dificilimo classificar lun caso determinado a algum periodo.
Das paredes de celotna diferenciam-se os orgãos mesodermais, originando-se
^ préformação do sistema nervoso. O entoderma come<;a a formar o tubo diges-
*^'■0 médio. — em uma pala\-ra: o per‘odo de formação das 3 camadas passa ao
P^odo da diferenciação histológica.
Em linhas gerais póde ser estabelecido o seguinte:
.1. O Ectoderma forma o exoesqucleto e os elementos quitinósos interiores;
glândulas epidermais; os orgãos sensoriais; o sistema nervoso; o sistema res-
P'tatório ; o stomodaeum e o proctodaeum e a maior parte do aparelho genital.
2. O entoderma fórma o intestino médio (.\fesenteron).
3. O mesoderma dá arigem á musculatura; aos epitélios das vias genitais ; ás
**”«das peritoniais do intestino e dos orgãos genitais; ao aparelho circulatório;
*** diafragmas e outros orgãos pulsáteis ; ás peles epitcliais conjuntivas ; ao corpo
**Jiposo e seus derivados, como os orgãos fosforescentes. O ultimo ainda é um
incerto, sendo necessárias experienc’as ulteriores (Weber).
O mesoderma forma a parede ventral somatica das camaras celomaticas (so-
‘****'>plcura), e a, parede dorsal, visceral dos mesmos (Splanchnopleura). .-\s
paredes, somatica e visceral, são unidas no principio, separando-se somente
farde, dando logar ao ccloma, cujas camaras se desenvolvem de frente pa-
trás.
Cada peça formada tem sua própria cornara celomatica:
O segmento préantenal tem 1 camara celomatica.
O segmento anteruü tem ” ” ” ”
O segmento prémandibular ” ” ” ”
As mandibulas, os los. e 2os. maxilares, as forcipulas e os 21 segmentos das
**l*’«indadc possuem cada um, 1 par de camaras celomaticas, enquanto que a
^*9ião genital apresenta 2 camaras celomaticas; o telson carece do mesmo.
Eortanto, o interior das patas também c revestido de celoina. O resto do
**’**^crma reveste o stomodaeum, proctodaeum e a região do clipeo e do labro
^'^^ItOEFF).
Um grupo de células se isola, na parede somafea. ladeiando o ectoderma e
®^endo os musculos longitudinais do dorso. A musculatura longitudinal do
tem a mesma origem como os musculos das patas.
U celoma também dá origem aos cardioblastos e aos musculos cardiacos em
^^1. que ficam na junção da parede somatica com a visceral.
138
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
O cndodertna é revestido por uma camada celular, mesodermal, splanchnictí-
Os cardioblastos formam os \'asos sanguíneos cardíacos; os \-asoblastos as aortas
(Verhoeff).
A adventícia do coração é formada por células mesodermais. vizinhas
cardioblastas. Os osHolos correspondem aos dissipimentos, sendo formados pch»
acumulação dos cardioblastos.
O \-aso ventral é analogamente formado.
O peritoneo intestinal é formado pela parede visceral celomatica. As célu-
las restantes da parede somatica fonnam o corpo adiposo. O corpo adiposo au-
menta na mesma proporção em que d minue o vitélio. A advertência do sistema
ner^•oso, o perimisio da musculatura e o interior da matrix das traqueas,
tambem deri\-ados do corpo adiposo mesodermal.
O ectodcnna é constituído por uma camada unicelular. A cutícula, no pnu-
dpio, possue uma só camada. Sómente nos estados mais desenvolvidos se distu**
guem as tres camadas já conhecidas, sendo a interna a mais grossa. As glandul»*
são simples células hipodérmicas maiores. E’ interessante o fato de a glandul*
de veneno ter o poro de saida na base do jerrão. Sómente com a idade do an>'
mal ésta abertura caminha sempre mais para a frente, encontrando-se perto d*
ponta dos ferrões em animais completamente adultos.
Origina-se desta maneira o canal de iveneno. Os estigmas tambem possuc**
origem ectodcrmal. assim como o sistema nervoso. E’ formado por cclulas ecto~
dermais. que se desprendem da superfície do germe, migrando para o interiof-
Unindo-os numa massa, dão origem aos gânglios: migrando isoladamente ao inl^
rior. formam* a cadeia ganglionar.
No principio as duas cadeias ventrais são separadas pela membrana veu*
trai. porém mai.s tarde se soldam completamcnte. de maneira que resulta uu^
gattglio impar.
PoRTER não tem razão ao afirmar que cada gânglio mostra tambem comi“
suras transversais. Ainda que prim'tivamente tenha havido 2 gânglios cm
segmento, estes, comtudo. se soldam totalmente. O gânglio siibesofageano df*’*
nitivo é formado por diversos gânglios, como se verifica claramente no embri»'*
dos Ouilopodos. Soldam-se o gânglio mandibular e os dos 2 maxilares.
O cerebro dos F.scolopcndrideos resulta da soldadura de 4 préformações:
1. dc im« preformação préoral. impar: Arqmctrtbre".
2. dc duas préfonnações pré-orais:
lobus frontal**'
tamina dorsal**'
lohus opiic**’
3.
de 3 gânglios, pares, post-orais, distribuidos em ordem metamerica
pelos segmentos pré-antenal. antenal e pré-mandibular
protoceríbro;
deuterocerebra,
tritocerebro.
4. de uma seccão pré-oral, impar, do sistema nervoso visceral : { pons cerebri-
116
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
1Õ9
Segundo Verhoeff a préformação do arqui-cerebro precede a das ex:rc-
®*^des. Na r^ão do clipeo o ectodenna se toma pluricelular. O arqui-cerebro
* solda consecutivamente com as outras partes cerebrais, a saber com o lobus
hontalis, que se origina das cavidades laterais, e com a lamina dorsalis, oriunda
caridades medianas. Os gânglios do segmento pré-antenal formam a ligação
®ire o proto- e o deutero-cerebro.
O sistema nervoso visceral é préformado pelo "pons cerebri”. Células gan-
t^ionares da parede dorso-mediana do stomodeum dão origem ao nervus re-
^^ens.
Na linha mediana dorsal isolam-se células ectodermais, formando o nervo
«lorsal.
Órgãos fontais estão em comunicação com o lobus jronlalis por meio do
de Tõmõsvary. Este ultimo nerve perdeu nos Escolopendrideos sua fun-
^ íisiolt^ica de nervo sensorial, pois não chega a tocar a pele de quitina. como
^ temos visto.
Verhoeff apresenta uma tabela muito clara, sobre a origem das diferentes
^rtcs cerebrais:
LCXJAR DE ORIGEM: — L0C.\LIZ.\Ç.\0 PRIM.^RIA
arqui-cercbro-clipio
lamina dorsalis cerebri: — cavidades medianas
l^^oeerebmm : lobi froolales
^yneerebrum: lobi optici
l^^otocerebrum : — prae-cerebrum
^*'^ercbnnn
l^eulcrocerebntm: — lobi olfactivi an-
tcnales
^*tacerebrum
1’’^tocerfbfiim: — lobi postantcnalcs ;
laterais
pré-antenais
antcnal;
pré-mandibulares ;
prí-oral;
f* *•
1 segm. postoral;
2 segm. postoral ;
3 segm. postoral ;
Comparando o cerebro dos Quilopodos com os dos Insétos, observa-se uma
^^‘'t^rdancia quasi completa:
esro dos Quilopodos: Cerebro dos Insétos:
L/J"''cerebro parte anterior da comissura supraesofageana ;
lJ*"* dorsalis cerebri lobus tertius procerebri;
frontalis ” secundus " ;
lontalis entumecimentos intergangliares ;
®Pticus lobus primus optiou procerrfjri;
ocelos laterais, facetados;
j °^ebnim ainda não descoberto (ausente?)
|^**cocerebrum deuteroccrebnnn :
^'‘^ebruni trítocerebrum.
117
cm
SciELO,
11 12 13 14 15 16 17
160
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
1 1
%
V •
í
p
Verhoeff vai ainda mais longe, tentando estabelecer um quadro sinóptico
entre os Miriápodos em geral, os Quilopodos, os Inséfos, os Aracnídeos e os
Crustáceos, no tocante aos segmentos primitivos do acron.
Miriapoda
Insecta
Acron (Acron)
(Protocefalon)
1.
meUmero:
(segmento préantenal)
2.
n
segmento antenal
3.
tf
(segmento prémandibular)
3.
n
” mandibular
5.
tf
primeiro maxilar
6.
n
segundo maxilar
7.
f*
ausente
(Protocefalon)
segmento antenal
" prémandibalar
” mandibular
primeiro maxilar
segundo maxilar
ausente
Arachnidia
Crustacea
Acron: (protocefalon) (Protocefalon)
1.
metamero: ( ”
)
(
)
2.
n
segmento dos chelicerios
segmento
das antenulas
3.
f*
ff
” pedipalpos
t*
antenal
4.
«•
1.
das extremidades
*•
mandibular
5.
**
2.
de
1.
maxilar
6.
f»
3.
ff ff
2. **
ff
7.
f*
4.
ff ff
ausente.
(Os nomfs nitre farenteses indicam que a peça cm questão cjrect
de afendices proprios).
Examinando bem a presente tabela, vê-se nitidamente que existe uma grande
aproximação entre Insetos e Quilopodoí, não, porém, entre Quilopodos c CruS'
taceos, nem entre Quilopodos e Aracnídeos. Chegamos assim á conclusão que»
pela ontogenese não póde ser explica.da a origem monofiletica, dos ArtrópodoSt
nem mesmo dos Traqueados.
O quadro sinoptico é um tanto forçado, carecendo, ás vezes, mesmo de fu*'*
damentação solidamente cientifica.
Escleritos: No periodo fetal as placas dor.sais e ventrais são ainda tr!part»*
das. Uma membrana fina e transparente separa no lado ventral e dorsal* os ter*
gitos. Progressivamente unem-se mais e mais. até restar apenas uma fenda muit®
estreita, os 2 sulcos longitudinais ou episcutais, vis'vcis em muitas formas adulta*
dos Quilopodos. Ainda resta estudar as formas, que não apresentam estes sulcos-
O motivo da tripartição dos escleritos ainda é um tanto obscuro. E’ possivc*
que ela favoreça a inserção muscular de um lado, salvaguardando a flexib lidadc
corporal, principalmente nos animais, onde as camadas quitinósas dos tergitos sío
muito fortes. Êsta, também é a razão, porqxK os sulcos são muito fracos nos estef*
118
WoLFG.VNG Bücherl — Os Quilopodos do Brasil IGl
nuos. Aí a quitina nunca ch^ á mesma grossura, permanecendo sempre mais
fraca e delgada, e consequentemente mais flexível. Alias não ex‘ste analc^ia en-
fre Os sulcos dorsais e ventrais, diz Verhoeffí, porque os ventrais são sempre
'rm ^ant apagados. Em nossas pesquisas, feitas com a Scolopendra vtrídicornis e
cni alguns Parolostigmincos, pudemos obser\-ar, comtudo, que também os sulcos
Tentrais merecem o nome de verdadcTos sulcos, emquanto que em outras for-
mas desapareceram quasi completamente. Atribuímos este fáto, não tanto á on-
togenese diferente, mas ao uso fisiologico di\-erso, isto é: sendo a camada de
Quitina dos estemitos muito fina, e sendo, por isso mesmo, o estemíto sempre
f>astante movei, não é preciso que a’nda esteja tripartido, emquanto que o ter-
Pto. uma placa enorme, de quitin^ extremamente dura,' obstaria a uma movimen-
*a<;âo rápida, si não fosse dividido cm tres partes.
Os pré-tergitos e pré-estemítos formam um sarnento intercalar, rudimen-
que é mais desenvohido nos Geofilideos, mas também em alguns Parotostig-
^ineos do Brasil.
Extremidades: Conforme já vimos cm outro logar, quando falamos da loco-
‘*’oção e transformação fisiológica das patas, podemos observar ontogcncticamente
a formação das diferentes partes das patas, principalmentc da, coxa, que constituc
^ elemento essenc al das extremidades.
A sincoxa ou simplesmente coxa divide-se cm: eucoxa, muito movei; e em
f^ipocoxa.
Ésta ultima se subdivide em:
Procoxa: — a peça principal, que permanece quasi imóvel, constituindo desta
***aucira a base de resistência que suporta todo peso da pata;
Meíacoxa: — ésta constitue dc novo uma peça muito movei.
Conforme já verificamos, estão soldadas nos Anamorjos a procoxa e a meta-
As diferentes peças da hipocoxa servem de transição e de esteio entre a
^coxa e o esterniio. Este fato foi muito discutido, sendo confinnado novanwnte
Mi inserção dos musculos motores, que se orig nam no esternito e não na hi-
Poeoxa.
A unlia forcipular, que constitue a pinça inoculadora de veneno, é no começo
verdadeiro a,rticulo. Sóemnte no decurso da evolução e da edade do Quilo-
f'°<lo, se quitiniza. Devido á função fisiológica das pinças, a «juitina se torna pro-
^*'cssi\-ameme mais grossa c resistente. .\ quitinização das unhas terminais das
procede analogamente. Mesmo em anima's completamcnte adultos obserra-
Que a base das unhas é formada por um verdadeiro articulo, de quitina mais
^ nienos fina, emquanto que a própria unha demonstra quitina dura e preta.
°nanto, melhor e mais corréto seria contar 8 artículos das extremidades, sendo
Articulo da unha nada mais que o terceiro tarso.
162
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Xas íorcipulas soldam-se uma parte da coxa e do estemíto, constituindo o co-
xosterno {Eptmorjos). Xos Escutigerídeos ésta união desaparece secundariamente.
Telson e segmentos genitais: O segmento intermediário entre o ultimo da
extremidade e o telson divide-se em duas secções, dando origem aos segmentos
•genital e postgenital. Estes gozam, no principio, de gânglios ner>’osos, ainda que
muito rudimentares e de saquinhos de celoma como tarabem de préformações de
extremidades.
Éstas desaparecem no segmento postgenital. ficando, porém, conservadas no
genital, formando diminutos apend'ces. O sarnento postgenital é mais estreito quc
o genital e é retrátil. Também o genital pôde ser retraido para dentro do ul-
timo segmento do tronco, de maneira que ambos estes segmentos desaparecem
eompletamente, principalmente nos Escolopendrideos. São eréteis pela pressão
sanguinca.
Em an’mais adultos o estemito genital é muito bem desenvolvido, possuindo
uma sutura mediana nas femeas, enquanto que nos machos encontra-se, de cada
lado, um apendice genital em forma de estilete. Elstes apendices são os restos de
verdadeiras patas bem visíveis nos machos dos Escolopendrideos.
O» tergitos do segmento genital e postgenital são completamente soldados-
O telson forma tres operculos, que fecham o anus: a lamina supraanaüs e
duas laminas adanais. A estas se une ainda uma laminasinha muito delgada c
fraca, a lamina subanalis, diante da mesma está situado o poro genital.
Órgãos visuais: As préformações ocelares já se tomam perceptíveis durante
o periodo fetal. No local, onde se formam os ocelos. o ectoderma se toma pluri-
celular. Em 4 logares determinados afundam os núcleos celulares dentro do te-
cido e vêm formar as células visuais. Novas células ectodcrma's se sobrepõem
e, prolongando-se, dão origem á membrana visual externa. Estabelece-se, por den-
tro. um espaço, preenchido, consecutivamente, pelas células visuais interiores, com-
pridas e com apendices plasmaticos. que formam os estiletes visuais. As própria'
células dão origem á retina.
As células visuais exteriores, rizinhas á membrana, também se prolongam,
formando as neuro-fibrilas. O ocelo primitivo solda-se ao gânglio ótico dando
origem ao ners’o ótico. O pigmento basilar da retina é formado sómente apó'
a primeira renovação aiticular.
As células lentigenas produzem uma camada quitinósa. muito fna e ritrea,
que. após o estádio fetal, rec:b? a fomn e convexidade de lente.
Seria interessante fazer observações, si, nas formas cégas, existem préfor-
mações embrionárias de orgãos visuais. Nós mesmos, por óra, não podemos fazer
pesquisas, neste sentido; suponhamos porém, que também se encontre preíor-
mação v sual nas formas cégas e que sómente mais tarde ésta préformação venha
a desaparecer, analogamente ao desaparecimento do orgão tõmõsvarvano do*
' WoLFOANO Bucherl — Os Quilopodos do Brasil • 163
^colopendrideos. Éíta afirmação nos parece ser confirmada pelo fato, de existi-
rem muitos Quilopodos que não ostentam olhos, mas simples plaquinhas vitreas,
*eni pigmento e retina.
Isto corresponderia a uma atrofia secundaria por falta de uso destes or-
¥^ 0 ', principalmente nas formas subterrâneas.
Aliás também nas formas, que vivem á plena luz do dia. a força risual ê
diminuta (Verhoeff).
Órgãos genitais i Como já Anmos. quando tratamos do animal adulto, tam-
no embrião os orgãos reprodutores estão colocados entre o vaso dorsal jaiI-
*^ril e o tubo d gestivo. O celoma é preenchido por células genitais de or gem
cpitelial. Então não ha mais prt^resso na formação dos orgãos reprodutores, nem
^smo nos estádios, chamados de “adulescens”.
A diferenciação sexual se acentua sómente no individuo já bastante desen-
^Ivido e de tamanlio muito avantajado (3-5 cm.: — Verhoeff).
Tivemos ocasião de autopsiar Escolopendras do tamanho respeitável de 8
^ent metros, não encontrando testículos ou otários nos mesmos, .^ntes de chega-
'*^cm á madureza sexual, obsen-am-se, nos machos, vesículas seminais, e nas fe-
ovulos. envoltos em epitélio achatado.
Intestino: O stomodaeum e o proctodaeum são, como já vimos, de origem
*Wodermal, enquanto que o intestino médio c formado pelo endoderma. A mus-
^ttlatura do tubo digestivo é fornecida por células mesodermais. O stomodaeum c
® prinKiro a desenvolver-se ; segue então o proctodaeum. Xos Quilopodos o vi-
tclio penetra no intestino médio (Verhoeff). Por ocasião da eedise também o
^'télio do intestino médio é substituído, sendo sempre regenerado por determi-
**»das células, que conservam em alto gráu a capacidade da d Ansão mitótica. O
*P'téIio entodcrmal do intestino médio é formado por uma parte de micromeras,
^do a outra parte absorvida, juntamente com as macromeras. para a formação
vitélio embrionário, que ser\-e de alimentação ao germe (Heymons).
Si considerarmos que o mesmo epitéro do intestino médio é formado, nos
^^nelideos, por macro- e micromeras entodermais, e nos Pterygota por células
*^odemiais. sendo o entoderma primitivo inteiro transformado em vitélio, então
a segunda pro\-a da origem porfiletica dos artrópodos e vermes.
d) Desenvolvimento vpós ruptura dos ovos: Percorrido o período da seg-
^*ntaf(io (segmentação do ovo até a formação completa do blastoderma) ; trans-
Posto também o estádio da formação das camadas (Segmentação do germe; dife-
•^^nciação do protocefalon ; formação da camada inferior) ; terminada a formação
'los orgãos (aparece a lacuna neural e as antenas) ; formam-se as extremidades ce-
filicas e os apendices do tronco; fazem-se o stomodaeum e cm seguida o procro-
acentuam-se os tubos traqueanos; prolongam-se. finalmente a_s extrem'-
os poros de saida das traqueas se transformam em estigmas; a lacuna
164
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
neural prolonga-se;) : o embrião rompe o primeiro envolucro; pronta, finalmenie
a diferenciação histológica (aparece o vaso dorsal ; acentua-se a pigmentação dos
ócelos; a^ ramificações traqueanas se enchem de ar; o embrião forma os escle-
ritos e pigmentos; a movimentação ativa inicia-se), passados todos estes periodos
é chegado o momento em que o ovo é rompido (nas formas oviparas), ou então
a larva abandona o organismo materno.
Inida-se agora a evolução postembrional.
Ericu Haase, Latzel & Verhoeff fizeram observações sobre ésta evolu-
ção. Cada um destes AA. fez uma tabela própria dos diferentes estádios a serem
percorridos pelos Quilopodos jovens. Falamos de epitnorfóse: — quando o ani*
mal abandona o ovo, sendo provido já de todos ps orgãos e do numero definitivo
de patas e sarnentos. Verifica-se atuífnorfosc: quando o Quilo podo nasce com
pequeno numero de orgãos definitivos apenas, devendo ele perfazer diversos es-
tádios, durante os qua's se aperfeiçoa, até atingir o tamanho normal.
Conforme éstas duas fases evolutivas diridem-se os Quilopodos em Epimorfos
e Anamorfos. Mas com ésta divisão não se exclue, que se encontre uma certa
transição entre as duas fases, podendo um grupo perfeitamente ter desonvolvi-
mento anamorfo durante alguns estádios, e epimorfo durante outros, como se
verifica nos Escolopendrídeos e Escutigerideos. Este delo evolutivo é denominado
" hemianamorfose” (Verhoeff), Latzel divide os estádios a seran percorridos
durante a evolução post-embrional em estádio de:
1. Pullus;
2. Puer ;
3. Juvenis ;
4. Junior ;
5. Maturus.
Verhoeff, tomando em consideração a hemianamorfose, tem ainda mais
div'sões :
1 .
2 .
3.
4.
5.
6 .
7.
8 .
9.
10 .
11 .
Foetus ;
Larva prima;
Larva secunda;
Larva tertia;
Larva quarta;
Larva media.
estádio de anamorfose;
Slalus agenitalis;
S tatus imtnaturus;
S tatus praematurus :
Status pseudomaturus ;
Status maturus.
estádio da epimorfose.
WoLFGANO BCxherl — Os Quilopodos do Brasil
165
e) Crescimento e renovação cuticular (ecdise) : — Dada a rigidez da qu!-
o crescimento não se póde dar consecuti\’amente, mas só e prindpalmente no
tempo em que a renovação cuticular se efetua. Xeste período o crescimento é
toorme, prindpalmente em formas jovens. Durante o tempo, que medeia entre
*wia c outra ecd se, o cresdmento é nulo ou quasi nulo. O que já não se veri-
fica com tanta predsâo em animais cuja quitina é tenue e mole {Geojilidcos),
A ecdyse é inidada pela distenção da epiderme. E’ favoredda pela secreção
^ um liqu do que enche a lacuna entre a matríx e a cutícula. As células apicais
matríx perfazem uma mudança estrutural, entrando numa fase de elerado
^^csdmento.
Em cada ecdyse se reno^'a não sómente a cuticula e as suas diferencbçõcs
^truturais, como pêlos, espiculas, aculeos e espinhos, mas também as formações
•nteriores do esqueleto quitinoso, os tendões cuticularcs, as partes quitinósas dor
*^^ãos sensor ais, as glandulas epidermais e tambem a intima cuticular do esó-
c do réto e a intima das traqueas. Geralmcnte todas éstas partes são con-
J*mtainente alteradas sem serem dilaceradas. Quando o esofâgo for muito cs-
^®'to, não permitindo tal processo, então a intima é triturada no tubo digestivo,
ser eliminada através do réto.
A epiderme, impedida em seu livre crescimento pela quitina dura, forma mui-
dobras e pregas (observamos isto muitas vezes no material do Instituto Bu-
*^tan). Lógo após a ecdise, a nova cuticula, formada pelas células epidermais,
*^®mpanha naturalmente éstas dobras, i>orcm sendo muito fina e elastica, não
Merece resistência ao alisamento da epiderme.
Entre os Quilopodos o numero das eedises varia muito. O numero minimo
10 eedises. A ecdise não se verifica mais cm animais completamcntc adultos,
* não ser, que sejam gravemente feridos. Desta maneira póde-se mesmo provocar
*ríificialmcnte a ecdise. Qjrtamos a antena esquerda e a quarta pata direita duma
^^^olopendra de 7 cm. Mais ou menos após 2 meses e meio, 11 articulos nóvos
'•nham sido regenerados na antena; a pata, porOT, que cortamos entre o préfe-
e femur, e não entre o prefemur e trochanter, regenerada quasi inteiramente
tempo, ficou menor que as outras e muito mais fraca. Nesse interim tinliam
** 'verificado duas eedises. As patas, portanto, regeneram-se muito mais dificil-
que as antenas.
Muito interessante é observar o animal, no momento da ecdise. Na parte
abre-se uma fenda longitudinal. .^ cuticula do corpo todo e pr'ncipalmente
1'*'* patas distende-se e separa-se, sem rasgar em parte alguma. Afinal o animal
movimentos semelhantes aos de uma minhóca. saindo pela janelinha da ca-
Todo o processo lera mais ou menos meia hora.
Ainda é muito duvidoso, s' o crescimento e a mutilação são os únicos fato-
9ue motivam a ecdise. Certamente tambem entra em jogo a função excreto-
das glandulas en.xuviais para auxiliar a tarefa dos vasos de Malpighi.
IGG
Memurias do Instituto Rutantan
Tomo XIII
E’ claro que debaixo da pele quitinósa se acumulem, com o tempo, certos
sais e outros elementos noc'vos, que não pódem ser eliminados pelos orgãos ex-
cretores. óra, com o fluxo enxuvial, estes elementos são expelidos.
Xo estádio senil a eedise já não se efetua. A quidna endurece e engrossa pro-
gressiramente, de modo que aparece num colorido quasi preto.
Até o estádio da madureza sexual os Quilopodos precisam alguns anos. De*
pois ainda vivem perfeitamente uns 6-9 anos, de maneira que sua idade com-
pleta supera um periodo de 10 anos.
4. Tubo digestivo:
O tubo digestivo e os seus orgãos accessorios não formam unidade morfolcr
gica, mas sim funcional, consistindo ésta na captura do alimento; na tri;ura(;ão
do mesmo, e finalmente na d gestão. Pela secreqão glandular, pela respiração e
transpiração perde-se uma grande quantidade dagua, que o organismo procura
recuperar, bebendo ou então, nutrindo-se de material, que contenha quan-
tidade suficiente dagua. Para que o organismo dos QuÜopodos possa, gozar
integralmente de todas suas funções fisiológicas, são necessários também sai<
anorganicos, que são como que catalisadores dos processos vitais. O alimento àc
todos os Quilopodos consiste em material orgânico, em substancias albuminoide*
ricas em nitrogênio, para a formação e alimentação do plasma celular, e ^
glícidios e lipidios. que são a fonte de energia do metabolismo. Os dois ultimo*
elementos também pódem ser formados pelos protidios.
Os Quilopodos são exclusis^amente soójagos, nutrindo-se de material anim^
vivo ou morto. Não raras vezes, porém, também tomam substancias vegetais etn
detrito, apreciando imensamente cértas frutas carnosas. Para obterem seu ah-
mento, os Quilopodos fazem verdadeiras correrias, principalmente de noite.
procura de outros animais.
Os Lithobiidcos apreciam muito pequenas aranhas. Os Geofilideos nutrem-**
especialmente de minhocas ; os Escutigerideos caçam moscas e pequenas barata**
que atacam de improviso, enlaçando as com suas longas patas, multiarticulada»
e moveis; os Escolopendrideos, finalmente, \’ivem de coleopteros e outros inséto*
de quitina mais ou menos mole. principalmente de brocas, que residem em
podres. Por este motivo encontram-se os Escolopendrideos prindpalmetne ct**
páus podres, debaixo de vigamento húmido de cascas e choupanas; sob tijolos *
outras pedras e páus amontoados. Atacam também qualquer outro animal, mesm®
muito maior que eles mesmos. Obser\amos, como já temos descrito em outf*
parte deste trabalho, as escolopendras grandes matarem mesmo ratinhos, sugantí*'
avidamente seu sangue. Éstas escolopendras são temiveis, preferindo sempre *
WoLFGANG Büciierl — Os Quilopodos do Brasil
167
*solan)ento. Quando duas se encontram, estando com fome, agridem-se mutua-
“'cnte. Tra\’a-se um combate terrivel. Ambas se enlaçam enterrando umá as
Pí^csas no corpo da outra. A mais fraca é sempre vencida, e imediatamente devo-
*^da. Mesmo a,s partes quitinósas. como os ferrões, as peças mandibulares, os
**rgitos e estemitos sãõ ingeridos.
As peças bucais dos Quilopodos são de tipo triturador, isto é, as duas man-
armadas com derrtes forte e pontudos, se movem uma contra a outra, em
**ntido transversal ; o labro e os dentes do coxostemo das forcipulas exercem
P*^são em sentido vertical ; o labio, que está IocalÍ7ado embaixo, é côncavo e serve
concha para alimentos liquidos; os ferrões forcipulares e as unhas terminais
segundos maxilópodos seguram a presa introduzindo-a no âmbito dos dentes
****tidibulares.
O intestino dos Quilopodos consiste de 3 partes, de origem genetica dife-
O intestino anterior ou stomodaeum e o intestino posterior ou procto-
^um ou réto são de origem ectodermal, formando o anus e a cavidade bucal,
afundam sempre mais para dentro do corpo. O intestino médio ou mesente-
^on é uma formação entodermal.
O intestino forma um tubo que %’ai da boca até o anus, isto é atravessa
^0 o corpo e consta histologicameiite de uma só camada epitelial, rodeada por
pela splanchnopleura. Ésta c formada por di«rsas camadas musculares,
(®iusculos longitudinais e musculos transversais ou circulares, com fibrilas par-
*^^nicme estriadas).
A muscularis possue inervação motor c scnsivcl.
No lado interior o epitilio c revestido, nos intestinos anterior e posterior,
intima cuticular e quitinósa, de origem ectodermal.
Entre a muscularis e o ep‘tclio observa-se ainda a membrana ou túnica pro-
que recebe o caracter de epitélio conjuntivo no intestino médio, sendo a
*****’^rana simples no stomodaeum e proctodaetnn (Vide fig. 34).
O tubo digestivo dos Quilopodos é rétilineo, tendo, na maioria dos casos o
médio o maior comprimento. Podem-se encontrar exceções, como na
onde é muito menor que o anterior. Mas mesmo nas Escolopendras
^^nteron é o mais comprido.
*) O intestino anterior: Na região anterior do esôfago a camada muscular
*huito grossa, prindpalmente na zona da frente. Nésta zona encontramos fei-
**iusculares tripartidos, isto é: feixes musculares longitudinais por fóra.
^**^^^res no entremeio e longitudinais por dentro (Fotomicr. 10),
^ intima fôrma protuberandas internas muito simétricas. Na linlia mediana
ram-se duas déstas protuberâncias muito longas e largas, tocando-se no
125
cm
SciELO,
11 12 13 14 15 16 17
168
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
meio do lumen. Em ambos os lados encontram-se duas protuberâncias finas, bi-
furcadas.
Na região csojagcana posterior, em cortes corados com H.-E., a muscula-
tura longitmlinal e c rcular é corada dc vermelho escuro verificando-se a mesma
coloração com o método de Mallory.
A musculatura circular é mais forte que a longitudinal, podendo-se perce-
ber nitidamente os séptos musculares quando são aumentados 600 vezes. A
túnica própria fómu^ uma membrana muito indistinta, porém bera acentuada
em alguns trechos. Nos locais onde a intima fórma prolapsos internos, á ma-
neira de diverticulos no intestino de vertebrados, a camada muscular é muito
grossa, preenchendo toda a lacuna. Com o método Mallory a túnica própria e
corada de vermelho escuro, como também os feixes musculares. A epiderme ou
epitcHo forma uma camada continua corada com o método de Mallory de ver-
melho claro. Consta de células epiteliais homogêneas, todas mais ou menos do
mesmo tamanho, podendo-se perceber nitidamente os núcleos celulares, nos quais
a cromatina é dispersa em flocos, tendo no entremeio algumas manchas claras
que refringem fortemente a luz. São provavelmente substancias de reserva. Dc
vez em quando encontramos na camada epitelial células grandes pelo menos 4-6
vezes maiores que as células epiteliais maiores, tendo um ou mais núcleos no
centro. São células secretoriais. A intima ou cuticula quitinósa também é bas-
tante grossa demonstrando constituição tripla, sendo a endocuticula a camada
mais espessa (Col. Mallory azul-claro).
A exo- e epicuticuJa formam duas camadas finas. epiderme juntamente
com a intima formam protuberâncias capazes de fecliar quasi inteiramente o lu-
men intestinal, principalmente na parte anterior, isto é, na região esofageana-
Ao redor do intestino anterior observamos uma camada grossa constituida P«*®
corpo adiposo.
Este fato se dá principalmente no lado ventral, ficando, comtudo, livre un»a
area, mediana entre a cadeia ventral e o tubo digestivo. No lado dorsal o corpo
adiposo é menos forte, demonstrando constituição dispersa, até *que se con-
dense na região do ^'aso dorsal.
A musculatura é muito forte, feando por fóra os feixes de musculos trans-
versais ou circulares (que funcionam como constrictores), e por dentro os mus-
culos longitudinais, como dilatadores. A túnica ou membrana propr'a nem sem*
pre póde ser bem distinta.
O epilelio é bem grosso formando cértos apendices, que vão para o interior
do lumen do stomodaeum (em Scolop. ziridicornis') , com paredes muito sinuO"
sas. -As células epiteliais não completam todo o espaço do epitélio, mas estão
bem isoladas, tendo como comunicação um epitélio muito fino, delgado e uin
WoLFGANO BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
169
*ânto fibrilar. As células ep teliares pódem ter um ou mais núcleos. Estes, ge-
^mente, estão colocados perto da parede celular.
No epitélio ainda se encontram glandulas unicelulares, de proporções bas-
**nte vantajosas, com conteúdo granuloso. E’ revestido interiormente pela intima,
é a continuação direta da cuticula epidermal, e, portanto, consta das mesmas
®*nadas. A exocuticul^ é bastante forte. Toma-se bem visivel. em cortes trans-
^sais, corados com H.-E. coloração toma um tom amarelado. (Vide fig. 36).
No intestino anterior distinguem-se a faringe, formada pela epi- e hipofaringe ;
® esôfago, que se alarga atrás, e o proventriculo com o esfincter.
O proventriculo e o seu esfinter fecliam o tubo digest‘vo anterior contra o
*^dio. Xa Scolopendra z^iridicomis o csfinctcr é formado cm parte pelo intcs-
bno anterior e em parte pelo intestino médio (Vide fg. 35). O intestino ante-
•lor alarga-se muito neste logar, formando uma dobra por dentro, subindo de
no tubo anterior. A musculatura longitudinal do intestino médio entra neste
e, desta maneira, estabelece-se uma un ão intima entre os dois tubos.
O proventriculo forma 6-8 séptos fortes redeados por musculos circulares e
^fitudinais.
A intima do proventriculo é provida de pequenos aculeos, espiculares, fi-
^•■las curtas e grossas, apendices pontudos irregulares. Em todo o aparelho fi-
os musculos longitudinais por fóra, os circulares no interior.
O esfincter exerce o papel de fechar o tubo anterior contra o médio.
A função fisiológica do proventriculo e esfincter é a seguinte :
A faringe, secundada por sua musculatura, efetua movimentos peristalticos,
impellcm o alimento, humedecido pela secreção das glandulas salivares, para
*^«itro do esôfago. Dai as matérias alimentidas passam ao proventriculo. O»
f«nticuIos e aculeos da intima deste são moridos uns contra os outros, devido ao
mutuo dos musculos c'rculares e longitudinais. Desta maneira trituram t
o alimento que consiste em grande parte de substancias quitinósas, princi-
^^nte na.« grandes formas dos Escolopendrideos.
Tivemos ocasião de e.xtr^r. diversas vezes, restos de pinças, ferrões, e pla-
Quitinósas de outras lacraias descoradas. O esfincter, que fica atrás do proven-
^ulo, fecha o tubo intestinal, de maneira que o alimento, após a primeira tri-
***f^çâo, devido aos movimentos peristalticos. póde ser nos-amente repelido para
'^tro do intest'no anterior e esôfago, onde sofre de novo. agora já muito mais
**^erado, a influencia das secreções salis-ares. Volta noscamente ao proventri-
que lhe serve de passagem ao intestino médio.
Segundo Balbiaxi o intestino anterior dos Crytopideos é tão comprido como
’**^io e posterior juntos.
Na região das glandulas saliveares é muito estreito; em seguida se alarga,
*^ando-se novamente estreito e finaliza pr meio de um bulbo no intestino mé-
70
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
dio. Elste é tão largo como aquele. O réto é muito curto e estreito, tendo no prin-
dpio dois vasos malpighianos, que vão até a região das glandulas salivares. O
esfinctcr de Cryptos demonstra, 6 protuberâncias radiais. Atrás do esfincter o epi-
télio curva-se para fóra, terminando juntamente com a intima.
Também nos Geojilideos o intestino anterior é muito comprido, com “mus-
cularis” mu’ to desenvolvida. O cpitélio é fraco. A “ intima” é inteiramente lisa, não
demonstrando proventriculo nem esfincter.
Os LÀthobiideos têm o intestino anterior, curto. Carecem do proventriculo e
do esfincter. O fato de alguns Escolopendrideos terem um tubo anterior curto,
c outros (a maioria) terem este tubo longo (fig. 34), talvez venha a ser ainda
imprtantc para estabelecer novos generos, nos Escolopendrideos.
Parece-nos um tanto deficiente uma classificação, que se baseia exclusiva-
mente em caracteristicos externos, classificação ésta feita por Attems, Ch.^m*
BERLINj. PORTER, HUMBERT et SaüSSURE e BrÕLEMAXX.
b) o intestino médio ou mesenteron : No intestino medio podemos observar
um enfraquecimento notável das camadas musculares principalmente da camada
longitudíruü exterior. A cmnada ciratlar é um pouco mais forte. A tun'ca pró-
pria é visivel sob a forma de uma membrana finissima lisa. O epitélio do intes-
t'no médio demonstra de novo células epiteliais menores com membranas inter-
celularcs apagadas, com núcleos bem acentuados, demonstrando certa granulação
mais escura, e raras células secretoriais maiores. A intima é ausente, sendo a su-
perfide interna do epitélio lisa e carecendo de quaisquer protuberâncias.
O intestino médio é rodeado pelo corpo adiposo, entrando, comtudo. no scu
lado infero-lateral cm contacto com feixes da musculatura drcular oriunda das
pleuras.
O mesenteron é constituído por feixes musculares longitudinais, mais fracos
que no stomodaeum; seguem então feixes de musculos circulares. A muscularis,
portanto, é de const‘tuição contraria á do intestino anterior. Em seguida, obser-
ramos a túnica própria, mais risivel que no tubo anterior.
O epitélio é muito alto, liso por dentro, constituído por glandulas secretoriais
e células epiteliares.
O mesenteron é um tubo simples, rétilineo, mais ou menos curto. O epitéiiy
carece de diverticulos.
O mesenteron exerce duas funções: a secrcqão de fermentos digesti\-os c
a reabsorção do alimento.
A função secrctorial é exerdda pelas glandulas unicelulares, que se achaiU
distribuídas por entre as células epiteliais.
Como o mesenteron carece da intima, a secreção póde se efetuar por via di-
réta, difundindo o liquido das glandulas dVétamente no lumen. O liquido se-
WaLFCANG BCxiierl — Os Quilopodos do Brasil
171
cretorial se forma, devido a atuações reciprocas entre o nucko e o plasma glan-
dular.
Observa-se perfeitameníe no quadro microscopico, principalmente nas Esco-
^Pendras, que se ajuntam granulações plasmaticas c parcelas de cromatina. Como
resultado desta atuação rcdproca observa-se em cada glandula, uma secreção gra-
nulosa ou liquida, principalmente na parte apical da célula que encobre o núcleo.
As células epiteliais são muito longas, com membranas celulares muito fracas,
de modo que se toma extremamente dificil, descobrir os I mites de cada célula.
Seus núcleos também são longos não tendo local determinado na célula (Ve-
*hoeff).
A absorção de alimento se of)era por difusão ptassiva por via osmotica ou
por sucção ativa do alimento, dilu'do em liquidos semicoloidcs ou coloides. Para
Pste fim a membrana é provida de numerosos póros. pelos quais o alimento se di-
funde no epitélio do mesenteron, alojando-se em primeVo logar dentro do plas-
nia. Depois da distribuição do alimento no plasma, formam-se vacuolos nos quais os
elementos alimenticios se encontram cm estado difuso. Segue-se agora a agregação
dos grânulos alimenticios. Finalmente os vacuolos desaparecem, permanecendo os
grânulos no plasma. Era seguida abandonam as células epiteliais, passando ao
*wgue ou á cavidade visceral.
■\ absorção não é feita por diverticulos, a,usentes nos Quilopodos, mas atra-
'ez da superfic'e inteira do intestino médio.
Como as células se gastam paulatinamcnte, são regeneradas sempre de novo.
células epiteliais se regeneram em grupos, por divisão mitotica, enquanto que
^ glandulas se reconstituem uma por uma. Os restos, não digeridos de alimento
passam ao réto. Nos Escolopcndrídcos o esfincter não fecha de todo o intestino
anter;or do médio, de modo que mesmo no intestino se encontram fragmentos
de quit na e outras substancias duras c inassimilaveis.
c) O rito : A camada muscular do réto é constituída por musculos circu-
’arcs no lado externo seguida por outra camada de musailos longitudinais, muito
fina. .\ camach circular interna é a mais grossa, ha,vcndo 5-9 fei.xes musculares
paralelos. A túnica própria, com coloração roxa (Mallorv’) é bem nitida em al-
guns logares. O epitélio é muito alto, sendo os limites das células cpitelais in-
distintos. Células secretoriais não existem, liavcndo contudo cm cértos locais ce-
fulas maiores com conteúdo granuloso, muito refringente. A intima demonstra
a mesma constituição que a do intestmo anterior sendo também da, mesma es-
pessura que aquela. Vide fig. 37.
A epiderme e a intUna formam sépíos longitudinais internos mu'to fórtes,
*^pazes de obturar quasi completamente o lumen. Existem 4 séptos grandes que
tocam quasi no centro, e no permeio 5 séptos menores. Interessante é o fato
de existirem entre a camada muscular interna c os séptos, cirtos elementos cclula-
129
172
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
rcs muito vacuolisados, corados de azul e de significado desconhecido. Presu-
mimos serem de constituição quitinosa.
Na zona anterior do róto a musculatura longitudinal é muito fraca, enquanto
que as 2 camadas de musculatura circular são fórtes, formadas de feixes musat-
lares largos.
Entre a camada circular interna e o cpitclio obser^-amos traqucolos finos,
fornecendo ás células epiteliais o necessário oxigen’o. Na coloração com H.-E.
as estrias musculares são muito claras, atravessando o feixe muscular cm linhas
paralelas sinuosas. Na zona dos núcleos musculares depara-se-nos um elemento
homogcneo, livre de estrias. Os núcleos existem em numero de 1-9 cm cada
feixe; são oblongos, com a, cromatina di.ssolvida em flocos. São localizados
tanto no centro como na periferia dos feixes. A intima e o epitélio fonnam 4-8
protuberâncias, que vão para o interior do lumem intestinal, tocando-se no centro.
Em muitos cortes as terminações finissima,s das traqueas foram atingidas
longitudinalmente, de maneira que o liquor traqueano se tomou bem visivel. Os
núcleos das células epiteliais são grandes, situados sempre ao longo da túnica
própria, demonstrando forma longa e esíre ta ou curta e larga. Quasi sempr»-*
estão encostados ás paredes celulares. A intima demonstra ligeira rugosidade.
Queriamos mencionar ainda neste logar, que as glândulas genitais accessorias
possuem uma camada de musculos circulares extremamente grossa, sendo
células epiteliais muito pequenas, dispostas simetricamente em redor da intima.
TiSta ultima é atravessada, no lado interno, por séptos longitudinais fracos. Tan,o
os receptáculos seminais, como também as glandulas genitais secundarias e o
otdduto são muito sinuosos, de maneira que num córte de 5 m'cras, as segundas
foram cortadas 5 vezes c o oviduto 4 vezes. O ultimo é muito largo, sendo
revestido por uma catnada epitelial estreita. O “oogonio" é muito grande,
havendo 1-2 pequenos germes no mesmo.
Os núcleos das células epiteliais dos receptáculos são redondos ou muito
estreitos e longos, emquanto que os <las glandulas accessorias são todos iguens-
A muscularis dos receptáculos í extremamente fina.
As células glandulares, cujos canais de saida são representados pelos póros
das coxopleuras, são grandes, mais ou menos pentagonicas, compostas, e cons-
tituidas por 15-25 células glandulares, cujos limites estão inteiramente apagados,
conflu ndo todas elas para o canal comum, situado tK> centro. Do canal parte
o póro large que \'ai á superficie externa. As paredes deste póro são quitinósas,
liavendo por dentro espirais, para reforçar as paredes. O póro perfura toda a
camada quitinosa externa, terminando a superficie da coxopleura.
N eurofibrUas muito f nas, originadas do gânglio genital, entram nas parede?
dos receptáculos seminais. Dentro do lumen destes podemos obsersar espcrma~
tozoides redondos. Na coloração de Mallorj- distinguimos facilmente todos os
130
WoLFGANG BCxherl — Os Quilopodos do Brasil
173
Órgãos, situados na zona posterior do réto. A intima deste é ainda mais grossa
*^o que na parte anterior. As 3 camarlas musculares conservam a mesma gros-
sura. As sinuosidades das glandulas genitais secundarias desapareceram, de ma-
neira que obsers-amos apenas 2 canais (femea) de glandulas secundarias, situados
perto da camada muscular externa do réto, um em cada lado. Os musculos
são roxos; o epitélio vermelho escuro. \o lado interno de cada capai depa-
*^-se nos dois canais dos receptáculos seminais, demonstrando o epitélio colo-
^Ção vermelho-clara. Na parte ventral vemos o "sinus genitalis”, formado pelo
oviduto, que se cur\a. estreitando-se ao mesmo tempo. Toda ésta zona é rica
etn nervos. Obser\Timos um ramo nervoso impar no centro, entre os 2 recep-
táculos seminais. Parte do mesmo um par de ner\-os que acompanham o réto
Pclo bdo exterior. Do local, que seria a continuação do gangl o genital, partem
•gualmentc 2 ramos, que divergem muito, alargando-se no lado externo das 2
glandulas genitais secundarias em verdadeiros “gânglios” nervosos, observando-se
nos 2 ramos divergentes pequenos engrossamentos ganglionares, correspon-
<J«ido-se sempre um de cada lado. Os internos são menores que os 2 externos.
® 3.® par seria o já menc‘onado. Eistes gânglios são muito volumosos, consti-
bndos por núcleos e fibrilas. Parte dos mesmos um nervo, que sóbe pelos lado-
reto, e um outro que desce em direção ás coxopleuras, c, resolvendo-se cm
f^i^las, inerva as glandulas eoxopleurais. No lado dorsal de cada um deste 3.®
par de gânglios, observamos um canaliculo sanguineo. Outra artéria impar é
'ista entre os 2 receptáculos seminais, encima do nera-o.
O limite entre o intestino médio e o réto não pôde ser demarcado com
**atidão, pois obser\*a-sc, principalmente nos Escolopendridios que a intima, que
papte essencial do réto, já existe, ainda que muito fraca, na ultima porção do
’*>lestino médio. Por conveniência costumamos dizer, que o reto prindpia, onde
tubos de Malpighi entram no intestino, ou então, onde começa a intima.
A.\. modernos consideram os \’asos malpighianos como ainda pertencentes
intestino médio (Tr.\ppmann).
Na Escolopendra viridieornis observamos no fim do intestino médio que as
tíobras transversais das paredes aumentam muito em grossura. .Ao mesmo tempo
*strcita-se o tubo. Antes de entrar no réto forma um estrangulamento, dentro
tio qu^ começam as dobras longitudinais da intima. Ésta pôde fecltar quasi
^^tttpletamentc o tubo, deixando ap>cnas frestas diminutas. O alimento é nova-
triturado e filtrado, antes de passar ao réto.
O intestino posterior (Vide fig. 37) é muito curto e estreito. Forma duas
'^Jiatações na frente; corre, então, em linha réta para trás; dobra ligeiramente
* esquerda e, afinando-se num estrangulamento, termina no ohmj, subindo levc-
^***ote para cima.
174
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
No réio vemos, por fóra, miisculoj transversais; seguem então tiiusrulos
longitudinais e por dentro no^^amente musculos transversais ou circulares. Dentro
do tubo vemos a túnica própria, o epitélio e finalmentc a intima quitinósa.
O epitélio e a intima formam ma's ou menos 8 dobras longitudinais, mui '-0
fortes, atrawssando o réto em todo o seu percurso, sendo porém na frente muito
mais grossa que atrás. (Vide fig. 37).
No logar da entrada dos vasos de Malpighi existem saliências epiteUens,
muito lobadas, continuadas pelos séptos da intima, onduladas no principio, retas
ma,is atrás.
Nos logares onde o réto é muito estreito, os séptos podem obstruir com-
pletamente o tubo intestinal, deixando livre apenas um lumen muito fino.
frente para trás o lunxin aumenta progressivamente, e tomando os séptos mais
fracos na mesma proporção.
d) Fisiologia do tubo digestivo: Os Quilopodos nutrem-se quasi exclusi-
\'amente de animais vivos, que são mortos pelo veneno das forcipulas. Também
gostam de jrutas moles e outras matérias vegetais como vimos. Pela ação das
mandíbulas o 1'quido secretado pelas glandulas salivarei, penetra o alimento.
Toda a digestão é efetuada mercê ação dos sucos intestinais e salivares, sucos
estes que constituem os fermentos, elementos orgânicos muito complexos qu®
exercem o papel de catalisadores.
No intestino anterior o alimento é tr'turado; abrindo-se o esfinter, passa
tudo juntamente com as partes duras (Areia, pêlos, pedaços de quitina, pinças
inoculadoras, etc...) ao intestino médio. .Aqui se verifica o processo principal
da digestão. O epitélio secreta um fermento amarelado ou amarelo-vermelho,
neutro levemente alcalino, formando proteases e lipases, dissolvendo, portanto,
as substancias albuminoides e gordurosas. Ao mesmo tempo o intestino médi<>
ainda absorve ativamente ou por via osmotica, o pimento já digerido.
absorpção é contimuda pelo réto.
Matérias indigestas, como a quitina, grãos de areia, são eliminada,s, formando
o e.xcremento, envolto numa membrana tenue.
5. Vasos de .Malpighi
Os vasos de Malpighi formam os orgãos excretares dos Quilopodos. Exis-
tem sómente cm numero de dois, um de cada lado. Percorrem cm linhas sinuo-
sas o corpo inteiro, chegando próximo ás glandulas salivares. .Anatomicamente
são constituídos por células cpitelia’s muito compridas, que contém granulação
muito fina. Por fóra destas células encontra-se uma camada de musculos longi-
tudinais. Os vasos malpighianos expulsam as substancias toxicas e nocivas.
132
WoLFGANG BCcheri. — Os Quilopodos do Brasil
175
6. Sistema nervoso:
O sistema nervoso dos Quilopodos consta de uma parte central e periférica,
^or intermédio do sistema nervoso periférico o sistema nervoso central está em
*®ntacto de um lado com os orgãos receptores (orgãos sensoriais) e de outro
^do com os orgãos ejectores (musculos, glapdulas, etc...). Os receptores perce-
as irritações do exterior, transformam-nas em sensibilidade nervosa, a qual,
^'Po^s de ser coordenada pelo sistema central, é transmitida aos efectores, exe-
Qitando estes a determinada atividade.
Funcionalmente, portanto o sistema nervoso forma uma unidade indivisivel
Os orgãos sensoriais e os receptores. Anatômica e geneticamente a união
intima só é encontrada entre os primeiros (Weber).
De acordo com a histologia o sistema nervoso consta do neurilcma e nos nen-
^onios. O neurilcma ainda é pouco conhecido. Forma uma pele finissima, de
^lureza epitelial, que envolve o sistema ner4'oso.
Os neuronios são de origem ectodermica. Cada neuronio fomu uma unidade
^ular, ainda que muito consistente e pouco distinta. Comtudo, pudemos obser-
em alguns cortes longitudinais através de um gânglio ventral da Scolo-
Pfndra viridicomis (Vide fig. 39). células neuron’cas, ganglionares, poliedricas,
*®uito nitidas, que formam a camada exterior dos gânglios, ficando os apcndices
^jformes, ncuro-fibrilares no interior. Xo centro de cada gânglio vemos o
^^ropilenia ou substancia punctala, fibrilar, uniforme.
Xo sistema ner\-oso dos Quilopodos devemos distinguir duas partes gencti-
^^^icnte diferentes, a saber: a cadeia ganglionar ventral Cconi nervos centrais
^ Periféricos) com o cerebro e o sistema stomatogastrico ou sistema nervoso
^sceral. (Vide fig. 38) .
a) A cadeia ventral: A cadeia ganglionar ventral é muito comprida e
Acorre o corpo inteiro, sendo dividida era outros tantos gânglios segmentares,
*Piantas são as verdadeiras extremidades. Além disso encontra-se ainda, no fim
corpo, atráz do ultimo gânglio abdominal, um gânglio menor, o genital. Exep-
***®ado os primeiros 2 gânglios segmentares e os dois ult'mos. que estão bem
^*^<dos, todos os outros ficam mais ou menos na mesma distancia uns dos outros.
Sanglios estão unidos entre si por comissuras longitudinais duplas (Vide
% 39).
O gânglio esofageano está muito distante do primeiro gânglio do tronco.
*^®dos os gânglios são impares, não havendo comissuras transversais, pelo menos
^^l^nto aos animais completamente adultos. Em estado embrionário aparece
^'tda nitidamente a duplicidade primit'va dos gânglios.
133
176 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Cada gânglio ventral emite 4 nervos, sendo o mais forte aquele que '"a*
dar nas patas. O segmento jorcipular carece de um gânglio proprio, estando
este soldado ao gânglio esofageano, que por isso mesmo, é muito maior que c»
gânglios ventrais. Também o ultimo gapglio segmentar é um pouco maior do qo-
os outros. O gânglio jaringeano ou a massa sub-esofageana (figura: 38:3) pc*"
tence aos 4 segmentos cefálicos, as mandibulas, aos primeiros e segundos maxi-
lares e ás forcipulas, emitindo ner\'os para todos estes segmentos. Mais atras
partem outros 4 ner\os deste gânglio (Vide fot. 11 e 12).
b) O cerebro: O cerebro ou gânglio cerebroide consta de 3 sectores: —
O protocerebro ou cerebro anterior;
o deuterocerebro ou cerebro intermedbrio ;
o tritocerebro ou cerebro posterior.
Proto- e deuterocerebro estão bem unidos entre si e localiza4os no lado dorsal
do esôfago. Também o tritocerebro está unido ao deuterocerebro, mas sim. com'*'
sura rodeia o esôfago (comissura subesofageana).
1 . O protocerebro : O protocerebro forma a maior parte da massa cere-
broide. Contêm os lobi optici, curtos e grossos, dos quais partem 4 neri'0^
oticos, que vão dar aos ocelos. .Mrás deste ainda se encontra o nervo tõmoi'
varyano.
O protocerevro é mais desenvolvido nos Escutigerideos.
Distinguimos nos "lobos oticos"’.
a camada fibrillar posirciinal;
a camada ganglionar;
a camada fibrilar chiasmatica (Verhoeff).
O protocerepro dos Escolopendrideos e dos Lithobüdcos é mais ou menoí
o mesmo, emquanto que os Geofilideos mostram um protocerebro um tanto
atrofiado.
27) O deuterocerebro: O deuterocerebro é formado pelos dois "lobi ontf~
nales^’. unidos por um pequeno conectivo, perto da base do protocerebro.
atrás com o conectivo jaringeal. Também aqui se encontram células gangliO*
Escutigerideos os "lobi anterudes” soldam-se encima com os "lobi frontales” ^
nares com neuronios e uma substancia punctata.
Os lobi antenales em'tem nervos antenais e um pequeno nervo cutanen-
(Vide fig. 38).
134
WoLFGANG BCcherl — Os QuUopodos do Brasil
Mem. Inft. ButAxitan
Vol. XUI — 1939
LV. R c)i erZ
Scol^ftn^a viridUcrmU. Trecho dunu tnqoeia ranificadA. Aumesto 25/1
Fi«. 25
Fíf. 26
ScDl^ptndra viridi<9rmu. Esticma. 15/1
Pcrítrcnu. 2 ^ Atria 3 Ftmdo do calicc csticnul
SciELO
1
WoLFOANG BCcherl — Os Qutlopodos do Brasil
Mezn. Inst. Botantui
Vol. XIII — 1939
rl
ts
Fir 27
Scola^mdra viri4u0mit. Trecho do raso dorsal com mosculoa aliformes. 25/1 atimcntado
Ostiolos. 2 — Artérias laterais btfarcadas. 3 ^ MuscuIos aliformes. 4 — Perkardio. S
Células perkardiacas. 6 Nerro cardiacoC 7 — CWacâo.
SciELO,
136
WoLFGANG Büchebl — Os QuUopodos do Brasil
Mexn. Irift ButanUn
Vol. XIII — 1939
Fir 28
viridicomis. Corpo adiposo da regiio
anterior. 50/1
ouLherl
W. Hucherl
Tit. 30
Hridiccmis. Eapennotóforo. 15/1
Fif. 29
Scplofrmdrm tiridicomii. Aparelbo reprodutor
do macho. 4/1.
1 — Tcatieuloa. 2 — \asa eferenba. 3 —
Vas deferms: porte finL 4 \'aa deferena:
parte poaaa. 5 ~ Glandidaa aectuMlariaa. 6
^ Dnctos cjacolatoriiik
137
cm
SciELO,
WoLFGAXG Bücherl — Os QiiUopotlos clo Brasil
Mem. Inst.
Vol. XIII — 193»
Scotoftnãra viriãicornU. Apardbo rtprodntor da fnsea. 4/1
1 Orario. 2 — Oriduto com embriões na parle (rossa. 3 — Receptáculo seminal.
accessorias.
4 — GlandoU*
cm
SciELO,
11 12 13 14 15 16 17
138
SciELO,
11 12 13 14 15 16 17
WoLFGANG BCxhekl — Os QuHopodos do Brasil
Mem. Inst. BotAntan
Vol. XIII — 1939 •
W. ^ucherl
'fSx
Fi«. J5
Sfol^pendra viri4ic9ntú. Limile cnlre o« intestinos anterior e tnedio. 15/1
1 — Intestino medio. 2 — Prorentrictilo e esfincter. J — Intestino anterior.
erl
^fl0fen4r2 viri^iccrr.is. Corle tranST^ul pda c»ofac«ina. Col. H-E. 5 oücia. 3S0/1
^ttscolatora círct^Ar. 2 — Masculattira loofitodinal. 3 Tônica prxffniã. 4 Epiidio. 5 ^
Cdolai epitcliait. 6 ~ Cdolas glandolarc*. 7 — Intima.
cm
7SCÍELO, ;l1 12 13 14 15 16 17
WoLFGANG BCcherl — Os QuUopodos do Brasil
Mnn. Inst. BctanU»
Vd. Xin —
V/ c\^rl
fi«. 37
Scolopendra X’\ridicomis, Corte loofittidinal macro«coptco ao loofo do reto. 5/1 aumentado.
] .... Vaso de Malpighi. 2 •>- Septos da intima. 3 — IntestifX) medio.
112
cm
11 12 13 14 15 16 17
WoLFGANO BCcuerl — Os Quilopodos do Brasil
187
3) O trilocerebro : O tritocerebro pertence geneticamente ao segmento
intercalar primitÍTO. Emite os “lobi postcercbralej” que inervam o labro. A
“ponte cerebral" une os lobos anlenais.
O tritocerebro contêm neurojibrillas, "substanlia punciaSa” e algumas célu-
las ganglionares. (Verhoeff). O tritocerebro emite um ner\’o para cima, outro
para baixo, e um terceiro, mais forte, o “nervus recurrcns” , para, trás. O
conetho subesofageano consta de 2 ramos grossos, cilindricos, com “substanlia
Punctata”, ncurofibrilas e células ganglionares. Os conetivos soldam-se ás 3
partes cerebrais.
c) A cadeia visceral: A cadeia visceral é formada pelo “nervtts recurrens"
que acompanlia a superficie dorsal do intestino. Em Seutigera e Scolopcndra c
"nervus recurens” forma logo no principio um pequeno gânglio, do qual partem
2 nervos para os musculos d latadores da faringe. Paulatinamcnte o nervo se
ptrde no tecido do tubo digestivo (Verhoeff). Existe também um ttervo
dorsal no qual ainda não foi descoberto, como está unido ao sistema ner\'oso.
fnerva o coração, formando uma cadeia ganglionar, muito fina e quasi invis vel.
VII. SISTEMÁTICA
1. Noções gerais:
O estudo dos Quilopodos, é um assunto que ha muito tempo interessa os
fnlotnologos, pelo importante paj)el que os Qmlopodos desempenham como repre-
*wtantcs e protótipos do imenso reino dos insetos. .Animais nocivos ao homem.
Por serem transportadores de verdadeiros parasitas humanos, os Quilopodos pa,ra-
s*tam as cavidades nasais humanas, causando distúrbios gravissimos. Final-
**'entc também nos interessam, por apresentar nosso país, fôrmas enormes, como
* Scolopcndra gigantea, a Scolopcndra viridicornis e a Scolopcndra subsphtipes,
lórmas estas que podem atingir mais de 20 cm. c que, providas de pinças inocula-
*^ores muito fórtes, causam com stia picada dôres violentas, inflamação do lo-
afetado, distúrbios nervosos, paralisia c até mesmo a mórte (em crianças
P^uenas).
Apesar deste grande interesse, obsen-a-se, comtudo, uma certa confusão cm
sistemática, devido em grande parte ao fato de estarem os especialistas muito
*Iastados uns dos outros, ou por terem usado métodos falhos na escolha de verda-
*Iciros caracteristicos.
De.screver um Quilopodo unicamente pelo colorido que apresentâ, principal-
’*'«ite quando se tem poucos exemplares, querer distinguir um indisnduo do
°wtro pelas cerdas, curtas ou longas, densas ou raras, pelos aculeos ou cerdas,
188
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
e artículos das antenas, seria basear-se sómente em característicos falhos e \-aria-
veis. Mesmo especialistas de peso, como Attems e Brõlemann, classificando
as especies dos Escolopendrideos brasileiros pelas espiculas.no prcfcmur, cairam
numa certa confusão. Assim, por exemplo, a Escolopcndra zdrídtcornis, conforme
os característicos por des dados, deveria ter sómente dois espinhos ou nenhum
no prefemur das patas, e no emtanto, há exemplares desta mesma especie que
apresentam 5-8 espinhos no local dtado.
Os antigos .AA. costuma\-am descrever os Quilopodos, baseando-se simples-
mente ém um ou dois característicos isolados. Pouco se preocupavam, si de fato
estes caracteritsicos éram constantes e tipicos.
O resultado foi uma grande confusão, aumentada pela impossibilidade pra-
tica de obter as antigas monografias, espalhadas por todo o mundo, casualmente
mencionassem obras recentes. D’outro lado, as chaves sistemáticas modernas
são confecionadas com mu to esmero no tocante ás especies europeas e asiaticass,
obtidas por expedições cientificas, enquanto que os generos e esj>ecies brasileiras
continuam ainda hoje, sendo “ierra ignota", principalmente os Escutigeridios c
Lithobüdios.
Queremos contribuir com este trabalho para o melhor escla,recimento da
posição sistemática dos Escolopcndridios brasileiros. Nesta sistemática tomare-
mos como base a obra magistral de Attems, criticando leal- e cientifcamente
seus defeitos, no tocante a algumas especies brasileiras, defeitos estes, desculpá-
veis pela dificuldade de obter na Europa cm grande quantidade nossas especies.
Para a sistemática dos Escutigerideos, Lithobiideos e Geofilideos utilisar-nos-
emos de monografias e separatas por nós colegidas na, Europa e na America.
Muito grande é o perigo de um sistemata incauto tomar diferenças
inditdduaií dentro de uma e mesma especie como diferenças e característicos
cspecificos, perigo este tanto maior quanto maior for a probabilidade do corpo
externo dos Quiypodos, a;iimais de sangue frio, expostos ás mais diversas tem-
peraturas e mudanças do meio-ambiente, sofrer contínuas aletrações. Facilmente
quebram as patas; lesões mal regeneradas desfiguram o animal; no logar de
feridas crescem protuberâncias, pêlos ou cerdas ; extremidades lesadas se pódem tor-
nar maiores ou menores, mais grossas ou finas, numa palavra, modificações ^
variações individuais pódem induzir o pesquisador, a crear novas especies, sem
ter a certeza si estes caracteres de fato são hereditários.
A sistematka moderna, objetiva, não levará em conta, um ou dois caracte-
rísticos sómente, mas todo o conjunto de característicos, insistindo prindpalmente
nos constantes e tipicos, deixando mais de lado os secundários. Não se preocup*
absolutamente com os individuais e inconstantes. Ultimamente a conformação
dos orgãos genitais externos dos machos e das femeas tem sido de sumo \-alot
14G
WoLFGAXO BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
189
pani a sistemática, como também a biometria dos aniniais, as medidas exatas,
geométricas do corpo inteiro, comparado com as diversas partes, a posição, o
tamanho, a grossura, a conformação, as sinucsidades de cada articulo ou extre-
midade, tomada em particula,r e comparado o conjunto todo. Resultam desta
maneira carateristicos. ás vezes surprehendentes. principalmente cm animais como
os Quilopodos, que gozam de simetria bilateral e cuja parte posterior do corpo
corresponde de certo modo á parte anterior, de maneira que, em alguns generos,
as ultimas patas pódem ser consideradas verdadeiras antenas.
Vimos no capitulo anterior, quando tratamos da embriologia, que a evolução
ontogenetica tende sempre á recordação de um tipo, já existente nos ancestrais,
isto quer dizer que os caracteristicos especificos dos pais são passa,dos tambem,
aos filhos; que o fenotipo, a soma de todos os caracteristicos realizados num
'nd’viduo, é determinado sempre por fatores especificos internos, chamados fatores
i^weditarios ou simplesmente genotipo. Indiriduos gcnotipicamente iguais pódem
^irer, derido ás diferentes condições do meio ambiente, modificações fenotipicas,
climatologicas, alimentares, etc..., permanecendo o genotipo sempre o mesmo
c variando apenas o fenotipo. E’ provável tambem a exisícneia, ainda que ate
i^oje ignorada, de casos e mot‘vqs que provaram a modificação dos fatores herc-
<litarios, do genotipo. São as mutações, que. consequentemente, tambem modi-
ficam o fenotipo.
Os pais, ainda que pertençam a uma e mesma espede, pódem, comtudo. ter
constituição crotnosomica diferente, isto é: pódem apresentar um genotipo d fe-
c«ite, de maneira que em seus descendentes se verificará uma combinação de
fatores' hereditários, de modo que os feiwtipos destes serão, ás vezes, completa-
**'cnte dcsharmonícos.
Para a formação de no\*as espedes c. consequentemente, para a formação
l^ogenetica, contribuem as mutações e a .^combinações, as ultimas baseadas cm
'fações hereditárias, porém não as modificações, ligadas a fatores exteriores
'icterminados, que desaparecerão. Ic^o que estes deixam de pefsistir, a não ser
•Itte fatores puramente exteriores possam provocar tambem mudanças genotipicas.
Todos estes elcmemos mostram claramente que dentro de uma e mesma
*specie e até dentro dos descendentes de pais comuns, a'nda que vivam no
**>esmo local, podendo-sc, portanto, presumir que os fatores exteriores sejam o>
®>esmos. nunca, haja individuos completamente iguais. Pelo contrario, a for-
de qualquer caracteristico, o tamanho do corpo, das extremidades, a arti-
^'^çâo das antenas, o colorido, a densidade de qu'tina. a estrutura do integu-
^ento, os oi^ãos sensoriais, as glandulas cutaneas sofrem sempre maiores ou
**’cnores oscilações. Os dentistas denominam este fato zwdação.
Existe variação geográfico quando éstas oscilações provém de individuos de
*onas geográficas diferentes ; temos variações individuais quando se trata de indi-
190
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
viduos de um e mesmo local. A \-ar'a<;ão nunca é brusca, acentuando-se, ao
contrario, em transição lenta entre indivíduos variantes, de modo que, havendo
material muito abundante, facilmente se póde estabelecer uma cutxm, na qual o
ma.vimo e o minimo são mais raros, sendo o médio o ma's frequente. E’ possivcl
a existência de s'ariações que se fundamentam em modijicações geográficos; encon-
tram-se também \-afiações baseadas em modificações climatologicas ; existem
finalmcnte rariações fundadas em mutações, originando-se desta maneira combi-
nações de caracteristicos diferentes.
Já se vê como é dificil colocar num sistema os gêneros, especies e raças
de um grupo de animais, como são os Quilopodos, presuposta a, sua extrema depen-
dencia do clima, do solo, da altitude ; animais, enfim, que estão em contacto intimo
com os fatores do meio-ambiente.
Neste logar devemos também falar das anomalias que se verificajn com
maior ou menor frequência no grupo dos Quilopodos, oferecendo bases fallias
para a sistemática.
E’ dificilimo distinguir num caso determina.do, si se trata de uma simples
\ariação, provocada pelos fatores já citados, ou si temos de fato uma anomalh
verdadeira diante de nós. Si cértos Escolopendrideos, por exemplo, apresentam
patas mais ou menos gastas pelo uso, presuposta a impossibilidade dc regeneração,
devido á sua edade avançada; si os dentes do coxosterno forcipular e das man-
dibulas forem gastos e reduzidos derido à longa trituração d’um alimento duro,
quitinóso, isto não será anomalia porém simples variação ou atrofia secundaria.
A verdadeira anomalb sempre constitue um caso excepcional numa cspecie.
Assim, examinando mais de 100 exemplares da Scohpcndra viridicornis, só pude-
mos descobrir um unico, cujos estigmas laterais, segmentares não se corespond ani.
Anomalias, principalmcnte, quando não patológicas, são uteis, favorecendo o
animai a vencer melhor os obstáculos do meio ambiente, adquirindo grande im-
portaneb na formação de no\’as especies. Em muitas especies desta mesma
Escolopendra obsei^-amos repetidas vezes patas ou antenas menores, que as outras,
incap^cs, portanto, de exercer perfeitamente sua função fisiológica, devido á
regeneração mal feita, principalmente, quando se trata de um animai já com*
plemtamentc adulto.
Ficando um Quilopodo ferido no corpo, o ferimento não sara, enquanto não
liouver nova ccdisc.
Afim de se poder pôr os Quilopodos no sistema zoologico, é predso considerar
sua evolução paleontologica, ontc^enctica, ecologico-gcografica e morfologica*
Conforme os exemplares fosseis, póde-se fazer a seguinte an-ore gencalo"
gica dos Quilopodos e Miríápodos em geral :
148
192
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
CHILOPODA:
íVerhoeff: — 1925 )
2. Subclasse: — PLEUROSTIGMOPHORA
1. Ordem: — ANAMORPHA
1. Subordem: — Craterostigmo|Jiora
2. Subordem: — Lithobiomorpha :
1 . Familia — Cermatobiidae
2. Familia: — Lithobiidae
1. Ordem: — EPIMORPHA
1. Subor',Iem: — Scolopendromorpha
1. Familia: — Cryptopidae
2. Familia: — Xewportiidae
3. Familia: — Theatopsidae
4. Familia: — Plutoniidae
5. Familia: — Scolopocrj-ptidae
6. Familia: — Scolopendridae
Appendix: — Asanadidae
2. Subordem: — Geophilidae
1.
Familia :
— Medstocephalidae
2.
Familia:
— Geophilidae
3.
Familia :
— Gcmibregmatidae
4.
Familia:
— Bnuilophilidae
5.
Familia ;
— Schendylidae
6.
Familia ;
— Himantaríidae.
Nem todas estas famílias são encontradas em nosso continente e ainda menos
no Brasil. Aduzindo, portanto, apenas os característicos gerais e mais importantes
para melhor compreensão quanto ás formas de fóra, trataremos, a s^uir, com todo
o cuidado dos specimes do Brasil e das formas que vieram de fóra, mas j*
se acostumaram em seu novo habitat.
A divisão acima exposta não é aceita por todos os AA: Attems, pot
exemplo, faz outra d’rísão, estabelecendo tribus e subfamilias nos Escohpcf*'
dromorjos. Acresce ainda o avanço, que o estudo dos quilopodos tem tido nestes
últimos anos. principalmente no tocante á formas europeas e asiaticas, de maneir*
que novas subfamilias e mesmo familias se vem introduzindo, aqui e acolá, fatP
este que dificulta ainda mai suma exposição nitida e clara do assunto.
Sendo Verhoeff, atualmente o mais acreditado especialista, jun;ament*
com Attems, no tocante aos Escolopendromorjos, adotamos, neste trabalho, *
divisão sistemática do primeiro, introduzindo generos e especies nóvas, ondí
preciso for.
cm
SciELO,
11 12 13 14 15 16 17
150
CHILOPODA
Noção geral;
Os Quilopodos são artrópodes iraqueados, com cabeça e tronco. Suas fl«-
^fnas constam no minimo de 13 arfculos, podendo o numero destes subir até ad-
de 150. (Escurígerideos) . Pódem existir olhos simples, geralmente em nu-
tnero de 4, dispostos em forma de uma cruz ou então imnneros olhos pseudo-
focelados (Elscutigerideos), ou são inteiramente ausentes.
Na placa cefalica enxergam-se macroscopicamente duas suturas longitudinais
(na maioria dos Quilopodos), convergentes de frente para trás, secundadas, ás
^czes, por duas sulurasinhas curtas transversais, basilares.
No lado ventral da placa cefcdica existe o labro, nem sempre bem desenvol-
^do, e saparado ap>enas da placa por meio de uma membrana muito fina e trans-
parente. No centro, o labro forma um dente quitinoso. As mandíbulas estão no
*ado interno, lateral, da cavidade bucal. Mostram, como já temos visto, construção
Estante complicada. Estão sempre armadas com dentes muito fortes e duros.
As mandibulas estão cobertas pelo primeiro maxilar, que tem apenas 2 arti-
^los verdadeiros ou palpos que não terminam em unhas. Suas peças basilares se
*oldam, formando o labio. Este é côncavo e serve de concha para aspirar agua e
*Jinientos liquidos.
A ultima peça morfologica da cabeça são os segundos maxilares. Estes con-
*^’aram um tanto a forma de pata primitiva. Seus tclopoditos ostentam a mais
^•'ersa construção, podendo constar de 3-5 articulos verdadeiros. Nos Escutige-
’^eos encontram-se mesmo verdadeiros tarsos, sendo cada articulo provido de 2
® 4 aculeos muito grandes.
A unha terminal dos segundos maxilares é obtusa, côncava, e pôde ter uma
ou duas unhas secundarias no lado. Primeiros e segundos maxilares estão encai-
*ados na abertura bucal da placa cefalica por meio de peles e musculos. Conser-
'■am sempre grande mobilidade. Sua quitina não é muito dura, porém, também
é necessar’o desde que estejam protejidos, por sua vez. pelo enorme coxos-
^^utn jorcipular. Ésta peça origina-se pelo soldadura do estemito e da coxa das
^^cipulas.
194
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
O coxostcrnum demonstra melhor desenvolvimento nas lacraias grandes, por-
tanto existem em seu interior musculos fortes e resistentes, que abrem e fecham as
pinças inoculadoras de veneno.
As coxas e os cstemitos são separados uns dos outros nos Escutigeridios.
As forcipulas constituem propriamente o primeiro par de patas, mas, devido
á sua junção fisiológica, mudaram de local, avançando sempre mais para a frente
até cobrirem inteiramente os maxilópodos, no lado ventral da cabeça. Paralela-
mente os seus tclopoditos se transformam de articulos de pata em verdadeiras
pinças curvas e pontudas, com ferrão de quitina forte. As p'nças sempre contêm,
em todos os Quilopodos, sem exceção alguma, duas glandulas de veneno, uma de
cada lado, de dimensões exiguas, e cujo canal excretar termina perto da ponta das
pinças. O tronco é, segundo alguns AA., segmentado homonomamente ; s^undo
outros a segmentação é heteronoma. Esta divergência de opiniões é resolvida facil-
mente, tendo em vista a função fsiologica diferente, principalmente das extremi-
dades no começo e no fim do corpo. As primeiras patas, já não são enspregadas, na
maioria dos casos, para a locomoção, auxiliando no ato de comer. Portanto, os
seus tergitos já não precisam sustentar o peso do corpo; consequentemente são
mais fracos, enqua,nto que 05 tei^itos seguintes constituem placas íortc', largas,
porque tambem as patas são mais fortes.
Fato análogo verifica-se com as ult’mas patas, que \neram a ser \erdadeiras
armas defensivas, monopolizando quasi inteiramente a defesa do animal. Conse-
quentemente ostentam proporções avantajadas, prindpalmente nos Escolopen-
dromorfos. lambem os tergitos são mais fortes, que os anteriores.
Portanto, a segmentação originariamente homônoma passi a sar secundara-
mente. cit-vido ao papel fisiologico das extremidades, ^cgnientação heterônoma!
O tronco consta de placas dorsais ou tergitos, placas ventrais ou estemitos
e placas laterais ou ecierítos pleurais. Os primeiros formam camadas grossas dc
quitina; nos segundos a quitina é mais fraca e nos últimos verificam-se apenas
pequenas ilhas quitinósas em peles moveis c transparentes.
Ao longo dos tergitos, e muitas vezes tambem dos esternítos, correm 2 sul-
cos longitudinais, ausentes nos Escutigerideos. O menor numero de patas é dc
15 pares {Escutigerideos) e o maior 173 pares nos Geofilideos. Quanto maior 0
numero de patas, tanto menor seu comprimento.
As patas constam de coxa, trochanter, prefemur, femur, tibia e 1-2 tarsos,
oom um sem unha fnal. Os tarsos podem ser multiarticulados, como nos Escu-
tigerideos. A unha terminal pôde ter 2 unhas secundarias, pequenas. Os estigtnaS,
quando impares, ficam localizados na linha mediana, terminal dos tergitos, quando
pares, no lado superior, terminal das plauras, perto das carinas dos tergitos.
Entre os tergitos e estemitos encontram-se a'nda segmentos intercalares,
mais ou menos visiveis. Xo segmento das ultimas extremidades os pleurítos estão
I
WoLFGANG Bücherl — Os Quilopodus do Brasil
193
ausentes. Após o ultimo segmento do tronco seguem ainda 3 outros segmentos,
•nuito pequenos, e quasi nunca visiveis do lado superior: os segmentos genital,
Posigcnital e anal. O primeiro e o se^ndo apresentam ainda, restos de segmentos
•tansformados, os apêndices genitais e postgcnitais, gcralmente melhor desen-
^Uidos nas femeas, principalmente nos Escutigeridios. O segmento anal carece
*®mpre de extremidades. Todos os Quilopodos são opistogoneados, isto é, seu
Poto genital termina sempre no fim do corpo, entre os segmentos genital e post-
8«iital. adiante do anus.
A organização interna dos Quilopodos é a srçuinte:
a) iVo exterior uma camada de musculos muito forte e consistente, verifi-
^do-se a inserção muscular principalmente nas dobras internas entre os tergi-
e as pleuras e entre os estemitos e as pleuras.
b) A cadeia ganglionar ventral com o cerebro no lado dorsal da placa cé-
tica. A cadeia percorre todo o corpo.
c) O tubo digestivo, que p>ercorre, cm linlia réta todo o coqx), a começar
boca e a, terminar no anus. Con.sta de stomodaeum. intestino médio e procto-
'^cum ou réto.
d) Os orgãos genitais, geralmente impares, crescendo os ovários c os tc.s-
hculos sempre ma's i>ara a frente, paralelamente ao crescimento do corpo, de
***^cira que em exemplares complctamente adultos já prindpiam nos primeiros
^^Stnentos do tronco.
e) O ZKiso dorsal, pulsátil, dividido em outras tantas secções, quantos são
segmentos do tronco.
f) O corpo adiposo ou gordurosàf. que inwlvc principalmentc o coração
® os orgãos genitais, dissolvido numa rede de células poligonicas.
N
133
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
I
1.* Subclasse — Notostigmophora — Verhoeff, 1901.
Já o nome indica o principal caracteristico deste interessante grupo, que con-
siste no fato dos estigmas estarem IcxalÍ 2 ados na linha, mediana dos tergitos, cm
numero de 7, um em cada placa dorsal (Vide prancha colorida).
Dos estigmas impares irradiam os tubos traqueanos.
Os Escutigcrideos são facilmente reconheciveis pelas antenas longas e ex-
tremidades de extensão fabulosa, que os tomam ágeis, podendo deslisar mesnw
pelas paredes mais lisas numa velocidade nota,vel. .As patas mais longas são
as ultimas que servem de verdadeiros laços preenseis.
De noite o Escutigerideo, \-elóz como a sombra, deslisa pelas paredes, prin-
cipalmente das cosinhas de casas rurais, capturando moscas. Os Escutigerideo*
possuem dois olhos pseudofacetados, ou melhor, inúmeros olhos simples, colcxado*
cm ordem s metrica.
As antenas são mais compridas que o corpo, multiariiculadas, distinguindo-**
sempre duas partes, divididas por um nó. A parte que fica perto do corpo *
denominada “jlagcllum primum". Princip'a com um articulo muito grande,
vidido por uma sutura meio apagada em dois articulos : é a coronha, que apresenta
um buraco redondo, o orgão ccnsorial. O articulo seguinte chama-se ‘‘flagcllo-
basale".
