KEK5?.IÀS DO mS TTTCTO K3TA3TAH
1947 - Yol.20 y
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As “MEMÓRIAS 1)0 INSTITUTO BUTANTAN” são destinadas
á publicação de trabalhos realizados no Instituto ou com sua con-
tribuição. Os trabalhos são dados á publicidade, separadamente,
logo após a entrega e reunidos anualmente num volume.
Serão fornecidas, a pedido, separatas dos trabalhos publicados
nas “Memórias”, pedindo-se nesse caso o obséquio de enviar outras
separatas, em permuta, para a Biblioteca do Instituto.
Toda a correspondência editorial deve ser dirigida ao:
INSTITUTO BUTANTAN
Biblioteca
Caixa postal 65
S. Paulo — BRASIL
PEDE-SE PERMUTA
EXCHANGE I) ESI RED
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SciELO
10 11 12 13 14 15 16
1 X D I C E
33 Z
Pag.
1. VALLEJO-FREIRE. A. — Febre maculosa no México. Cultivo de Riquct- /
sia» .. 1-12 Y
Sfotted fever in México. Culture of Rickettsia.
2. LEAO. A. T. & EICHBAUM, F. W. — Ação vcrmicida do óleo de cajú /
( nacardi u m occidentale ) e derivado?. Experiência? em cães 13-30 /
Vermicidal actrvity of the cashew oil (dnocordium occidentale t and deri-
latkxs. Rxferiments in dogs.
k 3. BIER. O. — Estudo quantitativo da reação de floculação entre o antive-
neno crotalico c uma tração purificada do veneno da Cascavel neo- /
tropica ( Crotalus t. terrificus ) 31-3S 7
Quantitativo shtdies oj the floccuLstion reaction between lhe erolalie anti-
tvnom and a furified fractiem of the Seotropic rattlesr.ake tvnom
( Crotalus t. terrificus).
4. SALVATORE, C. A. & SCHREIBER. G. — Pesquisa» cariomctrica» no
ciclo estral e (travidico. Pesquisas de citologia quantitativa: IV ... 39-78 '
Caryometric r escarches in the oestral and gravidic cyeles. Researches
of quantitative eytology: IV.
5. EICHBAUM, F. W. — Ação dermatotoxica de veneno» ofidico» e sua ncu-
— traliraçáo pelo» antivenenos 79-94 /
Permatotoxic aetivity of ofhidic ve no ms and their neutralisation by
the antivenoms.
6. EICHBAUM. F. W. — O fator de difusão (“Sprcading factor ") dos
veneno» de Bothrofs jararaca e de Crotalus terrificus terrificus 95-106 /
The spreading factor of the venom of fí. jararaca and Crotalus I.
terrificus.
VALLEJO-FREIRE. A. — Transmissão do virus da febre maculosa me- /
xicana per Ambromma striatum Koch. 1844 107-112/
Virus transmission of Mexican stottcd fever by sfmblyomma striatum
Koch. 1844.
8. SCHREIBER. G. — O crescimento interfasico do núcleo. Pesquisas cario-
métricas sobre a espermatogenese dos ofidios 1 13-180 /
Interfhasic groxeth of the nucleus. Caryometric researches í»i the
ofhidic spermatogenesis.
9. — HOGE. A. — Xotas erpetologicas. 2. Dimorfismo sexual nos Boideo» .... 181-188 ^
Sotes on Herpetology. 2. Sexual dimorpkism in Boidae.
10. PRADO. A. Xotas ofiotogicas. 20. Descrição do alotipo de Dryophylax
.rutiku Prado. 1942 189-192
.Vo/cx on Ophidia. 20. Description of the ollotybe of Dryofhylax
rutuus Prado. 1942.
11. HOGE. A. — Xotas erpetolngica». 3. Uma nova c.peeie de TrimeresunJ 193-202 /
Notes on Htrfetology. 3. A nrtr sfecies of Trimeresurus.
cm
12 .
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13.
14.
9o 3
15.
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MS-O
16.
9JI
17.
18.
V2
EICHBAUM, F. \V. — Potenciação da ação vermicida do hexylresorcinol
-por detergentes. Experiências in vitro com Ascaris de porco 203-218/
Potcncy of the fetmicidal action of lhe hexylresorcinol by detergents.
In -Atro experimenls with hog Ascaris.
MILLER DE PAIVA, L. — Ovário e adrenal. Suas relações com a ali-
mentação e com o benzoalo de estradiol
Ovary and adrenal. Thcir rclations trith the alimentation and uAth
estradiol benzoate.
AMARAL. J. P. DO & LACERDA JR.. M. G. DE — Estudos sobre a
.vacinação antitifica. 1. Vacinação pelo método de Felix 227-232
Studics oi i the antityphoidic vaccination. 1. Vaccination by Felix
technique.
BÜCHERL. W. — Estudo comparativo das cspccies brasileiras do genero
Pamphobcteus Pocock, 1901 ( Mygalomorphae ) 233-282
Comparativa study of the Brazilian species of the genus Pamphobeteus
Pocock. 1101 ( Mygalomorphae ).
PRADO. A. & HOGE. A. — Xotas otiologicas. 21. Observações sobre
serpentes do Perú
Notes on Ophidia. 21. Some obscrtviions on Peruvian stiakes.
BÜCHERL. \V. — Duas novas cspecies do genero Eupolaestrus Pocock, 1901
Tua neto species of the gentis Eupolaestrus Pocock, 1901.
ROSEXFELD, G. — Método rápido de coloração dc esfregaços de sangue.
Noções praticas sobre corantes pancrotnicos e estudo de dive-sos fatores
Rapid method for the coloralion of blood smears. Practical notes on
panchromic stains and studics of various factors.
19. ROSEXFELD. G. — Corante pancronico para hematologia e citologia
clinica. Xova combinação dos componentes do May-Gríínvvald c do
Gicmsa num só corante de emprego rápido 329-334
Panchronic stain for hematology and clinicai cytology. A neto com-
bination of the Moy-Grüntoald and Gicmsa eomponents in a stain of
rapid applicalion.
20. SALVATORE, C. A. & SCHREIBKR. G. — Pesquisas dc citologia quan-
titativa. V. Estudo carioroctrico das células foliculares e luteinicas .... 335-352
Quantitativa cytology researehes. V. Caryometric study of the folli-
cular and luteinic cells.
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283-296/
297-314,
315-328/
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Mexa. Inrt- Butanun.
-Zt: 1-12, Da.* 1947.
A- VALLEJO-FREIRE
1
FEBRE MACULOSA XO MÉXICO. CULTIVO DE RIQUÉTSIAS
ro* A. VALLEJO-FREIRE
(Do laboratório dt Imunologia do Instituto Butanton. S. Paulo. Brasil)
Em trabalhos anteriores (1-2) estudamos o comportamento experimental do
vírus isolado por Bustamcnte c Varela (3-6) dc casos humanos de uma infecção
-exantemática, semelhante à febre maculosa, verificada nos Estados de Sinaloa
■e Sonora, no México.
Em vista de serem conseguidas a partir de cultivo em tecidos vacinas
eficazes contra a maioria das riquétsioses humanas, procuramos cultivar a
amostra do vinis mexicano, para obter antigeno em quantidade suficiente,
ass:m como estudar o comportamento das riquétsias cultivadas.
Entre as técnicas utilizadas para esse fim, sobressai pela simplicidade
e melhores resultados obtidos a originalir.cntc usada por Barykinc c colabora-
dores (7) no cultivo do vírus do tifo epidêmico. Consiste esta técnica cm inocular
o material infetante no interior da bolsa vitelina dc embriões dc galinha em
desenvolvimento. O método toi aperfeiçoado por Cox (8.9). que o utilizou
para cultivar riquétsias tanto do grupo do tifo. como do da febre maculosa e c
hoje intemacicnalmentc conhecido sob a denominação de método dc Cox.
Com o método dc Cox diversos pesquisadores conseguiram cultivar riquétsias
isoladas dc casos humanos de infecções exantemáticas, verificados nas mais
variadas localidades geográficas (10-15), o que permitiu igualmcnte produzir
vacinas eficazes centra as diferentes riquétsioses observadas nos continentes
•euroreu c americano (16-19).
Durante a última guerra a proteção das tropas c mesmo de grandes populações
contra o tifo epidêmico c endêmico e mesmo contra a febre maculcsa foi pos-
sível devido à utilização da técnica dc Cox para o cultivo dc riquétsias. que
perrr. tiu a produção dc vacinas <m grande escala. Com os métodos dc Wcigl (20),
Zins-er c colaboradores (21-24), Castancda (25) ou Spcnccr-Parkcr (26) não
Recebido para publicação em outubro dc 1945.
2
FEBRE MACULOSA NO MÉXICO. CULTIVO DE RIQUÉTSIAS
teria sido possível produzir antigenos necessários para a produção de grandes
volumes de vacinas, pois que todos êles são de difícil execução, requerendo pes-
soal altamente especializado.
As amostras de vírus da febre maculosa isoladas no continente americano,
principalmente nos Estados Unidos e no Brasil, são todos cultiváveis pelo método
de Cnx e a grande maioria das vacinas hoje utilizadas é preparada com antigenos
obtidos por esta técnica.
Neste trabalho relatamos resultados de cultivo de uma amostra do vírus
mexicano, que temos utilizado no Instituto Butantan para a produção de varina
contra a febre maculosa em São Paulo. Descrevemos com detalhe o material
e a técnica por nós empregados com bons resultados há algum tempo, o que nos
tem permitido maior segurança nas manipulações assépticas e diminuição do
número de contaminações bacterianas, principalmente durante a fase de inocu-
lação e colheita dos embriões.
MATERIAL E MÉTODOS
Ovos — Ovos fecundados de galinha Lcghom, mantidos cm incubadora comum à tem-
peratura de 38.5 a 39.5°C durante 5 a 8 dias.
Virus B. V. (•) — Isolado de caso de febre maculosa no México por Bustamante e
Varela. Remetido ao Instituto Butantan em Omithodorus sp. e mantido em passagens
sucessivas em cobaia.
Inoculação — As inoculações são feitas com auxilio de seringas montadas com agulhas
de 3 a 4 cm de comprimento e 0.3 a 0.5 mm de diâmetro.
Os embriões antes de inoculados são examinados por transiluminação. Xesta ocasião
assinala-se na casca os limkcs da cámara-dc-ar e marca-se o local, que corresponde ao ponto
mais próximo da mancha ocular. Esta última referência facilitará ao técnico atingir o
interior da bolsa vitelina no momento da inoculação.
Para facilitar a inoculação, usa-se um maçarico alimentado oom mistura de oxigénio e
acetileno (oxy-acetileno blow-pipe Oswald, tipo W-29, bico X.° 2), que permite formar
chama bem fina, curta e intensa. Com êste maçarico calcina-se em um segundo pequena
área da casca, correspondente à câmara-de-ar, aproximando a base da chama tangencialmen- (*)
(*) Recebido por gentileza do prof. Ayrosa Galvão.
Man. Inst. Baüatan.
2« : 1-12, Da.* 1947.
A. VAU.EJO FREIRE
te á pane mais saliente do polo do ovo (Foto 1). Deste mode. não só se esteriliza, como
se toma friável o local por onde vai passar a agulha para atingir, através <la câmara-de-ar,
o saco da gema. evitando a manobra de se perfurar a câmara-de-ar com estilete, o que é a
causa frequente de contaminações.
As inoculações de ovo a ovo foram feitas cm volume, variando de 0.1 a 0.5 cm* da
suspensão obtida de u'a membrana vitelina em 15 a 20 cm’ de liquido.
Com a seringa contendo o material iníetante. com golpe brusco, procura-sc orientar a
agulha através da parte calcinada da casca, aproximadamente para o centro do ovo e no
lado oposto da marca correspondente à maneia ocular, procurando evitar movimentos laterais,
que i iodem dilacerar a membrana da casca, que protege c forma a câmara-de-ar. Déstc
modo, atinge.se facilmente o interior do saco da gema. porém, para maior segurança, convém,
antes de injetar o “inoculum", aspirar pequeno volume de gema.
Foto |
Inoculado o material, o orifício feito pela agulha é fechado com ua mistura de para-
(POm ° dC ÍU “° 70 ° C) °° gUÜ,PCrCha ™ baMÔC5 - Win,ica à utiliza <b pelos
I JiTr 5 * ln ° CV ^ T virios OVOÍ a m «ma seringa, usando-se neste caso seringas de
' Pan ‘ i ,mxular 00 10 «vo». De cada “inoculum" ou. melhor.
bacteriológica Tara Ti proc " lcsc - an,es '"ovulações. a provas de esterilidade
cm caldo glicoTdo. * P °*" C d ' *'' en,UaÍ * ruminações, semeando algumas gotas
~ £££.' * * zztjzzzr*” - ***
siluminação, mostrarem movimenj ,ã7 IcTcÍ á * , ° U ? ° bfCr ' ados ^ ,ran ’
I imite da vitalidade. l*™ 5 Perceptíveis que indiquem estar no
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FEBRE MACUI.OSA XO MÉXICO. CULTIVO DE RIQUÊTSIAS
.■ibcrturo — Antes de se proceder à abertura dos ovos para retirada dos embriões, de-
sinfeta-se por meio de tintura de iodo a parte da casca correspondente à cãmara-de-ar até
1 cm abaixo de seus limites previamente assinalados.
A técnica que vimos utilizando com bons resultados para a abertura asséptica dos
embriões é a de Penna (27) modificada. Como suporte dos ovos usamos uma caixa metálica,
cuja parte superior é constituída por uma chapa de aço inoxidável, por onde passam quatro
pinos, que servem para encaixar os recipientes dos ovos. No interior da caixa um motor
idêntico aos utilizados nas vitrolas, permite fazer girar os suportes dos ovos com velocida-
de regulável por um “dial" graduado entre 50 a 150 r.p.m.; rotineiramente, usa-se 70 r.p.m.
(Foto 2).
Foto 2
Colocados os ovos nos suportes c com a cámara-dc-ar mantida para cima, antes de acio-
nar o motor, com auxilio do maçarico, utilizando sempre a base da chama, calcina-se nova-
mente um pequeno ponto da parte superior da casca. Com esta manobra evita-se que, ao
aplicar a chama para abrir o ovo, a dilatação do ar na câmara provoque a saída violenta do
material infetado.
Ligado o motor e girando os ovos a 70 r.p.m., aproxima-se a base da chama tangencial-
mente à parte lateral do ovo, próximo e pouco acima do limite previamente marcado da
càmara-de-ar. Em 2 a 3 segundos ao máximo, isto é, completadas duas a quatro rotações,
“ corta-se " estérilmente a parte da casca correspondente á càmara-de-ar, que se pode remo-
ver facilmente, deixando ainda a membrana da casca protegendo o embrião. Com auxilio
4
Mem. Iiui. BotacUo.
ÍS.1-12. Dor.* 1947.
A. VAI.LRJO FRBIRE
3
dc p : nça esta l-xk ser retirada, para se proceder à colheita do embrião ou apenas da mem-
brana do saco da gema. removendo-a para recipiente estéril, onde com maior segurança se
poderá trabalhar ao abrigo de contaminações (Foto 3).
Fero 3
Com esta técnica, a chama capaz de abrir o ovo não chega a provocar aumento apreciá-
vel de temperatura ao embrião, não influindo, [xirtantn, sõbrc a viabilidade do vírus nele
cultivado. Com precaução, no entanto, pode-se. antes de abrir os ovos. mantc-los por algum
tempo na geladeira.
Colorarão d,- riqufisw — As preparações para a pesquisa de riquétsias íoram feitas de
esfregaços tão finos quanto possível de fragmentos de tecido da membrana vitelina ou ainda
da suspensão resultante do triturado pronto para ser inoculado nos embriões.
Para colocação foi usado o método de Macchiavcllo (28).
Foto 4
5
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FEBRE MACULOSA XO MÉXICO. CULTIVO DE RIQUÉTSIAS
RESULTADOS
Tentamos cultivar o agente da febre maculosa no México a partir de sangue,
suspensões de tecido cerebral ou triturado de vaginais de cobaias infetadas.
Foram bem sucedidas as séries de passagens em embriões, iniciadas com
0.5 a 1.0 cm 3 de virus-sangue, colhido no primeiro ou segundo dia de circulação
do vírus.
Conseguimos culturas positivas de uma série iniciada com material provi-
niente de emulsão de tecido cerebral de cobáia infetada.
As tentativas de cultivo feitas com suspensões contendo riquétsias, obtidas
de “túnica vaginalis”, raspagem ou lavagem da parede do peritòneo parietal de
cobáias infetadas, não foram levadas adiante, por terem sido verificadas conta-
minações liacterianas. devidas, provavelmente, às manobras durante a colheita
Nas passagens de embrião a embrião, foram utilizadas membranas vitelinas
de embriões infetados, colhidas no dia da morte, trituradas logo a seguir ou após
permanência no frigorífico (temperatura entre 6 e 10.°C) durante algumas ho-
ras ou mesmo 2 a 3 dias, em certas ocasiões.
As membranas foram lavadas em solução fisiológica ou em sôro de leite
fresco descremado, congeladas, trituradas, suspensas em sôro de leite, centri-
fugadas a baixa rotação durante tempo apenas suficiente para remover as par-
tícula: mais grosseiras do tecido. O liquido sobrenadante foi utilizado para
inocular a série seguinte de embriões.
Em duas séries iniciadas com inoculação de virus-sangue citratado encon-
tramos riquétsias em número elevado logo nas primeiras passagens. Em uma
destas séries foram feitas 12 passagens e na outra apenas 7 . Nesta segunda
série perdemos o material devido a desarranjo havido na estufa de manutenção
dos embriões inoculados e na primeira intern mpemos voluntáriamente o trabalho
após doze passagens consecutivas em embriões.
Fara cada "inoculum” preparado com membrana de um único embrião, in-
jetamos como minimo 5 outros. De cada -érie por vezes utilizamos membranas
de 2 ou 3 embriões. As membranas que apresentaram maior riqueza de cres-
cimento foram as escolhidas para serem utilizadas na manutenção da amostra.
Em ambas as séries os embriões incculados com virus-sangue morreram
entre o 7.° e 9.° dia, não levando em conta os mortos antes de decorridas 48
horas da inoculação. Em todos os embriões examinados não verificamos a pre-
sença de riquétsias, apesar de cuidadoso e demorado exame das preparações.
Na primeira passagem de embrião a embrião, a morte verificou-se entre o
6.* e 8.* dia e nas demais, quando o “inoculum” foi positivo, entre o 4.* e 6.* dia.
6
Meta. 1 051- Butanun,
!*: 1-12. Da.* 1947.
A. vallejo-freire
Xas membranas vitelinas dos embriões que serviram para a primeira passa-
gem da série mais longa de inoculações, encontramos riquétsias em número
regular em todos os que morreram no 6.° dia e em um morto no 8.° dia. Foram
iguaimente encontradas riquétsias em número abundante em todos os embriões
logo na primeira passagem. O aspecto e a abundância das riquétsias foram
praticamente semelhantes aos verificados na passagem seguinte. Sómente a par-
tir da 6. a passagem c excepcionalmente em alguns embriões obtivemos membra-
nas mais ricas em riquétsias.
Mais frequentemente encontramos crescimento abundante nos embriões mor-
tos entre o 4.° e 6.° dia, sendo raras as vezes cm que verificamos riquétsias em
grande número nos mortos dq>ois do 7.° dia. Xunca observamos crescimento
em embriões mortos antes de decorridas 72 horas da inoculação, sendo nestes
casos até mesmo raro encontrar riquétsias extracclulares, correspondentes ao
material inoculado.
As duas fotografias apresentadas (Foto 5-6) foram obtidas: uma de pre-
paração feita com membrana da gema de embrião inoculado com material de
11 a passagem c de embrião morto entre o 5.° e o 6.° dia de inoculação; a outra
corresponde a material de 6 a passagem.
T -
. V -
4T
V
* W
v- - &_
Foro S
Foto 6
São bem visíveis em ambas as fotogratias riquétsias situadas iiitraproto-
plasmaticamente e também outras nos espaços intercclulares. Quer com a téc-
nica de coloração de Macchiavello, quer com a de Gicmsa. não conseguimos locali-
zar riquétsias de situação intranuclear.
cm
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s
FEBRE MACULOSA XO MÉXICO. CULTIVO DE RIQUÉTSIAS
Ouanto a forma, predomina a de pequeno.- bastonetes e de diplobacilo,
com elementos mais raros com aspecto de diplococos. O polimorfismo das
nqt.ets.as nas culturas em embriões não é tão grande, quanto o que se verifica
nas preparações de material de cobáias infetadas, que apresentam variações mais
amplas e prmc.palmente tomas de bastonetes de maiores dimensões.
As observações feitas em cobaia depois de inoculadas com membranas
de embriões infetados de culturas correspondentes até a 12.* passagem,
mostraram que as características originais do vírus mexicano foram inte-
gralmente mantidas, inclusive a capacidade de provocar intensas reações
escrotais em animais inoculados, quer seja pela via subcutânea, quer pela via
pentoneal.
Em membranas de embriões, que após a morte foram mantidos tx>r 2
a 4 dias a temperatura ambiente do laboratório, encontramos algumas ve-
zes maior numero de riquétsias do que em membranas de embriões da
mesma serie abertos .mediatamente após a morte. No entanto, tivemos
dificuldade de manter series, quando utilizamos membranas vitelinas de
cn.bnoes mantidos depois de mortos à temjieratura ambiente do laboratório.
Co.iaia. porem, inoculadas com material destes embriões, poucas vezes reagi-
ram i>osit;vamente. mostrando assim que as riquétsias estavam mortas. Quando
entretanto, 12 a 15 dias depois foram reinoculadas com 1 cm s de vírus-sangue
de passagem em cobaia, quase todos os animais se apresentaram imunes.
CONCLUSÕES
A amostra de virus BY é facilmente cultivada j>ela técnica de Cox.
Nao foram notadas diferenças significativas entre o comportamento dos
embriões inoculados com amostra de vírus mexicano e os inoculados com
vírus de outras procedências. Apenas verificamos a maior facilidade com
que são encontradas as riquétsias logo na primeira passagem de embrião a
embrião, fato este, que parece ocorrer com menos frequência com riquét-
sias isoladas de caso. de febre maculosa no Brasil e nos Estados Unidos.
Com as outras amostras de vírus da febre maculosa até hoje estudadas, só
se observam riquétsias cm número razoável a partir da 4.* passagem e por
Aezes o crescimento só é abundante, quando atinge a 6.* ou 7.* passagem.
Com esta amostra, na 1.* e 2.* passagem podem-se encontrar com relativa
facilidade riquétsias nas preparações feitas com membranas vitelinas em
número suficiente para serem encontradas em todos os campos das melho-
res preparações.
O cultivo do vírus mexicano permitirá obter facilmente vacinas contra
a febre maculosa no México. A identidade imunológica existente entre
este vírus e os da febre maculosa nas Montanhas Rochosas e no Brasil
Mm. Isut. BsUnttn,
Da.’ 1947.
A. V.M.LEJ O-FREIRE
(S. Paulo e Minas Gerais), aliada à facilidade de cultivo da amostra mexi-
cana, leva a sugerir a sua utilização no preparo das vacinas contra a febre
maculosa verificada em diversos paises do continente americano (Estados
Unidos, Brasil, Colombia e México).
RESUMO
São descritos os métodos e detalhes da técnica utilizada para o cultivo,
de u’a amostra de vírus da febre maculosa isolada no México e apresentados
os resultados alcançados.
Foram conseguidas culturas positivas a partir de virus-sangue de co-
baia infetada, fazendo-ee neste trabalho uma série de 12 passagens cm
embriões. As características do virus, quanto ao comportamento em relação
à intecção provocada na cobaia, foram integralmcnte mantidas.
Já na 1* passagem, ao contrario do que se verifica com as demais
amostras de virus da febre maculosa, as riquêtsias podem ser vistas cm
grande número na membrana vitelina dos embriões inoculados. O nú-
mero de riquêtsias encontradas a partir da 5* passagem é muito superior
ao que tem sido verificado em outras amostras de febre maculosa.
O autor é de opinião que, devido à facilidade com que se cultiva
esta amostra, pode ser a de encolha para o preparo de vacinas contra a fe-
bre maculosa em geral, visto que, como ficou provado cm trabalho anterior,
ela é imunológicamente idêntica à febre maculosa no Brasil c nos Estados
Unidos.
ABSTRACT
The methods and details are dcscribcd of the tcchnique used for thc
cultivation, by Cox’ method, of a strain of spotted fever virus, isolated in
México by Bustamente and Varela of a human case of the disease, and the
rcsults presented.
Positive cultures wcre secured from virus-blood of iníected guinea-pig,
a series of twelve passages in chicken embryos being made. The virus’
characteristics as to its bchaviour in regard to experimental infection in
guinea-pig, wcre entirely maintained.
Already in the first passage a considerable number of Rickettsiac could
be found in the yolk sac of thc inoculated embryos, which is in contrast
with what happens with other strains of spotted fever viruses. The num-
ber of Rickettsiac observed from the fifth passage on is much higher than
that seen in other spotted fever strains.
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FEBRE MACULOSA NO MÉXICO. CULTIVO DE RIQUÉTSIAS
Due to the easy cultivation of this strain, the author suggests its use
for the preparation of vaccines against all spotted fevers, since immuno-
logically it is identical to that of the spotted íever in Brazil and in the Rocky
Mountains (U. S. A.) as has been proven in a fornier paper.
Agradecemos ao Sr. Arnaldo França o auxilio técnico prestado
na execução dèste trabalho.
BIBLIOGRAFIA
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,, AÇAO VERMICIDA DO ÓLEO DE CAJC ( ASACARDIUSt
1 ' t OCC1DESTALE ) E DERIVADOS. EXPERIÊNCIAS EM CAES
comercialmente, por um processo de aquecimento que faz arrebentar as casta-
nhas deixando em liberdade o óleo. Além do óleo puro, foram ainda usados r
ácido anacárdico, anacardato de sódio, anacardol, a fração cardol-anacardol, que-
denominaremos doravante de “fração anácida”, representando a parte sobrena-
dante depois da precipitação do ácido anacárdico pelo hidróxido de chumbo.
A composição do óleo de cajú pode ser esquematizada da maneira seguinte r
ácido anacárdico
± 50%
óleo de cajú
Taninos Produtos de polimerização do ácido
anacárdico e do cardol-anacardol
O ácido anacárdico foi usado tanto como ácido puro, como sob a fórma do
sal sódico (anacardato de sódio).
Tódas as substâncias purificadas foram preparadas na Seção de Química da
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, pelo
Prof. H. Hauptmann e Srta. Hanna Rothschild. Pormenores dos caracteres
fisico-quimicos dos mencionados produtos e os métodos de sua preparação foram
descritos por Eichbaum, Hauptmann e Rothschild (7).
Após observações in vilro com várias concentrações de anarcadato de sódio-
que mostraram ação nitidamente vermicida sóbre Ancylostoma caninum, Trichu-
ris vtJpis e Toxocara canis, resolvemos iniciar experiências in vivo.
material e métodos
Para êste fim usamos cães num total de 26 que nos foram fornecidos pela
Prefeitura da Capital. Não levamos em consideração quer a raça, sexo ou cór
dos animais e todos faziam parte dos chamados "vira lata” que são capturados
diariamente nas ruas da Capital.
Para a verificação do grau de infestação usamos exclusivamente o método
original de Stoll (8), porém ao em vez de uma lâmina contavamos duas, di-
minuindo assim, ainda mais, as possíveis causas de erro. Fazíamos sempre
três contagens antes (às vèzes quatro e raramente duas) e três depois (às vêzes
quatro ou cinco e raramente duas), em dias seguidos, da medtcação. Levamos
Men. Tnií BaUntan.
29:12-20. De*-* 19*7.
ARISTOTERIS T. LF.AO A F. \V. EICHBAUM
15
sempre cm consideração a consistência das fezes, tomando como base fezes “for-
madas”, portanto multiplicavamos o número de ovos encontrados por 2 quando
em íacc de fezes moles e por 4 quando diarréicas. Não fizemos verificação
quanto ao número de vermes expulsos. Os nossos números se referem, por
tinto, ao número de ovos encontrados antes e depois da medicação, bem como
ao número de vermes encontrados depois da necropsia.
Para comparação quanto ao número de ovos por grama de fezes, fizemos
contagens em 6 cães não tratados os quais foram posteriormente sacrificados e
os seus vermes contados. Estes resultados são referidos no quadro Xo. 1, os
quais servirão de base para os nossos cálculos. Como mostra esta tal>ela, no
Qcadbo I
(rtlação oro-tOTW f>or g rama dc
(Ancyloitoma)
Cio No.
Xo. mõíio «J*
ovo* por
crasu
Vrnan cn-
ccfltrvtot
X.o de oro«
por vrrroe
10
«.MS
192
22
IS
10 . 966
127
80
37
3.666
22
159
40
4.189
19
220
41
2.817
22
129
42
7.4 62
45
165
Totíl — 6
25.501
4J9
786
Metia por
cio
5.912
72
121
caso de Ancylostoma, a relação verme-ovo por grama de fezes ê de 1 : 1 30 ; no*
caso de Trichuris esta relação é aproximadamente de 1:25, precisando-se ainda
de mais dados estatísticos para apurar estes resultados obtidos em número rela-
tivanunte pequeno de animais. Quanto à relação ovo- verme de Toxocara não
temos elementos suiicientes para uma comparação exata ou mesmo aproximada,
bas.andc«se os nossos resultados somente nos exames pré e post-mcdicação dos
cãc; Xos. 13, 25 c 39.
Xenhum dos cães tratados mostrou, durante o tempo de observação, que
variou de 5 dias a 4 semanas, sinal de intoxicação.
1 f. AÇAO VERMICIDA DO ÓLEO DE CAJC ÍASACARDIUSÍ
1 OCCIDKXTALE) E DERIVADOS. EXPERIÊNCIAS EM CAES
Para controlar o efeito vermicida nos cães tratados éstes eram sacrificados
3-4 dia após a medicação, o intestino e o estômago foram dessecados para a ve-
rificação da presença ou ausência de vermes. Depois da inspecção macroscó-
pica dos órgãos parenquimatosos, pedaços de figado, rim, baço, coração, pulmão,
intestino e estômago eram retirados e fixados em formol-fisiológico a 10% e
submetidos a exame microscópico (cortes histológicos corados pelo sudan-he-
matoxilina e eosina-hematoxilina).
Em alguns casos (4 cães tratados e 2 de controle) foram feitos testes fun-
cionais de figado, a saber a reação de Takata, o teste da floculação da cefalina
(Hanger) e a determinação da bilirubina, direta e indireta no sôro (Tabela I
e II).
Para fins de estudos toxicológicos aplicamos nos cães Xos. 14, 15, 17, 28
e 36 quantidades de drogas (óleo puro, ácido anacárdico) variando de 6 a 40
cm 3 , aplicadas 1-2 vêzcs no período de 14 dias. Os animais assim tratados fo-
ram sacrificados e autopsiados 3-4 semanas após o inicio do tratamento.
Todos os cães destinados ao tratamento receberam a última ração às 14
horas, permanecendo sem receber novo suprimento até às 9 horas do dia seguinte
quando então eram medicados.
As substâncias enumeradas mais detalhadamente nos protocolos, eram apli-
cadas por -via gástrica, seja por meio de cápsulas gelatinosas contendo cada
uma 1 cm 3 da droga, seja por meio de sonda. Fóra das quantidades excessivas,
aplicada com o fim de verificar a toxidez, as doses variaram de 2j4 a 8 cm 3 ,
levando para tanto, em geral, em consideração o pêso do animal, não se conside-
rando, entretanto, com rigor êste ponto.
Como referimos linhas atrás as nossas experiências preliminares in vitro
foram realizadas usando-se o sal sódico do ácido anacárdico (anacardato de
sódio) razão pela qual também as primeiras experiências in vivo foram feitas
com êste sal.
Não sendo animadores os resultados obtidos, passamos a ensaiar, em se-
guida, o ók-o puro tendo como veiculo u’a emulsão de goma arábica (julepo
gomoso) e que será sempre referido como “emulsão”. Aqui os resultados foram
bastantes encoraj adores, o que nos levou a insistir nas experimentações.
Passamos em seguida a experimentar o óleo puro (sem nenhuma mistura),
sôbrt o qual mais insistimos pelo fato de obtermos resultados plenamente sa-
tisfatórios. Pesquisamos ainda a ação do ácido anacárdico, ácido anacárdico
Tabela I
Oe resultados dos exames histológicos são resumidos na tabela seguinte
Cia
No.
Fcu
Medicação
oral
Autoçma
...diaa
a pó» ólt.
oedicaçio
Histologia
rijado
Rim
14
IS k(
2x100 exa* de
emulsão c / in-
tercalo de dois
dias
7
Coloração marrou laranja
difusa das células hepáti-
cas. Vacuolixação -f- óleo
nos grandes duetos büia-
res ++
Gloraerulos: normais;
acumulação (eliminação)
do óleo em quasi todos tò-
bolos con tortos e na alça
da Henle 4*4*4*
1J
12 k*
Ideia
1
Yacuclixaçáo das células
hepáticas -f*- óleo nos gran-
des duetos biliares 4"+
Glotserulos : normais;
óleo nos túbulos confortos
e na alça de Henle 4*
17
22 kc
2*125 exa* de
emulsão c/ irv
terralo de dois
dias
J
Vactjolitação da» célula»
hepitica» +++. Acumu-
lação de óleo rji ccl. re-
ticol. + +
óleo nos glomcruloa 4-4-.
ôleo no* túbulos cootortos
e na alça de Henle 4*4--
23
7 kc
15 cri* de ókt
pwo
16
Vacuolisaçáo das células
hepáticas 4*4*4*- ôleo nas
cél. reticuL 4-4* e nos
grandes duetus biliares
. . ...
Fraca coloração difusa
taarron-laranja dos tub.
ret. (alça de Henle) e
cootortos.
11 k(
15
7 cm» de ácido
anacirdico
4
Vactaolitaçlo d?« célula»
hrpiiicat 0. Célula» bep.
c/ Is», col. laranja difo-
u ôleo not jrande» duc-
tua btliare» ++.
ôl« cm iaolado» jlotwru-
lo» +: l>C- coJ. laranja di-
íuaa dot túbulo» contorto*.
M
6 k*
6 cm* de óleo
pur j
1 h 10'
Vacuolisaçâo das células
hepáticas ++• ôlto nos
grandes duetus biliares -4-
• 4*4*.
Glomcruloa : n o r m a i » ;
óleo noa túbului contorta»
•f , na alça de Henle + +
-+++.
Normal
I
13 kc
NSo recebeu
tratamento
Inchação turra das cél.
hept.; infiltr. gordurosa 4-
na periferia dos lóbulos.
Nefrite intersticial 4-* Glo-
roerulos: normais.
Normal
II
15 kc
Ideia
Ligeira ractsolisaçáo das
cél. hept- +. Infiltr. gor-
durosa na perif. dos lóbu-
los -f • + 4*.
Giomerulos, túbulos con-
fortas e retos de aspecto
normal.
cm
7 SCÍELO, 1:l 12 13 14 15 16 17
Mexo. I "st Baustia,
Í»:U-30, Da.' 19*7.
ARISTOTERÍS T. LEAO & F. W. EtCHBAUM
19
+ fiação anácida, fração anácida e, íinalnxnte, em um único caso, o anacardol.
Todas a» experiências foram feitas de acordo com o esquema seguinte :
Tabela III
(exemplificação das diversas experiências)
-Cão Xo. 22 Peso. 11% kg Data : 21/5/46
{ Ancvlostoma
Trichuris
f Ancylostotna 177320
No. médio de ovos por grama de leres | x r ; c huris 1040
í Ancylostoma 1353
No. de vermes que devia existir { Trichuris 42
TRATAMENTO
A 23/5/46 recebeu 5 cápsulas de óleo puro (= 5 cm’)
!.• cooUcm (24/5/46 )
f Ancykwtoroa: SOO oro*
i Trkbum: Mfitito ........ ...
2.* cooUfrtn (27/5/46)
j Ancylmtoou: 100 orot
( Trichurit: SOO ovt* •
ReJu; Jj
99.55*
100 %
99.9 *
25.1 *
Sacrificado a 27/5/46: Redução
Ancylostoma: Havia 2<5<5c299da espécie Ancylostotna brosiliense 99, 8%
Trichnris: Havia 3 9 9 c 1 $ 90,5%
RESULTADOS
1) Ação vermicida do anacardato dc sódio. Nas experiências com o ana-
•cardato dc sódio usamos somente 2 cães, cs quais receberam 1.1 c 1.2 g respe-
tivamente. Não foram feitas contagens de ovos antes da medicação, baseando-se,
por isso, os resultados apresentados, sómente na positividade ou negatividadç dos
exames de fezes posteriores ao tratamento e após o sacrifício do animal. Re-
sulta dai não termos elementos seguros para julgar o valor real da droga empre-
gada. excepto que nas dóses usadas não teve efeito decisivo em nenhuma espécie
•dos seguintes vermes; Ancylostoma, Trichuris c Dipylidium.
2) Ação vernticida da "emulsão”. Denominamos "emulsão" á mistura dc
julepo gomoso contendo 20% dc óleo puro. Pensando numa possível ação irri-
tante sóbre as mucosas gástricas e entéricas foi que lançamos mão da mistura
acima referida, imaginando que assim poderiamos contornar, em certo grau,
aquele efeito dcsagradavel, bem como servir de. corretivo.
7
SciEL0 )
Resumo dos resultados obtidos com "emulsão
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H
2
8
ROP =a Redução do* ovo* nas fescs Tr =a Trichuria
RV = Redução doa vermes Xo = Toxocara
VE a Vermes encontrados OP =» óleo puro
E = Emulado
r? AÇAO VERMICIDA DO ÓLEO DE CAJC (AXACARDWM
OCCIDEXTALE ) E DERIVADOS. EXPERIÊNCIAS EM CAES
Usamos uni total de 8 cães cujos resultados foram sintetizados no Quadro II.
Sobre o Ancylostoma os resultados foram sempre bons, dando uma percentagem
de redução elevada, em geral acima de 77,5%, excepto num cão (Xo. 7) que foi
apenas de 25%. Em Trichuris foram os resultados obtidos igualmente anima-
dores, elevando-se em geral a 100% a percentagem de redução, salvo no cão
Xo. 11. sobre o qual parece não ter agido (ver Quadro II).
3) Ação vermicida do “ ólcc puro". O óleo puro da castanha de cajú.sem
nenhuma mistura, era administrado por meio de cápsulas gelatinosas ou sonda
gástrica. As cápsulas continham sempre 1 cm 3 da substância. Xas experiên-
cias com o ólfo puro utilizamos 10 cães nos quais, aparentemente, houve tole-
rância perfeita. Sôbre o Ancylostoma agiu bem, dando uma percentagem de
redução acima de 95%, excepto no cão Xo. 20 que foi apenas de 87, 5%. Em
relrção acs Trichuris também foi elevada a percentagem de redução, salvo em
2 casos em que foram baixas, sendo 1 de apenas 25% (cão Xo. 39) e outro de
50% (cão Xo. 16). Também em 2 casos infestados com Toxocara obtivemos
uma eliminação total. Damos, em resumo, no Quadro III. os resultados alcan-
çados. a )
4) Ação vermicida do “ácido anacárdico ”. Foram usados sómente 2 cães,
Nos. 34 5 ) e 35 f ). No anima! Xo. 34 houve uma redução no número de ovos
de cêrca de 78, 9% em relação ao Ancylostoma, e de 100% em relação ao Tri-
churis. Este cão foi posteriormente medicado com o óleo puro o que resultou
uma redução de 94,8% em relação ao Ancylostoma. O animal Xo. 35 estava
infestado só com Ancylostoma. dando uma redução final de 100%. O protocolo
seguinte serve para exemplificar o andamento das diversas experiências (Tabe-
la II)
5) Ação vermicida da “fração anácida". As experiências com a fração
anácida (cardol-anacardol ) absorveram sómente 3 cães, Xos. 31, *) 32 •) e
33). r pois os resultados obtidos não foram encorajadcres. Xos cães, Xos. 31
e 33 a droga foi destituída de qualquer ação. Embora no cão No. 32 parecesse,
em principio, haver certa redução no número de ovos, este chegou a se elevar a
29.500 por grama de fezes, o que veio confirmar o valor negativo das expe-
riências, pelo menos é o que podemos afirmar, levando em consideração as
dóses administradas.
a) a quantidade de óleo puro aplicada variou entre 2.5 — 8 cm’, de acordo com o peso ,
dos animais (2.5 — 15 kg).
b ) quantidade aplicada de ácido anacardico no cão Xo. 34 (8 kg) = 5 cm’.
c) quantidade de ácido anacardico aplicada no cão Xo. 35 (11 kg) — 7 cm’.
d) quantidade de poção anácida aplicada no cão Xo. 31 (10 kg) = 6 cm’.
e) quantidade de poção anácida aplicada no cão Xo. 32 (6.5 kg) = 9 cm*.
/) quantidade de poção anácida aplicada no cão Xo. 33 (7.5 kg) = 6 cm’.
10
Menv lut BcUfitxn,
Í*:1J-J0, Dti.* 1947.
ARI STOTERJ S T. LEAO & F. W. EI CH BA UM
23
Os cães Nos. 31 e 33 receberam então 5 e 7 dias respectivamente, depois,
•6 cm. 1 de óleo puro, apresentando em seguida uma redução de 100%. O cão
No. 32, 5 dias após a medicação pela fração anácida, recebeu u’a mistura de
3 cm 3 de ácido anacárdico + 3 cm 3 da fração anácida, o que conduziu em 2
dias a um desaparecimento quase total de todos os vermes ( Ancylostoma e
Trichuris).
Os resultados assim obtidos foram praticamenie iguai> àqueles obtidos com
o oleo puro.
Tabela IV
Exemplo de uma exferíèi teia mista (aflicafão de 1 drogas)
■Cio Xo. 34 Piso: 8 kg
Diagnóstico
Ancylostoma
Trichuris
Xo. medio de ovos por grama de fezes
No. de v. q. teoric. devia existir
! Ancylostoma
Trichuris
{ Ancylostoma
Trichuris .
Data: 11/7/46
7560
140
57
6
TRATAMENTO
A 15/7/46 recebeu 6 cápsulas de ácido anacárdico
RtJu.ãi
1.* contagem
(16/7/40)
í ABcykntofai: 9.050 oroa
0 %
64.1%
52.4%
lbO %
2.* contagem
09/7/46)
í Anoloitoaa: 5.600 oro*
1 Tricfeum: Offiliw
í. 1 coetiim
(21/7/46)
1 Ancylostoau : 2. SOO oroa
77 %
100 %
4.» contagem
(24/7/46)
■ Aocylottoou: 5.550 oro*
1 Tnchuri*: aegatiro
55.7%
100 %
5.* contagem
(2J/7/46)
J A nc 7 lo. toma: 1.600 «roa
y Tncbari»: nrfatirq
78.9%
100 %
A 25/7/46 recebeu 6 cápsulas de óleo crú
1.* contatna
(26/7/46)
f Ancylortoma: 1.650 oroa
78.2%
105 %
98.7%
100 %
2-* cwitacrm
(11/7/46)
f Ancyloatoma: 100 oroa
\ Tncburi»: ceçatzro
contagem
(1/1/46)
f Ancylostoma: 50 oroa
| Triclniri*: negativo
99,4%
100 %
Sacrificada a 1/8/46:
Ancyhitvm*: HarU 2 ô <3 * 1 9
Trickmrit: ortitiro
94.5%
100 %
24
AÇAO VERMICIDA DO ÓLEO DE CAJÚ ( A SA CA RD í UM
OCCtDESTALE ) E DERIVADOS. EXPERIÊNCIAS EM CAES
RESULTADOS DAS AUTOPSIAS
Macroscópico
O aspecto do estômago e do intestino delgado e grosso não mostrou nada
de anormal em caso algum: ausência de qualquer irritação local. Também os
órgãos parenquimatosos : figado e rim, baço, pulmão, coração, etc. ofereceram
aspecto perfeitamente normal.
