MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO de BUTANTAN
1918
TOMO I - FASCÍCULO l
INSTITUTO SOROTERÁPICO “BUTANTAN
SÃO PAULO - (Brasil)
CAIXA POSTAL N. G6
Secretário do Interior:
DR. OSCAR RODRIGUES ALVES
Director Geral do Serviço Sanitário do Estado:
DR. ARTHUR NEIVA
Director do Instituto Soroterápico de Bntantan
DR. VITAL BRAZIL
Assistentes:
DR. DORIVAL DE CAMARGO PENTEADO
DR. JOÃO FLORENCIO GOMES
DR. OCTAVIO VEIGA
Dr. JOAQUIM CRISSIUMA DE TOLEDO
Snb-assistentes:
DR. AFRANIO DO AMARAL
DR. PAULO ALBERTO DE ARAÚJO
DR. EDGARD COSTA PEREIRA
DR. ARLINDO DE ASSIS (interino)
Botânico:
FREDERICO CARLOS HOEHNE
MEMÓRIAS
tfO
INSTITUTO de BUTANTAN
1918
TOMO I - FASCÍCULO l
WSTITUTO SOROTERÁPICO “BUTANTAN”
SÀO PAULO (Bbasil)
CAIXA POSTAL N. 65
SUMÁRIO :
T — Utriculárias do Rio de Janeiro e seus arredores, por P. C. Hoehne
e J. G. Kuhlmann (com as estampas I a VIII) ;
II — Estudo histológico das glandulas da cabeça dos ofídios brasleiros,
pelo Dr. Dorival de C. Penteado (com as estampas IX a XIII) ;
III — Sôro anti-escorpión co, pelo Dr. Vital Brazil;
VI — Sôro liemostático, pelo Dr. Octávio Veiga;
V — Contribuição para o conhecimento dos ofídios do Brasil (I — Ofídios
do Museu Paraense; II — Descrição de duas espécies novas), pelo
Dr. J. Florêncio Gomes (com a estampa XIV).
ADVERTÊNCIA: — As “Memórias do Instituto de Butantan” serão
publicadas em fascículos agrupáveis em tômos e não aparecerão em datas
fixas.
A grafia portuguesa nelas adoptada está, em suas linhas gerais, consoante
as bases da reforma ortográfica, aprovada pelo Governo de Portugal, em 1
de Setembro de 1911.
— Tôda correspondência deve ser dirigida ao “Director do Instituto de
Butantan — Caixa postal, 65 — São Paulo — Brasil”.
SUMMARY:
I — Utriculariae of R ; o de Janeiro and its neighborhood, by P. C. Hoehne
and J. G. Kuhlmann (with the plates I to VIII) ;
II — H stological study of the glands of Brazilian Snakes head, by Dr.
Dorival de C. Penteado (with the plates IX to XIII) ;
III — Anti-scorpionic serum, by Dr. Vital Brazil;
IV — Hemostatic serum, by Dr. Octavio Veiga ;
V — Contribution to the knowledge of Brazilian Snakes (I — Snakes
from the Museu Paraense; II — Description of two new species), by
Dr. J. Florêncio Gomes (with the plate XIV).
NOTICE: — The “Memórias do Instituto de Butantan” will be pu-
blished in fascicles constituting tomes and will not appear on fixed dates.
The Portuguese graphy used in the text is nearly according to the bases of
the orthographic reform approved by the Portuguese Government, the Ist
Sept. 1911.
Adress all a correspondence to the “Director do Instituto de Butantan —
Caixa postal 65 — São Paulo — Brasil”.
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SciELO
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HOMENAGEM
D— THEODORO BAYMA
DIRECTOR DO INSTITUTO BACTERIOLÓGICO
=1= 29 DE NOVEMBRO DE 1864
t 14 DE NOVEMBRO DE 1918
SciELO
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UTRICULÁRIAS
DO RIO DE JANEIRO E SEUS ARREDORES
POR
F. C. Hoehne
(DO INSTITUTO DE BUTANTAN)
J. G. Kuhlmann
(DA COMISSÃO RONDON)
INTRODUÇÃO
Desde longos anos as LENTIBULARIÁCEAS, DROSERÁCEAS e ou-
tras plantas consideradas carnívoras teem merecido atenção especial por
parte daquêles que se ocupam com a Sciencia Amabilis. Nem por isto se
tem adiantado muito no assunto. E’ facto que justamente a parte siste-
mática, que em todas estas questões deve preceder aos demais estudos
para torná-los 'realmente aproveitáveis, ainda está muito descurada. Isto,
especialmente no que diz respeito ao primeiro destes grupos.
Considerando esta lacuna e desejando contribuir com os nossos insi-
gnificantes esforços para aplainar um pouco a estrada que nos leva a
conhecer as espécies de L/ENTIBULARIÁCEAS, que em tal profusão
aparecem na flora do nosso País, resolvémos apresentar hoje o primeiro
trabalho nêste sentido, o qual começaremos justamente com as espécies
mais próximas da Capital Federal.
São apenas 17 as espécies até hoje registadas para a flora circunja-
cente à grande Sebastianópolis. São, no entanto, talvez justamente as
mais ornamentais. Algumas destas são tão belas, sim, possuem flores
tão grandes e tão bem coloridas, que poderiam ser indicadas aos apre-
ciadores dos atavios da Nanna, não fôra a dificuldade da sua adaptação
e cultura nos jardins. Esta dificuldade não é porém insuperável, mor-
mente quando encontra um indivíduo capaz de sacrificar algum tempo
e dinheiro à. realização dos seus desejos e que ao mesmo tempo tenha
aprendido a observar a vida e o meio das plantas na natureza, antes de
tentar ievá-las ao seu jardim ou estufa. Para estudo, temos conseguido
cultivar algumas espécies com bastante resultado, conseguindo mesmo
trazer uma Ut. pallens, St. Hil. das águas da Lagôa Santa, em Minas
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— 6 —
Gerais, para o Rio de Janeiro, onde tivemos relativa facilidade em con-
seguir fazê-la florir diversos anos seguidos.
Entre as mais lindas espécies contam-se: Utricularia longifolia,
Gardn., Utric. geminiloba, Benj., Utric. nelumbifolia, Gardn., e Utric.
reniformis, St. Hil., cujas flores atingem alguns centímetros de diâme-
tro e são de um roxo muito belo com desenhos de amarelo-cromo. Destas,
as duas últimas teem a particularidade de viver da mesma forma tanto
em terreno húmido, entre sphagnum, como na água acumulada nos gran-
des utrículos formados pelas fôlhas invaginadas das Bromeliáceas. Nes-
tas últimas desenvolvem estolonos e fôlhas muito maiores que nos bre-
jos ou entre o sphagnum.
Identificar-se as espécies com o auxílio exclusivo da literatura de
que se dispõe actualmente, é uma tarefa que nem sempre se conse-
gue realizar a contento. A Flora Brasiliensis de MARTIUS, que para nós
é ainda quási única fonte, sim, único compêndio ao qual podemos recor-
rer, descreve as LENTIBULARIÁCEAS de uma maneira deficientíssima
e até certo ponto falsa; basta que consideremos que a primeira cousa com
que se depara ali, na chave para as espécies, é a divisão delas em plantas
utriculígeras (ampulíferas) e plantas mão utriculígeras, plantas com
fôlhas e plantas sem fôlhas ! Sabendo-se que quási todas, com excepção
de duas ou três talvez, possuem fôlhas distintas e que geram utrículos
em maior ou menor número, poder-se-há avaliar por aí o resto.
Nas LENTIBULARIÁCEAS, os utrículos e as fôlhas são de maior im-
portância para a identificação das espécies. Parece-nos até possível que
com êstes dois órgãos e as sementes poderíamos organizar as bases para
a classificação racional das espécies. Infelizmente a grande maioria das
que encontramos nos Hervários dos diversos Estabelecimentos se
ressente da falta dos utrículos e das fôlhas. E isto vem justificar as
descrições da Flora Brasiliensis de MARTIUS.
Já dissémos que a grande maioria das LENTIBULARIÁCEAS possúi
fôlhas e que todas geram utrículos. Uma parte, porém, os possúi tão pe-
quenos que fácilmente podem escapar à vista. Não é, porém, tanto pelas
minúsculas dimensões que podemos justificar a sua ausência no material
dos Hervários; isto deve antes ser atribuído â falta de prática e pouco cui-
dado de quem as colheu. Na grande maioria das espécies, as fôlhas e os utrí-
culos nascem dos ténues rizomas e estolonos capiliformes que irradiam
da base das hastes florais, e, a não ser que se retire a planta toda com
um grande torrão ou massa de terra que depois se desmanche pouco a
pouco e com muita precaução em uma vasilha com agua, para despregar
e separar êstes estolonos, rizomas, radículas, fôlhas e utrículos, ligados
entre si, das partículas minerais e raízes estranhas metidas entre êles,
não se conseguirá colhêr plantas perfeitas ou completas. O sistema
cómodo e pouco prático para a Ciência, de sem mais cerimónia pegar-se
a planta pela haste floral e puxá-la, para as espécies fixas, deve ser
banido. De duzentos espécimes de Utric. nervosa, G. Web, que para expe-
riência assim colhémos, nos pântanos perto de S. Paulo, apenas dois
trouxeram alguns utrículos novos e nenhum veio com fôlhas, e o mesmo
acontece ainda com rizomas estoloniformes e utrículos das espécies
macrofilas, como tivémos ocasião de verificar com a Ut. renifoimis, St.
Hil. na Serra de Santos.
7 —
Infelizmente somos obrigados a confessar que também nós, antes de
conhecermos melhor as LENTIBULARIÁOEAS, trouxémos material bas-
tante deficiente de Mato Grosso. Só depois de alguma prática consegui-
mos reunir material mais completo.
Os utrículos teem construções várias, são porém sempre arranjados
de forma a permitirem ingresso e impedirem a saída aos micro-orga-
nismos. E’ um êrro supor-se que estes utrículos apanham sómente ani-
mais. Apanham da mesma maneira também as plantas microscópicas.
Abrindo-se um dos utrículos mais adultos sob a lente dum microscópio,
fica-se realmente pasmo de ver a multiplicidade de espécies animais e
vegetais que encerram. De entre estas prêsas sobressaem, pelo maior
número, os micro-crustáceos, Diatomáceas, Desmideáceas e outros seres
unicelulares dotados de algum movimento próprio ou plânctones.
Quanto ao carnivorismo ou melhor insectivorismo das LENTIBULA-
RIÁCEAS, as opiniões se acham ainda divididas; talvez, a maior parte
dos Botânicos da actualidade aceita a teoria expendida e professada por
DARWIN, DRV DE, KERNER e muitos outros, de que, de facto, estas
plantas se nutrem de matéria orgânica. Outros existem, porém, que, apezar
de admitirem o facto incontestável da planta apanhar os micro-animais
em seus utrículos, pensam de modo diverso, isto é, atribuem êste fenó-
meno ao mero acaso, alegando que pode muito bem ser que estes ani-
málculos penetram no interior dêstes utrículos para esconderem-se dos
inimigos maiores. Nós somos de opinião que de facto estas plantas
podem nutrir-se directamente de matéria orgânica, mas quanto ao esclu-
sivismo desta maneira de alimentar-se, devemos confessar que ainda
não podemos externar a nossa opinião, pois falta-nos ainda completar
êstes estudos com observações e experiências mais demoradas. Aos que
se interessam por esta questão, podemos indicar os trabalhos de DAR-
WIN (Iinsektenfressende Pflanzen, 1876), DRUDE, (Insektenfressende
Pflanzen, in der Encyclopsedie der Naturw. vol. I, 1879), GOEBEL,
(Pflanzenbiologische Schilderungen, vol. II, 1891-1893, pag. 53), KER-
NER, (Pflanzenleben, vol. I, 1877, pag. 304-315) e muitos outros,
como Dr. LUETZELBURG (Beitrâge zur Kentnis der Utricularien, Jena,
1909) teem-se ocupado mais especialmente dêste assunto.
Nosso objectivo é de ordem sistemática; a nossa intenção é tornar
conhecidas as espécies dêste interessante grupo de plantas de forma a
torná-las mais familiares, e, se com êste despretencioso trabalho que
hoje apresentamos lograrmos despertar em alguma pessoa a curiosidade,
o amor e interêsse pelo estudo das mesmas, daremos por muito bem
empregado o tempo e esforço dispendidos com a elaboração do mesmo.
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LITERATURA
(Sistemática)
Oliver, D.
Linne, C. von — Species plantaram, ed. II, Holmlae, 1702-63.
Swartz, Olof. — Nova genera et species plantaram, Stockholm, 1788.
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Kunth, C. S. — Nova genera et species plantaram.
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Saint Hilairo, Aug. Do — Voyage dans 1’interieur du Brésil, I, II, Paris, 1830 et
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De Candolle, Adolph. — Prodromus systematis naturalis regni vegetabllls. Paris,
1844, vol. VIII.
Lehmann, Christ. — Novarum et minus cognitarum stirpium. Pugillus octavus.
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Benjamin, Ludov. — Ultricularieae, in Martius Flora Brasiliensis, fase, IX, 1847.
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Bentham, G. et Hooker, J. D. — Genera plantaram, vol. 2, London, 1873.
Warming, Eug. — Symbolae ad floram Brasilae centralis cognoscendam. Part.
XVII do Videnskabelige Meddelelser fra den naturhistoriske
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pag. 1 etc.
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Oliver
(Camienski, F.
Kuntze, Otto
Ule, Ernesto
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CHAVE PARA AS ESPÉCIES:
1 — Plantas flutuantes com as partes vegetativas completamente
Imersas e os inflorescôncias emergidas 2
” fixas, paludícolas, esfagnícolas ou bromelicolas ... 3
2 — Estolonos ou rizomas espessos; utrículos relatlvamente grandes, ro-
xos e destituídos dos prolongamentos ante a fauce; fôlhas
verdes, pluripartidas e muito distintas; flores amare-
las. Utr. oligosperma, St. Hll.
ou rizomas mais finos; utrículos menores, ante a fauce
providos de dois longos prolongamentos ciliados; fôlhas
menores, mais esparsas; flores amarelas. Utr. longiros-
tris, Le C. Eli.
3 — Fôlhas grandes ou pelo menos bem visíveis, mais ou menos rijas
e flores roxas de mais de 2 cm. de diâmetro .... 4
„ menores, não raro quási imperceptíveis, lineares, espatu-
lares, reniformes, lanceoladas ou de limlbo quási orbi-
cular . 7
4 — Fôlhas peitadas, orbiculares ou quási orbiculares; flores grandes
em racimos multi-flores; planta bromellcola. Utr. nelum-
bifolia, Gardn.
„ não peitadas nem orbiculares : 5
5 — Corola de lábios inteiros; fôlhas oblongo-lanceoladas ou quási
espátulo-lanceoladas, de 5-40 cm. Utr. longifolin, Garcl.
” com o lábio inferior bi, até tri-partido ou lobado . . 6
8 — Fôlhas reniformes, corola com o lábio inferior tri-lobado, lobo me-
diano muito menor, agudo e os laterais amplos e arredon-
dados;; plantas quási sempre bromellcolas. Utr. renifor-
mis, St. Hil.
„ cordato-ovais ou ovais, corola de lábio inferior quási bi-
partido, lobos afastados, mediano nulo ou pouco' distinto;
plantas esfagnícolas. Utr. gominiloba, Benj.
7 — Fôlhas ob-ovais, quási espatulares ou de limbo quási orbicular ou
reniformes 8
„ lanceoladas, lineares ou filiformes 10
8 — Fôlhas reniformes; flores roxo-pálidas; planta esifagnícola. Utr.
Dusenli, Sylven.
„ ob-ovais, espatulares ou quási orbiculares, flores roxas ou
amarelas 9
9 — Fôlhas bem distintas, haste floral de mais de 15 cm.; flores ro-
xas; planta dos pântanos, onde vive entre gramíneas e
outras plantas palustres; corola de mais de 9 mm. de diâ-
metro. Utr. globulariaefolia, Mart.
„ menores; haste floral de menos de 15 cm. de alt. ; flores
menores que 9 mm. de diâm.; corola roxa como a prece-
dente. Utr. tridentata, Sylven.
10 — Corola de lábio superior maior, tri-lobado; planta fixa dos bre-
jos ou fixa entre gramíneas e outras plantas flutuantes;
flores amarelas em hastes de 8-14 cm. de alt. Utr. pal-
lens, St. Hil.
„ de lábio superior menor que o inferior e êste distinta ou
dndistintamente tri-lobado; flores amarelas ....
11 — Lábio inferior da corola indistintamente tri-lobado; folhas estrei-
tas; utrículos com prolongamentos não muito longos e
ciliados ante a fauce. Utr. subulata, Linn.
” inferior da corola distintamente tri-lobado; fôlhas mais
largas e não raro ramificadas; utrículos providos de dois
prolongamentos longos e ciliados ante a fauce ... 12
1 2 — Haste floral de mais de 10 cm. de comp.; flores de mais de 1
cm. de diâmetro e utrículos com prolongamentos muito
longos ante a fauce; flores amarelas e cálice nervulado.
Utr. nervosa, G. Web.
>t floral com menos de 10 cm. ou pelo menos muito menor
que a da precedente; flores de menos de 1 cm. de diâme-
tro e prolongamentos dos utrículos menores. Utr. pusil-
la, Vahl.
it( ( l uo n ã° colhémos material e que são incertas ou menos conhecidas:
Utric. Gomezii, D. C., Utrlc. tricolor, St. Hil. e Utric. ncphrophylla, Benj.
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UTRICULARIA OLIGOSPERMA, ST. IIIL.
(. Estampa I, fig. la — 1 c)
Planta flutuante imersa, de caule ou estolonos fistulosos; folhas
abundantes, verde-escuras, capiliformes, pluri-partidas, constituindo
ramos ou conjuntos que nascem lateralmente do caule e atingem de
5-10 cm. de comp. e se abrem a mais de 4-8 cm. em diâmetro, colando
em massas informes ao serem retiradas da água, não raro opostas e uma
mais utriculígera que as outras; quando velhas, escuras e muito utriculí-
feras; utrículos relativamente grandes, roxos e destituídos de apêndices
ante a fauce e esta em forma de alçapão; inflorescências emersas de
10-20 cm. de altura acima d’água, ostentando no têrço superior de 8-20
flores amarelas e pouco abaixo destas 1 a 2 escamas ovais obtusas, base-
fixas e em tudo parecidas com as brácteas, que são bastante patentes
depois da ântese ; pedicelos durante a ántese erecto-patentes, depois pouco
a pouco recurvados e com a maturação do fruto completamente virados
para baixo, de 1, 5-1, 8 cm. de comp.; cálice de segmentos elíptico-ovais,
o superior arredondado ou obtuso e o inferior (ao contrário do des-
crito) iquási sempre uni-lateralmente emarginado ou inciso no ápice, de
4-5mm. de comp.; corola amarela, de 6-8 mm. de comp.; lábio superior
pouco mais alto que o palato, oval ou oblongado, arredondado ou leve-
mente retuso no ápice; inferior mais amplo, muito mais largo que longo-
levemente retuso nos lados e por isto quási indistintamente tri-lobado,
no ápice não raro algo emarginado; cálcar cónico-acuminado, horizon-
tal, levemente bi-dentado ou emarginado no ápice; cápsula globular con-
tendo poucas sementes, estas orbiculares quási disciformes, com as mar-
gens mais membranáceas, como que adaptadas a flutuar.
Pela Flora Brasiliensis de MARTIUS citada como encontrada no Rio de
Janeiro pelo Dr. ST. HILAIRE. Frequente nos banhados perto de Butan-
tan, em S. Paulo (n.° 95 Hoehne, Horto “Oswaldo Cruz”). Existe ainda
bem representada no Hervário do Museu Paulista: Nos. 4345 do Dr ED-
WALL, 2235 do Dr. VON IHERING e diversos espécimes recolhidos pelo
Dr. USTERI, (s. n.).
Citada também do Mato-Grosso, de onde a trouxemos, dando-a erra-
damente como Utr. obtusa, Sw. no Anexo n.° 2 da Expedição Científica
Roosevelt-Rondon.
Planta bastante variável no desenvolvimento das inflorescências e dos
caules.
14 —
UTRICULARIA LONGIROSTRIS, LE CONTE ELL.
(Estampa II, fig. la — 1 e)
Planta flutuante, caule ou rizoma de 8-10 cm. de comp. ; folhas pluri*
partidas, segmentos capiláceos, utriculíferos ; utrículos estipitados, de
1-2 mm., de comp., providos de dois prolongamentos ciliados ante a fauce;
inflorescência erecta, emergida, ostentando de 1-3 flores amarelas e
atingindo ao todo 10-18 cm., na parte despida munida de 1-3 escamas
base-fixas, distantes entre si, de 2 mm. de comp., obtusas ou ligeiramente
trilobadas; brácteas de 2,3 — 2,5 mm. de comp. levemente bi-a-tri-lobadas
ou ovo-arredondadas ; pedicelos ténues, de 7-10 mm. de comp.; cálice de
lábio superior de 3 x 3,5 — 3,5 x 4,5 mm. de diàm. indistintamente tri-
lobado e o inferior de 3,5 x 3 — 3,5 x 4 mm. de diám., ob-oval e inteiro ;
corola de 11-12 mm. de comp., com o lábio superior inteiro ou algo tri-
lobado, margens crenadas, de 7-8 mm. e o inferior de 4,5 x 5 mm. igual-
mente crenado nas margens; cálcar de 7 mm. de comp. no ápice emar-
ginado ou bipartido.
Na Flora Brasiliensis de MARTIUS citada para a Serra dos órgãos,
onde foi encontrada por GARDNER.
UTRICULARIA NELUMBIFOLIA, OARDN.
(Estampa III, fig. a — d)
Planta fixa, estolonífera, de caule ou estolono sarmentoso, horizontal,
radicífero; raízes utriculígeras, quási sempre muito finas e delicadas;
utrículos relativamente pequenos, providos de dois prolongamentos ante
a fauce; folhas sôbre pecíolos muito longos, peitadas, orbiculares; pecío-
los de 20-35 em. de comp. e limbos de 3-10 cm. de diâmetro; inflores-
cências racimosas, raro pouco ramosas, de 30-70 cm. de comp- com duas
escamas distanciadas entre si, de forma lanceolar e de 5-7 mm. de comp.
na parte despida de flores, no ápice ou parte terminal com 5-10 flores
violáceas sôbre pedicelos de 25-30 mm. de comp. ou seja quatro vezes
mais longos que as brácteas que se encontram em sua base; cálice de
lábios iguais, ovais, obtusos; corola de quási 33 mm. de comp., com o
lábio superior obtuso, inteiro e o inferior tri-lobado, tão longo quanto
o cálcar, lobo mediano muito menor que os laterais, êstes amplos e arre-
dondados; cálcar cónico-incurvado, algo descendente e apresso ao lábio
inferior da corola.