No fim do jlagcllum primum encontra-se um articulo ma or: o nodale, *
depois deste, o postnodale. S^^e, então a segunda parte da antena, o flagcllu^
secundum, também multiarticulado. ,
Nem sempre se encontram o nodale e o postnodale, como também nem senv
pre existe perfeita harmonia entre a antena do lado direito e a do lado esquerdo-
Pelo contrario, é muito comiun poder obser\-ar, que num lado se encontre o no-
dale e no outro não; que num lado o jlagcllum primum consta de 70 articulo*
e no outro lado de ma‘s de 100; que num lado a, antena ostenta as duas divisõe*
e no outro não. Ésta inconstância nos articulos das antenas dificulta muito
classificação dos Escutigcrideos. Os antigos AA. tomaram justamente os artí-
culos das antenas como caracteristico pr‘ncipal em suas descrições, de maneira
que surgiu muita confusão. Os orgãos sensorims do primeiro maxilar fomiajO
estiletes. Os pêlos dos segundos maxilares são muito grandes, sendo facilmente
cm
SciELO,
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154
WoLFGANO BCxherl — Os Quilopodos do Brasil
197
'^stos. Estes constam de trochanter, prcfemur, fcmur, tibia e tarso. Este, em
*tnia forma vinda de Madagascar, é dividido em primeiro e segundo tarso. Unha
terminal não existente. Nota,-se, porém, pelo menos nos especimes brasileiros,
•“na formação de quitina dura. Os maxilares apresentam aculeos muito longos, em
••uniero diferente nos diversos generos. .'\s íorcipulas também são muito bem
•fcsenvolvidas. As duas pinças inoculadoras dc veneno são tão finas como a
ponta d’uma agulha, de modo que podem perfurar facilmente até mesmo e pele
^nnnana. A afirmação de Patton: — “It is quite harmless”, parece-nos um
•anto duvidosa, já que conseguimos relatar um caso (no primeiro cap.), em
uma senhora fôra mordida, sofrend dôres fortes nos dias seguintes.
As coxas f(»’cipularcs são muito move‘s, independentes uma da outra, isto
não unidas no meio. Na margem mediana, dianteira observam-se 4 aculeos
*^mes, em cada lado. Entre as coxas fica, o estemito, que é muito pequeno.
Os Escutigerideos possuem 15 pares de patas que aumentam de tamanho' dc
frente para trás. E’ nota«l a facilidade com que se lhes desprendem as patas,
^•re a coxa e o trochanter encontra-se na frente e atrás uma articulação gibósa.
^ primeiro e o segundo tarso são divididos em inúmeros segtnentos. O articulo
•^•ante da unha terminal é denominado tarso-jinale.
Apezar da imensa abundancia de animais dentro do grupo dos artrópodos.
se encontrarão ma’s outros specimes. cujas patas sejam tão perfeitas, tão
^***Tnoniosas e belas como as dos Escutigerideos. Fileiras de pelos, aculeos finos
* longos, transparentes e opacos, crateras e circulos, espiculas vermelhas e ala-
*^jadas, espinhos erétos e colados á pata, aculeos enormes com ramificações,
*•••-0 enfim, o que o artista mais caprichoso pudesse imaginar, se encontra aí
“•“na .seriação harmoniosa e perfeição tão singela, como só a natureza o salc
**zer.
No lado inferior, principalmcnte no segundo tarso, encontram-se cértos «-
^etes ou protuberâncias, em ordem e numero mais ou menos característico. As
'•^••nias patas são as mais compridtis carecendo de unlias terminais. Já não são
****das para a locomoção, porém unicamente para o enlaçamento da presa.
O tronco consta de 15 segmentos com patas, como já vimos. Tergitos, po-
só se encontram 8, sendo o 2.®, 4.®, 6.", 11.® c 13.® cobérto pelos outros, de
que se tomam invisiveis do lado superior. O tergito, que corresponde aos
ntos 7.®, 8.® e 9.®, é muito grande e comum a todos eles ; é um sinterpíto.
As placas subanais da femea são empregadas para carar o solo onde es-
seus óvos.
O 3 Notostigmorjos foram divididos em 1902 por Pocock numa unica ordem :
198
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
1.* Ordem : Scutigeromorpha.
Gervais, eiíi 1837, estabeleceu a unica família: os Scutigeridac.
L-\tzel redescreveu ésta família em 1880.
Em ISKH Verhoeff fez a seguinte chave desta familia: Fam. Scutigcridae -
A. No jlagcllum primum das antenas quasi todos os artículos (exceto o no~
dale e postnodalc) são muito mais largos (2-3 vezes mais) do que longos.
Os artículos mais curtos possuem sómente 2-3 drculos de pêlos. EstilettS
sensoriais do primeiro maxilar lisos ou com riscos divergentes. Apendices
nitais do segmento postgenital do macho em forma de estiletes, semelhantes ao*
do segmento genital: — l.subfam. Scutigerinae Verh.
B. No flagellum prímum das antenas quasi todos os artículos tão longo»
como largos (sómente alguns mais largos que longos) . Artículos antenais coto
muitos fêlos não sendo dispóstos tão circularmente como em Scutigerinae. MeS'
mo nos a,rticulos mais curtos encontram-se 6-7 círculos de pêlos. Também ot>
jlagcllum secundum a maiot(a dos artiailos mais longos que largos. Os ntat*
curtos com 4 círculos de pêlos. Estiletes dos orgãos sensociais dos primeiro*
maxilares com círculos transversais. Apendices genitais do macho alargados ciO
forma de folhas, muito unidas na I nha mediana. O sintelopodito da femea scO*
articulação gibosa, movei, entre as peças basilares e terminais, sendo estas ap®*
nas separadas por suturas:
2. subfam. Pselliophorinae Yerii
A primeira sub-familia dos Scutigerinae V'eriioeff dividira, no mesmo ano,
3 trihus:
a) Flagellum prímum das antenas com mais de 110 artículos. Tergd^^
com aculeos, mas sem espinhos. l.° - 14.° par de patas com estiletes tarsais. .Aeule®
tarsal presente ou ausente: 1. Tribu: Ballonemini: Verh.
Ballonemini: com 2 generos:
1. Gen: — Ballonema — Verh. (com uma unica especie: —
Guinéa).
2. Gen: — Parascutigera: — Verh. (com uma unica especie: —
pélago da Oceania).
b) Flagellum prímum das antenas com menos de 90 articulos. TcrgH'^
cobertos por espinhos. Carinas latera s dos tergitos com espinhos em forma
serrote: c:
WoLFGANG Bücherl — Os Quilopodos do Brasil
19 ;>
c) As extremidades posteriores e do meio (exceto o 15°) entre o primeiro
e o segundo tarso com 2 aculeos. 10.°-14.° par de patas sem estiletes tarsais; l.°-9.°’
par só com estiletes anteriores, raras vezes também posteriores: 2. Tribu: Scu-
iegerini : Veru. com 2 generos :
com 2 generos:
1. Gen. : Scutigera Lamarck: 1801 (algumas especies e raças, habitando
nas regiões do Mediterrâneo, da Afiica do Su! e da America do Xorte. Parta
rá pertence a Scutigera jorceps, da qual diz Pattons “The house centipede
A familiar object on walls...”.
2. Gen.: Lassophora Veru. 1905: con> uma unica especie em Madagascar.
d) Todas as patas sem aculeos tarsais. l.°-14.° par de patas com duas fileiras
estiletes tarsais, sendo as das patas anteriores mis fracas :
3. Tribu: Thereuonemini Verii. com os seguintes generos:
1. Gen. Thcreuonema Verii. 1904: algumas especies e raças na China, Japão.
T^urijurstão. Siria e Egito. '
2. Gen. Thereuopoda Verii. 1905: algumas especies e raças na índia, Cei-
*no, Borneo, China e no Japão.
3. Gen. Tachathereua Verii. 1905: uma unica especie em Marrocos.
4. Gen. Orihothereua Verii. 1905: uma unica csp)ecie na índia.
5. Gen. Allothercua Veru. 1905: uma unica especie na Ausiralia.
6. Gen. Thereuopodina Veru. 1905: uma unica especie cm Ceilão.
7. Gen. Podothereua \'^erii. 1905: uma unica especie no Arquipélago da
Oceania.
Como se vé da America do Sul e cspccialmente do BrasJ nada consta.
Esta mesma chave, em 1925, o proprio Veriioeff inutilizou em parte, ele-
'^*ndo ;ts sufamilias dos Scutigerimic e Pselliophorinae a verdadeiras jamilias,
*npr’mindo de todo a primeira tribu do Ballonemini, porque, como ele mesmo
'''nifessa. os articulos do jlagclium primum das antenas são variaveis demais, não
oferecendo verdadeiros caracteristicos. As vezes não existe divisão entre o jlagel-
luiii primum e flagcllum secundum, estando ausente o nodale. Este fato póde
®^orrer não só numa especie, porém, até mesmo num e mesmo individuo (seria
*9<ii o caso de averiguar, si não se trata d’uma regeneração de uma antena).
Suprimida a triu dos Ballonemini, a segunda e terceira, tribu passam a ser
*ubfamiliares :
O quadro seria então o seguinte, em 1925:
1. subfam. : Scutigerinae: (6.°-14.o par de patas no fim do primeiro tarso
oom 2 aculeos) :
1
200
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
1. Gen. : Scutigera;
2. Gen.; Lassophora;
3. Gen. : Bdloncma.
2. Subfamilia: Thereuonemhtae Verh. 1925 (o tarso de todas as patas
sem aculeos) : com os gêneros seguintes: Thcreuonetna — Tacnythercua — A>~
lothereua — Parascutigera — Prionopodela Verh. — Thereuopoda — (coro
os subgeneros : — Orthothereua e Mocrothereua) — Prothereua Verh. — The-
reuopodina — Podothcreua.
Portanto, nem em 1925 encontramos referencia alguma a especies de Esc*'
tigerideos do Brasil.
Em 1936 Verhoeff fez nova tentativa de pôr os Escutigerideos num sis*
tema. Diz ele que desde 1905 ninguém procurou introduzir nóvos métodos
a sistematização destes animais. Sómente foram encontradas descrições isoladas
e muito ambíguas, inúteis para uma visão nitida do conjunto, de modo que, ainda
hoje. os Escutigerideos continuam sendo um grande enigma para os cientistas.
O motivo destas dificuldades consiste no fato de os Escutigerideos mostra*
rem tantas ^•ariações morfológicas, no tocante ás antenas e seus articulos, no
tocante ás patas, os aculeos e espinhos, cerdas e pêlos, que é impossivel classi*
ficá-los conforme estes característicos.
O unico característico constante que serve para a discriminação de generos c
especies são os gonôpodos das femeas (Vide fig. 47 e 48).
O sintelopodito gonopódico consta de 3 partes:
O Proarthron.
O Mesarthron.
O Metarthron.
O proarthron forma a peça basilar do gonópodo começando nos logares ond^
o gonópodo é fixo ao coxosterno, terminando na região em que principia a cd'*‘
dade interna. No logar da soldadura entre o proarthron e o coxosterno citis*
tem placas quitinósas: duas na linha mediaiu e duas nos lados. As laterais
mam uma especie de articulação dando um certo movimento á placa. Na lit'*’*
mediana obseiA^amos uma soldadura dos proarthra direito e esquerdo sendo
duzida pelo fato de um proarthron se encaixar no outro.
Na, borda interna longitudinal de cada proarthron existem uma ou
fileiras, mais ou menos regulares, de cetdas táteis. Segue então uma zona onà‘
estas estão ausentes. Na borda externa encontramo-las de novo, mas compri^*
‘e em numero maior no lado basilar, menores e mais raras na pionta terminal.
O mesarthron é a continuação direta do proarthron. Não é absolutameO^*
separado deste. Seu principio póde ser fxado na região, onde começa a ca'"*'
138
cm
3
5 6 7SCÍELO, ;l1 12 13 14 15 16 17
WoLFGANG Bücherl — Os Quilopodos do Brasil
201
interna do sintdopodito. Os dois membros do íMsarthron formam uma
Qvidade interna, cujo comprimento e largura ^’aria de genero a genero e até
especie a especie, de modo que oferece um ótimo característico para a siste-
’>®t5ca. As bordas internas da carídade portam cerdas como também a superfi-
dos dois membros.
O metarthron é formado pelos dois apendices terminais, moveis. A mob li-
dos mesmos é, no entanto, muito restrita. As bordas internas pódem ser lisas
^ lobadas ou então fracamente denteadas. Pódem ser curvos ou retos; mais
^rtos ou mais compridos que a carídade do mesarlhron.
Para a s stematica é preciso, considerar o gonópodo em todos os seus de-
as areas de pêlos sensoriais; a posição destes pêlos; si também existem
^•"das e espiculas; si as bordas externas são paralelas ou divergentes; si a ca-
^dade é mais longa do que larga ; si existem feixes de pêlos e msuas bordas inter-
etc Além disso ê preciso considerar os espinhos nas fileiras de cerdas
Prefemitr, femur e tibia das patas : O numero dos articulos no pr‘meiro e no
**Sundo tarso das patas; a ausência ou existência de estiletes tarsais; os aculeos
Prefemur, femur e tibia e no fim do primeiro tarso das extremidades. Fi-
***Jniente ainda se verifica a exiçtencia de espinhos e cerdas nas placas dorsais.
^nc’palmente nas zonas estigmaticas c nas carinas laterais.
Scutigera L.amarck, 1801
Para a sistemática deste genero também os gonópodos da femea oferecem
^ ttwlhores característicos.
Meixert. em 1885, descreveu uma Scutigera nigrovittaia. isto ê. cujo tronco
*P*'fscnta 3 fa,ixas longitufbnais pretas, animal este, encontrado nos arredores
rídade de São Sdvador, no Estado da Bahia. O animal foi descrito muito de-
^^temente. sendo impossivel reconhecer o tipo, e ainda menos classificar ou-
Escutigerideos como este.
A respeito de gonópodos nada consta.
Siu^ESTRi fala de Scutigera Guilidingii Xewp. encontrada no Chaco c em
^tas regiões da Bolivia (1895 e 1897). .\lguns anos mais tarde, estando no
Chi
SiLATvSTRi percebeu um Escutigerideo fugir pelo campo, sem poder captu-
Éstas são todas as noticias a respeito destes artrópodos, tão interessantes
pouco conhecidos.
Opina Verhoeff que a bacia do Oceano Indiano seja o berço dos Escuti-
^*^ios e que sómente o Velho Mundo possue generos e especies ajitochtones. cm-
que o Novo Mundo só ostenta formas aberrantes, le^•adas para lá por
de navios, etc. . . Q>mo pros-a persuasira ele aduz o fato, de se encon-
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cm
SciELO,
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
trarem sómente Escvtigcridcos no Xovo Mundo perto das praias e em casas-
óra, isto não corresponde bem aos fatos, porque no Brasil encontram-se muitos
Escutigcridcos, mesmo no Interior de nosso Continente. Também não se pódc
admitir facilmente que um Escutigcrídco, chegado da Europa por meio de um
na\’io, tenha percorrido mais de 1000 quilômetros. Aliás os Escutigerideos imo
são nada raros no Brasil.
A subfamilia dos PselUophoritiac possue até agora dois generos : Pseüiophoro
Verh. com os seguintes característicos:
6.°-14.°. par de extremidades com 2 aculeos entre o primeiro e segundo tarsol
l.°-14.°. par de extremidades com 3 aculeos tibiais; com inúmeros cstiletcS
a começar da 11.^ extremidade;
1. ® par de extremidades com 18-42 articulos tarsais;
2. ® par de extremidades com 16-42 articulos tarsais;
3. ®-13.® par de extremidades cora 9-11-29-45 articulos tarsais.
Tergitos providos de pêlos muito curtos. Encontram-se 3-7 especies, distn*
buidos sobre a África Oriental, o Congo, a America Latina. Gcn. Sphcndoni'
ma Verh..
Todas as extremidades sem aculeos tarsais. 2 especies em Togo e em Cs'
merum.
Os Escutigcridcos brasileiros pertencem a subfamilia dos Psellio-phorinae ou
ao genero Seuligera.
Scutigera (subfam. Scutigcrinac) :
No tarso das extremidades anteriores encontram-se muitos estiletes grande^
todos de me.«mo tamanho, e mordem alternativa, não sendo encontrados estilete*
menores, intermediários, mas, em logar destes, pêlos que se prendem estreitamente
ao tarso.
Na frente, no prefemur do primeiro e segundo tarso encontram-se fileiras de
cerdas longas, sendo este local desprov do de espinhos.
Quinta chapa stomatidea na area interna, nas carinas laterais e nas bordai
provida de espinhos ; na area interna : aculeos táteis, simples, tanto mais numer^^
sos, quanto menor fôr o seu numero de esp‘nhos.
Colorido do corpo amarelo-claro.
Flagcllum prímum das antenas com 58-78 articulos. mais largos que longo»-
Primeiro par de extremidades com 11-18 -j- 30-35 articulos tarsais;
Segundo ” ” ” ” 11-14 + 28-32
Quarto ” ” ” 9-12 + 26-30
Sétimo ’’ ” ” ’• 7- 8 -+- 24-2o
•Algumas especies e subespecies no Mediterrâneo, na África e na Américo
Norte.
IGO
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WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
203
Subíamilia : Pselliophorinae
Genus : Brasilophora BCxherl, 1939
Artículos das aninias quasi todos 1 yi vezes nuiis longos que largos, cobertos
fflteiramente de pêlos curtos, com um circulo de cerdas mais longas na porta ter-
titinal de cada articulo e cora 1-2 espinhos atrás deste circulo nos primeiros 8 ar-
dciilos. Fl. 1.54-58 artic. (Vide fig. 44).
Na ponta terminal do prejcntur, feinur e tíbia das extrem dades 1-1 í com
3 aculeos. Na ponta termina,! do primeiro tarso das extremidades 1-11 com 2
*ctdeos. Estiletes tarsais sómente no segundo tarso das extremidades 1-6, desapa-
recendo a começar da 5.^ extremidade.
Placas dorsais com poucas cerdas porém muitos espinhos que se enfileiram
linha mediana, tendo cada espinho uma cerda ao lado. 6-7 tergitos na linha
•®cdiana, saliente, 2-3 fileiras de espinhos de cada lado, ficando 1'vre no centro
^nia area longitudinal estreita. As fileiras continuam retas, mesmo através das
Píacas estomatieza, ainda que acompanhem as cur\-as das placas citadas,
^da espinho tem uma cerda ao lado, diminu ndo na mesma proporção em que o
Espinho cresce. Nas duas placas estomaticas 20-17 espinhos.
Carinas laterais com espinhos e cerdas, que formam uma especie de serrilha
Principalmentc nas bordas posteriores laterais.
1.0
2.0
2.0
4.0
par de patas: 18-19 -}- 50 artículos nos dois tarsos:
par de patas: 15 -f- 46
par de patas: 15-16 -}- 34 -|- 47
par de patas: 13-14 -f- 37 -|- 41
-••-'TV
1-11 par de patas 2 aculeos laterais
ventrais no fim do primeiro tarso.
par de patas: 11-14 -|- 35 -f- 48. Gonópodos da femea, muito longos e es-
^^tos : 3 veses mais longos do que largos. Cavidade entre o mesarthron também 2
^es mais longa do que larga. As bordas externas do pro- e mesarthron divergem
pouco da frente para trás. Bordos internos do metarthron inteiramente lisos.
Este novo genero distingue-se de Pselliophora Verhoeff pela presença de
*®Pinhos no 6.® e 7.® terglto; pelo numero menor de espiculas nos tergitos ante
*^otes; pelo maior comprimento dos artículos no flagellum primum das antenas;
P^^ presença de aculeos tarsais já no primeiro par de extremidade, por ter rela-
**^^ainente poucos estiletes tarsais, e estes já desapareceram do 6.® par de patas
^ diante.
204
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
1. Brasilophora margaritata BCxhf.rl, 1939.
Comf>rimcHtoi fetnca: 42 mm. — macho 38-41 mm.
Colorido: Plac^ dorsais castanho-escuras, com faixa mediana longitudinal
castanho-vermelha. Bordas laterais enegrecidas. Placas estigmaíicas vermelhas.
Segmento prégenital e genital, estemitos e extremidades amarelo-douradas.
extremidades com manchas circulares esculas. (Vide fig. 40)
Antenas: Articulos muito mais longos do que largos, não sómente no Flagellutn
pritnum, como também no Flagcllum secundum (^ainda que haja alguns articulos que
sejam tão largos como longos). Xa ponta terminal os articulos se encurtam pro*
gressiramente. (Vide fig. 44).
Nodalc e postnodale sempre bem nitidos. sendo visiveis mesmo á olho nu.
Alguns articulos são quasi 2 vezes mais longos do que largos ; entre eles existem
outros menos longos, sendo porém sempre mais longos do que largos. Flagellun*
primum na femea com 45 articulos; no macho com 58 articulos.
Os pêlos cobrem todo o articulo, não sendo possivel distinguir circulos or-
denados. Na borda terminal de cada articulo encontra-se um circulo de cerdas
longas (Vide fig. 44).
Os primeiros 8 articulos basdares ostentam perto da ponta terminal, no la*^'’
medial. 1-2 espinhos.
Segundo maxilópodo com 1 tarso sómente. Este multiarticulado, é provido
de pelos e cerdas. Não ostenta garra terminal porém uma ponta quitinósa. ^
formula dos aculeos do prefemur. femur e tihia é 2 -|- 4 -|- 2. Coxas forcipulare>
com 4 -|- 4 aculeos longos, na placa mediana, na borda anterior. Os aailcos esta”
rodeados por uma fileira de cerdas.
Artiailo das extremidades no 1.® e 2.® tarso:
FEMEA: M,\CHO:
1. p. de extr. 18 -+- 50 art. 19 -|- 46
2. p. de extr. 15 -f- 46 ”
3. p. de extr. 16 4- 47 ” 15-1-34
4. p. de extr. 13 4- 41 ” 14 4- 37
5. p. de extr. 13 4- 48 ”
6. p. de extr. 11 -f- 43 ” 12 4- 37
8. p. de extr. ” 14-4-36
10. p. de extr. ” 11 -f- 35
11. p. de extr. ” 13 -|- 37
1-11.® par de patas providos de 3 aculeos longos no prejemur. jemur e ua
tibiu; no fim do primeiro tarso 2 aaileos mais curtos (Vide fig. 45).
162
206
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
A começar do 2.° prefemur encontram-se na femea alguns espinhos laterais,
terminais, em cada prejcmur.
1) Na borda entre o grande aculeo ventral e a ponta terminal do prefemur
do 3.° par de patas do macho : 3, mediano 5 espinhos.
2) Na borda entre o grande aculeo ventral e a ponta terminal do prefemur
do 4.® par de patas do macho : 6, mediano 6 espinhos.
Também no prefemur das outr^ extremidades existem espinhos, não orde-
nados em fileiras ; nas extremidades posteriores, porém, os espinhos estão enfilei-
rados, sendo cada um acompanhado por uma cerda.
Além das duas fileiras de espinhos superior e inferior, encontram-se geralmen-
te ainda 3-4 fileiras laterais de espinhos e cerdas, fileiras éstas que se acentuam
gradativamente. Nas extremidades anteriores os espinhos laterais só existem no
lado mediano, extendendo-se progressivamente ao longo das patas posteriores.
Os estiletes tarsms da femea são escassos e insignificantes enquanto que no
macho são pouco maiores e mai.s numerosos, mas mesmo assim ainda bastante
pequenos.
Os articulos do primeiro tarso, além dos feixes de cerdas no lado ventral,
ostentam, a começar da quarta extremidade. 1=2 espinhos em cada artictilo-
0 pr‘meiro articulo, porém, tem duas fileiras de espinhos, o segundo 4 (Vide
fig. 45).
garra terminal das patas é ponteaguda.
O segundo tarso é mo\*el devido ao grande numero de articulos (Vide
fig. 46).
Placas dorsais: Nas placas dorsais distinguem-se: a zona dos estigmas, cons-
tituída por duas placas ma‘s ou menos nitidas; — a faixa longitudinal, situada
entre a placa anterior e o estigma; as duas areas laterais, o lado da faixa longi*
tudinal mediana; as carinas laterais, salientes;
O numero das espiculas e dos esp nhos e das cerdas nas diferentes zonas
1 característico para distinguir as diferentes especies. O e.squema da Brasilo-
phora margaritata é o seguinte:
Femea :
1. placa xstomaiica: 15 18 espiculas curtas, situadas na faixa long -
tudinal mediana;
8-1-7 espiculas na zona do estigma;
0 espiculas nas carinas laterais.
Nas duas areas laterais observam-se algumas espiculas, muito pequenas conw
também algumas cerdas.
164
WoLFGANQ BOcherl — Os Qoilopodos do Brasil
207
2. placa estomalica: 8 + 9 espiculas, m^s grossas que na placa anterior,
na faixa longitudinal.
11 + 7 na zona do estigma;
0 — nas bordas já não mais lisas, mas um tanto rugósas, ostentando algii-
cerdas.
Algumas espiculas na area lateral e também cerdas.
3. placa estomatica: 8+9 irnia faixa long tudinal ;
21 + 24 na zona do estigma;
0 + 0 carinas.
cerdas na area lateral :
4. placa estoíttatica: 33 + 24
22 + 12
4 espiculas muito finas.
7 na arca lateral.
5. placa estomalica: 17 + 13
15 + 20
7+9 espinhos nas carinas laterais, do lado pos-
**r or. .Mguns espinhos pequenos nas areas laterais.
6. placa estomatica: O numero de espinhos alcança o auge. Aumentam
*^bem de tamanho. Sua posição não é mais tão irregular, como nas placas
*«teriores, formando fileiras (2-3 em cada lado) bem regulares, na linlia mc-
'^na da faixa longitudinal, feando sempre uma arca complefamentc livre de
*spinhos. Cada espinho tem uma ou duas cerdas ao lado. Placas estigmaticas
2+31 espinhos. As cannas laterais demonstram um numero elerado de
espinhos curtos, grossos, acompanhados sempre por uma cerda. Princ’palmcntc
margem posterior os espinhos Ao mais numerôsos, semelhando a uma verda-
deira denteação. Os espinhos posteriores são maiores; decrescendo paulati-
***mente na frente, de maneira que nunca atingem a borda anterior. As duas
P^^cas dos estigmas já não são mais completas, unindo-se na frente com a faixa
•iiediana. Ésta é um tanto elevada no centro.
7. placa estomatica: Os espinhos das carinas latcrajs são muito densos,
^do cerdas longas na borda posterior. As areas laterais são providas de
Qumerósos espinhos e poucas cerdas.
Na faixa mediana e nas duas placas estomaticas os espinhos são enfileirados
(Vide fig. 48).
165
cm
SciELO,
11 12 13 14 15 16 17
208
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
8. placa dorsal: é o ultimo tergíto de quitina dura. Mais longo do que
largo, com bordas laterais sinuosas (Fig. 48). Xo centro se acentua unia
ligeira depressão longitudinal que se estende mais em profundidade que em lar-
gura. borda posterior é arredondada. Xas areas laterais encontram-sc '
espinhos e cerdas nos lados.
Macho: As placas dorsais do macho são constituidas como as da femea.
sómente o numero de espinhos é maior, decrescendo na mesma proporção o
numero de cerdas. Prindpalmente as carinas laterais mostram grande numero
de espinhos. Xa faixa longitudinal os espinhos conser\’am ainda mais o carater
<le regularidade, principalmente nas ultimas placas.
1 . placa : 1 1 -f 6 espinhos na zona do estigma. Xas areas laterais exis-
tem poucas espiculas e quasi nenhuma cerda. Xa faixa longitudinal mediana
observam-se 20 -|- 10 espiculas.
As carinas já demonstram alguns espinhos, na margem posterior e lateral-
mente só se encontram cerdas longas.
2. placa: Todo tergito é coberto por espinhos e cerdas, prindpalmente a'
bordas posteriores das carinas.
3. placa: O numero de espinhos diminue nos^amente, como também o sett
tamanho. As cerdas. porém, são mais numerósas e desenvolvidas. 17 -f-
c.spinhos finos na zona estigmal.
4. placa: os espinhos são nitidos, formando 6 fileiras na faixa longitu-
dinal mediana. 18-23 espinhos na zona do estigma. Elspinhos das carinas são
mais numerósos no lado posterior.
5. placa: O numero e o tamanho dos espinhos atinge o auge. As fileiras
são bem regulares.
6. placa: O tamanho dos espinhos aumenta ainda diminuindo porém se«
numero. 24-17 espinhos na zona estigmal.
Ultimo tergito quitonoso: é perfdtamente egual ao da femea.
Gonópodos da femea: O melhor característico de todos os escutigerideoS
para a distinção de generos e especies são os gottópodoj da femea. Os
podos da Brasilophcra margaritata são constituídos da seguinte maneira: — ®
twtarthron é do mesmo tamanho que o mesarthron; este um pouco mais comprido
oue o proarthron (Vide figs. 47 e 48).
As margens externas do pro- e mesarthron são um tanto convergentes
trente para trás, quasi paralelas. O proarthron tem suturas tanto no lado dorsJ
como no ventral. Xa ponta apical existem 4 plaquinhas quitinósas, medianaSt
2 dorsais e 2 ventrajs. Igualmente 2 estão presentes nas margens laterais. ^
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
209
Proarshron esquerdo encaixa-se no direito. Os aculeos, jjequenos, são mais nume-
rosos no lado ventral que no dorsal. Xeste formam fileiras muito r^ulares.
Os aculeos laterais são maiores na ponta apical, decrescendo paulatinamente. Na
linha mediana os aculeos maiores estão situados perto da ponta terminal, deante
da ca\idade do mesarthron.
Entre a zona mediana e as margens laterais do proarthron existe uma zona
longitudinal, desprovida de cerdas.
A cavidade do mesarthron é mais longa do que larga, com bordos internos lisos.
A largura da cavidade é igual á larura da base do mesarthron. Existe um
feixe de cerdas, maior no lado ventral, e mais estreito no dorsal. Perto da
ponta terminal do mesarthron existem duas fileiras horizontais de cerdas, que
nascem num vestigio d’uma sutura primitiva, muito apagada e imperceptivel.
Metarthron com bordas externas e internas lisas, mas cônca\’as.
Veruoeff, em sua monografia: “Kriiische Untersuchnugen asiatischer Scuti-
geriden”, publicada ultimamente, menciona uma pequena sutura no metarthron, da
qual não conhece o significado.
Tendo feito preparados macroscopicos de alguns gonópodos da Brasüophora
niargaritaia, pudemos observar perfeitamente que a sutura em questão não é
tnais do que a, borda inferior de uma cavidade articular, fonnada pela ponta
terminal do mesarthron, na qual gira a cabeça do metarthroH (\'ide fig. 49).
Exemplares desta nora especie foram encontrados tanto nos arredores da
Capital de São Paulo, como no Interior deste Estado e tarnbem no Paraná. .\
•dtitude das localidades raria entre 800 e 600 metros.
A nora espccie difere da Scutigera, uma vez, pelos articulos das antenas,.
Sue são muito mais longos do que largos, enquanto que na Scutigera são mais largos
do que longos. Outra diferença, consiste na presença de numerosos espinlios c espi-
fulas nos tergitos, e principalmente nas carinas. Um outro característico bem
Proprio desta espccie c a relativa ausência dc estiletes tarsais nas extremidades
^teriores, enquanto que estes estão bem desenvolrídos na Scutigera.
2. Brasüophora pauli.sta BüciinKL, 1939
Colorido: Tergitos amarclo-avcniic!I;ados, com duas faixas longitudinais,
atravessando todo o comprimento do corpo.
Estemitos e antenas amarelo-dour^os. Extremidades amarelo-avcrmclliadas
fom manchas circulares longas, escuras. Uma faixa longitudinal dourada per-
t®rre a linha mediana do corço e das placa,s estigmaticas. A femea tem 25 mm.
de comprimento: o macho 23-24 mm.
210
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Antenas', muito longas, com 41 articulos no flagellum prítnum. A maioria
dos articulos um pouco mais larga do que longa; há, porém, alguns qu são tão
largos quanto longos ou mesmo mais longos do que largos. Xo flagellum secundutn
também se encontram alguns articulos mais longos do que largos. O artciulo todo
é provido de pêlos, havendo na ponta terminal um circulo de cerdas mais longas
e 2-4 cerdas quitinósas grandes nos cantos. Espinhos ausentes mesmo nos arti-
culos basilares. Maxilópodos com tarso multiarticulado, sem garra terminal;
com 2 aculeos no prcfanur, 4 no femur e 2 na tibia. Nos bordos anteriores das
coxas forcipulares obser\-am-se 4 -f 4 aculeos longos.
1. Tergito: Nas placas estomaticas 8 -f- 6 espinhos diminutos, tendo cada
espinho uma cerda á sua base.
Xa area mediana anterior existem 13 9 espinhos pequenos com cerdas.
No resto do tergito encontram-se ainda alguns espinhos irregularmentc distri-
buidos, como também algumas cerdas longas e finas.
Carinas laterais com 2 -f- 4 espinhos e algumas cerdas na zona anterior-
2. Tergito: Placas estomaticas com 9 8 espinhos e cerdas.
Arca anterior mediana com 15 12 espinhos e cerdas.
Carinas laterais com 11 -f- H espinhos, havendo entre eles cerdas finas.
Os espinhos deste tergito já demonstram maior tamanho que os da placa, anterior.
4. Tergito: As duas placas estigmaticas já não são isoladas, mas formam
continuação reta com a faixa mediana anterior, saliente.
Na zona cstigmatica 16 -f- 14 espinhos, dispostos em 3 fileiras de cada
lado. Carinas laterais com alguns espinhos e cerdas.
5. Tergito: As placas estigmaticas separadas da faixa anterior. Demons-
tram 13 -4- 17 espinhos. Na zona anterior mediana existem mais ou menos 14
espinhos não dispostos em fileiras. Nas zonas laterais o numero de espinhos
c cerdas aumenta. O mesmo se verifica nas carinas laterais. Os espinhos s^o
maiores do que nas placas anteriores.
6. Tergito: 13 15 espinhos na linha mediana, continuando tambem
através das placas estigmaticas. Carinas laterais com espinhos e cerdas.
7. Tergito: Nesta placa os espinhos são mais numerosos e maiores do q^*
cm qualquer outra placa. Diante do estigma sajienta-se uma zona longitudinal
mediana cm fonna de uma saliência, que continua até a borda do estignta-
Fileiras de espinhos acompanham ésta saliência (20 -f 21 espinhos ao todo)-
Caritujs laterais com espinhos bastante densos, de modo que .«-e assemelhaio ^
denticulos. Encontram-se muitas cerdas entre os espinhos.
8. Tergito: Na zona interior encontram-se algims espinhos e cerdas; n^
carinas os espinhos ainda são relati\'amente densos, tocando-se quasi na zon»
mediana da borda posterior, bilobada.
168
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil 211
1. ° par de extremidades com 14 38 artículos no 1.® e 2.® tarso;
2. ® 15 + 39
3. ® 12 -f 38
4. ® 12 + 36
5. ® 10 + 37
O prefemur e a tibia das primeiras 6 extremidades carecem de espinhos enfi-
ferados, demonstrando fileiras muito r^[ulares de cerdos longas e finas. Da 4.*
®*fremidade em diante originam-se algmnas espiculas muito ponteagudas no lado
*oterior do prefemur, perto da ponta terminal. Estiletes tarsais são encontra-
rmos só no segundo tarso em algumas extremidades e em numero restrito.
17
1 . Par de extremidades no fcmur espinhos ; 5 espinhos no lado termina! ;
0
20
12
5.
6 .
tO
18
Aculeos no fim do prefemur: 3; no fim do femur 2 = 3; no fim da tibia 3;
’’o fim do primeiro tarso : 0-2 : nas extremidades 1 = 6.
Gonópodos da femea: Os Gonópodos da femea são muito semelhantes aos
ria Brasilophora margaritata. São, porém, mais estreitos e mais compridos. Prin-
'^Polniente o metarthron é muito mais forte nas pontas apicais, carecendo de
no lado dorsal. Os bordos iirtemos do metarthron são lisos. Bordas
do pro- e mesarthron divergentes de trás para diante. Cerdas laterais
169
cm
SciELO,
11 12 13 14 15 16 17
212
Memórias do Instituto Bulantan — Tomo XIII
Entre as cerdas laterais e as medianas acentua-se uma ligeira depressão. li'T®
de cerdas.
A cavidade entre o mcsarthron 2 veccs mais longa do que larga, com bordas
internas lisas, um tanto curvas. Xo limite entre a tne^ e o metarlhron obser-
ram-se suturas em forma de S. Feixes de cerdas no lado dorsal e wntral.
A nova especie distingue-se da Brasilophora margarilata uma vez pelos
articulos das antenas, que na margariiaia são muito mais longos do que largos;
depois pelos articulos tarsais muito mais numerosos em tnargarilata; finalmcnte
pelos gonópodos da femea, mais estreitos e mais longos desta nova especie.
A distribuição geográfica abrange principalmente a zona da linha Arara-
quarcnsc no Interior do Estado de São Paulo. A Brasilophora paulista tanibcio
é encontrada na Capital, principalmente nos bairros.
Os tnachos ostentam colorido mais bonito, pre\'aleccndo o «verde com reflexo*
dourados. Principalmente as ultimas extremidades ostentam manchas verde-
douradas, como também os tergitos. Os esternitos são amarelos. Os machos
são um pouco menores e apresentam menos espinhos nos tergitos. aumentando
porém o numero de articula,ções anteriores do primeiro tarso.
Verhoeff, em sua monografia mais recente sobre Escutigeridios asiaticos.
diz, que não existe característico constante que sir\’a para a sistemática, ha nao
ser os gonópodos da. femea. Xo entanto, examinando attentamente 2 machos,
procedentes do mesmo logar, observa-se uma harmonia surpreendente na
tribuição dos espinhos no prefemur, no femur e na tibia, como tamlxrm numtro
egual dos articulos do primeiro e do segundo tarso e dos estiletes tarsais.
Desta maneira, cremos poder consei^^ar como característico seguro o
dc articulos tarsais e espinhos das extremidades.
Como exemplo transcrevemos as formulas de dois machos da Brasilophora
paulíjta, um procedente da Capital de São Paulo, e o outro da zona
raqiiarense :
Tipo de São Paulo:
Articulos no primeiro tarso:
” ” segundo ’’
Tipo da zona AraraquareniC-
2. par de patas:
13 + 34
13-1-34
3. par de patas:
11 -f 30
11+30
4. par de patas:
9 -f 28
9 + 29
5. par de patas:
8-1-28
8 + 29
7. par de pat^:
8 -f 27
8 + 26
e assim por diante, sendo notável que em todas as extremidades seguinte*
numero do primeiro tarso em ambos os machos é constantemente 9, eniqu*®**^
170
cm
SciELO,
11 12 13 14 15 16 17
WoLFGAXG BCcherl — Os QuUopodos do Brasil
213
'luc o segundo tarso A^ai gradati\-araente aumentando em artículos, de 26 a 34
14.® par de extremidades. A ttt/rsma consíancia é observada no tocante aos
*itHetes do segundo tarso. Xo 3.® par de extremidade encontram-se 8 estiletes
S^andcs; no 5.® par 5 estiletes; no 7.® par 6. decrescendo então harmonicamente
^ numero. Da primeira á sexta extremidade não se encontra espinho algum
•'O lado superior e inferior, em ambos os exemplares. Xo 5.® prefemur obser-
5 espinhos laterais; no 7.® prejemur encontram-se 3 espinhos na borda
*^nsversal. em direção ao grande aculeo. Xa 11.® pata obsera-amos nenhum
*^inho na fileira de cerdas do lado superior, enquanto que no lado inferior
^ontram-se 8 espinhos cm ambos os tipos confrontados.
Xo 5.® jemur também não são encontrados espinhos no lado superior e
“*ferior porém lateralmcnte existem 7 espinhos.
Xa tibia do 7.® par de extremidades se encontram 14 espinhos no lado
***perior, entre a fileira de cerdas, enquanto que no lado inferior não Ita espinho
*%iim. O lado superior lateral é prorido dc 11 espinhos numa só fileira.
Estes exemplos demonstram de sobra a concordância e constância destes
^^facteristicos.
Também é tipico o aparecimento de fileiras de espinhos no primeiro articulo
*^® primeiro tarso do 11.® par de extremidades cm diante.
Os primeiros tres tergxtos demonstram poucas espiculas e nenhum espinho,
espicula tem uma cerda á sua base.
Xo 4.® tergíto verifica-se a transição das espiculas para espinhos. Encon-
^^*>n-sc mais ou menos 5 espinhos pequenos, sendo o resto ainda provido de
**piculas.
5. ® Tergíto: 18 espinhos nas carinas laterais por entre cerdas longas, e
**P'culas menores do que as das placas anteriores.
5 -f 3 espinhos nas placas estomaticas.
6. ® Tergíto: Os espinhos são maiores, ordenados cm fileiras longitudinais:
22 -f- 21 espinhos nas carinas, no meio de cerdas;
28 28 na area interior, dividida no meio por uma fossa estreita longitu-
^'^1. fossa ésta que se obserA^a também em todos os outros tergitos.
5 -f 5 espinhos nas placas estomaticas.
2.® Tergíto: 19 -|- 20 espinhos nas carinas laterais;
J2 -I- 12 na area interna;
4 -f- 4 nas placas estomaticas.
8. Tergíto: 3 -f- 3 nas carinas laterais;
5 4- 5 na area interna;
Borda posterior um tanto hi-lobada. Fossa mediana muito fraca, porém
*^da visivel.
214
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Xa coleção do Instituto Butantan encontram-se ainda alguns exemplares d®
Escutigcridcos remetidos do Estado de Matto Grosso (Terenos, Três Lagoas)-
Infelizmente, porém, dc^^do á longa viagem e á falta de pratica em sua captura,
estes animais vieram para cá muito estragados, com patas e antenas quebradas,
impossibilitando praticamente sua classificação.
Para obtermos resultados nitidos sobre a expansão dos Escutigerideos atras’CS
do território brasileiro, é preciso que sejam obtidos ainda muito mais exemplares.
Uma coisa, porém, parece indiscutivelmente certa; que os Escutigerideos brasi-
leiros constituam formas indígenas. Isto não exclue que uma ou outra
especie tenha sido transf'orlada com mercadorias para as nossas praias, instalan-
do-se nas imediações de casas humanas, situadas perto do mar. Mais difidl «
admitir ésta hipótese, quanto aos Escutigerideos dos arrabaldes da Capital de São
Paulo e cidades adjacentes, porque neste caso eles dedam vencer a serra do Ma'»
de 1000 metros de altura. A existência de Escutigerideos no interior do Estado
de Matto Grosso, Gran Chaco c da zona Araraquarense não póde ser explicado
d’outra forma, sinão admitindo que sejam formas originarias daquelas regióes-
Os poucos exemplares da coleção supra-mencionada dificultam estabelecer
uma chave sistemática certa. A titulo de ensaio poder-se-ia fazer a seguinte
chave ;
a) Bordos externos do pro- e tnesaiihron dos Gonópodos da femea /'oen*
lelos ou pouco divergentes de frente para trás. Articulos das antenas mais longos
do <iiu- largos : Brasilophora, gen. n. ^ c,d.
b) Bordos externos do pro- e mcsarthron dos gonópodos da femea ntudo
divergentes de frente para trás. Articulos das antenas 2-2 1/2 vezes mais largOS
do que longos. Flagellum primutn com mais de 110 articulos:
Brasiloscutigera, g.n. e
c) Antenas no jlagellum primttm com 41-50 articulos.
1. Par de extremidades com 14 38 articulos no 1. c 2. tars«j:
2. 15 -i- 39
3. 12 38
4. 12 i- 36
5. 12 -f 36
6. 10 -r 37
6. tei^ito com 13 -|- 27 espinhos nas placas estigmais;
7. 20-1-21 Brasilophora paulista, n. sp.
d) Antenas no jlagellum primum com 52 -f- 59 articulos. São muito
longos do que largos, mesmo também n») flagellum sccunduni, (alguns).
172
WoLFGANG BCchekl — Os Quilopodos do Brasil
21Õ
1.
Par de extremidades com 18
+
50 ;
2.
15
+
46
3.
16
+
47
4.
13
+
41
5.
13
+
48
6.
11
+
43
6.
tergito com 15 -j- 14 espinho;
; nas pl
7.
5 -f-4: Brasilosculigera
e 2. tarso;
Subiam. Scutigerinae:
Gen. Brasiloscutigera Bücherl, 1939.
Antenas no flagellitm primum 110-125 artiailos. duas a trcs vezes mais
^^Oos do que longos. Tergítos anteriores com espiculas finas, sem espinhos. lia-
ndo tanto mais cerdas quanto menos espiculos existirem. Do 4.*^ tergito cm
'^^nte já se observam espinhos, ainda que delicados no principio. No 6.® c 7P
também se obsers-am espinhos nas carinas laterais, ainda que sempre em
*’*i^ero reduzido (30 ao todo mais ou menos). Aculeos tarsais já são encor-
ados nas extremidades anteriores. (2) As primeiras duas extremidades com 2
**^leos tibiais, as outras todas com tres. Estiletes tarsais são encontrados cm
**mnero muito reduzido, muito grandes, e airvos para a frente. 9-15 estiletes
“o segundo tarso das primeiras 7 extremidades, desaparecendo nas patas se-
guintes.
par de extremidades 15 37 articulos tarsais;
13 -f 34
15 -f 34
11 -L 36
10 -I- 42
Gonópodos da femea com bordas externas muito divergentes da frente para
Cavidade entre o tnesarihron muito curta, porém mais larga do que a base
do mesarthron. Metarthron do mesmo tamanho que o proarthron.
O novo genero é afim de Ballonema Verhoeff, distinguindo-se. porém,
deste pela presença de espinhos nos tergítos posteriores (Ballonema somente
Possue espiculas finas e cerdas muito numerosas) ; pela presença de aculeos
*^®ais do 6.® par de patas em diante) ; pelo numero diminuto de estiletes
que já desaparecem da 7.“ extremidade em diante, enquanto que em
1 .
2 .
3.
4.
5.
216
Memórias tio Instituto Butantan
Tomo XIII
Balloncina todas as patas ostentam estiletes tarsais. O novo genero ainda é um
tanto parecido com Parascutigcra Verhoeff. Difere deste genero pela presença
de aculeos tarsais, enquanto que em Parascutigcra estão ausentes em todas as
patas. Outra diferença oferecem os aculeos tibiais, dos quais Parascutigcra so
tem 2 nas extremidades 3+9, enquanto que o novo genero possue 3 nestas
mesmas extremidades.
Os gonápodos de Baloncma e Parascutigcra ainda não foram estudados, im*
possibilitando, por enquanto, um confronto dos mesmos.
O habitat da Balloncina é Xcrra Guiuc o da Parascutigcra o Arquipélago tia
Oceania.
O habitat do novo genero é de preferencia o planalto do Rio Grande do Sul
(300-400 metros sobre o mar).
3. Brasiloscutigera viridis BCcherl, 1939
Fcmca 22 + 26 mm. de comprimento; macho 20 + 23 mm.
Colorido: Tergitos e pleuriíos ligeiramente esverdeados. Também os estef-
nítos ainda ostentam reflexos verdes, apesar de que seu colorido principal seja
amarelo pálido. Patas esverdeadas e amarelas. Tibias e tarsos inteiramente
amarelos. Cabeça com sulco profundo longitudinal e uma depressão profunda
transversal, originando-se desta maneira uma cruz. Olhos muito salientes <
grandes.
Segundos maxilópodos com 2 aculeos no prefemur, 4 no femur e dois na
tibia. Tarso multiarticulado com cerdas longas, que cobrem inteiramente os
articulos. .Antenas muito longas, com o nodale e o postnodale bem visiveis.
Flagclium primum com 114 articulos. muito mais largos que longos. .Alguns
articulos são extremamente curtos. Pêlos curtos cobrem todos os articulos,
havendo no lado tenninal um circulo de cerdas mais longas, e. entre elas, no lado
medial, nas pontas, alguns aculeos delgados mais longos. Xão existem espinhos
4ias antenas, nem nos articulos basilares.
1. Par de extremidades com 15 + 37 articulos tarsais;
2. 13+34
3. 15 + 34
4. 11+36
5. 10 + 42
Xo limite entre o primeiro e o segundo tarso existem geralmente 3 + "^
aculeos curtos, \-entrais. Os estiletes tarsais são bem desenvolvidos, sendo 1*
174
cm
SciELO,
11 12 13 14 15 16 17
WoLFGAXG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
217
visíveis na primeira extremidade. São encontrados sempre no segundo tarso.
Seu numero aumenta gradativamente de tal maneira que no l.° par de extremi-
dade são 7 ; no 2P par 8 ; no 3.° 4 : e 5 no 9P decrescendo daí em diante.
Os estiletes são um tanto curvos para a frente. Os primeiros 5 pares de
extremidades mostram muitas fileiras de cerdas longas, bem desenvolvidas e bem
enfileiradas. Carecem de todo de espinhos nas fileiras de cerdas, tanto no pre-
femur como no femur e na tibia. Encontra-se comtudo, a comeqar do segundo
par de pa,tas, alguns espinhos, muito pequenos e irregularmente dispostos, colo-
cados no lado terminal, medial do femur, espinhos estes que aumentam de numero
tias patas posteriores, nas quais também já existem espinhos nas fileiras dc
cerdas tanto no prefemur, como no jemur e na tibia. Os espinhos da tibia são
colados á quitina, não se salientando muito. .As patas são providas de pêlos
■densos.
Do primeiro par de patas em diante encontram-se 3 aculeos no prejemur.
2 4- 3 no femur e 2 -}- 3 na tibia. As patas posteriores possuem todas
3 -4 3 -f 3.
0 0 8
6. par de extremidades com espinhos no prefemur: — femur: — tibia:
0 8 14
0 4 17
2 . par de extremidades : — prefemur ; femur ; na tibia.
0 10 14
Os tergitos anteriores não possuem espinhos, mas sómente cspiculas finas
pontudas e cerdas mais longas c ainda mais finas. No entanto também seu
oumero é limitado. Pode-se obseivar nitidamente a transição paulatina de r.r^í-
cidaj para espinhos. Para este fim as espiculas se tomam mais grossas e curtas,
aumentando a quitina, que engrossa suas paredes externas.
1. Tergíto: em todas as placas observam-se apenas 4 -j- 8 espiculas
finíssimas, sendo o resto inteiramente desprovido de pêlos, mostrando apenas
ligeira rugosidade. Diante do estigma encontra-se uma faixa longitudinal, isenta
dc pêlos.
2. Tergito: mais ou menos 30 espiculas finas. Carinas laterais com algu-
'nas espiculas. »
3. Tergito •. .As espiculas já são mais grossas e melhor •visiveis. ordenan-
do-as em fileiras longitudinais. Tambcm nas carinas laterais só existem e.s|>iculas
^inas e longas. /
175
•C»i u
218
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
4. Tcrffito: Xa placa estovtatica esquerda encontram-se 6, na direita ^
espinhos pequenos. Xo resto observam-sc sómente cspiculas e cerdos, em grande
numero. Também existem sómente espiculas nas carinas.
5. Tcrgífo: Carinas laterais com 2 espinhos apenas. Xas placas esto*
maticas 6 espinhos; no resto espiculas, muito pequenas.
6. Tergíto: 25 espinhos nas carinas laterais. Xo bordo posterior 1 esp>'
nho. 30 espinhos na area prestigmal, ordenados em fileiras longitudinais, tendo
cada espinho á sua base uma cerda, um pouco mais comprida que o espinho.
Além disso ainda existe um certo numero de cerdas ir regularmente espalhadas
pelas areas.
6 6 espinlios nas placas estomaticas.
7. Tergíto •. 14 15 espinhos nas carinas laterais;
15 -f- 13 espinhos nas areas prestigmais, com cerdas a sua base:
5 -}- 4 nas placas estigmais.
8. Tergíto-. um pouco mais largi» do que longo, com margens convergentes
de frente para trás. As margens não correm em linha réta, mostrando salienc®
lateral. Bordo posterior obtuso, arredondado, com ligeira depressão da inargem-
Xas carinas laterais 4 4 espinhos. Carina no lado posterior sem espinho
algum. Xa area interior encontram-se 12 espinhos irregularmente distribuidos-
O tergíto seguinte é inteiramente coberto por cerdas longas e uniformes. O uh»'
mo tergito ostenta cerdas longas, mais ou menos 10 em cada lado.
Xo meio destas cerdas encontram-se pelos cm grande numero, cobrindo ®
tergíto inteiro, deixando livre apenas uma faixa longitudinal mediana, mais larÇ’
na frente do que atrás.
Gonópodos: um pouco mais longos do que largos, com bordas externas muitt*
divergentes de trás para deante, originando-sc desta maneira a cavidade interna*
muito curta, porém, bem larga. *
Xo local, onde o proarthron se liga á peça anterior, encontram-se óua*
plaquinhas quitinósas medianas e duas laterais, tanto no lado superior como t>*’
inferior. As plaquinhas laterais mostram distintamente seu caráter de cazndadf^
articulares, girando nas mesmas a protuberância quitinósa da peça anteriot-
(Vide fig. 50).
Xo proarthron e mesarthron encontram-se poucas cerdas. O mesarthro^
está quasi inteiramente desprovido das mesmas. Além das cerdas o proarthf<}^
é provido de inúmeros poros. Um sulco mediano reto, atravessa o proarthron*
Pêlos ausentes.
Proarthron: cerdas laterais: 7 -t- 5;
Cerdas mediana: 14 -f- 15 em cada lado, ficando livre uma faixa medico*'
Xo lado dorsal (vide fig. 51) as cerdas ou aculeos são mais numerosos, cobrind®
Fijr. 40
l^tiuilofkorã IttCHEKL
cm
2 3 4 5 6 7SCÍELO, ;l1 12 13 14 15 16 17
ííLFGANG Bucherl
Os Quilopoiios í/o Brasil
Mem. In»t. Butartan
Vol. XIIÍ — 1939
cm
11 12 13 14 15 16 17
WoLFOANG Bücherl — Os QuUopodos do Brasil
f : — ni.. .
M«a. Inst. ^ , PutioUa i
Voí. XIII — I9i9 "J
Fif. 47
Brasüo^hota marçitritúta BCCHERL. Gonó
podos da fciQca visto do lado veotral. 30/1
1 — Proarthroti. 2 — Me^rthroo. 3 —
Matarthron. 4 — Cavidade interna.
Fig. 48
BrasiJcfh^a marçarUata BCCHERL
Gonópodos da femea vistos do lado
dorsal. 30/L
W.
Fig. 49
Broii/offcora marçarita
BCCHERL. Limite entre o*
mes. e metarthron. 50/1.
1 — Mesarthron. 2 — Ar
tkula^ão. 3 Metarthron
182
cm
SciELO,
11 12 13 14 15 16 17
226
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
irrcgularmente o proarthron, deixando livre apenas uma estreita faixa mediana,
longitudinal.
A base do mesarthron é quasi tão larga quanto a cavidade interna. Ésta e
muito curta, formando o seu lado apical luna ponta triangular que entra no
proartJtron, continuando com os sulcos medianos do mesmo. Xo lado ventral
existem lun ou dois aculeos longos apenas, enquanto que no lado dorsal os
aculeos são mais numerosos, dispostos em uma ou duas fileiras (Vide figs. 50 c
51). Existe um feixe de cerdas tanto no lado dorsal como no ventral.
O mctarthron é nitidamente distinto do mesarthron. Em sua ponta apical
encontra-se uma sutura hemilunar, de significado desconhecido. Aqui já não
podemos afirmar o mesmo do que na espede de Brasilophora margarítata, a saber,
que ésta saturasinha seja a continuação de uma articulação. A mobilidade do
metarihron parece-nos muito limitada.
No lado ventral o mctarthron é liso e desproddo de cerdas, excetuando
2 -f- 3 na ponta apical, enquanto que no lado dorsal podemos obser\-ar uma
fileira de cerdas em cada mctarthron., fileira ésta continuada por poros na ponta
terminal.
A borda interna parece ser lisa. Xum aumento de 100 vezes, aparece, nO
entanto, uma ligeira denteação da borda interna (Vide figs. 50 e 51).
O proarthron tem as bordas externas tão compridas quanto o mctarthron.
O mesarthron tem a metade do comprimento do proarthron.
Brasiloscutigera distingue-se facilmente da Brasilophora, uma vez pelo nu-
mero maior de articulos das antenas; pelas medidas destes mesmos articulos.
sendo estes na primeira muito mais largos do que longos, e na ultima mais longos
do que largos. Distinguem-sc também pelos gonópodos como demonstram dc
sobra as figs. 47 e 50.
Brasiloscutigera habita as regiões das praias no Sul do Brasil, sendo encon-
trada frequentemente em casas velhas, principalmcnte nas cosinhas, onde desliza
velozmente pelas paredes, caçando moscas e outros insétos.
2. Subclasse : Pleurostigmophora Verhoeff, 1901
2. Ordem: Lithobiomorpha: — Familia: Lithobiidae
Os estigmas désta subclasse encontram-se colocados nos lados pleurais, aoi
pares. As antenas nunca são divididas em duas secções, não alcançando qua^t
nunca o tamanho do corpo. Os articulos das antenas não se afinam tanto cofflO
nos Escutigerideos. A cavidade bucal encontra-se no lado inferior (Vide fig. 41)’
As peças bucais constam de
WOLFGANG BCcHERL
Os Quilopodos do Brasil
■ - 1 par de mandíbulas;
* ■ ' 1 par de primeiros maxilares ;
’ ■ 1 par de segundos maxilares;
1 par de forcipulas, nas quais o estemíto e as coxa 3 estão solda-
^ completamente (Coxosternum).
Os Pleurostigmorfos são cegos ou então possuem 2 a 4 olhos ou mais. Os
*nicuio5 áhtenais são pelo meros 13 ou mais de 100. Perto dos ocelos está
Situado o orgão frontal tõmõst^ai^-ano.
1. Ordem: AXAMORPHA
1 . Subordem : CR.ATEROSTIGMOPHOR.\
2. Subordem: LITHOBIOMORPHA
1. Familia: CERMATOBIIDAE
2. Familia: LITHOBIIDAE
Os Lithobiidios da America do Sul ainda carecem de um estudo aprofundado.
Êsta familia tem perto de trezentas espccies, distribuidas pelo mundo inteiro. O
brasil, porém, figura apenas com 3 espccies, descritas, já pdos fins do século
Passado. Ulteriores pesquisas não foram feitas. No entanto, nossa patria
Ostenta muitas especies de Lithobiidcos, pertencentes principalmcnte ao genero
^ithobius Stuxb s. str. Este subgenero é caracterizado pela seguinte maneira : —
Os tarsos de todas as extremidades divididos cm dois artículos; numero de
®celos acima de 10. Articulos antenais 25-50. Glandulas coxais na. 12.*, 13.*,
e 15.* extremidade.
Estigmas nos segmentos: 3, 5, 8, 10, 12 e 14.
Tergitos menores: 2, 4, 6, 9, 11, 4, 13.
Tergítos llel3ou9. Ilel3 com apendice laterais.
Trochanter muito desenvolvido cm todas as extremidades.
Ultimo par de extremidade com garra e esporão.
Na coleção miriápodologica do Instituto Butantan sómente se encontram 3
^ttnplares, dos quais dois oertencem ao sul^enero Liihobius. óra, 3 exemplares
são suficientes para fazer uma chave sistemática cérta, nem para identificar
especie e distingui-la de outras congeneres. Somos, portanto, obrigados,
^ deixar o traballio sobre Lithobideos brasileiros para ocasião mais oportuna
luando tivermos conseguido mais exemplares.
3.* Ordem : Scolopendromorpha
(Vide fig. 42)
O maior numero dos Quilopodos brasileiros pertence a ésta subordem. As
fórmas menores atingem apenas a 10 mm., e as maiores chegam a mais de 25
185
■228
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
centiinclros. O colorido é geralmente uniforme, amarelo mais claro ou mai^
escuro com reflexos dourados, ou vermelho de tijolo, acastanhado ou verde
escuro. Encontram-.se também coloridos belissimos: azul claro, s-iolaceo, cõr de
rósa e verde claro.
Nos Escolopcndromorjos os olhos nunca ultrapassam o numero de 4 e nunca
diminuem, a não ser que estejam inteiramente ausentes.
Os segmentos do tronco são sempre constantes. 21 ou 23.
A cabe<;a consta da placa cefalica, um par de mandibulas, 2 pares de uiaxi^-
lares^. e das forcipulas. A constituição macroscópica destes elementos já í®*
anteriomiente descrita.
A placa ccjalica ostenta geralmente duas suturas longitudinais, convergentes
da frente para trás. Xo bordo posterior encontram-se as vezes duas plaquinhas
basilares.
O tergito jorcipular tem às vezes uma fossa hemi-circular. Os tergítos ds
tronco possuem quasi sempre dois sulco.s longitudinais, os sulcos “episcutofS •
Estes sulcos, ainda que muito mais fracos, são também encontrados nos esternitos.
O ultimo tergito e esternito carecem destes sulcos, acentuando-se no logar doí
mesmos uma depressão mediana longitudinal ou uma carina saliente.
Também se encontram às vezes pretergitos, presternitos e cndoslernitos
A região pleural é caracterizada pela pre.«cnça de esclcrilos pleurais, que. unin*
do-se. formam as diferentes partes da coxa das extremidades. Estes cscleritoi
variam de genero a genero, oferecendo, desta maneira, ótimos caracteristico*
para a sistemática.
As extremidades constam de coxa, trochanter, prefemur, fêmur, tihia, p^‘~
metro tarso e segundo tarso com garra. Ésta geralmcntc possue duas garraí
pequenas secundarias. Xo ultimo segmento do tronco os esclerítos pleurais estao
inteiramente soldados, formando a '‘coxo pleura", inteiramente coberta de póroí-
constituição da ultima extremidade é diversa das outras, devido á diferente
função fisiológica desta. Ostenta gcralmente espinhos longos, pontudos, coni
apendices no prefemur. Etn alguns generos os machos ostentam formações
ticulares, características para as especies.
Sempre se encontram estigmas aos pares, nos lados pleurais dos segmentos-
3. 5. (7), 8. 10. 12. 14, 16. 18, 20 (22). A posição, a forma e o numero desteS
é novo característico para os generos. O estigma é triangular, redondo ou o'"^'
Os três últimos segmentos do corpo, o prcgenital, genital e anal, são muitn
pequenos, e geralmente invisíveis, dificultando desta maneira a distinção entrc
machos e íemeas.
WOLFGANO VBCchekL Os. Quilopodos do Brasil
229
Chave das familtaj (confomie Attems ) :
4 ocelos em cada lado. Estemitos com 2 sulcos ou sem sulcos longi-
1 tudinais medianos, raramente com um unico sulco mediano impar nunca
transversal: l.“ fa»i. Scolopcndridae.
• [■ ócelos ausentes, ou apenas manchas ocelares no local dos ocelos. Es-
^ ternitos com sulco impar longitudinal, no meio (falta raramente).
Só excepdonalmente 2 sulcos longitudinais; muitas vezes sulco trans-
• versai : '2.* Fo»HÍ/fo: Cryptopidae.
1. Familia: Scolopcndridae Poc., 1895.
O ocelos sempre existentes. .Antenas com 17-30 articulos, geralmente mais
^ngos do que largos, com pouquíssimos pélos nos articulos basilares, aumentando
oiião gradativamente o numero de pêlos, tão curtos que mesmo com aumento
íorte são mais visiveis. As forapulas mostram no lado anterior do coxosternum
<í^tcs muito fortes e cm numero de 3 4, 4 -f 4, 5 -f 5. Diante dos dentec
<ncontra-se quasi sempre uma cerda, que se origina numa cavidade ou sobre um
biberculo diminuto. Todos os tarsos possuem 2 articulos. podendo observar-se
«larcmente a linha divisória. Nos eslernitos nunca se encontra sulco transversal.
Porém quasi sempre, (— excep<;ão Arthrorhabdotus,) — dois sidcos longitudinais,
«ompletos, ou presentes só na parte anterior, ou então, inteiramente ausentes.
A familb dos Scolopendrídae contêm duas stibfamilias, 4 Irihu^, 16 gêneros.
245 rspecies certas. 44 especies dinàdósas ou insuficientemente descritas. .Vo
brasil habitam 67 especies. isto é. mais do que a quarta parte das do mundo inteiro.
®€ni possivel é que aqui sejam descobertas ainda muitas outras especies nov-as,
^rque as que foram estudadas, quasi todas existentes na coleção do Instituto
^utantan. são justamente dos Estados mais populosos, conro .Wo Paulo, Rio
^Tandc do Sul. de uma par:e de Matto Grosso, da Cidade do Rio de Janeiro.
Estado dc .Minas e dos arredores das Capitais dos Estados da fíahia c de
^criuj.ubuco. Do résto de nosso país ainda nada ou quasi nada consta. No
'"rtanto, considerando a imensa área do territorio brasileiro, a zona infinita
florestas ainda quasi desconhecidas, facil é prever quão rico material não
poderia ser trazido destas regiões, tão pouco desbravadas cientificamente.
Chave das subfamilias:
1 . Cálice estigmal com protuberâncias externas, dividida em 3 labelos ;
Espaço interno separado cm vestibulo e cálice: 1 subfamilia: Scolopcndrinae;
2. Cálice estigmal uniforme, sem protuberância: 2. Subfamilia. Otos-
^hminae.
230
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
A. Subfamilia: Scolopendrinae Kkaep., 1903
Os estigmas, pelo menos os anteriores, paralelos com o eixo do corpo, trian-
gulares, com a ponta convergente na frente. Pódem ser tão estreitos que apare-
cem como simples fenda. Os estigmas posteriores pódem ser mais redondos-
A placa cefalica ultrapassa o primeiro tergíto ou então este se sobrepõe sobre
a parte posterior da cabeça. Na parte basilar da placa cefalica encontra-se, ás
vezes, um par de laminas basilares. O numero de extremidades é, sempre 21,
sómente Scolopendropsis bahiensis, uma especie misteriosa sob muitos aspectos,
ostenta 23 pares de patas. O primeiro tarso é mais comprido do que o segundo,
sendo raramente mais curto do que o segundo. .A garra terminal tem em quasi
todas as extremidades 2 esporões. Também o primeiro tarso apresenta uni
esporão. O mesmo da-se na ponta terminal, no lado medio, da tibia, do jemur
e dc prefemur do primeiro par de extremidades, fato este que escapou tanto a
Verhoeff como a Attems.
Os segmentos 3, 5, 8, 10, 12, 14, 18, 20 e (22) com estigmas pleurais. Garra
terminal do segundo maxilar larga, côncava, com dois esporões.
Também no penúltimo articulo encontra-se um esporão forte, no lado medio.
Prefemur das jorcipulas, no lado interno, com apendice forte, comprido, que
exerce função no ato de devorar a presa servindo também de ponta de apoio na
limpeza de antenas.
Existem 2 tribus, 9 generos, 131 especies certas, de entre as quais 30 espe*
cic' sulamericanas e 38 especies insuficientemente . caracterizadas.
Chave das tribus:
1. .Antenas compridas, passando além do segundo tergito. Coxopkuras
com numerósos póros; 1.* Tribu: Scolopendrini;
2. Antenas curtas, não passando além do primeiro tergíto. Coxopleuras
sem póros: 2.^ tribu: — Asanadini.
1. Tribu: Scolopendrini:
Segundo tergito muito mais curto do que o primeiro. 4 ócelos, todos do mesoK>
tamanho, ainda que com córnea diversamente convexa. Apendice na ponta poS'
terior das coxopleuras com uma ou mais pontas. Garra terminal do segundo
maxilar com 2 esporões.
7 generos, 125 especies certas, 38 dtnndósas>, entre os quais no Brasil ocor-
rem 5 generos e 30 especies.
188
WoLFOANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
231
Chave dos generos da America do Sul:
23 pares de extremidades. Primeiro tarso mais curto do que o segtmdo :
5.® gen. Scolopendropsis.
21 pares de extremidades 2
primeiro tarso, principalmente das extremidades posteriores um pouco mais
curto do que o segundo. Coxopleuras curtas, sem apendice ... 4.® gen. Rhodo.
Primeiro tarso mais comprido do que o s^;undo, raramente do mesmo tamanho à
Todas as extremidades sem esporão tarsali. Lábios do cálice cstigmal individual.
Estigmas sem dobras pleurais no obrdo externo: 2.® gen. Connocephalus;
Quasi todas as extremidades com esporão tarsal 4
Ultimas extremidades sempre com esporões. Cabeça ultrapassando o primeiro
tergito. Lábios estigmais dissolvidos em pedúnculos em forma de feixe:
1.® gen. Scolopendra;
Ultimas extremidades sem esporões laterais. Cabeça e primeiro sí^mento do
tronco unindo-se li\Temente. Lábios estigmais indivisos: 3.® gn. Arthrorhabdus.
1. Genus: Scolopendra L., 1758.
As Escolopendras todas possuem 21 pares de extremidade.s, muito robustas.
Us primeiros dois pares são um pouco mais fracos. O primeiro par exerce papel
“Uportante no ato de comer, o que prova tamlxan a presença de 1 espinho no
^ado ventral, na ponta terminal, tanto no prefemur, como no femur e na tibia c
tle 2 no primeiro ta^so. Este fato repete-se quasi constantemente também no
^orotostigmincos e em Rhystda.
A placa cefalica tem dois .sulcos longitudinais, mais ou menos nitidos, ou
t^teiramente ausentes. Placas basilares não existentes. A placa cefalica passa
Por cima do primeiro tergíto, alcançando muitas vezes a fos.sa horizontal. As
t®xas do segundo maxilar não apresentam mais vestigios de sutura mediana,
pelo menos não nas formas perfeitamente adultas, enquanto que em formas jovens
® cm algumas espedes brasileiras observamos indicação ainda fraca desta sutura.
A penúltima articulação do segundo maxilar tem sempre um espinho longo,
^®rtc, que nasce na area interna, anterior ou sobre uma saltcncla ou arca lisa.
^ vnha terminal é muito forte, roncava, e é acompanhada de duas garras menores
189
cm
SciELO,
11 12 13 14 15 16 17
232
Memórias tio Instituto Butantan —‘Tomo XIII
secundarias, ás vezes quasi invisíveis. As forcípulas possuem 3 -f- até 5 -p ^
dentes fortes, nascendo atrás dos mesmos uma cerda, mais ou menos longa, em
certos casos quasi invisível.
Mandíbulas com dentes fortes : 4 ou 5 ou 3 sómente, colocados numa fileira, *
pennanecendo porém o menor na frente e encaixando-se o seguinte postero-
lateralmente.
Os tergitos do tronco mostram homonomia, ainda que os tergítos 2, 4, 6.
9, 11, 13, 16, 17 e 19 sejam um pouco menores, acentuando-se ésta diferença
princijxilmente nos segmentos anteriores. 1 . Tergito com ou san fossa hemi-
circular. Todos os tergítos, exceto o ultimo e ás vezes o primeiro, possuem dou
sulcos epíscutais raramente ausentes. As carinas laterais vão do 3.° até ao l5.‘’
tergito ou são encontrados sómente no ultimo. Este póde ter frequentemente
uma quilta mediana, muito saliente. Também os estemítos possuem dois sulcos
longitudinais, mais fortes ou mais fracos, mas nunca inteiramente ausentes.
As coxopleuras mostram um campo coberto inteiramente por poros. SeU
apendice posterior é sempre bem desenvohádo, conico ou cilíndrico, com j)onta5
c espinhos na base no lado terminal. As ultimas extremidades fortes, providas
de espinhos agudos no prejenuir e ás vezes também no femur. A ausência com-
pleta de espinhos é muito rara. No prefemur encontra-se um apendice chamado
“espinho do canto”, que tem 1 a 4 pontas. As garras terminais das e-xtre-
midades sempre possuem 2 esporões secundários. Em todas as patas existe sem-
pre um esporão no fim do primeiro tarso; dois no tarso da primeira e-xtremidade-
nenhum no ultimo tarso (geralmente). O primeiro tarso é sempre mais com-
prido do que o segundo. Os estigmas são triangulare.í ou lig .•iramente o\'aiS-
O colorido das Escolopendras é uniforme, prevalecendo o amarelo, princt-
palmente nos estemítos e nas extremidades, como tambem nas antenas. Os ter-
gitos são mais escuros, vermelho-castanho mais ou menos enegrecido ou com
reflexos esverdeados. Em animais jovens os tergitos mostram um amarelo dm-
rado. Em alguns casos os tergitos são azulados, principalmen.e no limite entre
um e outro segmento. As bordas posteriores dos tergitos quasi sempre sao
N^erde escuras. Tambem as extremidades pódem ser desta côr.
Este genero contêm atualmente 33 cspecies validas, sendo 4 subdivididas
13 stibcspccies. Além disso existem 32 especies insuficientemente descritas.
Na zona neotropica encontramos 10 especies e 2-3 subespecies.
Chave das especies neotropicas:
. .
1 1 . tergito sem fossa hcmicircular "
1 . tergito com fossa hemicircular ^
190
WoLFGANG BCcherl — Os QuUopodos do Brasil
23S
tarso das ultimas extremidades sem esporão. Apendice coxopleural afinan-
^o-se somente na ponta terminal; com espinhos. Prefemur da 20.“ extremidade
do lado dorsal, na ponta terminal com 1-6 espinhos pequenos. Cabeça com 2
•ttlros longitudinais. Coxostemum forcipular com sulco transversal 3
Prefemur da 20.“ extremidade no lado dorsal, na ponta terminal, sem espinhos.
Cabeça sem sulcos longitudinais. Coxostemum fordpular sem sulco transversal 4
Pêlos dos articulos antenais seriados. Carinas laterais desde 5.° ao 8.° tergitos.
Préfemur da 20.“ extremidade do lado dorsal, na ponta terminal, com 3-6 espinhos,
ventralmente sem espinho algum. Prefemur das ultimas extremidades no lado
*^ero-intemo. Espinho do canto longo, com 6-9 espinhos na ponta terminal.
C^fima garra com depressão profunda no lado interno. 6. — Scol. allentans.
Pêlos das antenas não seriados. Sómente o ultimo tergíto com carinas laterais.
Pfcfcmur da 20.“ extremidade na ponta terminal dos lados dorsal e ventral com
^ fspiuho. Préfemur da ultima extremidade no lado supero- interno com 4 espi-
•'lios. Espinho do canto curto, com 2 espinhos. Ultima garra estreita no lado
'^^tral 5. Scol.-arthrorhabdoldes.
Pféfemur das ultimas extremidades no lado inferior pelo menos com 4 espinhos.
^3rsos das extremidades posteriores sem pêlos. Préfemur, femur c tibia da
**^dma extremidade do macho achatados no lado superior 4. Scol. morsitans.
Ptéíemur das ultimas extremidades no lado inferior com 0-3 espinhos; o pré-
íemur pelo menos 2 e meia vezes mais longo do que largo ; arredondado no lado
^'‘Perior; com 1-2 espinhos no lado interno. Espinho do canto de 1 ou mais
P®t>tas. Estemitos com 2 sulcos longitudinais. 6 articulos basilares das antenas
'^providas de pêlos. Coxopleuras com apendice curto. u1tra])assando porém
^'tida a margem posterior 2. Scol.-subspinipes. 2a).
Cabeça e o primeiro tergito com o mesmo colorido que os outros tergitos.
castanhos, verde oliva ou amarelo-acastanhados com margens posteriores
'^<le-escuras. Sulcos dos estemitos completos, ainda que ás vezes mais fracos
estemitos posteriores a) Scol. subsp. subspinipes.
^•■êfemur da 20.“ e também das outras extremidades no lado dorsal na ponta
^^tminal com 1 ou alguns espinhos. Coxas forcipulares com sulco transversal.
^aca cefalica com 2 sulcos longitudinais completos 6
^•■êfeniur de todas as extremidades no lado dorsal, na ponta temiinal. sem
pinhos 12
"^^rgitos a começar do 19.°, 20.°, ou 21.° com carinas laterais. Préfemur da 20.“
^tremidade no lado ventral com 1-2 espinhos, ausentes cm animais jo\-ens 7
carinas laterais começam já desde o 3.°-13.° tergito. Préfemur da 20.“ extre-
*hidad»- no lado ventral sem espinhos 8
19f
234
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
1. tergíto com 2 sulcos longitudinais. Coxosternuin foicipular com depressão
mediana atrás do sulco transversal. Fossa hemidrcular do 1.® tergíto muito
fraca 5 . Scol. arthrorhabdoid*s.
1. tergito sem sulcos longitudinais. Coxostemum forcipular sem depressão me-
diana atrás do sulco horizontal. 1. tergito com fossa hemidrcular forte
8. Scol. armato-
8-12 artículos basilares das antenas sem pelos. Préfemur de tod^ as extremi-
dades -no lado dorsal, na ponta terminal, com 1-4 espinhos pequenos. Femur.
no mesmo local, prindpalmente nas extremidades posteriores, com 1-3 espinhos
7. Scol. giganU<*-
4-5 artículos basilares das antenas sem pêlos. Préfemur com poucos espinho*
no lado dorsal. Femur sómente na 20.* e 21.* extremidade com 1-2 espinhos
sem os mesmos. Antenas 17 artículos ^
Estemítos sem ou com 2 sulcos longitudinais muito fracos :
Elstemítos com sulcos longitudinais fortes
As carinas laterais começam entre o 1 1 .° e 15.® tergito. Coxopleuras sem espin^
na margem lateral 3. Scol, explora’*^
As carinas laterais começam já entre o 5.® e 7. tergito. Coxopleuras com ^
pequeno espinho na margem lateral 11. Scol. angu^^
21. tergito com quilia mediana forte. Apendice coxopleural forte, longo, c®®’
1-6 pontas, sem espinho na zona lateral. Préfemur de todas as e.xtremidadc^
no lado dorsal na ponta terminal com 1-2-4 espinhos.
Préfemur 20.®, além disso com 1 espinho ao lado. Tergitos amarelo-cn^**’
nhos, acastanhados ou avermelhados com hordas posteriores verde-escur^
1. Scol. viriáicof^
Tergitos com carinas laterais a começar do 4.®. Pbca cefálica com 2 sulcos
gitudinais. Coxostemum forcipular com sulco transversal fraco. Sulcos *’***
lares das placas dentarias formando quasi um angulo réto 9. Scol. robust^
Placa cefalica sem sulcos longitudinais. Coxostemum forcipular sem sulco tra»**
versai. Antenas 21-31 articulos. 1. tergito com 2 sulcos longitudinais
desenvolvidos 10. Scol. viridis-
a) 8-10 articulos basilares das antenas sem pelos. Espinho do canto do
femur da ultima extremidade com 3-9 pontas, geralmente com 4 . . . 10. a)
Scol. virid. polyino*^f^
192
WoLFOANG Bvcherl — Os Quílopodos ílo Brasil
235
1. Scolopendra viridicomis Newp., 1844:
Sinonimia: crisiata — punctides — variegata — herculeana • — tnorsilans
— costata — prasina (Vide Cataloges da Fauna brasileira. Museu Paulista, S.
Paulo. 2. — Os Myriápodos do Brasil, 1909).
Escolhemos a Scolopendra viridicomis como tipo do genero Scolopendra,
porque, pelos exemplares da coleção deste Instituto e dos do Museu Paulista
onde tivemos ocasião de rever o material do ilustre especialista Brõlemann,
da Faculdade de Medicina de São Paulo e da Escola de Agronomia de Piracicaba,
obegamos á conclusão que esta espede é realmente a mais comum e a encon-
trada tanto nos estados que acompanham a costa do Atlântico, de Pernambuco
Rio Grande do Sul, como também nos Estados do interior, como Matto
Grosso, Minas Gerais e Go)*az.
A escohpendra de antenas verdes" atinge o tamanho de 19 cm., e uma
íirgura de 1J4 cm. As antenas possuem 17 articulos, dos quais os 3 basilares
« o 4.° no lado ventral são ‘ despro\-idos^e pêlos, emquanto que nos outros
Articulos os pêlos, louros e muito curtos, sómente dsiveis com grande aumento,
tomam progressivamente mais intensos.
Colorido: o colorido varia, desde amarelo-vermelho-escuro dos tergítos a
tom completamente negro, com cabeça, primeiro e ultimo tergíto vermelhos,
então tergítos castanho escuro com bordas posteriores verde-escuras. Es-
tcmítos, préfemur e segundo tarso amarelo dourados. Cabeça, forcipulas e ulti-
*nas extremidades avermelhadas ; os outros articulos das extremidades e as antenas
amarelo dourados ou com reflexos verdes. Placa cefalica com poucos poros
finos e dois sulcos longitudinais formando laços pequenos, convergentes para trás ;
Os sulcos dissolvem-sc no lado psoterior numa rêde de sulcos horizontais que
fijrmam como que células irregulares. Na placa cefalica existem quatro a seis
depressões lesissimas, quasi ou inteiramente imperceptíveis, sendo as duas me-
dianas mais fortes. Coxostemum forcipular com póros finos. Os dentes são
fortes em numero de 4 -|- 4 ou mesmo 4-1-5, sendo o doente externo sempre
■solado, e os internos mais ou menos soldados. Debaixo do 2° dente interno
**icontra-se uma cerda que na.«cc numa catidade oval ou sobre um tubérculo.
base das duas placas dentarias existem dois sulcos fortes que formam angulo
obtuso, partindo do local de sua união um sulco mediano que %’ai até outro
eulco horixontai, longo, muito fino, em alguns casos bipartido, com ramificações
fiaas em outros casos. Este sulco horizontal atravessa a placa inteira, per-
dendo-se nas suas margens laterais. Também dos sulcos das placas dentarias
P®fte uma fossa estreita, em cada lado, atingindo o sulco horizontal de maneira
■Itie se estabelecem dois triângulos, ou então terminam em ramificações finíssimas.
