Memórias do Instituto de Butantan
Seccão de Botânica
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Vol. I - Fase. I
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Comp. Melhoramento* de S. Paulo
C«jrin». S. Pulo e Ri*
INTRODUÇÃO
A família natural das Leguminosas salienta-se de entre as demais pelo grande
número de espécies úteis em todos os sentidos, achando-se representada em todas
as formações vegetativas, tanto entre as herbáceas como cm meio das lenhosas. As
mais belas trepadeiras, que se enleiam pelas árvores, os gigantes das florestas, que
nos fornecem as madeiras mais preciosas e, às vezes, quási incorruptíveis, assim
como as minúsculas Cassias, que atapetam o solo, além das vistosas Calhandras
e A 'cptunias com que decoramos os nossos jardins, tõdas são membros desta gTan-
de família, que alguns autores prefeririam ver dividida em três.
As melhores madeiras, as essências mais preciosas, os mais úteis legumes,
alêm das sementes mais indispensáveis na alimentação do povo, e as belas árvores
de sombra, tudo é encontrado nesta enorme e rica família vegetal.
Excelentes plantas forrageiras se encontram entre as Leguminosas, em quási
todos os géneros, sendo incontcstávelmentc, de muitos deles, as melhores c as mais
úteis. Elas fornecem não só uma forragem verde muito boa, mas ainda o melhor
feno para a alimentação do gado durante os meses cm que a verdura escasseia ou
em logares onde aquela é difícil de ser obtida. E, quási tòdas, fáceis de cultivar c
aperfeiçoar, fornecendo resultados magníficos.
Não são exclusivamente as espécies herbáceas ou arbustivas as apreciadas
pelo gado ; muitas arborescentes existem cuja folhagem é à vidamente devorada por
êste c que nas grandes secas constituem o recurso único para a sua manutenção.
Neste número estão muitas espécies de Piptadrnias, Mimosas, Cassias,
Bauhinias, Dalbergias, Ingas, Machaerios, Pithecohbios, Acaeias c outras.
Considerando-se esta multiplicidade de espécies forrageiras compreendidas na
grande família natural das Leguminosas, c sabendo-se que na flora do nosso pais
esta se acha, talvez, mais bem representada que na de qualquer outro, fácil é con-
ceber-se que também aqui devem existir muitas, úteis e aproveitáveis como as
«Alfafas,» dos géneros Medieago, Mrli/otus, Trijolium c outros, exóticos, já culti-
vadas em grande escala para o preparo do feno, consumido cm todos os países do
mundo na alimentação do gado vacum c cavalar cspecialmente. Existem espécies
indígenas, até hoje inaproveitadas entre nós, que cm matéria alimentícia e facili-
dade de aperfeiçoamento pouco ou nada ficam a dever às espécies dos géneros
exóticos citados. São cspecialmente as dos géneros Meibomia. Mokhk. ( Drsmodium ,
Dksv.), Crotalaria, L, Zomia, Gmki... Stylosanlhes, S«'., Arachis, L. c de outros
afins, mais ou menos herbáceas, que poderiam ser aproveitadas com grande van-
tagem para fornecer não só magnifico pasto verde, mas também o feno para alimen-
tação do gado em estábulos durante os meses em que difícil se torna a sua
manutenção com forragem fresca, livrando-nos assim da grande despesa feita anual-
mente com a importação de forragem estrangeira e contribuindo para a nossa
emancipação económica.
Saber quais as espécies que mais vantagem poderiam oferecer e onde encon-
trar sementes para o ensaio da sua cultura e aperfeiçoamento, eis onde está o X
da questão. Não falta por ai quem tenha proclamado aos quatro cantos da terra,
pelas colunas dos jomaes ou ainda cm frases floreadas de belos discursos, que a
nossa flora é a mais rica do mundo, que encerra tudo o que a Natureza poude
produzir, às vezes sem conhecer mais que as capitais do nosso torrão. Estamos
fartos de ouvir estes louvores infundados e sem proveito. Passemos da palavra à
acção : que cada um de nós, que nos interessamos rcalmente pela grandeza e desen-
volvimento da nossa Terra, procure conhecer aquilo que de aproveitável ela encerra,
que estude c exponha desse estudo os resultados, de maneira que possam ser utili-
zados práticamente pelos interessados, eis o que deve substituir as palavras (Vas
ou vazias com que temos procurado até aqui nos enganar mutuamente.
6
Leguminosas forrageiras do Brasil
Entre aqueles que se dedicam ao estudo da Scientia Amabilis, somos dos
que não poupam esforços no sentido de desenvolver o gôsto pelo estudo e o amor
às cousas indígenas. E’ rica a flora do nosso Pais, não basta pois que o repitamos
ao nosso patrício. Sendo a mais pujante e bela, a mais variada do globo, deve
dar-nos o estímulo de estudarmo-la em todos os seus detalhes e em todo o seu
conjunto, mas somos em número reduzido demais para conseguirmos êste objectivo,
tornando-se mister que outros moços tenham o interêsse despertado para êste belo
e compensador estudo, e que de entTe os próprios filhos desta Terra surjam os
seus botânicos.
Deve nos envergonhar o facto de termos até hoje sido meros espectadores,
pois tudo, ou quási tudo, que conhecemos da nossa flora devemos aos estrangeiros,
que fartos de conhecerem a flora pátria atravessam o oceano para nos presentearem
com obras sôbre a nossa. E, verdade se diga, até as obras didácticas adoptadas
aqui são o fruto do labor deles, trazendo por isto exemplos de espécies exóticas,
que raras vezes o aluno compreende ou pode examinar em vivo.
O presente trabalho é uma pequena contribuição ao estudo das Leguminosas
forrageiras indigenas. E’ o resultado de observações e estudos feitos em viagens e
depois no gabinete, enriquecido com as observações de outros autores e completado
com as análises químicas de muitas espécies, realizadas por especialistas de reco-
nhecida competência.
Compreende as espécies indígenas do género Meibotnia, Mokhr., que na
«Flora Brasiliensis> de Martius e várias outras obras ainda se acha registado sob
o nome de Desmodium, Desv., que por ser mais recente, como veremos adiante,
deve ser substituído.
Para maior facilidade e mais alcance, preferimos enumerar e descrever tõdas
as espécies indigenas do género conhecidas até esta data, pois que, embora algumas
tenham insignificante valor para cultura, representam por outro lado papel impor-
tante na formação dos pastos nos chapadões e campos sêcos. Desta maneira tor-
nar-se-á também mais facil a identificação de cada espécie, assim como a das novas
que naturalmente ainda virão a ser descobertas.
Não ignorando a dificuldade que o leigo na Botânica encontra para identi-
ficar um vegetal qualquer, por mais bem feita que seja a sua descrição, justamente
por lhe faltar o conhecimento dos nomes técnicos das várias partes componentes
da planta, resolvemos juntar um quadro cm que indicamos, por meio de desenhos,
os diferentes órgãos desta que entram em consideração nas descrições.
Por motivo idêntico e para evitar quaisquer dúvidas por parte dos técnicos
que se utilizarem do presente trabalho, juntamos de cada espécie que conseguimos
examinar uma estampa tão nítida quanto possível com os parcos dotes artísticos de
que dispomos.
Que esta pequena contribuição possa servir de estímulo aos colegas e que os
agricultores ou criadores possam dela tirar proveitos que redundem no engrandeci-
mento da querida Pátria, são os nossos votos sinceros.
Ao Dr. Afranio do Amaral, que tomou a sí a parte ortográfica e ao Sr.
Euclydes da Costa Soares que ficou encarregado da revista deste opusculo, apresen-
tamos sinceros agradecimentos.
«r
1
*
CUIDADOS CULTURAIS
A cultura de qualquer das espécies de Mcibomia poderá ser
iniciada com uma ou poucas sementes. _ .. .
Parecerá talvez absurda a alguém esta nossa asserçao. Mais
péciès rilvcSS/pendo ainda advir a
STS* SíZSgTftft jK
colhei- á tarde os frutos daquilo que trabalhosas e difíceis
Perguntamos, poré m: ^áo to mmjgua^ontc vt ,
para os nossos antepassados a uitioum, nara 0 s
rias espécies animais e vegetais que hoje nos servem para
cessarias a uma cultura maior e mu hore s resultados,
ampliada de ano para ano, deixando cuia vez memores re u
F^te nroces^o é o que devemos aconselhar a todos, porque
„ão ^uSSòX , »~. fZtSJTSZ
para os ensaios de culturas. Além ( ^ • „ ran des prejuízos,
tasen, de ensinar pel» a cShecer !.s varias
Em poucos exemplares fucil t apruu . nt _ trazendo-nos
exigências » imm.go*
ainda êste processo a convicção do nosso vai 1 1 cons .
quanto podemos conseguir perseverando
titui um verdadeiro e salutar estimulo. .
s«. isto afirmamos é porque nos aconselha a expencneia. Mais
dr um «enílo. í"Sn, ,ffiriarans citar, de ou, ma que venceram
pela constância e grandes benefícios legaram ao I uiz.
Olhamos hoje com certo orgulho para a grande cultura do
Chcnovodium que temos em Butantan, nao só porque ja nos foi
neecí/ muitos kilos de oleo essencial, mas ainda por nos lem-
brarmos nue tudo aquilo foi o resultado de um punhado apenas
Se sementes mandadas colher de exemplares silvestres que m
desenvolviam nos monturos dos arredores daquele Instituto, ha
sómente três anos.
A cultura de
iniciámos no Horto
várias espécies de Mcibomia , que para ensaio
« Osvaldo Cruz », foi igualmente começada com
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Leguminosas forrageiras do Brasil
poucas sementes, mas temos certeza que, se continuarmos, em pouco
teremos sementes para distribuir a todos que tiverem desejo de
fazer grandes culturas dessas espécies forrageiras.
Em terrenos mais ou menos férteis o cultivo das espécies
de Meibomia dá muito pouco trabalho e dispêndio. Elas vegetam,
porém, igualmente em terrenos mais sêcos e quási estéreis, desde
que êstes sejam adubados e preparados convenientemente.
O melhor processo para cultivá-las consiste em arar e adubar
o terreno perfeitamente e abrir depois disto pequenos sulcos pa-
ralelos nos quais se espalham as sementes. Os sulcos não devem
ser muito profundos, variando a distância entre eles de acordo
com o maior ou menor desenvolvimento da espécie a cultivar.
Paia as espécies meio arbustivas o arbustivas, como são a
Meib. discolor, (Vog.), Meib. pabularis, Hoehke e muitas outras,
aconselha-sc também fazer pequenos viveiros para, depois das
mudas terem atingido de 15-20 cm. de altura, transplantá-las para
o local definitivo, pré viamente podadas à uma altura de mais ou
menos 10 cm. do caule (vide fig. 1), assim devendo ser plantadas
em leiras de 80-100 cm. de abertura e na distância de 40-50 cm.
de planta para planta.
E' sempre aconselhável descascar-se as sementes antes de
atirá-las à terra, mas, em espécies em que esta operação se torna
difícil e morosa, pode-se desarticular os legumes e submergi-los
em agua limpa durante um a dois dias para facilitar a germinação,
que, no primeiro caso, se verifica, em regra, do 5.° ao 20.° dia
da semeadura, e no último um pouco mais tarde, variando tudo
de acôrdo com a época do ano e o maior ou menor grau de hu-
midade a que forern expostas as sementes.
Para o nosso clima a melhor época do ano para as sementeiras
das Meibomias é a que decorre de Agosto a Outubro, quando
as plantas melhormente se desenvolvem, sendo ainda aconselhável
que a transplantação seja feita na mesma época.
A cultura em leiras leva vantagens sòbre a de lance, por
facilitar muito a extinção das hervas daninhas, regas e a colheita,
quer das sementes, quer do material, facilitaudo ainda, nas grandes
áreas, a limpeza por meio da carpideira.
A duração e o número de cortes que cada planta pode sofrer
depende da espécie cultivada e ainda do fim para que é destinada.
Sendo aproveitada como forragem verde, é de conveniência deixar
a planta desenvolver-se bem antes de cortá-la; para o preparo
do feno, porém, a colheita deve ser realizada logo que a planta
tenha atingido a altura útil para o fim, e sempre antes de florir.
Para o último caso quási tôdas as espécies dão do três a quatro
cortes por ano, como aliás já foi verificado pelo Dit. MArio Calvino,
de Havana, na Meib. discolor , (Voo.), por elle dada como Meibomia
hiocarpa, (Dox.).
As espécies que mais so prestam para o preparo do feno
são: Meib. incana, (D. C.), Meib. albiflora, (SalzM.), Meib. adscen -
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. I 9
dens, (D. C.), Meib. uncinata, (D. C.), Meib. pabularis, HOEHNB e
Meib. discolor , (VOG.).
Em simbiose com as espécies de Leguminosas vivem pequenas
Bacteriáeeas do género Bacillus, COHN'., que alguns autores con-
sideram representantes de várias espécies, mas outros, os prin-
cipais, classificam como formas do Bacillus radicicola, Beyer.,
graças às quais estas plantas conseguem medrar em terrenos quási
completamente esgotados de substâncias nitrogenadas, pois que as
bactérias que se desenvolvem em suas raizes, onde formam pe-
quenos nódulos ou espessamentos, teein a faculdade de fixar o
nitrogénio da atmosfera. Sem estas bactérias tais plantas não se
desenvolvem bem, sendo por isso preciso que no terreno em
que se as queira cultivar existam aqueles micro-organismos.
Quando se verificar que as mudas não teein os nódulos de-
senvolvidos nas raizes, é prudente juntar-se-lhes um punhado
de terra recolhida de algum exemplar espontâneo, o que é bastante
para facilitar- a simbiose na maior parte dos casos.
O corte das plantas deve ser sempre realizado rente ao chão,
sendo aconselhável fazer passar, depois de cada corte, a enxada
ou o arado entre as leiras para afofar e ventilar o solo e per-
mitir a penetração das águas da chuva.
O preparo do feno é mais ou menos idêntico ao da alfafa,
isto e, realizado o corte, a planta jrerinanece no campo o tempo
suficiente para secar, sem estorricar, e sempre defendida da chuva
ou do sereno demasiado, sendo depois recolhida c guardada sob
telheiros bem ventilados, ou enfardada para a exportação.
Meibomia, Moehk.
As espécies da familia natural das Leguminosas, que na Flora
Brasilicnsis de Martius, no Engler á Prantl, Xatfirlicho Pflanzcn-
familien e várias outras obras básicas estão citadas e descritas
sob o nome de Dcsmodium, proposto por DeSVaux cm 1813, per-
tencem e devem ser subordinadas, conformo demonstraremos adi-
ante, à Meibomia , nome que goza de prioridade j>elo facto do ter
sido proposto em 1736 e reeditado em 1763, isto é, exactamente
õO anos antes daquele.
Os vários sinónimos propostos para espécies que compõem
êste género, seguem aqui pela ordem cronológica:
1736 — Meibomia, Moehb. (Moehr., Hort. priv. 6õ).
1763 — Meibomia, Heist. (Heister, ex Adanson, Eam. II, pag. 509).
Outros ha que dão a Adanson a autoria do género.
1787 — Edusaron, Medik. (Medicus, in Vorles. Churpf. Phys. Ge6.
II, pag. 671).
1812 — rteurolobus. St. Hil. (Jaurrie SainPHilaire, Xouv. Buli.
Soc. Phil. III, pag. 192).
1813 — Desmodium, Desv. (Desvaux, Joum. Bot. I. pag. 122 tab. 5).
1813 — Phyüodium , Desvaux (Desvaux, Jour. Bot. I, pag. 123,
tab. 5).
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Leguminosas forrageiras do Brasil
1825 — ' Pcrrottetia, D. C. (De Candolle, in Annal. Soc. Xat. Ser.
I, IV, pag. 25).
1825 — Diccrna, D. C. (De Candolle, in Mem. L eg., pa g. 326 et
Prodr. II, pag. 339).
1825 — Skolsonia, D. C. (De Candolle, Mem. Leg. pag. 311, tab.
51 et Prodr. II, pag. 325).
1825 — Pteroloma, D. C. (De Candolle, Prodr. II, pag. 326, in
fcextu).
1830 — Tetranana, Sweet. (Sweet. Hort. Brit. ed. II, pag. 149).
1836 — Tropitoma , Rafin. (Rafinesque, New Flor. Am. II, pag. 19).
1838 — Oxydium, .7. J. Bknn. (J. J. Bennet. Plant. Jav. Rar.,
pag. 156).
1838 — Ototropis, Xees. (Xess, Del. Sem. Hort. Vratels).
1839 — Ototropis, (Coxferido) (Linnaea, vol. XIII, pag. 120).
1840 — Dollincra, Exdl. (Endlicher, Gen. et Sp. Plant., pag. 1285).
1840 — Edusarum, Steud. (Xom. ed. 2, I, pag. 543).
1842 — Codariocalyx, Hassk. (Hasskarl, Flora. XXV, II Reiblatt
48) o antes (1841) Codariocalyx, Hassk. conf. Linnaea XV,
Litt, 80 e 81.
1843 — OycUmorium, Walp. (Walpers, Rep. II, pag. 890).
1850 — Sagotia, Walp. (Walpers, Linneae, XXIII, pag. 737).
1852 — Dcmlrolobium, Bth. (Bentham, in Miq. Pl. Jungh. I, pag.
215).
1852 — 'Ftcroloma, Bth. (Bentham, in Miq. Pl., pag. 219).
1852 — Catcnaria, Bth. (Bentham, in Miq. Pl. Jungh. I, pag. 220).
1857 Lagotia, C. MüELL. (C. Muellenberg, in Walpers Ann. IV,
pag. 409).
De acordo com a loi de prioridade, que devo ser respeitada
por todos os homens do bom senso, deve ser adoptado e estabe-
lecido o nome proposto por Moehkic. O próprio Dr. Taubert, autor
da Monografia das Leguminosas no «Die Xatürliche Pflanzen-
familien, de Engler A Prantl, escrevendo Dtsmodium , Desv., afirma
reconhecer o direito daquele autor, justifica-se, porém, dizendo
que ninguém o entenderia se fizesse como O. Kuntze, quando pro-
curou restabelecer o nome Meibomia , Moehr. Isto, porém, de modo
algum revoga a loi estabelecida e aceita por todos os homens de
sciência, que declara sinónimos todos os nomes propostos para
qualquer principio, espécie ou género já descrito e publicado an-
teriormente.
Quanto à cláusula da Convenção Internacional, que declara
ca ido em desuso o nome proposto que por mais de 50 anos te-
nha ficado em olvido, devemos oonfessar que se nos afigura muito
prática, porém, pouco justa, além de que não conseguimos pôr
a limpo a sua aplicabilidade ou inaplicabilidade neste caso, em
que o nome hoje mais usado surgiu exactamentc 50 anos depois
de ter sido ainda registado como aceito por AdaNSON e Heister
(Adans. Fam. II, pag. 509) o primitivo nome proposto.
An. das .Mem. do Instituto de Bulantan — Vol. I - fase. I 11
A lista de sinónimos que acabamos de dar refere-se ao género
todo; os sinónimos das espécies que aparecem no Brasil enumera-
remos com as respectivas descrições destas.
Das lõO ou mais espécies descritas, apenas 26 são indicadas
como indígenas, e sóbre a autenticidade de algumas destas ainda
pairam sérias dúvidas; é por isto natural que mais tarde estas
dúvidas venham a ser resolvidas e também que outras espécies
sejam descritas: das actualmente aceitas como boas c por nós
examinadas daremos aqui uma descrição sucinta para que ao agri-
cultor ou criador seja possível identificá-las para o seu cultivo
e aproveitamento.
Caracteres botânicos do género Meibomia
No «Die Natürliche Pflanzenfamilien de Engler & Prantl, vol.
III, 3, o professor Dr. Taubert coloca o género Meibomia, MoEUR
( Desmodium, De-sv.) na secção Hedysareae Desmodiinae da sub*
familia das Papilionáceas, fam. das Leguminosas. Os seus géneros
mais afins são exóticos, tendo no Brasil mais afinidade com Sty-
losanthes, S\v., Cranocarpus. Btil, Ararhis, LlSX c Zornia , Gmei,.
o poucos outros da secção Hedysareae, da Flora Brasiliensis de Mar-
tius, os quaes se caracterizam igualmente pelos frutos ou legumes
articulados ou lomentáceos, isto é, divididos mais ou menos em
secções transversais que podem ou não se separar antes de abri-
rem. Quási todos se compõem de espécies forrageiras.
As Meibómias se caracterizam polo que segue:
Arbustivas ou sub-arbustivas. erectas, rasteiras ou algo os-
candentes, em regra mais ou monos revestidas de pólos pouco
distintos e, ás. vezes, uncinados ou ásperos. Folhou compostas ou
simples, uni a trifolioladas. Foliolos do par inferior ou laterais, em
regra, menores que o terminal, no meio ou pouco acima tio meio
do peciolo comum, este de comprimento variável e cada foliolo
munido de peciolulo com pequenas estipulas em sua base, o jieciolo
comum igualmente sustido em sua base por duas estipulas variáveis
em tamanho e não raro caducas. Flores relativamente pequenas,
em regra dispostas, solitárias ou geminadas nas brácteas, cm pa-
niculos ou ra cimos terminais, raro em racimos axilares ou ainda
cm fascículos de 2-4 nas axilas das folhas ou opostas a estas.
liracteas antes da ántese não raro estrobiliformes imbricadas, ca-
ducas depois da ântese, raro persistentes. Pediceios, em regra mais
longos quo o cálice, bastante finos e roliços. Cálice inferiormento
campanuliforme concrescido, com cinco dentes ou lobos que po-
dem ser divididos em dois superiores sempre mais ou menos e,
às vezes, completamente unidos entro si, dois laterais em regra
tão longos quanto os superiores e um inferior quási sempre mais
longo que os demais, variando a forma de todos, de espécie para
espécie, e a relação do tamanho entre èles, o que constitui ca-
racterístico para espécie. Corola composta de cinco segmentos,
dos quais o superior e maior se conhece por t -exilo ou estandarte
12
Leguminosas forrageiras do Brasil
e terá forma geralmente ob-oval ou quási ob-cordiforme, ou
ainda quási orbicular; dois menores, ocupando mais ou menos o
centro da flor, são concrescidos pelo dorso em forma de quilha
e envolvem os estames cujo tubo por sua vez abraça o ovário
encimado pelo pistilo, constituindo a carena ou navícula, e os ou-
tros dois que, cavalgando ligeiramente sòbre a base um tanto
ligulada destes, se estendem um pouco para os lados na parte
superior, chamam-se alas ou àsas; em regra todos êstes segmen-
tos são um tanto ungúiculados em sua base. Estames sempre em
número de dez, dos quais nove concrescidos em um tubo e livres
.apenas na parte superior e um, o vexilar ou superior, lime até
a base ou ligeiramente aderente aos demais. Ovário estipitado
ou séssil, pluri-ovulado até bi-ovulado, glabro ou mais frequen-
temente pubescente ou piloso, completamente envolvido pelo tubo
estaminal, terminando em pistilo mais ou menos longo com es-
tigma capiteliforme. Frutos, são legumes articulados que ao ama-
durecerem, em regra, não se abrem, mas se decompõem em se-
gmentos transversais em número variável com a espécie, raro, po-
rém, menor que dois e maior que oito, geralmento revestidos de
pêlos ásperos, mais ou menos uncinados e, por consequência, pre-
cnsores, o que facilita a disseminação; as sementes são pequenas,
verde-amareladas, bastante duras e um tanto reniforme alongada'>.
Designações populares e outros caracteres
O facto de se acharem os frutos revestidos de pequenos freios
uncinados e de se tornarem, em consoqúência disto, aderiveis
ou prcensores, foi que levou o povo a apelidar as espécies
dêste género de « Pégaqéga », «Carrapixo», a Amor do Campo»,
«Amores sêcos», «Carrapixo do beiço de boi», etc.
Algumas espécies, como a Meibomia uncinata, (D. C.) possuem
também pêlos mais ou menos prcensores no caule e sòbre
os foliolos.
A função dos pêlos uncinados sobre os frutos é .a de fa-
cilitar o transporte destes pelo gado ou pelo homem e de au-
mentar assim a propagação da espécie. Êste facto explica a razão
porque algumas espécies, e justamente aquelas providas de se-
melhantes pêlos, jMxlem aparecer não só em vários paises e. re-
giões de um continente, mas também em vários continentes, como
se verifica com algumas espécies que surgem no Brasil e na
África, por exemplo.
Poucas são as espécies cujos legumes se abrem enquanto per-
manecem na planta, a maioria despoja-se dêles inteiros ou fracciona-
dos e, então, as sementes germinam entre as cascas cios artículos
que se decompõem com a acção da humidade. Êste último facto
justifica o grande poder germinativo que as sementes destas plan-
tas conservam quando guardadas em logar sêco, o que concorre
ainda para facilitar e aumentar a sua dispersão.
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1
13
Do habitat e condições de vida
Conforme já fizemos ver acima, as Papilionãceas na sua grande
maioria vivem em simbiose com bactérias do género Bacillu* , que
lhes facilitam a obtenção de matérias azotadas, não só do solo,
mas ainda da atmosfera, pois essas bactérias gozam da propriedade
de fixar directamente do ar o nitrogénio, onde existo na proporção
de quási 4/5. ‘Èste micro-cogumelo é por FraxRe e outros au-
tores denominado Éhizobium Icguminomrum, SchrOt). Tal simbiose
se patenteia melhor em algumas espécies que em outras, e é
facilmente constatável quando a planta vive em terreno por na-
tiueza pobre o estéril, podendo-se nestas condições verificar a
existência do Bacillus no protoplasma celular, até nos extremos
do caule, ao passo que em plantas desenvolvidas em terreno su-
ficientemente fértil e rico de substâncias alimentícias o simbionte
podo passar á categoria de parasita e residir exclusivamente nas
raizes, onde sempre provoca o desenvolvimento de nódulos em
que se multiplica e reproduz.
Esta simbiose contribuiu igualmente para que as espécies do
género Meibomia se adaptassem a vários terrenos e meios di-
ferentes. São elas por isto encontradas desde os terrenas quási
áridos o sêcos, onde a sua manutenção é, alêm disso, quási sempre
possível graças à formação de espêsso e profundo rizoma, até
os mais férteis, o da mesma forma desde os logares mais abertos
até a sombra húmida das matas das encostas. Destas adaptações
originaram-se sem dúvida muitas formas, variedades e talvez es-
pécies.
Das espécies conhecidas 24 são citadas para o Brasil. Delas
uma parte é nativa nos campos limpos, outra aparece nos cer-
rados e campos sujos e um terço ou mais se encontra nas matas
ralas ou em suas margens, em terrenos mais ou menos sujos
ou caapoeiras.
