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MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
1946
TOMO XIX
*
São Paulo, Brasil
Caixa Postal 65
MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
1946
TOMO XIX
São Paulo, Brasil
Caixa Poital 65
As “MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN” sáo destinadas
á publicação de trabalhos realizados no Instituto ou com sua con-
tribuição. Os trabalhos são dados á publicidade, separadamente,
logo após a entrega e reunidos nnualmente num sxilume.
Serão fornecidas, a pedido, separatas dos trabalhos publicados
nas “Memórias”, pedindo-se nesse caso o obséquio de enviar outras
separatas, em permuta, para a Biblioteca do Instituto.
Toda a correspondência editorial deve ser dirigida ao:
INSTITUTO BUT.\NTAN
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Caixa postal 65
S. Paulo — BRASIL
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EXCHANGE DESIRED
i
!
ÍNDICE
1. BUECHERL, \V. — Quilopodos do Museu Paranaense de Curitiba
Chilofodt of lhe "Museu Paranaense" of Curitiba.
2. HENRIQUES, O. B. & HENRIQUES, S. B. — Sobre a determinação
dos I7-cetosteroides na urina humana
Delerminaiian of IT-ketosteroids in lhe human urine.
3. LEAL PRADO. J. — Hemoglobina inatis-a (não combinavel ao oxigem’o)
no sangue do cão e do homem
(\on-OTygen-combÍHÍng) inaelh-e hetnoglobin in lhe dog‘s and matis
blood.
4. LEAO, A. T. — Sobre um novo genero de Liophistrematinae Artigas, Ruiz
& Leão, 1942 {Tremaloda, Plagiorchidae)
A neve genus of Liophistrematinae Artigas, Ruis 6r Leão, 1942 {Tre-
matoda, Plagiorehidae) .
5. BIOCCA. E. & AM.AR.AL, J. P. — Estudos sobre o tratamento da infecção
tifica experimental do camundongo. 1. Comportamento “in %-itro”
e “ in vivo " de varias substancias
Studies on lhe treatment of experimental lyphoid infection in mice.
L "In vitro" and " in vivo" behaviour of various substances.
6. BIOCC.A. E. & .AM.-VR.AL. J. P. — Estudos sobre o tratamento da infecção
tifica experimental do camundongo. II. Sinergismo entre medica-
mentos quimicos sintéticos e medicamentos de origem biologica ....
Studies on lhe treatment of experimental lyphoid infection in mice.
II. Synergism betteeen chemieal and synthetic medicaments atui me-
dicaments of biologieal origin.
7. LE.M. PR.\DO, J. — .\ gliccmia normal no» ofidios
Xormal glycemia i» snakes.
8. EICHB.AUM. F. W. — Biologieal properties of anacardic add (O-penta-
decadienyl-salic}-lic acid) and related compounds. 1. General dis-
cussion. Bacteriddal action
Propriedades biológicas do acido anacardieo (.icido salicilico O-penta-
decadienyl) e compostos correlalos. I. Discussão geral. A(3o hac-
tericida.
9. EICHB.\UM. F. W. — Biologieal properties of anacardic add (O-penta-
decsdienyl-salic>'lic add) and related compounds. 11. Anti-enzy-
matic action of anacardic add and derivatives
Propriedades biológicas do acido anacardieo (Acido salicilico O-penta-
decadienyl) e compostos correlalos. II. A(ão anti-ensimalica do aci-
do anacardieo e derivados.
10. EICHB.AUM. F. W. — Biologieal properties of anacardic add (O-penta-
decadicnyl-salicylic acid) and related compounds. III. Antifebrile
action of anacardic add and derivatives
Propriedades biológicas do acido anacardieo (.icido salicilico O-pente-
decadienyl) e compostos correlalos. III. A(ão antifebril do acido
anacardieo e derivados.
11. E1CHB.\UM, F. W. — Biologieal properties of anacardic add (O-penta-
decadienyl-salicylic acid) and related compounds. IV. Tbe vermi-
Pág.
1 - 10
11 - 22
23- 32
33- 40
41- 48
49- S8
59- 68
71- 96
97-112
113-118
Pag.
f
I
I
c!(lal. antiprotozoic. antiectoparasitics and lanricidal actíon of ana-
cardates
Propriedades biológicas do acido anaeardico (Acido salicilieo 0-pcnta-
decadienyl) e compostos eorrelatos. IV. Afão zermicida, anti-
prolosoaria, anii-ectoparasitica e larvicida dos anacardatos.
12. EICHB.\UM. F. W. — Biological propertíes of anacardic add (0-penta-
decadienyl-salicylic add) and related compounds. V. To-xkdc^ of
anacardic add and related compounds. Clinicai outlook
Propriedades biológicas do acido anaeardico (Acido salicilieo 0-penta-
decadienyl) e compostos- eorrelatos. V. Toxicologia do acido ana-
cardico e compostos eorrelatos. Aspecto clinico.
13. BUECHERL, W. — Xoddades sistemáticas na ordem Scolopendromorpha
Xetrs on the systematies of the Scolopendromorpha order.
14. V.\LLEJO-FREIRE. A. — Spotted fe\-er in México
Febre maculosa no México.
15. BUECHERL, W. — .'\ção do veneno dos escolopendromorfos do Brasil
sobre alguns animais de laboratorío
The ocíion of the Brasilian Scolopendromorpha fenom upon several
laboratory animais.
16. VALLE, J. R. do & LEAL PRADO, J. — Sobre a anemia dos cães pelo
benzoato de estradiol
Anemia in dogs produced by estradiol bensoate.
ir. PELUFFO, C. A.; BIER. O.; AMARAL, J. P. & BIOCCA. E. — Es-
tudos sobre as salmonelosis era S. Paulo. 1. Inddencia dos diferen-
tes tipos em diarreias infantis
Studies on Salmonellosis tn São Paulo. I. Incidence of the txtrious
types of infantile dysentery.
18. PELUFFO. C. A.; BIER. O.; .^M.^RAL. J. P. & BIOCC.\, E. — Es-
tudos sobre as salmonelosis em S. Paulo. 11. Um novo tipo de sal-
monela patogênica para o homem
Studies on Salmonellosis in São Paulo. II. A neto Salmonella
type patkogenic for men.
19. AMARAL. J. P.: BIOCCA. E.; BIER. O. & ESTEVES. M. B. — Es-
tudos sobre as salmonelosis em S. Paulo. III. Ocorrenda de um
bacilo paracoli com antigenos de salmonela (VI, XIII, XXV, Vi)
cm casos de diarreia infantil •
Studies on Salmonellosis in São Paulo. III. Incidence of_ a paracoU
baeilli trith Salmonella ontigens (VI, XIII, XXV , Vi) in cases of
infantile dysentery.
20. EICHB.AUM, F. \V. — Hemaglutira’nas nos venenos de serpentes sul-
anxricanas
Haemagglutinins in the fenom of South.ameriean snakes.
21. HOGE, ALPHOXSE R. — Um novo lagarto da Ilha da Queimada Grande
A neze lisard from the "Queimada Grande" Island.
22. RUIZ, JOSÉ MANUEL — Pronocephalidae (Trematoda)
Pronocephalidae (Trematoda).
119-126
127-134
135-158
159-180
181-198
199-210
211-216
217-220
221-228
229-240
241-248
249-372:
Mem. lost. Batantao.
19:V9, 1946 .
W. BUECHERL
QUILÓPODOS DO MUSEU PARAXAEXSE DE CURITIBA
POR WOLFGAXG BUECHERL
(Do Laboratório de Ofiologia e Zooloi/ia Médica, Instituto Butantan,
S. Paulo, Brasil)
Otostigminae Krpln., 1903
Genus O t os t i g m u s Porat, 1876
Olostigmus inertnis Por., 1876 — Uma fêmea jovem, capturada
pelo «r. R. Hertel, em 1-7-45, em Volta Grande, Paraná.
O t os ti gm us limbatus Mein., 1886 — Um macho adulto, capturado
pelo sr. R. B. I-ange, em agosto de 1944, em Curitiba, Paraná. Um segundo
e.xemplar foi encontrado pelo mesmo sr. no mesmo local, um ano mais tarde e mais
1 em 1941.
Otostigwus pradoi Buecherl. 1939 — Dois exemplares, de Volta
Grande. Paraná, capturados pelo sr. Hertel. em 10-10-44.
Otostigmus cavalcan te i Buecherl, 1939 — Duas fêmeas adultas
de Curitiba. Paraná, capturadas pelo sr. Lange, tm 1945.
Otostigmus cau d atus Broel., 1902 — Uma fêmea, colhida pelo sr.
Lange, em Barigui, Paraná, cm novembro de 1944. O presente Otostigminco
apresenta, como aliás quase todos os exemplares dos Estados do sul do Brasil. 2
sulcos paramedianos, muito curtos, anteriores e pouco nitidos nos esternitos. dos
quais Broelemann escreve: “Esternitos sem sulcos”.
) c
> (
44
Otostigmus I an g ei sp. n. (Figs. 1 e 2),
Comprimento (sem antenas e últimas patas) — 47 a 53 mm;
Colorido — Placa cefálica, tergitos, 3 artículos basais das antenas e os dois
últimos pares de patas roxo-oliváceo ; tibias, primeiros tarsos e as porções ter-
Recebido para publicação em 12 de setembro de 1945.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
2
QUIL6PODOS DO MUSEU PARANAENSE DE CURITIBA
minais dos fêmures também roxo-oliváceo. Esternitos. prefêmures, porção
proximal dos fêmures e segundos tarsos amarelo claro. Pêlos antenais ama-
relo doirados. Ou o roxo oliváceo dos tergitos e últimas patas dá lugar a imi
amarelo desmaiado e a um verde pálido nas partes distais dos fêmures, das
tibias e dos primeiros tarsos, permanecendo roxos apenas os artículos basais
das antenas e a placa cefálica.
Antenas com 17 artículos moniliformes; os dois primeiros artículos basais
totalmente desprovidos de pêlos; o terceiro só com pêlos na metade ventral
distai; os outros articulos cobertos uniformemente de curtos pêlos loiros.
Coxostcrnum forcipular com placas dentárias munidas de 4 dentes de cada
lado (Fig. 1), sendo os 2 internos um tanto afastados dos 2 externos; os 2
internos mais unidos do que os externos. No meio da cada placa 1 cerda
robusta e longa, nascida numa depressão oval, grande. Sulco basal das placas
dentárias curvo, continuando a curvatura no coxosternum. Com um curto sulco
mediano, anterior. Sem outra depressão no coxosternum.
Sulcos paramedianos dos tergitos completos do oitavo ou nono até ao 19.®
tergito, i. é, percorrendo todo o tergito; dos tergitos 2 a 7 ou 8 presentes ape-
nas sob a forma de curtos sulcos anteriores e posteriores, mas apagados no
meio das placas. 20.® tergito com sulcos paramedianos completos ou abrangen-
. do apenas dois terços do comprimento da placa. Sómente o 21.® tergito com
carenas laterais. Todos os tergitos glabros, brilhantes, sem quilias ou tubérculos.
Esternitos 2 a 19 ou 20 com 2 sulcos anteriores e 4 depressões (Fig. 2),
sendo 2 medianas e 2 laterais. As últimas quase indistintas; as medianas bem
nítidas, sendo a anterior o\'al e maior e a posterior redonda e menor. 21.®
estemito com borda posterior ligeiramente procur\-a e com depressão longitu-
dinal mediana cm forma de leve fossa.
Patas 1 e 2 (raras vêzes 3) com 2 esporões tarsais; 3 (ou 4) a 19 (ou 18)
com 1 esporão; 20 (ou 19) a 21 sem esporão tarsal.
1.® par de patas com 1 esporão no prefêmur e na tibia. Último tergito e
últimas patas normais e iguais no macho e na fêmea.
Caracteres sexuais secundários, ausentes.
Tipo — Fêmea adulta, depositada na coleção quilopódica do Museu Para-
naense, sob o No. 4.
llab. — Volta Grande, Paraná.
Col. — R. I.ange, cm 1-7-45.
Paratipos — 2 exemplares, de Barigui, Paraná.
Metn. Inst. Batontan,
1946.
W. BUECHCRL
3
A esjjécie nova se aproxima de O. tibialis Broel. e de O. pradoi B., de
maneira que, para a bôa distinção entre estas três espécies, convem atender ao
seguinte esquema:
O. Unffei sp. n.
O. tiScIis 1
0.
Placa cefilka c tercitos do
mesmo colorido
Placa cefálica c !-• terfito
còr de castanha; terfitos rer-
de oKráccos
Placa cefálica s-erde oliva; ter*
(itos castanho ou vermelho es*
curot
Antenas 18 articnlos
16*1 7, reralmente
17 artículos
17>18, ftralmente
17 artículos
2 dentes internos parcialmente
anidot
S dentes internos parcialiocnU
unidos
todos os dentes isolados
2‘i pares de patas com 2 espo
rões tarsais
só 0 1.* par cora 3 esporóci
tafsais
2*J pares de patas com 2 espo>
róes tarsais
4 cavidades nos estemitos
4 cavidades nos estemitos
só 2 cavidades medianas
47-Si mm comprimento
80 mm
4>a5 mm
Otostigmuí sternosulcatus sp. n. (Figs. 3 e 4). ,
Comprimento — 45-50 mm (sem antenas e últimas patas).
Colorido — roxo com nuaiKcs esverdeadas ou azuladas em todo o corpo,
inclusive estemitos e patas. O tom violáceo c mais intenso nas antenas, placa
cefálica e últimas )>atas.
Antenas com 18, às vezes 19 artiailos, munidos de pêlos curtos. Os dois
primeiros artículos basais completamente sem pêlos, o terceiro articulo piloso
já na metade distai, cm tôda a volta.
3
4
QUlLôPODOS DO MUSEU PARANAENSE DE CURITIBA
Placas dentárias do coxostemum forcipular com 5 dentes em cada placa
(Fig. 3), sendo os esternos de cada placa muito agudos e isolados. Os 3 in-
ternos, dos quais o mais interno é muito menor e nascido num plano infe-
rior, são mais ou menos reunidos na base. Com uma certa em cada placa, nas-
cida numa depressão quase redonda e relativamente pequena. Sulcos basais for-
mando um ângulo de 170°, com 1 curto suko mediano. Sulcos laterais do
co.NOStemum terminando nos sulcos basais em ângulo aberto.
Tergitos glabros, sem quilias, tubérculos ou pseudocarenas. Com 2 sulcos
paramedianos desde o 2.° até ao 20.° tergito, a saber do 2.° ao 5.° só 2 sulcos
anteriores curtos, do 6.° ao 20.° completos, percorrendo tòda a extensão da
placa. Sómente o 21.° tergito com carenas laterais.
Esternitos glabros, sem cavidades ou depressões. Desde o 2.° ao 18.°
com 2 sulcos anteriores que atingem quase a metade da placa (Fig.4) e do
6.° (ou 8.°) ao 17.° além disso com 2 sulcos mais posteriores.
Patas 1-13 com 2 esporões tarsais; 14-20 cõm 1 esporão, 21 sem espo-
rão tarsal.
1. ° par de patas sem esporão no prefémur, com 1 esporão no fêmur c 1
na tibia.
2. ° par de patas apenas com 1 esporão na tibia.
Tif ’0 — Fêmea adulta, na coleção quilopódica do Museu Paranaense, sob
o Xo. 16.
Hab. — Rio d’Areia, Paraná.
Col. — R. Lange, cm setembro de 1944.
Paratipos — 2 exemplares, de Contenda, Paraná.
A no\’a espécie é afim de O. kretzi Buecherl c O. dolosus A., pelo que
estabelecemos os seguintes confrontos morfológicos:
0. strm^tMUQtuM
O. hrttxi
O. dWomr
Todo 0 corpo roxo, Tcrdc oa
xxulado, ÍDcIoMve cstrroito« e
pataa
Estemito* amareloa. Patas ver*
det c axtttadas
Esternitos e extremidades ama-
relos
IS<19 articulo* anlroatt
17*1$ articulot
17 artículos
5 dentef cm cada placa denti*
ria, mais oti m«no« iaolado*
5 dentes, mas nnidos tctsal-
mente entre si
4 dentes somente
Esternitoa com aukoa afiterio*
res c posteriore*
Somente solcos anteriores
Sulcos anteriores só, porem
mais lonfos do que cm frúd^
Patas 1*13 com 2 esporôca tar-
»ai«
2 rspor6cs de 1*16
SS 0 I.* c 2.- o»ni 2 r»porO«
tarsai*
4
Mcm. Itist. Butanun,
1946.
W. BUECHERL
5
CRYPTOPIDAE Verhocff 1906
Cryptopinae Alt., 1930
Genus Cryptops Leach, 1815
Cryptops (Tr.) iheringi Broel. — 1 exemplar adulto, capturado
por R. Lange, em abril de 1945, em Curitiba, Paraná. Um outro exemplar, captu-
rado pelo mesmo sr., em 11-9-43, em Barigui, Paraná, apresenta as seguintes
variações : serrilha de dentes no lado ventral da tíbia e do 2.® tarso das últimas
patas em número de 15 na tíbia e de 4 no l.° tarso (os do tarso bem maiores
do que os da tíbia). Último par de patas sem cerdas longas, mas apenas com
espinhos, muito numerosos e bastante regularmente dispostos em filas longi-
tudinais.
Cryptops dubiotarsalis sp. n. (Figs. 6 e 7).
Comprimento — 21 a 23 mm (sem antenas e últimas patasl.
Colorido — Placa cefálica e artículos antenais vermelho amarelados, com
cerdas antenais amarelo-doiradas ; estemitos, patas e último articulo antcnal
amarelo claro; tergitos amarelo escuro.
Coxostemum forcipular sem sulco longitudinal mediano.
Primeiro tergito cobrindo parte da placa cefálica (Fig. 6) e sem fossa
semicircular.
Antenas (Fig. 6) com 17 articulos; 2 artículos basais sem pêlos, os outros
artículos cobertos de pêlos curtos. Articulos bafais cobertos de longas cerdas,
muito numerosas. Estas cerdas decrescendo sensivelmente em número nos ar-
ticulos seguintes.
Placa cefálica com 2 sulcos longitudinais, devergentes.
Tergitos lisos, sem tubérculos, mas com cerdas, mais numerosas nos últi-
mos. Sulcos episcutais desde o 5.® até ao 20.® tergito; depressões paramedia-
nas desde o 3.® ou 4.® até ao 19.® ao 20.® — 21.® tergito somente com carenas
5
6
QUIL6PODOS DO MUSEU PARANAENSE DE CURITIBA
laterais, mas sem tubérculos, porém com muitas cerdas irregularmente distri-
buídas (20 cerdas mais ou menos).
Estcrnitos lisos, sem rugas, com a cruz sulcai tipica do 2P ao 19.°, com
cerdas apenas nos 4-5 últimos.
Campo poroso das coxopleutas quase sómente para a zona ventral i. é,
atingindo sómente a metade das coxopleutas (Fig. 7) e ocupando nem a me-
tade das mesmas. Poros bastante grandes, mas pouco numerosos (30-42 em
cada campo). Entre os poros não existem cerdas. Estes estão presentes na
área não acupada pelos poros. Aí também existem algims espinhos, curtos
mas robustos.
Patas indistintamente biarticuladas, daí a escolha do nome desta espécie
nova. cobertas de numerosas cerdas. Espinhos pequenos presoutes apenas no
lado ventral dos preíémures e fêmures (não nas tibias e nos tarsos) das
patas anteriores (raras vêzes ausentes). Espinhos sempre presentes nos pre-
fêmures e fémures dos 2 últimos pares de patas, dispostos mais ou menos em
filas longitudinais. Tibia e l.° tarso das últimas patas no lado ventral com
dentes em forma de serrilha, a saber: 6-10 dentes na tibia e 2-4 no l.° tarso,
sempre isolados (Fig. 7).
Tipo — macho adulto, na coleção quilopódica do Museu Paranaense, sob
o No. 10.
Hab. — V'olta Grande, Paraná.
Col. — R. Hertel, em 1-7-45.
Paratipos — 4 exemplares, sendo 1 macho e 2 fémeas e 1 juvenil, de
Barigui, Vila Velha, Curitiba e Guaraqueçuba respectivamente.
Afim de distinguir facilmente a Cryptops (Cr.) dubiotarsalis sp. n. das
espécies afins. Cr. heathii Cham. (Brasil), crassipes Silv., gaiathcac Mein.,
(. Argentina), damos a seguinte chave:
1
2
3
Placa cefálica com 2 sulcos longitixlinais, longos ou curtos 2
Placa cefálica sem sulcos longitudinais; 1.® tergito com fossa semicircular e
2 sulcos longitudinais C. crassipes (Argentina)
Sulcos da placa cefálica muito curtos; só posteriores; 1.® tergito cora fossa
semicircular e 2 sulcos longitudinais formando um “ \V "
C. hfttthii (Paraíba do Xorte)
Sulcos da placa cefálica completos, divergentes 3
Placa cefálica cobrindo uma parte do 1.® tergito; 1.® tergito com fossa semi-
circular C. galathcat (Montevideo, R. G. Sul)
1.® tergito cobrindo uma parte da placa cefálica; 1.® tergito sem fossa semi-
circular C. dubiotarsalis sp. n. (Paraná)
6
Mesn. Inst. Batantan.
H:l-9, 1946.
W. BUECHERL
7
ScoLOPOCRYPTOPiK.xE Attcnis, 1914
Genus Scolopocryptops Newp., 1844
Scolopocryptops tniersii tniersii Newp. — 1 fêmea adulta,
capturada pelo sr. R. Lange, em março de 1945, em Curitiba, Paraná.
Genus Otocryptops Haase, 1887
Otocryptops- denticulatus sp. n. (Fig. 5).
Comprimento — 63-68 mm (sem antenas e patas).
Colorido — Castanho escuro nos tergitos e estemitos; placa cefálica e
últimas patas avermelhadas; patas amareladas.
Plaea cefálica — Espar.samente pontuada, sem sulcos.
Antenas — 17 articulos (às vezes só 16), pilosos, sem cerdas robustas nos
artiailos basais, mas apenas com cerdas comuns, muito esparsas, mais numero-
sas nos 3 articulos basais, que são desprovidos de pêlos.
Coxostemum forcipular — Com borda anterior quase reta, mas com placas
dentárias nítidas (Fig. 5), ainda que muito pequenas, annadas de minúsculos
dentes, parcialmente soldados (Fig. 5). Com um curto sulco mediano, muito
leve, a desfazer-se numa rede sulcai horizontal, quase imperceptivel.
Tergitos — Com sulcos longitudinais, paramedianos completos do 6.° ao
21.° tergito; do 3.° ao 5.° sómente sulcos posteriores, curtos. Carenas laterais
desde o 7.° ao 22.° tergito, bastante nitidos. mas muito abreviados, i. é, não
atingindo a Imrda posterior da placa nos tergitos anteriores e posteriores. Atin-
gem quase a borda posterior nos tergitos 18, 19 c 20-23° tergito sem carenas
laterais.
Esternitos — Sem sulcos nem depressões. Poros muito salientes e bas-
tante numerosos.
Patas — Com tarsos indivisos, mas com divisão articular em l.° e 2.°
tarso nas patas 22 c 23. 2 esporões tibiais nas patas 1 a 20; 1 esporão tibial
7
8
QUILÔPODOS DO MCSEL" PARANAENSE DE CURITIBA
na 21.® extremidade; patas 22 e 23 sem esporão tibial; patas 1 a 21 com I
esporão tarsal. Apêndice coxopleural muito agudo.
Campo poroso não atingindo completamente as bordas laterais do último
tergito, demarcadas sob a forma de um sulco fino. Prefêmur último com 2
espinhos curvos, sendo o do lado superior muito menor do que o do lado
ventral.
Tipo — Fêmea adulta, na coleção quilopódica do Museu Paranaense, sob
o Xo. 7.
Hab. — Barigui, Paraná.
, Col. — R. Lange, em junho de 1943.
Paralipos — 1 macho, também de Barigui e mais uma fêmea, do mesmo
local, o primeiro colecionado em 1943, a segunda em junho de 1915.
O. denticulatus se distingue de O. ferrugineus ferrugineus e de O. mela-
iiostomiis, como segue;
denticulatus apresenta placas dentárias nítidas, com denticulos rudimenta-
res, ausente umas e outros em ferrugineus ferrugineus e ausentes as primeiras
em melanostomus, enquanto que os denticulos são presentes sob a forma de
engrossamentos quitinosos.
Xo coxostemum forcipular de O. denticulatus há um curto sulco mediano,
anterior, ausente em /. ferrugineus e melanostomus. Artículos basais das ante-
nas de denticulatus sem as cerdas robustas e numerosas de f. ferrugineus, e
melanostomus. Sulcos paramedianos dos tergitos comj^etos em nudanostomus
desde o 3.® tergito; desde o 4.® ou 6.® em /. ferrugineus; desde o 3.® ao 5.®
presentes sómente sob a forma de curtos sulcos posteriores, em denticulatus.
Carenas laterais do 7.® ao 22.® em denticulatus e em /. ferrugineus. porém
quase invisíveis ou muito leves no último, enquanto que no primeiro são bem
nítidas. Em melanostomus as carenas laterais são ausentes nos 3 últimos ter-
gitos. Sómente 18 partes da patas de melanostomus com 2 esporões tibiais; 19
pares de /. ferrugineus. 20 pares de patas em denticulatus. Último prefêmur
de /. ferrugineus com 1 espinho dorsal grande e um ventral menor ; denticulatus
com espinho ventral grande e dorsal menor.
Li t h ob i o m o r p h a Pocock, 1902
5 exemplares, respectivamente de Curitiba e \'olta Grande. É um material
muito interessante, provavelmente novo. Mas como até hoje não se conhece
litobiomorfos no Brasil e como. por outro lado, o material é muito restrito, não
se poderá, por enquanto, proceder a uma bôa classificação.
8
Mrm Inst. Batantan,
W6.
\V. BUECHERL
9
G c O p h il om O r p h a Pocock, 1895
4 exemplares de \’olta Grande e Vila \’elha, Paraná, pertencentes ao ge-
nero Adcnoschendyla. A especificação só poderá ser feita, quando recebermos
os últimos trabalhos de Attems e Verhoeff.
RESUMO
o material quilopódico do Museu Paranaense, de Curitiba, é classificado,
fazendo-se reparos à rescrição original de O. caudatus Broel. e Cryptops ihe-
Broel. e as seguintes espécies são descritas como novas: Otostigmus
langci. Otostigmus stemosulcatus, Cryptops dubiotarsaiis e Otocryplops deniu-
culatus.
ABsmvcT
The Chilopoda collection of the “Museu Paranaense”, of Curitiha, Brazil,
is classified, corrections being made of the original descriptions of 0. caudatus
Broel. and Cryptops iheringi Broel., and the following new species are descri-
bed: Otostigmus langei, Otostigmus stemosulcatus, Cryptops dubiotarsaiis and
Otocryplops dcnticulalus.
9
Mnn. Inst. Batastan,
l»:n-22. IM6.
O. B. HENRIQUES 4 S. B. HENRIQUES
11
SÔBRE A DETERMIXAÇAO DOS 17-CETOSTEROIDES
NA URINA HUMANA (•)
Pos OLGA BOHOMOLETZ HENRIQUES & S. BAETA HENRIQUES
(Do Laboratório df Endocrinologia, Instituto Butantan, S- Paulo, Brasil)
A determinação dos 17-cetosteroides na urina constitui um método de
estudo da eliminação dos hormônios gonadais e corticais de elevada impor-
tância experimental e drnica. O assunto vem sendo am|^amente analisado
dada a reconhecida dificuldade e imprecisão dos tests biológicos até agora
empregados para o estudo do metabolismo dos hormônios esteroides.
A determinação dos 17-cetosteroides urinários implica em hidrólise e extra-
ção da urina. Friedgood. Taylor e Wright (13), estudando a hidrólise e
extração dos 17-cetosteroides. chegaram à conclusão de que a hidrólise e a extra-
ção independentes causam menor perda de 17-cetosteroides e demonstraram que
pelo processo de Smith, Smith e Schiller (20) a extração é mais completa.
Os processos colorimétricos de determinação de 17-cetostcroides na urina,
àão pouco satisfatórios por não se ter conseguido ainda uma reação esperífica
ou o afastamento total dos outros cromógenos. O processo de Zimmermann (27)
baseado na reação corada dos 17-cctostcroides com o »i-dinitrobcnzeno, tem sido
até agora o mais usado nas suas várias modificações. Callow, Callow e
Emmens (4) aperfeiçoaram consideravelmente o processo de Zimmennann e
aconselharam a desconfiar de resultados nos quais a relação das leituras nos
filtros azul e verde fosse alta. Para afastar os cromógenos foram introduzidos
processos tais como: uso do reagente T de Girard (cloreto de trimetilamonio-
accthidrazida) (21), equação de correção no desenvolvimento da côr (10) e um
novo método colorimétrico usando triclorcto de antimônio (18).
De acôrdo com Cahen e Salter (3) o emprego do reagente de Girard acar-
retaria a perda de 10 a 15% da fração cetônica.
Consultando a literatura nacional encontramos apenas um trabalho sôbre
a excreção normal dos 17-cetosteroides (16). Neste as determinações foram (*)
(*) Trabalho cm parte subvencionado pelos drs. Alberto AU^es Filho c Alcino R.
Lima por intermédio dos Fundos Universitários de Pesquisas. Comunicado na Sociedade
de Biologia de S. Paulo, sessáo de 8 de otUubro de 1945.
Recebido para publkação cm 8 de outubro de 1945.
1
12 SOBRE A DETERMINAÇÃO DOS 17-CETOSTEROIDES
NA URINA HUMANA
feitas somente em urinas de homens e em uma mistura de várias amostras,
não se tendo idéia da zona de ^•ariação nem da excreção por 24 horas.
No presente trabalho apresentamos valores de excreção de 17-ceto5teroides
em adultos normais de ambos os sexos. Comparamos o processo de extração
de Smith e colab. (20) com um processo por nós adotado para fracionamento
pelo reativo T de Girard. Para verificar si de fato procéde a critica de
Cahen e Salter (3) estudamos também a fração cromógena, não cetònica, sob
o ponto de vista de hidrólise das acethidrazonas resultantes da combinação dos
17-cetosteroides com o reagente de Girard.
MATERIAL E MÉTODOS
A urina de 24 hs. foi colhida em frascos contendo 10 ml de ácido clorí-
drico C. P., d= 1.19, como preser\-ativo. Os doadores de urina foram médicos,
estud.antes de medicina, enfemKiras e técnicos de laboratório, de 20 a 40 anos
Je idade. A todos era dada instrução por escrito sóbre a coleta da urina e no
ato da entrega do material nos certificavamos da exatidão da coleta. As
amostras foram guardadas na geladeira até imediatamente antes do exame,
que era feito no prazo máximo de 30 dias. Fraser, Forbes, Albright e
Sulkowi (10) verificaram que até depois de 3 meses não havia alteração da
concentração dos 17-cetosteroides em urinas conservadas na geladeira com \^o
de HCL d= 1.19. Em alguns casos repetimos a determinação com intervalo
dc 20 a 30 dias e obtivemos concordância dentro de 8%.
MÉTODOS
Hidrólise — A urina era colocada em balão de esmeril com condensador
de refluxo, levada á ebulição, adicionada de ácido cloridríco, d = 1.19, de modo
a elevar a concentração a l5^o cm volume, fervida por 10 minutos e resfriada
imediatamente. Esta hidrólise foi usada tanto fiara a extração éter-tolueno como
para extração etérea seguida de fracionamento pelo reagente de Girard.
extração éter-tolueno foi feita pelo processo de Smith e colab. (20).
O fracionamento pelo reagente dc Girard foi feito em extrato crú obtido
da seguinte maneira: 250 ml de urina, imediatamente depois de hidrolisados,
eram extraidos quatro vezes com 50 ml de éter etilico em funil separador de
500 ml. O extrato etéreo era lavado 4 vezes com 40 ml de hidróxido dc
sódio 10^ e 3 vezes com 40 ml de água distilada. O éter era distilado e o
resíduo aquoso sêco em dessecador, sóbre ácido sulfúrico concentrado. No
extrato procedia-se ao fracionamento pelo Girard. de acordo com o método
•)
Meci. Inst. Batanun,
1946.
O. B. HENRIQUES & S. B. HENRIQUES
13
descrito por Talbot, Butler, MacLachlan e Jones (22). Usando esta extração
seguida de precipitação da fração cetônica, verificamos a recuperação de andros-
terona adicionada à urina hidrolisada. Esta recuperação variou de 88 a 94%
o que concorda com os resultados de 85 a 95% obtidos por Talbot e colab. (22),
comprovando assim a eficiência do método empregado.
A colorimetria foi feita pelo método de Zimmermann modificado por Cal-
low e colab (4), com a diferença que diluiamos a mistura reagente, imediata-
mente antes da leitura com 20 ml de álcool etilico ao invés de 10 ml, para po-
dermos fazer a determinação no ektro-fotômetro de Fisher. O resíduo da fra-
ção cetônica era dissolvido em 5 ml de álcool etilico e o da fração não cetônica
em 1 ml. De ambos usava-se 0.2 ml para a colorimetria. Usamos o filtro
rerde que acompanha o eletrofotômetro e que tem a transparência máxima na
El-. :
t* KS na arína bununa oormal
zona entre 510 e 550 mp. Determinamos s-ários pontos para a cur\a padrão,
5 vezes, em épocas diferentes, usando sempre solução nova de androsterona e
reagentes novos (Figura 1). Tendo verificado que a reação segue a lei de
Lambcrt-Beer, usamos sempre o k médio (1.86).
3
J4 SOBRE A DETERMIXAÇAO DOS 17-CETOSTEROIDES
XA URIXA HUMAXA
Reagentes — 1 — Álcool livre de aldeídos — Verificamos ser indispensá-
vel purificar o nosso álcool. Todas as amostras de álcool por nós e.xaminadas,
de diferentes proveniências, continham aldeídos em quantidade prejudicial á de-
terminação dos 17-ceto5teroides. Fazíamos a purificação do álcool pelo método
de Stout e Schuete, modificado por Tobie (23). A presença de aldeido era ve-
rificada pelo tempo de permanganato (1).
2 — >w-dinitrobenzeno — Sintetizamos pelo processo descrito por Va-
nino (24), purificamos por recristalização até poiKo de fusão 88.5°-89.5°C e re-
purif içamos pelo processo de Wilgerodt (cit. in 4), obtendo um in-dinitro-
benztno de p.f. 90.5°-90.8°C. Para esta última purificação é indispensável
usar álcool livre de aldeídos.
3 — Androsterona — Para as curvas de padronização usamos androsterona
Schering-Kahlbaum. p. f. verificado: 181.5®-183.4°C. A atividade biológica da
amostra foi comprovada em capões e pintos L^hom.
4 — Reagente T de Girard — Usamos o de marca “Red Star”.
5 — Éter etílico — Usamos éter Rhodia, isentado de peróxido pelo trata-
mento com sulfato ferroso (14).
RESULTADOS
Valores normais — Para 20 homens obtivemos \-ariação entre 5.4 e 21.2 mg
17-cetosteroides por 24 hs (expressos em androsterona) com a média de 11.4 mg
e desvio padrão de 3.88 (Tabela I). Para 19 mulheres obtivemos variação en-
tre 4.2 a 11.7 mg por 24 hs, com a média de 7.6 mg e desvio padrão de 2.16
(Tabela II).
Comparação do método de extração de Smith e colab. com o fracionamento
pelo reagente T de Girard — Em 12 determinações feitas obtivemos a mesma
média pelos 2 processos, com as variações máximas de -|- c — 9.5% relati-
\-amcnte à fração cetônica (Tabela III).
4
Xem. last. BataatAo.
1946 .
O. B. HENRIQUES 4 S. B. HENRIQUES
15
Tabela I
Excreção de 17-cetosteroides em 20 homens normais
Caso No.
Idade
Pe*o
K*
Aitura
cm
Mc •AndrofteronaV
24 h
N. CET.
F ra çio
cetònica
F r a c i O
nâo
cctôoica
CET.
1
29
72
180
11.7
0.50
4.3
2
33
68
—
16.8
0.65
3.9
J
15.7
0.56
3.6
4
36
72
—
11.4
0.66
5.8
5
28
63
178
15.4
0.75
4.9
6
27
54
160
5.4
0.46
8.5
7
33
66
171
11.7
1.40
12.0
8
32
78
169
ro.8
1.28
11.9
9
26
66
167
9.8
0.47
4.8
10
22
63
180
8.8
0.40
4.5
n
22
75
180
6.7
0.17
2.5
12
27
64
170
7.2
0.92
12.8
13
22
80
184
7.3
0.34
4.7
14
21
60
164
9.2
0.35
3.8
IS
28
89
180
21.2
1.36
6.4
16
20
76
180
18.3
17
20
75
170
13.7
0.96
7.0
18
26
60
172
9.6
0.20
2.1
19
28
54
167
3.3
0.55
6.6
20
36
64
168
9.5
0.92
9.7
Media*
68.4
—
11.4
0.64
6.0
Fração não cctônxa — A excreção média de 19 homens foi de 0.64 mg por
24 hs, com a variação de 0.17 a 1.40 e a de 19 mulheres foi de 0.31 com a zona
de variação entre 0 e 0.53.
DISCUSSÃO
y olores normais — Os \'alores normais por nós encontrados são apresen-
tados na Tabela IV em comparação com o valores normais encontrados por au-
tores estrangeiros. Comparando os nossos \-alores com os dos 4 primeiros tra-
r
jg SOBRE A DETERMINAÇÃO DOS ir CETOSTEROIDES
XA URIXA HUMANA
balhos citados na Tabela IV, vê-se que a nossa média de excreção parece ser
mais baixa que a dos autores estrangeiros (17, 10, 19, 8). Êstes trabalhos fo-
ram feitos em condições semelhantes às nossas, tanto sob o ponto de vista da
seleção de doadores de urina e do número de casos como sob o ponto de vista
Tabela 11
Excreção de 17-cetostcroidcs em 19 mulheres normais
Caso No.
Idade
Peso
Kg
Altura
cm
Dia do
ciclo
menstrual
Mí “Aodrt-ftcrona**/
24 h
X. CET.
Fração
cetônica
F r a ç â »
não
cetônica
XlOO
CET.
21
.
__
_
S.5
0.12
1.4
7.2
21
53
156
7.*
7.2
0.37
5.1
23
21
46
152
—
4.9
0.28
5.7
24
25
67
156
4.»
10. 0
0.37
3.7
25
23
56
157
11.*
n.i
0.53
4.S
26
22
53
154
6.»
12.7
0.43
3.4
27
23
49
158
20.»
6.3
0.15
2.4
28
23
53
155
20.»
4.7
0.45
9.6
29
21
50
158
25.*
4.2
0.02
0.5
30
20
63
159
24.*
9.7
0.42
4.3
31
37
56
157
25.*
6.6
0.00
0.00
32
21
67
167
4.»
8.7
0.16
1.8
33
36
155
25.*
5.1
0.16
3.1
34
30
64
160
15.*
6.3
0.38
6.0
35
20
54
163
27*
8.3
0..Í9
4.7
36
22
£4
164
12.*
6.1
0.53
8.7
37
22
51
158
26.*
5.9
0.26
4.4
38
21
55
!61
i«.*
7.8
0.50
6.4
3>
29
60
167
11.*
10.0
0.45
4.5
Media*
56.3
—
16.4
7.6
0.31
4.2
da técnica de determinação. Friedgood e Whidden (12), Bauman e Metzger (2)
e Werner (25) trabalharam com pequeno número de casos. Callow, Callow e
Emmens (5) estudaram 10 homens e 11 mulheres, porém todos eram pacientes
de hospital, ditos “sexualmente normais”, apresentando, no entanto, afecções
como: tireotoxicose, úlcera duodenal, melena, hematemese, etc. de mbdo que
os seus resultados não têm significação como valores normais de excreção dos
17-cetosteroides. Drips e Osterberg (7) estudaram 17 homens e 26 mulheres,
porém usaram o processo coiorimétrico de Oesting, que foi severamente criticado
por Friedgood e Whidden (11), de modo que os seus resultados são duvidosos.
6
Meta. Inst. BaUaUn, i 7
l»:n-2>. 1946 HEXRIQUES & S. B. HEXRIQUES 1/
Calculando a significânda da diferença entre as médias por nós obtidas e
as de Fraser, que mais se afastam das nossas, verifica-se que para os homens
há uma diferença de 2,4 mg, com uma probabilidade de 10 a 205í>, ao passo que
para as mulheres, a diferença foi de 1,6 mg. com uma probabilidade de 5 - 10^.
Tabela III
Comparação dos resultados obtidos com o extrato cru eter-tolueno e com .•
extrato etéreo fracionado feio reagente de Girard
Caso No.
Extrato crú
eter>to1aeno
Extrato ctcrco
e rragente de
Gin rd
DifcretK^
DifcretKA %
relativa ao
reag. Girard
mg
Androsterona
Aodrosterona
1
10.9
11.7
— 0.8
— 6.8
2
16.6
16.8
— 0.2
— 1.2
5
IS.O
15.4
— 0.4
— 2.6
6
5.2
5.4
— 0.2
— 3.7
7
13.5
11.7
-1- 1.8
•f 15.4
18
11.3
9.6
4- 1.7
-1- 17.7
20
9.6
9.5
+ 0.1
+ 1.0
8
10.7
10.8
— 0.1
— 0.93
26
11.6
12.7
— 0.9
— 7.1
27
6.2
6.J
— 0.1
— 1.6
28
4.6
4.7
— O.I
— 2.1
29
3.8
4.2
— 0.4
— 9.r
MtdU»
9.9
9.9
—
—
Correlação entre excreção de 17-ectosteroides e pêso corporal de homens —
Na literatura não encontramos nenhum estudo sòbre a correlação entre o peso
corporal e a excreção de 17-cetostcroides. Apenas Patterson e McPhee (17)
observaram que individuos mais pesados apresentam maior excreção de 17-cetos-
teroides. Calculamos o índice de correlação entre o p)êso corporal e a excreção.
Isto foi fácil para o caso do homem normal, no qual a única variável que poderia
influenciar a excreção seria o pêso corporal, pois Wooster (26) mostrou não
haver correlação entre 1 7-cetosteroides e.\cretados e o volume urinário. \"cri-
f içamos que r=0.702, que, segundo a tabela de Fisher e Yates (9), indica ser
inferior a 0.001 a probabilidade de não haver correlação. A Figura 2 apresenta
o diagrama de dispersão das duas variáveis: 17<etosteroides e pêso corporal.
7
18
SOBRE A DETERMIXAÇAO DOS 17-CETOSTEROIDES
XA ITRIXA HUMANA
Tabela IV
Excreção normal dos 17-cetosteroides urinários
HOMEXS
.MULHERES
Antorrs
" Aodrosle-
rona"
(inc/24 b)
Desrios
padrões
Nuzoero
de
casos
• Androste-
rona*
(mt/24 h)
Desvios
padrões
Numero
de
casos
Patterson 4 McPhec (17)
9.4 — 20.9
(13.3)
4.02*
9
3.5 — 14.6
(7.4)
2.97»
12
Fraser ct al. (10) ... .
8.1 — 22.6
(13.8)
4.45»
9
5.1 — 14.2
(9.0)
2.55»
14
Scott 4 Vemiculen (19>
11.6 — 17.5
(14.3)
—
10
5.6 — 15.5
(10.1)
—
5
Eoestrom & Miison (1^)
9.S — 20.8
(14.2)
—
13
5.8 — 17.0
OI». 2)
—
ir
Hcnri<iurs & Henriques* .
5.4 — 21.2
(11.4)
3.88
20
4.2 — 11.7
(7.6)
2.16
19
Callow & coUb. (S) ...
3.5 — 15.0
(9.05)
2.416
10
1.7 — 12.6
(6.75)
3.268
11
Dhps & OfterbcTK (7) . •
3.4 — 14.9
(9.3)
—
17
2.5 — 16.1
(7.4)
—
26
Frícd(ood & VVliiddcn (!.')
—
—
—
4.25 — 17.3
(9.50)
—
3
Baunun Sc MeUger* T2)
6.6 — 20.6
(M.5)
—
12
3.8 — 4.8
(4.5)
—
4
Wemer (25)
10.0 — 17.3
(15.0)
—
6.9 — 12.2
. (10.2)
—
1
> Desvios padrões calculados a partir dos dados dos autores.
2 Presente trabalho.
2 Resultados obtidos dos dados dos autores somando os a com os P-esteroides.
Correlação entre excreção de 17-cetosteroides e pêso corporal de mulheres
— Para estas não foi possível tirar conclusão tão decisiva, porque, como se vê
pela Tabela II, as mulheres estudadas estavam em várias fases do ciclo mens-
trual. Alguns autores (7, 15, 6) acharam alteraqões na excreção durante o ciclo
menstrual, ao passo que outros (10, 17) verificaram não haver nenhuma relação.
De qualquer maneira tivemos de jogar com 3 variáveis: pêso, ciclo e excreção.
8
Mem. Inst. Bntutan,
l»:ll-22, 1946.
O. B. HENRIQUES & S. B. HENRIQUES
19
Calculando o índice de correlação jiarcial entre pêío e excreção, encontramos
ri:.3 = 0.317 e o índice de correlação entre o ciclo e excreção rjs = 0.423.
(P>0.1 e P > 0.05 respectivamente). Concluímos que, com o nosso número
de casos é duvidosa a correlação entre peso e excreção e entre ciclo menstrual
e e.xcreçâo de 17-cetosteroides.
Diagrarna dc Dispersão dos Valôres de
17- Cerosíeroides dc Homens Hormois cm
ric. 2
17>KS na ttrina humana
Comparafão das extrações — A comparação do método dc Smith c colab.
com o método de extração por nós usado para fracionamento pelo reativo de
Girard, mostrou que a precisão dos dois processos é a mesma.
Perda por hidrólise na precipitação pelo reagente dc Girard — .\ úhima
coluna das Tabelas I e II apresenta a fração não cetônica em percentagem da
fração cetônica. Vé-se que para as mulheres, cm nenhum caso, a fração não
cetônica alcançou 10% da fração cetônica. Para os homens, apenas em 3 casos,
a fração não cetônica ultrapassou 10%, não chegando cm nenhum caso a 15%
da fração cetônica. Sendo a chamada fração não cetônica constituída por: a)
cromógenos outros que não os 17-cetostcrotdes; b) pigmentos: c) 17-cetostc-
roídcs provenientes da hidrólise indevida das acethidrazonas. e não tendo a soma
déste 3 constituintes possíveis alcançado 10% da fração cetônica, podemos con-
cluir acguramente que não há perda de 10 a 15% por hidrólise das acethidrazonas.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
SÔBRE A DETERMINAÇÃO DOS 17 CETOSTEROIDES
NA URINA HUMANA
RESUMO
M
A determinação fotométrica dos 17-cet05teroides urinários, baseada na rea-
ção de Zimmemiann, íoi feita em 39 brasileiros, 20 homens e.l9 mulheres, de
20 a 40 anos de idade, depois da extração da urina pelo éter, seguida de fracio-
namento do extrato com o reagente T de Girard As médias dos valores nor-
mais c os respectivos desvios foram para os homens 11.4±3.88 e para as mulhe-
res 7.6 ± 2.16 mg de “androsterona” nas 24 hs. Êstes valores não são signifi-
cativamente inferiores àqueles registrados pelos autores estrangeiros. Foi ob-
servada uma correlação entre o pêso e a excreção dos 17-cetosteroides para os
homens pxirém ela é duvidosa nos casos das mulheres. Também a correlação en-
tre a excreção e o pieríodo do dclo menstrual é duvidosa.
Em 12 casos foram comparados dois métodos de extração dos 17-cetoste-
roides. um pielo eter-tolueno e outro pielo éter seguido de fracionamento com o
reagente de Girard. A média dos resultados em ambos os casos foi a mesma,
mostrando assim que os dois métodos são igualmente precisos. Esta concor-
dância e, sobretudo, o \’alor médio de 5 . 1 % da fração não cetõnica em relação
à fração cetõnica, não corroboram a crítica de alguns autores ao emprego do
riagente de Girard.
ABSTRACT
Normal urinary excretion of 17-ketosteroids in Brazilians, 20 males and 19
females, 20 to 40 years old, w-as photocolorímetrically determined following
Zimmermann’s reaction. Ethereal extracts of samplcs from 24 hours urine were
fractionated using Girard T reagent and the results cxpressed in mg of “an-
drosterone”. The average and its standard deviation according to the se.x were
respiectivclly 1 1.4 db 3.88 mg for men and 7.6 ±2.16 mg for womcn. This
values are not statistkally different from those given by foreign authors.
Only in men a corrclation was obseiA'ed between 24 hours e.xcretion of 17-
ketosteroids and body weight. It secms also that the urinarj- excretion of those
hormonal metabolites is unaffected by menstrual cycle.
In 12 cases the ether toluene extraction of Smith and Smith was pierformcd
compiaratively with ether extraction followed by fractionation with Girard re-
agent; both methods were foimd equally aceurate.
In our expieriments there was no apipreciable loss by hydrolyses during the
fractionation of the ethereal extract by means of Girard T reagent, as claimed
by others
10
(Agradecemos à Laborterápiv* S. A. as facilidades concedidas
para a realização do presente trabalho).
Mna. last. Butantan,
l*:n-2->. 1946.
O. B. HENRIQUES & S. B. HENRIQUES
21
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12
<5
Mnn. loit. Batantu,
1946.
J. LEAL PRADO
23
hemoglobina inativa (NAO COMBINAVEL ao OXIGÊNIO)
NO SANGUE DO CAO E DO HOMEM (*)
roR J. LEAL PRADO
(Do Laboratório de Endocrinologia, Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil)
Reconhecidamente, a determinação precisa da hemoglobina (Hb) é medida
de grande significação biológica.
Estudando a ação anemiante do benzoato de estradiol (9) tive a oportu-
nidade de encontrar no sangue do cão uma fração de Hb não combinável ao
oxigênio. A quantidade era suficientemente grande para tornar imprecisos os
resultados obtidos pela capacidade fixadora de oxigênio. Anteriormente esta
forma de Hb tinha sido encontrada na espécie humana, em quantidades variá-
veis intraindividualmente, por Ammundsen (1) que a denominou “Hb inativa”.
A principal finalidade do presente artigo é a de chamar a atehção para a exis-
tência desta forma de Hb. Tendo sido encontrada na espécie humana, nos ofí-
dios (6), no cavalo (7) e, agora, nos cães, é bem provável que exista em ou-
tras espécies animais. IQn vista déstes achados a capacidade fixadora de oxi-
gênio do sangue não pode mais ser considerada como método padrão para do-
sagem de Hb porque não detennina a fração inativa cuja quantidade pode ser
maior do que 20% da Hb total mesmo no homem.
Relato aqui a maneira pela qual se verificou a existência de Hb inativa cm
caes e também em onze casos humanos, apresentando os valores de Hh total e
inativa encontrados em 22 cães normais e em 3 anémicos.
MATERIAL E MÉTODOS
Empregaram-se 25 cães (Tab. I), adultos ou subadultos. de 3.6 a 10.8 kg.
Havia 15 cães normais. (6 ê. grupo A c 9 9, grupo D) e 10 animais
castrados, {7 S e 3 9 ) tratados ou não, com propionato de testosterona ou com
benzoato de estradiol. Dos 10 animais castrados, 3 ficaram anémicos (grupo
F) em virtude do tratamento cstrogénico. Os 7 restantes, que não ficaram
(•) Trabalho «n parte subvencionado pelos drs. .Mberlo .\lves Filho e .Alcino R.
Lima por intermédio dos Fundos Universitários de Pc$<|uisa$.
Recebido para publicação em outubro de 1945 .
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
24 HEMOGLOBINA INATIVA (XAO COMBIXAVEL AO OXIGÊNIO)
NO SANGUE DO CAO E DO HOMEM
anémicos, fazem com os 15 normais um grupo de 22 cães, aparentemente em
boas condições de saúde, cujas taxas de Hb no sangue podem ser consideradas
como normais.
T.sbela I
Condições experimentais dos cães examinados
Grupos
Câo Xo.
S«o
Peso
Coadiçdcs
A
1
-M
—
N :>rmal. S«st tratamento
2
M
7.1
Xorxnal. Sem tratamento
3
M
7.3
Xormal. Sem tratamento
4
M
6.8
Xornul. Sem tratamento
5
M
5.9
Xormal. Sem tratamento
6
M
6.6
Xormal. Sem tratamento ;
B
é
M
8.2
Castrado. Sem tratamento
8
M
6.2
Castrado. Sem tratamento
9
M
6.3
Castrado. Sem tratamento
c
10 .
M
9.3
Castrado. Tratado com propionato de testosterona.
11
M
6.6
Castrado. Tratado com propionato de testosterona.
D
12
F
10.8
Xormal. Sero tratamento
13
F
7.5
XormaL Sem tratamento
14
F
7.0
XormaL Sem tratamento
15
F
5.9
Xormal. Sem tratamento
16
F
10.1
Xormal. Sem trataritento
17
F
5.6
Xormal. Sem tratamento
18
F
4.5
Xormal. Sem tratamento
19
F
7.6
Xormal. - Sem tratamento
20
F
10.5
XormaL Sem tratamento
G
21
F
3.6
Castrada. Tratada com propionato de testotteroni
F
4.4
Castrada. Tratada com propionato de testosterona
F
23
F
7.8
Castrada. Tratada com benaoato de estradiol.
Anêmica
24
M
5.4
Castrado. Tratado com benaoato de estradiol.
Anêmico
2S
M
6.1
Castrado. Trjtado com benaoato de estradiol.
Anêmico
A alimentação consistiu d« visceras de boi cosidas, polenta e verdura suple-
mentada com mistura salina e óleo de ligado de peixe.
colheita do sangue foi feita por punção da veia safena e.xterna com o
mínimo de estase possível; o sangue era oxalatado a 0.2 g %.
Empregaram-se os seguintes métodos para determinar a Hb.
9
Mcm. Ia5t. Butistan,
1946.
J. LEAL PRADO
1 . Capacidade de fixação do oxigênio do sangue ; método de Van Slyke
& Stadie (10). Aproximadamente 3 ml de sangue eram aerados em funis
separadores de 250 a 300 ml de capacidade durante 5 minutos no minimo.
A extração dos gazes era feita, durante 10 minutos, em um aparelho volu-
métrico de \'an Slyke agitado a motor.
2. Determinação do ferro total do sangue. Foi usado o método de Ponder
(1942) com uma pequena modificação introduzida anterionnente (6).
Todo o material volumétrico utilizado, inclusive a haste graduada do apa-
relho de Van Slyke, foi verificado préviamente.
4
EX PERI M E NT AÇÃO
A verificação da existência de Hb inatira dependeu, em última análise, do
fato já conhecido que 1 grama de ferro da Hb ordinária se combina a 400 ±
a ml. de oxigénio. Determinando-se simultaneamente o ferro total e a cajiaci-
dade fixadora de oxigénio na mesma amostra de sangue, fica fácil calcular a
quantidade de oxigénio fi.xada por 1 grama de ferro. Si esta quantidade for
menor do que 400 ml., será possivel calcular a porcentagem de Hb total que
deixou de fixar oxigénio- A capacidade de oxigénio de um sangue que con-
tenha, por exemplo, 50 mg % de ferro deverá ser de 20 ml de oxigênio, desde
que toda sua Hb esteja ativa. Si a capacidade for menor do que 20, a diferen-
ça tera sido motiv-ada pela existência de Hb inativa em percentagem assim de-
terminável.
Baseado neste raciocinio, fiz determinações do ferro total e da capacidade
fixadora de oxigénio nas mesmas amostras de sangue dos vinte e cinco cães.
(Tab. II). Xas colunas 5 e 7 calculei a Hb a partir da concentração de ferro
total no sangue e da capacidade de oxigénio, respecti^^amcntc. Usei como cons-
tantes para a Hb do cão os \'alores 0,338 mg % de ferro c 1.36 ml de oxigênio
por grama de Hb, determinados por Morrison & Hisey (4). Na coluna
8 estão as quantidades de oxigênio que se combinaram a 1 g de ferro e na
coluna 9 as porcentagens de Hb inativa, cansiderando 400 ± 5 ml de oxigênio
por grama de ferro como 100% de Hb ativa.
\'árias vezes, durante o trabalho, repetiam-se as dosagens na mesma amostra
de sangue. As diferenças entre duas determinações da capacidade de oxigénio
nunca foram maiores do que 0.5 volume % e as dosagens duplas de ferro no
mesmo material diferiam no décimo de miligrama. Baseado nestes dados des-
prezei os valores de Hb inativa abaixo de 3.5%.
Dosei Hb inativa duas vezes. Na primeira série de determinações foi
encontrada Hb inativa cm 23 de 25 cães. Nos vinte e dois normais, o teor
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
26
HEMOGLOBINA INATIVA (NAO COMBINAVEL AO OXIGÊNIO)
NO SANGUE DO CAO E DO HOMEM
Tabeia II
Hcnwglobina do íongue de cães. Determinações comfaratkas feio Fe total (Ponder) c
feia cafacidade de O,. Relações Oi/Fe <*). Porcentagens de Hb inatitxj.
DaU do
Fe mf %
Hb t «4
Capacidade
Hb íí;
Relação
Hb inatÍTa
Grupos
Cão No.
exame
Ponder
oxigèmo
Capacidade
O^Pe
%
1
2
3
4
5
6
7
8
9
•
M A C H
0 s
A.
1
24.x. 44
44.6
13.2
16.
1
11.9
361
9.8
2
5. XI. 44
59.3
17.6
21.
3
15.7
359
10.2
3
8. XI. 44
61.7
18.3
2r.
6
15.9
350
12.5
4
8. XI. 41
49.5
14.6
19.
!
14.0
386
3.5
5
8. XI. 44
48.8
14,4
19.
1
74.0
391
2.2
6
9.:{I.44
57.5
17.0
22.
2
16.3
386
3.5
B.
7
24.x. 44
61.3
18.2
21
1
15.5
344
14.0
S
24.x. 44
55.6
16.4
20
0
14.7
360
10.0
9
24.x. 44
61.7
18.3
19
8
14.6
321
19.8
C
10
24.x. 44
55.6
16.4
20
.0
14.7
360
10.0
11
24.x. 44
57.5
17.0
20
6
15.2
358
10.5
F Ê M E J
^ S
D.
12
5. XI. 44
65.6
19.4
23
4
17.2
357
10.8
U
3. XI. 44
51.9
15.4
19
7
14.5
380
5.0
14
8. XI. 44
50.8
15.0
18
4
13.5
362
9.5
15
9. XI. 44
64. r
19.1
22
6
16.6
350
12.5
16
9. XI. 44
64.9
19.2
24
7
18.2
381
4.8
17
9. XI. 44
57.2
16.9
20
.1
14.8
351
72.2
18
9. XI. 44
49.8
14.7
17
1
12.6
343
14.2
19
16. XI. 44
63.3
18.7
23
.4
17.2
370
7.5
20
23. XI. 44
68.7
20.3
26
8
19.7
390
2.5
E.
21
24.x. 44
55.9
16.5
17
8
73.1
318
20.5
22
24.x. 44
55.6
16.4
r?
2
13.4
327
18.2
A
N P M 1 (
o s
P.
25
24.x. 44
41.5
12.3
13
8
10.2
333
16.8
24
24.X.U
36.8
10.9
11
2
8.2
304
24.0
21
24.x. 44
42.0
12.4
12
3
9.0
293
26.8
(*) ml de O, combinados com 1 ^ de Fe.
4
M«n. Init. Butantan.
1»:2J-3I, 1946.
J. LE.\L PRADO
27
mais baixo, o mais alto e a média, foram, respectivamente, 3.5, 20.5 e 11.7%.
Depois de 8 a 30 dias as determinações foram repetidas em onze cães. (l'ab.
III). Em quatro animais (Nos. 6. 8. 10 e 11) não havia, agora, Hb inativa.
T.\bela III
Hemoglobina do sangue de cães. Determinofões comparath\ts pelo Ferro lolal {Ponder)
e pela capacidade de oxigênio. Relações OitFe. Porcentagens de Hb tnaliia.
Cio No.
Data (lo
exame
Fe mg ••
Hb * a
Poader
Capacidatl':
uxísenío
Hb
Capacidade
Rclaçio
o, Fe
Hb inati\*4
%
3
16. XI. 44
62.9
18.6
21.8
16.0
347
14.2
6
18. XI. 44
56.6
16.8
23.2
17.1
410 .
0.0
8
28. XI. 44
68.5
20.3
26.8
19.7
391
2.2
9
17. XI. 4*
66.3
19. S
24.4
17.9
360
10.0
10
28. XI. 41
55.6
16.5
21.9
16.1
394
1.5
n
21. XI. 44
58.7
17.4
23.2
17.1
395
0.1
12
16. XI. 44
68.0
20.1
24 .2
17. S
356
11. 0
14
16. XI. 44
58.7
16.6
20.5
15.1
349
12.8
16
18. XI. 44
70.7
20.9
26.5
19.5
375
6.2
23
23. XI. 44
49.4
14.6
17.0
12.5
344
14.0
25
21. XI. 44
49.4
1~.6
14.0
10.3
283
24.2
Houve um aumento da porcentagem de Hb inativa em quatro cães (Nos. 3,
12, 14 e 16) e unu diminuição em sete (Nos. 6, 8, 9, 10, 11, 23 e 25). A
media nesta segunda série de determinações, considerando somente os animais
não anémicos, foi de 10.8%.
Tabeuv I\'
Presença e teor de Hemoglobina inatna no sangue humano normal.
Cam
Sexo
Idade
Fe ra« %
Hb t%
Ponder
Capactda^le
oxicênio
Hb
Capacidade
ReUcio
O^Fc
Hb inativa
%
1.
H. V. K.
M
26
'8.3
17.2
22.4
16.5
384
4.0
2.
L. P. C
51
26
56.8
16.7
21.8
16.0
384
4.0
3.
M. S.
51
21
59.0
17.4
22.6
16.6
383
4.2
4.
h. S.
51
47
54.6
16.2
20.6
15.2
377
5.6
5.
J. B. F.
M
26
54.5
16.0
20.6
15.2
378
5.5
6.
B. R.
M
41
55.3
16.3
22.4
16.5
405
0.0
7.
;. F.
M
48
54.0
15.9
21.9
16.1
405
0.0
8.
L. M. P.
M
27
60.4
17.8
22.8
16.6
378
5.5
9.
C B.
M
33
54.0
16.0
21.9
16. t
406
0.0
10.
X. P.
P
30
49.2
14.6
20.x
14.8
408
0.0
11.
51. P.
F
29
50.2
14.8
19.5
14.3
388
3.0
Para controle das condições experimentais, foi seguido o mesmo processo
em onze amostras de sangue humano normal (Tab. IV). Não havia Hb inati^'a
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
28 HEMOGLOBINA INATIVA (NAO COMBINAVEL AO OXIGÊNIO)
XO SANGUE DO CAO E DO HOMEM
em cinco e foi encontrada uma quantidade de 4.0 a 5.6% nas seis restantes.
A média foi de 4.8%. Para a Hb humana foram usadas as constantes deter-
minadas por Bernhart & Skeggs (2).
DISCUSSÃO
Ammundsen (1) determinou a quantidade de Hb inativa em sangue
humano normal baseando-se na diferença encontrada na capacidade de fixação
do monóxido de carbono antes e depois de redução da Hb pelo hidrosulfito de
sódio. Ela estudou oitenta e duas amostras de sangue, obtidas de cincoenta e
tres individuos normais; foram encontrados de 2 a 12% de Hb inativa cm
40% das jmiostras sanguineas. Foi observado também que a porcentagem de
Hb inativa variava intraindividualmente, às vezes de maneira rápida; uma se-
gunda determinação podia diferir da anterior de 5 a 10%.
Ramsay (7) determinou a quantidade de ferrihemoglobina (Hb inativa)
em sangue de cavalo por processo gazométrico: a Hb ativa (ferrohemoglobina)
era detemnnada pela capacidade de oxigênio e a “Hb total” pela capacidade de
oxigênio depois de redução com solução fracamente alcalina de sal de titânio.
No presente trabalho usei um principio diferente de determinação da quan-
tidade de Hb inativa, mas acredito que os dados obtidos são comparáveis aos
apresentados por -Ammundsen e Ramsay.
Xo cão. como no homem, houve igual variação intraindividual na porcen-
tagem de Hb não combinável ao oxigênio. A segunda série de determinações
foi feita com a finalidade de permitir esta verificação e mo-stra as diferenças
registradas em onze cães.
Num total de trinta e uma amostras de sangue obtidas de 22 cães normais,
encontrei Hb inativa em vinte e cinco, isto ê, em 82% das amostras e na quanti-
dade média de 10.9% da Hb total. Parece, pois, que o sangue de cão contem
Hb inativa cm maior quantidade c mais frequentemente do que o sangue humano.
Ramsay (7) estudou o sangue de dezessete cavalos e encontrou Hb inativa
em quatorze, isto ê, em 82% dos animais e na quantidade média de 8.4%,
resultado bem parecido ao que encontrei para o cão. Co.x & ^\’endel (3)
trabalhando com método espetroscópico, negam a existência de metahemoglobina
(Hb inativa) no sangue do cão normal mas Ramsay (7) não dá muito valor
a éste achado negativo dada a pequena sensibilidade do método usado. O melhor
estudo que encontrei na literatura sóbre a capacidade de fixação de monóxido
de carbono da Hb de cão foi o de Morrison & Hisey (4). Êstes autores
determinaram a capacidade de monoxido de carbono de 10 amostras de Hb
rccristalizada de cão e só registraram Hb inativa em duas. .\minundsen
6
Mrm. Imt. Bauotan.
1 «; 21 - 31 , 19 * 6 .
J. LE.\L PRADO
29
(1), citando outros autores, diz que si as determinações eram feitas em sangue
total o conteúdo de Hb, medido pela capacidade de oxigénio, era menor do
que o obtido por outros métodos, mas que esta diferença não se registrava quando
se usava Hb isolada pura. Por isto acredito que os resultados de Morrison &
Hisey (4), com Hb recristalizada, não invalidam o achado do presente traba-
lho. Em dezessete amostras de Hb humana (preparadas lavando os glóbulos
quatro a cinco vezes com solução fisiológica) aqueles autores não registraram
também a existência de Hb inatira.
As dosagens de Hb não combina vel ao oxigénio em sangue fíumaho foram
feitas para controle das condições experimentais porque a grande freqüéncia
de Hb inativa cm sangue de cão levantou a hipótese de um érro sistemáticc.
Dos onze casos estudados, seis continham 4.0 a 5.6/c de Hb inativa e em
cinco a Hb era totalmente combinável ao oxigénio. Em vista dos resultados,
concluí pela validade das determinações feitas em cães.
Entre nós. Santos & Campos (8) já liaviam observado uma grande dis-
cordância entre o método de Wong e a capacidade de oxigénio do sangue
humano mas não a interpretaram como devida à Hb não combinável ao oxigénio.
.Ammundsen ( 1 ) foi quem chamou a atenção para a necessidade de serem
abandonadas as capacidades de monoxido de carbono ou oxigénio como métodos
precisos para a dosagem de Hb em sangue hitmano. Extendendo éste conselho
aos ofídios. ca\-alos e cães quero, entretanto, insistir na existência de Hb inativa
em sangue humano normal porque a desconsideração déste fato poderá levar a
erros grosseiros.
Talvez a verificação da presença de Hb inati\‘a em sangue de cão, de
cavalo e f»articularmente de ofídios (média de 17% de Hb inatÍN^a em
de 23 jararacas estudadas) possa servir como ponto de partida, quanto ao
matena! e.xperimental, para o e.^larecimento da natureza química e significado
fi‘iol^co da Hb não combinável ao oxigénio.
Pas-sando, agora, aos teores de Hb total encontrados para os cães, lembro
e justifico a possibilidade de utilizá-los como valores normais.
Wintrobe, Shumacker & Schmidt (11) nada puderam concluir sobre a
existência ou não de uma diferença sexual no teor de Hb do sangue de cães.
Uma possivel explicação da diferença encontrada na espécie humana seria a
menstruação. Xas espécies que não tém a perda mensal sanguínea, como o
cão. seria de esperar-se uma igualdade na hemoglobinemia dos dois sexos. Ba-
seando-me no exposto, suponho que além dos 15 cães normais (6 i e 9 9 )
os animais dos grupos B, C e E, embora castrados ou tratados com o hormônio
masculino, podem também ser considerados normais quanto à hemoglobinemia.
Só ficam excluídos os tratados com benzoato de estradiol (grupo F) nitidamente
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
30 HEMOGLOBINA INATIVA (NAO COMBINAVEL AO OXIGÊNIO)
NO SANGUE DO CAO E DO HOMEM
anímicos. Neste grupo de 3 animais a média de Hb inativa em 5 amostras
de sangue foi de 21.2%, praticamente duas vezes o \’alor médio encontrado para
os cães normais. Até que ponto e de que forma o tratamento estrogénico in-
terfére no teor de Hb inati\-a do câo, é questão para ser elucidada.
Todos 05 animais receberam tratamento antibelmíntico (9) e foram au-
topsiados no final das experiências. Não havia vermes no intestino ou a quan-
tidade era seguramente insuficiente para anemizá-Ios.
RESUMO
A dosagem comparati\'a de Hb pelos métodos da capacidade fixadora de
oxigénio e da determinação do ferro total (5), quando se empregam cons-
tantes já bem estabelecidas, permite calcular a porcentagem de Hb não combi-
nável ao exigénio e chamada por Ammundsen (1) de Hb inativa. Num total
de 31 amostras de sangue obtidas de 22 cães em boas condições de saúde e
sem infestação helmintica digna de registro, esta forma de Hb inativa foi encon-
trada em 82% das amostras e na quantidade média de 10.9% da Hb total.
Em 3 cães anemiados pelo benzoato de estradiol a média de Hb inativa em 5
rt:r.ostras de sangue foi de 21.2%.
Esta forma de Hb inativa foi procurada também em 11 amostras de sangue
humano normal e encontrada em 6 delas, na média de 4.8%. Tanto no homem
como no cão póde observar-se uma variação intraindiHdual no teor de Hb
inativa quando se analisam amostras colhidas em datas diferentes.
A existência de Hb inativa em porcentagem apreciável no sangue do homem
(1), do cavalo (7), dos ofídios (6) e agora do cão, sugére a sua procura em
outras espécies e. o que é mais importante, a elucidação de seu significado fi-
siológico.
ABSTRACT
The percentage of non-o.\ygen-combining Hb (“inactive Hb.” .\mmundsen)
(1) can be calculatcd from the respective values for the total Hb, measured by
the van Slyke and Stadie*s oxj-gen capacity method and the total blood iron
content, detemiined after Ponders method.
In 31 blood samples from 22 dogs, apparently in good health and without
helminthic infestation, inactive hemoglobin was found in 82% of the Wood samples,
the mean \-alue amounting to 10.9% of total Hb. In five blood samples
obtained from 3 dogs. which had been anemized by estradiol benzoate, the average
value of inactive Hemoglobin was 21.2%. In order to control the experimental
8
Mcm. Itnt. BaUstao.
1*:2J.3I, 1944
J. LEAL PRADO
31
conditions, inactive hcmoglobin was also determined in the blood of 11 nomial
pcrsons, presence oí inactive Hb was found in 6 of thesc cases with a mean
'•alue of 4.8^ of total Hb. There is an intraindividual variation of the inactive
Hb content in the blood of dogs as well as of man.
The presence of inactive Heinog’obin in the blood of man (l),horse (7).
Ophidia, (6) and now in dog suggests its search also in «'ther species for a more
e.\act study of this intricate proWem.
BIBLIOGRAFIA
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9
Mrn. lost. BntanUn.
1946.
ARISTOTERIS T. LEAO
33
SÔBRE ÜM NOVO GÊXERO DE LIOPHISTREMATIXAE
ARTIGAS, RUIZ & LEAO, 1942 {TREMATODA,
PLAGIORCHIIDAE)
TOR ARISTOTERIS T. LEAO
(Do Laboratório de Parasiloloffia do Instituto Bulantan, S. Paulo, Brasil)
No decorrer da necropsia de um exemplar de Liophis miliaris (Linr.eu),
recebido de Praia Grande — Santos — São Paulo, encontramos no pulmão do
referido ofideo 32 exemplares de tmi trematóide, cujo estudo é a razão do pre-
sente trabalho.
Supondo a princípio tratar-se de Liophistrcma pulmonalis Artigas, Ruiz
& Leão, 1942, procuramos estudar os helmintos ainda vivos afim de determi-
nar o aparelho excretor dos mesmos. Posto que não tenh.imos alcam^ado ple-
namente o nosso desiderato, foi-nos, no entanto, possível determinar com e.xa-
ti-íão a forma e extensão da vesícula excrctora.
•Após a colora<;ão e montagem dos helmintos verificamos, entretanto, estar-
mos de posse não do Liophistrcma pulmonalis .Artigas. Ruiz & Leão, 1942. mas
sim de um trematóide que. pela posição da liolsa do cirro, vagina c poro geni-
tal. não póde ser enquadrado no género Liophistrcma. sendo necessário erigir
novo agrupamento genérico para conté-lo e f^e denominaremos
Bicria, gen. n.
Liophistrematinae — Bolsa do cirro pré-acctabular, entre a bifurcação cecal
e o acetábulo. Poro genital lateral à linha mediana, na margem lateral do corpo,
pré-acctabular. Ovário esferóide. post-acetahular, prc-testicular, liso. Tes-
tículos com zonas afastadas e compos coinddindo parcial ou totalmente, lisos.
Receptáculo seminal, canal de Laurer e glândula de Mehlis presentes. Vitelinos
de ácinos vo’umosos, em cachos, intra-cecais, cecais e extra-cecais.
Espécie tipo: Rieria artigasi, sp. n.
Bicria artigasi, sp n.
Trematóides muito grandes, com a extremidade anterior mais arredondada
que a posterior que é afilada. Comprimento sTiriando de 10 a 17mm. .A maior
Entregue para publicação cm 10 de ícsvrciro de 1946.
1
34 S.^BRE UM NOVO GÊNERO DE UOPHISTREUATIKAB ARTIGAS,
RUIZ & ÍZJÍO. 19*2 (.TREUATODA. PLACIORCHIÍDAE)
largura é observada ao nivel da zona acetabular que varia de 1,159 a 2,024min.
Cutícula revestida de espinhos, havendo maior intensidade destes na metade an-
terior do corpo, onde também atingem maior comprimento que aqueles situa-
dos na metade posterior. À medida que caminham em direção à regão poste-
rior do corpo dimnuem de intensidade e de tamanho até desaparecer por com-
pleto no 1/4 posterior do corpo. Ventosa oral subterminal, voltada para a face
vcntral, menor que o acetábulo, circular, medindo de 0,405 a 0,552mm de diâ-
metro longitudinal por 0,478 a 0,662mm de diâmetro transversal. Pré-faringe
presente, medindo de 0.038 a 0,212mm de comprimento. Faringe musculoso,
circundado por células de natureza glandular, medindo de 0,152 a 0,266mm de
diâmetro longitudinal por 0.228 a 0,381 mm de diâmetro transversal. Esofago
curto, de comprimento \-ariando entre 0,404 a 0,552mm. Acetábulo pré-equato-
rial, colocado mais ou menos no 1/6 anterior do corpo, medindo de 0,644 a
0,959mm de comprimento por 0.607 a 1,067 de largura. A distânda entre as
ventosas varia entre 1,067 a l,564mm. Cecos simples, de trajeto mais ou me-
nos retilíneo, de comprimento desigual, terminando de 3,467 a 5,888mm da ex-
tremidade posterior do corpo. Testículos situados mais ou menos na região
equatorial do corpo, com campos coincidentes pardal ou totalmentc e zonas afas-
tadas, intra-cecais e cecais. Os testículos considerados cm conjunto podem ser
arredondados, ovalados ou piriformes, de superfide lisa. Considerados isolada-
mente o testículo anterior apresenta-se quase sempre como um esferóide e o
posterior ovalado ou piriforme, apresentando ambos, portanto, conformação di-
versa num mesmo exemplar. Mede o testículo anterior de 0,625 a 0,920mm de
diâmetro longitudinal por 0,368 a 0,681 mm de diâmetro transversal. Testículo
posterior medindo de 0,663 a l,104mm de diâmetro longitudinal por 0,368 a
0.607mm de diâmetro transversal. Vasos eferentes muito longos, bem visíveis,
unindo-se para formar o canal deferente único às vezes ao nivel da extremidade
basal da bolsa do drro e outras vezes em situação próxima do bordo posterior
do acetábulo. Bolsa do cirro desenvolvida, pré-acetabular, situada entre o ace-
tábulo e a bifurcação cccal, inicia-se imediatamente jimto ao bordo anterior do
acetábulo, na linha mediana do corpo, dirige-se para a margem lateral, fazendo
às vezes um trajeto mais ou menos reto e outras vezes recurvando-se para cima
ou para baixo, terminando em geral na margem lateral do corpo e outras vezes
a pouca distância desta. Contem a bolsa do cirro uma vesícula seminal enove-
lada. duto ejaculador e cirro tubular e inerme. Mede a bolsa do cirro de 0,589
a l,030mm de comprimento por 0.147 a 0,220mm de maior largura. Poro ge-
nital pré-acetabular, post-bifurcal. às vezes proximo do nivel do bordo anterior
do acetábulo, de acordo com a cun-atura para cima ou para baixo da bolsa do
cirro, na margem lateral do corpxj. Aberturas genitais masculina e feminina
contíguas, com ausência de atrio genital. Ovário sempre esferóide, post-aetta-
■7
Mcm. Inst. Buta n ta n ,
l»:]J-40. 1946.
ARISTOTERIS T. LEAO
35
bular e pré-testicular, de superfície lisa, colocado em geral na linha mediana
do corpo ou às vezes em situação para-mediana, medindo de 0,258 a 0,626mm
de diâmetro transversal. Receptáculo seminal presente, em geral alongado, ime-
diatamente abaLxo do ovário, geralmente deslocado para a direita ou para a es-
querda deste, medindo de 0,250 a 0,418mm de diâmetro longitudinal por 0.076
a 0,228mm de diâmetro transversal. Glândula de Mehlis presente, no bordo
posterior do ovário. Canal de Laurer forte, longo. Ütero extremamente sinuo-
so, ramo descendente iniciando-se no bordo posterior do ovário, dirige-se para
baixo formando numerosas circunvoluções, atinge a extremidade posterior do
corpo, volta-«c em direção à extremidade anterior do corpo, constituindo o ramo
ascendente que também é dotado de numerosas circunvoluções. Quando alcança
o nivel do bordo anterior do aoetábulo cur%'a-sc bruscamente em direção à mar-
gem lateral do corpo onde se diferencia em \'agina. O útero é intra-cecal e cecal.
Vagina pouco desenvolvida, pré-acctabular, lateral à linha mediana, na margem
do corpo, acompanhando em toda a e.xtensão a bolsa do cirro e termina na mar-
gem lateral do corpo onde às vezes se projeta, como o dno, para fóra. Mede
a ^-agina de 0,266 a 0,4450mm de comprimento por 0,045 a 0,091 mm de largura.
Ovos numerosos, operculados, de casca delgada, medindo de 0,027 a 0,042mm de
comprimento por 0,015 a 0,023mm de largura. Vitelinos intra-cecais. cecais e
c-xtra-cecats, formados por numerosos cachos de ácinos volumosos, de extensão
variavel. iniciando-se a meio caminho entre o ovário e o acctábulo e terminando
também a meio caminho entre a terminal cecal e a extremidade posterior do
corpo. Em alguns exemplares podem os vitelinos ter início ao nivel do bordo
anterior do ox^ário c terminar ao nivel da extremidade cecal ou pouco antes desta.
\ esícula cxcretora em forma de Y com o ramo impar muito longo.
Localização — Pulmão.
Distr. geograf. — Praia Grande, Santos, São Paulo.
Aparelho excretor
O aparelho c-xcrctor foi decakado de exemplares vivos comprimidos entre
lâmina e laminula.
Vesícula excretara — A vesícula excretora é ampla, de superficie mais ou
menos regular. Inicia-se na extremidade posterior do corpo onde se localiza
o poro excretor, dirige-se em direção à extremidade anterior do corpo passan-
do entre os testículos. A extremidade basal da vesícula excretora é passível de
dilatações que às vezes enchem quase que complctamente esta região do corpo.
A bifurcação da vesícula se dá ao nível do bordo posterior do ovário, emitindo
dois ramos calibrosos, bastante dilatá\'eis, sendo um dos ramos sempre mais
longo que o outro.
cm
ISciELO
D 11 12 13 14 15 16
35 SOBRE UM XOVO GÊXERO DE LlOPHlSTREiíATISAE ARTIGAS,
RUIZ & LEAO, 1942 {TREMATODA. PLACIORCHIIDAE)
Canal coletor primário — Tem origem próxima do bordo anterior dos ramos
da vesícula excretora, dirige-se em direção à extremidade anterior e margem la-
teral e bifurca-se na zona do acetábulo dando origem aos dois canais coletores
secundários, sendo um em direção à extremidade anterior (canal coletor secun-
dário anterior) e outro em direção à extremidade posterior (canal coletor se-
cundário posterior). Do canal coletor secundário anterior só pudemos observá-lo
até mais ou menos ao nível da bifurcação cecal e, do canal coletor secundário
posterior, a obsen^ação só foi possível até ao nível da bifurcação da vesícula ex-
cretora. Só conseguimos, por outro lado, determinar 3 células vibráteis próxi-
mas do acetábulo, uma pró.xima do testículo anterior e 3 juntas ao fundo de saco
da terminação cecal.
Posição sistemática do gênero Bieria, gen. n.
Pela situação do poro genital, bolsa do cirro e vagina, o gênero Bieria, gen.
n., se aproxima muito do género Ochetosoma Broun, 1901 (= Renifer Pratt.
1902), diferindo no entanto dêste gênero quer pela forma do corpo, conforma-
ção uterina, vitelinos, disposição das gónadas, quer pela localização no hospe-
dador. A forma do corpo lembra Haplometroides Odhner, 1911 do qual com
facilidade se distingue pela situação da bolsa do cirro, poro genital e \-agina e
pela disposição dos vitelinos. Pela disposição dos vitelinos, conformação geral,
tipo uterino, hospedador e localização neste, se aproxima muito de Liophistrema
Artigas, Ruiz & Deão, 1942, do qual facilnKnte se separa pela situação do poro
genital, bolsa do cirro c vagina. É também muito próximo de Glossidiella Tra-
vassos. 1928 do qual se afasta quer pela extensão dos cecos quer pela situação
do poro genital e vagina.
Glossidiella Travassos, 1928, Liophistrema Artigas, Ruiz & Leão, 1942 e
Bieria, gen. n. parecem mesmo formar um grupo muito homogêneo.
.‘\té que novos conhecimentos filogenélicos sejam acumulados ou até que
consigamos mais material no qual possamos estudar com pormenores o aparelho
cxcretor de Liophistrema Artigas, Ruiz & Leão, 1942 e examinar os tipos de
Glossidiella Travassos, 1928, achamos razoável incluir o gênero Bieria, gen. n.
entre os Liophistrcmatinac Artigas, Ruiz & Leão. 1942 (*), modificando-se a
diagnose desta sub-familia de maneira a comportar também trematóides de bolsa
do cirro, vagina c poro genital pré-acetabular c post-bifurcal e poro genital mar-
ginal, pois são êstes os principais caracteres que servem para distinguir Bieria.
gen. n. de Liophistrema .Artigas, Ruiz & Leão. 1942.
(•) Em 1W2 qtiando foi erigida esta sub-familia. derivando-a de Liophislrenia, foi eta
designada Liophislrcmir.ae que dese ser mudado para l.iopkistrrmatinae.
4
Mrm. Inst. Botantan,
IM«.
ARISTOTERIS T. LEAO
37
O material do pre5cnte estudo, constituído por 32 exemplares, acha-se de-
positado na coleção do Laboratório de Parasitologia do Instituto Butantan sob
o No. 5.671.
RESUMO
No presente trabalho é descrito um novo género e espécie de trematóide
parasito do pulmão de Liophis miliaris (L.).
O novo género descrito (Bieria, gen. n.) parece ter estreito parentesco com
Liophistrema Artigas, Ruiz & Leão, 1942, sendo porisso colocado, sistematica-
mente, ao lado dêste entre os LiopUstrematinae Artigas, Ruiz & Leão.
ABSTRACT
In the present paper a new trematode genus and species {Bieria artigasi,
n. g., n. sp.) is described.
The worm in question was found in the lung of a Brazilian-non poisonous
snake Liophis tniliaris (Linneu), from Santos, State of São Paulo, Brazil.
The new genus seerns to bc dose allied to Liophistrema Artigas, Ruiz &
Leão. 1942. being therefore included between the Liophistrcmatinae .-Xrtigas, Ruiz
& Leão. 1942.
Bieria, n. g.
Lioplústrcmatinae — Cirrus pouch closc in front of the ventral suckcr, in
a transverse position. Genital cçx;ning in the lateral margin of IkmIv, n the
anterior levrl of acetabulum. Osarj- spherical, posterior do acetabulum. in front
ot tcstií. Testís rounded or oral, tandem, sometime in an obliqúe position. Rc-
cvptaculum seminis, Laurcr's canal and MehlLs' gland present. \’itcllaria in-
tcrcaecal. caccal and cxtracaecal. composcd of dusters extending half way between
ventral sucker and ovary an<l reaching a levei posterior to end of cacca, half way
l>rtwecn end of body and extremities of caeca.
Type spedes — Bieria ar/í< 7 afí, n. sp.
O nome gmerico é dado em homenagem ao prof. dr. Otlo Bier, «lem cujo apoio ter-a
»»do tmpoulrrl a realizacSo deite trabalho. O nome específico homenageia o prof. dr
Paulo T. .Çrtigas. cm agradecimento pelo constante incentivo.
BIBLIOGRAFIA
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5
38
SOBRE UM XOVO GÊNERO DE LIOPHÍSTREMATISAE ARTIGAS,
RUIZ 4 LEAO. 1942 {TREitATODA. PLACiORCHIlDAE)
Damos um quadro de medidas de 10 exemplares escolhidos ao acaso.
EXEMPLAR
A
B
C
i
D j E
F
C
H
I
J
Comprimento
17,000
12,000
17,000
12.000
12.000
10,000
16,000
15,000
16.000
14,000
LAiTur;t
2,024
2,024
1.472
1451
1.159
1.619
1488
1,455
1.952
1.2S8
Ventosa oral
Compr.
Larg.
0,5i2
0.625
0,552
0,644
0,460
0,552
0.425
0,515
0,4^12
0.51s
0,497
0,644
0,405
0,478
0,478
0,533
0.552
0,662
0,460
0.497
Pré-fariofe
0,212
0,091
0,099
0,076
0.106
0.055
0,058
0.076
0,076
0,076
Farínfce ' * * |
Cocnpr.
Larc-
0,255
0J7J
0466
0,519
0,152
0,504
0,174
0,289
0.1 82
0428
0405
0428
0,190
0481
0412
0,519
0466
0,580
0470
0481
Aeetibulo . |
Compr.
Larc-
0,810
0.846
0,957
1,067
0,756
0.699
0,681
0,717
0,681
0,644
0,791
0.885
0.644
0,607
n A
O o
0.885
1,050
0,736
0,681
Distancia entre as W.
1.564
1.159
1,427
1.067
1.104
1.049
1488
1,380
1,527
1.288
Esófaco
0.425
d.404
0,460
0,405
0.404
0,425
0,405
0.405
0,460
0.552
Oririo
Compr.
Larc-
0.626
0,552
0.555
0,586
0.570
0.515
0458
048 J
0.460
0,460
0,515
0,552
0,570
0,460
0.554
0,515
0,497
0,460
0,554
0489
R. Seminal.
Compr.
Lar».
0450
0405
0450
0,159
0.418
0.175
0,289
0.076
0481
0.175
0466
0,228
0,551
0,165
0496
0428
0,542
0,190
0.359
(r.l84
Tesl. anleri-v
Compr.
Larc-
0.920
0.497
0.625
0.515
0,756
0,553
0409
0.626
1
0,699 j 0.791
0.425 1 0,662
0.756
0.425
0,662
0.644
0.865
0,681
0.791
0,368
Te»t. po»t. .
1 Compr.
[ Ur».
1.104
0.552
0.885
0.460
0,775
0.478
0.775
0.515
0.717
0.478
0,885
0.607
0.754
0.478
0,885
0.5M
1.104
0.552
0.665
0.425
B. Cirro . .
r Compr.
[ Ur».