193
C«<L 15
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
O prefemur das jorcipulas mostra um apetidice interno, forte, encimado por
dois a tres dentes quitinósos, a altura dos dos coxostemum, desempenhando
papel importante na nutrição. Segundo maxilar com réstos de sutura primitiva
no esternito. . Terceiro articulo telopoditico formando um prolapso ponteagudo
perto da garra terminal. Ésta com dois esporões laterais. Xa região central
do coxostemum encontra-se atrás do sulco horizont^ ligeira depressão oblonga
ou mais arredondada, quasi imperceptível.
Primeiro tergito com jossa hemidrcular, forte, ás vezes quasi coberta pela
borda posterior da plací^ cefalica. Primeiro tergito com dois sulcos longitudinms,
que se bipartem sempre na zona anterior, indo a ramificação externa para os
lados do tergito, tocando-se as ramificações internas pérto d^ fossa hemicircular.
Os ramos posteriores também se bifurcam, prindpalmente o direito. Entre estes
sulcos encontram-se depressões fracas cm fórma de “W”.
Segundo tergito sem sulcos longitudinais, com riscos irregulares, fraquíssi-
mas, transversais, ou então se eiKX»ntram dois sulcos que começam atrás dobrando
logo para os lados. Do terceiro até ao vigésimo tergito os dois sulcos episcutms
são completos; os do 3.° e 4.° tergit(^e bifurcam na maioria dos casos. Ultimo
tergito sem os dois sulcos, com carina longitudinal mediana que geralmente não
atinge a borda posterior. Nos lados da quilia encontram-se ás vezes protube-
râncias. Borda posterior com angulo mediano um tanto protaido. As carinas
laterais prindpiam entre o 3.® e 6.® tergito. Estemitos com 2 sulcos fortes
dividindo a placa em 3 partes, conforme demonstram os preparados maprosco-
picos. Os sulcos atravessam o esternito todo ou terminam antes de alcançar a
borda posterior. Ultimo esternito mais longo do que largo, com borda posterior
quasi réta; com depressão longitudinal mediana.
Primeiro par de extremidades com um esporão pequeno no lado médio, oa
ponta terminal do préfemur, femur e tibia, e com 2 esporões no 1.® tarso. 2.*
até 20.® extremidade com um esporão tarsal, maior do que os 2 da 1.® pata.
21.® extremidade sem esporão. Todas as garras com 2 esporões secundários-
No lado dorsal, no fim do préfemur de quasi tod^ as extremidades, 1-2, raras
vezes 3-4 espinhos muito pequenos, desiguais na extremidade correspondente,
localizados os do 20.® préfemur sobre um apendice diminuto, com 1 espinho aO
lado. No tocante a estes espinhos as anotnalias são frequentes de maneira quc
se encontram ás vezes mais de 7 num só prefemur. Este fato não deixa de tef
a sua importância sobre o ponto de vista genetico. Verificadas as anomalias
frequentes num determinado característico de maneira que se deduz certa ten-
dência para ésta anormalidade, presupondo ainda que haja outra especie, de
igual tamanho, do mesmo habitat que tenha maior numero de espinhos no local
citado, forçoso é admitir parentesco ancestral entre as duas especies, no nosso
caso: a gigantea e a viridicomis.
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
237
Apcndice coxopleural de 1-3-5 pontas, no mesmo nivel ou as menores um
pouco abaixo das maiores. 21.® préfemur com espinhos fórtes em numero de
11-14, geralmente 13. A sua disposição óra é regular, isto é: 3 dorsomediais, 1
•nedial. 6 ventrais (estes têem 3 fileiras com 2 espinhos cada um) ; óra é irre-
gular, resultando, contudo, o numero constante de 11-13. “Espinho do canto”
com 3-5 pontas.
Estabelecemos as 2 seguintes subespecies:
la. Scolopcndra virídicornis nigra, n. subsp.
Tcrgitos escuros quasi pretos, com reflexos vermelho-esverdeados. Nunca
^ bordas dos tergítos são verdes. Cabeça, 1.® e ultimo tergito bem vermelhos,
fórtemente destacados dos outros tergítos. Antenas e patas amarelas ou verdes.
Esternítos amarelo-dourados. Ultimo tergito e préfemur com rugosidades levis-
simas. Sulcos episcutais muito fracos, em alguns tergitos mesmo quasi apagados,
3centuando-se mais na parte anterior. Os sulcos dos estemítos são fórtes atra-
vessando a placa de margem a margem. Quilia mediana da ultima placa dorsal
l>cm desenvoh-ida, não atingindo porém a borda posterior. Aí ha depressão li-
geira. Quilia nujis fórte na frente que atrás com protuberância em ambos os la-
dos. As vezes encontra-se uma fossa mediana fraquíssima no meio da quilia.
(Vide fig. 54).
Espinhos no ultimo préfemur 12-17, dispóstos irregularmente. O tamanho
désta subespecie nóva ^’aria entre 9 c 12 centímetros. O seu habitat é o interior
dos Estados de S. Paulo, Minas e ^íatto Grosso.
l b. Scolopcndra virídicornis 1 ’iridicontis, n. subsp.
Tergítos castanho-a vermelhados com bordas posteriores verdes cinzentas
®u azues. Xas outras regiões do corpo o colorido c igual ao da subspccic anterior.
Eabeça, 1.® e ultimo tergito vermelhos, porém não tão bem destacados como na
®*ítra espccie. Quilia media,na do ultimo tergito alcançando quasi a bórda pos-
terior, mas muito fraca e fina no começo, alargando-se muito na metade poste-
encontrando-se neste alargamento um sulco mediajio que se perde na
P®cte anterior da quilia. Não existem protuberâncias nos lados. (Vide fig. 55).
Os sulcos episcutais são mais fortes do que na subespecie anterior. Encontra-
também um curto sulco mediano, muito fraco, quasi imperceptível na borda
Posterior de alguns tergitos. As carinas laterais principiam no 4.® tergito. No
^e>xosternum forcipular encontra-se uma depressão longitudinal a,trás do sulco
transversal. Depressões léves também se encontram na placa cefalica. Os es-
P'nhos no préfemur da 21.* extremidade são geralmente seriados: 6 ventrais em
^ fileiras; 1 medial e 3 dorso-medianos.
ig.i
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Ésta nó\-a subespede distingue-sc da, outra subespecie:
l.°: pelo colorido diferente, principalmente pelo azul das bordas poste-
riores dos tergitos.
2°: pela quilia mais grossa na parte posterior e mais fina na frente.
3. °: pelo sulco mediano na quilia.
4. °: pela a,usencia de protuberâncias nos lados da quilia.
O tamanho da nova subspecie ^•aria entre 12-18 cm. E’ encontrada em to-
dos os Estados do litoral de nosso pais e também no Hinterland.
A Scolopcndra viridtcornis s. str. não mostra colorido tão verde porém mais
acastanhado. A quilia é mais larga e quasi nunca tem protuberâncias nos lados,
mas apenas grânulos finos. (Vide fig. 55.“)
Ésta nossa divisão da Escolopendra viridtcornis em 2 subespecies não teni
por óra carater definitivo. Temos muito material remetido por coleciona-
dores ocasionais par:^ este Instituto sem anotação exata da região cm que forai»
apreendidos os animais. Désta maneira persiste a duvida, si o colorido preto dc
umas, ou verde escuro de outras, é realmente um fator genetico proprio ou apc*
nas uma acomoda,ção morfológica ao habitat diferente, ou finalmente um colorido
protetor contra inimigos.
Por outro lado, as indicações de procedência demonstram claramente qu2
os 2 diferentes individuos habitam mais ou menos promiscuamente, de maneira
que encontramos justificadas nossas tentativas de separa-los cm subespecies, untn
vez que o colorido geral, a formação diferente, dos sulcos episcutais, a fôrma di-
versa da região quiliar, a construção biomctrica de todo o corpo não são de so-
menos importância para a distinção de subespecies.
Conforme demonstram as fotografias Xs. 9 e 10 há grande •variabilidade na
cspecie zdridicornis. Os 15 exemplares fotografados são quasi todos animai*
adultos excetuando os 3 últimos. Em alguns os lados do tronco são completa-
mente paralelos ; em outros o tronco é mais grosso no mei, noutros no fim. No-
tável é também a modificação das ultimas extremidades : o préfemur é óra grosso
e curto, óra comprido e fino. A fossa hemicircular dos tergitos das forcipulaS
é em alguns exemplares coberta quasi pela placa cefalica, enquanto que n’outros
excmplaj^es ela se distancia da mesma placa.
A lacraia de antenas verdes é um artrópodo tipico da zona neotropica e cs-
pecialmente do Brasil. Encontra-se tanto entre o sistema fluvial do Amazonas e
do Rio São Francisco como na cósta, de Pernambuco e Bahia, descendo até oS
extremos do Rio Grande do Sul. E’ encontrada na cidade do Rio de Janeiro c
em Santos. Prefere como moradia, quando instalada em moradias, corre-
WoLFGAXG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
239
dores sombrios, húmidos porém quentes; penetra nos buracos de madeira carco-
niida, onde caça insetos, larvas e outros escolopendridios pertencentes principal-
'nente aos generos : Otostigma e Rhysida.
Quando de manhã o sol começa a aquecer, a lacraia refugia-se num loga,r
sombrio, porém, ao alcance dos raios solares, onde permanece enrolada, com a
cabeça dobrada para trás, de maneira que as armas defensivas, — (as ultimas
extremidades) e as armas ofensivas — (as pinças forcipulares). estejam prontas
para qualquer perigo iminente. Permanece horas a fio nesta posição aparente-
mente sonolenta; de vez em quando ergue as antenas apalpando o chão tremu-
lamente. Não altera sua imobilidade nem mesmo quando animais pequenos se
•"efugiam a seu lado. Aproximando-sc um animal maior, a lacraia se afasta um
tanto de seu logar, continuando na mesma impassibilidade. Quando o sol do
meio dia aquece mais seu esconderijo, ela se retira para o fundo da toca.
A lacraia nesta posição não permanece alheia com o que se passa em seu
fedor. Basta perturbar o seu descanço removendo a madeira o tijolo que lhe
serv'em de abrigo para que ela, alguns instantes imóvel, ainda, mas já com as
®f>tenas tremulas, salta de seu logar em movimentos bruscos, com as ultimas
Patas eriçadas ameaçadoramente, procurando fugir sempre alerta e prevenida,
do incauto que aproximar demais as mãos! o tcrrrccl artrópodo com presteza
eximia encrava as pinças inoculadoras nas mãos do descuidado.
Não sofrendo perturbação, a lacraia', ao cahir da tarde, começa a movi-
ttientar-se. O ar ainda está quente; o sol já desapareceu; sobe a evaporação
do sólo: é chegada a hora propicia para as caçadas. Animal cetrnivoro, a lacraia
percorre distancias relativamcnte grandes em procura de alimento voltando porém,
*empre ao local a,costumado. Trepa pelas fendas e buracos das paredes; sóbe
Os telhados das casas rurais; revista as despensas e adegas, sempre pronta tam-
**etn a agredir qualquer parceiro, desde que seja de menor tamanho. Nada
*ociavcl, não tolera a companhia de outras lacraias; não faz caso porém da
oorivivencia com diplópodos, Polydesmidcos princijjalmente, aos quais nunca
*ttolcsta.
2. — Scolopendra subspinipes Leach, 1815.
Depois da Scolopendra ziridicornis a subspinipes é a mais frequente no
Representa uma especie verdadeiramente cosmopolita ainda que restrita
:onas tropicais e subtropicais. Encontramo-la no Japão, na China, na índia,
illujs do Arquipélago do Pacifico, em Java e Sumaira, principalmente na zona
^**do-austraJiana. No Brasil a Scolopendra subspinipes é frequentemente encon-
nos estados maritimos do Sul. O seu tamanho varia entre 11 e 18 cm.
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo Xin
Esta especie, á primeira vista é bem semelhante à Scolopendra virídicornis
e póde ser distinguida facilmente désta pelo brilho intenso de seu corpo.
O Brasil é habitado pela subespede seguinte: .
2a. — Scolopendra subspinipes siibspinipes Leach, 1815
Sinonimias: — auda.x — sexpinosa — borbonica — sepiemspinosa — Pl<i'
niceps — rarispina — jlava — gambiae — nervporti — arantiipes — cephtdicc
— parvidens — plutnbeolata — datnnosa — variisPtnosa — (Vide Attems daí
Tierreich).
Tamanho 10-16 cm. Antenas 18-20 artículos, dos quais os 6 primeiros des-
proridos de pêlos, o 7.® inteiramente peludo ou sómente no lado externo. Os
outros artículos todos peludos. Pêlos louros pequeníssimos. O colorido dos
Icrgítos é castanho escuro com bórdas posteriores enegrecidas ou amarelo cas-
tanho com bordas posteriores verde cinzento, ou castanho escuro com estrias
douradas. As vezes corre uma faixa amarela mediana ao longo de todo o corpo-
Estemítos e extremidades amarelos, nunca verdes. Placa cefalica sem sulcos,
com poros finíssimos. Coxosternum com 5 -j- 5 ou 6 6 dentes, pequenos,
não pontudos. Em baixo encontra-se uma cerda, originada numa cavidade. Sulcos
das placas dentarias formando quasi linha réta. Na linha mediana existe um sulco
fraco e curto. Na zona posterior encontramos ligeira depressão oral. Coxoster~
num sem sulco transversal. 1.® tergíío sem fossa hemiciratlar. Sulcos cpis~
cutais existentes no 2.® ou 4.® tergíto, sempre fracos, ás vezes mais fortes ^
parte posterior da placa. Carinas laterais desde o 5.® ou 7.® tergíto.
tergíto, sem quilia mediana, porém com salienria central, com depressão diante
da bórda posterior. Ésta ultima protaída. Estemítos com póros, com 2 sulcos
longitudinais fórtes e, atravessando estes, uma depressão transversal. l'ltiino
estemito mais longo do que largo, com bórdas laterais convergentes de frente pa^
trás. No meio da placa uma depressão longitudinal. 1.* a 19.® extremidade
com esporão tarsal; 20.® com ou sem o mesmo; 21.® sem o mesmo. Garrai
com 2 esporões laterais. Préfemur da, ultima extremidade vezes mais long®
do que largo com depressão curta no lado posterior, tendo dois espinhos no lado
ventral, 1-2 no lado medial e um no lado supero-interno. Espinho do canto coiO
duas pontas. Apcndice coxopleural, conico, também com duas pontas.
3. — Scolopendra explorans Chamb., 1914
Tamanho 8-9 cm. Tergílos castanho-esverdeados com bórdas po-terior**
escuras. Estemítos e extremidades amarelos. Placa cefalica, primeiro, ultiio'’
tergíto e ultimas extremidades avermelhados. Placa cefalica com dois sulcos *
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241
com poros finos. Antenas 17-18 artículos, com ausência, de pêlos nos 4-5 arti-
cules basilares. Coxosternum forcipular com poros finos com indicação de um
sulco mediano fraquíssimo ou inteiramente ausente. Sulco trattsvcrsal fraco.
^ -í- 4 dentes, dos quais 2-3 internos soldados parcialmente. 3.® ou 4.® até ao
2ü.® tergíto com 2 sulcos episcutais completos; 1.® tergíto com fossa hcmicircular
ínua. Carinas laterais principiando entre o 10.® e 13.® tergíto. 21.® tergíto
sem quilía mediana porém com prolapso acentuado da borda posterior. Ester-
®ítos com sulcos fracos atingindo a metade da placa a começar j^ela frente. Ultimo
ej/rm/ío levemente bilobado com ligeira depressão longitudinal mediana. 1.® par
de extremidades com 1 esporão pequeno no fim. na parte interna do préfcmur.
^emur, tibia, e 2 esporões no l.° tarso. As outras patas com um esporão maior
no primeiro tarso sómente. 20.* extremidade sem esporão. Apcndice coxoplcu-
curto, com 2-4 pontas. Ultimo préfcmur no lado supero-intemo com 3, no
^*do interno com 2-5 no lado ventral com 5 espinhos. Espinho do canto com
2-3 pontas. Femur no lado supero-intemo com 1-2 espinhos e 1 na ponta pos-
lerior e 1 interno. Todos estes espinhos são menores do que no préfemur. Os
2-4 penúltimos pares de extremidades possuem no fim do prefemur e às vezes
também no femur 1-2 espinhos diminutos.
A Scolopendra explorans é uma lacraia pequena não muito comum. Seus
®^cteristicos são semelhantes aos da Scolopendra angulala Newq)., de maneira
9uc se impõe uma du\*ida séria; a probabilidade de ser éla uma subespecie da
Scolopendra angulata.
Encontra-se no interior do Estado de S. Paulo, na zona Araraquarense como
^*uibem em Matto Grosso e Goj-az.
4. — Scolopendra morsitans L.. 1758
Sinonímias : Scolopendra angulipes — algerina — •■fZ/rc/ü — californica —
^Ihrocephala — cognata — eleganz — compressipes — clilorocephala — cori-
***pes — brachypoda — atenuala — angusta — Ulineata — brandtiam — mnr-
9*nata — formosa — fuknpes — fabricii — genaisiana — imPressa — infesta —
^cochii — intermedia — morsicans — mossambica — tonga»a — scopoliana —
Porphyrolenia — platypus — planipes — richardsonii — sallatoria — tigrímpclla
Picturata * — pilosella — plathpoides — rorio — tuberculidens — limbata —
^^S3ipes — Heterostoma elegans — cariniPes — Vahlbergi — xaga — lopadusae
Ç^andidieri. (Vide Attems: 23, e Catalogos da Fauna Brazileira).
Conforme demonstra a imensa quantidade de nomes diferentes a Scolopendra
**^csitatis representa a espede mais comum entre todos os outros cscolopendrideos.
é encontrada em todos os paises e continentes tropicais e subtropicais tanto
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
da zona palcartica como da neotropica. Encontra-se também em quasi todos
os paises sulamericanos, não sendo entretanto muito frequente no Brasil. Foi
capturada nos estados de Goyaz, Matto Grosso, Pará e Amazonas.
Atinge o tamanho de 10-14 cm. O colorido é o mais variavel: amarelo
acastanliado com bórde^s anteriores e posteriores dos tergitos verdes, cabeça c
últimos tergitos avermelhados ou tergitos verde de olira com reflexos escuros e
manchas acastanhada, ou então acastanhado com bordos posteriores de azul
claro com a cabeça avermelhada. Placa ccjalica sem sulcos. Antenas 18-20
articulos, dos quais os 6-7 basilares desprovidos de pêlos. Sulcos episcuteis
fracos, existentes desde o 2P tergito, cm tergitos anteriores sómente acentuados
na parte posterior. Carinas laterais fórtes ou fracas, as vezes já existentes desde
a 5.® placa dorsal, em_ outros casos sómente acentuadas da 9.® placa em deante.
Ultimo tergito com sulco mediano cm alguns casos quasi inrisivel. Coxostemutn
forciptilar com 4 -|- 4 ou 5 -f* 5 dentes, os internos soldados. Sem sulco hori-
zontal mas cm alguns casos com indicios de um sulco curto vertical. Esternitos
3-20 com 2 sulcos longitudinais, mais fracos no lado posterior. 1.® extremidade
com 2 esporões tarsais; da 2.® a 20.® um esporão. Apendice coxopleural com
2-4 pontas. Ultimo préfemur com 8-15 espinhos, dos quais 8-9 no lado vcntral
e 4-6 no dorsal. Espinho do canto com 4-6 pontas.
S.ScoIopendra arthrorhabdoides Rib., 1914
40-45 mm. de comprimento. Colorido esverdeado. Cabeça com 2 sulcos, com®
também todos os tergitos. Fossa hemicircular fraca. Coxostemum com dentes
soldados. Atrás uma pequena eavidade com 1 cerda. Os sulcos basilares d®’
placas dentarias continuam até o sulco transversal formando um triângulo pet'
feito. Ultimo tergito liso, com carinas laterais. Antenas com 17 articulos doS
quais os 5 basilares desprovidos de pêlos. Na parte posterior do coxostemum
encontra-se uma depressão longitudinal. Esternitos a começar do 4.® ou d.
com 2 sulcos longitudinais. 1.® extremidade com 2 esporões tarsais; as outras
com 1 ; a 20.® sem o mesmo. Apendiee eoxopleural com 2-3 pontas e um
espinho na margem lateral. 20.® préfemur com um espinho dor.'iaJ e 1 ventral*
21.® préfemur com 8 espinhos ventrais e 3-5 dorsais. Colombia.
6. Scolopendra alternans Leach, 1805
Sinonimias : Scolopendra complanata — erudelis — multispinosa — incerl^
— morsitans — sagrae — multispinata — grayi — longipes — gervais —
quidens — testaeea — torquata (Vide Catalogos da Fauna Brazileira e AtteMs)*
200
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Compriyncnto 16-23 cm. Colorido vermelho castanho ou amarelo escuro,
bordas posteriores dos tergítos frequentemente esverdeados. Antenas com 17 artí-
culos, dos quais 4-5 basilares desprosndos de pêlos. Coxostemum com depressão
profunda na area posterior e com sulco transversal fraco e, além disso, um curto
sulco longitudinal também frajco. 4 -J- 4 dentes, os 3 internos quasi complcta-
tnente unidos (em animais adultos). Atrás uma cavidade com cerda. l.° ter-
gito sem fossa hemicircular. Sulcos episcutais em todos os tergítos. Carinas
laterais desde o 5.® ou 8.® tergíto. Esternítos com 2 sulcos longitudinais fracos.
lA extremidade com 2 esporões ta^sais pequenos; as outras patas com um maior.
Préfemur 19 com algumas espiculas; Préfemur 20 com 3-5 espinhos, c 1 na
area anterior; préfemur 21.® com mais de 20 espinhos. Apêndice coxoplcural
com 4-5 grandes e 2-4 espinhos pequenos. Espinho do canto com 6-8 pontas.
A Scolopendra akemans é encontrada no Brasil principalmente, nos estados
do interior. E’ um dos maiores Escolopendridios sulamericanos, sendo porém
niais raro do que a tiridicomis e a subspinipes.
7. Scolopendra gigantea L., 1758.
Sinonimias: Scolopendra gigas — prasinipes — insignis — epiléptica.
A " escolopendra gigantesca” é o maior Escolopendrideo do mundo. E’ ex-
clusi\-amente neotropico, encontrando-se o seu habitat nos estados do interior do
Brasil, do Chile, onde sóbe as encostas dos Andes mesmo, acima de 1000 metros.
E’ encontrada também na, Colombia, na Venesucla c nas ilhxs do Golfo do Mé-
xico, subindo até ao México. Escolhe de preferencia climas tropicais, áridos.
Habitando nas matas em tocos putrefactos cu sob pedras que conservam humi-
dade, se esquiva d:^ aridez prejudicial. Seu tamanho c enorme, atingindo além
de 26 cm. Consequentemente as çlandulas de. veneno são muito desenvolvidas, po-
dendo resultar mesmo num homem adulto, quando por ela mordido, inflamaqão
do local afetado, eritremas. pustulas e erisipelas e mesmo necrose de toda a zona
'ãzinha. Conforme alguns AA., já se verificaram casos de mórte humana, devido
á mordedura desta lacraia.
Em animais pequenos a mordedura é sempre letal, sendo a morte precedida
por ataques con>'ulsivos clonicos. seguidos pela paralisia dos musculos respira-
tórios.
O colorido é uniforme, vermelho acastanliado, mais ciado ou mais escuro, às
vezes com reflexos esverdeados principalmente nas extremidades. Nas patas pos-
teriores o colorido verde acentua-se mais. sendo, comtudo, o 2.® tarso sempre
Ofnarelo como também os esternitos. Antenas com 17 artículos, dos quais 6-11
basilares desprovidos de pêlos. Os sulcos do coxostemum forcipular formam o
201
244
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
mesmo triângulo sulcai como na Escolopendra viridicomis. O sulco mediano òra
não atinge o transversal, óra se ramifica^ passando as ramificações além deste.
Dentes no mesmo numero e na mesma posição como em viridicomis. Os sulcos
cpiscutMsc epistemais como na viridicomis. Do 4.°, 15.® ou 19.® tergito encontra-sc
um curto sulco mediano na borda posterior, aliás também presente em alguns
exemplares da Scohpendra viridicomis. Ultimo tergito desprovido de quilia i
fossa. 1.® par de extremidades com 1 espinho no prefemur, 1 no femur, 1 na tibia
e 2 pequenos no 1.® tarso. Todas as outras extremidades com 1 espinho no.l-
tarso. O prefemur de quasi todas as patas ostenta no lado dorsal na ponta termi-
nal 1-4, geralmente 2-3 espiculas; o femur 1-0 espiculas. Apêndice coxopleurai
com 5-8 pontas e algumas espiculas perto do bordo posterior e 1 espinho na mar-
gem. 21.° prefemur com 15 a 25 espinhos, mais frequentes no lado superior do
que no inferior. Femur com ou sem espinho. Espinho do canto com 5-7 pontas.
Já mencionamos a grande concordanda morfologica désta especie com f»*
ridicomis.
8. Scolopendra armata Kspln., 1903
9-12 cm. de comprimento. Coxostemum forcipular com 4 4 dentes, des
quais os 3 internos inteiramente soldados c o externo sempre isolado. Triângulo
sulcai no coxostemum. Perto dos dentes uma cavidade com uma cerda.
Carinas laterais só existentes no 19.® tergito e nos teigitos s^;uintes oü então
sómente no ultimo tergito. Desprovido de quilia mediana. Sulcos epistemais fra*
COS. Prefemur 19.® às vezes com 1 espicula ; prefemur 20 com uma a, duas espi*
culas dorsais e às vezes ainda com 2 ventrais; prefemur 21.®, com 7-8 espinhos no
lado infeio-interno c 2-3 no lado supero-intemo. Apendice coxopleurai com 1'^
pontas e 1 espinho na margem posterior. Ultima garra sómente com 1 esporão, as
outras garras todas com 2 O resto é idêntico à Scolopendra viridicomts-
Venezuela e Norte do Elstado de Amazonas.
9. Scolopendra robusta Krpln., 1903
16-18 cm. de comprimento. Igual à especie anterior, excetuando as seguiO'
tes diferenças:
Coxostemum forcipular com sulco mediano curto. Sulcos basilares das P^^'
cas dentarias formando angulo réto. 1.® tergito com fossa hemieircular. CantuJS
laterais do 4.® tergito. Apendice coxopleurai com 5 pontas e 1 espinho na maf'
t^em. Prefemur ultimo com 14-17 espinhos. Espinho do canto com 1 espinho cen-
tral forte e 8 espinhos menores em redor. Colombia e México.
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil 245
<
10. Scolopendra viridis Say, 1821.
Sinonimias: Scolopendra parva — punctiventris.
10-15 cm. de comprimento. No colorido pre\-alece o verde escuro, principal-
Biente nas bordas posteriores dos tergítos e nas articulações basilares das patas,
sendo os outros artículos amarelos. Placa cefalica sem sulcos; às vezes com um
unico sulco mediano quasi imperceptível. Antenas com 21-31 artículos, dos quais
■1-12 basilares despro\ndos de pêlos.
4^4 dentes. Os dois internos soldados. Segue-se uma pequena cavida,de em
cada placa dentaria, encontrando-se nesta um tubérculo encimado por mna cerda.
^âo existe sulco horizontal. Penúltimo articulo do 2P maxilar sem protuberância
Central. l.° tergito com fossa hcmicircular e dois sulcos longitudinais. Os outros
l^gitos e eslemítos com dois sulcos. Carinas laterais existentes desde o 7.® ou
16.® tergito. Apendice ccxoplcural com 1-11 pontas e com 1-2 espinhos na mar-
Rcm. 1.® par de extremidade com 2 esporões tarsajs: 2.®-20.® com 1 ; 21.® pré-
femur com 12-15 espinhos irregularmente dispostos.
A lacraia verde tem o seu habitat nas zonas entre o ifexico setentrional e o
Brasil do sul. Entretanto é raramente encontrada nos Elstados brasileiros.
lOa^ Scolopendra viridis polymorpha Wood, 1861
Sinonimias: Scolopendra pucble — gaumeri — copeana — olomita-lcpto-
dera — pachypus. Scolopendra leptodera Kohlrausch, classificada por Brõle-
^AXíí como sendo Scolopendra leptodera n.® 78, 81 em "Catalogo da, Fauna bra-
sileira do Museu Paulista 2. 1909 "não é senão a subespecie Scolopendra viridis
polymorpha. Também a Scolopendra annulipes Lucas, 1884, mencionada por
^Rõlemann no mesmo catalogo, deve ser colocada entre as espccies duvidosas,
'nsuficientemente caracterisadas.
Scolopendra viridis polymorpha tem o mesmo habitat da viridis. Apresenta
®s seguintes característicos:
13 cm. de compr. Antenas com 24-31 artículos, dos quais os 8-12 basilares
desprovidos de pêlos. 21.® tergito com sulco mediano. Apendice coxopleuraj com
4-7 pontas, ou 1-4 sómente. Ultimo préfemur com 15-23 espinhos. Espinho do
*^010 com 3-6, geralmente com 4 pontas.
11. Scolopendra angulata Newp., 1844
Sinonimias: Scolopendra punctiscutata — prasina — nitida — puncticeps
republicana.
A Scolopendra angulata é rara no Brasil, podendo ser encontrada nos limi-
com os paises seguintes: Veneauela, Bolivia e Ecuador. E’ um dos maiores
203
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
t
246 Memórias do Inslilulo Butanlan — Tomo XIII
>
Escolopendrideos ncotropicos, pois atinge o respeitável comprimento de 18 cni.f
sendo a média 13-15 cm. O colorido varia como era Scolopendra viridiconns com
a diferença que também a cabeça e ultimo segmento acompanhiyn o colorido do
tronco. Os sulcos basilares das placas dentarias continuam ainda no coxostemuin»
de maneira que, juntamente com o sulco horizontal, se origina um triângulo largo.
Suko mediano ausente. Atrás dos dentes não existe cerda. Sulcos episcutais desde
o 5.° ou 7P tergito, às vezes sómente visiveis na metade anterior ou posterior.
20.® par de extremidade com esp>orão no l.° tarso. Apendice coxopleural com
pequeno espinho na margem lateral e com 2-4 pontas. Ultimo préfemur com 14-19
espinhos, dos quais 6-8 se encontram no lado ventral, 3-5 no lado interno e 3-4
no lado supero-intemo.
Quanto ao resto é.sta especie egual a Scolopendra explorans, com a diferença
que, em harmonia com o tamanho a\'antajado, os espinhos e os sulcos são mais
destacados.
2. Genus Arthrorhabdus Poc., 1891
Deste genero por óra se conheça sómente uma unica especie encontrada no
Pará :
Arthrorhabdus spinifer Kr.\epl.
Sinonimia: Cupipes, spinifer.
Compr. 30-35 mm. Colorido ajnarclo esverdeado pálido. Cabeça na borda
posterior com um sulco curto mediano. Sem laminas basilares. O 1.® tergito co-
bre um tanto a parte posterior da placa cefalica.
Antenas com 18 articulos. dos quais 5-7 basilares despro\-idos de pêlos; os
outros com pêlos finissimos amarelos dourados. Coxosternum forcipular com curto
sulco mediano, quasi invisivel. 4 4-4 dentes, sendo o interno isolado e os outros
3 unidos sem estarem soldados. Sulcos episcutais do 1.® ao 20.® tergito. 21.® ter-
gito com culco mediano. Sómente este tergito com carinas laterais. Nos estf^'
nitos existem dois sulcos fracos. Quasi todas as extremidades com esporão tarsaj-
Ultimo préfemur com 6-8 espinhos no lado supero-interno e com 2-3 espinhos n®
lado ventral. Espinho do canto com 2 pontas e 2 espiculas diminutas na margeio
anterior. Sem esporão tarsal. Garra, terminal sem esporões laterais. Apendice co-
xopleural sem ponta, no canto interno com 2 grãosinhos; na, margem lateral ^
grãosinho diminuto.
3. Genus Cormocephalus Newp., 1844
Este genero é representado por um grande numero de especies tanto africa-
nas como australianas, da China, índia e Oceania. Os Cormocefalideos são animai*
t
204
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
247
cosmopolitas, preferindo sempre cotias tropicais e subtropicais, a\-ançando para as
^nas de climas temperados. Na cona nêotropica encontramos apenas 13 especies
por óra, podendo-se presumir com justa razão que ainda serão descobertas novas.
São de porte pequeno, de meio cm. a 5-7 no máximo. Têm 21 pares de extremi-
dades, todas sem esporões tarsais. Sempre se encontra garra terminal. Os estig-
tnas são pequenos, e.scondidos entre os pleuritos e as bordas dos tergitos, de ma-
neira que são descobertos dificilmente. Sua fórma varia entre oral, triangular ou
lieinilunar. A placa cefalica apresenta geralmente 2 pequenas laminas basilares.
Passa por cima do l.° tergito. As antenas têm 17-23 articulos, dos quais 6-12 ba-
silares são despros-idos de pêlos. Os tergitos 2, 4, 6, 9, 11 e 13 são um pouco mais
ctiros do que os vizinhos. Os sulcos episcutais principiam desde o primeiro ao 5.®
Iprgito ou vão até ao 20.°.
T^tmbem os estcrnítos têm 2 sulcos longitudinais. Os dentes do coxosternum
são 4 -f-4 ou 5 -|- 5. Sua placa é provida de uma cerda fina. O apendice coxo-
Pleural pódc ser atrofiado. O ultimo préfemur apresenta geralmente espinhos.
Existem 4 subgeneros, 72 especies com 16 subcspccies, 12 raças e 6 especies
duiidósas, distribuindo-se estes para a cona nêotropica com 2 subgeneros e 13
especies.
Chai’e dos generos:
Cabeça sobreposta, pelo l.° tergito a) subg. Connoccplialus.
Cabeça sobrepondo o l.° tergito ou ambos tocando-se apenas. Apendice coxo-
Pleural comprido, fino, arredondado, com algumas espiculas na ponta tei-
**^‘nal b) subg. Ilemiscolopendra.
a) Subgenus : Cormocephalus Newp.
Sinonimia : Cupipes.
Choiv das especies:
Placa cefalica com um sulco mediano, curto. Placas basilares presentes
1 . C. mediosulcatus.
Placa cefalica com 2 sulcos longitudinais abreviados ou longos. Placas basilares
presentes ou ausentes 2
•^titcnas 16 articulos. dos quais 7-8 basilares desprovidos de pêlos. Placa cefa-
l*ca com 2 sulcos abreviados e com 2 laminas basilares. Coxopleuras sem apen-
'llcc, CO m 1 espicula diminuta do lado medial. 21.° tergito com sulco mediano e
carinas laterais, havendo indicações de pseudocarinas em alguns tergitos
interiores 2. C. bonaerius.
^-iminas basilares ausentes ou somente pequenas. Antenas com 17 articulos,
*los quais 4-8 basilares desprovidos de pêlos. Coxopleuras com ou sem
ipendices 3
205
248
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Placas dentarias do coxostemum sem dentes ou com 3 + 3 dentes ’
Placas dentarias do coxostemum com 4 + 4 dentes ^
Coxostemum com 2 sulcos longitudinais, que atravessam toda a placa, conver-
gindo na frente onde forma um angulo pontudo. Sulco transversal simples ainda
que ondeado. 3 + 3 dentes 3. C. tmpressus-
Coxostemum com a mesma, formação dos sulcos longitudinais. Sulco trans-
versal com vários sulcosinhos ramificados. Dentes ausentes, encontrando-se no
logar dos mesmos uma protuberanda sinuosa 4. C. ama^onaf’
Antenas 17 articulos, dos quais +5 basilares desprovidos de pêlos. l.° tergito
sem sulcos longitudinais. Coxopleurais sem apendice e sem espinhos. Ultim®
préfemur em espinhos 5. C. vcnczuclionus
Sulcos episcutais desde o 1.® tergito. Coxopleuras com apendice longo
curto, com ou sem espinhos ^
Apendice coxopleural airto aredondado sem espinhos. Ultimo préfemur grosso#
atrto com dois espinhos pequenos. Estigmas redondos 6. C. brasilietists^
Apendice coxopleural longo, terminando em 2 pontas '
6 articulos basilares das antenas desprovidas de pêlos. Do 6.® tergito em deantf
existe uma quilia fraca. Tergitos 1-20 com 2 sulcos episcutais. 21.® tergito con»
carinas laterais. Estemitos com levre depressão mediana, 7. C. ungulai*^-
6-12 articulos Iw.silares das antenas desproridos de pêlos
Placa ccfalica com 2 sulcos longos. 8-12 articulos basilares das antenas despr®*
vidos de pêlos
Placa cefalica com dois sulcos abreviados. Placas basilares bem visiveis 6 art>*
culos ba,silares das antenas desprovidos de pelos. Carinas laterais desde o /•
ou 9.® tergito orantiip^^
1 . Cormocephalus mediosulcatus Att., 1928
E’ encontrado nos Estados do Nórte do Brasil, no Pará e na ilha do ilarai<^'
Mede 3-5 cm. Colorido acastanhado. Placa cefalica com sulco mediano coio*
pleto. clntctuu 18 articulos, dos quais os 6 basilares carecem de pêlos enquant®
que os outros apresentam pelos curtos e louros. Existem 3 + 3 dentes forc%f*'
lares. Encontra-se um sulco transversal, do qual parte na linha mediana
sulco longitudinal, bifurcado na frente. No 1.® tergito existem sómente vestiQ^^^
206
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
249
sulcos episcutais, sendo completos do 2° até ao 20.°. 21.° tergito com sulco
®>*diano. Sómente este com carinas laterais. Tergiíos 2-19 com sulcos trans-
versais divergentes, curtos. Estemitos 2-20 com 2 sulcos longitudinais. No
*ês:o inteiramente lisos. 21.° esternito com depressão redonda no lado posterior.
^oxopleuras sem espinhos e sem apendice. A area porosa é grande. As ultimas
P®.tas muito grossas, sendo o préfemur achatado no lado medial e portanto 2 es-
P^os na ponta terminal, 4-6 no lado interno, 1-2 no lado superior. Eispinho
canto bem desenvolvido com duas pontas. Ultima garra tão longa quanto o
tarso, sem esporão lateral. 1-20 extremidade com 2 esporões secundários,
^íigmas estreitos triangulares.
2. Cormocephalus bonacrius Att., 1928.
Tamanho e colorido como na especie anterior. Cabeça com 2 sulcos longi-
^inais abreviados e laminas basilares. Antenas com 16 articulos dos quais
^ basilares desprovidos de pêlos.
4 -f- 4 dentes jorcipulares sendo o externo mais isolado e os 3 internos mais
'^'Klos. 2 sulcos longitudinais atravessam a placa convergindo na frente, sendo
*^vavessados por um delicado sulco horizontal. Do primeiro ao 20.° tergito
*^stem 2 sulcos episcutais; 21.° com sulco mediano. Sómente nesta placa exis-
^ carinas verdadeiras, enquanto que do 16.° tergito cm diante existe apena>
^**udocarinas. Hstemitos com 2 sulcos. Todas as patas com 2 espiculas diminutas
íado. Ultimo préfemur, fêmur e tibia grossos, sómente pouco mais longos que
. 8os; cada um com sulco curto, profundo, no lado supero-terminal. Préfemuf
''*^cro-lateral com 2-4, atrás com 4 espinhos.
duyanas e Venezuela.
3. Cormocephalus impressus Por., 1876.
Sinonimias: Cupipes microstoma — C. propulsos — Otostigma cormoce-
No Brasil, principalmente no estado de Matto Grosso, existe a seguinte
^'edade:
3.* Cormocephalus impressus neglectus Chamb., 1914.
Colorido verde oliva com uma, faixa mediana mais clara, sendo a cabeça
^ vriTicIhada. 5-6 cm. de comprimento. Os sulcos da placa cefalica atingem quasi
^fda anterior. Antenas com 17 articulos, sendo os primeiros 4 articulos basi-
207
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
250
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
lares desprovidos de pêlos. Coxas jorcipulares com dois sulcos que formam u®
triângulo frontal, sendo atravessado por um sulco transversal. Os sulcos das
placas detUarias formam quasi uma réta. 4 -f- dentes jorcipulares.
tergito com sulcos espiscutais e uma fraca quilia mediana. 21.° tei^íto com sulc®
mediano. Carinas laterais a comeqar do 8.° ou 10.° tergito. Esternitos 2-20 cofl'
2 sulcos e com fraca impressão na frente.
Coxopleuras sem apendice, com 1-2 espinhos. Ultimo préfcmur com esp*'
nlw do canto e 4-8 espinhos menores. Os 1.®* 3 articulos com sulcos fracos t®
lado dorso-terminal.
4. Cormocephalus amazonae Ch.\mb., 1914.
Temos a impressão de que ésta espccie constitue apenas tuna \'ariedade àe
impressus, tantas são as semelhanças. Difere do impressus pelo seguinte: ostenta
manchas escuras nas arcas laterais dos tergitos. 7 articulos basilares das antenas
carecem de pêlos, começando abruptamente no 8.°. O sulco transversal do coxoi~
termim é ramificado, formando malhas finas. As placas dentarias carecem dÇ
dentes, ostentando no logar dos mesmos protuberâncias de íórma estranha. iP^
a impressão de anotnalias morfológicas).
Alguns esternitos demonstram indicação de um fraco sulco mediano ao lad®
dos dois outros. Coxopleuras com apendice longo terminando em 2 ponta*-
Ultimo préfcmur e femur com sulco profundo no lado supero-terminal. Pref^
mur no lado ventral 2-4 espinhos, medial 3, dorso-medial 2 e um espinho ^
canto.
O habitat desta nó\-a especie é a bacia a>nasonica.
5. Cormocephalus venezuelianus Brõl., 1898.
Sinonimia: Cupipes ungulatus Brõlemann — em Catalogos do Muí^
Paulista 2: 9. (Aliás o Prof. Brõlemank dta continuamente Cupip^^
Kohlrausch como sendo sinonimo do sul^enero Cormocepludus).
A espccie é encontrada na Venezuela. Méde apenas 2 cm. 4 -j- 4 dentes
cipulares. Coxopleuraes em espinhos e sem apendice. O rêsto é idêntico á esp^
cie anterior.
6. Cormocephalus brasiliensis Humb. & Sauss., 1870.
Sinonimia: Cupipcs brasiliensis Brõl.
Placa cefalica com pequenas laminas basilares, 25 mm. de comprimento.
xostermutn com 2 sulcos longitudinais completos um tanto convergentes na frd*^
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
251
Scin sulco transversal. 4 + 4 dentes forcipulares, os dois do meio maiores. Coxo-
Pleuras sem espinhos, com pequena protuberância arredondada. Area porosa
Pande, atingindo a margem posterior. Ultimas palas grogsas, sendo o femur, a
^l>ia e o l.° tarso extreitos no lado apical. Prefemur e femur com sulco largo
no lado supero psoterior. Prefemur sem espinhos, sómente com 2 espiculas em
'ngar do espinho do canto. Ultima garra sem esporões. Amazonas, Venezuela.
7. Cormocephalus ungulatus Meikert., 1886.
1
Sinonimia: Cupipes ungulalus Brõl.
Tamanho 4 cm. Acastanhado. Cabe<;a amarelada. Sulcos da placa cefalica
abreviados. Antenas 17 artículos, os 6 basilares desprovidos de pelos. 4+4:
^^tes forcipulares, sendo o externo isolado. Coxosternum com 2 sulcos longitu-
'^inais terminando num angulo ponteagudo, não atingindo a borda anterior. Ex-
Ifrnitos com depressão mediana muito leve. Tergltos como em impressus.
^oxopleuras com apendice curto terminando cm duas pontas. Prefemur ultimo
no bdo ventral com 2-4 espciulas pequenas. Espinho do canto com 1-2 pontas;
*^orso-medial com 0-2 espinhos; medial com 0-4 espinhos.
Pernambuco, Amaxonas, Venezuela. ,
8. Cormocephalus andinus Krpln., 1903.
Sinonimia: Cupipes.
Cábe<;a com 2 sulcos longitudinais. 8-12 artículos basilares das antenas sem
pelos.
Carinas laterais desde o 6 ou 9 tergito. Coxopleuras com apendice longo de
*Iuas p>ontas. Ultimo prefemur no lado ventral com 6 no medial com 2 espinhos,
apinho do canto presente.
Bolivia, Perú.
9. Cormocephalus aurantiipes Xewp., 1844.
Sinonimia: Cormocephalus marginatus — grazilis — obscurus — pygome-
■ — subminiatus — pallipes — ; Scolopendra subminiata aurantiipes — Obscura
Pt*ncticeps.
Ésta especie é autochtone da Ausiralia. Encontra-se também no Rio de Ja~
^tro. Julgamos que para lá tenha sido transportada por meio de mercadorias.
209
*^< 1 . 16
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
252
5[emorias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Amarelo acastanhado, com patas verdes ou amarelas. Alcança 10 cm. de ta-
manho. Antenas 17 artículos, sendo os 6 basilares desprovidos de pêlos Coxos-
ternum com 4 -j- dentes, e um curto sulco mediano e um sulco transversal fra-
co. Placa ccfalica com 2 laminas basilares e dois sulcos longitudinais abresnad®'
segundo ao 20.® tergito com 2 sulcos cpiscutais. Carinas laterais do 6.® tergito
em deante. Ultimo tergito com ou sem sulco mediano (talvez seja ésta difereiiÇ*
um caracter sexual entre macho c femea). Esternito 2-20 com 2 sulcos. Ultt»^
esterníto com fraca depressão mediana. Apendice coxopleural longo e com dua>
pontas. Prefemur ultimo muito mais longo do que largo, achatado ventralmente c
neste 'ocal com 3 espinhos; no lado infero-medial com 2, no medial 1, no btl®
supero-medial com 2 espinhos. O espinhe do canto é bem acentuado.
b) Subgen. Hemiscolopendra Krplx., 1903.
Placa cejalica sem sulcos longitudinais. Coxosternum forcipular sem sulcos-
Apendice coxopleural comprido, conico, com algumas espiculas na ponta.
Este sul^enero contêm apenas 5 especies, quasi todas próprias da zoo^
neotropica, sendo a Hemiscolopendra ehilensis Gerv., 1847 c a micluxeUi^
Att., 1903 e a platei Att., 1903, encontradas no Chile.
Como tipo transcrevemos os característicos de:
Hemiscolopendra laevigatus PoR., 1876.
Sinonimia: Scolopendra cormocephalina — longispina — laevigata.
Tamanho 4-6 cm. Esvxrrdeado com reflexos dourados. A borda posterior d®
cabeça cobre em parte o primeiro tergito. Antenas com 17 a 21 artículos,
quais 5-6 basilares desprovidos de pêlos 3 -}- 3 ou 4 4- 4 dentes forcipulara^
Sulíos cpiscutais desde o 3.® até ao 20.® tergito. 21.® tergito com sulco mediaf’'
2.®-20.® esternito com 2 sulcos longitudinais. 21.® com fraca depressão tn^
diana. Apendice coxopleural com 5-7 pontas pequenas negras e com 3-5 esp*'
nhos ao redor. Ultimo préfemur com 6-9 espinhos no lado infero lateral; <toit>
8-11 espinhos no supero medial. Espinho do canto com 2-3 pontas.
4. Genus Rhoda Mein., 1886
O genero Rhoda não foi mencionado por Brõlemann, quando foram <td*'
tados os catalogos sobre os Miriápodos do Brasil. Isto causa tanto mais admiti'
ção quanto é certo que justamente este genero é tipicamente brasileiro ainda q**^
pouco comun.
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
253
2l pares de extremidades. Cabeça muito mais estreita do que o 1.® tcrgito e
cobena em parte por este; sem sulcos longitudinais nem laminas basilares, cxis-
tmdo, em alguns casos, um sulco mediano. Placas denarias do coxosternum
stm cordas, com 3-4 dentes, sendo os internos unidos. Apendice interno do pré-
fetnur muito desenvolvido. As jorcipulas fechadas ultrapassam a fronte, emquanto
^ue em outros Escolopendromorfos mal atingem a fronte. 1.®, 2.®, e 3.® tergitos
m*smo tamanho, o 4.® um pouco mais comprido do que o 3.® e o 5.®.
Tergitos e esternitos com 2 sulcos longitudinais. Carinas laterais presentes
somente no 21.® tergito. Coxopleura sem apendice, sem espinhos ou com 1-2
^sp;cu!as diminutas. Ultimo préfemur com espinhos. Espinho do canto presente.
Q 2.0 tarso das patas, é mais comprido do que o 1.®.
As anopleuras formam 3 faixas longas, estreitas, sòbrepóstas. Xas coxas
<*os 2.® maxilares observa-se distinctamente o sulco primitivo mediano, quasi im-
f^rceptivel no genero Scolopendra.
Chave das especvrs:
Todas patas sem esporão tarsal: 1. Rhoda thayeri Meik., 1S86.
Sinonimias: Pilhopus thayeri — P. inermis — Scolopcndropsis bahiensis.
E’ perfeitamente idêntica á especie seguinte com exceção da ausência de
*sporões nos tarsos. Encontra-se r.o estado da Bahia.
2® Todas as patas com 1 pequeno esporão tarsal: 2. Rhoda calcarata Pock., 1891.
Sinonimia: Pithopus calcaratus.
Esta especie atinge 6-7 cm. de comprimento. O colorido c amarelo-acasta-
''^do nos tergitos e amarelo claro nos esternitos e nas extremidades.
As ultimas patas são um tanto enegrecidas. Placa cefalica mais estreita do que
® E® tergito, mais longa do que larga, com ou sem sulco curto mediano. Existem
ócelos em cada lado. Antenas 17-20 articulos, ou 6-7 basilares desprovidos de
P^ios. Coxosternum com sulco mediano ramificado no lado anterior e posterior.
^ com sulco horizontal delgado, ligeiramente curvo. Dentes internos completa-
**>ente unidos. Placas dentarias' estreitas, mais longas do que largas, sem cerda.
Apendice préfemural com 1-2 plaquinhas quitinósas sobresalientes. Sulcos dos
**lernitos e tergitos da 2.*-20.® placa.
21.® tergito com sidco mediano e carinas laterais. 13.®-19.® estcniito com fra-
^ sulco longitudinal mediano, visivel 'ómente na area mediana de cada piada,
^odas as patas com 2 esporões na base da garra tenninal. Apendice coxopleural
^Psente com 1-2 espiculas na borda posterior das coxopleuras. Ultimas patas
^'■ossas e curtas, principalmente os seus articulos basilares. Préfemur com o
211
254
Memórias do Instituto Butantan
Tomo Xin
espinho do canto com 1-2 pontas; no lado infero-mediano 2-3 espinhos. 2.° tarso
com ou sem esporão. Pernambuco, Bahia. . - . . • -
As duas especies, igualando-se em tudo, exceto os esporões tarsais, impõe
a suspeita de que pertencem a uma e mesma especie, sendo as divergendas
méras diferendações morfológico-sexuais entre machos e femeas. E’ neces-
sário a obtenção de mais espédmes, afim de esdarecer satisfatoriamente ésta
questão. Que de fato existem distinções sexuais externas, veremos daramente
quando tratarmos dos Parotistigminiqs, nos quais se encontram especies, cujos
machos ostentam esporões, apendices, espiculas, quilias, ausentes ou quasi su-
pressos nas femeas.
5. Genus: Scolopendropsis Braxdt, 1841.
•
O genero Scolopendropsis constitue como que um enigma na subfamilia dos
Escolopendridios. Demonstra todos os característicos desta, excetuando o numero
de 21 segmentos e extremidades, encontrando-se em logar dos mesmos 23 segmeth
tos com extremidades como nos generos Otocràptps e Scolopocràptops. Exce-
tuando o numero de segmentos Scolopendropsis assemelha-se quasi inteiramente á
Rhcda thayeri, de maneira que se impõe a suspeita de ^mbas pertencerem
mesma espede, ostentando a primeira apenas dimorjismo segmentar.
Afim de esclarecer esta questão seriam necessárias observações em exem-
plares vivos de ambas as espedes e sexos, estudando principalmente a série de
filhotes.
Scolopendropsis bahiensis Brandt, 1841.
Sinonimia : Scolopendra bahiensis Brant ; Pithopus inerinis Brõl, é idên-
tica a Rhoda thayeri.
617 cm. de comprimento. Placa ccfalica com curto stdco mediano, coberta em
sua borda posterior pelo 1.® tergito. 23 segmentos com extremidades. 4 ócelos em
cada lado. 6 artículos basilares das antenas desprovidos de pêlos. Coxosternut*
com sulco mediano bifurcado na frente e um sufeo transversal. 3 3 dentes,
os 2 internos unidos. Sulcos episcutais do 2.® — 20.® segmento. Existem em
alguns tergítos curtos sulcos transversais. Sómente o 23.® tergito com cariuttt
laterais e com stdco mediano. Esternitos 2-22 com 2 sulcos longitudinais, bifur-
cados na frente. Atrás encontra-se um fraco sulco mediano transversal. Coxe~
pleuras sem apendices, com 2-3 espiculas pequenas na margem posterir.
prêfemur com 3 espinhos no lado inferior 4-5 no lado interno e 2 espinhos
superiores. Espinho do canto com 2 pontas. Ultima garra denteada finamente.
212
WoLFGANO Bücueri. — Os Quilopodos do Brasil
255
sem esporões laterais. Esporões dorsais ausentes em todas as patas, as garras
das extremidades com 2 esporões laterais.
Estados da Bahia, e Pernambuco.
B. Subfamilia Otostigminae Krpln., 1903.
Sinonimias: Ethmostígtmnae F58oe. — Anodontostominae V58cc. — Otos-
tigminü Att.
Estigmas grandes, principalmente o l.°. Este é o\’al, paralelo ao comprimen-
to do corpo, enquanto que os outros são mais redondos, mais largos no lado dos
tergitos.
Em preparados diafanolisados, deshydratados em xilol fenicado, podemos
obsenar a constituição morfológica dos estigmas. São salientes com bórda lame-
lósa ou estão no mesmo nivel dos pleuritos. Não ha pcriiretna externo desen-
volvido como nos Escolopendrideos, de maneira que a divisão do estigma 'cm
vestíbulo e cálice interno não póde ser aplicada nésta subfamilia. A parede in-
terna fórma dobras, cobertas de pêlos. No fundo do estigma entram os ramos
traqueanos. O l.° tergito quasi sempre sobrepassa e cobre a borda posterior da
placa cefalica. Laminas basilares ausentes. Existem 21 segmentos com extremi-
dades. Estigmas nos segmentos 3, 5, (7), 8, 10, 12, 14, 16, 18, e 20, portanto
9 ou 10 pares. Prêjemur jorcipular quasi semipre presente e bem desenvolvido.
No 2P tarso sempre um esporão tarsal frequentemente 2, pelo menos nas patas
anteriores. O primeiro tarso é mais comprido do qu eo 2.®. O labro forma fran-
jas e cerdas.
Existem nésta subfamilia 2 tribus, 7 generos, 113 especies, 30 subespecies, 4
Variedades e 8 subespecies duvidosas, distribuídos sobre todo o globo terrestre,
«ncontrando-se no Brasil e na zona neotropica 2 get\eros, 34 especies e 5 sub-
espécies, todos pertencentes á tribu dos Otostigmineos, apresentando 2 placas
dentarias bem desenvolvidas com dentes agudos. Estemítos nunca com sulco
•ncdiar.o impar, sendo os 2 sulcos epistemais ausentes ou não. Geralmente são
•nuito fracos, curtos e mal visiveis
1. Tribu: Otostigminii Att., 1930.
Com 05 característicos acima, mencionados. Ultimas patas compridas e finas,
**>uifo moveis, com espinhos diminutos no préfcmur ou desprovidos de e,spinhos.
As ultimas patas não ficam eriçadas em atitude defensira como se verifica nas
^scolopcndras. Movimentando-se o artrópodo, são arrastadas toca,ndo de vez
213
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
em quando o sólo; exercem o papel de lemes auxiliando a locomoção désta
maneira.
Em algumas especies o dimorfistno sexual se acentua, como já observamos.
Os esporões no fim do l.° tarso sempre estão presentes, como também esporões
laterais no lado da garra terminal. 2-4 articulos basilares das antenas desprovi-
dos dos pêlos.
Chai’c dos generos:
9 pares de estigmas nos segmentos 3, 5, 8, 10, 12. 14, 16, 18 e 20: 1. Genu.«
Otosligtnii^-
10 pares de estigmas nos segmentos, 3, 5, 7, 8, 10, 12. 14, 16, 18 e 20;
Préfemur do coxosternum com apendice longo 2. Genus: Rhysiáo-
1. Genus: ütostigmus Por.. 1876.
6 subgencros, 75 especies, 12 subespeciej, 2 variedades e 2 varicdales duvi-
dosas cm todo o mundo. Na zona neotropica: 5 subgeneros, 27 esp-'cies e 3
subcsprcies.
Cltair antiga dos subgeneros:
Coxopleuras do ultimo segmento terminando num apendice longo, pontudo,
provido de espinhos. Ultimo préfemur provido de espinhos. Subgenus:
Otostigmus Att. 1930-
(África, Australia, Oceania, índia e Japão).
Em toda a zona neotropica, segundo Attems existe apenas 1 unko sub-
genero : Parotostigmus.
Já nos referimos á insuficiente divisão feita por Attems num trabalho p®*
nós publicado na “Rev. de Biol. e Hyg.” 10 (l):54-64. 1930. Concordamos
plenamente com Verhoeff, para simplificar a sistemática e fazer jus á dif^
renciação dos climas sulamericanos, ás extensões enormes dos territórios néo*
tropicos com a topografia rariabilissima de planicies áridas, montanhas alt3’
e matas húmidas e quentes, na introdução de subgeneros nóvos dos quais P^^®'
samos a transcrever a chave sistemática:
1 . — Sem apendices coxopleurais ou sómente muito curtos, sempre
sem fcspinhos. Préfemur das ultimas patas sem espinhos.. 3.3-
WoLFOANG Bücherl — Os Quilopodos do Brasil
lai
2. — Ultimo tergíto do macho com apendice comprido digitiforme. . S
3. — Ultimo tergito do macho sem apendices 4.5.
4. — Femur do 20.® par de extremidades do macho, com apendice
comprido: 3. Sut^enus Ecuadoplcurus Verh.
5. — Femur do 20.® par de extremidades do macho normal 6,7.
6. — Préfemur do 21.® par de extremidades do macho com apendice
no lado interno: 4 Subgenus Androtostigmus Verh.
7. — Préfemur do 21.® par de extremidades do macho sem apendice:
5. Subgenus Parotostigmus Ait.
Ultimo tergíto do macho com apendice comprido digitiforme. Coxopleura*.
com apendices longos conicos não espiculados: 1. Subgenus
Coxopleurotostigmus Büciierl.
8. — Ultimo tergíto do macho com apendice curto. Coxopleuras sem apen-
dices finais 2. Sul^enus Dactylotcrgitius Verh.
Os Otostigmiuos possuem 21 segmentos com extremidades. São distingui-
dos á primeira vista dos Escolopendrideos pelo tamanho diminuto (4-12 cm),
pelo colorido muito mais vivo, prevalecendo o tv^ul, o roxo, o amarelo mais
claro ou mais escuro, enquanto que as Escolopcndras demonstram, como temos
'dsto, côres castanho-vermelhas; outra diferença consiste na maior flexibilidade
de seu tronco, devida á uma espessura menor dq exocuticula. A placa ccfalica
quasi ntinca tem sulcos longitudinais, nein laminas basilares. E’ sempre coberta
cm parte pelo tergito forcipular. Os 4 ócelos são localizados lateralmente, sendo
0 ultimo maior do que os outros 3, encontrando-se já um ócelo no lado vcntral.
Fxaminando uma série de preparados das peças cefalicas, conseguimos fazer
^ seguintes obserrações : o labro demonstra um dente tnediano triangular pon-
teagudo, sendo as regiões laterais muito protaidas, excedendo o dente mediano em
•amanho. As áreas internas não são separadas do résto do labro. Na área
^ftfero-intertia existem pêlos finos. A zona entre o clipeo e o labro é coberta
P®r pêlos e cerdas curtas, enfileirando-se as ultimas transversalmente. Na fren-
te do clipeo o numero de pêlos é maior. No meio da frente existe uma
futura quitinósa mais forte no lado superior. Vendo a carapaça ccfalica pelo
^ado superior, não denotamos vestigio algum de suturas longitudinais. A área
tOfla é porosa, nascendo no canto de cada póro um pêlo fino. (Visível sómcntc
••um aumento de 5ÓÒ vezes. ) Na região ocelar e frontal estes pêlos são um pouco
•Uaiores. Na linha mediana frontal, diante do triângulo do clipeo ob-xrvamos
formação cônica quitinisada, envolta numa capsula transparente. Existem
^^■34 arliculos antenais, dos quais 2-4 basilares completamente desprovidos de
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Mciuorias do Instituto Butantan — Tomo XIII
pêlos. Estes se originam no lado inferior do 3.° ou do P articulo e daí em
diante cobrem todo o articulo, deixando livre apenas estreita área do lado basilar
de cada um. Os pêlos são pequenos e iguais. Poucas são as cerdos táteis maio-
res. Em alguns exemplares de Rhysida encontramos entre estes pêlos cerdos
longas ramijicadas. Trata-se de orgãos oljativos e gnsXativos, das mais variadas
fôrmas morfologicas. óra são muitos mais longos do que o articulo antenal, de igual
grossura na base e na ponta; óra são curvos com base estreita e lisa e com
ponta terminal larga e ramificada (Vide fig. 52).
No coxosternum do 2.® m^ilar observa-se fraca indicação de uma sutura
mediana primitiva. No lado interno existem alguns pêlos. Aumentam em nu-
mero no ultimo articulo. A garra terminal é provida de um esporão lateral.
A “escova" de pêlos perpassa todo o articulo, transgredindo ainda a garra. O»
pêlos encerram-se numa membrana quitinósa longitudinal. Coxosternum jorci-
pular com placas dentarias bem desenvolvidas. 4 -}- 4 ou 4 -}- 5 dentes, muita»
vezes unidos na base. Perto do dente mediano existe uma cerda longa.
Sulcos basilares das placas muito fracos, com curta continuação lateral
Outros sulcos não existem. O apendice interno do prejanur é muito grande,
demonstrando na borda interna uma faixa de quitina dura na qual se encontram
3 4-5 plaquinhas quitinósas em fôrma de denticulos. Os últimos nem scmpr®
são nitidos. Pinças muito agudas com o canal de veneno bem saliente. A
glandula de veneno ê longa, atingindo a, ponta apical do prefemur. Os dentes
das mandibulas são muito agudos, tripartidos. Constatamos um fato curiosis-
simo, pelo exame de uma série de preparados macroscopicos : é a substituição dos
•lentes mandibularcs gastos pelo uso, por nóvos, existentes já no interior doS
velhos. Em alguns preparados observamos dentição tripla, a menor e ma>*
nó va sempre no interir da maior. Os pêlos sensoriais laterais das mandibula*
constituem 11-14 feixes, sendo cada feixe reforçado por uma jaixa quitinóso
curva. Os tergitos 4, 6, 9, 11, 13, 15, 17, 19 são um pouco mais estreitos do q^e
os outros. Sulcos episcutais desde o 4.® ou 6® tergíto. Encontram-se também
fracas quilias longitudinais ou fileiras granulosas espiculadas. Carinas laterais
presentes, pelo menos nos tergitos posteriores e sempre no ultimo. Este, ^
vezes, com apendice mediano. Esternitos com sulcos longitudinais fracos
quasi invisiveis. Nunca atingem quasi a borda posterior; ás vezes vão sómente
até a metade da placa. Existem depressões mediana.s ou laterais. O ultifi^^
esternilo quasi sempre com depressão mediana. Coxopleuras com ou sem apen*
dice. Os estigmas têm a forma de um sino, com paredes internas cobêrías
pêlos. Ultimo prefemur com ou sem espinhos. Na ultima e penúltima p^**
encontram-se nos machos de algumas espedes apendices finais Ultima,
normal, com 2 esporões laterais. Muitas espedes possuem um esporão no
infero-terminal do prefemur, femur e tibia do 1.® par de extremidad;s. 2 esp®"
WoLFGANQ BCcherl — Os QuUopcxlos do Brasil
259
rões no 1.® tarso foram observados em muitas patas anteriores, enquanto que nas
outras existe apenas 1. 20.® e 21.® par com ou sem esporão tarsal.
1. Subgenus: Coxopleurotostigmus Bücherl, 1939.
Ultimo segmento do macho com apendice no fim do ultimo tergíto e com
apendices coxopleurais longos não espiculados
Otostigmus (C) Cavalcanti Bücherl, 1939.
Comprimento 36-45 mm. Colorido verde-arul, metálico, brilhante ou verde sa-
turado. Esternitos e extremidades amarelo escuros. Pata com pontuações mais
claras. Antenas 18 artículos, dos quais os 2*/^ basilares desprovidos de pêlos.
5 -(- 5 ou 4 5 dentes jorcipulares soldados na base. Sulcos das placas den-
tarias fortes, formando um angulo de 160®. Na linha mediana encontra-se um
sulco curto. Do 5.® ao 6.® tergíto em deante existem 2 sulcos episcutais. No
uieio dos mesmos uma leve depressão. Carinas laterais sómente no ultimo ter-
gito. Bordas laterais dos outros tergitos, um pouco salientadas. Ultimo tergíto
do macho com apendice digitíforme, mais comprido que o proprio tergíto, e maior
do que o de Otostigmus caudatus Brõl. (Vide figs. 53, 2-3).
A ponta deste apendice é lateralmente comprimida, havendo em ambos os
lados uma cavidade oblonga com um jeixe dc pêlos vermelhos. Na femea a
borda é normal, um tanto saliente. Os esternitos são lisos, sem nenhuma de-
pressão nem sulco. O ultimo estemíto do maclio ostenta borda posterior reta,
com curta depressão triangular (Vide fig. 53, 1). Coxopleuras do macho
com apendice longo, fino, cuivo. Sem espinhos na curva terminal. Na jemea
não se necontra tal apendice, porém uma ligeira protuberância. Préfemur ultimo
sem espinhos. Todas as garras com 2 esporões laterais. 1.* - 16.“ extremidade
com 2 esporões no fim do 1.® tarso. 17.“ - 20.“ com 1 ; 20.“ com 0. l.“ - 4.“
extremidade com 1 esporãonolado postero medial da tibia. l.“ extremidade
com um esporão no femur.
Estados de São Paulo e Santa Catharina.
2.® Subgenus. Dactylotergilius Verh., 1937.
Otostigmus (D) caudatus Brõl., 1902.
40-50 mm., acastanhado ou verde azul. Placa cejalica e primeiros 2 ter-
gítos vermelhos. Antenas com 18 articulas, dos quais os 2 articulos basilares intei-
namenie e o 3.® no lado dorsal desprovido de pêlos. Entre os pêlos anteriais
217
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>[emorias do Instituto Butantan — Tomo XIII
existem cerdos sensoríais grandes e bífidas. 4 -f* 4^ ou + 5 dentes forcipu-
lares com uma cerda cm cada placa. Sulcos episcutais desde o 7° ou 8-° tergíto.
Sómente o ultimo com carinas laterais e com apendice mediano digitiforme. Na
femca a borda posterior é obtusa. Estcmítos sem sulcos. Comtudo, com. o vidro
de aumento, observam-se sulcos medianos anteriores em alguns esternitos. Co-
xopleuras sem apendices e sem espinhos. Ultimo préfemur sem espinhos. Todas
as garras com esporões secundários. l.° par de extremidades com um esporão
no lado postero-medial do préfemur, fcmur e tibia. l.°-7P par de extremidades
com 2 esporões no 1.® tarso. 8.®-20.* extremidade com 1 esporão no 1.® tarso.
I.agõa, Sta. Cathariius, Campo Limpo, Itapetininga, Alto da Serra e Capital de
S. Paulo.
3. Subgenus. Ecuadopleurus Verh., 1937.
1. Otostigmus (E) insignis Krpln., 1903.
Verde oliva. Extremidades e esternitos amarelos. Antenas 17 artículos,
2^ desprovidos de pelos. 4 -f- 5 dentes forcipulares. Sulcos basilares
placas dentarias formando angulo obtuso. Tcrgiios com sulcos episcutais. desde
n 6.®. Do 3.® em diante com pseudocarinas ; sómente o 21.® com verdadeiras
carinas. Quilia mediana bem acentuada, e indícios de quilias secundarias nos
últimos sarnentos, mais acentuados nos machos que nas femeas.
Existem fileiras especuladas nos últimos tergitos. (parentesco com dcmellot
e scabricauda) . Esternitos cm algumas zonas com sulcos curtos fracos e com
impressão mediana grande, com 2 impressões laterais e 3 impressões pequena»
deante da borda posterior. Coxopleuras sem espinhos e sem apendices. Ultimo
préfemur sem espinhos ; no tnacho 'com apendice longo, apresentando um feixe de
pêlos em cada lado. Coxa do 20.® par de extremidades com 1 chifre longo
curvo, ultrapassando o ultimo esternito. 1.® e 2.® par de patas com 2 esporões
tarsais; 3.®-20.® (21.®) com 1 esporão. Equador.
2. Otostigmus (E) silvestrii Krplx., 1903.
Verde oliva ou azul. 50 mm de compr. Antenas 17 artículos, dos quaiâ
2-2*'^ desprovido de pêlos. 4 -j- 4 dentes forcipulares. Sulcos episcutais desde
o 7.® segmento. 21.® tergito com caritias laterais. Nos últimos segmentos existe
unia quilia mediana. Esternitos com 6 depressões, 3 na frente e 3 atrás. Coxo~
pleuras sem apendices e sem espinhos. As coxas do 20.® par de extremidades
do macho demonstram estiletes cur\'os, menores que na espede anterior. Tam-
WoLFGAXG BCcHEnL — Os Quilopodos do Brasil
261
l>ein o préfemur do 21.° par de extremidades tem um apendice cilíndrico; um
pouco mais curto que o préfemur. l.° c 2.° par de patas com 2 esporões tarsais;
3.° ao 20.° comum. Equador.
2a.) Otostigmus (E) s. silvestrii Krpln., 1903.
Alguns tegítos com pseudocarinas laterais e com rugosidades nos lados.
Quilia mediana fraca, sómente presente no ultimo tergíto. O résto é idêntico
aos característicos da especie. Equador.
2b.) Otostigmus (E) s. intermedius Krpln., 1903.
Tcrgitos lisos, sem rugosidades. Os apendices das coxas do 20.° par de
Extremidades aüngem a borda posterior do ultimo estcmíto. Quanto ao rcsío
completamcnte idêntico com os característicos da especie. Equador.
4.* Subgenus. Androtostigmus Veru.
Este subgenero contem 5 especies s-alidas, sendo a especie tipo Ostotigmus
teabricauda. Verhoeff, cm 1937, descreveu mais de uma especie nóva: Otos-
^igtnus demelloi. Além disso o autor opina que Otostigmus rex não é senão
a femea de Otostigmus scabricauda.
Verhoeff critica na obra de Attems este não ter tomado em consideração
0 dimorfismo sexual deste grupo. Afim de demonstrar que de fato existe tal
<íimorfismo, confronta macho e femea de Otostigmus demelloi, estabelecendo as
*Eguintes diferenças morfológicas:
J j *nacho : 20.^ extremidade com 1 esporão tarsal ;
fetnca : 20.* extremidade setn esporão tarsal ;
’**ocho: 17.°-20.° tergito com inúmeros tubérculos que diminuem na frente, afas-
^do-sc sempre mais da linha mediana, continuando porém perto das pseudo
Earinas ;
f entea: tcrgitos lisos, sem rugosidade nem tubérculos;
! *>uicho: do 5.° tergíto em diante se encontram carinas laterais com rugosidade;
^ ^uilia chata e leve, presente sómente na linha mediana, isso mesmo só nos
I *Ergítos posteriores, cada vez mais fraca até inteiramente ausente do l.° ao 5.°
*Ergito ;
^ feinca: pseudocarinas ausentes, sómente o 21.° tergíto possue carinas verdadeiras;
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
macho: estemítos com depressão mediana;
jemea: estemítos sem depressão mediana-
Não sabemos, quantos exemplares Verhoeff teve a mão, quando estabeleceo
estes característicos dimorfos. Não podemos, entretanto, confirma-los de vianCif^
alguma. Pelo contrario, passando em revista mais de 20 exemplares, procedente*
de diversos estados, tanto machos como jemeas, sempre tivemos que constatafi
que este dtmorjismo de Verhoeff não existe absolutamente! Pelo contrario»
encontram-se femeas de Otost. demelloi na coleção deste Instituto, que demons*
tram maior rugosidade nas zonas laterais dos tergítos; impressões mais p*'®'
fundas nos estemítos; carinas laterais desde o 5.° tergíto ; quilia mediana saliente .
fileiras de tubérculos espiculados nos últimos tergítos; esporão tarsal na 20.
extremidade.
Estes característicos se encontram em todas as fetneas, ainda que numa*
mais acentuados do que em outras. Nunca são totalmente ausentes.
Bem faz Verhoeff, portanto, continuando na descrição das diferenças mor-
fológicas, de acentuar que se baseou exclusivamente sobre o material que teve ^
mão, não dando certeza, si de fato os característicos éram como os havia desento-
Examinando a serie toda que temos diante de nós, em parte pertencentes *
cspecie scabricauda e em parte a demelloi, hesitamos declarar, si de fato a ulttm*
constitue uma verdadeira especie, ou apenas uma ra^a; porque o caracteristio®
principal, que os separa, conforme Verhoeff, seria o apendice préjemural
tnachos, mais curto em scabricauda do que o préfemur, mais longo do que este eto
demelloi. Todos os outros característicos; pseudo-carinas e rugosidades desde
o 3.° tergíto em scabricauda (em demelloi só do 5.° tergíto) ; coxopleuras coi'’
apendice obtuso, porém bastante protaído em scabricauda (sem protraçâo alg^'
ma em dcmelhÍQ, e mesmo o colorido: todos estes característicos, enfim conjlue*
nas 2 especies. Mesmo o comprimento do apendice préfcmural varia mud®-
Temos na coleção machos de scabricauda, cujo apendice prefemural é tão long®
ou mesmo mais longo do que o préfemur.
Consideramos, portanto, a especie demelloi Veri?., cotno subespecie
scabricauda. Cremos que Attems, cm sua descrição de scabricauda, não di*'
punha de uma série de machos, porém apenas de um ou pouquissimos exemplof*^’
cujo apendice prefemural demonstrava pouco comprimento. Chave das espeoet
de AndrotostigmuJ, cujos machos demonstram apendice no ultimo par de patoe-
Apendicc em fórma de um botão pequeno ‘ '
3. Otostigmus {A) goeldii: Pará — Vcnezuel*'
Apendice prolongado cilindrico
220
1
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
263
Apendice íragil, fino, da metade do compr. do préfemur. Tergítos 10-19 com
1 ^ quilias medianas 2. Otostigmus (A) pococíi: Guyana brasileira.
. Apendice estendendo-se além da metade do préfemur 3
Apendice com terços do tamanho do préfemur. l.®-3.° par de patas com 2
'■ Esporões no 1.® tarso 5. Otostigmus (A) brunneus: Guyana ingleza.
•^>cndicc ainda majs comprido 4
^'^cmítos com grande depressão mediana e 3 depressões pequenas deante da
I j ^rda posterior e 2 depressões na frente. Terg^ítos com quilia mediana e tuber-
* '^os enfileirados 1. Otostigmus (A) scabricauda: Brasil.
^ternitos sem depressão alguma. Placas dorsais lisas sem quilias
^ 4. Otostigmus (A) clavifer: Guyana inglesa.
1. Otostigmus (A) scabricauda H. & SaüS., ‘1870.
Sinonimias; O. scabricaudus — brasiliense — appendiculatus — branchiotre-
scabricauda — branchiotoma.
Comprimento 60-70 mm. Colorido verde claro ou escuro ou acastanhado. Es-
***^itos e extremidades amarelo doirados. Antenas 17 artículos, 2-2 desprovidos
pêlos. 4-f4 dentes jorcipulares (ás vezes 4-f-5), inteiramente isolados uns dos
"^ros ou os 2 internos de cada placa unidos ou então se encontra uma lacuna me-
separando os dois internos dos 2 externos de cada placa. Diante dos dentes
’''ima cavidade ou sobre um tubérculo encontra-se uma cerda longa. Na frente do
^°^osternum existe um sulco curto mediano, bem visivel. Pseudocarinas laterais
o 3.® ou 5.® tergito. Em seus bórdos internos encontram-se ligeiros séptos
^àsos, aumentando em saliência e subindo gradativamente á zona mediana até
nos últimos 3-5 tergítos, cobrem toda a placa, enfileirando-se os tubérculos,
*|®*Wnstrando pequenas espiculas. O mesmo se verifica nas femeas. Sómente o ul-
térgíto demonstra carinas verdadeiras. A quilia mediana é sempre fraca, prin-
^Piando desde o 3.® ou 8.® tergito. Percorre todas as placas terminando no meio do
, fergíto. Percorre todas as placas terminando no meio do 21.® tergito, dando
7^*" a uma depressão curta, mediana, que ultrapassa os bórdos posteriores e con-
. ^ ainda o lado inferior do tergito. Sulcos episcutais fracos, existentes desde o
• ou 8.® tergito. Estemitos sem sulcos, porém com grande depressão triangular
"''^iana, em alguns exemplares mais achatados, em outros muito profundos, salien-
^^o-se na zona anterior uma depressão redonda, diminuta, porém profunda,
^ote do bordo posterior existem 3 depressões leves que, ás vezes, confluem
só. Em alguns exemplares também na frente os estemitos são achatados.
221
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2G4
>fcmorias do Institulo Butanfan — Tomo XIII
Ultimo estemito com bordo posterior réto e com fossa longitudinal mediana.
Coxopléuras sem apendice, porém muito prolongadas, excedendo o esternito eni
comprimento, arredondadas posteriormente e sem espinhos. Comtudo, obsers^amos
tendencia para o prolongamento deste apendice. Xum exemplar, por ex.. encon-
tram-se 2 pequenos tubérculos conicos. Em outros exemplares as coxoplcuni»
já são mais ponteagudas. 1.® e ás vezes também o 2.® par de extremidades
com 2 esporões no lado infero-terminal do 1.® tarso. O 1.® par, além disso, com
1 esporão no femur c na tibia. 2.®-20.® par de extremidades com 1 esporão .
tarsal. 21.® préfemur do macho no lado interno 1 apendice menor ou tão com-
prido como o préfemur, ostentando na sua ponta terminal, no lado inferior, um
feixe de pêlos vermelhos. • Todo o apendice demonstra visto com aumento
fraco, pequenos estiletes conicos. vítreos e pelos diminutos. Também o
mur apresenta estes estiletes. São os canais de sahida das glandulas.
Otostigmus scabricauda é encontrado em^ todos os Estados brasileiros,
cipalmente no ifatto Grosso, Goyax, São Paulo e St. Catharina.
1.* Otostigmus (A) scabricauda var. demelloi Verh., 1937
Veriioeff supõe que a scabncàuda seja maior do que a. demelloi. Sua suposi-
ção porém não póde ser confirmada; pelo contrario, demelloi é tnuifo uiais
busta, demonstrando maior rugosidade nos últimos tergitos. .As cavidades <1®*
eslernitos são mais profundas. E malguns espécimes também as placas ven-
trais demonstram rugosidades. O apendice préfemural do nutcho excede sempr*^
o préfemur em tamanho. E' comprimido no lado posterior, apresentando um fe>*®
de pêlos. Quanto ao résto a rariedade é identiac á scabricauda. Dcmello'’
\^ERH. distingue-se de scabricauda principalmcnte pelo colorido. Este é az®*
roxo, com pontuações vítreas, avermelhadas ou azues nas patas. O roxo de-
monstra. reflexos metálicos. Não se consersa absolutamente no álcool. Mesmo
os feixes musculares dorsais demonstram este colorido. .As côres ostentam
belo conjunto, sublinhado ainda pelo tom róseo das patas quasi transparentes-
O apendice co.vopleural é curto, arredondado. Quilia mediana geralmente fraca-
No lado interno da tibia existe um campo poroso bem extenso, não localizad®
numa depressão, conforme descreve Veriíoeff, porém numa saliência. O
bitat de demelloi é idêntico ao de scabricauda.
Otostigmus rex Chamb., 1914.
Êsta espccie é completamente idêntica á scabricauda, distinguindo-se apc*
nas pelo colorido castanlio escuro da cabeça e do 1.® tergito e pelas 3 pequei»*'
WoLFGANG Bücherl — Os Quilopouos do Brasil
2cr>
depressões existentes na arèa anterior dos esternitos, de maneira que deve ser
considerada como a femca de scabricauda.
De fato nunca temos encontrado machos que demonstrem os característi-
cos de Otostigmus rex.
2 . Otostigmus (A) pococki Kraepl., 1903.