Por mais de uma vez encontrada na água que se acumula nos utrícu-
los formados pelas folhas invaginadas de algumas Bromeliáceas maio-
res dos picos elevados da Serra dos órgãos.
UTRICULARIA LONGIFOLIA, OARDN.
(Estampa IV, fig. la — 1 c)
Planta fixa, robusta, de folhas longas, erectas, mais ou menos rijas,
algo parecidas com as de alguns Polipódios, obtusas ou ligeiramente
— 15
aguçadas e na base sempre atenuadas de longe e munidas de um
pecíolo roliço, ao todo de 10-45 cm- de comp. e 1,5 — 2-5 cm. de maior
largura, glabras e um tanto brilhantes quando novas; inflorescências
racimosas simples, raro um pouco ramificadas, erectas, bastante mais
longas que as folhas, ostentando no terço superior 2-10 flores que se
abrem umas após as outras de baixo para cima, como acontece com a
maior parte das congéneres, na parte despida de flores com 3-6 escamas
triãngulo-lanceoladas, base-fixas; brácteas solitárias, tri-partidas ; pedi-
celos erecto-patentes, de 3-5 cm. de comp. ; cálice de lábios ovo-acuminados,
o inferior não raro levemente emarginado, de 5-8 mm. de comp.; corola
ampla, cerúleo-arroxeada ou violácea, com o lábio superior menor,
elíptico-oblongo, de 10-15 mm. de comp. e o inferior pátulo, orbicular ou
quási transversalmente oblongo, inteiro ou suavemente retuso, de 2-4
cm. de largura; cálcar mais curto que o lábio inferior da corola, na base
um tanto cónico, mais para cima dilatado e do meio para o ápice quási
linear-cilíndrico, obtuso. Os utrículos são providos de dois prolonga-
mentos ciliados ante a fauce.
Em 1840 pela primeira vez encontrada, por GARDNER, no Pico da Pe-
dra Bonita, no Rio de Janeiro, onde ainda a encontramos em 1916, depois
de a termos encontrado também na pedreira contornada pela ponte do
Inferno no aqueduto do Corcovado. No Hervário do Museu Paulista,
representada por um espécime trazido da Ti j uca, pelo Dr. USTERI, em
27 1 VI 1 1906.
Os detalhes feitos ao lado do utrículo muito ampliado, correspondem
à estrutura externa não só dêste, mas de muitos outros dêste género.
Talvez a espécie mais robusta do género, muito bem caracterizada
pelas folhas longas e muito rijas, que lembram, em sua forma, a de
algumas Polipodiáceas. As flores são roxas e muito vistosas.'
UTRICULARIA RENIFORMIS, ST. HIL.
(Estampa V, fig. a — d)
Planta fixa, relativamente grande, de caule, estolonos e rizomas hori-
zontais, de cêrca de 15 mm. de espessura ; folhas de limbo reniforme, de
1,5 até 15 cm. de diâmetro ou seja 1,5 — 6,5 de comp. por 1,5 — 15 cm. de
larg., inteiro ou ligeiramente emarginado, peeíolos de 12-33 cm. de comp. ;
inflorescências de 30-60 cm. de comp., ostentando de 7-9 flores na parte
terminal e duas a três escamas distantes entre si na parte despida de
flores, as quais são de forma lanceolar acuminada; brácteas tri-partidas
até próximo da base, com segmentos agudos, os laterais linear-lanceo-
lados; pedicelos com o dobro do comprimento das brácteas ou seja de
14-18 mm. de comp.; cálice de lábios iguais, ovais, obtusos ou o inferior
ligeiramente inciso, de 1,5 x 1 cm. ; corola de 3-4,5 cm. de diâm., roxa,
com o palato ornado de duas linhas amarelas; lábio superior arredon-
dado ou truncado e emarginado e o inferior tri-lobado, com os lobos
laterais bem distendidos e amplos e o mediano muito menor; cálcar pro-
jectado para diante, cónico, superiormente curvado para cima, supe-
rando o lábio inferior da corola.
SciELQ
14
— 16
Encontrado em Minas Gerais na serra do Papagaio e na do Caraça
por ST. HILAIRE. Em Teresópolis pelo Dr. JULIO T. DE MOURA, vi-
vendo entre sphagnum nos picos mais elevados das serras.
No Museu Paulista representada pelos números: 1909 de G. EDWALL,
colhida em Campo Grande (Linha Inglesa), em 20| X 1 1892, no brejo;
nêste exemplar o pecíolo das folhas não excede a 5 cm. e o limbo tem
apenas 3 cm. de larg.. N.° 5900 do Dr. G. EDWALL, também do Compo
Grande, com uma fôlha de Bromeliácea (talvez Bilbérgia) e nota: flo-
res grandes, azúis, com duas estrias amarelas, beira de mata virgem,
dentro de uma Bromeliácea, 27|XI|1902. Nêste espécime as folhas
teem pecíolos longos e limbos amplos, ligeiramente emarginados. —
5901 do Dr. G. EDWALL, Campo Grande, em 27| XI 1 1912, com a nota:
brejo e campo húmido (Exemplares robustos e muito belos que serviram
de modelo ao desenho) — 5903 do Dr. LOEFGREN , Itatiaia, 12|III|1902,
terreno brejoso, comum. Espécime robusto.
No Hervário do Horto “Oswaldo Cruz” em Butantan, representada
por diversos espécimes (n.° 760), colhidos no Alto da Serra, S. Paulo,
em 20|X[1917. Êstes viviam em um terreno turfoso, semi-campestre e
entre e dentro de BROMELIÁCEAS em matinha rala e bem iluminada
onde estendiam os estolonos de uma para outra destas plantas, ostentando
inflorescências e flores excepcionalmente grandes, tendo algumas das
últimas mais de 5 cm. de largura.
UTRICULARIA GEM1NILOBA, BEN.J.
( Estampa VI)
Planta fixa de logares humosos ou entre sphagnum das pedreiras
regadas, folhas muito variaveis, de âmbito sempre oval ou ovo-cordi-
forme, pecioladas, de limbo patente, de 1-8 cm. de comp. por 6-7 cm.
de largura e pecíolo de 4-20 cm. de comp.; inflorescência ascendente,
com uma só escama acima do meio e com 1-6 grandes flores no quarto
terminal; brácteas ternadas, mediana lanceolar de 2-6 mm. de comp.
laterais menores ; pedicelos erecto-patentes, abruptamente curvados
para baixo no extremo superior, de 1-2 cm. de comp. ; cálice de 8-12 mm.
de comp , de segmentos desiguais, o superior pouco maior e o inferior
levemente emarginado; corola violácea, de lábio superior ob-oval ligei-
ramente emarginado e truncado, de 12-20 mm. de comp. e 10-16 mm.
de larg. acima do meio, inferior prafundamente bi-partido, de 2-5 cm.
de larg., lobos ob-ovais, arredondados, geralmente bem separados por
um minúsculo lobo mediano levemente emarginado, que dá passagem e
cavalga sobre o cálcar; palato duplo ou com duas elevações longitudinais
amarelas, separadas por largo sulco; cálcar sempre estendido para
frente, com a ponta curvada para cima, base mais ampla e do meio
pai*a o ápice quási cónico-linear, obtuso; cápsula esferoide; sementes
de âmbito quási quadrangular, armadas de pequenos estiletes pluri-celu-
lares, obtusos.
Encontrada em grande quantidade na encosta da pedra do pico da
Tijuca, Rio de Janeiro. Florescendo em Setembro.
17 —
UTRICULARIA DUSENII. 8YLVEN.
( Esta/mpa IV, fig 2 a — 2 c)
Planta fixa, entre sphagnum sôbre pedreiras e barrancas regadas,
com rizoma ou estolonos ténues, horizontais e raízes utriculíferas e
folígeras; folhas pecioladas, reniforme-orbiculadas, inteiras, de 5-10
mm. de diám. ou às vezes pouco mais estreitas que longas; inflorescencia
desprovida de éscamas ou ostentando de 1-2 abaixo do meio na parte des-
pida de flores, no ápice comi 1-4 flores roxo-pálidas, com o centro do
palato amarelo, atingindo de 8-16 cm. de alt. ; escamas insignificantes,
pequeníssimas, obtusas e base-fixas; brácteas relativamente grandes,
ternadas, mediana oval-lanceolada, obtusa, de 2 xl mm. e laterais pouco
menores, oblongo-lineares, obtusas; pedicelos de 1 cm. ou mais de comp. ;
cálice de cêrca de 4-5 mm. de segmentos lanceolar-ovais, obtusos e iguais
entre si; corola pálido-arroxeada, com o palato pintado de amarelo, de
cêrca de 18 mm. de comp.; lábio superior inteiro, arredondado oval, de
8-10 x 6-7 mm., o inferior de cêrca de 8-10 x 12-14 mm., tri-lobado,
tendo os lobos laterais muito maiores e arredondados e o mediano
pequeno, quási imperceptível; palato elevado bi-partido no ápice; cálcar
cónico-cilíndrico, horizontal, sub-curvado, mais curto que o lábio infe-
rior da corola; cápsula ovoide, menor que o cálice; sementes mínimas,
esferoide-ovoides, ornados de pequenas saliências cilíndricas, quási
equinatas.
Em 1888 colhida por J. T. DE MOURA, em campos húmidos perto de
Teresópolis; em 1894 pelo Dr. BRENNING, na Serra dos órgãos; em 1902
pelo Dr. P. DUSEN, na encosta da pedra do Corcovado, onde também a
encontrámos, pela primeira vez, em 1914.
No Museu Paulista, representada pelo n.° 23 do Dr. A. USTERI, proce-
dente da Tijuca, Rio de Janeiro, 27|VI|1906 (sem corolas).
UTRICULARIA GLOBULARI/EFOLIA, MART.
( Estumpa VII, fig. 2 a — 2 6)
Planta fixa, de logares pantanosos ou algo alagados, raro com as
raízes algo flutuantes entre outros vegetais; rizoma e estolonos algo
até muito radicíferos e raízes esparsamente carregadas de utrículos
relativamente grandes ou pelo menos bem distintos; folhas de limbo
orbicular ou algo ob-ovalado, de 5-15 mm. de diám. sempre obtuso e ate-
nuado em pecíolo de 1-2 cm. de comp. quási sempre um tanto cespitosas e
de côr verde-clara ; inflorescências erectas, geralmente simples, de 1-2 mm.
de espessura na base, e 20-40 cm. de alt., ostentando 4-7 escamas ovo-
agudas nos 4|5 inferiores e 2-4 flores no quinto superior; escamas
de 1-2 mm. de comp., brácteas tri-partidas até perto da base, segmento
mediano oval, mais largo e laterais estreitos, acuminados, de 1-2,5 mm. de
comp.; pedicelos ténues, de 4-10 mm. de comp.; cálice de segmento supe-
rior oval, quási agudo, de 4-5 mm., o inferior quási orbicular, obtuso
e não raro um pouco emarginado, de 3 mm. de diám. ; corola roxa. lábio
superior ob-oblongo, obtuso, inteiro, de 10-13 mm. de comp. por 7-9 mm.
de larg. inferior ligeiramente tri-lobado, muito mais largo, de 11-15 mm.
— 18 —
de comp., por 21-26 mm. de larg.; lobos arredondados, iguais ou o
mediano um pouco menor; cálcar cónico-linear, um tanto dilatado no
meio, quási levemente emarginado no ápice e tão longo ou pouco mais
comprido que o lábio inferior da corola.
Por GARDNER (n.° 590) colhida no Rio de Janeiro (seg. a Fl. Br.
de MART). No Hervário do Museu Paulista representada pelos seguintes
números: 2238, 1375 do Dr. EDWALL, colhida em Sto. Amaro na Capital
(S. Paulo), em 19 1 XI 1 1893 — Nos. 396 e 3517 do Dr. LOEFGREN, colhidos
em Campo Largo e Campo Alegre, em 29|XI| 1887 e 8|I| 1897 — Um exem-
plar do Dr. USTERI, proc. de Araras, em 30|X| 1905 — N.° 25 do Sr. H.
LUEDERW ALDT, proc. de Ipiranga, 7 1 X 1 1897. No Hervário do Horto
“Oswaldo Cruz” representada pelos números: 433 e 532 colhidos em Bu-
tantan, em Setembro de 1917.
UTRICULARIA TRIDENTATA, SYLVEN.
(Estampa VII, fig. 3 a — 3 d)
Planta fixa com raízes utriculígeras ; folhas inteiras, rosuladas, pecio-
ladas, arredondadas ou de limbo oval até ob-oval, de cêrca de 4-6 x 6
(ou de 15x4) mm.; inflorescência erecta, na parte despida de flores
provida de pequenas escamas, bem distanciadas entre si, de fórma sub-
triangular, base-fixas; brácteas tridenticuladas, agudas, atingindo 1|4-
-1 1 5 do comprimento dos pedicelos, êstes de 3-4 mm., frutíferos erectos;
segmentos do cálice cimbiformes, o superior oval-arredondado e obtuso,
de 2-3 mm. e o inferior mais curto, mais largo e emarginado; corola
roxo-pálida, de 7-10 mm., lábio superior oval, obtuso, de cêrca de 4-5
mm. de comp. e 3-3,5 mm. de larg., lábio inferior arredondado, tri-lo-
bado, lobos iguais, curtos, palato inflato, alvo com mácula amarela
no topo, ao todo de 5-6 x 6-7 mm. ; cálcar recto, raro curvado para
cima na parte terminal, horizontal, cónico e algo acuminado, mas de
ápice obtuso, mais longo que o lábio inferior da corola; cápsula globosa;
sementes numerosas e pequenas, oblíquo-prismáticas, longitudinalmente
sulcadas ou estriadas.
Colhida por JULIO T. DE MOURA, na Serra dos órgãos (Museu Na-
cional) .
UTRICULARIA PALLENS, ST. HIL.
( Estampa VII, fig. 4 e VIII, fig a — d)
Planta fixa em solo pantanoso ou entre Gramíneas e outras plantas
flutuantes dos lagos, de estolonos e rizomas muito ramificados e raízes
utriculígeras; folhas finas, quási aciculares, erectas, ou prostradas, não
raro também algo ramificadas, de 1-1,3 cm. de comp. e de 0,4 mm. de
largura; mflorescências erectas, simples ou raro ramígeras, com uma
a quatro flores e cêrca de 5-8 cm. de altura; escamas base-fixas, oval-
arredondadas; brácteas igualmente base-fixas, oval-arredondadas, trun-
cadas, amplexicantes ; pedicelos delgados de cêrca de 1 cm. de comp.,
frutíferos erectos; cálice de segmento inferior arredondado, superior
mais largo, de 2-3 mm. de comp.; corola amarela, de 10-11 mm. de comip.,
com o lábio superior maior e indistintamente tri-lobado, de 5-8 x 8-12
mm., o inferior, inteiro ou ligeiramente tri-crenado, de 5-9 x 5-8 mm.;
— 19 —
pálato inflato e levemente bi-partido no ápice; cálcar horizontal, cónico,
obtuso ou truncado e um tanto comprimido de cima para baixo, tão ou
pouco mais longo que o lábio inferior da corola, isto é de 5-7 mm. de
comp.; cápsula globosa; sementes peitadas de 1 mm. de diám., fuscas e
quási orbiculares, cingidas irregularmente por uma membrana ou ala
crenada.
Colhida por ST. HILAIRE nos paúis próximos da pedra do Angico em
Minas Gerais; por SALZMAN\N, perto da Baía; por nós em Lagôa
Santa, Minas Gerais; últimamente também encontrada em Teresópolis,
pelo Dr. ALBERTO JOSÉ DE SAMPAIO. Frequúente nos arredores de
S.Paulo e representada por diversos números no Hervário do Museu Pau-
lista e no do Horto “Oswaldo Cruz”.
Segundo BENJAMIN, existem duas formas, uma das quais se fixa nos
terrenos húmidos ou temporáriamente alagados e a outra que se fixa entre
outras plantas flutuantes que infestam a superfície das lagoas e baías.
A forma por nós recolhida nos arredores de Butantan, S. Paulo,
(n.° 483 do Horto “Oswaldo Cruz”) caracteriza-se por ter as flores venula-
das e manchadas indistintamente de vermelho côr de sangue.
UTRICULAR1A SUBULATA, LINN.
( Estampa II, fig. la — 1 e)
Planta mais ou menos fixa, rizoma horizontal, irradiando da base
da inflorescência, radicífero e folígero: folhas utriculígeras; folhas
muito estreitas quási espatulares, de 10-12 mm. de comp.; utrículos
esparsos com prolongamentos ciliados ante a fauce, estipitados; inflo-
rescência provida de 4-6 escamas obtusas, na parte terminal com 2-7
flores amarelas, atingindo ao todo de 7-12 cm. de altura; brácteas ovais,
auriculadas na sua base; pedicelos de 6-10 mm., ascendentes ou algo
patentes; cálice de segmentos ovo-obtusados, inferior em geral ligei-
ramente emarginado; corola de lábio superior oval, inteiro ou raro
bi-denticulado, inferior muito maior e indistintamente tri-lobado, lobos
de margens recurvadas ; cálcar tão ou pouco mais longo que o lábio infe-
rior da corola, no ápice abruptamente acuminado, terminando em ponta
obtusa; cápsula esferoide.
Colhida em Suruí, Rio de Janeiro, por J. T. DE MOURA. Dispersa por
quási toda a América.
UTRICULAR1A NERVOSA, O. WEB.
( Estampa VII, fig. la — 1 e)
Planta fixa; folhas raras até mui abundantes, simples e inteiras
até ramificadas, ob-ovais sub-lineares, atenuadas para a base e ápice
obtuso ou ligeiramente acuminado; estolonos ténues, providos de ténues
radículas utriculígeras; utrículos quási ovoides, providos de dois longos
prolongamentos ciliados ante a fauce; inflorescências simples ou algo
ramíferas, erectas e delgadas, de 10-40 cm. de alt. sempre algo flexuosas
na parte terminal, onde ostentam 2-8 flores amarelas, na parte des-
pida de flores com 2-5 escamas muito distantes entre si e médio-fixas
— 20
como as brácteas; pedicelos ténues, erecto-patentes, de 3-10 mm. de
comp.; cálice de segmentos sub-orbiculares ou quási elípticos, de 2,5-3
mm. de comp.; corola amarela, de 6-10 mm. de diâm., lábio superior
ovo-orbicular ou oblongado, obtuso, inferior maior, dilatado e mais ou
menos distinto, tri-lobado, lobo mediano obtuso como os laterais, porém
mais largo que êstes; palato distinto; cálcar horizontal ou levemente
ascendente, recto ou algo incurvado, cónico-acuminado, pouco mais longo
que o lábio inferior da corola; cápsula globosa.
Para a Serra dos órgãos citada como encontrada por GARDNER. No
Hervário do Museu Paulista, representada pelos números ô 20 e 25 do Dr.
USTERI, procedentes da Capital (S. Paulo) Avenida Paulista, Lapa e
Vila Mariana, florescendo de Junho a Setembro e mais 933 do Dr. LOEF-
GREN, proc. de Feijão, direcção do Rio Claro, I|X|1888. — N.° 1943 do Dr.
G. EDWALL, Campo Grande, 10|XI|1892 e 26 do Sr. LUEDERWALDT,
proc. de Ipiranga, 6 1 X 1 1907.
No Horto “Oswaldo Cruz” (Hervário) representada pelo n.° 442 colhi-
do em Pinheiros e arredores de Butantan, em Setembro de 1917.
UTRICULARIA PUS1LLA, VAIIL.
( Estampa II, fig. 3 a — 3 /)
Planta fixa com folhas de 5-7 mm. de com., longamente pecioladas,
de limbo sub-espatulado quási linear, sôbre fascículos de rizomas ou
pseudo-raízes utriculígeras ; inflorescência de 5-8 cm. de alt., ostentando
de distância em distância 1-2 pequeníssimas escamas oval-agudas;
pedicelos ténues de 5 mm. de comp., com pequeníssimas brácteas em
sua base, cuja parte inferior é ligeiramente auriculada; cálice de
segmentos oval-agudos durante a ântese e depois desta ovais, o inferior
maior e emarginado, 6-estriado; corola amarela, de 7-8 mm. de diâm.,
lábio superior oval-obtuso, levemente emarginado e o inferior maior e
tri-lobado, lobo mediano maior; cálcar estendido para frente, cónico-
oblongo, recto, duas vezes tão longo quanto o lábio inferior da corola.
Conhecida de Minas-Gerais, Baía, Guianas e, êste ano, também encon-
rada em Teresópolis, pelo Dr. ALBERTO JOSÉ DE SAMPAIO, do Mu-
seu Nacional.
UTRICULARIA GOMEZII, D. C.
( Estampa I, fig. 2 a — 2 c)
Planta fixa (segundo a Flora Brasiliensis, destituída de folhas durante
a ântese), raízes simples de 2-5 cm. de comp., fibrosas, ostentando alguns
utrículos muito pequenos; inflorescência erecta, angulosa, de 30 cm. de
comp.. ostentando 1-4 flores roxo-purpúreas ou violetas (?), ornada
de escamas aciculares inteiras, muito distanciadas entre si, na parte
despida de flores; bráctea tri-partida, à primeira vista, parecendo três,
de segmentos aciculares, os laterais menores; pedicelos mais longos que
as brácteas e mais curtos que as flores; cálice bi-labiado, de segmentos
ovais, obtusíssimos e sub-denticulados, o superior maior e o inferior
geralmente emarginado; corola de lábio superior oval, inteiro, pubérulo
na base e o' inferior amplo, plano, duas vezes mais longo e três vezes
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mais largo que o superior; cálcar agudo, estendido para deante, tão
longo, quanto o lábio inferior da corola ; cápsula ovoide, pouco mais
longa que o cálice.
Segundo a Flora Brasiliensis de MARTIUS, encontrada em S. Paulo e
no Rio de Janeiro, no primeiro logar por LUND e no segundo por ILDE-
FONSO GOMES.
A descripção é feita segundo a de DE CANDOLLE (Prodromus) e da
Flora Brasiliensis de MARTIUS, porque não vimos material original.
A reprodução que em dúvida damos para esta espécie, foi feita pelo
n.° 5902 do Dr. LOEFGREN , (Hervário do Museu Paulista) colhida por êle
no Itatiaia em 12]3|1903. Se de facto esta planta reproduzida é represen-
tante da espécie em questão, podemos adeantar que ela tem folhas orbi-
culares, peitadas. (No citado Hervário ela estava sem classificação).
UTRICULARIA TRICOLOR, ST. IIIL.