Microscópico
Exame microscópico do rim, figado, baço, pulmão, coração, estômago, in-
testino de 6 cães tratados (Nos. 14, 15, 17, 28, 35 e 36) e de 2 cães não trata-
dos (I e II).
Fixação em forma a 10% durante 48 horas e coloração pelo sudan III-he-
matoxilina (cortes de congelação) e hematoxilina-eosina (cortes de parafina).
Visto que o óleo de cajú e o ácido anacárdico formam com o sudan um
complexo de côr marron-laranja, a sua presença pode ser facilmente identificada
nos cortes histológicos. Uma certa dificuldade de identificação encontramos
somente no baço, onde tinha também nos cães não tratados numerosos pigmen-
tos hematogênicos, que em geral apresentam, aliás, uma coloração mais escura,
sem o nape de laranja.
Assinalando nos protocolos a presença do óleo em certas células, deixamos
aberto, si se trata de fato do óleo sob a forma aplicada, ou de produtos secun-
dários formados no organismo (*).
Estômago c intestino: mostraram em todos os casos uma mucosa intacta,
sem qualquer sinal de irritação local.
Coração c pulmão : de aspecto normal.
Baço: Em alguns casos dos animais tratados verificou-se intensa deposi-
ção de um pigmento marron-escuro no reticulo, que aliás foi encontrado tam-
bém no baço de um dos cães não tratados (controle).
Figado: O fígado dos animais não tratados mostrou uma ligeira infiltração
gordurosa, principalmente na periferia dos lóbulos, notando-»se ainda uma in-
chação turva na maioria das células parenquimatosas. Quatro dos seis animais
tratados com altas doses de óleo apresentaram uma difusa vacuclização das
(*) Devc-sc lembrar que o óleo de cajú forma complexos com a íormalina, fato este
muito usado na fabricação de substâncias plásticas na base do ólrn
M«a. Ir-it. Bottaua,
2 * U-30, Da.* 19-47.
ARISTOTERIS T. LEAO & F. \V„ E1CHBAUM
25
células parenquimatosas e uma deposição do óleo nas células de Kupfer e nos
histiocitos do campo peri-portal. A maior acumulação do óleo notou-se nos
epitelios dos grandes dutos biliares, que estavam iníartados com goticulas oleosas.
O grau de vacuolização não mostrou relação nitida com a quantidade de óleo
aplicada por kg de pêso corporal Tabela I). Assim, um cão tratado com 2 x
100 cm 3 de u’a emulsão de óleo a 20% (cão Xo. 15) apresentou utn fígado
praticamente normal, na autopsia 1 semana após a última ingestão do óleo; outro
animal (Xo. 28) tratado com 15 cm 3 de óleo puro c sacrificado 16 dias após,
revelou um alto grau de vacuolização das células hepáticas.
Rim: Cães não tratados:
Cão I — nefrite intersticial
Cão II — sem particularidades
Cães tratados: Em todos os casos verificou-se uma acumulação intensa de
óleos nos túbulos contortos e mais íracamentc na alça de Hcnle. Xo interior
dos capilares do glomerulo só raramente foram encontrados maiores quantidades de
goticulas de óleo. Fóra disso, as células parenquimatosas não apresentaram
nenhum sinal de lesão.
O número dos exames histológicos não é suficiente para se chegar a uma
conclusão definitiva, tanto mais que os cãcs não tratados mostraram certas alte-
rações das células hepáticas que não podem ser consideradas normais.
Xós cães tratados impressiona que a maioria mostre uma vacuolização mais
ou menos generalizada das células hepáticas, indicando um certo comprometi-
mento do parenquima; seriam necessárias observações cm maior número dc
animais c com um tempo mais dilatado dc observação para sc poder apurar estes
achados.
Quanto à acumulação (eliminação?) do óleo nos grandes dutos biliares c
no rim. impressiona o fato que mesmo nos cães sacrificados 7-16 dias depois
da última medicação o óleo aparentemente ainda náo havia sido inteiramente
eliminado.
Como mostra a Tabela II, praticamente não existe diferença nos resultados
dos testes funcionais de íigado obtidos dos cães normais e dos cães tratados. A
bilirubina direta foi negativa em todos os casos; a dosagem da bilirubina em mg
deu em todos os casos valores dentro do limite normal, variando de 0.204 a
0.398 (nos cães tratados) e de 0.278 a 0.305 (nos cãcs normais). A floculação
da cefalina foi positiva em todos os animai:, a reação de Takata + — ++ nos
cães normais c nos tratados variando dc 0 — ++.
26
AÇAO VERMJCtDA DO ÓLEO DE CAJC (.AS AC ARDI UM
OCCID ESTALE) E DERIVADOS. EXPERIÊNCIAS EM CAES
DISCUSSÕES E CONCLUSÕES
Pelas experiências descritas ficou provado que o óleo de cajú aplicado per
via oral em cães, infestados espontaneamente com certas espécies de vermes,
possui uma nitida ação vermicida sôbre Ancylostoma caninum, Ancylostoma
braziliense , Toxocara canis e, em grau mais cu menos elevado sôbre Trichuris
vulpis. As doses que provocam tal efeito estão a grosso modo compreendidas
entre 2.5 a 8 cm J em cães de pêso entre 2 Yi a 16 kg. A atividade vermicida Se
manifesta em primeiro lugar, de acordo com as nossas observações, sôbre o An-
cylostoma caninum, cujo número é reduzido com uma única aplicação da droga
a cêrca de 95%, em média. Conquanto as observações em cães infestados com
Toxocara canis sejam relativamente pequenas para permitir uma apreciação de-
talhada, — a atividade do óleo de cajú sôbre esta espécie de helminto parece
ser excelente. Temos a impressão de que seja mesmo mais sensível que o pró-
prio Ancylostoma caninum, pois que com uma única dose e nos três casos neste
trabalho relatados a eliminação foi total. (Quadro Xo. III) Em relação ao Tri-
churis vulpis os resultados obtidos não são tão conclusivos. Posto que só na
metade dos animais tratados a redução tenha sido de 90-100%, nos outros, esta
variou entre 25-60%. Também os cães infestados com Dipylul.um, que depois
de medicados ainda revelaram a presença de exemplares vivos no intestino, não
permitem nenhuma conclusão certa sôbre o poder vermicida do óleo de cajú
sôbre esta espécie de verme.
Quanto à atividade in vivo do ácido anacárdico, substância altamente ativa
in vitro, obtivemos em 1 caso (11 kg de pêso) tratado com 7 cm 3 da substância
a eliminação total dos Ancylostoma e num outro (8 kg de pêso) que recebeu
6 cm 3 a redução foi de 78,9%, valor êste aliai xo da média dos cães tratados
com o óleo puro. P r outro lado a combinação do ácido anacárdico com a
fração anácida — por si só sem efeito vermicida — eleva a atividade do ácido
anacárdico, dando uma redução de 90-100%. Parece assim que a atividade do
ácido anacárdico é reforçada em presença da fração anácida, composta na maior
parte de cardol e anacardol: experiências em maior escala teriam que decidir,
provavelmente, em favor desta hipótese, que está em certo paralelo com as ob-
servações de Roger (9) que verificou uma ativação do p.der vermicida do he-
xilresorcinol em presença de detergentes.
O anacardol, igual à fração anácida, parece destituido de ação vermicida
na dose empregada.
14
Mera. Tmt. Bululu. ARISTOTERIS T. LEAO & F W. EICHBACM •>?
!)«.• 1947. ~
0 óko de cajú não exerceu ação tóxica kcal ou geral que se manifestasse
clinicamente nos animais tratados. Entre 26 animais tratados houve apenas 1
caso de morte num cão de 2 y 2 kg de pêso medicado com 2,5 cm 3 de óleo, sem
que pudéssemos relacionar, com certeza, êste acidente, ao tratamento, posto que
outros cães tratados com doses maiores (cálculo por kg de peso) não revelaram
quaisquer sintomas clinicos de intoxicação. Quanta a certas alterações histo-
lógicas no fígado dos cães medicados (vacuolização) não ch: gamos a uma apre-
ciação definitiva porquanto também os fígados dos animais não tratados mos-
traram ligeiras modificações das células hepáticas. Um outro fato ao qual no
inicio de nossas experiências não prestamos a devida atenção foi o tóxico usado
para o sacrifício dos animais, o cloroformio, o qual poderia também influenciar
no aspecto histológico do figado.
Deipais de termos ví ri ficado a ausência de sintomas tóxicos para os cães,
experimentamos cm nós mesmos o efeito dc 2 cm 3 do óleo ele cajú puro, que
ingerimos na parte da manhã, cm jejum. Enqutnto um de nós tenha tido cérca
de 2 h depois da ingestão evacuações nitidamente diarréicas. o outro apresentou
tão somente ligeira sensação de peso no estômago que persistiu por algumas
hora ■ : na urina eliminada 4 horas depois verifie u-s» a presença do óleo, que
no fiasco alsmdonndo no ambiente, se separou cm duas camadas, stndo que a
superar formou na superfície uma película iridescente.
1 >cpois destas cxpercncias preliminares em nós mesmos, começamos as
observações clinicas cm ptteientes portadores dc an:ilostomose (Ancytostoma dito-
dcnale c Xccctor auuricenus). Fóra dos exames para itológicos realizados 3-5
dias antes (contagens dc ovos) do tratamento, todos os casos foram submetidos
a rigorosos testes complementares, tais como testes funcionais dc figado (Takata,
Hcngcr, btlirubina), função rena! (exame químico geral, uréa clcarcnce, sedi-
mento), bem como exame clinico c hematológico.
A quantidade de óleo aplicada em cápsulas gelatinosos variou de 2 a 8 cm 3 .
Na maioria dos casos a ingestão da droga era seguida 2 h depois por evacuações
d.arréicas. Como sintomas subjetivos os pacientes assinalaram unicamente li-
ge, ra dòr no epigastro direito, que desaparecia logo depois das primeiras
evacuações.
Podemos adiantar que contamos até agora só com 2 casos humanos bem es-
tudados e com os seguintes resultados: l.°) apresentando 150 ovos de Kcealor
por grama dc fezes, não revelando, após 3 dias do tratamento a presença de
28
AÇAO VERMICIDA DO ÓLEO DE CAJC ( ANACARDIUU
OCCIDESTALE) E DERIVADOS. EXPERIÊNCIAS EM CAES
ovos. O segundo caso, apresentando cêrca de 10.000 ovos por grama de fe-
zes, igualmente foi negativo mesmo após 3 dias de observação. Este apresen-
tou após 10 dias uma contagem de 400 ovos ou seja uma redução de 965».
RESUMO
No presente trabalho os A. A. demonstram que o óleo de cajú — fruto
do cajueiro ( Amcardium occidentale) — e derivados possuem nítida ação ver-
micida tanto tn vitro, como in vivo (cães) sobre o Ancylostovm braxiliensc, To-
xocara canis e, em grau relativamente elevado, sòbre o Trichuris zmlpis. Nos
2 casos de cães infestados com Dipylidium caninum não obtiveram resultados
positivos.
As doses empregadas variaram de 2,5 a 8 cm 3 . Posto que quantidades
muito maiores tenham sido empregadas com o fim de estudos toxicológicos, ne-
nhum sintoma de intoxicação foi observado.
A administração foi sempre pela via oral, por meio de cápsulas gelatinosas
contendo 1 cm 3 da substância ou com sonda gástrica.
Os melhores resultados foram obtidos com o óleo puro (sem nenhuma mis-
tura), cuja percentegem de redução se elevou a 96,8% no caso de Ancylostoma,
a 100% em relação ao Toxocara e de 77,3% sòbre o Trichuris.
Foi notado um efeito purgativo em vários cães medicados quer pelo óleo
puro. quer pelo ácido anacárdico.
Doses maciças usadas nos testes toxicológicos não provocaram sintomas
clínicos ou lesões macroscópicas do canal intestinal e dos órgãos parenquimato-
sos. Nos cortes histológicos de figado foi verificada uma forte acumulação de
óleo nas oélulas de Kupfer e nos epitelios dos grandes dutos biliares, eviden-
ciando-se ao mesmo tempo, na maioria dos casos, uma difusa vacuolização das
células hepáticas, — alterações pouco conclusivas — , tanto que também os ani-
mais não tratados revelaram sinais de ligeiro comprometimento celular hepático.
Os rins evidenciaram forte acumulação de gotículas de óleo, particularmente
nos túbulos contortos, na alça de Henle e, isoladamente, também nos glomerulos.
Fóra disso as células renais apresentavam aspecto normal. Não foi encontrado
nenhum sinal macro - ou microscópico indicando irritação local das mucosas
gastro-intestinais.
Os testes funcionais de figado deram resultados concordantes nos animais
tratados e não tratados.
A clinica humana já foi iniciada e com resultados promissores.
Mea. Init. Butir.ua.
M: 13-30. Dm.* 19*7.
ARISTOTER1S T. LEAO 4 F. \V_ EICHBACM
29
ABSTRACT
Cashew oil, the nutshell liquid of the Brazilian trec Anacardium occidcntale
L., and its main constrtuent, anacardic acid, havc a strong vermicidal activivy
in vitro, as has becn shown recently by Eichbaum. The present cxperiments,
which were performed on a total of 26 dogs, spontaneously infested with a
variety of worms, rcvealed a strong anthelmintic activity of these substances
also in living animais, without clinically appcarant signs of local or general
toxicity.
There could be noted too a marked purgative effect oí cashew oil and
anacardic acid.
The drugs were applicd by gastric tube or in gelatine capsules, containing 1 g.
of substance, cach. The givcn dosis varied bctwecn 2.5-8g. according to the
body weigfit of the treated animais.
Among the drugs tested (crude oil, sodium anacanlatc, anacardol, a mix-
ture of cardol -anacardol) the crude oil showcd the highcst activity.
The best resuhs were obtained in dogs infested with Ancylosloina caninum
and Toxocara canis; the elimination of worms — controlcd by autopsies —
varied in these cases betwcen 90-100% after the application of a single dose (4g.
on the average).
The activity against Tnchuris vulpis wa> less pronounced. but even here
the reduetion of worm eggs reached, in half of the treated animais, values
between 90-100% ; in the other half, the reduetion value observed varicd bctwecn
25-60%, with an average reduetion value of approximately 75% for all animais
treattd.
Functional livcr tests in animais treated with very high dosis (up to 15g)
gavr the same results as those obtained in the control animais: in both group
— treated and non -treated dogs — the cephalin flocculation test was positive
as wcll as the Takata rcaction ; the bilirubin Wood levei was normal in most cases.
There were no microscopical lesions of the gastric and intestinal mucosa
or the parenchymatous organs. The histological examination rcvealed the
elimination of the drug by the larger bile duets and the renal tubuli ; an accumu-
lation of the oil (or sub-produets) was also found in the Kupfcr cclls of
the livcr, which showed in most cases, a general vacuolisation of the
parenchymatous cclls. These findings have only a relative value, sincc also in
30
AÇAO VERMICIDA DO ÓLEO DE CAJC < ASACARDIUM
OCCIDEXTALE ) E DERIVADOS. EXPERIÊNCIAS EM CAES
non-treated “normal” animais the structure of the liver cells indicated a slight
dcgcnerative process. The renal glomeruli and tubuli, heart, lung, gastric and
intestinal mucosa showed a histologically normal structure.
Agradecimentos — É-nos grato deixar aqui consigna-
dos os nossos melhores agradecimentos a todos aqueles que tão
desinteressadamente nos auxiliaram na realização deste trabalho.
Tais foram o Prof. Dr. Moacyr Amorim, pelos valiosos conselhos
nas interpretações histológicas; Dr. A. Hoge. pelos testes fun-
cionais de fígado, à Srta. Ingrid Hofstetter e Da. Maria Battaglia,
pela confecção de cortes histológicos, ao Prof. Dr. H. Hauptmann
e â doutoranda H. Rothschild, pela preparação das substâncias
puras.
BIBLIOGRAFIA
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Metn. Iivit. Bat»nt»n.
í»: 31-38, De*-* 1947.
OTTO G. BI ER
31
ESTUDO QUANTITATIVO DA REAÇAO DE FLOCULAÇAO
ENTRE O ANTIVENENO CROTALICO E UMA FRAÇAO
PURIFICADA DO VENENO DA CASCAVEL NEOTRÓPICA
(CROTALUS T. TERRIFICUS ) (*)
k>* OTTO G. BIER
(Do Laboratório dt Imunologia do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
Em trabalho anterior (1), apr: sentamos alguns dados quantitativos refe-
rentes ao N precipitado de uma quantidade constante de antiveneno crotálico
em presença de quantidades crescentes do veneno correspondente. Verificou-se,
então, que o decurso da reação c muito semelhante ao que se observa no sistema
toxina-antitoxina diítérica, não tendo sido possível, entretanto, calcular a
ratio de combinação entre o veneno c o antiveneno, a qual só poude ser avaliada
indiretamente, admitindo-sc a hipótese de que a fração do veneno precipitado
correspondia ã crotoxina de Slotta cl al (2), existente na proporção de 60 /ó
do veneno bruto.
Prosseguindo nesta ordem de pesquisas, são referidos no presente trabalho
os resultados das análises dos precipitados formados p:lo antiveneno crotálico
mediante a adição de quantidades crescentes de uma fração purificada, electro-
íorcticamente homogênea, do veneno da C. Icrrificus.
MATERIAL E MÉTODCS
Purificação do veneno. Para a purificação do veneno foi utilizado um
processo baseado na precipitação em pH próximo do ponto isoelctrico (4.4 a 4.6),
tal como o usado por Slotta & Fraenkcl-Conrat (2) para o preparo da crotoxina
amorfa.
1 g. de vtneno crotálico séco, antigo, do estoque do Instituto Butantan, foi
dissolvido em 12 ml de sol. N/10 de HCI, do que resultou um soluto opalcsccnte.
(*) Trabalho realizado no Dcpi. of Medicine & Biochcmistry. Collcgc of Physidans
& Surgeons, Columbia Univerjity. New York, com a ajuda de uma bolsa da “John Simon
Guggenheim Memorial Foundation ”.
Recebido para publicação em 6 de dezembro de 1946.
I
2 3 4
5 6 7
KJ V-' —I 1 — I J — I \J \
11 12 13 14 15 16
32
ESTUDO QUANTITATIVO DA REAÇAO DE FLOCULAÇAO ENTRE
O ANTI VENENO CROTALICO E UMA FRAÇAO PURIFICADA DO
VENENO DA CASCAVEL NEOTRÓPICA (CROTALUS T. TERRIFICUS)
ao qual se adicionaram 84 ml de H 2 0 distilada. Após uma noite a 0°C sepa-
rou-se por centrifugação o precipitado existente e ao sobrenadante, cujo pH
era 4.37, adicionou-se suficiente sol. X/l de XaOH para elevar o pH a 4.6
(electródios externos imersos na solução). Adicionando-se 2 ml de álcool etílico
e resfriando-se o soluto por imersão do frasco em água com gêlo picado, desen-
volveu-se imediatameme abundante precipitação. Depois de uma noite na
geladeira, foi o precipitado separado por centrifugação em câmara fria e dis-
solvido em 10 ml de sol. 4% de XaCI, oom a adição de gotas de sol. X/10
de XaOH, de maneira a assegurar um pH final próximo de 7.0.
A seguir foi o soluto transferido para um tubo de celofane e dialisado
contra 500 ml de sol. 4% de XaG tamponada com fosfatos a pH 7.4, com
mudança diária do líquido de diálise, durante 4 dias, a 0°C. O soluto dialisado,
após centrifugação enérgica em centrífugo de ângulo, deixou separar apenas
um pequeno resíduo insolúvel e um líquido sobrenadante perfeitamente límpido.
Teor de X (micro-Kjeldahl) : 1.44 mg por ml, ou seja, em proteína, 0.9Çc.
Verificação da pureco da fração isolada. O soluto acima foi analisado
electroforeticamente em aparelho tipo Tiselius (3) : apenas 1 componente foi
observado.
Determinação da toxicidade. Feita mediante a injeção intraperitonial em
camundongos de 15-20 g. Xestas condições, a nossa solução de “crotoxina”
(*) mostrou uma D.L.M. compreendida entre 0.11 e 0.055 de gama, ao passo
que uma solução de veneno bruto se mostrou capaz de matar os camundongos
em dóse próxima de 0.25 de gama. Convém salientar que tais determinações
prescindem de rigor pois são baseadas em pequeno número de animais e é
pertinente lembrar que os valores acima registrados não podem ser compara-
dos aos observados por Slotta & Szyszka (4), que utilizaram a via subcutânea.
Análise dos precipitados específicos. Quantidades crescentes de “crotoxina”,
representadas por 1 ml de diferentes diluições foram adicionadas a uma série
de tubos contendo 1 ml de sòro anti-crotálico (antiveneno do Instituto Butantan,
cavalo n.° 213; 10 ml — 9 mg de veneno). Após 24 horas ou mais de per-
manência na geladeira, foram os precipitados separados por centrifugação em
centrifuga refrigerada e lavados três vezes com porções de 3 ml de água fisio-
lógica gelada.
(*) Por economia de expressão a palavra “crotoxina" será usada para denotar a
fração purificada do veneno crotálico referida no presente trabalho. A identidade entre
esta fração e a proteina obtida em estado cristalino por Slotta et al. requer, todavia, veri-
ficações adicionais.
Mea. Icjt- Botastas.
2 »: 31-38, Dtx.* 1947.
OTTO G. BIER
33
As determinações de X foram feitas por uma modificação do método micro-
Kjeldahl. recebendo-se a amónea acarretada por uma corrente de vapor d’água
em solução de ácido bórico com indicador e titulando-se diretamente com HC1
N/70. Análises em duplicata, tolerando-se apenas diferenças de 10 a 15 gamas.
RESULTADOS
Pode-se ver na Tabela I que quantidades de “crotoxina” compreendidas
entre 450 e 644 gamas deram valores de N precipitado praticamente iguais, isto
é. com diferenças compreendidas dentro dos limites do êrro experimental. Os
tubos correspondentes a 700, 800 e 900 gamas de “crotoxina” não deram va-
lores satisfatórios para as análises em duplicata, o que se deve, sem dúvida,
ao fato que, na zona de inibição por excesso de antigeno, a precipitação não é
completa após uma noite de permanência na geladeira.
Com efeito, os sobrenadantes dos tubos correspondentes a 800 c 900 gamas
eram distintamente opalcscentcs, e assim permaneceram mesmo quando se pro-
longou a 2 horas o tempo de centrifugação.
Ta PELA I
Flcculação quantitativa do soro crolólico 213 por quantidadrs crtsctnies
dt " crotoxina ”, apôs uma noitf a 0°C.
•Crotexio»*
X pmiptUd)
Ra tio
N/70
HO
por 1 ral dt
Nintircnctw
Nantivcnrno
pfotriai
X
tóro
Nrtntiw
f*i» II
ml
fira»
(inii
450
72
4.94
4.90
984
912
12.6
300 .
80
3.0*
5.14
1022
942
11.8
sso
s*
5.06
5.00
1006
91*
10.4
600
96
A. 96
4.92
98*
*92
9.3
700
112
4.75
4.37
*00
128
2.93
2.0*
900
144
.16
.40
•
Uma segunda serie dc determinações foi, por isso, efetuada deixando-se
completar a precipitação durante oito dias na geladeira (tabela II).
34
ESTUDO QUANTITATIVO DA REAÇAO DE FLOCULAÇÃO ENTRE
O ANTI VENENO CROTALICO E UMA FRAÇAO PURIFICADA DO
VENENO DA CASCAVEL NEOTRÓPICA (CROTALUS T. TERRIF1CUS )
Tabela II
Floculação quanlitalka do soro crotálico 213 por quantidades crescentes
de “ crotoxina”, após 8 dias a 0°C.
“Crotoxina*
X precipitado
Ratio
N/70
na
por 1 ml de
X-antiveneno
X-antiveneno
proteina
N
sòro
X- veneno
gamas
ml
gamas
gamas
50
8
0
0
0
100
16
0
0
0
150
24
.02
.02
40
200
52
.11
.08
190
300
48
3.29
3.31
663
«coo
64
4.55
4.56
911
84’
13.2
600
96
4.90
4.84
974
878
9.15
roo
112
4.56
4.60
916
804
7.18
soo
128
3.74
3.82
756
900
144
1.73
1.66
339
DISCUSSÃO
Os resultados combinados das experiências referidas nas tabelas I e II vêrrr
resumidos no gráfico X.° 1. A precipitação prolongada na geladeira, durante
8 dias permitiu estabilizar os valores de N-precipitado na zona de inibição por
excesso de antígeno (700, 800 e 900 gamas de “crotoxina”) e. presumivelmente,
também na zona de inibição por excesso de anticorpo (150, 200 e 300 gamas).
Os valores correspondentes aos pontos próximos da zona de equivalência (400
e 600 gamas) formam uma série coerente nas duas séries de experiências e,
no que concerne a um ponto comum determinado em ambas as séries (600
gamas), os valores obtidos para o N precipitado (988 e 974 gamas) estão
compreendidos dentro dos limites de êrro do método analítico empregado.
Há bom fundamento para afirmar-se que a zona de equivalência para o
antivemno escudado é muito próxima de 500 gamas de “crotoxina” per 1 ml
de sôro. Com efeito, o máximo de N precipitado se observou com 500 e 550'
gama? de "crotoxina” e. por outro lado, determinações feitas usando-se uma
quantidade constante de veneno (1 ml de uma solução contendo 45 gamas de
“crotoxina”) em presença de quantidades variáveis de antiveneno, mostraram
um ótimo de floculação, segundo Ramon, após um tempo de incubação de 20
Meta. In*t. ButinUa.
2RJ1-J*, Dei.* 19 * 7 .
OTTO C. BIER
35
Mlcrograr^*
T
Micfog^fima» de N*Croto«Inj
Gráfico X.® 1
minutos á temperatura de 56°C. nos tubos correspondentes a 0,08 e 0.1 de sòro.
Tom ndo-se como valor médio, 0.C9 ml dc soro para 45 gamas de “crotoxina”,
cada ml dc sóro corresponderá a = 500 gamas dc "crotoxina”.
Verificações dc toxicidade nos sebrenadantes foram feitas mediante a
injeção dc 0 5 ml no pcritònio dc camundongos de 15-20 g: ausência dc “croto-
xina” livre nos sobrenadantes correspondentes a 150. 400 c 600 gamas; morte
imediata do animal injetado com o sobrenadante do tubo contendo 900 gamas
de “crotoxina”.
Mesmo em se admitindo, porém, uma zona dc equivalência mais extensa,
entre 450 ç 600 gamas, as ratios observadas variam apenas entre 12.6 c 9.3
(ou 9.15) c confirmam, pois, as observações feitas anteriormente com soluções
de veneno bruto (1).
Xo presente trabalho tais ratios foram calculadas diretamente dos valores
de X dosados nunu solução de “crotoxina” electroforeticamcnte homogênea.
Xão foi possivcl, a exemplo do que fizeram Pappcnhcimcr & Robinson
(5) com a toxina diftérica, determinar por via imunológica a homogeneidade
do antigeno utilizado, a partir dos valores de X precipitados de uma quantidade
2 3 4
5 6 7
Ky V-' — I 1 1 -I — I V-/ *
11 12 13 14 15 16
TA. ESTUDO QUANTITATIVO DA REAÇAO DE FLOCULAÇAO ENTRE
O ANTIVENENO CROTAUCO E UMA FRAÇAO PURIFICADA DO
VENENO DA CASCAVEL NEOTRÔPICA (CROTALCS T. TERRIFICUS)
constante de antkoxina. Nas experiências de Pappenheimer & Robinson foi
possível observar que uma variação de 100 gamas na quantidade de N-toxina,
dentro da zona de equivalência, é acompanhada de uma variação total de 100
gamas no teor de N precipitado, a qual se opera proporcionalmente á variação
do antígeno. Tal não se logrou observar, entretanto, no sistema por nós estudado,
em virtude de ser muito estreita a zona de equivalência (entre 450 e 550 gamas
“crotoxina”, ou sejam, 72-88 gamas de N-crotoxina). Dentro de tais limites,
a variação observada no N precipitado foi de 38 gamas qntre 72-80 e de 16,
entre 80-88 gamas de N-crotoxina, de sorte que qualquer avaliação no sentido
daquela feita por Pappenheimer & Robinson para o sistema toxina-antitoxina
diftérica ficou obviamente prejudicada.
O essencial das verificações apresentadas no presente trabalho é a con-
firmação, por via direta, da ratio de combinação entre o veneno e o antiveneno
sugerida em trabalho anterior (*).
Atribuindo-se ao composto formado na zona de equivalência a compo-
sição molecular GA»; ao antiveneno, o péso molecular de 1S0.C00 (o mesmo da
antitoxina diftérica, não digerida, de cavalo) e á “crotoxina”, o pêso molecular
de 30.500 (**), a ratio esperada é de (2 x 180.000): 30.500 = 11.8, que
foi exatamente aquela observada no ponto de equivalência.
RESUMO E CONCLUSÕES
1. Usando uma fração purificada, electroforeticamente homogênea, do ve-
neno da Crolalus t. terrificus, foi possível determinar diretamente a ratio de
combinação entre o veneno e o antiveneno crotálico.
2. Como se podia esperar, em virtude do péso molecular da “crotoxina”
(30-33000), tal ratio é próxima de 10, isto é, dupla daquela observada para
a toxina diftérica (pêso molecular, 70.000).
(*) Utna revisão dos cálculos apresentados em (1) leva a uma pequena correção,
cm virtude de se ter atribuído o valor de 0.78 mg (e não de 0.88 mg) à quantidade
de veneno crú contida per ml do soluto de veneno empregado naquelas experiências. Tal
correção modifica apenas ligeiramente os valores obtidos para a ratio na zona de equi-
valência, os quais persistem muito próximos de 10, sem alterar, portanto, as conclusões
apresentadas.
(**) Segundo as verificações de Gralén & Svedeberg (6).
Mea. I -st. BcUatio,
2»:3t-3S, Dez.* 1947.
OTTO G. BIER
37
ABSTKACT
1. By using a purified, electrophoretically homogeneous fraction from the
venom of Crotalus t. terrificus, it has bten possible to make a direct evaluation
of the combining ratios between venom and antivenom.
2. As expected from the nvjlecular weight of crotoxin (30-33000) the
ratio at lhe equivahnce zone is near 10, i.e., double of that observed for
dfj>htheria toxin (molecular weight 70.000) with equine antitoxin.
Desejamos expressar os nossos agradecimentos aos Drs. M.
Hcidelberger e M. Mayer, do “ Dept. of Medicine, College of Phy-
sicians & Surgeons, Columbia University", pelas valiosas suges-
tões apresentadas e pelo constante interesse que demonstraram du-
rante a realização deste trabalho.
BIBLIOGRAFIA
1. Bier, O. G. — Estudo quantitativo da reação de floculaçáo entre o veneno e o anti-veneno
crotálico, Memórias do Instituto Butantan, 18:27-12, 1945.
2. Slotto, C. H. & Fraenkel-Conrat, lí. L. — Estudos químicos sobre os venenos ofidicos.
4. Purificação e cristalização do veneno da cobra Cascavel, Memórias do Insti-
tuto Butantan, 12:505-512, 1939.
3. Bier , O. G. £r iíoore, D. — Resultados não publicados.
4. Slotto, C. H. & Srysska. G. — Estudos chimicos sobre venenos ophidicos. 1. Deter-
minação de sua toxicidade em camundongos. Memórias do Instituto Butantan
11:109-119, 1937.
5. Papfrenhrimer, A. M. Jr. & Robinson, E. S. — Quantitativo study of Ramon diphetheria
flocculation reaction. J. Immunol., 32:291-300, 1937.
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1377, 1938.
M<m In»t. Butmtin.
2» J9 Ti. Dei.* 1** (•**) 7.
C. A. SALVATORE & C. SCHREIBER
39
PESQUISAS CARIO MÉTRICAS XO CICLO ESTRAL E
GRAVfDICO (•)
Pesquisas de citologia quantitativa: 11
Km CARLOS ALBERTO SALVATORE (••) & GIORGIO SCHREIBER (•**)
(Do Laboratório de Citog/nstica da Secfão de Anatomia Patológica do
Instituto Butantan. São Paulo. Brasil)
INTRODUÇÃO
a) O probletr . y do crescimento interfasico do núcleo
O problema do crescimento do núcleo durante a interfasc está sendo estudado
por um de nós, ha alguns anos pela observação do volume nuclear nas células
em atividade reprodutiva. Este problema apresenta notável interesse, pois que
as variações volumétrica- do núcleo, embora dependentes de um grande nú-
mero de fatores íisicos, íisico-quimicos c quimieos, está controlada pela ativi-
dade do genoma. O estuda do ritmo das variações deste volume durante a
interfase pode fornecer alguma- informações sõbrc o ritmo da duplicação do
genoma ou pelo menos, sôbre a variação quantitativa dos fenómenos íisicos
e quimieos que o acompanham.
É necessário frizar que uma série de precauções de ordem teórica e técnica,
tém que ser levadas em conta para um estudo désta natureza, afim de elimi-
nar-se qualquer dúvida acerca da legitimidade dos fenómenos observados.
A primeira destas precauções é o de esclareccr-sc dc forma absolutamente
indubitável, a rel ção entre o valor quantitativo do genoma (múltiplos inteiros
do número de cromosomas haploides) c o volume nuclear. O estudo désta
correlação foi levado a termo por vários autores e niais recentemente por
(* ) Comunicado a Sociedade de Biologia dc S. Paulo, *c**áo de 9 de dezembro dc 1946.
(•*» Da Clinica Ginecológica da Escola Paulista de Medicina e do Instituto Butantan.
(•**) Da Escola Livre dc Sociologia c Política de S. Paulo. Subvenção do* Fundo*
Universitário* de Pesquisas.
Recebido para publicação cm 27 dc dezembro dc 1946.
40
PESQLISAS CARIOMÉTRICAS XO CICLO ESTRAL E
GRAV1DICO
Schreiber (10,12 e 13) que re-examinou o problema seguindo duas vias dife-
rentes. Em primeiro lugar, com o estudo dos volumes nucleares em uma série
de plantas de café, poliploides (22,44,66,88 cromosomas) (15): quando obser-
vadas algumas precauções técnicas no estudo cariométrico-estatistico, o volume
nuclear é estritamente e diretamente correlativo ao número de cromosomas. Em
segundo lugar, estudou a relação mútua entre o volume nuclear e o genoma
dos núcleos da série espermatogenetica. Apesar deste estudo ter sido feito
sòbre testículos de mamíferos e de insetos, por outros autores, Schreiber re-
examinou ésta correlação nos ofídios (13) tomando em conta não sómente a
série dos elementos meioticos mas, também o ciclo mhotico das espermatogonias,
obtendo uma confirmação estremamente clara da correlação entre o volume
nuclear e o valor múltiplo do genoma. Os volumes dos núcleos dos esperma-
tocitos de l. a ordem, de 2 a ordem e das espermatidias estão exatamente na
relação 4: 2: 1. Xas espermatogonias, contrariamente ao que deveria ser em
base ao número diploide de cromosomas, o volume (frequência máxima esta-
tística) está constantemente a um valor triplo do valor dos núcleos haploides.
A relação 1 : 1,5 verificada entre os núcleos, indubitávelmente diploides dos
espermatocitos de 2.* ordem e os núcleos das espermatogonias é um fenômeno
que como será exposto no curso deste trabalho, se encontra também nos núcleos
em atividade mitotica das células uterinas.
Do conjunto das numerosas pesquisas cariométricas executadas nos últimos
decenios pode-se concluir que o volume nuclear varia com valores descontínuos
e proporcionais a uma série 1:2:4:8:16 etc. Este fenômeno está relacionado
com a duplicação do genoma, que preside ao crescimento nuclear e portanto, a
“ritmicidade” deste crescimento está períeitanunte explicada pela “atomicidade”
da variação do genoma. Particulannente Biesele, Poyner e Painter, (1), em
1941, num estudo extensivo sòbre os volumes nucleares dos tecidos neoplásticos,
insistem sòbre a natureza genética destas variações descontinuas do volume
nuclear e, com base nas constatações do número de cromonemas e de cromo-
somas das células desses tecidos, frizam que nenhuma variação por embebição
de água ou qualquer outro fenômeno puramente íisicoquimico por si só, pode-
riam explicar a variação dos núcleos de valores rigidamente múltiplos e perfei-
tamente coincidentes com o número de cromosomas ou de cromonemas (este
último verificado com o número dos “organizadores do nucleolo” e com o
volume dos cromosomas, individualmente).
Em outros casos a variação volumétrica dos núcleos é proporcional a série
1 :1. 5:2:3 :4:6:8 Como foi repetidamente indicado por Schreiber, ésta série,
se integra períeitamente com àquela dos múltiplos de dois, quando se considera
o volume 1 como aquele dos núcleos diploides, e as variações se dão em função
o
Utra. Iml. Batantan. C A. SALVATORE & C. SCHREIBER 41
I«:39-'S. Dct-* 1947.
dos múltiplos inteiros do valor básico haploide. Por ésta razão, o estádio nos
quais os núcleos têm um valor múltiplo d* 1,5 foi chamado com o termo de
“stsquifase”. A significação teórica deste tipo de variação volumétrica do
núcleo parece ser de grande interesse, pois a estrita correlação entre o volume
nuclear e múltiplos do genoma estabelecidas nas numerosas pesquisas cariomé-
tricas. induz a considerar como base désta variação, o genoma haploide
(Schreiber) (12).
b) Fim das pesquisas c plano do trabalho.
As presentes pesquisas, integradas nos problemas acima expostos, têm por
fim o estudo do crescimento nuclear, aproveitando o> imponentes fenómenos
de crescimento do útero nas diferentes fases da vida sexual, e ao mesmo tempo
utilizar os fenômenos de variação quantitativa nuclear para elucidar vários
problemas do ciclo estral c gravidico relacionados a fenômenos cndocrinos.
O interesse que estas pesquisas apresentam deriva também da falta quasi
total de exatas noções a rvspcito do mecanismo do aumento quantitativo das
células uterinas. Xo que se refere ao endometrio, existe o trabalho de CVLeary
(7) em material humano, cujas conclusões nos parecem pouco evidentes, pelo
fato de evidenciar mais as modificações conjuntas do citoplasma c do núcleo,
do que analisar mais detalhadamente c estatisticamente os fenômenos nucleares.
A mesma falta de análise estatística pode-se notar nos trabalhos de Fabris (5),
Stievc (16) e Fròbose (6) sôbre as células musculares do utero.
O trabalho foi levado a termo sôbre os dois tecidos uterinos, endometrio
e miometrio, considerando-os durante o ciclo estral, prenhez, na castração e
éstro-continuo provocado jielos hormônios no castrado.
Xo presente trai alho serão considerados mais pormcn>>rizadamentc os re-
sultados do ponto de vista cariométrico e citológico, isto é, as variações fisio-
lógicas do orgão considerados mais conto meio dc e-tudo das variações nucleares.
Em sucessivos trabalhos, -crão analisados por .S^lvatore, os resultados
mais «obre o ponto de vista fisiológico e endocrinológico, isto é, considerando
os fenómenos citológicos como um meio para esclarecer vários detalhes , pro-
blemas da fisiologia uterina. ,
MATERIAL. E MÉTODOS
A jiesquisa foi realizada exclusivamente cm ratas albinas da criação do
Instituto Butantan (raça “BWB"). O estudo foi levado a termo com um
rigoroso controle do ciclo vaginal, >tndo cada animal sacrificado depois de tem-
pos variados, quando aproentarem íaxs bem tipicas do ciclo vaginal.
4 ? PESQUISAS CARIOMÉTRICAS XO CICLO ESTRAL E
GRAV1DICO
O material foi sempre fixado em liquido Dubosq-Brasil e incluído em
parafina. Foram realizados cortes com 10 micras, coradas com hematoxili-
na-eosina e hematoxilina de Heidenhain. Precisamo. dar alguns breves es-
clarecimentos no que se refere a técnica cariométrica, enviando o leitor para
maiores pormenores, aos trabalhos preredentes de Schreiber ( FM1-46) sôbr?
o assunto.
O fundamento do método estatistico-cariométrico. é baseado sôbre a cons-
tatarão de que o núcleo passa p r volumes progressiva nrente maiores, durante
o crescimento interfasico. Porém, este crescimento não se efetua com velo-
cidades constantes, mas como foi também verificado nas culturas de tecidos
por ã Verme 1 e Portugalow (17), dá-se por ciclos sucessivos de velocidade maior
alternadas com retardamentos ou paradas. Numa massa homógenea de nú-
cleos de um mesmo tecido em crescimento interfasico, os volumes alcançados
serão representados p r frequência tanto maiores quanto mais vagarosa é a
variação do volume naquele instante do ciclo interfasico e vice-versa. As
pausas de crescimento serão por conseguinte, representadas estatisticamente
nas curvas de frequências dos volumes nucleares por valores modais distintos.
Esclarecida ésta premissa teórica, a determinação do volume nuclear se
apresenta muito simples.
Nos cortes do utero, tanto transversais como longitudinais, foram desenha-
dos com a câmara clara, na ampliação de 1.890 diâmetros, algumas centenas
(200 a 300) de núcleos de unu determinada região homógenea, seja do endo-
metrio como do miemetrio. Neste último tecido foram sempre escolhidos tre-
chos nos quais as fibras musculares se apresentavam rigorosamente paralelas ao
plano do corte, com o fim de s e evitar os erros de medição consequentes à in-
clinação dos núcleos.
Este problema é dos mais importante nas pesquisas deste tipo, pois pode-se
medir o volume de núcleos de forma mais ou menos elipsoide sómente se temos
absoluta certeza da sua orientação (v = a 2 b: 1,91), com o eixo maior “b” para-
lelo ao plano do desenho. Si ésta condição não se verificar, é preferível, entre
certos limites bastantes restritos, considerar o núcleo como esférico tendo o
diâmetro, igual a média aritmética dos dois diâmetros (maior e menor) reve-
lados no desenho. Todavia, ésta condição nunca se verifica para as fibras
musculares cuja forma é sempre elipsoide muito pronunciada. No endometrio,
pelo contrário, a diferença não é grande, e a medida como esferas pode ser
realizada. Porém, temos que frizar que mesmo assim é preferível escolher zo-
nas de tecido nas quais a orientação seja controlável, porque as medidas cal-
culadas como elipsoides dão maior garantia e revelam as vezes valores modais
que nas medidas como esferas passam deS|>crcebidas.