65-70 mm. de comprimento. Azul esverdeado, com a cabeqa amarelada. Antenas
17 articulos, dos quais 2^ articulos basilares desprorídos de pêlos. Placas den-
tarias lun pouco mais largas que longas com -4-1-4 dentes agudos e uma cerda
cm cada placa. Sulcos episcutais e carinas laterais completos desde o 5.® ter-
&íto. Xa mesma placa principia também a quilia mediana, secundada, a começar
do 7.® tergito, por 2 quilias secundarias. Éstas aumentam gradativamente em
tamanho, bipanindo-se, de maneira que do 10.°- 12.® tergito obsers-amos já
5 quilias longitudinais, rugósas, finamente tuberculadas, todas elas de igual es-
pessura. Xo ultimo e penúltimo tergito a,s 2 quilias externas desaparecem no-
'■amente. As placas dorsais posteriores são cobertas de tubérculos promiscuos.
Esternitos com 3 cavidades diante da borda posterior, c 3 na zona anterior, mais
Iracas e muitas vezes confluidas numa unica depressão. Apêndice coxopleural
obtuso, sem cspinlios. 1.® par de extremidades com 1 esporão no femur, na tibia
e 2 no 1.® torso. 2.®-19.® ou 20.® par com 1 esporão no 1.® tarso. Ultimo pre-
Icmur do macho no lado supero-intemo um apendice frágil da metade do compri-
mento do prefemur, cwn 1 feixe diminuto de pêlos vermelhos. Guyana bra-
seira.
*
3. Otostigmus (A) goeldii Brõu, 1898.
24 mm. de comprimento. Verde olrva com reflexos pardos. 2*4 articulos basi-
lares das antenas desprovidas de pêlos. 4-f-4 dentes forcipulares com 1 cerda
^ cada placa dentaria. Tergitos brilhantes. Sulcos episcutais do 3.® ou 4.® cm
diante. Pseudocarinas do 2.® cm diante. Sómente o ultimo tergito com carinas
^verdadeiras.
Esternitos lisos, sem sulcos e cavidades. 1.® par de patas com 2, 2.®-19.®
par com 1 esporão tarsal. Ultimo pjcfemur do macho com pequeno bo:ão no
lado supero-interno.
Pará e Venezuela.
4. Otostigmus (A) clavifer Chamb., 1921.
50-55 mm. Verde oliva com cabeça avermelhada. 20 articulos antenais. 2J4
l^ilares desprorídos de pêlos. 4 -j- 4 dentes forcipulares; os 2 medianos são
223
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
maiores. 1 cerila longa em cada placa. Sulcos episcutais do 5.® tergíto em diante.
21.° tergíto com cannas laterais Todas as placas dorsais lisas, sem quilias, tu-
bérculos ou rugosidades. Esternitos sem sulcos. Ultimo estemito com depressão
longitudinal mediana. Coxopleuras não protraídas. Ultimo préfemur do macho cota
apendice longo, fino, oriundo do lado antero-interno, perto da borda posterior
do tergíto, estendendo-se até a ponta terminal do préfemur ou mesmo um pouco
além. No lado terminal do prefemur encontra-se uma saliência encimada po*"
um feixe de pêlos vermelhos. l.° par de patas com 1 esporão no femur e na tibia-
l.°-4.° par com 2 esporões no l.° tarso; 5.°-20.° com 1 esporão.
Guyana inglesa.
5. Otostigmus (A) brunneus Chamb., 1921.
32 mm. Castanho escuro ou mais claro com reflexos avermelhados. Placa
cefalica com 2 sulcos curtos na borda posterior. 20 artículos antenais; 2 basi'
lares sem pêlos. 4 -f- dentes jorcipulares ; os dois internos de cada lado ont-
dos. Tergitos lisos; sómente o ultimo com carinas laterais. Sulcos episcutais
do 4.° em diante. Esternitos sem depressões e sulcos. l.° ao 3.° par de patas
com 2 esporões tarsais; 4.°-20.° com 1. Ultimo préfemur do macho com apef*
dice cilindrico, atingindo 2/3 do comprimento do préfemur.
Guyana inglesa.
5. Subgenus: Parotostigmus: *
O prefemur das ultimas e.xtrcmidades carece de espinhos e de apendices
machos. No lado postero-interior das tibias das ultimas extremidades encontra-s*
frequentemente um campo poroso ou um apendice curto ponteagudo. (.0.
bialis e pradoi). Coxopleuras curtas, quasi nunca protaidas, geralmente
espinhos na ponta.
Chave das especies:
Tibia no lado postero-interno do ultimo par de extremidades do macho com ap^'
dice curto, ponteagudo
Tibia do macho sem este apendice ^
Comprimento 40-45 mm. Pseudocarinas laterais desde o 3.° tergíto. Estemito*
sómente com 1 cavidade ou no máximo com duas . . 1. Otostigmus (P) prado*-
Comprimento 80 mm. Pseudocarinas laterais desde o 16.°-19.° tergíto. Estem**®
com 4-6 cavidades 2. Otostigmus (P) tibúd^'
WoLFGANO BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
267
•0
Coxopleuras com apendice de 1-2 pontas. Antenas com 20-21 artículos. 4 -f 4
dentes fordpulares. Estemítos sem sulcos longitudinais e tergitos sem quilias
3. Otostigmus (P) bürgcri.
Coxopleuras sem apendice ou com 1 muito curto, arredondado 4
Os dois a, tres pares anteriores dos estigmas muito prolongados em forma de
sacos. Tergitos lisos, sem quilias. Sulcos episcutais desde o 5.° segmento.
Carinas laterais do 7.® segmento em diante. Estemítos com 2 sulcos que se
estendem até a metade da placa 4.0lostiginus (P) longistigma.
Todos os estigmas normais. Sulcos episcutais atravessando os tergitos de mar-
gem á margem 5
Os 4 últimos pares de estigpnas muito prolongados. Sulcos episcutais completos
desde o 6.® tergíto ; nos 2-3 anteriores os sulcos existem sómente na zona anterior
e posterior de cada placa. Do 4.® segmento em deante existe uma quilia me-
diana achatada. Estemítos com cavidade profunda, redonda
5. Otostigmus (P) longipes.
Twlas as e.xtremidades normais b
Esporões tarsais ausentes ou quasi invisíveis. 4 artículos basilares das antenas
desprovidos de pêlos. Sómente o ultimo tergíto com carinas laterais. Sulcos
epistemais completos 6. Otostigmus (P) limbatus.
Esporões tarsais bem visíveis 7
Tergitos lisos, sómente ás vezes nos lados um tanto mgósos. Bórdos posteriores
do ultimo tergíto arredondados ou formando angulo obtuso. 8.®-19.® estemito
com dois sulcos completos 7. Otostigmus (P) sulcatus.
Tergitos com quilias fracas e fileira,s de tubérculos ou sem os mesmos 8
Antenas curtas. Estemítos com sulcos curtos na frente. Ultimo estemito sem
d^ressão mediana 8. Otostigmus (P) inermis.
Tergitos sem quilia mediana. r\ntenas de tamanho médio. Elstemítos com ou
sem sulcos curtos 9
Sulcos episcutais desde o 6.®-8.® tergíto. Tergitos lisos. Sem pseudo-carinas.
Estemítos com 2 sulcos curtos na frente. Coxopleuras um tanto protaidas. 1.®
16.® par de extremidades com 2 esporões tarsais 9. Otostigmus (P) krctsii.
Sulcos epistemais abreviados. Dois artículos basilares das antenas sem pêlos 10
I Sulcos epistemais dois terços ou tres quartos do compr. do esterníto. 20.* extre-
I niidade sem esporão tarsal 10. Otostigmus (P) amasome.
' Estemítos com sulcos curtíssimos na borda anterior 11
225
C«d j-
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
extremidade com 2 esporões tarsais. Esternitos sem depressões. Ter-
gitos com fossa mediana e duas quilias longitudinais cm cada lado
11. Otostigmus (P) tidius-
ou 9.° par de extremidades com 2 esporões tarsais 12
Sómente o l.° par de extremidade com 2 esporões tarsais. Tergitos com 3
quilias longitudinais entre os 2 sulcos episcutais. Rugosidade nas quilias e nos
lados dos tergitos. Esternitos com 3 depressões .... 12. Otostigmus (P) casus.
Os l.“ 2-5 pares de extremidade com 2 esporões tarsais 13
O l.° e 2P par de patas com 2 esporões tarsais. Carinas laterais sómente no
ultimo tergito. Os sulcos epistemais atingem 2/3“ do compr. do estemíto.
Coxopleuras prolongadas atras, obtus^ e arredondadas
13. Otostigmus (P) muticus.
Os l.“ 4-5 pares de extremidades com 2 esporões tarsais. Carinas laterais do
7.°-8.® tergito. Esternitos sem depressões. Sulcos epistemais atingindo a me-
tade da placa. 2}^ articulos basilares da santenas sem pêlos
14. Otostigmus {P) dolosus.
1. Otostigmus (P) pradoi BOcHERi.. 1939.
Castanho escuro ''om reflexos verdes. Placa ccfalica verde ou vermelho es-
curo. Esternitos amarelos. Patas amarelo-esvcrdeadas. 16-17 articulos antenais',
2 basilares inteiramente desprovidos de pêlos; o 3.® dorsalmente sem pêlos.
4 -r 4 dentes forcipulares com 1 cerda cm cada placa. Na frente do coxos*
ternum 1 pequeno sulco mediemo. Supcrficie forcipula,r esparsamente pontuada-
Sulcos cf'iscutais desde o 5.® tergito. Do 3.® tergito em diante existem curtos
sulcos na frente dos tergitos. Esternitos com 2 sulcos que atingem a metade da
placa. Perto da borda posterior existe uma cavidade redonda, profunda, desapa-
recendo gradativamente. Ultimo esterníto liso em depressão. Seu bordo poste-
rior cortado em linha reta. Tergito 3-19 com pseudocarinas; 21.® com carittos
verdadeiras. As pseudocarinas se tornam mais fracas nas placas posteriores.
Patas 1-3 com 2 esporões tarsais; 4-19 com 1. No lado interno da tibia do nuiclti'
encontra-se um apendice triangular, ponteagudo, muito mais comprido do q^c
o de tibialis. Ésta diferença toma-se ainda mais nitida. considerando aue prado*
tem apenas 40-45 mm., enquanto que tibialis méde 80 mm. Além disso existe
na baáe deste apendice uma saliência cilíndrica comprida, visivel em todo o com-
primento da tibia. e na ultima parte do fcmiir, o que não verificarmos eni
tibialis.
São Pendo, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro.
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2G9
2. Otostigmus ÍP) tihialis Brõl., 1902.
80 mm. Verde de oliva; cabeça e primeiro tergito acastaniiados. Aulcnas
17-18 articulos: ás vezes, no mesmo individuo num lado 17, no outro, 18; 2-3
articulos basilares sem pelos. 4-f4 ou 4-f5 ou 5-f5 dentes forcipulares, não
unidos, com uma cerda em cada lado. Sulcos episcutais muito fracos, principiando
Tergitos com sulcos episcutais completos. Sómente o 21.° tergito com carinas
no 4.0-8.® tergito. Os últimos tergitos com pscdudocarinas. Sómente o 21.° ter-
pito com carinas verdadeiras, com ou sem impressão mediana deante da borda
posterior. Sulcos dos esternílos muito curtos só existentes na bórda anterior de
cada placa. Duas cavidades na linha mediana,, sendo a anterior mais profunda c
nitida. Além disso existem ainda 2 cavidades laterais. Ultimo estemito geral-
merte com impressão mediana longitudimd muito fraca. Coxopleuras curtas.
Sem espinhos. Tibia das ultimas patas do macho no lado interno com um pequeno
apendice agudo, porém muito menor que cm pradoi.
1.0 par de patas com 1 esporão no femur, 1 na tibia e 2 no tarso. 2.o-20.®
com 1 esporão no tarso.
Santos, Alto da Serra, São Paulo, Paraná c Amazonas.
3. Otostigmus (P) biirgeri .-^ttems., 1903.
Antenas com 21 articulos. 3-4 articulos basilares desprovidos de pelos.
•^4-4 dentes forcipulares. Carinas laterais do 5.® tergito em diante. Sulcos
^Pneutais desde o 5.® até ao 19.® tergito. Esternitos sem sulcos. Apcndice co-
^oplcural com 2 pontas. l.®-17.° par de patas com 2, 18.®-20.® com 1 esporão
tarsal.
Colombia.
4. Otostigmus (P) longistigma RCctierl, 1939.
37-42 mm. Tergitos amarelo claro ou vermelho escuro. Tergitos anteriores
acastanhados com reflexos verdes. Esternitos amarelos. Os l.“ 3 pares de es-
‘Vntas formam um tubo externo muito comprido. Os outros estigmas são nor-
"lais apresentando-se sob a forma de e.-piral. Antenas curtas, com 17 articulos,
quais os 2 e 2/3 basilares desprovidos de pêlos. Os outros artiailos todos
cobertos de pelos uniformes. 4 -|- 4 dentes forcipulares ; os 3 internos mais ou
'*’cnos unidos. Existe imi sulco curto na linha mediana do coxostemum. Do
227
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
5.°-7.® tergito os sulcos estão completos. Tergítos lisos. Desde o 7.® segmento
existem pseudo-carinas. Sómente o 21.® tergito com verdadeiras cannas. Bordo
posterior salientado. Estemitos lisos, brilhantes, com cavidade redonda no meio
e com 2 sulcos longitudinais que atingem a metade >ia placa. Ultimo esternito
cotn depressão longitudinal. Mais longo que la^go, com bordos posteriores cur-
vos. Coxoplcuras com poros grandes, enfileirados. Seus bordos formam uma
linlu curva atingindo quasi o tergito.
Mesmo fóra do campo poroso existem ainda póros jracos numa pequena
área posfero-superior. 1.® par de pa,tas com 1 esporão no femur e 1 na tibia.
1 .® e 2.® par de patas com 2 esporões tarsais ; 3.® ao 20.® com 1 esporão.
Todos os exemplares désta nova cs pede foram encontrados em cupif^-
Temos a impressão de que o habitat não exerceu influencia modificadora sobre
eles, exetuada a conformação do aparelho respiratório. Os occlos ostentam o
mesmo tamanho que os de outra fôrmas.
São Paulo e Paraná.
5.. Otostigmus (P) longipes BOcherl, 1939.
50-55 mm. Verde olira ou verde amarelado. Esternitos e extremidades ama*
relas. Placa cejalica fortemente biloba,da na frente. O tronco aumenta cm pf^
porções de frente para traa, atingindo a maior espessura no 18.® segmento. O®
últimos 3 pares da patas muito longas.
Vide fig. 56, 3.
Antenas 17 articulos 2 e 2/3 articulos bailares desprovidos de pelos.
4 -f- 4 dentes, não unidos, havendo era cada placa dentaria uma lacuna, qu*
separa os 2 dentes. Numa cavidade existe uma cerda longa. Coxosternum com
sulco mediano. Atrás do mesmo uma depressão oval.
Vide. fig. 56, 1.
Apcndice medial do préfemur forcipular com 2-3 protuberandas quitinósos-
3. ®. 4.® e 5.® tergito com sulcos episcutais curtos, visiveis sómente na frente c
atráz de cada placa^ Do 6.® em diante os sulcos são completos. A começar d®
4. ® segmento existe uma quilia mediana fraca, perpassando todos os tergitos scm
nunca atingir porém a borda posterior. Ultimo tergito com quilia muito curto>
atráz dela uma. depressão que se prolonga numa fossa estreita pouco profunda-
Sómente este tergito tem carinas laterais, terminando numa ponta; os outros ter-
gítos com pseudocaritujs. Os 4 últimos tergitos com tubérculos pequenos.
résto lisos, brilhantes, com reflexos esverdeados. Esternitos com uma cavidade
redonda profunda.
Vide fig. 56,2.
WoLFGAXO BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
271
Ao longo do bordo posterior encontram-se 3 declives achatados, confluindo
írcquentemente numa depressão sómente.
Sem apendices coxopleurais. l.° par de extremidades com 1 esporão no
femur e na tibia; par com 2 esporões, 4.°-20.® com 1 esporão tarsal.
Estado de São Paulo.
6. Otostigmus (P) limbatus Mein . 1886.
Sinonimia: Otostigma limbatum.
48 mm. Azul esverdeado ou acas^nhado. Antenas 17 articulos. 2^-4 ar-
tículos basilares desprovidos de pêlos. 3-4 dentes fordpularcs. Sulcos cpiscutais
desde o 3.® tergíto. Sómente o ultimo com verdadeiras carinas laterais. Sem
Çuilia. Conforme Attems os esternitos possuiriam sulcos longitudinais com-
fletos. Verificamos porém que de fato os sulcos se encurtam progressivamente
atingindo sómente a metade do 19.® estemiío, e desaparecendo totalmente o
20.®. As 2 depressões medianas que, conforme Attexs são grandes e nitida.s,
realmente são de tamanho diminuto e quasi invisiveis. Apêndices coxopleurais
arredondados, desprovidos de espinhos. 1.® par de extremidades com 2 esporões
tarsais diminutos; todas as outras patas geralmentc sem e.^porão tarsal. Quando
0 esporão existe numa das patas, é diminuto e quasi invisivel.
.-ilto da Serra, Paraguay e Argentina.
Existem ainda alguns exemplares, machos e femeas na coleção deste Ins-
tituto que diferem consideravelmente da especie tipo. Demonstram 1 esporão no
íemur e na tibia do 1.® par de extremidade; 2 esporões tarsais nos l.®« 3 pares
^ patas; sulcos longitudinais nos últimos esternitos, incompletos ou de todo
ausentes; as duas depressões medianas dos esternitos muito fracas ou comple-
^amente ausentes.
Por este motivo cremos que se trata' d’uma subcspecie nova:
6.®: Otostigmus (P) l- limbatus, n. subsp.
E’ um pouco menor que limbatus. Encontra-se principalmente no interior
do Estado de São Paulo.
7. Otostigmus (P) sulcatus Mein., 1886.
Sinonimia : Otostigma sulcatum.
35 mm. Amarelo avennelhado. Antenas com 17 articulos, 2}4 basilares des-
providos de pelos. 3 -f 3 ou 4 -|- 4 dentes forcipulares. mais ou menos soldados.
229
cm
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272 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Tergitos com sulcos desde o 6°; com carinas laterais desde o 7P-9P, com quiliti
mediana do tergíto e com quilias laterais fracas e alguns tubérculos
pequenos. 20° e 21° tergíto quasi liso. 8.°-19.° cstemíto com 2 sulcos fracos,
completos e um sulco mediano fraco. Ultimo esterníto sem depressão alguma.
Çoxopleuras com apendices curtos, sem espinhos. l.°-18.° par de extremidades
com 2, 19.°-21.° com 1 esporão tarsal.
Uruguay e Brasil {R. G. do Sul).
8. Otostigmus (P) inermis Por., 1876.
36-42 mm. \^erde, azul ou amarelado, ás vezes com faixa bratica ao longo
dos tergitos; esternítos, patas e antenas amarelos. As ultimas com 17 artiailos.
2j^-3 desprovidos de pêlos. 4 -f- 4 ou 5 5 dentes forcipulares com 1 cerda fio^
quasi imperceptivcl em cada placa dentaria. Sulcos cpiscutais fracos e muitas
vezes completamente invisiveis, porém sempre presentes, conforme constatamos
numa série de prepa,rados.
Os sulcos principiam no 4.° ou 6.° tergíto. Carinas laterais do 7.°-10.° ter-
gíto. Quilia mediana desde a 5.* placa dorsal. Estrias longitudinais finamente
tuberculadas, acompanh^as lateralmente por dobras rugósas. Ultima placo
dorsal com alguns tubérculos, j)orém sem depressão. Ejtcrnitos com sulcos muito
curtos, sómente ^^siveis nas bordas anteriores.
As vezes se concentram 3 fracas cavidades longitudinais. Ultimo esternito
liso. Çoxopleuras sem apendices. Os 1" 4-18 pares de extremidades com 2, os
seguintes com 1 esporão tarsal.
Argentina, Colombia e Venesuela.
I"
)
I
J
i
9. Otostigmus (P) kretzii Bücuerl, 1939.
33 mm. Verde oliva brilhante. Esternítos amarelos. Forcipulas enegrecidas:
pata verde-azueis com o 2.° tarso amarelo. Antenas 17-18 artículos; 2 basilares
com pourpiissimos pêlos longos; o 3.° e o 4.° despro^^dos de pêlos no lado dor-
sal. Placas dentarias mais largas que longas, com uma cerda delgada, oriunda
numa cavidade, imediatamente embaixo do 3.° dente. 5 5 dentes forcipulares,
sendo o do meio o mais forte. Sulcos basilares formando angulo muito obtuso,
havendo também um curto sulco mediano.
Vide fig. 57, 1.
Apêndice prcfcmural forte, com 3 plaquinhas quitinósas. Do 6.°-8.° ter-
gíto principiam os sulcos cpiscutais. Com depressão mediana longitudinal entre
230
WoLFG.VNG Bücherl — Os Quilopodos do Brasil
273
os sulcos. Sem quilia mediana nem pseudocarinas. As vezes, porém, em logar
da quilia uma estria branca. Tergitos lisos. Sómente o ultimo com carinas ver-
dadeiras porém sem depressão nem quilia. Esternitos com 2 sulcos curtos. Sem
cavidades. Ultimo estemíto com fossa ou com quilia longitudinal.
Vide fig. 57, 2.
Coxopleuras um tanto protaidos, sem espinhos. Póros pouco numerosos po-
rém muito grandes, atingindo quasi a borda do tergito.
l.°-16.® par de patas com 2 esporões tarsais; 20.° par com ou sem esporão;
1.® e 2P par com 1 esporão tibial; l.° par com 1 esporão femural.
São Paulo, Minas, Matto Grosso e Sta. Catharina.
10. Otostigmus (P) amazonae Cn.\MB., 1914.
32 mm. azul esverdeado ou acastanhado. Placa ccjalica verde escuro. An-
tenas 17 articulos, 2 basilares desprovidos de pêlos. 4 -|- 4 dentes f orei pulares, o
externo um tanto isolado e menor. Sulcos episcutais desde o 4.° tergito. Últimos
lergítos com pseudocarinas. Sómente o 21.° com carinas verdadeiras, sem de-
pressões e sulcos.
Quilia ausente. Esternitos com dois sulcos que vão até a metade de cada
placa ou um pouco além, e com duas cavidades fracas na linha mediana. Ultimo
estemíto com fossa tnediana longitudinal fraca. Coxopleuras um tanto protai-
das, sem espinhos. 1-6.^ extremidades com 2,7.°-19.° com 1 esporão tarsal. 1.®
extremidade com 1 esporão no femur e na tibia.
Estado do Amazonas.
11. Otostigmus ÍP) tidius Chamb., 1914.
14J4 mm. Castanho escuro, um pouco avemielhado. Antenas com 17 arti-
eulos, os 2 basilares desprovidos de pêlos. 4 -f 4 dentes forcipulares. Sulcos
episcutais do 4.° ou 5.° tergito. No meio dos tergitos existe uma fossa mediana
estreita, acompanhada de 2 quilias fracas. Sómente o ultimo tergito com carinas
iterais. Esternitos com sulcos abrevdados. Sómente os últimos com fracas im-
pressões. Ultimo estemíto com fossa longitudinal pouco profunda. l.°-18.° par
<le extremidades com 2, 19.° e 20.° com 1 esporão tarsal.
Amazonas.
231
cm
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
12. Otostit^mus (P) casus Chamb., 1914.
57 mm. Verde oliva; cabeça acastanhada. Antenas com 17 artículos, dos
quais 03 2 basilares desprovidos de pelos. 4 4 dentes jorcipulares. Sulcos
episcutais desde o 5.® tergíto. Os lados dos tergítos rugosos, cobertos de espi*
cuias menos abundantes na área mediana. Entre os sulcos episcutais, encon-
tram-se 3 quüias inediaiuxs, que terminam no meio do ultimo tergíto onde se
encontra uma, cavidade diante da borda posterior. Sómente este tei^to com ca-
rinas laterais. Sulcos dos esternítos muito curtos, com 3 menores daente da
borda posterior. Ultimo estemíto liso. Sem depressão alguma. Coxopleuras una
tanto protaidas; sem espinhos. 1.® par de extremidade com 2, 2.®-19.® par com
1 esporão tarsal.
Matto Grosso.
Olostigmus casus Chamb. apresenta muitos característicos comuns com a
femea de scabricauda. Por este motivo julgamos provável que o A. tenlia tido
sómente femeas novas, ao descrever ésta especie. Confirma nossa duvida o fato
de termos recebido muitos Otostigminios {scabricauda e demelloi) de Matto
Grosso, sem «jue nos tenha, deparado entre eles um unico exemplar sequer de
Otostigmus casus.
13. Otostigmus (P) muticus Kakch., 18S4.
Sinonimia : Otostigma inermis.
50 mm. acastanliado. Antenas 17 artículos, 2j4 basilares sem pelos. 4-r‘^
dentes Jorcipulares, bem fórtes. Sulcos episcutais desde o 4.® tergíto. Lisos e sem
quilias. Carinas laterais desde o 9.® tergíto. Esternítos desde o 10.® tergíto com
2 sulcos que atingem quasi a borda posterior. Ultimo eslernito sem sulcos c sem
depres.sões. Coxopleuras sem apendices. Ultimas patas longas e finas. Os pri-
meiros 5-6 pares de extremidades com 2 o 7.®-19.® par com 1 esporão tarsal.
Perú.
14. Otostigmus (P) dolosus Att., 1928.
35 mm. Colorido verde oliva. Esternítos e extremidades amarelos. Att'
tenas 17 artículos, 2j4 basilares desprovidos de pêlos. 4 -j- 4 dentes Jorcipula-
res. Cada placa dentaria com depressão redonda. Tergítos 2-4 com sulcos abre-
viados; 5.°-20.® tergíto com s%dcos completos. Todos as tergítos lisos; sómente o
ultimo com carinas laterais. Esternítos 3-19 com sulcos abreviados, porém sem
outras depressões. Coxopleuras sem apendices e espinhos. 1.® e 2.® par de ex-
tremidades com 1 ou 2, os outros até o 20.® com 1 esporão tarsal.
Paraguay.
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
2/0
2. Genus : Rhysida Wood
Sinonimias: Bratichioslotna — Ptychotrema — Ethmophoros — Trctita-
tophychus.
Diagnostico com laminas diafanolisadas :
21 pares de extremidade. Placa cefalica sempre sem sulcos e sem laminas
basilares. Fronte bilobada, com sulco dorsal curto, atravessando a fronte e con-
tinuando no lado ventral. O 1.® tergito quasi sempre cobre a borda posterior da
placa cefalica. Antenas com 17-21 articulos, dos quais geraJmentc os 2 basila-
res carecem de pelos, sendo os outros articulos cobertos por pelos curtos uni-
formes. Em alguns exemplares (Rh. brasiliciuis) existem nos articulos das an-
tenas cerdos . longas, sinuosas, dichotomicamente ramificadas, estendendo-se os
ramos óra em direção oposta ao corpo, óra na mesma direção. As cerdas são
muito grossas na base ou no lado terminal. São orgãos olfativos (Vide fig 52).
Existem em grande abundancia nos articulos antenais. Interessante é porém o fato
*lue são encontrados sómente em poucas especies. O pleurko cefálico principal é
muito grande, enquanto que o pleurito secundário interno é pequeno e estreito. O
hibro é separado da placa cefalica por uma sutura, coberta de uma pele fina, e
transparente. Na linha mediana, justamente sobre a sutura, encontra-se uma
peça quitinósa quadrangular, com bordo anterior convexo, partindo dahi um arco
Çuitinoso curvo. Em sua borda posterior encerra-se o dente mediano do labro de
maneira tal que parece pertencer não ao labro p>orém a placa cefalica mediana. O
dente é mais longo que largo, triangular e agudo. As 2 areas laterais do labro
*ão cobertas, perto da borda medial por algumas fileiras de pelos que, em linha
^rva, acompanham as bordas internas, estendendo-se, em seguida, ap longo dos
fx>rdos posteriores. Nos pleurítos encontram-se muitos pêlos. No lado dorsal a
placa cefalica é coberta de finas pontuações. As maiuiibulas são mais longas e
•nais estreitas que as dos Escolopendrideos.
Existem 4 -f- 4 ou 5 + 5 ou gcralmente 4 -f 5 dentes mandibulares. En-
*^ntram-se ás vezes nutna mandíbula 2-3 fileiras dentarias, uma atráz das ou-
fras. Os pelos laterais são muito fortes. Em alguns logares da mandibula, entre
Os dentes, e entre as fileiras de cerdas, pudemos descobrir cerdas longas rami-
ficadas, transparentes, demonstrando a construção ti pica das cerdas sensoriais
olfativas. Consideramos, portanto, as mandíbulas não sómente como aparelhos
*®astigadores e sede do sentido gustativo mas também como sede do olfato. O
P«nultimo articulo do 2.® maxilar demonstra um esporão fino e longo.
A garra terminal do 2.® maxilar tem um esporão posterior muito fino. mui-
vezes ausente (Rh. brasíliensis) . Forcipulas com 4 -|- 4 ou 4-|-5 ou 5-j-5
'f^tes, ás vezes parcialmente unidos, sendo os esternos sempre os mais fracos,
f^eante da fileira dentara, que é curva, enocontra-se uma pequena cerda, sa-
233
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
276 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
hindo dirctamcnle da, cutícula, (sem cavidade c tubérculo). Sulcos basilares da5
placas dentarias bem acentuados com ligeira ramificação lateral.
Placas dentarias mais largas que longas. Em alguns exemplares notamos uni
pequeno stdco mediano. Apendice préfemural bem desenvolvido com 3 plaqui-
nhas quitinósas. l.° tergíto sem sulcos. 2.°, 4.®, 6.®, 9.®, 11.®, 13.®, 15.®, 17.®
19.®, mais curtos que os outros. Sulcos episculais começando do 5.® ou 7.® ter-
gito. Sulcos completos ou abreviados. Carinas laterais sómente no ultimo seg-
mento ou também em alguns tergitos anteriores. Sulcos dos esternítos sempte
curtos. Coxo pleuras com apcndices longos, finos, muito protraídos, com pontas
e espinhos. Ultimas patas compridas e delgadas com ou sem espinhos no
femur. Esporões tarsais sempre presentes em numero de dois ou um. Garras
terminais com 2 esporões laterais. Em algumas patas anteriores encontra-se, cni
^•arias especies, um esporão na tibia. Xo 1.® par de extremidades existe um es-
porão no préfemur e um no femur, no lado dorsal majs largo, encostado no
bordo lateral dos respectivos tergitos.
Cálice muito profundo, com as paredes internas sinuosas, dobradas em es-
pirais incompletas, com fileiras de pelos diminutos. O cálice é muito largo no
começo; desce, estreitando-se progressi\'amente, e termina nos ramos traqueia-
nos. O 1.® estigma é o\'al, os outros oblongos. Existem 10 pares de estigmas nos
seguintes segmentos. 3, 5, 7, 8, 10, 12, 14, 16, 18 e 20.
18 especies com 12 subespccics e 2 raças, existindo na região neotrópica
especies e 3 subespecies.
Chave das especies néotropicas:
Tergitos com sulcos epi.«cutais completos. Sómente o 21.® tergito com carinas
laterais 1. Rhyslda nuda.
* ^
Tergitos com ou sem sulcos episcutais
Tergitos com sulcos episcutais. Carinas laterais em alguns dos segmentos pos-
teriores. Apendice coxopleural com uma a 3 pontas. 4.®-21.® tergíto com muito*
grânulos finíssimos. Ultimo préfemur sem espinhos: 2. Rhysida cclcris-
Tergitos com ou sem sulcos episcutais ^
Apendice coxopleural com 3-4 pontas, e com 1-2 cspiculas laterais, porém ?oni
c.>^pinho no lado dorsall. Tergitos com sulcos episcutais completos. Quili*^
ausentes. Esternítos com 2 sulcos muito curtos. 2 esporões tarsais nos
7-19 pares de patas. Antenas com 17-18 artículos. Ultimo préfemur com 6-1-
espinhoc: 3. Rhysida longipf^-
Todos os tergitos sem sulcos episcutais completos; quando presentes, só cxisteni
nas bordas posteriores. Carinas laetrais do 6.® ou 8.® tergito. Ultimo préfemo*’
sem espinhos ou com alguns muito pequenos. Sulcos basilares das placas den-
tarias muito diwrgentes, formando quasi uma réta : .... 4. Rhysida brasiliensts-
231
WoLFGAXG BCxherl — Os Quilopodos do Brasil
277
1. Rhysida celeris HuMB. & S^auss., 1870.
Sinonimias : Rhysida aspera — Branchiostoma celer.
60-70 mm. Verde azul ou ^verde oliva e, ás vezes, acastanhado. Estemítos
amerelos. Patas verde azuladas, as ultimas mais azuis ainda. l.° tcrgíto sobrc-
passando a placa cefalica. Antenas com 18-20 ^rticulos, dos quais o 3.° articulo
basilar com pelos na borda apical. 4 -j- 4 ou 5 5 dentes jorcipulared, agudos,
sendo maiores os do meio. Deante dos mesmos encontra-se uma cerda robusta.
Placas dentarias mais largas que longas; os sulcos basilares formam ura angulo
obtuso. Sulcos cpiscutais muito fracos, quasi invisiveis, principiando entre o 3.®
e o 6.® tergito.
Carinas laterais geralmente ausentes ; quando presentes são muito pequenas.
Ultimo tergito sempre com carinas laterais, formando duas bordas fortes
que terminam em duas pontas laterais posteriores. Tergitos com rugosidade e
granulação extremamente fina. Esicrntios anteriores com pelos curtos, esparsos.
Sulcos curtos, ás vezes quasi invisiveis. Ultimo com borda posterior cortada
«m linha réta, um tanto curva para dentro. Apêndices coxopleurais curtos, cô-
nicos, com base grossa e com 1-2 espinhos pequenos na borda posterior. Outros
espinhos não existem. Ultimas patas longas, transparentes e delgadas, sem es-
pinhos no préfemur. l.®-17.® ou 18.® pv de patas com 2 esporões tarsais; 19.®
20.® com 1 esporão.
1. ®-4.® par de patas com 1 esporão tibial. 1.® par de patas com 1 e.sporâo
femural.
Rhysida celeris constitue uma forma verdadeiramente sulamericana, encon-
trada cm todos os paizes de clima tropical e subtropical. Xo Brasil ela vive tanto
na bacia do Atnaaoiuis como nas regiões pedregosas de Goyas e Matlo Grosso. En-
contra-se também nos arredores da capital de S. Paulo; na, Serra do Mar c nas
planicies do Rio Grande do Sul.
2. Rhydisa nuda Xewp., 1845.
Sinonimias: Branchiostoma nudüm — Rh. immarginata — Rh. togoensis.
Antenas com 17-21 articulos. Tergitos desde o 3-8. com sulcos cpiscutais
completos, atravessando toda a placa. Sómente o 21. com carinas laterais. Apen-
<lices coxopleurais com 2-3 pontas, porém sem espinhos dorsais ou laterais.
10-19 pares de extremidades com 2 esporões tarsais.
No Brasil -encontra-se a subespecie:
2. ® Rhysida nuda riograndense, n. subsp.
235
cm
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278
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
50-62 mm. Tcrgitos verde oliva. Placa ccfalica c os 2 últimos segmentos
avermelhados. Antenas muito longas. 20 artículos moniliformes, 2. -/s basi-
lares sem pelos. 4-^-4 dentes forcipulares. Os internos são os maiores, e ás
vezes bipartidos. Sulcos das placas dentarias muito fracos, formando angulo
obtuso. Deante dos dentes existe uma cerda.^ Sulcos cpiscutais do 4.°-l9.°
tergito; 20.° sem os mesmos; 21.° liso, sem depressão, com borda posterior
protraída na zona mediana. Sómente este tergito com carinas laterais. Ester-
nítos amarelos, lisos, brilhantes, sem depressão alguma, com 2 sulcos muito leves
c curtos na frente; ás vezes de todo ausentes. Ultimo esternito com borda
posterior côncava. Os estemitos anteriores demonstram pelos curtos. Apêndices
coxopleurais curtos, grossos na base, com 1-2 espinhos. l.°-17.° ou 19.° par dr
extremidades com 2 esporões tarsais; 20.° com 1 ; l.°-3.° ou 5.° com um esporão
tibial; l.° com 1 esporão femural. Ultimo préfemur sem espinhos ou 2-4
espinhos sómente.
Ésta especic se encontra princip^mente no Rio Grande do Sul, nos arredo-
res de Rosário.
(.\ descrição acima dada não concorda com os diagnósticos das chaves
internacionais, principalmente porque os carateres ahi mencionados se refereio
mais á Rhysida nuda da Oceania).
Ela se distingue da forma brasileira: l.° pela presença de sulcos episcutai»
no 20.° tergito; 2.° j>elos sulcos episternajis muito mais visíveis; 3.° pd®
colorido uniforme também da placa cefalica e dos últimos 2 segmentos ; 4.° pd^
ausência d oesporão femural no l.° par de patas; 5.° pela ausência de
esporão tarsal no 2.°, 3.°, 4.° e 5.° par de patas.
Por este motivo somos obrigados a estabelecer ésta subespede nova
denominamos Rh. nuda riograndctisis, sendo o Estado do Rio Grande do Sul o
local em que é encontrada mais frequentemente
3. Rhysida longipes Xewp., 1845
Sinonimia : Branchiostoma.
3.®. Rhysida longipes longipes Xewp., 1845.
Sinonimias: Rhysida longipes — (Brõl. em Catalogos :14) — Branchios-
toma longipes — obsoletum — gracile.
lista especie chega 88-92 mm. E’ muito rara, podendo ser encontrada
em quasi todos os estados do Brasil, sendo mais frequente no interior. ^
colorido varia entre amarelo escuro, verde oliva e azul esverdeado. AntenOS
WoLFGANQ BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
279
com 18 articulos, dos quais 2 e Vs basilares desprovidos de pelos. 4 -f 4 ou
5 -j- 5 dentes forcipulares; os internos quasi soldados em sua base. Deante dos
dentes existe uma cerda. Os sulcos basilares formam angulo quasi réto. En-
contra-se também um curto sulco mediano. Sulcos episcutais desde o 4.° ou 6.^
tergíto. Carinas laterais desde o 7.® ou 12.®. Esternitos com 2 sulcos fracos e
curtos. l.°-12.® ou 15.® par de extremidades com 2, 16.®-20.® com 1 esporão
tarsal. Apendice coxoplcural muito longo com 3 pontas e 1 espinho dorsal.
Ultimo préfemur com 6-10 espinhos que se dividem pelas zonas inferior, mediana
c dorsal.
Espinho do canto presente.
São Paulo, Maito Grosso, Bahia, Goyaz, Paraná e Rio Grande do Sul.
4. Rhysida brasiliensis Krpln., 1903.
A Rhysida brasiliensis é uma das espedes mais comuns no continente bra-
sileiro. Atinge entre 7-12 cm. O colorido é geralmentc verde azulado claro ou
escuro, ou verde oliva. Antenas com 17-18 articulos (às vezes 21), sendo
®s 3 basilares desprovidos de pêlos. O 3.® articulo demonstra alguns pêlos no
lado dorsal. 4 -f 4 dentes forcipulares, formando os sulcos basilares quasi
Uma réta. Tergitos lisos, brilhantes, sem sulcos episcutais, ou com sulcos extre-
niamente curtos na margem posterior. Carinas laterais desde o 9.® tergito ou
•omente no ultuno. Ultimo tergito com curta depressão mediana deante do bórdo
posterior. Esternitos lisos, brilhantes, com 2 sulcos curtos na borda anterior.
0 ultimo com fraca depressão longitudinal, mediana. l.®-19.® ou 20.® par de
patas com 2 esporões tarsais. 1.® ao 7.® ou 4.® com 1 esporão tibial; 1.® com
1 csp>jrão femural. Préfemur ultimo sem espinhos. Apendices coxopleurais
ouríos, conicos, com duas pontas.
Em todos os Estados do Brasil.
4.® Rhysida brasiliensis rubra, n. subsp.
60-70 mm. Colorido castanho claro ou vermelho acastanliado, percorrendo
'una faixa clara, larga, todos os tergitos. Em logar da quilia encontra-se uma
tstria longitudinal, preta. A placa cefalica é muito mais estreita que o 1.® tergíto.
Todo o corpo brilhante como na Scolopendra subspinipes. Anteiuis 21 articulos,
^ basilares sem pêlos. Entre os pêlos curtos existem cerdas. Coxostemum jor~
Apular com espiculas. fVide fig. 58).
237
cm
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280
^íemorias do Instituto Butantan
Tomo XIII
Placas dentarias muito pequenas. Semelhantes ás de Rhysida monticuhif
um pouco afastadas uma da outra. 5 -i- 5 ou 6 6 dentes muito pequenos.
Espiculas também nas placas dentarias. Bordas antero-laterais do coxostcrnutfí
rétas. Sukos basilares cun-os, com uma continuação que percorre a parte
antero-lateral do coxostemum. Na área mediana deste existe uma grande de-
pressão arredondada. Tergitos sem sulcos episcutais. Esies são encontrados
sómente sob a fonna de traços extremamente curtos, visiveis apenas deante a
borda posterior de cada tergito. Corinas laterais desde o 8.° ou 10.® tergíto.
Ultimo tergito com carinas laterais fortes, terminando em duas pontas. Bórda
posterior bilobada, com curta depressão mediana. Esternitos brilhantes, cono
espiculas finas. Sulcos curtos na borda anterior. Encontram-se 6 depressões,
formando 2 series horizontais. As duas medianas muito fracas. As 2 latero-
posteriores profundas. Esterníto ultimo com impressão longitudinal leve. Apên-
dice coxopleural como em Rhysida brasiliensis. Campo poroso atingindo as
bordas laterais do tergíto. Préfemur ultime sem espinhos, porém provido de
pêlos. par de extremidades com 2 esporões tarsais; 16.®-20.® par cotn
1 ; 1 .®-2.° par com 1 esporão tibial ; 1 .® par com 1 esporão femural.
São Paulo, Matto Grosso.
2. Familia: Cryptopidae
Sinonimias: Criptpsii — Plutoniinae — Cryptopinae. Sem occlos. An-
tenas com 15-18 articulos, geralmcnte 17, com artículos ba^silares cobertos de
cerdas fortes. Coxostemum forcipular sem placas dentarias ou com placas rnuití»
rudimentares. Tarsos geralmcnte divididos em 1.® e 2.® articulo, ou então unias-
ticulados. Esternitos geralmente com sulco longitudinal impar e, ás vezes, ainda
com sulco transversal originando-se desta maneira uma cruz episternal.
Chave das subfamilias:
21 pares de extremidades. Coxopleuras geralmcnte sem apendices: 1. Subfarn.
Cryptopinae.
23 i>arcs de extremidades. Coxopleuras com apendice longo e fino; 2. Subfant-
Scolopocryptopinae.
A. Subfamilia: Cryptopinae Att.
21 pares de patas. Sem océlos. Sómente Mimops com manchas ocelareS
vitreas. Antenas 17 articulos. Co.rosternum forcipular sem placas dentarias
238
WoLFGANG BCciiebl — Os Quilopodos do Brasil
281
com placas rudimentares. Préfcmur jordpular sem apendice interno. Endocs-
ternilos visiveis. Esteniítos com sulcos em fónna de cruz. Coxoptcuras só-
■ mente em raros casos com apendices. Patas com espinhos finos. Préfcmur
ultimo em espinhos grandes. Tibia, IP tarso e o femur das ultimas patas com
dentes em forma de serrote. 9 pares de estigmas nos segmentos 3, 5, 8. 10,
12. 14 16, 18 e 20.
4 generos, dos quais 3 com espécimes neotropicos.
Chave dos generos nétotropicos:
I Manchas ocelares \-itreas presentes. Estemitos com 2 sulcos paralelos. Apen-
I dice coxopleural longo; 1. gen. Mimops.
I ^lanchas ocelares ausentes. Estemitos com 1 sulco ou com 2 em forma de
I cruz 2
TclopcKÜtos forcipulares muito curtos, de maneira que as pinças fccliadas não se
tocam. Borda anterior do coxosternum forripular com 2 plaquinhas redondas
protaidas em angulo agudo: 2. gen. Paracryplops.
Telopoditos forcipulares compridos, sobrepa.-ssando uma pinça a outra. Borda
*uterior do coxosternum réta ou ligeiramente bilobada: 3. gen. Cryptops.
1. Genus: Alimops Krplx., 1S>03.
Uma unica especie brasileira e neotropica, a:
Mimops occidentalis Chamb., 1914.
21 pares de patas. Uma mancha occlar na região cefalica antcro—lateral.
mm. Placa cefalica com duas impressões laterais convergentes, que vão
a metade da cabeça. Antenas 17-18 articulos. Bórda anterior do coxosler-
""u: com 2 plaquinhas. 1.® tergíto, com fossa hemiciradar. Os sulcos episcutais
'^tueçam no mesmo tergíto, primeiro com um sulco impar. Este ra;nifica-se.
^correndo os 2 ramos todas as placas dorsais. No meio existe quilia mediana.
^^ente o ultimo tei^to tem carinas laterais. Os sulcos paramedianos não
‘^«■vessam a plarâ toda. mas terminam um pouco depois da metade. Borda pos-
*'cior protraida. formando a borda mediana do prolapso uma reta. 2.-19 esternito
^ 2 sulcos longitudinis. Apendices coxopleurais cilindricos, com base grossa,
'^rtos de cspículas pretas. Ultimo préfemur e femur longos, semeiados de
239
cm
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282
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
pequenos espinhos pretos. Préfemur no lado pôster o-terminal com elevação
saliente. Primeiro tarso das patas com 1-2 espinhos.
E.sta especie é raríssima, tendo sido encontrada sómente nos arredores
Rio de Janeiro.
2. Genus: Paracryptops Poc., 1891.
Também deste genero foi encontrada sómente uma unica especie que habita
em algumas zonas da Guyana Ingleza.
Paracryptops ínexspectus Chamb., 1914.
16 mm. Amarelo doirado. Placa cefalica com 2 sulcos curtos, paralelos.
Coxas forcipulares com impressão mediana pouco profunda. Em frente existem
2 lobos arredondados, afastados um pouco um do outro. Não existem plaqur
nhas dentarias. l.° tergito longo, com ou sem sulcos. 2.®-20.® tergito com sulcos
paratncdianos e com 1 sulco lateral em cada placa. 21.° tergito com sulco nicdiou<^
profundo e com prolapso do bordo posterior. Estcrnitos com sulco transversal
curvo e com impressão atrás do sulco. Patas com poucas cerdas. As ultimai
com cerdas fortes. Préfemur ultimo com muitos espinhos longos, às vezes dorsO
latcralmentc substituídos por pêlos. Tibia com 4 dentes em forma de serrilha.
l.° tarso com um dente.
3. Genus: Cryptops Leach./ 1815.
O genero Cryptops, contêm grande numero de cspecies, distribuídas
todas as zonas geográficos do mundo. Comtudo. no Brasil, temos apenas
unica especie, e nos outros paises neotropicos apenas 6 especies. Esta escassc*
de especies na America do Sul certamente não justificaria a conclusão de
Cryptopidcos estarem ausentes em nosso Continente. Pelo contrario, procedendo
a captura metodicamente, desbravando as selvas ainda não exploradas,
tocante aos Escutigerideos, tidos até pouco como inexistentes na Brasil. O
abundancia de especies deste genero, conforme verificamos analogamente
tocante aos Escutigerideos, tidos até pouco como inexistentes no Brasil. O 4**^
dificulta o encontro de Cryptopidcos, é o fato de viverem eles no subsolo c®’
tocos de madeira, nas lacunas feitas pelas raizes das arvores, etc
Julgamos necessário expôr os caractéres genéricos, limitando-nos no seguio^®'
á descrição das especies neotropicas. Seguimos a chave magistral de Atte**®'
WoLFGANO BCchebl — Os Quüopodos do Brasil
283
“Sem ócelos. 21 pares de extremidades. Placa cefalica sem ou com 2
sulcos ás vezes abreviados. Antenas quasi sempre com 17 articulos, dos quais
2-4 articulos basilares com cerdas fortes, compridas. Os pêlos dos outros arti-
culos são muito densos, existindo fileiras de pêlos mais longos. 2.® membro
telopoditico do 2.® maxilar sem espinho. Garra terminal sem garras laterais.
Bórda anterior das coxas jorcipulares nunca com dentes ou placas dentarias,
porém, geralmente bilobada, com fileiras de cerdas. 1.® tcrgito com ou sem
lossa transversal hcmicircular e com sulcos paramedianos. Os outros tergítos
com 2 sulcos cpiscutais c 2 sulcos laterais largos e acha,tados, e ainda dois
iulcozinhos nas margens. Sómente o ultimo tergíto com carinas laterais. Es-
ternítos geralmente com 2 sulcos em fórma de crus, estando ausente o sulco
longitudinal (ás vezes).
Endoesternitos geralmente visíveis. Apcndices coxopleurais curtos ou ausen-
tes. com algximas espiculas pretas. Campo poroso, pequeno c oblongo ou grande
e largo, alcançando a borda do tergito. Entre os póros existem cerdas longas.
As cerdas das ultimas extremidades são diferentes das de outras, fornecendo
característicos ótimos para a distinção das especies. “E’ lamcntavcl.” diz
Attems, “que ainda não tenham sido estudadas as cerdas em quasi nenhuma
das especies”. Préfemur ultimo com cerdas curta.s e espinhos diminutos, ficando
livre uma área longitudinal no lado vcntral do préfemur e do femur. Na zona
apical, dorsal, do préfemur, femur e tibia encontram-se muitas vezes dentes ter-
minais. No lado ventral a tibia e o primeiro tarso demonstram uma fileira de
dentes em forma de serrote. Ambos os tarsos pódem scr comprimidos contra
a tibia (vide fig. 19). Tarsos 1-19 com 1-2 articulos; o 20.® tarso sempre
biarticulado. Estigmas redondos ou oblongos.
Chave dos subgeneros:
Esíemitos sem reforçamento transversal medial 1. Subgen. Chromatanops.
Estemítos com reforçamento transversal medial 2
Endoestemito delimitado nitidamente por uma cruz sulcai. Tarsos biarticulados :
2. Subgen. Trigonocryptops.
Endoestemito não delimitado por sulcos. Tarsos 1-19 geralmente uiarticulados :
3. Subgen. Cryptops.
1. Subgenus: Chromatanops Verhoeff., 1906.
Especie unica,: C. (Chrom.) bivittatus Poc., 1893.
20 mm. Amarelo pajido, com 2-4 estrias verdes no dorso. 1.® tei^ito com
fossa hcmicircular. Bórda posterior da placa cefalica sobrepassando o 1.® tergito.
241
]g
284
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
1° tergito com depressão redonda sem sulcos longitudinais. 2.*’- 20.° com sulcos
episcutais. Todo o corpo contêm pigmento preto, ordenado em fileiras longi-
tudinais. 3.°-19.° tergito com sulcos longitudinais, laterais, um tanto curvos. 21.®
♦ergíto com depressão mediana. Esternítos com sulco em forma de cruz, lisos, sem
delimitação nitida dos endoestenútos. Bórda anterior das coxas jorcipulares reta,
com 2 + 2 cerdas longas. Apcndiccs coxopleurais extremamente curtos; póros
pequenos. l.°-19.° tarso uniarttculado. Ultimo préfemur sem fossa dorsal, cc*m
cerdas uniformes no lado ventral; femur com fossa dorsal; no lado ventral com
uma área longitudinal, desprovida de cerdas. Tibia com 5, l.° tarso com 2
dentes em forma de serrilha. Estigmas redondos.
Colombia: Sierra de Santa Martha.
2. Subgenus; Trigonocryptops Veriioeff, 1906.
Este subgenero contem uma linica especic neotropica, o Trigonoeryp'
tops ihcrvtgi Brõl.-Verhoeff, em 1937, num artigo: — “über cinige ChilopodcK
aus Australien u. Brasilicn”. publicado em: — “Zoologische Jakrbüchcr, Jena ^
de.screveu mais uma especie nóva: — Trigonocryptops triangulifer. Diz nesta
monografia que a especie nóva é muito parecida com a de Brõlemann, difcrind:>
porém: l.° pelos sulcos das placas cefalicas que se estendem de lado a lado; 2.®
pelo ultimo tergito liso, enquanto que em iheringi há uma fileira de tubérculos
em cada lado. 3.° por um dente na borda interna apical do femur ultimo, ausente
cm iheringi. 4.° por um dente no lado súpero-apical da ultima tibia, ausente em
iheringi. 5.° pelo fato de os 15 dentes da tibia estarem completamcnie isolados,
enquanto que em iheringi são “mais ou menos” soldados. 6.° pelo fato de o»
últimos esternítos terem apenas cerdas uniformes, enquanto que em iherind^
existem espinhos curtos. \’^erhoeff certamente terá comparado a sua especie
com a iheringi, fazendo-se valer no confronte da chave de Attems. Óra, éstn
chave, como já tivemos ocasião de mostrar em outros logares, é dejiciente no
tocante a varias especies brasileiras. Assim a chave relata de iheringi:
1. ° placa cefalica sem sulcos. ou com indicações fracas de sulcos. Brõlem.^n>'.
porém, que descreveu a especie pela primeira vez, diz na “Rczdsta do Muscu
Paulista Vol. 5: “não existem sulcos visiveis”.
2. ° Ultimo tergito com uma fileira de tubérculos. Brõlemann não men-
ciona o assunto em questão.
Veriioeff estabeleceu a nova especie triangulijer, basciando-se apenas
unico e.vcmplar, uma femea, que obteve de Minas Geraes, por intermédio
Museu Nacional do Rio. Este exemplar méde apenas 33mm. Através de
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
285
confronto esmerado de uma grande serie Trigonocryptopidcos, existentes na
coleção de Quilopodos deste Instituto, verificamos o seguinte:
1.” Que não existe espede alguma no Brasil, que tenlia exatamente os cam-
5éres dados pelo chave de Attems como sendo os de iheringi;
2P Que também não existe uma espede adulta de triangulifer Verhoeff,
que tenha apenas 33 mm., mas que todas as fôrmas aqui existentes pertencem
á uma e mesma espede, a iheringi segundo Attems ou a triangulifer segundo
Verhoeff. Para obter plena certeza sobre o assunto, diagnosticamos novartiente
o espede tipo de Brolemanx, obtida temporariamente do Museu Paulista. De
fato. não é outra coisa que uma forma adulta (72 mm) do triangulifer \ Verhoeff,
tendo obtido apenas um unico exemplar, tomou-o como animal adulto tratando-se
de fato, porém, apenas de um estádio juvenil.
Julgamos necessário portanto por em sinonimia a espede triangulifer
Verhoeff com a espede iheringi Brõlemaxk e redescrever, para eliminar as
duvidas, a ultima:
C. (Trigonocryptops) iheringi Brõl., 1902.
Redescrição: mihi. 60-92 mm de compr. ; largura 4-6 mm. Colorido ania-
telo dourado ou amarelo avermelhado. Todo o corpo finamente pontuado.
Cabeça tão larga como longa, com 2 sulcos muito finos, divergentes, atraves-
sando toda a placa cefalica. A borda posterior da mesma placa passa por cima
do primeiro tergito. Bórda anterior das co.ras fordpulares bilobada, enduredda
a quitina de ambos os lóbos, de maneira a se assemelliarcm á plaquinhas inde-
pendentes. 6-1-6 espinhos em logar dos dentes, e mais adiante fileiras de
cerdas. Sulco mediano fraco, estendendo-se além da metade do coxosternum.
rintenas com 16-17 artículos, os 2 artículos basilares com menos cerdas que os
Outros, porém éstas cerdas muito fortes e quitinisadas. Os outros articulos
^tenais com pêlos curtos e sem cerdas, decrescendo o tamanho e o numero das
ultimas na proporção que a,queles aumentam. l.° tergito sempre com fossa hemi-
rircular e geralmente com 2 sulcos paramedianos. Estes, ás vezes, ausentes.
2.°-20.° tergito com sulcos paramedianos que nem sempre correspondem á suturas.
Km muitos exemplares obsers-ani-se. prétergítos. 3.°-19.o tergito com sulcos latc-
’’<^is. acompanhados por uma depressão, nunca atingindo a borda posterior. 20.®
Icrgíto sómente com ligeira depressão em cada lado. sem sulcos. Todos os
*®Fgítos rugósos, tuberculados, aumentando os tubérculos em proporção nos ulti-
*Uos. Na borda postero-lateral dos tergitos encontra-se uma fileira de cerdas.
^rdas pequenas existem também no meio das pbcas dorsais. 21.® tergito sem
*ulcos mas com larga depressão mediana longitudinal. Coberto inteiramente por
fuberculos, como nos tergitos anteriores, encontrando-se em cada lado 1-2 espi-
243
cm
SciELO
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286
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
nho5, dispostos simetricamente, ou 6 6 espinhos numa fileira longitudinal-
(é a fileira de grânulos de Attems). Bórda posterior muito protraida, com
ponta mediana longa e aguda, deprimida na mediana, Estemitos rugósos, mais
longos do que largos, com pêlos uniformes e algumas cerdas em ambos os lados da
borda posterior e com espiculas no ultimo ou nos últimos 2-3 estemitos. Com
sulco longitudinal e sulco transversal ligeiramente curvo resultando uma crus com
as hastes laterais \4radas para cima. Na borda posterior encontra-se outro sulco
transversal, perfeitamente paralelo ao transversal da cruz, porém muito fino c
delgado, quasi invisivel, delimitando o esternílo e o endoesternito. Atrás do
mesmo encontra-se outro sulco transversal, curvo em sentido oposto, de maneira
que os ápices das duas curvas se tocam no meio, divergindo fortemente os seus
ramos laterais, dando origem a 2 triângulos. Bórda posterior do endo-esternito
reta ou ligeiramente curva. A crus sulcai anterior já é fraquíssima no 19.®
estemito desaparecendo quasi totalmcntc no 20.®. Ultimo esteraito com depre,*-
são mediana, larga, porém pouco profunda, soldada lateralmente ás coxopleuras.
Éstas arredondadas na zona posterior, sem apendices, cobértas de cerdas e espi-
culas por entre os póros. Espiculas mais densas na borda posterior. Campo
poroso rclativamente pequeno, não tingindo a borda superior do tergíto. Todas
as patas biarticuladas, cobértas por pequenos espinhos no prefemur, jemur, tibio
e tarso. O numero destes espinhos é maior nas partes anteriores. Ultimas patas
estreitas e longas, com sulco dorsal no préfemur e femur, sulco este estreito «
longo ou então largo e mais curto. Espinhos são apenas encontrados no préfe-
mur e femur, e alguns (2-3) ainda na tibia. A posição dos espinhos corres-
ponde mais ou menos ás fileiras longitudinais, sem que se verifique este fa'®
em todos os exemplares. Também o numero de espinhos é muito variavel. Com-
tudo, observa-se geralmente uma área dorsal no préfemur, desprovida, de espinhos,
enquanto que estes existem em numero maior no lado infero-basilar. No
os espinhos ocupam a zona infero-mcdial. Na margem posterior dorso-mediaJ
do femur encontr^-se um espinho maior que, em alguns casos, é muito insign*'
ficante, ou mesmo ausente; no lado inferior pérto da borda terminal ou um tanto
afastado, observamos um dente que óra é largo e obtuso, óra conserva mais ®
forma de um espinho grosso. No lado ventraj da tibia e do 1.® tarso existe unia
fileira de dentes, em fôrma de serrilha (vide fig. 19). O numero dos dentes da
tibia é de 13-21, geralmente porém 14-16 em animais jovens, 18-21 em adultos-
Todos os dentes são isolados um do outro, aumentando a sua proporção no lado
terminal. Em alguns exemplares consta,tamos que os 3 últimos dentes são colo-
cados muito juntos, de maneira que parecem “mais ou menos soldados", tiO
dizer de Brõlemann. Na maioria dos casos porém, também estes são isolados-
Os dentes do 1.® tarso são 5-7, todos distanciados um do outro.
Minas Gerais, São Paulo (Alto da Serra), Matto Grosso, etc.
WoLFGAXG BOcheul — Os Quilopodos do Brasil
287
Xa serie de Trigonocryptops iheringi désta coleção encontram-se, como de-
monstar o diagnostico acima tanto exemphres que corresponde a chave de
Attems e outros com os diagnósticos de Verhoeff, A causa da discordanda
entre os dois é sem duvida o fato, de se terem estabelecido característicos morfo-
lógicos, tendo apenas um único exemplar. Xeste erro incorreu Brõleman*x,
e este erro foi repetido por V’erhoeff, o ultimo ainda com a desvantagem de
ter considerado uma jórtna jovem como sendo uma fórma adulta.
Aproveitamos o ensejo para dizer que, em grupos, cuja base morfológica —
evolutiva é muito varíavel, carecendo de caracteres tipicamente constantes, o den-
tista, que descrevesse especies nó\'as, fundamentadas sobre hm» unico exem-
plar, estaria sujeito a muitos erros e estas especies nóvas seriam praticamente
duvidosas, como se dá no caso citado. Pelo mesmo motivo julgamos insufi-
dente no grupo dos artrópodos e insetos, conservar apenas um unico exemplar
como o tipo da cjpecie, por quanto que sómente atravéz de muitos exemplares
podemos realmente verificar o âmbito da volubilidade morfológica de cada cspecie.
Poitanto, não estabelecer um individuo-tipo porém uma série-tipo I
Analisando laminas de preparados macroscopicos obsei^a-sc perfeitamente
que a glandula de veneno dos Trigonocryptopideos c apenas um canal estreito,
porém longo, estendendo-se da poma anterior das pinças até a zona anterior do
préfemur. Xo clipeo encontram-se algumas fileiras de aculeos. A garra terminal
do segundo maxilar é longa, estreita e cur>’a, passando além dos pelos da "escova”.
Garras laterais ausentes; o articulo terminal é cobérto por aculeos grandes e
pequenos. A fileira, de pêlos, situada ao lado dos dentes ttuindibulares, demonstra
constituição morfol^ica interessante, consistindo cada pelo de uma haste longa
c fórte, de quitina amarelo-avcrmelhada, partindo désta haste finas ramificações
peludas, resultando desta maneira um verdadeiro pente. Xa 3 extremidades loco-
oiotoras distinguimos 3 formações cuticulares diferentes: cerdos curtas delgadas
c flexiveis; aculeos longos, agudos, inen-ados e íinalmente espiculas aculeares
curtas fortemente quitinisadas e ocas.
3. Subgenus: Cryptops Leach., 1815.
Esternítos com reforço quitinisado curvo entre as coxas. O endoesternito
oào é nitidamente separado do esternito. Xão existem os 2 triângulos do endo-
esternito conforme verificamos em Trigonocryptops. Tarsos das extremidades
1-19 uniarticulados. 1.® tergito com ou sem fossa hcmicircular. Todo o corpo
Pniformemente amarelo ou acastanhado.
Este sul^nero ainda bastante desconhecido na faum de artropodos brasi-
leiros. Uma unica espede apenas foi descrita até agora:
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
Cryptops (C) heathií Chamb., 1914.
10 mm. Amarelado, com cabeça mais escura; placa cejalica com curtos sul-
cos posteriores. Placa cefalica passando um pouco por cima do 1.® tergito-
Bórda anterior da coxa jorcipiilar reta, com 3 + 3 cerdos. 1.® tergíto com fossai
licmicircular que se alarga numa depressão mediana. 2 sulcos longitudinais
atingem a fossa hemicircular convergindo na frente onde se cruzam formando
"W'". 2.®-3.° tergíto com sulcos paramedianos 21.® com depressão mediana.
Esterniios lisos.
Coxopleuras sem apendices com alguns espinhos posteriores. Campo po-
roso pequeno: Tarso das patas anteriores indistintamente biarticulado. Préfemuf
e femur das ultimas patas com sulcos longitudinais; préfemur no lado infero-
metlial com muitas espiculas, tendo cerdas no lado superior; femur com alguns
dentes em forma de serrote e muitas espiculas no lado ínfero-medial. Tibia cotn
4, tarso com 2 dentes em forma de serrote. Parahyba do Nórte.
Temos a impressão que até agora foram apenas encontrados muito poucos
ejcemplares pertencentes á esta espece.
Xa Argentina existem os seguintes Cryptopidcos:
1. Cryptops (C) crassipes SiLV., 1895.
17mm. Amarelo escuro, com 2 estrias verdes na linlta mediana e 1 estn*
verde em cada lado. Cabeça sem sulcos. 4 aculeos finos na borda pos*
terior forcipular. 1.® tergíto com fossa hemicircular e com 2 sulcos longitudina*^
divergentes. 2.® tergito sem sulcos. 3.®-20.® com sulcos paramedianos. SulcoS
laterais presentes desde o 4.® ou 5.® tergito. Quilia mediana fraca. EsterniiO^
com sulco transversal delgado. Póros coxopleurais 7-9. Tarsos 1-9 uniarti*
cul.ados. Préfemur e femur últimos com sulco dorsal. Tibia com 6, tarso
2 dentes em fórma de serrilha. .Argentina.
2. Cryptops (C) galatheae Meix., 1886.
Sinonimias: Capiivrae — brasiliensis.
24 mm. Cabeça cl.®* segmentos amarelos-avermelhados. O resto do corp®
amarelo esverdeado. Placa cefalica com 2 sulcos completos finos. Bórda f^‘
cipitlar anterior bilobada com 6 -í- 6 aculeos. 1.® tergíto com fraca fossa hef**'
WoLFGANG Blchekl — Os Quilopodos do Brasil
289
circular, protraída na linha mediana. Sulcos paramcdianos desde o 4.® tergíto;
ntlcos laterais, curvos, desde o 6.°.
Estcmitos 1-18 com sulcos em forma de cruz. Coxoplcuras sem apendices,
tendo apenas cerdas. Póros não atingindo o tergíto. l.®-19.® tarso unicrliculado.
Préfemur e femur últimos sómente com sulcos longitudinais curtos. Poucos espi-
nhos no lado infero-media. Femur com 1, tibia com 7-8 tarso com 3 dentes
cm forma de serrote. Tibia. além disso com 2 dentes na borda terminal.
Montevideo, e alguns exemplares do Rio Grande do Sul e Matto Grosso.
No Chile foram encontradas as seguintes especie.s:
(3) Criptops (C) detectus SiLV., 1899.
16 mm. Amarelo saturado. Cabeça sem sulcos. Bórda anterior das coxas
iarcipulares quasi réta, 1.® tergito com jossa Itemicircular e depressão mediana
redonda e 2 sulcos longitudinais. 2.®-20.® tergito com sulcos paramcdianos;
4-19.® com sulcos laterais. Esternitos 2-17 com sulcos em forma de cruz. 18.®
<»m sulco horizontal sómente. Coxoplcuras com 20-25 póros. Ultimas patas
no femur com 1. na tibia com 6, no tarso com 2 dentes cm forma de serrillia.
(4) Cryptops (C) monilis Gerv., 1849.
33 mm. Amarelo castanho. Placa cefalica sem sulcos. Borda anterior das
coxoí jorcipularcs réta, com 6 -f- 6 aculeos. 1.® tergito sem fossa hcmicircular,
*nas com sulco mediano impar, bifurcando-se na frente. 4-18.® tergito com sulcos
ípiscutais muito curtos. 4-18.® com sulcos laterais largos. Tergítos 19 e 20 sem
Sulcos. 21.® com carinas laterais e pequenos tubérculos. Esternitos lisos c
lírilhantes. com sulco em forma de cruz, que dasaparece no 19.®. Ultima tibia
com 6-12 dentes em fonna de serrilha; tarso com 3-5.
(5) Cryptops (C) triserratus Arr., 1903.
34 mm] Amarelo castanho. Cabeça sem sulcos. 1.® Tergíto sem sulcos.
^ ®-18.° tergito com sulcos episcutais. Sulcos laterais desde o 3.®. 21.® tergito
Com depressão mediana. Esternitos 1-19 com cruz sulcai. Bórda anterior das
coxaj forcipulares réta, com aculeos. Coxoplcuras sem aculeos. Os póros atin-
?cm quasi as margens dos tergítos. Patas com cerdas. Préfemur e femur ulti-
sem sulcos dorsais, com cerdas nos lados ínfero-medial e súpero-medial. Sém
3rea desproWda de cerdas. Femur e tibia na borda terminal, cm cima. com 1-2
247
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
protuberâncias negras. Femur cora 3, tibia cora 12-16, tarso cora 3-5 dentes em
íórma de serrilha. Chile.
Na Patagônia foi encontrada a seguinte especie:
6. Cryptops (C) patagonicus Mein., 1886.
18 rara. Vermelho castanho. Antenas 17 articulos. Bórda anterior das
coxas jorcipulares sem cerdas. 2.°-18.° tergíto cora sulcos laterais. (Dos sulcos
episcutais o A. não fala). Estemitos 1-18 cora cruz sulcai. Patagônia.
Na Guyana Ingleza existe a especie:
(7) Cryptops (C) furciferens Cuamb., 1921.
13J^ rara. Placa cefalica sem sulcos longitudinais. Bórda anterior das
coxas jorcipulares bilobada, com 3 -}- 3 cerdas. l.° tergíto com fossa hemicir-
cular e com 2 sulcos longitudinais que se cruzam na frente. 2.°-20.® tergíto
com sulcos paramedianos. Ultima tibia com 4, l.° tarso com 2 dentes em fórma
de serrote.
B. Subfamilia. Scolopocryptopinae Att.
23 pares de patas. Sem ócelos. Antenas com 17-11 artculos. Bórda ante-
rior das coxas jorcipulares sem ou com placas dentarias, porém sempre sera
dentes. Préfemur com ou sem apêndice interno. Cabeça passando por cinw
do l.° tergíto. Este com jossa hemicircular. Sulcos episcutais presentes.
Sulcos laterais presentes. Tarsos uni-ou biarticulados. Estigmas nos seguintes
segmentos: 3, 5, (7), 8, 10, 12, 14, 16, 18, 20 e 22. Estemitos nunca com
2 sulcos longitudinais, porém com 1 longitudinal mediano ou então com mais 1
transversal. Endoesternito presente sómente em Nezvportia. Coxoplcuras com
apêndice longo fino. Campo poroso pequeno. UltUnas extremidades com espi-
nhos no préfemur e geralmente também no femur. Raras vezes na tibia. O 2.^
tarso das ultimas patas dividido em muitos articulos.
Chave dos generos:
Estigmas presentes no 7.° segmento 1. Ger.us: Scolopocryplops.
Estigmas ausentes no 7.° segmento 2
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
29t
2.° tarso das ultimas patas uniarticulado. Antenas 17 artículos. Placa cefalica
sem sulcos longitudinais. Préfemur ultimo com 1-2 espinhos: 2. Genus:
Otocryptops.
2P tarso das ultimas pa,tas dissolvido numa série de artículos. Bórda anterior
das coxas fordpulares com ou sem 2 plaquinhas 3. Genus: Nnvporiia.
1. Genus: Scolopocryptops Newp., 1844.
1 pares de estigmas. Sómente os tarsos do ultimo par de patas biarticulados^
o résto uniarticulado. Préfemur ultimo com 1 espinho dorsal e 1 ventral, maior.
Todas patas, exetuando as ultimas com 1 esporão tarsal. Tibia das patas
1-19 ou 21 com 2 esporões. 23 pares de extremidades. Cabeça sem sulcos.
Antenas com 17 artículos. Sem occlos. 2.® membro telopoditico do 2.® maxilar
com 1 esporão. Garra terminal sem esporões. Pelos da escova muito longos,
cobrindo quasi totalmente a garra terminal.
Scolocryptops miersii * Newp., 1845.
70-110 mm. Colorido apiarelo-castanho, enegrecido, com pontuações verde-
escura.s, ou amarelo-avermelhado. Cabeça, primeiro e últimos segmentos quasi
sempre vermelhos. Patas amarelas ou ligeiramente arcrmelhadas. Placa ceja-
lica com pontuações finíssimas, sem sulcos e sem depressões. Na região do
clipeo existem cerdas e pequcitos aculeos, colocados em curva hemicircular.
Placas do labro com fileiras de pêlos no bórdo posterior e, no meio destes, alguns
pélos mais longos. O pleurito lateral interno, secundário, é a continuação diréla
do pleurito externa^ principal, sendo separado deste apenas por uma sutura
delicada. Antciuis com 17 artículos, 3yí basilares desprovidos de pêlos curtos,
porém com cerdas fortes pouco numerosas. Entre os pêlos dos outros artículos
encontram-se também algumas cerdas longas. As cerdas estão sobre tubérculos
escuros. Em ambos os la,dos de cada articulo antenal encontra-se uma saliência
longitudinal provida de cerdas. Préfemur das forcipulas com apendice interno
fórte. Coxas com pontuações finas. Bórda anterior réta, com depressão hori-
zontal réta, e na frente désta com 2 lóbos quitinósos estreitos, porém longos,
mais salientes nas zonais laterais que nas medianas. Desprorida de dentes. Na
linha mediana encontra-se um sulco longitudinal, quasi invisível em animais
inteiros, porém bem acentuado nos preparados diafanolizados. Atrás o sulco se
desfaz numa rêde de pequenos sulcos transversais. Na base das 2 plaquinhas
encontram-se cerdas em numero de 10 em cada lado. Os apendices internos
das coxas do 1.® maxilar são finos e longos, estendendo-se muito para a frente,
249
292
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
cobertos inteiramente por cerdas, pêlos e aculeos sensoriais. Além disso encon-
tram-se em sua, bórda anterior fileiras cerradas de pelos eguais. As coxas dos
segundos maxilares não demonstram vestígios de um sulco mcdiatio. As man-
díbulas são providas de uma fileira de dentes joríes e na frente de uma outra
fileira de dentes menores. As cerdas são fortes, curvas, quitinisadas sem rami-
ficações. l.° tergito com fossa hemicircular. Sulcos episcutais desde o 2.® ou
6.® tergito até ao 22.°. Ultimo tergito sem sulcos, porém com ligeira saliência
mediana que se transforma em depressão muito fraca na área da borda posterior.
Nos lados dos tergitos observamos uma leve depressão que se extingue nos
tergitos posteriores. Carinas laterais desde o 4.® ou 6.® tergito. Ultimo tergito
com margens laterais curvas para baixo e 2 pontas nos cantos posteriores. Ester-
nítos com rugosidades, sem sulcos nem depressões. Ultimo esterníto com sulco
mediano longitudinal, forte. Apendices coxopleurais deslocados para o lado
interno, paralelos, b^tante longos e ponteagudos. O campo poroso atinge quasi
as bordas laterais dos tergitos. E.rtremiáades 1-19 ou 20 com 2. 20.* com 1.
21.*-23.* sem esporões tibiais; l.®-22.* com 1 esporão tarsal. Ultimas patas
muito compridas com tarso biarticulado. Préfemur com um espinho ventral
muito forte e um menor no lado súpero-medial. Estado de S. Paulo, Minas c
Sta. Catharina.
São mencionadas ainda 3 outras especies de Scolopocryptopideos (viridis
Gerv. 1847 e aurantiaca Gerv. 1847, ocorrentes no Brasil e quadrisulcatus Dad.
1891, encontrada na Venezuela), porém foram descritas insuficientemente, de
maneira que é impossivel considerá-las espedes determinadas.
2. Genus: Otocryptops H.\.\se., 1886.
Sem ócelos. 23 pares de extremidades. Estigmas nos seguintes segmentoi:
3. 5, 8. 10, 12, 14, 16, 18 e 20. Placa cefalica sem sulcos. Antenas 17 articulos:
3-8 articulos basilares com aculeos fortes; os outros articulos com cerdas qu"
aumemam progressivamente. As cerdas são biarticuladas isto é: com articulo
basilar mais grosso. Bórda posterior do labro com margem hialina, portando
uma franja de cerdas longas. Coxas dos 2.®* maxilares com ou sem xestigio^
de uma sutura mediana. 2.® membro telopoditico com ou sem esporão. Coxas
forcipulares com bordas salientadas no lado anterior, e algumas cerdas. Apên-
dice préfcmural forte. 1.® tergito com fossa hemicircular. Pretergitos muito
curtos. Sulcos paromediatios, do 2.®-8.® até ao 22.® tergito. Xos mesmos ter-
gitos encontram-se carinas laterais. Ultimo tergito sem sulcos e depressões.
Carinas com cantos posteriores terminando em ponta. Catnpo poroso tocando
quasi os lados do tergito. Tarso 1-22 uniarticulado. 23.® biarticulado. Pre-
femur ultimo com um sepinho forte no lado ventral e um menor no lado súpero-
250
WoLFOANG Bücherl — Os Quiiopodos do Brasil
293
niediaro. Extremidades 1-22 com 1 esporão tarsal; 1-19 ou 20 com 2 esporões
libiais.
1. Otocryptops ferrugineus Brõl., 1919.
As ultimas patas quasi tão longa^ como os 6 tergitos posteriores. Tcrgítos
<luasi lisos, com sulcos paramedianos bem visiveis. Esternitos rugósos sem
Sulcos e depressões.
Ésta especie se distribue pela África e pela zona neotropica. Contêm 3
subcspecies e 3 raças. Xo Brasil, principalmcnte nos estados de 5. Paulo, Minas,
Goyas, Matto Grosso, St. Catharina e Rio Grande do Sul: a especie mais fre-
quente é a:
1.*: Otocryptops ferrugineus ferrugineus L., 1767.
Sinonimias: ferrugineus — Scolopendra ferruginea — Sc. nie.vicaiui — Sc.
**^inerti — Sc. sexpinosa — Sc. rufa — Scolopocrypiops. Encontrando-se neste
instituto uma grande série desta subespccie, comparamos morfológicamente muitos
**cmplares c constatapios um paralelismo perfeito entre Otocryptops e Scolopo-
^yptops, principalmente no tocante á formação da borda anterior das forcipulas,
mandibulas e dos maxilares. A diferença entre os 2 generos consiste em
logar na ausência do par de estigmas no 7.® segmento em Otocryptops.
4.'-64 mm. Colorido amarelo escuro avermelhado ou castanho escuro. Ester-
e patas amarelados. Placa cefalica esparsamente pontuada, sem sulcos me-
*lo clipeo por uma dobra de pele trapsparente. Zonas laterais do labro largas,
faixa vitrea na borda posterior, dividida em franjas de pelos. Pleiiritoí
f^ncipais longos, demonstrando na frente tuna sutura estreita, separando par-
^Imente uma outra plaquinha. O pleurito secundário interno é estreito, encos-
*^do-se no principal, do qual é sei>arado por uma membrana de pele. Xa frente
**^bos estes pleuritos terminam no mesmo nivel, dando origem a uma membrana
**^nsparente mais grossa. tran.sversal que os separa de outra plagulnha, tão larga
^n:o ambos juntos. Este pleurito cefálico anterior é característico para o genero.
coxas do segundo ma.xilar não apresentam nenhuma sutura, ao contrario da
^irmação de Attems. O 2.® membro tclopoditico porta um esporão no 2.®
^iculo. A garra tenninal é muito pequena, sem esporões laterais. O 1.® ma-
^lar é egual ao de Scolopocrypiops. Antenas 17 articulos. dos quais os 2-6
P*'imeiro5 demonstram cerdas fortes; os outros apenas pelos unifonnes aniare‘o
"^^irados. Bórda anterior das forciptdas quasi réta. com 2 saliências quitinósas ;
dentes; com algumas cerdas atráz destas saliências. Xo meio da coxa ha
^**ta rôde fina de sulcos horizontais. Apcndice prefcmural bem desenvolvido
^ com um sulco basilar. Sulcos cpiscutals do 4.® ou 6.® até ao 19.® ou 21.®
251
cm
SciELO
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294
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
tergíto. Carims laterais ausentes ou muito fracas, existindo do 6° tergito em
deante. 22.® tergíto com carinas sómente na metade anterior, 23.® sem carinas.
Esíernitos sem sulcos. l.®-19.® par de extremidades com 2 esporões tibiaisl
20.® ao 21.® com 1 ; 22.® e 23.® sem esporão tibial l.®-21.® par com 1 esporão
tarsal nos limites em que em outros generos principia o 2.® tarso. Garras ter-
minais com 2 esporões laterais. Apendice coxopleural agudo. Campo poroso
atingindo as bordas do tergito. Préfemur ultimo com 1 espinho grande no lado
superior e um menor no lado ventral. Ultimas patas com pelos finos nos machos,
emquanto que as das fetneas carecem de pelos.
Otocryptops ferrugineus jemigineus var. jerrugineus Att., 1930.
1
Ésta raça também ocorre no Sul do Brasil, porém não se distingue pratica*
mente da subespecie acima, descrita, de maneira que a consideramos como sendo
sinônima aquela.
Otocryptus ferrugineus ferrugineus var. parcespinosus Kkpln., 1903.
Articulos basilares das antenas com cerdas avermelhadas. O campo poroSO
não atinge as bordas laterafs dos tergííos. Espinho no lado infero medial do
préfemur ultimo pequeno. Ecuador, Perú.
Otonryptus ferrugineus ferrugineus var. macrodon Krpln., 1903.
Ésta raça ocorre no Paraná, porém não póde ser separada sistematicafflcnt®
de Otocryptops f. fcrrugincns, de maneira que também ésta especie deve ^
considerada como sinônima de ferrtigineus.
Ib. Otocryptus ferrugineus riveti Brõl., 1919.