Planta fixa; folhas graminoides, lineares, agudas, nulas durante a án-
tese (?) ; inflorescência de 30-70 cm. de alt. ornada de raras escamas bem
distanciadas entre si e de forma lanceolar-aguda, na parte terminal com
1-4 flores, as quais teem os pedicelos sostidos por três ou uma bráctea
trífida, de segmentos agudos; cálice de segmentos desiguais, orbicular-
ovais e levemente denticulados ; corola de cêrca de 16 mm. de diám.,
cerúleo-violácea, com o palato pintado de branco e amarelo; lábio supe-
rior oval, obtuso, e inferior tri-lobado com o lobo mediano menor e late-
rais amplos; cálcar delgado, horizontal, um pouco incurvado, mais longo
que o lábio inferior da corola; sob a lente, o palato mostra-se um tanto
aveludado.
Encontrada por ST. HILAIRE em terrenos húmidos, não muito longe do
mar, em S. João da Barra, Rio de Janeiro. (Não vista).
UTRICULARIA NEPHROPHYLLA, BENJ.
Planta fixa, raízes relativamente curtas e fibrosas; folhas cordato-
reniformes, de 8-15 mm. de comp.; pecioladas, de limbo inteiro, na face
superior glanduloso-puntulado, verde, duas vezes e até três vezes mais
curto que o pecíolo; inflorescência erecta de 15-20 cm. de alt., filiforme,
com duas a poucas flores alternas e esparsas na sua parte terminal;
brácteas ternas, de 3 mm. de comp., iguais entre si, base-fixas, oblongo-
-lanceoladas e agudas, curvadas para fóra; pedicelos de 1 cm. de comp.,
ténues, erecto-patentes ; cálice de 7-8 mm. de comp., lábio superior pouco
mais longo, oblongo-oval, obtuso inferior de 4-5 mm. de comp., oval,
obtuso-arredondado ; corola de 8-11 mm. de comp.; cálcar levemente
incurvado, cilíndrico, obtuso, tão longo quanto o lábio inferior da corola.
Pela Flora Brasiliensis de MARTIUS, dada como encontrada por LUCH-
NATH, em Lagôa Feia, no Rio de Janeiro. (Não vista).
Conforme já fizémos ver na chave para as espécies, estas últimas três
são descriptas segundo a Flora Brasiliensis de MARTIUS e DE CANDOL-
LE, Prodromus System.
São Pavio, Setembro de 1917.
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SUMMARY
In the present study, we give, besidee the description of the 17 species of
Utricularia registered up to the present day for Rio de Janeiro and iís neigh-
bourhood, som® interesting notes on their mode oif life and the importance of
their leaves and utricles for the scientific identification of the speciee. We stato,
at the eame time, which literature was examined for the systematic part, the
only one herein considered, and some notes on carnivourism.
The key for the recognition of the species was organized, taking into conside-
ration all the organs of the plant, that is, including the leaves and the utricules
which, as we have tried to demionstrate, are peculiar to all the speciee.
With the exception of those three sipecies which we did not succeed in taking
a view of, all the others are reproduced by designs made in natural size, with
magnified details.
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N.” V
a — d — Utricularla rcniformis, St. Hll. (Seg. mat. de Hervârlo).
a — Planta robusta, tal como podo desenvolver-se nos utrículos formados
„ pelas fôlhas das Bromeliáceas, tam nat.
b — Partes vegetativas de um exemplar tal como se desenvolve nos pânta-
nos, campos brejosos, tam. nat.
c — Cálice visto de perfil, tam. nat.
d — Utrlculo, muito ampliado.
N.° VI
Utric. geminiloba, Benj. (Seg. mat. vivo).
Planta inteira, em tam. nat.
Cálice e cápsula, tam nat.
Semente, muito ampliada.
Utrlculo visto de perfil, muito ampliado.
Fôllia excepcionalmente grande, tam. nat.
N.° VII
Flg. la — lo — Utric. nervosa, G. Web. (Seg. mat. vivo).
” la — Planta inteira em tam. nat.
» i b — • Cálice visto de costas, (forma), pouco ampliado.
« i c — Cálice visto de costas, (forma), pouco ampliado.
” 1 d — Escama, ampliada.
” 1 e — Utrículo, muito ampliado.
Fig. 2 a — 2b — Utric. globulariaefolia, Mart. (Seg. mat. de Hervário).
” 2 a — • Planta inteira, tam. nat.
” 2 b — • Utrículo, muito ampliado.
Flg. 3 a — 3 d — Utric. tridentata, Sylven (Seg. croquis do Sr. Kuhlmanu).
” 3 a — • Planta inteira, tam. nat.
” 3 b — • Flor vista do frente, ampliada.
” 3 c — Flor vista do lado, ampliada.
” 3 d — Utrículo, muito ampliado.
Fig. 4 — Utric. pallens, St. Hil. fôrma natans (Seg. mat. vivo, ampliado e
tanto esquemático).
um
N.° VIII
Utricularia pallens, St. Hil. forma fixa (Seg. mat. vivo)
Flg. n — Planta em tam. nat. ostentando algumas raízes.
” b — Flor vista de frente e lado, muito ampliada, mostrando em traços mais
escuros os desenhos em vermelho que adornam a forma que se encontra
nos pântanos próximos a Butantan, S. Paulo.
,, c — Uma parte do caule ou pseudo-rizoma, mostrando a disposição dos utrículos
e o desenvolvimento das fôlhas e caule, muito ampliado.
” d — Utrículo, com uma rutura (esquemático) para mostrar a fauce ou
entrada, muito ampliado.
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JVIOR1AS DO INSTITUTO DE BUTANTAN ESTAMPA I
TOMO I -_I9I8
1 - Utricularia oligosperma, St. Hil.
2 - „ Gomezii, D. C. (?)
13 14 15 16 17 18 19 20 21
JVtORIAS DO INSTITUTO DE BUTANTAN
TOMO I - 1918
ESTAMPA II
Do nal. por F. C. Hoehne
I - Utricularia longirostris, Eli.
2 - Utricularia subulata, Linn.
3 - Utricularia pusilla, Vahl.
iMORIAS DO INSTITUTO DE BUTANTAN
TOMO I - 1918
ESTAMPA III
w
F. C. Hoeline et Kublinam dei. Caec. Hooker Ic. PI. tab DV - DVD
Utricularia nelumbifolia, Gardn.
23456789 SClELO 13 14 15 16 17 18 19 2 0 21
cm
cm
IMORIAS DO INSTITUTO DE BUTANTAN
TOMO I - 1918
ESTAMPA VI
Utricularia geminiloba, Benj.
13 14 15 16 17 18 19 20 21
EMORIAS DO INSTITUTO DE BUTANTAN ESTAMPA VII
TOMO I - 1918
Do nat. por F. C. Hoehoe
1 - Utricularia nerüosa, G. Web. 3 - Utricularia tridentada, Sylven.
2 - Utricularia globulariaefolia Mart. 4 - Utricularia pallens, St. Hil.
MOR1AS DO INSTITUTO DE BUTANTAN
TOMO I - 1918
ESTAMPA VII!
4 - Utricularia pallens, St. Hil.
Do nat. por F. C. Hoehne
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ESTUDOS HISTOLÓGICOS DAS GLANDULAS DA CABEÇA
DOS OFÍDIOS BRASILEIROS
PELO
Dr. Dorival de C. Penteado
ASSISTENTE DO INSTITUTO
Ocupando-se o Instituto de Butantan do estudo do veneno das serpen-
tes e do preparo dos soros contra a peçonha, nos pareceu interessante o
estudo histológico da glândula produtora dessa peçonha nos tanatofí-
dios, como parte integrante do aparelho venenógeno e o estudo compara-
tivo com outras glândulas salivares das serpentes consideradas inofen-
sivas.
Do pequeno número de trabalhos que a respeito consta da literatura
nenhum se refere às espécies brasileiras. — A importante memória do
Dr. F. LEYDIG publicada em 1873 no Arch. f. mikroskop. Anatomie, sob
o titulo “Sobre as glândulas dos ofídios indígenas” estuda essas glân-
dulas em serpentes diversas, porém nenhuma brasileira. Assim êle se
ocupa, entre as cobras não venenosas da Tropidonotus natrix L., Tropi-
donotus tesselatus Laur., Coronella laevis Merr., Coluber verdiflavus
Lacep.; entre as cobras venenosas êle estuda a Vipera berus L. e Vipera
ammoãytes L.
Um outro trabalho também importante, mas como o anterior já antigo,
do Dr. CARLOS EMERY, publicado no mesmo jornal em 1875, “Sobre a
estrutura mais fina da glândula venenosa da Naja-haje” — se limita
sómente ao estudo dessa espécie.
Começamos êste estudo pelas glândulas da cabeça das cobras conside-
radas como não venenosas, as aglifas, seguindo-se as opistoglifas, Boi-
nas, proteroglifas, e terminando pelas solenoglifas que são aquelas nas
quais se encontra o máximo aperfeiçoamento do aparelho de veneno.
De cada uma dessas tomaremos alguns tipos; assim das aglifas
estudaremos a Drymobius bifossatus Raddi, estampa IX, fig. 1. — Xeno-
don merremii Wagl., estampa IX, fig. 2. — e Rhadinaea merremii Wied,
estampa IX, fig. 3. — das opistoglifas estudaremos a Phüodryas schotti
Schlegel, estampa IX, fig. 4 — a Tomodon dorsatus D. e B., estam-
pa IX, fig. 5. — e a Thamnodynastes nattereri Mikan, estampa IX, fig.
6. — e das Boideas a Covstrictor constrictor L., estampa IX, fig. 7.
Êstes três grandes grupos constituirão o objecto da primeira parte
dêste nosso trabalho, ficando os outros dois para a segunda parte.
Seguiremos a mesma orientação de LEYDIG na descrição das glân-
dulas; supra-labiais, rostral, infra-labiais, nasais, sub-linguais anteriores
e posterior e lacrimal.
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AGLIFAS
Drymobius bifossatus (Raddi)
{Estampa IX, fig. 1)
Glândula supra-labial, glândula labial-superior
{Estampa X, fig. 1)
Esta glândula que tem ainda o nome de glândula maxillaris-superíor,
foi pela primeira vez examinada minuciosamente e desenhada por TIE-
DEMANN (1), depois de MECKEL ter chamado a atenção sôbre a sua
presença.
Conforme a descrição de TIEDEMANN, é uma glândula grande e com-
prida, situada imediatamente sôbre o rebordo do maxilar superior, de
côr branca-avermelhada ; constituída de grande número de grânulos
glandulares; na frente é estreita, para trás se torna pouco a pouco
mais larga e, passando a fenda bucal, estende-se até a proximidade da
articulação maxilar, onde termina em fórma ponteaguda.
Do rebordo inferior nascem muitos condutos excretores que se abrem
na mucosa da bôca ao lado dos dentes.
CLOQUET (2) também conhecia esta glândula que êle indica como
“glande salivaire supérieure” e desenha, fazendo* chegar, com razão, até
à ponta do focinho.
No desenho dado por TIEDEMANN a glândula termina por baixo do
ôlho; isto porque no desenho dêsse autor a pele não foi afastada desde
o ôlho até o focinho do preparado, ficando portanto invisível a porção
anterior da glândula e TIEDEMANN confessa que estudou a glândula
apenas em um animal, o original do desenho.
MECKEL (3) no seu trabalho sôbre “as glândulas da cabeça dos ofí-
dios” quando se refere a esta glândula não aceita a interpretação de
TIEDEMANN, mas nada diz sôbre a sua forma e estrutura.
DUGÉS (4) também se refere a esta glândula, dizendo que ela foi pro-
vávelmente considerada como glândula venenosa.
DUVERNOY (5) pouco tempo depois fez uma nova descrição. Na
figura dada por êste autor a glândula termina antes da extremidade do
focinho, mas no têxto êle diz: “étendue depuis 1’angle des lèvres jusqu’à
1’extremité du museau”.
Sôbre o prolongamento da glândula até à extremidade do focinho
(1) — Ueb. die Speicheldrusen der Schlangen, Denkoschr. d’Akadd. Wiss. Muen-
chen f. das Jahr 1813.
(2) Organisation des voies lacrymales chez les serpents. Mem. du Mus.
d’hist. nat. 1821.
(3) — Arch. f. Anat. u. Physiol. — 1826.
(4) — Rech. Anat. et physiol. sur la déglutition dans les reptiles. Ann. do sc.
nat. 1827. * 5
(5) — Mem. sur les caractères tirôs de 1’anatomie pour distinguer les stfnpents
venimeux des serpents ndn VSnimeux. Ann. tCtí SC. natur. — 1S32.
— SO-
quem primeiro verificou foi SCHLEGEL que distingue uma glândula ros-
tral como uma parte especial da glândula do maxilar superior.
Todos êsses estudos foram feitos na glândula supra-labial da Tropi-
ãonotus natrix L., e o que é admirável é que nenhum dêsses autores,
antes de LEYDIG, tenha verificado a divisão dessa glândula em duas par-
tes distintas, facilmente visível mesmo a ôlho nú, quando se põe a des-
coberto a glândula em toda a sua extensão. LEYDIG assim descreve a
glândula: “Já a ôlho nú e ainda melhor com o auxílio de uma lente
observamos na glândula uma divisão em 2 partes, que denunciam a sua
diferença pela côr e pela forma dos folículos”.
“A extremidade posterior da glândula tem uma côr cinzenta e com uma
risca chata e finamente ponte-aguda no rebordo, estende-se, enchendo
o interior do lábio, para a frente até à região inter-maxilar, e confina
com a parte que se destaca como glândula rostral; a parte principal,
porem, do segmento posterior, alargada, que sobe obliquamente, apre-
senta em exemplares conservados em álcool uma côr amarelada, mais
ou menos do mesmo tom dos músculos; em preparados frescos a côr é
mais pura ou vivamente branca. Prestando atenção ao tamanho dos folí-
culos, vemos que os da parte amarelada são considerávelmente maiores
que os da parte cinzenta, e, mostram, alêm disso, pela forma de sua rami-
ficação, que pertencem a uma parte diferente da parte cinzenta”.
Na Drymobius bifossatus a glândula supra-labial, examinada a ôlho
nú, apresenta mais ou menos a forma descrita por LEYDIG, na Tropido-
notus natrix L. com uma diferença que nos parece importante.
E’ que, eraminando a glândula em toda a sua extensão, distinguimos
três, em vez de duas partes diferentes : uma porção posterior que vai da
comissura labial até a articulação do maxilar, terminando em ponta,
com uma coloração rósea confundindo-se com a côr dos músculos; uma
porção média mais larga, que apresenta no preparado fresco uma côr
branco-acinzentada com granulações muito maiores e visíveis a ôlho nú
e termina por um sulco bem pronunciado um pouco adiante da parte
posterior da porção da cápsula orbitária; aí começa a terceira ou por-
ção anterior da glândula, com a mesma coloração da posterior e apre-
sentando de espaço em espaço ligeiros sulcos correspondendo ás impres-
sões das escamas labiais; esta porção se dirige para diante até o foci-
nho, aí se liga com a glândula rostral que serve como que de ponto de
união entre as duas glândulas supra-labiais.
O exame histológico em grande número de cortes que fizémos dessa
glândula mostra que a essas diferenças macroscópicas correspondem
diferenças microscópicas bastante características. A glândula supra-la-
bial em cortes apresenta-se cercada por um invólucro fibroso; dêste
invólucro partem prolongamentos que, penetrando na sua espessura, vão
dividí-la em lobos e lóbulos» Êste invólucro é formado por tecido con-
juntivo, não se encontrando nêle fibras musculares. Nas porções ante-
rior e posterior a estrutura é a mesma; são constituídas por ácinos
secretores, formados por uma parede própria e células glandulares.
A parede própria dêsses ácinos é formada por uma membrana muito
delgada, hialina, sem estrutura, as células glandulares são cilíndricas,
claras, com um núcleo periférico, isto é, encostado à parede própria;
são, portanto, células mucosas.
— 31 —
Em alguns pontos do parênquima glândular vê-se ácinos constituídos
por células mais baixas com núcleo central e protoplasma granuloso
tomando mais intensamente a coloração, com os caractéres portanto das
células serosas ; em outros pontos ainda se observam células com o proto-
plasma diferenciado em uma parte clara e outra escura, esta se achando
sempre na periferia, formando os crescentes de GIANNUZZI, caracterís-
ticos das glândulas mixtas ; podendo-se, portanto, concluir que estas duas
partes da glândula supra-labial são sero-mucosas ou mixtas.
No parênquima glandular se observa ainda grande número de cortes de
tubos excretores em diversas direcções, constituídos por uma membrana
própria, sustentando um epitélio formado por células cilíndricas claras,
muito mais altas que as células dos ácinos secretores, com um núcleo
colocado na periferia, e uma luz muito mais larga, contendo uma subs-
tância filamentosa corada em róseo pelo V. Gieson e em azul muito
pálido pela hématoxilina e eosina.
Acompanhando os septos conjuntivos inter-lobar e inter-lobular se
encontra grande número de capilares sanguíneos e cortes de cordões
nervosos.
A porção média, como já vimos, bastante diferenciada, macroscópi-
camente apresenta, em cortes histológicos uma configuração completa-
mente diferente das duas já descritas.
E também constituída por lobos e lóbulos separados por tecido conjun-
tivo, a diferenciação existindo nos tubos secretores que são mais longos
ou menos enrolados e formados por um epitélio cilíndrico constituído
por células^ altas, separadas uma das outras por uma linha bastante
nítida , o núcleo se encontra também no têrço externo da célula, mas não
encostado na membrana própria, e é dificilmente visível; o protoplasma
dessas células apresenta granulações volumosas, muito cromófilas, mas-
carando quási completamente o núcleo quando corado; estas granula-
ções coram-se em róseo carregado pela hématoxilina e eosina e em
amarelo pela hematoxilina-V. Gieson : êstes caracteres indicam que esta
porção média da glândula supra-labial é uma glândula de fermento ou
de zimógeno.
Apresenta um só canal excretor central bastante longo com uma
parede espessa e um epitélio cilíndrico estratificado com três camadas
de células imbricadas umas nas outras, sendo mais alongadas as que for-
mam a parte interna do canal excretor; entre as células dêsse canal que
teem em geral um protoplasma homogéneo, encontram-se algumas com
o protoplasma granuloso com granulações iguais à dos tubos secreto-
res, donde se póde concluir que nêsse canal ha também uma secreção.
A luz do canal está em parte ocupada por uma substância granulosa,
com granulações de diferentes tamanhos e sem forma definida; êsse
canal, depois de atravessar todo o centro da glândula, vai desembocar
por um orifício único, nas proximidades dos grandes dentes do maxilar
superior.
O parênquima dessa parte da glândula é em certos pontos atravessado
por espessas traves de tecido conjuntivo e, acompanhando estas, se encon-
tram vasos sanguíneos e nervos.
E’ esta parte média da glândula supra-labial que LEYDIG considera
como homóloga da glândula parótida dos mamíferos e nos parece que
deve ser considerada como um órgão à parte, diferente da glândula
— 32 —
supra-labial, com a qual se acha em contacto, mas com função e estru-
tura completamente diferentes.
Actualmente teem sido publicados por Mme. PHISALIX diversos traba-
lhos, demonstrando nessa porção da glândula uma secreção venenosa
para diferentes animais, o que parece confirmar que 6 o desenvolvimento
dêsse órgão nos ofídios venenosos, que vái constituir a glândula vene-
nosa própriamente dita com função completamente especializada.
Glândula rostral
(Estampa X, fig. 2)
E’ uma glândula ímpar, de forma triangular, que serve de ponto de
união entre as glândulas supra-labiais. Esta glândula já foi descrita
por SCHLEGEL com o nome de “la rostrale”; achate situada abaixo da
escama rostral; sóbe até a ponta do osso nasal e até certo ponto cobre a
cartilagem da cápsula nasal, que envolve a glândula de um lado.
Histológicamente é uma glândula tubulosa; os tubos são constituídos
por uma fina membrana própria, sustentando um epitélio cilíndrico; as
células são largas e altas, quási fazendo desaparecer a abertura do
canal, pelo encontro das células fronteiras; parece ter um tubo excretor
único mas muito entortilhado, sendo por isso cortado em pontos diferen-
tes ; as células dos tubos secretores teem um protoplasma muito finamente
granuloso e homogéneo, com um núcleo arredondado situado no terço
externo da célula e não encostado â membrana própria; o protoplasma
apresenta uma côr ligeiramente azulada, na coloração pela hematoxi-
lina — eosina, e amarelada com a hematoxilina — Van Gieson ; o tubo excre-
tor para o qual convergem os tubos secretores, apresenta uma larga
abertura e é forrado por um epitélio cilíndrico estratificado, formado
por três camadas de células altas e muito estreitas, terminando todos no
mesmo nível; o protoplasma dessas células apresenta uma coloração
rósea intensa.
Tanto as células dos tubos secretores como as dos tubos excretores,
apresentam linhas de separação muito nítidas, que se distinguem fácil-
mente.
Pelo aspecto histológico verifica-se que a glândula rostral na Drymo-
bius bifossatus é uma glândula serosa pura, não se encontrando no seu
parênquima células mucosas.
Glândula infra-labial (Gl. labialis inferior)
(Estampa XI, fig. 1)
A glândula infra-labial também chamada glândula maxilar inferior ou
glândula infra-maxilar, foi pela primeira vez mencionada por CUVIER
e depois descrita e desenhada por TIEDEMANN e CLOQUET e por
fim mencionada por MECKEL; foi estudada na Tropidonotus natríx L.
Na Drymobius bifossatus ela se acha situada no bordo do maxilar
inferior, imediatamente abaixo da pele, tornando-se por isso difícil a sua
dissecação; segue todo o bordo do maxilar, prolongando-se para trás
até alêm da comissura bucal e vái até a articulação maxilar; para
diante se prolonga, estreitando-se um pouco, na porção anterior, indo
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na linha mediana ligar-se com a mesma glândula do lado oposto, for-
mando uma arcada; no ponto de junção, ela torna-se um pouco mais
larga.
Em cortes histológicos verificamos que ela se acha envolvida por uma
cápsula de tecido conjuntivo, muito mais espessa do lado da mucosa
bucal, da qual é por ela separada, do que nas outras partes; entre a3
fibras conjuntivas do invólucro notam-se algumas fibras musculares.
Dêsse invólucro conjunctivo-muscular partem prolongamentos que pene-
tram no interior da glândula, dividindo-a em lobos e lóbulos.