4
Mfm. lmt GuUalin,
20 : 39-78, Da.' !»«?.
C. A. SALVATORE A G. SCHREIBKR
43
Xo miometrio os núcleos apresentam-se rigidamente orientados no eixo lon-
gitudinal da fibra ç quando escolhido o lugar oportuno com as fibras bem orien-
tadas a medição não apresenta dificuldade. N’o endometrio devemos distinguir
o epitelio interno do útero c as glândulas. Nestes, os núcleos são mais arre-
dondados, e somente em cortes Ixm perpendiculares a suj>erficic interna (Figs.
47 e 4 S) p'de-sc controlar a orientação destes núcleos, cujo maior diâmetro
cm geral apresenta-se em posição radial, com respeito a cavidade uterina. O
njesmo se verifica nas glândulas, nos quais as células possuem os núcleos alon-
gados segundo a direção radial do lume do canaliculo. Portanto, foram excluí-
das da m: dição todas as áreas em que a cavidade uterina aparece cortada em
direção obliqua.
Para todas as medidas foram tabelados os valores d s dois diâmetros per-
pendiculares. c para cada núcleo, calculado o volume. Os volumes foram su-
ccssivamentc recolhidos em classes, cujo intervalo varia caso por caso. O in-
tervalo será indicado nas tabelas I a VI. Tratando-se de um estudo de varia-
ções de volumes, o valor absoluto ná> têm muita importância. Portanto, os
valores volumétricos são dados sempre cm unidades cúbicas calculadas pelos
diâmetros em milímetros à ampliaçã > do desenho. Em todas as medições, um
milímetro corresponde a 0.53 micra.
Construídos os histogramas de frequência com estes valores volumétricos,
foi determinado o valor modal aplicando a formula Mo r L+ ^ .i na
F + f
qual :
L = é o limite inferior da clasrc modal.
F = é a frequência tia classe superior a classe modal,
f = c a frequência da classe inferior a classe modal,
i = é o intervalo de classe.
A escollia do valor modal ccmo representante da população de núcleos, de-
riva das considerações acima citadas, sôbre a relação entre a frequência dos
diferentes tamanhos alcançados no crescimento interfasico e a velocidade deste
crteciimnto.
I-e particular interesse se apresentava o estudo da frequência das mitoses
nos diferentes tecidos uterinos em relação as fases da fisiologia uterina. Por-
tanto. para cada caso. foi calculado o index mitofeo cm de mitoses sôbre
os núcl.os medidos. O problema das mitoses no útero e a sua significação,
será discutido nas ccnclu.óes, relaci nando-as com as variações volumétricas
dos núcleos. A detalhada discussão da literatura sôbre este fenômeno será
dada no trahrlho eguinte de Salvatore.
2 3 4
5 6 7
KJ V-' — I 1 — I -I — I \
11 12 13 14 15 16
44
PESQUISAS CARIOMí-TRICAS XO CICI.O ESTRAL E
GRAVIDICO
RESULTADOS E DISCUSSÃO
a) Esclarecimentos gerais:
Xo presente trabalho, para resumir a exposição dos resultados, damos na
maioria dos casos as tabelas e os gráficos dos diferentes casos sob a forma de
médias das observações de pelo menos tres casos homólogos estudados. Por
exemplo, foram estudados tres animais no mesmo estádio de diestro. De cada
animal foram medidos os volumes nucleares das glândulas uterinas. Obtidas as
tres curvas de frequência, foi construída uma curva “média” com os valores
médios (média aritmética) das frequências de cada classe.
Portanto, denominamos “gráfico médio” aquele assim construído, ao passo
que chamamos “gráfico individual” aquele original obtido com as médias de
um só animal, como foi feito em certos casos. X'as tabelas serão indicados seja
o número de animais de mesmo estádio juntamente agrupados, seja o número
total de núcleos medidos para cada estádio (últimas colunas tias tabelas I a YI) .
As tabelas reunem as indicações de cada tecido (endometrio glandular, su-
l>erficial e miometrio) durante o ciclo e-tral e prenhez. Dentro de cada ta-
bela. os indivíduos estão agrupados conforme as diferentes fases do ciclo estral,
gravidez, castração etc. Em cada tabela foi também indicado o index mitotico.
As modas foram calculadas com as curvas médias representadas nos grá-
ficos. As figuras 44 e 45 (tab. Y1II e IX) dão uma idéia bem evidente da
variação dos volumes nucleares nas diferentes fases fisiológicas uterinas. A
direita, nas ordenadas do mesmo gráfico foram indicados as médias aritméticas
dos valores modais. A figura 46 rq>resenta uma esquematização das variações
das curvas de frequência nas diferentes fases uterinas, ao lado da representação
gráfica do crescimento interfasico das divisões nucleares.
b) Núcleos das glandulas:
O gráfico da Fig. 1. Representa as frequências dos volumes nucleares de
três indivíduos tm diéstro. O histograma é unimodal, com moda a 664 e foi
construído com um total de 631 núcleos. Nenhum dos ;rês indivíduos apresen-
ta mitoses. Este volume que é o menor dos volumes encontrados, adiante será
por nós considerado como básico (moda I). e presumivelmente corresponde ao
volume de um núcleo diploide.
O gráfico da Fig. 2. Representa a frequência dos volumes nucleares de
três indivíduos em proéstro. O histograma possue 4 modas bem distintas que
não desaparecem quando duplicado o intervalo de classe. Os três indivíduos
considerados separadamente possuem as mesmas 4 modas, qoe se sobrepoem
perfeitamente no gráfico das frequências médias aqui apresentados. A primeira
moda coincide mais ou menos com a do diéstro, da Figura I (valor modal 738).
6
46
PESQUISAS CARlOMf TRICAS NO CICLO ESTRAL E
GRAV1DICO
Fic. 1
Fic. 2
Fic. ]
Fic. 4
S V ti ts * 15 ti ti as » 25 jj ys t> is B j5 ui vi ® ffl D
Fic. 1-S
Frequências dos volumes nucleares nas células glandulares uterinas.
s
Moa. Itut. Bauatan. C A. SALVATORE A G. SCHREIBER 47
Do.* 19*7.
A segunda mrda é mais ou menos a um valor 1.5 maior do que a primeira
(1036), e a terceira moda apresenta um valor duplo da primeira (1427). Uma
IV r moda c ligeiramente evidente a 2017.
N’ão foram encontradas mitoses, mas é evidente que os núcleos estão em
crescimento interfasico, alcançando o volume duplo na grande maioria, c alguns
até três vezes o volume da classe modal inicial (2017). Inicia-se nrsta fase a
infiltração kucocitaria no conjuntivo uterino, fenômeno este. que será analisado
mais p. rmenorizadamente no trabalho sucessivo de Salvatore.
O gráfico da Figura 3. Apresentam as frequências de três indivíduos cm
estro. O histograma mostra uma moda 1 1 1 a 1423, como valor fundamental, c
outras modas secundarias corrcspen dentes a II (981) e IV (2033) do histo-
grama do proéstro. Isto significa que a máxima quantidade de núcleos alcança
nesta íare o valor duplo do valer básico (I). Xesta fas® aparecem mitoses
(3.6^1 ) c além disso, grande infiltração bucocitaria c ptcnoae nuclear. A curva
foi construída com 3 indivíduos, cm um total de 861 núcleos.
O Gráfico da Fig. 4. Representa a situação volumétrica durante o breve
periodo entre o fim do éstro c o inicio do m.-taéstro (“éstro-metaéstro”). Ê
latantc difiril encontrar ésta fase de transição, que nos fo* possível obter em 4
indivíduos cujo exame vaginal foi efetuado dc duas cm duas horas, em lugar de
24 horas c mo dc costume.
O histograma é muito interessante pois aprcstnta bem nitidas as três mo-
«kft que já foram encontradas no proéstro. com a diferença que tendo <c veri-
ficado muitas divisões mitotieas. a moda I *stá aumentada em comparação com
as outras. Os valores são respectivanxnte 665, 1056 c 1419. Xésta fase en-
contra-se ainda grande infiltração lcucociUTia que invade até o luinen das
glândulas, mitoses e várias células com núcleo picnotico c detritos cromáticos
no lumen glandular. A curva foi construida com 4 indivíduos, com um total
de 12 23 núcleos.
O gráfico da fig. 5. Mostra a variabilidade dos v lumes nuclearts na fase
dc metaéstro (4 indivíduos; 1045 núcleos). O quadro que sc apresenta é abso-
lutamcnte demonstrativo pois encontram-se sõmcntc núcleos pequenos da moda
I como no diéstro.
A histologia do utero nesta iasc é tipicamente de rcp.uso. desaparecendo
totabmntc os leucócitos e faltando complctamente as mitoses. É evidente que
este quadro é determinado pela falta total de crescimento interfasico em todos
os núclos dc volume básico produzido nas mitoses do éstro. O desaparecimento
dos núcleos grandes da Fig. 4, é devido çiu parte a dimidiação dos mesmos e,
cm parte, provavelmente aos fenômenos carioliticos do éstro c éstro-metaéstro.
9
Mm. In*t. BuUnüc.
2* 39 - 7 *. I>«.‘ 9 * 7 .
C A SALVATORE A C. SCHRKI BFR
49
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SO PESOflSAS CARIOM ÊTRICAS NO CICLO ESTRAL E
CRAVIDICO
Além das diferentes fases do ciclo estral em condições fisiológicas foram-
estudados alguns indivíduos castrados e outros, também castrados, mas tratador
com estrona.
Os gráficos da Fig. 6 c 7. Mostram os histogramas dos volumes nucleares
nestas duas situações. A fig. 6 mostra que no castrado, todas as células possuem
tamanho pequeno igual ao da moda I (6S3) do ciclo estral sem qualquer sinal
de atividade reprodutiva.
A fig. 7, pelo contrário indica no castrado tratado com estrona, uma situação
igual àquela do éstro com a totalidade dos núcleos em volume correspondente
a moda III (1420) (volume duplo da moda I). além de uma nitida moda ao
valor triplo do volume básico (I) (1971), embora de pequena frequência.
Nas glândulas desta fase não foram encontradas mitoses. O éstro contí-
nuo obtido com injeções de 50 gamas de estrona diárias, e o animal sacrificado
quando a situação do éstro era constante, isto é, 4 ou 5 dias após o inicio do
tratamento. Portanto, ésta administração corre sp- nde a cerca de 10 vezes mais
da dóse minima estrogtnica.
O gráfico da fig. 8. Xos dá a situação do> volumes nucleares em 2 indiví-
duos tratados como os da Fig. 7. porém sacrificados 24 e 48 horas depois de
suspenso o tratamento hormónic . O histograma mostra uma queda das fre-
quências dos núcleos grandes e cumento dos de classes inferiores, com uma
nitida moda II. e uni notável aumento, embora nà;. suficiente para determinar
unu verdadeira moda. na região da moda I. Observa-se também a existência
de um certo número de mitoses, apresentando ésta situação mais ou menos se-
melhante àquela do éstro-metaéstro (*).
O mesmo tipo de modificações que encontramos até agora nas fases do ciclo
estral, foram encontradas no ciclo gravidico.
As figs. 9 a 14. Representam as curvas de frequência dos volumes nuclea-
res das glândulas emlometricas durante a prenhez. Devemos esclarecer que de
cada fase foram estudadas as células da região d > utero contendo o féto, sepa-
radamente daquelas sem féto. Isto devido ao eventual efeito da ação mecânica
da distensão < pane com féto) sôbre o tamanho nuclear. Entretanto, as curvas
(*.) Devemos aqui salientar que as transformações das curvas de frequência durante
as fases sucessivas do ciclo fisiológico, pode ser produzida por dois mecanismos diferentes:
1) A transformação de um tipo celular corresponde a uma moda em outra, correspondente
a outra moda. 2) A proliferação diferencial de dois ou mais tipos de células correspondente
tes às modas diferentes e contemporaneamente existentes no tecido, desde o início em quan-
tidades diferentes. A falta total de núcleos de tamanho III no diéstro, metaéstro e cas-
trado, e de tamanho I no éstro-ccntínuo indica o primeiro dos dois mecanismos
aqui considerados, isto é, a transformação direta das células pequenas nas grandes. (Este
fenômeno, já foi salientado per Schreiber desde 1940).
12
Mera. Iut. BaUatia.
t*:3%7». De*.* >»•«;.
C. A. SALVATORE A (. 'CHREIBKK
53
das duas regiões são absolutamente idênticas. indietndo por conseguinte, que to-
das as modificações observadas no tamanho nuclear são devidas puramente a
efeitos endocrinos sõbre o crescimento nuclear. c
O exame comparativo das Figs. 9 .1 10 e Figs. 11-12 nos mostram que mais
ou menos na metade da gravidez. têm-*« uma alteração tia situação nuclear. Até
o sétimo dia. existe uma situação perfeitamente parecida com aquela do estro,
tendo pratieameme uma só moda ao valor duplo do valor básico (1437), ao pas>o
que a 13-14 dias, a moda III diminuc consideravelmente c ^nrecem novamente
as moda> I e II (respectivamcntc dos valores volumétricos 686 c 1026). O
aparecimento dos núcleos menores simultaneamente com uma onda de mitoses
(indrx mitotico 1.9^é ) nos faz pen>ar a um fenômeno semclliantc a um éstro-
metaéstro. análogo ao da íig. 4. A significação deste fenómeno de reprodução
célular do utero da rata durante a prenhez, será taml>ém discutida no» tralnlho»
sucessivos de Salvatore.
Ao termo da prenhez, o quadro apresenta-se semelhante ao do estro (fi-
guras 13-14) com unu absoluta preponderância dos núcleos de volume duplo
(moda III) (1426 c 1480) c )>equcna quantidade dc núcleos de volume triplo
(moda IV) mai* ou menos 2000). Podem s portanto, jensar que houve cres-
cimento interíasico das células pequenas formadas nas mitoses do 13-14 dias.
A pureza das curvas do ciclo c‘tnd nas fases finais, parece dar uma indi-
cação certa que as variações efetuam-se na totalidade dos núcleos e, que a sin-
cronia dos ciclos mitoticos destes núcleos é praticamente jcrícita.
c) Xúdcos do cudomctrio superficial.
Os gráfico» que representam este tecido são todos construídos com os valores
das frequências d c únicos indivíduos, e não como nos otsos precedentes, com as
médias de 3 ou 4 indivíduos. Os gráficos das Figs. 15 — 16 — 17 18 19
• tabela III) representam as curvas de frequência nas fases <lc diéstro, proéstro,
estro, éstro-mctaéstro e metaéstro re»|>eetivaniente.
Os fenômenos observados são totalmente iguais àqueles dos núcleos do cn-
dometrio glándular. O diéstro tém uma aó moda ( I ) ao \alor 726 o que é !i-
geiramente ntais alto de tedos os valores modais deste estádio em outros casos.
(> nroc-.m apresenta trés nitidas modas (I. II. III) aos valore» respectivamente
de 656. 1046 e 1435.
< > é»tro tém uma moda (III) predominante a 1364 e uma menor a 2075
(I\ ). Xa região da moda II a curva denota tuna ligeira assimetria que jKxIcria
ser urna moda II encoberta. Xeste estádio sán frequentes as mitoses com um
index de 3.5
15
cm
.SciELO
) 11 12 13 14 15 16
Mcfn. I n-4í Butantan.
í»:.l9-7* Dti* 1947.
C A SALVATORE A C. SCHREIBER
55
ric.
Fro^wèiwi» ón% nlum melra m na» minta» rr*i<i»MTv> * :;rrí.nal
17
U PESQUISAS CASIO M ÊTRICAS XO CICLO ESTRAL E
GRAVIDICO
Xo éstro-metaéstro reaparecem as modas e e II bem nítidas, respectivamente
aos valores de 659 e 1119, e uma moda 111 a 1432. As mitoses alcançam a
maior percentagem verificada, isto é, 5,3%, o que explica claramente o reapare-
cimento dos valores modais pequenos. Xo metaéstro volta a situação de repouso
com uma curva regular unimodal I a 644 e falta totalmente as mitoses. Os
núcleos deste tecido durante o diéstro c estro, estão representados nas Figs 47
c 48.
Xo castrado (Fig. 20) a situação é períeitamente igual ao do diéstro e do
metaéstro: curva períeitamente unimodal (I) (568). Esta moda porém, é um
pouco menor da dos outros casos. Xo éstro-continuo (Fig. 21) os núcleos
estão todos ao valor da moda 111 (1445) exatamente como no éstro fisiológico.
A suspensão do tratamento hormônico faz aparecer um abundante número de
mitoses (4,7%) c as modas dos volumes inferiores (modas I e II, respectiva-
mente 644 e 1023) (Fig. 22).
Xa gravidez ft:i>ela IV) os gráficos das figs. 23 e 24 mostram que nos
primeiros dias. os núcleos estão predominantemente no volume da moda III
(1432) com pequena moda 11 a 1061. Ao fim da gravidez (Figs. 27 e 28) os
núcleos alcançam cm pequeno número os valores da moda III como no começo.
Ao 13-14 dias, como nas glândulas, também aqui, aparecem o ciclo mitotico
(Figs. 25 c 26) (index mitotico de 3,4%), c toda a série de valores nucleares
do crescimento interfasico (modas I — II — III).
Como já salientamos para o endometrio glándular, as medidas e as respec-
tivas variações são pcrfiitxncntc iguais nos segmento uterinos com féto como
ms sem feto.
d) Núcleos das células musculares do miomclrio.
Para as células musculares lisas do miometrio, também as modiiicações nu-
cleares apresentam-se com uma clareza notável que evidencia fenômenos de or-
dem multiplicativos tanto mitoticos como cndomitoticos.
As fases do ciclo cstral são representadas pelas Figs. 29 a 32 (tabela V)
nos quais observa-se que possuem valores modais do volume nuclear bem nitidas
c diferentes. Assim, na Fig. 29 a curva de frequência (média de três indiví-
duos) do diéstro tem unu moda única de valor que chamamos “básico” (I)
(424). No proestro (Fig. 30) aparecem as modas II (626), III (863) e IV
( 1168) , que nos indicam que os núcleos alcançaram os valores volumétricos de
1,5, 2 c 3 vezes aquele do diéstro.
I
I
Tabela V
CICLO ESTRAL
Miomtlrín
N. da
figura
Faac do ciclo
eslral
Valor modal
V 0
L U
M E
N
UCLEi
R
K. Ul
indi-
víduos
N. total
de
núcleos
índice
MiMtlco
i
11
III
IV
225
275
325
375
425
473
525
573
625
673
725
775
825
875
915
975
1025
1073
1125
1175 j
'“l
1276 1
1325
29
di(stro. . . .
424
2.0
11.3
31.3
61.6
99.6
61.0
10.0
3.0
2.6
0.6
3
851
30
pro(stro . . .
432
626
863
1163
1.0
7.0
28.6
ldí
5.0
17.0
28.0
19,0
133
18.0
420
46.3
15,0
3.0
0,6
0.3
lí
2.6
0.6
3
791
—
31
(atro
637
872
1168
Qí
1.6
5.0
156
13.0
14.6
21,6
39,6
793
32,3
12.3
4.0
5.0
10.0
20.0
6.0
1.6
0.3
3
865
—
32
(stro-me ta-
(atro . . .
388
670
867
1130
lí
4.2
11.2
<5Í
37í
12Í
3.0
12
7.2
8.2
5.2
10.2
2Sí
49í
14.7
4.7
2,5
1.0
5
lí
0,7
0,2
0.2
4
1032
0,3
33
mcta(stro . .
423
5.2
15.2
27,0
44.7
89.7
41,2
9.2
4.2
4
947
—
34
387
4
10
25
90
74
17
2
i
222
—
33
(»tro-con*ínuo
678
857
1120
3.0
65
4.0
llí
73,0
85Í
13,5
3.0
2.5
3,0
J
2Í
0Í
0Í
2
433
—
36
post-estro-
continuo. .
368
636
868
1128
lí
lí
3.0
llí
10,0
5Í
O
8.0
34Í
22.5
4í
6.0
24.5
48.0
U,0
6,0
lí
5,0
7,5
6Í
lí
2
454
0.2
Tabela VI
prenhez
Miomftrio ■
Parle
do
utero
X. da
Iifrira
Dias
de Kta-
videi
Valor modal
V
O L
U M
E
X u
C L
a i
t
H. de
indi-
víduos
K. lotll
de
núcleos
Mèd ’1 do
índice
Milollco
i
II
III
IV
V
VI
375
425
475
525
575
625
675
725
775
825
875
925
975
1025
1073
1125
1175
1225
1275
1325
1375
1425
1475
1525
1575
1625
1675
1725
1773
1825
1875
1925
1975
2025
2075
2125
2175
2225
37
7
664
869
0Í
3.0
16í
32í
6.5
23.0
40Í
45.0
26.0
llí
9.0
3.0
2.0
2
438
0.4
Com
39
13-14
462
665
867
0Í
4.0
9Í
3.0
9.5
17Í
21í
8Í
19Í
33.0
5 LO
17^
9.0
3.0
1.3
1.0
2
422
0.7
41
20 21
863
1182
1372
2245
2Í
5.7
13.2
345
XJt
13.2
12.2
8.2
5.2
6,2
127
11.6
50
2J5
1.7
0.7
1.0
4.7
Sí
3,7
1.0
1.0
0Í
0.2
0Í
2.5
0,7
4.2
5,7
1.0
3
829
—
38
7
660
862
1.0
3.0
9.5
9Í
4í
9.0
35,5
56.5
llí
6Í
2.0
2
297
Sr m
40
13-14
45S
628
870
lí
2Í
3.0
0Í
12.5
19.5
17,0
4Í
7 í
1S.0
35.0
13,0
7.0
4.0
1.0
2
294
-
42
20-21
835
1176
1612
2131
1.0
3Í
19.3
5t.3
47.6
27Í
12.6
1QÍ
5.3
10Í
15.6
11.6
5.0
4.4
3.0
2.0
1.0
1.6
i.o
14.6
3.6
7.0
2.0
2.0
1,6
lí
2.0
4.0
3Í
0.6
3
862
0,4
Meta. Inst. Batantan,
2»: 39-78. Dez.* 1947.
C. A. SALVATORE A G. SCHREIBER
61
Na fase de éstro (Fig. 31) o volume nitidamente pred< min ante é o da moda
III, isto é. duplo volume do diéstro (860). Existe ainda uma moda II ao valor
1.5 (626) vezes básico, mas de uma frequência inferior àquela do estádio pre-
cedente. Embora extremamente rar. s existem nesta fase algumas mitoses.
Xo éstro-metaéstro, Fig. 32 diminuem as frequências das modas superiores
e reaparecem os núcleos pequenos do vai r inicial (moda I) (388) que no éstro
faltam por completo.
No metaêstro (Fig. 33) sómente encontram-se estes valores pequenos exa-
tamente como ni> diéstro e, desaperteem totalmente os núcleos médios e grandes.
Éstas transformações das curvas de frequência são com toda probabilidade
devida a um efetivo ciclo intcrfasico seguido por uma divisão. Embora as mi-
toses sejam muito raras, elas existem. Lembremos que em geral as mitoses no
miometrio do utero foram demonstradas durante o ciclo estral por meio do acúmulo
das metafases pela ação da colchicina, e normalmente elas se encontram muito
rantmeníe.
A existência de uma verdadeira multiplicação das células musculares do
utero é ainda assunto discutido na literatura. Xão queremos entrar nesta dis-
cussão, mas as modificações quantitativas dos núcleos perfeitamente múltiplas de
um valor inicia] (ritmicas), -ó p dem indicar, como foi frizado na introdução,
uma atividade multiplicatha do genenta nuclear. De fato, alguns núcleos, espe-
cialmente na fase de prenhez se encontram no volume 4 vezes o inicial, indi-
cando com isto, uma situação octoploide ou poliu nicos (1600).
O que acontece depois, seja uma divisão mitotica ou stenotica ou uma de-
generação, é um assunto que será estudado íuturamente.
Iniciada no proéstro e adquirindo o acme no éstro. verifica-se entre as cé-
lulas musculares uma intensa infiltração leucocitaria. Este fenômeno, porém,
não é especifico do miometrio, mas comum a todos os tecidos uterinos.
Nos indivíduos castrados (Fig. 34). as fibras nntsculares têm núcleos de
tamanho pequeno igua] àquele do diéstro e metaêstro. Neste ponto também o
miometrio se comporta exatamente como o endometrio. Falta totalmente qual-
quer atividade multiplicativa, com ausência de formas médias e grandes. No
castrado injetado com estrona (Fig. 35) os núcleos possuem um volume duplo
do castrado não injetado. Interrompendo o tratamento hormonal, aparecem as
outras modas como no éstro-metaéstro (Fig. 36) (tabela V).
Na prenhez de 7 dias (Figs. 37-38) (tabela VI). os núcleo* apresentam
1,5 e 2 vez;s o inicial (moda I e II) sendo o valer dois, o predominante.
23
SciELO
Mem. Inst. Butantan,
2# : 39-78, Der.* 1947.
C. A. SALVATORE A G. SCHREIBER
63
É importante lembrar que nas nossas pesquisas, o volume nuclear é abso-
lutamente independente do efeito da distensão mecanica provida pela presença
do embrião embora as experiências de Reynolds (9) no coelho demonstram um
efeito hiperplástico.
Aos 13-14 dias (Fig. 39) reaparecem os núcleos pequenos da moda I e os
da moda II aumentam de frequência, correspondendo a uma situação de éstro-
metaéstro. Como no endometrio, também aqui parece haver um ciclo mitotico
neste periodo da gravidez. Apresentamos nas Figs. 51 e 52 duas micro-foto-
grafias de células musculares tm mitoses. A diminuição relativa das frequên-
cias dos núcleos grandes e a presença de mitoses apezar de rara nos induz a
insistir sôbre ésta interpretação.
Xo 20* dia de prenhez (Figs. 41 e 42) o quadro cariométrico apresenta-se
muito interessante: desaparecem por completo os núcleos pequenos e predomi-
nam os de tamanho duplo. Aumentam os de tamanho 3 (moda IV) e aparece
uma pequena quantidade de núcleos de tamanho 4 e até 6 vezes o inicial (moda
V — octoploides ?) :
Salientamos ainda que nas células musculares como nas epiteliais do endo-
metrio. o aumento ritmico do núcleo efetua-se por pulos de 1,5 vezes o inicial
("sesquifase’ ), e é conveniente lembrar que çste fenômeno aparece claramente
tanto nos núcleos quasi esféricos das células epiteliais, como nos núcleos forte-
mente elipsoides do miometrio. Portanto, qualquer dúvida sôbre a sua natureza
devido a fatores técnicos não têm fundamento.
d) O volume da profase.
Nb problema do crescimento interfasico do núcleo, o volume alcançado pelo
núcleo no momento da profase é particularmente interessante, pois representa
o fim deste crescimento.
As proíases nos tecidos como o epitelial mcnoestratificado do endometrio
apresentam-se com orientação variável, e a sua medida ccmo elipsoide de rota-
ção é sujeita a erros muito evidentes. Além disso, o estado de embibição do
núcleo profasico parece maior do que o núcleo interfasico representando um
fator de alteração da relação volume nuclear e por consequinte, o valor do
genoma.
Apesar destas dificuldades, aproveitam: s um número bastante grande de
profases observadas em certos estádios do ciclo estral e na gravidez, suficientes
para se fazer um ensaio da variabilidade estatística destes núcleos. Estas me-
dições estão resumidas na tabela VII e no gráfico da Fig. 43.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
64
PESQUISAS CARIOMÉTR1CAS NO CICLO F.STRAL E
GRAV1DICO
Fic. 39
Fic. 40
? 3 ♦ 5 6 7 8 1 <0 H tt IS I* ft U li li ti 20 U 21
Pic. 39-42
Frtqucncias dos volumos nucleares do miometrio..
Embora, baseado sòbre um número pequeno de medidas, nos parece bastante
evidente o agrupamento dos valores volumétricos das profases ao redor dos
mesmos volumes modais dos núcleos interfasicos, isto é, das modas III e IV.
Este fato provavelmente indica que os valeres deduzidos da curva das profases
possuem certo valor interpretarivo.
A moda III, de todas as curvrs aqui analisadas, têm um volume duplo do
volume que consideramos como o “básico” (moda I). Logo, o fato das pro-
fases terem em sua maioria o volume duplo do básico, fortalece a suposição
de que houve uma duplicação do gene ma na passagem do volume da moda I
até III.
Mem. Inst. Butantan.
2»: 39-78. Dm.* \ 9 * 7 .
C. A. SALVATORE & G. SCHREIBER
65
De outro lado, temos um cerro número de profases ao volume mais ou
menos de 2100 ou seja da moda IV. O interesse que estas profases apresentam
é possuirem o volume duplo da moda II. isto é. daquela definida como “sesqui-
fase”. Isto poderia significar que no processo de multiplicação do genoma a
profase pode aparecer ou ao volume duplo ou aquele triplo do genoma diploide.
Temos já esclarecido que o valor em redor de 1050 (meda II) não repre-
senta uma categoria de núcleos diferentes dos outros, e que tomaria a liderança
de uma moda «m certas fases do ciclo estral substituindo outros de outras modas,
mas representa uma real fase de transição do. núcleos da moda e no seu cresci-
mento interfasico. Tudo isto aparece claro no exame comparativo das diferentes
curvas onde faltam por total os núcleos da moda II. isto é. nas fases do ciclo
onde não há crescimento interfasico (castrado, di e metaéstro).
Destas cbservações podemos deduzir que os núcleos correspondentes a um
volume dj genema hexaploide (ou seja três vezes o do volume básico diploide)
podem se dividir iniciando uma profase regular, c não tenus razões para duvi-
dar que os produtos destas divisões sejam os núcleos de volume de moda II
(1,5 o volume básico).
Este fenômeno pode explicar o aparecimento dos núcleos da moda II nas
fases de transição (éstro-metaéstro, post-éstro provocado etc), mas não temos
elementos par,-, excluir que estas modas II sejam também produzidas por núcleos
dos ciclos interfasicos normais que se rec< meçam nestas situações do ciclo
estral. Estas possibilidades foram indicadas no diagrama esquemático da Fig.
44 com os trechos pontilhados.
A possibilidade de ciclos mitoticos em núcleos de tamanho múltiplo dispar
do volume básico, foi discutida por Schreiber (12) e invocado para explicar a
diminuição de volume ritmico por etapas de 1.5 vezes, no figado dos anuros
durante o desenvolvimento larval.
Parece-nos que os fenômenos aqui observados possam dar maior valor a
ésta explicação, a qual falta, ainda devemos portanto admitir uma verificação
citológica em termos de cromosomas ou de crompnemas.
27
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Mem. In»t- Butantau.
:* .39-7$, Dei.* 1947.
C. A. SALVATORE & G. SCHRE1BER
67
Tabela VIII
MIOMÊTRIO
(valores modais)
I
ii
III
IV
V
VI
Dtestro
424
Provstro
432
626
863
1168
Êstro
637
872
1168
Êstroxnetaéstro
383
670
867
1130
Metaéstro
423
Castrado
387
£»tro continuo
67$
857
1120
388
636
S6S
1128
Gravidez 7 dias c/ fe*9
664
869
Gravidei 7 dia» »/ feto
660
862
Gravidei 13 dia» c/ feto
462
663
867
Gravidei 13 dia» »/ feto
458
628
870
Gravidei 21 dia» e/ feto
863
1182
1572
2245
Gravidez 21 dias */
835
1176
1612
2131
Média» da» tnodai»
420
651. S
863
1152
1592
2183
Tabela IX
EXDOMÊTRIO
Frequência dos volumes das Projases
1250
1350
1450
1550 ' 1650
1750
1850
1950
2050
2150
225)
2550
1
10
20
18 j 2
2
1
10
5
*>
- 2
29
SciELO
11 12 13 14
E NDOMETRI O
O SUPERriOE
A GLANDULAS
o
A
O
o
•
Q—
u
A. A
I5CC
<5
•
O*. - - ~A_
A
A
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A
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5
l
T
DIAS 7 13 21
GPA.iDEZ CO V TETUS
2000 ,
I50Q
I 000
500
30
1985
U 28
103 7
665
P:c. 44
MIOMETRIO
O i
ò
A
ft
i c
n ° °
0 0
O 0
O 6 .. -nft-J
o
O
O
£ Q_
c
o
O 0
c
o
Ò A
Qa
— 5
o o
O P E CM M
CICLO ESTRAL
C EC _PEC
C ASTRAÇAO
DIAS 7 13 21
_ _ ^ o com »crui
GRAVIDEZ A j(u mtu» ,
2186
1592
1152
863
651
420
Fig. 45
cm
7 SCÍEL 0 , 2.1 12 13 14 15 16 17
MODAL
Mem. Ir.st. Butantan,
"20 : 39-78. Dez.* 1947.
C. A. SALVATORE A G. SCHREIBER
69
2 -v
O
-1
>
r:
Ú
[ a i
•
•
•
•
•
•
•
•
• •
4 •
•
•
•
•
m
*/\ #
• •
•
CXESTRO
PRCESTRO
ESTRO
ESTRO META
META
ESTRO CONT
POST ESTRO CONT.
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O VOLUME NUCLEAR NAS FASES FISIOLÓGICAS DO UTERO
Fie. 4Í
Etquema das modificações das curvas de frequência dos volumes nucleares e dos
correspondentes crescimentos interfisicos.
4) CO.YCLCSÕES
a) Conclusões cilológicas.
As variações do volume nuclear constatadas nas presentes pesquisas nos
permitem tirar algumas conclusões que esclarecem vári s problemas tanto no
-que se refere ao ritmo do crescimento nuclear por si mesmo, como no que se
refere a participação da multiplicação celular nas variações fisiológicas do utero.
Do ponto de vista citolôgico evidenciaremos em primeiro lugar, que as
variações de tamanho nuclear dos tecidos uterin s são todas tipicamente “ritmi-
cas", isto é. proporcionais a um valor básico. Pelo que se conhece, com base
ao conjunto de pesquisas cariométricas. significa que estas variaçõee- de volume
nuclear efetuam-se por fenômenos de multiplicação do genotna nuclear, e não
por fenômenos assim cbamados "troficos” ou de embibição.
O fenômeno mais tipico desta variação é a duplicação do volume nuclear
em todos os iniclcos sincrcnicamcnte na passogem de diéstro ao estro. Este
fato, como foi repetidamente esclarecido é um fenómeno de crescimento dos
mesmos núcleos e não um efeito “estaíistic " de predominância de classes de
volume diferente em momentos sucessivos do ciclo estral. A falta total de
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cm
SciELO
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70 PESQCISAS CARIOMÊTRICAS XO CICLO ESTRAL E
GRAV1DICO
núcleos grandes no diéstro e no castrado, e dos núcleos pequenos no estro e
éstro-provocado, indica sem dúvida alguma, que são os mesmos núcleos que
passam de um volume a outro. A verificação de que os núcleos duplicam exata-
mente de volume, que as profases possuem este volume, que nas fases sucessivas
reaparecem os núcleos de volume djmidiados, indica de forma indubitável
tratar-se de um ciclo multiplicativo das células em geral encontradas em sua
totalidade nas mesmas fases deste ciclo. Portanto, existe um ritmo de multi-
plicação celular relacionado com as fases do ciclo cstral.
A duração da interfase é geralmente menor do intervalo diéstro-éstro, sendo
portanto provável que no proéstro se verifiquem para cada célula, mais do que
um ciclo intcrfasico.
O resultado, é o aparecimento de todos os estádios do crescimento inter-
fasico e, as fases nas quais o crescimento é mais vagaroso são aquelas que
apresentam os máximos de frequência, ou seja as modas I, II e III.
Nas fases extremas do ciclo estral (diéstro e éstro) os núcleos param res-
pectivamente aos volumes das modas I e III. Evidentemente no diéstro e
metaéstro existem condições que não permitem o crescimento interfasico e os
núcleos depois de divididos na fase precedente não iniciam outra interfase
acumulando-se ao volume I. No éstro, pelo contrário, todos ou quasi a totali-
dade dos núcleos, acabado o crescimento interfasico alinham-se sincronizados
ao volume duplo (moda ell). No éstro fisiológico e experimental, e na gravi-
dez é possível o crescimento interfasico além do intervalo de duplicação normal
aparecendo por consequinte, as modas IV e V que provavelmente representam
núcleos éxa e octoploides.
Na passagem do éstro para o metaéstro dá-se algo que permite o apare-
cimento das mitoses e por consequinte voltam a aparecer os volumes inferiores
das etapas do crescimento interfasico.
Outro íenónnno que aparece claramente nestas pesquisas é a assim chama-
da “sesquifase”. As variações “rítmicas” do volume nuclear realizam-se por
etapas proporcionais aos valores 1: 1,5: 2: 3: 4: 6: 8 etc., isto é, com valores
proporcionais ao volume do núcleo haploide considerado como unidade de
duplicação.
Mem. Inst. Butantan,
20:39-78, Dez.® 1947.
C A. SALVATORE & G. SCHREIBER
Fic. 47
Epitclio superficial do utero cm diestro. x 1161.
Fie. 48
Epitelio superficial do utero em estro, x 1161.
Fic. 49
Fibras musculares do miometro era diestro. x 1161.
W
cm
71
33
2 3 4
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PESQUISAS CARIOMÊTRICAS XO CICLO ESTRAL E
GRAVIDICO
Fig. 50
Fibras musculares do miomctro em estro, x!161.
Fic. 51
Mitoses nas fibras musculares uterinas aos
21 dias de prenhez, x 1161.
Fig. 52
Mitoses nas fibras musculares uterinas aos
21 dias de prenhez, x 1161.
SciELQ
11 12 13
15 16
34
Mcm. In ví Butantan,
5»:.I9-7f. Dei-** 1947.
C. A. SALVATORE A G. SCHREIBER
73
Este resultado confirma os que Schreiber ob:ev e no estudo cariométrico
d s outros tecidos em atividade reprodutiva (espermatogonias) e os que Wermel
(17) e colaboradores constataram nas células cultivadas “in vitro” com pes-
quisas cinematográficas. Enviamos aos trabalhos anteriores de Schreiber a
discussão e interpretação, deste crescimento sesquifasico. Queremos sómente
salientar algumas outras considerações que dão maior valor aos fenômenos aqui
constatados.
A existência desta “sesquifase” manifesta-se nos tecidos uterinos com parti-
cular evidência. Espccialmente nos gráficos 2,4,11,12,16,18,22,25,30 e 36, as
modas estão perfeitamente distintas. Nos tecidos uterinos o estudo cariomé-
trico nos evidencia claramente a natureza interfasica desta fase. Pelas consi-
derações já feitas, sóbre a significação estatística das variações das curvas de
frequência, devemos frizar também a propósito da sesquifase, jsto é, da moda
II, que as variações relativas as modas I e III e>pecialmente confrontando o
diéstro e castrado e o éstro natural e experimental, indicam que são consequentes
a transformação dos núcleos de um valor a outro e não a predominância de
núcleos de categorias diferentes pre-exitentes desde o inicio em épocas diferentes.
Portanto, neste caso, a sesquifase têm uma signiiicação mais clara do que
nos casos em que se compara tecidos diferentes segundo a natureza ou por
época de desenvolvimento ou por condição patológica como aquelas notadas por
Brummelkamp (2) c por Hertwig (S).
Xas células uterinas temos um casa, sob certo ponto de vista, tão favo-
rável como o das espermatogonias, isto é, células et» ciclo mitotico bem defini-
das e localizadas topograficamente, tendo algumas etapas deste ciclo distinta-
mente marcadas por volumes fixos facilmente determináveis e com valor
múltiplo do genoma conhecido. Xo caso da espermatogonia, estes marcos
miliares de crescimento interfasico são representados pelos estádios das divi-
sões meióticas, ao passo que nos tecidos uterinos, os marcos são representados
pelos valores “básicos" que se encontram fixos nos estádios extremos do ciclo
(diéstro, metaéstro c castrado). O outro marco limite, é aquele representado
pelo volume das profases exatamente duplo do dos estádios de repouso agora
mencionados. As variações dos valores modais nas fases intermediárias do
ciclo estral e da gravidez, perfeitamente sincronizadas com o aparecimento das
mitoses e com o aparecimento das modas que antes eram ausentes, permite in-
terpretar corretamente a natureza interfasica do crescimento ritmico nuclear.
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74
PESQUISAS CARIO MÉTRICAS NO CICLO ESTRAL E
GRAV1DICO
b) Conclusões fisiológicas.
Sob o ponto de vista endccrinológico. o estudo detalhado dos fenômenos
•óra relatados, será publicado sucessivamente por Salvatore. porém, salientare-
mos algumas conclusões que interessam o çstud citológico uterino.
E primeiro lugar, podemos indicar que o ciclo fisiológico do éstro e da
gravidez é acompanhado por manifestações citelógicas em todos os tecidos
uterinos constituídas por ciclos de multiplicação nuclear. A “hipertrofia”
descrita por vários autores, ao menos no que se refere ao núcleo celular deve-
considerar diretamente ligada ao crescimento interfasico do núcleo. Xã esta-
mos habilitados a concluir o mesmo para o citoplasma.
A castraçã deixa os núcleos absolutamente em repouso e perfeitamente
sincronizados nesta fase. sem nenhum vestígio de crescimento interfasico.
Portanto, a secreção ovariana age tipicamente sõbre o crescimento interfasico
dos núcleos e ao iniciar-se a elevação do limiar désta secreção todos os núcleos
iniciam uma -érie de ciclos interfasicos e de consequentes mitoses. Xão pode-
mos dizer qual é o iator que desencadeia a mitese propriamente dita, pois a
a administração ele estr na induz a maioria dos núcleos a ficarem no volume
final do crescimento interfasico e acumularem-se nesta fase. A falta de núcleos
pequenos nesta situação estaria a indicar que é necessário algum fator a mais
do que o hormônio, ou alguma variação da situaçã. hormônica para que as
mitoses se produzam.
O efeito mais tipico da ação hormônica sóbre o ciclo de crescimento nuclear
se revíla nas duas situações oposta-, isto é. na castração e n> éstro-provocado.
As variações destas situações provoca o “movimento" do ciclo nuclear e o apare-
cimento das fases intermediárias e das mitoses.
Além destas conclusões de ordem gíral. podemos dizer que todes estes
fenômenos de multiplicação nuclear, mitoticos ou endomitoticos efetuam-se
também para as fibras do miometrio. O ciclo de crescimento interfasico des
núcleos é neste tecido tão evidente como no epitelio endometrial, embora as
fases mitoticas sejam extremamente raras.
Outro fenómeno que evidenciamos nestas pesquisas é a presença de ricl s
de multiplicação célular em todos os tecidos uterinos numa época mais ou
menos a metade da gravidez. Este fato parece indicar uma variação da situação
hormônica superposta ao estado gravídic . quiçá implicando ciclos funcionais
ovarianos durante este estado.
Mero. Insí- ButanUn,
S»: 39-/8, Da.* 1947.
C. A. SALVATORE & G. SCHREIBER
/t)
Muitos problemas se abrem com estes estudos. Um dêles é o destino das
células neoformadas pelos ciclos mitoticos uterinos. A infiltração leucocitaria
e os notáveis fenômenos carioliticos que verificam-se em certas fases, indicam
que, ao menos parte das células em cada ciclo é destinada a morrer.