De entre as campestres distinguem-so as espécies prostradas
ou rasteiras, como sejam Meib. adsccndtns, (D. * .), quo se ca-
racteriza bem pelos frutos bastante preensores, de istmos largos
o excêntricos, foliolos pequenos o mais ou menos obovais o Mcib.
triflora, (D. C.), com flores fasciculadas nas axilas ou opostas
às folhas e foliolos ainda menores; depois seguem-so-lhes Mcib.
incana, (D. C.), que já prefere campos mais cobertos e margens
mais sujas, e Mcib. albiflom, (Salzm.), que também costuma in-
vadir os cerrados.
Tipicamente xcrófitas campestres são, porém, as lOrmas ere-
ctas como Meib. jxtcht/rhiza, (\og), Mcib. platycarpa (Bth.), Meib.
selerophylla, (Bm), Mcib. aspera, (Dksv) e poucas outras, das
quais, principalmente as duas primeiras, desenvolvem espêssa raiz
fusiforme que lhes faculta obter o reservar humidade para os
meses de sêca e também resistir às queimas dos campos, pois
que dela brotam anualmente novos caules e rebentos pouco ra-
mificados.
14
Leguminosas forrageiras do Brasil
Nos cerrados ou campos sujos, bem como nas margens das
estradas e campos artificiais surgem Meib. uncinata, (D. C.) ca-
racterizada pelo revestimento aderivel dos caules e ramos, além
dos frutos e foliolos geralmente ornados de uma mácula alva
ao centro; Meib. mollis , (D. C.) cujos frutos teem os artículos
inferiores atrofiados e o último amplo e membranáceo; Meib. spi~
ralis, (D. C.) e Meib. physocarpa, (Vog.) ambas com frutos mais
ou menos espiralados, a primeira delicada e a segunda robusta;
Meib. barbata, (Bth.) e Meib. juruenensis, HoEHNE, ambas com
inflorescências curtas, compactas e flores emaranhadas entre lon-
gos pêlos que revestem o cálice e as brácteas, a primeira com
três foliolos e a última com folhas unifolioladas. Quando êstes
campos sujos ou cerrados são sêcos não faltam também as espécies
genuinamente xerófitas que citamos linhas atrás.
Nas matas e caapoeiras ralas e húmidas ou em logares mais
abrigados encontramos frequentemente a Meib. axillaris, (D. C.)
ou a Meib. albiflora, (Salzm.), tendo aquela as inflorescências ra-
círnosa3 sôbre longo pedúnculo emergindo das axilas das folhas
inferiores e o caule completamente prostrado e radicifero, e esta
o aspecto aproximadamente da Meib. incana, (D. C.), porém de
foliolos mais agudos e muito membranáceos, bem como estipulas
mais livres.
Nas caapoeiras e margens sujas das estradas, principal mente
no Estado de S. Paulo e adjacências, abunda a Meib. discolor,
(Vog.), que atinge mais de dois metros de altura e se salienta
da outra vegetação, nos meses de Março e Abril, pela abundân-
cia de suas flores róseo-arroxeadas, dispostas em grandes pani-
culos terminais o mais tarde pelos legumes quási lisos, de artículos
mais ou menos orbiculares e folhas trifolioladas mais ou menos
revestidas; a Meib. leioearpa, (G. DoN.) deve aparecer na mesma
formação e também nos campos mais sêcos <• limpos; Meib. pabularis,
Hoeiine, é espécie que prefere as encostas mais frescas, atinge
até três metros de altura, possui de um a três foliolos, muito
amplos c membranáceos, e uma inflorescência floribunda paniculada
terminal. Este habitat deve ser partilhado ainda pelas Meib. ca ja -
nifolia , (D. C.), Meib. aspera, (Desv.) e talvez outras.
Das .espécies aqui enumeradas e descritas nenhuma talvez
tenha maior valor como planta forrageira ou seja mais digna
de estudo e aproveitamento que a Meib. pabularis, HOEHNE, que,
como veremos mais adiante, foi por nós encontrada pela primeira
vez no sul do Estado de Mato-Grosso e mais tarde cultivada
nos campos experimentais do Instituto Agronómico do Estado de
S. Paido. Os seus foliolos são os mais frondosos que temos en-
contrado neste género e os caules atingem em estado adulto a
respeitável altura de três metros sem contudo se lenhificarem
muito.
Para a produção de forragem sêca talvez as espécies me-
nores se prestem mais, conforme já fizémos ver em outro ca-
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. 1 - fase. I
15
pítulo, mas é fora de dúvida que cortando-se as espécies maiores
ou arbustivas, antes de lenhificados os caules, o resultado deve
ser idêntico ou talvez melhor.
Chave sinóptica para as espécies brasileiras do género JiUibomia, Moehr.
1 — Plantas arbustivas, altas (em condições normais de mais de 150 cm. de
alt.). Inflorescêndas terminais e legumes nada ou pouco aderiveis . 2
la — Plantas sufrutescentes, erectas, prostradas ou rasteiras (em condições nor-
mais de menos de 150 cnt. de alt.) 7
2 — Folhas trifolioladas (raro, por excepção, as inferiores unifolioladas). Inflores-
cências terminais e paniculadas 3
2a — Folhas uni, bi ou trifolioladas no mesmo exemplar. Inflorescêndas termi-
nais racimosas ou paniculadas ... 6
3 — ístmos entre os articulos dos legumes excêntricos. Flores não raro um
tanto unilaterais. Legumes sésseis ou curtamcntc estipitados ... 4
3a — istmos centrais. Legumes distintamente estipitados, com 4-7 articulos . 5
•1 — Folíolos relativamente grandes, oblongo-lanceolarcs, o terminal quási duas
vezes maior que os laterais. Folhas c flores mais espaçadas. Todo
o Brasil Meib. cajanifolia, (D. C)
•la — Folíolos relativamente pequenos, ob-ovais cuneiíormcs, quási iguais en-
tre si. Folhas e flores muito bastas. Brasil meridional. Argentina, etc.
Meib. euneata, (Hook kt Ars.)
5 — Artículos quási orbiculares ou elípticos de 3 mm. de comp. Folhas curto
ou longo pecioladas. S. Paulo, St. Catarina, Qoiaz, Minas Ge-
rais, etc. Meib. distolor, (Voa.)
5a — Articulos maiores, de 4-5 mm. de comp. mais ovalados, mcmbranáceos.
Folhas um tanto mais ásperas e caule menos alto. Mato-Grosso, Ar-
gentina, Paraguai, etc Meib. leioearpa , (G. Dox.)
6 — Folhas, quer as uni, quer as trifolioladas, curto pecioladas (pedolo co-
mum raro de mais de 6 cm. de comp.). Inflorescêndas simples ou
pouco ramosas. Pcdicelos curtos (raro mais de 6 mm. de comp.)
Amazonas, Mato-Grosso, Minas, Baia, Goiaz, etc., alêm do Peru,
Colômbia, Bolívia, Trindade c Giiianas. . . Meib. aspera, (Picar.)
6a — Folhas, quer as uni ou bi, quer as trifolioladas, com o pedolo bem desen-
volvido (mesmo as unifolioladas, sôbre pedolo de 5-S cm. de comp.)
membranáccas, um tanto viscosas em estado verde c menos áspe-
ras que na precedente. Inflorescêndas paniculadas c muito amplas,
flores mais claras. Minas, Mato-Grosso e Argentina
Meib. pabuíarís, Hof.hnk.
7 — Flores em fasdeulos de 2-4 nas axilas dos períolos ou opostas a estes.
Herva rasteira com folhas trifolioladas c folíolos pequenos . .
Meib. triflora, (D. C.)
7a — Flores em rarimos ou panículos terminais, raro cm radmos axilares e
terminais (M. jaruenensis, Uh. c M. Barbata, (Bcth.) ou só nas
axilas inferiores sôbre longos radmos (M. axilaris, D. C) . . .8
8 — Radmos terminais e axilares curtos e flores muito juntas ou emaranha-
das
16
Leguminosas forrageiras do Brasil
8a — Racimos terminais ou axilares M. axilares (D. C.) ou panículos termi-
nais, sempre mais laxifloros 11
9 — Pedicelos e cálice breve-ferTugíneo-puberulosos. Folíolos ob-ovais solitá-
rios ou temados, então laterais muito reduzidos. Legumes hirsutos.
Rio de Janeiro Meib. bracteata, (Mich.)
9a — Pedicelos longo pilosos e geralmente emaranhados entre si 10
10 — Folhas trifolioladas. Sufrútice prostrado ou erecto e muito ramoso e flori-
bundo, variável no porte Meib. Barbata, (Beth)
10a — Folhas com um só foliolo. Sufrútice mais ou menos erecto e menos ra-
moso Meib. jumenensis, (Hukhne.)
11 — Racimos florais longos, florígeros acima da metade, na parte inferior bra-
cteolados, nas axilas dos pedolos inferiores do caule. Planta rasteira
e radirífera, com folhas erectas e longo-pecioladas, folíolos membra-
náceos Meib. axilaris, (D. C.)
11a — Racimos ou panículos terminais, raro axilares nos extremos dos ramos. 12
12 — Plantas geralmente prostradas, meio rasteiras ou escandentes, raro mais
erectas e, então, sempre muito ramosas. Folhas trifolioladas, raro as
inferiores com um só foliolo ' 13
12a — Plantas erectas, caule geralmente simples ou pouco ramoso, de ramos as-
cendentes, com rizoma perene mais ou menos fusiforme. Campes-
tres xerófitas. Folhas sempre unifolioladas ou simples 20
13 — Artículos dos legumes iguaes entre si e planos 14
13a— Artículos desiguaes entre si ou torcidos 17
14 Folíolos pequenos, ob-ovais ou elípticos, ápice geralmente emarginado,
glabros. Planta campestre prostrada, com os extremos dos ramos
ascendentes. Legumes rectos na sutura superior e profundamente
emarginados na inferior, fortemente aderiveis. Meib. adscendens,(D. C.)
14a — Folíolos maiores, ovais ou oblongo-ovalados, raro elípticos c emargina-
dos, mais ou menos revestidos de pêlos ou pubcscentes em uma ou
ambas as faces. . . 15
15 — Caules e ramos revestidos de pêlos undnados aderiveis, raro glabros. Fo-
liolos geralmente ornados de uma mácula alvacenta no centro ou
completamente verdes ou ainda arroxeados no dorso. Flores mur-
chas de côr azinhavrada ou azul. . . . Meib. uncinata, (D. C.)
15a — Caules e ramos pubcscentes ou glabros, não aderiveis e foliolos unico-
lores. Plantas prostradas ou ascendentes 16
16 Artículos dos legumes quási luniformes ou semi-orbiculares, armados de
pêlos preensores. Planta delgada de folíolos membranáceo-herbá-
ceos, do meio para o ápice rostriforme-acuminados. Perú e Amazo-
zonas Meib. lunata, (Huker)
16a — Artículos quási quadrados ou rectangularcs, na margem inferior um tanto
arredondados, armados de pêlos preensores. Folhas mais rijas e
mais pilosas 17
17 Estipulas unidas entre si pelo lado e margens porteriores, raro mais tarde
livres até a base e caducas. Folíolos obtusados, mais ou menos se-
riceo-pubescentes no dorso; flores em racimos terminais, roxas . .
Meib. incana, (D. C.)
17a — Estipulas livres entre si, raro a princípio ligeiramente unidas na base
posterior. Foliolos geralmente agudos e mais glabros e membraná-
ceos. Flores em longos racimos terminais. Meib. albiflora, (Salzm.)
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. I
17
18 — Artículos inferiores atrofiados e o terminal amplo, reniforme c mernbra-
náceo. Planta pluriramosa delicada. Flores muito esparsas. . .
Meib. mollis, (D. C.)
18a — Artículos iguaes, mas torcidos, tornando o legume quási espiralado . . 19
19 — Planta arbustiforme, grande, estipulas grandes, dilatadas em sua base e
longitudinalmente estriadas Meib. physocarpa, (D. C.)
19a — Planta menor, talvez ánua, de ramos horizontais c muito delicados. Esti-
pulas estreitas e quási aciculares Meib. spiralis, (D. C.)
20 — Artículos amplos, membranáceos e quási reniformes cm número de 2-3
em cada legume. Planta com rizoma fusiíorme c perene, caules
quási simples, em regra muitos sobre o mesmo rizoma
Meib. platycarpa, (Btii.)
20a — Artículos pequenos, planos e iguaes entre si 21
21 — Pedicelos mais longos que as flores. Folíolos em regra estreitos e pouco
patentes, porém variáveis na forma às vezes na mesma planta. Cau-
les simples ou pouco ramosos sobre rizoma fusiforme perene. . .
Meib. pachyrhiza, (Voo.)
21a — Pedicelos mais curtos que as flores. Folíolos mais largos, porém também
variáveis na sua forma. Caules um tanto ramificados e flores mui
abundantes Meib. sclerophylla, (Btii.)
Espécies duvidosas que não examinamos e de que não con-
seguimos comparar descrições completas:
Meib. subsceunda, (YoG.) Segundo BexthaM, afim de Meib.
discolor, (Yog.). Citada para o Brasil meridional.
Meib. venosa, (Vog.) Considerada por Bentham uma variedade
de Meib. Iciocarpa, (G. Dos.) Citada jvara o Brasil meridional.
Meib. Ilailf, (D. C.) Sem outra indicação, citada para o Pará.
Meib. violacea, (G. Dos.) Igualmente sem indicação, dada como
colhida no Maranhão.
Meibomia cajanifolia, D. C.)
Sin.: — Ilcdysarum cajanifolium, II. B. K. (Hunib. Bonpl. et
Kunth, Nov. Gen. et Spc. Americ. vol. V, p. 825 tab. 338) —
Desmodium cajanifolium, D. C. (Prodr. II, pag. 331 e Bcntliam,
Pl. Br. de Martius, vol. XV, I, pag. 100). — Dcsm. laburnifoliurn,
SlEBEP. (e.x Griesb. Fl. Brit. W. Ind. pag. 187).
Caracteres gerais: Sub-arbustiva ou mesmo arbustiva, de
mais de metro e meio de altura, erecta, ramosa ou caule simples,
recoberta de pubescência áspera até vilosa; ramos herbáceos, pouco
patentes, roliços, geralmente áspero-pubérulos, sendo os pêlos, ora
mais curtos, ora mais longos, e, às vezes, mesmo um tanto vis-
cosos. Estipulas de base ampla um tanto ondulada, quási reniformes,
longitudinalmente estriadas como as da Meib. aspem, (I)ksv.), po-
rém menores e mais caducas; Folhas trifolioladas, curto-pcciola-
das; folíolos ovais ou oblongo-ovalados, obtusos, o terminal de
18
Leguminosas forrageiras do Brasil
4-7 cm. de conip., os laterais menores, largura variável, na base
geralmente mais largos e no ápice atenuados, na página superior
glabros ou áspero-pubérulos e na dorsal apresso-pubescentes até
mole-serieeo-vilosos. Infloreseência paniculada. floribunda, virgada,
do 15-40 cm. de comp., ramos desta racimiformes erectos e se-
cundifloros. Brácteas lanceolares, |>equenas, setáceo-acuminadas ca-
ducas antes da ãntese. Flores roxas ou azuladas; pedicelos de 2-5
mm. de comp. e na frutificação às vezes de até 7 mjn.; cálice de
4 mm. com segmentos tão longos quanto o tubo, os superiores
concrescidos entre si até muito alto e o inferior mais longo; es-
tame vexilar concrescido em sua base com os demais, porém mais
tarde livre. Legumes com estipe curta ou quási sésseis, recobertos
de ]>êlos curtos e pouco preensores ou só pubescentes, com 6-8
artículos obliquo-ovais, reticulados, de 3-3,5 mm. de comp. e quási
igual largura, membranáceos a principio e sub-coriáceos depois
do maduros, de margens levemente espessadas; istmos excêntricos
mais para a sutura superior que para a inferior.
Estampa n.° 2.
Distr. geogr. : América Central, índias Ocidentais, Gúianas,
Colômbia, Perii, Bolívia e norte do Brasil.
Obs. : Não tivémos ensejo de examinar material desta es-
pécie, mas julgando pela descrição, parece que tem grande afi-
nidade com a Meib. aspera, (Desv.), de que se afasta pelo maior
número de artículos nos legumes e folhas invariavelmente tri-
folioladas. Considerando, porém, a variabilidade desta ultima, es-
tamos propensos a crer que se trate talvez de uma só espécie.
Também a Meib. pabularis Hoeiine descrita para Mato-Grosso e
Minas, tem grande afinidade com esta.
Meibomia cuneata, (Hook. Et. Arjt.)
Sin.: Desmodium brevipes, Vogel. (Vogei, in Linnaea XII,
pag. 100) — Desm. cuneaíum, HOOK et A RN. (Fl. Br. de Mart.,
vol. XV, I, pag. 100). Meibomia brevipes, Kuntze (Kev. Gen. 197).
Caracteres gerais: — Planta ascendente sufrutescente, de
caule virgado mole-viloso, rigido-herbáceo, na base lenhoso, go-
ralmente simples ou ramoso, roliço e de 50-100 cm. de alt.; es-
tipulas pequenas, lanceolares ou assoveladas, livres entre si e ca-
ducas; Folhas trifolioladas, às vezes, as inferiores simples e maiores
sobre peciolo curto de apenas 5-6 mm. de comp.; foliolos cunei-
forme-oblongados, mole-pubescentes, pálidos, o terminal pouco dis-
tante dos laterais de 3-6 cm. de comp. e 8-12 mm. de larg., ápice
obtuso ou retuso e base cuneiforme estreitada por baixo, reticulados
e venosos e mais esbranquiçados, os laterais sempre menores que
o terminal. Racimo floral simples ou pouco ramoso, terminal fio-
ribundo, mole-pubescente; brácteas assoveladas quási lanceolares,
do 5-10 mm. de comp., pubescentes o caducas antes da ãntese;
pedicelos geralmeiite geminados, depois de completamente desen-
cm
SciELO
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An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. I ]9
volvidos, durante a ántese de 3 mm. de comp. e durante a ma-
turação do fruto atingindo o dôbro; corola alvacenta ou roseo-
pálida, raro roxa, de 7-10 mm. de comp., carena oblonga su-
periormente incurvada; tubo do cálice tão longo quanto os segmen-
tos, dêstes os superiores concrescidos até perto do ápice; estame
yexilar a principio unido com os demais, mais tarde livre até
à base. Legumes sésseis, com 4-6 artículos a principio membra-
náceos, mais tarde reticulados e levemente marginados, de õ-7
inm. de comp. por 2,5-5 mm. de larg., coriáceos, recobertos de
pêlos moles e não preensores, às vexes, mesmo um tanto vilosos;
istmo estreito e excêntrico muito mais próximo da margem superior
que da inferior.
Estampa n.° 3.
Distr. geogr.: Citada para o Uruguai, Paraguai, Argentina,
Rio Grande do Sul, indo talvez até St. Catarina. Vive em terrenos
pedregulhentos e sêcos.
Observação: Xáo tivemos ocasião do examinar material desta,
espécie; a julgar porém pela descrição, é de presumir que se
trate de uma forma afim de Mcibomia sclcrophylla, (Bth.) ou Meib.
pachyrrhiza , (Vog.), que em consequência das folhas trifolioladas
deve ser mais frondosa e rica em matéria alimentícia.
Meibomia discolor, (Vog.)
Sin. : Dcsmodium discolor, Vog. (Vogei, in Linnaea XII, pag.
103 e Bentham, Fl. Br. de Martius, vol. XV, I, pag. 103).
Caracteres gerais: Arbustiva ou sub-arbustiva, de vários pés
de altura, atingindo não raro mais do 2 m., frequente nos cerrados
e campos sujos, beiras de estradas de ferro ou de rodagem c lias
caapoeiras; caule na base sempre mais ou menos lenhoso e parte
superior niulti -ramoso e revestido bastamente de pêlos aprossos
ou mais patentes e um tanto avermelhados e levemente uncinados
ou só vilosos. Folhas com três folíolos, raríssimo com um. Peeiolos
comuns relativamente curtos às veres com l cm. de comp. abaixo
do jugo lateral de folíolos e de 1,5-2 cm. entre êstes e o terminal,
outras vezes mais lougo atingindo o total de 5 cm Esti pulas de
base dilatada, lougitudinalmente estrioladas acuminadus, às vozes
de mais do centímetro de comp.. persistentes ou caducas. Estipclas
estreitas, geralmente decíduas. Folíolos ovo-oblongados ou ovo-cli-
pticos ou ovais, pouco abaixo do meio mais largos e depois ate-
nuados para o ápice o arredondados para a base, ponta às vezes
obtusa e mucronulada, raro aguda, tamanho variável de acórdo
com o habitat e condições do meio em que a planta vegeta, de
5-15 cm. de comp. e de 2-8 cm. de larg. mais ou menos pubeseen-
tes ou mesmo vilosos na face inferior e esparso-pubcscentcs na
face superior. Inflorescências terminais, paniculadas às vezos fo-
lioladas na base dos ramos inferiores, geralmente de mais de
50 cm. de comp.; ramos crecto-patentes ramosos, hirto-pubescentes
cm
SciELO
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20
Leguminosas forrageiras do Brasil
ou ruivo- vil osos. Brácteas pequenas, linear-lanceoladas, pubescen-
tes, imbricadas estrobuliformes antes da ântese e caducas com
esta. Pedicclos geralmente geminados de comp. variável de 5-12 mm.
filiformes e pubérulos. Flores de 9-10 mm. de comp. roxas. Cálice
pequeno, pubérulo, de 3 mm. de comp. com segmentos triangulares
ovais, tão ou pouco mais longos que o tubo, quási sempre obtusos
ou abrupto-agudos. Estames quási sempre unidos, raro o vexilar
um pouco livre na parte acima do meio. Legumes distintamente
estipitados, com 4-7 artículos quási orbiculares ou elípticos unidos
por istmos centrais estreitos, de 3 mm. de comprimento e pouco
mais estreitos.
Estampa n.° 4.
Distr. geogr. : S. Paulo, Minas, Goiaz, St. Catarina e sul do
Brasil.
Designação popular: «Marmelada de cavalo». Em S. Paulo
uma das éspecies mais comuns nas margens das estradas de ferro
e de rodagem, florindo abundantemente nos meses de Fevereiro
a Abril e constituindo ás vezes grandes fonnações naturais onde
o gado não a pode devorar.
Esta planta é incontestavelmente a mesma que está sendo
cultivada em Cuba o a respeito da qual o Dr. Mário Calvino
escreveu o interessante artigo da «Revista de Agricultura, Co-
mercio y Trabajo» de julho de 1919, intitulado «Una Leguminosa
gigantesca como verba forrageira para Cuba» ou «La Marmelada
de Caballo dei Brasil». Trata-se de uma das espécies que mais
vantagens poderão oferecer como forragem para o gado, pois,
como já ficou demonstrado pelo citado director da Estação Experi-
mental Agronómica da Cuba, ela preonche quási todos os re-
quisitos para êste fim contendo abundante matéria alimentícia.
Das análises feitas em Cuba pelo Dr. E. Babé, chefe interino
do Laboratório de Química do citado estabelecimento, registou o
Dr. Calvino os seguintes resultados:
Elemento
Mat, fresca c verde
Sêca ao ar
Sêca a 100*
Aru»
78,60
9,80
0,00
Proteína (N x 6,25) . .
3,96
16,87
18,70
Matéria graxa ....
0,07
0,31
0,34
Carbonidratos ....
7,99
33,92
37,62
Matéria fibrosa ....
7,07
30,10
33,37
Cinzas
2,11
9, C0
9,97
E calculando as calorias alimentícias pelos fatores de Atwater,
relativos aos elementos nutritivos supostos assimiláveis, seriam
as seguintes:
Matéria fresca ou verde 73,611
» sêca ao ar 313,161
» t a 100" 347,198
cm
SciELO
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An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. 1 - fase. I
21
O Dr. Calvino faz então a comparação do valor alimentício
desta planta com outras, como segue:
«Capim de planta» em Cuba chamado «Parai» ou « Yerba
de Pará» que é o Panicum numidianum, Lam. . . 31,98 calorias
« Herva elefante- em Cuba «Yerba elefante Pennisetum pur-
pureum, Schum 40, CO calorias
«Maloja» (Que não conhecemos) 58,00 »
< Marmelada de cavallo» Mcibomia discolor, Vog. e não
M. leiocarpa . ' 73,61 calorias
Dahi deduzimos que o valor da «Marmelada de cavalo» é
duas e mais vezes superior ao do «Capim de planta» que comu-
mente empregamos para alimentação do gado em estábulos.
Mais interessante é talvez ainda o quadro que êle dá com-
parando a análise de Medicago dentieulata, WiLl.D., uma das for-
necedoras da « alfafa » que importamos, e a « Marmelada de Cavalo »
comum no Brasil e cultivada em Cuba, onde fica bem patente
o grande valor da nossa forragem.
ANÁLISES
Forragem sêca ao ar
Forragem verde
Mn&orau
Htiaenii
Uteiti|o
8,20
9,70
Humidade
70,40
78,60
91,80
90,30
Matéria sêca total
29,60
21,40
16,30
18,50
Protcina total
4.10
4,34
18,80
12,62
Fibra lenhosa
5,05
2,98
13,20
11,60
(Pentosana) Extr. etéreo ....
3,40
2,72
2,60
1,08
Amilo
0,S0
0,25
6,12
4,32
Carbonidratos soluv
1,90
1,01
2,95
1.97
Matérias graxas
0,85
0,46
30,02
28,16
Clorofila
7.15
6,25
14,10
12, C0
Cinzas
3,20
2,82
Estas análises se referem a material de plantas crescidas em
condições e terrenos perfeitamente idênticos cm todos os sentidos e
foram enviadas pelo Dit. J. Rossi ao I)n. Calvino. Foi o Dit. J. Rossi
quem primeiro iniciou a cultura desta planta no Estado de St.
Catarina, perto de Blumenau e também quem a levou para a Itália,
não se desenvolvendo, porém, tão bem como em St. Catarina e
Cuba.
cm
SciELO
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22 Leguminosas forrageiras do Brasil
j .Da análise de material em
começo de frutificação, realizada
pelo Dr. R. Bolliger, do Instituto Agronómico do Estado de
S. Paulo, resultou o seguinte:
Snbst. húmida
Subst. sêca ao ar
1 — Análise sumaria:
Humidade .... ....