O parênquima da glândula é formado por tubos ou ácinos glândulare3
cortados em diversas direcções; êles são constituídos por uma membrana
própria muito fina, sustentando um epitélio formado por células cilín-
dricas altas e bastante largas, com protoplasma claro em certos pontos,
granuloso em outros, e mixto em outros e um núcleo colocado quási no
centro da célula, um pouco para fóra, de forma oval, muito pobre em
cromatina e com um nucléolo muito pouco visível; no corte nota-se um
grande número de cortes de canais excretores que se reconhécè fácil-
mente pela sua estrutura. São constituídos por uma membrana própria
e células cilíndricas muito mais altas que as dos tubos secretores, com
protoplasma muito mais claro, principalmente na porção anterior da
glândula, mais larga, que é quási exclusivamente formada por tubos
excretores isolados que vão desembocar debaixo da pele e na mucosa
bucal. ■
A glândula infra-labial é muito rica em vasos sanguíneos e nervos,
podendo-se observar que o tecido conjuntivo que separa os tubos é sem-
pre acompanhado por capilares sanguíneos e nervos.
Pelos caracteres observados podemos concluir que a glândula infra-
labial é uma glândula salivar mixta.
Glândula nasal (Glandula nasalis)
( Estampa XI, fig. 2)
Esta glândula foi descoberta por J. MULLER (1) em um Coluber
exótico.
Na Drymobius bifossatus vê-se facilmente a glândula com uma fórma
quadrangular, situada para trás da cápsula nasal com a qual está em
contacto, formando para trás um ângulo obtuso, cujos lados, um para
dentro é separado da glândula supra-maxilar por um feixe muscular
aderente à glândula, outro para fóra, mais curto, termina por um
ligamento conjuntivo que vái inserir-se no osso frontal esquerdo.
Esta glândula se acha colocada imediatamente debaixo da pele e
necessita muito cuidado na dissecação para separá-la.
Em cortes histológicos a glândula é constituída por um invólucro
conjuntivo espesso, do qual partem prolongamentos que penetram no
interior, dividem o seu parênquima em lobos e lóbulos ; êstes são consti-
tuídos por tubos tendo uma membrana própria e pelo epitélio glandular.
A membrana própria é fina, hialina e sem estrutura ; o epitélio é com-
posto por células altas e largas, separadas entre si por uma linha muito
(1) — Arch. f. Anat. u. Physiolog. 1S29 — (Veja também: De gland sec.
struct. penit. — 1830, pags. 53-57).
— 34 —
fina; as células apresentam um protoplasma finamente granuloso, sendo
as granulações mais volumosas e abundantes na parte externa ou peri-
férica das células, e mais finas e esparsas na parte interna.
O núcleo se acha colocado na parte central da célula ; tem a fórma oval ;
é bastante volumoso e rico em cromatina e tem um nucléolo no centro bem
visível.
As células terminam todas á mesma altura, formando uma abertura
bastante larga, que achamos completamente vazia em todos os cortes
que praticamos. No parênquima glândular se observa grande número
de cortes de canais excretores, em direcções diversas.
Êstes apresentam uma membrana própria e um epitélio bastante dife-
renciado do epitélio dos tubos secretores.
E’ formado por células muito altas e estreitas tendo um protoplasma
muito finamente granuloso e tomando com intensidade a coloração pela
eosina, e com um núcleo colocado na parte externa da célula, muito rico
em cromatina, ficando intensamente corado pela hematoxilina, não se
distinguindo por isso o nucléolo.
Alguns desses canais excretores teem o epitélio formado por 2,3 e até
4 camadas de células superpostas. Não se encontra, no parênquima dessa
glândula, célula mucosa, E’ uma glândula simplesmente serosa.
Glândula sub-lingual anterior (Gl. sub-lingualis anterior)
( Estampa XII, fig. 1 )
r .«* .■** •
A glândula sub-lingual anterior foi descrita por MECKEL (1) que a
estudou em um Coluber exótico (conforme êle C. varius), como um
corpo chato, pequeno e longitudinalmente redondo, achando-se a pouca
distância da pele, quási imediatamente por trás da extremidade ante-
rior da bainha lingual. MECKEL dá um desenho.
DUVERNOY (2) examinando mais tarde o Coluber nutrix discorda
de MECKEL e pensa que o que êsse autor interpretou como glândulas, são
duas partes de cartilagem coladas à abertura da bainha lingual, e
accrescenta que DUGÉS já conhecia estas duas pequenas cartilagens.
Antes destes três autores, em 1817, HELLMANN, no s eu pequeno traba-
lho sóbre o sentido do tacto dos ofídios, descreveu as partes em questão
ccmo glândulas, dando uma figura. Êste seu estudo foi feito na Vipera
berus.
SCHLEGEL parece que influenciado pela opinião de DUGÉS e DU-
VERNOY, riscou o órgão da lista das glândulas, não o mencionando nem
quando trata das glândulas salivares, nem quando fala da estrutura da
língua. Nos tratados mais modernos de anatomia comparada só se encontra
a indicação de que MECKEL acreditava ter encontrado uma glândula sub-
lingual. A glandula sub-lingual anterior apresenta de facto uma estru-
tura que explica a divergência havida entre os diversos autores que pro-
curaram estudá-la. / I
(1) Tradução das preleccões de Cuvler sôbro anatomia comparada, III.
(2) — An. de sc. nat. — 1827 — pãg. 123.
í
— 35 —
E’ uma glândula par, piriforme, colocada logo abaixo da pele, de con-
sistência bastante dura e envolvida completamente por músculos, for-
mando na parte anterior e posterior duas saliências; essa consistência
dura foi que levou os autores a interpretarem-na como cartilagem.
Em cortes histológicos que fizemos dessas glândulas,* verificámos que
são cercadas por uma camada espêssa de tecido conjuntivo; desta cáp-
sula partem finos prolongamentos que penetram no interior da glân-
dula, sem dividí-la em lobos e lóbulos bem nítidos, mas separando os
tubos secretores.
Êstes são bastante largos e formados por uma membrana própria e
um epitélio constituído por células baixas e largas, quási cúbicas, com
um protoplasma finamente granuloso; as granulações esparsas coram-se
em róseo pelo eosina, as células terminam todas à mesma altura, limi-
tando uma luz bastante larga e são separadas uma das outras por uma
linha nítida; ò núcleo ora oval, ora comprimido, se acha colocado no têrço
externo da célula quási colado à membrana própria; é rico em croma-
tina e tem um nucléolo excêntrico bem visível.
A estrutura dessa glândula faz lembrar à primeira vista a da glân-
dula tiroide.
No interior dos tubos secretores se encontra uma substância fila-
mentosa muito fina corada em azul muito pálido pela hematoxilina
e eosina.
Glândula sub-lingual posterior (Glandula sub-lingualis
posterior)
( Estampa XII, fig. 1)
A glândula sub-lingual posterior é até agora muito pouco conhecida
e antes de LEYDIG só dous observadores a descreveram : HELLMANN
que já sabia que para humedecer o canal em que se move a lingua existe,
alêm das glândulas sub-linguais anteriores, uma glândula maior situada
em posição longitudinal na superfície anterior da bainha da língua, e
DUVERNOY, que negando a existência das sub-linguais anteriores, diz
que a bainha da língua possui na espessura de sua parede inferior,
uma substância de natureza glandulosa (1).
Na Drymobius bifossatus esta glândula se acha colocada na parte
interna e inferior da bainha da língua, tem uma fórma alongada e se
dirige bastante para trás.
Em cortes histológicos observa-se que a glândula é cercada por uma
fina cápsula de tecido conjuntivo e o seu parênquima é constituído por
tubos glandulares longos, tendo uma membrana própria e um epitélio;
êste é formado por células cilíndricas altas e em grande parte claras, de
limite interno pouco nítido e com um núcleo comprimido sôbre a mem-
brana própria; na zona peri-nuclear, o protoplasma é mais condensado
e granuloso. Alguns cortes de tubos apresentam um epitélio de células
(1) — “ J’ai verifié en effect, que ce sont deux petites cartilages comme le
pense Dugés; mais le fourreau lui même m’a paru contenir, dans l’épaisseur de
sa paroi inférieure très-près de son orifice, une substance de nature glandu-
leuse”. Ann. de sc. nat. 1839.
— 36 —
mais baixas, com um protoplasma uniformemente granuloso e mais
intensamente corado.
Pode-se afirmar por essa estrutura histológica que a glândula sub-
lingual posterior é uma glândula sero-mucosa ou mixta.
Os tubos secretores são convergentes e vão ter a diversos canais
excretores que se abrem no interior da bainha da língua.
Êstes canais excretores são constituídos por uma membrana própria
e por um epitélio cilíndrico estratificado, composto por três camadas
de células claras, sendo as da porção interna muito mais longas e com
um núcleo também alongado, a média e externa mais chatas e com
núcleo arredondado, pobre em cromatina e com um nucléolo bem des-
envolvido.
$
Glândula da membrana nititante (Glandula membranae
nictitantis)
Glândula lacrimal
( Estampa XII, fig. 2)
A glândula lacrimal foi pela primeira vez descrita por TIEDMANN na
Tropidonotus natrix L. com o nome de glândula salivar do paladar ; êsti
autor a considerou como equivalente à glândula venenosa da Vipera.
CLOQUET descreveu-a com o nome de glândula lacrimal na mesma
espécie de serpente; MECKEL refere-se a êsse órgão do Colubtr é DU-
VERNOY estudou-o também na Tropidonotus natrix L.
Na Drymobius bifossatus, uma vez dissecada a pele da cabeça, encon-
tra-se imediatamente por trás do ôlho a porção livre da glândula, for-
mando uma espécie de cunha entre a glândula supra-labial e o músculo
masséter, prolongando-se para trás até a comissura labial; na parte
anterior, isto é, para o lado do ôlho, ela se insinua por baixo da arcada
fibrosa da órbita, se dirige para diante, penetra na cavidade orbitária
por baixo do saco conjuntival, onde desemboca o canal excretor.
A parte livre da glândula é na Drymobius bifossatus bastante volu-
mosa e alongada, com uma côr róseo-amarelada, muito diferente da côr
dos tecidos que a circundam, o que torna fácil o seu reconhecimento.
O seu aspecto é liso e não granuloso como nas outras glândulas e de
uma consistência mais mole do que as glândulas labiais, linguais, e
nasais, e apresenta ligeiras depressões em sua superfície.
Em cortes histológicos a glândula apresenta-se envolvida por uma
membrana de tecido conjuntivo misturada com algumas delgadas lâmi-
nas de fibras musculares, que se pode facilmente verificar com a colo-
ração pela hematoxilina e V. Gieson; esta membrana em certos pontos
penetra no interior do parênquima glandular, até uma certa profundi-
dade, mas sem dividí-la em partes distintas ou lóbulos.
O parênquima glandular oferece uma estrutura especial e diferente
de todas as glândulas que temos estudado até aqui.
E’ formado por tubos glandulares constituídos por um epitélio de
células altas e largas, fechando quási completamente a abertura do
tubo; essas células se acham assentadas sôbre uma fina membrana pró-
pria, sem estrutura, c são separadas umas das outras por uma linha
bem visível.
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Apresentam um protoplasma granuloso, dando por causa do volume
dessas granulações o aspecto de pequenos vacúolos. Não verificámos o
que diz LEYDIG, que essas granulações se acumulam na porção anterior
da célula, deixando clara a parte posterior ou adjacente à membrana
própria; mas verificámos, ao contrario, que o protoplasma é uniforme-
mente granuloso em toda a sua superfície,
Essas granulações coram-se em azul intenso pela hematoxilina e
eosina e em vermelho pela hematoxilina e Van Gieson.
O núcleo que se acha colocado na parte externa da célula e compri-
mido contra a membrana própria, é bastante rico em cromatina, mas
esta se acha espalhada em toda a superfície do núcleo, não se distin-
guindo a rede cromática como se dá geralmente; com dificuldade se
pode distinguir o nucléolo, mascarado pela cromatina, que se acha colo-
cado, em geral, no centro do núcleo.
Os canais excretores são encontrados no centro da glândula e se des-
tacam dos canais secretores pelo seu epitélio, formado por células, de
protoplasma muito menos granuloso e mais claro, e pela luz muito mais
larga; as células são menos altas, porém largas e terminam todas em
uma mesma altura, formando uma membrana vítrea bem evidente.
O núcleo das células do canal excretor se acha recuado para a peri-
feria, mas sem ser comprimido, apresentando uma configuração regular,
arredondado e tendo no centro um nucléolo bem desenvolvido.
No interior do canal se observa uma substância amorfa corada em
azul muito pálido pela hematoxilina e em róseo pelo V. Gieson e algu-
mas granulações sem forma especial.
Xenodon merremii (Wagl).
( Estampa IX fig. 2)
Glândula supra-labial — Glândula labial-superior
A glândula supra-labial na Xenodon merremii é, parece-nos, relati-
vamente ao tamanho do ofídio, mais desenvolvida que na Drymobius
bifossatus.
A porção média granulosa, que LEYDIG considera como homóloga da
glândula parótida, é menor que a da Drymobius bifossatus, porém as
suas granulações são muito mais volumosas, diferenciando-se com muito
mais nitidez das outras duas porções da mesma glândula, a anterior e
posterior, parecendo um órgão diferente embutido em um outro.
Como na Drymobius bifossatus, ela é situada no rebordo do maxilar
superior, que ela acompanha em toda a sua extensão, alargando-se nos
dois têrços posteriores e estreitando-se no têrço anterior até o focinho;
aí se alarga de novo, formando a glândula rostral.
Em córtes histológicos apresenta a mesma estrutura que a glândula
correspondente da espécie anteriormente descrita, em suas três porções.
A glândula labial-inferior ou infra-labial apresenta uma côr cinzenta
e ligeiramente granulosa em toda a sua extensão, e ocupa a mesma
posição que na Drymobius bifossatus.
As glândulas, nasal e linguais, apresentam a mesma configuração
macroscópica e microscópica das suas correspondentes na eepécie já
descrita.
— 38 —
Glândula da membrana nititante ou lacrimal
Esta glândula é na Xenodon merremü bastante desenvolvida, apre-
sentando na porção externa uma côr avermelhada; está colocada ime-
diatamente por trás do ôlho, em parte coberta pela glândula supra-labial
e pelos músculos mastigadores.
A parte descoberta tem uma forma triangular, o ângulo mais agudo
voltado para a parte posterior e a base, adjacente â cápsula fibrosa da
órbita.
Na Xenodon merremü esta glândula apresenta um sulco ántero-poste-
rior dividindo a glândula em duas metades ou lobos iguais; sôbre êsses
lobos observam-se outros sulcos em direcções diversas, porém muito
menos profundos.
O sulco principal, conforme se verifica em cortes histológicos, é percor-
rido em toda a sua extensão por um feixe vásculo- nervoso, e os pequenos
sulcos são formados pelas traves que partem do invólucro conjuntivo da
glândula, penetrando no seu parênquima até uma profundidade variável,
sem dividí-la, porém, em lobos.
Jthadinaea merremü (Wied)
(Estampa IX, fig. 3)
Glândula supra-labial ou labial superior
Nesta espécie também a glândula supra-labial apresenta a mesma
divisão em três partes, como nas espécies anteriores, com a diferença
porém do desenvolvimento muito maior da porção média ou granulosa,
que é muito mais larga, cobrindo quási completamente a glândula lacri-
mal; as granulações são muito mais desenvolvidas e no centro se observa
um sulco ántero-posterior, dividindo-a em duas partes quási iguais.
Esta porção média termina na parte anterior bruscamente, estrei-
tando-se de repente a glândula, e é bem visível a separação das duas
partes, a anterior e a média.
Em cortes histológicos, a glândula supra-labial da Rhadinaea merre-
mii, apresenta a mesma estrutura que nas espécies precedentes, isto é,
duas partes, a anterior e posterior, com todos os caracteres de uma
glândula salivar mixta, e a média, granulosa, com os caracteres de uma
glândula especializada.
As glândulas rostrál, infra-labiais e sub-linguais, apresentam os
mesmos caracteres macro e microscópicos das glândulas corresponden-
tes da Drymobins bifossatus.
A glândula lacrimal ou da membrana nititante distingue-se ainda
nesta espécie, das outras glândulas pelo seu aspecto liso e não granuloso.
A parte externa ou superficial é extraordináriamente reduzida e tem
uma forma mais ou menos oval, sem sulco na sua superfície.
Esta parte, situada fora da órbita, tem em cada uma das espécies que
estudámos, contornos especiais, que talvez possa mesmo dizer-se espe-
cíficos para cada uma, como se póde verificar pelas figuras que ilus-
tram êste trabalho.
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Êste facto já tinha sido jiotado por LEYDIG.
Parece-nos que o desenvolvimento dessa parte externa da glândula
lacrimal é inverso ao da parte média ou granulosa da supra-labial, isto
é, quanto menor se apresenta a glândula lacrimal, maior é a porção
média ou granulosa da supra-labial.
Terminamos aqui o estudo das glândulas da cabeça das serpentes
aglifas, das quais tomamos estas três espécies como tipo.
OPISTOGLIFAS
PhÜodryas schotti (ScMegel)
( Estampa IX, fig. 4)
Glândula supra-labial ou labial superior
( Estampa XIII, fig. 1)
Na PhÜodryas schotti a glândula supra-labial apresenta a mesma con-
figuração que nas aglifas já descritas; como naquelas, se acha colocada
no rebordo do maxilar superior que ela acompanha até o focinho, onde
se alarga para formar a glândula rostral; para trás ela segue pas-
sando a comissura labial e termina por um ligamento que vái se inserir
na articulação quadrato-mandibular.
Como nas anteriores, apresenta três porções bem distintas em cortes
histológicos; macroscópicamente quási não se distingue a porção poste-
rior, por causa do grande desenvolvimento da porção granulosa média,
que se diferencia muito bem, principalmente da porção anterior, por
uma linha de separação bastante nítida e também pela diferença na lar-
gura da glândula.
Em cortes histológicos ela tem nas duas porções, anterior e posterior,
a mesma estrutura que nas aglifas, isto é, são glândulas salivares sero-
mucosas ou mixtas.
Na porção média granulosa nota-se uma pequena diferença na sua
estrutura histológica.
A glândula é envolvida por uma cápsula de tecido conjuntivo; esta
envia prolongamentos para o seu interior, dividindo-a em lobos e lóbu-
los, como nas precedentes; onde se encontra a principal diferença é nos
tubos secretores, os quais são mais largos e direitos, o que se observa
muito bem nos cortes longitudinais.
São constituídos por uma membrana própria e por um epitélio for-
mado em grande parte por células cilíndricas, altas e estreitas, sem
divisão bem nítida no ponto de contacto com a célula vizinha tendo um
protoplasma finamente granuloso ; as granulações parecem facilmente
dissociáveis, e em alguns dos tubos observa-se que elas são lançadas
no canal central.
Estas granulações coram-se em róseo pela hematoxilina e eosina e
amarelo pele V. Gieson.
Nas células de protoplasma assim granuloso o núcleo se acha colo-
cado no têrço externo da célula, um pouco afastado da membrana pró-
pria. Em outros tubos observa-se que todas, ou parte das células se
libertaram de suas granulações, e o protoplasma é claro e hialino, com
vacúolos, e o núcleo se acha fortemente comprimido contra a membrana
própria e deformado; as células são muito mais altas e estreitas.
í— 40 —
No interior dos tubos formados por células claras, observa-se uma
grande quantidade de uma substância granulosa com o mesmo aspecto
e coloração das granulações do protoplasma, só muito mais volumosas.
A glândula é atravessada na sua parte média por um tubo excretor
bastante calibroso, que vái terminar em uma dilatação em forma do
ampola que se acha colocada na raiz do dente sulcado posterior, que nos
parece representar um esboço do dente de veneno.
O canal excretor é cercado por uma camada de tecido conjuntivo
espessa, contendo fibras elásticas. São estas fibras elásticas que dão a
êsse canal, quando cortado transversalmente, o aspecto festonado que
êle apresenta; nessa camada conjuntiva observa-se ainda um grande
número de cortes de vasos sanguíneos e cordões nervosos.
Êle é constituído por uma membrana própria, bastante espessa, e por
um epitélio cilíndrico, com células muito altas e estreitas, tendo um
protoplasma claro e núcleo excêntrico comprimido sôbre a membrana
própria.
As outras glândulas da cabeça da Phüodryas schotti, a infra-labial,
rostral, sub-línguais e nasal, apresentam a mesma localização e estru-
tura que as suas correspondentes nas colubrídeas aglifas.
A glândula lacrimal é fácilmente visível no exterior depois de reti-
rada a pele, e apresenta um aspecto liso, sem sulcos, mas é muito redu-
zida e de fórma cónica, com a parte aguda voltada para trás, e a parte
anterior, arredondada, encostada à cápsula fibrosa da órbita.
Em cortes apresenta a mesma estrutura da glândula lacrimal das
aglifas.
Tomodon dorsatus (D. e B.)
( Estampa IX, fig. 5)
A glândula supra-labial apresenta a mesma localização e estrutura
que na Phüodryas schotti; não necessitamos por isso fazer uma descri-
ção especial; é, como nesta, dividida em três partes, constituindo a parte
média uma glândula especializada.
As outras glândulas, inifra-labiais, rostral, nasal e sub-linguais’ são
também semelhantes.
A glândula lacrimal, uma vez retirada a pele, é vista imediatamente
por trás da cápsula orbitrária; a porção externa da glândula com o
mesmo aspecto das anteriores, mas muito menor e de fórma oval quási
arredondada.
Em todas as glândulas como nos tecidos subjacentes da Tomodon
dorsatus observa-se uma forte pigmentação escura.
Thamnodynastes nattereri (Mikan)
( Estampa IX, fig. 6)
Glândula supra-labial ou labial superior
Nesta espécie esta glândula é bastante desenvolvida e as suas três
partes bastante diferenciadas, podendo-se fácilmente observar as diver-
sas porções que a constituem, a posterior e a anterior, com uma coloração
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e aspecto macroscópico semelhantes, e a parte média apresentando
grossas granulações e côr diferente. Esta porção média é bastante
desenvolvida e larga, extende-se um pouco para trás da comissura la-
bial e para frente até a parte posterior e inferior da cavidade orbitá-
ria. A estrutura microscópica é a mesma que nas anteriores, em toda3
as porções correspondentes.
A glândula rostral se acha, como nas anteriores, colocada entre as
glândulas supra-labiais, servindo de ponto de união.
Glandula infra -labial — Ocupa todo o rebordo do maxilar infe-
rior, unindo-se para trás da comissura labial com a porção posterior das
glândulas supra-labiais; dirige-se para baixo e para diante por uma
porção mais estreita ; no têrço posterior do maxilar inferior ela se alarga
até quasi as proximidades da arcada maxilar, onde se estreita de novo
e vái se ligar com a glândula correspondente do lado oposto, formando
na parte anterior uma arcada um pouco mais larga.
A sua estrutura histológica é de uma glândula salivar mixta, como
nas espécies anteriores.
As glândulas nasal, sub-Iinguais anteriores e posteriores, apresentam
o mesmo aspecto e estrutura que nas espécies já mencionadas.
