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LEGUMINOSAS FORRAGEIRAS
DO BRASIL
I.
MEIBOMIA, moehr.
(DESMODIUM. DESV.)
F. C. HOEHNE
Botânico do Instituto de Butantan
(Apresentado para ser impresso em Julho de 1920)
INTRODUÇÃO
A família natural das Leguminosas salienta-se de entre as demais pelo grande
número de espécies úteis em todos os sentidos, achando-se representada cm tódas
as formações vegetativas, tanto entre as herbáceas como cm meio das lenhosas. As
mais belas trepadeiras, que se enleiam pelas árvores, os gigantes das florestas, que
nos fornecem as madeiras mais preciosas e, às vezes, quási incorruptíveis, assim
como as minúsculas Cassias, que atapetam o solo, além das vistosas Calliandras
e Septunias com que decoramos os nossos jardins, tódas são membros desta gran-
de familia, que alguns autores prefeririam ver dividida em três.
As me|hores madeiras, as essências mais preciosas, os mais úteis legumes,
além das sementes mais indispensáveis na alimentação do povo, c as belas árvores
de sombra, tudo é encontrado nesta enorme c rica familia vegetal.
Excelentes plantas foiTagciras se encontram entre as Leguminosas, cm quási
todos os géneros, sendo incontestávelmentc, de muitos dèlcs, as melhores e as mais
úteis. Elas fornecem não só uma forragem verde muito boa, mas ainda o melhor
feno para a alimentação do gado durante os meses cm que a verdura escasseia ou
cm logares onde aquela é difícil de ser obtida. E, quási tódas, fáceis de cultivar c
aperfeiçoar, fornecendo resultados magníficos.
Não são exclusivamcnte as espécies herbáceas ou arbustivas as apreciadas
pelo gado ; muitas arborescentes existem cuja folhagem é avidamente devorada por
este c que nas grandes secas constituem o recurso único para a sua manutenção.
Nêste número estão muitas espécies de Piptadenias, Mimosas, Cassias,
Bauhinias, Dalbergias, Ingás, Machaerios, Pithecolobios, Acacias c outras.
Considerando-se esta multiplicidade de espécies forrageiras compreendidas na
grande família natural das Leguminosas, c sabendo-se que na flora tio nosso país
esta se acha, talvez, mais bem representada que na de qualquer outro, fácil é con-
ccbcr-se que também aqui devem existir muitas, úteis c aproveitáveis como as
«Alfafas,» dos géneros Medicago, Mtlilotus, TriJoUum c outros, exóticos, já culti-
vadas em grande escala para o preparo do feno, consumido em todos os países do
mundo na alimentação do gado vacum c cavalar cspecialmente. Existem espécies
indígenas, até hoje inaproveitadas entre nós, que cm matéria alimentícia e facili-
dade de aperfeiçoamento pouco ou nada ficam a dever às espécies dos géneros
exóticos citados. São cspecialmente as dos géneros Mribomia, Mor.HR. ( Drsmodium ,
Dksv.), Crolalaria, L., Zomia, OxKt.., Stylcsanthrs, Sw., Arachis, L. e de outros
afins, mais ou menos herbáceas, que poderiam ser aproveitadas com grande van-
tagem para fornecer não só magnifico pasto verde, mas também o feno para alimen-
tação do gado em estábulos durante os meses em que difícil se toma a sua
manutenção com forragem fresca, livrando-nos assim da gTande despesa feita anual-
mente com a importação de fonagem estrangeira c contribuindo para a nossa
emancipação económica.
Saber quais as espécies que mais vantagem poderiam oferecer c onde encon-
trar sementes para o ensaio da sua cultura e aperfeiçoamento, eis onde está o X
da questão. Não falta por ai quem tenha proclamado aos quatro cantos da terra,
pelas colunas dos jornaes ou ainda cm frases floreadas de belos discursos, que a
nossa flora é a mais rica do mundo, que encerra tudo o que a Natureza poude
produzir, às vezes sem conhecer mais que as capitais do nosso torrão. Estamos
fartos de ouvir estes louvores infundados c sem proveito. Passemos da palavra à
acção: que cada um de nós, que nos interessamos realmcnte pela grandeza c desen-
volvimento da nossa Terra, procure conhecer aquilo que de aproveitável ela encerra,
que estude c exponha desse estudo os resultados, de maneira que possam ser utili-
zados práticamente pelos interessados, eis o que deve substituir as palavras ôcas
ou vazias com que temos procurado até aqui nos enganar mutuamente.
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Entre aqueles que se dedicam ao estudo da Sdentia Amabilis, somos dos
que não poupam esforços no sentido de desenvolver o gôsto pelo estudo e o amor
às cousas indígenas. E’ rica a flora do nosso País, não basta pois que o repitamos
ao nosso patndo. Sendo a mais pujante e bela, a mais variada do globo, deve
dar-nos o estimulo de estudarmo-la em todos os seus detalhes e em todo o seu
conjunto, mas somos em número reduzido demais para conseguirmos êste objectivo,
tornando-se mister que outros moços tenham o interesse despertado para êste belo
e compensador estudo, c que de entre os próprios filhos desta Tena surjam os
seus botânicos.
Deve nos envergonhar o facto de termos até hoje sido meros espectadores,
pois tudo, ou quási tudo, que conhecemos da nossa flora devemos aos estrangeiros,
que fartos de conhecerem a flora pátria atravessam o oceano para nos presentearem
com obras sôbre a nossa. E, verdade se diga, até as obras didácticas adoptadas
aqui são o fruto do labor dêles, trazendo por isto exemplos de espécies exóticas,
que raras vezes o aluno compreende ou pode examinar em vivo.
O presente trabalho é uma pequena contribuição ao estudo das Leguminosas
forrageiras indígenas. E’ o resultado de observações c estudos feitos em viagens e
depois no gabinete, enriquecido com as observações de outros autores e completado
com as análises químicas de muitas espécies, realizadas por especialistas de reco-
nhecida competência.
Compreende as espécies indígenas do género Meibomia, Mokiir., que na
«Flora Brasilicnsis> de Martius e várias outras obras ainda se acha registado sob
o nome de Dcsmodium, Dav., que por ser mais recente, como veremos adiante,
deve ser substituído.
Para maior facilidade e mais alcance, preferimos enumerar e descrever tõdas
as espécies indígenas do género conhecidas até esta data, pois que, embora algumas
tenham insignificante valor para cultura, representam por outro lado papel impor-
tante na formação dos pastos nos chapadões e campos secos. Desta maneira tor-
nar-se-á também mais facil a identificação de cada espécie, assim como a das novas
que naturalmcnte ainda virão a ser descobertas.
Não ignorando a dificuldade que o leigo na Botânica encontra para identi-
ficar um vegetal qualquer, por mais bem feita que seja a sua descrição, justamente
por lhe faltar o conhecimento dos nomes técnicos das várias partes componentes
da planta, resolvemos juntar um quadro em que indicamos, por meio de desenhos,
os diferentes órgãos desta que entram cm consideração nas descrições.
Por motivo idêntico c para evitar quaisquer dúvidas por parte dos técnicos
que se utilizarem do presente trabalho, juntamos de cada espécie que conseguimos
examinar uma estampa tão nitida quanto possivel com os parcos dotes artísticos de
que dispomos.
Que esta pequena contribuição possa servir de estímulo aos colegas c que os
agricultores ou criadores possam dela tirar proveitos que redundem no engrandeci-
mento da querida Pátria, são os nossos votos sinceros.
Ao Dr. Afranio do Amaral, que tomou a si a parte ortogTafica c ao Sr.
Euclydcs da Costa Soares que ficou encarregado da revista deste opusculo, apresen-
tamos sinceros agradecimentos.
CUIDADOS CULTURAIS
A cultura de qualquer das espécies de Mcibomia poderá ser
iniciada com uma ou poucas sementes.
Parecorá talvez absurda a alguém esta nossa asserção. Mais
difícil e morosa parecerá a outro a domesticação das nossas es-
pécies silvestres, podendo ainda advir a alegação de resultados
incertos e trabalho demorado e, por isto, pouco prático. Km tudo
isto pode haver razão, e é um facto que nem sempre se consegue
colhei- á tarde os frutos daquilo «pie foi semeado pela manhã.
Perguntamos, porém:,; não foram igualmente trabalhosas e difíceis
para os nossos antepassados a introdução e domesticação das vá-
rias es|*écies animais e vegetais que hoje nos servem para os
vários misteres da vida?
Colhendo hoje algumas sementes ou obtendo-as de um amigo,
e semeando-as em terreno adrede preparado e bem expurgado
de plantas daninhas, conseguiremos algumas mudas, que, tratadas
convenientemente, em pouco darão sementes suficientes para en-
cher uma área regular, bastante pura a produção daquelas ne-
cessárias a uma cultura maior e metódica, que poderá ainda ser
ampliada de ano para ano, deixando cada vez melhores resultados.
Este processo é o «pie devemos aconselhar a todos, porque
não acarreta . desilusões, nem exige empate de grandes capitais
para os ensaios de culturas. Além disso, tem a seu favor a van-
tagem de ensinar |>ela experiência, evitando os grandes prejuízos.
Em poucos exemplares fácil é aprender-se a conhecer as várias
exigências e a combater os inimigos naturais da planta, trazendo-nos
ainda êsto processo a convicção do nosso valor próprio, mostrando
quanto podemos conseguir perseverando e trabalhando, o que cons-
titui um verdadeiro e salutar estimulo.
Se isto afirmamos é porque nos aconselha a experiência. Mais
de um exemplo, porém, poderíamos citar, de outros que venceram
pela constância e grandes benefícios legaram ao Paiz.
Olhamos hoje com certo orgulho |>ara a grande cultura de
Chaiopodium que temos em Butantan, não só porque já nos for-
neceu muitos kilos de oleo essencial, mas ainda por nos lem-
brarmos que tudo aquilo foi o resultado de um punhado apenas
de sementes mandadas eolhêr de exemplares silvestres, que se.
desenvolviam nos monturos dos arredores daquele Instituto, ha
somente três anos.
A cultura de várias espécies de Mcibomia, que para ensaio
iniciámos no Horto «Oswaldo Cruz», foi igualmente começada com
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Leguminosas forrageiras do Brasil
poucas sementes, mas temos certeza que, se continuarmos, em pouco
teremos sementes para distribuir a todos que tiverem desejo de
fazer grandes culturas dessas espécies forrageiras.
Em terrenos mais ou menos férteis o cultivo das espécies
de Mcibomia dá muito pouco trabalho e dispêndio. Elas vegetam,
porém, igualmente em terrenos mais sêcos e quási estéreis, desde
que estes sejam adubados e preparados convenientemente.
O melhor processo para cultivà-las consiste em arar e adubar
o terreno perfeitamente e abrir depois disto pequenos sulcos pa-
ralelos nos quais se espalham as sementes. Os sulcos não devem
ser muito profundos, variando a distância entre eles de acordo
com o maior ou menor desenvolvimento da espécie a cultivar.
Para as espécies meio arbustivas o arbustivas, como são a
Meib. discolor, (VOG.), Meib. pabularis, HoEHNE e muitas outras,
aconselha-sc também fazer pequenos viveiros para. depois das
mudas terem atingido de 15-20 cm. de altura, transplantá-las para
o local definitivo, prè viamente podadas à uma altura de mais ou
menos 10 cm. do caule (vide fig. 1), assim devendo ser plantadas
em leiras de 80-100 cm. de abertura o na distância de 40-50 cm.
de planta para planta.
E’ sempre aconselhável descascar-se as sementes antes de
atirá-las à terra, mas, em espécies em que esta operação se torna
difícil e morosa, pode-se desarticular os legumes e submergi-los
em agiu limpa durante um a dois dias para facilitar a germinação,
que, no primeiro caso, se verifica, em regra, do 5.° ao 20.° dia
da semeadura, e no último um pouco mais tarde, variando tudo
de acordo com a época do ano e o maior ou menor grau de hu-
midade a que forem expostas as sementes.
Para o nosso clima a melhor época do ano para as sementeiras
das Meibomias é a que decorre de Agosto a Outubro, quando
as plantas melhormente se desenvolvem, sendo ainda aconselhável
que a transplantação seja feita na mesma época.
A cultura cm leiras leva vantagens sòbre a de lance, por
facilitar muito a extinção das hervas daninhas, regas c a colheita,
quer das sementes, quer do material. íacilitaudo ainda, nas grandes
áreas, a limpeza por meio da carpideira.
A duração e o número de cortes que cada planta pode sofrer
depende da espécie cultivada e ainda do fim para que é destinada.
Sendo aproveitada como forragem verde, é de conveniência deixar
a planta desenvolver so bem antes de cortá-la; para o preparo
do feno, porém, a colheita deve ser realizada logo que a planta
tenha atingido a altura útil para o fim, e sempre antes de florir.
Para o último caso quási tôdas as espécies dão de três a quatro
cortes por ano, como aliás já foi verificado pelo Dn. Mário Calvino,
do Havana, na Meib. discolor , (Vog.), por elle dada como Mcibomia
IciocariHi, (Dos.).
As espécies que mais se prestam para o preparo do feno
são: Meib. incana, (D. C.), Meib. albiflora, (Salzm.), Meib. adsccn •
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deus, (D. C.), Jleib. uncinata, (D. C.), Meib. pabularis, HOEHXE e
Meib. discolor, (VOG.).
Em simbiose com as espécies de Leguminosas vivem pequenas
Bacteriáceas do género Bacillus, CoHN., que alguns autores con-
sideram representantes de várias espécies, mas outros, os prin-
cipais, classificam como formas do Bacillus radicicola, Beyer.,
graças às quais estas plantas conseguem medrar em terrenos quási
completamente esgotados de substâncias nitrogenadas, pois que as
bactérias que se desenvolvem em suas raizes, onde formam pe-
quenos nódulos ou espessamentos, teem a faculdade de fixar o
nitrogénio da atmosfera. Sem estas bactérias tais plantas não se
desenvolvem bem, sendo por isso preciso que no terreno em
que se as queira cultivar existam aqueles micro-organismos.
Quando se verificar que as mudas não teem os nódulos de-
senvolvidos nas raizes, é prudente juntar-se-lhes um punhado
de terra recolhida de algum exemplar espontâneo, o que é bastante
para facilitar a simbiose na maior parte dos casos.
O corte das plantas deve ser sempre realizado rente ao chão,
sendo aconselhável fazer passar, depois de cada corte, a enxada
ou o arado entro as leiras para afofar e ventilar o solo e per-
mitir a penet ração das águas da chuva.
O preparo do feno é mais ou menos idêntico ao da alfafa,
isto é, realizado o corte, a planta |M*nnaneec no eam|>o o tempo
suficiente para secar, sem estorricar, e sempre defendida da chuva
ou do sereno demasiado, sendo depois recolhida e guardada sob
telheiros bem ventilados, ou enfardada para a exportação.
Meibomia, Moehr.
As espécies da família natural das Leguminosas, que na Flora
Brasiliensis de Martius, no Engler Jc Prantl, Xatürliche Pflanzen-
familien e várias outras obras básicas estão citadas e descritas
sob o nome de Dcsmodium, proposto por Desvaüx cm 1813, per-
tencem c devem ser subordinadas, conforme demonstraremos adi-
ante, à Meibomia, nomo que goza de prioridade pelo facto do ter
sido proposto em 1736 c reeditado em 1763, isto é, cxactamentc
50 anos antes daquele.
Os vários sinónimos propostos para espécies que compóem
este género, seguem aqui pola ordem cronológica:
1736 — Meibomia, Moehk. (Moelir., Hort. priv. 65).
1763 — Meibomia, Heist. (Heistcr, ex Adanson, Fam. II. pag. 509).
Outros ha que dão a Adanson a autoria do género.
1787 — Edusaron, Medik. (Medicus. in Vorles. Churpf. Phys. Ges.
II, pag. 671).
1812 — Pteurolobus, St. Hil. (Jaume SainfHilaire, Xouv. Buli.
Soc. Pliil. III, pag. 192).
1813 — Desmodium, Desv. (Desvaux, Journ. Bot. I, pag. 122 tab. 5).
1813 — Phi/llodium, DbsvaUX (Desvaux, Jour. Bot. I, pag. 123,
tab. 5).
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Leguminosas forrageiras do Brasil
1825 — Perrottetia, D. C. (De Candolle, in Annal. Soc. Xat. Ser.
I. IV, pag. 25).
1825 — Dicerna, D. C. (De Candolle, in Mem. Leg., pag. 326 et
Prodr. II, pag. 339).
1825 — Xicolsonia, D. C. (De Candolle, Mem. Leg. pag. 311, tab.
51 et Prodr. II, pag. 325).
1825 — Ptcroloma, D. C. (De Candolle, Prodr. II, pag. 326, in
textu).
1830 — Tetranema, Sweet. (Sweet. Hort. Brit. ed. II, pag. 149).
1836 — Tropitoma , Rafix. (Rafinesque, New Flor. Am. II. pag. 19).
1838 — Oxydium, J. J. Benn. (J. J. Bennet. Plant. Jav. Rar.,
pag. 156).
1838 — Otolropis, Nees. (Xess, Del. Sem. Hort. Vratels).
1839 — Otolropis, (Conferido) (Linnaea, vol. XIII, pag. 120).