1,050
0420
0.756
0,152
0,772
0,184
0,699
0,166
0,589
0,184
0.662
0,166
0.699
0,147
0.791
0.202
0.956
0403
0.681
0.184
Vacina ....
í Compr.
\Ur».
0.551
0,075
0.580
0.076
3.580
0.055
0,342
0.091
0466
0.055
0.504
0,076
0.504
0.045
0.304
0,068
0.450
0.045
0.504
0,054
Oros
f Compr.
1 Larf.
0.054
0.019
s
>
0,054
0.015
0.027
0.019
0.042
0.025
0,034
0,015
0.034
0.019
0,053
0,019
0.042
0.025
0.058
0.019
Term. cec, á extr. pno*
terior
4,&00
5.496
4.876
5.680
4.550
5.467
4.96S
5.888
4.048
4,784
X. B. Todai ai medida» »< referem a miUmetn'»,
6
40
<;ABRE l-M NOVO GÊNERO DE UOPHlSTREÜATtSAE ARTIGAS.
RCÍZ 4 LEAO. 1942 iTREUATODA. PLAOlORCHfWAE,
„ _ D««iho» P»ri mMtrar a> p«iutiu»
F.C. 4. 5 X 6 - BUria « v^inT^n, como n» «toaxio dx* »l>trtur« xcmu...
variacOc. notada, na po,i<ão da boi» do c.m. . v.,.na.
F.C. 7 _ BUrú. xcn. n.. .R. n - Boi» do cirro c rapna.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
líctn, Init. Butaatan.
a»:4I-«8. 194Í.
E. BIOCCA. & J. P. AMARAL
41
ESTUDOS SÔBRE O TRATAMENTO DA INFECÇÃO TIFICA
EXPERIMENTAL DO CAMUNDONGO
I . Comportamento "ín vUro" e "in t-ívo" de várias sitbstâncias
POR E. BIOCCA & J. P. AMARAL
(Do Laboratório de Bacteriologia do Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil)
A febre tifoide é uma infecção contra a qual ainda não parece existir uma
terapêutica esperífica verdadeiramente eficaz.
Algumas tentati\’as feitas com áddo mandélico no tratamento da infecção
tífica experimental (1) deram resultados duvidosos.
Relatiramente escassos são os estudos realizados com compostos orgânicos
do enxofre nesta infecção.
Em 1937, Buttle & col. (2) mostraram que a sulfanilamida protege os ca-
mundongos contra algumas dóses minimas letais de bacilos tíficos, mas que êstes
resultados são bem inferiores aos obtidos, nas mesmas condições, contra infecções
devidas ao estreptococo hemolítico ou ao meningoooco.
Derivados da sulfanilamida foram igualmente ensaiados. Fisk (3) obser-
vou que a sulfapiridina e o sulfametiltiazol são um pouco mais eficazes do que a
sulfanilamida na infecção experimental do camundongo; de outro lado, Kolmcr &
Rt.lc (4) obtiveram melhores resultados com sulfanilamida que com sulfapiridina
ou sulfatiazol na infecção e.xperimental crônica do coelho produzida pelo b. tifico.
Libby & Joincr (5) assinalaram "in ntro” uma ação bacteriostática do
sulfatiazol mais elevada que da sulfanilamida e da sulfapiridina.
Os trabalhos clínicos sobre a ação das sulfas nos doentes e nos portadores
de bacilos tíficos são um pouco contraditórios e insuficientes para dar uma ideia
preasa do valor destas drogas.
A maioria dos autores teria observado uma ação benéfica de muitas sulfas no
ttatamento da infecção tifica (6. 7). As observações bastante extensas de Hall
(8) teriam mostrado, porem, que a sulfaguanidina seria absolutamente inativa.
Os resultados relatados em 1943 por Hoagland (9) sôbre a ineficácia do
sulfatiazol no tratamento da infecção tífica não podem ser aceitos sem restrições
porque as quantidades de sulfatiazol usadas foram relativamente baixas e admi-
nistradas durante prazo insuficiente.
Entre as substâncias antimicrobianas de origem biológica usadas no trata-
mento da infecção tifica, merecem ser lembrados, o sóro, o bacteriófago anti-
tificos e, recentemente, a estreptomicina.
Recebido para publicação etn 16 de fevereiro de 1946 .
1
42 ESTUDOS SOBRE O TRATAMEIXTO DA INFECÇÃO TIFICA
EXPERIMENTAL DO CAMUNDONGO
Felix & Pitt (10) demonstraram nos camundongos que os soros que con-
tinham anticorpos O e Vi possuiam dois diferentes efeitos sôbre a infecção tifica.
Um efeito protetor contra a rápida multiplicação dos germes %-irulentos era pro-
duzido pelo anticorpo Vi; um efeito anti-endotóxico, neutralizante das endoto-
xinas era produzido pelo anticorpo O.
Felix (11) e logo depois McSweeney (12) obtiveram resultados encoraja-
dores no tratamento de casos humanos de febre tifoide com sôros ricos nestes
anticorpos. Cookson e Facey (13) estudaram o sôro de Felix em 73 doentes
e puderam confirmar a ação evidente deste sôro sôbre os sintomas tóxicos, obser-
\’ando muitas vêzes encurtamento do período febril: a letalidade global, porém,
não pareceu partkularmente beneficiada pelo tratamento.
Resultados satisfatórios foram também obtidos por Yu e outros (14) na
febre tifóide tratada com sôro específico.
Discordantes são os resultados de Hoagland (9), mas os sôros terapêuticos
usados por este A. eram sôros de indivíduos vacinados, dos quais não foi feito
um estudo sistemático.
De particular interesse são as observações sôbre o tratamento da infecção
tifica experimental do camundongo com bacteríófago específico.
Asheshov, Wilson & Topley (15) demonstraram que o fago antififico e so-
bretudo o fago especifico contra o antigeno Vi protege os camundongos infecta-
dos com muitas dóscs mortais de bacilos tificos, ainda que administrado algumas
horas depois da infecção.
O bacteriófago exibe esta atirídade mesmo quando inoculado por via pa-
renteral, em virtude do fato de não ser bloqueado no seu poder pirotetor nem
pelo sangue, nem pelos tecidos.
Prudentemente observaram os autores, porém, que a infecção tifica expe-
rimental do camundongo é uma infecção muito rápida c violenta, sendo, portan-
to, perigoso tirar destas observações conclusões para outros tipos de infecções
tificas como as que se realizam no homem. É fóra de dúvida, entretanto, que
os fagos anti-Vi possuem atividade não sómente "in vitro”, como “in vivo”,
mesmo quando o encontro com os germes se realiza ao nivel dos tecidos.
Êstes resultados sôbre a ação do fago na infecção tifica experimental do
camundongo foram obtidos e ampliados em 1938 por Fisk (16).
Escassos ainda são os trabalhos sistemáticos sôbre a atividade do bacteríó-
fago na infecção tifica humana.
Uma revisão completa dos trabalhos sôbre a atividade do bacteríófago nas
infecções intestinais foi recentemente feita por Morton & Engley (17).
Em recente publicação, Reiman e col. (18) salientam o valor terapêutico de
uma substância antibiótica de origem microbiana, a estreptomicina, na infecção
tifica humana.
* * *
2
Mem. Inst. ButanXao,
1*:4I-4S, 194«.
E- BIOCCA 4 J. P. AMARAL
43
Como contribuição ao estudo da terapêutica especifica da infecção ti fica,'
realizamos uma série de pesquizas “in vitro” e “in vivo” sôbre a atividade anti-
tifica de numerosas substâncias, incluindo derirados do áddo benzóico, compos-
tos orgânicos do antimônio, compostos aromáticos halc^enados, azocompostos.
compostos orgânicos do enxofre e precisamente sulfetos, disulfctos, sulfonas e
sulfamidas aromáticas. Foram igualmente estudados “in vitro” e "in rivo” o
ácido mandélico e o estovarsol.
Entre as substâncias antimkrobianas de origem biológica foram ensaiadas,
“in vivo”, a piocianina e a penicilina.
T écnica — Todas as drogas foram estudadas em sua atiridade bacteriostática
"in vitro” diluindo a substância no agar na proporção de 1 :5(X), de maneira a
assegurar tuna difusão homogênea do produto. Solidificado o agar, era feita a
semeadura com uma c^ntidade uniforme de uma suspensão de bacilos tificos
(amostra Ty 2). Depois de 24 horas procedia-se à leitura dos resultados mar-
cando com -1 — I — a inhibição completa do crescimento; com — h inhibição fraca
e -|- inhibição mínima.
As provas “in vivo” foram todas realizadas (com exceção das com piocianina
e penicilina), suspendendo as substâncias em óleo de amendoim na proporção de
2.5% e injetando lotes de 10 camundongos com 0,5 ml da suspensão, por via
subcutânea. Logo após a inoculação da suspensão oleosa da droga, os camun-
dongos recebiam no peritôneo um número de bacilos tificos correspondente a 5
doses mínimas letais.
Devemos obser\-ar que a D.M.L. da cultura foi sempre estandardizada c
usada sem mucini, não podendo portanto nossos índices de proteção serem com-
parados aos testes feitos com mucina. (*)
Foram considerados protegidos os animais que sobreviveram alêm de 4 dias
depois da infecção.
.•\s provas com penicilina c piocianina foram executadas usando a mesma
técnica já descrita no nosso precedente trabalho sôbre quimioterapia da infecção
meningocócica (19). Foram realizadas experiências com quantidades crescentes
das rcspecti\-as drogas: a quantidade máxima de penicilina, inoculada cm uma
experiencia, correspondeu a 4 doses de 100 U. O. injetadas contemporaneamente,
2, 4 c 6 horas após a infecção: a quantidade máxima de piocianiiu correspondeu
a 3 doses de 0,5 mg do produto, dissolrido cm solução fisiológica e injetado con-
temporaneamente, 2 e 4 horas após a infecção. O número de bacilos tificos
{•) Um dc nós (Amaral) «n colaboracSo com Lacerda, %-eri(icoa reccntcmentc a
entre os Índices de proteção da vacina tlfica em camundongos infectados mediante
a inocalacáo imraperitoneal da amostra Ty2, com oa sem mucina: calculado o número
dc D.M.L. a partir da série controle injetada com a suspensão em mucina. conclui-se por
uma proteção no minimo 100 vezes maior do que no caso era que a aferição do número de
D.M.L. do inoeulum i feita em série de camundongos inoculados com suspensão de germes
em solução salina, tem mucina.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
44
ESTUDOS SOBRE O TRATAMENTO DA INFECÇÃO TIFICA
EXPERIMENTAL DO CAMUNDONGO
inoculados nos camimdongos correspondeu, também nestas experiendas, a 5 doses
mínimas letais, em solução fisiológica sem mudna.
Nas tabelas são marcadas com
+ = 20
++ = 40
+++ = 60
++++ = 80
30^ de protegidos
50% de protegidos
70% de prot^dos
100% de protegidos
resultados
Tabela I
COMPOSTO
Atiridade
ín TÍtro
ia rivo
C^j.COOH
+++
_
(>-nh,.c;h,.cooh
+++
—
I>-NH,.C,H..COONa
+++
—
p-Ca,CO.NH.C^,.COOH
+++
—
p-NO,.C,H..CONH,
+++
—
CVI,.CH(OH).COOH
+
—
Estorarsol
+++
—
p-CCl,CO.NH.C,H..I
—
—
p-Ca,CO.NH.C,H..OCH,
—
p-ca,co.xH.c^..oc^,
—
—
2.4,6-Br,.C,H,.NH.COCa,
Tabela II
AZOCOMPOSTO
A t i T i d a d e
ia ritro
ia títo
p.NH,.C.H,.N:N.C.H,
C,H,.N:N.NH.C,II,
N:N.C,H, (1)
/
C„H.
\
NH.COCa, (2)
N:N.C,H, (1)
/
C«H.
\
N 11. coca, ( 4 )
cm
'LO 11 12 13 14 15 16
Man. Inst. BntanUn.
1946.
E. BIOCCA & J. P. AMARAL
45
Tabela III
COMPOSTO ANTIMO.NIAL
Atiridadc
ia TÍtro
in TITO
R.a
++ +
R.S.C,H,..\0,p
+++
R.S.S.C,H,.SkO,H,p
+++
R.SO,.C^,.SbO,H,-p
-*-++
—
R-SO^Nli
+++
toxico
R.S0,.XH.C;H.X (eoinp. 152 M)
++
R.SO,.XH.C,'h^\S (cocnp. ISJ M)
++ +
R.SO,.XH.C,H^', (coap. 154 M)
+++
tóxico
R.SO,.XH.C,H,X, (ooop. 155 M)
+++
tóxico
R.SO,.XH.C(:XH)XH, (comp. 156 M)
++
tóxico
•eodo R = _ ^ \ _ SbO^l,
Tabela IV
A t i T i d ad c
SULFA
io vitro
in rivo
SoJfxaiUoitdx
CAQninrfl
4.
+ 4
NAtnclorDnctti|.<iiir>nil>nU.
+++
+
N^fiko(iiii].«alUmUm*da .
^**toctatl*«o]fxmUBÚdM
Kc<^U]iroo
—
++
Salfxtixml
4<MrtiI-ttt]fatixxot
N*-lTk)araac«tiI-ral(atiual
SQlfapiridiax
+++
+ 4-
Salfxdixrina
Solfxm^rxrivfH
Solfaroaoidiax
-
5
4o
ESTUDOS SOBRE O TRATAMENTO DA INFECÇÃO TIFICA
EXPERIMENTAL DO CAMUNDONGO
Tabela V
COMPOSTO
Atiridade
in ritro
in viro
p-NO,.c::,H..s.c,H..Nii,p-
p-NO,.C^..S.C,H,.NH.COCH,V
(p-.NH,.c,u.-),s
-f-f+
-+■
(p-NO..C^.-).S,
+
(p-Br.Cyi,-),S.
p.NO,.C,H..SO,.C,lI..N:CH.C.H,
■
P-NO,. C,H. . SO,. cjn, . N :CH . C,H. . OClI.-p’
p-NO,. C;H, . SO,. C,H,. N :CH . CH :CH . C,H,
.
(p-H.C0.NH.C,H,-)^0,
_
(p-ca,co . NH .
(p-.\.SO,CH,.NII.C.H,-),SO,
—
Xas Tabelas 1 a 5 são relatados os resultados das pro^’as “in vitro” e "in
vivo” obtidas com as diferentes substâncias.
Das numerosas séries de produtos estudados merecem ser lembrados, pelos
seus resultados protetores, todas as sulfas, o dinitrodifenilsulfeto, o diaminodi-
fenilsulfeto e o tricloroacetil derivado da diaminodifenilsulfona (“Diclorona”),
produto de particular interesse também para a quimioterapia das infecções pro-
duzidas por germes álcool ácido resistentes.
O ácido mandélico e o estovarsol, amplamente usados no tratamento das
infecções intestinab, não evidenciaram atividade protetora na infecção tífka ex-
perimental do camundongo. Igualmente inativos “in ^^vo” foram os dois pro-
dutos antibióticos de origem microbiana usados, a piocianina e a penicilina.
Parece-nos útil, enfim, salientar a comparação por nós feita entre a atisn-
dade bacteriostática “in vitro” e protetora “in \-ivo” das numerosas substân-
cias estudadas. O ácido benzóico e seus deri\*ados, assim como os compostos
orgânicos do antimõnio manifestaram uma forte ação anti-tifica “in vitro”,
que não correspondeu a uma igual ati\'idade protetora “in \'ivo”.
A maioria das sulfas, como já dissemos, protegeu uma pequena porcenta-
gem dos animais infectados e geralmente inhibiu o crescimento dos bacilos tí-
ficos nos tubos, porém alguns produtos foram muito mais ativos do que outros
“in vitro”, sem que paralelamente e.xibissem maior atividade protetora.
Nos outros compostos estudados a correspondência entre as duas provas
foi relatiramente constante. O ^■alor das provas “in \'itro”, porém, parece ser
somente preliminar e nenhuma dedução pode ser tirada dos resultados, a não
ser um indicio para os trabalhos “in vivo”.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
VfsL Inst. Bataotan,
11:41-4». I94«.
E. BIOCCA & J. P. AMABAL
47
RESUMO
Foi estudada a ativddade bacteríostática antitífica "in vitro” e a atividade
protetora "in vivo” (na infecção tifica experimental do camundongo) de várias
substâncias quimicas (derivados de áddo benzóico, compostos orgânicos antimo-
niais. azocompostos, compostos aromáticos halogenados, compostos orgânicos de S e
predsamente sulfetos, sulfonas e sulfamidas aromáticas) em relação a u’a amos-
tra \Hrulenta de bacilos tificos (Ty2).
Os deri\-ados do ácido benzóico e os compostos orgânicos do antimônio mos-
traram e\'idente ação bacteriostática "in vitro”, porém foram dcspro\'idos de
valor protetor "in vivo”.
Quanto aos derivados orgânicos do enxofre, foram em sua maioria inati-
vos "in \*itro” e “in \'ivo” os sulfetos, disulfetos e as sulfonas aromáticas, com
exceção do pp-dinitrodifenilsulfeto, pp-diaminodifenisuHeto |e didorona; pelo
contrário, as sulfas (em número de 13) exibiram quase sempre atividade bacte-
riostática "in dtro” e fraca mas dara ação protetora na infecção experimental
dos camundongos.
O estovarsol e o áddo mandélico foram inativos “in vitro” e "in vivo”.
Da mesma forma inath-as “in vivo” foram as duas substâncias antibióticas de
origem microbiana estudadas, a saber, a piodanina e a penicilina.
ABSTRACT
A nurnber of chemical substances (derilRtives of the benzoic acid, organic
antimony compounds. azo-compounds, halogcn aromatic compounds, sulfur com-
pounds and predscly sulfides, sulfones and aromatic sulfamides), as well
as two antibioties (penidllin and pyocjanin) have been tested for their anti-
bacterial activity "in vitro” and "in vivo” (protection tests in mice) against
a virulent strain of E. typhosa (Ty2).
Deriiatives of the benzoic add and organic antimony compounds demons-
trated an evident bacteriostatic action “in vitro”, but no protective activity "in
vivo”.
The organic sulfides, disulfides and the aromatic sulfones studied were
mostly inactive "in vitro” and all inactive " in vivo” except pp.dinitrodiphenyl-
sulfide, pp. diaminodiphenylsulfide and didorone; on the contrary, the sulfas
(in the nurnber of 13) had in the majority bacteriostatic activity "in vitro ’ and
light but clear protective action in the experimental infection of mice.
7
48
ESTUDOS SOBRE O TRATAMENTO DA INFECÇÃO TIFICA
EXPERIMENTAL DO CAMUNDONGO
The storarsol and the mandelic acid were inactive “in \-itro” and “in vivo’'l
The pyocjanin and the penicillin, antibiotic substances, from microbian
origin^ gave, in the same yvzy, negative results “in vivo”.
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Mm. Ifut. BuU n taa.
1 » 49 51 . 1949 .
E. BIOCCA » J. P. AM.VRAl,
49
ESTUDOS SÔBRE O TRATAMENTO DA INFECÇÃO TlFlCA
EXPERIMENTAL DO CAMUNDONGO
II. Sincrgismo entre mcdicatnAtlos químicos sintéticos e medicamentos
de origem biológica
ro« E. BICXrCA & J. P. AMARAL
(Do Laboratório de Bacteriologia do Instituto Bulantan, S. Paulo, Brasil)
As possibilidades de \-antagein terapêutica pela a(biinistra(;ão combinada de
drogas são inúmeras. Assim, por exemplo, duas substâncias que produzem o
mesmo efeito terapêutico, mas cuja ação tóxica ê exercida em órgãos diferentes,
podem produzir efeito terapêutico sinêrgico sem aumento evidente do efeito
tóxico.
Do mesmo modo, uma droga rapidamente assimilá\'el e eliminável, associa-
da a outra de absorção e eliminação lentas, podem produzir um efeito rápido inicial
seguido de uma continuação demorada do mesmo.
É igualmente conhecido que, em muitos casos de resistência de germes a
medicamentos, esse perigo pode ser prc\'cnido ou mesmo abolido pela associação
racional de drogas.
No moderno campo da quimioterapia as observações sôbre sinergismo de
medicamentos são ricas de exemplos encorajadores.
O sucesso destas tentativas, porém, está em grande parte ligado ao estudo e
ao conhecimento seja do metabolismo dos germes, seja do mecanismo de ação
das substâncias terapêuticas empregadas.
Nestes últimos anos, multiplicando-se os trabalhos sòbre o metabolismo de
germes, foram isolados numerosos fatores de importância vital para os mesmos;
alguns dêstes fatores, como o ácido pantotcnico, a hiotina, o ácido paraaminol)cn-
zóico. foram classificados no grupo das vitaminas utilizadas pelos organismos
sttperiores.
Na esperança de se obter substâncias quimioterápicas, foram preparados
compostos que antagonizavam o efeito dos fatores de crescimento como o ácido
fosfanílico. 4-4’diaminobenzofenone, etc., (1) antagônicos do ácido para-
aminobenzóico.
A ídêia de procurar produtos terapêuticos em substâncias com fórmula quí-
mica semelhante, mas com função contrária aos fatores de crescimento, foi uti-
lizada também no preparo da pontoiltaurina, semelhante c antagônica ao ácido
Recebido para puUicacSo em 16 de fesereiro de 1946.
1
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ESTUDOS SOBRE O TRATAMENTO DA INFECÇÃO TIFICA
EXPERIMENTAL DO CAMUNDONGO
pantotênico. A pantoiltaurina antagonizando a ação do ácido pantotênico. me-l
tabolito essencial para o cstreptococo, inibe “in vitro” e “in nvo”, em deter-|
minadas condições, o crescimento do estreptococo piogênko (2).
Roblin & col. (3) procuraram preparar substâncias antagônicas de algunsl
inibidores secundários das sulfas. na hipótese de que a união dêles pro<ruzisse|
um sinergismo terapêutico.
Uma completa revisão dêste assunto foi recentemente publicada porl
Peterson & Peterson (4).
Muito confuso é ainda o nosso conhecimento sôbre o mecanismo da ação da|
maioria das drogas.
As sulfas, como as sulfonas e grande parte das substâncias quimioterápicas, |
possuem elevado valôr bacteriostático, mas fraco valôr bactericida.
Da mesma forma, a maioria dos agentes quimioterápicos possue ação eletiva |
para os diferentes microorganismos. Sabe-se que a sulfanilamida, que é muito
ativa para os estreptococos. tem ação fraca para os gonococos; que o sulfatiazol
é muito ativo para o pneumo, etc.
Existem germes, portanto, contra os quais temos drogas que podemos con-
siderar especificas e germes (como o b. tífico, as salmonelas, o b. da tuberculose,
a maioria dos virus filtráveis, etc.) contra os quais as drogas agem de fôrma
limitada e parcial.
Mudd (5) referindo-se às infecções por virus filtráveis, afirma: "inhibi-
ções múltiplas e simultâneas, ao invés dc uma só inhibição, podem ser necessá-
rias para suprimir a multiplicação intracelular dc um agente infeccioso e, dêste
modo. fornecer a chave para uma quimioterapia eficaz”.
As condições particularmente propícias para uma assodação de medicamen-
tos parecem apresentar-se qtando “as substâncias agem dc um lado sôbre os
quimioceptores dos parasitas e de outro lado .sóbre aqueles receptores aos quais
se ligam as substâncias protetoras, formadas no organismo em resposta à invasão
dos parasitas. Uma terapêutica associada muito eficaz ê representada, por isso,
pela associação da quimio à .soroterapia” (Ehrlich) (6).
O interêsse da associação <lc uma terapêutxa biológica a uma quimiotcrápica
por sulfas, ê também salientada por Donagk e Hegler (7), em seu recente tratado 1
sôbre a quimioterapia das infecções bacterianas: “a primeira fase de ação (das
sulfas) é representada sempre por um ataque direto aos germes, que porém, só
raramente chegam a ser totalmente destruídos, mas que na maioria dos casos
são alterados dc tal maneira que ficam prontos para serem completamente ani-
quilados pela defc.sa do organismo”.
Provavelmente as mais brilhantes observações sôbre sinergismo dos medi-
camentos são as obtidas pela união de produtos quimioterápicos a produtos de
origem biológica.
cm
SciELO
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Mcm. IbM. Botaaua,
Il:4»-5», 194«.
E- BIOCCA k J. P. AMARAL
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“In vitro” foi demonstrada a ação sinérgica do sulfatiazol e da penicilina
sôbre o crescimento do estafilococo dourado e do estreptococo piogcnico (8).
Igual ação sinérgica foi observada (9) "in vitro” entre penicilina e ácido para-
aminobenzóico ou penicilina e sulfapiridina, no crescimento do estafilococo. O"
trabalho de Jung (10) anota os mesmos resultados na inhibição do crescimento
de muitas amostras de brucelas, pela adição ao meio de penicilina e sulfatiazol.
Observações “in vivo” sôbre a ação sinérgica de medicamentos foram rea-
lizadas ultimamente sobretudo na infecção experimental por pneumococo, menin-
gococo, b. da tuberculose, Q. welchii, etc.
Já desde 1912, Xeufeld e Engwer (11,12) observaram que no tratamento^
da infecção pneumocócica experimental a associação do sôro especifico à opto-
quina trazia como consequência o aumento da ação das duas substâncias, le-
vando-se em consideração o efeito de cada uma separadamente.
Às mesmas conclusões levaram as observações de Boehncke (13,15), bem co-
mo as de Moore (14), mostrando que uma dose de optoquina, incapaz de exercer
ação protetora na infecção pneumocócica experimental, podb aumentar muitas
vezes o valor terapêutico do sôro antipneumocócko, quando este sôro era espe-
cifico para o tipo do germe causador da infecção.
Depois da descoberta das sulfas, as esperança sôbre associação do sôro anti-
pneumocóaco com estes novos quimioterájMcos foram coroadas de c.xito e se
repetiram com sucesso no tratamento da infecção pneumocócica experimental.
Os trabalhos de Branham & Rosenthal (16) demonstraram que quando as
duas substâncias separadamente protegem um número limitado de animais, as
duas combinadas protegem quase a totalidade.
Observações análogas foram feitas por Powell & Janiicson (17), McLcod
Colin (18) e outros.
Xa infecção meningocócica, as provas experimentais cm animais deram re-
sultados absolutamente comparáveis aos citados para a infecção penumocócica.
BroisTi (19) e, a seguir, Branham (20) mostraram que, misturando
soro antimeningocócico com sulfanilamida ou com sulfapiridina, obtinham-sc re-
sultados terapêuticos muito superiores àqueles que resultavam da administração
das duas substâncias separadas. Foi verificado também que o sôro normal de
cav.ilo não provocava qualquer fenômeno de sinergismo com as drogas. Uma
recente cstatistica clinica executada na Inglaterra parece contradizer éstes resul-
tados. mas o valor de uma cstatistica clinica, antes de ser aceito, deve ser cuida-
dosamente discutido (21).
Recentemente, na infecção tuberculosa experimental das cobaias, Smith &
McQosky (22) puderam demonstrar ique, enquanto que o “Promin” tinha
um efeito quimioterápico que podia ser expresso numericamente cm 2.4 e a cs-
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ESTUDOS SOBRE O TRATAMENTO DA INFECÇÃO TIFICA
EXPERIMENTAL DO CAMUNDONGO
trqitomicina em 5,2, a ação das duas drogas dadas em combinação foi de 20l
isto é, quase 3 vezes mais do que a soma simples dos efeitos separados.
Merece ser lembrada^ enfim, tuna última e recente pesquisa sôbre associaçãd
de drogas na infecção experimental pelo Q. welchii. Xesta associação foi usad
como antibacteriano a penicilina e como antitóxico um sôro específico. Quando
o tratamento foi iniciado 6 horas depois da infecção, nem a penicilina nem
sôro separados conseguiram sah-ar a maioria dos animais: misturando-se as duasl
substâncias foi possível proteger quase todos os animais (23).
Em uma nota precedente relatamos as nossas observ^ações realizadas com a|
intenção de procurar substâncias ativas contra a infecção experimental do ca-j
mundongo pelo bacilo tifko.
De uma grande série de produtos ensaiados “in \-itro” e “in vivo”, algunsl
mostraram possuir uma certa ação terapêutica. Salientaram-se por esta ativi-
dade muitas sulfas, em parte conhecidas no seu valor anti-tífico pelos estudosl
de autores precedentes.
Com nenhuma das drogas estudadas foi possível, porém, obter-se a proteção!
de 100% dos camundongos infetados com 5 doses mínimas letais de uma sus-
pensão da amostra “Ty2” de b. tífico. As proteções obtidas chegaram no má-
ximo até 40-50%, dos animais tratados. Cumpre lembrar que a dose minimal
letal de cultura foi sempre aferida em suspensões sem mucina, o que não permite
eomparar os nossos indices de proteção com outros testes realizados com suspen- 1
sõcs em mucina.
Na presente nota são relatados os estudos sôbre terapêutica da infecção ti-
fica experimental realizados pela associação de drenas diferentes.
PARTE EXPERIMENTAL
técnica usada foi a descrita na nota I. — As drogas foram injetadas em
lotes de dez camundongos machos de 18-20 g (0,5 ml subcutâneo de suspensão
-oleosa a 2,5%), repetindo-se 3 vezes, no mínimo, cada pro\-a. Quando eram
associadas duas substâiKÍas químicas inocula\a-se respectivamente a metade de
cada uma.
Na associação de substância química com substância de origem biológica,
a substância química era injetada na quantidade citada (0,5 ml) e a substância
de origem biológica nas seguintes proporções: a) Penicilina: quatro injeções dc|
100 U. O., inoculada contemporaneamente. 2,4 e 6 horas após a injeção infetante.
b) Sóro antitifico (poder aglutinante o antigeno O 1 :25.000, o antigeno Vi
1:1500) 0,40 ml. c) Bacteriofago anti-tifico (ativo até a diluição de 1:10.000)
0,5 ml.
cm
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Mna. Init. BuUnUii.
1»;49-5S. 1M«.
E. BIOCCA t J. P. AMARAI.
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Imediatamente depois da injeção das dr<^s, os camimdongos eram inoculados
no peritôneo com as suspensões de bacilos tificos.
A obseiração dos animais prolonga\-a-sc por 4 dias considerando-se prote-
gidos os sobreviventes.
As provas foram realizadas com uma suspensão, em solução fisiológica,
sem mudna, de bacilos tificos (amostra Ty2), deddamente comprorada em
relação à sua D. M. L.
1 . Associarão de duas stilfas
A proteção produzida por muitas sulfas na infecção tifosa e.\pcrimcntal do
camundongo é eddente, mas rebti\'amente fraca, como já foi assinalado na nota
precedente.
As pro\-as de associação de duas sulfas deram resultados pouco apreciáveis,
tal como se pode ver no Gráfico I.
GRAFICO I
^ S-IUr.saal »
s
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ESTUDOS SOBRE O TRATAMENTO DA INFECÇÃO TIFICA
EXPERIMENTAL DO CAMUNDONGO
Nenhum fenômeno de potenciação foi possível, pois, obsen-ar em consequên-
cia da administração contemporânea de duas sulfas na infecção tífica experi-
mental do camundongo.
A proteção obtida foi aproximadamente a mesma que se podia esperar,
usando-se cada droga separadamente.
2. Associação de dois medicamentos de origem biológica
Nestas provas foram usados respectivamente o sôro antitifico, o bacteriófago
antitifico e a penicilina, produtos de origem biológica, cujo mecanismo de ação^
terapêutica é, porém, diferente.
É necessário lembrar que a penicilina tem uma ação insignificante no trata-
mento da infecção tífica experimental.
Como se pode obser\'ar no Gráfico II, os resultados foram negativos não
sendo possível e%'idenciar claros fenômenos de sinergismo neste tipo de associa-
ção terapêutica.
grafico II
K)
-§ ‘
■
3. Associação de medicamentos químicos a mcdicametttos de origem biológica
As melhores condições teóricas para uma tentativa terapêutica de associa-
ção encontram-se, segundo os clássicos conceitos de Ehrlich já relatados, quan-
do o ataque ao germe é feito em partes vitais completamente diferentes e isso
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Vem. Inst. Botasun.
11 : 49 - 5 *. 194 «.
E. BIOCCA & J. P. AMARAL
se dá, sobretudo, quando ficam associados produtos quimioterápicos a produtos
de
origem biológica.
Os resultados obtidos, que confirmaram completamente as nossas esperanças,
aparecem resumidos no Gráfico III.
C3rXfico III
Pela obsen,ação do Gráfico observa-se claramente que a associação do sul-
fitmol com sôro anti-tifico, com bacteriófago anli-tifico ou com penicilina, pro-
ouziu um sinergismo de ação muito eiádcnte.
^sta forma foi possível obter a proteção de 100% dos animais inoculados
com 5 D. M. L-, (excetuando-se a associação com o bateriofago).
Do que se depreende das proibas realizadas, a proteção parece ser superior
a uma simples somação de efeito.
A ação sincrgica entre sulfatiazol e as diferentes substâncias de origem
biológica se evidencia ainda para D. M. L. maiores que 5. Com estas D. M. L.
irais altas (20 D.M.L.) observa-se que a associação do sulfatiazol ao sôro anti-
tifico parece representar o meio mais eficaz no tratamento da infecção tífica ex-
perimental do camundoi^o.
Êstes resultados encorajadores obtidos em pro\'as experimentais autorizam
ulteriores c amplas pesquisas na terapêutica da febre tifoide do homem.
RESUMO E CONCLUSÕES
Foi estudada a eventual ação sincrgica de vários medicamentos no trata-
mento da infecção tifica experimental do camundongo.
7
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ESTUDOS SOBRE O TRATAMENTO DA IXFECCAO TIFICA
EXPERIMENTAL DO CAMUNDONGO
A inoculação de duas diferentes substâncias quimioterápicas (sulfatiazol e
sulfamerazina ; sulfatiazol e sulfanilamida, etc.) não aumentou a atmdade pro-
tetora de cada uma usada separadamente.
Da mesma maneira, a inoculação de dois medicamentos de origem biológica
(sôro anti-tífico-penicilina, sôro anti-tifico-bacteriófago anti-tífico, penicilina-
bacteriófago anti-tifico) não modificou a ação protetora de cada produto.
Ao contrário, a união de um medicamento químico (sulfa) a um medica-
mento de origem biológica (sôro anti-tifico, penicilina, bacteriófago anti-ti fko)
elevou fortemente o valor protetor das duas substâncias, quando usadas sepa-
radamente.
Numerosas provas mostraram que o sulfatiazol, numa dose que é capaz de
proteger 25-K)% dos camundongos injetados com b. tifico e um sôro anti-
tífico que protege, nas meanas condições, 20-30% dos camundongos, uma vez
que sejam injetados conjuntamente, protegem a totalidade dos animais.
As mesmas observ^ações foram muitas vezes repetidas e confirmadas usando
misturas de uma sulfa com outros produtos biológicos como bacteriófago anti-
tifico ou penicilina.
Merece ser lembrado que a penicilina, que injetada conjutamente potência
a atividade de uma sulfa, inoculada por si só é quase desprovida de atividade pro-
tetora anti-ti fica.
ABSTRACT
A study on the synergetic action of several medicaments in the treatment of
the experimental tj^phoid infection of mice is reported.
The inoculation of two different chemotherapic substanccs (sulfathiazole
and sulfamerazine ; sulfathiazole and sulfanilamide, etc.) did not increase the
protective activity of each one used separately.
Similarly, the inoculation of two medicaments of biological origin (anti-
t>’phoid serum-penicillin ; antitj-phoid serum-antitj-phoid bacteriophage ; penicil-
lin - antitj-phoid bacteriophage) did not modify the protective action of each
product.
On the contrary the union of a Chemical medicament (sulfa) with a me-
dicament of biologkal origin (antitj-phoid serum, penicillin, antitj-phoid bacterio-
phage) strongly increased the protective action of the two substances when used
separately.
Repcated experiments demonstrated that sulfathiazole, in a dose able to
protect 25-40% of the mice infected with E. tj-phosa and a antitj-phoid serum
w-hkh protects, under the same conditions, 20-30% of the mice, protect the to-
tality of the animais when injected together.
cm
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Mcv. Ittst. Batiatao,
If:49-5I. 194«.
E. BIOCCA k J. P. AMARAL
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:#
The same obscrvations were many times repeated and contirmed, using
mixtures of a sulfa with other biological products, as antitjTjhoid bacteriophage
or penicillin.
Ii is to remember that the penicillin, which, injected together with sulfas,
increases the activity of the sulfa, when injected alone, it is almost without any
protective antit^phoid acti\nty.
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JO
cm
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^cm. Inst. Bottntax
3*:59-6S. I9*t.
J. LEAL PRADO
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A GLICEMIA NORM-AL XOS OFÍDIOS (*)
roB J. LEAL PRADO
:{Do Laboratório de Endocrinologia do hulitula Bulantan, S. Paulo, Brasil)
A rcgubçâo hormonal do metabolismo dos hidratos de carbono nos ofídios
lem sido muito pouco estudada. Em 1933, Houssay, Biasotti & Rietti (6) mos-
traram que extratos de lóbo anterior de hipófises boinas não eleraram a glice-
tnia da boipe\-a X. mcrremii, ao contrário do que se obserra em batráquios e ma-
tniferos. Britton & Kline (2) assinalaram a hiperglicemia emocional em diver-
sos vertebrados inclusive em 14 serpentes das famílias Crotalidac, Boidcur e Ela-
.pidac. Em 1929, Luck & Keeler (7), ao estudarem a química do sangue de duas
espécies de Crolalus, determinaram também a glicemia de um pequeno número
de exemplares, encontrando-a baixa em relaqão à glicemia humana normal. Um
estudo sistemático dos valores glicemicos normais dos ofídios, que pudesse servir
<le base para ulteriores investigações, não parece ter sido feito até o presente.
Xeste trabalho, que deverá ser o primeiro de uma série correlata, descrevo as
técnicas empregadas e discuto os valores normais encontrados em parelheiras
(PhUodryas sp.) e jararacas (Bothrops jararaca). A parellieira foi escolhida co-
tno representante de ofidios oviparos. não peçonhentos, da familta Colubridac, c
^ jararaca, de ofidios peçonhentos, ovoviviparos. da família Crotalidac.
MATERIAL E MÉTCfX>S
O presente estudo foi feito em 606 serpentes adultas, de amlws os sexos,
condições aparentes de boa saúde e recebidas diretamente do serpentário
■úéste Instituto, sendo 44 parelheiras e 562 jararacas. A jararaca foi estudada
«in maior escala porque é recebida em naior número e mais regularmente.
Êstes animais, uma vez no laboratório, eram colocados cm gaiolas do tipo des-
crito por von Schuckmann (12) contendo água e alguns camundongos para
■eventual alimentação.
Colheita do sanyve. A colheita do sangue foi feita: a) da cauda, b) da
■'■eia mandibular, c) da veia cava posterior e d) do coração. Em todos os casos
(•) Este trabalho foi em parte subvencionado pelos Drs. A. Alves Filho e .\. Ribeiro
Ijma, por intermédio dos Fundos Universitários de Pesquisas.
Recebido para publicação em 14 de março de 1946.
cm
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60
A GLICEMIA NORMAL XOS OFÍDIOS
a sangria foi feita depois de repouso do animal de pelo menos 48 horas no
laboratório.
a) Da cauda: La\-aija a extremidade da cauda, corta-se com tesoura
forte um segmento de 3 a 4 mm de diâmetro na superfície de corte e coloca-se
o animal em posição vertical, com a cabeça para cima. O sangue goteja facil-
mente; desprezam-se uma a duas gotas e colhe-se o necessário. Para estancar a
hemorragia, inverte-se a posição do animal, enxuga-se a superfície de corte e
aplica- se cloreto férrico a ± 30%.
b) Da fcia mandibular: A serpente é colocada dentro de um frasco presa
ao gargalo pela região cervical. A mandíbula superior voltada para baixo é
fixada numa placa de cortiça e a mandíbula inferior tracionada por meio. de
uma laçada de cordel para manter aberta a boca do animal. Punciona-se a veia
com agulha fina de bisel curto.
c) Da veia cava posterior: Por uma pequena incisão lateral, descrita por
Valle (13) para a adrenalectomia na parelheira, exterioriza-se um segmento do
vaso e retira-se o sangue por picada da veia.
d) Do coração: A localização do coração nos ofidios é muito fádl por
palpação digital mas a punção ventricular nem sempre dá bons resultados.
Apesar dessa via ser empregada com sucesso por outros autores, preferimos,
como rotina, empregar o primeiro processo.
O san^e obtido por qualquer uma das vias mencionadas, no volume módio
de 0.5 ml, (ultimamente 2 a 3 gotas por secção da cauda) era recebido em
pequeno tubo de vidro limpo e seco. Nestas condições ele só se coagula dentro
de 10 minutos apro-ximadamente e êste tempo é mais do que suficiente para a
pipetação. Somente no caso de querer usar-se o material para outras determi-
nações era usado o oxalato de potássio, 0.2 a 0.3g%.
Para determinação da glicose foi usado o método de Hagedorn & Jensen,
conforme vem descrito no livro de Peters & van Slyke (8).
RESULTADOS
Dentre as vias descritas, a mais rápida, mais simples e que permite retiradas
sucessivas de sangue no mesmo animal, é a colheita pela secção da cauda, .\ntes
de usá-Li definitivamente, determinei a glicemia no mesmo animal, usando san-
gues colhidos quase no mesmo instante, da veia mandibular ou da cava posterior
e por secção da cauda. Conforme mostra o Quadro I as diferenças médias, em
8 parelheiras e 8 jararacas foram, respectivamente, de 0.5 e 1.0 mg% de
glicose. Estas pequenas diferenças, não significativas, permitem afirmar que
Ifrrn. Inst, Batantan,
»:59-6S. 1Ç46.
J. LEAL PRADO
61
3s determinações de glicose em sangue obtido por secção da cauda correspondem
3os \-a!ores reais de glicemia. Ainda com a finalidade de explorar a precisão
do método de colheita, foram feitas por êste processo retiradas repetidas de
Quadso I
Teor de glicose no sangue obtido de um mesmo animal for corte da cauda e for
funfão da teia (Glicemia em mg^)
Parelheiras
Jararacas
Xo.
Voa
Caoda
Difer.
Xo.
Veia
Caoda
Diíer.
23
63
63
0
32
65
63
- •»
6
40
42
+ 2
8
36
38
8
4S
45
0
44
71
74
-l- 3
28
74
75
+ 1
33
65
63
_ 2
27
72
74
+ 2
52
104
107
+ 3
32
101
99
^ 2
54
112
112
0
17
53
57
•f
56
129
127
. ^
28
62
59
— 3
57
164
170
-1- 6
Media
63.8
64.2
+ 0.5
Media
93.2
94.2
+ 1.0
sangue, nos mesmos animais em horas ou em dias sucessivos. A colheita em
•lias sucessivas, num lote de 15 serpentes em média, dá sempre resultados cons-
^tcs, apesar das variações individuais obseiA^adas. Êste tipo de experiência
íoi repetido suficientemente. Entretanto, si a colheita é repetida dentro de uma
Ou duas horas desde a primeira retirada, o resultado é bem diferente. Xa
primeira colheita encontra-se uma glicemia média que se pode considerar normal,
•nas na segunda e terceira colheitas (1 e 2 horas depois da primeira) encontra-se
onu hiperglicemia nitida (Quadro II). Xa segunda retirada houve um aumento
oiédio de 31% e na terceira colheita, um aumento de 51.7% sõbre a glicemia
>nicbl normal. Dentro de 24 horas a glicemia era novamente igual à original.
De maneira que se a colheita é repetida com inter\-alos de 24 horas, a deter-
•ninação, da glicemi 4 em sangue obtido por secção da cauda é perfeitamente
Aceitável 1 j
Glicemia tiormai Pelos métodos acima descritos determinei a glicemia em
562 jararacas e cm 44 parelheiras. Com os \alores obtidos foram construídos
^ois histogramas, um para as jararacas e outro para as parelheiras (Figuras 1
* 2). A média c o desvio padrão para as jararacas foram: 67.4 ± 20.5 mg%
'íe glicose para os machos e 59.6 ri: 19.0 mg*:^ para as fémeas. Para as jore-
^heiras de ambos os sexos a média foi 63.3 — 19.4 mg%.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
62
A GLICEMIA NORMAL NOS OFÍDIOS
Qcadro II
Hiprrglicemia por colhritJs repetidas de sangue seccionando a cauda
{Glicemij em mg %)
PARELHEIRAS
No.
Data da
colheita
0 h
1 h
2 h
11
22.x. 43
51
63
—
11
25.x. 43
40
69
72
9
22.x. 43
4j
66
—
9
2S.X.43
43
62
77
9
27.x. 43
5S
63
69
9
29. .\. 4.1
39
4S
55
14
—
55
64
—
7
2S.X.43
44
51
75
7
29.x. 4.1
41
59
73
>5
2S.X.43
55
78
87
IS
27.x. 41
33
49
53
12
25.x. 45
51
69
86
12
27.x. 43
58
76
87
35
—
126
122
138
22
—
60
81
91
30
—
77
95
102
Í9
—
76
85
82
36
—
141
163
162
G)ic. media
53
76
88
Aumento
% mólio . .
31
51.7
Fic. I
dai taiai gt.cir.cai r.orr.a^*
.er> 3é2 Ja'a'acai ( 5ornroo >
Cl.cc>i.a mg %
4
65
Mcm. In»t. Bouctan»
1946.
J. LEAL PRADO
Kic. II
Distribuição dcis taxas glicénrjicas normois
ctrí 44 ParelllcLras ( Philodr^os s p)
U
cr
o
£.
u
o
tf
T3
o 5
o
10 20 30 40 50 60 70 ao 90 K )0 110 l20 150
Gllcemia mgV*
DSCU5SÃ0
Glicemia e estado alimentar dos ofídios. Evidentemente a glicemia normal
deveria ser determinada em periodo post-digestivo para evitar-se a hiperglicemia
alimentar. Infelizmente, no caso <la jararaca, que foi a espécie mais estudada,
3 alimentação espontânea em cativeiro c muito rara. Nunca se pode salier e.xa-
*aniente qual a duração do jejum a que o animal está submetido. Como as
Jararacas ficavam dois dias no laboratório antes da determinação da glicemia,
foi seguramente, o tempo minimo de jejum. Mas, nas nossas condições.
l^lo menos cérca de 5 dias devem ter decorrido desde a última ingestão dc
alimento na grande maioria dos exemplares. Si bem que Benedict (1) tenha
'^trado que o periodo digestivo nos ofídios varia segundo vários fatores.
T^rtce-me que no nosso clima um periodo de cinco dias aproximadamente seja
'''tficiente para que a glicose sanguínea esteja em nível post-digestivo. Em
^*;‘ervações ainda não terminada^, estou procurando estabelecer definitivamente
64
A GUCEJIIA XORilAL XOS OFÍDIOS
a influência da alimentação forçada — gaz-age — (Calmette, 1907) (3) na gli-
ceniia dos ofidios, já que a alimentação espontânea não se prestou à experimen-
tação. Em algumas parelheiras, conservadas em jejum no laboratório, desde 1
até 30 dias, pude obsersar que as glicemLas mais altas não pertencem a cobras
que jejuaram menos tempo nem as mais baLxas às serpentes que jejuaram maior
número de dias (Quadro Hl). ,
Quadbo III
Influencia do jejum na glicemia das parelheiras
Xo.
Pè«>
S
Dias de
jejutn RO
Ubont.
GlicemU
ji
I
Xa.
j Pê$o
1 »
Diai de
jejam no
Uborat.
Glicemia
1
—
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19
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5
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34
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t 0
59
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5
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5
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5
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163
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—
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—
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—
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5
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15
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—
5
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5
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28
—
5
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—
15
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12
—
1
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5
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5
54
31
335
5
88
14
—
15
55
52
—
0
99
15
—
1
55
33
152
5
100
16
60
5
56
34
132
5
100
17
—
0
57
35
—
5
126
18
210
5
5$
1
36
—
4
141
Glicemia norma!. Em primeiro lugar o histogranvi das jararacas e o das
parelheiras evidenciam a grande zona de distribuição das glicemias normais
nestes ofidios; si bem que o número de jarelheiras seja pequeno, parece que as
distribuições são iguais nas duas espécies estudadas. .A dispersão dos valores
é realiiiente grande. j)elo menos de 30 a 130mgrc. No homem, pelo método de
Hagedo.n & Jensen a glicemia normal varia somente de 75 a 105 mgÇó (Hawk
& Bergeim) (5). Britton & Kline (2) em 14 serpentes recém-capturadas, en-
contraram também uma dispersão relativamente grande, de 54 a 109 mg%. Esta
grande dispersão das taxas normais da glicose sanguinea nos ofidios é devida, na
minha opinião, a uma regulação precária da glicemia. .A prova de tolerância
á glicose, praticada em ofidios. e que será assunto de publicação posterior, evi-
6
t
Íí«a. In»t. Batantaa,
^S^S. 1946. J PRADO 00
dencia a deficiência dos mecanismos reguladores da glicemia nos ofídios. Root,
Hall & Cray (II) encontraram em 15 espécies de peixes uma grande variação
glicemia média, desde 5.6 até 907 mg% e mesmo em uma única espécie a
'anação individual era maior do que nos animais de sangue quente. Ao lado
úc observarem tal fato, relacionaram a glicemia com a atividade do pei.xe: os
niais ativos, tinham glicemia mais ele\-ada e os menos ativos, menor glicemia.
^’os ofidios, nas duas espécies* estudadas, foi também observada uma ampla
ú:stribnição das glicemias, mas não foi encontrada diferença significativa entre
^ glicemias da jararaca e da parelheira, esta sabidamente bem mais ativa do que
aquela. Em segundo lugar, os histogramas mostram a pequena frequência de
SÍicemias abaixo de aproximadamente 30mg%. Isto parece indicar que em
tomo de 25 a 30mgfo de glicose deve estar o limite mínimo de glicemia com-
Pativel com a ^•ida dos ofidios. Anteriormente pude mostrar que o sangue
«colhido, por secção da cauda do ofídio fica diluido em média de 17fí em relação
30 sangue venoso (9). Como, apesar disto, a detemiinação da glicose em
*3ngue retirado da cauda, concorda com a determinação em sangue obtido de
vaso (Quadro I) acredito que a concentração de glicose nos líquidos inters-
ticiais da serpente de\a ser igual à concentração da glicose no sangue.
Glicemia. piso e sexo. Ao lado da determinação da glicemia, anotaram-se
Ptío e sexo dos animais estudados. O pêso dos machos foi de 67 a 217 g, a média
*^do de 136.9 24.6; nas fêmeas o pêso médio foi de 256.3 ± 98.9 haven-
io \'ariação de /O a 510 g. O estudo estatístico dos dados não revelou correlação
'ntre pêso e glicemia. Quanto ao sexo, como já foi referido anteriomiente. a
glicemia média c respectivo desrio padrão das jararacas machos foram.de 67.4
' 20.5 e a das fêmeas de 59.6 ± 19.0 mg^c. O test de signlficància das di-
^^tenças de medias (t = 3.66; P < 0.001) revelou que a diferença eiKontrada
® significativa. Entretanto as distribuições das glicemias nos machos c nas
f^eas não são normais tanto ao test de Xj como aos índices de assimetria e
tturtose. Seria curioso que nos ofidios houvesse realmcnte uma diferença ligada
sexo quanto ao teor de glicose no sangue.
GlicCmia e estações do ano. Si liem que a miior parte dos animais fosse
'^Pturada no verão determinei a glicemia também nos meses mais frios do ano.
médias obtidas nos meses de outubro a março, foram iguais às dos animais
Estudados de abril a setembro. É fwssível que maiores variações de tempe-
^tura do que as obser\adas naturalmente entre nós, influam na glicemia dos
afídios e, neste particular, já foram iniciadas as obsen-ações.
H^perglicemia por colheitas sucessivas. A oljservação de que a colheita de
'^?tje por secção da cauda provoca, por si, hiperghcemia, ficou bem assentada
7 -
06
A CLTCEMIA NORMAL NOS OFÍDIOS
*
(Quadro II). Esta observação foi feita em vários exemplares e verificou-sc^
alé, a reprodutibilidade da hiperglicemia no mesmo animal, em dias diferentes.
O mesmo fenômeno, si bem que menos intenso, foi obserrado também por co-
lheitas sucessivas na veia mandibular de algumas parelheiras, produzindo-se unr
aumento de 12 a 195^' sõbre a glkremia inicial. Britton & Kline (2) descreve-
ram a hiperglicemia emocional em serpentes; a emoção produziu uma elevaçãcr
de 11 a 16Çc na glicemia. Estes valores de Britton & Kline são bem parecidos-
aos obtidos por colheitas sucessivas na veia mandibular e é bem provável que
também aqui a hiperglicemia seja emocional. Xa hiperglicemia por colheitas
sucessivas de sangue por secção da cauda, bem mais intensa, (31 a 52%) é
provável que além do fator emocional a irritação medular direta seja o principal
fator hiperglicemiante. Levando também em conta que o teor de adrenalina
nas adren-ais de ofidios é comparável ao encontrado nos mamíferos (Valle Sr
Porto) (14). acredito que a hiperglicemia observada em ambos os casos seja
em última análise adrenalinica e a colheita sucessiva deverá ser repetida em
animais adrenalectomizados para confirmação ou não da hipótese. Em trabalho-
a ser publicado, será mostrado que a hiperglicemia adrenalinica é fácil e rapida-
mente obtida em ofidios e que é de longa duração. Si bem que só se tenha
verificado que a hiperglicemia por colheitas sucessivas esteja presente até 2
horas, acredito que ela perdure por várias horas antes de desaparecer completa-
mente no fim das 24 horas.
Regulação da glicemia. Considerando a grande variabilidade da glicemia-
normal dos ofidios. de 30 a 130 mg%, bem como a facilidade da obtenção de
hiperglicemia emocional ou de outra natureza, pensei que a regulação da gli-
cemia nos ofidios seria precária. Posteriormente, a prov-a de tolerância à
glicose, praticada num grande número de ofidios (Prado) (10) mostrou que, na
verdade, a regulação da glicemia se faz muito lentamente nesta espécie. A
fácil e rápida obtenção de hiperglicemia e a lentidão do mecanismo glicoregu-
lador explicam, na minha opinião, as variações da glicemia encontradas nunr
mesmo exemplar em dias diferentes; e justificam um repouso de 48 horas na
hlioratório para que se possa tomar a glicemia como cm nivel normal. Acredito
que o estudo da regulação glicemica nos animais de sangue frio possa ser van-
tajoso; como bem salientaram Root, Hall & Cray (11), o metabdismo em-
“câmara lenta” dos animais poiquilotérmicos permite, com vantagem sóbre os
animais de sangue quente, a melhor focalização de mecanismos aimia não escla-
recidos
K
Mctb, ln»f, Batantan,
>* 5»^í, 1W6.
J. LE.\L PRADO
67
RESUMO
Como base para ulteriores investigações sôbre a regulação da glicemia nos
oiidios, foi estudada a glicemia normal destes vertebrados, pelo método de
Hagedom-Jensen. em 562 Bothrops jararaca e 44 Philodryas sp. durante as di-
ferentes estações do ano. O sangue foi obtido rotineiramente, por secção da
eauda e. em alguns casos, por punção da veia mandibular.
A glicemia média e o desvio padrão das jararacas foram de 67.4 20.5mg9í>
para os machos e 59.6 19.0 para as fémeas. Nas parelheiras a concen-
l*^ação média de glicose no sangue foi de 63.3 19.4 mg^. A dispersão dos
Valores encontrados nas duas espécies foi bastante ampla, de aproximadamente
^ a 130 mg^ de glicose e cm tomo de 25 a 30 mg^ de glicose está, provavel-
'nente, o limite minimo da glicemia compativel com a vida do animal.
Não foi observada variação estacionai na glicemia dos ofidios.
,A coleta de sangue já é por si fator hiperglicemiante. Quando se repete a
-^ção da cauda, a glicemia se ele\’a de 31% na primeira hora e de 52% na
í^gunda hora voltando ao nível inicial no fim de 24 horas. A hiperglicemia
após a punção venosa é comparável em intensidade à hiperglicemia emocional dos
ofídios estudada em 1939 por Britton & Kline (2).
A lenta regulação glicémica dos ofidios talvez explique a ampla dispersão
^os valores registrados para as duas espécies.
ABSTR.SCT
As a basis for further inwstigations on the control of the blood sugar in
tnakes, their normal glycemia was determined by the Hagedom-Jensen method;
^ jararacas (Bothrops jararaca) and 44 parelheiras {Philodryas sp) were
studied during the differcnt seasons of the >-ear. These snakes were maintained
m special cages (von Schuckmann, 1936) and after a fasting period of about
five days their blood was coIle<ted by cutting a little segment of the tail and
blood sugar determined. The results were put in graphical fomí (Figs.
^ and 2). The normal blood sugar concentration in jararaca was: male, 67.4
~ 20.5 mg% ; female, 59.6 :i: 19.0 mg%. In parelheira the glycemia vc3s
^•3 :í; 19.4 mg%. The normal ranges of blood sugar values in these two
’‘I’^ics were very large, from ca. 30 to 130 mg% and about 25 to 30 mg%
'* probably the minimum glycemia necessaiy for keeping them alive. In our
^imate, there wa; no seasonal variation in the blood sugar of Ophidia.
9
68
A GUCEMIA XORMAL XOS OFÍDIOS
The gl)’cemia oi these snakes is not we;l regulated; there can be hypergly-
cemia due to eniotional or other causes somewhat easely. A second or third
collection of blood from the tail, within a period of 1 to 2 hrs-, can induce a
hj-perglyceniia from 31 to 52^ which disappears atter 24 hrs.
The large dispersion of normal glycemias in these both species can probably
be explained by the slow tj^pe of blood sugar regulation in Ophidia.
Quero agradecer ao Prol. J. R. Valle as sugestões e críticas durante
a execução do presente trabalho e a S. B. Henriques, a análise estatís-
tica dos resultados.
BIBLIOGRAFIA
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Publication Xo. 425, 1932.
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.l/cm. Inst. Butantan, 18:247-250, 1944/45.
10
biological PROPERTIES OF ANACARDIC ACID (O-PENTA-
DECADIEXYL-SALICYLIC ACID) AXD RELATED COMPOÜXDS
By F. W. EICHBAUXÍ
(From lhe Department of Microbiology oj lhe Escola Paulista de Medicina
and lhe Department of Immunology of lhe Instituto Bulantan, S. Paulo, BrasilI
Part I — General discussion — Bactcriddal action.
Part II — Antienzj-matic and antitoxic action of anacardic aciü and
derií-atives.
Part III — Antifebrile action of anacardic acid and rclated cotnpounds.
Part IV — Venniddal. antiprotozoic, antiectoparasitic and larridda!
action of anacardates.
Part V — Toxicology of anacardic add and rclated compounds —
Clinicai Outlook.
Iiut- Butantui.
1946 .
F. W. EICHBAUM
71
BIOLOGICAL PROPERTIES OF AXACARDIC ACID (O-PENTA-
DECADIEXYL-SALICYLIC ACID) AXD RELATED COMPOUXDS
BV F. \V. EICHBAUM
(From lhe DeportmenI of Microbiology of lhe Escola Panlislj de Afedicina
and lhe Deporlmenl of Immnnology of lhe Inslilnlo Bulanlan, S- Paulo, Brasil)
PART I
GENERAL DISCfSSION — BACTERICIDAL ACTION
The isolation of antibiotic substances from niold» and bactéria has also
stimulated the study of higher plants in the saine direction (Oíborn, Lucas &
Lewis). As Dubos points out, the production of these antibiotic substances
by no means an exclusive attribute of niicroorganisms, but is widely distributed
*n the aninial and plant kingdoms. Until the industrial development of syn-
^«ic chemotherapeutical products, during the bst decades, the plants fumished
the bulk of al! pharmaceutical preparations, and ainongst theni we find cheino-
therapeutically veiy active products such as quinine, enietine, chaulmoogra oil
^d others. Apart from the latter substance, whose mode of action is still under
tliscusíion, no substance wth sj^steniic antil>ac<erial action has so far Ijeen
•solattd from higher plants (*). On the other liand, products with local anti-
hacterial action, such as some ethcreal oils and balms, belong to the most ancient
therapeutic treasure of mankind.
In October 1943. we obtained a sami>le of Cashew nut oil. the fruit shell oil
t>f the tropical tree Anacardium occklentale. in order to study its therapeutic
^‘hion on spontaneous and artificial wounds in rabbits. Cashew nut oil (**)
^s lieen known for a long time as a skin irritant and vesiculant which provokes
(•) Thercforc, it is misleading to call an antibacterial substance “ penicillinlike". oii-
it displays also a definite chcmotherapeutic activity cf.. the Editorial in the J. Amer.
_^*d. Ass. “ Penicillinlike substances from higher plants " ; in tacL not a single substance
*’ nicntioned that might claim to be rcally “Penicillinlike”.
(*•) Sometimes called also Cardo! ; in reality. Cardo! is only one of tlie two main
^stituents of Cashew nut oil.
Received for publicatkm in 16 / 2 /W 6 .
3
72
BIOLOGICAL PROPERTIES OF AXACARDIC ACID (O-FEXTA-
DEC\DIEXYL-SAI.ICYLIC ACID) AXD RELATED COMPOUXDS
the fomiation o£ blisters, similar to those produced by cantharidin; it has been
used, occasionaly, for the treatment oí warts, psoriasis, eczemas and for the
externai treatment of leprotic lesions (Hansen & Looít; Lima; Furtado; ilorais;
Lacerda).
The alcoholic tincture is recommendcd as a vermiíuge. Elxact clinicai ob-
servations on the therapeutic value of cashew nut oü are practically non-existent
and the main significance of this product lies, to-day, in its ample technical
application in the lacquer and ramish industrj’. The íavorable therapeutical
results we obtained in the treatment of infected skin wounds in rabbits, by
application of a S^o ointment of Cashe^v nut oil, led us to test the bactericidal
activity of this substance also in-vitro. It could be shown that alcoholic Solutions
of the oil, emulsified by slow addition of water, possessed in tact a verj' strong
germicidal power against the common pyogenic bactéria. The next step was to
isolate the two main constituents of cashew nut oil, anacardic add and cardol (*),
which were described for the first time by Stacdeler as early as 1&46; both
substances proved to be about equally active with regard to their bacteriddal
power.
Anacardic acid (o-pentadecadienyl-salic\'lic acid) which makes up about
90% of the crude cashew nutshell liquid, contains a non-saturated alkjl with 15
carbon atoms linked to a salic>lic acid radical.
Cardol and anacardol, which share the remaining 10%, contain the same
alk)l group linked to resordnol and {^enol, respectivelj*.
Apart from anacardic acid and Cardol (impure) the following sub-products
have been studicd :
Anacardol
Tetrahydro-anacardic acid
Tetrabrom-anacardk: add
Tetrachlor-anacardic acid
Isomeres of bromation on the ring of anacardic acid
Acetyl-anacardic acid (acetylester of anacardic add)
Acetyl tetrahydro-anacardic add
Methylether of Sodium anacardate (2 metroxy-6 pentadecadienyl-benzoic
acid)
Methylether of Sodium tetrahydro-anacardate
Dimethylanacardic add (2 metox)'-6 pentadecadienyl-methylbenzoate)
(•) The fraction called hcre Cardol, which remains dissolved in the alcoholic solutio»
after prccipitation of anacardic acid by lead hj-droxide, proved in a later analysis to consi»!
— in grcatcr part at least — of Anacardol.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Meia. Inst. Batantan.
1946.
F. W. EICHBAUM
73
Dimethyl-tetrahydro-anacardic acid (2 metoxy-6 pentad€Cj-lm€th)-lbenzoate)
Ethyl anacardate
Sodium anacardate
Sodium tetrahydro-anacardate
Ammonium anacardate
Coppcr anacardate
Silver anacardate
Copulation produa of anacardic acid and sulfanilamide
(cf. Table Xo. V)
(pag. 89/90)
The alkali salts ot anacardic acid can be classified aniongst the anionic
*^ergents. Substances oí this group have been synthetized recently on a very
^rge scale (*) ; apart from their technical usefulness they possess a well defined
S^nnicidal power, which is directd mainly against gram-positive germs.
The special interest we attribute to anacardic acid and its subproducts seenis
JUstified by the fact that these easily obtainable substances of v^etal origin display
*oine qualitative and quantitative features that distinguish thcm from most other
*0!onic detergents.
The alkali salts of anacardic acid belong to the most potent anionic dcter-
8”its; thej- possess, in particular, a staphylococcidal activity equalled by fcw others.
^eir bacterkridal activity is not only limited to gram-positive germs, but includes
^so gram-negative genera such as Neisseria, Brucella, Pasteurella. Hemophilus
**>d amongst the Enterobacteriaccac, the protcus bacilli. Their activity is practi-
independcnt of the actual pH of the médium. The alkali salts possess good
*®íubi!ity in lipid solvents and fair solubility in watcr; consequently, their gcr-
•Mjcidal activity becomes patent in watcry as wc!l as in oily Solutions, although
a lesser degree in the latter. Finally, anacardic acid possesscs an antipyrctic
*^>vity, probably due to its salic)'lic nucleus, and a vcrmicidal action, both phe-
*>omena so far unknown in other detergents.
The study of anacardic acid and related produets has been extended to the
^ollowing problems:
to
!. germicidal action
2. detoxifjnng action
3 . antienzj-matic action
4. anthelmintic action
5. anti-ectoparasitic action
(*) Among the s)-nthetic anionic detergents, alkyl compounds with IS C atoms are
lound only e.xceptionally.
74 BIOLOCICAL PROPERTIES OF AXACARDIC ACID (O-PESTA-
DECADIEXYL-SALICYLIC ACID) AND RELATED COMPOCXDS
6. lan-kidal action
7. amiprotozoic action
8. antifebrile action
9. toxic action
10. clinicai application.
CERMICIDAL ACTION
Methods — The antiUacterial power o{ anacardic acid agains: variou» bacté-
ria can be checked grosily by measuring the diameter oi the gennfree zone, for-
nied round a central hole in an agar dish which is tilled with a 1^ Xa anac (*)
solution (cf. photo X'o. I and II).
.-Mternatively, another technique, as advocated by Flemming, gives a still l)et-
ter impression of the relative sensitiveness ot variou» germ» toward» X'a anac:
Tlie niethod consist» in cutting out a strip ot agar from a culture plate and
planting \-arious bactéria in streek» at right angle» to the gutter thus fomied : the
gutter ha» been previously tilled with a mixture of equal parts of liquefied agaf
and a 1% Xa anac solution. The active substance thus diffuses into the agar and
inhibits the growth of bactéria for a distance ^-arying with their sensitivity to X’3
anac. ^^'hen testing for gonococci and other delicate gemis, the agar is prerared
with 14 — 1/3 part of ascitic fluid or seruni.
Special care should be taken that the quantity of the planted germ» is appro-
ximatelv equal for a!l tested saniples. since the size of the sterile zone depends to
a cenain degree on the density of the inoculum.
Results — Graph Xo. I, which condenses a grcat number of tests. illustrate»
this type of e.xperinient. showing the absolute resistance of the Entereobacteria-
ceac. the relative sensitivity of Bnicellae. Xeisseriae. Pasteurellae and of variou?
gram-positive bactéria.
CiArn No. 1
CUt.
Urwccila
6CrtpIoco<cm
SCaltlc
"l CAU*'"
(*) “ Xa anac.", in the followin^ i» used as an abreviatioo for Sodiunt anacardate.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
**- llist. Butantxn,
*■**•»♦. m6.
F. W. EICHBAUM
75
This type of ccperiment. however, does not allow any conclusion as to whe-
the absence of bacterial growth is due to a bactericidal or a bacteriostatic
ocess. We tried to settle this issue by comparing the antibacterial activity of
nous Xa anac. dilutions in two parallel series. In the first series the agar was
**cd with >-arious Xa anac. concentrations and, after solidification, inoculated
íh a given amount of staphylococci (bacteriostatic test: Table Ia). In the se-
series a suspension staphylococci was incubated for 15’ (at room tem-
ure) with varjdng concentrations of X^a anac. and was afterwards transfer-
to a Petri dish and mixed with liquefied agar (bactericidal test: Table Ib).
T.\ble Xo. Ia and I*
Ia. BacUrioslasis
To each Petri dish (containing 20 cc agar and 0.1 cc of the varíous dilutions of Na
) 0.1 cc of bacterial suspension (staphylococci) is added.
Na anac.
laitUl dilation i.i
Amount per
Amount per
No. of fertns per
Decree of
Na anac.
Ac^r di»2i
1 cc aear
incuba tion
activity
•) J/lOO
I me
SO y
0
+++
^1 I/IOOO
100 y
i 5 y i
55.000
T «
í) 1/10000
10 y
O.S y
150,000
■♦> l/lOOOOO
' Y
0.05 y
150,000
*) 1/1000000 ...
0.1 y
O.OOS y
150,000
Salioe cmtrol
—
150,000
Ib. Bacttricidia
1 cc of varíous dilutions of Xa anac. is mixed with 1 cc of bacterial suspension (Sta-
ã) ; after IS’ contact, 02 cc are transfered into 20 cc agar.
•«itUl dilotioii of
Na anac.
Amount of Na
anac. per 1 cc
mUture Na
anac. •!> bac*
teria
Total amount
of Na anac.
per agar di«b
Na anac.:
Amount per 1
cc agar
No. of germt
per cc after
24 bourt* in-
cubation
Detrec of
activity
1)
1/100
5 m(
1 »«
50 Y
0
+++
2)
1/1000
500 y
100 y
5 Y
0
-H-+
J)
1/10000
50 y
10 y
0.5 Y
0
+++
<)
1/100000
1 1
! 5 Y !
» Y
1 0.05 Y i
925
1 1
1 + 1
5)
1/1000000 ..
0.5 y
0.1 y
0.005 Y
150.000
—
t)
Saline cootrU
—
150,000
7
76
BIOLOGICAL PROPERTIES OF AXACARDIC ACID (O-PEXTA-
DECADIENYL-SALICi LlC ACID) AXD RELATED COMPOVXDS
Coiicltision — Tab!e Ia shows. that the limit oi “bacteriostasis” Hes at i
concentration of 5y/cc agar. In Table Ib.. reduced growth is to be observed up
the íourth agar dish. which corresponds to a final Xa anac concentration o?
0.05y/cc agar. Since this concentration. according to Table Ia., is inactive, tbf
reduced growth in the íourth dish (Table Ib.) cannot be due to a bacteriostatif
action; it was the 15 minutes’ contact ot Sy Xa anac that killed the greater paií
of the cocci — and this corresponds exactiy to the value also found to be actis^^
in Table Ia. It follows, tberefore. that the antibacterial activity of Xa anac
not a bacteriostatic but a baaericidal one (*). This was also corroborated bj]
e.xperiments on animais: highly vinxlent hemolytic streptococci were brought i
contact, during 15’. with vaiy ing amounts of a Xa anac solution (dilution l/20Cfj
— 1/200000) and aftenvards injected. by intraperitoneal route, into mke: tbçj
animais injected with 0.5 cc of each “mi.xture” survnved, whereas the control
died 24 — 48 hours aftcr the inoculation.
X^o chemotherapeutic action of Xa anacardate and related products (cf. T»"
ble X’o. \*) on streptococci. pneumococci and anthrax bacilli could be observei
Xeither did the intraperitoneal injection of Xa anac Solutions, 5 — 10’ folW
wing an intraperitoneal injection of streptococci, prevent deadly bacteremia. (***
In order to measure the sensitiveness of various germs towards Xa anac bj
a more accurate method, the different bacterial species were tested in a “liactr
ricidal" experiment:
A series of seven tubes was set up, each containing 1 cc of the bacterií^
suspension in test; the number of germs per cc amounted, on the average,
200000 — 400000/cc; in a few instances smaller inocula (1000000 germs {«r
or denser inocula (200000 germs per cc) were used. Falling concentration^
of Xa anac (1/1000 — 1/10000000) in a 1 cc volume were added to subsequen*
tubes: the last (control) tube was completed with physiological saline solutii*
The final dilutions of Xa anac were consequently 1/200; 1/2000; 1/20000 e'^
.A.íter 15’ e.xposure to room temperature, O.lcc was drawn from each tu^
and fut fnto a Petri dish and mixed immediately with liqueíied agar. .\notbí
(•) In the same dircction lie also the results obtained by x-ar>-íntr the time oí cont*^
hetween anacardate and bactéria. The following table jhows tiic number of living gert^
in a suspension of 200000 staphylococci jier cc mi.xed with equal jarts of a 1 /lOOWX)
anac. solution, after var)-ing períods of contact.
time oí contact
5' - 10'
15' .
30' .
00 ' .
Control 60' .
(••) E.\perimcnt5 on míce.
Xo. of germs
5000/cc
4S0/CC
10/cc
0
IDOOOO/cc
cm
SciELO
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F. \V. EICHBACil
77
Inst. Butantan,
'» «-U4, 1946.
Action of .\a jnacardatc on Actinomjxrs (the hole in tbc ccnlre
of tbe d.5h conuins OJ ec of the X, anacarda,, „lutiona).
PiioTocaArn I
Actinly of a J/IOO Na anacardale «olution.
PaoTocaArH II
Actiriljr of a 1/10000 Xa anacardale •olutlon.
9
^íelIl. Inst. BntacUQ,
1»:69-U4. 1946.
F. \V. EICHB.^UM
79
O.lcc froni each tube was transíerred into 5 cc of glucose broth. After a 48 hours’
incubation at 37°, readings were made both trom agar and broth (*). In doubtful
cases, a subcullure was made from the glucose broth. The inoculation in broth
proved to be, in general, more sensitive than the inoculation in agar. All tests
were performed in duplicate, triplicate, or even more frequently.
Table Xo. II
Baclerícidal pcnivr of sodtum anacardale against i-arious baclería after 15' conlacl
at room lemperature
Concentration of Xa anacardale
1/200
1/2.000
1/20,000
1/200,000
1/2,000.000
1/20,000,000
XeisKrU Konorrboue . . .
+++
Statthylococcus haemol. aur
Strfptococ. prosTiK* . . .
= • +
Bac. aníhracis
+ ++
++—
Brucclla mclitensis
+ -f+
+ ++
■f +-r
Pasteurella ari««ptica
+++
+ -H-
+ 4-r
Mrcobact. tubcrciiloús (bu
man atrain “Ratti")
+ ++
Efcbcricbia coti
+ + +
+ +-
+ ++
+ +-f
++-f-
-++
SaImon«lIa paratyphi F
( Scbottrnuellvr) . —
+ ++
+ + +
-f-++
+++
+ +-
+ +'-r
Salmonclla typfai
+++
+ + +
+ + -f
+ ++
+ +4-
Salnvinrlla parat/pbt
(Brealaa)
+ + +
+ ++
+ + +
+ ++
+ +-r
+ ++
Bac. pyacyanciif
+ + +
++-r
+ ++
+++
++-r
+ ++
Bac. protcas (X 19)
+++
+++
+ + 4 -
+-H-
PcniciL notalum
+ ++
+ + 4-
+ +-
A*pcr»il. nifcT
+ +
+ ++
+++
+ +-r-
+ +-r
+ + 4 -
Vcayt fitrain iioUtc<] from
the air)
+ ++
+ +-J
+++
+-H-
Rradings; 0 do frowtb; — isoUted colonica; + wcak from th; 4^" mediam growth; 4"4- +
(Tovth (eqoal to uline control).
full
(•) The growth of the tubercie badili culturcs (in Sauton’s médium) was checked
after a 4 weeks’ incubation at 37®.
11
80
BIOLOCICAL PROPERTIES OF AXACARDIC ACID (O-PENTA-
DECADIEXYL-SALICYLIC ACID) AND RELATED COMPOUNDS
\\’ith tlie exception of proteus bacilli and tuberde bacilli, which showed a
díffertnt sensitiveness of \'arious strains, the members of the other tested gene-
ra did not revea! any remarkable differences as to their sensitivity towards
Na anac.
Cifnclusion — The foregoing Table II shows the high sensitiveness of all
gram-positive bactéria toward Na anac, highest for streptocooci, weaker for gram-
negative genera such as Neisseria, Brucella, Pasteurella, and complete insen-
sitiwness of the Elnterobacteriaceae (except for the slightly sensitive proteus ba-
cilli) as well as of the bac. pyocj^aneus.
A suspension containing 600000 typhoid bacilli per cc, mixed with 1 cc of
a 1/100 Na anac solution^ became sterile only ofter 48 hours’ contact. (The num-
ber of germs in the NaCl control had dropped, during the same time, to 100000
germs/cc) ; paratj-phoid B bacilli behaved in the same w^ay, whereas Shiga hacil-
li and coli bacilli suHi-ived more than 72 hours under the same conditions.
The behaviour of proteus bacilli \’aries according to the strain chosen. A
20 minutes’ contact with a 1/100 Na anac solution kills practically all strains; a
1/1000 solution kills some strains; others suvive, but when subcultured in agar,
gcncrally only the 0 fornis will develop; 2 cc of a 1/100 Na anac solution added
to 20 cc agar in a Petri dish either inhibit the growth of proteus bacilli entirely,
or make them grow in the O form, according to the sensitivity of the respective
strains.
This observation agrees with the findings of Lominsky and Lendrum, who
tested anionic, cationic and undissociablc detergcnts as to their “antiswarming”
activity: among 54 tested products, 42 proved to be active, some of them even
in veiy* high dilutions. There was a certain relation between surface activity and
antiswarming power.
When a mixture of proteus badlli (H X 19) and typhoid bacilli (Ty 2) is ex-
posed for 15’ at room temperature to the action of a 1/200 Na anac solution, the
subculture givcs only growth of ti-phoid bacilli in Agar and Teagucs médium.
As the same substance suppresses the growth of all gram-positive germs, it might
seri’e as a uscful device for the isolation of the Enterobacteriaceae. In order
to eliminate with certaint)' even the more resistant proteus strains, the contact
with the Na anac solution might be prolonged to 30 or even 60 minutes without
impairing the %'iability of the other Enterobacteriaceae.
12
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Man. Init. BnUnUn,
I»:69-134, 1M6l
F. W. EICHBAUM
81
The criticai bactericidal concentration of Na anac for tubercle bacilli lies at
5y/cc, which kills the tubercle bacilli after a 30 minutes’ contact; after a 15’ con-
tact the destruaion is incomplete.
In his studies on the antibacterial action of Sodium ricinoleate (which we
found about ten times weaker than Na anac) Larson obtained diíferent results
when inoculating solid or liquid media, a phenomenon he relates to the changed
surface tension in the liquid media. Our experiments with anacardates in the
same direction have not yet bcen performtd on a sufficient scale to permit a
definite conclusion. In liqu d media we did not observe, either with Na anac or
with ricinoleate, a submergcd growth of the tubercle bacilli as described by Lar-
son et al. It cannot be decided, for the moment, whether these contradictory re-
sults depend only on the strains used for the respective experiments.
The inoculation of a susj)ension of borine tubercle bacilli (Vallée) which had
remained in contact with a l^í» Na anac solution for 15, 30 and 60 minutes res-
I)ectively, did not produce tuberculosis in guinea pigs after 4 months of observa-
tion. In the same period, 3 out of 4 control animais showed a progrcssive tuber-
culosis. the fourth anima! only a local process at the inoculated site.
The vegetative fornis of anaerobic bactéria (Q. tetani, G. perfringcns, G.
seiJticum) are readily killed even by high dilutions of Na anac ; the spores of G.
tetani and G. septicum survive even a prolonged contact (1 hour) with a 1/100
Na anac solution, whereas the spores of G. perfringens and aerobic bacilli (an-
thra.x. subtilis) are very sensitive.
Molds and ycasts, with fcw cxccptions, are very resistant. Penicillium no-
tatum is only very slightly inhibited in an agar dish containing Na anac (cf. te-
chniqiie page 74).
The Spirochaeta gallinarum is highly sensitive to the action of Na anac: a
1/2000 dilution, mixcd with equal parts of infectcd blood, immediately immobili-
zes the spirochaetcs, in spite of the presence of proteic substances, which com-
monly reduce the antibacterial activity to a grcat e.xtent. .^n anti-Flexner liacte-
riophage was not inactivated by a 2 hours’ contact with a 1/1000 Na anac solution.
The sensitivity of motile bactcria to anacardic acid and deri\*atives, at various
concentrations. can be rapidly tested by the hanging-drop method. The motility
test gives results whxh practically parallel the bactericidal test. (Table III).
13
Inst. BuUotan,
1>:69-1J4, 1946.
F. \V. ESCHBAUM
83
Culiures mjde after the same intí-rvals oaxv the folloudng rcsuU:
Time of contact
0*
15’
30’
60*
prtucu* H
Xa anac.
K 19
{ 1/200 ....
4 colnnie* •
(0-form)
0
7
(O-fonn)
0
0
l/20<» ...
9 colomes
(O-fortn)
2 coloniet
/O-forra)
0
0
0
. 1/20000 ..
“H" fTOWth
“ H " crovth
"H" fTOWth
“ H * fTOWth
fTOWth
XaO coniTo! (*) ...
• H " ^rowth
“ H " fTOWth
“H" fTOWÜl
“H" fTOWtü
“ H * fTOWth
subtilis
Xa anpc.
*
I.'200 ....
0
0
p
0
0
1/2000 ...
1 % of the
control
0
0
0
0
. 1/20000 ..
of tbe
control
P
0
0
0
XaO control <•) ...
100%
100%
100%
100%
100%
5*ImoDella Bre
Xa acaK- |
XaQ cont
slau
1/200 ...
1/20000 .
100% o{ tbe
control
rol Cl ...
100%
100%
100%
100%
100%
Stcrihty = p
(*) Numlxr o( ipproximately ÍOOOOO/cc,
Influcncc of f<H on the hacicricidal actkdty of Xa aiiac.
It Kas bcen shown that the liacterickial activity of anionic and cationic de-
^ergent' is grcatly influenced by the actual pH — the anionic detergents being
'nost active at an acid, the cationic at an alkaline pH (Baker. Harrison and Mil-
^fr). When testing the bactericidal actianty of anacardic acid against staphy-
^ococei and anthrax bacilli at various pH stei>s, we were surprised to dii^ovcr
‘hat the actiial pH had apparently no influence on the bactericidal activity of
snacirdic acid (cf. Table IV).
15
84
BIOLOGICAL PROPERTIES OF AXACARDIC AOD (O-PENTA-
DECADIENYL-SAUOLIC ACTD) AXD RELATED COMPOUXDS
Tablc No. IV*
Tabe
Boffer
•olution
Sodtum
Saspciuian
No. of
Xo.
PH
&2ucarda:e
of Supfaj*
fcrms per
1/10000
lococci
1 cc
1
3.6
1 cc
1 cc
1 cc
0
2
4
1 cc
1 cc
1 cc
0
3
5
1 cc
1 cc
Icc
0
4
6
1 cc
1 cc
1 cc
-T.
0
1 I S
5
6
7
8
1 cc
1 cc
1 cc
1 cc
1 cc
1 cc
i
0
0 •
1 - Ci’
* .c ^
7
9
1 cc
1 cc
1 cc
0
I *
— •€
Sodiam
a
E
■ c
anacardate
ü : 5
1/100000
i 3 T
8
3.6
1 ÍC
Icc
Icc
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9
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1 cc
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10
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1 CC
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0
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1 cc
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12
7
1 cc
1 cc
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13
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1 CC
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1 cc
1 cc
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20
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anacarda*c
I/IOOOOOO
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C Z X»
16
17
IS
4
5
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I cr
1 o
1 cc
1 cc
1 cc
1 cc
Icc
I cc
1 cc
® ^ a €
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i i -
s.ooo
200.000
210.000
^ • _r
3
19
7
1 cc
1 cc
Icc
200,000
20
8
1 cc
1 cc
1 cc
í - - 1
270.000
C- fc, ,
21
9
1 tc
1 cc
I cc
" 2 s
« ® -S «
C ^ 5
220.000
3 "
0 3»
- - H
Pbjtiol.
c ® *3 t
- £
mV.
S ■£ t
«altDc
í is - «
± s
volutkm
3 k . «1
22
23
24
3.6
4
s
1 cc
1 cc
1 cc
1 cc
Icc
1 cc
r cc
1 cc
Icc
s 'S *» c
.= 5
u ■r i
0
7.000
210.000
•M K
.s "
Í 5 s
25
6
I cr
I cc
rcc
£
200.000
Sá
26
7
1 cc
1 cc
1 cc
230.000
27
8
I cc
1 cc
icc
200.000
28
9
I cc
Icc
1 cc
240.000
ló
Uem. Inst. Batantar,
I»;69-I34, 1946.
F. W. EICHBAUM
85-
Result — The limit of the bacteriddal activity lies for all pH steps ai
1/100000 (or according to the íinal diiution of the anacardate at 1/300000) ; the
stronger pH concentrations 3,6 and 4, cannot be taken into account, as they them-
sel\-es kill the cxposcd gernis (cf. control tube 22 and 23). At a 1/3000000 con-
ctntration the anacardate is inactive at all pH steps (* (*•) ).
The lack of influence of the pH concentration on the bactericidal activity
of anacardic acid places this substance apart from other anionic detergents, with
whom it otherwise shows great similarity of action.
As we have pointed out tlsewhcre (Eichbaum, Hauptmann and Rothschild)
this unusual behaviour of anacardic acid might be explained by the fact that the
hydrolytic dissociation of anacardic acid seems to follow the scheme
coo-
COOH
HjO
4- HO'^
This means that even in (weakly) alkaline Solutions, undissociatcd anacardic
acid is present, which is responsible for the liactcricidal action. According to Os-
terhout, the undissociated molecules possess a greater ability to enter the cell and
are therefore more active than lhe ionized compounds.
Inhibiting faclors
Both scrum and lecithin have an inhibiting effect on the bactericidal activi-
ty of Na anac. as lias been obser\ed also with other anionic detergents. The
germiddal power of Na anac and related produets, in the prescnce of approxi-
tnatcly 25% of serum, is reduced to 1/100 — 1/500 part of the activity in saline
tnerlium. The formation of insoluble Cakium salts cannot be responsible for this
phenomenon, since the addition even of an exress of Sodium dtrate does nos mo-
dify the result.
The inhibiting effcct of two commercial egg lecithin preparations (“P anJ
E”) differed considerably, although both samp'cs werc marked as “pure”.
0.5 cc of a 1/1000 diiution of kdthm “E” neutralized completely the sta-
I>hylo^c<ddal activity of 0.5 cc of a 1/10000 Na anac. solution, whereas the inhi-
bition caused by lecithin "P” under the sanie condition was only partial (*•).
(•) The lest with anthrax bacilli gave in general the same result as the test with
«taphylococci.
(*•) The lecithin ennilsions were prepared from a 1% stock sol. in alcohol, by adding
Physiol. saline solution. A control test with the same anwunt of alcohol as containcd in
the I/lOOO lecithin-emulsicn did not show any interference with the bactericidal activity
ff Na anac.
17
•86
BIOLOGICAL PROPERTIES OF AXACARDIC ACID (O-PEXTA-
DECADIEXYL-SALICi LIC ACID) AXD RELATED COMPOUXDS
An analogous result was obtained, using instead of egg lecithin, autolysates
■of gram-positive germs (Staphylococci) or gram-negative baaeria (coH bacüli).
The inhibiting action of lecithin can also be easilj- demonstrated by the han-
ging drop niethod. Motile grani-positive bacilli, suspended ’in lecithin -j- an
otherwise iniobilizing concentration ot Xa anac, remain motile for many hours.
Pus, from an acute phlegnione, containing numerous leucocj^tes and staphy-
lococci, did not diminish appreciably the sterilizing power of a 1/200 solution of
Xa anac.
Rclaiion beízvcen chcmical structure and antibacteríal acthily
(cf. Table Xo. V) (•)
\'arious structural factors seem to influence the bactericidal activity of ana-
cardic acid.
Salicylic acid^ which possesses the same aromatic nuckus, with the carbo-
xyl and the hydroxyl groups in identical positions as anacardic acid, but no alkyl
radical, is devoid of the specific activity of anacardic acid. Linoleic and ricino-
leic acid. that are similar to anacardic acid in the structure of the side chain. but
which do not contain the aromatic nucleus, display a similar activity, though to
a definitely lesser degree. It can be concludcd tfiercfrom that coexistence of
an aromatic nuc/cus and a long aliphatic sidc-chaht is indispcnsable for the high
bactericidal activity of anacardic acid.
The saturation of the side-chain does not seem to be of ^cial significance,
sincc the tetrahydro-anarcadic acid and its sodium salt possess only a slightly lower
activity than the unsaturated compounds.