Glandula lacrimal — Uma vez feita a dissecação da pele, encon-
tra-se na parte posterior da cavidade orbitária um espaço triangular de
vértice posterior, cujos lados são formados na parte superior pelo músculo
masséter, a inferior pela porção média granulosa da glândula supra-
labial e a base é formada pela cápsula orbitária, mas não se vê nenhuma
porção externa da glAndula lacrimal; para encontrá-la é preciso afastar
a glândula supra-labial e o músculo, então encontra-se na parte pro-
funda, coberta pela glândula supra-labial, a pequena porção da glândula
lacrimal, caracterizada pelo seu aspecto liso e sua coloração rósea cara-
cterística. De todas as espécies descritas até agóra é esta que apresenta
a glAndula lacrimal menos desenvolvida, tanto na sua porção externa,
como na porção intra-orbitária.
Na sua estrutura histológica apresenta os mesmos caractéres que nas
especiés anteriores.
BOÍDEAS
Constrictor constrictor (L.)
( Estampa IX, fig. 7)
(ílândula supra-labial ou labial superior
(Estampa XIII, fig. 2)
A glAndula supra-labial na C. constrictor.
Como nas outras serpentes, a glândula supra-labial na C. constri-
ctor se acha colocada no rebordo do maxilar superior, que ela cobre
desde a comissura labial até o focinho, onde se alarga' formando a
glAndula rostral.
Nesta espécie não se observa como nas outras, até agora descritas,
a divisão da glAndula em três partes, mas ela é igual em toda a sua
extensão, tanto no seu aspecto macroscópico, como na sua estrutura
microscópica.
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Apresenta a mesma largura desde a comissura labial até o focinho e
um aspecto ligeiramente granuloso.
Em cortes microscópicos observa-se que é envolvida em uma espessa
camada de tecido conjuntivo fibroso, e desta partem grossos prolonga-
mentos que penetram no interior da glândula, dividindo-a em lobos e
lóbulos muito nítidos.
O parênquima lobular é constituído por tubos secretores, tendo uma
membrana própria e um epitélio. A membrana própria é hialina e sem
estrutura definida; o epitélio é formado na maioria dos tubos por célu-
las cilíndricas altas, de protoplasma finamente granuloso, e com um
núcleo colocado na periferia da célula e ligeiramente comprimido, tendo
um ou mais nucléolos; em alguns dêsses tubos observa-se a mistura des-
sas células de tipo seroso com outras de protoplasma claro e hialino,
células mucosas. E’ portanto a glândula supra-labial da C. constrictor
do tipo mixto ou sero-mucosa.
Glandiila rostral — é do mesmo tipo que a supra-labial, só um
pouco mais larga e os tubos secretores são mais distendidos que naquela.
Glamlula infra-labial — acha-se colocada no rebordo do maxi-
lar inferior e termina para trás, um pouco para diante da comissura la-
bial, por uma porção mais larga; estreita-se para diante até a arcada do
maxilar, onde se espessa um pouco mais. Apresenta uma superfície
granulosa e uma côr rósea característica.
Em cortes histológicos, apresenta a mesma estrutura que a supra-
labial, com a diferença que no epitélio dos tubos secretores predominam
as células mucosas, sôbre as serosas; como na supra-labial nota-se um
grande número de canais excretores que vão desembocar na mucosa
bucal.
Glandiila nasal — Não nos foi possível encontrar na C. constri-
ctor esta glândula, parecendo-nos que ela não existe nesta espécie.
Glândulas sub-linguais anteriores e posterior apresentam a mesma
localização e estrutura que as suas correspondentes nas espécies já
descritas.
Glandiila lacrimal — Nesta espécie não se vê exteriormente a
glândula lacrimal; ela se acha encoberta pelos músculos mastigadores, a
parte encoberta é bastante desenvolvida, apresentando a mesma estru-
tura histológica que já descrevémos nas outras espécies.
■São Paulo, Junho de 1018.
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SUMMARY
Th is paper consista of the histologic study of the glands of the head of
Brazilian ophidians.
Ophidians have been divided into non-poisonous; aglyphs, opisthoglyphs
and boideans and poisonous: solenoglypbs, and proteroglyphs.
Of each of tliese groups some types have been taken : From the group of
aglyphs have been studied: Drymobius bifossatus (Raddi), Xenodon mer-
remii (Wagl.) and Rhadinaea merremii (Wied.) ; of the opisthoglyphs, Phi-
lodryas schotti (Schelegel), Tomodon dorsatus (D. B.) Thamnodynastes
nattereri (Mikan).
From the Boideans have been studied: Constrictor constrictor. (L.).
These species constitute the first part of this study.
In these various species the different glands of the head have been stu-
died in the following order: maxillary glands, rostral, mandibulary glands,
nasal, anterior and posterior, sub-lingual and lacrymal.
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Explicações das estampas:
Estampa IX
Fig. 1 — Cabeça dissecada de Drymoblus bifossatus
a — glândula rostral,
b — ” lacrimal,
c — glândulas sub-llnguais.
Fig. 2 — Cabeça dissecada de Xonodon inorremil
a — glândula rostral,
b — ” lacrimal,
c — glândulas sub-linguais.
Fig. 3 — ■ Cabeça dissecada de Rhadinaca merremii
a — glândula rostral,
b — ” lacrimal,
c — glândulas sub-linguais.
Fig. 4 — Cabeça dissecada de Phllodryas schottl
a — glândula rostral,
b — ” lacrimal,
c — glândulas sub-linguais.
Fig. 5 — Cabeça dissecada de Tomodon dorsntus
a — glândula rostral,
b — ” lacrimal,
c — glândulas sub-linguais.
*
Fig. G — Cabeça dissecada de Thamnodynastes íiattercrl
a — glândula rostral,
b — ” lacrimal,
c — glândulas sub-linguais.
Fig. 7 — Cabeça dissecada de Constrictor constrictor
a — glândula rostral,
b — ” lacrimal,
c — glândulas sub-linguais.
Estampa X
Fig. 1 — Corte da glândula supra-labial, Drymobius bifossaiUu
”2 — ” ” ” rostral, Drymobius bifossatus.
Estampa XI
Fig. 1 — Corte de glândula infra-labial, Drymobius bifossatus.
”2 — ” ” ” nasal, Drymobius bifossatus.
Estampa XII
Fig. 1 — Corto de glândulas sub-linguais, Drymobius bifossatus.
”2 — ” ” glândula lacrimal, Drymobius bifossatus.
Estampa XIII
Fig. 1 — Corte do glândula supra-labinl, Phllodryas schottl.
" g _ » ” » " ” Constrictor constrictor.
fcOC. DE ANTES GRAPHICAS - 6. PAULO
2
6 7 8
SciELCy 2
17
20
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°FilAS DO INSTITUTO DE BUTANTAN
TOMO I - 1918
ESTAMPA X
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SciELO
MÓRIAS do instituto de butantan
TOMO I - 1918
ESTAMPA XII
Drymohius bifossatus ‘Drymobius bifossatus
- Corte de glândulas sub-linguacs Corte de glândula lacrtmal
C;tcvc]-cUL. x 270 X 270
ESTAMPA XIII
EM °RIAS do instituto de butantan
TOMO I - 1918
C V
^3 <a z''
a.
SORO ANTI-ESCORPIONICO
PELO
Db. Vital Bkazil
DIRECTOR DO INSTITUTO
Nota apresentada à 2." conferência da Sociedade Sul-americana
de higiene, microbiologia e patologia.
Em 1905 ocupou-se o Instituto de Butantan com o estudo do veneno
de escorpião. Fez interessantes observações sobre a sintomatologia do
envenenamento determinado pelo Tityus bahiensis Perty, sobre a
possibilidade da obtenção de um sôro anti-tóxico, verificando que 03
sôros anti-peçonhentos neutralizavam em múi pequena quantidade 0
veneno escorpiónico. Êstes resultados foram publicados em 1907,
por ocasião do Sexto Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia.
CARLOS TODD, suggestionado pelo Director Geral do Departamento
da Saúde Pública do Egito, onde são freqüentes os acidentes mortais
determinados por escorpiões, empreendeu em 1906 0 preparo de um sôro
anti-escorpiónico, práticamente activo contra 0 veneno das principais
espécies que se encontram naquele país, particularmente contra 0
veneno do Buthus quinquestriatus.
Em 1915, 0 DR. HEITOR MAURANO, em sua tese-inaugural, ocu-
pou-se com proveito do mesmo assunto, tendo Verificado que o sôro anti-
Buthus quinquestriatus, de TODD nenhuma acção anti-tóxica possuia so-
bre o veneno do Tityus bahiensis Perty. Observou ainda que a forma-
ção do anticorpo específico se dava lentamente e com certa dificuldade,
pois um animal imunizado contra 0 veneno de Tityus bahiensis, em 1915,
no Instituto de Butantan, tendo recebido em doses acumuladas, cerca
de 400 glândulas, não forneceu, ainda assim, um sôro suficientemente
activo.
Êstes dois factos — a especificidade do anti-corpo em relação ao
veneno que lhe deu origem e a lentidão na produção da anti-toxina —
forneceram os elementos básicos para estabelecer 0 paralelismo entre
a produção do sôro anti-escorpiónico e a dos sôros anti-peçonhentos.
Foi-nos fácil, desta arte, traçar um programma para obtenção do fim
almejado. A maior dificuldade que tínhamos a vencer era a obtenção
do material. E de facto, onde poderíamos colhêr esta espécie de aracní-
deo em tão grande quantidade? Enviámos por diversas vezes e por dife-
rentes ocasiões emissários a Minas Gerais, com 0 fim de procurar êsse
material, onde mais abundante era êle, e os resultados foram sempre
tão medíocres, que não nos habilitaram a empreender a imunização de
animais com o proveitoso desígnio que tínhamos em mira.
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Em princípio do corrente ano (1917) encontrámos casualmente um ca-
çador dêsses aracnídeos, que nos poude fornecer alguns milheiros dêles.
Êste homem, trabalhando em terrenos baldios dos arredores da
Capital, observou que ao virar ninhos de térmita (cupins) encontrava
ordináriemente alguns escorpiões no seu interior, e foi esta observação
que lhe sugeriu a ideia de adoptar a profissão de caçador de escorpiões.
Êstes são canibais e por essa razão raramente são encontrados mais de
dois indivíduos sob o mesmo abrigo.
Preparo do anlígcno
As glândulas de veneno estão contidas no último artículo caudal. Para
preparar-se o veneno em grande quantidade, separa-se do animal vivo,
ou morto recentemente, o articulo venenógeno, por meio de golpe de
tesoura. Êste material é então cuidadosamente triturado em um gral de
ágata ou de vidro. Junta-se depois sôro fisiológico na proporção de
1 c. c. para cada dez artículos, procurando-se dissolver o mais possível
o veneno contido nas glândulas.
Centrifuga-se, separando-se um líquido opalescente, que contém o
veneno e ao qual se junta um têrço de seu volume de glicerina neutra.
Leva-se então à estufa a 37°, onde deve ficar durante o prazo mínimo
de quinze dias.
Esta maturação em glicerina tem por fim a esterilização e concen-
tração do antígeno. A relação entre o número de glândulas e o volume
do líquido dá o índice tóxico dêste.
TODD manda secar ao sol os artículos venenógenos e guardá-los em
dessecadores, no laboratório, até a occasião de empregá-los. São então tri-
turados e reduzidos a pó finíssimos e tratados por solução fisiológica
a oito por mil. A solução de veneno assim preparada é esterilizada pela
filtração na vela de Berkefeld.
O Dr. MAURANO imaginou e praticou um método de extracção de
veneno bastante engenhoso e que permite colhê-lo em estado de pureza.
Consiste em tomar o escorpião pelo apêndice caudal do último segmento,
entre os ramos de uma pinça. O animal, irritado, procura defender-se,
deixando escoar pelo aguilhão uma pequena gota de veneno. Êste d
então colhido por meio de uma pipeta capilar e sêco na estufa em vidro
de relógio. Êste método tem o defeito de ser muito trabalhoso, mas deve
ser aplicado nas experiências de precisão.
Imunização do animal para produção do soro anti-tóxico
Foi o cavalo o animal empregado. Extremamente sensível a esta espé-
cie, reage a quantidades insignificantes do veneno. TODD também em-
pregou o cavalo para obtenção do seu sôro. Começou por veneno mistu-
rado com a solução de Gram.
Diminuindo esta progressivamente, depois de algumas injecções deu
o veneno puro. As injecções feitas intra-muscularmente eram dadas a
intervalos de uma semana, em doses progressivamente crescentes de
veneno, Chegando a dose de 500 escorpiões. ,
— 49
Depois de repouso de quatorze dias a um mês, o animal foi sangrado
para a colheita do sôro.
O método que empregámos diferiu bastante do empregado por TODD,
porque obedecémos, como era natural, à nossa experiência no preparo
dos sôros anti-peçonhentos.
Começámos por veneno puro na dose de 6/10 de glândula e, inje-
ctando subcutâneamente com intervalos que variaram de 3 a 5 dias,
aumentámos progressivamente o antígeno até atingir a 350 escorpiões.
No prazo de três mêses, em 24 injecções, introduzimos, no organismo do
animal, veneno correspondente a 1.512 escorpiões. Depois de um repouso
de 11 dias, procedémos â sangria.
Durante o processo da imunização o animal aumentou de pêso, não
apresentando sinal algum de distrofia. A cada injecção de veneno, rea-
gia enérgicamente á dor, notando-se tremor generalizado, dispnéa, hiper-
-secreção nasal e lacrimal, elevação térmica e diaforése abundante, etc..
Êstes sintomas duravam sempre menos de doze horas. O pequeno edema
local que se formava no ponto de inoculação, desaparecia ao fim de três
dias.
Foi esta a marcha seguida na imunização do primeiro animal :
Imunização do cavalo C.
1-III-1917 . 0,6 de glândula de escorpião
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0,9
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24-IV-1917 .
45,0
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28-IV-1917 .
60.0
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ff
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1 - V-1917 .
75,0
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ff
ff
9 - V-1917 .
84,0
ff >
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13 - V-1917 .
105,0
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21 -V-1917 .
140,0
ff
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26 -V-1917 .
210,0
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30 - V-1917 .
280,0
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4-VI-1917 .
,
350,0
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ff
ff
Foi sangrado a 15 de Junho.
1512,8
— 50 —
Dosagem do .sôro
Para determinar a actividade do sôro anti-escorpiónico, emprega-
mos um método semelhante ao que instituímos para a dosagem dos
sôros anti-peçonhentos. Repartimos em vários tubos um centímetro
cúbico de sôro a ensaiar, juntando em cada um quantidade variável de
veneno. Completamos o volume da mistura até dois centímetros cúbicos
e deixamos em contacto durante uma hora na estufa a 37.°. Para veri-
ficar a neutralização, injectamos subcutâneamente uma cobaia de 400
gramas. Quando o animal não sucumbe, nem apresenta sintomas gra-
ves de envenenamento, a mistura é considerada neutra e o poder anti-
tóxico do sôro é expresso em número de glândulas neutralizadas por cen-
tímetros cúbicos. O sôro que obtivemos revelou-se fraco, pois neutralizava
apenas quatro glândulas de veneno. Lançámos mão do método de refi-
nação e concentração de sôros no intuito de elevar o poder anti-tóxico
do mesmo, o que conseguimos plenamente, obtendo uma solução de glo-
bulina neutralizando dez glândulas por centímetro cúbico.
TODD, usando um método análogo de dosagem, achou que o sôro por
êle preparado neutralizava uma glândula por centímetro cúbico.
Dispondo-se de abundância de material será preferível empregar-se
para a dosagem do sôro o veneno puro extraído pelo método do Dr. MAU-
RANO. Os resultados serão certamente mais constantes e mais compará
veis entre si.
O sôro anti-escorpiónico que ora entrega ao consumo, a título provi-
sório, o Instituto de Butantan, deve ser considerado activo nos acidentes
mais frequentes ocorridos ao Sul do Brasil, especialmente nos Estados
de São Paulo e Minas, onde mais abundante é o Tityus bahiensis Perty
única espécie de cujo veneno pudemos dispor até agora.
E’ possível, entretanto, que acidentes ocorram determinados por espé-
cies menos abundantes e que se encontram igualmente ao Sul do Brasil,
tais como o Tityus cortatus Karsch, o Tityus glusioui Bertk, e Bothriu-
rus Chüensis Mol., o Bothriurus signatus Poc., e o Bothnusus vittatus
Poc. Em tais casos é quási certa a ineficácia do nosso sôro.
E’ imprescindível a necessidade de completar-se a actividade anti-tó-
xica deste sôro pelo emprego do veneno de todas as espécies que se
encontram ao Sul do país. Enquanto tal não acontece o nosso sôro aten-
derá à necessidade de momento, sendo suficientemente activo na maio-
ria dos casos, que são indubitávelmente os determinados pelo Tityus
bahiensis Perty.
Deve-se empregar o sôro o mais depressa possível, por injecção hipo-
dérmica ou intra-muscular, na dose de cinco a vinte centímetros cúbi-
cos, conforme a idade da vítima e a gravidade do caso.
São Paulo , Agosto de 1917.
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SORO HEMOSTATICO
pelo Dr. Octavio Veiga
ASSISTENTE DO INSTITUTO
NOTA APRESENTADA A 2.* CONFERÊNCIA DA SOCIEDADE SUL-AMERICANA
DE HIGIENE MICROBIOLOGIA E PATOLOGIA.
Em virtude dos bons resultados do emprêgo do sôro normal de ca-
valo como coagulante e usando-se na falta dêle o sôro anti-diftérico
refinado de conformidade com a técnica moderna, com idênticos re-
sultados ALFRED HESS lembrou-se de verificar qual a parte do sôro que
contêm essa propriedade coagulante. Aplicando o processo de refina-
ção empregado nos sôros terapêuticos, ao sôro normal, afim de precisar
0 factor coagulante dêste e separá-lo, verificou HESS, com a separação
da euglobulina, pseudo-globulina e albumina, por meio do sulfato de
amónio, que a parte coagulante do sôro normal era a euglobulina, pro-
duto da primeira precipitação da diluição do sôro normal a metade de
seu volume de água e com 30 °|° de uma solução saturada de sulfato
de amónio. A solução da euglobulina depois preparada encerra de
pseudo-globulina cêrca de cinco vezes menos que o sôro normal, poden-
do, pois, pela pequena quantidade de proteínas, ser empregada em in-
jecções endovenosas com grandes vantagens ao sôro normal. Alêm disso
tem muito maior poder coagulante, conforme as experiências em labo-
ratório feitas por HESS (*).
Isto pôsto, repetimos no Butantan essas experiências, afim de saber
das vantagens da solução de euglobulina sôbre o sôro normal, para fins
hemostáticos, e preparar um produto injectável como sucedâneo, na prá-
tica, do sôro normal. E’ o sôro hemostático.
Duas séries de quatro tubos cada uma, todas numeradas, receberam
1 c.c. de plasma citratado; aos quatro da primeira série foi adicio-
nado 1 c.c. de solução de euglobulina também citratado e aos outros
quatro da segunda série, 1 c.c. de sôro normal velho também citratado.
Depois de passado algum tempo (lh.40’), juntou-se o sôro normal fres-
co: 0 c.c., 25> no primeiro tubo, 0 c.c., 50, no segundo, 0 c.c., 75, no terceiro
tubo e 1 c.c. no quarto tubo das duas séries.'
(•) Tho separatlon of serum into coaeulative and non-coaculativ# íraotiene. 1996. —
The Journal of Experimental Medicine.
— 54
14 SERIE
EUGLOBULINA
/C.C.
EUGLOBULINA
/CC.
EuoLoeuum
/C.C.
EUGLOBULINA
/CC.
PLfísnn
vií y
PLPStlR
V /cc. y
PLflSPP
Vüy
PLfísnn
V /cc. /
0,25 de sôro fresco* 0,50 de soro fresco'- Q/S ale sôro fresco - 6c. c. de sôro fresco
Sr SERIE
soro velho
/ac
PLflSrt/l
/C.C,
SORO OCLRO
/C.C
0,25 d& sôro fresco - 0,60 de soro fresco- O.fô de 3Ôro fresco •
ou:
N.» 1
N.° 2
N.” 3
1.* sério
1 cc. plasma
1 cc. euglobulina
0,25 sôro fresco
f!
cc. plasma
cc. euglobulina
,50 sôro fresco
1 cc. plasma
1 cc. euglobulina
0,75 sôro fresco
' 1 cc. plasma
N.° 4{ 1 cc. euglobulina
1 cc. sôro fresco
N.° 1
N.» 2
N.° 3
2.* sério
’ 1 cc. plasma
1 cc. sôro velho
0,25 sôro fresco
’ 1 cc. plasma
1 cc. sôro velho
0,50 sôro fresco
' 1 cc. plasma
1 cc. sôro velho
0,75 sôro fresco
1 cc. plasma
N.° 4 -I 1 cc. sôro velho
1 cc. sôro fresco
Em outro tubo, foi colocada a euglobulina sem solução citratada, como
testemunha.
RESULTADO
!•* série 2.* sério
10 minut-
No tubo testemunha
A coagulação
20 >
a coagulação se deu
começou nos
30 »
40 »
entre 20 e 30 minu-
tos. Em t, 11 40’ come-
números 4, 3
50 »
çou a coagulação do
e 2 no fim de
60 »
.. _
tubo N. 2 e em duas
___
2 horas.
70 »
horas coagulou o N.
r .
80 »
1 da primeira série.
90 »
55 —
Nota-se que houve um avanço de meia hora na coagulação do plasma
com a euglobulina, de modo a se acreditar no maior poder coagulante
da solução de euglobulina.
Como nesta primeira experiência, quando se fazia a verificação da
coagulação agitando os tubos e podendo essa prática influir no tempo
de coagulação, procedeu-se a um novo método em que a verificação foi
feita por meio de capilares e sem agitar e nem retirar os tubos da es-
tufa a 37°.
1.* sério - Resultado
Nestas duas esperiências o sôro fresco era recente (factor que faci-
lita a coagulação) conforme nos demonstram os resultados das expe-
riências da 3.* e 4. a séries que se seguem.
1 cc. plasma oxalatado
Os tubos desta série foram coloca-
dos no estufa a 37° às 10", 50 c às 11\50’
todos estavam fortemente coagulados.
tubo N.° A- 1 cc. euglobulina
1 c.c sôro normal fresco
ras.