1840 — Dollinera , Endl. (Endlicher, Gen. et Sp. Plant., pag. 1285).
1840 — Edusarum, Steud. (Nom. ed. 2, I, pag. 543).
1842 — Codariocalyx, Hassk. (Hasàkarl, Flora, XXV, II Beiblatt
48) o antes (1841) Codariocalyx, Hassk. conf. Linnaea XV,
Litt, 80 e 81.
1843 — Oyclomorium , Walp. (Walpers, Rep. II, pag. 890).
1850 — Sagotia, Walp. (Walpers, Linneae, XXIII, pag. 737).
1852 — Dcndrolobium, Bth. (Bentham, in Miq. Pl. Jungh. I, pag.
215).
1852 — 1 Ptcroloma , Bth. (Bentham, in Miq. Pl., pag. 219).
1852 — Catenaria, Bth. (Bentham, in Miq. Pl. Jungh. I, pag. 220).
1857 — Lagolia, C. Muell. (C. Muellenberg, in Walpers Ann. IV,
pag. 409).
De acôrdo com a loi de prioridade, que deve ser respeitada
por todos os homens do bom senso, deve ser adojrtado e estabe-
lecido o nome proposto por Moehkic. O próprio Dr. Taubert, autor
da Monografia das Leguminosas no « Die Xatürliche Pflanzen-
familien. de Engler A Prantl, escrevendo Dcsmodium, Desv., afirma
reconhecer o direito daquele autor, justifica-se, porém, dizendo
que ninguém o entenderia se fizesse como O. Kuntze, quando pro-
curou restabelecer o nome Mcibomia, Moehr. Isto, porém, de modo
algum revoga a loi estabelecida e aceita por todos os homens do
sciéncia, que declara sinónimos todos os nomes proj>ostos para
qualquer princípio, espécie ou género jã descrito e publiciido an-
teriormente.
Quanto ã cláusula da Convenção Internacional, que declara
ca ido em desuso o nome proposto que por mais de 50 anos te-
nha ficado em olvido, devemos confessar que se nos afigura muito
prática, porém, pouco justa, além de que não conseguimos pôr
a limpo a sua aplicabilidade ou inaplicabilidade neste caso, em
que o nome hoje mais usado surgiu exactamente 50 anos depois
de ter sido ainda registado como aceito por Adanson e Heister
(Adans. Fam. II, pag. 509) o primitivo nome proposto.
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A lista de sinónimos que acabamos de dar refere-se ao género
todo; os sinónimos das espécies que aparecem no Brasil enumera-
remos com as respectivas descrições destas.
Das 150 ou mais espécies descritas, apenas 26 são indicadas
como indígenas, e sôbre a autenticidade de algumas destas ainda
pairam sérias dúvidas; é por isto natural que mais tarde estas
dúvidas venham a ser resolvidas e também que outras espécios
sejam descritas; das aetualmente aceitas como boas e por nós
examinadas daremos aqui uma desençáo sucinta para que ao agri-
cultor ou criador seja possível identificá-las para o seu cultito
e aproveitamento.
Caracteres botânicos do género Meibomia
Xo « Die Natürliche Pflanzenfamilien de Engler «t 1’rantl, vol.
III, 3, o professor 1 )k. TaUBERT coloca o género Meibomia, Moi.nu
( Desmodium, ÜESV.) na secção Hedysareae Desinodiinac da sub-
familia das Papilionáccas, fam. das Leguminosas. Os seus generos
mais afins são exóticos, tendo no Brasil mais afinidade com isly-
losanthes, Sw., Cranoearpus, Bth., Arach is, Binn c Zornia, 1'MKI..
e poucos outros da secção Hedysareae, da Flora Brasihensis de -lai •
tius, os qtiacs se caracterizam igualmente pelos frutos ou legumes
articulados ou lomentáceos, isto é, divididos mais ou menos em
secções transversais que podem ou não se separar antes de abri-
rem. Quási todos se compõem de espécies forrageiras.
As Meibómias se caracterizam pelo que segue:
Arbustivas ou sub-arbustivas. erectas, rasteiras ou algo es-
candentes, em regra mais ou menos revestidas de pêlos pouco
distinto 3 e, às vezes, imeinados ou ásperos. Folhas compostas <<u
simples, uni a trifolioladas. Foliolos do par inferior ou latenus, em
regra, menores que o terminal, no meio ou pouco acima do meto
do peciolo comum, êste de comprimento variável e cada folio o
munido de pecíolulo com pequenas estipulas em sua base, o peciolo
comum igualmente sustido em sua base por duas estipulas vana\ets
em tamanho e não raro caducas. Flores relativamente pequena»,
em regra dispostas, solitárias ou geminadas nas brácteas, em pa-
niculos ou racimos terminais, raro em racimos axilares ou ainda
em fascículos de 2-4 nas axilas das folhas, ou opostas a estas.
liraclcas antes da ántese não raro estrobilifonnes imbricadas, ca-
ducas depois da ántese, raro persistentes. Pedicelos, em regra mais
longos que o cálice, bastante finos e roliços. Cálice infonormento
campanuliforme concrescido, com cinco dentes ou lobos que po-
dem ser divididos em dois superiores sempre mais ou menos e,
às vezes, completamente unidos entre si, dois laterais em regra
tão longos quanto os superiores e um inferior quasi sempre mais
longo que os demais, variando a forma de todos, de especte para
espécie, e a relação do tamanho entre eles, o que constitui ca-
racterístico para espécie. Corola comi 1 <* ' ' / ’ ' ■-"■••nto»,
dos quais o superior e maior se conhece por r exilo ou estandarte
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Leguminosas forrageiras do Brasil
e tem a forma geralmente ob-oval ou quási ob-cordiforme, ou
ainda quási orbicular; dois menores, ocupando mais ou menos o
centro da flor, são concrescidos pelo dorso em forma de quilba
e envolvem os estames cujo tubo por sua vez abraça o ovário
encimado pelo pistilo, constituindo a carena ou navicula, e os ou-
tros dois que, cavalgando ligeiramente sobre a base um tanto
ligulada destes, se estendem um pouco para os lados na parte
superior, chamam-se alas ou àsas; em regra todos êstes segmen-
tos são um tanto ungúiculados em sua base. Estames sempre em
número de dez, dos quais nove concrescidos em um tubo e livres
apenas na parte superior e um, o vexilar ou superior, livre até
a base ou ligeiramente aderente aos demais. Ovário esiipitado
ou séssil, pluri-ovulado até bi-ovulado, glabro ou mais frequen-
temente pubescente ou piloso, completamente envolvido pelo tubo
estaminal, terminando em pistilo mais ou menos longo com es-
tigma capiteliforme. Frutos, são legumes articulados que ao ama-
durecerem, em regra, não se abrem, mas se decompõem em se-
gmentos transversais em número variável com a espécie, raro, po-
rém, menor que dois e maior que oito, geralmente revestidos de
pêlos ásperos, mais ou menos uncinados e, por consequência, pre-
ensores, o que facilita a disseminação; as sementes são pequenas,
verde-amareladas, bastante duras e um tanto reniforme-alongada-*.
Designações populares e outros caracteres
O facto de se acharem os frutos revestidos de pequenos ]>élos
uncinados o de se tornarem, em consequência disto, aderiveis
ou preensores, foi que levou o povo a apelidar as espécies
dêsto género de « Pégu-i»éga», « Carrapixo », «Amor do Campo»,
«Amores sêcos», «Carrapixo do beiço de boi», etc.
Algumas espécies, como a Mribomia uncinata , (D. C.) possuem
também pêlos mais ou menos preensores no caule e sòbre
os íoliolos.
A função dos pêlos imeinados sobre os frutos é a de fa-
cilitar o transporte dêstes pelo gado ou pelo homem e de au-
mentar assim a propagação da espécie. Kste facto explica a razão
porque algumas espécies, e justamente aquelas providas de se-
melhantes pêlos, podem aparecer não só em vários países e. re-
giões de um continente, mas também cm vários continentes, como
se verifica com algumas espécies que surgem no Brasil e na
África, por exemplo.
Poucas são as espécies cujos legumes se abrem enquanto per-
manecem na planta, a maioria despoja-se dêles inteiros ou fracciona-
dos e, então, as sementes germinam entre as cascas dos artículos
que se decompõem com a acção da humidade. Éste último facto
justifica o grande poder germinativo que as sementes destas plan-
tas conservam quando guardadas em logar sêco, o que concorre
ainda para facilitar e aumentar a sua dispersão.
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Do habitat e condições de vida
Conforme jã fizemos ver acima, as Papilionáceas na sua grande
maioria vivem em simbiose com bactérias do género Bacillus, que
Lhes facilitam a obtenção de matérias azotadas, não só do solo,
mas ainda da atmosfera, pois essas bacténas gozam da propriedade
de fixar directamente do ar o nitrogénio, onde existe na proporção
de quãsi 4/õ. lÉste micro-cogumelo é por FranRk e outros au-
tores denominado Rhizobium legumiiiosarum, ScitROx). Tal simbiose
se patenteia melhor em algumas espécies que em outras, e é
facilmente constatável quando a planta vive em terreno por na-
tiueza pobre e estéril, podendo-se nestas condições verificar a
existência do Bacillus no protoplasma celular, até nos extremos
do caule, ao passo que em plantas desenvolvidas em terreno su-
ficientemente fértil e rico de substâncias alimentícias o simhionte
pode passar à categoria do parasita e residir exclusivamente nas
raizes, onde sempre provoca o desenvolvimento de nódulos em
que se multiplica e reproduz.
Esta simbiose contribuiu igualmente para que as espécies do
género Mcibomia se adaptassem a vários terrenos e meios di-
ferentes. São elas por isto encontradas desde os terrenos quási
áridos o sêcos, onde a sua manutenção é, além disso, quási sempre
possível graças à formação de espêsso e profundo rizoma, até
os mais férteis, o da mesma forma desde os logares mais abertos
até a sombra húmida das maias das encostas. Destas adaptações
originaram-se sem dúvida muitas formas, variedades e talvez es-
pécies.
Das espécies conhecidas 24 são citadas para o Brasil. Dela?
uma parte é nativa nos campos limpos, outra aparece nos cer-
rados e campos sujos c um terço ou mais se encontra nas inatas
ralas ou em suas margens, em terrenos mais ou menos sujos
ou caapoeiras.
De entro as campestres distinguem-se as espécies prostradas
ou rasteiras, como sejam Mcib. adscendcns, (D. C.), quo se ca-
racteriza bem pelos frutos bastante preensores, de istmos largos
o excêntricos, foliolos pequenos o mais ou menos obovais o Mcib.
triflora, (D. C.), com flores faseiculadas nas axilas ou opostas
às folhas e foliolos ainda menores; depois seguem-se-lhes Mcib.
incana, (D. C.), que já prefere campos mais cobertos o margens
mais sujas, e Mcib. albiflora, (SALZM.), que também costuma in-
vadir os cerrados.
Tipicamente xerófitas campestres são, porém, as formas cre-
ctas como Mcib. pachyrh ixa, (Vog), Mcib. platycarjM (Bth.), Mcib.
sclcrophylla, (Bth.), Mcib. aspera, (Desv) e poucas outras, das
quais, principalmente as duas primeiras, desenvolvem espêssa raiz
fusiforme que lhes faculta obter o reservar humidade para os
meses de sêca e também resistir às queimas dos campos, pois
que dela brotam anualmente novos caules c rebentos pauco ra-
mificados.
cm
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Leguminosas forrageiras do Brasil
Nos cerrados ou campos sujos, bem como nas margens das
estradas e campos artificiais surgem Meib. uncinata, , (D. C.) ca-
racterizada pelo revestimento aderivel dos caules e ramos, além
dos frutos e foliolos geralmente ornados de uma mácula alva
ao centro; Meib. mollis, (D. C.) cujos frutos teem os artículos
inferiores atrofiados e o último amplo e membranáceo; Meib. spi-
ralis, (D. C.) e Meib. physocarpa, (Vog.) ambas com frutos mais
ou menos espiralados, a primeira delicada e a segunda robusta;
Meib. barba ta, (Bth.) e Meib. juruenemis, HOEHNE, ambas com
in florescências curtas, compactas e flores emaranhadas entre lon-
gos pêlos que revestem o cálice e as bYácteas, a primeira com
três foliolos e a última com folhas uuifolioladas. Quando êstes
campos sujos ou cerrados são sêcos não faltam também as espécies
genuinamente xerôfitas que citamos linhas atrás.
Nas matas e caapoeiras ralas e húmidas ou em logares mais
abrigados encontramos frequentemente a Meib. axillaris, (D. C.)
ou a Meib. albiflora, (S.VLZM.), tendo aquela as inflorescências ra-
cirnosas sòbre longo pedúnculo emergindo das axilas das folhas
inferiores e o caule completamente prostrado e radicifero, e esta
o aspecto aproximadamente da Meib. incana, (1). C.), porém de
foliolos mais agudos e muito membranáceos, bem como estipulas
mais livres.
Nas caapoeiras e margens sujas das estradas, principalmente
no Estado de S. Paulo o adjacências, abunda a Meib. discolor,
(Vog.), que atinge mais de dois metros de altura e se salienta
da outra vegetação, nos meses de Março e Abril, pela abundân-
cia de suas flores róseo-arroxeadas, dispostas em grandes pani-
culos terminais e mais tarde pelos legumes quási lisos, de artículos
mais ou menos orbiculares e folhas trifolioladas mais ou menos
revestidas; a Meib. leiocarpa, (G. Dos.) deve aparecer na mesma
formação e também nos campos mais sêcos e limpos; Meib. pabularix,
Hoehne, é espécie que prefere as encostas mais frescas, atinge
até três metros de altura, possui do um a três foliolos, muito
amplos e membranáceos, e uma inflorescência rioribunda paniculada
terminal. Este habitat deve ser partilhado ainda pelas Meib. caja-
ni folia, (D. C.), Meib. aspera, (Desv.) c talvez outras.
Das .espécies aqui enumeradas e descritas nenhuma talvez
tenha maior \alor como planta forrageira ou seja mais digna
de estudo e aproveitamento que a Meib. pabularix, Hoehne, que,
como veremos mais adiante, foi por nós encontrada pela primeira
vez no sul do Estado de Mato-Grosso e mais tarde cultivada
nos campos experimentais do Instituto Agronómico do Estado de
S. Paulo. Os seus foliolos são os mais frondosos que temos en-
contrado neste género e os caules atingem em estado adulto a
respeitável altura de três metros sem contudo se lenhifícarem
muito.
Para a produção de forragem sêca talvez as espécies me-
nores se prestem mais, conforme já fizémos ver em outro ca-
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An. das Mem. do Instituto de Butaman — Vol. I - fase. I
15
pítulo, mas é fora de dúvida que ccrtando-se as espécies maiores
ou arbustivas, antes de lenhificados os caules, o resultado devo
ser idêntico ou talvez melhor.
Chave sinóptica para as espécies brasileiras do género JAtibomia, Moehr.
1 — Plantas arbustivas, altas (em condições normais de mais de 150 cm. de
alt.). Inflorescêndas terminais e legumes nada ou pouco aderi veis . 2
la — Plantas sufrutescentes, ercctas, prostradas ou rasteiras (cm condições nor-
mais de menos de 150 cnt. de alt.) 7
2 — Folhas trifolioladas (raro, por exccpção, as inferiores unifolioladas). Inflorcs-
cências terminais e paniculadas 3
2a — Folhas uni, bi ou trifolioladas no mesmo exemplar. Inflorescêndas termi-
nais radmosas ou paniculadas ... 6
3 — istmos entre os articulos dos legumes excêntricos. Flores não raro um
tanto unilaterais. Legumes sésseis ou curtamcnte estipitados ... 4
3a — istmos centrais. Legumes distintamente estipitados, com 4-7 articulos . 5
4 — Folíolos relativamentc grandes, oblongo-lanceolarcs, o terminal quási duas
vezes maior que os laterais. Folhas c flores mais espaçadas. Todo
o Brasil Meib. cajanijolia, (D. C)
4a — Folíolos relativamente pequenos, ob-ovais cundformes, quási iguais en-
tre si. Folhas e flores muito bastas. Brasil meridional. Argentina, etc.
Meib. cuneata, (Hock kt Ahn.)
5 — Articulos quási orbicularcs ou elípticos de 3 mm. de oomp. Folhas curto
ou longo pcdoladas. S. Paulo, St. Catarina. Ooiaz, Minas Ge-
rais, etc. Meib. diseolor, (Vou.)
5a — Articulos maiores, de 4-5 mm. de comp. mais ovalados, mcmbranáceos.
Folhas um tanto mais ásperas e caule menos alto. Mato-Grosso, Ar-
gentina, Paraguai, etc Meib. leiocarpa, (G. Do».)
6 — Folhas, quer as uni, quer as trifolioladas, curto pcdoladas (pcdolo co-
mum raro de mais de 6 cm. de comp.). Inflorescêndas simples ou
pouco ramosas. Pedicelos curtos (raro mais de 6 mm. de comp.)
Amazonas, Mato-Grosso, Minas, Baia, Goiaz, etc., alêm do Peru,
Colômbia, Bolivia, Trindade cGtiianas. . . Meib. aspera, (Dnv.)