77,27 o /o
Matéria azotada
2,76 o lo
12,06 o /o
> gorda
0,61 o/»
2,75 o/ 0
> não azotada
9,85 *»/ 0
43,37 o/ 0
• fibrosa
7,98 o/o
35,09 o /o
» mineral
1,53 o/ 0
6,73 o/ 0
2 — Elementos digestiveis:
Matéria azotada
2,01 o /o
8,80 o/ 0
» gorda
0,38 o /o
1,78 o/ 0
> não azotada
7,49 o/„
32,96 o/ 0
• fibrosa
4,39 o/„
19,30 o/ 0
» orgânica
14,27 o/ 0
62,76 «lo
Relação das matérias alimentícias 1:4,2
3 — Elementos de Matéria
mineral:
Areia e Acido silícico
. 7,40 «/o
Anidrido fosfórico (P ! 0 1 ) (’).
6,41 «/o
Óxido de cálcio (C» O)
. 26,05 o /o
» de potásio (K.O) . .
. 36,46 «/o
A análise feita com material idêntico e na mesma ocasião
pelo Dr. Mario Saraiva, quimico do Laboratório de Análises do
Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, apresenta
os resultados se-
guintes:
Amostra sêca
Cálc. para est. verde
Humidade
11,596
85,796
Proteína
27,593
3,696
Subst. cxtractivas nitrogenadas (Expres-
sas em proteína)
2,740
0,706
Extracto etéreo
3,123
0,945
Celulose ....
13,060
2,979
Cinzas
6,072
1,615
Substâncias cxtr. não nitrogenadas .
35,816
4,263
100,000
ICO, coo
(•) O quimico UCrivtu, rertamente por engano, « fosfórico*.
ir.u a fórmula P*0* corre*-
ponde no Anidrido fosfórico.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
An. das Metn. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. I 23
Segundo as informações do Dr. J. Rossi esta planta poderá,
em cultura, fornecer de três a quatro cortes durante o ano.
Quanto ã aceitação do feno desta planta pelos cavalos, po-
demos dizer que o mesmo é devorado com grande gula sempre, pois
reparámos que um cavalo de puro sangue dêste Instituto preferia
as folhas desta Meibomia á alfafa, quando administradas as duas
forragens em mistura. Isto vem demonstrar que o nome c Marmelada
de cavalo» foi bem escolhido, pois constitui de facto uma delicia
para êsses animais.
Var. : villosa, Hoeiine.
Esta variedade distingue-se pela maior robustez do caule e
revestimento mais longo, não raro amarelo-ferrugineoviloso, con-
cordando no resto com a espécie.
Representada pelos seguintes numeros: llorto eOstcaldo Cruz»:
1570, Cantareira, em 1-3-18 o 2234 do Campinas, que é duplicata
do u.° 268 da Colecçáo do Dr. Campos Xo va es, que a tem por
Dcsmodium leiocarpum, Do.v. — Jardim Botânico n.° 7610 pro-
cedente do Instituto Botânico, DionIsio CONSTANTINO leg.
Meibomia leiocarpa, (Spreno)
Sin.: Hedysarum leiocarpum , SPRENO. (Sprengel, Syst. III. pag.
316); Desm. leiocarpum G. Don. (G. Don. Gen. Syst: II, pag.
394 et. Vogei, in Linnaea XII, pag. 101 et Bentham, Fl. Br. do
Martius, vol. XV, I, pag. 103); Hedysarum erectum. Yei.L. (Vel-
loso, Fl. Fl., vol. VII, |Ktg. 149).
Caracteres gerais: Arbustiva croma, mais ou menos do porto
da Mcib. cajanifolia, (II. B. K.) sempro áspcro-pubcscente. ICstipulas
dilatadas em sua base e longitudinalmente estrioladas, de 1-1,6
cm. de comp. Pcríolos comuns gcralmente curtos. Foliolos sempro
três em cada folha, de âmbito ovo-oblongado, o terminal de até
15 cm. de comp. por 6 cm. de larg., mais frequentemente, porôm,
menor, os laterais menores que o terminal e às vezes quási orbi-
culares. Inflorcscências terminais ramosas e paniculadas, os ra-
mos laxifloros e llores um tanto viradas para um lado. Brácteas
lanceoladas, pequenas e decíduas antes da ántese. Pcdicclos de
8-13 mm. de comp. o flores de cerca de 13 mm. Cálice com os
lobos superiores obtusos e demais agudos ou todos obtusos. Le-
gumes com estipe tão longa quanto o cálice ou pelo atrofiamento
dos artículos inferiores mais longa, com muitos artículos ovai a
ligados por istmos bem centrais, de 5-6 mm. de comp. e tênue-
mento marginados e reticulados. Com excepção dos frutos, muito
semelhante à Mcib. discolor , (Yoc..). A estampa dada na Flora Bra-
silielisis do Martius parece antes ter sido feita por um exemplar
de Mcib. discolor, (Vog.) que por um da espécie aqui descrita.
cm
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Leguminosas forrageiras do Brasil
pois vê-se bem que nem as flores são unilaterais, nem os artículos
ovais como os descritos.
Estampa n.° 5.
Distr. geogr. : Brasil meridional, entre Campos e Vitória, no
Rio de Janeiro e E. Santo, e em Minas, na cidade de Caldas.
Meibomia aspera, (Desv.)
Sin.: Hedgsarum asperum, PoiR. (Dict. vol. VI, pag. 408);
Desm. asperum, Desv. (De Candolle, Prodr. II, pag. 333); Desm.
elatum, H. B. K. (Humb. Bonpland et Kunth, Gen. et Sp. Amer.
vol. VI, pag. 528); Desm. perrottetii, D. C. (De Candolle, Prodr.
II, pag. 327); Desm. rubiginosum, Bth. (Bentham, in Tayl. Ann.
Nat. Hist. vol. III, pag. 434); Desm. spectabile MlQ. (in Linnaea
XVIII, pag. 570).
Caracteres gerais: Arbusto ou sub-arbusto campestre, ere-
cto, mais ou menos áspero pubescente como na forma desenhada
ou mais geralmente forte ferrugineo-viloso ou mole pubescente;
caules roliços, cavos, relativamente espessos e rijos, de 50-200
cm. de alt., simples ou pouco ramificados; estipulas de quási 2
cm. de comp. ou mais cintas, na base sempre largas e acurninadas
para o ápice, estrioladas longitudinalmente, persistentes ou caducas.
Folhas mais geralmente unifolioladas, rijas ou moles, raro tri
folioladas, curto pecioladas, ásperas e mais ou menos coriáceas.
Peciolos pubescent o-ásperos, em folhas unifolioladas de 6-12 mm.
de comp. e nas trifolioladas de até 6 cm. Foliolos quando solitários
de 6-15 cm. de comp. por 3-6 cm. de larg. ovo-oblongados, ovais
ou ainda ròmbeo-ovais e base um tanto cordada, nas folhas tri-
folioladas os laterais menores, na face inferior áspero -pubescentes
c na superior áspero-pubérulos, às vezos, também um tanto vilosos
ou sericeo pubescentes. Inflorescências terminais, simples basto-
paniculadas, quási sempre um tanto pegajosas ou aderentes, es-
parsamente florigeras. Brácteas caducas antes da ãntese, a prin-
cípio imbricadas, lànceo-lineares, estreitas, pubescentes e estria-
das. Pcdicelos curtos, raro de mais do 6 mm. de comp. Flores
l>equenas, roxo-claras até roxo-escuras, de 5-7 mm. de comp. Cá-
lice do 3 mm. com 6egmentos superiores concrescidos entre si
até perto do ápice. Estames com o filamento vexilar unido até
acima do meio. Legumes quási sésseis, com 4-6 artículos largo-
ovais de 1,5-2 mm. do cornp. xnembranáceos e curto pubérulo6,
com istmo3 estreitos e centrais, devido à pouca largura dos istmos
não raro um tanto tombados e fazendo desfarte os legumes
meio torcidos, (o que não se verifica sempre).
Estampa n.° 6.
Distr. geogr. : Desde o Amazonas até o sul de Mato-Grosso
o Minas, Bahia, Goiaz etc. e também no Perú, Colômbia, Bolívia,
Trindad e Gúianas.
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Comum nos campos cerrados o campos limpos de Mato-Grosso.
Variável em porte, às vezes, de caule completamento simples e
flores em racimos, como no exemplar desenhado, outras também
mais ramosa e infloreseência paniculada.
A grande variabilidade desta espécie deixou-nos durante muito
tempo em dúvida sôbre a identidade da espécie descrita por nós
sob o nome de Mcib. pabularis , que é grande e se caracteriza
bem pelos detalhes descritos sob a mesma.
O exemplar que nos serviu de modêlo para a estampa pode
ser considerado antes uma forma ou variedade mais xerófita da
espécie. Ela tem folhas muito mais rijas e quebradiças, bem como
mais glabras que a forma típica que damos em gravura junto,
(Figs. 2 e 3 do texto).
Meibomia papularis, hoehxe
(Hoehne, «Chacaras e Quintaes », vol. XXI, n.° 6 de Junho
de 1920, pag. 460).
Caracteres gerais: Arbusto de 1,5-3 m. de alt., caule erecto, na
base lenhoso eglabro.e parte superior éramos ténue e esparsamente
pubérulo, ramos virgados, roliças, os mais espessos, como também o
caule, fistulosos; estipulas do base larga, acuminadas e quási reni ou
falciformes, estriadas, na base de mais de 1 cm. de larg. o de 1,5-2
cm. de comp., livres e persistentes. Folhas 1-3 folioladas; peciolo
comum geralmente bem desenvolvido, glabro ou pubescente, nas
folhas superiores e unifoholadas sempre a metade mais curto que
nas bi-tri-folioladas do meio do caule e base dos ramos. Foliolos
quási sempre muito grandes, herbáceos membranosos, de forma
elíptico-ovalada ou mais ob-ovais, esparso sericeo pubesccntes, abru-
ptamente agudos ou de ápice mais ou menos arredondado e inucro-
nado, os solitários sempre muito maiores de até 20 cm. de comp. por
13 cm. de largura, nas folhas trifolioladas ou bi-folioladas o ter-
minal de até 15 cm. e, às vezes, mais do comp. o 7 cm. do larg.,
laterais menores, sempre muito tenros e verde-escuros; pcció-
lulos de até 1 cm. de comp., bastamente pubeseentes; estipclas làn-
oeo-setáceas, de 1 cm. do comp. Infloreseência terminal, ampla,
de mais de 50 cm. de comp. paniculiforme, do ramos erecto-pa-
tentes, os inferiores sempre foliosos cm sua base, molc-pubescentes;
brácteas pequenas, setáceas, caducas muito antes da àntese. Flores
alvas ou levemente arroxeadas, de 7 mm. de comp.; pedicelos
solitários ou geminados, filiformes, durante a àntese de 5-8 mm.
de comp. e depois desta, quando frutíferos, de até 1 cm. tènue-
mente pubescente. Cálice ténue-pubescente, de 3 mm. de comp.
segmentos mais longos que o tubo, superiores entre si roncroscidos
até bem alto, inferior sempre mais longo; corola alva ou pálido-
arroxeada, de segmentos quási do mesmo comprimento, mui ca-
em
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Leguminosas forrageiras do Brasil
ducos; estame vexilar a princípio um tanto aderido aos demais,
mais tarde completamente livre. Legumes levemente estipitados,
com 5-7 artículos, êstes de 2,5 a 2,8 mm. de comp. por 1.5-2 mm.
de larg. pouco coriàceos, indistintamente marginados, eliptico-ob-
longados, revestidos de esparsos pêlos pouco preensores; istmos es-
treitos e centrais.
Estampa n.° 7.
Distr. geogr. : Mato-Grosso, Minas, Ceará, Argentina e talvez
Goiaz.
Xa pagina 77 da Parte VIII (Leguminosas) dos nossos trabalhos
na Comissão Rondon, registámos esta planta como afim do Desm.
(Mcib.) asperum , Desv. Xaqueia colecção ela é representada por
dois espécimes recolhidos em uma capoeira perto do córrego e
local denominados Benjamim Constant, no sul de Mato-Grosso, que
é atravessada pela Linha Telegráfica e estrada que vai de S.
Lourenço a Coxim. Xo citado local existia uma bela formação
desta forrageira e recordamo-nos ainda que foi com dificuldade
que obrigámos os animais da nossa tropa a atravessar em passo
acelerado aquele magnifico pasto, pois desejavam a todo transe
não abandoná-lo. As folhas e mesmo os ramos floridos aderiam
fortemente às nossas vestes, e as flores, que então se achavam
desabrochadas, desprendiam um aroma bem agradável, o que nos
faz crêr que, alêm ds boa forrageira, a planta seja também me-
lifera e, pois, aconselhável aos criadores de abelhas.
Em Março de 1920 recebemos entre outras espécies, para iden-
tificação, do Instituto Agronómico dêste Estado, enviado pelo Sr.
Bento de Toledo, uma pequena amostra desta interessante planta,
pela qual verificámos pertencer ela à mesma espécie. E, como
trouxesse a informação de ter sido cultivada no referido Ins-
tituto de sementes recebidas de Minas, com o nome vulgar « Fei-
jão de Boi» e o scientifico (Phaseolus bovis?!), pedimos ao Sr.
Toledo quo nos mandasse material mais abundante. Isto fez o
referido Sr. com a maior presteza, fornecendo-nos ainda uma
análise realizada pelo Dn. Bolliger do mesmo Instituto, (pie abaixo
juntamos, e outras notas sobre o desenvolvimento e cultura da
planta. Considerando-a uma magnifica forrageira, que estende o
seu habitat desde Mato-Grosso até Minas, resolvemos mudar o
nome Meib. mattogrossensis , que havíamos reservado para a es-
pécie, para M. pabularis.
E’ muito possível que esta planta não seja totalmente des-
conhecida no mundo scientifico, talvez se a encontre nos her-
vários europeus subordinada a Mcib. aspera, (Desv.), com a qual,
aliás, tem muita afinidade; no Jardim Botânico encontramo-la sob o
n.° 2512 e com o nome de Desm. leiocarpum, G. Do.v, mas para
mostrar quo é bem distinta aqui fazemos seguir os caracteres
essenciais de uma e outra:
cm
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Meib. nspera. (DESr.)
Flores, roxas ou roxo-claras com a mé-
dia de 6 mm. de comp.
Pedicelos de 2-5 mm. de comp.
Folhas geralmente unifolioladas, curto-
pecioladas e rijas, quando unifolio-
ladas sôbre pecíolo de 6-12 mm. e
quando trifolioladas com pecíolo de
6 cm.
Infloreseências muito ramosas até raci-
miformes.
Legume com 4-6 artículos.
Meib. pnbulariH, hokiine
Flores alvas, de 7 mm. de comp.
Pedicelos de 5-10 mm. de comp.
Folhas mais geralmcntc trifolioladas,
quando unifolioladas sôbre pecíolos
de 5-S mm. de comp. c quando tri
ou bi-folioladas sôbre pecíolos ainda
mais longos, folíolos membranáceos,
muito amplos e viscosos c menos
ásperos.
Infloreseências amplas e paniculiformcs
mui ramosas.
Legumes com 5-7 artículos.
A-pesar-disto confessamos que julgamos indispensável que so
cultive as duas espécies citadas em terreno igual para apurar
positivamente as diferenças que existem entre elas.
Conforme já dissemos, o Sr. Besto de Toledo está culthamlo
a Mcib. pabularis, Hobhne, no Instituto Agronômico de Campinas
e nos garantiu que ela se adapta rápida e perfeitamentc .y»
meio, prometendo dar magníficos resultados como fornecedora < o
feno.
Os resultados da análise levada a efeito com material cul-
tivado em Campinas, pelo Dit. BOLLiGER, competente químico i o
citado Instituto, são os que se seguem: —
Material recolhido antes da planta florescer.
l.° — Análise sumária:
Substância húmida
Sêca
Matéria azotada. .
> gorda .
> não azotada
> fibrosa . .
> mineral . .
81,78 •!»
3,68 ®/o
1,06 <V„
7,=>S ' .
4,12 «/o
1.78 o/o
20,16
°/o
5.M)
°o
41,63
°/o
22,62
%
9,76
°/o
2.o — Elementos digestiveis:
Matéria azotada
» gorda
> não azotada
» fibrosa
» orgânica
2,69
°/o
0,66
°/o
5,76
°/o
2,27
°/o
11,38
°/o
Relação das matérias alimentícias... 1:2,8
14,73
3,60 o „
62,41 o 0
2S Leguminosas forrageiras do Brasil
3.° — Elementos de matéria mineral:
Areia e ácido silícico 14,73 *> 0
Anidndo fosfórico (P'0 1 ) 9,63 °/ 0
Óxido de potássio (K-'0) 29,94 %
» » cálcio (C» 0) 25,95 %
R. Pilger. (Bot. Johb. vol, XXX, pag. 161) descreve mna
variedade do Desm. sclerophyllum , Bth. dando-llie o nome de tortuosa,
quo a julgar pela descrição deve ter afinidade com esta nossa
espécie.
Meibomia triflora, D. C.)
Sin.: Dcsmodium parvifolium, Bak. (in Hook. Fl. Ind. II, pag.
172) — Desm. parvifolium , Blaxco (Fl. Fillip. ed. II, pag. 408) —
Desm. stipulaceum, Wall. (Cat. 5701 C) — Desm. granulatum,
•Wallp. (Walpers Rep. I, pag. 737) — Desm. triflorum, D. C.
(D. Candolle, Prodr. II, pag. 334 e Bentham, Fl. Br. vol. XV,
I, pag. 95) — Desm. bullamensc, G. Uon'. (Syst. II. pag. 294) —
Ficolsonia reptans, MEISEN. (Linn. XXI, pag. 260) — Nicol. tri-
flora, Griesb. (GoetlL Abh. VII, pag. 202) — Sagotia triflora Duchas.
(Linn. XXIII, pag. 738).
Caracteres gerais: Planta rasteira ou prostrada, com caule,
radicifero e apresso ao solo, fino o ramoso, recoberto de pêlos
alvos patentes ou pubescente, raro glabro. Folhas trifolioladas.
Folíolos pequenos, largo-ob-ovais, às vezes ob-cordiíonnes, de 3-12
mm. de compr. por igual ou pouco menor larg. na parte superior,
glabros na face superior e sericeo-pubcscentes na dorsal. Estipulas
oblongo-lanceolares, acuminadas, longitudinalmente estrioladas, per-
sistentes, um tanto copcrescidas com os peciolos, de 2-5 mm. de
comp. Flores roxas, geralmente geminadas ou em fascículos de
três a quatro opostos aos peciolos ou axilares; pedicelos de 5-12
mm. de compr. Cálice de tubo curto, viloso, lobos lãnceo-lineares,
os superiores concrescidos até ao meio e os inferiores mais longos
que o tubo. Corola de 5 mm. de compr. vexilo longamente un-
gúiculado, pouco mais longo que os segmentos do cálice; alas do
comp. da earena. Legumes sésseis, de 10-20 mm. de compr. na
sutura superior quási rectas e na inferior inciso-sinuosos, levo-
mente; artículos de 4-5 em cada legume, de âmbito quadrado,
truncados na sua base e ápice, rectas na sutura superior e arre-
dondados na inferior, áspero-pubérulos ou pubescentes, tènuemente
reticulados, depois de maduros deiscentes com as válvulas hiantes.
Estampa n.° 8, I.
Distr. geogr. : índia oriental. Xo Brasil encontrada e citada
para Baia, Rio de Janeiro, Minas, Mato-Grosso e S. Paulo, alêm
dos estados septentrionais. Planta cosmopolita.
Das espécies, que aparecem no Brasil, a menor; vive de pre-
ferência entre as gramíneas dos prados mais húmidos.
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An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1
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Entre nós vulgarmente conhecida pelo nome de « Tre vinho
do campo» e nas Filipinas pelo de « Pacpac-lanltão ».
Da Meib. adscendens , (D. C.) com que se confundo pela forma
dos foliolos, que naquela às vezes são também muito reduzidos,
ela se distingue, logo à primeira vista, pelo porte mais rasteiro
e flores dispostas em fascículos de 2-4 opostos aos peciolos ou
nas axilas destes.
Segundo o Dit. Mário Cai.vixo, director da Estação Experi-
mental Agronómica de Havana, República de Cuba, o Du. SORKay
afirma ser esta plantinlia uma das Leguminosas tropicais que com
melhor vantagem poderia substituir o «Trevo» cultivado e na-
tivo na República Argentina e outros países de climas mais frios.
Diz mais que na índia ela forma magníficos prados, em que o
gado pasta de preferência comendo-a com bastante avidez.
Segundo o mesmo autor, Mac-Milliax, superitendente dos Jar-
dins Botânicos de Ceilão, cita esta planta entre as hervas forra-
geiras espontâneas na Índia
Xa grande obra de Sornay, sobre as Leguminosas Tropicais,
encontra-se a seguinte análise desta planta:
Análise da Meibotnia Iriflora, (D. C.) (Desmodium triflorutn,
D. C.), em estado verde.
Humidade °/o
Cinzas Ví °/o
Celulose 12,39 "/o
Substâncias não nitrogenadas (Carbonidratos) . . 13,79 •’ •>
sacarinas (Açúcares) 0,93 "o
Matéria graxa Ó,92 "/ o
Proteína ° °
Total ICO.CO
Calorias 130,809
Substâncias alimenticias calc. em amido .... 21,23
Nitrogénio
Relação nutritiva 7^7
Conforme se poderá deduzir desta análise, a herya é bastante
rica em substâncias nutritivas e é pena que seja tão minúscula.
Para a formação de prados ou pastos é a Meib. adscendens,
(D. C.) a espécie que mais se recomenda, por ser de crescimento
rasteiro e resistir perfeitamente à acção das patas do cavalo c dos
cascos do boi.
De entre as Meibotnias esta é tuna das poucas que possuem
legumes deiscentes depois do maduros, e isto dificulta grandemente
a colheita das suas sementes, tomando-a por outro lado mais
apta para a disseminação natural.
30
Leguminosas forrageiras do Brasil
Meibomia bracteata, >Mich.)
Sin.: Desmodium bracteatum, Mie», (in Warm. Symb. ad Fl.
Br. Cent. I, pag. 543).
Caracteres gerais: Caule erecto, pubescente, principalmente
nas partes mais novas; ramos erect o-patentes, rijo-herbáceos. Es-
tipulas escarioso-membranáceas, longitudinalmente estrioladas, lan-
ceoladas e longo-acuminadas, caducas, de lõ mm. de comp. Folhas
mais ou menos reflexas; peciolo comum ténue, de 29 mm. de
comp., na base mais espêsso e apresso pubescente. Estipelas linear-
assoveladas, rijas. Folíolos solitários ou tornados em cada folha,
quando teimados o terminal distante dos laterais de 2-10 mm. e
muito maior que êstes, de forma ob-oval, obtuso ou retuso no
ápice, de até 8 cm. de comp. por 4 cm. de largura na parte supe-
rior, em regra solitários; laterais, quando existem, de forma idên-
tica ao terminal, porém muito reduzidos, isto é, de 1-2,5 cm. de
comp. por 5-10 mm. de larg. todos membranáceos, quási trans-
parentes, peninervulados e reticulados, na face superior glabros
e na dorsal esparso-pubérulos ou apresso sericeo-pubescentes. Ra-
cimos florais terminais curtos e quási capiteliformes. Brácteas an-
tes da ântese estrobtliforme-imbricadas, largas ovais, estrioladas
e ciliadas, com a ântese caducas, de 5-6 mm. de comp. e 3-4 mm,
de larg. Pedicelos na ântese patentes, mais tarde reflexos, filiformes,
curto-hirsutos, de 5 mm. de comp. Cálice de 3-4 mm. de comp.,
segmentos pouco mais longos que o tubo e muito mais curtos
que os pétalos. V exilo quási orbicular, de 5-6 mm. de comp.; alas
e carina coerentes. Estames com o vexilar livre até perto da
base. Ovário longo-viloso ou hirsuto, pluri-ovulado; pistilo curto.
Legumes (imaturos) 3-4 articulados, reflexos, densamonte hirsutos,
com a sutura vexilar continua e carenal mais ou menos sinuosa.
Estampa n.° 9.
Distr. geogr.: Esta interessante espécie, que pelo autor é colo-
cada na secção Xicolsonia da Flora Brasilicnsis, tem muita afi-
nidade com a Mcib. gyrans, (D. C.) e parece antes ser um resultado
de cruzamento desta espécie com alguma outra; foi, segundo as
notas do rótulo do Dti. Glaziou, n.° 4784 (Herv. Glaziou, no Museu
Nacional) encontrada em S. Cristóvão, na Quinta da Boa Vista.
Dela existe apenas um unico exemplar original, pelo qual fizemos
o desenho (Estampa n.° 9, IT), e não nos consta que posteriormente
ela tivesse sido constatada em outro local.
Para mostrar quanto esta espécie se aproxima da Meibomia
gyrans, (D. C.), do sul da África, damos junto uma vista da
folha desta ultima. Dela se afasta, porém, pelo revestimento dos
frutos e do ovário, pela forma dos folíolos e pela inflorescência,
quo nesta aqui é simples e quási capiteliforme, quando para aquella
está descrita como paniculada.
cm
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An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. I
31
Meibomia barbata, (D. C.)
Sin. : Meibomia caycnncnsis, KUNTZE (Kev. Gen. 197);
Hedtj8arum barbatum , L. (Linnae Specierum Plantaram pag.
1055); — lledys. vcnustulum, H. B. K. (Xov. Gen. et Spec.
Anteric. vol. VI, pag. 519); — Nicolsonia barbata, D. C. (Prodro-
mus II, pag. 325) (et Mem. Leg. VIII, 311. tab. 51 (1S25); —
Nicolsonia venustula, D. C. (Prodr. II, pag. 325) ; A icolsonia
cayenensis, D. C. (Alem. Leg. 314, tab. 51); — Nicolsonia villosa,
Cham. et Schlecht. (Linnaea, vol. V (1830). pag. 584; Nicolsonia
major, Steüd. (Flora XXVI 1843., pag. 757); — Nicolsonia ra-
dicans, Steüd. (Flora XXVI (1S43), pag. 757); llcdysanun coe-
ruleo-violaceum, MlQ. (Print. Fl. Esseq., pag. 246); — Jledysarum
lagocephalum, Link. (Enum. Hort. Ber., pag. 248); Jlcdysarum
procumbcns, Vell. (Flora Fluininensis, pag. 319, vol. ^ II, tab.
150); — Desmodium coeruleo- viotaceu m , D. C. (Prodr. II, pag. 331);
Vraria lagoccphala, D. C. (Prodr. II, pag. 324); — Desmodium bar-
batum, Bth. (Fl. Br. de Mart. XV, I, pag. 95 e no Kjoob. \ idersk.
Meddel. (1853), pag. 18); — Perrottetia barbata, D. C. (in Ann.
Sc. Xat. Serie I, 4 (1825), 95.