O sôro fresco era do poucas ho-
2.* sério
Resultado
f 1 ee. plasma oxalatado
tubo N.° BJ 1 cc. sôro normal velho
I
] 0,75 sôro normal fresco mais
[ 0,25 solução fisiológica
Os tubos A e B desta série começar
ram a coagulação no fim do uma hora
e os C e D em lh30’ mas a coagula-
ção nunca cra completa, havendo sem-
pre serosidade demoustrada pela ascen-
são no tubo capilar.
f 1 cc. plasma exalatado
tubo N.° C I 1 cc. sôro normal velho
| 0,50 sôro normal fresco mais
[ 0,50 solução fisiológica
3.* sério
Resultado
' 1 cc. plasma oxalatado
tubo N.° A- 1 cc. sôro normal (3 a 4 dias)
1 cc. euglobulina
Colocados os tubos na estufa às
l h ,50’, às 4 horas da tarde havia co-
meço de coagulação no tubo A.
1 cc. plasma oxalatado
tubo N.° Bj 1 cc. sôro normal (3 a 4 dias)
0,75 euglobulina mais
0,25 solução fisiológica
f 1 cc. plasma oxalatado
tubo N.° C I 1 cc. sôro normal (3 a 4 dias)
1 0,50 euglobulina mais
[ 0,50 solução fisiológica
A coagulação se completou durante
a noite em todos os tubos.
— 56 —
1 cc. plasma oxalatado
tubo N." DJ 1 cc. sôro normal (3 a 4 dias)
0,25 euglobulina mais
0,75 solução fisiológica
4.* sórlo
Rcsultixio
Colocados os tubos il mesma hora
quo os precedentes, não se verificou'
coagulação ató as 4 horas da tarde.
f 1 cc. plasma oxalatado
tubo N.° BJ 1 cc. sóre normal fresco (3 a 4 dias)
0,75 sôro velho mais
0,25 solução fisiológica
f 1 cc. plasma oxalatado
tubo N.° C J 1 ce. sôro normal fresco (3 a 4 dias) A coagulação se deu durante a
Essa grande diferença na coagulação do plasma, entre os tubos da
1/ e 2.° séries e os da 3.“ e 4.", se justifica pelo sôro fresco que na 1.»
e 2.“ séries era um sôro de 3 a 4 dias.
Assim confirmadas as experiências de A. HESS a respeito do poder
coagulante da euglobina, se procedeu à prova de toxidez por meio de
injecções em coelhos.
O coelho n. 8 37 de 1880 gramas de pêso recebe 10 c.c. de euglobulina
em injecção endovenosa e o de n.° 50, de pêso igual, 5 c.c. em injecção
também endovenosa; nada apresentaram de anormal dentro do prazo
de oito dias. Os coelhos ns. 28 e 29 receberam o primeiro 1 c.c. e o
segundo 2 c.c. de solução de euglobulina em injecção intraperitoneal,
também nada apresentando no mesmo espaço de tempo. Depois de pro-
vas bacteriológicas também feitas, foi a solução de euglobulina entregue
ao consumo sob o nome de “Sôro hemostático”.
São Paulo, Setembro de 1918.
1 0,50 solução velho mais
[ 0,50 solução fisiológica
l
Í 1 cc. plasma oxalatado
1 cc. sôro normal fresco (3 a 4 dias)
0,25 sôro velho mais
0,75 solução fisiológica
•oqiou
CONTRIBUIÇÃO PARA O CONHECIMENTO DOS
OFÍDIOS DO BRASIL — III (1)
PELO
Dr. J. Florencio Gomes
ASSISTENTE
1. — OFÍDIOS DO MUSEU PARAENSE.
São ainda em pequeno número, relativamente à abundância de espé-
cies e à extensão territorial do Brasil, as contribuições publicadas a
respeito das faunas de ofídios dos Estados, não havendo mesmo de
alguns deles referência de espécie nenhuma. Estas contribuições, quando
acompanhadas de informações suficientes para se conferirem as exactas
determinações dos espécimes assinalados, e do registo das divergências
de caracteres que êles apresentam em relação aos tipos das espécies, são
de bom auxílio para o estudo da distribuição geográfica e das variações
regionais dessas espécies, pois não é sempre possível o trabalho directo
sobre colecções de proveniências tão variadas.
Neste sentido procuro colaborar, publicando estas e outras listas de
algumas das colecções que o Instituto recebe para determinação, ou que
fazem parte do seu próprio material, provenientes de regiões cuja fauna
se encontra ainda insuficientemente explorada.
A presente colecção, recebida da Sra. Dra. EMILIA SNETHLAGE, chefe
da seccão zoológica e aetualmente na direcção do Museu Paraense, em
julho dte 1917, para determinação, compreende 4G espécies; o material
que encerra todos os ofídios do referido Museu, excepto parte dos Boí-
deos, é quási todo do Estado do Pará, e, muito provávelmente, da mesma
procedência são aqueles que não trazem indicações de* localidade.
Não fazem parte desta colecção as seguintes espécies de ofídios, cuja
presença já foi assinalada no Estado do Pará:
Atractus badius, Pará (BOULENOER, Cat. Sn. II., 1894, p. 309).
” emmeli, Pará (BOULENGER, Cat. Sn. III, p. 645, 1896).
Boa canina, Pará, rio Capim (BOULENGER, Cat. Sn. I, p. 103, 1893).
Cochliophagus pavoninus, Pará (BOULENGER, Cat. Sn. III, p. 450, 1896) .
Constrictor constrictor, Pará (BOULENGER, Cat. Sn. I, p. 117, 1893).
(11 As oontrlbulQõea anteriores foram publicadas nos “Annaos Paulistas <tc
Medicina o Cinirtda". Junbo — 1915, TV. n. G, pp, 121-129, pl. 3-4; o na Re-
vista do Museu Paulista, 1918, X, pp. 503-1527.
— 58
Corondla micropholis, Pará (BOULENGER, Cat. Sn. II, p. 204, 1894).
Elapomorphus nuchalis, Vila Bela, rio Amazonas, acima de Santarém,
Pará (BARBOUR, Proc. Boi. Soc. Washington, XXVII,
p. 199, 1914).
Elaps buckleyi, Pará (BOULENGER, Cat. Sn. III, p. 417, 1896).
” hemprichi, Ilha de Marajó (MOCQUARD, Mis. Sc. Mex. <6 Am.
Centr., p. 928, 1908).
” spixi, Rio Capim (BOULENGER, Cat. Sn. III, p. 427, 1896).
Epicrates cenchris, Pará (BOULENGER, Cat. Sn. I, p. 65, 1893).
Helicops leopardina, Santarém (GRIFFIN, Mem. Carnegie Mus., VII, n. 3,
p. 180, 1916).
Lachesis lanceolatus, Pará (BOULENGER, Cat. Sn. III, p. 537, 1896).
Leptotyphlops ( Glauconia ) albifrons, arred. da cidade do Pará (WA-
GLER, in SPIX, Serp. Bras., p. 68, 1824, Tab. XXV,
fig. 3).
Leimadophis ( Liophis ) oligolepis, Iguapé-Assú (BOULENGER, Ann. Mag.
Nat. Hist., XV (7), p. 405, 1905).
Pseudoboa coronata, Pará (BOULENGER, Cat. Sn. III, p. 112, 1896).
Thamnodynastes strigilis (= nattereri) Santarém BOULENGER, Cat.
Sn. II, p. 116, 1896).
Trypanurgos compressus, Pará (BOULENGER, Cat. Sn. III, p. 59, 1896).
Urotheca bicincta, Pará (BOULENGER, Cat. Sn. III, p. 656, 1896).
” elapoides, Pará (BOULENGER, Cat. Sn. III, p. 656, 1896).
Xenodon colubidnus, Pará (BOULENGER, Cat. Sn. IT, p. 146, 1894).
” merremi, Pará (BOULENGER, Cat. Sn. II, p. 150, 1894).
FAM. TYPHLOPIDAE
Gen. Typhlops Oppel.
1. Typhlops reticulatus (Linnaeus).
Um exemplar do Pará, coleccionado em janeiro de 1914 pela Sra. Dra.
E. SNETHLAGE.
N. p 131. Comprimento total 442 milímetros; cauda 13 milímetros; cir-
cunferência 58 mm.; diAmetro maior do corpo 20 mm.; diâmetro da
cabeça 10,5 mm.. Nasal incompletamente dividida; 20 séries de escamas
ao redor do corpo.
Negra no dorso; as escamas são amareladas na base, o que produz o
aspecto de um retículo amarelado sôbre fundo negro. Ventre e focinho
amarelos; a cauda é amarela em cima, com algumas pintas negras.
Gen. Typhlophis Peters
2. Typhlophis squamosus (Sclilegel).
Um exemplar sem designação de localidade. Esta espécie já foi encon-
trada no Pará. (1)
N.° 130. Comprimento total 163 mm.; cauda 4 mm.; relação entre o
comprimento total e o diAmetro do corpo 40,7. 24 séries de escamas ao
redor do corpo; 4 supralabiais aumentando em tamanho para trás, as duas
últimas quási iguais; rostral cêrca de duas vezes mais longa que alta,
não atingindo ao nível das ventas; venta entre duas nasais, das quais a
(1) BOULENGER, Cat. Sn. III, p. 630, 189G.
— 59 —
superior é muito maior. Olhos imperceptíveis, mesmo pesquisados ao
microscópio binocular.
Coloração parda escura. Vistas com uma lente, as escamas se apresen-
tam castanhas na parte média.
FAM. ANILIDAE
Gen. llysia Hemprich
3. llysia scytale (Linnaeus).
Dois exemplares. Um dêles (n.° 127) tem 48 anéis negros, estando o
47.° situado ao nível da região anal; o outro (n.° 128) tem 53 anéis ne-
gros, com o 52.° ao nível da região anal. Alguns destes anéis são inter-
rompidos no dorso, ou no ventre.
Lista dos exemplares de llysia scytale
N.°
Sexo
Localidade
Colecclo-
nador
Data da
captura
V.
A.
So.
Supra-
labiais
Comprimento
em mm.
fofal
cauda
127
9
Prainha,
E. Pará
Sr. Torres
1907-1908
21
229
1
11
6
522
19
128
9
Guajará,
E. Pará
1910
21
240
1
13
6
508
20
FAM. BOIDAE
Gen. Boa Linnaeus
4. Boa hortulana (Linnaeus).
Três exemplares. No exemplar n.° 116 a coloração do fundo é amare-
lada, muito manchada irregularmente de escuro.
Lista dos exemplares de Boa hortvXana
N.'
Sexo
Localidade
Colecclo-
nador
Data da
captura
E.
V.
A
So.
Supra-
labiais
Comprimento
em mm .
fofal
cauda
115
9
51
279
1
123
13
1625
347
116
9
Itio Carnnpi-
jó, E. Pará
Sr. 0.
X-1912
51
27G
1
124
14-13
1430
31o
Farias
117
9
Oamotá, rio
Tocantins, E.
Pará
26-1-1911 53
27
1
110 + n.
13-14
1290
midade
caudal
iiiuti-
lada
Gen. Eunectes Wagler
5. Eunectes murinus (Linnaeus).
Um exemplar nascido no Jardim Zoológico do Museu Paraense, me-
dindo 690 mm. de comprimento total, e cauda 107 mm..
N." 114 jov.. E. 57; V. 257; A 1; Sc. 73 (6 divididas) ; 16 supralabiais ;
uma série de escamas entre as suboculares e as supralabiais.
O nome vulgar desta espécie no Estado do Pará é sucurijú. (1)
6. Eunectes notaeus Cope.
Um exemplar sem indicação de procedência; GRIFFIN (2) já assina-
lou a presença desta espécie em Santarém, E. Pará.
Tem as seguintes dimensões: comprimento total 1630 mm.; cauda
238 mm.
N.° 113. E. 43; V. 218; A. 1; Sc. 25+32/32; 13-14 supralabiais; 8-7
escamas ao redor do ôlho; 2 suboculares contíguas á 6.*, à 7.* e à 8."
supralabiais.
Parda, com uma série de grandes manchas negras arredondadas no
dorso; algumas destas manchas unidas, formando curtas faixas em zi-
gue-zague. Manchas negras laterais menores, dispostas mais ou menos
regularmente em duas séries. Cabeça com cinco faixas negras longitudi-
nais; as externas se estendem dos olhos às ôomissuras labiais.
FAM. COLUBRIDAE
Gen. Helicops Wagler
7. Helicops angulatus (Linnaeus).
Um exemplar do rio Curuá, Pará, coleccionado pela Sra. Dra. E. SNE-
THLAGE, em 9— XI— 1914.
N.° 75 jov.. E. 19; V. 120; A. 2; Sc. 76/76; supralab. 8 (4.«).
Comprimento total 170 mm.; cauda 47 mm.; 28+8 manchas transver-
sais castanho-escuras.
8. Helicops polylepis Günther.
Um exemplar da embocadura do rio Mojú, Pará, coleccionado pelo Sr.
O. A. FARIAS, em agosto de 1912.
N.° 76 á . E. 23; V. 126; A. 2; Sc. 98/98; supralab. 8 (4.*).
Ventre negro com pequenas manchas amarelas; as externas arredon-
dadas e maiores, são dispostas em uma série de cada lado das ventrais,
separadas das vizinhas por 1-3 placas, e geralmente alternadas com as
do outro lado; as manchas internas são dispostas irregularmente.
(1) Boi. Mus. Goeldl (Mus. Paraense) (1910) VII, p. 17, 1913,
(2) Mem. Carnegle Mus. 1916, VIII, n. 3, p. 169,
— 61
9. Helicops hagmanni Roux.
Identifiquei a esta espécie que ROUX (3) descreveu em 1910, dois
exemplares de Helicops, que, pela coloração e pelo elevado número dè
séries de escamas, concordam com a sua descrição, ainda que difiram dela
nas placas pre e postoculares, as quais são no exemplar tipo em número
de 2. Como o original proveniente de Santarém, Brasil setentrional, um
do.-? exemplares examinados também é do Estado do Pará, sendo possível
que o outro tenha a mesma proveniência. Êles podem distinguir-se, já á
primeira vista, de H. polylepis que se lhes assemelha bastante, mas
cujo ventre é negro com pequenas manchas amarelas.
Esta espécie parece-me ser até agora apenas conhecida pela descrição
original: por êste motivo e por causa das divêrgencias assinaladas entre
ela e os dois exemplares da presente colecção, trato-os aqui um tanto
minuciosamente. Os caracteres seguintes se referem ao exemplar n.° 77.
Dentes maxilares 15-f 2. Escamas fortemente carenadas no dorso, em 27
séries; as escamas das duas primeiras séries são lisas ou levemente care-
nadas; temporais posteriores e a maior parte das escamas do occiput
também lisas.
Subcaudais não carenadas. Rostral côrca de 1 1/3 mais larga que alta,
contígua h internasal. Frontal cêrca de duas vezes mais longa que alta,
quási tão longa quanto a sua distância da extremidade do focinho, mais
curta que as parietais. Nasal semi-dividida por uma fenda que não
alcança a venta. Frenal soldada h nasal, A direita; á esquerda é mais alta
que longa. Preocular 1; postocular 1. DiAmetro do ôlho igual A metade
do comprimento da frontal. Supralabiais 8, 4." contígua ao ôlho; 6 infra-
labiais contíguas As mentais, 5 As mentais anteriores. Mentais anteriores
separadas no seu 1/3 ou na 1/2 anterior pelas infralabiais do l.° par;
mentais posteriores separadas.
Coloração castanha, com 4 séries de manchas negras; as laterais maio-
res alcançam os lados das ventrais. Ventre pardo com manchas negras
irregularmente dispostas.
O exemplar n.° 78 tem 1+3 temporais, a frenal trapeziforme e 29 séries
de escamas, concordando no mais com o precedente.
Lista dos exemplares de II. hagmanni
N.’
Sexo
Localidade
Colecclo-
Data da
E.
V.
A.
So.
Supra-
labiais
•—
13
s
Comprimento
em mm.
nador
captura
3
&
2
£
total
cauda
77
9
Peue-Boi,
E. Pará
1909
27
137
2
33/53
8 (4.“)
1
i
735
1G3
78
9
29
130
2
53/53
8(4.*)
1
i
790
180
(3) Zool. Anz. 1910, 36, pp. 439-440.
— 62 —
10. Hclicops trivittatus (Gray).
Quatro exemplares. Coloração parda olivácea, escura em cima, com
cinco riscas longitudinais amareladas, uma na série dorsal (indistinta no
n.° 72) e, de cada lado, uma entre as escamas da 7." e da 8. n séries, e
outra entre as da 3.“ e 4.” séries. As escamas das séries 2.", 5." e 9.*
apresentam a metade basal negra. No exemplar jovem as côres são mais
nítidas. A 9 n.° 71 está com 9 ovos, contendo embriões bastante desen-
volvidos.
Lista dos exemplares de H. trivittatus
Supra-
3
Comprimento
r
Sexo
Localidade
Coleccio-
Data da
E.
V.
A.
So.
em
mm.
nador
captura
labiais
£
£
total
cauda
71
9
Pará
1909
21
128
2
G3.63
8(4.*)
2
712
192
72
S
21
119
2
G8/68
8(4.*)
2
490
155
73
9
21
127
2
49/49 + n
8 (4.*)
2
783
extre-
midade
muti-
74
Jov.
Nascida no
lada
Museu Para-
ense em 10 —
21
119
2
7 G/76
8(4.*)
2
280
61
1—1910
Gen. Diumdes Wagler
11. Dimades plicatilis (Linnaeus).
Dois exemplares. O n.° 69 tem 1480 mm. de comprimento, o que é tama-
nho bastante considerável para a espécie; seu desenho não é tão nítido
como no exemplar menor (n.° 68). Êste é pardo em cima (7 e duas 1/2
escamas), com duas séries de pontos pretos. Uma faixa negra de cada lado
do corpo, ocupando as escamas da 2." e 3. a séries, 1/4 de cada escama da
1.*, e 3/4 de cada escama da 4." série. Uma faixa negra do focinho à
comissura labial, passando pelo ôlho. Infralabiais, escamas e placas da
parte inferior da cabeça manchadas de pardo. Ventre com quatro séries
de pontos negros, os externos ocupam os ângulos internos das escamas
da 1." série. Duas séries de pontos negros na parte inferior da cauda;
estes são um pouco maiores que os do ventre.
Lista dos exemplares de D. plicatilis
N.”
Sexo
Localidade
Coleccio-
Data da
E.
V.
A
Sp.
Supra-
Comprimento
em mm.
nador
captura
labiais
total
cauda
68
9
Monte Ale-
Sr. 0.
VII-VIII
15
150
2
34/34
8(3.*, 4.")
560
59
69
9
gre, E. Pará
Martins
1912
15
141
2
34/34
CO
ço
* *
* *
148
195
— 63 —
Gen. Hydrops Wagler
12. Hydrops triangularis (Wagler).
Dois exemplares. Um (n.° 70) tem 46 anéis negros no corpo; está com
a extremidade caudal mutilada. No outro (n.° 79), os anéis negros são
em número de 42 -{-11. Os anéis são em parte completos e em parte inter-
rompidos no dorso ou no ventre.
Lista dos exemplares de H. triangularis
Supra-
labiais
Comprimento
N.°
Sexo
Localidade
Colecclo-
Data da
E.
V.
A.
Sc.
em
mm.
nador
captura
total
cauda
70
9
15
166
2
25/25 4- n
8(4.*)
640
Extre-
midade
caudal
mu ti-
lada
79
Jov.
Rio Curuá,
Sra. Dra.
X-XI
E. Pará
E. Sne-
1914
15
165
2
58/58
8(4.*)
221
39
thlago
Gen. Drymobius Cope
13. Drymobius boddaerti (Sentzen).
Cinco exemplares. Coloração geral castanha clara nos adultos. Os exem-
plares nos. 1 e 44 apresentam, de cada lado do corpo, uma risca mais
clara sôbre a 4." e 5." séries de escamas ; o de n.° 2 tem na parte anterior
do corpo cinco riscas negras longitudinais que se estendem até a nuca ;
o n.° 32, que é jovem, apresenta manchas escuras quadriláteras em cima,
alternando-se com outras laterais, que estão separadas das dorsais por
uma risca mais clara que ocupa a 5.' e a 6.‘ séries de escamas; neste
exemplar as ventrais são manchadas lateralmente na parte anterior do
corpo e as labiais teem bordas escuras.
Lista dos exemplares de D. boddaerti
Supra-
Comprimento
N."
Sexo
Localidade
Colecclo-
nador
Data da
E.
V.
A.
Sc.
em
mm.
captura
labiais
total
cauda
1
ê
|
Morajatuba,
Sr. F.
8-V-1912
E. Paráj
Lima
17
187
2
107/107
10-11
967
272
2
s
Arajatuba,
VI-1912
17
179
2
52/52 +n
9-9
1180
extre-
Rio Negro
caudal
muti-
20
2
Cametá, rio
lada
Tocantins
E. Pará.
1-1911
17
191
2
186/106
9-9
1505
312
32
Jov.
17
192
2
105/105
9-9
450
112
44
9
Bencvides,
Sr. F.
VII-VIII
E. Pará
Lima
-1911
17
188
2
45/45 + n
9-9
1065
174
extre-
midade
muti-
lada
— 64
14. Drymobius dendrophis (Schlegel).
Um exemplar coleccionado na Fazenda Paraíso, Faro, E. Pará, pelo Sr.
O. MARTINS, em maio de 1911.
N.° 31 9 . E. 17 ; V. 148 ; A. 1 ; Sc. 40/40+n ; supralabiais 9 (4.\ 5.», 6.") .
Escamas fortemente carenadas, sendo as carenas mais elevadas nas
séries dorsais. 56 faixas oliváceas transversais no corpo, separadas por
estreitos espaços brancos, orlados ou interrompidos de preto; 26-fn faixas
semelhantes na cauda. Comprimento total 605 mm. ; cauda 125 mm., com
a extremidade mutilada.
Gen. Spüotes Wagler
15. Spilotes pullatus (Linnaeus).
Dois exemplares. A côr negra é predominante nos dois exemplares ;
ambos são muito manchados de amarelo na parte anterior do corpo.
Lista dos exemplares de S. pullatus
N.°
Sexo
Localidade
Coleccio-
nidor
Data da
captura
E.
V.
A.
Sc.
Supra-
labiais
Comprimento
cm mm.
tptt»i
cauda
34
$
Monte Ale-
gre, E. Pará
Sr. 0.
Martins
VII-VIII
1912
1G
215
1
114/114
8 (4*. 5*
3“, 4*,5‘
2100
530
35
9
Rio Cussary,
afluente do
rio Amazo-
nas, E. Pará
V
1G
228
1
112/112
7 (3*, 4*)
1996
470
Gen. Herpetodryas Boie
16. Herpetodryas fuscus (Linnaeus).
Cinco exemplares. Os jovens apresentam faixas pardo-escuras, separa-
das por estreitos espaços mais claros. O exemplar n.° 25 é avermelhado
manchada de negro. O n.° 24 é pardo muito manchado de negro, sobre-
tudo na parte anterior do corpo ; assemelha-se pela côr à forma que ocorre
no E. de S. Paulo, na qual todavia o número de escamas é geralmente
maior (12, raramente 10 séries). No exemplar n.° 17 que é verde olivá-
ceo em cima e branco amarelado no ventre, as escamas das duas séries
dorsais são fortemente carenadas.