Qual dos elementos produzidos pela divisão são destinados a degenerar, e
quais os que ficam para repetir o ciclo, constitue um dos problemas a serem
esclarecidos.
A existência de núcleos de tamanho múltiplo do básico, interpretada por
analogia com o que se conhece em outros tecidos (D’Ancona (3) (4) para
o figado, e Painter (1) e colaboradores, para os neoplasmas), como poliploides,
permite supôr-se que éste poliploidismo possa ser ligada à degeneração de parte
dos elementos citológicos uterinos. Além disso, ésta labilidade nos limites da
multiplicação do genoma durante os intensos fenômenos multiplicativos dos
tecidos uterinos poderia estar ligada a incidência de neoplasmas neste orgão.
RESUMO
Foram estudados os volumes nucleares das células uterinas (endometrio,
glândulas e miometrio) pelo método estatístico-cariométrico na rata, durante as
fases do ciclo estral, gravidez, castração e no éstro-provocado pela estrona.
As variações das curvas de frequências dos volumes nucleares indicam que
no ciclo estral as células que estão «m repouso no diéstro, iniciam um cresci-
mento interfasico alcançando no éstro o volume duplo do encontrado no diéstro,
seguindo-se a divisão célular.
Durante este crescimento interfasico os núcleos apresentam uma etapa
a 1,5 vezes o volume inicial. Este fenômeno verificado em inúmeros outros
tecidos e em condições fisiológicas e patológicas das células, foi precedente-
mente definido por Schreiber com o nome de “sesquifase”.
As profases iniciam-se geralmente a um volume duplo do inicial e, as
vezes a um volume triplo ou seja o duplo da sesquifase. Uma pequena parte
das células continua o crescimento interfasico alcançando um volume quatro
ou seis vezes o inicial.
Xa prenhez os núcleos apresentam um volume duplo daquele encontrado
no diéstro. Ciclos multiplicativos verificam-se no meio da prenhez (13-14
dias).
Xa castração, todos os núcleos estão na fase de repouso sincronizados ao
volume inicial, igual ao do diéstro e sem nenhum vestígio de crescimento inter-
fasico. Xo éstro-provocado (castrados, injetados com estrona) observa-se uma
37
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SciELO
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76 PESQUISAS CARIOMÊT RICAS NO CICLO ESTRAL E
u G RA VI Dl CO
situação idêntica àquela do éstro fisiológico. Ao se interromper o tratamento
aparecem todas as classes de volumes inferiores (1: 1,5: 2), isto é, a presença
do crescimento interíasico do núcleo.
Pode-se excluir que as variações das curvas de frequência, sejam devidas
a um fenômeno “estatístico”, isto é, a substituição em momentos diferentes, de
categorias de núcleos diferentes pré-existentes no tecido. As variações períei-
tamente síncronas e complementares das diferentes categorias de volumes nas
diversas situações, e a sucessão cronológica destas variações, ligada com a
presença das profases, não deixa duvida nenhuma que, as diferentes
classes de volume nucleares representam etápas do crescimento interfasico dos
núcleos.
Todos estes fenómenes indicam que as fases fisiológicas uterinas sincro-
nizadas com as variações hormónicas, estão nitidamente relacionadas a fenô-
menos multiplicativos dos genomas nucleares e com o mecanismo da mitose.
ABSTRACT
In this paper, statistic-caryometric methods have been applied to the
measurement of the nuclear volume of uterine cells (endometrium, glands and
miometrium) during the various phases of the oestral cycle pregnancy, after
castration as well as during artificial oestrus induced by oestrone injections
(rat).
The «variations of the frequency curves of the nuclear volumes during
the oestral cycle reveal an interphasic growth of those cells which are at rest
during the diestric phase; these cells attain twice tbeir initial volume, before
they divide.
This interphasic growth oa the nuclei has a rhytmical character which
manifest itself by a distinct stop of growth (modal value of the frequency
curve) when the nuclear size has reached 1,5 of its ba-ic initial volume.
This atage of arrest has equally been found in numerous other growing tissue
cells in various normal and pathological conditions which have been studied
extensively by various Authors. Schresber termed in previous papers this
fenomenon as "sesquiphase”.
Nuclei in the prophase generally possess twice the basic volume and only
occasionally three times the basic volume. A small part of the ceils continues
its interphasic growth without entering di vision which results in an increase
of nuclear volume three to four times the basic volume (polypoid or polytenic
nuclei).
M«n. Inst. Butaman,
2»: 39-78. Dm.* 1947.
C. A. SALYATORE & G. SCHREIBER
77
During the oestrus there is a stop of the interphasic growth and an
accumulation of double-sized (tetraploid?) nuclei. The succeding stage
“oestrus-metaoesírus” reveals again all modal values corresponding to the
interphasic growth and numerous mitosis.
The metaoestrus is characterized by a total absence of interphasic growth ;
all nuclei possess the basic volume.
The uterine cells of castrated rats reveal a nuclear picture perfectly
behaviour as during the oestral phase; on the 13th day howewer a mitotic
activity reappears and consequently the interphasic growth which follows
the division. To the end of pregnancy the nuclei stop growing, after having
reached a volume two, three or four times the basic value.
The uterine cells of castrated rats reveal a nuclear picture perfectly
identical to the pro and metaoestrus; artiíicially induced oestrus determines
the growth of all nuclei to the double the jnitial volume. Interruption of the
treatment is ifollowed by the appearance of mitosis and an succeding interphasic
growth. exactly as in the physiological “oestrus-mctaoestrus”.
The sincronous transíormation of the frequency curves and the total disap-
pearance of the basic form at a stage where all the nuclei have reached the
double volume does indicate that the variation consists in a real interphasic
growth and not, as some authors believe, the existence of different cell cate-
gories of caracteristic nuclear size, which suceed each other during the various
phases of the oestral cycle.
All these phenomena indicate that the hormons elaborated during the oestral
cycle are active upon the nuclear interphasic growth as well as on the mitosis,
affecting likewise myometric and endometric cells.
Agradecemos à Da. Nicolina Pucca, do Departamento de
Farmacologia deste Instituto, pela valiosa colaboração no controle
do delo vaginal das ratas.
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39
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
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40
cm
7 SCÍEL0, 2.1 12 13 14 15 16 17
M«n. In*t. Butantan.
2d 79-94, 1047.
F \V. EICHBAUM
79
AÇAO DERMATOTÓXICA DE VENENOS OF1DICOS E SUA
NEUTRALIZAÇÃO PELOS A N T I VENENOS
por F. W. EICHBAÜM (•)
{Do Laboratório de Bacteriologia do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
É fato conhecido há muito tempo que a injeção parenteral do sôro anti-
Bothrops jararaca protege o indivíduo contra a ação tóxica geral (**) do mesmo
veneno, mas praticamente não é capaz de prevenir o desenvolvimento de uma
necrose local, mesmo quando o antiveneno for injetado pouco tempo depois
da mordida dentro do próprio tecido atingido.
Para analisar esta falha da ação protetora local do sôro, estudamos no
presente trabalho a ação dermatotóxica do veneno da Bothrops jararaca como
também da Crotalus tcrrificus tcrrificus em relação aos antivenenos específicos,
sob variadas condições experimentais.
MATERIAL E MÉTODOS
Como animais de experiência servimo-nos de coelhos e cães cuja pele
abdominal era depilada pela aplicação de uma solução de sulfureto de sódio.
Os vários reativos (sôro, veneno, etc.) foram injetados com agulhas finas
(N.° 24), intradermicamente, e as reações foram observadas em intervalos
determinados.
resultado;
A.) Ação dermatotóxica (***) do veneno dc Bothrops jararaca
A ação dermatotóxica do veneno de Bothrops jararaca manifesta-se por
3 tipos diferentes de reação que têm certa relação com a quantidade do veneno
depositado na pele.
(*) Estagiário.
(**) Chamaremos de “ação tóxica geral”, o conjunto dos fatores que conduzem à
morte dos animais em contraste com os fatores tóxicos discutidos detalhadamente neste
trabalho.
(*•*) Preferimos falar neste trabalho de uma "ação dermatotóxica" dos venenos em
vez de “ hemorragina ”, termo usado por outros autores, visto que a bemorragina repre-
senta só um componente (fração) do complexo dermatotóxico total.
Entregue para publicação cm 22 de janeiro de 1947.
1
cm
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80
AÇAO DERMATOTÓXICA DE VENENOS OF1DICOS E SUA
NEUTRAUZAÇAO PELOS ANTI VENENOS
1 . Edema (“E”)
No caso de um edema muito forte e persistente o edema se transforma
no 3.*-4.* dia num endurecimento (infiltração circunscrita da pele
(infiltração = “I”)
2. Hemorragia (“H”)
3. Necrose (“N”)
A próxima Tabela (N.° I) demonstra os vários tipos das lesões epidér-
micas (no coelho) em relação à dose injetada.
Tabela I
Dosagem da dose necrosanle mínima (D. N. .V.) do veneno de Bothrops jararaca,
na pele do coelho (1.500-2.000 g)
(Quantidade de veneno contido em 0.2 ml. VoL total)
Quantidade
de veneno
em mg
Reação depois de
5'
60-
4 h
24 h
43 b
0.6
H + +
H + + + +
E + + + +
II + + + +
E + + + +
s + + +
E +++
N + + +
0.4
H + +
H + + + +
E + + + +
H + + + +
E + + + +
X + + +
E + + + 4-
X + + +
0.2
H + +
E + + +-!-
H -b-b
E -b -b-f -f
H + +
E + + + +
X + +
X
0.1
H *
H +-L
E ±
It +• +
E i
II + 4-
E + + +
I +
0.05
E +- + -
11 *
II + + + -*-
H í:
E +++ +
1+ E + ++
I -
0.02S
E -í b -b
H i:
E + + + +
H ~
E + + + 4-
E + + +
o
0.020
E *
E + +
E + +
O
o
Nota : Xo presente trabalho tôdas as indicações de “ mg de veneno " se referem a mg
de venenos secos, redissolvidos em salina isotònica.
Leitura: O = sem reação; H = hemorragia; E = edema; X = necrose; I = infiltração.
A dose necrosante mínima (D.N.M.) foi de 0.2 mg (numa outra experiên-
cia era de 0.4 mg). A dose edemaciante mínima (D.E.M.) foi somente de
15-20 gamas.
Doses intermediárias de cêrca de 0.1 mg produziram uma lesão hemor-
rágica que foi regularmente acompanhada de um forte edema. Acontecia, aliás,
frequentemente, que com as doses produtoras de hemorragia, o edema aparecia
cm
7 SCÍEL0, 2.1 12 13 14 15 16 17
Mem. Ir-st. Bntantas,
í»:79-94, Dei.’ 1947.
F. W. EICHBAUM
81
mais tarde do que aquele que se manifestava após a injeção de quantidades
menores de veneno. Pode-se talvez explicar êste fenômeno (edema retardado
com maiores doses) por uma coagulação intravasal nos pequenos vasos que inibe
a transudação ; não desprezamos a possibilidade de colaborarem nesse fenômeno
outros mecanismos, atuando ou diretamente, ou por via reflexa, sõbre os vasos
periféricos.
A necrose que segue a injeção intradérmica de 0.2 — 0.6 mg era antecedida
regularmente por uma intensa hemorragia e mostrava pleno desenvolvimento
sonmente 24-48 horas após a injeção do veneno.
Quer nos parecer que as lesões hemorrágicas e necróticas dependem unica-
mente de diferenças quantitativas da mesma fração do veneno. Quanto ao
edema, as experiências a serem descritas mais adiante, parecem indicar ser
produzida por uma fração separada do mesmo veneno.
Ação ncutrakzantc do soro anti-Bothrops jararaca sõbre a ação
dcrmatotôxiea do veneno de Bothrops jararaea
Foram realizados 4 tipos de experiências:
1 . Proteção geral do animal pela injeção intramuscular de uma dose ma-
ciça do sòro, seguida 24 horas após por uma injeção intradérmica do veneno.
Tabela II
Quantidade de
veneno injetado
( num volume
total de 0.2
ml)
Reaçio depoit de
10’
30’
3 h
24 b
Coelho A
(proteção
geral)
0.6 mg
H + +
H + +
H + +
E -+ +
X+ N +
E +
0.4 mg
H + +
H + +
H + +
E + +
N+ H + +
E+
0.2 mg
11 ±.
H ±.
H *
E + +
H— E ++-r+
0.1 mg
O
H *
H
E +-H-+
E + + + +
Coelho B
(Normal)
controle
0.6 mg'
H + +
H + + -*-
H + + +
E + +
X + + H+
0.4 mg
H + +
H + + +
H + -t- +
E +
lè —
0.2 mg
H rt
H Sb
H E+
H— E + + +
0.1 mg
U i
H S:
II - + ~
E +
Ht +
E+ +
cm
SciELO
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AÇAO DERMATOTÔXICA DE VENENOS OF1DICOS E SUA
NEUTRALIZACAO PELOS A.NTI VENENOS
2. Proteção local ptla injeção intradérmica do sôro; injeção sucessiva do
veneno, no mesrao lugar, após 3-5 .
3. Injeção intradérmica do veneno seguida, imediatamente, depois por
uma injeção intravenosa de altas doses de antiveneno (“tratamento pareníeral”).
4. Injeção intradérmica do veneno, seguida por uma injeção de sôro no
mesmo lugar, 3-5' após (tratamento local).
5. Injeção simultânea do veneno -f- sôro, que antes da injeção tinham
ficado cm contacto durante 30’ a 37°C (neutralização do veneno in vitro).
Tabela III
Tipo de
Substâncias
Reação depois de
experiência
injetadas
5*
15’
60 ‘
24 b
Controle sôro
Antiveneno (•)
2 ml *. d.
O
O
O
E +- + +
(D
Controle
veneno
Veneno 2 mg
i. d. (contidos
em 2 ml de
água fifsiol.
H +
H -H-+
H +++*♦■
+ + + +
E + + + +
Ad 2)
Proteção loca!
Antiveneno (*)
2 ml i. d.
Depois de 5* no
mesmo lugar
Veneno 2 mg
E +4-
E 4-+ + -*-
H *
E -f++ +
H 4-
E + + + +
H +
Ad 3)
Tratamento
parenteral
Veneno 0.8 mg
t. d.
Depois de 1*
Antiveneno (*)
5 ml por via
venosa
H ++
H ++-L
H 4-4-4-
E +4-
X + +
H + +
E + +
Ad 4)
T ratamento
loca]
Veneno 2 mg
i. d.
Depois de 4-5’
no mesmo lugar
Antiveneno (*)
2 ml
H 4-
H .4--H- +
H +4-4-4-
E ++
X + 4- H++ +
E + +
Ad 5)
Neutralização
í* r itro
Antiveneno
2 ml
Veneno 2 mg
injetados após
contacto duran-
te 30* ’ a 37*
O
4-
w
E + +
E + + + +
I.d. = intradérmica.
(*) Antiveneno = sôro znú-Bothrofis jararaca No. 18: 2 ml deviam neutralizar 4.4
mg de veneno de acordo com adosagem em pombos (método de Vital Brazil).
(**) Os intervalos de 5', 15', 60’ e 24 h contam-se do momento em que o veneno foi
injetado.
cm
7 SCÍEL0, 2.1 12 13 14 15 16 17
item. Inst. Butantan,
20:79-94, Da* 1947.
F. W. F.1CHBACM
83
Resultado da, experiências em 17 coelhos de 1500 — 1800 g;
1 . O coelho A, de 1 .800 g recebeu por via venosa 2,5 cm3 do sôro antibotró-
pico (Op. 17). quantidade essa que, de acordo com a dosagem em pombos, devia
neutralizar 4.75 mg de veneno. Vinte e quatro horas após, foram injetadas
várias quantidades de veneno, em diferentes lugares. As reações observadas
foram comparadas com as obtidas num outro coelho (B), não protegido pelo
sôro.
Fóra de ligeiras diferenças, atribuíveis à reatividade individual dos
dois animais, a pele do animal “protegido” e a do animal normal reagiram iden-
ticamente. Conclusão: a injeção parenteral do sôro não protege a pele contra
a ação necrotica e quase comletamente a ação hemorrágica do veneno, mas não
excesso. (Tab. II).
2. A infiltração prévia da pele com antiveneno ( proteção local) neutraliza
a ação necrotica e quase completamente a ação hemorrágica do veneno, mas não
é capaz de neutralizar a ação edcmaciante. (Tab. III).
3. Tratamento parenteral: — a ação hemorragica-nccrotica c cdemaciante
do veneno praticamente não é influenciada pela injeção de altas doses de anti-
veneno, aplicadas poucos minutos após a injeção do veneno. (Tab. III).
4. Tratamento local: — Como em 3. — , também a injeção local de sôro
no mesmo lugar onde o veneno era depositado, não influe sobre a ação derma-
totóxica do último. (Tab. III).
5. Neutralização in vitro : — o contacto in -Atro do antiveneno com o
veneno neutraliza a ação hemorragiconecrotica dêste último, mas diminui somen-
te de pouco a ação edemaciante. (Tab. III).
Controle de sôro: — A injeção do sôro deixa notar depois de 24 h uma
ligeira infiltração edematosa, diferente do edema pastoso observável nos outros
animais tratados com veneno ou veneno mais sôro. (Tab. III).
Resultados análogos foram obtidos em dois cães:
1. Proteção local por injeção previa do sôro (sôro antibotrópico No. 19:
dosagem em pombos: 10 ml neutralizam 24 mg de veneno).
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
01 AÇAO DERMATOTÓXICA DE VENENOS OF1DICOS E SUA
*** NEUTRALIZAÇAO PELOS A NTI VENENOS
Cão No. 2, pêso 8 kg. injeção intradérmica na pele abdominal depilada de
2 ml de sôro (correspondendo a um valor neutralizante de 4.8 mg de veneno).
Depois de 5’, injeção de 0.2 ml = 1 mg de veneno botrópico (jararaca) no mesmo
lugar. Paralelamente injetam-se em outro lugar da pele não tratada previa-
inente e distante 15 cm do primiro, 0. 2. cm 3 (=1 mg de veneno).
Tempo de obser-
vação, contado
da injeção do
veneno
Resultado
a) Infiltração prévia da pele
com sôro, seguido por in-
jeção de veneno
b) Veneno na pele não
protegida (controle)
5*
10*
60’
4 horas
24 horas
72 horas
E + +
E + + +
E + + ++ H +
E + + I +
I ±.
H + +
H + + + E + + +
H + + + + E + + +
H + + ++ E + +
X + + + E +
X ++ I + + +
(O cão que depois de 1 hora apresentou evacuação sanguinolenta e forte abatimento,
recebeu 10 ml de sôro, (*) o que fez desaparecer logo os sintomas gerais).
Como na experiência em coelhos a proteção local prévia protege só contra
a ação necrosante do sôro, mas não é capaz de evitar o aparecimento do edema.
2. Injeção intradérmica prévia do veneno seguida por uma injeção local
do sôro :
Cão No. 5, pêso 8 kg. O animal recebe em diferentes lugares da pele
abdominal as seguintes injeções:
a) 1 mg de veneno botrópico (jararaca), contido em 0.2 ml de salina
(controle).
b) 1 mg de veneno botrópico (jararaca), contido em 0.2 ml de salina,
e depois de 3 minutos, 2 ml do sôro No. 19 no mesmo lugar.
c) como b, injetando-se, aliás 1 ml do sôro antibotrópico No. 19.
d) ml do sôro antibotrópico No. 19 (controle).
(*) por via intraperitoneal.
liem- Itut. Butantin.
20:79*94, Dez.» 1947.
F. \V. EICHBAUM
85
Tabela V
Tempo de obser-
vmção, contado
da injeção do
veneno
material injetado
a)
veneno 1 mg
i. i. (•)
b)
veneno 1 mg
i. d.
depois de 3’
sóro 2 ml
i. d.
c)
veneno 1 mg
depois de 3*
sóro 1 ml
t. d.
d)
sóro
2 ml ». d.
Reação
5’
H+
H +
H+
—
10'
H + + E+
H -f- + E+
H-4-+ E—
i+
H + + +
E+ + +
H + + +
E4* + +■
H + + +
E+ + +
i-
4 horas
H + + + E-H-
H++++
E+ + +
H+ + + +
E+ + +
0
24 horas
N+ + +
E+ + +
N++++
E+ + +
X + + +
E+ + +
0
72 horas
N-+ + ++
X+ + + +
N + + ++
0
(O cão que depois de unu hora apresenta sintomas fortes de uma intoxicação geral,
recebe 10 ml de sóro i.p. (**) o que fez desaparecer logo os sintomas gerais).
Como nas experiências em coelhos, a ação necrosante do veneno não foi
neutralizada pelo sóro, mesmo quando êste era injetado no mesmo lugar em
que o veneno era depositado 3 minutos antes. ( Xotar que os 2 ml de sóro deviam
neutralizar 4.8 mg de veneno). Nem a injeção adicional de uma grande dose
de sóro aplicada por via venosa 1 hora depois da injeção de veneno modificou
os resultados.
Pareceu ainda de um certo interesse tanto teórico como prático, verificar-se
a relação quantitativa entre a ação anti-tóxica-geral e a ação antidermatotóxica
do sóro antibotrópico.
Realizamos uma série de experiências com o sóro (nativo) Op. 17, que
deu para êste sóro uma certa aproximação entre a dose antineurotóxica (dosada
em pombos) e antinecrosante-antihemorragica (dosada na pele abdominal de coe-
lhos). Verificou-se mais uma vez nesta experiência a falta absoluta de um prin-
cipio antiedemaciante mesmo com doses elevadas do sóro. (ci. Tab. VI).
B.) Ação dennatolóxica do veneno de Crotalus terríficus terrificus
A ação dermatotóxica do veneno de Crotalus terrificus terrificus é muito
menos pronunciada do que aquela dos venenos botrópicos. Xo veneno crotálico.
i.& = intradermal
i.p. = intraperitonca!
cm
SciELO
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Mem. Inst. Butantan.
50:79-94, Da.* (**) 1947.
F. \V. E1CHBAUM
87
as doses infra-mortais (no coelho) que ficam entre 0.05 e 0. mg produzem
somente um fraco efeito sòbre a pele. A única reação que se observa é um
ligeiro edema que aparece, em geral, 20 horas após a injeção intradérmica do
veneno e que desaparece 24 horas após. Doses mais altas, de 1-2 mg, não mos-
tram efeito algum durante as primeiras horas depois da injeção, além de um
ligeiro edema local. Estas doses, porém, matam os animais entre 10-20 horas,
tempo insuficiente para o desenvolvimento de nítidas rtações locais. Pode ser,
aliás, demonstrado, que o veneno crotálico possue, de fato, uma ação dermato-
tóxica injetando-se na pele do coelho 1-2 mg de veneno (0.2 ml d» uma solução
a 0.5 — l.O^fc) e imediatamente depois o sóro anticrotálico por via venosa, em
quantidade suficiente para neutralizar a ação neurotóxica do veneno. Nestas
condições, 0 sóro protege o animal contra a ação geral (neurotóxica) e. sendo
incapaz de neutralizar a ação dermatotóxica. a reação cutânea pode manifestar-
Tabfaa VII
Ação dermatotóxica do veneno crotálico evidenciada feia injeção simultânea do veneno
por via intradérmica c do sóro, por via venosa
Coelho
X.*
Fé»
Quantidade de
veneno injeta-
do intradermi*
camente
Antiveneno injetado in*
t rar enosamen t e
Reação depois de
Sóro
X.*
Quantidade
24 h
48 h
20
kf
±. 1 500
1 mg
—
—
morto
V± E-f
—
165
ü: 1 500
2 mg
morto
v+
115
* 1 500
») 1 mg
175*
8.5 ml
»> v+
E+ +
K± E+ +
b) 2 mg
b) V+ +
E++
b) N +++
E ++
167
1 200
») 1 mg
b) 2 mg
175"
4 ml
») N + E-f—r-r
V-r+
b) X + + +
N + + E++
V+ +
E-r-++ V+ +
N+++ V + +
E+ + +
Leitura : E = edema, V = “Vermelhidão” (Eritema), X = necrose.
(•) 1 ml de sóro Xo. 1/3 neutraliza 0.8 mg de veneno (dosagem em pombos).
(**) 1 ml de sóro Xo. 175 neutraliza 1 mg de veneno (dosagem cm pombos).
Xota: Os animais 115 e 167 receberam as injeções de 1 c 2 mg de veneno cm luga-
res diferentes da pele abdominal (“a” e “b"), guardando-se uma distancia de 8 cm entre os
dois lugares injetados.
cm
SciELO
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oo AÇAO DERMATOTóXICA DE VENENOS OF1DICOS E SUA
00 NEUTRAEIZAÇAO PELOS A NTI VENENOS
se nitidamente; depois de 24 horas aparece um forte edema e um eritema de
côr verme lho-arroxeado, acompanhado, por vêzes, de hemorragias petequiais.
A necrose produzida por 2 mg de veneno é no primeiro dia após a injeção ainda
pouco desenvolvida e fica nítida somente depois dum intervalo de mais de 24
horas. O edema persiste sempre até o segundo dia, enquanto que o eritema
mostra uma certa tendência a regredir neste intervalo. Uma experiência deste
tipo mostra a Tabela VII.
Quando o veneno (em quantidades de 1-2 mg) é depositado intradermica-
mente e depois de um intervalo de 5’ uma quantidade equivalente do anti-sòro
é injetado no mesmo lugar, a única reação a observar é um forte edema e ocasio-
nalmente um ligeiro eritema, ambos aparecendo somente depois de um intervalo
de 24 horas. O mesmo efeito é obtido quando sôro e veneno são misturados
in vitro e injetados juntamente, depois de ter ficado em contacto à 37* durante
30’. Reações neurotóxicas não são observadas neste caso.
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
Veneno botropiev
O fato de que unicamente as ações hemorrágica e necrosante do veneno são
neutralizadas pelo sôro enquanto que a ação edemaciante fica praticamente
inalterada, mesmo em contacto com doses elevadas do sôro, parece indicar que
os dois primeiros fenômenos, hemorragia e necrose , são devidas a uma fração
antigênica do veneno, que é diferente de uma segunda fração não antigênica
produtora do edema (*).
Podia-se pensar que o efeito edemaciante. não neutralizavel pelo antiveneno,
é devido a presença de histamina no proprio veneno ou causado pela libertação
secundaria de histamina da pele sob influencia do veneno. Esta ultima hipótese
pode ser afastada, porquanto a fração proteolitica e a lecitinase do veneno —
que não são geralmente responsáveis pela libertação secundaria de histamina —
ficam certamente neutralizadas por quantidades equivalentes do sôro.
As quantidades de histamina preexistentes nos venenos são tão infinitesimais
que também não podem ser respon-aveis por tal fenomeno.
(*) Existe mais um outro argumento que fala em lavor da multiplicidade dos fatores
dermatotóxicos no veneno botrópico: o aquecimento do veneno a 65° durante meia hora
destróe completamente a ação hemorrágica e necrosante do veneno, enquanto que a ação
edemaciante fica ainda mais nitida. especialmente com as doses mais altas do veneno. Um
aquecimento do veneno ao pento de fervura, durante 15' diminue muito pouco a ação ede-
maciante: um edema nitido (E-f-f) é ainda produzido com doses de 30-40 gamas do
veneno fervido, efeito comparável ao causado por doses de 10-20 gamas do veneno nativo.
Mra. Inst. Batintin,
20:79-94, Dei.* 1947.
F. \V. EICHBAUM
89
Consignamos os nossos melhores agradecimentos ao nosso colega Dr. Ananias
Porto do Instituto Butantan pela dosagem de histamina nos venenos de Bothrops
jararaca e de Crotalus tcrrificiis terrificus, que deram os seguintes resultados:
Veneno
Dose edemaciante minima
D. E. M.
Conteúdo em
1 grama
histamina por
1 D. E. M.
Bctkrops jararaca
0.0 2 mg
0.029 ms
6x10
Crotalus trrrijicuj terrificus
0.05 — 0.1 mg
0.010 mg
-7 -6
5x10 -10
mg
Estes resultados demonstram que a ação edemaciante dos 2 venenos ai>aren-
temente não tem relação alguma a histamina e deve ser atribuída, por isso, a uma
fração especifica que faz parte integral dos dois venenos.
A atividade anti-hemorrágica — anti-ciecrosante do sôro antibotrópico se
manifesta unicamente quando se injeta uma mistura de veneno -f- sôro que tenham
ficado em contacto, in vitro, por algum tempo, ou quando se injeta o veneno
dentro de um depósito intradérmico de sôro — 2 tipos de experiência que tem
pouco interesse do ponto de vista prático.
A incapacidade do sôro de neutralizar a ação dermatotóxica do veneno,
mesmo quando as duas injeções (do veneno e do sôro) são feitas num curto
intervalo de tempo no mesmo lugar, demonstra uma rapidíssima fixação do
veneno pelas células tissulares; a injeção subsequente de sôro não consegue mais
neutralizar o veneno fixado no tecido.
Uma imunização passiva por via intramuscular não exerce efeito sôbre a
ação dermatotóxica do veneno, da mesma fórma como a injeção i.v. do sôro
imediatamente depois da inoculação intradérmica do veneno; aparentemente a
concentração do antiveneno nos tecidos é tão reduzida que não consegue alterar
a afinidade do veneno pelo tecido cutâneo.
Veneno crotalico
Estas experiências mostram que o veneno crotalico contém, semelhante ao
veneno botrópico, duas frações dermatotóxicas 1.) Fração produtora de eritema
e necrose neutralizável pelo sôro anticrotálico 2.) Uma fração edemaciante que
não é influenciada pelo sôro anticrotálico.
Em relação à termo-resistência, estas frações do veneno crotálico se com-
portam diferentemente das frações análogas do veneno botrópico. Um aqueci-
mento do veneno a 65° durante 30’ destróe o poder necrosante sem afetar niti-
11
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SciELO
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AÇAO DERMATOTÔXICA DE VENENOS OFfDICOS E SUA
NEUTRALIZAÇÃO PELOS ANTI VENENOS
dameníe o seu poder eritematoso e edemaciante. O aquecimento a 100° durante
5 não modifica muito o resultado; só há uma redução apreciável do eritema e
do edema com veneno fervido por 10-20’.
Estes fatos parecem indicar que o aquecimento destróe em função do grau
e tempo de aquecimento, gradativamente, o veneno inteiro, não se verificando
uma termo-resistência ou labilidade especifica das frações descritas.
A dose necrosante mínima do veneno crotálico é cêrca de 10 vêzes maior
( = 2 mg) do que aquele do veneno botrópico (0.2 m), produtora do mesmo
efeito; no caso do veneno crotálico, esta dose fica perto da dose letal minima
(para o coelho) e devido a sua ação lenta (24-48 h) não pode ser evidenciada
sob condições normais. Uma reação hemorrágico-necrótica se produz unica-
mente quando o veneno é injetado intradermicamente e o sòro na veia; nestas
condições o sôro neutraliza a ação neurotóxica. aparentemente sem atingir no
tecido cutâneo uma concentração suficiente para inibir a ação local do veneno.
Contrariamente às observações feitas com o veneno e sôro botrópico, tanto
a ação tóxica geral como a ação local do veneno crotálico são neutralizadas (com
exceção da ação edemaciante), quando o sôro é injetado num lugar previamente
infiltrado com uma dose mortal de veneno (1-2 mg).
Êstes resultados concordam em parte com as observações de Githens que
trabalhando com os venenos de crotalideos norte - e centro-americanos, veri-
ficou uma neutralização in vilro pelos antivenenos homólogos e heterólogos. “A
reação local dos venenos desenvolveu-se tão rapidamente que a injeção subse-
quente do antiveneno neutralizante não produziu efeito. A toxidez sistemática
(geral) era maior com a injeção intradérmica do que com a subcutânea do
veneno; nos venenos mais tóxicos a dose letal era menor do que a dermato-
tóxica.” Contrariamente à ação das cascavéis sul-americanas, a maioria das
cascavéis norte - e centro-americanas mostraram uma forte ação necrosante nas
experiências de Githens.
RESUMO
O veneno de Bothrops jararaca possui uma forte ação dermatotóxica ; a
injeção intradérmica (em coelh s) de 0.2 — 0.4 mg de veneno causa após poucos
minutos o aparecimento de um extenso edema e de hemorragia, seguidos por
uma profunda necrose 24-18 horas depois. Doses menores (0.01 — 0.02 mg)
causam unicamente um edema das camadas epidérmicas superficiais. Demons-
tramos neste trabalho que o veneno botrópico contém dois princípios dermato-
toxicos diferentes: 1.) uma fração produtora do efeito hemorrágico-necrótico,
neutralizável in vitro pelo antiveneno específico e destruida pelo aquecimento a
Mera. Inst. Butantin,
20:79-94, Dez." 1947.
P. W. EICHBAUM
91
65" durante 30’. 22.) Uma fração edemaciante, não neutralizável mesmo por
altas doses do antiveneno, resistente a um aquecimento de 100 graus durante 10’
(Experiências em coelhos e cães).
A afinidade das dermatotoxinas para com o tecido cutâneo parece muito
grande, visto que a injeção de doses altas de antitoxina não conseguem neutra-
lizar o veneno injetado poucos minutos antes no mesmo lugar. A presença de
um anticorpo dirigido contra a ação hemorragico-necrotica pode ser demons-
trado pelo fato que u’a mistura do sôro + veneno, injetada após 30’ de contacto
a 37°, produz unicamente uma reação edematosa.
As atividades antitóxica-geral e antidermatotóxica de um sôro antibotrópico
testado em pombos e coelhos, respetivamente, eram aproximadamente iguais.
Em contraste com a rápida e intensa reação dermatotóxica do veneno bo-
trópico, o efeito local do veneno crotálico (de Crolalus terrificus tcrríficus ) —
no teste em coelhos — não é muito impressionante. Doses baixas (0.05 - 0.1 mg)
injetadas intradermicamente produzem depois de algumas horas um edema pouco
espalhado o qual desaparece geralmente depois de 24-48 horas. Doses maiores
(1-2 mg) matam o animal dentro de 10-20 horas, verificando-se no lugar da
injeção unicamente um ligeiro edema e vermelhidão (eritema).
Foi demonstrado, aliás, por um artificio de técnica que também o veneno
crotálico possue um fator necrosante: quando se injetam 1-2 mg de veneno
crotálico, intradermicamente, e ao mesmo tempo por via venosa uma quantidade
de sôro suficiente para neutralizar a ação neurotóxica do veneno, o efeito
visível depois d-j 24-48 horas será uma necrose nítida, cercada de um edema e
intenso eritema. Aparentemente o antiveneno introduzido por via venosa não atin-
ge no tecido cutâneo uma concentração Suficiente para suprimir a ação necrosante.
O sôro anticrotálico, aliás, possui por si mesmo, uma atividade antidermato-
tóxica, visto que a injeção combinada de sôro + veneno, ou mesmo a injeção
sucessiva de veneno e sôro no mesmo local, inibe o desenvolvimento da necrose
e do eritema como também o efeito neurotóxico. Como no caso do antiveneno
botrópico, o sôro crotálico não contém anticorpo que neutralize a ação edema-
ciante do veneno (crotálico).
A resistência ao calor das duas frações dermatotóxicas do veneno crotálico
difere das frações análogas do veneno botrópico porquanto o aquecimento a
65° por 30’ abole unicamente o efeito necrosante do veneno crotálico, sem dimi-
nuir a sua atividade eritematosa e edemaciante. Somente quando fervido por
mais de 10’, o veneno perde gradualmente o poder de produzir os dois últimos
sintomas. Êste fato indica uma redução progressiva da atividade do inteiro com-
plexo dermatotóxico em função do tempo e grau de aquecimento. Não existe, no
caso do veneno crotálico, uma termolabilidade “especifica” de diferentes frações
dermatotóxicas, como foi observado no veneno de Bothrops jararaca.
13
cm
SciELO
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07 AÇAO DERMATOTÓXICA DE VEXEXOS OF1DICOS E SUA
NEUTRALIZA ÇAO PELOS ANTIVENEXOS
ABSTRACT
The venom oi Bothrops jararaca has a strong dermatotoxic activity. The
intradermal injection (in rabbits) of 0.2 — 0.4 mgr. of the venom produces,
after a few minutes, a very extensive edema and hemorrhage, whicii is followed
24-48 hours iater by a deep necrosis. Smaller dosis (0.01 — 0.02 mgr-) cause only
an edema of the superficial sldn layers. It could be shown in this paper, that
the bothropic venom contains two different dermatotoxic íractions, one res-
ponsible for the hemorrhagic-<necrotizing effect, the oth-er one responsible for
the development of an edema.
The hemorrhage-necrosis producing fraction (fraction I) is neutralizable
in vitro by specific antiscrum and is destroyed by heating to 65* for 30’. The
edema producing fraction (fraction II) is not neutralizable even by high dosis
of specific antiserum and resists heating to 100° for 10-15' (Experiments in
rabbits and dogs). The afíinity of the dermatotoxins to the cutaneous tissue
appears very strong, since the local injection of high antivenom doses is unable
to neutralize the topical action of a venom, which had betn injected at the same
place a few (3-5) minutes before. The presence of an anti-dermatotoxic
(fraction I) antibody can be proved by the fact that the intradermal injection
of a serum-venom, mixtnre which had remained in contact for 30' at 37°,
produces only an edematous reaction.
The general antitoxic and tíie anti-dermototoxic power of an anti-bothropic
senmi — tested in pigeons and rabbits respectively — were about the same.
Contrary to the intensive dermatotoxic action of the bothropic venom, the
local effect of the Crotalus venoms (from Crotalus terri fiais tcrrificus) in
rabbits is not very impressive. The intradermal injection of small venom doses
(0.05 - 0.1 mgr.) produces after a few hours a íairly large edema, which
generallv disappears 24-48 hours later. Higher doses (1-2 mg) kill the animais
within 10-20 hours, exposing the injected site slight edema and hyperemia.
By a special technique it can be shown, however, that also the crotalic
venom possesses a necrotizing factor:
When the intradermal injection of 1-2 mg of crotalic venom is followed
immediately afterwards by an antivenom injection of a serum-<dose sufficient
to neutralize the neurotoxic action, tnere will appear wrthin 24-48 hour, a
t.tarked necrosis, surrounded by an edema and intensive erythema. Appearenny,
the intravenously injected serum did not attain, in the cuteneous tissue a suffi-
cient concentration to snpress necrotizing action. The anticrotalic serum in order
possesses an anti-dermatotoxic activity too, since tre combined injection of serum
4- venom, or even a local serum injection applied 5-10’ after the venom injection,
Mem. Ir.st. Butactar,
Í».;9-9 4, D«.* 1947.
F. \V. EICHBAUM
93
inhibits the development of necrosis and erythema, as well as the neurotoxic
eífect. As in ;he case of the antibothropic serum, the edema producing power
oí the crotalic venom is not interfered with even by high serum amounts.
The heat resistance of the two dermatotoxic fractions (*) oí the crotalic
venom diífers from the homologous bothrops venom fractions in so far as
heating to 65° for 30’ abolishes only the necrotizing effect of the crotalic venoms
without diminishing its edema and erythema producing activity. Only when
the venom is boiled for more than 10’, it looses gradually its power to cause
the last mentioned symptoms. Thls fact points to a progressive reduction of
activity oí the entire dermatotoxic venom complex as a function of time and
degree of heat applied: thçre is no specific heat lability of the dif ferem derma-
totoxic fractions, as in the case of the Botlirops jararaca venom.
BIBLIOGRAFIA
Githens, T. S. — The polyvalency of Crotalidic antivenins. IV. Antinccrotic, anticoagulant
and antiprotcolytic actions, J. ImmuKot., 42:149-159, 1941.
(*) Fraction I — causing enthema and necrosis, neutralizable by antivenom.
Fraction II — causing edema, not neutralizable by antivenom.
15
Mem. Inst. Butantan,
20:95-106, D«." 1947.
F. \V. EICHBAUM
95
O FATOR DE DIFUSÃO (“SPREADING FACTOR”) DOS
VENENOS DE BOTHROPS JARARACA E DE CROTALUS
TERRIFICUS TERRIFICUS
por F. W. EICHBAUM (*)
(Do Laboratório de Bacteriologia do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
A injeção intradérmica de extratos testiculares aumenta intensamente a
permeabilidade do tecido cutâneo, o que se manifesta pela rápida difusão de uma
suspensão de tinta Nankin injetada no mesmo lugar (2, 3, 11, 12).
O poder de aumentar a difusão é atribuido a um fator especifico ("spreading
factor”) contido nos extratos testiculares; uma certa avaliação quantitativa obtem-
se medindo a área de infiltração preta produzida pela injeção simultânea do
extrato -f- tinta Xankin, çm comparação com a área preta produzida pela injeção
de tinta Nankin em água fisiológica.
Um fator semelhante àquele presente nos testículos foi encontrado mais
tarde por Duran-Reynals e outros, em extratos bacterianos (estafilococos, pneumo-
cocos. bacilos de gangrena gasosa), em tumores malignos, nos venenos de espé-
cies oiidicas norte-americanas e australianas como também em outros animais
venenosos (aranhas, escorpiões, sanguesugas (4, 9, 10, 13, 14).
De acordo com os trabalhos de Duran-Reynals, o spreading factor “de
venenos ofídicos sofre pouco pelo aquecimento à 65-100°, temperatura suficiente
para destruir a ação tóxica geral do veneno da rattlesnake”; ao contrário, Madina-
veitia (9) achou o “spreading factor” (mucinase) do veneno de Crotalus atrox
mais termo-sensível do que os componentes neurotóxicos (protease, lecitinase).
Duran-Reynals mostrou ainda que os soros antiofidicos são capazes de neu-
tralizar especificamente a ação tóxica local da spreading factor dos venenos.
A presença de fatores de difusão em orgãos, tecidos, líquidos de composi-
ção e proveniência tão diferente, constituiu um fenômeno problemático, até que
Chain e Duthie (1) conseguiram demonstrar que o extrato testicular possui uma
forte ação mucolitica; ésta atividade pode ser demonstrada pela queda rápida da
viscosidade, que sofrem certas mucoproteinas (do corpo vítreo do olho, do cor-
dão umbilical) em presença de extratos testiculares.
(*) Estagiário.
Entregue para publicação em 13 de fevereiro de 1947.
1
96
O FATOR DE DIFUSÃO (“ SPREADING FACTOR*. DOS
VENENOS DE BOTHROPS JARARACA E DE CROTALUS
TERRIFICUS TERRIFICUS
Esta observação sugeriu a probabilidade de que o spreading factor fosse
nada mais do que uma mucinase — mais exatamente uma hyaluronidase — que
agia sôbre as substâncias mucoides intrafibrilares do colagéno da cutis (13,14).
Ésta hipótese foi ainda melhor apoiada pelas observações subsequentes de vários
autores que verificaram que todos os produtos portadores de uma hyaluronidase
provocam também o fenômeno do “spreading”; por outro lado Meyer e Chafíee
(15. 16, 17) afirmam que nem tòdas substâncias causadoras de “spreading”,
contêm necessariamente uma hyaluronidase. Contra ésta observação fica o pêso
da evidência de muitos outros autores que demonstraram uma coincidência cons-
tante do fator de difusão e da mucinase.
Faltam até agora suficientes experiências quantitativas para realmente provar
a indentidade do "spreading factor” e da hyaluronidase.
