MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
I »
1943
TÒMO XVII
*
, à
; - V
Sáo' Paulo, Brasil
Caixa Postal 65
ÍNDICE
Pa*.
Noticiirío II
ARTHÜR NErVA III
ALCIDES PRADO — NoUs Ofiolóficas.
15. Serpentes do *enero Drrophrlaz, com a descricio de nma nora especie 1
18. Um novo caso de bicefalia em serpente • 7
17. A posição do *enero Rhadinaea em sistemática, com a descrição de nma
no\-a espdcie • 11
WOLFGANG BCCHERI Qnilópodos do Perú 19
JOSÊ M. RUIZ — Catadiaciia freitaalenti, sp. n. (Treraatoda: ParamphUtomoidca),
parasito de ofideo neotropico; observação sobre a presença de dois canais
eferentes no genero Catadiscu COHN, 1904 29
JOSÊ M. RUIZ — Neoctancinm trarassoii, gen. n, sp. n. (Trematoda: Paramphlsto*
moldea), parasito de qneionio marinho. Chave dos generos da famiiia
Microacaphidiidae TRAVASSOS. 1922 35
P. de TOLEDO ARTIGAS; JOSÉ M. RUIZ 4 ARISTOTERIS T. LEAO — Algumas
notas sobre o genero Opisthoconimoí LCHE, 1900. Descrição de Opis-
thogonimiu serpentU, sp. n, Trematolde de ofideo 47
JOSÉ R. do VALLE 4 LUIZ A. R. do VALLE — Sobstancias estrogenicas nos ovirios
das Crolalideas 61
JOSÉ R. do VALLE 4 ANANIAS PORTO — Teor em acetUcoiina da genitalia de ratos
em diferentes condicòes hormonais • 65
ANANIAS PORTO — Farmacologia comparada do canal deferente do coelho normal
e castrado 75
ANANIAS PORTO — Sobre a passagem de snbslancbs androgenicas nas parabioses
de ratos castrados com ratos normais ■ 83
LUCIANO DÊCOURT 4 J. I. LOBO — Efeito da progesterona nas amenorreias 99
A. MARCONDES SILVA — Contribuição ao estudo de cxoftalmo 105
J. S. de MACEDO LEME 4 L. NOGUEIRA CARRIJO — Vacinação T. A. B.
1, Formação de aglntininas no homem resultante do emprego de vacina
formolada ■ 111
2. Vacina formolada pela via intradermica 117
J. S. de MACEDO LE3IE 4 L. NOGUEIRA CARRIJO — Nirel medio de aglntininas
tificas em São Paulo. Contribuição para o seu conhecimento........ 121
LUOtS de ASSUifPÇXO 4 JOSÊ CARLOS RIBAS — Incidências de bacterUs do
genero Salraonclla em ratos da Cidade de S. Paulo 127
B. MARIO MOURAO — O papel do eitreptococo no penfigo foliaceo (fogo selvagem)
Estudo clinico-bacteriologico 141
NOTICIÁRIO
Ao ser impresso o presente número das “Memórias”, é a seguinte a re-
lação do pe&soal técnico superior das várias seções do Instituto Butantan;
Diretor:
Fla\to Ouveira Ribeido da Fonseca, Dipl. Mcd. (D. M.), Prof. Parasit.
Esc. Paul. Med.
Assistentes-chefes:
•\u:iDEs Prado, B. Cienc. & L.; Dipl. Med.
CtcEHo DE Moura Neiva, B. Cien. & L.; Dipl. Mcd. Veter.
J0.AQUIM Travassos da Ros.a, B. Cienc. á. L-; Dipl. Med.
José Bernardino .Arantes, Dipl. Farm.; Dipl. Mcil. (D. M.)
Moacyr de F'reitas -\morim, Dipl. Mcd. (D.M.); Livre docente .Anat. Patol.
Fac. Med. S. Paulo; prof. catedrático Anat. Patol. Esc. Paul. Meil.
P.AULo Monteiro de Barros Marrey, Dipl. Me<l.
Plínio Martins Rodrigues, Dipl. Med.
Serastião de Camargo Calaz.ans, Dipl. Mcd.
Assistentes:
.Aristides Vallejo-Freire, Dipl. Med.
.Armando Taborda, B. Cienc. &. L.; Dipl. Quim.
Fernando Paes de Barros, Dipl. Farm.; Dipl. Med. (D.M.)
Janda-ra Planet do Amaral, Dipl. Med. (D.M.)
José Ribeiro do Valle, B. Cienc. &. L.; Dipl. Med. (D.M.); Prof. Farmacol.
Esc. Paul. Med.
Assistente-químico
Antonio de Salles Teixeira, Dipl. Farm.
Assistentes-ansiliares
Ananias Porto, Dipl. Med.
Favorino Prado Junior, Dipl. Med.
Goswin Karmann, Dipl. Quim. Ind.
José loNACio Lobo, B. Cienc. &. L.; Dipl. Med.; Livre docente Clin. Mcd.
Fac, Med. S. Paulo; Prof. Clin. Doenças Tropicais Esc. Paul. Med.
Laura Comette Tabord.a, B. Cien. & L.; Dipl. Quim.
AVolfranq BCcherl, Dipl. Fil. Biol. (D. Fil. Biol)
SciELO
6 17
ARTHUR NEIVA
A perda de Arthur \eira. ocorrida no Rio de Janeiro a 6 de junho de
1943, afetando o proprio cerne da estrutura cientifica nacional, de que ele
representava uma das fibras mais robustas, veio ferir profundamente o Instituto
Butantan, ao qual sc achava vinculado por laços cicntificos, administrativos c
de amizade que perduraram por quasi trinta anos.
Sua biografia, di>-ulgada por autorizados periódicos científicos, não cabe
no espaço destas linhas, cuja finalidade é apenas recordar as estreitas ligações
entretidas por Nciva com esta instituição.
De fato, foi cm Butantan que Nciva, em 1917, levou a cabo, cm colaborarão
com o saudoso cientista desta Casa, Florcncio Gomes, um dos seus mais apre-
ciados trabalhos de entomologia: o estudo experimental completo do caprichoso
ciclo evolutivo do Muscideo causador da miiasc de maior importância pratica
na região Neotropica, a Dermntobia homints Linneo Jr., a mo«ca do “herne”.
Observando meliculosamentc c acompanhando no laboratorio, pela primeira
vez. cada uma das fases da c%'olução deste inseto, foi possivcl estabelecer com
firmeza a veracidade dc observações esparsa», desfazendo as controvérsias rei-
nantes. em trabalho hoje clássico, publicado no vol. II da Colctanea de Tra-
balhos do Instituto Butantan.
Iniciativa de relcvancia foi a da criação do Horto Ostvaldo Cruz, dcslinaclo
a incentivar o estudo c cultivo dc plantas medicinais brasileiras, incorporado
ao Instituto Butantan a 20 de fevereiro ilc 1918. tcnilo como responsável nessa
ocasião o conhecido botânico F. C. Ilõehne c como finalidade primordial o
estudo da* condições <lc cultura das quincira*. como se «lepreende da alocução
inaugural que então pronunciou Neiva. Desde essa epoca já recuada previa
Neiva a necessidade dc emancipar o Brasil, em matéria dc medicamentos anti-
malaricos. da dependencia deprimente que ate hoje penlura c «la qual só agora
nos procuramos corrigir. Quão melhor seria tivesse a sua voz «le técnico e «Ic
patriota encontrado então o merecido éco...
Crianilo. em 1919, o depois desaparecido Instituto </e Merlicam^ntos Ofi-
ciais, dotou Neiva o Butantan de um mecanismo complementar do Horto
Oswahlo Cruz, r.o qual seriam prepara«los, como o foram durante alguns an<Ks.
principio* medicamentosos de reconhecida eficacia, destinados a facilitar ao
SciELO
Serviço Sanitario elementos de combate as principais endemias do interior^
obra cm que ainda uma vez demonstrou a necessidade, que sempre proclamara,
de conjugar atividades da técnica com as da administração.
Não menor foi a influencia de Arthur Neiva no Butantan durante o
período em que, estando acéfalo o Instituto, assumiu a sua direção na qua-
lidade de Diretor do Serviço Sanitario do Estado. Do interesse então demons-
trado pelo curso dos trabalhos do Instituto, guarda o Butantan nos seus Arqui-
vos atestados numerosos, dos quais salientaremos apenas o cuidadoso exame
procedido nos Boletins notificadores. de acidentes por ofidismo, então rece-
bidos, todos por cie rísados. e o prestigio de que cercou os trabalhos aqui
realizados por Francisco Iglesias sobre o ofiofagismo dos camivoros do genero
Conepatus.
\o prestar-lhe homenagem em sua publicação oficial, rende o Butantan
à sua memória o preito de um saudoso agradecimento pela dedicada atenção
que lhe foi dispensada c pelo esforço exercido cm prol do maior engrande-
cimento desta instituição.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
5S8.121
NOTAS OFIOLÓGICAS
15. Serpentes do gênero Dryophylax, com a redescrição de uma
nova espécie.
POR
.\LCIDES PRADO
Elm princípios do ano proximo passado, uma serpente recem-recebida de Gá-
lia, no Estado de S. Paulo, pela sua fisionomia e colorido, atraira a atenção do
técnico dêste Instituto, sr. Tertuliano Beu. Trata\'a-sc de um exemplar adulto,
que chegara perfeitamente vi%*o ao seu destino. Um mês depois, outro exemplar,
jovem, proveniente de uma localidade próxima daquela, dera entrada nas mesmas
condições. Êste último, alem de conservar todas as características próprias ao
primeiro, como êste, ostentava sôbre a 7.* infralabial, de cada lado, u’a mancha
vermelha, rutilante, carater que posteriormente foi observado em outros que,
pro\*indos deste Estado, achavam-se há muito incluídos na coleção do Instituto
Butantan, embora essa mancha, por vezes, recaísse sôbre a 6.*.
Xão tive dúvida em colocar o primeiro exemplar examinado, o qual escolhi
para tipo, no gênero Dryophylax Wacler, 1830, baseado no exame do crânio e
no de outros caracteres genéricos. Êste gênero, resumidamente, assim se enun-
da: cabeça coniforme, bastante alongada, pouco distinta do pescoço; angulosidades
latero-ventrais aparentes; cauda geralmente longa, afilada e delgada; olhos mode-
rados, com pupila redonda ; subcaudms muito regxilares.
É esta a razão pela qual Boulenger, em 1896, colocou as espédes strigilis e
palltdus, outrora nailereri e puntactissimus, no gênero Thamnodynastcs Wagler,
1830, deddo à existênda, ao contrario do que se verifica com a espécie cm estudo,
de caracteres genéricos como êstes: olho grande, com pupila elíptico-vertical, e
escamas lisas ou carinadas. com fossetas apicilares.
1
*
2 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Contudo, o gênero Dryophylax, que necessita ser revisto, acha-se ainda, em
parte, fundido ao gênero Philodryas Wagler, 1930, tal como o compreenderam
Dumêril & Bibron, em 1854.
Dryophylax rutiJus Prado
9 — Corpo cilindrico. Cabeça pouco distinta do pescoço. Dentes maxila-
res 18/19, mais ou menos iguais, separados dos dois últimos, sulcados e pouca
desens-ohndos, por um curto inters^alo. Olho moderado, com pupila redonda.
Rostral pouco mais larga do que alta, apenas sisivel de dma; intemasais
quasi tão largas quanto longas, mais curtas do que as prefrontais; estas últimas
também quasi tão largas quanto longas ; frontal cerca de 2 veaes tão longa quanto
larga, quasi tão longa quanto sua distancia da extremidade do focinho, pouco mais
curta do que as parietais; loreal pouco mais longa do que alta; 1 pre- e 2 pos-
toculares ; temporais 2+3 ; 8/9 supralabiais, com 5/6 e 4/5, respcctis-amente, cm
contacto com o olho; 5/6 infralabiais em contacto com a mental anterior, que ê
pouco mais longa e mais larga do que a posterior. Escamas lisas, sem fossetas
apicilares, em 19. Ventrais 127; anal dividida; subcaudais 64/64.
Cinza olivácea em cima, com numerosas manchas negras sõbre o dorso e
cauda, as quais têm o aspecto de pingos de tinta, e com as escamas laterais pon-
tilhadas de negro, nos bordos ; cabeça de côr geral ; lábios branco-amarelados, com
raras estrias negras nos bordos das labiais, e com um traço negro, lateral, do fo-
cinho adiante até pouco alem da comissura dos lábios atrás, através do olho, e,
ainda com u’a mancha vermelha, orlada de negro externamente, sôbre a parte
posterior da 7.* infralabial, de cada lado; partes inferiores amareladas, com uma
barra negra sõbre cada margem das ventrais, que, em seu conjunto, forma uma
listra longitudinal, de cada lado, e com finas granulações esparsas.
. Comprimento total 565 mm; cauda 139 mm.
Holotipo, adulto 9, sob o No. 10337, na coleção do Instituto Butantan,
S. Paulo, Brasil.
Procedência: Gália, Estado de S. Paulo, com data de recebimento: 8-IV-1942.
Próxima a D. strigilis (Thünberg), que corre no centro e sul da país. da
qual se diferencia pelas escamas dorsais, que são em 19-19-17, ventrais 127, ao
invés de 19-19-15 e 137 ou mais, respectivamente, alem de que as escamas desta
última podem ser lisas ou carinadas e portadoras de fossetas apicilares, ao contrá-
rio de D. rutilus Prado, em que as mesmas são lisas e destituidas de fossetas.
Quanto ao colorido, êle difere em D. strigilis, cujas manchas negras sõbre o dorso,_
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
cm
Alcides Pr.vdo — Notas Oíioiógicas. 15.
3
por conflucnda, podem formar listras longitudinais, e, ainda, pela falta da mancha
rubra sobre a 7.^ infralabial de cada lado.
Paratipos: 1, jovem 9, sob o No. 10338, na coleto do Instituto
Butantan, procedente de Brasilia, no Estado de S. Paulo, com data de rece-
bimento: ll-v-1942.
E. 19; V. 124; A. 1/1; Subc. 60/60.
Comprimento total 320 mm; cauda 78 mm;
2, adulto 9 , sob o No. 1323, na coleção do Instituto Butantan, procedente
de Rebouças, no Estado de S. Paulo, com data de recebimento: agosto de 1917:
E. 19; V. 125; A. 1/1 ; Subc. 60/60.
Comprimento total 472 mm; cauda 124 mm;
3, adulto 9 , sob No. 1339, na coleção do Instituto Butantan, procedente de
Americana, no Estado de S. Paulo, com data de recebimento: outubro de 1917:
E. 19; V. 128; A. 1/1 ; Subc. 56/56.
Comprimento total 468 mm; cauda 113 mm;
4, adulto 9, sob o No. 1377, na coleção do Instituto Butantan, procedente
■de Piramboia, no Estado de S. Paulo, com data de recebimento: setembro de 1917:
E. 19; V. 125; A. 1/1; Subc. 56/56.
Comprimento total 466 mm ; cauda 1 13 mm.
RESUMO
Neste trabalho, alem dos comentários sôbre a posição em sistemática do gê-
nero Dryophylas, trata-se da redescrição de uma nora espécie, Dryophylax ruli-
lus Prado, a qual se baseia num exemplar procedente de Gália, no Estado de
S. Paulo. Todos os paratipos estudados foram capturados neste Estado. A es-
pécie em questão mostra-se afim de D. strígilis (Thunberc). Entretanto, em
vista das considerações expendidas, pensa-se que slrigilis e pallidus, ambas co-
locadas no género Dryophylax, devem caber no género Thamnodynastes, a pri-
meira da parte central e meridional e a segunda da parte setentrional do Brasil.
ABSTRACT
This paper, besides discussing the systematic position of the genus Dryophy-
lax. deals wth the redescription of a new spedes, Dryophylax rulilus Prado,
based on a specimen provenient from Gália, State of S. Paulo. All the paratypcs
3
SciELO
598.121:591.15»
NOTAS OFIOLÓGICAS
16. Um novo caso de bicefalia em serpente
POR
ALCIDES PRADO
As malformações observadas nos ofídios não são muito frequentes, embora
assinaladas desde tempos remotos. Rédi, Aldrosandi, e mesmo antes dêles, Aris-
tóteles, falavam já em serpentes de duas cabeças. Era na região cefálica que essas
anomalias se verificavam mais comumente: descreviam-se, então, ofídios que,
exibindo um só corpo, possuíam duas cabeças sustentadas por um simples colo.
Tais casos eram e são denominados ainda hoje por atlodidimos.
Rédi, em 1684, examinou uma serpente bicéfala, que lhe chegou ás mãos per-
feitamente vi\’a, em que cada cabeça era mantida por um pescoço distinto. Neste
caso, a espinha mostrava-se dupla pelo menos em curta extensão. Esta forma
por ele estudada era venenosa e foi capturada numa das margens do Amo, em
Piza, na Italia. Êsse mesmo autor teve ocasião de relatar o caso de uma outra
serpente portadora de duas caudas.
Dumeril & Bibron, tratando do assunto, dizem que ovos de ofídios existem
que encerram, sob uma mesma casca, dois germes ou indivíduos vivificados. Da
soldamento e do desenvolvimento posterior desses embriões, que são sempre ele-
mentos mais ou menos formados, resultam o aparecimento de monstruosidades,
por excesso de partes geradoras.
Fischer, cm 1868, e Johnson, em 1901, ocuparam-se pormenorizadamente da
questão. O primeiro tentou uma classificação para casos desta natureza, con-
soante a séde das diversas aberrações, enquanto que o s^undo fez uma resenha
das anomalias até então verificadas nos ofídios.
Anadidimos, catadidimos e anacatadidimos são termos que. em teratologia,
servem para designar essas monstruosidades, e relativas à duplicidade anterior,,
posterior ou de ambas extremidades do corpo, tanto nos ofídios, como nos de-
mais vertebrados.
»
8 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Amaral, em 1927, publicou 9 casos de bifurcação axial da cabeça, em serpen-
tes provenientes da coleção do Instituto Butantan e dos museus norte-americanos.
Daniel, em 1941, relatou outro caso de bicefalia em serpente, ocorrido na
Colombia, num exemplar jovem de Bothrops atrox (L.) ou “Mapaná equis”, no-
me vulgar deste ofidio naquele pais, o qual media 325 mm de comprimento. Êste
espéame, que foi capturado vivo, alimentou-se, diz o autor, provavelmente sem
contratempos, a julgar pelo seu desenvolvimento. O ponto de imião das duas ca-
beças fazia-se nos bordos das maxilas, de modo que os pescoços respectivos não
se mostravam visiveis.
Em outubro de 1942, chegou a Butantan, procedente de Pedro Leopoldo, Es-
tado de Minas Gerais, um espécime semelhante a êsse último. A observação do
mesmo é a seguinte : trata-se de um exemplar jovem, 9 , conservado em álcool,
•da espécie Leimadophis poecilogyrus (Wied) ou vulgarmente “Cobra de capim”,
o qual foi depositado na coleção dêste Instituto, sob o No. 10370. Apresenta êle
os seguintes caracteres especificos: escamas em 19, ao nivel do terço anterior com
o terço medio do corpo, todas lisas e com uma fosseta apicilar; ventrais 157; anal
dividida; subcaudais 57, pares. Cada tuna das cabeças, as quais são muito idên-
ticas, assim se apresenta ; 8 supralabiais, com a 4.* e 5.* em contacto com a órbita ;
4 infralabiais em contacto com a mental anterior, que é tão longa quanto a pos-
terior; l-f-2 temporais, com exceção para a cabeça direita, lado externo, onde
entre as posteriores surge uma ázigo. Sua côr geral é, em linhas gerais: dnza-
olitácea em dma, com exceção de ambas as cabeças, que se mostram quasi inteira-
mente negras; manclias transversais irregulares dessa côr estampam-sc sobre o
dorso; ventre esbranquiçado, onde sobresaem pequenos traços negros marginais.
Comprimento total 182 mm; cauda 31 mm.
Nesta forma dicéfala, a pele das duas cabeças se une pouco abaixo das co-
missuras labbis respectiv-as. Embora a junção das duas cabeças se faça nessa
altura, divisam-se dois pescoços nitidos, porem curtos, um para cada cabeça. As
gubres de um e outro lado se juxtapõem. As ventrais mostram-se duplas no
terço anterior do corpo. Pelo seu tamanho, parece ter este exemplar vivido du-
rante certo período de tempo.
Este trabalho, cm nota prévia, foi publicado pela "Cienda” do México.
RESUMO
Regista-se mais um caso de bicefalia em serpente, verificado numa forma
jovem de Leitnadophis poecilogyrus (Wied) ou “Cobra de capim”, procedente
de Pedro Leopoldo, no Estado de Minas Gerais, com data de captura: outubro
de 1942.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Alcides Pr.\do — Noias Ofiológicas. 16.
9
ABSTR.ACT
Another bicephalic snake is recorded, representcíl by a young form of Lei-
madophis poecUogyrus (Wied) or “Cobra de capim”, provenient from Pedro
I.eopoldo, State of Minas Gerais, with date of capture: octolier, 1942.
BTBLIOGR.\FIA
Amaral, A. do — Rev. Museu Paulista 15:95.1927.
Daniel, H. — Rev. Fac. Xac. Agric. (Colombia) 3(12) ; 1182.1941.
Duméril, A. & Bibron, G. — Erpet. Gén. 6:209.1854.
I-ucher, G. — Diploteratology, .Albany, 1868.
Johnson, R. — Trans, Wisc. Acad. Sc. .Art and L. ;S2J.1901.
(Tr»b«Ibo dt Sec^io ót OfiolofU e Zoolofia MMica do
titoto BoUotan. Eatrcfue para puUicK^o rm S'4-1943
e dado á poUictdade rm drtrmLro dr 1943).
SciELO
Alcides Pr.\do — Xotas Ofiológicas. 16
Vol. XVII — 1943
A r *r*A ««ipmtr. ctim a fiarte crfilica ampliada, oodr ae
f-^*rtTam at daat cabcca».
SciELO
11 12 13 14
6 17
S98.I21
NOTAS OFIOLÓGICAS
17. A posição do gênero Rhadinaea em sistemática, com a des-
crição de uma nova espécie.
POR
ALCIDES PRADO
No intuito de esclarecer dmndas porventura existentes no estudo das espé-
dcs de Rhadinaea e gêneros afins, me propuz examinar um bom número de ser-
pentes deste importante grupo. Posso, de inído, dizer que os gêneros Liophis,
Dromicus, Lygophis e Rhadinaea devem ser mantidos, a despeito das controvér-
sias. Cada um dêles apresenta caracteres que lhes são proprios, dentro de uma
área de dispersão bem delimitada. Nem contra a Id de prioridade inddem ; desta
forma, cstabelece-sc, com algumas modificações, o "statu-quo” desde Boulenger,
cm seu Catalogue of Snakes of the British Museum 2.1894. Os caracteres cra-
nianos, que in\’ariavelmente pesquisa, le\-aram-me à convicção do parentesco exis-
tente entre as espedes representativas dêsses quatro gêneros do tipo diacrante-
nano, o que equivale a dizer: serpentes áglifas, onde os dentes posteriores, mais
desenvolvidos, são separados dos demais por um intervalo curto ou longo.
Limito-me, por hoje, a estudar duas espédes de Rhadinaea, das mais repre-
sentativas e, entre si, afins, Rhadinaea affinis (GOnther) e Rhadinaea poecilo-
pogon Cope, além de outra, muito próxima dessas mesmas, que descrevi como
nova, e que denominei Rhadinaea bcui, sp. n., oriunda da área de distribuição em
que as duas primaras ocorrem, e que vai do caitro ao sul do pais.
O gênero Rhadinaea foi descrito por Cope em 1863, íit Proc. Acad. Nat. Sc.
Philadelphia, pg. 101, tendo por tipo Rhadimea vermUulaliceps (Cope). Êste
gênero perfeitamente diferençavel de Lygophis e Dromicus, é, entretanto, apenas
1
SciELO
*
12
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
separavel de Lygophis, por suas afinidades dentárias muito estreitas, e ausência
em ambos, de fossetas apicilares das escamas.
Rhadinaea affinis (Günther)
in Cat 0)1. Sn.: 128.1858 (,pro farte).
Dentes maxilares em número de 16, aumentados gradati\'amente de tamanho
de diante para trás, separados dos dois últimos, pouco desenvolvidos, por um curto
intervalo; dentes mandibulares subiguais (Crânio Xo. 10181).
Cabeça propordonalmente alongada, não muito distinta do pescoço, com fo-
cinho arredondado; olho pequeno, com pupila redonda. Corpo cilíndrico; esca-
mas lisas, sem fossetas apicilares. Caula moderada ou longa, com ponta afi-
lada.
Rostral mais larga do que alta, pouco visivel de dma ; intemasais mais largas
do que longas, mais curtas do que as prefrontais ; prefrontais também mais largas
do que longas; frontal IJ^ tão longa quanto larga, mais longa do que sua distân-
da da extremidade do fodnho, mais curta do que as parietais; estas últimas tão
longas quanto sua distância das intemasais; loreal pouco mais alta do que longa;
1 pre- e 2 postoculares ; l-|-2 temporais, com a 2.* posterior muito longa; 7 su-
pralabiais, 3.“ e 4.* junto ao olho; 4 infralabiais em contacto com a mental ante-
rior, que é mais curta do que a posterior. Escamas em 17. Ventrais 156 a 181 ;
anal dividida; subcaudais 47 a 74, pares.
Cauda, aproximadamente, entre um terço a tun quinto do comprimento to-
tal. Cinza-pardo em dma, com uma linha vertebral negra, constituída por ponti-
lhados finos dessa côr, muito nitidos, e duas outras longitudinais, semelhantes a
essa primeira, laterais, isto é, uma para cada lado; cabeça enegrecida, com uma
faixa lateral negra, através dos olhos, a qual incide sôbre outra, transversal e muito
larga, nucal; u’a mancha dara, triangular, atrás dos olhos; outra minuscula, re-
donda, também clara, sôbre cada uma das parietais; partes inferiores branco-ama-
reladas, com exceção dos lábios, porções mentais, guiares e do pescoço, que são
marmoradas de negro; um pontilhado negro, raramente dois, sôbre cada uma das
extremidades das ventrais. As formas jovens exibem colorido idêntico.
Hemipenis pequeno, capitato, não dividido, com cálices numerosos e
pouco profundos no ápice; sulco bifido; espinhos distribuídos no sentido longitu-
dinal, em 4 fileiras semi-cur^'as, de cada lado, e aumentados gradativamente de ta-
manho do ápice à base, com um postero-basilar e.xtemo muito desenvolvido
(Elxemplar Xo. 10181).
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
cm
Alcides Prado — Notas Ofiológicas. 17.
13
Rhadinaea poecüopogon Cope
ín Proc. Acad. XaL Sc. Philadelphia :101.1863.
Dentes maxilares em número de 22, aumentados gradatÍA’amente de tamanho
de diante para trás, separados dos dois últimos, pouco desenvolvidos, por um
curto intersalo; dentes mandibulares mais ou menos iguais (Crânio No. 6974).
Cabeça propordonalniente alongada, pouco distinta do pescoço, com focinho
arredondado; olho moderado, com pupila redonda. Corpo cilíndrico; escamas li-
sas, sem fossetas apidliares. Cauda longa, com ponta afilada.
Rostral mais larga do que alta, apenas visivd de dma ; intemasais pouco mais
largas do que longas, mais curtas do que as prefrontais ; prefrontais também mais
largas do que longas; frontal cerca de 1 1/3 tão longa quanto larga, mais longa
do que sua distância da extremidade do fodnho, porém mais curta do que as pa-
rietais; estas últimas tão longas quanto sua distância das intemasais; loreal tão
longa quanto alta; 1 pre- e 2 postoculares ; l-f-2 temporais, com a 2.* posterior
mais longa ; 7 supralabiais, 3.* e 4.* junto ao olho ; 4 infralabiais em contacto com
a mental anterior, que é mais curta do que a posterior. Escamas em 17. Ven-
Irais 141 a 156; anal dividida; subcaudais 71 a 91 pares.
Cauda aproximadamente um terço do comprimento total. Pardo-olivácea em
cima, com 4 linhas longitudinais negras: as duas primeiras, constituídas por pon-
tilhados finos, medianas e equidistantes da linha vertebral ; as duas outras, sob a
forma de traço contínuo, laterais, isto é, uma para cada lado; cabeça enegrecida,
com uma estria lateral clara, que parte do focinho e termina ao nivel da 2.“ tem-
poral posterior; partes inferiores branco-amareladas, com exceção das porções la-
biais, mentais c guiares, que se mostram pintalgadas de negro; um pontilhado ne-
gro sobre cada uma das extremidades das ventrais. .As formas jovens não dife-
rem em colorido.
Hemipenis mais ou menos idêntico ao de Rhadinaea affinis. Como diferença,
apresenta, apenas, 3 fileiras de espinhos, ao invés de 4, e espinho postero-basilar
externo mais desenvolvido (Exemplar No. 10Í31).
Rhadinaea beui, sp. n.
Cabeça alongada, pouco distinta do pescoço, com focinho arredondado; olho
moderado, com pupila redonda. Corpo cilíndrico ; escamas lisas, sem fossetas api-
dliares. Cauda longa e afilada na ponta.
Rostral mais larga do que alta, apenas visível de cima; intemasais curtas,
pouco mais largas do que longas, mais curtas do que as prefrontais; prefrontais
mais largas do que longas; frontal uma vez e meia tão longa quanto larga, mais
3
SciELO
14
- Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
longa do que sua distância da extremidade do focinho, mais curta do que as pa-
I ietais ; parietais tão longas quanto sua distância das intemasais ; loreal tão '
longa quanto alta; 1 pre- e 2 postoculares ; 1+2 temporais; 7 supralabiais, 3.* e
4. ^ junto ao olho; 3/4 infralabiais em contacto com a mental anterior, que é
mais curta do que a posterior. Escamas em 17-17-17. Ventrais 126; anal divi-
dida; subcaudais 51, pares.
Pardo-cinza em dma, com 2 linhas longitudinais negras, laterais, uma para
cada lado; cabeça da côr geral, com 2 manchas nucais claras, e um traço negro
lateral, do olho atrás à comissura labial ; partes inferiores branco-amareladas, com
exceção das porções labiais, mental, guiar e do pescoço, que são salpicadas de ne-
gro, e com um pontilhado da mesma còr sôbre cada uma das extremidades das
ventrais.
Comprimento total 330 mm; cauda 90 mm.
Holotipo, adulto 5, sob o No. 4730, na coleção do Instituto Butantan,
5. Paulo, Brasil.
Procedenda: Curitiba, Est. do Paraná, com data de recebimento: 12-xn-1928.
Paratipo, adulto S , sob o No. 8519, na mesma coleção, procedente de Hansa.
Est. de Santa Catarina, com data de recebimento: 9-V-1934..
E. 17; V. 126; A. 1/1; Subc. 55/55.
Compr. total 368 mm; cauda 94 mm.
Próxima a Rhadinaea poecUopogon, da qual se distingue pdo número menor
de ventrais c subcaudais (126 e 51/51 a 55/55, ao invés de 141 a 156 e 71/71
a 91/91, respectivamente), e pelo colorido geral, que é diferente de Rh. pocrilo-
pogon.
O nome desta espede c dado em homenagem ao sr. Tertuliano Beu, técnico
de laboratório, que exerce funções na Secção de Ofiologia, e que há mais de trinta
anos trabalha neste Instituto.
RESUMO
Dos comentários expendidos, depreende-se que o gênero Rhadinaea Cope,
1863, deva permanecer ao lado de outros, de igual parentesco, como sejam : Lio-
phis, Dromicus e Lygophis. Para inidar-sc um estudo de revisão do dtado gê-
nero, redescrevem-se aqui Rhadinaea affinis e Rhadinaea poecUopogon, mediante
» exame de todos os exemplares existentes na coleção dêste Instituto. A seguir,
descreve-se, como nova, Rhadinea beui, sp. n., oriunda do sul do pais, área em
que também ocorrem as duas primeiras.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Alcides Prado — Notas Ofiológicas. 17,
15
Rhadinaea affinis (Günthee)
Cspéci-
.xaes
Kot,
Ptocedencú
e
M
S.
yj
E.
V.
A.
Subc
LabUii
Ocula-
res
Compr. em mm.
e
5’
Ji
*£*
u
*
o
Total
Caud a
M30
lUqaaqoccetciba, S. Paulo . .
9
17-17-17
ító
11
o7,67
7
4
1
n
625
145
77S4
Serra Negra, S. Paulo ....
9
17-17- 17
177
1.1
6363
7
4
1
2
731
159
S369
Caxias, R. G. do Sul
9
17-17-17
178
1/1
7272
7
4
1
2
550
115
«B79
Mafra, Saota Catarina
9
17-17-17
ISt
1.1
64 64
7
4
1
2
707
112
SM8
Mafr., SaSU CaUiiiu
17-17-17
171
1/1
7171
7
4
1
2
571
138
Caxias, H. G. do Sol
9
17-17-17
180
1/1
59,59
7
4
I
2
500
101
«90
Itaquaqueeetuba, S. Paulo . .
d“
17-17-17
165
1/1
6363
7
4
1
2
432
103
1244
NoTa Sardenha, S. Paulo . •
tf
17-17-17
170
11
6666
7
4
1
2
585
135
96S4
Caxias, R. G. do Sol
tf
17-17-17
169
M
67,67
7
4
1
2
534
123
(C3I
Jagojktt, (Cap.) S. Paulo . . .
c
17-17-17
162
11
7171
7
4
1
2
430
IIO
«cn
Caxias, K. G. do Sul
tf
17-17-17
171
11
7Z72
7
4
1
2
548
135
4827
JaguaraiTa, ParanA
0
17-17-17
174
11
70/70
7
4
1
2
564
126
9018
P. de Caldas, Minas
9
17-17-17
178
11
7Z72
7
4
0
2
502
131
8374
Trés Banas, S. Catarina. . • •
tf
17-17-17
172
11
70 70
7
4
1
2
568
138
189
Panlojo, S. Pauto
9
17-17-17
174
11
64/64
7
4
1
2
725
165
8834
Caxias, R. G. do Sol
9
17-17-17
173
1/1
57,57
7
4
1
2
474
96
7542
Poá, S. Paulo
tf
17-17-17
161
11
74/74
7
4
1
2
471
124
1231
Pacao, Minas. «
tf
17-17-17
164
11
71,71
7
4
1
2
506
134
4517
Alto da Serra, S. Paulo ....
9
17-17-17
174
1/1
67/67
7
4
1
2
52S
125
8578
Tijuca, D. Federal
tf
17-17-17
156
1/1
67/67
7“
4
1
2
349
104
6343
Floriaoo, Rio.
tf
17-17- 17
158
11
7372
7
4
1
2
380
107
10009
Barbosa Gooçalves K. G. do Sol
9
17-11-17
181
1/1
47 47
7
4
1
2
544
92
100S6
Curitiba, Paraná
0*
17-17-17
176
11
71/71
7
4
1
2
620
114
10181
Rio Grande, S. Paulo
tf
17-17-17
165
11
71/71
7
4
1
2
538
132
10205
Rib. Pires, S. Paulo
tf
17-17-17
166
11
66/66
7
4
1
2
456
110
10243
Alfredo Chares, R. G. do Sol .
tf
17-17-17
173
11
6565
7
4
1
2
518
120
Rhadíttaca poecüopogon Cope
'Eapeei-
mes
Nos.
Proccd«aci.
o
M
V
•J)
E.
V.
A.
Sobe
Labiais
Ocu ta-
lares
Compr.
em mm.
m
V)
4
É
m
TT
r
Tolal
Cauda
1364
Poá, Slo Paulo .....
9
17-17-17
147
I 1
91/91
7
4
1
2
180
6974
Campo Grude, Slo P.olo . .
9
17-17-17
156
11
88 «8
7
4
1
2
450
143
6990
Curitiba. Parauá
tf
17-17-17
141
11
81/81
7
4
1
2
440
140
7156
Guaranesia, Minas
tf
17-17-17
153
11
75/75
7
4
1
2
360
107
7001
S. Joio. Sio Paulo . .
tf
17-17-17
ISO
Ui
85/86
7
4
1
3
400
126
454
7 SI. P.nio . . .
9
17-17- 17
144
11
78/78
7
4
1
2
351
111
4740
Curitiba, Paraná.
9
17-17-17
141
11
79/70
7
4
1
2
239
72
1236
Juatri, Slo Paulo
cf
17-17-17
147
11
83/82
7
4
1
2
435
138
914
Rib. Pires, Slo Paulo
9
17-17-17
144
11
84/84
7
4
1
3
372
119
7on
C. Grande, Slo Paulo
9
17-17- 17
150
1/1
77/77
7
4
1
2
44S
135
4545
Curitiba, Paraná
tf
17-17- 17
144
t/l
76/76
7
4
1
2
496
136
4732
Curitiba. Parauá
9
17-17- 17
149
1/1
7171
7
4
1
2
434
116
190
? Slo Pauto
tf
17-17-17
ISO
l/t
80/80
7
4
1
2
386
119
10431
Piraputao/ta, M. Grouo ....
tf
17-17-17
148
l/t
90/90
7
4
1
2
408
134
10334
Hansa, Sta. Catarina
tf
17-17-17
143
1/1
74/74
7
4
1
2
366
113
SciELO
16
Memórias do Instituto Butantan — Tomo X\TI
ABSTRACT
From the referred data, it can be concluded that the geirjs Rhadinaea Cope,
1863 , should continue side by side with others, with the same relationship, such
as: Liophis, Dromicus and Lygophls. To begin -w-ith a study conceming the re-
vision of the genus referred to, Rhadinaea affinis and Rhadinaea poecilopogon are
redescribed here through an examination of all the spedmcns contained in the
collection of this Institute. Moreover, Rhadinaea beui, n. sp., is described, pro-
venient from the South of the countiy, where the other two species occur also.
(Traballio da Secçio de Ofiotofia e Zootofia Médica do Ina*
titoto Botastan. Entrege para poblicaçio em 27*S*194)>
e dado i poblicidade em dezembro de 1943).
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Mcm. Ifut. Butantan
Alcides Pa\DO — Sotas Ofiológicas. íl
J^hú4inat9 hcni. «p. n. (face dcml).
Rkãiinãf bfmi. *p. n. (face Tenlral).
Vd. XVII — 1943
cm
2 3 4
5 6 7
11 12 13 14 15 16 17
595.627
QUILÓPODOS DO PERÚ
POR
WOLFGANG BÜCHERL
Em julho do ano passado recebemos, por imermedio de J. Sucoup, uma pe-
quena coleqão de Chilopoda, constituída de 43 exemplares, distribuídos para seis-
gêneros, coleção esta que, por pequena que seja, é, contudo, uma valiosa contri-
buição para a elucidação da distribuição geográfica, neotrópica, destes artrópodos,
duplamentc %-aliosa ainda pelo fato de ser a primeira vez que se capturam tantos
Quilópodos no Perú, até agora quasi inexplorado neste sentido. Agradecendo ao-
ilustre colega, J. Sucoup, pela captura e remessa do citado material, passamos a
descrevê-lo :
1. Cenus: Scolopendra L., 1758
Scolopendra morsiians L., 1758 — 1 fêmea adulta, com 20 artículos antenais,.
colorido uniformemente escuro, com 5-j-5 dentes no coxostemum forcipular, com
sulcos epistemais muito leves e abreviados nos estemitos posteriores, sem esporão
tarsal no 20.° par de patas, com apêndice coxopleural terminando em 5 pontas
e com espinhos no prefemur do último par de patas distribuídos não em tres se-
ries longitudinais, mas com bastante irregularidade.
Scolopendra viridicomis viridicomis Newp., 1844 (non Bücherl) — 2
exemplares, machos, sendo um adulto e o outro jovem.
Procedenda: La Merced, 700 m adma do nivel do mar.
Scolopendra viridicomis nir/ra BücnERL, 1939 — 1 fêmea adulta. Quando-
em 1939, 40 e 41 estudavamos os exemplares de S. viridicomis da coleção do Ins-
tituto Butantan, pxnsámos que os caracteres morfológicos justificavam que
fosse considerada como uma nova subesp)ede. Em 1941, pxjrcm, tendo recebido-
mais material, descrevemos niffra ap>enas como varictas. Agora, finalmente,
vendo que as duas formas ocorrem também nitidamente distintas no Perú, cre-
1
-20
Memórias do Instituto Butantan — Tomo X\1I
mos firmemente que se deve tratar de duas subespedes : 5". viridicomis viridicornts
Newp. e S. viridicomis nigra BCxherl (vide Mem. Inst. Butantan 15:282-
283.1941).
Scolopendra arihrorhabdoides Rib., 1914 — 1 exemplar adulto.
Scolopendra atyna/a amancalis subsp. nov.
Ojmprimento da cabe^ até ao último tcTRÍto: 38mm;
Comprímento das antenas: 12mm;
Gxnprímento das últimas patas: 13mm;
(pref. 37; fem. 37: tib. 27 ; 1.® tarso: 27 - 2.* tarso: .... Imm;
Comprimento da placa cefálica: 3,-tmm;
Largura da placa cefálica: 3,-tmm;
Média da largura dos tergitos: 3-37mm
Dorso liso, sem brilho; amarelo uniforme, um tanto sujo; placa cefálica e
■último tergito amarelo vermelhos; estemitos amarelo claro; patas amarelo doi-
rado. Placa cefálica lisa, com pontuações muito esparsas (Vide Fig. 1), quasi
imperceptíveis; com 2 sulcos longitudinais muito leves, divergentes, apagados
atrás, perto da borda posterior, estendendo-se apenas até a metade da placa
<Fig. 1).
Antenas com 17 artículos; os dois basais desprovidos totalmente de pêlos; os
<lois seguintes sem pelos no lado dorsal e numa estreita área ventral, pilosos la-
teralmente. Nos artículos seguintes pêlos muito densos, mas extremamente pe-
quenos. Area, ao longo do "nodum” de cada articulação, amarelo claras e des-
providas de pêlos.
Placas dentárias (Vide Fig. 2) com um dente lateral, isolado e um bloco
dentário, mediano, formado pela fusão de tres dentes. Atrás dos dentes, em cada
placa, uma cavidade sub-redonda, com uma cerda forte no centro.
Sulcos basais das placas dentárias formando um ângulo de 100° mais ou me-
nos; os mesmos sulcos continuam um tanto, em linha reta, no coxostemum for-
cipular (Fig. 2). Êste último com um sulco transversal nitido (Fig. 2), um tanto
irregular, a estender-se atê os telopditcs, de cada lado. Sem sulcos laterais, alêm
do curto prolongamento dos sulcos basais das placas dentárias. Pontuação do co-
xostemum muito pronunciada, porém em número restrito,
Tergitos com pontuação muito leve, diminuindo cm número nas placas pos-
■teriores. Pontuação dos últimos tergitos quasi ausente.
Fossa anular do primeiro tergito (Fig. 1) muito profunda. Êste já com dois
sulcos longitudinais, muito superficiais c convergentes na frente, indo atê perto
da fossa. Segundo tergito extremamente curto, com dois sulcos longitudinais
muito superficiais, quasi imperceptíveis. Terceiro ao vigésimo tergito com dois
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Wolfo\ng BCcherl — Quilópodos do Pcrú
21
sulcos longitudinais imperceptiveis, indo da borda anterior até a posterior. Ca-
renas laterais desde o quinto tergito, i. é, neste tergito começa a formação das ca-
renas na metade anterior da placa, sendo que, nos tergitos seguintes, estas care-
nas se estendem sempre mais para trás, atingindo a borda posterior só nos vigé-
simo e vigésimo primeiro tergitos. O último sem fossa longitudinal mediana; a
área mediana ligeiramente ele>'ada, seguindo-se uma depressão central perto da
borda posterior, protraída.
Estemitos com dois sulcos longitudinais muito mais nítidos do que os dos
tergitos; completos já desde o segtmdo estemito e indo até ao vigésimo; mais
profundos na frente de cada placa. Vigésimo primeiro ,estemito estreito, cora
bordas laterais ligeiramente reentrantes e borda posterior reta (Vide Fig. 3) ;
sem sulco ou depressão mediana.
Primeiro par de patas com um esporão no femur, um na tíbia, dois no pri-
meiro tarso; segundo ao vigésimo par de patas com um esporão no primeiro
tarso; primeiro ao vigésimo primeiro inclusive com dois esporões na base da
garra terminal, sendo de notar que no último par o esporão ventral é muito curto,
enquanto que o lateral apresenta o seu pleno desenvolvimento.
Prefemur do segtmdo ao décimo nono par de patas com 3 espinhos muito pe-
quenos no lado dorso-terminal, invariáveis em número e tamanho. Prefemur do
vigésimo par de patas com ligeira ponta dorso-terminal, armada de quatro espi-
nhos maiores e nuus um na zona dorso-mediana; femur sem espinho algum,
também não no lado ventral (numa pata observam-se duas manchinhas que po-
deriam ser confundidas com pequenos espinhos, mas que, em preparados montados
cm bálsamo, aparecem como simples manchas).
Coxopleuras com px>ros profundos (Fig. 3), rclativaniente numerosos. Ap>én-
dice coxopleural longo, cilíndrico, com seis -f- sete espinhos distribuídos em volta
da ponta. Um pequeno espinho ainda, dc cada lado, um pouco distante da p>onta.
Perto da ca rena do tergito, na p>onta, existe também um piequeno espinho. ,
Prefemur do vigésimo primeiro par de piatas sem espinhos nos lados dorsal
e externo; nos lados ventral e interno existem 17 -|- 19 espinhos de diferentes ta-
manhos. Espinho do canto” prefcmural com seis -f- seis pontas; femur sem
espinho algum.
Tipo. Uma fémea adulta na coleção quilopiódica do Instituto Butantan.
Local-tipo — Amancais {vide nomen), arredores de Lima, Perú. Altitude
300 metros aproximadamente. Encontrada sob piedras, em terreno francamente
arenoso.
Colecionador: — J. Sucoup.
3
22
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Confronto entre S. armata armata K«pln. e armata amancalis subsp. nov.
Comprixaento
até 100 mm
3S mm apenas
Sqjkos loDgitod. dx pia*
ca ccfilica
IcTCSp mas inteiroa, desde a borda aa*
teríor até a posterior
IcTÍssimos, existentes apenas na área
posterior, sem atingir a borda poste-
rior
Artictilot basais das aa*
tenas
5 sem pelos
desde o 3.* já pelos laterais
Coxosternum íordpa*
lar
com 1 sulco boriaoatal curto e 2 sul*
coa laterais, formaudo os 3 cm per*
feito triasfulo
com suko horiroDtal lonfo, ix>do de
um tdopodito ao outro; sem sulcos
laterais
Terfitos
1.* sem sulcoa loafitudinats , carexuj
laterais s6 oo 21.* ou nos 3 últimos
com 2 ral. Iob,. conTcr^cnte*. aue-
TUi latciú príDCipüuuJo ji dnde o
5.*
21.* estemito
com borda posterior arqueada
com borda posterior reta
EspinlKa nat paus
1 espinbo minúsculo sú na borda óor*
sal posterior do 19.* par de patas, 1*2
no 20.* par e mais 2 no lado rentral
21.* preíemur com <4*12 esp.
**esp«nbo do canto” rrralmente simples
fêmur com 1*3 espinhos
3 espinhos em todas as patas desde
o 2-**I9.*; 20.* par com ponta ar*
mada de 4 espinhos e mais 1 na área
mediana; irentralmente sem espinho,
com 174*19 espinhos
com 64*á pontas espinhosas
sem espinho a'rum
Habitat
Venexuela
Perú, Lima, Amancais
Scolopendra armata antiata Kbpln., 1903 — 1 adulto.
Scolopendra angulata angulata Newp., 1844 {non Bücherl) — 1 fémea
adulta, Elste exemplar diferencia-se de Scolopendra angulata moójeni Büchejil,
1914 (non angulata B., Mem. Inst. Butantan 15:119-123 et 294.1941) e de Sco-
lopendra angulata explorans (Camb., 1914), de maneira que forma um grupo-
geográfico nítido, subdisndido cm tres subespecies (conf. Mem. Inst. Butantan
15:121-122 et 284-285.1941).
2. Gcnus: Cormocephalus Newp., 1844
Cormocephalus (C.) bonaerius Att., 1928 — 1 adulto; colorido amarelo
pálido; comprimento 26 mm apenas; sulcos longitudinais da placa cefálica quasi
invisíveis (segundo Attcms bem visíveis, mas abreviados atrás, perto do bordo
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
WoLFGANC BCcherl — Quilópodos do Perú
23
posterior) ; placas basais muito pequenas (bastante desenvolvidas segundo At-
tems) ; 6 artículos basais das antenas desprovidos de pelos (segundo Attems
7-8) ; quanto ao resto não há diferenças morfológicas acentuadas com a especie
•de Attems. Seriam necessários mais exemplares para uma comparação mais
segura, sendo, contudo, a primeira vez que esta especie é encontrada no Perú.
Cormocéphalus (C.) impressus- impressus Por., 1876 — 2 exemplares, tam-
bém assinalados pela primeira vez no Perú.
Cormocéphalus (C.) andinus (Krpln., 1903) — 1 exemplar adulto.
Local de captura: Amancais, arredores de Lima.
Esta especie já foi encontrada em Perú, no local, denominado Santa Ana,
sendo frequente na Boli%*ia, na região vulcânica de Sorrate.
3. Genus: Rhoda Mein., 1886
Rhoda calcarata calcarala (Poc., 1891) {non Bücherl, 1941) — 2 exem-
plares, sendo um jovem. Os dois exemplares distinguem-se perfeitamente de
Rhoda calcarala canxjlhoi Bücherl (nomen nozmm, em substituição a calca-
rala, n. subsp., Mem. Inst. Butantan 15:136-128 et 304.1941) pelos dois sulcos
medianos da placa cefálica (muito mais longos e nítidos cm calcarala carvalho!) ;
pelo número de artículos antenais e pela forma caraterística das coxopleuras.
E’ a primeira vez que se assinala uma especie do gênero Rhoda no Perú.
Habitat: Amancais, arredores de Lima.
4. Genus •. Otostigmus Por., 1876
Olosligmus bürgeri Att., 1903 — 1 macho adulto.
Habitat: Amancais, arredores de Lima.
.•\té agora apenas assinalado como oriundo de Villavincencio, na Colombia.
•A presente especie aproxima-se morfologicamente a Olosligmus (R.) íim-
balus diminutus Bücherl, 1939 («on limbalus B., Mem. Inst. Butantan 13:271
et 15:312.1941). Olosligmus (P.) limbalus limbalus Mein., 1886, é muito fre-
quente na .Argentina e no Paraguai e limbalus diminutus no Brasil, Estado de
São Paulo, Alto da Serra.
Olosligmus amazonae Cbamb., 1914 — 18 exemplares, sendo quatro jovens.
Habitat: Amancais. arredores de Lima.
Esta especie é muito frequente nos arredores de Manaos, Estado do Ama-
zonas, Brasil, tendo sido encontrada até agora apenas uma única vez no Perú,
na localidade de Paias Ma>-o.
5
24
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
5. Genus: Rhysida Wood, 1862
Rhysxda celeris (Humb. & Sauss., 1870) — 1 exemplar adulto, pela pri-
meira vez encontrado no Perú.
6. Genus: Otocryptops Haase, 1887
Olocryptops ferrugineus sucoupi, subsp. n. — Comprimento total (sem an-
tenas e últimas patas) 52-61 mm. Tergitos amarelo-marrom; último tergito
e placa cefálica vermelho tijolo; patas amarelas; estemitos e antenas amarelos
(cm ferrugineus ferrugineus (L.) antenas vermelhas; em ferrugineus ferru-
gineus, var. paresspinosus Krpln. antenas amarelas e pelos ferruginosos), como
também os pelos das antenas.
Placa cefálica e tergitos lisos, brilhantes; pontuação da placa cefálica abun-
dante e nítida, como também a dos tergitos anteriores, decrescendo, porém, em
número e tamanho nos tergitos já sem pontuação alguma (em ferrugineus fer-
rugineus a pontuação é, s^[undo Attems, mais acentuada justamente nos últi-
mos tergitos).
Antenas muito mais longas do que em ferrugineus ferrugineus e em ferru-
gineus ferrugineus \zt. parcespinosus, ultrapassando o quinto tergito; com 17
artículos, munidos de numerosos pelos curtos, igiiais em comprimento nos últi-
mos 12-13 artículos. Além destes pelos cerdas longas, mais raras, entretanto,
nos 4-5 artículos basais, cerdas estas muito pouco numerosas na area dorsal dos
primeiros dois artículos, de maneira que estes se apresentam lisos, brilhantes,
quasi desprovidos de cerdas (em O. ferrugineus ferrugineus var. parcespinosus
os artículos basais se apresentam cobertos de cerdas densas, vermelhas).
Bordo anterior do coxostemum forcipular arqueado, com um dente lateral
bem desenvolvido (vide Fig. 1), obstuso na ponta (não agudo como em parces-
pinosus c em /. riveli) e mais um bloco dental mediano, quasi fundido no meio
das placas dentarias, tres vezes mais largo do que longo (em parcespinosus ape-
nas um pouco mais largo do que longo). Dente forcipular interno do prefemur
menos do que os dentes laterais do coxostemum (em O. ferrugineus ferrugi-
neus um tanto maior). Areas imediatas, em volta ao dente prefemural e aos
dentes coxostemais cobertas por poucas cerdas longas. Coxostemum com uma
rede, muito leve, de sulcos horizontais (ausentes em ferrugineus ferrugineus e
em ferrugineus ferrugineus var. parcespinosus).
Placa cefálica um pouco mais larga do que longa, encobrindo totalmente a
fossa subanular do primeiro tergito (em ferrugineus ferrugineus a fossa sub-
amilar é ainda visivel) ; sem sulcos longitudinais e sem carenas laterais.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
WoLfGANC BCcheul — Quilópodos do Peru
25-
Sulcos episcutais presentes desde o quarto ou quinto até o 21.® tergito, nos
primeiros dois geralmente apenas posteriores, do sétimo para trás completos.
Do 5.® ou 6.® até o 22.® tergito além disso um curto sulco mediano (ausente em
ferrujineus ferrugineus e em ferrugineus ferrugineus var. parcespinosus) no*
bordo posterior. Carenas laterais desde o oitavo até o 22.® tergito, isto é, do-
8.® ao 12.® apenas anteriores e curtas, nos tergitos seguintes sempre mais lon-
gas, atingindo o bordo posterior das placas nos tergitos 17-19 e sendo encurta-
das no\'amcnte nos tei^tos 20 e 22. Último tergito sem carenas laterais, em*
seu lugar uma linha reta.
Estemitos com pontuação fraca; sem fossa ou sulcos. Último estemito
(vide Fig. 2) com bordo posterior levemente bilobado (simplesmente arqueado*
em ferrugineus ferrugineus var. parcespinosus) ; muito mais largo do que longo,
estendendo-se lateralmente até quasi os bordos do tergito e encobrindo total-
mente o campo poroso das coxopleuras (esta conformação morfológica do úl-
timo estemito é completamente nova em todas as espedes, subespecies e varie-
dades do género Otocryptops Haase).
Primeiro ao décimo nono par de patas geralmente com dois esporões tibiais,
20. ® par com um esporão; 21.® e 22.® geralmente sem esporão tibial (em ferru-
gineus ferrugineus rar. parcespinosus o 21.® par com um esporão tibial) ; 1.® ao*
21. ® par de patas com um esporão tarsal. Todas as patas com dois esporões
menores na base da garra terminal. Lado dorsal das coxopleuras, perto da ponta-
terminal, sem espinho.
Apêndice coxopleural (Fig. 2) muito curto, terminando num espinho que-
não sobressai quasi da area circunvizinha (em ferrugineus ferrugineus var. fer-
rugineus a ponta é mais longa). Poros do campo poroso invisiveis por estarem-
inteiramente encobertos pelo último estemito (tomam-se dsiveis através do es-
temito quando se umedece o animal em meio liquido) (vide Fig. 2). Campo-
poroso não atinge o tergum.
Prefemur das últimas patas (vide Fig. 3) com um espinho dorsal maior e
um ventral muito pequeno.
iDimorfismo sexual secundário: Fêmeas com muitos pelos longos e densos
na tibia e no tarso (vide Fig. 3), poucos pelos curtos no prefemur do último
par de patas; machos com poucos pelos e curtos cm todos os artículos destas-
mesmas patas.
Tipo: 1 fémea adulta na coleção quilopódica do Instituto Butantan.
Paratip>os: 2 machos adultos e 1 fêmea adulta na mesma coleção.
Local-tipo: Amancais, nos arredores de Lima, Perú.
Coletor: J. Sucoup, ao qual dedicamos esta subespccie.
7 .-
26
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVTI
Os exemplares da presente lista, cujo habitat não foi indicado, são oriundos
de Amancais, arredores de Lima, Perú. Colecionador: J. Sucoup. Data de
captura: junho e julho de 1942.
ABSTRACT
The present paper deals wth the descriptíon o£ Chilopoda from Peru, Aman-
cais, in the neighbourhood of Lima, and caught by J. Sucoup.
The material counted with the following genera:
Scohpcndra — 3 spedes and 5 subspedes (1 new subspecies).
ConnocepluUtts — 2 species and 1 subspecies.
Rhoda — 1 subspedes.
Otostigtnus — 2 spedes.
Rhysida — 1 spedes.
Otocryptops — 1 new sttbspedes.
(Tratolbo da S«cçÍo de Zoolofia Médica do Institoto Butan>
tan. Entrcgv« para pt^icaçio tm IJ de jolbo de 1943
e dado i publicidade cm dezembro de 1943).
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
WoLFGANG BCcherl — QuUópodos do Peni
Mem. loft. Butanua
Fic. 1:
Pt»CA ccfiltea e aotenat
Olocryptof^s f^rrugineus
Fic. 1:
Coao«tcrtiom forcipular
2 3 4 5 6
Vol. XVII — 1943
S. armata amancaHj, $ubsp. nov.
Coxo9ternuai forcipular
CUimo estcmito c apcndice»
CQXoplrurai*
sucouf*i, subsp. nov.
Fio. 3:
última pata (na fémea com
cerdat longa» na tíbia e no
tar»o)
a
SciELO
11 12 13 14 15
5*5. 121
CATADISCUS FREITASLENTI, SP. N. (TREMATODA: PA-
RAMPHISTOMOIDEA), PARASITO DE OFIDEO NEOTRÓ-
PICO; OBSERVAÇÃO SÔBRE A PRESENÇA DE DOIS CA-
NAIS EFERENTES NO GÊNERO CATADISCUS COHN, 1904.
POR
JOSÉ M. RUIZ
A primeira e única referência de um tremaioidc do género Cútadiscus para-
sitando oíideoá dcvemo-Ia a Cohn; em 1903 descreveu, do intestino de Chironius
fuscus (L). sob o nome de Amphistomum dolichocotylc, a espécie que no ano
seguinte passou a constituir o tipo do gênero sob a denominaijão de Coladtscus
dolichocotylc (CoiiN, 1903) Cohn, 1904.
Todas as demais espécies incluidas neste gênero são oriundas de latráquios
(C. cohni Trav., 1926, C. pygmacus (Lutz, 1928), C. inarinholutsi Freitas &
Lent, 1938, C. iirut/uaicnsis Freitas & Lent, 1938 c C. inopinalus Freitas, 1941.
No decorrer de algumas necropsias que vimos realizando na Secqâo de Para-
sitologia do Instituto Butantan obtivemos, do intestino delgado de Liophis wí-
liaris, dois exemplares da espécie (jue passamos a descrever sob o nome de
Caladiscus frcitaslcnti. sp. n.
Diagnose especifica.
Diplodiscinac. Caladiscus. Corpo sub-pi ri forme, alongado, com extremi-
dade posterior mais larga, medindo 3, 11 a 3,15 mm de comprimento por 0,96 a
1,06 mm de largura, ao nivel da região equatorial. Cutkula inenuc cm toda a
c.xtensão do corpo.
Ventosa oral terminal, provida de dois divcrticulos posteriores desenvolvidos
com um comprimento menor que o do pre- faringe; mede a ventosa oral sem os
divcniculos 0,205 a 0.217 mm de comprimento por 0.282 a 0.294 mm de largura;
1
3
1,0 mm
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Fio. 1
Clméiiinj jttilultnli, ip. n. Exraplir tipo.
ViMa lotai.
José M. Riiz — Caladiscus freUaslenii, sp. n. (Trematoda\ Paramphisto-
moidea), parasito de ofideo neotrópico. 31
os diverticulos medem 0,205 de comprimento por 0,305 a 0,311 mm de largura.
Pre-faringe delgado com 0,364 a 0,411 mm de comprimento total, medindo desde
a base da ventosa oral, sem os diverticulos. Faringe musculoso, elipsóide. com
0,205 mm de comprimento por 0,147 mm de largura. Esófago quasi nulo. Cecos
relativamcnte desenvolridos atingindo a região equatorial do corpo, iguais ou de-
siguais; na espécie tipo são iguais e medem 0749 mm de comprimento e 0,169 mm
Fio. 2
frriiêgJfmti, n. Kxrtnplar tipo. M »cro(o(ocrafU »©♦•
Iraoóo a roe*itana do empos A« flrxas indkaa o« raruiii eír«
rtntcs.
de largura maxima, ntedida na |>or<;âu liasal ; no paratipo um mede 0,636 mm c o
outro 0,791 mm. .Acetábulo muito desenvolvido, subterminal, medindo 0,791 a
0,876 mm de comprimento por 0,777 a 0,791 mm de largura; um pequeno estran-
gulamento mediano, transversal, foi observado nos exemplares examinados vivos,
sendo que no material fi.xado é pouco distinto. Testículo único, pequeno, situado
na região mediana do corpo e na zona cecal, medindo cerca de 0,115 mm de diame-
3
32
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
tro. Do testículo partem dois canais eíerentes, um de cada lado, dirigem-se para
a frente e, pouco antes de atingirem a altura da bifurcação cecal, se unem num
canal deferente cujo trajeto foi acompanhado apenas em parte. A bolsa do drro
não foi bem obser\-ada. devido à intensa formação glandular na região esofagiana.
Orário arredondado, sub-mediano, situado lógo abaixo da linha equatorial, com um
diâmetro que varia entre 0,169 e 0,199 mm. Glândula de Mehlis para ovariana,
arredondada. Receptáculo seminal imediatamente atrás do ovário, da mesma or-
dem de tamanho que êste orgão. Utero extendendo-se desde a região bifurcai
até a r^ão acetabular, ocupando quasi toda a área do corpo. Vitelinos consti-
tuídos por foliculos relativamente volumosos e pouco numerosos, situados na re-
gião equatorial e distribuídos em dois grupos distintos e intracecais; o diâmetro
dos foliculos \-aria de 0,064 a 0,117 mm. Ovos de casca muito delgada, opcrcula-
dos, medindo 0.070 a 0,084 mm de comprimento jx>r 0,033 a 0,053 mm de largura.
Do aparelho excretor foram obser\*ados apenas os dois canais coletores principais
que, partindo do nivel da zona acetabular, dirigem-se para a frente margeando as
linhas do corpo, com um trajeto mais ou menos sinuoso, atingindo a altura da
ventosa oral ; estes ramos são facilmente visíveis j»r serem calibrosos e cheios de
pigmentação esajra. O sistema linfático não foi obseirado devidamente.
Habitat: Intestino delgado de Liophis tniliarís (L.)
Procedcncia: Pederneiras — Estado de S. Paulo — Brasil.
Tipo e paratipo:
Xo. 5.572.
Xa coleção helmintológica do Instituto Butantan sob o
A dc.scrição e medidas se referem a dois exemplares comprimidos e monta-
dos. O nome especifico é dedicado aos drs. J. F. T. Freitas e Herman Lcnt do
Instituto Oswaldo Cruz.
Diagnose diferencial : — Catadiscus frcitaslenti, sp. n. distingue-se de todas
as espécies conhecidas atualmente no gênero pelo tanuinho da ventosa oral ; outros
caracteres a diferenciam ainda das referidas espécies:
C. dolichocotyle apresenta todas as dimensões menores e um único canal
deferente.
C. cohni apresenta a ventosa oral muito menor (jue os diverticulos sendo es-
tes quasi do comprimento do pré- faringe, o que não .se observa em C. freitasUnti,
sp. n. : além disso ts cecos são mais curtos e as dimensões, de um modo geral,
menores com exceção dos ovos; canal deferente único.
C. pygtnaeus diferenda-se em todas as dimensões. C. marinholutsi e C.
vene^ntelcnsis diferent inicialmente pelo maior tanunho dos ovos. A espécie mais
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
José M. Ruiz — Caladiscus freilaslenli, sp. n. {Trematoda: Paramphisto-
moidea), parasito de ofideo neotrópico.
33
próxima é C. inopinatus. todavia é possivcl distingui-Ia pelos seguintes caracteres:
menor tamanho da ventosa oral e dos diverticulos ; faringe menos volumoso; ace-
tábulo relati\’amente menor; ovos maiores.
OBSERV.\ÇAO SOBRE DUPLICID.ADE DOS CANAIS EFERENTES
A constatação de dois canais eferentes numa espécie do gênero Catadiscus
c muito digna de uma observação ; com efeito, éste carater não foi ainda assina-
lado neste género, sendo peculiar ao gênero Diplodiscus Dies., no qual as espécies
adultas apresentam os dois testículos fundidos numa única formação glandular.
Xa descrição de C. doliclwcotyle é referido um único canal deferente. Xa espécie
de Trasassos o fato se repete (Trasassos, pg. 279, Fig. 1 ; Freitas e Lent, pg. 307,
Fig. 3). Em nenhunui das outras espécies foi referido este detalhe. A intro-
dução da presente espécie entre os Diplodiscus não é possivel, hoje, nos moldes
de sua definição; foge, por outro lado, pelo carater supra mencionado, da diag-
nose do gênero Caladiscus, constituindo como que uma espccic dc transição entre
os dois gêneros.
ABSTRACT
In this paper a new trematode species is descrilwl. bclonging to the genus
Catadiscus ConN, 1904, found in the small intestine of a Brazilian snakc. Ca-
tadiscus frcitaslcnti, n. sp.. and C. inopinatus Freitas, 1941, are very alike, ho-
wever, the>- can l)c separated by the size oi the oral sucker, pharj-nx, acetabulum,
and the size of the eggs. C. frcitaslcnti, n. sp.. presents two vasa effercntia, a
common character of the genus Diplodiscus Diesing, 1836; this character is not
observerl in other species of the genus.
BIBLIOGRAFIA
Coíin. L. — Zur Kcnmni» ciniger Tronatoden — Centralbl. f. Bakt. I Abt, Orig., 34(1):
35-42. Figs. 1-4.1903.
Bravo, II. M. — Revision de lo» generos Diplodiscus Diesixc. 1836 y Megotodiscus Ch.\n-
BCO, 1923 {Trematoda-. Paramphisiomoidta) — .\nales In»t. Biol. (México)
12(1-2): 128-146 cl 643-661. 17 Fig». 1941
Freitas, J. F. T. & Leni, //. — RerisSo do gênero Caladiscus Cohx, 1904 {Trematoda:
Porampkistomoidea') — Anexo n. 4 ao Relatorio de Excursão Cientifica do inj-
titirto Orwado Cnu. rcaizada na zona da E.F.N.O.B.. em outubro de 1938 í"
Boletim Biologico (N. S.) 4(2) :30S-31S. Fig». 1-20.1939.
5
34
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Freitas, J. F. T. — Novo trcmatodeo Paranfistomideo parasito de rã “Catadiscus inopinatus",
n.sp. — Rev. Brasfl. de Biol. 1(2) : 121-123. Figs. 1-2.1941.
Hughes, R. C.; Higginbtham, J. IV. & Ctary, J. W. — The trematodes o£ Reptiles,
part 11, Host Catalogue — Proc.of the Oklahotna Acad.Sc. 21:35-43.1SW1.
Travassos, L. — Catadiscus cochm, n.sp., novo trematodeo de batraquio — Sciencia
Medica 4(6) :2/8-279.Fig. 1.1926.
Travassos, L. — S 3 rnopse dos Paramphistooioidea — Mem. Inst. Oswaldo Cruz 29(1):
19-178. Fig. 1-86. 1934.
(Trabalho de colaboraçio doo Laboratoríos de Paruitolocio
da Institoto Batantan e da Faculdade de Farmácia c
Odootolofia da UnÍTCnidade de SIo Paulo. £ntrc(ne
para publicapSo etn !-• de ío-ího de 1943 e dado á pu-
blicidade em dezembro de 1943).
2 3 4 5 6
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
NEOCTANGIUM TRAVASSOS/, GEN. N., SP. N. (TREMA-
TODA: PARAMPHISTOMOIDEA) , PARASITO DE QUELÔ-
NIO MARINHO. CHAVE DOS GÊNEROS DA FAMÍLIA
MICROSCAPHIDIIDAE TRAVASSOS, 1922.
POR
JOSÉ M. RUIZ
Da nccrí^sia No. 2.127 efetuada na Sc<;ão de Parasitologia do Instituto Bu-
tantan em 4/12/1939, sobre uma tartaruga marinha proveniente de Santos (^Praia
Grande), resultou o encontro de numerosos trematóides localizados no intestino,
dentre os quais o Paranfistomideo de que nos ocuparemos na presente nota; a
sua inclusão num dos gêneros da familia Microscaphidiido4 Trav., 1922 na qual
deverá ser enquadrado, não foi possivcl dados os caracteres muito particulares
que apresenta; julgamos conveniente a erc<;ão de um nos-o gênero para a nova es-
I>écic. cuja diagnose daremos a seguir.
N eoctangium travassosi, gen, n. sp. n.
Diagnose especifica: Mtcroscaphidüdoe. Trentatóide de tamanho médio:
corpo alongado e relatis-antente espesso; extremidade anterior delgada; cutícula
inerme em toda a superfície; extremidade posterior arredondada e apresentando
uma projeção dorsal mais ou menos proeminente cm cuja extremidade existe de
cada lado, um espessamento muscular que termina cm uma papila (papilas dorso-
caudais) ; apresenta mais, a referida projeção dorsal, em sua parte média e in-
ferior uma formação musculosa terminando cm duas papilas juxtapostas (papilas
caudais medianas) ; nota-se ainda na porção vcntral da extremidade posterior, cm
posição quasi lateral, uma formação musculosa com duas papilas terminais, em
cada lado do corpo, simétricas (papilas laterais). As expansões cuticulares que
acabamos de referir se acham representadas esquematicamente na fig. No. 5.
Esse conjunto sem dúvida serve à fixação do helminto no substrato sólido sendo
uma modificação provável do orgão acetabular. .-\ ventosa oral é pequena, si-
1
Memórias do Instituto Butantan — Turno XVII
Fio. 1
\t 0 Ctamçinm trttX'^sosi, gm. n.. tp. n.
Kxrmplar tip<x Vii^ta tota^
Fic, 2
S’ecc1mmffimm trMvss^i, ftn. n., »p. n. Detenho
de corte saftul; região dortal.
2
José M. Ruiz — Xeoclangium Iraoassosi, gen. n., sp. n. {Tremaloda:
Paramphistomoidea), parasito de quelònio marinho 37
tuada temiinalniente na extremidade anterior e provida de dois diverticulos orais
carateristicos deste grupo de trematóides.
O esôfago é muito longo e fortemente musculoso; apresenta uma parte dila-
tada logo atrás da ventosa oral estreitando-se depois até uma certa altura onde
íe dilata novamente dando formação a um desenvolvido bulbo muscular seme-
lhante a um faringe (a esta dilatação que tem sido considerada como um verda-
deiro faringe em outros paranfistomideos preferimos denomittar bulbo esofagiano)
que se bifurca antes de se diferenciar em cecos. Faringe ausente. Cecos de pa-
redes muito grossas, tortuosos e largos, se extendendo ate a extremidade poste-
!Íor do corpo onde atingem a Iqrgura máxima. Testiculos em número de dois, si-
tuados dorsalmente no terço médio do corpo, entre os cecos; muito desenvolvidos
apresentam uma superfície profundamente lobada ; têm os seus campos em coinci-
dência e suas zonas muito próximas ou juxtapostas. Bol.sa do cirro ausente. Ve-
sícula seminal longa e tubular com inicio logo acima do testículo anterior e dirigida
para cima na direção do poro genital. Poro genital situado ao uivei da linlu me-
diana e a curta distancia da ventosa oral. Orário de situação dorsal, sub-esfé-
rico. de superfície lisa. consideravelmente menor qtic os testiculos, potesticular e
paramediano. Glàndub de Mehlis dorsal e atrás do ovário. Recqrtáculo semi-
nal e canal de Laurer não foram observados nem nos cortes histológicos seriados.
Útero consistindo num único ramo ascendente muito circunvoluido que se extende
desde a zona ovariana até o poro genital ao longo da linha metliana e numa situa-
ção ventral, superpondo-se ao campo testicular, carater que não é obsertado em
outro Microscaphidiidac com exceção de Ilexangitrcma; a densa massa de ovos
existente ao nivel da zona osariana impede, na quasi totalidade dos exemplares, a
distinção deste último orgão que só é evidente em raros espécimes ou nos cortes ;
por essa razão deixamos de dar medidas deste orgão no quadro anexo ; o seu ta-
manho poderá ser as-aliado no exemplar tipo. Ovos numerosos, elipsóides, com
um pequeno mas visivel operculo na extremidade mais delgada, de casca muito
espessa (0.002-0.003 mm), medindo 0.081 a 0,005 mm de comprimento por 0.056
a 0.057 mm de largura. Vitelinos compostos de foliculos volumosos reunidos em
trés porções separadas: duas extracecais disseminadas desde a linha equatorial,
limite inferior da zona do testículo anterior, até muito proximo da extremidade
caudal ; uma intracecal compreendida entre a zona ovariana e subterminal do corjK).
.\parelho e.xcretor não observado; poro excretor terminal, na linha mctliana. Sis-
tema linfático, observado em cortes, constituído por quatro pares de canais ou
troncos longitudinais, sendo dois de situação ventral e dois de situação dorsal, ao
longo das margens do corpo.
Hospedeiro: Tartaruga marinha (sp.?)
Localização: Intestino.
Procedência: Praia Grande — Santos — Est. S. Paulo — Brasil.
3
SciELO
6 17
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XMI
Fio.
Fic.
ttn. a.» *p- n. D«»cnho de
corte «ofital; retÜo Tetitrml.
Ife9ctanç i mm fto. tu, tp^ u. Deterbo
de corte nciul; rcviSo mcdiaaa.
cm
SciELO
José M. Rciz — \eoclangium Iravassosi, gen. n.. sp. n. {Trematoda:
Paramphistomoidea) , parasito de quelônio marinho 39
Tipo e paratipos na coleção helmintológica do Instituto Butantan sob o
No. 3.09a
A presente espécie cujo nome dedicamos ao Proí. Lauro Travassos, do Ins-
tituto Oswaldo Cruz, foi descrita baseando-nos em 17 exemplares montados em
trtV9SS0n, gtn. o-. »p
eaodâi».
o. Detrt&k) rw)tiriBÍtko movtraodo » ditpowçAo <So« v«riot apêndices
Baaesde em exenplarea oio mcQtsd»».
5
SciELO
40
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
toto-montagem e dois exemplares seccionados em cortes sagitais seriados; o lote
todo é constituido por algumas dezenas de espécimes parte dos quais se acha con-
ser\-ada em formol acético.
Pelos magnificos cortes realizados agradecemos ao Sr. Francisco da Rocha
Xobre, técnico da Seção de Fisiologia do Instituto Butantan.
Damos a seguir as principais medidas do exemplar tipo e um quadro de me-
didas, representadas em mm, realizadas sobre 10 exemplares paratipos.
Exemplar tipo: (Fig. Xo. 1)
Comprimento 11,15 mm; largura, medida ao nivel da região equatorial.
2.66 mm: ventosa oral: comprimento 0.372 mm. largura 0.558 mm; esôfago
2.66 mm de comprimento: testículo anterior; comprimento 1,862 mm, largura,
1,330 mm; testiculo posterior: comprimento 1,862 mm, largura 1.330 mm; ovário
0.266 mm de diâmetro tranverso ; Ovos : comprimento 0.086 a 0,095 mm, largura
0,058 a 0.070 mm. envólucro 0.002 a 0,002 mm de espessura.
QU.ADRO DE MEDID.AS DE 10 EXE.MPL.ARES P.\R.\TIPOS:
Kxrmplar
a
b
c
d
e
t
K
b
i
j
Min.
.Max.
( oAprimento
S.64
9.31
954
9.76
957
9,84
204
7.98
957
11.17
758
11,17
Lar^ufa
2.12
252
259
254
269
252
266
220
252
252
212
252
c
Ventoaa...*
0572
0599
0,425
U519
2319
0572
0599
0572
0519
231
242
Arai *
L
ai2ó
0.425
0572
0506
0,425
2478
0.452
0599
2562
0558
037
255
[^•tAfago
1.727
2.I2S
1513
2045
2,261
2045
2045
1463
2045
2261
1.72
226
C
Tcatictilo
1,463
1,996
1,727
-
1,862
2045
1,727
1,996
2045
2261
1.46
246
dOterior
L
0931
1530
1.197
-
1.197
1.197
1.463
15»
1530
15»
0,93
1.42
C
TcsOculo
1.163
1562
1562
-
1549
2261
1596
1.9Í6
1562
2128
1.43
256
loalerlor
0.796
1.197
1546
-
1,197
1,996
1.463
1530
15»
15»
279
1.99
C
O.OS6
0.ti«7
0.086
0.086
0,096
2096
0.096
0,061
0.089
0589
208
0.10
L
aoó6
0.068
aC66
0.068
0.067
0,064
2064*
2061
0.(fi6
0,066
0,05
0,07
Lfitrndâ! C = comprirarnto: L = larf^ura: Max. = laaiimo; Mio. = mioimo.
cm
'LO 11 12 13 14 15 16
José M. Rciz — \eoctangium trauassosi, gen. n., sp. n. (Trematoda .
Paramphislomoidta) , parasito dc quelònio marinho 41
Keoctangium gen. n.
Diagnose genérica: Microscaphdiid(u: corpo alongado com a extremidade
anterior mais delgada. Cuticula lisa. Extremidade posterior apresentando uma
larga projeção dorsal que termina em duas formações papilosas, de musculatura es-
pessa. laterais, e duas pequenas papilas na parte médio-inferior ; em posição tnais
ventral apresenta, em cada lado do corpo, um par de pequenas papilas reunidas
numa projeção musculosa. \’entosa oral provida de dois diverticulos. Esôfago lon-
go. muito musculoso, com uma fonnação bulbosa na lase posterior, e bifurcando-se
em Y invertido, semelhante ao género Octangium. Cecos largos, de paredes muito
espessas atingindo a extremidade posterior do corpo. Testiculos profundamente
lobados, situados na porção mediana do corpo, intracecais, com zonas juxtapostas
ou próximas e campos coincidentes. Bolsa do drro ausente. \ esicula seminal
longa. Poro genital para-mediano logo abaixo da* ventosa oral. Ürário pos-tes-
ticular, submediano, liso e muito menor que os testiculos. Receptáculo seminal
ausente. Glândula de Mehlis próxima e inferior ao ovário. Canal de Laurer
aparentemente não existe. Útero circunvoluido dirigindo-se da zona o\*ariana para
a frente através do campo testicular. Ovos de casca esj>éssa. elipsóides. opercula-
dos e numerosos. \’itelinos repartidos em tres grupos perfeitamente distintos dc
foliculos volunwsos: dois ocupando a região cxtracecal. lu ntetade posterior do
corpo c um intracecal entre a zona o\ariana e o limite cecal. Sistema cxcrctor
não obser\-ado. Sistema linfático apresenundo quatro jares dc troncos longitu-
dinais. Parasito do intestino de quelònio marinho.
Esp. tipo: Xeoclangium traiMSSosi sp. n.
DISCUSS.\0
O género que apresentamos se assemelha cm certos aspectos com os gêneros
Múroscaphidium Looss, 1900, Polyangium Looss, 1902. Octangium Looss, 1902.
Octangioides Price, 1937 c Hcxangitrnna Price, 1937.
O género Microscaphidium difere pelos caractéres seguintes: diverticulos orais
longos; esôfago provido de espinhos; tipo diverso dc útero; sistema linfático com
trés pares de troncos longitudinais; ausência de projeções terminais.
O género Polyangium se distancia pelo tipo dc vitelinos c das circunvoluções
uterinas, pelo sistema linfático, constituido por apenas dois pares dc troncos lon-
gitudinais c pela ausência dc projeções na extremidade jx)sterior do corpo.
Octangium é o género mais próximo diferindo no entanto pelo tipo da pro-
jeção terminal e por não apresentar formações papilosas na extremidade poste-
rior do corpo, caráter que afasta igualmente os gêneros Octangioides e Ilexangi-
trema de Xeoctangium gen. n.
I
42
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XMI
Na chave seguinte damos os caracteres principais que diferenciam os vários
gêneros incluidos na familia Microscaphidiidac Tkavassos, 1922:
1 — Extremidade posterior do corpo apresentando uma saliência bicõnica ou escasações
terminais 2
Extremidade posterior do corpo lisa e arredoodaxia 6
2 — Ventosa para-genital (ventosa genital?) presente... Denticauda Fükui, 1929 n. comb.
Ventosa para-genital ausente 3
3 — Presença de 4 pares de papilas na região caudal Neoclangium n. g.
Ausenda de papilas na região caudal 4
4 — Vltelinos dispostos em três campos distintos: dois extracecais e um intracecal; parasito
de quelôlinos Oclangium Looss, 1902.
Vitelinos dispostos em dois campos distintos, extracecais; parasito de peixes
Hexangitrema PaiCE, 1937.
Vitelinos em forma de U ou de V S
5 — Grcxmvoluções uterinas disseminadas na região intra-, post- c extracecal; vitelinos em
forma de U; parasito de peixes... Paraboris Trav.\s«os, 1922.
Gmmvoluções uterinas intracecais; vitelinos em forma de I'; parasitos de queló-
nk>s 0:langioides Pkice, 1937.