Placa cefalica com 2 depressões na zona posterior. Articulos basilares dit»
antenas com tantos pelos como os outros. Tergítos 4-6 com sulcos curtos
borda posterior; o résto com sulcos completos. 7.®-21.® tergitos com cari^
laterais. 22.® com carinas somente na parte anterior. Esterníto ultimo c®***
sulco mediano. Patas 1-18 com 2 esporões tibiais; 19-20 com 1 ; Apendice co^
pleural triangular. Poros muito grandes, atingindo os bordos laterais do tergt^®*
Elspinho medial muito pequeno. O résto é cgual a ferrugineus ferrugineus.
Ecuador.
WoLFGANO BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
29.J
Ic. Otocryptops ferrugineíts invcrsus Chamb., 1921.
Attems fala désta subespecie, insuficientemente descrita, não podendo ser
^ssificada portanto, que as borda^ anteriores das coxas forcipulares concordam
Pcrfeitaniente com as de melanostomus. Opinamos que iiwcrsus seja uma raça
*Pcnas de ferrugineus jerrugineus. Guyana Itigleza.
2. Otocryptops melanostomus Newp., 1845.
Ésta espede é também muito frequente nos Estados do Sul do Brasil. 50-Ó0
Castanho avermelhado. Antenas 17 articulos, dos quais 4-9 basilares sem
P*los, porém com cerdas. Bórda anterior das cojras forcipulares com engros-
**Wentos quitinósos, porém sem dentes. No meio da placa, existe uma rêdc
^Kontal dc sulcos. Apendice prefemural forte. Sulco/ paramedianos desde o
tergíto. Carinas laterais do 6.® tergito cm diante. Os últimos 3 tergitos
carinas. Esternítos sem sulcos, tendo em seu logar pontuações rugósas.
^Pendices coxopleuraij longos, finos. l.®-18.® par de patas com 2; 19.®-20.®
1 esporão tibia; l.®-21.° com 1 esporão tarsal.
3. Otocryptops sexpinosus Say., 1821.
Tergitos sem sulcos episcutais. O résto egual á cspccie anterior. Colombia.
3. Genus: Newportia Gerv., 1847.
Este genero é exclusivatncnte neotropico. Qs espécimens atravessaram twlo
® Continente da America do Sul, penetrando também nas zonas da, America Cen-
'tal. Preferindo clima húmido, quente, evitam as alturas da zona tropica, con-
^trando-se nas regiões silvestres da Bacia Atnaxonica e das margens fluviais,
tintais cégos, vivem debaixo do sólo ou sob folhagem. São de tanxanho pequeno,
*®tre 20-60 mm. O seu corpo é muito delgado. As patas, com exceção do
par, são extremamente curtas. Temos a impressão de que este genero
a transição dos Escohpctuiromórfos para os Geofilideos, impressão ésta,
***’'la reforçada pelo corpo vermiforme dos Ntnvportiidcos.
23 pares de patas, sendo o tarso das extremidades 1-21 uniarticulado, com
Csporâo na zona em que devia começar o 2.® tarso. Tibias com 1-2 esporões
**P®rões terminais. Préfemur das ultimas extremidades com espinhos pequenos
233
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
296
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
no lado ventral. Femur no mesmo lado geralmente 1-3 espiculas. Tibia sem
espinhos. Tarso biaríiculadcn, sendo o 2.° tarso subdividido em muitos artículos
secundários. Existem 11 pares de estigmas muito pequenos, redondos ou ligei-
rameníe oblongos. São localisados nos s^^mentos: 3, 5, 7, 8, 10, 12, 14, 16, IS,
20 e 22. A placa cefalica demonstra geralmente 2 sulcos longitudinais. l.° ter-
gíto com fossa hcmicircular e com sulcos paratnedianos, que se bifurcam, ãs
vezes, de maneira que os 2 ramos internos se cruzam, formando a figiira de
um “W”. Todos os outros tergitos com 2 sulcos episcutais retos e 2 laterais,
um tanto cuivos. Sómente o ultimo tergito demonstra carinas laterais. Antenas
17 articulos. Existem cerdas também nos articulos basilares. 2.° metnbro iAo~
podilico do 2.° maxilar com esporão delgado no lado süpero-intemo. Coxa fos-
apnlar com bórda anterior réta ou ura tanto bilobada, acentuando-se, ás vezes,
2 plaquinhas quitinósas muito curtas e largas. Existem algumas cerdas na região
destas plaquinhas.
.O Prof. Brõlemakn menciona em 1909 cm ‘‘Catalogos da Fauna Brasileira”
6 especies brasileiras, hoje em parte sinônimas. Attems em “Das Tierreich’
1930, fala de 23 especies, 4 subespecies, e 4 especies duvidosas, todas encontradas
na aona ncotropica inclusive o norte do México. Em território brasileiro foraii»
capturadas 5 especies c 7 subespecies. Transcrevemos a chave sistemática dc
Attems, acrescentando os resultados dc novas pesquisas.
Chave das especies:
Ultimas patas sem garra terminal
Ultimas patas com garra terminal
2.° tarso multí articulado. Tibia das patas anteriores com 1 esporão lateral, rara'
mente com 1 ventral; numa unica especie com 2 esporões. Tarso das patas
anteriores com 1 esporão ventral ^
2.° tarso com articulos indistinctos. Tibia das patas anteriores com 2 esporões.
Tarso geralmente sem esporão. 1.® tergito com sulcos episcutais indirisos; numa
especie sem sulcos
l.° Tergito com fossa hcmicircular. Sem cavidade. Sulcos indivisos
1.® tergito* com fossa hcmicircular e com rcintrancia ligeira na zona mediana, ^
atráz com uma. cavidade. Sulcos longitudinais bifurcados formando um “W”
1.® tergito e placa cefalica sem sulcos longitudinais: 1. Neu<portta pusilla P^'
1893: Colombia-Bogotá. Cordilleiras (1600 m. de altura).
1.® tergito com 2 sulcos longos ou abreviados ^
254
WoLKGANO Blxherl — Os QuUopodos do Brasil
297
Fêmur da» ultimas patas sem espinhos: 2.® tarso com 19-25 artículos: 2.
yeTvportia diagramma, Chamb., 1921. Guiana ingkza. J
Femur das ultimas patas com espinhos; 2° tarso com 8-19 artículos 6-
Tibia das pata» anteriores com 1 esporão ventral sómente : 3. Ncivportia cubana
Chamb., 1915. Cuba.
Tibia das patas anteriores com 1 esporão lateral sómente 7
1° tarso das ultimas patas quasi tão longo como a tibia, porém mais fino que
ésta. 2.° tarso com 4 artículos: 4. Navportia dentata Poc., 1890. Equador.
I® tarso das ultimas patas um pouco mais longas que a metade da tibia, quasi
tão grosco como aquela. 2.° tarso com 7-15 artículos 8
Femur das ultimas patas com 3 espinhos, 2 na metade anterior e um na borda
posterior. 2.° tarso muito mais fino que o primeiro: S.° Nnvportia heteropoda
Chamb. 1918. Cuba.
Femur das ultimas patas com 1-2 espinhos na metade anterior. 2.® tarso não
'ttuito mais fino que o primeiro: 6.® Nnvportia longitarsis Newport, 1845:
toda a America do Sul 9
Préfeniur ultimo no lado supero interno com 2 fileiras de 7-10 espinhos. Bórda
toterior das coxas forcipulares com 2 plaquinhas curtas, largas: 6a. Nnvportia
^ longitarsis longitarsis Newp., 1845 : Brasil. Colombia, Cuba c \'^enezuela.
f*réfemur ultimo sem espinhos sómente com cerdas. Bórda anterior das coxas
forcipulares quasi réta. Entre os sulcos paramedianos do 2.® tergito encontra-se
t^ntremalhada de sulcos finos: 6.b. Nnvportia longitarsis sylvac. Chamb., 1914:
•ffot/o Grosso.
^ibia das patas anteriores com esporão ventral (com ou sem esporão lateral).
Tarso das patas anteriores com esporão ventral. Femur ultimo com 3 espinhos
'entrais 11
Tibia das patas anteriores com esporão lateral, sem esporão ventral. Tarsos
t patas anteriores sem esporão ventral. Femur ultimo com 0-2 espinhos 12
[ Tibia das patas anteriores com 2 esporões. 1.® tarso das ultimas patas tão longo
^ grosso como a tibia; 2.® tarso com 13-14 artículos. Estemitos com sulco me-
*f*ano impar: 7. Nezvportia spinipes Poc., 1896. México.
Tibia das patas anteriores sómente com 1 esporão ventral. l.° tarso das ultimas
mais curto e mais fina que a tibia; segundo tarso com 5-8 artículos. Es-
f^rnitos sem sulco mediano: 8. Nnvportia oreina Chamb., 1915: México.
2ãã>
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
298
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
12.
13.
14.
15.
16.
17.
18.
19.
Os sulcos paramedianos do 1.® tergíto continuam ainda além da fossa hemi-
cirailar l3
Os sulcos terminam na região da fossa 14
Bórda anterior das coxas forcipulares réta com saliências fracas. Fêmur ultimo
com 1 espinho medial e com 1-2 ventrais. Elstemitos até ao 19.® com sulco me-
diano: 9.® Ncii'portia sitnoni Brõl. 1898. Venezuela.
Bórda anterior das coxas forcipulares bilobada, com saliência forte. Femur ultimo
com 2 espinhos mediais e sem espinho ventral. Estemítos até ao 12.® ou 13.® com
sulco mediano. Os 3-4 últimos estemítos com sulco horizontal: lO-
Newportia juhnnanni Rir., 1914: Colombia.
Ultimo femur sem espinhos. 1.® tarso grosso como o 1.® atriculo do 2.® tarsos
11. Newportia balzanii SiLV. 1895. Paraguay-
Ultimo femur com espinhos. 1.® tarso mais grosso que o 2.® l5
Bórda anterior das coxas forcipulares réta com duas plaquinhas na frente.
2.® tarso com 6-11, raramente com mais artículos. 12. Newportia monticols
Poc., 1890. Equador, Colomb:a-
Bórda anterior com 2 plaquinhas bilobadas. 2.® tarso com 18-25 artículos: l*^-
Newportia bicegoi-
A parte do 1.® tergíto que fica deante da fossa hemicircular é muito menor qu*^
a posterior. 1.® tarso das ultimas patas cilindrico, sem canto terminal: 13-
Neivportia b. bicegoi Brõl. 1903: ManaqS-
A fossa hemicircular divide o 1.® tergíto em 2 partes quasi eguais. 1.® tarso das
ultimas patas alargado na ponta terminal e com 1 canto agudo: 13. b. —
portia bicegoi collaris Kraep. 1903. G. franceza-
Ultima tibia com 3 espinhos ventrais. Espinhos dorso mediais do ultimo pre^»^
mur quasi tão grandes como os do lado ventral: 14. Newportia mexicana S.AtJSã-
1858. Mexico-
Ultima tibia sem espinhos. Espinhos dorso mediais do ultimo préfemur niuiW
menores que os do lado ventral
O tarso das ultimas extremidades não dividido: 15. Newportia lasia
1921. Guyana ingR**'
1.® tetgíto com sulcos longitudinais
A fossa hemicurcular é interrompida entre os 2 sulcos longitudinais: 16.
portia divergens Chame., 1922. Guaterníi^’
A fossa hemicircular é completa ^
256
cm
7SCÍELO, ;l1 12 13 14 15 16 17
WoLFGANG Büchebl — Os Quilopodos do Brasil
299
Tibia das extremidades 1-20 sómente com 1 esporão ventral: 17. Xczvf>ortia
mmW/iVo Chamb., 1922. Honduras.
I Tibia das extremidades 1-20 com 1 esporão ventral e 1 lateral 21
Tarso das ultimas patas não di\ndido distintamente em l.° e 2° tarso: 18. New-
Portia brevipes Poc., 1891. Guyana ingleza.
O 1 .o tarso das ultimas patas distinto do 2.° tarso 1 22
Cabeça com 1 sulco horizontal deante da borda posterior, cruzando os sulcos lon-
gitudinais: 19. Nneportia emsli Poc., 1891. Pernambuco, Venezuela.
(Provavelmente transportada para Pernambuco por via maritima)
Cabeça sem sulco transversal 23
Apendice coxopleural curto, um tanto cur\o com cerdas laterais. 23.° estemíto
com bordas laterais quasi paralellas. 2.® tergito com 2 sulcos curtos na frente:
20. Neivportia slolli Poc., 1886. Colombia, Guatemala.
Apendice coxopleurall, réto com poucas cerdas laterais. 23.° estemito com bor-
das laterais convergentes. 2.° tergito com 2 sulcos posteriores curtos: 21. Ncw-
portia paractisis Chamb., 1914. Pará.
2.° tarso das ultimas extremidades mal articulado. l.° tarso mais longo que a
tibia: 22. Xnvportia amacomea Brõl., 1904. Pará.
2° tarso das ultimas extremida,des com 9 articulos. l.° tarso da metade do
compr. da tibia: 23. Ncivportia unguifer Chamb., 1921. G. ingleza.
Como a coleção quilopodtca deste Instituto contêm apenas 2 exemplares des-
'c genero, pertencentes a subespecie: Xc7i'portia_ l. longitarsis, abstemo-nos
*^ste trabalho do^estudo detalhado das respectivas especies. limitando-no? a des-
crição das especies mais comuns no Brasil:
Newportia longitarsis \ewp., 1845.
Sinonimia : Scohpocryptos.
Placa cefaltca com 2 sulcos longitudinais ctirtos na zona posterior. l.° tergito
coin fossa hemicircular e com sulcos episculais entre a fossa e o bordo posterior.
Pemur das ultimas patas com 1-2 espinhos. Tibia das patas anteriores com espo-
*^*0 lateral. .
Newportia longitarsis longitarsis Xewp., 1845.
40-51 mm. Amarelo awrmelhado com cabeça acastanhada, demonstrando 2
“'ilcos curtos. Antenas 17 articulos. dos quais 2-5 basilares desprovidos de pêlos.
257
C«d
19
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Wolfgano Bücherl — Os Quilopodos do Brasil
Mcm. Inst. Butaot^P
Vol. XIII — 19J9
I »/.
W ^'wclierl
Fig. 52 L
Pdos oUitivos e gustativos das antenas de RhjiiiJa trasüírHsif: $0.'l.
2
W. húcherL
Fig. 53 — 3
Fig. 53
Ofo<fi<7mMi (C.3 cavaltranti BCCHERL- ^ _
Ultimo segmento do tronco cotn o cstero***^
as coxopleuras e o apcndice coxoplc^*^'
— Ultimo tergito com apcndice digiti^o
3 — Aspecto lateral do apendice digi^*^®
258
cm
SciELO,
11 12 13 14 15 16 17
Fiff. 42
SrfHof>endra víridiccrtiit NEWP.
WoLFGAXG BCciIEtíL —
F.g. .<1
LilhobiKs: sut>Kmu« Lilhobuj STUXH
Os íjuilupoclos (lo Brasil
A!cro, Inst. Butantan
Vol. XIII — 1939
V. í>'u.c)ier|
25 !)
WoLFGANG BCcherl — Os QuUopodos do Brasil
Mera. Inst. Batantam
Voí, XIII — 1939
Fiff. 54
^coícptndra vir. niffra n. subfp. Ul-
timo terpto com qutlia mediana.
Fig. 55
Scolopmdra v. viridic^mis. Ultimo
tergito com quilia mediana.
Scoícpcndra r, xnndUormis. Ultimo tergito com quilia
mediana.
261
Man. Inst. BuunU»
WoLFG.\N'G Bücherl — Os QuHopodos do Brasil
1939
Vol. XI II
rl
W. B
U.C
Fu. 56
OtosiiçmtLs (P.) longipts BCCHERL
Coxocternum com as çIzcas dentarias. 2 — Estemitos com depressão redonda mediana
3 — Vista lateral dos últimos segmentos do tronco.
SciELO,
262
WoLFGAXG Bücherl — Os Quílopoílos (lo Brasil
Mnn. Inst. Butantan
Vol. XIII — 1939
Fi*. 57 — I
w
Fi*. 57 — i
Fik. 57
Otostiffmus (P.) trrttii BCCHERL
1 — Coxocternum com placas dentarias. 2 — Ultimo
cstemito com apêndices coxopleurais.
^ J^úcherX
¥ig. 5ít
Rhytida brasiiimjis rubra if>. Coxo«ternum forcipular
263
306
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
Coxas forcipuJares na borda anterior com 2 plaquinhas curtas, largas e com cerdas
pequenas.
1 P tergito com fossa hemicircular e com 2 sulcos que continuam ainda deantc
da fossa. 2P-22P tergito com srtlcos paramedianos. Do 4.° ou 6.° tergito em diante
existem sulcos laterais. Ultimo tergito liso, sem sulco algum. Esterníto com sulco
mediano impar e com 2 sulcos curtos laterais. As tibias com 1 esporão ventral;
os tarsos sem esporão algum: Apcndices coxopleurais finos, longos,- com cerda
compridas á sua base. Campo poroso atingindo na frente as bordas laterais do ter-
gíto. Préfemur ultimo 3-6 espinhos ventrais. No lado dorso-medial com 2 filei-
ras de 6-12 espiculas. Prefemur e femur era sua ponta terminal com depressão.
Femur com 1 espinho no lado medial. Tibia sem espinhos. 1.® tarso da metade da
tibia. 2P tarso de 8-19 articulos.
Newportia longitarsis sylvae 1914.
Ésta subespecie é um pouco menor que a precedente. O colorido é o mesm«>-
Antenas com 15-17 articulos, os basilares também com pelos. Bórda anterior da**
coxas forcipulares sem plaquinhas. l.° tergito como na especie precedente, cort*
exepqão de ainda existirem 2 sulcos transversais deante da bórda posterior, não
se tocando no meio. No 2.® tergito encontra-se uma réde entremeada de sulcos
finos. 3.® tergito com 2 sulcos transversais. Quanto ao résto ésta subespecie e
idêntica á anterior.
Neivportia longitarsis bicegoi Brõl., 1903.
30-36 mm. Bordas anteriores das coxas forcipulares com 2 plaquinhas P^'
quenas estreitas. Fossa hemicircular com reintrancia na linha mediana e com u^ia
cavidade. Quanto aos caractéres restantes, pódem ser determinados facilmente ^
mão da chave sistemática acima.
4. . Ordem. Geophilomorpha Poc.. 1896.
ScBORDEM. Geophilidae
(Vide fig. 43).
Océlos ausentes. Antenas com 14 articulos. Estigmas sempre pares, situadns
nas pleuras, tendo cada segmento um par, isto é: não existem segmentos sem cs*
tigma a não ser o 1.® e o ultimo segmento de extremidades. Constituição
alongada, vermiforme, com patinhas extremamente curtas O corpx) é estreito tU
WoLFGAXG BCcherl — Os Quílopodos do Brasil
309
frente e atrás, engrossando um pouco no meio. O colorido c uniforme, acompa-
nhando a côr da terra, sendo as patas e os esternítos mais claros. Ultimas patas
muito mais fracas que as dos Escolopendridios, sómente um pouco mais longas
que as anteriores. São dirigidas para traz, divergindo um pouco causando a im-
pressão de verdadeiras antenas. O trochantcr destas patas é visivel. O numero
menor das patas é de 31 pares, o maior de 173 pares. Tergito do segmento forci-
pular nunca soldado com o do l.° segmento das patas. A formação da coxa das
extremidades é a seguinte: a eucoxa inferior e superior unidas formam apenas
meio circulo, sendo de todo ausentes a eucoxa posterior e a, coxopleura. A mela-
e a procoxa demonstram desenvolvimento acentuado, correndo a costa coxalis em
direção á ultima. Os pleuritos intercalares, superiores, são grandes, sendo visiveis
também os segmentos intercalares. Glandulas anais muito frequentes. Coxopleu-
ros do ultimo segmento entumecidas, havendo muitas glandulas coxais.
-A historia dos Geofilideos é a mesma dos outros Escolopcndroinorfos, isto é :
os Geofilideos éram quasi desconhedtlos pelos cientistas do século passado. Mei-
nert, em 1870, começou a coordenar sistemática este grupo, salientando a im-
portância das peças bucais e as formações dos esclerítos pleurais. Cook, em
1895, já distingue 9 familias entre os Geofilomorfos. Em 1901. Verhoeff, men-
ciona 3 subfatnilias e 7 tribus, enquanto que 2 anos depois .-^ttems descreve 5
Oftbfamilias.
Um novo avanço na sistemática dos Geofilomorfos significava a chave dc
Verhoeff (1908), na qual o A. estabelece 2 superfamilias, 6 famílias, 7 subfami-
lias, 7 tribus, 32 generos e 4 subgeneros.
Em 1910 já éram conhecidas cerca 250 especies de Geofilomorfos, quasi a 4^
parte portanto de todos os Quilopodos
Em 1900 começou uma disputa os cientistas acatados, como Brõlemann.
Verhoeff, Siutestri e Attcms, sobre a sistematisação deste grupo, ainda tão
pouco estudado e quasi diariamente enriquecido com nos-as formas, disputa ésta
muitas vezes estéril e carecendo dc fatores construtivos.
Comparando todas as tentatis-as modernas de estabelecer um sistema dos Geo-
filomorfos, impõe-se nos a convicção dc que tudo seja ainda muito problemático
por óra, c que os sistemas hoje vngentes sofrerão profunda alteração num futuro
proximo.
O motivo destas alterações da chave sistemática dos Geofilideos resulta do
fato de estes Quilopodos viverem sempre subterrâneos aparecendo casualmente
só á luz do dia. De construção morfologica aparentemente uniforme, os Geofili-
deos demonstram grande v^ariabilidade em muitos orgãos, dificultando desta ma-
neira a sistematização. Podemos concluir pois que é praticamente impossivel, dar
uma chave sistema.tica completa deste grupo porque dia a dia devemos contar
com um novo enriquecimento deste ramo da fauna neotropica.
267
310
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Em tempos mais modernos Verholfk elaborou a seguinte chave das ía-
milias ;
Geophilomorpha
Superfamiliae <
I
Phcodesimta Verh., 1908.
Adestnata V'erh., 1908.
1. Superfamilia : Placodesmata
Labro muito largo. Coxostrnium do 1.® maxilar dividido longitudinalmente
por suiura nxídiana. Articulos basilares dos telopoditos do 2.® maxilar muito
longos. Coxostcrmim destes apendices com reintrancia triangular. Pleuras do
segmento forcipular separadas dos telopoditos por lamelas laterais do coxoster-
nuni. Endoestemitos presentes.
Familia unica: Mecistocephalidae Verii.. 190L
43-101 segmentos com patas. Artículos jorcipiilarcs fortes, visiveis do lado
dorsal. Ferrões gratides. Placa cefalica mais longa que larga. Antenas mais lon-
gas que a pla,ca cefalica.
2 tribus com 3 gêneros, distribuidos pelo Mediterrâneo, America do Korte
e America Latina.
2 . Superfamilia : Adesmata
Labro não muito largo. Coxostemum do l.° maxilar sem sutura mediana-
Articulos basilares dos telopoditos do 2.® maxilar curtos. Coxostemum curto
Pleuras forcipulares sem separação dos telopoditos (exceção: Brasilopliilidae)-
Endoestemitos pequenos.
8 Familias :
1 ) Mandibulas com placa dentaria e uma serie de lamelas mais ou menos
paralelas. Esternitos com poros concentrados. Labro livre e uniforme-
!.*• Familia: Himantariidac*
2) Mandibulas com placa dentaria e uma lamela apenas. Póros glandulares
dos esternitos não concentrados ou de todo ausentes. Coxopleuras do ultmto^
segmento das patas com 0-2 glandulas {Escaryus com muitas glandulas)
WoLFGANG Bücherl — Os Quilopodos do Brasil 311
Labro constando de uma arcada mediana e 2 placas adjacentes, portanto, tri-
partido. sendo a lamela dentaria frequentemente dissolvida em secções qui-
tinósas : 2.* Familia : Schendylidae.
3) Mandibulas sem placas dentarias, ou sómente com rudimentos
de placas 4,5
4) Mandibulas com algumas lamelas. Póros glandulares dos
estemitos dispostos irrcgularmente 3." Familia Oryidae.
5) Mandibulas com uma lamela apenas 6.7
6l I^bro atrofiado inteiramente ou apenas na zona mediana. For-
cipulas com 1 articulo intermediário somente ou com articulo
terminal extremamente curto. 2.®* maxilares sem garra termi-
nal. Estemitos sem póros. Telopoditos das ultimas extremida-
des com 5 articulos 4.* Familia: Aphilodontidae.
7) Forcipulas sempre com 2 articulos intermediários. .Vrticulo ter-
minal nunca muito curto. Segundos maxilares com garra ter-
minal. Telopoditos das ultimas extremidades geralmentc com
6 articulos ; Labro uniforme, com pontas ou denticulos na bor-
da posterior 5.® Familia: Qonibregmatidac.
8/ Coxopleuras do ultimo segmento de j>atas circuniscrito para es-
tes segmentos sómente, não alargado para os segmentos vizinhos 9,10
9) I^bro forte, com franjas na borda posterior. Estemitos com 2
campos porosos, um atrás do outro: 6.* Familia: Himantosomidac.
10) Labro tripartido, sendo atrofiada a parte mediana ou as duas
zonas adjacentes, ou o labro todo é mdimentar. Elsternitos ge-
ralmente com 1 campo poroso ou sem algum. Encontrado-se
2 campos, o anterior é dividido em 2 laterais pequenos 11, 12
11) Corpo geralmente estreito na frente com cabeça muito pequena. Labro
H) Corpo geralmente estreito na frente com cabeça muito peque-
na. Labro atrofiado ou com parte mediana grande e zonas
adjacentes mdimentares 7.® Familia: Scolioplanidae.
12) Corpo não muito estreito na frente. Labro tripartido com
parte mediana rudimentar e com zonas adjacentes grandes:
8.® Familia: üeofilidae.
Éstas 8 familias subdividen-sc cm 18 subfamilias com 65 gciicros mais ou
'Plenos. Dar aqui uma descrição exata de todos estes generos. além de transpor os
1'tnitcs deste trabalho, seria inútil, no tocante as fonnas que não são encontra-
269
312
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
das no Brasil. Limitar-nos-emos, por conseguinte, exclusivamente aos espéci-
mens neotropicos e brasileiros.
Carlos PoRTER, em “Introduccion al estúdio de los Miriópodos”, em 1911,
menciona os seguintes Gcofüotnorfos, encontrados no Chile.
1. Fam. Geophilidae
Especies: Pachymcrinus .miUcpunctatHS\ 65 mm. 61 pares de patas
” camJÍcuIaius ; 75 mm. 75 ” ” ”
” pluripes;
” porleri;
Eurytion gracilc;
” metopias;
” michaelseni;
Pachymerium anmtum;
Schizotaenia alacer; 9 mm. 33 pares de patas.
” psilopus;
Apogeophilius clavigcr;
Linotaenia araucanensis; 30 mm. 43 pares de patas.
2. Fam. Schendylidae
Schendyla montana, 16 mm. 40 pares de patas.
Os nomes de muitas destas especies são considerados hoje sinónimos.
Quanto ás formas dos paizes adjacentes ao Brasil encontramos referenciíis
ainda que em grande parte insuficientes nas monografias de Sylvestri. Em-
"Oiilopodi e Diplopodi delia America Meridionale 1895”, o A. descreve as sC'
girintes especies.
a) Orphnaeus polypodus SiLV. (Rio Apa, Paraguay) :
Fetnea: 70 mm. Com 112 pares de extremidades, sendo as patas anais n»t=>
longas que as anteriores. Pleuras pequenas sem póros. Esternítos com póros di*
minutos. Esierníto final curto e largo. Tergítos bisulcados.
Tclopoditos forcipulares atingindo a margem frontal, com coxas e /ew***^
inermis. Antenas longas. Placa cejalica tão larga como longa.
WoLFGAXG Büchehl — Os Quilopodos do Brasil • 313
b) Geophiius paraguayensis Silv. (Rio Apa, Praguay) : Femra 20 nim
de comp. 41-43 pares de patas.
c) Geophiius armatus Silv. (Argentina) : 24 mm. 54-55 pares de patas.
Em “ChUopodi e Diplopodi de la Guayra, Venezuela”, 1896;
d) Orphnaeus brevilabiatus (Pita).
Em “ChOopodi e Diplopodi dei Chaco Bolivbno e dela Argentina”, 1897 :
e) Nannophilus bolivianus Silv.
Elm “Chilopodi e Diplopodi neU’Ecuador”, 1897 :
f) Polycricuj cquaiorialis Silv.: 30 mm. de compr. 55-57 pares de patas.
g) Notiphilides tnaximiliani {Oryidae) : Santhiago.
Em “Nova Geophiloidca Argentina”, 1898:
h) Orinophilus platensis Silv.: 9 mm. de compr. 31-33 pares de patas.
i) Aphilodon spegazáni Verh.: 42 mm. 63-65 pares de patas.
l) Eurytion centralis Silv. Colombia; 46 mm. 65 pares de patas.
Em “Descrizione di alcuni generi e species di Geophüotnorpha’’ . 1909:
m) Macronicophilus ortonedae Silv. Ecuador.
n) Aphilodon intcrmedius Silv. Missiones.
o) Aphilodon augustalus Silv. Missiones, Corumbá:
Femea estreita na frente, .•\marclada com placa cejalica ferruginosa, mais
longa que larga. Antenas duas vezes mais longas que larga. Anlenas duas wzes
mais longas que a placa cejalica. 4-7 poros coxais. 55-59 pares de patas. 18 mm.
de compr.
p) Aphilodon modestus Silv. Paraguay: 9 mm. de compr. 45 pares de
patas.
r) Mecophilus ncotropicus Silv. Paraná: 8 mm. 35 pares de patas. Pa-
tos ultimas 2 vezes mais longas que as outras, grossas na base, com 8 póros
glandulares subcoxais. As outras extremidades são curtas sendo o 6.® articulo
mais longo que o 5.°.
s) Apogeophilus bonariensis Silv. Buenos Ayres: 16 mm. 55-59 pares
de patas.
t) Dtnogeophilus pauropus Silv. Uruguay.
271
314 .
Memórias cio Instituto Butantan
Tomo XIII
Brõlemann, no comecjo deste século, descreveu 11 espícies de GeopUilidius
brasileiros, pertencentes a 7 generos diferentes, distribuidos em 4 familias;
(ieophilidae
I
Geophilus auiücmiiii Gerry. 1897.
Geophüus sublacvis Mein.
Chomatobius brasiliamis Humb. & Sacss. 1870.
(ionobregmatidae Aphilodon vttcronyx Brõl. 1901.
Orydae
Hcnwrya latigissima C(X)k. 1896.
N otiphilides grandis Bròi.. 1903.
Grphaeus brasiliensis Mein. 1870.
Schendylidae
ScJicndyla brasiliana Silv. 1897.
Schcndyla gounellei Br5l. 1902.
Schcndyla imperfossa Brôl. 1901.
Schcndyla paulista BrcIl. 1SK)3.
Attems, eni "Einige neuc Gcophiliden it. Lilhohiidcn dcl Ilamburgcr 3/:<'
scum”, 1934 descreveu uma nova apecie:
Brachyschcndyla pcclinata Att. 1934.
40 mm. 55 pares de extremidades. Clipeo de estrutura rude, unifoniie, »-•
com algumas cerdas quasi microscópicas. Labro com reintrancia moderada c
mais ou menos 30 denticulos, dos quais os 8 externos são agudos e curvos, os
internos curtos e obtusos. Antenas filiformes com pelos curtos e abundantes
todos os articulos, não se encontrando cerdas maiores. Os 13-14 dentes mandf
bulares são reunidos em blocos. 1.® maxilares com 2 pares de palpos lisos e es-
treitos, curvos contra a linha mediana. Apendices coxais dos segundos maxiloff^
não separados nitidamente. 2.® c 3.® articulo telopoditico com cerdas. Coxa
cipular com pequena reintrancia mediana, porém sem labclos. Todos os articulo»
lisos na borda interna. Tergitos com 2 sulcos longitudinais, com poucas cerdas.
não enfileinadas. Esternitos pontuados, com cerdas curtas; duas caviilades oblon-
gas. medianas: sem poros ventrais. Ultimo esterníto quasi quadrado com bód-
das laterais fracamente convergentes e com cerdas abundantes. Ultimas pal*’
do macho grossas e com muitas cerdas. Coxa com 2 póros; 1.® e 2.® articulo
tarsal do mesmo comprimento, sem garra terminal.
Petropolis. (Também existente na coleção deste Instituto).
Veriioeff, em “Über cnige Chilopoden aus Australien «. Drasil»-''* >
1937 menciona uma especie noz'a, pertencente a familia Oryidae. Também entt^
os Geophilidios de nossa coleção encontram-se exemplares desta especie, obo-
WOLFGANG BÜCHERL
Os Quilopodos do Brasil
31Õ
gando-nos a referir os característicos mais necessários: Orphnacus porosus
Verh. 1937.
60-120 mm. 95 a 103 pares de extremidades. Amarelo cinzento. Tergitos
com 2 sulcos paraincdianos que desaparecem progressisamente nos tergitos ante-
riores, completamente ausentes nos tergitos 1-5 e nos 6 últimos. Esternitos lisos.
Aniems 2]^ vezes mais longas que a placa cefalica. Do 3.° segmento em diante
existem paratergitos. Telopoditos do 2P maxilar com 3 ou inúmeras cerdas.
IP estemíto com faixo porosa estreita deante da borda posterior; na frente
poucos poros. 2P esternitos com 5-6 póros na zona posterior, na linha mediana.
Estigmas anteriores oblongos.
Minas Geraii, S. Paulo e Mal to Grosso.
Orphonaeus brasilianus Humb. & Sauss.
Esternitos do ultimo segmento mais largos que longos. 67-103 jiares de
extremidades. Colorido uniforme, mais escuro no lado dorsal que no ventra!
Borda posterior do ultimo estemíto réta. Paratergitos desde o 3.° segmento.
Articulos basilares das antenas um pouco afastados uns dos outros. Gonópodos
da femea biarticulados. uma ^•ez e meia mais largos que longos (Articulo Ixi-
silar 2 vezes mais largo que longo). Esternitos com 2 faixas porosas transver-
sais, unidas por póros laterais num quadrângulo. Os 4 ultitnos esternitos care-
<^em da faixa porósa anterior.
4 exemplares na coleção de Quilopodos deste Instituto.
273
VIII
DISTRIBUIÇÃO GEOQRAFICA DOS
ESCOLOPENDROMORFOS
Ainda estamos longe da possibilidade de elaborar um esquema perfeito sO"
bre a distribuição geográfica dos Escolopendromorfos de nosso pais. Território»
imensos continuam desconhecidos. A fauna do estado de S. Paulo é certamente
a mais conhecida de todo o Brasil, permitindo-nos fazer uma estatistica já ben>
cería no tocante aos Escolopendromorfos deste Estado.
Os Quilopodos são animais caçadores, munidos de aparelho de veneno, de-
pendendo, portanto, em 1.® logar de insetos s-ivos. Preferem terreno acidentado»
quente, principalmente mattas com densa folhagem, encoritrando sempre caÇ3
abundante nestes sitios. Evitam cuidadosamente a areia movidiça. Mudam fre-
quentemente a moradia; porém, uma vez alojados num logar apropriado, o^de
encontram alimento em abundancia, constroem ali sua moradia.
Sertões áridos, rios largos e montanhas altas são barreiras naturais que Ih®’
tolhem a passagem. Os rios pódem ser casuahnente transpostos, quando ilhas oU
objetos flutuantes lhes servem de meio de transporte.
Nos arredores dos portos maritimos encontramos Quilopodos exóticos, abor-
dados ás praias por meio de navios ou mercadorias.
Basciando-nos na lista de frequência de Quilopodos, elaborada pelo Pr®*-
Brõlem.\n*n, estabelecemos a seguinte lista de frequência c distribuição geoç^'
fica dos Escolopendromorfos brasileiros, muito incompleta e provisória;
Escutigeridios: estados de S. Paulo. Minas, Matto Grosso, Santa CathariU^'
Pará e Rio Grande do Sul.
Lithobiideos:
Escolopendrideos :
üeofilideos:
Em todo o Brasil.
cm
7SCÍELO, ;l1 12 13 14 15 16 17
271
. WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil 317
A porcentagem de frequência dos Quilopodos é a seguinte:
Escutigerideos 15%
Lithobiideos 15%
Escolopendrideos 50%
Qeofilideos: 25%
No Brasil encontram-se 2 familias autóctones:
Aphilodon e Newportia scolopendropsis ocupa uma posição sistemática,
pouco esclarecida.
As especies mais frequentes no Estado de S. Paulo são as seguintes:
Scolopendra znridicornts,
Scolopcndra subspinipes,
Parotostigmus pradoi,
Parotostigmus scabricauda,
ParotoJiigmus dctucUoi,
Rhysida brasiliensis,
Rhysida nuda,
Rhysida celeris,
Scolopocryptos miersii.
Trigonocryptops iheringi,
Otocryptops jerrugineus,
Newportia longitarsis.
275 -
Problemas anatomo-fisiologicos ainda não esclarecidos
14.
Como decorre a embriogenese dos Anamorfos?
Fazer observ-ações sobre a ovo-viviparidade dos Escolopcndrideos.
Obser\’ar a copula nos Quilópodos.
Será que todos os machos depositam espermatóforos no chão?
Há bipartição dos ouvidutos nas femeas dos Criptopideos e enlaça o ramo
atrofiado o réto?
Componentes químicos do veneno e experiencias farmacológicas da toxina
de lacraias.
Qual é o significado das glandulas coxopleurais dos Quilópodos?
Encontra-se inervação dos pelos antenais?
Existe um orgão maxilar nas Escolopendras ?
Existe um orgão frontal nos Geofilideos?
Qual é a função das células humorais do epitélio do intestino médio?
Existem corpos linfáticos nos Escutigerideos e Geofilideos?
Qual é a natureza dos corpúsculos heterogeneos dos corpos linfáticos?
Qual é a função dos grãosinhos gordurosos no sôro?
Qual é a origem dos musculos longitudinais dos vasos malpighianos ?
A disposição dos escleritos pleurais nos diversos generos e especies.
Fazer observações, si os sulcos dos esternitos correspondem ou não a ver-
dadeiras suturas.
Qual é a formação dos segmentos intercalares?
Qual é a importância fisiológica do tecido gorduroso?
C»d. 20
277
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
cm
SciELO,
11 12 13 14 15 16 17
WoLFGANG Bücheiii, — Os QiiHopoilos (lo BrosU
Mcm. Inst. Butantan
Vol. Xlir — 1939
Fotomicrosr. I
PoíyJesmusz impre5»õe» cm barro, causadas ptíos cscrcmentos.
6 VCZC9 aument.
Fotomicrogr. 2
^olof^endra firidicornisi corte transs-ersal a 6 micras através da gtandula de veneno.
Com forte aument.
279
WoLFGANG Bücherl — Os QttUopodos í/o Brasil
Mcm. Inst.
Vol. XIII — 1939
Fotomkrofr. 3
ScoJcf^udra tririJicomis: c6rte loojritDdina] a 10 micras ao lonfo do cstifina.
obcsnrando-M os (rires de pêlos que fexam o fundo do calke estigtnal como tam*
bera as fiteiras de pelinbos que ladetam as paredes inten»as do cálice. Ko fundo
observamos um grande alargamento cansado pelas terminações d ^ y traqoeas e
senrindo de camaras de reserva de ar. (Cocn forte aumenta)
Fotofflicrogr. 4
Scoíer^dra viridicormú: corte transversal a 7 micras através do vaso dorsal, observao'
do-se as edntas pencardiacas e eod«ardiaca5 e os musctilos aliformes, juntamente com
o septo dorsal e as camadas da rauscxilatura dorso-lateral. Aumento forte.
280
SciELO
cm
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
Man. Intt. ButanUn
Vol. XIII — 1939
> ofoBticTofr. 3
Sntoffodra tin.ííf*rnú: córtc tr»n»VCTMl atrarn do mooilCTÓn. <í>»cTTaB«fc> »« mi cima
a< tic» camada» dc quilina c unida» á» rocvna» « feixe» mu»culare» docwlaitrai». Xa
linha maliana oWrrania» o coreão cora o» muKuk» aliformc» tnanaularr». Km baixo
do coracio <kt>aram »* noa o» tc»ticol«» rnvollu» t<ela> crful-i» adipo»a». cu)o« contorn»»
•do muito niliih*. >Iai» I»ara Icuxo nutamo» a» camada» mu»cularc» (ini»»ima«
mc»ailaun. Auraoito forte.
SciELO
Ku(om)cr<jrT. 6
Scotofenira rírvficorní»: raw doixal. ri»to cora (cande
mente o« contorno» cdulare» do» demento, paicardiaco».
ot oütióicv .\ttnMtito forte.
amoenlo. Otnenrain-M nítida*
Icualmcnte pódem ter TÍttos
cm
Woi.KGAXG BCcheri. — Os QiiHopodos do Brasil
Mem. Init. Butant»»
Vol. XIII —
Fo<ofBÍcroicr. 7
Scci^^KJra firídUornU: corte tranj^^er^al atrarcs da zona posterior do mescnleroo, per*
cetendo-se nilidamenie eleracnlo^ celulares dentro do coraçio como tarobem oe contomn*
das ccinlas pcricardiaca» e os • feixes do* moscolo* aliforcnes. Os testictdos s&> envolto# por
elementos adiposo# nitidamente contornados. Na zona superior, em ambos os lado#, obeerv.i*
mos os feixe* musetUares dorso*l£terais. Aumento forte.
Fotoroicrottr* 8
Scol^fcndra viridicornis: córte transversal através da refiâo ev>fa*tana. No lado supe*
rior e nas zonas laterais deparam-se-oos feixes muscidares dorsais, dorso-laterais e dorso*
ventrais. No meio notamos o esofago e sobre o roesnio a aorta cefalica. Em seu lado
inferior observamos o gânglio nervoso sohesofageano. Entre o esofago e o gânglio vem?s
o feixe muscular horizontal. Em toda a região entre o gânglio e o esofago eocno tam*
bem em ambos os lados do esofago ubservamos numeroso# vacuólo#, constituídos pdas
traqueas respiratórias cortadas transversalmcnte. Aumento forte.
282
WoLFGAXG BCcherl — Os QiiHopoilos do Brasil
Mcm. Inst. fiutAnton
Mrtn. Inst, SotAntsn
• > * *
Fotonicrocr. 9
'»«' t«n.«r«I „ra«. A. „m, ,.»,„i„r do m««,leTon.
-Xo I«k> doi^ oWrr»n»« o cvríçio coo a. cHul« «ocaidiacas Jiformc. Unido
«^mo dn*r» «jK« o va. dcfvrvn. * rm ambo, o. Iad«. jã na xona «tcrior
o. do., va». malp.*h>.no.. .\o cmlro oUvnramo. o Int» digv.ti.ou Xo lado wntral
*Í. T C»ngIio«ar vvntral, mmto unida», tvn.lo vm
»vu lado dov«l a artvru. wntral. Xo lado infvro-Utvral ol-vrvamo. a. 4 glandol...
svn.ta.. ac««or.a.. vnvoJta. nvlo corno ad.no». .\umvnto forte
KotomicrDKr. 10
Sc^opmára viridtcomis: córie transrrrsal atrarés da rona «ofaecana. O «ofaco fonna nu-
nerósot s^os intemo«. prmchidos por demento» mo»culare«. Por cima do esofago depa-
ra-»e a aorta ecfalica e em ambos os lados as traqueas. Em baixo vemos muKulot horiaootais.
Aomeoto forte.
283
WOLFGANG BÜCHERi, Os Qtlilopodos do Brasil M«n. In»t. Butanta»
VcJ. XIII — 1939
Fotomicrogr. 1 1
Sc0Ícpcndra X'iridUotnisi côrfc transrrr^a] atravn de um fanglio oer*
vo*o vcntral, ob^/rvando-^c em ambo» lado» a estrada do» nervua
pcnfcrico». Dentro da ma»«a ranflkmar noCaroo» vestifio» de tm:
»uIco borixontal c um rerticaJ, ktkío o ultimo o indicio da duplicidade
primitiira» de*te irartelio. No ta<Ío rmtral ob^erramo* cdula» adipó*
»a» e no meio da» me«mas al{r\in» traf^ueólo». Aumento forte.
Fotomicro^. 12
Sicoic^cndra tiridicornir: continuação da série de corte», dos quais um é representado na fot.
11. O sulco longitudinal da massa ganglionar é bem nitido. No lado superior bera unida ao
gangbo, obser%amos a artéria de^endens rentral. Em redor do gânglio deparam-se-no» ele-
mentos adipósos e musculares. Aumento forte.
281
WoLFGANC BCcherl — Os Qiülopodos fio Brasil
Mcm. InsU Butantan
Vol. XIII — 1939
FotoiBtcmcT. IJ
Séri« d» ScmIoffHirã xirUiformis TÍ»«a i»Io lado doraal.
285
WoLFGANG BiciiERL — Os Qiiüopodos ilo Brasil
Mem. Inst.
Vol. XIII —
^ympoftíi&ssSSS/fe»
FotfjrnicnufT. 14
Série i1a Scolo^mdra x^ridíccrmis %-ista p«lo lado renlral.
APENDICE — AXHAXG
I. Brasilianische Scutigeriden
In der neutropischen Zone ist bis hcut" so vicl wie übcduiupt nicht übcr
Scutigcriden gearbeitct worden. Allgcmein war nian der Ansicht, es würdc sich
hier lediglich um Formcn handeln, die aus anderen I-ãndern nach hier Z'er-
schleppt worden wãren (durch Schiffsverkchr). Dass dem aber nicht so sein
kann, crhehlt schon aus der Tatsache, dass in BrasUien Sculigcrídcn nicht nur
in Küstenstãdten oder in Ortscliaften. die an der Bahn licgen. sondem auch
tausende Kilomcter weit im Innern vorkommen, unter Steinen und Felsen
sowohl, ais auch in deu Hüttcn der Eingeborenen. Mit Recht betoní Verhoeff
in einer Monographie, “Dass man sich, was gerade diese Zone betrifft, noch
auf viele übcrraschungen gefasst machen kõnne”.
Ungefãhr um die Jahrhundertwendc führt Brõlemaxn in scinem “Cata
logo da Fauna Brazileira", vom “Museu Paulista” die Seutigera nigrovillala
Mein. auf. und Silvestri erwãhnt noch cinige Excmplare aus dem Gran Chaco
und aus Chile, — das ist alies, was uns bisher übcr diese interessante Tiergruppe
berichtet wurde. Weiin man bedenkt, dass erst Verhoeff es war, dem es
gclang. ein entscheidendes Diagnostikum in den Gonopoden der Weibchen
aufzustellen, dann kann man verstchen. wie wcnig man mit Scutigeridcnbe-
schneibungen aus dem vorigen Jahrhundert, wo man auf die dusseren Ge-
^chlechtstnerkmale überhaupt nicht sah — (siehe Scut. nigroiittata Meinert),
anfangen kann. Allerdings konnte ich bei einigen Formcn, die ich im Folgen-
den von neuem beschreiben werde, nachdem sie bereits in einem meiner Aufsãtze,
der in der Zeitschrift “Rev-ista de Biolcçia e Hygiene 10 (1) :54-64. 1939” der
“Faculdade de Medicina, São Paulo”, erschienen bt, bchandelt wurden. cine
ãberraschende übereinstimmung hauptsãchlich der Artikeln am 1. Tarsus der
Beinpaare und der Domrcihen am Prãfemur. Femur und Tibia, feststcllen.
287
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
330
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Pseiliophorinae
Subfamilia ; Pseiliophorinae
Brasilophora BCcherl. 1939.
Fast alie Glieder am flag. prim. mal lãnger ais breit, ganz mit kurzeii
Haaren bedeckt. Ein Kranz lãngrer Haarc befindet sich am Ende jedes Gliedcs-
Die ersten 8 Glieder mit 1-2 Dõmchen vor dem Haarkranze. Flag. prim. 54-5S
Glieder. Am Ende vom Prãfemur, Femur und Tibia der Beine 1-11 je 3 Sta-
ch.eln; am Ende des 1. Tarsus je 2. Tarsalzapfen, gleich gross, in kleiner Anzahl,
nur am 2. Tarsus der Bcinpaare 1-6. Stigmenplatten mit Dõmchenreihen in
der Mitte, und dazwdschcn Haare. 6 7 Tcrgit mh 2 — 3 solcher Domen-
reihcn, die jedoch eine mittlere, lángliche Flãche freilassen. Die Domreih^n
setzi-n sich auch auf den Stigmenplatten fort, nur dass sie hier die Rundung
bcgleitcn. Jedes Dõmchen hat ein Haar zur Seite; dieses im gleichen Verhãltn»*
zur Grõssenzunahme des Dõmchens abnehmend. Stigmenplatten (6. -j- 7.) -
20 — 17 Dõmchen jederseits. Seitenwãnde der Tergíte dicht mit Haaren un<l
Dõmchen besetzt, so dass das Bild einer Sãge entstcht.
1. Beinpaar mit 18- 19-4-48 — 50 Gliedem an den b:iden Tarsen
2. ” " 15-f46
3. ” ” 15 — 16 -f 34 — 47 '• ” ”
4. ” ” 13 — 14 4-37 — 41
5. ” '• 11 — 14 -f 35 — 48 ’• ” ’•
W eibliche Gonopoden 3 mal lãnger ais breit. Die Bucht zwdschen <1^
MesartUren 2 mal lãnger ais breit. .^ussere Rãnder der Pro und Mesarthren e>n
wenig von vome nach hinten divergierend. .Innenwãnde der Mctarthren glai*'
ohne Kerbung.
Das neue Genus unterscheidet sich von PsclUophora Verhoeff durch
Vorhandcnsein von Domen am 6. und 7. Tergit; durch eine sael klcinere .Anz^h*
von Dornspitzen an den vorderen Rückenplatten ; durch die Gegcnwart von "
Tarsals.ncheln schon am 1. Beinpaar; durch die kleine Anzahl von Tarsalzapf^’
vor aliem aber durch die grosse Lãnge der Antennenglieder am flag. prinunn-
Brasilophora margaritata Bücherl., 1939
Weibch. : 42 mil.; Mãnnch.: 38-41 mil. Rúckenschilde dunkeíbraun. nii*
rotbraunen mittlercn Lãngsstreifen. Seitenrãnder dunkel. Stigmenplatten rõtlic^*-
Hintcre Kõrperrcgion, Sternite und Beine hellgelb. Letztere mit dunklen
388
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
WoLFGANO BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
331
ken. Antennenglieder am flag. prim. lãttgcr ais breit. Nodale und Postnodale
gut sichtbar. Flag. prim. beim Weibch. 45, beim Mãnnch. 58 Glieder. (Sielie
Fig. 44). Die ersten 8 Glieder mit 1-2 Dõmchen; \on dem Endrande ein Kranz
von lãngeren Haaren. 2. Maxilopodenpaar mit einem vielglic-drigem Tarsus.
mit Haaren und Cirren besetzt. Coxostemum mit 4 -f- 4 langen Stacheln, von
Haarreihen umgeben. Glieder am 1. und 2. Tarsus:
Wcibchen :
•Mãnnchen:
1.
Bcinpaar :
18 + 50
2.
••
15 J- 46
3.
••
16 + 47
4.
13 + 41
5.
*•
13 + 48
6.
11 + 43
8.
10.
11.
;
19 -i- 46
15 -1- 34
14 + 37
12 + 37
14+36
11 + 35
13 + 37
l.-ll. Bcinpaar mit je 3 Stacheln am Prãfemur, Femur und Tibia, und
mit 2 Tarsalstaclicln. (Siehe Fig. 45). Domen in den Haareihen: auf
der Ob;r- und Unterseite: am Prãfemur,
Femur und Tibia:
Wcibchen :
Mãnnchcn :
0
. Bc:n|iaar: —
0
0
0
0
25
0
0
0
0
20
0
b
17
0
0
30
6
0
23
6
0
26
15
0
26
9
C
29
4
0
14
24
0
17
9
1.
0
37
9
6
26
4
0
29
24
í.
0
30
15
•
,'om 6. — 11. Prãfemur des Mãnnchens
ist Zahl -
0
konstant.
33.;
>(emurias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Ausserhalb dieser Reihen kommen noch andere Domên vor, die unregel-
mãssig 1)ald vor dem Endrande, bald an den Seiten der Glieder steheti. Aut
den hinteren Beinen verlieren sich diesc unregeliriãssigen Domen immer mehr.
indem sie sich in Reihen ordnen, wobei an der Basis eines jeden ein Haar
entspringt. Die Tarsalzapfen der Mãnnchen sind grõsser und zahlreicher alã
die der Wcibchen.
Die Glieder des 1. Tarsus zeigen ausser den Sohlenhaaren 1-2 Dõrnchen,
ausgehend voni 4. Beinpaar, und zwar sind am 1., grõsserem Gliede 2, ani 2.
Wcibchen :
1 . Tergit :
vorhanden.
(Siehe
Fig.
45
U.46).
15
18
Dornspitzen
auf
beiden
8
+
7
ff
ff
ff
0
auf den
Seitenrãndem.
33
+
24
22
-r
12
2
-f
2
17
+
13
15
+
20
7
+
9
Die Zahl
der Domen errcicht ihren
Stigmenzonen
6. Tergit:
ãusserste Grõsse. Auf der Tergitflãche ordnen sich die Dõrnchen in I.ãngsrcih«t-
eine breite Mittellinic frei lassend. Stigmenzonen mit 24-31 Dõrnchen. Seitenr?-*’'
der mit Dornsãge. Die Domen dichter an der hinteren, seitiichcn Zone. Hier sin^
die Dõrnchen auch grõs.^er. Die beiden Stigmenzonen gelien vorne unmirtelbaf
in die Tergitflãche, in die medianen, beiderseitigen Tergitwülste Gber.
Das 7. Tergit zeigt die gleiche .-\u<bildung. (X^ide Fig. 48). 8. Tcrgil-
Lãnger ais breit. mit leicht geschwungenen Seitenrãndem. (Fig. 48). In 3^*^
Mittc eine muldenfõrmige Vertiefung. Hinterrand leicht auswãrtsgebogcn unJ
gerundet. Nur 5 Dõrnchen auf der Flãche. Ohne Haare. Seitenrãnder
Domen und Haaren.
Die Mãnnchen zeigen dieselbe Konstitution der Rückenschilde, nur dass l’^’'
ihnen die Grõsse und Anzahl der Domen erheblicher ist aJs l>ei den Wcibchf^’
und dass in denselben Maasse die Haare klciner und spãrlichcr werden.
Rcgclmãssigkeit der Domrcihen ist bei ihnen noch hõher.
Das Metarthron der weiblichen Gonopoden zeigt die gleiche Grõsse wie 3^*
Mesarthron. Dieses ein wcnig lãnger ais das Proarthron. (Siehe Fig-
und 48). .\usscnseiten des Pro- und Mesarlhrons fast paralell, nur wenig na^^
29ü
cm
SciELO
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WoLFGAXG BCxherl — : Os Quilopodos do Brasil
333
hinten divergierend. Proarthron mit dorsalen und ventralenMittelnãhten. Vorne
4 Quitinplãttchen jederseits, 2 in der Medíane und 2‘Iaterale. 'Das Unke Proar-
thron in das rechte hineingeschoben. Díe Haare auf der Dorsalseite bilden
Reihen, wobei die lãngeren in der hinteren medianen Linie licgen und nach
vome zu kürzer werden, wãhrend an der Aussenseite die lãngeren Haare vome
und die kürzeren hinten sind. Zwischen den inneren und ãusseren Dornen
befindet sich eine kahle Flãche. die auch Verhoeff in seiner Monographie
erwãhnt.
Die Mesarthralbucht ist lãnger ais breit, mit glatten Innenwãnden. wobei
ihre Breite gleich der Breite der Basis des MesartJxrons ist. Am Ende des
Mesarthrons befinden sich 2 Haarbündel, wobei das ventrale grõsser ist. .A.uf
derselben Seitc, nahe dem Ende, befinden sich zwei ganz schwache horizontale
Wülste, an denen einige lãngere Haare entspringen. Die Innenrãnder des 3/cf-
arihron sind gladt und leicht gebogen. Wcnn Verhoeff in seiner Mono-
graphie: — “Kritische Untersuchungen asiatischer Scutigeriden”, die er vor kur-
zem vcrõffcntlichte, bemcrkt, er habe an der Basis des Mctarthron eine kleine
gebogene Naht. deren Bedeutung nicht zu erkcnnen ist, festgestellt, so kann ich
dem hinzufügen, dass cs mir mõglich war, nachden ich verschiedene Gonopoden-
prãparate hergestellt, und sie, unter Zusatz von Chemikalien (Zedemôl, etc...)
durchsichtig gcmacht hatte. wenigstcns bei einigen Objektcn gcnanntc Naht ais
untcre Gclenkgrenze des -l/eí-und Metarthrons zu idcntifiziercn, wobei sowohl
das Mes- wie das Mctarthron je eincn Gelenkkopf bilden, die hart nebeneinander
licgen. und an ihrer Innenscite ineinandergreifen, so dass die Bcwegung too innen
nach aussen crmõglicht wird. (Siche Fig. 49).
Brasilophora margaritata Bücherl kommt in São Paulo, in Paraná, bis zur
Grenze von Matta Grosso \*or, und bevorzugt die mcnschlichcn Wohnungcn, be-
sonders die Küchen primitiver Holzhãuser.
Brasilophora paulista Bücherl, 1939
Mãnnchcn: — 23-24; IPcibchen 25 mil. Gelbrõtliche Rückcnplatten, von
2 Lãngsstreifcn durchzogen. Stemite und Antennen hellgclb. Bcine gelbrot
mit dunklen Flecken. Antennen: 41 Glieder am dag. prim.. darunter einige
ctwas lãnger ais breit, andere so lang wie breit und wieder andere cin wenig
breiter ais lang. Auch am flag. set einige Glieder lãnger ais breit. .•\ntennen-
glieder mit cinem Kranz von Endhaaren und an den Ecken 2-4 lãngere Borsten,
aber keine Dõmchen.
■J'Jl
cm
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334
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Dõmchen auf den Rückenplatten :
1 . Tergit : Stigmenplatten : 8 + 6 Dõmchen mit Haaren an ihrer Basis ;
13+9 auf der Vorderflãche ;
2 + 4 ” den Seitenrãndern.
2. Tergit:
15 + 12
4. Tergit: 16 + 14. 5. Tergit: 13 + 17.
8 + 8 .
14 + l-l-
6. Tergit: Stigmenzonen in der Vorderflãche übergleitend.
13 + 15
Seitenrãnder mit Dorasãge.
7. Tergit: Mittlere Zone des Tergits mit 2 brciten Lãngswülsten, unmit-
telbar in die Stigmenzonen übergehend. Die Dõmchen dieser Platte am grõss-
ten und zahireichsten. Auch Haare sind vorhanden.
Doriicn in Lãngsreihen geordnet. Dornsãge.
8. Tergit: Einige Dõmchen und Haare auf der Innenflãche. Seitenrãnder
noch fast domgcsãgt. Hinterrand zwcibogig.
Tarsalartikel :
1 . Beinpaar :
2 .
4 + 38: 3. Beinpaar: 12 + 38; 5.
15 + 39; 4. ” 12 + 36.
Beinpaar : 10 + 37 :
Das Prãfemur und die Tibia der ersten 6 Beinpaare zcigen Haareihen von
grosser Regelmãssigkeit, aber keine Dõmchen. \'om 4. Beinpaar an einige
unrcgeiinãssige, winzige Dõmchen an der Vorderfront der Endzone des Prâfe-
murs. Tarsalzapfen nur am 2. Tarsus einiger vorderer Beine. In kleincr .Anzahl
und alie gleich gross und gebogen.
Domreihen an der Ober-und Unterseite des Femurs:
17
0
20
12
17
1 . Beinpaar :
2. Beinpaar:
3. Beinpaar:
8
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WoLFGANG BCcheri. — Os Quilop>odos do Brasil
335
17
5. Beinpaar:
6. Beinpaar :
18
Stacheln am Prãfcmur, Femur, Tibia u. Tarsus der Beinpaare 1 — 6:
3 + 2 — 3 + 3 + 0 — 2.
Weibliche Gonopodeni Sehr ãhnlich denen von inargaritata, aber noch
lãnger und schmãler. Besonders die Metarihralanhãnge sind sehr krãftig und
auf ihrer Dorsalflãche unbchaart. Inncnrãnder glatt. Ausscnrãndcr des Pro- und
Mesarthrons von hinten nacli vome divergierend. Am Proarthron seitiichc
Haarrcihen. Dancben cine haarfreie vertíeftc Einbuchtung. Mesarthralbucht 2 mal
lãnger ais breit, mit leicht geschwungcnen glatten Innenrãndern. Die 2 Haarbün-
del \\-ic bei tnargaritata. Von dieser unterscheidet sich paulisía, durch die wcniger
langcn Antennengliedcr, an deren auch di« Dõmchen fchlcn; durch die geringere
Anzahl der Tarsalglieder, besonders des 2. Tarsus: durch die lãngeren und
*chmãlertn weiblichen Gonopoden.
Geographisch Arrteilt sich BrasHophora paulista wie die vorige Art. Je<loch
>st sie im Hinterlande des Staates São Paulos, in der Araraquarensesonc am
hàufigsten. Auch sie kommt in den Stãdten vor, und wird wohl von da ins Hin-
lerland vorgedrungen sein.
Die Mãnnchen sind ctwas kleinor ais dic weilx:hen. Ihre Farbc spiclt mchr
•ns Gell^rüne über. Zwei Mãnnchen, die an Orten gefunden wurden, zwischen
denen hunderte von Kilometer liegen, zeigcn doch eine so grosse übcreinstimmung
•n der Zahl ihrer Tarsalglieder, dass ich nicht umhin kann, zumal da Verhoeff
Slaubt. auch dieses QTarakteristikum sei zu sehr s^ariierend. um mit Sicherheit
*Ur Systematik Venvendung finden zu kõnnen, die Formei ihrer Tarsalglieder
^>icr aufzuführen:
Mãnnchen aus São Paulo; Mãnnchen aus der Zone von Araraquara:
Glieder am 1. u. 2. Tarsus.
2. Beinpaar:
13 + 34
13 + 34
3. " :
11+30
11+30
4. ” :
9 + 28
9 + 29
5. " :
8+28
8 + 29
7. ” :
8 + 27
8 + 26.
In allen anderen Beinen ist die Gliedcrzahl am 1. Tarsus beider konstant 8,
"^àhrend sich die des 2. Tarsus gradativ von vorne nach hinten TCniiehren. Auch
293
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336
4
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIIÍ
die Domenanzahl in den Haareihen der Extremitãtenartikel zcigt grõsste Ha-
monie.
Scutigerinae:
Brasiloscutigera Bücherl, 1939
Flag. prim. 110-125 Glieder; alle 2-3 mal breiter ais lang. Vordere Rücken-
platten mit Dornspitzen und grõsseren Haaren. Keine kleineren Haare daz\vi-
schcn. V'om. 4. Tergit an übergang der Donrspitzen in richtige kleine Dornca-
Seiteniãnderdomen in geringer Anzahí. 1. Beinpaar mit 2 Tarsalspomen. Dic
ersten beiden Beinpaare mit 2 Tibialspomcn : alle anderen, wic auch Prãfemuf
und Femur mit 3.
Tarsalzapfcn sehr gross: 9-15 am 2. Tarsiis der vorderen 7 Beinpaare.
1. Beinpaar mil 15 -f 37 Tarsalanikel
2. " '•13-1-34
3. - " 15 -f 34
4. " 11 -f 36
5. " " 10 -f 42
\\'cibliche Gonopoden sehr stark nach hinten divergierend. MesarthralbucM
kurz, aber sehr weit, breiter noch ais die Basis des Mesarthrons. Meiarthron
von gleicher Lãnge wie das Proarthron. Das ncuc Genus nãhert sich Balloncnut
Verhoeff sehr. unterscheidet sich jedoch von ihm 1. durch das Vorhandcnsein
von richtigen Domen (nicht Dornspitzen) auf den hinteren Rückenplatten ; 2
durch die beiden Tarsalspome am 1. Beinpaar; 3. durch die geringe Anzahl von
Tarsalzapfen. die schon vom 7. Beinpaar an allmãhlich verschwinden.
Das neus Genus unterscheidet sich auch von Parascutigera Verhoeff, md
dem es im Aügemeinen auch einige Ahnlichkeiten hat, einmal durch das Vor-
handensein von Tarsalspomen. die bei Parascutigera durchgehend fehlen ; durch
die Drcizahl der Tibialspome an den Beinpaaren 3-9. w.ãhrend Parascutigera aO
genannten Extremitãten nur 2 Spome aufweist.
Die Gonopoden von Ballonema und Paraseutigera sind mir leider unbckannt.
so dass ich gerade betrcffs dieses entscheidenden Merkmals keine unterschied-
lichen Bezeichnungen angeben kann.
Das neue Genus ist im Süden Brasiliens aiuutreffcn und scheint da ‘hií
Hochplateaux von Rio Grande do ^ul vorzuziehen. Wie weit sein eigentliches
Verbreitungsgebiet, wie auch das der oben beschricbenen .Arten, geht, ist
dem restrikten Material nicht festzulegen.
294
WoLFCAXC BCxherl — Os Quilopodos do Brasil
337
.(■ . Brasiloscutigera viridis BCciierl, 1939
Mánnchen 20-23; IFeibclicn 22-26 mil. Rücken und Scitcn hcller oder
dunkler grün schimmemd. Der grüne Farbton leicht geblasst. auch an frisclK*n
Tieren. Bauchseíte gelb mit grünlichem Schimmer. Ebenso die Bcine, dcren
Tibicn und Tarsen jedoch vollstãndig gelb sind. Aiilcnncn sehr lar.g, mit gui
ichtbaren Nodalc und Posinodalc. 114 Glieder am flag. prim.. Einigc Glieder
ganz extrem kurz, so dass sie den Eindruck eincs Ringcs hinterlassen. Am End-
rande ain Kranz lãngerer Haare und dazwischen einige Borsten. Donien nichí
vorlianden.
Beinpaar :
15 -f- 37
Tarsalzapícn:
7
Dic ♦rsten 5 Beinpaare
13 -i- 34
*•
8
nur Haarrcihn. aber keine
15 H- 34
9
IXimcn.
0 0 8
11-1-36
-
9
6. I^inpaar: — —
0 8 14
0 4 17
10 -f 42
9
0 10 14
-•\n einigen vordcren Bcinen cinigc vcrstrcute Dõmchcn.
Tcrgit: 12 feinc Domspitzen, sonst vollstãndig kahi. 01>erílãchc grob
gekõrnt.
Tcrgit: ungefãhr 30 Domspitzen. .-\n den Scitcnrãndern cb nfalls einigc
Domspitzen.
Tergit: Die Domispitzen sind schon grõsser ais aut den vorigcn Tcrgiten
und ordnen sich allmãlilich zu I.ãngsrcihcn.
Tergit: 25 Domen an den Seitcnrãndcm ; 30 Dorntn auf der Rückcnflã-
che in I..ãngsreihcn gcordnet und mit einem Haar an ihrer Ba-
sis. Ausserdem sind noch unregelmãssig vcrstrcute ITaare vor-
handcn. .Auf den Stigmenzoren 6 Dõmclien jcdcrscits.
Tergit: 14-}- 15 Dõmchcn an den Seitenrãndern :
15-1-13 Dõmclien auf der FlãclK;
5 -|- 4 Dõrnchen auf den Stigmenzoncn.
Tergit: etAvas breiter ais lang, mit leicht geschwungcncn und nacli hinten
konvergierenden Rãndem. Endrand síumpf, gcrundet, mit leich-
tem Mitteleindruck. 12 Dõrnchen auf der Flãche; 4-f4 Dõm-
chen an jedem Seitenrande.
295
cm
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
Weibliche Gonopodcn ein wenig lãnger ais breit, mit stark nach hinten
divcrgierenden Aussenseiten. Mesarthrdbucht sehr weit und kurz. (Siehe Fig. 50).
Auf der \'’entralseite des Proarthrons 7-5 lãngere Borstcn am Aussenrande
jcdcr Seite und 14-15 in der Mediane. Daneben eine kleine Lãngsdepression.
MeMrthron am Gninde fast so breit wie die Innenbucht. Vorderrand der
Bucht dreicckig, leicht geschwungen. Auf der Dorsalseite zahlreichere Borstcn
ais auf der Ventralscite (Siehe Fig. 50 u. 51). Metarthron mit seiner Basis
dicht an das Mesarthron herangerückt, so dass seine Bcweglichkeit eine sehr
verminderte ist. Auf der Ventralscite ist das Metarthron glatt und borstenlos,
mit Ausnalime von 2-5 Borstcn vor seinem Endrandc. .Auf der Dorsalseite dagegeo
sieht man eine Borstenlãngsrcihc, welchc bis ganz nach hinten reicht. Innenrand
des Metarthrons glatt. Erst bei 100-facher \'ergrõsserurg kann nun tine ãusserst
feine Kerbung beoíxichten.
Brasiloscutigera unterscheidct sich von lírasilophora durch die .-\nzahl.
Form und Lãngc der .Antcnncnglicder und die Gonopodcn.
II. Bemerkungen iiber Scolopendra viridicornis
.-\uf Grund morphologisch-biomctrischcr und farblicher ranationen
durch die goegraphische .Ausdchnung der ncutropischen Zonc mit ihren ver-
schiedenen Klimaten, mit streng ariden Gegcnden einerseits (Chaco, Ceara,
Matto Grosso), mit fcuchtwarmen Flussniederungcn (.Amazonas, São Francis*
co), mit ihren Hõhcnlagen andererseits (Itatiaya c Roroima 3000 m.) sehc
mich gczvvungen, die Scolopendra viridicornis, die wohl die hãufigste und I)"
pische Skolopendraar: Süda.mcrikas darstellt, indem sic in allen obengenannteu
Zonen erscheint, in 2 Unterarten einzuteilcn, und zwar in:
1. Scolopendra znridicornis nigra. n. subsp., 1939 und
2. Scolopendra znridicornis zdridicornis, n. subsp., 1939.
Scolop. viridicornis nigra, n. subsp.
Tergitc dunkel. fast schwarz bis tief-
schwarz mit mattem rot-grünlichem Glanz.
N*ur selten Endrãnder grünlich. Kopf,
erstes und letztes Kõrperscgment rot, grell
vom übrigcn Kõrpcr. abstechend.
Minnch. 10 — 15 cm. Weibch. 11 —
17 cm. I.etzter Tergit und Prãfemur
rauh. Episcutalfurchen schwach bis fast
unkcnntlich. etwas stãrkcr in der hinteren
Hãlfte des Tergites.
Scolop, virid. viridicornis, n. subs-
Tergite rot-braun mit grünen, grauen edef
blauen Endrãndem. Kopf, erstes und letr**
Kõrpersegmcnt rõtlich, vom übrigen Kõrp*^
nkht sehr abstechend.
Minnch. 14 — 17 cm. Weibch. 15
19 cm. Letzter Tergit und Prãfenmr
Episcutalfurchen normal, gut sichtbar.
einigen Tergiten ist auch eine kleine
Mitteifurche hinten ausgeprãgt.
296
cm
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WoLFGAXG BCxhebl — Os Quilopodos do Brasil
339
Stemite mit gut ausgepràgten Lãngsfurchen,
dic Ton Rand ru Rand laufen.
Antenncn 17 Artikel. 3. 1/3 ohne Haare.
Seitliche Berandung der Tergite vom 3. an
bcginnend.
Leutes Tergit mit gut entwickcitem Me-
diankiel, der den Hinterrand bet weitem
nicht erreicht Vor dicsem ein seichter
Medianeindruck. Mediankiel vome viel
breiter ais hinten. Zu seincn beiden Seiten
viele kleine Hõckerchen. Manchmal An-
deutungcn cincr ãusserst zarten Furche in
der Mitte des Kieles. vorne stãrker, nach
bintcn schwãcher werdend.
Atn letzten Prãfemur 12 — 17 Domen, in
ordnungsloser Verteilung.
Habitat: — S. Paulo, Minas, Matto Grosso;
Lãngsfurchen der Stemite breit, oft vor
dem Hinterrande auslaufend.
Antcnnen wie bei nigra, nur stãrker imd
lãnger.
Seitliche Berandung vom 3. — 5. an
beginnend.
Mediankicl des letzten Tergites erst dichl
vor dera Hinterrande abschliessend. Der
Kie! selber sehr schwstch und fetn am
Anfang; in der Mitte allmãhlich erstar-
kend; in seiner letzten Hãiftc dic grõsste
Brrite erreichend und oral abschliessend.
In dieser Verbreiterung eine kurze, tiefe
Furchc, dic nach vome ausiãuft, ohne jedoch
den dünnen Teil des Kieles zu errcichen.
Keinc Hõckerchen.
Die Domen am letzten Prãfemur meist
geordnet, und zwar 6 untere in 3 Rcihen,
1 medialer und 3 anf der oberen intemen
Seite.
Habitat: — õstliche Siaaten Brasiliens, vom
Xorden bis zura Süden, und Randgcbiete
des Hintcr landes.
Beide Unterarten liegen mir in mehr ais 40 Exeraplaren vor, imd konnte ersehen dass sie
teilweisc nebeneinander vorkommen.
III. \’^ERHOEFFS neue Otostixminenuntergattungen
Verhoeff, in eincr Monographie aiis dem Jahre 1937, macht sehr trcffcnd
den Versuch, das Genus Otostigmus in Untergenera cinzuícilen. .^uf Grund
Oieiner morphologi.«chen üntersuchungen sehliesse ich mich scincr meisterhaften
Und übcrsichtlichen Neuordnung nicht nur nicht an, sondem sehc mich aucli
gezwungen, seinem Schlüsscl eine neue Unlergaítung, dic ich in einem .Aufsatz,
der 1939 in der Revnsta de Biologia und Hygicne, São Paulo, crschiencn ist.
ÍJeschriebcn habe, anzufügen:
Subgenus: Coxopleurotostigmus Bücherl, 1939.
“Das letzte Kõrpersegmcnt des Mãnncliens mit langen, {ingcrfõrmigcn
I^ortsatz. Coxopleurien mit langem, leicht einwãrtsgekrümmten cinspitzigcn
I^ortsatz, ohne Domspitzen am Ende”.
297
cm
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340
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
<
Otostigmus (C) Cavalcanti Blcherl, 1939.
Lãngc 36-45 mil. Grün bis metalliscliblau, leicht glãnzcnd oder riet dun-
kelgrün. Stemite und Beine dunkelgelb; Beine mit hellen Punkten. Amenncn
mit 18 Gliedern, davon 2j/$ unbehaart, die übrigen gleidiniãssig goldgclb be-
baart. Coxostemum nrit 5 + 5 — 4 + 5 Zãhnen, teilweise an ihrer Basis ver-
wachsen. Basilarfurcben deutlich, einen Winkel von 160'’ bilden ; an ihrer Spitzse
eine giit sichtbare, kurzc Medi^furche. Episkiitalfurchen voni 5.-6. Tergit an.
In ihrer Mitte oft eine Lãngsdcpression, die sich stellenweise in einen leicht
crbabenen Wulst verwandelt. Xur 21. Tergit gerandct: einige vordere md
Scheinrãndem. Letztes Tergit des Mãnnchens mit fingerfôrmigen Fortsatz, der
lãnger ist ais das Tergit selbst und auch lãnger ais der von O. coudatus BroI-
(Siehe Fig. 53, 2-3). Die Spitze des Fortsaizes seitlich zusammengepresst, md
2 làngsovalen Grübchcn mit langen, roten Haaren. Beim Wcibchcn ist def
Hinterrand des letzten Tergits normal, leicht spitz vorgewõlbt. Stemite ganí
glatt, ohne Furchen und Eindrücke. Endstemit des Mãnnchens mit geradem
Hinterrand; davor, in der Mitte eine kleinc, dreieckigc Einbuchtung. Coxo*
pleurien des Mãnnchens mit langen dünnen, cinwãrtsgckrümmten. Fortsat*!
ohne Dornspitzen an scinem Hinterrande und ohne Dõrnchen an den Seiten
und am Rade der Pleuricnfurchc. Beim Weibchen Koxopleurien normal, hõchs*
tens mit kurzer, dicker Ausbuchtung am Ende. Letztes Prãfemur dorncnloi*
.Mie Endkrallen mit 2 Nebenkrallen. 1. Beinpaar mit Femuralspom: 1.-4. nid
Tibialspom; 1.-16. mit 2 Tarsalspomen von gleicher I.ãnge; 17.-20. mit ^
Tarsalspom.
(Staat São Paulo und Sta. Catharina. in 800 m. Hòhe).
4. Subgenus: Androtostigmus Verh.. 1937.
Das neue Subgenus cnthãlt nur 2 .Arten. scabrícauda und dewclloi.
serdem pflichte ich Verhoeff bei, dass "rcx” lediglich das Weibchen von
hricauda sei. Scine aufgcstellte Tabelle über den Dimorphismus zwisched
Mãnnchen und Weibchen von demelloi (Monographie, 1937) kann ich indessfd
nicht bestãtigen. Xachdem eine grosse Serie von Mãnnchen und Weibchen,
scabrícauda sowohl wie auch von demelloi, von mir untersucht wurde. inusst*
ich feststellcn, dass der einzige Geschlechtsunterschied, ausser den Genital
anhãgen. nur im mãnnlichcn Prfcmuranhang besteht. Auch die Wcibch^
haben einen Tarsalspom am 20. Beinpaar; auch ihre Tergite liaben Knõtchcn*
Runzeln und Kiele, und zwar oft viel stãrker ais Dies bei den Mãnnchen
2118
WoLFGANG BCcherl — Os Quilopodos do Brasil
341
Fali ist. Ebenso haben die Weibchcn auch an den vorderen Tergiten Scheinrãn-
der und tiefe Gruben an den Stemiten. Ich habe in der ganzen Otostigminen-
kollektion des Institutes Butantan kein einziges Weibchcn gefundcn, an welchem
Verhoeffs Diagnostica zutreffen würden.
Aufrichtig freut es mich, dass Verhoeff ais vorsichtiger Wissenschaftler
hl cinem Nachsatz schreibt: "Er müsse das wertvolle Material schoncnd be-
handeln, und deshalb gelte das übcr die Geschlechtsunterschiede von demelloi
íicsagte nur ais wahrscheinlich, nicht ais absolut siclier”. Des Weitcren \\’ar es
oiir mõglich, eine Serie von scabricauda und demelloi niorphologisch verglei-
chend zu untersuchen, und zwar stamnit das Material aus allen Staaten Süd-
hrasiliens (São Paulo, Rio, Goyaz, Matto Grosso, Minas), also von ganz ver-
*chiedenen Biotopen, von arid-trockenen Zonen, wie aus den rcgenreichen, bis
1000 m. hohen Bergen des õstlichen, brasilianisclien Randgebirges (Alto da
Serra), und konnte dabei feststellen, dass die 2 Artcn, sowohl ein gemeinsames
Habitat bcsitzen, ais auch weitgehensí ineinander überspielen. Xur die Farbe
'st bei demelloi konstant rnetallisch violett, mit rosaroten Beincn. wãhrcnd sic
hei scabricauda mehr ins GnÃnliche bis hellgrün, niit gelbcn Beinen und Stemiten
fibergeht. Die grüne Farbe ist ziemlich alkoholkonstant, wãhrend die violeltc,
*uch in dunklcn Glãsern und in dunklem Raume sc^Ieich diffundiert und sogar
die enclo-esqucletalen dorso-latcralen Muskclbindcl fàrbt. Auch der wcitere
P^osse Untcrschied, der kurze Endprãfcniuranhang des Mãnnchens von scabri-
^auda und der langc Anhang von dcuulloi (lãnger ais das Prãfemur) sind niclil
*llau schwcrssnegcnd ; denn ich konnte Mãnnchcn von scabricauda untersuchen,
'l^Tcn Prãfcmuranhang fast so lang oder sogar etwas lãngcr ist ais das Prãfemur.
diesem Zusanimenhangc drãngt sich mir die Cberzcugung auf, dass scabri-
^uda in den Schlüsseln ziemlich unvollstãndig beschricben worden ist; dass
'''ír aliem nicht gcnügend Exemplarc den Wissenschaftlcrn zur \’crfügung
***nden.
Ich mõdite mir daher gestatten, meine Befunde, soweit sie nicht in Ax-
Schlüssel berücksichtigt wurden, hicr niederzulegen.
Otostigmus (A) scabricauda Humb & Saus., 1870
4 4-4 und manchmal 4 4-5 Kieferfusszãhne, davon entweder die beiden
***^ialen grõsser und ven^achscn, oder alie 4 ziemlich glcich gross; der ãussere,
'íferale immer etwas isoliert. Oder es bestcht ein Z\vischenraum, der die 2
***^ialen und die 2 lateralen Zàhne jeder Platte trennt. Vor den Záhnen eine
krãftige Borste, die bald in ciner lãngsovalen Grube, bald auf cinem
*hõhten Knõtchcn entspringt. Grundfirchen sehr krãftig, davon eine kurze.
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
abcr gut sichtbare Medianfurche. Die Grundfurchen setzen sich noch ein Stück
in kurze Seitcnfurchen fort, die am Prãfemurrande auslaufen.