— 65 —
Lista dos exemplares de II. fuscus
N.*
Sexo
Localidade
Celeccia-
nador
Dita da
captura
E.
V.
A.
So.
Supra-
labiais
Comprimento
em mm.
total
caiHa
17
S
Ciunetá, rio
Tocantins, E.
14-1-1911
10
155
1
123/123
9
1400
492
Pará
(4a, 5a, Ca)
24
9
P«ixe~Boi,
Fkw do Pra-
10
156
1
112/112
9
1775
570
do, E. Pará.
(5a, Ca)
25
9
S. Mateu»,
Sr. 0. A.
rio Carnarijó,
Parias
IX-1912
10
157
1
111/111
9
2470
785
E. Pará.
(4a, 6a, 6a)
26
Jov.
Rio Ouruá,
Dr.' E.
E. Pará
Snethlage
9-XI-1914
10
148
1
116/116
9
690
246
(4a , 5a, 6a)
27
Jov.
Rio Iriri,
E. Pará
V
1914
10
154
1
126/126
9
620
210
(4a, Ba, 6a)
17. Herpetodryas carinatus (Linnaeus).
Dezesseis exemplares. A coloração parda olivácea é constante ; o espaço
compreendido entre as carenas das duas séries dorsais não é mais claro
em nenhum dêstes exemplares. Os números de ventrais e subcaudais são
variáveis em limites muito afastados (V. 139-193) (Sc. 118-194) e nos
exemplares 6, 19 e 22 o número de subcaudais excede ao das ventrais.
O maior (n.° 21) tem 2740 mm. de comprimento.
O nome vulgar desta espécie no Estado do Pará é cutimboia (1).
(1) Boi. Mus. Gocldi (Mus. Paraense). 1913, VII, p. 17.
— 66 —
Lista dos exemplares de H. carinatus
Supra-
Comprimento
N.°
Sexo
Localidade
Colecclo-
Data da
E.
v
A
Sc.
em
mm.
nador
captura
labiais
total
cauda
6
8
Elo Baião,
afluente do
Dra. E.
NII-1910
12
189
2
193/193
9
1950
733
rio Tocantins,
Snethlago
(4a, 6a, fia
E. Para.
7
2
Marajó, S.
ertre-
Natal, E.
»
XII-190C
12
161
2
95/95 fn
8
1480
midade
Pará
(4a, 6a)
ITIllti-
lada
8
9
12
164
2
128/128
9
1523
513
6a, 6a)
9
8
Prainha,
Snr.
1907-1908
12
154
2
125/125
8
1695
680
E. Pará
Torres
(4a, 6a)
10
8
12
159
2
124/124
8
(4a, 6a)
1845
605
11
8
Monte Ale-
gro, E. Pará
Sr. 0.
Martins
IX-1908
12
155
2
140/140
í 8 4», 5a
l 9 (6a, Ca)
1915
680
12
8
Cametá, rio
Tocantins,
26-1-1911
12
191
2
189/189
9
2175
810
E. Pará.
(4a, 6o, Ga
13
9
12
142
2
118/118
9
1190
415
(4, a 5a, fia)
14
9
Pará
1910
12
139
2
128/1-8
9
1220
445
(4a, 5a, Ca
15
8
*
12
116
2
131/131
9
1275
445
(5a, fia
16
8
12
145
2
140/140
9
1003
373
'4a, 6 i, fia
18
8
12
144
2
143/143
9
1210
461
19
(4a, 6a, Ga'
Jov.
12
141
2
144/144
9
452
176
4a, 6u, Ga)
21
8
Kilómetro
30, E. F.
Bvagança, E.
Pará.
VIII-1912
12
188
2
174/174
9
(4a, 6a, Ga)
2740
947
22
8
Marajatuba,
Sr. F.
8-V-1912
12
193
2
194/194
9
1820
685
E. Pará
Lima
(4a, 5a, Ga)
20
9
Peixe-Boi,
1909
12
151
2
131/131
9
1125
390
E. Pará
'4a, 6a, 6a)
Gen. Elaphe Fitzinger
18. Elaphe corais (Boie).
Cinco exemplares. O exemplar n.° 29 tem 21 séries de escamas no pes-
coço, onde os demais teem 19. No exemplar n.° 5 as escamas da série
dorsal, principalmente na metade posterior do corpo, apresentam-se fre-
qúentemente com uma curta porém nítida carena. O exemplar n.° 28 tem
vestígios bem aparentes das faixas escuras transversais que se encontram
nos exemplares jovens desta espécie.
— 67 —
Lista dos exemplares de E. corais
N.*
Sexo
Localidade
Coleccio-
Data da
E.
V.
A.
Sc.
Supra-
Comprimento
cm mm-
nador
captura
labiais
total
cauda
4
á
Benevidcs,
E. Pará
Sr. F,
Lima
YII-VIII-
-1911
17
206
1
80/80
8
1885
340
6
S
17
214
1
81/81
8
2420
410
26
9
Jamundá, Fa-
zenda Pa-
raizo
1-1912
17
212
1
75/75
8
1750
295
29
á
Arajatuba,
Rio Negro
I)ra. E.
Snethlago
VI-1916
17
211
1
78/78
8
2700
440
30
S
17
207
1
66/66 +n
8
1830
extre-
midade
caudal
muti-
lada
19. Elaphe dichrous (Peters).
Um exemplar de Arajatuba, rio Negro, coleccionado pela Sra. Dra. E.
SNETHLAGE, em junho de 1916.
N.° 3 ê . E. 15; V. 166; A. 1; Sc. 23/23+n; supralabiais 8 (3. tt , 4.", 5. a ).
Comprimento total 850 mm.; extremidade caudal mutilada. Côr olivá-
cea, quási negra em cima, até ao lado das ventrais.
Gen. Phrynonax Cope
20. Phrynonax sulphureus (Wagler).
Sete exemplares, do n.° 42 apenas a cabeça e parte anterior do corpo.
Côr amarelada, com as carenas ou a parte média das escamas negras. A
côr negra é a predominante no exemplar n.° 41. Um exemplar jovem
(n.° 38) apresenta manchas em A oblíquas, no corpo, e faixas ou anéis
na cauda, separados por estreitos espaços mais claros. Os ns. 36 e 39 apre-
sentam no estômago restos ainda não digeridos de ratos selvagens.
— 68
Lista dos exemplares de P. sulphureus
Supra-
Comprimento
r
Sexo
Localidade
Coleccio-
Data da
E.
V.
A
Sc.
em
mm.
nador
captura
labiais
total
cauda
36
9
Peixe-Boi,
V-VII-
21
; 22
1
138/138
8
1190
407
E. Pará
-190S
(ia, 6a)
37
$
.1
225
1
148/148
8
1850
600
(4u, 5a 1
38
Jov.
Rio Curuaá,
Dr.* E.
IX-XI-
21
217
1
138/138
8
590
160
E. Pará
Snetlilagc
-1911
(4a, fia)
39
9
Ananindena,
Sr. F.
2-VI-1912
21
220
1
126/126
8
2390
600
E. Pará
Lima
ia, 6a)
40
S
21
218
1
94/04 n
8
ia, 6a'
2000
extre-
midnde
cuudul
muti-
lada
41
S
Peixe-Boi,
Sr. 0.
VII-1908
21
211
1
131/131
8
2740
730
E. Pará
Martins
(4a, fia
42
Areumathena,
Dr." E.
IV-1907
21
1
8
rio Tocantins,
Snetlilagc
(4a, 5a
E. Pará
21. Phrynonax fasciatus Peters.
Dois exemplares. Coloração parda olivácea. No exemplar n.° 81 as preo-
culares estão contíguas à frontal; no n.° 82 estas placas quási se tocam. 8
infralabiais em contacto com as mentais, 7 com a mental anterior; 2
postoculares. Escamas carenadas nas 5 séries dorsais, levemente nas
outras, e lisas nas últimas.
Lista dos exemplares de P. fasciatus
N."
Sexo
Localidade
Coleccio-
nador
Data da
E.
V.
A.
Sc.
Supra-
labiais
Comprimento
em mm.
captura
total
cauda
81
$
Rio Curuá,
E. Pará
Dr.* E.
Snethlago
IX-XT-
-1914
23
197
1
121/121
9
(ia,6a,flü)
1160
325
82
ê
Cametá, rio
Tocantins, E.
Pará.
1-1911
23
195
1
12G/12G
9
'ia, 6o, 6a)
980
273
Gen. Leptophis
22. Leptophis ahaetulla (Liiinaeus).
Cinco exemplares. Cabeça e dorso verde' azulados (em álcool) epi cima;
na parte posterior do corpo a faixa verde é dupla, sendo claras as esca-
69
mas da série dorsal e cêrca de 1/2 escama de cada lado. Parte inferior
uniforme nacarada.
Lista dos exemplares de L. ahaetulla
r
0 xo
Localidade
Colecoio-
nador
[ Data da
captura
E.
V.
A
Sc.
upra-
labiais
Comprimento
em mm.
total
cauda
67
Oametá, rio
Tocantins,
21-1-1911
15
168
2
164/164
8
1395
563
E. Pará.
(4a, 6a)
136
9
Guajará,
1910
15
1G9
2
166/166
9
1125
450
E. Pará
6a, 6u)
137
3
Cametá, rio
Tocantins,
31-1-1911
15
157
2
179/159
9
1072
430
E. Pará.
(6a, Ca)
138
3
15
164
1
157/157
8
1125
450
(4a, 6a •
139
3
15
166
2
158/158
9
1033
417
(5u, G‘0
23. Leptophis nigromarginatus (Günther).
Um exemplar das margens do rio Jamauchim, afluente do Tapajoz,
coleccionado em 10-XII-1908 pela Dra. E. SNETHLAGE.
N.° 43. 9. E. 15; V. 164; A. 2; Sc. 138/138; supralabiais 8 (4.“, 5. a ).
Comprimento total 948 mm.; cauda 360 mm.
Verde azulado (em álcool) até a 2. tt ou 3.“ série de escamas. As
placas e as escamas orladas de negro. Uma pequena mancha negra em
cada parietal e em cada supraocular. As ventarias orladas de verde na base.
Gen. Aporophis Cope
24. Aporophis lineatus (Linnaeus).
Um exemplar de Praínha, E. Pará, coleccionado pelo Sr. TORRES,
1907-1908.
N.° 80 jov. E. 19; V. 180; A. 2; Sc. 83/83; supralabiais 8 (4. a , 5.*).
Comprimento total 250 mm.; cauda 60 mm..
Gen. Rhadinaea Cope
25. Rhadinaea cobella (Linnaeus).
Tomo apenas provisóriamente êste género segundo BOULENGER, que
nele inclui espécies genéricamente bem distinguíveis, ao menos, pelos cara-
cteres penianos demonstrados por COPE (1).
(1) COP®. Report. U. 6. Nat. Mus. (1898) 1910, p. 764.
— 70
Cinco exemplares. Mental anterior em contacto com 5 (com 4 no exem-
plar n." 66) infralabiais. O exemplar n.° 66 6 melanótico.
Lista dos exemplares de R. cobella
N.°
Sexo
Localidade
Colecclo-
nador
Data da
captura
E.
V.
A.
Sc.
Supra-
labiais
Comprimento
em mm.
total
cauda
62
9
Pará
1910
17
145
2
55/55
8
560
110
(4a, Sa)
63
9
Ilha de Ma-
rajó, E. Pará
17
154
2
44/44
8
705
ui
(4a, fia)
64
9
17
151
2
55/55
8
700
130
(4, a 6a)
65
9
17
149
2
53/53
8
720
138
(4a, 6a)
66
9
17
136
2
51/51
8
693
131
(4a, 6a)
Gen. Leimadophis Fitzinger
(= Liophis)
26. Leimadophis reginac (Linnaeus).
Seis exemplares. As manchas negras do ventre são bem nítidas,
tomando algumas toda a largura de uma ventral, mas geralmente estão
situadas de um ou de outro lado, ou ocupam no meio da ventral mais de
metade desta placa. Ha ventrais não manchadas. No n.° 56 as manchas
são menores, orlando apenas os lados das bases de algumas ventrais,
desaparecendo na parte anterior e na parte posterior do corpo; êste
exemplar é verde oliváceo claro.
Lista dos exemplares de L. reginae
Supra-
Comprimento
r
Sexo
Localidade
Coleccio-
Data da
E.
V.
A.
Sc.
em
mm.
nador
captura
labiais
total
cauda
55
9
Aipeú,E.Pará
17
146
2
73/73
1
8
620
165
(4a, 6a)
56
á
Pará
1910
17
145
2
74/74
8
577
155
4a, 6a)
57
s
Utinga,
V-1917
17
143
2
71/71
8
565
166
E. Pará
(4a, 6a)
68
9
•, —
17
149
2
53/53 +n
8
(4a, f*a)
482
extre-
midade
caudal
mu ti-
Ioda
59
9
•—
17
148
2
64/64+ n
8
540
126
(4a, Sa)
60
<5
17
149
2
70/70
8
516
133
(4a, 6a)
27. Leimadophis poecilogyrus (Wied).
Um exemplar de Praínha, E. Pará, coleccionado pelo Sr. TORRES, em
1907-1908.
N.° 61 9 . E. 19; V. 155; A. 2; Sc. 47/47 ; Supralabiais 8 (4. a , 5.”). Co-
loração parda avermelhada, a maior parte das escamas indistintamente
orladas de negro. Ventre róseo com manchas escuras, dispostas ordina-
riamente de cada lado da linha mediana.
Gen. Cyclagras Cope
28. Cyclagras gigas (Dum. et Bibr.).
Nove exemplares. No exemplar n.° 49 as manchas negras são pouco
distintas, apenas os seus bordos são nítidos; no n.° 50, as manchas são
muito nítidas e os espaços entre elas também são muito manchados de
negro. Do n.° 52 estão conservadas apenas a cabeça e a pele.
Lista dos exemplares de C. gigas
r
Sexo
Localidade
Colecclo-
Data da
E.
V.
A.
Sc.
Supra-
Comprimento
em mm.
nador
captura
labiais
total
cauda
45
9
Pará
Jardim
Zoológico
3-IV-1908
19
170
1
66/66
8
1810
385
46
S
19
155
1
78/78
8
1540
405
47
9
Pará
— '
19
164
1
72/72
8
1690
390
48
9
Pará
19
165
1
19/19 + n
8
1026
extre-
midad»
caudal
muti-
lada
49
í
Faro, Fazen-
da Paraízo,
E. Pará
Sr. O.
Martin»
29-V-1911
19
159
1
78/78
8
1810
470
50
9
Ilha do
Marajó,
E. Pará
Dra. E.
Snethlage
XII-1905
19
166
1
72/72
8
1560
350
51
á
ilha de
Marajó,
E. Pará
Sr.
Schodmaii
20-X-1899
19
158
1
84/84
8
1560
435
52
19
157
1
78/78
8
1730
48C
83
Jov.
19
158
1
76/76
8
410
95
Gen. Xenodon Boie
29. Xenedon severus (Linnaeus).
Cinco exemplares. Os jovens (Ns. 84 e 85) teem o ventre negro e fai-
xas transversais da mesma côr no dorso; no n.° 90 o ventre é parda-
cento; nos adultos é branco amarelado (em álcool). Estes são de côr ama-
relada ou castanha clara em cima. O n.° 53 tem 23 séries de escamas.
O n.° 85 apresenta no estômago um sapo ( Bufo marinus) medindo 80 mm.
— 72
de comprimento e 30 mm. de largura; a largura da cabeça dêste ofídio
é de 21 mm.
Lista dos exemplares de X. severua
N.°
Sexo
Localidade
Colecclo-
nador
Data da
captura
E.
V.
A.
Sc.
Supra-
labiais
Comprimento
em mm.
total
cauda
63
9
23
141
2
33/33
8
1420
165
(4ft, 6a)
54
$
Benevides,
Sr. F.
VI-VII-
E. Pará
Lima
-911
21
134
2
39/39
8
1240
165
(4n, 5a)
84
Jov.
21
143
2
37/37
8
260
33
(4, a 6a)
Mojutapera,
Sr. M. V.
85
Jov.
rio Tocan-
de Leão
X-1910
21
134
2
31/31
8
275
45
tins, E. Pará
(4a, 6a)
90
9
21
13G
2
39/39
8
900
115
(4a, 6a'
Gen. Leptodeira Fitzinger
30. Leptodeira albofusca (Lacépède).
Um exemplar de Praínha, E. Pará, coleccionado pelo Sr. TORRES, em
1907-1908.
N.° 87, 6 . E. 21; V. 182; A. 2; Sc. 25/25-fn; supralabiais 8 (4.% 5. a e
3. a , 4.“, 5.°). Uma pequena subocular abaixo da preocular, presente só
à direita. 29 manchas negras no corpo, formando as 8 primeiras uma
faixa em zigue-zague; 8+n manchas negras na cauda. As manchas late-
rais são menores que as correspondentes da espécie seguinte. Compri-
mento total 478 mm.; extremidade caudal mutilada.
31. Leptodeira annulata (Linnaeus).
Um exemplar de Arajutuba, rio Negro, coleccionado pela Sra. Dra.
E. SNETHLAGE, em junho de 1916.
N.° 86, $ . E. 19; V. 191; A. 2; Sc. 87/87; Supralabiais 8 (3. a , 4. a , 5.*)-
37+16 manchas negras em cima, quási todas soldadas com as vizinhas
na linha mediana; as 9 primeiras formam uma faixa negra em zigue-za-
gue no pescoço e na parte anterior do corpo. Nos lados no corpo manchas
pequenas. Comprimento total 555 mm.; cauda 135 mm..
Gen. Pseudoboa Schneider
(= Oxyrhopus)
32. Pseudoboa petolaria (Linnaeus).
Um exemplar. N.° 88, 9. E. 19; V. 214; A. 1; Sc. 98/98; Suprala-
biais 8 (4. a , 5.*). 17 faixas negras transversais, muito mais largas que
73 —
os espaços que as separam; o meio da 12." ao nivel da região anal.
Cabeça preta até às parietais e a temporal anterior ; no mais, vermelha
em cima e amarelada em baixo. Comprimento total 827 mm.; cauda
492 mm..
33. Pseudoboa cloelia (Daudin).
Um exemplar. N.° 89, 2. E. 19; V. 237; A. 1; Sc. 76/76; Suprala-
biais 7 (3.", 4.' 1 ). Frenal ausente. Negra em cima; branco-amarelada
em baixo (em álcool). Esta côr do ventre no vivo, é, nesta espécie,
branca. Comprimento total 2210 mm.; cauda 390 mm..
Gen. Philoãryas Wagler
34. Philodryas olfersi (Lichtenstein).
Três exemplares da variedade reinhardti. Coloração verde em cima;
amarela esverdeada em baixo (em álcool; no vivo é branca esverdeada) ;
cabeça de coloração levemente acobreada adiante, sem faixa escura
dos lados.
Lista dos exemplares de P. olfersi
N.°
Sexo
Localidade
Colecclo-
Data da
E.
V.
A.
Sq.
Supra-
Comprimento
cm mm.
nador
captura
labiais
tofai
cauda
91
S
_
.
19
179
2
110/110
8
(4a, 5a)
807
238
92
S
Monte Ale-
gre, E. Pará
Sr. 0.
Martins
IX-1908
19
181
2
111/111
8
(4a, 5a
845
263
94
9
Peixe-Boi,
E. Pará
Estação
Agronó-
mica
VII-1908
19
216
2
118/118
8
(4a, 5a)
752
203
35. Philodryas viridissimus (Linnaeus).
Um exemplar de Guajará, E. Pará, coleccionado em 1910.
N.° 93, ç. E. 19; V. 223; A. 2; Sc. 127/127; Supralabiais 8 (4.*, 5.*).
Comprimento total 934 mm. ; cauda 258 mm.. O focinho e a rostral mais
largos, olhos menores, as ventrais anguladas e mais numerosas que na
espécie precedente, caracterizam-na fácilmente.
Gen. Oxybelis Wagler
36. Oxybelis fulgidus (Daudin).
Nove exemplares.
Lista dos exemplares de O. fulgidus
N.'
Sexo
Localidade
Coleccio-
nador
Data da
captura
E.
V.
A.
Sc.
Supra-
Comprimento
em mm.
labiais
total
cauda
31
3
Arajntuba,
Dr.* E.
rio Negro
Snethlage
VI-1916
17
205
2
141/141
10
1570
500
(ha, Ca, 7a)
95
9
Rio Tapajós,
X-XII-
17
208
2
129/129
10
1G80
505
E. Pará
-IDOS
-f n
(5a, Ga, 7a)
extre-
inidade
muti-
96
9
Boim, rio Ta-
ladu
pajós
IX-1911
17
211
2
145/145
10
1840
585
E. Pará.
(5a, 6a, 7a)
97
3
Boim. rio Ta-
pajós
IX-1911
17
207
2
161/101
10
14G5
49
E. Pará.
(5a, Ga, 7a)
98
9
Vila Braga,
Dr.* E.
6-XI-
17
208
2
152/152
10
1585
523
rio Tapajós,
Snethlage
-1908
(6a, 6a, 7a)
99
3
Rio Tapajós,
X-XII-
17
195
2
155/155
10
15G0
515
E. Pará
)>
-1908
(5a, 6u, 7a)
100
9
17
202
2
130/130
10
1472
extre-
+ n
(5a, Ga, 7a)
miiade
lada
101
3
Monte Alegre
Sr. 0.
VII-VUI-
17
201
2
151/151
10
1395
496
E. Pará
Martins
-1912
(5a, 6a, 7u)
102
3
Benevicles,
Sr. F.
VII-VIII-
17
195
2
153/153
10
1250
425
E. Pará
Lima
-1911
(6a, 6a, 7a)
103
Jov.
Boim, rio Ta-
pajós
IX-1911
17
204
2
1G2/1G2
10
722
231
E. Pará
5a, Ga, 7a)
37. Oxybelis acuminatus (Wied).
Três exemplares.
Lista dos exemplares de O. acuminatus
N.’
Sexo
Localidade
Colecclo-
nador
Data da
captura
E.
V.
A.
Sc.
Supra-
labiais
Comprimento
em mm.
total
cau ia
104
9
Peixe-Boi,
E. Pará
1909
17
187
2
1G9/1G9
9
1225
497
(4 a, 6a, Ga)
105
3
17
190
o
175/175
9
12 GO
524
ia, Ga, Ga
106
3
Rio Jamau-
ohin, E. Pará
X-1909
17
197
2
180/180
9
1275
525
(4a, 6a, 6a)
Gen. Erythrolamprus Wagler
38. Erythrolamprus aesculapii (Linnaeus).
Um exemplar de Praínha, E. Pará, coleccionado pelo Sr. TORRES, em
1907-1908.