6 — Superficie ventral do corpo apresentando fileiras longitudinais de formações glandulares.
Deuterobaris Looss, 1900.
.Superfície ventral do corpo não apresentando fileiras longitudinais de formações glan-
dulares 7
7 — Gonadas post-cecais no terço posterior do corpo. . . Hexangium Goro & Ozaki, 1929.
Gonadas intracecais no terço medio do corpo 8
8 — Diverticulos orais longos; esófago provido de formações espinhosas na metade anterior.
Microseaphidium Looss, 1900.
Diverticulos orais nidimeratres ; esôfago inerme 9
9 — Corpo apresentando duas fileiras de formações vesiculosas nas margens
Angiodielyum Looss. 1902.
Corpo sem formações vesiculosas marginais
Polyangium Looss, 190l2 (=Sfphrobius Pociir. 1925?)
presente chave é uina modificação da apresentada por Pricc (1937) à
qual acrescentamos Xcoctancfium gen. n. e Denticauda Fuküi, 1929 n. comb.
COMENT.\RIO
A nosso ver a espécie Distomum quadrangulaium descrita por Daday cm
1907, não cabe no gênero Paraharis, onde foi incluida por TrazHissos (1922) ; sem
dúvida deverá enquadrar-se num gênero muito próximo, entretanto, a presença
de uma ventosa para-genital (ventosa genital?), a ausência de um bulbo esofa-
giano, o tipo de circunvoluções uterinas, a disseminação dos vitelinos em dois gnt-
cm
'LO 11 12 13 14 15 16
José M. Huiz — \eoctangium Iravatsosi, gen. n., sp. n. {Trtmatoda:
Parxunphistomoidea), parasito de quelònio marinho 43
pos paralelos e distintos e o tipo da formação caudal, são caracteres que permi-
tem distinguir a espécie de Daday da de Tras^assos (^Parabaris parabaris) não
só especifica mas genericamente.
A denominação dada por Fukui, Denticauda, poderá ser mantida desde que
toma<la noutro senso que não o original, isto é, transferindo o referido gênero da
subfamilia Dadayinae Fukui, 1929, para a familia Microscaphidiidae Travassos,
1922.
As razões apresenudas por Travassos (1934 pg. 125) quanto à substituição
do nome Angiodictyidae Looss, 1902 pelo de Microscaphidiidae parecem muito
acertadas, porisso preferimos esta ultima denominação.
RESUMO
Xo presente trabalho descreve-se um novo trematóide do intestino de uma
tartaruga marinha proveniente de Santos — Estado de São Paulo — que deno-
mina-se Neoctangium travassosi gen. n., sp. n.
O novo gênero proposto, Neoctangium, distingue-se dos demais gêneros in-
cluidos na familia Microscaphidiidae Travassos, 1922 pela presença de 4 pares de
papilas caudais.
O gênero Denticauda Fukui, 1929, proposto para Distomum quadrangula-
tum Daday, 1907. e identificado por Travassos em 1932 a Parabaris Travassos,
1922, e revalidado neste trabalho, sendo transferido da subfamilia Dadayinae Fu-
Kui, 1929 para a familia Microscaphidiidae Trav. 1922 (= Angiodictyidae
Looss, 1902).
.\BSTR.\CT
In this work a ncw trematode is described from the intestinal tract of a ma-
rine turtle captured in Santos — Estado de S. Paulo — Brazil, and for this pa-
rasite is proposed the name Neoctangium travassosi, n. gen. and n. sp.
The ness- genus proposed, Neoctangium, can be distinguished from the otber
genus of the family Microscaphidiidae Travassos. 1922 by the presence of 4 *iairs
of caudal papilae.
The genus Denticauda Fukui, 1929, proposed for Distomum quadrangula-
tuin Daday, 1907. and identified bj- Tra\*assos in 1932 to Parabaris, is reval'ded
in this paper. being transfered from the subfamily Dadayinae Fukui, 1929 to the
family Microscaphidiidae Tray. 1922 (= Angiodictyidae Looss, 1902).
9
44
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
BIBLIOGRAFIA
Draun. M. — Trematoden der Chelonier — Mitt. Zool. Mus. Berlin 2:1-58.1901.
Bratin, M. — Fascioltden der Vogei — Zool. Jahr. Syst. 16.1902,
Bravo, H. XI. — Revision de los generos Dipiodiscus Diesixc, 1836 y Migalodiscus Cuas-
Duat, 1923 (Tremaioda: Paramphisiomidae) \n. Inst. Biol. México 12(1-2) :12T
e 661.1941.
Brumpt, E. — Contributioo à l'étude de revolulion des Paratnphistomidcs. Paramphislo-
mum cervi e cercaire de Planorins exustus Ann. Parasitologie Hum. Comp.
14 :541.1936.
CabaUero y C. — Zigocotyle lunatum (Dicsinc. 1835) {Trematoda: Paramphisiomidae)
en el ganado vacuno de México — An. Inst. Biol. México 11(1-2) -.209.1940.
CabaUero y C, E. — Trematodos de Ias tortugas de México — Ibid. pg. 559.1940.
CabaUero y C, E. — Revision de las espécies que actualmente forman el genero Hpronimus
McCallum, 1902 (Trematoda: Heronimidae Wa*d, 1917) — Ibid. pg. 225.1940.
CabaUero y C, E. y Sokoloff, D. — A new Trematode {Schisamphistomoides labascensis,
n. sp.) írom the intestine o the fresch water turtle Dermatemys matcii Grav —
Trans. .*\mer. Micr. Soc. 54:135.1935.
Cordero, E. y Volgeisang, E. G. — Nuevos trematodos II. Cuatro “Paramphisiomidae”
de los quelonios sudamericanos — Rev. Med. Vct. y Parasit. (Caracas)2<’l-2) :
3.1940; Apud. Biol. .M»tr. 16(4) : 11145.1942.
Daday, E. twn — In Sudamerikanischcn Fischen lebende Trematoden- .-\rten Zool. Jahr.
Syst. 24:496.1907; .Apud Travassos, L, Artigas, P. T. & Pereira. C — 1928).
Daxves — On a colecticm of Paramphisiomidae from Malaya. with revision of the genera
Paramphistomum Fischocoe*. 1901 and Gastrothylax PoiaiE*. 1883 — Parasi-
tology 28 : 330.1936.
Faust. E. C. — Notes on helnúnths from Panama. 1 — Toxorchis schislocolyle (Fisch.
1901) the Panamerican Capitara. Hydrochoerbus isthmius Goi.n!i»AX, 1912 — J.
Parasilology 21:323.1935.
preilas. J. F. T. & Leni, //. — Sobre algims trematóides parasitus de Chelone mydat (L).
principalmente Paramphiilomoidea — Mem. Inst. Osw. Cru/ 33(1) : 79.1938.
Freilas, J. F. T. Sc Ixnt. H. — .A proposito de “ Halllrema avileUma” Lest 5: Freitas,
1939 — Rev. Bras. Biologia 2(1) : 115.1942.
Fttktii. T. — Studies o«i Japanese Amphistoroatous parasites, with revision of the grup. —
Jap. J. Zool. 2(3): 219. 1929.
Colo. S. .A- Oaaky, V. — Brief notes on new trematodes II. — Jap. J. 2^1. 2(3) : 369.1929.
Hughes. R. C , Higginbolhan, J. W. Sc Clary. J. II'. — The Trematodes of Reptiles. Part II
— Host Catalogue — Proc. Okl. Acad. Sc. 21:35.1941.
Kobayashi, H. — On some Digenetic Trematodes in Japan — Parasitology 12:380.1920.
Ixnl, //. Sc Freilas, J. F. T. — Tremaloda: Paramphislomoidea — Boi. Biol. (n s.)
4:82.1939.
Looss. A. — Noti/en /ur Helminthologie Egyptens. IV. Ueber Trematoden aus Seeschildr-
krõen der egyptischen Kõsten — CentralW. Bakt. Parasitenk. I. Abt. 30:618.1901.
l.poss, A. — Ueber neue und bckannte Trematoden aus Seeschildkrõten-Zool. Jahrb.
16:411.1902
lU
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
José M. Ri'iz — Xeoclangium Iravassosi, gen. n., sp. n. (Tremaloda:
Paramphistomoidea) , parasito de quelònio marinho 43
ManUr, A. — A Coilection of Trtmatodes froro Florida Amphibia — Trans. Amer. Micr.
Soc. 57:26.1938,
NieoU, IV. — A referetice List of the Trematode Parasites of Britisli .\tnphibia — Para-
sitolog>- 18:14.1926.
Poche. F. — Das System der Platodaría — Arch. f. Nat. AbL 91:1-458.1925.
Price, E. ir. — The Trematode Parasites of Maríne Mammals. — Proc. U. S. Nat. Mus.
81:1^.1932.
Price, H. IV. — Three New Genera and Species of Trematodes from Cold-BIood Vcrtc-
brates — Skrjabin Jub. Vd. pg. 483.1937.
Soutktetll, T. Sl Ktrshner, .4. — A description of a New Spedes of .\mphistoroe Chior-
rhis purvisi, with notes on the Classification of the genera with the group —
— Ann. Trop. Med. & Parasit 31(2) : 215.1937.
Stuniard, //. If. — The Presem Statns of the Amphistomc Problem — Parasitology 17(1) :
137.1925.
Tratxtssoj, /.. — Ckntribuiçáo para a sistemática dos " Param fhUlomoidea” com uma nota
sobre o emprego do fend em helmintologia — Brasil-Medko 35:357.1921.
Travassos, L. — Informações sobre a fauna helmintofogica de Mato Grosso — Folha Medica
3:187.1922.
Travassos. L. — Notas helmintologkas — Boi. Biol. 19:149.1932.
Travassos, L. — Sinopse dos Paramphistomoídes — Mem. Inst Osw. Cruz 29:19.1934.
Tratassos, L., Ari fios. P. de T. tc Pereira, C. — Fama helmintologica dos peixes de agua
doce do Brasil — .\rch. InsL Bk>l. I:l-68.1928
f'as, Z. — Cootribuiçõo ao conhecimento dos Trentatoides de Peixes Fluviais do Brasil.
Tése. 47 pp. 20 figs. Sio Paulo. 1932.
iVilley, C. H, — Studies on the Morphology and Systematic Position of the Trematode
Protocladorekis fangasi, n. gen. {Ctaàorckis fangasi Macau.UM, 1905) ~ Trans.
.Amer. Micr. Soc. 54:8.1935.
Abreviações das figuras
Bf — Uiiba caoficúno: C — creo; O — caaaii Irafilic»; CM — cuuit linUtiCM donsU; O»
— * CUMÍ> linfitirc* Tntrsii; CM — CtiiMaU d« JlcUb; Ov — orir»; Ptm — papiU caudal me-
diana; P<k — pap.la dersocaudal; Ta — Watkalo anterior; Tp — tcwkulo poMcriar; Ut — útero;
Vea — tcMcula cacretoea; Vit — vitelinos; Vo — renlrsa oeal; Vi — raicola seminal.
(Trabslbo de coiaboraeSo dos Loboratorírs de Paraailoloeia do
lastilnto Botanlaa e da Faculdade de Famicia e Odon-
*®to«ta da Cnirersidade de S. Paulo. Entrestae para
PnUicaclo em e dado á publicidade em de-
aemtiTO de 194J).
11
4
S*S.I22
ALGUMAS NOTAS SÔBRE O GÊNERO OPISTHOGONIMUS
LÜHE, 1900. DESCRIÇÃO DE OPISTHOGONIMUS
SERPENTIS, SP. N., TREMATOIDE DE OFIDEO.
POR
PAULO dc T. ARTIGAS; JOSÉ M. RülZ & ARISTOTERIS T, LEAO
No Vol. XVI, dc 1942. das Memórias do Instituto Butantan, tivemos opor-
tunidade de publicar um trabalho no qual foi descrito, com o nome dc Wcstella
sulina, um novo trematoide dc ofidio, encontrado na ca>*idadc bucal e no esôfago
de Philodryas schollit (Schlecel). Naquele trabalho julga\’amos acertado criar
o novo gênero IV estella, pois que os dados bibliográficos consultados na ocasião
nos permitiam chegar a tal conchisáo. Na época em que foi elaborada a referida
publicação, não tivemos oportunidade de consultar um trabalho de West, publicado
cm 1896 no Journal of the Linnean Society c as conclusões a que cht^mos foram
orientadas sobretudo pelos dados coligidos em publicações dc C. Pereira (1929)
e de Lühc (1900). Agora, graças à gentileza do prof. Lauro Travassos, nos foi
proporcionado o ensejo dc ler o trabalho dc West e, como resultado dessa leitura,
saem estas notas, cuja finalidade c deixar bem estabelecida a situação sistemática
das espécies dc trematoides incluidas no género Opisthogonimus Lühe, 1900.
Em 4896, West publica um trabalho em que descreve Disiomum philodrya-
dum. A descrição oferecida por West é deficiente sob vários aspetos e, sobre-
tudo. por não fazer referência aos \’itelinos; nesse trabalho se encontra uma fi-
gura do trematoide descrito, cujo exame permite notar á primeira vista, a situa-
ção cecal c cxtra-cecal das massas vitelinicas. particularidade que não é obser\-ada
nos trematoides atualmente incluidos no género Opislhogonimus. Todavia a exis-
tência de figuras de cortes secionais permitiu aos pesquisadores posteriores uma
orientação nrorfologica segura para a situação do trematoide mal descrito e mal
representado no desenho esquemático.
Em 1900. LChe, sem ter conhecimento da publicação dc West, descreve Opis-
thogonimus lecithonotus, parasito também de Philodryas schollii (1.* nota) : logo
a seguir (1900), o mesmo láihe. sendo informado da existência do trabalho de
1
48
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
West, identifica a espécie Opisthogonimus lecithonotus a Distomum philodrya-
dutn (2* nota). Em nenhum dos dois trabalhos de Lühe se encontram figuras.
Em presença destes fatos nada ha pois de extraordinário que todos os auto-
res, até a presente data, orientassem as suas pesquisas pelo ponto de vista de
Lühe, reconhecendo como idênticas as espécies Opisthogommus lecithonotus e
Distomum philodryadum. Esta situação foi aceita por Pratt (1902), Nicoll
(1914), Pereira (1928, 1929), notando-se que, em 1914, Nicoll, quando descreve
Opisthogenes interrogcUivus foi levado a crear um novo gênero talvez pela obser-
vação da figura mal feita da publicação de West, reproduzida com os defeitos por
Pratt (1902), cujo trabalho foi uma das fontes de consulta de Nicoll, o que aliás
já salientou Travassos (1924). Quando descrevemos IVestella sulina, o nosso
ponto de vista foi sobretudo orientado pelo trabalho de Pereira (1929), que fez
a revisão do gênero Opisthogonimus, apresentando ótimas figuras, e que tinha
consultado o trabalho básico de West. Aparentemente, estavamos pois em muito
bom alicerce quando erigimos o novo gênero IVestella; penitenciamo-nos da nossa
falha e tratamos de pôr nos devidos termos uma situação que certamente está
errada e que passamos a discutir.
A nosso vêr, não é possivel continuar considerando sinônimas as espécies
Opisthogonimus lecithonotus e Distomum philodryadum, pois que os dados das
publicações de West e de Lühe são imperfeitos para tal julgamento. Todavia.
Pereira, ao fazer a revisão do gênero Opisthogonimus, em 1929, publica uma bem
feita figura e redescreve a especie Opisthogonimus philodryadum (West, 1896),
aceitando o gênero de Lühe e a espécie de West. É fóra de discussão, porém,
que a figura de Pereira e também a sua descrição não se adatam às figuras e des-
crição de West. Como já dissemos, os cortes secionais publicados no trabalho
dêste autor permitem reconhecer a sua espécie como um Opisthogonimus, mas a
figura da situação do poro genital e da bolsa do cirro é totalmente diversa da de
Opisthogonimus philodryadum representada por Pereira. Pereira, ao fazer a re-
visão do gênero Opisthogonimus encontrou uma situação confusa e prtxnirou so-
lucionar o caso descrevendo a espécie por êle encontrada em Philodryas schottii
e outros hospedeiros como sendo a de West, sem levar cm conta determinadas ca-
racterísticas morfológicas bem representadas por West e que não podem deixar
de ser consideradas.
De outro lado, Lühe em 1900, ao identificar a sua espécie Opisthogonimus
lecithonotus a Distomum philodryadum a isso foi levado pela origem do seu ma-
terial e a do material de West, isto é, a mesma espécie de serpente sul-americana
e pela semelhança morfológica dos trematoides. Nessa época era razoavel a su-
posição de identidade do material, pois que somente mais tarde é que se veiu a
saber que numa mesma espécie de ofídio podem ser encontradas espécies diferen-
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
P. DE T. Abtigas; José M. Rviz & A. T. I,e.\o — Algumas notas sôbrc-
o gênero Opislhogonimus LCiie. 1900. 49
tes de Opisthogonimus c que estas parasitam indiferentemente s-arias espécies de
serpentes.
Fi«. 1
(ir.) ttTfrmiij, tp, Vi»u
3
50
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
A situação criada pela maneira de agir de Lühe não teria outras consequên-
cias si Pereira não tivesse feito a redescrição de Opisthogonimus pbilodryadum
e publicado uma figura, aliás muito bem feita, mas que não se adata às figuras do
trabalho de West. como já foi dito. Quem obsen-ar as figuras do trabalho de
\N'est. po<lerá verificar que. nos desenhos apresentados, a situação do poro geni-
tal está numa situação nitidamente para-mediana e na altura da zona ovariana,
predsamente como acontece em IVesteíIa sulina. Ora. a figura de Pereira (Fig.
9 do trabalho) não reproduz o aspecto da figura de West que, neste pormenor.
F«c. 2
(W. i srrptmtit. *p. n. rrgiiM* mrtlta da Fí«. 1.
deve estar exata, pois não é de crer a existência de engano numa verificação tão
simples como a localização do jwro genital ; Pereira, na sua figura, coloca o poro
genital no campo acetabular e na zona do testiculo anterior. Diante disso não se
pode concluir de outra fonna sinão que a espécie de West não c a mesma descri-
cm
SciELO
P- •>£ T. Artigas; José M. Ruiz A A. T. Ijúo — Algumas notas sôbre
o gênero Opislhogonimus LCiie, 1900. 51
ta por Pereira. No material que tivemos em mâo e que se acha depositado na
coleqão helmintologica do Instituto Butantan encontramos lotes de exemplares
<jue se decalcam com precisão no desenho de Pereira, razão jxir que temos que
aceitar a perfeição no desenho por ele apresentado.
Em face do que está acima referido, ficamos nesta situação dúbia: 1.® a des-
crição e as figuras da espécie de West, imperfeitas, mas com caracteres suficien-
Fic. j
(M*.) stfptnUt. tpk ». EArmp*ar tW mrio peffU (rr^üo
tt.>riAl) tiio«trarM}« a <Sor^ |r>«v»<U« e <U bo2n do cimx
tes para reconhecer um treniatoide do gênero O f^islhogonimus ; 2.® a descrição e
figura de Pereira perfeitas, mas que diferem do que estabeleceu U est, devendo
ser atribuídas a uma espécie diferente e não à de West.
5
P. DE T. Artigas; José M. Rciz JL A. T. Leão — Algumas notas sôbrc
o gênero Opislhogonimux Lüiie, 1900. 53
O resultado desta situação confusa é o se atribuir ao trematoide Opisthogoni-
tnus phüodryadum, no sentido de Pereira, as características do Dislomum phüo-
dryadum, scnsu West, o que c inaceitável.
Por força se toma indispensável pôr um paradeiro a esta situação que já de-
terminou enganos como o de NicoU em 1914 e o nosso em 1942. Evidentemente
Pereira não podia identificar o trematoide por êle descrito como Opisthogonimus
philodryadum à espécie Distomum phüodryadum de West; de outro lado a des-
crição e as figuras de Pereira estão de acordo com a imperfeita diagnose de Lühe,
que refere o j»ro genital localizado atrás do acetábulo, na zona tcsticular.
.-\ nosso ver a situação a ser adotada nesta complicada questão é a seguinte :
1. ° considerar a espécie de Lühe, Opisthogonimus Iccilhonotus como bôa e,
desde que as suas características estão mal descritas no trabalho original, accei-
tar como diagnose bôa a que Pereira oferece jara Opisthogonimus phüodryadum;
acentuamos que a descrição de Lühe está concorde com a de Pereira e que se de-
calca na figura deste autor.
2. ° considerar a espécie de \\'est diferente da de Lühe e tendo como carac-
teristica diferencial principal a situação para-mediana do p>oro prenital e a sua lo-
calização alta, na zona o\ariana.
A situação lateral e alta do pwro genital foi p>or nós considerada como ele-
mento imp>ortante de diferenciação, p»is cm todos os lotes de Opisthogonimus exa-
minados (O. megabothrium, O. interrogativus, etc.) a situação do p>oro genital
foi sempre no campx) acetabular c na zona testicular. Em todos os exemplares
de Westella sulina o poro genital fica fóra da linha mediana e na zona o\*ariana ; o
valor deste px>rmenor anatômico viemos a ter depwis de encontrar a nora espécie
«Icscnta neste trabalho com o nome de Opisthogonimus serpenlis, que apresenta
o px)ro genital nitidamente pnra-mediano em 100% dos exemplares e.xaminados c
de situação alta, longe do testiculo anterior.
A colocação de espjécies e gêneros novos obedece, sem dúvida, a um conceito
geral que é. cm tése, bem interpretado por todos os sistematistas, qual seja o das
características morfológicas, além de características biológicas. Todavia, o ponto
de vista individual é sempre rariavel e não ha uma medida exata para se definir
com p>erfeição os limites de esp>écies e de gêneros. A nosso rar, êste característico
da situação para-mediana e alta do poro genital ê um elemento que justifica plc-
namente a distinção de todas as espécies de Opisthogonimus em dois tipos morfo-
lógicos, com o valor de gênero ou de sub-gênero.
Até que outras cspócics venham a ser descritas, será mais oportuno considerar
05 dois tipos como sub-gêneros e. neste caso, o gênero Westella, por nós criado
passará a ser considerado com o valor de subgênero. De acôrdo com o que foi
54
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
referido o gênero Opisthogonimus Lühe, será constituido por dois subgêneros,
Opisthogonimus e Westella e conterá, até a presente data, as seguintes espécies:
a) Subgênero Opisthogonimus:
O. (O.) lecithonotus Lühe, 1900 — espécie tipo.
O. (0.) megabothrium Pereira, 1928
O. (O.) interrogativus (Xicoll. 1914)
O. (O.) pereirai Ruiz & LeJvo, 1942
O. (0.) artigasi Ruiz & Le.\o, 1942
O. (O.) fonSi'cai Ruiz &• Le.\o. 1942
b) Subgênero Westella:
O. (W.) philodryadum West, 1896
0. (W.) sulina, ,\rtigaí Ruiz & Le.^o, 1942
O. (W.) serpentis, n. sp.
A espécie Opisthogonimus (O.) afranioi ê o elemento intermediário entre os
dois subgêneros, por ter o poro genital relativamente alto, porém tendendo tran-
camente para as espécies do subgênero Opisthogonimus.
Opisthogonimus (Westella) serpentis, sp. n.
Diagnose especifica:
Westella — Corpo alongado e com extremidades arredondadas, sendo «
posterior mais afilada, medindo 4.6 a 6,7 mm de comprimento por uma largura
máxima que varia entre 0,93 e 1.20 mm ao nivel do acetábulo. Cuticula re
vestida por pequenos espinhos dirigidos no sentido ántero-posterior. diminuindo
de intensidade na metade posterior do corpo. Ventosa oral subterminal, vol-
tada para a face vcntral, circular, com um diâmetro transversal compreendido
entre 0,494 a 0,636 mm. Ventosa ventral pre-equatorial. circular, menor do
que a ventosa oral, medindo 0,395 a 0,452 mm de diâmetro transversal. A dis-
tância entre as ventosas é de 1,060 a 2,262 mm. Pre-faringe quasi nulo. Fa-
ringe musculoso, de forma arredondada, com o diâmetro transversal maior do
que o longitudinal, mede cerca de 0,130 por 0,225 mm. Esôfago praticamente
inexistente. Cecos se estendendo até pouco alem da zona testicular. Testicj-
los arredondados ou elipsóides, raras vezes muito ligeiramente chanfrados, post-
-equatoriais, com campos e zonas muito proximos ou mesmo parcialmente coin-
cidentes. intra-cecais e cecais. Testiculo anterior com campo coincidindo com
o poro genital e medindo 0,339 a 0,494 mm no sentido do comprimento por 0,296
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
P. DE T. Árticas; José M. Ruz Jc A. T. I.eão — Algumas notas sâbre
o gênero Opislhogonimus I.Ciie. 1900.
a 0.295 nun no sentido da largura. Testículo posterior com campo coincidente
com o do OA-ário; c ligeiramente maior do que o anterior e mede 0,367 a 0,537
mm no sentido do comprimento por 0,353 a 0,438 mm no sentido da largura.
Vasos eferentes unindo-se na base da bolsa do drro. Esta c um orgão tubular
cuja metade basal se apresenta globosa e a distai menos calibrosa. dirigida no
sentido dorso- ventral, contem a bolsa do cirro uma vesícula seminal tubular gran-
demente enovelada que ocupa toda a porção dilatada da base; segue-lhe um
curto duto ejaculador, que termina -num cirro também tubular c inerme; mede
cerca de 0,540 mm de comprimento por 0,113 de largura. O poro genital tem
uma localização ventral. ao lado da linha mediana, post-acetabular, e ao nivel
da zona ovariana. Ovário arredondado, imediatamente atrás da ventosa c des-
locado ligciramente para o lado; tem um diâmetro tran.sversal s-ariando entre
0.212 e 0,395 mm. Receptáculo seminal geralmente muito desenvolrido. com
frequência elipsoide. às vezes mais alongado, post-ovariano ; .seu comprimento
é sempre maior do que o diâmetro, mede 0.339 a 0.452 mm de comprimento
por 0,115 a 0.268 mm de largura. Glândula de Mehlis para-ovariana. Canal
de Laurer presente. Útero constituído por numerosas dramvoluções que se
estendem da zona os-ariana até a extremidade posterior do corpo, ocupando a
sua parte ventral; ramos ascedente e descendente sub-iguai.s e se disseminando
nas areas intra-cecal. cccal e extra-cecal. .\ \agina e um orgão dificil de obscr-
Aar devido ao grande numero de ovos ai localizados. A sua obser\-ação em ma-
terial rivo não oferece, porem, dificuldades c se apresenta com imia jarede
muito musculosa e forma recurvada para dentro, situa-se jara o lado externo
da bolsa do drro; mede cerca de 0.225 mm de comprimento jxir una largura
proxina de 0.098 mm. .As aberturas feminina e nasculina são contíguas. Ovos
numerosos, <le casca flelgada. operculados. medindo 0.025 a 0,030 mm de com-
primento por 0.014 a 0,016 mm de largura. Vitelinos fomados por numerosos
ádnos cujo diâmetro \aria entre 0.028 a 0,141 mm (0.60 mm cm média) e que
se reunem cm cachos pouco compactos, sitiados na face dorsal; se espalham
na área intra-cecal c cecal desde o nivel inferior da ventosa ventral até una dis-
tânda que vari.-i entre 0.282 a 0.636 do nivel inferior do último testículo.
APARELHO EXCRETOR
Os pormenores do aparelho excretor foram cstmlados cm material vivo pro-
veniente de sários lotes. O poro excretor está localizado na extremidade pos-
terior do corpo, ao nÍA-el da linha mediana. Vesícula excretora calibrosa. i>as-
sivd de grandes dilatações. A bifurcação tem logar imediatamente acinu do
nivel testicular. Ramos pares muito grossos c dilatáA-ds. atingindo, em certos
movimentos, a região faringeana. Os canais coletores secundários anteriores,
situados um em cada margem lateral do corpo, na rizinhaiva da linha que di-
9
•)6
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
vide os terços medio e anterior, emitem uma ramificação terciária do lado ex-
terno que se dirige para baixo quasi alcançando o limite superior da zona aceta-
bular; nesse ponto partem três pequenos tubos capilares que se dirigem para a
linha mediana, terminando em células \'ibráteis. A segunda ramificação terciá-
ria dá-se ao nivel da bifurcação cecal; formam-se dois ramos terciários: um
externo e outro interno; o externo dirige-se para cima e a curta distância se tri-
furca; seus três capilares dirigem-se igualmente para a linha mediana e condu-
zem às células ribráteis; o ramo interno é mais longo e atinge o nivel inferior
da zona da ventosa oral onde se originam tres capilares terminando ena células
vibráteis que circundam a ventosa oral. O trajeto dos troncos coletores secun-
dários posteriores é mais diiidl de observar em seus pormenores devido à enonne
massa de ovos que mascaram a região post-acetabular. A primeira ramificação-
terciária dá-se no limite superior da zona testicular; o fino tronco que dai se
origina é curto e externo e dirige-se para baixo; de sua extremidade partem
tres capilares que se voltam para a linha mediana; apenas em dois déles foram
obser\adas as terminações e consequente localização das células vibráteis. Ao
nivel do meio da zona testicular o ramo secundário subdivide-se em dois ramos
terciários longos, paralelos, que se continuam para baixo ; o externo é mais curto
e se trifurca logo após a zona testicular; os tres capilares restantes dirigem-se
para a linha mediana; o interno segue o percurso até quasi a extremidade pos-
terior do corpo; a sua subdivisão não foi obser\-ada. Xa Fig. 4 damos um es-
quema do aparelho c.xcretor, no qual são representadas por linhas pontilhadas
as trajetórias não observadas. Do que acabamos de expór conclue-se que a
fórmula representativa do sistema celular vibratil do ajiarelho excreíor do Opis-
Ihogonimus {IVcstclla) serpentis, n. sp., é do tipo 2 (3-j-3-j-3)-f-(.3-F3-|-3).
Hospedeiro tipo: Tomodon dorsatus DM & BIBR. — Xomes vulgares:
“Corre campo”, “Boipemi”.
Lxxralidade tipo: Araucaria — Paraná — Brasil.
Localização: Caridade bucal e esófago.
A descrição e medidas apresentadas para a presente espécie foram basea-
das em dez exemplares comprimidos e montados, pertencentes à coleção da Sec-
ção de Parasitologia do Instituto Butantan, onde se acham arqui\'ado«^ sob o
Xo. 3.681.
Xo mesmo hoipedador foi retirado um exemplar de Opislhogonimus (O.)
criigasi Ruiz & Leão, 1942, fichado sob o No. 5.551.
A presente espécie nova tem sido encontrada com relativa frequência em
diversas espécies de cobras oriundas dos Estados de São Paulo e Paraná, não
10
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
P. DE T. Artigas; José M. Ruiz & A. T. Leão — Algiinias notas sôbre
o gênero Opislhogoninms LChe. 190Q. õ7
sendo, porém, o parasitismo muito intenso. O quadro seguinte dá indicaqões
dos diversos lotes que tivemos oportunidade de eiKontrar.
QUADRO 1
Lote
Hospciletro
LocAUiaçS*
Frocedéacia
* S
Dau
Localidade
Estado
sacr
Licfhit wtÜiArxi (L.)
Rio Grasde
Slo Paalo
12
2/12;i2
liUA
Li^ku miliãris (L.)
Boca e e«t(axo
Arapoii|;as
Paraná
2
27/11/42
Li 0 fhii mUiatris (I*)
Boca e esôlajco
ScrpcQtano de
ButaAtao ( 1 )
í
12
18/11/42
36(^1
Tompdcn D. ft B.
Boca e esôtaco
Araocana
Paraná
10
17/ 7/40
3690
Ttmodtm d^stiu D. k B.
Ltòtaito
Poeta Crosta
Paraná
1
30/ 9/40
•I&I6
difrsãtiu D. k B.
Boca c ct^faco
Araocaria
Paraná
S
17/ 7/40
SlfC
(L.) ..
Boca
Araocana
Paraná
4
23/ 9/40
S199
Dry»fiyU* (L.) ..
Boca
Araucaria
Paraná
1
23/ 9/40
SjüO
Drj9fkyt€r tallidus (L.) ..
Boca
ScrpcBUrio dc
m^rrtmii (WA«
Butantao ( 1 )
?
6
13/ 9/42
-1
CLER)
Boca
Serpentano de
5qo7
.VroWoo m^rrrrmti (WA-
üofaatae ( 1 )
T
1
26/ 8/41
GLER)
Serpeatario dc
Xenad 0 n mrrrrmti (WA*
Itutaetaa ( 1 )
9
1
25/10/42
CLER)
Boca c ea^Ugo
Scrpeeiario de
Butaetan < 1 )
?
5
18/ 9/42
Litfkit milUrit (L.)
Boca
Dourado
Slo Paulo
2
25/11/40
sm
S»rei:»nrms
<WED)
Boca
Coroelio Procopio
Paraná
2
25/ 6/40
(1) Proc^dêacU ifnor»d*-
RESUMO
Neste trabalho faz-se o estudo critico das publicações dos autores que tra-
taram das espécies do género Opisthogonimus LChe, 1900.
Dcpwis de fundamentado um ponto de vista, em relação aos trabalhos bási-
cos de West c de Lühe. em que se afirma a independência especifica do Dis-
tomum phUodryadum West, 1896 e Opisthogontmus lecithonolus Lühe, 1900,
chama-se a atenção para a situação dúbia criada após a revisão do gênero Opis-
ihogonimus feita por Pereira em 1929.
Em resultado do estudo critico assim feito, as conclusões aceitas são:
— O espécie Opisthogomtnus Iccilhonolus LOiie, 1900 é boa e dife-'
rente da de West e a sua descrição se adata à figura publicada por Pereira para
Opisthogoni mus philodryad m m .
“ ® — O gênero Opisthogonimus é desdobrado cm dois subgeneros: Opis-
thogonimus, n. subgen. e IVestella Aeticas, Ruiz & Leão, 1942 (apresentado
znteriormente como gênero).
— O subgencro WesteUa deve compreender as espécies: Distomum phi-
lodryadum = Opisthogonimus {IVestella) phUodryadum (West, 1896), Opis-
thogonimus (tVesteKa) sulina ArncAS, Ruiz & I-eão, 1942 c Opisthogonimus
II
58
Memórias do Inslitulo Butantan — Tomo XVII
(Weslella) scrpentis, sp. n. O género Wcstcüa Artigas, Ruiz 4 Leão, 1942,
passa. pois. à categoria de subgênero.
4.0 — O subgênero Opisthogonimus deve compreender as espécies:
Opisthogonimus (O.) lecithonotus Lühe, 1900 — espécie tipo.
Opisthogonimus (O.) megabolhrium Pereira, 1928
Opisthogonimus (O.) afranioi Pereira, 1929
Opisthogonimus (O.) interrogatiivs (Nicotx, 1914)
Opisthogonimus (O.) artigasi Ruiz & Leão, 1942
Opisthogonimus (O.) fonsccai Ruiz at Leão, 1942
Opisthogonimus (O.) pereirai Ruiz & Leão, 1942
5.0 — Uma nova espécie Opisthogonimus {IVestcUa') serpentis é descrita.
ABSTRACT
This paper constitutes a criticai study of works on species of the genus Opis-
thogonimus LC'hne, 1900.
.\fter establishing a point of view conceming the fundamental works of
West and Lühe, in wich the specific independence between Distomum philo-
dryadum and Opisthogonimus lecithonotus is stated. attention is furtherly called
upon the doubtful position originated by the work of Pereira (1929) when rc-
viewing the genus Opisthogonimus.
As a rcsult from this criticai study. the following conclusions were drawn:
1. ® — Opisthogonimus lecithonotus Lühe, 1900. is a valid species and dif-
fers from the species of West (Distomum philodryadum), its description agree-
ing with the figure which Pereira presents for Opisthogonimus philodryadum.
2. ® — The genus Opisthogonimus is subdivided in two subgenera — Opis-
thojonimus, n. subgen.. and Wcstella .\rtigas. Ruiz a Leão, 1942.
3. ® — In the subgenus Wcstella the folloAving species are included:
Opisthogonimus (Wcstella') philodryadum (West, 1896)
Opisthogonimus (Wcstella) sulim .Urtigas, Ruiz * Leão, 1942
Opisthogonimus (Wcstella) scrpentis, n. sp., and in the subgenus
Opisthogonimus are included:
Opisthogonimus (O.) lecithonotus Lühe, 1900
Opisthogonimus (O.) megabothrium Pereira, 1928
Opisthogonimus (O.) afranioi Pereira, 1929
Opisthogonimus (O.) interrogalivus (NicoLL, 1914}
12
P. DE T. Artigas; José M. Rviz & A. T. Leão — Algumas notas sôbre
o gênero Opisthogonimus LChe, 1900. 59
Opisthogonimus (O.) artigasi Ruiz ft Leão, 1942
Opisthogonimus (O.) fonsecai Rinz & Leão, 1942
Opisthogonimus (O.) pereirai Ruiz * Leão, 1942
The gcnus Westella Árticas, Ruiz h Leão, 1942, is thus considered as sub-
genus oi Opisthogonimus.
4.® — A new spcdes. Opisthogonhnus (IFfsteNa) scrpentis, n. sp., found
in the mouth casnty and oesophagus of Tomodon dorsatus Dm * Bibr. is des-
cribed.
BIBLIOGRAFIA
Arltças, P. de Toledo; Ruis, J. M. & Leão. A. T. — Trematoíde de Ofkkos. Liofhistrema
pulmonalis, n. g«u, n. sp., Liophitireminae. n. subfam. Westella sulina, n. gen..
a sp. (Ploçtoirehiidae) — Metn. Inst. Btitantan 16:157-165. 5 íírs. 1942.
LuMe, M. — Ueber Etnigc Distotneni atis Schiangen und Eidechsen — Centralbl. f. Balct.
Parasit. Infekt. 28:555-558.1900.
Luhe. — Uehcr Distomum philodryodum West — Centralbl. f. Bakt. Parasit Infekt.
28:743.1900
Sieoll, W. — Trematodes front animal dying tn the Zoological Socicty’s GSarden during
1911-1912 — Proc. ZooL Soc. London 1:142.1914.
Pereira, C. — Fauna helminthologica do* Ophideos brasileiros (3.®) — Boletim Biologico
12:50-52. 8 figs. 1928-
Pereira, C. — Reris2o do gwtero Opisthogonimus — Rev. Museu Paulista 16:1-17. 19 figs.
1929.
Pralt, //.. S. — Sinopses of Xorth .American Invertebrates. XII. The Trematodes. —
The American Naturalist 36:953-979. 130 fis. 1902.
Ruis. J. M. Sí Leão, A. T. — Xotas helmintoiógicas. I. Tres novas especies de Opis-
thogoniums parasitas de ofídios brasileiro*. (.Tremaloda: Plaçiorehüdae) — Mem.
Int. Botantan 16:171-176. 5 figs. 1942.
Travsssos, L. — Fauna helmtnlbologica de Matto Grosso (Tremaloda, 1.* Parte) — Mem.
Inst. Oswaldo Cnix 21(11) : 309-341. 44 figs. 1928.
West. G. S. — Oo a new spedes oí Distomum (Communicated by Prof. G. B. Howes.
Sec. Linn. Soc.) — J. Linnean Sodety 25:322-324 10 figs. 1896.
tTnlMlbo <Jc colaboncie dos Loboraloric* de Paratitolocb do
lostiloto Botanlui c ds Fsculdade de FarnSet* e Odon-
toiori* da Unirersidade de S. Paolo. Entretoe para
pdblieacie m l.aS.43 e dado á poMiridad* na de-
tead>ro de IMI).
1.1
S»l IS;S12.492
SUBSTANCIAS ESTROGÊNICAS NOS OVÁRIOS DAS
CROTAUDEAS
POB
JOSÉ R. VALLE & LUIZ A. R. VALLE
A descoberta e a ulterior aplicação da pro%-a de Allen e Doisy penuitinuu
■verificar a ampla distribuição das substâncias estrogénicas na natureza, tanto
no reino animal, como nos reinos vegetal e mineral. Xos trabalhos, entre outros
•de Martins (1), Doisy (2), Deuloíeu (3) e Zondek (4), vem referidos os da-
dos mais importantes da literatura. Os estrógenos existem nos vertebrados e
nos invertebrados, nos vegetais e ate nos bitumes, mas os ovários são a sua fonte
natural, quando se considera aquelas substâncias como as responsáveis pelo apa-
recimento e pela manutenção dos caracteres sexuais secundários femininos.
G>mer (5) estudou o local de formação no organismo das substâncias estro-
gêmeas; nas fêmeas não prenhes elas seriam elaboradas provavelmente pelas
•céhilas da teca interna dos foliculos de qualquer tamanho.
Fiaenkel e Martins (6) foram os primeiros a verificar a atividade estro-
gênica do liquido folicular dos ovários de serpentes ovoriviparas, concluindo pela
presença de 2 mil unidades camondongas por litro de material. Traballiamos
também com as-arios de Crotalideas (7) e encontramos, em experiências preli-
minares. 2900 unidades estrona por kg de foliculos e óvulos de diferentes di-
mensões e preriamente desembaraçados dos demais tecidos.
Neste trabalho procuramos determinar a concentração de substâncias estro-
gênicas no ovário total de cascaws e jararacas depois da separação, segundo a
técnica de Gallagher et a!. (8), das substâncias androgênicas acaso presentes.
a) Material
Foram autopsiadas 245 cascavéis e jararacas (^Crotalus terrificus terrifieus
■e Bothrops, sp.), fêmeas, mortas no serpentário deste Instituto e os orarios. de-
pois de triturados, colocados em álcool a S)6%. Este total compreende 129 cas-
< iveis. com peso corporal médio de 446 g. e 116 jararacas, com peso corporal
médio de 279 gramas. O peso total dos ovários coletados foi de 331.3 g, donde
o valor médio de 1.3 g por serpente.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
62
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
b) Extração
Retirados os os-arios, independentemente do desenvolvimento ovular, eles-
íoram pesados, triturados e deixados à temperatura do laboratorio em 4 vezes
o seu peso de álcool a 96^o. Após a coleta glandular o álcool foi filtrado e o-
resíduo reextraido em aparelho de refluxo com alccol quente durante 4 horas.
O bagaço, pesando 34 g, foi desprezado e as porções alcoólicas, de cor amarelo-
.‘■íverdeada e de cheiro caraterístico, foram reunidas, filtradas novamente e eva-
T.«radas. O residuo xaropeso obtido foi tratado, em funil de separação, com
4 X 50 cm^ de eter isento de peróxidos e a fração insolu%'el desprezada. A so-
lução etérea evaporada forneceu 10 cm* de óleo vermelho carregado, redissol-
vidos em 70 cm^ de eter e lavados com solução saturada de bicarbonato de sodio.
Separada a fração etérea límpida e avermelhada, ela foi tratada com 5 x40 cm*
de NaOH a 10%. A porção eterea foi depois acidificada com ácido sulfúrico
a 10%, lavada com agua distilada e evaporada. Obteve-se, assim cerca de 1 cm*
dc residuo oleoso. A porção alcalina separada foi por sua vez também acidi-
ficada e extraída com eter e este evaporado para a obtenção das substâncias
estrogênicas, agora separadas dos andrógenos acaso existentes no extrato.
c) Ensaio biológico
O residuo da fração alcali-insohivel, devendo conter os andrógenos, foi di-
luído em óleo de amendoim até 3.3 cm* e ensaiado num galo capão e em ratos
castrados injetados com colchidna, conforme a técnica descrita quando estudá-
mos as substâncias androgênicas nas gõnadas das Crotalideas (9). Os resul-
tados foram negativos na dose total de 1 cm*, correspondente a 100 g de ovários
frescos.
Para verificação do teor estrogénico na fração alcali-soluvel seguimos a
técnica de Bülbring e Bum (10) de pesada dos cornos uterinos de ratas castra-
das infantis.
Empregamos 20 ratas de um mês de idade, castradas e divididas em 5 lotes
dc 4 animais. O tratamento foi iniciado 48 horas depois da castração, uma in-
jeção diária subcutânea de 0.25 cm* durante 4 dias, no total de 1 cm* da so-
lução oleosa a ensaiar. Dois lotes scr\-iram de testemunhas, um não tratado e
outro injetado com óleo puro; outro lote foi injetado com solução conhecida de
cslrona cristalizada. Nos lotes tratados com o extrato a ensaiar as soluções cor-
respondiam a 5 e 10 gramas de ovários frescos por cm*. Os resultadcs vêm
sumariados no Quadro I.
Si referirmos o peso uterino médio seco por 100 g de peso corporal, teremos
12.9 e 12.2 mg respectivamente para os lotes testemunhas sem tratamento c
Injetado com óleo puro; 15.1 e 22.5 mg para os lotes tratados com o extratn
tníaiado contendo rcspectivamcnte 5 e 10 g de glândulas frescas por cm* e.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Jnsá n. Vaixe & Lviz A. R. Vaixc — Substâncias estrogênicas nns
ovários lias rrotaliilras.
r>3
finalmentc, 16.0 mg para o lote que recebeu 1 y de estrona cristalizada. Estes
últimos valores permitem calcular a presença de substâncias estrogcnicas nos
ovários das Crotalideas na concentração equivalente j>elo meno» a 160 y de es-
trona |)or kg de material.
Qr.AMK) I
N.« de
PeM> c«>r-
pof*l
dw em K
TraUaieato
Peso uteríoo médio
em mx
[rcKO
teco
frr»co
•/.
A
4
42.5
Nihil
19. S
5.5
12.9
H
.4
47.2
4x0.25 cm-5 ifc óleo puro
28.8
5.8
12.2
C
4
45.0
4x0.25 cmJ dc Ext. = 5 g
25.8
0.8
I5.I
D
4
43.5
4x0.25 cniJ dc Ext. = 10 g
30.5
9.8
22.5
4
55.0
4x0.25 cm* ite Ext. = 1 y
28.0
8.8
10.0
d) Discussão
São os seguintes os dados sobre a concentração de substâncias estrogcnicas
nos ovários das Crotalideas: 2 mil unidades camondongas por litro de liquido
íoUcular, segundo Fraenkel e Martins (6), 2900 unidades estrona jwr kg de
toliculos c óvulos previamente dissecados, coníonne as nossas experiências pre-
limitiarrs (7) c 1600 unidades estrona por kg de ov’ario total de acordo com
«»s dado» que acaliamos de retotar. Si coni)xirarmo6 estes valores com a concen-
tração rclativamente luixa de estrógenos nos ovários dos mamiferos, vhuos que
os ovários de ofidios constituem uma fonte aprcciavel daquelas substância.s. A
concentração referida foi inferior â encontrada, por exaniJô, no liquido folicular
bumano ou na urina de mulher grávida, mas suiierior â extraida jxjr Marlovv
c Kichert (II) dos ovários dos galináceos.
Quanto â presença <lc andrógenos nos ovários de cascavéis c jararacas, os
ensaios foram negativos mesmo na dose ila fração alcali-in.soluvcl corresjwn-
dente a 100 g de glândulas frescas. A concentração de substâncias androgeni-
cas nos testiculos das Crotalideas já foi referida em trabalhos anteriores (9. 12).
Complemento do presente trabalho seria, partindo de grande quantidade de
material, a identificação quimica das substâncias responsáveis pelos efeitos
assinalados.
RESUMO
De um extrato alcoólico de ovários de 245 serpentes ovoviviparas, dos gê-
neros Crolalus e Bothrops, foram obtidas duas frações: uma ensaiaib em ratas
infantis castrailas, para determinação do teor cm substâncias estrogcnicas, con-
fornve a técnica de Bülbring c Bum. c a outra cm galo c ratos castrados jiara
a presença de sulistâncias androgenicas. Os ensaios foram negativos |xira estas
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
64
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
últimas, mas mostraram para as primeiras a concentração média equivalente a
160 microgramas de estrona por kg de glândulas frescas.
Elste teor de estrógenos nos ovários dos ofidios é apreciável quando com-
parado com os \-alores bai.xos, referidos pelos autores, para os ovários dos ma-
mi feros e das aves.
ABST31ACT
Two fractions were ol>tained from an alcoliolic c.xtract of the ovarics of
245 ovoviviparous snakes belonging to the genera Crofalus and Bothrops: one
was assayed in castrate fcmale rats for the estrogenic potency according to the
Bülbring and Bum’s method, and the other was injected on capon and castrate
rats for androgenic response. Only the estrtçenic effcct was observetl averagin»
160 Y of estrone per kg of freesh material.
This amount of estrogens in the female gonads of snakes in higher tlun
the knowTi values for the mammalian and avian ovaries.
BIBLIOGRAFIA
1. Martins. Th. — Glândulas sexuais c hypophyse anterior, p. 98-106, S. Paulo, Cia.
Editora Kacional, 1936.
2. Doisy, E. .4. — Biochcmistry of the estrogenic compounds, in Sex and internai se-
cretions, cap. XI II, p. 846-877, Baltimore. Williams and Wilkins Co„ 1939.
3. Dfuloffu. V. — Distriboción de los estrógenos en la naturaleza — Cicncia (México)
2(8-9) :289.1941.
4. T.ondfk. fí. — Ginical aixl experimental investigations on the genital functions an<l
their hormonal regulation, Cap. I — The occurrence of some estrogenic .sul>stan-
ces in naturc. Baltimore, Williams and Wilkins Co., 1941.
5. Comer, G. U'. — The sites of formation of estrogenic substances in the animal Ixidy
- Phys. Reviews 18(2) :154.1938.
6. Fraenkel. & ..\íartins. Th. — Estudos sobre a fisiologia sexual das serpentes —
Mem. Inst. Butantan 13:393.1939.
7. Valie. J. R. — Xotas sobre a fisiologia endócrina dos ofidios — Arq. Cir. Oin. Ex-
per. (S. Paulo) 6(5-6) :1099. 1942.
8. Callofiher. T. F.; Peterson. D. H.; Dorfman, R. /.; Kenyon. A. T. & Koch. F. C.
— The daily urinary excretion of estrogenic ami androgenic substances by normal
mcn and women — J. Qin. Invest. 16(5) :69S. 1937.
9. 1'allf, J. R. êr Fatie. L. A. R. — Substancias androgênicas nas gónadas de serpentes
dos gênero» Pothrofs c CroltJus — Mem. do Inst. Butantan 16:225.1942.
10. Bülbring. E. Sr Pum. J. H. — The estimation of oestrin and of male hormone in oily
solution — J. Physiol. 85 :320. 1935.
11. Marloxr. II. U . Sr Riehert. D. — Estrogens of the fowl — Endocrinology 26:531.1940.
12. 1’alle. J. R. & Valte, L. .4. R. — Gonadal hormones in snakes — Science 97:400.1943.
(Tratolbo da S<cçSo de Eadocrinoloci* do Tnstíluto Botantan.
Eatregur para ptddtocio em 31-S-t94J c dado i publi-
cidade em dezembro de 1943).
4
SSI.I»:612.4»
TEOR EM ACETILCOUNA DA GENITALIA DE RATOS EM
DIFERENTES CONDIÇÕES HORMONAIS
POR
JOSÉ R. VALLE & ANAXIAS PORTO
Em trabalhos anteriores com Thales Martins (1, 2) ficou demonstrado que
a excitabilidade e a contratilidade farmacológica “in \ntro” de canais deferentes,
vesiculas seminais e próstatas de ratos tlependem das condições honnonais dos
doadores. Xos ratos normais ou castrados tratados com testosterona, por exem-
plo. ao contrario do que se obsers^a nos castrados ou tratados com estrogenos, a
sensibilidade às drenas parasimpatomiméticas c bastante reduzida. Esta e outras
alterações fundonais da musculatura lisa genital masculina já aparecem 30 horas
depois da ablação das gónadas e se modificam 4S a 72 horas depois de uma úni-
ca dose de propionato de testosterona ou de benzoato de estradiol (3). Pro-
curando analisar estes fatos e considerando que tais altcraçõe.s precedem as mo-
dificações morfológicas, mas podem depender ambas de fenómenos \-asculares c
metabólicos mais precoces, julgamos interessante procurar si os hormonios sexuais
modificam o teor de acetileolina daqueles orgãos, sobretudo depois dos dados dc
Re\-nolds (4), Rejmolds e Foster (5) a propósito da concentração daquela subs-
tancia no útero de coelhas, gqtas e ratas tratadas com estrogenos.
-M.\TERIAL E .MÉTODO
Empregamos nestas experiencias um total de 295 ratos machos adultos de
130 a 250 g de peso, dis-ididos em 53 grupos, 5 animais em media para cada grupo,
e assim distribuídos: 50 normais, 30 castrados. 55 castrados injetados com oleo
de sésamo, 62 castrados, injetados com propionato de testosterona na dose média
de 5 mg. 89 castrados injetados com benzoato de estradiol na dose média de 05 mg
e, finalmente. 9 castrados injetados com 0.5 e 1.0 mg dc cstiboestrol (•). De
(*• A«T»,}«cn»oi i Câ»» SchCTiitf o tuirrial bors<n<l (Tr»«o»irí». Prcc7M>) '
Prrtir» • ntiltnmro). ttdtiot (ratilowstc mlii^So d*» »<•«• c»|«tí«»cím-
Pro(.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
2 a 24, em média 6 dias, após a castraição, os ratos eram sacrificados por decapi-
tação de 2 a 10 em média 3 horas depois da injeção tjuando tratados. Foi obtido
então o material para preparo de 116 extratos: 57 de genitália, isto é, canais
deferentes, vesículas seminais e próstatas, e 59 testemunhas assim discriminados:
17 de intestino delgado, 13 de baço, 10 de cremasteres, 4 de pele escrotal e 15 de
bexiga, próstata ventral e penis. O método s^uido foi o de Chang e Gaddum
(6) e usado por um de nós ao estudar a sensibilidade da Diplobdella brasiliensis
(Pinto, 1920) á acetilcolina e aos extratos de tecidos (7). A genitália acessória
de cada grupo de rato e os orgãos controles eram pesados, picados num gral em
ácido tricloracético a 10% na proporção de 2 cm* por g de tecido. A papa per-
manecia á temperatura do Laboratório durante 2 horas, agitada neste inter\’alo
\-arias vezes. Filtrava-se e reextraia-se o l>agaço com solução de ácido triclora-
cético a 7%. O filtrado era lavado com éter em funil de separação tantas vezes
quantas necessárias para remoção do ácido. Os extratos etéreos eram desprezados
e o liquido obtido e^-aporado cm banho-maria á temperatura inferior a 40®. O vo-
lume final era acertado com agua distilada de forma a 1 cm* corresponder a 1 g
de tecido, depois neutralizado e, finalmente, ensaiado. Na maioria dos casos
porém, depois da evaporação o material ficava na geladeira, congelado, para di-
luição e ensaio no dia seguinte. A neutralização do extrato era sempre feita no
momento do ensaio.
A prova biológica com os extratos foi realizada empregando-se o músculo
dorsal eserinado da sanguesuga Diplobdella brasiliensis, mergulhado em 30 cm*
de Ringer e nas demais condições minuciosamente descritas em trabalho anterior
(7) . E.xaminamos alguns extratos usando o método da pressão arterial do gato e
o do coração isolado da rã, Leptodaclylus ocellatus. Em todos os casos a sensi-
bilidade do lest era comprovada pelo emprego de uma solução recente de cloridra-
to de acetilcolina “Roche” contendo 1 y ot: 0.1 y por cm*. A dose de cada ex-
trato para o músculo dorsal de sanguesuga foi habitualmente de 0.5 cm*, isto é,
0.5 g de tecido ; quando era menor a sensibilidade da preparação, usavamos 1 cm*
do extrato.
Em algumas experiencias a resposta obtida foi controlada quer pela alcalini-
zação, quer pela calcinação do extrato, afastando-se assim a possibilidade da rea-
ção depender de outras substancias diferentes da acetilcolina, principalmente o
potássio. No Quadro I vém os dados relativos a alguns dos grupos experimen-
tais. Nos grupos 47 a 50 os ratos receberam alem do oleo de sésamo puro ou dos
hormonios nele dissolridos, uma injeção subcutânea de 0.5 cm* de sulfato de eseri-
rina a 1 para 10 mil. Isto foi feito com o fito de se impedir a destruição da ace-
tilcolina por>’entura liberada como consequência do tratamento hormonal.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
DADOS RKI.ATIVOS A 30 DOS lOS KXTRATOS ENSAIADOS
José R. Vaix£ &. A. Porto — Teor em aretileolina da genitalia de ralos
em diferentes condições hormonais 67
9 «
+
4-
+
+
+
+
1 li
>-
>-
>-
>-
s s K
-•
a “
O
d
d
o .
d
O
e
• s
+ +
+ ++ +
-r+
+
+
++++
+ +
+0+0+0
+0++++
++
+ 0 +0
+ 0+0
++++
++++
ll
V
lA
«et «A «A «^ «A «A
«A M
o o e o
«es «es «es
«es «es «A «es
«et «es «es «es
1 -
O -• d O e d
d d d a e O
a e
----
a O a d
aeea
ecoe
li
SS^igSS
iiiiii
li
llii
iiii
iiii
üll
....
....
«
0
rs
ííaüI
® I ® I
U i-3
1 t • ; : •
te . ;w .
.V • w
V
0
s
u
O
“ ^5 : - :
^ 3
•2 o S » - 0
•tç •?!
^ V ^ « «A
5 s -5 5 *
ilIlM
C &• w C ->
.2 -2
IJ
2 •
u a *«; s
•2 1.2 I
caua
■|I=M
iJiJ
JS-JI
Pll
mujntf
^ » 1 ^
»« e«
1
«e t
to t
«A S
n 1
tSJII
*
•! t
•! .
. s
^ 1
? *
1 ^
11 1
1 1
•3 !
í:
it
8
c $
S 3
t "S
T 3
1 1
c
1
«
í 5 t
Ji‘ ' i
t 7
J í
•• le
t i
í 8
é i
£ «o
m
H
«• w w
6E 6
«es o «es
S 1
«es «
^ y
ej
? ;
o ws
1 i
í ^
ws «es
1 í
d— d
d
e*«%
ws d
d d
d d
«es d
± fl
• m
3 1 .3
rí â • gt *0
et
‘“5 t
«
5
rr t
Íi 1
J .
s
‘•ê ■
S j
fr
r*
<0
PT
f» e*
(•leaM
Ü3 'ò
a s
g g
8 s
g 1
mu •» ii
«0*9 M0
Wí S tví II
•o t
w» t«a t
^ r«A «
«a i«o t
^ ««a 1
mau «f T«
firRf.SR
õS33âS
ss
GKtztí
R25S?
S92S
asss
odniQ
<er« X
í: ^
R».
a ;ç
« R
« S
S 5
o
•»
f
«w
■W
5
2
c
d
«p
«2
■d
d
»•
d
-*
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
i*) G«iiiUlU = CAfiait dclertolet. vf«WuI«t «riBioiií* t gUndulu cwiuJadoru.
G8
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
RESULTADOS E COMENTÁRIOS
Os resultados obtidos nos ensaios feitos com o emproo da musculatura dorsal
de sanguesuga vêm resumidos no Quadro II. Dos 54 extratos de genitália exa-
minados, somente 5 não deram efeito positivo. Si por um lado a amplitude de
contração do musculo dorsal eserinado de sanguesuga e a proporção de respostas
positivas foram maiores com os extratos de castrados e tratados do que de nor-
mais e castrados simples, a influencia do tratamento hormonal não ficou manifes-
ta comparando-se a resposta aos extratos de tratados com oleo puro. Todos os
17 extratos controles de intestino foram positivos, em alguns casos a reação foi
superior á registrada com os extratos de genitalia dos animais do mesmo grupo.
Quanto aOs extratos controles de baço, todos foram negativos ; somente em 1 entre
10 extratos de cremasteres foi obtida uma resposta positiva. Nos 7 extratos
de bexiga, próstata ventral e penis houve 3 respostas positivas e 4 negativas. Fi-
nalmente, os 4 extratos de pele cscrotal foram todos inativos. Estes 3 últimos
grupos de extratos de orgãos que dependem também das condições hormonais dos
doadores, foram estudados para melhor análise dos resultados obtidos com os ex-
tratos de genitália. Si os hormonios sexuais liberassem acetilcolina ao nivel de
toda a musculatura genital acessória, a incider.*cia de resultados positivos deveria
ser maior também nestes grupos. Como se póde vêr na fig. 1. a concentração
de acetilcolina na genitália de ratos tratados com estradiol ou estiboestrol, foi pra-
ticamente a mesma apesar das doses diferentes dos estrogenos empregados: tam-
bém nas Figs. 2 e 3 vê-se que não houve relação entre a intensidade das respos-
tas e as condições hormonais dos doadores.
Emlwra tenha sido reduzido o número de provas realizadas empregando-se o
método da pressão carotidiana de gatos, elas vieram corroborar os resultados
acima descritos. Assim três extratos de genitália de ratos castrados e tratados
com oleo puro, testosterona e estradiol e ainda eserinados, provocaram cada um
efeito hipotensor de mesma intensidade, devido em grande parte, talvez, ao teor
em histamina (fig 4). Nos ensaios efetuados pela técnica do coração isolado de
rã observamos em certos casos diferenças de resposta conforme o extrato. Re-
gistrava-se. às vezes, aumento da amplitude sistólica invez de diminuição que se-
ria o caso quer se tratasse da acetilcolina, quer do ion potássio. O reduzido nú-
mero de provas, infelizmente, não permitiu maior esclarecimento deste fato.
Apesar das contraprovas pela alcalinazição ou calcinação dos extratos, não
se pode afastar categoricamente a presença do potássio cuja concentração, nos di-
ferentes casos fica ainda para ser determinada.
Finalmente, em e-xperiencias preliminares, também comparativas não se veri-
ficou um aumento do teor em acetilcolina nos extratos de úteros de ratas adultas
castradas sacrificadas 3 horas depois da injeção de 0.1 mg de benzoato de estra-
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
José R. Valle A. Porto — Teor em acelilcolina da genitalia de ratos
cm diferentes condições hormonais 69
Fic. 1
Môtcitlo «SotmI ocniu4o <Se unfimas» *rà vilro*):
9) Cootraç^ ^ re«po»U â adi^io ao hknho notridor dc O.S cn* do extrato n. 2S, eorrr«poodrnte
a 0.5 ( de (eattiUa de ratoo tratada» cocn rstradiot.
Rcaoltado da i&attTacio aScaltna do extrato n. 25.
O Efeito oetativo da adi^ ao baobo de 1 ets* do extrato n. 26. correapeodente a 1 g de
Kaço» de ralo» tratado» eoc» e»tUUM»lro<.
d) Contrario apót a adi^ de 0.5 cn* = 0.5 g do extrato n. 27. obtido de genttálu *W rato»
tratado» ctsa eatâbocatrol.
CoMiparar a» re«pe»ta» po»ttiea» com a» obtida» cota o» extrato» de geoitilia da» figura»
•eguiate*. 2 c 2.
(Em toda» a» figura* cada mierralo oa Imka de trapo cceretpcode a 5 »efUfid(«).
Ktc. 2
M tttetdo áecmX ceeriaado de •aaguetaga.
») Cceitraçio aaspla apd» adrçSo ao b a a bo de 0.5 em* = O.S g de eatrato de getiitálta de rato»
tratado» com eatradiol (Ext. ». 57).
b) Idem. kiem. de rato» tratado* rrm tr»to»terma (Ext. «. 62).
c) Efeito da cakmaclo do extrato r. 62.
/) Sensibdidade da preparação a 0.2 y de aietilcofua. E»tr» rtaullado» moatram que a coa*
centraçlo dr acetikrdma t»a genitilta dr rate» nSo parece depender do tratamento rttrogèotco.
5
SciELO
11 12 13 14
6 17
70
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
diol. Este fato está de acordo com os dados de Holden (7), Rejmolds e Fos-
ter (5) e indica que no rato, muito provavelmente, a acetilcolina não é a media-
dora nos efeitos vasculares dos hormonios gonadais. Também outras pesquisas
são necessárias para se decidir si, por exemplo, a histamina ou substancias afins
desempenham no caso um papel importante.
Qcadro II
DISTRIBUIÇÃO DOS EXTRATOS CONFORME A REAÇAO DO MÚSCULO
DORSAL ESERINADO DE SANGUESUGA
_
■S m
*Soo
■S
V 2
r» ss
GIUPOS
Ruela
•5 e
o ts g
•• o
o o
sS
O m
m B
li
« 0
lom
— 0
m 5
*“
— B
1
3
4
Normais
-r
7
II
7
4-
n
n
0
«»
n
4
Castrado»
4-
2
0
•*
-r +
2
n
2
Castrado» 4- oko de
0
0
2
I
3
Sésamo
+
r.
4
u
0
to
+ +
4
.1
II
0
7
Castrado» -f proprionato
n
0
2
4
2
2
10
*te tesioslerona
-r
s
3
0
1
0
1
13
+-f
4
1
0
n
0
n
5
C«’>strado» 4* bentoato dr
_
n
0
3
4
«»
r
13
e»tradiol
+
i
I
0
0
0
-
13
-I ^
2
1
0
0
0
n
fi
Castrados -f estilbocs^
--
0
0
1
1
Irol
0
1
0
1
+ 4-
2
0
n
n
TOTAL
17
13
III
4
7
ia‘i
Em suma. o tratamento com testoterona, estradiol ou estill>ocstrol. nas con-
diqões exjx;rimentais descritas, até 10 horas depois da injeção não parece modi-
ficar o teor em acetilcolina da genitália masculina de ratos adultos castrados. É
pouco provável portanto, que no rato a acetilcolina, ou outra substancia deste
tipo, esteja em jogo nos fenômenos mais precoces que se processam na intimi-
dade da fibra lisa genital masculina e que depei.diam dos hormonios gonadais.
RESUMO
Procurando analisar as alterações funcionais da musculatura genital mas-
culina, descritas em trabalhos anteriores, foram ensaiados 116 extratos de genitá-
lia, intestino delgado e baço de 295 ratos normais, castrados e injetados com subs-
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
José R. Valle Jt A. Porto — Teor <in acetilrolina ila Renitalia de ratos
em diferentes rrimiições hormonais 71
tancias androgénicas e estrogcnicas. O teor em acetilcidina destes extratos foi
ensaiado cm sanguesugas e. em alguns casos, tam' cm em gatos e rãs. Até 10
horas após a injeção os extratos de genitália c tJc intestino apresentaram quasi
a mesma atividade independentemente das condições hormonais dos doadores.
Fie. j
Mtàtctalo <le
«) Efrtfo cU adíçSo Óc 0.S cwi* = 0 5 c ^ citrato n. 70, cfcA»iSo dc (cotUlú dr raloa tratado»
tom tevtoacerooa.
Resultado da alcalmúacio do citrato u. 79.
O Coatnçio apds a adkio de O.S cv* = 0.5 c do citrato a. fl, obtido de gnit^iia de rato»
tratado» Com oleo puro.
d> Aoacpcia de eootra^fto apdt 0.5 cn* = 0 5 c de citrato dc ba<o» de ratos tratado» cofo
cie» puro (Eit. o. ti).
Neste ciM a cooceoiracdo cm accttleditt» do extrato dc c^itilia de rato» tratados com
cke poro loi ouioc do qoc ao dc tratados com tcsicotrtosm.
Os extratos dc baço c dc pele cscrolal foram itutivos as.sim como a maioria dos
extratos de cremaster. É pouco provave’. |>or conseguinte, que taj rato a acctil-
colina, ou outra substancia próxima, esteja em jogo nos fenómenos nuis preco-
ces que ocorrem na intimidade da fibra lisa da genitália acessória masculina c
qu^ são dependentes das condições homtonais.
7
SciELO
11 12 13
15 16
72
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVH
(â«lo , «T
l>i«V«CUp
R &tl. c«r.
jibo »-m Mg j
Fic. 4
Prc9»io arterial carotidiaaa de gato anestesiado com Diai e eter.
Extrato 111 — Genitilia de ratos tratados com oleo puro
Extrato 113 Geoitilia de ratos tratados com Testosterona
Extrato 115 Geoitilia de ratos tratados com Estradiol
As fífxas assinalam a injeção na femcral de 1 cm* do extrato diloido ao décimo. Nctar que o
efeito bipotensor foi da mesma intensidade nos trcs casos.
ABSTRACT
Previous \wrk» on hormonal control of the contractility and pharmacologi-
cal rcactisnty "in vitro” of male genital organs had suggested an assay ot the
acetylcholine content of sasa deferentia, seminal vesicles and coagulating glands
of normal, spayed, and testosterone, estradiol or stilboestrol treated rats. 116
extracts from genitais, small intestine, spleen, cremaster and scrotal skin were
prepared according to the method of Oiang and Gaddum and tested on dorsal mus-
cle of eserinized leech Diplobdella brasilicnsis. In some instances blood pressure
of cats and isolated heart of frogs were also employed. Within 10 hours after
the hormonal dosis subcutaneously injected, extracts of genitais and intestine cxhi-
bitcd quite the same actisdty whereas those of spleen and scrotal skin were nega-
tive. It was concluded that in rats the acetylcholine content of genital organs is not
increased by andrt^ens or estrogens. It is hardly possible, therefore, that in this
species. under the action of gonadal hormones, acetylcholine or acetykholine-likc
substances may have an important rôle in the initial processes ocurring at the
genital male musculature.
8
José R. Valle Jt A. Potrro — Teor eni acctilcolina da genitalia de ratos
em diferentes condições hormonais 73
BIBLIOGRAFIA
1 .
3.
4.
5.
6 .
Marlitu, Th. êr Valle. J. R. — Endocrinc eootrol of thc male accessory genital organs
— Endocrinology 25:80-90.1939.
Martins, Th.; Valle, J. R. & Porto, .4. — Xcuere Ergcbnisse über die Pharmakologic
von Samcnleiter, Samenblase und Próstata " in vitro " von normalen, kastrierten
und mit SexMlhormooen bchandelter Ratten — Ztschr. f. d. ges. exp. Medizin
105:512-521.1939.
.Martins, Th.; Valle. J. R. & Porto, .4. — Sobre a duração do tratamento necessário
para que os hormonios sexuais influam sobre a contratilidade “ in vitro " dos
canais deferentes e vesículas seminais de ratos castrados — Mcm. Inst. Bulantan
14:129-136.1940.
Rexnolds, S. — .Acelj-Icholine content of irteri before and after administration of oestrin
to o\-ariectomiied rabbits. — J. PhysioJ. 95:258. 1939.
Reynolds, S. 6r Foster. F. — Species differences in thc cholinergic action of estrogen
— Amer. J. Physiol. 131:200-203. 1940.
Chang, //. & Gaddun, J. — CheJine esters in tissue extracts — J. Physiol. 79:255-285.
1933.
Valle, J. R. Sensibilidade ã acctilcolina da sanguesuga Diflobdella brasiliensis
(PIXTO, 1920) Mem. Inst.l5:17-25. 1941.
Holden. R. B. — Vascular reactioos of thc uterus of the immature rat — Endocrinology
25(4) :593-596. 1939.
(Tr^bAlbo dã ik EiM<criaokfia do to«tilalo ButanUn
£etrrtt>e nn 11 <k o trtu bro d« 1^43 ^
i potltCMUdr rm ártxmiao de 194j).
*
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
S»I. 19:612. 01*'
FARMACOLOGIA COMPARADA DO CANAL DEFERENTE
DO COELHO NORMAL E CASTRADO
POR
ANANIAS PORTO
Está bem estabelecido que no rato (1), gato (2) e rhesus (3) a castração
conduz ao aparecimento "in ■vdtro” de movimentos automáticos na musculatura
lisa genital masculina. No homem (4) e no cão (5) parece que o mesmo fenô-
meno ocorre, ao passo que no cobaio (6) tais movimentos existem mesmo em
animais normais. Quanto à excitabilidade farmacológica, de um modo geral, os
orgãcs provenientes de animais castrados ou castrados tratados com estrogenos
são mais excitáveis do que os de normais ou castrados tratados com androgcnos.
No presente trabalho incluimos na serie mais uma espede, o coelho, ainda
não estudado neste particular.
Material e técnica •. Utilizamos cm nossas experiências a mesma técnica
adotada nos trabalhos anteriores, aos quais reportamos o leitor para minúcias.
Empregamos coelhos de peso entre 1550 e 2400 g, castrados por via escrotal
c utilizamos os canais deferentes 31 a lOS dias depois da operação. No mo-
mento da experienda o orgão era retirado sob narcose pdo eter e colocado ime-
diatamente no Lockc oxigenado a 3®*. Em alguns coelhos normais ao retirar-
mos o primdro canal deferente faziamos também a ablação do testiculo oorres-
pondente, de modo que o animal ao fornecer o segundo canal era hcmicastrado.
Como o comportamento dos orgâos de animais nestas condições foi sempre nor-
mal. uis deferentes foram induidos no grupo destes.
Em quasi todas as experiendas após o ensaio das diversas drogas, os orgãos
eram conser^^ados cm Locke na geladdra para serem estudados dias depois uma
ou mais vezes. Tal como no rato (7) a conservação a baixa temperatura não
altera, principalmente nos primdros dias, o comportamento dos canais deferentes
à ação dos agentes farmacológicos.
Estudamos um total de 20 canais deferentes, dos quais 10 provenientes de
7 coelhos castrados e 10 obtidos de outros 7 animais normais.
1
SciELO
11 12 13 14
76
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Drogas ensaiadas: Estudamos a influencia da adição das seguintes drogas
e nas concentrações finais no banho nutridor (60 cm® de Locke) Qoridrato de
Adrenalina 1 :1200.000 a 1 :3600.000; Sulfato de atropina 1 :120.000 a 1 :240.000;
Cloridrato de acetileolina 1 : 120. 000 a 1 :600.000; Qoridrato de Pilocarpina
1:120.000 a 1:600.000; Qoridrato de Efedrina 1:30.000 a 1:120.000; Qo-
reto de Bario 1:60.000 a 1:120000; Bi-cloridrato de histamina 1:240.000 a
1:1200.000; Qoridrato de Cocaina 1:30.000 a 1 :60.000; Pituitrina 1 a 2 unida-
des internacionais em 60 cm* de Locke.
Resultados e discussão. Autoinalisino : Dos dez canais deferentes prove-
nientes de animais castrados, sómente um deixou de apresentar movimentos auto-
máticos antes da adição de qualquer droga ao banho nutridor. Todos os demais
-apresentaram tais movimentos rítmicos. Quanto aos normais sómente dois ca-
nais, ambos pertencentes ao mesmo coelho número 6 de 1500 g, apresentaram
automatismo. Os 8 canais restantes não exibiram movimento espontâneos.
Reação às drogas: Adrenalim. Ótimo excitante, tanto do normal como
•do castrado, havendo uma tendencia ao tonus em ambos, porem muito mais nitida
no normal. Após a ergotamina (1:240.000) a adrenalina não excitou, ao con-
trario do que acontece com a adição previa de cocaina, em que a ação da adre-
nalina é reforçada.
Acetileolina: Excitante regular dos canais deferentes. Em comparação
com outras especies, por exemplo o cobaio, os orgãos se mostraram pouco sen-
síveis a este agente farmacológico. A ação da acetileolina é reforçada pela adi-
ção previa de sulfato de eserína (1:600.000).
Pilocarpina: Mau excitante para o nonnal, que em alguns casos reagiu
apresentando sómente ritmo, de muito pequena amplitude. Em geral os castra-
dos reagiam bem e de preferencia com ritmo.
Efedrina: Os castrados respondiam melhor do que os normais a esta droga.
E’ um excitante sobretudo rítmico do castrado.
Bario: Excitante regular para ambos, preferentemente dando ritmo, mesmo
em normais.
Histamina: Excitante preferencial do nonnal, reagindo mal os castrados
a esta substancia. Parece ser a droga diferencial entre normais e castrados.
Cocaina: Raramente os canais deferentes proríndos de coelhos normais
reagiram a esta droga, que, no entanto, excitava os mesmos orgãos de castrados.
Atropina: E’ um inibidor dos canais deferentes; nas doses empregadas
inibe sobretudo o tonus.
Pituitrina: Com exceção de algumas inibições obtidas em castrados, embora
•passageiras, esta droga mostrou-se incapaz de excitar os orgãos quer de animais
normais, quer de castrados.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Ananias Porto — Farmacologia comparada do canal deferente do
coelho normal e castrado. 77
Semclhantemcntc ao que ocorre nas outras espccies estudadas, de um modo
^eral os canais deferentes provenientes de coelhos castrados, alem de apresentarem
uma excitabilidade maior do que os de normais, tém uma tendenda à reação
rítmica ao passo que os normais apresentaram, com maior frequência, uma reação
tônica ou tônico-rítmica. Das drogas ensaiadas parece ser a adrenalina o cxd-
tante típico da espede, não importando as condições do doador ; a histamina seria
o reagente diferendal entre normais e castrados. Xão pudemos \-eri ficar uma
sensibilização ao príndpio oxitôdco do lobo posterior da hipófise pela retirada
do testículo, tendo harído mesmo alguns cases de inibição passagdra do ritmo
em canais deferentes, obtidos de animais castrados.
RESUMO
Estuda o A. a farmacologia comparada "in vitro” do canal deferente do
coelho normal e castrado. Verifica o aparedmento de automatismo e maior
excitabilidade farmacológica nos orgãos provenientes de animais castrados, en-
quanto que os obtidos de coelhos normais não apresentam tais movimentes.
Depois de estudar a influencia da adição ao banho nutrídor dos principais
agentes farmacológicos, chanu atenção para certas particularidades das respo^tas
obtidas nesta espécie, cemo a nuior rcatividade dos normais à histamina. a insen-
sibilidade ao fator oxitócico do lobo posterior da hipófise, mesmo cm coelhos
castrados e a diferença qualitati\-a na resposta entre normais c castrados. Os
orgãos provenientes de animais castrades tem maior tendcncia às respostas rítmi-
cas, ao passo que os normais reagem preferentemente com tonus com osdlaçôcs
rítmicas.
ABSTR.\CT
The comparative pharmacolog)’ .“in vitre” of the vasa deferentia of nor-
mal and castrated rabbits was studied. Like in rats, cats and monkeys, also in
this species meuvements and higher pharmacologic e.xcitability werc observed
mainly in the organs of castrated donors. It seems. ncvcrtheless, that the res-
ponse to histamin is stronger in organs from normal than from castrated rab-
bits. In the great majoríty of instances the \-asa deferentia from castrated do-
nors exhibited rhjihmic responses while those from normal ones reacted with
tonus or tonus and rhjthmus.
It was not observed with the castration, like it oceurs in cats, a* sensitization
of the vas deferens to the ox)-todc factor of the h>q)ophj-sis.
3
SciELO
11 12 13 14
«
78
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
BIBLIOGRAFIA
1. Martins, Thales; Valle, J. R. und Porto, A. — Neure Ergebnisse über die Pharma-
koI<^ie von Samenleiter, Samenblase und Próstata "in vitro” von normale, kas-
triertem und mit Scxualhormonen behandelten Ratten — Ztschr. f. d. g. Expcr.
Medizin 105 : 512-520. 1939.
2. Martws, Thales und Palie, J. R. — Vergleichende Pharmakologie “in ritro” der
Samenleiter normaler, kastrierter und mit Scxua|hormonen behandelter Katzen.
— Pilügers Arch. f. d. g. Physiol. 243(3): 243. 1940
3. Martins, Thales; Valle, J. R. und Porto, A. — Die endokrine Kontrole der Motilitãt
der mannlichen akzessorischen Genitalorganc. Vergleichende Pharmakologie “in
vitro” der Samenblascn von normalen, kastrierten und mit Scxualhormonen.
behandelten Rhesusaífen — Pilügers Arch. f. d. ges. Physiol. des Menschen ti. d,
Tiere 242:134. 1939.
4. Martins, Thales; Valle, J. R. & Porto, A. — Gjntractilité, survie et pharmacologie
“in vitro” du canal déférent humain — C. R. Soc. Biol. 129:1166. 1938.
5. Valle, J. R. & Porto, A. — Farmacologia do canal deferente de cães cm diversas
condições hormonais — Rev. Bras. Biol. Em publicação .
6. Valle, J. R. & Porto, A. — Novos resultados do estudo “in vitro” da musculatura lisa.
genital masculina do cobaia Influencia do estilbocstrol — Mem. Inst Butantan
XV:1.1941.
7. Martins, Thales Sr Porto, A. — Cootractilité et réactions pharmacologiques des cannaux
deférents et des vésicules séminales après conscr%-ation à basse temperature, de
rats normaux, castres et traites par les hormones sexuelles. C. R. Soc. Biol.
127:1389.193a
(Tratalbo da S«cio de Eodocrínotofia do Inflituto ButanUn.
Entregue para pnblica(So em 28 de setembro de 1943 C;
dado I publicidade em dezembro de 1943).
4
Ana>'l\s Ponro — Farmacologia comparada do canal defe~
rente do coelho normal e castrado.
Voi. XVII — 194J
i u
- • r
zs'ü4f Coilho* l*VlÍ'1943 • V
' Avfo«s.risno
T '
C<trA>* dcfrrrntr*
Fie. I
it cv)c'ko». Ea o«a coriWo
radko Bonul M.
10 cuiraaa SI dui>
ino do caMmSo.
AdrCMUM tiUMMO
Fiol 2
ÇH a rtfii oi vtfSo* da Iif- aatrrior. A arta iadica a ad*e&o de cioridrato dc adrmaliaa
a IilJOO.OOO ao baaho osltidor. Notar o tooaa ao aormal « o tmao-rhaM ao caMiado.
cm
2 3 4 5 6 7 SciELO ;l1 12 13 14 15 16 17
Axaxias Porto — Farmacologia comparada do canal defe-
rente do coelho normal e castrado.
Mrm. Tnst. Batantan
Vol. XVll — 1943
. Píliwirp; wf I il WX>00
D«f. Coclhcí 1 <VII- 194 )
Ftc. 3
Os mesmos orgios das figs. anteriores. A flecha assinaJa a adiçio de doridrato de püo-
carpina a 1:120.000 ao banho mxtridor. Obserrar as leres contrações do normal e amplas
do castrado.