There exists. however, one striking differencc bctween the saturated and the
unsaturated compounds, which we are at a loss to explain satisfactorily. Whe-
reas anacardic acid and sodium anacardate display full activit)- in liquid as wcll
as in solid media, the saturated products act only in liquid media. Even cr}’stal-
line sodium tetrahydro-anacardate. when placed in the centre of an inoculated
agar dish. does not prevent the growth of staphylococci up to the very border of
the substanct. This cannot be due only to a low diffusion of this substance:
Crystalline Xa tetrahydro-anacardate was placed in the centre of a sterile agar
dish and alloweil to diffuse into the surroundig gel during 24 hours at 37°: only
after this interval the whole agar dish was inoculated with a suspension of sta-
phylococcí. Even then, not the slightest inhibition of bacterial growth could be
noticecl. In striking contrast to this observation is the fact tlut this subs-
(•) Cf. F. Eichbaum. H. Hauptmann. H. RothKhild. l.c.
IS
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mim. Injt. Batantan,
•»: 69 - 134 , 1946 .
F. \V. EICHBAUM
87
^ce, in waterj' solution, has about the same high bacteriridal titre aj the unsa-
biratcd analogon.
In order to analvse the special iniportance oí the free hydro.xjl group in the
«■omatic nucleus, we tested the derivatives, in which the hjxlrogen o{ these groups
"■3» aubstituted.
Three types of conipouncU are possible: one. in which the hydrogen oí the
Phenolic hydroxyl was substituted (inethylether of anacardiac acid = 2 metoj^-
6 ptntadecadienyl benzoic acid) ; a second, in which the hydrogen of the car- ,
l«xy! group was substituted (ethyl anacardate) ; a third, iu which botli hydroxyls
Mtre substituted (2 metoxy — 2 — pentadecadienyl methylbenzoate).
The conipiarison of the bactericidal activity of the various substances enu-
'ncrated in Table No. \' shows tliat the etherifkation of the phenolic hydroxyl-
Kroup has little influence on the acti\nty, since the sodiuni sait of the methylether
^^ns a bactericitlal power only slightly inferior to anacardic acid. Neither does
lhe esterification of the carbo.xylgroup lead to a complete extinction of the ger-
•nicidal activity. On the other hand, the simultancous substitution of both hydro-
Sfns renders the compounds almost inactive. Corresponding results liave been
obtained with tetrahydro-anacardic acid, although the niethylation of the plienolic
hydroxyl group seems to diminish much more the activity of this substance than
's the case with the non-hydrogenated acid.
The inactivation oí anacardic acid by introduction of two methyl groups into
lhe phenol and carboxyl group, respectivcly, is not restricted to tlie bactericidal
»ctinty alone. As will be sliown later, anacardic acid inhibits aiso the plasma coa-
rilating activity of certain snake venoms; the same holds tnie for tetrahydroa-
Uâcardic acid, whercas the dimethyl-products are dea'oid of any toxin destroying
*ctivity.
All these products show, apart from quantitative differences, the same spe-
cif'city of their antibacterial power, which s directed {iriiKijalIy against gram
Positive germs ; in ai! instances, the bactericidal activity was rcduccd in the pre-
•«ice of either serum or lecithin.
Three more products, not included in table N° \' sliould lie mentioned herc.
1 . An addition-product of sodium anacardate and sulfanilamide, which
*howed exclusively the characteristics of the anionic detergcnt and whose action
*n-vitro, was not inhibited by p-amino-benzoic acid. The produet did not revea!
3ny chemotherapeutic activity against a virulent strain cf hemolnic streptococei (•). (*)
(*) Experiments on mice. >
1?
88
BIOLOGICAL PROPERTIES OF AXACARDIC ACID (O-PENTA-
DECADIEXYL-SALIOLIC ACID) AND RELATED COMPOUNDS
2. Copperanacardate (* (••) ). The recently prepared substance is highly so-l
luble in lipoid solvents (ether, acetone, petrolether, chloroform). The agedl
salts, even a few hours after the preparation, become absolutely insoluble in eitheri
water or lipoid solvents. An emulsion prepared from the acetone solutiool
showed a high bactericidal power against both gram-positive and gram-negativel
germs, the latter acti^nty being probablj' due to the dissociation of oügodj-namicallyl
active copper ions. The bactericidal power against the gram-positive germs wasl
stronger than against the gram-negative ones; this shows that the antibacterial I
activity is not due only to the presence oi Copper ions, which act mainly on thel
gram-negative bactéria (Xeisser and Eichbaum). The growth of molds was notl
inhibited by Copperanacardate.
3. Silveranacardate, (*) which is soluble only as a complex in ammonia,!
show.-. like the coppersalt, a high activitj* against both gram-postive and gram-l
negative bactéria. In part, this actirity might be due to the high alkalinity of the|
substance.
Table Xo. V
(pag. 89/90)
Bactfricidal action of anacardic aoid and related compounds (••) against Stafhylococcus
haemolyticHS awreus.
Tcchnique — Each substance (Xo. 1-20) was tested in 5 Progressive dilutions ,
(1:100 — 1:1,000,000) which were made up with phj-siologic saline. 1 cc of each
dilution remained in contact with 1 cc of a staphylococcal suspension, for 15’ at
room temperature.
Then 0.1 cc was withdrawn from each tube and tranferred to a Petri dish
wherc it was mixed immediately with liquefied_ agar (4CP). The solidified agar
dishes were placed into the incubator at 37®; after 48 hours the grown colonies
were counted and the results were registered, as íollows:
O sterility
-f- wcak growth
-f-f médium growth
4 — I — h fui! growth (equal to the control)
Each series of tested substances included "õne control tube, which contained |
1 cc of saline solution -f- 1 cc of staphylococcal suspension.
(•) Details on the interesting physico-chemical properties of theje substances wili bc |
described elsewhere by H. Hauptmann and H. Rothschild.
(••) The “Cardo!" mentioned in the following table was obtainable only in an impute |
form and contained certainly still a high percentage of anacardol.
20
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
2 3 4 5 6 7
9 iqSCÍELO ;l4 15 16 17 18 19 20 21 22 23
lajt. Butant^n.
1946.
F. \V. EICHBAUM
91
The test strain, used in these experiments, was an hemol)rtic coagulase-
Positive staphylococcus (aureus) which had been isolated recently from an abscess
(Strain G 7 of our coUection). The average number of staphylococci in the
suspension” amounted to 200000 genns per 1 cx:).
Discussion — The alkali salts of anacardic acid can be classified as anionic
<l«crgents since thej' possess the characteristic hydrophobe and hydrophile groups,
active part being located in the anionic complex. Accordingly, they show the
^racteristies common to all anionic detergents (**) : high surface acti\nt)’, emul-
sifyin^ power, bacteriddal actidty directed especiallà against gram-positive germs,
*oxin-destroying activitj', specific inhibition bj‘ phospholipids. It is interesting
lo note that other surface-active agents with high bacteriddal activity like gra-
‘Hicidin and certain toxic wbeat proteins are equally inactivated in the presence
phosphdipids (Dubos). Dubos holds that the phospholipids exert a “protec-
bve action on the cell surface, perhaps at the very sites where the toxic agent
'*oul(i otherwise become absorbed.” The same phenomenon takes place, however,
m a cell free médium as well : the toxin-destrojnng action of anacardic acid, rici-
Holtate and other detergents is spedfically inhibited by ledthin, and this only when
and ledthin are exposcd simultaneously to the adion of the detergent^ or if
attd the detergent are mixed together and the toxin is added aftenvards.
houezvr, toxin and detergent are mixed together and ledthin is added shortly
*^fteru’ards, the atoxie complex (toxin-detergent) is not dissodated (***). This
in our opinion, in favor of a physico-chemical union between Iccithin and
^ detergent, without the interference of on absorbing ccllreceptor.
The resistance of gram-negative bactéria against gramiddin, etc. can be ex-
P^ined. after Dubos. in a similar way, “as these microorganisms produce certain
|i**tabolic Products, rich in phospholipids, which behaved as extremely active
'iihibitors of gramicidin. In mixed cultures of gram-positive and gram-negative
the latter suppressed the action of gramiddin on the otherwise very sensi-
microorganisms.” The anacardates. which have chemically no relation to
polj-peptide gramiddin, behave in a different way, sirKe their activity on gram-
P®**l>ve germs remains unimpaired even in the presence of great amounts of gram-
’*^tive bactéria. Autolysates of dense bacterial suspensions of either gram-
P®*'live (staphyiococd) or gram negative-bacteria (B. coli) are of cqual potency
lo their inhibiting power on the bactericidal action of the anacardates.
(**) Amoiig the anionic detergents derived from straight chain alkyl compounds, those
12-16 C atoms in the aliphatic chain pro>-ed to be inost actis-c (Baker, Harrison, Miller).
f***) Further details cf. the next paper.
92
BIOLOGICAL PROPERTIES OF AXACARDIC ACID (aPEXTA-
DECADIEXVL-SALICiLlC ACID) AXD RELATED COMPOLXDS
Xunierous plants, belonging to \-arious families, produce substances with *j
structure similar to anacardic acid and cardol. From a medicai point oi view’
the most importam among them is urushiol (“poison ivy” from Rhus toxico-^
OH
y\OH
I I
dendron) \/Ci 5 H- 7 , the substance responsible for man}- cases of toxi
dermatitis. A similar skin-irritating effect has been obser^ed wdth Bhilawan
(from Semicarpus anacardium), which is chemically identical with urushiol ÍGoldj
smith). To our knowledge, bactericidal and other biological tesís with Urushi
Bhilawanol, etc., have not been performed so far, though the resemblance of thes^
substances to anacardic acid and cardol, would suggest a similar biological activi:
Keil and others found in persons sensitive to poison iv}’ a cross-reaction witl^
cashew (raw) oil, cardol, anacardic acid, anacardol and cardanol; the incidencfj
and intensity of group reactions were definitely less with the hydrogenated prO",
ducts, such as tetrahydrocardol, tetrohydro-anacardic acid and tetrahydro-anacard
Hex}'lrcsorcinol gave no group reaction. In our own experiments on normal
individuais, we could not observe any dermatitis-producing effect, e%’en aíter a
repeated treatment with 1 — 2Ço ointments of sodium anacardate or cashew nut
oil- (•).
Among other substances of similar Chemical structure two more should b^
enumerated here; pelandjauic acid CnHsiCcHjOHCOaH (from the tree Pentas*,
padon Motleyi Hook) which possesses 2 Carbon atoms more than anacardic acid
and 3 geranyl catechol
OH
/\OH
I i
\/CH2 CH = C — CHo
I
CHj
— CHj _ CH = C
CH,
\
CH,
All these substances have been known for their skin irritating activity, whicb
secms in part due to the OH groups in the ring (Sizer and Prokosch).
Surface active substances with bactericidal activity have also been isolated
from lower plants siKh as certain fractions of pyocyanase (Psiudomonas acnP;
ginosa: Birch-Hirschfeld), and gramicidin and tyroddin fron» Imc. brevis.
cording to Herrell, gramicklin “appcnred to behave somewhat as an anioi”^
detergent” which does not prevent its destruction by other anionic or cations-
(*) Raw cashew nutshell liquid, whcn left in contact with the skin surface úiiritt
1 hour, produces a servere dermatitis aftcr a 24 hour’s inters-al.
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
Míin- Init. BaUatan.
1*:W-134, 1946.
F. \V. EICHBAUM
9Í
detergents. It has in common with other anionic detergents the spedfic action
®gainst gram positive bactéria and the inactiration by serum and phospholipids.
On the other hand. tyrocidin acts more like a cationic detergent. “The mode
ot action of gramicidin and tjTOcidin may diífer in degree or kind and inay
!n%-olve difíerent combinations oí interíerence with normal cellular metabolism,
fiowever there seems little doubt that both substances behave biologically in a
^•^ner similar to that of certain detergents” (Herrell).
.ABSTRACT
The sodium salt of anacardic acid, one of the main constituents of Cashcw
•^ut oil. belongs to the most active anionic detergents. Apart from its high sta-
Phylococcidal power, equalled by few members of this group, it is also very active-
“gainst other gram-positive bactéria up to dilutions var>ing from 1/200000 —
V2000000, at a contact time of 15’. Amongst the gram-negative germs gono-
cocei and meningococei are highly sensitive to Xa anacardate; to a lesser degree-
Bnicellae. Pasteurellae and Influenza bacilli. The only sensitive germs^
^*w>nst the Enterobacteriaceae are the proteus bacilli which, being more resistant
than gram-positive bactéria, are killed only by higher concentrations (1/200 —
y2000), whereas weaker concentrations suppress only the growth of the íf
*onns. Tubercle bacilli are less sensitive than other gram-positive bactéria, but
*fwy (jie also after a 30 minutes’ contact with a 1/100000 soiution (human strain-
^tti; a bovine strain proved to be somewhat more resistant). The Spirochaeta
?*-l;na.-um is highly sensitive. Yeasts and molds, with few exceptions, are very
resistant. Tlie vegetative forms of anacrobic bacilli are readily k-illed ; the spores
Cl. septicum and Cl. tetani survive even a prolonged contact (1 hour) with a
^TOO soiution, whereas the spores of Cl. perfringens and of acrobic baciilL
(anthra.x) are rather sensitive. Proteins (sertmi) reduce the bactericidal activity
Xa anacardate, pus only slightly. Similarly, lecithin and concentrated autoly-
‘®te5 from gram-positive as well as gram-negative bactéria lowcr the bactericidal
P^^^er of Xa anacardate. Experiments on animais (mice) did not rcveal any-
rlicnictlierapeutic activity of sodium anacardate. The bactericidal activity of Xa,
anacanlate is 'argely independem of the actual pH, which might be explaincd
the probablc presence of undissociated anacardic acid even in (weakly) alkalinc
*^mtions.
18 subproduets of anacardic acid and Cardol werc studied and comparcd as.
their bactericidal power. It could be shown that ncither the saturation of the
*<de chain, nor the etherification of the phenolic group, nor the csterification of'
carbo.xylic group, abolish the germicidal activity of anacardic acid. This cani
^ achieved only by simultaneous substitution of both hydrogens at the ring.
• 94 BIOLOGICAL PROPERTIES OF A.VACARDIC ACID (O-PEXTA-
DECADIENYL-SALICYLIC ACID) AND RELATED COMPOfXDS
The high bactericidal activity of anacardic acid seems related to the coexis-
tence of an aromatic nucleus and a long aliphatic side chain. The relation lietween
anacardic acid, cirdol and similar substances of vegetal origin (Urushiol, Bhi-
lawanol, Pelandjauic acid etc.) is discussed.
RESUMO
O sal de sódio do ácido anacárdico, um dos constituintes principais do oleo
de cajú, pertence ao grupo dos detergentes aniônicos mais ativos. Além de seu
alto poder antiestafilocócico, igualado por poucos membros deste grupo, êle é
também ativo contra outras bactérias gram-positivas, com um tempo de 15 mi-
nutos de contacto, até diluições que variem de 1/200000 a 1/2000000. Entre
os germes gram-negativos, os gonococos e meningococos são altamente sensiveis
ao anacardato de sódio e, em menor gráu, também as Brucelas, Pasteurelas e
bacilos da influenza. Entre as Enterobactériaceas os únicos sensíveis são os bacilos
Proteus ; êles são mais resistentes do que as bactérias gram-<positi\’as e só morrem
■em concentrações mais altas de anacardato sódico (l,/200 a 1/2000) enquanto que
concentrações mais fracas somente suprimem o crescimento das formas H. Os ba-
cilos da tuberculose são menos sensiveis do que outras bactérias gram-positivas,
mas morrem também depois de 30 minutos em contacto com uma solução a 1/100000
(raça Ratti humana; uma raça bovina mostrou-se um pouco mais resistente). O
Spirochacta gallínarum é altamente sensível. Leveduras e bolores, com poucas ex-
ceções. são muito resistentes. As formas vegetativas dos bacilos anaeróbios morrem
prontamente: os esporos de Q. septicum e Q. tetani sobrevivem a um contacto
prolongado (1 hora) com uma solução a 1/100, enquanto que os esporos de O-
perfringens e de bacilos aeróbios (antrax) são mais sensiveis. As proteinas
(do sõro) reduzem a atividade liactericida do anacardato de sódio e o pus só reduz
fracamente. Do mesmo modo, lecitina e autolizados concentrados, tanto de luc-
térias gram-negativas como positivai, abaixam a atividade bactericida do anacar-
■dato de sóflio.
As e.xperiéncias em animais (camundongos) não revelaram qualquer atividade
•quimiotcrápica do anacardato de sódio. Sua atividade bactericida é largamentc
indqiendente do pH o que pode ser explicado pela prorável presença de ácido
miarárdico não dissociado mesmo em soluções (fracamente) alcalinas.
Foram estudados 18 subprodutos do ácido anacárdico e do Cardol, bem
como comparadas suas atividades bactericidas. Tanto a saturação da cadeia
J26
Mna. Inst. Batantan.
1»:Í9-I34, 1946.
F. W. EICHBAUM
95
ateral. como a eterificaqão do grupo fenólico ou a esteriticaçao do pupo carbo-
xii;co, não puderam abolir a atividade germicida do ácido anacárdico. Isto so
loi conseguido pela substituição simultânea de ambos os átomos de hidrogênio
do mic'eo.
A alta atividade bactericida do ácido anacárdico parece estar ligada a coexis-
tência na molécula de um núcleo aromático e de uma longa cadeia lateral alifatica.
A relação entre ácido anacárdico, cardol e substâncias similares de origem vegetal
(Urushiol, Bhilawanol, ácido Pelandjauko, etc.) é discutida.
AchnoxvUdgements - I to express my gratitude to prof. H. Hau^mam and to
Mi» H. Rothschild o{ the Chemical Department of the Faculdade de Filosofia. Ciências e
Letras, São Paulo, for the laborious preparatioci of most of the mentioned produets and for
«any «luable suggestions that have stimulated th» ts-ork. I am equally indebted to Dr
H. Qeich and Miss B. Schu,-arzaid for the preparation of another part of the enum^ted
«Wipounds. I aiso vásh to thank Prof. R. Wasicfcy of the Faculdade de Farmacia e Odon-
tologia. São Paulo, for the encouraging interest he has taken in this study.
refere KCES
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last. Bntastao.
1946.
F. W. EICHBAUM
97
biological PROPERTIES OF ANACARDIC ACID (O-PEXTA-
DECADIENYL-SALICYLIC ACID) AND RELATED COMPOUNDS
BY F. W. EICHBAUM
(From the Departrmnt of Microbiology of the Escola Paulista dt Medicina
and lhe Department of Immunology of the Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil)
PART II
Aí>TI-EXzYMATIC and AXTITOXIC ACTIOX of ANACARDIC ACID AND DERTVAmTS
It has been shown in the previous paper, that Na anacardate belongs to the
®05t potent anion;c detergents, as far as its baaericidal activity is concerned.
^ spedfic antibacterial activity of these substances is exp’ained by the obser-
'ition of Baker, Harrison and Miller that the synthetic detergents inh bit selec-
'"■rfy the metabolism of gram-positive bacter.'a, whereas gram-negative bactéria
not interfered with (*).
The anti-enzymatic acti%'it}' of anionic detergents is not only restrictfd to lhe
•nhibition of respiratorj- and glycolj-tic ferments of bactéria, but has becn obscr-
'^'d also with other enzymatic systems. Fogelson and Shoch describe the pepsin
’^®iaturating power of Sodiumalkylsulfate, which they recommend as a new thc-
*^Peutic substance for the control of gastric ulcers. McFarlane and Knight
“'«ntion the inacth-ation of perfringens lecithinase by surface denaturation and
*®diumdodecyIsulfate. Finally, the destruction of bacterial toxins and animal
''^oioms (Larson et aJ.) by anionic detergents m!ght be compared to the anti-
*”^'niatic activity, since there exist many analogics between the mode of action
certain venoms and toxins on the one hand and trj^ptic ferments on the other.
The foHowing paper deals with the action íw vitro of anacardic add and
*^**ted substances on catalase. peroxidase, gastric pepsin, tr>-psin (pincreatin),
***^6 venoms, tetanus toxin, diphtheria toxin, perfringens ledthinase.
f*) The only exception u-ithin the group of gram-negative bactéria is the protens
^••üs which was inhibited by Tcrgitol 7. In a similar way, the proteus bacillns was.
the Entereobacteriaceae, the only germ sensitive to anacardic acid. Other gram-ne-
genera such as Neisseria, Pasteurella, which also proved to be sensitive to ana-
acid, were not tested in Balcer’s et al. experiments.
Ríceived for publication in 16/2/5)46.
29
98 BIOLOGICAL PROPERTIES OF AXACARDIC ACID (O PEXTA-
DECADIESYL-SALICTLIC AQD) AXD RELATED COMPOCXDS
Experimental
1 . Caialases and peroxidases
0.2 cc of a 1^0 Na anac (*) solution were added to a 24 hour glucose farotltl
culture of hemolytic Staphylococci. After 15’ contact, 1 cc of a 3^o solutiotf I
was added to the culture. After a short interval, small bubbles appeared an<l|
formed a foam on the surface of the broth.
Although Sodium anacardate, in the concentration used, kills the staphy',!
lococci, with certainty after a few seconds, catalase is not destroyed. Similarji |
the catalase and peroxydases in plant tissue are not destroyed by Xa anac :
Small slices of a freshly cut potato were immersed for 15’ into a Ifi X* I
anac solution; after addition of H 2 O 2 . abundant formation of gas bubbles cou'ií;‘|
be observed; on further additions of benzidin in acetic acid, the color of th<l
slices turned blue (peroxydase). In an other experiment, the potato cube*]
remaincd immersed in a Ift Xa anac solution for 1 hour. After careful wa ,-hii<j|
with destilled tvater, they were put into a 3Çc HjOi solution or into a mixture ot I
H202-benzidin-acetic acid. Even so, the catalase and the peroxydase fcrmentíl|
remained intact.
2. Gastric Pepsin
Fibrin threads from rabbit blood were dyed in an ammoniacal carmin soltt*
tion and suspended in an acid solution of pepsin (“Poulenc” — 500 mg/cc)
which various arnounts of Xa anac were added. The colour produced in th* |
solution and the gradual dissolution of the fibrin were checked during a 24 houts
incubation at 45® (Gruetzncr’s method cf. U. S. Dispensatory 23 ed. p. 829).
Residt : The degree of digestion was the same for the control tiiW 1
(Pepsin + HO) and for the test tubes wich contained in addition 1/300, l/300ft
1/30000 Xa anac Solutions, respectively : Gastric pepsin is not destroyed bí]
Sodium anacardate.
3 . T rypsin
a. 50 mg of commercial pancreatine (“Endochimica”) were suspended i®
100 cc destilled water, vigorously shaken for 3’ and poured into a glass cylindef-
Wlien after half an hour’s interval the coarse particles had settled, 50 cc of th<
supernatant fluid were decanted and used in the experiment. b. preparation
sodium caseinate: To 100 mg Sodium caseinate ("Meister, Lucius and Brueniní'
Hoechst”) 100 cc of destilled water and 2 cc of a n/10 NaOH were adde<b
(*) “Na anac” is short for Sodium anacardate.
30
cm
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Inst. BuUntai^
1946.
F. W. EICHBAUM
99
Ia order to promote the ready diisolution of the caseinate, the liquid was put
a water bath for 1/2 hour at 37*; aíter that, the opalescent fluid was
Illtered through coarse filter paper. c. "Reagent”: Glacial acetic add 1.0;
9.0; Alcohol 10,0.
Test: to a series of 14 tubcs, containing a mixture of Xa caseinate, trypsin,
Xa anac, as indicated in the fcdlowing table n.° I, 25 drops of the “reagent”
'■«re added, after 60 minutes’ contact at 40°. 'fhe “reagent” precipitates the
“^-digested caseinate; the completely digested Solutions remain dear. Some
'Hlliculty in the reading of the results was encountcred in the tubes which con-
*^ned Xa anacardate, since the addition of the add reagent causes the forma-
hon of water-insoluble anacardic add, and hence a homogenous turbidity of
liquid. ^\’hen the tubes remained for two hours at room temperature,
^ even as long as 24 hours, anacardic acid proved to give a staWe suspension,
practically formed no sediment; on the other hand, the undigested casein
l^lcd with the add reagent formed a hea\y precipitate which after two hours
^ almost completely settled to the bottom, leadng a clear supematant fluid.
Table Xo. I
^••Aítiíion of the tryptic power of pancreatin toteard sodium easeinate, tn presence
Rtúdimçt:
0 =3 of precipitate (toUl difcstion of caaein)
+ = «reak precipitate
<4* + ~ mediuia precipitate
+4-+ =* ftrotif precipitate
-f— ^+4* =* heary precipitate (complete absence of difcation).
^ Afttf addition of the •reafent*.
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100
niOLOGICAL PROPERTIES OF A.VACARD1C ACID (O-PEXTA-
DECADIENYL-SALICTLIC ACID) AXD RELATED COMPOCXDS
RcsuU : This experiment shows that 1 cc of a 1/100 sol. of Sodium ana-
cardate in a total volume of 10 cc, corresponding to a 1/1000 dilution, inhibiti
completely tlie digestion of casein by trypsín. The inhibition by a 1/10000 diln*
tion of anacardic acid is alniost complete, by a 1/100000 dilution only weak.
Tlie tn-psin inhibiting power of Sodium iinoleate and ricinoleate, tested i®
the same way, was found to be inferior to the activity of the anacardium salt-
Even the strongest concentration (1/1000) of Sodium Iinoleate or ricinoleatí
caused only a partial inhibition (++) of the trypsin digesting power of paO"
creatic trypsin.
Inactivation of coagulants by Na anacardatc
The trypsin inactivating power of sodium anacardate can also be demons*
trated by the destruction of the coagulating activity of trypsin on blood plasni*^
Other coagulating agents such as snake venoms (Bothrops airox, Bothrops jarO’
raca, Crotalus lerrificus tcrrificus) and thrombin, are likewise inhibited by N®
anacardate and, to a weaker degree, by some other anionic detergents, whereai
ihrom.boplastin displays its full activity even in presence of high anacardate con*
centrations.
This difference between thromboplastin on the one hand and the other
mentioncd coagulants on the other, is explained by the fact that phospholipid»
inhibit not only the bactericidal power, but apparently also the antitrj-ptic power
of the anionic detergents. Since thromboplastin (from rabbit brain) consists
mainly of phospholipids, the specific action of anacardic acid is neutralized by
th's substance.
Mcllwds — The various coagulant reagents were tested in Progressive dilu*
tions (1/2, l/4,^l/8) using as diluting menstruum: 1) physiologic saline solu*
tion (contro's) and 2) various dilutions of Xa anacardate or other anionic de-
tergents. which also had been prepared with physiologic saline.
0 2 cc of the various “coagulant dilutions” were rapidly blown into a small
•st tube (5 cm/5 mm) containing 0.2 cc of oxalated rabbits plasma (2 cc M/lO
Na oxalate for each 20 cc of total blood). Coagulation was checked for three
minutes, during which time the tubes were constantly moved, allowing the liquiá
to run in a constant flow along the walls of the tube. The first appearence of ®
coagulum was considered as “coagulation time”. When after 3’ no coaguluutn
had formed, the coagulation time was marked as ao, although in many instance*
coagulation took place after 5, 10 or even 30 minutes and more.
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•W3U.Y
^«3- Inn. Batanla*!,
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101
Coagulant r&agents:
in phy 5 Ío!ogic saline.
1 - a 1 Voo soluíion oi venoni oi Bothrops jararaca
2. a IVoo sol. oí venom oí Bothrops atrox.
3. a IVoo sol. oi venom oí Crotalus terrifu-us.
4. a “F. S.” (full strength) thrombin solution, prepared aceording to
Quick-s method. In order to avoid the formafon of calcium anacardates with
low solubility, the calcium used in the preparation oí thrombin (0.8 cc m/10 Ca
Clj for 16 cc oí the thrombin solution) was removed by adding an excess of
^■a oxalate (1 cc oí a m/10 Xa oxalate sol.), .\fter centrifugation the superna-
^^t liquid was used as “decalcified thrombin F. S.).
5. a thromboplastin sol., prepared aceording to Quick’s method.
6. a 0.5% solution oí cystalline trypsin (prepared from Konhrop’s Mg
SOi trypsin, 100 mg of which had been dissoived in 20 cc of n/100 HCl solu-
bon and which were dialyzed for 48 hours agaimt n/100 HQ). The dialyzed so-
*«tion was neutralized with XaOH and fütered. The ready so‘ut on was mar-
^fd as 0.5% tiypsin solution.
Table Xo. II
of the coagulating fouer of snake zenoms, Thrombin and Trypsin by Sodtum
anacardale, Sodium linoleale and Sodium ricinoUate
Coagulation time with
Mcnstruum
Venom Botkroft
jararaca 1 me/cc
1/2
ulioe
X
» »nae. l/lOOO
* »o«. I/SOOO
X’»
»»«. 1/10000
'» »n»c. 1/30000
•'* »n*c. 1/50000
X»
»n»c. 1/100000
linoleate 1/100
linoleate 1/500
® • •• i n ra rícinoleate
>/100
^ 9 d i u m rícinoleate
l/soo
^ 9 d i n m rícinoleate
1/1000
38*
1/4 I 1/8
Venom Botkrofs
alroí 1 nw/ec
1/4
1/8
20 ”
28”
Decalcitied
Thmmbin F. S.
1/2
1/5 1/10
Trypain
5 mg/cc
1/2
16”
— 20 ”
31”
31’
15”
29”
54”
57’
71”
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102 BIOLOGICAL PROPERTIE5 OF AXACVRDIC ACID (aPEXTA-
DECADIEXYL-SALICYLIC ACID) AXD RELATED COMPOUXDS
Rcsult — The foregoing table Xo. II and graph No. I show the strong inhi-
biting action of Na anacardate on various coagulants. The highest sensitiveness
towardí X'a anac was found with the venom oi Bothrops jararaca, which in a
1/8 dilutíon was inhibited even by a 1/30000 concentration of the detergent. So-
dium ünoleate and ricinoleate displayed only a weak anticoagulating activity.
Similar results were obtained with the venom of Crotalus tcrrificus (casca-
vel), though in this case the coagulase inhibiting activity of anacardic acid was
weaker than with the bothrops venoms and tiypsin. The coagulating action of
thromboplastin (from rabbit brain) is not inhibited even by high concentrations
(1/100) of the anacardates.
Graph Xo. I
InhibvlTion cj rtic coagulating povuci*
o[ venom ( Bolbrops atrox l by
ria anacardate at variout concentrations
/
tinic in seconds.
The hydrogenated product Xa tetrahydro-anacardate produces the same inac-
tivating effect as Xa anacardate, whereas dimethylanacardic acid, which had
no bacteric‘da! action either, proved to bc inactive against the coagulating frac-
tion of snake venoms.
34
lost. Balantan,
**:í9-1í4, 1946.
F. W. EICHBAUM
103
In the same way that lecithin inhibits the bactericidal action of thc anacar-
it also destroys their antitoxic (anticoagulating) acti^-ity. Other anionic
^ctergents such as Xa linoleate and Xa ricinoleate are inacti\-ated in the same
‘^ner. in presence of lecithin:
Table Xo. III
Scbstance
Tube Xo.
I.
II.
III.
IV.
V.
VI.
VII.
VIII.
IX.
of Bothrops (jararJ-
TetM>in 1 mc/oc ....
0.5
0.5
0.5
0.5
0.5
0.5
0.5
0.5
— re
^Tiicrfoc. saline solation .
1.0
0.5
0.5
0.5
—
—
0.5
1.0 "
of CCT Icdtbin 1/1000
—
—
—
—
0.5
0.5
0.5
0.5
0.5 *
X* anacardate 1/I00<)
—
0.5
—
—
0.5
—
_ •
Xa Uoolcate 1/100 ..
—
—
0.5
—
0.5
•
Xa rídiM^eate 1/lCO
—
—
—
0.5
—
—
0.5
—
— "
írwa each tnbe 0.2 cc ar
e transf
erred in
to 0.2 cc of 03
ulated 1
'abbit p
Ja^ma.
^^•CoUtioií time
30"
X
50'
IW"
30"
54"
64"
50’
X
This inhibition by lecithin takes place, however, only when the reactivcs are
”’**cd in the following order: Venom (trj-psin) - lecithin-dctcrgcnt (anacarda-
linoleate, etc.).. When the order is invertcd to: vcnom-dclcrgcnl-lccithin, the-
is little or no inhibition of the antitoxic (anticoagulating) action.
Ferguson and Erickson have shown that trypsin nceds small quantities of
'^^nized calcium in order to display its full activity. It might be supposed, there-
that the addition of anacardates (•), resulting in the formation of little
'^issoaable Ca salts, could be responsible for the lack of coagulation in the mix-
tiypsin-Ca-anacardatc-plasma. The specific lecithin inhibition, depending on-
the
order of mixturc of the reactives, affords a method of solving th:s problemi
(*) Xa anacardate by itself, when added to liquid blood, does not tnflucnce the spon-
'**’*0'« coagulation.
35 .
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IfH
J 6
BIOLOGICAL PROPERTIES OF AXACARDIC ACID (O-PEXTA-
DECADIEXVE SALICTLIC ACID) AXD REtATED COMPOUXDS
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Mfe. lojt. Dotantan,
•*.69-IJ4, 1946.
F. W. EICHB.\UM
105
Resiills — a) the coagulation of olasma by trypàin (=120” — tube 1) is
*<^<^lerated in presence of lecithin (=94” — tul>e 2).
b) Xa anacardate inhibits the coagulating act;on of tr\-psin ( = x. tube
^and8).
c) The addition of ledthin in the order:
Trypsin-lecithin + \a anac-CaGj abolishes the inhibiting action of Xa anac.
coagulation i.s even more acccleratcd (= 38” — tube 6), and this in spite of
* ccrtain disionization of the CaQ« in the mixture Xa anac — CaCk This proves
that the inhibiting action of Na anac ou trypsin + CaCÍ 2 (tube 8) is due to a di-
interaction between the detergent and the enzjme without interference of
the Ca.
d) A similar result to that in tube 6 is obtained in tube 7, where the lecithin
mixed directly with the Xa anac solution and only afterwards added to the
trypsin — CaQs mixture.
e) on the other hand, tube 4 shows that lecithin does not dissociate the coni-
tiypsin-Na anac, when the reactives are mixed in the order:
{Trypsin — Na anac) + {Lecithin — Ca Clt) '.coagulation time oo
Compare with this result, that of tube 6 with inverted order of reagents;
{Trypsin — Lecithin) + {Na anac — Ca Cl, ) : coagulation time 38"
This means tliat the affinity of Xa anac to lecithin is greater ihan to trypsin,
*her, both substances are exjjosed simultaneously to the action of the detergent.
Perfringens — Iccithinase
A 1/1000 solution of Sodium anacardate inhibits compietcly the lecith-nase
‘‘ctivity of 1 I.ií of perfringens toxin, as shown by the following experiments:
Tabix Xo. V
Tub«
Perfrinf «ns
tOXÍQ
1 L i5f/cc
Sodium anac^r*
date
Efff lecithin
CfQuUion
Result:
I„ecithtna«e
1
0.S cc
l/IOO
0,5 cc
1/2 bour*!
0,5 cc
1/2 boor's
0
2
0,5 ce
1/500
0,5 cc
ccmtact at
0,5 cc
contact at
0
3
0,5 ec
I/lOOO
0,5 cc
room tem-
0.5 cc
50*
0
4
0,5 ec
1/2500
0,5 cc
petature.
0,5 cc
5
0,5 cc
1/5000
0,5 cc
0,5 cc
+
6
0,5 cc
1/10000
0,5 cc
0,5 cc
+
7
0,5 cc
Phys. aalioe
0,5 cc
0,5 cc
+
37
cm
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106
BIOLOGICAL PROPERTIES OF AXACARDIC ACID (O-PEXTA-
DECADIEXYL-SALIC^LIC ACID) AXD RELATED COMPOUXDS
Discussioii
Our negative rcsults concerning the action oi -anacardic acid on oxidizing;!
ferments and pepsin seem to be in conflict with the findings made by Baker,
Harrison and Miller in other detergents. It should be bome in mind, however,
that our experinients were performed in complex media, possibly containing so-
me inhibiting factors, which were absent under the more rigorous working con-
ditions in the experiments of the authors mentioned. On the other hand, the
difference between "staphylococddal action” and the “survi\-al” of catalase in
our own experiments points to a probable difference between the anti-enzymatic
activity of anacardic acid and the anionic detergents tested by Baker et ai.
The action in znvo of snakc venotns and bacterial toxins, previotisly inactivated
by Na anacardate
The in-vitro destruction of the coagulating power of certain snake venoms ied
to the attempt to determine whether their neurotoxic activity was equally aboli*
shed by treatment with anacardate Solutions. In a similar way, we also tested the
in fiz ’0 action of tetanus and diphtheria toxins which had been exposed, í« vitro,
to the action of Na anacardate for vaiying Icngths of time (^•).
1. Snake venoms: These experiments were performed on a total of 30 pi-
geons with a mcan weight of about 300 grams. The animais received, by intra~
venous route, the following substances: a) venom of Bothrops jararaca; b) so-
dium anacardate or sodium tetrahjxlro-anacardate ; c) a mixture of a) and b)-
The total volume of the injected substances amounted in each case to 2 cc. Phy-
siologic saline solution was used as diluting médium.
Resvlts — 1.) 0.25 mg — 1 mg of venom of Bothrops jararaca killed the
pigeons within j4’-3’ under violent clonic convulsions (**).
2. ) Sodium anacardate and sodium tetrahydro-anacardate. in quantities from
5 mg — 25 mg dissolved in 2 cc saline. were generally supportcd without any ge-
neral or local symptoms, whereas grcaicr aniounts (50 mg — 100 mg) provoked a
dcadly shock with symptonis not unlike the reaction caused by the venom proper.
3. ) 0.25 mg — 0.5 mg of snake \'enom were detoxicated almost immediately
by the addition of 5 mg Na anac (0.5 cc of a \^c sol.). Some of the animais
which had been injected with this mixture showed repeated vomiting, 5 — IS
minutes following the injection. In two cases the animais developed a paralysis
of the legs which, however, disappeared completely after 24 hours. Only onc,
(•) The pH of the watery \a anac. solution %-aried between 72 - 7 . 6 .
(••) 1 trg corresponds to about £0 M.L.D. (for the pigeon).
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Insf. BuUnuo,
I*:M-134, 1946.
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107
^ong 12 animais, died 30 minutes after the injeaion of a mixture oi 0.5 mg
'enom + 5 mg anacardate. Higher doses of venom (1 mg — 5mg) are also
<fctoxicated by the same anacardate doses (5 mg), but only when the contact
prolonged for several (2 — 5) days.
*1.) Presence of (horse) scrum partly abolished the detoxifying action of
anacardates.
5.) The detoxifying action of Na tetrahydroanacardate is inferior to that
non-hydrogenated product:
Tabls Xo. VI
Diluting medium
Vmocn jar»raca
Rcsult (intraTcnons
injcction in pígeont)
P%)’sioI. MÜne
0.25 ins
after 2 minutea
tetr&hydro-anac. .. 5 mc
0.25 mg
sunrives more than J daja
N'a anacardate 5
0.25 mg
after 55 minutes
(Time of contact bctwcen tl»c anacanlates az»d »nakc venotn: 60*).
6. ) Animais, injected twice — within a moiuh’s interval — with an atoxic
»>ixture of venom -r anacardate, remained fully sensitive to the action of snake
^om when injected after another month’s interval with 0.25 mg. venom, also
•tttravcnous route. Under lhe gizrn experimental conditions no antige$tic acti-
of the dctoxicatcd venotns cotdd be observed.
7. ) The intravenous injcction of 5 — 10 mgs oi Xa anacardate, did not
Ptotect the animais against the toxic aaion of a lethal dose of snake venom.
•"iected 2-10’ later
II. Tetanus toxin: Crude tetanus toxin containing 40000 MLD/cc was mi-
*^'l with equal amounts oi :i l^c solution of Xa anac: after varjdng intervals of
^lact at room temperature. the mixture was inoculated, bj* subaitaneous route,
’ttto guinea pigs. The following table shows the influence of contact time on the
*^^oxicating activity of Na anac towards tetanus toxin.
Tablb Xo. vii
Xo. of MDI* in
0,5 cc toxin
Diluting mediam
0,5 cc
Time of contact
fiatioi
Dead ^nimaU
Total No. of anisãals
MOOO
Diftilkd water
1 hoar
«■'8
20 000
Na anac. 1%
yí boor
8'8
20 000
Na anac. 1%
1 bonr
S/U
20 000
Na anac. 1%
1 54 ■ 2 boure
0/8
39
108
BIOLOGICAL PROPERTIES OF AXACARDIC ACID (O-PENTA-
DECADIENYL-SALICYLIC ACID) AND RELATED COMPOUXDS
Result — The forgoing table Xo. VII shows, that 20000 MLD of tetanuS;
toxin are detoxified within — 2 hours, by 0.5 cc of \% solution of Xa ana-l
cardate. In order to verify whether the detoxified toxin retains its antigenicitjf j
or not, 4 guinea pigs were each gÍYcn two injections, 14 days apart, of an atoxiC;l
inixture of 20000 MLD toxin and anacardate (inacti\-ation t me: 2 hours). Aí*
ter 3 more weeks 3 cc blood were withdrawn by cardial puncture from each ani-
mal : the pooled sera gave no protection to mice, which were injected with a mi*'
ture of 0.25 cc pooied serum + 8 MLD of tetanus toxin; serum and toxin had
remained in contact for 1 hour at room temperature before the injection. — The
tüxin-destroying power of Xa anacardate is diminished in the presence of nativ* j
serum.
III Diphthcria toxin: These experiments were performed on guinea pig* |
(250 — 300g) which received, by subcutaneous route, the toxins which had bec#
treated for a vaiying length of time with equal omounts of a 1% Na anac solo*]
tion.
Result — VVhereas 20000 MLD of tetanus toxin are inactivad by a -1
hours’ contact (at room temperature) with 0.5 cc of a 1% Xa anac solution, tb^l
detoxication of 1500 — 1750 MLD of diphtheria toxin takes 10 — 14 days, uif^jT
der the same experimental conditions. Small doses (3 MLD/cc) are already de*!
toxicated after a 30 minutes’ contact with equal amounts of a 1/1000 Na ana^
so’ution (*). Animais which survived the injection of 875 MLD of detoxicateí
toxin, proved 4 weeks later to be fully sensitive to the rc.njection of 44 MLD
diphtheria toxin. Prev‘ous anMtoxin titration in the sera of these animais tf
vealed no formation of antibodies. The toxin dcstroying power of Na anacardâ**
is dim’nished in the presence of nativc serum.
Conclusions — Sodium anacardate dcstroys, undcr the given experimcnt*^
conditions, the whole toxin complex of snake venoms as well as of bacterial toxin*'
there is no formation of anatoxin, or any other antigenically active product e.
, of the ‘‘kr>-ptotoxin” type.
DISCUSSOX
The toxin-destroying action of anionic detergcnts was dcscribed for the fiP*
time in 1923/24, by Larson et al. who found castor oil soap vcry effective again**
tetanus and diphtheria toxin, whereas botulinus toxin was very rcsistant to >•*
action. 01e'C. stearic, palmitic acid showed no detoxifj-ing action; other soaf*
(•) Since the subcutaneous injection of 1% Na anac. solution in guinea pigs oin*
pros-okcs tlic formation of small necroses, we had difficulty in deciding whether this
crosis was due to the toxin or to Na anac. Only after some cxperience did we learti
'listinguish the characteristic lesions causc<l by both substances.
40
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Inst. BaUntaâ.
•*:49-IJ4, 1946.
F. \V. EICHBAUM
109
as lauric. myristic and hendenoic acid saits etc. revealed some detoxifying
P®*er. but less than ricinoleate. Larson attributes to the surface activity of
soaps (reduction oí surface tension below 40 djTies) a special importance
for their detoxiíj-ing activity. Diphtheria and tetanus to.xin treated with ricino-
^t still contained, however, a residue of active toxin. This could be proved by
íact that small amounts of the toxin-soap mixture were innocuous, whereas
P^lcr amounts killed the animais, with tj^pical symptoms. When injected in
doses, the innocuous residues of active toxin were sufficirnt to provoke the
^Ormaticn of antibodies, which could be demonstrated tn vitro as well as i» v/vo.
^nnichael describes the destniction of rattlesnake venom by exposure to a twenty
^ cent ricinoleate solution for 8 — 24 hours. No reference is made to a possible
^''nunizing power of these deto.xified venoms. We might also mention in this
^Pcct the early experiments of Frazer (1898) who found an in vitro neutraliza-
^ of cobra venom by ox bile; he attributed to this substancé a real “antitoxic”"
'^ue with even certain curative qualities. As to the in vitro inactivation, all later
1*^estigators (Wehrmann, Vital Brazil, Calmette *) confirmed Frazer’s obser\a-
but none of them was ab!e to verify any therapeutic effect. Frazer tried
to separate the active fraction from the ox büe and he obtained, by predpi-
^tion w4th alcohol, an albuminoid substancé with ‘‘preventive” potency; nothing
tnentioned about the activity of the alcohol-soluble fraction, containing cho-
**l^in and bile saits ; esperially the latter, representing highly surface-active subs-
might act in a manner analogous to that of the detergents mentioned.
Larson’s experiments. which demonstrated an immuniz'ng action of the soap-
||*ated toxins. are in conflict with our rcsults, since we could not verify a simi-
^ *ction in bacteral toxins and snake venoms exposed to sodium anacardatc.
It has previously bcen showm that the antibacterial and anti-cnzymatic acti-
of anacardic acid is in the main identical with that of ricinoleic acid, with
^ differcnce that the former substancé is bv far the more potent. Larson’s fin-
ai
would therefore suggest, that a more careful dosage of Na anacardate —
^l^fficient to destroy the main part of the toxin, but leaving intact a smaller frac-
. ’ *dequatc to immunisatíon — might give similar results to those obtained
*hh
JTcinoleate.
ABSTRACT
Sodium anacardate and the hydrogenated produet sodium tetrahydro-anacar-
^ <lcstroy in vitro the tryptic action of pancreatic trypsin. Similarly, the plas-
''^gulating power of trypsin, thrombin and snake venoms (Bothrops jarara-
Calmette mentions also the loss of toxidty of certain microbial toxins, e.g. te-
which had remained in contact with fresh ox bile daríng 24 hours.
41
110
BIOLOCICAL PROPERTIES OF AXACARDIC ACID (O-PEXTA-
DECADIEXYL-SALICYLIC ACID) AND RELATED COMPOUXDS
ca, Bothrops atrox, Crotalus tcrrificus terrificus) is abolished by lhe anacardal
Sodium linoleate and Sodium ricinoleate act in a similar way, but they are
active than lhe anacardates mentioned. Dimethyl anacardic acid. which posseís*
no bactericidal power, does not act on toxins or enzj-mes either.
The inactivating power of lecithin upon Xa anacardate depends on the ordP
of mixing the reagents:
WTien a mixture of coagulant + lecithin is exposed to the action of
anacardate, this substance no longer inactivates the coagulant. If, however, tb*
coagulant and Xa anacardate are first mixed together and lecithin is added iatrf»
Na anacardate retains its full anti-enzjinatic activity.
The enzymatic activity of gastric pepsin, plant-and bacterial catalases and 1’^
roxidases, tested in a complex médium, is not destroyed by the anacardates.
thinase from Clostridium Welchii is very sensitive to the denaturating action
anacardates.
Snake venoms {Bothrops jararaca, Bothrops atrox, Crotalus terrificus tcrt*'
ficus), tetanus toxin and diphtheria toxin are destroyed í;i vilro by the action of
anacardate. The time necessary for complete detoxication varies for the diffcre*^
venoms and toxins, depending also on the concentration of MLD per cc. The
noms and toxins treated with Na anacardate, hive not onlv lost their toxic acli<^
for the test animais, but also their antigenic power.
RESUMO
o anacardato de sódio e o tetrahidro-anacardato de sódio (obtido por hid*^
genação) dcstróem, in vitro, a ação triptica da tripsina pancreática. O jxider d*
Iripsina, da trombina e dos venenos de serpentes (Bothrops jararaca, Bothr^
atrox, Crotalus terrificus terrificus) de coagularem o plasma, é abolido p^^
anacardatos. O linolcato e ricinoleato de sódio agem do mesmo modo, mas ^
menos ativot. O ácido dimentil-anacardico, que não possúe atitndade bacte*^
cida, também não age sôbre toxinas ou enzimas.
A ação anticoagu'ante da lecitina sôbre o anacardato de sódio dcjícndc ^
ordem em que os reativos são misturados: quando u’a mistura de agente
gulante + lecitina é exposta à ação do anacardato de sódio, esta substância ^
mais inativa o coagulantc. Entretanto, si o agente coagulante e o anacard***
são misturados e só depois disto é adicionada a lecitina, o anacardato de
apresenta sua inteira atividade anti-enzimática.
M
A atividade enzimática da pepsina gástrica e de catalases e peroxidascs
plantas e bactérias, testada em um meio complexo, não é destruida pelos anac***
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Init. Botantan.
**^**■ 134 . 1946 -
F. \V. EICHBAUM
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lecitinase do Clostridiurn Welchii é muito sensível à ação desnaturante
anacardatos. Venenos de serpente (Bothrops jararaca. Bothrops airox,
_’-otc/us Icrrificus terrificus) e as toxinas tetânica e diftérica são destruídas
't.ro pelo anacardato de sodio. O tempo necessário para a desintoxicação
^/mpleta varia para os diferentes venenos e toxinas e depende também da
”">centração em D. L. M. por cm^. Os venenos e toxinas, tratados pelo ana-
^*■««0 de sódio, jerdem sua ação toxica sôbre os animais testemunhas bem
*^^**^0 seu poder antigênico.
^^ck^xlfdgement — I am indebted to Dr. M. Rocha e Siha, of the Instituto Bioló-
Sao Paulo, for many taluable suggestions conceming these experiments and for the
faalities he has granted me in his laboratory.
10
*
REFERE XCES
5.
6 .
9.
11 .
12 .
13 .
14.
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J**»- lott. Buunun.
•***■114, 194S.
F. W. EICHBAUM
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BIOLOGICAL PROPERTIES OF ANACARDIC ACID (O-PENTA-
DECADIENYL-SALICYLIC ACID) AND RELATED COMPOUNDS
BY F. W. EICHBAUM
(From the Department of Microbiology of the Escola Paulista de Medicina
ond the Department of Immunology of the Instituto Butantan, S- Paulo, Brasil)
PART III
AXTIFEBRILE ACTION of ANACARDIC ACID AND RELATED COMPOUNDS
The salicylic radical of anacardic acid suggested a possible antifebrile acti-
^ of this substance and its Chemical derivatives such as Sodium anacardate,
*^**yl-anacardic acid — corresponding to “Aspirin” — Sodium tetrahydro-ana-
and the ethyl ester of anacardic acid.
The experiments were performcd on 70 rabbits and 66 guinea pigs whose
P^sture had been raised artificially by parenteral (intravenous, intramuscular
•otraperitoncal) injection of pyrogenic substances: Novocain, formalinized
^^«ypboid-, or hcat-killed B. cercus vaccine. \Vhen the tempcrature, 2-4 hours
the injection of the pyrogenic substance, had risen to 39.5-40°C, the anacar-
wcrc given by intravenous, intrapcritoneal or oral route. As Controls,
' ''fas made of animais who had received only the pyrogenic substance
^ another lot of animais who received in addition Asp‘rin or Sodium sali-
in doses corresponding to the anacard doses in gram (*).
, The normal (moming) temperaturc of guinea pigs and rabbits varied
37.2-38.0“.
^ Experiments on rabbits (average weight 2000g) : The intravenous injec-
3 — 5 cc of a 1% Na anac solution (= 15 — 25 mg per kg body weight)
^ *0 a drop in temperature, generally only in those cases where the injection
^ "'!lc'Wcd by stronger or wcaker shock symptoms of anaphylac*oid cha'acter
disappeared in general 30 — 60’ aftcr the injection.
> !ii exceptional cases did the animais die in shock with terminal convulsions.
of anacardic acid is about twice the molecular
k
*^ived for publication in 16/2/46.
45
114
BIOLOGICAL PROPERTIES OF AXACARDIC ACID (O-PENTA-
DECADIEXYL-SALICYLIC ACID) AND RELATED COMPOUNDS
The drop in temperature persisted, cven when no shock symptoms could be noB*
ced any more. Animais without shock symptoms, following the intravenous injí^
tion oí Na anacardate, generally did not show any drop in temperature (cf. Tabk
No. I). The intraperitoncal injection ot 15 cc of a 2^o Na anac solution (=0.1-
g j)er kg body weight) led to a drop in temperature after 1 — 1^4 hours ; this rou*
of administration, howew, proved to be too irritating, since the animais died, gcB*’
rally, 24 hour later with the signs of a heav)- sero-fibrinous peritonitis. TK
oral appHcation (♦) of 0.4 g (20 cc of a 2% solution or 0.2 g per kg bodí
weight) was in general without effect on the temperature (cf. Table No. Hl
The reactivity of rabbits varied individually to a high degree: we find Na
trahydroanacardate veiy- active in animal No. 142 (on 12/XI. cf. Table
III), but practicably inactive in animal No. 124. Animal No. 146 (Table N®’
III), which did not react to Acetyl anacardic acid on 12/XI., responded re*^
dily to Sodium anacardate on 13/XI. Another animal (No. 142 cf. Table N®’
III) was refractory to Sodium salic)’late, which was found verj' active in ^
the other Controls, who received the same amount of the drug. This vaiyiBÍ
reactivity might be partly understood by the fact that anacardic acid and dcrt*
vatives sccm to provoke in some animais an inverse i. e. febrile reaction whe*
given in oral doses of 0.1 g per kg body weight. But this inverse reacti®*
could aiso not be demonstrated regularly.
II. Guinca pigs (average weight 500g). In contrast to the ^•arying rca®'
tivity of rabbits towards anacardates, guinea pigs showed a more constant b®"
haviour and responded with a sharp drop in temperature when treated
these drugs by either oral or parenteral route. No significant differcfl®*
could be found in the antipyretic activity of Na anacardate, the acetylated ^
other subproducts. The doses given by intraperitoncal route amounted to 0.0^
— 0.1 g per animal (cf. Table No. IV) or 0.2 g per kg body weight, whi^
corresponds approximately to the doses given to rabbits in the previous exp^
riments. In some instantes, the drop of temperature following the intrapff^
toneal injection was so dramatic. that the guinea pigs died a few hours
with a subnormal temperature of around 35°C. But in general the mediu**
do.se of 0.2 g per kg was well supported.
The degree of peritonitis, wh’ch developed aimost regularly, was
weakcr than it appearcd in rabbits.
Bccause of the irritating action of the intraperitoncal injection. wc :est<"
the substances also by the oral route in animais which had been kept withodj
food for 24 hours. The doses varied bewcen 5 — 10 cc of 2% solution =
— 0.4 g per kg body weight. As can be secn in Table No. V the animais ^
(•) introducing the substance br a cathetcr.
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Iiut. ButanUn,
=**- 134 , 1946 .
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ocrion Sodwni anacardafe 1%. injecCed. infrai^nous roufe in robb^
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116
BIOLOGICAL PROPERTIES OF ANACARDIC ACID (O-PEXTA-
DECADIENYL-SALICYLIC ACID) AND RELATED COMPOUNDS
pond in this case also with a distinct drop in temperature, about 1 — 2 houJ*
after the injection of the drug. Out of 16 guinea pgs, treated with anaca?’
dates b)' the oral route, all survived but two, who died 24 hours later with ^
signs oi intra-abdominal hemorrhage, apparently originating from the pt^f
nant uterus; n one of these cases the feti were still in the uterus homs, '
Table in
QfjCip^reUc ocriotj oj5odiyin anacwdaU <wd dcruaxíwes wt rabbiCs
3 aniR)als tcslxl «.th vranoui jjtuConcci aC 3 subs«<)vicnC H/uji
i he orrow I rr|arl|i (lit «lOflicnt wt|cn the ivbstancc li bi^ jrol rcuU
Clrti|iCkal |ev('’ injection oj 6cc sj a |orino{anl parati^pltoid
uoctint oncf on U'Xl‘l944
the other case they could not bc found there, nor in the free pcritoneal cavJ^Í
cither. Some of the surviving anima's were killed 24-48 hours after treatmc®^
an.i the a imentarj’ canal was dissected: in some cases, we found small petcchi*
hemorrhages in lhe gastric mucosa, but otherwise no gross lesions were pres****
in the intestinal canal or the parenchjTnatous organs.
4S
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líut. BaUntu,
H:69.U4, 1946.
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^'iripyreric Qcrion o| dern/ativrcs oj anacordlc acid In g ulaca . p<-g^
Tn« OTTOW I nHwtw the tnomtnC wKm ftw subsíonc u lajecTed by infropcrtrene al rouCe
ClrCiJiciol feuer by subcutaheous mjcctLon oj Icc oJ«l% novroco^n soUCion
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Tn. 1 Ch* v\o*i«ar wKtn Chc subaConcc vs opplicd ora^^owC^
^^tbJbC.al |«vcr fcnCrap«''bCoi)c<^ injccCion of 2cc oj a 1V« MovocOin «olwCbori
Owbft«a pi^ rZ4
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BIOLOGICAL PROPERTIES OF AXACARDIC ACID (O-PENTA-
DECtVDIEXYL-SAUCiUC ACID) AND RELATED COMPOU.VDS
ABSTRACT
Intravenous injections of Sodium anacardate and related conipound^j
cause in rabbits, whose teniperature had been raised artifidally, a sudden dro?
of teniperature, which is generaüy accoinpanied by heavy shock sjniptoms. The
substances display an antipyretic activity a’so when given intraperitoneally ; on
oral application, the individual animais (rabbits) react very irregularly, some
showing a definite drop in teniperature, others not. Normal animais sometimes
respond to oral application of Xa anacardate with a rise in temperature.
The antipyretic activity of Xa anacardate and related compounds in guine»
pigs is much more regular. With rare exceptions all animais showed, on intra-
peritoneal as well as oral application of the drug, a definite drop of temperature
30-120’ following the administration.
The doses given in rabbits and guineapigs varied between 0.1 — 0.4 per kg
body weight.
There could not be found any distinct quantitative difference in the actidty
of Xa anacardate, tetrahydro-anacardate and the acetylated products.
The antipyretic activity of Xa anacardate and similar comjxiunds is related»
probably, to the salicj-lic nucleus.
RESCMO
A injeqão intravenosa de anacardato de sódio e compostos relacionados, produí
em coelhos com temperatura elevada artificialmente, uma queda brusca de tempe'^!
ratura, que é geralmente acompanhada por sintomas graves de choque. Estas-
substancias possuem também uma atividade antipirética quando injetadas intra-
peritonealmente. A resposta individual dos animais (coelhos) à administração
oral é muito irregular; alguns mostraram uma queda nitida da temperatura,
outros, não. Alguns animais normais apresentam algumas vezes, hipertemi'»
com a administração oral do anacardato de sódio.
A atividade antipirética do anacardato de sódio e compostos relacionados ^
muito mais regular na cobaia. Com raras exceções, 30 a 120 minutos após
administração oral ou intraperitoneal da droga, todos os animais mostrarafl*
uma queda definida da temperatura.
As doses administradas a coelhos e cobaias variavam de 0.1 a 0.4 g por kg
de peso corporal.
Xão pode ser observada qualquer diferença significativa entre as atividade*
do anacardato de sódio, tetrahidro-anacardato e os produtos acetilados.
atividade antipirética do anacardato de sódio e compostos similares esta
provavelmente relacionada com o núcleo salicilico.
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last. Batanti'1,
1946.
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Í>ECADIEXYL-SALICYLIC ACID) AND RELATED COMPOUNDS
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(From lhe De/>artmeHt of Microbiology of the Escola Paulista de Medicina
cnd the Department of Immunology of lhe Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil)
PART IV
The vermicidal, axtiprotozoic. axtiectoparasitic and larvicidal
actiox of anacardates
A) VERMiaOAL ACTIOX
During our studies on the antifebrile action oi the anacardates, we obsen-cd
some of the rabbits and guinea-pigs, which liad received 10-20 cc of a \^o
anac. solution per os, 1-2 days later expelled great amounts of dead worms in
facces ; this led us to a more systematic study of the vermicidal action of ana-
'^^'lates in vitro (*).
The worms were put into either physiologic saline (♦•) or Ringer solution,
shallow glass dishes, which swam in a water bath at a constant tempcrature
(35-37®). Various concentrations of Na anacardate were addcd to a
'*’®asurcd amount of salt solution in the dishes. For each test a control dish
set up, which contained only the worms in the salt solution. Complete
*®’®'obility of the worms was considcred as the cnd point of the experimcnt.
some cases, the immobile worms, suspended in the anacardate solution, were
^shcd with physiologic saline or Ringer solution and transfered to another
which contained only pure salt solution. Some of the worms which had
exposed to weaker concentrations of anacardate and had become immobile
regainetl their motility when the contact with the anacardate had not been
cxtended. The vermicidal effect of the anacardates in saline solution was
, (*) .\s has been pointed out above. the vermicidal action of cashew nut oil has been
in popular medicine for a long time.
f**) For worms from warm blooded animais a 0.85% saline solution was used, for
from cold blooded animais a 0.65% saline solution.
Heceived for publication in 16/2/46.
51
1 SciELO
120
BIOLOCICAL PROPERTIES OF ANACARDIC AOD (O-PENTA-
DECADIENYL-SALICYLIC AOD) AND RELATED COSPOÜSDS
about twice as fast as in d.'stiiled water or glucose solution, and 3-5 tini®|
as fast as in Ringer solution, where the formation of the only slightly solulí^J
Gi salts diminishes the veimicidal power of the anacardates. These dlfferer
of vermicidal power, depending on the suspending médium, were more
nounced in certain nematodes, than In cestoids (*), from the rat intestine. TlJ^i
worms. after some minutes' contact with the anacardate, produced great amouo^
of slimy masscs on their body surface; with weaker anacardate concentrado
the formation of the slimy masses was less pronounced.
1 . Sensitivity of nematodes (Rhabditis Fuellebom from the trog’s iung}J
to Sodium anacardate, added to a 0.65% saline solution:
Effect on Nematodes
Na anac concentralion
1/100 —
4* (*♦) after 2-3 minutes (expulsion of the uterus) j
1/10000 —
* after 9-10 minutes (after 1-2', incrcascd 1
movements; after 5', weak movements and expui- 1
sion of the uterus).
1/100000 —
•ít after 30-40' (after 5'. increased movements; after .
15', weak movements).
1/1000000 —
motile for more than 3 hours j
( ontrols in
motile for more than 3 hours.
saline solu-
1
tion.
The activity of Na tetrahydro-anacardate and acetjlanacardic acki (emuF*"
fied with gum arabic) against Rhabditis Fuellebom was about the same as tb>‘J
of Na anacardate.
2. Sens'tivity of cestoids from the rat’s intestine, suspended in Rin?**|
solution. towards Na anacardate:
Na anacardate 1/1000: í* after 20-70 minutes (according to the size of
worms, the smaller ones being more sensitive).
Na anacardate 1/10000: ^ after 75-130 minutes.
In comparison, a 1/4000 concentration prepared in saline solution kil’*^]
the worms after 15 minutes. Stronger concentrations such as 1/100 — 1/-^J
ki'lcd the worms in 5 minutes or less. The worms suspended in pure Ring*^J
(•) For cestoids the activity of anacardates in physiol. saline solution was only
times stroiiRcr than in Ringer solution.
(••) lí = dead.
52
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Ittit. Botantaii.
1»;49-13«, 194Í.
F. W. EICHBAUM
121
solution or saiine survived more than 3 hours.
tetrahydro- and Na tetrabrom-anacardate were practically identical w: os
obtained with Na anac. The proximal parts of the wcrn,s were gene-
ni:iy more re^istant than the distai parts and ceased their motihty ntuchjater
than the rest of the body. Addition of horse serum. m quantUies of a, o. to
the Ringer-anacard solution did not diminish appreciably the vermtcidal actwity
t*f th; latter substance.
3. Sensitivity of ascarids towards Na anac;
In contrast to the high sensitivity of Rhabditis and the moderate sensitivity
of cestoids, ascarids from swine intestine were very res.stant to
anacardate. Even in a l^o solution they became immobi.e only a f ter 13-20'.
hut a great part of them regained a slight motility after resuspenston m purc
aline solution. A 1/5000 dilution of Na anac in Rmger solution was ^^uwu
«ffect, even after a conuct of 2/. — 3 hours. Slime fomiation. especial y
'n the concentrated Solutions, was very pronounced.
Systemafc experiments on the vermicidal action of anacardates. ».
in progress.
B) ACTION OF NA ANACARDATE ON PROTOZOA AND SPIRH-U
A hay infusion which had becn exposed to room temperature for 3 days
dUtributed in a row of test tubes, to which varying aniounts of Na ana-
«ardate were added. Samples were drawn from each tube m intervals of a
»nd examined microscopically by the hanging drop method.
The infusion contained a great number of protozoa
t^liates and fewer flageilates) as well as numerous gross sp nlh (.
Among .h. p,o,o.o,, .he proved .0 b. .h.
•hd 10-12 minutes in a 1/30000 so’ntion ol Na anac. At er ™"“
««niact »i,h the toxic solntion, rcítingcnl gmnnlae.
«■■loplasma. accumulated Wovv lhe ecloplasmattc membrane "'>.ch tm > P
■«teí and releascd lhe gtanulae in» the snttoundtng
“meboid lorms became immobile aller 10 minutes in a / - .
"sisted the 1/30000 solution íor about 1 hour. Tbe I agell
”»ie icsistant; Ibcy suni«d in a 1/2000 solution for 20 mmntc. and some
'ndividuals even 1 hour and more. „ , , . .
The spirilli became immobile in a 1/3000 solution after lO-la minutes.
(*) Since wc were
only interested in stndying in a general way the action of ai««r.
^ .. .. .. - {orms in greater detail.
on the protozoa. no attempt was made to identiiy the vanous
53
122
BIOLOGICAL PROPERTIES OF ANACARDIC AOD (O-PENTA-
DECADIEXYL-SALlCiLIC ACID) AXD RELATED COMPOUXTJS
C) AXTI-ECTOPARASITIC ACTIOK OF AXACARDATE
Rabbits heavily infested with scabies (sarcoptes ainículi), with prindpíí
localisation at the mouth parts and the paws, were treated for 2-3 days with a 5 /í
ointment of either the raw ca^hew nut oil or purified Na anacardate. The result
in both cases was idêntica! : after 2-3 days, the scales fell off, and after 3-5 more
days the treated parts were completely denuded of hair, exposing a clean sloO-
After some 10-14 more days hair again covered the treated parts (cf. photo-
graph I-III). Animais which after the treatment had not been separated front
other infested animais, caught the disease for a second time. In our expen-
ments a 2-4 days’ treatment proved sufficient, in all cases, to kill all livin?
arthropods and their eggs. It remains to be seen, in the future, whether thi*
sort of treatment offers any practical advantage over other approved methods.
Experiments on the antiparasitic action of anacardic acid against other ectopa*
rasites are in progress.
D) LARVICIDAL ACTIOX OF XA AXACARDATE
Comparative studies with DDT and Na anacardate were performed oo
culex larvae and pupae. Some 200 pupae and lai^ae were poured into a cylin*
drical glass vcsse! containing 1 liter of pond water, to which varying amount»
of the Na anac solution were added. At the beginning of the cxperiment. all
larvae and pupae, with rare exceptions, were at the surface. 2 hours after
adding Na anac in a final concentration of 1/20000, all lar>-ae disappeared froiO
the surface either dropping immobile to the ground or remaining in the middlc.
without being able to attain the oxygen providing surface; after 1-2 more
hours all larcae lay dead at the bottom. In higher dilutions the rcsults differed
little from the control. As in the case of DDT, the pupae proved more re-
sistant; they survived even in stronger concentrations (1/^2000) for more thau
24 hours.
COMMEXT
\\’e are unable to decide, on the basis of these orientating experiments-
how far the antiprotozoarian and larvicide activity of Na anacardate is due to
a specific Chemical action or to its high surface activity. As to the vermicid*!
and antiparasitic action, the high effectiveness seem; to speak more in favor
of a specific action of Na anacardate.
St
In*t. Batantan,
194 «.
F. W. EICHBAUM
125
ABSTRACT
fn vitro experiments showed a high vermicidal activity of Sodium ana-
<ardate, Sodium tetrahidro-anacardate and acetylanacardic acid. Rhabditis Fuel-
(Xematodes) died within Zff in a l/KXXXX) solution; cestoids (from
^ raí intestine) in 1/4000 solution after 15’; ascarids (from the swine intestine)
in a 1/100 sol. after 15', surs-iving in a 1/5000 solution for more than
'■Vi hours. These values refer to dilutions made up with physiologic saline
*^ution. In Ringer solution the activity was 2-5 times weaker. Anthelmintic
*f*"ects in tivo could be observed in rats. guinea pigs and rabbits, which received
the substances mentioned.
Protozoa from a hay infusion showed a varj-ing degree of sensitiveness
^ anacardate: ciliates died under granular desintegration within 10-12' in a
V30000 solution; ameboid forms became immobile after 10' in a 1/5000
**^*>tion. some flagellates in a 1/3000 solution after 20'; others survived in the
****** solution for more than IJ^hours.
Larvae of culicidae were killed within 2 hours by a 1/20000 solution of
Y
■ * Anacardate.
^ Rabbits heavily infested with scabies were cured by local application of a
ointment of either raw cashew nut oil or Sodium anacardate. Transitory
■*** of hair occured in the treated parts (*).
REAUMO
O anacardato e o tetrahidroanacardato de sódio bem como o ácido acetila-
'^rdico. mostraram-se altamente vermicidas in vitro. Rhabiditis Fucllebom
(R
^A^Atodios) morreram dentro de 30' em uma solução 1/100000; cestódios
fn • *
^ ‘ntestino do rato), em 15' em solução a 1/4000 e áscaris (do intestino dc
só morreram em solução a 1/100, depois de 15'; êstes últimos sobrevi-
{)or mais de 2)4 horas em uma solução a 1/5000. Todos os valores se
n ^*) Xote. Only after finishing these studies did we leam from a reccnt paper by
that detergents like Xa oleate and laurate not only increase the anthelmintic acti-
j hexylresorcinol. but that they posscss aiso by themselves some vermicidal activity
Xippostrongylus muris (cf. W. P. Rogers. Studies on the anthelmintic activ-ity of
^J^bejorcinol and tetrachlorethylene. Parantoloçy, 36(1-2) : 98-109, Sept. 1945).
57
j 26 BIOLOGICAL PROPERTIES OF ANACARDIC ACID (D-PENTA-
DECADIEXYL-SALICYLIC AUD) AXD RELATED COMPOUNDS
referem a diluições com solução fisiológica de cloreto de sódio. Usando-se solo*
ção de Ringer, a atividade decresce 2 a 5 vêzes. In vivo foram observados efeitos
anti-helmínticos em ratos, cobaias e coelhos após administrações orais das subs-
tâncias referidas.
Os protozoários de uma infusão de feno mostraram um grau variável
sensibilidade ao anacardato de sódio: os ciliados morreram com desintegraçá®
granular dentro de ICy, em uma diluição a 1/30000; as fôrmas amebóides tom»’
ram-se imóveis depois de 10' em uma diluição a 1/5000 e alguns flagelado**
depois de 20', em uma diluição a 1/3000; outros sobreviveram na mesma soluç»>
por mais de 1^ horas. Laicas de culicideos morreram dentro de 2 horas o®
uma diluição a 1/20000 de anacardato de sódio.
Coelhos, muito infestados com sarna, curaram-se com a aplicação local ^
um unguento a 5% de óleo de cajú crú ou de anacardato de sódio. Foi obset'
vada a queda temporária do pelo nas áreas tratadas.
58
I Injt. Batanlan,
1546 .
F. W. EICHBAUM
127
®I0L0GICAL PROPERTIES OF ANACARDIC ACID (O-PENTA-
PEC.-\DIENYL-S.\LICYLIC ACID) A>ÍD RELATED COMPOUNDS
BY F. W. EICHBAUM
(From the Department of Mierobiology of the Escola Paulista de Medicina
“'•d the Department of Immunology of the Instituto Butanlan, S. Paulo, Bratdl)
PART V
TOXICOLOGY OF AXACARDIC ACID AND REI-ATED COMPOUNDS
CLINIC\L OUTLOOK
^wlium anacardate, dissolved in phj-siologic saline solution, has a strong
‘*ytic activity; it hemolyses in concentrations up to 1/25000-50000 a 5%
^pcnsion of íheep blood-cells within 1 hour at 37°. The presence of inactivated
serum (10% of total liquld) lowers the henioljtic activity to about 1/500.
r^*^’tes appeared much more resistant, since a 1/100 solution of Na anac in
Prcicnce of 10% serum provokes only a slight deformation of living leucocy-
"^hich produce under the influence of this substance, pseudopodium-üke
l^®'nisions. Their phagocytic power against staphylococci and streptococci is not
l^^^red but seems, on the contrarj', even slightly enhanccd, as has becn obscrved
Solutions (Sollmann). Leucoc>-tes in a 1% Na anac solution
the presence of serum, however, are cytolized immediately.
•Pícif
Another in vitro phenomenon, worthy of mention, is the inhibition of the
^ . ®gglutination of typhoid bacilli by an antitj-pboid serum, in the presence
anacardate:
for publicatioR in 16/2/46.
59
cm
SciELO
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128
BIOLOGICAL PROPERTIES OF AXACARDIC ACID (0-PEXTA-
DECADIEXYL-SALICI LIC AQD) AXD RELATED COMPOUXDS
Antitjpboid s«rtim
(tiler 1/2560)
Na anac.
Suspension
of Tjrpboid
bac.
Af glutination
after 1 botxr
at 57«
Dilutioa 1/640 0.25 rc
1/100 0.25 cc
0.5 cc
+
1/640 0.25 ce
1/200 0.2S cc
0.5 cc
0
1/640 0.25 rc
1/400 0.25 cc
0.5 cc
0
1/640 0.25 cc
1/800 0.25 cc
0.5 cc
0
1/640 0.25 cc
1/1600 0.25 cc
0.5 cc
0
1/640 0.25 cc
1/3200 0.25 cc
0.5 cc
0
1/640 0.25 <T
1/6400 0.25 cc
0.5 cc
++
1/640 0.25 cc
1/12800 0.25 cc
0.5 cc
1/640 0.25 cc
1/25600 0.25 rc
0.5 cc
-I--I-+4-
1/640 0.25 cc
Phy». X»a 0.25 cc
0.5 cc
-H-P-l-
Pbjsiol. saline 0.25 cc
Xa anac. 1/100 0.25 cc
0.5 cc
-(--++
Phytiol. «alioe 0.25 cc
1/200 0.25 cc
0.5 cc
Phystol. saline 0.25 cc
1/400 0.25 cc
0.5 cc
0
Result — Whereas stronger anacardate Solutions (1/100), mixed
bactéria, cause a weak agglutination by themselves, thc higher dilutions up
1/3200 inhibit the agglutinating power of antityphoid serum. In a similar
the precipitation of the carbohydrate from tj^pc II pneumocccci by a specific scry^l
is inhibited in the presencc of sniall amounts of Xa anacardate. This phc’’®'
nienon. like the action of anacardates on erjthrocj-tes and leucocj-tes, must l*
attributed, in our opinion, to the high surface activity of the substance in te’*-
Toxicologic expcriménts í« animais — Oral application of anacardic acid
deri\’atives caused no systemic alterations in guinea pigs, rabbits or dogs. Tb*
daily doses \’aricd from 0.07-0.2 g per kg body weight. Time of administratw* I
1-14 days. In some animais which had been kiücd 1-2 days after the intake
20 cc of a 1 or 2% solution of Xa anac, we noticed a slight hypcremia of tb*
gastric mucosa and occasionally even small petcchial hemorrhages at the min°^
cuiA-ature. Liver and kidneys showed macroscopically no notable changes. Tb*
chronic ora! administration of 20 cc of a 1% Xa anacardate or Xa tetrahydt^
anacardate solution produoed in some rabbits and guinea pigs diarrheic cvacuatií>‘’
witli e.xpulsion of dead worms. Thc subcutaneous injection of a 1% solutio®
caused. after 3-4 days, a sterile necrosis which hcalcd complctely after lO-l'
days. 0.1-0.2% Solutions were supported without niarked macroscopical lesioo-^
1% Solutions of Xa anacardate in an oily vehicle did cause only slight
and no general symptoms, even when apjdied twice a week for 2 months or
(in rats). The intraperitoneal injection of 1% Solutions of Xa anacardate acetj^
anacardate, Xa tetrahydrcKinacardate and the ethyl ester of anacardic acid (lO
60
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I Inxt, Butinun,
“‘♦■IK 1946.
F. W. EICHBAUM
129
® guinea pigs, 20 cc in rabbits) provoked the formation oí a sero-fibrinous pe-
*^WiitÍ 5 ^ which caused the death o£ some animais 24-48 hours after íIk injection.
rabbits. the local symptoms were generally more pronounced than in guinea
IVoo Solutions, intraperitoneally, were supported without significant local
•^tion.
Intravenous (or intracardial) injection of 1-2 cc of a 1 % Xa anacardate
*'||*ution in guinea pigs killed the animais within a few seconds, with the s>-mptoms
anaphylactoid shock (unrest, sneezing. panting dyspnea. clonic con\-ulsions) .
_he lungs showed a well developed emphysema, only rarely subpleural petechia.
^^0 cc of a 1% Xa anac solution. slowly injected into the ear-vein of rabbits,
'^“scd in some of the aninials unrest, dyspnea and lassitude which disappeared
some 30' ; only in exceptional cases, when the injection was made rather
[^Pidly, the rabbits died in shock with opisthotonos and clonic convulsions. The
l^jeaion of a I^c Sodium anacardate solution into the ear vein of rabbits caused
a number of cases a thrombosis of the vessei and sometimes even a sterile ne-
^®sis of the surrounding tissue. Pigeons supported the intravenous injection of
of a 15 ^ Xa anac solution without special sjTuptoms, whereas higher concen-
*^lions (2.5-5%) killed the animais after 3-5 minutes, with sjmptoms not un-
f ihose provoked by neurotoxk snake venoms (e.g. Bothrops jararaca ) : opis-
*^onos, clonic convulsions.
The instillation of a 1^ Xa anac solution into the conjunctival sack of rabbits
not reveal any irritatipg action during an obeervation time of 24 hours. The
■^tillation of a 0.2-1% solution of Xa anac into the male urethra caused a
^^‘ng sensation of varj-ing intensity in various individuais tested. While some
íhern supported even 1% Solutions without greater discomfort, others did not-
**•1^11 .1 solution 4 times as weak complaining of an intolerable buming sensa-
1.2 per mil Solutions were, generally, inoffensive for all subjects tested.
^Nhereas the fur of rabbits and guinea pigs loses its hair temporarily,
‘lowing the topkral appiication of a 2-5% ointment of anacardic acid or crude
oil, no local depilatory action coukl l>e observed in man. 1-5% ointments
^ Solutions (in water or alcoliol) ajjplicd to tlie inuet skin of the shank for 48
did not cause any irritation, whereas in open wounds they sometimes pro-
''^*‘cd a burning sensation of varjing intensity.
The high bactericidal activity of the anacardates again>t gram-ix)sitive gerais
*^<1 Xeisseria stimulated a clinicai trial of these substances in cases of sulfani-
or penicillin-resistant specific and non-specific urethritis. We treated
30 of these cases in collaboration with Dr. Hidal of the Urologic
^Patients Department of the Escola Paulista de Medicina, São Paulo. In
61
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130
BIOLOGICAL PROPERTIES OF AXACARDIC AOD (O-PENTA-
DECADIEXYL-SALICYLIC ACID) AXD RELATED COMPOl XDS
numerous cases, which were treated topically with instillations of 0.2-0.55^
anac Solutions, we achieved verj- satisfactory results (photog. 1, 2), wberf**
other cases — especially chronic gonorrhea with prostatitis — proved refractí^
to the treatment. Further details will be published elsewhere.
In the local treatment of pyogenic infections also, these substances appear*^
to have a beneficiai effect. These studies are being continued.
In connection with the claimed antileprotic activity of cashew nut oil (Lin>*‘
Hansen and Looft; Morais) we have also síarted therapeutic experiments
rats infected with Stefansk)-’s bacillus.
ABSTRACT
Sodium anacardate has a strong hemol>tic activity, which is reduced cobsf
derably in the presence of serum. Leucocytes are less sensitive to the cv-tolyzioí
activity of Sodium anacardate.
The agglutination of tjphoid bacillj’ and the precipitation of the pneuflX^
coccus II carbohydrate by spedfic serum are abolished in the presence of
anacardate. The high surface actidty of Na anacardate seems important for
phenomena described.
Na anacardate and related compounds do not produce any systemic lesio®
when given by oral route. Intravenous injections in concentrations of 1/100
more produce deadly anaphylactoid shock in guinea pigs and pigeons. Subcut»"
neous injection of 1% Solutions cause sterile necrosis. Oily Solutions in th*
same concentration are well supported.
1-5% ointments produced in rabbits transitory loss of hair; this local eff***
was not observed in human subjects.
Intraurethral instillations of a 0.2% solution of Na anac are gentrally
supported. Preliminar)' experiments on the local treatment of specific
unspecifíc urethritis and other pyogenic infections gave encouraging results.
RESVMO
o anacardato de sódio tem uma forte ação hemolitica, que é reduzida consF
deravelmente. na presença de sôro. Os leucócitos são menos sensíveis à aç»''
citolitica do anacardato de sódio.
62
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Iiist. Butanlan,
1946.
F. \V. EICHB.\L*M
PnoTociAFK I 900 X — Bcfore trratmrnt. — Smear (rom
a non-üonorrhoic. chronical, aoIfaniUraide-resiaUnt urithritis
containing numerou» enterococcua-like and diphthteroid grrmi.
PnoTOcaarn II — 900 x — 24 bour» alter local treatment
with a 1/2 % Xa anacardate solution (twice in a 12 hoor’i
interval). The' leucocjrte» have diuppearcd alnrnt entirely;
Tíiible only fibrin thread», (ew epithelial cell» and iiolated
fcrm».
cm
tjui. BnUntan,
1946 .
F. W. EICHBAUM
133
A aglutinação dos bacilos tíficos e a precipitação do carbohidrato do
l^eumococo II pelos sôros especificos são abolidos na presença do anacardato de
*^o. A grande ati^ndade de superficie do anacardato de sódio parece impiortan-
em tais fenômenos.
O anacardato de sódio e produtos relacionados, quando administrados por via
não produzem qualquer lesão do organismo. .A injeção intravenosa em co-
ou pombos, na concentração de 1 100 ou mais, produz um choque anafi-
*^Ó!de mortal. Soluções a 1^, injetadas subcutaneamente, produzem necrose
^•eril; soluções oleosas, na mesma concentração, são bem suportadas.
l-nguentos a 1-5% produzem no coelho queda de pêlo nas partes tratadas,
^^te efeito não foi observado no homem.
Instilações intrauretrais de soluções a 0.2 % de anacardato de sodio são
K^lmente bem toleradas. Experiências preliminares no tratamento de ure-
especificas ou inespecificas e de outras infeções piogenicas, deram resul-
encorajadores.
refere XCES
^OHícn, G. A. âr Looft, C. Lepros)* in its clinicai and pathologkal aspects. Oiapter
VIII “ Treatmcnt Bristol. 1895.
A. Tratamento da Lepra, Brastl Medico, 9(4) :25-28. 1895.
Morais, M. O. O oleo de cajú na lepra, Rev. Brasil, de Farm., 26:17-20, 1945.
Sollmann. T. //. A Manual of Pharmacology, Philadelphia and Londoo, 1942, 6tli etL,
Saunders Ca
os
cm
SciELO
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Inst. Butantan,
'*” 5158 , 19A6.
WOLFGANG BUECHERL
135
•'‘'OVIDADES SISTEMÁTICAS XA ORDEM SCOLOPEXDROMORPHA
roR WOLFGAXG BUECHERL
(Do Laboratório dc Zoologia Médica do Instituto Butantan, São Paulo. Brasil)
Gcnus Scolopcndra L., 1758
Scolopcndra morsitans amastonica, subíp. n. (Figs. 1, 2 e 3)
^'íledidas — 65 a 76 mm de comprimento (sem antenas e últimas pernas).
5,0 mm compr.
Placa cefál.ca
1. ° tergito
2. ® tergito
3. ® tergito
4. ® tergito
5. “ tergito
10,® tergito
15.® tergito
19. ® tergito
20. ® tergito
21. ® tergito
21.® esternito
:ta borda anterior
^diâmetro da borda posterior cur\-a)
3,8 mm compr.
2,5 mm compr.
^ainpo poroso 4,0 mm compr.
na parte posterior, mais larga
na parte anterior
®®rda posterior das coxopleuras
par de pernas — prefêmur 5,0 mm compr.
fêmur 4,0 mm compr.
tibia 3,0 mm compr.
tarso I 1,8 mm compr.
tarso II 1,0 mm compr.
Efjt
''*8ue para publicação cm 28 dé março de 1946.
4,3 mm largura
6.0 mm largura
4,5 mm largura
4.0 mm largura
4.3 mm largura
4.4 mm largtira
5.0 mm largtira
5.4 mm largura
5.3 mm largura
6.0 mm largura
4.8 mm largura
2.5 mm largura
1.3 mm largura
1.4 mm largura
0.5 mm largura
0.2 mm largura
3.0 mm largura
1.4 mm largura
1.2 mm largura
1.0 mm largura
0.8 mm largura
cm
SciELO
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136
NOVIDADES SISTEMÁTICAS NA ORDEM SCOLOPEKDROMORPHA
As medidas acima íormam a média entre 5 exemplares medidos.
A Scolopoidra morsitafis, infelizmente, nunca loi descrita por nenhum do>|
numerosos autores que dela trataram, com as medidas minuciosas. Attems ap^l
nas relata: “Comprimento até 120 mm — portanto, quase o dobro de
nica: relação entre 10:1 até 15:1”. Em aniazonica, entretanto, esta relação nãi^l
pode ser expressa, simplesmente pelo fato de seu tronco não ser paralelo con»>|
em niorsitans, mas por aumentar em largura, tanto nos machos como nas f^l
meas, a começar do segundo tergito, atingindo éste aumento o máximo no 20 I
teipto.
Colorido — Enquanto que em Scolopendra morsitans observamos um colo'|
rido muito variável amarelo-marrom ou côr de castanha escura ou verde escui*!
ou cabeça e l.° tergito vermelho-marrom. 2.® ao 20.® tergito com zona mediana ani*'
rela, com faixa verde nas margens anterior e posterior ou cabeça e 1.® tergi^l
marron claro, os outros tergitos côr de oliva verde ou tergitos amarelo escuro*]
com uma fai.xa larga verde entre os dois sulcos medianos — éste colorido í'|
apresenta em morsitans amazônica com grande uniformidade em todos os exen*"]
piares vistos: patas, antenas e estemitos amarelos: placa cefálica, prinicir-’]
segmento de patas ambulatórias e 21® segmento, inclusive pernas de côr marro<*j
avermelhado: tergitos amarelo marrom, com fai.xa verde escura na borda
terior dos tergitos 2-20.
O colorido, portanto, é bem constante em amazônica.
Placa cefálica sem sulcos, com pontuações muito esparsas.
Antenas com 20 artículos, dos quai os primeiros 6 não apresentam pêlo?
o sétimo já é piloso mesmo nas partes basais. Em Scolopendra morsitans
número de articulações antenais é muito variável — de 17 a 23 articulos. com*^|
a 9 articulos basais sem pêlos.
Tergitos com sulcos jaramedianos desde o 3® até ao 20®. 2® tergito já coin 'j
sulcos curtos na borda anterior, muito le^•es e quase imperceptíveis. Além ‘í""
sulcos paramedianos os mesmos tergitos apresentam um curto sulco mediano
margem posterior, ausente em morsitans. Carenas literais bastante variáveis
exemplar em exemplar, principiando num no 8® tergito. noutro no 10®. no terce*'^|
no 11®. no quarto no 12® e no quinto no 14® tergito. mas sempre inacabadaí
pouco salientes, atingindo a borda posterior da placa somente nos 2 últi***’’^
tergitos. Nos primeiros tergitos carenados as carenas laterais também
atingem a borda anterior das p'acas. Último tergito sempre com sulco med ®^'|
completo, às vézes ausente em morsitans morsitans.