Caracteres gerais: Planta mais ou menos herbác a, de ri-
zoma parene, caules ténues, lenhosos, enectos, prostrados ou in-
clinados para os lados, de comprimento muito variável, mais fre-
quento de 30-70 cm., pubescentes ou mesmo vilosos, quando pros-
trados às vezes radiciferos nos primeiros nós, super iormente ra-
mosos; ramos rijos, ascendentes. Folhas trifolioladas; estipulas mem-
branáceas, lánceo-acumlnadas, persistentos, de 3-10 mm. de comp.,
livres entre si e algo concrescidos com o peciolo comum; este
ténue, mais ou menos viloso ou pubesoente, patente, tão ou mais
longo que o foliolo terminal; estipelas setáoeas; foliolos oblongo-
elípticos até ob-ovais, na face inferior mais pubescentes que na
superior, o terminal maior (pie os laterais e de 3,5-5 cm. de comp.
por 1,8-3 cm. de larg., ápice obtuso o às vezes um pouco emar •
ginado, curto peciolulados, arredondados na sua base. Raetmos flo-
rais terminais, curtos, sésseis entre as ultimas folhas dos ramos,
raro curto pedunculados, floribundos, de 3-8 cm. de comp. o --•>
cm. de diâmetro transversal. Bráclcas ovo-lanceolares, acumimulis,
antes da Antese imbricadas e durante a mesma patentes mais ou
menos emaranhadas entre si e com os pedicelos, com longos pejoe
em suas margeus, de 5-8 mm. de comp. Cálice de cerca de o-7
mm. de comp., segmentos longo-acuminados, patentes e re\estidos
do longos pêlos quási cerdosos, curvado para baixo depois cia
fecundação da flor, segmentos superiores concrescidos ate acima
do meio; pedicelos ténues curvados após a fecundação das flores,
pubescentes. Legumes sésseis com 2-4 artículos, na sutura superior
quási rectos e na inferior profundo-sinuosos, planos, marginados
e hirsutos, raro glabros; artículos quási quadrados, em três lados
e no inferior arredondados, geralmente deiscentcs depois de ma-
duros.
.32
Leguminosas forrageiras do Brasil
Estampa n.° 10.
Distr. geogr.: Dispersa por toda a América Meridional e fre-
quente em todo o Brasil.
Esta planta facilmente se distingue dentre as espécies afins
do género pela forma da sua inflorescência e pelos três folíolos
geralmente ob-ovais e obtusos. E' bastante variável no seu porte,
sendo às vezes quási rasteira e outras erecta e arbustiva. Na
estampa que juntamos repi-esentamos, um pedaço de caule de uma
forma erecta e uma planta inteira, em redução de 50 o/o, da forma
prostrada e menor.
Da Meibomia juruenensis, descrita por nós, ela se distingue
principalmente pelas folhas sempre e invariavelmente trifolioladas.
Do material que recebemos do Sr. Axdre Goeldi, da Ilha
dte Marajó, e que mandámos analisar no Instituto Agronómico'
do Estado, em Campinas, o Dr. K, Bolliger nos forneceu os
resultados seguintes:
1 — Análise sumária:
Na subst. húmida
Sèca
Agua
16,95 o/o
Matéria azotada
8,62 o,o
10,37 o o
» gorda
3,34 o/„
-U
s
0
» não azotada
39,02 o /„
47,13 « o
> fibrosa
28,80 o/ 0
34,68 « o
» mineral
3,27 o (0
3,94 o/o
2 — Elementos digestiveis:
Matéria azotada
6,29 o/o
7,58 o/»
» gorda
2,07 o/o
2,50 o/.
> não azotada
29,65 o/o
35,69 o/ 0
» fibrosa
15,84 o/o
19,07 o /Q
> orgânica
53,85 o /o
64,84 o/o
Kelação das matérias aliment... 1:5,5
3 — Elementos de matéria mineral:
Areia e ác. silídco 22,64 %
Anidrido fosfórico 3,08 °/ 0
Oxido de potássio 35,64 0 /o
» cálcio 12,18 «/o
E' preciso notar que êste material se achava em estado de
frutificação e que os dados aqui enumerados devem ser muito me-
lhores em se tratando de plantas antes da floração, época era
que gerahnente as substâncias nutritivas aumentam consideravel-
mente.
SciELO
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. I
33
E’ uma espécie que facilmente se cultiva e da qual se pode
colher sementes com relativa facilidade pelo facto de não se des-
prenderem os frutos da mesma maneira que aqueles das espécies
que os possuem armados de pêlos mais aderentes.
Nota — Ás vezes, porém raramente, aparecem exemplares raquíticos que
apresentam folhas com um só folíolo pequeno e quasi orbicular, como se observa
num do Museu Nacional, colhido em Copacabana, Rio, pelo Dr. Schwacke, em 1887.
Meibomia juruenensis, Hoehxe
( Sin Dcsmodium juruenerue, Hoehne, Com. de Lin. Tclegr.
Estr. de Mato-Grosso ao Amazonas, Anexo n.° 5, Botânica, parte
VIII, pag. 73 e tab. 148, fig. I).
Caracteres gerais: Planta sufrutescente, de caule erecto ou
também prostrado, simples ou ramificado desde a base, recoberto
de pêlos alvacentos ou apenas pubescente, de 5-10 dm. de alt.
e 3-4 mm. de diâmetro; entrenós de 4-5 cm. Folhas unifolioladas
com peciolo de 1,5-2 cm. de comp. e estipulas estreito-lineares
ou lanceolares, acuminadas, de 1 cm. de comp. peciólulo geralmcnte
recurvo, bistipelado na sua base e pubescente; esti pelas tão longas
ou pouco mais curtas que o peciólulo; folíolo ovo-elíptico ou ob-
longo-elíptico, na base cordado ou arredondado, ápice arredondado,
na página inferior especialmonto sobre as nervuras pubescente e
na superior glabro, pátulo-reflexo ou patente, de 5-6 cm. de comp.
e 3-4 cm. de larg., nos ramos florigeros menor. In florescências
axilares ou terminais perfeitamente iguaes às da M. barba ta. , (Btii.)
do 4-;> cm. de comp. bastamente florigeras. Brácteas ovo-lanceolares,
acuminadas de longe, ci liadas; pedicelos ténues patentes ou mesmo
reflexos, emaranhados, de 7-8 mm. de comp. pilosos. Cálice pro-
fundamento penta-partido, segmentos de base mais larga longa-
mento acuminados, recobertos bastamente de longos pêlos mais
ou menos rijos de até 0 mm. de comp.; vexilo ob-ovo-orbicular,
ápice retuso ou e marginado, base atenuada, de 5) mm. de comp.
o igual largura; alas e carena obtusas, pouco mais curtas quo
o vexilo. Legumes sésseis com 3-4 artículos, rectos na margem
superior e sinuosos na sutura inferior, ligeiramente marginados;
artículos quási quadrados, de 4 mm. de comp.
Esta planta distingue-se da Meibomia barbata , (Bth.) princi-
palmente pelas folhas unifolioladas e flores algo maiores. No porte,
em geral, parece ter grande semelhança com a Mrib. gyrans, (D.C.),
da qual a afastam as folhas e a forma da inflorescência. além do
revestimento, etc. >
Estampa n.° 11.
Dislr. geogr. : Norte do Estado de Mato-Grosso e sul do Pará.
Encontrada pela primeira vez nas margens do Kio Juruena entre
«os pedras do salto S. Si mão, e mais tarde junto ao salto Augusto.
Floresce de janeiro a fevereiro.
2 3 4
5 6 7
—I 1 — I J — I \
11 12 13 14 15 16
■ i ^r*
AN
das
Memórias do Instituto de Butantan
*
Secção de Otíologia
Vol. I - Fase. 1
•‘Contribuição para o conhecimento dos
ofídios do Brasil” - A.
pelo
Dn. AFRÃNIO AMARAL
M» lottltoto Butaalaa)
1021
Coxnp. Melhoramento» de S. Paulo
Caleira*. 5. PaaJa t RU
cm
2 3 4 5 6 7
SciELO
11 12 13 14 15 16 17 lí
ADVERTÊNCIA: As “Memórias do Instituto de Butantan”,
bem como os “Anexos das Memórias do Instituto de Butantan" - Sec-
ção de Ofiologia e os da Secção de Botânica, serão publicados em
fascículos agrupáveis em tómos e não aparecerão em datas fixas.
A grafia portuguesa neles seguida está, em suas linhas gerais, con-
soante as bases da reforma ortográfica adoptada oficialmente em Portugal.
Toda correspondência concernente às publicações mencionadas deve
ser dirigida ao director do Instituto de Butantan, ou aos chefes das
secções respectivas. Caixa postal 65. S. Paulo. Brasil.
NOTICE: The “Memórias do Instituto de ButaDtau" and also
the “Anexos das Memórias do Instituto de Butantan ”, Secção de
Ofioeooia, and those of the Secção de Botânica will be published in
parts constituting volumes and will not appear on fixed dates.
The portuguese graphj’ used in the text is nearly according to
the bases of the orthographic reform oflicially adopted at Portugal.
All correspondence relative to the above mentioned publieations
should be addressed to the “Director do Instituto de Butantan” or to
one of tbo chiefs of the Sections. Caixa postal 65. S. Paulo. Brazil.
BEMERKUNG: Die “Memórias do Instituto de Butantan” und
die “Anexos das Memórias do Instituto de Butantan”, Secção de Ofio-
looia, sowie Secção de Botânica werden zwanglos in Heften er-
scheinen, welche in Bândo zusammengefasst werden kõnnen.
Die in ihnen angewandte portugiesische Schreibweise stimmt im
allgemeinen mit der in Portugal offiziell genehmigten Orthographie-Ee-
fonn überein.
Alie Korrespondenz, welche auf genaunte Schriften Bezug hat,
muss an den “Director do Instituto de Butantan” oder an einou der
Abteilnngs-Vorsteher adressiert werden. Caixa postal 65. S. Paulo. Brasil.
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
ANEXOS
das
Memórias do Instituto de Butantan
Secção de Ofiologia
Vol. I - Fase. 1
“Contribuição para o conhecimento dos
ofídios do Brasil” - A.
pelo
D*. AFRÂNIO AMARAL
(do Imtituto de Butantan)
1921
Cotnp. Melhoramentos dc S Paulo
Caleiras. S. PaiU e RU
jSciELO,
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
L
cm
“Contribuição para o conhecimento dos
ofídios do Brasil” - A.
Parte I
Quatro novas espécies de serpentes brasileiras
I
Helicops gomesi sp. n.
(Estampa I: figs. 1-4)
Número de exemplares — 13.
Descrição do tipo — Adulto $ . Dentes maxilares IS. aumen-
tando de tamanho para trás. Òllio pequeno. Rostral visível do
cima, mais larga do que alta, em contacto com a intcmasal. Na-
sal semi-dividida, com as narinas voltadas pura cima. !• rontal
com uma saliência longitudinal mediana, como quilha; de extre-
midade posterior arredondada; tão larga adiante quanto atrás; quãsi
tres vezes tão longa quanto larga (6,25 : 2,25) ; mais longa do
que sua distância ida extremidade do focinho, tão longa quanto
as parietais o duas vezes e meia tão longa quanto o diâmetro do òllio
(6,25:2,5). Frenal mais alta do que longa. Preocular 1. Posto-
culares 2. Temporais 1 - 2, tòdas lisas. Supralabiais 8, sendo a
4.» contígua à órbita. Infralabiais 10, sendo 6 contíguas às mentais
e somente 4 contíguas às montais anteriores, que são um pouco
mais curtas do que as jxjsteriores (5,5 : 7). Placas da cabeça con-
vexas, mormente nos bordos, do sorte que as suturas sao pro-
fundas. Escamas cm 19 _ séries, fortemente carinadas, menos as
temporais posteriores o as occipitais que lhes estão contíguas, que
são lisas; carina pouco acentuada na 1.» série (externa). Y entrais
131, arredondadas. Anal dividida Subcaudais 67 pares.
Pardo-olivácea ou levemente esverdeada no dorso, com uma
série de manchas anegradas, do forma irregular, dispostas de cada
lado, alongadas no sentido transversal o mais estreitas em cima
opostas ou às vezes alternadas com as do hulo oposlo, ostenden-
do-se geral mente pura cima até a 6.», 7. m ou 8.* série de escamas,
para baixo até o ventre, para a fronte até a nuca e para trás
até o extremo da cauda; outra sério do manchas menores, da
mesma côr, losângicas ou irregulares, começando na nuca c ocu-
pando na região vertebral os intervalos das precedentes, das quais
em via de regra se acham separadas por espaços pardo-claros,
dispostos em Unha quebrada ou em zigue-zaguc; uma lista amarelo-
clara, interrompida, formada pela reunião de manchas situadas
nos pontos em que as manchas anegradas do dorso, acima des-
critas, passam para o ventre; mentais, infralabiais o guiares ama-
relas, com manchas ou pintas negras; ventre amarelo- pardacento,
esverdeado ou oliváceo, com uma série de manchas negras, in-
completas, dispostas de cada lado em continuação com as do dorso,
de forma variável, muito mais longas do que largas o apresen-
tando, nos seus intervalos, algumas outras pequenas manchas ne-
gras e irregulares.
1, | SciELO
8
Contribuição para o conhecimento dos ofídios do Brasil
Dimensões — 695 mm. de comprimento total e 200 mm. de
cauda.
Procedência — Estação Costa Pinto, na linha So roca bana, Es-
tado da S. Paulo.
Tipo — Xa colecçáo de ofídios do Instituto de Butantan, sob
n.°. 1.843, recebido vivo, em 4-XII-1919, do Sr. AxtOxio Vito
d’Alkmim.
Observação — Dedico esta primeira espécie ao saudoso a- -
sistente dêste Instituto, Dr. João Florexcio Gomes, que me ini-
ciou na sistemática de ofidios.
Variações — Examinei, alêm do tipo, mais 12 exemplares da
mesma espécie, todos procedentes do interior do Estado de S. Paulo
e aá variações que neles pude notar, são:
Ventrais, 123-132. Anal dividida. Subcaudais, 34 -j-n — 94 pares.
Frontal com uma saliência longitudinal mediana, mais ou menos
acentuada, menos no exemplar n. 0 1.397, em que ela se apresenta
lisa; de extremidade posterior arredondada, menos nos exemplares
n.°* 272 e 455, em quo é angulosa; tão larga adiante quanto
atrás, menos nos exemplares n.°* 1.391 e 273 (jovens), em quu
se alarga posteriormente; quási tres vezes tão longa quanto
larga, menos nos exemplares n.°* 1.397, 271 o 1.641, em que é
justamente duas vezes tão longa e nos n.°* 273, 1.391 e 1.398
(jovens), em quo é só uma vez e tres quartos tão longa: cèrca
de 2 vezes o meia, em média, mais longa do que o diâmetro
do ólho. Temporais 1-f--» nienos nos n,°* 1.627 e 1.641, que têm,
á esquerda, 1 -{— 3; nos n.°* 272 e 274, que têm, à direita 1 -f- 3j
e no n.° 271, que tem, dos dois lados, 1 -}-3; apresentando o n.° 455
uma pequena escama anómala, abaixo da placa temporal inferior
da série posterior; temporais posteriores, Ixsm como as occipitais,
quo lhes estão contíguas, lisas em todos os 13 exemplares. Su-
pralabiais 8, 4. a contígua, á órbita, menos nos n.°’ 271, 455, 1.641 e
272 que têm 9 à direita, estando neles a 5.» (no n." 272 a 4 *
e a 5. a ) contígua à órbita. 4 infra labiais contíguas às montais
anteriores, menos nos n.°* .1.397, 271, 1.627, 1.641 e 1.398, em
(pie se encontram 5 contíguas às mentais anteriores, que são,
por sua vez, iguais às posteriores, na maioria das exemplares:
n.°* 1.398, 1.391, 1.397, 271, 455, 1.627, 1.641, 272 e 273. Todos
apresentam as placas da cabeça convexas e profundas as respecti-
vas suturas. Escamas, como no tipo. Coloração mais ou menos a
mesma em todos, havendo só diferenças de intensidmle nas manchas.
Dimensões e procedências — de acòrdo com o quadro anexo.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
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1, | SciELO
10
Contribuição para o conhecimento dos ofídios do Brasil
Biologia — É uma espécie aquática, muito ágil e bastante
agressiva: costuma ser encontrada em baixo de pedras, nas mar-
gens de rios. Como se viu, os 13 exemplares provêm do inte-
rior do Estado de S. Paulo, tendo sido todos capturados no rio
Tietê ou em seus afluentes. Do acordo com as observações e
dissecções que fiz, ela se alimenta de pequenos peixes e de ba-
tráteios. É ovipara ‘e provavelmente seus filhotes nascem entre
novembro e dezembro.
I)o u.° 272 preparei o crânio; os dentes maxilares aumentam
gradualmente om ta manh o para trás; dentes mandibulares 18, pa-
latinos 14, pterigoideos 16, todos subiguais.
Notas— E uma espécie muito próxima de Hclicops angulata
(L.), da qual H. Sculegkl( 1 ) cita exemplares de Pernambuco,
Pará e, em geral, do Brasil; G. A. Boulenger f 2 ) enumera vários pro-
cedentes do Peru e Guiana inglesa, e, no Brasil, de Pernambuco,
Pará e Alto Amazonas; e O. Boettger ( 3 ) assinala 2, proce-
dentes de Ilhéos, na Baia.
d. Florêncio Gomes, a lõ de abril de 1919, entro 39 ofídios
constantes de uma coleoção remetida do Estado da Baía pelo
Prof. Pirajá da Silva, para determinação, encontrou um exem-
plar de 11. angulata, proveniente daquele Estado. Em 1918 ( 4 )
assimilou, na colecçáo enviada pelo Sr. Francisco Dias da
Rocha, director do Museu Rocha, Ceará, um outro exemplar da
mesma espécie, que tinha: E. 19; V. 108; A. 2; Subc. 71 pares.
Finalmente, nesse mesmo ano, publicou ( 5 ) a: lista dos ofídios da
colocção remetida do Museu Paraense, pela Dra. E. Snethlage,
entre os quais também se encontrava um exemplar da mesma
espécie, procedente do rio Curuá, Pará, que apresentava: E. 19;
V. 120; A. 2; Subc. 76 pares; Supralab. 8 (4.»).
Na colecçáo do Instituto de Butantan se encontram 1 exem-
plares de II. angulata, dos quais os de n.°* * 777 (jovem) e 1.701
procedem de Santa Filomena, Estado do Piauí, onde foram co-
leccionados pelo agrónomo Sr. Francisco IglEsias, o os do n.°*
1.760 e 1.761 procedem do Estado da Baia, onde foram obtidos
l>elo Dr. Eurico de Sales Gomes.
Na colecçáo do Museu Paulista encontrei 3 exemplares dessa
espécie, dois dos quais, n.°' 1.393 e 1.395, não têm a procedência
especificada e um, n.° 1.396, foi coloccionado em novembro de 1917
pelo Sr. Ernesto Garre, excelente naturalista — viajante daquele
Museu, em S. Luiz de Cáceros, Estado do Mato Grosso.
De acordo com êstes dados pode-se dizer, em resumo, que
a espécie llelicops angulata (L.) ocorre, no Brasil, principal mente
(■) It. ScKLKOil — a *f£aooi wr U HiyiiMomif «Je* StrpfntM", 1*07, v. II, p. tôl.
f») O. A. Bortooi* — "CâtL of Soake* »n th# Bnt. Mn*-". l*dO, ▼. I. p- 2T9-
: * ) O. HorrrOTX — “KaUlof d*r — Saxnmlun* un Mu«eum der Sonckrnborgúchen na-
turforehenden Go*ell>cfcaft'\ !*<**, II TevL Schlanfeo); p. 30.
(•) J. FlO t*cso Govi< — * Contribuição para o conhecixnroto do* ofídio» do Brasil — II —
Ofídio* do Mu*eu Rocha (Coará)" — •• Renata do Mu*«u i’anh«ta. 191*; t. X; p. 507.
sMcio Govn — ‘‘Conthbwijio para o roÜMnaato doa ot S dwo do Bra«il — III —
Ofídio» do Maifu Paraeneo** — »* Memári— do In«t*tato de Butantao. 191**, t. I, fa»r. I, p. O).
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 11
'■ni regiões cujos rios são tributários do Amazonas, Parnaiba,
S. Francisco e Paraguai.
Quanto aos caracteres desta espécie (H. angulata) Boulexger (* *)
dá, entre outros, os seguintes: Frontal, uma vez e meia a uma
vez e tres quartos tão longa quanto larga; temporais, 1 ou 2 -{-2
ou 3. posteriores cari na das ; õ Ou 6 infralabiais em contacto com
as mentais anteriores. Y entrais, 102-130. Subcaudais, 61-94. Còr
de oliva ou pardo-acinzentada em cima, com faixas transversais
mais ou menos regulares, de contornos negros, quo se estreitam
para os lados, onde em via de regra se continuam com as faixas
pretas transversais do ventre; uma larga mancha romboidal negra
na nuca; parte inferior amarelada (em álcool) com grandes pintas
negras ou, mais frequentemente, com faixas regulares transver-
sais negras.
G. Jan ( ; ) lhe assinala, entro outros, os seguintes: õ temporais
(2 -p 3), das quais uma só toca as postoculares; 10 infralabiais,
as 6 primeiras em contacto com as mentais.
L. E. Griffin (*), em um exemplar existente na eolecçáo do
Museu Carxegie e procedente da América do Sul >, encontrou:
ventrais 117; subcaudais 74 pares; supralabiais 9 e 8 (4. a ); tem-
porais 2 -p 4.
Examinando minuciosamente os já referidos 7 exemplares do
II. angulata existentes nas eolocções do Butantan o do Museu
Paulista, e ainda um outro (jovem), sob n.° 21, procedente da
Bolívia e constante de uma colecção de ofídios enviada para de-
terminação pelo Ur. Pedro Serie, do Museu Nacional de Buenos
Aires, verifiquei mais o seguinte:
a) — Frontal lisa, Cêrca do uma vez e ires quartos Ião longa
quanto larga, terminando |>osterior mente em ângulo aberto, quási
recto, somente cêrca do duas vezes tão longa quanto o diâmetro
do òlho e, em todos, alargando-se na jKirte j>osterior, antes da
extremidade, menos no n.° 1.761, em quo conserva a mesma lar-
gura;
b) — Em todos as 8 ha 2-j-3 temporais, estando, no n.° 777,
as duas temporais anteriores fundidas à esquerda e achando-se
no n.° 1.701 as duas, média e superior, da série posterior, se-
paradas por duas pequenas escamas suplementares; nos n.°* 242
e 21 só uma temporal, a siqierior da 1.» série, é contígua às
postoculares, conforme Jan assinala; e, em todos êlcs, as tem-
porais posteriores, bem como as occipitais, são carinndas ;
c) — Nos n.°* 1.393, 1.39Ó, 1.396, 21 o 1.701 e, sòmcnte à
direita nos n.°* 1.760 e 1.761, ha •"> infralabiais contíguas às mentais
anteriores; no n.° 1.761, a 2.» e 3.» infralabiais estão fundidas
à esquerda; o n.° 1.760 apresenta â esquerda, entro a 3.» o 4.»
(•> O. A. BovLKon — «y. «I., p. *7V.
T i O. Jtt — “Prodroino Knojr»Sâ Gon^ral* d**li Ofidi — VIU Grupo. Potamophilidaf”,
Mod^na. p. 61 .
•) L. K. Grir;* — **A C«Ul ogae ©f ü»o Ophxha from Soutl» Atn^n^ at pr*ornt June 191®)
^onUinvd ta the C*n\**v! wíth Jr« ©í wo» Mernoir» o( the Camnci*
Mttaram, 191®, vol. VIII. *-• 3, p. 179.
12
Contribuição para o conhecimento dos ofídios do Brasil
infralabiais, outra que não toca a mentaL anterior; e no n.° 777
ha 6 infralabiais contíguas às mentais anteriores;
<0 — Em todos os 8 as placas da cabeça são chatas, e rasas
ou superficiais as respectivas suturas;
c) — O número de ventrais o subcaudais neles é o seguinte:
Exemplares de
H. angiilata
Ventrais
Subcaudais
N.°
777
116
94
pares
t»
1701
126
SI
»»
1760
124
87
*»
**
1761
11S
101
»»
»»
1393
121
62
**
»*
1395
122
82
*»
V»
1396
116
66
t»
»>
21
111
79
»»
f) — Em todos a coloração corresponde ii descrita na men-
cionada definição desta espécie, dada por Uoulexger, salvo li-
geiras diferenças de tonalidade e distribuição das manchas, mor-
mente no ventre, cujas faixas negras transversais são às vezes
divididas no centro o alternadas com as do lado oposto e sempre
mais largas do que longas.
Juntando-se êssos diversos dados sòbre caracteres de 11. an-
gula ta (L.) e comparando-se depois aos que assinalei na defi-
nição e variações de 11. gomesi, pode-se organizar o seguinte quadro
a-cêrca-das diferenças principais das duas espécies:
Principais diferenças entre //. gomesi sp. n. e
II. angulai a (L.)
Helicops gomesi
Helicops angulata
Frontal
cm geral com uma saliência
longitudinal mediana;
lisa;
cm geral de uma só largura;
em geral mais larga na parte
posterior ;
mais de 2 vezes tão longa
1 vez e meia a 1 vez e 3/4
quanto larga;
tão longa quanto larga;
dc extremidade posterior ar-
de extremidade posterior an-
redondada;
gulosa;
cerca de 2 vezes c meia tão
cerca de 2 vezes tão longa
longa quanto o diâmetro do
ôlho.
quanto o diâmetro do ôlho.
Temporais ....
1 42
2 + 3
(excepcionalmentc 1+3);
(excepcionalmente 1 + 2 ou
3, ou 2 + 2 ou 4);
tòdas lisas.
posteriores carinadas.
1, | SciELO
An. Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 13
Helicops gornesi
Helicops angulata
Infralabiais contíguas
às mentais anteriores
4
(excepdonalmente 5).
5-6.
Placas cefálicas;
convexas;
chatas;
respectivas suturas .
profundas.
superficiais.
Ventrais
123-132.
102-130.
Subcaudais ....
34 - n -94 pares
62-101 pares.
Sinais do dorso . .
em 3 séries, sob a forma de
manchas irregulares de cada
lado, e de manchas menores
que ocupam, na linha verte-
bral, os intervalos das pre-
cedentes.
em 1 série, sob a forma de
faixas transversais que se es-
treitam nos lados.
Sinais do ventre . .
sob a forma de manchas ir-
regulares; sempre mais lon-
gos do que largos.
em geral sob a forma de fai-
xas transversais; sempre mais
largos do que longos.
II
Apostolepis polylepis sp. u.
(Estampa I; figs. 5-8)
Número de exemplares — 4.