Der Madiankiel der Tei^ite ist bald hõher, bald seichter. Auf dem letzterti
Tergit bricht cr in der Mhte ab und geht in eine rinnenfõrmige Vertieíung über.
die am Endrandc am stãrksten ist, so dass die beiden hinteren Kinder von deÇ
Mitte aus aufgeworfen crscheincn. Stemite mit grosscm, dreieckigem Median-
eindruck, dessen vordere Zone oft eine klcine, grubenfõrmige Vertieíung
aufweist, die sich regdmãssig aut allen Stemiten wiedcrholt. 3 Grübchen vor
dem Hintcrrandc. oft ineinanderfliessend. Die 2 Vorderrandgruben in AtteMS
Schlüssel oft nicht vorhanden. Coxoplcurienfortsatz ziemlich vorgezogen. da.'
Stcmit wei übcrragcnd, aber am Ende dick und rund. Unbedomt. Manchmal
an der Innenseite der Coxopleurenenden noch ein kleiner konischer Ansatz. der
nur wenig hervorragt. Prãfemuranhang kürzer bis gleichlang mit dem Prãfemur ;
an seinem Erde von unten nach oben zusammengedrückt (also nicht so, wie e®
Fig. 191 au< Attems Schlüssel zeigt), und mit einem rotgclbem Haarschopf
verschen. Der Anhang ist an seinem Grunde verdünnt, und nicht so nahe at"
Tergit mit dem Prãfemur vcrsvachsen, ^vie man nach Fig. 191 aus /ítteMS
Schússcl meinen kõnnte, sondem ein gutes Stück dahinter. An der Verwachs*
ungstelle ist eine deutliche Gelenkhaut sichtbar.
Die ganzen Endbeinc, wie auch ein Teil der hinteren Seitencxtremitãten
und der Prãfemuranhang sind bedeckt von kurzen. konischen Zãpfchen, dic
durchsichtig sind und oft in ein dünnes Haar endigen. Feine Hãrchen liegt®
auch zwischen den Zãpfchen. Auch an demelloi bemerkt man am Inncnrand dft
Tibia ein ziemlich umfangreiches Porcnfeld, das jedoch nicht immer in cinff
Vertieíung liegt, wie Verhoeff meint. sondem meistens sogar auf einer klcine*'
Erhõhung.
Am ersten Beinpaar beobachtet man 1 kleinen Spom am Ende des Fentur»
und der Tibia. Meistens hat nur dieses Paar 2 Tarsalspome. Das 20. Beinpa**^
besitzt immer einen Tarsalspom.
Im übrigen stimmt alies mit .Attems Schlüssel überein.
Wenn ich nu Verhoeff neue Art. O. (A) detnclloi der scabricauda
genüberstelle, so sche ich, ausser der allerdings sehr abweichenden Farbc, keine
weiteren Anhaltspunkte, einschliesslich des Prãfemuranhangs und der kürzere**
Coxopleuricnfortsãtze, diese Art von der anderen abzutrennen. und mõchtc
daher ais Varictas demelloi Verhoeff ansehen.
Demelloi ist nach meinen Befunden krãftiger und auch lãnger ais scai'^'
cauda. Sie ist hãufiger in Brasilien ais scabricauda. Ihre Wcibchen untcrschcid^
sich in nichts von den Mãnnchen, ausser dem fehlendcn Prãfemuranhang.
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Ais neue V^ietãt ist demeUoi Verh. unbedingt anzusehcn, das beweist
•schon die grosse Farbkonstanz. In hiesiger Kollektion befinden sich Tierc aus
<joyaz, Minas, Matto Grosso, São Paulo, also aus Gegenden, zwischcn denen
mehr ais tausend Kilometer liegen. und doch bleibt die Farbe immer dicselbe.
Wenn Verh. glaubt, dass Das ein genügerd grosser spezifischer Unterschicd
ist, unterstrichen noch durch die anderen Merkmale, die er hervorhebt, die aber
allerdings nur relativen Wcrt ha,ben, so bin ich geme damit einverstanden, auch
tneinerseits demclloi ais nova species zu betrachtcn.
5. Subgenus: Parotostigmus.
Otostigmus (P) pradoi BCxiiERL, 1939
Vcrfasser hat diese neue .-Vit bereits in einem Aufsatze des “Boletim Bio-
logico’’ 5(2)1939, São Paulo, eingehend behandclt, so dass hier nur noch Notizen
übrig sind.
Dunkelbraun bis schwarzgrun odcr rõtlich. Kopf olivgrün. Stcmite gclb.
Beine gelb-grün. Der grüne Farbton nach hinten zunchmend. .Mitcnncn mit
16-17 GKedcrn; oft an einem Tier eine Antennc 16, die andcre 17 Glicdcr. 2
Grundglieder ganz, das 3. dorsal kahl. 4 -f- 4 Kieferfusshüftzãhne. Davor einc
Grubc und darin eine Borste. Coxostcroum mit kurzcr Medianfurche. Epis-
kutalfurchcn vom 5. Tergit beginnend, immer stãrker vome und hinten. An den
1.-2. vorderen Tei^’tcn kurze Furchen am Vorderrand. Steraite mit 2 Furchen,
die die Mittc errcichen oder sogar etA»-as über sie hinausgchcn. Vor dem Hin-
terrand eine klcine, tiefe Grubc, die nach hinten zu immer mehr an Grõssc
abnimmt. Letztcs Stemit ohnc Furchen noch Eindruck. Hinterrand gerade.
Tergitc 3-19 mit falschcn Rãndera; vom 16. an nehmen die Rãndcr an Grõssc
ab. Nur das 21. Tergit mit richtigen Seitcnrãndera. Sonst glatt. Beine 1-3
niit 2 Tarsalspomen 4-19 mit I ; 20. und 21. ohne Spom. Innenseitc der
Tibien des letzten Beinpaarcs des Mãnnchens mit einem ziemlich grossen Spom,
»hnlich wie bei tibialis, aber viel stãrker. Der Spom bildet den .Abschluss einer
tunden Innenleiste, die sich úber die ganze Lãnge der Tibia hinzieht und sich
^st im vorderen Drittel des Femurs allmãhlich verliert. Bestimmt licgt. was
den Tibialspom betrifft, eine gesvisse Beziehung mit tibialis vor, zumal auch, da
Incide in Frage stehenden Arten dasselbe Habitat zeigen; aber, dass wir es trotz-
dem mit 2 verschiedenen -Arten zu tun haben. zeigt die Tatsache, dass der Spom
'on pradoi mehr ais nochmals so grosso ist ais der von tibialis, obwohl pradoi
^'aum die Hãlfte der Lãnge von letzterer misst (40-45) mm gegen 80 mm v.
libialis). .Ausserdem sind noch anderc morphologische Verschiedenheiten vor-
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
handen, wie Scheinrãnder vom 3. Tergit an (prmioi), wãhrend bei tibialis dieí«
erst vom 16. an erscheinen; durch die Stcmitfurchen, ganz kurz bei tihialiSj bis
über die Mitte des Stemits reichend, bei pradoi; schliesslich durch die Stemit-
gruben, die in der Vierzahl bei tibialis vorh^nden sind, wãhrend pradoi deren
nur 1, und manchmal noch eine kleincre daneben autweist. (Siehe Zeichnungen:
Nr. 54: 1; 2 und 3.).
O. pradoi kommt hauptsãchlich in dcn Südstaaten Brasiliens vor.
Vielleicht verdient die Taísache der Erwãhnung, dass, wic wir bei scabri-
cauda und demelloi gesehen haben., am Ende der Innenseite der Tibia eio
ziemlich ausgedehntes Porenfeld vorhanden ist, und dass diescs ebenfalls bei
pradoi in Erscheinung tritt, so dass man gcnõtigt wird, den Drüsenporen irgend-
eine geschlechtlichc Funk-tion zuzuschreiben, sei es aU Lock- oder Schutzmittel
oder ais Klebstoffdrüse.
Otostigmus (P) longistigma BOciierl, 1939.
Die allgcmeinen Charakteristika dieser neuen und überaus intcressanten Art
liabc ich bereits in einem Chilopodenaufsatz des Boletim Biologico 5(2). 1939,
Ix-handelt.
Longistigma misst 37-42 mm; ist gelb, gelbraun bis rõtlich mit grúnlichent
Scliimmer, und hat gelbc Stemitc und gelbgrüne E.xtremitãten.
Das Interessante aller dieser Ticre, die sãmílich aus dem Innem und der
Unterscitc von Termitenbauten aus dem Hinterlande des Staates São Paulo
hcrausgeholt wurden, ist die Verlãngerung des ãusseren Stigmenkclches 3ef
ersten 3 Paare, wãhrend die übrigen Stigmen normal gebaut sind.
ganz sicher zu scin, dass es sich hier nicht um eine Anomalie handelt,
etwa das Abheben des Stigmenlumens bei der Hãutung, hob ich
feinen Hãute der Pleurite ab, worauf die hervorhãngenden Stigmensãcke noch
deutlichcr zu Tage traten. Dass diese abnorme Stigmenausbildung auf einef
.'\komnKxlation an die Umwelt beruhc, scheint mir wenig wahrscheinlich. "cil
die Augen schr gut und normal emwickclt sind, also gar keine Modiíikatioo
zeigin, wie es doch an erster Stelle sein sollte. Ob longistigma nur zufãllig i’’
Termitenbauten anzutreffen ist. oder ob irgendwic symbiomische Beziehunge^
vorliegen, kann ich auf Grund der wenigcn Befunde nicht sicher feststellcn, doch
hoffe ich, spãtcr noch eingehendere Untersuchungen durchführen zu kõnncn*
obleich eine direkte Symbiose sehr unwahrscheinlich sein wird. Vielmehr
es so ein. dass die Tcrmiten dcn Qiilopoden neben sich dulden, ohne VorteJ®
von ihm zu haben.
Antennen kurz; 17 Glieder; 2 2/3 unbehaart. Glieder mandclfõrnii?'
4 -j- 4 Kieferfusshüftzãhne ; die 3 inneren stãrker und oft vcrwãchsen. Obe*'
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abgcstumpft. \*or den Zãhnen eine Borste. Zahnfurchcn tie{ und dentlich, einen
Winkcl von 150 Grad bildend. In der Mitte des Coxostemums eine kurze,
deutliche Medianfurche. Episkutalfurchen vollstãndig vom 5.-7. Tergit. Zuvor
kurze Furchen auf dem Vorderrande. Tergitc glalt. \'^oin 7. Seginent an
Scheinberandung. Nur das letzte Tergit mit Seitenrãndcm. Hinterrãnder dieses
Tergits leicht aufgeworfen. Sternite glaít, glãnzend, mit rundem Mcdianeindrnck
und 2 schwachcn Lãngsfurchen, die bis zur Mitte oder über sic hinausreiclwn.
Letztcs Stemit lang und schmal, mit Medianfurdje, und gcschwungencn En-
drãndcm. Coxopleurcnsporen gereiht. Rand gcschwungen und fast den Ter-
git berührcnd. "Keine Fortsãtze noch Dõmchen. (Siehe Fig. 55, 2) . Femur
und Tibia des ersten Beinpaarcs mit jc cinem Sporn. 1. und 2. Beinpaar
mit 2; 3.-20. mit 1 Tarsalspom.
Die Ticre sind aus der Unterseite von Termitcnlrautcn entnommcn worden,
und kommcn im Staate São Paulo und Paraná vor.
Wenn man die niorpholt^sche Verschicdcnhcit dieser soebcn beschriclKrncn
Alt mit den anderen Differenzicrungcn der verschiedenen südamerikaniscben
Untergattungcn zusamnienfasst, so drãngt sich uns die Cberzeugung auf, dass
Südamcrika, die Urhcimat aller dieser Otostigminenarten sein muss, und dass
wir es hier mit den ãltesten Vertretem der Skolopendromorpl>en übcrhaupt zu
tun haben, mit Vertretem also, die liinrcichcnd Zeit hatten, ihrcn Kõrper nior-
phologisch wcitgehcnst umzugc.stalten und sekundãren «cxucllcn Dimorphismus
auszubilden, was bei philogcnctisch jungen Formen kauni der Fali .-cin dürfte.
Vielleicht wird cs niir mc^lich sein, darüber im I.-aufe der Zcit an au.sgiebigc-
rem Material weitere Beobachtungen anzustcllcn.
Otostigmus (P) longipes BCcherl. 1939.
O. (P) longipes BCcherl in Revista de Biologia e Hygiene, São Paulo, 1939
50-53 mm Mãnnchen und Wcibchcn. 01i\-grün bis gelbgrün. Bauchseite
und Bcine gelb. Glãnzend. Kopf so breit wic lang, mit weit gefurchter Stime,
fast frei an den ersten Kõrperschild stossend. Kõrper nach liinten zu an Grõsse
zunchmend, so dass er am 18. Segment die hõchste Dickc erreicht. Die letztcn
3 Beinpaare sehr lang, 2-2 mal lãngcr ais die vorlicrgehenden. (Siehe Fig.
.56. III). Antcnnen den 4. Rückcnschild überragend. 17 Glieder, davon 2 2/3
unbehaart. 4 -f- 4 Kitfcrfusshüftzãhne. Zahnreihe mit einer mitticrcn Lakune,
durch die die Borste hindurchragt, welche in einer Vertiefung jeder Zahnplatte
entspringt. (Siehe Fig. 56, 1). Gmndfurclien sehr deutlich. seitiich im Co-
xosternum auslaufend. In der Ebene eine kurze Medianfurche, sich vome leicht
teilend. Hinter ihr ein kleines ovales Grübchen. Prãfemurfortsatz mit 2-i
Qiitinhõckerchen. 3.. 4. und 5. Tergit mit kurzen Furchen voine und hinten;
303
340
Mtrmurias do Instituto Biitantan
Tomo XIII
6.-20. mit durchgehemlen Episkutalíurchen. \'om 4. Segment an ein schwachcr
Mediankiel des Endscgmentes extrcm kurz, dahinter einc Depression, die sich
in einc Furche verlãngert, die den Endrand erreicht. Vom 3. Segment an
Scheinfurchen ; nur das letzte Tergit mit richtigen Seitenfurchen. Auf den letzten
Segmenten feine Kõmelung in mehreren l^ngsreihen, aber ãussersí schwadi.
Sonst ganze Rückenflãche glatt und glãrzend.
. Stemite mit tiefer ninder Mediangrabe, die nach hinten zu allmãhlich
schwãcher wird. Vor dem Hinterrande 3 seichte Depressionen, oft in eine
einzige zusammenfliessend. (Siehe Fig. 56. II.). Letztes Stemit lãnger al.s
breit, mit nach hinten konvergierenden Seitcnrãndern und geradem Endrande.
Porenfeld gross, mit gereihtem Porensieb. Porenrand geschwungcn, fast den
Tergitrand berührend. Ganz kurze. unbedomte, abgerundete Fortsãtze. Erstes
Beinpaar mit 1 Femural — ur.d 1 Tibialsporn. 1-3. Beinpaar mit 2; 4-20, mit
eincm Tarsalspom. São Paulo.
Zu Otostigmus (P) limbatus Mein'.. 1886.
mõchtc ich bemerkcn, dass mir mchrerc Excmplare, Mãnnchcn wie WcÜKhen,
\-orliegen, dic zwv in Grõsse. Farbe, .-\ntcnncn- und Coxosternumhildung mit
limbalus übcreinstimmen, auch das gleichc Habitat mit diescm haben, aber
dcnnoch in wesentlichcn Punkten von diesem abweichen, wie das Vorhandcnsein
von 1 Spom am Femur und an der Tibia des ersten Beinpaares; durch das
Vorhandcnsein von 2 Tarsalspomen an den ersten 3 Extremitãtcnpaaren ; durch
dic kürzeren Langsfurchen auf den letzten Stemitcn, wo sie nur mehr bis zur
Hãlfte reichen, um auf dem 19. und 20. vollstãndig zu vcrschwirden ; schliesslich
noch durch das zuweilen vollstãndige Fchlen der bciden Stemitgruben, oder.
falis diese vorlianden, durch ihr Verschmelzcn zu einer flachen Grubc, die ãusscrst
schv.ach ist.
Diese neuen Charakteristika zwingen mich, alle diese Excmplare in einc
neuc Unterart einzureihen, nãmlich.
Otostigmus (P) limbatus, n. subsp.
Otostigmus (P) kretzii Bücherl, 1939.
O. (P) krctsii in “Revista de Biologia e Hygicne”, São Paulo, 1939.
33 mm. Olh-grün, mit mattem Glanze. Stemite und Beine gelb. Unterscite
des Kopfes schwãrzlich. Kopfschild ein wcnig breitcr ais lang. Das letzte der
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4 Augcn sehr gross. Antennen 17-18 gliedrig, oft am selben Tier, 2. Gnmd-
glieder vollstãndig kahl, wenn auch mit vereinzelten lãngeren Haaren besetzt;
das 3. und 4. Glied au£ der Dorsalflãche unbchaart. Alie anderen Glíeder mit
kurzen Haaren bcdeckt, die sich an den Endgliedem in Reihcn ordncn.
3-4 Gnindglieder oft sehr dick.
2., 4., 6., 9., 11., 13., 15., 17 und 19. Tergit schmãler ais die anderen,
wobei die Verschmãlerung, im Gegensatz zu den anderen Scolopcndromorphcn,
nach hinten zunimmt. Zahnplatten breiter ais lang, mit 5 krãftigen, zugespitzten
Zãhnen jederseits. Inmitten jeder Zahnplatte, in eincr runden Grubc, eine zarte
Borste. Gnmdfurchen einen sehr stumpfen Winkel bildend. \’ome am Coxo-
stemum eine kurze Medianfurche. (Siehc Fig. 57, 1). Prãfemurfortsatz krãf-
tig, mit 3 zahnartigen Chitinplatten. Episkutalfurchen auf dem 6.-8. Tergit
beginnend. Keine Seitenrãnder. Zwischen den Furchen ein Icichter schmãler
Medianeindruck. Ohne Kiele, oder Domen; a,uf einigen Tergiten eine wcisse
Mittellinie. Sonst ist die Oberflãclie vollstãndig glatt und glãnzend. Nur das
letzte Tergit mit Scitenrãndem, aber ebenfalls ohne Furchen oder Kiele. Hin-
terrãndcr einen stumpfen Winkel bilden. Stemite mit kurzen Furchen auf dem
Vorderrande. Im übrigen glatt und glãnzend. nur einige ctwas eingcbuchtet.
Letztes Stemit manchmal ganz glatt, manchmal mit Icichtem Medianeindruck
oder mit Mcdianwulst (Siche Fig. 57, 2).
Coxopleurcn ein wenig vorgezogen, domenlos. Poren wcnig zahlreich, aber
gross, und fast bis an den Tergitrand reichend. 1-16 Beinpaar mit 2; 17. - 20.
mit 1 Tarsalsporn; 1. und 2. mit 1 Tibial-, 1. mit 1 Femuralspom.
Otostigmus krelsii ersdieint auf dtn ersten Blick ais weitgehend mit iwrmis
übereinstimmend.
Zum Mindesten sind beide Arten nahe verwandt. Die Unterschiede zwi-
schen beiden sind gross: — keine falschen Seitenrãnder; keine HõckerclKn,
noch Kielstreifen auf den letzten Segmenten, weder bei Mãnnchcn noch bei
Weibchen ; kein Mediankiel ; verschiedene Bespomung am Femur und an der
Tibia der ersten beiden Beinpaare:- bei kretzii.
Die neue .-\rt scheint gebirgige, be^valdete Hõhenlagen sandigen, trockenen,
Gegenden etschieden vorzuziehen, und hat ihr Habitat von Rio bis Paraná,
aiso in den südõstlichen Randstaaten der brasilianischen Union.
Otostigmus (P) casus Cuamb.
ist kaum von weiblichen Jugendformcn der Arten scabrícauda und demclloi zu
unterscheiden. Der einzige Unterschied wãre vielleicht da,s Vorhandcnsein von
kurzen Stenutfurchen. Aber ich konnte dieselben, wenn auch sehr undeutlich.
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i
348 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
bei den beiden genannten Arten antreffen. Ich bege also Zwcifel, ob O. casus
nicht mit Jugendstadien der Weíbchen, besondcrs von scaltrkisuda, identisch sei.
Mein Zweifel wird noch durch die Tatsache bckrãftigt, dass ich õfters Otostig-
miiienmaterial aus Matto Grosso erhalten babe, und dabei immer scabricauda
und dcmelloi, aber nicnials coiítr antraf.
IV. Neue Studien am Qenus: Rhysida:
Genus : Rhysida.
Nachdem ich cine Reihe von makroskopischen Prãparaten, hauptsãchlich der
Kopfteile, ciner Spezicnserie dieses Genus hergestellt hatte, konnte ich cinig
neue Tatsa,chen feststellen, die morphologisch- physiologisch sicher nicht unin-
teressant sind und des Interesses nicht cntbehren dürften.
Bi Rhysida brasilicnsis existiercn zwischen den kurzcn, gleichmãssigen, gold-
geibcn Haaren lange reich^-erzweigte Geruchshaare. Sie sind oft lãnger ais da<
Glicd, aus dem sie entspringen (Sichc Fig. 52), sind cntweder dickcr an ihrer
Basis oder an ihrem Ende; kürzer und gcstreckt oder lang und gewunden. Dic
feinen Haarverzweigungen sind entweder nach aussen oder nach innen gerichtct.
Sie konunen sclbst auf den unbehaarten Grundglicdern vor, sind jedoch zahlrei-
chcr an den Terminalgliedem der beiden Antcnncn.
Ganz ãhnliche Gebilde fand ich an den Mandibcln %'or, und zw"ar unter dca
Zahnreihen, die übrigens doppelt und dreifach sein kõnnen, immer eine Reihe
hinter der anderen; dann über die scitlichcn Borstenreihen hinausragend und
vor dieser, so dass die Mandibcln. neben ihrer Aufgal)c ais Zerkleinerungswerk-
zeuge, auch Sitz des Geruchs-und Geschmackssinncs sind.
Der Hauptpleurit der Ventralseite des Kopfschildes ist sehr lang und krãftig*
der innen gelegene Stützpleurit dagegen viel schmãler und schwãcher.
Rhysida celeris Humb. & Saus., 1870
Bei den meisten Tergiten fand ich keine Schcinrãnder an den Seiten
Die Farbc geht auch mehr ins braun-rote über. wúhrend die Beinc blãulieh
sind. Die Stemitfurchen sind kurz, und auch am Hinterrand des Stemites sicht-
bar. Die crsten 4 Beinpaare mit Tibialsporn. das 1. Bcinpaar ausserdem nu'
1 Femuralspom.
São Paulo, Matto Grosso.
306
WoLFOAXG Bücherl — Os Quilopodos do Brasil
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Rhysida nuda nuda Newp., 1845.
In Attews Schiüssel scheint mir die Bcschreibung dieser, im südlichen Bra-
silien (Rosário, Rio Grande do Sul) ztemlich hãufig angetroífcnen Art. weií-
gehenst unvollstãndig. So fand ich durchgehend bei den mir vorliegendcn
Elxemplaren den Kopíschild und die bciden Ictzten Kõrpersegmente rõtlich, zicm-
lich von der obigen oli^-grünen Fãrbung abweicliend. Die Stemitfurchcn fchlcn
manchmal vollstãndig. Die EpiskutaUurdicn vcrschwinden bereits auí dtm 19.
Tcrgit. Die ersten 1-4 oder 1-5 Bcinpaare zeigcn 1 Tibialspom, und das crstc
Paar 1 Femuralspom.
Wenn diese Charakteristika ausrcichend sind. und wenn «lie Beschreibung
im Sclilüsscl zutreffcnd ist, dann glaubc ich, cine rteiic Subspccifs aufstcllen zu
kõnnen, für die ich den Namcn Rhysida nuda riograndensis, n. sul)sp.. da sie
in Rio Grande do Sul am hãufigsten anzutreffen ist, vorschlagen niõchtc.
Rhysida brasiliensis Kkpln., 1903.
Ausser den morphologischen Eigenschaíten, die im Schlüsscl angcgcben sind,
niõchte ich noch folgende envãhnen: die Grõssc des Ticresschwankt ziA-ischen 7
und 12 <nn. An den vorderen Sterniten bcfindcn sich zcrstrcute kurze Haare.
20. Beinpaar raeistcns auch mit 2 Tarsal — ; 1.-2. oder 4. mit 1 Tibial — ; 1. mit
1 Femuralspom.
Das Tier zeigt sehr schõne. blãulichgrúne Farben, und ist viel gewandter
Und flinker ais die cchten Skolopendriden. Trcffcn sich ein grosser Skolopcndcr
und cine Rhyskla zufãllig. so ergrcift leíztcre sofort die Flucht. Der Skolo-
pendcr ist ihr gcgenüber stcts angriífslustig. Ich habe oft festzustellen Gclcg-
enhcit gehabt. dass Rhysida von Skolopendem mit Vorlicbc verspeist \vird.
übrigcns is Rhysida, die zu den schõnstcn Skolopcndromorphcnarten geliõrt,
«íhr hãufig und auf alie Staatcn Südbrasilicns vcrtcilt.
Rhysida brasiliensis rubra. n. subsp.
60-76 mm Kastanienbraun mit hellcm breiten Streifen und s<diwarzem
Medianstrich, die alie Tergite durchlaufen. Stark glãnzend, wie Scolopendr.i
^bspinipes. Antenn«m 17 gliedrig. 3 Grundgli«^er unbcliaart. Zwischcn dem
gleichmãssigen Hãrchenbesatz der anderen stehen verstreut lãngcre Borsten.
Kopf ctwas schmãler ais das erste Tergit, der jenen zum Grossteil überlagcrt.
r^as Goxostcraum und sclbst die Zahnplatten mit zcrstreuten fcinen Dornspitzen
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
bcsctzt. 5 -j- 5 oder 6 + 6 Kieferfusshüftzãhne. Alie ãusserst klein. Zahn-
platten schmal (Siehe Fgi. 58), den Vorderrand des Coxostemums bei weitem
nicht ausfüllend. (Ungefãhr wie bei Rh. monticolá). Grundfurchen halbkreis-
fõrmig. Ihre Fortsetzung an den seitlichen Hüftzonen auslaufend. In der M>t'
tellinie der Hüften em grosser. runder Eindruck. Coxostemumvorderrand
gerade. Tergite nur mit kurzen Furchen \’or dem Hinterrand. Vom 7. - 10. an
ãusserst schwache Seitenrãnder. Diese sehr stark auf dem 21. Tergit. und
hinten kurz spitzig ausgezogen. Hinterrand zweibogig, mit seichter, kurzer
Medianfurchc. Stemite zerstreut behaart, mit schwachen, kurzen Furchen am
Vorderrand und mit 2 Querreihen von je 3 rundlichen Depressionen, von denen
dic beiden mittleren die schwãchsten, die beiden hinteren seitlichen bei weitem
dic stãrkstn sind. Ltztes Sternit mit seichter Medianfurche. Coxopleurenan*
hang wie bei Rh. brasilicnsis. Hintere Porenfeldíurche stark geschwungcn. End-
beiiiprãfemur unbedomt, aber mit zer.streutcn Haaren besetzt. 1. - 15. Beinpaaf
mit 2-; 16. - 20. mit 1 Tarsal-; 1. und 2. mit 1 Tibial-, 1. mit 1 Femuralsporn.
São Paulo. Matto Grosso.
V. Trigonocryptops Iheringi u. triangulifer: ein wissenschaftliches
Alissverstandnis
Cryptops (Trigonocryptops) iheringi Brõl.. 1902.
Verhoeff beschreibt in einem .Aufsatze: ‘‘über cinigc Chilopoden aus
Australien und Brasilien,” 1937, eine neue Spezies, die er Trigonocryptops trian'
gultfer benennt. In seiner Bcschreibung scheint er sich auf ein einziges Exempl^f
gestützt zu habcn, das aus Minas Gerais stammt. Er vergleicht dieses E.xem-
plar mit der Beschreibung von Trig. iheringi Brõl. nach dem Schlüssel voti
Attems.
Bcdauerlicherweise muss ich feststellen, dass die von Verhoeff beschriebcne
Alt nichts weiter ist, ais ein Juvenis weibchen der Art iheringi. Dass VerhoeF^
sie ais eine neue Spezies diagnostisierte, verwundert nicht, da Brõleman eben-
falls nur ein einziges Exemplar vorliegen hatte, das zufãllig die Eigensebafte»-
die in Attems Schlüssel erwãhnt sind, besass.
Dass meine beiden Behauptungen unbedingt der Wahrheit entsprechefl»
konnte ich an Hand eines ausgiebigen Materials ^us der ChilopodensammlunJT
dieses Institutes nachprüfen. Nahezu 40 Exemplare standen mir zur Verfúgu^'
darunter weibliche Juvenisstadien, die voll und ganz mit triangulifer überem*
stimmen. Ausserdem wurde mir vom H. Direktor vom Museu Paulista
TOn Brõlemanx bearbeitete Kollektion freundlicherweise übcrlassen. und kono*^
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dabei feststellcn, dass der Tpus "iheringi” wieder nichts Anderes ist ais eben
cine voll erwachsene Art von triangulifcr. Eine Hõckerchenreihe an den Seiten
des Endtergites ist nicht vorhanden, wohl aber eine Domreihe, die bei Juvenis-
fonnen fehlt; die Kopfnãhte sind sehr schwach, fast unsichtbar, aber durchlau-
fend ; am Ende des Femurs, auf der Ventralseite befindet sich cine Art Zahn etc.
Dieses wissenschaftliche Missverstãndnis beruht eben darauf, dass man eia
cinziges Exemplar ais Typ für eine Art aufstellt, ohne dabei der wciten morpho-
logischen Variationsbreite, die gerade bei Arthropoden und Insekten so wci:gc-
hend fluktuiert, zu gedenken.
Ich betrachte daher triangulifcr und iheringi ais extreme Varianten inncr-
halb einer und derselben Art, die ich, der Prioritãt halber, iheringi bencnnen, und
im Folgcnden. an Hand der mir zur Verfügung stchcnden Sericn, von Xcuem
beschreiben will:
Cryptops (Trigonocryptops) iheringi Brõl., 1902.
Xeubeschrcibung. 60-92 mm lang. 4-6 mm breit. Juvenisformen von 10-45
mm. Gelb, hcllgclb bis gelbbraun odcr etwas rõtlich. Ganzer Kõrpcr Icicht punk
tk-rt. Kopí vo breit wie lang, mit 2 feinen, kauni sichtliarcn aber voHs.ãndigcn.
leicht nach vomc disxrgicrcnden I-ãngsfurchen. Kopf den 1. Tergit übcrlagcmd
und scitlich in die Qucrfurchc eingeklemmt. Vordcrrand der Kieferfusshüftcn
zwcibogig, mit 2 lãnglichen (nicht wirkiichcn) Scheinplãttchcn, mit 6-\-6
Stachein und eitiigen seitlichcn Borstcn auf der vorderen seitlichcn Flãche. In
der Mitte vome cine Mcdianfurchc. die etwas über die Mitte rcicht. .Antennen
16-17 glicdrig; die 2 Grundgliedcr ohne Haarc, aber mit starkcn Borstcn; die
anderen kurz dicht beliaart und vcrcinzelt b.:borstet, wobei die Borstenzahl in
dem Massc abnimmt, wie die Bcljaarung grõsser wird. 1. Tergit mit Qucrfurchc
und mcist auch mit 2 Lángsfurchen. Letztcre konncn auch fehlen. 2.-20. Tergit
mit Paramedianfurclicn, die nicht immer den Nãhtcn entsprechen. An viekn
Excmplaren kann man auch die Prãtcrgitc gui bcobachten. 3.-19. Tergit mit
breiten, gebogenen, den Hinterrand nicht crreichendcn Latcralfurclien. .\m 20.
Tergit sind diesc Furchen durch zwci seichtt, seitiichc Eindrückc ersetzt. .-Mie
Tergitc Icicht gekõmelt. Kõmclung nach hinten zu zunehmend und am
stãrksten am 21. Tergit ausgcprãgt. Doch gibt es auch Ticre mit sclnváchercr*
Kômclung, was besonders bei juvenisstadien der Fali ist. Endtergit mit brcitcin.
flachen Mediancindruck, der entwcdcr bis vome rcicht oder schon eher abbricht.
•Vur hier echte Seitenrãnder. -An beiden Seiten dieses Tergits 1 -r 1 oder 2 2
oder 6 -|- 6 Dõmchen in je einer Lãngsreihe ; oder die Dõmchen fehlen ganz.
(Dõmchenreihe wahrscheinlich identisch mit “jederseits mit einer Reihe klcincr
Hdckerclien’’, -Attems). .
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Memórias do Instituto Butantan
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Endrand sehr ^%•eit nach hinten spitzwinklig vorgezogen. Sternite s>ehr grob
gekõrnelt (oft fein) ; lãnger ais breit, mit gleichmãssigen Haareii und einer
Borstenreihe beidersdts atn Hinterrar.de des Stemits und mit Domspitzen aut
dcn leizten 2-3 Stemiten. Letztere fehlcn oft bei Juvenisfomicn. Mit Furchen-
kreuz und liintcrem beiderseitigcm Furchendreieck, das Enddostcrmit scliarf be-
grenzend. Furchenkreuz ani 19. Stcmit schwach, am 20. íast ganz verschw-unden.
21. Sternit glatt oder mit seichtem Medianeindruck ; die Seitenrãnder mit dcn
Coxopleuren vci^rachscn. Diese ohne Fortsãtzse, hinten abgerundet und hier
und zwischcn den Poren mit Borsten und Dõmchen bcsetzt. Porcnfeld nicht .an
die Tcrgitrãnder heranrcichend. Alie Beine zweitarsig und mit Dorn.spitzen
besãht, die dorsale Zonen freilassend und nach hinten immer spãrlicher wcrdend.
um am Endbcinpaar, am Prãfemur und Femur wicder in voller Zahl und mchr
oder weniger in Lãngsreihen geordnet. auch hier dorsal eine Area freila.-send.
aufzutrcttcn. Pr.ãfcinur und Femur mit dorsaler Endfurche, die l>ald kurz iã^
bald die ganze Fíãche der beiden Glieder durchlãuft. An der Tibia, bei manclicn
Excmplaren \*ercinzelte (2-3) Dõmchcn vor dem Endrande. Bei einigen
Elxcmplarcn ist die Dõmchenanzahl sehr gering. Oben, am Endrande des Fc-
murs ein kleines Dõmchen, ebcnso ein kleines Zãhnchen unten, inncr vor dcni
Endrande. Tibia ebenfalls mit otler ohne Dõmchen am Endrande oben. Unten
eine Zahnreihe von 13-21 Sãgezãhnchen, die dem Ende zu immer grõs"=cr
werden. Sic sind nie vcrwachscn, obwohl õfter je 3 eine sich nãher stchende
Gruppe bilden, was besonders von dcn 3 grossen Endzãhncn gilt, so dass Icicht
das Bild hervorgerufen wird, sie scien versachsen (Schlüssel — Attems).
Bei Ju\-enisformen Zahl der Sãgezãhnc 14-16; bei Erwachscncn 18-21.
meistens 18. Am 1. Tarsus 5-7 Zãhnc, gross. schmal und leicht gckrümmt.
Trigonocryptops iheringi scheint ziemlich liãufig, besonders im südlichcn
Brasilicn, vorzukommen.
In hiesiger Sammlung befinden sich Tiere aus S. Paulo, Matto Grosso.
Minas Geracs, Paraná. Viele wurden in Alto da Serra, also z^vischen 800 n-
900 Meter Hõhe gefangen. Die Tiere von Matto Grosso stammen durclnveg
aus trock-cnen Sand- und Steppenzonen. Bei soe inem verschiedenen Habitat
und infolgedessen bei so verschiedenen Umweltscinflõsscn kann e.s uns nicht
wnindern, wenn die Tiere einer weitgehendcn morphologischen Umwandluníl
'untenvorfen sind. Ganz ãhnliche Verhãltnisse habe icli auch angetroffen bci
Scolopendra viridicornis und bei Rhysida brasiliensis, die gleichfalls in
verschiedensten Biotopen des brasilianischen Kontinentes vorkommen nnd
deren Oiarakterisiemng in den systematischen Schlüsseln eine ãusserst unvoU*
kommcne ist, eben wegen der Tatsache, dass man bei so weitverbreiteten Tieren
nicht eine oder zwci Formen ais spczifischen Typ beschreiben und aufstelE*'^
kann, .sondeen man muss, um der weiten morphologischen Variationsbreite, l**^'
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<iingt durch die verãndertcn Umweltscinflüsse der verschiedenen Biotopen, ge-
redit zu ■werden, eine ganze Serie innerhalb cincr Art verglcichend niorpholo-
gisch beliandeln und sie auch ais Serient}-p hinstellen.
VI. Neues über Scolopocryptops, Otocryptops u. Ne\\’portia
Scolopocryptops miersii Newp., 1845.
Xcubeschreibung. Zur besseren Kcnntniss dieser Art inõchte ich bcincrken,
dass sicli in der Mitte der Kieferfusshüften eine kurze Lãngsfurchc befindet.
Sie ist ãusscrst schwach und an ganzen Tieren unter der Lupe kauin siclubar.
In Balsamprãparaten dagegen kann man die Furche sehr gut sehen. .An ihreni
Hintcrcnde, etwas vor der Mitte der Hüfte, befindet sich eine Dcprcssion, die
aus einem Netz von Furchen besteht, in die sich die Lãngsfurchc auflõst.
Am Vorderrande der Kieferfusshüften ist cbcnfalls eine gcrade Qucrdc-
prcssion, an die sich die beiden, nicht al^esetzten. aber doch deutliclKn V'ordcr-
plãttchen ansetzen. Sie ragen an beiden Seitcn ctwas weitcr nach vome ais in der
Mittelzone. Am Grundc der Plãttchcn befindet sich jederseits eine Qucrreihe
Von kurzen Borsten (10+ 10)-
Die Inncnanhãngc der Hüftcn des ersten Maxillcnpaarcs sind sehr schmal,
*ber dafür in die Lãngc gczogm. Sie sind ganz mit Haaren und Sinnesorganen
l>esetzt, und tragen ausserdem am Vorderende eine Reihe kurzer, dichter Haarc.
Die ílüften des zweiten Maxillcnpaarcs sind volLtãndig verschmolzen,
ohne auch nur die geringste Spur einer Primitivfurche erkcnncn zu lasscn. 2.
Telopoditglied am oberen inneren Ende mit Stachcl. Endkrallc klein. etwas
*bscits von der Putzbürste. aber kleiner ais diese. Ohne Ncbcnkralicn.
Mandibeln krãftig. \’or der ãusseren, mãchtigcn Zahnreihc befindet sich
•loch eine innere, sch^vãchcre.
Borstenreihe mit stark chitinisierten Rippen; zebogen, aber ohne Ver-
^eigungen.
Die Paramedianfurchen beginnen meistens schon auf dem 2.-3. Tcrgit.
An der Stelle, an «■elcher bei Trigonocryptops Seitcnfurche wrhandcn sind,
lícfindct sich hier je eine leichte Lãngsdcpression, die nach hinten zu immer
Schwãcher wird. Berandung meist sclton am 4. Tcrgit beginnend. In der Mittel-
linic der Tcrgite eine ganz leichte. kaum sichtbare Erhebung, die sich auch noch
in der vorderen Hãlfte des Endtergits geltend macht, dann aber in eine kurze,
sciçhtc, bis zum Hinterrande reichende Lãngsdcpression übcrgehí.
Letztes Stemit mit starker Mcdianfurclie, die die ganze Flãchc durclilãuft.
Coxopleurcnfortsãtzse auf die Innenseite verlagert, paralell laufend. ziemlich
i^g und spitz. ' ;
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1.-18. oder 19. Beinpaar mit 2; 19.-20. mit 1.; 21-23. niít O Tibial-
spomen. 1.-22. Beinpaar mit 1 Tarsalspom.
Endbeine schr lang und schlank, fast ein Drittel der Kõrperlãnge errcichend,
oft bei leicht aufwãrts geschlagenen Hinterende ganz nach oben gebogen. Beson-
dcre, auffãlige Behaarung der Endbeine konnte ich nicht festellen. Alie anderefl
nicht berücksichtig:en morphologischen Merkinale stimmen mit dcnen von ArTENf»
Schlüssel überein.
Genus : Otocryptops Haase.
Der weitausgcdehnte brasilianische Kontinent beherbergt wohl einigc ^
tretcr dieser Gattung. Sie gehõren aber meistcns der Unterart O. j. fcrruf
ticiis an.
Da sich im Instituto Butantan cinc zicmlich re.ichc Serie gerade dicí*-’*^
Unterart befindet, war es mir mõglich, «rgleichend morphologische Studicfl-
besonders der Kopfgliedmassen, anzustellen, und konnta dabei finden, dass gro»^
Cbereinstimmung zwiscben Otocryptops und Scoíopocryptops die allgemc»*”-’
Regei ist. Besonders der Vordarrand der Kiefertusshüften ist bei bciden
gleichfbrmig ausgcbildet.
Ini Folgcnden mõchte ich mcine neuen Bcfunde, die sicher zu eincr l)csscreO
Diagnostik der Gattung Otocryptops von Xutzen sind, niederkgen. Ich bczieh‘
mich dabei, wic schon gcsagt, auf die Unterart O. /. jcrrugincus, die ohne Z'veib'I
in Brasilien am hãufigstcn vorkommt, besonders in den Staaten von São
Matto Grosso, Minas Geraes, Goaz, Rio Grande do Sul. Ihrem halb untcrirdi'
schcm Aufenthalte entsprechend ist es dem Tiere leicht, die verschiedensten
lopen, was Hõhenlagc, Wald-, Stepen- oder Land- und Steinformationen anb-'
trifft, zu bewohnen. Dennoch mõchte ich an dieser Stelle hcr\’orheben,
wãhrcnd der ausgesprochen trockenen Monate, also von Mai bis Ende Eeptcmbcf'
kaum irgendwo Elxemplare dieser Art. wie auch solche der übrigcn ScolopcndrO"
morphen, frei angctroffen werden.
Sie ziehcn sich tief in die Erde zurück, meist schon vorhandene Bode**
õfínungen und Gãngc benutzend, oder auch die Unterseite von Termitenhaute**
bewohnend. So konnte ich bei Strassenbauten, bei denen der steinharte,
Lehmboden durchschnitten '.vurde. atis Hõhlungen der Seiíenbõschungen, besOf
ders an den Endigungen feiner Strãuchenvurzein, verschiedene SkolopendroW®*^
phenarten erreichen. Sie scheinen in diesen Lõchem monatelang r<^los zu licg*^’
und es drãngt sich mir die Üborzeugung inimer melir auf, dass die Tiere
Trockenzeit in einer Art Starre oder Halbschlaf verbringen.
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Doch nun zu Otocryptops ferrugineus ferrugineus;
Grõsse 54-65 mm. Farbe wie im Schlüssel angegcben. Vor aliem fãllt dic
Fleuritcnbildung an den unteren Seitenzonen des Kopfes auf. Wir unterscheiden
<la: den Hauptpleuriten, den inneren N ebenpleuriten und den vorderen PleurUen.
Der Hauptpleurit ist nach aussen durch einen LãngsAvulst, dem auch eine
feine Naht entspricht, al^egrenzt. Er ist hinten schmid, verbreitert sich nach der
Mittc zu, um weiter vorne wiedor enger zu wcrden. An sciner vorderen Zone
lâuft eine feine Naht, beginnend auf der Innenscite, schrãg von vome nach hinten
*ussen. um auf dicso Weise den vorderen Teil des Hauptpleuritcs noch besonders
>bzuschnüren. An seiner Innenseite, übcr seincr Mittc beginnend, und von ihm
♦lurch eine etwas breitere, durchsichtigc Naht getrennt, licgt der schmale Innen-
Pleurit, der 6-8 mal lãnger ais breit ist. An der Vorderseite endigcn sowohl der
loncn- wie der Hauptpleurit auf gle'cher Hõhc, und hier befindet sich wicdcruin
^ne Quernaht, zicmlich breit und durchsichtig. Vor ihr liegt der vordere Pleurit.
Er ist an seinem Grunde so breit, wie die bwdcn andercn vome. Dieser vordere
Eleurit ist bei keinem Genus so tspisch entwickelt wie hier.
Der Mittelzahn des Labrums licgt in ciner Quitinhôhle.
Die Hüften des zweitcn Maxillcnpaarcs zeigen auch nicht eine Spur eincr
Primitivcn Mittelfurcho. Das vorletzte Telopoditglied besitzt einen krãftigen
Sporn an der Innenkante. Das Endglicd ist sehr stark, breit. und stellt ungefãhr
lãngHches Viercck dar, desscn vordere Seito etwas gebogen crschcint und
’*’it der kurzen aber dichten Putzbürste versehen ist. Die Endkralle ist klcin, ohnc
^ebenkrallen. Nicht von der Putzbürste überragt. da sie sich in ziemlich weiter
Entfcrnung von dieser befindet.
Das 1. Maxillenpaar ist dem von Scohpocryptops gleich, besonders auch in
'íer Ausbildung der Inncnanhãnge der Hüften. Antennen 17 gliedrig; 3-6 Grund-
?Hedcr mit starken Borsten besetzt, die andercn Glieder mit langen Goldhaaren.
auf Sockeln stehen.
Vorderrand der Kieferfusshüften mit kleinen, leicht abgesetzten Zahnplattcn,
denc jedoch keine deutlichen Zãhne vorhanden sind. Dahintcr cin Netz von
^nen Querfurchen. Hinter don Plãttchen eine Stachelreihe. Prãfeinuranhang mit
^rundfurchc.
Vom 6.-21. Tergit oft schwache Seitenrãnder.
Alies Obrige ist gleich mit dem Schlüssel. Die Endbeine der Mãnnchcn mit
Haaren. die nach den Tarsen zu lãnger wcrden. Weibchen mit kahlen
^dbeinen.
Die Rasse macrodon Krpln. scheint mir nach rneinen Befunden mit der eben
^^hriebenen Unterart vollstãndig identisch zu sein, und deshalb wird sie sich
halten lassen kônncn.
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Otocryptops f. inversus Chamb., 1921.
Diese ünterart besitzt eine Kicferfusfformation, die nicht blos mit melanOS-
tomus, sondeni auch mit f. fcrrugineus übereinstimmt, wie aus meíner Beschrd*
bung her\-orgeht. Ich glaube daher, falis die anderen, vom A. leidey nicht angeg»^'
bcncn, Charakteristika mit denen von f. jerrugineus übereinstimmen, dass inversiH
ais Rasse von ersterer aufzufassen sei.
Genus : Newportia,
Obwohl dieses Genus ausschliesslich neutropische Formen aufweist, niusS
dennoch festgestellt werden, dass Brasilien. wenigstens bis heute, noch seb^
wenige Vertreter diescr Gattung aufweist. Es mag das einerscits darin lieg^m
dass die Tiere, die fast ausschliesslich im Boden oder unter Bãumwurzeln etc
Icbcn, nur sehr sclten angetroffen werden. Andererseits sind gerade die gross«#
Waldzoncn, in denen sich die Tiere mit grosser Vorliebc aufhalten. noch fast
nicht, was die Myriapodenfauna betrifft, ausgewertet.
In den Sammlungen des Institutes .“^ind nur cinige Exemplare von
lougitarsis und biccgoi vorhanden.
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IX. VOCABULÁRIO DE TERMOS TÉCNICOS
Acron — segmento cefálico embrionário: — placas ccfalicas;
Acúleo — uma modificação de pêlo;
Adventitia — a camada cxlema da parede cardíaca, constituída de tecido conjuntivo;
Anamorfose — o embrião, ao romper o ovo, carece ainda de muitos orgãos e extre-
midades.
Anel sanguíneo — é formado pelas duas artérias laterais que partem da aorta cefálica
e rodeiam o esôfago;
Anopleura — peça quhinosa na regrião pleural;
Apendice coxopleural — protuberância do ultimo segmento do tronco, situada no lado
ventral, pretraída.
Apendice prefemural — ponta no lado interno do prefemur das forcipulas;
Arco lateral — disposição sinuosa dos vasos sanguíneos cefálicos;
Átrio — parte externa do estigma.
B
Bastão — peça basilar das mandíbulas;
Blastema — camada plasmática na periferia do ovo fecundado;
Blastodenna — camada de células seriadas, que migram do centro do ovo para a
superfície periférica do mesmo;
Biometria — medidas geometrico-biologicas do corpo.
Cadeia gangUonar — sistema neiroso ventral, dividido em gânglios segmentares,
percorrendo todo o corpo;
Cálice estigmal — cavidade interna da zona exterior do estigma;
Camaca pigmentaria — camada subcutânea, que é a sédc dos corpúsculos pigmentares;
Câmara cardíaca — porção segmentar pulsátil do vaso dorsal;
Campo poroso — área porosa de ambas as coxopleuras;
Cardioblastos — elementos constitutivos dos corpúsculos do fluido sanguíneo;
Carina — bordas laterais salientes dos tergitos;
Catopleura — peça quitinosa na área dorsal das pleuras;
Celoma — formação definitiva de cavidades internas, efetuada durante o ciclo evolutivo;
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Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Células perícardiaca e exocardiaca — elementos celulares, situados em redor do coraçio:
Célula endocardiaca — elementos celulares dentro do vaso sanguíneo;
Centrolecital — tipo de ovo sob o ponto de vista da distribuição da gema;
Cerda — modificação morfo-fisiologica de pêlo;
Chilópodo — Quilópodo: — lacraia, centopeia, escolopendra ; '3
Clipeo — uma peça quitinósa triangular no lado ventral da placa cefalica, situada
deante do labro;
Colar esofageano — o mesmo que anel sanguíneo esofageanc;
Córion — envólucro exterior do ovo fecundado;
Corionina — substancia elementar do corion;
Coxa — primeiro articulo da pata, formado pela junção de escleritos;
Coxocardo — uma peça quitinósa estreita que ser\-e de reforço ás placas basilare»
da coxa;
Coxopleura — área infero — lateral do ultimo segmento do tronco, oriunda da junçS®
da coxa e das pleuras;
Coxostemum — a placa ventral, fortemente quitinisada, das forcipulas, oriunda d*
junção da coxa e do estemito, ambos modificados profundamente;
Cuticula — pele externa quitinósa, formada pela superposição de diversas camadas-
D
Deuterocerebro — segunda parte da massa cerebroile; (deutocérebro) ;
Deutoplasma — gema nutritiva do ovo, preenchendo este quasi tctalmente, e servindo
de alimento ao embrião;
Diplopodia — dois pares de patas em cada segmento do tronco;
Eedise — o processo da renovação de todo o envólucro externo;
Endocuticula — camada fina por baixo da exocuticula (camada pigmentaria);
Endoesqueletal — estilete quitinoso na região inferior da coxa;
Endoestemito — parte posterior da placa quitinósa ventral, ceberta quasi sempre P***
placa subsequente;
Epicuticula — lamela externa, finissima, do tegumento cutâneo;
Epiderme — (hipoderme) : — camada plasmatica no fundo da cuticula, dando orig«®*
a todas as camadas cuticulares;
Epifaringe — região esofageana dentro da cavidade bucal;
Esclerito — formação quitinósa na região pleural de cada segmento do tronco:
Escova — feixes de pelos no articulo terminal do telopodito do segundo maxil»^'
Esfincter — estrangulamento muscular nos limites entre o intestino anterior «
mesénteron;
Espicula — pelo curto, grosso;
Espinho — ecrescencia- cuticular, não inervada geralmente;
cEspinho do cante» — espinho longo, forte, no lado interno — terminal do prefeO’*’^
do ultimo par de patas;
Esqueleto cutâneo — neme conjunto, compreendendo todas as formações quiimo-
do tegumento externo;
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£s:emito — pUca ventral, quitinosa, do tronco;
Estigma — póros respiratórios, colocados nas pleuras dos sestiKQtos;
Exocuticula — (epiderme ou camada pigmentaríal : camada dura, quitinosa, por baixo
da epicuticula.
Pemur — o quarto articulo das patas;
PenotípK) — expressão genetica que significa o conjunto de todos os caracteres morfo-
logico-externos, quer hereditários, quer resultantes de alterações do meio
— ambiente;
Plagellum primum — a primeira parte das antenas dos Escutigerideos;
Plagellum secundum — a segunda parte das antenas dos Escutigerideos separada da
primeira por um articulo maior, o eNodale». (vide — nodale).
Porcipulas — uma formação que, sob o ponto de vista morfologico, constitue o pri-
meiro par de patas do tronco; fisiologicamente, porém, soffreu modificação
profunda, transformando-se o telopodito locomotorio numa pinça incculadora
de veneno;
Possa hemicircular — sulco profundo, ccnvexo, que atravessa toda a largura do pri-
meiro tergito.
Genotipo — o conjunto de todos os caracteres hereditários, quet externos quer internos;
Germario — um ajuntamento ou entumecimento dentro dos ovariolos, separado mais
ou menos do vitelario;
Gnatochilarío — a peça maxilar dos Diplopodos, oriunda da junção de diferentes placas;
Gonõpodo — Órgãos genitais externos, cem apendices tipicos, oferecendo otimos indi-
cios para a sistemática.
H
Memolinfa — fluido linfatico-sanguineo;
Hipofaringe — dobra muscular dentro da cavidade bucal.
Intima — uma camada de origem cuticular, renovada em cada eedise, representando a
continuação diréta do tegumento externo e re^'esti^do as traqueias (intima
traqueiana = endotraqueia), o tubo digestivo anterior e posterior (intima
intestinal), o vaso dorsal (endocardio) etc....
Eabio — peça interna, de quitina frágil, do 1.* maxilar;
Labro — peça quitinosa supericr, ligada ao clipeo por meio de uma membrana,
um dente interno forte, e duas zonas adjacentes, recurvas;
I*amina frontalis — placa quitinosa em frente ao clipeo;
com
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360 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Lamina supraanalis
Lamina adanalis
Lamina subanalis
Lobus opticus
Lobus antennalis
Lobus frontalis
Lobus postcerebralis
3 operculos quitinosos do telson;
partes do cerebro, dos quais partem os nervos: — otico»t
antenais, frontais e postcerebrais.
M
Massa ccrebroide — massa cerebral: — cerebro = gânglio nervoso snpraescfagea®®*
Matríx — camada celular, correspondente á epiderme subcuticular;
Maxilar — peça bucal, oriunda da transformação de patas locomotorias em aparelho*
mastigadores. Existem 2 pares de maxilares nos Chilópedos. Constam d*
uma peça basilar e de telopoditos;
Membrana basilar — membrana finissima, revestindo o lado basilar da epiderme
cuticular. Toma-se bem visivel na coloração do método de Mallory;
Mesénteron — intestino médio;
Metacoxa — peça quitinosa da coxa das patas;
Modificação — transformação do fenotipo de um animal, causada pelo meio-ambico*^
como seja o clima (modif.-climatclogica), pela temperatura, pela nutrição et^
Muscularias — camada muscular;
Musculos «aliformes> — feixes musculares exocardiacos, com forma de azas, in***
rindo-se no pericárdio de cada camara cardiaca.
Mutação — transformação de um ou mais fatores hereditários ou do genotipo intetf®*
N
Nervus recurrens — o nervo, que parte do cerebro c constitue a cadeia visceral;
Neurilema — membrana finissima, muito pouco esclarecida, envolvendo as ?»*■***
centrais do sistema nervoso;
Neurefibrila — fibrila nenosa que transmitte as irritações;
Neuronio — celula ganglionar uni — , bi — ou multipolar, constituindo a parte
cipal do tecido nervoso.
NeuropUema — = marco = camada fibrilar = substancia pontuada.
O
Oocito — o preduto da divisão dos oogonios;
Ooplasma — plasma que constitue os ovos.
P
.Palpo — apendice das peças bucais, — séde dos orgãos;
Partenogenese — reprodução unisexual: — uma forma de reprodução anfigcnica,
omissão da fecundação. Subdivide-se em: a) Felitoquia: — ovos
fecundados dão origem a machos apenas;
318
T
WoLFGANG BCxherl . — Os Quilopodos do Brasil
361
b) Anfitoquia: — de ovos não fecundados nascem machos e femeas;
c) Anenotoquia: — ovos não fecundados dão machos, fecundados dão
femeas. „
SegAindo o numero de i crome somas podemos distinguir:
a) Partenogenese diploide ou somatica, quando os individuos parteno-
blastas conservam o numero integral des cromosomas;
b) Partenogenese haploide ou generativa, quando os individuos parteno*
blastas se originam de ovos não fecundados, mas amadurecidos normalmente
(cem divisão equitativa e redutiva), de ovos baploides portanto. *
Pe!o — formação cuticular;
Peritrema — anel quitinoso, rodeando a cratera estigmal;
Blaca dentaria — 2 peças com dentes, situadas na zona centrai anterior das forcipulas
e separadas delas por uma sutura;
Pleurito — área lateral de cada segmento;
Postnodale — articulo ligado ao eXodalo, separando o flagel. primum do flagel. sêcun-
dum das antenas dos Escutigerideos;
I^refemur — articulo anterior ao femur;
I*ré-estemito — plaquinha quitinosa anterior ao esternito;
Pré-tergito — plaquinha quitinosa anterior ao tergito;
Procoxa: — csclerito coxal;
Proctodeum — intestino posterior;
Protocerebro — parte ántero-supericr do cerebro;
Pseudocarina — saliências laterais das margens dos tergitos, causadas não por bordas
verdadeiras, porem apenas por elevações das margens;
Quilia — estrias longitudinais dos tergitos;
Pabdoma — estiletes das células visuais, reunidos num grupo;
Pegeneração — reconstituição dc partes lesadas;
^intergito — junção completa de 2 a mais tergitos num unico sómente (Escutigerideos);
^omatopleura — a parede parietal do celoma;
Splanchnoplfura — a parede visceral do celoma;
Stomodeum — intestino anterior;
Stilco episcutal — s. paramediano: — sulco longitudinal atravessando o tergito.
“^arso — articulo terminal das patas;
^riopodito — telópodo: — apêndices das peças bucais ou extremidades;
310
cm
10 11 12 13 14 15 16
362 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Tendão — niusculo fino, longo no interior das patas, mserindo-se geraUnente á base
do articulo subsequente;
Tergito — placa dorsal de cada segmento;
Tibla — articulo das extremidades entre femur e tarso;
Traqueia — tubo respiratório;
Traqueiolo — terminações finissimas das traqueias;
Trichobotría — pelos sensoriais de construção especial;
Tritocérebro — terceira parte do cerebro;
Trochanter — plaquinha quilinosa hemilunar, muito pequena, is vezes quas' invisiveL
situada no lado ventral entre a coxa e o prefemur.
i V
Variação — expressão genetica relativa ao aparecimento reversível de diferenças mor-
fclogicas em individuos de uma e mesma especie ou de mesmos pais; esta*
diferenças ou caracteres (tamanho maior, colorido diverso, maior ou menor
comprimento dos apendices, maior ou menor desenvolvimento muscular etc^)
se originam porque cada especie conserva uma certa clargura potencial d*
oscilação filogenetico-genotipica». Falamos desta maneira do âmbito ou dz
largura de variabilidades. Distinguimos entre «variação individuais e «va-
riação geográficas.
Vasoblasto — elementos celulares que contribuem na formação dos vasos sanguíneos, etc.--
Vitelarío — vitelio = deutoplasma: — substancia plasmatica que dá origem ao gernie:
em oposição ao «ooplasmas que constitue o alimento do germe.
320
I
(16.928:614^41
COMPORTAMENTO DO BUGIO ALOUATTA FUSCA Hu.mboldt
INOCULADO COM VIRUS AMARILICO ASIBI
POR
FLAVIO da FONSECA
Si existe animal cuja presença cm determinada região florestal seja facil
de determinar, este é o “bugio” ou "guariba”, grande macaco centro e sul-
americano, negro ou fulvo, que se subtlivide eni varias especies do mesmo
genero Alouaita (howler monkey, singe hurleur, Brüllafc). A voz, cava mas
portentosa, de intensidade em desproporção com suas dimensões, graças ao apa-
relho de rcsonancia de que é dotado, denuncb ao longe sua presença, audivel a
mais de quilometro de raio dentro da espessura da mata.
A falta de seu ronco é logo percebida pelos moradores das imediações das
florestas ou pelos caçadores que frequentam as matas por eles habitadas, das
quais muito pouco se afastam, logo retomamlo quando as abandonam por
alguns dias.
Pois bem, um dos fatos que veem impressionando os especialistas dedi-
cados a estudos sobre a febre amarela silvestre diz justamente respeito à fre-
quência com que os habitantes das zonas florestais assinalam a coincidência do
desaparecimento dos representantes do genero Alouaita com a irrupção da epi-
demia amarilica. O encontro de bugios mortos c de suas ossadas e mesmo de
animais com aspecto doentio, que chegam a ser facilmente capturados, é referido
com surpreendente insistência pelos caçadores e moradores da proximidades das
matas.
A facilidade, que timbrámos em frizar linhas acima, com que se pode
ajuizar com segurança da presença ou ausência de bandos de bugios, cujo ronco
é diariamente ouvido, gcralmentc a hora certa, variavel com as estações e talvez
com os bandos, torna singularmente verosimil a observação dos que os veem
incriminando como precursores da irrupção da epidemia amarilica,
Aragão (1) refere que a mortandade entre os bugios precede geralmente
de 20 dias o aparecimento do surto epidêmico ntt região.
1
3C4
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
Que os bugios podem ser sensíveis à inoculação experimental do vnrus ama-
rflico já ficou demonstrado desde que Davis (2) conseguiu infetar um Alouaita
seniculus jovem, proveniente do Amazonas, pela picada de Acdes aegypti infe-
tados com virus da amostra S. R. O virus foi reisolado tres dias depois por
inoculação em rhesus e por picada de Aedes aegypti novos. O Alouaita mos-
trou-se imunizado 17 dias depois, tendo o seu soro protegido um rhesus contra a
infecção amarilica.
Também Aragão tentou, em 1938 (loc. cit.), infetar dois bugios das especies
A. rufus e A. caraya, proveniente de S. Paulo, apenas tendo ficado provado qu:
existia virus ativo no sangue do A. caraya no 3.® db após a inoculação, quando
o animal morreu. Nenhum dos dois bugios apresentou sintomas tipicos, nem
lesões anatomo-pa,tologicas características. O virus utilizado por .-Xragão fõra
isolado de caso humano de febre amarela silvestre.
Tendo conseguido obter um bugio jovem do esperíe A. fusca Geóffr., 1812
(Fig. 1) tentámos também infetá-lo, utilizando >nrus Asibi.
A 5-IV-39 foi praticada a inoculação sub-aitanea de Occ. 5 de sangue de
rhesus seco no vacuo segundo a técnica de Sawyer, Lloyd c Kitchcn (3).
Como a curva térmica fosse muito irregular nos dias subsequentes, com
media de 38®5 pela manhã e forte ascenção do meio dia para a tarde, quando
a temperatura atingia quasi sempre mais dc 40®, chegando até 40®7, suspei-
támos que houvesse concomitância dc infecção malarica. Feitos esfregaços dc
sangue vimos essa previsão confirmada, comprovando intensa infecção por Plas^
tnodium brasUianum Gonder et Berenberg-Gossler, 1909.
As indicações que porventura pudesse a temperatura fornecer sobre a marcha
da infecção amarilica ficam assim comprometidas, sendo, entretanto, de notar nao
ter havido ascenção térmica apreciável pela manhã durante todo o tempo da
observação.
Sangrando o bugio no 3.® dia após a inoculação, não foi conseguido isola-
mento do virus após inoculação de 0cc.03 de sangue no cerebro de cada um dc
quatro camondongos suissos, insucesso este que tanto poderá ser atribuível a
falta de multiplicação do virus no curto prazo de Ires dias, quanto à insufi-
ciência do numero de camondongos utilizados.
Repetida a prova no 8.® dia com 6 camondongos, um se apresentou paralí-
tico no 13.® dia, tendo sido sacrificado, reisolando-se o virus. cujo comporta-
mento foi normal cm mais .sete passagens effetuadas em camondongos.
No 14.® dia após a inoculação, foi novamente tentado o reisolamento do
rírus por inoculação em cerebro de camondongos, tendo esta prora sido ainda
positiva, pois um dos camondongos apresentou paralisia tipica no 15.® dia.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
F. DA Fonseca — Comporlamenlo do bugio inoculado com virus 365
Tendo o bugio amanhecido morto no 15.® dia após a inoculação, depois dc
forte queda de temperatura na vespera, foi tentado, sem resultado, o isolamento *
do virus do figado, cerebro, rins e baço.
O exame anatomo-patologico do figado apenas revelou degeneração gord^
e raros focos de necrose, sem aspecto tipico, além da presença, de pigmento
tnalarico.
A morte do bugio é consequenda natural do cativeiro, segundo a obser-
vação de outros pesquisadores, nada autorizando a atribui-la quer à infecção
amarilica, quer à malaria.
Aliás. ta;ito na obsei^^ação de Davis quanto nas dc Aragão e agora na
nossa, verifica-se a mesma coinddenda interessante de não terem sido obser-
vados sintomas atribuivds à febre amarela, quer em vida, quer após a necropsia.
A dreunstanda de não ter sido possivel, em nenhuma das observações até
agora registadas, atribuir a morte dos animais ao virus inoculado, deixa ainda
sem solução o problema do desaparecimento dos bugios das zonas dc febre
amarela silvestre.
Digna de nota é a observação referida no presente trabalho sobre a per-
manenda do virus Asibi por espaço de 14 dias no organismo do Alouatia sem
que fossem observados sintomas dinicos ou anatomo-patologicos, sugerindo a
hipótese de poder talvez a especie em questão comportar-se às vezes como depo-
sitaria natural do virus. .\Hás, cm tod^ a literatura que compulsámos, não
foi encontrada uma só dtação da persistência do virus amarilico drculante no
organismo de simios sul-americanos por mais de dnco dias após a inoculação,
o que reforça singulamKnte a hipótese acima emitida.
Nossa afirmativa não é mais categórica pelo fato da, amostra de virus ama-
rilico utilizada nesta experienda contar já mais dc um ano de conservação à
temperatura de cerca de — 12°, depois dc seca cm nosso laboratorio pela técnica
dc Savvycr, Lloyd e Kitchen, o que talvez já a tivesse atenuado.
Nova experienda feita com um Alouatia adulto e com virus mais recente,
obtido dirctamente da Fundação Rockefeller por gentileza do dr. Fred Soper,
a quem agradecemos a pronta remessa por via acrea, não foi bem sucedida,
tendo sido a inoculação peritoneal seguida de infecção secundaria que determinou
a morte do animal no 3.® dia.
Somos grato ao Dr. F. P. dc Barata Ribeiro, o qual, com notável espirito
de cooperação, prontificou-se a fomecer-nos o Alouatta, de propriedade do seu
Departamento, utilizado nesta experienda e ao Dr. Paulo Rath dc Souza pela
realização da pesquisa anatomo-patologica. Ao Prof. Paulo Sawaya agradecemos
a determinação especifica do Alouatia.
3
3CG
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
RESUMO
A inoculaqão de vinis Asibi em um bugio, Alouatta jusca Geoffr., 1812,
não permitiu observação de sintomas clinicos, embora, tivesse sido possivel o
reisolamento do virus no 8.° e no 14.® dias.
BIBLIOGRAFIA
Aragão H. B. — Observações a respeito de um foco limitado de febre amarela sylvestre
no Estado de S. Paulo _ — Brasil-Medico 52(17) :41. 1938.
Davis. N. C. — The transmission of yellow fever. — Further experiments with monkey*
of the new world — Amer. Joum. Trop. Med. 11(2) :113. 1931.
Saxoyer, ff. A.; Uoyd, W. D. & Kilchfn, S. F. — The presenration of yellow fever vinB-
Joum. Exper. Med. 50:1.1929.
(Trabftlbo da S«ccio ds Paraaitolocia c Protoxoolofú do la**
titoto Butantan. Dado i publicidade cm Janeiro, 1940)*
1
6I€.928:614.S4I
ON THE BEHAVIOUR OF THE MONKEY ALOUATTA FUSCA
Humboldt INOCüLATED WITH ASIBI STRAIN OF YELLOW
FEVER vírus
BY
FLAVIO DA FONSECA
The prcscnce of the howler monkcy of Central and South America is casily
revealcd in a certain forest region on account of its howl which is a,udible more
than a Idlomcter round within the forest. These ^nimals are black or tawny
and are subdivided in severa! spccies of the genus Alouatia (bugio, singe hurleur,
Brüllaffe). Its voice is hollow, but vtiy strong, not in proportion with its size,
denouncing the animal at a great distance.
The absence of its roaring is soon noticcd by hunters and inliabitants of the
forest vidnity, for the monkeys never Icave their abode for a longe time.
The specialists who study the cpidemiolog)- of the junglc yellow fever have
their attention called to this very fact of the desappearance of the Alouatta by
the time of the outbreaks of yellow fe>-er epidemies. Dead or sick monkc>'s, as
WelI as its remains, are being found by hunters and inhabitants of the neigh-
hourhoods.
The prcsence of these a;iimals is easily perceived because of their noise,
which is generally heard daily and at the same hours, aceording to the seasons
and probably to the groups. From this observation. thosc who considerer these
a^iimals as precursors of the yellow fever epidemies scem to be right.
Aragão (1) States that the mortality among howler monkeys generally
Precedes 20 days the epidemie outbreak in the region.
Since Dads (2) succeeded in infecting a young Alouatta seniculus from
Amazonas by the bite of Aedes aegypti infccted with \-irus of the strain S. R.,
tt has been settled that these monkeys are sensitive to the experimental ino-
culation of the yellow fever virus. The virus was reisolated three days later
through inoculation in rhesus and by the bite or some new Aedes. The Alouatia
b
3G8
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
proved to be immúne after 17 days. its scrum having protected a rhesus against
ycllow fever inícction.
Aragão also tried, in 1938 {loc. cit.) to infect tvvo howler monkeys of the
spccies A. rujus and A. caraya, from S. Paulo, the prescnce of active vírus m
the blood of A. caraya having been proved orly 3 days after inoculation, when
the animal died. None of the Uvo monkeys presented tj^pical symptoms. nor
characteristic anatomo-pathological lesions. The \drus used by Aragão had becn
isolated from a case of jungle yellow fever.
Having obt^'ned a young monkey of the species A. jusca Geoffr., (Fig. 1)»
we also tried to infect it with Asibi virus.
Tliis \s*a,5 made, on 5-IV-39, by subcutaneous inoculation of 0.5 c.c. of
blood of rhesus, dried in the ^-acuum according to the technique of Sa^^7i:^■•
Lloyd and Kitchcn (3).
A concomitant malaric infection was suspected, as the themiic curve
very irregular in the subsequent days, averaging 38°5 C. in the moming, and rising
from midday to the aftemoon, when the temperature reached almost alwa)"*
more than 40®, and evcn 40®7. Examination of blood smcars pcrmittcd
to confirm this prc\-ision, for they showed a heavy infection by Plasmodii»*
hrosilianutn Gonder et Rf.renberg-Gossler, 1909.
The indications which the temperature could have fumished conceming t*'®
course of the ycllow fever infection, are of little -value, no thermic rise havir.gt
however, becn noticed, in the moming, during the wholc expcriment.
Tiie monkey was bled 3 days after lhe inoculation, and no isolation of
virus was obtained by intracerebral inoculation in four Swiss mice, each anintt*
rrcciving a dosis of 0,03 c.c. of blood; this fact may be attribuled cither to
lack of multiplication of the vims in the scanty period of threc days. or to the
small number of mice used.
The test was repeated on the 8th day with 6 mice; one of them presenteJ
paralysis on the 13th day, when it «"as sacrificed, the viras being reisolatcd*
The behaviour of this virus ^^■as normal in seven passages in mice.
Rcisolation of the virus by intracerebral inoculation of mice was tried 1^
days after the inoculation, this test proving to be once more positive, as one
mouse presented typical paralysis on the 15th day.
The monkey died on the 15th day after the inoculation, having presented
a great fali in the temperature on the 14th. An isolation of the virus
liver, brain, kidney and spleen was tried without result.
The anatomo-pathological examination of the liver showed only fatty deg^
neration ond few necrotic focuses, with no typical aspect. besides the presence
of malarial pigment.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
F. DA Fonseca — On the behaviour oí the monkey inoculated 369
The death of the howler monkeys, according to the observa,tion of others
authors, is a natural consequence of captivity, there being no proof of their
death by yellow fever or malaria.
The same interesting fact that no symptoms of yellow fever could be observ-
ed during life or after nccropsy, verified by Davis and by Aragão, wa^, there-
íore. noticed in this experiment.
The fact that the inoculation of the virus was not followed by death in the
various experiments, still leaves the problem of the disappearance of the monke^-s
in the jungle yellow fever regions without solution.
Remarkable is the obscrvation on the pemianence of the virus Asibi during
14 days in the organism of the Alouatta, without being obscrved any clinicai
symptom or anatomo-pathologicaj lesion. That suggests then the possibility of
the species being sometimcs a, carricr of the virus in the nature.
Therefore, going through all the literature conceming yellow fever, we
could not find any refcrence to the fact that the virus inoculated in the organism of
South American monkeys circulates for more tlian five days. This confirms
vcry specially the above nientioned h)TX}tlicsis.
We c^not makc a more cathegoric statement, as the strain of yellow fever
virus used in this experimcnt had been maintained fo over a ycar, at — 12° C.
in our laboratory, after being dried bj* the techniquc of Sawyer, Lloyd and
Kitchen, which has pcrhaps weakened it.
Another expcriment was made with an adult Alouatta and with a more
rccent virus, dircctly reccived from the Rockefellcr Foundation, by the kindness
of Dr. Fred Sopcr, whom we thank for the air niail sending. We did not succccd
in this tcst, the peritoneal inoculation being followed by a secondarj* infcction.
which causcd the death of the animal after three days.
We are very obliged to Dr. F. P. de Barata Ribeiro, who kindly offered
the Alouatta from his Department. We also thank Dr. Paulo Rath de Souza
for the help in making the anatomo-pathological examinations, and Dr. Paulo
Sa,waya for the specific determinations of the Alouatta.
ABSTRACT
The inoculation of the virus Asibi into a howler monkey, Alouatta fusca
Geoffr., 1912, did not allow the observation of any clinicai symptoms, though
it had been possible to reisolate the virus on the 8th and 14th day.
cm
iSciELO
D 11 12 13 14 15 16
370
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
BIBLIOGRAPHY
Aragão, H. B. — Observações a respeito de um foco limitado de febre amarella sylvestre
no Estado de S. Paulo. Brasil-iíedico 52(17) :41. 1938.
Dai-is, N. C. — The transmission of yellow fever. — Further experiments with monkcy»
of the new world. The Amer. Jour. Trop. Med. 11(2) :113. 1931.
Sauytr, IV. A.; Lloyd, IV. D. a. Kitchcn, S. F. — The preservation of yellow fever virus.
Jour. Exp. Med. 50(1) :1. 1929.
(Trâbatbo da SeccSo dc Parasitotoeia e Prototoolopa do
tituto Botantan. Dado í poblicidade exn Janeiro de 1940)'
8
I'. ü.\ Fonseca — Coniportamentu do bugio AlouuU.i fusca
Humbou)t inoculado com virus amarilico Asibi.
Mcir. Inst. Butantaz>
Vol. XIII — 1939
i
Ki*. I
fmsca Hvmvolot
9
S»9^2:6I4j41
INQUÉRITO SOBRE A SENSIBILIDADE DE CEBUS CIRRIFER
AO vírus AMARILICO
POR
FLAVIO da FONSECA & PAULO ARTIGAS
A verificação da sensibilidade do rftesus ao virus amarilico constituiu uni
grande passo da,do a favor do estudo experimental do tifo icteroide, permitindo
que o conhecimento desta infecção progredisse enormemente em curto prazo.
Tais resultados logo determinaram a pesquisa da sensibilidade de outros pri-
matas, quer visando melhor conhecimento do comportamento do virus amarilico,
quer a obtenção de nuys um auxiliar da experimentação, igualmente precioso ou
de mais facil aquisição.
Elstudos modernos sobre a ocorrência de epidemias de febre amarela silves-
tre vieram dar a tais pesquisas significação ainda maior, por não ser impossivel
que especies deste grupo representem j^lgum papel na conservação do virus ama-
rilico em condições naturais.
A este respeito não têm faltado estudos em relação à fauna ncotropica, mui-
tas sendo as espedes de macacos sulamericanos que já tiveram a sensibilidade
pesquisada, principalmcnte devido a trabalhos de Dads.
Davis e Shannon (1) verificaram a sensibilidade do Cebus macrocephalus
ao vírus Asibi, quer por inoculação, quer por picada de Aedes acgypti infetados ;
Davis (2) verifica a positividade da infecção de Cebus froulalus (nom. vulg.
“prego”) com sangue de rhesus por via peritoneal c por picada dc A. acgypti,
demonstrando que Cebus f/ai-us do Amazonas é menos sensivel do que o “pre-
go”; Lloyd e Penna (3) obtêm infecção dc Cebus frontalis com vdrus neurotro-
pico inoculado por via cerebral. Cebus variegatus também c sensivel ao vinis
Asibi transmitido por picada de Aedes aegyfdi, segundo Davis (7).
Pseudocebus aearae deu resultados duvidosos a .■Xragão (4), inoculado com
virus de doente da epidemia do Rio de Janeiro, em 1928.
Saimiri- sciureus, inoculado por Davis (5) com virus Asibi de rhesus e dc
Aedes aegypti e por Lloyd e Penna (3) com virus ncurotropico por via cerebral,
revelou-se sensivel em todos os casos.
Callithrix albicolis experimentado por Davis (6) mostrou-se infectavel pela
picada dc Aedes aegypti com virus Asibi, tendo sido também positiva a expe-
I
374
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
renda de Lloyd e Penna (3), que inocularam virus neurotropico por (via cere-
bral em Callithrix albicolis e Callithrix sp.
Atelcus alcr teve a sensibilidade ao virus Asibi compro\'ada por Davis (5 c
7), por inoculação e por picada de Aedes acgypti. Atelcus paniscus e Atelcus
variegatus se mostraram sensiveis ao ser inoculatlos por via cerebral com virus
neurotropico por Lloyd e Penna (3).
Lcontocebus ursulus foi infetado, por picada de Aedes aegypti, com virus
Asibi, por Davis (6) e com virus neurotropico introduzido por via cerebral por
Lloyd e Penna (3).
Lagothrix lagotricha também foi experimentado com resultados positi%’OS
por Davis (5), embora se tenha mostrado menos sensivel do que Saimiri sciureus.
Callicebus moloch deu resultados ’um tanto duvidosos nas mãos de Davis
(7), que utilizou virus Asibi, mostrando-se, entretanto, imunizado, o mesmo se
>*crificando quanto a Aotus trivirgatus.
Pithecia monacha c outra espccie que se revelou sensivel ao virus Asibi in-
troduzido por picada de Aedes aegypti, segundo Davis (7).
Alouaita seniculus teve o virus reisolado tres dias depois de picado por
des aegypti infetados com a amostra S. R., segundo Davis (7), no mesmo prazo
tendo sido reisolado, por Aragão (8), virus silvestre de origem brasileira ino-
culado cm Alouatta caraya.
Cacajao rubicundus, entretanto, não se mostrou infctavel a Davis (7), queí
picado por Aedes infet^tdos com Asibi, quer inoculado com amostra S. R.
Tendo ocorrido no ano 1936 no Munidpio de Botucatú, Estado de S. Paulo,
vários casos de febre amarela silvestre, resolvemos aproveitar as facilidades <lo
que dispúnhamos na Fazenda Oito Pontas, daquele Municipio, propriedade na
qual havia sido observ-ada a infecção, para fazer um inquérito sobre o compor*
tamento do virus nos simios da região.
Graças ao sr. Cel. Eugênio Artigo, que proporcionou hospedagem e fac^*
litou jx)r vários modos os serviços a serem executados, bem como ao auxilio pres-
tado pelo Instituto Butantan e pelo Diretor do extinto Serviço Especial de De-
fesa contra a Febre Amarela, Dr. H. B. Aragão, foi possivel captura,r, no curto
prazo de um mês, cm Janeiro de 1938, nove macacos de uma mesma especte,
Cebus cirrifer Geoffr., 1812, com os quais foram realizadas as experiendas.
Dc todos os exemplares foi colhido sangue para inoculação intracerebral em
camondongos, não tendo sido possivel verificar por êsse modo a ocorrenda <1*^
infecção natural.
O drus utilizado foi o da amostra Asibi conservado no Laboratorio de F^'
rasitologia do Instituto Butantan seco no vacuo, segundo a técnica de Sawycr,
Lloyd e Kitchen.
Cebus 1655 — Animal jovem, inoculado a 17-11-38 com 2ccs. da diluição t>
1 :20 de virus Asibi por via subcutânea. A temperatura oscilou entre 39°-! ®
39°5 até o 3.° dia, atingindo ACP no 4.® dia quando foi sangrado para rdsola*
cm
SciELO
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F. DA Fonseca & P. Árticas — Sobre a sensibilidade de Cebus cirrifer 375
mento do virus. A curva térmica se manteve nos arredores de 39°5 até o 9.”
dia. subindo no\’^mente a 40° no 18.° e 19.° dias. Dos seis caniondongos ino-
culados com o sangue do 4.° dia um morreu 9 dias e o outro 16 dias após a ino-
culação, tendo sido feita,s mais quatro passagens em camondongos com o \nrus
reisolado.
Cebus 1654, 9 adulta e 1656, ainda jovem. — Inoculados a 17-11-38, res-
pectivamente, com 4 ccs. e 1 cc. de virus /Vsibi diluido a 1 :20, por via peritoneal.