Co.rosternum f orei pular (Fig. 1) sempre sem sulcos horizontal ou looí*^]
mdinal; com sulcos basais meio curvos, mas não se afastando muito de
cm
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Inst Butuun.
’*=*í5-I58. I94«.
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Placas dentarias um pouco mais largas que longas, sempre com 5 dentes
***’ cada placa, sendo os dois externos isolados e os três internos reunidos num
^>loco.
Esternitos 2 a 20 com dois sulcos longitudinais, que atingem a borda pos-
'*rior, mesmo nos últimos esternitos; em tnorsilans morsitans os sulcos são
*^viados nos últimos segmentos. 21.* estemito sem sulco, com borda poste-
arqueada e com uma depressão sub-redonda na placa.
Patas 1 a 19 com 1 e^x)rão tarsal; l.° par sempre com 1 só, enquanto
em morsitans morsitans às vêzes existem 2 esporões; 20.° par sempre sem
®*Porão. em morsitans morsitans com ou sem esporão.
Coxoplcuras do 21.° segmento (Fig. 2) com campo poroso muito menor
^ 'lue em morsitans morsitans, isto é, não atingindo nem a metade da zona en-
0 tergito e o estemito e também não alcançando a borda posterior (vide
2). Xo meio das coxopleuras, na borda posterior, existe em morsitans
^^'^^onica subsp. n. uma fossa mediana posterior, abaixo da qual se encontra
espinho (Seilendom). .Apêndice coxopleural muito curto e obtuso, quase
saliente (apenas a metade do comprimento do mesmo apêndice de morsi~
morsitans) e temiinando em 4 espinhos pequenos (sempre 4 em todos os
*'**’*plares) em morsitans morsitans 3 — 5 espinhos.
^íorfologia das últimas patas dos machos e das fêmeas veja um trabalho
em Memórias do Instituto Butantan. 16; 37-68.1942. 21° prefêmur (Figs.
V coni filas longitudinais ventrais (Fig. 2), de 3 espinhos, sempre de po-
•>«0 certa; no lado dorsal interno sempre com 5 espinhos, igualmente de po-
‘•Çào certa em todos os exemplares (em morsitans morsitans 4-6 espinhos).
^ Anomalia — Num macho de S. morsitans amazônica, subsp. n. (No. 243
^ ^leção quilopódica do Instituto) existe uma pata de formação anômala,
^ 14 espinhos dorso-internos e do canto, aglomerados a esmo.
l^spinho do canto (“Eckdorn”) longo, cilindrico, sempre com 4 espinhos;
*'*orsitans morsitans com 3-8 espinhos.
^ Embora a espécie, Scolopendra morsitans, descrita já por Linneu e depois
por inúmeros especialistas, tenha sua existência assinalada em todos os
tropicais e subtropicais, as fôrmas que serviram para o diagnóstico mor-
°Kico desta espécie quase sempre provinham da África do Norte, de Tu-
• óa Algéria, de Marrocos e da região de Constantinopla. Mesmo êstes
J/*’I*lares, embora pro\-indos de uma região mais ou menos continua, apre-
variações morfológicas muito extensas; dai a grande variação na des-
dos caractéres morfológicos de morsitans morsitans.
cm
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NOVIDADES SISTEMÁTICAS XA ORDEM SCOLOPESDROiíORPHA
Eni oposição a isto temos a morsitans amazônica, subsp. n., cujos caract
res, de uma maneira geral, são extremamente constantes, sem a flutuação ^
morsitans morsitans.
Como caracteres novos amazônica, subsp. n.. apresenta, antes de tudo. *
conformação morfológica das coxopleuras, do campo poroso, do espinho la^^'
ral, além da constância nos outros caracteres, principalmente no colorido.
.\ variedade S. m. var. scopoíiana C- L. Koch. de .Algeria. Tunis e -Maf
rocos, não representa uma variedade nitidamente separada de morsitans
sitaiu.
Tipo: Xo. 241 da coleção quilopódica do Instituto Butantan. Macho.
Paratipos: 2 fêmeas e 2 machos, sob Xos. 242-244 da mesma coleção.
Local -tipo: .Arredores de Manaos - .Amazonas.
U grupo
O C 1/ < U
Já em trabalhos anteriores tivemos oportunidade de salientar que a
lopendra ziridicornis é o escolopendrideo mais frequente no Brasil e, ao
mo tempo, ao lado de Scolopendra subspinipes subspinipes, o de maior pof**'
pois chega a atingir o tamanho de 200 mm. Vimos mesmo já dois e.xenipl*’
res de 22 e 24 cm de comprimento, em coleções nacionais, tendo sido êstes
piares classificados como sendo Scolopendra gigantea L.
De fato a Scolopendra gigantea só se distingue de viridicornls pelo
comprimento (até 265 mm.), pelo maior número de articulos basais das
nas desprovidos de pelos (9-12) e pelo maior número de e^inhos no ap^
dice co.xopleural (4-9) c no “espinho do canto” (Eckdom) do último
mur (6-8). Tódas as outras caracteristicas morfológicas (número de artif**
los antenais; número de dentes; sulcos episcutais e nos estemitos; asj>ecto
foli^ico do último tergito; carenas laterais; espinhos dorsais nos preféinií^
das pernas) são extremamente N-ariáveis, de maneira tal que. confrontando^
grande número de am‘mais, nota-sc que as duas espécies se coiif*’’’’
dem. Isto vale mesmo no tocante à formação morfológica do espinho do ^
to e do apêndice coxopleural. Restaria, pois, apenas um único caracteri.t*^
Jiois não se pode tomar em conta a diferença de comprimento — o do nia*^
número de articulos antenais basais sem pêlos (9-12 em gigantea, 4 ap^****
em z'iridicornis).
Sôbre este último caracteristico não podemos emitir uma apreciação
ta, pela simples razão de nunca termos visto uma Scolopendra gigantea,
que tenhamos examinado material quilopódico de todo o Brasil e de alfP*^
Inst. Bctantan,
** 135-J5J, 194Í.
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\-izinhos. Dois exemplares, encontrados em coleções com os nomes de
P>9oníea (classificação atribuida a’ Broelemann) rrs’elaram possuir todos os
**racteristico5 de viridicornis.
Aliás, ttmos na coieção do Instituto Butantan exemplares de zdridiconiis,
6-10 artkulos basais antenais sem pêlos. Um exame, porém, mais aai-
^0 demonstra tratar-se de exemplares com perda artificial de pêlo, seja pela
''^^de, seja pelo habitat (debaixo de pedras, em tócas estreitas), seja pelos hábitos
^ológicos (as antenas são órgãos táteis err» continuo movimento, apalpando
-tmpre o caminho), etc..
Após as refeições a escolopendra submete as antenas a uma limpeza aii-
<Udosa escovando articulo por articulo com a escova de pêios, existente nos
^^^lares — afazeres éstes que duram bastante tempo e podem muito bem ser
*Pfeciados em animais cativos.
Restaria, pois, verificar os mesmos fatores em gigantea, mas infelizmente
sabemos do paradeiro do tipo nem de paratipos. Em todo o caso existe
* suspeita fundada de uma possivel identidade destas duas espécies ou pelo
'*'^03 entre a zirídxomis zdridtcorms Xewp. e a gigantea L. Neste caso pre-
'^«ceria o ncme de gigantea, por ser mais antigo.
Aliás, após o confronto morfológico de centenas de exemplares de viridi-
^^nis e o estabelecimento objetivo de todos os caracteres de fato aproveitáveis
^ ^stantes^ chegamos à conclusão que a espécie znridieornis deve ser subdivi-
dida
em três subespécies:
znrídieornis zdrid.eoiiiis Newport,
zdridicornis nigra Bõcherl, *
zdridicornis spinipriva, subsp. n.
Embora em trabalhos anteriores já tivéssemos tratado, por alto, dêste as-
descrevendo a nigra, queremos, contudo, redescrever as duas subespé-
e descrever a última, aqui apresentada como nora.
176
Scolopendra viridicornis Xezep., 1844
^fedidas: comprimento até 224 mm (com antenas e últimas patas) e até
(sem -antenas e últimas patas).
Há exemplares bem maiores ainda, mas são muito raros.
Antenas 26-32 mm compr. 21° par de pernas 21-25,3 mm compr.
cm
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NOVIDADES SISTEMÁTICAS XA ORDEM SCOLOPBSDROiíORPHA
Comprimento dos artículos das» últimas patas: preíemur 8 mm;
6,4 mm; tíbia 4,6 mm; 1° tarso 3,2 mm; 2® tarso 1,6 mm; garra 1,9 mm.
Largura: lado basal lado terminal
prefemur 3 mm 3 mm
fêmur 2.4 mm 2,4 mm
tibia 2 mm 2 mm
tarso 1 1,6 mm 1.2 mm
tarso 2 1 mm 0.8 mm
Espinho do canto 1.2 mm compr. ; 0,8 mm largura na base; 0,6 mm lar-
gura na ponta.
Apêndice coxopleural (medidas a começar onde termina a área porosa)'
comprimento ventral 1.2 mm; lateral 0,8 mm; largura na base 0,6 mm, na po***
ta terminal 0, 45 mm.
21® estemito: comprimento nbs bordas laterais 3,0 mm
comprimento no meio 3,8 mm
largura anterior 3,2 mm
largura posterior (diâmetro) 1,9 mm
Colorido: verde claro ou escuro nas antenas, principalmente nos 4 articu’®*
basais Nos demais articulos existe-ni pêlos amarelo claros sôbre fundo esvtt'
deado; uma faixa transversal, paralela à borda posterior dos tergitos 3-20 (P®"
de ser tão palida que parece cinza); as tibias e os primeiros tarsos, princips''
mente das pernas 20, 19 e 18, onde o verde ê muito vivo, empalidecendo progrc-*'
si\’amente nas pernas anteriores. (O verde desaparece muito depressa, quand^
os animais são conser\ado5 em álcool a 70^o, cedendo logar ao amarelo pálid®^
Côr castanlia — placa cefálica, coxostemum forcipular, 1° tergito, últii®^
tergito com as coxopleuras e o campo poroso; prefemur e femur das últini**
pernas.
Cinza escura — tibia, 1° tarso e porção apical do 29 tarso das últimas pero*^
.\marela (clara ou acinzentada) — estemitos, pernas e tergitos (êstes co»®
uma leve tonalidade marrom em exemplares idosos^ enquanto que nos filhot<*
e adolescentes os tergitos são amarelo claros).
Existe uma rariação no colorido de z-iridtcornis viridicoiitts, ainda que
frequênte: placa cefálica, 1® tergito e todos os outros tergitos até ao 20® marro**'
escuro, com bordas posteriores quase pretas. Coxostemum forcipular, 21®
gito, coxopleuras e campo poroso, 21® prefemur e femur vermelho tijolo: 'i?^
sinu primeira tibia e tarsos amarelos com manchas escuras, verdolengas.
<>
Injt. Batantan,
” '15-158. m«.
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Cabeça com 2 sulcos longitudinais, divergentes, formando pequenos círculos
*tras e dissolvidos na borda posterior num grande número de sulcos horizon-
****• Antenas com 17 artkulos, sendo 3 artículos basais inteiramente despron-
de pêlos e o 4° desprovido de pêlos no lado basal, piloso apenas na margem
•oicrna terminal. Dentes 4 -j- 4 (raríssimas vezes num lado 5), sendo isolado
*Pcnas o externo, enquanto que os tres internos são sempre reunidos, mais ou
'****'05. num bloco só. Abaixo do 2® dente existe uma cerda, nascida em um tu-
^rculo, que está no meio de uma cavidade arredondada. Coxostemum forci-
com sulco mediano e sulco horizontal e dois sulcos laterais. Os 2 últi-
formam a continuação dos sulcos basais das placas dentárias. O sulco media-
^ longitudinal pode ou não atingir o sulco horizontal. Êste é inteiro ou in-
*^ompido no meio, desfazendo-se em sulcozinhos. Os sulcos laterais raras vezes
o sulco horizontal (^'ide Fig. 4).
1® tergito com fossa cur\-a, às vezes quase totalmente coberta pela placa cefáli-
porém, em geral, toda à vista e ainda çom uma área anterior livre. Com 2 sul-
longitudinais (Vide Fig. 5) paralelos, que se bifurcam na frente, perdendo-
0 ramo externo nos cantos anteriores do tergito e prolongando-se os ramos
*®kmos até a fossa curva, que é, muitas vezes, ultrapassada pelos sulcos. Os
^imos internos, antes de atingirem a fossa, são unidos por um leve ramo ho-
J^>ntal (Fig. 5), só ausente raras vezes. Atrás os 2 sulcos Ivorizontais não se
orcam em, mais ou menos, 70^c há bifurcação de 1 ramo só em 20^o ; há
Tcaçâo dos 2 em 10% dos exemplares (base para êste calculo — 95 e.xem-
Plares).
A configuração dos sulcos do 1® tergito ê igual nos nuchos e nas fêmeas e
'**’'l>ém nas formas jovens (foram confrontados perto de 30 jovens). 2” ter-
sem sulcos longitudinais; 3® com sulcos longitudinais, sempre bifurcados
frente ; 4® até ao 20® tergito com 2 sulcos longitudinais simples, ou no 4°, às
ainda ligeiramente bifurcados na frente. Último tergito (Fig. 6) com
mediana muito elerada em 95% (125 exemplares confrontados). Qui-
estreita na frente; no meio quase o dobro da largura anterior. Quase
^Pr« com um suko longitudinal mediano, no meio da quilha (em 80%).
laterais da quilha sempre elevadas, com ou sem rugosidades ou tuberailos.
P^s em 7% dos exemplares confrontados as áreas laterais são lisas e quase
elevadas. Carenas laterais desde o 3® ou 6® tergito.
Estemitos com 2 sulcos longitudinais paralelos, percorrendo todo o com-
'^to das placas. Último estemito com bordas laterais convergentes e bor-
Posterior arqueada ; com dq>ressão longitudinal no meio da placa. Borda
krior com ligeira diferença morfológica nos machos e nas fêmeas (caráter
'^sta)
ote), isto é, nas fêmeas a cursa é normal e mais acentuada, enquanto que
cm
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NOVIDADES SISTEMÁTICAS NA ORDEM SCOLOPESDROiíORPHA
nos machos ela é mais aberta c além disso ligeiramente bilobada. Isto encontf*
-sua explicação no fato de os órgãos sexuais dos machos, quando protraidos, í*
apoiarem sôbre a borda posterior do último estemito.
1° par de pernas com 1 esporão na borda distai ventral do prefemur, do
mur e da tíbia e com 2 esporões no 1® tarso. Isto em todos os exemplares. Sc®
nenhum espinho no lado dorsal distai do prefemur; 2° até ao 20° par de perna*
com 1 esporão no 1° tarso; no lado dorsal do prefemur das mesmas pernas, rJ
borda terminal, com O - muitos espinbos, geralmente com 2 espinhos nas perna*
2-5; com 0-1 espinho nas pernas 6-9; com 2 espinhos no\'amente nas perna*
10 - 20. Xo 20° par há ainda, geralmente, um espinho na parte dorso medial-
.-Miás o número de espinhos no lado dorsal apical do prefemur das perna*
NTiria de indivíduo em indivíduo, de maneira que não é licito, como fizeraU*
.Attems e \'erhoeff e ainda Broelemann e Oiamberlin, aproveitá-los como caraC"
teristicos especifico». Xum futuro trabalho, de natureza estatística, vamos no*
referir a éste ponto.
Co.xopleuras do 21° segmento com poros um tanto separados, muito nuni^
rosos. Apófises coxopleurais cilíndricas (Fig. 7), relativamente longas; na po®"
ta com 1-4 espinhos, alguns maiores e curvos; às vezes num lado 2. no outt*
3 ou 4 espinhos ; raras vêzes apenas 1 em cada lado, geralmente 3 de cada lado-
21° iiar de jiemas com prefemur munido de espinhos robustos, às vêzes nascido»
em protuberâncias quitinosas. Espinhos maiores sempre curvos para traz. N®'
mero de espinhos geralmente 11 de cada lado, podendo ocorrer uma diferença
1 ou 2 em cada pata (aliás as anomalias aqui são bem frequentes). Xa niaiO'
ria dos exempiares observa-se uma certa regularidade na disposição destes e**
pinhos, a saber : no lado ventral 3 filas de 2 espinhos cada (quase equidistantes)-
sendo os espinhos da fila do meio um pouco mais a\'ançado» para a frente; ta-
lado interno 1 espinho só (havendo 13 espinhos no total, existem 3 no lado
terno) ; no lado dorso interno 2 filas de 2 espinhos cada.
Espinho do canto ("Eckdom”), longo, cilíndrico, com 2-5 espinhos na
ta, geralmente 3-4, sendo os último» os maiores e curvos.
Xota: Para a presente redescriçáo foram confrontados perto de 150 exemplares dc»**
mesma subespécie, provenientes principalmente dos ELstados de Santa Catarina, Paraná,
Grande do Sul, Mato Grosso e Rio de Janeiro, e, alguns, do .\mazonas e Pará.
Scolopcndra vi r id ic o r ni s nigra Buechcrl
Medidas: 103,5 mm de comprimento (sem antenas e pernas) ou ainda
nores; esta Subespécie é, portanto, muito menor do que a precedente. As o®"
tras medidas não são características, de maneira que prescindimos de nos
8
15**' ínat. Butantan.
'* ,94g
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143
a elas. Apenas os tergitos são muito mais largos do que longos, apresentan-
15 seguintes dimensões:
1.®
tergito
comprimento
largura
6.5 mm
■> o
«•
5.7 mm
3.®
r*
mm
4.®
t*
6,4 mm
5.®
r»
6,6 mm
6.®
••
6,6 mm
7.®
99
5.0 mm
6J mm
8.®
99
5.0 mm
6.8 mm
9.®
-
3.5 mm
7J mm
10.®
-
7.8 mm
11.®
99
7.9 mm
12.®
-
8,1 mm
13.®
99
8.1 mm
14.®
8.2 mm
15.®
8.2 mm
16.®
8.1 mm
17.®
-
8.0 mm
18.®
n
7.9 mm
19.®
99
7,8 mm
20.®
"
7,9 mm
21.®
99
(Base para a medição: seis exemplares adultos).
Co/ondo: Cabeça, 1° segmento do tronco c 21° segmento cór de tijolo; an-
e patas amarelas (1® tarso e uma parte do 2° tarso e, às vezes, também.
parte da tibia, não raras vêzes esverdeados) ; estemitos amarelo claros ; ter-
2 a 20 com a primeira metade ou quase dois terços anteriores da placa cs-
Quase pretos (\"ide nomen) e com a borda posterior amarela, nunca verde
^ f^cura como em viridicomis vtridicomis. O colondo dos tergitos é sempre
'^ante c fôrma assim um dos melhores caractéres subespecíficos de nigra,
°Posição a viridicomis z-iridicornis, para a qual também é constante a attsên-
Cjq tf »
° colorido preto na metade anterior dos tergitos.
‘'Úmero de artículos antenais; numero de artículos antenais basais sem pê-
• *>umero e posição dos dentes forcipulares ; configuração jios sulcos no coxos-
55*’’ forcipular ; sulcos paramedianos e carenas laterais dos tergitos ; sulcos
Ptudinais dos estemitos — iguais a viridicomis viridicomis, com exceção dos
°s no 1° e no 3° tergito.
^ Os sulcos já da placa cefálica e ainda mais os do 1° tergito são em t’. nigra
»ei ^ nítidos do que em v. viridicomis, onde. às vêzes. são quase in\nsí-
Os 2 sulcos do 1° tergito são sempre bipartidos em frente c atrás (atrás
cm
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NOVIDADES SISTEMÁTICAS NA ORDEM SCOLOPESDROilORPHA
às vêzes apenas 1 é bipartido), porém o ramo interno da bifurcação anterior ná*l
>e une por um sulco transversal ao ramo da outra metade, mas, quase sempf*|
se extende além da fossa transversal curva (Fig. 8).
Sulgos longitudinais do 3° tergito simples, não bipartidos em frente, cofli*l
eni I'. 1 'iridicornis (Fig. 8).
Último segmento: a) csternito com bordas laterais e impressão mediana cofl*l
em I’. firidiconiis, porém, com borda posterior muito mais truncada, não tão af I
queada, na maioria dos casos quase reta, até mesmo nas fêmeas (Fig. 9):
caiMpos porosos mais estreitos em f. nigra do que em v. znridicornis, com
muito menores e mais unidos do que na última; c) apêndice coxoplcural (“CoX®'l
pleurenanhang”) muito pouco saliente, curto, cônico, isto é, com base gross» M
terminando em fórma de cone curto, truncado na ponta (Fig. 9). Número
espinhos como em v. viridicornis, ainda que menores em tamanho; d) tergito cc^\
quilha mediana da mesma espessura atrás do que na frente; sempre sem fo-^|
mediana ; quase nunca com tubérculos laterais (Fig. 10) ; e) últimas pernas
espinho do canto (“Eckdorn”) da mesma estrutura morfológica como o apcnd^l
coxopleural, isto é. curto, cónico, com base larga, enquanto que em f. íin^‘[
cornis estas duas apófises são. como vimos, longas, cilindricas, com base ntu’*'
menos espessa quando considerada em relação ao comprimento. (Esta difeP^*^ \
subcspecifica c, ao lado do colorido, constante c decisiva na diferenciação das
subespécies) .
Espinhos dos prefêmures 8 a 12. geralmente 10 ou 11, muitas vêzes em posic^l
ordenada, como em v. ziridicornis. O número de espinhos na parte terminal <^^1
prefêmures não pode ser, também nesta subespécie, aproveitado como ca^|
teristico contrariamente do que afirma Attems a respeito de v. znridicornis.
contagem de espinh
inedios:
realizada em 13
i exemplares.
revelou os seguintes
núnier^
0 es{Mnhos
1 espinho
2 espinhos
3
espii'!’**
26 vêzes
1 vez
14 vêzes
11 vêzes
20 "
6 “
1 "
16 "
9 "
17 “
9 ”
20 "
6 ’•
3 vêzes
19 -
4 "
24 "
2
S "
12 "
9 "
4 -
18 -
4 "
1 vez
19 ~
6 "
2 vêzes
17 "
T •«
1 vez
17 “
8 "
10
cm
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Inst. Bntantan,
" ”5-15í, 1946.
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0 espinhos
1 espinho
2 espinhos
1 ”
i:- "
12
-
2 vêzes
9 ”
15
••
1 vez
14 '
11
••
20 “
6
8 "
18
3 -
21
•f
1 ver i*)
4 vezes (•*»
A mesma variante no número destes mesmos espinhos também se encontra
vtridicomis o que vem provar de sobra o nenhum valor subesjjecifico e
"'^smo especifico dêste característico.
Contudo, a tabela acima nos permite as seguintes deduções; a) No 1.® par
pernas nunca existem espinhos prefemurais apicais; b) Do 2.® até ao 16.® par
^ Pernas pode ocorrer a ausência de espinhos, ainda que apenas em raros casos ou
perna só; c) 17.® ao 20.® par nunca desprovidos de espinhos,- mas sempre,
^ nienos, com 1 espinho; d) 20.® par de pernas sempre com 2 ou 3 espinhos.
diferenciação morfológica entre v. i' i r i d i c o r n i s c t'. n i g r a
?**Hwimento
'^ido ...
'^Púfise coxopleural e
**Pindo do canto . . .
V. viridicornis
até 176 mm.
nunca com faixa preta
anterior nos tergitos
sempre longos, cilín-
dricos
z’. ntgra
até 103,3 mm apenas
sempre com faixa preta
anterior, nunca com
faixa escura posterior
sempre curtos, cônicos
com base larga e termi-
nando em ponta.
"'o/a; Como a coleção quilopólica do Instituto Butantan teve que ser mu-
^ diversas vezes de local e recipientes, com consequente reclassificação e nu-
nova do material, os tipos e paratipos de v. nigra receberam a seguinte
"'****^*ȋo definitiva:
macho, Xo. 435; local-tipo •. Terrenos, Matto Grosso.
Q ' 1 vez 7 espinhos de formação anómala, como le pode ver no exemplar Xo. 4.t6.
'**’>plar Xo. 421 demonstra que os 2 espinhos são anômalos.
e área interna do prefemur do 20.® par de pernas existe ura espinho 22 veres
*xiite espinho 4 vêzcs.
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NOVIDADES SISTEMÁTICAS NA ORDEM SCOLOPESDROilORPHA
Paratipos: 12 exemplares, sendo 4 machos e 8 fêmeas, sob os Xos. 184, 21-
217, 226, 376, 421, 429. 432, 436, 201 e 224, procedentes, na maioria, igualmeiS*
de Terrenos e alguns de Três Pontes, Paraná.
Scolopcndra z-iridicornis sptuíprha, subsp. n.
Comprimento: adultos até 62-82 mm (sem antenas e patas).
Colorido: 1.", 2.° e 20.° segmentos avennelhados ; o resto dos tergitos cO<t'
color, marrom, com bordas posteriores esverdeadas. Esternitos, antenas e perO**
amarelos; o l.° e 2.° tarsos dos 3 ou 4 últimos pares de pernas esverdeados.
Terceiro articulo dos segundos maxilares sem a apófise vcntral na liase <1*
garra terminal, tão tipica em t'. znridiconiis e f. itigra (Fig. 11), ou apenas
uma protuberância muito rudimentar, não em fórma de apófise.
Antenas com 16 artículos moniliormes ou num lado 16 e no outro 17.
2 artículos basais inteiramente sem pêlos; o terceiro artículo ostenta [lêlos ®
último terço distai, interno.
Coxosternum forcipular com 4 dentes de cada lado, de igual tamanho, estao<^
os 3 internos reunidos mais ou menos num bloco dentário só. Abaixo do -
dente interno existe uma cenla a mais do que em v. zdridioornis, cerda ^
nascida dum tuliêrculo. mas não cavidade, como em z\ zdridicornis. Suk**
basais das placas dentárias formando ângulo obtuso. continuação dos niest®*’^,
sulcos muito curta, isto é, não atingindo o sulco horizontal. Sulco longitudi**^
mediano presente e atingindo o sulco horizontal.
Placa cefálica com poucos poros e com 2 sulcos longitudinais muito 1^'^
divergentes na frente e atrás desfazendo-se numa rêde de finos sulcos horizont**^
Primeiro tergito com fossa cur\-a, inteiramente à vista ou parcialmente cobe***
pela borda posterior da placa cefálica. Com 2 sulcos longitudinais muito 1^'"*^
quase invisíveis, geralmente só bifurcados na frente ou então existe apenas
sulco bifurcado, tendo o outro uma formação incompleta. Em frente os s'*
não atravessam a fossa air\ a nem se unem por meio de um sulco trans%'ersal- "
até ao 20.° tergito com 2 sulcos longitudinais, muito leves ; no 2.° presente ap*^
como 2 traços curtos, na borda posterior ; 3.° tergito com os 2 sulcos simples,
é. não bifurcados na frente ou com uma bifurcação num ramo só e ajienas
pequena, pelo menos 3 vêzes menor do que em i*. zdridicornis^ Do 4.° ao
tergito os 2 sulcos longitudinais são simples, indo de margem à margem. '
tergito com quilha mediana muito leve, sem fossa, elevações ou tubérculos lat^
Carenas laterais do 5.® ou 7.° até ao 21.° tergitos. ^
Esternitos 2-20 com 2 sulcos longitudinais completos, melhor visíveis do 4 ^
os dos tergitos. Último estemito com bordas laterais convergentes atrás: ^
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Inst. Butantan,
'■• 15 - 158 , 1946 .
que largo, com depressão mediana e com borda posterior reta nos machos e
IViramente cur^-a nas fêmeas. Campo poroso e apófise coxopleural como em t/.
Kirficar„í.r. O último, longo, cilindrico, com 3 espinhos, sendo 2 colocados na
l»oata e 1 uni pouco mais adiante.
Espinho do canto (“Eckdom”) do último prefêmur, longo, cilindrico, com
^5 espinhos robustos, recurvos. Espinhos no prefêmur de posição « ^m
"^ero de 13 a 16. mais numerosos, portanto, do que em rr. vtndtcornis. 20. prete-
com 2 espinhos na ponta e com 1 no meio; IO.® com 1 espinho so ou, raras
^^ 5 . com 2 numa perna e 1 na outra; 18.° sem espinho algum ou apenas com 1
I eida perna ou numa perna com 1 e na outra sem espinho; 17.° com nenhum
'‘Pinho ou ainda com 1 numa só perna; do 16.° até ao l.° par de pernas não mais
espinho algum na ponta dos prefémures. l.° par de pernas com 1 esporão
prefêmur, no fêmur e na tíbia e com 2 no l.° tarso; 2.° até ao 20.° par apenas
1 esporão tarsal, longo e robusto; 21.» par sem esporão tarsal. Todas as
^'^uns com garra terminal e com 2 esporões na base da garra.
Tipo: No.. 228 da coleção quilopódica do Butantan; fêmea.
Local-tipo: Arredores de Sto. André, perto da Capital de S. Paulo.
Taratipos: Alguns machos e fêmeas adultos, No. 273 da mesma coleção.
'^P^nrados também nos arredores da Capital de São Paulo.
C.\RACTERfSTICOS DIFERENCIAIS
Scolopeudra viridicornis spinipriva, subsf. «. íc distin-
^ de S. V. viridiconns Ncu-p. e S. v. nigra Buccherl:
n) pelo tamanho menor dps adultos;
l>) pek ausência da apófise no articulo terminal do 2.° maxilar;
, c) pela ausência de espinhos na parte superior terminal dos prefémures
fator éste absolutamente seguro, pois êstes espinhos não faltam nem em
*^cntes das duas outras subespécies (Nomen-í/>íni>m-a — privada de
'‘Pinhos).
Scolopcndra svbspinipes Leach, 1815
A Scolopdfuíra subs^inipes é, segundo Attems, encontrada em todos os paises
e subtropicais, excetuada a região mediterrânea.
Ê atualmente subdividida em 5 subespécies, das quais três — a J.
a .5. í. japonica c z S. s. multidcns são encontradas exclusi>^ente no
^*^0- na China e em Java. S. J. dehaam Brandt é privativa da Chma. das
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NOVIDADES SISTEMÁTICAS XA ORDEM SCOLOPESDROMORPHA
Malaias, das índias. Portanto, apenas a 5. s. subspinipes Leach, 1^^
ocorre indistintamente nos paises de clima tropical e subtropical.
Também no Brasil temos exemplares, pertencentes ao grupo
embora nenhum dos A A. se tenha referido espücitamente à subespécie br;
leira. Como no primeiro tempo nós não tenhamos tido em mãos mais do ^1
um ou outro exemplar, sempre temos, em nossos trabalhos, assinalada esta
espécie como sendo ó". J. subspinipes. Agora, entretanto, dispondo já
uma série relativamente grande, o estudo sistemático comparativo destes e.xí<^|
piares nos parecia interessante, sendo que agora descrevemos os exemplares
Brasil como uma nova subespécie:
Scolopcndra subspinipes fulgurans, subsp. n.
Comprimento: (dos adultos, sem amenas e últimas patas) 112-146 mm:
último pre fêmur — 7 mm de compr., 1.8 mm de largura
fêmur 7 mm
tihia 6 mm
I tarso .... 4 mm
II tarso. . . . 1.5 mm
1 .5 mm
1 .2 mm
0.8 mm
0,6 mm
Colornio: Primeiro segmento, tergitos e último segmento, inclusiví
últimas pernas, amarelo marrom; estemitos, pernas e antenas, amarelo cl3^
Todo o corpo, principalmente os tergitos e estemitos apresentam um brilho
(vide nomen), que faz com que se distinga esta subespécie nova facilmente
outras espécies grandes de escolopcndras brasileiras, principalmente as do g*"
viridicornis.
Antenas: com 18 artículos (raras vêzes 19), sendo os 6 basais comp’**^
mente desprovidos de pêlos, enquanto que os restantes artículos apresentam p-*’
uniformes, loiros, densos, curtos.
Placa ccfálicn sem sulcos ou depressões, mas apenas com poros espar*^|
Coxosternum forcipular com leve depressão oblonga no meio da
Placas dentárias fFig. 12) muito pequenas, rudimentares, não atingindo
do que 0,9 mm de largo e 0,8 mm de comprido, parecendo atrofiadas qi'® .
comi«radas com o desenvolvimento das de zdridieornis. Entre as 2 placas mí^l
um espaço, isto é, são bastante separadas entre si. como também do lado
do prefêmur. Dentes das placas dentárias extremamente pequenos e os J
ternos soldados na base, sendo independentes apenas suas pontas terminais.
5.° denticulo é independente em via de regra. Raras vêzes também êste dc®
aliás sempre um pouco maior de que os outros, é mais extenso em largura, í^l
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1946.
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•®cendo. então, constar de 3 denticulos soldados. Sulcos basais das placas den-
■*^5 em linha horizontal, formando 2 pequenas curras (Fig. 12). Apófise
P^fcmura! quase inteiramente ausente. Em lugar dela 4 denticulos muito pe-
^*^os, dos quais os 3 anteriores reunidos num bloco só. Êstes denticulos são
**nda menores do que os das placas dentárias.
Cerda das placas dentárias pequeníssima, nascida numa pequena cavidade
12 ).
Esternitos 2-20 com 2 sulcos longitudinais, que percorrem a placa inteira
*^«itc nos esternitos 6-19; nos anteriores só existem na frente e no 20° mal
j^^ÇCm a metade da placa. Último esternito bem mais longo que largo, com
laterais convergentes e borda posterior fracamente bilobada nos machos,
reta nas fêmeas; com depressão pouco profunda no meio.
Eergitos 3-20 com 3 sulcos longitudinais, muito leves, quase invisiveis no
/ • -A.trás sempre mais reforçados. Carenas laterais do 5.® até ao 21.® (às
somente do 6.® ou 7.®). Último tergito sem sulcos nem depre.ssões.
■Apófise das coxopicuras com 2 espinhos pequenos em cada (raras vezes
titimo prefêmur com 5 espinlios. de posição simétrica, isto é, 1 súpcro-
"'^no mediano, no mesmo nivel do “Eckdom” e. mais ou menos, equidis-
do começo e do fim do prefêmur; 2 internos, dos quais o anterior é
^^or e de posição já mais ventral, e o posterior, maior, do mesmo tamanho
stqjero-intemo ; 2 zenirais, dispostos numa linha reta. sendo o posterior
*lo f .
^itnanho do interno posterior (quando há menos espinhos, trata-se de
*'*®nialia). Apófise do canto de prefêmur ("Eckdorn”) com 2-3 espiculas
**’*nais. 1.® par de pernas sem esporões no prefêmur, fêmur e na tibia e
l^^nas com 1 esporão no primeiro tarso. Tòdas as pernas com subungulas
garras.
^colopcndra subspinipes fulgurans, subsp. n. se distingue de Seol. s.
^Ptnipes Leach: 1." pelo colorido — conq>letamentc unifonne em subsp.
^ Pinipes ou, quando variado, a cabeça e o 1.® tergito são muito mais claros
^ue o resto do corpo, côr de oliva. Em s. fnigurans existe o amarelo
^ ® nas pernas, esternitos e antenas; amarelo marrom nos tergitos e r«ar-
**Íôlo no primeiro e último segmento ; 2.® pela morfologia do coxosternum
^'pular que, na subespécie nova, apresenta uma cavidade no meio da
. placas dentárias muito pequenas ; ausência de apófise prefemural ; den-
ij. prefemurais e das placas dentárias muito pequenas, mas sempre em
constante, enquanto que em subspinipes subspinipes não existe a
as placas dentárias têm proporções normais; a apófise prefemural
'desenvolvida e o número de dentes varia muito (de 4 a 9) ; 3.° os sulcos
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NO\^DADES SISTEMÁTICAS NA ORDEM SCOLOPESDROilORPHA
paramedianos dos tergitos come<;am sempre no 3.® e A-ão até ao 20.° tergit®
na subespécie nova, enquanto que em subspinipes subspinipcs começam ór*
no 3.°, óra no 6.° ou 8.° tergito. As carenas laterais sempre começam
5.° tergito em S. s. fidgitrans, subsp. n., enquanto que em S. s. sitbspirãp*^
há uma variação muito ampla, com início de carenas às vêzes somente depot*
do 10.° tergito, embora a regra seja desde o 5.° ou 7.°; 4.° vigésimo estem»*
com 2 sulcos longitudinais na subespécie nova, ausentes em S". s. subspinipf^'
5.° em S. s. subspinipes o número de espinhos no último prefémur varia ^
3 a 8 os espinhos na apófise do canto de 1 a 5, enquanto que em S. s. fulguro*^^
subsp. n. existem sempre apenas 5 espinhos no prefémur e 3 no canto.
Tipo : Macho adulto, de 132 mm, da Coleção do Instituto Butantan, Xo 1^
Local tipo : Rubião Junior, Sorocabana, Estado de São Paulo.
Paratipos: 2 machos e 3 fêmeas, de Sta. Catarina, Paraná e São Paul°J
Scolopcndra pomacea minúscula, subsp. n.
Medidas ■. Antenas 7 mm de comprimento; Placa cefálica 2,30 mm de coUJ*
primento e 2,50 mm de largura.
Últimas pernas: prefémur 2,30 mm de compr. ; lémur 1,50 mm de comp*’-'
tíbia 1,20 mm de compr.; I tarso 1,00 mm de compr.; II tarso 0,6 mm de compf"
garra terminal 0,50 mm de compr., muito cur\-a.
Comprimento do tronco (sem antenas e últimas patas) : 33,50 mm.
Último estemito: 1,00 mm de largura na frente; 0,50 mm de largura
(como diâmetro na curva) e 1,10 mm de compr. total. Último tergif®' I
1,60 mm de largura na frente e 1,70 de largura atrás e 1,30 mm de comprimeirt^j
Colorido : Antenas, pernas e estemitos amarelo doirados ; placa cefálica '
primeiros dois tergitos amarelo escuros, nitidamente destacados dos outros
gitos, cujos bordos anterior e posterior apresentam uma faixa verde escura.
Antenas sempre com 18 articulos, sendo os primeiros 10 mais largos do
longos e invertendo-se esta relação de medida nos articulos terminais. Os articu-^
basais inteiramente sem pêlos, no 4.° articulo e ainda mais no 5.° a área pilosa,
lado ventral interno, já presente. Lado dorsal externo ainda sem pêlos no 4-* *
parcblmente no quinto (Fig. 13).
Placas dentárias (Fig. 13) mais ou menos tão largas quanto longas,
largas na base do que na sua parte terminal, com 4 dentes pequenos, de igual ^
manho e completamente isolados em cada placa e com 1 pequena cerda logo att^
do 2.° dente interno. Sulcos basais formando um ângulo de 160 graus, mas
continuados além das placas dentárias (Fig. 13). Na área mediana existe
sulco longitudinal anterior, bem nitido.
sulco longitudinal.
Sem cavidade na área mediana, atras
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loít- BaUnian,
“ »S-lSg, IM6.
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Escovas de cerdas do 2P maxilar (“Putzbuesrste”) muito robusta e atin-
a parte terminal da garra. Esta com 2 pequenas garras na base. Porção
*wminal do 3.® artículo com cerdas longas, irregularmente distribuidas; parte
*?>cal apenas com cerdas curtas. Lado ventral, na base da garra terminal sem a
*?otise quitinosa, tão típica em 5". viridicornis. 2.® artículo do mesmo maxilar,
I®rte terminal, com luna cerda robusta (Fig- 13).
Estcrnitos 2-20 com 2 sulcos longitudinais paralelos, muito leves em frente e
*trás, de
maneira que parecem existir apenas na parte mediana de cada placa,
tiino estemito com borda posterior arqueada e com depressão longitudinal
quase imperceptível.
Elaca cefálica cobrindo o 1.® tergito. Sem sulcos ou depressões; apenas com
^*■05 muito esparsos. 1 .® tergito com fossa semi-circular bem nítida ; sem sulcos.
^ e 3 ® tergitos sem sulcos longitudinais. 4.® e às vezes já o 3.® tergitos com
Sulcos posteriores muito curtos. Do 5.® ao 20.® tergito sulcos paramedianos
^'^'‘'píetos. Último tergito ca:^ bordas posteriores quase paralelas (vide medidas)
borda posterior arqueada, fracamente bilobada. No meio deste tergito
uma elevação lisa, semelliante à de S. ziridicornis nigra Buecherl, mas
a quilha.
^oxoplcuras (Fig. 14) com campo poroso mal atingindo a metade das coxo-
Pleu:
Por
Poros nítidos, mas muito menos numerosos do que em S. viridicornis,
«xemplo. Apófise coxopleural pouco saliente, cônica, isto é, com base muito
larga do que a parte terminal, com 3 pequenos espinhos na parte terminal.
^ipitiho na margem lateral. Últimas pernas no prefêmur com 6-7 espinhos
l^aenos, dispostos em 3 filas longitudinais; no lado interno com 2-3 e no lado
interno com 5 espinhos. “Eckdorn” com 4-5 espinhos. Lado superior,
j. dos prefemures das pernas 20 com 2 espinhos muito pequenos. Pre-
1 a 19 sem espinhos no lado terminal dorsal. 1® par de pernas com um
no lado ventral, apical do prefêmur, do fêmur e da tíbia e com 2 espo-
no 1® tarso. Pernas 2-20 com 1 esporão tarsal.
^colopcndra pomacea minuscula, subsp. n. se distingue de 5". poniacea po-
Koch, 1845: 1® pelo habitat — pomacea pomacea é do México; pomacea
'“Jfu/a é de Goyaz ; 2® peio tamanho — a subespécie de Koch mede 60 mm.
nto que os adultos da presente subespécie nova não excedem 34 mm, po-
constatar-se pelo desenvolvimento completo dos órgãos genitais internos que
*cata realmente de adultos; 3® pelo colorido: potnacea pomacea é verde oliva,
pernas amarelas, geralmente com tarsos esverdeados; pomacea minuscula,
n. apresenta faixas verde escuras nas bordas dos tergitos, sendo as pernas
amarelo doirado : 4® Coxostemum f orcipular sem sulco longitudinal media-
^ Pomacea, com sulco mediano na subespécie nova; 5® sulcos paramedianos
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NOVIDADES SISTEMÁTICAS XA ORDEM SCOLOPESDROMORPHA
nos tergitos 2-20 em pomacea pomacea; completos somente nos tergitos 5-20
na subespiécie nova (raras vezes 2 sulcos piosteriores curtos nas placas 4 e 3)-
Carenas laterais em pomacea pomacea presentes somente desde o 16° ou 17° ter-
gito, presentes já no 12° na subespécie nova; 6“ Coxopleuras na margem poste-
rior com 1-2 espinhos em pomacea pomacea; sem êstes espinhos em pomacciJ
minusctila.
Tipo: fêmea No. 461 da coleção quilopódica do Instituto Butantan
Local-tipo: Veadeiros. Estado de Gojtiz
Paratipos: Três exemplares, também de Goyaz.
Cd/iMj O t o st ig mu s Porat, 1876
Otostigmus dcntifusus, sp. n.
Medidas: Comprimento (Sem antenas e últimas patas) 42mm;
Comprimento da placa cefálica 2,7 mm;. 3,6 mm larg-
do primeiro tergito 2,0 mm ; 4,0 mm ”
do segundo ” 0.7 mm ; 3,8 mm
do terceiro ” 1,9 mm; 3,7 mm
do quarto ” 1.1 mm; 3,5 mm
do 21° tergito (no meio) 2.0 mm. no lado carenado
1,5 mm; largura 2.1 mm.
Comprimento da placa dentária 0.4 mm ; 0.4 mm larg.
Última perna: prefêmur 2,2 mm; fêmur 1,9; tiba IB mm; I tarso 1,7 mm:
II tarso 1,2 mm.
Colorido: Fêmures, tibias e primeiros tarsos verdes. Nos últimos três pa-
res de pernas o verde cede suavemente lugar ao roxo. Prefèmures, última por-
ção dos segundos tarsos, parte apical dos femures anteriores, estemitos e ante-
nas amarelo escuros. Pêlos das antenas amarelo doirados. Tergitos côr de cas-
tanha. Primeiro tergito e coxostemum vermelho tijolo.
dníenas: com 17 artículos, dos quais os 2 primeiros não apresentam pê’o
algum, enquanto que o terceiro já apresenta pelos no terço distai. Placas dentá-
rias do coxostemum (Fig. 15) com 4 dentes em cada placa, completamente solda-
dos num bloco só (vide nomen). Atrás uma pequena cerda. nascida em depres-
são redonda. Sulcos basais das placas dentárias formando um ângulo obtuso,
com um curto prolongamento sulcai em ambos os lados. No meio um curto sul-
to sulco mediano longitudinal (Fig. 15). Placas dentárâs tão largas quanto
longas (conf. medidas).
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Injt. ButanUn.
•*-U5-lSí. 1946.
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Placa cefálica iisa. com poucos poros, sem sulcos ou depressão; um pouco
®ais longa do que larga. Sulcos paramedianos dos tergitos presentes desde o 6®
*íe ao 20°. Nos últimos três tergitos os sulcos são muito leves e mal visiveis.
Carenas laterais somente no 21° tergito; do 3° ou 5° ao 19° tergito existem li-
geiros bordos laterais, mas que não abrangem todo o percurso dos lados, como
^ pseudocarenas. Tergitos glabros, sem quilhas ou tubérculos ou rugosidades.
Estcrnitos (Fig. 16) glabros, com uma grande depressão muito pouco pro-
funda e nesta depressão 4 ca\’idades pequenas, sendo 2 medianas e 2 laterais an-
teriores. A media anterior é a maior, enquanto que as 2 laterais nem sempre
^ bem nítidas em todos os estemitos. Sem sulcos longitudinais. 21° estemito
fPig. 16) com borda posterior truncada e bordas laterais convergentes. Qjm
depressão longitudinal mediana.
Pernas: Primeira e segunda ou terceira com 2 esporões tarsais; quarta até
* 18 ou 19 com 1 esporão tarsal; 19 ou 20 e 21 sem esporão. Prefémur, fêmur
^ tíbia do primeiro par de pernas sem esporão.
Não existem caractéres se.xuais externos diferenciais entre machos e fémeas.
Tipo: Macho adulto, da coleção quilopódica do Instituto Butantan. No. 477.
Local~tipo: Arredores de Itanliaem. Estado de São Paulo.
Paratipos: 7 exemplares, machos e fémeas, do mesmo local.
Otostigmm limbatus Meinert, 1886
EHirante o ano de 1S>45 o Instituto Butantan recebeu perto de 80 e-xemplares,
^'tlte machos e fémeas, pertencentes a esta espécie e oriundos principalmente
Estados de Sul do Brasil, a saber, de São Paulo, do Paraná, de Sta. Catha-
e do Rio Grande do Sul. Como já temos constatado no nosso trabalho
Quilópodos do Brasil”, cm 1939, à página 271, os exemplares recebidos
f^^encem tanto a Otostigmus limbatus limbatus Mein., 1886 como a Otostig-
limbatus diminutus Buecherl. 1939 (tion limbatus).
Como o maior número de animais permite uma melhor caracterização de
l. diminutus e sua distinção de O. l. limbatus, damos aqui uma recapitulação
**^'5 minuciosa do que escrevemos «m 1939.
Otostigmus limbatus diminutus
Medidas: (média entre 11 exemplares adultos) — 47 mm de comprimento
antenas e últimas pernas; antenas: 11 mm de comprimento; comprimento
^ placa cefálica 3 mm; largura 2.70 mm. Comprimento do 21° tergito 1,80 mm
meio e 1,25 mm nos lados; largura do mesmo 2 mm. Comprimento do 21*
**lPrnito Imm; largura anterior 1.15 mm: posterior (cm diâmetro da cur\’a)
cm
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NOVIDADES SISTEMÁTICAS XA ORDEM SCOLOPESDROMORPHA
0,70 mm. Última perna: comprimento do prefcmur 2mm; do fêmur 2,14 m®*
tíbia 1,80 mm; I tarso 1,30 mm; II tarso 1 mm.
Comprimento de O. limbatus limbatus Mein., 48 mm. Todas as outras tn*"
didas não são mencionadas pelo A.
Colorido: de O. limbatus limbatus: azul esverdeado ou acastanhado. ^
O. l. diminutus — os 5 artículos basais das antenas e geralmente também os ■
artículos terminais das mesmas; pernas e esternitos amarelo-doirados. Placa
fálica, primeiro segmento do tronco e último segmento inclusive as últimas
nas, amarelo-avermelhado. Tergitos de um amarelo-cinzento, com bordas
rais pretas e 2 estrias enegrecidas ao longo dos dois sulcos episcutais (o coloriá*
preto é típico em O. /. diminutus vivos, podendo êstes ser reconhecidos *
primeira rista por êste desenho; com permanência em álcool, porém, o colori<3*-
preto empalidece aos poucos).
Antenas com 17 artículos em ambas as subespécies. Em O. /. limbatus ■*
artículos basais completamente sem pêlos; em O. l. diminutus apenas 2 artícul*^
basais inteiramente sem pêlos; o 3° artículo já com pêlos numa pequena ár®
pilosa abrangendo já a metade distai interna. Do 5® artículo em diante os
los cobrem o articulo todo. 4 dentes em cada placa dentária em O. l. limbíd**
e cm l. diminutus, Mas na última subespécie os dentes são completamente ^
dados na base embora suas pontas estejam independentes. Placas dentári**
mais longas que largas, com cavidade sub-redonda e 1 cerda. Sulcos basais
O. l. diminutus formando um arco, aberto atrás e com sulco mediano, longib**
dinal, anterior (ausente em O. l. limbatus). O. l. limbatus com sulcos episcutai*
desde o 5® tergito; com carenas laterais somente no 21® e sem quílis medi*'
na. O. l. diminutus já com 2 curtos sulcos anteriores nos tergitos 2, 3 e 4; o®*
tergitos 3 e 4, além disso também com 2 sulcos curtos posteriores. Do 5®
20® tergito com sulcos completos. 21® tergito com curta quilha mediana anteri®^'
terminando numa depressão. Desde o 5® tergito há, ainda, entre os 2 sulc®*
longitudinais, uma ligeira elevação longitudinal a imitar uma quilha. Carco**
laterais só no 21° tergito. Os 5 tergitos precedentes com elevações das bord**
laterais em fórma de pseudo-carenas.
o. l. limbatus com 2 sulcos longitudinais completos nos esternitos 2 a _
e com 2 cavidades medianas. Em O. l. diminutus existem apenas sulcos \ooff'
tudinais anteriores, curtos, nos esternitos 1 a 4. Do 5® ao 20^ qsternito os ã'**]
COS são completos, mas sempre mais nítidos na parte anterior. Desde o 5® ^
ao 20® estemito as 2 cavidades medianas são visíveis. Último esternito um p®*^
co mais largo que longo, com borda posterior quase reta, apenas arredonda*!*
nos cantos.
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5<em. Inst. Bntantac,
>*;US-1S8, 1946.
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O. l. limbatus com 1 esporão tarsal quase iiuâsível no 1® par de pernas; as
outras pernas geralmente sem esporão tarsal; raras vêzes com 1 esporão tarsal
uiuito pequeno. O. l. diminuius com 1 esporão no fêmur e na tíbia do 1° par
de pernas e com ou 1 ou 2 pequenos esporões tarsais nos primeiros três pares
de pernas. Tôdas as outras patas sem esporão tarsal, mas com 2 pequenas gar-
i^as na base da garra terminal.
r«/»o iFêmea adulta, apreendida na Capital de São Paulo e depositada na
eoleção quilopódica do Instituto Butantan^ sob o No. 498.
Parattpos: Uma série de exemplares, machos e fêmeas.
RESUMO ■
O presente trabalho representa as no\ndades sistemáticas encontradas no ma-
terial quilopódico en\nado ao Instituto Butantan pelos fornecedores de ofidios
f outros animais venenosos, durante os anos de 1943 a 1945.
São descritas como novas as seguintes fôrmas: Scolopcndra inorsitans anta-
gônica, subsp. n.; Scolopcndra viridicomis spinipriva, subsp. n. ; Scolopcndra
^ubspinipes fulgaratis, subsp. n. ; Scolopcndra pomacca minuscula, subsp. n. e
Otostigmus dentijusus, sp. n.
Foram estabelecidos novos caractéres morfológicos e invalidados antigos
pura a distinção entre S. zdridiconií e 5'. f. nigra e entre Olostiginus limbatus
limbatus Mein. e O. l. dimimiltis Butcherl. Igualmente fica demonstrado
'^tra Attems, Chamberlin e outros que a presença de espinhos na borda ter-
uiinal dos prefêmures das pernas e o número dêstes espinhos nenhum valor sis-
tcntatico tem para distinguir as subespécies ou mesmo as espécies afins, em Sco-
^opendra viridicomis.
.\BSTRACT
The Chilopoda material, coUected during the three last years by the Insti-
tuto Butantan, São Paulo, Brazil, is classified and the following new species and
*ubspecies are described: Scolopcndra tnorsitans amazônica, n. subsp.; Scolo-
Pondra viridicomis spinipriva, n. subsp.; Scolopcndra subspinipes fulgurans, n.
®ubsp.; Scolopcndra pomacea minuscula, n. subsp. and Otostigmus dentifusus, n. sp.
News morphologic cliaracters for the distinction of S. viridicomis viridi-
^ornis Newp. and S. viridicomis nigra Buecherl are presented, as for Otostigmus
iiinbatus limbatus Mein. and O. limbatus diminutus Buecherl. The worthlessness
specific and subspecific distinctions based on the presence and on the number
spines in the prefemora of Scolopcndra zdridicornis is also proved.
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WOLFGAXG BUECHERL
^ost. Bntantan,
“■'«■ISO, 1946.
A. VALLEJO-FREIRE
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SPOTTED FEVER IX MÉXICO
^»nmnological rclationship betzvecn the virus of lhe rickeltsiosis observed
Sonora and Sinaloa, México, and other Spottcd Fever viruses
BY A. VALLEJO-FREIRE
{From the Virus Laboratory, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
In 1929 an infection identical with Rockj* Mountain Spotted Fever was
l^^orded in Brazil, first in the State of São Paulo (1, 2), then :n Minas
(3), and lately in the State of Rio de Janeiro (4). Cross immunity
made by several investigators (5-9), proved the identity of both infections,
I ^
gave evidence that Rocky Mountain Spotted Fever, transmitted to man
efly by Ixodidae of the genus Dcrmaccnlor and possibly by Amblyomma
^^anum (20), is immunologically identical with São Paulo and Minas Gerais
í^-ted Fever, transmitted by ticks of the genus Amblyomma.
More recently (10,11), under the name of "Fiebre petequial de Tobia”, an
^ion has been described in Colombia the clinxal characteristics of
resemble those of the Rocky Mountain Spotted Fever group. Am-
I yontMia cajcnnensc, found spontaneously infected was indicated as one of the
responsible for the transmission of the disease (10). Preliminarj'
Ppitection tests against Rocky Mountain Spotted Fever, made vàth serum of
=«bre petequial de Tobia” cases, showed that both infections are identical.
L Hence, presently, Spotted Fever has been recorded and thoroughly studied
■ America in several regions of only three countries, namely in the United
Brazil (São Paulo, Minas Gerais and Rio de Janeiro) and Colombia-
(T,
obia).
a vírus stram
In other paper (12) we studied several properties of
vi/ rickettsiosis, isolated from a suspected human case of Spotted Fever
Ic ^bnically identified with several other cases lately recorded in the States of
and Sinaloa
and Sinaloa (México).
L strain studied by us showed, in laboratory animais, an experimental
Ij* '"onr similar to that of the most virulent strains isolated from severe
I ^tcd Fever cases, either in the United States, or in Brazil, with a possible
lEotn
eguc para publicação em outubro de 1SM5).
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SPOTTED FEVER IX MÉXICO
greater tendenc)- to scrotal reactions in guinea-pigs. Theíe findings confir*!
the preliminary papers of Bustamante and Varela (13, 14), who conclude tWl
owing to the clinicai characteristics of the infection in man, the epidemiologit^j
data, the mortality and clinicai aspect of the infection in the guinea-pig, Sonor*j
and Sinaloa cases resemble Rock)- Mountain Spotted Fever.
In the mentioned paper (12) we describe certain cultural characterÍ5tk*j
of the rickettsia and show that the Ixodidae of the genus Amblyomma (-•í’*'|
blyomma striatum) are able to infect themselves on guinea-pigs during *^1
period of virus’ circulation and transmit the disease by biting other aninials-
AIl these experimental results would suggest that the exanthematic inf^"
tion. known as “Fiebre pinta” or “Fiebre de Choix”, recognized among
populations of rural zones of the States of Sonora and Sinaloa, is identic^j
with Rock)- Mountain Spotted Fever.
The study of the immunological identity of the virus recently isolated
Bustamante and Vareta in México is therefore of high importance, sincc M
might confirm the suspkion held by several investigators that the gec*grapl*^j
distribution of the infection is much wider than pointed out until presentllT
In this paper we report the results of experiments made with the purpo^l
of studying the immunological properties of this new Mexican rickettsiosis vit*l
by means of cross immunity and neutralization tests against strains of Spott*^l
Fever virus isolated in certain regions of the State of São Paulo. We s^l
also report experiments on the protcctive value of vaccines prepared
the viruses of São Paulo and Rocky Mountain Spotted Fever against
“Fiebre de Choix”.
EXPERI.ME.\TAL
Material and mcthods
A. Virus sirain
1. BV strain. Reccived from Mmíco, where it was isolated froin a human caí*'
“ Fiebre pinta " by Bustamante and Varela and sent to us in a female of OrmthodoroS ^
fed on infected animal. Received in our laboratoo- on December llth, 1944 and mainC
by passages in guinea-pigs.
2. S strain. Isolated from B. S., who died from Spotted Fes-er in June, 1^*’ j
Araras, State of São Paulo. At the beginning of this study it countcd 184 serial paí
in guinea-pigs.
3. L. strain. Isolated from spontaneously infected Amblyomma cajennense n)inph ^
moved from a hare in Araras, State of São Paulo, in September, 1942. Nurnber of paí
at the beginning of this study: 86.
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Inst. BuUnUn,
*’-159-IíO. 1946.
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sirain. Derived from a batch o£ adult Amblyomma cajenHitisc specimens. found
•fxwaneously iníected and rcmoved from a horse in Loreto, near the citj’ of Araras, in
■'ogust, 1942. 101 passages in gninea-pigs.
AU the three viras strains isolated in São Paulo are highly viralent and pros-ed an-
'■íenically iUentical in experiments carried out in our laboratory.
^ The number of passages in guinea-pigs of each of the virases used in the tests will
* marked in parenthesis immediately behind the letter of the strain.
yirus blood
Obtained by cardiac puncture from guinea-pigs experimentally inoculated with infectious
'’'*tfrial on the secoad or third day of thermic reaction. The blood was received in sodium
^^tc solution to prevent coagulation or shaken with glass beads immediately after bleeding.
larger amounts of inoculmn were required, blood samples of several guinea-pigs were
l^jled and allowed to stand overnight in the ice-box, while the stcrility tests were pcr-
''^nied.
Occasionally, mi.xtures of two antigenically identical viras strains were made: these
are especially indicated in the tcxt
^mmune-protectht strum
The animais, rabbits or guinea-pigs, which survivcd infection and were employed fci
^^'•'fijaion of immune seram containing protective antibodies. were bled through the hean
* fíw days after the last day of temperature os-cr 39.6®C. The blood was allowed to clci
foom temperature for onc hour and then placcd in the ice-box (-f 4°C) whcre it was
* Overnight. After separation, the seram was stored at 4°C.
The amounts of seram used in the neutralization tests were deliberately high, since
^'ad only the intention to pros-e the immunological identity of the sarious strains, disre-
***^*^■0» the quantitative estimation of horoologous antibodies.
Guinfa-f^igs
, All animais inoculated with BV viras strains were kept under observation in wcll iso-
cages, far from any contact with animais infected with other Spotted Fever viras
under study in the laborator}'.
the comparative tesU for the antigenie properties of different viras strains we have
^oycd guinea-pigs weighing from 350 to 370 gr. In groupe tests wc have always tricd
animais from the same breeding. The animais were checked daily, and the rcctal
^***^ature taken once or twice a day. The curses show the tempet atures takcn between
^^^and 1:00 p.m. 39°C. was considered the maximum normal temperature limit for
^*®*‘PÍgs. Temperatures exceeding this maximum limit are black printed in the curves.
■ CROSS IMMUNTTY BETWEEK THE VIRUS OF THE NEW .\1EX1CAN
RICKETTSIOSIS AND THE SPOTTED FEVER VÍRUS
I Protcction agahist lhe Mexican zirus shmcn by guinea-pigs recovering
Spotted Fever — In early experiments on the therapeutie action oi
(sodium salt), a large number of guinea-pigs were inoculated with
of a mixture of São Paulo Spotted Fever virus-blood. From those
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SPOTTED FEVER IX MÉXICO
animais, 23 sumved t\-pical, but comparatively benign iníection, including in :hi’
total number several animais used as Controls for virus activity. In this teít
the action of penicillin was nihil. no intluence being detected upon infection-
coursc or mortalit)' rate in relation to untreated Controls.
We took advantage of the rare opportunity of having at our disposal su<i
a large number of animais surnving an infection produced under unifon»
conditions, in order to test the protection against the homolc^ous ^nrus, as
as against the Mexican \’irus.
Twenty days after the infective inoculation, and 4 to 7 days after th*
temperature fali, the animais were bled from the heart and the sera (1.5
2 cc. from each guinea-pig) pooled and stored at -rd°C.
The animais remained under obserration for another 5 days after bleediná-
in order to exclude those dying from heart puncture.
The survived guinea-pigs .were thereupon .reinoculated intraperitoneallj'
as follows:
12 with 0.5 cc. of BV virus-blood (México)
11 with 0.5 cc. of F-f-S ^drus-blood (São Paulo, Brazil)
10 normal guinea-pigs served as Controls of the virus activity
5 inoculated with 0.5 cc. of BV virus and
5 with 0.5 cc. of a virus-blood mixture prepared with the blood
guinea-pigs infected with F or S strains.
All inoculated animal remained under obser\ation for a fortnight "'he®
the survivors were killed for examination of the internai lesions.
The behaviour of the Controls was satisfactoiy-, since all the animais react<^
tj*pically and showed at the necropsy lesions common to the most virulent Sp®*'
ted Fever strains. The guinea-pigs inoculated either with homologous vir’*''
or with B\' virus, displayed complete protection against infection and deati*’
Animais No. 5 and No. 16 apparently did not die from Spotted Fever,
no post-mortem alterations were found to support this diagnosis; in onc <**
them we found a small abcess in the rectum, probably caused by the introducti<**
of the thermometer as the temperature ^^'as taken. In another sun'i’^'
guinea-pig No. 9, there was at necropsy a slightly large, congested spleen, ^
two hepatic abcesses were also detected.
All test animais, in contrast with the Controls, failed to show any le?*^
suggestive of Spotted Fever. No conspicuous spleen enlargement was observe®^
although discrete congestion of the organ lias been recorded in some cases 3”''
among the male animais not a single scrotal reaction was found.
The significance of these findings is espiecially pointed out, since sueb
complete protection is very seldom observed.
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Inst. Butantan,
“ ISS-IM. 1946.
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TABLE 1
Cross immunity. Comparative sludy of the behaziour of spolted fever
sttn-ived guinea-pigs, rcinoculated zíith homologous zdrus and BV
strain of Mexican rickettsiosis z-trus
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SPOTTED FEVER IX MÉXICO
b) Prcsencc of proteclive antibodies against BV ztrus in scra of guincü"
‘pigs rccoveríng from São Paido Spotied Fevcr — In order to confirm th*
preceding results another test was set up wth a mixture of sera collectcd
from guinea-pigs used in the former experiment. Ten guinea-pigs wert
inoculated :
5 with 2 cc. of the mixture of guinea-pigs con\'alescent sera -j- 0.30
of “F” virus-blood. and
5 with 2 cc. of the mixture of the same serum -f- 0,30 cc. of ‘■B\
virus-blood.
The serum-virus mixture were kept for one hour at room temperature
(18-20°C.) and then inoculated intraperitoneally in guinea-pigs. For each viruí
tj^pe three Controls were included, which received the same amounts of normal
guinea-pigs serum and virulent material.' After 15 days of obseivation, the
survived animais were killed and examined for internai lesions.
TABLE II
Guinea-pigs inoculated zeith mixture of guinea-pigs comvlcscent Spottcd Fczvr
sera and “B\’” strain of Mcxiean rickettsiosis zdrus. Comparison
xath inixtures prepared with homologous virus
1 “bv" s t n a I n
I UtXICAN VIRUS *
V,” strain
SAO PAULO VIRUS
1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 ! 1 1 1 1
1 ftATS ^ 10 10
%. r
i 1 1 1 i I I I I 1 1 1 1 1 1
1 PAV0 » •• 1»
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IfO
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201
■cc
■ C4
■C6
102
103
«•C4
>•16
202
MM
1*4
MC6
CONTROLS
CONTROLS
202
♦ ♦
105
• « •
204
205
«*•
107
* •
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^tüí. Injt. Bntantan,
•*'lí9-IÍ0, 1946.
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Table II gives the temperature curves oí the guinea-pigs, as well as the
®>tcnsity of the lesions of the internai organs. The results obtained show a
®itÍ5{actory protection against the homologous virus. as well as against
*hains, although the contrcJs have not exhibited a verj- intense themiic reaction,
perhaps, to a spoiling eifect of the room temperature upon the small dose
•^f virulent material used.
ConcUtsion — Guinea-pigs recovering from infection with Brazilian Spotted
Pe\er ^•irus (São Paulo), show solid protection against Sonora and Sinaloa
*^kettsiosis.
Immune sera obtained from guinea-pigs alter experimental infection with
São Paulo Spotted Fever virus during the first week after temperature fali
^tain protective antitiodies against both the homologous (F) and the Mexican
(BV) viruses.
3. NEUTRALIZATIOX TESTS WITH RABBIT AXTI-RICKETTSIAL
IMMUXE SERUM
a) K cutralization test pcrfouicd with BV zdrus and Spotted Fever con-
^Uscent rabbit seriini ■ — The immune-serum mixture used in this test was
P^^lcd from 10 rabbits which suiAÚved infection causcd inoculation of viru-
blood of a guinea-pig infected with strain S. Thesc nabbits 'had been
*^ployed in the production of Spotted Fever vaccine for ihe íceding of
^^nblyomma cajennense nj-mphs, already infected in lhe larval stage, also with
S. The animais were bled 6 to 10 days after fali of temperature.
'Wil-Felix reaction of the sera mixture showed the following titers: B. proteus
0X19 (1/320), 0X2 (1/80) and OXK (1/160).
For lhe neutralization test. mixture of 2 cc. of immune senim and 0.30 cc.
virus-blood were used after iilcubation at room temperature (about
2 íK:.) for one hour. The Controls received the ^me mixture containing
^'onnal rabbit serum instead of immune serum.
Five guinea-pigs were injected subcutaneously with mixture of imune
^''ti-S serum and F virus {101). five others with immune anti-S serum and L
^rtis and ten with immune anti-S serum and BV virus (5). Ten Controls re-
^'ved a mixture of normal rabbit .serum and virus; ihree, the F strain (101),
*'*'0. the L virus and five, the BV virus-blood (5). Three of the lattcr received
material used in the first five guinea-pigs and two that of the five last ones.
The animais were observed during 15 days (Table III).
The neutralization of the Mexican virus by the immune anti-S serum was
*^omplete in lhe eight animais which lived until the end of the observation. Gui-
*’^-pig Xo. 144 died during the period of incubation from a cause unrelated
the experiment. and guinea-pig Xo. 030 did not present any reaction fior
*>'pical Spotted Fever lesion.
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SPOTTED FEVER IX MÉXICO
The results of the protection gained by the immune anti-S serum against
the F and L strains were also satisíactor)-. The neutralization was complete
for the L strain; as to the F vinis, only guinea-pig Xo. 030 suífered delayed
thermic reaction, with temperature over 40®C., beginning on the 12th day ot
inoculatioii and lasting only until the 15th. Post-mortem, there were alterations
of moderate intensity, with a more or less enlarged spleen.
b) Neutralization tcst uith immune anti-BV serum S São Paulo riekctf-
stosis vmis — The serum of rabbits infected with B\’’ virus (6) and bled a fe'*'
days after temperature fali was used for the protection test against strain S ot
Sao Paulo Spotted Fever virus. Since only three rabbits were a\-ailable and
only a small serum volume could be obtained, we were obliged to reduce the
number of guinea-pigs in the test.
TABLE III
A cutrahzalfon test. Behaznour of guinea-pigs inoculated 'u-itlt mixíure of
antt-S Sao Paulo Spotted Fez-er convalescent rabbit serum and zdrtis v
B\' (México), F and L (São Paulo)
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Inst. BnUatan,
'*:I5».180, 1946.
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Six inale guinea-pigs were injected subcutaneously with 2.5 cc. of a mixture
^ ~ cc. rabbit serum and 0.5 cc. \-iru5-blood, prepared at the nioment oí injec-
The test animais received immune serum and the Controls normal rabbit
Of the test guinea-pigs, three were injected \%-ith mbcture of serum and
^’'*nologous virus and the other three with serum and S virus-blood (?<?).
The protection obtained by anti-BV serum (table IV) was complete against
^ 'irus (98), as w-ell as against the homologous virus. Xotwãthstanding the
-tiall number of animais included in the test, the results obtained are highly
‘isnificant, because of the high \nrulence of the virus-blood strains used. as
*own by the reactions, mortality and lesions in the control group. Of the three
TABLE IV
^futralization test. Results of iiioculations of guinea-pigs unth mixture of
anti-BV eonvalescent serum and S São Paulo spotted fever i-irus
as comparcd inih mi.vtures of homologous z^irus
BV s T R A I N
mexican virus
STR A 1 N
PAULO VIRUS
I I I I ~ r I I I I I i~r
»3S
«3S
»3r
T I I I I I I I I r I
• BAYS S 10
641
642
643
*3a
*3»
64o
CONTROLS
CONTROLS
6441
64S>
e4e<
'^trols injected with B\' virus and normal rabbit serum, two suffered scrotal
f**ction of moderate intensivity, whereas none of the three animais injected with
’'>iniune serum presented edema of the scrotum skin or, at necropsy, inflamma-
of the vaginais or any other alteration of the type of those which oceur
at
^ses of scrotal reactions.
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Conclusion — The results oi the virus neutralization testi prove that tbf
immune anti-S serum, obtained from rabbits recovering from experimental
Spotted Fever by S \nrus strain, isolated in the State of São Paulo from *
human case, contains antibodies capable not only ot neutralizing other straio*
of viruses (F and L), isolated in the State of São Paulo from spontaneously bi'
fected Ixodidae, but also the BV virus of the new Mexican rickettsiosis.
In the same way, anti-B\' serum of rabbits convalescing from the Mexica*
rickettsiosis under study, gave a fair protection against S virus of São Pau!'’
Spotted Fever.
3. STUDY OX THE PROTECTIOX SHOWX BY SPOTTED FEVER
V.A,CCIXATED GUIXE.VPIGS AG.A.IXST THE VIRUS OF THE XE\V
MEXICAX RICKETTSIOSIS
a) Spcncer-Parker z-accinc (Butantan) — Fourteen guinea-pigs were vi^
cinated subcutaneously with a single dose of 1 cc. of vaccine. Iiatch No. 2^^'
prepared with Amblyomma cajenncnsc by the Spencer-Parker method at But3®j
tan Institute (*). Fourteen days after vaccination, the animais were divid*"
into two equal groups and inoculated intraperitoneally with 0.5 cc. of viru-*'.
blood; the first group received BV virus and the second F virus. Two nom’*^
guinea-pigs were used as Controls for each virus. All the animais remained u®*
der obseiwation for 15 days.
The immunizing potency of this i-accine batch proved satisfactorv- (Table V>;
sinoe among the 7 guinea-pigs inoculated with the homologous São Paulo ^
virus. 6 suiwived the infection without any thermic reactions and only 1 sho've-
sj-mptoms and died. No alterations of the peritoneal organs were found, excef*
in the only guinca-pig (No. 256) whkh reacted with more or less tj-pical
of temperature.
The guinea-pigs vaccinated and inoculated with BV virus displayed an
ficient protection in regard to mortality, but only a partial protection as to
e\*olution of the infection. This, however, was almost always benign, witho***
very typical temperature cur\’es.
Only one guinea-pig (No. 247) showed complete protection: three othe**
had a longer incubation period than the Controls and temperature cui^-es wh'’-^
remained high only for two days in one case, (No. 249) and for three days *•
another case (No. 253). Two animais reatted t\-pically.
(•) For details conceming the technique of producing this vaccine see: Travassos-
& Vallejo-Freire, A. Xovos dados sobre a biologia de Ixodidae. Criação artificial do
blyomm<j cajennense para o preparo da vacina contra a Febre Maculosa. .t/cm. Inst.
tüH/Jn, 18:145-236. 1944/45.
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b) Cox vaccine (Rocky Mountain Laboratory, Hamilton, Montana) "
Twelve male guinea-pigs were ^•accinated subcutaneously with 1 cc. oi Cox
cine against Rocky Mountain Spotted Fever prepared at the Rocky Mounia*
Laboratory, in Montana. One animal died two days aíter vaccination froW *
cause unrelated to the experiment. After 14 days, 6 guinea-pigs were inoculai*^
intraperitoneally with 0.5 cc. of BV ^drus-blood (7) and íive other with 0.5 ^
oi L virus-blood (104).
For each virus 2 male Controls were inoculated with the same volume ot
inoculum, also through the peritoneal route.
As sho\\’n in table VI, the protection obtained was e.\cellent regarding botl*
BV (Mexican) and L (São Paulo) strains.
Only one of the guinea-pigs inoculated with Mexican virus and two oi
L virus showed, at necropsj-, marked spleen enlargement, gi^dng evideiKe
inapparent infection. AU the Controls exhibited thermic and scrotal reactio®*
and died; post-mortem there were the characteristic internai lesions.
TABLE VI
Guinea-pigs vaccinatcd unth a single dose of 1 cc. of Cox vaccine, prepaff^
by the Rocky Mountain Laboratory against Rocky Mountahi Spotted Fc'S^’
Obtained protection against BV virus (Mexican rickettsiosis) and L strS^
of São Paulo Spotted Fever
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•* >5>-IÍ0, 19 * 6 .
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In this test only male aninials were used and a 100% scrotal reactions
°^ned with BV strain, thus enabling us to determine the influence of im-
induced by Cox vacdne in preventing the action of the rickettsiae upon
túnica vaginalis and the scrotum of the inoculated animais.
Among the vaccinated guinea-pigs not a single case of scrotal reaction was
°^n.'ed, not even the initial edema of the scrotal sac skin. Both the B\’ >41115
'^otfols showed scrotal reactions of moderate intensity, \vith marked swelling,
^'**norrhages and necrosis of the scrotum skin. At necropsy, adherence of the
*'wica caused by inflammation or necrosis, desintegration of the polar fat of
testis and sometiraes ver>’ discrete periorchitis were obsencd.
The tests here reported show the high protective value of the Cox raccine,
P^fpared with antigens from Rocky Mountain Sjxjtted Fever cases, against the
^Ificican virus those isolated from Spotted Fever cases in São Paulo, as des-
^bed against the São Paulo virus.
The neutralization tests leave, hence, Httle doubt conceming the identity of
'be \iruses isolated in the United States. Brazil and México.
4. WEIL-FELIX REACTION IN R.\BB1TS
After determining the immunological identity betwecn the BV strain of the
^^cxican virus and those isolated from Spotted Fever cases in São Paulo, as des-
^bed abovc, we have studied the Weil-Felix reactions during the course of the
^P^mental infection in rabbits. Bustamante and Varela (13), when studying
action of the Mexican virus Ufjon the Weil-Felix reaction in rabbits. were un-
*ble to prove the existcnce of a^iutinins in animais bled 11 days after infective
'''‘^nlation.
In our experiments, several rabbits of about 2 kg. were inoculated intra-
1^'toneally with infected guinea-pig virus-blood. Xumbers 1 and 4 with 0.5 cc.
jbc remaining with 2 cc. They wre all bled 11, 15, 18, 25, 30 and 35 days
_ In the majority of the animais, blceding coincided with the end of the
'■>rns’ circulation period, and all the rabbits showed eithcr tcmperature of 40^C.
'■ above or were at the beginning of recovciy ; the further bleedings were made
^'eral days after the fali of temperature. Only the rabbits that li\-ed until the
of the test were taken into considcration. The partial results obtained and
included in the table were similar to those quoted.
The Weil-FcJix reaction was perfornied with four races of Proteus: 0X19, 0X2, OXK
OXL. The first ihree, received from A. Felix, and the lattcr, front the Instituto Adolfo
•Ri, Paula The>’ have been maintained for sometime at lhe Butantan Institutc in
'R agar, without condensation water. Bcfore the prcparation of the agglutinable sus-
plate cultures were made, and S cultures used to inoculate ordinary agar, whfc.n
allowed to stand at 37“C. for 48 hours.
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SPOTTED FEVER IX MÉXICO
Suspensions oi alive germs vrere used, at a concentration corresponding to MacFarlanJ"*
tube 3, the suspensions being tested for roughncss, according to \\Tiite’s tesL
The tests were read macroscopically after 4 hours' inoculation in a water bath
37°C. and again after 18 hours in the ice-box at 0®C
Table \'II gives the results of the Weil-FelLx reaction in three rahbits ino-
culated with Sao Paulo Spotted Fever \-irus, and in four others inoculated
Mexican BV virus.
Agglutinins for Proteus 0X19, 0X2 and OXL were practicallv absent in tbt
pooled sera from rabbits before the infective inoculation.
Only in one case a titer above 1 ;20 was recorded with the 0X2 strain
the serum of rabbit Xo. 6 (1:80).
TABLE VII
Wcil-Feltx rcactwn in rabbits inoculated tcitb Mexican and São Paulo i-i’^
VIRUS
flO
«a
ce
temperature s
INOCULATED RABB.ITS
t «o
o
í
ACCLUriNATION TITER
0
1 1
5
la
25
30
r*
SÃO PAULO STRAIN
1
1 ' ' ' ' L ‘ ' 1 1 1 1 1 1 1 1
0 OAYS s 10 15
1
CXI9
0X2
CXX
CXL
0
10
10
0
320
160
20
320
320
160
10
320
160
80
10
80
! 80
40
10
80
2
0X19
CX2
oxx
nxT.
0
20
80
0
80
320
40
160
60
320
40
160
80
160
40
80
10
10
20
10
10
0
10
0
3
T
1
0X19
0X2
CIK
OXL
0
10
320
10
40
640
640
40
L.
40
320
640
160
80
320
160
160
40
80
40
40
40
80
30
40
STRAIN
4
0X19
0X2
OXX
OXT,
0
0
10
0
160
1260
10
flO
80
640
10
80
80
640
10
40
40
320
20
40
lO
0
0
40
80
40
90
20
lO
30
20
- 1
4
0X19
0X2
OXK
OXT.
10
0
10
0
10
80
10
10
:o
80
10
10
10
80
10
10
10
30
0
10
2
<
1
‘i
0X19
0X2
OXX
OXL
0
SO ;
S40 :
20 ;
80
160l
320
160 1
1
80
320
320
320
80
320
80
80
30
320
40
80
X
u
2
7
r
0X19
0X2
OXX
0X1.
0 '
10
10 j
10
0 !
10 j
10
10 1
i
160
160
80
320
160
40
80
160
40 1
L°l
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14
Inst. Butantan.
** ISS-180, 1946.
A. VALLEJO-FREIRE
173
The Weil-Felix reaction shows sometimes considerably high títers in nor-
rabbits with Protcus OXK; positive reactions are frequently found at the
"^ution of 1 :80 or above. In three o{ the seven rabbits employed in this study,
I^tive reactions were recorded at considerably high dilutions ( 1 :80, 1 :320 and
In connection with this obser\ation, it must be emphasized that spedal
has been given to the technique of the reaction by using only emulsions free
H antigen and submitted to Whites test, in order to exclude non-specific
^?Slutination. Besides, all the reactions have been niade separately on the day
*®®ediately following bleeding and repeated in a group test with the sanie bac-
suspension.
Telix (16) lias also recorded sometimes high titers for 0X2 and OXK, in
rabbits, never exceeding, however, 1 :50. This investigator does not
*®®sider these rabbits as “normal”, suggesting that these high titers would lie
*'^unted for by infections. provoked in rabbits by Protcus z^ulgaris, which
^'‘sscsses the same g^oup antigens as the strains of Protcus X. Therefore, he
*^scs, in studies on the Weil-Felix reaction, only the use of rabbit sera the
‘•^s of which do not exceed 1 :20.
In the present paper we are including as additional evidence the results of
Weil-FelLx reaction performed in rabbits, which have presented high titers
Protcus OXK before inoculation, in order to verify once more the non-
■^fluence of the action of São Paulo Spotted Fever virus and also of the drus
the new Mcxican rickettsiosis upon Protcus OXK.
The Weil-Felix reaction was practically identical in the rabbits inoculated
'['th BV virus-<blood, and in those inoculated with São Paulo Spotted Fever
^tus. All the animais, with only one cxception (Xo. 5), showed significant
■««•ease in agglutination titer for X19, X2 and XL strains. On the contrarj-,
stgnificant increase in agglutinins for Protcus XK was verified except in the
l^t rabbit, the original titer (1 ;10) of which increased to 1 :80 eighteen days after
*'®*^lation ; in the other rabbits no increase at all was recorded, but rather a
'^case during the period of observation.
The highest titers for 0X19, 0X2 and OXL were recorded on the llth day
inoculation, corresponding to the final period of thermic reaction on the
”®Pnning of normalization of teniperature. The agglutinin content remained
'l^hle for about 14 days and then decreased, reaching again the original
*‘lers between the 30th and 35th day after inoculation, or 20 to 25 days after
fali of temperature.
Usually, the titers for Protcus X2 strains were higher than for Protcus X19
'he rabbits inoculated with both virus strains. This fact has already been
"^ribed for the São Paulo Spotted Fever virus by Travassos and Monteiro (17),
by Davis and Parker (19) for the Rocky Mountain Spotted Fever virus.
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With Proteits OXL the differences were not frequent enough to be sigi***]!
ficant, and to a certain extent, a parallelism with the Proteus 0X19 titers
observed.
Rabbit Xo. 7 did not present a conspicuous thermic reaction, showing tiH*" ,
perature above 39.6°C. only on the 9th and lOth day. The Weil-Felix rcactio®]
on the 11 th day was negative; on the second bleeding, however, 18 days atif^J
inoculation, in spite of the mildness of the reaction, agglutination titers increaií^ J
for the four strains, but decreased much faster than in the other animais, whicl>i|
showed more serious sj-mptoms and more typical temperature cuiwe.
The possible meaning of these high OXK titers in our rabbits coming fron’
the breeding place and their decrease during the stay in the laboratory
inoculation with São Paulo Spotted Fever virus is being submitted to furtbtf
investigation.
DISCUSSIOX
The obser%'ations presented in this paper afford sufficient evidence that the
nrus of the new human rickettsiosis, isolated in México, in the States of Sonot»
and Sinaloa by Bustamante and Varela, may be considered inununologicallf
identical with the Spotted Fever viruses.
Cross immunity and neutralization tcsts carried out comparatively wnth Sá£* |
Paulo Spotted Fever virus and with tlie virus of the Mexican rickettsio?Í5. ^
well as the behaviour of the Weil-Felix reaction in experimentally inoculate<í
rabbits, led to the conclusion that the rickettsiae responsible for both infectio^
have a similar, if not identical antigenic structure.
This identity is evident in regard to virus strains obtained from hunta**
cases, as well as to strains of spontaneously infected Amblyomtna striatinn
.-1 inblyawina cajcttncnsc.
The protection against the Mexican virus shown by guinea-pigs inoculate<í
with a tick-vaccine against São Paulo Spotted Fever, and above all with an ciT?'
vaccine against Rocky Mountain Spotted Fever, together with the proved i"’"
munological identity of the São Paulo and Rocky Mountain Spotted Fevef
viruses (7-11) and the known experimental transmission of the Mexican ricked'
siosis by Auiblyomtna striatum, allows the inclusion of the etiological agent o*
the “Fiebre pinta” or "Fiebre de Choi.x” in the genus Dcnnaccntroxci'*^
Wolbach, 1919, in spite of the fact that up to now no spontaneously infecte^
tick species has been found either in Sonora or Sinaloa.
If we adopt Philip’s (18) classification of pathogenic rickettsiae, as a teiH'
porary nomenclature basis, the rickettsia of Mexican Spotted Fever would b*
included in the genus Rickettsia Rocha Lima, 1916, subgemis Dcrmaccntroxc"^^
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BntanUn,
*’ »»- 180 , 1946 .
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o^bach, 1919, species rickettsi (Wolhach, 1919), i. e., the same found in
^*9'’ Mountain Spotted Fever as well as in the Spotted Fevers occurring in
^il and in Colombia.
According to Pinkerton and Hass (21), the difterentiation between the
|’'^'tt5ia of the typhus group infections (Rkkettsia prozvazeki Rocha Lima,
*o) and those belonging to the genus Dennaccntroxcnus (name given origi-
by Wolbach (22) to the rickettsia responsible for Spotted Fever) could
iíaíed on the fact that the latter are visible within the nuclei of the infected
*^5ues, whereas the former are only found in the cjtoplasm.
According to Hass and Pinkerton (23), the rickettsia of “boutopneqse”
should also be included in the genus Dermaccntroxcnus, since it is also
/^nd within the nuclei of the tissues of Rhipkcphaltis sanguineus, as well as
^>ssue cultures. This fact, together with the positive cross immunity tests
''een the “boutonneuse” and the Rockj- Mountain Spotted Fever (24), enabled
^ authors to place the so called “boutonneuse” fever in the Spotted Fever
^Ciup jj jj jjgQ possible by means of cross immunity tests, to enroll South
’ tick-bite fever among infections of this group. which quite increases
^’st of Spotted Fevers outside the American continent.
Por the Spotted Fevers occurring outside the United States, several names
been proposed, recalling either the geographic distribution of the disease
Pitbre de Tobia”, “Fiebre de Choix”, “Kenya fever", etc.), or certain
‘^'ilcing symptom, such as in “Fiebre pintó”, “Fiebre petequial”, “Fièvre bouton-
• Other denominations such as “São Paulo and Minas Gerais cxanthe-
****l'c tj-phus”, may be considered as misgiven.
ín the last case, the name “Exanthematic typhus”. brings practical incon-
'nccs for the establishment of an adequate treatment and control of the
•^is
To those not acquainted enough with the charaaeristics of the rickett-
roost frequently found in Brazil. that name reminds infections of the
group. rickettsioses caused by Rickettsia prcncazcki and transmitted
'*'*gh the bite of human louse or flea. Laj-men and even physicians of certain
rcgions, when facing the Spotted Fever diagnosis made by official labora-
^^'5 under the heading “Exanthematic typhus” have often taken wrong or
**^cssarA- epidemiological measures.
The denomination “Spotted Fever” should be adopted for all exanthematic
infections transmitted by Ixodidae and immunologically related to the
Reccntly, Plotz, Reagan and Wertman (25) by means of complement íixation
with rickettsial antigen of tissue cultures, were abie to distinguish the boutonneuse
*' »irus from that of the Rocky Mountain Spotted Fei-er.
*
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rickettsioses formerly found in the Rock)' Mountain region, ín the Unit*^
States. The nanie “Spotted Fever”, although derived from s)inptoms comnic^
to several infections, will not bring confusion with other infectious diseascs,
even with other rickettsiosis of the t)'phus group. Its use in the medicai
rature already reminds a well studied and individualized morbid entity.
Hence, for priority’s reason, all infections that are or will be related
the so called Rock)- Mountain Spotted Fe^•er should be called “Spod*^
Fever” (*•). If we use the name “Rock)' Mountain Spotted Fe\'er” for otbef
rickettsiosis of this group, we will have to face the significant inconvenience <>*
a geographic limitation, preventing its generalization.
For the same reason, we cannot adopt the denomination “American Spotted
Fever”, suggested by Bustamente and \’arela, nor any other name which includ**
in its designation any specification concerning a city, region, countr)' or continesi**
since as we have pointed out, there are or might be recorded tick transmitte^
rickettsioses in countries outside the American continent, the viruses of whi-^
present an immunological behaviour related to that of the Spotted Fever groop'
There is “Spotted Fe>’er” in the Rock)- Mountains (United States), ^
São Paulo. Minas Gerais (Brazil), in Tobia (Colombia), in Sonora, Siual®*
(México), etc., as well as there is Malaria, Yellow Fever. etc. in so
regions of the world.