Fic. 4
Canais deferentes dos codhos 1 (em cima) castrado 57 dias antes e 4 (rm baixo) normal.
Assinalada a adição de doridrato de acetilcolina a 1:120.000.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Mrm. loftt. Bauntaa
Ananias Porto — Farmacologia comparada do canal defe-
rente do coelho normal e castrado.
Vol. XVII — 1943
Fio. S
C»n»:» dffrTTOlr* dc coelho». Em cito» 12 cM«r»do 62 dU. »««: cm l»iu> 16 nonii»!.
A »«a indica a adicio dc cloridralo dc adicnalina a 1:2.400.000. X«ar 0 OC o normal
fiAiA reacia.
Fto. 6
o» momo* otíio. da fif. anterior. A 1.* Kta ind»ca a idkio dc doridtalo dc cocaina
a 1:60.000 c a 2.» a joncio d* docidrato dc adrenalina a 1^2.400.000. Otwcrear. com-
parando-»* com a fif- 5. a Kn»ib»liaaclo do normal k adrenalina.
7
SciELO
11 12 13 14
591.1»:C12.4»3
SOBRE A PASSAGEM DE SUBSTANCIAS ANDROGÊNICAS
NAS PARABIOSES DE RATOS CASTRADOS COM
RATOS NORMAIS
POR
ANANIAS PORTO
INTRODUÇÃO
Uma das técnicas mais correntes em endocnnologia e qiie tem servido para
o esclarecimento de inúmeros problemas é a de parabiose. Termo criado por
Sauerbruch e Heyde, em 1908, embora a técnica já fosse utilizada em 1862 por
Paul Bert, parabiose é, segundo a definição de Thales Martins (1) "a união
cirúrgica de dois ou mais animais, suturados um ao outro, de modo que após a
cicatrização viram em comum, ccm trocas humorais mutuas, atravez de uma
comunhão da rede capilar limitrofe, ou mesmo de \*asos visivcis a olho nú”. A
parabiose pode ser feita apenas pela pele ou então pela chamada celioanastomose,
que é a técnica de Sauerbruch e Heyde. Consiste esta em uma incisão longi-
tudinal da pele lateral, do quadril ao omoplata, abertura da parede muscular da
casndade abdominal e sutura dos lábios da ferida em dois planos. Com esta
técnica as casddades abdominais ficam cm comunicação e não são raras as ade-
rências intestinais entre os parabiontes. Comprecndc-sc facilmente que por esta
técnica as trocas são bem intensas, dada a grande superfície de união.
TRABALHOS ANTERIORES
Matsu>-anta (2) em 1921 na parabiose de um rato ncrmal com um castrado,
sem importar o sexo deste, notara, no normal, alterações interessantes para o
lado da genitalia. Si femea os ovários cresciam, tomando-se dsticos ou lutei-
nizados, o utero se hipertrofiara, com aumento das secreções, e, si macho, au-
mento do testiculo e das glândulas acessórias. No companheiro castrado nada
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
84
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
obsers-ara, alem da involução natural, como nos castrados isolados. O A. ape-
nas ccnstatou o fato, sem procurar explica-lo. No ano seguinte, Goto (3) con-
firma esses trabalhos e admite a existência, no castrado, de uma substancia —
o Kastrhormon — como responsável por estas alterações.
Martins (4), Kallas (5) e Fels (6), independentemente uns dos outros,
retomaram a questão e a esclareceram, utilizando os dados sobre a fisiolcgia da
hipófise, já então conhecidos. Admitem todos, sem discordância, que a cas-
tração produz uma hipertrofia da hipófise e que o hormonio gcnadoestimulante
circulando em excesso passa para o parabionte normal, determinando os efeitos
conhecidos. A prova crunal do problema, porem, foi dado por Martins e Mello
(7) que uniram um rato normal com um castrado hipofisoprivo. Nestes casos
o normal não apresenta\’a a hipertrofia da gonada, por falta naturalmente do hor-
monio gonadoestimulante, do parceiro castrado. Deste medo o fato admitido é
que o hormonio gonadoestimulante (H. G. E.) de natureza proteica, circulando
em e.xcesso num parabionte castrado, passa atravez da r»*de capilar de união, ao
cempanheiro normal.
Com os hormonios sexuais já não se dá o mesmo. Na união de duas femeas,
sendo uma castrada, nesta verificou Martins (8) o aparecimento de períodos es-
trais prolongados, indicando a passagem dos estre-genos. Há autores que dis-
cordam. como Fels (9), Moeller-Chrístensen (10), Kallas (11), ao passo que
outros o confirmam, como Hill (12) etc., ficando hoje assente que as substan-
cias estrogcnicas, neste tipo de expericncia passam, si se utiliza como prora o
aparecimento de estro na castrada. Os resultados negativos podem ser explica-
dos pela deficiência na rede capilar de união. O método sempre seguido por
Martins foi o de celioanastomose.
Para a progesterona, há os trabalhos de Hill, em ratas (13) e González Colla-
zo (14). Castra\-a, o primeiro deles, uma das ratas e fazia com que se tor-
nasse prenhe a parceira. Deste modo, na castrada, desaparecia o estro, só reapa-
recendo após o parto. Isto indicava que a progesterona dos corpos amarelos
gravídicos agindo na castrada, produzia aquela mucificação \’aginal tipica da
ação deste hormonio.
Quanto aos androgenos o caso muda completamente de figura : mesmo usando
a celioanastomose, ou ainda o artificio da redução dos receptores do normal, coma
fez Martins (15) não se conseguiu demonstrar essa passagem.
Fels (16) usando ratos, fez a parabiose de dois animais castrados. Num
deles injetava testosterona, procurando os resultados na genitalia do outro. Para
obter estímulo às genitálias deste último era necessária a dose diaria de 5 mg
no parceiro quando ambos eram femeas, dizendo o autor que tal quantidade, um
rato normal nunca elaboraria em condições fisiológicas. Portanto para haver a
passagem seria preciso aumentar a produção do normal.
2
Ananias Porto — Sôbre a passagem de substâncias androgênicas nas
parabioses de ratos castrados com ratos normais 85
Há um fato interessante na verificação da passagem das substancias estro-
genicas: os diversos A. A. tomam sempre como test, o aparecimento do estro
na parabionte castrada. O que nenhum autor mostre u foi o crescimento dos
cornos uterinos. Todos são unanimes em apresentar um utero atrofico, de cas-
tração. Em outras pala\Tas: não existisse a reação \aginal, cuja docilidade é
de todos conhecida, ainda talvez, estivessemes para os estrogenos. como estamos
lara os androgenos, isto é, na dúrida si eles passam ou não.
Portanto, quando Fels diz ser preciso para haver passagem um aumento na
produção do hormonio pelo normal, adiamos que tal aumento não é necessário
e sim um abaixamento do limiar de reação do test utilizado. Em outras pala-
vras: passagem há nas condições fisiológicas da piarabiose, a questão é um test
bastante sensivel piara demonstrá-la.
Baseados nesta hipótese retemamos a questão, utilizando um test muito sen-
sível. o da colchicina.
MATERIAL E TÉCNICA
A técnica de piarabiose pior nós utilizada foi a celioanastomosc de Saucr-
bruch e Hej’de. Os ratos eram albinos, da linhagem B A W (descendentes de
Wistar originais e Wistar impiortados de Buenos Aires) de nosso Laboratorio.
Utilizamos inidalmente a parabiose simples de dois ratos num toUl de 34
piares e depiois a união de três animais — piarabiose tríplice — em que fizemos
30 expicriencias (*). Neste caso o castrado sempre colocado no meio, receberia
uma quantidade dupla de sangue e piortanto de hormonio, daquWes cm piarabioses
de dois.
Os tests para androgenos, quando se utiliza a genitalia acessória de pe-
quenos roedores, piodem ser de dois tipios, cemo propioz Martins (17): o pro-
filático e o regenerativo.
No primeiro caso o tratamento começa no mesmo dia da castração, impe-
dindo assim a atrofia da genitalia acesse ria. No segundo tipo o tratamento só
é iniciado alguns dias apiós a retirada dos testículos, isto é. apiós tem pio suficiente
piara obter a atrofia piost-operatoria. Neste 2.® tip» a' quantidade de hormonio
necessaria deverá ser maior que no primeiro, p»is se trata não do impiedimento
da atrofia, mas sim de corrigir uma atrofia já instalada. dose não será, pior-
tanto, de manutenção e sim de cresamento.
Outro test piara androgenos, mas ainda utilizando a genitalia acessória dos
roedores é o da colchicina.
(*) Pars mdbor fixar ot aaiauia atüua»<>« nota casta Sc araac d* aco No. 2S tdealUaSa per
onao anxiliar tícsieo Fraoeúco Ribeiro Gtmr*.
3
86
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Dustin (18) mostrou que o alcaloide de Colchicum autumnalc L. tem a pro-
priedade de fazer parar numa de suas fases, em geral metafase, as células em
reprodução. Martins (19) utilizando esta propriedade propoz o test da colchi-
dna para os androgenos. Consiste o métcdo em injetar-se a substancia a ser
testada em ratos castrados, que 14 horas depois recebem colchicina, sendo os
animais sacrificados 10 horas após esta ou 24 horas a contar da injeção da subs-
tanda desconhedda. Corta-se a vesicula cu próstata e procuram-se as células
em mitose. Com esta técnica pode-se “fotografar as células em reprodução, num
determinado tempo”.
Loew e Voss (20) haviam proposto como test as células em mitose da geni-
tália acessória, pcrem, como poucas eram as células surpreendidas cm reprodu-
ção, foi o mesmo abandonado, até o advento da colchidna.
O trabalho de Martins foi logo confirmado e aplicado a outros hormonios,
como prolatina por Leblond e Allen (21) ; tireotropico, Bastemil e Zylberszac (22) ;
Allen, Smith e Gardner (23), para os estrogenos, etc.
Test bastante sensivel, pois segundo Burkhart (24) revela quantidades iguais
a 0,013 mg de propionato de testosterona, foi por nós tambcni utilizado.
Ainda mais, com o intuito de forçar a passagem, utilizamos um artificio de
técnica, já nsado por Martins: (17) a retirada tão ampla, quanto possivel, dos
genitais acessórios do normal, isto é, vesicula seminal, próstata, canais deferen-
tes e epididimos. Com isto esperavamos que, por falta de consumidores, so-
brasse mais androgenos, para circulando em maior teor no normal, passar para
o castrado. Xeste ainda retiravamos a maior parte da genitália acessória, dei-
xando somente a próstata e uma vesicula, ou um só lobo prostatico. Assim todo
o hormonio disponiwl pelo castrado iria agir em pequeno território, tomando mais
nitidos seus efeitos.
Com a redução dos receptores no rato normal, em que só conservavamos os
dois tcsticulos na bolsa, a regra era a degeneração da seminal, porem sabemos
que os caractéres sexuais secundários neste caso são conservados sem alteração.
No entanto como para retirar uma vesicula no castrado éramos obrigados a ligar
na base, poderia, por falta de irrigação, a outra deixar de reagir. Fizemos al-
gumas indagações preliminares para ehicidar esta questão, .\ssim em normais
retiravamos uma vesicula, pesáramos e completáramos a redução, consen-ando
os tcsticulos na bolsa. Tempos após reabriamos o rato, retiravamos a vesicula
restante e a pesavamos, fazendo assim o controle da ligadura. Um exemplo é
o rato número 3 do par 17. A vesicula esquerda no dia da redução pesou 24 mg
e 30 dias depois a direita pesou 80 mg. Apesar da redução dos receptores do
normal (*), ser a mais cuidadosa possivel ficava sempre ou quasi sempre, restos de
(*) Sempre otÜixannoe a dcstfna^io "rato normal” comprrctMÍe-«« que tio normais qnanto á
proilac&o de sobstancisf capozes d^ manter a cmitalta aceasoria em seus caractéres normais.
i
Ananl^s Porto — Sôbre a passagem de substftncias androgènicas nas
parabioses de ratos castrados com ratos normais
87
próstata. Utilizavamos estes restos como controle do funcionamento dos tes-
tículos, pois resta sempre a possibilidade de nesta operação previa, prejudicar-se
a irrigação testicular.
Em alguns animais, inicialmente, tentamos a hepatectomia parcial, ainda
com o mesmo espirito: eliminar o mais possivel os destruidores do hormonio,
pois o figado tem essa propriedade. Porem como a porção restante do figado
rapidamente se regenera, como verificou Jáuregui Guillermo ( 25 ) e dado serem
nossas experiencias de longa duração, ao fim de certo tempo nossa operação se
tomas*a inútil, motivo porque abandonamos tal pratica.
Dada a s-ariação de técnica utilizada nas 38 parabioses observadas ate o
fim, das 64 feitas, vamos analisar as mesmas por grupos, tomando assim mais
fadl a exposição.
1) Parabioses de dois animais.
a) Test regenerativo.
Utilizamos 15 pares, num dos quais — o número 20 — só as próstatas fo-
ram conservadas para o test da cokhicina, não sendo, portanto, pesadas. No
quadro abaixo temos os pesos dos animais nos dias da parabiose e autopsia;
dias de duração de castração e dias de sobrevida cm parabiose. Nos casos cm que
empregamos a colchiona o foi na dose de 2-3 mg por kg num volume \-aria\*cl
de 0.2 a 0.4 cm* e a leitura era feita 7 horas após. Os orgãos fixados em
Bouin. corte de 5 micra c coloração pela H. E.. cm alguns casos, hematoxilina
ferrica.
b) Test profilático.
Neste grupo fizemos duas «riantes: na primeira os animais eram unidos sem
previa redução de receptores e. só após cicatrização, castravamos um e retirava-
mos a genitalia acessória do outro. A segunda s-ariante foi a de fazermos a redu-
ção dos receptores do normal e a criptorquidia no futuro castrado. Com a crip-
torquidia obtem-se a degeneração da seminal, hipenrofia da hipófise, como no
castrado (inclusive o aparecimento de células de castração) mas manutenção dos
caractéres sexuais secundários normais da genitalia acessória. Obtinhamos assim
um estimulo prévio ao testkulo do normal, sem a degeneração post-castração. Só
após a cicatrização da parabiose, cm media de 7 dias, faziamos a castração do
criptorquidico e reduziamos-lhc os receptores. Neste grupo empregamos 8
pares cujos detalhes se encontram no quadro abaixo:
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
88
\(i‘niórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Quadro I
PARABIOSES DE 2 RATOS
Test Regenerativo
Par Xo.
Rato
Xo. e condições
S W
O 0 ^
*:í V ®
«w S c»
2 í:
u
Dias de
Para-
biosc
Peso dc 1 Vcsicula
cm mg
Peso do Rato
em g
Dia
Dia
Castraçio
.\utopsia
CastraçSo
.Autopsia
3
1 castrado
22
17
85
29
115
KM
6 normal
22
82
106
104
4
8 castrado
31
25
49
26
117
112
4 normal
31
86
53
125
112
5
9 castrado
23
21
67
26
125
120
1 normal
23
95
133
120
6
7 castrado
18
14
43
35
120
132 ‘
12 normal
18
104
93
162
132
7
4 castrado
27
21
74
32
166
150
5 normal
27
84
39
165
150
8
8 castrado
28
22
ISO
53
166
140
3 normal
28
175
179
140
10
2 castrado
84
23
20
16
114
181
11 normal
41
65
46
172
181
11
6 castrado
42
21
87
25
137
142
12 normal
42
46
140
142
12
3 castrado
70
25
12
43
110
ISO
2 normal
54
94
147
150
13
4 castrado
76
42
160
5
163
195
6 normal
76
196
.^5
143
195
14
9 castrado
19
57
23
125
177‘
1 normal
46
54
140
177
15
7 castrado
46
18
97
32
151
175
3 normal
46
73
626
155
175 ■
16
3 castrado
63
29
163
126
160
210
6 normal
63
131
575
182
210
17
2 castrado
63
21
23
12
130
152
9 normal
63
24
205
132
152
20
1 castrado
40
16
-
_
114
112
3 normal
40
556
114
112
Xo por 20 (i •« conjCTTOu a prootata para coichicina. Na colona dc pc»o> da> micolaa no dia da
aotopaia o« pcaoo anotadoa M refcmn, not animai» nonna’i, a rnto» dc prottatas encontrado*.
6
90
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Quadbo III
PAR.\BIOSES DE 3 AMIMAIS
Test Profilático
Tríplice
Na
Rato
No. e cofidições
5 «
tí ^ o
Kt C
«.«•cr*
^ ^ zc ^
ti
U
Dias de
Para-
biose
Peso de 1 Vesícula
cm mg
Peso do Rato
em g
Dia
Dia
Castraçãol .Autopsia
Castração| .Autopsia
9
1 normal
6
14
55
130
123
3 castrado
6
M
53
130
123
2 normal
6
47
130
123
10
1 normal
22
31
83
123
136
3 castrado
22
60
36
123
136
2 normal
22
53
123
136
15
1 normal
10
22
133
76
210
181
3 castrado
10
73
39
210
181
2 normal
10
140
210
181
Na colona de pesos das Tcsicolas no dia da aotopsia os pesos assinalados para os ratos normais se
referem a restos de próstatas encontrados.
b) Test rf^enerativo.
Este grupo foi subdividido em dois : no primeiro a redução dos receptores do
castrado era feita em animais já adultos, precedendo de poucos dias a parabiose
e no 2.® era feita em animais infantis de 40 dias (a dos normais em adultos). A
imião era feita 40 dias após a redução dos receptores do castrado, portanto ratos
de 80 dias de idade.
Usamos 12 tríplices. Os detalhes estão no quadro IV.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Pela analise dos quadros I, II, III e IV, vemos que em quasi todos os casos
houve uma diferença, para mencs, no peso das vesículas entre o dia da redução
dos receptores e o da autopsia. As exceções foram o para 12 e os tríplices
13, 18 e 19.
A diferença notada entre estes últimos não é significativa, pois alem de ser
muito pequena, os \-alores absohitcs são muito baixos, no limiar do crescimento
somático, independente portanto da ação do hormonio. Alem disso o aspecto macro
e microscopico é o de uma vesícula completamente atrofiada, de castração antiga.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Ql'ai«o IV
PARABIOSES DE 3 ANIMAIS
Tcst Rcgrnerativo
Tríplice
Na
Rato
No. e coodiçõei
5 M
c Sf
•c c ir
■s 2T £
C ■s a: «.
S s:
u
Duraçio
da Para-
biose
Peso dc Vesícula
cm mp
Peso do Rato
em c
Dia
Dia
Castra çio
.\ntopsia
Castracio
.\utopsia
I
1 normal
38
38
395
124
110
2 castrado
38
120
110
3 normal
38
626
128
110
2
4 normal
36
10
100
142
6 castrado
36
100
142
5 normal
36
105
142
3
4 normal
31
11
315
120
111
6 castrado
31
118
111
5 normal
31
317
124
111
4
1 normal
31
10
80
128
100
3 castrado
31
40
124
100
2 normal
31
176
125
100
6
3 normal
30
14
43
205
119
123
4 castrado
30
33
15
121
123
9 normal
29
15
624
121
123
7
5 normal
32
13
11
230
123
117
8 castrado
32
39
19
122
117
7 normal
32
30
117
122
117
13
5 normal
40
15
106
- -
145
133
4 castrado
70
3
8
50
133
6 normal
57
a
127
145
133
17
4 normal
40
20
141
363
106
143
2 castrado
100
3
3
55
143
I normal
57
113
155
143
18
5 normal
38
16
117
126
155
123
1 castrado
89
3
4
45
123
6 normal
-38
139
162
160
123
19
3 normal
25
17
186
__
224
145
2 castrado
89
3
5
44
145
4 normal
25
120
195
205
145
20
I normal
28
18
96
204
190
143
3 castrado
92
4
4
51
143
2 normal
28
126
630
189
143
21
5 normal
27
14
164
193
155
I castrado
84
7
5
60
155
6 normal
27
109
189
155
Nos trifiiw* 1-2-J *
nsãralat. Ks cdsss de
■OTmais refma-M s res
iriylke 4.
4 od u praNstss lo
sslotsis. os resot oss
■ oãcstrica psn
ilsdoo psri os
roto csMrsdo
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
92
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
A única exceção real que ocorreu foi a do par 12. O exame histologico da
peça, no entanto, revela um epitelio atrofico de castração, com ausência de mitoses,
embora o animal fosse tratado com colchidna. Dada a uniformidade dos resul-
tados negativos, e o aspecto histologico da vesicula, encaramos esse achado com
as devidas reservas.
Pelo test da colchidna os resultados também não foram significativos. En-
quanto que nos castrados adultos uma ou outra mitose foi encontrada, quer nos
isolados, quer nos parabiosados com normais, naqueles que foram castrados in-
fantis o encontro de uma mitose era raro, não havendo em ambos os casos uma
diferença significatira.
Podemos então conduir, que, com a técnica e os tests por nós utilizados, não
pudemos comprovar a passagem das substancias androgenicas, quando se para-
biosam ratos normais e castrados.
Para explicar o resultado negativo duas hipóteses ocorrem : a primeira é que
realmente não passam, seja por não atingirem no normal limiar sufidente para
isso, em virtude da destruição pelo figado, por exemplo, seja por serem destrui-
<los nos capilares, ao nivel da zona de passagem. É pouco provável a passagem
depender dum limiar ou melhor dizendo duma determinada concentração no nor-
mal pois teríamos de admitir para os androgenos uma propriedade até então não
assinabda — a de substancia dotada de limiar de excreção — e aos capilares uma
capacidade funcional semelhante ao rim, isto é, propriedde de eliminar, no caso
deixar-se atravessar, por certas substancias somente após atingirem concentra-
ção determinada. É portanto hipótese muito pouco provável.
Quanto à destruição pelos propríos capilares é também pouco razoavel, pois
si passa uma proteina — o gonado estimulante e um esterol — a estrina — por
que só os androgenos — também esterois — devem ser destruidos e somente
nestes capilares? Aliás Fels, no trabalho citado, demonstrou ser possível a
passagem, pelo menos quando são parabiosadas duas femeas, ambas castradas.
•A segunda hipótese que ccorre é que realmente passam mas não atingem, no
castrado, uma concentração suficiente para provocar efeito na genitalia. Seria
apenas uma questão de destruição, pelos destruidores normais, maior que o for-
necimento, e a concentração nunca atingiria limiar suficiente para a reação. Aliás
é necessário não cenfundir limbr de passagem com limbr de ação.
Si o test fosse mais sensível essa pequena quantidade que passa, tal como
acontece com os estrogenos, seria evidenciada.
Podemos então concluir que a demonstração da passagem exige um test muite
mais sensível que os que atualmente possuimes, inclusive o test da colchicina.
10
I
*
\ .
Axanus Pobto — Sobre a passagem de substâncias androgènicas nas
parabioses de ratos castrados com ratos normais 93
RESUMO
No presente trabalho o A. estuda o problema da circulação de substancias
androgènicas em ratos parabiosados e realiza experiendas procurando demonstrar
o estimulo da genitalia do castrado pelos androgenos provenientes do normal. O
estimulo foi procurado enpregando-se o test da colchidna, de mitoses na próstata
ventral, atualmente o mais sensivd para as substandas androgènicas. Mesmo com
o emproo de arti fidos de técnica, como a redução dos receptores, tanto do normal
como do castrado e de parabioses tríplices, com o castrado entre dois normais,
não foi possivel demonstrar a passagem dos androgenos para o animal castrado.
Tudo faz crer, porem, que o hormonio masculino passe do normal para o castrado,
não alcançando, no entanto, neste último, talvez devido à destruição, concen-
tração sufidente para o limiar de resposta do test utilizado. A questão parece
depender também de um test bastante sensivel capaz, como o esfregaço vaginal
para os estrogenos, de revelar as quantidades minimas seguramente drculante no
castrado.
ABSTRACT
Circulation of andrt^ens from normal to castrate male rats in parabiosis was
sludied by aid of the most sensitive test a\-ailable: the colchidne method.
Even by employings deríces as the reduction of receptors — seminal vesicles,
coagulating glands, etc., or tríplets, the castrate among two normais, it was im-
possible to detect a positive reaction revealed by the increased number of mitotic
figures in the ventral prostate of the castrated partner.
This result, however, does not mean that the male hormonc cannot pass
through the capillaríés of the parabionts. A destruction of the hormone by the
liver for exani{>le, may oceur bríngmg an insuffident levei for the reaction in lhe
castrate but we must ernsider also the sensitrvity of the test cmployed. As far
as the vaginal smear for estrogens is concemed, perhaps another more sensitive
test for androgens could reveal the little amount indoubtly drculating in the
castrate.
BIBUOGRAFIA
1. ifarttns, Tholtí — Glândula» texuai» e hipótisc anterior. Cia. Editora XaciooaL i>g.
296.1935.
2. ifaiítiyamd, R. — Experiroentelle Unter»odmng mit Ranenparabiose. Frankí *. í.
■ • Path. 25:97.1921.
3. Goto. AT. — Eacperinientellc Unter»ocbnng der inneren Sekretion de» Ovariam» darch
Parabioientiere — Arch. exp. Path. u. Pharm. 94:124.1922.
11
94
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
16.
17 .
Martins, Thalcs — Mem. Inst. Oswaldo Cruz, Supl. 10 e 11:265.1929.
Kaltas, H. — Pubçrté precoce par parabiose — C. R. Soc. Biol. 100:979.1929.
Frh. E. — Klhi. Wosch. 8:570.1929 e 9:1345.1930.
Martins, Thaies e Mello, Raul Franco de — Mem. Inst. Butantan 8:353.1934.
Martins, Thalcs — Echanges hormonaux chez des animaux en parabiose. Passage de-
riiormone ovaricnne des sujets normanx au.x sujets chatrés — C. R. Soc. Biol.
102:605.1929 e 115:1342.1934.
Fels. E. — in Martins, Thaies (1).
Moeller-Christcnsen, E. — in Martins, Thaies (1).
Kallas, H. — Parabiose und hypophysenvordelappen. — Pílüg. .Arch. f. d. g. Physiol.
223:232.1929-30.
HUI, R. — Estrous reactions in fcmaie rats United with castrate parabionts — Endo-
crinolog}- 17:414.1933.
HUI, R. — Exchange of estrin and corpus luteum hormones in parabiotic femalc rats.
— Proc. Soc. E-xp. Biol. a. Med. 28:866.1931.
Gonzales Collaso, A. O. — tn Fels, E. (16).
Martins, Thaies — Echanges hormoniques chez les animaux en parabiose. Hormtmes
V du lobe anterieur de Ihypophyse et du testicule — CR. Soc. Biol. 103:1341.1929.
Fels, E. — Investigadones cxperímentales sobre el intercâmbio de las hormonas se-
xuales en la parabiosis. I. Las cantidades hormonales necesarias para el in-
tercâmbio — .-\nales de la Fac. de Med. de Monteddeo — Livro Jubilar Prof. L.
Fraenkel, pg. 142.1940.
Martins, Thaies & Siha, A. Rocha e — Utilisation des vcsicules séminales de la
souris btanche comme test des hormones testiculaires — C. R. Soc. Biol. 102 ;480
e 485.1929 e 105:107.1930.
Dustin. A. P. — in Martins, Thaies (19).
Martins, Thaies — Test rapide de Lhormone masculine: mitoses dans Ia genitalie ac
cessoire des mãles castres — C. R. Soc. Bid. 126:131.1937.
Loeií-e, S, & Voss, H. — in Martins, Thaies (19).
Leblond, C. P. & Allen, E. — Emphasis of the gro»-th effect of protatin on the crop-
gland of the pigeon by arrest of mitoses -with colchicinc — Endocrinology
21 :455.1937.
Bastenie. P. & ZylbersMC, S. — Mise en évidence de stimulations hormonales para
Ia colchicine. Détection de stimulation thyroidicnne par 1’extrait antí-hypophy
sairc — C. R. Soc. Biol. 126:446.1937.
Allen, E.; Smith, G. Sr Gardncr, \V. V. — A short test for ovarian follicular hormone
and other estrogens — Endocrinology 21:412.1937.
Burihart, E. Z. — A study of the early effects of androgenie substances in the rat
by the aid of colchicine — J. Exp. Zool 89:135.1942.
Jáurepui Guilicrmo, R. — Inactivadón de los estrogenos por el higado — Rev. Soc
Arg. Biol. 19:3.1943.
12
(TraSaHio á» S«^Ío de Eadocrimilofía do Inititoto Butantan.
Entregue para pnblicacio em 3 de t«tembro de 1943 ^
dado i publtcidade em dcaembro de 1943).
cm
'LO 11 12 13 14 15 16
Axanias Porto — Sôbm a passagem de substâncias andro- Mm. In»t. Bntantan
genicas nas parabioses de ralos castrados Vd. XVII — IMJ
com ratos normais.
Kic. 1
Canfu txtnixacUA na començio doa ratoa exo
parabioac <}e <k>ts e trea antmait.
Ftc, 2
1 'arabloae <k trra ratoa. O do centro c castrado
t oa doia literata aio oonnaia.
13
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
612.402
EFEITO DA PROGESTERONA NAS AMENORRÉIAS
POR
LUCIAXO DÉCOURT & J. I. LOBO
I)cve-se a Zondek (1) a veriticaqão de que a progesterona, administrada a
pacientes que sofrem de amenorréia secundaria, é capaz de provocar o apareci-
mento do fluxo menstrual. Segundo a técnica de Zondek, o hormonio do corpo
luteo é injetado na dose de 10 mg durante 5 dias seguidos. Uma variante dessa
técnica consiste na administração dos 50 mg de progesterona, em doses de 25 mg,
durante 2 dias. A adição de 2.5 mg a 5 mg de lienzoato de estradiol permite re-
duzir a dose de progesterona jiara 25 mg. De acordo com aquele autor, a hemor-
ragia menstrual ocorreu, cm geral, 50 a 120 horas após a última injeção.
Nas amenorréias primarias, a administração apenas da progesterona não dá
qualquer resultado. O mesmo acontece nas amenorréias secundarias com mais de
2 anos de duração. Nestas 2 ultimas eventualidades é necessária a administração
previa de estrógenos. Por isso. Zondek concluiu que é exigido um certo grau de
produção cstrogénica para que a progesterona possa agir, isto é, possa ocasionar
a hemorragia menstrual.
Em 19 casos, Zondek obteve sucesso — aparecimento <la menstruação — cm
17. o que dá 89.5^ de resultados positivos.
O valor desse fato deve ser ressaltado, pois se consegue cem um tratamento
■de 5 dias o mesmo que se conseguiria com o de 1 mês. c isso é. para a jiacientc, de
gramlc importância prática e psicológica.
Experimentámos tratar segundo os esquemas já enumerados. 14 casos de
amnorréia secundaria. duração da amenorréia ^aria\'a de 3 meses a 5 anos. e
3 idade das padentes de 14 a 41 anos.
Em alguns casos, como se vê no Quadro I, foram feitos, previamente, esfre-
gaços vaginais com o intuito de se verificar a presença, ou não. de grandes célu-
las cariopicnóticas comeificadas, que são um índice de ação estrogênica.
Quando havia deficiente ação estrogênica, era administrado, inicialmente, o
hormonio folicular segundo o método já enunciado. Sempre que possivel foi
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Quadso I
Rom
m
m
Dmcl*
li 1«-
Mnti
Tratamento
Resoltado
Obserracões
1
L L
33
2 IMS
r 5 estxoax
50 me proe«te-
1 rona
(4 dms)
Menstrcada 72
boras após, da*
rante 8 dias
Paciente obesa. Feito esfreeaço pre-
Tiamente foi verificada a ausência de
células corueificadas.
2
9. S.
21
3 BlStS
r 45 tnc profott-
1 rooa
(2 diu)
Mexxstruada 96
horas após a
úhima tnjc^o
Foi menstruada mais 3 vexes sem qual*
quer tratamento; amenorréta depois du*
rante 4 meses. Exame ginecológico;
útero normal, hipertrofia do clitóris.
3
L D.
19
i IMS
5 me B. estxa-
diol
50 me proe«*^*"
rona
(4 diai)
Menstnxada 96
horas após, dO'
rante 4 dtas
Ficou, em seguida, 2 meses amenor*
réica; feito o tratamento com 50 mg
de Progesterona foi noramente mens>
truada. Ctrro hipopUsico. Caractéres
sexuais secundários normais.
1
1 . 0 . 2 .
22
3 MSIS
f 50 me ptofOW-
1 roca
(2 dias)
Nefatiro
Obna. Ctcro hipopláaico.
S
LH.
29
Mbisu
r 50 me proeatf-
1 roo»
(3 dias)
Menstruada 48
horas após
Obesa. Hipertricose. Ctero hipoplisica
S
1. L
41
1 IM
f 6 me estrooa
1 40 me proctate-
1 roca
(4 dias)
KeeatÍTo
Esfregaqo prcvto: ausesseia de células
comei ficadas. Operada há 5 anos no
útero (?) e desde entáo só era mens*
truada cada 6 meses, quantidade muito
escassa. Menopausa (?)
I
J.Lf.
31
9 BIStS
r 6 me estrona
1 40 me proeeste-
^ roca
(4 dias)
Menstruada 96
horas após
Esfregaqo prerio; raras cdalas cor»
nei ficadas.
1
H.O.C.
39
4 BIStS
r 50 me proccste-
1 roca
(2 dias)
Keeattro
9
M
9 BIStS
f 50 me pn>««tc-
1 roo»
(2 dias)
Menstruada 24
horas após
Fex mais 2 vexes o mesmo tratamento
sendo menstruada 36 e 48 horas após s
última iajeçáo.
H
L H.
29
3 BISIS
J 50 me profostr-
1 rooa
(2 dias)
Menstruada 48
horas após
As jnenitruaçóes posteriores vieram
normais durante 4 meses que é o tem*
po de obsenraçáo.
1t
H. l.
39
9 BIStS
r 50 me proentr-
[ rona
(2 dias)
Menstruada 41
horas após
Sem o traumento não é menstruada.
Fex por mais 3 vexes identko tralai-
mento sendo sempre menstruada.
12
2 . 0 .
19
4 BISU
f 50 me s>roe<»tr-
1 rooa
(2 dias)
Menstruada 21
horas após
Kio aparecem novos fluxos a n&o sex
com 0 tratamento, ao qual le submeteu
por mais 2 vexes com resultados posi-
tivos.
U
F. L
21
S BISIS
r 50 me proesstr-
\ rooa
(2 dias)
Menstruada 72
horas após
14
L 1 .
II
3 BUIS
I 50 me proemte-
\ rona
(2 dias)
Menstruada 41
horas depois
Fex 2 vexes mais o mesmo tratamento
tendo menstruada 48 e 54 horas após
s nitima fnjecáo.
L. Décourt •& J. I. Lobo — Efeito da Progesterona nas araenorréias 101
feito exame ginecológico, sendo que os dados assim obtidos também figuram no
Quadro I. Do exame deste constata-se que, de 14 paücrtes, apenas 3 não rea-
giram ao tratamento. Releva ainda acentuar que uma (A. K., caso 6) se aclia-
va, quasi com certeza, em menopausa, como se pode deduzir das obser\’ações sobre
esse caso. Afastando pois, essa paciente do cômputo geral temos 11 resultados
positivos e apenas 2 negativos o que nos dá a dfra de 84,6% de sucessos.
O fluxo menstrual sobreveio de 24 a 96 horas após a ultima injeqão.
Nas amenorréias primarias a administração apenas da progesterona não dá
resultado ; é necessária a adição de estrógenos. Zondek usa 2 mg de benzoato de
estradiol, seguidos dos 50 mg de progesterona. Conseguiu, desse modo, deter-
minar em alguns casos o aparecimento do fluxo menstrual. Nossa experiência se
baseia somente em 3 casos de amenorréia primaria. As idades das pacientes
eram 17, 19 e 21 anos. Em 2 delas foi feito exame ginecológico, acusa.tdo este
hipoplasia uterina, embora nessas pacientes os caracteres se.xuais secundários se
apresentassem normais (seios bem desenvolvidos, pêlos axilares e pubianes abun-
dantes, etc.). Usámos do benzoato de estradiol, doses maiores — 5 ao envez de
2 mg — do que as preconizadas por Zondek.
A progesterona foi empregada na dose de 50mg. Obtivemos, como se vê
no Qitadro II. 1 resultado positivo e 2 falhas.
Quad«o II
Nome
Idade
Tratamento
Resultado
Obscr rações
M. A. F.
17
5 mg B. estradiol
50 mg Progesterona
Nfenstruada 72
horas após a úl-
tima injeção.
Caractéres sexruis secundários
bem desenvolvidos. Útero hipo-
plásico (toque retal). Dosagem
de estrógenos na urina; 12,2 y %.
Acompanhada durante 1 ano sem
mais menstnur.
S. P.
21
5 mg B. estradiol
50 mg Progesterona
““
Ctcro hipoptãsico. Dosagem de
estrógenos na urina: < que 10
Y %.
M. G.
19
5 mg B. estradiol
50 mg Progesterona
Seios poucos desenvolvidos. Pe-
tos presentes nas axilas e pubis.
COMENTÁRIOS
O exato mecanismo da hemorragia menstrual ainda não foi estabelecido.
Sabe-se, com certeza, que a menstruação pode sobrevir após a privação de qual-
quer dos hormonios sexuais — estrógenos, progesteronas e andrógenos. Inte-
ressa-nos no momento, apenas o papel desempehado pelo hormoio do corpo luteo.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
102
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Segundo Schrõder (2) a menstruação resultaria da ausência da ação da pro-
gesterona, em virtude da regressão do corpo luteo. Inúmeras verificações corro-
boram seu ponto de \-ista :
a) Pequenas doses de progesterona inibem a menstruação em macacas e re-
tardam ou impedem a menstruação que se segue à “estrin deprivation”.
b) Quando se administram, a macacas castradas, estrógenos e progestero-
na. a descontinuidade de apenas esta última é seguida de menstimação .
c) A ablação do corpo luteo é seguida de hemorragia menstrual.
d) A excreção do pregnandiol (produto de eliminação da progestterona)
cessa pouco antes do aparecimento da menstruação.
Essa hipótese não deixa, contudo, de apresentar suas falhas, não explicando,
jx)r exemplo, a chamada menstruação não ovulatória que é mais ou menos fre-
quente em mulheres regularmente menstruadas.
Zcndek procurou verificar os efeitos resultantes da administração de proges-
terona, em ocasiões nas quais a mucosa uterina se achas’a incomj^etamente, ou
mesmo não desenvolvida, por ação do hormonio estrogcnico. Empregava a pro-
gesterona na dose de 10 mg durante 5 dias, no periodo postmenstrual, em mulhe-
res perfeitamente normais. .Após um intervalo de 2 a 3 dias ocorria uma hemorra-
gia menstrual, durando de 2 a 6 dias. O inicio das injeções era no 7.®, 8.® ou 9.®
dia do ciclo. São as seguinets suas pala\Tas: “desde que a mucosa uterina, nes-
se período, não mostra ainda secreção (ou somente inicio desse estádio) a he-
morragia pode ser considerada como uma pseudo-menstruação. Conclue-se disto
que para provocar menstruação por meio da progesterona, a condição requerida
não é uma mucosa progestacional, mas uma mucosa parcialmente proliferada”.
Ora. até então admitia-.se que a progesterona era capaz de determinar uma
liemorragia menstnial somente quando o hormonio estrogênico tivesse agido so-
bre a mucosa uterina ocasionando sua proliferação. Os tralxilhos de Zondek
mostraiam, entretanto, que é possível provocar menstruação durante o periodo
intermcnstrual. fenômeno esse que aparece em uma mucosa incompletamente pro-
liferada. O endométrio é muito delgado c contem apenas poucas glândulas do
tipo postmenstrual. A presença de um certo grau de produção estrogcnica é, en-
tretatilo. uma condição exigida para o aparecimento da hemorragia menstrual.
Por esse motivo, nas amenorréias primarias, ou nas secundarias dc longa duração,
a administração de apenas a progesterona não surte resultado. Com a progeste-
rona censegue-se na maioria das vezes, apenas um fluxo menstrual. Em alguns
dos casos de Zondek apareceram hemorragias cíclicas após o tratamento, mas isso
não é o comum. De nossas pacientes tivemos 2 amenorréias de 3 meses, que
apresentaram ciclos normais sem qualquer tratamento, durante 3 e 4 meses res-
pectivamente. De um modo geral, entretanto, os resultados permanentes não são
satisfatórios.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
L. Décockt & J. I. I-OBO — Efeito da Progeslerona nas amenorréias 103
Gmberg (3) publicou, recentemente, um caso de amenorréia, no qual o tra-
tamento determinou a cura, tendo sido acompanhado durante 2 anos.
RESUMO E CONCLUSÕES
Os autores trataram segundo o esquema estabelecido por Zondek, 14 casos
de amenorréia secundaria e 3 casos de amenorréia primaria. Na amenorréia
secundaria obtiveram um fluxo menstrual em 84,6% dos casos, sobrevindo a mens-
truação de 24 a 96 horas após a última injeção.
Na amenorréia primaria obtiveram de 3 casos, apenas um resultado positivo.
Os resultados permanentes não são satisfatórios, isto é, não foi possivel, se-
não em 2 casos, manter a continuidade dos ciclos somente com o tratamento
inicial.
«
.\BSTR.-\CT
Fourtecn cases of secondary and three o{ primary amenorrhea were tieated
by progesterone or estrone plus progesterone aceording to Zondck’s schedule
Menstrual ÍIoa*- H-as induced 24 to 96 hours after the last injection in 11 cases
of the first group and in one patient with primarj’ amenorrhea. Permanent re-
sults were not relevant: except in two cases a cjxlical bleeding was not rees-
tablished.
BIBLIOGRAFI.-\
1 . Zondík, B. — Gini«d and Experimental Investiijation on the genital functions and their
hormonal regtilatioa ItMl.
2. SchrodcT, R. — Arch. f. Gynãk. 10:1.1913. .^pud. Mazer & Israel — Diag. and treat.
of menst. disorders and ster.
3. Cinberg, B. — The J. of Gin. Endocrinology 3(3) . •167.1943.
<Trab«nu> <U Se^io de Eciocrtaolofia do Inttituto Butantao.
ERtrefue parm pobticaçio em 1.* de oattd>ro de 1943 e
dado á pcdtlicidade eta dexembro de 1913).
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
612.44
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DO EXOFTALMO
POR
A. MARCONDES SILVA
A presença de exoftalmo em grande número de casos de hiperfunção da
glândula tiroide fez com que se pensasse que tal perturbação fosse causada pela
tireoglobulina.
Todavia, essa hipótese não poude ser comprovada na experimentação animal
e era mesmo frequentemente contrariada na especie humana. Assim, em
trabalhos feitos por diversos pesquisadores, com o fim de elucidar a fisiologia
da glândula tiroide, e que consistiam na administração de grandes doses de tiroide
dessecada a animais de laboratorio, não se conseguiu determinar o aparecimento
de exoftalmo, embora o animal exibisse um quadro franco de hipertiroidismo.
Por outro lado, é frequente encontrar-se casos de franca tireotoxicóse que não
apresentam esse sinal, sendo os mesmes calculados em cerca de 30 a 40% do
total de casos de bocio exoftálmico (1).
O achado de Glej*, em 1910, tomou muito duvidoso que a tireoglobulina fosse
a determinante causal do exoftalmo; este autor verificou que a tiroidectomia
em coelhos infantis determinava o aparecimento da protusão ocular (2). Em
acordo com essa verificação, havia ainda o fato de, na especie humana, em casos
de hipertiroidismo, o exoftalmo, às vezes, aparecer pela primeira vez ou então,
quando presente, agravar-se, após a tiroidectomia subtotal, mesmo que o meta-
bolismo ba.«al fosse baixo (3).
A hipófise exerce uma ação estimulante sobre a tiroide (4) e isso fez com
que vários pesquisadores procurassem estudar o hipertiroidismo e a atiridade de
certos extratos hipofisarios, atravez da ação estimulante que os mesmos deter-
minavam na tiroide de um animal que fosse scnsivel a esses extratos. Esses
estudos trouxeram alguma luz sobre a causa do exoftalmo. Assim, Schockaert,
Cm 1931, estudando os efeitos de injeções de extrato de hipófise anterior em
patos infantis, verificou que as mesmas alem de exercerem a ação estimulante
*obre a tiroide, produziam também exoftalmo (5). Loeb e Friedmann verifi-
caram o mesmo fato na cc>baia (6).
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
106
Memórias do Instituto Butantan
Tomo XVII
Foi, todavia, Marine e Rosen que tiveram o mérito de demonstrar que o
exoftalmo era devido a algum hormonio hipofisario. Esses autores demonstra-
ram que as injeções de extrato hipofisario anterior, produziam exoftalmo tanto
em cobaias intactas, como nas tiroidectomizadas (7). Desde então passou-se a
admitir que a hipófise podia ser responsável pelo aparecimento de exoftalmo na
doença de Basedow. Dentre os hormonios hipofisarios, foi possivel demonstrar
que é a fração tireotrópica que tem essa ati\ddade.
A pesquisa do hormonio tireotrópico é comumente feita no sangue e na
urina e muitos são os processos que já se conhecem para determinar a sua pre-
sença. Dentre esses processos, o mais comumente empregado é o clássico test
de Aron, baseado na reação da tiroide da cobaia. Na Seção de Endocrinologia
do Instituto Butantan essa pesquisa tem sido feita na urina, usando-se pintos
ncs primeiros dias de vida, como foi proposto por Smelzer (8). presença de
hormonio se verifica pela sua ação sobre a tiroide desses animais, que se mos-
tra aumentada de volume, com maior peso, e com um quadro tipico de hiper-
função: aumento da altura das células de revestimento dos fcHculos, presença
<le algumas mitoses e sinais de proliferação que determinam um espcssamento
do epitelio, com consequente diminuição da cavidade folicular, empobrecimento
de coloidc que se mostra, quando presente, \-acuolado e fracamente corado,
denotando a sua formação recente. E’ o que se pode ver na Fig. 2, comparando-a
com a Fig. 1 em que está o quadro histológico normal da tiroide do ccntrole.
Este resultado constitue um test positivo. Na ausência de modificações o test
é negati%’o.
Muitos autores já pesquisaram a presença do hormonio tireotrópico na
urina e no sangue, em casos não só de afeções da tiroide. como de outras mo-
léstias. De um modo geral, tem-se encontrado resultados rariaveis no hipo-
tirridismo, havendo casos, mais numerosos, em que haria grande quantidade de
hormonio tireotrópico e outros em que isso não acontecia, sendo o test negativo.
No hipertiroidismo os resultados são, entretanto, mais concordantes, havendo a
grande maioria dos autores demonstrado fraca ou ausência de atividade tireo-
trópica na urina e no sangue desses pacientes. Bodart e Feilinger (9), assim
como outros auteres, demonstraram que essa atividade tireotrópica, comumente
baixa, de pacientes hipertiroidianos. se eleva rápida e pronunciadamente após a
tiroidectomia subtotal.
O motivo desta publicação é relatarmos um fato interessante que se passou
com um de nossos pacientes e que alem de estar em acerdo com os trabalhos
até agora citados, reforça a teoria por eles susdtada de que é o hormonio tireo-
trópico o responsável pelo aparecimento de exoftalmo na doença de Basedow.
Trata-se de um paciente portador de bodo difuso tóxico que nos procurou
no inido de sua doença. Em linhas gerais o que constatamos nessa ocasião foi
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
A. Maucoxdes Silva — Contribuição ao estudo do exoftalnio
107
o seguinte: T. F. O., masculino, branco, 26 anos, casado, brasileiro, apresen-
tando há três meses nervosismo, cansaço fácil, bocio pequeno, emagrecimento
acentuado, tremor, palpitações, pele úmida, polifagia, polidipsia e poliuria, Um
tratamento esporádico e de curta duração com iodo não produziu melhoras, mas
a interrupção do mesmo agravou o seu estado. Ao exame clínico enccntramos
um quadro típico de hipertiroidismo, com aumento moderado e global da glândula
tiroide, pulso ccm 120 batimentos, peso de 43.000 g c ausência de exoftalmo
Fio. 2
(Fig. 3). O desvio percentual do índice do metabolismo basal era de -}- 48,6%;
a taxa de colesterol no soro era de 106 mg % : havia crcatinuria e a pe.squisa de
hormonio tireotrópico na urina revelou-se negativa.
Foi instituído um tratamento pelo lugol, cm doses adequadas, para se obser-
'■ar o máximo de melhora que o mesmo poderia determinar. Esse tratamento
íoi seguido durante quatro meses, apresentando o paciente progressivamente
*«npre melhoras; nessa ocasião o índice do metabolismo basal era de -f-12,6%,
o pulso tinha 84 batimentos por minuto e o peso era de 52.000 g. Logo a se-
^ir, entretanto, estando o paciente nessas condições ótimas, começcu a desen-
volver-se um exoftalmo (Fig. 4).
cm
SciELO
108
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Nova pesquisa da atividade tireotrópica na urina revelou um test positivo
(Figs. 1 e 2). O índice do metabolismo basal determinado nessa ocasião re-
velou um desvio de — 4,7% (padrão de Boothby-Sandiford), a taxa de coles-
terol no soro era de 160 mg %, o pulso apresentava 80 batimentos por minuto
e o peso era de 52.900 g.
Como se vê, em um quadro de hipertiroidismo perfeitamente equilibrado,
atravez da ação benéfica do iodo em doses adequadas, equivalente, portanto, ao
estado de um paciente hipertiroidiano submetido a tiroidectomia subtotal bem
sucedida, veiu a aparecer um exoftalmo concomitantemente com um aumento da
atividade tireotrópica na urina, indicando uma maior quantidade de hormcnio
tireotrópico.
Fic. 3
Fic. 4
Pensamos que esse achado reforça ainda mais a teoria de que é o hormonio
tireotrópico responsável pelo exoftalmo na doença de Basedow. A ausenda do
mesmo no inicio da doença, no caso em apreço, talvez seja devida a que o hor-
monio tireotrópico, em excesso, estivesse sendo usado totalmente na glândula
tiroide com o fim de estimula-Ia e que, em rirtude da ação inibidora do iodo sobre
essa glândula, o h. tireotrópico inundasse o organismo, indo então produzir exof-
talmo e aparecer na urina.
RESUMO
É apresentado em resumo um caso de bocio tóxico sem exoftalmo, em que,
concomitantemente ao aparecimento de exoftalmo, se poude demonstrar a existen-
da de atividade tireotrópica na urina que anteriormente era negativa para o hor-
monio tireotrópico. O paciente achava-se nessa ocasião em tratamento pelo iodo
e sem sinais de tireotojdcose. E’ admitido que esse fato interessante reforce a
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
A. Marcondes Silva — Contribuição ao estudo do exoftalmo
109
'teoria de que o honnonio tireotrópico seja o responsável pelo aparecimento do
exoftalmo na doença de Basedow.
ABSTRACT
A brief report is given on a case of toxic goiter without exophthalmos, in
■which simultaneously with the appearance of exophthalmos the existence of thy-
rotropic activity in urine could be shown, which previously was negative for the
thyrotropic hormone. The patient at this occasion was under treatment with
iodine with no signs of hyperthyrodism.
It is suggested that this interesting finding should emphasize the thcory on
the thyrotropic hormone being responsible for the appearance of exophthalmos
in Basedow’s disease.
BIBLIOGRAFIA
1. Thompson, W. O. — J. A. M. A. 11;441. 1941.
2. CUy, — C R. Soc Biol. 68:858. 1910.
3. Cinsborg, S. — Ann. Internai Med. 13:424. 1939.
4. Loeb, L. & BassetI, R. B. — Proc. Soc Expcr. Biol. & Med. 26:860. 1929
5. Schockaert. J. A. — Proc Soc Exper. Biol. & Med. 29:306. 1931.
6. Loeb, L, & Friedmann, H. — Proc Soc Elxper. Biol. & Med. 29:648. 1932.
7. iíaríne, D. & Rosen, S. H. — Proc Soc Exper. Biol. & Med. 30:901. 1933.
8. Smelrer, G. K. — Proc Soc Exper. Biol. & Med. 37 :388. 1937.
■9. Bodart, F. & Fellinger, K. — Wien. Iclin. Wichr., citado em Collip, J. B. — J. A.
M. A 115:2073. 1940.
(Trabalbo da SccSo de EodocrwolocU do loMitcto BuUnUn.
Eotrefoe ptiblkaçlo cm $ de outubro de 1943 e
dado à publktdide cm dexembro de 1943).
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
6U.478
VACINAÇÃO T. A. B.
1. Formação de aglutininas no homem resultante do emprego
de vacina formolada
J. S. de MACEDO LEME & L. NOGUEIRA CARRIJO
Para o preparo da vacina T. A. B. do Instituto Butantan (produto 285) são
utilizadas suspensões bacterianas mortas e desintoxicadas pela ação do formol a
0-5%, durante 30 dias, à temperatura de 37°C. Como preservativo é usado o
ácido fcnico a 025 ^.
Trata-se, portanto, de uma vacina T. A. B. formolada. Ora, o comporta-
mento desse tipo de vacinas, quanto à capacidade de induzir a produção de agluti-
ninas nos individuos vacinados, runca foi investigado de nraneira satisfatória.
Alivisatos (1), que primeiro a empregou em larga escala, obteve bons títulos
aglutinantes. Contudo, as aglutinações por ele efetuadas só nos dão idéia da for-
mação de aglutinina "H” (flagelar), visto serem feitas pelo método quantitativo.
A análise qualitativa das aglutininas (2) ainda não ha\'ia entrado na prática
corrente. Na mesma falha incidem as aglutinações realizadas entre nós e citadas
por Piza (3). Outros pesquisadores que cuidaram do assunto não elucidaram
esse ponto (4).
Diante desses fatos resolvemos experimentar esse nosso produto, sob tal
ponto de vista, em um número suficiente de individuos. O assunto é de interesse
no momento, principalmente devido à revisão que as diferentes técnicas para o
preparo das \acinas T, A. B. tem sofrido ultimamente. Essa revisão é conse-
quente à descoberta, por parte de Felix e colaboradores (5), de um novo compo-
nente antigénico do B. tifico, — o antigeno “Vi", de grande importância na ação
patogênica dessa bactéria, o que toma, si não indispensável, pelo meno.s aconse-
lhável a sua preseriça na vacina preventi\-a.
.MATERIAL E MÉTODO
A vacinação foi feita cm alienados da Colonia Adhemar de Barros do Hos-
pício do Juqueri. As doses empregadas foram as mesmas constantes da bula do
produto, ou seja: 0.5 cm*, 1.0 cm* e 1.5 cm*, intervaladas de uma semana e por
^ subcutânea. A pesquisa de aglutininas foi feita no soro de cada indivíduo,
nbtido imediatamente antes da primeira e uma semana após a terceira dose.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
112
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
As aglutininas pesquisadas foram as correspondentes aos antigenos somático
termoestavel (aglutinina "O”) e flagelar (aglutinina "H”). A correspondente
ao antígeno somático terxnolabil (aglutinina “Vi”) só foi pesquisada em pouco
mais de uma dezena de casos, pela técnica de Felix (6). Não havendo encon-
trado nenhum caso positivo ao título de 1 :10, tanto antes quanto após a vacinação,
e sendo sabido, de antemão, que o antigeno “Vi” não pode resistir à técnica de
preparo de uma vacina formolada-fenolada, em virtude de sua extrema labili-
dade (7), resolvemos suspender essa verificação.
Os antigenos destinados à reação foram preparados segundo as normas tra-
çadas por Gardner e Felix, por ocasião do 2P Ccngresso Internacional de Micro-
biologia, realizado em Londres, em Julho de 1936 (8), às quais também obede-
ceram todos os demais cuidados de ordem técnica adotados neste trabalho. Para
o antígeno “O” preferimos o emprego de suspensões alcoólicas, feitas com a
amostra 0901, e, para o antígeno flagelar, suspensões formoladas da amostra
H 901. Estandardização por nefelometria, dando para a diluição final das re-
ações uma concentração de cerca de 450 x 10® bactérias por cm®.
Para a incubação dos tubos de reação preferimos a estufa a 37°C, por tra-
balharmos com soros em sua totalidade hemolisados, evitando, dessa forma, as
possivcis pseudo-aglutinações, atribuidas à redução da hemoglobina, quando se
opera em banho-maria a 50"C ou mais. As leituras foram feitas, para a agluti-
nação “H”, dentro dos dez minutos seguintes a uma permanência de duas ho-
ras na estufa, e, para a aglutinação “O”, após 20-24 h de incubação, dentro da
primeira hora da retirada dos mbos da estufa. Foram considerados resultados
positivos, para a aglutinação “H”, a última diluição visivel a olho nú, e, para a
aglutinação "O”, a última visivel com o au.xilio de uma pequena lente.
Alem da adoção de técnicas padrões, seria de desejar, para que os nossos
resultados mais se aproximassem de um critério rigoroso de unifermidade inter-
nacional, o emprego das suspensões padrões distribuídas pelo “Standard Labo-
ratory” do “Medicai Research Council”, de Londres (9). Impossibilitados de
tal cousa em virtude da guerra, procuramos, ao menos, garantir um máximo de
uniformidade em nossos proprios resultados, nesta e em outras experiencias, em
andamento ou projetadas. Visando tal objetivo preparamos, em coelho, dois so-
ros específicos, um anti-O e outro anti-H tipo especifico. Esses soros foram
titulados rigerosamente pela primeira partida de antigenos por nós preparada.
Alem de servirem para aferir aos antigenos, mensalmente, serrirão, também,
para padronizar futuras partidas dos mesmos.
RESULT.\DOS
Os resultados obtidos, resultantes da vacinação de 111 indivíduos, estão re-
sumidos no quadro No. 1.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
J. S. DE Macedo Leme i L. Nogueir-a Carrijo — Vacinação T.A.B. 1.
113
QuAsao I
TITULO DE AGLUTININAS *0* E ’H* ANTES E DEPOIS DO EMPREGO DO
PRODUTO 2SS PELA VIA SUBCtrTANEA
RenJudo
DHmçio
A
K 1 n t i n
í n a
-o *
A
( 1 n t i n
i n a
- H •
Aates
Drpoia
Antea
Depois
Na
%
Na
%
Na
%
Na
%
KesatÍTo
1:10
75
67,56
71
65,76
88
7947
10
9,00
PotitÍTo
1:10
17
1542
17
1542
s
741
2
1,80
1:20
18
1642
20
18,02
7
640
17
15,11
1:40
1
0,90
1
040
7
6,10
27
24,12
1:80
0
0,00
0
0,00
1
0,90
24
21,62
1:160
• 0
0,00
0
0,00
0
0,00
11
11,72
1:120
0
0.00
0
0,00
0
0,00
11
9,90
1:640
0
0,00
0
0,00
0
0.00
2
1,80
1:1280
0
0,00
0
0,00
0
0,00
2
1,80
1:2560
0
0,00
0
0,00
0
0,00
2
1.80
1:5120
0
0.00
0
0,00
0
0,00
1
0,90
111
111
111
111
A analise dos dados obtidos nos mostra que o teor de aglutinina "O”
pouco foi modificado pela \-acinação. Já o mesmo não ocorre em relação à
aglutina "H”, cujo título se mostra bastante alterado após a 3* dose da vacina.
£m alguns casos atingiu mesmo a títulos elevados, superiores a 1:1 000 (dnco
casos).
Considerando as grandes variações indidduais na produção de anticorpos,
as quais motivam uma grande' discrepância nos títulos obtidos para diferentes
indidduos, que tenham recebido o mesmo antígeno, nas mesmas doses e em con-
dições idênticas, Felix (10) propõe que se leve cm consideração apenas o que
cie denomina como "significative incrcase”, e que consiste num aumento de pelo
inenos o dobro do título anterior à vacinação. Irando cm conta esse critério
obteremos os resultados estampados no quadro 2.
Quadro II
Anticorpo
Na de nciiudo.
No. c/ sofisento 100%
Resultado %
Aclutinioa *0*
111
2
1,80
Aflatinioa *H*
111
97
87,18
Verifica-se, desse modo, que mesmo se adotando um critério favoravcl para
avaliar-sc o aumento de anticorpos resultantes da vacinação, a produção de aglu-
tíninas "O” foi pratícamente nula. Há vários resultados semelhantes na lite-
ratura sobre o assunto, obtidos por vários outros pesquisadores (11), com di-
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
114
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
ferentes ripos de vacina. Tais resultados foram, entretanto, refutados (12),
e, mesmo aqueles que os obtiveram, chegaram à conclusão, posteriormente, de
que uma boa \-acina deve ocasionar, no organismo s-acinado, um aumento da
aglutinina "O” (10 e 13).
E’ de supor-se, portanto, a existenda de uma causa qualquer determinante
de nosso resultado, absolutamente inesperado. Talvez a longa conser%'ação do
produto, antes de seu emprego, ocasionando uma alteração das propriedades
aglutinogênicas do antígeno “O”. Talvez uma ação, no mesmo sentido, do ácido
fênico utilizado como preservativo (13). E talvez ambas as causas.
Podemos afirmar, contudo, não ser tal resultado devido a um ocasional em-
prego de amostras rugcsas no preparo do produto (14), porquanto existe, de
parte da Seção, um máximo rigor em relação a esse ponto.
Pretendemos, em futuro proximo, investigar melhor essa questão.
RESUMO
Os A. A. experimentaram a vacina T. A. B. do Instituto Butantan (pro-
duto 285) em 111 alienados do Hospital do Juqueri. Tendo sido verificado, no
soro dos vacinados, um aumento insignificante da aglutinina “O’', sugerem uma
explicação que se propõem verificar.
ABSTRACT
The authors examined the T. A. B. vaccine of the Instituto Butantan (pro-
duet Nr. 285) with 111 mental cases at the “Hospital do Juqueri”. As they
were abie to State only an insignificant increase of the agglutinine “O” in the
serum of the vaccinated, they suggest an explanation, which the>* intend to give.
BIBLIOGRAFIA
1. Alivisatos, G. P. — Ccntralbl. f. Bakt., etc, I. Originale 95(1) :120.1925.
2. Ftlix. A. — J. Immtmol. 9:115.1924.
Pelix, A. — Lancet 1:505.1930.
Felix, A. & Olitski, L. — J. Imniunol. 11:31.1926.
— J. of Hyg. 28:55.1928/29.
3. Fixa, J. de Toledo — An. Paul. Med. Cir. 18(10) :177. 1927.
4. Pattani, G. — Boll. Sez. hal. Soc. inter. microb. 3(10) :678. 1931.
ifennonna, G. — Boll. lít. Sierot Milanese 11:614.1932.
fV/ierry, fV. B. & Bou-cn, J. A. — J. Infect. Dis. 37:520.1925.
Cosia. S., Boyer, L. & Placidi, L. — C. R. S. Biol. 92:1053.1925.
Dmand, P. _ C R. S. Biol. 92:159.1925.
Sabena, V. — Boll. Ist. Sierot. Milanese 12(15) :391. 1933.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
J. S. DE M-\cedo Leme Jt L. Nogceir.k Carrijo — Vacinação TÍA.B.
115
12 .
13 .
Felix, A. & PUI. R. hl. — J. Path. Bact. 38:409.1934.
— Lancet 2:186.1934.
— J. of Hyg. 35:428.1935.
Felix, A,; Pitt, R. hl. & Bhatnagar, S. S. — Brit. J. Exp. Path. 15:346.1934.
Felix, A. — J. Hyg. 38:750.1938.
Felix, A. & Bhatnagar. S. S. — British J. Exp. Path. 16:422.1935.
Gardner, A. D. âr Felix, A. — Buli. Org. Hyg. Soc. des Natioos 6:235.1937.
Rodrigues, P. hl. — Rev. Ass. Paul. Med. 18(4) :29. 1941.
Felix, A.; Rainsjord, S. G & Stokes, E. J. — Brit. Med. J. 1:435.1941.
Felix,. A. — J. Inununoi. 9:115.1924.
— J. Hyg. 28:418.1929.
— Lancet 1:505.1930.
Stuart, G. 6r Krikorian, K. S. — J. Hyg. 28:105.1928.
Pijper, A. — J. Hyg. 29:380.1930.
Gardner, A. D. — J. Hyg. 28:376.1929.
— Lancet 1:427.1930.
.Mudd, S. — J. Immunol. 23:81.1932.
Smilh, A. — J. Hyg. 32:143.1932.
IFUIU. J. — J. Hyg. 32:375.1932.
Ilorgan, E. S. — J. Hyg. 32:523.192.
Giglioli, G. — J. Hyg. 33:387.1933.
Dennis, E. IV. Sr Berberian, D. A. — An»er. J. Hyg. 20:469.1934.
Grasset, E. — Presse Med. 47(95/96) :1653. 1939.
Dulaney, A. D.; Wichle, IV. T. Sr Trigg, R. — Amer. J. Publ. Health 22:1033.1932.
Stwarl. G. & Kriiorian, K. S. — Lancet 2:644.1934.
(Trabalho da S«C(io d« Sorot e Vaciaaa do Inatilnto Botas-
taa. Enlrttue para pobiicaçio cm 19 de atoato de 1941
dado i publicidade em deiembro de 1943).
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
VACINAÇÃO T. A. B.
2. Vacina formolada pela via intradermica.
6U.478
J. S. de MACEDO LEME & L. NOGUEIRA CARRIJO
A via intradermica para a vacinação preventiva contra a febre tifoide é
defendida por Tuft (1). Seu uso, si realmente forem melhores as reações
iniunogênicas dele decorrente, ainda é acrescido das vantagens econômicas, para
a vacinação em massa, provenientes do emprego de doses bem menores do pro-
dirto, alem das %’antagens decorrentes de sua maior aceitação, por serem míni-
oias as reações gerais ou locais que provocam.
Em expericncias destinadas a comprovar as vantagens dessa via, Perry (2)
obteve bons títulos “O", tanto por ela como pela subcutânea. Não houve, por-
tanto, cm seus resultados, \-antagens quanto ao valor aglutinogênico.
Aproveitando a oportunidade em que procuravamos verificar o valor de
Qossa vacina formolada, quanto à sua capacidade de provocar a produção de
aghitininas “O” e "H” nos indivíduos vacinados, deliberamos experimentá-la,
também, pela ^na intradermica.
MATERIAL E MÉTODO
A vacina empregada nesta experienda provinha da mesma partida que a
Msada por via subcutânea, cm trabalho anterior (3), ^•ariando apenas quanto às
<ioses. Estas, igualmcnte em número de três, foram de 0.10 cm*. O.IS cm* e
0-20 cm*, respectivamente, sendo respeitado o mesmo interr^o de uma semana
^tre elas. A pesquisa das aghitininas nos soros foi feita, também, imediata-
ttiente antes da primeira inoculação c uma semana após a terceira.
Os antígenos usados para as aglutinações também prodnham da mesma par-
tida anterior e as reações íorzm fdtas obedecendo ao mesmo critério seguido
a via subcutânea. O material humano nos foi, igualmente propordonado
Pria direção do Hospital do Juqueri.
RESULTADOS
A vadnação foi efetuada cm 164 internos da Colonia Adhemar de Barros,
*iaquele hospido. Os resultados conseguidos estão resumidos no quadro No. 1.
1
118
Memórias do Instituto Butantaa — Tomo XVII
Quadbo I
títulos aglutinantes obtidos antes e após VACINACAO pela vla
INTRADERMICA COM O PRODUTO 2ÍS
Resaltado
Dilaiçlo
A
C I O t i n
i n a
- o ■
A
g 1 n t i n
i n a
• H •
Antes
Depois
Antes
Depois
Na
7c
No.
Na
%
Na
%
Ne^tíTo
1
10
93
56,70
88
53.65
125
76211
35
21.34
PositiTO
1
10
27
16.46
20
12.19
15
9.14
3
1.82
I
20
37
22.53
43
26,23
16
9.75
35
21J4
1
40
6
3.65
11
6.70
8
4.90
48
29216
1
so
1
0,60
1
0.60
18
10.97
1
I«0
1
0.60
11
6,70
1
320
_
6
3.65
I
640
4
2.43
1
1380
3
1.83
1
2S60
1
0,60
Analisando-se os resultados obtidos verificamos que resultou, do emprego
da via intradermica, tal como ocorrera ccm a via subcutânea, um aumento in-
significante da aglutinina “O”, em consequência da racinação.
Aplicando o critério de Felix (4), ou seja, levando em conta apenas o
-aumento de pelo menos 100% do titulo aglutinante, constatamos relativa van-
tagem para a via intradermica. em relação à referida aglutinina, como se de-
preende do quadro No. 2.
Quadko II
VIA SUBCUTÂNEA (3)
VIA
INTRADERMICA
Anticorpo
c/ aumento 100%
cj aumento 100%
Prc^duxido
Na de cajoe
Vo.
%
Ko. dc casos
Na
%
Aglntinina "O*
111
2
1.80
164
17
10.36
Aglotinina "H"
111
97
87.38
164
98
59.75
Enquanto pela via intradermica obtivemos 10.36% de casos com “signifi-
•cative increase” do anticorpo "O”, pela subcutânea esse resultado não foi alem
de 1.80%, para um total de 164 e 111 indivíduos \-acinados, respectivamente.
Em relação à aglutinina "H” a %-antagem foi para a via subcutânea, — ■
87.38% contra 59.75% para a intradermica. Esse resultado, contudo, não é de
maior interesse, em virtude da nenhuma importância desse anticorpo para a pro-
teção do organismo (5).
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
J. S. DE ^L\CEDo Leme & L. Nogieira Cabrijo — Vacinação T.A.B. 2.
119
Ainda se torna necessário ponderar que a relati\’a vantagem apresentada
pela •i-ia intradermica, quanto à formação de aglutinina “O” pelo organismo
vacinado, é despida de qualquer %'alor absoluto quanto à capacidade aglutino-
génica do produto 285 em relação a esse anticorpo. Isso porque, ainda que a
diferença entre ambas as vias haja sido notável, a porcentagem de casos posi-
tivos para o conjunto dos vacinados continua insignificante.
RESUMO
Os A. A. vacinaram 164 alienadcs do Hospital do Juqueri com o produto
285 (Vacina T. A. B.) do Instituto Butantan, pela via intradermica. Os resul-
tados foram melhores que os obtidos anteriormente pela via subcutânea.
ABSTRACT
The authors vaccinated 164 mental cases at the “Hospital do Juqueri” with
the product No. 285 (T. A. B. vaccine) of the Instituto Butantan, by intradermic
route. The results were better than those previously obtained by subcutaneous
rcute.
BIBLIOGRAFIA
1. Tuft, L. — Amer. J. of Mcd. Sc. 199:84.1940.
2. Perry, R. hí. — Amcr. J. of Hyg. 26:388.1937.
3. Ltmt, J. S. âr Corrijo, L. N. — Mem. Inst. But., 17 KX)0.1943.
Felix. A.; Rainsford, S. G. & Slokes, E. J. — Brit. Mcd. J. 1 :43S.1941.
S. Arkurighl, J. A. — J. Path. Bact. 30:345.1927.
Felix, A. & Olilski, jL — J. Immunol. 11:31.1926.
Shulse, H. — Brit J. Exp. Path. 11:34.1930.
DenU, E. H'. & Senekjian, H. — Amcr. J. Hyg. 26:11.1937.
Greenu-ood, M.; Topley, ÍF. IF. C. & ÍFihon, J. — J. Hyg. 31:257 e 484.1931.
(Tr»b*I^ da S«cçSo d eSortM e Vacinas do Instituto Botan>
tan. Eotrefuc para poblicaçlo cm 19 dc de 1943
e dado i ptiblicidade cm dezembro de 1943).
614.511
nível medio de AGLUTININAS TIFICAS em são PAULO
Contribuição para o seu conhecimento
J. S. de MACEDO LEME & L. NOGUEIRA CARRIJO
A classica Reação de Widal, para o diagnóstico das febres tifoide e parati-
fóides, incide, tal como é geralmente praticada, em numerosas falhas. Estas de-
correm, principalmente, da falta de uma padronização rigorosa das técnicas em-
pregadas, dentro do critério da análise qualitativa das aglutininas e do emprego
<le antigcnos mortos (1). Alem dessas falhas de ordem técnica, cutras há liga-
das às condições epidemiológicas da localidade em que reside o doente, e à sua
própria historia pregressa, no que diz respeito a uma possivel infeção ou vs.-
cinação anterior (2).
A vacinação preventira atinge principalmente a grupes da população, tal
como as classes armadas, em que é obrigatória. As aglutininas resultantes dessa
medida profilática perduram muito tempo, principalmente as flagelares (3),
alterando o resultado da reação diagnóstica. Nesses casos, entretanto, bem como
quando da ocorrência anterior de uma infeção entérica, a anamnese é um guia
seguro para o diagnóstico, auxiliada, si necessário, por R. de W. repetidas (curva
aglutininas).
Alem da ocorrência de infeção ou vacinação anterior, ainda subsiste uma
Outra condição, estritamente local, que precisa ser considerada pelo analista para
scr firmado um diagnóstico com uma única reação: — trata-se do nivel médio
de aglutininas naturais, que pode variar, dentro de limites bem amplos, de uma
fcgião para outra, parecendo depender, essendalmente, da existência ou não da
mfecção sob a forma endêmica.
As principais verificações anteriores sobre o assunto estão condensadas por
Topley e Wilson (3).
Em relação à aglutinina “H” Rosher & Fielden (1922), em Londres, en-
contraram 3% de resultados positivos a 1 :20 em 181 soros examinados. Em
^lanchester, Smith & col. (1930), encontraram 4.7% positivos para a mesma
diluição, o que muito se aproxima do resultado londrino. Esses autores não
dispunham de dados seguros sobre a existência de vacinação anterior. Seus re-
1
SciELO
11 12 13 14 15
122
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
sultados sao obtidos pela separação dos soros em dois grupos, pelo sexo dos m-
dividuos. Nos hcmens, em que a existenda de radnação anterior é mais pro-
\'avel, a porcentagem foi de 23.3%. Já em regiões assoladas endemicamente
pela infecção os resultados foram bem outros: Giglioli (1933), na Guiana In-
glesa, encontrou 24.6% positivos para a diluição de 1 :20 e 8.3% em titulo igual
ou superior a 1 ;80 num total de 350 soros. Alves (1936), na Rodésia do Sul,
onde se deveria esperar porcentagem também elevada, obteve 5.1% positivos para
a diluição de 1 :50 e 3.8% para a de 1 :125, em 530 soros examinados. Sua es-
cala de diluição foi iniciada com titulo muito alto, não permitindo uma compa-
ração perfeita com os outros resultados. Lewin (1934), na África do Sul,
entre 442 soros, conseguiu 10.6% para 1 :25 e 2.9% para 1 :100.
A diferença, para mais, nas regiões onde a febre tifoide é endêmica, sugere
a possibilidade de nas mesmas haver uma relativa frequência de casos benignos
da infecção, casos ambulatórios, que passam despercebidos, ou mesmo de infecção
inaparente, asintomatica.
Quanto à aglutinina “O”, os resultados são mais escassos porém mais con-
cordes. Gardner & Stubington (1932), em Oxford, encontraram em 50 indiví-
duos não vacinados 38% de resultados positivos a 1 :25 e 2% a 1 :100. Giglioli,
na Guiana, obteve 16.3% a 1:20 e 0.9% a 1:80. Horgan (1932), no Sudão
Anglo Egipeio, encontrou 7.1% positivos a 1:25 em 70 soros. Le\»’in, na África
do Sul, 45% a 1 :25 e 4.5% a 1 :100 em 442 soros. Alves, na Rodésia, 9.33%
a 1 :50 e 2.67% a 1 :100 em 300 soros.
Em relação à aglutinina “O” a discrepância é menor, como se depreende
das estatísticas citadas, tanto cm relação à sua frequência quanto aos titulos
obtidos.
Não se pode entretanto chegar a conclusões definitivas em virtude não só
da escassez dos dados até agora obtidos cemo da disparidade das técnicas em-
pregadas pelos diferentes pesquisadores. E’ preciso convir, contudo, quanto ao
interesse desse conhecimento, pois um titulo que pode ser considerado positivo
em um aregião, em outra pode estar dentro do nivel medio normal. Mas não
se deve inferir de.«^se fato que cqm tal conhecimento se possa determinar uni
título arbitrário... “com o qual, ou acima do qual, uma aglutinação possa ser
considerada como posithxi no sentido diagnóstico, c, abaixo do qual possa ser
considerada como negathsj. Um título observado p>ara qualquer um desses or-
ganismos (T. A. B.) constitue um elemento de prora que deve ser considerado
em relação com todas as outras provas disponíveis” (3).
A verificação por nós realizada está limitada ao B. tifico, por' ser o mais
importante do grupo, c, por outro lado, apenas às aglutininas “O” e “H”, por
serem as únicas realmente de interesse diagnóstico.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
S. DE Macedo Leme &. L, Nogueira Carrijo — Nivel medio de glutini-
nas tificas em São Paulo
123 -
MATERIAL E MÉTODO
Xesta pesquisa e em outras da mesma natureza, ora era andamento, temos
titilizado como antígeno “H” suspensões formoladas e como antigeno “O” sus-
pensões aiccolicas das amostras H 901 e 0 901, respectiramente. Todos os de-
dilhes das técnicas empregadas já foram enumerados anteriormente (4). Quanto
io material humano, 33 dos soros por nós examinados pertenciam a individuos-
tcsidentes em diferentes bairros da capital, dos quais 32 não apresentavam pas-
sado tifico ou vadnação recente. Apenas um apresenta\-a historia de centagio
c vacinação há apenas um ano. Os 288 soros restantes provinham de psicopa-
dis, internados no Hospital do Juqueri, dos quais não se podia obter com rigor,,
oenhum dado referente à vacinação ou infeção anteriores ao internamento.
RESULTADOS
Os resultados encontrados estão resumidos no seguinte quadro:
TfrULOS DE AGLUTINIXAS TIFICAS EM INDIVÍDUOS POSSIVELMENTE NORMAIS
Kc*u)u<Ío
Dnniçio
AGLUTININAS *H*
AGLUTININAS -O'
N&
%
No.
%
1:10
25J
;t.si
195
60,74
Po«ÍtÍTC
1:10
2S
7.71
51
15,88
1:20
25
7.78
60
18.69
1:40
17
14
4.36
1:S0
1
0.54
1
0.34
521
321
Analisando os resultados obtidos verifica-se uma porcentagem quasi nula
dle aglutinações positivas a 1 :80, para ambas as aglutininas (^0.34%). Em baixa
dldluição ( 1 :20) já a porcentagem de casos positivos foi alta, alcançando \^,W%
a aglutinina "O” e 7,78^^ para a “H”. Em diluição intermediaria (1 :40),
*dnda que o nivel da positivkkdé fosse i«enor, não passando de 4,36% e 5,29%,
d^^pcctivamente, :pora ijRjaeies dois anticérpos. não dei.xa de ser eleA-ado para o
de individuos possÍA-clmentc normais.
Comparando com os resultados encontrados por outros 'autores, constata-se
*lue a jKircentagem px>r nós obtida, para a diluição de 120, está pierfeitamente
acordo com a nossa situação de região onde a febre tifóide c «dêmica, por-
*luanto como já foi visto, nessas regiões c relativamente alto o número fle <»sos
^itivos para títulos baixos.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
124
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
E' preciso salientar, contudo, que em relação a títulos elevados, iguais ou
superiores a 1 :80, os nossos resultados estão em desacordo com os obtidos em
outras regiões, de condições epidemiológicas mais ou menos idênticas. A nossa
porcentagem foi bem inferior. Contudo, temos de ponderar que a obtivemos
em indivíduos internados, em sua totalidade, em um hospital, estando, desse
modo, segregados da coletividade local, da qual nem sempre procedem, enquanto
os dados conseguidos por outros autores o foram em indivíduos em condições
comuns de vida, plenamente integrados no ambiente endêmico.
Esperamos conseguir, oportunamente, realizar outras verificações em agru-
pamentos diferentes de nossa população, de maneira a poder, de seu conjunto,
formar uma idéia mais aproximada dos títulos limites, para o nosso meio, dentro
dos quais se possa esperar aglutinação positiva cm indivíduos considerados nor-
mais.
RESUMO
1. °) Foram pesquisadas as aglutininas somaticas (O) e flagelares (H) para
o B. tifico em 321 individuos, sem passado conhecido de vacinação T. A. B.
cu de infecção tifica.
2. °) A porcentagem de resultados positivos, para baixas diluições (1:20), foi
de 18.7% (60 casos) para a aglutinina “O” e de 7.8% (25 casos) para
a “H”. Esse resultado está mais ou menos de acordo com o de outros
autores, que trabalharam em regiões onde a febre tifoide também é en-
dêmica como entre nós.
3. °) Há divergência, entretanto, quanto a títulos mais altos, iguais ou superio-^
res a 1 :80. Nossa porcentagem, nesses casos, foi muito baixa ( 1 caso ou
3.34% para ambas as aglutininas), talvez por trabalharmos com indivi-
duos hospitalizados, segregados, portanto, do ambiente endêmico local.
ABSTRACT
l.°) Sera from 321 pecple, living in São Paulo (Brazil), having negative his'
tories of previous enteric infection or T. A. B. inoculation have bcefl
analysed for agglutinins for the H and O antigens of B. typhosus.
2P) Sixty (18.7%) and twcnty five (7.8%) of these sera contained agglu-
tinins respectivcly for the O and the H antigen in dilution of 1 :20. These
'V »results are in fairly good agreement with numbers arrived at by other
-j./ workers in regions where typhoid fe^’er prevails endemically as it is the
case in San Paulo.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
I.
t-
J- S. DE Macedo Leme í L. Nogueira Carrijo — Nivel medio de glutini-
nas tificas em São Paulo
125
3.°) There is disagreement, however, between cur data and the ones met with
in the literature when high titers (1/80 or above) o{ agglutination are
considered. Our percentage of positive results, so far as these titers are
concemed, was very low (only one case, i. é. 0.34% for both agglutinins),
whereas other workers have arrived at much higher percentages.
The divergence may possibly be accounted for by the fact that all
our patients were hospitalized people, living therefore for a some^vhat
long period quite si^egated from the local endemical enviroment.
13IS.