Descrição do tipo — $. Focinho cónico o muito saliente; òllio
diminuto, diâmetro eérca do 1/4 da sua distancia da borda oral.
Rostral grande, fortemente angulosa, tão alta quanto larga, a
porção visível de cima quási duas vezes tão longa quanto sua
distância da frontal. Interna sais soldadas as prefrontais quo são
l /j mais largas do quo longas o so estendem para os lados até
a 2. a supralabial que, j untam en to com a prcoculai o a suprnocuhir,
us separa da órbita. Frontal hexagonal cêrea de uma voz e ', 3 tão
longa quanto larga, tão longa quanto sua distância da extre-
midade do focinho', muito mais curta do que as jKiriotais (3,5 : ó,0).
Nasal inteira, separada da prcocular pola preírontal quo está contígua
â 2.» supralabial. Prcocular 1, diminuta. Postocular 1, estreita,
Cêrea de 2 vezos tão alta quanto longa. Temporal, ausente. Su-
pra labiais 6, 2.» e 3.» em contacto com a órbita o õ.» o ü.» com
a parietal. Sinfisal separada das mentais anteriores pelo primeiro
par de infralabiais ; 4 infralabiais em contacto com as montais
anteriores, quo são um pouco maiores o mais largas do quo as
posteriores que, por sua vez, se estreitam e se afastam para tias,
5.» infralabial toca apenas a mental posterior. Escamas lisas, sem
fossetas apicilares, em 17 séries. Ventrais 23(5. Anal dividida. Sub
caudais 21 pares.
Cabeça castanho anegrada em cima e em baixo até a regifu»
guiar; dorso brancoamarelado, com duas riscas escuras longi-
cm
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14
Contribuição para o conhecimento dos ofídios do Brasil
tudmais de cada lado, que se estendem desde a nuca até perto da
cauda; a 1.* nsca, que é de cõr castanlio-anegrada, pontilhada e
estreita, cone, na nuca, sobre o bordo da 4.» e 5.» séries de cs-
“S? sòbre a 4.» série, passando gradativamente na
cauda para a 3.» e 2.» senes; a 2.» risca da mesma côr é fe-
' J°? aiS e ocupa a 7», a metade interna da 6.»
n a , r da . exte ™ a da b. 1 series de escamas. As duas riscas con-
fluem ligeu-araente na nuca, confundindo-se mais para diante com
^ cabe ^ a -, vertebral. lados e ventre branco-amu-
relados sem manchas; cauda inteiramente castanlio-anegrada desde
a união do terço médio com o posterior até a extremidade.
Dimensões — Comprimento total 620 mm.; cauda 33 mm.
lome^Sído^rS 03 ^ E ” S ” D ° dt ' ra,micl P io de S*” 1 » H -
tw .^, ipo T X :° 1881 na colecção de ofídios do Instituto de Bu-
coIe ^ cloliatio P^ 0 Eng. agronomo Praxcisco dk Assis
191S ’ Cntre ^ ÍU10S dG 19161918 e recebido em outubro de
\ ariações Examinei mais tres exemplares da mesma es-
sTfkíxSTolesÍS. CUOda lwadi<tode c pelo
oir. o S òoíí aç ? es , qi !V > P u . de Q otar, são: Ventrais 214-233 ( a ' j : 214-
-lo, ^ : -33). Anal dividida. Subcaudais, 20-26 ( j : 25-26; $20)
fl i„ t , X °. n °, 1880 (<?) 0 diâmetro do ólho é cérca de 1/3 de sua
distância da bôca; a porção da rostral visível de cima é pouco
íí.i lI u, ]0nga d ° que Sua distância da frontal; acima da post ocular
ninST £? qu ? na 7 scanui anómala; a 5.» infralabial não toca a
mental posterior. \ entrais 215; subcaudais 26 pares.
, X ° ®-° 1.682 (jovem o*-) o diâmetro do ólho é pouco menos
de cinrT é I <llst; ‘ ,RMa d». bôca; a porção da rostral Visível
da Saí. tSL£ ItVsZ^Í S>yr°
d, Í5 Z ÍJ r V . e . m ?) ,° diâmetro do ólho é pouco menos
' ° do s «a distancia da bôca; a porção da rostral visível
5» - " U ? JS 10,1 ~ a do que sua distância da frontal; a
cãutLais20/21 ^ a mental PWterior. Ventrais 233; sub
(PmS t0 A PÍ ltí yl€P ^ dh4ingue-se fâeilmcnte de A. umbiniffra
I / /;•’• ; • r yfà r onota (Iktkrs), A. intermedia KOSLOWSKY (»)
: JZ C !í n PeIía 5 :ca 0 o ) e A. longicaudata Gomks(u) que, como elÍ
apre sentam a o.» o a 6.» supraJabiais contíguas ã ‘parietal e a
[Ij. J M K 'rT“ T ~ k *Y; u J * 1 “*••• d * '•* n*»*. is». voL vni. r- »; pi i; fio. i .7
to,nun, K io . S<*. .1, Mfd. «■ Citwp. .1, N. Y.,,lo..7„ d °l5- f - ^ '-owio -
cm
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An. das Mem. do Instituto de Butnntan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 15
smfisal separada das mentais anteriores, principalmente: l.° pelo
tamanho «la- rostral, cuja porção visível de cima é quási 2 vezes
tão longa quanto sua distância da frontal; 2.° pelo maior nú-
mero de escamas dorsais (17 séries).
III
Elaps fischeri sp. n.
(Estampa il ; figs. 1-5)
Número de exemplares — 1.
Descrição do tipo — Adulto a. Olho cèrca de 2 3 de sua
distância da borda da bôea. Rostral inn pouco mais alta do que
larga (3,5 : 3), sua porção visível de cima metade de sua dis-
tância da frontal. Interna sois 2 vezes mais largas do que longas
Prefronlais cèrca de 1 3 mais largas do que longas e de 2 vezes
tão longas quanto as intemasais; sutura das prefrontais cèrca de
tres vezes tão longa quanto a das intemasais. Frontal um ]>ouco
mais longa do que larga (3,75 : 3,25), de forma hexagonal, um
pouco mais longa do que sua distância da extremidade do fo-
cinho; mais de duas vezes tão larga quanto a supra ocular
(3,25 A, 5); um pouco mais curta do que as parietais (3,75:4,5)
que são um pouco mais longas do que sua distância das intemasais
(4,5 : 4,25).Preocidar 1, contígua ã nasal posterior. Postocularus
superior muito maior. Temporais 1 — }— 1 , anterior menor e de
forma pentagonal. Supralabiais 7, 1.» em contacto com a nasal
anterior, 2.» com as nasais anterior o posterior, 3.» com a nasal
posterior, a proocular e a órbita, 4.» com a órbita, 5.» com a pos-
tocular inferior e a temporal anterior, 6.» com as temporais ante-
rior e posterior; 7.» com a temporal posterior; 3.» um pouco
maior do que a 4.»; 7.» bem desenvolvida. Sinfisal em contacto
íntimo com as mentais anteriores, (pie são um pouco mais curtas
do que as posteriores (2:2,75); 7 infra.- labiais, '4 em contacto
com as mentais anteriores, 4.» muito maior. Escamas em 15 séri«s$.
Ve n trais 210. Anal dividida. Subcaudais 20 pares.
Corpo avermelhado, com 17 séries de aneis pretos disjnxstos
ao s tres, o central geralmente um pouco mais largo, ocupando
de 4 a 5 */• escamas, separado dos dois marginais, quo no centro
do corpo ocupam de 3 a 5 escarnas, j*or aneis amarelo- esbran-
quiçados imaculados, que ocupam 1 1 / s a 2 1 /* escamas; espaços
intermediários cobrindo 7 a 15 escarnas, do eôr avermelhada, sal-
picados de pintas negras. Cabeça arnimdo-esbranquiçada, com uma
pinta negra no focinho, ocupando a rostral, as intemasais, t «Via a
extensão das nasais anteriores o a metade anterior das primeiras
infralabiais; e com tuna faixa negra transversal passando pelos
olhos e ostendendo-so para os lados até a lAca, para a frente
até o bordo anterior da frontal e para trás «até o ângulo pos-
terior desta escama; sinfisal. mentais «anteriores e tres primeiras
infra labiais manchadas de negro. Anus situado no espaço claro
intermediário à 16.» o à 17.» séries de aneis.
16
Contribuição para o conhecimento dos ofídios do Brasil
Dimensões — Comprimento total 635 mm.; cauda 37 mm.
Procedência — Capturada em dezembro de 1915 na fazenda
do Bonito, semi da Bocâina (Est. de S. Paulo), vale do rio Mam
bucaba, a cêrca de 1.000 metros de altitude.
Tipo — Sob n.° 1.849, na colecção de ofídios do Instituto de
Butantan, conservada em álcool e oferecido, em fevereiro de 1921,
pelo Sr. C. R. Fischer, actual desenhista do Instituto, a quem
dedico a espécie.
Xotas: Na chave das èsj ies d org A.
Boulexger'( 12 ), Elaps fischcri deve ser incluída na divisão III,
B, 3:
III — Sete supnüabiais, 3. a e 4.» contíguas à órbita;
B — 7.» supralabial bem desenvolvida; rostral de tamanho
médio, justaraente visível de cima; inteniasais muito
maia curtas do que as prefrontais;.
3 — Sinfisal contígua às mentais anteriores.
Elaps fischer i que, ao que eu saiba, neste grupo é a primeira
espécie assinalada para o Brasil, aproxima-se de Elaps ancoralis
Boulknger, pela contiguidade da sinfisal com as mentais e pela
disposição dos aneis negros do corpo; dela difere, porém, pelos
caracteres constantes do seguinte quadro:
Elaps ancoralis Blgr.
Elaps flscherl ap. n.
Rostral
muito mais larga do que alta
um pouco mais alta do que
larga (3, 5 : 3)
Frontal
pouco mais larga do que a
supraocular
mais de 2 vezes mais larga
do que a supraocular (3,23
: 1,5)
Parietais
tão longas quanto sua dis-
tância das internasais
um pouco mais longas do
que sua distância das inter-
nais (4,50 : 4,25)
Mentais anteriores .
tão longas quanto as poste-
riores
um pouco mais curtas do que
as posteriores (2 : 2,75)
Vcntrais
23S
210
Subcaudais ....
31
20
Colorido da cabeça c
claro na frente c manchado
como cm El. decoratus Jan,
mica
de negro; occiput c nuca com
um sinal negro cm forma
de âncora, cujo ramo trans-
verso quási cobre as parietais
c se estende à garganta.
amarelo-claro ; focinho nc-
gTO e uma faixa negra
transversal, passando pelo
ôlho; occiput amarelo-claro;
nuca com a primeira série
de 3 aneis.
Distingue-se igualmentc de El siinoiisii Blgr. ( l3 ), sobretudo
|x>r ter a rostral mais alta do que larga, a frontal um pouco mais
longa do que larga e mais de 2 vezes tão longa quanto a su-
(") O. A. Boridoí» — «r. 1396. rol. 111. p 41?.
(“) O. A. Boctr«ont — "Ij« of lhe Fi-he*. Betr*«hi*o« »nl Reptil** collecte.1 by ih» Ute VI*.
R O. StMOM in the Prmtncfi oí Men*l-->** *a<l Cor\iob«, Arpeotin*" — "* Tlf Ann*L, ul of
S aturol llutory — vol. IX, IM, pp. 3*3-389. *
cm
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An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 17
pra ocular, por possuir menor numero «le ventrais o por apre-
sentar diversa distribuição das manchas da cabeça e dos aneis
negros do corpo.
A presente espécie, comparada com as da divisão III, B, 2
de Boclexger:
III — Sete supralabiais, 3.» e 4.» contíguas à órbita;
B — 7 a supralabial bem desenvolvida; rostral de tamanho
médio, justamente visível de cima; internasais muito
mais curtas do que as prefrontais;
2 — l. a infralabial contígua à sua companheira; nasal pos-
terior contígua à preocular,
aproxima-se, polo colorido do corpo e da cabeça e pelo nú-
mero de ventrais, de El. maregravii Wied e de El. decora tus J.\x.
Distingue-se, porém, de El. maregravii, por ter a frontal mais
de duas vezes tão larga quanto a supra ocular e somente um
pouco mais longa do que larga, e por ter a temporal anterior
menor do que a posterior. Distingue-se igualmente de El. decoratus,
por possuir temporal anterior, não apresentando, portanto, a G. a
supralabial em contacto com a parietal, e por ter as parietais
um pouco mais longas do que sua distância das intemasais.
De referência ao número de subcaudais de El. decoratus, que Bou-
LBNGER (**) põi entre 29 e 37, encontrei-o mais baixo, entre 17 c 30
em 14 exemplares que tive ocasião de examinar, dos quais 10
actual mente existem na colecção do Instituto do Butantan, sob
n.« 68, 69, 442, 841, 932, 1.233, 1.455, 1.456, 1.709 e 1.816 c
4 da colecção do Museu Paulista, sob n.°’ 66, 67, 68 o 522, de
sorte que 0s.se «Lado não podo servir ã diferenciação das 2 es-
pécies de que trato.
El. fischeri também, não pode ser identificada com El. lenmisca-
tus L. e El. frontalis Dm. & Bit., prineipalmente por possuir menor
número de ventrais e .por ter a rostral mais alta do «pie larga
e a frontal mais de 2 vozes tão larga quanto a supraocular; nem
com El. spixii Wagl., cujo colorido da cabeça, número o dis-
posição «los aneis negros do corpo são diversos e cuja frontal
é somente pouco mais larga do que a supraocular.
Finalmente, El. fischeri difere de El. decoratus e El. maregravii,
bem como das demais espécies da citada divisão III, B, 2 do
Boulesger, pelo carácter essencial da divisão III, B, 3, em quo
devo ser inclukhi, isto é, pela já assinalada contiguidade «la sin-
fisal às mentais anteriores.
(“i O. A. Bonntn — -p. ot., p. 41R
cm
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IS
Contribuição para o conhecimento dos ofídios do Brasil
IV
Lachesis insularis sp. n.
(Estampas IV e III, figs. 1-5)
Número «le exemplares — 203.
Descrição — Cabeça muito larga na região temporal; focinhl
relativamente curto © estreito; corpo delgado e um tanto acbatad|
lateralmente; cauda curta, ligeiramente preênsil.
Focinho an lo e estreito: canthus saliente e pouco kl
d estreita, um pouco mais alta do que larga. IiV
temasais geralmente em contacto atrás da rostral c levemente esl
cavadas em goteira. Cantai mais ou menos plana, levemente iiJ
dinada para fora, cêrca de duas vezes tão longa quanto larg;j|
geralmente t io longa e um pouco m;ús lar. i do que a inter
nasal. Supraocular pequena, cêrca de duas vezes tão longa quantl
1 a iva. levemente inclinada para fora, lisa ou rugosa, quási semprl
inteira (dividida sòmente, no sentido transversal, em dois cxeml
piares, n.°« 1.857 e 1.903). Escamas da parte superior da calxxg|
pequenas, carinadas, imbricadas, em 7 séries longitudinais ent
as supraoculares (entre os 203 exemplares, 25 têm 6, 24 têm
2 têm 5 e 1 tem 9 séries), substituídas na parte anterior, ent
cantais, geralmente por um par de escamas grandi I
placas, juxtapostas, quási sempre lisas e separadas adiante poJ
uma outra escama grande, ímpar, situada no ângulo das interl
nasais, apresentando-se as tr -s algumas vezes margeadas por mil
núsculas escamas. Nasal dividida. Preoculares 2, a superior, maior|
atinge o eanthus. Posteeulan-s 2 (10 «wniplares têm >''in>-nt<-
ã direita, 40 têm somente 1 à esquerda, 4 têm 1 á direita
querda, 6 têm 3 à esquerda, 5 têm 3 â direita e 1, o n.j
1.898, não tem postocular â direita). Uma só subocular, sepal
rada das supralabiais por uma série do escamas (em 29 exeml
piares ha 2 séries à esquerda o em 16 ha 2 séries à direita)l
Temporais todas fortemente carinadas. Supralabiais S (25 cxem|
piares têm 9 à dir :u 9 à 4 ôm 9 dc
<lois lados), a 2.» unida i prefrenal, formando a borda anteriol
do buraco lacrimal (nos dois lados dos 903 exemplares, 10 vezeJ
não a forma â direita, outras i0 v ••/...• s não a fonu.i i o.-querd
e 21 vezes não a forma dos dois lados). Escamas • ii 25 sorie
longitudinais (exoepto em 37 exemplares Ç $ que apresentam 2l
séries, em 6 que apresentam 26 séries, em 4 que apresentam 2|
séries e em 24, sondo 19 d" cf , que apresentam 23 tódaJ
fortemente carinadas desde a cabeça até a extremidade da caudal
a carina, que é alta e longa, eston lese até a extremidade posl
I
piares d" c 176-195 em exemplares 2 $ . Anal inteira. Subcauc
48-65, sendo 55-65 em exemplares d* cf . e 48-59 em exemplare
2 2 , tôdas pares, ou algumas inteiras, mormente em exempla
cf <f , conforme se vê no quadro anexo. (Lista de exemplares)!
cm
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Lista de exemplares de Lachesis insularis sp. n.
An. das Mexn. do Instituto de Butantan — Voi. I - fase. 1 (Ofiologia) 19
Lista de exemplares de Lachesis insiilaris sp. n.
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Lista de exemplares de Lachesis insularis sp
Contribuição para o conhecimento dos ofídios do Brasil
Lista de exemplares de Lachem itmtlarü sp. n.
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. 1 - fase. 1 (Oiiologia) 23
cm
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Lista de exemplares de Lachesis insularis sp. n.
Contribuição para o conhecimento dos ofídios do Brasil
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Lista de exemplares de Lachesis insularia sj>. n.
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 23
cm
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Lista de exemplares de Lachesis insularia sp. n.
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofilogia) 27
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Lista de exemplares de Lachesis insularis sp. n.
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Contribuição para o conhecimento dos ofídios do Brasil
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Lista de exemplares de Lachcsis insularis sp. n.
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 29
cm
2 3 4
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Lista de exemplares de Lachesis insularia sp. n.
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Contribuição para o conhecimento dos ofídios do Brasil
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Lista de exemplares de Lachesis imularis sp
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia)
O* exemplara* n*. • tlHi foram remetido* em 4 -IX • r*‘ll pelo Sr. Luii Martin* «lo Almeida; o« de n*. l.Wl, 1251» 1731, 1785 . 1780 r 1 H*>1 • 1880 foram r «metido» em
a<c '*tn r «atembru de li»ld pelo Sr. Cirilo da (*o*ta (lama; o* de n* 1«S7 • 1**1 e li«!7 • lí>77 foram remetido* entra outubro do UMH e setembro de 102Q paio Sr. António
Kaperidtio da Silva; o* d# nt. 1HUJ. I1Q0 e IWS*'J00l foram jM>r mim traiido*, por \olta de ‘I axeu r»«'*a* que tia ii liba da Queimada Grande, re*pactívamcnta, em abril r
novembro da ltr«íO; o* da n*. Ü08l*8â0 foram remetido* em deiembro de IWt) pelo Sr. Joaquim da Soma Teixeira.
N*OTa: Atrm deste*, já ralalogados, tenho vivoa, ani observado, ma»* tti exemplaree. ruja biologia e«tou reproduiindo expariraantalmenta.
32
Contribuição para o conhecimento dos ofidios do Brasil
Pardo-amarelada no dorso, apresentando geialmente de cada
lado uma série de manchas completas ou divididas, espaçadas,
estreitas, triangulares, quadrangulares ou lineares, opostas ou al-
ternadas com as do outro lado e algumas vezes quási imper-
ceptíveis ou mesmo ausentes; cabeça também pardo-amarelada,
sem qpnchas e sem lista atrás dos olhos; ventre amarelo-claro
ou esbranquiçado, inteiramente uniforme ou, em alguns exempla-
res, levemente salpicado de pardo-claro sôbre o lado das ven-
Irais. Jovem róseo- amarelado até róseo -pardacento no dorso, com
manchas pouco perceptíveis e ventre branco-amarelado.
Dimensões — O tipo (exemplar $ , n.° 1.996) mede 735 mm.
de comprimento total e 98 mm. de cauda. Entre todos os exem-
plares, o maior é uma $ que mede 1 motro de comprimento
total e 118 mm. de cauda Dos 203 exemplares examinados, os
10 maiores são § ?•
Procedência — Todos os exemplares procedem da Ilha da
Queimada Grande, situada no litoral do Estado de S. Paulo, a
cerca de 40 milhas a S.O. da barra de Santos. De acordo com
as observações que tenho feito sôbre as espécies de ofidios exis-
tchtes nas diversas ilhas e pontos do nosso litoral, estou con-
vencido de que * Lachesis insularia só ocorre na Ilha da Queimada
Grande. Esta Ilha é, seguramente, em relação à sua pequena
superfície, o ponto do globo em que ha maior número de ofidios.
Tipo — Exemplar $ na coleeção de ofidios do Instituto do
Putantan sob n.° 1.996. A estampa IV, ern tricromia, representa
ficlmcnte o colorido dêsse exemplar que é um dos mais escuros
da coleeção e que foi sacrificado pouco antes da muda da pele.
Motas .i do ponto de vista pura-
mente sistemático, parece próxima de duas outras Crotalinae que
ocorrem frequentemente no Brasil, onde são vulgannente conhe-
cidas, respectivamente, pelos nomes de «Jararaca» e de «Caiçaca».
Antes, porém, de estabelecer a diferenciação entre elas, cum-
pre- me fazer sôbre a «Jararaca» e a «Caiçaca» um ligeiro co-
mentário. resumindo alguns dados de um trabalho que cm breve
pretendo publicar, sôbre a distinção das nossas diversas Lachesis,
em aditamento à excelente monografia de Miss J. B. Procter,
concernente às variações da Lachesis atrox ( ,s ).
A identificação da nossa «Jararaca» com Lachesis lanceolata,
descrita por De LacEpEdk( , s ) para a Martinica e talvez para a
Dominica e Guiana francesa, o a da nossa «Caiçaca» com Lachesis
atrox (L.), embora já estejam aceitas pela maioria dos autores,
parece-me, todavia, repousarem om dados pouco seguros o serem
passíveis ainda de discussão e de emenda.
1 u ) Mi« J. B. I*Rocm — “On th« variitioa of tfcc Pit-viprr, air+s’\ im I*roc. of the
ZooL Scx*. of Lotulon. 10IS; voU. I • Ui pp. l&J-Iífií.
i *) Dk — "HUtoir* N*t .r«l> «Ir« S^rponU’*. 17*0. p. I21 f * A. G. l)««xaarvft “Oeavre»
du Conit* Ucíp^Je”. 1S28; pp. pL 29, fip I.
SciELO
10 11 12 13 14 15
An. das Mem. do Instituto dc Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 33
Dc referência a L. lanceolata, já em ISTO A. Dimerij, o
Bocourt ( 1 ‘) haviam ] xisto dúvida na identidade de exemplares
da espécie originária dc» Brasil com os da Martinica, tendo as
smaladc as diferenças que entre as duas puderam notar no nú-
mero de séries de escamas dorsais e de placas veutrais, na con-
formação da placa rostral e na coloração do ventre.
Tendo comparado os caracteres de 4.353 exemplares da nossa
'-Jararaca , procedentes dos Estados de S. Paulo (inclusive o li-
toral), Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio, Espirito
palito. Minas e Baía, com as diversas definições de L. lanceolata,
da Ilha da Martinica, dadas por Dk LacEPEde, Schlegel ( i8 ) e
Dumerii. e Bibron ( 19 ), ás quais correspondo um exemplar que
examinei, procedente dessa Ilha, enviado pelo Museu de Paris
e actualmente sob n.° 2.034 na colecção do Butantan — pude
certificar-me do que realmente, entie as duas espécies, existem
diferenças sobretudo patentes no colondo do ventre, na forma
das manchas dorsais e no númoro de placas ventrais, que é
constantemente menor na «Jararaca» brasileira do (pio na es-
pécie chi Martinica. Os 4.353 exemplares de «Jararaca» que exa-
minei, são assim descriminadas: 4.234 recebidos pelo Instituto de
Butantan entre 1.» de julho de PJ20 o 30 de junho de 1921 u
aproveitados na extraeçáo de veneno; 75 existentes na colecção
de ofidios do mesmo Instituto; 40 existentes na colecção do Museu
Paulista; e 4 pertencentes à colecção do Posto anti-ofidico do
Butantan na Baia. Nesses exemplares, de cuja procedência bra-
sileira sempre procuiei cortirjear-me em absoluto, os maiores nu-
meros de veutrais por mim observados foram: 1 1G cm um exem-
plar procedente de Prainha de Iguape (litoral do Est. dc S. Paulo),
s °b n.° 1.076 na colecção do Butantan; 115 em um exemplar
proeedente de M. Guandu (Est. do Espirito Santo), sob n.° 1.019
mi colecção do Butantan; o 114 cm um exemplar procedente da
Ilha dos Porcos (litoral do Est. de S. Paulo), sob n.° 655 na
eolecçáo do Butantan. Posso afirmar que os exemplares com mais
de 210 ventrais são de todo ponto excepcionais; na grande maio-
n j\ dos que examinei o número dessas placas oscila entro
175-210. ou seja, aproximada mento, o mesmo que, cm média, já
Vitai» Brazil ( 20 ) havia assinalado. Pelo contrário, nos exemplares
seguramente oriundos da Martinica o número dc ventrais pareço
ser sempre de 220 para cima.
A prioridade da determinação scientifica da «Jararaca», em-
bora o colorido desta cobra se assemelhe em alguns pontos com
0 da espécie que Jean Wagler ( J1 ) em 1824 descrevera com o
nome de Bothrops megacra, não pode ser atribuída a éste autor,
devido aos erros quo cometeu, guiado por meras variações de
i »n r '. A* * I Bococít — “Etod* wr U* rri»hlH et Ie« kalncMu", í« aool.ponr mttr
• ibftoire de U Uune de I Aroen^tie Central et da Méxiqu*. 1V70; vol. II; p. m
(*) II. SciiLCttEl — U physioooQsio de* •erpent*'*. 1S37, pp. 6&-&4<>.
1*1 IhmtxiL à B«* 0 X - -Erp^tologir gtofeole”. 1«4; toL VII; p. 1-5C&.
<"> VrTAt Bttzrx. — “L« Dcf«n«« contre rOphidUm*”. 1914; p. 51.
**> J râa Spix ** Serpeo t um brm.*ilien«um «perto* nevoe**. U aro, ISU.
3
34
Contribuição para o conhecimento dos ofídios do Brasil
colorido, na descrição, aliás muito insuficiente, das suas quatro
espécies brasileiras de Bothrops.