It is probable that new foci of Spotted Fever will be detected mainly
those regions. where Ixodidae are abundant and can feed on man. Being
infection which essentially strikes rural zones, Spotted Fever is usually diagno.^í^
only after serious cases are reported in sufficient number to attract attentio*
such as has been the case in Brazil, in Colombia and now in México. In Brai^
the new foci that presented a considerable number of cases, could usually ^
traced back to a loss of balance in the normal tick biolog)', due to the introduetio*
of means which favoured an e.xaggerated increase of its population.
On the other hand, as soon as the disease is better known clinically by *
larger number of physicians and the means for laborator)- diagnostic becoh**
avaibable, as in the United States and now in Brazil, a much larger number
sporadic cases are reported, and cases in new regions identified. In the sait’*
way and for the same reason, it has been possible to observe benign cases
Spotted Fever and to isolated less virulent virus strains from individuais,
whom other wise the disease would not have been recognized.
(**) In Portuguese "Febre Macolosa", in Spanish " Fiebre mancliada
1 »
Init. Bulantan,
“ ‘S»-:»), 1946.
A. VALLEJO-FREIRE
177
ABSTR.\CT
The paper deals with the study of the immunological relationship between
* Firus isolated by Bustamante and Varela from a new rickettsiosis recorded
® México, in the States of Sonora and Sinaloa, and other strains oí Spotted
^'ver virus. Following results are reported:
1. Guinea-pigs surviving infection wnth São Paulo Spotted Fever \nms
’^**Played complete protection when reinoculated with Mexican virus. Further-
the pooled sera obtained from these guinea-pigs before reinoculation
neutralizing antibodies against São Paulo Spotted Fever virus.
2. Convalescent serum from rabbits infected with São Paulo or Mexican
^ni 5 exhibited protective antibodies against the homologous, as well as against
^ heterologous strain.
2. Guinea-pigs inoculated with a 1 cc. dosis of a Spencer-Parker vaccine
^'[*P®ted at Butantan Institute (São Paulo, Brazil), with local Spotted Fever
strains, proved partially immune against the virus of the new Me.xican
^tttsiosis.
Guinea-pigs vaccitxited with a 1 cc. dosis of a Cox vaccine prepared
Rocky Mountain Laborator)’ (Hamilton, Montana, U. S. A.) against
Mountain Spotted Fever. showed solid immunity to the Mexican virus.
5. The course of the Weil-Felix rear*ion is identical in rabbits experi-
'^lally infected with the Mexican virus or with the São Paulo Spotted Fever
In both cases there is a rise of the a jglutination titer for the Protcus
0X2 and OXL strains, reaching the maximum at end of the fever
;'action or beginning of recovery, remaining stable for a few days and decreas-
*'? rapidiy within 30 or 35 days after inoculation or within 20 or 25 days after
No significant increase oi agghitiiadon for strain OXK was obser-
ín general the titer was higher for Proicts 0X2, than for 0X19 and OXL.
The experiments reported allow the concUision that an immunological iden-
^ exists between the viruses of Mexican St jora and Sinaloa rickettsiosis and
Paulo Spotted Fever.
RESCMO
Neste artigo são estudadas algumas propriedades imunológicas do virus
por Bustamante e \'arela de doente de uma nova rickettsiose verificada
^ México nos Estados de Sonora e Sinaloa, em comparação com amostras
'^tus da febre maculosa. São os seguintes os resultados obtidos:
19
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1 . Cobaios sobreviventes da infecção provocada com virus de febre ^
culosa, isolado no Estado de São Paulo, mostram sólida imunidade peraD*
reinoculações feitas com ^nrus mexicano. Mistura de soros obtidos destes
mos cabaios no período da conralescença e antes da reinoculação apresentara*
anticorpos neutralizantes ativos para amostras de virus de febre maculosa de
Paulo.
2. Soros de coelhos convalescentes de infecção com virus de São Pau^
ou do México apresentaram anticorpos protetores, tanto para o viras homólogíl
como para a amostra heteróloga.
3. Cobaios inoculados com uma dose de 1 cm® de vacina tipo Si>enc<t'
Parker, preparada no Instituto Butantan com amostras de viras isoladas ^
São Paulo, mostram-se parcialmente protegidos contra o virus da nova ricked*
siose mexicana.
4. Cobaios racinados com uma dose de 1 cm® de \-acina tipo Co.x, prep*"
rada no Rocky Mountain Laboratorj', nos Elstados Unidos, contra a fc^**
maculosa das Montanhas Rochosas, apresentaram sólida proteção às inoculaçô***
feitas com viras mexicano.
5. A reação de Weil-Felix, estudada em coelhos experímentalmente in®^
tados com virus mexicano, mostrou idêntico comportamento ao que se verif'^
com amostras de rírus da febre maculosa de São Paulo, isto é, elei-ação
titulo aglutinante para as amostras de Protcus 0X19, 0X2 e OXL, atingi***^
o máximo no fim da reação febril ou inicio da convalescença, mantendo^
estável durante alguns dias e decaindo rapidamente dentro de 30 a 35 dias *
contar da inoculação ou sejam entre 20 e 25 dias do inicio da convalesceoÇ*''
Xâo houve aumento significativo de aglutinação para a amostra OXK. ^
geral o titulo foi mais ele\-ado para Protcus 0X2. do que para 0X19 e 0^
Estas experiencias permitem concluir pela identidade imunológica cxistcO*
entre a amostra de viras isolada no México e as amostras provenientes de caso®
de febre maculosa em São Paulo.
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M
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
U**'- Ins. BaUnUn,
*’ Hl-198, 1W6,
WOLFGAXG BUECHERL
181
"^ÇAO DO VEKIEXO DOS ESCOLOPENDROMORFOS DO BR.\SIL SO-
BRE ALGUNS ANIMAIS DE L.\BORATÓRIO
PM WOLFGAXG BUECHERL
(^o Laboratório de Ofiologia e Zoologia Médica, Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil)
INT50DUÇÃ0
^os f>eriódicos e nas publicações que versam sóbre os venenos animais e
real ou possível dano aos mamíferos superiores e ao homem, pouco encon-
em relação aos venenos dos Escolopendronwrfos. Ainda mesmo assim,
^ poucos relatas são frequentemente contraditórios, afirmando autores- como
j^tcau. D’Herkulais e Briot, que tanto o veneno dos Escutigeridios, como o dos
^ohitdios e o das Escohpcndras, têm apenas ação local, traduzida por vermc-
^ 0 , edema e necrose, sem outras consequências maiores, enquanto que outros
*’^®res não hesitam em atribuir à mordida das grandes escolopendras casos hu-
dc morte. Segvmdo êstes autores o veneno das escolopendras não teria
^'^''^te ação local, mas também uma ação geral sobre o organismo, sendo esta
’^>ma de maior importância do que a primeira.
Assim E. St. Faust relata casos humanos mortais devido às mordidas de
**^lopendras da índia, provàvelmente da Escolopendra subspinipes subspinipes.
Pawlowsky, E. N. (2) admite inicialmente casos de into.xicação grave; mais
porém, fazendo experiências, na Criméia, com veneno de Scolopendra cin-
^^la sóbre o organismo humano, conclui da pouca toxidez do veneno desta es-
dizendo que há apenas uma reação local, com inflamação aguda, que au-
dc intensidade nas primeiras 4-5 horas depois da mordida e se carateriza
^ dôres agudas, edemas e pápulas, que podem persistir até 4 dias (3) Paw-
Stein e \'^cnzmer, G. (4) fala dc 1 caso fatal, ocorrido com uma criança
' anos, mordida na cabeça por uma escolopendra das Filipinas.
Barthmejer, A. e Schmalfuss, H. (5) falam, por alto, de casos mais ou
***^05 graves.
Borter, C. (6) repete que a njordida de Scolopendra gigantea L. póde de-
*^inar a morte no homem.
^lachado, O. (7) relata dois casos humanos de mordeduras por Scolopendra
‘^^^Pinipes, concluindo que o veneno desta espécie tem apenas ação local, tra-
'^^'da por dôr mais ou menos acentuada, edema e necrose leve. na área atingida.
Entregue para publicação em 10 dc abril dc 1946.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
182
AÇAO DO VEXEXO DOS ESCOLOPEXDROMORFOS DO BRASIL
SOBRE ALGUXS AXIMAIS DE LABORATÓRIO
, MATERIAL E MÉTODOS
O Instituto Butantan vem recebendo dos fornecedores de animais venenífei^
localizados principalmente nos Estados do Sul do Brasil, periòdicamente, q®"
lópodos.
Destes temos separado as formas mais frequentes, e de maiores proporçó*
porque temos observado que sómente as espécies superiores a 5cm podem perfuí**
a pele humana e assim tomarem-se perigosas.
Pela frequência e pelo tamanho temos criado em viveiros as seguintes
pécies :
Scolopendra viridiconiis xewp. 1844 16-19 cm de comprimíf®
Scolopendra subsplnipes leach. 1815 11-18 cm de comprime'®®
Oiostigmus scabricauda iiumb. & sass. 1870 .... 6-7 cm de comprime'®®
Cryptops iheringi broel. 1902 6-9 cm de comprirneO*®
Otocryptops fcrrugiucus l. 1767 5-7 cm de comprime*®*
Cada vez que juntamos 10 exemplares adultos (portanto 20 glândulas de
neno), extraimos as glândulas que são secadas a 6CP e em seguida emulsiona*!**
em solução. O soluto repousa durante a noite em geladeira e é filtrado no
seguinte, e imediatamente injetado em animais de laboratório, tanto por via ^
nosa como subcutânea.
Ao mesmo tempo realizamos observações sôbre a própria mordedura dêst^
escolopendromorfos em camundongos e cobâios, em regiões préviamente depila*!**’
Realizamos também algumas experiências em nós mesmos, deixando-nos too-
der sucessivamente e com um intervalo de 2 meses, no antebraço, por scabricau^*'
iheringi e femtgincus.
Morfologia do aparelho inoculador e glátidula de z'eni^o
Na Scolopendra z-iridicornis, como aliás em todos os quilópodos, a glándn*
de veneno está Icxralizada nos dois telopóditos das forcípulas. As forcípulas,
bora embriològicamente devam ser consideradas como sendo o primeiro par
patas de tronco, sofreram uma transformação fisiológica e morfológica tal 4®®'
nos animais adultos, fazem parte dos apêndices cefálicos (Fig. 1).
As coxas das forcípulas estão soldadas ao esternito, formando o “coxosl^
num”, cuja parte anterior está subdividida em duas placas, armadas de de"*®^
robustos. Assim o massiço do coxostemum vem a formar um aparelho de
tigação, móvel no sentido de trás para diante, e tendo como antagonistas os
tes do lábio superior.
•?
ScíELOiIq
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
L
cm
184 AÇAO DO VEXEXO DOS ESCOLOPEXDROMORFOS DO BRASIL
SÔBRE ALGÜXS AXIlIAIS DE LABORATÓRIO
dos artículos de fóra para dentro, os mesmos feixes exercem naturalmente pressão
sóbre o corpo da glândula, determinando o esvasiamento desta e impelindo o ve-
neno através do canal eferente.
Foto 2
Otostíçmus scabrúaMda Ilumb & Sanss
(•KiefcrfusscgTncnl" — sarnento dos maxi*
lópodos com apareibo tnoculador do 'Tcneoo).
Tamanho natural: 0,5/0,4 cm. ^
Foto 3
Cryptops ikrrinçi Broclcmann — maxilôP**
dos com apareibo íooculador de veneno. T»*
manbo natural : 0,8/D,7 cm.
As glândulas de veneno de Scolopcndra viridicornis (como tainbém as dos
outros Escolofcndromorfos) têm o aspeto de ampolas cilíndricas, de cuja parte
anterior parte o canal excretor. Este canal se prolonga para dentro do corpo
glandular (vide Foto 5 e 6). As glândulas sempre são independentes, sem ade-
rências aos feixes musculares vizinhos.
Foto 4
Otocryptops ferruçxneus fcmtgintns L. — Maxilópodos com aparelho tnocxilador do
veneno. Tamanbo natural: 0»8/0,7 cm.
Em s.v. znridicorms o comprimento da glândula de veneno é de 7,5 mm, e o
diâmetro, na parte mais grossa, de 1 mm, O canal excretor, na parte livre, é de
7 mm. .‘\s mesmas medidas valem também no tocante à S.subspinipcs subspiniff^-
Em Otosligmus scabricauda, Cryptops ihcringi e Otocryptops fcrniginciis o canal
4
Inst. Butantan,
•*Hl-I98. 1946. WOLFGAXG BUEaiERL
Foto 5
Corte transrrrMl peU kUikIuU do veneno de S. trridiroraú — Coloração seirundo o
mítodo de .Mallorr. Ob«rva-5e o canal efermte central, cuja parede quilinou c«ti
perfurada por fino» canaliculo» radiai», no» quai» denemliocam o» ãcino». também
diiposto» radialmcnic em volu do canal central. (Grande aumento).
Foto 6
Corte tran»Terio-Un8rncial pela glândula de veneno de S. tvrüfú-ornir Coloração
'om I{rmatoxilina.eo»ina. Vêm-»e bem o» canalicuki» que estabelecem comunicacão
^tre os ácinos c o canal central eferente. Iitualncnte podcm-sc obserrar os icioos
« a disposição da.s células secretoras do reneno ein rolu dos idoos» com as J formas
de núcleos. (Grande aumento).
cm
186
AÇAO DO VEXEXO DOS ESCOLOPEXDROMORFOS DO BRASIL
SOBRE ALGUXS AXIMAIS DE LABORATÓRIO
excretor tem 3 mm. de coniprimento, e a glândula propriamente dita 4 niiH-
comprimento por 0,4 de diâmetro.
O canal excretor continua dentro do corpo da glândula, formando um
que se alarga no fim, formando assim um reservatório de veneno.
Em volta dêste tubo estão dispostos os ácinos em ordem radial. Ao
das paredes dos ácinos encontram-se as células secretas. A glândula é en'"®^
]X)r uma membrana basal não muito espessa.
a) Canal excretor — Em cortes histológicos (fixados em formol e
com Hematoxilina-eosina ou pelo método de \’an Gieson ou ainda pelo Mallo*?'
o canal excretor aparece dotado de quitina espessa, exocuticular. A quitina. T
rém, não é contínua como na cutícula do corpo, mas estâ perfurada, durante
o trajeto da glândula, por finos canais, também de natureza quitinosa, de pOí*í*’
radial, e que dão acesso aos ácinos. Os canais estão abertos de maneira q*’^^
veneno, que vem dos ácinos, pode fluir livremente dentro do canal central-
canal excretor é estreito no começo, alargando-se progressivamente depois e
gindo seu diâmetro maior dentro da glândula.
b) Ácinos — Os ácinos estão dispostos radialmente em volta do
excretor, central terminando livremente nêste por meio dos finos canais
ditos. Cada ácino tem apenas um canalículo. Cada ácino tem uma membf*^
envolvente, muito delgada, de natureza igualmente cuticular. Os ácinos se
sentam ora vacuolizados ora repletos de um liquido uniformemente corado, P
dendo baver também finas granulações.
c) Células glandulares — As células glandulares se encontram eW
dos ácinos. São elas que elaboram a secreção venenosa, que difunde para
dos ácinos atravéz da membrana destes. Em cortes histológicos podem s®® ^
sorvadas as diversas fases de elaboração da secreção. .Assim observam-^ ‘
lulas com núcleos longos, cuja cromatina está dividida em pequenos gru*'*®*!
com citoplasma práticamente invisível e com vacúolos. Esta forma de
se encontra pricinpalmente em volta do canal excretor e é a mais numerosa-
Em seguida a esta forma encontramos, também em zona radial, célula^
cretoras com núcleos ovais, cuja cromatina está muito bem visível e desfe'*®
flocos relativamcnte grandes, Tamliém néste caso o citoplasma está quas®
visível.
Xa i>arte distai finalmente encontramos células secretoras em citoplasma
to bem visível, oliedeccndo o núcleo à posição central e sem diferenciaçá®
cromatina. Êste número de células é menos frequente do que os dois
ros tipos.
Qaro está que se trata de um e mesmo tipo de célula secretora. O asT^^
diferente se deve únicamente ás diversas fases, da formação da secreção, ^
. ^
(i
Inst. BnUntan,
'*:IÍI-19S. 1946.
WOLFGAXG BCECHERL
187
®i2enamento da secreção e da expulsão da secreção, fases estas eni qtie tomam
P®rte ativa tanto o núcleo como o citoplasma celulares.
d) Membrana própria — A membrana própria, aliás da mesma origem
^mo a membrana basal das células da epiderme, é muito bem visivel, si bem
^lue não seja muito espessa e envolve êsternamente todo o corpo glandular.
Em todos os escolopendromorfos, acima mencionados, temos encontrado o
•'Wsmo aspecto histológico da glândula.
■^ção do veneno dos- escolopendromorfos sobre animais de laboratório
a) Sóbre Camundongos — A Scolopdndra viridicornis, quando morde um
*^undongo, injeta geralmente muito veneno, pois não costuma largar mais a
vitima pelo menos durante uns cinco minutos. Em regra geral, porém, ela
afasta do comundongo, sendo até este o animal que procede em primeiro
•<>gar ao ataque e levando muitas vêzes a vitoria. Mesmo a 5". viridicornis com-
Pl^mente adulta só com muita dificuldade consegue enterrar suas presas na pele
camundongo, mas, uma vez cra^^adas, o camundongo morre sempre sob a
‘•fõo do veneno. 36 camundongos, com peso médio de 20 g. mordidos perto da
morreram no tempo médio de 3 minutos, seguindo-se à morte a rigidez
Mediata.
A Scolopcndra subspinipes, mesmo quando tem mais de 15 cm de compri-
não consegue geralmente segurar um camundongo, de maneira que só ra-
vêzes pode enterrar as forcipulas de uma maneira tal que lhe seja possível
'•'jetar Ijastante veneno. Mas conseguido isto, o camundongo também é intoxi-
^'> e morre entre 5 a 8 minutos.
Fazendo a mesma lacraia morder mais do que um camundongo no mesmo
ou nos dias imediatos, já não existe veneno suficiente para que a vitima
embora apresente sintomas de intoxicação mais ou menos graves. Nos ca-
•^Undongos sobreviventes observam-.se no local da picada hiperemia. endureci-
***^to e ligeira necrose superficial, necrose esta <|iie mais tanie desaparece, sém
'^eixar vestígio. O veneno de Scolopcndra subspinipes é. po's. menos ativo sóbre
****iundongos do que o de viridicornis, determinando êste úlitmo também dõr
^ts viva, pois os camundongos gritam horas a fio, quando mordidos.
Olostigmus scabricauda, Cryptops ilieringi e Otocryptops ferrugineus, quando
^‘ocados no mesmo vidro em que se acha um camundongo não conseguem nunca
***®fder o camundongo; pelo contrário procuram evitar o adversário e fugir dêle,
* qual terminam vítimas.
Sóbre cobáios — De 10 cobáios, de tamanho médio, mordidos em re-
^0 previamente depilada, por Scolopcndra viridicornis, só morreram 4, dentro
* hs. sobrevivendo outros 6. embora todos estivessem durante 1 dia sèria-
intoxicados. Durante as primeiras 4 hs gritaram continuamente de dór
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
fOTO 1
Scoloptndra viridUomis xrifidicornis Newp,
um macho adulto.
Tamanho xiatural dc
cm
SciELO
Inst. Butantan*
•»:18M98, 1946.
WOLFGAXG BUECHERL
189
e se recusaram a tomar alimento durante o dia seguinte. Os mortos apresenta-
ram rigidez sempre crescente.
A Scohpendra subspinipcs, mordendo igualmente 6 cobáios depilados, não
^nseguiu matar nenhum.
Com as outras três espécies de escolopendromorfos não tentamos a expe-
riência.
Os cobáios sobreviventes, tanto mordidos por viridicornis como por subspi-
''*pes, apresentavam sempre edema e, depois, necrose sttpcrficial, persistenté du-
rar*te vários dias, às vézes duas semanas, sarando finalmente sem deixar vestigio.
c) Injeções venosas c subcídâneas do v&neno dos escolopaidromorfos —
5 espécies de escolopendromorfos foram conservados em, viveiros de cada
10 animais adultos, de maneira que se poude extrair ao todo 20 glândulas
'íe veneno. Estas glândulas foram secadas a 60®, emulsionadas em soluqão sa-
isotônica; depois de um repouso de 24 hs em geladeira foi filtrada e in-
jetada imediatamente.
20 glândulas de Scohpendra viridicornis em 40 cm^ de solução salina.
Volnmc
VU introd.
Animal
Morte
Tempo de morte
Sobreviventes
í cm*
rrt*
5 camumlvngos
todos
20'd2 segumlos
®.5 cm*
veia
5 camundongos
todos
d<M9 segundos
®^25 cm*
veia
5 camundongos
todos
1*2 minutos
0.IJ5 cnr>
veia
1 0 camundongos
todos
r*9 minutos
.
Diluic^ 1:10 ctfl
aoluçáo salina
l.OOO cm’
veia
6 camundengos
todos
$•13 minutos
cm*
reta
5 camundongos
todos
3-7 boras
®»500 cm*
vcf.-.
5 camundorgos
2
18 horas
3
eJ50 cm»
veia
5 camundongos
5
SolacÂCKfn&i
> cm»
intramuftctilar
4 camundongos
todos
32 minutos
•>.75 cm*
intramuscular
4 camundongos
todos
1 h., 12 min.
cm*
intramuscxüar
4 camundongos
2
" h.
2
«-25 cm*
intramuscular
4 cjiniundonío*
4
^•00 cm*
reta
4 pombos
todos
30 minutos
4.00 cm*
veia
4 pombos
todos
65 minutos
^•00 cm*
veia
4 potnlíos
*»
16 boras
2
r.00 cm*
veia
S pombos
i
18 horas
«•«0 cm*
intramuscular
4 cobaios
todos
75 minutos
'•«0 cra*
intramuscular
4 cobaios
todos
>9 horu
4.00 cm*
intramuscular
4 cobaios
1
24 honu
s
400 cm*
intramuscular
4 colaict
4
9
190 AÇAO DO VEXEXO DOS ESCOLOPEXDROMORFOS DO BRASIL
SOBRE ALGUXS AXIMAIS DE LABORATÓRIO
A ação local do veneno de Scoiopendra virldicornis é quase nula, isto é,
se verifica, nos animais acima, ligeiro edema local da injeção, havendo um nó-
dulo durante alguns dias. Mais tarde êste nódulo desaparece, sem deixar vestí-
gios. A dôr deve ser intensa, pois os cobaios gemem horas a fio.
A ação geral do veneno se manifesta principalmente sôbre a respiração, ocor-
rendo a morte sempre por paralisia respiratória, seguida de tetania. Pode-j<
concluir, dai, que a princípio tóxico da Scoiopendra zdridicontis é uma tieura-
toxina, com pouca ação local mas com bastante ação sôbre o organismo geral»
espiecialmente sôbre o sistema nervoso.
O pombo, logo depois de receber na veia uma dose letal, começa a apresen-
tar os seguintes sintomas: salivação abundante; movimentos de deglutição; pis<^
de olhos. Depois cai para o lado, apoiando-se sôbre uma aza distendida.
vanta muito a cabeça, esticando completamente o pescoço e procurando assiin
abson-er ar. Finalmente a cabeça cai para trás, seguindo-se a queda do pontb*?
de costas. A morte ocorre por paralisia respiratória.
Em camundongos e cobaios verifica-se o mesmo.
20 glândulas de Scoiopendra subspinipes em 40 cm® de solução salina :
Volume
Via intnxl.
Animal
Morte
Tempo de morte
Sobrevive»***
1,00 cm»
veia
5 camxusdonsos
todos
30 seg.-l min.
0,75 cm*
veia
5 camundongos
todos
1 e 1 lain.
0,50 cm*
veia
5 camundongos
todos
3 min.
0.2S cm»
veia
5 camundongos
todos
8 min.
0.I2S cm»
veia
5 camundongos
todos
2 horas
Diluído de 1:10 em
solução salina
1,00 cm*
veia
5 camundongos
3
12 horas
2
0,80 cm*
veia
5 camundongos
s
SoIução-DÜ
2,00 cm*
subcutineo
4 camundongos
3
14 horas
1
1.00 cm>
veia
4 camundongos
4
4,00 ctn*
veia
3 pombos
1
18 horas
2
5 cm*
intramuscular
4 cobdios
2
13 horas
2
4 cm*
iutramusánitar
4 cobitos
4
Mota: A dosagem do veneno de Scoiopendra subspinipes em pombos foi f«'**
por J. B. Arantes, chefe do serviço de antivenenos, pelo que muito agt*"
decemos.
Os sintomas de morte dos animais, quando o veneno é injetado na veia,
monstram que também a toxina de Scoiopendra subspinipes age pouco localnu'»^^
10
Imt. BuUntan,
'*:HM98, 1946.
WOLFGAXG BUECHERL
191
(edema, inflamação, hiperemia, necrose leve, superficial, readsorvida sem deixar
beatriz), sobrevindo a morte sempre por paralisia respiratória, O veneno da
^colopendra subspinipes, ao contrário do que se deveria supor, em conformidade
'om a parca literatura (citada no começo) sôbre casos fatais atribuidos à mor-
difla por esta lacraia, na índia, é menos ativo do que o da Scolopcndra viridicornis.
Talvez a subespécie brasileira de subspinipes, muito menos agressiva aliás do que
3- Viridicornis, seja menos venenosa do que a indiana.
A emulsão de 20 glândulas de Otostigmus scabricauda em 40 cm® de solu-
ço salina forneceu o seguinte resultado: —
1 cm*
veia
4 camundoncof
mortos dentro de 2 minutos
0,5 cm*
veia
4 camundongos
mortos dentro de 4 minutos
0,25 cra*
▼cia
4 camundoesos
mortos dentro de 6 minutos
0,125 cm»
veia
4 camuntlon^os
mortos dentro de 17 minutos
Diluição
de 1:10 em solução salina
1 cm»
\-eia
4 camundongos
mortos dentro de 19 minutos
0,75 cm*
veia
4 camundongos
mortos dentro de 2 horas
0,50 cm*
veia
4 camundongos
mortos dentro de 17 boras
0,25 cm»
veia
4 camundongos
2 mortos e 2 vivos
SoIução-mÃi
1 cm*
subcutânea
4 camundongos
mortos dentro de 12 minutos
2 cm*
subcutânea
4 camundongos
mortos dentro de 4 boras
0,50 cm*
subcutânea
4 camundongos
1 morto e 3 vívos
Xa injeção subcutânea, dcpi!ando-se i)reviamente a região, verifica-se que
® Veneno de Otostigmus scabricauda é de ação local, igualmente pouco pronun-
*^®'Ia. havendo, contudo, uma necrose um tanto mais profunda e mais difícil de
'■eadsorl)ção do que a surgida pela mordida de Scohpciuira viridicornis e sub-
^hnipes. As duas fotografias ane.xas a êste trabalho mostram o nosso braço,
"^'le, cm experiências, nos deixamos morder |x)r um Otostigmus scabricauda
(Potos 7, 8). A dõr é instantânea e se traduz por um queimor local vivo
* intenso, havendo no local da mordida ajienas vennelhidão e hiperemia, sem
'•tchação. A dõr continua durante horas, sempre igual e intensa, sem aumentar
diminuir. Depois de 24 horas cede a dõr local, estal)elecendo-sc o começo
uma necrose superficial. Esta necrose é muito persistente, ainda que não
^nniente de intensidade, sómente depois de 3 semanas a necrose é complctamente
^sorvida, restando assim ligeira cicatriz, que desaparece sómente depois de 2
^^'^ses. Ação geral não pudemos atribuir ao veneno de Otostigmus scabricauda.
II
192
AÇAO DO VEXEXO DOS ESCOLOPEXDROMORFOS DO BRASIL
SOBRE ALGUXS AXIMAIS DE LABORATÓRIO
Foto 7
Antebraço humano, mostrando uma ferida superficial, causada por
uma mordida dc OtottÍQmus scobrÍ4:aud<i ■— 3 dias depois da mordida.
Foto 8
o mesmo antebra(;a da Foto 7 — 2 semanas depois da mordida.
SciELO
12
13
SciELOiio
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
L
cm
m
açao do veneno dos escolopendromorfos do brasil
SOBRE ALGUNS ANIMAIS DE LABORATÓRIO
Cryptops (Trigonocryptops) iheriiigi
10 glândulas suspensas e emulsionadas em 20 cm® de solução salina forne-
ceram OS seguintes resultados:
I cm*
veia
4 camundongos
todos mortos dentro de 3 minutos 1
veia
4 camundongos
todos moitos dentro de It minutos 1
0,50 etn»
0,25 cm*
veia
4 camundongos
todos mortos dentro de 2 boras 1
veia
4 camundongos
1 morto dentro de 18 boras, os outros muito 1
intoxicados, mas melhorando depois dc 24 1
boras 1
subcutânea
4 camundongos
todos mortos dentro de 11 horas 1
subcutânea
4 camundongos
3 mortos dentro de 24 horas e 1 vivo |
0.50 cm*
subcutânea
4 camundongos
todos muito intoxicados, mas sobrevivendo 1
subcutânea
3 cobâios
IcTemente intoxicado», ma» jobrerivendo 1
subcutânea
3 cobâios
intoxicados, roas sobrevivendo 1
2,00 cm*
subcutânea
3 cobâios
intoxicados, ma» sobrevirendo 1
subcutânea
3 cobaios
intoxicado», ma» sobrerirendo
3,00 cm*
subcutânea
3 cobâios
intoxicado», ma» sobrevivendo ^
Otocryplops fcrrug.itcus
10 glândulas em 20 cm* de solução salina
1 cm*
veia
4 camundongos
todos mortos dentro de 4 minutos
0,75 cm*
veia
4 camundongos
todos mortos dentro de 23 minutos
0,50 cm»
veia
4 camundongos
todos mortos dentro de 24 boras
0,25 cm*
veia
4 camundongos
intoxicados, mas todos sobreviventes
2.00 cm»
veia
3 pombos
levemente intoxicados, mas completaroente res*
tabelecidos ao cabo de 3 boras
2,00 cm*
subcutânea
4 cobâios
não demonstraram nem sintoma de intoxicac^
1,50 cm»
sulicutânea
4 camundongos
todos mortos dentro de 24 horas
2,00 cm*
subcutânea
4 camundongos
todos mortos dentro de 24 boras
1,00 cm»
subcutânea
4 camundongos
3 mortos dentro de 24 horas e 1 sobrevivente
0,50 cm»
subcutânea
4 camundongos
todos sobresivendo
DISCUSSÃO
Emliora o método da colheita de glândubs, sua dessecação, trituração e sf'*
emulsionamento em salina, numa diluição determinada, não permite colher resu^'
tados muito rigorosos, de um lado porque não se tem a garantia da obtenção
glândulas cheias ou vazias e do outro lado, porque póde ser possível que
haja completa solubilidade das substâncias tóxicas pelo método acima empregado-
é-nos, contudo, licito inferir com bastante clareza sôbre os valores,
menos muito aproximativos, da toxidez dos venenos dos escolopendrídios acin’*l
referidos. Isto é tanto mais importante no tocante a possíveis aeidentes tanto
para o homem como jiara os animais, quanto já acima temos esclarecido que
5 espécies vêm a constituir os linieos responsáveis escolopendrotnorfos que causOM
possam tais acidentes, pois todas as outras espécies, cujo número não é tao l’<^
14
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
rr*
Inst. ButanUn,
WOLFGANG BUECHERL
195
aqui no Brasil, dez’ein-a priori-ser excluídos da lisla dos aniuiais pratica-
intoxicantes: —
1® por serem muito raros.
2° por serem de tamanho tão exiguo que não podem ferir a epiderme hu-
■Oana.
Das 5 espécies, acima referidas, bastante freqüentes em quase todos os ter-
^tórios do Brasil, podem-se igualmente excluir de antemão como tóxicos e ^tiI-
''^^tes tanto o Otostigmus scabricauda como o Cryptops iheringi e o Otoery-
f^°ps ferrughurus, os dois últimos principalmente porque vivem sempre em es-
®*derijos, dada a sua ausência de olhos, e o primeiro porque de maneira alguma
'^^iscgue perfurar a pele dos animais pilosos (gado doméstico). Acidentes hu-
**‘^os estariam no limite do possível, embora não nos conste que tenham ocorrido
mas também nêste caso, mesmo que fosse mordida, por exemplo, uma
'^^Ça da mais tenra indade. jamais se verificariam acidentes graves, com pre-
para a saúde ou para a vida do vitimado, exceto uma dôr zdva, intensa e
t^sistente durante horas com ligeira hiperemia, vermelhidão e leve inchação nas
^''•nTeiras 24 horas; depois edema duro e, mais tarde, ligeira necrose superficial
local da mordida, necrose esta que tende a desaparecer por si mesma depois
algumas semanas.
Portanto, nestes casos, o remédio consistiria unicamente num leve antisé-
local (diluição de amoníaco ou iodo, etc. .) e num analgésico.
Mordidas por Scolopcndra lúridicornis e subspinipes são bem possíveis, ainda
^ raras em animais domésticos, por causa da proteção dos pêlos. Os acidentes
^^•nanos nunca se revestem de seriedade, podendo, naturalmente, haver casos de
'^rema sensibilidade, em que ocorrem sintomas de intoxicação geral, como febre,
'^^írios, inflamação dos gânglios da região da mordida, le\-e aceleração do ritmo
'^'liaco. Na maioria dos casos, porém, se verifica dôr intensa, vi\-a e prolon-
por 24 horas, mais ou menos, edema e necrose superficial, que tende a
"Aparecer completamentc após algumas semanas.
A Scohpendra viridicomis, além de ser a mais agressiva e a maior em ta-
é também a mais venenosa dentre os escolopendrídios brasileiros e quiçá
**|lamericanos, sendo a dóse letal media venosa por 20 g de camundongo de apro-
'^damente trinta milésimos da glândula e dóse letal média hitramuscular por
^ S de camundongo 25 centésimos de glândula. Nestes casos a morte é produ-
por uma ação neuro-tóxica do veneno que determina paralisia respiratória
* ^^lanismo imediato “post-mortem”.
Os pombos são relativamente mais sensíveis ainda.
O veneno de Scolopcndra subspinipes apresenta uma D. L. M. venosa para
g de camundongo de 5 centésimos de glândula e uma de D. L. M. subcutânea
20 g de camundongo de 7 décimos de glândula.
cm
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196
AÇAO DO VENEXO DOS ESCOLOPEXDROMORFOS DO BRASIL
SOBRE ALGUXS AXIMAIS DE LABORATÓRIO
O veneno de Otostigmus scabricauda é ainda mais ativo do que mesnW ^
de Scolopendra viridicomis, constituindo a dose de 12 e meio milésimos de glãf*
dula a D. L. M. venosa para 20 g de camundongo, enquanto que a D. L. M.
cutânea para 20 g de camundongo é de 37 centésimos de glândula.
Os principios tóxicos de Cryptops iheríngi e Olocryptops fcrriigineus
bem menos ativos sôbre animais de laboratório.
COXCLVSÕES
Pelo presente trabalho são fornecidos dados relativos â ação dos veneo®*
dos escolopnidromorfos mais frequentes e de maior tamanho no Brasil, a j*"
ber :
Scolopendra viridicomis
Scolopendra subspinipes
Otostigmus scabricauda
Cryptops iheríngi
Otocryptops femigineus
Igualmente é feito um estudo morfo-histológico do aparelho inoculador e ^
glândula venenifera.
O veneno das 5 espécies referidas foi dosado em camundongos, cobaios *
pombos, tanto por via venosa, subcutânea como intramuscular, estabelecendo*se *■'
doses letais médias. Foram também feitas obser\’ações sôbre a ação local do ^
neno, que se traduz apenas numa hiperemia ligeira, com pouca tumef acção;
intensa, forte, a perdurar muitas horas ; um espessamento nodular subcutâneo ^
necrose superficial que. depois de algumas semanas, desaparece sem deixar ^
catriz.
Em vista dos resultados, auferidos pelas dosagens dos venenos, podemos ^
cluir que mesmo os maiores escolopendrícos do Brasil, como a Scolopendra
dicornis e subspinipes, são absoluatmente htcapaces de, pela sua mordida,
scríamtnte a znda humana, mesmo a de crianças de pouca idade.
ABSTRACT
The venom of the 5 frequentest and greatest Brazilian species of
{Scolopendrmorpha) , Scolopendra viridicomis, S. subspAiipes, Otostigmus
{Scolopcndrmorpha) , Scolopendra viridicomis, S. subspinipes, Otostigmus
bricauda, Cryptops iheríngi and Otocryptops ferrugineus, is studied. A morp^
hystological study of the poisonous apparatus and the poisonous gland of
pendra viridicornis is also given.
16
Inst. Butantan,
**:1ÍM98, 1946.
WOLFGAXG BUECHERL
197
The venoms “dosis lethalis media” oi the 5 spedes in laboratorj- animais
(niouses, Guinea-pigs and pigeons) is demonstrated as wel as the local action
the venoms of the 5 Scolopcndromorpha is obsen^ed to consist only in a great
intensive pain (like fire), redness of the local-bite and little superficial "ne-
®^í>sÍ5”, which is absorved after 1 or 3 weeks without cicatrize.
The animal-cxperiments are considerated to be sufficient to prove that the
^om of the greatest Brazilian spedes (Scolopendra viridicomis and 5". subspi-
'^pes) of Scolopcndromorpha, injected by a ocoasionally bite, is too feeblc to cause
® ^erious intoxication or other danger for Ufe in man or children of little age.
Agradecemos as fotografias ao sr. Seixas, fotógrafo do Ins-
tituto Butantan.
BIBLIOGRAFIA
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17
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•í™. Inst. Batanun,
W;l»9.210, 1946.
J. R. VALLE i J. LEAL PRADO
199
SôBRE A ANEMIA DOS CÃES PELO BENZOATO DE ESTRADIOL
POR J. R. \ ALLE & J. LEAL PRADO
{Do Laboratório de Endocrinologia do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
A anemia produzida em cães com altas doses de substâncias estrogênicas
obturais ou artificiais foi minuciosamente descrita por Castrodale. Bierbaum,
Helwig e Mac Bryde (1), Tyslowitz e Dingemanse (16) e, entre nós. Cruz,
^lello e Silva (2). As doses de benzoato de estradiol empregadas pelos auto-
•■cs citados e o ritmo de tratamento foram de tal natureza que os animais sucum-
^ram de anemia aguda com enterorragias, trombocito e granulocitopenia dentro
'íc período relativamente curto. Entretanto, na dose diária de 1 mg de benzoa-
^ de estradiol ou de estilbestrol, durante 9 meses, segundo Tyslowitz e Din-
Sttnanse (16), os cães se mantinham em boas condições.
No decurso de experiências sobre o comportamento à micção conforme o
*stado hormonal, tivemos a oportunidade de examinar o sangue de 25 cães obser-
'^dos no biênio de 1943-44. Tratando-se de animais injetados desde a infân-
^ com doses pequenas de benzoato de estradiol, seria interessante procurar si
®<stas condições o hormônio exercería ainda a sua ação anemiante. De fato,
*®ttiente nos animais tratados com o cstrogeno se desenvolveu uma leve anemia
tipo normocítico e normocrônico, não acompanhada de enterorragias ou de
*'otória destruição hemática intra-orgânica.
Neste trabalho focalizamos o assunto no que respeita à dose e ao temjx) de
*^tamento, mostramos a presença no sangue dos anêmicos de uma taxa maior
hemoglobina inativa e comentamos alguns pontos que nos pareceram dignos
de
registro.
• M ater: AL E MÉTODOS
Empregamos no presente estudo 15 cães e 10 cadelas pertencentes às raças
de pêlo liso, e “basset” ou mestiços de ambas, criados no nosso laborató-
rio e mantidos nas mesmas condições de alimentação e cativeiro. Os animais
^^ram qssim distríbuidos : 4 machos normais ; 5 machos castrados, dos quais 2
fratados com óleo de amendoim; 2 machos castrados e tratados com propionato
Entregue para publicação em 10 de maio de 1946.
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200
SOBRE A AXEMIA DOS CAES PELO BEXZOATO DE ESTRADIOL
de testosterona ; 4 machos castrados e tratados com benzoato de estradiol ; 2 fê-
meas nonnais; 2 fêmeas castradas, sendo 1 tratada com óko de amendoim; ^
fêmeas castradas e tratadas com propionato de testosterona ; e, finalmente, 2 fê*
meas castradas e tratadas com benzoato de estradiol. Os principais dados refí*
rentes aos animais em apreço vêm no Quadro I. Os cães eram pesados duas ve-
zes por mês e injetados subcutaneamente três vêzes por semanas ou com óleo
de amendoim (0,5 a 1,0 ml) ou com a substância hormonal dissolvida em vO*
culo oleoso (*). O benzoato de estradiol foi usado na dose média de 0,5 ntg
três vêzes por semana. Em algtms casos o tratamento androgênico foi feito
lo método das implantações, debaixo da pêle dorsal, de pequenos comprimido*
do hormônio cristalizado.
Os cães foram obseiv-ados em duas séries: na primeira, em 1943, as conta-
gens de hemátias e as dosagens de hemoglobina foram feitas mensalmente a paf
tir do 6® mês de tratamento em diante. Na segunda série, em 1944, os e.xame*
foram feitos bimensalmente a partir do início do tratamento. Todos os animai*
foram tratados repetidas vêzes com óleo de quenopódio (**) e os da segunda íê-
rie receberam ainda, duas vêzes, tetracloreto de carbono (0.1 ml por kg em cáp-
sulas gelatinosas) conforme as indicações de Lamson e colaboradores (9).
pesquisa de ovos de helmintos nas fêzes foi sempre feita depois de concentração
do material com solução saturada de cloreto de sódio.
a) Colheita do sangue. Foi feita da safena externa, sem anestesia, em tu*
bos de vidro oxalatados a 0.2 g^. A estáse venosa era apenas o necessário pat*
a introdução da agulha.
b) Contagem de critrocitos. Usamos o sangue diluído 200 vêzes em RiO'
ger-Locke, colocado nos dois retículos da câmara de Buerker e seguimos, coi
linhas gerais, o método microfotográfico descrito por Lida e Goldberg (Hl-
Nos nossos exames fazíamos a cópia direta em pipel Azo No. 2. empregando a
luz do arco voltáico e a exposição de 1 minuto. \'erificada a distribuição homo-
génea dos globulos, eram fotografados dois ou três campos e contados depo>**
com numerador automático, 10 ou 15 pequenos quadrados.
c) Dosagem dc hemoglobina total e inativa. Nas determinações da sén®
de 1943 foi usado o método colorimétrico de Cohen e Smith. descrito no li'”*^
de Hawk e Bergeim (7). Posteriormente foi verificado não ser o processo sa*
(*) Agradecemos às Casas Ciha (Perandren), Schering (Progynon e Testoviroo)
e Organon (Dimenfonnon c Xeohombreol) o material hormonal empregado nestas expe-
riências.
(••) Usamos o vermifugo a base de óleo de qtxnopódio distribnido pelo Instituto Bio-
lógico de São Paulo.
•> ■
202
SÔBRE A ANEMIA DOS CAES PELO BEXZOATO DE ESTRADIOL
tisfatório para as determinações precisas de hemoglobina em sangue de cão, *
já na série de 1944 foi usado o método de Ponder (14) com ligeira modific*'
ção. As determinações de hemoglobina inatira foram feitas pelo método descn-
to em trabalho anterior de um de nós (13).
d) Contagem de reticulocitos. Seguimos o método descrito em Whitby *
Britton (18).
e) Pesquisa de sangue nas fezes. Depois de manter o cão durante 3 dias eiO
dieta livre de carne fazia-se a pesquisa conforme recomendam Kolmer e Bocf*
ner (8). A esjjecificidade do método é muito boa e a sua sensibilidade de
mil com nvaterial fresco (5).
f) Dosagem de bilirubina no plasma. Foi empregado o processo de Has-
lewootl e King (6).
g) Determinação do volume corpuscular. Foi seguido o mesmo processo
descrito em trabalho anterior (17).
RESULT,\DOS
Em ambas as séries estudadas o efeito anemiante do benzoato de estradio*
ficou bem evidente conforme se pode vêr pelos resultados médios mensais d»
contagem de hemátias e da dosagem de hemoglobina (Figs. 1-4). A simples cas-
Mamtr*» ét Cif
tM
(vêUrt»
I
tração ou o tratamento pelo propionato dc testosterona ou pelo veiculo oleos^
em ambos os se.\os, não interfiriram nos valores hematológicos. Constituif®**'
assim êstes diferentes grupos experimentais, as melhores testemunhas da
cncia anemiante do estradiol.
4
Inst. BuUnUn,
'*:J»-210, 1946.
J. R. VALLE 4 J. LEAL PRADO
Quadro II
Valorei hematológicos médios nas 2 séries de cães
203
Séries
Número
de
cães
Eritrocitoí (10*.'mni*) Hcrooílobina («%)
Testemunhas
Anêmicos
IxKlice
sign.*
Testemunhas
Anêmicos
Índice
sign.
1943
1944
14
11
S.82 0.48»
7.13 i 0.73
5.30 ± 0J3
5.24 * 0.88
2.7
9.5
14.82 1.22
16.93 1.30
12.70 ü: 1.07
12.51 1.03
4.0
15.8
^ Sigma da distribuição
^ IzKÜce de signiftcãocia segundo a fórmula m*mV y e* ■+• e**
Os ^-alores hematológicos médios para as testemunhas nas duas séries estu-
foram mais baixos em 1943 (vér Quadro II) ; mas ainda assim a diferença
relação ao grupo de injetados com estradiol foi significativa.
nOiticro <U Mtinatuu Cd«> eot D>vwxu Cond^õu t1ar«iencU>
(Valor** MccLos)
Taiak dt d* cõ» *» dunrto* condtçòn Iteriiotiai»
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Dados hemalolóyicos médios dos cSfs estudados na 2." série (194-t)
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last. Butar.Utu
>*m.2I0. 1946.
}. R. VALLE & }. LEAL PRADO
205
O txame repetido de fezes (pesquisa de sangue e dos ovos) e a autopsia
3 dos cães anémicos afastaram a possibilidade da anemia depender de ente-
^'^gias ou da presença de helmintos em grande quantidade na luz intestinal,
^tretanto a anemia mais intenea do cão Xo. 4 pode ser explicada, em parte.
Wa presença no intestino de grande número de ancilóstomos coincidente com
* Positividade de sangue nas fezes. O teor de bilirubina do plasma dos cães
*oemiados não diferiu do encontrado nos animais testemunlias (0.2 a 0.5
“•Src ) . Pelo volume da hemátia e pela concentração média de hemoglobina
^'^THiscuIar (Quadro III) a anemia observada foi do tipo normocítico e nor-
®*‘^õmico. julgar pela ausência de resposta reticulocitária e pelos exames
^**^to!ógicos subseqüentes. os cães anemiados não responderam ao tratamento
P'-» ferro e pelo extrato hepático. Embora as contagens de glóbulos brancos
sido em pequeno número e não sistematizadas, não foi observada granu-
^topenii aos exames feitos.
Interessante assinalar que a anemia pelo estradiol foi acompanhada de uma
^'■ação no teor de hemoglobina inativa (não combinável ao oxigénio) do san-
Xo grupo de animais anémicos a média de hemoglobina inativa em 5
^'^'•ostras de sangue foi de 21.2^. praticamente duas vézes o valor médio en-
«^atrado para os cães normais. ( 10.9^ ) .
DISCUSSÃO
W
A hematologia normal do cão adulto já foi estudada entre outros por
•ntrobe (19) Landsberg (10) e. recentemente, no Brasil, por Cruz, Silva e
(3). As diferenças de autor jiara autor nos levaram à conclusão de
no nosso caso, o melhor critério seria comparar os valores encontrados no
^Po de injetados com o estradiol com os obtidos nos cães dos demais grupos,
''^os vivendo nas mesmas condiç«5es e estudados com métodos idênticos,
^^^mo procedendo assim foi observada uma diferença significativa entre a
^**’’^tologia "nonnol" da série de 1943 e a da série de 1944. Enquanto que em
^■^3 os \'alores médios e desvios padrões foram 5.82 á: 0.48 milhões de eritro-
por mm3 e 14.82 i 1.22 gramas de hemoglobina por cento, na serie de
encontramos 7.13 0.73 milhões de hemátias e 16.93 — 1.30 gramas de
^^'‘'oglobina. Esta diferença poderia depender da alimentação ou ser devida
^ ••tfestação lielmintica dos animais da série de 1943. Si bem que os cães desta
^tneira série tenham recebido óleo de quenopódio não podemos afastar a hel-
**''titiase intestinal. Xa maioria dos casos isto não ocorreu em 1944 pois os
*'’'tiiais desta série receberam também tetracloreto de carbono, tratamento mais
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206
SOBRE A ANEMIA DOS CAES PELO BEXZOATO DE ESTRADIOL
eficaz no dizer de Lamson e colaboradores (9). Além disso os cães desta íf*
gunda série foram autopsiados e examinada a luz intestinal. Portanto, apesa*"
de pequeno o número de animais os resultados de 1944 podem ser tomadoí
como valores comparativos adequados dada a repetição bimensal dos exain**’
durante 5 meses.
Já está bem assentado que o número de eritrodtos e a taxa de hemoglobina
são menores nos cães infantis do que nos adultos (10). Com efeito, na noíS*
segunda série de cães, os valores hematológicos médios foram mais baixos nos ^
primeiros do que nos 5 últimos meses da experimentação. Para evitar, entáft
que os valores mais baixos, devido á idade, influenciassem nas médias norniai^
do cão adulto, só computamos para este efeito as determinações feitas
últimos 5 meses.
Os valores hematológicos médios normais para os cães do Rio de JaneirOr
segundo Cmz, Silva e Mello (3), baseado em 135 casos, foram de 5.70 ± 0.6-
milhões de eritrocitos por mm3 e 12.60 ± 1.26 gramas de hemoglobina p<^
cento. Êstes valores se aproximam dos encontrados no presente trabalho p^^
os cães anêmicos. Mesmo levando em consideração as altitudes de São Paul®
e Rio (700 e 760 mm de Hg) ainda é difícil explicar a diferença entre o*
nossos e aqueles valores hematológicos. Segundo Fitzgerald (4) para cada lO^
mm de Hg de quéda da pressão barométrica haveria somente um aumento d*
10% na hemoglobina sanguínea. Portanto, apesar do trabalho dos autorc*"
brasileiros citados, consideramos uma taxa de 12.50 a 12.70 g de Hb% com®
Índice de uma anemia do cão em São Paulo.
Xa série de 1943 a anemia dos cães tratados com estradiol ficou manif^s**
em torno do 7®. mês de tratamento, mas na série de 1944 ela já poude ser notada
no fim de 3 meses de iniciadas as injeções. TaK'ez a anemia verminótica diS'
creta nos cães da primeira série, já no inicio do tratamento, tenlu encoberto a
fase inicial da anemia pelas pequenas doses do estrogeno.
A determinação dos indices de Wintrobe nos cães da segunda série c *
partir do 5®. mês, mostra que o volume médio da hemátia e a quantidade méd>a
de hemoglobina corpuscular não sofreram alteração significativa. Êstes valof^
permitan classificar a anemia como normocitica e normocrònica o que vem cor*
roborar a conclusão de Cruz et alt. (2) sôbre o tipo de anemia produzida
doses maiores do hormônio. Nesse trabalho os autores citados discutem bem ®
mecanismo da anemia pelos estrogenos e mostram que as hemorragias intestin*^
constituem fator etiológico de grande importância. Na anemia produzida por P®*
quenas doses de estradiol, no entanto, as hemorragias intestinais não foram ohset'
8
Inst. BaUntan,
•*:H9-210, 1946.
J. R. VALLE 4 J. LEAL PRADO
207
^das. Diante do exposto e como não registramos também notoria destruição
^'Onática intra-orgânica, acreditamos que a anemia dos nossos cães tenha sido a
®'>nseqüência de uma ação direta do hormônio sôbre a medula óssea. É bem co-
nhecido o fato de que os estrogenos aumentam a trabeculização epifisária (12) e
'sto pudemos observar também nos nossos cães(*). É bem possível que este
fenômeno se relacione com a redução da capacidade hematopoiética medular.
Os nossos resultados em relação às doses utilizadas estão em desacôrdo
os dados de Tyslowitz e Dingemanse (16). Êstes autores, conforme já
foi dito, não obtiveram ação anemiante do estradiol na dose diária de 1 mg
'fnrante 9 meses e no entanto registramos efeito positivo com a dose de 0.5 mg
^'■ês vezes por semana, durante 8 a 10 meses. Os mesmos autores falam na
'^'nior sensibilidade ao tratamento estrogênico de cães jovens, de mesma linha-
Çoni; é bem possível, pois, que tenham sido êstes os principais fatores da
^n^posta dos nossos cães à ação anemiante do estradiol.
Kão foi ainda registrado, ao que parece, o fato do tratamento estrogênico
*nnientar o teor da hemoglobina inativa do sangue de cães. Até que ponto e
que forma estradiol exerce esta ação é questão para ser eluc’dada. O teor
hemoglobina inativa no sangue do cão constituiu objeto de trabalho a parte
*^<^10 por um de nós (13).
CONCLUSOES
1^. O tratamento de cães desde a infancia com benzoato de estradiol na
média de 0.5 mg em injeções subcutâneas três vêzes por semana, durante
® a 10 meses, conduz a uma anemia benigna normodtica e normocrômica não
*^mpanhada de enterorragias ou de destruição hemática intra-orgânica.
2*. A anemia observada se acompanha de uma elevação na taxa de hemo-
?fobina inativa (não combinável ao oxigênio) do sangue.
3*. A anemia benigna dos cães pelo estradiol. cm pequenas dóses e tempo
parece depender exclusivamcnte de ação diréta do hormônio sôbre a medula
^sca. . .J j
4*. A castração simples e o tratamento quér pelo propionato de testosterona
*í'^cr pelo veiculo oleoso (óleos de sésamo e de amendoim) não modificaram o
"l^^adro hematológico dos cães estudados.
5*. Reunidos os diferentes grupos de série de 1944, exclusive os tratados
estradiol, foram considerados como normais em São Paulo os seguintes
(*) Dados ainda não publicados.
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SOBRE A AXEMIA DOS CAES PELO BEXZOATO DE ESTRADIOI.
valores hematológicos para o cão: 7.13 ^ 073 milhões de erítrocitos por min*;
16.93 1.30 gramas de hemoglobina por cento e 47.4 ± 2.74 por cento p^'’
o volume globular.
ABSTRACT
Castrated puppies injected with estradiol benzoate, 0.5 mg three times *
week within a year, exhibited from the 3rd to the 7th month a benign aneiB*^
as far as the maintenance of life is concerned. Erj-throcytes dropped
7.13 ± 0 73 to 5.24 ± 0.84 millions per mm* and hemoglobln from 16.93 ± 1-^
to 12.51 ± 1.08 g per lOÒ CTn3.
The blood contem of non-oxygen-combining form of hemoglobin (inacti^
hemoglobin) increased in the anemic group from 10.9 to 21.2%.
Dogs with tliis benign normochromic and nonnocj^tic anemia, induced
little doses of estradiol. showed neither enterorrhagia nor intraorganic bloo<i
destruction. It seems that the hormone inhibits the activity of the meduHa^
hematogenic tissue.
Castration and treatment by testosterone propionate do not affect the bloo^
picture of the animais employed as Controls.
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Inst. ButAatan.
**^ 11 - 228 . 1946 .
C A. PELUFFO; O. BIER; J. P. AMARAL
& E. BIOCCA
211
ESTUDOS SOBRE AS SALMOXELOSES EM SÃO PAULO
I. Incindcnàa dos diferentes tipos em diarréias infantis
P08 C. A. PELUFFO (*) ; O. BIER; J. P. AMARAL & E. BIOCCA
{Do Laboratório de Bacteriologia do Instituto Butanian, São Paulo, Brasil)
O aperteiçoainento das técnicas de isolamento trouxe como consequência a
^ificaqão de uma maior incidência das salmonelas como causa de distúrbios gas-
bo-intestinais, particularmente em crianças (1,2). A identificação sorológica dos
tipos de salmonela que ocorrem em uma dada localidade apresenta eviden-
**®tcnte grande interesse epidemiológico e talvez mesmo interêsse terapêutico,
P®** diferentes tipos de microorganismos poderão apresentar uma sensibilidade
a este ou aquele medicamento. Tais investigações requerem, jxjrém,
^anização adequada, especialmente o estudo da composição antigênica, que exi-
^ 0 preparo de grande número de soros absorvidos, rigorosamente especificos
^*^'3 os diferentes antigenos de salmonelas. No Brasil, um tal centro de pesquisas
havia sido ainda organizado, sendo necessário recorrer a laboratórios espe-
***hzados no estrangeiro, a fim de estabelecer a identificação sorológica dos ti-
aqui encontrados (3). Com o objetivo de preencher esta lacuna, organizou-
** em principies de 1945, no Laboratório de Bacteriologia do Instituto Butontan,
****' serviço especializado para o estudo das salmonelas. Os trabalhos iniciais de
®^?anização técnica, durante os primeiros dois meses, estiveram a cargo de C. A.
^«lüffo. cuja experiência no assunto permitiu rapidamente o estabelecimento das
fundamentais de isolamento, bem como do preparo dos soros diagnosti-
Desta maneira, o estudo da sorologia das salmonelas, a principio realizado
uma coleção de soros provenientes do Laboratório de Montevidéu, se pro-
hoje com soros já obtidos no Instituto Butantan pela imunização de coelhos
amostras-tipo. após absorção adequada e comproração rigorosa da especifi-
serviço agora de ordem rotineira neste Laboratório.
O presente trabalho resume os resultados obtidos em 459 exames de fezes,
*^‘do 426 de crianças e 33 de adultos, dos qiais foram isolados 58 salmodelas fi-
^^as a 16 diferentes tipos, 18 shigelas e paracoli com antigenos de salmonelas.
- f*) Do Instituto de Higiene de Montes-idéo, Lab. de Bacteriologia (Dir.: Prof. E.
í*“'^eche), subvencionado por uma bolsa dos Fundos Universitários de Pesquisa para a
Nacional.
Hccebido para publicação em 31 de agosto de 1946.
cm
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212
ESTUDOS SOBRE SALMOXELOSES EM SAO PAULO
MATERIAL E MÉTODOS
O material para as observações referidas foi obtido, em sua maior
do Hospital de Indianópolis (Cruz Vermelha Brasileira), bem como também <j5|
Centro de Saúde de Santa Cecilia, do Ambulatório da União Civica Feminina ‘ |
do Serviço de Oinica Pediátrica da Escola Paulista de Medicina.
As fezes das crianças, colhidas logo após a emissão (raramente com sonda)
e enviadas ao laboratório dentro de um espaço de 2 horas, eram imediatamei**
espalhadas em placas com meio de Kristensen (verde brilhante), em meio ^ |
Leifson (desoxicolato) (*) e em meio sem inibidor (agar-vermelho de fenoD'
Contemporaneamente eram as fezes semeadas em meio de enriquecimento ^
Kauffmann, do qual se fizeram repiques para Kristensen e pvara agar-vermcD*®
de fenol após 1 e 5 dias de incubação a 37°.
.As colónias suspeitas, em média 10 de cada placa, eram pescadas e jassao»
para caldo S V (4), a fim de separar os proteos e os colis; as culturas sele*’®"
nadas em S V eram, então, semeadas numa pequena série de açúcares (lacto-^
sacarose, nranita, glicose), bem como em água peptonada, em presença de p3p*'
reativos para a evidenciação de indol e de HjS.
-As culturas que e.xibiam propriedades biotjuimicas de salmonelas eram. ent*®*
cultivadas em agar, preparando-se uma suspensão com a qual se procedia a u*”*
aglutinação em placa de vidro em presença de um soro poli\-alente. Xo caso ^
se ter com este soro uma aglutinação pesitiva, era a suspensão, a seguir, exp“
rimentada com toda a série de soros somáticos e flagelares presentemente dispo®^
veis no laberatório, a saber : soros somáticos : I — II — IIl — IV'^ — V — VI.XIWXNl'
— VII— VIII— IX— X.XXVI —XI— XIII.XXIII.XXXV— XIV.XXV— N'
— XVI— XVII— XVIII— XIX— XX— XXI— XXII— XXIII— XXIV— XXV"
XXVII — XXVIII — XXIX — XXX — XXXIII — XXXIV — xx.xv
X.X.XVIII — : soros flagelares: a — b — c — d — eh — en — en.x — f — fgh — gon>^
goq — gst — h — i — k — Iv — !\v — m — nxz 17 — p — q — r — s — t — u — v — \v — v — *
.j-io--
7l0_
-Z-®
-z-’»- 1.5— 1.7-
z<— z«-
13
Para a pesquisa da 2a. fase flagelar quando esta não se encontrava
de inicio, era feita cultura na superficie de um tubo de agar semi-sólido adic”^
nado do soro flagelar correspondente à fase já conhecida, reco!hcndo-se o erf^
cimento bacteriano obtido nas camadas inferiores do mrio. Tal artificio, pcmúi>**
/acilmente a obtenção da 2a. fase flagelar indispensável, em certos casos, á idefl^-'
fkação da cultura.
(•) Êste meio foi usado apenas nos 211 primeiros exames.
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J*'®- In*t. BaUcíin,
”■211.22?. 1946.
C. A. PEI.UFFO; O. BIER: J. P. AMARAI,
& E. PIOCCA
213
RESULTADOS E COMEXT.ARIOS
A grande maioria das amostras de salmonelas isoladas poude ser enquadrada
esquema dos tipos conhecidos. Um tipo novo foi encontrado — 5". butantaUf
será descrito a seguir, bem como 9 amostras de um bacilo paracoli sorologi-
'^2nente relacionado ás salmonelas e que também será objeto de uma comunicação
* parte.
Considerando-se a frequência dos diferentes tipos por nós encontrados nos
de diarréias infantis (Tab. I), vê-se que S. typhi-murium foi o tipo mais
^^^uente. seguindo-se-lhe o paracoli-bacilo acima mendonado e os tipos dcrbx,
^'Vport e aiiatum. Tais observações divergem das de Taunay (3) que, em 200
***nies. encontrou 15 vezes 5". nczcport, 5 typhi-murium, 3 anatum, 3 paratyphi-B
* apenas 2 5". dcrby. A porcentagem geral de exames positivos para salmonelas
porém, aproximadamente a mesma, na série de escames realizados por nós e na
Taunay e col. (58 em 459 e 28 em 200, respectivamente).
Tabel.\ I
^'^idcncia dos diferentes tipos de salmonelas em casos de diarréias infantis (*}
dc um total dc 426 casos* examinados em São Paulo durante o ano de 1945-
Tipos de salroonela
No. de casos
11
10
S. mrze^t
8
6
i
J
2
‘7
O
5. ka^n-ar
1
1
]
t
9
TOTAL
62
(•) Alfm dê»te roattrUl provtnietite de cavot de diarreu^
infanti», em exames de feiei de adultos foram isoladas 4 salm'>
celas (1 maeiam, 1 derhy, 1 I enScritidis) e 1
paracoli com antigenos de salmottelas.
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214
ESTUDOS SOBRE SALMOXELOSES EM SAO PALT.O
Associação de diferentes tipos de salmonela e de shigelas (•)
etn setc coísos de dtúrréias injontis
Xo. do cxw
Associação encontrada
1
5. nearfort; Pareecti coa antigenos dc SelwunuU
49
S. oKatmm; S, derby.
94
S. çivt; S. ty^hi-murium.
120
S. craMienbmrff; FUxnrr.
4JI
S. amaíam; S. b^vis merbifie^ns.
494
S. minmsctm; S. pwatyyki-B.
23
FUxncr; S»ume. |
(•) U Yczrt foram ifola<]os bacik» dismtnkoi Jo matrrial
examinado de fezes de criança com diarréia: 9 Flexcer, 2 "Bojd
8Í*, 1 Sonne e 1 Schmitz.
SUMARIO
São referidos os resultados relativos á occorrência de salnionelas cni
exames de fezes, 426 de crianças e 33 de adultos, em casos dc perturbações g»'
tro-intestinais na cidade de São Paulo, durante o ano de 1945.
Foram isoladas 58 amostras dc salmonelas, filiadas a 16 diferentes tipos *
integrando uma porcentagem aproximadas de 12^. Os tipos typhi-murium, derbí-
ncxvport e anatum foram os mais frequentes. •
AB.STRACT
The resuits of 459 feces examinations are reported as to incidence of S»**
monella. the cases being 426 children and 33 adults with gastro-intestinal «i'*"
turbances, in the city of S. Paulo, during 1945.
There were iso’ated 58 samples of Salnwnella of 16 different t>-pes makW
up a percentage of about 12%. The t)-pes most frequentij- foimd were
murtum, derhy, neteport and anatum.
Agradecimento — Deixamos aqui consignados os nossos ag^**
dccimentos ao prof. E. Hormacche, òo Instituto de Higiene
Montes-ideo. pela colaboração inestimável que nos prestou,
bilitando a vinda a São Paulo do dr. Ciro A. Pcluffo, a quert ^
deve a orgamnção do serviço; ao prof. Pedro de .Mcantara '
ao dr. Oswaldo Riedel Souza e Silva, da Escola Paulista dc M''
dicina, bem como aos drs. ifario Mursa, Xlauricio Corrêa ‘
Fontoura, do Hospiul de Indianopolis e ao dr. M. Altenfelder *
Silva, do Centro de Saude Santa Cecilia, pelas faciiiJadcs cria-b’
à obtenção do material examinado.
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^ lait. Btrtantan,
1944 .
C A. PELfFFO: O. BIER: J. P. AMARAL
& E- BIOCCA •
217
ESTUDOS SOBRE AS SALMOXELOSES EM SAO PAULO
Um HOfo tipo dc saimonela patogênica para o homem — S. bulabitan
( III^\.XXI -I—b—1^ ...). (• )
pos C. A. PELUFFO (••) : O. BIER; J. P. AMARAL & E. BIOCCA
(Do Laboratório de Bacteriologia do Instituto Butantan, São Pauto, Brasit)
Este novo tipo está representado por 2 amostras, ambas isoIada$ no Instituto
"*”^tan. A primeira (B 65) provém das matérias fecais de uma criança de 3
***^'«s, de sexo feminino. A doente deu entrada a 1-3-45 no Ambulatório da
^sociação Civica Feminina, com febre, diarréia, sintomas gerais de intoxicação,
de pêso e de apetite, tosse. Medicada com sulfatiazol e subntetida a re-
alimentar adequado, não apresentou melhoras ; em 24-3-45 foi pedido exame
fezes ao Instituto Butantan e dois dias depois veiu a falecer. Fezes muco-
***'guinolentas.
A segunda amostra (B 91) foi igualmente isolada de matérias fecais. Tra-
*^^-se de uma menina de 6 meses de idade, hospitalizada no Hospital de India-
**^^lis, da Cruz Vermelha Brasileira. Mesmos sintomas de enterite, com diar-
vomitos. febre, perda de peso e de apetite, tosse com expectoração catarral.
‘ *0 consegue dormir e. em estado grave, é retiratla do Hospital pela mãe, pre-
^•"indo-se que também tenha rindo a falecer. Exame de fezes realizado cm
3-45. Fezes pastosas. Amlxas as amostras não se desenvolveram á semeadura
mas somente após enriquecimento em meio de Kauffmann.
Caracteres morfológicos e culturais — Bastenetes gram-negativos. ativamen-
** móveis. Desenvolvimento rápido e abundante em agar simples, em Kristen-
^ no meio liquido com tetrationato. Colonias redondas, clevacbs e transi>a-
^tes.
Propriedades bioquimicas — .Ambas as amestras fermentam, com ácido e
glicose, maltose. galactose. xilose. ramnose, arabinose. dulcita. inosita, ma-
e trealose. Xão fermentam (30 dias de inculação a 37®) : lactose, sacarose,
(*) Trabalho apmenudo à Soc. Bid. de S. Paulo, etn 8-4-946.
f**) Do Instituto de Higiene de Montevideo, Lab. de Bacteriologia (Dir.: Prof. E.
j^*^eche), sub\'encionado por unu bolsa dos Fundos Universitários de Pesquisa para a
Xacional.
Recebido para publicação ein 31 de agosto de 1946.
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218
ESTUDOS SOBRE SALMONELOSES ESt SAO PAUI.O
salicina e adonita. Leite tomaseJado: acidez inicial seguida de forte a.cal iii^^l
Hidrogénio sulfurado: +• Indol: — . Gelatina: não liquefazem. Caldo
nado de Stem: reação positira (cõr vio’eta) em 3 dias. Em meio de
Wcigmann & Habs, reação positiva com glicose, arabinosr, dulc ta e rainno*l
Meio de Simmons: viragem em 24 horas em presença de gico e, arabinose.
dta. ramnose e citrato de sódio. Utilização de ácidos orgânicos (seg. Bro«*l
Duncan & Henr)') : reação positiva em 24 horas com d — tartara'o e com c tr3t*|
ESTUDO SOROLÓGICO
Antigetios sotnátúos — Por aglutinação rápida verificou-se desde logo 1^1
este tipo pertencia ao grupo “E”, sendo aglutinado pelos fatores somáticos f
e X. bem como pelo soro XXL XX\'I, mas não pelo soro pr^o XXI. O
somático preparado com S. munslcr aglutina S. bu‘anlan a‘c o mesmo titu^|
que a amostra homóloga.
Os ensaios de saturação cruzada demonstraram que S. butantan satura |
as aglutininas do soro ntünster t que, reciprocamente, S. münster satura todas
aglutininas do soro butantan. Assim sendo, a composição somática de S- ^
tantan pode ser e.xnressada: III.X.XXVI.
Antigenos flagelares — 5". butantan é um tipo difásico. Sua fase 1 c aí-’’*
tinada pelo soro paratt-phi B em fase 1, assim como por todos os an‘i-soros <!'’*
possuem o fator “b”. Por aglutinação lenta só é aglutinada a:é 1 '5 do
do soro paratifo B ; o soro preparado com a fase 1 de S. urbana, j)e'o contrát" |
aglutina 5*. butantan no mesmo titulo que a sua amostra homóloga
Os ensaios de saturação resumidos na Tabela I demonstram que, tal coO*^ |
o estabeleceu Edwards (1), o antigeno "b” não é homc^crco. De acordo co***
nossos resultados pode dividir-se, pelo menos, em três frações: a primeira, coni^í^
a todas as amostras que possuem este antigeno ; a segunda, que existe em S.
typhi-B, S. abony, S. abortus bovis, S. schleisshcim. S nf>'r'’ia. S. onaritnon,
mississippi, S. hvittingfoss e 5". kirkee, porém não se enrontn em S. butanU*
nem em ó". urbana; a terceira, que só existe nestes dois últimos tipos.
Embora reconhecendo a complexidade do antigeno "b”, preferimos, entr^
tanto, designar a composição antigénica flagelar, fase 1, de 5. butantan siinp-^
mente com a letra “b”.
A fase 2 de S". butantan é aglutinada pelo soro kunzendorf. Em re'ação
fatores puros 2,3, 5,6,7 e 10, X. butantan foi apenas aglutinada pelos soros 1 c ■'
Por aglutinação lenta se encontrou que a fase 2 de 5. butantan é agiu:i'^‘^
pelo soro kunzendorf e, por absorção cruzada, se demonstrou que ambas as
são idênticas.
cm
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'***• ín^. Bctaatan,
"^1122*, 1946.
C A. PELUFFO; O. BIER; J. P. AMARAL
& E. BIOCCA
219 -
Composição antigênica dc S. butantan — A fórirmla antigênica completa de
butantan pode, pois, enumerar-se da s^^inte maneira: III.X.XXVI-b-1.5 ...
^ção patogênica — X. butantan é altamente patogênica para camundongo,
V a peritoneal. Quando inoculada em coelho, por via venosa, causa a morte
24-48 horas, com hemocultura positira.
Tabela I
Ensaioí de saturação. Composição da fcse 1 de S. butantrn
SOROS
S. butantan
ou
S. u rbana
S. pcratypk{^B
S. abemy
S. abcrlnt bctxi
S. çtarçia
S. onaritnan
S. miiHtiipp*
S. kfittinyfass ou
S. Kr*rr
«m tatarar
lOOOO
1 000
saturado com S. butantam ou cora S. mrbema
< 200
<200
•sturado com S. ^ratypki-B
s 000
<200
Hritypki-B »era saturar
1 000
S 000
saturado com S» bntanSam oc com S. urb€»a
< 200
I 000
saturado com S. psratypki-B
< 200
<200
«ern aaturar
5 OOO
500
saturado com S, butantan ou com S, urbana
<200
<200
saturado com S. paratypki-B
soo
< 200
SUMÁRIO
fe/es de 2 casos graves de enterite em lactante foi isolado um novo
de Salmonela (S. butantan), cuja fórmula antigcnica é: Ill.X.XXVI-b-
ABSTRACT
^ A new Salmonella tj^pe is reported from 2 cases of severe enteritis in infants
known fatality), whosr antigenic formula is expressed as: IlI.X.XXVI-b-
• • . The denomination of Salmonella butantan is proposed.
BIBLIOGRAFIA
^Iwards, P R. & Bruner, D. If- The beta phases of the gentis Salmonetla with special
rcfcrence to two undescribed salmonella tj-pes, J, Inf. Dis., 69:220, 1941.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
í*«t. Butantin,
194 «.
C A. PELLTFO; O. BIER; J. P. AUARAL
& E. BIOCCA
221
m.
ESTUDOS SOBRE AS SALMOXELOSES EM SAO PAULO
Ocorrência de um bacilo paracoli com antigenos de salnumela (VI, XIII,
XXV, Vi) em casos de diarréia infantil
vot J. P. AMARAL; E. BIOCCA; O. BIER & M. B. ESTEVES
(.Do Laboro.ório de Baeterioloffia do Instituto Butantan, São Pauto, Brasil)
^rante o ano de 1945, no decurso de pesquisas sobre a incidência de salmo-
em casos de distúrbios gastro-istestinais (*), ti\'cnios a oportunidade de
'"•da matéria fecal de 9 crianças, um bacilo paracoli, de comportamento
I Ural e sorológico homogêneo que, pela siu relativa frequência (1), parece
p/^Penhar um papel importante na etiologia das diarréias infantis em São
Trata-se de um germe de comportamento bioquimico bastante semelhante
I salmonelas e de cuja composição antigênica participam os fatores somáticos
' XlII, XXV, Vi, combinação esta ainda não assinalada para outros
^^*^ganismos.
Ij-, presente trabalho ê feito um estudo pormenorizado desta enterobacte-
9ue, provisoriamente denominamos Paracoli “são paulo” e cuja signifi-
V ^ uni patologia humana talvez corresponda em importância á que parecem
* Paracolis do grupo “arizona" (23,4) em patologia veterinária.
. ^^aclcres morfológicos e culturais — Bastonetes gram-negativos, pouco
sem cápsula, nem esporos. Dcscn\-olvimento fádl e abundante nos meios
I ^Unis. bem como em Kristensen e em meio liquido com tetrationato.
^fopriedades bioquímicas — As reações bioquímicas foram estudadas com
■ >cular cuidado, prolongando-se a obser^Tição. no caso das fermentações de
l^^i
*■<5 e da liquefação da gelatina, durante 60 dias. Todas as amostras pro-
ácido e gás dentro de 24 horas em levulose. galactose, glicose, manose.
^^^ose, dulcita, manita e sorbita; a lactose foi atacada com ácido apenas,
^ ácido e gás porém Icntamente ; ramnose, sacarose, inulina, adonita, esctili-
* **licina não foram fermentadas. A dextrina só foi fermentada por 1 das
^ Xa série dc casos por nós examinada foi o bacilo paracoli em qurstio isolado
l(jj^^<lamcnte com a mesma frequência (cerca de 15%) que as salmonelas dos tipos
* derby e newport.
Recebido para publicaçio em 31 dc agosto de 1946.
cm
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222 ESTUDOS SOBRE SALMOXELOSES EM SAO PAULO
Xenhunia das culturas produziu ;ndol, jx)réin todas formaram hidrogcH'**'
sulfurado. A gelatina não foi liquefeita por nenhuma das amostras, mesmo ai*^
60 dias. Em correspondência ccm o seu comportamento em lactose, todas a»
amostras coagidaram tardiamente o leite.
Em meio de Bitter, Weignjam & Habs: reação positiva com glicose, aral^'
nose, dulcita e raninose. Meio de Simmons: viragem em 24 horas em presmÇ*
de glicose, arabinose, dulcita, ramnose e citrato de sódio.
Utilização de ácidos orgânicos (seg. Brown, Ducan & Henry) : reação p<^'
tiva em 24 horas com d — tartarato e com citrato.
ESTUDO SOROLÓGICO
Antigctws somáticos — Observações sorológicas feitas com soros somáticíf*
pre]'araGOs mediante a imunização de coelhos com suspensões aquecidas a
durante 2 horas de amostras de Paracoli “são patilo” (54 e 95) são resumida?
Tahcla aliaixo (Tabela I):
Tabela I
Siimarto áas obseríxifões sorolôgkas relalkxts aos antígenos somáticos
Amoftras
SOR
0 s
54
95
Não aba.
Aba. com
15
Aba. com
. Nao aba.
1 ou 95 Cl
ASs. com S,
(VI). e/ S.
ftoriáa (XXV) e
com S. pona
(XIII)
Aba. com
15
ASa-
(■•'
5*
Pâr»coUs: 54
4000
10
,1
0
2 000
10-20
c
95
>2 000
10
0 1 4 000
3 000
10-20
0
50
>2 000
10
0 r
2 000
10-20
0
t
>2 000
10
0
2000
10-20
0
15
>2 000
0
0 Ti
500
0
125
>2 000
0
0 1
2 000
0
241
>2 000
10
1000
10-20
0
281
>2 000
10
0 '!
1 000
:o -20
0
144
>2 000
10
0
3 000
10-20
0
S. mfwtvrt (VI)
200
200
0
S. (.XIII)
200
200
0
S. floriJn (XXV)
40
45
0
0 % númcrm indicam a diluição maii elevada cm qoe ocorreu a aalotinaçSo.
0 — >i(ni(ica autcncia de aclutinaçio tu dilniçSo de 1:2.
A análise dos dados resumidos na Tabela I leva a conclusão de que, do
de vista de seus antígenos termostáveis, as 9 amostras estudadas de Paracoli
2
tiut. Batantan,
*>:iU-228, 1M6.
C A. PELüFFO; O. BIER: J. P. AMARAL
& E. BIOCCA
223
paulo" são praticamente idênticas e contem, ao lado dos antígenos somáticos
^nVeidos VI, XIII e XXV, uma quota ntaior de antigenos temiostaveis
<fcsconhecidos. Em relação a êstes últimos, o fato de persistir um titulo de 1/10
•^to no caso de soro anti-54, como no caso do soro antl-OS j>ara 7 das amostras
^^tptrimentadas. título que só reduziu a O (para o soro 95) ajiós absorção com
“ a^nostra 54. pwkria justificar a idéia de uma subdi^'isão em 2 grupos: um
^Síituido pe’as amostras 15 e 175, contendo apenas a fração antigênica maior
•í outro formado pelas restantes 7 amostras, que, em adição ao antigeno somático
'desconhecido principal, conteria também um antigeno menor.
Antigeno Vi — demonstração de antigeno \'i poude ser feita {«ra todas as
**noitras de Paracoli “são paulo”, usando-se 4 diferentes soros Vi: um soro
*>tti;ico comercial (Lab. Torres, São Paulo), prepvarado em cavalo mediante a
•écnica de Felix e tres soros de coelho, sendo 1 proveniente do Laboratório de
^9cteriologia do Instituto de Higiene de Montevidéo e 2 outros preparados neste
Laboratório respectivamente contra a amostra de S. typbi “Ty 2” e contra a
*'no<tra 54 de Paracoli "são paulo”. .As observações feitas com estes soros
Lguram sucintamente nas Tabelas 2 e 3.
Tabel.\ II
Tilitluí aglutinantes obtidos com o sôro I’í frefarado com a amostra 54
AmMtnt*
Titolo fUgeUr
Título «ntisático
Paracoli 54
10 000
sooo
S. nrx-^t (VI) ..... ....
—
200
S. fíwM (XIII. XXIII) ...
—
200
S tyttü. -Tr 2' (I.X. Vi) ..
—
200
Tabela III
Aglutinações rã fidas com diferentes soros Vi
Amostra». Compotíçâo antifémea
Som Vi
Torrra
Peludo
Tr 2
Pancoli 54
•s. buiUrmt XXIX. IVil, lU. — .
++
+ +
++++
+ +
■J- coH I XXXI, IVil, 1, S ..
++
+ +
+ 4-
+ +
XXIX, IVil, aJO, — .
“aio pauto*
(atnoatras 1-10-95-I44 — VI, XIII, XXV,
+++
+ 4-I-H
+ ++-)-
+-F + +
15-24I-2SM75) IVil, .
++-r-r-
+ ++-I
+ + -I-t
Antigenos flagelares — Provas scrológicas realizadas com um soro obtido
**'^iante a imunização de coelhos com suspensão de cultura de 24 hs. cm meio
d^uido da am.ortra 54 morta pelo form.ol deram os resultados que vtm compen-
‘di^dos na Tal.ela 4.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
224
ESTUDOS SÔBRE SALMONELOSES EM SAO PAULO
Tabela IV
TiluJos aglutinantes obtidos com o sôro flagelar preparado com a amostra 54
(Titulo somático 1 iSOO)
Amostras
Título flac«lar
ParacoUs »Ío paulo 54, I, 15, JO, 95, 201 ....
S 000
Paracolís sio paulo 144, 241
lOOOO
Paracolis aão paulo 175
4 000
O mesmo soro toi experimentado, em aglutinação rápida, com todos os ann*
genos flagelares de fase 1 e 2 conhecidos das amostras de salmonelas existentes
em nossa coleção (*), com resultados inteiramente negativos. Por outro lado.
todas as amostras de Paracoli “são paulo” foram experimentadas com os soros
flagelares conhecidos de que dispomos no nosso laboratório (**). com resultados
também completamente negativos.
Considerando-se a hipótese de tratar-se de um germe difásico, procuramos iO'
duzir artificialmente uma segunda fase. semeando as diferentes amostras em
agar semisólido adicionado de soro flagelar anti-54. Após 24 horas a 37.®, iot
obscr>-ado crescimento compacto nas camadas superiores do agar, sem tendêno»
para difusão. Os poucos elementos que conseguiram difundir até a parte inferior
do meio semi-sólido foi verificado serem em sua maioria, imóveis. As provas
de aglutinação com as amostras "induzidas” e as originais deram praticamente
o mesmo resultado.
Composição antigcnica do Paracoli "são paulo” — Dos estudos sorológKO*
referidos pode-se concluir que as 9 amostras de paracoli estudadas encerram, 3®
lado de fatores somáticos conhecidos (VI,XIII,XXV,Vi), antigenos somáticos *
flagelares desconhecidos (esta conclusão, no que se refere aos antigenos flagelare*-
(•) Ojnvcm notar que faltam apenas etn nessa coleção as amostras representati»**
dos antigenos z seguintes: 1, 2, 3. 5. 7, 8, 9, II. 15, 16, 18, 19, 25 e 26.
(•*) Soros somáticos: I — II _ III — IV — V - VI. XIV. XXIV — VII — VH*
— IX — x.xxvi — XI — XIII. XXIII. XXXV — XV — xvi — xvn — xvin
— XIX — XX — XXI — XXII — XXIII — XXIV - XXV — xxvn — xxvn*
— XXIX — XXX — XXXIII — X.XXIV — XXXV — XXXVIII; soros nageUr«* =
a — b — c — d — eh — en — enx — f — fgt — gom — goq — gp — gst — h — ' "
k — Iv — Iw — m — nxzl7 — p — q — r — s — t — u — v — w — >• — z — z4 — *®
— rlO — zl2 — zl3 — zl4 — zl7 — r27 — z28 — i29 — I, 5 — 1. 7 — 2 — 3 — 5 — ^
_ 7 _ 10 — 13.
4
1
i
Mm. Injt. ButanUn,
•*;2II-22í. J946.
C. A. PELUFFO: O. BIER; J. P. AMARAL
& E. BIOCCA
225
tsiá sujeita á ressalva anteriormente já feita quanto aos soros correspondentes
^ antigenos z que faltam em nossa coleção).
Tendo sido negativas as tentativas de indução de uma 2*. fase, pensamos
tratar-se de um germe monofásico, cuja fórmula antigènica pode ser assim expres-
a: \T.XIII.XXV,x,ViX,..
DISCUSSÃO
Os bacilos paracoli estudados neste trabalho constituem um grupo homogéneo,
'Jticr do ponto de vista bioquimico, quer do ponto de vista sorológico. Tal como o
Knipo “arizona” descrito por Edwards e seus col. (2,3), os Paracoli ‘‘são paulo”
^resentam comportamento bioquimico muito semelhante ao das salmonelas, de
^tie só se diferenciam pelo fato de fermentarem lentamente a lactose e de coa-
Ptlarem tardiamente o leite (•) (ao contrário, porem, dos Paraooli “arizona”, as
*tnostras “são paulo” não são capazes de liquefazer a gelatina, nem mesmo após
^ dias).
Em 1940, Kauffmann (5), orientado por uma definição puramente soro-
^®gica do gênero SalmoncUa, incluiu cm seu esquema 5 amostras tipicas de bacilos
(designados como Salmoncüa coli 1.2.3,4.5), pelo fato de apresentarem
^''tigenos somáticos ou flagelares de salmonelas.
Tal orientação, porem, não foi s^;uida por outros especialistas no assunto
(2.3) e o próprio Kauffmann rccentemcnte a abandonou (6). Xâo parece
l^istificável, com efeito, que se adote um critério ixiramente sorológico na defi-
nição de um género, quando sabemos que bactérias completamente não relacio-
nadas umas ás outras, como, p. exemplo, o pneumococo tipo II e o bacilo de
^riedlandcr tipo B, podem apresentar importantes frações antigénicas em comum.
Reconhecendo a validez déste argumento. Kauffmann, em 1942 (7) já modificava
* sua definição de 1937, caracterizando as salmonelas pelo oonjunto dos seus
**facteres culturais, bioquímicos e sorológicos.
A dificuldade taxonòmica resulta, porém, do fato de c.xistirem germes de
^^Portatneyito intermediário para os quais melhor se nos afigura uma classifi-
^ão provisória no grupo “Paracoli”. .-Xpesar das excepções, existe, afinal, um
^lério bioquimico para a caracterização do género Salmonella e, por isso, quando
*’*contramos uma variante de S. easiboume que produz indol ou uma variante
'S'. anatum que fermenta a lactose, não surge dúvida quanto ao classificá-las
, (*) É estranho que o Subcomité de Salmonelas. em 1939, tenha definido o gênero:
^*ilmg to ferment socrose or to clot milk and rarely fermenting lactose...", visto como.
Võrdo com a experiencia geral, a fermentação lenta da lactose e a coagulação tardia do
são fenomenos correlatos.
cm
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226
ESTUDOS SOBRE SALMOXEEOSES EM SAO PAULO
como salmonelas, pois, de um Indo, temos a possibilidade de identificá-las soro-
logicamente e, por outro lado, sabemos que há representantes daquelas amostras
que se comportam de acordo com a definição genérica.
Xo caso dos paracoli em questão, trata-se muito pro\'avelmente de germes
intermediários que progressivamente adquiriram a capacidade de atacar a lacto-
se e não é impossivel que. de futuro, consigamos demonstrar a existência do mes-
mo germe, no seu estágio de incapacidade de fermentar a lactose, isto é, compí^'
tando-se como uma verdadeira salmonela. Caso fosse este, porém, um comporta-
mento excepcional da amostra (sendo perfeitamente igual ao dos paracoli o com-
portamento sorológico), ainda caberia dúvida quanto á sua classificação, se no
género Salmonclla ou se no grupo Paracoli.
Recentemente, Edwards ( 8 ) refere o isolamento, das fezes de um ca.so de
colite em criança, de um genne não fcrincntador da lactose c sorologicanicntc re-
lacionado ás salmonelas (antigeno “O” igual ao paracoli tipo 3 de Edwards,
Cherry & Bruner; antigeno H — Z 4 , z-j. z^s. porém classifica-o não como salnw
ne’a, mas sim como um paracoli do grupo "arizona”.
Tal orientação, pouco compreensivel á primeira vista, é, sem dúvida, a mais
segura, em face das incógnitas que ainda apresenta a sistemática destes germe®
intermediários da familia Enterobacieriaceac.