6a — Folhas, quer as uni ou bi, quer as trifolioladas, com o pedolo bem desen-
volvido (mesmo as unifolioladas, sòbrc pedolo de 5-8 cm. de comp.)
membranáceas, um tanto viscosas cm estado verde e menos áspe-
ras que na precedente. Inflorescêndas paniculadas c muito amplas,
flores mais claras. Minas, Mato-Grosso c Argentina
Meib. pabularis, Hoeiinb.
7 — Flores em fasdeulos de 2-4 nas axilas dos pcdolos ou opostas a êstes.
Herva rasteira com folhas trifolioladas c folíolos pequenos
Meib. triftora, (D. C.)
7a — Flores em radmos ou panículos terminais, raro em radmos axilares c
terminais (M. jaruenensis, Hh. c M. Barbaía, (Beth.) ou só nas
axilas inferiores sôbre longos radmos (M. axilaris, D. C.) ... 8
8 — Radmos terminais e axilares curtos c flores muito juntas ou emaranha-
das
cm
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IS
Leguminosas forrageiras do Brasil
4-7 cm. de comp., os laterais menores, largura variável, na base
geralmente mais largos e no ápioe atenuados, na página superior
glabros ou áspero-pubérulos e na dorsal apresso-pubescentes até
mole-seríceo-vilosos. Infloreseência paniculada. floribunda, virgada,
do 15-40 cm. de comp., ramos desta racimiformes erectos e se-
cundifloros. Brácteas lanceolares, pequenas, setáceo-acuminadas ca-
ducas antes da àntese. Flores roxas ou azuladas; pedicelos de 2-5
mm. de comp. e na frutificação às vezes do até 7 mpi.; cálice de
4 mm. com segmentos tão longos quanto o tubo, os superiores
concrescidos entre si até muito alto e o inferior mais longo; es-
tame vexilar concrescido em sua base com os demais, porém mais
tarde livre. Legumes com estipe curta ou quási sésseis, recobertos
do pêlos curtos e pouco preensores ou só pubescentes, com 6-8
artículos obliquo-ovais, reticulados, de 3-3,5 mm. de comp. e quási
igual largura, mcmbranáceos a principio e sub-coriáceos depois
de maduros, de margens levemente espessadas; istmos excêntricos
mais para a sutura superior que |vira a inferior.
Estampa n.° 2.
Distr. geogr.: América Central, índias Ocidentais, Gúianas,
Colômbia, Perú, Bolívia e norte do Brasil.
Obs. : Não tivémos ensejo de examinar material desta es-
pécie, mas julgando pela descrição, parece que tem grande afi-
nidade com a Meib. aspera, (Dksv.), de que se afasta pelo maior
número de artículos nos legumes e folhas invariavelmente tri-
folioladas. Considerando, porém, a variabilidade desta ultima, es-
tamos propensos a crer que se trate talvez de uma só espécie.
Também a Meib. pabularis Hoehke descrita para Mato-Grosso e
Minas, tem grande afinidade com esta.
Meibomia cuneata, (Hook. Et. Ars.)
Si/i.; Desmodium brevipes, VoGEL. (Vogei, in Linnaea XII,
pag. 100) — Desm. cuncatum, Hook et A RN. (Fl. Br. de Mart.,
vol. XV, I, pag. 100). Meibomia brevipes, KlnTZK (Rev. Gen. 107).
Caracteres gerais: — Planta ascendente sufrutescente, de
caule virgado mole-viloso, rigido-herbáceo, na base lenhoso, go-
ralmente simples ou ramoso, roliço e de 50-100 cm. de alt.; es-
tipulas pequenas, lanceolares ou assoveladas, livres entre si c ca-
ducas; Folhas trifolioladas, às vezes, as inforiores simples e maiores
sobre peciolo curto de apenas 5-6 mm. de comp.; foliolos cunel-
formc-oblongados, mole-pubescentes, pálidos, o terminal pouco dis-
tante dos laterais de 3-6 cm. de comp. e 8-12 mm. de larg., ápice
obtuso ou retuso e base cuneifomie estreitada por baixo, reticulados
e venosos e mais esbranquiçados, os laterais sempre menores que
o terminal. Racimo floral simples ou pouco ramoso, terminal flo-
ribundo, mole-pubescente; brácteas assoveladas quási lanceolares,
de 5-10 mm. de comp., pubescentes e caducas antes da àntese;
pedicelos geralmente geminados, depois de completamente desen-
cm
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volvidos, durante a àntese da 3 mm. de comp. e durante a ma-
turação do fruto atingindo o dóbro; corola alvacenta ou roseo-
pálida, raro roxa, de 7-10 ram. de comp., carena oblonga su-
periormente incurvada; tubo do cálice tão longo quanto os segmen-
tos, dêstes os superiores concrescidos até perto do ápice; estame
vexilar a principio unido com os demais, mais tarde livre até
à base. Legumes sésseis, com 4-6 artículos a principio membra-
náceos, mais tarde reticulados e levemente marginados, de 5-7
mm. de comp. por 2,5-5 mm. de larg., coriáceos, recobertos de
pêlos moles e não preensores, às vezes, mesmo um tanto vilosos;
istmo estreito e excêntrico muito mais próximo da margem superior
que da inferior.
Estampa n.° 3.
Distr. geogr.: Citada para o Uruguai, Paraguai, .Argentina,
Rio Grande do Sul, indo talvez até St. Catarina. Vive em terrenos
pedregulhentos e sêcos.
Observação: Não tivemos ocasião do examinar material desta
espécie; a julgar porém pela descrição, é de presumir que se
trate de uma forma afim de Meibomia sclcrophylh, (Bth.) ou Meib.
pachyrrhiza, (VoG.), que em consequência das folhas trifolioladas
deve ser mais frondosa e rica em matéria alimentícia.
Meibomia discolor, (Voo.)
Sin.: Desmodium discolor, Vog. (Vogei, in Linnaea XII, pag.
103 e Bentham, Fl. Br. de Martius, vol. XV, I, pag. 103).
Caracteres gerais: Arbustiva ou sub-arbustiva, de vários pés
de altura, atingindo não raro maia do 2 m., frequente nos cerrados
e campos sujos, beiras de estradas de ferro ou de rodagem e nas
caapoeiras; caule na base sempre mais ou menos lenhoso e parto
superior multi -ramoso o revestido bastamente de pêlos apressos
ou mais patontes c um tanto avermelhados e lovomente uncinados
ou só vilosos. Folhas com três foliolos, raríssimo com um. Pccíolos
comuns relativamente curtos às vezes com l cm. de comp. abaixo
do jugo lateral de foliolos o de 1,5-2 cm. entre êstes c o terminal,
outras vezes mais longo atingindo o total de 5 cm. Estipulas de
base dilatada, longitudinalmente estrioladas acu minadas, às vozes
de mais do centímetro de comp., persistentes ou caducas. Estipclas
estreitas, geralmente decíduas. Foliolos ovo-oblongados ou ovo-eli-
pticos ou ovais, pouco abaixo do meio mais largos e depois ate-
nuados para o ápice e arredondados para a base, ponta às vezes
obtusa e mucronulada, raro aguda, tamanho variável de acôrtlo
com o habitat e condições do meio em que a planta vegeta, de
5-15 cm. de comp. e de 2-8 cm. de larg. mais ou menos pubescen-
tes ou mesmo vilosos na face inferior e esparso-pubcscentcs na
face superior, lnfloresccncias terminais, paniculadas às vezes fo-
lioladas na base dos ramos inferiores, geralmente de mais de
50 cm. de comp.; ramos erecto-patentes ramosos, hirto-pubescentes
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Leguminosas forrageiras do Brasil
ou ruivo-vilosos. Brácteas pequenas, linear-lanceoladas, pubescen-
tes, imbricadas estrobuliformes antes da ântese e caducas com
esta. Pedicclos geralmente geminados de comp. variável de õ-12 mm.
filiformes e pubérulos. Flores de 9-10 mm. de comp. roxas. Cálice
pequeno, pubérulo, de 3 mm. de comp. com segmentos triangulares
ovais, tão ou pouco mais longos que o tubo, quási sempre obtusos
ou abrupto-agudos. Estatues quási sempre unidos, raro o vexilar
um pouco livre na parte acima do meio. Legumes distintamente
estipitados, com 4-7 artículos quási orbiculares ou elípticos unidos
por istmos centrais estreitos, de 3 mm. de comprimento e pouco
mais estreitos.
Estampa n.° 4.
Distr. geogr. : S. Paulo, Minas, Goiaz, St. Catarina e sul do
Brasil.
Designação popular: a Marmelada de cavalo». Em S. Paulo
uma das éspecies mais comuns nas margens das estradas de ferro
e de rodagem, florindo abundantemente nos meses de Fevereiro
a Abril e constituindo às vezos grandes formações naturais onde
o gado não a pode devorar.
Esta planta é incontestavelmente a mesma que está sendo
cultivada em Cuba e a respeito da qual o Dr. Mário Calvino
escreveu o interessante artigo da «Revista de Agricultura, Co-
mercio y Trabajo» do julho de 1919, intitulado «Una Leguminosa
gigantesca como yerba forrageira para Cuba » ou « La Marmelada
de Caballo dei Brasil». Trata-se de uma das espécies que mais
vantagens poderão oferecer como forragem para o gado, pois,
como já ficou demonstrado pelo citado director da Estação Experi-
mental Agronómica da Cuba, ela preenche quási todos os re-
quisitos para êste fim contendo abundante matéria alimentícia.
Das análises feitas em Cuba pelo Dr. E. Babé, chefe interino
do laboratório de Quimica do citado estaMecimento, registou o
Dr. Calvino os seguintes resultados:
Elemento
Mat. fresca e verde
Sêca io ar
Sêca a 100*
Agua
78,60
9,80
0,00
Proteína (N x 6,25) . .
3,96
16,87
18,70
Matéria graxa ....
0,07
0,31
0,34
Carbonidratos ....
7,99
33,92
37,62
Matéria fibrosa ....
7,07
30,10
33,37
Cinzas
2,11
9, C0
9,97
E calculando as calorias alimentícias pelos fatores de Atwater,
relativos aos elementos nutritivos supostos assimiláveis, seriam
as seguintes:
Matéria fresca ou verde 73,611
> seca ao ar 313,161
» » a 10C" 347,198
cm
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O Dr. Calvino faz então a comparação do valor alimentício
desta planta com outras, como segue:
«Capim de planta > em Cuba chamado «Parai» ou «Yerba
de Pará» que é o Panicum numidianum, Lam. . . 31, 9S calorias
«Herva elefante- em Cuba «Yerba elefante Ptnnisetum pur-
pureum, Schum 40.C0 calorias
«Maloja» (Que não conhecemos) 58,00 »
« Marmelada de cavallo » Meibomia discolor, Vog. e não
M. Itiocarpa . ' 73,61 calorias
Dahí deduzimos que o valor da «Marmelada de cavalo» é
duas e mais vozes superior ao do «Capim de planta» que comu-
mente empregamos para alimentação do gado em estábulos.
Mais interessante é talvez ainda o quadro que ôle dá com-
parando a análise do Mcdicago dentieulata, Wili.d., uma das for-
necedoras da «alfafa» quo importamos, e «a «Marmelada de Cavalo»
comum no Brasil e cultivada em Cuba, onde fica bem patente
o grande valor da nossa forragem.
AKÁLISSS
Forragem séca ao ar
Forrarem verde
Mtibeaii
8,20
9,70
Humidade
70,40
78,60
91,80
90,30
Matéria séca total
29,60
21,40
16,30
18,50
Proteína total
4.10
4.34
18,80
12,62
Fibra lenhosa
5,05
2,98
13,20
11,60
(Pcntosana) Extr. etéreo . . . .
3,40
2,72
2,60
1,08
Amilo
o,so
0,25
6,12
4,32
Carbonidratos soluv
1,90
1,01
2,95
1.97
Matérias graxas
0,85
0,46
30,02
28,16
Clorofila
7.15
6.25
14,10
12,00
Cinzas
3,20
2,82
Estas análises se referem a material de plantas crescidas em
condições e terrenos perfeitamonte idênticos cm todos os sentidos e
foram enviadas pelo Dk. J. Hossi «ao I)n. Calvino. Foi o Dr. J. Rossi
quem primeiro iniciou a cultura desta planta no Estado de St.
Catarina, perto de Blumenáu e também quem a levou para a Itália,
não se desenvolvendo, porém, tão bem como em St. Catarina e
Cuba.
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1 22 Leguminosas forrageiras do Brasil
I Da análise de material em
comêço de frutificação, realizada
I pelo Dr. R. Bolliger, do Instituto Agronómico do Estado de
I S. Paulo, resultou o seguinte:
Sobst. húmida
Subst. sèca ao ar
1 — Análise sumaria:
Humidade .... ...
77,27 o /o
Matéria azotada
2,76 o /o
12,06 o
» gorda
0,61 o/»
2,75 o /o
> não azotada
9.85 o/o
43,37 o/ 0
» fibrosa
7,98 « o
35,09 o /o
i » mineral
1.53 o /o
6,73 o /o
2 — Elementos digestiveis:
Matéria azotada
2.01 o/ 0
8,80 o/ 0
> gorda
0,38 o /o
1,78 o/„
> não azotada
7,49 o/ 0
32,96 o/ 0
» fibrosa
4.39 o /0
19,30 o/ 0
> orgânica
14,27 o/ 0
62,76 o/ G
Relação das matérias alimentícias 1:4,2
3 — Elementos de Matéria
mineral:
Areia c Acido silicico
. 7,40 o 0
Anidrido fosfórico (P J 0 1 ) (*).
• 6,41 o/„
Óxido de cálcio (C* O) . .
. 26,05 <Vo
> de potásio (KjO) . .
. 36,46 «/„
A análise feita com material idêntico e na mesma ocasião
pelo Dr. Mario Saraiva, químico do Laboratório de Análises do
Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, apresenta
os resultados se-
guintes:
Amostra sêca
Cálc. pira est. verde
Humidade
11,596
85,796
Proteína
27,593
3,696
Subst. extractivas nitrogenadas (Expres-
sas cm proteína)
2,740
0,706
Extracto etéreo
3,123
0,945
Celulose ....
13,060
2,979
Cinzas
6,072
1.615
Substâncias extr. não nitrogenadas . .
35,816
4,263
1 00,000
1CO.COO 1
<•) O <|túmko r*cr«veu, rtrUsmt* por rngmao. . Ari-i» /«t/irxro
ru • fúnnuU r*0* rortf*- 1
pCfiJe «O Amuirniv /w/ónc*.
cm
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An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1
23
Segundo as informações do Db. J. Rossi esta planta poderá,
em cultura, fornecer de três a quatro cortes durante o ano.
Quanto à aceitação do feno desta planta pelos cavalos, jk>-
demos dizer que o mesmo é devorado com grando gula sempre, pois
reparámos que um cavalo de puro sangue dêste Instituto preferia
as folhas desta Meibomia à alfafa, quando administradas as duas
forragens em mistura. Isto vem demonstrar que o nome « Marmelada
de cavalo» foi bem escolhido, pois constitui de facto uma delicia
para êsses animais.
Var.: villosa, Hoeilxe.
Esta variedade distingue-se pela maior robustez do caule e
revestimento mais longo, não raro amarelo-íerrugineo-viloso, con-
cordando no resto com a espécie.
Representada pelos seguintes numeros: Horto sOstcaldo Cruz*:
1570, Cantareira, em 1-318 o 2234 do Campinas, que é duplicata
do n.° 268 da Colecção do Dít. Campos Xovaes, que a tem por
Desmodium leiocarpum, Dos. — Jardim Botânico n.° 7610 pro-
cedente do Instituto Botânico, Dioxisio Constantino leg.
Meibomia leiocarpa, (Sprexg)
Sin. : Hedysarum leiocarpum, SPRENG. (Sprengel, Syst. III. pag.
316); Desm. leiocarpum G. Dos. (G. Don. Gcn. Syst: II, pag.
394 et Yogel in Linnaea XII, pag. 101 et Benthain, FL Br. do
Martius, vol. XV, I, pag. 103); Hedysarum erectum. VELL. (Vel-
loso, Fl. Fl:, vol. VII, pag. 149).
Caracteres gerais: Arbustiva erecia, mais ou menos do porto
da Meib. ca jani folia, (H. B. K.) sempro áspero-pubescente. Estipulas
dilatadas em sua base o longitudinalmente estrioladas, do 1-1,6
cm. de comp. PecMos comuns geralmente curtos. Foliolos sempro
três em cada folha, do âmbito ovo-oblongado, o terminal de até
15 cm. de comp. por 6 cm. do larg., mais frequentemente, porém,
menor, os laterais menores quo o terminal o às vezes quási orbi-
culares. In florescências terminais ramosas e paniculadas, os ra-
mos laxifloros e llorcs um tanto viradas para um lado. Bráclcas
lanceoladas, pequenas e decíduas antes da Antese. Pcdicclos de
8-13 mm. de comp. o flores de cerca de 13 mm. Cálice, com os
lobos superiores obtusos e demais agudos ou todos obtusos. Le-
gumes com estipo tão longa quanto o cálice ou pelo atrofiamento
<los articulo» inferiores mais longa, com muitos articulos o vaia
ligados por istmos bem centrais, de 5-6 mm. de comp. e ténue-
mente marginados e reticulados. Com cxcepçáo dos frutos, muito
semelhanto à Meib. discolor, (VoG.). A estampa dada na Flora Bra-
siliensis do Martius parece antes ter sido feita por um exemplar
de Meib. discolor, 0 °°-) ( l ue P or um da espécie aqui descrita.
cm
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24
Leguminosas forrageiras do Brasil
pois' vê-se bem que nem as flores são unilaterais, nem es artículos
ovais como os descritos.