A presença de um fator de difusão nos venenos ofídicos de Vi pera aspis,
Lachesis altcmatus e lanceolatus (= Bothrops jararaca). Crotalus tcrrificus
Naje haje foi demonstrada por Tarabini-Castellani (19) em 1938; Favilli (5)
verificou que os mesmos venenos possuem um enzima de alto poder mucolitico
que é neutralizado pelos antivenenos específicos; o aquecimento do veneno a
70* durante 30’ aboliu inteiramente o seu poder mucolitico. Também o veneno
da Vipera russellU possui um fator que reduz a viscosidade de acido hialuro-
nico; ])da digestão enzimática do muco libertam-se substâncias redutoras, como
N-acetyl hexosamina, cuja quantidade é em certa relação quantitativa ao de-
créscimo da viscosidade (14) (*).
Madinaveitia (9) purificou a mucinase da Crotalus atrox por adsorção à
terra de Fuller.
A importância prática do “spreading factor” reside no fato que êste prin-
cipio parece intimamente ligado à facilidade com que certos germes piogênicos
se implantam no tecido impregnado por tal fator. É de fato conhecido o grande
perigo da infecção local das feridas causadas pela mordida de serpentes venenosas.
O presente estudo trata da presença do “spreading factor” nos venenos de
Bothrops jararaca e de Crotalus tcrrificus tcrrificus e sua neutralização pelos
sôros especificos.
MATERIAL E MÉTODOS
No estudo do "spreading factor” na pele depilada de coelhos encontramos
certas dificuldades de ordem técnica que conseguimos eliminar sómente depois
de repetidas experiências em numerosos animais. Além da dificuldade de de-
positar quantidades iguais do veneno sôro. etc., na mesma altura da epiderme,
(*) Também outras substâncias redutoras como o ácido ascórbico, phenylhydrazina,
etc. produzem uma diminuição da viscosidade do muco.
Mera. Inst. ButanUn,
2i:95-106, D«.* 1942.
F. W. EICHBAUM
97
03 coelhos demonstraram uma reatividade individual bem variável tanto em re-
lação ao sôro como aos venenos ou a mistura dos dois. Para excluir o mais
possível êste fator individual injetamos no lado direito do abdômen os contro-
les (tinta Nankin em salina, sôro antíofídico -j- tinta Nankin; sôro normal 4-
tinta Nankin) e no lado esquerdo os respectivos reativos junto com o veneno.
O lugar da injeção (peno do processo xifoide ou da sinfise) parece pouco
influenciar o tipo da reação. Por outro lado a leitura dos resultados fica em
certci casos dificultada numa observação prolongada (2-3 horas) pela con-
fluência das zonas de “spreading”, impossibilitando desta maneira uma de-
marcação exata das lesões. Em tais casos repetimos a experiência num maior
número de coelhos, nos quais foram aplicadas só 4 injeções por animal (2 para
o teste, 2 para controle). No estudo do spreading íactor é imprescindível es-
colher animais aproximadamente do mesmo peso e idade. Os animais com um
pêso acima dc 2500 gramas apresentam geralmente uma pele rígida, grossa em
que o fenômeno do “spreading 1 ’ se desenvolve pouco nitidamente.
Preferimos para êste estudo, em geral, coelhos (brancos) com um pêso mé-
dio de 1200 — 1500 gramas, cuja pele fina é um indicador sensível ao "spreading
factor”. Uma avaliação quantitativa do grau do “spreading” fizemos medindo
o diâmetro máximo da zona corada pela tinta Nankin.
Um fator que dificultou ainda o estudo da ação “anti-spreading” dos
antivenenos, foi a propriedade dc certos sôros causarem por si só (sem presen-
ça do veneno) um nítido “spreading” em comparação com o controle. Encon-
tramos êste fenómeno principalmente com os soros anticrotáiicos (tanto nati-
vos como concentrados pelo sulfato de amónio). Em tais casos, naturalmente
não se pode concluir sôbre uma eventual neutralização do veneno.
A maior frequência do spreading espontâneo dos sôros anticrotáiicos (obser-
vado ocasionalmente também com os sôros anti-botrópicos) pode se explicar, em
parte, pelo fato que a quantidade relativa do sôro injetado era maior nos soros
crotálicos devido ao seu menor título de neutralização, (outros pormenores da
técnica podem ser vistos nas tabelas I e II).
Nos seguintes gráficos (I. Ila e Ilb) estão condensados os resultados de
várias experiências realizadas num total de 46 animais e com 4 sôros antibotro-
picos- 4 soros anticrotáiicos e 8 soros normais de cavalo.
RESULTADOS
Gráfico I
“Spreading factor” do veneno de Bothrops jararaca e sua neutralização pelo
antiveneno especifico. Às abscissas dão o tempo de observação em minutos, as
ordenadas o diâmetro máximo do spreading em cm.
3
9S
O FATOR DE DIFUSÃO (“SPREADING FACTOR") DOS
venenos de bothrops jararaca e de crotalvs
TERRIFICUS TERRIF1CUS
Tabela I
( mostrando a proporção dos vários reativos misturados in vitro)
Tubos n. #
1
2
j
4
5
6
Tinta Xankin 1/10 ..
0.5 ml
0.5 ml
0.5 ml
0.5 ml
0.5 ml
0.5 ml
Sol. veneno jararaca
10 mg/ml
0.1 ml
0.1 ml
0.1 ml
Sóro antibotrópico (••)
0.5 ml
—
—
0.5 ml
—
Sóro normal de ca-
ralo (•)
_
0.5 ml
0.5 ml
NaCI fisiológico ....
““
0.5 ml
0.1 ml
0.1 ml
0.6 ml
(*) Os sôros normais de cavalo nunca mostraram uma tendência a um “ spreading "
espontâneo, mesmo quando usados em dóses elevadas. As pequenas quantidades de fenol,
contidas nos antivenenos ofídicos, não influem sôbre o “ spreading ” como conseguimos ve-
rificar em controles realizados neste sentido.
(**) 4 diferentes sôros nativos e concentrados pelo sulfato de amónio que se com-
portaram praticamente de modo idêntico. O título antitóxico dos 4 sôros testados
em pombos variava de 1,9 mg a 2,4 mg de veneno neutralizado por 1 ml de sóro.
cm
7 SCÍELO, 2.1 12 13 14 15 16 17
Mem. InM. Butantan.
20 :95*10ó, D«.* 1*47.
F. W. EICHBAUM
99
De cada mistura, dos tubos 1-6, injetam-se 0.2 ml intradermicamente na pele
abdominal do coelho. A quantidade do sôro antibotrópico usado corresponde
àquela que na dosagem em pombos neutraliza 1 mg, ou seja a quantidade de
veneno injetado nesta experiência.
Conclusão: 1) O veneno de Bothrops jararaca, injetado intradermicamen-
te no coelho em quantidades de 0.2 mg (contido num volume de 0.2 mgl)
mostra nitidamente a presença de um “spreading factor”. Êste fator é quase
completamente neutralizado em presença de quantidades equivalentes (*) do an-
tiveneno especifico. Também o sôro anticrotálico parece exercer uma certa ini-
bição, que aliás - mais fraca do que a causada pelo sôro botrópico (**). O sôro
normal de cavalo reforça nitidamente o “spreading” causado pelo veneno. Vários
sôros normais testados sempre deram ausência de um “spreading factor”, en-
quanto que alguns dos sôros mú-Bothrops jararaca também em ausência de ve-
neno promoveram a difusão da tinta Nankin na epiderme do coelho; tais sôros
não podiam ser usados no estudo da neutralização do “spreading factor” dos
venenos.
B. Veneno crotáUco
Tabexa II
(mostrando a proporção dos vários reativos misturados in vitro)
Tubos n.*
i
2
3
4
S
6
Tinta Xankin 1/10 . .
Sol. veneno C. t. ter *
0.5 ml
0.5 ml
0.5 ml
0.5 ml
0.5 ml
0.5 ml
rifiens 5 mg ml .
Sôro anticrotálico (1
0.2 ml
0.2 ml
0.2 ml
—
—
—
ml neutraliza 0.6
1 mg veneno) ....
1.3 ml
1.3 ml
Sôro normal de cavalo
—
1.3 ml
—
—
1.3 ml
—
Xa G. fisiol
1.3 ml
0.2 ml
0.2 ml
1.5 ml
(*) De acordo com o poder antitóxico geral testado em pombos. Experiências quan-
titativas no sentido de determinar a dóse mínima do sôro, capazes de inibir o “ spreading ",
não foram feitas.
(**) Devido ao número relativamente pequeno de observações estes resultados não
foram registrados no gráfico I.
5
100
O FATOR DE DIFUSÃO (“SPREADING FACTOR’) DOS
VENENOS DE BOTHROPS JARARACA E DE CROTALUS
TERRIFICUS TERRIFICUS
Gráfico lia e Ilb
“Spreading factor” do veneno de Crotalus terrificus terrificus e sua neu-
tralização pelo antiveneno específico. As abscissas dão o tempo de observação
em minutos, as ordenadas o diâmetro máximo em cm.
Gráfixo Iba
5
> TT L
2
t
iÕ' jã iõ' sõ 7
crotálvco •» anC(.tf-«a«no
t
De cada mistura dos tubos 1-6 injetam-se 0.2 ml intradermicamente na pele
abdominal do coelho. A quantidade de sôro anticrotálico usada corresponde
àquela que na dosagem em pombos neutraliza 1 mg, ou seja, a quantidade de ve-
neno usada nesta experiência. Devido ao baixo podtr neutralizante destes sôros,
■comparados com os sôros antibotrópicos, a quantidade absoluta do sôro nestas
experiências é maior do que nas experiências com veneno e sôro botrópico.
Os resultados obtidos foram divididos em 2 grupos; incluímos no gráfico
lia aquelas experiências em que os sôros crotálicos não possuiram fator intrín-
sico capaz de promover a difusão da tinta Nankin, permitindo desta maneira
observar o seu poder neutralizante sóbre o “spreading factor” do veneno; in-
cluiram-se ainda os sôros de cavalo que aumentaram só fracamente o "spreading”
<ausado pelo veneno. No gráfico Ilb registramos as experiências com soros an-
ticrotálicos, que possuiram por si mesmos um fator de difusão e os sôros nor-
Mem. Iast. Butactan,
20:95-106, D«.* 1947.
F. \V. EICHBAUM
101
mais que promoveram fortemente o “spreading”, quando combinados com o ve-
neno crotálico. O conteúdo do- soros anticrotálicos e normais (de cavalo) em
feno! na quantidade de 0.2 — 0.4% não influe sobre o caráter do “spreading”,
como conseguimos verificar em experiências de controle.
Conclusão : O veneno de Crotalus terríficas terríficas possui um “sprea-
d : ng” factor neutralizavel pelo anti-sõro específico (gráfico lia). Alguns dos
sôros anticrotálicos possuem um poder intrínseco de aumentar a difusão da tinta
Nankin (gráfico Ilb), desconhecendo-se os fatores que determinam esta quali-
dade peculiar a alguns sôros. O sôro normal de cavalo, por sí só incapaz de
promover a difusão da tinta Nankin reforça o “spreading” causado pelo veneno
crotálico; o valor ativador de sôros normais sòbre o “spreading factor” do ve-
neno crotálico varia de sôro para sôro (fraca ativação: gráfico lia; forte ati-
vação: gráfico Ilb). Apesar de algumas observaçõe- indicarem uma fraca ação
inibidora do sôro antibotrópico sóbre o “spreading factor” do veneno crotálico,
não incluimos estas experiências nos gráficos ccima. devido à escassez de obser-
vações detalhadas.
Interessava ainda saber si os venenos botrópicos e crotálicos, portadores do
“spreading factor” possuem também uma atividade mucolítica. Por falta de apa-
relhagem adequada, fizemos um test de orientação, no qual medimos o tempo
de esvaziamento de uma pipeta de bola com uma capacidade de 18 cm 3 . Com-
paramos o tempo de esvaziamento da mistura muco (corpo vítreo de olho de
boi) -J- veneno + bufíer (*), depois de vários períodos de incubação à 37.°,
com o tempo de esvaziamento de muco -f- buffer e de água -f- buffer.
Verificou-se em numerosos experiências paralelas, uma diminuição progres-
siva da viscosidade em tôdas as misturas muco + veneno, atingindo valores pouco
acima do valor de água; contrariamente a mistura muco + buffer conservou
uma viscosidade constante durante todo o tempo de observação.
Conclue-se disso que tanto o veneno de Bothrops jararaca como de Crotalus
terríficas terrificus, portadores de um “spreading factor", possuem também uma
mucinase capaz de reduzir a viscosidade de substratos ricos em ácido hyalurônico
(corpo vítreo de olho de boi).
(*) buffer acetato pH 4.8 o que corresponde aproximadamente ao optimum da ati-
vidade da hsaluronidase.
7
102
O FATOR DE DIFUSÃO (“SPREADING FACTOR") DOS
VENENOS DE BOTHROPS JARARACA E DE CROTALUS
TERRIFICVS TERRIFICUS
Tabela III
Diminuição da liscosidadc do corpo --itrco de ôlho de boi em presença de venenos
. botrópico e crotálico
Contacto
do* reat.
à 37*
D
Corpo vítreo 17.0ml
Ven. jararaca
20 mg/ cm* l.Oml
2)
Corpo vítreo 17. Oro!
Ven. crotálico
20 rag/cm* l.Oml
3)
Corpo vítreo 17.0ml
sol. tisíol. .. l.Oml
buffer 2.0rol
4)
Agua dist. ... 17.0
sol. fisiol 1.0
buffer acet. pH
4.8 2.0
0 ...
3654"
37 ’
37 *
29”
1 h .
31 ■
31 *
38 *
29”
2 h .
‘3054*
31 *
37 '
29"
3 h .
31 "
3054"
37J4*
•
O
Os segundos indicam o tempo de esvasiamento de uma pipeta graduada de 18 cm3 volume.
DISCUSSÃO
Confirmam-se os resultados obtidos por Tarabini-bastellani (1938) sôbre
a presença de fatores de difusão nos venenos de Bothrops jararaca e de Crotalus
tcrrificus.
Nossa observação de que a atividade do “spreaciing íactor” dos venenos bo-
trópico e crotálico é nitidamente reforçada em presença do sôro normal parece
interessante por que uma ativação pelo sôro pode ser observada também em
outras frações dos venenos:
1 Ativação do poder hemolítico em presença de sôro; este fenômeno pode
ser explicado pelo desdobramento da lecitina do sôro com a formação de liso-
lecitina, não podendo-se excluir a possível colaboração de outros fatores ativan-
tes do sôro.
2 Ativação do poder metahemoglobinisante do veneno de B. jararaca e de
outros venenos boírópicos (observação não publicada do autor).
Não temos conhecimentos exatos de que maneira o sôro ativa o “spreading
factor”, podendo-se admitir a formação de um produto secundário ativo, liber-
tado do sôro sob a influência do veneno.
A verificada diminuição da viscosidade de ácido hyalurônico (impuro) em
contato com os venenos de Bothrops jararaca e de Crotalus tcrrificus tcrrificus
confirma os resultados obtidos por Favilli (5) demonstrando a coincidência, si
Mcm. Inst. Butantan.
20:95-106, D«.» 1947.
F. W. EICHBAUM
103
não a identidade, dos “diffusing factors” e da mucinase (hyaluronidase). De
acordo com os recentes trabalhos de Humphrey (7,8) parece mais certo de ad-
mitir a existência de diferentes hyaluronidases nos vários venenos e toxinas o
que explicaria a especificidade dos antisóros capazes de suprimir o “spreading”
causado por cena substância (venenos, extratos de orgãos etc).
Anaüzando os princípios responsáveis pela atividade do “spreading” dos ve-
nenos ofidicos, é preciso tomar em consideração também a capacidade dos ve-
nenos de libertarem histamina, a qual por sua vez promove a migração de par-
tículas coloidais no tecido cutâneo (18).
RESUMO
Os venenos de Bothrops jararaca e de Crotalus tcrrificus tcrrificus possuem
um fator de difusão (“spreading factor") neutralizável pelos respectivos anti-
sôros específicos, mostrando-se ainda uma neutralização incompleta pelos soros he-
terólogos.
A atividade do “spreading factor” é intensamente reforçada pela mistura
dos venenos com sôro normal de cavalo; tais soros possuem por si só ne-
nhuma atividade de "spreading”. Entre os antivenenos botrópicos e crotálicos
(ambos preparados em cavalos), encontraram-se alguns que possuiram um poder
intrínseco de causarem o fenômeno de "spreading”.
A ativação do "spreading factor” dos venenos pelo sôro normal têm uma
certa analogia na ativação pelo sôro, observada em outras frações de venenos:
ativação da hemólise, ativação do poder metahemoglobinisante (transformação da
hemoglobina em metahemoglobina) (*).
Os venenos de Bothrops jararaca e de Crotalus tcrrificus tcrrificus possuem
uma mucinase capaz de reduzir a viscosidade de ácido hyalurônico (corpo vítreo
do olho de boi).
Analisando os princípios responsáveis pelo fenómeno do “spreading” causado
pelos venenos ofidicos, é preciso considerar também a capacidade dos venenos
de libertarem histamina, a qual por sua vez promove a migração de partículas
coloidais no tecido cutâneo.
ABSTRACT
The venoms of Bothrops jararaca and Crotalus tcrrificus tcrrificus are car-
riers of a spreading factor which is completely neutralized by the homologous
antivenoms and partially by the heterologous antivenom.
(*) Observações do autor não publicadas.
9
irvt O FATOR DE DIFUSÃO (“SPREADIXG FACTOR") DOS
VEXEXOS DE BOTHROPS JARARACA E DE CROTALVS
TERRIF1CUS TERRIFICUS
The intensity of spreading caused by either venom is sírongly activated in
presence of normal horse serum. which had stayed in contact with the venom du-
ring 1/2 hotir at 37.°. Normal horse serum by itself does not increase the sprea-
ding of Indian ink, on intracutaneous injection. The activation of the spreading
factor by normal sera has a certain analogy in the serum-activation of other to-
xic principies of some venoms: the activation of hemolysis, the activation of an
oxydizing enzàme which transforms hemoglobin in to methemoglobin.
In some instances antibothropic and anticrotalic sera, both prepared in hor-
ses, were found to contain an intrinsic spreading promoting principie.
Bothropic as well as crotalic venoms reduce the viscosity of vitreous humour
preparations (mucinase activity).
In appreciating the spreading activity of snake venoms and the supposed'
identity of the spreading factor and hyaluronidase, the histamin liberating po-
wer of these venoms ,-hould also be taken into account. since histamin by itself
is known to promote the migration of colloidal particles in the dermal tissue.
BIBLIOGRAFIA
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11 '
Mera. Inst. Butantan.
U: 107-112, Dei.» 19*r.
A. VALLEJO-FREIRE
107
TRANSMISSÃO DO VIRUS DA FEBRE MACULOSA MEXICANA POR
AMBLYOMMA STRIATUM KOCH. 1844 (*,
POR A. VALLEJO-FREIRE
(Do Laboratório de Itnunologia, Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil )
Em 1943. Bustamante e Varela (1,2) isolaram de doentes de febre maculo-
sa, no México, um virus, cujo comportamento experimental nos animais de la-
boratório tivemos « portunidade de estudar em publicação anterior (3). Os re-
feridos autores examinaram inúmeros ixodidas capturados nos principais focos
da doença, situados ncs Estados de Sinaloa e Sonora, com o fim de encontrar
exemplares naturalmente infetados, que pudessem ser resi>onsabilizados como ve-
tores desta riquetsiose (4).
As pesquisas feitas em vários lotes de ixodidas, num total de 2.190 exem-
plares, pertencentes ás espécies Argas pérsicas (Oken, 1918), Boophilus annu-
latus (Say. 1821) e Rhipiccphalus sanguincus (Latreille. 1806), não permitiram
concluir serem estas espécies de ixodidas responsáveis pela transmissão da febre
maculosa no México.
Postenormente, Mariotte. Bustamante e Varela (5) encontraram sõbre um
cão exemplares de Rhipiccphalus sanguíneas naturalmente infetados.
Dos estudos feitos por diversos autores sõbre o- vetores da febre maculosa
no P.-asil pode se concluir da facilidade com que os ixodidas do gênero Amblxomma
se infetam e transmitem a infecção.
Salles Gome- (6) no homem e. posteriormente. Travassos (7) no cão encon-
traram Amblyomma striatam Koch. 1844. naturalmente infetado com o virus da
febre maculosa em São Paulo. Este último autor (8,9) mostrou também set
possível a transmissão experimenta! da febre maculosa em São Paulo pelo Am-
klyomma striatam.
Neste trabalho estudamos a possibilidade de Atnblyomma striatam se infetar
com o virus mexicano e transmitir a infecção por picada.
(*) Cora. à Soc. Biol. S. Paulo, cm fevereiro de 1945.
Entregue para publicação em 14 de abril de 1947.
1
108
TRANSMISSÃO DO VIRUS DA FEBRE MACULOSA MEXICANA
POR AMBLYOMMA STRIATÜU KOCH. 1Í44
MATERIAL E MÉTODOS
Os exemplares de Amblyomma striatum foram capturados sóbre cães da
Fazenda do Instituto Butantan, na fase adulta, sexuada. Xesse local, apesar de
repetidas pesquisas, nunca foram encontrados carrapatos infetados. Para maior
segurança, com alguns exemplares dos lotes colhidos foram feitas a; provas ro-
tineiras usadas para afastar a hipótese de eventual infecção natural.
Os ixodidas escolhidos foram colocados sôbre cobaias infetadas, para que se
alimentassem durante o período de circulação do vinis. Retirados antes de es-
tarem totalmente alimentados foram mantidos á temperatura ambiente do labora-
tório e depois de alguns dias colocados sôbre cobaias normais, afim de se tentar
a transmissão da infecção por picada.
Virus BV. Originário do México, isolado de um doente de infecção exan-
temática por Bustamante e Varela. Recebido em Ornithodoros sp. e mantido por
passagens sucessivas em cobaias.
RESULTADOS
la. Experiência. 12 Amblyomma striatum normais, adultos, machos, depois
de mantidos 20 dias á temperatura ambiente no laboratório, foram colocados so-
bre uma cobaia infetada durante o período correspondente à circulação do virus
no sangue. Decorridas 24 horas, encontramos 8 ixodidas alimentados, mas ainda
fixos á pele da cobaia ; os 4 restantes foram desprezados.
Três dias depois, 4 ixodidas foram separadamente triturados e o material
obtido, suspenso em salina esteril. Inocularam-se quatro cobaias, cada qual com
a suspensão correspondente a um ixodida. Três cobaias reagiram após período de
incubação algo prolongado; duas morreram da infecção, uma no 10.° e outra no
11.° dia da inoculação; outra cobaia mostrou reação benigna, depois de 7 dias de
incubação, sobrevivendo. Esta, quando reinoculada com virus BV de passa-
gem, apresentou sólida imunidade. A quarta cobaia, que não apresentou reação
térmica, também se mostrou protegida, quando inoculada com virus de passagem
16 dias depois de receber pela via subcutânea a suspensão do ixodida.
Decorridos 15 dias da alimentação infetante, verificou-se que, um exemplar
do? quatro restantes estava morto. Cada qual dos 3 ixodidas vivos, foi tritu-
rado separadamente e o conteúdo de suas viceras, livres de carapaça, suspendo
em 2 cm 3 de salina esteril. Com a suspensão de cada carrapato inoculamos duas
Mtm. Inst. Butantan.
!•: 107-112, Dm.* 1947.
A. VALLEJ O-FREIRE
109
cobaias pela via subcutânea. 1 cm 3 em cada cobaia. Como resultados destas pro-
vas verificou-se que dois dos ixodidas mantiveram ativo o virus BV, pois
as cobaias inoculadas reagiram tipicamente. As cobais inoculadas com mate-
rial do terceiro carrapato não apresentaram infecção clínica característica, nem
lesões correspondentes à invasão das riquetsias da F. Maculosa Mexicana.
2a. Experiência. Três exemplares machos de Amblyomma striatum (A, B
e C) foram depositados sòbre uma cobaia (No. 24.0S5) inoculada com virus BV
(6.* passagem). Vinte horas depois, foram êles encontrados fixos á pele do
animal, parcialmente alimentados ; retirados, foram guardados durante 6 dias em
tubos próprios para conservação de ixodidas e mantidos em estufa á temperatura
de 26°C.
Um dos exemplares (A), depois de lavado externamente com solução fisio-
lógica, foi triturado. O conteúdo de seus orgãos internos, isento das partes qui-
tinosas suspenso em 2 cm 3 de salina e inoculado pela via subcutânea em duas
cobaias, cada qual com 1 cm 3 .
Só uma cobaia reagiu tipicamente, morreu da infecção e apresentou á
necropsia as lesões características originais, provocadas pelo virus BV. Nesta
cobaia foi possível evidenciar a presença de riquetsias no protoplasma das células
do exsudato peritoneal. Com sangue e tecido cerebral transmitimos a itífecção
a outras cobaias e o virus foi a seguir mantido em série.
Os dois Amblyomma striatum restante* (B e C), após o 7.* dia da última
alimentação parcial, completaram a alimentação em cobaias normais (Nos. 24.177
e 24.178) durante 48 horas. Deste modo, ao mesmo tempo que estimulavamos a
multiplicação das riquetsias eventüalmente introduzidas nos ixodidas durante
a primeira alimentação, aproveitamos a* cobaias para demonstrar a transmissão
pela picada de Amblyomma striatum.
Um dos ixodidas (B), decorridas 24 horas depois de colocado sôbre a cobaia
No. 24.177, não estava fixado á pele do animal, mas sim após 48 horas, por oca-
sião da retirada, não tendo, no entanto, sugado a cobaia, pois o controle de pêso
antes e depois da colocação do ixodida não acusou aumento.
O outro ixodida (C), colocado sòbre a cobaia No. 24.178, pelo contrário,
estava fixo depois de 24 e 48 horas, sendo evidente o aumento de volume devido
á sucção de sangue.
A cobaia No. 24.177 foi observada durante 10 dias depois de retirado o car-
rapato, não mostrando qualquer alteração térmica, nem mesmo á necropsia foi
possível encontrar quaisquer alterações nos orgãos internos.
3
Ilfl TRANSMISSÃO DO VÍRUS DA FEBRE MACULOSA MEXICANA
POR AiíBLYOitUA STRIATVit KOCH. 1S44
A Cobaia Xo. 24.17S ao terceiro dia apresentou reação térmica interna
(40°7), tendo-se mantido elevada a temperatura durante mais 5 dias, morrendo
da infecção no 6.* dia e apresentando lesões típicas da infecção. Esta cobaia
foi sangrada no 1.* dia de elevação térmica e o sangue obtido foi injetado pela
via peritoneal em duas cobaias : uma deias reagiu mais ou menos tipicamente e
ao ser sacrificada no 9.* dia apresentou lesões características. As passagens
feitas com sangue colhido no 8.* dia resultaram negativas, talvez porque o ma-
terial não tenha sido colhido em momento propicio. Por este motivo a infecção
não foi mantida em série.
Os dois carrapatos, B e C. decorridas 24 horas foram triturados de mistura
com 4 cm 3 de solução fisiológica. A emulsão obtida serviu para in cular duns
cobaias (Xos. 24.281 e 24.282) pela via subcutânea. Em ambas se evidenciou
a presença de vinis, pois sofreram infecção típica. A coliaia Xo. 24.282 no 8."
dia após a inoculação ou 5.° da temperatura elevada, foi sangrada e sacri ficada.
Tanto com o sangue, como com o cérebro deste animal de prova foram obtidas
séries positivas de passagens de virus de cobaia a cobaia, conservando a? pro-
priedades primitivas do virus.
3a. Experiência. Uma outra experiência de transmissão foi feita com uma
fêmea de Amblyomma striatum. colocada a sugar cobaia infetada com o vi-
rus BF no jieríodo da circulação do virus e retirada 24 horas depois, quando
parcialmente alimentada. Seis dias depois de permanecer a 35'C. esta fêmea foi
colocada sôbre cobaia normal durante 4 dias, sendo retirada engorgitada. A
cobaia utilizada não apresentou febre maculo-a. nem mesmo inaparente.
A seguir a fêmea cheia de -angue ifoi mantida á temperatura ambiente do la-
b ratório (cerca de 22°C), iniciando a desova 20 dias depois. Os ovos postos
nas primeiras 48 horas, em número aproximadamente de 150, foram lavados re-
petidas vezes, triturados de mistura com 3 cm 3 de solução fisiológica. O mate-
rial obtido foi in culado em duas cobaias, recebendo cada animal pela via sub-
cutânea 1.5 cm 3 da emulsão. Estas cobaias não se infetaram e. quando reino-
culadas com virus de passagem, não se mostraram protegidas.
Decorridos mais 6 dias, com os ovos resultantes da postura feita nos 6 dias
anteriores, repetimos a experiência, inoculando duas cobaias pela via subcutânea
com o resultado da trituração de mistura com salina. Ambas reagiram
tipicamente, inclusive com reação escrota! intensa. Uma morreu da infec-
ção; a outra foi sangrada no 7.° dia, quando em plena reação febril, e o sangue
obtido, inoculado em duas novas cobaias. Sacrificadas lego depois, retiramos o
Mctn. Inst. Butantan,
2»: 107-11’, D«.- 1947.
A. VALLEJO-FREIRE
111
cérebro e com êie preparamos u’a emulsão, que após ligeira centrifugação foi
utilizada para inocular duas cobaias.
Tanto as cobaias inoculadas com sangue, como com cérebro, se infetaram
e reagiram tipicamente, fornecendo passagens positivas em série. Em uma delas
foi possível evidenciar a presença de riquetsias no exame feito no exsudato
peritoneal.
O ixodida fêmeo utilisado nestas experiências m rreu 6 dias mais tarde, isto
é. 44 dias depois da alimentação infetante. Vinte e quatro horas após a morte
foi triturado e o material resultante inoculado em duas cobaias. Estas não apre-
sentaram reação típica de febre maculou, porém, quando reinoculadas 15 dias
depois, mostraram proteção jara o vinis homólogo. Isto jiennite concluir que
as riquetsias mortas ai existentes ainda foram antigenicamente capazes de pro-
vocar imunidade.
RESCMO
Amblyomma st Hat um se infecta ao se alimentar em cobaia infetada pelo
virus da riquetsiose mexicana tm estudo e pode transmitir por picada a infecção.
Fêmeas de Amblyomma striatuin, alimentadas em cobaia infetada, dão pos-
tura a ovos. que a partir do terceiro dia da desova podem fornecer emulsões
infetantts.
ABSTRACT
Amblycnnna striatum is nfected experimentally whcn feeding on guinea-pig
infected with the Mexican spotted fever virus and transmits the infection by bite.
Female specimens of Amblyoiimxj striatum, fed on infected guinea-pig, give
posture to eggs, which render infectious emulsions froni the third day of
posture cn.
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5
TRANSMISSÃO DO VIRUS DA FEBRE MACULOSA MEXICANA
POR AMBLYOMMA STRIATUM KOCH. 1844
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7 SCÍELO, X1 12 13 14 15 16 17
Mcm. Insí. Butantan.
20:113-180, Dei.* 1947.
GIORGIO SCHREIBER
113
O CRESCIMENTO IXTERFÁSICO DO NÚCLEO
Pesquisas cariométricas sôbre a espennatogêiiese dos ofídios (*)
por GIORGIO SCHREIBER
(Da Escola Livre de Sociologia e Política, Instituição Complementar da Universidade
de São Paulo e do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
SUMARIO
I) INTRODUÇÃO
a) O problema do crescimento intcrfásico do núcleo.
b) Os fundamentos do método cariométrico no estudo da in-
terfasc.
1) Relações entre genoma e volume nuclear.
2) Variações rítmicas do volume nuclear com mó-
dulo 1 :2.
3) Variações rítmicas do volume nuclear com mó-
dulo diferente de 2.
4) Variações rítmicas do volume nuclear e.n senti-
do diminutivo.
5) Fins do trabalho.
II) MATERIAL E MÉTODO
a) Escolha do material.
b) Técnica histológica e cariométrica.
c) Elaboração estatística dos resultados.
III) RESULTADOS
IV) DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
a) Relação entre volume e valor múltiplo do genoma.
b) A “ sesquifase ” no ciclo mitótico.
c) A “ ritmicidade " do crescimento interfásico.
V) RESUMO ABSTRACT RIASSUNTO.
VI) BIBLIOGRAFIA
(*) Pesquisas executadas no Laboratório de Citogenetica do Instituto Butantan, São
Paulo, Brasil, subvencionadas por uma bolsa dos Fundos Universitários de Pesquisa da
Universidade de São Paulo.
Recebido para publicação em 22-4-947.
1
SciELO) ^ 12
13
15 16
114
O CRESCIMENTO INTERFASTICO DO NÚCLEO
I ) INTRODUÇÃO
a) 0 problema do crescimento intcrfásico do núcleo.
Num campo de pesquisa tão vasto e cheio de brilhantes descobertas e de
possibilidades experimentais, como é a citogenética, pode parecer inútil e banal,
limitar-se ao estudo do volume do núcleo. Alguns fenômenos que serão consi-
derados e discutidos no curso do presente trabalho permitem considerar o estudo
do voiume nuclear sob uma visão mais otimista e convencer-se que ainda a simples
medida do volume nuclear, quando feita sõbre material convenientemente esco-
lhido e com tõdas as reservas e objeções, aliás, perfeitamente justificadas rela-
tivas aos mecanismo genéticos, metabólicos e geométricos que determinam o
volume, nuclear, pode-nos fornecer contribuições de notável interésse no estudo
dos mecanismos fundamentais do genotna.
O volume no núcleo é o resultado de uma série extremamente complexa de
fenômenos quimicos, físicos e fisico-quimico que atuam não somente sôbre o vo-
lume. mas também sôbre a superfície do núcleo e, portanto, a fôrma geométrica
dêste corpo adquire uma significação de importância notável.
Existem indubitavelmente algumas condições que modificam o volume nu-
clear de modo totalmente independente do genoma. Devemos, todavia, frisar
que em outras condições o genoma, na sua expressão quantitativa, está ligado ao
volume nuclear de modo absolutamente rígido. Um dos fins dêste trabalho é a
especificação de algumas destas condições.
As técnicas citogenéticas que permitem, hoje, uma análise do genoma tão
íntima no que se refere ao número e à constituição dos cromosomas (número e
disposição de cromonemas, tspiralisação, cromocentros, heteropienose, etc.) infe-
lizmente quase nada nos podem dizer do que acontece no periodo no qual os
cromcsomios não estã visíveis, isto é. na interfase.
Os estudos citoquimicos sôbre os ácidos nucleinicos vão preencher parte
desta lacuna. As pesquisas das Escolas de Caspersson e de Brachet (9) nos
permitem ver no futuro u’a maior compreensão da natureza de ao menos parte
dos fenômenos metabólicos que caracterizam a interfase.
Não podemos esquecer que êste periodo é tão importante para a vida das
células como e até mais do que as fases da mitose e da meiose. Os fenômenos
da divisão nuclear são as manifestações finais de um ciclo no curso do qual os
gens se multiplicam e atuam no citoplasma. A atividade efetiva do genoma se
dá na interfase e não nas fases nas quais os cromosomas são reveláveis pelas
técnicas citológicas comuns. O fenômeno fundamental da vida, a autoreprodução
Mem. Iost. BuUnUn. GIORGIO SCHRE1BER 11 V
2*:m-J80. Der.* 1947.
do gen. é um fenômeno interfásico, e os virus que o apresentam como única
manifestação tipica que os separa do mundo mineral faltam totalmente de to-
das as manifestações do ciclo cromosòmico.
Qualquer contribuição que nos permita indagar quer diretamente quer indi-
retamente esta interfase, vem contribuir ao estudo do fenômeno fundamental da
biologia: a reprodução dos gens. É, portanto, justificado insistir no estudo de-
um fenômeno tão simples e grosseiro como a variação volumétrica do núcleo,
mesmo se as interpretações forem depois sujeitas a uma necessária verificação por
meio de outros métodos mais refinados ou de hipóteses acessórias que, devida-
mente discutidas, poderão nos indicar novos rumos de pesquisas.
* * *
As presentes pesquisas, executadas sòbre material bastante especializado,
representam a extensão de uma série de estudos levados a termo sôbre outros,
materiais, durante os quais apareceu a necessidade de estudar o desenvolvimento
do núcleo durante a interfase, como problema básico para a interpretação dos
fenómenos que se vinham revelando pelo estudo quantitativo do volume nuclear.
Além disso, a confusão existente na literatura sôbre as relações entre o-
volume do núcleo, a sua superfície e o seu conteúdo em cromosomas, levaram o
autor à convicção de que era preciso esclarecer éstes pontos antes de tentar a
interpretação de novos fenómenos de ordem cariométrica, que se verificam, por
exemplo, no curso do desenvolvimento embrionário.
A
As rt 'ações estreitas entre o tamanho do núcleo (em volume e superfície),
e aquele do citoplasma são um outro problema, que visam mais os efeitos dos.
gens no desenvolvimento e funcionamento das células do que os próprios fenô-
menos da reprodução dos gens. Isto, às vêzes, contribue para complicar as
interpretações das pesquisas de citologia quantitativa, e precisa sempre não
esquecer que o citoplasma não é todo diretamente implicado na vida do genoma,
mas uma parte dêle está mais ou menos íóra do ciclo e inerte, especialmente nas
células embrionárias (Conklin 12). De outro lado vários fenômenos mostraram
que no citoplasma ativo das células embrionárias existem materiais de origemi
nuclear cuja incorporação no núcleo se procede progressivamente nas segmenta-
ções sucessivas (Godlewsky 22, Brachet 9), e mesmo nas células adultas
materiais citoplasmáticos de natureza nucleínica concorrem ao abastecimento do
núcleo durante o processo de duplicação interfásica; como também materiais
nudeínicos formados no núcleo cm relação com o processo de duplicação dos
gens podem passar ao citoplasma especializado das células glandulares (Painter..
42).
3 :
110
O CRESCIMENTO INTERFASTICO DO NÚCLEO
ê, portanto, absolutamente necessário esclarecer o que acontece nas células
em condições normais, e confrontar, depois, êstes fenômenos com os que se
verificam nas condições mais especializadas acima especificadas. Os blastômeros,
especialmente, não são ainda células definitivas, pois têm capacidades prospectica-
mais amplas do que as células do organismo desenvolvido. Xão há dúvida
que, apesar dos resultados das clássicas pesquisas de embriologia experimental
sêbre a totipotência nuclear durante o desenvolvimento, os fenômenos de espe-
cialização celular têm uma altíssima significação para interpretar a função do
genoma no desenvolvimento, provavelmente em relação com a estrutura ou cons-
tituição dos materiais do citoplasma recebidos e segregados durante a segmentação
(Morgan, 40 — Goldschmidt, 23, etc.). Portanto, para evitar estas complicações,
o estudo do mecanismo normal da duplicação dos gens deve ser abordado pre-
valentemente nas células que estejam em uma situação a mais possível definitiva.
* * *
O estudo do crescimento interfásico do núcleo não é sempre fácil e vários
foram os rumos seguidos pelos pesquisadores.
O estudo do macronúcleo dos Infusórios, levado a termo especialmente por
Popoff (18), foi a primeira tentativa neste campo; todavia, êste material nos
parece especializado de mais para ser confrontado diretamente com o núcleo
das células dos metazoários. Provavelmente, o macronúcleo representa um
núcleo fortemente aumentado por repetidas endomitoses e, portanto, os fenômenos
podem ser aqui mais complexos.
Outra possibilidade do estudo do aumento nuclear existe com as culturas
“in vitro” e de fato a escola russa de Wermel (58) alcançou resultados básicos
que serão examinados mais adiante.
Um terceiro método de análise da interfase consiste no estudo estatístico
de uma “população” de núcleos homogêneos em reprodução ativa. As frequências
dos diferentes tamanhos encontrados estão relacionadas com as velocidades de
variação dos tamanhos. Este foi o método usado nas presentes pesquisas e o
material, as espermatogônias de ofidios, revelou-se particularmente interessante.
O mesmo método aplicado aos maristemas vegetais levou às mesmas conclusões
obtidas nas espermatogônias. Por êste fato acreditamos que a coincidência dos
resultados obtidos em materiais tão difereiit.s não seja casual, mas reflita a
realidade com uma boa aproximção. lExaminemos, portanto, êste método mais
detalliadamente.
Mem. I nst BntanUn.
2«:1U-180. Dei.» 1947.
GIORGIO SCHREIBF.R
117
b) Os fundamentos do método cariométrico no estudo da interfase
1) Relação entre genoma e volume nuclear. Frequência dos volumes e
velocidade de crescimento. As pesquisas cariométricas que abriram tòda uma
série de estudos quantitativos sôbre os núcleos foram iniciadas por Jacobj na
eseob de Heidenhain (32-35).
Medindo o volume de um certo número de núcleos e distribuindo os volumes
■em classes estatísticas de frequência, êste autor verificou que êles são distribuídos
com frequência de volume nuclear unimodais, sendo as curvas do tipo bem
conhecido em fórma de sino (curva de Galton). Existem, porém, tecidos nos
quais estas curvas apresentam duas ou mais classes de máxima frequência:
Jacobj verificou que nestes casos os volumes das classes modais estão entre si
em relação simples e constante, isto é, como 1:2:4:8:16:, etc..
Devemos salientar que esta variabilidade do volume nuclear não reflete
somente a variabilidade flutuante casual, mas também, e principalmente a variação
devida ao crescimento próprio dos núcleos. Portanto, as curvas de frequência
não são exatamente curvas de Galton. Durante êste crescimento os núcleos
passam de uma classe de volumes para outra: o fato de ter algumas classes
frequência maior do que outras, indica que os núcleos nesse crescimento perma-
necem mais demoradamente em alguns volumes do que em outros. As classes
de maior frequência representam, portanto, volumes nos quais os núcleos têm
menor velocidade de crescimento, isto é, paradas do processo de crescimento.
Baseados nêstes postulados teóricos, nos é permitido estudar um fenômeno
dinâmico como é o crescimento nuclear sôbre material fixado. Um sistema
semelhante de análise de um processo dinâmico sôbre material estático é a deter-
minação das velocidades relativas das diferentes fases cariocinéticas, deduzidas
da percentgem das diferentes fases verificadas nas culturas de tecidos fixados.
Mõllendorff (39) mostrou que êste processo oferece resultados satisfatoriamente
concordantes com os resultados das medições diretas da duração das fases cario-
cinéticas em filmes microcinematográficos.
Resumindo o principio dêste método, podemos dizer que a frequência de um
estádio é diretamente proporcional à sua duração e inversamente proporcional
à velocidade do processo no estádio em exame.
Voltando ao caso das curvas de frequência dos volumes nucleares, si as
modas têm volumes múltiplos de dois (2:4:8:16.) podemos concluir que
os núcleos durante o crescimento duplicam de volume. Durante êste cres-
cimento i núcleo passa para volumes progressivamente maiores com uma
sucessão de velocidades diferentes; parando ou retardando êste crescimen-
to ao alcançar um volume duplo do inicial.
5
118
O CRESCIMENTO INTERFASTICO DO NÚCLEO
Este tipo de crescimento foi denominado “rítmico” ou, segundo se
exprime Painter, “periódico”.