BIBLIOGRAFIA
1. FtlU, A. & CvituT. A. D. — BnD. Or». Hy». tf(2) :2JS.19]7.
2. Rodrigiut, P. U. — Rcr. Ah. Paul. Mcd. it(4) :29.1941.
3. Tofíry, IK. IV. C. âr fVSsúm, G. S. — The Principies of Bscteríolofy and ImiBunity. Bsltimore.
8 .
4. Ltme, J, S. Jd. & C^rri/o, L. «V. — MemorUs do loftituto BuUnUn 17: .1943.
(Trahftlho <U S<xç8o de Scros e Voeinu do losuluto BatAS*
Un. Entrefu^ p^rs publica ç3o cm 2C de aiveto de 1943
e dado i pobliddade tm dexembro de 1943).
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
« 16. «1
INCIDÊNCIA DE BACTÉRIAS DO GÊNERO SALMONELLA
EM RATOS DA CIDADE DE SÃO PAULO
POR
LUCAS DE ASSUMPÇAO & JOSÉ CARLOS RIBAS
Não c nova a obserraçâo de que os ratos possam ser incriminados como
veiculos na transmissão de bactérias causadoras de infeções alimentares.
Nestes últimos trinta anos a literatura nos apresenta um grande número
de infeções alimentares e algumas em formas epidêmicas graves, das quais têm
sido isoladas salmonebs tanto dos ratos suspeitos como das fezes dos doentes.
De maior ^•alor, centudo, são os trabalhos dos últimos vinte anos.
William G. Savage e P. BriKe White ( 1 ) aconselham examinar os ratos como
causadores de into.xicações alimentares. Em 96 examinados isolaram salmonelas
de seis deles, sendo todas elas identificadas ao B. enteritidis (*). As raças iso-
ladas eram altamente virulentas e nada diferentes das encontradas nas infeções
alimentares humanas. Discutindo o emprego de diversos "virus” para matar ra-
tos (“Liverpool-virus”, ">Danyz’s virus”, “Ratin”), êles cs julgam, muito natu-
ralmente, perigosos: “We cannot regard as other than disquietíng the usage of
such bacterial viruses to kill rats which may end often to gain access to foods used
for man”.
Ole Salthe e Charles Krunm-iede (2) estudaram uma epidemia de infecção
alimentar, compreendendo 59 casos, produzida por um creme contaminado. O
açente causador foi o B. pestis caviac (B. typhimurium — tipo “Mutton"), sendo
t>s ratos incriminados. Julgam que o B. pestis caviac {B. typhimurium — tipo
‘Mutton”), B. cholerae e B. enteritidis são as três \-ariedades mais encontradiças
Como agentes etiológicos nas infeções alimentares humanas;
Uma epidemia tipica de intoxicação alimentar, provavelmente devida ao “vi-
rus de ratos”, foi descrita por Kobb Spaldin Spray (3), atingindo 123 moços es-
tudantes que se alimentavam regularmente no salão de jantar da West \'irginia
(*) N«t< resomo qtx nUno* fainido da literatura conienraaioa a noturnclatura da« bactriiaa
•^rnida peloa antorca.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
128
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
University e mais doze pessoas entre o pessoal da cozinha. O estudo epidemiolo-
gico feito revelou que o leite, ou o leite e um creme tinham sido os veículos da
infecção. A contaminação foi devida a um virus comercial que tinha sido distri-
buído dezesseis dias antes com o fim de exterminar os ratos da cozinha, onde exis-
tiam em abundancia. As culturas isoladas dos doentes e do virus distribuído para
matar os ratos mostraram-se todas idênticas, aproximando-se mais do B. ente-
ritidis.
Meyer e Batchelder (4), fazendo estudo bacteriológico, anatômico e patoló-
gico de 88 ratos capturados para o controle da peste em Oakland e Alameda, Ca-
lifórnia, verificaram a existência entre êles de quatro doenças: septicemia he-
morrágica (pasteurela), peste, tifoide dos ratos (por B. enterítidis e B. paraly-
phosus B) e pseudo-tuberculose (pelo B. pseudotuberculosis rodentium de
Pfeiffer).
Meyer e Hatsumura (5) estudaram a inddenda de portadores de salmcne-
las nos ratos da cidade de São Francisco (Califo^rJa). Examinaram bacteriolo-
gicamente 775 ratos, tendo encontrado 58 infetados: 28 com B. enterítidis e 30
com B. acrtrycke. Em 2% dos roedores infetados as salmonelas foram encontra-
das no tubo intestinal. É importante assinalar que, neste caso, os ratos provinham
de diversos distritos da cidade, mas onde não havia sido distribuído virus, tra-
tando-se, portanto, de infeção natural. A percentagem de ratos p>ortadores de
salmonelas foi aproximadamente de 6%.
Em Chicago, Elisabeth Verder (6) examinou 100 ratos selvagens de varias
partes da cidade, encontrando dez bactérias pertencendo ao grupo parati foide-en-
teritidis. Cinco ratos foram encontrados infetados com B. enterítidis nos exames
feitos no fígado e baço, sendo isolado uma vez o B. acrtrycke.
Entre nós, Amadeu Fialho e Genesio Pacheco (7), aproveitando material de
necropsias realizadas em ratos suspeitos de peste, trazidos ao Laboratorio Bacte-
riológico do Departamento Nadonal de Saude Pública do Rio de Janeiro, isola-
ram bactérias principalmente dos gêneros Salmonella (25%), Pasteurclla, Esche-
ríchia e Alcaligenes. Estudando 13 amostras de salmonelas isoladas, verificaram
alguma discrepância na fermentação dos açucares, concluindo que — “os elemen-
tos fornecidos pela biologia da bactéria permitem identificá-la ao gênero SaJmo~
nella, embora sem possibilidade de especificação. Não foi possível com estes
elementos identificar as amostras isoladas com a chave dada, para esse fim, pela
Sociedade de Bacteriologistas Americanos”.
As pro\as imunológicas feitas pelos autores apenas revelaram que um soro
total preparado com 5". enterítis aglutinou poucas amostras ; e provas de saturação
simples demonstraram em outras amestras relações de parentesco antigênico com
Salmonella suipestifer.
No Japão, Sadayoshi Hatta (8) achou que entre as salmonellas mais comu-
mente isoladas dos casos de intoxicações alimentares se encontram 5". typhimu-
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
L. DB Assumpção A J. C. Ria\s — Incidência de bactérias do gênero
Salmonella em ralos da cidade de São Paulo
129
ríum e Ji'. enteritidis. Examinou 1.075 ratos capturados em diversas partes da
cidade de Tokio, pesquisando salmc nelas nos seus orgãos internos, tendo isolado
í. enteritidis em quatro. Ainda diz ter encontrado duas ou tres raças não per-
tencentes ao grupo D de salmonelas, tendo o estudo minucioso de uma delas re-
velado tratar-se de uma variedade de 5*. bareilly.
Em Washington, Bartram, Welch e Ostrolenk (9) fizeram experiencias,
dando a ratos, per os, cultura em caldo de S. enteritidis, observando rápida e fatal
infecção, tendo isolado das fezes o mesmo organismo. Assinalam, também, que
alguns ficaram portadores, eliminando intermitentemente o organismo infetante
durante o periodo de mais de dois meses da observ’ação feita. Verificaram, ainda,
cm ratos com ausência de salmonelas nas fezes e orgãos internos, alto titulo aglu-
tinante do sangue, o que cs levou a condenar os métodos que pretendiam apontar
como vetores os ratos examinados pelo método sorológico.
Zoza}-a e Varela (10) dizem que com frequência se verificam salmonelas na
cidade do México. Examinaram 306 ratos brancos, mortos espontaneamente na
criação do Instituto de Higiene do México, tendo encontrado 76 com salmonelas :
59 S. typhimurium; 16 S. paratyphi A e uma raça S. choleraesuis.
Em pesquisa recentemente feita em ratos de diversas cidades dos Estados
Unidos por Welch, Ostrolenk e Bartram (11), a percentagem encontrada com
salmonelas foi muito pequena, apenas 1.2%; mas esta pesquisa foi feita apenas
cm amostras de fezes de ratos. Apesar de terem encontrado tão baixa percenta-
gem de salmonelas, ainda assim terminam a discussão do seu trabalho com as se-
guintes palavras: “since some fcw rats or mice may be infected -wilh focd poi-
«oning organisms, thcy all must be considered potencially dangerous to the health,
and every effort should be made to eliminatc them from establishments wcre
human food is prepared or stored”. *
Marchiavello (12), fazendo estudos no Nordeste brasileiro assinala a ocor-
cencia de três tipos de pseudo-tuberculose murina: a provocada pela P. pseudo-
^uberculosis ; a produzida pelo Corynebactcriutn pseudo-tubcrculosis tnurium (C.
fnuríum, C. kutscheri) e ainda uma terceira acidentalmentc ocasionada por S. ty-
Phitnurium (Bact. acrtrycke).
No trabalho de Marchiavello, na parte referente a salmonelas, não há refe-
rencia aos processos de identificação, apenas constando o seguinte: “Bacterioló-
gica e sorologicamente os microorganismos em causa foram identificados como
•5'- typhivmriutn”.
MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO
Como no Instituto Butantan o Serviço de diagnóstico da peste continua fa-
zendo pesquisa de Pasteurella pestis em ratos capturados em São Paulo, aprovei-
^os esse material para verificar a incidência de salmonelas nesses reedores.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
13Ü
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Foram examinados 950 ratos, na sua quasi totalidade Mus rattu^. Mus nor-
vcgktts e Mus alcxandrinus.
O material para as pesqusas foi geralmente baqo e fígado, triturados e reu-
nidos de 5 a 20 ratos, formando uma partida.
Cada partida era semeada em meio de enriquecimento (meio de Kauffmann)
e deste, após 2 e 5 dias de estufa, passada para placas com meio proprio ao iso-
lamento.
De oito partidas foram isoladas bactérias que no estudo das suas proprieda-
des bioquímicas puderam ser identificadas ctxno pertencentes ao gênero Sál-
monella.
Em seguida fizemos a identificação sorológica pelo esquema de Kauffmann-
White.
ESTUDO DAS BACTÉRIAS ISOLADAS
Os caracteres morfológicos, colorabilidade e propriedades bioquímicas das
raças isoladas das oito partidas procederam de maneira idêntica.
I. Caracteres morfológicos e colorabilidade. Bacilos Gram-negativos c
moveis. '
II. Propriedades bioqtUmicas.
A) Caracteres culturais. Desenvolvimento abundante nos meios comuns
de cultura, crescendo bem nos meios com verde brilhante.
B) Ação sobre os hidratos de carbono. Não fermentam lactose, sacarose,
adonita e salicina ; fermentam cem produpção de gás glicose, manita, maltose, dul-
cita, xilosc, sorbita, inosita e ranínose.
C) Reações especiais.
Produção de H 3 S — Positiva
Produção de indol — Negativa
Leite tomassolado — Acidez inicial seguida de al-
calinidade
Gelatina — Não liquefazem.
III. Estudo sorológico.
A) Determinação da composição antigênica somática. As oito raças isola-
das foram submetidas à aglutinação somática com soros dos grupos A, B, C, D, E
e uma mistura de soros de outros grupos menores reunidos, de acordo com o es-
quema de Kauffmann-\Vhite aprovado pela Subcomissão das Salmonelas, em 1939.
O resultado foi positivo unicamente com a mistura de soros do grupo B-
Cotno todas as salmonelas desse grupo contêm o fator somático “IV” e mais al-
guns outros, teríamos que determinar com soros para os outros fatores somáti-
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
l- DE Assumpção & J. C. Ribas — Incidenaia de bactérias do gênero
Salmonella em ratos da cidade de São Paulo
131
COS do grupo B a existência separadamente desses fatores. Achamos mais fácil
submeter as raças em estudo à aglutinação somática com soros somáticos de 5'. pa-
ratyphi B, S. typhimiirium, S. budapest e 5". bredney (todas do grupo B), tendo
verificado serem todas elas aglutinadas a titulo mais elevado com os dois primei-
ros soros.
Procuramos, em seguida, verificar si as raças isoladas absorviam os anticor-
pos somáticos de um soro S. schottmuelleri. O resultado foi a absorção dêsses
fatores, como se pode ver no Quadro 1.
Quadro 1
AGLUTINAÇÕES E SATURAÇÕES COM SÕRO “O" DE S’. SCHOTTUUELLERl
(F.\TORES SOMÁTICOS) RAÇAS (ANTIGENO “O")
R s
R 13
R 13
R M
R 243
Sem saturar
Saturada com R 5 . . . .
" " R 12 ...
" ” R 13 ...
" - R 14 ...
- ■ R 315A
" ” R 3I7A
" " R 318A
" R 243 ..
Ficamos, assim, com a possibilidade de indicar a existência, nas raças em es-
^* *tdo, de fatores somáticos iguais aos de S. schotlmucllerí, que são também os mes-
**K)s de 5". typhimuríum, isto é, (I), IV, (V) (•). Achámos inútil, portanto,
* determinação da e.xistencia, separadamente, dos fatores "I", e “V”, que são
Wconstantes tanto em S. schollmuellcri como em S". lyphimurium.
B) Determinação da composição antigênica ciliar. Em primeiro lugar pro-
^ramos verificar a existência de fatores ciliares não específicos, submetendo to-
as raças em estudo à aglutinação com uma mistura de soros ciliares não espe-
cíficos 1, 2, 3, 5, 6, 7.
As raças R 5, R 12, R 318.-\ e R 243 aglutinaram nitidamente com êsse soro,
passo que R 13, R 14, R 315.\ e R 317A, muito pouco. A impressão que ti-
^^os foi que todas elas apresentam antigenos ciliares não espedficos.
a) Composição antigênica ciliar específica;
(*) Ko de Kaaffauuin-N\litte, de 1939, o> fatores entre parênteses sio incoosiaetes.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
132
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Fizemos um primeiro grupo de aglutinações com soros para os fatores cilia-
res específicos b, i, d, r, eh, fg, que apresentam as oito primeiras salmonelas do
esquema de Kauffmann-\Vhite (1939), na fase 1. Poderiamos ter excluido o
soro “fg”, correspondendo ao antígeno específico de S. derby, que é monofásica
e que não apresenta fatores antigênicos não específicos.
Quadro 2
AGLUTINAÇÕES COM SOROS “H” FASE 1
(FATORES CILIARES ESPECÍFICOS)
Com antigeno " H " de :
Soros
ciliares
F»tor
Fator ‘d'
Fator
Fator *r*
Fator "cli*
Fator -f*-
R soltado
Rtsoludo
Resultado
Resultado
Resultado
Resultado
R. 5
-
++
R. 12
++
R. 13
++
R. 14
++
R. 315A
++
R. 317.\
++
R. 318A
++
R. 243
++
S. schottmtKllerí
++
^ S. kirkee
++
S. gaminara
++
O S. aberdeen
++
^ S. typhimurium
++
^ S. vírchow
++
U S. heidelberg
++
S. reading
++
S. derby
— ■
— ■
++
Como se vê no Quadro 2, todas as raças foram aglutinadas unicamente pelo
soro correspondente ao antigeno "i".
Como nenhuma outra salmonela do grupo B apresenta o fator ciliar “i”»
não continuámos a pesquisa de outros fatores específicos.
Portanto, presença em todas as raças do fator específico ciliar “i”.
Como no esquema de Kauffmann-White (1939) a única salmonela do grupo
B que apresenta o antígeno ciliar "i” é 5". typhimurium, só nos faltava determinar
nas raças em estudo, a cxistenda, na fase 2, dos fatores não específicos “1, 2”. .
para chegarmos à conclusão de se tratar dessa salmonela, o que deverá ser confir-
mado com provas de absorção.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
de Assumpção & J. C. Ribas — Incidência de bactérias do gênero
Salmonella em ratos da cidade de São Paulo
133
b) Composição antigênica ciliar não especifica:
Apenas procurámos verificar si as raças em estudo apresentavam os fatores
antigênicos não específicos “1, 2”... que apresenta S. typhimurium. De fato
Iodas as pro^^as feitas nesse sentido revelaram a existência desses fatores antigê-
nicos ciliares nas raças isoladas, que se mostraram também capazes de absorver
êsses anticorpos.
Como pro\*a sorológica final verificamos que todas as raças em estudo absor-
veram os anticorpos somáticos e ciliares de um soro typhimurium com anticorpos
para os seus antígenos "O” e “H”.
Em ccnclusão, sobre as provas sorológicas, as raças em estudo comporta-
ram-se de maneira idêntica, apresentando todas elas fatores somáticos iguais aos
de 5. typhimurium, e os seguintes ciliares: na fase 1, o fator “i”; na fase 2, os
íatores "1, 2”, que também são os fatores ciliares de 5". typhimurium. Ficam,
assim, identificados como S. typhimurium, que apresenta a s^fuinte fórmula (I),
U’, (V) : i : 1.2...
O ESQUEMA DE KAUFFMANN-VVHITE (1939) (•)
Tipo
Antigeno O
Antigeno H
Fase 1. Fase
2
GRUPO A
1
S. paratjrphi A
(I). II
a
GRUPO B
2
S. paratyphi B
(I), IV, (V)
b
1. 2...
3
S. atKHiy
I. IV. V
b
e, n, X
4
S. typhi muríum
(I), IV. (V)
t
1. 2...
5
S. Stanley
IV. V
d
1, 2...
6
S. heidelberg
IV. V
r
1. 2...
7
S. chester
IV. (V)
e.
h
c. n, X
8
S. reading
IV
e.
h
1, S...
9
S. derby
(I). IV
f.
g---
10
S. essen
IV
g-
m...
11
S. budapest
IV
g.
t...
12
S. brandenburg
IV
1.
V
e, n
13
S. bispebjerg
IV
a
e, n. X
14
S. abortus equi
IV
c, n, X
is
S. abortus ovis
IV
c
1, 6...
16
S. abortus boris
I. IV, XXVII
b
c, n, X
17
S. bredeney
I. IV. XXVII
I.
V
1. 7...
18
S. schleissbcim
IV. XXVII
b.
z 12
(•) Tliird INTERNATIONAL CONGRESS FOR MICROBILOCY, Ncir York, Snrtember 2-9,
' — Repeti of Preceedittgs,
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
19
S. paratyphi C
VI. VII (Vi)
c
1, 5...
20
S. cholerae suis
(c)
I, 5...
21
S. typhi suis
c
I, 5...
22
S. thompson
(W)
1. 5...
23
S. virchow
r
1, 2...
24
S. oranienburg
m, t...
25
S. potsdam
1 ,v
e, n
S. bareilly
VI, VII
y
1. 5...
27
S. mika\\'ashima
y
e, n
28
S. montevideo
g. m, s...
29
S. oslo
a
c, n, X
30
S. amersfoort
d
c, n, X
31
S. braendcrup
c, h
c. n
32
S. ncwport
e, h
1, 2...
33
S. kittbus
e, h
I, 5...
34
S. bovis tnorbificans . . .
r
1. 5...
35
S. mucnchen
VI. VIII
d
1, 2...
36
S. narashino
a
e. n. X
37
S. glostrup
X 10
c, n
38 S. typhi
39 S. cntcritidis
40 S. dublin
41 S. rostock
42 S. moscow
43 S. blegdam
44 S. berta
45 S. eastboume . . .
46 S. sendai
47 S. dar es salaam
48 S. panama
49 S. gallinarum . . .
GRUPO D
IX. (Vi)
d
g. m...
g. P...
IX
g. P. u.
g. q.--
g. m. q.
f. g, t..
e, h
(I). IX
a
I. IX
1, w
I. IX
1. V
IX
1 , 5 ...
I. 5...
c, n
1, 5...
GRUPO E
50
S. london
I. V
1, 6.
51
S. gi\-e
1. T
1. 7.
52
S. anatum
e, h
1, 6.
53
S. muenster
c, h
1, 5.
54
S. nyborg
III, X, XXVI
e, h
1, 7.
55
S. amager
y
1, 2.
56
S. zanzibar
k
1, 5.
57
S. shangani
d
1. 5.
58
S. newinhton
c, h
1, 6.
59
S. selandia
III, XV
e, h
1. 7.
60
S. new brunswick
1 V
1 7
61
S. senftenbcrg
I. III, XIX
h ▼
g rS, t...
62
S. niloese
d
z6. . •
8
1- de .4ssumpç.\o <3t J.
C. Ribas — Incidência de
Salmonella em ratos da
bactérias do gênero
cidade de São Paulo
135
OUTROS GRUPOS
M
S. aberdeen
XI
í
1. 2...
64
S. poona
XIII, XXII
r...
1. 6...
65
S. worthington
I, XIII, XXIII
I. w
z. . .
66
S. wichita
I, XUI. XXIII
d...
6/
S. carrau
VI. XIV. .XXIV
y
1. 7...
68
S. onderstepoort . . . .
HJ. Ví. XIV, XXV
e, h
1. 5...
69
S. hvittingfoss
XVI
b
e, n, X
70
S. gaininara
XVI
d
1, 7...
71
S. kirkee
XVII
b
1, 2...
72
S. kcntucky
[Vni], XX
/
1
z6...
/3
S. minnesota
XXI, XXVI
b
c. n, X
74
S. tcl-aviv
XXVIII
y
c, n
^ ^ ~ Estes antígenos podem faltar. Os únicos antígenos H indicados dessa maneira, são
os antigenos “c” e “k” cuja ausência resulta nas duas variantes não especifícas
mais importantes praticamente, ex. Salmonflla choUrae suií var. kunzerdorf c S.
thompson var. berltn.
I 1 = Somente parte do antigeno O presente.
... = Fórmulas abreviadas.
Como êste esquema foi feito para uso prático da determinação dos tipos sorológicos,
sómente antígenos de importância diagnóstica foram incluídos.
DISCUSS.-IO
A frequênda de infecções por salmonclas vem sendo assinalada em quasi to-
as nações, mas só recentemente (.1930) se conseguiu a distinção destas espe-
res patogênicas para os homens c animais, graças aos estudos de White logo
**guidos dos de Kauffmann. Para se evidenciarem os caracteres fi.xos das di-
'^^sas espédes, fizeram êles estudo aprofundado dos múltiplos fatores antigêni-
que compõem as salmonelas.
De fato, tem havido uma grande confusão durante muito tempo nos estudos
®*perimentais e clinicos sobre salmonelas e salmoneloses, devido ao fato de na
quasi totalidade apresentarem as salmonelas caracteres bioquímicos iguais ; no
®>lanto, este tem sido até bem pouco tempo o principal processo de estudo e iden-
tificação dessas bactérias.
Com os últimos trabalhos de Kauffmann e White (1926-1929) sobre a cons-
htuição antigênica das salmonelas e a objetivação desses estudos na apresentação
^ um esquema, as identificações atuais, embora muito complicadas, podem ser
*^Sorosamente fdtas.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
136
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
No Uruguai, Hormaeche e seus colaboradores têm publicado grande número
de trabalhos assinalando os ratos, a%’es e o gado porcino e bo\nno como focos de
infecção permanente por salmonelas.
São naturalmente êsses animais que contaminam os alimentos e vão provocar
a maior parte das conhecidas infecções alimentares.
Edwards e Bruner (13), em trabalho apresentado ao Terceiro Congresso
Internacional de Micrcbiologia, reunido em Nova York, em 1939, estudando a
ocorrência de salmonelas em diversos animais, verificaram que S. typhimurium é
a mais encontrada nos ratos, raposas, cachorros, cavalos, ruminantes e também
nas aves (não incluiram estudos sobre S. puUorum e S. galltmrutn) .
Embora as salmonelas de origem animal sejam pouco patogênicas p>ara o
homem adulto e os animais quasi insensiveis às de origem humana (doutrina de
Kiel), os estudos de Hormaeche vêm afirmando que a criança tem uma insensi-
bilidade até agora não suspei^da para as salmonelas de origem animal, que nelas
produzem infecções graves (doutrina de Montevideo).
Como vimos acima, correndo ligeiramente a literatura sobre o assunto, as
salmonelas mais encontradas nos ratos têm sido Y. typhimurium e S. enteritidis,
que também, nas infecções alimentares, são as mais comumente isoladas dos
doentes.
Os alimentos como veículos de salmoneloses são de facil estudo, ao passo que
a demonstração da sua ccntaminação pelos ratos já é mais dificil, pois, como dizem
Mayer e Matsumura {loc. cit.) : “It is therefore not easy, in fact, for obvious
reasons impossible to ascertain in any outbreak of food infection if the ccntami-
nation carne from rodents”.
O alto grau de parasitismo bacteriano dos ratos, principalmente de salmo-
nelas e a facilidade de contacto desses roedores com os produtos alimentares c
seus utensílios — possibilitam a transmissão dessas bactérias ao homem, provo-
cando-lhe infecções alimentares.
* « *
O processo para a identificação sorológica de salmonelas exige que se taça,
como última prova, a de saturação mutua de anticorpos. Teriamos que: a) pre-
parar soros com as raças que acabamos de identificar: b) verificar si apresentam
anticorpos para todos os fatores antigênicos de S. typhimurium; c) verificar st
S. typhimurium absor\’e todos os anticorpos produzidos ; d) constatar a absorção,
pelas raças isoladas, dos anticorpos "O” e "H” de um soro S. typhimurium.
Julgamos a prova de saturação mutua indispensável para a determinação dc
uma espécie nova, como, ainda, para casos especiais de identificação. Em nosso
caso, achamos perfeitamente dispensável essa prova completa (que viria trazef
muito maior perda de tempo e de dispêndio na aquisição de coelhos), per se tratar
• de salmonelas que só foram aglutinadas com soro do grupo B e que apresentam
10 ...
I
L- db Asscmpção a J. C. Ribas — Incidência de bactérias do gênero
Salmonella em ratos da cidade de Sáo Paulo
o fator ciliar “i’
137
Ora, o esquema de Kauffraann-White apenas nos indica como
nesse grupo, a 5. typhimurium. As salmonelas
Aberdeen e Kentucky, que também apresentam o fator ciliar “i”, são de outros
grupos, que apresentam outros fatores somáticos.
O item (d) da prova de saturação mutua, isto é, a salmcMiela deve absorver
os anticorpos correspondentes aos fatores antigcnicos de uma solmonela homó-
loga. julgamos indispensável em qualquer identificação, razão pela qual nós o fi-
acmos, confirmando a existência dos fatores antigênicos encontrados.
Não demos aqui todcs os detalhes da identificação sorológica, cuja técnica
seguida foi discutida por um de nós (.\ssumpção, L.) em trabalho anterior (14)
RESUMO
Correndo a literatura sobre o assunto vê-se que nestes últimos anos um grande
número de infecções alimentares têm sido estudadas, tanto em adultos como em
crianças, algumas em formas epidêmicas graves, em que os ratos são incriminados
como veículos de salmonelas, sendo estas isoladas dos seus orgãos internos, des
Alimentos por eles contaminados e das fezes dos doentes.
As salmonelas mais comumente encontradas nesses casos tem sido S. typhi-
*>itiríutn e S. cnlcritidis.
Existia muita confusão no strabalhos feitos antes dos estudos de Kauffmann
c ^Vhite sobre a constituição antigênica das salmonelas, por terem sido elas iden-
hficadas prindpalmente pelos seus caracteres bioquímicos. Sabe-se agera, serem
•guais os caracteres bioquímicos de quasi todas as salmonelas, que, no entanto,
dormam tipos nitidamente diferenciados pelos seus caracteres sorológicos.
Entre nós não foram encontrados estudos feitos sobre salmonelas em ratos
ctit que a identificação fosse feita pelo esquema de Kauffmann-White.
Foram examinados 950 ratos capturados em diversas partes da cidade de
São Paulo.
O material (baço e fígado), reunido sempre de 5 a 20 ratos formando uma
PArtida, era semeado em meio de enriquecimento (meio de Kauffmann) e, após
^ c 5 dias de estufa, passado em placas com meio proprio ao isolamento.
De oito partidas foram isoladas bactérias que puderam ser identificadas como
•Alrnonelas no estudo das suas propriedades bioquímicas.
O estudo sorológico feito de acordo com o esquema de Kauffmann-Whití
*'^elou serem todas iguais, apresentando a seguinte composição antigênica so-
***itica e ciliar:
Composição antigênica somática. Todas elas deram reações aglutinantes
positivas unicamente com os soros somáticos do grupo B e revelaram a presença
= . 11
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
138
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
dos fatores somáticos iguais aos de S. schottmuellcri e S. typhimurium, que o es-
quema apresenta da seguinte maneira: (I), IV, (V). Foram feitas provas quc
demonstraram serem todas as raças em estudo capazes de absorver os anticorpos
somáticos de um soro somático de schottmuelleri.
Composição antigênica ciliar. Na aglutinação ciliar todas elas deram resul-
tados positivos com uma mistura de soros ciliares não específicos, indicando a pre-
sença de antigenos na fase não espedfica.
Na pesquisa dos fatores ciliares da fase especifica que apresentam as sal-
monelas do grupo B, todas foram aglutinadas unicamente com soro para o
fator “i”.
Na fase não especifica ficou demonstrada a existência dos fatores “1, 2”.
Apresentando as raças isoladas fatcres antigénicos somáticos e ciliares iguais
aos de 6". typhimurium, (I) IV, : i : 1, 2..., ficam assim identificadas, sendo
que, em provas finais, todas elas absorveram completamente as aglutininas so-
máticas e ciliares de um soro total í". typhimurium.
ABSTRACT
In the last few years a great number of studies on thc subject of food in-
fections in adults and in children have been published. Some were severe cpi'
demics in which rats were incriminated as carriers of salmcnellas, with isolation
of these organisms from viscera of thesc rats, from foodstuffs infected by these
animais, and from patients’ feces.
The organisms most frequently found have been S. typhimurium and S. c»~
tcritidis.
There was considerable confusion in the literature before the studies of
Kauffmann and White upon the antigenic constitution of the Salmonella group»
because these gcrms were identified chiefly by their biochemical properties. Wc
know that the great majority of the salmonellas have the same biochemical pro-
perties but that different types may be clearly determined by their serokgical
characters.
The present rcport is thc first of this nature done in Brazil.
Nine hundred and fifty rats were captured in various parts of the city of
São Paulo and were examined. The spleens and livers, in groups of from o
to 20 rats were inoculated in an enriched culture media (Kauffmann) and, aftcf
2 to 5 days of incubation, plated for isolation. From eight such lots there were
isolated bactéria identified by their biochemical properties as salmonellas.
The serological study, in accordance with the Kauffmann-White schei»®'
showed all of them to be alike and they presented the following sematie ao^^
ciliar antigenic strueture.
12
1- DE Assumpção A J. C. Rib.^s — Incidência de bactérias do gênero
Salmonella em ratos da cidade de São Paulo
13 »
Antigenic somalic composition. AU o{ them gave positive agglutinating
rcactions only with somatic sera of group B and sho^^•ed the presence of a so-
inatic factor equal to those of S. schottmudlcri and 5". typhimuríum \vhich the
scheme illustrates in the following manner: (I), IV, (V). Experiments were
niade which shoM-ed that all the types under study were able to absorb the somatic
antibodies of a somatic serum of S. schottmuellcri.
Ciliar antigenic composition: In the ciliar agglutination all of them gave
positive results with a mixture of non-spedfic ciliar sera indicating the presence
of antigens in a non-specific phase.
In the investigating of dliarj- factores of the specific phase, whidi the sal-
nionellas of group B show, aU were agglutinated only with serum for the
íactor “i”.
In the non-specific phase the existence of factors “1,2” ^^as demonstrated.
The isolated t>-pes showed antigenic somatic and ciliary isolated factors equal
to typhimurium — (I), IV, (V) : i : 1,2. . . — Tliey were in this way identi-
fied, and in final tests completely absorb the somatic and ciliary agglutinins of
a S". typhimurium serum.
BIBLIOGR.-\FIA
3.
10 .
11 .
Sazv(;e, G. li'. & If/tile, P. B. — Rats and salmonella group bacilli — J. fíyg.
21 :25&. 1922-23.
Sailhe. O. & Krumuiede, C. — An epidemic food inícetion duc to a paratyphoid
bacillus of rodentium origin — Am. J. Hyg. (Monographic Series) 4:23. 1924.
Spray, B. S. — An outbrcak of food poisoning probably due to “ rat virus" — J. Am.
Mcd. Assn. 86(2) :109. 1926.
Mtyer, K. F. & Batcheider, A. P. — disease of wild rats caused by Pasteurella
muricida, n. sp. — J. Infcct. Dis. 39:386. 1926.
Meyer, K. F. 6r Matsumura, K. — The incidence of carriers of B. aesirycke (P.
pestis cainae) and B. enleritidis in wild rats of San Frandsco — J. Inf. Dis.
41:394. 1927.
Verder, E. — The wild rat as a carrier of organisms of the paratyphoid enteritidis
group — Am. J. Publ. Health 17:1007. 1927.
Fialho, A. & Pachego, G. — Verificações histo-bacteriológicas cm ratos no Rio de
Janeiro — Arch. Hig. (Rio de Janeiro) 4(11) :31.
Hatta, S. — The rclations betwcen the salmonella group and house rats in Toldo
City — Jap. J. Exp. Med. 16:201. 1938.
Bariram, M. T.; IVelch, H. & Ostrolenk, .\í. — Inddcnce of members ob the Sal-
monella group in rats — J. Inf. Dis. 67(,3):222. 1940.
Zasaya, J. & Varela, G. — Infección de ratones con salmonelas — Ciência 2(1) :20.
1941.
K'elch, //.; Ostrolenk, kí. & Bartram, .V. — Rôle of rats in the spread of food
poisoning bactéria of the Salmonella group — Am. J. Publ. Healtli 31(4) :332.
1941.
13
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
140
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVTI
12. Marchiavello, Abüio — Pseudo-tuberculosis murina — Arq. Higiene (Rio de Janeiro)
12(3) :93. 1941
13. Eduvrds, R. P. Sr Brwier, W. — The antigenic analysis of Salmonella spedes derived
from domestic animais — Third Intemt. Qwigr. Microbiology — Report of
Proceedings — New York, 1940.
14. Assumpção, L. — Estudo de uma Salmomlla derby (isolada em São Paulo) pelo
esquema de classificação sorológica de Kaufíman-White — Boletim Int. Higiene
S. Paulo (76). 1942.
(Trabalho de colaboração do Instituto de Higiene de SSo
Paulo e da Seção de Bacteriologia; Peste e Cocos
Graa'negatlros do Instituto Butantan. Entregue psra
poblicaçSo em 8 de setembro de 1943 e dado i publící*
dade em dexembro de 1943).
14
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
616.911
0 PAPEL DO ESTREPTOCOCO NO
PÊNFIGO FOLIACEO (FOGO SELVAGEM)
ESTUDO CLINICO-BACTERIOLOGICO
POR
B. MARIO MOURAO
SUMARIO
Capitulo i — introdttção.
Capítulo II — Revisão bibliográfica de .trabalhos sobre estrepfococos nas dernia-
toses filiadas ao grupo do Pênfigo.
Capitulo III — Orientação experimentai.
Capitulo iv — càsos ciinicos.
Capitulo — Epidermoculturas:
A ) Casos estudados.
B) Condições técnicas.
C) ^laterial colhido :
1 . Bolhas.
2. Crostas.
3. Punção em base de bolhas.
D) Semeaduras.
E) Resultados :
a) Epidermoculturas dos casos de Pênfigo Foliaceo;
1. Fase de insasão bolhosa.
2. Formas generalizadas crónicas.
3. Forma frusta.
4. Casos em regressão com seqtxlas da dermatosc.
5. Casos curados, com e sem sequelas da dermatosc
b) Epidermoculturas cm 5 casos de Dermatite Herpetiforme de
Duhring.
c) Epidemwcultura em um caso de Pênfigo -Agudo Febril.
1
cm
2 3 4 5 6 7 SciELO ;l1 12 13 14 15 16 17
10
142
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
CAPITULO VI — Henxxruhuras :
A) Casos estudados.
B) Colheita de sangue e condições técnicas.
C) Semeaduras.
D) Resultados.
a) Hemoculturas em casos de Pênfigo Foliaceo:
1 . Resultados gerais.
' 2. Resultados, considerando a fase ou forma clínica.
3. Resultados, considerando o inicio da derroatose.
4. Hemoculturas oositisas para estreptococos. Relação en-
tre a gravidade dos casos dinkos e o tipo de hemolise
e virulência dos estreptococos isolados.
5. Hemoculturas positis-as para estafilococos. Relação dos
casos clínicos com a capacidade eritrocitolítica e cromo-
genicidade dos estafilococos isolados.
6. Hemoculturas positivas e quadro térmico.
b) Hemoculturas em 4 casos de Dermatite Herpetiforme de
Duhring.
c) Hemocultura em um caso de Pénfigo VegeUnte.
d) Hemocultura em um caso de Pénfigo Agrulo Febril.
C.\PlTULO VTI — Verificações “ante e post mortem”:
-\) Casos esttxlados.
B) Colheita de material.
C) Material colhido.
D) Semeaduras.
E) .-\nimais inoculados.
F) Resultados.
I. Necropsias de casos de Pénfigo Foliaceo:
a) Estreptococos.
b) Outros germes isolados.
1 . Resultados gerais.
2. Resultados obtidos farticularmente a cada órgão ou ma-
terial patológico.
3. .\nimais inoculados.
4. Dados cuja importância releva assinalar.
II. Punções cardíacas “post mortem".
1. Resultados gerais.
2. Dados cuja importância releva assinalar.
Hl. Hemoculturas “ante mortem”.
IV. Casos de controle.
2
B. Mario Moik.ão — O papel tio cslreplococo no Pênfigo Foliaceo 143
t^APITULO VIII — Identificação dos estreptococos.
A ) AnxKtras estudadas.
B) Caracteres microscópicos.
C) Caracteres culturais.
D) Caracteres ecológicos.
E) Caracteres bioquimicos.
F) .Ação patogênica.
G ) Classificação sorológica.
H > Comentários. .
Capitulo IX — Pesquisas sobre as toxinas dos estreptococos hemoliticos isolados de
doentes de Pênfigo.
•A) Ligeiras considerações.
B) .Ação eritrocitolitica.
C) .Ação eritematogênica e to.xicidade para pe<|uenos animais;
1. Produção da toxina.
2. Inoculação em animais de laboratório.
3. Resultados.
D) .Ação fibrinolitica :
1. Estreptococos e plasmas utilizados.
2. Técnica utilizada.
3. Resultados.
capitulo X
— Discussão das pesquisas realizadas,
rimentais :
Outros aspectos clinico-e.\|>e-
CAPITULO XI
CAPITULO XII
— Os estreptococos em Dermatologia.
— Os estreptococos do Pênfigo Foliaceo. A toxina eritematogênica.
Reação da fibrinólise.
— .A estreptococia cutânea no Pênfigo Foliaceo e na Dermatite
Herpetiforme de Duhring.
— Hemoculturas positivas.
— A invasão cadavérica por estreptococos hemoliticos.
— Considerações e conclusões.
— Resimx).
CAPITULO I
INTRODUÇÃO
Problcnia al{;uni de dennatologia tropical, na atualidade, se nos apresenta
*ão interessante quanto o estudo dessa curiosa e grave enfermidade cutânea, que
"rassa endeniicamente em extensas áreas do interior do Brasil, denominada
Pênfigo Foliaceo, nome científico, ou "Fogo Sehagem”, nome popular.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVH
1 14
Numerosas tem sido as contribuições aparecidas, nestes últimos anos, so-
bre esta moléstia penfigosa. algumas dotadas de profunda originalidade e alto
espirito investigador que. indiscutivelmente, ergueram um pouco o nebuloso véu
que encobria sua obscura étio-patogenia.
Entre os trabalhos exi)erimentais mais importantes, ressaltamos o de Lin-
denberg (1), que inoculou coelhos e cobaios com sangue de portadores de Pên-
fígo e de Dermatite de Duhring, obtendo nos animais inoculados lesões vege-
tantes, após um período de incubação \-ariavel; obteve ainda Lindenberg. a re-
produção dessas lesões por passagens seriadas e concluiu suas pesquisas, achan-
do que o “Fogo Selvagem” é uma moléstia infecciosa, produzida por um virus
que circula no sangue e é transmissível a animais de laboratório. A Dermatite
de Duhring e o Pénfigo Vulgar teriam a mesma etiologia.
Entretanto o trabalho de Lindenberg não foi confirmado jxir outtos pes-
quisadores nacionais. Em colaboração com Artigas (2 e 3). no Instituto Bu-
tantan, em 1938, em intensivas experiências, rísando a natureza infecciosa a
virus, tivemos resul»ados negativos.
Em 1939, no Instituto “Conde de Lara”, em trabalho de larceria com
Vieira (4), também não cons^uimos provar a etiologia a virus do Pénfigo Fo-
liaceo.
Recentemente, publicamos um artigo de revisão (5), em que não consegui-
mos comprovar a existência de virus no Pénfigo, utilizando como inoculum liquido
céfalo-raquidiano e orgãos retirados de necropsias de indivíduos falecidos com
a dernutosc. Messe trabalho, contudo, fomos de opinião que não se devem en-
cerrar as pesquisas etiológicas neste campo de investigação, como se depreende
das nossas conclusões:
1. ® — Xo estado atual dos nossos conhecimentos não se pode afirmar a
pos.sibiüdade da natureza infecciosa a virus do Pénfigo Foliaceo.
2. ® — Xão conseguimos em nossas experiências um quadro mórbido que
caracterizasse a presença de rirus dermo-, viscero- ou neurotrópico nos animais
inoculados com material oriundo de doentes de Pénfigo Foliaceo.
3. ® — Enquanto a eticlogia do Pénfigo Foliaceo não for esclarecida, adia-
mos que as pesquisas sôbre isolamento de virus devem ser continuadas, utili-
zando-se, entretanto, de condições experimentais originais.
Em rista de tais resultados resolvemos retomar a questão e inidamos unia
série de pesquisas no setor bacteriológico, visando uma nora pista de estudo.
Ficamos realmente surpreendidos, desde o inido das nossas experiências, coni
a relativa fadlidade com que s^ consegue isolar estreptococos hemolíticos e viru-
4
B. M\rio Mour-\o — O papel do estreptococo no Pénfigo Foliaceo 145
lentos nos portadores de “Fogo Sel\*agem” e resolvemos, em vista desse fato,
estudar metodicamente as bactérias piogênicas no Pénfigo e em outras derma-
toses, bolhosas ou não.
Pertencendo atualmente a um serviço em que a menor das dificuldades con-
siste na obtenção de material patológico para averigiuções laboratoriais, pro-
puzemo-nos elucidar, tanto quanto possivel, o papel reservado aos estreptococos
no quadro nosogênico do “Fogo Selvagem”. E’ o que pretendemos mostrar
neste nosso despretencioso trabalho, fruto de demoradas e pacientes pesquisas
clinico-bacteriológicas.
CAPITULO II
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DE TRABALHOS SOBRE ESTREPTOCO-
COS XAS DERM.\TOSES FILIADAS AO GRUPO DO PÉNFIGO
Nas dermatcses pertencentes ao complexo grupo do Pénfigo. entre as quais
SC inclue o Pénfigo Foliaceo ou Pénfigo Tropical (*). numerosos trabalhos, em
'■árias partes do mundo, têm evidenciado a presença dos estreptococos : ou focali-
zando o seu aparecimento com simples achado lacteriológico de importânda se-
cundária, ou responsabilizando-o categoricamente como agente produtor da doença.
No Brasil, onde os estudos sôbre o Pénfigo Tropical despertaram grande
interesse, em vista da frequência com que essa dermatose é observada em certas
zegiões do Pais, não fugimos à regra:
.-Meixo (6). cm 1917, constatou em material proveniente de bolhas, cocos
's^trepti formes. Vieira (7), em 1937. isolou estreptococos xiridans c henio-
•iticos por hemoculturas. .\rtigas & Mourào (2 e 3), cm 1939, assinalaram cm
niaterial cutâneo dc Pénfigo a presença de um estreptococo hemolitico. .Aranha
tampos (8). em 1942, conseguiu isolar estreptococos em cultura pura da cor-
rente sanguínea de doentes de Pénfigo e, num caso, de gânglios enfartados.
Em vários países da Europa e nos Estados Unidos as moléstias cutâneas
iiliadas ao grupo do Pénfigo são relativamcnte raras. Os pesquisadores lutam
(*) A denominação dr Pénfigo Foliãceo é {alba. não corrnpoodrado ao« rãriot qandiof cll-
da moléstia. Vidra (26) dasaificoo dormatolcgicamente o stndromo entre néi, no qoal o tipo
'•'idee* < a fase da erolocão clinica mais conian nas formas generaliaadas crónicas. A denominação
^ Pénfigo Tropical fos proposta por Paranhos & Pedroso (27), em 1909, depois por \ idra (2S), em
^fZ2. e aprorada ou admitida por Artom (29), Guimarães (JO). Aranha Campe* (S) e ontros esln-
do assunto. Para melhor distinguir a rariedade de Pénfigo que existe entre nós, a adoção
^^djca do nome popular Pop* Setvtçem seria cooTcnienle. Durante a noaaa exposição empregaremos
^^diforentemente as trés sirKsilmias.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
146
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
com escassez de casos clínicos e. éste tato. pode ser notado nos trabalhos que
st referem ao papel dos estreptococos no Pênfigo. Mesmo assim, não são pou-
cas as contribuições interessantes que compulsamos e que podem ser resumidas
da seguinte maneira:
Eberson (9), em 1925, isolou do sangue total de 7 casos de Pênfigo Vul-
gar e. uma única vez. de liquido de bolhas contaminailas, uma bactéria cocóide.
Gram positiva, pleomórfica. anaeróbia, a qual denominou de Bacicríum pem-
phigi. De todos os casos os germes provaram ser sorologicamente idênticos.
Duas das amostras isoladas foram utilizadas para a j)esfiuisa da patogenicidade
em animais de laboratório; o germe é avirulento para macacos e virulento para
coelhos e cobáios, e neste último animal determina lesões cutâneas. .Xponta a
possibilidade de uma substância tóxica, secretada pelo Bacterium peiiiphigi, ser
ca|»z de formar bolhas e vesículas. Fez uma grande série de controles, reali-
zando hemoculturas com sangue de indivíduos normais e de doentes de outras der-
matt ses com resultados sempre negativos.
Shalcck (10). em 1925, descreveu um caso de Pênfigo .\gudo Séptico, de
evolução rápida, com erupção generalizada, no qual demonstrou a presença do
Bactcríum pemphigi. Na discussão do trabalho de Schaleck. Sutton (11) diz
acreditar que esta forma de Pênfigo ocorre invariavelmente em açougueiros e
veterinários. su]x>ndo que um estreptococo virulento ixxleria ser o agente res-
jionsavel. Schamberg (12). ainda cohientando a comunicação de Schaleck. disse
(lue teve a oportunidade de fazer pe.squisas bacteriológicas em 12 casos de Pên-
figo. .Apenas, cm um único caso, encontrou o "bacilo de Eber.son". De nume-
rosos pacientes cultivou estreptococos do sangue, dcjwis da mais rigorosa as-
sepsia da pele. .\clia que o Pênfigo é uma doença infecciosa aguda, mas há
dúvidas quanto ao agente patogênico. O estreptococo é um germe muito dissc-
tninado. encontrado sob as mais diversas condições, .seja como saprófita. ou ein
certos casos, acarretando efeitos patogênicos específicos. Em vista dos seus
achados acredita que a causa bacteriológica do Pênfigo ainda não foi esclarecida.
O pleomorfismo do estreptococo sugere a possibilidade de ser o "l»acilo de Eber-
son" um tipo pleomórfico do estreptococo.
Mc Even (13), em 1928. relatou um caso de Pênfigo Crónico e relacionovi
as manifestações clinicas com as observações bacteriológicas. O trabalho foi
orientado, supondo ser a doença devida a uma infecção sanguínea de origem
focal dentária. Isolou do seu caso estreptococos hemoliticos por hemocultura
e as bolhas mostraram crescimento dos mesmos c estafilococos dourados. Na
necrópsia isolou estreptococos hemoliticos de um abcesso do pescoço, do tecido
5
B. Maiíhi — O papel do estrcplococo no Pênfigo Foliaceo 147
<lo baqo e do liquido espinhal. -\s culturas de sangue do coraqão esquerdo nada
revelaram e as do direito, em anaerobiose, revelaram crescimento de uma única
colônia de Slapltylococcus aurcus, que acreditou ser de contaminaqão. Os es-
treptococos isolados durante a vida e os isolados na necropsia mostraram os
mesmos caracteres bioquimicos. Conclue serem as nianifestaqões cutâneas re-
lacionadas etiologicamente com a estreptocemia e que a invasão do sangue está
em direta relaqão com a enucleaqão de focos dentários patológicos infectados por
estreptococo. Schaml)erg (14), na discussão do trabalho, não compreendeu in-
teiramente se a infecqão estreptocócica do abcesso periapical pudesse ser a causa
do Pênfigo ou simplesmente um fator adicionado. Em doentes com lesões cutâ-
neas. pode perfeitamente haver uma in\*asão estreptocócica da corrente sanguinea.
I.embra o trabalho de Councilman, realizado hã anos. que todo o doente morto
com variola, morre de infecqão estreptocócica. Xào hã dúvida (jue a infecqão
dentária tenha agravado a doenqa. mas duvida que o estreptococo hemolitico
seja a causa do Pênfigo. .Acredita, tódavia, que um estreptococo com caractc-
risticos próprios, jwssa ser a causa da doenqa. .Acrescenta que o "bacilo de Eber-
son c admitido pdo próprio Hbersott covio pertencente ao grupo dos estrepto-
cocos."
.Arton (15). cm 1928. num documentado tralalho. faz a dcscriqão de um
caso clinico de septicemia por estreptococo piógeno. Xo decurso da septicemia
houve uma erupqão generalizada dc Iwlhas, aparecendo depois lesões papiloma-
tosas. com o quadro clinico de Pênfigo \'egetante. Os sintonas da septicemia
diminuiram com o aparecimento de lais fonnas mórbidas, e o caso involuiu Icn-
tamente de forna apirctica. com tendência cxixjntãnea ã regressão. Depois dc
nm jwriodo de acalmia durante dois meses, a temperatura voltou ao tipo séptico,
niostrando as henutculturas a presenqa de estreptococos. surgindo una eriqiqão
lx)lhosa difundida a todo o corpo, com cs caracteres de Pênfigo Vulgar .Agudo
e alguns elementos coni tendência ã forna vegetante. .A necropsia confinnou
a septicemia.
Prochazka (16). em 1929. no seu tralalho sóbre os estreptococos como
Ousa de Pênfigo c dc Eczema, apresentou a questão de que o estreptococo pode
*çir como agente patogênico, sob una forma dc dcsenvolvintento e de atividade
especial, de modo a dar, cm lugar de uma estrepto-septicemia com erujHjões bo-
Ihosas, o quadro do Pênfigo Crônico. Prochazka observou a c.xistência na tor-
'■ente circulatória de toxina estreptocócica em casos de Eczema, Erisipela. Eri-
terna Polimorfo e Pênfigo e acredita que ã tal substância se deva atribuir o Pên-
ligo, ainda quando não se consiga demonstrar bacteriologicamente a presenqa do
Estreptococo. Parv sustentar o seu ponto da vista, êsse .A. inoculou intradermi-
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
148
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
camente o liquido de bolha esteril em um individuo são. À inoculação seguiu-
se um surto de Pênfigo Séptico; no sangue foi isolado um diplococo Gram po-
sitivo; curado o Pênfigo, uma injeção intradérmica de s'acina estreptocócica de-
terminou um grave choque anafilático. Com êste fato Prochazka pretendeu
demonstrar a existência de uma toxemia estreptocócica. Radaeli (17). comen-
tando o trabalho, indaga se a presença da toxina estreptocócica no sangue, tanto
em doentes de Pênfigo quanto de Eczema, não seria mais facilmente e.vplicavel
pela existênda de algum foco de infecção estreptocódca secundária, facil de ve-
rificar-se nessas doenças.
Mallard, Maire & Philibert (18), em 1931, expuzeram um caso de Pênfigo
-Agudo' em um soldado que não apresentas-a qualquer antecedente mórbido. O
Pênfigo apareceu no decurso de uma pleurite soro-fibrinosa aguda e com escar-
latina benigna. Foi a primeira s-ez, como dizem os A. A., que um caso de Pên-
figo foi notado durante a cons-alescença de escarlatina. Comentam que o estrep-
tococo parece ser aqui a causa do Pênfigo.
Ciani (19), em 1931. em um caso de Pênfigo Vulgar, datando de um ano,
verificou hemoculturas negati\-as e o liquido de bolhas mostrou repetidamente
a presença de um estreptococo fortemente hemolitico. A cuti-reação, feita com
vacina estreptocócica autógena. deu resultado positivo com o doente e negativo
com os controles. O estreptococo era virulento para coelhos c ratos e aviru-
lento para cobaios. .A terapêutica consistiu na aplicação de vacinas autógenas,
havendo rápida melhora do estado geral, abaixamento progressivo da tempera-
tura. reaparecimento da forma bolhosa e cura da doença.
Radaeli (17), cm 1931, nas conclusões de seu trabalho sôbre Pênfigo c Pen-
figóides, apresentado na XXVII.® Reunião do Soc. Ital. de Derm. & Sifilografia.
diz que as pesquisas bacteriológicas no grupo do Pênfigo deveriam ser especial-
mente orientadas em tomo do “bacilo de Eberson”. da eventual importância
duma forma especial do estreptococo c do “bacilo de Radaeli”; até aquela oca-
sião nenhum daqueles gemies forneceu dados seguros para a solução do pro-
blema etiológico.
Manca (20). em 1932, em um caso de Pênfigo Vulgar, seguido de forma
recidis-ante de tonsilite lacunar complicada com parotidite, no qual isolou
estreptococo hemolitico do sangue e do liquido de bolhas, conclue que o Pênfigo
\'ulgar é um sindromo cutâneo, relacionado a vários agentes mórbidos, não se
podendo, por isso, responsabilizar um único germe na gênese da dermatose.
Gracc (21), em 1934, realizou um trabalho para verificar se a bacteriemia
no Pênfigo era responsável pela mudança do quadro leucocitário. Foram reali-
zados exames bacteriológicos num caso de Pênfigo Vulgar e noutro de Pênfigo
\'’egetante. lím ambos isolou estreptococos hemoliticos em cultura pura no H"
8
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. Mario Movn.\o — O papel do cstrcplococo no Pcnfigo Foliaceo 149
quido flictenar durante a vida, e por punção cardíaca na necropsia. As amos-
tras, por prova de absorção de aglutininas, possuíam relações entre si. Dez dias
antes do doente de Pênfigo Vulgar morrer, foi seu soro sanguíneo inoculado
por via intracardiaca em um cobaio. O animal morreu dois meses depois tendo
sido isolados de abcessos no fígado, na necropsia, estreptococos hemoHticos em
cultura pura. Como os e.xames do liquido de bolhas foram feitos antes da morte
dos doentes, respectivamente, 30 dias num caso e 60 no outro, Grace é de opinião
que houve uma bacteriemia progressira e subaguda em ambos, iniciada, prova-
velmente. na ocasião da colheita do liquido de bolhas.
A Welsh (22) se deve um dos trabalhos mais interessantes e completos so-
bre os estreptococos no Pênfigo, realizado em 1934. \\'elsh, em 7 casos de Pên-
figo, isolou estreptococos do sangue, do liquido de bolhas c do material colhido
tio naso-faringe. Os estreptococos isolados, possuíam características próprias e
especificas, quanto à sua morfologia, caracteres culturais, comportamento nos
hidratos de carbono e na curva de distribuição da mobilidade cataforética ; eram
virulentos para 5 espécies de animais de laboratório e produziram lesões que se
*proxima\am às do Pênfigo. Injeções de suspensão de germes mortos, por
vias intradérmica e subcutânea, produziram bolhas nos penfigosos. As amostras
mostraram ser sorologicamente iguais. Como controle usou estreptococos iso-
lados de 4 casos de Dermatite Herpeti forme e de 7 casos de Lupus Eritematoso.
A redução da mobilidade cataforética dos respectivos estreptococos pelos soros
tle doentes com Pênfigo, Dermatite Herpetifomie. Lupus Eritematoso c Eri-
tema Multiforme, foi aplicada como pro\a de diagnóstico diferencial entre estas
doenças.
Bona (23), num trabalho publicado cm 1934, mostra-se descrente quanto
5 causologia do Pênfigo, não obstante haverem sido feitas numerosas investiga-
ções clinicas e de laboratório. Diz que no grupo do Pênfigo existe uma fonna
'clinica que é nitidamente de origem infecciosa: o chamado Pênfigo .-\gudo Fe-
bril que, na sua opinião, ê uma manifestação cutânea de uma septicemia. Nas
i^utras formas clinicas a infecção geral não ê tão evidente, mas com maior ou
'nenos dificuldade, exames clínicos e biológicos podem fazer luz. Parece a Bona
‘lUe o Pênfigo não passa de uma modalidade rcacional anátomo-patológica da
P^le em relação a uma infecção tó.xica, que pode ser desencadeada por qualquer
*?cnte infeccioso, destacando-se os estreptococos. estafilococos c badlo piociânico.
os mais comuns.
Casazza (24), cm 1936, ao relatar um caso de Penfigóide .\gudo, coinci-
dindo com uma infecção estrcptocócica. acredita que a dermatose surgiu, obede-
^ttido ao seguinte esquema: foco cstreptocócico — ► difusão na circulação do
?cnne infectante m — ► fixação na pele m — >■ bolha estrcptocócica.
lóü Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Leonc (25), em 1938, justifica o seu substancioso trabalho, dizendo que
entre as diversas teorias da Dermatite Herpeti forme (*) existe uma que atribue
ao estreptococo a causa da doença. Os argumentos deriram. em parte, das pes-
quisas bacteriológicas e sorológicas e, em parte, da obser\-açâo clinica. Realizou
exames bacteriológicos em 12 casos de Dermatite Herpetiforme. com o escopo
de estabelecer qual a parte que diz respeito ao estreptococo na etiologia dessa
dermatese. Seus resultados principais foram: 1) que a reação Inilhosa obtida
com vacina estreptocócica ou com estreptococos vivos não demonstra a impor-
tância etiológica dêsse germe, porquanto, idênticas reações foram obtidas com
vacina gonocócica e com estafilococos «vos; trata-se. portanto, de uma reação
isomorfa, análoga ao sintoma de Kõbner no psoríase. 2) Xem mesmo a pre-
sença frequente do estreptococo no liquido de bolha pode ser considerada como
uma prova de que tal lactéria possa ser responsabilizada pela gênese da derma-
tose. 3) Admite que o estreptococo penetra secundariamente através da cúpula
cb bolha: esta dedução foi plenamente confirmada, demonstrando que cúpulas
de bolhas espontâneas ou artificialmente provocadas são permeáveis aos estrep-
tococos. 4) Concilie .<eu trabalho afirmando que as i)csquisas lacteriológicas c
sorológicas depõem contra a importâncb do e.streptococo na etiologia da Der-
matite de Duhring.
CAPITULO III
OKI EXT.AÇ.AO EX PEK I M EXTAL
As bactérias piogênicas — conhecidas como germes de ini-asão, supuração
■ou infecção secundária, principalmente os estrejitococos — proliferam abundan-
temente nas eflorescências cutâneas dos doentes de Pênfigo Foliaceo. Foi
nosso esco|X) não somente isolar e identificar esses mituroorganismos, mas prin-
cijalmente elucidar a ação desempenhada por êles na marcha evolutira da der-
matose e seus efeitos no organi.smo enfermo. Para isso resolvemos praticar
e.xamcs lacteriológicos em grande escala das lesões externas e do .sangue, seni
seleção de casos clínicos, de todos os doentes que estiveram ao nosso alcance. Pos-
teriormente essas pesquisas foram extendidas aos casos falecidos com a moléstia,
realizando-se nas necrópsias culturas de sangue do coração, de órgãos das caiá*
dades fechadas e de líquidos ca\'itários anormais, quando existentes.
Os resultados a que chegamos, reveladores da interferência direta dos estrep-
lococos na evolução e mecanismo étio-patogênico do “Fogo Selragem’’ e esclare-
(•) Cilamo< r»lr inirrnuntc tralalba. porqtir *lím da Dímatitt Herpetitorne cslar inlimanirr.l*
relacioaada ao irru[>u do PénfÍRo, foram rstodadoa no prrrmtc trabalho, a titn'o dc cootredr, 5 dornt^
atinfridM desM afrcçio holbosa.
10
B. Mario Mourão — O papel cio estreptoeoco no Pênfigo Foliaceo 151
ceclores de muitos fatos até agora obscuros no seu quadro clínico, niotiraram a
presente publicação.
orientacjão experimental foi assim planejada e executada:
1 ) Prática de epidenncxrulturas ;
2) Prática sistemática de hemcxnilturas ;
3) Verificações bacteriolcjgicas "ante e post mortem”.
Isolado qualquer genne. desde que oferecesse interesse, era o mesmo con-
servado no lalxiratório para estudos posteriores.
Relativamente aos estreptcxrocos hemolíticos, o seguinte critério foi adotado:
a) Identificação (morfologia, caracteres ecológicos e culturais, proprieda-
des 1iioc{uimicas, classificação sorológica) ;
h) Patogcnicidade para animais de laboratório;
c) Produção e estudos sóbre as toxinas (ações tóxicas para pequenos
animais, eritematógena. eritrocitolítica e fibrinolitica).
O estudo das numerosas amostras de estreptococos isolados foi feito com-
parativamente com outras do tipo heniolitico c j)atogénicas para o homem, as
quais, quasi todas, estão inebidas no grupo sorológico .4 da classificação de
l^ncefield (31).
Os germes isolados de outras dermatoscs Iwlhosas essenciais, pertencentes
ao complexo grupo do Pênfigo, que tivemos oportunidade de observar, a titulo
dc comparação, mereceram igual tratamento.
Para o controle das pesquisas necróticas. c.xames bacteriológicos, nas mes-
nias condições técnicas, foram efetuados em cadáveres cujo óbito fora devido a
óutras doenças.
O presente tralalho é ainda precursor doutra série dc estudos experimen-
tais. muitos dos quais já iniciados por nós. referentes ao aspecto imuno-clínico
do Pênfigo Foliaceo. em face dos estreptococos e de suas toxinas di fusíveis.
N’ão resta a menor dúvida que. dada a intervenção desse ubiquo grupo de ger-
tties na marcha evolutiva tUi demiopatia que constitue o objeto desta dissertação.
Uni melhor conhecimento das reações imunitárias provocadas por êles no orga-
uisnio dos jienfigosos, com certeza oferecerá margem a numerosas pesquisas
que. possivelmente, poderão facilitar o diagnóstico biológico e. talvez, foniecer
liascs racionais para a tentativa de uma imunoterapia anti-estreptocódea es-
pecifica. ativa ou passiva, ministrada isoladamente ou associada à quimioterapia.
nossa tese será exposta por partes, de acórdo com as diferentes fases do
'rabalho realizado, procurando-se seguir uma sequência previamente estabele-
^da. de modo a concatenar da melhor maneira os diversos temas a serem trata-
11
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
152
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
dos, bem como tomar menos fastidiosa a leitura de assuntos quasi que exclusi-
vamente técnicos.
E’ nossa intenção, e para isso faremos o pxjssivel, procurar relacionar, à luz
de fatos objetivos, os casos clinicos com os achados bacteriológicos.
As seguintes abreznaturas se verão nos quadros demonstrativos, gráficos e
diagramas do nosso trabalho:
a
=:
ano
ac
=
ligeira acidiíicacão
.\c
=
acidifica ção
,\CP
=
acidificação e coagulação pardal
ACT
=
acidificacão c coagulação total
Am.
indivíduo de raca amarela
B
=
estado geral bom
Br.
branco
B. K.
Badlos de Koch
B. subt.
=
BaciUus subtilis
CP
=
Coagulação parcial
CR'
=
coagulação total e redução comp!eta
cr
Coagulação parcial e redução incompleta
CT
coagulação total
DCG
=
dermatose crônica generalizada
Der. peric.
derrame pcricárdico
Der. perit.
=
derrame peritotical
Diplococos
diidococos Gram positivos não identificados
D. pn.
=r
Diflococcus fHfumoniae
DR
=
dermatose em regressão
FD
forma distrófka
K. fr.
forma frusta
F. G.
=:
dermatose do tipo foliáceo generalizado
H.
dermatose do tipo hiperpigmentado
I. b.
=
dermatose na fase de invasão boihosa.
intr.
=
via intra-dérmica
hem.
hemolítico ou hemólise
L
=
liquefação
•M
estado geral mau
X
=
normal, fora de obsersacio
P
estado geral precário
Pd
=
pardo
per.
=
via peritoneal
Pr.
preto
Pr. anier.
=
Proteus americanus
Pr. vuIr.
=
Proleus vulgaris
Ps. aer.
=
Pseudomonas aeruginosa
R
=
estado geral regular
S
sobreviveu
Staph.
=
Siaphylosoccus
12
B. Mario Movr.ko — O papel do estreplococo no Pênfigo Foliaceo 153
btr. ind.
estrcptococo indiferente
Str. hem.
zz
estreptococo hemolhico
sübc.
=
via sub-cutinea
tbc
zz
tuberculose pulmonar
ti.
=
via transocular
V
via venosa
X
=
cstreptococos não classificados nos grupos sorológkus .■\. B e C.
+ + -1-
zz
numerosas colônias ou abundante crescimento bacteriano.
+ +
=
frequentes colônias ou regular crescimento bacteriano.
+
raras colônias ou escasso crescimento bacteriano
“ +
=
bemol ise total
hemôlise franca
2 +
=z
hemólise fraca
1 +
=
início de hemólise (traços)
t
zz
morte.
Além dessas, omras abreviaturas se encontrarão no decorrer da nossa ex-
posição, facilmente compreensíveis.
Nos doentes de Pênfigo Tropical geralmente se observa um estado sub-
■fcbril vesperal, geralmente não ultrapassando de 38° (febre de supuração).
Porisso o negrito, nos gráficos térmicos, indica temperaturas superiores a 37°5.
C.^PITULO IV
CASOS CLÍNICOS
O presente estudo é o resultado de veri f icaç<3es bacteriológicas praticadas
160 doentes de “Fogo Selvagem”.
O material patológico constou de sangue, crostas e liquido de bollias. pro-
venientes de doentes em vários estádios clínicos e de sangue colhido por punção
^fdiaca, fragmentos de órgãos e liquidos orgânicos anormais conseguidos em
^'ecrópsias. .\ distribuição dos doentes, conforme classificação clinica, foi a
v^Kuinte :
Fase dc invasão bolhosa inicial .Vi
Formas generalizadas crónicas 87
Forma distrófica (dermatose generalizada) 15
Forma frusta (dermatose localizada) 12
Forma de regressão 8
Caso curado, sem sequelas da dermatose 1
Caso curado, com sequelas da dermatose 1
Incluimos como formas generalizadas crônicas, para maior facilidade de
^^posição. os seguintes tipos clínicos da classificação de \ ieira: a) forma gran-
13
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
1Õ4
Memórias do Inslituto Butantan — Tomo XVII
demente bolhosa; b) intensamente foliacea: c) pústulo-lx)lhosa ; d) hiper-
piginentada; e) eritrodérmíca ; f) herpeti forme; e g) papilomatosa ou ver-
rucosa.
Ainda tivemos a ojwrtunidade de estudar outras dermatoses I>oIhosas pri-
mitivas. a titulo comparativo, como já referimos, sendo 5 casos de Dermatite
Herpetifonne de Duhring, 1 caso de Pênfigo Vegetante (Moléstia de Xeu-
mann) e 1 caso de Pênfigo .-\gudo Febril, realizando-se exames bacteriológicos
de sangue, crostas e liquido de bolhas.
Em regra, os doentes foram trabalhados logo em seguida ao seu interna-
mento hospitalar ou na sua primeira consulta no nosso ambulatório, antes de ser
iniciado qualquer tratamento. E’ oportuno referir que não nos foi dado obser-
var doentes de Pênfigo Ftliaceo com menos de 1 mês de doença. Geralmente
os individuos acometidos de Pênfigo são oriundos das zonas rurais do Estado,
gente de laixo nivel de instrução e de hábitos higiênicos rudimentares, que so-
mente prcKuram assistência médica quando seus padecimentrs se agravam, de
modo a causar apreensão ou temor.
Sem|)re. no momento da colheita ile material, avaliava-se. ajjós informação
médica e exame clinico efetuado no dia, o estado geral dos doentes e tomava-se
a temperatura axilar. Êste estado foi classificado, obedecendo à .seguinte dis-
tinção :
a) Precário: Doente impossibilitado de qualquer movimentação: estado
de nutrição i)éssimo: extrema caque.\ia; mucosas descoradas: membros su])crio-
res e inferiores em flexão |>emianentc sôbre o corpo; fácies de grande sofri-
mento ; asjxxrto senil ; dqjressão da atividade psiquica : dennatose generalizada-
b) Mau: Doente ao qual ê possivel sentar-se no leito e caminhar apoiado
cm outra pes.soa. embora com grande dificuldade: estado de nutrição mau: ca-
quexia adeantada: nmeosas descoradas; flexão dos membros superiores e infe-
riores sôbre o corpo, mas sendo possivel a extensão dos mesmos; fácies dc
grande sofrimento: aspecto senil; nitidês da inteligência: dennatose generalizada.
c) Regular: E’ o estado geral que a maioria dos penfigosos apresenta:
caminham com dificuldade mas sem qualquer apoio, apresentando a marcha tipica
anti-álgica; preferem manter os membros superiores e inferiores em flexão so*
bre o corpo; estado de nutrição deficitário: fádes angustioso; aspecto senil; in-
teligência integra; dennatose generalizada. jKxlcndo haver pequenas zonas de
epidermização.
d) fíom: Estado dc nutrição l)om; o doente caminha normalmente; d^'
cúbito indiferente: inteligência normal; dennatose com tendência à regressão
ou apenas localizada.
14
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. Mario Movhão — O papel tio estrcptococo no Pênfigo Foliaceo 155
CAPITULO V
KIM DERMOCÜLTÜRAS
A) CASOS ESTUDADOS
Realizamos exames bacteriológicos de eflorescências cutâneas em 55 casos
com formas iniciais, crônicas e de regressão. Examinamos também dois casos
curados: um há nuis de dois anos, sem sequelas da dermatose, constando o ma-
terial colhido de pele normal, retirada por escarificação, e outro, curado há mais
de cinco anos, com sequelas da dermatose, tendo sido colhido material de lesões
]>a]>ilomatosas. .Ainda tivemos oportunidade de retirar material patológico em
5 casos de Dermatite Herpeti forme de Duhring e em um ca.so de Pênfigo Agtido
Febril.
De acórdo com a classificação 'clinica, os doentes de Pênfigo estudados, fo-
t^m distribuidos do seguinte modo:
Fase inicial de invasão Ixilhosa 16
Formas generalizadas crónicas 21
Forma frusta (dermatose localizada) 8
Forma de regressão 8
Caso curado, sem sequelas da dermatose 1
Caso curado, com sequelas da dermatose 1
Incluimos os casos de forma distrófica estudados entre as generalizadas crô-
tiicas. jxir náü liaver grandes diferenças entre a flora cutânea dclafi, segundo
nossas verificações.
Xos casos aqui mencionados fizemos, em geral, mais de uina epidermocul-
tura e sempre tivemos o cuidado de colher material de mais de um elemento
t^ntâneo. Assim, exemplificando, de um caso crônico com a dermatose genera-
lizada. em recrudescência bolhosa, que apresentava bolhas limpidas e várias puru-
ientas. colhemos .separadamente material de várias bolhas limpidas e de várias pu-
rulentas. como também de crostas em diferentes zonas.
B) CONDIÇÕES TÉCNICAS
Xos exames lacteriológicos dc lesões tegumentares, levamos em consideia-
<;ão certos cuidados que reputamos indispensáveis para 'a unifonnização técnica
c para afastar, quanto possivel, causas de erro decorrentes da própria naaureza
'io e.xame. Êsses preceitos sáo, em linhas gerais, os seguintes:
1 ) — Os cuidados dc assepsia não devem ser desprezados, tendo-se o maior
zelo na obtenção do material, de modo a evitar contaminações adventícias.
15
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
156
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
2 — Os utensílios e instrumental de exame devem estar esterilizados e as
mãos do operador devem ser desinfetadas.
3 — Os doentes não devem ter feito qualquer tratamento externo. Caso
contrário, o exame só deve ser realizado depois de 48 horas, proibindo-se qualquer
aplicação medicamentosa e evitando-se, até mesmo, o banho de imersão em água
comum, neste período.
4 — O material deve ser colhido em lesões de recente formação.
5 — As semeaduras nos meios de isolamento devem ser efetuadas dentro do
menor espaço de tempo após a colheita.
6 — O material deve ser colhido em sala fechada, ao abrigo de correntes
de ar, com a presença apenas do operador e auxiliar.
C) MATERI.\L COLHIDO
1 ) — Bolhas. Somente se colhe material de bolhas intactas, não dilaceradas
e de recente formação. Interessa-nos, no presente trabalhe, tanto as bolhas de lí-
quido límpido e citrino, quanto ás de liquido turvo e purulento, A colheita é
teiia separadamente. A técnica de extração do líquido flictemar consiste na sua
aspiração com seringa ou com pipeta de Pasteur. Sendo a quantidade obtida
pequena, deve-se efetuar imediatamente a diluição do material em caldo glicosado
para as respectisas semeaduras. A agulha de punção não deve ser de calibre muito
reduzido, porque, si se trata de liquido purulento, há a possibilidade de sua reten-
ção na luz da agulha. A desinfecção é praticada com tintura de iodo, retirando-se
o excesso com álcool absoluto e esperando-se a esaporação dêste, a-fim-de evitar
que possa ter alguma ação sóbre a vitalidade dos germes.
2) Crostas. As crostas, escamas e retalhos epidérmicos são colhidos em
locais de recente rutura de bolhas ou em zonas de bollias flácidas de invasão ex-
cêntrica. Não existindo bolhas macroscópicas, colhe-se o material que reveste le-
sões exsudativas. Habitualmente não praticamos a desinfeção local. A desin-
feção é relativa e pode ser feita com salina fisiológica esteril, por pensos demora-
dos ou lavagens com gaze esteril. O material sólido, chegado ao laboratório, é
desintegrado cm gral esteril por trituração, dissolrido em caldo-glicosado e emul-
sionado por meio de pip>eta de Pasteur, depois do que são realizadas as semeadu-
ras nos meios indicados.
3) Punção cni base de bolhas. Após a desinfeção cuidadosa da bolha es-
colhida e do tecido circundante, introduz-se na sua base uma agulha hipodérmica
montada em seringa de tuberculina, contendo 0,1 a 0.3 de caldo-glicosado. A
introdução da agulha deve ser feita lentamente e a transfixação da pele da ma-
neira mais superficial. O caldo-glicosado é injetado \agarosamente, movimen-
l(i
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. Mario Mour.\o — O papel do estreptococo no Pênfigo Foliacco 157
Undo-se a seringa em várias direções, de modo a espalhá-lo uniformemente. As-
pira-se a seringa várias vezes, procurando-se \-ariar a direção da agulha. O lí-
quido obtido (serosidade -f- caldo) geralmente é quasi nulo, permanecendo muita
vez na luz da agulha. Lava-se a seringa várias vezes com caldo-glicosado, no
próprio tubo que servirá para as semeaduras iniciais. Procura-se, dêste modo.
aproveitar todo material. Todos êsses movimentos são feitos de modo a não se
romper á Ixilha. Xa forma frusta, sem bolhas, transfixamos a pele sã no limite
<los bordos de lesões eritêmatc-escamosas, injetando caldo-glicosado e praticando
Os e.xames nas mesmas condições.
D) SE.MEADUR.^S
Utilizamos como meios de cultura agar-sanguc. agar-simples, meio de Tca-
gtie em placas (meio seletivo para Gram negativos), caldo-glicosado, caldo-sóro
e meio de Tarozzi (anaeróbio) em tubos. .Após 24-48 horas de incubação em es-
tufa a 37® faz-se a primeira verificação, isolando-se todas as bactérias que germi-
Jieni, jiara proceder à sua identificação. Xo caso de não resultar crescimento, os
*tieios semeados são conservados na estufa a 37® por um espaço mínimo de 8 dias,
*pós o que se negatira qualquer resultado. Xossa intenção, como já accntuamcj,
é somente estudar os chamados germes piógenos (estafilococos, estreptococos, ba-
^lo piociânico, Proteus, difteróides e colibacilo), dai o emprego de um número
íimitado de meios de cultura, visto que, qualquer dessas bactérias, tidas como pro-
dutoras mais comuns de pus, serem de facil isolamento.
A quantidade de ínocuium varia naturalmente com a sua origem. Tratan-
do-se de material proveniente de bolhas límpidas, geralmente amicrobianas, se-
*tica-sc com prodigalidade. Já com material originário de bolhas purulentas ou
de crostas, onde a flora bacteriana é abundante, tomamos certas precauções técni-
<^s nas semeaduras; ou espalhando o material em mais de uma placa ou diluin-
do-o antes em caldo-glicosado, a-fim de ohter crescimento não confluente, facili-
^ndo a pesca e isolamento das colónias bacterianas.
E) RESULTADOS
a) Epidermoculturas dos casos de Pênfigo Foliaceo
Dos 53 casos estudados. 43 apresentavam estreptococos nas lesões, ou seja
utna percentagem de 81,1 Çc. Excluímos, deste calculo, os 2 casos curados.
Tal avaliação numérica da infecção estreptocócica externa é falha. le\ando-se
^ consideração a multiplicidade das formas clinicas, diferentes quanto à morfo-
17
11
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
ir.8
logia e distribuição das lesões cutâneas e quanto ao estado geral apresentado pelos
doentes. 'E' mesmo bastante dificil uma interpretação geral e preferimos analisar
cada uma delas de “per si”, procurando salientar os casos mais tipicos, em gru]M>s
de 5 doentes, para maior facilidade de exposição.
1. Fase de invasão bolhosa.
Quadro I
s..
Nome
No.
Obs.
«
Cor
-5 5
.2 ^
Z c
£ £
w b
d* ••
Bolhai
liquido
limpido
Bolha»
liquido turvo
(purulento)
Pur.çSo em
ba»c de l>olha
CROSTAS
409
p.un.
543
.34 a.
Pr.
1 m.
Hrp.
Au^. rre»c.
bactéria no
Strept, ktmei.
St»pk. úurfus
Aus. cre»c.
bacierisno
-
426
547
!5 a.
Ur.
1 m.
Hom
Auft. erei^.
bacteriano
Strfft. krm&L
Stapk. oibnt
Au», cresc.
bacteriano
-
ta :,
L L.
575
36 a.
Pd.
1 m.
Rc(5.
Au», crew.
bacleriaBo
Strept. Armo/.
Stêpk. anreuj
Au», cresc.
bacteriano
Streft. krmoL
Sitfit. aarnu
BaciUtu tp.
492
J. .M.
560
19 a.
Br.
4 m.
Bom
Stéfk. 9Mte*s
Stffpt. krmcf,
Stépk. m»renj
Au». cre»c.
bacteriano
StTfpt. krmoi.
Stmpk. anrmi
3S7
1. J.
539
38 a.
Br.
6 m.
Rr*.
.Aus. crcsc.
bacteriano
Strept. ktmei,
Stépk. anrnu
Aua. cre»c.
bacteriano
-
Constitue um grupo de doentes que apresenta resultados uniformes.
No Quadro I apresentamos 3 doentes em que a dermatose começara um més
antes e 2 que ainda estavam na fase de invasão, quatro e seis meses depois do ini-
cio da doença. Êsses dois últimos casos servem para demonstrar que, mesmo
com um periodo prolongado de invasão bolhosa, não há modificações muito evi-
dentes da flcra bacteriana.
Os liquidos de bolhas limpidas são geralmente amicrobianos. Apenas uina
vez. em 12 casos, foram isolados Slaf'hyIococcus aiireus. Nunca conseguimos iso-
lar estreptococos.
No liquido de tx)lhas purulentas os estreptococos do grupo hemolitico estão
sempre presentes, associados a estafilicocos acromogênicos e cromogénicos. A
ausência de outros germes piogênicos demonstraram sempre a primazia dos es-
treptococos e estafilococos na infecção dos elementos bolhosos.
Nos exames de crostas, colhidas em lesões exsudativas (geralmente bolhas
flácidas dilaceradas), sempre foi possivel isolar estreptococos do grupo beta (he-
moliticos), como também outras bactérias, cuja frequência obedece, respectiva-
mente, esta disposição: Staphylococcus- albus, Staphylococcus aureus, Bacilus sp-
Coryncbacterium sp. e uma única vez Escherichia colt. Todos os estreptococos
18
I
B. JUrio Mourão — O papel do eslrcptococo no Pênfigo Foliacco 159
isolados pertenciam ao griijxj hemolitico com excepção de um único caso em que
i=olamos Strcptococcus do grupo gavta (indiferentes). Em todos os casos em
que foram insulados estreptococos hemolíticos a dermatose se generalizou. íío
doente em que obtivemos estreptococos inertes houve uma repressão rápida da
dermatose. Vamo.s resumir a sua observação clinica:
I
J. T. V.. observação 436. 25 anos, branco (Figs. 1 e 2).
Ex^mc cínico c catado geral
Exame li«.;te-
riHôgico de
CTíístas
Ilrmccultoras c bemograsna
l-IC 40
.\ iroIrMU trve iricip há 8 iséM',
Isolados 5“feef-
HcmucuUura negativa.
na TCfi&o antrrior do pc^coco. cm coo-
fecocev/ iodife*
Hemograma: neutrofilia com desvio tn*
»ct(ucncia üc ferimento (sic). Apó» 5
rentes e Sfs*
tenso para a esquerda. Eosinopenia
meses, a dermatose alastroose pelo
phyíacotnu «/•
(0.5%). («infopenia (9%). Granula-
torax anterior e posterior, abdocDen.
membros sap. e tnf.. Re£ere*se a sor-
to» febris, dores moscciares e setis£-
Câo de fria Nkkolskx positiTo. Fase
de inrasio bolkota (bolhas flácidas di-
laceradas e crostas melicdricas). Esta-
do geral reguar. Fácies á* sofrímen*
lo (Kig. I).
tms.