Estampa n.° õ.
Distr. gcogr. : Brasil meridional, entre Campos e Vitória, no
Rio de Janeiro e E. Santo, e em Minas, na cidade de Caldas.
Meibomia aspera, iDesv.)
Siu.: Hcdysarum as per um , PoiR. (Dict. vol. VI, pag. 408);
Desm. aspem m, Desv. (De Candolle, Prodr. II, pag. 333); Desm.
elatum, H. B. K. (Humb. Bonpland et Kunth, Gen. et Sp. Amer.
vol. VI, pag. 528); Desm. perrottetii, D. C. (De Candolle, Prodr.
II, pag. 327); Desm. rubiginosum, Bth. (Bentham, in Tayl. Ann.
Xat. Hist. vol. III, pag. 434); Desm. spectabile Miq. (in Linnaea
XVIII, pag. 570).
Caracteres gerais; .Arbusto ou sub-arbusto campestre, ere-
cto, mais ou menos áspero pubescente corno na forma desenhada
ou mais geralmente forte ferrugineo-viloso ou mole pubescente;
caules roliços, cavos, relativamente espessos e rijos, de 50-200
cm. de alt., simples ou pouco ramificados; estipulas de quási 2
cm. de comp. ou mais cintas, na base sempre largas e acumi nadas
para o ápice, estrioladas longitudinalmente, persistentes ou caducas.
Folhas mais geral mente unifolioladas, rijas ou moles, raro tri
folioladas, curto pecioladas, ásperas e mais ou menos coriáceas.
Pecíolos pubescente-ásperos, em folhas unifolioladas de 6-12 mm.
de comp. e nas trifolioladas de até 6 cm. Folíolos quando solitários
de 6-15 cm. de comp. por 3-6 cm. do larg. ovo-oblongados, ovais
ou ainda rômbeo-ovais e base um tanto cordada, nas follias tri-
folioladas os laterais menores, na face inferior áspero-pubescentes
e na superior áspero-pubérulos, às vezos, também um tanto vilosos
ou sericeo pubescent.es. Inflorescências terminais, simples basto-
paniculadas, quási sempre um tanto pegajosas ou aderentes, es-
parsamente florigeras. Bráctcas caducas antes da ãntese, a prin-
cipio imbricadas, lânceo-lineares, estreitas, pubescentcs e estria-
das. Pcdicelos cintos, raro de mais de 6 mm. de comp. Flores
pequenas, roxo-claras até roxo-escuras, de 5-7 mm. de comp. Cá-
lice do 3 mm. com segmentos superiores concrescidos entre si
até perto do ápice. Estames com o filamento vexilar unido até
acima do meio. Legumes quási séssois, com 4-6 artículos largo
ovais de 1,5-2 mm. do comp. membranáceos e curto pubérulos,
com ístmo3 estreitos e centrais, devido à pouca largura dos istmos
não raro iun tanto tombados o fazendo destarte os legumes
meio torcidos, (o que não se verifica sempre).
Estampa n.° 6.
Distr. gcogr . : Desde o Amazonas até o sul de Mato-Grosso
o Minas, Bahia. Goiaz etc. e também no Perú, Colômbia, Bolivia,
Trindad e Gúianas.
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An das Mem do Instituto de Butantan Vol. I • fase. I
25
Comum nos campos cerrados o campos limpos de Mato-Grosso.
Variável em porte, às vezes, de caule completamento simples e
flores em racimos, como no exemplar desenhado, outras também
mais ramosa e inflorescéncia paniculada.
A grande variabilidade desta espécie deixou-nos durante muito
tempo em dúvida sobre a identidade da espécie descrita por nós
sob o nome de Mcib. pabularis, que é grande e se caracteriza
bem pelos detalhes descritos sob a mesma.
O exemplar que nos serviu de modêlo para a estampa pode
ser considerado antes uma forma ou variedade mais xerófita da
espécie. Ela tem folhas muito mais rijas e quebradiças, bem como
mais glabras que a forma típica que damos em gravura junto,
(Figs. 2 e 3 do texto).
Meibomia papularis, hoehne
(Hoehne, «Chacaras e Quintaes», vol. XXI, u.° (5 de Junho
de 1920, pag. 400).
Caracteres gerais: Arbusto de l,õ-3 ni. de alt., caule en.*cto, na
base lenhoso e glabro, e parte superior e ramos ténue e espareamente
pubérulo, ramos virgados, roliças, os mais espessos, como também o
caule, fistulosos; estipulas do base larga, acuminadas e quási reni ou
falciformes, estriadas, na base de mais de 1 cm. de larg. o de 1,5-2
cm. de cornp., livres e persistentes. Folhas 1-3 folioladas; peciolo
comum geralmente bem desenvolvido, glabro ou pubescente, nas
folhas superiores e uni folioladas sempre a metade mais curto que
nas bi-tri-folioladas do meio do caule o base dos ramos. Folíolos
quási sempre muito grandes, herbáceos membranosos, de forma
elíptico-ovalada ou mais ob-ovais, esparso-scriceo-pubesecntes, abru-
ptamente agudos ou de ápice mais ou menos arredondado e mucro-
nado, os solitários sempre muito maiores de até 20 cm. de ccinp. por
13 cm. de largura, nas folhas trifolioladas ou bi-folioladas o ter-
minal de até 15 cm. e, às vezes, mais de comp. o 7 cm. do larg.,
laterais menores, sempre muito tenros o verde-escuros; peciõ-
lulos de até 1 cm. de comp., bastamente pubescente» ; esti pelas lAn-
oeo-sctáceas, de 1 cm. de comp. Inflorescéncia terminal, ampla,
de mais do 50 cm. de comp. paniculiforme, do ramos erecto-pa-
tentes, os inferiores sempre íoliosas cm sua base, molc-pubescentes;
brácteas pequenas, setáceas, caducas muito antes da Antese. Flores
alvas ou levemente arroxeadas, de 7 mm. de comp.; pedi colos
solitários ou geminados, filiformes, durante a Anteso de 5-8 mm.
de comp. e depois desta, quando frutíferos, de até 1 cm. ténue-
mente pubescente. Cálice ténuc-pubescente, de 3 mm. dc comp.
segmentos mais longos que o tubo, superiores entre si eoncroscidos
até bem alto, inferior sempre mais longo; corola alva ou pálido-
arroxeada, de segmentos quási do mesmo comprimento, mui ca-
em
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26
Leguminosas foiTageiras do Brasil
ducos; estame vexilar a princípio um tanto aderido aos demais,
mais tarde completamente livre. Legumes levemente e3tipitados,
com 5-7 artículos, êstos de 2,5 a 2,8 mm. de comp. por 1.5-2 mm.
de larg. pouco coriáceos, indistintamente marginados, elíptico-ob-
longados, revestidos de esparsos pêlos pouco preensores; istmos es-
treitos e centrais.
Estampa n.° 7.
Distr. geogr. : Mato-Grosso, Minas, Ceará, Argentina e talvez
Goiaz.
Na pagina 77 da Parte VIII (Leguminosas) dos nossos trabalhos
na Comissão líondon, registámos esta planta como afim do Desm.
(Meib.) aspe rum, Desv. Naquela colecçáo ela é representada por
dois espécimes recolhidos em uma capoeira perto do córrego e
local denominados Benjamim Constant, no sul de Mato-Grosso, que
é atravessada pela Linha Telegráfica e estrada que vai de S.
Lourenço a Coxim. No citado local existia uma bela formação
desta forrageira e recordamo-nos ainda que foi com dificuldade
que obrigámos os animais da nossa tropa a atravessar em passo
acelerado aquele magnífico pasto, pois desejavam a todo transo
não abandoná-lo. As folhas e mesmo os ramos floridos aderiam
fortemente às nossas vestes, e as flores, que então se achavam
desabrochadas, desprendiam um aroma bem agradável, o que nos
faz crêr que, alêm de boa forrageira, a planta seja também me-
lifera e, pois, aconselhável aos criadores de abelhas.
Em Março de 1920 recebemos entre outras espécies, para iden-
tificação, do Instituto Agronómico dêste Estado, enviado pelo Sr.
Bento de Toledo, uma pequena amostra desta interessante planta,
pela qual verificámos pertencer ela à mesma espécie. E, como
trouxesse a informação de ter sido cultivada no referido Ins-
tituto de sementes recebidas de Minas, com o nome vulgar « Fei-
jão de Boi» e o scientífico (Phaseolus bovis!!), pedimos ao Sr.
Toledo que nos mandasse material mais abundante. Isto íez o
referido Sr. com a maior presteza, fornecendo-nos ainda uma
análise realizada pelo Dr. BolligeR do mesmo Instituto, que abaixo
juntamos, e outras notas sobre o desenvolvimento e cultura da
planta. Considerando-a uma magnifica forrageira, que estende o
seu habitat desde Mato-Grosso até Minas, resolvemos mudar o
nome Meib. mattogrossensis, que havíamos reservado para a es-
pécie, para M. pabularis.
E’ muito possivel que esta planta não seja totalmente des-
conhecida no mundo scientífico, talvez se a encontre nos her-
várioe europeus subordinada a Meib. aspera, (Desv.), com a qual,
aliás, tem muita afinidade; no Jardim Botânico encontramo-la sob o
n.° 2512 e com o nome de Desm. leiocarpum, G. Dox., mas para
mostrar que é bem distinta aqui fazemos seguir os caracteres
essenciais de uma e outra:
cm
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An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. I
27
Mcib. napera. (desv. )
Flores, roxas ou roxo-claras com a mé-
dia de 6 mm. de comp.
Pedicelos de 2-5 mm. de comp.
Folhas geralmente unifolioladas, curto-
pecioladas e rijas, quando unifolio-
ladas sóbre pecíolo de 6-12 mm. e
quando trifolioladas com pectolo de
6 cm.
Injlortscências muito ramosas até rad-
miformes.
Legume com 4-6 articulos.
Mrlb. pnbiilarl*. hokiixe
Flores alvas, de 7 mm. de comp.
Pedicelos de 5-10 mm. de comp.
Folhas mais geralmcntc trifolioladas,
quando unifolioladas sóbre pcciolos
de 5-8 mm. de comp. e quando tri
ou bi-folioladas sóbre períolos ainda
mais longos, folíolos mcmbranáccos,
muito amplos c viscosos c menos
ásperos.
Inflorescèncias amplas e paniculiformcs
mui ramosas.
Legumes com 5-7 articulos.
A-pesar-disto confessamos que julgamos indispensável que so
cultive as duas espécies citadas em terreno igual para apurar
positivamente as diferenças quo existem entre elas.
Conforme já dissemos, o Sn. Bento DK Tolkdo está cultivando
a Mcib. pabularis, Hoehxk, no Instituto Agronómico de Campinas
e nos garantiu que ela se adapta rápida e perfeitamente ao
meio, prometendo dar magnificos resultados como fornecedora do
feno.
Os resultados da análise levada a efeito com material cul-
tivado em Campinas, pelo Dit. Bolugkk, competente químico do
citado Instituto, são os que se seguem: —
Material recolhido antes da planta florescer.
l.° — Análise sumária:
Agua
Matéria azotada
» gorda
• não azotada
» fibrosa
> mineral
2.° — Elementos digestíveis:
Matéria azotada
» gorda
> não azotada
> fibrosa
> orgânica
Substância húmida
Sêca
81,78 ®/o
3.68 0 /o
20,19 o/.
1.06 o/„
5.60 » 0
7,58 o/o
41,63 « o
4,12 o/ 0
22,62 o/o
1.78 o/ 0
9.76 o/o
2,69 o/.
14.73 • o
0,66 o/.
3.60 o „
5,76 o/.
31,64 °/o
2,27 o/.
12, 44
11,38 o/o
62,41 o „
Relação das matérias alimentícias...! :2, 8
cm
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2S ‘ Leguminosas forrageiras do Brasil
3.° — Elementps de matéria mineral:
Areia e ácido silícico 14,73 ° o
Anidrido fosfórico (P , 0 1 ) 9,63 °/ 0
Óxido de potássio (K*0) 29,94 °/ 0
» » cálcio (C» 0) 23,95 «/o
R. Pilger. (Bot. Johb. vol. XXX, pag. 161) descreve uma
variedade do Desm. sclerophyllum, Bth. dando-lhe o nome de tortuosa,
que a julgar pela descrição deve ter afinidade com esta nossa
espécie.
Meibomia triflora, D. C.)
Sin.: Dcsmodium parvifolium, Bak. (in Hook. Fl. Ind. II, pag.
172) — Desm. parvifolium, Blaxco (Fl. Fillip. ed. II, pag. 408) —
Desm. stipulaceum, Wall. (Cat. 5701 C) — Desm. granulatum,
.Wallp. (Walpers Itep. I, pag. 737) — Desm. triflorum, D. C.
(D. Candolle, Prodr. II, pag. 334 o Bentham, Fl. Br. voL XV,
I, pag. 95) — Desm. bullamensc, G. Dox. (Syst. II. pag. 294) —
Xicolsonia rcptans, Meisex. (Linn. XXI, pag. 260) — Nicol. tri-
flora, Griesb. (GoetlL Abh. VII, pag. 202) — Sagotia triflora Duchas.
(Linn. XXIII, pag. 738).
Caracteres gerais: Planta rasteira ou prostrada, com caule,
radicifero e apresso ao solo, fino o ramoso, recoberto de pêlos
alvos patentes ou pubescente, raro glabro. Folhas trifolioladas.
Foliolos pequenos, largo-ob-ovais, às vezes ob-cordiformes, de 3- 12
mm. de compr. por igual ou pouco menor larg. na parte superior,
glabros na face superior e sericeo-pubescentes na dorsal. Estipulas
oblongo-lanceolares, acuminadas, longitudinalmente estrioladas, per-
sistentes, um tanto copcrescidas com os pecíolos, dc 2-5 mm. de
comp. Flores roxas, geralmente geminadas ou em fascículos de
três a quatro opostos aos peciolos ou axilares; pedicelos de 5-12
mm. dc compr. Cálice de tubo curto, viloso, lobos lànceo-Iineares,
os superiores concrescidos até ao meio e os inferiores mais longos
que o tubo. Corola de 5 mm. de compr. vexilo Iongamente un-
gúiculado, pouco mais longo que os segmentos do cálice; alas do
comp. da carena. Legumes sésseis, de 10-20 mm. de compr. na
sutura superior quási rectos e na inferior inciso-sinuosos, leve-
mente; artículos de 4-5 em cada legume, de âmbito quadrado,
truncados na sua base e ápice, rectos na sutura superior e arre-
dondados na inferior, áspero-pubérulos ou pubescentes, tènuemente
reticulados, depois de maduros deiscentes com as válvulas hiantes.
Estampa n.° 8, I.
Distr. geogr.: índia oriental. Xo Brasil encontrada e citada
para Baia, Rio de Janeiro, Minas, Mato-Grosso e S. Paulo, alêm
dos estados septentrionais. Planta cosmopolita.
Das espécies, que aparecem no Brasil, a menor; vive de pre-
ferência entre as gramineas dos prados mais húmidos.
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An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1
Entre nós vulgarmente conhecida pelo nome de «Tre vinho
do campo» e nas Filipinas pelo de « Pacpae-lanháo
Da Meib. adscendens. (D. C.) com que se confunde pela forma
dos folíolos, que naquela às vezes são também muito reduzidos,
ela se distingue, logo à primeira vista, pelo porte mais lasteiro
e flores dispostas em fascículos de 2-4 opostos aos peciolos ou
nas axilas destes.
Segundo o Dn. MARIO Calviso, director da Estação Experi-
mental Agronómica de Havana, Republica de Cuba, o Du. ><>una\
afirma ser esta plantinlia uma das Leguminosas tropicais qu<‘ com
melhor vantagem poderia substituir o «Trevo» cultivado c na-
tivo na República Argentina e outros paises de climas mais fno».
Diz mais que na Índia ela forma magníficos prados, em que o
gado pasta de preferência comendo-a cora bastante avidez.
Segundo o mesmo autor, Mac-Milman, superitendente dos -Jar-
dins Botânicos de Ceilão, cita esta planta entre as licrvas forra-
geiras esjKmtãneas na Índia
Xa grande obra de SORXAY, sobre as Leguminosas Tropicais,
encontra-se a seguinte análise desta planta:
Análise da Mcibomia triflora, (D. C.) ( Dcstnodium triflorum,
D. C.), em estado verde.
Humidade M- 60
Cinzas 2,57 °
Celulose °,o
Substâncias não nitrogenadas (Carbonidralos) . • 13,79 *’o
Conforme se poderá deduzir desta análise, a herya é bastante
rica em substâncias nutritivas e é pena que seja tão mxnuscula.
Para a formação de prados ou pastos é a Mcib. adtctndent,
(D. C.) a espécie que mais se recomenda, por ser de crescimento
rasteiro e resistir perfeitamente à acção das patas do cavalo e dos
cascos do boi.