Sangrias praticada 3 a 21-11 e a 4-III, seguidas de inoculação de 0,03 ccs. de
sangtie por vb cerebral em camondongos, não demonstraram existência de \nrus
circulante. Entretanto, a temperatura do 1654 subiu a 40° no 5.° db, 40°3 no
6.° dia, 40°5 no 7.°, 40°4 no 8.° e 40°2 no 9.°, voltando a 39"7 (media nonnal
neste .mimai) daí cm diante.
O Cebus 1656 apresentou a-scenção térmica na mesma ocasião, tendo sido
êsse também o unico sintoma.
Cebus 1657, 9 adulta ainda, jovem — Inocubda a 17-11-38 com 1 cc. da
diluição a 1 :20 de virus Asibi por vb intracardbca. Somente nos tres primeiros
dias apresentou temperatura abaixo de 40°; ro 4.° db a temperatura foi de 40°,
subindo a 40°5 no 5.° di^ mantcndo-sc entre 39°9 c 41° até o 20.° db. A ino-
culação do sangue colhido no 4.° dia conferiu paralisb a todos os camondongos,
tendo sido o virus assim reisolado, passando mais quatro vezes cm camondongos.
Kova tentativa de reisola,mento do virus no 9.® dia não foi mais coroada de
exito.
Cebus 1651, S aduho velho — Inoculado a 17-11-38, por \-ia intracardbca,
com 1 cc. da diluição a 1 :20 de virus Asibi. A temperatura deste animal se man-
teve quasi sempre acima de 4(P, mesmo antes da inoculação, notando-se, porém,
certa elevação do 5.® ao 8.® dia, período em que por duas vezes atingiu 41®.
Do sangue colhido no 4.® db foi rcisobdo virus em camondongos inoculados por
via cerebral, varias passagens tendo sido praticadas com este material. NoN^a ten-
tativa de reisobmento feita no 9.® dia ficou incompleta por terem morrido aci-
dentalmcnte todos os camondongos.
Cebus 1647, S adulto — Inoculado com 2,5 ccs. de virus Asibi diluido a
1 :10, por via intravenosa, a 31-1-38. Tentati^•as de reisolamento do virus feitas
no 7.® e no 14.® dias resultaram infrutíferas, apesar da ligeira ascenção térmica
obseirada do 7.® ao 9.® dia, quando a temperatura atingiu 40°3.
Cebus 1648, 9 adulta ainda jovem — Inoculada a 11-11-38 com 0,5 cc.
de virus neurotropico por vb cerebral. Xo dia 16 já se apresentara doente, com
perda de atividade, manifestando-se a paralisia a 19-II (Fig. 1). A temperatura
habitual de 39°5, observada nos primeiros dias, elevou-se a 40® no 4.® e a 41®1
no 6.® dia, baixamlo a 38®8 no 8.® para subir a 39°5 no 10.® dia. Do cerebro e
do figado deste animal, sacrifica,do a 21-11, não foi possível rcisolar o virus.
também não tendo sido conseguido reisolamento do rírus circulante, tentado
nos 3.® e 10.® dias.
3
376
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Somos gratos ao Prof. Paulo Sawaya, da Faculdade de Ciências e Letras
da Universidade de S. Paulo, pela determinação dos símios utilizados neste
trabalho.
CONCLUSÕES
Cebus cirrifer é sensivel à inoculação do virus Asibi introduzido quer pela
via subcutânea, quer pela intracardiaca, não parecendo a idade do animal influir
sobre a sua sensibilidade. A infecção provocada não determinou a morte de animal
algum dos experimentados, tendo sido reisolado o virus até o 4.® dia.
A inoculação de dois Cebus por via intraperitoneal e de um por via intra-
venosa com virus Asibi seguiu-se elevação térmica, não tendo sido, porém, con-
seguido reisolamento do virus.
A inoculação intracercbral de virus ncurotropico deu logar à paralisia tipica,
não tendo sido possivel reisolar o virus.
BIBLIOGRAFIA
Davis, N. & Shannon R. C. — The Joum. Exp. Med. 50(1) :81. 1929.
Dazis, .V. — The Amcr. Joum. Hyg. 11(2) :321. 1930.
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.4ragão, H. D. — Brasil-Medko 52(17) ;41.1938.
(Tnbalbo lU Sccfio de Paruitoloeia e Proi<saolo(ia 4o l***
tiluto Batantan. Dado i publicidade em janeiro de 1^^'
cm
SciELO,
LO 11 12 13 14 15 16
S99.S2:614J41
INVESTIGATIONS ON THE SENSIBILITY OF CEBUS CIRRIFER
TO THE YELLOW FEVER VIRUS
BY
FLAVIO DA FONSFXA & PAULO ARTIGAS
TIic vcrification of the scnsibility of the ritcsus to tlie yellow fcver vinis
has becn vcry hclpful in the experimental study of yellow fcver, promoting, in
a short time. a great increasc to the knowlcdge of this infcction.
Tlie rcsiilts brought about the study of the sensibility of other primates. not
only to improve the knowlctlge of the btliaviour of tl»e yellow fever vinis, but
also to verify if there were some other sensitive species which could l)e obtained
with less diffkulty.
Rccent jungle yellow fe\’cr studies showed the possibility of some species of
this group playiiig an important part in the preseiA^ation of the sdrus in natural
conditions. Many experiments on the sensibility of South American monke>s
have previously Ixren made, specially by Davis.
Davis and Shannon (1) testified the sensibility of the Cebus macrocephalus
to Asibi virus, both by inoculation and by the bite of .-ledes aegypti; Davis (2)
succeede<l in infecting intra*peritoncally Cebus jronlatus (nom. vulg. "prego")
with rliesus blood, and by bite of .-ledes aegypti, concluding that Cebus flatnis
from Amazonas is less sensitive than the "prego"; Lloyd and Penna (3) infec-
ted Cebus frontalis with a neurotropic virus throngh intracercbral inoculation.
Aceording to Davis (7) Cebus x<ariegatus is also sensitive to Asibi virus by the
bite of .4edes aegypti.
Pseudocebus asarae inoculated with the virus of a human yellow fever cas?
of the 1928 epidemic in Rio de Janeiro did not permit conclusive results to
Aragão (4).
Saimirí sciurats inoculated by Davis (5) with Asibi virus from rhesus and
from .dedes aegypti, and by Lloyd and Penna (3), intracerebrally. with neuro-
tropic virus. showed to be sensitive in all ca.ses.
5
Cad. 23
37»
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
Callithríx albicolis was infected by Da\-is (6) with Asibi vírus by the bite
of Acdcs ofgypti;.\Aoyá and Penna (3) obtained the same reaction bj' intrace-
rebral inoculation of neurotropic vírus ín Callithrix albicolis and Callilrix sp-
Accordíng to Davis (5 and 7), Aleleus ater, cíther ínoculated or fed upon
by Aedcs aegypti, reacted to Asíbí vírus. Lloyd and Penna (3) State that
Atcleus pamscus and Atcleus varicgatus also are sensítíve to íntracerebral ínO"
culation of neurotropic vírus.
Da%-is (6) infected Leontocebus urstdus with Asibi virus by the bite of
Acdcs acgypti; the same results have been obtained «^h neurotropic virus, by
Lloyd and Penna (3).
Lagothrix lagotricha was also tested by Davis (5), presenting positive results,
though is showed Icss .sensitive tlian Saimiri sciureus.
The results obtained in Davis’ experiments (7) with Calliccbus inolocb
infected with .\sibi virus werc rather doubtful. although this species, as well a«
Aotus trivirgatus, l)ecame immune.
Aceording to Davis (7) Pitliecia monacha, fed upon by Acdcs aegypti^
revcaUd sensibility to Asibi virus.
Davis (7) succecded in reisolating the vinis from Alouatta sciticulus thrte
days after being bitten by Acdcs aegypti infected with the S. R. strain. Aragão
(8) could also isolate. after three days. junglc yellow fever virus, of Hrazilian
origin, Ínoculated in Alouatta caraya.
Davis (7) failed in infecting Cacajao rubicundas ncither by Acdcs contain-
ing Asibi virus, nor by inoculation with the S. R. strain.
As scvcral cases of jungle yellow fever liad been òbserved in 1936, in tbc
tminicipality of Botucatú. State of S. Paulo, we decided. because of tlie facilitieí
afforded at the Fazenda Oito Pontas, a property in which the outbrcak
òbserved, to investigate the behaviour of the virus in.the nionkeys of tliat region
Thanks to the kindness of Cel. Eugênio Artigas. owner of the fann. and
with the help of the Instituto Butantan and of Dr. H. B. .\ragão, Director of the
extinct “Servi«;o Especial de Defesa contra a Febre Amarella”. it was {X)ssibR
to capture, in tlie short period of one inonth, January 1938. nine monkeys of the
species Cebus cirrifer Geoffr., 1812. with which the experiments were made-
Samples of bkxxl from all the specimens sened for intracertbral inoculation
in micc. It was not possible to verify. by this method, the presence of natural
inftxtion.
The virus used in the following e.xperiments was of the Asibi strain, pre*
served dry, in \-acuum, aceording to the techniijue of Sawyer. Lloyd and Kitchen-
in the Laboratory of Parasitology, Institu*o Butantan.
6
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
379
Cebus 1655. \ young animal, subcutaneously inoculated on February, 17,
1938, with 2 c.c. of Asibi virus diluted to 1 :20. The tcmperature oscillated between
39°4C. and 39°5 until the 3rd day, rising to -KP on the 4th day, when it was
bled for rcisolation of the virus. The thermic curs'e was about 39°5 up to the
9th day, reaching again 40® on the ISth and 19th days. Six mice were inoculated
with the blood of the 4th day; one of them died after 9 days and another after
16 days, four jíassagcs having been made in mice with the reisolated virus.
Cebus 1654, 9 adult and 1656 young. Irtraperitoneally inoculatcii on Fe-
bniaiy 17,1938, respectively with 4 c.c. and 1 c.c. of .Asibi \-irus diluted to 1 :20.*
Hleedings made on February 21, and March 4,1938, and followed by intrace-
rebral inoculation of 0,03 c.c. of blood in mice, did not show the existcnce of
circulating virus. Xotwithstanding, the tcmperature of Xo. 1654 attained 40° C.
on the 5th day, 40°3 on the 6th, 40°5 on the 7th, 40°4 on the 8th, and 40°2 on
the 9th, rctuming to 39°7 (normal average tcmperature in this animal).
Cebuj 1656 presented febrile reaction at the same oceasion, this l>eing, how-
ever, the only symptom perccived.
Cebus 1657. 9 adult. but young. Inoculated on Fcbruaiy 2. 1938 with
1 c.c. of .Asibi virus at 1 :20 intracardially. The tcmperature ^\•as l)clow C.
only during the first three davs; on the 4th dav the tcmperature was at 40°, rising
to 40°5 on the 5th day. staying Ijctwcen 39°9 and 41° until the 20th day. The
inoculation of blood takcn on tire 4th day inducetl a t>i>ical paralysis to all of
the mice; the virus thus reisolated liad four more jMissagcs through mice. Xo
results was obtaineil when the reisolation of the virus was again attempterl on
the 9th day.
Cebus 1651 i . age<l specimen. Inoculated intracardially, on Fcbriury 17,
1938, with 1 C.C. of .Asibi virus at 1 :20. The tcmperature of this animal was
almost always over 40° C. even beforc the inoculation. ri.'ing twicc to 41° from
the 5th to the 8th dav. The virus was rcisolatctl from tlie blootl of the 4th
day, and intracerebrally inoculated in mice; \-arious passages have been made
with this material. .A new e.xperiment of rcisolation. made on the 9tl; day,
was discontinucd, as all of the mice died incidentally.
Cebus 1647 í . adult. Inoculated with 2.5 c.c. of .Asibi virus at 1 :10. intra-
venously. on January 1,1938. The reisolation of the virus, attcmptcd on the
7th ond 14th days, proved to l>e of no result, in spite of a slight tcmjKrature
rise on the 7th to the 9th day, when the remperaturc attained 40°3 C..
Cebus 1648 9 adult, still young. Inoculated intracerebrally, on February
11. 1938, with 0.5 c.c. of neurotropic virus. It was already ill on Februarj’ 16.
showing a loss of activity. paralysis oceurring on Fcbruaiy 19 (Fig. 1). The
normal tcmperature of 39°5 C., noticed on the first three days, rcached 40° on
#" -
380
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
the 4tli, and 41°1 on the 6th day, falling to 38°8 on the 8th, and rising again
to 39“5 on tile lOth day. The reisolation of the virus could not be obtained
froni the ccrebrum and from the liver of this animal, sacrificed on Februarj’
21,1938. Tlie circulating virus also could not be reisolated on the 3rd and
lOth day.
Our best thanks to Prof. Paulo Sawaya, from the “Faculdade de Sciencias
e Lettras da Un>versida,de de S. Paulo” for the classification of the monkeys used
in these experiments.
CONXLU.SIONS
Cebus cirrifer proved to l)e sensitive to the .-\sibi virus inoailated both sul>-
cutaneously and intracardiaíly : the age of the animal does not scem to ha%'C
influence on its sensibility. Titis infection did not cause the death of any of the
tested animais, the vinis having bccn reisolated until the 4th day.
Two Asibi virus intraperitoneal inoculations and one intravenous were foi-
lowed by themiic rise in specimens of Cebus cirrifer, but no reisolation of the
virus was obtained.
BIBLIOGRAPHY
1. Dai-is, N. & Shannon. R. C. — The Journ. Exp. Med. 50(1) :81 . 1929.
2. Dat-ií, .V. - The Amcr. Jour. Hyg. 11(2) :321. 1930.
3. Lloyd. IV. Sr Penna, lí. ,-l. — Amcr. Jour. Trop. Med. 12(3) :243. 1933.
4. Aragão, H. li. — Suppl. Memórias Inst. Oswaldo Cruz 2:23.1928.
5. Dat-is, N. — The Jour. Exp. .Med. 51(5) :703. 1930.
6. Davis, <V. — The Joum. Exp. Med. 52(3) :405. 1930.
7. Davis, X. — .-\mer. Joum. Trop. Med. 11(2) :113. 1931.
8. Aragão, ll. B. — Brasil-Medico 52(17) :41 :1938.
(TraUbo da Seccãu de Parantolofia e Proloeoolocia do I'”'
lilain Butanian. Dado ã publicidade em Janeiro de t940)-
cm
SciELO,
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595 771
NOVO SUBGENERO E NOVAS ESPECIES DE ANOFELINAS
NEOTROPICAS j^DIPTERA. CULICIDAE)
Revendo a coleção de anofelina» da Secção de Pesquisas do Serviço <Ie
Profilaxia <ia Malaria do OcjíartauKnto de Saude do Estado de S. Paulo, foram
encontrados ilois exemplares machos rotulados Anopheles (Ambahagia) iticdio-
piinctatus (Lutz iii Theob., 1903), os quais, coincidindo embora com esta esjxide
por certos caracteres, revelaram a um estudo mais aprofundado diferenças tão
acentuadas que logo evidenciaram a cxistuKia de um novo grupamento siste-
mático. comportando varias csixxies.
I)c fato. Anopheles {Arribalzagia) mediopunctatus (Lutz) é a unica ano-
felina que apresenta na tenninalia. apensas à face ventral do 9. esternito, <luas
longas fonnaçOes. com o aspecto de laminas de sabre de cavalaria, as «luais
tornam a especie absolutamente inconfundível. A existetKia deste csclcrito é
bastante para afastar Anopheles mediopunctatus não só do sul^cnero Ambalzagia
como de qualquer outro subgenero (e Grupos c Series dos A.A.) da tnbu
AnopheVmi. A especie em questão não pode também ser incluída cm Cyclzle-
(Nota previa)
POR
FLAVIO da FONSECA & A. da SILVA RAMOS
pieron Theob.kld. por ter este subgenero. aliás já caído em sinonnma de .
.1 . - Rnnt rnnio esixície tipo A. grabhami Theobald.
O encontro de outn
dice do 9P esternito que
tencia de um grujx) de A
cm sutçencro algum dos
designação de
1
384
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
Shannoniella, subg. n.
Diaqmsc — Terminalia dos machos provida de um par de escleritos com
forma de lamina de sabre apensos à face ventral do 9° estemito (Fig. l,h; Fig.
2,h). Peça lateral com um espinho basal e um interno.
Especie tipo: Anopheles {Shannoniella) limai, sp.n.
Anophcles (Shannoniella) limai, sp. ii.
D scrição da terminalia do holotipo 6 (Fig. 1):
Feça lateral — Um unico espinho basal (Fig. l.a), forte, emergindo de
elevação cônica, afilando-se gradativamente e terminando bruscamente em ponta
fina, curta e recurvada. Espinho interno (Fig. l,b) longo e largo, de concavi-
dade interna, menos quitinizado do que o basal, afilando-se aos poucos até 3
extremidade. Xa face oposta, ventral, portanto, existe um espinho longo e fino.
tal como o figurado na face dorsal por Bonne para A. (Sh.) mediopunetatus.
Escamas e pelos recobrem em parte a restante superficie, vendo-se proximos da
extremidade apical, sinais de implantação de cerdas longas, fraturadas na facc
dorsal do holotipo, mas ainda visiveis na face ventral.
Pinça mais longa do que a peça lateral e de largura mais ou menos unifonne
a partir do 1/4 basal, tenninando no espinho habitual.
Lobo dorsal da pincela (Fig. l,c) de aspecto muito diverso do da especie
seguinte, bem como do de A. (Sh.) mediopunelatus, segundo a figura em sepa-
rado de Bonne. Representa uma fai.xa quitinosa muito larga, cujo bordo interno
é recoberto por longas cerdas desde a liase até o apice. Do lado externo, coni
pequena diferença de nivel, du^ cerdas mais rigidas, nascendo em tubérculos
poucos ele^•ados. Xo apice uma cerda espiniforme, larga, terminando em ponta
aguda, de curvatura muito menos pronunciada do que a das outras especies do
subgenero.
Lobo ventral da pincela (Fig. l,d) de aspecto idêntico ao da especie seguinte.
^ícsosoma (Fig. l.e) alongado fino, muito mais longo do que o da especic
seguinte, medindo 190 p, apresentando no apice apenas dois foliolos (Fig. EU
de 90 p, os quais, devido ao maior comprimento do mesosoma, parecem mai'
curtos do que as de A. (Sh.) coslai, sp. n.. Diferem os foliolos dos dess^
especie, bem como dos da especie A. (Sh.) mediopunctatus, s^undo as figura'
de Souza Pinto e Bonne, pelo fato de serem serrilhados da base até o met°’
apresentando cerca de cinco farpas.
cm
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F. DA Fonseca Jt A. S. Ramos — Anofelinas neotropicas
385
Lobo atial (Fig. l^g) membranoso. conico.
9P estertúto (Fig. l.i) em forma de expansão eliptica, interrompido no
bordo proximal. onde apresenta forte reintrancia.
Apófises do 9.° cslemilo (Fig. l,h) bem menores do que as da especic
seguinte, medem apenas 150 p. divergindo também mais acentuadamente e de.sde
a sua origem, ao passo que em A. (Sh.) cosicã, sp. n., os dois estiletes caminham
a principio paralelamente para divergir na metade apical. A base das apófises
é larga, medindo cerca de 40 u e o apice é rombo.
Holotipo <J capturado em S. Vicente, S. Paulo, Brasil, em agosto de 1939.
Anophcles (Shannoniella) costai, sp. n.
Descrição da terminalia do holotipo S (Fig. 2) ;
Peça latcraí com um unico espinho liasal fFig. 2,a) bem mais longo do
que o do A. (Sh.) mfdio pune tatus, s«^mdo o desenho de Bonne, nascendo <le
tubérculo saliente, de ponta afilada o encurvado para fóra. Espinho interno
(Fig. 2,b), de ponta afilada, na união do terço proximal com os dois terços
distais da peça lateral. Não existe espinho basal adicional, fraco, tal como o
referido e desenhado por Bonne. espinho este que Souza Pinto não reproduz em
sua figura, sendo possiwl que no desenho de Bonne tenha havido reprodução
de um espinho de situação idêntica, porém, colocado na face ventral. .Miás, a
comparação da figura de Bonne com a de Souza Pinto parece antes indicar que
esses pesquisadores tiveram em mão especies diferentes. Apice da ps’ça lateral
com varias cerdas longas, das quais uma maior. Escamas e cerdas fracas abun-
dantes em toda a superfície restante da peça lateral.
Lobo dorsal da pinccta (Fig. 2,c) em forma de cone truncado, tripartido
na extremidade distai, dando um ramo interno provido de um feixe de cerdas
achatadas e flexíveis ; um ramo medio portador de uma cerda espiniforme, forte,
encun’ada primeiro para fóra e depois para cima, terminada em ponta fina; um
ramo externo, mais curto, apenas esboçado, do qual parte uma cerda rigida muito
mais fraca do que a do ramo medio; pouco atiaixo desta cerda nasce, no bordo
externo do cone. uma outra de comprimento mais ou menos igual. simples com-
paração desta peça com a figurada em separado por Bonne demonstra a diver-
sidade especifica de A. (Sh.) limai, sp.n. e A. (Sh.) costai, sp.n.
Lobo ventral da pinceta (Fig. 2,d) com expansão membranosa alongada
e de extremidade dilatada com projeção mais fina dirigida para fóra.
Mesosoma (Fig. 2,e) estreito, terminando em dois longos foliolos (Fig.
l,f) não serrilhados, de 90 u, quasi atingindo o comprimento do mesosoma, que
3
38f.
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
é de 120 n no holotipo. Tais foliolos parecem ser bem mais longos do que os
figurados por Souza Pinto e Bonne para A. (Sh.) mcdiopunctatus.
Lobo anal (Fig. 2.g) membranoso, com pilosidade fraca.
Apófises do 9° cstcrnito (Fig. 2,h). Como formação característica do sub-
genero erigido na presente nota pre\-ia, existem, apensos à face ventral do 9.°
cstemito (Fig. 2,i) constituindo, portanto, a mais inferior de todas as fonnações
da terminalia cm relação ao plano do microscopio, dois escleritos desconhecidos
em qualquer outra subdivisão de . hnphclim. Tais fonnações constituem realmente
apcndices do 9.” cstcrnito e não do 9.° tergito como o diz Bonne, nem da peça Ia*
teral como o afirma c figura Souza Pinto, nem representam espinhos basais como
o diz Costa Lima, o qual, aliás, não ix)ude examinar a genitalia de A. (Sh.) incdio-
punctatus, como sucedeu aos outros autores citados. Em Anophcles (Slianno-
niclla) coslai, sp.n., estas apófises apresentam o aspecto de chifres de antilop€
c são e.xtremamentc longas, medindo 280 u de comprimento, encurvando-se forte-
mente para fóra c afilando-se no apice, reproduzindo, enfim, com grande setní-
Ihança, o aspecto <!as pinças com encurs-amento invertido, comparação já feita
para A. (Sh.) inediopunclatus jwr Souza Pinto.
Holotipo S capturado cm S. \'icente, S. F’aulo, Brasil, em junho de 1934.
\'erificadas as diferenças indiscutiveis entre a terminalia das especies no\'as
da jircsentc nota de um lado e a descrição original da terminalia de (Sh.)
mediopunctatus apresentada por Bonne do outro, restaria provar que a descrição
de Bonne corresponde rcalmente ao verdadeiro mcdiopunctatus. Pela comparação
da descrição da 9 apresentada no tratado de Bonne c Bonne- WVpstcr com ^
figura de Thtobald, depreende-se, ao contrario, que a cspecie do Surinam difet®
da de Theol)ald pela relação entre o comprinKnto das células e os respectivos
pcciolos; alem dessa diferença, assinala o proprio trabalho de Bonne c Bonne-
Wepster marcação diversa para os articulos 3 e 4 dos tarsos posteriores dos
exemplares do Brasil e Trinidad de um lado e do Surínam de outro
Tais divergências nos levaram admitir, provisoriamente, a diversidade ‘las
especies de Bonne-Bonnc-\\’epster e de Tlicoliald, o que só o exame da tcnnittali*t
do holotipo, depositado no Museu Britânico por Theobald, poderá decidir tl*^
modo definitivo. A confirmar-se esta hipótese, proporiamos para a esi)ecie do
Surinam o nome de Anophcles (Shannoniclla) bonnei, sp.n.
Embora não pretendendo nesta nota previa descrever a coloração dos adultos,
propomos, a titulo provisorio, para que seja possivel distingui-los sem a mo»'
tagem da terminalia, a seguinte cliave de especies:
cm
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F. DA Foxsec\ & A. S. Hamos — Anofelinas ncotropicas 387
1 — 5.° articulo dos tarsos posteriores com um anel negro basal
A. (Sh.) coslai, sp.n.
5.° articulo dos tarsos posteriores todo brar.co 2
2 — 4.° articulo dos tarsos posteriores com dois aneis negros e 3° articulo dos
mesmos tarsos com tres A. (Sh.) mcdiopunctatus (Lvtz).
4° articulo dos tarsos posteriores com um só anel negro e 3.° articulo
com dois 3
3 — Articulos estreitos «los j>al|Kis do á de cõr amarela predominante
A. (Sh.) limai, sp.n.
Articulos estreitos dos paljxis do á d; cõr negra predominante
.4. (Sh.) bonnei, sp. n.
Em proximo traltalho apresentaremos a descrição completa dos adultos,
bem como os tlesenhos e microfotografias das azas, patas e de certos detalli.s
da terminalia.
O nome sul^enerico é dado cm homenagem ao grande estudioso das ano-
felinas neotrojticas R. C. Shannon. sendo formada a nova combinação ix>r estarem
ocupadas outras, como Shannonia, Shannoniopsis c Shannonoinyia. ..As cspec’c^
são dedicadas, respectivamente, a Costa Lima, a quem tivemos ocasião de con-
sultar sobre a oportunidade da creação do novo sub-gcncro e a .\rthur Costa
Filho. Diretor do Serviço de Profilaxia da Malaria do Estado de S. Paulo,
grande animador de trabalhos de pesquisa malariologica, sob cuja orientação foi
organizada a coleção na qual se encontravam duas das no\-as especies descritas.
ABSTRACT
.\ ncw sul^enus, Shannoniclla, sultg. n., with Anophelcs (Shannoiiiella)
limai, sp.n., as tj-pc species is proposeel including also .-/. (Shannoniclla) co.rai,
sp.n., and A. (Shannoniclla) mcdiopunclalus (Lltz xri Thcolrald. 1903) [sin.:
Cycloleptcron mcdiopunctatus Lutz in Theobald, 1903 ; Anophcles medio-
punctat»^ (Tiieob.) : Anophcles rockcfcllcri Peryassú, 1923. etc.].
The differences observed betwcctt thc descriptions of Bonne aml Bonne-
Wepstcr on one hand, and that of Theobald on the other, result in proposing
temporarely the name of Anophcles (Shannoniclla) bonnei, sp.n. for Bonne’s
species.
Tlie most important character of Shannoniclla, subg. n. is thc prcsencc of
tAvo large, hom-like appendages of the 9th stemite (Figs. 1 and 2.h).
(Trabalho de colaboracáo do Serviço de Proftlaxia da Ma*
taría do Eetado de S. Paulo e da SecçSo de Protiooulo*
KÍa e Parasitolofia do Instituto Hutantan, apresentado
para publicação em janeiro de 1940 e dado à publicidade
em março, de 1940. Lido em »e«*ão realixada pda So*
ciedade Braaileira de Entomolofia a 29 de Janeiro
de 1940).
i
r
5
F. D.\ Fonseca & A. da Silva IUmos — .Yoi>o sitbgenero e
novas especies de anofelinas neolropicas.
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Fiç. 1
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novas expedes de anofelinas neolropicus.
Mcm. InsL Batantan
Vol. Xni — 1939
F.r. 2
ImofhtUs (ShammrairiU) ctttíi, tp. n.
a
ESTUDOS SOBRE A FISIOLOGIA SEXUAL DAS SERPENTES
POR
LUDWIG FKAEXKEL & THALES MARTINS
I . O corpo amarelo.
II. A inserção do ovo.
III. Presença da estrina nos foliculos ovarianos.
I. No decurso de pesquisas sobre a fisiologia da reprodução de algumas
serpentes brasileiras, tivemos ocasião de estudar a genitalia de indivíduos per-
tencentes às seguintes cspecics:
a) Colubridae, oviparas: Xcnodoti merremii Wagler;
b) Crotalidoí, ovo-viviparas : Cascavel, Crotalus Icrrijicus (Laur.) ; Ja-
raraca, Bothrops jararaca (Wied) e Unjtú, Bolhrops allcriuUa Dm. & Iíibk..
Os osarios das especies examinadas são, conw os dos ofidios em geral, or-
gãos saciformes, contendo foliculos de diferentes tamanhos; alem desses ele-
mentos, os das ovo-\nviparas apresentam formações especiais, de aspecto cara-
cterístico, comparáveis ao corpo amarelo dos mamíferos. Foi esse ponto, aliás,
o diretamente visado ao tomarmos as serpentes como animal de pesquisa: ex-
tender aos grupos inferiores de vertebrados as verificações concernentes à fisiolo-
gia do corpo amarelo.
O material mais abundante para as nossas observações e experiencias foi
constituído pela Jararaca e pela, Cascavel, não havendo, entre uma e outra, di-
ferença apreciável na morfologia do ovário. Sobre as primeiras verificações da
presença do corpo amarelo em serpentes já apresentamos nota preliminar à So-
ciedade de Biologia de São Paulo (C. R. Soc. Biol. 227:466. 1938.)
^íorfoIogia do corpo attuirelo — .-X Fig. 1 representa os ovários de duas
Cascavéis: um proveniente de um exemplar prenhe, e dois de um não prenhe,
subentendendo-se como prenhe a serpente portadora, nos ovidutos, de ovos con-
I
394
Mrmorias do Instituto Butantan — Tomo XIII
tendo embriões. Macroscopicamente já c facil distii^uir entre os foliculos,
ovais e transparentes, as formações que designamos de corpo amarelo. Estas
são discoidais ou elipticas, aderentes à parede do ovário por uma zona limitada,
ficando livre a periferiat; os diâmetros variam de 0.5 a 1 cm.: a consistência é
mole. à vezes muito friável; na superfiric ha uma zona central retraída, como
uma fovea. Têm cór amarelo-clara, que as distingue dos foliculos translucid«>s,
de sorte que ap vivo são muito mais nitiílas as diferenças do que na fotografia.
Foliculos c corpora lutea altemam-se em serie.
Microscopicamente, a estrutura e muito semelhante à do coq>o amarelo
dos mamiferos. Agregados compactos de células de protoplasma granuloso pa-
recem, muito provavelmente, originados da camada granulosa do foliculo. Tra-
béculas conjuntivas jKirtem da paretlc e penetram no interior do orgão, espe-
cialntmte na Jararaca. Uma cavidade central ê frequentemente er^x»ntrada cheia
com um material que toma as cores acidas. .\ vascularização do orgão não ocorre
na abundancia encontrada no corpo luteo dos mamiferos. no qual pratkanKnte
caua célula está cm contacto com un» capilar; no cas«j vertente, o» \ay« sc
concentram nas trabcculas conjuntivas acima citadas, de onde se irradia a dis-
tribuição dc sangue lara o parenquima (Figs. 3 c 4).
Eventualmente j>odem ser eiKontradas formações de aspecto aberrante no
tamanho, forma c cór; brancos, pardos, muito escuros. Em certos casos, em-
bora nacrosC"i>icamentc normais, ao exame microscopico mostram-se constitui-
dos dc tecido <lc caráter gorduroso; essas aparentes anomalias são talvez dc-
jicndcntes ifci fase «b, gestação, ou. quiçá, consequência dc perturbações gerais
induzidas nos animais pelos traiunatismos de captura e transporte: c, aliás,
muito frequente a ocorrência rlc ovos anormais, duros, de conteúdo coagulado» c
embrião desintegrado. Assim como nos mamiferos. .•u» lado dc corpos amarelos
vcrd.ideiros, podem ser encontrados os espúrios, atreticos, e cistos lu.einicos —
por intervenções hormonais, ou mesmo cm condições fisioiogicas, também nos
owarios das serpentes estudadas são, às vezes, vistos foliculos de loredcs es-
pessas e amarelas, que. pelo estudo mtcroscopico, p«xlcm ser consiilerados cisto.s
luteinia»s. /\ Fig. 2 mostra a parede dc um foliculo normal, onde í.* identificam
a granulosa c as tecas.
/dcniifica^ão do orgão como corf>o amarelo — Morfologicanrcnte, c quasi
impossível deixar de bonwlogar um com o outro: mas a prova decisiva tc.n q«
ser a funcional. Ora. a rebção deste orgão com i gestação é patente; êlc c au-
sente ou muito rudimentar nas espccics oviparas c nas ovo-viviparas não pre-
nhes. Só atinge a pleno desenvedvimento nas ovo-viviparas prenhes, e o seu nu-
mero coincide aproximadamente com o dos ovos presentes nos ovidutos.
Impunham-se, entretanto, experienebs que demonstrassem o seu papel cn-
docrinico; preliminarmente, cabia-nos verificar si a extirpação era seguida de
cm
SciELO
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L. Fr.\f.xkel Jt T. Martins — Sobre a fisiologia sexual tias serpentes 395
cxpulíão prematura ou de perturbações graves dos ovos. Apesar de termos pra-
ticado mais de 50 ovarietomias em Jararacas e Cascavéis prenhes, não foi dos
mais frutiferos o trabalho. Dado que os dois ovários, medindo de 10 a 20 cms.
de comprimento por 1 a 1.5 de largura, não ficam simetricamente colocados,
mas, cm regra, um mais baixo do que o outro, a incisão abdominal era íorça-
damente longa. Com o exercido, fomos gradualmente diminuindo a sua am-
plitude a 10 cms. ou menos; mas, mesmo assim, não era possivel evitar, cm
muitos casos, a eventração do oviduto, que, embora não perfurado, era em
grande parte expelido pela tensão intracadtaria e reintroduzido só à custa de
manobras repetidas, com inevitáveis traumatismos dos ovos e “vohulus geni-
ta,lis”. Havia ainda a grande mortalidade materna, que não está na dependen-
cia de operações ou anestesias severas; pois. mesmo cm casos de pequenas la-
parotomias exploradoras, sem nardose. nenhum animal sobredveu mais de
10 dias.
De qualquer maneira, não lia como fugir à identificação do orgão ora des-
crito ao corpo luteo. De fato. uma formação glandular encontrada no ovário,
sem canal cxcretor, com a morfologia do corpo amarelo, desenvolvida cm es-
pecies ovo-vie-iparas apenas durante a prenhez, a não ser que se trate de uma
glandula nova. só pode ser o proprio corpo amarelo. Sendo assim, sob o (xinto
de vista da filogenia endocrinica, o oe^ario das sciqxmtes viviparas c mais adian-
tado do que o das a\-es.
II. .'I inserção do oro.
A muco.sa do útero apresenta regular desenvolvimento das glandulas, em-
bora mais discreto do que o encontrado no endometrio dos mamiferos: nos ani-
mais prcnlKs, forma papilas e digitações (Figs. 6 c 7). Por seu lado. as mem-
branas- fetais apresentam vilosidades, dentiatladas ou dicotomizadas, que
insinuam exatamente nos vãos das vilosidades uterinas. E’ o que se poderia
chamar de placenta vitelina. formada pelas papilas e vilosidades que proeminam
dos cnvoltorlos do ovo. Entre a parte materna e a fetal encontra-se uma se-
creção liquida, viscosa e transparente como a clara de ovo e que escorre quando
SC incisa a parede do oviduto, sem lesar o ovo. Essa secreção dá reações de
mucina e de albumina; fixada e colorida, em cortes histologicos, não parece
homogênea; do lado materno, forma uma fita regular, tomando as córes basicas;
do lado fetal, tem maior afinidades pelas córes acidas, mas, cm certas zonas, tem
um aspecto todo particular. Sobre o fundo basofilo aparecem fios. formando uma
trama plexiforme. afim às córes acidas, que dão ao conjunto uma aparência sui
generis, por nós nunca vista cm tecidos animais.
O epitelio embrionário é formado por uma camada simples ; no sincicio, sob
grande aumento, vém-sc corpúsculos refringentes cm 2 a 3 estratos.
3
.ton
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Abaixo do qjitclio distribue-se o tecido conjuntivo da alantoide e, depois,
o vitelus (Figs. 8 e 9).
Do lado materno, sob o epitelio, encontram-se as papilas ramificadas «f as
glanduIas uterinas, cheias de granulações acidofilas. A posição do embrião
guarda uniformidade, em relação ao oviduto; êle está sempre voltado para o lado
mais vascularizado, que é o "mesometrial” (Fig. 5). Correspondendo à linha
de penetração dos s^asos no o\-iduto, encontramos a zona de inserção do ovo.
como a descrevemos, a qual fica limitada à parte de uma linha meridiana que
passa sobre a zona embrionária. Quando se abre o oviduto, o ovo se descola
facilmente, o que mostra ser muito frouxa a aderencia que prende um ao outro.
III. Presença de eslrina nos foliculos ovaricos.
\’arios problemas hormonais sugerem-se por si mesmos: pesquisa de es-
lrina e de progesterona (hormonio luteo) nos foliculos ou nos corpos amarelos:
investigação dos efeitos dos hormonios gonado-estimulantes da hipófise sobre
o ovário. Estes últimos serão particularmcnte instrutivos para a analise da
fonnação c desenvolvimento dos corpos amarelos, que, artiiicialmente provo-
cados, poderão ser estudados em todas as suas fases. Para esses trabalhos, acu-
mulamos a matéria prima necessária, isto c, hipófises doadas por especies ho-
mologas; o mesmo fazemos ern relação ao hormonio luteo, cuja pcijucna con-
centração nos mantiferos faz prevèr também um baixo teor nas fontiaçóes cm
apreço. Quando tivermos 50 a 100 grs. de corpora lutea, faremos o e.xtrato; o
encontro da progesterona trará mais uma pro\-a funcional dos orgãos aqui es-
tudados na parte I.
Quanto á presença de estrina nos foliculos ovaricos, já temos dados sufi-
ciente- para, uma conclusão. A injeção de “liquido folicular’’, obtido pela ex-
pressão de foliculos com o o\-ulo, de Jararacas ou Cascavéis, prenhes ou não,
em camondongas castradas, provoca o estro tipico, isto c, o test de Allen e
Doisy positivo para a estrina, já com doses de 0.4 cc, repartidas em 4 dias.
Dosagens quantitatisas poderão ser feitas com extratos purificados, mas esses
rcsuIta<los já demonstram concentrações próximas de 2.500 unidades camon-
dongo, cm 1 litro de material. Temos assim extendida a verificação da pre*
sença do hormonio folicular a um grupo, segundo cremos, ainda não estudado
sob este ponto de vista, e evidenciada mais uina prova de inespecificidade zoo-
logica dos hormonios.
cm
SciELO
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L. Fraenkel Jl T. Maiitins — Sobre a fisiologia sexual das serpentes 397
RESUMO
Alguns dados preliminares são referidos acerca da biolc^ia sexual de
duas especies de serpentes ovo-viviparas brasileiras, a Cascavel {Crotalus ter-
rifiíus) e a Jararaca {Bothrops jararaca).
Corpo amarelo — Nos ovários destas duas especies, quando prenhes, encon-
tramos, alternando com os foliculos, formações de cõr amarelada, de 0.5 a 1
cm. de diâmetro, de estrutura histológica muito semelhante à do corpo amarelo
dos mamiferos. Nas ovo-viviparas não prenhes e nas o\uparas. essas fonnações
são rudimentares ou inexistentes. Muitas experiencias de castração durante a
gravidez foram realizadas, seguidas de grande mortalidade materna.
Relativamcnte à inserção do ovo, pode dizer-se que lia uma. fomução com-
parável ao chamado tipo de placenta vitelina; os cnvolucros embrionários proe-
minam em vilosidades, que inradem a mucosa uterina. Entre as partes mater-
nas e as fetais, encontra-se uina secreção viscosa, dando as reações de albumina
e mucina. Esta placenta só se encontra do lado “mesomctrial” do utero, no
sentido de uma linha, correspondente à zona de entrada dos vasos maternos: os
embriões estão quasi sempre voltados para esta zona.
Pela injeção do liquido contido nos foliculos o\-aricos de cxemplare.s das
duas especies citadas, prenhes ou não, cm camondongos castrados, foi ikjssívcI
provocar o estro, em doses de 0.4 cc.. repartidas em 4 dias de injeção. Is.so cor-
responde a uma concentração de estrina próxima de 2.500 unidades camoiulongo
por litro de material.
ZÜSAMMENFASSUNG
Wir l)erichtcn Gber einige Daten aus der Scxualhiologie der beiden ovo-
viviparen hrasilianischen Schlangenarten, die Klappcrschlange (Crolalus íerrijicus)
und die Jararaca {Bothrops jararaca).
Gelbkõrpcr
Bei diesen beiden Arten trafen wir in den Eierstõcken der graviden Ticre
ahwcchselnd mit den Follikeln, Gebilde von gelhlichcr Farbe von 0.5 - 1 cm Durch-
messer die cinen histologischen Bau aufwiesen, der dem des Gelbkõrpers der
Sãugetiere sehr ãhnlich ist.
Wir sahen dieses Organ in der gleichen 2iahl wic die der Eikammern, aber
nur bei den viviparen Schlangen und nur wãhrend deren Graviditãt, ein Beweis
mehr für die absolute Zugeliõrigkeit dieser inneren Drüse zur Schwangerschaít.
Bei nicht graviden Exemplaren oder ONiparen Spezies fanden sich entwcder kcinc
oder nur rudimentâre Gelbkõrper. Der mikroskopische Bau bei tragenden Tiercn
ist derselbe wie bei Sãugeticren: dieselben gewundenen Bândcr des zusammen-
cm
ISciELO
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398
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
geíallcnen, frühcrcn Granulosagovcbes, diesdbe Durchsetzung niit Biiulcgewebs-
'trãngcn, dic von der Thcka interna ausgehen und in zentripctaler Richtung im
allgenicincn verlaufcn. Die Luteinzcllcn von demsclben charakterischen Bau « ie
bei den Sãugcm ; die sie durchsetzcndcn fibrõsen Strãnge sind ebenfalls teilw'eis^
stark vascularisicrt, aber nicht so rcichlich wie in den Blütestadien der Sãugetier-
Gclbkõrpcr; also nicht derart, dass jede Zelle von Capiliaren vollkontmen um-
sponnen ist.
Wir untcrsuchten so<lani die Ei-InsertlonsstelU'» und den nichttrãchtigen
sowie den trãclitigen Uterus. Die Schichten sind we überall unter dem Perito-
neuin. die lãngs und quer gerichtete Muskulatur, dic Schlcimliaut mit Drüsen;
in der 5khwangerscltaft alies sehr auseinandergezogen und verdünnt. Es findet
sich cine sog. Dottersack- Placenta (placenta vitellina) ; sie entsteht durch Aus-
fprossung der EihfiHcn in Zottenform. I>ie Zotten, ungegabelt oder leicht dicho-
tomisch verãstelt. fügen sich in cnt?prcchcndc Plikaturen zwischcn den Uteruspa-
prossung der Eihüllen in Zottenform. Die Plikaturen zwischcn den Uterusjwt-
pillen ein (.Ahb. 8 u. 9). Zwischcn beiden findet sich cin flõssigcs Sekret. Icicht
fadcnziehcnd. Ik- 11 und ctwas klcbrig (cnthãlt .\lbumin und Mucin) : l>ci fixier-
tem Material bildet diese geronnene Substanz zwischcn den mútterlichcn Papillcn
und den tmbryonalcn Zotten cine Art Geflecht- oder Strichmuster, mehr um das
cmbryonale wie um «las müttcrlichc Epithcl herum. Ein Bild, wie wir es
«ler animalen N*afur noch nicht gesehen hal)cn. Das cmhrv-onale Epithcl ist in
einfacher Lage. al>cr ohne Zellgrenzen und im Syncv thium sieht nun l)ei ganz
starker \'crgrõsserung ver^chiedene lichthrechcnde Kõrpcrchen in 2-3 facher
T^gc. Unter dem embryonalcn Epithel findet sich das .Mlantois — Bindegewel)C
und dann der Dotter. Auf der anderen Seite unter dem «nüttcrlichcn Epithcl dic
stark verzwcigtcn Papillcn und dic uterinen Drüsen mh acidophilcn Granuh
eríüllt. Das Zylindcrtpithel der 01»erflãchc wird oft nicdrig und knibisch. Das
müttcrliche Rindcgewcbc ist stark, im Puerperium noch stãrker \-asailarisiert.
(Mfnct man cine Kammcr, so quillt Dotter. Frucht und Eihüllen heraus. Die
Ixtztcrcn sitzen am festesten an der mesometralen Seite, wcil von hier aus Blut-
gefüsse zum Embrj-o wrlaufen. aber auch hier lõsen sich die Eihãute von sclb-t
von der Uleruswand ab. Zwischcn den gesunden finden sich überall tote. anior-
phe Eicr mit geronnenem Dotter. zum Tcil ohne sichtbaren Embr>-o. der oífcnbar
rcsfjrbicrt ist.
Wcnn man dic Flüssigkcit. dic in den 0\-arialfoHikeln der beiden crwãhntcn
Schlangcnarten. den grariden und nicht graviden, enthaltcn ist, kastrierten Mãu-
sen cinspritztc, war es raõglich eine Brunst hervorzunifen, und zwar durch Men-
gen von 0.4 ccm. dic in vier aufeinander folgenden Tagcn eingespritzt wurden.
Diese cnt.sprcchen ciner Oestrinkonzentration von ungefãhr 2.500 Mãuse-Ein-
heiten pro I-itcr des Materials.
(Trabttibo da S«ccSo de Fisão^etolocia do InUitolo Batant**i,
n*rf>*do «B l»J9. D»do i poMicidade m
de JWO).
cm
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L. Fraenkel a Thales Martins — Estudos sobre a fisio-
logia sexual das serpentes.
Mcm. Ixui. Butactan
VoL XIII — 193&
C e *‘1
iSciELO
cm
Mem. Inst. Hutantan
L. Fr.\enkel * Thales Mautixs — Estudos sobre a fisio-
logia sexual das serpentes. VoL XIII — 19S9
Kip. S
Corpo «mirdo de Ca«carcl. X 10.
Fi?. 4
ÍCona central de um corpo amarelo de BcHkrtff-s jarara^ê. Hcmat.
cosina. X 250.
1 )
JSciELOj
2
3
5
6
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cm
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16
L.
cm
TIPOS DE C. DIPHTERIAE EM SÃO PAULO
Reações culturais, >irulencia, toxigenicidade e suas relações
com os casos clinicos
POR
BRUXO RAXGEL PESTAXA; JAXDYRA PLAXET do AMARAL
& LUIZ PEREIRA BARRETTO XETO
As caracteristicas bacteriológicas do B. difterico têm sido objeto de inúmeros
estudos, desde que se levantou o grave problema da difteria maligna, na qual se
ob'crva a ação insuficiente da antitoxina homologa, em contraste chocante com
os admiráveis resultados do sôro na terapêutica dos casos comuns de difteria.
Dos estudos de Anderson, McLeod e colaboradores (1) que serviram de
base jxira numerosas outras observações, se depreende uma classificação bacte-
riológica em tii>os de B. difterico. que se relacionaria com a, maior ou menor
gravidade dos casos clinicos da moléstia em questão. Estes autores, estudando
a relação existente entre a gravidade da moléstia e as carecteristicas morfoló-
gicas e propriedades bioquimicas do Ijacilo, estabeleceram tres tipos de C. diphtc-
riac, baseados na morfologia da colonia. no aspecto do crescimento an caldo,
PO seu pH e na hemolise, em: “gravis”, “mitis” e "intermedius”.
Os caracteres diferenciais destes tres tipos seriam os seguintes:
Tipo “gravis”
Depois de 24 horas de incubação: colonias bem separadas com 2 mms. de
diâmetro aproximadamente, de centro um pouco levantado e de borda ligeira-
mente irregular. Sua superfície é geralmente rugosa e finamente granulosa.
A parte central é de um preto acinzentado com periferia cinzenta clara, e borda
complctamente transp»arente. A porção p>eriférica mostra certa tendencia para
estrias radiais.
Depois de 48 horas de incubação: O diâmetro da, colonia vai aumentando
para 3-5 mms., a saliência central toma-se mais escura do que cm 24 horas e
a periferia é definitivamente cinzenta. A superfície da colonia, é granulosa em
1
C«d. 24
408
Memórias do Inslitulo B>itantan — Tomo XIII
geral com estrias que não são sempre bem definidas. Esta morfologia é nor-
malmente descrita como “cabeça de margarida”.
Tipo "intermedius"
Depois de 24 horas de ituubação: Pequenas colonias chatas, ligeiramente
abauladas, com borda irregular, superficie lisa, com 0.5 mms. de diâmetro aproxi-
madamente. O centro da colonia é marron escuro, perdendo gradualmente a in-
tensidade até ficar clara e transparente na periferia.
Depois de 48 horas de incubação: As colonias crescem até 1-5 mms. de dia-
metro. A coloração é mab intensa e a parte periférica clara é reduzida de ta-
manho. Entretanto, a borda é muitas ii^ezes levemente irregular c aneis concên-
tricos ligciramcnte salientes podem ser obscr\-ados na superficie da colonia-
Muito raramente a superficie se torna um pouco granulada.
Tipo ‘'milis”
Depois dc 24 horas de incubação: A colonia tem aproximadamente 1 mm.
de diâmetro, sendo baixa e convexa, com borda regular e superficie lisa. A parte
central é geralmente um tanto escura e a periferia cinzento pálido.
Depois de 48 horas de incubação: O diâmetro é acrescido para 2-3 mms.
A colonia torna-se mais escura indo até o preto, superficie brilhante e somente
a i>arte periférica continua dc côr cinzenta.
As colonias "gravis” são muitas s-ezes dc difidl identificação antes de 43
horas dc crescimento; os caracteres tipicos aparecem depois de 24 para 48
horas dc incubação c no fim deste tempo a tipica “cabeça de margarida,” é que
geralmente está presente. A colonia “initis" além de seu aumento em umanho
c intensidatle de côr, mostra pequena mudanç;^ depois de 24 horas dc incubação.
As colonias do tipo “intermedius” fkam muito pequenas e são facilmente
reconhecidas i>cla sua côr clara e ligeira forma abaulada, tanto em 24 como cm
48 horas. .Mém da morfolc^a tipica da colonia, estas trés modalidades de ba-
cilo teriam outros caracteres que são assim resumidos pelos autores:
Tipo “gravis" — Morfologia do bacilo cm meio de Loeffler: granulações
acentuadas; cm outros meios que não o de Loeffler: bacilos curtos usualmente
<«em granulações ; pelicula e deposito granular em caldo. Reação em caldo inicial-
mente acida, tornando-se alcalina cm 2 dias^ Xão hemolitico. Fermenta inva-
riavelmente o amido e o glicogenio. Isolado nos casos graves dc difteria; parali-
sias comuns.
cm
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lí. HaXüel Pestana. J. P. do .\maiial A L. P. Baríuctto Neto — T. C . tlipli . -109
Tipo "mitis" — Morfologia: bacilos longos, com grânulos bem marcados.
Tursação uniforme em caldo. Reação acida em caldo, persistindo geralmente 4
ou 5 dias. Hemolitico. Xão fermenta o amido. Encontrado nos casos leves
de di fteria ; paralisias raras.
Tipo "intennedius" — Crescimento granular em caldo. Não fermenta o
amido. Xão hemolitico. Estes autores ainda estudando a virulência das cultu-
ras relatam que a forma "gravis” raramente fallia cm virulência em contraste
com a “mitis” que é mais frequentemente avirulenta.
Julgamos de interesse estudar algumas das características das culturas de
B. difterico, fornecidas pelo Hospital “Emilio Ribas” cm S. Paulo, em relação
aos casos clinicos, estudo que ainda não fora realizado entre nós.
Xosso trabalho, de acordo com as possibilidades de cáda um, foi feito em
três partes distintas: a classificação das culturas cm tipo de colonia, as provas
de hemolise e fermentação de amido, realizadas por Bruno Rangel Pestana no
Instituto Bactcriologico ; as provas de toxigenicidade e virulência por Jandyra
Planct do Amaral, no Instituto Butantan c as observações clinicas por Luiz Pe-
reira Barretto Xeto, medico interno do Hospital “Emilio Ribas” em S. Paulo.
Xossas obser\açõcs colcgidas ficam reproduzidas no presente trabalho.
Tipo de colonia
A diferenciação d<as formas de colonias foi praticada em meio aconselhado
: ir .\nderson e seus ctdaboradores (1). As raças, depois de isoladas e identifica-
das cm meio de Hiss, modificado por McI.eo<l, eram então semeadas no meio de
Anderson c depois de 24, 48 e 72 horas era feita a leitura. Em caso de du\-ida
as raças foram no\amente semeadas para no\a verificação.
A classificação das culturas nos tipos clássicos de .\ndcrson foi realizada
em 329 amostras de B. difterico, sendo 258 provenientes de doentes de difteria
do Hospital “Emilio Ribas” cm S. Paulo, de material de nariz e garganta, c de
71 portadores enviados do Desinfetorio Central. O quadro X.® 1 mostra a per-
centagem de tipos em nosso meio. Podemos verificar que a maior percentagem
é para o tipo “intermedius” — 71.1 ; cm segunda linh.T temos o tipo “mitis”
com uma frequência bem menor — 15,8Sc ; e por ultimo o tipo “gravis” com
a p>crccntagem minima de 5.4; sendo que 7.5^ se mostram attpicos. Devemos
oteervar ainda que esta percentagem se reproduz na mesma sequencia nos doen-
tes e nos portadores de germes.
\'erificamos ainda que o numero de “grasns” c maior nos portadores
ni.l^) do que nos doentes (3.8%). O tipo “mitis” também é maior ainda
nos portadores (22.6%) do que nos doentes (13.9%). O contrario c observado
cm
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410
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
QUADRO 1
Tipo de colonia em relação a doentes e portadores
TIPO 1
1
DOENTES
PORTADORES '
Total
N.“
1
1 N.“ ,
'! 1
1
;
1
S-,.
10
3.8
i 8
1
11.1
18
5.4
36
13.9
1 16
22.6 !
52
15.8
Intermedius
191
74.0
i
60.5 i
234
71.1
21
8.1
1 4
1
5.6 j
1
25
7.5
1 258
I
i
' -
1
!
para o lipo “inlermcdius”, no qual a percentagem para os doentes (74.0^) é
maior do que nos portadores (60.5%); o mesmo acontece nos doemes
e portadores (5.6*/o) dos tipos atipicos.
Amostras “gra\-is” cm maior percentagem foram encontradas por Anderson
e seus colaboradores (1). Os estudos realizados cm Berlin por Christison (2>.
deduzem uma percentagem de 66.3% nas formas do tipo "gra\-is”, seguindo-se
o tipo “mitis” com 13.67o c o “intermedius” com 12.6%. .-\inda Gundcl e
Licbetrutli (3), põem em evidencia o tipo “gravis” como o mais frequente nas
epidemias na Alemanha. Xas estatisticas de Qauberg (4), também em Bcrün,
o ti|x> “gravis” aparece com 77.9% o "intermedius” com 12.3% c o “mitis ’
com .S.2%, Frobischer (5) cm 273 raças estudadas em Baltimorc, encontra
somente 4 que apresentam caracteres do tipo “gravis”: 100 os do tipo “mitis
e as rc.slantcs as caraclcristicas dos dois grupos. Deduz dai a fraca morb;-
lidadc diftcrica constatada note It^ar. Os estudos de Cárter (6) com
raça.s isoladas em GKsgow, concluem que o tipo “gravis” é pouco frequente na
Escócia, mas que o tipo "intermedius” com 65.1% dos casos, seria o responsável
pelas formas clinicas graves, sendo que os restantes erapi "mitis” e estas^am
em relação com os casos ligeiros. Preuss (7), verificando a frequência dos tt-
pos cm Düsseldorf, encontrou o tipo "gravis” cm 23.1%; o “mitis” e “inter-
medius” constituindo, respectivamente, 35.6% c 36J%. Ainda em estudos sobre
os portadores, encontra, que 55% destes exibem o tipo “mitis”.
Xossas estatisticas mostram uma percentagem bem mais alta para o tipo
“intennedius”. Poderiamos concluir que a pequena frequência do tipo “gravis
seria um dos fatores da fraca morbilidade entre nós; si examinarmos, porém, a
proporção dos tipos nos portadores, veremos que a percentagem de amostras do
cm
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n. Rangel Pestana, J. P. do Amaral & L. P. Barretto Neto — T. C. diph . 411
tipo “gravis” é maior para os portadores ( 11 . 1 %) do que para os doentes
(3.8%) e cairiamos em contradição.
Nossos dados estão em desacordo com a. maioria das estatisticas no que
se refere aos portadores.
Fermentação do amido
Wright e Ranckin ( 8 ), Mcnton (9) e Menton e outros (10), tiveram di-
ficuldade em chssificar amostras do B. difterico pelo critério adotado nos tra-
balhos de .Anderson e colaboradores: foi então sugerido (Mentor, Oiristisn
( 11 ) ) que a, fermentação do amido seria o fator mais importante na diferen-
ciação dos referidos tipos. Gorrieri (12) é de opinião também que a ação de
desagregação deste hidrato de carl»ono deveria ser tomada como um dos caracte-
res fundamentais para 14 diferenciaçã,o do tipo "gravis”. Em seus estudos com
56 amostras “gravis” poude selcdonar 54 raças que decompõem o amido.
Técnica: Para verificação do poder fermentativo do amido usamos o meio
dc Hiss modificado por Mcl-eod, adicionando-se o amido solúvel na proporção
de 1 %.
Nossas obsen-açõer. estão sintetizadas no Quadro N.° 2. Concluimos
que 57.1% das aniostras “gravis” fennentam o amido c 42.8 não. sendo que a
QUADRO X.* 2
Relação entre tipo de colonia e fermentação do amido
TIPO
Culturas
,
ffrmeutam 0 amido
1
não fsrmcnlam 0 Amido
UstüíLis
N.’
%
1
.V.'
%
Gravis
*14
8
57.1
6
42.8
Mitis
31
1
3.2
30
96.7
Intennedius •
136
1
0.7
135
99.2
Atipico
15
—
15
100
Total
196
10
5.1
186
94.8
percentagem para o tipo “mitis” que é de 3.2% e para “intemiedius” de 0.7%.
Depreende-se, portanto, que a fermentação do amido não deverá ser tomada
como fator essencial, mas de grande probabilidt^de, na diferenciação dos tipos.
A não fermentação do amido pelas raças do tipo “gravis” já foi observada por
Wright e Rankin ( 8 ) e outros autores.
h
412
Mcrr.oriu& cio Instituto Bulantan
Tunio Xllí
Poder hemolitico
O poder hemolitico entra, segundo o critério de Anderson e colaboradores
(1) como um dos fatores diferenciais dos tipos “gravis”, "mitis” e “inter-
medius”.
Técnica: A técnica usada foi a de Hammerschmid. aconselhada por Schiíí
e Werber (13) com pequena mcxlificação. A’5 ccs. de cultura de 48 horas, e:n
caldo comum, junta-se 0.5 cc. de suspensão de globulos las-ados a 5% (humano
ou de coelho). Le\-a-se à estufa durante 2 horas, tira-se e dei.xa-se ficar uma
noite na geladeira, fazendo-se então a leitura.
Pela verificacjão do quadro X.® 3, podemos concluir que as amostras do t:po
“gravis" não hcniolizam as hematias humanas ou de coelho. As amostras “inter-
mcd'us” são desprowlas de po<ler hemolitico em cle^■ada porcentagem (45^
para hematias de coelho e 549Í: para as humanas). Xota-se, entretanto, que al-
gun’as raças deste tipo jxKlem apresentar-se' fort HKiite hemol.ticas (11.7',4 r:ar-«
as hematias humanas e em 16.1% para as de coelho). As do tipo “mitis” es-
tão em maior porcentagem para a hemolise total das hematias do coelho, sendo
que isto não se verifica j>ara as hematias humanas.
O conceito de Anderson deverá ser apoiado no que diz respeito, p-artanto.
às fonnas "gravis”. de\-cndo-se fazer ressalva j>ara as do tipo “mitis” e "ioter-
nKdius” que não funcionam uniformemente no <juc se refere ao poder hemolitico.
Virulência
A detenninação da virulência foi feita pela prova intraa’tane:i i-m cobaias
de pelo branco. Culturas com 24 horas de crescimento cm meio de Loeffler
emulsionadas em 5 ccs. de solução fisiológica estéril são injeUidas no \-oiume
de 0.2 CCS. Cinco amostras são testadas em uma cobaia. Cada cultura, por
sua \-ez, c inoculada ao mesmo tempo cm 2 am'mais; um deles servirá como tes-
temunha, tendo recebido 500 u. de antitoxina difterica no <lia anterior à prosa.
As cobaias test são injetadas por via intrajwritoncal com 200 unidades de soro.
3 horas após a prosa.
.•\ leitura foi realizada 24. 48 c 72 horas depois da inoculação, tomando-sc
cm consideração a presença tle critema. c<Icma c endurecimento, c a necrose.
Critério adotado — reação muito forte — escara
reação forte — critema intenso e endurecimento
reação moderada — eritema menos intenso.
Só foi considerada a reação como positisit, quando se evidencia na cobaia
tcit. não se manifestando no animal de contrólc. A reação aparecendo simulta-
neamente no animal prora e no testemunho, foi considerada suspeita. Só foram
tomacbs como avirulentas as anwstras que não reackmaram a 2 pros-as sucessis^as.
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
411
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
As rela<;õe3 entre os test de virulência e o tipo de colonia estão resumidas
no Quadro X.° 4, c foram realizadas em 191 amostras, sendo 9 do tipo “grasns”,
31 do tipo “Mitis”, 136 do tipo “intermedius” e 13 atipicas.
QUADRO X.® 4
Virulência em relação ao tipo de colonia
TIPO
Raças
duvidosas
Raças
Raças
firulriftar
Culturas
testadas
avirulentas
1
R. m.
forte
■
R. forte
R. moderada
V.*
%
.V.*i %
.V.*
%
Sf
%
j
.V.* 1 %
Gravis
9
-
___
i
1 jii.i
4
44.4
3
33.3
1 ! 11.1
Mitis
31
I
3.2
2 6.4
38.71
8
25.8
8 , 25.S
Intermedius
iy>
1
0.7
4 1 2.9
40
29.4
53
39.2
38 I 27.9
Atipico
15
-
1 1 6.6
1
26.6
8
53.3
2 j 25.6
Total
1
1 191
1
! 2
(
1
1.0
1 I
8 1 4.1
lJ
60
31.4
72
37.6
i
49 25.6
' 1
As percentagens ivira o tipo “gravis” infclizmcntc estão um tanto prejudi-
cadas j)clo pequeno numero destas amostras em nosso meio. Dcpreende-sc, Jio-
rem, com certas ressalvas luturalntcntc, é que si o tipo “gravis” aparece em unu»
percentagem maior para a^ amostras fortemente tHrulentas, paradoxalmcnte tam-
isem está cm percentagem mais elevada para as ta(;as avirulentas.
O tipo “intennedius". sendo o que se mostra em menor percentagem para
as raças avindentas. evidencia tamlxrm percentagem média jrara as reações mode-
radas e i.iaior jiara as fortes reações. .As amostras "mitis” c as atipicas. forne-
ceram percentagens intcrmedbrias para as raças avirulentas. amostras “mi-
tis" se apresentam numa jrercentagem de 38.755» para as reações muito acentuadas.
Xossos dados diferem dos de Anderson (1), Zinnemann. K. e Zinnemann. 1. (1 1).
quando afirmam que o tipo “gravis” raramente faliia cm virulência, enqiui*;to
que o “mitis" é frequentemente o mais avirulento. Xosso Quadro prova ju *a-
mente o contrario. Xossos dados concordam com os de Perr)- e colaborad.o-
res (15) e com Rosa (16), quando mostram u’a maior percentagem para as raças
do tipo “gravis" em reações muito fortes, seguindo-sc as do tipo “mitis” e o
"intermerlius” sucessi\-amcntc. De interesse é a pequena percentagem de raças
avirulentas; E’ maior, porém, do que as dos autores citados acima, que
se limita a 3.3%.
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
B. Hangel Pestana, J. P. do Amar.\l & L. P. Barretto Neto — T. C. diph. 415
Puaemos também averiguar a relação entre a \-irulencia das amostras
dos doentes e portadores de bacilos. Foram estudadas, neste sentido. 150 amo:*-
tras de doentes e 63 de portadores, cujos resultados aparecem no Quadro 5.
QUADRO N'.» 5
Virulência em relação a doentes e portadores
Ra(os
1 Racas !
1
Cuituras
duvidosas
j avirulentas |
Raças vtnuíntas
PROVEXIE.V-
1 testadas
1
CIA
•
1
I
R. m.
forte R. forte
1
R. moderada
.V.“
%
.V.®
% •
.V.»
1
i
% IA'.*
.V.»
9*0
Doentes
ISO
2
1.3
7
í
1
1
4.6;
1
49 :
i
i
'
32.6 58
1
38.6
34
22.6
Portadores
63
-
_
4
6.3 ]
i
1
17
1
1
26.9 24
1
38.0
18
28.5
Total
.3
1
U
0.9
11
5.1 ;
i
1
66
I
30.9 ! 82
1
38.4
52
24.4
Concluiremos que a percentagem paxa as raças avirulentas é um pouco mais
alta para os portadores do que para os doentes, c ao contrario para as reações
fortes e muito fortes, sendo mais alta ainda para as reações moderadas. Si Item
qnc em pequena escala, dum modo geral, as amostras provenientes de portadores
de gennes apresentam virulência decrescida para a cobaia.
Toxigenicidade
A amostra Park 8 scrA-iu sempre de testemunlia ãs proATis de toxigenicidade.
Sendo u’a amostra de poder toxigenico conhecido, funcionou como padrão
dos fatores não inherentes à amostra, que grande importância exercem na pro
dução da toxina do B. th I^ffler. .A amostra Park 8 produz nas condições
usuais uma toxina media de D. M. L. 1/1.000.
As culturas em verificação foram adaptadas ao caldo (caldo peptona 3%)
por algumas passagens e então tran.splantadas para um Ixalão de Fembach, no
qual permaneceram na estufa a 33-35® durante 8 dias; foram então i>assadas cni
9
416
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
papel de filtro e filtradas em vela Berkfeld, sendo a D. M. L. verificada em
cobaias de mais ou menos 250 gramas.
As relações entre produção de toxina e o tipo da colonia foram detenni-
nadas em 191 amostras, sendo 9 do tipo “gra\-is”, 31 do tipo “mitis”, 136 do
tipo "intcrmedius” e 15 atipicas. Xossas observações estão sintetizadas no
Quadro N.° 6.
QLADRO X.» 6
ReUçio entre tipo de colonia e toxigenicidade
TIPO
'Cu/luras
lifstadas
Más produto- jSo/mris proda-\
ras de toxina j toras de toxina j
1
Bõas produto-
toras de toxina
,
Ótimas produ-
toras de toxina
.V."
» !
.V.*
1
'
%
.V.»
1
% : .V."
%
Gravis
9 '
5
55.5 1
3
1
33.3 1
I
II. 1
Mitis
31
5
16.1
yy
70.9 i
y
4
y
liuemK(l!u.s .
1
1 136
41
30.1
80
58.8
13
9.5
2
1.4
Atípico
15 t
9
60.0
5
33.3 '
6.6
—
Tüta'
*191
1
60
1
1 31.4
i
110
57..
8.8
I
4
—
1 2.0
1
1
Para facilitar nossas observações, dividimos as amostras em 4 grupos:
Más produtoras — toxina de D. M. L. menor do que 1/100
Sofriveis '■ — toxina de D. M. L. maior do que 1/100 e menor do
que 1/500.
Bõas ” — toxina de D. M. L. maior do que 1/500 e menor do
que 1/1 .000.
Ótimas ” — toxina de D. M. L. igual a 1/1.000 (P. S).
Analizando o Quadro N.® 6 veremos que das 4 amostras produtoras de
otima toxina pertencem duas ao tipo "mitis” e duas ao "intermedius”. Xum
padrão de toxina bôa, temos as melhores percentagens para o tipo "gravis” c
“intermedius”, estando em segundo plano as do tipo "mitis” e as atipicas.
Nossas observações estão em desacôrdo com Mair (17), quando acentiia qnc
praticamente todas as amostras não to.xigenas pertencem ao tipo “mitis”, pois
em nosso quadro as raças desse tipo se apresentam em menor percentagem para
u’a má D. M. L. c cm maior para toxinas ótimas.
Contrariamente ao que se podería supôr, as amostras do tipo “grarís” se
apresentam com 55.5% de más produtoras de toxina.
10
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
B. Rangel Pestana, J. P. do Amaral & L. P. Barretto Xeto — C. diph. 417
Cooper e outros (18) sublinham a contradição entre a gravidade clinica das
infecções devidas ao tipo “gra\*is” e a fraca produção de toxina in vüro para
certas amostras de “gravis”..
Estabelecemos por outro lado a relação entre a produção de toxina para
doentes e portadores de germes. Foram verificadas 63 amostras de portadores
e 150 de doentes.
O Quadro N.° 7 comporta «s resultados alcançados.
QUADRO N.® 7
Toxigenicidade em relação a doentes e portadores
1
I
PROVE- \Culturtu
XIENXIA \testoíUu\
Más produto-
ras dt toxina
1
jSo/ritvtí produ-
1 toras de toxina
■
Bòas produto-
toras de toxina
Ótimas produ- 1
todas de toxina |
.
1
1
•V.® 1
1 !
1 A'.® 1
% 1
A.®
% !
AT.*
%
Doentes
150
1
42 1
28.0
i
1 91
60.6
14
9.3
3
2.0
Portadores .
63
35.0
i
55.5
4
•
6.3
1
l.S
ToUl....
.3
i
65 1
T
T
30.5
1
j
58.6
18
8.4
4
1
1.8 i
1
Pela leitura deste Quadro nos é thdo averiguar que a relação entre os 4 tipos
de amostras produtoras de toxina é mais ou menos correspondente nos doentes t
nos portadores de germes.
A percentagCTu maior está tanto de um lado como de outro para as toxinas
de D. M. L. sofrivel ; em segundo plano aparece o grupo das más produtoras e
em 3.® c 4.® sucessivamente, as amostras de D. M. L. bôa e ótima.
Não nos parece, portanto, haver qualquer relação entre prtxlução de toxina
e o carater cpidemiologico do germe.
Pela verificação da D. M. L. das toxinas produzidas por 9 amostras forne-
cidas de casos de difteria maligna, nossas observações terão ainda outro ponto
de apoio, pois verificamos que num total de 9 amostras, 8 produziram toxina
sofrivel e uma toxina má.
Deduzimos ainda não haver relação alguma entre o poder toxigenico in
tntro e a patogenicidade da amostra para o organismo vivo.
Si relacionarmos por outro lado o poder de \nrulencia para a cobaia com
a produção de toxina in r/fro, teremos os resultados constantes do Quadro N.® 8.
11
B. Rangei. Pestana, J. P. do Amar.vl & L. P. B-uiretto Neto — T. S. diph. 419
Pela leitura deste vemos que as amostras muito toxicas, tanto de doentes
como de portadores, estão em relação com a virulência mais acentuada.
Na mesma ordem de ideias, 33 raças não \-irulentas estão enquadradas nas
más produtoras de toxina em maior percentagem e nas sofrivelmente toxicas em
menor percentagem. Portanto, uma relação entre toxigenicidade e virulência
parece poder ser estabelecida no sentido de todas as amostras muito toxicas
serem virulentas.
No Quadro N.® 9 estão enquadrados os resultados das relações entre viru-
lência e poder hemolitico.
Tanto para as hematias humanas como para as de coelho, não ha relação algu-
ma entre estas duas reações.
Pelo quadro N.° 10 se evidencia por outro lado que a toxidez da amostra
não depende de sua proprieda,de hemolitica, pois os dois fatores não se rela-
cionam de forma alguma.
A comparação da fermentação do amido em relação à virulência e toxige-
nicidade constam dos Quadros Ns. 11 e 12.
QU.ADRO N.® 11
Relação entre fermentação do amido e virulência
Culturas
testadas
Raças
duvidosas
—
1 Raças
aznrulcntas
Raças virulentas
R. m. forte 1
'
R.
forit
R. moderada
-V.®
%
1
N.®
.V.®
%
.V.®
%
AT.®
%
Fermentam 0
amido
Não fermen-
9
-
-
i 2
\
22.2
2
22.2
5
55. S
—
—
tam 0 amido
195
Ll
1.5
"
3.S
58
29.7
74
37.9
53
27.0
13
I
I
Relação entre toxigenicidade e poder hemolitico
cm
iSciELO
D 11 12 13 14 15 16
422
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
QUADRO X.» 12
Relação entre {ermentação do amido e tozigenicidade
1
—
Produtoras
Produtoras de
!
Produtoras ' Produtoras de
Culturas
testadas
de mã toxina
toxina sofrível
de toxina bõa 1 toxina ótima
1
%
X.»
€t,
/<f
V ®
1
Fermentam o amido
^ao fermentam
9
6
66.6
\
2 ! 22.2
1
1
—
1
1
— 1 1 11.1
' i
i 1
0 amido
195
38.9
17
8.7 1 3 ! l.S
As raças que fermentam o amido mostram alta s-irulcncia. dando 55,5^ dc
reação forte, mas estão, no entanto, paradoxalmente em porcentagem maior tant-
bem para as amostras arvirulentas. O mesmo fato se repete em relação à toxi-
genicidade, pois si aparece uma percentagem maior (66,6%) para a; amostras
mas produtoras de toxina, por outro lado pode-se notar uma perccnlagcpi Ixm’
mais alta para as toxinas ótimas (II.I).
As amostras que não fcnncntani o amido dão nuior |>ercenlag{in de reação
muito forte e menor numero de aviriilentas (3,5%).
Podemos considerá-las melhor produtoras de toxina, pois apesar dc estarem
em menor percentagem para as amostras dc D. M. L. otima, aparecem com
maior percentagem nas bôas produtoras dc toxina e nas sofriveis em detrimeuto
das más produtoras cujo numero é bem menor.
Relações clinicas
Da relação dos característicos bacterioIogicos das amostras causadoras dc
difteria com a maior ou menor gravidade da moléstia, ha uma serie grande dc es-
tatísticas que deixa o assunto cm interrogação.
Do trabalho inicial de .Anderson e colaboradores (1), lançando as bases desta
relação, até o presente momento, duas fações distintas aparecem: a que apoia
e confirma a teoria dc .Anderson e a que não consegue evidenciar relação alguma
entre as formas bacteriológicas do B. difterico e a gravidade da moléstia.
Apoiando c confiniiando a tese temos os trabalhos de Lecte, Masou, McLcod
e Morrison (19), que constataram a predominância do tipo “gravis” nos casos
16
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. Rangel Pestana, J. P. do Amaral & L. P. Bahretto Xeto — T. C. diph . 423
de difteria maligna; as mesmas ideias aparecem nas publicações de Christison (2),
Qauberg (4), Schiff e Weber (13), Robinson e Marsliall (20), Cooper, Hap-
pold e McLeod (18).
Preuner (21) num resumo de \-arios autores assevera que existe uma certa
relação entre o tipo do bacilo e a gravidade clinica da moléstia.
O outro grupo de estudiosos que está em desacordo com a tese em questão
não é menos significativo: nele aparecem Cárter (6), que depois de catalogar
1.614 raças de C. diphteriae isoladas cm Glasgow, conclue que o tipo “gravis”
é pouco frequente na Escócia, mas que o “intermedius” mais comumente encon-
trado (65%) é o causador das formas clinicas graves, sendo o tipo “mitis" o
responsável pelo aparecimento da difteria benigna. Wright, Oiristison, Rankin,
Pearson e Cuthberg (22), Perrj’, Willey e Petran (15) tambem não encontraram
relação nitida entre a forma clinica e o tipo do bacilo.
Murray (23), julgando o tipo “intermedius” mais benigno do que o “miíis”,
pensa que a forma "gravis” não está ligada aos casos clinicos graves.
Hilgers e Thunes (25), com ideias completamcnte opostas à tese, asseveram
a relação do tipo “gratvis” com os casos benignos de difteria.
Rosa (16), estudando 86 raças de C. diphteriae, conclue que é o tipo "inter-
medius” é mais frequente nos casos de difteria grave.
Numa duplicidade de ideias, julgámos de a^gum proveito as conclusões
próprias que poderiamos obter, si relacionássemos as modalidades clinicas aos
caracteristicos bacteriológicos das raças de C. diphteriae isoladas de doentes do
Hospital “Emilio Ribas” em S. Paulo.
Para melhor compreensão e mais facilidade nas conclusões, dividimos 03
casos observados em cinco categorias, atendendo tanto quanto jxissivel numa
classificação clinica como esta, ao critério da modalidade da doença c ao da sua
maior ou menor gravidade. Assim, esquematicamente, os grupos se rejiartiram
em: casos mortais, malignos, graves, médios c benignos.
Por malignos entendemos os casos cuja gravidade se anunciou precocemen-
te, exteriorizada pelo aspecto inrasivo das placas diftericas, acompanhadas de
pronunciado infartamento dos gânglios linfáticos submaxilares e do pescoço,
com maior ou menor edema periganglionar, que faz desaparecer completamcnte
a individualidade do nodulo linfático. Sobrepondo-se a estas duas condições, ca-
racterizaram a malignidade dos casos, com frequência e graduação variaveis, as
condições precarias do aparelho cardio-vascular (miocardite, colapso periférico),
paralisias precoces, hemorragias naso-faringeanas de maior ou menor intensi-
dade, a fetidéz do hálito, a adinamia, o delirio, a palidez de cêra, os \'omitos, a
inapetenda absoluta, a prisão de ventre, a dôr e muitas vezes a impossibilidade
da deglutição.
Esses doentes de difteria maligna receberam, já se ve, doses maiores de
antitoxina difterica e, tambem, o valioso concurso terapêutico do sôro anti-gan-
17
Od. 25
cm
iSciELO
D 11 12 13 14 15 16
424
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
grcnoso, que vem servindo para salrar maior numero dos que, atacados dessa
forma gra%’issima, tem sido tratados no Hospital de Isolamento. O sôro anti-
toxina escarlatinica foi aplicado á maioria dos diftericos desta categoria.
No grupo dos casos graves estão compreendidos os que tinham a vida amea-
çada não pela forma clinica maligna, mas sim porque os sintomas e os sinais
eram de gravidade por falta de tratamento bem conduzido ou por soroterapia
feita tardiamente, ou por uma invasão do laringe ou da traquea pelas falsas
membranas, trazendo o quadro crupal e a asfixia. Apresentaram nitidamente
os caracteres clinicos da doença e permitiam a firmeza do diagnostico, mesmo
sem a prora de laboratorio. Aos doentes deste grupo foram naturalmente ail-
ministradas doses de antitoxina difterica que oscilaram entre 30.000 e 50.000
unidaeles, uma parte das quais (4.000 a 10.000 u.) feita endovenosamente cm
muitos casos. A traqueotomia se impoz algumas vezes como meio de saUnçao
na situação de sufocação iminente.
Entre os casos médios contapi-sc aqueles que foram acudidos mais ou me-
nos precocemente, com uma placa tipica sobre uma ou sobre as duas amidalas,
não muito extensa, sem ou com discreta tumefação ganglionar e com bom estado
geral Para estes doentes ba^staram as dóses de 25 a 35.000 u. antitoxicas.
Denominaram-sc de benignos, finalmente, aqueles casos em que as lesões
eram minimas, simples pontos sobre as amidalas, sobre o faringe, apenas em
inicio, ou constituidos por casos de rinite difterica sem grasndade aparente.
Alguns destes casos não eram bem característicos só pelo ponto de %'ista clinico
c necessitaram de concurso do lalxiratorío para sua confirmação. Foram trata-
dos com dóses menores de antitoxina, que oscilaram entre 20 e 30.000 u. Pata
este grujK) nunca foi necessário uso da sna endovenosa.
Nossas obsersações estão condensadas no Quadro N.® 13, no qual se eviden-
cia a relação entre os tipos de colonia do C. diphtcriae isolado e a forma clinica
da moléstia.
QUADRO N.* 13
Relação entre as formas clinicas de difteria e os tipos de colonia do C. dipbteriae
Strxlalidade clinica |ci»//Mroj
Gratri
Milis
Intermcdlus
A ti fico
testadas
—
,v.*!
%
%
Casos mortais
23
1
«
5
21.0
14
60.8
3
13.0
Casos malignos
37
1
2.7
12
32.4
19
51.3
S
13.5
Casos benignos
21
—
—
3
14.2
18
85.2
Casos médios
28
1
3.5
4
14.2
22
78.5
1
3.5
Casos gra«s
25
—
—
1
4.0
23
92.0
1
4.0
Total
134
3
2.2 1 25
18.6
96
1 71.6
10
7.5
18
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. Rangel Pestana, J. P. do Amaral & L. P. Barretto Xeto — T. C. diph. 42õ
A tese de Anderson mais uma vez não é confirmada, pois o tipo "interme-
dius” aparece em porcentagem bastante elevada nos casos de difteria maligna
em detrimento do tipo “gras-is”, que se mostra na pequena porcentagem de 37 •
Nos outros ca,sos de difteria a percentagem do tipo “intermedius” aparece
ainda em primeiro plano, quer nos casos graves (857), quer nos benignos (92,0).