Essa prioridade passa, pois, para Maximilian, Príncipe de
Wied, que em 1825 ( 2 -) denominou Cophias jararaca ( 23 ), entre outros,
a um exemplar jovem, cuja gravura, embora acompanhada da
legenda « Cophias atrox Mcrr.» representa perfeitamente a «Ja-
raraca», e cujos caracteres, por êle assinalados no texto, coincidem
em suas linhas gerais com os que foram por mim verificados
nos diversos espécimes que estudei.
Assim sendo, passarei a identificar a nossa «Jararaca» com
a espécie Lachesis jararaca (Wied).
De referência à identificação da «Caiçaca» com Lachesis atrox
(L.) ( 21 ) o problema afigura-se-me por enquanto insolúvel, porque
recentemente, de acordo com o estudo de L. G. Axdersson ( 2i )
que verificou ser baixa e longa ao-invés-de elevada, conforme
Lixxaeus descrevera, a carina das escamas de L. atrox, J. B.
Phocter, em sua citada monografia, passou a identificar com
Bothrops (Lachesis) affinis GraY os exemplares até então des
critos com o nome de L. atrox, mas cujas escamas apresentam
carina alta e curta.
Tal carácter, todavia, conforme a própria Miss Procter re-
conhece, não é fixo, de acordo com o que observei em 2*28 exem-
plares desta espécie, procedentes dos Estados de S. Paulo, Minas,
Goiás, Mato Grosso, Baia, Pernambuco, Ceará o Pará e de Su-
rinam, na Guiana holandesa. Dêsses 2*28 exemplares, 202 foram
recebidos pelo Instituto de Butantan entre 1 de julho de 1920
e 30 de junho do 1921, jwira extraeçáo de veneno; 10 pertencem
à colecçáo de ofídios do mesmo Instituto; 3 fazem jKirte da co-
lecçáo do Museu Paulista; 1 da do Posto anti-ofidico do Butantan
na Baia; e. 9 procedem de Cametá, Estado do Pará, donde me
foram ha pouco enviados pelo Sr. Francisco Lopes Martins,
agricultor naquele logar.
Embora a maioria dêsses exemplares apresente escamas com
carina alta e curta, em muitos deles, porém, a carina é baixa
e longa.
Por isso, diante da ausência de um carácter fixo que pu-
desse modificar a minha opinião, continuo a identificar a «Cai-
çaca» brasileira com Lachesis atrox (L.).
( ■ ) Maxiviliax, Fr nirn «a — "Beitrftç* «ar N*tunc**chichte roo Bratilien” — Weimmr.
1«25; p. 4T<X
'■) Alii* “J*r*rakkm**.
(*•> Lrrxâir* — Mu«eum A-iolpbi Frid*rici r. 1754; voL I; p. 39; Ub. 22; fig. 2L
(») La*$ Gamou. A^ouajon — ~Cat«Io<nc of Iinnean Tjrp*-«pmm*n» of «nak» ia th« Royal
Ma*»mn of Stockolm’* — »• Mhang till KoogL Sm*ki Vttemkip^Abíímifa» Haadlmgjr. 19W*; v. 24.
f. IV; n.* 6; p. 20.
(** i J. F. Chat — ~Cau!ogue of RtpUio*’*. F. III: Scukrt. 1*49; p. 7.
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 33
As diferenças principais entre L. jararaca (Wied) e L. atrox (L.)
residem no colorido da cabeça, do dorso e do ventre, na forma das
manchas do dorso e no número de supralabiais. Do colorido e das
manchas Vital Brazil occupa-se em seu livro. As supralabiais etn L.
atrox (L.) são geralmente em número de 7, ao passo que em
L. jararaca (Wied) são geralmente em número de 8. Vital Brazil
assinala 7/7 supralabiais para L. atrox (L.) e J. FlorExcio Go-
mes (-*), em 5 exemplares perfeitoe e em 100 cabeças de L atrox (L.)
procedentes do Estado do Pará, verificou que os 5 perfeitos a 95
cabeças (* 1 *) apresentavam 7/7 supralabiais, 2 apresentavam 8/8 e
3 apresentavam 8/7.
Examinando os 228 exemplares de L. atrox (L.) a (pie acima
me referi, encontrei 7/7 supralabiais em 215; 8/7 em 11; e 8 8
em 2.
Pelo contrário, nos 4.353 exemplares de L. jararaca (W iel>)
acima enumerados, verifiquei que 3.710 apresentavam 8,8 supra-
labiais; 346 apresentavam 7/8; 180 apresentavam 9/8; 108 apre-
sentavam 8/9; c 9 apresentavam 9/9.
Além dêstes dados, lia um, o de ordem zoogeográfica, que
me parece de alta valia na distinção das duas espécies.
Com efeito, Lachesis jararaca (Wied) só ocorre, na América,
no hemisfério meridional e sua presença no Brasil só têm sido
até agora seguramente assinalada aproximadamente entre o pa-
ralelo de 30° S. (Estado do Rio Grande do Sul) e o de 10° S.
(Estado da Baia).
Lachesis atrox (L.), pelo contrário, ocorre na América, nos
dois hemisférios, o septentrional e o meridional e, no Brasil, a
área de sua distribuição começa a N.O. do Estado de 8. Paulo
e S. do Estado do Mato Grosso, nas proximidades do paralelo
de 23° S„ estendendo-se até o extremo septentrional do pais, além
do equador.
Tais dados, concernentes à distribuição das duas espécies no
Brasil, tirei-os no registo do Instituto de Butantan que, de quási
todos 06 Estados tio Brasil, tem recebido, desde a sua fundação,
um número sempre crescente de ofídios, numero (pio para os
últimos seis anos se acha assim descriminado:
ASOS
ToUI de cobrai
recebidas
Etpéclet
veaeaoMf
1915
5.025
3.568
1916
4.832
3.535
1917
6.133
3.833
1918
6.416
4.678
1919
7.762
5.815
1920
11.4C0
8.370
(") J. KtotttCJO r.oMU - _Cor.tnbuH»o pir> o conhecimento do» ofídio» do II I — Ofídio»
4® Mn>«n í-âTMno", im l«e. n /4 |>. TI.
1») Por nono. nr-»» tmballio »r lê Sõ rm-vei-d» S«, conforme e»U*n no onjinnl do A.
36
Contribuição para o conhecimento dos ofídios do Brasil
Restabelecida assim a identificação das duas importantes Cro-
taliueas que ocorrem no Brasil, a « Jararaca » com L. jararaca
(Wied) e a «Caiçaca» com L. atrox (L.), passarei a assinalar
os caracteres diferenciais quo se podem notar entre élas, de uma
parte, e a nova espécie L. insularis, de outra parte.
Lachesis insularis, tendo o dorso de côr pardo-amarelada mais
ou menos intensa e o ventre amarelado ou esbranquiçado, quási
sempre uniforme, e não possuindo mancha na cabeça, nem faixa
escura atrás dos olhos, distingue-se à primeira vista de L. jararaca
e dc L. atrox.
■Lachesis insularis è uma espécie delgada, que não atinge grande
tamanho, pois a maior que encontrei até hoje, um exemplar $>
(n.° 1.900), tem 1 metro do comprimento. Pelo contrário, L. ja-
raraca desenvolve-se muito mais, ficando volumosa e atingindo
até l, m 400 a l, m õ00 de comprimento; e L. atrox fica ainda
mais grossa, atingiudo também l, m 500. conformo observei em
3 exemplares da colecçáo do Instituto do Butantan (n.°* 1.346,
2.035 e 2.036), todos procedentes do interior do Estado de S. Paulo.
Lachesis insularis possui cauda ligeiramente preênsil; L. ja-
raraca e L. atrox têm cauda não preênsil.
Lachesis insularis tem o focinho relativamente mais estreito
e mais curto do que o de L. jararaca o L. atrox ;| e sua cabeça
se alarga na região temporal muito mais acentuadamente do que
nestas duas espécies.
Lachesis insularis apresenta 3 escamas maiores, mais ou
menos lisas, juxtapostas, como placas, que quási sempre so
distribuem em um par posterior entre as duas cantais o em uma
mediana, anterior, impar, situada atrás do ângulo das interna-
sais, disposição qua não se encontra nem em L. jararaca, nem
em L. atrox.
O número mais elevado de ventrais (195) que so observa
em L. insularis nunca atinge o quo so pode encontrar em L. ja-
raraca e L. atrox.
Alêm destes caracteres principais, do ordem anatómica, ou-
tros, ha, de ordem biológica, pelos quais L. insularis ainda mais
se afasta de L. jararaca o de atrox.
Tais caracteres, do ordem biológica, são tão acentuados, quo
por êles é que fui conduzido a fazer o estudo sistemático desta
nova espécie. Foi o caso que, tendo ha cêrca de 2 anos iniciado
observações com o intuito de conhecer a biologia das serpen-
tes brasileiras, corto dia fui surpreendido com o descobrimento
de penas no estômago o nas fezes de 5 exemplares desta espécie,
pertencentes a um lote que, a 28 de setembro de 1919, eu re-
cebera da Ilha da Queimada Grande. Tal facto era inteira-
mente novo, pois, conformo Vital Brazil acentua ( í9 ) o consoante
(") »r.rU , p. Tí*.
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 37
observações feitas durante muitos anos no Butantan, as Crota-
lineas brasileiras conhecidas (3°) se alimentam exclusivamente de
pequenos roedores.
Guiado por essa preciosa indicação, passei a fazer o estudo
do veneno que havia retirado dos citados espécimes e, com maior
surpresa ainda, verifiquei que, não somente as propriedades, como
sobretudo a actividade tóxica do mesmo, eram bem diversas das
do veneno das outras Lachesis brasileiras.
Animado por êsses resultados preliminares, resolvi visitar a
Ilha da Queimada Grande e estudar ali a biologia da nova es-
pécie.
Conforme se verá na parte II do presente trabalho, Lachesis
insularis vive sõbre árvores e arbustos e nutre-se do pássaros.
É, pois, a primeira Crotalinea dendricola e avivora ao mesmo
tempo, que se assinala no Brasil.
(*•> Excepto L. hilimmi* <W®>> e L. mu LiCZXOA, que. •«fundo ireri&quri etn
Umbêtn *e nlunenUzn de bitricÍM.
SciELO
“Contribuição para o conhecimento
dos ofídios do Brasil” - A.
Parte II
Biologia da nova espécie, Lachesu ituularU
Biologia da nova espécie, Lachesis insula ris
Estudei a biologia desta espécie no decurso de duas excursões
que realizei ao seu habitat natural, a Ilha da Queimada Grande,
onde fiz um número bem apreciável de observações que, mais
tarde, tentei reproduzir e consegui com inteiro êxito, em um vi-
veiro adrede preparado no parque do Instituto do Butantan. A
primeira excursão, que durou oito dias, foi feita em começo de
abril de 1920; e a segunda, que «lurou dez dias, foi realizada
em novembro do mesmo ano.
Ilha da Queimada Grande — Situada no litoral do Estado de
S. Paulo, a cêrca de 40 milhas a S.O. da barra de Santos, esta
üha é constituída por uma grande rocha muito escaq>ada. coro
pouco inais de 1 km. 2 500 de superfície, o nela o Ministério da Ma-
rinha mantêm um pequeno farol de 4.» classe (Estampas V; VI,
Hg. 1'; VII). Circundada de quási todos os lados do enormes
rochedos que servem de pouso <ierto o de abrigo seguro a mer-
gulhões, gaivotas o outras aves marítimas e desprovida do en-
seadas protegidas (Estampas VI; fig. 2; VIII, figs. 1 o 2), ó in-
teiramente inacessível, quando o mar está revôlto. Habitam-na
3 a 4 Earoleiros e 1 a 2 marinheiros, os quais são obrigados a
daptar águas pluviais para suas necessidades alimentares, pois
ali não se encontra nascente de água potável.
A carência absoluta de recursos é o facto que mais impres
siona a quem ali aporta. Para cúmulo • dô infelicidade, os seus
moradores do vez em quando se vêem privados até das próprias
galinhas que criam para sua subsistência, pois que, sendo iá
o «paraiso das cobras», êsses pobres animais são frequentemente
dizimados pelai Larhesis insula ris, cujo número é deveras assom-
broso. Basta referir que, ao contrário do que poderia ter sucedido
tora daquela paragem, pude ali fácilmente colhêr 12 exemplares
da Larhesis na minha primeira excursão o 24 na segunda, sendo
que, até hoje, o Instituto de Butantan já do lá recebeu 463 exem-
plares dessa cobra, dos quais 203 foram conservados e incor-
porados à colecçáo do ofidios o 32 estão sendo criados actual
mente em viveiro.
■VI ôm desta espécie do ofídio, só Dipsas albifrons (Sauv.) ocorre
na Ilha, onde, no entretanto, parece rara e vive sóbre arbustos,
alimentando-se do lesmas (Vagi nula sp.).
De acordo com observações muito minuciosas por mim pro-
cedidas e confirmadas pelo inteligente faroleiro, Sn. Antônio Es-
PERIDIão da Silva, pude certificar-me logo na primeira excursão
de que Lachesis insularis, embora seja provida de pupila confor-
mada para a vida nocturna, tem também hábitos diurnos (quo
42
Contiibuição para o conhecimento dos ofídios do Brasil
talvez no momento já sejam exclusivos), condicionados por suas
necessidades de alimentação. Frequentes vezes vi exemplares em
graude actividadc durante o dia, mormente entre as 9 e as 11
horas da manhã e as 3 e 5 da tardo, anormalidade cuja expli-
cação logo depois eu descobria no género de alimentação desta
espécie.
Ela é exclusiva mente dendricola, costumando encontrar-se so-
bre árvores e arbustos providos de pequenos frutos, onde per-
manece muita vez por vários dias à espera de sua presa cos-
tumada.
Além disto, é exclusivamente avivora: quando algum pás-
saro, incauto, chega, saltitando, à procura de frutinhas amadu-
nocidas, para comer, e pousa nos galhos próximos ao em que ela
se acha, ou mesmo sobre o próprio corpo dela, sem demora é
surpreendido pelo boto de sua inimiga que, certeira, quási sem-
pre o atinge no peito ou no pescoço. Se, porventura, a avezinha,
já morta, cai ao chão quando mal apreendida, a Lachcsis cal-
mamente desce, quer pelo tronco da própria árvore, quer por
algum cipó mais próximo, indo procurar no solo a sua vitima.
Facto tão curioso, no entretanto, só foi por mim observado
três vezes; quási sempre a cobra inocula o veneno no pássaro
e retêm-no, começando sem demora a enguli-lo pela cabeça.
Dentro de 10 minutos em média (*), terminada a deglutição,
a cobra começa a descer da árvore, indo fazer a digestão sôbro
cipós ou gravetos, ou mesmo sobre o solo, ao lado do tronco ou
na concavidade de alguma pedra.
As árvores que na Ilha são preferidas para pouso da Lachcsis
são aquelas justamente cujos frutos são mais disputados pelos
pássaros Entre elas posso citai': Trema micrantha (Sw.) E.VGLER
(« Crindeuva»), Cordia curassarica Frksen (« H erva-baleeira >),
Rudgca aff. coriaeea K. Sch. («Café de pobre») c duas Mirtá-
ceas, uma, Eugenia sp. («'Aperta- gula»), e outra vulgarmente co-
nhecida pelo nome de Murta». Muito cxeepcionalmente encontrei
exemplares da Lachesis qftbro árvores descarregadas de finitos:
a fig. 2 da est. X reproduz justamente a fotografia de um exem-
plar a G metros do solo, sòbre um galho de Rajxinea guianensis
Aubl. (« Capororoca»),
Finalmente, costumam também encontrar-se exemplares dela
enrolados sòbre a haste floral de Gramineas, na época da fruti-
ficação, que, como se sabe, atrai bandos de passarinhos.
As espécies de pássaros que na Ilha são mais frequentemente
vitimadas pela Lachesis são: Elacnia mesoleuca (C.VB. ET Heine),
vulgarmente conhecida pelo nome de «João-tolo»; Sinro/dnta cac-
rulcsccns (BoNN. et Vieill.), vulgarmente conhecida pelo nome
de «Papa-capim»; e, algumas vezes, Platycichla flavipes (Vieill.),
vulgarmente conhecida pelo nome do «Sabiá-una». Em captiveiro
*) Alsfutnxi vfie* muito mai<, outras muito m*no». «le acúrdo com o volume do j ia«aro e o ta-
manho «la cobra.
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 43
elas se nutrem facilmente com Brachyspiza capensis (MüLL.), vul-
garmeute conhecida pelo nome de «Tico-tico».
Essas passagens acham-se reproduzidas nas diversas fotogra-
fias constantes das estampas IX. X, XI, XII, XIII, XVI e XVII
que correspondem a alguns dos muitos instantâneos apanhados
pelo fotógrafo e pelo desenhista que me acompanharam, respe-
ctivamente, o Sn. .1. Domixgces dos Santos, na 1.» excursão e o
Sn. C. R. Fischek, na 2.» excursão.
Além destes, muitos outros factos interessantes pude acompanhar
na Ilha da Queimada Grande, dos quais os mais importantes con-
cernem à influência que os ventos exercem sòbre o aparecimento
das cobras. Quando, p. ex., acossadas por um rijo vento do X.O.,
nuvens de pássaros fogem do litoral em demanda da Ilha. não
tarda que as Lachcsis comecem a aparecer no lado S.E. da mesma,
justamente onde os pássaros fugitivos costumam procurar abrigo.
Outras vezes, quando é o temporal S.O. que sobrevêm, impla-
cável, trazendo a inquietação ao espirito dos plácidos morado-
res do logar, é pista segura procurarem-se as cobras na ver-
tente X. E., para onde são os pássaros impelidos.
Com os exemplares que trouxe, vivos, pude continuar no
Instituto as minhas ohservaçòes, tendo apurado que êles, ao
contrário do que se dá com outras Lachcsis, pouco ligam à
presença de pessoas, alimentando-se som dificuldade (Estampas
XIV e XV) e até copulando em cativeiro, contanto que as con-
dições ambientes se aproximem daquelas sob que vivem na Ilha.
A época do cio começa geralmente em agosto, indo até meiados
de setembro. A cópula, que é muito demorada, passa-se geralmente
em cima de árvores, ou algumas vezes no solo.
Os filhos começam a nascer na 2.-* quinzena de janeiro
e procuram logo esconder-se sob as folhas sêcas ou sob musgo
que encontram no solo.
Concluindo estas notas sóbre a biologia, julgo conveniente
trasladar para aqui, em rápido resumo, alguns dos dados prin-
cipais de uma monografia que, a respeito das propriedades do
veneno de Lachcsis insula ris, já estou elaborando.
O veneno dela tem aproximadamente a mesma reacçáo e
coloração que os de Lachcsis jararaca (WlBD) c de L. atros (L.).
Contudo dêles se diferencia pelas propriedades hemoliticas, pro-
tcoliticas e coagulantes e, sobretudo, pela actividade tóxica que
nele é muito mais elevada.
Assim, p. ex., para o pombo que é um dos animais que mais
bem se prestam a tal género de experiências, já pela sua sen-
sibilidade especial, já pela constância dos resultados quo apre-
senta, a dose mínima mortal do veneno de Lachcsis insularis é
SciELO
44
Contribuição para o conhecimento dos ofídios do Brasil
de : por via venosa — 0 gr. 000004 contra 0 gr. 000010 e 0 gr. 000020
que são, respeclivainente, pela via venosa do pombo, as doses
mínimas ínortais dos venenos de L. alrox e L. jararaca ;• e por
via muscular — Ü gr. 000040 contra 0 gr. 000500 e 0 gr. 000700
que são, respectivamente, pela via muscular do pombo, as doses
mínimas mortais dos venenos de L. jararaca e L. atrox.
Tão notável diferença manifesta-se ainda na acção neutra-
lizante que a anti-toxina exerce sobre êsse veneno, pois um sõro
especifico para L. jararaca que por 1 cc. neutralize 0 gr. 002G
do veneno desta espécie, só pode neutralizar 0 gr. 001 do veneno
de Lachcsis insula ris.
Finalmente, experimentaudo com pássaros, observei que para
êstes a actividade désse veneno também é muito forte, bastando,
p. ex., 0 gr. 000010 para determinar, por via muscular, a morte de um
«Tico-tico», Brachyspiza capensis (MCLL.).
< = r£r = >
ANEXOS
das
Memórias do Instituto de Butantan
Secção de Oíiologia
Vol. I - Fase. 1
TRANSLATION
“Contribution towards the knowledge of
snakes in Brazil”-A.
by
d*, afránio amaral
from the Ilutantan Inatitutc;
1921
Comp. Melhoramento* de S. Paulo
Caieira» S. Paale c Kia
SciELO
INTRODUCTION
This is the first of a series of studies which 1 intend to publish undcr thc
title of “Contribuição para o conhecimento dos ofidios do Brasil'' (“Contribution
towards the knowledge of snakes in Brazil”), in continuation of the series started
by J. Florêncio Gomes, my esteemed antecedent in this Department of the Butantan
Institute.
In Part I of this work I shall describe four new species of Brazilian snakes:
Helicops gomesi, Apostolepis polylepis, Elaps jischeri and Lachesis insularis. Part II
will be devoted especially to the biology of the new species, Lachesis insularis.
S. Paulo, Butantan Institute, July 1921.
jfifrânio jfimarat
SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
Contribution towards the knowledge of
snakes in Brazil - A.
Part I
Four new spccies of Brazilian snakes
4
I
Helicops gomesi sp. n.
( Plate I; figs. 1-4)
Xumber of specimens — 13.
Typc description — Adult $ . MaxiUary tectli 18, increosing
in size posteriorly. Small cyes. Rosiral visible from above, broader
than deep, in contact with tlio intemasal. Semi-divided nasal with
nostrils directed upwards. Frontal with median longitudinal salience;
rounded posterior extremity; as wide in front as in back; about
three times as loug as broad (6,25 :2,25); louger than its distauce
from lhe end of the snout, as long as tho parietais and twice
a nd a taalf as long as the diameter of the eye (6,25 : 2,5). Loreal
deeper than long. Praeocular 1. Postoculars 2. Temporais 1 -f- 2,
all smooth. Upper labiais 8, the 4 th. in contact with lhe oyo.
Lower labiais 10, 6 in contact with the chin-shields, only 4 in
cotUact with the anterior chin-shields that are a little shorter
than the posterior (5,5:7). Convex head plates, accentnated at
the borders so that the sutures aro very deep. Scales in 19
rows, strongly kceled, except those of the posterior temporal and
the contiguous occipitais wliich are smooth; keels very slight
the lst. row (externai). Ventrals 131, rounded. Anal divided.
Subcauclals 67 pairs.
Olive-brown or slight ly greenish above with a series of dark
blotches of irregular form along either side, elongatod transversally
and narrower above. Thcse aro direeUy opposed to, or soinetimes
nlternate with those of the other side and cxtend as far up as
the 6th., 7th. or 8 th. row of scales and down to the belly;
towards the front to the nape, and towards the back to the
ç nd of the tail. Auother series of smaller blotches of the same
color, rhomboidal or irregular, beginning at the nape, covering
the vertebral region and placed in corrcsj)ondence to the intervals
hetween the afore mentionel spots from which thcy are generally
separated by light-brown spaces, which run in crooked or zig-zag
tines. A light yellow iiiterrupted stripe forrned by an aggregation
°f spots at the point whcre the dark spots of the back, above
described, pass to tho belly; mentais, lower labiais and gulars
yellow with black blotches o r spots. Belly ^brownish yellow, greenish
°r olive color, with a series of black blotches, incomplete, placed
°n either side in continuity with thoso on the back. These are
variable forni, much longer than broad and have in thedr
intervals other small black and irregular blotches.
SciELO
52 Contribution towards the knowledge of snakes in Brazil
Dimensions — Tot-al length 695 mm. Lengtli of tail 200 mm.
Ilahitnt — State of São Paulo.
Type — N.° 1.843 of the Butanlan Institute snake collection.
Reçeived alive on XII-4-1919 and collected in Costa Pinto Staíion,
Sonocabana Railway, by Mr. AxtOXIo Vito d’Alkmim.
Xote — Tliis first species is dedicated to the esteemed deeeased
nssistant of this Institute, Dr. João FlorExcio Gomes who initiated
me in the systematic studies of snakes.
Yariations — Besides this type 12 other specimens of this
species were examined. AJ1 are from the interior of the State
of São Paulo. Yariations found were as follows:
Ventrals, 123-132. Anal divided. Subcaudals, 34 -{-n — 94 pairs.
Frontal with mcdian longitudinal salience more orless accentuated,
excepting specimon n.° 1.397 in which it is srnooth; its posterior
extremity rounded, excepting specimens n.°* 272 and 455, in which
it is pointed; as broad anteriorly as posteriorly, excepting specimens
n. M 1.391 and 263 (young ones) in which it broadens posteriorly;
nearly throe times as long as broad, excepting specimens n.°*
1.391, 371 and 1.641 in which it is exactly twice as long and
n.°* 273, 1.391 and 1.398 (young ones) in which it is only cnce
and thrce-quarters as long; about twice and a half as long as
the diameter of the eye. Tomporals 1 -j- 2, excepting the specimens
n.°» 1.627 and 1.641 which on the left side have 1+3, n.°* 272
and 274 which have on the right side l-j-3 and n.° 271 wliicli
lias on both the sidcs 1 + 3; n.° 455 bas a small anomalous
scalo below tho inferior temporal plate of tbe posterior row.
Posterior temporais as woll us tho occipitais to which tboy are
contiguous are srnooth on all 13 specimens. Upper labiais 8, 4th.
in contact with the evo, excepting specimens n.°* 271, 155, 1.641
and 272 which have 9 on the right, the 5 th. boing in contact
with the eye (in n.° 262 the 4th. and 5th.). Four lower labiais
in contact with the anterior chin-shields, excepting specimens n.°*
1.397, 271, 1.627, 1.641 and 1.398 in which there are 5 contiguous
to tho anterior chin-shields which are, in tum, as long as tho
posterior in the majority of specimens: n.°* 1.398, 1.391, 1.397,
271, 455, 1.627, 272 and 273. All have convcx head plates with
deep sutures. Scales according to those of the type. Coloration
practically the same in all, there being some diíference only in
the intensity of tho hlotches. Dimensions and habitat in accord
with the annoxed table.
54
Contribution towards the knowledge of snakes in Brazil
Biology — This snake is a very agile and quite aggressive
aquatic species. It is generally found under rocks on the margins
of rivers. As alreadyj meutioned, the 13 specimens are from the
interior of the State of São Paulo, all having been captured along
the Tietê or its tributary rivers. In accordance with the observa-
tions and disseetions made, it feeds on sinal 1 fishes and batrachians.
It is o\iparous and its yotuig are bom between December and
January.