De entre as Mcibomias esta é uma das poucas que possuem
legumes deiscentes depois do maduros, e isto dificulta grandemente
a colheita das suas sementes, tomando-a por outro lado mais
apta para a disseminação natural.
Matéria graxa
Proteína . .
sacarinas (Açúcares)
Total
ICO, CO
Calorias
Substâncias alimentícias calc. em amido . .
Nitrogénio
Relação nutritiva
130,609
21,23
0,77
15,7
30
Leguminosas forrageiras do Brasil
Meibomia bracteata, (Mich.)
Sin . : Dcsmodium bractcatum, MICH. (in Wann. Symb. ad Fl.
Br. Cent. I, pag. 543).
Caracteres gerais: Caule erecto, pubescente, principálmento
«as partes mais novas; ramos erect o-patentes, rijo-herbáceos. Es-
tipulas escarioso-membranáceas, longitudinalmente estrioladas, lan-
ceoladas e longo-aeiuninadas, caducas, de 15 mm. de comp. Folhas
mais ou menos reflexas; pectolo comum ténue, de 20 mm. de
comp., na base mais espesso e apresso pubescente. Estipelas linear-
asso veladas, rijas. Folíolos solitários ou tornados em cada folha,
quando temados o terminal distante dos laterais de 2-10 mm. e
muito maior que êstes, de forma ob-oval, obtuso ou retuso no
ápice, de até 8 cm. de comp. por 4 cm. de largura na parte supe-
rior, em regra solitários; laterais, quando existem, de forma idên-
tica ao terminal, porém muito reduzidos, isto é, de 1-2,5 cm. de
comp. por 5-10 mm. de larg. todos membranáceos, quási trans-
parentes, peninervulados e reticulados, na face superior glabros
c na dorsal esparso-pubérulos ou apresso seríceo-pubescentes. Ra-
cimos florais terminais curtos e quási capiteliformes. Brácteas an-
tes da àntese estroblliforme-imbricadas, largas ovais, estrioladas
e ciliadas, com a àntese caducas, de 5-6 mm. de comp. e 3-4 mm.
de larg. Pcdicelos na àntese patentes, mais tarde reflexos, filiformes,
curto-hirsutos, de 5 mm. de comp. Cálice de 3-4 mm. de comp.,
segmentos pouco mais longos que o tubo e muito mais curtos
que os pétalos. V exilo quási orbicular, de 5-6 mm. de comp.; alas
e carina coerentes. Estames com o vexilar livre até perto da
base. Ovário longo-viloso ou hirsuto, pluri-ovulado; pistilo curto.
Legumes (imaturos) 3-4 articulados, reflexos, densamonte hirsutos,
com a sutura vexilar continua e carenal mais ou menos sinuosa.
Estampa n.° 9.
Distr. geogr. : Esta interessante espécie, que pelo autor é colo-
cada na secção Xicolsonia da Flora Brasiliensis, tem muita afi-
nidade com a Meib. gyrans, (D. C.) e parece antes ser um resultado
de cruzamento desta espécie com alguma outra; foi, segundo as
notas do rótulo do Dr. Glaziou, n.° 4784 (Herv. Glaziou, no Museu
Nacional) encontrada em S. Cristóvão, na Quinta da Boa Vista.
Dela existe apenas um unico exemplar original, pelo qual fizemos
o desenho (Estampa n.° 9, ri), e não nos consta que posteriormento
ela tivesse sido constatada em outro local.
Para mostrar quanto esta espécie se aproxima da Meibomia
gyrans, (D. C.), do sul da África, damos jimto uma vista da
folha desta ultima. Dela se afasta, porém, polo revestimento dos
frutos e do ovário, pela forma dos folíolos e pela inflorescéncia,
que nesta aqui é simples e quási capiteliforme, quando para aquella
está descrita como paniculada.
cm
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An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. I
31
Meibomia barbata, (D. C.)
Sin. : Meibomia cayenncnsis , KUNTZK (Rev. Gcn. 197);
Hedysarum barbatunu, L. (Linnae Specierum Plantaram pag.
lOõõ); — lledys. venustulum, H. B. K. (Nov. Gen. et Spec.
Americ. vol. VI, pag. 519); — Nicolsonia barbata, D.^ C. (Prodro-
mus II, pag. 325) (et Mem. Leg. VIII, 311, tab. 51 (1825): —
Nicolsonia venustnla, D. C. (Prodr. II, pag. 325); Nicolsonta
r ■</ ;/• nensis, D. C. (Mem. Leg. 314, tab. 51); — Nicolsonia cillosa,
Cham. et Schlecht. (Linnaea. vol. V (1830), jvtg. ;>84:- Nicolsonia
major, SteüD. (Flora XXVI (1843, pag. 757); — Nicolsoina ra-
dicam, Steüd. (Flora XXVI (1843), pag. 757); Hedysarum cor-
rulco-violaceum, MlQ. (Prim. Fl. Esseq., pag. 246);— llcdysarum
lagocephalum, Link. (Enum. Hort. Ber., pag. 248); lledysarum
procumbens, Vell. (Flora Fluminensis, pag. 319, vol. VII, tab.
150); — Desmodium coeruleo-violaccum, D. C. (Prodr. II, pag. 331);
Vraria lagoccphala, D. C. (Prodr. II, pag. 324); — Desmodium bar-
batum , Bth. (FI. Br. do Mart. XV, I, pag. 95 e no Kjoob. \ idersk.
Meddel. (1853), pag. 18); — Perrottetia barbata, D. C. (in Ann.
Sc. Xat. Serie I. 4 (1825), 95.
Caracteres gerais: Planta mais ou monos herbácea, de ri-
zoma parene, caules ténuos, lenhosos, erectos, prostrados ou in-
clinados para os lados, de comprimento muito variável, roais fre-
quente de 30-70 cm., pubescentes ou mesmo vilosos, quando pros-
trados às vezes radiciferos nos primeiros nós, superiormente ra-
mosos; ramos rijos, ascendentes. Folhas trifolioladas; estipulas roem-
branáceas, lánceo-acunilnadas, persisteutos, de 3-10 ram. de. comp.,
livres entre si e algo concrescidas com o peciolo comum; ésU>
ténue, mais ou menos viloso ou pubosoente, patente, tão ou mais
longo que o foliolo terminal; esti pelas setáceas; foliolos oblongo-
elípticos até ob-ovais, na face inferior mais pubescentes que na
superior, o terminal maior que os laterais e de 3,5-5 cm. de comp.
por 1,8-3 cm. de larg., ápice obtuso e às vezes um pouco cmar-
ginado, curto peeiolulados, arredondados na sua base. Racttnos flo-
rais terminais, curtos, sésseis entre as ultimas folhas dos ramos,
raro curto pedunculados, íloribundos, de 3-8 cm. de comp. o - •>
cm. de diâmetro transversal. Bráctcas ovo-lanceolarcs, acuminadis,
antes da àntese imbricadas e durante a mesma patentes mais ou
menos emaranhadas entro si e com os pedicelos, com longos jx-los
em suas margens, de 5-8 mm. de comp. Cálice de cfirca.de o-7
mm. de comp., segmentos longo-acuminndos, patentes e revestidos
de longos pêlos quási cerdosos, curvado para baixo depois da
fecundação da flor, segmentos superiores concrescidos até acima
do meio; pedicelos ténues curvados após a fecundação das flores,
pubescentes. Legumes sésseis com 2-4 artículos, na sutura superior
quási rectos e na inferior profundo-sinuosos, planos, marginados
e hirsutos, raro glabros; artículos quási quadrados, em tres lados
e no inferior arredondados, geralmente deiscentes depois de ma-
duros.
cm
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Leguminosas forrageiras do Brasil
Estampa n.° 10.
Distr. gcogr. : Dispersa por toda a América Meridional e fre-
quente em todo o Brasil.
Esta planta facilmente se distingue dentre as espécies afins
do género pela forma da sua inflorescência e pelos três folíolos
geralmente ob-ovais e obtusos. E' bastante variável no seu porte,
sendo às vezes quási rasteira e outras erecta e arbustiva. Xa
estampa que juntamos repi^esentamos, um pedaço de caule de uma
forma erecta e uma planta inteira, em redução de 50 °/o, da forma
prostrada e menor.
Da Meibomia juruenensis, descrita por nós, ela se distingue
principalmente pelas folhas sempre e invariavelmente trifolioladas.
Do material que recebemos do SR. AndrE Goeldi, da Ilha
de Marajó, e que mandámos analisar no Instituto Agronómico-
do Estado, em Campinas, o Dr. R. Bolligkr nos forneceu os
resultados seguintes:
Águ
1 — zlnálise sumária:
Na sobst. húmida
Seca
16,95 o/o
a azotada
8,62 o,o
10,37 o o
gorda
3,34 o/ 0
4,03 o/o
não azotada
39,02 »,o
47,13 o/»
fibrosa
28,80 o/o
34,68 « o
mineral
3,27 o/ 0
3.94 o/o
6 ,» %
2,07 o (0
29,65 »/ 0
15.84 °/o
53.85
7,58 o/»
2,50 «/o
35,69 «/o
19,07 o /0
64,84 o/o
2 — Elementos digestiveis:
Matéria azotada
» gorda .
> não azotada
> fibrosa
> orgânica
Relação das matérias aliment... 1:5,5
3 — Elementos de matéria mineral:
Areia e ác. silidco 22,64 %
Anidrido fosfórico 3,08 %
Oxido de potissio 35,64 o/o
» » cálcio 12,18 °/o
E’ preciso notar que êste material se achava em estado de
frutificação e que os dados aqui enumerados devem ser muito me-
lhores em se tratando de plantas antes da floração, época em
que geralmente as substâncias nutritivas aumentam consideravel-
mente.
cm
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An. das Metn. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. I 33
E’ unia esjíécie que facilmente se cultiva e da qual se pode
colher sementes com relativa facilidade polo facto de não se des-
prenderem os frutos da mesma maneira que aqueles das espécies
que os possuem armados de pêlos mais aderentes.
Nota — Ás vezes, porém raramente, aparecem exemplares raquíticos que
apresentam folhas com um só foliolo pequeno c quasi orbicular, como se observa
num do Museu Nacional, colhido em Copacabana, Rio, pelo Dr. Schwaclce, em ISS7.
Meibomia juruenensis, Hoehxf.
(Sin. : Desmodium jurwcncnse, IIoEHXK, Com. de Lin. Telegr.
Estr. de Mato-Grosso ao Amazonas, Anexo n.° 5, Botânica, parte
VIII, pag. 73 e tab. 148, lí g. I).
Caracteres gerais: Planta sufrutescente, de caule erecto ou
também prostrado, simples ou ramificado desde a base, recoberto
do pêlos alvacentos ou apenas pubescente, do õ-10 dm. de alt.
e 3-4 mm. de diâmetro; entrenós de 4-5 cm. Folha# unifolioladas
com peciolo de 1,5-2 cm. de cornp. e estipulas estreito-lineares
ou lanoeolares, acuminadas, de 1 cm. de comp. peciólulo geralmente
recurvo, bistipelado na sua base e pultescente; estipclas tão longas
ou pouco mais curtas que o peciólulo; foliolo ovo-eliptico ou ob-
longo-elíptico, na base cordado ou arredondado, ãi»ice .irredondado,
na página inferior especialmento sobre as nervuras pubescente e
na superior glabro, pátulo-reflexo ou patente, de 5-6 cm. de comp.
e 3-4 cm. cie larg., nos ramos florigeros menor. Infloresctncias
axilares ou terminais perfeitamento iguacs às da M. barbata, (BtíI.)
do 4-5 cm. dfi comp. bastamonto florigeras. liráctras ovo-lanceolares,
acuminadas de longe, ciliadas; pedicelas ténues patentes ou mesmo
reflexas, emaranhados, de 7-8 mm. de comp. pilosos. Cálice pro-
fundamente penta-partido, segmentos de base mais larga longa-
mento acuminados, recobertos bastamente de longos pêlos mais
ou menos rijos de até 0 mm. de comp.; vexilo ob-ovo-orbicular,
ápice retuso ou emarginado, base atenuada, de 9 mm. de comp.
e igual largura; alas e carcna obtusas, pouco mais curtas que
o vexilo. Legume# sésseis com 3-4 artículos, rectos na margem
superior e sinuosos na sutura inferior, ligeiramente marginados;
articulas quási quadrados, de 4 mm. de comp.
Esta planta distingue-se da Meibomia barbata, (Bth.) princi-
|>almente pelas folhas unifolioladas e flores algo maiores. Xo porte,
em geral, parece ter grande semelhança com a Meib. ggran.s. (D.C.),
da qual a afastam as folhas e a forma fia in florescência, além do
revestimento, etc. \
Estampa n.° 11.
Distr. geogr. : Norte do Estado de Mato-Grosso e sul do Pará.
Encontrada pela primeira vez nas margens do Bi o Juruena entre
as pedras do salto S. Si mão, e mais tarde junto ao salto Augusto.
Floresce de janeiro a fevereiro.
Leguminosas forrageiras do Brasil
. 34
O valor forrageiro desta espécie deve rivalizar cora a da
Meib. barbala, (Bth.) ou Meib. incana, (D. C.). Infelizraente não
tivemos ensejo de poder recolher material suficiente para análise,
nem sementes para cultura.
Meibomia axillaris, (Sw.)
Si».: Meibomia reptans, KüXTZE (Rev. Gen. 197); — He-
dtjsarum axillare, Swartz, (PI. Ind. Occid. III, 1274) — Hedy-
sarum reptans. PoiR. (Dict. VI, pag. 422) — Desmodium reptans,
D. C. (Prodr. II, pag. 333) — Desmodium axillare, Fl. Br. de Mart:
vol. XV, I, pag. 99) — Hedysarum stoloniferum, Poir Dict. VI,
pag. 421) — Desmodium spirale, var. stoloniferum, D. C. (Prodr.
II, pag. 333) — Hedysarum violaceum, Vell. (Fl. Fl. vol. VII'
tab. 148 e texto pag. 318) — Desm. radicans, Mac. (Fad. Fl. Jamaic.
I, pag. 2697).
Caracteres gerais: Planta rasteira das encostas mais fres-
cas das serras, logares chamados noruegos; caule bastamente hir-
suto-pubescente, prostrado, radicifero nas partes inferiores dos nós,
êstes mais ou menos bem distanciados, comprimento total de 30-80
cm. Folhas esparsas, com longos peciolos bem erectos e três fo-
líolos, com duas estipulas lanceo-acuminadas na base do peciolo
e estipelas na base dos peciolos dos foliolos, peciolo comum pu-
bescente, de 6-10 cm. do comp.; estipulas de 10 mm. de comp., ãs
vezes, um tanto concrescidas pelo lado posterior, longitudinalmente
estriadas e pubérulas; foliolos membranáceos, ovo-romboides, agu-
das, raro arredondados, de 6-8 cm. de comp. por 3-4 cm. de larg.
abaixo do meio, na face superior esparso o na dorsal mais basto
pubescentes; estipelas estreito l&nceo-aciculadas, pubérulas, de 4-5
mm., de comp. Inflorcseências racimiformes geralmente emergindo
das axilas inferiores do caule, erectas, relativamente lonsras e
florigeras só na metade superior, abaixo desta e na base munidas
de brácteae. Bráeteas florais, ovais, acuminadas, albo-pilosas, ca-
ducas com a àntese; pedicelos ténues, geralmente geminados, tè-
nuemente alvo-pubescentes, do 15 mm. de comp. Cálice de 2 mm.
de comp. segmentos ovais, agudos, de margens algo imbricadas,
largos e não acuminados, pubescentes; corola roxo-clara ou rósea,
de 5 mm. de comp. Legumes estipitados, com apenas dois ar-
tículos grandes quási semi-ovais, sutura superior pouco sinuosa,
inferior profundo-emarginada e istmo por isto excêntrico para o
lado superior.
Estampa n.° 12.
Distr. geogr.: Brasil meridional até ao Rio do Janeiro.
Nomes vulgares: «Amores do mato», « Mandubi-rama», «Car-
rapicho rasteiro», etc. Xa medicina popular empregam-no contra
as gonorreas e como emoliente.
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. I
35
Distingue-se facilmente das demais espécies do género, na-
tivas no Brasil, pelo porte rasteiro e inflorescências sempre axi-
lares, longas e bracteadas abaixo (La espiga floral o base.
Meibomia adscendens, (D. C.)
Sin. : Hedysarum adscendens, Swaktz (Fl. Ind. Occid. 1261
o Humb. Bonpland et Kunth. Nova Gen. et Spec. Americ. VT,
pag. 421); — Desmodium caespitosum, D. C. (Prodr. II, pag. 333); —
Desm. racemifernm, D. C. (Prodr. II, pag. 331); — Desin. obocatuin.
Vogei, (Linnaea XII (1830), pag. 106); — Desm. ellipticum , Mac.
(Fad. FL Jam. I, pag. 268); — Desm. arinense, Hoehxk (Com. de
Linhas Teleg. Est. de Mato-Grosso ao Amazonas, Anexo n.° 5
Botânica, parte VIII. pag. 74, tab. 148, fig. II). — Desm. oxali-
difolium, G. Dox. (Gen. Syst. II. pag. 294); Desm. Vogclii,
Steid. (Xom. ed. II, I, 296); — Desm. adscendens, D. C. (Prodr.
II, 333 e Fl. Br. Mart. XV, I, pag. 97).