As pesquisas de Jacobj, integradas nas considerações teórica» de Hai-
denhain (Protomeren-Theorie) mostravam que a matéria viva, célula ou nú-
cleo, cresce por duplicação. Vários outros autores sucessivamente pensa-
ram que o crescimento "rítmico” fosse devido à duplicação dos cromosomios
e. afinal, dos gens. Geitler (20), especialmente, baseando-se nas suas
pesquisas sôbre a endomitose e poliploidisação dos núcleos somáticos nos
insetos considera o crescimento rítmico dos núcleos, descobertos por Ja-
cobj. como verdadeiras endomitoses.
A demonstração efetiva dêste tato foi dada por vários autores entre
os quais D’Ancona (13-14) sôbre o fígado dos mamíferos em regeneração
e Biesele, Poyner e Painter (7) sóbre os núcleos de tecidos neoplásticos.
Estes últimos autores usando contemporaneamente a análise estatística —
cariométrica e citológica e a determinação do volume dos cromosomios,
do volume dos nucléolos e do número dos mesmos, vertí cára a estreita
dependência do volume nuclear do número de cromosomas, ou de cromo-
nemas, componentes dos cromosomios. Com estas pesquisas eliminasse
tòda e qualquer objeção que ponha em dúvida a correlação entre volume
nuclear e duplicação do genoma.
Esses autores refutam várias outras interpretações do crescimento nu-
clear, pois a correlação entre classes de máxima frequência do volume nu-
clear e o número de “organizadores do núcleo” exclue de modo absoluto
qualquer interpretação que não tome em consideração a duplicação dos
constituintes do núcleo (*).
Sucessivamente (1944) Biesele (5,6) admitiu a existência de dois fa-
tores que contribuem para o aumento do volume nuclear nos tumores. Em
alguns núcleos a duplicação dos cromosomios provoca o aumento volumé-
trico, ao passo que nu todos os núcleos há um aumento de volume inde-
pendente do aumento cromosómico. Este fato, porém, agindo sóbre lodos os
núcleos é independentemente do fator genético cromosomico que age especifica-
mente sóbre os núcleos poliploides ou politenicos.
Biesele, (6) mais recentemente, acha que a variação de volumes dos
cromosomios observadas nos casos de leucemia, não seja devida a variações
de número dos cromatídeos, mas sim a variações do conteúdo em proteínas
(•) “ Hydration does not explain the periodicity of nuclear volumes, and ít could
not changc the number of nucleolar organizer ”.
Mem. Inst. BuUntar..
2# :1 13-180. Dez - 1947.
GIORGIO SCHREIBER
119
dos mesmos, e, portanto, acha que as conclusões de Biesele, Poyner e
Painier, de 1941, no que se refere ao volume dos cromosômios devem ser
revidas. Xão queremos entrar aqui na discussão do problema específico
do volume dos cromosômios, porém, é claro que o problema deve ser con-
siderado caso por caso e quando há efetivamente variação no número dos
“nuclear organizer” trata-se efetivamente de variação do número de cro-
matídios.
Precisa lembrar que os linfocitas são células um pouco especiais e das
quais existem varias categorias diferenciáveis pelas dimensões e não estão bem
classificadas e constituem ainda um provável problema da hematologia. São
portanto células que não constituem nas circunstancias usadas um material apto
a tirar afirmações definitivas, mesmo não tendo por elas indicações no que se
refere aos nucleolos.
Acrecentamos ainda que os trabalhos de Biesele (Câncer Hes. 4. 232-235
1944. Am Xatur. 78. 380-382. 1944. Câncer Res. 4. 529-539 1944, Câncer Res.
4. 540-546. 1944) evidenciam um comportamento no Rato diferente do Catnon-
dongo e os demais animais, no sentido que em certas condições (etade. regene-
ração etc.) o aumento do volume dos cromosomios se processaria por aumento
da eucromatina e não por duplicação dos cromonemas.
Devemos salientar que este fato aliás muito interessante pelas relações
funcionais (vitaminas, etc.) e pela relação de 1.5 as vezes encontrada, não con-
sidera o volume nuclear interfasico nas suas fases de crescimento, mas somente
o volume dos cromosomios metafasicos. Estes dois fenomenos, pelos resulta-
dos mesmos de Biesele não sempre são em direta relação. Xão devemos por-
tanto confundir dois fenomenos diferentes. O volume dos cromosomios varia
também em outras situações, diferentes daquelas consideradas por Biesele, por
exemplo por fatores geneticos e representa segundo Federley um verdadeiro
carater fenotipico.
Todos estes fatos portanto, esclarecem alguns fenomenos de ordem bioquí-
mica. mas não afetam o problema fundamental do crescimento ritmíco do nú-
cleo durante a interfase. isto é proporcional a um volume básico.
* * *
Para resumir êstes fenômenos podemos dizer que :
1 os núcleos crescem duplicando de volume.
2 esta duplicação do volume é devida à duplicação do genoma.
7
120
O CRESCIMENTO IXTERFÁSTICO DO NÚCLEO
3 esta duplicação do volume se dá com velocidades diferentes, sendo
que os núcleos param depois de alcançadas as etapas de duplicação.
Para fazer um confronto com o processo de crescimento geral dos
organismos (ao qual com tôda probabilidade se submetem os núcleos
também) podemos dizer que o crescimento do núcleo se pode representar
por uma série de curvas “S” sucessivas, cada uma das quais representando
um ciclo de duplicação dos gens nucleares.
Podemos representar êste ciclo como uma curva cumulativa da curva
de frequência, sendo que nos casos das curvas polimodais, as “S” sucessi-
vas, correspondem a ciclos de duplicação. Na realidade a transformação
da curva de frequência em curva de crescimento deve-se fazer considerando
a frequência como o inverso da velocidade.
Esta representação deve se considerar como puramente teórica pois
outros fatores interferem na determinação da ‘‘variabilidade’' estatística
qual nos relevamos nos estudos da população de núcleos. Todavia, ela
nos dá uma base para o estudo dinâmico do crescimento nuclear em ma-
terial fixado.
A coincidência entre os ciclos de crescimento sucessivos e a variabili-
dade estatística foi verificada diretamente nas pesquisas da escola de Wer-
mel (57) nas quais foram fotografados os núcleos de células em cultura de
tecidos durante intervalos de tempo sucessivos. A curva dos volumes
calculados sôbre êstes fotogramas é uma típica curva “S” em ciclos suces-
sivos e os volumes alcançados nos ciclos sucessivos correspondem aos valores
modais das curvas de frequência construidas sôbre o material preparado his-
tologicamente.
2) Variações rilimicas do volume nuclear com relação 1:2. Muitos au-
tores assinalaram relações volumétricas entre os núcleos nas mais variadas
condições: num mesmo tecido, entre tecidos diferentes da mesma espécie,
entre os núcleos do mesmo tecido em épocas diferentes da vida do indivíduo
(embrião, larva ou adulto), em condições patológicas como, por exemplo,
entre um tecido normal e um neoplasma do mesmo tecido, etc. Uma de-
talhada revista bibliográfica destas pesquisas nos levaria longe demais ;
daremos somente a indicação dos mais significativos trabalhos nos quais
estas relações têm sido verificadas (Jacobj, Clara G. Hertwig, Sauser, Freer-
ksen, Wermel, D’Ancona, Beams e King, Sulkin, Keller, Muller, etc.),
Geitler (literat. cit. Schreiber 49-50-52-53).
8
M«n. Inst. Butantan,
20:113-180. Dei.* 19-*7.
GIORGIO SCHREIBER
121
Todos êstes pesquisadores esclareceram de modo indubitável que o
crescimento do núcleo se dá por alternância de períodos de rápido aumento
com pausas nas quais o crescimento é mais vagaroso ou nulo.
As relações entre as classes de frequência máxima e o número de cro-
monemas que os constituem, nos indicam que êstes períodos de pausa cor-
respondem a estádios poliploides ou politênicos. Especialmente o trabalha
de Biesele Poyner, e Painter nos parece não deixar duvida neste ponto. Q
estudo contemporâneo do volume nuclear, do volume dos cromosomas, do
volume aproximativo das fases mitóticas, e o número dos plasmosomas,
deram a certeza de que os núcleos homólogos de um mesmo tecido mas
com volumes diferentes têm valores múltiplos do genoma. Estes núcleos
se formam por endomitose sendo possíveis tòdas as combinações entre a
duplicação dos cromonemas e a dos centrômeros. Podem, portanto, exis-
tir no mesmo tecido núcleos com número diploide de cromosomas com
um cromonema, (vol. 2), núcleos diploides com 2, 4, 8 cromonemas (vol.
4, 8, 16), núcleos tetraploides com 1, 2, 4, 8 cromonemas (vol. 4, 8, 16, 32)
e assim por diante.
O número de plasmosomas, reiletindo o número de “nucleolar orga-
nizers” indica o número de cromonemas e portanto, dos genomas.
Insistimos neste pormenor, pois achamos que esta constatação é de
maior interêsse na interpretação dos fenómenos cariométricos estudados
na presente pesquisa.
* *
♦
De outro lado uma vastíssima série de pesquisas nos vegetais poliploi-
des mostraram também uma correlação direta entre volume nuclear e
número de cromosomas. Nestas pesquisas, porém, frequentemente é tomado em
consideração o volume celular em lugar do volume nuclear. Este fato, às
vêzes, comporta variações da relação com o número de cromosómios de-
vido à íracção de citoplasma inerte com vacúolos ou outras inclusões. Uma
recente pesquisa de G. Schreiber (52) sôbre material rigorosamente con-
trolado, seja como número de cromosómios, seja porque se refere à técnica
cariométrica sôbre poliploides de café, trouxe uma ulterior confirmação à
esta correlação.
3) Variações rítmicas do volume nuclear com relação difirente de 2. Es-
tabelecida assim a natureza genética do crescimento rítmico por sucessi-
9
122
O CRESCIMENTO IXTERFÁSTICO DO XCCLEO
vas duplicações do volume nuclear, poderia-se pensar não ter dúvida nenhu-
ma sóbre êste fenômeno. Porém, desde as primeiras pesquisas de Jacobj
apareceram desvios desta regra e em alguns casos os valores modais das
curvas de frequência estão em relação diferente de 2, com um algarismo
geralmente inferior a 2.
Jacobj encontra na comparação entre núcleos de células hepáticas em-
brionárias, que êle considera como “Grundform” ou medida básica, com
as espermatidias, uma relação de mais ou menos 1 : 1.3. Êle considera essa
diferença como não significativa e devida principalmente à diferente em-
bebição de água (Wasseraufnahme).
%
É preciso dizer que em geral as indicações de Jacobj não são totalmen-
te isentas de crítica do ponto de vista metodológico e que os julgamentos
que êle faz das diferenças entre os valores reais e os que deveriam ser
encontrados pela teoria de duplicação são frequentemente arbitrários.
É importante, porém, lembrar que na discussão surgida depois de uma
■ comunicação de Jacobj (35) na Anatomiche-Gesellschaft de Bresslau, em
1931. Haidenhain, comentando as bases teóricas da sua doutrina do crescimento
ritmico esclarece que se a divisão dos elementos unitários se procede sincroni-
camente dá-se o crescimento com duplicação (Verdoppenlunggesãtz) (1:2).
Se pelo contrário uma das duas metades do sistema se divide sucessivamente,
então se verifica uma relação 1:3 ou seja definitivamente 1:2:3. : (0.5:1 :1.5)
("... bei synchron fortschreitender Teilung erhaltcn wir das \'erdo]>pelungs-
gesãtz (1 :2) ; wenn jedoch nur der eine Paarling sich weiterhin teilt, so bekom-
men wir das Verhãltniss 1:3”).
Voltaremos em seguida sóbre êste ponto que nos parece de maior in-
teresse na interpretação da natureza destas classes de frequência inter-
mediária. É importante, todavia, frisar que Jacobj não dá a êles a im-
portância devida. Sucessivamente Freerksen (19), aluno de G. Hertwig
encontra valores de frequência máxima que estão em relação de mais ou
menos 1 :1,3. Êstes valores são encontrados nos eritroblastos dos quais
êle reconhece gerações sucessivas de tamanho decrescente.
Quem porém, deu a estas exceções à regra de duplicação uma impor-
tância significativa foi Wermel. Êste autor com uma série de colaborado-
res publicou um notável número de contribuições sóbre o crescimento das
células e do núcleo. Wermel chama êstes valores “Zwischenklassen” ou
“Unterklassen” e apesar de não dar uma interpretação causal, as considera
Mera. Inst. Bntantan.
20:11 3-180, Dez.* 1947.
GTORCIO SCHREIBER
123
como reais exceções ã lei da duplicação e não como fenômenos concomi-
tantes de ordem metabólica. Wermel e Scherschulskaya (59) encontra-
ram a relação 1 :1.5 entre dois modos do volume nuclear das células gordu-
rosas do bicho da seda. Bogoyawlen-ky (8), da mesma escola russa,
encontrou valor 1:1,5 (média de 1,7 — 1,6 — 1,42 — 1.49) entre as classes
de frequência máxima nas células do intestino médio do mosquito.
Devemos salientar aqui que em todos êstes casos trata-se sempre de
valores estatísticos cuja significação está entre certos limites de exatidão
e, portanto, uma delimitação destes valores não é sempre possível; êsse
fato será para nós de grande interèsse na discussão sóbre a natureza destas
classes intermediárias pois entre as diversas interpretações teóricas a es-
colha dever-se-ia fazer exclusivamente na base do real valor do módulo,
quando não seja possível uma verificação citológica.
Dois autores consideram estas classes intermediárias com interesse
particular tentando uma explicação teórica da sua natureza. G. Hertwig
já tinha estudado o problema do crescimento rítmico dos núcleos e con-
siderado êste como estritamente relacionado à duplicação do conteúdo cro-
mosômico. Em 1932 Hertwig (25) considerou sob êste ponto de vista os
núcleos gigantes das glândulas salivares dos dipteros cuja constituição
múltipla em termos cromosômicos está hoje bastante hem estabelecida.
Xum trabalho sóbre os desvios da regra da duplicação dos núcleos (29)
èle toma cm consideração as pesquisas de Frcerksen, Jacobj c Erich, respecti-
vamente no pronefros, nas glândulas mamárias c nos duetos de outras glân-
dulas nos quais os núcleos crescem a 40-50^ó do volume esperado pela dupli-
cação. Além disso Hertwig confronta os núcleos no cercbelo de dois indi-
víduos (os núcleos das células da neuroglia c dos grânulos). Os volumes
nucleares são iguais nos dois indivíduos ao passo que as células de Purkinyc
estão num indivíduo 1,5 maiores do que no outro. Em outros indivíduos o
mesmo autor encontra as seguintes relações:
Em três indivíduos ; grânulos :Purkinye=l :16
Em um indivíduo ; grânulos :Purkinyc=l :32
Em cinco indivíduos ; grânulos :Purkinye=l :24.
Isto é, as células de Purkinye podem estar em indivíduos diferentes cm re-
lação de 1 :2 ou 1 :1,5.
No Congresso Internacional de Citologia cm Zurich (1937) Hertwig
considerou êstes valores de 1:1,5 como devido à duplicação num núcleo di-
ploide de somente a parte materna ou da parte paterna. Assim os núcleos es-
tão 3 ou 6 etc. vezes maiores em lugar de 2 ou 4 etc. vezes.
11
124
O CRESCIMENTO IXTERFÁSTICO DO NÚCLEO
Hertwig, porém, repudiou no trabalho de 1938 esta interpretação, sem dar
uma justificação, mas somente por achar mais provável uma nova interpre-
tação sôbre outra base. Relatamos aqui brevemente esta interpretação.
Hertwig parte das pesquisas de Boveri nas quais éste autor acha ser o
número de cromosòmios proporcional a superiície nuclear e não ao volume.
Assim, núcleos haploides estão aos diploides como 1 :2. V2 = 2,828.
Outros trabalhos no campo da embriologia experimental deram indicações
semelhantes; (Hinderer e Landauer), Herbst, 1919, especialmente encontrou
ovos de ouriço do mar cora quatro tamanhos de núcleos diferentes; Herbst
acha serem estas classes nucleares devidas à quantidades diferentes de cro-
matina respectivamente 2 ou 4 vèzes mais. Os volumes destes núcleos es-
tão em relação
1023:2144:2752:3918
I II III IV
As classes I, II e IV, representam núcleos duplicados ao passo que a II
seria, segundo Herbst afetada por um fator desconhecido que induziria o núcleo
a variar de volume até ter uma superfície dupla da classe II. Hertwig acha
esta interpretação de Herbst aplicável a todos os casos de “ Zwischenklassen ”
e admite a existência de dois tipos de relações entre o número de cromosòmios
e tamanho nuclear. Num tipo o número de cromosòmios seria proporcional
ao volume nuclear, no outro seria proporcional a superiície. Núcleos de igual
número de cromosòmios, mas nos quais atuam os dois diferentes fatores de
correlação, teriam volumes que estariam cm relação como 1 :V2 isto é 1:1,41.
Para confirmar a sua tése Hertwig relata ainda dois casos. O primeiro
é tirado do trabalho de Hvitzischc e Tanner. No epitélio intestinal do rate
mantido à nutrição cámea aparece nas pesquisas cariométricas u’a moda in-
termediária entre as duas que se encontram normalmente. Hertwig interpreta
êste fato como consequência do aumento funcional das células que mobilitaria
o fator que relaciona o conteúdo nuclear com a superiície do núcleo.
O segundo é um trabalho de Katsuki, da escola de R. Hertwig. Con-
frontando os tamanhos nucleares dos ovocitos c espermatocitos de Ascaris era
três estádios diferentes (início, metade e fim do período de crescimento) a
série dos valores do espermatocito tem três modos que estão alternados com
os modos das séries dos ovocitos. Conforme a interpretação de Hertwig as
fases femininas seriam de mais ou menos 1,41 maiores do que as correspon-
dentes fases masculinas. Uma relação mais ou menos semelhante (1,34) foi
verificada por Sauscr (44) na comparação das células intestinais dos machos
e fémeas de Ascaris.
Parece-nos que o trabalho de Hertwig apesar de ter muitas indicações
efetivamente interessantes é viciado por uma visão teórica muito fraca.
GIORGIO SCHREIBER
125
MfTa. Inst. Butanían.
20:113-180, D«.* 1947.
O segundo trabalho que considera estas etapas intermediárias do cres-
cimento nuclear é o de Brumelkamp (11) baseado, porém, sôbre fenôme-
nos bastante diferentes. Êste autor parte também de uma comparação entre
medidas nucleares encontradas na literatura e que tem uma relação dife-
rente de dois. A comparação é feita entre materiais muito heterogêneos
como, por exemplo, entré os dois máximos de frequência dos volumes nu-
cleares de histiocitos da galinh^; entre os núcleos do fígado de rã; entre
os núcleos do rim, do embrião humano e do recem-nascido ; entre os nú-
cleos das células da glândula parotis confrontados com os núcleos do dueto
secretor; entre os núcleos de células de Leydg intersticiais de idade dife-
rentes ou patológicas; entre os núcleos de fígado de espécies diferentes
(Faisão: galinha, cobaia: coelho, truta macho: fêmea, Ascaris, macho: fêmea,
etc.). Além disso são considerados vários casos patológicos como células
hepáticas e dos capilares biliares na cirrose, células neoplásticas confronta-
das com as correspondentes células normais.
Em todos êstes casos, num total de 36, Brummelkamp encontra rela-
ções cujo valor está muito perto do algarismo \/2. Os desvios do valor
real com o valor teórico (por exemplo 0,96 V2 ou 1.05 V2) são conside-
rados como devidos a êrros de observação. Analisando sumariamente os
elementos teóricos da interpretação dêste autor.
Brummelkamp tinha anteriormente estudado a aplicabilidade a diferentes
espécies da formula de Dubois c de Snell concernente as relações matemáti-
cas entre peso do corpo e peso do cérebro. Nestas pesquisas ele encontrou
que um coeficiente desta fórmula varia nos diferentes casos considerados con-
forme a série geométrica 1/2, 1/V2, 1, V2, 2, etc.
A coincidência entre o fator V2 desta série é a mesma encontrada nas
comparações entre as classes nucleares mencionadas mais acima, levou B rum-
mel camp a tentar uma interpretação da natureza das classes intermediárias.
A base para esta interpretação é a curva de crescimento do macronúcleo
dos Infusórios estudada por Popoff.
Este tipo muito especializado de núcleo passa durante a intercinese por
duas fases com diferentes velocidades de crescimento chamadas respectivamen-
te “ Funktionnelle Wachstum Phase” e “Teilungs Wachstum Phasc”.
Na primeira fase, de crescimento mais vagaroso, o núcleo cresce até al-
cançar um volume mais ou menos 1,32 vezes o volume inicial para depois na
segunda fase com um crescimento muito mais rápido alcançar o duplo do
volume inicial. Durante a primeira fase Brummelkamp verifica que quando
o núcleo aumenta de um até 1,32, o citoplasma varia de um até 1,80. Como
13
126
O CRESCIMENTO IXTERFASTICO DO XCCLEO
o quadrado de 1.32 é 1.74 Brummelkamp acha poder considerar èste valor
aproximadamente igual a 1.80 e portanto ser válida a relação K - C 1/2.
isto é, o volume nuclear igual a raiz quadrada do volume do citoplasma. Xo
caso da primeira fase o crescimento é tal que para uma duplicação do cito-
plasma o núcleo aumentaria de um valor proporcional a V2 vêzes o valor
originário. O autor confessa não encontrar uma interpretação causal desta
relação. Êle depois complica enormemente as coisas considerando as pesquisas
de vários outros autores sõbre vários materiais que parecem indicar que a
massa nuclear é proporcional a superfície celular ou seja K _ C 2/3. Para
demonstrar que as duas relações estão ambas válidas Brumelkamp constróe
um diagrama em coordenadas logarítmicas no qual duas linhas retas com in-
clinação respectivamente 1/2 e 2/3 indicam as duas funções supracitadas, en-
tre volume do núcleo e volume do citoplasma e volume do núcleo e super-
fície celular. Xeste diagrama ele constata que as duas linhas são “aproxi-
madamente coincidentes ” na região do diagrama onde se encontram os dados
da “ Funktionelle Wachstumphase ” e das células nervosas previamente estuda-
das por Bock. Ele acha, portanto, que ficando válida a proporcionalidade
do volume nuclear com a superfície celular dá-se também a validade aproxi-
mada da relação entre o volume do núcleo e o do citoplasma K «, D 1/2.
Portanto, segundo Brummelkamp as classes intermediárias ou “l'2 Klasscn”
como êle as chama, seriam representadas por núcleos de células nas quais o
citoplasma teria duplicado e o núcleo teria aumentado de 12 vezes o inicial
conforme as aproximações acima explicadas.
Tudo isto nos parece absolutamente pura especulação não tendo nem
uma base biológica que permita esta explicação. As duas íases do cres-
cimento do macromicleo tem, com certeza, uma significação biológica, con-
siderando também que o coeficiente de variação térmica (Q«) das duas
fases é diferente e apresenta algumas relações com o comportamento dos
núcleos na segmentação (Fauré-Fremiet, 18). O único ponto que achamos
interessante na teoria de Brummelkamp é que as classes intermediárias
representariam fases do crescimento intercinético do núcleo, o que não apa-
rece absolutamente na teoria de Hertwig.
* * *
Achamos necessário relatar detalhadamente estas especulações de
Brummelkamp e de Hertwig para esclarecer como se baseiam essas teorias
nas quais o algarismo de yJ2 aparece como uma espécie de chave mágica
Mem. Inst. Bnuman,
20:113-180, Díz.* 1947.
GIORGIO SCHREIBER
127
para a compreensão destes fenômenos. A explicação de Hertwig e pu-
ramente teórica com os dois fatores desconhecidos que relacionam o nú-
mero de cromosõmios uma vez ao volume e outra a superficie do núcleo.
A teoria de Brummelkamp ê, apesar da sua estrutura matemática, total-
mente arbitrária, sendo as aproximações admitidas de valor puramente
subjetivo.
Ambas nos parecem carecer de base para uma explicação dos fenô-
menos de crescimento rítmico ou descontinuo com módulo diferente de 2
estando além disso, bem longe de qualquer relação com os fenômenos
genéticos.
Mais recentemente a relação de 1:1,5 foi encontrada no estudo cario-
métrico dos núcleos cutâneos isolados, por D. Ziegler Kraemcr (58). Esta
autora verificou constantemente um aumento de 50% do volume depois do
tratamento com os carcinogenos. Isto quer dizer que os volumes passam
de um valor 1 a 1,5. Outra verificação desta relação foi dada por Salvatore
e G. Schreiber (45) no ciclo do crescimento interfásico dos tecidos uterinos
(seja endo que miométrio) nos quais foi verificada uma série de valores
volumétricos “rítmicos” (modas das curvas de frequência) que seguem
rigorosamente a série 1: 1,5: 2: 3: 4: 6: 8: 12, etc.
4) Variações rítmicas do volume nuclear cm sentido diminutivo. Até
agora temos considerado o crescimento descontínuo do núcleo e as rela-
ções entre as classes estatisticas de tamanho diferente na comparação entre
núcleos de indivíduos ou de espécie diferentes ou em condições patológicas.
Várias pesquisas, porém, mostraram que o volume nuclear pode apresentar
uma série de valores proporcionais e descontinuos em sentido diminutivo.
Sóbre certos aspectos êste fenômeno se depara mais simples como inter-
pretação pois uma divisão sempre leva a formação de classes nucleares de
tamanho geralmente da metade do inicial. Raríssimas vêzes a divisão
nuclear leva a dois produtos de tamanhos diferentes. Êstes fenômenos poderiam
por si mesmos endereçar a uma interpretação das classes de tamanho rítmicas
em sentido rigidamente genético. O que varia nas divisões, equacionais ou re-
ducionais é sempre o número de cromosómas, e, portanto, a proporcionalidade
dos volumes deveria ser de óbvias interpretações. Mesmo na mitose normal nós
devemos a rigor considerar o núcleo profásico como tetraploide e os dois núcleos
filhos voltam a situação diploide.
15
128
O CRESCIMENTO IXTERFASTICO DO NÚCLEO
A existência, porém, de reduções com intervalos volumétricos meno-
res do dimidiação complica a situação e vem nos fornecer alguns dados
pela interpretação das classes intermediárias em termos genéticos
* * *
Desde os primeiros estudos de Jacobj apareceu claro o dimidiação do
volume nuclear na série espermatogênica. Os espermatocitos de primeira
ordem, dos de segunda ordem, e os espermatídios estão em relação volu-
métiica de 4:2:1.
Mais um outro caso de redução rítmica do volume nuclear foi verifica-
do na espermatogênese Além das indicações que já mencionamos de Ja-
cobj (34) e Freerksen (19) na espermatogênese normal, G. Hertwig (28)
e Spuhler (54) indicaram outros casos nos quais existe uma terceira di-
visão depois do espermatídio que dimidia mais uma vez o volume nuclear.
Hertwig mostrou nestes casos que a relação entre o volume do auxocitos
e o último produto das divisões espermatogenéticas é de 8 vêzcs em lugar
de 4 como de costume. Nos insetos, onde pela característica estrutura testi-
cular é possível contar o número de espermatozóides produzidos em
cada quisto e possivel portanto, determinar o número de divisões de
cada espcrmatogônio. Neste caso, contrariamente ao que se verifica nos
vertebrados parece se alcançar um volume 8 vêzes menor com somente
duas divisões. Hertwig comentando êstes achados admite a possibilidade
de que durante a divisão parte do conteúdo nuclear seja perdido no cito-
plasma analogamente ao que acontece nos conhecidos casos de “diminuição
cromatínica” do Áscaris e do Ditiscus. Resultaria assim, em cada divisão,
uma diminuição maior do que a metade.
Parecem-nos éstes fenômenos, se ulteriormente confirmados, ser do
maior interêsse e ter uma certa analogia com os fenômenos que acontecem
na ruptura da vesícula germinativa e mereceriam ser mais profundamente
estudados tendo também presente o fenômeno inverso da reincorporação
dêstes materiais nucleares do citoplasma durante a segmentação que já
mencionamos.
* * *
Além da série gametogenética cuja interpretação em termos cromo-
sômicos ê absolutamente clara devemos analisar aqui duas séries de fenô-
menos diminutivos, do volume nuclear: a dos núcleos dos blastômeros em
segmentação, e a dos núcleos de tecidos já diferenciados nas fases mais
adiantadas do desenvolvimento embrionário ou larval.
Mem. I nst. Butactan.
20:113-180. D«* 1947.
GIORGIO SCHREIBER
129
G. Hertwig (27-30) considera as sucessivas divisões dos blastômeros
que levam a uma progressiva diminuição do volume nuclear no conjunto
dèstes fenômenos cariométricos. Êle constata que esta redução se dá com
dimidiação progressiva do tamanho nuclear e êle chama êste processo
“Multiple Succedanteilungen”. Para êste processo poder-se verificar, é
necessário que os núcleos estejam inicialmente “mitosebereit” ou seja,
prontos para a mitose. Isto se pode dar somente nos núcleos fortemente
poliploides ou “polimeros” ou “politênicos ou “meertwertig” (conforme as
denominações de autores diferentes para êstes dois últimos termos) isto
é com os cromosômios em número múltiplo de um valor básico ou com os
cromosõmios constituídos pela reunião de um número múltiplo de cro-
monemas.
Devemos aqui lembrar que não sempre as divisões de segmentação le-
vam os núcleos a um dimidiação nas sucessivas gerações de blastômeros.
Entre uma segmentação e a sucessiva pode haver crescimento interfásico
mais ou menos extenso. Além disso ao que parece das pesquisas de Go-
dlewsky (22) os núcleos dos blastonieros seriam ligeiramente maiores do
que a metade do núcleo progenitor por ter-se em cada geração de blastô-
meros incorporada no núcleo uma certa fração do material nuclear exis-
tente no citoplasma do ovo e que se tinha localizado ali no momento da
ruptura da vesícula germinativa. Todos estes fatos nos parecem da maior
significação pela interpretação a participação nuclear no desenvolvimento, mas
devemos confessar que pouco ou nada foi feito até agora com rigoroso método
quantitativo. Devemos lembrar aqui somente as pesquisas de Godlewsky
(22), Conklin (12), Enriques (16-17) e Levi (36), sôbre as mais diferentes
espécies animais que mostraram que o ritmo do crescimento total da massa nu-
clear nas sucessivas gerações de blastômeros não é igual nas diferentes espécies
e em diferentes períodos da segmentação. Porém, um estudo comparativo sôbre
o volume dos núcleos dos blastômeros durante o desenvolvimento nas diferentes
espécies ainda não existe.
* * *
O fenómeno de dimidiação dos núcleos durante o desenvolvimento não
é limitado à fase de segmentação mas continúa também nos órgãos espe-
cializados. Isto foi constatado estatisticamente por B. Schreiber e Ange-
letti (46), no estudo cariométrico do figado durante o desenvolvi-
mente da carpa ( Cyprinus carpio var, specularís). Xos alevinos dèste
peixe de 17 mm os núcleos hepáticos apresentam um polígono de frequên-
cia com u’a moda ao volume 18,8; os alevinos de 22 mm o máximo de
17
130
G CRESCIMENTO INTERFÂSTICO DO NÚCLEO
frequência é ao valor 9,4; a 40 mm o valor modal é 4,77. Os alevinos de
175 mm e os de 360 mm apresentam uma curva de frequência com 2 for-
mas respectivamente, 4,77 e 9,4. Os alevinos de 540, 670, 760 mm têm
três modas respectivamente. 4.77 — 9,4 — 18,8 e os de 850 mm também
três modas: 9,4 — 19.8 — 37,6.
Podemos dividir, portanto, o desenvolvimento larval em dois perío-
dos, o primeiro anterior aos 40 mm de comprimento, no qual o fígado
apresenta uma diminuição do volume nuclear que se processa por dimi-
diações sucessivas. Alcançado um tamanho mínimo as células crescem
ritmicamente, isto é, por endomitose, dando núcleos duplos, quádruplos e
óctuplos do mínimo. O momento no qual êste valor minimo é alcançado
corresponde àquéle no qual se dá o início do diferenciamento citológico da
céiula hepática e do funcionamento especifico (aparecimento de granulações
e vacuolação do citoplasma). Xo estádio de 17 e 22 mm somente foram
encontradas mitoses (mais ou menos 3%) ao passo que em nenhum outro
estádio elas estão presentes. Isto leva os autores a considerar a diminui-
ção do volume como devida a divisões sem crescimento interíásico (“Mul-
tiple Succedanteilungen” de G. Hertwig) ao passo que depois de 40 mm
há crescimento interfásico sem divisão (endomitose).
Análogos fenômenos foram encontrados no embrião e adulto de pinto
por A. Binda e relatados por B. Schreiber.
* * *
Em pesquisa destinada a controlar os fenômenos descritos por B.
Schreiber e Angeletti, G. Schreiber e M. Romano-Schreiber (53) nos gi-
rinos de Bufo vulgaris encontraram uma situação um pouco diferente. Foi
estudada a variabilidade do volume nuclear no figado e no pâncreas de
uma série de girinos fixados em Padua (Italia) constituída de indivíduos
de 10, 14, 29, 51, 72, 80 dias após a eclosão e de 7 estádios da metamorfo-
se de idade entre 72 e 100 dias. Depois de iniciada a metamorfose a
indicação em dias não é mais conveniente devido a notável variabilidade
individual do andamento da metamorfose. Portanto a partir do início des-
ta foi convencionalmente indicado o estádio padrão previamente estabele-
cido por G. Schreiber (47) por esta espécie.
Para cada estádio foi calculado o valor modal das curvas de frequên-
cia nuclear. Pelas razões já expostas foi êste o valor utilizado como re-
presentativo do volume nuclear em cada estádio.
Como se vê na Figura 1, e diagrama que representa êstes valores
modais em função do tempo (idade ou estádio) o volume do núcleo di-
Mrm. Inst. Butantan.
21:113-180. Dez.* 1947.
GIORGIO SCHREIBER
131
minue ritmicamente, isto é, de modo descontinuo e com valores propor-
cionais. O módulo desta proporção foi apontado aproximadamente como
1,41 para confrontá-los com os dados de Brummelkamp e de G. Hertwig
ficando, porém, com reserva a respeito da realidade deste algarismo. Do
Fic. 1 f
Volume* nucleares (valore* modais) durante o desen-
volvimento do ficado dos girino* de Bufo.
Em abeissas — ■ estádio* de desenvolimento (dias).
Em ordenadas — volumes nucleares (i direita, va-
lores médios dos diferentes niveis)
© profases.
(Jr Schrcibcr & Romano- ScMrribrr modificado.)
exame do diagrama pode-se constatar que durante todo o período preme-
tamórfico dos núcleos ficam a um certo volume (810). Logo antes da me-
tamorfose dá-se uma redução. Durante a metamorfose até o seu acaba-
mento o núcleo fica ao nivel 550 e num estádio final da metamorfose
êle diminue ainda alcançando o nível de 420.
r •
132
O CRESCIMENTO IXTERFASTICO DO NCCLEO
Xos dois esádios mais precoces de 10 e 14 dias o nnúcleo tem os va-
lores de 1600 e 1200. Xestes dois estádios e no 77 dias, isto é, logo no
•começo da metamorfose encontram-se numerosas mitoses e a variabilidade
é maior. Xestes estádios foram medidos os volumes das proíases com a
reserva, porém, de, estando os núcleos em profases elipsoides de rotação a
sua orientação livre no espaço proporciona um notável erro nas medidas.
Apesar desta reserva os volumes das profases (indicadas no diagrama com
(x) ) estão coincidindo com notável aproximação ao volume do nível ime-
diatamente superior ao da interfase correspondente.
Também no Bufo, como foi mencionado para carpa o diferenciamento
histológico do fígado e o início da sua funcionalidade coincide com o vo-
lume mínimo alcançado pelo núcleo.
Estamos aqui diante de um caso típico de “Zwischenklassen”, cuja
interpretação se apresenta mais difícil do que a da endomitose. G. Schrei-
ber (49), esboçou uma explicação baseado na sua interpretação geral
destas classes intermediárias. Êle adotou substancialmente a explicação
de Heindenhain e a primeira de G. Hertwig, isto é, da duplicação de so-
mente metade do conteúdo nuclear. Em termos genéticos esta explicação
leva-nos a admitir que os dois genomas haploides teriam diferentes velo-
cidades de duplicação ou a duplicação de um genoma seria sucessiva aquela
do outro assim que, num estádio transitório um dos dois seria já duplica-
do e o outro ainda não. Seria, portanto, uma situação correspondente a
um triploide transitório.
Os valores volumétricos, admitindo que o volume nuclear exprima
fielmente o valor quantitativo do genoma seria portanto de 1,5 maior do que
o precedente. As relações entre as etapas de crescimento sucessivas se-
riam, portanto, tomando como o valor volumétrico de um núcleo diploide,
1 : 1 , 5 : 2: 3 : 4 : 6 : 8. etc.. Os módulos seriam então alternadamente 3/2 e
4/3. isto é, 1,5 e 1,33.
No trabalho de 1943 foi frisado que por acaso a média aritmética entre
1,5 e 1,33 é 1,415 e, portanto, a coincidência dêste valor com o algarismo
de \'2 (1,413) teria encaminhado Hertwig e Brummelkamp para as in-
terpretações que foram examinadas acima e que, portanto, poderiam ca-
recer de fundamento. A notável variabilidade dos dados estatísticos não
permite sempre uma exata avaliação dos módulos e, portanto, no conjunto
das diferentes pesquisas, o valor médio de 1,41 aparece mais frequente-
mente.
Foram indicadas várias provas da natureza citológica dêste fenômeno
como também num trabalho sucessivo, de 1946, foram indicadas outras in-
terpretações que porém não alteram a essencia do fenômeno.
Man. Inst. BuUnUn. GIORGIO SCHREIBER 1 7 7
2»:1 13-180. De*.* 1947.
A série diminutiva dos volumes nucleares de Bufo seria determinada
pela combinação do crescimento interíásico limitado a 1,5 vêzes com um
divisão por dimidiação destes núcleos, sempre naturalmente em núcleos
politênicos ou poliploides.
No pâncreas dá-se absolutamente a mesma situação, ligeiramente com-
plicada pela existência, às vêzes, de curvas de frequência bi-modais nas
quais, porém, os dois valores modais estão dentre os valores da série
descrita.
Esta redução do volume nuclear nos estádios sucessivos de desenvol-
vimento pode induzir a uma interpretação diferente e pensar em um “efeito
estatístico” que modificaria o valor médio ou modal do volume nuclear.
Poder-se-ia pensar na existência no tecido de categorias de células diferen-
tes por tamanho (poliploides), que predominariam como número nos es-
tádios sucessivos de desenvolvimento por desaparecimento das que pre-
dominavam no estádio precedente. Em outras palavras poderia haver
proliferação diferencial em períodos diferentes de categorias diferentes de
células. O problema é evidentemente básico e foi discutido desde o pri-
meiro trabalho de Schreiber e Romano-Schreiber. Num trabalho mais
recente de Salvatore e Schreiber, fenômenos semelhantes foram verificados
nas células uterinas e neste caso a perfeita pureza das curvas de frequência
dos volumes nucleares permite excluir a existência de categorias diferentes
de células desde os estádios iniciais. Além disso, existem fenômenos se-
melhantes de redução do valor poliploide de células somáticas durante o
desenvolvimento embrionário perfeitamente controladas citologicamente
(Berger e sua Escola no intestino das larvas de mosquito) que autorizam
a per.sar em fenómenos do mesmo tipo também nos tecidos somáticos dos
vertebrados. Êste fenómeno foi denominado por G. Schreiber em 1943
(49) com o termo de “elasse” ( do grego — elassis) que significa redução
mas não pode confundir-se com outros fenômenos reducionais como a meio-
se ou a “chromatin diminution”.
Depois destas pesquisas sòbre o Bufo, Dussa (1944) (15) verificou
também uma diminuição volumétrica do núcleo no fígado dos girinos, mas
segundo êste autor esta não seria “rítmica’’ mas sim devida a fenómenos
de hidratação nuclear. Não tendo podido por causa da situação atual al-
cançar o trabalho original de Dussa, achamos inútil por enquanto contestar
aqui êstes resultados. Sucessivamente (1945) Paccagnella (41) verificou
no Axolotl a redução ritmica do volume nuclear durante o primeiro ano
de vida, seguida no segundo ano por um aumento do volume segundo a
série de duplicação. Isto é exatamente como na Carpa. Paccagnella en-
confa também as “Zwischenklassen’’ de 1,5 vêzes o volume básico.
21
134
O CRESCIMENTO INTERFÁSTICO DO NÚCLEO
Êste autor interpreta a diminuição do volume nuclear como devida â
prevalência em períodos sucessivos de células diploides, em seguida ao de-
saparecimento das tetraploides prevalentes nos estádios precedentes. Êste
problema já foi discutido mais acima.
Achamos necessário conhecer mais profundamente o que acontece du-
rante a interíase antes de nos permitir uma interpretação definitiva dos
fenômenos de redução ritmica e especialmente dos de redução com as
classe 1.5.
5) /*»»» do trabalho c escolha do material. O problema do crescimento
do núcleo como foi até agora examinado abrange o problema mais com-
plexo e importante da multiplicação dos gens e a duplicação dos cromo-
sómas no núcleo interfásico.
Para ter a possibilidade de deduzir algo sòbre êste fenômeno em base
aos estudos cariométncos ê absolutamente preciso estabelecer antes se o
volume do núcleo corresponde a situação quantitativa do genoma, ou se
esta correspondência não estiver perfeita em quais condições esta correspondên-
cia é válida.
Já mencionamos que uma possibilidade de esclarecer êste problema é
o estudo cariométrico dos poliploides. Muitos trabalhos foram feitos es-
pecialmente no campo botânico neste sentido. G. Schreiber (52) verificou
mais uma vez esta correlação numa série de plantas poliploides de Coffca r
e analisou nesta ocasião as condições que devem ser observadas nas pes-
quisas para poder ter confiança nos resultados.
Outro campo de pesquisas nos é fornecido pelos trabalhos sôbre a esper-
matogenese como os de Jacobj (33), Freerksen (18), Hertwig (24,27), Wer-
mel (55), Spuhler (54), e B. Schreiber (45). Tòdas elas verificaram, apesar
de certas discordâncias, como no caso dos insetos (Wermel, 56), que, ao menos
na maioria dos casos, a correlação entre o valor múltiplo do genoma e o volume
nuclear é perfeita.
Poderia, portanto, parecer inútil voltar neste assunto, mas achamos que
em tôdas as pesquisas precedentes foi dada pouca atenção ao espermatogônio.
De fato esta categoria de células testiculares está fóra da série meió-
tica e tem por sua conta uma série de ciclos mitóticos independentes da
meióse. Alguns animais apresentam antes de iniciar a meiose uma série
de divisões espermatogôniais sucessivas nas quais o volume nuclear dês-
tes gònios diminue progressivamente. Xão queremos aqui entrar na análise
dêste fenômeno que nos parece muito semelhante ao da “elasse” embrional que
foi analisado a propósito do fígado.
O que achamos interessante, aqui, é confrontar os núcleos das esper-
matogônias durante o seu crescimento interfásico, com os núcleos das fases
Mcm. Inst. Butantm.