— 75
N.° 129, < 5 . E. 15; V. 180; A. 2; Sc. 36/36+n; Supralabiais (3.*,
4 .*). 22+4 anéis negros completos, mais ou menos equidistantes;
região anal situada no espaço claro entre o 22.° e o 23.° anéis. Compri-
mento total 585 mm.; cauda 72 mm..
Gen. Tantilla Baird et Girar d
(— Homolocranium)
30. Tantilla melanocephala (Linnaeus).
Um exemplar coleccionaçlo pela Sra. Dra. E. SNETHLAGE no Jardim
do Museu Paraense, Pará, em Fevereiro de 1914.
N.° 107, 9. E. 15; V. 138; A. 2; Sc. 52/52; Supralabiais 7 (3.“, 4.*).
Sinfisial contígua ás mentais anteriores por seu Angulo posterior. Com-
primento total 238 mm.; cauda 54 mm..
Gen. Elaps Schneider
40. Elaps filiformis Günther.
Três exemplares. O número e a disposição dos anéis negros são os
seguintes :
Exemplar :
Anéis do corpo:
Anéis da cauda
N.° 110
20 x 3
2 x 3+1
N.° 111
18 x 3
2 x 3+2
N.° 112
19 x 3
2 x 3+1
Região anal situada num espaço vermelho, entre dois grupos de três
anéis.
O diâmetro do corpo é de 8mm.7 no $ , e de Gmm.2 e 6, o nas 9 9 .
Lista dos .exemplares de E. filiformis
N.°
Sexo
Localidade
Colecclo-
nador
Data di
E.
V.
A.
So.
Supra-
Comprimento
em mm.
captura
labiais
total
cauda
110
$
15
299
2
41/41
7
791
53
111
9
Barra do rio
Sr. O.
Mojú,
E. Pará
Farias
VIII-1912
15
319
2
42/42
7
670
47
112
9
Barra do rio
Sr. O.
Mojú,
E. Pará
Farias
VIII-1912
15
31G
2
43/43
7
641
47
41. Elaps lemniscatus (Linnaeus).
Um exemplar da barra do rio Mo.iu, coleccionado pelo Sr. O. FARIAS,
em outubro de 1911.
N.° 109, $. E. 15; V. 231; A. 2; Sc. 40/40; Supralabiais 7 (3.*, 4.“).
11x3+2 anéis negros, os médios de cada grupo de três são pouco mais
largos; o anel posterior do 10.° grupo está ao nível da região anal. Cabeça
com uma pinta negra na extremidade do focinho, compreendendo a
rostral, a primeira supralabial, a nasal anterior e as internasais; em cima
com uma faixa negra transversal passando pelos olhos e ligeiramente
mais larga que a frontal. Algumas pequenas manchas negras nas extre-
— 76
midades posteriores das parietais, das temporais posteriores, das esca-
mas do occiput, da 6.“ e da 7.” supralabiais. Os anéis de cada grupo são
bastante aproximados; os espaços amarelos entre êles e os vermelhos
entre os grupos de anéis muito pouco manchados de negro.
42. Elaps surinamensis Cuvier.
Um exemplar sem indicação de procedência.
N. p 108, á. E. 15; V. 166; A. 2; Sc. 28/28+n; Supralabiais 7 (4.*).
2+6x3 anéis negros, os médios de cada grupo muito mais largos; o pri-
meiro anel negro é largo e começa ao nível da articulação da man-
díbula; um espaço branco amarelado (em álcool) separa-o da cabeça que
é negra. Todas as placas cefálicas são manchadas de branco na parte
anterior. Um anel largo cobre a região anal. Comprimento total 835 mm.;
cauda com a extremidade mutilada.
Fam. AMBLY CEiPH ALID AE
Gen. Cochliophagus Dum. et Bibr.
(= Leptognathus)
43. Cochliophagus catesbyi (Sentzen).
Um exemplar do Pará, coleccionado em 1910, medindo 506 mm. de
comprimento total, e a cauda 147 mm..
N.° 126, í . E. 13; V. 192; A. 1; Sc. 108 (8 inteiras) ; 17+9 manchas
castanhas quási negras; a 17. a sôbre a região anal.
Fam. VIPERIDAE
Gen. Lachesis Daudin
44. Lachesis muta (Linnaeus).
Dois exemplares.
Lista dos exemplares de L. muta
N.°
Sexo
Localidade
Cotecclo-
Data da
E.
V.
A.
U
CO
Supra-
Comprimento
cm mm.
nador
captura
labiais
total
cauda
12-'
i
35
227
1
37/37
+ 4 sírie»
10-9
1890
183
132
ê
Pará
*—
17-11-908
35
227
1
32/32
-f 5 «íriei
8-9
1720
150
45. Lachesis atrox (Linnaeus).
Quatro exemplares. Juntamente com a presente colecção vieram mui-
tas cabeças de ofídios, quási todas de L. atrox, coleccionadas pelo Sr.
A. MIRANDA, na Ilha de Marajó. A Dra. E. SNETHLAGE informa que
esta espécie não é tão frequente nas outras regiões brasileiras do vale do
Amazonas, como na Ilha de Marajó. Ela substitui no norte do Brasil
a jararaca (que, provisóriamente ao menos, continuo a identificar com
L. lanceolatus ) , a espécie mais comum do sul do país, excepto no Rio
Grande do Sul onde a sua distribuição parece muito limitada. O limite
meridional da distribuição geográfica de L. atrox, no Brasil, está no
Estado de S. Paulo, e já me foi possível determiná-lo precisamente, gra-
ças ao elevado número de ofídios que o Instituto recebe anualmente
— 77 —
desta zona. L. lanceolatus, se existe no norte, deve ser bastante rara, pois
não encontrei nenhum exemplar dessa espécie nas colecções examinadas
por mim de ofídios da Baía (Faculdade de Medicina), do Ceará (Museu
Rocha), do Piauí (material do Instituto), do Pará (Museu Paraense)
e do Amazonas (Museu Rocha e material do Instituto).
O número de 7 supralabiais é muito constante em L. atrox, o que tam-
bém verifiquei em relação aos exemplares do E. de São Paulo. Os cinco
exemplares do Museu Paraense, e sôbre 100 das cabeças de L. atrox exa-
minadas, 85 apresentam também 7 supralabiais; 2 teem 8, e 3 teem 7
de um lado e 8 do outro. Êste carácter é de utilidade para a distinguir
da jararaca e de L. jararacussú nas quais existem 8 (excepcionalmente
7 ou 9) supralabiais. L. atrox e L. jararacussú apresentam em regra as
cantais distintamente mais longas que as internasais, sobretudo a
última espécie, onde a cantai é freqüentemente também bastante larga;
na jararaca as internasais são geralmente tão longas quanto largas, ou
mais largas que as cantais.
Lista dos exemplares de L. atrox
N.“
Sexo
Localidade
Coleccto-
Data da
E.
V.
A
Sc.
Supra-
Comprimento
em mm.
nador
captura
labiais
total
cauda
118
9
27
O
o
CM
1
59/59
7
870
119
119
Jov.
27
194
1
64/64
7
eo
CO
tc
56
120
9
Rio Iriri,
E. Pará
Dr.‘ E.
Snethlage
VIII-1914
27
210
1
63/63
7
1280
166
121
9
Rio Curuá,
E. Pará
Dr.‘ E.
Snethlage
IX-XI-
-1914
25
203
1
67/67
7
615
86
135
Jov.
Ilha de Ma-
rajó, E. Pará
-
1915
25
192
1
72/72
7
277
41
Gen. Crotalus Linnaeus
46. Crotalus terrificus (Laurenti).
Cinco exemplares sem designação de localidade. Esta espécie parece
muito abundante no Estado do Pará.
Lista dos exemplares de C. terrificus
N."
Sexo
Localidade
Colccclo-
nador
Data da
captura
E.
V.
A.
Sc.
Supra-
labiais
Comprimanto
em mm.
total
cauda
123
ê
ColeeçSo
1908!
29
165
1
30
13-14
950
115
124
é
Reai
)f
29
167
1
29
1316
925
110
125
9
))
V
29
175
1
21
14-15
900
80
133
$
29
164
1
27
12-13
1020
120
134
£
27
163
1
27
13-14
980
110
— 78 -
II DESCRIÇÃO DE DUAS ESPÉCIES NOVAS
Tachymenis Brasiliensis (n. sp.)
(Estampa XIV, fig. 1)
DESCRIÇÃO DO ESPÉCIME TIPO. — Adulto 9 . Cabeça pequena, quási
indistinta do pescoço. Dentes maxilares 15+2, aumentando em tamanho
gradualmente e levemente para trás, os dois últimos maiores, sulcados,
situados imediatamente atrás da borda posterior da órbita, e separados
dos precedentes por um espaço que tem aproximadamente o duplo do
comprimento do espaço que separa os dois últimos dentes lisos. Dentes
mandibulares subiguais, os médios levemente maiores. Diâmetro do ôlho
pouco mais de metade da sua distância da extremidade do focinho. Pu-
pila elíptica vertical. Rostral quási tão alta quanto larga, levemente visí-
vel de cima; internasais pouco mais curtas que as prefrontais; sutura
entre as internasais tão longa quanto a sutura entre as prefrontais ; fron-
tal mais longa que a sua distância da extremidade do focinho, sua largura
quási 2/3 do seu comprimento e êste cêrca de 4/5 do comprimento da pa-
rietal; supraocular 4/5 do comprimento da frontal; nasal semidividida;
frenal trapeziforme, mais longa que alta; preocular 1; postoculares 2;
temporais 2+3 à direita, e 2+2 á esquerda; 8 supralabiais, 3. fl , 4.* e 5."
contíguas ao ôlho, a 3. u por seu ângulo póstero-superior; 9 infralabiais,
5 contíguas às mentaes, 4 contíguas à mental anterior que é tão longa
quanto a posterior.
Escamas lisas, em 17 séries, com fossetas apicilares pouco perceptíveis;
as escamas das duas primeiras séries de cada lado são mais altas que
longas; ventrais 144; 3 pares de guiares; anal dividida; subcaudais
40 pares.
Parda olivácea. Uma faixa mais escura de cada lado da série verte-
bral, orlada para dentro por uma risca negra que começa ao nível da
extremidade posterior da parietal; as duas faixas dorsais se unem na
cabeça e na parte posterior da cauda, e são separadas por um espaço mais
claro da largura de uma e duas meias escamas. De cada lado do corpo
uma faixa escura, começando no focinho, passando através do ôlho e
alargando-se no corpo, onde é nitidamente limitada em cima por uma linha
negra que cobre as escamas da 4." série. Abaixo da faixa lateral, as
séries de escamas são mais ou menos nitidamente limitadas por linhas
formadas de um pontilhado escuro. O espaço entre as faixas dorsais e
laterais é mais claro e tem a largura de meia escama. As escamas dor-
sais apresentam um ponto negro na vizinhança do ápice. As supralabiais
são mais escuras em cima. Parte inferior do corpo olivácea clara com
três riscas pretas longitudinais no ventre e duas na cauda, sem outras
manchas escuras.
Dimensões. — Comprimento total, 4G6 milímetros; cauda, 72.
Localidade. — Pindamonhangaba, Estado de São Paulo, à margem do
rio Paraíba do Sul.
Tipo — N. ü 1316 na coleção de ofídios do Instituto de Butantan, rece-
bido vivo dos Srs. RIBEIRO <£• IRMÃOS, em maio de 1917.
79
Variações. — Foram examinados, alêm do tipo, mais 7 exemplares
desta espécie, todos do Estado de São Paulo. Êles apresentam os cara-
cteres comuns e as variações seguintes. Escamas em 17 séries, ventrais
130-144, anal dividida, subcaudais 36-46 pares; nasal semidividida;
1 pre e duas postoculares ; frenal mais longa que alta; 8 supralabiais,
dois exemplares apresentam 7 do lado esquerdo e no tipo a 3.“ e a 4."
supralabiais são semi-soldadas do mesmo lado; 3. n , 4. ft e 5. fl supralabiais
são contíguas ao ôlho, encontrando-se em dois exemplares a 3. n e a 4.",
e em um a 4." e a 5." em contacto com o ôlho, de um só lado. Em um
destes (n.° 1371) a 3." supralabial é estreitamente separada do órbita e
nos outros dois o ntímero de supralabiais é anómalo ã esquerda por alonga-
mento da 1." e fusão da 2.” e 3." supralabiais. Temporais 2+2, o n.° 847
tem 2+3, e o tipo, 2+3 ii direita e 2+2 ú esquerda.
O tipo e mais dois exemplares (n.° 847 e 1141) são pardo-oliváceos,
os restantes são verde-oliváceos. As duas riscas negras vertebrais que
limitam para dentro as duas faixas dorsais, são muito nítidas em todos
os exemplares; também muito nítida é a borda superior das faixas late-
rais ao nível da parte superior das escamas da l. B série. As faixas late
rais confundem-se em baixo com a côr do ventre, mas percebe-se, mais
ou menos nitidamente, que cada faixa cobre uma e duas meias escamas
nas séries 3. n , 4. n e 5.". O pontilhado escuro que separa as séries late-
rais de escamas é imperceptível em alguns exemplares. O ventre é oli-
váceo claro e não apresenta outras manchas alêm das riscas descritas no
tipo, as quais são também em número de três, em mais três exemplares
(n. p 1141, 1370, 1372) ; nos quatro restantes há apenas duas riscas
negras na parte inferior do corpo. No n.° 1370 as manchas lineares que
formam as três riscas são dispostas no meio de pequenas manchas ver-
de-oliváceas e o ventre, que é amarelado, apresenta outras pequenas man-
chas verde-oliváceas.
j
Notas. — Esta espécie parece próxima de T. affinis a julgar-se pela
descrição original de EOULENGER (1) e pelas gravuras que a acompa-
nham ; nesta, porém, apenas duas supralabiais estão contíguas ao ôlho, a
frenal é mais alta que longa (o que não é consignado na descrição, porém
claramente se verifica na gravura) , a coloração difere principalmente pela
falta das riscas negras dorsais que são nítidas em todos os exemplares
da presente descrição, o focinho parece mais largo, etc..
Quatro dos exemplares estudados foram capturados em terreno panta-
noso, durante um serviço de drenagem feito nas vizinhanças do Instituto
de Butantan, arredores da cidade de São Paulo, pelo Serviço Sanitário
do Estado.
Do n.° 1372 foi preparado o crânio, que apresenta 13+2 dentes maxi-
lares, 14 palatinos, 20 pterigoídeos, e 20 mandibulares.
(1) Cat. Sn. Brlt. Mus. 1896, III, p. 119. Pl. VII, flg. 1 .
cm
SciELO
12 13 14 15 16 17 lí
19 20
— 81 —
Drymobius tírazili n. sp.
(Estampa XIV, fig. 2)
Descrição do espécime tipo. — Adulto £ . Dentes maxilares 22,
aumentando em tamanho para trás; mandibulares anteriores não muito
maiores que os posteriores. Diâmetro do ôlho pouco mais de 2/3 da sua
distância da extremidade do focinho. Rostral mais larga que alta
(5,8:4, 3), visível de cima; internasais tão longas quanto largas; pre-
frontais tão longas quanto largas, cêrca de 3/2 das internasais; sutura
internasal cêrca de uma vez e meia mais longa que larga (8,8:5, 6), tão
longa quanto a sua distância da extremidade do focinho; supra-oculares
tão longas quanto a frontal; parietais mais longas que a frontal (10,4) ;
sutura parietal igual á distância f ronto-rostral ; nasal dividida; frenal
quási tão alta quanto longa; preocular 1; postoculares 2; temporais 2+2;
supralabiais 8, 4." e 5.“ em contacto com o ôlho; 10 infralabiais, 5 em
contacto com a mental anterior, só a 5." em contacto com a mental poste-
rior, 5.“ muito maior; mentais anteriores muito mais curtas que as pos-
teriores (7,6:12,0). Escamas lisas, com duplas fossetas apicilares, em 17
séries longitudinais. Ventrais 191, levemente anguladas lateralmente;
anal inteira; subcaudais 117, pares.
Coloração verde olivácea na cabeça e na parte anterior do corpo, pas-
sando insensivelmente ao pardo avermelhado na parte posterior do corpo
e na cauda. Parte inferior do corpo branca amarelada; lados das ven-
trais oliváceos ou avermelhados.
Dimensões. — Comprimento total 1590 milímetros; cauda 480.
Habitat. — Estação de Engenheiro Lisboa, perto de Uberaba, Estado
de Minas Gerais.
Tipo na colecção de ofídios do Instituto, N.° 696, recebido vivo do Sr.
TANCREDO FRANÇA, em setembro de 1914.
Variações. — Foram examinados mais cinco exemplares desta nova
espécie, provenientes do Estado de São Paulo; com o tipo êles apresen-
tam os caracteres fixos e as variações que se seguem. Escamas em 17
séries longitudinais; ventrais 188-193 Ê ô, 193-194 ? 5 ; a anal só
é dividida em um dos cinco exemplares; subcaudais 116-117 $ 5,
117-123 ô ô ; Supralabiais 8, 4.* e 5.® em contacto com o ôlho; todos
teem 5 infralabiais contíguas âs mentais, estando só a 5.% que é bem maior
que as outras, em contacto com a mental posterior. Dois exemplares são
quási uniformemente oliváceos, mas nos restantes esta côr uniforme
passa insensivelmente ao pardo avermelhado como no espécime tipo.
Notas. — D. brazili parece muito proximo de D. boddaerti, espécie
cuja distribuição se estende desde o México até ' a Bolivia. SCHEN-
KEL (1) assinala-a no Paraguai, mas a julgar-se pela fórmula
190+1 + 124/124 (anal inteira) que apresenta o exemplar em que baseia
esta diagnose parece tratar-se antes de D. brazili.
E’ muito constante cm D. boddaerti a presença da placa anal dupla,
como se poderá verificar nos 49 exemplares registrados por BOULEN-
GER (2) no seu clássico Cat. of Snakes, e nos 20 do Museu Carnegie,
(1) . SCHENKEL, 1901, Verhandl. Naturf. Ges. Basel, XIII, I, p. 159.
(2) . BOULENGER, 1894, Cat. Snakes, II, pp. 12-14.
cm
SciELO
12 13 14 15 16 17 lí
19 20
82
recentemènte estudados por GRIFFIN (3). O número de supralabiais é
nesta última espécie muito raramente diferente de 9. BOULENGER dá-
lhe 9, raramente 8, supralabiais, 4.", 5.” e 6.“, ou 4. n e 5.“, ou 3.*, 4." e 5.“
contíguas ao ôlho; GRIFFYN encontrou sempre 9 supralabiais, 4. n , 5." e G.'
(5.“ e G.° de um lado, em um exemplar) contíguas ao ôlho. Em cinco exem-
plares do Pará por mim examinados, e pertencentes à coleção do Museu
Paraense, encontrei a anal sempre dividida, 9 supralabiais, menos em um,
que tem 10 à direita e 11 à esquerda, 4.", 5. 11 e 6.“, ou 3. n , 4." e 5.“, ou 4."
e 5. n (de um só lado), ou 5.", 6, n e 7." (também de um só lado) contíguas
ao ôlho.
D. boddaerti pertence no Brasil á fauna dos Estados Septentrionais,
tendo já sido registada a sua presença no Pará e em Goiaz (4). Recente-
mente o Sr. E. GARBE, do Museu Paulista, coleccionou-o em Cáceres,
Mato-Grosso.
São as seguintes as principais diferenças entre as duas espécies:
D. BRAZILI
D. BODDAERTI
Supralabiais
8
9
(raraniente 8,10 ou 11)
Supralabiais contíguas
ao olho.
4.* e 5.*
ordináriamente 4.*, 5.". fi.*
Infraiabiais contíguas
fis mentais
5
0
5.* iufralabial
maior
menor que a 6.*
Anal
inteira
(raramento dividida)
dividida
Esta nova espécie é dedicada ao Dr. V. BRAZIL, director do Instituto
Seroterápico de Butantan.
Tendo sido recebidos vivos os seis exemplares de D. brazili, tive opor-
tunidade de fazer algumas observações sôbre os seus hábitos. E’ uma
espécie pouco agressiva. Quando tomados nas mãos, os exemplares que
examinei não procuravam morder; se, porém, eram irritados por leves e
repetidas pancadas no dorso, armavam o bote numa atitude semelhante
á de D. bifossatus e outras espécies de géneros próximos ( Coluber , Spi-
lotes, Herpetodryas ) , agitando ao mesmo tempo rápidamente a cauda.
Um dos exemplares permaneceu alguns dias no jardim do serpentário do
Instituto, freqúentando assiduamente as árvores.
(3) GRIFFIN, 1917, Meni. Carnegier Mus., VII, N." 3, p. 178.
(4) GUICHENOT, 1855, in CASTELNAU: Anim. Nouv. Amér. Sud. Rept., p. 45.
cm
SciELO
12 13 14 15 16 17 18 19
SUMMARY:
The prosent contribution to the knowledgo of Brazilian Snakes constlsts of two
parta.
In the first part, the Author studies the colleetion of enakee received from Mu-
seu Paraense (Pará, Brazil), for Identification. This colleetion includea 4G epecies
with 139 specimena nearly all from the State oif Pará.
A liet is still added, of the cpeciee whoee presence was registered In Pará,
which, however, are not included in the present colleetion.
In the secoiul part, two new species of Brazilian Snakes are described: Tachymenis
brasil Icnsis and Drymobius brazill.
Characteristics of the T. braslllensis: Sc. 17; V. 130-144; A. 2; C. 3G-4G pairs;
8 supralabials, 3rd., 4th and 5th in contact with the eye. Two dark stripes above,
joining at the head and at the posterior part of the tail and separated on the
vertebral line by a clear space one and two halif scale© width. Another dark stripe
running each slde and separated above along the 4th scale row. Lower parte
with two or three black longitudinal linee. Thie species seems to be very appro-
ximated to T. affinls.
Characteristics of the I). brazill: Sc. 17; V. 188-194; A. 1 (rarely 2); C. 116-123
pairs; 8 supralabials, 4th and 5th in contact with the eye; 5 lower labiais In con-
tact with the chin-shields; 5th larger and the only one In contaot with the poste-
rior chin-shields. Near to I). boddacrti.
cm
SciELO
12 13 14 15 16 17 lí
19 20
Memórias do instituto de butantan
TOMO I . 1918
ESTAMPA XIV
-O
O
E
9
toe. Ui ARTES ORAPHICAS - 8. PAULO
SciELO
cm
2 3 4 5 6 7
9 1 ( SCÍELO, 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23