ç6es tóxicas nos neutrófilos. Encon-
tradas 2 células ã: irritacio de Tflrk.
I*laquetose.
91-41
Alta com regresCo (Fig. 2). O trata-
mento consistiu em injrçdrs tnlraveno-
sas de breroeto de estrôncio c qatotnc.
por via oral, nos J primeiros meses de
internamento, enquanto acusou febre
vesperal ligeira (nunca acima de 37,9*).
Dep('is náo tere mais febre e comeqou
a apresentar sen«iveis toelboras.
Hemograma: Ltucóciios. 135.000. He-
mátias. 4.500.000. Hemoglobina, 97%.
Neutrofüia com desvio para a esquer-
da. Eostnófilos em nàmero normal
Í3.4%>. T.infopenia (9%). Ausência
de elementos anormais nas séries bran-
ca • vennetlu.. Plaquetos.*.
.A punção em base de bolhas, nos casos cm que a fizemos, deu resultado ne-
l?ativo.
Em conjunto, a presença de estreptococos. na fase de invasão bolhosa. foi :
Pre>ença de estreptococos em liquido de bolhas limpidas = 0%.
Presença de estreptococos em liquido de bolhas purulentas e em crostas
= 1007c.
2. Formas generalizadas crônicas (Quadros II, III e IV).
Os estreptococos do grujx) bela, nos doentes com dermatose generali-
^da. estão sempre presentes no liquido de bolhas purulentas e nas crostas. No
^í^aterial purulento colhido em 10 casos, os estreptococos hemoliticos foram iso-
^dos em cultura pura ou associados a estafilococos brancos c dourados, não se
19
160
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
isolando outras bactérias. Xos exames de crostas de 21 casos, os estreptococos
hemoliticos estiveram sempre presentes, acompanhados de outros germes, os quais
se destacam, na s^inte ordem de frequência: Staphylococcus albus, Staphylo-
coccus aureus, Bacillus sp.. Corynebacterium sp. (difteróides) e de um caso de
Diplococcus pneumoniae.
Nos 6 casos em que existiam bolhas de liquido citrino e de recente formação,
duas vezes obtivemos estreptococos hemoliticos em cultura pura. Não isolamos
estafilococos.
í .
!
r-€T '. ■
i
f
Fic. 1
J. T» V.» 46J, na data de »ru interna-
mento. Caso •inicial de ineasio bothoaa.
Fic. 2
/• T. V., ol». 463. Regressão das lesões
neas depois de 6 meses.
Com tais resultados, êsse grupo de doentes, numa análise panorâmica, apa-
renta possuir uma flora bacteriana uniforme, parecendo não haver possibilidade
em se retirar quaisquer dados que possam ser relacionados com o quadro clinico.
Entretanto, numa análise mais profunda, conjugando os resultados dos exames
bacteriológicos das lesões cutâneas com os das hemoculturas e de outros exames,
particularmente dos casos em que foram isolados estreptococos cm cultura pura
de liquido de bolhas, é possivel entrever dados que se coadunam perfeitamente
com a gravidade dos casos clínicos.
20
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. Mario Movrão — O papel do eslreptococo no Pênfigo Foliacco
161
Quadro II
DERMATOSE GENERALIZADA
Exame tocleriológico de bolhas purulentas, com crescimento de Stre/>i. hettiol. em cultura pura
No.
Nome
No.
Obv
Idade
Còr
Inicio (la
mol(*^lia
S —
m w
* Sc
liolbas
liquido
limpido
Bolhas
liquido turvo
(purulento)
153 18 «. Br. 2 m. .M.u
«2
Strftt.
496 23 a. Pr. 8 m. .Mau
506
Stre^. krmoi
Strtft. íumei.
330 A. \. 27 a. IJr. 9 m. Mau
463
Slrrft. htmol.
18 6 a. Br. la. Re(t.
Strfft. hrmet.
276 30 a. Pr. 8 a. Reg.
Arma/.
Prucjrenios interpretar os casos reunidos no Quadro II, fazendo um re-
sumo de suas observações clinicas e dos exames subsidiários que nos interessam :
M. L. A., observação 462, 18 anos, branca (Gráfico 1)
Data
Exame ciroico
Exame l>acteriológico
do líquido de bolhas
Hemocultura
U-I-41
Doente há S meses, início por lesões bolboMs na face
anterior do tórax. Ao fim de 1 mês a dermatose se
generalizou. Apres nta atualmente dermatose geocrali.
zaoa do tipo amplamente bolhoao. Estado geral i^eeâ*
rio. Queixa-se de cefalêia e mialgias intensas. Inape-
tência absoluta Caso gravíssimo, de miu prognóstico.
Is(4ados estreptococos
berooliticof em cultu-
ra pura de bolhas
límpidas e purulentas.
Negativa.
2S-1-41
Faleceu às 17,50 bs. A temperatura na última semanr
antes da morte atingiu a 40* (Grifíco) I).
21
16?
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
A. D., observação 308. preta, solteira, 23 anos. (Figs. 3 e 4, Gráfico 2).
Data
Exame clinico
Exame bact. do
liq. de bolhas
Hemoculturas
Outros exames
1-10-41
Doente há 7 tnc»es; inicio por bo-
lhas prurífinosas no tórax. Aprcaen*
U atualmente leaóea croetoaas circuns-
critas nas regiões malares; numerosas
bolhas de liquido límpido, isoladas,
com tendência i coofluexscia e le-
sões crostosas, com aspecto de arqni*
pélago cartográfico, nos tóraxes an-
terior e posterior e membros supe-
riores. Da cintura para baixo a
pele está isenta de lesões. Afebril.
Nkkolskx positivo. Sulfanilamida por
via oral deu bom resultado. Dias.;
Forma frusta (Fig. 3).
Auséneta de cres-
cimento bacter*a-
no era material
ctJhido ue bolha
liropida de forma-
ção recente. Xâo
p.ssu*a bolhaS de
iWinida purulento.
Negativa.
1-12-41
Repmtinamente, a dermatose assu-
miu um aspecto grare. Recrudes-
cência bolbosa intensa após aplicado
de sóro antÍ-escarIatlnko (6 ampólat
de 20 cm*). Removida imediata-
mente para o Hospital do Isolamento
de Campinas, em vista do agrava-
mento do estado grral.
22
B. M.\iuo Mocr-ío — O papel do estreptococo no Pènfigo Foliaceo ICd
Data
Exíac clinico
Exame bact. do
liq. de bolhas
Hemocul taras
Outros exames
11-2-42
Internada no Scrriço do Pèoíigo.
Tipo foliáceo generalixado. Estado
geral máu. Temperatura 3S* (tarde).
(Fig. 4 e Crifico 2 — Temperatura
da hora da coUieita de material assi-
nalada com seta).
Ausência de cres-
cimento bactéria-
no em bolhas lím-
pidas. Em bolhas
de líquido turvo
crescimento de
Streft. k<m. e
Stipk. albtu.
Positira para
StreptococcMj
do grupo be-
mol itico.
Hemograma: Leucóci-
tos 6.200. Hemátias
4.200.000. Hemoglo-
bina 69 %. Desvio
para a esquerda doo
neutrófilos. Eosinófi-
los (25.5%). Granu-
lações tóxicas nos
neutrófilos.
21-2-42
Hipertermfa a 40*. Sorto bolboao
intenso c generalizado. Estado geral
mio- (Gráfico 2. temperatura da
bora da colbeita de material assina-
lada cocn seta).
Strtpt. ktm. em
cultura pura em
bolhas límpidas
de r^ente for-
ma^io e em bo-
lhas de liquido
turvo.
Positiva para
Strtpt^o<cu4
do grupo hc-
molitico.
6-6-42
Hipertermia a 37,9*. Continua cm
fase de recrndescència bolbosa. Es*
ta<!o geral màu.
Auséncn de cres-
cimento bacteri
no em boihas de
liquido límpido
de recente for-
ma^io.
Negativa.
25-2-43
Estado geral máu. Edema dos mem*
bros inferiores. Queixa-se de dores
generalizadas.
Exame qualitativo de
urina: Densidade
1022; albuminúria; ci-
lindros hialinos c hia-
linos-granulosos. pló*
eitos.
5-3-43
Piorou coosiderarelmente, com pro*
gzcssáo da sintomatologia interna.
Exame hematológi-
co: Leucócitos:
3600 mm*. Iletnitias:
3.500.000 mm». He-
moglobina 70% Va-
W globular 0,77.
Neutrocitose tóxica
com desvio degenera-
tivo* para a esqurrda
(degeneração nuclear,
psenose, vacúolos cito-
plasmaticos) ; eosioo-
penia; Unfopenia
(predominância de Hn-
fócitos de citoplasma
abundante c vacuolixa-
dos) ; monocitopenia.
Hemátias hipoertoi-
cas. anisocitose e pe-
cilocitose. Plaqoetose
intensa.
23
164
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Data
Exame clinico
Exame ]>act. do
liq. de bolhas
Hemoculturas
Outros exames
9-2-43
Estado gera] precária Extrema ca-
quexia.
Quimismo sanguíneo:
Goro plaamático ^
393 mg % ; d oro glo-
bular = 244 mg % :
índice clorêmico —
0,57. Reserra alcalin*
= 50,7 vol. %. Soro-
albumina = 4,7 g % »
soro-globulina 3.0
g % ; proteinas totais
= 7.7 f%: índice
proteico = 1.5.
6-3-43
Em franca fase prc-agònica. Tem-
peratura a 37* na colheita do san-
gue. Coibidos 500 cm* de derrame
pleural por puncáa
Hemocultura
positira para
estrcptocecos
bemoiiticos.
11-3-43
Faleceu ás ]0bs25. A bipertermia
prc^mortal chegou a 40*2. N«o pu-
demos fazer os controles bacterioló'
gkos post-mortais.
24
D.« obft. 508» qoando de 1>* cootoltaL
Caso diagnosticado como fôrma fnssta.
Fic. 4
O zn 9ino ca»o Ua Fif* •)» <)oatro m'9C%
cora a dcrroatosc ^mcralixada do tipo íoliicco.
166
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
A. L. V., observa<;ão 463, 27 anos, branca. (Figs. 5 e 6)
Dzti
Exame clínico
Exame itacteriológico
de liquido de bolhas
Outros exames
13-1-41
A dermatose começou bá 3 loicses com lesões
critematosas generaluadas c muito febre. Há
1 mè$ surgiram lesões bolbosas no tórax ante*
rior que se alastraram para o tórax po*t., ca*
beça, membros sup. c inf.. Atualmente lesões
tolhoaas circunscritas ao tórax anterícr, cabeça
e rosto. Febre, diariamente, acima de 38*. Do-
res reusculariS generaliaadas.
Hemucultnra negativa.
25-5-41
Apresentou regressJk» quasi total das lesões. Alta
hospitalar (Fig. 5).
Hetmxultura positiva
para Strr^o<occ»s kt-
molyíicns. Hemogra*
ma com desvio acen-
tuado para ? esquerda
(neutrófllos raetamíe-
loeíticos e com núcleo
bastonado aumenta-
dos numericamente).
Neutrôfilos cora gra*
nulações tóxicas.
17-6-41
Internada novamente. Recidira bolhosa violen-
ta com geseraliiaçio. acompanhada de febre
alta, delírio e perda de concicncia (Fig. 6).
Hemu^ultura negativa-
18-6-41
Exame bacteriológico
do liquido céfalo-r»*
qoidiaoo negativo.
7-8-41
A dermatose se generalixou. evoluindo para o
tipo foliâceo, cocn constantes recrudescências
t>«4bosas. £st. geral regular. Ainda apresenta
«intomas de omturhacões mentai«.
Xuroerosas colônias
de estreptccocü* hemo*
Uticos e raras de ts-
tafüococos ã^hms. das
bolhas purulentas.
Hemocullttra negativa.
2-2-41
Estado geral miu. Recnadescênc*! biJhosa vio-
lenta. Edema generalis^do.
Numerosas colônia*
de estreptíjcocos he-
moliticos em cultura
pura de bolha puru-
lenta, de recente for-
mação. Não tinha bo-
lhas de liquido lím-
pido.
Nâo foi possível co*
lher o sangue para
hemocultora.
22-1-42
Faleceu as 14.40 bs..
Nio foi feita necróp*
sia.
26
168
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
P. S.. observação 519, branco, 6 anos.
Data
Exame clinico
Exame bacteriológico
de liquido de bolbas
Outros exames
2-10-40
Há njats ou menos ura ano cocne^ou a Ocrmatose
Presença de estrepto
Hemocultura nefatira-
por lesóes no conro cabclodo, com (eneraltzação
cocos hemoliticos em
rápida em 10 dias. Fcrma distrófica. cocn dcr-
matose seneraltaada, do tipo fdiiceo. Apresen*
toQ desde o mido da molcttia parada do cresd-
raento. Atraxo menta] e psíquico. Maírcaa
hipofisária. Nanosômico e mícrofcoitosôrnico.
Infantiltsma
cultura pura.
3-4-42
Faleceu ás 10,45 hs.. Nâo foi feita a necropsia.
A. P. S., observação 271. preta, 30 anos (Fig. 2).
DaU
Exame clinico
Exame bacteticlógico
de líquido de bolhas
Outros exames
lJ-,1-40
Doença há S anos. cemecando por bolhas na re-
giáo anterior do tórax, generaltsindo-se em pou-
cos meses. Atualmente condicÓes gerais boas,
com bom estado de nutrição. Surtes bdhosos
frequentes e geseraluados. Hiperpigmentada.
Seios desenrolridm. Amenorréta desde o início
da doença.
Hemocultura nega**^
lS-5-41
Surto bolhoso riolento. Entretanto, o estado
Somente existem bo>
Hemoc^ama: Ligtif*
gera] da doente continua bom, lerando vida
lhas purulentas. Is<y
anemia hipocrómie»-
normal e até mesmo auxiliando os trabalhes oe
lados estreptocoes he-
Desvio para a esquer*
enfermaria. Febre vesperal nio uhrapassando
molltieos <m cultura
da pouco intenso*
de 37*.
pura.
Eosinofilia. <J6%)*
Como se vê, os casos em que isolamos estrcptococos hemoliticos em cultura
pura do liquido de bolhas, são geralmente graves e de mau prognóstico, Existem
exceções, a exemplo da doente A. P. S. (observação 271), cujo estado geral vem
se mantendo regular até a presente data (Fig. 7).
No Quadro III estão incluidos os casos mais comuns no Pcníigo TropicaP
são os do tipo foliaceo com o estado regular. Os penfigosos que seleciona-
mos são todos mais ou menos idênticos e escolhemos de propósito aqueles nos
quais a dermatose iniciou-se recentemente, antes de um ano de doença. Nada ha
de particular em tais doentes, a não ser o curioso achado de Diplococcus pncutno-
núir no exame No. 320 (observação 497). Este doente e o do exame No. 50^
(observação 562) faleceram pouco tempo depois de internados.
28
B. Mario Mouhão — O papel do eslreptococo no Pênfigo Foliacen 1C9
Fic. 7
A. }*. S.. ob«. 371 — £»tado ftnl bom.
>
Quadbo III
DERMATOSE GENERALIZADA
Casos com hemocultura negativa. Ex. bacteriológico de crostas
No.
Nome
No.
Obs.
Idade
C'»r
n ^
^ é
— ^
'ã È
K«lado
Geral
ReaulUdo
Ob^erraçÔc»
.VM
A. N.
362
34 a
Br.
•Vd.
RtR.
Strtf^t. hrmoi.
Sta(‘k. élhns
C^ryneb^erimm sp.
Faleceu
443
V.C.
549
31 a.
Pr.
5 m.
Keg.
S$reft, tuwwi.
Sto^K úlbus
407
M.C.P.
542
52 a.
Br.
6 m.
Ur*.
Strept. lumúl.
Stapk. úlbMs
320
F..VP.
497
36 a.
Pd.
7 m.
Rrx.
Strrpt, íumôi.
St^pk, albns
Dipl, pnr^imcnia^
Falreeu
336
P.RL.
473
35 a.
Br.
10 m.
Rf(ç.
Strept. krm^.
StapK mibtts
S9^k, avrraj
Faleceu
29
170
Memórias do Instituto butantan — Tomo XVII
Fir^ 9
Dttalhc lie Ie<õ«> penfifous do tipo foliiceo (eritroderniia e<foliatira>
em uma mulher doente hi dotf anoa. Ob»rrvar atrofia mamirt.i.
L)o tipo foliaceo generalizado e do tipo distrótico-foliaceo, ccni heinoculturas
positivas para Strcptococcus do grupo beta, são os doentes apresentados no Qua-
dro IV'. Xota-se que a maioria já morreu e que a dermatose se iniciara há muitos
anos. Observa-se também que a flora cutânea se compunha de estreptococos he-
moliticos e de estatilococos brancos e dourados, sem haver associação com outras
bactérias piógenas. Êste grupo de doentes será alvo de comentários especiais uo
capitulo dedicado às hemoculturas.
Qua»«o IV
DER.M.ATOSE GEXER.\LIZAD.\
Casos com hemocultura positiva para Streft. hemol. Exame bacteriológico crostas
No.
N".
Oh-*.
Idadi*
Cnr
ç ?
J i
i £
y u
Rr-nttado
Kl
K. \\
:ü4
22 a
Pit
4 m.
Prcc..-
rio
Strrpi. hrmcl.
Stãfh. MmrruM
Falecfu
.■»7
C.F.L.
193
30 a.
Pd.
2 a.
Mau
Street. krituJ.
SUfh. üJhms
Fal««a
4^3
a T.
t7S
1.3 a.
Pd.
7 a.
Rrtc.
Streft. krmei.
oJtui
17
N. 1».
õh
It a.
Br.
7 a.
M.u
Strrf-t. hrmoi.
Sta^k. cibut
Falecrti
41
n. s.
.*»!
.16 a.
Bf.
7 a.
Mau
Strtff’ hrmoi.
SUfk. omretij
FaJecru
30
B. Mario Movrão — 0 papel ilo cstrcptococo no Penfigo Foliaceo 171
Todos êsses fatos demonstram, nitidamente, que nas fonnas generalizadas
crónicas — inclusive as do tipo íoliáceo — há predominância de estreptococos na
infecção cutânea, tanto nos casos em que a dermatose era de generalização re-
cente. quanto nos de evolução mais longa.
A percentagem da incidência de estreptococos hemoHticos, foi a seguinte :
Presença de estreptococos em bolhas purulentas e em crostas: 100%.
Presença de estreptococos pura cm l>olhas de liquido citrino: 33,33%.
3. Forma frusta (Quadro V).
Xa forma frusta não hâ uma infecção estreptocócica cutânea intensa, como
tias três formas clinicas já estudadas. A cstreptococodermia existe na minoria de
doentes. Das 8 casos examinados, apenas dois mostraram a presença dc estrepto-
cocos: uma das amostras isoladas pertencia ao grupo (jama (inerte) e a outra
30 grupo beta (hemolitico). Dos casos restantes, foram isolados estafilicocos
■tlhus ou atireus; ausência de outros gennes.
Quad«o V
FORMAS FRUSTAS
Exame bacteriológico de crostas
No.
Nomr
No.
Oh%,
ld«dr
C.V
jt ,2
c C
J Ê
•3 «
5 t
m .«
iJm
Cro«4tas
Puoçio
haae
jO
E. .M.
426
21a.
Br.
5 m.
Bom
Sféfíi. a/bmi
4.%
J. R.
524
23 a.
Br.
10 m.
Bom
a\u»cncia
CTT*cim«ito
bacterianu
V)8
J. M.
577
19 a.
Br.
1 a.
Bom
Slrrf^. indtfc
renlç
Stã^A. a/buj
.\u.«encta
crvtciro^to
bactrnano
535
J. G.
576
21 a.
Br.
4 «.
Bom
Sté^k. 0wreuj
•\a»mcta
crescimento
bacteríano
46K
F.. S.
460
25 a.
Br.
7 a.
Bom
Vejamos a observação do doente em que foi possivel o isolamento de estreptt»^
^ocos do grupo gama :
3t
cm
ISciELO
D 11 12 13 14 15 16
172
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
J. M-, observação 577, branco, 19 anos, russo (Figs. 9 e 10).
Oau
Obsenração clinica e estado gera!
Ex. bact. de crostas
Outros exames
12-5-42
Começou bâ 1 ano com manchas eritematosas no
Presença de estrepto-
Hemocultura negativa.
rosto e tórax ao mesmo tempo. Nunca teve
cocos indiferentes e
Hemograma: ligeiro
bolhas. A CTolaçâo foi lenta. No rosto a dis*
de estafilococos bran*
desvio para a esquer*
posiçio das lesões é atípica: não assumiu o
aspecto em vespertUío na região malar, sendo as
lesões situadas, prixtctpalmente na fronte (Ftg. 9).
No tórax (face anterior e posterior) o aspecto
morfológico é também anormal: g dermatose não
abrange a parte médk>>torixica (Fig. 10) (*).
Estado geral bom. Sensações subjetiras exter-
nas mínimas. Nkki^skjr negativo.
cm.
da. Eosinofüia intex»*
sa (18%). Exame de
fezes: presença de
ovos de AVesior.
Fic. 9
J. M.. ob». 577 — Forma fnista. Dispo
siçâo atípica daa les^s do reata
(*) O Pènfigo Tropical atinge babitoalmentc no inicio ai regiões de predilcçio da dermatite sebot*
rêíca e do lapos eritematoao; na face (qnasi sempre cm rcspeCíUo), nas regiões pre*esternal e iotef*
fscaptilar. Na forma fmsta esta dispesicio dermatológka também é regra.
3 ?
B. M.UUO Movrão — O papel do estrepiococo no Pènligo Foliacco 173
Fic. 10
J. y., ob*. 577 — Aspecto asônulo de
lesões de forma frusta, nio te cocfluíodo
para a parte médio-torizka.
A evolução da dermatose no doente em que conseguimos cstreptococos hemo-
liticos foi bastante interessante. Tratando-se de um caso de ambulatório, não
tivemos oportunidade de examinar as crostas, quando em sua primeira consulta.
Os dados dinicos e achados de laboratório, referentes a êsse doente, podem ser
assim sintetizados;
P. E.. obsers-ação 501, 48 anos, branco, brasileiro (Figs. 11 e 12);
Dau
Exsme dioico
Exame bactenológico
de tiqnido de bolhas
Outros exames
24-5-41
Doente bi 8 mêses. A dermatose começou no
abdômen por bolhas prurífínosas e manchas aver*
Nio tem bolhas.
Hemocultura negatÍTa.
Heatograma: Leucócí-
melhadas. Depois profredio para o tórax ante*
rior e posterior. Notam-se lesÕes eritemato-
•exsudatiras isoladas, cota tendcocia á cooflaèn-
cia, no tórax anterior e posterior e algumas
esparsas, nos braccs« Lesio eritéraato-escaroosa
cm respertUio no rosto. Nickolskjr positiro
(Fig. n).
tos 5.900. Hemitias
4.6ÓO.OOO. Hemoglo-
bina 85%. Ligeiro
desrio para a esquer»
da. EosinofUia per*
centual e cm numeros
absolutos por mm*
(10% c 590 mm*).
Exame parasitológico
de fexes: Presença
de ovos de ATrrofor.
i3
33
174
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Data
Exame clinico
de liquido d? bolhas
Exame bacteriológico
Outros exames
r3-2~»2
Voltou i consulta tendo peorado o estado
cutâneo. O rosto está qcasi todo inradido. A
dermatose alastrou-se por quasi todo o tórax
Ausência de cresci-
mento bacteriano das
bolhas de liquido lím-
anterior e posterior. As nádegas, membros su*
pericres e inferiores foram atingidas. Lesões
eritcmato-rxsndatÍTas. Bolhas lenticularrs com IÍ*
quido citrino e purulento. As lesões são doloro-
sas. 0 Que nâo acontecia anteriormente (Ftg. 12).
pida Numerosos es-
treptococos bemol ití-
cos e raros estafilo-
cocos brancos nas
bolhas purulentas.
7-^-42
A dermatose continuou a progredir, terdo peo-
rado o seu estado cutâneo e geral. Generalt*
saçáo das lesões c emagrecimento acentuado.
Queixa-se de febre, insônia e cansaco.
Hemocultura negatira.
Hemograma: Leucóci*
tos S.lOO. Hemátias
5.100.000. Hcmoglo*
bina 90%. Ligeiro
desvio para a esquer-
da. Eosinófilos em nu-
mero normal (4.5% ^
564 mm*). Plaqueto-
se. Exame parasitoló*
gko de fezes: nega*
tiro.
Fic. II
P. E., ob«. 501 — Lesões eri-
têroato-exsudatÍTas c erítèmato-
crostosas nio confluentes.
Fic. 12
O mesmo doente da Fic* 1 1
Pre^ressão das lesões do pênfigo.
A doente A. D. (observação 508, quadro II e figs. 5 e 6). que incluímos i"
estudamos entre as formas crônicas generalizadas, foi fichada como caso frusto r
34
B. JL^bio Mourão — O papel do cstrcptococo no Pênfigo Foliacco 175
nessa ocasião, apresentava somente bolhas de liquido citrino, que repetidos exa-
mes bacteriológicos mostraram ser amicrobianas. Isolamos, dois meses depois,
em surto bolhoso riolento, estreptococos do grapo hemolitico. A generalização
da dermatose foi rápida, tendo a doente falecido após 1 5 meses.
Seria possivel acreditar que nesses dois últimos doentes foi a presença do
estreptococo hemolitico a responsável pela generalização rápida da dermatose,
como também, da transformação do quadro clinico de A. D. : de caso benigno lo-
calizado a caso do tipo foliáceo generalizado de mau prognóstico?
A punção dos bordos das lesões frustas, para e.xame bacteriológico, foi de
resultado negativo, mostrando que as bactérias atingiam apenas as camadas su-
perficiais da epiderme.
A presença de estreptococos, na forma frusta, expressa em algarismos foi-
Presença de estreptococos em lesões cutâneas: 25%.
a) Estreptococos hetnoliticos 12,5%
b) Estreptococos inertes 12,5%
4. Casos em regressão, com sequelas da dermatose (Quadro \’I):
Neste grupo de doentes os resultados continuam interessantes, mostrando a
importância dos estreptococos na evolução do Pênfigo Tropical, mesmo na fase
de regressão.
Quadro VI
DERMATOSE EM REGRESSÃO
Exame bacteriológico de crostas
No.
Nom«
No-
Ob».
IJadr
C*r
O
5 §
4 .5
.2 t
1 I
m o
■= 5
•S í
w
= ?
~ w
ã 1
s z
Resultado
Obsr nr ações
S99
A.M.S
443
IS >.
Br.
íiom
JUQ.
1940
1942
Jun.
1942
í/rrff. kemoi,
mlbuj
bsciiltu ttikiHú
Lesões crottosas es*
parsas.
De rex era quando
surto bolhoso p^*
intensidade.
423
LC.I.I.
372
12 a.
Br.
Bom
Nor.
ISS7
Nor,
1941
J«n.
1942
Stffft. kfmoí.
Stmfk.
sp.
Lesões crostosas es-
parsas.
Recentemente peque-
no surto bolhoso.
422
R. S.
247
23 a.
Br.
Bvm
Sot
1929
A br.
1941
Jan.
1942
Streft. kem^.
St^Pk. ãmrruj
Lesões couro cabelu-
do.
Recent. surto bolhoso
meml)ros inferiores.
482
O- -S.
28
36 >.
Br.
Bom
1923
1938
Fcr.
1942
Stmpk. «ifru
Lesões crostosas
membros inferiores.
420
E. F.
235
22 a.
Br.
Bom
Doi,
1932
1937
Jan.
1942
Sl*pk, ãli-uj
Lesões escamosas
furaxes no tronca
35
176
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Os £ casos que examinamos de dermatóse em regressão tiveram Pênfigo ge-
neralizado. A percentagem da positividade de estreptococos foi de 62,5^. Os
estreptococos hemoliticos continuavam a ser hóspedes da epiderme em cinco casos
que ainda apresentavam surtos bolhosos de pequena intensidade e limitados a res-
tritas áreas do tegumento externo. Em todos os convalescentes com estreptococos
hemoliticos, a regressão se iniciou há menos de um ano, excetuando-se a doente
X. P. O. (observação 192), que desde fins de 1939 apresentava acentuadas me-
lhoras.
No Quadro VI escolhemos três casos positivos e dois negativos para estrep-
tococos. Dos negativos — O. S. (obs. 28) e E. F. (obs. 235) — isolamos esta-
filococos albus, sendo os mais antigos dos estudados. O terceiro negativo, dêste
grupo de 8 doentes e que não figura no Quadro VI é muito interessante e reser-
\-amô-lo para uma descrição mais pormenorizada e a sua observação pode ser
resumida da seguinte forma:
M. L., obseiA-ação 583, 33 anos, branca.
DaU
Exame cHoico
Exame bacteriolófico
de crostas
Outros exames
6-6-42
A dermatóse cotoecoa bi 5 meses por lesSes
Isolados estafilococos
Htfflocultora nefatira.
boIboMS no tórax anterior. Ao fia de um mes
boure (meraliiaçio das lesões, sendo obrigada
a ffuardar o leito por estar impossibilitada de
qualquer morimentação. H& 45 dias a derma>
tose entrou em rerressia Lesões rritèmato»
escamosas no rosto, ao nivet das refiões mala*
res. Estado feral bom.
do tipo
Hemoframa: contagens
globais e dosagem de
bemoglobina normais.
Linfocitose percentual
(39%).
Vê-se, pois, que se trata de um caso de evolução rápida: generalização cni
um mês e regressão ao fim de meses. Não encontramos estreptococos nas
crostas. Duas são as hipóteses a formular: 1.® — Não existiram estreptococos
nas lesões durante todo o tempo da doença, como sucede na maioria dos casos de
forma frusta ; 2.® — Os estreptococos desapareceram da pele desde que a demia-
tose entrou em regressão. De qualquer maneira, parece-nos estar ligada à au-
sência do estreptococo hemclitico nas lesões atuais, a involução rápida e a be-
nignidade do Pênfigo neste caso.
5. Casos curados, com e sem sequelas da dermatóse (Figs. 13 e 14).
Seguindo o mesmo método de trabalho, colhemos material de dois indivíduos
considerados dinicamente curados. Dos dois casos não isolamos estreptococos,
tendo sido isolados estafilococos brancos e bacilos Gram positivos banais.
3G
B. M.UÍIO Mourão — O papel do estreplococo no Pênfigo Foliaceo 177
Registamos alguns dados relativos a êsses casos e o resultado das epider-
mcculturas :
A. A. branco, 24 anos, brasileiro, técnico de laboratório
Data
Histórico da doença
Exame bacteriológico
de tequda de lesões
Outros exames
25-7-42
A doença iniciou-se em Ferereíro de 1930 por
lesões eritematcxxsadatiras do rosto e face an-
terior do tórax. Depois de <fois meses apare-
ceram numerosas bolhas no tórax e membros
inf.. Lofo em seguida o Pênfigo se fenerali-
zou« ficando impossibilitado de qualquer mori-
mentaçâo durante 5 meses. Estere com a der-
matose na forma crônica seooraliaada durante
6 anos. Nos últimos meses de 1936 a derma-
tose entrou em regresslo, curando-se ao fim de
um ano. A recressio ac processou lentamente.
Obserram-se apenas manchas htpercrómicas, par-
dacento-escuras. dc contornos e tamanhos irre-
gulares. nas pdlpebras, rosto, tórax ant. e post.;
manchas semelhantes a efólides nos membros su-
periores; lesões papÜocnatosaa. pardacento-escuras,
circulares, de 2 cms. de dümetro, com disposiçio
simétrica no tórax ant. e irregular no tórax
posterior. Altura. 1.78; peso, 65 Ks.. Hipo-
gonadismo.
Material colhido das
lesões papilomatosas:
1) Tórax anterior:
crescimento de esta-
fOococos atbus. 2)
Tórax posterior:
crescimento de esta-
filococos alhnj « de
bacilos Gram positi-
ros.
Hemograma: Conta-
gens globais e dos. de
bemoblogina normais.
EosinofUia percentual
e em numero absolutos
por mm* (11,5% e
517,5 roro*). Exame
psrasitológico de fe-
res: negatira
H. H. A., branco. 40 anos, brasileiro (Figs. 13 e 14).
DaU
Histórico da doença
Exame bacteriológico
de p.He normal
Outros exames
20-6-42
Adoeceu em Outubro de 1936. começando por
O material foi colhi-
Hemograma: Conta-
tmiTKha eritematosa na fronte, muito pruriginosa.
do por «caríCicatío
gens globais e dosagem
A dmnatcse lerou dois anos para se genera-
dos lugares onde a
de hemoglobina nor-
Urar. mas as lesões nunca foram ligadas entre
dermatose foi mais
mais. Ligeira linfoci-
si. barendo entre elas ilhotas de pele norma!.
Tiolenta: couro cabe-
tose percentual (32%),
Em 1940. começou a regressão, estando hoje
tudo, faces anterior
nas contagens diferen-
ccmpictamente curado e tem sequelas da derma-
tose (Figs. 13 e 14).
e posterior do tórax.
Foram isolados esta-
filococos êlhni e ra-
ros bacilos Gram po-
sittTos.
ciais.
37
1 .-
175
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Fic. 13
n. H. A., m 1939.
I
V 1 -^.
Frc. 14
O doente da ficura anterior clinicamente
curado (1942).
b) Epidermoculturas em 4 casos de Dermatite Herpetiforme de Duhrinvt
A Dermatite Herpetiforme de Duhring é em nosso País afec^ão rara, per-
tencente ao grupo do Pênfigo e que se presta à confusão com o “Fogo Selva-
gem”, no surto bolhoso inicial. O seu estudo obetleceu ao mesmo plano que ha-
víamos elaborado jKira os doentes acometidos de Pênfigo Tropical.
Quadro VII
CASOS DE DERM.\TITE DE DUHRIXG
Exame bacteriológico de liquido de bolhas
No.
Nome
No.
Obs.
C»r
Idade
Estado
Geral
■5 -S
A *
z
*0
.5 B
Bolhas liquido
límpido
Bolhas liquido
turro
(purulento)
200
.M. C.
Pr.
S a.
Bom
1 m.
Strept.
ktmol.
Strtpt.
htmol.
476
S.G.f.
Br.
53 a.
Bom
1 m.
Aus. creac.
bacteriano
Stapk. aarrur
J. A.
404
Br.
45 a.
.Mau
3 m.
Aus. eresc.
bacteriano
Stãpk, albiLs
Strtpt. hfmot.
323
P..M.A.
527
Br.
3ti a.
Bom
2 a.
Aus. creac.
bacteriano
334
A. J.
523
Br.
32 a.
Bom
2 a.
Aus. creac.
bacteriano
38
B. Majuo Molrão — O papel do estreplococo no Pènfigo Foliaceo 179
Como se vê no Quadro \'II, isolamos duas vezes estreptococos hemoliticos
(J. A., obs. 576, Figs 22. 23 e M. C., Fig. 15). O primeiro desses doentes é um
■caso grave de Dermatite de Duhring, com repercussão renal, que atualmente atra-
vessa uma fase silenciosa da dermatose; ocupar-nos-emos adiante, com o necessá-
rio desenvolvimento, de sua observação analítica, no capítulo referente às hemo-
■culturas. Do segundo, tratando-se de um caso ambulatório, não tivemos noticias
depois da consulta inicial.
Os doentes P. M. A.
(observação 527) e J.
(observação 523) são casos
típicos de Dermatite Herpo-
ti forme, sem bolhas puru-
lentas, tendo o e.xame bacte-
riol<^ico do lí(iui<lo de bo-
lhas sido negativo.
O doente S. G. P.
(Figs. 16, 17 e 18). em que
foi possível isolar Staphylo-
coccus aurcus do liquido de
bolhas i>urulen’as. é um caso
interessante e ao mesmo
tempo é muito elucidativo, no que se refere à evolução e localização da dermatose.
Eis a sua observação:
Fic. IS
C.. CZ90 típico de Densutitc dc Dubrtns.
S. G. P.. branco, 54 anos, português (Figs. 16, 17 e 18).
Data
Exame cUoico
Líquido dc bolhas
Outros exam;s
24-2-42
A dermatose começou com bolhas na« axilas
há um mêv Em sefuida apareceram novos
eiemeotos bolhosos no tórax anterior e face io*
tema de ambas as coxas. Passou um desinfe*
tante forte nas pernas, o qoe fez surfir as
lesócs com a intensidade que boje apresenta.
Atualmente notam-se numerosas bdbas de vários
tamanh<>s. algumas tem vultuosas, na» axilas
(Fif. 17) e face interna das coxas (Fif. 16)
pernas, abdômen, reftáo fflútea e tórax anterior
e posterior. Prescrição medicamentoaa; repouso
absoluto e redime alimentar bipotóxico e htpo-
clorrtado; banhos diários; esvasiamento das bo-
lhas, seguido de pulverização coro talco. Xotar
o fácies df sofrimento (Fig. 16).
Elxame bacteriológico:
Bolhas límpidas: re-
sultado negativo.
Bolhas purulentas:
Crescimento de esta-
filococos dourados.
Exame citdógico de
bolhas límpidas; Eosi-
nofilta (27%).
Hemogram.’!: Conta-
gens globais: Hemá-
tias 5.200.000 mm*.
Leucócitos 8.700 mm*.
Hemoglobtoa 96% e
15,4 g. Valor glo-
bular 0.9, Contagens
específicas: Neutrofi-
lia (77%), eosinope-
nía (1%). Itnfopcnia
(11%). Ligeiro des-
vio para a esquerda.
Alguns ncutrófilos
com granulações tóxi-
cas. Heroocultura ne-
gativa.
Nos locais onde existiram bolhas ficaram man-
chas de cor avermelhada. Observam-se apenas
algumas bolhas na face interna da coxa. Notar
a diferença de postura e o fácies da Fig. 18.
39
180 Memórias do Instituto Bulnntan — Tomo XVII
antrriof-
cujocfí*--
40
B. >Luuo Mourão — O papel do estrcptococo no Pênfigo Foliaceo 181’
Fic. II
S. G. I nês dcpots <U 1.* contolta.
RefrrwÃo quui toul daj leste.
4/
182
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
t
c) Epidermocultura em um caso de Pênfigo Agudo Febril
Trata-se de um caso violentíssimo e de desfecho rápido de Pênfigo Agudo
Febril. A anainnese do doente não poude ser feita por estar em coma, tendo fa-
lecido três horas depois do internamento no Hospital. Fora acometido da molés-
tia somente há 15 dias e o seu aspecto no mçmento do exame era deveras lamen-
tável: ao lado de bolhas enormes. in\-adindo todo o corpo, notavam-se grandes
descolamentos epidénnicos. pondo à mostra o tecido dérmico fortemente hipere-
miado; aqueles retalhos erant enormes, alguns possuindo mais de um palmo de
comprimento. As mucosas foram atingidas na cavidade biKal e nas fossas na-
sais. percebendo-se crostas escuras e sanguinolentas. Grande deshidratação. Po-
sição anti-álgica tipica: membros superiores e inferiores em forte flexão. O
exame bacteriológico de retalhos epidérmicos, colhidos em \-arias regiões do corpo,
acusou crescimento de Staphylococcus albus e de bacilos Gram positivos (Ba-
rílus sp.).
CAPITULO VI
HEMCXTULTURAS
A) CASOS ESTUDADOS
Só mesmo com grande número de casos agudos ou crônicos, sem qualquer se-
leção, seria possível uma avaliação numérica mais exata da invasão e infecção da
corrente sanguínea por germes piógenos, mormente pelo estreptococo, no Pén-
figo Tropical. /Daí, o número de doentes submetidos a hemoculturas, ser bem
maior do que os que forneceram material para exames bacteriológicos de eflores-
céneias cutâneas.
Foram praticadas hemoculturas em 150 doentes nos diversos estádios clíni-
cos da moléstia. Désses. 52 pertenciam ao sexo masculino e 98 ao sexo feminino.
Além dos indivíduos acometidos de “Fogo Selvagem”, realizamos hemoculturas
em 6 jdoentes com outras dermatoses bolhosas essenciais, sendo : um de Pénfigo
Agudo Febril, um de Pénfigo Vegetante e 4 de Dermatite Herpetiforme de
Duhring. O número total das hemoculturas atingiu a 250, incluídas as de controle,
as contaminadas e as que julgamos conveniente repetir por motivos técnicos (con-
firmação do resultado ou devido ao estado geral e quadro térmico apresentado
pelos doentes).
Os casos estudados estavam classificados dentro das seguintes fases ou for-
mas clinicas:
42
Quadso VIII
HEMOCULTURAS EM 150 CASOS DE PÊ.VFIGO FOLIACEO
No.
TO
71
72
73
74
75
7t
77
TH
79
W
SI
S3
n
M
K>
MS
K7
H9
90
91
92
93
94
95
9t
97
98
99
100
101
102
103
l»4
105
106
107
108
109
110
111
112
113
111
115 T
116
117
IIH
119 I
120
121
122
1 »
124
125
126
127
128 „
129 N
130
131
132 n
133
134
l.YV
1.36
1.37
ISl
I» .
140 y
Ã
142 R
lO F
144 O
145 c
146 t
147 X
14H o
149 c
»» X
laicúii c No.
Obsorracâo
M. C J. -
S. D.
M. M. -
I. L.
J. G. -
D. F. -
F. A. P. -
M.L.A. -
R- B. -
J.M. -
A.M.S. -
M.A.S. -
P.UR. -
A. M. -
H. P.L. -
E. P. -
M. P. -
M. B. -
.M. A. -
aR-J. -
M. C -
J.E.C -
M.CR. -
R. E.
L. E -
D.M.T. -
A. G. —
A. G. -
A. S. -
M. T. —
R. P. -
M. O. -
L. A. -
A. N. -
J.E. -
A.G. —
G. G.A. -
il.J.F. -
EM. -
A. B. -
P. R. I
M. E -
C. C. --
J. T. V. -
A. R. J. -
R. O. -
.M .CP. -
V. C -
A. A. -
O. CT. -
CE -
A. A. S. *
A. E V. -
-
T. O. -
P. M.S. -
A. S. -
.VJ.S. -
M. B -
P. E -
D R. -
If: ~
J. ES. -
M F.B. -
R. S. -
C C.
E P.
C.M.M.—
J V.S. -
R. M.J. -
F. F. -
P. S. -
F. S.
F_ A. S.
M.R.O. -
J.M. -
A.M C -
E P. —
M. B. -
S. G.
M.Q.S. -
A. A.M. -
C. E -
E R.
L V B. -
J W. P. -
F, M .K. -
VMS. —
J R. -
S. S. -
I. F -
CF. E -
A. F. —
T. M —
J P.C -
F- C.
F.
.. R. J.
E C B.
N R. S.
A. F.
F.
P. O.
J. N.
A.S.
E
A.
F_
F P.
0
I..
T
. n p.
CT.
, S
I R.
D
[. A.F.
P S.
M.
* 6 $
540
547
575
576
476
497
462
551
560
584
587
54J
4’5
256
264
428
456
442
474
452
500
526
548
457
449
508
477
489
496
499
218
522
562
582
592
450
492
426
405
472
582
420
426
509
511
542
549
556
578
589
588
462
448
229
429
.'48
447
429
96
501
502
524
529
454
528
517
557
455
422
401
512
480
419
550
259
557
577
.511
440
482
479
155
281
524
221
152
277
211
442
26
424
444
292
212
186
392
291
165
242
272
408
498
229
129
67
85
125
179
23*
150
s
c
z
\v.
E
G.
D.
F.
S
V
M
R.
R -
M. -
9 _
F C. -
V.
R. -
S
1. -
. s.
9
M
P.O. -
S —
R. F. -
P. --
12
478
495
9
460
94
'86
451
271
270
252
XO
;88
.40
.08
5X
54
235
•01
■94
i5.»
195
5 67
44
10
217
206
401
75
217
168
505
248
II
5 92
28
.'2
23
C6r
Temperatura
c —
" •
laicto da
.MolesUa
Tarlc
(Vcípcra)
Uaaki
(Calbttlê)
m •“
29 a.
Br.
37J
374
R.
1 mé«
14 a.
Be.
39.2
364
R.
1 més
15 a.
Br.
H.
1 més
38 a.
Pd.
37.0
374
H.
1 mê«
21 a.
Br.
36.9
364
B.
1
14 a.
Br.
37.2
364
R.
33 a.
Pr.
363
364
R.
2 meaes
18 a.
Br.
373
574
P.
55 a.
Br.
373
374
M.
2 meses
IS a.
Br.
37,4
364
B.
2 meaes
61 a.
Br.
B.
2 meses
13 a.
Br.
R.
2 meses
84 a.
Pr.
38.7
384
R.
2 meses
24 a.
Pr.
37.7
364
R.
S meses
27 a.
Br.
37,5
36,8
K.
S meses
22 a.
Pr.
394
394
St
S meses
13 a.
Br.
374
364
R.
S meses
20 a.
Pd.
374
364
R.
3 meses
19 a.
Br.
37J0
37.6
.M.
3 meses
2S a.
Br.
374
364
R.
3 meses
19 a.
Br.
374
37.0
R.
3 meses
19 a.
Pr.
574
36.7
R.
3 meses
29 a.
Br.
384
374
.M.
3 meses
28 a.
Br.
374
374
R.
3 meses
33 a.
Pd.
394
374
R.
4 meses
28 a.
Br.
37,7
37.1
R.
4 meses
23 a.
Pr.
B.
4 meses
9 a.
Br.
S*v5
37.4
R.
4 meses
11 a.
Br.
3E5
37.5
R.
4 ffle>es
23 a.
Br.
S7«ü
354
P.
4 metes
24 a.
Pd.
37.4
R.
4 meses
38 a.
Am.
374
364
B.
4 meses
22 a.
Pr.
374
364
R.
4 meses
38 a.
Br.
384
374
R.
4 meses
29 a.
Br.
364
B.
4 meses
27 a.
Br.
R.
4 meses
30 a.
Pr.
374
.374
R.
5 meses
43 a.
Br.
374
B.
5 meses
21 a.
Br.
H.
5 meses
11 a.
Pd.
364
364
B.
5 meses
33 a.
Br.
364
364
R
5 mete»
33 a.
Br.
B.
5 meses
10 a.
Pr.
37,6
36,9
U.
6 meses
23 a.
Br.
374
B.
6 metes
35 a.
Pd.
374
364
R.
6 meses
27 a.
Br.
3S,0
SM
.M.
6 meses
52 a.
Br.
37.1
R.
6 meses
31 a.
Pr.
R.
6 meses
70 a.
Br.
374
364
P.
6 meses
11 m
Ue.
374
374
R.
b meses
26 a.
Br.
374
37.0
K.
6 meses
13 a.
Pd.
874
37.0
R.
6 meses
27 a.
Br.
U.
7 meses
19 a.
Br.
394
.37.1
R.
7 meses
22 a.
Br.
374
374
R.
7 meses
55 ã.
Pr.
364
36.1
NL
7 meses
14 a.
Pr.
37.2
36,8
B.
% meses
24 a.
Pd.
37.4
37.1
M
S meses
IH a.
Pr.
384
374
P.
S meses
13 a.
Br.
374
384
.M.
S meses
43 a.
Br.
U.
8 meses
24 a.
Br.
374
36.9
K.
S meses
23 a.
Br.
B.
8 meses
JE
Ur.
K.
8 meses
36 a.
Pr.
38,0
36.8
B.
9 meses
44 «.
Br.
37«5
36.6
.M.
9 meses
26 a.
Pd.
374
36.0
R.
9 meses
26 a.
Br.
374
364
NL
1 aoo
26 a.
Br.
364
364
R.
1 aao
22 a.
Pr.
3M
364
P.
1 aoo
60 a.
Ik.
B.
1 ano
13 a.
Br.
VS
368
R.
1 aoo
19 a.
Br.
»x4
366
P.
1 ano
6 *.
Br.
_
B.
1 ano
70 a.
Br.
364
334
P.
1 ano
10 a.
tv.
S7.I
374
R.
1 aoo
8 a.
Br.
374
366
H.
1 aoo
19 a.
Hr.
B.
1 aoo
23 a.
Br.
SM
374
P.
14 meses
38 a.
Ur.
S74
366
M.
16 meses
13 a.
Br.
S74
364
U.
|7 roeses
12 a.
Br.
R
17 meses
28 a.
Br.
40
3*4
M.
31 a.
•Br.
38.0
rj
R.
16 meses
18 a.
Br.
36.4
3K.4
R.
IH me^t
2H a.
Pd.
384
369
K.
20 meses
18 a.
Br
374
369
R.
20 meses
12 a.
Ur.
374
368
.M.
20 »e*
I* a.
Br.
384
37.1
H.
20 meses
17 a.
Br.
K.
2 anos
18 a.
IV.
36,8
368
M.
2 aooa
30 a.
Ur.
37.1
a6.A
B.
2 anos
11 a.
Br.
384
365
M.
2 aoos
30 a.
Pd.
>4
368
M.
2 anos
18 a.
Br.
3\4
374
B.
2 anos
18 a.
Am.
364
360
M.
30 meses
SO a.
Br.
30.1
368
B.
30 m«‘ses
23 a.
Br.
384
369
M.
31 meses
14 a.
ttr.
374
*.8
H.
3 aoos
35 a.
Br.
36,8
368
R.
3 anos
12 a.
Br.
374
374
R.
3 anos
23 a.
Pd.
M.
3 aoos
20 a
Mr.
368
It.
3 aoos
10 a.
Br.
1
374
M
3 aoos
|7 a.
Ur.
37.6
366
u
4 aoos
2^ a.
Br.
37.8
360
R.
4 aoos
í> a.
ISr.
37.6
M.
1 aoos
22 a.
IV.
404
394
R.
1 anos
16 a.
ttr.
U.
1 anos
30 a.
Br.
r4
364
V.
4 aoos
|H a.
Pr.
37A
»4
B.
4 ano*
25 «.
Pr.
368
M.
4 a. 1/2
23 a.
IV.
360
H.
5 aoos
13 a.
Pd.
.37.6
366
K.
5 aoos
» a.
Itr.
368
M
5 anof
17 a.
IV.
»h2
»^9
K.
8» aoos
21 a.
IV.
_
_
It.
5 ao<»s
12 a.
IV.
37.8
S7.0
K.
.> éinos
24 a.
IV
37.8
374
R
u anos
» a.
IV.
36.1
>x4
II.
6 aoos
30 a.
Pr.
S74
366
H.
6 anos
34 a.
Br.
36.1
»;>
K.
b anos
43 a.
IV.
574
368
B.
6 anos
23 a.
IV.
374
364
.81
* anos
15 a.
Br.
37.6
362
R
6 aoos
10 a.
IV.
36.6
S.l
1*.
7 ano*
42 â
IV.
37.6
363
M.
7 aoos
IH a.
Br.
374
37.1
K.
7 aoo»
14 a.
Br.
37.4
374
.81.
9 OBOS
19 a.
Ur.
36.8
36»
B.
s anos
Hr.
37.1
Xv9
M.
h anos
Pr.
37.1
368
K.
^ ano*
17 a.
IV.
374
368
R.
s amss
SU a.
Ur.
37.2
asuS
U.
9 an*.s
30 a.
IV.
384
57.8
B.
9 anos
Hr.
374
11.
9 aao*
Br.
362
3M
u.
9 aops
IV.
368
H.
19 aoo*
IS a.
Br.
364
363
p.
10 aons
40 a.
Pd
361
II.
27 a.
IV.
S7A
374
.M
11 aoo*
30 a.
Br
_
u
11 aeos
33 a.
IV.
r4
366
u.
II aoos
3» a.
Br.
384
37.1
K.
11 >■<>•
34 a.
Pr.
374
364
M.
11 aa4*s
44 a.
Pr.
37.1
36*
H.
11 aoos
36 a.
IV.
3M
36»
M.
13 aaoa
30 a.
Br.
364
35x7
B.
17 MM
49 a.
IV.
374
361
R.
22 g. 12
«3 a.
IV.
369
H.
33 anoa
Forma
clinica
I. b.
I. b.
I. b.
I. b.
F. ír.
I. b.
I. b.
1. b.
I. b.
L b.
I. b.
I. b.
I. b.
D. C G.
I. b.
D. CG.
I. b.
I. b.
D. C G.
I. b.
L b.
I. b.
I. b.
D. CG.
tl. C. G.
D. C. G.
F. fr.
I. b.
I. b.
D. CG.
D. CG.
I. b.
D. C. G.
D. CG.
I. b.
L b.
F. Ir.
1. b.
F. fr.
F. Ir.
I. E
U. K.
U.CG.
I. b.
I. E
0. C G.
1). C G.
1. h.
I. b.
I. b.
II. C G.
I. E
D. R.
I). C G.
I. b.
I). C G.
I. b.
U.CG.
U. C G.
l). C G.
F. Ir.
L b.
F. fr.
I. b.
D. c
D. C. G.
I. b.
D. C G.
I). C. G.
D. C G.
U.CG.
D. CG.
D. CG.
F. D.
n. C. G.
F. D.
F. I>.
5'. Ir.
I). C G.
I). C G.
F. I». G.
I). C G.
U. C G.
D. C G.
I). C. G.
1>. C. C.
II. C G.
F. I)
II. C G.
F. D.
U. C G.
I). C G.
F. D.
U.CG.
I). C G.
D. C G.
n. C r..
D. CG.
I). C G.
U. C. G.
F. D.
D. C. G.
n. C C.
D. C. G.
F. U.
I). C. G.
O. C G.
I>. C G.
F. Ir.
U.CG.
u. r. G
U.CG.
ü. C. G.
U. C. G.
u. r. G.
F. U.
F. Ir.
F. U.
11 4'. G.
F. Ir
U. r. G.
u. r. G.
U 8 G.
U f. G.
F. D.
U. C G.
U .r. G
F. U.
r. n.
U K.
u. r. G.
U. C G.
F. U.
U. C G.
ü. c.
U.CG.
U. C. G.
F. I).
U. C G.
F. Ir.
U. C. G.
U K.
Ü. C G.
U CG.
U. C 4i.
U. C. G.
1). G.
O. R.
D. C G.
0. K.
Rcfullado
x-i
vi.
Negativo
Necativo
X reativo
Negativo
Ncgat'.-o
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
N.*aativo
Negativo
Negativo
Negativo
Slrrft.
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Nlreff.
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Neganvo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
.•íegatívo
Negativo
Negativo
Negativo
Negalixo
Negativo
Negativo
Sirfft. k^m.
Negatix-o
Negativo
Negativo
Negatixo
.Negativo
Streft. fcgiw.
Nraf*. tlhms
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Sirtfl. htm. vi.
Negativo
Sirfft. 6ein xi.
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativix
Negativo
Ntgativo
.Neg.ativo
Negativa
Negativo
Sireft. krm. vt.
Negativo
Negativo
Neaativo
.'•egalivo
Nitalivo
StaoE albut
Slrrft. krm. vi.
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
Slrrft. kfm. vi.
Negativo
Negativo
Negativo
Streft. krm.
Negatixo
Sltfk m!h*t
Negativo
Negativo
Negatix-o
Negativo
Negativo
Negativo
Negativo
SUfk a»>e»4.vi.
Nejativo
Sirrfl krm. vi
Neeativ»
Sitfk *S5^t
Negatixo
Slrrft 8/01 VI
Nevi*'VO
Slrrft vi
eglfxo
■eealiro
e*i».vo
Ví >I'X-
Veaitve*
Vtf 1*1-
NV
rft hem.
■rfi kem
Slr^ bm vi.
Strr|<. Wm.
Netalirj
Nec*tiro
Set*Xiro
Nefativo
Nrf
mtiH m. vv
Nrfaltro
Ncotiro
Stre^r vt
NcvAtiro
Nreatiro
Nwtiro
*
SciELO
P
10 11 12 13 14 15
cm
B. Mario Moirão — O papel do cslreplococo no Pênfigo Foliacco 185
Fase inicial da invasão bolhosa 36
Formas generalizadas crônicas 82
Forma distrófica (dermatose generalizada) 15
Forma frusta (dermatose localizada) 12
Dermatose em aparente regressão clinica S
Entre as formas generalizadas crónicas incluinios, como já o fizemos para as
•epidermoculturas, todos os tipos clinicos crônicos da classificação de Vieira com
exceção, aqui, da forma distrófica, que apresenta interesse em ser estudada se-
paradamente.
Devemos prevenir, mais uma vez, que os resultados que iremos expor, pren-
dem-se cxclusi\amente às hemcxrulturas de doentes no dia de .sua primeira con-
sulta no ambulatório ou na data de seu internamento hospitalar.
B) COLHÊITA DE S.ANXUE E CONDIÇÕES TÉCNICAS
Dada a intensa proliferação bacteriana existente na epiderme dos indivíduos
atacados de "Fogo Selvagem” nas formas generalizadas crônicas, e constituindo
esse grupo de doentes a maioria, a técnica da colheita de sangue é ponto capital
para a realização da hemocultura cm perfeitas condições.
E’ facil araliar as inúmeras dificuldades cpic se encontram na colheita do
sangue por punção venosa. Mesmo na fase inicial de invasão bolhosa, os impe-
cilhos já se fazem sentir, principalmente quando as bolhas atingem os membros
Superiores. Cem a invasão total do tegumento externo e o estabelecimento do tipo
foliacco generalizado, que é o mais comum dos estádios clinicos crónicos da der-
ntatose, as dificuldades avultam. Do lado cutâneo e articular é licito lembrar
^ extensas esfoliações lamelares nas quais, por baixo das escamas úmidas, a epi-
derme se apresenta congesta e muito scnsivcl, mesmo ao tato; a presença de es-
pessas formações crostosas, intensamente contaminadas, quasi sempre vertendo
Pús; os amplos deslocamentos epidérmicos, bastante frequentes nas pregas arti-
Qtbres; a flexão forçada do antebraço sobre o braço, posição de defesa contra
^ dor; a imobilidade no leito, consequência das múltiplas artropatia.s. .\lém do
**tais, os penfigosos apresentam uma sensibilidade exagerada, própria do conti-
*'uo sofrimento a que estão submetidos. Tudo isso são obstáculos a serem ven-
^dos na colheita de sangue, pondo á prova a paciência e a habilidade do técnico.
A desinfecção do braço do doente deve ser feita cuidadosamente. O sangue
^ Sempre colhido em sala fechada com a presença apenas do operador e do auxi-
liar. Por diversas vezes, entretanto, fomos obrigados a colher material na en-
fermaria. em doentes cujo estado geral era precário ou naqueles impossibilitados
da menor movimentação. Em tais casos, as portas c janelas da enfermaria de-
45
186
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
vem ser fechadas e proibida, enquanto se pratica a colheita, a movimentação de
pessoas no recinto.
A introdução da agulha é feita de preferência em zonas de pele sã. Colheita
de 20 ou mais cm* de sangue que é em seguida desfibrinado.
C) SEMEADURAS
O sangue chegado ao laboratório é imediatamente semeado em caldo-sôro c
em caldo-glicosado (distribuidos em balões com 100 a 150 cm* de meio) e meio
Tarozzi (anaeróbio, tubo contendo 5 a 10 cm* de meio). Incubação em estufa
a 37° durante 8 dias no mínimo. Verificações macroscópicas diárias; microscó-
picas quando necessário; obrigatoriamente essas verificações são feitas ao fim de
48 horas, 4 e 8 dias. Verificada a existência de qualquer crescimento bacteriano,
o germe deve ser reisolado nos meios de identificação, de acordo com os seus ca-
racteres primários (morfologia, coloração, crescimento nos meios habituais de la-
boratório). Sendo isolados estreptococos, já no segundo repique verifica-se a
produção de hemólise e sua patogeniddade para animais de laboratório. Todos
os germes isolados, mesmo aqueles que se julga inidalmente como de contamina-
ção, são conservados para verificações posteriores e controle do exame bacterio-
lógico.
Os estreptococos do grupo hemolítico mereceram de nossa parte maior aten-
ção, sendo a sua capaddade toxígena e as provas de imunidade estudadas desde
0 seu isolamento.
Da maioria dos doentes conservamos amostras de soro para estudos de
imunologia.
Sempre que houve qualquer dúvida no resultado obtido ou contaminação dos
meios de cultura, a hemocultura foi repetida, uma ou mais vezes, para seu perfdto
controle.
ü) RESULTADOS
a) Hemoculturas de casos do Pênfigo Foliaceo
1. Resultados gerais:
Doentes com hemoculturas positiras para estreptococos: 19 ou 12,6% (Qua-
dro IX) ;
Doentes com hemoculturas positi\*as para estafilococos: 5 ou 3,3^0 (Qu 3'
dro X) ;
Doentes com hemoculturas negativas: 126 ou
46
Quaoko IX
HEMOCULTURAS POSITIVAS PARA ESTREPTOCOCO&
57
p
z
O
^ B
• t
•5 ■
"C ^
■5 *c
V
«
u
<
0
Ttsf*-
rctsra
S
C,
m
Inicio tia
molcBlin
Forma
clinica
Resultado
m
c
0
«1
w
C
Tw4t
142
E. P.
204
23
Pr.
39J5
39.3
p.
3 m.
F. G.
Strcftccoccus gr. henolítico,
Tinxlenta.
t
2S2
R. F.
499
24
Pd.
37,4
R.
4 m.
F. G.
Strt^cc 0 ccui gr. bemoUtico,
TÍmlenta
t
2M
463
27
Br.
B.
7 m.
D. R.
Strrft^ãCfMs gr. hcmolitico»
yirulcnto-
t
30
A.J5.
439
IS
Pr.
38.5
37J»
P.
8w m.
F. G.
Strtff^ocrnj do grupo indi-
ferente.
t
131
C. C
357
.16
Br.
37.2
36,6
•M
1 *.
a r F.
Strrftóccermt gr. bemclitico»
TÍrulento.
t
71
OtM.
422
22
Pr.
38.1
36A
P.
1 «.
H. e F.
Strrft^^ccms gr. *ieiiioUtico,
virulento.
t
298
M. a
482
13
Br.
37.0
36.2
R.
17 m.
F. D.
Sirrft 0 c 0 ccui gr, bemoUtico»
virulenta
s
207
J.W.P.
277
12
Br.
37.9
36.9
3L
20 m.
F D.
Strrftpr^rnu gr. nessolttico,
virulenta
t
305
C.F.I.
293
30
Pd.
38.2
36,9
.M.
2 L
a c F.
Sfrt^ 0 C 0 tcmj gr. bcmolUica
virulenta
t
162
E. G.
291
23
Br.
S^JI
.M.
31 m.
F. G.
Strrfi^accMS gr. bemol Uka
t
58
K. F.
238
30
Br.
37J
36.3
.\L
4 a.
H. e F.
Strrftacpceur gr. bemolUico»
virulenta
s
141
B. T.
479
13
Pd.
37.6
36.6
R.
S. a.
F.G. e F.D.
Sire^ficcccwé gr. bemolitica
virulenta
t
297
V.CT.
9
17
Br.
3\2
363
R.
5 a.
F.G. e F.D.
Strftt^ 0 ccut gr. hemolUicoí
virulenta
s
209
M. S
208
42
Br.
37,6
37.1
M.
7 a.
F. U.
Strrffpccccut gr, bemolítico»
virulenta
t
14
X. D.
58
14
Br.
37,4
37.2
M.
S a.
F. D.
Stre^t^ 0 cnu gr. bemolUico»
virulenta
t
22
G. S.
301
56
Br.
37.1
36,8
M.
8 a.
F. G.
Sirrft^pccui gr. bemolitko^
virulenta
t
486
A. NL
153
17
Br.
37.6
383
R.
8 a.
F. D.
Strèpt 0 coecns gt. bemolítico,
virulenta
t
90
E. V.
403
40
Pd.
36.1
a
10 a.
F. tr.
StTfftocccent gr. indiferente,
nio virulenta
s
205
J. M.
11
44
Pr.
37.1
383
R.
11 a.
F. G.
Stref1óe«ctnj gr. bemolltko,
virulenta
s
47
188
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Alguns dos doentes com hemocultura positiva para estreptococos tiveram
êsse resultado confirmado em nova hemocultura de controle. Em numerosos
doentes, todavia, dada a impossibilidade de realizar segunda sangria ou por terem
falecido, não nos foi possivel efetuar dupla verificação.
Quadro X
HEMOCULTURAS POSITIVAS PARA ESTAFILOCOCOS
Temperatura
Kstado
gtral
Inicio da
moléstia
No.
da obacnraçlo
Idadf
Còr
Tarde
(Vtssers)
M<mhl
[CalbeUai
Forma díatea
Restiltado
63
M. ».
Í386)
13 anos
llranca
38.0
S7.2
3!ãn
8 méses
Foltacca fene>
ralixada
Sía/Ày/0C^?ccuJ, tipo
a/ÒMj
132
L. v. a
tass)
1$ anos
Braoca
37,S
36.9
ftcfolar
30 mes^s
Foltacea fene-
ral’xada
Stafky/ccacctu, tipo
a/hfj
42
R. n. j.
(242)
38 anos
Branca
36,8
36.8
Regular
3 anos
Poliacca gene*
ralixada
tipo
a/òuj
228
o. I..
(335)
22 anos
Branco
40,2
39,2
Mia
4 ann^k
Foliacea gene*
ralixada
StúpJkyUcocenj, tipo
aurfuj
10
D.Q.
(225)
25 anos
Prelo
3\5
363
Precário
4 «n. 1 2
Foltacca gene»
ralixada
StafAj/ocoenu, tipo
Para estafilococos só consideramos as hemoculturas como positivas depois de
confirmadas por novo exame. Xos casos que apresentamos, a pesquisa foi feita
no mínimo tres vezes, havendo sempre crescimento dos germes em todas as re-
petições.
2 Rcsftitados considerando a fase ou forma clinica:
Os resultados reimidos no Quadro XI correspondem a uma estatística geral
da fase ou forma clinica dos doentes de Pénfigo Tropical que foram submetidos
à hemocultura.
Durante o periedo de invasão bolhosa. sem comprometimento total do tegu-
mento c.xtemo, não tivemos nenhuma hemocultura positiva, apesar dò número
elevado de doentes obser\ados (36 casos).
Os doentes com a dermatose generalizada constituem a maioria, sendo for-
necedores de 12 amostras de estreptococos e de todos os estafilococos isolados por
hemoculturas.
A forma distrófica, proporcionalmente, foi a que mais forneceu hemocultu-
ras positivas para estreptococos (5 positivas em 15 doentes). Os casos distró-
ficos e.xibiam, entretanto, a dermatose generalizada.
Os 12 casos que foram estudados da chamada forma frusta do Pênfigo, ape-
nas em um tivemos resultado positivo para estreptococos do grupo ffama (inertes)
48
B. M.uiio Moub.\o — O papel do estrcptococo no Pênfigo Foliaceo 189
e destituídos de virulência para animais de laboratório. Sobre êsse caso faremos
logo a seguir algims comentários (E. V., obs. 403, Strcp. 90).
Executamos, na demiatose em regressão clínica, hemoculturas em dois casos.
Xum deles cons^uiu-se isolar estreptococos do grupo hemolitico e avirulentos
para animais de laboratório. Sôbre êsse caso, já expusemos a observação clínica
resumida no capítulo dedicado as epidemicculturas (A. L. obs. 463, Strep.
288, Figs. 5 e 6).
Não deixa de ser interessante a coincidência de ter-se isolado estreptococos
avirulentos somente nos dois casos de dennatose não generalizada.
Qcaoro XI
RESULTADOS CONSIDERANDO A FASE OU FORMA CLINICA
Fa«e oa forma cUoica
Na de
doentes
Hemscnltnrat
positira» para
Strt^ocpceuj
lleroocultoras
positivas para
Invasio bolboaa
36
Forma fvtKralüada crooica
92
12 ou S.00%
S ou 3J3%
Forma <Üttr6fica
IS
S ou 3.33%
Fonu fnuU
12
1 ou 0,66%
Re«r«a*io cibika aparmte
S
1 oa 0.66%
3) Resultados considerando o inicio da dennatose:
Os achados considerados no Quadro XII servem para elucidar o tempo em
que o “Fogo SeKagem” liavia se instalado nos doentes que forneceram material
para êste estudo. E' bastante elucidativo tal quadro, evidenciando que quasi 2/3
do total dos doentes estão registados nos dois primeiros anos de doença. A me-
dida que os anos de doença se vão passando, o número de penfigosos se vai tor-
nando mais raro, provavelmente devido á perda de resistência que o indivíduo
apresenta com a e\‘olução da doença. E’ notável a resistência de duas doentes:
nma sofrendo da dermatosc há 22 anos (S. R. F., obs. 32) c outra há 33 anos
(A. F., obs. 23).
Nos seis primeiros meses tivemos duas hemoculturas positi^as para estrepto-
cocos (E. P., Strep. 142 e R. P., obs. 449. Strcp. 282). Unu hcmocultura foi
positiva para estreptococos cm um doente que se mantinha na fase fohacea ge-
neralizada há 11 anos (J. M., obs. 11. Strep. 205).
Os estafilicocos fizeram o seu aparecimento depois dos seis meses do inicio
do Pênfigo (M. B., obs. 390. Staph. 64).
49
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
190
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Quaoko XII
RESULTADOS CONSIDERANDO O INICIO DA DERMATOSE
Início da doença
No. d« doentíf
Hcmocolturaa
poaitÍTas
StrtptOCOCCMJ
Hcmocti! eiras
peattiras
Stafkylococcn*
1 a 6 KfKS
SI
6 m. a 1 ano
30
4
1
1 a 2 anos
16
4
1
\ anot
9
1
4 anos
8
1
2
5 anoa
5
6 anoa
4
7 anot
5
1
9 anoa
5
3
9 anoa
4
10 anoa
3
1
11 anca
6
1
13 anoa
1
17 anoa
1
22 anoa
1
33 anoa
1
4) Hctnoculluras positivas para eslrcptococos. Relação entre a gravidade
■dos casos clínicos c o tipo de hemólise c virulência dos eslrcptococos isolados:
Como SC depreende dos resultados expostos no Quadro IX a maioria dos
doentes com hemocultura positiva para cstreptococos apresentava um estado geral
sofrível, vindo embora a falecer. A percentagem de letalidade nesses doentes
foi de 7i,7^o, o que demonstra a gravidade do caso clinico, quando se obtem es-
trcptococos em culturas do sangue. Já com os estafilococos a percentagem de Ic*
talidade foi bem mais reduzida: 20% (1 caso fatal em 5).
Pareceu-nos interessante pesquisar, desde o início dos nossos trabalhos, a re-
lação dos casos clínicos com o tipo de hemólise e virulência dos estreptococos in-
sulados, procurando relacionar tais achados bacteriológicos com a gravidade da
doença na ocasião do exame.
Eslrcptococos do grupo gama isolados: Foram isoladas duas amostras per-
tencentes ao grupo anhemolitico.
Uma delas (Strept. 90), foi isolada de um caso de forma frusta (E. V., obs-
403), já citado, portador da dermatose há 10 anos, sem temperatura sub-febrU
50
ScíELOl'o
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
L.
cm
192
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XYII
em aparente regressão clínica, após 7 meses de doença (Fig. 5). Quando da alta.
hospitalar, sendo procedidos os exames necessários, os hemogramas mostraram a
existência de quadro de infecção evolutiva. Praticada a hemocultura, houve
crescimento, nos vários meios de cultura, de estreptococos hemolíticos. No fim
de uma semana a paciente apresentou novo surto bolhoso violento (Fig 6), com
agra\-ação do estado geral, tendo dado resultado negativo duas hemoculturas pra-
ticadas posteriormente. Convem assinalar o fato de ser êste um dos únicos ca-
sos em que foram isolados estreptococos hemolíticos não virulentos para animais
de laboratório. Esta doente não consta do Quadro IX, visto a 1.* hemocultura
ser de resultado negativo.
Todos os casos em que foram isolados estreptococos hemolíticos virulentos
apresentavam um estado geral via de r^ra raáu (Quadro IX). Os dois doentes
com estado geral precário faleceram: E. P. (obs. 2C4, Strept. 142) e C. M. M.
(obs. 422 e Strept. 71), e estavam em hipertermia elevada quando da colheita do
sangue. O caso E. P. é particularmente interessante : tratava-se de um doente cm
que a dermatose se instalara recentemente, generalizando-se a todo o tegumento-
externo em menos de 30 dias. Teve duas hemoculturas positivas para estrepto-
cocos hemolíticos, no espaço de dois meses. A hipertermia em “steelpchase”r
própria dos estados septicêmicos, se manteve elevada durante toda a evolução da
moléstia, até o desenlace (Gráfico 3). Na necrópsia foram reisolados os mes-
E. P., ob«. 264. Corra têmica pre-ac6o»ca em *tteep)dus«*.
mos estreptococos hemolíticos em cultura pura do sangue do coração, baço, fí-
gado e cm derrame pericárdico; havia também a concomitância de tuberculose
pulmonar. A hemocultura de C. M. M. foi positiva 13 dias antes da morte e na
necrópsia encontrou-se tuberculose cascosa em gânglio linfático do hilo pulmonar^
52
B. JLuuo Mourão — O papel do estreptococo no Pénfigo Foliaceo 193
Elxcetuando-se a doente R. E. (obs. 238, Slrept. 58), todos os doentes que
apresenta\’am estado geral catalogado como mau, vieram a falecer. Em \ários
dêles pudemos proceder verificações bacteriológicas na necropsia ou punção car-
diaca logo após o óbito. No próximo capitulo, dedicado às investigações “post
mortem”, trataremos désse aspecto.
5) Hemoculturas positivas para estafilococos. Relação dos casos clinicos
com a capacidade eritrocitolitica e cromogenicidade dos estafilococos isolados:
Dos estafilococos isolados quatro pertencem à variedade albus; desses, apenas
u’a amostra possuia uma exotoxina eritrocitolitica, obtida do doente D. Q. (obs.
225, Staph. 10), cujo estado geral era precário e que faleceu pouco tempo depois
da última hemocultura positi>a, sendo também o único caso fatal desse grupo de
doentes. Em um caso somente foram isolados estafilococos cromogênicos, da
\-ariedade aurcus, sendo a hemocultura feita em plena exacerbação tcnnica
(O. L., obs. 335, Staph. 228). Posteriormente, nesse doente, a hemocultura foi
repetida, com resultado nativo.
6) Hemoculturas positivas c quadro térmico:
Prendeu nossa atenção o quadro térmico apresentado pelos doentes, o que
por si só justificaria plenantente a prática sistemática de hemoculturas. Na
.maioria dos penfigosos se observa um estado sub- febril vesperal, geralmente não
ultrapassando de 38®; em alguns, durante determinados períodos, a temperatura
sobe de 38°,5 a 4(P,5 às veies com carater permanente, do tipo septicêmico. Os
gráficos que apresentamos são muito demonstrativos. O negrito acentua hiper-
termias superiores a 37®,5 e as setas indicam o dia cm que a hemocultura foi
efetuada. Para visualizar a nossa exposição selecionamos os termogramas mais
típicos em pequenos grupos de doentes.
Hemoculturas positivas para estreptococos. Os doentes aqui referidos fo-
ram casos fatais.
Os diagramas do Gráfico 4 tomam patente a possibilidade das hemocultu-
ras para estreptococos durante a febre elevada, que pode atingir até 40®5. O
diagrama superior pertence ao doente E. P. (obsei^-ação 264, Strept. 142), so-
bre o qual já tecemos considerações e cuja hemocultura foi positiva em pleno
surto febril. O diagrama intermediário é da doente A. J. F. S. (obs. 439,
Strept. 30), já referida por nós, sendo interessante porque a hemocultura foi
positiva no inído do período ascencional da curva témiica. O diagrama inferior
é do doente J. W. P. (obs. 277, Strept. 207) e indica a possibilidade de se isolar
estreptococos, mesmo no período de osdlações descendentes do fastigium. Este
doente faleceu 5 meses após a hemocultura, em estado de extrema caquexia
(Figs. 20 e 21).
.53
I SciELO
C.P. 0 * 1 .
1
:m.‘,Uí.uMUÍ1
ir<
jt 0*4 m
CbAfico 4
Fic. 20
J. W. P., 0Ò4. 277 — Ca4)ucxia tenaifuK
54
Fio. 21
O mcMDo domtc da fotografia anterior risto por cima.
B. Mario Mourão — O papel do eslrcplococo no Pênfigo Foliaceo 195
O Gráfico 5 reproduz as variações térmicas da doente E. G. (obs. 291,
Strept. 162) cuja temperatura nunca ascendeu além de 37°5. Em uma ocasião
que mostrara febre pouco elerada (38°0 a 38°2), foram isolados estreptococos
bemol hicos do sangue.
Várias hemoculturas foram positivas para estreptococos sem que os doen-
tes estivessem em surto febril intenso. E' o que representa o Gráfico 6 com
(
GtArico 6
OS diagramas de três casos fatais, em que a temperatura não passara de 38" na
ocasião da colheita de material. De um modo geral, a maioria dos doentes com
hemoculturas negativas apresentara quadros térmicos semelhantes.
cm
2 3
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
196
Memórias do Instituto Butantan — Tomo X^^l
Hcmoculturas positivas para estafilococos. No único caso em que foram
isolados estafilococos da rariedade aureas (O. L., obs. 335, Staph. 335), o do-
ente apresentara 40° de temperatura no momento da colheita, sendo frequente-
mente acometido por surtos febris periódicos (Gráfico 7).
GmXrico 7
Os outros doentes, nas várias ocasiões em que fizemos a hemocultura, não
apresentavam temperatura acima de 38°5, como demonstra o Gráfico 8:
. Om » ,
oa. 0*1 ns
HA 0»$ m
OUr^O
. 4
CC 0*â.JS7
»
GiZrico 8
b) Hemoculturas em 4 casos de Dermatite Herpetiforme de Duhring.
Em três casos de Dermatite de Duhring as hemoculturas foram negativas,
trafando-se de casos relativamente benignos, com manutenção do estado geral em
bôas condições.
56
B. M.UUO MocnÃo — O papel do eslreptococo no Pcnfigo Foliaceo 197
Quaoio Xlll
HEMOCULTURAS EM CASOS DE PÊNFIGO AGUDO FEBRIL, PÊKFIGO
VEGETANTE E DERMATITE HERPETIFORME DE DUHRIXG
Ko.
>
|t
O
Idade
CAt
Temperatora
a
a
SC
5
^ .5
3 t
S B
Fonna clinica
Resultado
i £
3 í
ManhA
(celhriU)
ist
W. P.
464
16 «.
Br.
-
40Í
Prec.
5 dia»
Pènfigo acudo
Febril
Nrzaüro
217
S. .M.
490
36 a.
Br.
-
40,2
Prre.
1 ano
Péofico Tefrtante
NefatÍTO
475
S.G.P.
53 a.
Br.
-
-
.Mau
1 m^s
Dcmatite de
Dobring
Negativo
27
J. A.
404
45 a.
Br.
37.2
36,9
Bom
2
Dermatite de
Dobrinf
StrtptpcocoÊS
gr. vifidúmt
270
P..M.A.
527
36 a.
Br.
-
-
Bom
Sano»
Dermatite de
Dobrinf
Negativo
353
A. J.
523
32 a.
Br.
-
36.5
Bom
Sano»
Dermatite de
Dobrinf
Negativo
O caso positivo para Streptococcus do grupo alfa (z^iridans) era recente,
■com a dermatosc generalizada por todo o corpo, respeitando somente os mem-
bros inferiores (Figs. 22 e 23). A doença apareceu seguida de ccfalagia e fe-
bre, variável de 38“ a .39°5, durante muitos dias. Trata\-a-sc de um caso grave
de moléstia de Duhring. com repercussão para os orgãos internos, principal-
mente para o lado renal. Depois da medicação sulfanilamidica as hemoculturas
deram resultado negativo. .\tra%’cssa atualmente uma fase silenciosa da afecção,
com desaparecimento total das lesões externas c manutenção de bom estado geral.
A observação clinica dessa doente, na ocasião do exame, registava os se-
guintes dados:
J. 47 anos, branca, brasileira, viuva. Observação feita em 18-10-1940.
Antrcedenles herfditirios: Sem importância.
AnUcedtntet familiarrs'. Teve 7 filhos: 2 faleceram com a idade de
4 anos: um de meningite e outro de dermatosc bolhosa generali/ada com
grandes descolamentos epidérmicos. Entre os vivos, os homens são fortes
e as mulheres doentias: a filha mais velha teve mal de Pott há 6 anos;
outra, possue uma afeccão crônica das unhas e das mãos (eczema, sic);
a última, quando pequena, foi muito atacada de ulcerações e, fato inte-
ressante, somente no lado esquerdo do rosto e braco esquerdo; o O. E.
foi atingido.
57
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
1!)8
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Antecedentes fessoais: Sarampo, catapora e coqueluche na primeira in-
fância. Gripe pandémica, em 1918, de forma muito violenta, em plena
gestação. Xo mais, foi sempre forte e de aspecto robusto.
História da doenfa atual: Começou há 3 meses com pequenas manchas
numulares, de mais ou menos um centímetro de diâmetro, indolores e não
pruriginosas, ao nivel da 7.* vértebra cervicaL Estas manchas se dispn-
zeram, logo em seguida, em forma de colar ao redor do pescoço. Dias
depois, encimando estas lesões, surgiram pequenas vesículas, de liquido
citrino e transparente, em forma de “bouquet”. As lesões com éste aspecto,
rapidamente se alastraram, tendo as manchas tomado mais vulto e enci-
madas não só por vesículas, como também, por bolhas de vários tamanhos.
As bolhas, do tamanho de uma azeitona, possuíam líquido citrino ou puru-
lento, ou, ainda, de liquido citrino que logo se tomava purulento. Rom-
pidas, em geral espontaneamente, surgiam lesões crostosas e mais tarde
cicatrizes hiperpigmentadas e planas. A dermatose se disseminou para
as axilas, face anterior e posterior do tórax, abdômen, membros supe-
riores e rosto. O couro cabeludo foi atingido com maior intensidade.