O estudo do gnipo de paracolis por nós provisoriamente denominado “são
paulo” merece ser prosseguido, cm virtude de sua relativa frequência e de sua
possivel significação como agente etiológico de diarréias infantis.
SUM.SRIO
Em 426 exames de fezes de casos de diarréia infantil em São Paulo, fo*
i.so!ado 9 vezes um bacilo paracoli portador de antigenos de salmonela (VI. XlH*
XXV, Vi). O estudo bioquimico sorológico pormenorizado destas 9 amostra*
mostrou que se trata de um grupo homogéneo de microorganismos, para a qual
se propõe a designação geral de Paracoli “são jaulo”.
ABSTRACT
From the feces of 426 cases of infantile diarrhoea 9 strains of a jaracoloU
bacillus have been isolated. The microorganism differs from salmoncllas in
biochcmical property only in that it ferments lactose and coagulatcs mi.k. 1 ‘
shares some of the “O” salmonclla antigenes (VI, XIII, XXV, Vi), and con-
tains, in addition, unknown somatic and flagellar antigens.
f,
Inst. BaUnUs.
®Jn-2’8. 1946.
C A. PELUFFO: O. BIER; J. P. AMARAL
& E. BIOCCA
227
The denocnination Paracoli “são paulo” is proposed for the ikw mvcroorga-
which is believed to be of epidemiological significance as a cause of infan-
diarrhoea in São Paulo.
Agradecimfntos — Agradecemos ao dr. P. R. Edward.*!, do De-
partamento de Patologia Animal do “ College of Agriculturc and
Home Ecooomics", da Universidade de Kentucky, pela sua ama-
bilidade confirmando a composição antigênica somática de 2
amostras de paracoli “são paulo" que Ike enviamos, assim como
por valiosas sugestões em relação à posição sistemática do mi-
croorganismo em apreço.
BIBLIOGRAFIA
Peluffo, C. A.; Bier, 0.; Amaral, J. P. do & Biocca, E. Mem. InsL Butantan, 19,
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cm
SciELO
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Mem, Inst, Botantatu
l»:229-240, 1946.
F. W. EICHBAUM
229
hemaglutininas nos venenos de serpentes SULAME-
RI CANAS
poB F. W. EICHBAUM
(Do Laboratório de Bacteriologia do Instituto Bulantan, Sõo Paulo, Brasil)
A atividade hcmoiitica de certos venenos oíidicos tem sido objeto de cuida-
*íosos trabalhos, o mesmo não ocorrendo com o poder hemaglntinante destas subs-
*incias cuja bibliografia é relativamente escassa.
Os primeiros autores (Weir-Mitchell ; Lacerda, 1860) que observaram unr
fusionamento” das hemátias em contato com os venenos, aparentemente ainda
*>50 distinguiram bem os fenômenos da aglutinação e da hemólise (Phisalix). S6
•>05 trabalhos posteriores de Flexntr e Noguchi (1), Noc (8) e outros (4, 5, 6,.
10,) foi feita uma distinção entre o poder hcmaglutinante c hemolisante dos
'■enenos ofidicos. Houssay & Negrette (2) classificaram os diversos venenos
acordo com o seu poder aglutinante na ordem seguinte: ,'íncistrodon blom-
^ffi, L. jararacussu, L. lanccolatus, L, neuwiedii, L. atrox, Ancistrodon pisc!~
^orus, L. allernatus, Btingarus fasciatus, L. ammodytoides. Nos demais vene-
•*05 (não enumerados pelos autores) não foram obtidas reações bem nitidas, si
que muitos dêles, em concentrações fortes, tivessem aquela propriedade. Os
glóbulos mais aglutináveis eram os de coelho, depois os de homem, carneiro, ca-
'^o e cobaia. O aquecimento a 70 graus destruiu o poder aglutinante de L.
^lerttala.
Kitijima (3) verificou também uma destruição da ação aglutinante do vc-
*>cno de Lachesis Iritnercsurus pelo aquecimento a 70 graus durante meia hora,
P’'ucesso que não alterava a ati\’idade das hemolisinas. Michel (7) conseguiu se-
P^rar a fração aglutinante da fração tóxica e hemolisante do veneno de Crolalus
^nuinicus, passando o veneno por um filtro coloidal que reteve cm primeiro
•«gar as aglutininas.
O presente estudo que abrange as observações em 9 espécies de serpentes
''cnenosas brasileiras e unu espécie de’ Costa Rica, rewla a existência de gran-
diferenças quantitativas e qualitativas no poder aglutinante dos seus vene-
O conhecimento dessas diferenças poderia auxiliar a classificação de cer-
Recebido para publicação cm setembro de 1946.
cm
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230 HEMAGLUTIXINAS NOS VENENOS DE SERPENTES
SULAMERICANAS
"tos exemplares morfologicamente próximos, como também auxiliaria na identi-
ficação de um veneno de proveniência desconhecida. Citaremos 2 exemplos a
•titulo demonstrativo dessas afirmações: 1) um veneno de Bothrops atrox, on*
•ginal de Costa Rica não possue poder aglutinante contra hemátias de coelho, tf*
cão, de homem, etc., enquanto que o veneno de Bothrops atrox brasileira agluti-
na fortemente hemátias de coelho. Esta diferença no poder aglutinante entre ser-
pentes tidas como da mesma espécie, corre paralela com a observação de que ®
veneno original de Costa Rica é mal neutralizado pelos soros antibotrópicos
sulamericanos (comunicação pessoal do Dr. J. B. .\rantes, subdiretor do Insti-
tuto Butantan). Tais fatos parecem sugerir uma revisão <ia sistemática relatnt*
:aos vários representantes de Bothrops atrox.
2) Há pouco tempo recebemos no nosso Instituto uma reme?sa d; veneno
-sêco de Bothrops atrox (proveniente de Minas Gerais), cuja aparência fazi^
suspeitar estar o mesmo de mistura, pelo menos em parte, com veneno de outr>
■espécie ofidica. O test de aglutinação revelou uma aglutinação característic»
pira a Bothrops jararara (resp. jararacuçu) e não de B. atrox. Como nios*
trarão os protocolos detalhados, tal classificação é possível somente cm certo*
•casos: cm outros a classificação poderá ser feita por exclusão.
MÉTODOS
Foi testado o poder aglutinante do veneno de 9 espécies ofídicas brasileirti*
contra as hemátias de 7 espécies de mamalias e 1 espécie de aves, (çf. os
.tocolos sub-sequentes).
1. Test qualitativo: Aglutinação em lâmina. Uma gota da solução de 'C*
neno a 10 mg/cm* (= 1%) (*) — preparada do veneno seco — era mistur*'
da com uma gota da suspensão de hemátias a 10^. Os dois liqui<los eram eniul'
sionados com o canto de uma lâmina e os resultados foram lidos 5 minuto.s alid*-
2. Test quantitativo: Uma solução de veneno a 1% (10 mg/cm*)
diluida em progressão geométrica (á razão de 2) e distribuida para 15 tuh*^
de maneira que cada um continha 0,5 cm* de diluições consecutivas de veneoo-
(•) As solueScs de veneno a 1% foram preparadas coro s-enenos secos, provenieiit**
da coleçáo do Instituto. Estes venenos representam misturas de numerosos exemplares
tencentes à mesma espécie, de maneira que eventuais diferenças individuais aqui náo aparece^
O veneno obtido em estado seco (seco em estufa a 37 graus) era rcdissolvido em água •'
siológica a 0,9% no caso dos venenos botrópicos; nas demais espécies os venenos craro di’
ioividos num pequeno volume de solução salina concentrada de 15-18% e em seguida levad>i*
.à concentração fisiológica pela adição de água destilada.
.2
Inst. Batantan,
*’^- 240 . 1946 .
F. W. EICHBACM
231
^ 15° tubo — que sei^üu como controle — continha unicamente 0.5 cm* de
fisiol. Esta série de diluição (15 tubos) foi preparada em 8 filas para-
is. correspondendo as 8 espécies de hemátias que foram juntadas em seguida
quantidade de 0,05 cm* de uma suspensão a 20% para cada tubo.
As leituras de aglutinação foram feitas depois de uma hora à temperatura
*^biente e depois de 20 horas na geladeira.
A intensidade da aglutinação foi notada "da seguinte maneira :
-| — j — j — p = aglutinação fortíssima (sobrenadante branco)
■-f+ =
»•
forte
++ =
»•
média
+ =
ff
fraca
± z=
f
duvidosa
0 =
t*
ausente
Outros fenômenos, como hemólise, que ocorreu principalmente nas concen-
*^ões mais fortes dos venenos, ou a transformação da hemoglobina em methc-
'^lobir.a. não são registrados nestes protocolos e serão tratados detalhadamente
^ outra publicação.
Resultados :
I. Test qualitativo («m lâmina)
TABtl_4 1
Agtutinaçào cm lâminas (Usi qttaliialno)
Veoeiw
Hemátias
coeibo
carilo
ratnU
cio
canseiro
<•)
bomecí
twi
falinha
^»sra«-«
++++
O
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o
o
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c, T ; :
hcoiitiai áo* 4 (nipot tanroifkco* sio aclotiiudo* da menina íórma.
cm
SciELO
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Tabela II
232
HEMAGLXmXlNAS NOS VENENOS DE SERPENTES
SUI^MERICANAS
s
V
4
(*) Nole*ie que o maior poder aflutiiunte corrrtponde ao valor matt taixo rm
Injt. Batantan.
**»- 240 , 1946 .
F. W. EICHBAUU
233
n. Test quantitativo em tubos
A Tabe!a II dá o titulo máximo de aglutinação das diferentes hemátias
vários venenos.
Como reação positiva (título final) foram consideradas nesta Tabela so-
®®>5e as aglutinações de -j — h a -1 — 1 — 1 — ht omitindo-se as aglutinações fracas e
Caridosas.
Resultado: Nesta Tabela, o número de venenos que aglutinam várias he-
**^ias aparece maior, em comparação com o test qualitativo (Tabela I), espe-
*®5niente devido a inclusão das aglutinações depois de 20 horas e dos venenos
aglutinam só nas concentrações mais fortes ( 10 000, 5 000 e 2 500 gamas
^ seja nas diluições 1/1 1/2 e 1/4 da sol. de veneno a 1%).
Os venenos de Bothrops jararaca e de Bothrops jararacussu, que no test
^itativo se comportam iguais, distinguem-se no test quantitativo pela inten-
da reação. Sem um exame comparativo do veneno de vários indivíduos
^tas duas espécies, não se pode concluir, se esta diferença quantitativa tem
significação para distinguir os dois venenos.
A Tabela III dá um exemplo de um protocolo detalhado de um test quan-
^ivo de aglutinação.
•V
* *^rali:afõo das aglutminas dos venenos botrópicos pelo sôro anJt-Bothrops
jararaca
O poder aglutinante do veneno de Bothrops jararaca sobre as hemátias de
'*'**^0 é inhibido em presença do sóro anú-Bothrops jararaca. Como resulta
^ Tabela seguinte (IV), o poder antiaglutinante de um sôro não tem nenhuma
com o seu poder antineurotóxico (•) (dosado em pombos). Assim, o
19 que neutraliza 2,4 mg de veneno (por cada cm* de sôro) possue um
antiaglutinante 4 vezes menor do que o sôro 18 que neutraliza só 2,2 mg.
C sôro anti- Bothrops jararaca inhibe também a aglutinação das hemátias de
provocada por outros venenos botrópicos (B. jararacvssu, B. airox e B.
^*^’'edii) ; ocorre ainda com o mesmo sôro um fenômeno interessante, isto é.
ChamanxM de poder antineurotóxico aquela qualidade de sóro que netitralisa a
^ tóxica geral do veneno, manifestando-se nos pooibos injetados intravenosamente por
e- clõnicos. geralmente mortais. Deixamos fóra de discussão si este efeito tóxico é
por uma fração neurotóxka específica ou devido a ação conjunta de virios prin-
tóxicos adjm-antes coroo a histamina libertada, a coagulase, causadora de uma coagu-
•ntravasal, ou ainda outros fatores.
cm
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In»t, Butsntaa,
•>: 229 -’ 40 , 1946 .
F. W. EICHBAUU
23 ?
Tabeia IV
^{ão inhibidora de 4 soros aw/í-Bothrops jaracaca sôhre a aglutiiução de heinálias de coelho
feio veneno de Bothrops jararaca
Ttío
Xo,
Vcoeno
1 mc/cm*
Hcxriâtias
de coelho
2r^
NaQ fistol-
Sòro (I
e
6. 17, U
19)
Aplatisucão depois dc 1 boca cm prcicnc*
do sòro (temperatura ambiente)
Dilui ç5o
Qtuntidsdc
Sõro No.
16 (•)
(2.1 mf)
Sòro No.
17 (•)
(1.9 mst
Sòro No.
1* (•)
(2.2 m,)
Sòro Nu.
19 (•)
(2.4 mst
1
0.25
cm*
0,5 cm*
1:1
OJS
<1
O
O
•
0.25
cm*
0,5 COT*
—
L2
0.25
W
0
0
045
cm*
0,5 cm*
--
1:4
0,25
n
0
u
0
0.25
Csa*
0,5 cm*
—
1:8
0.25
+
0
+ +
02Í5
cm*
0,5 cm*
—
1;I6
045
++
+++
0
+++ +
0.25
cm*
0,5 COT*
—
1:52
0,25
+ *f -f
++++
++
++ + +
0J5
cm*
0.5 cm*
—
1;64
0,25
+ ■+ "T* -*■
++ + -r
^ 4* + "t
+++ +
0.25
cm*
0,5 COT*
—
l:12P
0J5
++•)• +
+ + + +
4-+ *1*
++ + +
045
cre*
0,5 cm*
—
1:250
0,25
-f+T +
+ + + +
+++ +
+++ +
u
0J5
cm*
0,5 cm*
"
1:512
0,25
+ 4-
f+ + +
+ + + 4"
1-+ + T
0.25
cm*
0.5 cm*
OJS
• —
—
+-«-+ +
1- f-l- +
1-++ +
++ + +
0.5 cm*
0.5
—
0
O
0
0 4
^ ^ O» ma ratrr parènteMf indicam o poder antincurtxóxico por cm* de tdro testado cm pombos
* Viul Braril).
>nhibt a a<;ão aglutinante do veneno R. ncinviedii sôbre as hemátias de carneiro
(e menos nitidamente, sôbre as hemátias de cavalo), muito embora o próprio
'^tneno de Bo‘hrops jararaca não possua aglutininas dirigidas contra estas duas
^pccies de hrmátias (Tabela V).
Tabela V
Hemátia*
Vetteno
Mistura do
veneno coca:
a
NaC lis.
b
Sòro normal
cavalo (•)
c
Sòro aoti-H.
(*1
i
Sòro anti-Cro»
tmlus frrri/i*
ou (•)
AGIATINAÇAO
Coelho
p.
/ar arara
+++ +
+++ +
o
+++ +
Carneiro ....
B.
/araroca
0
0
o
o
Coelho
B.
ncBtrirdri
+++
+++
o
++ + +
Carneiro ....
B.
ntmeUdti
++ +
++++
o
4-+ +
(*) Ot ttabo* coo *610 oomul c con «Aro anticrocálico mottniai depois dc cerca de
^10 mimitos Qma beinóitte 4)tie ioterfere com a leitora da aclatínaçio. Dentro deste inter»
valo 00 resultado# sdo bem nhido#. O soro aatibotrópico inliibe tanto a a(!atiaaçio como a
^emdlisc.
cm
SciELO
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22/b
HEMAGLUTININAS NOS V^ENENOS DE SERPENTES
SULAMERICANAS
.4 hctnagluiiimta dos zvnonos botrópiccs como fração separada
Absorção do veneno de B. jararaca com hemátias de coelho, de cobaia, d<
• cão ou de homem remove não somente as aglutininas homólogas, mas tamticni
.as dirigidas contra as três espécies heterólogas (**).
Dai pode-se concluir que as aglutininas ativas contra as hemátias de difc'
rentes espécies constituem, de fato, uma única substância.
O aquecimento do veneno de Boihrops jararaca a 60 graus durante 30 mi-
nutos destróe completamente o poder aglutinante.
Em seguida procuramos verificar si a aglutinina do veneno de Boihrops
jararaca representa uma fração distinta dos demais componentes do veneno, *
saber: da coagulase, da lecitinase, da neurotoxina e da dermatotoxina. Pai*
este fim comparamos os resultados obtidos com:
a) o veneno absor\’ido com hemátias de coelho (2cm* da solução de ve-
neno a r/« 2 cm* de hemátias de coelho a 20%) ;
b) veneno tratado com hemátias de caralo (2 cm* de veneno a !“/•• 2 cn*
de hemátias de cavalo a 20% ) ;
c) veneno nativo (2cm* de veneno a IV» -f- 2 cm* de ágiu fisiológica) :
Nos respectivos testes usaram-se quantias iguais dos sobrenadantes de a e ^
-e do liquido c, que continha a mesma quantidade de veneno por cm* como a) c b)-
Tabela VI
^ = CoaruUfio parci&l
4- =: CoapiUtio total
(••) \'isto que as hemátias de coelho são roais fortemente aglutinadas pelo veneno ^
jararaca do que as outras hemátias (de homem, de cão, de cobaia) a absorção total ^
aglutininas é mais fácil com as hemátias de coelho do que com as três outras hemátias
rpredsam ser adicionadas repetidamente até o esgotamento completo das aglutininas.
.8
Inst. Butantui,
»ÍI9-240, 1944.
F. W. EICHBAUM
237
1. Coagulase: O poder coagulante do veneno de Bothrops jararaca nada
*®fre jiela absorção com hemátias de coelho. Tanto o veneno nativo como o
*l>sor\ido com hemátias de coelho ou o tratado com hemátias de caralo coagulam
® plasma de coelho até o mesmo titulo.
2. Lecilinasc: O protocolo seguinte (Tabela VH) mostra que a absorção
veneno com hemátias de coelho — suficiente para remover tòdas as agluti-
ounas — não provoca alteração da lecitinase do veneno. É importante salientar
fato porque antigamente as aglutininas c hemolisinas foram consideradas
^nio substâncias idênticas.
3. O poder neurotóxico do veneno, testado’ em pombos (de acordo com a
*^ica de Vital Brazil) fica inalterado pela absorção com as hemátias de coelho:
^ dose letal minima, tanto para o veneno absorvido como para o veneno nativo
entre 25 e 50 gamas.
4. Dcnnatotoxitia: A ação demiatotóxica do veneno — testada por in-
^*^0 intradcrmica na pele depilada do abdomem de coelhos — não c enfraqueci-
pelo tratamento com hemátias aglutináveis (coelho) ou inaglutináveis (cavalo).
Estas observações provam, que a aglutinina do veneno de Bothrops jararaca
^^'istitue uma fração separada do veneno, diferente das demais frações: coagu-
lecitinase. neurotoxina, dermatotoxina (*).
/■
RESCMO
Foi estudado neste trabalho a ocorrência nos venenos de nove espécies
^^^:cas brasileiras, de hemaglutininas para licmátias de coelho, cavalo, colab,
^^eiro, cão, boi, homem c galinha.
Enquanto alguns venenos não possuem liemaglntininas outros mostram hc-
'*'^lutininas muito ativas. Como acontece com certos extratos vegetais com po-
hemaglutinante (abrina, ricina, extrato de lentilhas e de feijões ; Land-
•^ciner) êstes venenos contem hemaglutininas que agem especificamente sobre
^ bemátias de certas espécies, deixando inalteradas as hemátias de outras. As
'^ferenças qualitativas e quantitativas que existem no poder aglutinante de vá-
venenos, poderiam servir não só como meio de identificação de venenos
(*) Preferimos a expressão dermatotoxina á “ hemoragina " dos outros autores, tendo
^ficado que a acão dermatotóxica é devida, pdo menos, a dois fatores diferentes: 1) um
, bemoragisante — necrotisante e terroolibil, neutralis&vci pelo soro específico; 2) um
edemisante, termo-resistente, nio neutralisável pelo sòra
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Inst, Botantao,
•*^^-240, 194Ó.
F. \V. EICHB.AUM
'Ic proveniênda desconhecida, como também poderiam auxiliar a classificação de
**T)entes morfologicamente afins.
O sôro anti-Bothrops jararaca inhibe o poder aglutinante do veneno homó-
‘Ogo e age igualmente sóbre os outros venenos botrópicos hemaglutinantes. Ape-
do veneno de Bothrops jararaca não aglutinar as hemátias de carneiro ou de
^valo. o anti-sôro correspondente inhibe a aglutinação destas hemátias pelo ve-
de Bothrops nciaí-icdii. Xão existe relação quantitativa entre o poder an-
*®>eurotóxico e antiaglutinante dos vários soros anti-5. jararaca. .\ absorção
venenos hemaglutinantes com uma das espédes de hemátias aglutináveis re-
■^ve simultaneamente as aglutininas contra tòdas as espécies de hemátias aglu-
^veis. Dai se conclue que a aglutinina ativa sobre diferentes hemátias. é
única substância.
A hemaglutinina representa tuna fração distinta das outras frações de ve-
neurotoxina. demiatotoxina. ledtinase e coagulase. como foi provado
í** ' fato de que a absorção do veneno com hemátias aglutináveis (de coelho)
'^xa inalterada a atividade dos 4 outros componentes do veneno.
O aquecimento do veneno de Bothrops jararaca a 00 graus, durante 30 mi-
**'*•^*5, destróe o seu poder aglutinante.
.ABSTRACT
This pai)er deals «áth the occurence of hemagglutinins in the venoms of
'^aíilian poisonous snakes. There were tested, on the whole, the venoms of
snakt si)ecies (•) agaiiist 8 differents blood cclls (••). Whereas some of
venoms lack any hemagglutinating power, others — principally the Bothrops
^^”oms — exhibit a strong hemagglutinating activitj-. Similar to certain plant
*^*racts, the hemagglutinins in snake venoms show a well defined specificity
directfd tow-ards a limited number of blood cclls, whereas
•ll^rs are not affected at all. The quantitative and qualitative differences in
^agglutinating power of different snake venoms, might serve not only as a
to identify certain venoms of unknown provenience but might also offer
'>seful help in classifdng morphologically similar individuais.
The anú-Bothrops jararaca scrum inhibits the agglutinating power of the
^^ologous venoni as well as of all the other hemagglutinating Bothrops ve-
such as B. jararacussu, B. «fimiVdü and B. atrox. In spite of the fact
^ <•) Bothrops jararaca, B. atrox. B. jarara-.iusu, B. altrrnata, B. Semnedii. B. Itapcti-
‘'“c. cotiara, Crotalus Urrifteus Urrifícus, .Uicrurus frontalis.
í**) Rahbit, horse, guinea-pÍR. dog. sheep, ox. man, chicken.
11
cm
SciELO
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240
HEMAGLUTININAS NOS VENENOS DE SERPENTES
SULAMERICANAS
that the Bothrops jararaca venom does not agglutinate by itself horse or sheep
bloodcells, its antiserum prevents the agglutination of these cells by the Bothrops
ncuu-ícdii venom. There does not exist a quantitative relationship between th^
antineurotoxic and the antihemagglutinating power of different anti-Bot/rrof*
jararaca sera.
.•\bsorption of the hemagglutinating venoms with agglutinable cells fro®
one spccies removes simultaneously the reactivity towards all the other agglu"
tinable blood cells. It is concluded therefrom that the agglutinin directed against
various blood cells, is one single substance. The hemagglutinin represent*
a separate venom fraction, different from the neurotoxic, dermatotoxic, coago*
lase and lecithinase fraction: a Bothrops jararaca venom absorbed with rabbit
blood cells looscs its hemagglutinating power but retains its full activity as tar
as the 4 other mentioned fractions are concemed.
Heating of B. jararaca venom to 6(P for 30 minutes destroys its hetuag'
glutinating povcrer.
BIBLIOGRAFIA
1. Flexntr, S. & Soguchi, H. CiL por Houssay & Xegrctte (2). .
2. Houssay, B. A. & Ncgrette, J. Acción hemolitica dc algunos venenos de serpi«>“*
sulainerícanos, Rev. Asoc. Med. Argentina, 35(216) 1922.
3. Kitijima. Cit. por Kraus & Wemer (4).
4. Kraus, R. & IVerner, F. Giftschiangen und die Serumbchandltmg der Schlangenbi***’
Jena, Gustav Fischer, 1931.
5. Ijscerda. Cit. por Phisalíx (9).
6. LandstAner, K. Specificity o£ serological reactiom, Charles C. Thomas,
Baltimore, 1936.
7. Michel. Gl por Kraus & Wemer (4).
8. iVor, F. CiL por Houssay & Ncgrette (2).
9. Phisalir, M. Animaux s-enimeux et s-enins. Paris. Masson & Ge., 1922.
10. IFeir-ifilchell. Cit. por Piiisalix (9).
12
Inst, Bntanun,
1946.
ALPnONSE R. HOCE
241
UM NOVO LAGARTO DA ILHA DA QL*E1MADA GRANDE
po« ALPHOXSE R. HOGE
(Do Laboratório df Ofiologia e Zoologia Mfdioa do Instituto Butantan, São Pauto, Brasil)
O material que ser\'iu ao presente estudo foi capturado na Ilha da Queimada
Grande durante uma expediqão organizada pelo Instituto Butantan para colhei-
de espécimes zoológicos dessa área insular.
A Queimada Grande é uma ilhota rochosa, situada aproximadamente a 40
**'’‘lhas a Sudoeste de Santos, tendo cerca de 1J4 Km- de superfic:e.
Atualmente ela é deshabitada, e, apenas visitada, periodicamente, pelos en-
**rregados do reabastecimento do farol automático ai existente, o qual é man-
**do pelo Ministério da Marinha.
Até o presente momento, são mencionados apenas dois répteis para esse
Bothrops insularts .Amaral e Dipsas albifrons (Sauvage).
Além da nora espécie de Mabuya que conseguimos capturar em número de
**^^s exemplares, notamos a existência de um Ilemtdactylus sp., do qual esperamos
'•^her alguns numa próxima e já assentada excursão.
A espécie que descrevemos neste artigo p.irece existir abundantemente entre
pedras e matas mas. infelizmente, o mau tempo nos obrigou a embarcar pre-
^pitadamente, de volta antes que tivéssemos recolhido ma's exemplares.
Ordem S Q U A M A T A Oppel, 181 1
Familia SCINDAE Gray, 1825
Mabuya tnacrorhyncha, sp. n.
í^escriçâo: Focinho alongado e pontiagudo: pálpebra inferior com um disco
'^'■•‘parente, não dividido: frenal anterior em contacto com a 2“ e 3* labia-s;
|’*P'^na,sais não cm contacto por trás da rostral; frontonasal tão longa quanto
tm contacto com a frontal; prefrontais tão longas quanto largas, não em
[“••Jacto por tras da frontonasal; frontal um potjco mais curta do que as fron-
^■^J^ctais e interparietal juntas, em contacto com a 2* supraocular sòmcntc;
*'ipraoa!larcs : 5 supraciliares todas iguais; 2 frontaparietais largamente cm
^“••Jacto na I nha mediana, mais ou menos iguais em tamanho h. interparict.M ;
para poblicaçSo em 26 de setembro de IW6.
cm
SciELO
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242
UM XOVO LAGARTO DA ILHA DA QUEIMADA CRAXDE
parietais eni contacto por tras do interparietal ; 2 pares nucais. o s^undo dêstc»
poréni ás vezes de contorno irregular; 7 supralabiais, & geralmente maior; d;-
presslo auricular menor do que o olho; escamas dorsais lisas, em 28 filas, senck»
as laterais mn pouco menores; lamelas subdigitais lisas; cauda cerca de 1»*
vez mais longa do que o corpo mais a cabeqa.
Coloração : Bronzeada em cima ; uma lista lateral escura passando pelo olb®
e extendendo-se até a base da cauda, guarnecida por duas linhas claras mai*
ginais, sendo a inferior menos nítida.
A linha superior, por sua vez é orlada por uma lista escura que no nie-^
do corpo é quase confluente com a do lado oposto.
Parte ventral cinzenta-oliva-clara.
Obsetvações •. Os três exempJares de Mabttya macrorUyncluj, capturados ^
Queimada Grande distinguem-se à primeira rista das formas continentais,
buya tnabouya dorsk^iftata Cope e ^íabuya tnabouya imbouya (Lacépède),
terem o focinho muito mais alongado, pelo tamanho e relações das placas cef»'
licas e pelo colorido.
Eis um estudo comparativo entre ilabuya mabouya dorshnttata Cope e
buya macrorhyncha.
Consideramos :
C = comprimento rostro-anal
O = distância do canto anterior do olho ate a extremidade do fodní^'^
OF = distância do orifício auricular a e.xtremidade do focinho
O estudo estatistico foi executado por meio de um diagrama de correlaÇ*®
entre duas nKdidas (O e C no primeiro caso e OF c C no segundo).
Foi calculada a linha de regressão e sóbre esta o erro de estimação
S> = 1/
5 D-’
n — 2
Os dados referentes á nova espécie estão todos afastados da linha de ^
gresão de mais de 3 x Sy.
CoiKluimos disto que o afastamento não é devido a uma variação ca-su*^'
Na figura 5 podemos a^er que os valores de O são altamente significati'"®*’
Na figura 6 está representada a relação OF/C que também é si gnificati^
Se tomamos os valores médios de O e C nas duas espécies e que fazeu*’*
a relação C/O obtemos um \alor de 13,87 para Mabuya mabouya dorshdtt^
e de 10,69 para Afabuya macrorhyncha.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Sf««u
last. BotutAxx,
** 2 < 1 - 2 « 8 . 194 «.
ALPHONSE R. HOCE -
243
IHifruDA de corrcUc^ entre » dí n i nci a do oQm atd a extreinldade do fodnho O e o
cooipriniento roeto^nal C.
C ^ Compnnmto roetrO‘4iul em miltmctrof.
O Distiocia do olho ate a extremidade do focinho em milimetroi.
^ mabcnya darritiflafa Copt.
0 J/ah«/a macTffrkyncks.
3
244
UM NOVO LAGARTO DA ILHA DA QUEIMADA GRANDE
Fic. 6
Diafram» Je correU^io entre a di»tincia da deprea»^ attricular e a extreiaidade dc roaaikd
OF e o coTnf»rimento rovtrt^nal.
C — Comprimento rcstnvanal em milimelroe.
OP — Diftância entre a depresaâo auricular e a catremidade do focinly> em múxn»e*r>a.
• Mabnyc mãbcnyú dcrsiiytiútã Cope.
Q Xfabuyú mãfrorkyntka.
A
Injt. Butantan.
I»J4I.248. ]>46.
ALPHOXSE R. HOCE
245
Afim de se verificar se o alto valor de O não é devido ao facto de ter a
•^fabuya tnacrorhyncha uma cabeça maior, como poderia supor-se considerando-se
*l^e também o valor OF é significativamente mais alto na forma insular, fize-
mos a relação D/C sendo D = OF-O.
Os valores que obtivemos são praticamente iguais para as duas espécies,
íicando pois claro que a diferença é devida ao maior comprimento do focinho
(valor-O) na espécie insular, razão pela qual a denominamos Mabuya macro-
*h^ha.
Deixamos de fazer o estudo estatistico das outras medidas biométricas, o que
•■fservaremos para uma futura revisão do gênero.
Damos em seguida um quadro comparativo de alguns caracteres verificados-
duas espécies.
Focinho ....
Sopronaftoii
Frefrontai* . .
Frcntcnual . .
SnpracilUrc» .
^neaií
Valor C/O ...
Valor C/Or .
ií. m. éorsv.-itltia Cope
macrfirkymtha
Carto e obtuao
Alonfado e agtado
£m conueto (excepciooalmcnte >rp*r»da«)
Larpamrnte separadas
Mais Urfât do qoc looca*
Tio kmfat qtunto largas
Mjus Urta do qoe kmea
Tio longa oo mais longa do que targ:
maior
Iguais
1 par
2 parrs
U.87
10.69
54
44
Dimensões :
Tipo í Xo. 758 na coleção do Instituto Butantan:
Comprimento total 153.3 mm
Comprimento rostro-anal 71,3
Comprimento da cabeça 13.73
Largura da cabeça 9.2
Comprimento da cauda 82.0
Membro posterior 24.0
Membro anterior 17,6
Paratipo S Xo. 752
Comprimento total 135,4 mm
Comprimento rostro-anal 66.3 "
Comprimento da cabeça 13,4
Largura da cabeça 9.0 ”
Comprimento da cauda 69.1 ” (reconstituída)'
Membro anterior 17,6 ”
Membro posterior 23,6 ”
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
246
UM XOVO LAGARTO DA ILHA DA QUEIMADA GRANDE
á No. 760
Comprimento total
789
mm
Comprimento rostro-anal
61.3
>>
Comprimento da cabeça
11.7
tf
Largura da cabeça
7,9
tt
Comprimento da cauda
17.6
unutilada)
Membro anterior
16.8
ft
Membro posterior
20,7
tl
Habitat: Ilha da Queimada Grande, ao largo da costa Sul do Estado 'i*
São Paulo, Brasil.
Data da captura: fevereiro de 1946 — (capturados por: A. Hoge).
ZUSAM MENF.\SSUNG
Beschreibung einer neucn Eidechsenart : Mabuya macrorhyncha die auf <1^
Ilha Queimada Grande heimisch ist.
Die neue Mabuyaart unterscheidet sich von Mabuya tnabouya tmbouya (L^*
cépède) und Mabuya mabouya dorshiUata Cope durdi folgende Mcrkmale: eine
lãngere Schnautze; weit getrennte Supranasalia ; Praefrontalia von gleicher La*'"
ge we Breite; zwei Paar Nuchalia; verschiedene Fãrbung.
ABSTRACT
A new species of lizard is described: Mabuya vuicrorhyncha from
Queimada Grande Island near the coast of the State of São Paulo (Brazil).
The new Mabuya can bc easily distinguisbed from Mabuya mabouya oU'
boiiya (Lacépède) and Mabuya mabouya dor»vittala Cope by: a longer snout>
widely separated supranasals; prefrontals, as long as broad; frontonasal, as 1°”^
or longer tlvin broad; two pairs of nuchals; different coloration.
RESUMÉ
Description d’une nouvcllc espèce de lézard: Mabuya macrorhyncha orip'
naire de Ilha da Queimada Grande près de la Côte de 1'Etat de São PaiiI<J
(Brésil).
La nouvelle espèce se distingue à premiere vue de Mabuya mabouya mabouya
(I.aoépède) par les caracteres suivants: muscau plus allongc; supranasales
gemcnt séparées; prcfronteaux aussi longs que larges; frontonasale aussi lot:?^^
que 'arge; deux paires de nucales; cotoration différente.
6
Inif, BataaUn,
*>•241-248, 194<.
ALPHOXSE R. HOGE
24 /
FiC». 1-4
^Paraçio entre ífeinja «urrorlj «.-ia (J eiquenla) com » e»pêcie cootinenul (i direil»).
2 3
cm
5 6 SCÍELO|_o 11 12 13 14 15 16
248
UM NOVO LAGARTO DA ILHA DA QUEIMADA GRANDE
Agradecimenlos: Desejamos consignar aqui os nossos agra'
decimentos ao diretor Prof. O. Bíer, ao Dr. Alcides Prado, chef^
da Secção de Ofiologia onde foi realizado o presente trabalho <
ao Dr. Ayrton Gonçalrez, diretor da Escola de Pesca de Santo*,
que colocou um barco à nossa disposição para a expedição à
da Queimada Grande.
bibliografia
1. Amaral, A. do. Mem. InsL Butantan, 9:245, 1935.
2. Amaral, A. do. Mem. Inst. Butantan, 11:203, 1937.
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7. Lacêpède, Hist. Nat. Quadr. Ovip., Vol. 2, 1788.
S. Raddi, .Mem. Soc Ital. Modena, 19. 1823.
8
Inst. Butaaus.
l»;2-t9-J72. 1946.
JOS£ MANOEL RUIZ
249
PÜOXOCEPHAUDAE (TREMATODA). ESTUDOS DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMILIA.
po« JOSÉ MANOEL RUIZ
(Do Laboratório de Zoologia e Parasitologia da Faculdade de Farmácia e
Odontologia da Universidade de São Paulo. São Paulo, Brasil)
Looss, eni 1899, creou a subfamilia pbonocephalinae para incluir três
®ovos gêneros de monostoniideos parasites de tartarugas marinhas: Pronocc-
pfialus, Cricocephalus e Pyelosomum.
Em 1901 adiciona quatro novos gêneros, também de espécies j arasitas de
^arugas, a saber: Charaxiccphalus, Adenogaster, Pleurogonius e Glyphicephcdus.
Em 1902, eleva pronocephalinae à categoria de familia e acrescenta o
SÕtero Epibalhra.
Linton, em 1910, descreve duas espécies parasitas de Caretla caretta, para
^ quais estabelece dois novos gêneros: Barísomum, tipo erubescens e Himaso-
tipo candibulum.
Stephens, em 1911, descreve o gênero Desinogonius, tipo destnogonius n. sp..
Johnston, em 1913, redescreve a espécie Monoslotnum pandum Braun, 1901
coloca no gênero Diaschistorchis Johnston, 1913.
Pratt, em 1914, descreve um novo gênero, Wüderia para uma espécie en-
^trada em Carelta caretta, IP. elliptica.
Barker, em 1922 descreve um novo gênero de pronocefalideo, Sytiechorchis,
^'Po megas, que considera muito próxima de Monostomum pattdum Braun, c
^^ildcria elliptica Pratt.
Travassos, em 1922 propõe o gênero Hippocrepis para incluir a esfécic
^^onostomum hippocrepis Diesing, 1855, que inclui na familia Notocotylidae
^««he, 1909.
Poche, cm 1925, transfere o gênero Hippocrepis para a familia pronoce-
^^iDAE e descreve um novo gênero, Astrorchis, para a espécie Monostomum
^*^icapite Leidy.
Em 1929, Fukui, em seu estudo sobre os paranfistomideos, cria o gênero
r'sthoporus e a familia Opisthoporidae, para a espécie Paratnphistomum as-
^onectes MacCallum, 1917.
Em 1930, Stunkard faz vêr que Opisthoporus aspidonectes (MacCallum)
c um paranfistomídeo, o que já havia sido aventado por Poche em 1925, e
as suas relações filogenéticas com os pronocephaudae.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
->50 FROSOCEPHALIDAE tTKEMATODA/. ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Mackin, em 1930, cria o gênero Macravestibulum, espécie tipo. M. obtu~
sicaudum.
Price ioi o primeiro, depois de Looss, a fazer um estudo de conjunto d->
PKOXOCEPHALiDAE. Em 1931 publica seu trabalho no qual sobressaem os ^
guintes fatos: inclui o género Opislhoponis que coloca numa nova subfaniili*»
OPISTHOPORIXAE ; créa a subfamilia charaxicephalixae para incluir os
neros Charaxkephalus Loos e Dcsmogonius Stephens; identifica os géneros Sy
ncchorchis Barker, Wildcria Pratt e Diaschistorchis Johnston, e o género Hbn*'
soinuin Linton e Barisomum Linton; reconsidera o género Hippocrcpis que
Clui em XOTCCOTYLIDAE.
Em resumo, é a seguinte a classificação apresentada por Price:
Fani. pRoxocEPHALiDAE Looss, 1902.
Subfam. opisthoporinae n. subfam.
Gén. Opisthoporus Fukui, 1929.
Subfam. charaxicephalixae n. subfam.
Gén. Charaxiccphahts Looss, 1901.
Dcsmogonius Stephens, 1911.
Subfam. proxocephalixae Looss, 1899.
Gén. Pronocephalus Looss, 1899.
Diaschistorchis Johnston, 1913.
Cricoccphalus Looss. 1899.
FIcurogonius Looss, 1901.
Adcnogastcr Looss, 1901. ♦
Pyclosomum Looss, 1899.
Astrorchis Poche, 1925.
Epibalhra Lcoss, 1902.
Glyphiccphalus Looss. 1901.
Mehra, em 1932a., descreve um novo género. Xcoproiioccphalus,
tipo A', triangularis que coloca numa nova sufamilia, xeoproxocephaliN'^"
Desconhecendo o trabalho de Price e os dois primeiros de Looss. apresenta uu**
classificação na qual a subfamilia proxocephalidae era dividida em trés
famílias :
s
Subfam. xeoproxocephalixae.
Gén. Ncopronoccphalus.
ln*t. Batantan.
'»: 249 . 372 , 1946 .
JOS£ MAXOEL RUIZ
251
Subiam, ch.^ra.xiceph.alixae.
Gén. Charaxiccphalus Looss, 1902.
Diaschistorchis Johniton, 1913.
Desmogonius Stephens, 1911.
Subiam, proxocephalix.ae.
Gên. Pronocephalus Looss, 1902.
Cricoccphalus Looss, 1902.
Epibathra Looss, 1902.
Adcnogaster Looss, 1902.
Glyphiccphalus Looss, 1902.
Plcurogonius Looss, 1902.
Macravcstibvlum Mackin, 1930.
Alguns meses depois, Mehra retoma o assunto combinando sua antiga clas-
^iicação à de Price: aceita a subiamilia opisthopori.xae e adiciona uma nova
*ubiamilia, hippocrepixae; apresenta então uma revisão mais criteriosa do as-
sunto resumivel da seguinte iorma :
^*ni. PROXOCEPHALIDAE Looss, 1902.
Subiam. opisth«»orixae Price, 1931.
Gên. Opisihoporus Fukui, 1929.
Subiam, hippocrepixae.
Gên. Hippocrepis Travassos. 1922.
Subiam, charaxicephalixae Price, 1931.
Gên. Charaxiccphalus Looss, 1901.
Dischislorchis Johnston, 1911.
Desmogonius Stephens, 1911.
Subiam, xeoproxcaephalixae Mehra. 1932.
Gên. Scopronoccphalus Mehra, 1932.
Subiam, proxocephalixae Looss, 1899.
Gên. Pronoccphalus Looss, 1899.
Crícocephalus Looss, 1899.
Pyclosomttm Looss, 1899.
Adcnogaster Looss, 1901.
Plcurogonius Looss, 1901.
Glyphiccphalus Looss. 1901.
Epibathra Looss, 1902.
Barisomum Linton. 1910 (= Himasomum Linton,
1910).
Astrorchis Poche, 1925.
Macrairstibulum Mackin, 1930.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
2^ PROXOCEPHALIDAE (TREUATODAj. ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Os géneros Epibathra Looss, 1902, Astrorchis Poche, 1925 e Myosacc^
Gilbert, 1938, sâo considerados sinônimos de Pyelosomom Looss, 1899 eniend.
O gênero Cochleotrema Tra^-assos & Vogelsang, 1931, considerado na sio^
niniia de Opisthotrema Fischer, 1883 por Price (1932), é revalidado.
O género Cymbiforma Yamaguti, 1933, mencionado em nosso trabalho
terior como duvidoso, é aqui considerado sinônimo de Ogtnocolyle Skrjabin í'’
Schulz, 1933.
O género Mcdioporus estabelecido por Oguro em 1936, é considerado idf’’'
tico a Plcurogcmius Looss, 1901, levando em conta que a posição do poro gcnit*^
não constitue, no caso, elemento diferencial genérico; para este género aceitanii'
os termos diagnósticos propostos por Mehra em 1939, com algumas modificaçú»-
No intuito de facilitar futuras pesquizas neste grupo, com referencia ^
material brasileiro, fazemos uma revisão de todas as espécies. Do materj»^
à nossa disposição fazemos uma descrição, ou melhor redescrição. segundo no»^
observação própria e dos demais reproduzimos as descrições originais dos
pectivos autores. Constitui esta a primeira parte do nosso trabalho.
Na segunda parte apresentamos uma revisão geral da íamilia pRoSOf^
piialidae com a diagnose de todas as subfamilias e géneros. De cada gêB*^
reproduzimos um desenho, eventualmente mais de um, da espécie tipo. e enuf '^
ramos, sinópticamente, todas as espécies nele consideradas.
Aceitamos atualmente a seguinte classificação:
Classe: TREMATODA Rudolphi, 1808.
Sub-classe: DIGENEA v. Beneden, 1858.
Ordem: PROSOSTOMATA Odhner. 1905.
Sub-ordem: MONOSTOMAT.A Zeder, 1800.
Supcrfamilu: PRON’OCEPH.\L01DE.A n. nom. (1)
Familia: pronccepiialidae Looss, 1902, emen^^-
Suhfamilia: pro.nccepiialixae Looss, 1899 emend.
Gén. Pronoccphalus Looss, 1899.
Críocephalus Looss. 1899.
Pyclosomum Looss, 1899.
Adenogaster Looss, 1901.
Peurogonius Looss. 1901 emend.
Teloporia Vnkvd, 1933.
Iguanacola Gilbert, 1938.
Renigonius Mehra, 1939.
vP'
(1) Damos a esta superfainilia o senso de SOTOCOTYLIDA Poche, 1925. oo •
TOCOTYLOIDEA Price. 1932.
b
Mtra. Inst, Butinuc. _ _
1 * 249 .^ 72 , I94«. MAXOEL RlIZ
Subfamilia: notocotylixae Kossack, 1911 «nend.
Gên. Xotocotylus Dksing, 1839.
Ogmogaster Jãgerskiõld, 1891.
Catatropis Odhner, 1905.
Paramonostomum Luebe. 1909.
Ogmocotylc Skrjabin & Schulz, 1933.
Quinquescrialis- Skvortsov, 1935 emend.
Hoftnonoslomum Harwood, 1939.
Subfamilia: xudacotylixae Barker, 1916.
Gcn. Kudacotyle B.arker, 1916.
Xcocotylc Travassos, 1922.
Subfamilia: charaxicephalixae Price, 1931.
Gcn. Charaxiccphalus Looss. 1931.
Desmogo nius Stephen s , 1911.
Diaschistorchis Johnston, 1913.
Subfamilia: xeoproxocephaljxae Mehra, 1932.
Gcn. Seopronoccpítalus Mehra, 1932 emend.
Subfamilia: opisthotrematixae Harwood, 1939.
Gcn. Opisthotrema Fischer. 1883.
Ptihiionicola Pochc, 1935.
Coclilcotrcitia Travassos & \’ogelsang, 1931.
Subfamilia: choaxopucrixae Caballcro, 1942.
Gcn. Choanophorus Caballcro. 1942.
Macrcnrstibuluiii Mackin, 1930 tmcnd.
Mcíacflabulutn Freitas & Lent. 1938 emend.
CcliosiU^ciis Gilbcrt, 1938 emend.
255
ESTfDO DAS ESPECIES BRASILEIRAS
•A primeira espécie da familia prcxocephalioae referida no Brasil, Plm-
*^^9o»iiis trigonocephaUts, foi descrita por Rudolphi. em 1809, sob o nome Mo-
*'^^touia trigonoctphalns, de nuterial europeu. A descrição de Rudolphi, muito
“‘imãria e destituida de ilustrações, deu origem a certas confusões na identifica-
posterior desta espécie, conforme se verifica através da literatura antiga,
estado confuso foi devidamente esclarecido por Braun que e.xaminoa os
»nda e.vistentes originais de Rudolplii. Em 1901. Braun redescreve Monosto'
higotioccpitaluin e dá uma bõa figura.
Em 1902, Looss apresenta uma nova descrição da espécie que enquadra no
Retifro Pleurogonius. As descrições e figuras desses autores são concordes.
cm
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25(3 PROSOCEPHALIDAB (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAUlUA
Não resta duvida pois, que a espécie descrita por Rudolphi seja Pleurogonius tn-
gotwcephalus-,
Diesing, em 1850 refere M. trigonocephalum <m material brasileiro levado
para a Europa por Natterer “...in Bras.lia vario anui tempore (Natterer). M-
C. Como Diesing considerasse na sinonimia desta espécie MonostoinuRi
album (atual Cricocephalus aJbus), e Monostomutn rubrum (= Crxcocephalus
ruber), não podemos afirmar ao certo a qual das espécies corresponde a referid*
no Brasil. Tal dúvida deixa de existir porque Braun, em 1901, também met*'
ciona o seu encontro, no Museu de V‘iena, material de Chelone mydas prost*
niente do Brasil: “...ich babe sie íemer konstatiert in der Wiener Sammlung
(aus Chelone mydas, Brasilien; IV. 38)”.
A segunda espécie referida no Brasil, Paramonostomum ionorne, foi diS'
crita por Travassos cm 1921.
Em 1922 Travassos estabelece o género Neocolyle, tipo N. neocotyle n. sp-
e descreve Sudacotyle valdcvaginatus n. sp., ambas formas parasitas de ilydro-
chocrus capybara proveniente de Mato Grosso e, cm 1939, acrescenta ao género
Nudacotyle a espécie N. Icriius, do mesmo hospedeiro, proveniente do Estado
do Rio.
Freitas e Lent, cm 1938 descrevem um novo gênero, Metacelabulinn, a?-
tipo M. ixvaginatum parasito intestinal de Chelone mydas capturado em
de Janeiro. Esse gênero foi originariamente incluido numa nova familia entre
os PARAMPHISTCMOIDEA. No prcscntc trabalho mostramos as afinidades de
M. invaginaJum e outras espécies incluidas na familia pronxcephalidae. Deste
modo cleva-se a seis o número de espécies desta familia constatadas em no**^
pais. Aqui apresentamos a observação de diversas outras espécies, uma da*
quais nova.
Este trabalho foi realisado com material das coleções helmintológicas do
Instituto Butantan e, principalmente, do Instituto Oswaldo Cruz. Do primeiro
dispuzemos de 4 lotes, todos provenientes de uma única necropsia (necr. o-
2.127 de 4/12/1939), de uma tartaruga proveniente de Santos (Práia Grande)
cuja identificação genérica ou especifica não foi feita naquela ocasião; encontr**
mos o material cm parte montado, a maioria conservado em formol-acético num
único frasco. Alem de trematoides d; outros grupos, encontramos ai cerca d«
uma centena de exemplares de Metacclabidum tmvginatum, 7 exemplares d«
PronocephaJus trigonoccphalus (= P. obliquus), 5 exemplanes que identific**
mos a Pleurogonius linearís e 2 e.xemplaros de uma espécie que descreveniu*
como nóva, Pronocephalus minutus.
Do Instituto Oswaldo Cruz foi posto à nossa disposição um número ap*^
ciavel de lotes, a maior parte deles já monados em laminas, que passamos a ^nu
merar com as respectivas indicações:
3
^c*n. last.
*>:249.J72.
Brat^tai^
194 ^.
JOSÉ MANOEL RUIZ
257
- Chelonc inydas (L.), Estômago, Rfo de Janeiro, D. F., Lent & Frei-
tas col., 23-9-1937. Necropsia 5815.
Chelone mydas (L.), Estômago, Rio de Janeiro, Tra\-assos col., 8-1-
1923. Necropsia 2048.
Chelone mydas (L.), Estômago, Rio de Janeiro, Trarassos col., 8-1-
1923. Necrôpsia 2048.
■ Chelonc mydas (L.), Intestino, Rio de Janeiro, Travassos col., ?
■ Chelone mydas (L~), Intestino grosso, R;o de Janeiro, Travassos col.,
8-1-1923. Necropsia 2048.
Chelone mydas (L.), Estômago, Rio de Janeiro, Travassos col., ?
Chelone mydas (L.), Estômago, Rio de Janeiro. Travassos col., ?
Chelone mydas (L.), Duodeno, Rio de Janeiro, Travassos col., 11-
1932. Necropsia 5239.
Chelone mydas (L.), Duodeno, Rio de Janeiro, Travassos col., 11-
1932. Necrôpsia 5239.
Chelone mydas (L.), Intestino delgado. Rio de Janeiro, Lent & Frei-
tas col., 23-9-1937. Necrôpsia 5815.
Chelone mydas (L.), Intestino delgado. Rio Estrela, Rio de Janeiro,
Lent & Freitas col., 23-9-1937.
Chelonc mydas (L.), Estômago, Rio Estrela. Rio de Janeiro, Lent
& Freitas col., 23-9-1937.
Chelone $nydas (L.), Intístino, Rio de Janeiro, Tra\’as 5 os col., 8-1-
1923. Necrôpsia 2048.
Chelone mydas (L.), Estômago, Rio de Janeiro, Tra%'assos col., 8-1-
1923. Necrópsio 2048.
jl^xainos comignados aqui os nossos agradecimentos, nSo só pelo franqueamento dos
li^^tórios e o fornecimento de material helmintológico, mas também pelas facilidades que
^ concederam sob múltiplos aspectos, aos Drs. Lauro Travassos. Hertnan Lent c J. F.
de Freitas, do Instituto Oswaldo Cruz, e Flasno da Fonseca, do Instituto Butantan.
grato ao Dr. Paulo de Toledo Artigas, que sempre foi para nós um inccntiiador,
^^^ajnigos Aristoteris T. Leão e Astolpho S. Grotta pela ajuda que nos dispensaram nas
tões de microtécnica. As consultas bibliográficas muito foram favorecidas graças à
^ ■cação c bóa vontade dos Drs. Lauro Travassos Filho, Oemente Pereira, Zeferino Vaz c
■■'Os de Toledo Fleury, aos quais expressamos o nosso reconhecimento.
cm
SciELO
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^58 PROSOCEPHAUDAE TREMATODA,. ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
I — Subfamilia prc-nocephalixae Looss, 1899.
A — Gênero P r o n o c p h al u s Looss, 1899.
1 — P r o n o c c p h al H s trigo nocephalus Loos. 1899 ^
(tigi. 1-4. 7-11. 15-16. 22, 29)
Descrição: Corpo alongado, de largura variavel com a região; extreim*
dade anterior lanceolar opresentando um colar ceíálico bem evidente, interront*
pido na face ventral por uma depressão em forma de V ituiertido; na zona l’-'
iurcal o corpo se estreita, dando a idéia de um pescoço, para depois alargar-^*
progressivamente para trás, atingindo o máximo na metade posterior; a extre-
midade posterior é arredondada. Cutícula inerme. \*ento5a oral bem desen-
volvida, de contorno circular. Ventosa ventral ausente. Esôfago delgado,
dianamente longo. Faringe ausente. Cecos delgados, pouco sinuosos, atingin^
is proximidades da extremidade posterior do corpo, terminando em convergên-
cia para a linha mediana, ao nivel do poro excretor. Pero genital situado,
ou menos, no limite dos quartos anteriores do corpo, um tanto desviado ^
linha mediana para o lado esquerdo. Bolsa do cirro muito desenvolvida, apre-
sentando um grosso envoltorio muscular, situada na metade anterior do corfO-
apresenta uma parte liasal muito dilatada, correspondente à porção prostática-
sendo a distai mais delgada, em geral um tanto recurvada, em íornu de C :
parte contem um dueto ejaculador e um cirro musculoso, tortuoso, geralmentr
desenvaginado. A vesícula seminal é constituída por um longo tubo enovelaJ'^-
que se encontra livre no parenquima, para trás da bolsa do cirro. Testicul*^-
de cotorno liso ou ligeiramente irregular, situados no quarto posterior do cori’'’-
em posição inclinada; são em geral intracecais podendo, nos exmiplares
velhos, atingir os campos cecais que às veses ultrapassam. Ovário, arredondad*^
ou ligeiramente irregular, situado imediatamente acima da zona testicular, á di-
reita da linha mediana, intracecal. Glândula de Mehlis situada ime<iiataine*’*^
atrás do ovário. Xão obser\amos o canal de Laurer. Esi;ermatéca auscn^*"
\-itelinos dispostos em dois grupos laterais de acnes numerosos que se c-xteoden’
desde a zona testicular até as proximidades da linha equatorial. Útero forni*'’
do numerosas alças que se extendem desde a zona ovariana até a base da hol=^
do cirro, em geral intracecais. Vagina tubular, muito musculosa e envolta
células glandulares, menor que a bolsa do cirro, situada à esqureda da l'"^
mediana. Chos muito numerosos, elipsóides, de casca relativamente esp^®*"
apresentando um longo filamento em cada polo. Póro excretor situado na
nha mediana, proximo da extremidade posterior, circundado por um estinc*^*^
muito e%-idente. \'esicula excretora volumosa, extendendo-se ate as pro-vimi*^
l'i
Imt. BuunUn,
'•-■‘J-ir’, 19-W.
JOSÉ MANOEL RCIZ
259
des da glândula de Mehlis, passando entre os testículos, onde se bifurca em
íornia de i’; os canais coletores margeiam os campos cecais pelo lado externo e
*bngem superiormente a altura da ventosa oral onde terminam em fundo cégo.
Trabalhamos com o seguinte material:
' exemplares do intestino de tartaruga marinha (sp?). Santos, Flavio da Fon-
seca col. Xecrópsia 2127, 4-12-1939. Coleção do Instituto Butantan.
^ exemplar do estômago de Chelone tnydas. Rio de Janeiro, Travassos col., Xe-
crópsia 2018. 8-1-1923. Coleção do Instituto Oswaldo Cruz, X®. 9769.
^ exemplares do duodeno de Chclom mydas, Rio de Janeiro, Travassos col.
Xecrópsia 5239. 11-1-1932. Coleção do Instituto Oswaldo Cruz, X®. 9775.
_ Damos um quadro com medidas de 10 e.xemplares, expressas em mm. Os
^Prim-iros exemplares são da coleção do Inst. Butatan e os demais do Inst.
^vs^ldo Cruz (Iam. X®. 9775).
^“•Pnmtnto
^ «ato*a oral (dümctro)
anterior (diÁme'
tro) ,
^***- posterior (diánie*
troí
do cirro (compri*
«Knto)
do cirro (Urro*
nt
^irio (dtimeiro) . . .
(compr.) ....
'■«tina (Urr.)
^«tincia mtre a hi*
t«rca<io «cal e o
Itnital
0.6Í6
0.3SS
0.565 O.J»I
t
0.367
0.S4S
0.381
0.183
0.636
0.141
0.474
0.636
0.381
0.339
0.848
0.197
0.777
0.434
0.311
0.848
0.169
0.565
‘>.536 0.447
0.289
0.302
0.657
<5.131
0.684
0.210
0437
0.526
0.079
0.526
0410
0463
0.447
O.IOS
0.657
0.36S
0.894
0.158
0.237
0.473
0.079
0.526
0.867
0.158
J).197
0.526
0.079
0461
dM OT04
0*019 a *1-1 mm de comiTÍment'»
a 0*0lt mm de Urgur a
(ftUmeflto 0.2$ a 0.35 mm de compr.)
0.02^ a 0.024 mm de co m pr i mento
O.Otl a 0,015 men de Urfura
I filamentos nào mcdid>>f)
2 — Pronocephalus m i u u t ii s sp. ii.
(figs. 12. 13. 14)
^ í^escrição: Corpo pequeno com a CTctremidade anterior lanccolar e a pos-
arredondada; colar cefálico muito amplo apresentando, na face dorsal,
depressão cm forma de V invertido e outra, mais profunda, na face x-cn-
\ entosa oral subtcrminal, com a abertura voltada para a face ventral.
**^nçc ausente. Esôfago delgado, de comprimento médio. Cecos simples, ex-
cm
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250 FKOMOCEPHMLIDAB (TKEMATODA). ESTUDO DAS ESPtClES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
lendendo-se para trás, através do campo uterino, e terminando imediataine®**
atrás dos testículos. Poro genital situado no terço anterior do corpo, à esquerd»
da linha mediana, intracecal, medindo 0,028 mm de diâmetro. Bolsa do cirro
volumosa, de contorno quasi ovoide, envolta por uma camada muscular dtlicad*'
contem um cirro curto, tubular, e uma parte prostática envolta por um tcci<l<>
glandular compacto que enche toda a cavidade da bolsa. Vesícula seminal tO"
bular e externa. Testículos volumosos, de contorno quasi liso, intracecais c 1^
vemente extracecais, situados no terço posterior do corpo, com zonas coincid®’'
tes e campos contíguos. Ovário sub-esférico, situado no terço médio do corF®*
a direita da linha mediana, acima da zona dos vitelinos. Complexo da glàndol*
da casca não observado. Vietlinos constituídos por dois grupos de foliculo^
muito volumosos e relati%’amcnte pouco numerosos, dispostos nas margens
corpo entre as zonas testicular e orariana. Útero formando alças amplas que
extendem para baixo da zona ovariana, atingindo a testicular e depois se dirig®**
]>ara a frente, chegando a ultrapassar o limite basal da bolsa do cirro. Vag****
muito pequena, à esquerda da bolsa do cirro. Ovos numerosos, elipsóides, ^
casca delgada e apresentando um filamento delicado em cada polo; o comp*’*
mento dos filamentos não foi determinado. Poro excretor mediano e t;rmii>*''
medindo cerca de 0,030 mm d diàmtro. A parte correspondente á vesícula
cretora, no material examinado, corado pelo carmim, se apresenta como uma fo*^'
inação escura bem delimitada situada entre a zona testicular e a extremiil**^
posterior do corpo; os detalhes exatos não foram entretanto ob5er\'ados.
Habitat; Intestino de “tartaruga marinha”.
Proveniência: Práia Grande, Santos, Estado de São Paulo.
Medidas: Exemplar tipo:
Comprimento 2,565 mm. Largura 1,032 mm. Diâmetro da ventosa
0,155 mm. Esôfago 0,183 mm. Tcstknilo direito 0,395 mm de comprime*"*®
por 0,353 mm de largura. Testículo esquerdo 0,353 mm de comprimento
0,31 1 mm de largura. Bolsa do cirro 0.353 mm de comprimento por 0,212
de largura. 0\'ário 0.212 mm de diâmetro transverso. Diâmetro dos folieul®*
vitelinicos 0,07 a 0,113 mm. Vagina 0,126 mm de comprimento por 0,047
de largura. Ovos, sem os filamentos, 0.014 a 0,019 mm de comprimento P®
0.01 1 mm de largura.
Exemplar porátipo:
Comprimento 2,686 mm. Largura 0,989 mm. Diâmetro da ventosa
0,155 mm. Esôfago 0,240 mm. Testiculo direito 0,541 de comprimento
0.422 mm de largura. Testiculo esquerdo 0,541 mm de comprimento por 0 ,^’
de largura. Bolsa do cirro 0,325 mm de comprimento por 0,226 mm de I**
12
Unn. Inst. BnUnUs,
>»a49-372. 1W6.
JOS£ MAXOEL RCIZ
261
gura. Ovário 0^52 mm de diâmetro. Diâmetro dos folículos vitelinicos 0,070
a 0.141 mm. Ovos 0,014 a 0,015 mm de comprimento por 0,011 mm de largura.
A presente descrição é baseada em dois exemplares, comprimidos e monta-
dcã in loto. O material é proveniente da necropsia 2127 de 4-12-1939 da
iceção de parasitologia do Instituto Butantan, em cuja coleção se acha depo-
sitado.
Pronoccphalus minuíus sp. n. constitue a segimda espêck do gênero e di-
ierencia-se da espécie t;po, P. trigonoccphalus por uma série de caracteres: mor-
fologia e extensão do colar cefálico, posição dos testiculos, comprimento dos ce-
cos, posição do ovário, diâmetro e extensão dos policulos vitelinicos, forma c
lamanho da bolsa do cirro, extensão das alças uterinas, tamanho dos ovos e
situação do poro exerctor.
B — Gênero Cricocephalus Looss, 1899
3 — Cricocephalus albus (Kuh! et Hasselt, 1822)
Looss, 1899
(figs. 20. 21, 25)
Descrição: Corpo alongado; extremidade anterior atenuada, lanceolar, e
* poster.or alargada e ligeiramente truncada, apresentando duas saliências ma-
*”ilosas terminais, situadas simétricanvinte, inna em cada lado do corpo. Colar
^fálico bem evidente. Cuticula lisa. Ventosa oral subtenninal, circular, vol-
‘ítda para a face ventral. Faringe ausente. Esófago curto, simi>Ies e delgado,
f-ccos longos, paralelos, passando entre os testículos e terminando nas proximi-
^des da extremidade posterior do corpo; apresentam numerosas ramificações
‘*terais externas ao longo de todo o percurso. Poro genital situado nas proxi-
midades da bifurcação cecal ligeiramente desviado da linha mediana para a es-
*lnerda. Bolsa do cirro muito desenvolvida com um comprimento que sc apro-
à n>etade do conrq>rimcnto total do corpo; dirigida verticalmcnte e com
® liase no nivel da região equatorial, na região mediana do corpo, apresenta uma
fiurção basal muito dilatada, que corresponde à parte prostática, a seguir obser-
'‘*'Se uma constricção muito acemuada que dá a unia porção tubular delgada
'luasi tão longa quanto a parte prostática; esta corresponde ao dueto ejaculador
se prolonga para a frente ; na parte distai a bolsa dilata-se novamenle e en-
Um cirro musculoso atrás do qual existem numerosas células glandulares.
^ vcsicula semanal é constituída por um grosso tubo, situado fóra da bolsa do
^fro, que se dirige para trás ao longo da linha mediana do corpo e ating: o
15
cm
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2çp PROXOCEPHAUDAE (TREMATODAj. ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
da zona orariana. Testículos ligeiramente Ipbados, situados na extr;nu-
dade posterior do corpo em campos afastados e zonas coincidentes. Ovário li'
geiramente lobado, menor que os testículos, ã direita da linha mediana, intrace-
cal, imediatamente pretesticular. Complexo da glândula da casca postovariano,
na linha mediana do corpo. \*agina muito desenvolvida e musculosa, menor
a bolsa do cirro, paralela a esta e de morfologia característica: apresenta cerca
da metade basal multo dilatada envolta por uma camada glandular muito fina*
a porção distai é tubular e muito mais delgada sendo envolta por uma camada
de células glandulares muito grandes; as extremidades desta porção apresen-
tam uma dilatação musculosa sub-esférica que fazem saliência para os lados.
Ctero muito circunvoluido, disseminado desde a base da vagina até a zona ovana-
aa, formando numerosas alças horizontais, intra e extracecais. Ovos numerosos,
elipsóides, apresentando um longo filamento em cada polo. Vitelinos consti-
tuídos de foliculos grandes, não muito numerosos e distribuídos em dois grupos
prctestkulares, nos campos laterais.
Trabalhamos com os seguintes lotes desta espécie:
2 e.xemplares — Chchne mydas, estômago. Rio de Janeiro, D. F., Lent ík Frei-
tas col., 23-9-1937. Xecrópsia 5815. I-am. 9767 da Coleção do Instituto
Oswaldo Cruz.
8 exemplares — Cheíone mydas, estômago. Rio de Janeiro, Travassos col.,
1923. X'ecrópsia 2048. Lam. 9768 do Inst. Oswaldo Cruz.
3 exemplares — Cheíone mydas, estômago. Rio de Janeiro. Travassos col. Lan’-
9773 do Inst. Oswaldo Cruz.
10 e.xemplares — Cheíone mydas, estômago. Rio de Janeiro. Travassos c®*'
Lam. 9774 do Inst. Oswaldo Cruz.
3 exemplares — Cheíone mydas, duodeno. Rio de Janeiro, Travassos col.. 1^'
1932. Necropsia 5239. Lam. 9777 do Inst. Oswaldo Cruz.
1 exemplar — Cheíone mydas, intestino delgado. Rio de Janeiro. Lint & Fr^’*
tas col., 23-9-1937. Xecrópsia 5815. Tubo 9794 do Inst. Oswaldo Cru^-
2 exemplares — Cheíone mydas, intestino. Rio de Janeiro, Tra\-assos col.. 8-1'
1923. Necropsia 2048. Lam. 10277 do Inst. Oswaldo Cruz.
24 exemplares — Cheíone mydas, estômago. Rio de Janeiro, Tra\‘assos col.. 8-i'
1923. Necropsia 2048. Lam. 10278 do Inst. Oswaldo Cruz. •
14
Vt*- Inst. Butacui:.
•*-249-37’, 194Í.
JOSÉ M.WOEL RUIZ
Damos a seguir um quadro de medidas de alguns exemplares desta espécie,
•expressas em mm.
Comprimento
6A7
Í.49
6.42
5.92
5.42
6.81
6.63 ~
5.51
I^argnra
2.05
2.00
1,87
1.73
1,76
1.92
136
1,34
Vento» onil (dÜmetro'» ....
0,515
0.5 13
0.538
0.500
0.486
0.515
0.315
0.458
E*òf&go (comprimento) ....
0,34J
0.54J
0.372
0.286
0,214
0.337
0.315
0J86
Bolsa do cirro (cotnpr. total)
2.977
2.930
2.788
2.517
2,344
2.746
2,974
1.831
Parte prostática (compr.) . . .
P.S58
1.144
0.786
0.715
0.858
0.887
1.044
0.615
Parte prostática (largora)
OJIS
0.315
0.315
0.313
0,243
0J!43
0,257
0.172
Testículos
0.438
0.472
0.515
0.429
0,486
0.529
0.601
0.400
(diám. transv.) ....
0.486
0.429
0.500
0.429
0.443
0.472
0,515
0.400
Ovário (diâmetro!
0.329
0.236
0.329
0,329
0.286
0.541
0,315
0.229
Vagina (comprimento)
2.000
2.216
1.145
1.8 58
1,644
:.5oi
1.641
1315
Vagina (larg. máxima)
0.315
0.214
'>.272
0.272
0.300
0J43
0.243
0.186
DtmenvV» do» oro*
Média: 0.026 de comprimento X 0.012 mm de largura.
Variaçôe*: O.02i a 0,023 ram de comprimento X
0.011 a O.Oli mm de largura. O* filameato*
xtlo foram medido*.
C — Gênero P yel o s o m u m Looss. 1899 emend.
— P y 1 0 s 0 m u tn crassuut í Looss, 1901) n. comb.
(figs. 17, 18)
Descrição: Corpo alongado com a extremidade posterior arredondada c
* anterior mais atenuada e apresentando um nítido colar cefálico com uma
^•^ca depressão na face ventral. Cutícula lisa. Ventosa oral subterminal. de
"^tomo circular. Faringe ausente. Esôfago delgado. Cecos largos c ligeira-
^'•te sinuosos, extendendo-se, não muito distantes das margens do corpo, até
* extremidade posterior, ultrapassando a zona testkular ao nivel da qual se
*Proximam com tendência a situarem-se para dentro dos testículos; não são,
"^treunto. intratesticulares mas testiculares. Atrio genital ausente, sendo os
Poros genitais masculino e feminino muito próximos, situados para fóra do
cecal esquerdo. Bolsa do cirro disposta ein po$i<;ão inclinada no terco
''•^erior do corpo; apresenta a iwrção basal, correspondente à parte prostática,
****••10 dilatada c a porção distai tubular, delicada, contendo o dueto ejaculador
* *•••• penis ou cirro pequeno. Vesícula seminal longa, tubular, enovelada, ex-
'írrta. Testículos volumosos com lobulação mediana, situados simetricamente
fxtremo posterior do corpo. Ovário arredondado, pretesticular, ligeiramente
^ •lircita da linha mediana. Complexo da glândula da casca situado atrás do
Espermatéca ausente. Vitelinos constituídos por dois grupos com cerca
20 folículos volumosos, disseminados entre as margens laterais c os campos
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
PROSOCEPHAUDAE (TREMATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
2(A
cccais, desde o nivel da zona testicular até as proximidades da linha equatorial
Ütero apresentando numerosas circunvoluções transversais, intracecais, exten-
dendo-se para a frente da zona o\-anana e atingindo a parte basal da bolsa do
cirro. Vagina delgada e longa, enrolta por células glandulares. Ovos numero-
sos, alongados, com um opérculo bem visivel na extremidade mais delgada, ^
apresentando um, raramente dois filamentos longos em cada polo, c outros,
muito delgados, em numero rariavel, geralmente 3 a 5. Poro excretor medU'
no, posterior, subterminal. Vesícula excretora formada por um tronco tubulif
inferior com a base geralmente mais dilatada; na região da glândula da casca
divide em dois ramos, em forma de f', que se dirigem para a frente pelas niar-
gens laterais. Os demais detalhes do aparelho excretor não foram observados.
Trabalhamos com um único lote desta espécie que consta de três exempl*'
res, Lam. 9772 da Coleção do Inst. Oswaldo Cruz, com as seguintes indic*'
ções: Chelone mydas. Intestino grosso. Rio de Janeiro, Travassos col., 8-1-1923'
Necropsia 2048.
Medidas: Comprimento 8.37 a 8,93 mm. Largura máxima 2,13 a 2,26 mni-
Diámetro da ventosa oral (transversal) 0,480 a 0,319 mm.
Comprimento do esófago 0,300 a 0,430 mm. Bolsa do cirro cerca de 1.^
nun de comprimento por 0,39 mm de largura máxima; a largura da parte dei*
gada (parte distai) varia entre 0,092 e 0.105 mm. Testículos 0,519 a 1,23 mH'
de comprimento por 0,789 a 0,894 mm de largura.
Ovário 0,394 a 0,450 mm de comprimento por 0,473 a 0,526 mm de largut*'
Vagina 1,18 a 1,58 mm de comrimento por 0,066 a 0,080 mm de largura.
Distância entre o poro genital e a bifurcação cecal cerca de 1,05 mm.
Ovos 0,042 a 0,052 mm de comprimento por 0,019 a 0,022 mm de larga'*'
o filamento maior méde cerca de 10 vezes o comprimento dos ovos.
Discussão: Esta espécie foi primeiramente descrita por Loos (1901J.
o nome Glyphiccphalus crassus, de material coletado no Egipto, do intestino de
Caretta carcíla (= Thalassochelys cortuata). Em 1902 o autor rcdescreve *
espécie mais detalhadamente transferindo-a para um novo género, Epibathra, p**'
sando a denominar-se Epibathra crassa. Segundo nosso conceito o gênero Bp*’
bathra é idêntico a Py^losomum (vide discussão sobre o gên. Pyeloson»*^^
desta forma a referila espécie passa a denominar-se Pylosimutn crassus (L* )'
Nossa descrição difere da de Looss em alguns pontos, principalmentc
tamanho (4,0 a 6,0 mm seg. Looss), forma da bolsa do cirro, extensão e núme'*'
dos foliculos vitelinos.
A espécie descrita por Oguro cm 1936, Pyclosomum posterorchis, basead*^
cm dois exemplares do intestino de Erttmochelys imbricaia (E. squamosa)-
^«1 Inst. Bataatan,
**J4»-372, 1M6.
JOSÉ MANOEL RUIZ
265
Japão, difere aparentemente da primeira pelo tamanho dos ovos, que são ligei-
^aniente maiores, e da bolsa do cirro que parece menos desenvolvida ; o esôfago
« mais curto e os cecos, que parecem mais sinuosos, dobram-se para dentro de-
Pois de passarem a zona testicular; os testículos são um pjouco mais lobados.
Estamos tendentes a crer que futuros estudos com material mais abundante p>os-
*>m demonstrar a identidade destas duas espécies.
D — Gênero Pleurogonius Looss, 1901 emend.
5 — Pleurogonius I o n g i u sc u I u s (v. Beneden,
1859) Loosss, 1901
(figs. 30, 31, 32. 33. 34)
Descrição: Corpxj muito alongado com a extremidade pxjsterior arredon-
^ãa e a anterior terminando em forma de lança, com nítido colar cefálico que
Apresenta uma depwessão p>ronunciada na face ventral. Cutícula lisa. Ventosa
terminal, de contorno circular. Faringe ausente. Esôfago delgado, media-
®*mcnte longo. Cecos delicados, ligciramente crenulados. p>aralelos, passando
os testículos e extendendo-se até o nivel do px)ro excrctor, nas proximida-
do extremo pwsterior do corpx>. Poro genital situado no quarto anterior do
ligciramente desviado da linha mediana. Bolsa do cirro situada no terço
**ilerior e dirigida no sentido do maior eixo; apresenta uma parção distai del-
e uma pwrção basal mais volumosa, menos extensa, que correspxsnde à pwrtc
^‘'^tática ; a porção delgada envolve um cirro tubular e um longo dueto ejacula-
.^pjenas pxíquena parte da vesícula seminal pjenctra a bolsa do cirro sendo
mais externa, constituída px)r um longo tubo circunTOluido. Testículos' de
®®*itorno irregular, situados simétricamente na parte posterior do corpo. Ovário
contorno liso, globóide, situado acima da zona testicular e ligciramente à di-
da linha mediana. Compjlexo da glândula da casca posterior ao ovário,
«>ed iano. Espormatéca ausente. Canal de Laurer presente. Vitelinos consti-
****dos por dois grupos laterais c extracecais de foliculos poquenos e numerosos
^^tea de 80 de cada lado), com tendência a formar p)equenos cachos de 4 a 6
*^entos; as glândulas vitelinas extendem-se da zona testicular p»ra cima atin-
ítido as proximidades da linha equatorial. Útero apresentando numerosas cir-
*'*®voluções enclinadas para a linha medbna, ocupando toda a área intracecal
^^‘‘'preendida entre a zona osmriana e a linha que divide os terços médio e au-
***^or. \’agina tubular, longa, poralela à bolsa do cirro. Ovos numerosos,
ides, opierculados, apresentando um longo filamento em cada px)lo. Poro
*^crctor mediano, pxjstcrior, de forma elipMÓide, alongado no sentido longitudi-
17
cm
SciELO
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266
PROSOCEPHALIDAE (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
I
4
nal. Vesícula excretora tubular, com a porção basal mais dilatada; em nossO
material não é possível distinguir o ponto exato da bifurcação; os ramos laietai*
ilirigem-se para a frente e terminam em fundo cego na região cefálica.
Trabalhamos com um só lote de dois exemplares desta espécie: Lam. 9770
da Coleção do Inst. Oswaldo Cruz, com as seguintes indicações : Chelonc mydo-^-
Intestino. Rio de Janeiro, Travassos col..
Medidas: ‘Comprimento 8,0 a 8.3 mm. Largura 0.89 a 1,05 mm.
\*entosa oral 0,157 de diâmetro transversal. Esôfago 0,572 a 0,629 mm
comprimento. Bolsa do cirro 0.820 a 0,989 mm de comprimento por 0,141
de largura máxima. 'Diâmetro dos testículos 0,260 a 0.394 mm. Ovário 0.1^^
a 0,197 rrim de diâmetro. Vagina 0,657 a 0,736 mm de comprimento por 0.06-
r. 0,079 mm de largura. Distância entre o poro genital e a bifurcação cecal
0.789 a 1,052 mm. Ovos 0,027 de comprimento por 0,013 mm de largura:
os filamentos têm cerca de 10 X o comprimento dos ovos.
* • *
Xossa descrição difere da de Looss quanto ao tamanho do corpo (cerca ^
10,7 seg. Looss, 13.5 mm seg. v. Beneden) e da bolsa do cirro bem como
número e extensão dos foliculos vitelinos.
« « «
6 — P I e u r o g o n i u s trigo noccphalus ( Rudolp^*'
18C9t Looss. 1901
(fitr. 35)
Xão tivemos cm mão material desta espécie. Transcrevemos a descrição
ginal de Rudolphi (1809), alaptamos a redcscrição de Braun (1901), e reproú**'
zimos a figura apresentada por este autor.
Descrição (seg. Rudolphi);
" M o n o s t o ma t r i g o n o c e p h al u m , R.
Monostoma: capite trigono, corpore hinc convexo, illinc concavo. — Bi*'^
in litteris: Planaria Mydac — Hab. Specimina quinque in ventrículo Testud***^
Mydac a se reperta cl. Braun mecum communicavit.
Dcscr. — \'ermes unam cum dimidia, duasve lineas longi, tertiam li*’^'
partem lati. Color in spiritu vini fuscus redditus. Caput trigonum, discretu*’’'
*c*
angulispostids cxstantibus, poro terminali orbiculari hiante. Corpus capit* ‘
IS
Mnn. Inst. Butmntan.
l»2^9■^72, 194«.
JOS£ MANOEL RUIZ
267
nuius. hinc (dorso) convexum, illinc (ventre) excavatum, ápice caudalis niargi-
nibus<jtje lateralibus obtusis.
Cirna quatuor in spedmtnibus infra capitis marginem interiorem exsertus,
in quinto occultatus. — Obs. Amiciss. Braun cirri occuhati tuberculum planum
Pro poro ventrali sumsit.”
Descrição (seg. Braun) :
“ — Os presentes cxmplares de Monostomum trigoiiotephaJum (frasco n.®
Iã37 da coleção de Berlin) têm todos a forma de um C, recui^’os para o lado
Entrai que é coricavo ; o lado dorsal é conwxo ; o comprimento do corpo atinge
5 a 3.5 mm e a largura menos d; 1,0 mm. A extremidade anterior se apresenta
tomo uma dilatação triangular, pouco saliente para os lados; na parte médio-
ventral forma-se um ângulo de modo que visto dessa face tem-se a impr^*ssão de
Um coração invertido; de fronte a esse ângulo forma-se uma escavação triangu-
lar com o vértice voltado para a frente. O colar cefálico é musculoso. A boca
‘itua-se na extremidade anterior, na ventosa oral, que mede 0,125 mm de com-
primento f.or 0,156 mm de largura. Fáz continuação à boca o esófago que c
delgado e mede 0,5 mm de comprimento; não se observa bulbo esofagiano (Ring-
utuskellage) sobre a base da bifurcação cecal ; esta forma um ângulo de 45° vol-
*»do j)ara baixo ; os cecos são longos e apresentam pequenas dilatações laterais ;
^ntes de atingirem a zona testicular se recurvam para a linha mediana c assumem
^ forma de um X, que Walter foi o primeiro a figurar; a porção caudal dos
tecos c geralmente dilatada. O poro genital está situado atrás da bifurcação
ttcal, imi tanto desviado para o lado esquerdo. A bolsa do cirro é alongada
t com a forma de um C a seu lado situando-se o metratemio que tem a fonna
de uma bolsa; estas duas formações são fáceis de observar. O metratemio c
tegularmcnte espísso e revestido de células glandulares. Os testículos são ovais
arredondados e estão situados simetricamente na extremidade posterior <lo
torpo; pode-se obser%'ar uma extrutura de contorno lobulado que segundo mi-
nha obsers-aqão se forniam for causa da cutkula pregueada. Os vasos eferen-
não foram observados. A vesícula seminal, fortemente lobulada, fica jara
da bolsa do cirro. O o\*ário, geralmente grande e arredondado, fica si-
tuado assimetricamente para a frente do testiculo direito. glândula da casca
^'ta situada um pouco atrás do ovário, sendo pequena. O útero parte dessc
tiivel e se d'rige para a frente formando alças groàsas e juxtapostas. Mais ou
’’’fnos da metade do corpo ate a zona testicular, obser\-a-sc, de cada lado, par.i
dos cecos, uma fileira de foliculos ritelinos. O animal de perfil mostra,
cada lado, duas de tais fileiras, uma dorsal e outra ventral, nas quais os fo-
^'ntlos se alternam mais ou menos regularmente; pela obser\'açào de frente vê-ic
M^r.as uma fileira contínua de foliculos. A medida dos ovos e ainda mais a
19
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
258 PROSOCEPHALIDAE (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
dos filamentos porventura existentes, oferece grande dificuldade, pelo fato de
ficarem muito aproximados uns dos outros. Devo desde logo fazer notar que
não encontrei filamentos em grande número de exemplares. Em ovos, sem os
filamentos, verifico o comprimento de 0,028 mm e 0,014 mm de largura.”
7 — Pleurogonius li n e ar i s Looss. 1901
(figs. 19, 23. 24. 28)
Descrição: Corpo alongado com os bordos recurvados para a face ventral.
que forma uma concavidade dando idéa de naveta; extremidade anterior lanceo-
lar apresentando nitido colar cefálico interrompido na face ventral por uina
depressão em forma de V invertido; extremidade posterior arredondada. Cutí-
cula inerme. Ventosa oral forte, de contorno circular. Faringe ausente. Esó-
fago delgado e longo. Cecos delgados apresentando pequenos diverticulos la^®"
rais; ao nivel da zona testkular con\-ergem para a linha mediana do corpo ptiS'
sando entre os testiculos e terminando lógo abaixo dos mesmos. Atrio genital
ausente. Poros genitais masculino e feminino, separados, muito próximos, iu'
tracecais, situados a certa distância da bifurcação cecal e à esquerda da linha me-
diana do corpo. Bolsa do cirro bem desenvolvida, tubular, com a parte basal
mais volumosa, situada na metade anterior do corpo e dirigida no sentido Io"'
gitudinal ; contem um circo tubular, dueto ejaculador e uma parte prostática, qu®
corresponde a cerca de 1/3 do comprimento da bolsa, claviforme e rodeada p<’*'
numerosas células glandulares. Vesícula seminal em sua maior parte externa»
constituida por um longo tubo irregularmente enovelado. Testículos volumo*
sos, irregularmente lobados, com campos afastados e zonas coincidentes, situa-
dos na extremidade posterior do corpo. Ovário ligeiramente lobado, imcdia-
tamente pretesticular e um pouco desviado para a direita da linha mediana-
Glândula de Mehlis imediatament posto^-ariana. Eispermatéca ausente. Canal
de l.aurer não observado. Vitelinos formados por dois grupos de folículo*
volumosos disseminados nos campos laterais, extracecais, pretesticulares, não
atingindo a linha equatorial, para cima. Útero formando numerosas alças ho-
rizontais que se c.xtendem desde a zona os-ariana até a base da bolsa do cirro,
intra e extracecais. \'’agina tubular, paralela à bolsa do cirro. Ovos numero-
sos, elipsóides, com um longo filamento cm cada polo. Poro cxcretor mediano,
subterminal, com uma abertura muito es-idente, de contorno ovalado. Nksicul^
cxcretora praticamente nula a bifurcação em do's ramos laterais dando-se lo^f
acima do poro e.xcretor; os ramos laterais se dirigem para a frente pelas mar-
gens do limite uterino; o percurso total não foi observado.
20
Vtm. Inrt. DntatiUo,
» 249-372. 194«.
JOSÉ MANOEL RUIZ
269
Trabalhamos com 5 exemplares desta espécie cujas medidas damos no
<luadro abaixo. O material proveniente da necropsia 2127, 4-12-1939, pertence
à Coleção do Instituto Butantan.
Os nossos exemplares diferem dos de Looss e de Oguro em todas as di-
Oíensões, com exceção da dos ovos, largura dos cecos e extensão das alças ute-
rinas, caracteres que não julgamos suficientes, no caso, para justificarem a dife-
renciação de uma espécie distinta.
Quadro dc medidas, em mm
CocBpríiBento
4,00
5.75
4.66
4J6
3.65
Lareira mixima
2,20
0.99
1.06
1.19
0.93
Ventosa oral (dlixa.)
0.1 SO
0.113
0.155
0.155
0.123
Esófaco (compT,)
0.603
0.438
0,523
0.395
0,395
Bolsa do cino (comprimento i
0.S4
0.84
0,92
0.92
0.84
(Urrara) • • ■
0.15
0.11
0.15
0.15
0.14
Teit. direito (düm,)
0.424
0.339
0,381
0.424
OJll
Teat. esquerdo (diam.)
0.424
0.282
0.311
0.424
0.311
Oririo (diam. transT.)
0.282
0.211
0.282
0.325
0.282
Varina (contpr.)
o,«so
0.848
0,919
0.848
Média: 0,022 de comprimento por
0,018 mm de larrnra.
Variat&n: 0.028 - 0.036 X 0.015 - 0.022.
Filamentoi: cerra de 0.2^ mta.
8 — Pleurogonius lobatus ( Looss, 1901 )
ííigs. 5. 6)
Descrição: Corpo alongado com a extremidade posterior arredondada e a
^íerior lanceolar, apresentando um colar cefálico bem nítido, cuja porção ven-
^‘*1 forma uma depressão pouco pronunciada. Cuticula lisa. Ventosa oral
**fniinal, de contorno circular. Faringe ausente. Esôfago medianamente longo.
de bordos crenulados, paralelos, passando entre os testículos e terminando
**rás dos mesmos. Atrio genital não observado. Poros genitais muito próxi-
situados ao nivel da metade do 1/3 anterior do corpo, desviados da linha
'‘^''diana, imediatamente para fora do campo cecal. Bolsa o cirro desenvolvida,
^•riforme alongada, com a porção basal mais dilatada, situada no terço anterior
* dirigida, à principio, no sentido longitudinal, e depois inclinando-se para a
*^ucrda ; contem um cirro tubular e uma parte prostática também tubular porem
calibrosa. Vesícula seminal constituída por um longo tubo circunvoluido,
**^Uado para trás da bolsa do cirro, livre no parenquima. Testículos muito vo-
''>sos, globóides, ocupando a maior parte da extremidade posterior, onde o
21
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
->70 PROSOCEPHALIDAE (TREMATODA/. ESTCDO DAS ESPÍOES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
corpo íe apresenta mais dilatado. lEm alguns exemplares observa-se a atrofia
de um dos testículos. Apresentam os testículos zonas em perfeita coincidência
e camfOs contíguos. Ovário arredondado, prétesticular, ligeiramente des^nado
da linha mediana. Complexo da glândua da casca postovariano. Espermatcca
ausente. Canal de Laurer não observado. Vitelinos compnjstos de foliculo^
volumosos dispostos em duas fileiras longitudinais, uma em cada lado dos cam-
pos extracecais, desde a zona testicular até o nivel da linha equatorial. Útero
apresentando numerosas circunvoluções, mais ou menos inclinadas para a lii^
mediana, que se extendem para cima do ovário até a base da bolsa do cirro,
ocupando toda a área intracecal e parcialmente extracecal dessa região. Vagina
pouco desenvolvida, paralela e externa à bolsa do cirro, apresentando células a®
redor. Ch'os numerosos, elipsóides. operculados. com um longo 'filamento e’’*
cada polo. Poro e.xcretor de contorno elipsóide, bem evidente, subterminal-
Vesícula excretora tubular dirigindo-se para a frente ao longo da linha media-
na. entre os testículos, bifurcando-se abaixo da glândula de Mehlis em forma
J"; ramos laterais dirigindo-se para a frente e atingindo a região cefálica ondf
terminam em fundo cego.