Caracteres gerais: Planta cati postre, de caule ramoso, difuso
ou rasteiro com extremos levantados, recoberto de |>êIos fuscos
ou alvacentos mais ou menos patentes e bastos, mais tardo fusco-
castanho-escuros, comprimento muito variável, de lõ-lOO cm. Fo-
lhas trifolioladas; foliolos não muito distantes entre si, ch ovais
quási orbicularcs ou ob-cordiformes, relativamente pequenos, porém,
de diâmetro variável com o maior ou menor desenvolvimento
da planta, isto é, de 10-25 mm. de comp. por 7-18 mm. de larg.,
vistos sob a lente na face superior um jkjuco menos nubescentes
que na inferior, laterais menores que o terminal; peciolo comum do
20-30 mm. de comp. tènuemente piloso, com duas estipulas obliquo-
trianguladas e longitudinalmente estriadas um tanto concrescidas
com êle em sua base e do 5-8 mm. de comp.; pecíolos dos foliolos
igualmente estipelados na sua base. Inflorescências racimosas, ter-
minais, quando novas estrobi li formes com os botões florais ocultos
jwlas brácteas ovo-acuminadas e pilosas em suas margens o ca-
ducas com a ântese; flores solitárias, raro geminadas, distantes
entre si de 1-2 cm. sõbre o racimo; pedicclos ténues, de 8-10 mm.
de comp., erecto-patentes, curto-pubérulos. Cálice de 2,5 mm. do
comp. com segmentos estreito-acuminados, na parte superior mar-
gens e ápice um tanto ciliados; corola róseo-clara ou roxa, com
vexilo de 5-6 mm. de comp., earena o alas pouco mais curtas. Le-
gumes sésseis, na sutura superior rectos e na inferior profundo
incisos sinuosos, recobertos de pêlos fortemente preensores, com
2-5 artículos e estes de 5-8 mm. de comp. por 4 mm. dc larg.
Xos campos brasileiros, a espécie mais comum dèste género.
Vulgarmente conhecida por Pega -pega », «Carrapixo do beiço de
boi», «Amores do campo» «CarrapLxo».
Estampa n.° 8, II.
Distr. geogr.: Largamente dispersa por toda a América Me-
ridional, África, etc.
I ' 36 Leguminosas forrageiras do Brasil
1 A análise feita pelo Dr. R. Bolliger, do Instituto Agronómico
1 do Estado, em Campinas, revela o
seguinte materiai
antes da
1 floração:
Na subst. húmida
Na sêca
l.° — Análise sumária:
Humidade
64,33 o/o
Matéria azotada
3,77 o; 0
10,55 o /o
» gorda
1,20 o/ 0
3,37 o /o
> não azotada
17,75 o /„
49,79 o/ 0
» fibrosa
11,19 o/o
31,37 o i„
» mineral
1,75 %
4,92 «/.
2.° — Elementos digestiveis:
Matéria azotada
2,75 o/„
7,71 o /o
* gorda
0,74 o/ 0
2,09 o /o
> não azotada
13,49 o/o
37,83 o/„
» fibrosa
6,16 %
17,26 o/ 0
* orgânica
23,14 o/ 0
64,89 o/ 0
Relação das matérias alimentares
1 :5,6.
3.° — Elementos de matéria mineral:
Areia e ic. silicico
.... 28,55 o/
Anidrido fosfórico (Pmj. . . .
.... 4,76
Oxido de cálcio (G» O) . . . .
.... 18,55 o/,
> » potássio (ICO).
.... 28,56 o /o
Outra, feita com material idêntico e na mesma época pelo
I)n. Mario Saraiva, digno director do Instituto de Quimica do
Ministério da Agricultura, no Jardim
Botânico do Rio de Janeiro,
deu os seguintes resultados:
Material sêco:
Humidade
Proteína
Substâncias extractivas nitrogenadas (expresso em proteína). 1,030 °/ 0 1
Extractos etéreos
...... 2,S4S o/ 0
Celulose
6,740 * o
Cinzas ...
Substâncias extractivas não nitrogenadas.
58,077 °/ 0 j
Soma
100, CCO 1
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1
37
A-pesar-da porcentagem de proteína nesta espécie ser muito
inferior à de algumas outras espécies maiores do género e também
menor que a de algumas Crotalarias, etc., ela tem, para a alimen-
tação do gado vacum, uma importância muito grande principal-
mente como fornecedora de forragem verde; pois é, de todas, a
que melhor resiste às patas do gado e que vive com relativa
facilidade nos campos sêcos e áridos onde, às vezes, faltam ou-
tras Leguminosas forrageiras. Com razão, chamam-na também de
«Trevo do campo»; ela se assemelha e presta-se tão bem para
o fornecimento de feno como qualquer Medieago ou Trifolium ex-
trangeiro. Em cultura ela sempre se desenvolve muito rnais que
em estado nativo nos campos, podendo fornecer talvez vários cor-
tes, pois dura alguns anos tendo-se o cuidado de não deixá-la
chegar à frutificação.
Meibomia uncinata, (D. C.)
Sin. : Desmodium uncinatum, D. C. (Do Candolle, Prod. II,
334). Meibomia Sonorae, KctíTZE (Rev. Gen. 198); — Meibomia
lupulina , KUNTZE (Rev. Gen. 197); — lledysarum uncinatum, JaCQ.
(Hort. Schõnb. III, pag. 27); — lledysarum aperines, LlSk. (Enum.
Ilort. Ber. II, pag. 247); — lledysarum adscendens, D. C. var.
coeruleum. Link. (Pr. Veg. Ind. Occ. pag. 106); — lledysarum
Sonorae, A. Gray. (Pl. Wrigth, II, pag. 47); — lledysarum Sin-
clairi, Bth. (Vog. Voy. Sulph, pag. 82); — Desmodium aperines,
D. C. (Prodr. II, pag. 330); — Desmodium pilosiusculum, D. C.
(Prodr. II, pag. 335); — Desmodium lupulinum, Schlecht. (Litmaea
XII (1838), pag. 317); — Destn. sanduicicense, E. Mey. (Caí. Sem.
Hort. Region. (1850), pag. 4 e Linnaea XXIV (1851), pag. 230);
Desm. trigomm i, D. C. (Prodr. II, pag. 332).
Caracteres gerais: Arbustiva ou subarbustiva ascendente ou
de ramos decumbentes ou algo escandentes, quando prostr.ula ra-
díeifera; caule e ramos difusos, recobertos bastamento do pêlos
uncinados aderí veis, ou pilosos ou, às vezes, glabros, longitudi-
nalmcnte um tanto sulcados, de 50-150 cm. de cornp., flcxuosos e
emarranhados entre si. Folhas trifolioladas; estipulas membraná-
ceas, de 5-8 mm. de comp. de baso larga, acuminadas do longe,
estrioladas, caducas, livres entre si; pcciolos comuns tão longos
ou pouco mais curtos que o foliolo terminal; esti pelas sotáccas,
persistentes; folíolos geralmente ovais ou ovo-lanccolarcs, na face
superior esparsa e tènuemente pubescentes e na dorsal sericeo
pubérulos, agudos ou obtusados, do 1-7 cm. de comp. [K>r 2,5-5
cm. de larg., verde escuros ou também ornados de uma grande
mancha alvacenta na face superior que ocupa o centro do limbo
e, as vezes, um canto da baso do mesmo, às vezes, devido ao habitat,
muito menores e então confundiveis com aqueles da Meib. inçaria,
(D. C.), de que se afasta jmíIo tamanho tias brácteas. llacimos florais
axilares solitários ou em fascículos de 2-3 e também terminais,
de 10-15 cm. de comp. djstintamente |>edunculados; brácteas mem-
Leguminosas fonrageiras do Brasil
38
branáceas, de 8-12 mm. de coinp. côncavas e de 3-5 mm. de larg.,
agudas, tènuemente estrioladas, pubérulas e cilioladas, antes da
àntese imbricadas formando estrobiics e caducas com a àntese;
pedicelos fibformes de 10-15 mm. de comp. pubérulos. Cálice caiu-
panulado, tubo distinto e ao todo de 3 mm. de comp., lànceo-
triangulares, tão longos quanto o tubo, o inferior mais estreito
e superiores concrescidos até quási ao ápice; corola roxa quando
nova e quási verde -azinliavre depois de velha; segmentos de quási
5 mm. de comp.; estame vexilar livre; ovário estipitado, pubescente.
Legumes estipitados, algo incurvados e sinuosos na sutura iuferior
e quási rectos na superior, com 5-8 artículos, separados por istmo
bem distinto, revestidos de pêlos fortemente aderiveis ou prven-
sores.
Estampa n.° 13.
Distr. geogr.: Largamente dispersa pela América Meridional
o Tropical; frequente em quási todos os Estados do Brasil. Em
S. Paulo comum nos campos sujos e margens das estradas de
ferro e caminhos, bem com beiras de mata, etc. Floresce em
quási tôdas as épocas do ano.
A mácula alva ou esbranquiçada que ocupa a parte mediana
do limbo dos foliolos e os pêlos preensores que revestem os caules
e ramos, que por assim dizei* constituem um dos melltores ca-
racterísticos para a espécie, náo sáo constantes: temos encontrado
o colhido vários exemplares com foliolos completamente verdes
e outros com revestimento menos preonsor. A mudança da cõr
nas flores novas de roxo-claro para esverdeada ou azul escura,
depois de velhas, é quási consta nto.
Xo Museu Nacional, Rio do Janeiro, (Colecçáo do Dr. Pkdro
IlrsF.N, n.° 3259, Piraqiiara, Paraná), esta planta, forma de folhas
imaculadas, está dada como Desm. infractum, D. C., que é do
México e náo possui pêlos uncinados como a presente espécie.
Depois do Desm. incanutn, D. C. e do Desm. discolor, Vog., é o
adscendens, D. C., incontestavelmente uma das espécies mais co-
muns do género aqui nos arredores de S. Paulo, jwxlendo ao mesmo
tcin|K) ser consideraria uma das mais nutritivas para o gado vacum.
A análise que mandamos fazer no Instituto Agronómico do
Estado de S. Paulo, em Campinas, pelo Dr. R. BOLUGER, acusa
os seguintes dados:
1 — Anal. sumária:
Na subst. húmida
Seca
Humidade
70,58 o/o
Matéria azotada
2,70 o/.
9,15 ,
> gorda
0,98 o/.
3.33 o/o
» não azotada
14,06 o/„
47,82 o/o
> fibrosa
10,13 o/o
34,41 o/o
• mineral
1,55 o/„
5,29 o/*
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. I
39
2 — Elementos digestiveis:
Matéria azotada. . . .
1,97 %
6,69 %
> gorda
0,61 %
2,07 %
» não azotada
10, 6S •;
33.34 %
» fibrosa
5.57 %
18,93 %
» orgânica
1S.S3 %
64,27 %
ReIa<;ão da matéria alimentícia 1:6,2
3 — Elementos de matéria mineral:
Areia e ac. silícko
8,44 •/,
Anidrido fosfórico (F^O 1 ).
9.18 Jí
Oxido de cákio (C* O) . . .
. . 31,73 %
» potássio (K ! 0) 27, 46 %
A realizada j>elo Dk. MAiuo Saraiva, no Instituto de Química,
do Jardim Botânico, Hio de Janeiro, em amostra idêntica o na
mesma época, forneceu o seguinte resultado:
Mal. léca
Cal. para verde
Humidade
10,090 %
77,490 %
Proteína .
14,406 %
3.696 %
Subst. nitrogenadas exp. em proteína . . .
3.937 %
1.283 %
Extracto etéreo . .
2,901
0,945 %
Celulose .
9,140 •/,
2.979 %
Cinzas. ....
4,950
1.615 %
Subst. ext. não nitrogenadas .
54,570 %
11.992 %
Soma
100, OCO
100, OCO
O material feriado é avidamente comido jielos cavalas e pelo
gado vacum.
Meibomia lunata, (Huiier)
Sin.: Desmodium lunatum, Huber (Boletim do Museu Goeldi,
vol. IV (liK)õ), ]>ag. 568).
Caracteres gerais: Planta ascendente, delgada, nas partes
mais novas tènuemente pubérula e mais tarde glabra, de 50 cm.
de altura. Folhas trifolioladas, sobre pecíolo comum de 3-10 cm.
de comp. Estipulas triângulo-acuminadas, longitudinal mente estrio-
ladas e curto pubérulas, de 5-8 mm. de comp., mais ou menos,
persistentes. Estipclas estreito aciculares de õ mm. dc comp. Fo-
liolos de base ampla, ovais, porém do meio para cima quási iiri-
forme-acuminados e no ápice obtusos e mucronados, base sempre
largo arredondada, o terminal sempre maior e mais largo quo os
laterais; êstes, no material presente, do 8 cm. do comp. c de 4,5
40
Leguminosas forrageiras do Brasil
cm. de larg. e aquele de 11 cm. de comp. por 6 cm. de larg.
Bacimos florais terminais, simples, solitários ou de 2-3 agrupados,
esparsifloros e de 15-25 cm. de comp. Pedicelos distantes entre
si, simples ou raro em grupos de 2, de 1,5-2 cm. de comp. glabros
ou esparso e curtíssimo pubérulos. Cálice penta-lobado, tendo porém
os segmentos superiores mais concrescidos, ao todo de po.uco mais
de 1,4 mm. de comp., esparso e curtíssimo pubérulo. Corola de
2-3 mm. de comp. Estame vexilar livre até a base. Legumes com 1-3
artículos, com istmos excêntricos, estreitos muito juntos ã margem
.superior; artículos quási hmiformes, na parte superior incurvados
e na inferior semicirculares, de 8 mm. de comp. por 3-4 mm. de
larg., áspero pubérulos e preensores.
Estampa n.° 14.
Distr. geogr.: Saraiacu em Catalina, no Perú. Como esta lo-
calidade fica perto da fronteira brasileira, no Amazonas, é crivei
que ela se estenda também à nossa flora. (Xo Jardim Botânico, repre-
sentada, por um imico exemplar, sob o numero 10626 que corres-
ponde .ao numero 1504 do Dr. J. Huber, que a colheu, na localidade
supra citada, em 24-11-1898). Xo trabalho referido a procedência
é dada como de Chinganilla (Pampa dei Sacramento) na mata,
a beira do riacho, 24-11-1898.
Quanto ao seu aproveitamento como planta forrageira, devemos
confessar que nada podemos adiantar, por termos visto apeuas um
unico exemplar, aliás mau representante para dar uma idea da
espécie.
Meibomia incana, (Sw.)
Si n. : Meibomia varifolia, IvL NTZE = Meibomia supína, Blt-
tox (Ann. X. York Acad. Sec. VII (1892), pag. 83). Hedysarum
incanum , Swartz (Prodr. Yeg. Ind. Occ., pag. 107) Hedysarum
supinum , Swartz (Prodr. Veg. Ind. Occ., pag. 106) Hedysarum
conjunctum, Weinm. (Syll. Ratisb. II (1828), pag. 175) Desmodium
supinum, D. C. (Prodr. II, pag. 332) — Desm. Lindleyi, Makt.
(Ausw. Pfl. München, tab. 17) — Desm. ancistrocarpum, Ledbe (Prodr.
II, pag. 331) — Desm. sparsiflorum, G. Dos. (Gen. Syst. II. pag.
294) — Desm. diversifolium, ScilLECHT. (Linnaea XII (1838). pag.
313) — Desm. variifolium, STEfD. (Xom. ed. II, I. 496) — Desm.
incanum, D. C. (Prodr. II. pag. 333 e Fl. Br. vol. XV, I, pag. 98).
Caracteres gerais: Sufrutesccnte mais ou menos erecta, raro
prostrada, ramosa, incano-pubescente, raro glabra, de 30-100 cm.
de alt. Estipulas lanceoladas, quando jovens quási sempre con-
crcscidas pelo lado posterior, mais tarde em regra livres e per-
sistentes, agudas e longitudinalmente estrioladas. Folhas trifolio-
ladas, as inferiores às vezes também unifolioladas; peciolo comum
em regra mais cinto que o foliolo terminal; foliolos ovais ou
mais geralmente oblon go -obo vais quási arredondados, sempre maio-
res e mais sericeo-pubescentes no dorso que as da Meib. adsccndens,
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. I 41
(D. C), os laterais menores e mais oblongados que' o terminal;
êste em regra de 3-7 cm. de comp. por 0,5-3 cm. de larg., na face
superior glabro ou esparso- pubescente e na dorsal sericeo-pubes-
cente, ápice obtuso, raro agudo, base arredondada. Racimos florais
em regra terminais, raro axilares, de 15-30 cm. do comp., flores
esparsas, roxas, com pedicelos de 5-10 mm. de comp. e bastante
ténues. Cálice de 2 mm. de comp., tubo campanulado um tanto
giboso na parte posterior, segmentos pouco mais longos que éste,
os superiores concrescidos entre si até ]>ouco abaixo do meio.
Brácteas muito mais curtas que os pedicelos, estreito-lanceolares,
pouco notáveis, as inferiores também maiores e inais persistentes
que as superiores; corola roxa, de 7 mm. de comp.; estame ve-
xilar livre até à base. Legumes curto-estipitados, na margem su-
perior quási rectos e na inferior profundamente sinuosos, com
-1-G artículos, êstes revestidos de pêlos preensores e facilmente
separáveis.