Por outro lado, sabemos que a percentagem do tipo “gra,vis” para os por-
tadores é maior do que para os doentes.
Raciocinando com os dados que acabamos de relatar, não podemos deixar
de concluir que o tipo de colonia tem relações ainda, imprecisas com a maior
ou menor malignidade da moléstia.
Relacionada por outro lado a modalidade clinica da difteria com a s-iru-
lencia do C. diphtcriae, temos os resulta,dos constantes do Quadro N.° 14.
QÜADRO X'.o 14
Relação entre a virulência do C. difhuriac e a modalidade clinica da difteria
Modalidade cfmica
Culturas
testadas
Keação forte
Reação mutto
forte
Reação
moderada
.V.»
.V.®
.V.o
%
Casus mortais
i
4
5
Casos malignos
37
10
27.0
17
45.9
10
27.0
Casos graves
1
7
33.3
10
47.6
4
19.0
Casos medios
3»
17
54.8
7
22.5
7
22.5
Casos benignos
25 !
;
7
28.0
24.0
12
48.0
Total
129
45
34.8
46
35.6
38
29.4
E' interessante notar que nos casos malignos, o tipo “niitis” é que aparece
com maior percentagem (32,4), vindo depois os casos mortais (21,0), os graves
e médios (147) e os benignos (4,0).
Notamos que as amostras muito fortemente virulentas ajtarecem em maior
percentagem para os casos malignos e para os graves. Por outro lado, maior
numero de reações moderadas está em relação a)m os casos benignos.
Si nos reportarmos ao Quadro N.® 5, cm que a virulência apartee decres-
cida para os portadores de germes e ao Quadro N.° 14, em que as amostras
muito fortemente virulentas foram mais frequentes nos casos malignos e gra-
ves, temos um indicio em favor da conclusão de que a virulência do C. diplilc-
riac parece estar em relação com a maior ou menor gravidade da difteria.
19
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p
I
426
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
RESUMO E CONCLUSÕES
Foram estudados os tipos de colonia, a fermentação do amido, o poder
hemolitico, a \nnilencia e a toxigenicidade de amostras de C. diphtcriae, obtidas
de doentes do Hospital “Emilio Ribas” em S. Paulo e de portadores de germes.
Ainda foram obsei^-adas as relações entre estes caracteres e a modalidade cli-
nica da difteria.
1. a) Em 329 amostras de doentes de difteria e de portadores, se eviden-
ciaram os tipos clássicos de Anderson, em maior percentagem para as
raças do tipo “intermedius”, seguindo-se as do tipo “mitis” e as atipicas:
o tipo "gravis” aparece em percentagem minima.
b) A mesma sequência se observou separadamente em amostras isoladas
de doentes c de portadores, sendo que nestes o numero de raças “gravis”
foi proporcionalmente maior do que o de atipicas.
c) Os tipos “gravis” e “mitis” aparecem em maior percentagem nos por-
tadores de germes do que no total dos doentes, o contrario sendo obser-
vado para o tipo “intermedius” e para o atípico.
d) O tipo “mitis” mostrou-se cm maior percentagem nos casos malujnos
(na terça parte dos 37 casos considerados), decrescendo essa relação pro-
gressivamente em face da gravidade menor dos casos, até chegar á cifra
de 4.0% para os benignos.
e) Em progressão inversa apresentou-se o tipo "intermedius”, que apa-
rece na quasi totalidade dos casos benignos (92% ) c dai decresce á medida
que a gravidade da moléstia aumenta, até chegar a cifra menor destas
percentagens para os malignos (51,3%).
2. A fermentação do amido poderá ser considerada, como fator de grande
probabilidade para diferenciação do tipo “gra\-is” de C. diphteriac. pois
aparece cm percentagem muito mais alta para este tipo ; não deverá, porém,
.ser interpretada como de carater especifico, pois 42.8% das amostras do
tipo “gravis” não fermentam este hidrato de carbono.
3. As amostras do tipo “gravis” apresentam-se. por outro lado. l>cm defi-
nidas no fenomeno da hemolisc: nenhuma delas hemolisa as hematias hu-
manas e de coelho; o conceito de Andcr.--on. portanto, fica confirmado no
que se refere ao tipo “gravis”; divergimos de sua opinião a respeito de
tipo “mitis”, que para nós se apresentou como não hemolitico nalgumas
amostras (22,5% para hematias de coellio e 29,0% para hematias hu-
manas).
4. a) De 191 amostras testadas para a prova de virulciKÍa depreende-se
que o tipo “gravis” é o que se apresenta em maior percentagem para as
20
cm
SciELO
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B. Rangel Pestana, J. P. do Amaral & L. P. B.arretto Xeto — T. C. diph. 427
reaqões muito fortes; por outro lado, tanibem a maior percentagem de raqas
a^nrulentas está induida neste tipo.
b) Das raças testadas, 4,1 foram avirulentas c duvidosas.
c) Na prova de drukncias, a reação forte foi a que se revdou em per-
centagem mais alta (37,6%), vindo em seguida as de reação muito forte
(31,4%) e, finalmente, as de reação moderada (25,6%).
5. a) Pesquisando a produção de toxina em 191 amostras foram encontra-
das 4 raças ótimas produtoras de toxina, que se padronizam com o P. 8,
classicamente conhecido. Temos ainda 17 amostras produzindo toxinas
bòas e as restantes com fatores toxicos de pouco interesse.
b) O tipo “mitis” assinalou a percentagem mais alta para as toxinas óti-
mas; o tipo “intermedius” tambem apresentou amostras neste padrão, mas
em percentagem inferior.
c) No tipo “gravis” é que aparecem percentagem maiores para toxinas
de D. M. L. entre 1/500 e 1/1.000. Numa vista de conjunto, podemos
concluir que o tipo “mitis” é o mais toxigenico, pois aprcscnta-sc com
maior percentagem para as toxinas ótimas c menor para as toxinas más.
d) Não lia diferença do poder toxigeno entre amostras provenientes de
doentes e de portadores de germes.
6. Parece haner uma relação entre virulência c toxigcnicidade, pois pudemos
estabelecer que as amostras muito toxicas, são tambem as mais virulentas
para a cobaia. Na mesma ordem de ideias, as raças avirulentas ião a.s
que estão em maior percentagem para, as más produtoras de toxina.
7. Não se evidencia relação alguma entre virulência e o poder hemolitico para
hematias humanas e de coelho.
8. Não se consegue estabelecer uma relação entre a fermentação do amido
e a virulência da amostra para a cobaia.
9. a) Não se confirmaram as conclusões de Anderson e seus colaborado-
res no que diz respeito á relação entre a maior gravidade da doença, e o
tipo da colonia "gravis”.
b) O tipo “mitis” apontado por esses autores como o mais frequente nos
casos leves, mostrou-sc em nossas observações em maior percentagem nos
casos malignos c nos de maior gravidade da difteria.
10. Ha indicios de uma relação positiva entre o carater da, virulência do germe
e a modalidade clinica da doença.
Bruno Rangel Pestana agradece a colaboração tfcnica de
D* .liaria Flora Quirino Ferreira e do sr. Etiore Rugau
21
428
Memurias do Insliliilo Butantan — Tomo XHl
ABSTRACT
This paper deals wth the typ€s of colony, amide fermenta,tion, hcmolitic
power, \nrulence and toxigcnicity of the strains of C. diphtcriae, obtained from
diseased of the “Hospital de Isolamento de S. Paulo” and from carriers of
germs. Furthemiorc, the rclation between these characters and the clinic form
of the diphtheria has bcen obscr\ed.
1. o) 258 saniples of diseased of diphtheria and 71 of carriers have shown
the classic t>Tx:s of Anderson ; the strains of the type “intermed:us” present-
ed the highest rate. being, followcd by strains of the type “mitis” and
the atypical oncs; type “gravis” showed a vera- small rate.
b) Tlie same sequcncc has bcen obsera-ed separately in strains which
have been isolated from diseased and carriers, the numbem of races “gravis
among the carriers being proportionally larger than that of the at)-p>cal oncs.
c) The types “gravis” and “mitis” are much more frequent among the
carriers of genns than among the diseased. the contrarj* being observe-l
for the t\-pe “intermedius” a;id for tlie atj-p*cal one.
ã) Tlie t>T)e “mitis” showed a higher raje in the maliffnanl cases (m
tlie third part of tlxí 37 ca.scs mentioned), this rclation dccreasing pro-
gressivcly duc to the lowcr gravity of the cases, till reaching d.OÇc for
benignant oncs.
c) On the contrarj’, the t>-pe “intermedius”, which appears in alniost all
benignant cases (92%), dccreascs aceording to the higher gravity of the
discasc till it reajches tlie smallest number of these rates for the malignant
cases (51.3%).
2. The amide fermentation may bc considered as a factor of great probabihty
for the differentiation of the type “gravis” of C. diphtcriae, for it appears
much more frc<iucntly for this t>-pc; it must, howevcr. not be considered
as spedfic, for 42.8% of the strains of the type “gravis” do not forment
this carbohydrate.
3. The strains of the t>'pe “gravis” bchave, on the other hand, very definitcly
in wliat concerns the hemolysis phenomenon; none of them hemolyses the
red corpuscles of nun and of the rabbit; .■\nderson’s concept concerning
the type “grains is thus confirmed; in regard to the type “mitis” our
opinion differs from his, for this type has presented itself as nonhemoljdic
in some strains (22.5% for the hematies of the rabbit and 29.0% for the
hematies of man).
4. a) 191 strains submitted to the test of virulence showed that it is the t>'po
“gravis” that presents the highest rate for the very strong reactions; on
22
cm
SciELO
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B. Rangel Pestana, J. P. do Amaral & L. P. Barretto Xeto — T. C. Diph. 429
the other liand, this t>-pe also presents the highest rate for the a\*irulent
races.
b) Ot the tested races 4.1% 'vere avinilent and 1% uncertain.
c) In the test of virulences the strong reaction was tlie one tliat present-
ed the highest rate (37.6%), being followed by those of verj- strong
reaction (31.4%) and, finally, of those. of moderate reaction (25.6%).
5. a) E.xaminating the production of toxin of 191 strains, four were
tound excellent toxin producers. which can be standardcd with the
wellknown P. 8. Else, we have 17 strains which render good toxin, the
rest of the strains being factors of little interest.
b) The t)-pe “mitis” presented the higltest rates for the best toxins;
the type “intermedius” has also shown strains of this standard, howcvcr
in a lower rate.
c) In t)-pe “gravis” appear higher rates for toxins with D. M. L. bctween
1/500 and 1/1.000. Taking in a general view. w* can conclude that the 1 ) 7)0
''mitis” is the most toxigenic one, for it proents a higher rate for the
c.xcellent toxins and a lowcr one for the l»d toxins.
(i) There is no difference of the toxigenic powcr among strains from
discaso<l and from carriers.
•6. There seems to exist a relation beiween virulence and toxigenicity. for
we were ablc to verify that vcr>- toxic strains are also the most virulent
ones for the guinea-pig, and elsc. that the avinilent races show the highest
rate for the bad producers of toxin.
7. There is no cvidence for a relation bctween virulence and hemohiic power
for the red corpuscles of man and of the rabbit.
8. A relation betwecn the starch fermentation* and the virulence of the strain
for the guinea pig could not be established.
9. a) Tlie conclusions of Anderson and his colaborators, conceming the
relation bcUvccn the higher gra\nty of the disease and the colony type
“gravas” have not been confirmed.
b) The type "mitis” stressed by these authors as the most frequent one
in benignant cases l)as shown itself in our experiments in higher rate in
the malignant cases and in those of higher gravity of diphtheria.
10. There are evidences of a positive relation between the character of the
virulence of the gemi and the clinic form of the disease.
23 .
430
>[cmorias do Instituto Butantan — Tomo Xllt
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(Trabalho <Sc c olaboraclo da Srcebo dc tmuootofia do loa-
Uliito BnUntan, do Inttitnto Bacleríolocico e do Hoapiul
"Eaulio Riboa* em S, Paulo. Dado k imblicidadc cm
Taaciro de 1940).
24
612.1125
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA COAGULAÇÃO DO SANGUE
1. Falhas nos métodos de coagulação do sangue pelos venenos
de cobra
POR
ARMANDO TABORDA
Ao assumirmos em meados de 1938, a responsabilidade pela fabricação do
produto hemostatico "HEMOBOTHR.\SE” (antigo “HEMOCOAGüLASE”).
vimo-nos obrigados a encetar uma serie de estudos no sentido de conseguir uma
padronização eficiente.
Entendemos por padronização eficiente, uma padronização reproduzivel, isto
é, cujos resultados possam ser comparados entre si (nas diversas partidas do
produto).
Atingida a nossa méta, temos obtido, de então para cá, todas as partidas
de "HEMOBOTHRASE” com o mesmo poder coagulante.
Iniciamos os nossos trabalhos, por motivo de continuidade de produção e
pesquisas, em tomo das duas técnicas de coagulação do sangue usadas por nos-
sos antecessores (1 e 2)‘.
As duas unidades de coagulação propostas por estes, são, aliás, muito
semelhantes :
a) “unidade coagulante é a quantidade minima de veneno que em 1 cc.
é suficiente para coagular completamcnte 5 cc. de sangue oxalatado de cavalo
na temperatura ambiente (20 — 22*’C), em 5 minutos” — Consideram coagu-
lação completa o ponto atingido pelo sangue ao formar no tubo u’a massa dura
((1) pags. 149 e 150).
b) “A unidade de coagulação (UCo) é a quantidade de veneno em gamas,
que coagula 1 cc. de uma mistura de 5 partes de salgue de caralo e uma parte
de scáuto fisiologico de cloreto de sodio”. (A coagulação corresponde ao ponto
exato em que o sangue começa a deslizar no tubo inclinado, sob a forma de
massa compacta, justamente ao completar o tempo fixo de 10 minutos — (2)
pags. 135, 141 e 145).
cm
iSciELO
D 11 12 13 14 15 16
432
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Sem querermos abordar todos os métodos de coagulação de sangue propos-
tos por numerosos autores, pois seria tarefa quasi interminável, ramos encarar
apenas os pontos que julgamos falhos na questão.
Ao iniciarmos um estudo sistemático em que seja necessário uma compa-
ração diaria de poder coagulante do sangue por um determinado produto ou
substancia, faz-se mister que se escolha o animal adequado a sangrias frequentes.
De um modo geral, coelhos e cobaias, que são animais quasi obrigatorios
nos centros de pesquisas biolog»ca.s, não podendo ser sangrados a meúdo, tor-
nam-se contraindicados para estudos desta natureza.
Coelhos de mais ou menos 2 kgs. dão de 20 a 30 cc. com 2 a 3 íemanas
de intervalo.
Cobaias de mais ou menos 700 grs. de 10 a 15 cc. com 2 a 3 semanas de
intervalo.
O processo mais via>el nesses casos é a punção cardiaca que nem sempre
é feita com sucesso.
Poder-se-ia usar, ainda, cabras, cães, etc., mas, incontestavelmente, é o
caralo o melhor fornecedor de sangue, não só pela quantidade como também pela
facilidade de extração.
Esta foi a razão pela qual os nossos antecessores no Instituto adotaram o
caralo como fornecedor de sangiK*.
Considerar, porem, sangue de ca\alo conto um sangue de coagulabilidade fixa,
liastando <jue seja de animal sadio, em repouso, etc., é um conceito erronco como
o prova o quadro abai.xo (Quadro I) oriundo do estudo de sangue dos animais
a entrar cm serviços de imunização.
QUADRO I
N.» dos
catalos
Tempo de
coagulação (*)
X.® dos
cavalos
Tempo de
coagulação
E. 47
8--30’
131
16’-0(r
309
8'-50"
229
16'-30-
228
9”-30^
746
17’-15-
473
10'-00”
744
17’30”
466
ll'-00-
747
18'-3<r
569
ll'-30-
567
19'-50-
25
13--30'
23
20'-(Xr
563
14'-00"
749
20'-45'
130
14'-30^
564
2r-00*
24
15'-00-
465
22'-00
129
15'-3(r
475
25’-W
(•) Obtido com O.lcc. d« uma solução de veneno padrão de jararaca
(que adiante discutiremos) contendo 30 y p/lcc -f- 0,4 soro ftsk>-
logico -f- 2,5cc. de sangue oxalatado a 0,21%.
2
Armando Taborda — Coniribuição ao esludo <la coagulação do sangue 433
Como o quadro mostra, é extensa a variação dos tempos de coagulação do
sangue de diferentes animais, e, numa comparação de tal natureza é preciso, a
cada passo, homogeneizar a mistura e verificar o aparecimento do coagulo. Estas
duas ultimas operações acarretam erros inevitáveis pela formação de flocos de
fibrina, visiveis quando se trata de plasmas, porém, mascarados no sangue. O
erro será tanto maior quanto maior fôr o tempo de coagulação, dai o termos
preferido a fixação do tempo (10 minutos) como o fizeram Slotta & ais. (2).
Xo Quadro II comparamos os resultados obtidos do Quadro I com os que
obtivemos, variando as quantidades de veneno para que os sangues coagulassem
exatamente em 10 minutos.
QUADRO II
dos
cavalos
Tempo de
coagulação (*)
Cc. de veneno
padrão
Gamas
Gama por
U. C (••)
E. 47
8--30"
0.09 cc
2.7 Y
0.9 Y
309
8'-50”
0,13 ”
3.9 "
U '
228
9'-30’
0.12 -
3.6 “
j ^
473
10'-00"
0.10 "
3.0 "
1,0 "
466
ir-00"
0.12 -
3.6 "
U ”
569
lT-30-
0,12 ”
3.6 "
U "
25
13'-30'
0.13 "
3.9 "
U ”
563
14’-0(r
0.13 "
3.9 "
U "
130
14'-30’
0.16 "
4.8 "
1.6 "
24
15'-00-
0.16 ”
4.8 "
1.6 "
129
15'-30-
0.15 "
4.5 "
13 ”
131
16'-00'
0.12 "
3.6 "
U "
229
16'-30-
0.16 "
4.8 ”
1.6 "
746
17'-15'
0.16 "
4.8 "
1.6 “
744
17'-30"
0.15 "
4,5 ”
13 "
747
18'-30-
0.15 ”
43 ”
13 "
567
19'-50’
0,20 ”
6.0 "
2,0 ”
23
20'-00"
0.18 "
5.4 -
1.8 "
749
20'-45”
0.15 ” •
4.5 ^
13 "
564
21'-00"
0.18 ”
5,4 "
1.8 ”
465
22'-00'
0.16 "
4.8 "
1.6 "
475
25’-oor
0,17 "
5.1 ”
1.7 ~
(•) Obtido como no Quadro I.
(••) Segundo definiram Slotta & ais.
Interpretando os resultados deste quadro wmos que a fixação do tempo
de coagulação nos fornece resultados mais satisfatórios que os da simples mar-
cação do tempo por uma quantidade fixa de veneno. Assim mesmo, o desvio
minimo dos valores para 1 U. C. com um mesmo veneno é de 6,66/í) chegando
3
434
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
o máximo a 73,33%, ou seja, um desvio medio de 40%, que é de molde a inva-
lidar os resultados obtidos com os sangues de diferentes animais.
Ha, porem, um meio de contornar essa imprecisão e que consiste em padro-
nizar o sangue com uma mesma amostra de veneno para tal reservada. Vere-
mos adiante os detalhes dessa padronização e os cuidados a serem tomados.
Um outro aspecto importante nessas verificações, é o ponto cm que se deve
considerar o sangue coagulado. Na primeira unidade coagulante Klobusitzky
& Kõnig (1) preferem observá-lo quando o sangue não mais escorre do fundo
do tubo e fica aderido sob a forma de massa dura, ao passo que, Slotta & ais.
(2) preferem obser\'ar o inicio da formação do coagulo ao ser inclinado o tubo.
Por numerosas provas, verificamos decorrer um tempo mais ou menos longo
entre a formação do coagulo e seu endurecimento, tempo este tanto maior quanto
menos coagulavel é o sangue.
Adotamos então a verificação do coagulo inicial que se forma exatamente
ao completar os 10 minutos de prova.
Outros pontos importantes e já bastante estudados são os concernentes ao
rep>ouso, jejum c alimentação dos animais fornecedores de sangue e que devem
ser fixados e mantidos.
Anticoagulanies — Sem falarmos de hirudina, heparina e outros mais mo-
dernos anticoagulantes, os mais usuais são: oxalato de sodio, citrato de sodio,
íluoreto de sodio c sulfato de sodio. Em geral, não ha uniformidade no emprego
desses anti-coagulantes usando-se para fins analc^os uns e outros, segundo a
preferencia dos experimentadorvs. E’ logico q»je tais resultados não sejam com-
paráveis e é o que nos mostra o Quadro III, em que focalizimos a ação de
vários anticoagulantes sobre o sangue dum mesmo animal.
QUADRO III
.\nticoaRulantcs
ConccntraçSo
no sangne
Cc. veneno
padrão
Cqtnas
Gamas
p/l U. C
( 3 ) Sulfato sodio
1/4 sat.
0.06
1,8 Y
0.6 Y
Oxalato sodic
0.21 fc
0,12
3.6 "
1.2 "
Citrato sodio
1 ^
0,14
4,2 "
1.4 ”
Fluoreto sodio
0.3 fc
0.47
14,1 "
4.7 "
Ha, porém, nessa questão de anticoagulantes, um outro ponto importante
quando quizermos ter resultados compataveis. Queremos nos referir à concen-
tração dos anticoagulantes, fato este não poucas vezes olvidado. Para fixarmos
idéa \-ejamos o Quadro IV e o Grafico I que nos dão as variações de coagula-
bilidade dum mesmo sangue, adicionado de concentrações crescentes de oxalato
de sodio.
4
Armando Tabokda — Contribuição ao estudo da coagulação do sangue 435
QUADRO rV"
Cone. oxal.
sangne
Cc. veneno
padrão
Gamas
totais
Gamas
p/l U. C
0,10 %
0,15 cc.
4,5 Y
1.5 Y
0,14 ”
0,17 ”
5,1 ”
1.7 "
0,18 "
0,18 ”
5,4 ”
1.8 "
022 ”
0,19 ”
5.7 "
1,9 ”
026 ”
020 "
6,0 "
2.0 "
0,30 "
020 ”
6,0 ”
2.0 ’
Des\’io minimo = 5,71%
" máximo = 28,57%
” medio = 17,14%
GRAFICO 1
_l I I I I I
O oo C4 'O o
^ ^ w OÇ 0« K}
O O O* O cr o'
cone. Yo de oxal.no sangue
Os dados acima dizem bem das variações que se observam com um mesmo
anticoagulante pela simples variação das concentrações dentro de um limite
pequeno — 0,1 — 0,3% de oxalato de sodio.
5
436 >[cniorias do Inslitulo Biitantan — Tomo XIII
Em trabalhos posterioree, voltaremos a tratar da questão das concentrações
de outros anti-coagulantes, inclusive hirudina e heparina que pelos seus elevados
preços resolvemos preparar (preparação a cargo da Assistente-auxiliar Laura
CoiiKtte Taborda).
Influencia da temperatura — Vários autores têm abordado esta questão, mas,
como at» nossas observações discordaram do que dizem Slotta & ais. (2) pag.
141 “O plasma (aliás o sangue) foi conservado em temperatura ambiente durante
1 hora, após a colheita; esta mostrou-se a maneira pratica de obtenção de tem-
pos constantes de coagulação” — dirigimos nossas investigações também para
este campo.
Esta constância de tempos de coagulação os citados autores verificavam
por meio de uma solução de veneno (solução padrão) feita diariamente. Pude-
ram constatar que havia diferenças entre a coagulabilidade no verão e no inverno,
passando 1 U. C. de 0.6 y no verão para 1.8 y e até mesmo 2,4 y no inverno.
Tendo cm vista a nossa finalidade no presente estudo, que era a maior uni*
fonnidade possivcl no poder coagulante da “HEMOROTHR.-\SE”, não pode-
riamos deixar de lado estas variações que contrariariam os nossos objetivos.
Si a opinião de Slotta & ais. fosse verdadeira, as variações de temperatura
deveriam influenciar fisiologicantente os animais e a coagulabilidade do sangue
seria dependente da temperatura cm que estivessem.
Fizemos instalar um termômetro de maxima c minima nas baias dos ani-
mais c registamos diariam.nte às 9 horas c às 16 horas as temperaturas
observadas ;
QU.\DRO V
N.» do
cavalo
D>l.i
Manh2 — 9 bv
Tarde —
16 xs.
(«>v/lcc.)
CC ven. pd-
Gamas
tolaÍ4
04ma«
p/U.C.
Min.
Mjx.
.Mrd.
Mm.
.Mas.
.Med.
F. 47
n 8/38
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180 C
15oC
22-So
2SoC
22.750C
0.05
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1.0 t
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23 .
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20 .
20oC
20oC
ao4
2,4 .
03 .
Xota : Dcixanios clc traniicrcvcr as observações feitas num tempo mais longo por expri-
mirem idênticos resultados.
0
Armando Taborda — Contribuição ao estudo da coagulação do sangue -137
Os rCi-Tiltados do Quadro mostram-nos daramente não hawr correlação
nenhuma entre as variações de temperatura do ambiente em que está o animal
e a coagulabilidade do sangue.
Já baldamos obsersado, por varias vezes, existir uma \'ariação na coagula-
bilidade do sangue entre a manhã e a tarde, mas. isto poderia ocorrer pelas
transformações do proprio sangue tais como envelhecimento, glicolise, perda de
gaz carbonico, o.xidação, etc..
Ao fazermos, porém, a revisão dos dados do quadro precedente, e, diante
dos resultados negativos constatados, um dos nossos auxiliares de laboratorio,
sr. Durval Borges de Oliveira, lembrou-se de verificar as variações da tempe-
ratura ambiente do laboratorio e a sua possivel relação com as variações de
coagulabilidade do sangue. Essa observação feita a 16/9/938 deu:
10 horas da manhã = temp. 16°C — 0,09 cc. — 5,4 \
13,30 ” da tarde = " 17®C — 0.07 cc. — 4,2 x
A primeira idéa que tivemos foi, pois, de colocar o sangtie num termostato
a 37°C que é a temperatura aproximada do animal, e que nos deu:
Temp. ambiente 17°C — 0,07 cc. — 4,20 v — 1,4 /U. C.
” termostato 37°C — 0,18 cc. (*) — 1.08 y — 0.35 /U. C.
(•) Diluição 10 vezes maior qu< a empregada para a temperatura ambiente.
Havia entretanto necessidade de investigar dois fatores;
1. ®^ Si o sangue permanecendo em frasco aberto por \-arias horas (8 hs.)
não perderia algo da sua coagulabilidade;
2. °) Si a temperatura de 37®C não influiria sobre o P. C. do veneno em-
pregado numa diluição mais forte (6 y /I cc. ao invés de 60 y /I cc. como de
ordinário).
Para verificarmos a 1.* suposição, dividinws uma porção de sangue dum
mesmo animal e fizemos a seguinte prova:
Sangue E 47. 8 hs. temp. ambiente (20®C) — 0, 07 cc. — 4,2
” ” ” ” ” ” termostato (37®C) — 0,07 cc. (*) — 4.2
(*) Experiência de coagulação executada a 2(7*0
Repetimos p>or varias vezes esta prova e sempre achamos resultados iguais
ou pequenissimas variações entre as duas porções de sangue.
No que se refere à suptosição 2.*, a influencia da temperatura sobre a perda
de coagulabilidade do veneno em maior diluição fica patenteada como se segue:
Coagulabilidade no termostato a 37°C
Veneno padrão recem-diluido 6y /Icc. (manhã) — 0,16cc. — 0,96 y — 0,32y/U.C.
” ” c/varias horas 6y /Icc. (tarde) — 0,20cc. — 1,20 y — 0,40y/U.C.
0 que nos dá um erro aproximado de 23% entre as duas unidades coagulantes.
7
438
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
Para melhor fazermos idea da influencia da temperatura na coagulabilidade
do sangue vejamos o Quadro VI e o Grafico II.
QU.ADRO VI
Temperatura
Cc. veneno
padrão (*)
Gamas
totais (**)
Gamas
p/u. c
20“C
0,19 cc.
5.7 Y
1,9 Y
22®C
0,19 ”
5.7 ”
1.9 ”
24“C
t
o
4,8 "
1.6 "
26°C
0.12 "
3.6 "
1.2 ”
28®C
0,11 "
3,3 "
1.1 "
30“C
0,C« "
2.7 -
0,9 "
32°C
0,09 ”
2.4 ”
t
00
o
34<’C
0.07 ”
2.1 ”
0,7 ^
J7°C
0.05 "
1.5 ^
0.5 ”
(•) Solução de veneno padrão contendo 30y/l cc.
(**) Quantidade de veneno para produzir a coagulação de 2.5 cc de
sangue + 0,5 de soro fisiologico.
GRAFICO II
Devemos chamar aqui a atenção para um fato interessante. No estudo da
influencia da temperatura ambiente sobre a coagulabilidade do sangue, consta-
tamos algo de anormal quanto aos valores para uma dada temperatura ambiente
(18,5®C). Investigando a razão de ser deste fato, verificamos que, embora o
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Armando Taborda — Contribuição ao estudo da coagulação do sangue 139
sangue já estivesse em repouso por 2 horas neesa temperatura ambiente de
18,5°C, ainda se mantinha a 21,5°C.
Discordamos p)OÍs de Slotta & ais. (2) ao dizerem ser suficiente “1 hora à
temperatura ambiente para se obterem resultados constantes na coagulação”.
Assim, além das pro\'as de coagulação serem feitas em termostato a 20^C,
o sangue ai p>ermanece sendo utilizado somente quando atinge a mesma tem-
peratura do termostato (20®C).
Padronização — Slotta & ais. ( 1 ) já haviam verificado a necessidade de ex-
perimentar as variações diarias de coagulabilidade do sangue de cavalo com uma
solução de veneno feita com uma determinada porção reservada só para isso.
Separada uma porção de veneno do “stock” geral do Instituto, determinaram
por secagem em alto tacuo, o seu teor de humidade, e. levando cm consideração
os 10^ de agua encontrados, faziam soluções tais que contivessem 60 y p/lcc..
Estas soluções eram então diluidas si necessário, acertando-se o volume em fra-
ção de centimetro cubico (até 0,5 cc. no máximo) que coagulava 2.5 cc. de san-
gue oxalatado de cavalo em 10 minutos.
Como já dissemos de inicio, adotamos as técnicas de coagulação e padroni-
zação de Slotta & ais. (1) por efeito de continuidade na fabricação do produto
“HEMOBOTHRASE”, mas, não liaviamos estudado ainda todos os detalhes des-
sas técnicas.
Começamos, porém, a observar que os padrões se mostravam ora excessiva-
mente fortes ora fracos. Uma vez fixados então todos os fatores capazes de in-
fluir na coagulação do sangue pelos venenos de cobra, restata-nos verificar as
causas de variação do poder coagulante da fração reservada à padronização.
Essa fração provinha do “stock” geral do Instituto, composto da mistura dos
venenos de milhares de cobras c dessecados cm ocasiões diferentes. Seria de
prevér dada a falta de homogeneidade, diferenças no poder coagulante do \-cne-
no. Resolvemos elucidar esse ponto fazendo a comparação entre varias sokições
do veneno do “stock” velho, contendo o mesmo numero de ganus por centime-
tro cubico c outras soluções feitas com veneno de jararaca dessecado em alto
vacuo e de extração recente.
O Quadro VII mostra-nos os resultados:
QUADRO VII
.So. «lo, padrCes
Cc. dos Ycnenos
Gamas lotait
Gamas P/U. C.
P 12
0,17 cc.
10,2 Y
3,4 Y
P 13
0,33 "
19,8 ”
6.6 "
P 14
0,13 ”
7,8 "
2,6 "
P 15
0,43 ”
5,16 ”
1,72 "
P 16
0,43 "
5,16 ”
1,72 -
P 17
0.41 ”
4,92 "
1,64 "
Xota: P 12, 13 e 14 venenos do “stock" velho solução a 60v/lcc.
P 12, 15 e 17 venenos seco alto vacuo solução a 12y/1cc.
C>d. Z(
9
440
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Vemos que os venenos antigos nos fornecem soluções, divergindo conside-
ravelmente, emquanto os recentemente dessecados em alto vacuo, nos dão um
erro que não cliega a 5%.
Passamos a adotar o veneno dessecado em alto vacuo e também a investigar
si haveria ou não necessidade do preparo diário de nos-ae soluções. Investiga-
mos ainda a questão da estabilidade das soluções padrões conservadas na gela-
deira à temperatura de 4°C e em diferentes diluições.
Constatamos que a diluição mais estável para o veneno de jararaca recente
e secado em alto vacuo é de SO-^/ lcc. com um prazo utii de 10 dias, como ve-
mos nos Quadros VIII, a, b, e c. Em b e c registamos o comportamento dos
padrões de veneno de jararaca de extração recente e dessecado em alto vacuo e
respectivamente nas concentrações de 30y/lcc. e 12y/lcc.. Devemos chamar a
atenção de que em b, rediluimos no dia ]7/l/39 a solução “stock” (a 600v/lcc.)
pois a iniciai (de 13/1/39) já havia perdido grande parte do seu poder coagu-
lante, devddo ao fato já bem conhecido dos venenos se alterarem tanto mais de-
pressa quanto mais diluidas cs suas soluções.
QU.ADRO VIII
d (•)
P J2
P 13
P 14
Oatai
Cc. do
Gamas
Gamas
Cc. <lo
Gamas
Gamas
Cc. do
Gamas
Gamas.
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Gamas
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veneno
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0.165
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1.63
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1.60
0.130
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130
0.150
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1.50
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0.160
4.S0
130
0150
430
130
0150
430
130
207-
0.160
4,*41
1.60
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0160
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1.60
10
Armando Taborda — ' Contribuição ao estudo da coagulação do sangue 441
c (**•)
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16
P 17
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Cc. do
Gamas
Gamas
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Gamas
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Cc* do
Gamas
Gamas
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1,68
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W
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0,370
4.44
1.4S
0,380
4,56
1,52
5300
4,12
1,56
(•) Solução de veneno velho do “stock” a 60y/1cc.
{**) Solução de veneno recente seco em alto s-acuo a 30 y/1cc.
(•*•) Solução de veneno recente seco cm alto racuo a 12 y/1cc.
A aparente irregularidade que se observa em todos os quadros, entre os
valores dos padrões nos dias 19 a 24 retomando os \’alores a 26, c devida à mu-
dança da coagulabilidade do sangue (aumento) após 1 ou 2 dias de descanso
do animal (sem sangria), fato verificável também na do dia 13 para 16, reto-
mando no dia 17 o seu valor primitivo.
Elm <i (Quadro VIII) (com exceção de P 12) vemos que as soluções de ve-
neno velho, além das ^•ariações irregulares do poder coagulante duma para ou-
tra solução, ainda se comportam irregularmente na mesma solução.
Conservadores — Sendo bem conhecida a ação nociva de vários antiecti-
cos sobre os venenos (fenois, cresois, etc.), c a sua possível interferencia no
processo da coagulação do sangue, pensamos em aplicar a glicerina, de uso ge-
ral e antigo, como estabilizador de soluções de veneno (geralmente a 50%) (4).
QU.ADRO IX
Mtsrs: 1938
Setembro
Oatubro
Dia>
5
6
9
10
12
13
14
13
16
17
20
21
27
30
3
11
22
P 4 s/g. cc.
0,08
0,07
509
508
0,08
506
0,05
04»
509
0,08
0,04
510
045
554
553
Sa
o a
e
—
P 4 c,'g. cc.
0/»
0,06
0U6
0.06
OS»
0,04
0.04
OflO
04»
0,(B
0414
503
511
513
0.14
516
0,32
Xotas: a) Solução padrão P 4-60y/1cc. sem glicerina s/g e com glicerina c/g.
b) \'alores médios de coagulabilidade do sangue com este P 4:
do
dia
S
ao
dia
10/ 9/38 — com
sangue
C 904
= 0.08
CC.
do
dia
12
ao
dia
21/ 9/38 — com
sangue
E
47
= 0,06
cc.
do
dia
27
ao
dia
30/ 9./3S — com
sangue
C
904
= 0,12
cc.
do
dia
3
ao
dia
22/10/38 — com
sangue
E
47
= 0,10
cc.
11
442
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Embora não tenhamos constatado qualquer efeito da glicerina sobre a coa-
gulação do sangue, achamos, que, o venmo gliccrinado, ape?ar da sua maior du-
rabilidade, apresenta inconvenientes, não só ru medida de \-olumes, devido ã
viscosidade da glicerina, como ainda por sua possivel ação sobre os venenos.
Aliás, um fato curioso demonstra que ha qualquer ação. Quando se diluem
duas soluções igualmcnte antigas com e sem glicerina, embora as atividades ini-
ciais sejam idênticas, procede-se rapidissima perda do poder coagulante da di-
luição com o veneno gliccrinado em relação à outra sem glicerina. Dependendo
da concentração, ha, por vezes, até aumento do poder coagulante da solução sem
glicerina.
CONCLUSÕES
O emprego da coagulação do sangue quer como método de padronização
de produtos, quer como estudo sistemático, necessita de condições rigorosamen-
te predeterminadas tais como:
1. escolha de ca\-alos com sangues d; coagulabilidades aproximadas para
serem reservados como padrões. Estes animais devem fornecer o sangue ne-
cessário por 15 a 30 dias em quantidade media de 100 cc. diários, entrando cm
descanso por igual prazo. As sangrias devem ser feitas à mesma hora. com o
animal prc.so na báia e nas mesntas condições alimentares (em jejum ou com
alimentos prefixados c constantes) ;
2. fixação da concentração adequada do anti-coagulante ;
3. fixação da temperatura de 20°C para a realização das provas de coa-
gulação, ficando o sangue, adicionado do anti-coagulante, no termostato a esta
temperatura ;
4. verificação diaria da coagulabilidade do sangue por uma solução de ve-
neno padrão (veneno recente de.ssecado em alto s-acuo) para que se obtenham os
seus verdadeiros valores;
5. realização das prosas de coagulação sobre 2,5 cc. de sangue o.xalatsdo,
adicionando soluções de veneno, num volume máximo de 0.5 cc. e em concen-
trações tais que provoquem o aparecimento do coagulo, exatamente em 10 mi-
nutos ;
6. A U. C. (unidade coagulante) será. então, a terça parte do valor obtido
(como em 5), ou seja:
— A quantidade de veneno, expressa em gamas, capaz de coagular exata-
mente em 10 minutos c na temperatura de 20°C, 1 cc. de mistura de 2,5 cc. de
sangue oxalatado de cavalo, numa determinada concentração, mais 0,5 cc. de sô-
ro fisiologico, considerando-se o sangue coagulado ao primeiro aparecimento do
coagulo.
12
cm
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Armando Taborda — Contribuição ao estudo da coagulação do sangue 443
Assim, não podemos aceitar "sangue oxalatado de cavalo” (citação 1), mes-
mo quando "provenientes de ca\-alos sadios” (citação 2) como meio de padro-
nização de veneno, sem que sejam prefixados todos os fatores capazes de influen-
ciar a coagulação, pois, do contrario, os resultados, só eA'entualmente, são com-
paráveis. Eis a razão de termos feito varias modificações na bula do produto
hemostatico "HEMOBOTHR^\SE” (antigo "HEMOCOAGüL.ASE”), no que
se refere à parte de padronização.
Conseguimos, deste modo, uma rigorosa uniformidade nos poderes coagu-
lantes das partidas do produto, podendo ainda afirmar que, dentro dos prazos es-
tipulados para a sua conservação no frigo ou à temperatura ambiente, qualquer
divergência obser\-ada em provas feitas com sangue de outros animais e em en-
tras condições, não significa inatividade do produto.
Sobre esta questão de durabilidade, e outras mais, trataremos em outra pu-
blicação.
RESU.MO
Estudamos para fins de controle e pesquisa, os fatores que influenciam a coa-
gulação do sangue de cavalo pelos venenos de cobra (Bothrof>s) como se segue:
a) rariação do tempo de coagulação de anintal para animal, com uma quan-
tidade fixa de veneno (veneno padrão), em comparação com uma quantidade
variavel de veneno num tempo fixo;
b) influencia da concentração dum mesmo anticoagulante c de \"arios anti-
coagulantes ;
c) influencia da temperatura em que se processa a experiência c a nulidade
de ação das mudanças climatéricas sobre o animal. Necessidade do trabalho cm
temperatura constante (20°C) e inconvenientes das temperaturas elevadas pela
sua ação desnaturadora sobre o principio coagulante ;
d) necessidade do emprego de um veneno padrão (veneno recente desseca-
do em alto vacuo), capaz de dar soluções estáveis e de valores reproduzíveis.
Baseados nos nossos estudos fixamos a unidade coagulante (U. C.) como:
— a quantidade de veneno expressa em gamas, capaz de coagular exatamen-
te em 10 minutos e na temperatura de 20°C, 1 cc. de uma mistura de 2.5 cc. de
sangue oxalatado de cavalo, numa determinada concentração, mais 0.5 cc. de so-
ro fisiologico, considerando o sangue coagulado ao primeiro aparecimento de
coagulo.
ZUSAMMEXFASSUNG
Es w-urden die beeinflussenden Faktorcn der Koagulation des Pferdeblutes
durch Schlangengifte {Bothrops) zwccks Kontrolle und Forsehung wis folgt
untersucht :
13
cm
iSciELO
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444
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
a) Variation der Koagulations-Zeit von Tier zu Tier. mit gkicher Gitt-
menge (Gift-Xormalc), im Vergleich zu \-erschicdenen Giftmengen bei konstan-
ter Koagulations-Zeit.
b) Einfluss der Konzentration dersclben und verschiedener anti-koagulie-
rend wirkender Substanzeu.
c) Einfluss der Teniperatur aut den V'ersuch und Xullitãt irgendeiner Be-
einflussung des Tieres durch klimatische Verãndcrungen. Die Arbeit inuss un-
bedingt bei konstanter Teniperatur (2CPC) ausgcfübrt werden, da hohere Teni-
peraturcn eine denaturierende Wirkung auf das Koagulations-Prinzip haben.
d) Notivendigkeit der Verwendung einer Gift-Xoniiale (fri.sches Gift im
HoclTvakuum getrocknet), die im Stande ist licstãndige I-õsungen und reprodu-
zierbare Wcrte zu liefcm.
Auf Grund unserer Arlieiten, haben wir die Koagulations-Einbcit (KoE)
festgclcgt ais: die Giftmenge, in gamma. die in gcnau 10 Minuten bei 20^C. 1 can
eincs Gemischcs von 2,5 ccni Oxalat-Pferdeblut (bestimmter Oxalat Konzen-
tration) und 0.5 ccm physiologischer Kochsalz-I.íisung zum Koagulieren bringt;
das Blut wird ais koagulicrt ausgcwcrtet b.im ErscheinKn des ersten Koagulums.
ABSTRACT
The infkicncing factors of horse blood coogulation by snake vcnonis (Bo-
throps) have bccn studied, with control and investigation scope. as follows:
a) variability of dotting-timc froni horse to horse, Mith a constant vcnom
amount (standard venom) compared i\-ith changing aniounts of venom in a pre-
fixed clotting time;
b) concentration influcncc of a sanie or differcnt anticoogulants ;
c) temperature influence on thc test and non-influence of time changes on
the animal. Constant temperature testing neccssity (20®C.) and inconvcniences
of bigh tcmperatures,* excrcising a denaturating action on the coagulating prin-
cipie ;
d) necessity of the use of a standard venom (fresh venom high vacuum
dricd). wbich is able to fumish stable Solutions and reportable data.
According to our experiences. the coagulant unity (U. C.) has bccn fixed
as: thc amount of venom required, in gammas, to clot in exacíly 10 minutes at
20°C, 1 cc of a mixture of 2.5 cc oxalated horse-blood (determined oxalate con-
centration) and 0.5 cc of physiological brine solution, considering the blood coa-
gulatcd at the first clot appearence.
14
cm
SciELO
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AnsrAN'i>o Taborda — Contribuição ao estudo da coagulação do sangue 445
BIBLIOGRAFIA
1. Klobusitsky, D. fon & Kõnig, P. — Metn. Inst. Butantan 11:149.1937.
2. Slotta, K. H. & úls. — Mem. Inst. Butantan 11:133.1937.
3. Ferranti, F. — Boll. Istituto Sierot. Milanese 17:646.1938.
4. Calmette, A. — “Les venins”. 1907.
— Queremos agradecer aqui a todos os nossos auriliars de laboralorio e muito espe-
cialmente ao sr. Durval Borges de Olivetra pela pericia e honestidade com que executou
as provas de coagulação.
(Trabalho da SccçSo de Firico-Qatmica Kxperimental do Ina-
tituto Butantan, apresentado em afiosto de 1939 e dado
i publicidade em Janeiro de 1940).
lã
ELECTRODIO DE VIDRO
Generalidades — Teoria — Tipos — ApKcações
POR
ARMANDO TABORDA
Introdução
Coni o crescente desenvolvimento das aplicações do que Sõrensen chamou
pH, isto é, o expoente dos ions hidrogênio, quer em Química Pura, Inorgânica
ou Organica, quer principalmcnte na Bioquímica, etc., os seus métodos de deter-
minação vêm sendo dia a dia ampliados e aplicados a cada caso particular.
Ora, mesmo em Quimica Pura já se havia constatado a inaplicabilidade dos
proccs.«os usuais electrometricos ou colorimctricos, como cm presença de certos
agentes oxidantes ou redutores, etc..
Em Quimica Biologica, muito especialmente nas soluções albuminosas, no
sarigue em presença de oxihemoglobina, etc., os métodos colorimetricos e poten-
dometricos correntes são ineficazes.
Ehí o uso de electrodios de antimonio, oxigênio, quinhidrona, tungsténio,
electrodios de peroxidos, etc..
Todos estes, si apresentam algumas vantagens, apresentam ainda maiores-
impecilbos no uso que o de hidrogênio, como veremos no decorrer desta
cxpo.sição.
Eis porque cada vez majs se difunde o electrodio, cuja historia vamoj
resumir.
Historico
A idea do electrodio de vidro é bem remota, embora sò ultimamente venha
merecendo a atenção geral dos pesquisadores nos campos ilimitados da Ciência.
Foi HeJmholtz (1), o grande medico e sobretudo fisico e matemático do
mais a,lto >-alor, que, em 1881, escrevendo sobre o moderno desenvolvimento da
concepção de Faraday a respeito da eletricidade, quem primeiro ideou o electro-
1
448
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
«lio de bulbo ou bola. como o fizeram mais tarde Cremer-1906 (2), Haber c
Klemensiewicz-1909 (3). Estes autores, baseados na idéa expendida por
Nernst (4), com respeito à diferença de potendal que deve existir na zona dc
contacto entre cristais mistos e suas respectivas soluções saturadas, conduiiaun
que igual fenomeno, isto é, um potencial — deve existir na zona de contacto do
vidro com a agua. Michaelis (5) mostrou a analogia entre estes fatos e o que se
passa numa celula de prata (membrana e solução de nitrato de prata).
Posteriormente Freundlich & Rona (6) também confirmaram a suposição
de Haber e Klemensiewicz. enquanto Hughes (7 e 8) e von Steiger (9) am-
pliaram os detalhes do manuseio, comparando simultaneamente os potenciais
dos electrodios de \ddro com os de hidrogênio nas mesmas soluções. Horo-
Híz (10), entretanto, pôs em duvida tal fenomeno, dizendo que o electrodio de
vidro se comporta como electrodio misto, dependendo o seu potencial, não só da
concentração de ions hidrogênio, mas ainda dos outros ions que o vidro contém
(Na. K. Zn, B, etc.). Daí o estudo dos problemas do vidro adequado à cons-
trução de electrodios, quanto à composição, resistência eletrica. etc., feito por
Horovitz (10), Schiller (11), Horovitz, Horn, Zimmermann & Schneider (12),
Horovitz & Zimmermann (13).
Kerridge (14 e 15), aplicando o electrodio dc \'idro aos meios biologicos
experimentou o >idro “Durosil” e o quartzo fundido com maus resultados, con-
firmando as obseivações de Horovitz, quanto aos vidros que se comporta\*am
como electrodios mistos — s<xlio-hi«lrogenio — com solução “buffer" dc fosfa-
to de sodio e como electrodios de hidrogênio, “buffer” de fosfato de potássio.
Diz ter obtido bom resultado com um vidro sodico. comum de laboratorio.
Finalmcntc, os completos estudos de Hughes (7) — 1928 e Maclnnes & Dole
1930 (16 e 17), elucidaram definitivamente a influenda da composição do vidro
sobre o seu papel como electrodio.
De então para cá. multiplicaram-se as aplicações nos mais ^ariados ramos
dc investigação e control, como o pro\-a a literatura de Quimica Pur^ e Aplicada,
de Biologia, de Medicina. Industrial, etc.
Teoria
Para explicar os complicados fenomenos que se produzem através da mem-
brana dc ddro. varias teorias têm sido desenvolvidas.
\*eremos. porém, que todas se baseiam em suposições que falham em
muitos pontos.
D'jsde a descoberta do electrodio de vidro, tres correntes se formaram em
torno das seguintes teorias:
1) de contacto ou limite dc fases, de Haber, Gross & Halpern (18) e
Hughes (loc. dt.) ;
cm
SciELO
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Armando Taborda — Eleclrodio do vidro
449
2) do i>otencial de adsorção ou dnetico, de Horodtz, Schiller &
LenRj el (19) ;
3) do potencial de membrana ou de difusão, de Cremer, Michaeiis.
-Quittner (20).
Umas teorias dizem que o vidro contem ou atráe a agua e os ions hidrogê-
nio (protons), enquanto outras afirmam que só o ion hidrogênio é atraído ou
ainda o ion sodio.
Acresce, porém, que idênticos fa,tos se obsersam na zona de contacto da agua
com o quartzo, parafina, benzeno, etc., etc..
O desenvolvimento das diferentes teorias, subordina-se à concep<;ão de
Nernst ( 1889) sobre o potencial entre um metal e a solução de um sal do mesmo
ion. dependendo o equilibrio da tensão de dissolução do metal e a pressão osmo-
tica do ion metálico em sentido contrario.
Estas forças em equilibrio se compensam e a camada de ions metálicos po-
sitivos atraídos pela carga negativa do metal conserva-se em frente deste, for-
mando o que se chamou — dupla camada eletrica.
Aliás, esta denominação é de Quincke (21 ) — 1861 e que Helmholtz —
1879 — 1882 (22), desenvolveu quantitativanKntc.
Z^T( S 0^
F«. 1
Termodinamicamente a formula de Xcmst exprimindo estas duas forças
qtre se opõem — tensão de dissolução P (constante para cada metal) versus
3
I
450
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
D’'essão osmotica p (isto é, concentração ionica, da solução) e o potencial E do
clectrodio, é;
RT P
E = log e
nF p
Se tivermos dois electrodios do mesmo metal. Zn, p. ex., ligados entre si
e mergulhados em soluções de concentrações Ci e C2 diferentes, o metal na solu-
ção menos concentrada emitirá ions e se carregará de uma carga negativa mais
forte, estabelecendo-se uma diferença de potencial entre os dois electrodios.
Então esta diferença é função das concentrações de ions Zn, e a formula de
Nenist passa a ser:
RT C,
E = log e
nF C-
Teoria de Háber
Si. em vez de soluções de concentrações diferentes de ions Zn, tivermos
concentrações diferentes de ions H, e, entre as duas soluções, uma fina membra-
na de vidro, ha uma diferença de potencial em proporção à concentração de
ions H, isto é:
RT (H),
E = log e
nF (H)a
O aparelho experimental de Haber, constava de um bulbo de paredes finas,
soprado num tubo de vidro, contendo KCl e ligado a um electrometro E. por
um fio de platina. O bulbo é mrrgnlhado na solução .x a dosar, que está em
conexão com um electrodio de calomelano, e este. com o outro bome do
electrometro.
I SciELO
Armando Taborda — Eleclrodio do vidro
431
Variando a concentração de ions H em x, Haber obteve uma variação
lic-rar de potencial.
Explicou este fenomeno dizendo que o vidro continha agua de embebição e
que os ions H eram comuns às duas fases liquidas (internas e externa) e a fase
vidro, e que nesta, era de concentração constante e independente do meio
circundante.
Modernamente Macinnes & Belcher provaram a correlação da agua com
0 electrodio, pela secagem a 50°C, no vacuo, sobre P* Os, passando a resistência
dum electrodio de vidro, de 32 megohms para 40.000, sob corrente continua.
Haber & Klemensiewicz fizeram exaustivas e corrétas medidas, c, sugerin-
do que tais fenomenos serviriam para dosagens de neutralização, lançaram as
bases d:i moderna titulação potendometrica.
Como Haber (24) não utilizou o seu electrodio cm mdo alcalino, não poude
ver que a sua teoria falhava desde que o pH passasse de 9.
Hughes adotou a teoria de Haber dizendo que a concentração de ions hidro-
gênio permanece constante por ser o vidro uma solução "buffer” de acido süi-
dcc em silicato de sodio e que em pH 9 a ação "buffer” do vidro é destruída
por ser a constante de dissociação do primeiro hidrogênio do addo silideo
HjSi (V — 1 X 10 —
Desaparecendo a ação “buffer” (segunda constante do addo silideo
1 X 10-‘*) as variações de potcndal não correspondem sómente às concentra-
ções Ht e H 2 das soluções, mas também as do vidro. Alem disto o acrcsdmo
de pH, pela ação das diferentes bases — NaOH. KOH, LiOH. Ba (OH) 2 .
adma de pH 9, não é registado uniformemente, 0 mesmo acontecendo com so-
lução 3/5 M. de Ac. Na, etc.. Fenomenos idênticos, porem, em sentido contra-
rio se dão em meio acido segundo as observações de Maclnnes e Belcher (23)
como nos mostrarão as figuras 6 e 7 mais adiante.
Gross & Halpem introduzem nova modificação para explicar as variações
em meio alcalino, supondo que a agua se difundia no vidro e que o vidro se dis-
solvia na agua. estabelecendo-se um equilíbrio.
Com a adição de um clectrolito, este entraria em jogo, romperia o equilí-
brio e c potencial seria alterado para esta nova concentração até que se estabele-
ce-se no^’a distribuição de ions.
Falham estas teorias de fases em contacto, pois, é pouco provável que n’uma
rapida titulação eJectrometrica, como é a feita com electrodio de vidro, liaja possi-
bilidade de ser atingido tal equilíbrio.
Teoria de Horovitz e outros
Horovitz foi quem primeiro lançou a teoria da adsorção ionica na superfície
do vidro e a troca de ions com a solução em contacto.
5
452
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
Em meio acido o vidro adsor\’e ions H e funciona como electrodio de vidro.
Em soliK;ão neutra ou basica, adsorverá outros ions — Xa, Li, K, etc., funcio-
nando como electrodio misto.
Hughes, Gross & Halpern (18) baseados nos trabalhos de Freundlich &
Rona, mostraram que a adsorção ionica na superfície do electrodio de vidro
(determinada pelo poteqcial electrocinetico) , não tem relação com o potencial
termodinâmico do electrodio de ^ndro.
Posteriormente, Horovitz (25), Horovitz & Lark (26), corrigiram as suas
hipóteses anteriores dizendo que, por adsorçâo, quizeram dizer "troca de ions"
e que também é preciso ser levada em conta a mobilidade ionica.
Schiller e modemamente Lengyel (loc. cit.) aceitaram a teoria de adsorçâo
de Horovitz, considerando Leng)-cl (que trabalha com membranas de quartza
em vez de vidro) essas membranas como condensadores cujos potenciais podem
ser medidos.
Dole (27), porém, mostrou que considerável corrente direta pode atravessar
a membrana de vidro, sem mudança no seu potencial, falhando pois a teoria de
condensador,
O grande mérito dos traballios de Horovitz, Schiller & Leng\’el, etc. adveio
de terem prorado que membranas de quartzo, parafina, etc., funcionam como
electrodios de H e sofrem um desvio inteiramente analogo ao do electrodio de
vidro cm soluções alcalinas.
Teoria de Cremer e outros
Foi Cremer — 1906 (28), quem primeiro teve a idéa de imitar uma mem-
brana fisiológica por meio <le uma lamina de vidro de paredes delgadas, até de
O,““001, o que realizou soprando pequenos bulbos na ponta de tubos de ensaio
c ainda quem provou terem estas membranas a 40° — 5CPC uma nitida condu-
tibilidade elctrica.
Basciou-se nas ideias anteriormente estabelecidas sobre a condutibilidade do
vidro, tal como havia pro\'ado E. Warburg — 1890, que a 200°C ela era de
natureza elcctrolitica.
Cremer com notável intuição observou que um acido colocado interiormente
no seu bulbo, mostra\’a uma diferença de 1 volt contr^ uma solução alcalina externa,
tendo rcconlKcido o vidro como origem desta f. e. m. que dependia da acidez
da solução.
Cremer considerou pois a membrana de vidro como permeável somente aos
ions H, de modo que o seu papel como electrodio de H pódia ser calculado pela
formula de Donnan (23) para as membranas semi-permeaveis, ou pela de poten-
cial de juntas liquidas de Handerson & Planck.
Micliaclis acrescentou que em soluções alcalinas os ions sodio, ou outros
positivos podiam difundir-«e através do vidro ocasionando erros nos pH altos.
cm
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Armando Taborda — Elecirodio do vidro
453
Finalmente Quittner fazendo electrolises com elecirodio» de \idro, verificou
que os ions H atravessavam o vidro em solução adda, e os ion» Xa em solução
basica, concluindo que a f. e. m. dependia do ion que migrava, Estes feno-
menos foram confirmados por J. Meyer (30) e Macinnes & Burgess.
Resumindo, tf mos as tres teorias: limite de fases, adsorçâo ou troca de ions
e juntas liquidas ou difusão.
Citemos agora rapidamente as objeções que as experiencias mostraram.
Primeiro — quanto à penetração da agua, desde que não haja defeitos aci-
dentais (furos, fendas, etc.) esta, ou se dá muito lentamente ou de todo não se
dá, pois, o sulfato de cobre desidratado, branco, no interior de um tubo com
membrana de 1 micron, não mostrou, quando mergulhado em agua por 20 dias,
nenhuma mudança de cór.
Segundo — quanto a ser a condutibilidade de natureza eleclrolitica, ou
simplesmente por difusão ionica, verificou-se que um elcctrodio isolado por
diversas camadas impermeáveis de 5 microns (colodio elástico, parafina, acido
esteárico, colodio flexivel, cimento, asfalto, etc ) e mergulhados numa solução,
só experimenta variações de pH com as da solução interna, isto é, em contacto
com o vidro, qualquer que seja a concentração ionica externa (vêr Quadro I
anexo).
Fenomeno notável, porém, é o que se passa quando adicionamos um sal
neutro na solução em contacto com o isolante. causando forte depressão no
potencial o que está de acordo com a teoria do potencial das membranas de
Donnan.
Terceiro — que a natureza da condutividade do vidro ainda não está escla-
recida, mostram estas duas experiencias, levando-nos a considerar o vidro, con-
dutor de cargae por indução, uma wz que ele é dieletrico (a)
(a) Kahler & De Eds mostraram que podemos variar as sujxirficies de
cor.tacto sem variação de potencial e que também não influe a forma
geométrica.
7
454
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
Ei(t. 4
b) que si colocarmos a solução interna — um “buffer”, por exemplo numa
divisão dum tubo acima do nivel do liquido externo, em que apenas mergulha a
ponta deste, formando uma camada de ar, os resultados serão os mesmos que
6Í as soluções estivessem no mesmo nivel.
c) M. R. Thompson, do U. S. B. S., substituiu uma das soluções por uma
cobertura de metal interna ou extemamente com os mesmos resultados, empre-
gando electrodios de vidro grosso.
Quarto — o electrodio de vidro apresenta variações de potencial em sen-
tido inverso, quer em soluções muito alcalinas (pH superior a 9), quer muito
acidas (pH inferior a 2) havendo porém uma seletividade nos ions. Em meio
alcalino os ions Na, K, Li, etc. monovalentes são mais ativos que os polivalentes
como Ba, etc., devido talvez à maior mobilidade dos primeiros, produzindo um
aumento na diferença de potencial entre os electrodios de vidro e hidrogênio
nas mesmas condições.
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Memórias do Instituto Butantan
Tomo XIII
Poderiamos ainda considerar os fenomenos de potencial cinético, de mobi-
lidade seletiva através da dupla camada eletrica, etc., mas seria interminável a
discussão.
Passaremos agora a questões mais praticas.
Composição do vidro
.-\lem de outros, Hughes 1922-1928, Elder 1929(33) e principalmente Mac-
IniKs & Dole 1929-1930, estudaram a relação entre a composição e as proprie-
dades do electrodio de vidro, chegando a uma formula ótima para os mesmos.
Quimicamente, o vidro mais simples é uma mistura temaria de SiOo, CaO
e Na^O em proporções rariaveis, formando um silicatc calcosódico.
Quer como impurezas das matérias primas, quer intencionalmente adicio-
nados, encontramos mais Fc 20 j AI 2 O 3 TiOj, ZrOa MnOr, CoiOj. MgO, K>0, PbO,
B 2 O 3 ZnO, etc., etc., para só citarmos os principais.
Fisicamente, considera-se o \ddro como uma solução solida, ou melhor, um
liquido em estado de super-fusão.
Os bem conhecidos fenomenos de deformação das lentes dos telescópios com
o tempo e o de cristalização ou desvitrificação, produzindo porcelana, a chamada
porcelana de Reaumur, tão usada em termômetros, confirmam a idéia de solução
solida.
Seguindo principalnKnte os trabalhos de Hughes que mostrou serem os
vidros mais fusiveis, os melhores para electrodio, Maclnnes & Dole 1929 c 1930,
partindo de substancias quimicamente puras, fizeram uma serie de vidros com
propriedades t^ariaveis.
Os componentes — areia seca, carbonato de cálcio ou magnésio, de sodio
ou jxjtassio, ou ainda de litio, misturados em diversas proporções, cuidadosa-
mente moidos, foram fundidos em pequenas porções, num forno eletrico, e aí
mantidos por uma hora a 1200-1400°C para refinar a massa eliminando as bollias.
Esfriado em temperatura inferior ao rubro, o vidro ainda quente é frag-
mentado em contacto com agua fria.
Pequenos pedacinhos deste ridro, cerca de 5 mg., dão um bulbo, na ponta
de outro vidro, de paredes de 0,001 mm., com visiveis cores de interferencia.
O quadro anexo, transcrito de Maclnnes & Dole, mostra-nos o estudo dos
vidros por eles sintetizados feitos sobre electrodios de membranas, sobre tres
pontos principais: (Quadro II).
a) o potencial existente no diafragma;
b) resistenda do electrodio;
c) prova da aplicabilidade do electrodio para determinar o pH.
Vamos agora resumir o estudo destes tres pontos:
10
cm
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Armando Tabobda — Electrodio do vidro
457
a) potencial no diafragma — potencial asinietrico ou correção do zero, é
determinada comparando a diferença de potencial enlre um electrodio de vidro
e outro de prata e cloreto de prata, na mesma solução X/10 HCI. Todo o
vidro de potencial assimétrico elev-ado, não serve, pois varia grandemente:
b) a resistência eletrica do vidro, quando é grande, prejudica a Kensibi-
lidade e obriga a cuidados especiais como, “screening” e isolamento.
E’ determanada pelo método de “capacidade do electrometro", carregando-se
0 electrometro com uma pequena voltagem, compensando-o por um potcncio-
metro, e, depois, com uma dada voltagem, intercalar o diafragma de vidro, obser-
vando o desvio produzido:
c) utilidade como electrodio de hidrogênio rcversivel é determinada pela
f. e. m. quando mergulhado numa solução “buffer” de pH 8 e ligado a uma
célula de calomelano e cloreto de potássio saturado, e depois em X/10 XaOH
pH 12.75.
Só serve o vidro que não se desvia do valor teorico no primeiro caso, mas
todos variam em contacto com a solução alcalina de XaOH.
Obsen’amos no Quadro II, anexo, o seguinte: os vidros chamados duros
(pouco fusiveis e resistentes), Pyrex, Jena — 1, 2, 3 — têm elevado potencial,
grande resistência e erro inicial em XaOH X/10 que se dera rapidamente.
O vidro — 4 — comercial, mole, dá uma queda brusca de potencial de
membrana. A resistência menor já facilita as medidas, >mbora se eleve com
o tempo. O erro em .solução XaOH X/10 cresce, ijorcm. menos que nos
anteriores.
Os vidros moles — 5 e 6 — ccmpor:am-se de maneira mais adtquada e
foram preparados no laboratorio.
O vidro — 5 — de idêntica composição aos de Elder & Wright & Hughes,
têm propriedades intermediarias entre o vidro mole comercial 4 e o 6, de com-
posição correspondente ao eutrctico dado por Morey, na sua "International Cri-
ticai Tables” para o diagrama triangular de fusibilidade do sistema CaO — SÍO 2
— Na::0.
Numerosas experiencias mostraram ser este o mais adequado à construção
de electrodios, por ser quasi zero o seu potencial na membrana, resistenda baixa e
o mais fraco erro observado na solução alcalina.
Os vidros de 7 a 11, foram feitos variando-se em pequenas proporções, os
componentes de 6, porém, ou tinham mais resistenda, ou menor durabilidade ao
ataque pelos alcalis.
Deve-se notar que o vidro proprio para electrodios ê bem mole, de solubi-
lidade apredavel, capaz de introduzir erros em soluções sem regulador ou “buffer”.
O vidro 6 dá 7 X 10-'® equivalente ao s:u alcali por 24 horas e por mm*,
daí Macinnes & Dole aconselharem somente o seu uso nas membranas, e para
suporte, outras qualidades de vidro.
11
cm
iSciELO
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458
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
O vidro — 12 — , como se vê, é o mesmo que o — ó — , substituindo-se todo
o NaoO por LioO, pois deveria dar um vidro mais compacto por ser o volume
atomico do litio muito menor que o do sodio.
O vidro resultante de baixo ponto de fusão, cristaliza rapidamente, devendo
ser esfriado bruscamente e logo soprado a bulbo delgado, cuja membrana se
aju^^ta ao tubo suporte aquecido à temperatura mais baixa para evitar a fusão
da mesma. De baixa resistência e assimetria, dá entretanto, com pH 8, resul-
tados certos num <lia e já no subsequente, grande erro que aumenta rapidamente.
Com os vidros 13 e 14. a parcial substituição de algo de sodio por litio
deu, contra a expectativa, tão altas resistências, além de elevado e crescente
erro com alcalis, que os inutiliza para electrodios. O \ndro 15, substituindo o
NajO por partes iguais de potássio e litio, deu o electrodio de mais forte resistência.
O %ndro — 17 — sugerido por Geo Morey para evitar recristalização com
o aquecimento prolongado, como se dá com os precedentes resulta da substi-
tuição do CaO por MgO. A sua resistência é muito grande, pelo que não é
recomendado.
Tipos de electrodios de vidro
De.sde a descoberta do electrcxlio de bulbo, usado por Cremer e Halier &
Klemensiewicz, muitos foram os seus adeptos, dentre os quais Hughes c Eldcr
que estudaram os vidros comerciais.
nrrfN
Fík. »
Robertson — 1931 (34) também estudou e aplicou electrodios de bulbo de
baixa resistência (2 a 3 megohms), especialmente para estudos sobre latex.
12
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Akmanwj Tabobda — Electrodio do vidro
459
Em seu trabalho atrás mendonado, Macinnes & Dole (1929) seguindo a
idéa de Horovitz que aplicou grossas membranas de vndro a tubos utilizaram o
vidro — 6 — sob a forma de membrana de 0,001 mm., com cores de interfe-
rência, soldada a um tubo suporte e resistente de Omm.004 e obtiveram electro-
dios de ótimo funcionamento e de nula asimetria.
Aplicaram pela primeira vez para a do-agem potenciometrica diferendal,
inclusive dos ácidos nitrico, cromico, etc.. O arranjo do sistema de concentração
de Macinnes & Dole é:
Hg Hgs Q 2 KQ sat./sol.x/membrana de ddro/0,lHCl.AgCl..Ag. Si o elec-
trodio de vidro é reversivel aos ions H, nos dois lados da membrana, o conjunto
dará uma f. e. m. das duas s^uintes células, agindo uma contra a outra :
Hg/HgoQ:. KCl sat./Sol. x /H; (I)
Ag/.AgG. 0,1 XHQ / H, (II)
.A 25°C a f. e. m. da célula I é 0,2458 — 0,59 log. (H.), e a de II, -j-
0,3.524volts. Dai a f. e. m. será, no conjunto de células acima:
E/ci — E/cii= — 0,1066 — 0,059 log. (H) = — 0.1066 -1- 0,059pH.
O electrodio de Hughes (7 e 8) é uma modificação do tipo de Haber, subs-
tituido o seu fio de platina por um electrodio de calomelano perfurado contendo
como o bulbo, HCl, X/l. E’ como mostra o desenho, um bulbo soprado no
extremo dum tubo.
r—
( 7 -
I lt.3
fin|ii|i|iiii
'■"lüíij::
"'mií:
■iiSí®
K4r. y
Pobertson (34) como já foi dito, usou também os electrodios de bulbo.
13
cm
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460
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
São preparados soprando-se um fragmento de 100 — 150 mgs. de vidro
Corning No. 015 que é fundido na extremidade de um tubo resistente de 1 cm.
X 8 cm. de comprimento.
O volume do bulbo é de 8 a 10 cc. e a grossura pode variar de 0.015 —
0.05 mm. e a resistência de 2 a 3 megohms, e permite o uso dum galvometro
comum nos circuitos potenciometricos usuais.
Adotaram ainda os electrodios de bulbo, Elder (33). Harrison (31.). (que
para compensar a resistência dos bulbos — 100 megohms — usou um circuito
potenciometrico com valvulas triotiicas), Morton (35), etc.. Kerridge (14 e
15) adotou a forma que se vê n.i fig^ira 10 e que consiste em modelar uma
membrana reentrante num bulbo de maior dimensão e de feitio especial.
Dois electrodios de calomelano e KCl .«aturado cujas c.xtremidados mergu-
lham respectiramente, na cavidade c.xtema e numa tubulura lateral ligada à solu-
ção interna — completam a ligação do circuito.
Na i^equcna cavidade \ai o liquido a estudar (5 cc.) e na parte interna um
“buffer” de pH 7 (fosfato de potássio).
Outras formas apareceram com as varias aplicações como as de Macinnes &
Belcher (36) com membranas cm espiral e a sua modificação por Sendroy. Shed-
Fis. 10
lovsky & Belcher (37). etc.. De outros tipos jxirém, resaltam pela sua origi-
nalidade as formas de Thompson (32) do U. S. Bureau of Standards, que, como
cm
SciELO
Armando Taéorda — Electrodio do vidro
o» '
já foi dito, substituiu uma das eoluções por uma camada metalica
electrodios de duas espedes:
1 ) electrodios receptores ;
2) electrodios de imersão.
1 ) Electrodios receptores — como diz o proprio nome, são electrodios cons-
truidos para conter a solução a estudar, levando então mergulhado nesta solução,
um electrodio de calomelano.
A parte externa como mostram as figuras, é constituida por uma camada
metalica de prata e cobre, de 0.008 mm. depositados electroliticamente. Um
arame de cobre liga esta armadura ao ciraúto.
-161
Construiu
Interessantissimo (do ponto de vista das teorias sobre a natureza da con-
dutabilidade da corrente no electrodio de vidro) é o tipo representado por —
b — em que Thompson teve a idea de colocar um condutor metálico envolvendo
o tubo electrodio, de modo a harver entre ambos uma camada de ar.
Constatou que embora com enorme acréscimo de resistência, 5.000 megohms
os resultados das medidas de pH foram inteiramente satisfatórias.
Diz então, que a condutibilidade seria pela humidade superficial ou por
inclução.
Cita a este respeito os trabalhos de Borelius — F. (36*, 37* e 38), que
publicou numerosas medidas, incluindo nelas os potenciais eloctroliticos das su-
perficies de sidro, parafina, etc., usando uma camara de ar no circuito.
2) Electrodios de imersão — Construidos para serem mergulhados nas
soluções a estudar, são de s-arios tipos:
15
462
Memórias do Inslitulo Butantan — Tomo XIII
(d)
ffSlT'
(e)
nflííT'
L
(f)
Fír. 12
O mais simples, é o de tubo cheio de mercúrio (d), logo a seguir vem o de
tubo revestido de camada metalica intemamente (g).
Os outros dois tipcK (e), (f), constam, o primeiro de um bastão e o segundo
de uma lamina, ambos metálicos e revestidos de uma camada de vidro. Dado
o processo de fabricação, estes dois últimos são os menos eficientes devido talvez
à tempera, pelo resfriamento brusco da camada.
Em geral têm todos uma resistência media de uns 50 megohms e de relativa
constância, como o provam os seguintes dados : electrodios com 43 e 57 megohms
no fim de oito meses passaram a ter 53 e 58 megohms respectivamente.
Circuitos
Passemos agora a dar uma idéa rapida dos circuitos usados para electrodios
de vidro.
Em geral, como os electrodios de vidro têm uma resistência elevada e a
corrente produzida é muito fraca, não se pode usar electrometro capilar ou
I SciELO
16
Armando Taborda — Eleclroclio do vidro
46J
mesmo um galvanometro sensível com os circuitos potenciometricos comuns. Em-
prega-se porisso o electrometro de quadrante — Compton, Lindelman, coma
indicador do ponto zero da corrente do circuito potenciometrico.
Um dos tipos mais simples de conjimto para a determinação da f. e. m.
dum electrodio de vidro, usando electrometro, é o que dá Briton (39), pags.
108 e 109.
O galvanometro balístico também foi us^do por alguns pesquisadores, mas
como é de uso delicado, não se generalizou o seu emprego — Dole (66) c Grin-
nel e Kaplan (67). De qualquer modo, devddo às pequenas quantidades de
corrente em jogo, para os circuitos atrás mencionados, lia necessidade dum per-
feito isolamento contra a humidade superficial e contra as correntes parasitarias,
além de uma perfeita ligação à terra nas partes vitais.
Deante destas dificuldades, tomou vulto o uso das lampadas electrónicas,
triodicas, tetrodicas, etc., nos circuitos potenciometricos e da célula em estudo.
O potendometro serve para equilibrar as correntes emanadas da célula que
atuando na grade e no filamento, modificam o potencial da placa. Com este
sistema, apenas diminutas correntes são retiradas dos electrodios de vidro, o que
evita a polarização das membranas.
Um dos vários drouitos usados para essas medidas com valvulas, é o de
Harrison (34), cujo esquema vetn a seguir, recomendando aos que se interes-
sarem por detalhes, consultar: Britton (39), Kolthoff (80 e 81), Qark (82)
etc.. Entre os que também usaram este sistema, temos: Elder & Wright (40)
Morton (41-42-43-44-45), Elder (33). Partridge (46-47), Partridgc & Bowles
(48), Stadie. — W. C. (49), Stadie, 0'Bricn & I..ang (50). De Eds (51).
Aplicações
Para terminar este pequeno trabalho, onde seria impossível condensar todos
os conhecimentos sobre electrodios de vidro, vamos dar por alto e nos campos
principais, as aplicações dia a dia mais numerosas dessa variedade de electrodio.
17
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464 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
■l'-'
Qmttüca piira c analitica — Desde o emprego que deram Haber & Kle-
mensiwcz para neutralizações, o seu uso vem sendo ampliado, tendo, como já
disse, sido empregado na dosagem potenciometrica diferencial por Macinnes &
Dole. Elder (52), fazendo estudos sobre o pH de soluções de cloreto ferrico,
comparou os resultados com os electrodios de H,Sb. ar e vidro, dizendo que
só o de vidro é que serve para a titulação potendometrica.
Macinnes & Belcher (53) aplicaram com ótimos resultados o electrodio de
vidro na determinação termodinâmica da constante de ionização do acido car-
bônico.
Qumica industrial — Gras-ach & Rumboid (54) aplicaram-no com sucesso
na determinação do pH de latex com amonea.
Voigtman & Rowland (55). aplicaram-no ao control do branqueamento e
outras fases da fabricação do papel.
Quick (57), usou-o para acompanhar o pH das massas de farinha em fer-
mentação, seguindo as aplicações que fizeram Ellis & Kiehl (57), construindo um
electrodio de vidro resistente que permite a sua introdução na massa.
Burton, Matlieson & .Acree (58-59) na determinação do pH de aguas, na-
turais e tratadas, fizeram «uma comparação . dos electrodios de vidro, hidrogênio
e quinhidrona, consignando as reais vantagens do primeiro que permite o seu
emprego em soluções diluidissimas, oxidantes ou redutoras, humosas e turvas,
com uma aproximação de pelo menos de 0, 1 pH.
Burton & Robertshaw (60) fizeram estudos comparativos dos oleos sulfo-
nados para couros, por meio dos electrodios de vidro, quinhidrona. hidrogênio
e métodos colorimetricos. Acharam que o electrodio de hidrogênio da\'a maus
resultados, provavelmente por se envenenar e os outros tres métodos, resultados
comparáveis, porém mais constantes com o electrodio de vddro.
Wallace (61) usou-o também com ótimos resultados para o pH de couros,
o mesmo dizendo Highberger & Thayer (62).
Quimica agrícola — Naftel, Schollemberg & Bradfield (63) após um estudo
comparativo dos electrodios de vidro, hidrogênio e quinhidrona e antimonio em
17 diferentes solos, condenou o de quinhidrona. aconselhando o de vidro para
o serviço de rotina.
Também fizeram outros estudos neste campo Dean & Walker (64), Heintze
C65), etc.
Quimica biológica — E’ o ramo em que tem tido maior incremento o elec-
trodio de vidro, principalmente na determinação do pH do sangue, venoso ou
arterial, completo ou parcial, e uma infinidade de outras aplicações como pH
em tecidos cancerosos, etc..
Dentre os numerosissimos trabalhos, destacamos os de Haugaard & Lunds-
teen (68) e Haugaard (69) que estudaram a aplicabilidade do electrodio de
18
cm
SciELO
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Armando Taborda — Electrodio do vidro
46;1
vidro aos fluidos biologicos, fazendo uma serie de determinações no sangue
venoso e capilar, com electrodio de bulbo iwm pequeno tubo que é ligado à veia
por uma agulha de injeção.
Partridge, Bowles & Goldfeder (70), numa nova modificação de circuitos
radioelectronicos, com duas vahnilas triodicas, fizeram, esp:N:ialmente trabalhos
sobre tumores cancerosos — pH, com electrodios de bulbo.
O mesmo fizeram Thiel & Gemsa (71), usando electrodio com membrana
reentrante de Kerridge, mas com outra montagem, trabalhando numa especie de
bomba ou autoclave em atmosfera de nitrogênio.
Especialmente como tipos de micro-electrodios, podemos citar os de Mac-
Innes & Dole (72) e Taylor & Bimie (73), etc..
Sobre o pH de sangue, ver ainda Bayliss e outros (74), Voegtlin e outros
(75), Sendroy e outros (37), Harris e outros (76), etc., etc..
Sobre cultura de tecido em desenvolvimento ver: Macinnes & Dole (77).
Cultura de bactérias a um pH controlado automaticamente pelo electrodio
de vidro, etc. ver: Longsworth & Macinnes (78) e Whitnah (79), etc., etc..
19
466
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XIII
QUADRO I
Influencia de uma camada isolante sobre o electrodio de vidro
(Experiências de Kahler c De Eds)
Camada isolante -
- Parafina
Electrodio —
Vidro A 81
Resistência — 150
inegs.
Data pH int.
pH ext.
volts medidos
dif. achada dif.
teórica temp.
4-8-30 3.97
7.94
0.364
3.97
10.3
365
0Z30
0.230 19
7.94
10.3
135
4-12-30 3.97
7,94
361
4-12-30 3.97
3.97
363
3.97
3.94
363
0.233
0.233 23
7.94
7,94
130
7.94
7.94-\aCI
069
Electrodio —
\'idro A 83
Camada isolante -
Colodio
4
7.94
0.155
4
4
0.156
Electrodio —
Vidro A 31
Camada isolante —
- .Acido esteárico
3.97
3.97
0.200
• 3.97
7.94
0.200
EIccti xlio —
Vidro A 32
Camada isolante —
- .\cido esteárico
3.97
7,94
0.200
3.97
7.94-\aCI
0.150
1.120
minutos depois, 5
3.97
7,94-XaCI
0.200
minutos depois, 20
Electrodio —
Vidro C 20
Camada isolante -
- Cêra parafina
3.97
7.94
0.406
0.406
3.97
7.94-KaCI
360
3.97
7.94
401
Electrodio —
Vidro 17
Camada isolante —
Colodio
3.97
7.95
0.334
276
3.97
7,96-XaCI
0.059
, Electrodio —
Vidro A 61
Camada isolante —
Parafina
mp KCI add.
Mv.
0.165
— 100
170
— 100
164
100
159
100
155
20
4G8
Memórias lio Instituto Butantan
Tomo XIII
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(Trabalho da S«cção de FiMco-Química Experimental do In>*
tituto Bntantan. Pnbticado «a J* Coofr. Sul-Azner.
Química, R. de Jan.* e S. Paulo, 8 a IS de julho de
1937, Vol. II, pa^. $16 e apresentado como palestra no
Instituto Botantan em Norembro, 1936).
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SciELO
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