Trabalh.imos com o seguinte material:
9 exemplares — Chclonc mydas. Intestino delgado. Rio Estrela, Rio de .Ja-
neiro, Lent & Freitas col.. 23-9-1937. Necropsia 5815. Lam. 9888 da Co-
leção do Inst. Oswaldo Cruz.
4 exemplares — Chclonc tiiydas. Estomago. Rio Estrela, Rio de Janeiro,
& Freitas col.. 23-9-1937. Necropsia 5815. Tubo 9941 da Coleção do In*'-
Oswaldo Cruz.
« « •
Nossa descrição apresenta pequenas discordâncias com as de Looss e Ogut®’
que reputamos dc menor importância; alem disso as dimensões dos ovos sotr«
variações nas trés descriçõe:
0.032 a 0,034 de compr. por 0.018 a 0.019 mm. seg. Looss;
0.027 a 0.035 de compr. por 0.011 a 0,015 mm, seg. Oguro c
0,026 a 0,030 de compr. por 0,013 a 0.018 mm. segundo nós.
» • •
Medidas : Comprimento 4,70 a 4.90 mm. Largura 0,80 a 0.99 mm. ^
tosa oral 0.143 a 0.146 mm de diâmetro transversal. Esôfago 0,573 a 0.6/'
mm de comprimento. Distância entre a bifurcação cecal e o poro genital 0.^
a 0,316 mm. Bolsa do cirro 0,608 a 0,707 mm de comprimento por 0.183 *
0.226 mm de largura máxima. Testículos 0,579 a 0,710 mm de comprimci’*®
22
last. Butant^n.
^*■ 249 - 372 , 1946 .
JOSt MANOEL RUIZ
271
por 0^3 a 0.500 mm de largura. Ovário 0^10 a 0.240 mm de diâmetro trans-
'«río. Vagina 0.263 a 0,320 mm de comprimento por 0,040 a 0,050 mm de
^irgura. Ovos com as dimensões já referidas; a casca dos ovos mede 0,014
'íim de espessura e os filamentos cerca de 0.130 mm em média.
— Subfamilia notccotí-unae Kossack, 1911
A — Gênero P ar amo n o s t o m u m Luehe, 1909
9 — P ar a m o n os t o m um io norne Travassos, 1921
(fig. 36)
Xâo tivemos em mão material desta espécie; reproduzimos a descrição e
%ura original de Travassos.
Descrição: “Ccwuprimento: 3,2 mm; largura 1,5 mm.
Corpo liso, atenuado anteriormente, concavo ventralmente e convexo dorsal -
■Ciente; ventosa oral circular com 0.21 mm de diâmetro; faringe e esófago nulos;
^*«>3 extendendo-se até perto da e.\tremidade posterior na primeira porção, são
^''^crgentes até o inicio das alças uterinas, tomando-se então paralelos até qtiasi
* zona testicular, onde convergem bruscamente para se colocarem emre os tes-
**^05 e ovário, onde no\i*amente são paralalos; poro genital bifurcai; bolsa do
'^rro com 0.61 mm de comprimento, musculosa, contendo um cirro espinhoso e
^^icub seminal pequena; testiculos alongados e profundamente lobados, medem
por 0,21 e 0.52 por 0.21 mm; zonas coincidindo, campos afastados, extra-
^*cais; ovário profundamente lobado, mede 0.33 por 0,035 mm. na zona testicular.
*’**racecal; útero ascendente, com numerosas alças transversais, vagina musculo-
** e guarnecida de numerosas glândulas, mede 0,49 mm de comprimento; ovos
0,019 mm de comprimento por 0.012 mm de largura; poro excretor entre
** terminações dos cecos.
Habitat: Cecos de lonornis martinica (L) e Limnofardalis rythirhynchus
('’icill).
Procedência: Santa Cruz. Rio de Janeiro.”
III
Subfamilia nüdacotíxinae Barker, 1916
A — Gênero N udacolylc Barker, 1916
10 — A udacotyle valdez'aginalus Travassos,
1922
(fjgs. 63, 64)
Xão trabalhamos com esta espécie. Apresentamos a descrição e figuras de
'^'•assos (1939).
23
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
272 PROXOCEPHALÍDAB (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPtCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Descrição: “Comprimento cerca d 1,3 mm. Largura máxima 0,8 mm 3°
nivel do poro genital.
Corpo subpiriforme, escavado ventralmente, a extremidade posterior sen<í>
muito mais espessa. Cuticula lisa. Ventosa oral pequena, forte, subtcrminal
e medindo cerca de 0,14 a 0,15 mm de diâmetro. Esófago sem faringe, curto-
Cecos delgados, longos, muito afastados das margens do corpo e se extendeado
posteriormente até a zona testicular. Poros genitais laterais, postequatoriais ^
isolados. Bolsa do cirro muito volumosa e parecendo muscular; é situada obli-
quamente adiante ou parcialmente na zona dos testiculos; mede cerca de 0,4?
mm de comprimento e contem cirro, próstata e vesicula sem nal. Externamen-
te à bolsa do cirro existe uma outra \'esicula seminal muito desenvolvida e eno-
velada, situada adiante e na zona dos testiculos. Te.-ticulos situados posterior-
mente, com zonas coincidindo e campos afastados; medem cerca de 0,19 a 0,21
mm de comprimento por 0,15 a 0,16 mm de largura, e são lige'ramcnte lob*'
dos. Vagina muito musculosa e grande, dirigida de diante para trás, mais o'-*
menos obliquamente invadindo a zona testicular. Ovário muito lobado, situa^"^
abaixo da zona testicular que é ligeiramente invadida, mediano; mede cerca
0,16 mm de diâmetro. Glândula de Mthlis preovariana, entre os testículo»-
Canal de Laurer e esp>ermatéca ausentes. Útero com um ramo ascendente ^
outro descendente, formando alças transversa-s que invadem a área extracccal-
Ovos com cerca de 0,020 por 0,012 mm e tendo em cada polo um forte e longo
filamento polar. Vitelinos laterais com poucos ácinos rclativamente grandes-
são situados abaixo da zona dos poros genitais e parcialmente na zona tesfculat-
No lado oposto aos poros genitais, ficam na área da vesicula seminal externa.
Habitat: Intestino delgado de H ydrochoerus capybara L.
Distribuição geográfica: Mato Grosso, Brasil.”
11 — Xudacotyle tertius Travassos, 1939
(figs. 58-60)
Não tralialhamos com esta espécie. Reproduzimos a descrição e figuras
original.
Descrição: “Comprimento 0,78 a 1,11 mm. Largura máxima 0,42 a 0-^
mm, ao nivel da zona dos vitelinos. Corpo de contorno elipsóide, escavado '■'***
tralmente, sendo a metade posterior mais espessa que a anterior. Cuticula ap*'
rentemente lisa. Ventosa oral subterminal, piequena e forte; mede cerca
0,075 a 0,090 mm de diâmetro.* Esófago sem faringe, com <xfca de 0,09 a O.l-
mm de comprimento. Cecos delgados, muito afastados das margens do corf®*
cxtendendo-sc até perto da extremidade posterior e terminando na zona
2A
Inst. Botantau,
•*^«■372, I9+Í.
JOSÉ MANOEL RUIZ
275-
ticular para dentro dos campos destes. Póros genitais próximos, laterais, na
zona testicular. Bolsa do drro volumosa e fortemente muscular; mede cerca-
* 0.21 a 0.3Ó mm de comprimento por 0,090 a 0,130 mm de maior largura,
«tuada obliquamente de trás para diante e contem drro, próstata e vesícula se-
'»i;nal interna sacdforme. Existe uma vesícula seminal externa longa e del-
ida formando 2 ou 3 alças situadas adma e na zona testicular. \'4«na com
orte musculatura obliqua ou em forma de virgula; mede cerca de 0,135 a 0,243
nwi de comprimento por 0.020 a 0,030 mm de maior largura.. Ovário muito
ofado, situado abaixo da zona dos testículos e no campo do testículo oposto ao
foro genital; mede cerca de 0,15 a 0,21 mm de diân>etro. Glândula de Mehlis
«ítre os testículos e na zona e adiante da zona do ovário. Canal de Uurer e
^pcrmatéca ausentes. Útero constituído por um ramo ascendente c outro des-
cendente que formam alças transversais que ocupam toda a área do corpo acima
^ zona dos vitelinos e abaixo da ventosa oral. Ovos com fortes c longos pro-
longamentos polares, medem cerca de 0,024 a 0,028 mm por 0,015 a 0,016 mm;
filamentos polares medem cerca de 0,10 mm de comprimento. Vitelinos cons-
'■tuidos por poucos foliculos relatiraniente volumosos, extracecais. situados
»cima da zona testicular e da zona dos poros genitais. O conjunto dos foliculos
cerca de 0,15 a 0.21 mm for 0,105 a 0.120 mm.
Habitat: Intestino delgado de Hydrochocrus capybara 1„
ProvcniÓncia : Sobradinho, Estrela Velha, Estado do Rio — Brasil."
B — Gênero N coco t yl e Travassos, 1922
U — N cocotylc neocotyle Tra%-assos, 1922
(liff. 65)
Não tivemos em mão exemplares desta espécie. Reproduzimos a descrição
* nnia figura de Travassos (1939).
^ Descrição: “Comprimento 2,6 mm, largura máxima 0.7 a 0,9 mm ao nivcl
■ 's lx)ro5 genitais. Corjo dc contorno piriforme, escasndo vcntralmentc c mui-
'n niais espesso na porção posterior. Cutícula li.sa. \'intosa oral pequena,
pi'culosa, subtcrminal e medindo cerca de 0,14 a 0.17 mm dc diâmetro. Esò-
sem faringe. Cecos delgados, longos, muito afastados das margens <lo
^T>^; terminam perto da extremidade posterior. Poros genitais cont guos,
da extremidade posterior do corpo, laterais. Bolsa do cirro grande, trans-
^^salmente obliqua, com cerca dc 0.43 mm dc comprimento, contendo cirro,
f^ostata e vesícula seminal intcnia. Vesícula seminal externa grande, mas não
^•oveiada. Testículos lobados. com zonas coincidindo e campos afastados; me-
em
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
->74 PROSOCEPHALIDAB (TREiíATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
dem cerca de 0^1 a 0.35 mm de diâmetro. \*agina forte e musculoia, obliqu*
ou encur\ada. Ovário muito lobado, prétesticular, no campo em oposição aoi
poros genitais; mede cerca de -0.35 por 0.17 nun de diâmetro. Glândula d^
Mehlis na zona do orário, mediana. Canal de Laurer e espermatéca ausentes-
Ctero com ramo ascendente e outro descendente formando alças transversais
que in%-adem toda a área do corpo acima da bolsa do cirro e abaixo da zona da
ventosa oral. Ovos operculados. com um grosso filamento em cada polo; fflS'
dem cerca de 0,020 por 0.012 mm; os filamentos medem cerca de 0.075 nnn
de comprimento. \''itelino3 com cerca de 11 folículos, dispostos lateralmcnte
na área extracecal e acima da zona da bolsa do cirro; são parcialmente envol-
vido» pelas alças intestinais.
Habitat: Intestino delgado de Hydrochocrus capybara L.
Dinribuição geográfica: Mato Grosso. Brasil.”
IV — Subfamilia choaxophcri.vae Caballero, 194-2
A — Gênero M c t a c c t a b u I u m Freitas & Lent, 1938
13 — M c t a c c t ab til u m i nz’ci g i na t u iit Freitas &
Lent. 1938
(figs. 37-57)
Descrição: Corpo de tamanho médio, alongado. Exemplares não conipt*'
midos apresentam a seguinte nrarfologia externa: corpo um tanto recurvo P*^
o lado ventral, em forma de virgula; a extremidade anterior, isto é. a porça*’
compreendida para a frente do poro genital é bem achatada, a face dorsal send'>
côncava e a ventral conve.xa, de modo a formar uma cavidade em fomu ^
“canoa” ou de “colher"; nessa e.xtremidade, mais aguçada na ponta, localiz*'®^
a ventosa oral, que é terminal ; a parte basal da concavidade termina num pUf®
tangente à linha mediana do corpo, formando uma espécie de plataforma ci^'
cular onde se localiza o poro genital; é constante a verificação da parte di»’*^
do cirro emergindo desse ponto. Do nivel do poro genital para trás, o cor?-’
é cilindrico e as dobras a canuda cuticular, sempre pronunciadas, dão-lhe t**"
aspecto estriado no sentido transverso. A porção terminal ou posterior,
bem cilíndrica, apresenta um diâmetro bem menor. No limite de separaÇ**’
entre as duas partes, conforme o gráo de distensão do helminto, as pregas cut*'
culares são muito grandes; a porção delgada é retráctil podendo apresentar,
seOjUentemente, um comprimento variavel, sendo que frequentemente não é
si\x‘l e, nestas condições, a extremidade posterior do corpo é simplesmente
redondada, com um diâmetro bem maior. A porção retráctil apresenta a p®^^
26
Injt. BuUaUn.
>» 2 «. 372 ,
JOSÉ MAXOEL RCIZ
275
tírniinal truncacLi no centro da qual observa-se um orifício circular que é o
poro excretor; esse orifício, aparentemente, não ocupa sempre uma posição de-
íerminada, podendo ser terminal ou subterminal e, neste caso, a porção que
■he segue para fora pode dilatar-se no\-amente dando formação a uma espécie
«le pieudo-\-ent05a suceptivel de fixar-se num substracto solido, conforme ve-
nficaram Freitas e Lent em material i-ivo. Xos exemplares contraídos o poro
excretor é terminal e aparece sob a forma de um esfinaer, de\ndo aos feixes
'ie músculos circulares.
Em cortes histológicos obsersa-se a seguinte morfologia: a cutícula, inerme
em toda a extensão, é representada por uma camada espessa sendo seguida por
<mia camada subcuticular de espessura quasi idêntica; para dentro dessa ca-
mada obsei^-amos progressivamente uma camada delgada de fibras musculares
circulares, uma camada de fibras musculares longitudinais, de espessura \-aria-
''el conforme a região, uma camada mais ou menos densa de células aparente-
mente ghndulares, e, finalmente, o parénquima formado por células grandes
paredes delgadas e contorno pouco regular, entre as quais observam-sc nume-
rosas fibras musculares diagonais, em toda a superfície corporal. Como é regra
?eral nos trematóides, a porção anterior é muito mais musculosa que o restante
•^o corpo.
Em material montado obsenamos ; uma ventosa oral pequena e de con-
'omo circular, terminal seguida por um esôfago relatiramente curto; cecos
‘■mples. longos, de comprimento desigual, atingindo as proximidades do ex-
tremo posterior. Poro genital não muito distante da bifurcação cecal. Bolsa
cirro l«m desenvolvida, dorsal, situada no terço anterior do corpo, recur-
em forma de C ou de S, contendo um cirro muito desenvolvido, tortuoso,
' uma porção prostática grande rodeada por densa camada glandular. .A. vc-
”<mla seminal é em sua granflc nuioria externa, constituída por um calibroso
^bo muito enovelado situado imediatamente atrás da bolsa do cirro. Testículos
'ulumosos, de contorno liso. intracecais, postequatoriais, postorarianos, com
f^pos coincidentes e zonas contigms. 0\-ário dorsal, submediano, postuterino.
''«racecal. Glândula de Mehlis muito grande, situada atrás do ovário. Es-
P«nnateca ausente. Canal de Laurer presente, \-itelinos constituídos por um
'»Um?ro relativamente pequeno de foüculos volumosos disseminados acima da
ovariana, numa área pequena, intra e extracecais. Ctero bem desenvolvido,
utii numerosas alças trans\ersais, intracecais, ocupando toda a porção mediana
° corpo compreendida entre a zona ovariana e a base da bolsa do cirro. \‘a-
?jna muito musculosa, contorno um tanto sinuoso, circundada por uma camada
?*andular bem espessa, situada dorsalmente e à esquerda da bolsa do cirro.
'Os alongados, de casca fina. operculados, apresentando um pequeno tubérculo
^ cada polo.
27
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
276
PROSOCEFHALIDAB (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPICIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Estudo do aparelho excretor-. foi feito em exemplares montados «>«
bem como em cortes seriados longitudinais e transversais. Os detalhes da parte
vesicular foram observados em toda a extensão. O estudo de vários exem-
fiares cortados em série mostrou que a porção terminal do aparelho excretor e
constituída por um "vestíbulo” ou "vesícula cxcrctora secundária”, semelhante a
“ secondary bladdcr” observada nas espécies do género Macravestibulum, embora
de formato um pouco diverso. A porção vestibular corresponde à porção re-
tráctil da extremidade posterior. Nos exemplares montados in toto apiareoe sol*
a forma de uma mancha escura, funilada, alongada, apresentando numerosas
estrias transversais mais escuras, não sendo visivcl outro detalhe. Pelos cortf»
verifica-se que éssa porção escura é constituida por luna densa camada de
lulas glandulares pequenas e que as estrias nada mais são que dobras profun-
das da camada externa, que limita uma grande cavidade, o “vestibulo”. Hi^'
tológicamente essa camada é idêntica à camada cuticular e seu conjunto, oofl’
diferenças apenas quantitativas, o que mostra a sua origem ectodérmica, confonn<r
se verifica no gênero Macravestibulum, segundo a verificação de Hsü (1937>-
I
i
It
A porção distai do “vestíbulo” funciona como poro e.xcretor e a liasal ^
comunica com a vesícula e,xcretora. que pode ser chamada "primaria”.
meio de um orifício central muito pequeno. A vesícula cxcrctora é pouco
senvolrida, com limites muito vagos ; consideramos como parte vesicular a porçu*^
situada atras da bifurcação; essa porção às vezes é quasi nulx \ extrutur*
dessa parte é bem diversa da porção vestibular: as paredes são mais delgada-*-
não existem as camadas musculares nem a camada glandular. A bifurcação ^
formada por dois coletores principais que se dirigem para a frente; um do*
canais coletores é geralmentc bem mais calibroso na porção basal e as suas P*'
redes aqui são mais espessas; a uma certa altura ambos se igualam em calibre '
o seu percurso é feito ao longo dos campos laterais, sendo ventrais e faralri<^
aos cecos. Xa porção anterior e escavada do corpo, os canais cxcrctorcs ^
biturcam duas vezes consecuti\-as de modo a formar 3 ramos finos de cad*
lado do corpo; estes formam uma série de ligações laterais fundindo-sc ao
<la ventosa oral ; este asf ecto é algo semelhante ao observado no sistema
cretor de Ogmocotylc indica (= Cytnbifonna indica), conforme a descrição d-
lihalerao (1942); por outro lado as.scmelha-sc, até certo ponto, com a por<?^
anterior do sistema linfático de Polyangium linguatula (= Microscapha
tuia Looss), segundo Looss (1899). Xão foram observadas ramificações ^
terais.
Xotamos grande variação de talhe ne-^ta espécie. .\s medidas tladas
Freitas e Lent na descrição original, representam mais ou meno-> a média
por
d»-*
2 «
Injt. Butanua.
»;249.372. 1946.
JOSt MANOEL RUIZ
277
nossa.s. Damos um quadro de medidas em mm, baseadas sobre 10 exemplares
*du!tos. comprimidos e montados picla técnica habitual.
ExeiBpUr :
A
B
C
D
E
r
C
II
I
;
Comprimento
J.S17
3.959
3,817
3.817
7.700
14,66
16,52
15.46
12.79
17,02
lArgurx
O.Mt
0,848
1.060
1,060
1472
1.59
1.86
1.86
1.59
1.86
Ventosa orxl (diâmetro)
0,113
0,113
0.113
0.113
0.113
0,127
0.141
0,147
0.127
?
Boi*sa do cirro
0.S6S
0,49
0.70
0,63
0.91
146
2.13
1.73
1,46
1.59
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
0,ISS
0,141
0412
0.183
0412
0.266
0.399
0,37J
0,399
0.399
Vitina
0,42
0,35
0,56
0.49
0.56
0.93
1.19
1,C8
1,08
1.33
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
0.08
—
0.07
0.09
0.11
0,18
046
041
0.18
0.15
Testicnk) ant. (diâm.)
0,494
0.565
0,608
0.664
0,820
1,013
1,088
1,088
1.088
1.199
Testículo post. (diâm.)
0.494
0.565
0.707
0,664
0.820
0,986
1,013
1,146
1.088
1,199
^irio (diâmetro) . . .
0,349
0,353
0.35.'
0,424
0.494
0.559
0.533
0.586
0.5*6
0.666
Otos
O.OJ
0,028
0.030
0,028
0,030
0.029
0.034
O
o
0.031
0.010
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
0,014
0.014
0.014
0.014
0,012
0,013
0.014
0.014
0,01 ■
0,014
^•ôfajo
Vttelioos (diâmetro (o
0,098
0,127
0.113
—
0.159
0436
0466
0,186
0,186
«calo»)
0.07
0.07
0,09
0.13
0,10
0.18
0.20
0.15
0,15
0.15
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
0.09
0.12
0.16
0,14
0.14
046
0.26
0.26
0.26
C.26
Posição sistemática de Mctacebulum invag i n a t u m .
Freitas e Lent (1938) basearam sua descrição em três exemplares, estu-
•lados vivos e após toto-montagem.
Trabalhamos com exemplares fixados, comprimidos e não comprimidos;
material montado não é possivcl dicemir a morfologa interna da porção
t®5;erior e retráctil do helminto; os ramos excretores e os detalhes da termi-
''^ão .anterior dos mesmos são, p^lo contrário, bem evidentes e os referidos
»u;ores descreveram e figuraram corretamente essa parte; a interpretação en-
**’ctanío não foi precisa; provavelmente a analogia aparente da porção anterior'
a do sistema linfático dc outros trematóides parasitos de tartarugas mari-
concorreu para que essa piarte fosse considerada como tal.
O fato da extremidade posterior poder fixar-sc num substracto sólido in-
'^'íziu à interpretação de um "acetábulo rudimentar, não musculo.so”. Nestas
'ottdições o grupo sistemático mais achegado seria o dos paramphistomoidea.
foi o gênero incluido. numa nova família, metacetabulidae, próxima
Microscaphidiidae Trav.
Pelo estudo que fazemos desta espécie, constatando a inexistência de sis-
**ma linfático, que aliás não é atributo exclusivo dos paramphistomoidea, e a
^'iséncia dc ventosa ventral. considerando ainda o tipo morfológico geral, ou
''‘pDgrafia dos orgãos genitais, não he.ritamos em considera-la na família prc-
''Ocephalidae.
29 -
PROSOCEPHALÍDAE (TREUATODAt. ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEISAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Atualinente verificamos, na referida familia, quatro gêneros com partícula*
ridades anatômicas que os afasta dos demais gêneros aí incluidos, e apresentan-
do entre si afinidades morfológicas muito evidente; são os seguintes: MacrO-
vestibulum Mackin, 1930, Metacetabuluvi Freitas & Lent, 1938, Celiosaccus GÜ*
bert, 1938 e Choanophorus Caballero, 1942.
Mackin não hesitou em enquadrar o gênero Macravcstibulum na faniilia
PROXOCEPHALID.VE embora diferisse em vários pontos com a diagnose de Loo**
como a posição do poro excretor (terminal), posição da glândula da casca e *
localização intracecal dos vitelinos; em adição, acrescenu o autor, “tlie enor-
mous developnient of the vestibular cavity is so striking and unique, that
has no parallel in the family”.
Gilbert estabeleceu o gênero Cetiosoccus que colocou na sub familia telopo*
RiXAE Stunkard, que só contem o genótipo, Teloporia Fukui. do qual o difere®'
ciou pelo “excretorv* system with its glandular vesicle and united crura;
spherical cirrus sac and peculiar genital papiliae, and the compactly coiled vcsid*
of two regions”.
O gênero Mclacctabulum é muito semelhante a Celiosaccus não só na mof'
fologia geral mas principalmente no aspecto da vesícula cxcretora e da p®ri^
vestibular, que Gilbert chamou simplesmente dc “vesícula excretora”; pela suJ
descrição e desenho verifica-se que ésta parte é inteiramente semelliante ã
Mctacctabulum; segundo o autor “The excretor}* pore is at tlie e.xtreme poste*
rior end of the worm, and is surrounded by muscles. The excretor}* vesicle i*
unusual. It is venr large and voluminous, filling at least the posterior fifth
the body. It has thick glandular, highly folded walls”.
A descrição da espécie tipo do gênero Choanophorus foi baseada n*®''
único exemplar adulto; posteriormente Caballero encontra novo material coo*'
tituido de formas jovens ; o aparelho excretor não foi satisfatoriamnte desctit®*
provavelmente deverá ser mais achegado ao de Macravestibuium porque a p®ri^
descnvaginal é bifurcada. Somente estudos posteriores poderão elucidar cssc
detalhe, entretanto vemos no gênero Choanophorus muita analogia com Macpf'
vestibiiluin, Metacclabulum e Celiosaccus.
Pelo que acabamos de expor achamos razoável a inclusão dos quatro
neros referidos num grupamento sistemático á parte que, atualmente consiú^
ramos na categoria de sub familia. Aceitamos pois como subfamilia v*áli<í**
ciiOANOPHORiXAE Caballero, 1942, cujos caracteres deverão ser emendados co®"
forme passamos a descrever páginas adiante.
Estava o presente trabalho composto, ao tomarmos conhecimento do trabalho de
et col. (Jour. Morfih., 77(3) :28S. 1945), no qual os autores descrevem uma nova eip^
de Melacetabuínm, M. kepneri, e incluem este gênero na subfamilia Choanofkorinoe."
30
^«1. Injt. ButanUj,
I94«.
JOSt UANOEL RCIZ
279
2“ Parte
Revisão da família Pronocephalidae
Família pronocephalidae Looss, 1902 emend.
PRONOCEPHALIDAE LoOSâ. 1902, p. 611.
NOTOCOTYLIDAE LÜhc, 1909, p. 31.
NOTOCOTVLiDAE Lühe, 1909, emend. Yamaguti, 1933, p. 51.
NOTOCOTYLID.AE Lühe, 1909, emend. Harwood, 1939, p. 333.
opisthotrematidae Poche, 1925, pp. 213-215.
OPISTHOPORIDAE Fukuí, 1929, p. 339.
TELOPORiDAE Fukui, 1933, p. 332.
teloporiidae Nicoll, 1933, p. 100.
METACETABULiDAE Freítas & Lem. 1938, p. 82.
pronocephalidae Looss, 1902, emend. Ruiz, 1944, p. 223.
Diagnose: Monostomideos de corpo geralmente achatado, com bordos la-
via de regra encurvados para a região \-entral. Expansões na região ce-
fálica (colar cefálico) e na extremidade posterior do corpo, presentes ou não,
^ta podendo ser retráctil. Faringe ausente. Esôfago delgado. Cecos laterais
*^nninando em alturas variaveis. quasi sempre terminando, em separado, nas pro-
ximidades do extremo posterior. Poro genital de situação rarias-el, situado no
anterior do corpo no genótipo. Bolsa do cirro presente. Vagina presente,
uterino apresentando numerosas circimTOluções, ocupando a região mediana
^ corpo. Ovário pré ou postcsticular. Complexo da glândula da casca para-
^'■ariana. Vitelinos folicularcs, distribuídos cm dois grupos, geralmente laterais,
excretor situado ao nivel da linha mediana, na c.xtremidade posterior do
Vesícula excretora geralmente pouco desenvolvida; algumas formas
(choanophorinae) apresentam uma “grande vesícula secundaria” ou "vesti-
de origem ectodcrmica; troncos coletores principais simples ou aprcsen-
ramificações laterais, anastomosadas ou não, atingindo a região cefálica
se unem ou terminam em fundo cego.
Erolução em moluscos gasteropodos de água doce ou salgada ; segimdo hos-
f^ciro intermediário inexistente. Cercárias, oriundas de rédias, apresentando
^'ida longa e encistando-se no meio exterior geralmcnte sobre o próprio molusco.
Parasitas de répteis, peixes, mamíferos e aves.
Gênero tipo: Pronoccphalus Looss, 1899.
31
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
280 PROSOCEPHAUDAB (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
As diversas subfamilias incluídas em pronocepiialidae podem ser difere^- i
ciadas pela seguinte chave:
1 — Bolsa do cirro e poro genital postuterinos, na metade posterior do corpo - '
Bolsa do cirro e poro genital preuterinos, na metade anterior do corpo ^
2 — Poro genital lateral e imediatamente acima da zona testicular; vitelinos
situados nos campos laterais e extracecais; vesícula seminal externa pt®*
sente nltjacotvxinae Barker, l91o
Poro genital na linha mediana e na extremidade posterior do corpo; vite-
linos intracecais; vesícula seminal externa ausente •
OPISTHOTREMATINAE, 1939
3 — -Extremidade posterior do corpo geralmente invaginavel ; "vesícula cxcr<'
tora secundaria” muito desenvolvida . . . choanophorixae Cahallero, 19^"
Extremidade posterior do corpo não invaginavel ; “vesícula excretora
cundaria” ausente
4 — Ovário postcsticular ; vutelinos postesticulares ; extremidade posterior
corpo truncada e apresentando projeções papílares -
Ovário pretesticular ; vitelinos pretesticulares ; extremidade posterior
corpo arredondada, sem formações piapilares (exceção: Cricoccphalus
e Pyelosotnum amblyrhynchi) ^
5 — Testículos divididos em numerosos foiiculos nitidamente seraradoi
ciiaraxicepiialinae Price, 193*
Testículos, em número de dois, sem foiiculos separados ‘
necpronocephalinae Mehra, 193^
6 — Colar cefálico ausente; complexo da glândula da casca pretesticular; P®'
rasitas de aves e mamíferos .vctocotylinae Kossack, l9l*
Colar cefálico presente; complexo da glândula da casca pxwtesticular ; P*’
rasitas de répteis, peixes e mamiftros pronccepualinae Looss,
Subfamilia pronccepualinae Looss. 1899. emend.
PRONCCEPUALINAE Looss. 1899, pp. 665, 668.
OPISTUOPORIDAE Fukui, 1929, p. 339.
OPISTHOPORINAE Price, 1931. p. 10.
pronccephalinae Mchra. 1932.
TELOPORIDAE Fukui. 1933, p. 332.
TELOPORIINAE Stunkard, 1934. p. 219.
TELOPORIIDAE Xicoll. 1933, p. ICO.
32
Injt. ButAnUn,
® 249.J72, 1M6.
;OSt MANOEL RUIZ
281
Diagnose-, pronocephalidae ; corpo de tamanho médio, alongado; super-
fície vemral sem formações glandulares (exceção: gênero Adenogastcr) ; re-
Pão cefálkra apresentando uma dilatação ou colar característico; extrem'dadc
FOâtcrior usualmente arredondada e lisa. Poro genital situado na metade an-
fcrior do corpo. Testículos, cm número de dois, situados no extremo posterior
do corpo. Ovário pretesticular ; complexo da glândula da casca usualmente pos-
•ovariano. Útero intracecal podendo apresentar alças cecais e extracecais, no
*ttço médio do corpo. Vitelinos constituídos por dois grupos de foliculos que
extendem, nas margens do corpo, acima da zona testicular. Ovos numerosos
•^m um ou mais filamentos polares. Parasitos de répteis, peixes e mamíferos.
Gênero tipo: Pronocephalus Looss, 1899.
Consideramos nesta subfamilia oito gêneros como válidos segundo o novo
*í»nceito atua], que podem ser diferenciados segundo a seguinte chave:
f — Cecos passando para fora dos testículos 2
Cecos passando para dentro ou sobre os testículos 3
' Testículos inclinados ou colocados lado a lado; extremidade posterior do
corpo largamente arredondada Pronocephalus Looss, 1899
Testículos colocados um sobre o outro; extremidade posterior do corpo
bruscamente estreitada Teloporia Fukui, 1933
^ Bol-a do cirro dividida em duas porções por lun estrangulamento nítido 4
Bolsa do cirro sem apresentar duas porções divididas por um estrangula-
mento .S
^ — Cecos apresentando longas ramificações laterais em toda a sua exten-
são Cricoccphalus Looss, 1899
Cecos sem ramificações longas Iguanacola Gilbert, 1938
^ — Superfície ventral externa do corpo apresentando numerosas glândulas dis-
postas em filas longitudinais Adenogastcr Loos, 1901
Superfície ventral do corpo sem formações glandulares 6
— Poro genital lateral situado acima da bifurcação cecal ; testículos alonga-
dos e colocados cm forma de F, os cecos não ultrapassam a zona dos mes-
mos Renigonius Mehra, 1939
Poro genital, lateral ou mediano, situado abaixo da bifurcação cecal; tes-
tículos não alongados, simétricamente opostos, os cecos ultrapassam a zona
dos mesmos 7
^ — Ramos da vesícula excretora não apresentando ramificações laterais em
toda a sua extensão Pleurogomus Looss, 1901
Ramos da vesícula excretora apresentando ramificações laterais em toda
a extensão Pyclosotnum Looss, 1899
S3
cm
SciELO
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2g2 FRONOCEPHALIDAE (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Pronocephalus Looss, 1899
Pronoccphalus Looss, 1899 pp. 551-666.
Pronocephalus Looss, 1901, p. 209.
Pronoccphalus Looss, 1902, p. 615.
“ Pronocephacus” Braun, 1901, p. 50 (erro).
Diagnose: Pronocephalhiae. — Corpo de tamanho médio; extremidade
anterior afilada ; colar cefálico bem desenvohddo, continuo, formando uma de*
pressão angulosa na parte médio-wntral ; e.xtremidade posterior arredondada-
Cutícula inerme. Cecos delgados, sem diverticulos laterais, longos, terminando
nr. parte posterior do corpo. Poro genital intracecal, submediano, situado no
terço anterior do corpo. Bolsa do drro muito desenvolvida e musculosa. Ve-
sícula seminal externa. Testículos irregularmente arredondados ou m-alados-
intra-cecais, no terço posterior do corpo com campos e zonas parcialmente coin-
cidentes. Ovário ovalado, pretesticular, ao lado da linha mediana. Comple-N®
da glândula da casca postovariano. Vitelinos compostos de ácnes regularmente
volumosos, distribuídos em dois grupos laterais, extendendo-se da zona testicula'
até as proximidades da linha ecjuatorial. Útero ocupando toda a região media-
na do corpo, ^'^agina musculosa circimdada por células glandulares. Ovos
numerosos, elipsóides, apresentando um longo filamento em cada polo. P®r®
excretor mediano, posterior. Vesícula excretora mais ou menos volumosa, alon-
gada passando entre os testículos na forma de um *‘S”, bifurcando-se ao nivd
da glândula da casca; os ramos laterais dirigcm-6e para diante margeando o*
cecos, jara fora, terminando em fundo cego nas proximidades da ventosa oral-
Parasita de quelònic»s marinhos.
Espécie tipo: Pronoccphalus trigonocephalus Looss, 1899.
Pronocephalus trigo no c c p halu s Looss, 1899
(figs. 1-4, 7-11, 15, 16, 22, 29)
Pronoccphalus trigonocephalus (Rud. 1809) Looss, 1899 pp. 666, 756
31 fig. 84; .pl. 32 figs. 85, 86, nec Rudolphi 1809.
pronoccphalus ohliquus, Looss, 1901 p. 566.
Pronocephalus obliquus, Looss. 1902 p. 527 etc. pL 25 fig. 55. 56: pl- ^
fig. 70; pl. 32 fig. 175, pro parte (?).
Pronocephalus obliquus, Oguro, 1936 pp. 5, 6 fig. 7.
Pronoeephalus obliquus, Mchra, 1939, pp. 101-103 figs. 1, 2.
34
Inrt. Batactas,
**J49-372, 1946.
JOSÉ MANOEL RUIZ
283
Habitat : Intestino.
Hosp. : Chclonc mydas.
Distr. georgr. : Egito, índia, Japão, Brasil.
Evolução : Desconhecida.
Observação: Looss descreveu o gênero Pronocepluilus em 1899 tendo como
**pêcie tipo Pronocephalus trígonocephclus (RucL, 1809). Looss trabalhou com
**«nplares que identificou a ilonostovui trigonocepfialum Rud., 1809. Em 1901,
^raun que examinou os originais de Rudolphi, mostra que a espécie de Loos não
*'>n-csponde à daquele autor. Looss (1901) concordou com Braun admitindo que
* tspécie tipo do género Pronocephalus não é ilonostoina trigonoccphalum (Rud.,
^809. e toma a seguinte resolução.
1 — substitue a denominação Pronocephalus trigonoccphalus pela de Pro-
**^<ephalus obliquus “n. sp.”
2 — Monosfotna trigonoccplutlum Rud., é colocada no género Pleurogonius,
fossando a denominar-se Pleurogonius írigonocephalus (Rud.,).
Por outro lado, cumpre notar que em 1901 Looss considerou como cspéc-e
‘'^ôitica à observada em 1899 uma espécie aparentemente distinta da primeira.
^ nome sob que primeiramente foi designada a espécie de Looss (1899) é
^'^onoccphaltts trigonoccphalus; a confusão de Looss decorre da má interpretação
* ínc se presta a diagnose de Rudolphi dada a sua espécie Monostoina trigono-
‘*Phalum (alias muitas outras espécies tém sido confundidas e referidas como
^^onostoma trigonoccphalum) ; de qualquer forma a descrição e figura apre-
*^tadas por Looss são suficientes e correspondem a uma espécie bem definida
de um novo género. A espécie de Rudolphi não é congencrica, logo, nada
**’We que o nome esi>ccifico seja idêntico. Não havia, portanto, necessidade
estabelecer um novo nome p-ara a espécie de Looss (1899) e. de acordo com
^rt. 25 das Regras Internacionais de Nomenclatura Zoológica o nome correto
** ^pccic tipo do género Pronocephalus é Prónoccphalus trigonoccphalus Looss,
• — As dimensões (comprimento e largura) citadas por Looss em 1901 para
• obl{qf(uj e em 1902, acompanhadas de um desenho (9,5 c 10 mm. de compri-
por cerca de 1 mm. de largura), não são proporcionais às variações obser-
posteriormente por outros autores; nos exemplos mais velhos nota-se uma
**^-dência para o espessamento do corpo e consequente aumento da largura; nunca
** observou alongamento como o mencionado por Looss e representado numa boa
(1902). As figuras e descrição de Oguro (1936), Mehra (1939) e as
estão entretanto de acordo com as dadas por Looss em 1899.
Todavia, o fato de ser distinta a espécie observada por Looss em 1901, 1902,
^ <>bservada em 1899 continua sendo um ponto discutível ; somente o exame do
'^**rial original de Looss poderá por um termo à questão. No momento préfe-
manter P. obliquus na sinonimia de P. trigonoccphalus.
35
cm
SciELO
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PROSOCEPHAUDAE (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
2SA
Pronoccphalits min u t u s , sp. n.
(figs. 12-14)
Habitat: Intestino.
Hospedeiro: Tartaruga marinha (sp. ?).
Distr. Geograf. : Brasil.
Evolu<;ão : Desconhecida.
Cricocephalus Looss. 1899
Cricoccphalns Looss, 1899 pp. 551, 666, 667.
CricoccpJialus Looss, 1901 p. 620.
Cricocephalus Looss, 1902 p. 614, etc.
Diagnose’, prcnocepiialinae. Corpo de tamanho médio, alongado; cxtrc*
midade anterior terminando angulosa e posterior larga e apresentando duas Íoí"
mações papilares contráctcis. Colar cefáiico bem evidente. Com uma pequco*
depressão na face ventral cm forma de V invertido. Cuticula inerme. Faring*
ausente. Esôfago dtlgado. Cecos longos, passando entre os testículos e apr®*
sentando ramificações laterais longas, às vezes com ramificações secundária**
Poro genital situado nas proximidades da bifurcação cecal, desviado da
mediana. Bolsa do cirro muito desenvolvida e part‘cuiarmcnte caraterística*
apresenta a parte prostática nitidamente separada da porção anterior por um cs*
trangulamcnto ; a parte anterior contém um longo dueto ejaculador c um pc*"*
bem desenvolvido ; a vesícula seminal é tubular e externa, extendendo-se para trã*
até as proximidades do ovário. Testículos de bordos irregulares, s métricos, coi®
campos bem afastados, situados na parte posterior do corpo. Ovário pretcsticul»’^'
para-mediano, intrácecal. Comp’exo da g'ândula da casca atrás c à esquerda
ovário. Vitelinos distribu dos cm dois grupos pretcsticulares ; extracecais, P®***
equatoriais, de folículos arredondados e numerosos. Útero compreendendo aa
jncro-as alças amplas, horizontais, intra e cxtra-cecais que se extendem dcsd« *
zona ovariana até a altura da metade anterior da bolsa do cirro. Vagina ma*
culosa, bem desenvolvida, apresentando uma parte anterior circundada por
■merosas células giandu’ares e uma posterior, muito mais dilatada, com envoltóri®
glandular pouco acentuado. Ovos numerosos, elipsóides, operculados, com
filamento em cada polo. Poro excretor dorsal, subterminal, mediano. Vesicai*
-excretora curta, bifurcindo-se em forma de Y logo abaixo da glându’a de Mch ’
•Os troncos coletores principais dirigem-se para a frente e terminam em faa^’’
cego na região cefálica.
.36
Inrt. ButanUn-
"i«9 372, I94é.
JOSÉ MANOEL RUIZ
285
Habitat: Aparelho digestivo de quelònios.
Espécie tipo: Cricoccphalus albus (Kuhl et Hasselt, 1822) Looss 1899.
Cricoce phalu s albus (Kuhl et Hasseit. 1822).
(figs. 20, 21. 25)
ilonostomum album Kuhl et Hasselt, 1822, in rcf>
ilonostomum trígonocephalum. Diesing. 1850 p. 325, pro parte,
^lonostomum album, Braun, 1899 pp. 721-724.
Cricocephalus delitesccns Looss, 1899 pp. 666. 759, pl. 31, figs. 76-80.
Monostomum album, Braun, 1901 pp. 45-48, figs. 10 13, 15, 16.
Cricocephalus albus (Kuhl et Hasselt) Looss, 1902 p. 532, pl 25 fi? 64-
^ 32, figs. 170-174. ,
Cricocephalus delitesccns^ Linton, 1910 pp. 23-24, pl. 1, figs. 1-3.
Cricocephalus koidzumH Kobayashi. 1920 p. 395, pl. 24, fig. 9.
Habitat: Tubo digestivo.
Hosp.: Chelone mydas, C. japonica, Caretta caretta, Eretmochelys imbriacata.
pistr. geogr.: Egipto, Europa (Mediterrâneo), Singapura, Japão, Austrália.
^>aos Unidos e Brasil.
Evolução : Desconhecida.
Cricocephalus ruber (Kuhl et Hasselt, 1822).
^loHostomum rubrum Kuhl et Hasselt, 1822 p. 113, {,, ref.
^lonostomum trigonoccphalum, Diesing. 1850 p. 325, pro parte,
^fonostomum rubrum Braun, 1901 pp. 50-52, figs. 26-28.
Cricocephalus ruber (Kuhl et Hasselt. 1822) Looss, 1899 p. 762.
habitat : Estomago.
^osp. : Chelone mydas.
^istr. geogr.: "lies des Cocotiers".
Evolução : Desconhecida.
Cricocephalus me gastomus Looss, 1902
U (-ncocephalus mcgastomus Loos. 1902 pp. 533-536, pl. 25, figs. 57-60 pl.
I • f.g 50. • s p.
57
cm
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286
PROSOCEPHAUDAE (TREilATODA). ESTUDO DAS ESPÉOES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Habitai ; Estomago.
Hosp. : Chclone mydas.
Distr. geogr. : Egipto.
Evolução: Desconhecida.
Cricoccphalus r c s c c t u s Looss_ 1902.
Cricocephalus rescctus Looss, 1902 pp. 537-541, pl. 25, figs. 61-63.
Habitat : Estomago.
Hos^. : Chclone mydas.
Distr. geogr. : Egipto.
. Evolução : Desconhecida.
P y cl os o m u m Looss, 1899, emend.
Pyelosomum Looss, 1899 p. 667.
Pyclosomum Looss, 1902 p. 613.
Epibathra Lc>os^, 1902 p. 614-615.
Astrorchis Poche^ 1925 p. 212.
Myosaccm GillKrt, 1938 pp. 95-98.
Pleurogonius Mehra, 1939, pro parte.
Diagnose: pronocefhalinae. Corpo de tamanho médio. Colar cef**^
bem desenvolvido, interrompido na região ventral por uma depressão
formando duas saliências curtas sub-laterais. Cecos de paredes lisas ou forni*^
pequenas saliências saailares. longos, com um trajeto mais ou menos
(lassando entre os testículos e terminando atrás dos mesmos. Poro genital situ^
no terço anterior do corpo, desviado da linha mediana, extracccal. Bolsa do
geralmente pequena, em posição inclinada, contendo cirro, dueto ejaculado»'
uma parte prostática em geral envolvida por numerosas células glandular**'
veskula seminal ê e.\terra, tubular, longa e circunvoluida. Testículos volunioí^
lobados, situados simetricamente na porção posterior do corpo. Orário glo*»^^
ou lobado, pretesticular, situado ao lado da linha mediana do corpo. Coni]»*^
da glândula da casca para ovariana. Vitelinos compostos por dois grupos lat***
de íoliculos volumosos, e.xtra-cecais, extendendo-se para cima dos testic»»^
Útero apresentando numerosas alcas geralmente transversais, preovariano,
cecal, terminando numa vagina poiKO desenvolvida. Ovos numerosos com ^
número variável de filamentos, em cada polo. Poro excretor mediano,
mina!, posterior. Vesícula excretora pouco desenvolvida, bifurcando-se em »*'
38
Mrm. Inst. ButanUn.
1» 2<9-3T2, 1946.
JOSÉ MANOEL RUIZ
287
de Y imediatamente atrás da glândula de Mehlis ; os ramos da vesícula geralmente
acompanham o trajeto dos cecos ao longo das margens do corpo, terminando em
fundo cego na região cefálica; apresentam numerosas ramificações laterais às
'■ezes anastomosandas na parte interna com as do ramo oposto.
Habitat: Intestino e bexiga de répteis.
Especie tipo: Pyelosotnutn cochicar Looss, 1899.
Discussão: Looss (1899) creou o gênero Pyclosomum para uma nova ts-
Pêcie. P. cochlear. Em 1902 estabeleceu o gênero Efibathra para a espécie £.
^^assa previamente descrita ( 1901 ) sob o nome de Gylphicephalus crassus. Co-
ntentando o plano geral de organização do grupo friza Looss (1902 p. 609)
••-"Ebenso stehen Epibathra und Pyelosomum einander bis zu einem gcwisser
?Tade nahe...”. Evidentemente as diferenças mais acentuadas a assinalar entre
pyelosomum cochicar e Epibathra crassa são:
a) a configuração dos cecos, muito tortuosos na primeira espécie e pouco
ta segunda.
b) Os ramos da vesícula e.xcretora em Pyclosomum cochicar apresentando
namific^ões laterais porém sem anastomoses internas como cm £. crassa.
Outras diferenças tais como tamanho da bolsa do cirro, lobulação dos tcs-
liculos. etc. são obsers^adas.
Em 1935 Luhman descreveu Pyelosoiniun longicaecum, diferindo da espécie
pelo comprimento dos cecos e pela extensão e configuração dos vitelinos.
Em 1936 Oguro descreveu Pyclosomum postcrorchis. Examinando a diag-
•ntse e a figura deste autor verifica-se que a sua espécie tanto pode ser incluida
''o gênero Pyclosomum como no gênero Epibathra sendo, aliás, mais próxima de
Ppibcthra crassa que das espécies descritas em Pyclosomum. Estamos aparen-
’^cnte em presença de uma espécie intermediaria entre os dois gêneros. Quanto
deulhes do aparelho excretor Oguro não faz a menor menção. A diferença
particular entre as espécies tipo de Pyelosomum e Epibathra referidas
*^ma, parece ser apenas quantitativa. Conforme já comentou Price (1931 p. 7)
^ fato de SC unirem ou não os ramos da vesícula na jwrte anterior ou apre-
*^tarem anastomoses ao longo do percurso é um caracter cujo valor genérico
atualmente, na dependência da opinião pessoal e só futuros estudos poderão
^larccer definitivamente o valor de tais caracteres”.
Mehra fez ver que os gêneros Gylphicephalus c Barisomum são sinônimos
Pleurogonius.
•\ morfologia geral deste gênero. Pyclosomum e Epibathra é a mesma, a
’*^ica diferença, a nosso ver. consiste em que Pleurogonius não apresenta ramifi-
'^'Ües laterais nos ramos da veskula. O valor dessa diferença é uma questão
*^'küíivel. entretanto, atualmente aceitamos o gênero Pleurogonius.
59 -
cm
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288 PROSOCEPHAUDAE (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPtCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
O gênero Myosaccus proposto por Gilbert (1938) foi identificado por Mehra
(1939) a Plcurogonius. A configuração dos cecos de Myosaccus amblyrhynchus
(espécie tipo) é idêntica à de Epibathra crassa e Pyelosomutn posterorchis ; os
ramos da vesicula excretora. com suas ramificações laterais só podem ser com-
parados com os de Pyelosomutn cochlcar.
Consideramos o gênero Myosaccus sinônimo de Pyelosomum. Da mesma
forma identificamos o gênero Astrorchis àquele. MacCallum (1921 p. 204) co-
metnando a posição sistemática de Monostoma sphargidis {M. renicapUe = Ai'
trorchis renicapile) diz:
“This worm, although three time as large as Pyelosomum coriacea,
will be readilly recognized as belonging to the same genera but of 3
different species”.
Pyelosomum coehlear Looss. 1899.
(fig. 26)
Pyelosomum coehlear Looss, 1899 pp. 667, 773, 774, pl. 31, fig. 83.
Pyelosomum cochlcar Looss, 1902 pp. 616, 578, 580. Pl. 27, figs 102-lW.
Pyelosomum coriacea ref. tn MacCallum, 1921, p. 204.
Habitat : Bexiga.
Hosp. : Chelone mydas.
Distr. geograf.: Egipto.
. Evolução : Desconhecida.
Pyelosomum crassum (Looss, 1901) n. comb.
Glyphicephalus crassus Looss, 1901 p. 620.
Epibathra crassa (Looss, 1901) Looss, 1902 pp. 575, 578, etc. pl. 26, fi?**
83-8a
Habitat : Intestino.
Hosp.: Caretta carefta, Chelone mydas.
Distr. geograf.: Egipto, Brasil.
Evolução: Desconhecida.
Pyelosomum Longicaecum Luhman, 1935
Pyelosomum longicaecum Luhman, 1935 p. 276, fig. 2.
40
Mctn. Inst. Batantan,
l»:249-372, 1946.
JOSf. MANOEL RUIZ
289
Habitat ; Intestino.
Hospcd. : Caretta caretta.
l3istr. geograf. : Estados Unidos.
Evolução: Desconhecida.
Pyelosomutn posterorchis Oguro, 1936
Pyelosomum posterorchis Oguro, 1936, p. 6. fig. 8.
Habitat : Intestino.
Hosped. : Eretmochelys imbricata.
Distr. geograf.: Japão.
Evolução : Desconhecida.
Pyelosomutn amblyrhynchi (Gilbert, 1938) n. comb.
Myosacus, amblyrhynchi Gilbert, pp. 95-98, pl. 11, figs. 5-8.
Myosaccus = Pleurogonius in Mehra, 1939, pp. 122-125.
Habitat : Intestino.
Hosped.: Amblyrhynchus cristaíus (Lacertilia).
Distr. geograf. : Ilhas Galapagos.
Evolução : Desconhecida.
Pyelosomum renicapite (Leidy, 1856) n. comb.
Monostomum renicapite Leidy, 1856 in ref.
Aíonostomum nephrocephalum Diesing, 1858 in ref.
Monostoma sphargidis Maccallum, 1921, pp. 203-204, fig. 101.
Monostomum renicapite Braun, 1901, pp. 52-54, fig. 25.
Astrorcltis renicapite (Leidy), Poche, 1925. p. 212.
Habitat : Intestino.
Hosped. : Dermochelys coriacea.
Distr. geograf.: Tunísia, Estados Unidos.
Evolução : Desconhecida.
A denogast cr Looss. 1901
Adenogaster Looss, 1901 pp. 620^21.
Adenogaster Looss. 1902 pp. 570, 583, .591, 601, 603, 609, 612, 615.
41
cm
SciELO
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290 PROSOCEPHAUDAE (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Diagnose: proxocephalixae. Corpo alongado com extremidade anterior
terminando em ponta e a iwsterior arredondada. Colar cefálico bera desenvol-
vido, contínuo, com uma depressão ventral em forma de V invertido; os lobulos
ventro-laterais do colar são cur%-ados em forma )(. .‘Vtrás do colar cefálico existe
tuna cavidade de limites distintos na parte ventral, que se extende até a altura <1*^
poro genital; o restante da porção ventral é menos curva e apresenta 4 fileiras
longitudinais de glândulas. Cuticula inenne. Faringe ausente. Cecos delgados,
longos, passando entre os testiculos e tenninando atrás destes ; apresentam nume-
rosas ramificações sacul formes, curtas, dirigidas no sentido da linha mediana. ^
longo da parede interna. Poro genital situado no 1/ 4 anterior do corpo desviado
da linha mediana, intra-cecal. Bolsa do cirro bem desenvolvida, com a part®
prostática muito longa e repleta de células glandulares, Ijem distinta da parte dist^
que é mais delgada e contem dueto ejaculador e cirro. Vesícub seminal eno-
velada, externa. Testículos simétricos, de bordos irregulares, situados no 1 -'
posterior do corpo. Ovário arredondado, pretesticular, intra-cecal, para-mcdiino.
Complexo da glândula da casca postovariano, mediano. Vitelinos compostos de
foliculos volumosos e numerosos, distribuídos em dois grupos laterais, extracccais.
pretesticularcs. Útero pre-ov.iriano, intracccal, com alças disseminadas em
a região mediana do corpo. Vagina musculosa, paralela e externa à bolsa do
cirro, rodeada por numerosas células glandulares. Ovos elipsóides, de casca es-
pessa, sem filamento, apresentando uma pequena formação mamilosa num do»
polos.
Habitat : Intestino de quelônios marinhos.
Espécie tipo: Adenogaster serialis Looss, 1901.
Adenogaster serialis Looss, 1901
(«ig. 66)
Adenogaster serialis Looss, 1901 p. 620.
Adenogaster serialis Looss, 1902 pp. 545-548, pl. 26, figs. 71-74.
Habitat : Intestino grosso.
Hosped. : Caretia caretta.
Distr. geograf. : Egipto (Mediterrâneo).
Evolução : Desconhecida.
Pleurogonius Looss, 1901 eir.end.
42
Pleurogonius Looss, 1901 pp. 567~5C0.
Pleurogonius Looss, 1902 pp. 603, 609, 610. 612. 616.
In»t. ButAnUc.
1946 .
JOSÉ MANOEL RUIZ
2)1
Glyphicephalus Looss, 1901 pp. 620^1.
Barisomum Linton, 1910 p. 69.
Himasomum Linton, 1910 p. 71.
Barisomum Price, 1931 p. 7.
Medioporus Oguro, 1936 pp. 14-15.
Plcurogonius Looss, 1901 emend. Mehra,
1939.
Diagnose: pronocephalinae. Corpo pequeno ou médio cont a e.xtremi-
'^e anterior afilada e a posterior arredondada; colar cefálico presente com
'^fsenvoK-imento >'ariável, continuo ou não na face dorsal e apresentando uma
•^ípressão na ventral. Faringe ausente. Esôfago delgado. Cecos longos, pas-
*^do entre os testiculos e terminando atrás dos mesmos. Poro genital situado
terço anterior do corpo atrás da bifurcação cecal, mediano, submediano ou
iterai. Bolsa do cirro variável em posição e desenvolvimento, intra-cecal- Ve-
*^Ia seminal e.xtema, tubular, enovelada. Testículos irregularmente arredon-
'^dos, extracecais, situados simetricamente na proximidade do e.xtremo posterior
corpo. Orário arredondado ou lobado, intracecal, imediatamente pretesticular,
* direita da linha mediana. Comple.xo da glândula da casca postovariano. Canal
Laurer presente. Empermatéca ausente. Vitelinos extraoecais pretesticulares.
^lero ocupando toda a região mediana do corpo, entre a base da bolsa do cirro
* 2 zona ovariano, intra-cecal na maior parte das espécies. \'agina musculosa,
ou menos desenvolvida, paralela à bolsa do cirro. Ovos numerosos oper-
*^dos, geralmente com filamentos polares. Poro e.xcretor sub-terminal, mediano.
Posterior. V’esicula excretora pouco desenvolvida, a bifurcação dando-se atrás da
?Undu!a de Mehlis ou zona testicular; troncos coletores principais paralelos aos
e atingindo a região cefálica sem apresentar ramificações ao longo do per-
*^ 50 .
Habitat: Intestino de quclonios e pei.xes marinhos.
Espécie tipo: Plcurogonius longiusculus Looss, 1901.
Discussão: Os caracteres diferenciais entre os géneros Plcurogonius Looss,
‘^Ol, Glyphiccphalus Looss, 1901, Barisomum Linton, 1910 (= Himasomum
^•nton. 1910) e Hyosaccus Gilbert, 1938, foram discutidos por Mehra (1939)
concluiu pela sinonímia dos mesmos. .Aceitamos a conclusão de Mehra com
^ftrência aos três primeiros; o género Myosaccus, em nossa opinião, de fato,
deve prevalecer, Mvosaccus atnblyrUvnchi (sp. tipo) apresenta muita simila-
"'•lade com as espécies do género Pyclosomum. .\ configuração dos cecos e .i
'''^'rfologia cm geral é idêntica à de Pyclosomum posierorchis Oguro, 193f^> c
^(‘ibaihra crassa Looss, 1902. Os detalhes do aparelho cxcretor são. particular-
muito semelhantes aos observados em Pyclosomum cochlcar. .\ presença
43
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
f
292 PRONOCEPHALIDAB (TRBUATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
de numerosos filamentos polares nos ovos é um caracter que igualmente aproxio**
Myosaccus de Pyclosomum e o afasta de Plcurogonius, embora este caracter
lado não possa ser considerado decisivo como genérico. Os demais caractef**
descritos por Gilbert podem perfe tamente ser considerados especificos.
Oguro (1936) propôs o gênero Medioporus tendo 3/. macrophaPus “n. sp-
como tipo e incluiu uma segunda espécie, também no\a 3/. chelonw.
0 género proposto por Oguro é diferenciado nos seguintes termos origin*^-'
"Diese Gattung ist in Bezung auf dtn medianen Genitalporus Opisthopof^
ãhnlich, aber:
1 — Das die Hoden im Hinterende symmetrich neben einander liegen. 1^^^
diese Gattung von Opisthoporus unterscheiden.
2 — Dadurch, dass der Schalendrüsen Komplex hinter dem Keimstock 1»^'
und das die Enden der Darmschenkel sich nicht verbinden, ist
porus ganz verschicden von Hippocrepis.
3 — Der Keimstock ligt je dochrcchtsseitig. Also ist Medioporus dcutlic^
ein Angcsõriger der Unterfamilie proxocephalinae und steht in
Verwandtsschft mit Glyphiccphalus oder Epibatlira. Doch lagcru®*^
und Grõsse des Kopulationsorgans machen einen Unterschied zwisch^
ihncm. Zu meinem Bedauren ist der Excretionsapparat nicht eingc^ct*^
beobachtet worden”.
Em vista de Oguro não haver obscrs’ado os detalhes do aparelho excrct®*^
torna-se mais difkil distinguir Mcdioponu de Pyelosomum (= Epibathra) ^
um lado e Plcurogonius (= Glyphiccphalus e Barisomum) de outro; cm
opinião é mais chegado a este último do qual aliás não pode ser diferenciado,
noção geral que o poro genital neste género ocupa uma posição lateral, aliás
caracter já foi considerado como característico dos proxocephalidae sen*®
L(x)ss. Em nota anterior (1944) já comentamos a respeito de tal conccpí^
quanto à família. Quanto ao género Plcurogonius aceitamos atualmente n*®*
diagnose modificada; nestas condições verificamos que o poro genital locali**"*^
cm posições variáveis dentro dos limites de uma determinada zona, podendo
mediano, para-mediano ou quasi totalmente lateral, conforme poderá ser
ciado no esquema apresentado na fig. 27. Esta observação contradiz a
própria afirmativa (1944 p. 221) que “o desvio do poro genital da linha medi*®*
constituc um bom caracter genérico”, pois no caso atual não pode esse caric***^
ser levado cm linha de conta sinão com s-alor espedfico.
O género Medioporus é pois considerado sinônimo de Plcurogomus ' _
espécies descritas por Oguro passarão a ser referidas sob esta nova combin*^^
44
Mem. Inst. BuUntan,
t».2<9-372. 1946.
JOSÉ MANOEL RUIZ
293
Pieurogonius longiusculus (y. Bcneden. 1859) Looss, 1901'
(fig. 30-34)
Monostomurn trigonoccphaium Van Bcnedcn. 1859 p. 8, pl. 2, fig. 5 ncc
Rudolphi 1809 ref. in Looss.
Monotomum irigonocephalum Walter, 1892 p. 191 tuc Rudolphi, 1809, rcf.
'n Looss.
Pleurogonius longiusciilus Looss, 1901 p. 568. ly
Plcurogonius longiusculus Looss, 1902 p. 558, pl. 27. figs. 94, 98; pl. 32,.
fígs. 176-177.
Habitat : Intestino.
Hosped. : Chelone mydas.
Distr. geogr. : Egipto (Mediterrâneo) Brasil.
Evolução: Desconhícida.
Pleurogonius trigo noccphalus (Rudolphi, 18091
Planaria mydac Braun, in literis- ad Rudolphium.
Monosiotna trigonoccphaium Rudolphi, 1809 p. 336.
Monostoma trigonoccphaium, 1819 p. 349.
Monostomurn trigonoccphaium Braun, 1901 pp. 38-45, pl. 2, íig. 29.
Pleurogonus trigckocephalus (Rud.) Looss, 1901 p. 567.
Pleurogonius irigonoccphalus (Rud.) Looss, 1902 p. 548, pl. 26. figs. 75-78.
Habita: Tubo digestivo.
Hosp. : Eretmochelys corticaía, Carctta carctta.
Distr. geogr.: Costa do Mediterrâneo, .Austrália, Estados Unidos. Brasil.
Evolução: Desconhecida.
Pleurogonius bilobus Looss, 1901
Pleurogonius b.lobus Looss, 1901 p. 569.
Pleurogonius bilobus Looss, 1902 p. 567 pl. 27. fig. 100.
Habitat : Intestino.
Hosp. : Chelone mydas.
Distr. geogr.: Egipto (Mediterrâneo).
Evolução : Desconhecida.
45
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
294
PROfiOCEPHALlDAE (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
PI eurogonius li » e ar is Looss, 1901
Pleurogonius lincarts Looss, 1901 p. 618.
Plcurogonius linearis Looss. 1902 p. 565. pl. 27, fig. 99.
Pleurogonius linearis Oguro, 1936 p. 8, figs. 9. 10. '
Habitat : Intestino. '
Hosp. : Chelone tnydas, C. japonica. í
Distr. geogr. ; lEgipto (Mediterrâneo). Japão e Brasil.
Evolução ; Desconhecida.
'
Pleurogonius m i n ti t i s s im us Looss, 1901
Pleurogonius minutissimus Looss, 1901 p. 618.
Pleurogonius minutissimus Looss. 1902 p. 568. pl. 27. íig. 101.
Habitat: Intestino.
Hosp. : Chelone mydas.
Distr. geogr.: Egipto (Mediterrâneo).
Evolução : Desconhecida.
Pleurogonius solidus (Looss. 1901).
Clyphicephalus solidus Looss. 1901 p. 619.
Glyphicephalus solidus Looss, 1902 p. 571, pl. 26. f g« 79-80* pl V
92, 93; pl. 32. fig. 178.
Habitat : Intestino.
Hosp. : Chelone mydas.
Distr. geogr.: Egipto (Mediterrâneo).
Evolução : Desconhecida.
Pleurogonius lobatus (Looss, 1901 ).
Clyphicephalus lobatus Looss, 1901 p. 619.
Clyphicephalus lobatus Looss, 1902, p. 573, pl. 26. figs. 81. 82; pl. 27, fi.g- 91-
Clyphicephalus lobatus Oguro. 1936 p. 14. fig. 14.
I
Habitat : Intestino.
Hosp. : Chelone mydas, Erelmochclys imbricata.
Distr. geogr.: Egito (Mediterrâneo), Japão, Brasil.
Evolução : Desconhecida.
46
Inrt. BaOctaa,
1946.
JOSÉ MAXOEL RlIZ
•295
Pleurogonius crubcsccns (Linton, 1910).
Barisomum erubescens Linton. 1910 pp. 69-71, pl. 21. figs. 173-177; pl. 22.
%5. 178-183.
Habitat : Intestino.
Hosp.: Angelichthys isabclita, Pomacanihus arcuaius, Sc-arns croiccnsis
(Pisces).
Distr. geogr. : Estados Unidos.
Evolução : Desconhecida.
Pleurogonius candulus (Linton, 1910).
Himasomum candidulum Linton, 1910 pp. 71-72, pl. 22. figs. l&I-184a. pl.
23. íigs. 185-196, pl. 23, figs. 197-197a.
Barisomum candidulum (Linton) Price, 1937 p. 7.
Habitat : Intestino.
Hosp.: Angelichthys isabclita, Pomacanthus arcuatus (Pisoes).
Distr. geogr.: Estados^ Unidos.
Evolução : Desconhecida.
Pleurogonius ozak ii Oguro, 1936
Pleurogonius ozakii Oguro. 1936 pp. 10-14-, figs. 11-13.
Habitat : Intestino.
Hosp.: Erettnochelys imbricata.
Distr. geogr. : Japão.
Evolução : Desconhecida.
P I e u r o g o^n i u s macro phallus (Oguro, 1936) n. comb.
Medioponts macrophallus Oguro, 1936 pp. 16-18, fig. 15.
Habitat: Não mencionado.
Hosp. : Eretmochelys imbricata.
Distr. geogr. : Japão.
Evolução : Desconhecida.
cm
SciELO
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fROSOCEFHALWAK fTKBMATODA). ÍSTUDO DAS ESPiOES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMIUA
Pleurogonius Chetoniae (Oguro, 1936) n. comb.
Medioforus chtloniae Oguro, 1936 pp. 18-20, fig. 16.
Habitat: Xão mencionado.
Hosp. : Chelonf japònita.
Distr. geogr.: JapSo.
Evolução: Desconhecida.
Pleurogoniui karac hii Mehra, 1939
Plturoponius kofofhii 3(ehra. 1939 pp. 109-112, fig. 6.
Habitat: Intesrino delgado.
Hosp.: Chcidme mydixs.
IXstr. geogr.: índia.
Es-olução : Desconhecida.
Plfurogonius simd hii Mehra, 1939
PlfMfOiíonitií sittdhii Mehra, 1939 pp. 1I3-II6. fig. 7.
Habitat: Intestino delgado. ^
Hosp. : ChcloMC mydoí.
Distr. geogr. índia:
Evolução : Desconhecida.
PtfHrogonius mekrai (.Mehra, 1939) sp. noni. n.
Plettfogotiins ckflottii Mehra, 1939 pp. 116-119, figs. 8-9.
Habitat: Intestino delgado.
Hosp. : Chflone mydas.
Distr. geogr.: índia.
Evolução: Desconhecida.
Observarão: Transferidas para PUurogomms as espécies descritas por
Oguro (1936) no gênero Medioforus, resulta que a denominação cheíoniae da-
quele autor e ckclonii de Mehra (1939) não podem coexistir. De acordo com o
Art. 35 das Leis de Xomenchtura Zoológica devem ser considerados honónimos,
por apresentar “a mesma origem e significação*’ e por “se distinguirem apenas
|iela terminação”. Nestas condições o nome mais recente não pode prevalecer;
t>ara a espécie de Mehra propomos o n. nom. Pleurogonius mehra-'.
Mcm. Iftst. BatuUfi.
19:249-372, 1946.
JOSt MANOEL RUIZ
297
P I e u r o g o'» i u s keamarii Mehra, 1939
Pleurogonius keamarii Mehra, 1939 pp. 119-122. fig. 10.
#
Habitat : Intestino delgado.
Hosp. : Chelonc mydas.
Distr. geogr. : índia.
Evolução : Desconhecida.
T e I o p o ri a Fukui, 1933
Paramphislomum MacCallum^ 1917 p. 57, nec Fischocder, 1901.
Opisthoporus Fukui, 1929 p. 339, ncc Benson, 1851.
Teloporia Fukui, 1933 p. 332.
Diagnose: pkonocephalinae. Corpo alongado com a extremidade ante-
rior arredondada e a posterior adelgaçando-se bruscamente numa ponta coni forme.
Cuticula lisa. Colar cefálico presente. Ventosa oral sub-terminal, muito de-
senvolvida. Faringe ausente. Esôfago delgado. Cecos longos sem divertículos
laterais. Poro genital na linha mediana do corpo, no terço anterior, post-bifurcal.
Bolsa do cirro desenvolvida, dirigida vcrticalmente, com cirro espinhoso. Tes-
tículos giobóides situados na porção posterior do corpo, com campos coincidentes
« zonas contíguas. Ovário prétcsticular, sub-mediano. Vitelinos constituídos por
dois grupos laterais e extracecais de foliculos volumosos que se extenciem desde
a zona ovariana até o nivel da base da vagina. Útero constituído por numerosas
alças ocupando a parte media do corpo, pré-ovariano e principalmcntc intracccal.
Vagina musculosa, paralela à bolsa do cirro. Ovos com um longo filamento cm
cada polo. Poro cxcretor mediano e terminal.
Habitat: Ovidueto e intestino de quclónios.
Espécie tipo: Teloporia aspidonectes (MacCallum, 1917) Fukui, 1933.
Teloporia aspidonectes (MacCallum. 1917), Fukui, 1933
(«K. 69)
Paramphistomum aspidonectes MacCallum, 1917 p. 59 in ref.
Opisthoporus aspidonectes (MacCallum) Fukui, 1929 p. 339.
Opisthoporus aspidonectes (MacCallum), Stunkard, 1930 p. 210 etc. pl. XXV.
Opisthoporus aspidonectes (^MacCallum), Pricc, 1931 pp. 3-5, fig. 2.
Teloporia aspidonectes (MacCallum), Fukui, 1933 p. 332.
49
cm
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PnoSOCEPHAUDAB (TREitATODA). ESTUDO DAS E«PtaES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Habilat: Onducto e intestino.
Hosp.: Amyda ferox, Amyda spiniftra.
Distr. gcogr.: Estados Unidos.
sEvoIn^ão : Desconhecida.
J guanacola Gilbert, 1938
Iguanacola Gilbert. 1938 p. 94.
Diagnose: pronocephau.nae dc talhe médio, corpo alongado com a extre-
midade anterior afilada c a posterior arredondada. Colar cefálico presente, in-
terrompido \-entralmente por uma depressão oval. Ventosa oral sub-tcrminal.
Faringe ausente. Esôfago curto. Cecos longos, passando entre os testículos cm
forma de ) ( e terminando atrás destes. Poro genital à direita da linha mediana,
no terço médio do corpo. Testiculos lobados, situados simétricamente na parte
posterior do corpo. Bolsa do cirro bem desenvolvida diridida em duas porções
I>or uma constricção; contem cirro, dueto ejaculador e pane prostática. Vcsicula
seminal tubular, circunvoluida. externa. CKário prctesticular, mediano. Com-
plexo da glândula da casca posterior ao ovário. Canal de Laurer presente. Es-
permateca ausente. \*itelinos constituidos por folkulos volumosos distribuidos
em dois campos extracecais, desde a zona testicular até as proximidades da linha
equatorial. Ctero com alças amplas, horizontais, intra e extracecais. preos-arianas
e poitequatoriais. \'agina paralela à bolsa do cirro. Ovos com um longo fila-
mento tm cada pok). Poro excretor subterminal, mediano, posterior. Vesiaib
excretora bifuracando-sc na pane anterior da zona testicular em forma de
os troncos coletores principais apresentam numerosas anastomoses internas, como
ím Pyelosomitm erassnm (Looss).
Habitat: Intestino de Iguanideo marinho.
Espécie tipo: Iguanacola naidcularis Gilbert. 1938.
Iguanacola navicularis Gilbert. 1938
((««». 71-73)
Iguanacola naticularis Gilbert, 1938 pp. 91-95. pl. H, fjgj
Habitat : Intestino.
Hosp.: Amblyrhynchus cristatus.
Distr. geogr.: Ilhas Ga’apago5.
Evolução : Desconhecida.
Mera. Inst. Botantan,
19:249 }7 2, 1946.
JOSt MANOEL RUIZ
299
R e ni g o ni u s Mehra, 1939
Renigonius Mehra, 1939 p. 129.
Diagnose: pronocephalinae de pequeno talhe; extremidades ligeiramente
cônicas sendo a anterior mais delgada. Colar cefálico presente, continuo dorsal
e -ventralraente. Faringe ausente. lEsõfago delgado e longo. Cecos largos,
' í ,
longos e convergentes, terminando na parte média da zona testkrular. Poro genital
lateral, pré-bifurcal. Testiculos alongados e reniformes, com lobulação discreta,
situados inclinadamente em forma de V na parle posterior do corpo. Bolsa do
cirro muito pequena, tubular, situada à esquerda da linha mediana, mórmente
e.xtracecal. Vesicula seminal externa, tubular. Ovário arredondado pretesticuiar,
à direita da linha mediana. Complexo da glândula da casca mediano e um pouco
abaixo ,do ovário. Espermatéca ausente. Vitelinos formados por dois grupos
extracecais de foliculos volumosos que se extendem para a frente da zona testi-
cular e atingem a linha equatorial. Útero constituido por numerosas alças trans-
versais que enchem todo o espaço intracecal até a bifurcação. Vagina tubular
paralela á bolsa do cirro e à esquerda desta. Ovos numerosos (filamentos po-
lares não obseni-ados) (Mehra dt.).
Habitat: Estomago de quelõnio d’água doce.
Espécie tipo: Renigonius orienlalis Mehra, 1939.
Renigonius oriental is Mehra, 1939
(fig. 70)
Renigonius onentalis Mehra, 1939 pp. 125-129, fig. 11.
Habitat : Estomago.
Hosp. : Kaehuga dhongoka.
Distr. g«ogr.: índia.
Evolução : Desconhecida.
Sub-familia notocotylinae Kossack, 1911 emend.
NOTOCOTYL-DAE Luehe, 1909 p. 31.
NOTOCOTYLIDAE Luehc. 1909 emend. Yamaguti, 1933 p. 51.
NOTOCOTYLiD.\E Luehe, 1909Lemend. Harwood, 1939 p. 333.
OGMCCASTERiNAE Kossack, 1911 p. 564.
51
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
.300
PROSOCEPHAUDAE tTREUATODA). ESTUDO DAS ESPÍOE;
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMIUA
OCMOCOTYLINAE Skrjabin & Schuiz, 1933 p. 270.
cymbiforuikae Yamaguti. 1933 p. 101.
cvmbiforminae Yamaguti. 1933 emcnd. Bhalerao, 1936 p. 136.
Diagnose', pronocephalidae. Corpo dc tamanho medio ou pequeno, com
.a superficie ventral apresentando ou não numerosas glândulas dispostas em fileiras
• ou cristas longitudinais. Colar cefálico ausente; extremidade posterior arredon-
dada e lisa. Poro genital mediano ou lateral, situado na metade anterior do
corpo. Testkrulos em número dc dois, situados na extremidade posterior do
• corpo ou proximidades. Ovário na zona testicular. Complexo da glândula da
■ casca usualnKntc situado acima do ovário. Útero intracecal podendo apresentar
alças cecais e cxtracecais, na região mediana do corpo. Vitelinos constituidos por
dois grupos de foliculos que se extendem para dma da zona testicular. Ovos
numerosos com filamentos polares. Parasitos de aves e mamíferos.
Gênero tipo: Sotocotylus Diesing. 1839.
Nesta sub-famüia consideramos sete gêneros válidos à luz dos atuais conhed-
• mentos, que podem ser separados pela seguinte chave:
1 Poro genital situado entre a linha mediana e o bordo lateral do corpo
Ogmocotyle Skrj. & Schulz, 1933
Poro genital situado sobre a linha mediana do corpo 2
2 Parte posterior dos dtelinos margeando os testículos extemamente cm toda
a sua e.xtcnsão Hofmonoslomum Harwood, 1939
Vitelinos se extendendo pira a frente da zona testicular 3
3 — Superfide ventral sem formações glandulares ou cristas
ParantOHoslomum Luehe, 1909
Superficie s^entral apresentando formações glandulares ou cristas longitu-
dinais
4 Numerosas rugas ou cristas (13 a 17) dispostas cm fileiras paralelas, lon-
gitudinais, na face ventral Ogmogasler Jãgerskiõld, 1891
Três ou dnco fileiras glandulares dispostas paralclamentc na superfide
\Tntral 5
•5 Glanduhs \-entrais dispostas em cinco fileiras
QuinquesrriaJis Skvortsow, 1935 emend. Harwood, 1939
Glândulas ventrais dispostas em três fileiras 6
.6 Glândulas ventrais numerosas, isoladas nas três fildras
Sotocotylus Diesing, 1839
Glândulas das fileiras laterais isoladas c as medianas soldadas e formando
uma crista continua Catatrof-is Odhncr, 1905.
. 5 .*
M«n. lost. BaUntan,
l»:2*9-372. 1946.
JOSÉ MANOEL RUIZ
301
Nolocotylus Diesing, 1839
Notocotylus Diesing, 1839, ín ref.
Noiocotyle Diesing, 1850 p. 411.
Hindia Lai, 1935 p. 461, itt ref,
Naidformia Lai, 1935 p. 461^ tn ref.
Kossackia U. Szidat, 1936 p. 235.
Diagnose: notocotylinae ; corpo alongado com a extremidade anterior
mais delgada e a posterior largamente arredondada. Tegumento liso. Colar ce-
fálico ausente. Superfície externa apresentando três fileiras de glândulas isoladas
na face ventrar. Faringe ausente. Esôfago delgado. Cecos longos passando
entre os testículos. Poro genital mediano localisado nas proximidades da bifur-
cação cecal. Bolsa do cirro desenvolvida, dirigida no sentido longitudinal, con-
tendo cirro, dueto ejaculador e parte prostática envolta por numerosas células
glandulares. Vesícula seminal tubular, enovelada, externa. Testículos geral-
mente lobados, simétricos, situados na porção posterior do corpo. Ovário me-
diano, na zona testicular. Complexo da glândula da casca pré-ovariano. Esper-
matéca ausente. Vitelinos constituídos por folículos volumosos dispostos em dois
grupos laterais acima da zona testicular. Útero prc-o\-ariano, na região mediana
e intracecal. Vagina musculosa, tubular, paralela à bolsa do cirro. Ovos nu-
merosos, elipsóides e apresentando um longo filamento cm cada polo. Poro
excretor mediano, posterior. Vesícula cxcretora curta bifurcando-se cm forma
de Y ; os ramos dirigem-se para a frente, margeando os campos cecais, e unem-se
na rí‘gião cefálica.
Habitat: Tracto intestinal de aves.
Espécie tipo: Nolocotylus attenualus (Rudolphi, 1809) Kossack, 1911.
Observação: Lai em 1935 subdividiu o gênero Nolocotylus estabelecendo o
o gênero Hindia tendo Notocotylus gibbus (Mehlis in Creplin, 1846) como tipo
e Navifonnia com a espécie tipo, Notocotylus naviformis Tubanqui, 1932. U.
Szidat em 1936 creou o gtnero Kossackia, espécie tipo, Nolocotylus g bbus (Mehlis
in Creplin, 1-846) incluindo mais a espécie Notocotylus pacifera (Noble, 1933).
Em 1939 Harwood fez ver que a ereção desses gêneros não se funda em bases
seguras; os caracteres levados em linha de conta, tais como a situação do poro
genita’, forma do corpo, iretractibilidade das glândulas ventrais e hospedeiro, são
in^uficientes para a separação de géneros distintos.
53
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
302
PROSOCEPHAUDAB (TREMATODA). ESTUDO DAS ESMOES
BRASILEIKAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Xotocotylus a 1 1 c n u a I u s (Ruddphi, 1809) Kossack, 191 1
a-g- 79 )
Monosioma attcnuatum Rudolphi, 1809 pp. 328-329.
Moncsionta attcnualum Rudolphi, 1919 p. 84.
M onostomum attcnuatum Dicsing, 1850 pp. 322-333.
Xotocotylus tríscrialis Dicsing, 1839 «m rcf.
Xotocotylc triseriale Dicsing, 1850 pp. 411-412.
Xotocotylc Inscrialis, Luche. 1909 p. 32.
Xotocotylus attcnuaius (Rud.) Kossack. 1911 p. 555.
Cercaria zvga Szidat & Szidat. 1933 pp. 414-415 fig. 16.
Xotocolyla altenuata Ishii, 1933 pp. 91-93, íig. 8.
Xotocotylus urbanensis Lutermoscr, 1935 p. 456, ncc Cort, 1914. nec
Harrah, 1922.
Habitat: Tracio intestinal.
Hosp. : Mergus merganser, .‘ínscr f abolis, Anas f^atyrhynchos, Marcca
pcnclopc, Xcttiân crecea, Dafila acuta, Ctangula hyemalis, Tadorna tadorna,
Spatula clypcata, Somateria mollissima, Qucrqucdula querqucdula, Xyroca
fuligula, Xyroca fcritui, Oidemia fusca, Anas superciliosa, Branta canadensis,
Olor bcwicki jankowskii, Anas poiciloryncha sonorhyncha, etc.
Evolução: O delo e>’olutivo desta espéde foi estabelecido por Joycux
(1922) (?), Mathias (1930. L. e U. Szidat (1933) e Yamaguti (1938). Os
seguintes hospedeiros intermediários foram assinalados: Planorbis rotundatus,
segundo Joyeu.x. Lynhtaca limosa, segundo Mathias. Lymnaea palustris, segundo
L. e U. Szidat, todos da Europa, e Bulimus striatus japonicus. segundo Yamaguti,
do Japão. O ciclo estabeleddo por Joyeu.x discorda dos demais em vários as-
pectos; Mathias examinou os exemplares adultos obtidos experimentalmcnte por
aquele autor chegando à conclusão que “constituem uma espécie próxima porém
distinta de Xolocolylus attenuatus".
Xotocotylus aegyptiacus (Looss, 1896) Odhner. 1905
Monostomum vcrrucosum Looss. 1896 ncc Froelich. 1789, ncc Odhner
1905. in rcf.
Xotocotylc acgyptiaca Odhner. 1905. in rcf.
Xotocotylus aegyptiacus, Kos-ack, 1911 p. 558.
Si
SciELO
10 11 12 13 14 15
Mcm. Inst. Butantas,
l*:249-372, 1946.
JOSÉ MANOEL RL^Z
303
Habitat : Intestino.
Hosp. : Anas platyrhynchos.
Distr. geogr. : Egipto.
Evolução : Desconhecida.
Notocotylus gibbus (Mehlis, in Creplin, 1&46) Kossack, 1911
Monostomum gibbum Mehlis, in Creplin, 1946 p. 137.
Notocotylus gibbus (Mehlis) Kossack, 1911 p. 557, pl. 14, fig. 18.
Catatropis verrucosa Baylis, 1928 p. 331, ncc Froelich, 1789 ncc Odhner, 1905.
Hindia gibbus Lai, 1935, m rcf.
Kossackis gibba Szidat, 1936 p. 235.
Habitat: Tracto intestinal.
Hosp.: Gallinula chloropus, Fulica atra, Anas platyrhynchos.
Distr. geogr.: Europa. .America do Norte.
Evolução : Desconhecida.
Obser3'ação : Segundo Harwood ( 1939) a espécie descrita por Stunkard
& Dunihue (1931) como Notocotylus gibbus identifica-se a Notocotylus imbri-
catus (Looss, 1893) Szidat, 1935.
Notocotylus Seineti Fuhrmann, 1919
Notocotylus seineti Fuhrmann, 1919 p. 35, pl. V. fn. rcf.
Notocotylus seineti Fuhrmann, 1928 p. 123, fig. 161.
Notocotylus seineti Fuhrmann, 1928 in Szidat & Szidat, 1933 p. 411.
Notocotylus seineti Fuhrmann, 1919 ín Gower. 1939 p. 596.
Habitat : Intestino.
Hosp.: Qucrquedula qucrquedula, Anas platyrhyhichos.
Distr. geogr. : Europa.
Evolução: As formas lar>'árias desta espécie ocorrem em Limnaca peregra
t Physa fontinalis, na Inglaterra, segundo Harper (1929).
Obsei^^ação: Harwood identifica esta espécie a N. imbricatus.
Notocotylus N oyc ri Joyeux, 1922
Notocotylus noyeri Joyeux, 1922 p. 338, figs. 8-9, rn ref.
Habitat : Intestino.
Hosp.: Anncola atnphibius.
55
cm
SciELO
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304
PRONOCEPHAUDAB (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPtCIEo
BRASILEIRAS E RENTSAO DA FAMÍLIA
Distr. geogr.; Europa.
Evolução : Desconhecida.
Noiocolylus urbancnsis (Cort, 1914) Harrah, 1922
Cercaria urbanensis Cort, 1914 p. 65.
Notocotylus urbanensis (Cort, 1914) Harrah, 1922 pp. 51-53, pl. V figs
12, 14, 17, 18. 19.
Habitat : Intestino.
Hosp.: Ondrala sibethica, Aix s(>onsa, DafUa acula (seg. Harrah).
Distr. geogr.: Estados Unidos.
Evoluqão: O ciclo evolutivo desta espécie, aliás duvidosa, não foi estabe-
lecido claramente. Cercaria urbanensis foi encontrada em Physa gyrina (Cort.
orig.).
Observação: Lutermoser (1935) pensou haver demonstrado experimental-
mente que Cercaria urbanensis é a forma larvaria de Notocotylus urbanensis
“confirmando as suposições de Harrah”. Harwood (1939) faz ver que os exem-
plares de Lutermoser, obtidos experimentalmente, são na realidade a espécie Noto-
colxhu attenuatus. Este autor não aceita a denominação "urbanensis" como
válida para formas adultas acrescentando : ... One of Harrah’s figure suggests
Notocotylus attenuatus, lather than N. imbricatus" .
Notocotylus chionis Baylis, 1928
Notocotylus chionis Baylis, 1928 pp. 582-585, figs. 1, 2.
Habitat : Intestino.
Hosp. : Chionis alba.
Distr. geogr.: Patagônia.
Es-olução : Desconhecida.
Notocotylus tachyeretis Duthoit, 1931
Notocotylus tachyeretis Duthoit, 1931 p. 290, fig. 1.
Habitat: Intestino delgado e ceco.
Hosp.: Tachyeretis fiaiachonicus.
Distr. geogr. : Patagônia.
Evolução : Desconhecida.
ifem. lost. BuUntan, MAXOEL RUIZ ^5
i»:249-J72. 194Í.
Notocotylus intcstinalis Tubangui^ 1932
Notocotylus intcstinalis Tubangui, pp. 371-373, pl. i, figs. 1, 2.
Habitat : Intestino.
Hosp. : Anas platyrhynchos (dom.).
Distr. geogr.: Filipinas.