Dm. 1947.
GIORGIO SCHREIBER
135
meióticas. Nós temos aqui uma situação que achamos preciosa: isto é. a
possibilidade de ter no mesmo tecido, e, portanto, sujeitos às mesmas al-
terações devidas ao tratamento histológico, um núcleo em crescimento
interfásico e uma série de núcleos cuja constituição cromosòmica está bem
conhecida e que se dividem sem crescimento interfásico.
Temos, em linguagem figurada, um núcleo que percorre um caminho:
os marcos tr.illiários ao longo deste caminho marcam etapas sucessivas corres-
pondentes ao número de genomas.
A dificuldade que a maioria dos animais apresenta para um estudo
cariométrico das espermatogònias é que os núcleos destas células são ge-
ralmente de íórma não períeitamente esférica; frequentemente achatado,
ou deformado nas mais variadas direções. Uma apreciação do volume
déstes núcleos seria, portanto, muito aleatória.
Já foi discutido o problema da fórma do núcleo nas pesquisas cario-
métricas (G. Schreiber. 52) e não queremos voltar aqui neste assunto.
Achamos somente que algumas das pesquisas cariométricas. que se encon-
tram na literatura, estão viciadas por éste defeito. Xos ofídios, esta
dificuldade não existe, pois, na totalidade das espécies que foram exami-
nadas no presente trabalho, os núcleos espermatogòniais são perfeitamente
esféricos.
■ * *
\*o crescimento do núcleo da espermatogonia devemos distinguir duas
fases nitidamente diferentes: uma é o crescimento interfásico das mitoses
proliterativas; a outra é o crescimento auxoeitário que leva o espermato-
gónic, depois da última mitose gonial. a se transformar em espermatocita
de primeira ordem.
A diferença entre estas duas interfases é substancial, pois, no segundo
tipo se dão o pareamento e o “crossing-ower” dos cromosomas que são os
fenômenos fundamentais da sexualidade. Qual é a causa pela qual, depois
de um ciclo mitótico, o núcleo gonial desvia para o crescimento auxoeitário.
nós não conhecemos. Com certeza, acontece um fenômeno de endomitose.
pois, os gens duplicam-se, os cromosõmios se desdobram, sem se formar
ante< o fuso nuclear e a divisão dos centròmeros. A essencia do fenômeno,
como é concebido por Darlington é uma precocidade de algumas das ma-
nifestações da divisão respeito a outra. De qualquer modo o resultado é
um núcleo tetraploide ou tetravalente. isto é. com 4 complementos de gens
haploides e. como será ilustrado mais adiante, o volume do auxoeito no fim
do seu crescimento (paquiteno) corresponde perfeitamente ao volume da
profase espermatogonial (4 n).
23
136
O CRESCIMENTO INTERFASTICO DO NÚCLEO
Podemos, portanto, confrontar as duas interíases que temos examinado
antes : interfase das mitoses goniais e interfase auxocitária. O intervalo de
crescimento é o mesmo. O que nestas pesquisas se revelou é a diferença
do ritmo dêste crescimento.
Levi e Terni (37) analisaram o crescimento auxocitário nos anfíbios
do ponto de vista citométrico, mas os resultados não nos fornecem dados
esclarecedores no que se refere ao volume nuclear e achamos muito im-
portante analisar mais profundamente êste assunto no futuro.
* * *
Para resumir esta introdução podemos definir o fim destas pesquisas
como o estudo cariométrico dos núcleos das espermatogonias em ativa mul-
tiplicação mitótica confrontando com os estádios de variação do volume
nuclear das fases da meiose com número de cromosômios conhecido.
A situação topográfica no lumem do canaliculo e o aspecto morfológi-
co dos núcleos nos proporcionam a possibilidade de reconhecer com abso-
luta certeza as 4 categorias de células germinais e obter assim polígonos
de frequência perfeitamente puros de cada tipo de células.
II) MATERIAL E MÉTODOS
a) Escolha do material
As pesquisas foram realizadas sõbre os testiculos de ofídios brasilei-
ros, aproveitando o copioso material vivo que chega continuamente ao-
Instituto Butantan de tòda parte do Brasil.
O material foi colhido em diferentes épocas do ano, sendo, portanto,
para cada espécie, escolhida a época de maturação. Na descrição dos re-
sultados será dada, para cada caso, a indicação do gráu de maturidade
sexual do testículo estudado. Em alguns casos foi estudado também o-
testículo em fase juvenil ou em repouso. De uma espécie foi possível es-
tudar um testículo embrional (Xcnodon).
b) Técnica histológica c embriológica
Os testiculos, colhidos em ligeira narcose etérea ou clorofórmica,
foram fixados quase todos em líquido de Dubosq-Brasil (Bouin alcoólico)
em pequenos pedaços bem abertos, de fórma a apresentar a superfície in—
Mem. Inst. BuUntan-
20:113-180, Dm.' 1947.
GIORGIO SCHREIBER
137
terna do testículo ao fixador. Praticamente isto se obtem facilmente
abrindo o testículo com uma tesoura com um corte longitudinal e revol-
tando para fóra a parte interna do testículo, ficando assim, a massa espon-
josa dos canalículos em direto contacto com o fixador.
Este procedimento permite sempre contar os cromosômios nas meta-
fases das primeiras divisões e a perfeita visibilidade dos quiasmas nas dia-
cinesis dos espermatocitos de primeira ordem.
Os cortes foram feitos geralmente de 10 a 12 micra, coloridos com
Hematoxilina de Harris ou de Heidenhain com eosina.
As medidas foram executadas desenhando com a câmara lúcida a uma
amplificação de 1890 de mais ou menos duzentos núcleos de cada estádio, sendo
porém às vêzes, bastante difícil encontrar suficientes esperma toei tas de se-
gunda ordem.
Sôbre os desenhos assim obtidos foram medidos os dois diâmetros cru-
zados (maior e menor) e feita a média aritmética destas medidas. O valor
do diâmetro médio (em milímetros a ampliação do desenho) foi usado como
variável estatística, grupados em classes de meio milímetro e feita a curva
de frequência.
A medida dos diferentes tipos de núcleos é facilitada pela possibilida-
de de reconhecê-los imediatamente, seja pela localização, seja pelo aspecto
morfológico. As vêzes, foram medidos juntos os núcleos dos espermato-
citos de segunda ordem e das espermatidas devido a dificuldade de encon-
trar os primeiros e somente foram depois separados na curva de frequência
as duas modas nitidamente distintas. Dos espermatocitos de primeira or-
dem foram medidos somente as fôrmas de paquitenos c diplotcnos c não
as de leptotenos que estão ainda em crescimento interfásico (êste fenômeno-
será objeto de um trabalho sucessivo) e as fases de diacinese, que se apre-
sentam às vêzes mais deformadas.
As espermatogonias estão estritamente localisadas imediatamente em
baixo da parede do canaliculo e se distinguem perfeitamente das primeiras
fases do auxoeito como também dos espermatocitas de segunda ordem, que
têm mais ou menos o mesmo tamanho. O núcleo das espermatogonias é
perfi-itamente esférico e isto foi uma das razões pela qual as medidas deram
um íesultado bem claro. As profases das espermatogonias, pelo contrário,
estão mais elíticas e não orientadas. As suas medidas, portanto, não têm
uma exatidão tão grande como as dos outros estádios. Estas medidas, por-
tanto, não foram utilizadas nos cálculos da curva de regressão e as indi-
cações foram dadas como média aritmética das medidas individuais ou em
poucos casos onde as profases se encontram mais frequentes como moda.
25 -
138
O CRESCIMENTO 1NTERFASTICO DO NÚCLEO
c) Elaboração estatística dos resultados
Das curvas de frequência dos diâmetros foram calculados os valores
modais por perequação das frequências e aplicação da fórmula:
Mo = L +
mo F X f
X i
onde U é o limite inferior da classe modal, F ê a frequência da classe
superior à da moda f a inferior e i é o intervalo de classe (0,5) (Arkin e
Colton, 2).
Obtidos assim os valores modais dos diâmetros foram calculados os vo-
lumes das esferas correspondentes.
Para o estudo da relação entre volume nuclear e valor múltiplo do
genoma, os valores modais das diferentes categorias de núcleos em cada
espécie de ofídio foram diagramados no seguinte modo: nas abcissas os
valores múltiplos do genoma e nas ordenadas os valores modais das curvas
•dos núcleos das diferentes fases espermatogenéticas. Assim foram consi-
deradas como haploides (n = 1) as espermatidias, como diploides (n = 2)
os espermatocitas de segunda ordem e as espermatogonias e como tetra-
ploides (n = 4) os espermatocitas de primeira ordem e os profases goniais.
Xeste diagrama foi calculada a equação de regressão (**) e com os res-
pectivos valores teóricos para cada valor da abcissa foi calculado o “Erro de
• estimação” Sy =
— 5 D 2
N - 2
de vatores incluídos no cálculo.
usando o valor N-2 devido ao pequeno número
O erro de estimação é a medida que nos permite julgar da atendibilidade dos
valores que se afastam dos valores teóricos da linha de regressão e de julgar,
•portanto, se os afastamentos devem ser considerados no limite dos desvios causais
•ou se pelo contrário êstes afastamentos são devidos a causas definidas, e portanto,
revelarem uma significação especifica.
(**)
S (dx. dyt
y — y • (x — x)
S dx 2
.26
cm
7 SCÍEL0, 2.1 12 13 14 15 16 17
Mem. Inst. ButanUr..
20:113-180, Dez.* 1947.
GIORGIO SCHREIBER
139
III) RESULTADOS
Reproduzimos aqui para cada espécie, o gráfico (A) dos histogramas das
frequências dos diâmetros nucleares de cada estádio espermatogenético e o gráfico
de correlação entre volume modal e valor múltiplo do genoma (B). Os valores
das ordenadas do gráfico B, portanto, correspondem aos valores modais das
curvas dos gráficos A.
Como já temos esclarecido foram considerados os espermatocitos de primeira
ordem como tetraploides, aqueles de segunda ordem como diploides e as esper-
matídias como haploides. As espemiatogònias teoricamente são diploides, porém,
elas têm crescimento interfásico que as leva ao valor tetraploide da profase.
Durante êste crescimento os núcleos variam de volume e, como será indicado
mais adiante, a maioria dos espermatogonias têm um valor maior do que os
diploides e está bem fastado do valor teórico diploide da linha de regressão. Êste
valor é, porém, bem coincidente com o valor teórico triploide e em quase todos
os diagramas B está bem coincidente com o ponto correspondente da linha de
regressão e dentro do limite íiducial do Erro de estimação. Portanto, no cálculo
da linha de regressão êstes valores dos volumes dos espermatogonias foram
considerados efetivamente como pertencentes a abeissa 3n. A absoluta constância
dêste fenômeno em tòdas as espécies examinadas nos leva a convicção de que
êste valor tem uma real significação biológica que será considerada mais adiante.
Em alguns casos as espermatogonias têm uma curva de frequência nitida-
mente bimodal, sendo uma das modas, geralmente a maior no valor de 3n e a
outra períeitamente coincidente com a de 2n das espermatocitas de segunda ordem.
Nestes casos todos os dois valores modais foram utilizados no cálculo da equação
de regressão um como 2n e outro como 3n.
* * *
Foram estudados com êste método os testículos das seguintes cobras constantes
do seguinte esquema, em ordem sistemáíica (Lista remissiva dos ophidios do
Brasil, de Afranio do Amaral, 2“ Ed.. 1936 (1).
Fam. BOiDAE
sub-fam. Boina c
Constrictor constrictor constrictor L. (97)
27
140
O CRESCIMENTO INTERFÀSTICO DO NÚCLEO
Fam. COLUBRIDAE
sub-fam. Colubrinae
Chironius carinatus L. (87 )
Xenodon merretnii Wagler (19-65-77)
sub-fam. Boiginae
Pseudoboa trigcniina D. et B. (17-21)
Thamnodynastes ( Dryo phylax ) pallid us pallidus L. (27) (* )
Totnodon dorsatus D. et B. (68)
Phylodryas olfersü Lichtenstein (66)
Phylodryas schotii Schlegel (1-15)
Fam. CROTALIDAE.
sub-fam. Lachesinae
Bothrops atrox L. (84)
Bothrops jararaca Wied (47)
sub-fam. Crotalinae
Crotalus tcrrificus terrificus Laurenti (61)
* * *
Durante estas pesquisas foram examinados muitos mais exemplares dos que
aqui estão apresentados; o número reduzido aqui se deve, além da dificuldade
de encontrar machos em algumas espécies, ao ponto de termos escolhido somente
aqueles nos quais os testículos se apresentavam mais favoráveis ao estudo pelo
grau de maturidade. Alguns dos exemplares estudados são muito jovens justa-
mente para o estudo das fases iniciais da espermatogênese em relação especial-
mente ao tamanho das espermatogonias. O número entre aspas e a indicação
do protocole.
Damos aqui as indicações pormenorizadas dos casos estudados com os dia-
gramas "A” dos histogramas dos volumes nucleares nas diferentes células testi-
culares e “B” o diagrama da correlação entre o volume nuclear (valor modal) de
cada tipo de células testiculares e o número de cromosomas (valor múltiplo do
genoma haploidç correspondente).
* * *
(*) Esta especie é atualmente objeto de uma revisão sistemática na Secção de
Ofiologia do Instituto Butantan. Portanto deve ser considerada como provisória e poderá
ser no futuro modificada.
Mem. Inst. Butantan,
28:113-180, Dez.* 1947.
GIORGIO SCHREIBER
141
Fam. BOiDAE
Sub-fam. B o in a e
Constrictor constrictor constrictor L. (Prot. 97) Tab. I.
Indivíduo de 1 300 cm. Sacrificado no dia 28 de Maio de 1946. O tes-
tículo estava em maturação avançada.
Esperma togonias com poucas mitoses. Espermatocitas de la. ordem pre-
valentes nas fases iniciais (Ieptotenos). Raras as metafases las. O estádio
dominante é o do espermatídio e o da espermiogênese. Rarissimos os es-
permatocitas de 2a. ordem.
Espermatozóides maduros no centro do canaliculo, porém, sem lume vazio
do canaliculo.
O diagrama das frequências do volume nuclear, Fig. 2 A, é bastante re-
gular para os espermatocitas de la. e 2a. ordens e as espermatídias. As es-
permatogónias tem um histograma bimodal.
O diagrama de correlação (Fig. 2B) mostra uma perfeita coorrclação
entre os valores modais e o valor múltiplo do genoma haploide. A segunda
moda do histograma das espermatogónias coincide perfeitamente com o valor
3n c quando diagramado cm abeissa 2n está num valor de ordenada bem
além de 3 Sy (Diferença entre valor do espermatogónio 2n c 2a. moda é de
345 ;3 Sy = 88.05).
Tabeea I
Constrictor constrictor constrictor L. (97)
Diâmetro
Gcnia
Profasc
ronia
Cit. I
Cit. II
Ide.
8
1
S.S
7
9
29
9.5
65
10
3
3
53
10.5
9
8
11
33
10
2
11.5
22
13
12
17
20
12.5
22
5
13
57
3
4
13.5
55
17
0
14
34
18
1
14.5
18
25
15
5
i
25
15.5
3
11
16
10
16.5
i
3
17
17.5
18
Modas
795
1155
—
1596
808
452.5
X =
2.4
7 =
961.2
b* =
379.4
Sy —
29. 3$
3 Sy —
88.05
d =
345
29
144
O CRESCIMENTO IXTERFASTICO DO NÚCLEO
Neste exemplar não foi calculado o erro de estimação devido à irregu-
laridade do histograma das espermatogónias acima mencionadas. Êste fato
deve ser encarado como um sintoma de atividade reprodutiva das espermato-
gonias cuja porcentagem de mitose é de 12,7%.
• 0 ■ J 1 1 « I»
>1
T| I I li >< >1 i .1 I I» il
CHIROXIVS CAJttKITUS (f.7)
CHIROXICS CARIXATLS (8/)
Vic. 3 A e B.
32
cm
2 3 4
5 6 7 SCÍELO) X1 12 13 14 15 16 17
Mem. Inst. Butantan.
29:113*180, D**.» 1947.
GIORGIO SCHREIBER
145
Xenodon merremii Wagler (Prot. 19) Tab. III.
Indivíduo de 82 centímetros. Capturado durante a copulação em 31 de
agosto de 1943. Histologicamente o testículo é períeitamente maduro. Ca-
nalículos com lume vazio contendo espermatozóides maduros e em matura-
ção pegados à parede. Espermatogônias com escassas profases (3,2%). Es-
permatocitas de primeira ordem escassos em maioria paquitenos cora algumas
ilhas de metafases primeiras. A fase predominante é a de espermatídio c
de espermiogèncse.
A Fig. 4 indica uma grande regularidade dos histogramas dos volumes
nucleares. Os espermatocitos de primeira ordem têm uma ligeira moda mais
ou menos coincidente com aquella das gonias que porem poderia desaparecer com
uma ampliação do intervalo de classe e, portanto, não deve ser tomado em
consideração.
O diagrama da Fig. 4B indica uma correlação bastante boa entre vo-
lume e cromosômios da série mciótica. O volume modal das espermatogônias
como nos casos precedentes discorda com o valor diploide sendo aproximada-
mente concordante com o valor 3n. A diferença entre o valor teorico 2n
c o valor real é ligeiramente inferior a 3 Sy, sendo, porém, superior a 2 Sy.
Tabela III
Xenodon merremii Wagler (19)
Diâmetro
Gor.ia
Profane
gonia
Gt I
Gt. II
Ide.
8
8.5
7
9
33
9.5
1
41
10
0
35
10.5
6
5
11
2
21
11.5
5
32
x = 2.5
12
7
36
7 = 1168.5
12.5
13
14
b* 523.2
13
14
6
13.5
17
i
Sr = 182.9
14
17
1
7
3 Sr = 548.7
14.5
10
4
d = 331.6
15
4
i
10
15.5
4
19
16
1
18
16.5
12
17
1
7
17.5
3
18
2
18.5
1
Modas
1233
—
2132
805
449
33
146
O CRESCIMENTO INTERFASTICO DO NÚCLEO
ro
• • ’0 •* i - } ■% rt a , t
34
SciELO
) 11 12 13 14
Mem. Inst. Butantan,
20:113*180. Der.* 1947.
GIORGIO SCHRF.IBER
147
Xenodon merremii Wagler (Prot. 65) Tab. IV.
Indivíduo de 71 centímetros fixado em 26 de outubro de 1946. Tes-
tículo completamente maduro. Canalículos vazios com espermatozóides livres
e muitos outros empilhados na parede. Fase predominante é a da esperma-
tídia e a da espermiogènese.
Gônios com numerosíssimas mitoses (35% profases sobre os gônios in-
terfásicos medidos). Êste número, é porém, ligeiramente superior ao real
por serem as profases escolhidas ao passo que as interfases são medidas ao
acaso. Espermatocitas de primeira ordem relativamente escassos.
Os histogramas são regulares sendo aquele dos espermatocitas de primei-
ra ordem ligeiramente assimétrico nos valores altos.
O histograma das espermatogónias tem uma segunda moda na classe 15.
Calculando o valor modal déste histograma com intervalo 1 cm lugar de 0,5
o valor modal aumenta (1475). Este valor coincide muito mais de perto
com o valor 3n da equação de regressão do que aquele calculado com inter-
valo 0,5. A êste fato se deve a diferença com o valor indicado na tabela
do trabalho precedente de 1946, para o mesmo indivíduo.
O diagrama de correlação, Fig. 5 B revela uma perfeita correlação en-
tre os valores meióticos e a diferença com o valor diploide do volume
cspcrmatogonial signiíicante sendo o erro de estimação muito pequeno.
Tabela IV
Xenodon merremii Wagler (65)
Diâmetro
Gonia
Profase
goiva
Cit. I
Cit. II
Ide.
8
6
8.5
25
9
34
9.5
25
10
1
15
10.5
5
3
11
5
9
11.5
2
22
12
7
47
12.5
20
18
13
36
13
13.5
46
1
5
14
34
2
1
14.5
22
2
7
15
26
8
17
15.5
6
8
20
16
1
15
16.5
0
3
13
17
1
1
9
17.5
0
5
18
1
3
Modas
1475.5
195;
1933
904.7
383.7
x = Í.S
7 =■ 117.9
b’ — 527.87
Sy 27.37
3 Sy = 82.1
d = 560.24
35
O CRESCIMENTO IXTERFÀSTICO DO NÚCLEO
• 4 >« H '« II M II 4 II 4
■ INQOOM UC4UW4 | t* 1
XENQDON MERREMIK65 - )
Fio. 5 A B
Mem. Inst- Butantan,
2# : 113-180, Dez.* 1947.
GIORGIO SCHREIBER
149
• •0 • tf tf *•»■«.» >•
iixoí» KM(y«i : r»
Fic. 6
Xenodon merremii Wagler (Prot. 77) Tab. V.
Indivíduo muito jovem, de 36 centímetros, fixado em 15 de janeiro de
1946. Testículos extremamente pequenos, não maduros com canalículos ao
estádio de cordões epiteliais cheios de espermatogónias cm repouso c raras
profases e ainda mais raras as metaíases goniais.
A Fig. 6 mostra os resultados das medidas destes espermatogónias que
dão um histograma bastante regular, embora ligeiramente assimétrico nos
valores baixos. O valor modal de 1287 é concordante com os dos dois in-
divíduos maduros previamente examinados.
Como será discutido mais adiante este fato indica que estes espermato-
gónias estão cm atividades multiplicativas, embora fraca.
Além disso êste fato indica que as espermatogónias, nos indivíduos jo-
vens antes da maturação sexual tem o mesmo valor nuclear dos espermato-
gónias dos indivíduos maturos e pelo menos entre estas idades não há ge-
rações de gônias de volume diferente como se verifica, por exemplo, cm
outros vertebrados (Peixes).
Tabela V
Xenodon merremii Wagler (77)
Diâmetro
Gonia
10
3
10. 3
4
11
7
11.5
9
12
17
12.5
28
13
12
13.5
36
14
34
14.5
17
Modas
1287
37
150
O CRESCIMENTO IXTEREASTICO DO NÚCLEO
38
Sub-fam. B o iginae
Pscitdoboa trigcmim D. & B. (Prot. 17) Tab. \ I
Indivíduo de 76 centímetros, fixado em 28 de Agosto de 1945. Histo-
logicamente o testículo está em plena maturidade. Canalículos bem ocos com
espermatozóides no lume e pegados às paredes.
Espermatogónias com 6.5 % de profases. Espermatocitas de la. ordem,
abundantes em tôdas as fases auxocitárias e frequentes as las. metaíases.
Os histogramas dos esparmatocitas de 2a. ordem e das cspermatídias são
juntos devido ao grande número de espermatocitas de 2a. ordem. Isto dá um
diagrama perfeitamente bimodal. Histograma das espermatogónias ligeira-
mente irregular. Com a perequação, porém, resulta nitidamente bimodal
com o valor modal inferior correspondente à moda dos espermatocitas de
segunda ordem e a outra intermediária entre 2a. e la. ordem (Fig. 7 A).
O diagrama de correlação (Fig. 7 B) dá uma linha de regressão na qual
o valor da moda maior das espermatogónias é discordante com o valor
diploide da abeissa, mas pelo contrário, coincide bastante bem com o valor
3n. A diferença é estatisticamente significante, pois a ordenada da segunda
moda está bem fóra do limite de confiança de 3 Sy.
Tabela VI
Pseudoboa trígemina D. e B. (17)
Diâmetro
Gonia
Profase
gonia
Gt. I
Cit. II
Ide.
s
3.5
16
9
43
9.5
26
10
25
10.5
9
11
3
19
11.5
10
21
12
4
29
12.5
8
10
13
4
1
6
15.5
12
1
0
14
17
5
0
14.5
15
10
1
15
12
1
2?
1
15.5
5
0
14
16
1
4
15
16.5
0
1
12
17
1
1
17.5
1
18
2
18. 5
19
Modas
900.5
1544
Média
2110
1942
441.3
845
X —
2.4
7 —
1134.6
b’ ~
522.5
Sy =
78.52
3~S r =
236.46
d =
346
cm
7 SCÍELO, 1:l 12 13 14 15 16 17
Mexn. Inst. Butantar..
20:11.1-180. Dez.» 1947.
GIORGIO SCHREIBER
151
Um segundo exemplar desta espécie será examinado num trabalho suces-
sivo por ter um quadro cariométrico diferente e indica a existência de uma
terceira divisão com um intervalo entre espermatocita de la. ordem e es-
permatídia de 8:1. Êste exemplar apresenta além disso uma dimegalia em
todas as fases da espermiogênese. que falta no indivíduo 17 (Schreiber
1946:30).
PSEUDOBOA TRIGEMINA CU)
Fi;. 7 A e B
39
152
O CRESCIMENTO IXTERFASTICO DO NÚCLEO
Dryophylax pallidus L. (Prot. 27) Tab. VII.
Indivíduo de 26 centímetros fixado em 5 de setembro de 1945. Histo-
logicamente o testículo é imaturo. Os túbulos têm lume oco, porém, sem
espermatozóides formados e as fases espermioistogenéticas são totalmente au-
sentes.
A fase fundamental predominante é a do espermatocita de la. ordem,
sendo frequentes os canalículos cuja parede é formada por uma camada de
espermatogônias e muitas camadas de auxocitas em tôdas as fases. Poucos
espermatocitas de 2a. ordem e espermatides.
Praticamente ausentes as mitoses espermatogoniais, faltando, portanto, as
medidas das profases relativas.
Os histogramas (Fig. 8 A.) são muito regulares na série meiótica, ao passo
que as espermatogônias têm um histograma “impuro” com prováveis modas
encobertas. A moda está como nos demais casos entre a moda dos esperma-
tocitas de la. e 2a. ordem. A moda encoberta tem provavelmente o valor
correspondente a 2n.
O diagrama de correlação (Fig. 8 B) é muito nitido e o valor modal
espermatogonial bem coincidente com o de 3n e a diferença com o de 2n íor-
temnte evidente.
Tabela VII
Dryophylax palidus pallidus L. (27)
Diâmetro
Gonia
Profasc
gonia
Cit. I
Cit. II
Ide.
9
14
9.3
19
10
3
1
45
10.5
0
1
18
ti
3
9
13
11.5
9
•
16
3
12
12
27
1
12.5
12
27
13
13
1
23
13.3
28
0
a
14
20
9
4
14.5
26
13
3
15
16
31
3
15.5
7
31
16
9
14
16.5
3
4
17
1
i
17.5
Modas
1436.5
—
1931
949.8
32 2
X =2
2.5
7 =
1204.8
b’ --
471.37
Sy —
27.26
3~S7 =
71.78
d —
465.3
153
M«n. Inst. Butanun, GIORGIO SCHREIBER
20:113-180, Dei.* 1947.
X
12 3 4
DRyOPHILAX PALUDUS (27)
Fic. 8 A e B
SciELO^ ^
12
13
15
154
O CRESCIMENTO INTERFASTICO DO NÚCLEO
42
Tomodon dorsatus D. & B. (Prot. 68) Tab. VIII.
Indivíduo de 45 centímetros fixado em 14 de novembro de 1945. Tes-
tículo imaturo. Canalículos com lume oco, às vèzes, porém, frequentemente
cheios de espermatídias. Falta quase total de espermatozóides e fases his-
togenéticas.
A parede dos canalículos é geralmente constituida por camadas de auxo-
citas nas diferentes fases da profase meiótica com maior incidência dos
leptotenos.
O histograma da (Fig. 9 A) é um dos mais demonstrativos entre todos os
que tivemos até agora. As espermatogõnias têm uma curva perfeitamente bi-
raodal com as duas modas respectivamente coincidentes com os valores de
abcissa de 2n e 3n. As fases meióticas têm curvas perfeitamente limpas
e regulares.
O diagrama de correlação (Fig. 9B) confirma perfeitamente o valor
3n da moda maior espermatogonial com uma diferença com o valor 2n per-
feitamente significante.
Tabela VIII
Tomodon dorsatus D. e B. (68)
Diâmetro
Gonta
Profase
gonia
Ct I
Cit. II
Ide.
s
S.5
1
9
0
9.5
8
10
22
10.5
24
11
1
10
11.5
5
4
1
12
11
8
12.5
12
15
13
19
23
13.5
13
12
14
12
7
14.5
9
15
17
15.5
13
7
16
s
14
16.5
1
0
17
4
12
17.5
0
3
18
0
4
18.5
i
o
Modas
1147
2286
1071
5889
1765
x = 2.4
7--= 1371.6
cm
7 SCÍELO, 1:l 12 13 14 15 16 17
Mrm. Inst. Butmtan,
20:113-180, Dei.» 1947.
GIORGIO SCHREIBER
155
Devemos salientar aqui uma consideração interessante: se confrontarmos
os valores absolutos dos volumes das síngulas fases da espermatogênese desta
espécie, com as correspondentes das demais espécies examinadas, podemos
constatar que pelo menos êste exemplar de Tomodon dorsatus, tem células
bem maiores do que os outros ofídios. Um primeiro ensaio estatístico so-
bre êste fenômeno nos indicou o seguinte: o tamanho nuclear do Tomodon
em exame é sempre em todos os estádios maior do que M -f- 3a, sendo M
a média aritmética de todos os valores do mesmo estádio das demais espécies
examinadas.
Limitamo-nos a apontar êste fato na espera de que medidas extensi-
vas sóbre um grande número de espécies possam dar maior esclarecimento
e eventual significação sistemática a este fenômeno.
43
156
O CRESCIMENTO INTERFASTICO DO NÚCLEO
Philodryas olfersii Lichtenstein (Prot. 66) Tab. IX.
Indivíduos de 88 centímetros, fixado em 31 de outubro de 1945. Cana-
lículos cheios de espermatozóides e fases de espermiogênese que constituem a
fase mais abundante.
Espermatodtas de primeira ordem raras. Algumas profases goniais.
O histograma da Fig. 10 A é bem regular para as fôrmas meióticas, ao
passo que a curva das espcrmatogônias está fortemente assimétrica para os
valores menores o que provavelmente indica u’a moda encoberta aos valo-
res diploides.
O diagrama de correlação reflete esta diferença pois os limites íiduciais
do erro de estimação são bastante grandes e o valor modal das espermatogó-
nias está no limite de 3 Sy, sendo, porém, bem íóra do valor 2 Sy tomado
por vários autores como limite fiducial. O volume das profases goniais
está dentro do limite fiducial do volume de 4 n.
Tabela IX
Phylodrias olfersii (Lichtenstein) (66)
Diâmetro
Gonia
Profasc
gonia
Cit. I
Cit. II
1
1
6
3
9
14
13
16
19
3
21
22
8
1
2
8
4
11
i
1
23
1
30
0
15
1
15
4
1
1122
Média
1750
767
1504
Ide.
x = 2.5
7 — 1010
r w
b’ = <72.5
Sy = 117.2
3~Sy = 351.6 217 = 238.1
d = 348.25
406
44
cm
7 SCÍELO) 1:l 12 13 14 15 16 17
Modas
Mem. Inst. Butar.tan,
2# : 1 1 3-180, Dez.» 1947.
*
GIORGIO SCHREIBER
157
OsSfW» t M I
45
2 3 4 5 6
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
cm
158
O CRESCIMENTO INTERFASTICO DO NÚCLEO
Philodryas schottii Schlegel (Prot. 1) Tab. X.
46
Indivíduo de 139 centímetros fixado em 7 de Agosto de 1945. Testículo
em perfeita maturação histológica. Canaliculos ocos com espermatozóides pe-
gados às paredes e tòdas as fases da espermiogênese.
Abundantes os auxocitas em tòdas as fases de crescimento e notável abun-
dância de metaíases l. a *. Raríssimas as profases espermatogoniais.
É característico deste indivíduo o fenômeno que se apresenta seja nos
espermatocitas de 1.* ordem e 2.* ordem e espermatídias, de estar reunidos
em grupos de 4-8 núcleos evidentemente derivados de um mesmo espermato-
gónia. Êste fato é localizado em certos canaliculos faltando em outros, e foi
por nós verificado em seguida em outros exemplares também e de outras
espécies no testículo ao fim do período maturativo.
Os histogramas são bastante regulares (Fig. 11) e a correlação entre vo-
lume e cromosômio boa, embora não tanto perfeita como nos casos preceden-
temente examinados. A moda dos espermatogônias correspondente aproxima-
damente ao valor de 3n, porém, a diferença com o valor de 2n é menor do que
de 3 Sy.
Tabela X
Phylodrias schottii (Schlegel) 1.
Diâmetro
Gonia
Profase
gon'a
Cit. I
Cit. II
Ide.
7
7.5
13
3
37
8.5
39
9
47
9.5
IS
10
2
4
4
10.5
3
15
11
5
15
11. 5
8
14
12
20
12
12.5
20
1 *
6
13
13
2
3
13.5
9
5
14
0
9
14.5
1
20
15
0
20
15,5
1
12
16
10
16.5
3
17
5
17.5
1
18
18.5
Modas
1013
1760
700.7
323.3
x = 2.5
T — 950.8
b* = 4C2.5
§7 = 141.6
2~S7= 285.2
3~Sy = 424.8
d = 298.5
cm
7 SCÍELO, 1:l 12 13 14 15 16 17
Meia. Inst. Batantan,
20:113-180. Dei.* 1947.
GIORGIO SCHREIBER
159
PHyLODRyAS SCHOTTII (I)
FiC. 11 A e B
47
160
O CRESCIMENTO INTERFASTICO DO NÚCLEO
48
Philodryas schottii Schiegel (Prot. 15) Tab. XÍ*
O segundo exemplar desta espécie foi capturado no momento da cópula
e fixado em 27 de Agosto de 1945. Comprimento 102 centímetros.
O testículo é histologicamente maduro, provavelmente já na fase final dc
período reprodutivo. Canalículos com espermatozóides livres no lume, além
das fôrmas de evolução espermiogenéticas. A parede dos canalículos apre-
senta lacunas e são abundantes os espermatocitas de primeira ordem em todas
as fases auxoritárias. Espermatogônias com poucas proíases (5fc ) . A fase
predominante é a da espermiogènese e nestas fases existem, embora raras,
fôrmas de dimegalia, isto é, elementos de tamanho duplo do normal em tódas
as fases de histogènese do espermatozóide. Êste fenômeno, que já tivemos oca-
sião de descrever na espécie Pseiidoboa trigemina será mais pormenorizada-
mente descrita em trabalho sucessivo.
Algumas fôrmas de espermatídia em via de transformação em espermato-
zóide dão a impressão de ser devidas à fusão de dois espermatídias.
Neste exemplar se encontram também pequenos cistos formados por
2-4-8 núcleos na mesma fase de evolução (Espermatocitos I, II ou esper-
matídias).
Tabela XI
Phylodrias schottii (Schiegel) (15)
Diâmetro
f.onia
Profase
foniz
Cit. I
Cit. II
Ide.
7
7.5
5
8
3
8.5
14
9
18
9.5
11
10
2
O
2
10.5
5
9
11
10
14
11.5
IS
14
12
18
2
7
12.5
19
11
4
13
17
2
12
13.5
10
1
24
14
3
0
37
14.5
3
0
31
re
1
1
38
15.5
1
1
24
16
18
16.5
í
17
2
Modas
1018
Média
1459.5
1597
704.5
379.8
x = 2.5
T — 924.8
b’ = J96. 5
Sv = 100.2
3~Sr = 300.6
d =x 292
cm
7 SCÍELO, 1:l 12 13 14 15 16 17
Hem. Inst. Butantaa,
2*:1 13-180. Der.* 1947.
GIORGIO SCHREIBER
161
PHyUODRyAS SCHOTTI I t 15 )
Fio 12 A e B
As curvas de frequência dos volumes nucleares são bastante regulares,
sendo como era tódas as outras espécies a correlação perfeita entre os valores
da série meiótica. As espermatogônias têm um valor modal ao redor do vo-
lume correspondente a 3n, ao limite do valor fiducial de 3 Sy (diferença 292 :
3 Sy = 300,6).
Os volumes das profases, embora com as reservas já feitas pelos demais
casos concordam com o volume tetraploide.
49
162
O CRESCIMENTO INTERFASTICO DO NÚCLEO
Fam. CROTALIDAE
Sub-fam. Lachesinae
Bothrops ( Trimerisurus ) atrox L. (Prot. 84) Tab. XII.
Indivíduo pertencente à coleção do Instituto sob o Xo. 10655, fixado em
21 de março de 1946, com 89 centímetros de comprimento.
Testículos em plena maturação. Fase predominante é a de espermiogênese
e a de espermatozóide maduro livre no canalículo.
Espermatocitos de l. a ordem escassos prevalentemente em leptoteno. Es-
permatogônias com raras profases (3,2%).
As curvas de frequência (Fig. 13 A) são regulares para os meiocitos.
A das espermatogónias se apresenta mais irregular, porém, com dois valores
modais bastante coincidentes respcctivamcnte com os volumes de 2n e de 3n.
O diagrama de correlação confirma perfeitamente êste fato com valores
bem signiiicantcs. As profases goniais são nitidamente tetraploides.
Tabela XII
Bothrops atro.r L. (84)
Diâmetro
Conia
Profas*
gorra
Cit. I
Cit. 11
Ide.
7
7.5
1
8
3
8.5
11
9
24
9.5
5
20
10
27
2
6
10.5
31
4
n
21
5
11.5
31
1
2
12
30
1
1
12.5
32
3
13
21
2
8
13.5
10
3
11
14
8
2
13
14.5
3
i
1
15
2
2
15.5 .
16
Modas
697
1288
1279
662.9
306.4
905
x — 2.4
7 — 770.6
b’ — 310.6
§7 = 46.5
3~S y =. 139. S
d = 259
Mwn. Inst. Butantan,
29:113-180. Dm.» 1947.
GIORGIO SCHREIBER
163
Fir. 13 A t E
51
SciELO^ ^
12
13
15
164
O CRESCIMENTO IXTERFASTICO DO NCCLEO
-52
Bothrops jararaca Wied (Prot. 47) Tab. XIII.
Indivíduo de 97 centímetros fixado em 18 de setembro de 1945. Testículo
não perfeitamente maduro. Túbulos com lume amplo, mas ainda sem esperma-
tozóides. Raras as fôrmas histogenéticas. Raras mitoses goniais e a fase pre-
dominante é a de espermatocita de 1.* ordem em tôdas as fases de cresci-
mento auxocitário.
Histogramas muito regulares nas fôrmas meióticas; gonias um pouco me-
nos regulares com uma ligeira tendência a u’a moda na classe 12 correspon-
dente a 2n- A moda principal coincide perfeitamente com o valor de 3n.
Diagrama de correlação indica com grande evidência a situação 3n da
espermatogônia e de 4n das profases goniais.
Tabela. XIII
Bothrops jararaca (Wied) (47)
Diâmetro
Gonia
Profase
gonia
Gt. I
Gt. II
Ide.
s
5
3.5
8
9
20
9.5
30
10
1
2
6
10.5
3
4
11
5
14
n.5
9
13
12
17
13
12.5
16
9
13
31
4
13.5
27
14
40
9
14. 5
26
14
15
14
23
15.5
0
1
27
16
3
1
12
16.5
0
6
17
0
3
17.5
1
2
rs
18.5
19
Modas
1294
Média
1781
851.5
390
2047
X = 2.5
7 = 1079
b' — 460.16
Sr = 15.38
3"Sr = 46.14
d = 445
cm
7 SCÍELO, X1 12 13 14 15 16 17
Mem. Inst. Butantan,
30:113-180, Dez.» 1947.
GIORGIO SCHREIBER
165
10n * 0 1 J — me* < gy |
Fie. 14 A e B
53
SciELO
0 11 12 13 14
166
O CRESCIMENTO IXTERFASTICO DO NÚCLEO
54
Sub-fam. Croialinac
Crotalus terrificus L. (Prot. 61) Tab. XIV.
Indivíduo de 104 centímetros fixado em 15.10.45. Testículo não perfeita-
mente maduro. Isto confirma tudo quanto já foi observado nas outras espé-
cies de Crotalidae que a maturidade sexual se dá mais tarde do que nas Co-
lubridae.
Fase predominante é a de espermatocita de 1.* ordem,
espermatogõnias, porém, com poucas mitoses (3,5%).
Abundantes as
Histogramas muito regulares e o diagrama de correlação (Fig. 15) in-
dica perfeitamente a situação 3n da moda espermatogonial. Profases goniais
perfeitamente coincidentes com o valor de 4n.
Uma ligeira extensão do histograma das espermatogonias na região das
classes baixas indica provavelmente u’a moda encoberta aos valores diploides.
Tabela XIV
Crotalus terrificus L. (61)
Diâmetro
Gonia
Profase
gonia
Cit. I
Gt. II
Ide.
7
“12“'
7.5
31
8
2
52
8.5
14
41
9
14
10
9.5
22
4
10
2
10
10.5
1
14
11
8
4
11.5
S
1
R
12
12.5
13
13
40
13.5
44
14
36
3
14.5
13
26
15
9
4
47
15.5
5
2
36
16
4
0
24
16.5
1
14
17
8
17.5
0
18
1
18.5
1
19
1
Modas
1270
1900
1785
782
386
x = 2.5
7 = 1055
b’ ■-= 456.8
§7= 56.24
3Sr — 168.72
d = 443.6
cm
7 SCÍELO, X1 12 13 14 15 16 17
GIORGIO SCHREIBER
167
Mcm. Iast. Butantin,
20:113-180, Dez.» 1947.
CROtALU» HRAiíicu» ifn
FlC. 15 A t B
55
168
O CRESCIMENTO INTERFASTICO DO NCCl.Ei-
IV) DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
a) Relação entre volume nuclear e valor múltiplo do genoma
Em todos os casos estudados, como resulta evidente do exame dos diagramas
de correlação, existe uma estrita correlação entre o volume nuclear e o número
de cromosômios.
Êste fato se manifesta bem nitidamente na presente pesquisa devido ao fato
de ter considerado como valor volumétrico o valor modal das curvas de frequência
dos volumes nucleares. Discutiremos mais adiante a significação definitiva que
êste valor modal tem no estudo do crescimento interfásico. Aqui queremos
agora salientar as conclusões imediatas desta pesquisa.
Os espermatocitas de l. a ordem, os de 2. a ordem e as espermatidias, têm
os volumes nucleares respectivamente na relação de 4:2:1, isto é, exatamente na
mesma relação em que se encontram os respectivos genomas como múltiplos do-
genoma haploide.
Tabela XV
Volume nuclear ( valor modal) dos estádios cs fcrmatogené ticos
Espécie
Espcrma-
tidias
E«p. cit-
n
Espcrmatúconias
Esp. cit
i
2n
(3n)
Prof. 4n
Constrictor constrictor constrictor 97
452
803
795
1155
.
1563
Herpctodryas carinatus 87
449
904
—
—
2082
2027
Xcnodon merremii 19
449
805
—
1288
—
2132
Xcnodon mcrrcmii 65
383
904
—
1475
—
1953
Xcnodon mcrrcmi 77
—
—
—
1287
—
—
Pseudoboa tri gemina 17
442
845
900
1544
2110
1942
Dryophylax pallidus 27
522
950
—
1436
—
1931
Tomodon dorsatus 68
589
1071
1147
1765
—
2286
Pbvllodryas olfersi 66
406
763
—
1122
1504
1750
Pbyllodrias schottii I
324
701
—
1018
—
1760
Phyllodryas schottii 15 ..