Quanto ao seu revestimento, esta planta varia bastante, é porém
sempre muito mais pubescente o tem foliolos maiores que a Mrib.
aáscendens, (D. C.), com que compartilha o habitat, forma dos
fruetos, etc.; é, como esta última, uma das espécies mais frequentes
nos nossos campos mais sujos.
Estampa n.° 15.
Distr. geogr. : Desde as Índias, México, todo o Brasil e Re-
públicas adjacentes.
Da análise que mandámos proceder Po Instituto Agronómico
désto Estado, o Dit. R. Bolliger apresentou os seguintes resultados:
l-° — Análise sumária:
Na snbst. húmida
Sfca
Humidade . .
64,97 %
Matéria azotada ....
3,24 r.
0,23 %
» gorda ....
0.95 %
2,70 %
» nào azotada
17,46 y.
49.S7 %
» fibrosa ....
ii.S4 y.
33,80 Ӓ
» mineral ....
1,54 %
4,40 %
2.° — Elementos digestiveis:
Matéria azotada .
2,37 y.
6,74 %
• gorda . . .
0.59 %
1.67 y.
> não azotada .
13.26 y,
37,90 y.
* fibrosa .
6.51 %
18,59 %
* orgânica
22,73 %
64,90 %
Relação das matérias alimentícias 1:6,2
42 Leguminosas forrageiras do Brasil
3.° — Elementos da matéria mineral:
Areia e ácido salícico 14,91 %
Anidrido fosfórico (P'0 S ) 5,94 %
Oxido de cálcio (O O) 35,74 %
> » potássio (K.O) 23,81 %
O mesmo material analisado pelo Dr. Mário Saraiva, do Jar-
dim Botânico, no Rio de Janeiro, dou os seguintes resultados:
Amostra sêca
Calculado pira eitado
verde
8,950 %
77,450 %
19,093 %
6,014 %
1,575 %
0,496 %
2,901 %
1,616 %
10,716 %
4,125 %
5,132 %
0,913 %
51,633 %
9,386 %
100,000
100,000
Humidade
Proteína
Substâncias extr. nitrogenadas (expressas
em proteina)
Extracto etéreo
Celulose
Cinzas
Subst. extr. não nitrogenadas
Soma
Esta planta cultiva-se facilmente, deixa-se fenar com grande
facilidade e é aceita tanto pelo gado vacum como pelo cavalar,
não só fenada como em estado verde.
Meibomia albiflora, (Salzm.)
Sin. : Desmodium albiftorum, Salzm.
Caracteres gerais: Planta dos campos mais sujos, matas fres-
cas das encostas ou logares sombrios e mais húmidos; caule algo
prostrado ou, às vezes, meio escandente, levemente pubérulo, pê-
los esparsos e mui curtos, misturadas com outros mais longos c
bem patentes, mais abundantes nas extremidades dos ramos, ao
todo de 30-00 cm. de comp. Folhas trifolioladas, esparsas. Estipulas
triangulares-acuminadas, livres entre si e de 5-12 mm. de eomp. ;
peciolo comum geralmente pubescente, patente, de 1-6 cm. de
comp.; estipelas estreito-filiformes, de 5-6 mm. de comp.; foliolos
ovais, aciuninados, mui membranáceos, no dorso tènuemente pu-
bérulos e na face esparsamente longo pilosos, de 6-8 cm. do comp.
e 3-5 cm. de larg. abaixo do meio, ápice mucronado e base arre-
dondada, na parte inferior dos caules e nos extremos dos ramos
não raro mais obtusos e arredondados. Infloresccncias terminais
e racimiformes, raro «axilares ou ramosas. Brácleas estreito-lanceo-
lares, agudas, caducas «antes da àntese; flores solitárias raro ge-
minad.as, bastante esparsas; pedicelos ténues, erectos e patentes,
recobertas de pêlos mui curtos e algo crespos quási só perceptíveis
com «a lente, de 12-15 mm. de comp. Cá lies de 3 mm. do com]»..
cm
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com segmentos estreitos e acuminados, bastante afastados entre
si, tubo curto e amplo; corola alva ou roxo-pálida, de õ mm. de
comp. Legumes sésseis, com 4-6 artículos, na sutura superior quási
rectos e na inferior sinuosos até */ 4 da largura; artículos retan-
gulares oblongados, de 8 mm. de comp. por 4 mm. de larg. reco-
bertas de pêlos preensores.
Estampa n.° 16.
Dispersão geogr.: A mesma que da M cibo mia inania, (Sw).
Facilmente confim divel com esta última; os foliolos mais mem-
branaceoe, de forma diferente, a côr das flores e estipulas livres
entre si constituem os característicos diferenciais. Pela consistência
e forma dos foliolos ela lembra também a Mcibomia axilares , (Sw.).
O valor alimentício deve rivalizar com o da Mcibomia in-
cana, (Sw.).
Meibomia mollis, (Yahl.)
Sin.: Mcibomia terminalis, KüXTZE (Rov. Gen. 198); Ilc-
(lgsarum mollc, Vahl. (Symb. II, pag. 83); Desmodium molle,
'• •í ) ' - Candolle, Prodr. II. pag. 232); Jlah/surum ter-
minais, Ricil. (Richard, Act. Soc. Hist. Nat. Par.. pag. ia r >); Des-
modium terminais, I). C. (De Candolle, Prodr. II, pag. 327, não
de Guill. Pers.).
Caracteres gerais: Sub-arbusto erecto, ramoso, de 50-200 cm.
de alt. revestido do curtos pêlos mais ou menos uncinados c pre-
ensores. Estipulas de base larga triangularmente acuminadas, quási
setáceas, Iongitudinalmente estríoladas, caducas, raro persistentes,
de 3-5 mm. de comp. e na base de 1-2 mm. de larg. Folhas tri-
folioladas, às vezes, na base dos nimos, entremeiadas do unifolio-
ladas. Peciolos comuns pubérulus, de 1,5-3 cm. de comp. abaixo
do jugo de foliolos laterais e entre êste. e o terminal mais curtos,
geralmente bem patentes. Foliolos membranáceos, ovais ou ob-
longo-ovalados, revestidos na face sui>erior de esparsos pêlos curtos
e apressas e mais pubescentes na face inferior, de 4-12 cm. dc
comp. por 2-6 cm. de largura, os laterais em regra um jkjuco me-
nores o os solitários mais alongados e obtusos e muito mais pe-
quenos e curto-peciolados. Infloresccncias terminais e paniculadas.
tendo os ramos, com pequenas folhas em sua base, quási racitni-
fonnes de 10-20 cm. de comp. revestidos de curtos |>êlas mais
ou menos preensores. Pcdieetos ténues, pubérulos, fosciculados cm
grupas de 2-6, desenvolvendo as flores umas apôs outras, ao todo
de 4-8 mm. do comp. Bráctcas pequenas, pubescentes, caducas
antes da Antese. Flores |>cquenas, de 3 mm. de comp. ou pouco maio-
res que as da Mcib. spiralis, (Sw.). Cálice com 5 segmentos es-
treitos o aciculares, pubérulo. Corola pouco maior que o cálice.
Legumes sésseis com os artículos inferiores atrofiados e tortuosos
e o terminal amplo, membranáceo, fértil, na base ligeiramente pu-
bescente preênsil, no demais glabro e quási transparente o do
âmbito reniforme, de 8 mm. de comp. por 6 mm. de larg.
44
Leguminosas forrageiras do Brasil
Estampa n.° 17.
Distr. gcogr.: Norte do Brasil encontrado em Joaseiro, na
Baia, e em Aracati, no Ceará. Também citado para as Gúianas
e América Central.
A forma dos frutos é um magnifico característico para esta
espécie bastante parecida no demais com a Mrib. spiralis, (Sw.).
O material que nos serviu para fazer o desenho que juntamos
procede de Joaseiro, na Baia, onde foi colhido por funcionário
do Jardim Botânico, estando neste estabelecimento arquivado sob
n.° õ04õ.
Meibomia physocarpa, (Vogel.)
Sin.: Desmodium physocarpos, Vogel. (in Liimaea XII, pag.
104 e Bentham, Fl. Br. de Martius, voL XV, I, pag. 104).
Caracteres gerais: Arbusto recoberto nos ramos e partes mais
novas de pêlos curtos e uncinados. Estipulas de base larga, acumi-
nadas e lanceolares nervuloso-estriadas, escariosas, pubescentes ou
quási pilosas, mais tarde decíduas, de 1 cm. de comp. Folhas
trifolioladas sobre peciolo comum de comp. igual ou pouco mais
curto que o foliolo terminal. Folíolos inferiores oblongos de ápice
arredondado e pouco mucronulados, por baixo alvacentos, com ner-
vos e veias proeminentes e especial mente sôbre estas pubescentes,
de 5 cm. de comp. |>or 3 cm. de larg., o terminal mais ovo-oblon-
gado e de até 8-10 cm. de comp. par 4 cm. de larg. Inflorescências
amplas e paniculadas, pubescentes como os nunos e o caule, ramos
mais ou menos virgados, roliços e delgados. Pedicelos ténues, erecto-
patentos, algo vergados, filiformes, cm fascículos de 2-3 ou simples,
do 3-6 mm. de comp.. pubescentes. Brácteas assovelado-lanceoladas,
estriadas, pubescentes, de cerca de 5 mm. de comp., decíduas
antes da ântese. Cálice pubescente. Estames com o filamento ve-
xilar livre acima do meio. Ovário 5-6 ovulado, em algumas flores
quási glabro, raro pubescente. Legumes tortuosos, quási perfeita-
mente glabros, com 4-6 artículos, raro também com menor número
de artículos e revestidos de pêlos uncinados e preensores, ar-
tículos oblongados, tortuosos, pouco túmidos, quási diáfanos mem-
branáceos, do 3 mm. de comp. e pouco menor largura.
Distr. geogr. : Brasil meridional.
Segundo a opinião de Bentham, que também não riu a planta,
pela descrição, em tudo semelhante à Meil). tortuosa, D. C. (cujos
sinónimos são: Desm. stipulaceum, D. C. e Desm. pedieellatum, Grau.
(in Wall. Cat.), espécie que aparece na América Central, índia
Ocidental e Nova Granada, e que èle igualmente não viu entro
material brasileiro.
Meibomia spiralis, (D. C.)
Sin. : Iledgsarum spiralc, Sw. (Fl. Ind. Occ. 1273); Desm. spiralc,
D. C. (De Candolle, Prodr. II, pag. 332); Hedysarum teneüum,
H. B. K. (Humb. Bonpland et Kunth. Xov. Gen. et .3 peei es Americ.
cm
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vol. VI, pag. 522); Desmodiutn tenellum, D. C. (De Candolle, Prodr.
II, 333); Destnodium tenuiculum, D. C. (Ob. cit. pa g. 333); Desmodiuni
terininale, Guil. et Per. (Guill. et Perr., Senegal., pag. 207, não
é D. C.); Destnodium sylvaticum , Bth. (Bentham, Pl. Hartw., pag.
117); Desmodiutn Chamissonis, VoGEL (Vogei, in Linnaea, vol. X,
pag. õ88 (1838); Cyclomorium caracasanum, W.VLP. (Walpers, Rep.
Bot., vol. II, pag. 890 (1843); Destnodium ospriostrcblum, ST EL' D.
(Steudel, Pl. Schimp. Abyss. Sect. II, n.° 1039); Desmodiutn Spren-
yelii, G. Dietk. (G. Dietrich, Pl. VI, pag. 1154); Anasthrosync abys-
sinica, Hocust. (Hochstadt, in A. Rich. Fl. Abyssiniea, I, pag.
204); Desmodiutn annuum, A. GraY. (A. Cray, in PI. Wright. II,
pag. 46); Desmodiutn tortuosum, WEBB. (Webb. in Hook, Niger.
Fl., pag. 122); Desmodiutn aparines, Hassk. (Pl. Jav. rar. 366, não
de D. C.).
Caracteres gerais: Sub-arbustiva delgada bastante ramosa, ero-
cta ou mais ou menos prostrada, de 50-100 em. de alt. ; ramos finos,
glabros ou ãspero-pubérulos, a principio algo angulosos e mais
tarde roliças, revestidos do pêlos curtos e preensOres. Estipulas
pequenas, patentes e às vezes reflexas, de 2-5 mm. de comp.
pouco mais largas na base ou setáceas; pociolo comum do com-
primento do folíolo terminal ou pouco mais curto. Foliolos em número
de três em cada folha, geralmeníc ovo-oblongados, o terminal de
3-10 ou mais cm. de comp. e os laterais um pouco menores, mais
ou menos membranâceos c tènuemente pubes centos ou quási gla-
bros, raro solitários na parte inferior dos caules. Racimos florais
delgados, geralmento simples, axilares ou mais geralmentc termi-
nais, às vezes também opostos às folhas. Jirácteas estreitas, muito
|>equenas e caducas, raro mais longas e jiersistentes. Peciolos em
fascículos de 1-3, desenvolvendo-se uns após os outros, finos, de
8-12 mm. de comp., curto-pubérulos. Flores muito pequenas, talvez
as menores do género, de apenas 3-4 mm. de comp. Cálice com
segmentos agudos. Estames imidos em um só tubo. Legumes com
3-6 artículos, mais ou menos torcidos, quási espiralados, reves-
tidos de pêlos preensores curtos. Ás vezes se atrofiam os artículos
inferiores, como sucede na Meib. nwllis, (D. C.), mas então o
que ee desenvolve é tortuoso o não plano e reniforme como na
citada espécie.
Estampa n.° 18.
Distr. geoyr.: África e tôda a América Central e Meridional.
O material que serviu para fazermos o desenho junto foi
enviado, do Ceará, pelo Dl». Dias d\ Rocha, proprietário c di-
rector do Museu Rocha.
Meibomia platycarpa, Bth.
Sin. : Desmodiutn platycarpum, BTH. (Fl. Br. de Mart. vol.
XV, I, pag. 100).
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Leguminosas forrageiras do Brasil
Caracteres gerais: Subarbustiva erecta, no porte em geral
e no rizoma muito parecida com o Desm. pachyrhizum, Vog.,
diferente porém nos frutos muito amplos que constituem o verdadeiro
característico para a espécie. Caules geralmeute agrupados sobre
o mesmo rizoma quási fusiforme, raro solitários, simples ou pouco
ramificados, virgados, de 30-50 cm. de altura, longitudinal mente
estriolados e sulcados, curto-pubérulos ou molemente vilosos, raro
completamente glabros. Folhas unifolioladas, esparsas; foliolos sô-
bre i>eciolo de 2-4 mm. de comp., oblongo-lanceolares, de 5-7 cm.
de comp. e 8-12 mm. de larg., também às vezes menores, quási
lineares, mais arredondados, obtusos ou agudos, na base geral -
mento arredondados, rijos, reíiculado-venulosos, glabros ou esparso-
pubescentes na face inferior. Infloreseêneias racimosas, raro pa-
niculadas, terminais, esparsifloras, de 10-20 cm. de comp. Ilráctcas
lànceo-setáceas, caducas com a ântese; pedicelos geminados raro
solitários, ténues, de 3-5 mm. de comp., curto-pubérulos, depois
da ântese curvados para baixo; flores esparsas, arroxeada» com a
ca rena mais escura, do 1 cm. de comp. Cálice com tubo dei' 2-3
mm. de comp., segmentos largo-lanceolares, quási triangulares, agu-
dos, pouco mais longos que o tubo, os superiores mais coneresci-
dos. Estames monadelfos tendo o vexilar livre do meio para cima.
Ovário estipitado, geralmente tri-ovulado. Legumes estipitados, re-
flexos, com 1-3 artículos largos e membranáceos, marginados, mole-
pubescentes até curto-vilosos, de 1 cm. de comp. e 6-8 mm. do
larg. quási renifonncs. titmos estreitos o fortemente excêntricos.
O característico mais frisante para esta espécie campestre
é a conformação dos frutos com dois a três artículos reniformes
muito amplos.
fi uma espécie pobre do folhas, de aspecto sempre um tanto
raquítico que pouco valor dove ter como planta forrageira, mas
que, ainda assim, graças ao espesso rizoma fusiforme. resiste muito
bem aos estios prolongados, tomando-se um recurso para os campos
excessivamente sêcos ou muito flagelados pelo fogo.
Estampa n.° 19.
Distr. geogr.: Goiaz, Mato-Grosso, República Argentina na parte
septentrional. Estado de Minas Gerais, etc.
Meibomia pachyrhiza, (Voo.)
Sin.: Dtsmodium pachyrhizum, Voo. (Vogei, in Linnaea XII,
pag. 97 o Bkxtham na Fl. Br. de Mart. vol. XV, T, pag. 101).