Os membros inferiores foram respeitados. A doença apareceu seguida de
cefalalgia e febre, durante muitos dias, entre 38* e 39*5. Sentiu grande
sensação de ardência ao nivel de todas as lesões, principalmente no rosto.
Diz que, com a vinda do cataménio, estas sensações subjetivas melho-
raram. Urinava pouco, sendo a urina de coloração muito escura. Teve
prisão de ventre acentuada, tendo de recorrer a laxantes. Ficou com a
pele muito escura da cintura para cima, a ponto das pessoas de sua inti-
midade estranharem éste fato.
Interrogatório sôbre diferentes afarelhos: Intcmamente de nada se queixa.
Dorme maL Apetite conservado. A prisão de ventre melhorou muito.
Urina normalmente. Menarca aos 12 anos. Casamento aos 19 anos. Xão
teve abortos. Partos sempre a termo. Os cataménios sempre foram
irregulares, quanto ao termo e quantidade; falharam por dois méses, depois
do aparecimento da dermatose. Ha um més veio profusamente, com coá-
gulos e precedido de corrimento amarelado, abundante e fétido. Depois
a dermatose tem melhorado, principalmente no que se refere â sensação
de queimadura. Ficou incomodada esta semana, durante 4 dias, normal
em quantidade e sem cólicas.
Insfecão geral: Apesa.* da dermatose atingir os membros superiores está
possibilitada de efetuar todos os movimentos. Estado de nutrição bom-
Temperamento calmo, submisso e cordato. Pouca instrução. Paniculo
adiposo muito desenvolvida Obesidade do tipo hipófiso-genital. Esque-
leto de conformação normal. Pele úmida e infiltrada no rosto. Extre-
midades quentes. Tibialgia intensa e ligeira externalgia. Dimensões:
Pe.so: 72 K; altura, 1,48 cm; 1/2 envergadura: 76,3 cm; medida pubo-
-cervical, 77 cm; medida pubo-plantar; 72 cm; perímetro craneano:
56 cm; perímetro torácico: 107 cm; perímetro abdominal: 115 cm:
relação punho-pubiana: normaL Temperatura: 36*9, puso, 110; cxcursóe»
respiratórias: 30.
58
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
B. Mario Mourão — O papel do cslrcplococo no Pênfigo Foliacco 199"
Exame dermatológico.
Detcrifão e localisafão das lesões: 1) Cabeça: a. Couro cabeludo: pe-
quenas lesões crostosas, punctifomies, raras e esparsas, b. Rosto: Toda
a pele está infiltrada e com coloração arroxeada; cicatrizes de vários
tamanhos e numerosas sequelas de lesões vesiculo-crostosas; à palpação
percebem-sc vários nódulos consistentes e do tamanho de grãos de chum-
bo; conjuntivite bilateral, mais acentuada no O. £.: perda de cilios; foto-
fobia. c. Pescoço: Pele lisa e hipercromia difusa e irregular. 2) Tronco:
a. Face anterior do tórax: Ao nivel do ângulo de Louis grande mancha
eritematosa, de bordos pigmentados (coloração pardacenta); em todo o
tórax, espalhadas e de tamanho e conformação irregulares, manchas hiper-
crómicas, principalmente nas regiões supra- e infra-escapular e parte su-
perior dos seios; veem-se ainda lesões crostosas, pouco numerosas e
esparsas, sequelas de bolhas; nas axibs manchas extensas, com o mesmo-
aspecto das já descritas; seio esquerdo maior que o direito; mastite cística
em ambos; mamilos hiperpigmentados e desenvolvidos; intertrigo na prega
dos dois seios. b. Abdômen: Diminutas cicatrizes planas não pigmen-
tadas e pequenas lesões crostosas, reliquat de vesículas; pelos raros no
pubis; adiposidade pubiana desenvolvida; adiposidade da parede abdominal
muito desenvolvida, formando grande prega e pendular de perfil, c. Face
posterior do tórax: manchas muito extensas ou de vários tamanhos e
conformação, possuindo caracteres idênticos das do tórax anterior; lesões
crostosas com o mesmo aspecto, d. Regiões sacro-iliaca c glútea: Cica-
trizes numerosas, numulares e pigmentadas; raras bolhas de liquido puru-
lento; frequentes lesões crostosas. 3) Membros superiores: O braço,
antebraço, punho e face dorsal das mãos, apresentam lesões idênticas:
cicatrizes planas, circulares, não pigmentadas, numerosas; cicatrizes de
conformação e tamanhos diversos, pigmentadas, também numerosas; lesões
crostosas, sequelas de bolhas; s-esiculas numerosas, sobretudo, na face ex-
tema de ambos os braços; raras bolhas com líquido puralento e algumas
já rompidas em toda a extensão dos membros. 4) Membros inferiores:
Não foram atingidos. Ressaltam a pele que realmente é mais clara que o-
resto do corpo e a adiposidade das coxas muito desenvolvida. 5) Mucosas:
Não atingidas, a não ser a conjuntiva. 6) Gânglios: Sub-occipitais e
inguino-crarais palpáveis, indolores e pouco aumentados. Devido à extensa
camada gordurosa não conseguimos palpar outros.
Provas cutóneas.
1) Sinal de Nickolsk>*: Negativo.
2) Sinal de Bettmann: Negativo.
Ao exame clínico nada de importante
Exame dos orgãos e afartlhos:
para merecer registo especial
Exames de laboratório.
1) Exames de sangue.
Hemocultura: Positiva para estreptococos do grupo alfa (Sfrepl. viridans),
virulentos para camondongos. por via peritoneal e ai-irulentos para coelhos,
cobáios e ratos.
59
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
-ulIV'
200
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Fic. 22
J. A., ob«. 404 Cuo de Dermatite.
Herpcfi forme de Dahrinf.
•60
Fic. 23
O mesmo caso da fotofrafu anterior. Lesões resicnloaas da face externa
do braço direito.
í
B. Mario Mol’r.\o — O papel do estreptococo no Pênfigo Foliaceo 201
Elxame hematológico:
Contagem de leucócitos = 11.200 por mm^.
Contagem de hemátias = 4.200.000 por mm^.
Dosagem de hemoglobina = 87% (100% = 16 g).
Valor globular = 1,0.
Hemograma de Schlling:
% Em No. ahs. por inni*
Mielócitos neutrófilos 0 0
Neutrófilos com núcleo jovem 0,5 56
" " ’ bastonado 16,5 1.848
” » » segmentado 50,0 5.600
Eosinófilos 5,0 560
Basófilos 0,5 56
Linfócitos 23,5 2.632
Monócitos 4,0 448
Hemograma de Ameth:
Neutrófilos nSo segmentados 23,6
com 2 segms. nucleares 47,9
" " 3 " " 21,7
” "4 - - 5,5
" " 5 " - 1,3
Observações relativas ao exame: Hemitias normocrómicas e normo-
citicas. Granulações tóxicas nos neutrófilos. Plaquetas em número apa-
rentemente normal.
Quimismo:
Dosagem da glicose = 50 mg por 100 cm*
” colesterina = 152 mg por 100 cm*
do cloro plasmitico:
Cloro = 385 mg por 100 cm*
Cloretos = 640 mg por 100 cm*.
2) Exame bacteriológico de liquido de bolhas:
Crescimento de Sireptoeoccus do grupo béta (hemoliticos) e de Staf>hylo-
coceus da variedade albui.
3) Exame citológico de liquido de bolhas:
Neutrófilos 93,5%
Eosinófilos 2.0%
Basófilos 0.0%
Linfócitos 3.5%
Monócitos 1.0%
Cl
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
202
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
4) Elxame de urina (qualitativo e quantitativo, urina de 24 horas):
Volume 1.100 cm*
Reação ácida
Dencidade 1008
Albumina contem (+++) . •
Açúcar não contem
Acetona não contem
Pigmentso biliares não contem
Ácidos biliares não contem
Dosagem de cloretos 6,32 g por */••
” ” ureia 5,11 g por */»
” ” fosfatos 0,90 g por 7»
Exame microscópico do sedimento: Numerosos glóbulos de pús; fre-
quentes cilindros hialinos e granulosos; raras hemátias; abundante dcsca-
mação de células epiteliais das vias inferiores; filamentos de muco.
c) Hcmocultura em um caso de Pênfigo Vegetante
(Quadro XIII)
No caso que tivemos para estudo (S. M., obs. 490), a dermatose se iniciara
há um ano por lesões bolhosas da cavidade bucal e faringe. Após 4 meses apa-
receram lesões por bolhas e crostas no couro cabeludo, com queda total dos ca-
belos, prurido intenso, ardor e calor; temperatura elevada. Um mês depois da
in\asão do couro cabeludo, as lesões se generalizaram. Na ocasião em que pra-
ticamos a hcmocultura, apresentava lesões vegetantes nas axilas, quadrante infe-
rior do abdômen, prega inguinal e face interna das coxas. O estado geral era
precário e a temperatura estava a 4(P,2. A hcmocultura deu resultado negativo,
tendo a doente falecido uma semana depois da colheita do sangue. O c.xamc
hematológico, efetuado na mesma ocasião, revelou o seguinte: Anemia hipo-
cròmica (3.0(50.000 hemátias por mm* e 63Çó de hemoglobina). Leucopenia
(3.500 leucócitos por mm* ). Neutrocitose tóxica com desvio intenso d^enc-
rativo para a esquerda. Ausência total de eosinófilos c basófilos. Linfopenja
acentuada. Monocitopenia.
d) Hcmocultura em um caso de Pênfigo Agudo Febril
(Quadro XIII)
.A hemocultura foi de resultado negativo, tendo sido praticada 3 horas an-
tes da morte. A temperatura axilar no momento do colheita do sangue era de
40°5. As principais informações clinicas sóbre êste caso já foram referidas quan-
do tratamos das epidermoculturas (W. P., obs. 464).
(•>2
B. Mario Mour.\o — O papel do estreptococo no Pênfigo Foliaceo 203
CAPITULO VII
VERIFICAÇÕES BACTERIOLÓGICAS “ANTE” E “POST MORTEM"
Enquanto estudá%-anios a infecção cutânea e prat^cá^'amos hemoculturas em
doentes de Pênfigo Foliaceo, sem seleção de casos clinicos, acreditávamos ser
de imenso interesse, dentro daquele mesmo critério experimental, levar a cabo
uma série de verificações bacteriológicas "post mortem". Naquela ocasião já
havíamos verificado a frequência dos estreptococos hemoliticos nas eflorescên-
cias cutâneas de várias formas clinicas de Pênfigo, e também já havíamos iso-
lado estes germes do sangue, em casos cuja marcha evoluti\-a tornara patente a
existênda de uma verdadeira septicemia. Nossa atenção voltou-se ainda para
a fenomenologia clínica “ante mortem” dos penfigosos que, além dos fenômenos
toxi-infeedosos típicos, apresentaram um quadro térmico muito peculiar, com
intensa febre, na maioria dos casos, nos dias que precediam á morte.
Estas circunstâncias fortaleceram o nosso ânimo em prosseguir os estudos
■da bacteriologia do “Fogo Selragem” sob êste aspecto e envidamos o máximo de
esforços neste sentido.
A) CASOS ESTUDADOS
Colhemos material de 32 doentes falecidos com dermatose generalizada. Os
cadáveres pertendam- a indivíduos adultos do sexo masculino (12 casos) e do
sexo feminino (16 casos); de crianças tivemos 4 casos. Em 24 cadáveres o
material foi colhido durante a necrópsia e em 12 casos por simples punção car-
díaca. Dos casos puncionados, em 4 foi possível o exame bacteriológico. O
fito das, punções cardíacas foi afastar as causas de êrro decorrentes da demora
das necrópsias. Deddo a dificuldades independentes de nossa vontade, foi sem-
pre difidl efetuar a necrópsia no mesmo dia do óbito.
Praticamos hemoculturas de doentes em agonia, a-fim-de verificar se a in-
vasão dos germes se processava “ante mortem”. Dos 11 casos em que conse-
guimos colher sangue, em quatro não foi possível realizar o exame bacteriológico
“post mortem”. O número de doentes em que pudemos fazer esta espécie de
exame foi relati\’amente pequeno, o que é absolutamente justificável, dadas a.«
inúmeras dificuldades em se extrair o sangue nesse período.
O exame necrótico, em sua maioria, foi procedido nas primeiras 24 horas
após o desenlace: em um caso fizemô-lo depois de 5 horas; noutro, dentro de
12 horas; em 10, após 24 horas. Entretanto, por motivos alheios á nossa von-
tade êle foi procedido, algumas vezes, depois de 36 horas (6 casos), de 48 ho-
ras (2 casos), de 72 horas (2 casos), de 3 dias (2 casos), de 4 dias (1 caso)
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
204
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
e de 5 dias (1 caso). Os cadáveres, remoridos no mesmo dia do óbito para o
Departamento de Anatomia Patológica, eram conservados em geladeira.
As punções cardiacas foram feitas nas primeiras horas depois do êxito letal.
Foi possivel realizá-las nos primeiros trinta minutos, em 4 cadáveres; até djas
horas, em 1 caso; até três horas, em 2 casos; até 4 horas, em 1 caso; até 12
horas, em 3 casos; e até dezesseis horas, em 1 caso.
Com exceção das necrópsias de Nos. 293, 352, 363 e 400, em todos cs ca-
sos necropsiados, colhemos em \-ida sangue para hemocultura.
Os casos de contróle foram escolhidos. Estudamos bacteriologicamente 12
cadáveres, sendo indivíduos adultos do sexo masculino ^6 casos), do sexo fe-
minino (4 casos) e prematuros (2 casos). As necrópsias foram efetuadas:
após duas horas do óbito (1 caso), 24 horas (5 casos), 48 horas (1 caso), 3
dias (2 casos), 4 dias (1 caso), 5 dias (1 caso) e 7 dias (1 caso). Os corpos,
antes da necrópsia, permaneciam guardados em geladeira. O diagnóstico ana-
tómico principal foi: Tuberculose Pulmonar (5 casos). Prematuridade (2 ca-
sos), Carcinoma Brónquico (1 caso). Aneurisma da Aorta Abdominal (1 caso),
Miocardite Crônica (1 caso), Endocardite Verrucosa da Válvula Mitral (1 caso)
e Sarcoma do Braço com Metástases Generalizadas (1 caso).
B) COLHEITA DE iL\TERIAL
Dentro das possibilidades oferecidas, procurou-se colher o material necró-
tico, consoante aos rigorosos preceitos da técnica bacteriológica e sempre em
idênticas condições, tanto dos casos de Pénfigo quanto nos de controle.
A colheita de sangue de coração sempre foi efetuada em primeiro lugar.
Depois de libertado o plastrão estemo-costal e fendido o pericárdio, para \-erifi*
cação do seu conteúdo, o coração era cuidadosamente exposto e o sangue re-
tirado por punção das aurículas, aspirando-se com seringa esteril. A esteriliza-
ção local era praticada com espátula metálica aquecida ao rubro, cauterizando-se
pelo menos duas vezes uma pequena superfície do órgão por onde se introduzia
a agulha. Conseguindo-se quantidades superiores a 5 cm*, o sangue era desfi*
brinado; quantidades inferiores a êsse volume eram imediatamente semeadas em
caldo-glicosado e posteriormente praticadas no laboratório as diversas sementei-
ras. A mesma orientação técnica foi seguida para a colheita de outros líquidos
orgânicos ou de fluidos cavitários anormais.
Para os teddos consistentes — material sólido — a maneira de proceder fo*
esta: exposto o órgão, i»i loco, aderia-se durante algum tempo, no mínimo duas
vezes consecutivamente, em determinada superfície, uma espátula incandescente;
em seguida, com instrumentos cirúrgicos esterilizados, retirara-se um pequeno
fragmento do órgão, colocando-o em recipiente esteril e fechado. Êsse frag*
G4
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
B. ^Luuo Mocrão — O papel do estrcptococo no Pcnfigo Foliaceo 205.
mento era transportado para o laboratório a-fim-de ser submetido às respectivas
proras bacteriológicas. Várias vezes, no entanto, a colheita de material foi pra-
ticada depois de retirado o órgão da cavidade visceral, sendo a conduta técnica
a mesma e trabalhando-se, nessas emergências, o mais rapidamente possivel, sem
perda de tempo. Para a colheita de fragmento de cérebro, a dura-mater, após
o desprendimento da calota craniana, era conservada, sendo fendida depois de
cauterizada. A colheita de tecido dos rins e das suprarrenais foi feita ulterior-
mente à liberação da cápsula renal.
Como ponto de reparo para as punções cardíacas utilizamos sempre o 4.®
espaço intercostal. A desinfecção local era feita rigorosamente com tintura de
iodo, retirando-se o excesso com álcool. O sangue era aspirado com seringa
de 20 cm’ com trocater.
C) MATERIAL COLHIDO
Das 24 necrópsias de doentes de Pênfigo, o seguinte material foi extraidot
Sangue de coração 23 vezes
Baço 24 -
Fígado 24
Cérebro 14 "
Rim 11 “
Derrame do pericárdio ' 5
Medula óssea 3
Derrame peritoneal 1 vez
Bile vesicular 1
Pulmão • 1 "
Medula espinhal 1 ”
Abcesso pélvico 1 "
Dos 12 casos que fizemos punção cardíaca, em alguns foi possivel a sua
colheita mais de uma vez, em diferentes horas; em 4 casos retiramos também
derrame do pericárdio.
Dos 12 casos de controle o material necrótico consistiu cm:
Sangue do coração 12 vezes
Fígado 12 ”
Baço 11
Rim 6
Cérebro 6 "
Derrame peritoneal 1 vez
Suprarrenal 1 "
Í9
65
20C
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
i
D) SEMEADURAS
Os meios de cultura utilizados foram os seguintes: 1) Agar-simples em
placa e inclinado; 2) Agar-sangue em placas; 3) Meio Teague em placas; 4)
Caldo-glicosado (em tubos com 5 a 10 cm* de meio ou em balões contendo 100
a 150 cm* de meio, dependendo do volume do material a ser semeado) ; meio de
Tarozzi (anaeróbio, tubos contendo de 5 a 10 cm^ de meio).
O sangue e o liquido patológicos, diluidos ou não em caldo-glicosado, eram
diretamente semeados.* O material sólido era reduzido a pequenos fragmentos,
triturado asseticamente em gral de porcelana, suspenso em salina fisiológica ou
< 2 ddo-glicosado e, em seguida, semeado.
As leituras eram feitas 24, 48 e 72 horas, após incubação em estufa a 37®.
Logo que se percebia algum crescimento bacteriano, praticava-se o isolamento
de todos os germes, a-fim-de proceder à sua identificação. Não havendo ger-
minação bacteriana, esperava-se no minimo 8 dias para negativar qualquer re-
sultado.
Não foram usados meios eletivos para bactérias ácido-resistentes. Toda-
via, nos casos de Pênfigo, suspeitos ou com lesões macroscópicas de tul)crculose,
faziam-sc esfregaçõcs dos diversos órgãos, para a pesquisa bacterioscópica dos
bacilos de Koch.
E) .ANIMAIS INOCULADOS
órgãos ou líquidos orgânicos de alguns casos de Pênfigo que não demons-
traram nenhum crescimento bacteriano, após 48 horas de conser\*ação em baixa
temperatura, foram inoculados em coelhos, cobaios, ratos e camondongos, para
a pesquisa de virus. De outro grupo de doentes o material patológico — sus-
pensão de órgãos triturados ou fliiidos de origem endógena — era filtrado e
inoculado no mesmo dia em animais de laboratório.
Na necrópsia 290 (E. F., obs. 480) observou-se um derrame purulento da
cavidade peritoncal, que foi diretamente inoculado em ratos e camondongos.
De outra doente (neocrópsia 368, A. Y. F., obs. 477), com pneumonia lt>-
bar intcrcorrente, procurou-se isolar Dipíococcus pneumoniae inoculando-se sus-
pensão do pulmão em ratos e camondongos.
F) RESULTADOS
1) Necropsias de casos de Pênfigo Foliaceo
(Qtudro XIV)
1 . Resultados gerais.
Os resultados obtidos, cm relação a todas as necrópsias. globalmente, f®*
ram as seguintes:
€6
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
I
I
I
\
!
(
I
i
Quadro XIV
NECRÔPSIAS DE CASOS DE PEXFIGO FOLIACEO
No. Necropsia
310
400
550
295
196
516
368
291
247
269
290
599
292
491
552
565
229
205
555
578
587
Iniciais e Na
J. E. C. (500)
J- P. (541)
A. N. (562)
A. T. P. (504)
E. P. (264)
M. T. (496)
-K. Y. F. (477)
D. M. T. (449)
A. il. (425)
T. O. (429)
E. F. (480)
L. E. (457)
.A M. a (551
M. J. F. (492)
R. O.
R. P. (414)
A. F. (229)
N. R. S. (408)
C. A. S. (574)
C. P. L. (295) '
J. B. F. (
Côr
Preta
Branca
Brauca
Branca
Prrta
Branca
Branca
Branca
Preta
Prtla
Branca *
Branca
Branca
Branca
BratKa
Branca
Branca
Parda
Prrt»
Parda
Parda
Idadr
18 anos
11 anos
24 anos
28 «>os
22 anoa
27 anos
9 UIO*
26 anoa
25 anos
55 anoa
19 anot
32 anoa
26 anos
43 anos
27 ai.c«
17 anos
41 anos
25 aiios
9 anos
30 anos
25 ano
Inicio molést.
5 meses
6 meses
6 mtK*
7 meses
«
7 meses
7 meses
10 meses
10 meses
11 mtses
1 ano
1 a. e 5 meses
1 a. e 6 meses
2 atKia
2 ano*
2 anoa e 8 metes
2 anos ç 10 meses
3 anos
3 anos
3 anos
3 anoa e 5 meses ,
3 anos e 5 1
óbito
4 7-41 (10 h.)
19-12-41 (8 b.)
11-4-42 (8,40)
1-6-41 (21.50)
12-5-41 (8,10)
27 7-41 (17 b.)
18 10-41 (5 b.)
25 5-41 (10b.i
4 5-41 (22 b.)
9-S-tl (11b.)
20-5-41 (10b. 50)
18-12-41 (15 b.)
25-5-41 (lb.50)
25-2-42 (8b.50)
8-9-42 (20 b.)
710-41 (16 b.)
7-4 41 (10 h.)
51-5-41 { 7h.)
18-4-42 ( 8b.50)
25-11-41 (14 h.)
9-6-42 (9
Necrópsia
5 7-41 ( 9h.)
20-12-41 (9 b-)
15-4-42 (10b-)
6-6-41 (9 b-)
15-5-41 (9 b.)
51-7-41 ( 9 b.)
20-10-41 (9 b.)
24-5-41 (9 b.)
5-5-41 (9h.50)
10-5-41 ( 9 b.)
22-5-41 (19 b.)
20-12-41 (10 b.)
26^5-41 (10 b.)
26-2-42 (9b.50)
10 9-41 (10 b.)
10-10-41 (10 b.)
8-4-41 ( 9h.)
1-4-41 (11 b.)
18-4-42 (14b.50)
27-11-41 ( 9h.)
10-6-42 (11
SanKue Uo coração
Staph. ^
olbus ^
Bsch. coli
Aus. cresc. bact.
Pr. amrr. ^ -| —
B. rtp. + +
Strrpt. krm.
Strrpt. krm. . 4 - . 4 - . 4 .
Strrpt. krm. 4 . 4- 4-
Esrk. ra/l ^ ^ . 4 .
SUpk. aíbmt . 4 .
Pr. art. . 4 .
Aus. cresc. bnct.
Strrpt. krm. 4 . 4 . 4 -
Bsrk, ra/i 4 — (- 4 "
Strrpt. krm. 4 . 4 . 4 .
Strrpt. krm. 4 . 4 . 4 .
Strrpt. krm. 4 .
Strepc. s. ímI.
Pr. tWp. -f-f-f
Strrpt. krm. 4 - 4 -
Euk. re/i 4 * *+■
Strrpt. krm. 4 -
B. s^ (esp.) 4 - 4 .
Strrpt. krm. . 4 .
Erck. ecli -f -f- -4-
B. ap. (rtp.) - 4 . + +
Strrpt. krm. 4 . 4 . 4 .
Strrpt. krm. -)-4--4-
Aus. cresc. bact.
Esck. coli 4 - 4 . 4 .
Strept. krm. -f**!*
Aus. cresc.
Baço
Esch. coii ^ +
Stre^f- N. isclaJ^
(hetnolítieo) + 4 *
Aui. cresc. bact.
Strrpt. krm. 4*4“
B. »p. (op.) -f-f-f
B. «p- (c»p.)
Strrpt. krm. . 4 . . 4 - . 4 .
Strrpt. krm. 4 . - 4 -
Bsck. ro/t 4 . .f.
Stspk. a/^vl 4 .
B. «p. +
Pr. ãrr.
Strrpi. im4. 4 *
B. sp. 4 .
Esrk. eeJi 4 * 4~
Strrpt. krm. 4 . 4 . 4 .
Esck. rali 4 . 4 —
Strrpt. krm. 4 . 4 . 4 .
Strrpt. krm. 4 . 4 . 4 .
Strrpt. krm. 4 .
Aus. cresc. bact.
Strrpt. krm. 4* +
Esck. coli 4 - 4 -
Strrpt. krm.
B. ap. -f-f-f
Strpk. êJtru - 1 -
Aus. cresc. bact.
Strrpt, krm. +*l*
Esck, coli 4 .-I. 4 .
B. sp. (esp.) 4 - 4 . 4 .*
Strrpt. kcm. 4 .
Strrpt. krm. 4 -
Strept. n. irol. 4 *
B. sp. (esp.) 4-4-4*
Esck. coli -I- 4 . 4 .
Stapk. albus 4 *
£jrh. coli
Fi^do
Bjch. coH -f.
Baciíltis sp.
(esporulados)
Slapk. alh-is ^
Pr. amrr.
B. etp. 4-4-
Strept. krm. - 4 . . 4 . . 4 .
B. «p. (r«p.)
Strrpt. krm. 4 . . 4 . . 4 .
B. $p. (r»p.)
Atts. cresc. bacL
Strrpt. krm. 4 . 4 . 4 -
Esch. ra/l 4 - 4 . 4 .
Slrtfl. krm. -f-f-f
Strrft. krm. 4. 4.
Esck. ra/i 4 . 4 >
B.iM. + + +
Stapk. albns 4 .
Aus. cresc. bact.
Aus. cresc. bact.
Strrpt. krm. 4 .
B. sp. (e^p.) 4 - 4 -
Esck. re/i 4 . 4 . 4 .
StMpk. albus 4 . 4 . 4 .
B. »p, (f»p.)
Strrpt. krm. +
Erck. e»K -4- -4- -f
B. ip. («p.) +- 4 - - 4 .
Strrpt. krm. 4 .
Aus. cresc. bact.
Aus. cresc. bact.
Au«. erne. bMt.
Esck. coh
Derrame pcrjcirdío
Buk, eoU ^ .j- +
Ps. atr.
B. + + +
Strept. H. ttol. 4-4-
ãeHS. . 4 . 4- ^
-
-
StrrPt. krm, 4 . 4 .
Stapk. o/bMx 4 .
Aus. cresc. bact.
Esck. coii *(* +
Strrpt. krm. -f. 4 . 4 -
Céreliro
BüciUus sp.
(esporulados)
Strepi. kfm. -J- ^
Aus. creK. bact.
-
Strrpi, hem. 4 .
Esck. ra/i 4 .
5«apã. élbms 4 -
B. fp. (Mp.) -f-f
Strrpt. imd. 4“ 4"
Stapk. êlbas 4*4*
Esrk. ra/i 4*4*
Aos. cresc. bact.
-
Aus. cresc. bact.
Aot. crac. bict.
Sirttt. I>rm. -J-
B. ip. (cap.) -f-f
St»pk. tlkmi -4-
Aus. cresc. bact.
Strrpt. krm. 4 .
EscK coli 4 - 4 - 4 .
B. tp. (»»p.) 4 . 4 -f
Aus. cresc. bact.
Aus. cresc. bact.
Rim
Btek. re/l ^. 4 .^.
Strrpi. krm. ^ 4 . 4 .
B. sp. (es^) •f4-4-
Strrpt. krm. 4 - 4 .
Esck, ra/i 4~ 4*
Diplococos 4*4*
Esrk. ra/i 4 - 4 -
-
Strept. 0 . tsol. 4*
Pr. tmlp. + + +
-
Strrpt. krm. 4 .
B. s^ (esp.) 4 - 4 .
Erck. coli -4- + +
B. tp. (rap.) + + +
Aus. cresc. bact.
Au<- crcK. 1 Kt.
Aus. cresc.
Medula úftiica
-
/V. úm<r.
B. »p. (cp.) -f-f-f
-
Strrpt. krm. 4 . 4 . 4 .
-
-
-
Aus. cresc. bact.
Derrame pcritonial
StTtft. k*m.
B. tp. (np.)
-
--
Bile vesicular
Sirtfl. krm.
B. »p- (np.)
-
Abcesso pélvico
Strrpt. krm. 4.
Esck. coli 4. 4. 4.
B. tp. (rep.) +-)- +
Pulmão
D. fm. -f-f--f
SUpk.
B. »p. -f
Eí.-k. nit - 1 -
«
Medula espinhal
Strrpt. krm. 4 *
Errà. re/i 4 * 4 * +
B. ,p. (rep.) - 4 - + -j-
oasRavAÇÔts
Hera. ne*. (2) sendo
a última feita 3 dias
antes. Pesq. Íl. K.
neg. baço, fígado, ce>
rebro e der. pericãr-
dico.
Não fei hemocullura.
Ilrm. neg. feita 20
dias antes. Fet pun-
ção cardíaca 3 horas
após a morte.
Não fea hemocultura.
Htm. <2) posit. para
Strrpt. krm. sendo a
última feita 2 meses
antes. Pesq. B. K.
nef. no material tra-
balhada
Hem. nef. «endo a
última feita 3 mese*
ante«.
Hemocultura negativa
feita 6 me^s jntes.
Hemocultura negativa
feita 4 me«es antes.
Pesq. de virtas em
material de céreèra
Hemocultura negativa
feita 5 meses ante«.
Hemocultura negativa
frita 11 dias anCe«.
Hemocultura negativa
1 mês antes. Inoc.
do der. perit. eixi c^
baios e ratoa.
Hemocultura negativa
( 2 ) a última sendo
feita 6 meses antes.
Hesnocultura (2) oe<
gativas tendo a últi-
ma feita 7 meses an-
tes- Pesq. de virus
em mat. de cérebro e
fígado.
Fex punção cardíaca
4 horas após a mor-
te. Hemocultura neg.
feita 7 raese* antes.
Nân fex hemocultura.
Nio fex hemocultura.
Material de medula
utUisado para a prsq.
de virus.
Hemocultura negativa
feita 5 meses antes.
Hrmoculturas (3) ne
gativas sendo a úUima
feita 20 dias antes.
Fez punção cardíaca
2 horai após a raorte.
Não fex hemocultura.
Hctnoculturas (2) t*^|>
sit para Strrpt krm.
Sendo a última feiu
4 meses ante<.
Hemocultura m
ta ha 1 ano. Fi
ç 6 es cardíacas
3 e 4 horas i
morte.
OfeSUVAÇÃo — Forma clinica
cm
2 3
10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29
SciELO
33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57
59 60 61 62
Quadro XIV
.NECROPSIAS DE CASOS DE PEXFIGO FOLIACEO
196
316
368
291
247
269
290
399
292
491
352
363
229
203
553
378
587
379
469
248
E. P. (264)
M. T. (496)
A. Y. F. (477)
D. M. T. (449)
A. M. (425)
T. O. (429)
E. F. (480)
L. E. (457)
.V M. a (331
M. J. F. (492)
R. O.
R. P. (414)
A. F. (229)
X. R. S. (408)
C A. S. (374)
C P. L. (293) ‘
J. B. F. (339)
I. D. P. (495)
C. C. (357)
A. \V. (2M)
Preta
Branca
Branca
Branca
Preta
PreU
Branca *
Branca
Branca
Branca
Branca
Branca
Branca
Parda
Preta
Parda
Parda
Branca
Branca
Branca
22 anos
27 atvos
9 anos
26 anos
25 anos
55 anos
19 anos
32 anos
26 anos
43 anos
27 ai.es
17 anos
41 anos
25 au»
9 anos
30 anos
23 anos
26 anot
26 anos
40 anos
7 meses
7 meses
10 meses
10 meses
11 mtses
1 ano
1 a. e 5 meses
1 a. e 6 meses
2 anos
2 anos
2 anos e 8 meses
2 anos e 10 meses
3 anos
3 anos
3 anos
3 azKM e 5 meses
3 anos e 5 meses
6 anos
7 anot
7 anos c 5 meses
12-3-41 (8.10)
27-7-41 (17 h.)
18-10 41 (3h.)
23 S-41 (10 h.)
4 5 41 (22 b.)
9-5-41 (11b.)
20-5-41 (10b. 30)
18-12-41 (15 b.)
23-5-41 (lb.30)
25-2-42 (8b.30)
8 9-42 (20 b.)
7-10-41 (16 b.)
7-l-tl (10 b.)
31-3-41 (7 b.)
18442 ( 8b. 50)
25-1141 (14 b.)
9-642 (9b. 10)
25-1141 (16b.30)
18-242 (19b.30)
5-541 (2211.30)
13-3-41 (9 b.)
31-7-41 ( 9h.)
20-10-41 (9h.)
24 5-41 ( 9 b.)
5-5-41 (9b.30)
10-5 41 ( 9 b.)
22-5-41 (19 b.)
20-12-41 (10 b.)
26^5-41 IlOb.)
26-2-42 (9b.30)
10-9-41 (10 b.)
10-10-41 (10 b.)
8-4-41 ( 9 b.)
1-4-41 (11 b.)
18-442 (14b.30)
27-1141 ( 9 b.)
10-642 (10 b.)
27-1141 (lOh.)
20-242 (9 h.)
7-541 (10 b.)
rrpt. hrm. -f
Strept. hem.
Eich. coH ^ ^
St«ph, aJbtu ^
Pr. arr.
Au*, cresc. XmX.
Strept. hem.
Esch. coli _^^4~
Strept. hem. ^ ^ 4 .
Strept. krm. 4 . 4 - 4 .
Strept. hem. 4 -
Strept. n. U«l.
Pr. rmjf.
Strept. hem. 4 - 4 -
Esck. coH 4~ +
StrePt. hem. 4 -
B. s^ (esp.) 4 - 4 -
Strept. hem. 4 .
Esch. coli + + +
B. Êp. (ctp.) -f-f-f
Strept. krm. -E-E-E
Strept. hews. 4 . 4 .. 1 .
Aos. cresc. bact.
Esch. coU 4 . 4 . 4 .
Strept. hem. +4-
Aos. cresc. bact.
Esch. coli 4 . 4 - 4 .
Strept. hem. 4 .
B. sp. (esp.) 4 - 4 -
Strept. hrm. +
B. tp (ctp) -E + t
Stoph. olbus 4 .
Sirrpt. hrm. -E-E +
rrpt. hrm. -j_
Strept. hrm. + +
Esch. coli ^
Staph, aJb'*s ^
B. ap. +
Pr. arr.
Strrpt. ímJ. .f.
11 . ap. +
Btch. coli .j. 4 -
Strept. hrm.
Esch. ecH 4* 4* 4-
Strept. hem. 4 . 4 . 4 -
Strept. hem. 4 . 4 .
Strept. hem. 4 .
.\oí. crrjc. bact.
hem. 4 ~
Eick. co/i -í- 4 -
Strept. hem. 4 -
B. «p. -f-f-E
Siofk. olb-As
Aos. cresc bact
Strept. hem.
Esch. coH 4 . 4 . 4 .
B. tp. (eip ) -f-E-f-.
Strept. hem. 4 -
Strept. hem. 4 - 4 -
SlrrpC D. itol. -E
B. tp (ctp) -E-E +
Etck. coU -E -E 4*
Stoph. olbus 4 *
Esch. coli 4 -
Esch. coli 4 _ 4 . 4 .
Strept. hem. 4 - 4 .
B. sp. (f*p.) 4 .
B. subt. + +
Staph. olbus 4 >
Strept. hem. 4 *
hrm. ^
B. ap. (eap.)
Au*. cre*c. lact
Strept. hem. 4 .
Esch. coH ^ ^ 4*
Strept. hem. 4 . 4 . 4 .
Strrtt, krm. 4 . 4 -
Esck. coli 4 --(-
B. cM. -f -f +
Staph. mJbmt 4 -
Aus. errse. bact.
Aus. cresc. bact
Strept. hem. 4 .
B. *p. (e*p.) 4 - 4 -
Etch. coli 4 . 4 . 4 .
Stoph. olhuj 4 . 4 . 4 .
B. tp. («p.) +-f-f
Strept. hem. 4 .
Esch. coH 4 . 4 . 4 .
B. #p. (esp.) 4 . 4 . 4 -
Strept. hem. 4 .
Aus. cresc. bact
Aus. cresc. bact.
Aus. cresc. tact
Esch. coli 4~
Etck. coli -E + +
Strept. krm. .E *E
B. ip (cap.) +-E
Strept. hem. 4 .
B. sp. (esp.) + + +
Stoph. olbus 4 .
Esch. coli + +
Strept. hem.
’ept. hem. ^ ^
-
-
Strrft. hem. 4 - 4 .
Stoph. oSbns 4 .
Aot. cmc. bact.
Esch. coli 4 - 4 -
Strept. hem. 4 . 4 . 4 .
-
Strept. hrm. ^
Euh. coH
Staph. üJhHã ^
B. sp. (esp.) -f-f
Strept. imd. + +
Staph. albus 4"l~
Esrk. roti -f. a|.
Au*. cre*c. bact.
Aus. cresc. bacL
Aus. cresc. bact
Strept. hem. 4 -
B. fp. (esp.) 4 . 4 -
Slmph. oíhmt 4 - 4 -
Aus. cresc bact
Strrfl. krm.
Etck. coli + + +
B. tp. (ctp.) +-f-Í-
Aum. cfctc. bact.
Aai. ctctc. bact.
Etck. coli -E + -4*
Strept. kim. 4 .
B. ap (ctp.) -E-E
Strept. hrm. -J.
Etrh. coli ^
Diplocuco* 4 * 4 *
Eseh. coli 4- 4-
-
Strept n. boi. 4 *
Pr. vmJ^. + + +
-
Strept. hem. 4 .
B. tp. («p.) ^--f
Etck. coH -E -4- -4-
B. tp. (c»p.) -e-E-E
Aus. cresc. tiact
Aiu. crctc. 1 act.
Aut. cresc. bact
Esch. coli 4 * +
Strept. hem. 4 . 4 -
B. sp. (esp.) 4 - 4 -
-
Strept. hem. ^ 4 . 4 -
-
-
-
Aut. ercac. bact.
~
Strept. hem. 4 . 4 . 4 .
B. >p. (e»p.) 4-4-.f
-
--
-
-
Strept. hem. 4 .
Esch. coli -|- + +
B. tp. («p.) -E-E-E
D. pn. 4-4-4-
Stapk. úlhus ^
B. ap. +
Esck. coli .f
-
Street krm.
Etck. coli
B. tp. (rtp.)
TI. (3) posit. para
rpt. hrm. temlo a
ma feita 2 meses
M. Pesq. B. K.
. no matéria) tra*
Hem. neg. sendo a
última feita 3 meses
ante*.
Ilemoctillura negativa
feila 6 me*e« ante*.
Hemr<u1tura negativa
feita A me«es antes.
Pesq. de virut cm
materi.al de cérebro.
Hemocultura negativa
feita 5 me*e* ante*.
Hemocultura negativa
feita 11 dia* ante*.
Hemocultura negativa
1 mês antes. Inoc.
<lo der. periu em co
haio* e ratos.
Hemocultura negativa
( 2 ) a última sex»do
feita 6 meses antes.
Hoiiocultura (2) ne-
gativas sendo a últi-
ma feita 7 meses an-
tes. Pesq. de vírus
em mat. de cérebro e
fígado.
Fex pun^o cardíaca
4 boras apús a mor-
te. Hemocultura neg.
feita 7 meses antes.
Nân fee hemocultura.
Kão fex bemocitltnra.
Material de medula
tttilUado para a pesq.
de viros.
Hemocultura negativa
feita 5 meses antes.
Hcmoculturas (3) oe
gativas sendo a última
feita 20 dias antes.
Fra punçio cardíaca
2 horas apús a morte.
Não fex hemocultura.
Hemoculturas (2)
sit para Strept hem.
Sendo a última feita
4 meses ante*.
Hemocultura neg. fei-
ta ba 1 ano. Fex pun-
ç 6 es cardíacas 1.30,
3 e 4 horas apús a
morte.
Hemoculturas (3 ne*
gativas. A última foi
praticada 4 meses an-
te*.
Ilemoctilturas (3) po-
sitivas para Stret.
hem. sendo a última
feita 6 meses sntes.
Hemoculturas (2) ne-
gativas sendo a última
ftita 2 meses antes.
OatUTACÃo — Forma clinica doa calca occroptiadoi: Dfrmuiott Crinica GeiuraUíoJc.
cm
2 3
10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27
SciELO
31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57
210
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
2. Estreptococos associados a outros germes: 29)1% (7 necrópsias).
Presença de estreptococos (total) : 54,7%.
Oufros germes — De 7 necrópsias, numa percentagem de 29,1%, foram
isolados os seguintes germes: Staphycoccus albus, Proteus americanus, Escheri-
chia coli e Bacillus sp. (esporulado).
Ausêneia de erescimento bacteriano — Em 6 necrópsias (25,0%) o resul-
tado das semeaduras foi negativo.
d) Cérebro (14 necrópsias) :
Estreptoeocos :
1. Estreptococos em cultura pura: 7,1% (1 necrópsia).
2. Estreptococos associados a outros germes: 35,7% {p necrópsias).
Presença de estreptococos (total) : 42,8%.
Outros germes — Apenas em uma necrópsia (7,1%) foi possível isolar ou-
tras bactérias não associadas ao estreptococo. Esses germes eram Bacillus sp.
(esporulados).
Ausência de crescitnento bacteriano — O cérebro, dentre os órgãos, foi o
que sempre mostrou menor crescimento ou mesmo ausência de germes. A per-
centagem de exames que não demonstraram germinação de bactérias foi de 50,0%
(7 necrópsias),
e) Rim ( 12 necrópsias) :
Estreptococos :
1. Estreptococos em cultura pura: 0%.
2. Estreptococos assodados a outros germes: 41,6% (em 5 necrópsias).
Outros germes — Bacilos Gram positivos esporulados, Proteus americanus,
Eschcrichia coli e diplococos Gram positivos não identificados, foram isolados de
3 necrópsias numa percentagem de 25,0%.
Ausência de germes — Em 4 necrópsias, percentagem de 33,3%.
f) Derrame do pericárdio (5 necrópsias) :
Êste material patológico foi colhido em 5 necrópsias, sendo isolados estrep-
tococos em cultura pura em uma única necrópsia. Em 3 necrópsias os estrep-
tococos estavam associados a outros germes. Não houve desenvolvimento bacte-
riano em material de uma necrópsia.
g) Medula óssea (1 necrópsia):
■De um caso colheu-se material, havendo sido possivel o isolamento em cul-
tura pura de estreptococos.
h) Derrame pcritoncal (1 necrópsia):
Na necrópsia No. 290 observou-se formação purulenta da cavidade perito-
ncal, sendo isolados estreptococos e bacilos Gram positivos esporulados.
i) Bile vesicular (1 necrópsia):
A titulo de curiosidade colhemos bile por punção da vesicula e houve cres-
70
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
B. M-uuo Mour.\o — O papel do eslreplococo no Pêníigo Foliaceo 211
cimento de estreptococos e de bacilos Gram positivos esporulados nos meios de
cultura.
j) Abcesso pélvico (1 necropsia):
Xa necropsia Xo. 363 observou-se a presença de um grande abcesso pélvico.
•\s semeaduras de pus colhido por aspiração em seringa esteril revelaram o cres-
cimento de estreptococos, de colibacilo e de bacilos Gram positivos esporulados.
k) Pulmão (1 necropsia):
.\s semeaduras de fragmento de pulmão da necropsia No. 368 mostraram
a germinação de Diplococcus pncumoniac, Staph. alhus, Bacillus sp. e Esch. coli.
l) Medula espinha! (1 necropsia):
De um único caso (necropsia 352) foi colhido pequeno fragmento da me-
dula lombar. Houve crescimento, nas diversas semeaduras, de estreptococos,
colibacilo e bacilos esporulados.
m) Suprarrenal (1 necropsia) :
.Ausência de crescimento bacteriano do único caso que tivemos a oportunidade
de fazer o exame bacteriológico.
3. Aninutis inoculados.
Do caso 368, em que se observou a intercorrcncia de uma pneumonia lolar,
um pequeno fragmento de pulmão foi triturado em salina fisiológica esteril, na
proporção de 1/20 e a suspensão inoculada por via peritoneal, logo depois, em
ratos e camondongos. .^o fim de 24 horas os animais morreram, sendo isolados
Diplococcus pneumoniae em cultura pura do sangue de coração.
Xa coleção purulenta da ca\*idade peritoneal obser\*ada na nccrópsia 290,
conseguimos isolar estreptococos hemoHticos após inoculação, por via peritoneal.
em cobaios e ratos.
4. Dados cuja importância releva assinalar.
1. Com e.xceção do estreptococo isolado na nccrópsia 368 (.A. Y. F., obs.
477), todas as outras amostras pertencem ao grupo fjc/a-hcmolitico. O estfep-
tococo da nccrópsia 368 é indiferente cm gelose-sangue (grupo gama da classi-
ficação de Browm).
2. Em duas necrópsias (A. X., necropsia 550, obs. 562 e L. E., nccrópsia
399, obs. 457), isolamos Proteus vulgaris do sangue de coração, fígado e rim,
e Proteus amcricanus do sangue de coração, fígado e rim de outra; chamamos
atenção para êsses achados, perque o “bacilo de Radaeli”, responsabilizado por
êste autor (17) e sua escola como agente patogênico do Penfigo, é uma \’ariedade
do Proteus vulgaris.
3. O baço foi o órgão que demonstrou mais vezes a presença de estrep-
tococos (75,0^), como também o de maior possibilidade em isolá-los cultural-
mente puros (37,5fí).
71
212
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
4. Somente as semeaduras da necrópsia 587 (J. B. F.. obs. 339) não mos-
traram a presença de estreptococos, ha%'endo escasso crescimento de Eschcrichia
coli; a necrópsia foi realizada 24 horas depois do óbito.
5. Em dois casos (O. A. S.. necrópsia 553, obs. 374 e M., necrópsia
247, obs. 425), foi possivel realizar o e.xame necrótico 5j4 e 12 horas, respecti-
camente, depois da morte. Xo primeiro dêsses casos, as semeaduras de sangue
de coração, derrame de pericárdio, figado, rim e cérebro não mostraram cresci-
mento bacteriano; somente no baço verificou-se a presença de estreptococos,
que não foram isolados, estando associados ao colibacilo e a bacilos esporulados;
esse caso foi ainda submetido à punção cardiaca duas horas após a morte e as
semeaduras permaneceram estéreis. Xo segundo caso, em que a necrópsia foi
procedida 12 horas depois do óbito, foram isolados estreptococos hemoHticos em
cultura pura, de sangue do coração, baço e figado.
6. Xa necrópsia 310 (J. E. C., obs. 500), de um individuo em que o Pén-
figo se manifestara mais recentemente (5 meses antes), não foram isolados es-
treptococos, estando o material intensamente contaminado por bacilos Gram po-
sitivos esporulados, colibacilos e bacilo piociãnico; três dias antes do óbito a
hemocultura deu resultado negativo. O diagnóstico anatômico principal, neste
caso, foi de tuberculose caseosa rapidamente progressiva. necrópsia foi rea-
lizada e.xatamente 23 horas após a morte.
7. Xo caso em que a moléstia foi contraída em data mais remota (A. W.,
necrópsia 248, obs. 240. inicio Jj/í anos antes), foram isolados estreptococos em
cultura pura, de sangue do coração, baço e fígado; foram feitas duas hemocultu-
ras em vida com resultados negativos, datando á última de dois meses ; a necróp-
sia feita 36 horas depois do óbito. O diagnóstico anatômico principal foi de
bronquite e bronquiolite purulentas com focos de broncopneumonia.
8. Ainda foi possivel o isolamento de estreptococos em estado de pureza
do caso 293 (A. P. T.. obs. 5CM), cuja necrópsia foi realizada no 6.® dia depois
da morte, conservando-se o cadaver em geladeira. O diagnóstico anatômico
desse caso foi de insuficiência do miocárdio.
9. Xunca obtivemos culturas de estafilococos isoladamente do sangue de
coração. Em dois casos (J. E. C.. necrópsia 310, obs. 500 e M. T., necrópsia
316, obs. 5S>6), cs estafilococos estavam associados, respectivamente, a Escheri-
c/tia coli e a estreptococos hemoHticos e Ijacilo piociãnico. As duas amostras de
estafilococos pertenciam à variedade albus.
10. Os casos — E. P.. necrópsia 196, obs. 264; C. F. L.. necrópsia 378,
obs. 293; e, C. C., necrópsia 469, obs. 357 — tiveram hemoculturas positivas em
vida para estreptococos hemoHticos; nas necrópsias ésses germes foram nova-
mente isolados. As hemoculturas tinham sido feitas há mais de 2 meses. Os
diagnósticos anatômicos désses casos registavam: E. P. — tuberculose pulmo-
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
B. M.uuo Mourão — O papel do eslreptococo no Pènfigo Foliaceo 213
nar; C. F. L. — tuberculose do pericárdio; e, C. C. — insuficiência do mio-
cárdio.
11. Acrescente-se ao 3 casos de tuberculose já referidos, o de R. O. (ne-
cropsia 352, obs. 511), com o diagnóstico anatômico de tuberculose caseosa de
grandes nódulos em ambos os pulmões. Nos quatro casos, dos 24 aqui estu-
dados, em que se comprovou a existência de tuberculose, os exames bacterios-
cópicos para bacilos ácido-resistentes foram negativos em esfregaços de cérebro,
fígado, baço, rim e derrame do pericárdio.
12. A maioria dos doentes de Pênfigo que necropsiamos (24 casos) fale-
ceram nos dois primeiros anos da doença.
II) Punções cardíacas “post mortem”
(Quadro XV)
1) — Resultados gerais.
Estreptococos hemolUicos :
1. Estreptococos hemolíticos isolados em cultura pura: 25,0^ (cm 3 pun-
ções).
2. Estreptococos hemolíticos associados a outros germes: 41,6^ (cm 5
punções).
Presença de estreptococos hemolíticos (total): 66.6^ (cm 8 punções).
Outros gertncs isolados.
1. Presença de Racillus sp. (esporulados) : 25,0^ (cm 3 punções).
2. Presença de Staphylococcus albus: 16,6^ (cm 2 punções.
3. Presença de Streptococcus do grupo gama (inerte) : S.3% (em 1 pun-
ção).
4. Presença de Staphylococcus aureus: 8,3% (em 1 punção).
5. Presença de Escherichia coli: 8.3% (em 1 punção).
2) — Dados cuja importância releva assinalar.
1 . Os estreptococos hemolíticos foram os germes predominantes.
2. A percentagem global de estreptococos conseguida nas punções car-
díacas é menor do que a encontrada nas necrópsias; toda\Ta, em compensação,
há maior possibilidade do isolamento de estreptococos em cultura pura.
3. Em uma punção, feita 15 minutos depois do óbito (M. O., punção 619,
obs. 288), isolamos estafilococos em cultura pura.
4. No caso J. B. (P. 588. obs. 339), fizemos 3 punções de resultados ne-
gativos: a primeira, 30 minutos depois da morte; a segunda, 3 horas e a terceira
ao fim de 4 horas. O cadaver foi submetido à nccrópsia, 25 horas depois do
óbito (necrópsia 587), tendo havido escasso crescimento de Esch. coli, com au-
sência de estreptococos.
73
(Quadbo XV)
O
2
. i
‘.5 •
tj ^
■5 o
48
ha
■c
U
Inicio üa
moléstia
i.2
,a .g
PUSÇÕES
No.
Dia e
1 Hora
1 Resultado
OBSERl AÇÕF4
566
G.S.
301
58
Br.
De*.
1932
13.10
254-12
la.
13 20
254-12
Ausência crescimento
bacteriano
Hemocultura nefatira
horas antes. Tem
hemocultura positiva
estreptococos datando
de um ano.
2a.
11.00
26-5.12
BãcOJus sp.. Staph. 9»reus
c Sirept. krm.
3a.
-
619
.M.O.
288
12
Am.
Jul.
1»M
16..X)
8-7-912
la.
16,15
8-7-912
Stapk. ãlbns
Hemocultura positiva,
feita 11 meses antes,
para estreptococos hc-
moltticos.
2a.
-
-
3a.
-
653
P.R.L.
173
36
Br.
Oot
1910
1740
1-9-913
la.
1310
1-9912
Strept. k^m.
Hemocultura negativa
24 horas antes.
2a.
1940
1-9912
Strift. hem.
3-a
-
-
588
J.B.F.
339
23
Pd.
Fer.
1939
9.10
96-12
la.
1U.10
96-12
Atxsêocia crescimento
bacteriano
Fex necrópsia 24 bo>
ras depois do dtrito.
2a.
1310
96-12
Ausência crescimento
bacteriano
3a.
13-10
96-12
Ausência crescimento
bacteriano
628
A.M&
5U4
61
Pd.
Fer.
1912
8jn
11-7-12
la.
1040
11-7-12
Strept. krm.
Henoeultura negativa
24 horas antes.
2a.
3a.
-
-
-
551
O-VS.
371
9
Pr.
.\Ur.
1910
840
18-4-12
la.
2a.
11.10
18-4-42
Ausência crescimento
bacteriano
Fez necrópsia 5 ho*
ras e 40 minutos de*
depois do óbito.
-
3a.
-
519
A. N.
562
21
Br.
OaL
1911
8.10
11-4-12
la.
1140
11-1-12
Strrpf. krm.
Strrpt. ind.
Fez necrópsia 24 ho*
ras depois õo óbito.
2a.
-
3a.
-
190
M.J.F.
192
13
Br.
Sor.
1910
840
25-2-12
la.
1140
25-2-42
SireP*. krm.
Bécilíui tp. (esporulados)
Fez necrópsia 2S ho*
ras depois do óbito.
2a.
-
3.
613
N. D.
58
19
Br.
1933
240
3-7-42
la.
10.00
3-7-WJ
Ausência crescimento
crescimento
Tem bemocultura posi*
tiva para estreptococos
bemoitticos 1 ano
antes.
2a.
-
3a.
-
557
R. B.
551
58
Br.
Fer.
1912
040
104-42
la.
1300
104-42
Etrk. eoH. StãPk. slkns
e Strrpt. krm.
Hemocultura negativa
feita um ano antes.
2a.
-
3a.
-
563
I. F.
411
12
Br.
Fer.
1938
2040
7-3-12
la.
840
84-912
Strrpt. krm.
Hemocultura negativa
feita 3 meses antes.
2a.
-
3a.
-
497
A. A.
556
70
Br.
Oot.
1011
18.00
7-3-12
la.
1300
84412
Strrpt. krm.
sp. (esporulados)
Hemocultura negativa
12 dias antes.
2a.
-
-
Observação: Fornia clinica dos casos necropsiados. Dermatosc crônica generalizada.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
B. Mario Mouilío — O papel do estrcplococo no Pênfigo Foliaceo 215
5. Do caso O. A. S. (punção 551, obs. 374), cujo resultado da punção
foi negativo, realizamos a necropsia 5)4 horas depois (Necropsia 553). As
semeaduras, de sangue de coração, de derrame do pericárdio, tecido hepático,
renal e cérebro, não mostraram crescimento bacteriano; somente no baço veri-
ficou-se a presença de estreptococos, que não foram isolados.
6. A. X. (punção 549, obs. 562) teve hemocultura negativa 19 dias antes
do óbito. .4 punção cardiaca feita 2,40 horas depois da morte, mostrou cresci-
mento de estreptc cocos do grupo bela e do grupo gama. A necropsia (n.° 550),
feita no dia seguinte, não mostrou a prkesença de estreptococos no sangue de cora-
ção, havendo crescimento nas semeaduras de Proteus- americanus e bacilos esporu-
lados; os estreptococos hemoliticos foram isolados em cultura pura do baço.
7. M. J. F. (punção 490, obs. 492) foi outro caso em que foi possivel
efetuar a necropsia no dia seguinte ao óbito. A punção cardiaca feita 3 horas
depois da morte teve como resultado o crescimento de estreptococos hemoliticos
e de bacilos esporulados; na necrópsia (n.® 491), as semeaduras do sangue de co-
ração praticadas 22 horas depois da punção cardiaca, deram igual resultado.
8. N. D. (punção 613, obs. 58), foi um doente de forma distrófica, com
hemocultura positira para estreptococos hemoliticos, 1 ano antes da morte. A
punção cardiaca procedida 8 horas depois do óbito, foi negativa.
III) Hemoculturas “ante mortem”
(Quadro XVI)
O fito destas pesquisas foi verificar se havia invasão de germes da corrente
sanguinea nos dias que precedem à morte ou durante a agonia. De uma doente
(M. C. R., hemoailtura 407, obs. 536), foi possivel colher sangue 3 horas antes
do falecimento ; nos casos restantes, que reunimos no Quadro XVI, a hemocultura
foi precedida em tempos variáveis e consideramos como periodo “ante mortem’'
até o máximo de 17 dias, quando o prognóstico quoad znlam era mau. com o
estado geral precário, estando os doentes em franca fase pré-agônica.
Como se verifica no Quadro XVI, nas 11 hemoculturas praticadas, somente
em dois casos isolamos estreptococos do grupo hemolitico. A média de positi-
vidade, portanto, se aproxima numericamente das hemoculturas positi\-as para
estreptococos em todas as fases clinicas da moléstia, isto é, dando uma percen-
tagem de
Os achados mais importantes, relativos aos casos nos quais conseguimos
proceder a cultura do sangue no periodo pré-mortal, e que merecem ser levados
em consideração, são os seguintes:
1 . A. D. (ex. 720, obs. 508) foi um caso muito bem estudado no capitulo
das epidermoculturas (Quadro II, pág. 36) e por nós acompanhado durante toda
75
216
Meraórías do Instituto Butantan — Tomo XVII
a evolução da doença, do qual se isolou estreptococos hemoliticos 5 dias antes
do falecimento. Adiante, na discussão final do trabalho, teceremos no\-as con-
siderações a seu respeito.
2. C. M. M. (ex. 71 obs. 422) teve hemocultura positiva 13 dias antes
do óbito, estando em plena fase pré-agônica. Sôbre esta doente prestamos al-
guns esclarecimentos no capítulo referente às hemoculturas (Quadros VIII e
IX, pags. 183, 187).
3. Xo caso P. R. L. (ex. 650, obs. 473), com hemocultura negativa 30
horas antes do óbito, fez-se duas punções cardiacas, ambas com resultado po-
sitivo para estreptococos hemoliticos, sendo a 1.^ \nnte minutos depois da morte
(ex. 653, Quadro XV).
Qüadso XVI
HEMOCULTURAS “ ANTE-MORTEM "
d
SS
>
:I-Í
‘c o'
^ c
O
C6r
*5 ^
.S
^ *Õ
c E
Temperatura
Dia c Hora
Resultado
Oberrr ações
o ?
*2 íf
fi «r
« 3
■-
z w
« JS
'■I
6 2
S 3
s: 3
•** o
O
i
4£7
.M.CK.
536
29
Br.
OuL 41
38,9
3U
930
18.2-C
1230
18-M2
ScjcaÜYo
HniXkCaltura oegativa fes*
ta 12 dias antes.
650
P.K.L.
473
36
Br.
Oul. 40
36^S
36,0
10,00
31.6-42
1730
l-»942
Nrgaliro
Mcmoct^turas negativas
feitas mA ano ante.
470
F. S.
550
70
Br.
Deftcoobc-
36J)
S5.0
10,00
202-42
5.40
22-2-42
Segatiro
564
G. S.
301
5S
Br.
Drt. 32
37,4
57,7
1130
23-5-42
13.10
25-5.42
Negativo
Hemocultura positiva
Strr^^gcpcau feita ura
ano antes.
625
A..M.S.
SM
61
Pd.
Fct. 42
3S.0
37,1
9,00
ll-7-4>
1030
14-7-42
Negativo
Hcmocultui \ negativa fei*
ta um ano antes.
303
J.F„C.
500
is
Pr.
Fe». 41
37,5
36,6
10.00
1-7-41
1030
4-7-941
Negativo
Hemocultura negativa fd*
ta 2 meses antes.
726
.\. D.
50S
24
Pr.
5Ur. 41
37J
37,0
1730
63-13
10.£i
113-«3
Strrft.
Armo/.
4S7
A. A.
556
70
Pr.
Out 41
S7Í
38,6
1030
25-2-12
18,00
73-942
Negativo
Hemocultura positiva fei*
ta um ano antes.
245
T. O.
420
S3
Pr.
OuL 40
36,1
363
930
2S-4-11
11.00
9-5-941
Negativo
Fea necropsia (Nol 269)
24 horas depois da morte.
71
C..M.M.
422
21
Pr.
Set. 39
38,1
363
9.00
8-10-11
930
21-10-11
Strrft.
krmoi.
143
•M.L.A.
462
19
Br.
,No». 40
37,8
373
1030
11-1-41
1730
28.1-41
Negativo
Forma cHoka dos casos: Dcrm^t^t crònif gtntrmiisadã.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
B. Mabio Mouhão — O papel do estreptococo no Pêníigo Foliaceo 217"
4. G. S. (ex. S6-4, obs. 301, Quadro XV), teve hemocultura positiva para
estreptococos henioliticos, 1 ano antes. A hemocultura praticada 48 horas antes
do falecimento foi negatira. A l.“ punção, feita 10 minutos após a morte, não
mostrou crescimento bacteriano. No dia seguinte pundonamos o coração, tendo
sido isolados estreptococos hemolíticos, estafilococos dourados e bacilos esporu-
lados.
5. A. M. S. (ex. 625, obs. 584, Quadro XV), foi um caso grave e de de-
senlace rápido. Teve duas hemoculturas negativas: a l.“ um mês antes da morte
e a 2.® em plena fase agônica. A punção cardíaca, realizada 2)4 horas depois do
óbito, foi positira para estreptococos hemolíticos.
6. A. A. (ex. 487, obs. 556, Quadro XV), foi um caso mau com bolhas
sanguinolentas e lesões atingindo a cavidade bucal; lesões das mucosas no Pên-
figo Tropical são raras e sempre indicam extrema gravidade. A hemocultura
foi negativa 10 dias antes da morte. Na punção cardíaca, isolou-se estreptococos
hemolíticos e bacilos esporulados.
7. Os outros casos aqui mencionados não merecem um registo especial,
alguns, entretanto, já foram estudados nos capitulos anteriores.
IV) Casos de controle
(Qtadro XVII)
Neste estudo comparativo tivemos em mira exclusivamente o controle das
necrópsias do Pênfigo Foliaceo; para tanto, efetuamos pesquisas nccróticas em-
idênticas condições técnicas, em cadáveres cujo óbito foi moli\'ado por outras
doenças.
Os resultados obtidos podem ser resumidos da seguinte maneira:
1) Germfs isolados:
BaciUus sp. (esporulados)
Escktrichia coli
Streftocoecus beta (bemolylieus)
Staphylococos albus
Proteus ittlgarií
Proteus americanus
Salmonella schotimülleri
2) Ausência dc crescintento bacteriano:
De 2 necrópsias, numa percentagem de ló.O^í, não se obteve crescimento
bacteriano nos meios semeados. Um dos casos — Y. G., No. 357, diz respeito
a uma necrópsia feita 2 horas depois do óbito; outro caso — M. R., No. 383 a
verificação cadavérica foi procedida 9 horas após a morte. Esses dois casos
mostram que a técnica por nós utilizada foi razoavel.
50,0% (cin 6 necrópsias)
50.0% "6 " )
16 . 6 % "2 " )
16 . 6 % "2 " )
8,3% (em 1 necrópsia)
8J% - 1 " )
8J% - 1 " )
7T
218
Memórias do Instituto Butantan — Tomo X\TI
y
3) Casos em que foram isolados estreptococos hemolUicos:
i. S. L., preto, 44 anos, casado, brasileiro, necropsia No. 4ÍM, realizada
28,10 horas após o óbito.
Diagnóstico clinico: Sarcoma do braço com metástases ganglionares e es-
plénica.
Observações clinicas principais: Há 4 anoi tumor no braço direito. Há
3 meses o tumor começou a crescer muito c notou também aumento do abdô-
men, prindpalmente do hipocôndrio esquerdo. Emagreceu muito. Ao exame
físico, além do tumor no braço direito, havia um pequeno tumor na região
mamária esquerda e o baço muito aumentado. Anemia hipocrômica, com
2.900.000 de hemátias por mm* e 75fc de Hb.. O doente entrou em colapso,
ficando sem pulso e sem pressão arterial, vindo assim a falecer.
Diagnóstico anatômico: Sarcoma infiltrativo da parte mole do braço
direito principalmente da região do bkeps, com infiltração difusa do músculo.
Flebectasias de todas as veias do braço direito e do ombro D. Infiltração tu-
moral do plexo branquial D. Metástases tumorais do externo. Grandes
metástases tumorais do fígado. Metástases nos gânglios linfáticos profundos do
pescoço e do hik> dos pulmões. Pequenas metástases pleurais. Peritonite
sarcomatosa difusa com aderências. Metástases múltiplas no diafragma. In-
filtração tumoral difusa de todo o baço, com grandes infartos anémicos. Me-
tástases nos gânglios linfáticos axilares. .Atrofia fosca do coração. .Atrofia
gelatinosa do tecido gorduroso epicardico. Ligeira esclerose e ateromatose da
aorta descendente. Forte hiperemia e edema de ambos os pulmões com focos
de broneopneumoma confluentes nos lobos inferiores. Inchação tursn do fígado.
.Amplas aderências pleurais. Pleurite fibrinosa. Papiloma mixomatoso da
corda vocal D. Estruma coloide difuso. Exostoses múltiplas da vértebra.
Anemia geral. ,
Exame microscópico: Tumor altaroente diferenciado que apresenta acen-
tuado polimorfismo celular: céludas pequenas e grandes, redondas e polimorfas,
em parte fusiformes com atipia nuclear de mais alto grau e número grande de
mitoses.
Diagnóstico : Sarcoma polimorfo-celular.
ii J. F. L-, branco, brasileiro, solteiro, necrópsia No. 357, realizada 7 dias
-depois do óbito.
Diagnóstico anatómico: Tísica pulmonar bilateral: broncopneumonia cas-
cosa rapidamente progressiva com grandes cavernas nos lc4>os superiores de
ambos os pulmões. Obliteração de ambas as cavidades pleurais. Tuberculose
ulcerosa intestinal, principalmente da reg^o ileocecal. Pequenas úlceras tuber-
culosas no laringe. Fígado tuberculoso gordurosa Dilatação de todo o cora-
çãa Hiperplasia cinzenta do baço. .Anemia e emagrecimento geral.
Todas as necropsias foran cxecntadas no Departamento de ADatoniia*PatoÍófica da Escola PauH^
de Medkina. Aproreitamos o ensejo para apresentar os nossos afradecimeotos ao Prof. Walter Bünc^let
qoe CacTitoa a nossa tarefa, colocando à nossa dtsposicio o matéria] de qne necessitamos. As necrópstas
dos casos de Pénfigo FoHáceo foram praticadas cm soa maioria pelo Dr. Fernando Lecberen Alajraa
c algumas peto Dr. Panio Rath de Soiua. ambos competentes anátomo-patolofistas do Instituto de LeprO'
logia "Conde de Lara* c que demonstraram o maior interesse pelo presente trabalha Os casos de
- controle foram necropsiados pe'o digno colega, Dr. Deqio Fleury da Silreira. Sonos muitissimo gratos
a todos êsses distinu^s amigos pelo auxilio eficiente que nos prestaram.
.78
Quaoku XVII
NECRÓPSIA DOS CASOS DE CONTROLE
N.»
Nome
Proce-
dência
Cor
Made
Oiairnivtico
cUníco
príocipal
Diacnóstico
anatómico
principal
DIA K nODA
Sangue de
cnraçio
Baco
Fígado
Rim
Céreliro
Suprarenal
Derrame pe-
riConeal
óbito
Necróptia
315
A.5LA
H. S. I*.
B.
2 m.
Ta*kô«e pnr
di%pep*U dt
nrigtm altmerv
tar.
Prematura
pneumonia he-
morrágica.
21/7/41
22 h.
24/7/41
n h.
.\uftência de
creteimento
hacteriano.
F.seh. coli ++
Ausência de
creteimento
bacteriano.
317
J.F.U
V. M.
a
27. M.
Tl<. polmorar.
CoQuexu.
Ti^a ptttmr**
nar Ú-Uteral.
24/7/41
17 h.
H/7M1
9 h.
Strrf, Arma-
tyficns
PúcUtmM (etpo-
ruladua
Protrus m/pa*
-f-f
Au»êtKÍa d«
creteimento
iKicteríano.
Eseh. celi
+ + +
Antcncia de
creteimento
bacteriano.
Sittpi, ktmd.
Bacm%a tp.
4-4-
322
J.c
V. M.
B.
7» M.
Tlf. pulmonar.
TÍMC.t carcr-
noaa.
11/8/41
17 h.
I3/S/41
9 h.
BacUlns tp.
4-
St9ph. aibat
-♦■+
Ausência de
creteimento
bacteriana
Esck. c 0 ti 4*4-
BacUtns tp.
(enpnrnladot)
4-
Prattna ru/*
ixtffii -f 4-
Baàilnr tp.
4-4-
341
J. a
V. M.
a.
33 M.
Tbc. pulmonar.
Carc i n oro a
bronquico.
IZ/ÍÍ41
18 '8/41
10 b.
BêctliiÊi »p.
(cporulado.)
+
PãciUuê tp.
4-b
F.tck. coii -4--f
Supk. úlhtíê
4-4-
BocUíttt tp.
(ettturuladot)
4-
342
M. A.
II. S. P.
a
20 d.
Di^lrofia. Pre-
maturidade.
cooítê-
nita.
Prematuridade.
20/8/41
12.J0 b.
25/8/41
9 b.
Pacillts tp.
(etporulado*)
-4-
BacUitu tp.
(etporuladoe)
+
Etch. eoli ++
AutéoeU de
creteimento
bacteriana
344
j. a
H. S. P.
Pd.
36 a.
a\f»etirÍMBa da
aorta abdomi-
nal.
Grande aneu-
risma da aor-
U abdominal.
28 '8/41
6.30 h.
29/S/41
10 h.
.\u%ência df
creteimento
bactertano.
Autêrtcia de
eretcimcnio
bacteriano.
Ausência de
creteimento
b.iCteriana
Esck. fo/i -f*-4
Back. co/i 4.
357
Y.G.
II. S. P.
a
41 a.
Ilemia r»tran-
irulada.
cardite crônica.
Hipertrofia de
tndo o cora-
çáOi Miceardi-
te cTÓn. ór-
gão* de e*taae.
17/9/41
8 h.
IÍ/9'41
10 b.
6\utèrscU dc
creteimento
baclcriano.
Aotóocia de
creteimento
bacteriano.
.Vutência de
crescimento
bacteriana
--
.\utência dc
creteimento
bacteriano.
360
A.J.O
V. M.
Pr.
21 a.
Tbc. pulmonar.
Ti.ica pulmo-
nar bi4atrtal.
4 10/41
2 b.
7/10/41
10 b.
Autcncia dc
creteimento
bacteriano.
Autáncia dc
creteimento
bacteriaoa
Bsck, ccli -f--f
Satm, sckci*
mu//#ri -f-4-
Esck, (ifU -4-4
349
D.G5.
V. M.
B.
61 a.
Inffufkiêncta
cardbca.
Kndocardite
rerrocoa da
ralrula mitral.
16/10/41
88 b.
20/10/41
10 b.
Pratr^s €m<>
rvaam ^
ProtnLt amf*
ricamui -f— |-
Stapk. oJhus -4-
Búcütut tp.
4-*-
Ausência óe
creteimento
bacteriana
376
B. S.
V. .M.
B.
18 a.
Tbc. pulmonar.
Titica galo-
pante.
18/11/41
4 b.
20/11/41
10 b.
Autóocia de
cretctmenlo
bacteriano.
Autêncta de
crescimento
bacteriana
Ausência de
creteimento
bacteriana
Ettk. epti -4-4-
Ausência de
ereteimento
bacteriano.
M. R.
H. S. P.
Pr.
62 a.
Tumor malif*
DO do eatoma-
t9 e met. pe-
nt. e iaterti*
naift.
Tuberculoae
pulmonar bi-
lateral.
5/12/41
1 b.
6/12/41
10 b.
AutéocU de
creteimento
bacteriano.
Autcncia de
creteimento
bacteriana
Ausência dc
creteimento
bacteriano.
-
Ausência dc
crescimento
lueteriana
404
S. L.
H. S. P.
Pr.
44 a.
Sarcoma do
braço com met.
gane* e coplè-
niooa.
Sarcoma do
braço coa me-
tattasea gene-
ral uadaa.
2J/I2/41
5.50 b.
24/12/41
10 b.
Ettrept he-
molitico e Ba-
eiJinj tp, (m-
por alado).
RstrepC. hemo*
litica
Ettrcpl. hemo-
Ittío» e Bm-
cillws tp. (et-
jiomiado)
Estrrpl. betno-
litico.
*
B. Mario Mourão — O papel do estreptococo no Pênfigo Foliaceo 221
CAPITULO VIII
IDENTIFICAÇÃO DOS ESTREPTOCOCOS
A) AMOSTRAS ESTUDADAS
Procedemos um estudo minudoso de 54 amostras de estreptococos. Des-
sas, 50 foram isoladas por nós, sendo que 42 eram provenientes de casos de Fogo
Selvagem.
A procedênda dos estreptococos é a seguinte:
1. 42 atnostras isoladas de Pênfigo Foliaceo:
a) De hemoculturas : 16 hemoliticas e 1 inerte;
b) De crostas: 7 hemoliticas e 1 inerte;
c) De liquido de bolhas: 6 hemoliticas;
d) De necrópsias: 10 hemoliticas e 1 inerte.
2. 3 atnosiras isoladas de Dermatite Hcrpctiforme de Duhring:
a) De hemocultura: 1 viridescente ;
b) De líquido de bolhas: 2 hemoliticas.
3. 2 amos4ras hetnolilicas isoladas dos controles das verificações bacteriológicas
"post mortem":
a) 1 isolada de caso de tuberculose pulmonar;
b) 1 conseguida em caso de sarcoma do braço com metástases ge-
neralizadas.
4. 3 amostras hemoliticas isoladas de dermatoses que não têm a sua étio-patoge-
nia relacionada com os estreptococos:
a) 1 originária de portador de úlcera da perna por traumatismo;
b) 1 isolada de caso de eritrodermia arsenical generalizada com in-
fecção cutânea secundária;
c) proveniente de liquen plano eczematizado e impetiginado.
5. Para controle e comparação ainda estudamos quatro amostras de estrepto-,
cocos cuja origem é a seguinte:
a) Streptococcus pyogenes (Dochez N. Y. 5), isolado de escarlatina;
b) ” ” isolado de febre puerperal;
c) ” ” ” ” ” erisipela;
d) ” ” ” ’’ ” reumatismo.
Os caracteres microscópicos e culturais, em seguida enumerados, se refe-
rem exclusi>’amente às amostras de estreptococos isoladas de doentes de Pen-
figo Foliaceo.
81
SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
222
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XMI
B) CAR.ACTERES MICROSCÓPICOS
Estreptococos esféricos ou ovóides, reunidos em longas cadeias depois de
isolados; mais raramente dispostos aos pares ou em cadeias de poucos elementos
bacterianos. Gram positivos.
Bastante pleomórficos, principalmente nas sub-culturas, podendo assumir um
aspecto cocobacilar ou difteróide, ou então as cadeias de estreptococos podem
conter, intercaladamente, formas anômalas ou degeneradas. A forma estável,
entretanto, depois do isolamento e sempre obtida após passagem em animais, é
a estreptocócica de longas cadeias.
Nas amostras extremamente virulentas, de recente isolamento, pode-se ob-
sei^-ar, às vezes, mesmo sem utilizar processos especiais de coloração, a pre-
sença de uma nitida cápsula.
Imóveis e não esporulados.
C) CARACTERES CULTURAIS
1. Agar-simples iiwíinado: Não se observa crescimento na superfície
sólida do meio, havendo, contudo, crescimento na água de condensação existente
no fundo do tubo, o que se pode verificar pela presença de um depósito branco.
2. Agar-sangue em placas; Quando o estreptococo é de recente isola-
mento as colônias são punctiformes, brilhantes, lisas, de cor acinzentada, apre-
sentando ou não a orla de hemólise. Quando conservados "in vitro", após su-
cessivos repiques, as colônias em agar-sangue perdem o seu brilho característico,
tomando-se ligeiramente esbranquiçadas. Nas amostras beta a zona hemoHtica
c rigorosamente definida não se vendo, ao microscópio, eritrócitos intactos.
3. Agar-sangue em tubos: Nas amostras hemolticas, após 48 horas, a
parte superíor do tubo fica completamente descorada, tomando uma coloração
pardacenta. Êsse descoramento vai progredindo aos poucos até atingir todo o
meio.
4. Agar-soro-biliado a 5%: Ausência de crescimento.
5. Agar-sangue-biliado a 5% : Ausênda de crescimento.
6. Agua de peptona: Cresdmento moderado, sob a fomia de depósito no
fundo, sem desenvolrímento de turvação e pelicula.
7. Caldo-simples (com ágvta de carne concentrada) : Crescimento abun-
dante sem pelicula e turvação, sob a forma de depósito branco no fundo do tubo.
Com a agitação observam-se três tipos de depósitos:
a) pulverulento: depósito fino, como que tamisado, turvando imediatamente
o tubo após agitação.
b) grumoso: depósito branco, de difidl desagregação, desfazendo-se em
grumos densos e compactos, turvando o meio só depois de forte agitação,
82
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
B. Mabio Mour.\o — O papel do estreptococo no Pèníigo Foliaceo 223
c) núveo: depmsito branco que, sob agitação, se desagrega com o aspecto
de nuvens brancas, espiraladas, pouco consistentes, turvando o meio mais
rapidamente que o depósito h.
8. Caldo-glicosado e caldo-soro; Crescimento mais abundante que em cal-
óo-simples, porém com o ntesmo aspecto. Algumas amostras, mesmo depois do
isolamento, têm a capacidade de turN^ar o meio.
9. Meio semi-sólido (Ligniéres) : Nas primeiras 24 horas de incubação
em estufa a 37” obser\-am-se colônias esbranquiçadas seguindo o curso da alça
de platina. Depois de 48 horas de crescimento, cm estufa ou de mais dias na
temperatura ambiente, há a formação de flóculos isolados ou de nuvens esbran-
quiçadas em toda a superfície do meio; o aspecto flocular c mais comum depois
dos germes repicados várias vezes. Não é raro, também, obseror-se um aspecto
arborescente. quando a semeadura é praticada por picada.
10. Leite tomasolado: Crescimento e redução do tcmasol variveis:
b) a) Coagulação perfeita e redução completa do tomasol, apresentando
nitida separação do sôro e do coágulo, passando o meio de azul para
branco-roseo.
b) Coagu'ação mencr e redução completa do tornasoi : o meio fica semi-
sólido, assumindo uma coloração branco-rósea.
c) .Ausência de coagulação c presença de redução do tomasol : o meio con-
tinua complctamcnte liquido, porém há redução do tomasol.
1 1 . Leite com azul de metileno a 0.2% : Crescimento e redução do azul
de metileno \ariávcis:
a) Coagulação e redução completas.
b) Coagulação nula e redução completa do azul de metileno.
c) Crescimento do estreptococo sem alteração aparente do meio.
12. Gelatina-sóro cm picada: Crescimento filifomie. escasso. Não li-
quefaz.
D) C.-VR.ACTERES ECOLÓGICOS (Quadro XVIII)
1. Relação com a temperatura:
a) Temperatura ótima; 37°.
b) Temperatura máxima: Não resistem a 60° durante 30 minutos.
c) Crescimento cm temperatura de 45° durante 48 horas: Não houve
crescimento.
d) Temperatura minima: Não crescem a ICy*.
2. Necessidade de oxigénios: .Anaeróbios facultativos. Crescem melhor cm
•aerobiose.
í'3
224
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
3. Cresciinenlo cm meio líquido hipertôttico, contendo cloreto de
sódio: Ausência de crescimento.
4. Crescimento em meio liquido com pH a 9,6, durante 48 horas em es-
tufa a 37°: Ausênda de crescimento.
E) CARACTERES BIOQUÍMICOS (Quadro XVIII)
1. Bile-solubilidade: Insolúveis em bile de boi.
2. Hidrólise do hipurato de sódio: Xão hidrolisam o hipurato de sódio.
Apenas um estreptococo de controle (amostra 69B), isolado de úlcera de pen’a,
deu reação positiva.
3. Produção de amónia: Produzem amónia de peptona. A amostra viri-
dans identificada (estrept 27), deu resultado positivo, após alguns minutos (rea-
ção tardia).
4. Produção de indol: Xegatira.
5. Reação da catalase: Xegati\"a.
6. Proz’a da redutase: Xegativa.
7. Redução dos nitritos a nitratos: Xão reduzem.
8. Ação sôbre o leite tornasolado : A maioria das amostras isoladas de Pên-
íigo coagulam o leite e reduzem o tomasol ; outras coagulam parcialmente o leite,
reduzindo compictamente o tomasol ; algumas só reduzem o tomasol ou são indi-
ferentes sôbre o meio. Os estrcptococos de controle tiveram o mesmo com-
portamento.