I prepared the skull of n.° 272 showing the maxillary teetb
whieh increase gradually in size posteriorly; rnandibular teoth 18.
palatine 14, pterygoids 16, all sub-equal.
Notes — This is a species very approxiniate to Hclicops an-
gula ta. (L.) of whieh H. Schlegel ( 4 ) cites specimens from Per-
nambuco, Pará and from Brazil in general; G. A. Boulengeu ( 2 )
describes several specimens found in Perú and English Guiana
and, also in Brazil, from Pernambuco, Pará and Upper Amazonas;
and O. Boettger( 3 ) names two whieh were found in Ilhéos
in Baía.
On April 15th. 1919, among 39 specimens of snakes pertaining
to a collection sent from the State of Baia by Prof. PirajA da
Silva, for classification, J. Floréncio Gomes found a II. an-
gu/ata whieh was collected in that State. In 1918 ( 4 ) he found another
specimen of the sarne species in a collection sent by Mn. FRANCISCO
Dias da Rocha, Director of the Rocha Museum, Geará. This
specimen had: Sc. 19; V. 108; A. 2; Subc. 71 pairs. Finally during
same year 1918, J. Florèncio Gomes published ( 5 ) a list of the
snakes pertaining to the collection sent from the Pará Museum,
by Dra. E. SxethlaGE, among wliich there was also found a
specimen of the same species whieh had been collected in the
Curuá river, Pará, and whieh had Sc. 19; V. 120; A. 2; Subc.
76 pairs; Upper lab. 8 (4th.).
In the Butantan Institute collection there are I specimens
of II. angulata, of whieh n.°* 777 (young) and 1.701 were found
in Santa Filomena, State of Piauí, where they were collected by
an agronomist Mb. Francisco IglEsIaS; and n.°* 1.760 and 1.761
coming from the State of Baia, where they were obtained by
Dr. Eurico de Sales Gomes.
In the « Museu Paidista» colloction 1 found 3 specimens of
this species two oT whieh, n.° 1.393 and 1.393, have no specified
origin and one, n.° 1.396, was foiuul on Xovember 1917 in S. Luis
de Cáeeres, State of Mato-Grosso by Mr. Ernesto Garre, travelling
naturalist for that Museum.
1 II. SciiLKon. — *ur U rhy»i.>oomie Swpfnt«", 1W7, v. II, p. 351.
(•) G. A. BorLrNC.ni — “Cntl. of Socket in the Bnt. Hui M , ISSO, r. I. p. 27?.
• •) O. Bonroí:* — “Kataloir der Reptilien-Sommlung ia Mu«<um der $enctenberiri»chen oatur*
íomlifpdfn GeselUchaft”, liH II Teil. Schlaríen ; p. 30.
I Fi"tíxno Gom — “Co atribui-o © tenhuwmto dos ofídios do BruiI M — II —
Ofídio* do iluwi Rocha (Cw«i in Renata do Mu«eu PauH«to. 19IS; i. X; p. 507.
i 1 ) J. FLr*trN:TO Gottx* — “Contribui <;*o parn o conhecimento do» ofídios do Brasil — III —
Ofídios do Vluwu Paraense’* — rn Memória* do [n«tituto de Butantan, 1918, t. I. ía*<% I. p. GO.
55
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia)
In accordance with this data I deduet tliat llelicops angu -
lata (L.) occurs in Brazil, principaUy in regions crossed by Lho
tribotary riveis of the Amazonas, Parnaíba, São Francisco and
Paraguai.
As to the characteristics of this species (II. angula ta) Boulex-
«eh ( 6 ) names the following, ainong other: Frontal once and a luilf
to once. and two thirds as long as broad; temporais 1 or 2 p2 cr 3,
posterior keeled; õ or 6 lower labiais in contact with the an-
terior cliin shields. Ventrals, 102-130. Subcaudals, 61-94. Olive or
grey-bnxwn above, with more or less regular <lark brown, black
edged cross bands, which narrow towards the sides, where they
are usually confluent with the black cross-bands of the belly;
a large rhomboidal black blotch on the nape; lower paris yellowish
(in spirit) with large bLaek spots, or, more frequently, with re-
çular black cross bands.
G. Jax (*) describes among other characteristics the folio w-
ing: 5 temporais (2 — J— 3), one alone in contact witli the pos-
tocidars; 10 lower labiais, first 6 in contact with the chin-shields.
L. E. Griffix ( 8 ) found the following in a specimen whicl)
came frem South America and which exist in the collection of
the Camegie Museum; Ventrals 117, Subcaudal* 74 pairs; IJpper
labiais 9 and 8 (4th.); temporais 2 ; 4.
Besides the foregoing descriptions, I made a minute exami-
nation of the 7 above mentioned spccitnens of 11. angulata pertaining
to the Butantan and Paulista Museum oolloctions, and another
(young) muler n.° 21, which came from Bolivia and pertains tc
a collection of snakes sent by Dn. Pepro Serie of the Buencxs-
Aires Nacional Museum for classification and verified the following
characteristicíu
a) Frontal srnooth, about once and three quarters as long
as broad, terininating postcriorly in an open angle (nearly straight),
only about twice as long - as the dia meter of the eye and, in
all the specimens, widening postcriorly just in front of the extremiiy,
exccpting specimen n.° 1.761 in which it is of uniform widih.
b ) All 8 liave 2 -f 3 temporais. N.° 777, however, lias the
rivo anterior temporais fused on the left; n.° 1.701 has two
temporais, middle and upper, of the posterior row, sepanilcd by
two small supplementary scales; n.° 242 and 21, aceording to
•Iax, have only one superior temporal of the lst. row contiguous
to the postoculars. All have the posterior temporais as well as
the occipitais keeled.
c) In n.°* 1.393, 1.395, 1.396, 21 and 1.701 and only on
the right on n.«* 1.760 and 1.761, there are 5 lower labiais in
contact with the anterior chin-shields. On the left of n.° 1.761
<•) O. A. Boricvjr» — Op. ril.. p. an».
... .. .«’• O J»«. — -Prodromo d-ll« IcooogrmptiM U«n«ral« .i»rl, OMi VIII «rapo: Potamoph;.
■*■«» . M -d-r.». IS84. p. 5'.
•*> V E. liBtm - “A Câíilcí ot Ui» Opilidi» frota South America at pretant Jg:i», I»I6)
con1a.nrd in the Caraeíi» Mi anui with lírtcriptiani oi imm n»w irr-i—" i» Mamo» o! th» Cam»»i»
Mowom. 1918; to!. VIII: n. 3; p. 179.
56 Contribution towards the knowledge of snakes in Brazil
the secoud and tliird lower labiais aro fused. >7.° 1.760 lias on
the left, between the 3rd. and 4th., another lower labial whick
does not come iu contact with tlie anterior chin-shield. X.° 777
lias 6 lower labiais in contact with the anterior chin-shields.
d) In all 8. the head plates are flat, and the respective
sutures are shallow or superficial.
c) The following is the number of ventrals and subcaudals
for each specimen:
Specimens of
H. angulata
Veatrals
Sub-candaU
N.o 777
116
94 pairs
„ 1701
126
SI
n
„ 1760
124
87
»
„ 1761
1 18
101
li
„ 1393
121
62
••
„ 1395
122 .
S2
ii
1396
116
66
»»
21
111
79
ii
/) The coloration of all specimens corresponds to the de-
scription given by Bollengkr. Tliere are, however, slight va-
riations as to the sliade and distribution of tho blotches, especially
on tho belly, where the black transversal rings íire sometiraes
divided in the center, alteniating with thoso of tho side, and
aro always broader tlian long.
In listing the data on the characteristics of H. angula ta (L.)
and making a comparison between the same and those assigned
by me to H. gomes*, the following tablo lias been compiled, whicli
shows the principal differences between the species:
Principal differences between H. gonxesi u. sp. and
II. anyulata (L.)
Hclicops gornest
Hclicops angulata
Frontal shield . . .
In general having a median
longitudinal salience;
General ly of uniformbrcadth;
more than twicc as long as
broad;
Smooth ;
Generally broader in the pos-
terior part;
Once and a halí to once
and threc quarters as long
as broad;
Rounded posterior extremity;
Pointcd posterior extremity;
About twicc and a half as
long as the diameter of the
eye.
About twice as long as the
diameter of the eye.
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 57
Helicops gomesi
Helicops angulata
Temporais ....
1 4 2
2 + 3
Lower labiais in con-
tact with the anterior
occasionally 1 4 3);allsmooth.
(occasionaly 1 + 2 or 3,
or 2 + 2 ou 4) ;
posterior ones kecled.
chin-shields
4 (occasionally 5).
5-6.
Head plates;
convex ;
Hat;
respective sutures. .
deep;
superficial.
Ventrals
123-132
102-130.
Subcaudals ....
34 + n-94 pairs
62-101 pairs.
Dorsal markings . .
3 series of blotches: one on
either side of the back; and
smaller spots on the %-ertebral
line, placed in correspondence
to the intervals of the first
mentioned blotches.
1 series only in the forni
of transverse rings tapering
towards the sides.
Markings on thebelly
Irregular blotches; always
longer than broad.
Gencrally in the for m of rings ;
always broader than long.
II
Apostolepis polylepis n. sp.
(Plate I; figs. 5-8)
Numbcr of specimens 1-
Type description — ? . Conically shaped and very salient
snout.* Very small eyes, measuring in diaineter about l / 4 of tho
distance between thein and the oral inargin. Rostral large, very
pointed, as deep as broad, the portion visible from abo ve twice
as long as Us distance from the frontal.
Intem asais fuscd to tho pne- frontais whicli are l / 3 broader th;ui
long', extending latcrally to the 2nd. upper labial wliicli, with
tho praí ocular and supraocular, divides them from tho eye.
Frontal liexagonal, J. >/s timo a s long as broad, as long as
‘ts distance from the end of the snout, and rauch shorter tlian
the parietais (3,5: 5,0). Nasal entirc, separated from tho pne-
ocular by the pne-frontal which is in contact with the 2nd. upper
htbial. Pneocular 1, very smalL Postocular 1, narro w, about
twice as deep as long. Temjionil absent. Upper labiais tí, 2nd.
and 3rd. in contact with the eye and õth. and 6th. with tho
parietal. SymphysiaJ separated from the anterior chin-sliields by
the first paii - of lower labiais; 1 lowcr labiais contiguous to tho
anterior chin-sliields which are a little larger and broader than
the posterior; these, in turn, recede becoming narrower; 5 th.
58
Contribution towards the knowledge of snakes in Brazil
lower labial scarcely in contact witli the posterior chin-shields.
Scales smooth without apical pits, in 17 rows. Ventral 236. Anal
divided. Subeaudals 21 pairs.
Head dark brown above and below inclusive the throat; yellow-
ish-white above with two dark longitudinal streaks riuming on
eitlicr side from the nape to ahnost the extremity of the tail.
The Ist. streak whieh is dark brown, narrow and dotted, runs
on the nape on the border of the 4th. and 5th. rows of scales
and on the body on the 4th. row, gTadually passing to the 3rtL
and 2nd. rows as it reaches the tail. The 2nd. streak of the
sanie color while ininterrupted, is inucli broadcr and covers
the 7th„ the internai half of the 6th. and externai border of
the 8th. rows of scales. The two streaks touch each other slightly
on the nape and disappear on the head whieh is of the same
color. Vertebral region, sides and belly yellowish white and
unspotted; tail entireíy dark brown from the junction of its middle
third with the posterior up to its extremity.
Dimensions — Total length 620 mm.; tail 33 mm.
Habitat — State of Piaui.
Type — N.° 1.681 of the Butantaa Institute snake collection,
found in Engenheiro Dodt, Municipality of Santa Filomena, by
Mr. Francisco dk Assis Iglesias, Agronomic Engineer, between
1916 and 1918 and received in October 1918.
Variations — Three other specimens of the same species from
the same locality and also collected by Mr. Francisco IglEsias
wcre examined.
Variations found were as follows; Ventrals 214-233 ( o’ cf :214-
215; $ : 233) ; Anal dividcd. Subeaudals 20-26 ( çj* : 25-26 ; $ : 20).
N.° 1.680-(cf) — The diameter of the eyc about l /j of its
distance from the mouth; rostral portion visible from above littlo
longer than its distance from the frontal; a small anomalous scale
above the postocular; 5th. lower labial separated from the pos-
terior chin-shield. Ventrals 215; subeaudals 26 pairs.
N.° 1.682 (j-oimgcf) The diameter of the eye a littlo less
than half its distance from the mouth; portion of rostral visible
from above a littlo longer than its distance from the frontal;
5th. lower labial separated from the posterior chin-shield. Ventials
233; subeaudals 20/21.
N.° 1.683(young $ ) — The diameter of the eye a littlo less
than half its distance from the mouth; portion of rostnil visible
from above a littlo longer than its distance from the frontal;
6th. lower labial separated from the posterior chin-shield. Ventrals
223; subeaudals 20/21.
Aposlolcpis polylepis is casily distinguished from A. umbinigra
(PETERS), A. cri/llironoia (PKTKRS), A. intermedia KoSLOWSHY (°),
(•) J. Ko*u>w«t — Kevi*U J«l Mot»u <1* f-* Cnu. 1*^, voL VIII, p- 80; pL I; 6g. 4-7.
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 59
A. borcllii Peracca ( 10 ) and A. longicaudata Gomes ( u ) which are
unifomi with the first mentioned in liaving the ôtíi. and- 6th.
upper labiais in contact with the parietal and the symphysial
separaled from the anterior chin-shields: lst. by the size of tho
mslral, the portion of which visible from above being ncarly
twice as long as it-s distanee from the frontal; 2nd. by a great er
number of dorsal scales (17 rows).
III
Elaps fischeri u. sp.
(Plato II ; figs. 1*5)
Number of specimens — 1.
Type description — Adult J ■ Eye about 2/3 of its distanee
from the oral margin. Bostral a little deeper than broad (3,5:3),
the portion visible from above lialf as long as its distanee from
the frontal. Inteniasals twice as bro;ul as long. Pne- frontais about
1/3 broader than long and twice as long as tho intemasals; prae-
frontals suture about tlirice as long as that of the intemasals.
Frontal a little longer than broad (3,75:3,25), hexagonal shape,
and a little longer than its distanee from tho end of the snout;
over twice as broad as the supraocular (3,25 : 1,5); a little shorter
than the parietais (3,75:4,5) which aro a little longer than tlieir
distanee from the intemasals (4,5:4,25). Prse-ocular 1, eontiguous
to tho posterior nasal. Pestoculars 2, superior much larger. Temporais
l -f- 1, anterior being smaller and of a pentagonal shape. Upper
labiais 7, lst. in contact with the anterior nasal, 2nd. with tho
anterior and posterior nasais, 3rd. with the posterior nasal, the
praeocular and the eye, 4th. with the eye, 5th. with tho inferior
l>o st ocular and the anterior temporal; 6th. with tho anterior and
posterior temporais, and 7th. with the posterior temporal; 3rd.
a little larger than the 4th.; 7th. well doveloped. Symphysial in
close contact with the ajitcrior chin-shields which are a little
shorter than the posterior (2:2,75); 7 lower labiais, -| in contact
with the anterior chin-shields, 4th. much larger. Se ales in 15 rows.
Vcntral 210. Anal divided. Subcaudais 20 jKiirs.
Heddish body with 17 sets of black rings disposed in threes,
tlie niiddlc ono genei*ally a little broader, covering from 4 to
5 »/* scales and separeted from the marginal rings, which in ccntcr
of the body occupy from 3 to 5 scales, by uniform whitish yollow
rings which occupy from 1 */• to 2 >/• scales; interspaces covering
from 7 to 15 scales, of a reddish color dotted with black. Head
whitish ycllow with a black spot on snout, with covers the
rostral, intemasals, all the oxtensjon of the anterior nasais and
the anterior lialf of the first lower labial; a black band passing
»• > M. G. FnxcCA — “Via©po dei Dr. A. Borelli nel VUtto Gro*«o brasiliano e n«l aay.1 W*.
»»• Bollet. de» Mu«ei d» ZooL ed An*t. corop. delia R. l*onr. dt Torioo, *». Vol XIX. 19^4, pp. 9-NX
( M ) AntÂxio Ama*al — Cm trabalho inédito de J. Floi-recio Gomee: "D-aa* nova* e*pé»if#_de
Coluhrideo* op tt -Klifo« bra«i!etro« tphiU»irw* Gotnfi e hynyicunAata CeOfif —
Comunicação a Soc. de Med. e Cirerju d* S. Paolv, *#mI« de 16-7 - IWI.
60 Contribution towards the knowledge of snakes in Brazil
through the eyes and extending on either side to the mouth,
forward to the anterior edge of the frontal and back to
the posterior angle of this scale; symphysial, anterior chin-
shields and tliree first lower labiais blotched with black. Anus
situated in the light interspace of the 16th. and 17th. sets of
rings.'
Dimensions — Total length 635 ram.; tail 37 mm.
Habitat — Captured in December 1915 at « Fazenda Bonito»,
Bocaina moimtains (State of São Paulo), valley of the Mambucaba
river, at an altitute of about 1.000 meters.
Type — X.° 1.849 of Uie Butantan Instituto snako collection
(preserved in alcohol). This snako was offered in February 1921
by Mr. C. R. Fischer, present draughtsman of the Instituto, to
whom I dedicate the species.
Xote: In the key to the Elaps species, arranged b}‘ G. A.
Boulexoer ( 12 ), Elaps fischcri should be included in Section III, B. 3:
III — Seven upper labiais, 3rd. and 4th. entering the eye;
B. — 7th. upper labial well developed ; rostral moderate, just
visiblc from above: internasals rnuch shorter tlian the pne-frontals;
3 — Symphysial in contact with the anterior chin-shields.
Elaps fischcri whicli, as far as I know, is tlie first species
in this group assigned. to Brazil, is very allied to Elaps ancoralis
Boulexger, by the contiguity of the symphysial with the anterior
chin-shields and by the disposition of the black rings on the
body; it differs however from the same by the following cha-
racteristics:
Elaps ancoralis Blt.r.
Elaps (licberi n. sp.
Rostral
Much broader than decp
A littlc dccpcr than broad
(3, 5 : 3)
Frontal
Littlc broader than the su-
praocular
more than twice as broad as
the supraocular (3,25 : 1,5)
Parietais
as long as their distancc from
the internasals
a little longer than their
distanee from the internasals
(4,50 : 4,25).
Anterior chin-shields
as long as the posterior
a littlc shorter than the pos-
terior (2 : 2,75)
Ventrals
25S
210
Subcaiidals ....
31
20
Coloring on the hcad
light in front, dotted and
as that of El. decoratus ) in :
and nape ....
spottcd with black; occiput
and nape with an anchor-
shapcd black mark, the trans-
%erse branch of which ncarly
covers the parietais and ex-
tends to the throat.
light yellow with black snout;
a band passing through the
eye also black; light yellow
occiput; nape with the first
set of rings.
< »■> G. A. Booncn — »j t.til. — l#6; voL III. p 112.
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 61
This snake is ais o distinguished from El. simomii Blgr. ( u )
princápally by its rostral which is deeper than broader, its frontal
which is a little longcr than broad and over twice as long as
the supraocular, by having a lower nuniber of ventrals, and by
a diverse distribution of the spots on the head and the rings
on the body.
By comparing the present species with those of section III, B,
- of Boulexgeb:
III — Seven upjwr labiais, 3rd. and 4 th. in contact with
the eye;
B. — 7 th. upper labial well developed, rostral inodenite, just
visible from abo ve; internasals much shorter tlum the pne-frontals;
2 — lst. lower labial in contact with its fellow; posterior
nasal in contact with the pne-ocular;
and by comparing the colouring ou the body and head and
the number of ventrals, one finds that it is very similar to
Kl. maregravii WlED and El. decoratus Jan.
The principal [toints of distinction from El. maregravii aro:
the frontal which is more than twice as broad as the supraocular
and only a little longcr than broad; the anterior temporal which
|s smaller Iban the ixxsturior. It is different from the EL decoratus
in that it lias an anterior temporal, the 6th. upper labial, theroforc,
not being in contact with the parietal, and also as its pariotals
aro longer than their distance from the internasals. In rofcrence
to the number of subcaudals of the El. decoratus which BoULENGER ( 14 )
settles bctwecn 29 and 37, I found a smaller number, namoly
between 17 and 30 in 14 specimens wliich I was ablo to
examine, 10 of which are at present in the Butantan Instituto
snake collection undor n.°* 68, 69, 442, 841, 932, 1.233, 1.455,
1.456, 1.709 and 1.816 and 4 in the «Museu Paulista» collection
under n.°* 66, 67, 68 and 522, so that this data cannot l>e usod
in the differentiation of the 2 spccies in question.
The species cannot also be identifiod with El. Icmniscatus L.
and El. frontal is Dm. & B„ principally as it has a smaller numlKsr
of ventrals and as its rostral is deeper than broader and the
frontal over twice as broad as the supraocular. Xor can it be
identifiod with El. spixii Wagl., bocause of the head colouring,
and number and location of black rings which are very diverse,
its frontal being also only a little broader than the supraocular.
Finally, hl. fisrhcri differs from El. decoratus and El. maregravii
«is well as from the othcr species of cited Section III, B,' 2 of
Boi lkxger, by the essencial charactcristic of Scction III, B, 3,
in which it should be included, that is, by the already mentioned
contiguity of the symphysial to the anterior chin-shields.
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(“) O. A. Roncron — op. Wf.. p. 419. •
62
Contribution towards the knowledge of snakes in Brazil
IV
Lachesis insularis n. sp.
(Plates IV and III; figs. 1-5)
Number of speeimens — 203.
Description — Head very wide in thc temporal region ; snout
rclatively short and narrow; body slender and somewhat fiattened
lalerally; tail short and slightly prehensile.
Snout rounded and narrow; canthus salient and slightly raised.
Rostral narrow, a little deeper than broad. Interuasals generally
in contact witli behind tlie rostral, witli a slight sulcus. Canthal
more or less plain, sliglitly inelincd outwards, about twice as
long as broad, and generally as long as and a littlo hroader
tlian tbe internasal. Snpraocular sniaU, about twice as long as
bread, slightly inclined outwards, smootli or rugous, and neirly
always entire (only two specimens, n.°* 1.857 and 1.903, show
it divided transversally). Scales of the upper part of the head
small, keeled, imbricated and in 7 longitudinal rows betweeu the
supraoculars (among the ‘203 specimens, 26 have 6, 24 liave 8,
2 have 5 and l lias 9 rows), generally substituted on the anterior
part, between the canthals, by a pair of large scales, like shields,
juxta-posed, neariy always smooth and separated anteriorly by
anolher large scale, azygous, placed in the anglo of the in-
terna sais, the tlireo of wbich are eometimea surrounded by minute
scales. Nasal divided. Pne-oculars 2, the superior, which is larger,
reacliing the canthus. Postoculars 2 (46 specimens have only 1
on the right, and 40 have only 1 on the left, 4 have 1 on
the right and left, and 6 have 3 on the left, 5 ha%*o 3 on the
right, and 1, n.° 1.898, has no postocidar on the right). Only
ono subocular, separated from the upper labiais by a row of
scales (in 29 specimens there are two rows to the left and in
16 there are 2 rows to the right). Temporais, all strongly keeled.
Upper labiais 8 (25 sjiecimens have 9 on the right, 23 havo 9
on the left. and 11 havo 9 on botli sides), the 2nd. in contact
with the pne-loreal, and formlng the anterior border of the
loreal pit on both sides of the 203 specimens (10 instances it
is not forming on the right, in 10 it is not forming on the lelt,
and in 21 it is not forming on either side). Scales in 25 lon-
gitudinal rows (except 37 specimens 2 $ which havo 27 rows;
4 which have 24 rows; and 24, 19 being d d , which havo 23
rows), all markedly keeled from tbe head to the end of the
tail. The keel, which is high and long, extends to the posterior
extremity or the scales. Ventrals 171-195, 171-188 being the number
in specimens d d and 176-195 in specimens 2 2- .Anal entire.
Subcaudals 48-65, 55-65 l>eing the number in specimens d d , and
48-59 in specimens 2 2 , all painxl or some eJitire especially
in speeimens 2 ? . as can be seen by anne.xed table (List of
specimens).
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An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 63
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Contribution towards the knowledge of snakes in Brazil
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76 Contribution towards the knowledge of snakes in Brazil
Yellowish brown above, thcre being generally ou either sidc
a series of complete or clivided blotches which ai'e spaced from
each other and may bo narrow, triangular, quadrangular or li-
ncal, placed in opposition to or alternai ing with tíxose of tho
other side. Sometimes tliese blotches are not found or they may
bo nearly imperceptible. Head also yellowish brown without
blotches and having no streak behind the eye. Belly light yellow
or whitish, entirely imiform or, in some specimens, slightly dotted
with light brown on the side of the ventrals. Young yellowish
pink to brownish pink above, with very imperceptible blotches,
belly uniform yellowish white.
Dimensions — The type (specimen $ n.° 1.996) measures
735 mm. total length, the tail measuring 98 mm. Among all the
specimeus tho largest is an 2 which' has a total length of 1
meter, the tail measuring 118 mm. Of the 203 specimens examined
the 10 largest are 2 2 .
Habitat — All specimens aro from the «Queimada Grande/
Island on the coast of the State of São Paulo, about 10 miies
S. \V. of bay of Santos. In accordance with observations whieh
I have made conceming the species of snakes found on the
several islands and points on our coast, I am convinced that
Lachcsis insularis is found only on «Queimada Grande» Island. In
relation to its small surface tlii.s island is assurodly the poinf
of lhe globe most thickly populatcd witli snakes.
Type — Specimen 2 in the Butantan Instituto suake collection
under n.° 1.996. Plate IV, in threo colors, faithfully reproduces
the colouring of that specimen which is one of the darkest of
tho collection. This snake was killed shortly before changing its
skin.
Notes — This species, considered from a purely systematic
point of view appears to be closely related to other Crotalitue
whicli frequently occitr in Brazil where they aro generally known
respectively by the conunon nomes of «.Jararaca» and «Caiçaca».
However, beforo establishing tho differences existing between
them, I shall hurriedly rnake somo comments on the «Jararaca»
and the «Caiçaca» using some summarized data from a study
which I intend to publish shortly on the points of distinctiou
between our several Lachtsis, in addition to the execllent mo-
nograph of Miss J. H . Pboctbr (t®) conceming variations of Imcíicsís
atrox (L.). .»
The Identification of our «Jararaca» with the Lachcsis lan-
ccolata described by Db LacEpEdk ( 16 ) for Martinica and perhaps
for Dominica and Prcnch Guiana, and our «Caiçaca» with tho
Lachcsis atrox (L.), scerns to me to be a question still opon
(“) Mi»« J. B. PitOCTr* — “On the variai. on of the Pit-viper, Lnckt$i$ a tr>*x” — ím Proc. of
ZooL. Sor. of London, 1919; v©L I and II; pp. 163*1^2.