Evolução : Desconhecida.
Observação: Harwood (1939) coloca esta espécie na sinonimia de Noto-
cotylus imbricaius.
Notocotylus naviformis Tubangui, 1932
Notocotylus naviformis Tubangui, 1932 pp. 373-374, pl. i, figs. 2, 3.
Naviformia naviformis Lai, 1935 p. 461, in ref.
Habitat : Intestino.
Hosp. : Anas platyrhynchos (dom.).
Distr. geogr.: Filipinas.
Ewlução : Desconhecida.
Notocotylus parviovatus Yamaguti, 1934
Notocotylus parviovatus Yamaguti, 1934 pp. 558-559, fig. 6.
Habitat : Cecos.
Hosp.: Ansir albifrons albifrons, Aix galericulata, Cygnus bcnnckii jan-
kcvskii, Mctanonyx fabalis scrrirostris.
Distr. geogr.: Japão:
Evolução : Desconhecida.
Notocotylus mag ni ova t u s Yamaguti, 1934
Notocotylus magniovatus Yamaguti, 1934 pp. 559-561, fig. 7.
Notocotylus attenuatus Cannon, 1938 p. 279, fig. 9, ncc Rud., 1809.
Notocotylus urbanensis Gower, 1938nírc Harrah. 1922.
Notocotylus magniovatus Yamaguti, 1938 p. 290 pp.. figs. 4, 5, 7.
Habitat : Ceco.
Hosp.: Anscr alb. albifrons, Chcn hyperborca, Qttcrqucdula discors, Glau-
cionctta islandica, Anas platyrhy^nchos platyrhynchos, Mctanonyx fabalis scrri-
rostris, Aix galericulata.
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306 PROSOCSPHAUDAE (TREitATODA). ESTUDO DAS ESPÉCTES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Distr. g«^r.: Japão. Canadá, Estados Unidos.
Evolução: O ciclo biológko foi estabelecido por Yamaguti (1938), no
Japão; hospedeiro intermediário, Semisulcosfnra libertina.
Obser\-ação: Bhalerao (1935) considerou esta espéde idêntica a A', atte-
uuatus; o estudo das fazes laiA-árias (Yamaguti, 1938) mostrou ser inaceitável a
opinião daquele autor.
N otocotylus Babai Bhalerao. 1935
Noiocotylus babai Bhalerao, 1935 pp. 1-5, fig. 1.
Habitat : Ceco.
Hosp. : Milfus inigrans goiinda.
Distr. geogr. : índia.
Evolução : Desconhecida.
N otocotylus imbricatus (Looss, 1893) Szidat, 1935
Cercaria imbricala Looss, 1823, in ref.
N otocotylus gibbus Stunkard & Dunihuc, 1931, nec Mehlis, in Creplin, 1846
S’ otocotylus imbricatus U. Szidat. 1935 pp. 268-270, figs. 1 a, b. 2
a. b, c, 3, 4. 5 a. b.
Habitat : Intestino.
Hosp.: “Pato” (sp.) Experimental.
Distr. geogr.: Eurc^, Estados Unidos.
Evolução: Formas lar\árias em Bithynia tentaculaia, segundo Szidat. loc.
cit., que estabeleceu o ciclo evolutivo. Segundo Harwood a espécie X. gibbui
de Stunkard & Dunihue c sinônima de A*, imbricatus.
aX otocotylus linear is (Rud. 1819-?) Szidat, 1936
(?) Monostotna lincare Rudolphi. 1819 pp. 83. 343 , 344 .
Xotocolylns linearis (Rud.?) Szidat, 1936 pp. 231-235. figs I. 3.
Habitat : Cecos.
Hosp.: l'a$H'llus tvncllus.
Distr. geogr.: Europa.
Evolução : Desconhecida.
Mein. Inft. BüUnUn,
1»:2*9ST2. 19*6.
JOSÉ MANOEL RUIZ
307
\otocotylus r al 1 1 Baylis, 1936
Notocotylus ralti Baylis, 1936 pp. 474-477, 1
Habitat: Cecos e reto.
Hosp. : Railus aquaticus.
Distr. geogr. : Inglaterra.
Evolução: Desconhecida.
N ot o CO t ylu-s oriental is Ku, 1937
Notocotylus orientalis Ku, 1937 pp. 113-116, fig. 1.
Habitat: Intestino (cecos).
Hosp.: Mctandtiyx f abolis serrirostris.
Distr. geogr.: China.
Evolução : Desconhecida.
Observação: Xo trabalho de Harwood (1939) esta espécie figura na sino-
nimia de A. pannozxitus (p. 423) e de .V. imbricai us (p. 425).
Notocotylus ana t is Ku, 1937
Notocotylus analis Ku, 1937 pp. 116-118. figs. 2. 3.
Habitat : Intestino.
Hosp.: Anas domestica z‘ar, pckincnsis. (cit. orig.).
Distr. geogr.: China.
Evolução : Desconhedda.
Observação: Esta espécie consu na sinonímia de N. imbricatus «« Hanvood
( 1939) ; evidentemente trata-se de uin engano.
Notocotylus pacifera (X«ob!e. 1933) Harwood, 1939
Catatropis pacifera Xobre. 1933 pp. 353-356, figs. 4-7.
Notocoty^s gibbus Szidat & Szidat, 1933 pp. 419-421, figs. 11-12 nec Mehlis.
m Crepiin. 1846, nec Kossack. 1911.
Kossackia pacifera U. Szidat. 1936 p. 235.
Catatropis pacifera Yamaguti. 1939 p. 137, pl. XV, fig. 10.
Paramonostomum obtortum Caballero y C. 1942 pp’. 91-94 figs. 1, 2.
Habitat : Cecos.
Hosp.: Fulica americana, Fulica atra atra. Querqucdula discors.
59
308 PROSOCEPHALWAB (TREUATODAt. ESTUDO DAS ESPEOES
BRASILEIRAS E REVISAC DA FAMÍLIA
Distr. gcogr. : Estados Unidos. México, Japão. (Europa?).
Evolução : Desconhecida.
Obsen^ação: Segundo Hanvood (1939), “não há diferença importante
entre as especimens descritos como A*, gibbus por Szidat & Szidat, 1933 e a
espede descrita por Nobre, e o nome gibbus não é aceito para esta espécie por-
que os exemplares descritos na Europa e nos Estados Unidos, pelos autores refe-
ridos acima, possuem apenas 4 glãndu!as na fileira mediana, número menor que
o assinalado para N. gibbus por Kossack (1911).” — Segundo Yamaguti (1939)
a valides desta espécie é duvidosa sugerindo “que seria muito desejável reexa-
minar a espécie descrita por Johnston (1929), Catalrof>is gaUinulae, e verificar
se de fato não existem glândulas na fileira mediana”. Achamos razoável a ad-
vertência de Yamaguti e prevemos que surgirá uma modificação se for feita uma
revisão das três espécies: N. gibbus, N. gallinulae e A^ pacifera. Segundo
Larios (1943), Paramonostomum obtorluni Caballero )• C, 1942 é idêntica a
N. pacifera.
Notocolylus porsanae HaiAvood, 1939
Notocotylus porsanae Harwood, 1939 p. 424, pl. 1, fig. 4.
Habitat : Cecos.
Hosp. : Porsona carolina.
Distr. geogr.: Estados Unidos.
Evolução : Desconhecida.
Notocolylus regis Harwood, 1939
Notocolylus regis Harwood, 1939 p. 424, pl. 1, fig. 5.
Habitat : Cecos.
Hosp.: Rallus elegans.
Distr. get^r. : Estados Unidos.
Evolução : Desconhecida.
Notocolylus filamentis (Barker. 1915) Harwood. 1939
Catatropis filamentis Barker, 1915 pp. 184-197, pl. i, fig. 6.
Cala tro pis fimbriala Barker, 1915 p. 190.
Notocolylus filatnentis (Barker, 1915) Harwood. 1939 p. 425.
60
Habitat : Intestino.
Hosp.: Ondrata sibethica.
Mem. Inst. Butaatan,
I»:249-372. 1946.
JOSÉ MANOEL RÜIZ
309
Distr. geogr.; Estados Unidos.
Evolução : Desconhecida,
Notocotylus dafilae Harwood. 1939
Noiocotylus dafilae Harwood, 1939 p. 428, pl. 1, figs. 6, 7.
Habitat : Cecos.
Hosp. : Dafila acuta.
Distr. geogr.: Estados Unidos.
Evolução : Desconhecida.
Notocotylus micropalmae Harwood, 1939
Notocotylus micropalmae Harwood, 1939 p. 429, pl. 1, figs. 8. 9.
Habitat: Intestino (?).
Hosp.: Micropalma himantopus.
Distr. geogr.: Estados Unidos.
Evolução : Desconhecida.
Notocotylus cphemera (Nitzsch, 1807) Harwood, 1939
Cercaria ephcmcra Nitzsch, 1907 nec Lebour, 1907, in ref.
Notocotylus thienemanni Szidat & Szidat, 1933 pp. 413-417, figs, 9, 10.
Notocotylus thienemanni Szidat, 1935 pp. 265-267, fig. 5d.
Notocotylus cphemera (Nitz.) Harwood, 1939 p. 422.
Habitat : Intestino.
Hosp.: NetHon crecea, Anas platyrhynchos, Callus do,nesticus.
Distr. geogr.: Europa.
cvolutiras cm Planorbis comeus, st^ndo U. Szidat
1935. que estabeleceu o ciclo biológico.
Notocotylus stag-nicolae Herber, 1942 ..
Notocotylus stagn:colae Herber, 1942 pp. 184-190, pl. II, figs. 13-25.
Habitat : Cecos.
Hosp.: Callus domestieus. Anas platyrhynchos (dom.). Qucrqucdula dis-
cors, Mergus merganser (experimental), Aegialilis scmipalmala.
Distr. geogr.: Estados Unidos.
61
310
PROSOCEPHALinAE (TREiíATODA). ESTCDO DAS ESPtCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Evolução: Estabelecida por Herber (1942) ; formas larvárias em Slagnicola
einarfftnala angulata.
Notocotylus I u c k n ow e ti si s (Lai, 1935) n. comb.
Habitat : Cecos.
Hosp. : Marcca penelope.
Distr. geogr. : índia.
Evolução : Desconhecida.
Observação: Harvvood (1939), assinala esta espeie na sinonimia de S.
imbrícahts. Preferimos referi-la à parte no género Xotocolylus, aceitando a
sinonimia do gênero Hindia.
Ogmogaster Jãgerskiõld, 1891
Ogmogaster Jãgerskiõld, 1891 p. 131 i« rcf.
Ogmogaster, Price, 1932 p. 45.
Diagnose notocotylinae; corpo ovalado, achatado no sentido dorso-ven-
tral; Cobr cefálico ausente; supcrficie ventral apresentando numerosas cristas
longitudinais. Ventosa oral terminal. Faringe ausente. Cecos delgados e.xten-
dcndo-sc ate s extremidade posterior do corpo. Poro geniul mediano ao nivel
do esôfago. Bolsa do cirro mediana, dirigida no sentido vertical, com base na
zona equatorial. Veskula seminal externa presente. Testiculos lobados, simé-
tricos. situailos na porção posterior do corpo. Ovário lobádo, mediano, situado
entre os testiculos. Glândula de Mehlis pre-ovariana. Canal de I.aurcr presente.
\'itelinos consistindo de foliculos volumosos e isolados, distribuídos em dois
campos logo acima da zona testkular. Útero muito circunvoluido ocupando
quasi to<b a porção mediana do corpo. Ovos com um longo fibmento em cada
polo. Poro excretor dorsal, medbno. subtcrminal. \’esicula excretora cm forma
de Y com os ramos bterais se unindo ao nivel da bifurcação intestinal, onde re-
cebem um ramo coletor secundário, lateral.
Habitat : Intestino de Cetáceos c Pinipedes.
Espécie tipo: Ogmogaster pUeatus (Crcplin, 1827) Jãgerskiõld. 1891.
Ogmogaster pl ieatns (Creplin, 1827) Jãgerskiõld, 1891
(fig». 86. 87)
Monostoma plicatum Creplin, 1827 pp. 878-880, pl. 52, figs. 9-11, í”
Monostoma plieatum Dujardin, 1845 p. 344.
62
Mem. lost. Bataatas.
15:249-372, 1946.
JOSê MANOEL RUIZ
311
Ogmogaster plicatus Jãgerskiõld, 1891, in ref.
Ogmogaster plicatus Kossack, 1911 p. 565.
Ogmogaster plicatus Price, 1932 pp. 45-46, pl. 12, fig. 52.
Habitat : Intestino.
Hosp. : Balaenoptcra acutorostrata, {Balaena rostrata), B. borealis, B.
musculus.
Distr. geogr. : Europa.
Evolução : Desconhecida.
Ogmogaster antarcticus Johnston, 1931
Ogmogaster plicatus Leiper et .Atkinson, 1915 p. 15 nec Creplin, 1827 nec
Jãgerskiõld, 1891.
Ogmogaster antarcticus Johnston, 1931 pp. 97, 98.
Ogmogaster antarcticus, Johnston, 1937 j>p. 18-22. figs. 26, 28.
Habitat : Intestino.
Hosp.: Leptonychotes weddelli, Lobodon carcinophaga.
Distr. geogr.: Noruega (Cabo Evans).
Evolução : Desconhecida.
Cata tro pis Odhner, 1905
Catatropis Odhner, 1905 p. 367, in ref.
Catatropis, Luehe, 1909 p. 32.
Notocotylus Diesing, 1839 pro parte.
Diagnose: xotocotylixae; corpo alongado com a extremidade anterior
delgada e a posterior largamente arredondada. Cuticula lisa ou provida de mi-
núsculos espinhos: superfície ventrar do corpo provida de três fileiras de glândulas,
sendo as duas laterais compostas de elementos separados e a mediaai continua,
formando uma crista glandular. Faringe ausente. Esôfago delgado. Cecos
longos, passando entre os testículos. Poro genital mediano, nas proximidades da
bifurcação cecal. Bolsa do cirro desenvolvida, dirigida no sentido longitudinal,
contendo cirro, dueto ejaculador e parte prostática envolta por numerosas células
glandulares. Vesícula seminal e.xtema, tubular, enovelada. Testículos geral-
mente lobádos. situados simétricamente na iwrte posterior do corpo. Ovário
mediano, na zona testicular. Complexo da glândula da casca prc-ovari.ano.
Espermatéca ausente. \'itclinos foliculares, distribuidos em dois grupos laterais,
pretesticulares. Útero situado na área intracecal e mediana do corpo. Vagina
63
312
PROSOCEPHAUDAE (TRBUATODA). ESTCDO DAS ESPÍOEi
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
musculosa, tubular, paralela à bolsa do cirro. Ovos com um longo filamento cm
cada polo. Poro excrctor mediano, posterior. Vesicuh e.\cretora curta bifur-
cando-sc em forma de Y; os ramos se dirigem para a região cefálica margeando
os campos cccais.
Habitat: Intestino de aves.
Espécie tipo: Calatropis verrucosa (Froelich, 1789) Odhner, 1905.
C a t at r o p i s z-trrrucosa (Froelich, 1789) Odhner, 1905
(figs, 82, 83)
Fasciola verrucosa Froelich, 1789 p. 112, pl. IV, figs. 5-7, in ref.
Fasciola anscris Gmelin, 1789 p. 3055 tn ref.
Fcjlucaría pedata Schrank, 1796 p. 335, ín ref.
Monostotna verrucosum Zeder, 1800 p. 155, in ref.
Monostoma verrucosum Rudolplii, 1809 p. 331 et 1919 pp .84, 344.
Monoslomum ovaium Molin, 1895 m ref.
Sotocotyle verrucosum Monticelli, 1892 ín ref.
Calatropis verrucosa (Froelich) Odhner, 1905 pp. 367-370, fig. in ref.
Calatropis verrucosa, Luehe, 1909 p. 32, fig. 38.
Calatropis verrucosa Baylis, 1929 p. 38. fig. 22.
Calatropis verrucosa Monnig, 1934 p. 56, fig. 24.
iVolocotylus Iriserialis Diesing, 1839, pro parte.
Habitat: Tracto intestinal.
Hosp. : Diversas aves (Anseri formes) domesticas e sel%-agens; o hospedeiro
tipo citado por Froelich, seg. Diesing (1850) c "Anscr anser" Gower (1939)
cita os seguintes: .diuis plalyrhynchos, Somateria tnollissima, Mergus scrralor.
Bucephala clangula, Clanguia hycmaíis e Oidemia nigra.
Distr. geogr.: Europa, África e Asia.
Evoluído: Alguns autores referem o ciclo evolutivo desta espécie liaseados
no trabalho de Sridat (1930), sendo Planorbis cornus e P. nitidus referidos como
hospedeiros intermediários. Segundo Szidat, cm trabalho posterior, (1930)
"... o ciclo evolutivo de Calatropis verrucosa não está ainda devidamente escla-
recido”, a espécie referida em 1930 não correspondendo a esta última.
Calatropis liara Kossack, 1911
.Monoslomum altenuatum Luehe, 1898 p. 625, paritm.
Calatropis liara Kossack, 1911 p. 560 pl. 15, fig. 19.
&[em. Inst. Butantan,
l»:249-372, 1946.
JOSÉ MAXOEL RUIZ
313
Hab tat : Cecos.
Hosp. : Phoenicopterns roseus.
Diãtr. geogr. : Tunísia.
Evolução : Desconhecida.
Calatropis charadrii Skrjabin, 1915
Catatropis charadrii Skrjabin, 1915 p. 270 in ref.
Catatropis charadrii Skrjabin, 1916 pp. 411-415.
Habtat : Intestino.
Hosp.: Holodromus ochropus.
Distr. geogr.: Montes Uraes-Russia.
Evolução : Desconhecida.
Catatropis gallinulae Johnston, 1928
Catatropis gallinulae Johnston, 1928 pp. 135-138, fig. 39.
Habitat : Ceco.
Hosp.: Gallinula tenebrosa.
Distr. geogr.: Australia.
Evolução: Desconhecida.
Observação: Vide observ. sobre Notocotylus pacifera (Noble, 1933).
Catatropis o ri e n t ali s Harshe, 1932
Catatropis orientalis Harshe, 1932 pp. 33-38, figs. 5-9, iii ref.
Habitat : Ceco.
Hosp.: Dafila acuta.
Distr. geogr.: índia.
Evolução: Desconhecida.
Catatropis indic u s Srivastava, 1935
Catatropis indicus Srivastava, 1935 pp. 283-287, 1 fig. m ref.
Habitat : Ceco.
Hosp. : Gallus bankizv.
Distr. geogr.: Inda.
Evolução : Desconhecida.
6S
PROSOCEPHAUDAE (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPÍOES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Catatropis pricei Harwood, 1939
Calalropis prícct Harwood, 1939 pp. 339-340, pl. 1, figs. 2, 3.
Habitat : Intestino.
Hosp. : Branta camdcnsis.
Distr. geogr. : Estados Unidos.
Evolução : Desconhecida.
Calalropis cygni Yamaguti, 1939
Calalropis cygni Yamaguti, 1939 p. 135. pl. XIII. {ig. 4.
Habitat : Ceco.
Hosp.: Cygnns bfícickii jankoicskii e Tadorna ladorna.
Distr. geogr.: Japão.
Evolução : Desconhecida.
Calalropis hisi k ui Yamaguti. 1939
Calalropis hisikui Yamaguti. 1939 p. 136, pl. XIV, {ig. 7.
Habitat: Intestino (?).
Hosp.: Anscr f abolis scrrirosiris.
Distr, geogr. : Japão.
Evolução : Desconhecida.
Paramonoslomum Luebe, 1909 emend.
Paramonostomum Luebe. 1909 p. 33.
Paramonoslomum Luebe, 1909 emend. Yamaguti, 1934 p. 565.
Xcoparamonoslomum Lai, 1936 in rcf.
Diagnose: notocotylixae. de corpo ovalado ou alongado. Colar cefálico
ausente. Cuticula geralmente desprovida de espinbos, superfície ventral do corpo
não apresentando formações glandulares. Faringe ausente. Esôfago curto.
Cecos delgados e simples, passando entre os testiculos em forma de )(. Poro
genital mediano, no terço anterior do corpo. Bolsa do cirro bem desenvolvida,
situada na metade anterior do corpo. Vesícula seminal externa. Testiculos
situados simètricanKnte na porção caudal, com campos afastados. Ovário me-
diano situado na zona testicular. Complexo da glândula da casca pretesticular.
Espermateca ausente. \ itelinos compostos de acnes volumosos disseminados para
66
Mem. lost. Botaatan,
1»:249-J72, 1946.
JOSÉ MANOEL RUIZ
315
a frente da zona testicular, nas margens laterais do corpo. Útero ocupando a
região mediana do corpo, acima da zona ovariana. Vagina paralela à bolsa do
cirro. Ovos numerosos com filamentos polares.
Habitat: Tubo digestivo de aves aquáticas.
Espécie tipo: Paramonostoinum alveatum (Mehlis, ir» Creplin, 1846)
Luehe, 1909.
Obsera^ação : Lai (1936), propôs o gênero Ncoparamonosiomum designando
Paramonostomum ionome Travassos, 1921 como tipo. O gênero de Lai se baseia
nos seguintes caracteres: situação do póro genital (post-bifurcal) e extensão dos
vitelinos que atingem e ultrapassam a zona equatorial para a frente. Harwood
(1939 p. 335), fez ver, com razão, que esse gênero não deve ser mantido, pas-
sando para a sinonimia de Paramonostomum.
Paramonostomum alveatum '(Mehlis, in Creplin, 1946) Luehe,
1909 (fig. 81.)
Monostomum alveatum Mehlis, in Creplin, 1846 pp. 141-144. ....
Monostomum alveatum (Mehlis, 1945), Neveu-Lemaire, 1936 p. 103.
Xotocotyic alveatum Monticelli, 1892 in ref.
Monostomum alveatum Muehling, 1898 pp. 31, 101, 102, pl. I, fig. 3.
Monostomum atvciformc Cohn, 1904 p. 230.
Param&nostomum alveatum (Mehlis ?, Creplin) Luehe, 1909 p. 33, fig. 39.
Habitat: Tracto intestinal.
Hosp.: .t4nas platyrhynehos, Clangula hytvnalis, Somateria mollissima,
Oidemia nigra, Oidemia fusca, Nyroca marila, Mareca penehpe, Anscr anscr,
Cygnus cygnus, Cygnus olor, Brantc bernicla. Lista baseada nas citações de
Creplin (1846), Muehling (1896), Luehe (1909) c Gower (1939).
Distr. geogr. : Europa.
Evolução : Desconhecida.
Paramonostomum ionorne Travassos, 1921
Paramonostomum ionome Travassos, 1921 p. 179, fig.
Xcoparamonostomum ionorne (Trav.) Lai, 1936 in ref.
Habitat: Intestino e ceco.
Hosp.: lonornis tnartinica. Parra jaeana, Rimnopardalis rythirhynchus,
(Trav.), Chionis alba, (Bayliss).
Distr. geogr.: Rio de Janeiro, Brasil e Patagônia.
Evolução : Desconhecida.
6?
316 PROSOCEPHALÍDAB (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPtCTES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Paramonostomum e c hi nu tn Harrah, 1922
Paramonoslomutn echinum Harrah, 1922 p. 55.
Neof'aramonostomum echinum (Harrah) Lai, 1936 tn ref.
Habitat: Intestino.
Hosp. : Ondrala sibelhica.
Distr. geogr. : Estados Unidos.
Evolução : Desconhecida.
Paramonoslomum pseudo alveatum Price, 1931
Paramonostomum pseudoalveaium Price, 1931 pp. 9-10, fig. 4.
Habitat : Ceco.
Hosp.: Ondrata sibelhica e Branta canadensis.
Distr. geogr.: Estados Unidos e Canadá.
Evolução: Desconhecida.
Observação: Segundo Harwood (1939), c possivel que a espécie assinalada
por Swales (.1933) em Branta canadensis, corresponda a P. parvum.
Paramonoslomum parvum Stunkard & Dunihue, 1931
Paratnonoslomum parvum Stunkard & Dunihue, 1931 pp. 184-185, fig. 4.
Neoparamonoslomum parvum (Stunkard & Dunihue) Lai, 1936 in ref.
Habitat : Intestino.
Hosp.: “Long Island duck” (tipo ref.), Chm caerulescens, Glaucionetia
elangula atnericana.
Distr. geogr.: Estados Unidos, Canadá.
Evolução : Desconhecida.
Paramonostomum microstomum Moghe, 1932
Paramonostomum microstomum Moghe, 1932 pp. 56-58, fig. 4.
Habitat : Reto.
Hosp.: Philomachus pugnas.
Distr. geogr.: Ind'a.
Evolução : Desconhecida.
08
3lcm. Inst. Botantao^
l»:249-372, 194<.
JOSÉ MANOEL RUIZ
317
Pa^atnonostomum elongatum Yamaguti, 1934
Paramonostomum elongatum Yamaguti, 1934 pp. 561-564, fig. 8.
Habitat : Ceco.
Hosp. : Olor bezcicki jankowiskü. Olor cygnus.
Distr. geogr. : Coréa, Japão.
Evolução : Desconhecida.
Paramonostomum ovai um Hsü, 1935
Paramonostomum ovatum Hsü, 1935 pp. 147-148, fig. 9.
Paramonostomum “oz-atus", Harwood, 1939 p. 337.
Habitat : Ceco.
Hosp.: “Pato” (sp.).
Distr. geogr. : China.
Evolução : Desconhecida.
Paramonostomum bucephalae Yamaguti, 1935
Paramonostomum bucephalae Yamaguti, 1935 pp. 163-165, fig. 4.
Paramonostomum bucephalae, Yamaguti, 1939 p. 138.
Habitat : Ceco.
Hosp.: Bucephala clangula, Tadoma tadoma, Spatula clypeata, Nyroca
martla marUoides.
Distr. geogr.: Japão.
Evolução: Elesconhecida.
Paramonostomum querquedulum Lai, 1936
Paramonostomum casarcum Lai, 1936 pp. 27-29, figs. 3, 4, ín rcf.
Habitat : Ceco.
Hosp. : Querqucdula circta.
Distr. geogr.: índia.
Evolução : Desconhecida.
Paramonostomum carsacum Lai, 1936.
Paramonostomum carsacum Lai, 1936 pp. 27-29, figs 3, 4 í« ref.
Habitat : Ceco.
Hosp.: Casarca rutila.
Distr. geogr.: índia.
Evolução : Desconhecida.
i9
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
3Jg PROSOCEPHAUDAE iTREMATODA). ESTIDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
O ff ir. oc O I yl e Skrjabln & Scbulz. 1933 emend.
Offinocotylc Skrjabin & Schulz. 1933 269-270
Cymbiforma Yamaguti, 1933 p. 102.
" Cimbiforma” Ruiz, 1944 pp. 217, 118, 225.
Diaffnosc: notocotvlixae; corpo alongado coni as margens laterais forte-
nientc recunadas para a face ventral, dando a idéia de uma naveta. Cuticula
inerme. Glândulas ventrais ausentes. Faringe ausente. Esôfago simples e del-
gado. Cecos longos. Poro genital fora de linha mediana, quasl marginal, situado
acima da região equatorial. Bolsa do cirro muito desenvolvida, em forma de C,
contendo cirro, dueto ejaculador, parte prostática e vesicula seminal. Testículos
alongados, mais ou menos lobados, situados na porção posterior do corpo. Ovário
de contorno liso ou lobado, mediano, postestlcular. Complexo da glândula da
casca pre-ovariano. Espermatéca ausente. Vitelinos foliculares, dorsais aos
testiculos e convergindo na zona destes em forma de U ou V. Ütero com alças
largas, intra e cxtracecais, extendendo-se desde a zona orariana até a região
equatorial. Ovos com um filamento em cada polo. Poro excretor mediano, pos-
terior. Vesicula excretora curta; dois longos troncos coletores mergeiam os
campos cecais e se unem na região anterior do corpo formando numerosas anas-
tomoses.
Habitat: Tubo digestivo de mamiferos.
Espécie tipo: OfftnocoiyU fyfforffi Skrjabin & Schulz, 1933.
Obscra-ação: Skrkabin & Schulz (1933), descreveram o género Offtnocotyle
para uma nora espécie do intestino delgado de Capreolus Pygarffus'Tfcdfordi, (Si-
béria, Rússia), cstaeblecendo uma nora subfamilia, ocMOCoraxiNAE, entre os
notocotylidae.
No mesmo ano Yamaguti descreve o género Cymbiforma para uma nova
espécie do intestino delgado de Sika nippon nippo», (Japão), eregendo a sub-
familia Cymbiformittttc.
Em 1939, Harwood identifica esta última subfamilia a ocmocotyli.sae.
Em 1944 consideramos ogmocotylinae sinônima dexorocarYLiNAE.
diagnose original do género Offmocotylc e a diagnose do género Cymbiforma
dada por Yamaguti ou a emendada por Bhalerao (1942). não mostram um caracter
de importância fundamental que permita considerar distintos os referidos géneros,
apenas sc completando, ê nosso parecer considerá-los idênticos. O trabalho de
Skrjabin & Schulz, no volume 102, fac. 1, 2 do ZooI...\nz., foi dado à publi-
cidade em março de 1933 e o de Yamaguti. no vol. 5. fac. I de Jap. Journ. Zool..
publicado cm agosto de 1933, é pois evidente a prioridade de Offmocotylc sobre
Cymbiforma.
70
Mem. Inst. Butactan,
19 : 249 - 3 ' 2 , :9-W.
JOSÉ MAXOEL RUIZ
319
Ogmocotylc tygargi Skrjabin & SchuU, 1933
Ogmocotyle Pygargi Skrjabin & Schulz, 1933 pp. 267-270, 2 figs.
Habitat : Intestino delgado.
Hosp. : Caprcolus pygargus hcdfordi.
Distr. geogr. : Rússia, Sibéria.
Evolução : Desconhecida.
Ogmacotyle sik ac ( Yaniaguti, 1933) n. comb.
Cymbifonna sikac Yaniaguti, 1933 pp. 98, 101, 102, fig. 41.
Habitat: Intestino delgado.
Hosp.: Sika nippon nippotx.
Distr. geogr.: Japão.
Evolução: Desconhecida.
Ogmocotylc indica (Bhalerao, 1942) n. comb.
Cymbifonna indica Bhalerao, 1942, pp. 133-136. figs. 1-6.
Habitat: Intestino e duetos biliares.
Hosp.: Vários ruminantes, (cabra, carneiro, boi).
Distr. geogr.: índia.
Evolução : Desconhecida.
Q uinques crialis Skvortsow. 1935 emend.
Quinqucscrialis Skvortsow, 1935 p. 319 ín rcf.
Quinqucscrialis Skv., 1935 in Harwood, 1939 p. 430.
Barkcria Szidat, 1936 p. 234.
Xotocolylus Diesing. 1839 pro parle.
Diagnose: notocotyli.nae; corpo alongado de tamanho métlio, com extre-
midades^ arredondadas sendo a anterior mais atenuada. Colar cefálico ausente.
Cutkrula podendo apresentar pequenos espinhos. Superficic ventrar provida de
numerosas glândulas isoladas e dispostas em cinco fileiras longitudinais. Faringe
ausente. Cecos simples, terminando no extremo posterior e passando entre os
testiculos. Poro genital mediano, situado nas imediações da bifurcação cecal.
Bolsa do cirro l)em desenvolvida, situada na metade anterior e na linha mediana
do corpo, dirigida no sentido longitudna!. \*esicu!a seminal externa na sua
maior porção. Testículos situados simetricamente na porção caudal, em campos
71
320 PROSOCEPHALÍDAB (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPtaES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
afastados. Ovário mediano, disposto entre os testículos, separado destes pelos
campos cecais. Complexo da glândula da casca préovariano. Espermatéca au-
sente. Vitelinos foliculares, dispostos para a frente dos testículos, extracecais.
Útero situado na região mediana do corpo, préovariano. Vag-^na parale'a à bolsa
do cirro. Ovos numerosos apresentando um longo filamento em cada polo.
Poro excretor subterminal; vesicula excretora curta; canais coletores primários,
emergindo da vesicula em forma de V, margeando os campos laterais, se unem
na extremidade anterior do corpo.
Habitat: Tracto intestinal de mamíferos (roedores).
Espécie. tipo: Quinqueserialis quinqueserialis (Barker & Laughlin, 1911).
Skvortsow, em 1935 estabe’eceu o sub-gcnero Quinqueserialis para espécies
do gênero Nolocolylus possuindo cnco fileiras de glândulas ventrais.
Harwood, em 1939 apresenta a denominação Quinqueserialis com o valor de
gênero atribuindo-a a Skvortsow.
U. Szidat. em 1936, baseando-se no mesmo caracter, isto é, na presença de
cinco fileiras de glândulas na superfície ventrar, crea o gênero Barkeria no qual
inclui R. quinqiieserial s (= Notocolylus Quinqueserialis, Barker & Laughlin,
1911) e B. hassalli (= Xotocolylus hassalli Mcintosh & Mcintosb, 1934). O
gênero Barkeria foi posto na sinonimia de Quinqueserialis por Harwood em 191*9.
Quinqueserialis quinqueserialis (Barker i laughlin, 1911)
(f«. 84)
Noiocolyle quinqueserialis Barker & Laughlin, 1911 pp. 261-274, pl. I in ref
Notocolylus urbanensis Harrah, 1922 f>ro parle.
Qunqueserialis quinqueserialis (Barker, 1915) Skvortsow, 1935 ín ref.
Quinqueserialis quinqueserialis (B. et L. 1911) Harwood, 1939 p. 430.
Barkeria quinqueserialis (B. et L., 1911) Szidat, 1936 p. 234.
Habitat : Ceco.
Hosp. : Ondrata sibethica, Microlus pcnnsylvanicus pcnnsylvanicus, Zafus
hudsonius.
Distr. gcogr.: Estados Unidos, Canadá.
Evolução: O ciclo evolutivo desta espécie foi estabelecido em 1942 p^
Herlier que assinala Cyraulus panvs (Say) como hospedeiro intermediário.
Quinqueserialis hassalli (Mcintosh & Mcintosh, 1934)
Monoslotnuin sf. Stiles c Hassall, 1894 {ad Arvicola riparius).
Nolocolylus Hassalli Mclntosh & Mcintosh, 1934 pp. 30-37, figs. 11-12.
72
Mem. Inst. Butantan,
l»:2<9-372, 1946.
JOSÉ MAXOEL RUIZ
321
Notocotylus quinquescnalis Harrah, 1922 p. 53, nec B. et Laughlin, 1911.
Quinqueserialis hassalli (Mcintosh & Mcintosh) Harwood, 1939 p. 431.
Barkeria Hassalli (Mcintosh & Mcintosh) Szidat, 1936 p. 234.
Habitat: Intestino delgado e ceco.
Hosp. : Microíus pcnnsylvanicus pennsylvar.icus, Zapus hudson.us hudsonius.
Distr. geogr. : Estados Unidos.
Evoluqão : Desconhecida.
Quinqueserialis 7Volgacnsis Skvortsov, 1935
Notocotylus (Quinqueserialis) wolgaensis Skvortsov, 1935 p. 319, in ref.
Quinqucs''rialis uolgaensis Skvortsov, 1935, in Harwood, 1939 p. 430.
Notocotylus wolgaaisis Herber, 1942 p. 1S4.
Habitat: Intestino.
Hosp.: Arvtcola terrcstris.
Distr. geogr.: Rússia.
Evoluqão : Desconhecida.
Hofmonostoinum Harwood, 1939
Hofmonostomum Harwood, 1939 p. 338.
Diagnose: notocotylinae; corpo alongado e pequeno com a metade ante-
rior mais atenuada; superficie ventrar apresentando uma crista glandular, pouco
desenvo'vida, na parte mediana; glândulas ventrais laterais ausentes. Cuticula
lisa na porqãn posterior e com pequenas escamas espin-formes na superficie
ventrar da parte anterior. Ventosa oral subterminal. Esôfago deigado. Fa-
ringe ausente. Cecos longos, terminando entre os testículos e na zona destes.
Poro genital post-bifurcal e mediano. Testículos alongados, lobados, simétricos,
situados na porqão posterior do corpo. Bolsa do rirro bem desenvolvida, situada
na metade anterior do corpo ; vesicu'a seminal externa, enovelada. Ovário lobado,
med ano. situado entre os testículos; complexo da glândula da casca pre-ovariano.
Vítelinos distribuídos em dois campos distintos, ao longo das margens laterais,
atingindo posteriormente o limite inferior da zona testicular. Útero intra-cecal,
pre-ovariano. Vagina longa e paralela â bolsa do drro. Ovos com um longo
filamento em cada polo. Sistema excretor?
Habitat: Tracto intestinal de aves.
Espécie tipo: Hofmonostomum himaniopodis Harwood, 1939.
73
322
PROSOCEPHAUDAE (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
H O f m O n O s I O m u m h i nt a n t o p o d i s Hanvood, 1939
(fig. 85)
Hofmonostomuni himaniopodis Harwood. 1939 p. 338, pl. I, íig. 1.
Habitat : Intestino.
Hosp. : Himantopus mcxicanus.
Distr. geogr. : Porto Rico.
Evolução : Desconhecida.
Sub-faniilia xudacotvlinae Barker, 1916
NUDACOTYLiNAE Barker. 1916 pp. 181-183
NUDOCOTYLINAE “Barker, 1919”, Harrah. 1922 p. 56 (erro).
nudacotylidae Barker. 1916. Travassos. 1922 p. 187, (erro).
NUDACOTYLINAE Barker, 1916 eniend. Ruiz. 1944 p. 225.
Diagnose, pronocephalidae ; corpo pequeno; superfície ventra! desprovida
de formações glandulares. Colar cefálico ausente ; extremidade posterior ar-
redondada, lisa. Poro genital lateral, situado na metade posterior do corpo, ime-
diatameme acima da zona testicular. Testículos em número de dois. situados no
terço posterior do corpo. Bolsa do cirro desenvolvida ; vesicu'a seminal interna
e externa. Ovário pre ou postesticular. Complexo da glândula da casca pre ou
postovariano. Útero nas áreas intra e extracecais. acima dos demais orgãos
genitais. Vitelinos constituídos por dois grupos de folículos que se extendem
nas margens do corpo, acima da zona testicular. Ovos com filamentos polsrcs.
Parasitos de mamíferos paludicolas.
Gênero tipo: Sudacotylc Barker. 1916.
Esta sub-famiba contem apenas dois gêneros que podem ser diferenciados
da seguinte forma:
Ovário postesticular; complexo da glândula da casca pre-o%-ariano
Sudacotylc Barker, 1916.
Ovário pretesticular : complexo da glândula da casca postovariano
Seocotylc Travassos. 1922.
Sudacotylc Barker. 1916
Sudacotylc Barker. 1916 p. 181.
Sudacotylc Travassos. 1939 p. 161.
74
Mcm. Inst. Bnuntan,
1*:249.J72. 1946.
JOSÊ MANOEL RCIZ
323
Diagnose: nlt)acotylinae. Trematoides pequenos, de corpo em forma de
concha. Faringe ausente. Cecos delgados e longos, simples, extendendo-se até
próximo da extremidade posterior do corpo. Poros genitais separados, situados
na metade posterior do corpo, imediatamente acima da zona testicukir. Bolsa do
cirro muito desenvolvida contendo cirro musculoso e uma parte prostática volu-
mosa. Vcsicula seminal externa e intenta (?). Testiculos posteriores, com zonas
coincidentes e campos afastados. Ovário lobádo, poste sticular. Útero formando
numerosas circunvoluções, intra e e.xtracecais, na parte média do corpo, acima dos
demais orgãos genitais. Ovos com um longo filamento em cada polo. \’itelinos
laterais, postequatoriais.
Habitat: Intestino delgada de mamiferos.
Espécie tipo: Nudacotyle noidcia Barker, 1916.
Observação: Apresente diagnose, com modificações muito ligeiras, foi dada
por Travassos em 1939.
Xudacotyle no vicia Barker, 1916
(iig. 62 )
Xudacotyle novicia Barker, 1916 pp. 175-183, pl. 25, figs. 1-4.
Nodocolylc novicia Harrah, 1922 p. 56.
Cercaria marilH Barker, 1939, pp. 653-656; figs. 4-5.
Habitat: Intestino e duetos biliares.
Hosp.: Ondrata zibcthica, Microlus pcnnsylz-anicus pcnnsylvanicus.
Distr. geogr. : Estados Unidos.
Evolução: Determinada por Ameel, experintentalmente (1944). Hospe-
deiro intermediário Pomatiopsis lapidaria Say.
Xudacotyle v al d c v a g i n at u s Tra\'assos, 1922
Xudacotyle valdez'aginatus Travassos, 1922 p. 187.
Xudacotyle valdevaginatus Travassos. 1939 p. 163, figs. 1-3.
Xudacotyle valdcvaginata Trav. ct col-, 1939 p. 226.
Habitat: Intestino delgado.
Hosp. : Hydrochoerus capybara.
Distr. geogr.: Mato Grosso, Brasil.
Evolução : Desconhecida.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PROSOCEPHALIDAE (TREUATODA). ESTinK) DAS ESPtOEi-
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Nudacotyle tertius Travassos, 1939
Nudacolyle tertius Travassos, 1939 pp. 163-165, figs. 4-7.
Habitat : Intestino delgado.
Hosp.: Hydrochocrus capybara.
Distr. geogr. : Est. do Rio, Brasil.
Evolução : Desconhecida.
Neocotylc Travassos, 1922
Ncocotyle Travassos, 1922 p. 187.
Xcocolylc Travassos, 1939 p. 165.
Diagnose: ncdacotyunae. Trematoides pequenos, de oorpo cm íorma de
concha. Tugumento aparentemente liso. Ventosa oral pequena e forte. Faringe
ausente. Cecos dc’gados c se extendendo até perto da extremidade posterior do
corpo Poros genitais contiguos, na metade posterior do corpo, laterais. Bolsa
do cirro c vag na muito desenvolvidas. Vesícula seminal interna e externa. Tes-
tículos posteriores. Ovário prctcsticular. Útero com ramo ascendente e descen-
dente, com numerosos ovos de filamento polar. Vitelinos laterais, extracecais.
postrquatoriais.
Habitat: Intestino delgado de mamiferos.
Espécie tipo: Neocotyle neocolyle Tras-assos, 1922.
Observação: A presente diagnose foi dada por Travassos cm 1939.
Neocotyle neocotyle Travassos, 1922
(fitf. 6S)
Neocotyle neocotyle Travassos, 1922 p. 187.
Neocotyle ncocotyle Tra^-assos, 1939 pp. 165-167, figs. 8-16.
Habitat: Intestino delgado.
Hosp. : Hydrochocrus capybara,
Distr. geogr.: Mato Grosso, Brasil.
Evolução : Desconhecida.
Sub-familia charaxicephalinae Price. 1931
76
CHARAXICEriIALINAE PricC, 1931 p. 9.
charaxicephalinae Mchra. 1932 p. 246.
charaxicephalinae Ruiz, 1944 p. 226.
Mcm. Inst. BuUntaa
l»:249-372, 1946.
JOSÉ MANOEf. RUIZ
325
Diarfnosc: proxocephalidae ; corpo de tamanho médio, alongado; colat
céfalico presente ou ausente; extremidade posterior truncada e apresentando for-
mações papilosas contrateis. Bolsa do cirro contendo e rro, dueto ejaculador c
parte prostática; vesícula seminal externa. Poro genital situado à esquerda da
linha mediana, na metade anterior do corpo. Testículos divididos num número
variável de íolícuios individualizados, d spostos em fileiras ao longo dos campos
cecais. Ovário situado na zona postesticular ou testicular. Complexo da glândula
da casca atrás do ovário. Útero situado princ'palmente na área intracecal, na
parte mediana do corpo. Vittlinos const tuidos por dois grupos de fo'iculos dis-
seminados nos campos laterais do corpo, nas zonas testicular, pré ou postesticular.
Ovos com filamentos polares.
Habitat : Tracto intestinal de quclônios.
Género tipo: Charaxicephalus Loo.<s, 1901.
Aceitamos com Mehra, a inclusão, nesta subfamilia, de tres gêneros que
podem ser separados da seguinte forma:
1 — ■ Vitelinos prétesticu’ares na sua maior parte; testículos situados no terço
posterior do corpo; ovário na zona testicular ou pretcsticular
Diaschislorchis Johnston, 1913.
Vitelinos postesticulares em grande parte; testículos situados no terço médio
do corpo; ovário postesticular 2
2 — Testículos extracecais; vitelinos intratestlculares
Desmogonius Stephens, 1911.
Testículos intracecais; vitelinos extratesticulares
Charaxicephalus Looss. 1901.
Charaxicephalus I-ooss, 1901
Charaxicephalus Looss, 1901 p. 621.
Charaxicephalus Looss, 1902 pp. 612-613.
Diagnose: charaxicephalinae; corpo de tamanho médio, muito robusto;
extremidade posteror apresentando duas saliências papilosas marginais e simé-
tricas. Colar cefálico com margens bem nitidas formando uma depressão angu-
losa na região medio-ventral. Cecos longos, atingindo o extremo posterior do
corpo, laterais e paralelos, apresentando ramificações amplas cm ambos os lados
e em toda a sua extensão. Poro genital situado à esquerda da linha mediana, no
77
326 PROSOCEPHAUDAE (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
terço anterior do corpo. Bolsa do cirro relat!\amcnte pequena, situada obliqua-
inente; vesícula seminal enovelada, externa. Testiculos divididos em numerosos
foliculos individualizados e dispostos em duas fileiras longitudinais, paralelas, in-
tracecais, na porção mediana do corpo. Ovário globóide. situado atrás dos tes-
ticulos. Complexo da glândula da casca postovariano. Vitelinos distribuídos em
dois grupos laterais. pre-o\arianos. Ctero pre-o>ariano e na região intracecal.
Ovos com um tufo de finos filamentos em ambos os polos. Poro excretor pos-
terior, mediano ; ramos da vesícula excretora dirigidos para a extremidade frontal
onde terminam em fundo cego; apresentam ramificações parcialmente anasto-
mosadas.
Habitat: Estomago e intestino de quelônios marinhos.
Espécie tipo: Charaxicephdus robustus Looss, 1901.
Charaxicephalus robustus Looss, 1901
(f«. 68)
Charaxicephalus robustus Looss, 1901 p. 621.
Charaxicephalus robustus Looss, 1902 p. 541, pl. 25, figs. 65-69, pl. 26, fig. 89.
Habitat : Estômago.
Hosp. : Chclone mydas.
Distr. geogr. : Egipto.
Evolução : Desconhecida.
Charaxicephalus loos s i Mehra, 1939
Chanixicepltalus loossi Mehra, 1939 pp. 104-109, figs. 3-5.
Habitat : Intestino delgado.
Hosp.: Chclone mydas.
Distr. geogr.: índia.
Evolução : Desconhecida.
Desmogonius Stcphcns, 191 1
Desntogoulus Stcphcns, 1911 pp. 497-499.
Diagnose: charaxicf.piilinae; corpo de tamanho médio, concavo-convcxo ;
extremidade anterior delgada c a posterior mais arredondada e apresentando duas
protuberâncias cônicas, simétricas. Colar cefálico ausente. Cuticula inerme.
Cecos amplos, atingindo a extremidade posterior c apresentando divertículos
78
SciELO
10 11 12 13
Mrm. Inst. Butastan,
15:249-372, 19A6.
JOSÉ MANOEL RUIZ
327
internos e externos em toda a extensão. Poro genital (átrio) desviado para a
esquerda da linha mediana e situado no limite inferior do terço anterior do corpo.
Bolsa do cirro bem desenvolvida, inclinada. \’esicula seminal externa. Tes-
tículos divididos em numerosos fo.ículos globó.des, dispostos em fileiras longitu-
dinais e marginais, no terço médio do corpo. Ovário submediano, situado nas
proximidades do extremo posterior. V'itelinos formados por dois grupos de
foliculos disseminados nos lados do corpo, entre as zonas o\‘ariana e testicular.
Ramos uterinos ocupando a porção mediana do corpo, entre o ovário e o poro
genital, intratesticulares. Ovos operculados, com um tufo de. filamentos em
ambos os polos.
Habitat: Tracto intestinal de quelônio.
Espécie tipo: Dcsmogonius dcsmogomus Stephens, 1911.
D c s mo g o it i u s dcsmogonius Stephens, 191 1
(fig. 77)
Dcsmogonius dcsmogonius Stephens, 1911 pp. 497-499, pl. XIII, I fig.
Habitat: Tubo digestivo.
Hosp. : Chclonc mydas.
Distr. geogr. : Xicaragua.
Evolução : Desconhecida.
Diaschistorchis Johnston, 1913
Diaschistorchis Johnston, 1913 p. 378.
Ji'ildcria Pratt, 1914 p. 412.
Syncchorchis Barker, 1922 p. 223, in rcf.
Diaschistorchis Johnston. 1913 emend. Mehra, 1932 p. 225.
Diagnose: charaxicepualinae; corpo de tamanho médio, espesso e mus-
culoso. em forma de navêta. Colar cefálico pouco desenvolvido ou ausente.
Faringe ausente. Esôfago curto e delgado. Cecos longos, se extendendo até a
extremidade posterior e apresentando divcnículos laterais. Poro genital situado
à esquerda da linha mediana, sobre a face ventral, do ramo cecal esquerdo, no
terço anterior do corpo. Bolsa do cirro bem desenvolvida, situada obüqua ou
transversalmente ao nivel do quarto anterior do corpo; vesícula seminal externa,
tubular, enovelada. Testículos divididos em numerosos foliculos separados
e dispostos em forma de t/ na extremidade posterior do corpo. Ovário
liso ou lobado, situado ao nivel do limite superior da zona testicular. ou
um pouco abaixo desse nivel. Complexo da glândula da ca.sca na linha mediana
79
3'>g PROSOCEPHAUDAE (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPtCTES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
do corpo num nivel imediatamente inferior ao do ovário. Espermatéca ausente.
Canal de Laurer presente. \'itelinos, compostos de numerosos folículos, dispostos
em dois grupos laterais e situados ventralmente cm re!ação aos cecos, dissemi-
nados para cima da zona ovariana e terminando em alturas rariáveis. Útero
apresentando numerosas circunvoluções que preenchem inteiramente o espaço
intercecal compreendido entre a base da bolsa do cirro e o ovário. Vagina
musculosa e bem desenvolvida. Ovos com í. lamentos polares.
Habitat: Tracto intestinal de quelônios.
Espécie tipo: Diaschistorchis pandus (Braun^ 1901) Johnston, 1913.
Diaschistorchis pandus (Braun, 1901) Johnston, 1913
(ftgs. 74-76)
Monoslotnum pandum Braun, 1901 pp. 48-50, pl. II, fig. 17.
Diaschistorchis pandus (Br. 1901) Johnston, 1913 p. 378, figs. 9-10.
Wilderia cUiptica Pratt, 1914 p. 411, fig.
Diaschistorchis elUpticus (Pratt, 1914) Price, 1931 p. 6.
Syncchorchis megas Barker, 1922 p. 223, figs. 13-22., in ref.
Diaschistorchis pandus (Br. ISIOI) Oguro, 1936 pp. 21-23, fig. 17.
Habitat : Estomago.
Hosp. : Caretta caretta, Eretmochelys i‘~J^rtcaía, Chelone mydas.
Distr. geogr. : Golfo do México, Ilhas Bermudas, .\ustralia. Cuba, Japão.
Evolução : Desconhecida.
Diaschistorchis gastricus Mehra, 1932
Diaschistorchis gastricus Mehra, 1932 pp. 226-236, figs. 1-4.
Habitat : Estômago.
Hosp.: Kachuga dhongoka, K. smiihii, K, tectum, Hardella thurgi.
Distr. geogr.: índia.
Evolução : Desconhecida. *
Diaschistorchis lateraUs Oguro, 1936
Diaschistorchis lateralis Oguro. 1936 pp. 23-26, fig. 18.
Habitat : ( ?)
Hosp. : Chclonia japonica.
Dstr. geogr.: Japão.
Evolução : Desconhecida.
80
Mem. Inst. Butantan,
l»:249-372. 1946.
JOSÉ MANOEL RÜIZ
329
Diaschistorchis takahashii Fukui & Ozaka, 1936
Diaschistorchis takahashii Fukui & Ozaka, 1936 pp. 1707-1710, í« ref.
Habitat :
Hosp. : Ocadia sinensis.
Distr. gcogr. : Japão.
Evolução : Desconhecida.
Subfamília neopronocephalinae Mehra^ 1932
neopronocephalinae Mehra, 1932 p. 245, pp.
NEOPRONOCEPHALINAE Ruiz, 1944 p. 226.
Diagnose : pronocephalidae; corpo pequeno ; colar cefálico presente ; extre-
midade posterior truncada. Poro genital na metade anterior do corpo, à esquerda
da linha mediana. Testículos, em número de dois, situados simètricamente diante
do ovário, no terço médio do corpo. Ovário localizado no terço posterior do
corpo, submcdiano. Complexo da giándula da casca imediatamente atrás do
ovário. Útero apresentando numerosas circunvoluções dirigidas em todos os
sentidos e ocupando a parte mediana do corpo. Vitelinos formados por dois
grupos de foliculos laterais e postestiailares. Ovos operculados (filamentos?).
Habitat: Tracto intestinal de quelônios.
Gênero tipo: Neofronocephalus Mehra, 1932.
Neopronocephalus Mehra, 1932 emend.
Neopronocephalus Mehra, 1932 p. 236.
Diagnose: neopronocephalinae; corpo pequeno e alongado; extremidade
anterior atenuada e a posterior truncada. Colar cefálico bem desenvolvido, con-
tinuo. com exceção da parte ventral. Faringe ausente. Esôfago longo. Ramos
cecais simples, passando entre os testículos ou sobre os campos dos mesmos,
terminando ao nivel do terço posterior do corpo. Atrio genital ausente. Poros
genitais contíguos, à esquerda da linha mediana, no terço anterior do corpo.
Bolsa do cirro oval ou claviforme, pretesticular, contendo uma porção prostática
muito desenvolvida. Vesícula seminal e.xtema, tubular. Testículos lisos situados
no terço médio do corpo, cm campos bem afastados e zonas coincidentes. Ovário
liso, submcdiano, postesticular ; complexo da glândula da casca imediatamente
atrás do o>-ário. Espermatéca ausente. Canal de Laurer presente. Vitelinos
81
330
PROSOCEPHALIDAE (TREMATODA). ESTfDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
compostos de dois grupos de foliculos volumosos e pouco numerosos, situados
entre as zonas testicular e ovariana. Útero pre e postorariano, apresentando
numerosas circunvoluções características. \'agina musculosa, à esquerda da bolsa
do cirro, circundada por células glandulares. Ovos elipsóides. opercuíados (fila-
mentos?). Poro excretor dorsal ou ventrar, subterminal. Vesícula excretora
em forma de í’ aijos ramos não atingem o nivel da zona ovariana.
Habitat: Tracto intestinal de quclônios d’água doce.
Espécie tipo: SeopronoccpUalus triangularís Mehra. 1932.
Ncopronoccphalus triangularís Mehra, 1932
(fig. 78)
Ncopronoccphalus triangularís Mehra, 1932 pp. 236-240, fig. 5.
Habitat : Intestino.
Hosp. iKachuga dhongoka.
Distr. geogr. : índia.
Evolução : Desconhecida.
Ncopronoccphalus gangcticus Mehra. 1932
Ncopronoccphalus gangcticus Mehra. 1932 pp. 240-244, fig. 6.
Habitat : Intestino.
Hosp.: Kachuga dhongoka.
Distr. geogr.: índia.
Evolução : Desconhecida.
Ncopronoccphalus tnchrat Chatterji, 1936
N copronoccphalus mchrai Giatterji, 1936 pp. 86-88, fig. 4.
Habitat: Intestino (?).
Hosp. : Morenia occllata.
Distr. geogr.: Bunna. índia.
Evolução : Desconhecida.
Subfamilia opisthotremati.vae Harwood, 1939
t
opisTiiOTREMATiDAE Poche. 1925 p. 213.
OPISTHOTREMATIXAE HarwocKl. 1939 p. 334.
OPiSTuoTREMATiXAE Ruiz, 1944 p. 226.
82
Mem. Inst. BuUnUn,
lí:249-372, 194^
JOSÉ MAXOEL RUI2
331
Diagnose: proxocephalidae ; corpo achatado de fornia arredondada ou
o\:alada; superfície ventra! espinhosa; colar cefálxo ausente. Poro genital me-
diano, situado na extremidade posterior do corpo. Testículos, em número de dois,
intra ou extracecais, simétricos, na metade posterior do corpo. Bolsa do cirro
delgada; vesícula seminal externa ausente. Ovário, ao lado da linha mediana,
pretesticular. Complexo da glândula da casca imediatamente atrás do o>ário.
Útero na parte média do corpo, principalmenle na área intracecal. Vitelinos
poiKO desenvolvidos, na área intracecal e pretesticular. Ovos com filamentos
polares.
Habitat: Cavidade nasal, esôfago e pulmão de mamíferos aquáticos.
Gênero tip»: Opisthotrema Fischer, 1883.
Consideramos nesta subfamilia três gêneros que podem ser diferenciados pela
seguinte chave:
1 — Orla muscular limitando as faces dorsal e ventral ausente
Opisllioiretna Fischer, 1883.
Orla muscular limitando as faces dorsal e ventral presente 2
2 — Testículos intracecais Pulmonicola Poche, 1925.
Testículos extracecais Cochieotrenia Trav. & \’oge!sang, 1931.
Opisthotrema Fischer, 1883
Opisthotrema Fischer, 1883 pp. 1-42, m rcf.
Opêsthotrema Price,' 1932 p. 48 (cm parte).
Diagnose: opisthotrematinae; corpo piriforme, achatado, com as margens
recur\-adas para a face ventral. \'cntosa oral subtcrminal, ventral. Faringe au-
sente. Esôfago delgado. Cecos relativamente largos e ligeiramente sinuosos,
atingindo as proximidades do extremo posterior. Poro genital mediano, situado
na parte posterior do corpo. Testículos lobados, simétricos, extracecais, na me-
tade posterior do corpo. Bolsa do cirro posterior, mediana, contendo a vesícula
seminal. Ovário lobado, pretesticular, ao lado da linha mediana. Complexo da
glândula da casca postovariano. Canal de Laurer presente, com a parte proximal
dilatada formando um receptaculum seminis (espermatéca). Vitelinos distribuídos
em dois campos distintos acima dos testículos, mormente intracecais. Útero
intracecal, no terço médio do corpo. V'agina delgada paralela á bolsa do cirro.
Ovos providos de um longo filamento em cada polo. Sistema excrctor mal de-
finido.
S3
332 PROSOCEPHALWAB (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Habitat: Cavidades nasais e esôfago de Sirenia.
Espécie tipo: Opisthotrema dujonis (Leuckart, 1874) Price, 1932.
Obsenação : A presente diagnose genérica à baseada na descrição da es-
pécie t’po apresentada por Price. em 1932 e Johnston, em 1913. Não aceitamos a
diagnose apresentada por Price (1932, p. 49) para o gênero Opisthotrema por-
quanto o autor considera o gênero Cochlcotrcma Trav. & Vogei, sinônimo de
Opisthotrema Fischer, incluindo na mesma os caracteres de ambos. A nosso
ver o gênero Coehleotrema é perfeitamente distinto de Opisthotrema e de Pul-
monicola, embora apresente caracteres comuns a ambos; assim, a presença de
uma orla muscular limitando as faces dorsal e ventral ê um caráter de Pulmo-
nicola, não obsers-ado em Opisthotrema; a posição extracecal dos testiculos é um
caráter de Opisthotresna que Pulmonicola não apresenta. Quaisquer desses ca-
racteres são, no conceito atua!, suficientes para distinguir um gênero.
Opisthotrema dujonis (Leuckart, 1874) Price, 1932
Afonostomum dujonis Leuckart, 1874 p. 419.
Op stholrema coehleare Fischer, 1883 pp. 1-42, fig., m ref.
Opisthotrema coehlearifortne Trav. & Vogelsang, 1931 p. 144 (erro).
Opisthotrema dujonis (Leuckan, 1874) Price, 1932 pp. 51-52, pl. II fig. 46
Habitat: Trompa de Eustáquio e esôfago.
Hosp. : IlaUcore dugong.
Distr. geogr. : Ilhas Filipinas, Austrália.
Evolução: Desconhecida.
Pulmonicola Poche, 1925
Pulmonicola Poche, 1925 p. 213.
Pulmonicola Price, 1932 p. 55.
Diagnose, opistiiotrematinae ; corpo ovalado com a parte dorsal convexa
e a ventral côncava; estas porções são limitadas por uma orla muscular bem de-
limitada. interrompida apenas na porção ocupada pela ventosa oral, que é ventral
e subterminal. Cuticula lisa. Faringe ausente. Cecos longos e delgados. Poro
genital mediano, na extremidade posterior. Bolsa do cirro delgada, tortuosa,
incluindo a vesicula sem nal. Testiculos de contorno liso, simétricos situados
intracecalmcnte na porção posterior do corpo. Ovário mediano, pretesticular,
imediatamente postequatorial. Glândula de Mehlis postovariana. Espermatéca
c canal de Laurer presentes. Vitelinos constituidos por foliculos volumosos
84
SciELO
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Mem. Init. Bntantan.
l»:249-372, 1946.
JOSÉ MANOEL RUIZ
333
situados entre as zonas ovariana c testicular, na porção intercecal. Ctero intcr-
cecal, ocupando a parte mediana do corpo. Vagina dorsal e paralela à bolsa do
cirro. Ovos providos de um longo filamento cm cada polo. Sistema excretor (?).
Habitat : Pulmão de Sirenia.
Espécie tipo: Pulmonicola pulmonale (von Linstow, 1904) Poche, 1925.
P it I m o 'n i c 0 I a pulmonale (v. Linstw^ 1904) Poche, 1925
(fig. 89)
Opisthotrema pulmonale v. Lmstow, 1904 pp. 678-680, figs. 1, 2.
Pulmonicola pulmonale (y. Linstow) Poche, 1925 p. 213.
Pulmonicola pulmonale Price, 1932 p. 55, pl. 11, fig. 50.
Habitat : Pulmão.
Hosp. : Halicore australe, H. dugong.
Distr. geogr. : Austrália (Torres Straits).
Evolução : Desconhecida.
Coehleotrema Travassos & Vogelsang, 1931
CochleolrcuM Tra\’assos & Vogelsang, 1931 p. 143.
Opisthotrema, Price, 1932 p. 49 (em parte) nec Pischer, 1883.
Diagnose, opistiiotrematinae; corpo discoide; face dorsal convexa c a
ventral côncava^ estas faces sendo limitadas por uma orla muscular ininterrumpta
e bem distinta; face ventral apresentando fonrações espini- ou escamiformes.
\"entosa oral subventral. Faringe ausente. Esôfago curto. Cecos longos e for-
mando alças amplas. Poro genital mediano, ventral e posterior. Bolsa do cirro
longa e delgada com cirro, próstata e vesicula seminal enovelada. Testiculos
profundamente lobados, postequatoriais, extracecais. Ovário lobado, prctesticular.
post equatorial, desviado da linha mediana. Complexo da glândula da cas
posterior c lateral ao ovário. Espermatéca presente. Canal de Laurer presente
na espécie tipo. Vitelinos constituidos por foliculos volumosos, dorsais, intra-
cecais, extendendo-se da zona testicular à ovariana. Ctero intra e extracecal,
na porção mediana do corpo. Vagina longa, musculosa, dorsal e paralela à bolsa
do cirro. Ovos operculados e providos de um longo filamento em cada polo.
Poro e.xcretor dorsal, mediano, subterminal. \'esícula e.xcretora tubular, rece-
bendo, de cada lado, dois ramos coletores inccridos cm alturas diferentes.
Habitat: Cavidade nasal de trichecidae.
Espécie tipo: Coehleotretna cochleotrenui Trarassos & Vogelsang, 1931.
85
334
PROSOCEPHALIDAE (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPÍOES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Cochleotrcma cochleotrema Tra\-assos & Vogelsang, 1931
(íig. 90)
Amphutomum fabaceum Leidy, 1891 pp. 413-414 (parttm) tu'c Diesing, 1838.
Opisihotrcnta cochleare Stiles et Hassall, 1894 p. 253, nec Fischer, 1883.
Cochleotrcma cochleotrema Trav. & Vogelsang, 1931 pp. 144-45, figs. 1, 2.
Opisthotrema cochleotrema Pricc, 1932 p. 52, pl. 11, figs. 47-49.
Habitat : Cavidade nasal.
Hosp.: Trichelus manai us, T. latirostris.
Distr. geogr. : Estados Unidos e América tropical.
Evolução : Desconhecida.
Subíamilia choanophorinae Caballero, 1942 emend.
METACETABULiDAE Frcitas € Lcnt, 1938 p. 82.
ciioANOPHORixAE Caballcro, 1942 pp. 81-83.
Diagnose: pronocepiialidae : Corpo alongado com a porção posterior
retráctil; cuticula lisa. Colar cefálico presente ou ausente. Poro genital no
terço anterior do corpo. Testiculos, em número de dois, intracecais, na metade
posterior do corpo. Bolsa do cirro volumosa; vesicula seminal externa, tubular,
enovelada. Bolsa cuticular copuladora presente ou ausente. Ovário localizado
entre os terços médios e posterior, submediano, pretesticular. Complexo da
glândula da casca imediatamente atrás do orário. Útero preovarlano, apre-
sentando numerosas circunvoluções, principalmente na área intercccal, no terço
.nédio do corpo. Vitelinos pouco extensos, formados por íolículos volumosos,
intra c cxtracecais, ao nivel da zona o\-ariana. Ovos com ou sem filamentos po-
lares. Aparelho excretor apresentando, em conexão com a vesicula e.xcretora.
uma parte vestibular ou "vesicula excretora secundária", bem desenvolvida, de
origem ectodermica.
Habitat: Tracto intestinal de quelônios e iguanideos.
Gênero tipo: choanophorus Caballero, 1942.
Incluimos nesta subfamilia quatro gêneros que podem ser diferenciados pela
seguinte chave:
1 — Colar cefálico ausente; ovos sem filamentos polares
Metacetabulum Freitas & Lent, 1938.
<9
Colir cefálico presente; ovos com filamentos polares -
Mcxn. Inst. Botanta n ,
l»:249-372, 1M«.
JOSÉ MANOEL RUIZ
335
2 — “Vestíbulo” simples, testículos situados um atrás do outro
Celtosaccus Giibert, 1938.
.Vestíbulo” bifurcado ; testículos situados um ao lado do outro 3
3 — “Bolsa copuladora cuticular” presente Choanophorus Caballero, 1942
“Bolsa copuladora cuticular” ausente Macravestibulum Mackin, 1930
Choanophorus Caballero, 1942
Choanophorus Caballero, 1942 p. 83.
Diagnose: choanophoeinae : Corpo alongado e cilíndrico; cutícula lisa;
colar cefálico pouco desenvolvido; extremidade posterior do corpo truncada trans-
versalmente e provida de duas in\-agina^ões digiti formes, que s.e extendem até
as proximidades dos cecos (= vestíbulo). Bolsa cuticular copuladora, mediana
e pre-equatorial. Ventosa oral subterminal. Paringe ausente. Esôfago dila-
lado na parte basal. Cecos delgados, laterais, apresentando pequenos diverticuios,
extendendo-se até a zona postesticular. Bolsa do cirro claviforme, mediana, pre-
equatorial. Vesícula seminal externa, tubular e enovelada. Poros genitais se-
parados e próximos, situados na linha mediana e anterior da bolsa copuladora.
Ütero situado na parte média do corpo, entre o ovário ,e a bolsa do cirro. Ovário
postequatorial, à esquerda da linha mediana do corpo. Glândula de Mehlis
postovariana, volumosa. Espermatéca ausente. Testículos volumosos, ovoides,
postovarianos, intracecais. \''itelinos constituídos por dois grupos de foliculos
(15 a 17) volumosos situados nos campos laterais ao nivel da zona ovariana,
extracecais e cecais. Ovos com um dos lados mais plano e providos de um longo
filamento em cada polo. Sistema excretor (?).
Habitat: Tracto intestinal de quelônios.
Espécie tipo: Choanophorus rovirosai Ciaballero, 1942.
Oljserv-ação : Diagnose de Caballero y C, adaptada.
Choanophorus r o vi r o s a i Caballero, 1942
(figs. 91-93)
Choanophorus rovirosai Caballero, 1942 pp. 83-85, figs. 1, 2.
Choanophorus rovirosai, Caballero, 1943 pp. 161-163, figs. 1, 2.
Habitat : Intestino.
Hosp. : Dcrmatemys menvii.
Distr. geogr.: México.
Evolução : Desconhecida.
87
cm
SciELO
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336
PROXOCEPHALIDAB (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BR.\SILEIRAS E RE\nSAO DA FAMÍLIA
M a c r av e s tib ul u m .Mackin, 1930 einend.
MacrazTslibuIum Mackin. 1930 pp. 25-29.
Diagnose: choanophorixae. Corpo pequeno, alongado, extremidade an-
terior lanceolar e posterior arredondada, retráctil. Cutícula lisa. Colar cefálico
bem evidente, interrompido na face ventral. Ventosa oral subterminal, voltada
para a face ventral. Faringe ausente. Esôfago delgado. Cecos simples, dorsais,
passando para fora dos testículos e terminando atrás destes. Poro genital situado
entre os terços médio e anterior, intracecal, à esquerda da linha mediana. Bolsa
do cirro grande, inclinada, contendo cirro e parte prostática; vesícula seminal
externa, tubular e enovelada. Testículos arredondados, situados no terço px)s-
terior do corp)o, com zonas coincidindo parcial ou totalmente e campxis contíguos
ou sup>erp)ondo-se em pane. Ovário arredondado, imediatamente pretesticular,
submediano ou à direita da linha mediana. Glândula de Mehlis coincidindo com
o ovário ou ligeiramente piara dentro a e piara trás deste. Canal de Laurer pre-
sente. Vitelinos compiostos de foHculos volumosos e piouco numerosos, formando
dois cachos distintos acima dos testículos e principialmente nos campios intracecais-
Útero extendendo-se piara cima da zona ovariana, formando numerosas alças trans-
versais, intracecais, atingindo a altura da bolsa do cirro. Vagina musculosa,
tubular. Ovos apresentando um longo filamento cm cada piolo. Poro excrctor
grande, rodeado de musculos, piodendo apresentar diverticulos laterais, situado na
piorção terminal, ^'^csicula excretora consistindo de duas piartes: a mais interna
cm forma de Y ou “vesícula primária”, cujos ramos laterais, um em cada lado,
se unem na região cefálica, e outra, mais externa ou piosterior, comunicando-se
com o meio exterior através o pioro excretor; esta piorção constitui a "vesícula
secundária” ou “vestíbulo”. parte interna é ligada com a vestibular pior meio
de um ou vários orifícios piequenos.
piorção vestibular é bifurcada de modo a constituir duas câmaras laterais,
eversiveis.
Habitat: Tracto intestinal de quelônios.
Espécie tipio: Macravestibulum obtusicaudum Mackin, 1930.
M acrave stibulum obtusicaudum Mackin, 1930
(figs. 94-96)
Macravestibulum obtusicaudum Mackin, 1930 pip. 25-29, pl. II, figs.
Cercaria infracaudata Horsfall, 1930 pip. 42-48, pl. VTI, figs. 1-7.
Macravestibulum obtusicaudum Horsfall, 1935 pip. 78-79, fig. 18.
88
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Mem. Inst. BaUntan.
lS:249-372, 1944.
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Habitat : Intestino.
Hosp. : Pseudemys eUgans (= Pseudemys Iroosti), P. concinna, Graptemys
geographica, G. pseudogeographica.
Distr. geogr. : Estados Unidos, (Okiahoma).
Evolução: Por uma interessante coincidência, Maclán descreveu a forma
adulta desta espécie à pg. 25 e Horsfall a forma larvária à pg. 43 da mesma
publicação. Em 1935, Horsfall estabeleceu a relação entre as duas formas,
mostrando que Cercaria infracaudata se desenvolve em Macravestibulum obtsttsi-
caudum. A forma lairária foi encontrada em Goniobasis Uvesccns tricta. nos
Estados Unidos.
Macravestibulum eversum Hsü, 1937
Macravestibulum eversum Hsü, 1937 pp. 480-501, pl. 1, figs. 1-14, pl. 2^
figs. 15-35.
Habitat : Intestino.
Hosp.: Graptemys geographica (exp.).
Distr. geogr.: Estados Unidos, (Michigan).
Evolução: O ciclo biológico e estudo detalhado das várias fazes, foi feito
por Hsü, em 1937, nos Estados Unidos. O hospedeiro intermediário é GoniobasU
lhescens.
M etacetabulum Freitas & Lent, 1938 emend.
Metacetabulum Freitas & Lent, 1938 p. 82.
Diagnose: choanophorinae: Corpo de tamanho médio; extremidade an-
terior afilada, achatada e formando uma cavidade cm forma de canòa, na parte
vcntral, em cuja base se localiza o poro genital ; daí para trás o corpo é cilíndrico ;
a porção posterior é retráctil e com um diâmetro sensivelmente menor. Cutícula
lisa. Ventosa oral terminal. Faringe ausente. Esôfago curto e delgado. Cecos
dorsais, longos, passando para fora dos testículos, quasi atingindo a extremidade
posterior do corpo que, quando invaginada, produz um preguamento mais ou
menos pronunciado deles. Bolsa do cirro muito desenvolvida, geralmente tortuosa
em forma de C ou S, contendo cirro, e parte prostática, envolta por densa camada
glandtilar. \^csícula seminal externa, tubular, enovelada. Testículos arredon-
dados, postequatoriais, com campos coincidindo e zonas em contacto. Vagina bem
desenvolvida, sinuosa, envôlta por camada glandular densa. Ovário arredondado,
dorsal, pretesticular, intracecal. Complexo da glândula de casca situado atrás
Macraz-fslibulum kepneri Jones, Mounts et Wolcott. Habitat: intestino delgado de
Pseudemys troostii e P. lexana, Est Unidos. Pide rodapé da pg. 30.
S9
cm
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33g FROKOCEPHHLIDAE (TREUATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BK.\SILCtRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
do ovário. Canal de Laurer presente. Esperniatéca ausente. \'iteHnos consti-
tuídos por folículos volumosos, arredondados, intra e extracecais, entre as zonas
o\-ariana e equatorial. Útero intracecal, preo\-ariano, formando numerosas alças
transversais que atingem a parte basal da bolsa do cirro. Ovos elipsóides, oper-
culados, apresentando uma pequena saliência mamiliforme em cada polo. Poro
excretor terminal. \'^esicula excretora dividida em duas partes distintas ligadas
por um orifício central: uma parte mais externa, “vestíbulo” ou “vesícula se-
cundária”, correspondente à porção retráctil do corpo, e uma porção interna ou
“vesícula primária”, que se bifurca em forma de Y, cujos ramos se dirigem para
a frente e, na região cefálica, emitem várias ramificações, formando um conjunto
anastomosado característico.
Habitat: Tracto intestinal de quelônios.
Espécie tipo: Melacetabulum tnvaginaítitn Freitas & Lent, 1938.
Metacetabulum invaginat n m Freitas & Lent, 1938
(figs. 37-S7)
Metacetabulum im-aginatum Freitas & Lent, 1938 p. 83, pl. 4, figs. 1-3, pl. 5,
figs. 1-2.
Habitat: Intestino delgado.
Hosp. : Chelatie mydas e quelônio (sp. ?).
Distr. geogr. : Rio de Janeiro e Santos, Brasil.
Evolução : Desconhecida.
Getiosaccus Gilbert. 1938 emend.
Cetiosaccus Gilbert, 1938 p. 100.
Diagnose: ciioanophorinae: Corpo alongado; extremidade anterior com
uma depressão ventral; cutícula lisa; colar cefálico pouco desenvolvido. Faringe
ausente. Esôfago delgado. Cecos simples, longos, passando paW fora dos
testículos e terminando atrás destes. Poro genital mediano, situado no terço an-
terior do corpo. Bolsa do cirro globóide; vesícula seminal externa, tubular, eno-
velada. Testículos arredondados ou ovalados, situados na metade posterior do
corpo, com campos coincidentes e zonas afastadas. Ovário esférico, mediano,
pretestiailar. Glândula da casca postovarhna. Espermatéca ausente. Canal de
Laurer presente. Vitelinos foliculares distribuídos em dois campos laterais, intra
e extracecais. preovarianos e postequatoriais. Útero muito circunvoluido, intra-
90
Mcm. Inst. Bntantan.
I»;249-372, 1946.
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cecal. extendendo-se desde a zona ovariana até a base da bolsa do cirro. Vagina
á esquerda da bolsa do cirro. Ovos com um longo filamento em cada polo. Poro
excretor terminal. \''esicu!a excretora muito volumosa com paredes muito ondu-
ladas, ocupando a quinta parte ou mais da extremidade posterior do corpo (des-
crição de Gilbert) ; ramos coletores simples, unindo-se na região cefálica.
Habitat : Intestino de Iguanideo.
Espécie tipo: Cetiosaccus galapagensis Gilbert, 1938.
Cetiosaccus galapagensis Gilbert, 1938
(figs. 97-99)
Cetiosaccus galapagensis Gilbert, 1938 pp. 98-101. pl. 12. figs. 9-11.
Habitat : Intestino.
Hosp. : Amblyrhynchus cristatus.
Distr. geogr. : Ilhas Galapagos.
Evolução : Desconhecida.
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95
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
ScíELOiIq
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
L
cm
ABREVIAÇÕES USADAS NAS OGURAS
At = átrio genital, Avs. = antecâmara da vesícula seminal, Bc = bolsa do cirro, Cex =
canal excretor, Cir = cirro, CL = canal de Laurer, De = dueto ejaculador, Dma = dila-
tação musculosa anterior (da %-agina), Dm/> = dilatação musculosa posterior (da \-agina).
Clf‘ = glândulas penianas, Gh = glândulas peri vaginais, GM = glândula de Mehlis,
Gf = glândulas prostâticas, Ov = ovário, Pex = poro excretor, Pp = parte prostática,
Pge = poro genital, Pb = parte basal (da s-agina), T = testículo, I-'a = vagina, Vest =
vestíbulo, Vex = vesícula excretora. Vil = vitelinos, Vs = vesícula seminal.
Mem. Inst. Batantao,
J9:249-37>, 1946. JOSÉ MAXOEL RUIZ 347
F.«. 5. 6 tct,,.. (I^ ,,01). Vin. .oUl . ponneoar da boI« do
termo. Lam. 9.M8 do In,t. O. Crua. Orijinal.
cm
348
PROSOCEPHAUDAE (TREMATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
FiCS. 7, 8 — PromoctfkaJus triffon^cffkaimr Ix>o»s, 1899. Vista total e porrocnor da extremidade ante-
rior. Segundo Mehra (1939).
FiC. 9 — Pranocefhalmj trig^n^cepkalus Looss, 1899, segundo Loosss (1899).
Fic. 10 — Prttnoce^kaJus triçoiwf^halMS Looas, 1899, segundo Looss (1902).
Fic. 11 Prorufctfhalus trigonoce^kalut Looss, 1899, segundo Oguro (1936).
1 SciELO
100
Mem. Injt, Butantan,
1»:249 372, 1946.
JOSÉ MANOEL RUIZ
349
FiCl. 12, 13. 14
Pr^rtkalms minutu, ,p. Vi.ta toul (12); deulbe do coUr
ccfahco, n«ta Tcntral (13) o dor«aI (14). OrirnaL
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
35Ü
Ficí. 15. 16
Fics. 17. 18
Fic, 19
Fics. 20, 21
— - Proiwepíutlms triçowcefhalut Looss. 1899. Totâl e oro. Col. Insf. Butanian. OrtRinal.
— Pyehstrmmm crassum (l^oosf. 1901). Vi»U toíal (17), pormenor da bolsa do cirro e oic-
tmtcrmo (18). Lam. 9.772, col. Inst. O. Crur. Onrinat.
— Plruropcnims Umraris I,ooss, 1901. Vista total. Col. do Inst. Batantan. Original.
— Crirocett^Ims alhms (KuM et xon Hasselt, 1822). Vista total (20). pormenor da bolsa do
cirro e metratenoo (21).
PROSOCEPHALIDAE (TREMATODAK ESTUDO DAS ESPf Cn;S
BRAS1LEIR.\S E REVtS.\0 DA FAMÍLIA.
cm
Mcm. Inst. Butantan,
19:249-372, 1946.
JOSÉ MANOEL RUIZ
.Í51
Fic. 22 Promocep'haJms trig^tuKrphsims Looss, 1899. Microfotografia do exemplar da fiipura 15.
Fic, 23 — Plruroçonimj lin^^ris I..oosft, 1901. Míerofotofrafía da exlremidade anterior, face ventraU
Fic. 24 — PUnroffonini linearis Loo»*, 1901. MicrofotORrafia do exemplar da figura 19.
1(13
1 SciELO
352 PHO^OCEPHALIDAE (TREMATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Fic. 25 — CrUixtpkaUí albus (Kuhl tt Ton II«Klt, 1822). ToUl. Ktnodo Loom (1899).
FiC. 26 — Pytlojomitm cotklear Looss, 1899. ToUl, Kguodo Loom (1899).
104
cm
Fic- 27
Fic. 28
Fic. 29
Exiuctna demonstrando
(I) - P ZIÜJ-JT'' *** poMção do poro groital do jídcto PUuroço
^T's::::jrz:TcJrzjr: --
Ficí. 30, 31 — Plemregcnius Ufugiusentui Ij».. loni * ...
inrtratj . L -. /n\ T ’ \ iiu total (30), porTnesx>r da bolsa do dn
«tratem» (31). Um. 9.770, c»I. I„,l O. Cma. Oripnal.
JOSÉ M.\.\OEL RUIZ
Mem. last. Butantau,
19:249-372, 1946.
cm
ScíELOl'o
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
L
cm
Mcm. Inst. Butantan,
15:249*372, 1946.
JOSê MANOEL RUIZ
355
*
Fic. 35 — PUxTogoniuj triçonoctfhatxt (Rudolphi. 1809). Viita total. Cópia do
dcscnbo de Brann (1901).
Fig. 36 — ParamoKOitomum ionorxt TraraMoi 1921. lemindo Travassos (1921).
107
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
cm
356
PROXOCEPHALIDAE (TREMATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Fic». 3“, 38 — Meiacttabmlum inx-cçinatum Freitas e Lent, 1938.
trenudade anterior mostrando os canais excretores (38). Ori^nal.
Fici. 39 a -ir — MetacctaòmÍÈtm invagÍMlMm Freitas e Lent. 1938. Série de cortes transversais de virias
regiões (indicadas pelas flexas). Desenbo esquemático feito em câmara clara, na mesma
escala. A seriaçao dos cortes segue a ordem numérica. Original.
1 SciELO
108
Mcxn. Inst. Bntantan.
19:249-372, 1946.
JOSÊ MAXOEL RUIZ
Fict 48. 49
Fic». 50. SI
— .UrtoírtaSn/.m imtytfnnctmm FrriUi * Lcnt. 193*. orte* longilndiiui» do mesmo exempUr.
Original.
— Mrlaertabulum imraffinafm Freitas e Lent. 193». Cortes lonjitudinais do mesmo eiempUr;
vista antrrior (50) e posterior (51). Câmara cUra. Original.
cm
358 PROXOCEPHALÍDAE (TREilATODA). ESTUDO DAS ESPÊOES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Ftcs. 52, 53, 54 — Mrlaectaiulmm im-airimaltm Freitas t Ltnt, 1938. De-
senhos da extremidade anterior, rista ventral, de exem-
plares não comprimidos (52-53): detalhe do oririo e
complexo da glândula da casca, hascado em cortes histo-
lógicos (54), Originais.
cm
Mcm. Inst. Batantan,
15:249*372. 1946.
JOSÉ MANOEL RUIZ
359
FiCí. 55, 56, 57 Urtaertabulum imzaffimatxm Frctus e Leni. I9JÍ, «efundo Freita» e Leni (I95t).
Virtai lotai» (55-56) e oro (57).
111
*
2 3 4
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
cm
1’KOXOCEPHAUDAE (TREM ATO DA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
360
Sudacotyle trrtius Trava»**», 1939, scstmdo Trava»»o» (1939). Reprodts^ão do orifinaL
Fict. 5S a 61
SciELO
Mnn. Inst. Batantar
l*:’49-3r2. 1946.
JOSÉ MAXOEL RUIZ
Fic. 62
Fic». 63, 64
FiC. 6S
— SuittcotjU navicia Barkcr. 1916, Ksunio Barker (1916).
— SudacotyU vaídrvaçimatui Trava.»., 1922. Ksundo TravaMOt (1939). Rc
prodc^ão do ofi|fi nal.
\cocciyU ntocotyU Travassos, 1922, scgondo Travassos (1959). Rcf^rodução
orifinaL
cm
362 PROSOCEPHALIDAE (TREMATODAj. ESTCDO DAS ESPtClES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Fic. 66 — AdcMffajttr jrrtaiu Locas. 1901, segundo Locas (1902)
Fia 67 — Pyrltjomum rtnKa^itf (Leidy, 1856), segundo Braun (1901)
FiC. 68 — Ckarasietfkalms rebujtus Looss, 1901, segundo Locas (1902)
SciELO
Mem. Inst. Batantan«
19:249-372. 1946.
JOSÉ MANOEL RUIZ
FiC. 69
FiC. 70
— Trtopma atl-Ueiirctfj (MacCalIum. 1917), >rsiin<io Príct (19J1).
— Knigniiií oríntalü Mrhra, I9J9. acipindo Mrhra (1939).
Fics. 71. 73. 73 — Ignamuola imtricMlarii Gilbert. 1938. Viita loul (71). atprcto rairnio (72) r por-
menor da boI«a do cirro c mctrairrmo (73). Rrproducâo do original dc GíB. rt (1938).
cm
PROXOCEPHALIDAE (TREMATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Fic. 74 — Diaukijlorrhh foiitlii/ (Braon, 1901), segundo Pratt (1914). (= Wildrria elíptica).
Fic. 75 — niatchiilmkis fíinilus (Braun. 1901), segando Johnslon (19IJ).
FIC. 76 — DúuckiAvrckii fanJui (Braan. 1901), segando Braun (1901).
cm
2 3 4 5 6 7
11 12 13 14 15 16 17
Fic. rr — Dcsmogoniut ifjmoçoniut Slrphrni, 1911, Kxundo Stn;!i«u (1911).
Fic. 78 — Stofr(rnocttkalus triamgularij Mchr», 1932, srsunlo Mchra (1932).
nr
3^ PROXOCEPHAUDAE ( TREitATODAj. ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASIEEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Fic. 79 — Xotocolylms allrnuatmí (Rud. 1809). KguDdo L. e U. Sridjt (I9JJ).
Fic. 80 — OgmocolyU fygargi Skrj. et Schuli, I9JJ. legnodo Skrj. e Schali (1931).
Fic. 81 — ParamonoAomam ahxatam (Mehlis ía Creplin). scíundo Moehliiw (1893).
Ficí. 83. 83 - Catalrofh trrrama (Froelich. 1?89), lesando Odhner. la Bayli» (1939).
Fic. 83 ^ Oaingutsrrialh qaiaqacstrialis (Barker et Laughlin. 1911). legundo Barker (1915).
cm
Menu lost. Butantan,
19:249-372, 194€.
JOSÉ MANOEL RUIZ
367
I
>o
FfC. 85 — Hofmonú$i9m*m himanlo^odit
Ifarwooii. 1939, tepiodo Hxr*
wood (1939).
119
SciELO'o
12
13
15
370 PROSOCEPHAUDAE (TREMATODA). ESTUDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
Fics. 91, 92 ChoúMothvnij nn-iresai Caballcro. 1942. Vista total do earniplar tipo (91) e oto (92).
Segundo Caballero (1942).
Fic. 92 Choanofkorms rofiVosai (ral>alIero, 1942. Exemplar joeem. Segundo (^ballero (1943).
SciELO'o
2
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14
15
16
L
cm
37^ PROSOCEPHALJDAE (TREMATODA). ESTCDO DAS ESPÉCIES
BRASILEIRAS E REVISÃO DA FAMÍLIA
FiCS. 97» 98. 99
^ Cfiioscccns o^tapcgensis Gilbert, 1938. MsU total (97), pormenor da bolsa do cirro *
(98) e vista vcntral da extremidade anterior (99). Setnxndo Gilbert (1938). Reprodu* '
Câo do original.
cm 1 2 3 4 5 6 7
SciELO