9. Ação sôbre o leite com asul de tnetileno : A maioria das amostras pro-
cedentes de portadores de Pênfigo não alteraram o meio; algumas coagularam e
reduziram o azul de metileno, com maior ou menor intensidade; outras só redu-
ziram o azul de metileno. O mesmo comportamento foi verificado nos estrepto-
cocos de controle.
10. Ação sôbre os hidratos de carbono : Meio de cultura : caldo concentrado
de carne livre de assucar, com pH a 8,0.
Indicador: Vermelho de fenol a 0,045í>.
a) Ação sôbre os monosacarideos :
1. Dextrose: Addificação.
2. Levulose: Addificação.
3. Galactose : Addificação.
4. Manose: Addificação.
5. Arabinose : Sem ação.
6. Xilose: Sem ação.
4 5 6 7
11 12 13 14 15 16
84
B. Mario Mourão — O pape] do estreptococo no Pènfigo Foliaceo 225^
b) Ação sôbre os disacarideos :
7. Sacarose: Acidificação.
8. Maltose: Acidificação.
9. Lactose: Acidificação. Três amostras procedentes de Pênfigo foram
sem ação (estrepts. 288, 305 e 333). Nos controles, o estreptococo 4ÍM (isolado
de sarcoma do braço) não acidificou a lactose.
10. Trealose: Acidificação.
11. Melibiose: Sem ação.
c) Ação sôbre os trisacarideos:
12. Rafinose: Sem ação. O estreptococo 90, do grupo cdfa, acidificou
êsse hidrato de carbono. Os estreptococos 27 (viridescente) e 200 (hcmolitico),
ambos procedentes de casos de Dermatite de Duhring, também acidificaram a
rafinose.
d)
Ação sôbre os polisacarideos:
13. Dextrina: Acidificação.
14. Inulina : Sem ação.
15. Amido: Acidificação.
e)
Ação sôbre os alcoes:
16. Eritrita: Sem ação.
17. Manita: Sem ação. A amostra 677, isolada de um caso de liquen plano
eczematizado e liqueni ficado, produziu fermentação desse açúcar.
18. Glicerina: Acidificação facultativa.
19. Sorbita: Sem ação. O estreptococo 69B, isolado de úlcera de perna
promoveu a formação de ácido.
20. Dulcita: Sem ação.
21. Adonita: Sem ação.
22. Ramnose: Sem ação.
mentação.
O estreptococo de controle (69B) produziu fer-
f) Ação sôbre os glicôsides:
23. Salidna: Acidificação.
24. Amigdalina: Sem ação. Os estreptococos piogcnicos do reumatismo e
erisipela produziram acidificação.
25. Inosita : Sem ação.
26. Esculina: Addificação facultativa.
11. Ação sôbre os protideos:
1. Nutrose: Sem ação.
2. Glidna: Sem ação.
8S
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
■226
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
F) AÇAO PATOGÊNICA (Quadro XVIII)
1. Método de estudo:
Ao lado dos caracteres culturais, ecológicos e bioquimicos dos estreptococos
-estudamos a ação patogênica.
Os germes logo depois do seu isolamento eram inoculados em animais de
laboratório, utilizando-se culturas jovens de 18 a 24 horas.
Só consideramos amostra zdrulenta ou seja um resultado positivo, quando o
estreptococo era recuperado em necrópsia. Para isso morto qualquer animal, rea-
lizáramos imediatamente a necrópsia. dentro dos preceitos da técnica bacterioló-
gica. As semeaduras eram feitas de sangue do coração em placas de agar-sangue.
caldo-glicosado ou caldo-sôro e meio anaeróbio (caldo Tarozzi). Dos animais
que apresentavam maior interesse praticávamos também culturas de material de
baço e figado ou de abcessos e derrames cavitários, quando existentes.
Os animais eram vistoriados diariamente e os que sobreviviam eram suspen-
sos depois de um período de 60 a 90 dias de observação.
Para a pesquisa e exaltação da virulência inoculamos, até o presente momento,
cerca de 484 animais, assim distribuidos:
I — 77 coelhos.
II — 87 cobáios.
III — 180 ratos albinos.
IV — 140 camondongos albinos.
2. Vias de introdução e quantidades inoculadas:
Depois de uma série de experiências preliminares, escolhemos a via perito-
•neal como padrão.
As quantidades inoculadas foram as seguintes:
para coelhos 5 cm*
" cobáios 2.5 cm*
” ratos 2 cm*
" camondongos 1 cm*
Foram feitos controles, inoculando-se meio de cultura esteril para se verifi-
car que as doses adotadas eram inócuas.
Injetamos sempre mais de um rato ou camondongo para cada amostra.
Outras vias de inoculação foram utilizadas, como a dérmka (por escarifica-
ção), subcutânea, nervosa (cistemal e transocular), pulmonar etc.. Procurou-se
ainda provocar infecções crônicas experimentais com várics artifidos técnicos,
observando-se as alterações patológicas internas e cutâneas. Todavia, essas pes-
quisas não serão tratadas no presente trabalho. Os dados aqui referidos se rcla-
donam exclusiramente aos resultados obtidos pelo uso da via peritoneal.
86
1
B. Mario Moub.ío — O papel do eslreptococo no Pènfigo Foliaceo 227
3. Resultados:
a) Percentagem de virulência dos estreptococos isolados de Pènfigo:
Em coelhos 26 , 1 %
” cobáios 35 , 7 %
” ratos 69 , 0 %
camondongos 90,4^
b) Virulência dos estreptococos de controle:
Com exce<;ão do estrept. 317 (isolado em necropsia de caso de tuberculose
^ntlmonar), as outras amostras mostraram-se virulentas para animais de labora-
tório, sobretudo para camondongos, tendo, portanto, o mesmo comportamento
<ks de Pènfigo.
c) Obsei^TK^s :
— Apenas três amostras de estreptococos hemoliticos originárias de penfi-
gosos foram totalmente desprovidas de virulência: as de número 243, 288 e 687,
todas isoladas por hemocultura.
— O eslreptococo 90, classificado por nós no grupo gatna, mostrou-se a\n-
Tulento.
— O eslreptococo 27, viridescente, isolado por hemocultura de caso de Der-
matite de Duhring, foi virulento para camondongos. O eslreptococo 45, hemo-
litico, procedente do mesmo caso. em liquido de bolhas, foi patogênico para ratos
e camondongos.
— A amostra 200; hemolitica, insulada de exuberante caso de Dermatite de
Duhring, era dotada de extrema virulência.
— Temos duas discrepâncias a assinalar: os estreptococos 46 e 368, não he-
moliticos "in \-itro”, eram virulentos. Acredita-se que a virulência esteja rela-
cionada à produção de hemolisina, sendo os estreptococos inertes considerados
não virulentos.
d) Alterações anátomo-patológicas macroscópicas:
Os animais geralmente morrem nas primeiras 24 a 48 horas com peritonite
aguda, habitualmente acompanhada de abundante coleção purulenta.
Muito comuns são as pleurites e pericardites com derrame purulento e he-
morrágico, mormente nos ratos e camondongos.
Nos animais em que a morte sobre%'em tardiamente obsers-am-se, entre ou-
tras alterações, as seguintes: extremo emagrecimento; congestão pulmonar in-
tensa de ambos pulmões; micro-abcessos no figado, baço. pulmões e mais rara-
mente no coração (séptico-piemia) ; enfartamento ganglionar; hiperemia das su-
prarrenais.
Em alguns coelhos notou-se a formação de abcessos no ponto de inoculação,
que resulta, frequentemente, em extensa e profunda ulceração (Fig. 24).
87
35
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
228
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Kic. J4
Cocibo injetado com cultara eiva de e«trcf<ococo iaolado
de Pênfiiro. Fnnnacio de e«cara oo ponto de inoculada
G) CLASSIFICAÇAO SOROLÓGICA (Quadro XVI II)
As tiícnicas seguidas foram as recomendadas jwr I^ncefield (32) e por
Wadsworth (33).
1. Meio de cultura:
Cloreto de sódio 5 g
Fosfato monopotássico 1 g
Fosfato dipotássico 1 g
Peptona Ivàcteriológica (Parke-Davis) 20 g
Agua 1000 cm»
Dissolver em 500 cm’ de água o NaG e depois a jjeptona. Os sais são
dissolvidos à parte, em pequenas ixjrções de água. Misturar todos os ingredien-
tes e juntar água até completar 1 litro. Ajustar o pH para 7,8. .Autoclavar eni
\"apor fluente durante 40 minutos. Juntar soluqão esteril de assucar de cana ou
de dextrose na proporção de 0,75%. Filtrar. Distribuir em vidros contendo
50 cm* do meio. Autoclavar 10 minutos a 100“. Prora de estufa durante 5 dias.
2. Preparação do extrato:
Semear 4 cm* de cultura de 24 horas em 50 cm’ da água de peptona tampo-
nada. Incubar em estufa a 37° durante 24 horas. \'erificar a pureza. Centri-
fugar. Lavar os gennes com 50 cm’ de salina fisiológica esteril. Centrifugar.
Suspender o sediimiito bacteriano em 2 cnP de solução N -20 de XaG em salina
88
Qladro X\’I11
IDEXTIICACAO dos estreptococus
tL
kj
0
•o
ê
Z,
Material
isolado
Forma e Diagnóstico
Clinico
9
~S
* í
«n 80 9
« ?
3
o • . S - 5
J ? s 5 zj-
o
J
3
3
e
% .5
1^3
= 1 I
V y
i s
1-i
U X
9
5 -
9
m
z
B
s
o
5
í » 1 V 1 * V
i-=vl-=s£i
mC«s*2 S'* —
C-TinCraSín
Q .2 O < X »i S
1 1 i
n t ::
J H
^ -i s
c i .5
« 1 =
X z
í = 5
rs ^ *i
S X
< UJ
rt
■! ? 2
s f i!
•3 £
ft
■f
1
s
ê
n
X
ít
■s 1 :: •= S
.5 -j ■= i
ã E 1 y s
■j: < £ -ji y.
ft
X
5
JC
ã
1
i
r
â
ft
X
M
L
s
1
ô 2
•5.;!
1 í
!•*
J
9
T
9
i
5
^ Crescimento
X*irulciKÍa
14
SanfQe
Forma distrófka
^
— + —
— .\CP
_
Ac a\c .\c Ac — — Ac -Vc
Ac a\c —
aVe
Ac
Ac — ~ ac —
t
A
n
Sangue
Derm. cròuica gen.
f. -
CR
a\c .\c Ac Ac — Ac Ac
Ac aXe —
t
A
38
Sangue
Derm. creniet gen.
— + —
— .\CT
cr
.Vc ,\c a\C -\c — — ,\c a\C
Ac aXc —
— .\c —
Ac - —
SC — —
Ac Ac —
t
t
t
t
A
71
Sangue
Derm. crônica gen.
p
— + —
— .\CP
r
Ac .\c Ac Ac Ac Ac
Ac Ac —
— Ac —
.Xc
4C — —
Ac — — Ac —
t
t
A
132
Sangue
Derm. crônica gen.
— .\CP
cr
o\c .\c .Nc .\c — — Ac Ac
Ac .\c —
— Ac —
Ac
— — —
Ac — — Ac —
t
t
t
A
m
Sangue
Derm. crônica gen.
(i
,\c Ac ,\c a\c — — Ac Ac
Ac éXc —
— .Xc —
Ac - —
— — —
•—
Ac — —
t
t
t
A
142
Sangue
Derm. crônica gen.
p
— + —
— AI.
r
Ac Ac Ac Ac — — Ac Ac
Ac Ac —
— Ac —
Ac — —
Ac — — Ac —
t
t
t
t
A
ISl
Sangue
Deroi. crônica gen
p
CR
,\c éXc Ac Ac — — Ac Ac
Ac Ac —
aXe
Ac
Ac — —
— •
Ac — — Ac —
t
307
Sangue
Derm. crónica gen.
p
— + —
— ACP
r
.\c .\c Ac Ac Ac Ao Ac Ac —
— aXc —
■Xe
se — —
Ac — — Ac —
t
t
t
A
243
Sangue
Derm. crônica gen.
p
CR
.\c Ac .\c a\c — — Ac Ac
Ac Ac —
— .\c —
Ac — —
A
2S2
Sangue
Derm. crônica gen.
p
Ac .\c *\c Ac — — Ac Ac
Ac Ac —
— Ac —
Ac —
— — —
.Xc — - — ac —
t
t
t
A
2SS
Sangue
Derm. em regressão
p
r
Ac Ac Ac Ac — — Ac Ac
— Ac —
— Ac —
.Xc
X
297
Sangue
Derm. crônica gen.
— + —
— ACT
Ac .\c .\c .\c — — Ac Ac
Ac Ac —
— .Xc —
Ac
aXC —
Ac me —
t
— •
+
t
A
29S
Sangue
Derm. crônica gen.
p — ^ -
— + —
— ACP
r
.\c Ac Ac aXe — — Ac Ac
aXc Ac —
— .Xc —
Ac
Ac
Ac — — Ac —
t
t
t
A
305
Sangue
Derm. cròotca gen.
— + —
— ACP
cr
.Xc ,Xc aXe aXc — — aXe Ac
— Ac —
— Ac —
.Xc
.Xc
Ac — — — —
+
+
A
333
Sangue
Derm. crônica gen.
p
— ACP
aXc aXe Ac .Xc — — Ac Ac
— Ac —
— .Xc *—
Ac
Ac
t
t
t
A
689
Sangue
Derm. crônica gen.
g
— + —
— ACT
aXe aXe aVe Ac — • — Ac Ac
Ac -Xc —
— Ac —
.\c
.Xc — —
Ac — — — —
— *
UM
A
16
Croatas
Derm. crônica gen.
P
— + —
CR
Ac Ac aXc aXe — - — aXc Ac
aXe aXe —
— Ac —
Ac —
Ac — —
Ac — — Ac —
t
A
17
Crc««as
Forma dtstrófiea
— + —
— ACT
aXC aXe aXe aXC — — AC AC
aXe Ac —
— Ac —
.Xc — -
Ac — — Ac --
t
t
A
307
Crostas
Derm. crônica gen.
P
.\c Ac Ac Ac Ac .\c
aXe aXe —
— Ac —
.Xc
— —
,Xc
t
t
320
Crostas
Derm. crónica gen.
— + —
— ALCP
Ac Ac Ac aXc — — Ac .Xc
Ac aXe • —
— .Xc —
.Xc
ac — —
.Xc
t
t
t
t
335
Crostas
Derm. crónica gen.
p
— + —
.Xc aXc aXe aXe — — Ac Ac
aXe Ac —
— .Xc —
Ac — ^
— *
aXc —
t
t
A
336
Crcauí
Derm. crónica gen.
p
— + —
— ACP
.Xc .Xc aXc aXc — — Ac Ac
aXc Ac —
— ,\c —
Ac
““ ^
,XC — — ua.
t
t
t
A
1S3
L«q. bnllMS
Ineasão bolhosa
P
— + —
— ACT
.Xc aXc aXc aXe — — Ac Ac
.\c Ac —
— Ac —
Ac — —
Ac
t
t
t
+
A
276
Liq. bolbas
Derm. crónica gen.
p
CR
Ac .Xc aXc aXc — — aXe Ac
Ac aXc
— Ac —
Ac
Ac
t
t
330
m. boliut
Derm. ctôniea gm.
— + —
— ACT
Ac aXe Ac Ac — — Ac Ac
t
332
m. bolhas
Iniruiu bolhou
p
— + —
— ACT
aXC aXe aXC AC — — aXC aXC
Ae Ac —
aXC
Ac — —
« —
Ac
t
t
t
371
Lk}. bolhas
InTa.5o bolhou
p
.Xc .Xc aXe Ae — — Ac .Xc
Ac Ac —
— Ac —
Ac — ■
.Xc — —
Ac
t
t
689
Uq. bolhas
Derm. crônica gm.
— ACT
Ac Ac .\e Ac Ac Ac
Ac Ac —
— .Xc —
Ac
““
Ac — — — —
t
MU
t
219
Necrópsia
Derm. crônica gm.
p
— ACP
.\c Ac Ac .\e Ac Ac
t
247
I>crm. crônica gm.
p
— + —
— ACT
cr
aXc *Xc .Xc ^Xc — aXc Ac
-Xc Ac —
— .\c —
Ac — —
Ac — — aXc —
t
t
248
Xecrdpsia
Derm. crônica gen.
P ;
.Xc .Xc Ac Ac — — Ac Ac
Ac Ac —
— Ac —
Ac — --
ac — —
Ac — — Ac —
t
t
A
269
Derm. crônica gm.
P
r
.Xc .Vc aXe Ac — — Ac Ac
aXc Ac —
— Ac —
Ac
— —
uu.
.Xc — — .Xc —
+
+
t
290
Necrópsia
Derm. crónica gm.
— + —
— ACT
aXc .Xc aXc Ac — — aXc Ac
aXe ^Xc —
— Ac — *
Ac
Ac — —
Ac — —o .Xc —
t
t
A
291
Derm. crônica gm.
P
r
Ac .Xc aXe Ac — — aXe Ac
Ac Ac —
— Ac —
Ac
ac —
Ac — — Ac —
t
t
A
292
Derm. crônica gen.
P
r
aXe aXc Ac Ac — — aXc Ac
Ac Ac —
— -Ac —
aXc
Ac — —
““
Ac — — ac —
t
t
t
+
A
293
Necrópsia
Derm. crônica gm.
— + —
— ACP
_
aXe aXe Ac Ac — — Ac Ac
aXc Ac —
— Ac —
Ac — —
““
Ac — —
t
t
t
A
316
I>erm. crônica gen.
P
Ac aXC aXe Ac — — aVe aXC
Ac Ac —
t
t
.X
352
Necrópsia
Derm. crônica gm.
— + —
— ACT
CR
Ac aXe Ac Ac — — Ac Ac
Ac Ac —
— Ac —
Ac — —
ac — ^
••
Ac — — ac —
t
t
t
A
46
Inruio bolhou
Y “ —
Ac Ac Ac .\c .\c Ac
aXe Ac —
— Ac —
Ac — —
ac — —
Ac — ~ —
t
t
A
90
Forma frusta
Y
aXc Ac Ac Ac — aXc Ac
Ac Ac —
Ac Ac —
•\c
— — —
Ac — — ac —
A
368
Necrópsia
Dctib. crinica ftn.
Y
— + —
Ac Ae Ae Ac Ae Ac
Ac Ac —
— Ac —
Ac
— —
Ac
u.
t
t
t
A
27
Sangue
Derm. Duhriog
Q —
CR
aXe Ac Ac Ac — — Ac .\c
Ac Ac — •
Ac Ac —
aXc —
u— u»a
« UM
t
X
45
Bolha
Derm. Duhring
p
— + —
Ac aXe Ac Ac — Ac Ac Ac Ac —
— Ac —
Ac — —
““ — —
Ac
t
t
,A
200
Bolha
Dono. Dohring
p
CR
aXe aXe <Xc Ac — — Ac Ac
Ac Ac —
Ac Ac —
Ae — -
.Xc • —
Ac — — — —
t
t
t
t
A
698
Pui
Ckera perna
+ + —
_
— ACH
CR
.Xc aXe Ac aVe — — Ac Ac Ac Ac —
aXe
Ac — .Xc
Ac .Xc —
aXc
Ac — — Ac —
.N
677
Croatai
Liqim plano
p
Ac Ac Ac Ac — — aXc Ac Ac Ac —
— Ac —
Ac
-Xc
Ac —
t
t
t
X
690
CroMia
Kritr. arsenical
p
Ac .\c Ac Ac Ac Ac
t
A
317
Necrópsia
The. polmonar
p
CR
Ac aXe Ac Ac — — Ac wXo Ac Ac —
A
4M
Necrópsia
Sarc«mu
p
R
Ac Ac Ac Ac ~ — aVe Ao Ac Ac —
t
t
A
21
EKaiUlina
— + —
— — .
— ACT
..
aXe a\c Ac Ac — — aXe Ao Ac Ac —
— Ac —
Ac
A
H
Febre poerperal
p
R
Ac Ac Ac Ac Ac Ac
Ac Ac —
— Ac —
aXe — —
A
ã?t
Reumatismo
p
CR
Ac Ac Ac Ac — — Ac Ae
Ac .\e —
— íVc —
Ac — Ac
— »—
Ac Ac — Ac —
““
A
551
Eritipela
— + —
— ACT
CR
,\c Ac Ac Ac Ac Ac Ac Ac —
— Ac —
Ac — Ac
Ac Ac — Ac —
A
B. Mario Mourão — O papel do estreptococo no Pênfigo Foliacco 231
fisiológica. Ferver durante 20 minutos em banho-maria. 'Esfriar rapidamente
em água corrente. Centrifugar. O sobrenadante é re irado e neutralizado. A
neutralização é feita juntando-se 0.05 cm^ de indicador (azul de bromo-timol) em
2 cm* do sobrenadante. .\justar o pH entre 7,0 a 7.2 com solução X/l de
XaOH. Centrifugar de novo. O fluido obtido é extrato pronto jiara as provas
de precipitação.
O extrato deve ser feito somente de culturas’ que apresentarem crescimento
abundante.
3. Iimtiücação dc coelhos f>ara o preparo de anti-sôro grupo-específico-.
Para a prqaração de imuno-sóros do grupo .\. tanto faz u.sar antigenos
obtidos de culturas mortas pelo fomiol (percentagem do formol = 0.2%), como
culturas aquecidas a 56° durante 1 hora. Para a preparação de soros cspecificos
para todos os outros gru{)Os. as culturas mortas pelo fonnol rcs]x>ndem melhor.
Os coelhos rcceliem na 1.* semana, durante 5 dias seguidos. 1 cm* de cul-
tura total, por via intravenosa. Descanso dc uma semana. Xa 3.* semana do-
brar a quantidade (2 cm*), injetando-a durante o mesmo número de dias. Xovo
repouso de uma semana. Xa 5.* semana as doses são aumentadas para 4 cm*,
que tamliém .são injetadas diariamente durante 5 dias. .\o fim de uma semana
fazer sangria de pro\-a. colhendo sangue da veb marginal da orellia. Sc o titulo
precipitante for satisfatório jiuncionar o coração do coelho, com seringa seca ou
lavada em salina fisiológica, jara evitar-se o menor traço dc hemólise. colhendo-se
20 ou mais an* de sangue. Separar imediatamente o s<‘)ro por centrifugação, em
condições as.^epticas. .\mpolar e conservar em geladeira.
Se a imunização jirccisar ser continuada deve-se aunK-ntar as doses, injetan-
do-as, porém, cm volume reduzido. Para isso centrifugar as culturas c susjiendcr
0 sedimento obtido em caldo ou salina, num volume dc 1 a 2 cm*.
Os animais podem sofrer nosa imunização depois dc 2 ou mais meses c res-
pondem satisfatóriamente a uma única serie dc injeções. Xão há necessidade de
ultrapassar a dose de 4 cm* ou de inoctilar microorganismos vivos. Tomar pre-
cauções jiara evitar choque anafilático, injetando, antes do inido de outra imuni-
zação. j)«juena quantidade da cultura por via pcritoneal ou subcutânea.
Os coelhos adultos, pesando mais dc 2 quilos, são mais resistentes. Imuni-
zar sempre mais de um animal.
Os nossos sóros grupo-especificos foram previamente comparados com sôros
para os grujxis .A. B. c C »la classificação Lanceficld. do “Ledcrle Laboratories
Inc.”, de Xew York (X. Y.). EE. UU.. (•)
(*) Parle toros foram fomcctckA peio Dr. F. W. Ekhhaum. atstftmte <lo Dcpsrtamento de
MicroIoc^A da Etcola PauHtta de Medtctaa. Afradeerraot a toa coatriboiçioL
91
232
Memória& do Instituto Butantan — Tomo XVII
4. Técnica da micro-prccipitação •.
Os tubos apropriados para a micro-predpitação, segundo Lancefield (32),
são feitos de varas de vidro com 7 mm de diâmetro, que são afilados na chama
até se conseguir o diâmetro de 3 mm, de modo que 0,1 cm* forme uma coluna
eom a altura de 8 a 10 mm.
Pipeta-se 0,05 cm* do aqti-sõro grupo-específico e coloca-se no tubo pelas
paredes. Adiciona-se 0,05 cm* do extrato bacteriano pela mesma técnica, sem
qualquer agitação.
.A precipitação positira se caracteriza pela presença de um anel esbranquiçado
no ponto de junção do sôro e extrato. Em regra a reação é quasi instantânea;
mas sempre nosa leitura deve ser feita ao fim de hora. Havendo ausência de
precipitação, incubar em banho-maria a 37° durante duas horas. Fazer nova lei-
tura findo êsse prazo. .A leitura depois de 24 horas de permanência em geladeira
consideramos dispensa%’el.
.A técnica aconselhada por Lancefield é colocar em primeiro lugar o extrato
de germes e depois o sôro, que sendo mais pesado vai formar a camada inferior.
Tivemos melhores resultados fazendo o inverso, onde a formação de duas cama-
das distintas é absolutamente nitida, facilitando a leitura.
5. Resultados :
Grupamos sorologicamente 39 estreptococos isolados de casos de Pênfigo
Foliaceo e 12 de outra origem, como se pode ver no Quadro XVIII.
Com exceção de uma única amostra (estrept. 288), todas as provenientes de
Pênfigo foram classificadas no grupo A. inclusive as gama-hemoliticas.
O comportamento pela micro-precipitação dos 12 estreptococos de controle,
foi o seguinte:
a) Incluídos no grupo A (hemolíticos) :
Estrept. 45, isolado de líquido de bolhas de um caso de Dermatite de Duhring;
Estrept. 200, isolado de liquido de bolhas de um caso de Dermatite de
Duhring ;
Estrept. 317, isolado de necropsia de um caso de tuberculose pulmonar;
Estrept. 404, isolado de necropsia de caso de sarcoma do braço com metás-
tases generalizadas;
Estreptococos piogênicos provenientes de escarlatina (Dochez, N. Y. 5), fe-
bre puerperal, reumatismo e erisipela.
b) Não classificados sorológicamente :
Estrept. 27, o//a-hemolitico, isolado por hemocultura de um caso de Derma-
tite de Duhring;
Estrept. 69B hemolítico, isolado de pus de úlcera da perna ;
92
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
B. íUrio Mocr.\o — O papel do estreplococo no Pènfigo Foliaceo 233
Estrept. 677, hemoUtico isolado de crostas melicéricas de um doente de
líquen plano impetiginado.
H) COMENTÁRIOS
Os estreptococos hemoliticos isolados de Pênfigo Foliaceo possuem caracte-
res morfológicos, ecológicos, bioquímicos, patogênicos e sorológicos semelhantes
à espécie Streptococcus pyogencs Rosenbach, espécie tipo do gênero Strcpiococcus.
Os seus caracteres primordiais podem ser assim resumidos:
Produzem hemólise do tipo beta.
Pertencem ao grupo sorológico A da classificação de Lancefield.
Não crescem: a IO*, a 45°, em meio com 6.5% de NaQ, em meio com pH
a 9.6 e em agar-sangue biliado.
Insolúveis em bile.
Não hidrolizam o hipurato de sódio.
Produzem amónia de peptona.
Acidificam: dextrose, levulose, galactose, manosc, sacarose, maltose, lactose,
trealose, dextrina, amido, salidna.
Não acidificam: arabinose, xilose, melibiose, rafinose, inulina, eritrita, ma-
nita, sorbita, dulcita, adonita, ramnose, amigdalina, inosita, nutrose, glicina.
Acidificam facultativamente: glicerina e esculina.
Virulentos, por via peritoneal, para coelhos (26,1%), cobaios (35,7%), ra-
tos (69%) ecamondongos (90,4%).
Produzem uma toxina eritematogênica.
Digerem a fibrina humana.
Isolados de sangue, eflorescências epidérmicas e de material necrótico de
doentes de Pênfigo Foliaceo.
« « •
Na identificação dos estreptococos isolados de portadores de Pênfigo Tro-
pical houve poucas discordâncias. Assinalemos as principais:
1. °) Apenas três amostras isoladas do sangue não fermentaram a lactose:
as de No. 288, 305 e 333.
2. °) Totalmente avirulentas para animais de laboratório foram os estrep-
tococos 243, 288 e 689, todos isolados por hemocultura.
3. °) O estrept. 288 não é fibrinolitico, como veremos adiante, e não foi
classificado nos grupos sorológicos A, B e C.
Identificamos apenas três estreptococos inertes em agar-sangue. Duas eram
virulentas (estrept. 46 e 368) e os seus caracteres, afóra a produção de hemó-
93
234
Memórias do Institulo Bulantan — Tomo XVII
lisc. eram iguais aos fcf/a-hemoliticos. O estrcpt. 90, isolado por heinocultura de
um caso frusto, era avirulento e fermentou a rafinose.
• • •
Nos controles, os Stref>l. f>yopcnes 52B e 55B fermentaram a manita e a
amigdalina. Toplej- & Wilson (56) assinalam que os estrcptococos do grupo A
raramente fermentam a manita; sobre a addificação da amigdalina não encontra-
mos referência.
O cstreptococo oZ/u-hemolítico 27 não fermentou a salicina. fermentou a ra-
finose c produziu a amónia de peptona; o seu extrato não sofreu precipitaqão
em face dos sôres A, B e C. Entretanto, o Strei>t. 45, 6f/a-hemoliric», isolado
da mesma doente (J. A., obs. 404. diag. : Dermatite Herpetiforme de Duhring),
no líquido de bolhas, foi incluido no grupo A.
O estrept. hemolitico 677, não foi classificado sorológicamente. apesar do
seu comportamento ecológico e bioquímico ser idêntico ao Streptococcus pyogenes.
O estrcpt. 69B. óc/a-hemolitico, hidrolizou o hipurato de sódio, fermentou
a manita. rafinose, sorbita e ramnose e não foi incluido nos grupos sorológicos
A. B e C.
C.\PITULO IX
PESQUISAS SOBRE .-^S TOXINAS DOS ESTREPTOCOCOS HEMO-
lÍtICOS isolados’ de DOENTES DE PÊNFIGO FOLI.^CEO
A) LIGEIRAS CONSIDERAÇÕES
Sabe-se que o Streptococcus pyogenes produz as st^intes toxinas, enzimas
ou substâncias "agressivas":
1.0 — A hnnolistna, hemotoxina cstreptocócica ou estreptolisina (Blutgift),
que tem a propriedade de lisar os glóbulos vermelhos “i« vitro"; acredita-se
que também possa causar a anemia secundária obserrada nas infeo;ões estrepto-
cócicas agudas ou crónicas. Todd (34) demonstrou que os estrcptococos hemo-
líticos do grupo .A produzem duas variedades sorológicas de estreptolisina: a
estreptolisina O, assim chamada devido a sua sensibilidade ao oxigênio, c a es-
treptolisina S, aija denominação indica a sua solubilidade no sóro. A estreptoli-
siiw O ê antigênica porem a estreptolisina S não ê aparentemente aníçênica.
quando scinrada do corpo lucilar. .As duas estreptolisinas são neutralizadas pelos
seus respectivos anticorpos: a anti-estreptolisina Oca anti-estreptolisina S.
Quando os animais são inoculados com culturas s-i\-as de estrcptococos hemolí-
04
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
B. Mario MourAo — O papel do eslrcptococo no Pênfigo Foliaceo 235
ticos do grupo. A, há produção de anticorpos para as duas \Tiriedades de
estreptolisinas.
29 — A toxina critematogcnica ou eritrogênica (Hautgift ou Kulangifl),
responsável pelo eritema observado na escarlatina, erisipela e em outras infecções
produzidas pelos estreptococos hemoliticos. E’ também chamada de toxim de
Dick (35), por ter êsse autor primeiramente observado que, na escarlatina, tal
toxina, em injeção intra-dérmica, produz uma área eritematosa local, verificável
somente nos indivíduos suscetíveis, não imunizados (reação de Diek). A toxina
eritematogénica não é peculiar aos estreptococos da escarlatina, podendo ser iso-
lada de outros estreptococos hemoliticos (erisipela, febre puerperal, etc.). A
reação cutânea pode ser observada em animais de laboratório, mas não com a
sensibilidade e intensidade apresentada pelos individuos humanos. Diferencia-se
da hemotoxina por ser relativamente termo-resistente e dotada de grande esta-
bilidade.
3. ® — A leucocidina que possue uina ação destrutira sôbre os granulócitos.
Póde ser doseada pelo método bioscófdco (redução do azul de metileno). Pro-
vavelmente relacionada a esta substância é a toxina organo-necrosante (Or-
gangift).
4. ® — A fibrinolisina que é uma enzima descrita, em 1933. por Tillet & Gar-
ner (36) e que tem a capacidade de dissolver a fibrina hununa. \ fibrinolisina
é secretada com constância pelos estreptococos hemoliticos do grupo A de Lan-
cefield. A fibrinólise, segundo Tillet & Gamer, é uma reação específica, por meio
da qual se podem diferenciar os estreptococos patogênicos dos saprófitas.
5. ® — Uma substância que aumenta a permeabilidade cutânea — o “s^rea-
ding factor” de Duran— Reynalds (37).
6. ® — A leucotaxina de Menkin (38), que c capaz de lesar os capilares san-
guíneos, aumentando a penneabilidade e produzindo edema e trombos linfáticos
de fibrina: provavelmente esta substância está relacionada ao fator de difusão
de Duran-Re>-nalds.
Segundo Bier (39) as relações entre êsses vários efeitos não estão ainda
completamente esclarecidas.
O nosso estudo se restringe, por enquanto, á pesquisa da heinólise, da to-
xina eritematogénica e da fibrinolisina, que são, entre as substâncias secretadas
pelos estreptococos õc/a-hemoliticos, as mais facilmente demonstráveis.
Ainda inoculamos uma grande série de animais de laboratório, pelas mais
diversas vias. a-fim-de verificar a toxicidade de filtrados das culturas de estrep-
tococos hemoliticos, contendo a toxina eritematogénica.
95
I SciELO
236
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
B) AÇAO ERITROCITOLITICA
No capítulo anterior estudamos e verificamos a produto de hemólise em 39
estreptococos isolados do sangue, de eílorescêndas epidérmicas e de necropsias
de casos de Penfigo Tropical. Descrevemos que a produção de hemolisina pro-
duziu uma área de clareamento do sangue em tomo das colônias, não se vendo,
pelo exame microscópico, glóbulos vermelhos intactos. Utilizamos para essas pes-
quisas agar-simples adicionado de 5% de sangue desfibrinado de coelho ou de
carneiro. Por ser difícil obtermos rotineiramente sangue desfibrinado de cavalõ
normal, não seguimos as recomendações de Brown (40), que aconselha, para a ve-
rificação da atiridade hemolitica dos estreptococos, trabalhar sempre com sangue
daquele animal. Todavia, realizamos numerosos contreJes. usando comparativa-
mente sangue de ca\-alo, e nunca tivemos qualquer discrepância nos nossos re-
sultados.
Cemparação da hemólise produsida em agar-sangue emplacado com a obtida em
meio liquido.
Técnica: Adicionar a 0.5 çm* de cultura de 18 horas de estreptococos (em
caldo de carne concentrado ou caldo-glicosado) , 0,5 cm» de hemátias laradas de
carneiro. Incubar em banho-maria a 37®. Leituras após 1, e 2 horas.
No dia anterior, as mesmas amostras devem ser semeadas em placas de agar-
sanguc.
Qua»«o XIX
VERIFIC.\ÇAO DE HEMÓLISE EM MEIO LIQUIDO
Xo. do
estrepf.
Leitura
após yi hora
Leitura
após 1 hora
Leitura
após 1 K h.
Leitura
após 2 horas
14
1 +
3-t-
4 +
4 -i-
16
2 +
2 +
2 +
2-f
17
1 +
3 +
4 +
4 -f
22
4 +
4 +
4 +
4 -f
45
1 +
2-f-
3-t-
4 -f
58
4 +
4 -f
4 -f
4 -f
90
1 +
2-1.
2 4.
71
1 +
3-t-
4-f
142
3-t-
4 -f
153
2 +
2 -t-
2-t
Eslrpt-
Estrept.
t f (27)
Test. salina
-
Test. caWo
’ I
b
í V
96
ihrt!
B. Mario Mour.ío — O papel do cstreptococo no Pènfigo Foliaceo 23?
Qcamo XX
VF.RIFICAÇAO DE HEMÓLISE EM PLACAS DE AGAR-SAXGUE
N.® do
estrept.
24 hrs. em
temperatu-
ra ambiente
Incubação a
37° durante
24 hrs.
Prolonga-
mento da
observação
a 5°, duran-
te 24 hrs.
14
4 +
4 -r
4 +
16
4 -r
4-r
17
4 -f
4 +
4 -f
22
4 -!-
4 -f
4 -r
45
4 +
4 -f
4
4 -i-
4 +
4 -r
90
71
4 -f
4
4 -}-
142
4 -r
4 -f
4 -f-
153
4 +
4 -t-
Ejtrcpt.
inerte
Estrept
viridans
viridans
viridans (27)
Parecc-nos que o método da placa é superior à pesquisa da hemólise em meio-
liquido.
Os cstreptococos 16 e 153, fortemente hemolíticos em agar-sangue empla-
cado, produziram fraca hemólise em meio liquido.
O estreptococo 27, do grupo alfa, foi indiferente em caldo.
A amostra 90, anhcmolitica em placas de agar-sangue, produziu ligeira he-
mólise em meio liquidô. Entretanto, o prolongamento da observação das placas
em geladeira, como também verificações posteriores, confirmaram o mesmo re-
sultado. Por esses fatos classificamos o estreptococo SK) como pertencente ao
grupo gama.
A verificação da hemólise é pesquisa delicada e influenciável por vários fa-
tores, devendo ser feita com o máximo cuidado técnico. A perda da capacidade
hemolitica em nossa ojiinião, é sempre paralela à perda da virulência. As amos-
tras conserv’adas cm coleção, com repiques contínuos, sem passagem em animais,
tendem a tomar-se indiferentes cm agar-sangue e avirulentas.
97
238
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
C) AÇAO ERITEMATOGÊNICA E TOXICIDADE PARA
PEQUENOS ANIMAIS
1. Produção da toxina
a) Meio de eulliira utilizado (33) :
Carne de vitelo 423 g
Peptona-proteose “Difeo” 20 g
Cloreto de sódio 5 g
Agua 1000 cm*
Glicose P. A 0.02%
Ajustar o pH para 8.2. Autoclavar a 120° durante 20 minuto». Refazer
o volume inicial. Ajustar o pH para 8.0. Filtrar em papel N.° 40. Distribuir
e esterilizar a 110° durante 20 minutos. Adicionar, no momento de usar, a so-
lução esteril de glicose, na proporção acima referida.
b) Preparo da toxina:
Semear amo.stras selecionadas de estreptococos hemoliticos, de recente iso-
lamento ou com virulência exaltada, no meio de cultura em apreço. Inculiar em
estufa a 37® durante 7 dias. Filtrar em papel de filtro e em seguida em vela
Berkefeld \‘. Colocar o filtrado obtido em geladeira a 5.° em vidros neutros
e escuros, durante dois meses, sob a canuda de toluol. para a estabilização da
toxina. Ao fim dêsse prazo proceder no\-a filtração em vela Berkefeld N. re-
tirando-se antes o toluol. Fenicar a 0.5%. Colher as.septicamente pequena
quantidade da toxina, para sua padronização e verificação de sua esterilidade.
c Padronização da toxina (41 ) :
A toxina obtida com o estreptococo da escarlatina (amostra Dochez N. Y.
5, geralmente usada para a reação intra-dérmica de Dick). é assim padronizada:
Injeta-se 0.1 cm* da toxina em várias diluições (1 ilO.OOO. 1 :7.500, 1 :5.000, etc.),
por via intra-dérmica. cm individuos sensiveis, avaliando-se o seu titulo em
unidades cutâneas (skin test dose). presença de área eritematosa. 20 a 24
heras após a injeção, indica reação positiva. Os necessários controles devem
ser feitos na mesma ocasião, injetando-se, em regra, idênticas diluições do meio
de cultura isento de germes.
d) Padronização de to.rinas obtidas de estrcptoeoeos hemolitieos isolados
de doentes de Pênfigo Tropical:
Para as nossas pesquisas iniciais, aqui referidas, utilizamos filtrados recen-
tes, não fenicados, de estreptococos hemoliticos e virulentos, do grupo A de Lan-
sefield. isolados de hemoculturas.
98
B. M.\rio Mourão — O papel do eslrcplocuco no Pênfigo Foliaceo 239
Eni dois filtrados (estrepts. 58 e 71), fizenios a padronização por via in-
tradérmica num grupo de 5 pessoas normais. Somente num único individuo
tivemos reação fortemente positiva (eritema de mais de 40 mm de diâmetro),
na diluição de 1 :5.000 ; esse individuo é também sensivel à toxina escarlatinica,
tendo reagido com filtrado da amostra Dochez X. Y. 5, na diluição de 1 :2.000.
Infere-se, pois, que a toxina dos estreptococos 58 e 71 contem 50.000 S.T.D.
ix>r cm*. A toxina do estreptococo 142, hemolitico, virulento, do grupo A de
I-ancefield e também isolado de hemocultura, não foi padronizada em indivíduos
humanos.
2. Inoculação em animais de laboratorio
(Quadro XXI)
.-\s prí vas de inoculação foram realizadas com toxinas eritematogênicas dos
estreptococos 58, 71 e 142. Esses gennes sofreram, previamente, exaltação de
sua virulência, matando camondongos cm 24 horas, com septicemia fulminante,
na diluição de 10^, por via pcritoneal.
Utilizamos 183 animais, assim distribuídos:
a) 21 coelhos brancos ou de j)clagcm clara, pesando entre 1.200 a 1.800 g,
inoculados pelas seguintes vias: intradcnnica 5, sulKutânea 5, venosa 4, perito-
neal 3 e transocular 4;
b) 19 cobáios, brancos ou malhados. {>csando entre 250 a 2(X) g, inocula-
dos pelas seguintes vias: intradcrmica 3, subcutânea 8, pcritoneal 5 e trans-
ocular 3 ;
c) 41 ralos albinos, j)esando de 120 a 150 g. inoculados pelas seguintes
vias: intradérmica 8, subaitânea 6, pcritoneal P, venosa 11, cerebral 4 e trans-
ocular 5:
d) 102 camondongos albinos, pesando de 15 a 18 g, inoculados pelas se-
guintes vias: intradcrmica 9, subcutânea 21, pcritoneal 36, venosa 18 e cere-
bral 18.
O i)criodo minimo de observação dos animais foi de 30 dias.
As quantidades inoculadas, as várias diluições injetadas por via intradcr-
mica e demais ocorrências constam no Quadro XXI.
Os coelhos e cobáios inoculados pelas vias intradénnica e subcutânea fo-
ram. antes da inoculação, depilados com pasta de sulfureto de bário. As inje-
ções só foram praticadas depois de verificada a ausência de qualquer irritação
da pele.
3. Resultados
a) X'a prova de padronização das toxinas demonstramos que os estrepto-
cocos hemolíticos do Pênfigo Foliaceo, á semelhança dos outros estreptococos
99
240
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
hemoliticos do grupo A de Lanceficld, produzem uma toxina eritematogênica,
verifificada em indivíduo humano sensível. A inoculação de filtrado de estrq>-
tococos, na diluição de 1 :5.000, provocou 24 horas depois, uma reação positiva.
A área eritcmatosa se manteve durante vários dias, desaparecendo sem deixar
qualquer vestígio; a regressão se iniciou ao fim de 72 horas.
b) Coelhos:
As to.xinas 58 e 71, provocaram a formação de eritema, quando inoculadas
por via intradémiica ; as reações \-ariaram de acordo com a sensibilidade de cada
animal. Um coelho reagiu com a diluição de 1 :50 da toxina 71. A toxina 142,
no único coelho inoculado pela vna intradérmica (N.® 515), foi inócua.
Pela via subcutânea as toxinas 58 e 71 deram reações fortemente positivas,
que se caracterizaram por intenso edema e eritema; em um coelho (N.® 547),
houve formação de escara depois de 72 horas; em outros dois (N.® 574 e 569,
Fig. 25), observou-se derrame sanguíneo local, 24 horas depois da inoculação
que regrediu espontaneamente após alguns dias, sem deixar o menor sinal.
Fic. 2S
D^mme »nK4iinco cm cocOio inocti]a<5o pc^a r*a
Pelas rias venosa e transocular as toxinas não pro%-ocãram qualquer reação
geral; dois coelhos (X.® 501 e 532) faleceram devido a infecções intercurrentes.
Pela ria peritoneal podemos considerar as to.xinas como destituídas de ação
tóxica, visto que o único coelho da série que veio a falecer (JiP 533), não apre-
sentava alterações anátomo-patológicas evidentes.
c) Cobáios:
As toxinas injetadas pela ria intradérmica deram reação negativa.
100
Qcasio XXI
ANIMAIS INOCULADOS COM TOXINA DE ESTREPTOCOCOS IS‘-<LADOS
DE PENFIGO FOI.IACEO
r i
>
h
R.:5I L.ADO
obsf.rv.ações
E
OCORRE-VCI.VS
c
.Vf^
Htê
7;r^
* ( a
u
»ntr.
' T* -*i.. -u — -f- ; fTir^íc ire* rr:ietr.ito«A
S ‘ rrrivm
T • • í:c% enifwitTi
Al. ' - rr4;l: ’ o’
!r r^a;!' íjcaI
r.7í
>tr. 71
* ' VIIXU
r , . ; ,
-V"' ■
' fií*
'73
f -. . — — : "'h -Ti e ■* ; --4 d? t=r<:-a t-fr^r í*4c
' r 1, 'i
A : - ;i 7 - 'M
- . !r rcAçij ;
: ' . 2c r< ,í 1
C- ‘
-.7:
■■■r
'2
** ' . u
{
*3ií
>1- : ’
112
M
Kc.*.;.*-' t. - : ‘ '
■ .4
^ dr
Aj- ■ . r-i;'. 'xí:
l. .^-.TSC A *'«tI
c .
-4;
St' *1
? . . . : ^ - i
C
r>7<
Str. 71
-
K" , ■ ■ - •
p£. .In- . V - ■! S.
Cc-t :t
'• -
; ; ; . • . . --
>ofcrí\Í'i ---.i
-. .
P.> derrame ir^uí: 0 local. S.
Cocção
V.4
-tr.
i 2-,rrvivea
C.--- •
-ir. 71
--
T ;
Coccidioae
.-tr. 71
\ - ,
'•• ■ •
Str. :i:
■-■
- - ■
■>
...
....
•* itrt; -r-at. . !mtc
-, 1 -
:
2t -r.
-■
V :■ ... 'Ic;
Pp^--;r-.Anu
Coe^Àc
Coc.z^
... •
s
:
1
LV - -
*> ;
' :
. ■ rt N^n. .
Cot.;o
j
. 4 . . ta
.. :* Iocl' N .
.... ;;
2
.s r- ... ' .- .' N .
C-
'
2 '
. • . . T . N
Co'
■ :
2 '
Coí- J
. úc rc ; • '* : ■
Cc'— . -
2 -:
.\ - " • - N ■ 7
Cc’ -
... ■-
^ ■ . - ; ■ . 'T*'-
-- ' ' rv:\
í * -.
2 •’
■*> ' m V - .
C ’ .
..
. ■
' í:r..v£..
1
-T
2 '
ÍA ’ . N 'T.;
Pt ^ T. % -I
r ’ .
N-r. ri
N ■' .
r ' y
...
1 ‘ f • * T. : • -
C'i
■„M
;•• • •
Cc'
-:i
\ • .
Cola n
721
: 1 1 2
. .. ,
CoM^o
'tki
^tr. 71
2 -
N •-
C^l -
Mr -S
2 ."
('.,y.y .
•-’!
' • .
V.
",J
'» d.
Ratna‘ 2 '
MI
<•: 71
■ • :
^ ' ,.ii ' Cl! N'-— i'
R-.-i:'
\M
V-
■M
\ -• ' • 1 , i ’’ ’ ‘<■ 4 ’ NtctiI
R líT"' 2
'■ 1
A-.. • r i ;• r..si . ■ .' N -r-
R*‘ '•‘2
•2"
" 1
.\■.^ - .. rr-;'. '.-C T T? ^ !=• '
p 1 ■"f •• •-r-irr-nt^
R.t- :
7: •
1.''
A' « ' * !• t- ;• ’ • < j N
R..^ 2
'éài
!.'•
A-...-: i ■ r N •: .'
R..^ :
Trf.
< • » * 4
. . .
1 •'
A r '■a^i ■> Ixal N *•- >
O.t-wT
71 1
71
1
7] 4
:•'• ■
«... ’
:.u
-‘T- “
;•■ • ■
• ,
.s .■
R*t^
»4*»
-.1
1 ■■
\ • ■
>4 >
5S
:•'( X
R.t-' •
.7 1 ■>
... t <
■* M
.
• 142
1. -
V •
R. - ^
'■T"*
' • ' u:
2."
\ -r >•
R«*^ ■'
< • 0 ; 1 ;
r-
R*»-» •
>tr 7 ;
\ ■
Rw , ’
-
1 •<
1 i
H.' , ’
-
. - ■
R..
• .'
R • ' * 1
' ' 112
R*-t*
~
1*2
R «t • 2
; , í K : .r-.i'
Ri- . :
F<i* - .
N — V
R*! -
- • ■ ; * :
■ !
C*m ]•.
-> • ' * :
C««
-■r
" 1
' i • • '» ■ -
C«« I--
' • ; 4 j
V . . ■ , •
Ctm ;•
7 1
1 ■
V ...
‘ :
'■
1 r TT K -■ .N
Um I*.
^ ■ t : 1 2
1 ■
C«« I*.
'■ '
' 71
ll
Um .
.I'i
' • ' “1
1. '
,N
Um 1
>11
d
<1 *,
\ - --
C» < I*.
»11
V-. ’<
X ;
Cm 1>,
TT*
' 1 4 2
h/,
\ --
Cm |>.
TT.
'-T
;«'■ ri*.
1."
N '•
Cm t !'>
** s
::
\
<v»
Cm . IS
7)0
s« - 5 <
11..'.
- : • • t ' 2! 1 *^
4. Am 1 r.^j arct '? Re^t. oormai»
Cm • i*>
*•27
142
f/)
\ .
Cm >k>
V "4
St 71
i r
\ rrr. .
Cm I
7 4
S-- M
‘Uü
O.ic
X :r..
Cm f R;
.72 4
V. 1 *2
N r-...
u n
- : a
1."
.V-, . 1 '.r r ^ í; . ' .
B. Mario Mourão — O papel do estreptococo no Pènfigo Foliaceo 243
Pela via subcutânea as toxinas 58 e 142 provocaram a formação do edema
« eritema; num cobaio (X.® 555), que teve reação fortemente positiva, houve
a formação de escara 72 horas depois.
Um cobaio inoculado pela via peritoneal apresentou peritonite na necropsia;
dois outros animais, inoculados pela mesma %na e com a mesma toxina, com-
portaram-se normalmente durante todo o período de observação.
Xada observamos com a inoculação das toxinas pela vúa transocular.
d) Ratos e camondongos:
Os murídeos foram insensíveis às inoculações das toxinas, não apresentando
<juaisquer sintomas anormais, cutâneos ou gerais.
D) AÇ.^O FIBRIXOLITICA (Quadro XXII)
1. Estreptococos e plasmas utilizados
a) Estreptococos:
Para as provas de digestão da fibrina humana, trabalhamos com 16 amos-
tras isoladas de penfigosos, cuja origem é a seguinte:
6 isoladas por hemocultuia;
4 ” de eflorescêndas epidérmicas;
4 ” em necropsias.
titulo de controle, realizamos as mesmas pesquisas em estreptococos he-
mohticos isolados de doentes de Dermatite Herpeti forme de Duhring, de úl-
ceras na perna e de sarcoma do braço com metástases. Também procedemos a
prova nu’amostra de enterococo.
b) Plasmas:
Além do plasma de indivíduo normal achamos interessante usar plasmas de
•doentes de Pênfigo Tropical, em vários estádios clínicos da dermatose:
I — fase de invasão bolhosa;
II — dermatose crônica generalizada;
III — caso benigno não generalizado, com recrudescenda bolhosa;
IV — dermatose cm regressão;
V — forma frusta.
2. Técnica utilizada (39)
a) Cultura de 24 horas em caldo-soro. Centrifugar.
b) Plasma. Receber 10 cm* de sangue humano em um tubo contendo c
pó obtido por evaporação de 0,5 cm* de uma solução a 4% de oxalato de potás-
sio. Centrifugar,
Acompanhou-no* na» prova» de toxicidade o dr. Celso Brandão, a quem somos gratos.
103
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
244 Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Qvadko XXII
REAÇAO DA FIBRIKÓLISE
O
«T
w
6
PROCEDÊNCIA
o^ S
3?
it
a C
>
s
u
— m
n M
r» u
M O
«Cm
sl-:
c=c
>c -c
ft = >
ÍS
í ~ Pv
C
£ e ,
ilt
*“ Um
W
K W SC
c .
r ?
-u
u
w
S 5 I
3 i 1
~£i.
il
Mi
Observações
58
lirtnocnltur»
CP
CP
L
L
L
L
CT
Patofênico para ani*
mais de laboratório.
71
Hemocultura
CP
L
L
L
L
L
CT
Idem
131
Hrmocultura
L
L
L
L
L
L
CT
Idem
142
Hctnocuhura
CP
L
L
L
L
L
CT
Idem
330
HrmocuItuTa
CT
CT
CT
L
L
L
CT
Idem
133
Liq. Lclhat
CP
CP
L
L
L
L
CT
Idem
276
I.iq. bolhat .......
CT
CT
h
L
I.
L
CT
Idem
320
Crostas
L
L
L
L
L
L
CT
Idem
332
Llq. bolhas
L
L
L
L
L
L
CT
Idem
217
Necropsia
L
CT
L
L
L
L
CT
Idem
24S
Necropsia
l.
L
L
L
L
L
CT
Idem
291
Necropsia
cr
CP
CP
CP
L
L
CT
Idem
292
Nrcrôpsia
CP
CP
L
L
L
L
CT
Idem
293
Necròpsia
CP
L
L
L
L
L
CT
Idem
317
Necropsia
L
L
L
L
L
L
CT
Idem
288
Heiaoctütura
CT
CT
CT
CP
CP
CP
CT
Nio patocenico para
animais de laborai.
200
Llq. bolhas
Dermatite Duhrinc .
CP
CP
L
-
L
L
(T
PatOfênico para ani*
mais de laboratório.
27
Hemocultora
Dermatite Dahrtaa .
CT
CT
CT
-
CT
CP
CT
ó^lrrpf. rirvJsRi
404
Necrópsta
Sarcesaa do braco . .
CT
CT
CT
-
CT
CP
CT
Patocenico para asi*
mais de laboratório.
Pus
ÜIctra da perna . . .
CT
CT
CT
CT
CT
CT
CT
441
Sirtpt. fãrcmlií ...
CT
CT
CT
CT
CT
CT
CT
■r
B. Maiuo Mouiúo — O papel ilo cstreptococo no Pênfigo Foliaceo 245
c) Solução de cloreto de cálcio a 0.25 Çl».
d) Misturar:
Sobrenadante da cultura 0,S cm®
Plasma oxalatado 0,2 cm®
Salina fisiológica 0.8 cm*
Solução de cloreto de cálcio a 0,25íc 0.25%
e) Incubar em banho-maria a 37®. Leituras após 1, 3 e 24 horas.
3. Resultados
São altamente interessantes os resultados da reação de fibrinólise no plasma
de penfigosos, em comparação com o plasma normal.
Como se verifica no Quadro XXII, usamos em nossas exi>criências 15 cs-
treptococos hemoliticos e virulentos isolados de Pênfigo Foliaceo. Estabele-
cendo percentagens, levando em consideração somente essas amostras patogêni-
cas, teremos os seguintes resultados:
lova%2o
bolhoM
Uermalof^
iceacra*
tiiAda
Ca«o
hcniicno
Forma
Iruata:
DcnziatoM
em
reirre«»lo
rUftroa
normal
Coâi^Uçio . • •
M*.
«.s».
iwr;
0*.
U*.i
Li<)ae!»{io . . .
xu*..
8S.7S
S3L4»,
IWf
100%
A interpretação imunológica dêsses achados será discutida por nós nuis
adiante, mas os seguintes fatos devem ser imediatamente realçados:
I — os estreptococos òc/o-hemoliticos \nrulcntos, isolados de material pa-
tológico de Pênfigo Tropical, são fibrinoliticos ;
II — a maior percentagem de coagulação foi no doente em que a dermatose
SC estabelecera rccentcmcnte :
III — no portador- de dermatose crónica generalizada o impedimento da
fibrinólise foi inferior ao caso de invasão bolhosa. ainda que bem elevada;
IV — no caso benigno (cm recrudescência bolhosa) e na forma frusta aqui
estudados, a percentagem de coagulação sofreu uma queda, com tendência a apro-
ximar-se do plasma normal:
V — a fibrinólise no plasma do caso com dermatósc em regressão, em vias
de cuM clinica, não foi inibida, sendo o resultado idêntico ao plasma normal.
O cstreptococo 288, avirulcnto para animais de la^ratório, não digeriu a
fibrina humana, confirmando o conceito de Tillet & Gamer (36), que conside-
ram a reação da fibrinólise como diferenciadora dos estreptococos jatogénicos
dos não patogênicos.
105
I SciELO
246
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Entretanto, o estreptococo 4ÍM, classificado scrologicamente no grupo A. é
patogênico para ratos e camondongos e não realizou a fibrinólise em plasma hu-
mano, mostrando que o carater diferencial estabelecido por Tillet & Gamer não
é absoluto.
A amostra 200, hemoHtica, altamente patogênica para animais de laborató-
rio e scrologicamente pertencente ao grupo A de Lancefield. não liquefez os plas-
mas de penfigosos em ins-asão bolhosa e com a dermatose generalizada; liquefez
os plasmas dos casos benigno e com a dermatose em regressão, como também
o plasma normal. Êsse estreptococo foi isolado de liquido de bolhas de um me-
nino afetado com Dermatite Herpetiforme de Duhring (fig. 15).
O estreptococo 27, do grupo alfa, isolado de hemocultura de doente de
Dermatite de Duhring (Fig. 22), não é fibrinolitico, apesar de ser patogênico
para camondongos.
Os dois outros estreptccocos de controle (69B, isolado de úlcera da perna
■e o 46B, enterococo), não realizaram a fibrinólise nos diversos plasmas estudados.
CAPITULO X
DISCUSSÃO DAS PESQUISAS REALIZ.ADAS. OUTROS ASPECTOS
CLINTCO-EXPERIMEXTAIS RELACIONADOS COM O PROBLEMA.
OS ESTREPTOCOCOS EM DERM.JtTOLOGIA
Em 1883, dois anos depois da descoberta do estreptococo por Pasteur,
•ChambcrIain & Roux, foi isolado em cultura pura por Fehleisen o agente etio-
lógico da erisipela, sendo esta a primeira estreptodermia descrita.
Sabouraud (42), no inicio deste século, demonstrou pela primeira vez o
papel dos estreptococos nas dermatoses vulgares e descreveu uma serie de mo-
léstias nas quais essas bactérias eram responsabilizadas como agentes microbia-
nos. Por estreptodermias, naquela ocasião, foram classificadas as seguintes der-
matoses; impetigo vulgar, ectima, elefantíase nostra, intertrigo ordinário, impe-
tigo sêco da face e as afecções dai por diante chamadas como estreptodemiites
crônicas. Tal opinião foi baseada na presença do estreptococo cm eflorescêndas
cutâneas c confirmada por uma série de obser\-ações clinicas. A escola francesa,
posteriormente, ampliou as obser\‘ações de Sabouraud c admitiu que o estrep-
tococo se desenvolve na pele com extraordinária frequência, podendo determi-
nar uma multiplicidade de tipos mórbidos cutâneos. Segundo Gougerot (43)
« Milian (44), as seguintes dermatoses podem ser classificadas com estrepcococ-
I SciELO
106
B. Muiio Mocr-ío — O papel do estreptococo no Pênfigo Foliaceo 247
<ias: erisipela; linfangites reticulares e tronculares; elefantíase nostra dos mem-
bros inferiores, do lábio superior, etc., quando o derma e o hipoderma são atin-
gidos; impetigo contagioso de Tilbur)' Fox e todas as suas formas; impetigo
sêco da face ou o gorduroso, associado à seborréia do couro cabeludo; impetigo-
-ectima bolhoso dos membros inferiores; impetigo ukeroso (rupia); estomatite
impetiginosa nos cantos da boca (perleche ) ; sifilóide pápulo-erosivo perianal de
Jacquet; queratite flictenar; paraqueratoses secas (pitiriase róseo, etc.) e gor-
durosas (pseudo-tinha amiantácea de Alibert, etc.); prurigo infeccioso; inter-
trigo retro-auricular e das pregas articulares; disidrose infecciosa aguda; pênfigo
epidêmico dos reccm-nasddos (moléstia de Ritter) ; e, toda a gatna das dermo-
-cpidermitcs microbianas difusas eritêmato-escamosas, de grande polimorfismo
lesionai. A demonstração da natureza estreptocócica dessas dermatoses," se-
gundo os autores franceses, se estriba em:
1 . Pro\-as bacteriológicas : existência do estreptococo nas lesões de re-
cente formação ou nas zonas de extensão em cultura pura ; estimativa do número
de germes em comparação com casos de controle.
2. Intradermoreações positi\'as.
3. Provas experimentais: reprodução das lesões por inoculação voluntá-
ria em individuos normais.
4. Pro\*as clinicas: evolução e resultados terapêuticos por tratamentos
adequados.
As idéias de Sabouraud não foram totalmente aceitas, como também o con-
ceito atual ampliado dos seus disrípulos. A erisipela é reconhecida como sendo
produzida por um estreptococo óz/a-hemolitico pertencente ao grupo A. A etio-
logia estreptocócica da elefantiase nostra, das linfangites, da celulite flegmonosa
difusa, do impetigo contagioso e*do ectima dos membros inferiores é agora ad-
mitida pela maioria dos autores. Os dermatologistas ainda se mostram reser-
vados sobre as outras estreptodermias, porque os estreptococos podem ser encon-
trados na pele em estado de saprofitismo, como em afecções cutâneas nas quais
a etiologia estreptocódea pode ser excluida.
Já Frcderic (45). em 1901, demonstrou a presença de estreptococos numa
percentagem de 7.5%, cm 160 jartes de pele normal ; em diversas afecções cutâ-
neas, entre as quais casos de impetigo, encontrou estreptococos cm 53.7%.
Flchme (46). cm 1920, revelou a presença de 15% de estrcptocccos cm
epiderme normal, resultando dêste fato que, a simples presença dos estreptococos
em uma lesão externa, não significa causa ctiológica.
Perciva! (47), cm 1929, achou que os estreptococos são habitantes do tegu-
mento externo em número escasso e calcula que somente 7,5% como mínimo e
15,0% como máximo dos indivíduos normais albergam ésse germe no revesti-
mento cutâneo.
107
16
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
248
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Entretanto Milian. reclamando a importância dos estreptococos nas derma-
toses rotuladas como estreptodermites, diz que há quem recuse o pape! etiológico
dessas bactérias em tais doenças da pele. porque podem ser encontradas em es-
tado saprofitico no envólucro epidérmico de indivíduos normais. Objeta êste
argumento, lembrando as experiências de Photinos (48), realizadas em seu la-
boratório cm 1927. Photinos pesquisou o estreptococo na pele normal de 50
pessoas sem qualquer erupção cutânea. As culturas microbianas foram feitas
de material colhido na face. no dorso do nariz, nos sulcos naso-genianos e pregas
retro-auriculares. O estafilococo esteve sempre presente em todas as culturas.
O estreptococo foi culti\-ado da raspagem de 32 pessoas, ou seja numa proporção
de 64%. Os casos negativos (36%) se referiam a indiriduos que nunca tive-
ram qualquer lesão estreptocócica nem outros antecedentes dermatológicos. Xos
casos positivos, a anamnese mostrou passado de pitiríase da face e do couro cabe-
ludo. furunculose, acne e foliculite, dermatoses a estreptococos ou de associação
estáfilo-estreptocócica frequente. Com estas pesquisas Photinos, que foi dis-
cipulo de Sabouraud. pretendeu demonstrar que das pessoas que não tiveram
lesões estreptocócicas ou como tal consideradas, as epidermoculturas eram ne-
gativas para êsse germe.
Haxthausen (49), também em 1927, estudando o problema e usando um
meio com cristal violeta, a-fim-de aproveitar a ação bacteriostática dessa substân-
cia sôbre os estafilcxrocos e facilitar o crescimento dos estreptococos nos meios
de cultura, reviu a questão e chegou a resultados bastante interessantes. Fez
600 culturas de pele de individuos normais e com afecções cutâneas diversas.
Em 92 casos normais encontrou estreptococos numa percentagem de 7,6%. O
material para exame foi colhido do tronco, braço, couro cabeludo, pregas ingui-
nais, axilas e coxas. Os resultados confirmafam a presença acidental dos es-
treptococos sôbre a jiele normal, ainda que êles sendo mais raros do que os esta-
filococos. Em doenças cutâneas de origem não estreptocócica, demonstrou a
presença dos estreptococos em 15% dos casos; não levou em consideração aque-
les complicados com impetigo ou outras dermatoses, cuja origem estreptocócica
c reconhecida. Nas lesões úmidas os resultados positivos foram em maior per-
centagem. Nas dermatoses cuja origem estreptocódea foi reconhecida por Sa-
bouraud as suas verificações podem ser resumidas como segue:
1) Impetigo e ectima: a origem estreptocócica foi confirmada. De 68
casos 60 foram positivos; os negativos já tinham sido tratados com antissépticos.
2) Penfigo epidêmico dos recem-nascidos : as pesquisas revelaram a ori-
gem estafilocócica.
3) Intertrigos: O intertrigo retro-auricular é de origem estreptocócica;
quanto às outras formas clinicas acredita que são infecções secundárias, porque
na maior parte demonstrou a presença de cogumelos.
108
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. Mario Movrão — O papel do eslrcplococo no Pènfigo Foliaceo 249
4) Pitiríasc simples, eczema seborreico e eczematides: apresentam resul-
tados difíceis de julgar. No pitiriase seco do rosto, demonstrou a presença do
estreptococo em 40 dos 54 casos estudados, permitindo concluir por sua origem
estreptocócica. Na afecção chamada de dermatose médio-torácica e no pitiriase
drdnado do corpo, teve resultados negativos, sobretudo em lesões secas. Nas
eczematides e eczemas, a presença do estreptococo c inconstante e supõe que esse
germe não constitue a etiologia direta dessas afecções.
Considerando a importânda atribuída à escama, como elemento infectante
na escarlatina, Salassa (50), cm 1940, estudou a distribuição topográfica dos
germes na pele de indivíduos escarlatinosos durante as diversas fases da doença
e na conralesccnça. Exduiu, deste estudo, os anaeróbios obrigatórios c votou
espedal atenção para os estrcptococos hemoHticos. Salassa verificou que a pele
das pessoas atingidas de escarlatina é muito rica cm germes, cspccialmente na
face, mãos e pés. Independente da fase clinica da moléstia c da região cutânea,
conseguiu isolar estrcptococos hemoHticos em 38% dos casos examinados. Os
estrcptococos foram isobdos nos períodos inicial, exantemoso e descamativo da
doença. .Após esse último período é dificil isolar estrcptococos hemoHticos e
depois de 15-17 dias da moléstia um resultado positivo deve ser considerado ex-
cepcional. Salassa estudou 50 casos de escarlatina e os exames bacteriológicos
foram executados com material obtido da fronte, região anterior do tórax, qua-
drante inferior do aMomen, região dorsal do pé. face anterior do braço c região
dorsal da mão.
.\ nossa impressão é que éste amplo papel atribuído aos estrcptococos na
Dermatologia devería ser revisto por um prisma mais imuno-bactcríológico, não
sc descuidando, entretanto, dos fatores indiríduais e gerais que propiciam a im-
plantação desses micróbios no revestimento cutâneo dos infectados.
Nos trabalhos que referímos linhas acima, com e.xccção do de Salassa. que
foi orientado para a pesquisa do estreptococo (b escarlatina, quasi nenhuma alu-
são encontramos sóbre a classificação e sorologia dos estrcptococos. Houve uma
nítida tendência em assinalar a sua presença, sem referir às suas propriedades
intrínsecas c patogcnicidade. Nem mesmo é referida a elementar pesquisa de he-
mólisc que constitue. hodiemamente. apenas o passo inicial para a classificação
bioquímica e sorológica deste grupo de bactéría,s. de grande importância na
patologb.
Abstraindo os trabalhos brasileiros, apenas os seguintes autores fazem re-
ferêneb sóbre a capacidade hemoHsante dos estrcptococos isobdos de casos de
Pènfigo: McEvem (.13). Artom (15), Ciani (19), Manca (20) e Grace (21),
isolaram estrcptococos hemoHticos; Wclsh (22) diz que as amostras de estrep-
tcjcocos que isolou produziram uma larga e intensa zona esverdeada nos meios
sólidos com sangue.
109
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
250
Memórias do Instituto Butantan — Tomo X\TI
A classificarão adotada para distinguir os estreptococos pela produção de
hemólise é a de Brown (39), que distinguiu 4 tipos:
1. O tipo alfa ou iirídans que produz descoloração esverdeada em agar-
-sangue em placas, com hemólise parcial ao redor das colônias. Uma zona clara
exterior pode-se desenvolver guardando a cultura na geladeira.
2. O tipo bela ou hemoIUico que, pela produção da hemotoxina, produz uma
zona de clareamento ao redor das colônias, rigorosamente definida. Ao micros-
cópio não se vêm eritródtos intactos. Não há aumento da zona de hemólise
pela conservação da placa na geladeira.
3. O tipo alfa-primo, intermediário entre os dois primeiros, que produz
uma zona hemoHtica turva, moderada, na qual podem ser encontrados micros-
copicamente glóbulos vermelhos intactos.
4. O tipo gama ou inerte que não produz nem coloração verde, nem halo
de hemólise.
Lancefield (31), observou que os estreptococos hemoliticos podiam ser di-
rididos cm grupos sorológicos, graças aos seus componentes antigênicos. Con-
seguiu isolar uma fração proteica ácido-soluvel a qual denominou proteim M
e um carbohidrato C, grupo-especifico, que permite separar os estreptococos he-
moliticos em vários grupos. Outras duas substâncias foram ainda bem caracte-
rizadas: a nuclcoproteina P c o carbohidrato S.
Lancefield distinguiu inicialmcnte 5 grupos, por meio de reações de preci-
pitação :
1 . O grupo A que é composto pelas amostras rirulcntas de origem huma-
na, classificadas como Strcptococcus pyogenes.
2. O grupo B que inclue o estreptococo da mastite bovina, o Strcptococcus
agalactiac.
3. O grupo C que é constituido por amostras hemoliticas humanas e ani-
mais cujo comportamento biológico é idêntico, de um modo geral, ao Strept.
pyogenes; a espécie melhor estudada é o Strept. equi.
4. O grupo D do qual fazem parte amostras isoladas do intestino humano
e do queijo.
5. O grupo E que é formado por algumas amostras isoladas do leite.
Os achados de Lancefield estimularam pesquisas por essa correta via de es-
tudos e os grupos F, G, H e foram acrescentados aos 5 grupos inidais.
Harc, Pauli & Corbun (51), pela predpitação da substânda M cem so-
ros tipo-espedficos, dividiram o grupo A de Lancefield em 28 sub-grupos.
Griffith (52). pelo método da aglutinação em lâminas, com soros absorvi-
dos, classificou os estreptococos hemoliticos de origem humana em 30 tipos, des
quais 26 foram inchiidos no grupo e os restantes nos grupos C e G.
110
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. Mario Mourão — O papel do eslreplococo no Pènfigo Foliaceo 251
E’ interessante anotar que, segundo as verificações de Todd (53), apenas os
três grupos de estreptococos hemoliticos que ccmumente infectam o homem (grupo
A, C e G), produzem a estreptolisina O. Já a estreptolisina S é produzida só-
mente pelos diferentes tipos de estreptococos hemoliticos do grupo A. A estrep-
tolisina S do grupo A é grupo-espedfica.
Recentemente, depois dos trabalhos de Sherman (54), foram adotados mé-
todos para a classificação biológica dos estreptococos que têm sido usados para
diferenciar as bactérias em geral. Algumas dessas provas merecem ser mencio-
nadas: temperatura ótima, temperatura máxima com sobrevida, crescimento em
meio de cultura com pH a 9.0, crescimento em presença de solução de NaCl a
6.5%, crescimento em agar-sangue biliado, atividade fibrinolitica e outras menos
importantes.
Gay (55) relata que as \-ariedades de estreptococos primariamente patogê-
nicas para o homem e animais, são aquelas que se classificam como hemoliticas.
Es-identemente, existe uma relação entre a potencialidade hemotóxica e patoge-
nicidade, ainda que não se tenha explicado êste mecanismo. Mas, de qualquer
maneira, está mais ou menos demonstrado que, quando a virulência falta ou ê
quasi nula, a hemotoxina está ausente. A snrulência e a capacidade de invasão
dos estreptococos hemoliticos, dependem, além de outros fatores, da produção
da leucoddina, da estreptolisina, da fibrinolisina e de uma substância denominada
fator de difusão de Duran-Reynolds {sfrcadtng factor).
Platon, Ehvan & Hoyt (56) afirmam que nas estrepte codas "the dinicai
picture is determined by a number of factors, such as the portal of entry, the
tissue infected and, most important of all, by the properties of the organism
which characterize it as virulent and invasive, together the toxic substances sc-
creted and the immunologic reactions of the host to these biological dreums-
tance".
Lembremos aqui as belas palavras de Bordet (57) : “L’étude de 1’infcc-
tion et celle Tinununité sont inseparables. La virulence du microbe est son im-
munite vis-a-vis de 1’organisme; rimmunité de 1’organisme est sa virulence pour
le microbe. On doit soumeltre à une analyse approfondrc les proprietês d'atta-
que des microbes dont Tensemble constitue la virulence, et les capadtcs defen-
sives de 1’organisme, dont 1’assodation donne immunitê, sans perdre de vue que
le microbe qui attaque doit aussi se defendre”.
Os estreptococos do grupo alfa ou dridcscentcs não formam toxinas solú-
veis, nem hemolisina e são avirulentos ou de baixa virulência para animais de
laboratório; são tidos como agentes mais comuns da endocardite sub-aguda bac-
teriana e das infecções focais. Não conhecemos referência alguma sôbre sua
existênda nas lesões das dermatoses rotuladas como estreptodermias.
Os estreptococos anhemoliticos ou do grupo gama geralmente são conside-
rados como destituidos de patogeniddade e de nula significação na produção de
111
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
252
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
doen<;as cutâneas ou gerais; são. quasi sempre, avirulentos para animais de la-
boratório. Como os do grupo alfa, eles são capazes de produzir, em menor es-
cala, endocardite sub-aguda, infecções das snas urinárias ou ser causa de infec-
ções focais. Germes dêsse grupo têm sido encontrados no intertrigo, porém, seu
papel como agente de tal dermatose tem sido posto em dúvida.
Segundo Topley & Wilson (58) a grande maioria dos cocos encontrados
no revestimento cutâneo não são patogênicos para homens e coelhos; os patogê-
nicos encontrados em maior número, são os estafilococos da variedade aurcus.
Kolmer & Tuft (41) dizem que a maioria dos estrepte cocos encontrados na
cavidade bucal são do grupo gama (inertes) e alfa (viridescentes). Somente
7Çír dos individuos normais possuem estreptococos hemolíticos potendalmente
virulentos na mucosa pituitária e naso-faringe. sendo o número dêsses micróbios
bem mais ele\’ado durante as infecções das vias respiratórias superiores. .-\pe-
nas em A^c de pessoas higidas foram encontrados estreptococos hemoliticos do
gnipo A na' epiderme ; os estreptococos anhemoliticos foram isolados com maior
frequência; possivelmente a contaminação da pele pode ser originária das vias
respiratórias. /\s pesquisas de Salassa na escarlatina, onde os estreptococos he-
moliticos c.xistem de 80 a lOO^i no naso-faringe, durante a fase aguda da mo-
léstia. vêm de encontro a essa suposição de Kolmer & Tuft; as partes expostas.
sen> a proteção das vestes, são as regiões mais ricas em germes, sobretudo de
estreptococos hemoliticos; no periodo de con\'alescença, em que há tendência ao
de-saparecimento dos estreptococos, êles c.xcepcionalmente são encontrados no
tegumento externo.
Como se vê, a concepção atual ê de que os estreptococos hemoliticos rara-
mente liabitam a epiderme normal. Alêm do mais, o revestimento cutâneo-
-mucoso constitue a primeira linha de defesa que se opõe inespeci ficamente à
penetração dos micróbios e parece possuir um complexo mecanismo de auto-
-dcsinfecçâo, que c responsável pelo rápido desenvolvimento dos germes vivos
côbre êle. As experiêndas de Colebrook (59) a êste respdto são muito interes-
santes: êste autor verificou que quando se depõem estreptococos hanoliticos so-
bre a epiderme, dentro de poucos minutos diminue o seu número: 30.(XX).000 de
estreptococos que seguiram à deposição nos 3 minutos iniciais, há uma reduçáo
na primeira hora para 1.722.000 e ao fim de 2 horas para 7.000. Idênticas ob-
servações foram efetuadas com o Proteus tmlgaris. pneumobadlo de Friedlãn-
der e colibacilo. Amold & colaboradores (82) verificaram, em numerosas expe-
riências, que culturas vivas de Eschcrichía coli, Ebcrtella typhosa e Salmonella en-
tfridilis não são recuperadas depois de 10 minutos de contacto com a pele da
face palmar da mão. Com o Staphylococcus aurcus, nessa série de experiêndas,
houve uma redução inicial de 82^0 em 10 minutos, porém o germe ê ainda iso-
lado depois de muitas horas, o que explica a frequênda dos estafilococos no re-
vestimento cutâneo e principalmente nas fendas epidérmicas.
112
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. >Luiio MocnÃo — O papel do cslrcptococo no Pènfigo Foliaceo 253
OS ESTREPTOCOCOS DO PÊNFIGO FOLIACEO. A TOXINA
ERITEM.\TOGÊNICA. REAÇAO DA FIBRINÓLISE
Os estreptococos hemolíticos do Pênfigo Tropical foram identificados ao
Strcptococcus pyogcnes ROSEXBACH, espécie tipo do gênero Streplococctis.
Da espcde Strept. pyogcnes fazem parte as amostras hemoliticas pertencen-
tes ao grupo sorológico A, isoladas em infecgões humanas de vários tipos, produ-
zindo ocasionalmente infecções em animais e raramente encontradas no leite.
Bier (39) observa que todo estreptccoco hemolitico. quer seja isolado do
pús de um abcesso, de uma angina lacunar ou de uma angina escarlatinosa, de-
verá ser rotulado como Strcptococcus pyogcnes, pois não existem caracteres mor-
fológicos, bioquimicos ou sorológicos suficientes para diferenciar o estreptococo
<la escarlatina ou da erisipela, etc.
Gay (55), discorrendo sobre a ubiquidade dos estreptococos e sobre a ^•a-
riedade das moléstias a eles atribuidas, diz que é preciso reconhecer que um de-
terminado microorganismo pode produzir muitas doenças e também que muitos
germes podem produzir uma lesão mais ou menos idêntica.
N’os trabalhos norte-americanos não encontramos uniformidade nos caracte-
res ecológicos e bioquímicos dos estreptococos isolados de dermatoses filiadas
ao grupo do Pênfigo.
O “bacilo de Eberson” (9)-Bactcrium pcmphigi — mais tarde incluído en-
tre os estreptococos, tem como principais caracteres: Germe extremamente pe-
queno nas primeiras gerações, ovóide, cocóide e pleomórfico. Tende a formar
grupamentos compactos. Acidifica a glicose c a glicerina e não tem ação sôbre
a lactose, maltose, sacarose, manita, rafinose e inulina. .Anaeróbio. Patogênico
para cobáios e coelhos. Avirulento para macacos.
Os estreptococos isolados por Welsh (22) são anaeróbios estritos no pri-
meiro isolamento. As colônias produzem orla esverdeada em agar-sangue (rirí-
dans). Fermentam a dextrose, maltose, manita. sacarose, levulose. galactose e
salicina; não fermentam a rafinose, imilina, arabinosc. xilose, dulcita e inosita.
Virulentos para coelhos, cobáios, ratos e camondongos. especialmente para os
últimos; as lesões cutâneas obser\'adas nos animais de laboratório se aproximam
das do Pênfigo.
McEven (13) faz a descrição de estreptococos hemolíticos originários de
doente de Pênfigo cujo comportamento nos hidratos de carbono é o seguinte:
acidificação positiva para dextrose. levulose. galactose. maltose, sacaro.se, dex-
trina e salicina: negativa para lactose e manita.
Grace (21) isolou do liquido de bolhas e do sangue cardíaco de necrópsia.
de um caso de Pênfigo Vulgar e de outro de Pênfigo Vegetante, 6 amostras de
113
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
254
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
estreptococos hemoHticos, identificando-as pelo esquema de Holman (60). Ob-
teve os seguintes resultados: 2 amostras foram classificadas no grupo subaci-
dus (lactose -f- manita — , salidna — ) ; 3 produziram fermentações do grupo pyo-
gcnes (lactose -f- manita — salina +) ; e, a última, no grupo infrequens (lac-
tose + manita -f salidna + ).
O mesmo não aconteceu conosco na identificação dos estreptococos originá-
rios de penfigosos.
As 39 amostras õe/o-hemoliticas que estudamos foram duma imiformidade
quasi que absoluta, afóra raras exceções, já assinaladas por nós, na fermentação
dos açúcares e patogenicidade para animais de laboratório.