Caracteres gerais: Campestre, no porto muito parecida com
a Meib. platycarpa, (Bth.), da qual se distingue especialmente
pela forma dos artículos sempre muito menores c em número
de 5-6 em cada legume unidos por istmos centrais. Caules erectos,
simples ou pouco ramosos, às vezes dois e mais sòbre o mesmo
rizoma, virgados, deprimidamente pubescentes e não raro algo
cm
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viscosos, de 40-60 cm. do alt.; rizoma fusiforme, de tamanho mui
variável, em espécimes do um ano às vezes quási nulo. Estipulas
largo-lanceolares, acuminadas, mui caducas. Folhas unifolioladas,
erectas e pouco patentes, sobro peciolo do apenas 4-6 mm. de
comp., limlx) variável, nas folhas inferiores de forma, às vezes,
quási arredondada ou ovalada, no meio do caule lánceo-oblongada
e nas últimas quási lineares, de comprimento e largura iguaJmentc
variável, como demonstramos no desenho, no dorso geralmento
reticulado, pubérulo, rígido; estipelas assoveladas, geralmento |>er-
sistentes. Inflorescências terminais, quási sempre compostas do 1-5
racimos longos e virgados, laxifloras, de 15-30 cm. de comp., raro
paniculadas, (o que parece acontecer quando a planta não é des-
truída anualmente em tòdas as partes epigeas pelos incêndios dos
campos). Brdcteas estreitas, rijas do 5-8 mm. de comp., pubérulas
e caducas antes da àntese; pedicelos geralmente geminados, fi-
liformes, de 10-15 mm. de comp. ou pelo menos muito mais longos
quo as flores. Cálice do segmentos lánceo-trían guiares, acuminadns,
mais longos que o tubo; corola dg 5-6 mm. de comp., roxa, com os
segmentos de igual comprimento, ca rena, porém, mais larga que nas
espécies afins; estame vexilar a principio aderente, aos demais,
mais tarde completamente livre. Legumes sésseis, com 5-6 artículos,
êstes quási elípticos ou ovais, unidos por istmos centrais, tendo
de 2-3 mm. de comp., longo-pubescuntes o jxmco aderentes.
Estampa n.° 20.
Distr. geogr.: S. Paulo, Minas, Kio Grande do Sul, Mato-Grosso,
Goiaz. etc., e também no Uruguai, Argentina e Paraguai.
Prefere», como a Meib. ptatiearpa (BTH.), os campos sêeos o
pouco férteis, resistindo às sécas e ao fogo graças ao seu rizoma
espésso e profundo, que da -maneira daqueles das Dipladenias,
Crumenarias e de outras plantas campestres, toma a brotar anual-
mente. afws as queimadas, fornecendo desfarte uma forragem
magnifica nos meses de Agosto e Setembro. Acreditamos que para
a cultura o principalmente p;ira prejxarar o feno esta espécie
não tenha muita importância.
Meibomia sclerophylla, (Bth.)
Sin.: Desmodium sclerophyllum, Bth. (FI. Br. de Mart. vol.
XV, I, i>ag. 102).
Caracteres gerais: Campestre de crescimento erecto seme-
lhante em porte à Meibomia pachyrhiza, (Voo.) e Meib. pia ty carpi,
(Bth.), das quais se distineue facilmente pela inflorescência mais
ramosa, muito mais floribunda c pedicelos mais curtos. Caules
erectos, ás|>ero-pubérulos, de 50-100 cm. de alt., virgados, sim-
ples ou, mais geralmente, ramificados, ramos ascendentes. Folhas
unifoliohukis, com peciolo curto c pubérulo, de apenas 3-4 mm.
de comp.; estipulas estreitas e persistentes; estipelas aciculares
igualmente persistentes; foliolo como aquele da Meib. pachyrhiza
cm
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Leguminosas forrageiras do Brasil
(Vog.) muito variável na forma e tamanho, sendo na parte in-
ferior do caule mais largo e ovalado, no meio oblongo-lanceolar
e ápice mais linear, às vezes longo-linear, no dorso sempre re-
ticulado venuloso e algo pubescente, e na face superior glabro,
de ponta quási sempre obtusa. In florescências terminais e pani-
culadas, de ramos virgados e floribundos, de 10-25 cm. de comp.;
flores roxas; pedicelos quási sempre geminados e curtos, de 2-5
mm. de comp. Cálice de 3 mm. de comp. com segmentos curtos
e largos na base, os superiores quási completamente concrescidcs
entre si; corola de 7 mm. de comp.; vexilo ob-oval com duas
pequenas pregas próximo à base da parte interna; carena e alas
um pouco mais longas que o vexilo; estame vexilar unido aos
demais, raro mais tande um tanto livre. Legumes sésseis ou, pelo
abortamento do articulo inferior, estipitados, com 4 artículos unidos
por istmos centrais, um tanto membranáceos, quási glabros ou pouco
pubescentes; articulos de 3-4 mm. de comp. e pouco menor largura.
Estampa n.° 21.
Distr. geogr. : Perú, Ginanas, Amazonas, Pará, Mato-Grosso,
Goiaz, Piaui, etc.
Espécie campestre que, graças às vantagens apontadas para
as Meib. platycarpa , (Bth.) e Meib. pachyrhiza, (Vog.), é uma
útil forrageira dos campos sêcos e menos férteis, mas que não
pode merecer tanta atenção para a cultura como outras mais
folhudas e maiores.
Meibomia subsecunda, (Voo.)
Sin.: Desmodium subsecundum, Vog. (in I.innaea vol. XII,
pag. 99).
Caracteres gerais: Arbustiva ou sub-arbustiva, erecta, na parte
superior ramosa e totalmente recoberta nos caules e ramos de
curtas pêlos uncinadas e, por consequência, um tanto aderiveis.
Folhas esparsas o trifolioladas; estipulas de base mais larga trian-
gularmente acuminadas, secas, nervido-estrioladas, esparso pubes-
centes de até 15 mm. de comp., decíduas. PecíoLs comuns abaixo
do jugo de folíolos laterais de 7 até 9 mm. do comp. e entre
êstes e o foliolo terminal do até 15 mm., ligeiramente canieulados
o estrio lados, hirto-pubeecentes. Folíolos lânceo-oblongados um tanto
agudos e jnucronulados, raro mais obtusos, principalmente por baixo
hirto-pubescentes e reticulados, às \ezes um tanto arroxeados ou
acinzentados, laterais menores e mais curto poeiolulados, terminal
do 7-10 cm. de comp. por 1,5-2 cm. de larg., rijo-membranáceos.
In floresce nr ias paniculadas, terminais, ramos pubescentes e pega-
josos, terminando com laxas espigas de flores de até 8-9 cm.
de comp. e despidas na parte inferior. Pedicelos filiformes, ténues,
pubérulos, de 10-11 mm. de comp. depois e, às vezes, durante
a ântese torcidos para um lado dos ramos da infloreseência.
Legumes curto-estipitados, de 15-25 mm. do comp. com 2-5 ar-
em
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ticulos quási glabros ou curto pubérulos e pegajosos, do forma
oblonga e válvulas um tanto convexas, reticulado-nervulosos, inem-
branáceos. Estipe do legunio de até 3 mm. de comp. ou pelo
abortamento dos artículos inferiores mais longa.
Distr. geogr.: Brasil meridional.
Bentham é de opinião que esta planta seja apenas uma forma
de Meib. discolor, (VoG.), que se caracteriza pelo revestimento
mais escasso e foliolos mais agudos.
Meibomia venosa, (Voo.)
Sin.: Desmodium venosum, Vog. (Vogei, in Linnaea XII, pa g.
103 o Bentham, Fl. Br. do Martius, vol. XV, I, pag. 104).
Caracteres gerais: Sub-arborescente erecta, uncinado-pubes-
cente. Folhas trifolioladas. Pedolos comuns mais longos que na Meib.
leiocarpa, (Sfk.), abaixo do jugo de foliolos laterais, ãs vezes de
até 2,5 cm. de comp. Foliolos ob-ovais ou eliptico-oblongados, rijos
o parcamente hirtos ou quási coriáceos e por baixo reticulado-
venosos com esparsos pêlos simples. Inflorcscência ampla, terminal
o paniculada. Legumes pubescentes, com 5 artículos de âmbito
oval e istmos centrais.
Na opinião de Bentham apenas uma variedade ou forma de
Meib. leiocarpa, (SPitEN.), e na nossa talvez uma forma mais anor-
mal de Meib. discolor, (Vog.).
Distr. . geogr.: Brasil meridional.
4
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Leguminosas forrageiras do Brasil
RELAÇÃO DO MATERIAL EXAMINADO E QUE SERVIU
DE BASE A PRESENTE MONOGRAFIA
Argentina :
Hervário do J)r. Jrfiguel Xillo, Tucuman:
1 — Meibomia cuneata, (Hook et Arn.) : X.° 2685, Jorgensen, Chaco,
Las Palmas, XI-17 — 12218, Lillo, Missiones, St. Ana,
20-IX-12. — 7291, Lillo, Tucuman, Cebil Redondo, 24-XII-07.
2 — Meibomia uncinata , (D. C.): X.° 15869, Lillo, Tucuman. Cerro
Duraznillo, 3-III-14, — 7692, Lillo, Tucuman, La Yentanita,
17-11-08 — 9029, Castillon, Cata marca, El Creston, 25-III-909
— 3954, Lillo, Tucuman, Sierra S Javice, 11-11-05 — 9662,
Lillo, Jujuy, Capita], en la arena de las playas, 7-IV-909,
(E‘ interessante ver como são reduzidas as folhas e o re-
vestimento neste material) — 5437, Lillo, Tucuman, An-
fame, 23-1-07.
3 — Meibomia albiflora, (SaLZM.): X.° 14801, Lillo, Tucuman, Es-
caba, 15-XII-913.
4 — Meibomia iticana, (D. C.): X.° 10971, Lillo, Salta, Orán, 27-
XI-11 — 9813, Lillo, Tucuman, Capital, 25-1-10 — 14820,
Lillo, Tucuman, Iacurichi, 17-IX-93 — 2684, Jorgensen, Chaco,
Las Palmas, ll-IX-17 — 12475, Lillo, Missiones. Santa Ana,
3-II-13.
5 — Meibomia pachyrhiza, (VoG.): X.° 1550, Lillo, Tucuman. S.
Pedro Colaláo, 9-III-917 e 2948 Jorgensen, Formosa, Laishi,
3-IX-18.
6 — Meibomia pabularis, Hoehne: X.° 10290, Lillo, Missiones, Santa
Ana, 24-IV-910.
7 — Meibomia spiralis, (D. C.): X.° 4436, Lillo, Salta, Rosário
de la Frontera, 23-VI-95 — 1634, Jorgensen, Cata marca,
Andalgalé, 20-III-916.
Brasil :
Do material existente no Museu Nacional do Rio de Janeiro examinámos
e determinámos as seguintes espécies:
1 — Meibomia triflora, (D. C.): S-X Salzmann, Bahia s-d.
2 — Meibomia incana, (D. C.) 368, Schwacke, Serra dos Tapes,
Rio Grande do Sul, 12 de março de 1880.
3 — Meibomia mollis, (D. C.) X.° 1058, correspondente ao n.°
365 de Freire Alemão, Cedro, VI-12.
4 — Meibomia barbata, (D. C.) S-X., Schwacke, Copacabana, Rio
de Janeiro, 1887.
cm
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An. das Mem. do Instituto de Butantan — Vol. I - fase. 1 51
õ — Meibomia axillaris, (D. C.) S-ind.
6 — Meibomia discolor , (Vog.) X.® 12576 Glaziou, Rio Manso. Mi-
nas, 20 de fevereiro de 1880 (dado como JJcsm. cajanifolium,
D. C.) e 3716.» dito, Canqtos do Itaiaia, Rio de Janeiro.
8 de junho de 1871, (dado oomo Desm. Iriocarpum, Dos.)
e 381 Sampaio, Sitio, Minas Gerais, s-d.
7 — Meibomia discolor, (Vog.) var. villosa, Hokhse: S N. Widgren,
Minas.
8 — Meibomia cajanifolia, (D. C.) X.® 224, S-A. Mato-Grosso e
n.° 90, Fritz Müller, Curitibsnos, St. Catarina, março de
1877.
9 — Meibomia sclerophylla, (Bth.) X.° 153 Smith, Mato-Grosso, s-d.
10 — Meibomia bracteata, (Midi.) X.® 4784, Glaziou. S. Cristovam,
Rio de Janeiro, 15 de junho de 1870. (dada como tipo
da nova espécie).
11 — Mciltomia uucinata, (D. C.) X.° 3259, P. Dusén, Piraquara,
Paraná, em 26-1-04, (dada como Desm. infractum, D. C.).
12 — Meibomia cuneata, (Hook et Ars\) X.® 91 Fritz Müller, Curi-
tibanos, St. Catarina em março de 1877 e n.° 1478, s-a.
Rio Grande do Sul.
Material que examinámos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro:
1 — Meibomia lunata, (HlBKR) X.° 1504,Huber, Saraiacu, Catalina,
Peru, 24-XI-98.
2 — Meibomia gyrans, (D. C.) X.® 1005, Cult. no Jardim Botâ-
nico.
3 — Meibomia triflora, (D. C.) X.° 531, Ducke, Ilha do Mara-
nhão, Maranhão, 3-Vr-07.
4 — • Meibomia aspera, (Desv.) X’.° 2788, Iíul>er, ou seja 10623
Jardim, Marajó, Jutubá, Pará, 4-VII-02 e 214, Huber. Arari,
Marajó, 30-\TI-96.
5 — Meibomia spiralis, (1). C.) X.® 3775, ox I.oefgren n.° 954,
Joaseiro, Baia, março de 1912, (dada couto Desm. Iriocarpum,
Don.).
6 — Meibomia paclujrhiza, (Vog.) X.® 14988, Ducke. Oriximiná,
Trombetas, Pará, 16-X-13.(dado como Desm. tortuosum, D. C.).
7 — Meibomia discolor, (Vog.) X.° 5046, Capanema. Jtajal, St. Ca-
tarina, (dada como Desm. Iriocarpum. Don.). 1704. F. Toledo.
S. Paulo, Capital, maio 1913. (dada como Desm. Iriocarpum.
Don.).
8 — Meibomia discolor, (Vog.) var. villosa, IIoKHNK X. 7610, Dio-
nisio Constantino, Inst. Botânico? (dada como Desm. leio-
carpum, DON.).
9 — Meibomia pabularis, HoKHNK X.® 2512, s-ind. (dada Como Desm.
leiocarpum, Don.).
54 Leguminosas fonageiras do Brasil
5 — Meibomia incana , (D. C.) X.°® 2555 e 4663. Hoehne, Coxipó
da Ponte e Melgaço perto de Cuiabá. Mato-Grosso, res-
pectivamente em fevereiro e março de 1911. (0 ultimo
foi erradamente determinado como sendo Desm. adscendens,
D. C., no trabalho acima citado).
6 — Mribomia uxillaris, (D. C.) X. M 1322 e 1355. Hoehne, Tapira-
poan, em março de 1909 e X.° 451, Klhlmann, Rio Arinos,
em novembro de 1915.
7 — Meibomia platycarpa, (Bth.) X.° 332 e 334, KLHLMANN, Es-
trada da Larga, perto de Cuiabá, Mato-Grosso, em outubro
de 1914 e X.° 4613. Hoehne, S. Luiz de Cáceres, Mato-
Grosso, em Setembro de 1909.
8 — Meibomia aspera, (ÜESV.) X.°* 2556 e 4677, Hoehne, Coxipó
da Ponte, Cuiabá, em março de 1911 e X.° 2049, Klhlmann,
Estrada do Rosário, Cuiabá, em março de 1918.
9 — Meibomia sclerophylla, (Bth.) X.°* 411, 413, 1329, 1629, 4611,
e 4612, Hoehne, S. Luiz de Cáceres, Mato-Grosso, em
setembro de 1909 e 1911.
10 — Meibomia cajanifolia, (D. C.) X.°* 1229, 1585, 2557, 5642 e 5644,
Hoehne, Tapirapoan. Mato-Grosso, em janeiro de 1909,
1911 e 1914. (Xos trabalhos da Comissão e Expedição
Roosevelt — Rondon, dada, segundo identificação do Dr.
HaKMS, como Desm. leiocarpitm, Do.v).
11 — Meibomia pabularis, HOEHNE N.° 2559 e 2554, Hoehne, Ben-
jamim Constant, sul de Mato-Grosso, em maio de 1911,
(Xo trabalho da Com. Rondon, Parte VIII, dada como
Desmodiutn aff. asperum, Dksv.).
Material do Hervário ífothnt (particular):
1 — Meibomia axillaris, (D. C.) X.° 164, Hoehne, Encosta da Serra
do An dara í, Rio de Janeiro, em março de 1917.
2 — Meibomia adscendens, (D. C.) X.° 165, Hoehne, Tijuca, Rio
de Janeiro, em março de 1917.
3" — Meibomia incana, (D. C.) X.° 169, Hoehne, Tijuca. Rio de
Janeiro, em fevereiro de 1917.
•1 — Meibomia albiflora, (Salzm.) X.° 163, Hoehne, Encosta da
Serra do Andarai, Rio de Janeiro, em março de 1917.
Em tkmpo: Jã se achava composto o presente trabalho quando recebemos dos
Professores: Dr. Harms c Sciiinolkr da Alemanha, informações de que também o
ultimo mencionado se encontrava estudando monograficamcnte presente género de
plantas e que, ao contrário do que fazem hoje os botânicos americanos do norte,
elle continuaria chama-lo de Dksmodims, estribado nas resoluções do Congresso In-
ternacional dos Botânicos, aprovados pela maioria, mas com o protesto dos Norte-
americanos, aos quaes acompanhamos porque julgamos que elles com Kuntze, é que
estão agindo com justiça e inteira isenção de animo.
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das espécies de Me ibómias.
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