(*•) Dc LtCtrfM — Histoire NatnreU* dw Serpente#**, 1979; p. 121; and *n A. G. Deiznartd —
•Oíívm du Conte Ucfp*de", pp. JL75 • jfipi; pt. 5Í*. 1.
An. das Metn. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 77
for debate due to the uncertaiii data 011 whicli it is based although
the theory lias been accepted by the majority of authors.
In reference to the Lach. lanccolata, in 1870 A. Dimeril and
Bocqurt ( 17 ) had already doubted tlie identity of the specimens
coming from Brazil with those from Martinica, having listed
the differences which tliey were able to trace between the two
specieâ as to the number of dorsal scales, vcntral shields, con-
forniation of rostral plate and coloration on the belly.
Having compared the charactcristics of 4.353 specimens of
our «Jararaca» from the States of São Paulo (including the coast),
Paraná, Santa Catarina, Rio Espírito Santo, Minas and Baia with
the several descriptions of the L. lanccolata, from Martinica Island,
Riven by De LacEpEde, Schusgel ( 18 ) and DumEril and Bibrox ( 19 ),
wliich correspond to a specimen from that Island wliieli I examined,
sont us by the Paris Musoum and at present classified unden
n.° 2.034 in the Butantan collection, I was able to ascortain that
th erre really oxist patent differences between the two species,
Principally in regard to the colouring of the belly, in the fonu
or the dorsal blotches and in the number of ventral shields which
constantly seems to be lower in tho Brazilian « Jararaca » than
in the species from Martinica. Tho 4.353 specimens of «Jararaca»
which I examined are divided as follows: 4.234 received by the
Jlutantan Instituto between July lst. 1920 and Juno 30th. 1921
and used for tho extractiou of poison: 75 oxisting in the Butantan
snako collection; 40 in tho a Museu Paulista» collection; 4 belonging
to the collection of the Butantan's Anti-ophidic Post in Baia.
In theso specimens, tho Brazilian origin of which I always
endeavoured to absolutely ascertain, the largcst number of vontnús
which I was able to find were: 116 in a specimen from Prainha
do Iguape (on tho coast of tho State of São Paulo), classified
under n.° 1.076 in the Butantan oollection; 115 in a specimen
from. M. Guandu (State of Espirito Santo), classified under n.° 1.019
in the Butantan collection; and 114 in a specimen from Ilha dos
Porcos (coast of the State of São Paulo), classified under n.° 655
in the Butantan collection. I can safely state that specimens with
fnoic tlum 210 ventraJs aro from every peint of view very
exceptional. In tlic majority that I examined the number oí
theso shields variod between 175-210, that is, approximatcly, the
«ame average which Vital Brazil (*>) had already assigned to
the species. Howcver, tlte specimens which it is certain are from
Martinica always scem to ha vo from 220 ventrals upward.
The priority of the scientific determination of the «Jararaca»
ulthough the colouring of this snake is similar in somo ]»int.s
to that of the species descri bod by JeaK Waglkk ( J1 ) under the
( r ) A. DriiCKit. k Booocttt — **£tude ror ei bttrtrMM", in Rech. ZooLpour
v,r • rhwtoir* do la faune do 1’Ainériqo* Central*» ei da lUxtqae. 1»*7U; xoL ||; p. 1*40.
(*) II. ScHUton. — **£««ai *ur La phy*io&omi« dr« aorponU**. 1KJ7 ; pp. 686*&40.
(**> DuMtsiL à B:bbo* — -Erpétolofta géalnJo”. 1*54; xol VII; p. l.V».
(**) VrTâL BkaxíL — La Défenao contra rOph; ii»me”. 11*14. p. 81.
( M ) ilâ> WaOLn — in Jeaa d* Sptx "íwrpfntan braiiliruum ipWM nova*'*. Mo naco, 18K4.
78
Contribution towards the knowledge of snakes in Brazil
narne of Bothrops mcgaera, cannot be attributed to this autlior,
due to the inlstakes which he made, guided by merely a few
variations in colouring in the very umcomplete description of liis
four Brazilian spccies of Bothrops.
‘The priority is therefore given to Maximiliax, Prince of
Wied, wlio in 1825 (**) among otbers gave the namo of Cophias
jararaca ( 2S ) to a specinien, the plate reproduction of wltích although
entitled « Cophias atrox Merr. pulltts » corresponds perfectly to the
» Jararaca» and the characteristics of which, as given in his
text, coincide in general with those which I verified in the
several specimens which I studied.
In this case, now I shall pass on to the identification of
our «Jararaca» witii Lachcsis jararaca (Wied.).
* ♦
In refereneo to the identification of the «Caiçaca» with the
Lachcsis atrox (L.) ( 2i ) the probleni appears to mo to be insolublo
for the present, even beca use recently, in accordance with a
study modo by L. G. Axderssos' ( 2â ), who verified that the keel
of the scales of L. atrox was low and long instead of high, as
describcd by Lixxaeus. J. B. Procter, in her already cited
monograph identified with Bothrops (Lachcsis) af fiais Gray ( 26 ) the
specimens np to then describcd under the name of L. atrox,
but the scales of which had high and short keel.
This charaoteristic, liowever, as'stated by Miss Procter herself,
is not fixed and tliis is in acordance with obseryations made
by me in 228 specimens of this species from the States of São
Paulo, Minas, Goiás, Mato-Grosso, Baia, and Pará and also from
S urinam, Dutch Guiana. Of these 228 specimens, 202 wero received
by the Butantan Institute between July lst. 1920 and June 30 Ul 1921,
for the extraction of poison; 10 belong to the snake oollection
of the satnc Institute; 3 belong to the « Museu Paulista» collection:
4 to the ButantaiTs Anti-ophidio Post in Baia; and 9 are Íroní
Cametá, State of Pará from where they werc recently sent me
by Mr. Francisco Lopes Martins, fanner in that district.
Although a great many of these specimens have scales with
high and short keel, a great many, however, have long and
low keel.
Therefore, in the absenoe of a fixed characteristic on which
I inight base a chango of opinion in tliis respect, I shall continuo
to identify the Brazilian « Caiçaca » with the Lachcsis atrox (L.).
(**> JÍUIMILU5, PiMD rr Wo — inr Nat-jrr*»ch»<ht* von Orfiliro'’. Weimar.
186 »; P . 47 0 .
(**) *'Jar*trakka"
<*•) Li9**Krs — Mu*tum AdoJphi FriMci r. . S*rp*otot. 1T&4 ; rol. I; p. 98; taK. 22; fif. f.
(*) Gam:fx. AüDKfcMO* — *raUl->ro* of Lmnena Typo — «p^cimen* of in th» Kotal
Mwmb of Storkolm** i» BiKanr t«ll Koo<L Srenika VciniikiM-Ac«4«mita< I landi inrar. 1*#*». v. ÍH.
f. IV; n. 6; p. 2D.
<*•) J. K. GbaT — *CataIo*tie of Reptilea". P. III; Saak*'. 1*49; p. 7.
An. das Mem. do Instituto de Butantan Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 79
The principal differences between L. jararaca (WlED) and
L. atrox (L.) are foimd in their colorai ion, in the sliape of the blotches
°n the back and. in the upper labiais wliich in the last mentioned
are general ly 7, whereas in the first mentioned they are ge-
nerally 8. Vital Bkazil assigned. 7/7 to the L. atrox (L.), and
J. Florencio Gomes (- 7 ) in 5 perfect specimens and 100 heads
of L. atroX (L.), from the State of Pará, verifiod tliat, among
the perfect, 5 and, among the heads, 95 ( íS ) had 7 7 upper labiais,
2 had 8/8 and 3 liad 8/7.
On examining the above mentioned 22S specimens of L. atrox
I found 7/7 upper labiais in 215; 8/7 in 11; and S,8 in 2.
On the other hand, in the above numerated 1.353 specimens
of L. jararaca (Wied) I verified that 3.710 had 8 8 upper labiais;
346 liad 7/8; 180 had 9 8; 108 had 8/9; and 9 had 9/9.
Beside there is data of the zoõgeographic order which seeins
to me to be higlily valuable in the distinction of the specios.
Lachesis jararaca, in efect, occurs only in the Meridional
hemisphere and its presença in Brazil has up to now only been
verified approximately between parallel 30° S. (State of Rio Grande
do Sul) and parallel 10° S. (State of Baia).
Lachcsis atrox (L.), on the contrary, is found in both hetnis-
pheres, Septcntrional and Meridional, and in Brazil the area of
its distribuition extends from X.AV. of the State of São Paulo
and S. of the State of Mato Grosso, in the proximities of parallel
23'> S., to the extreme Septentrional region of the country, beyond
the Equator.
This data concerniu g the distribuition of the two species in
Brazil was takcn from the register in the Butantan Instituto,
which has since its foundation nlways received an ever increasing
number of these snakes: which were disposed as follows dtiring
the last 6 years:
YEAR
Total oumbtr ol
saakcf rtceired
Veaemoat
fpeclc».
1915
5.025
3.568
1916
4.832
3.535
1917
6.133
3.833
1918
6.416
4.678
1919
7.762
5.815
1920
11.400
8.370
liaving thus established the identification of the two important
Crotalinca- which occur in Brazil, the «Jararaca» with L. ja-
raraca (Wied) and the «Caiçaca» with L. atrox (L.), I sliall
•io
<T? ) J. FloUsco GOMt.i — "Cootnbinção para o roahfrúaeato doa oMioi do Bftiil. III — Oftdioa
Uu«ri rinrt*»”, in lo*. e»f. ; p. 77.
f • » Thrtmjh a miiUk« < of 96 fiptrft in thn «rork. Tht Utter ia arronJmjt to A. i orifiail.
so
Contribution towards the knowledge of snakes in Brazil
aow pass on to the naming of different charaeteristics which
are found between them and Lachesis insularis.
Lachesis insularis, as it is of a more or less intenso yellowish
browo colour above; as the beliy is generally of a nearly imiform
yellowish or whitish colour; as there are no spots on the liead
nor black streak behind the eyes, and can thus be distinguished
at first sight from the L. jararaca and L. atrox.
Lachesis insularis is a slender species which does not grow
very large. Tho largest whicli I havo found up to date is an $
specimen (n.° 1.900) measuring 1 meter iu length. L. jararaca,
on the contrary, develops much more, becoming of large diameter
and sometimes measuring l, m 400 or l, m õ00. and L. atrox be-
comes larger, measuring also l, m 500, as will bo found in tliree
specimens of the Butantan Instituto collection (n.°* 1.346, 2.035
and 2.036), all from the interior of the State of São Paulo.
The tail of the Lachesis insularis is slightly prehensile whereas
the tail of L. jararaca and L. atrox is not at all prehensile.
The snout of Lachesis insularis is relatively narrower and
shorter than that of L. jararaca and L. atrox; the head in the
first mentioned is notedly wider in the temporal region than
that of the two Jast mentioned species.
Lachesis insularis constantly lias 3 larger scales, more or
less smooth, juxtai>osed, as shields, which are distributed as one
posterior pair between the two cantlials and one median anterior
a/.ygous, placed behind the angle of the «nternasals, a disposition
which is not found either in L. jararaca or L. atrox.
The largest number of ventrals (195) found in L. insularis
nevcr attains that found sometimes in L. jararaca and L. atrox.
Besides these principal charaeteristics in the anatomic order,
there are others, in tho biological order, in which. L. insularis
is even more different from L. jararaca and L. atrox.
The charaeteristics of the biological order are so acecntuaíed
that it was through them that I was led to makc the systemalic
study of the new species. Two years after having started obser-
vations, with the intention of leaming tho biology of the Bra-
rilian snakes, I was surprised on a certain day to find feathers
in the stomach and feces of 5 specimens of this species from
a lot which had beon received from Queimada Grande Island
on September 28th. 1919. This was an entirely new occurrenco as.
according to Vital Bkazil’s( 29 ) and also in aecordancc with obser-
vations nuide at the Butantan for many years, tho Brazilian Cro-
talincít are known ( 30 ) to feed exclusively on smaU rodents.
Guided by this imjiortant indication I made a study of the
poison which had becn oxtracted from this species and, again
(*) Op.cit. : p. T9.
(*) K*cept L. bilin*nla (Wi^Ji e I- jaramrtut* which, u I vch&e«Í in diM^rtion»,
•!•* on b«trA:Sian«.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) 81
to iny great surprise, I verified tliat not only tho properties, but
above all the toxic activity of the same was very different froin
that of the poison of other Brazilian Lachcsis.
Encouraged by these preliminary results, I resolved to make
a visit to tlie Queimada Grande Island and there to study the
biology of tbe new species.
As will be seen in Part If of tliis article, Lachcsis insujaris
lives exclusively on trees and shrubs, and feeds on birds. It is
therefore the first Crotalinea found in Brazil which is sinnil*
taneously avivorous and tree living.
SciELO
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cm
Contribution towards the knowledge
of snakes in Brazil - A
Part II
Biology of the new species, Lachesi * insulari *
Biology of the new species, Lachesis insuloris
Duriug two e.xcursious ma de to Queimada Grande Island, tho
natural habitat of this snake, I had occasion to study this
species and made an apreciablo number of observations, which
later I was able to rcproducc with entire succe^s in a snake-hut,
purposefy prepared in tho pai'k of tho Butantan Institute. Ttio
first excursion which lasted 8 days was made in the first dava
of April 1920; the second, which lasted 10 days, was made in
November of the same year.
(Queimada Grande Island — This island is situated on tho
coast of the State of São Paulo about 40 miles SAN", of the bay
of Santos. It is formed by a very steep rock and has about 1 km. 2 õ00
of surface and there the Marine MLnistry maintains a 4th. rato
light-house (Plates V; VI, fig. 1; VII). Surrounded on ncarly
every sido by enormous rocks which offer safo shelter to soa
gulls («mergulhões», «gaivotas») and other birds of the sea, and
unprovidcd with any bay or protected landing, it is cntiroly
inacessible when the sea is rough. (Plates VI, fig. 2: VIU, figs. 1
and 2). There are 3 or 4 light-houso watchmen and 1 or 2
sailors living there who are obliged to savo rain water for coo-
king and drinking, as the island lias no spring of fresh water.
The absoluto lack of rosources is what inost impresses lhe
traveller. To mako bad matters worso, the dwellers on the island
are somei imes deprived of even the chickcns which they raise
for their nutrition for, as it is a regular «paradise of snakes»
tho unfortunate fowls aro frequently decimated by tho Lachesis
insularia which are found in amazing numbers. It will be enough
to state that, quite contrary to what iniglit have taken place
in another locality, I was able on iny first trip to easily capture
42 specimens of tho Ijachtsis, and 24 on tho second. The Bu-
tantan Instituto has up to date received 403 specimens of this
snakes from that region, 203 of which were preserved and are
ineorporated in the snake collection and 32 which are at presenl
being raised in a snake cage.
Bcsides this species of snake only tho Dipsas albifrons (S.vfV.)
occurs in the Island. It seoms, however, to be of very rare
oecurence. It is tree-living and feeds on snails (YagimUa sp.).
Lachesis insularis — In acorda nce with very minuto obser-
vations which I made and which have been confirmed by the
intelligent light-house watciiman, Mn. Antônio Esperidiào da Silva,
I was able to ascertain on my first excursion that, the Lachesis insula-
ris, although provided with a pupil cooformed for night life aro also
SciELO
86
Contribution towards lhe knowledge of snakes in Brazil
active during the day (perhaps exclusively conilning themselves
at present to day life) because of the necessities of providing
themselves with nutrition. I frequently saw specimens in great
activity during the day, prindpadly between 9 and 11 in tho
inorning and 3 and 5 in the afternoon, an abnorniality wliicii
I was able to explain shortly aftenvard when I discovered tlie
nutrition of the species. Tlie snake is exdusively tree-living,
generally found on trees and shrubs which bear small fruit. Here
it remains, often for several days, awaiting its usual prey.
Besides this, it is exdusively avivorous: when some bird comes
carelessly hopping on the tree looking for ripe fruit to eat and
hopps on a brauch near the snake, or even on the snake itself,
it is immediately surprised by the attack of the enemy which,
never missing iis mark, nearly always pierces the bird in the
breast or neck. If penulventure tho dead bird falis to the ground
whern the snake dit not get a good hold, the Lachesis calmly
dcscends by tlie trunk of the tree or by the nearest liane and
looks for her prey on the ground.
I only had occasion, howcver, to observo this curious fact
threa times: nearly always snake inoeulate3 tho poison in tlie
bird and is ablo to retain. it, begüming immediately to swallow
it head first.
More or less 10 minutes ( 31 ) after swallowing the bird the
snake comes down the tree and lies on lianes or brush-woods
or even on the ground itself be3ido the trunk or in the concavity
of some rock during 1 the timo the food is being digested.
Tho trees to which the Lachesis give preference are cxactly
those which most attract the birds by their fruit. Among these
trees I can cite tho following: Trema micrantha (Sw.) EnglBR
(«Crindeuva»), Cordia curassavica Fresen («Herva baleeira»),
liudgea aff. coriacea K. ScH. («Café de pobre») and two Myrtaceie,
Eugenia sp. («Aperta gula»), and others commonly known by
the name of «Myrtlo».
In exceptional cases 1 found spccimens of the Lachesis on
trees with no fruit: fig. 2 of plato X is exactly reproducing a
photograph of a specimen in a tree in this condition. The snake
is 6 meters from the ground on a branch of tho Rapanea guia-
nensis Aubl. (« Ca pororoca »).
Finally, these specimens are also found coiled on the flower-
bearing branches of the Graminea which, as everybody knows,
attract flocks of birtls in the fruit bearing season.
The species of birds on the Island which are more frequently
the victims of the Lachesis aro: Elaenia mesolcuca (OAB. e< llEINE)
commonly known by the name of « Joào-tolo »; Sporophüa cacru-
lescens (BoNN. et ViEILL.) commonly known by the name of «Papa
l M ) Sometimev much mor« or morh lew, «cvordinf to th#* volua« of tbr Unf nn-J to tho »hap*
of th« inako.
87
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia)
capim»; and, sometimes, Platycichla flavipes (Yieill.), known as
the «Sabiá-una».
These interesting facts are reproduced i» the various pho-
tographs consisting of Plates IX, X, XI, XII, XIII, XV, XVI and
XVII which correspond to some of the rnany snapshots taken
by the photogiajdiers who accoinpanied me, Mb. J. Douixgues dos
Santos on the lst. excursion, and Mr. C. R. Fiscrrb on the 2nd.
Besides these, I was able to follow up rnany interesting
facts on Queimada Grande Island, tlie most important of which
concem the influenoe exercised by the wind towards the appeanmee
of snakes. When, for exemple, a strong X.V. wind blows, flocks
of birds fly from the coast to the Island and it is not long
before the Laehesis will be seen on the S.E. side, exactly wliere
the fugitive birds generally look for shelter. Again, when an
implacable 8.W. stonn springs up bringing disquiet to the hearts
of the inhabitants of the island, one is sure to find the snakes
on the X.E. sidos wliere the birds ate driven.
With the live examples wliich I transported I was able to
continue, my ohscrvations at the Institute, having found tliat,
contrary to what takes place with other Laehesis, tliey pay no
attention to the presence of pcople, feed with facility (Plates XIV,
figs. 1 and 2; XV, fig. 1), and oven copulate in captivity, if
the surrounding conditions are more or less like those to which
are accustomed on the Island.
Rutting time generally begins in August and lasts till tho
middle of Septcmber.
The act of copulating which is very delayed generally takes
place on trees or sometimes on tho ground.
Their young, 9 to 1G in number, are born in the second
half of January and immediately seek a hidiug placo under dry
leaves or under moss found on the ground.
#
* *
In conclusion to these notes on bjology, I beliovo it wiil
l>e conveniont to transcribe herc, in a rapid synopsis, some of
the principal data from a monograph wlücli I am àlreadv outlining,
concerning the properties of the Laehesis insula ris' poison.
The poison lias approximately the same reaction and colour
as that of Laehesis jararaca (WlED) and of L. alrox (L.). However,
it is diffcrent in its heamolytic, j>roteolytic ;uid coagulant pi-o|>orties,
and above all, by the toxic activity, which is far stronger.
Thus, for exjunple, in tests with the pigeon, which is the
most apropriate spccios of animais for sucli, due to its sensitívenoss
and the uniform resulta; obtained, the minim letbal dose of ÍMehcsis
insular is poison is by intra-venous channels — . 0 gr. 000004, against
ss
Contribution towards the knowledge of snakes in Brazil
0 gr. 000010 and 0 gr. 000020 which are, respectively, the minim
lethal doses of the L. atrox’ and L. jararaca s poisou through jntra-
venous channels in pigeons. By intramuscular channels — tho
minim lethal dose is 0 gr. 000040 as against 0 gr. OOOõOO and
0 • gr. 000700 which are, respectively, ttie minim lethal doses
of the L. jararaca ’s and L. atrox’ poisou by intra- muscular channels
in pigeons.
Xotable difference are manifest in the neutralizing action which
the nnti-toxin exercises on this poison, as a specific serum for
L. jararaca which with 1 cc. neutralizes 0 gr. 0026 of the poison
of this species, can only neutralize 0 gr. 001 of the Lachesis
insula ris' poison.
Finally, on making tests on birds I observed that the activity
of this poison is also very strong, for exemplo, 0 gr. 000010 through
intra muscular channels being sufficient to cause the death of
a «Tico-tico» = Brachyspiza capcnsis (MCLL.).
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
ÍNDICE DAS GRAVURAS
Estampa I ; figs. 1 - 4
» » ; » 5-8
» II; » l-õ
» III; » l-õ
» IV (trieromia)
» V
» VI; fig. I
» ; » 2
. vn
» VIII; » 1
» » ; » 2
» IX; » 1-2
X; » 1
XI; » 1-2
XII
XIII
XIV: » 1-2
XV; . 1
» XVI
.XVII
: Helieops gotnesi sp. n. itam. nató.
: Aposlolepix polylepi s sp. n. X - -
: Elaps fixcheri sp. n. (X 2).
: Iujchexix inxularU sp. n. (tam. nat.t.
: Idem (*/, do nat.\
: Mapa do litoral do Estado de S. Paulo.
: Ilha da Queimada Grande (Vista geral).
: Idemi Vista de N.O., com o desembarcadouro .
: Idem (Vista panorâmica).
: Idem (Vista de S. E. .
: Idem i Vista de S. O.).
: l Mchesi < insulari * em um pé de "Crindeúva
= Trema micrantha (Sw.t Exrleb.
: Idem em um pé de “Murta’ (Mirtácea^. •
: Idem em um ramo de "Capororoca =
Rapanea guianense Atui.. : a (i metros
do solo.
: Idem sobre “Murtas".
: Idem subindo num pé de “Crindeúva".
: Idem em um pé de “Herva-baleeira’’ =
• Cordia curatmcica Frkskn.
: Idem pegando um pássaro (Iirachyxpua ca-
penxi») sobre uma “Casuarina”, num
dos ofidiários do Instituto do Butantan.
: A mesma ao engulir sua vitima.
: VivisseçAo de um outro exemplar de L. in-
sularit que tinha no estômago um
“.Joào-tolo’’ = Elaenia memleuca iCab.
kt Hjeiks).
; Outro exemplar encontrado no cónca% - o de
uma pedra e em período digestivo.
I Repare-se no volume do ventre).
: Outro éxemplar em período digestivo, re-
pousando sõbre cipós, ao lado do tronco
de uma árvore (Repare-se no volume
do ventre).
Plate
INDEX TO ILLUSTRATIONS
I;
figs.
1-4
: Helicops gomesi n. sp. (nat. size).
»;
9
5-8
: Aposiolepis polylepis n. sp. (X 2).
ii;
9
í - 5
: Elaps fixcheri n. sp. (X 2).
III;
9
1-5
: Lachesis insularia n. sp. (nat. size).
IV; (three colors)
V
: Idem. (*/ 3 nat.).
• Map of the Coast of the State of São Paulo.
VI;
figs.
1
: Queimada Grande Island (general view).
» *
VII;
»
•
2
: Idem (N. W. view, showing landing point).
: Idem (panorama).
VIII;
>
1
: Idem (S. E. view .
» ;
9
2
: Idem (S. W. view).
IX;
9
1-2
: Lachesis insularia on a “Crindeúva” tree =
Trema micrantha (Sw. Exgler.
X;
9
1
: Idem on a “Murta’’ (Myrtl) tree.
» ;
9
2
: Idem on a “Capororoca* 1 tree = Hapanea
guianense Acbl. : f> mts. from the
ground.
XI:
XII:
XIII
9
1-2
: Idem on “Murtas".
: Idem climbing a “Crindeúva" tree.
: Idem on a “Herva baleeira" tree = Cordia
curaxsacica Frkskjí.
XIV
9
1-2
: Idem trapping a bird Brachyspiza capensis)
in one ot the snake gardens of the
Butantan Institute.
XV
9
1
: The same swallowing her victim.
9
9
2
: Vivisection of another specimen of L. in-
XVI
XVII
guiaria in the stomach of which a
“João-tolo” (Elaenia mesoleuca Cab.
et Heine) was found.
: Another specimen found in a concave rock
during a digesting period. (Note size
of belly).
: Another specimen in digesting period la-
yiug ou a liane beside the truuk of
a tree. (Note size of belly).
r.«. s
Fig. <*
r*.
r*. »
Ku9 ««
SciELO
cm 123456
An. das Merr. do Instituto de Butantan — Vo!. I - fase. 1 (Ofiologia)
Estampa I
Fig. I
Fig. 4
F.g -•
Fig 3
10 11 12 13 14 15
cm
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) Estampa //
r,g. i
Ki*. .»
Ki*. I
10 11 12 13 14 15
Fi#* 5
Mg. 3
r s * *• *—
cm 1 2 3 4 5 6
SciELO
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia)
Estamna III
r«. «
Fir. 1
K. R. 2
* n - das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia)
Estampa IV
»V. D rsc»*«» 4*4
cm
SciELO
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol
íasc. 1 (Oíiologia)
Estampa l
SciELO
cm
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia)
Estampa VI
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 (Ofiologia) Estampa IX
cm
Ku. 2
cm 1
SciELO
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. I (Ofiologia) Estampa X
An. das Mem. do Instituto de Butantan
VoL I - fase. 1 (Ofiologia)
Estampa XI
SciELO
SciELO
— Vol. I - fase. 1 (Ofiologia)
Estampa XII
An. das Mem. do Instituto de Butantan
10 11 12 13 14 15
h»R- 1
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An. das Mem. do Instituto de Butantan Vol. 1 - fase. 1 (Ofiologia) Estampa XIV
Kír. i