Rantz (61), recentemente, aplicou a dassificação bio-sorológica em 392 es-
treptococos hemoliticos e anhemoliticos de origem humana. Dos 32 estreptoco-
cos isolados em necrópsias apenas um foi classificado no grupo A, a maior parte
(12 amostras) no grupo D (cnterococos) e os restantes nos grupos B, C, F eG
ou não grupados. Nas nossas pesquisas todos os estreptococos que classifica-
mos sorologicamente eram do grupo A. Talvez êsse achado sirva para fortale-
cer a suposição, que adiante fazemos, de serem os estreptococos isolados das ne-
crópsias de Pênfigo procedentes, possivelmente, em sua maioria, da epiderme.
A toxina eritomatogcnica de Dick & Dick (35), possue, entre outras, três-
principais características:
a) Grande estabilidade, não se transformando espontaneamente cm toxói-
de, como as toxinas diftérica e tetânica;
b) Relatira termo-resistênda, resistindo a 95® durante 45 minutos;
c) Especificidade ao homem, produzindo um eritema localizado quando in-
jetada em pequena quantidade; maiores quantidades em indivíduos partictilar-
mente sensíveis, podem produzir um eritema generalizado, com febre e mau
estar.
Os animais gcralmcnte não são muito sensíveis à toxina erítrogcnica. Se-
gundo a maioria dos autores, cm coelhos, ela pode produzir um eritema por via
intra-dcrmica ou sub-cutânea, mas não tão nítido e duradouro quanto no homem;
a sua dose letal sendo muito volumosa (5 a 10 cm’, via intravenosa).
Rosenow (62) indica porcos e carneiros como animais adequados para a
dosagem da toxina eritematogènica ; aparentemente só apresentaram sensibilidade
cerca de 10 vezes menor do que o homem, podendo-se, portanto, aplicar a toxina
em diluições de 1:10 ate 1:100.
Teichmann (63) não observ'ou reações cutâneas em outros animais, além
do cavalo e porco, pela injeção intra-cutãnca de filtrados de estreptococos hemo-
liticos isolados de escarlatina.
114
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. >Luuo Movrão — O papel do cstreplococo no Pênfigo Foliaceo 2õ5-
Em nossas experiências os coelhos reagiram por ria intradérmica (até a
diluição de 1/50) e por ria sub-cutànea, obser\’ando-se ainda derrames sanguí-
neos e formação de escara no ponto de inoculação.
Nos cobáios obtivemos formação de edema c eritema por inoculação sub-
-cutânea.
Por outras rias, a toxina eritematogênica foi sem ação nesses dois animais.
Ratos e camondnngos foram insensiveis às inoculações praticadas por di-
versas vias.
Demonstramos também que a toxina poude provocar, em alta diluição, uma
reação eritematosa em pessoa sensivel.
Em 25 doentes de “Fogo Selvagem”, com várias formas clinicas da molés-
tia, experimentamos as toxinas 58 e 71 (ambas dosando 50.000 S.T.D.) e filtra-
dos de outros estreptococos hemoHticos provenientes de penfigosos. Nesse grupo
não havia nenhum doente com a forma frusta. As inoculações foram feitas até
a diluição de 1 :1.000 por via intradérmica. Não observamos qualquer sintoma
anormal, cutâneo ou geral.
A hipótese mais plausivel da falta de reação é supor-se que a existência de
antitoxinas circulantes neutralizaram a toxina. Sabe-se, além do mais, que a
anti-eritema-toxina neutraliza especificamente a toxina eritematogêiuca "irt
vivo" e "in vilro”.
De qualquer maneira, os nossos achados parecem estabelecer os seguintes
fatos:
1. ® — Os estreptococos originários do Pênfigo Tropical secretam uma to-
xina eritematogênica.
2. ® — Diluições dessa toxina injetada em penfigosos não provocaram eri-
tema local, pressupondo a existência de uma antitoxina neutralizante na circula-
ção.
3. ® — Como um estreptococo hemolitico do grupo A é isolado com faci-
lidade das lesões cutâneas de Pênfigo Foliáceo e pode passar para a corrente
sanguínea ou acarretar outras complicações, sugerimos que seria útil tentar:
a) Demonstrar a toxina eritematogênica e sua antitoxina no
organismo dos penfigosos.
b) Realizar pro^•as intra-dérmicas, nos moldes da reação de
Dick, nas zonas focos e particularmente nas pessoas que vivem em
contacto com os portadores de Pênfigo, visto a existência de aparen-
tes "epidemias familiares”; os indivíduos sensíveis seriam imuniza-
dos com a própria toxina, graduada cm unidades cutâneas ( S.T.D. ).
c) Transformar a toxina eritematogênica em toxóide e tentar
uma imunização ati\’a dos doentes. Poderá ser assodada ou não a
IIS
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
256
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
\-acinas mortas por aquecimento mitigado, feitas com culturas jo-
vens de germes de recente isolamento ou virulentos, segundo a téc-
nica recomendada per Loe^venthal (64).
d) Tentar uma imunização passiva nos doentes de Pênfigo,
usando um soro misto e homólogo, anti-tóxico e anti-bacteriano. Se-
ria também interessante pro\-ar a administração simultânea de soro
e sulfanilamidas.
O soro anti-estrcptocócico deve possuir em alto grau opsoninas tipo-cspeci-
ficas para germes virulentos. Segundo Platon, Ehvan & Hoyt (56) o anti-soro
ideal para o tratamento de infecções de estreptococos do grupo A, tanto na es-
carlatina quanto em outras entidades clinicas, deve possuir:
1. ® — abundância de anticorpos grupo-específicos e tipo-espe-
cificos ;
2. ® — riqueza em anticorpos de todos os produtos secretados
pelos estrcptoccos (toxinas solúveis, substâncias agressi-
vas, enzimas) ;
3. ® — homologia.
EHzem os citados autores que a neutralização da toxina eritematogênica,
produzida em quantidades variáveis por qualquer dos 30 tipos hemoliticos da
classificação de Gríffith, é muito desejável. Entretanto, outros produtos tóxi-
cos dos estreptococos, tais como a leucocidina, a estreptelisina, a fibrinolisina, os
■"spreading and in\-asivc factors”, não tém recebido consideração adequada dos
sorologistas. Os soros antitóxicos cstreptocócicos tém a propriedade de neutra-
lizar a toxina critrogénica, mas carecem de qualquer propriedade anti-bacteríana e
anti-in\'asi%’a. A aplicação de soros heterólogos de ca\'alo causam reações que
podem predispor a uma in\'asão bacteriana riolenta.
A capacidade de digerir a fibrina humana "tn vttro” é um carater pr6prio
da maioria dos estreptococos hemoliticos, particularmente dos pertencentes ao
grupo A. Todas as amostras hemoliticas e virulentas procedentes de material co-
lhido em penfigosos produziram a liquefação do plasma humano normal. Porém,
em presença de plasma de doentes de Pénfigo Foliáceo, nem todas tiveram tal
comportamento: na fase de in\'asão bolhosa e nos casos de dermatose crónica ge-
neralizada a inibição da fibrinólise foi em maior percentagem (60^ e 46,6%,
respectivamente) ; no caso benigno a percentagem de impedimento foi de 13,3%
e na forma frusta de 6,6% ; no plasma do doente em vias de cura a inibição foi
nula, sendo a reação idêntica â do plasma normal.
116
B. Mario Mour-ío — O papel do eslreptococo no Pcníiíjo Foliacco 257
Êsses fatos fazem acreditar na existência, no plasma dos portadores do
■“Fogo Seh^agem”, desde os primórdios da moléstia, da anli-fibrtnolisina, anri-
corpo cuja presença já foi verificada em outras infecções produzidas pelos es-
írcptococos hemoliticos. como a escarlatina, erisipela, angina lacunar aguda, etc-
Como não se conhece cxatamentc o papel da fibrinolisina na patogenia das
infecções por estreptococos hemoliticos, é lógico que também se desconheça a
função da anti-fibrinolisina. Sabe-se, todaria, que a fibrinólise é inibida pela
adição de anti-soro estreptocócico.
Não padece da menor dúvida que tais achados demonstram que no Pénfigo
Tropical existem anticorpos estreptocódcos na corrente sanguinea. e a presença
da anti-fibrinolisina, num caso inicial, constitue precioso argumento em favor
da nossa hipótese, adiante defendida, de haver uma toxemia precoce nessa der*
matose.
Em outra parte déste capitulo discutiremos as diferenças bacteriológicas
existentes entre as formas clinicas generalizadas e a forma frusta, benigna e
localizada. Acreditamos que a presença quasi nula da anti-fibrinolisina na for-
ma frusta possa ser outro carater adicional para o descrime.
A nossa apreciação sòbre a fibrinolisina e a anti-fibrinolisina ainda deve ser
encarada com a necessária resei^^a. Elstudamos aqui a prova fibrinólise em re-
lação aos estreptococos. Em outro trabalho pretendemos estudá-la mais inten-
samente, utilizando, porém, grande número de plasmas de penfigosos.
A ESTREPTOCOCCIA CUT.\.NEA NO PÊNFIGO FOLIACEO E NA
DERM.VTITE HERPETIFORME DE DUHRING
Das pesquisas retro-referidas ficou cabalmentc demonstrada a existência no
Pénfigo Foliáceo, desde os primórdios da doença, de uma extensa c intensa in-
fecção estreptocócica cutânea. Parece que a infecção é epidérmica, pro%-avcl-
mente não atingindo o derma e o hipoderma.
A presença de estreptococos durante a fase de in\-asão bolhosa, nos elemen-
tos crostosos ou no liquido de bolhas purulentas, foi de 100%. Não se pode,
todavia, afirmar que a sua presença esteja ligada diretamente à formação da bo-
:lta — que c a lesão patognomónica do Pénfigo — visto que todos os exames bacte-
riológicos de bolhas recentes e contendo liquido citrino foram negativos para es-
treptococos.
Na fase aguda, dos 16 casos que e.xaminamos, com exceção de um único,
todos os estreptococos isolados pertenciam ao grupo óefo-hemolitico. Nesse caso
de exceção, do qual isolamos estreptococos inertes, o Pénfigo foi de grande bc-
m‘gnidade, regredindo rapidamente. Nos outros doentes a dermatose evoluiu
classicamente, afetando mais tarde todo o tegumento cutâneo, com tendénci.i à
cronicidade.
117
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
258
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Nas formas generalizadas crônicas o estreptococo hemolitico constitue o ele-
mento bacteriano predominante nas lesões externas. A sua presença é de 33,33%
no liquido de bolhas recentes e limpidas e de 100% nas bolhas purulentas e lesões
crostosas. A presença de estreptococos hemoliticos, em cultura pura no líquida
de bolhas límpidas ou purulentas, parece demonstrar, segundo nossas obscr\ações,
ser grave o caso clinico, com tendência do estreptococo passar à corrente sanguí-
nea. Do Quadro II, com exceção apenas de dois, todos os doentes apresentados
faleceram; em dois casos, entre os 5 relatados, a hemocultura foi positiva para
estreptococos do grupo bela.
Possivelmente, os resultados mais interessantes no estudo da infecção cutâ-
nea. foram os que conseguimos na chamada forma frusta, cujo aspecto clínico-
morfológico se aproxima do síndromo de Senear & Uscher, segundo Vieira (65),
Rabcllo Junior (66) e Artom (29). Na flora bacteriana das lesões tegumen-
tares residiria uma das diferenças essenciais entre a forma frusta e as outras ou
tipos clinicos do “Fogo Sch-agem”, que nem mesmo a histologia conseguiu dife-
renciar. A maioria dos casos por nós examinados, não mostrou a presença de
estreptococos hemoliticos. A presença dêsses germes significaria a possibilidade
de um pênfigo frusto, localizado e benigno, se transformar rapidamente cm pên-
figo generalizado e grave, sob o influxo de uma causa que no momento nos c
ainda despercebida, possivelmente uma diminuição da resistência geral, com queda
das defesas imunitárias cutâneas e humorais. Nada pudemos deduzir, após mi-
nuciosa anamnese e exame clinico cuidadoso dos doentes nos quais observamos
êstes fatos. Resulta, pois, que todos os casos frustos devem ser sistematica-
mente submetidos a exames bacteriológicos das lesões cutâneas, a-fim-de defen-
der 0 doente de uma possivel generalização da dermatose, submetendo-se a aii-
dados higieno-dietctico-medicamcntosos, de modo a conservar sempre o esudo
geral e as defesas imunitárias antibacterianas em boas condições. A ausência de
estreptococos hemoliticos nas formas frustas, parece-nos um dos caracteres mais
importantes, tanto para o descrime com as outras formas clinicas do Pênfigo
Foliaceo, quanto para o prognóstico da evedução de um determinado caso clinico.
.‘\creditamos ser de toda oportunidade referir os achados de Aragão (67,
68 c 69J relati\-amentc ao carater diferencial entre o alastrim ou varíola mansa
e a varíola, através da flora bacteriana secundária e.xistente nas pústulas. Se-
gundo Aragão um dos feitios mais caracteristicos do alastrim é a ausência da fe-
bre secundária, que julga ser devido que as pústulas nesta moléstia não são in-
vadidas senão muito raramente pelos estreptococos, ao contrário da varíola em
que essas bactérias podem ser consideradas como micróbios satélites. No alas-
trim as pústulas são gcralmente infectadas pelos estafilococos albus c aureus. A
raridade dos estreptococos no pús das pústulas do alastrim se explica, talvez, pela
benignidade das lesões e pelo não enfraquecimento das defesas do organismo. Ao
118 ••
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. Mario Mouhão — O papel do eslreptococo no Pênfigo Foliaceo 259
contrário disso, na \-ariola, as lesões mais profundas e outras condições ainda
pouco conhecidas, estabelecem um meio muito favoravel para o seu desenvolvi-
mento. Daí o fato dos estreptococos serem considerados germes simbióticos na
varíola, os quais mais tarde, graças à sua enorme proliferação e rirulência ad-
quiridas, se tomam responsáveis por uma série de acidentes secundários, inva-
dindo o resto do organismo, gerando septicemias etc.. A diferenciação estabele-
cida por j\ragão entre o alastrim e a varíola, muito se aproxima do descrime bac-
teriológico, que aqui analisamos, entre a forma fmsta do Pênfigo Tropical, be-,
nigna e localizada, geralmcnte sem febre e acidentes secundários e as formas ge-
neralizadas agudas ou crônicas, onde a febre de supuração e as complicações de-
vidas aos estreptococos constituem regra, com predominância nitida da infecção
cstreptococócica na fisionomia clinica cutânea e geral.
Com o sindromo de Senear & Uscher, pelo que pudemos verificar, não houve
ainda a preocupação de distingui-lo das outras formas clinicas do Pênfigo por
simples exames bacteriológicos das c florescências epidérmicas. A única refe-
rência que encontramos sóbre o diagnóstico diferencial do sindromo de Senear
& Uschcr, por processo bacteriológico de laboratório, foi num comentário de
Welsch (22) que, examinando dois sôros de doentes atingidos por essa moda-
lidade de Pênfigo, pelo método da motilidade cataforêtica dos estreptococos, ob-
teve resultados negativos com antigeno de Pênfigo e fortemente positivos com o
de estreptococos isolados de casos de lupus eritematoso.
Xos casos de regressão e curas observadas no Pênfigo Tropical, a impressão
que se pode tirar das cpidermoculturas é bastante intvvessante. As involuções clí-
nicas parecem estar ligadas â presença ou ausência dos estreptococos hemoliticos.
Os seguintes achados reforçam esta opinião:
1 ) Nos dois únicos casos considerados clinicamente curados que examina-
mos não conseguimos isolar estreptococos hemoliticos.
2) Dos 8 conralescentes examinados, cm 5 dos quais isolamos estreptoco-
cos hemoliticos, ainda possuiam reliquats do Pênfigo c dc quando cm vez apre-
scnta\’am surtos bolhosos de pequena intensidade, limitados a pequenas áreas do
tegumento externo; não se pode garantir nestes casos que sc trate de uma re-
gressão definitiva da dermatose. Temos o exemplo de uma doente (A. L. V.,
obs 463, Figs. 5 e 6, analisada nas formas generalizadas crônicas), que tivera
uma regressão temporária das lesões cutâneas.
3) No caso cuja regressão se deu mais rapidamente, não foram obtidos
estreptococos hemoliticos das lesões regressiras da face (M. L., obs. 583, ana-
lisada nos casos em r^essão).
4) Em um caso de regressão cujo estudo fizemos na fase de invasão bo-
Ihosa (J. T. V., obs. 436, Figs. 1 e 2), isolamos estreptococos do grupo inerte;
119
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
260
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
a involução rápida dêsse caso poderia ser atribuida à ausência de estreptococos
hcmoliticos.
Sem dú\’ida. a elerada percentagem de estreptococos hemoHticos, presentes
nas lesões tegumentares dos penfigosos, desde os primeiros meses de moléstia,
faz pensar que se trate de uma raça especial desses micro-organismos, com epi-
dennotropismo natural ou adquirido. Darier (70), estribado na sua reconhe-
cida capacidade de observação, admitiu que o terreno individual representaria
relevante papel na evolução das piocóccias externas. .Acreditou mesmo que a
exaltação por passagens sucessivas, talvez pudesse explicar as auto-inoculações,
a contagiosidade. a persistência de algumas lesões epidérmicas e a constante pu-
lulação microbiana no foco patológico inicial.
A escarlatina ê hoje encarada e aceita pela maioria dos autores como uma
infecção devida a um estreptococo hemolítico do grupo A. e as proras para tal
concepção consistiram numa série de obscr\-ações feitas no próprio homem, ao
lado de uma série de provas imunológicas. Desde de 1921 (Kolmer & Tuft),
que se reconhece que os estreptococos possuem uma relação etiológica com a
doença, principalmente porque as complicações secundárias, como adenite cervi-
cal, abcessos pcritonsilarcs, otites médias, sinusites supurativas e artrites, foram
provadas ser de origem estreptocócica.
Não tencionamos nem temos elementos para atribuir ao estreptococo a res-
ponsabilidade etiológica do Pênfigo Foliácco. Todavia, durante todo o decorrer
da nossa exposição, demonstramos amplamente a importância dessa bactéria na
evolução da moléstia, provocando acidentes e complicações, às vezes fatais para
os doentes. Do lado cutâneo, as complicações secundárias deridas a ela são bas-
tante comuns, como erisipelas, linfangites, enfartamentos ganglionares, abcessos,
etc.. As Figs. 26. 27 e 28 são bastante elucidativas a tal respeito. A Fig. 28 é
de um aspecto frequente nos doentes de "Fogo Selragem", sinmlando uma pseudo-
tinha amiantácea de Alibert. doença do couro cabeludo que é tida pela escola
francesa como de origem estreptocócica.
Segundo Simonds, Taylor & Amoff (71). os estreptococos hemcliticos são
menos frequentes nos paises tropicais, fato que consideram de importância para
explicar a ausência ou raridade de algumas doenças nes.sas zonas. A incidência
de reações negati\-as pelo teste de Dick nos paises tropicais é mais alta onde a es-
carlatina é relati%’amente rara. Os autores acima citados estão de certo modo
com a razão. Não resta a menor dúvida que em nosso Pais doenças produzidas
por estreptococos. como a escarlatina e o reumatismo estreptocócico, são de in-
cidência mencr que nos paises de clima frio e temperado. Mas, como explicar
a prc%aléncia dos estreptococos hcmoliticos no quadro nosológico do Pênfigo
Tropical?
120
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. Mario Mour.\o — O papel do eslreplococo no Pênfigo Foliaceo 261
RelatÍN-amentc ao diagnóstico diferencial do Pcnfigo Foliáceo com a Derma-
tite de Duhring, Artigas & Mourão exararam a sua opinião em trabalho publi-
cado em 1939 (73), dizendo naquela ocasião que somente a evolução clínica
o posteriori, aliada à prora terapêutica com determinados medicamentos, que dão
resultados na doença de Duhring e permanecem sem ação no “Fogo Sel\’agem”,
como é o caso do arsênico, permitiria fazer a diferenciação entre essas dermato-
ses. Pouco progresso fizemos até a presente data e quasi nada podemos adicio-
nar ao pomo de vista daqueles autores.
Pelo exame bacteriológico das lesões cutâneas a presença de estreptococos
hemolíticos no Pênfigo Foliáceo é dé 805^. Dos 5 casos de Dermatite de Duh-
ring que examinamos, em dois isolamos estreptococos &r/a-hemoliticos do liquido
de bolhas. Parece que a gravidade da dermatose pode estar relacionada com a
flora microbiana externa, .■\ssim é que. no caso de S. G. P. (Figs. 16, 17, 18),
Ftc. 26
Hipertrofia da orr*ha de unta molbcr com Pênfifo.
dortite há 11 anos. Sahourad Í72), rm 19J7,
derido n ê«le atpccto clinico, exprraaoa a te*
fumtc optttiáo a mpeito da ctiolofia do Penfifo
Tropical: *Jc croit a loa ort^inc panuitaire et
rdephantiatift dra «eíllea me ferait chcrcher da
c6té da •treptocoqoe*.
cuja evolução foi rápida e benigna, não isolamos estreptococos, sendo isolados
Staph. aurcus do liquido de bolhas purulentas. Com bastante detalhe estudamos
um caso grave de Dermatite de 'Duhring (J. A., Figs. 22, 23) hoje clinicamente
. 121
I SciELO
1262
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
Fic. 27
ElefantUse e papScmatccas na perna eaqtieróa d« oxca mtxlber com
Pènfigo, doente bi 7 anoa.
■curado. Nesses casos isolamos estreptococos oI/o-hemoHticos do sangue e es-
treptococos fcr/a-hemolíticos de lesões bolhosas. De outro caso do qual isolamos
Wi
Fic. 2 $
Carapaça croatoaa, aapccto noito íre>
«lucnte, simulando tinba p*rod<^aiDÍan-
ticea de Alibert, tta doente de Pénfiçv
Folíaceo* na faie de tnTaaio bolboia»
sofrendo da moléatsa bi 4 méaea.
•estreptococos hemoliticos no liquido de bolhas limpidas e purulentas (M. C.,
Fig. 15), na ocasião do exame apresentava um estado geral bom e não nos foi
possivel acompanhar a evolu<;ão clinica da dermatose.
Do ponto de vista dermatológico é licito acrescentar outro sinal básico piara
a pierfeita diagnose do Pênfigo Tropical com a Moléstia de Duhring: no "Fogo
122
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. Mario Moub.\o — O papel do estrcptococo no Pênfigo Foliaceo 2G3
SeU-agem" há predileção no inicio da dermatose para a parte médio-torácica
(regiões para-estemal e inter-escapular) e para a face (região malar, em forma
de vespertilio), tanto nas formas bolhosas como nas frustas. Nos casos de Der-
matite Herpetiforme tal não se dá, não tendo a localização inicial predileção para
qualquer região. Chamamos, particularmcnte, a atenção para as fotografias do
doente S. G. P. (Figs. 16, 17, 18), cuja evolução e localização da dermatose,
vêm de encontro ao nosso modo de pensar.
Os conceitos aqui emitidos sobre a Dermatite Herpetiforme de Duhring
ainda devem ser encarados com certa rcser\-a, visto que o número de doentes que
tivemos em nosso serviço é minimo para estudos de tal natureza, dada a raridade
íla afecção em nosso Pais.
HEMOCüLTUR.\S POSlTIV.\S
As hemoculturas praticadas sistematicamente nos doentes de Pênfigo, na
data de sua matrícula no Ser\ãço do Pênfigo Foliáceo ou entrada no hospital
(Instituto “Adhemar de Barros”), revelou-nos que em 12,5% elas foram positi-
ras para estreptccocos, e em 3,3% para estafilococos. A letalidade foi alta para
as primeiras (737%) e baixa para as últimas (20%).
Os estreptococos hemoliticos aliam as suas atividades de bactérias tipica-
mente hemoliticas com aquelas de germes de grande capacidade de invasão, sendo
por isso muito frequentes nos processos septicêmicos. As amostras altamente
virulentas são as de invasores mais rápidos c vigorosos de tecidos, não só atuando
por progressão como também por intoxicação focal e geral, A toxina critemato-
gênica do estrcptococo difere das outras exotoxinas pela sua resistência ao calcr,
especificidade ao homem e dependência de sua ação por uma prévia sensibiliza-
ção individual. Está perfeitamente demonstrado que a toxina escarlatinica existe
desde os primeiros dias de doença na urina e no sangue, sendo rapidamente neu-
tralizada pela injeção de antitoxina.
Dada a extrema frequência dos estreptococos hemoliticos nas cflorescên-
cias cutâneas dos penfigosos, desde o períndo inicial da moléstia, ê justo que uma
dúvida possa surgir; no Pênfigo Tropical e.xiste uma septicemia ou uma bac-
tieriemia?
Como muito bem acentua Coutinho (74), não liá um sindromo caracteris-
tico das septicemias, por isso que elas estão ligadas a uma etiologia múltipla,
mas, embora possam ser profundamente diversas as manifestações locais ou
\iscerais, há uma fenomenologia única nas manifestações gerais; qualquer que
seja o germe responsável, os sintomas das septicemias oferecem no seu conjunto,
salvo um ou outro detalhe, um certo grau de uniformidade, variando apenas
quanto à intensidade, conforme o germe e sua virulência e ao poder defensivo dos
tecidos.. Entre os sintomas mais importante está a febre, que também pode \'a-
123
17
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
26-4
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
riar sob os mais diferentes tipos, não tendo nenhum aspecto peculiar. A febre,,
progressivamente elerada. é variável, polimorfa ou mais ou menos irregular ou
continua, sub-continua, remitente ou intermitente; em casos de septicemia de
marcha sub-aguda pode haver hipotermia p>or falência das defesas orgânicas.
Exatamente o que nos chamou a atenção e nos levou a praticar sistematica-
mente hemoculturas. foi o quadro térmico apresentado por muitos dos penfigo-
sos durante a evolução da moléstia: em determinados períodos, sem causa apa-
rentemente explicável, há uma eleração térmica proteiforme, dos mais variados-
tipos, de duração efémera ou. em menor proporção, de carater permanente, sendo
éstes os casos de desfecho rápido: o acme pode atingir até 40°5. Os gráficos
3. 3, 4. 5, 6, 7 c 8 são muito elucidativos. Acreditamos mesmo, e pretendemos
voltar a éste assunto em próximo trabalho, que a percentagem de hemoculturas
positi^as seria muito maior se fpssem praticadas nos períodos térmicos ascencio-
nais, em qualquer dos tipos clínicos generalizados.
Os doentes de Pénfigo que faleceram com hemoculturas positi\as para
estreptococos, como se vé no Quadro IX, e que na ocasião do exame tiveram
stu estado geral classificado como ntau ou precário, apresentasam um quadro
clínico de profunda toxi-infecção, entremeado de fases enganadoras de acalmia.
O exame hcmocitológico cenfirmou tal suposição, sendo encontradas as seguintes
alterações: 1) anemia intensa do tipo hipocrômico; 2) leucócitos nos limites nor-
mais c frequentemente leucopenia; 3) neutrocitose com desvio degenerativo para
a esquerda, com presença de granulações tóxicas de Xacgeli-Gloor e vacuoliza-
ções no citoplasma e alterações degeneratiras nucleares; 4) nos casos mais graves
os eosinófilos eram ausentes ou l)cm diminuidos; 5) linfopenia e. em menor nú-
mero de casos, linfocitose. Possivelmente, em quasi todos os doentes désse
grupo, houve uma septicemia do tipo sub-agudo, pois que, cm numerosos, pude-
mos fazer a verificação de controle, tendo as hemoculturas confirmado a exis-
tência. de uma estrcptocemia. Indiscutivelmente nas septicemias qualquer que
seja a sua origem, a hemocultura é o meio decisivo para o diagnóstico, quando
confirmada. ,
Os únicos casos com estado geral tmu ou precário c hemoculturas positi\-as
para estreptococos que sobreviveram, foram os doentes: R. E. (obs. 238, cstrep_
58) e M. (obs. 153. estrep. 486). Entretanto, em ambos a esxjlução clinica
foi de uma verdadeira septicemia.
Provavelmente tiveram bacteriemia:
1) G. S. (obs. 301, estrept. 22) que, 1 ano depois da hemocultura positis'a
e 48 horas antes da morte, foi submetida à nova cultura do sangue com resultado
negativo; no dia seguinte do óbito efetuou-se uma punção cardiaca e as semea-
duras revelaram o crescimento de estreptococos hcmoliticos. estafilococos dou-
rados e bacilos esporulados (Quadros IX, XV e XVI).
I SciELO
124
B. JLuuo Mourão — O papel do estreptococo no Pcnfigo Foliaceo 265
2) X. D. (pbs. 492, esircpt. 14), doente de forma distrótica, teve hemocul-
tura positira para estreptococos ; um ano depois faleceu e a punção cardíaca pra-
ticada 8 hrs. após a morte, deu resultado negativo (Quadros IX eXV).
Dos doentes que sobre\nveram, cujo quadro de temperatura, aliada ao exame
clinico e evolução posterior da moléstia nos autoriza a dizer que tiveram simples
bacteriemia são os seguintes; M. B. (obs. 482, estrept. 298), V. C. T. (obs. 9,
estrept. 297) e J. M. (obs. 11 e estrept. 205).
Relativ-amente ao caso de forma fruma (E. V., obs. 403, estrept. inerte 90),
não acompanhamos a sua evolução clínico-bacteriológica e de\*ido a éste fato
abstemo-nos de dar opinião.
.\ inexistência de hemoculturas positiras durante a fase de invasão bolhosa
e a ob.serração de que mais de 2/3 dos drentes que estudamos serem acometidos
de Pênfigo há 2 anos ou menos, permitem-nos fazer algumas suposições do maior
interesse :
1) Enquanto houver zonas estensas de pele sã os estreptococos c c.stafilo-
cocos não passam para a corrente sanguínea.
2) Durante a fase de invasão liolhosa, que pode durar de 1 a 9 meses, a
resistência individual dos doentes é ainda um grande fator contra a invasão san-
guínea dos piococos.
3) I-ogo depois da generalização da dermatose, sendo o organismo do in-
divíduo atacado de Pcnfigo Foliáceo, prirado parcial ou totalmcnte das funções
de um dos mais importantes orgãos de proteção e excreção, como é o envólucro
cutâneo, há uma queda da resistência, possibilitando não só a invasão dos pio-
cocos, gerando bacteriemias ou septicembs, como a absorção de toxinas.
4) Talvez o motivo prindpal da maioria dos doentes de Pênfigo não sobre-
viverem, depois de dois anos de moléstia, seja exatamente condicionado pela jm-
posição 3. E’ notória a profunda transformação porque passam os doentes quando
a dermatose se generaliza: imediatamente se estabelece uma impressionante queda
do estado de nutrição; na maior parte dos casos há a impossibilidade da movi-
mentação, não podendo os doentes caminharem; as lesões cutâneas na transição
da fase critêmato-bolhosa-e.xsudativa para a fase eritrodêrmica-esfolbtixxi são in-
tensamente dolorosas, incómodas e purulentas: hâ exaltação da dermalgia; sobre-
veem as alopécias, as quedas das unhas e dos dentes, os edemas das extremidades,
as disfunções das glândulas endocrínicas e toda a gama de complicações secundá-
rias. Êsse é o período de maior sofrimento dos penfigosos.
5) Acreditamos que a toxemia deva ser precoce, desde os primeiros me.«e*
de doença e desde que existam nas cflorescências cutâneas piococos toxigenos.
Mas. estabelecida a invasão da dermatose a toda a epiderme, ê possível que daí
por diante se estabeleça uma toxemia permanente e a sua intensidade sendo pro-
125
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
266
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
porcional ao teor antitoxico do organismo; essa intoxicação tanto pode ser cau-
sada pelos estreptococos hemolíticos como pelos estafilococos toxígenos. Como
em algumas estreptococcias se tem demonstrado a presença precoce da toxina es-
treptocócica, é justo que também se formule esta hipótese no Pênfigo Tropi-
cal, em que as zonas atingidas pela dermatose são muito mais extensas em com-
paração, por exemplo, com a angina escarlatinica.
Aschcar (75), estudando a imunidade anti-estafilocócica, analiscu o titulo
antitóxico de 5 casos de Pênfigo Foliáceo, encontrando uma média de 6,45 U. A.,
portanto, notavelmente elevada. Em individuos normais a média maior alcançou
o titulo de 1,88 U. A., num grupo de pessoas cuja idade rariava de 11 a 17 anos.
6) Parece estar em jogo uma ou mais causas tóxicas, atuando sôbre as
glândulas endocrínicas nos casos de Pênfigo. As toxinas secretadas pelos
germes patogênicos existentes no tegumento externo pedem estar entre
esses fatores causas. E’ possivel que a toxemia, hipótese ainda passivel da
maior reserva, concorra para as disfunções e atrofias das glândulas de secreção
interna, observadas posteriormente à eclosão do "Fogo Selvagem”. Guimarães &
Mourão (76), em estudos clinicos-cxperimentais, encontraram num grupo de 37
doentes um único indiriduo normospémico, portador de forma frusta, com a der-
matose localizada no tórax anterior e posterior; nos outros casos, em que a der-
matose era generalizada os doentes eram impotentes, oligospérmicos cu azoospér-
micos. Com o desaparecimento ou regressão das lesões cutâneas há um retomo
da função sc.xual c da espermogênese. O caso curado que aqui estudamos
ÍA. A., pâg. 175) teve o exame de espemia normal. Ainda no trahalho de Gui-
marães & Mourão, as fotografias dos casos com regressão e cura clinica mos-
tram-nos a volta dos caracteres sexuais secundários, a-pesar-de um certo grau
de hipogonadismo. Nas mulheres fatos dessa ordem são mais evidentes e dois
déles merecem ser mendonados: Guimarães (77), em 60 doentes de Pênfigo,
encontrou fluxo mestrual normal cm apenas uma doente; cm todas as outras en-
controu hipomenorréia ou ausênda de fluxo mestrual e em 4 casos menopausa ; a
atrofia mamária foi observada em 81 % das pacientes. Possuimos na nossa ra-
suistica observações de casos que depois de curados clinicamente tiveram gestação
normal e conseguiram amamentar os seus filhos. Mourão & Guimarães (78),
em outro trabalho, entre os caracteres diagnósticos do Pênfigo Foliáceo infantil,
citaram êstes:
a) quando um individuo ê atingido de Pênfigo antes da puberdade, há
sempre retardo do crescimento e na maioria das vezes uma parada, devido a uma
disfunção da hipófise anterior (formas distróficas) ;
b) o Pênfigo na infância ê acompanhado de hipopituitarismo e hipogo-
nadismo.
126
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. Mario Mourão — O papel do cstrcplococo no Pênfigo Foliaceo 267
Se há cura clínica do Pênfigo antes da puberdade, pode haver nomaliza-
ção das funções da hipófise anterior, desenvolvendo-se o indiriduo normalmente,
como temos observado mais de uma vez. O caso curado clinicamente que já ci-
tamos (A. A., pág. 175) c um exemplo.
7) Confirmando a su(>osi(ão 6, da existcnda de uma ou mais causas tó-
xicas secundárias nos casos crónicos, .-Mayon (78), em relatório preliminar, ainda
inédito, diz textualniente : "O que mais nos impressionou no exame macroscó-
pico dos órgãos internos dos cadáveres de Pênfigo, na sua forma clinica, foi sem
dúvida, o acentuado grau de atrofia que apresentam. .\ par da atrofia muscular
generalizada, da escassez de paniculo adiposo, das alterações articulares, já no-
tadas clinicamente, nos doentes de Pênfigo, cuja moléstia data de muito tempo,
pudemos observar constantemente acentuada atrofia do miocárdio, suprarrenal,
tireóide, orgãos genitais do homem e da mulher. O quadro anatômico em geral
é o da microsplanquiúria, sendo a nosso ver a atrofia orgânica de natureza pro-
vavelmente secundária, uma vez que não a pudemos observar num caso, cm que
as primeiras manifestações do "Fogo Selvagem” eram de achado relativamentc
recente”.
8) Proravelmente, alem da toxemia, pode-se suspeitar como causa tóxica
concomitante, a presença de uma safretnia, por absorção de produtos de decom-
posição epidérmica e produzida pelas bactérias da infecção c.\terna. Aventamos
aqui a suposição de poder ser atribuída a essas duas causas, entre outras, a tem-
peratura iub-febril vesperal que se observa nos doentes de Pci/íigo, desde a fase
inicial, e que perdura durante toda a evolução da moléstia.
No “Fc^o Selvagem”, alem dos estreptococos produzirem septicemia c bac-
teriemia. mostramos a possibilidade délcs condicionarem um estado contínuo de
toxemia, conjuntamente com os estafilicocos. Os achados anátomo-patológicos
revelaram em numerosos casos, a existência de processos inflamatórios (sepsis
crônica), como: hiperplasia e tumefaeção das células reticulares do fígado (cé-
lulas de Kupfer) ; tumefação do baço e correspondente hiperplasia da polpa ver-
melha; hiperemia e atividade hematopoiética intensa da medula óssea. Êstes
achados anatomo-patológicos podem ser atribuidos tanto a infecção cutânea, to-
xemia e septicemia, quanto às infecções intercorrentes, entre as quais a bronco-
pneumonia e a tuberculose pulmonar.
Compulsando os relatórios anátomo-patológicos, não nos foi possivel encon-
trar os processos que caracterizam as piemias (lesões metastáticas, focos de nc-
Consignamos aqui os mais sinceros agradecimentos ao nosso distinto colega Dr.
Fernando L. Alayon por facilitar a nossa tarefa colocando ao inteiro dispor toda a
sua documentação e observações ainda inéditas. Devemos frizar que .\Iayon nos
esclareceu que as suas opiniões aquí exaradas constituem uma impressão não definitiva,
pois que julga por enquanto insuficiente o número de necropsias que realizou de casos
de Pênfigo Foliaceo. Alguns dos seus resultados já foram dados à publicidade (65).
127
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
268
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
crose). Cominho (74), no capítulo das septicemias do seu bem documentado li-
vro, professa que, às vezes, a septicemia, só por si, sem determinar metátases
viscerais, processos inflamatórios ou supurativos, conduz à morte por ação tó-
xica. E’ a septicemia pura. E’ o caso das septicemias agudas por estreptococos
snrulentos. Outras septicemias podem produzir, em vez de processos supurati-
vos. simples fenômenos inflamatórios nas sdsccras: são as septicemias com pro-
cessos inflamatórios não supurados.
Muito interessante é a relação que existe entre hemoculturas positivas para
estreptococos e a tuberculose no Pênfigo. Em 29 necrópsias de casos
de Pênfigo, Alayon encontrou 7 com lesões de tuberculose ou seja uma percen-
tagem de 24,1%. Nos 7 casos atingidos de tuberculose foram feitas hemocultura
em vida. Em 4 doentes a hemocultura foi positiva para estreptococos e apresen-
tavam um quadro clinico típico dos processos sipticcmicos : os doentes C. M. M.
(obs. 422, estrept. 71) e A. J. F. S. (obs. 439, estrept. 30) de evolução agudas;
e E. P. (obs. 264, estrept 142) e C. F. L. (obs. 293, estrept. 305 do tipo sub-
agudo).
A tuberculose é alimentada por consideráveis fatores que se conjugam para
propiciá-la. Nas formas exsudativas de tuberculose não se pode dizer anatomica-
mente se o processo tuberculoso se instalou rcccntemente ou foi reativado por
causas intercorrentes com diminuição da resistência. Êste conceito se aplica pcr-
feitamente nos casos de Pênfigo.: teria a tuberculose se instalado antes ou de-
pois da moléstia pcnfigosa? A septicemia estreptocócica seria uma causa de di-
minuição da resistência para o ataque do bacilo de Koch ou então a tuberailose
fez com que os estreptococos ganhassem a corrente sanguínea?
A INVASAO CADAVÉRICA POR ESTREPTOCOCOS HEMOLITICOS
■Dos trabalhos por nós citados sôbre a presença de estreptococos em casos
de Pênfigo. apenas dois .A.-A. fizeram referência sôbre o seu isolamento cm ne-
crópsias Mc Even (13), na necrópsia de um caso de Pênfigo Cronico. isolou es-
treptocccos hemoliticos de pús de abcesso do pescoço, no baço e do liquido céfalo-
raquidiano, associados a bacilos Gram positivos c a estafilococos dourados ; os
estreptococos possuiam os mesmos caracteres bioquímicos daqueles isolados do
liquido de bolhas e por hemocultura: Grace (21), num caso de Pênfigo Vulgar
e noutro de Pênfigo Vegetante, isolou em ambos, por punção cardíaca, estrepto-
cocos hemoliticos.
Nos exames bacteriológicos que praticamos em material necrótico. prove-
nientes de 24 casos de Pênfigo Tropical, tivemos a ele\'ada percentagem de
95,7% de estreptococos hemoliticos. As necrópsias. cm sua maioria, foram pra-
ticadas 24 horas ou mais depois do óbito c a essa demora poder-se-ia atribuir a
elevada percentagem de posithddades (Quadro XIV). Procuramos sanar essa
I SciELO
128
B. Mario Mourão — O papel do estrcplococo no Penfigo Foliaceo 2G9
causa de erro, praticando punções cardiacas logo após a morte dos doentes. A ,
"hora da colheita do material foi propositalmente ^ariada, a-fim-de poder acom-
panhar com mais minúcia o tempo da in\'asão bacteriana.
As punções cardiacas “post mortem” tiveram uma positividade de 66,6%
(Quadro XV). Duas punções cardiacas feitas, respectivamente, 10 e 15 minu-
tos depois do óbito (G. S-, punção 566, obs. 301 e M. O., punção 619, obs. 288),
foram negati\as para estrcptococos. Entretanto, uma punção cardíaca praticada
20 minutos após a morte, nu doente que 34 horas antes teve hemocultura negativa,
foi positi\a para estrcptococos (P. R. L., punção 653, hemocultura 650, obs.
473). Noutro caso a necropsia foi efetuada 5 horas depois do óbito revelando a
presença de estrcptococos no material proveniente de baço; a punção cardíaca
foi feita nesse mesmo cadaver duas horas e 10 minutos depois do falecimento foi
negatisa (O. A. S., necropsia 553, punção 551, obs. 374).
Efetuamos também hemoculturas “ante mortem” que demonstraram não se
processar a invasão bacteriana no período pré-agônico, revelando os exames pra-
ticados nessas condições mais ou menos a percentagem de positividade das hemo-
culturas feitas nos doentes em diversas fases clinicas da dermatose (Qua-
dro XVI).
Parece-nos, em vista de tais resultados, que se pode pensar numa invasão
bacteriana que se processaria ou na fase prc-agônica, nos últimos momentos que
antecederam a morte, ou, então, nas primeiras horas depois da morte. Para
aqueles que se interessarem por detalhes, nos "dados cuja importância releva
assinalar”, nos capítulos referentes às verificações nccróticas, punções cardia-
cas “post mortem” e hemoculturas "ante mortem". historiamos os principais fa-
tos. donde tiramos êsses resultados.
Para controle dessas verificações cadavéricas realizamos exames bacterioló-
gicos em material necróticò de casos cujo óbito foi motivado por outras molés-
tias, sendo todo o trabalho procedido nas mesmas condições técnicas (Quadro
X\1I). Somente cm dois casos, com a percentagem de 16.6%, isolamos estrep-
tococos hemolíticos, sendo que um deles era de tuberculose pulmomr hi-latcral e
o outro de sarcotna do braço com mclástascs generalizadas, dos quais transcre-
vemos na íntegra os relatórios anátomo-patológicos que nos foram enviados.
Com êsses controlc.<: ficou nitidamente demonstrado que é possível isolar estrep-
tococos hemolíticos do grujx> A após a morte, cm moléstias nas quais êsses germes
não podem ser re.sponsabilizados como os agentes ctiológicos. jKdcndo, pois, a sua
presença ser interpretada como uma invasão bacteriana, originãría de um foco
pré-existente.
No j)eríodo final do Penfigo Fcliáceo a pre.sença de estrcptococos no sangue
guarda a mesma porcentagem da verificada em períodos bem anteriores à morte.
Sendo, pois, esu percentagem rclativamentc pequena, não se pode atribuir a uma
septicemia ou bacteriemia estrcptocócica a sintomatologia clínica pré-mortal na
129
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
*
270
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
maioria dos casos. Acreditamos, entretanto, que a toxemia, derida às toxinas
solúveis dos piococos, concorra para o agravamento dêste profundo estado de in-
toxicação, sendo, possivelmente, um dos principais elementos em jogo.
Dos relatórios anátomo-patológices das necropsias de Pênfigo verifica-se a
frequência dos processos inflamatórios localizados no aparelho respiratório. As-
sim, em 29 necrópsias, pudemos fazer a seguinte estatística:
Bronquites e bronquiolites purulentas com focos de broncopneumonia 11 casos ou 37,9^
Tuberculose pulmonar 7 " ” 24,1^
Pneumonia lobar 2 " ” 6,8Çó
Xecrose quasi total do parenquima pulmonar cora pleurite soro-fibrínosa 1 " 3,4^
Soma dos casos 21 ” ” 72,2%
Portanto, não se levando em consideração os casos de tuberculose pulmonar,
vê-se que 50,8% dos cadaveres apresentavam processos inflamatórios bronco-
pulmomres.
Chama-nos a atenção, particularmente, a disparidade entre o número de
casos de bronco-pneumonia em cemparação com os de pneumonia lobar.
A bacteriologia das bronco-pneumonias secundárias difere muito das pneu-
monias lobares primárias. Os estreptococos hemoliticos que desempenham um
papel secundário pneumonias lobares primárias, nas quais o pneumococo c o
agente predominante senão o etiológico, frequentemente produzem bronco-pneu-
monias secundárias, desencadeando um tipo fatal de infecção. Evddentemente
que o pneumococo, o bacilo de Pfeiffer e os estafilococos não devem ser despre-
zados, cabendo tomá-los em valimento como germes infectantes secundários.
Os achados de Dwinell (80), que estudou a flora pulmonar de 69 casos de
pneumonias gripais secundárias, mostram a predominância dos estreptococos he-
moliticos :
Estreptococos hemoliticos
Pneiunococos (todos os tipos)
Estreptococos não hemoliticos
Estafilococos
Hemofhilus influtnsM
Na pneumonia lobar humana é considerado como agente etiológico o pneu-
mococo, ainda que outras bactérias possam ser cultivadas em casos de verdadeira
pneumonia lobar. Cedi, Baldwin & Larsen (80) fizeram estudos bacteriológicos
em 2.(XX) casos de pneumonia lobar, encontrando as seguintes bactérias :
Pneumococo (todos os tipos) 1913 casos ou 95,65%
41 casos
OU
59.4%
8 ^
11,6%
17 "
**
24,6%
13 "
18.9%
34 "
49,3%
Estreptococos hemoliticos
Pneumobacilo de Friedlãnder ....
Estafilococos da variedade aurtus
Hemophilus influensae
76
8
2
1
3,80%
0,40%
0 , 10 %
0,05%
130
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
cm
B. Mario Mourão — O papel do estnrptococo no Pcnfigo Foliaceo 271
Não fizemos pesquisas bacteriológicas da flora pulmonar cadavérica, para
verificar o papel desempenhado pelos estreptococos hemoliticos, o que, entretanto,
faz parte de nossas futuras cogitações. Podemos adiantar, baseados em nossa ex-
periência pessoal, que se isola de casos de Pênfigo, com relativa facilidade, es-
treptococos hemoliticos da naso-faringe. Em necropsia de um caso (A. Y. F.,
obs. 477, nec. 368), com pneumonia lobar, com hepatização do lobo inferior do
pulmão direito e do lobo superior do pulmão esquerdo, isolamos Diplococcus
pnetitnoniae, Staphylococcus albus, Bacilius sp. e Escherichia coli. Os pneumo-
cocos erairi dotados de alta virulência para murideos.
Possivelmente, entre outras causas, pode-se atribuir a hipertermia pré-mor-
tal dos penfigosos aos processos inflamatórios broncopulmonares. Nos casos de
tuberculose pulmonar, em que foi tomada a temperatura até o desenlace, havia
elevação térmica, seguindo o tipo febril obscr\*ado na maioria dos casos.
Da série de pesquisas bacteriológicas necróticas realizadas por nós, eviden-
cia-se pois, mais uma vez, a grande imponância que desempenham os estreptoco-
cos hemoliticos na patogenia do Pênfigo Foliaceo, dada a sua grande frequência
e a sua absoluta predominância em todas as culturas bacterianas de material co-
lhido nas necrópsias e por punções cardiacas post-mortem.
Provavelmente, o ponto de partida para a invasão cadavérica é a epiderme,
inválida nos doentes de Pênfigo, onde os cstrqnococos hcmoliticcs existem cm
elevada percentagem. Sabe-se, além do mais, que a barreira cutânea perde sua
capacidade de auto-desinfecção 15 minutos após a morte, segundo as experiên-
cias de Arnold & colaboradores (82).
Corrobora para essa suposição o fato da maioria das hcmoculturas praticadas
no periodo pré-agónico serem negativas. Constituem exceção a esta rqjra, com
toda a probabilidade, os casos cm que as hcmoculturas em série foram positivas
para estreptococos hemoliticos, apresentando os doentes um quadro de verdadeira
septicemia, mesmo no periodo pré-agónico, sendo tais bactérias recuperadas de di-
versos órgãos nas necrópsias.
CAPITULO XI
CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES
Cabe-nos agora, â luz das pesquisas efetuadas, definir a posição dos estrep-
tococos na etiologia do Pênfigo Foliaceo.
Não possuimos elementos para afirmar que os estreptococos possam ser a
causa primária do “Fogo Selvagem”. Os argumentos que podem infirmar a sua
origem cstrcptocócica, a nosso ver e baseados no presente trabalho, são os abaixo
enumerados :
l.° — O estreptococo é um germe encontrado frequentemente cm processos
supurativos.
131
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
H12
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
2° — No líquido de bolhas límpidas (lesão patognomônica) , de recente
formação e não rompidas, de casos iniciais, não foram isolados estreptococos ;
•ao contrário, nas crostas e bolhas purulentas desses casos, sempre se isolaram
■tais microorganismos.
3. ° — Em outras dermatoses, bolhosas ou não, foram encontrados nas le-
sões epidérmicas estreptococos hemoliticos e \drulentos, sendo duas amostras
grupadas no grupo A.
4. ® — Em cadáveres cujo óbito fora devido a doenças não estreptocódcas,
também foi verificada a invasão de estreptococos hemoliticos do grupo A nos
«rgãos internos.
5. ° — A atividade fibronolitica de um estreptococo, do tipo beta, do grupo
A, isolado de um caso de Dermatite de Duhring, foi inibida por plasmas de pen-
figosos nas fases inicial e crônica da dermatose.
À presença dos estreptococos hemoliticos nas lesões de Pénfigo Foliaceo,
-poder-se-ia aplicar a interpretação dada por Aragão (67, 68, 69) para as bacté-
rias de supuração na varíola, que considerou os estreptococos como germes sim-
bióticos que podem gerar septicemias e outros acidentes secundários, devidos à
sua capacidade invasora e enfraquedmento do organismo do doente. Coimcil-
man (82) estabeleceu que todo doente que morre de rariola, morre de infecção
estreptocódea.
A escarlatina é uma infecção causada prímariamente por um estreptococo
hemolitico. Em temo da sua etiologia houve uma grande controvérsia, tendo
sido mais de uma vez afirmado que o seu verdadeiro agente causador era um
virus filtravel, representando o estreptococo apenas o papel de germe de asso-
ciação ou de infecção secundária. Com a inoculação do estreptococo hemolitico
não se consegue a reprodução da moléstia em animais de laboratório; o tipo da
infecção c.xperímental varia com a via de introdução do material e com a viru-
lência da amostra inoculada. Para provar, entretanto, a origem estreptocócica
da escarlatina, existe uma série de provas imuno-bacteríológicas, entre as quais
se destacam: presença constante de estreptococo hemolitico na angina, sendo o
responsável pela difusão da toxina no organismo; reprodução do eritema por
meio da toxina estreptocócica {reação de Dick) somente nos indivíduos sensíveis
à escarlatina; pro\'as de aglutinação com o estrcptoccco pelo soro do doente ou
de convalescente da doença; neutralização da to.xina eritematogênica pela anti-
toxina correspondente {albo-reação dc SchuUa & Charlton) ; poder curativo do
soro anti-estreptocócico.
Desde que haja um foco <le infecção, cutânea ou interno, há, evidentemente,
•uma reação do organismo que se caracteriza pela formação de anticorpos. No
plasma de doentes de Pénfigo Foliaceo demonstramos a presença precoce da anti-
fibrinolisina. Podemos adiantar que evidenciamos outros anticorpos estrcpioco-
cicos no sangue dos penfigosos, assunto que constituirá objeto de trabalhos a se-
132
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. Makio Mour.\o — O papel do eslreptococo no Pcnfigo Foliaceo 273
reni publicados brevemente, visando a resposta imunitária do doente, segundo a
fase e forma clinica da moléstia cutânea.
Legando em valimento as pesquisas que elaboramos, temos a impressão que
para se esclarecer a origem estreptocódca do Pênfigo seria de alto interesse a
prova terapêutica, consistindo na imunoterapia, dentro das normas, que indi-
camos no capitulo anterior, associada ou não à quimioterapia anti-bacteriana.
Acrescentamos àquelas indicações que, no tratamento das infecções estreptocó-
deas graves, se obteem melhores resultados cem a combinação das sulfanilami-
das com o soro anti-estreptocócico misto e homólogo. A asscxriação de um soro
anti-tóxico à sulfanilamidoterapia permitiria a utilização de doses satisfatórias
désse medicamento, sabendo-se que o soro age principalmente sóbre a toxemia por
neutralização da toxina.
Concluindo a serie de considerações em tômo das pesquisas bacteriológicas
por nós realizadas, acreditamos que os seguintes achados ficaram bem paten-
teados :
1. ® — A toxi-infecção estreptocódca desempenha importante papel no Pcn-
figo Foliaceo.
2. ® — Um estreptococo hcmolitico do grupo A, toxigeno e fibrinolitico,
particularmcnte rirulento para camondongos, com os caracteres biológicos do
Streptococcus pyogenes, foi isolado com constância das lesões cutâneas e, cm
menor percentagem, da corrente sangiunea.
3. ® — O mesmo germe foi isolado de órgãos de necrópsias e de punções
cardiacas efetuadas cm seguida à morte, parecendo, entretanto, havendo uma
disseminação estreptocócica post-mortem, processando-se logo nas primeiras
horas após o óbito.
4. ® — Foi demonstrada a presença de unu anti-fibrinolisina no plasma dos
penfigosos.
5. ® — Os estreptococos hcmoliticos acarretam evidentes alterações na fi-
sionomia clinica cutânea e geral, podendo trazer complicações fatais para os
doentes.
6. ® — A gravidade da infecção cutânea e as suas repercussões no organis-
mo estão diretamente ligados à presença e rirulcncia dos estreptococos hcmo-
liticos.
7. ® — Os liquidos de bolhas límpidas, na fase inicial da moléstia, são geral-
mente amicrobianos ; todavia, sempre se isolaram estreptococos das crostas c liquido
de bolhas purulentas nesse periodo clínico.
8. ® — Durante o periodo de invasão bolhosa, sem comprometimento total
do tegumento externo, os piococos não ganham a corrente circulatória.
9. ® — Nas formas clinicas generalizadas há predominância dos estreptoco-
cos hcmoliticos na infecção cutânea, tanto nos casos em que a dermatose era de
generalização recente quanto nos de longa evolução.
133
I SciELO
274
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
10. ® — Mesmo nos doentes com a dermatose em regressão os resultado»
continuam mostrando a importância doa estreptococos na involução total das le»
sões tegumcntarcs.
11. ® — Na forma frusta, benigna e localizada, não há uma epidermo-estrep-
tococcia intensa como nas outras formas clínicas: nos casos com a presença de
estreptococos hemolíticos nas e florescências cutâneas, a dermatose se alastra a
todo o corpo.
12. ® — Parece-nos questão pacífica que a infecção estreptocócica inicial seja
originária do revestimento externo e que, somente depois da dermatose se gene-
ralizar, é vencida a proteção epidérmica; também só nesse estádio clinico é a
corrente sanguinea exposta ao ataque de estreptococos e estafilococos, êstes era
menor percentagem. 'Dai, o déficit orgânico dos doentes com formas clinicas
generalizadas; além de privados total ou parcialmente das importantes funções
fisiológicas da cutis, as quais pertencem às de proteção, excreção e termo-regu-
lação, como as mais destacadas, tem o seu organismo permanentemente à mercê
dos piococos e de suas toxinas difusiveis.
CAPITULO XII
RESUMO
.-\s pesquisas realizadas c que constituiram o arcabouço para o presente tra-
balho. podem ser assim resumidas:
I — Casos clínicos — Foram estudados 160 doentes de Pénfigo FoHaceo.
O material patológico constou de sangue, liquido de bolhas e crostas, provenien-
tes de doentes em vários estádios clinicos. antes de ser iniciado qualquer trata-
mento. e de sangue colhido por punção cardíaca, fragmentos de órgãos e líqui-
dos orgânicos anormais extraídos de necrópsias.
II — Hpidermoculturas. — Exames bacteriológicos de cflorescências cutâ-
neas realizadas em 55 casos iniciais, crônicos e de regressão. Os estreptococos
foram isolados numa percentagem de 81,1 Çí. a maioria pertencendo ao grupo
hemolitico. Em vista da multiplicidade de formas clinicas, preferiu-se analisar
cada uma de "per si".
1) Forma de invasão bolhosa:
a) Presença de estreptococos cm liquido de bolhas límpidas = 0%.
b) Presença de estreptococos em crostas e liquido de bolhas turvas = lOOÇfc.
134
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. M.u\io MofR-io — O papel do eslreptococo no Pcnfigo Foliaceo 275
2) Formas generalizadas crônicas:
a) Presença de estreptococos em cultura pura em liquido de bolhas lím-
pidas = 33,33%.
b) Presença de estreptococos em bolhas purulentas e em crostas = 100%.
3) Forma frusta:
Presença de estreptococos em lesões externas = 25%.
a) Estreptococos hemoHticos = 12,5%.
b) Estreptococos inertes = 12,5%.
4) Formas em regressão:
A percentagem de positis-idade foi de 62,5%.
5) Casos clinicamente curados:
Xão foram encontrados estreptococos.
III — Hemoculturas. — Foram praticadas em 150 doentes, nos diversos
estádios clínicos da moléstia, sem seleção de casos, assim classificados:
Fase inicial de invasSo bolhosa 36
Formas generalizadas crônicas 82
Forma distrófica 15
Forma frusta 12
Dermatose em aparente regressio clinica .... 5
Os resultados foram os seguintes:
1 ) Doentes com hemoculturas positivas para estreptococos = 19 ou 12,6%.
.■\penas duas amostras pertenciam ao grupo alfa (inertes), sendo as demais
■do grupo beta (hemoliticos).
2) Doentes com henroculturas positivas para estafilococos = 5 ou 3,3%.
Somente u’a mostra foi classificada na variedade aurcus; as demais eram
albus.
3) A letalidade para os doentes com hemoculturas positivas para estrepto-
cocos foi de 73,7%; nas positivas para estafilococos a letalidade foi bem mais
reduzida: 20% (um caso fatal em dnco).
IV — Verificações bacteriológicas “ante e post-mortem”.
a) Necropsias: — Efetuadas em sua maioria nas primeiras 24 horas de-
pois do óbito. Das 24 necropsias praticadas foi colhido material do coração,
baço, fígado, cérebro, rim, derrame do pericárdio, medula óssea, derrame peri-
toneal, bile vesicular, pulmão e abcesso pélvico.
Os estreptococos foram isolados em percentagem de 95,7%, sendo em cul-
tura pura cm 4 necropsias (16,6%) e associados a outros germes cm 19 nccróp-
sias (79,1%). Quasi todas as amostras pertenciam ao grupo óe/o-hemolítico.
135
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
276
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
b) Punções cardíacas: — As punções cardíacas foram realizadas em 12
cadáveres, nas primeiras horas depois da morte, sendo o seu principal escopo-
afastar as causas de erros decorrentes da demora das necropsias, dando os se-
guintes resultados:
1) Presença de estreptococos (total): 66,690 (em 8 punções);
2) Estreptococos hemolíticos isolados em cultura pura : 25,09c ;
3) Estreptococos hemolíticos associados a outros germes: 41.6%.
c) Hemoculluras “ ante-mortem” : — O fito dessas pesquisas foi verificar
se havia invasão de germes na corrente sanguínea nos dias que precedem à morte
ou durante a agonia. A colheita de sangue variou entre 3 horas e 17 dias antes
da morte, estando os doentes em franca fase pré-agônica. .-\penas 2. em 11 he-
moculturas, tiveram resultado positivo para estreptococos hemolíticos (percenta-
gem de 18,1%).
V — Outras dermatoses. — Otitras dermatoses bolhosas essenciais per-
tencentes ao grupo do Pênfigo foram estudadas, sendo 5 casos de Dermatite Her-
peti forme de Duhring. 1 caso de Pênfigo Vegetante e 1 caso de Pênfigo Agudo
Febril.
VI — Controle das necropsias. — Para o controle das necropsias dos
casos de Pênfigo Tropical, foram efetuadas pesquisas necróticas, em idênticas
condições técnicas, em 12 cadáveres cujo óbito foi motivado por outras doenças.
Xas semeaduras de material de 2 necropsias houve crescimento de estreptococos
hemolíticos do grupo
VII — Identificação dos Estreptococos. — Foram bem estudadas 42
amostras isoladas de Pênfigo Foliaceo, sendo 39 hemolíticas. A identificação
foi procedida também em estreptococos hemoliticos originários de casos de der-
matite herpeti forme de Duhring. liquen plano impetiginado, eritrodermia arseni-
cal com infecção secundária, úlcera da perna por traumatismo, tulxjrculose pul-
monar e sarcoma do braço com metástases generalizadas; dêsses dois últimos
casos os estreptococos foram isolados de material necrótico. \ titulo de con-
trole realizou-se a classificação bio-sorológica em 4 amostras de Streptococcus
pyogenes de escarlatina (Dochez, N. Y. 5), febre puerperal, erisipela e reuma-
tismo.
Os caracteres primordiais dos estreptococos hemoliticos de "Fogo Seh-agem"
são idênticos aos de Streptococcus pyogenes:
Produzem hemólise do tipo beta.
Pertencem ao grupo sorológico A da classificação de I^ncefield.
Não crescem a 1(P, a 45®, em meio com 6,5% de NaCl, em meio com pH
a 9,6 e em agar-sangue biliado.
136
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. ÍUrio Mourão — O papel do estreptococo no Pcníigo Foliaceo 277"
Insolúveis eni bile.
Não hidrolizam o hipurato de sódio.
Produzem amónia de peptona.
Addificam: dextrose, levulose. galactose, manose. sacarose, maltose, lactose;
trealose, dextrina, amido, salicina. Xão acidificam; arabinose, xilose, melibiose,
rafinosc, imilina. eritrita. manita, sorbita, dulcita. adonita. ramnose, amigdalina,
inosita, nutrose, glicina.
Acidificam facultatiramente: glicerina e esculina.
Patogênicos, por via pcritoneal, para coelhos (26,1^), cobaios (357/í>)r
ratos (69ÇÍ)) e camondongos (90,4%).
Produzem uma toxina eritcmatogênica.
Digerem a fibrina humana. '
VIII — Conclusões:
1. ® — A toxi-infecção estreptocódca desempenha importante papel do Pên-
figo Foliaceo.
2. ® — Um estreptococo hemolitico do grupo A. toxígeno e fibrinolitico, par-
ticularmente virulento para camondongos, com os caracteres biológicos do Strep-
tococcus pyogenes, foi isolado com constância das lesões cutâneas e, em menor
percentagem, da corrente sanguinea.
3. ® — O mesmo germe foi isolado de órgãos de necropsias e de punções
cardiacas efetuadas em seguida â morte, parecendo, entretanto, haver uma disse-
minação estreptocódca post-mortem, processando-se ogo nas primeiras horas
após o óbito.
4. ® — Foi demonstrada a presença de uma anti-fibrinolisina no plasma dos
penfigosos.
5. ® — Os estreptococos hemoliticos acarretam evidentes alterações na fisio-
nomia clinica cutânea e geral, podendo trazer complicações fatais para os doentes.
6. ® — A graridade da infecção cutânea e as suas repercussões no organismo
estão diretamente ligadas â presença e virulênda dos estreptococos hemoliticos.
7. ® — Os liquidos de bolhas limpidas, na fase inidal da moléstia, são ge-
ralmente amicrobianos ; todavia, sempre se isolaram estreptococos nas crostas e
liquidos de bolhas purulentas nesse periodo clinico.
8. ® — Durante o periodo de invasão bolhosa, seu comprometimento total do
tegumento externo, os piccocos não ganham a corrente circulatória.
9. ® — Xas formas dinicas generalizadas há predominânda dos estreptoco-
cos hemoliticos na infecção cutânea, tanto nos casos em que a dermatose era de
generalização recente quanto nos de longa evolução.
137
I SciELO
278
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVII
10. ° — Mesmo nos doentes com a dermatose em r^ressão os resultados
<ontimiam mostrando a importância dos estreptococos na involuqão total das le-
sões tegumentares.
11. ° — Na forma frusta, benigna e localizada, não há uma epidermo-
estreptococcica intensa como nas outras formas clinicas: nos casos com a pre-
sença de estreptococos hemoliticos nas eflorescêndas cutâneas, a dermatose se
alastra a todo o corpo.
12. ° — Parece- nos questão pacifica que a infecção estreptocócica inicial seja
originária do revestimento externo e que, somente depois da dermatose se gene-
ralizar, é vencida a proteção epidérmica; também só nesse estádio clínico é a
eorrente sanguinea exposta ao ataque de estreptococos e estafilococos, êstes em
menor percentagem. Dai o déficit oi^ânico dos doentes com formas clinicas
generalizadas: além de pri\’ados total cu parcialmente das importantes funções
fisiológicas da cutis, as quais pertencem as de proteção, excreção e termo-regula-
•ção, como as mais destacadas, têm o seu organismo permanentemente à mercê
dos piococos e de suas toxinas difusiveis.
ABSTRACT
The researches we made were the skeleton for this work and can be sum-
marized in the following manner:
I . Clinicai cases. — 160 patients of Pemphigus Foliaccous were studied. The
pathological material consisted in blood, liquid of vesicles and crusts, from
patients in \'aricus clinicai stages before beginning any treatment, and
from blood gathered by cardiac puncture, fragments of abnormal organs
and organic liquids obtaned by necropsies.
II. Epidermic Cullures. — Bacteriological cxperiments of effloresccnces
made in 55 incipient, chronic and regressive cases. The strcptococci
were isolated in a percentage of 81,1%, pcrtaining, chiefly, to the he-
moljnic grcup. Because of the great \-ariety of clinicai types, a scpa-
rated analysis of each one of thcm was preferred.
1) Bullous in^-asion t}-pe
a) Presence of strcptococci in liquid of clear vesicles = 0%.
b) Presence of streptoceed in crusts and liquid of turbid ve-
sicles = 100%.
2) Chronic generalized tyqies
a) Presence of streptocoed of pure culture in liquid of clear
%-esicles = 33^3%.
138
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. M^RIo Movrão -- O papel do csircplococo no PênfÍRo Foliaceo 279
b) Prescnce of streptococci in purulen: vesiclc? and crusts
= 100 %.
3) Fru>t t>'pe
Fresence oi strcptococci in externai lesions = 25%.
a) Hcmrlytic strcptococci = 12,5%.
b) Indifferent strcptococci = 12,5%.
4 ) Rcgrcssive types
The positive perccntagc was of 62.5%.
5) Cases clinically cured
Xc strcptococci werc foiind.
III. H nnotullures wcre niade in 150 patients, during the various clinicai
stage.s of the diseasc. without sclcction of cases classified as folou*s:
Early stage of bollous invasion 36
Chronic gcneratized typei
Distrophic typc 15
Frust typc 12
Dermato<is in apparcnt clinicai rcgressiofi 5
The follrwing results wcre obtained:
1) Patients with i>ositive hcniocultures for strcptococci = 19 of
12 . 6 %.
C)nly two sant]>les pcrtaincd t.a the alpha (indifferent) gfonp.
licing the rentaining of the beta (hemolytic) group.
• 2) Patients with {«sitive hcntixniltures for .'taphylococci = 5 or
3.3%.
Only one saniplc was classified in the aurcus species: all ihe
rest werc albits.
3) The Icthality of patients with positive hcmocultures for strep-
tococei was of 73.7%, and the Icthality of ones with positive
hemoailtures for staphylococci was nnich more reduced: 20%
(One out of five cases was fatal).
I\'. Bactcriologtcal prcmortal and postmortem exawinattans.
a) Necropsies: — The necropsie.s wcre carried out. chiefly, in the
first 24 hotirs after death. Material from the heart, spleen. liver,
brain, kidncy. bleeding front the j>cricardium. marrow bone, peri-
toneal bleeding, vesicular bile, !ung and pclvic abscess, was gathercd
from the 24 necropsies cffectuatcd. The strcptococci werc isolatcd
in a perccntagc of 95,7%, being of purc culture in 4 necropsies
139
18
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
•280
Memórias do Institnto Butantan
Tomo XVII
(16,6%). and associaícd wi:h other gemis in 19 necrcçsies {79,1 fr).
Almosr all sainples pertained to the beta-hemoljtic group.
b) Cardiac puiicturcs: — The cardiac punctures were carried out in
12 corpses, during the íirst hotirs after death, in order to avoid lhe
causes of errors by ccnsequence oi the delay of necropsies. These
were the results:
1) Presence oí streptococei (total) : 66,6% (in 8 punctures) ;
2) Hemolytic streptococei isolated in pure culture: 25.0%.
3) Hemolytic streptococei associated with other germs: 41.6%.
c) Prcmortal bctnocuUtircsi — The aim ot these researches was to
verify if there was in\-asitn ot baaeria in the blood stream on the
days preceding death or during agony. The blood gathering varied
between 3 hours and 17 days lieíore death; the patients were in a
frank preagonic period. Only 2 out of 11 hemocultures gave a po-
sitive result for hetnoiytic streptococei (jiercentage of 18.1%).
V. Olher dennatoses. — Other essential bullous «emiatoses pertaining to
the Pemphigus group were studied, being 5 out of the studied cases of
Duhrings disease (Dcrinatitis Herpetiforniis). 1 of Pemphigus Vege-
tans (Xeumann’s disease). and 1 of Febrile Pemphigus (Pemphigus
.■\cutus).
\T. Control of nccropsics. — In order to control the necropsies of the cases
of Pemphigus Foliaceous, some necrotic researches were made by the same
technical etnditions. in twelve coipses whose death was caused by other
diseases. There was growth of group hemolytic streptococei in the
seeding material of 2 cut of the necropsies.
VII. Rccoijnition of the streptococei. — 42 samples i.solated from Pemphi-
gus were studied ; 39 out of them were hemolytic. The recogmtion wa*
also carricd out in hemolytic streptococei from cases of Duhring‘s disease
(Dermatites Herpetifermis), impetiginous lichen planus, arsenical ery-
throdermia with secundary infection, ulcer of the Icg caused by trau-
matism, tubcrculosis of the lungs. and sarcoma of the ann with general-
ized metastases; the streptococd from the two lattcr cases were isolated
from necrotic material. .As control. the bioserological classification was
nude in 4 samples of Streptococcus pyogenes {scarlatinae (Dochez. \.
Y. 5), puerperal fever, er>'sipelas and reumatism).
The primordial characters of the hemolytic streptococei of Pemphi-
gus Foliaceous and of the Streptococcus pyogenes are the same:
140
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B Mario Movr.%o — O papel do estroptococo no Pênfigo Foliaceo 281
Produce beta heniolysis.
Penain to thc serolojnc greup A oi LancetieWs classification.
No growth at ICP or 45® in a médium oi NaG at 6,5%. in a médium
oi pH at 9.6 and in bilious blood agar.
Tnsoluble in bile.
No hydrolysis of sodium hippurate.
.Ammonia is produced from peptonc.
.•\cid from dextrose, levulose, galactose. mannose, saccharose,
maltose, lactose, trchalrse. dc-xtrin, amido, salicin.
No acid from arabinose. xylose, melibiese. raffinose. inulin. ery-
thriol. mannitol, sorbitol. dulcitol. adonitol. ramnose. am\'gdaline,
inositol. nutrose, glydne.
Facultative acid from glycerine and esculin.
By peritoneal route. pathogenic for rabbits (26.1%). guinea-pigs
(35.7%). rats (69%) and mice (90.4%).
.•\n erj-thrt^enic toxin is prodiKcd.
Dissolve human fibrin.
VIII. Conchuions.
1. ® The streptccoccic toxinfection has a great role in the Pemphigus
Foliaceous.
2. ® .\ toxigenk and fibronogenie hemolytic strepíococcus ot group A.
partiatlarly virulent for mice. presenting the biological characters
ot the Strcptococcus pyotjcncs, was ccnstantly isolatcd from the
skin lesions; thc jiercentagc from the blood stream was lowcr.
3. ® The same geriu was isolatcd from thc organs of necropsies and
from the cardiac punctures made just after death; it seemed. howc-
ver, that a postmortem streptococcic dissemination took place just
after thc first hours of death.
4. ® The prcseiKC of an antifibrínolysin in thc plasma of patients of
Pemphigus was demonstrated.
5. ® Thc hemolytic streptococei cause obdous changes in thc cutanecus
and general clinicai aspects. and may arise fatal complications in
the patients.
6. ® The seriousness of the cutaneous infection and its repercussions in
the body are dircctly connected to the prcsence and drulence of the
hemol>tic streptococei.
7. ® The liquid of clear vesicles, in thc early stage cf lhe di.scase are
gcnerally amicrobic: ncvcrthclcss. streptococei wcre always isolatcd
from the crusts and liquids purulent vesicles, in this clinicai stage.
141
282
Memórias do Instituto Butantan — Tomo WH
8. ® Duhrini; the period t f bullous inrasion, without a total involvement
of the externai tegument. the piococci do not attack the blood
strcam.
9. ® In the cutâneos infection of the generalized clinicai types the hemo-
Irtic streptoc«Kci are not only predominant in the cases ot demiato-
sis recently genaralized. but also in those of long evolution.
10.® Even in the patients with a retrograde dermatosis, the results con-
tinue to show the importance of the strq>tococci in the total invo-
lution of lhe teguinentar lesions.
-11.® In the lienign and localized frust tyi)c thcrc is no intense ej^dcmiic
strcptococcic infecticn as in other clinicai types: in cases wth he-
niohdic streptococci in the efflore.sccnces, the dermatosis spreads
all over the Ixxly.
12.® It .seems to l>e out of question tliat the streptocixxic infection may
have its origin from the outer integument. and that only after the
generalization cf the dermatosis thj epidermic protection is yieldcd;
and it is only in this clinicai -stage that the blood slream is exposed
to the attack of streptococci and staphylococci ; the latter in a lower
rate. Therefore. the organic déficit of the {latients prescnting ge-
neralized clinicai tjqxrs: l)csides l>eing totally or parcially deprived
of the imp<rtant physiolc^cal functiotis of the cutis, as protection,
excrction and thcrmorcgttlation. the chief ones, they have their bo-
dies in a jiemianem cxposure to the pyococci and their diffusible
toxins.
.\c*ADtriMEXTo : — Na parte técnica, cm toda.s a.s fases deste traballio. tivenv» a
cooperaclo direta das nossas competentes auxiliares Sta. Qaucia Walkiria I.isbõa e Sra.
Martiu Tripj Vallery. .\ ambas somos sinccramente (tratos.
Os enfermeiros chefes do Instituto " Adliemar de Barros”, Sta. Duilia Orlandi e Sr.
Nicolau Paegle. muito nos ajudaram na colheita de material e consittname» aqui o nosso
reconhecimento.
.\inda agradecemos à Sra. .-\racy Prado, arquivista e datilógrafa, pela- bõa vontade c
esmero com que desempenhou o seu mister; à Sta. Sarah Marcondes Macludo. desenhista,
que ilustrou a nossa monografia com excelentes gráficos; e, ao Sr. Gementé Marmo.
fotógrafo, que não poupou esforços para que as fotografias tivessem a melhor nhidés.
Deixamos por fim o nosso profundo agradecimento ao Dr. João Paulo Vieira.
D. D. Diretor do Serviço do Penfigo Foliaceo. pebs facilidades e decidido apoio que sempre
merecemos de sua parte.
142
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
ScíELOl'o
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
L
cm
284
Memórias do Instituto Butantan — Tomo XVH
59.
/?.
Durau-Reynald. F. — Joum. Exp. Med. 58:161.1933.
J. J. — Joum. Exp. Med. 57:957.1933.
Bier, O. — Bacteriologia e Imunologia em suas aplicações à Medicina e ã Higiene.
Cia. Melhoramentos. S. Paulo, 1942.
Brcun, J. H. — The Use of Blood Agar for the Stndy of Streptococci. Monografia
Rockfeller ln.‘t. Med. Res. (9). 1919.
Kolmrr, J. A. & Tuft. L. — Oinical Immunology Biotberapy and Chemotherapy.
W. B. Saunders Co.. Philadelphia. 1941.
Sabourauá. R. — Pyodermites et Eczemas. Masson & Ge. Paris, 1928.
Gougfrot, H. — La Dermatologia en clientele. Lib. Maloine, Paris, 1939.
Milian. G. — In Nouvelle Pratique Dermatologiquc. IV toI. Masson & Cie. Paris, 1936.
Fredcric — Citado por Flaxtkaustn (49).
Flthmf, H. — Derm. Zeitschr. 31:11.1920.
Percwol, G. H. — Med. Res. Council, H. Maj. Stat. Off., London 2:75.1929
Photinoi, Th. — Buli. Soc. Franc Syph. 34:194.1927.
Haxthaus>-n, H. — .\im. Derm. Syph. 8:201.1027.
Salassa, ,\í. R. — Giom. Batt. Imm. (Torine) 24:349.1940
Hare, Pauli. Corburn — i» Mfrchant, /. A. — V'eterinary BacterkJogy. The lowa
State College Press (lowa). 1940.
Griffth, F. — Joum. Hyg. (Cambridge) 34:542.1934.
Tcdd. E. ÍP. — Joum. Hyg. (Cambridge) 39:1.1939.
Shfrman, M. — Bact. Rev. 1:1-97.1937.
Goy. F. P. tt ol — Agcnts of Disease and Host Resistence. Baillière. Tindall & Cox,
London. 1935.
Planton, E. & DtítiH. P. F. €r Hoyl, R. E. — Joum. Amer. Med. .Assn. 116:11.1941
Bordft. J. — Trailé de ITmmunité dans les maladies infecticuses. 3Iasson. Paris, 1939.
Toplty. IP. ir. C. & iyiU<m. G. S. — The Principies of Bacteriology and Immunity.
Edward Amold & Co.. Londoa 1936.
CoUbrook. L. — Min. Hlth. Int. Rep ; Dtp. Cooirr., Matem. Mortal. Mofc^ .\pen-
dice D, 1930.
Holman. 11'. L. — Joum. Med. Res. 34:377.1916.
Rant:. L. A. — Joum. Inf. Dis 71:61.1942.
Rosfncnc, E. C. — Joum. Inf. Dis. 36:525.1925
Tfífhmann. J. — Ztschr. f. Immuntatsforschg. u. exp. Ther. 48:466.1926.
Lonctnthal — i» BUr, O. (39).
rtflra, J. P. — Pènfigo Foliaceo e Sindromo de f^errear-Uscber. Monografia. E G.
Rev. Tribunais. S. Paulo, 1942.
Rabflo Junior, F. E. — ,\rq. Derm. Sif. S. Paulo 5:7.1941.
Aragão, H. B. — Meirt Inst. Oswaldo Cruz 3:309.1911.
.dragão, //. B. — Brasil Médico 47:187.1933.
.dragão, H. B. — Brasil Médico 47:187.1933.
Darier, J. — Precis de Dermatologie. Masson & Ge.. Paris. 1928.
5tWi.<ff, J. S. & Taylor, R. E. — Joum. Amer. Med. Assn. 72:1885.1919.
Sahouraud, R. — Carta dirigida a Vkira, J. P. (26).
Artigos. P. T. £r .Mourão. B. .V. — Bd. Soc Med. Gr. S. Paulo 23:139.1939
Coulinho, E. — Tratado dc GInica das Doenças Infectuosas e Parasitárias. Pimenta
de Mello & Cia, Rio de Janeiro, 1939.
Atchar, II. — Memórias Instituto Butantan 15;399.1S>41.
144
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
B. Mario Moi;r.\o — O papel do estreptococo no PênfÍRo Foliaceo 285
76. GuiiHarãfs, J. R. A. & Mourão. B. lí. — Brasil Médico 56:125.1942.
77. Guimjrãfs. J. R. A. — .\rq. Gr. Qín. Exp. S. Paulo 6:1383.1942.
78. 3/oKrã<j, B. lí. & Guimarães, J. R. A. — Brasil Médico 55:657.1941
79. Alayon, F. L. — Relatório enviado ao Diretor do Serviço do Pènfigo Foliaceo en*.
Maio de 1941. Arquivo do Insthutu “Conde de Lara”, S. Paulo.
80. Du.inell, H'. G. — Amer. Jour. Med. Sei. 158:216.1919.
81. Ceeií. R. L.; BaldvAu. H. S. & harsen. .V. P. — .Arch. Int. Med. 40:253.1927,.
82. Arnold, L.; Gustafsom, C. Montgomery, B. £.; Huíí. T. G. & C. —
.^mer. Jour. Hyg. 11:345.1930.
53. Couueilman — Citado por Sckamberg (14).
rr.aballi> do Intiituio de Leproloiü “Cnde de Laro~
(Lohoratorío <ic BactehoÍ4>(ia ci^ de Pêtific^
Foliaceo) e do Ia*tituto Butictin. Entregue par.á pabW*
caçlo em 15 de jolbo de 1945 e dado á puSltciiade
dade etn detemtro de 1945).
145
*
2 3 4 5 6
cm
SciELO,
LO 11 12 13 14 15 16
tMrilK««0 HA *
í: M p n B 8 A a s A r I c A da
•'HBVISTA DOS TRIBUSAia" LTDA.
A fXO YAlllA