339
705
—
1018
1460
1597
Bothrops atrox 84
306
663
697
905
1288
1279
Bothrops jiraraca 47 .
390
852
—
1294
2047
1781
Crctalus terrificus 61
386
782
—
1270
1900
1785
Medias
414
825
884
1271
1765
Í824
56
cm
7 SCÍELO, 1:l 12 13 14 15 16 17
Mas. Inst. ButanUn,
28:213-180, Dei.» 1947.
GIORGIO SCHREIBER
169-
Tabela XVI
Relação entre volumes nucleares (média entre os valores modais
de 11 espécies com 14 indiz-iduos ) e genoma
Células
Volume
Genoma
n
Relação
VoL/geao»
ma
Vol. X n
Relação
teórica
VoL n
Espermatide
414
n
4.14
i
1
Esp. cita II
825
2n
4.1
1.99
2
Esp. sonia
884
2a
4.4
2.14
2
Esp. gonia
1271
(3n)
4.23
3.08
3
Profase gonia
1765
4n
4.4
4.26
4
Esp. cita I
1824
4n
4.55
4.4
4
A Tabela XV resume todos os dados dos volumes modais e desta Tabela
foi calculado o valor médio destes volumes para cada estádio espermatogenético
no conjunto das espécies estudadas.
Como pode-se ver nas Tabelas XV e XVI êstes valores médios estão com
boa aproximação com os valores 16000 : 800 : 400, tendo os auxoeitas na reali-
dade valores ligeiramente superiores (17-1800). Isto provavelmente é devido a
dois fatores que já examinamos: a fórma elipsóide destas fases que nas pesqui-
sas foi, pelo contrário, calculada como esfera e em segundo lugar por estarem
estas células em profase e terem, portanto, uma alteração do volume devido a
fatores físico-químicos (embebição, variações coloidais, etc.).
As espermatogónias são caracterizadas por três valores volumétricos distintos,
ou seja, um volume correspondente ao dos elementos diploides, um volume
(profase) que corresponde ao volume tetraploide que delimita a estensão do
crescimento interfásico, do eido mitótico ; dentre êstes limites, as espermatogónias
têm mais um valor modal o qual é pelo menos nos Ofídios, o mais frequente e
que corresponde estritamente a um volume de 3n. Esta moda intermediária no
ciclo volumétrico mitótico é um dos fenômenos mais constantes na cariometria
testecular dos Ofidios e representa uma fase do desenvolvimento intercinético
que chamámos em trabalhos anteriores de "sesquifase”.
O diagrama da Fig. 16 representa esta situação com grande clareza resu-
mindo os correspondentes diagramas de correlação de todos os casos estudados.
Podemos, portanto, conduir que nos meiocitas a relação entre volume nuclear
e numero de genomas haploides que constituem o núcleo é absolutamente válida,
se o volume considerado é o volume modal, isto é, de máxima frequência das
curvas de variabilidade estatística. Voltaremos logo ao significado biológico
desta constatação.
57
170
O CRESCIMENTO INTERFASTICO DO NÚCLEO
F:c. 16.
Correlação entre volume nuclear (vai. modal) e múltiplos do genoma ha-
ploide. Valores médios entre 34 exemplares pertencentes a 11 espécies.
O — série mei ótica
# — cspermatogonia (interfasc)
X — espcrmatogonia (profase)
b) A "sesqnifase” no ciclo mitótico
Como temos discutido no Capítulo I a) os máximos de frequência das curvas
dos volumes nucleares correspondem a estapas do crescimento. Estas etapas
correspondem, geralmente, a valores múltiplos do genoma, antes e depois de um
ciclo de duplicação. Isto vale sem dúvida nenhuma para tôda a série de valores
volumétricos que estão entre si e m relação como 1 :2:4:8: 16:32, sendo claramente
demonstrado que os núcleos que alcançam estas etapas são respectivamente di,
tetra, octo, 16-ploides.
O exame dos valores modais dos espermatogònias de cobra nos revela agora
um fenômeno novo: as estapas do crescimento estão entre si em relação como
1 : 1,5 : 2 :, sendo o valor 1 igual ao volume do espermatocita de 2.* ordem
é portanto diploide. O valor 2 é o do volume da profase gonial e é igual ao do
espermatocita de 2“ ordem, isto é, tetraploide. A diferença entre êstes volumes
corresponde, portanto, perfeitamente ao intervalo de duplicação do genoma di-
ploide, seja no ciclo mitótico das espermatogônias, seja no ciclo de crescimento
auxoeitário.
31 era. Inst. Butaxitan.
2 # : 1 13 - 180 . Dez.* 1947 .
(ÍIORflIO SCHREIBER
171
A etapa de valor 1,5 que se revela como o estádio principal durante o cres-
cimento interfásico mitótico deveria ser interpretada à luz dos conceitos até
agora ilustrados e ser, p:rtanto, considerada como um estádio no qual o genoma
tem o valor de 3n. isto é. depois de ter duplicado metade do genoma diploide
ou, um genoma haploide.
Já temos discutido esta possibilidade na introdução (Cap. Ib3.) como inter-
pretação das “Zwischenklassen” das |>esquisas cariomét ricas sõbre tecidos de
adultos ou embriões normais ç patológicos, nas quais, não se tem como nas
presentes pesquisas, a p ssibilidade de controlar rigorosamente os valores volu-
métricos estudados com valores cromosômicos certos. Neste sentido somente as
já citadas pesquisas de ITAncona (13, 14) sôbre o fígado de mamífero e as da
Escola de Painter (7) sôbre material neoplástico deram a demonstração da
relação entre o volume “rítmico” e o diferente grau de poliploidismo dos núcleos.
A denominação de “sesquifase”, ou seja, a fase de uma vez e meia maior
do que a normal nos parece a mais adequada e mais estritamente ligada à natureza
dos fenômenos estudados. Uma verificação direta desta interpretação em termos
cromosômicos nos falta ainda por ter esta fase o aspecto morfológico de núcleo
em repouso. É provável que nunca apareçam metafases correspondentes a estes
núcleos de 3n. mas em outras pesquisas cariométricas, sôbre as células uterinas
(Salvatore. e Schreiber. 42), tivemos ocasião de verificar que os núcleos apre-
sentam a série de volumes 1 :1,5:2:3:4:6:8 c têm profases seja ao volume 2.
como no volume 3. Isto poderia significar que núcleos sesquifásicos (1.5),
continuando o crescimento interfásico até o valor tetraploide p dem não iniciar a
profase a êste valor, mas sim c ntinuar a duplicar isoladamente os genomas
baploides e iniciar a profase na situação hexaploide ou seja ao duplo da sesquifase.
Resumindo êste assunto podemos concluir que o núcleo dos espermatogémias
durante o crescimento interfásico passa por um estádio de 1,5 vezes o volume
diploide no qual o crescimento pero por um certo tempo para depois continua,
até alcançar o volume da profase tetraploide e dividir-se cm seguida. P.ste fenô-
meno está representado esquematicamente na Fig. 17 na qual estão também re-
presentadas as etajtts volumétricas da série meiótica como controle da situação
múltipla do genoma.
Devemos por fim evidenciar que com estas pesquisas sôbre o ciclo mitótico
das csjsennatogònias a “sesquifase” parece ser uma fase de crescimento inter-
fásico e não deixa dúvidas sôbre a identidade das células pertencentes às classes
diftrentes de volume como acontece nj estudo cariométrico de tecidos diferentes
e de espécies diferentes ou de casos patológicos nas quais aparecem as
“Zwischenklassen” de mais ou menos 1.5 vêzes o valor das classes modais, e que
foram assinaladas por G- Hertwig (29) e por Brummelkamp (11). Nestas
presentes pesquisas a etajsa de 1. 5 está integrada no ciclo de crescimento de
: >
172
O CRESCIMENTO INTERFÀSTICO DO NÚCLEO
uma única espécie celular e portanto se homologa perfeitamente com as etapas
de 1.5 vêzes verificadas por Wermel e Portugalow (57; na interíase das células
cultivadas in vitro em pesquisas cinematográficas.
Fio. 17
Explicação no texto
Em outros trabalhos (Schreiber 49, 50) discutimos a base citológica teórica
desta explicação do fenômeno da sesquifase e não queremos aqui continuar esta
discussão antes de ter novos e mais positivos fatos para apoiá-la. Aguardemos
por enquanto o fato fundamental, isto é, que o núcleo cresce durante a interfase
com um ritmo descontínuo cujas etapas correspondem a volumes múltiplos do
volume liaploidc c não do volume diploide. Êste fato confere ao genoma haploide
pelo menos no que se refere ao ritmo de duplicação um valor unitário. Com
isto não queremos decidir se êste genoma que duplicaria como uma entidade
unitária seja constituido pelos cromosòmios de igual origem gamética. ou por
um “set” de cromosòmios haploides independentes da sua origem gamética
(como acontece no processo meiótico para o livre sorteamento dos cromosòmios).
A unidade neste sentido é mais fisiológica e não podemos dar, por enquanto, ne-
nhuma explicação mais pormenorizada porque se refere à morfologia.
Várias possibilidades neste sentido foram sugeridas nos trabalhos já citados
e achamos por enquanto necessário esperar novos fatos que o estudo morfológico
possa nos fornecer em futuro para resolver o problema.
c) A “ ritmiddade do crescimento interfásico
Encontra-se frequentemente a objeção contra as pesquisas cariométricas, que
a relação entre volume nuclear e número do cromosòmios não pode ser um valor
constante pois na determinação do volume nuclear intervem uma série de fatores
extremamente variados como o grau de embebição hídrica, estado coloidal, per-
M«n. Inst. Bctantan.
S»:113-180, Dm.* 1947.
GIORGIO SCHREIBER
173
meabilidade da membrana, estádios de metabolismo, etc.. Precisamos esclarecer
de fôrma definitiva que êstes fatores determinantes do volume nuclear estão
bem evidentes ao pesquisador e que êstes fatores não são constantes, quer no
tempo quer nos diferentes tipos de células.
Devemos ainda c nsidercr que êstes fatores se sucedem durante o desenvol-
vimento nuclear e que os diferentes mecanismos que determinam o volume nuclear
concorrem de fôrma diversa nas diversas fases déste crescimento. Êste cresci-
mento é, porém, determinado como causa prima pelo processo de duplicação do
genoma que por uma sequela de fenômenos diferentes age sôbre o volume nuclear.
Uma vez, porém, alcançada a duplicação, a constituição química e físico-química
do núcleo deve ser tal que os materiais que acompanham o genoma na constituição
morfológica do núcleo estão em relação quantitativa constante com o genoma
mesmo. Se o genoma é duplo, duplicam também a quantidade de todos os ele-
mentos que constituem o núcleo “em repouso” de fôrma que o volume dêste
conjunto resulta também duplo. Sôbre êste conjunto que fôrma o “rtsting
nuckus” é que agem os fatores genéticos que às vêzes aparecem nas pesquisas
cariométricas, alterando as relações previsíveis entre espécies ou variedades
diferentes.
A validade do postulato da relação entre número de cromosõmios e volume
nuclear existe, portanto, somente no confronto das etapas entre as fases de cres-
cimento nuclear e não durante os períodos de crescimento durante os quais o
conjunto dêste sistema nuclear se enc ntra “em movimento” químico e físico-
químico. Uma destas fases de movimento provavelmente é a reconstrução do
núcleo telofásico até alcançar a situação típica do "resting".
Por estas razões é que somente os valores modais estão entre si em relação
simples e constante, como os são os valores múltiplos do genoma (“Rhvtmische
Wachstum” de Jacobj) considerados como a “unidade” atomística da dupli-
cação.
Esclarecidos êstes conceitos que nos parecem de notável valor explicativo
podemos concluir que embora o estudo do volume nuclear nas fases de cresci-
mento nada nos possa dizer no que se refere aos fenômenos químicos e físico-
químicos que nele se processam, o estudo das relações quantitativas entre os
volumes nucleares nas fases de parada dêste crescimento nos revela daramente
uma estrita relação entre o valor quantitativo do genoma e o volume nuclear.
Isto quer dizer que nestas fases de parada o material gênico é sempre acom-
panhado por materiais acessórios que são sempre constantes seja em quantidade
seja no estado físico-químico de fôrma a determinar sempre, nos núdeor esféricos,
um volume proporcional ao genoma.
Isto se depara das pesquisas cariométricas sôbre os poliploides que tivemos
ocasião de estudar em outro trabalho (52) e nas atuais pesquisas sôbre a série
61
174
O CRESCIMENTO I NTERFASTICO DO NÚCLEO
espermatogenética d:s ofídios, air.bos 05 casos uos quais os volumes nucleares
puderam ser relacionados com o valor múltiplo do genoma seguramente acertado
e nos quais o estudo do volume se prcccssa com s princípios básicos estatísticos
que evidenciaram as etapas do crescimento interíásico.
Y) RESUMO
O problema do crescimento interíásico do núcleo foi estudado sôbre o ciclo
mitótico das espermatogônias nos Ofídios, tendo como base de confrcnto o
volume do núcleo dos elementos da série meiótica nos quais o valor múltiplo do
genoma haploide é perfeitainente conhecido.
Foi discutido o lado teórico do problema como também os fundamentos do
método usado, que consistiu na medida do volume nuclear e no estudo estatístico
da sua variabilidade. Foi considerado como ponto de partida o fato de serem
os volumes modais correspondentes aos volumes das etapas durante o cresci-
mento interíásico.
O estudo da série dos meiocitos revela uma estrita correlação entre volume
nuclear e número de cromosõmios. Esta validade porém é perfeita somente
para os valores modais que representam fases homólogas do crescimento nuckar.
O crescimento das espermatogônias durante um ciclo interíásico abrange
um intervalo de duplicação do volume, isto é. tem como base um volume cor-
respondente ao volume dos núcleos dipl ide» (igual ao dos espermatocitas de
2* ordem) e vai até o volume duplo, das proía-es que correspondem ao do núcleo
tetraploide das espermatogônias de 1.* ordem no fim do crescimento auxocitário.
Entre êste intervalo o crescimento volumétrico do núcleo gonial apresenta uma
etapa a um volume que corresponde a um núcleo com genoma 3n. isto é, de
1.5 vèzes o volume inicial. Esta fase intermediária foi chamada de “sesquiíase”,
é interpretada como provavelmente resultante da duplicação precoce de um ge-
noma haploide. Xesta explictção hipotética não pode s^r esclarecido se êste
genoma corresponde aos crcmosòmios de igual origem gani ética ou se a precoci-
dade se manifesta ao acaso em um “set” haploide independentemente da sua
origem. Outras interpretações, porém, poderiam ser dadas na espera de ulte-
riores i>esquisas.
Como c nclusão fundamental pode ser considerar que o crescimento inter-
fásico do núcleo se dá por ciclos (“Rhytmische Wachstum" de Jacohj ) cujos
volumes finais correspondem a valores múltiplos do gen ma haploide que, por-
tanto, aparec.* como uma unidade no processo de duplicação.
Mem. Inst. Butanun,
20 :1 13-1S9, Dei.* 19-17.
GIORGIO SCHRE1BER
175
ABSTRACT
The problem of the interphasic growth of the nucleus was studied on the
mitotic cycle the -permatogonia o{ the Ophidia taking as ha^is for comparison
the volume of the nucleus of the elements of the meiotic series, whose multiple
value of the haploid genom is well known.
The theoretic side of the problem, as well as the principies of the method
used. which consistcd of the measurement í the nuclear volume and the statistic
study of its variabüity, were discussed. The fact that the modal volumes of
the nucleus correspond to the volumes of the s:op during the interphasic growth
was taken as starting point.
The study of the meiotic elements revealed a strict conelation between
the nuclear volume and the number of cromosomes. This validity, howevcr,
is only perfcct for the modal values which stand for the homologous phases of
the ruclear growth.
The growth of the spermatogonia, during and interphasic cycle consists of
a duplication of the volume, that is, at first ir has a volume corresponding to
that of the diploid nucleus (the same as that of the 2nd s]>ennatocite) and then
growth to twice the volume prophases) which corresponds to the tetraplokl
nuclíus oi the lst spemiatocitis at the end the auxocytic growth. During this
space of time the volumetric growth of the spermatogonia! nucleus passes a stage
in which its volume corresponds to a nucleus with 3n genomes, that is 1.5 tines
the inicial volume. This intermediate phasc has lieen called “sesquiphase” and
is expiai ned as prcbably ressulting, from a premature duplication of one haploid
geneme. It cannot l>e explained in this hypothesis whether this genom corresponds
to cromosomes of the same gametic origin or whether the precocity occurs by
chance in a haploid set independently of their origin. Howevcr, other inter-
pretations can arise, until more researches are made.
As fundamental conclusion it may be maintained that the interphasic growth
of the nucleus occurs in cycles (“Rhytmische Wachstum” by Jacobj) and that
the fmal volumes of tach cycle are multiple values oi the haploid genom, which
thereíore may be considered as a unity in the process of duplication.
RI ASSUNTO
Yenne studiato 1’accrescimento interfasico dei núcleo dello spermatogonio
durante il ciclo mitotico negli Oíidi, prendendo come termine di confronto dsi
volumi, quelli dei nuclei r.ella strie meiotica il cui valore múltiplo dei genoma
63
176
O CRESCIMENTO IXTERFASTICO DO XtCLEO
aploide è períeitamente noto. Yenne discussa la parte teórica dei problema
consistente nel íatto che nello studio statistico di nuclei in acere sei mento i valori
modali delle curve di frequenza corrispondono a pause dello accrescimento stesso.
U studio cariometrico degli elementi delia serie meiotica rivela una stret-
tissina correlazione tra volume e numero di cromosomi. Questa correlazione
pero é v-alida solamente per i valori modali, vale a dire per fasi omologhe dei
accrescimento nucleare. Xella serie meiotica questi íenomeni si manifestano
particolarmente chia ri non essendovi accrescimento interíasico in queste cellule.
Lo spermatogonio si comporta diíferentemente avendo un ciclo di mitosi
con accrescimento interíasico che si estende per un intervallo di duplicazione
dei genoma. Lo studio cariometrico di queste cellule mostra che vi sono tre valori
modali, uno corrispondente al valore diploide, l’altro a quello tetraploide e cor-
risponde alia proíase goniale. Tra questi due valori che limitano 1’intervallo di
duplicazione vi é una terza moda che in tutte le specie studiate è quella predo-
minante, ad un valore eattamente corrispondente ad un genoma di 3n coe 1,5
volte la moda diploide. Questa fase nella quale i nuclei dello spermatogonio si
íennano per una pausa durante 1’accre sei mento interíasico è stata chiamata
precedentemente dalFA. “sesquifase” ed è interpretata come il risultato delia
duplicazione indipendente e síasata nel tempo dei due genomi aploidi dei núcleo
diploide dello spermatogonio. Xon viene per ora chiarito con questo se i due
genomi corrispondono a cromosomi di egual origine gametica oppure se la dupli-
cazione prematura awiene in un “set" aploi de di cromosomi assortiti a caso ed
indipendentemente dalla loro origne gametica. A! tre interpretazioni pero sono
prospettate. Come conclusione fondamentale di queste ricerche risulta che il
núcleo interíasico cresce a cicli (“Rhytmische Wachstjm”) di Jacobj > e che i
volumi íinali di ogni ciclo corrispondono a valori multipli interi dei genoma aploi-
de il quale per cio si puo considerare come una unitã nel processo L duplicazione
che caraterizza 1’interíase.
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cm
7 SCÍEL0, 2.1 12 13 14 15 16 17
Mem. Jnst. Bu*ar.tan.
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67
Mea. IjLst- BatiaUa.
2#:I8M88, Dm.» 1947.
A- HOCE
181
XOTAS ERPETOLOGICAS
2. Dimorjismo sexual tios Boideos
por A. HOGE
(Do Laboratório de Ofiologia e Zoologia Módica, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
Desde muito tempo são conhecidas as variações a que estão sujeitos os
esporões pélvicos dos Boideos, variações estas ligadas ao sexo.
Boulenger. 1913, chama a atenção para este ponto “Spurs usually visible
extemally at least in males”.
Stickel & Stickel, 1946, mencionam dados não publicados de Blanchard sóbre
o dimoríismo sexual verificado nos esporões de Boideos Americanos.
Dwight, 1936, referindo-se aos esporões dos Boideos escreve “In thc male
of many spec : cs this structurc is a compara ti vely large, curved hook, whereas in
the females is itsoften reduced toa tiny homy projection (fig. 32). It is not konw
whetlier the hypertrophy of this structurc in males is correlated with the onset
of puberty, and thc material at hand is not extensive enough to determine this
by an examination of series of immature and adult specimens of both sexes”.
Stickel & Stickel, 1946, estudam a forma c o tamanho dos esporões no Etty-
grus em relação ao tamanho total c à maturidade sexual: "The spurs are pre-
sent in all males of the series. Thcy are well developpcd even in the ncwely
born (200-250 nuri. sizc group). Spur 0 are absent in all the juvenile females
studied. Spurs yrc absent in six of the nine females of mature size(l. 3. in 67
per cent). When spurs are present in females they are about half as long as in
the male snakes of similar total, length, and are more or less concealed by
the surrounding scales. The spurs of males are curved into a ho:k in females
the spurs are straighter and more uniformly tapered. The spurs of males do not
undergo a sudden growth at the onset of puberty. Instead, they are conspicuous
at birth, and inspection of the graph suggests that they developed gradually in
direct proportion to the growth of the snake in total length. The left and right
spurs are usually of the same -ize, but in either sex one spur may l>e as much
as twice as long one on the opposite side”.
Recebido para publicação etn 25-6-47.
182
XOTAS ERPETOLÓGICAS
Examinando exemplares de Constrictor constrictor constrictor (L. 1758), com
o Mm de verificarmos a ocorrência do dimorfismo sexual nos esporões, no:amos
ausência do ílio nos extmplare- fêmeas de serpentes desia espécie. O exame de
todos os exemplares da coleção do Instituto Butantan, veio confirmar a nossa
primeira observação.
MATERIAL E MÉTODOS
O material examinado consta de 52 exemplares conservados, sendo 22 ma-
chos e 29 -fêmeas. Além destes espécimes, examinam s vários txemplare» vivos,
a fim de podermos julgar das eventuais modificações, determinadas pela conser-
vação durante longo período de tempo.
Os esporões e ilios foram medidos por meio de um calibrador, permitindo
desta maneira maior exatidão nas medidas. Para a confecção dos gráficos tomamos
sómente em consideração as medidas da parte visível dos esporões, isto é. da
parte não recoberta pelas escamas, porque notamos que o dimorfismo sexual é
mais pronunciado em relação a e-ta medida do que em relação à do comprimento
total dos esporões. Quando havia diferença de tamanho entre o lado direito e
o esquerdo, tomavamos sempre em consideração a medida máxima.
Os ossos pélvicos cem os respectivos esporões for ni sempre que possiveF
tirad s do lado esquerdo, a fim de se deixar o outro lado intacto para futuras
observações ou verificações; em seguida eram medidos e montados em laminas
numeradas e fichadas.
RESULTADOS
Esporões — Podemos resumir da seguinte maneira as nos -as observações
sòbre os esporões pélvicos: o maior comprimento da parte visivel dos esporões
nos machos, ;sto é. da parte não recoberta pelas escamas, é devida não sómente
a um maior tamanho deste órgão, mas tamlxhn em grande parte à presença de um
ílio (fig. 1). que impele o esporão para fóra evitando que esteja parcialmente
ree berto pelas escamas vizinhas: em todos os machos os esporões estão presentes
e l>em visiveis, mesmo nos recem-nascidos; o crescimento dos esporões é prepor-
cional ao aumento do comprimento total da serpente, nã estando por conseguinte
o desenvolvimento dei.- ligado à puberdade; nos esporões das fémeas, quando
presentes, a parte visivel é rproximadam-.nte 3 vezes menor d que nos machos
de tamanhos correspondentes; nas fémeas os esporões não são aparentes na cla-se
de 500 a 10C0 mm : s valores encontrados r.os machos não se afastam muito da
linha de regretsão; nas fémeas a dispersão é muito maior ( gráfico 1) quanto
a forma, os esperões dos machos são mais recurvados do que os das fêmeas (fig.
1), o que concorda com as observações de Stickel & Stickel no Enycjrus.
Mero- Inst. Buüntan.
2»:1S1-18S. Dez.» 1947.
A. HOCE
1&3
Mo — O exame dos exemplares confirma a nossa priir.eira observação sõbre
a ausência do ilio nas fêmeas de Constrictor constrictor constrictor ( L ) .
O exame dos gráfic s pennite as seguintes conclusões: o ilio é completa-
mente inexistente em todos os exemplares examinados; em todos os machos es-
tudados o ilio é sempre presente e bem ossificado num único exemplar No.
7597, o ilio apresentava uma forma fibrosa)
£
o
9
?
Fic. I
O*»* pclricoi c c*porio de Conjírictor conitrü tor cvnstru L>r
I — ílio
P — t«ebioptibis
F — fetnur
E — c* porão
A regressão do comprimento do ilio sõbre o comprimento total da cobra
segue visivelmente uma reta até o tamanho de 2000 mm. Um exemplar de mais
de 2500 mm apresenta uma notável redução do tamanho do ilio em relação ao
■comprimento total (gráfico 2). Si consegmmos um grande número de exem-
plares dc Constrictor constrictor constrictor entre 2000 e 3000 mm poderemos
verificar si se tratou de uma disp.rsão maior nestes tamanhos ou st se trata de
uma curva de saturação ao invés de una re:a. razão (>ela qual de : xamos pelo
momento de fazer o estudo estatístico da curva.
184
NOTAS ERPETOLóGICAS
Lista dos exemplares de Coastrictor conítrictor constrictor (L)
A".* >w cot. l»it
Butanian
Procedência
10896
56S0
7495
Corrego Fundo, S. Paulo, Brasil
Sem procedência
Lins, S. Paulo, Brasil
Sapezal. S. Paulo, Brasil
Santa Lina. S. Paulo, Brasil
Araguary. Minas Gerais. Brasil ...
Santa Adelia, S. Paulo. Brasil
Malão, S. Paulo. Brasil
Saint Martin. S. Paulo, Brasil
Monção, Rio de Janeiro, Brasil
Oiti, S. Paulo, Brasil
Lins, S. Paulo, Brasil
Lins. S. Paulo, Brasil
Monção. Rio de Janeiro. Brasil
Itapetininga. S. Paulo. Bras:l
Santos, S. Paulo, Brasil ....
Piratininga. S. Paulo. Brasil
Continental. S. Paulo, Brasil
Ipanema. S. Paulo, Brasil
Vera Cruz, S. Paulo. Brasil
Ribeirão Preto, S. Paulo, Brasil
Pira j ui, S. Paulo, Brasil
Loreto. S. Paulo, Brasil
Passagem. S. Paulo, Brasil
Franca, S. Paulo, Brasil
Tapajós, Pará, Brasil
Porto Berrio, Colombia . . . . *
Monção» Rio de Janeiro, Brasil ... ...
Monlevade, S. Paulo, Brasil
Barretos. S. Paulo. Brasil
Lins, S. Paulo. Brasil
Maceió, Alagoas. Brasil
Maceió, Alagoas. Brasil
Toriba. S. Paulo, Brasil
Terenos. Mato Grosso. Brasil
Ribeirão Bonito. S. Paulo, Brasil
íguatemi, S. Paulo. Brasil
Sampaio Vida!. S. Paulo. Bnsil
Taunay, Mato Grosso. Brasil
Serpentário do Instituto B itLntan ....
Serpentário do Instituto Butactan
Canindé. S. Paulo. Brasil
Santa Adelia, S. Paulo, Bra«>l t
Pccatuba. Sergipe, Brasil
Serpentário do Instituto 3u*antsn
Serpentário do Instituto Butmtan
Trinidad?
Pernambuco (Estado), Brasil
Serpentário do Instituto Butantan .
Sorocaba. S. Paulo, Brasil
Sorocaba. S. Paulo, Brasil
São Fidelis. Ipuca. Rio de Janeiro, Bras.l
Sexo
Esporote
mm.
Compr.
total
mm.
Ms
mm.
6
0,8
480
3.8
ó
0,0
490
3.8
6
0.9
495
4,2
4k
O
0,7
500
5.7
2
0.0
510
0.0
ô
0.5
520
5.0
2
0.0
525
0,0
O
0,8
535
4,2
2
0,0
550
0.0
2
0.0
560
0.0
2
0,0
560
0.0
2
0.0
565
0.0
s
0.0
610
0.0
o
1,4
625
3.0 Quebrada
2
0.0
630
! o.o
S
1,4
645
4.S
2
0.0
650
0.0
O
1.1
645
5.0 Fibrosa
2
0.0
650
0.0
2
0.0
660
0.0
2
0.0
670
0.0
0
1.2
680
4.9
2
0.0
770
0.0
2
0.0
770
0.0
á
2.1
800
4.3
2
0.0
800
0.0
S
1.5
800
7.6
s
2.0
870
7.0
2
0.0
880
0.0
2
0.0
900
0.0
0
2.0
985
8.7
2
0.0
1010
0.0
2
0.0
1020
0.0
2
0.0
1020
0.0
2
0.0
1020
0,0
0
2,2
1170
14.2
$
2.1
1210
13.0
2
14
1270
0,0
5
3.1
1380
18.0
S
3,2
1400
20.8
2
0.6
1530
0.0
2
0.0
1540
0.0
2
0,5
1540
0.0
5
3,7
1545
18,7
S
4,0
1580
?
S
3.7
1590
23.5
2
0.0
1610
0.0
2
2.6
1690
0.0
2
1.3
1760
0,0
5
5.5
1960
26.5
2
1.5
2015
0.0
S
5.6
2670
23.5
cm
7 SCÍELO, 2.1 12 13 14 15 16 17
COMPRiMt NTO DOS espoaScs cu mm
A. HOGE
185
Moa. Isjt. Bomui,
i»:l$MSS, Dm.» 1947.
Gráfico I
—
•
•
. *
•
•
•
o
•
o
.
.
•:
>
to w
— i
.
1
•
500 OOO 1300 noo 1300
0 • <s COMPBWEMTO TOTAL Eu mm
**?
Esporões de Construtor constrictor constrictor
Gráfico II
•
.
•
•
•
•
■
••
v
300 OOO *300 MOO 1300
«- COUPBlUENTO total cm mm
Ilio de Conctrictor constrictor constrictor
5
186
NOTAS ERPKTOLÔC.ICAS
Como nos outros Boideos e íL ; o dá inserção a vários músculos. A contra-
ção destes músculos projeta o esjsorão para fora ficando d— ta maneira completo-
mente liberado das escamas vizinhas.
A mobilidade dos esporões devida à contrações musculares parece-nos mais
um argumento em favor da atuação dos e-porões, seja como fixadores, seja c mo
excitadores durante a copula.
Examinado alguns exemplares de Construtor construtor imperator (Daudin,
1803). Constrictor constrictor occidnitalis (Philippi. 1873), Constrictor constric-
tor nicxicanus (Jan. 1864), notam - também maior comprim.nto dos esporões
nos machos e a falta de ilio nas fêmeas, porém o número relativamente reduzido
d - exemplares não nos permitiu conclusões definitivas.
Gráfico III
o-- rf çovPSVCNTO TOTAL tu nn
•*9
Esporões de fíoa hortulanj hortulana
Examinamos também séries de Boa hortulana hcrtulana (L. 1758). Boa
hortulana cookii (Gray, 1842), Epicratcs cenchria ccnchria (L. 1758). Epicratcs
ccnchria crassus (Cope, 1862), assim como alguns exemplares de Boa canina
(L. 1758), e outros Boideos, não cbservamos a ausência de ilio nas fêmeas.
Possivelmente o exame de maior número de exemplares de-tas espécies e espécies
de gêneros afins confirmará a nossa impressão de tratar-se de um possível caracter
genérico.
Existem dimorfismo sexual seja quanto ao comprimento, seja quanto ao vo-
lume do ilio nas espécies onde as fêmeas são providas deste osso.
Xo que concerne o maior desenvolvimento dos esporões d s machos, o facto
parece -er geral para os Boideos. Damos a titulo de comparação um gráfico
mostrando a relação entre o comprimento dos esporões e o comprimento total cm
Boa hortulana hortulana (L.) (gráfico 3).
Meo. Iut. Butaman.
I81-1SS, tu, 1947.
A. HOCK
187
RESUMO
São aqui estudadas as relações entre o comprimento dos esporões e o com-
primento total em Constrictor constru tor constrictor (L. 1758), onde se demonstra
o marcado dimorfismo sexual.
É descrito como caracter sexual, a ausência de ilio nas fêmeas dessa mesma
espécie, com a provável generalidade do fenômeno no género Constrictor.
Depende a aceitação do fenómeno como caracter genérico do exame de maior
número de exemplares entre os representantes do género Constrictor e géneros
afins.
ABSTRACT
This paper deals tvith the reiation lietween length of spurs and total length
of Constrictor constrictor constrictor (L. 1758). The cxistence of marked sexual
dimorphism could lie shown.
Absence of the Ilium in females of this specics is descrilted as a sexual cha-
racter and the hypothesis pitll fonvard tha; this peculiarity is a possible generic
character for the Constrictor genus.
Further examina tion of large series of the various specics of the Constrictor
genus and related genus are necessarv in order to appreciate the stgnificancc of
this phenomenon as generic character.
7 . USA M M F. N FASSf NG
In vorliegender Arl>eit werden Beziehungen zwischen der I-aenge der N'a-
gelglieder und der totalen Laenge von Constrictor constrictor constrictor (L.
1758) studier und der atisgesprochene sexticlle Dymorphismo. dargelcgt.
Die Abwesenhett des Ilitints der Wcibchen der gleichen Spezies wird ais
Geschlechtscharavter l>esehriel>en und dieses Mcrkmal wird al» ein moegliches
generisches Merkmal. das allen Weilxjhen des Genus Constrictor zukommt, dar-
gesttllt.
Die Gewissheit tiieses generischen Geschlechtsmerknvales haeugt von der
Untersuchung und Ycrgleichung einer groesseren Anzahl von Tieren von der
Gattung Constrictor und anderen werwandten Gattungen ah.
BIBLIOGRAFIA
1. fíoulmger , G. ,-f. — The snakes of Europe. London, 1913. v. 11, pp. 369.
2. Dtríghl, E. D. — Courtship and mating bcliavior in snakes, Zool. Scr. Ficld. ifut. \ a l.
Hist.. 20:257-290. 1936.
3. Stickel. II . H. Gr Stickcl. L. /•. — Sexual dimorphism in the pelvic spurs of En\grus
Co feio. 1:10, 1046.
/
Mem. Inst. BuUnttn.
í*:189-192, Dm.* 1*47.
ALCIDES PRADO
189
NOTAS OFIOLÓGICAS
20. Descrição do alotipo dc Dryophylax ratilus Prado, 1942
roa ALCIDES PRADO
(Do Laboratório dc Ofiologia c Zoologia Medica do Instituto Butauton. São Paulo, Brasil)
A presente descrição já devia ter saido há inais tempo. Motivos vários
obrigaram-me a retardá-la, sem prejuízo, entretanto, de qualquer natureza, no
que respeita à sistemática.
Trata-se, ao que me parece, de uma boa espécie, a qual. agora completada
I>elo exame do hemipenis, separa-se perfeitamente de sua afim Dryophylax pal-
lidus strigUlis (Thunbcrg, 1787). É bem verdade que na primeira publicação,
seu relato firmou-se num exemplar que foi escolhido para tipo, c cm quatro outros
que foram considerados como paratipos. Mesmo assim, alguns caracteres foram
no presente melhor estudados, inclusive o da pupila, que é muitas vêzes de difí-
cil observação neste grupo dc animais.
Dryophylax rutiltis Prado
ô — Corpo cilindrico. Cabeça jwuco distinta do pescoço. Olho moderado,
com pupila elíptica-vertical. Cauda um tanto longa, com ponta afilada.
Rostral pouco mais larga do que alta, apenas visível de cima; jntemasais qua-
se tão largas quanto longas, mais curtas do que as prefrontais; estas últimas
também quase tão largas quanto longas; frontal quase 2 vezes tão longa quanto
larga, pouco mais longa db que sua distância da extremidade do fodnho. mais
curta do que as parietais ; loreal mais longa do que alta ; 1 preocular que atinge
a parte superior da cabeça ; 2 postoculares ; temporais 2+3 ; 9 supralabiais, 5.* e
6.* junto ao olho; 5 infralabiais em contacto com a mental anterior, que muito
mais desenvolvida do que a posterior. Escamas lisas, sem íossetas apicilares, em
19. \ 'entrais 134; anal dividida; sul «caudais 72. 72.
Recebido para publicação cm 1.® de julho de 1947.
1
190
NOTAS OFIOL6G1CAS
Colorido mais ou menos semelhante ao da fêmea: cinza-oiivácea c m cima,
com manchas negras parecidas com pingos de tinta, entremeadas de outras cla-
ras; cabeça da cor geral, porém com um traço negro lateral qu» vai do olho
atrás à comissura labial; lábios branco-airarelados, debruados de negro, e com
u’a mancha vermelha, orlada de negro externamente, sobre a parte posterior da
6. a iníralabial (7 a no tipo) ; partes inferiores amareladas, com uma barra aver-
melhada, guarnecida de pontos negros, em cada uma das margens das ventrais,
além de pontilhados negros medianos, em linha.
Hemipenis simples, capitato, com cálices abundante^ na porção apicilar, cerca
de do órgão (os cálices ocupam a metade apiciliar em D. pallidus strigilis ) ;
cálices arredondados, superficiais e semi-íranjados (mais profundos e impercep-
tivclmente franjados em D. pallidus strigilis ); sulco bifurcado; espinhos nume-
rosos na parte não calicuiada. aumentados gradativamente de tamanho de cima
para baixo, e e-parsos na p rção basilar (espinhos proporcionalmente maiores, e
os da porção basilar muito grandes em D. pallidus strigilis ).
Comprimento total 482 mm; cauda 135 mm.
Alotipo. adulto <J, sob o Xo. 10.563, na coleção do Instituto Butantan, S.
Paulo, Brasil. *
Pr cedência: Lauro Müller, E. F. Xorocste do Brasil, S. Paulo, com data
de recebimento: 12-10-1945.
RESUMO
Descreve-se o alotipo de Dryophylax rutilus Prado, 1942, espécie que foi,
na primeira publicação, considerada afim de Dryophylax pallidus strigilis (Thun-
berg, 1787), da qual parece separar-se perieitamente.
ABSTRACT
Description of tlie allotype of Dryophylax rutilus Prado. 1942, in a fonner
pap.r, this spedes was comidered german to Dryophylax pallidus strigilis (Thun-
berg, 1787) írom which it can l>e separated perfectly.
bibliografia
Prado , .4. — Ciência (México) 3(7) :2t>4. 1942.
Mem. Inst. Bufantas,
M 193-20’. Dm.* 1947.
H. HOGE
193
NOTAS ERPETOLÓGICAS
3. Uma noz-a csfccic dc Trimeresurus
por A. HOGE
( Do Laboratório de Ojiologia e Zoologia Medico do Instituto Bulanlan, S. Paulo, Brasil")
Ao examinarmos um lote de cobras procedentes d s arredores de Pau Gi-
gante, Espirito Santo, Brasil, foi a nossa atenção dc>per.nla pelo aspecto delgado
e colorido diferente de alguns exemplares de Trimcresurus. Um exame mais minu-
cioso indicou-nos tratar-se de uma espécie nova que dedicamos ao Dr. Alcides
Prado, Chefe da Secção de Ofiologia e Zoologia Médica do Instituto Butantan.
MATERIAL E MÉTODOS
O material que serviu para descrição da nova espécie consiste em 20 exem-
plares todos procedentes dos arredores de Pau Gigante no Espirito Santo, Brasil.
As medidas de comprimento do corpo foram feitas jor meio do metro co-
mum, enquanto as medidas das cabeças foram executadas por meio de um cali-
brador permitindo leituras da ordem dc 0.1 mm.
O comprimento da cabeça que usamos no trabalho é dado j>c!a distância
entre a extremidade do focinho e a porte posterior da mandíbula, e^ta medida
conforme já observou Klauber é praticamente igual ao verdadeiro comprimento
da cabeça do momento que se toma esta medida com um ângulo pequeno relati-
vo a linha mediana do corpo.
O estado de conservação dos exemplares não permitiu medidas muito exa-
tas. Para o estudo da regressão do comprimento da cabeça sõbre o compri-
mento do tronco Trimcresurus fradoi usamos o método dos minimos quadrados
e graduamos uma reta de equação Y = 3.635 — 0.0385 X com erro-padrão da
estimativa igual a 1.008. A propriedade de-ta adaptação é assegurada pelo
quociente F = 252,28 (para n t = 1 e n 3 = 17) entre a variança devida à
regressão e a variança residual.
Recebido j>ara publicação em 10 7-->7
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
194
NOTAS ERPETOI.OCICAS
O material que serviu para comparação dos caracteres é uma amostra de
T. atrox (L), infelizmente extremamente heterogenea. tanto quanto a proce-
dência quanto no que concerna o estado de conservação.
Graduamos também uma reta de regressão para esta espécie; Y = 4.2124
0,4354 X. Os hemipenis foram prqarados segundo a técnica corrente no Ins-
tituto ou seja, injetados com j>arafina quente depois de terem sidos de vagi nados,
e a base ligada.
Trimercsiirus pradoi, sp. n.
Descrição do holotipo : c, sob Xo. 10.603. na coleção do Instituto Bu-
tantan (fig. 1).
Rostral mais alta do que larga; nasal dividida; escama- da cabeça pequenas
e fortemente carinadas, em 10 séries entre as supraoculares que são grandes e
mais alongado, do que se observa em T. atrox (L) ; duas intemasais; cantais
bem desenvolvidas; duas postoculares ; uma subocular, separada das suprala-
biais por uma série de pequenas escamas; 7 supralabiais, 2." formando o bordo
anterior da fosseta lacrimal; poro nasal ausente; infralabiais 9-10 dorsais em
25 séries fortemente carinadas (carena alta e larga) : ventrais 203: anal inteira;
sul)caudais 63/63.
Coloração cinza-parda, com manchas escuras dispostas em forma triangu-
lar. separadas por um grupo de 10 manchas pequenas (fig. 2).
Ventrais largamentc maculadas de pardo-cinza escuro (fig. 5); suprala-
biais e lab ais fortemente manchadas de escuro. Uma estria escura do olho até
o canto da boca ; cabeça com um grupo de manchas apenas distintas.
Comprimento total .
Cauda
Cabeça
1110 mm
140 mm
39,3 mm
Procedência — Pau Gigante. Estado do Espirito Santo, Brasil
Remetente — Dr. Annibal Pereira
Descrição do alotipo: 9. Xo. 10.694 na coleção do Instituto Butantan.
HOGE
195
Mera. Inst. Butantan. H.
S®: 193-202, Dm.» 1947.
Fic. 1
Trimrrfjwrus praJoi, §p. n.
3
SciELO
10 11 12 13 14 15
XOTAS ERPETOLOGICAS
FiC. 2
Marcas dorsais dos adaltos dc T. pradoi
FiC. 3
Marcas dorsais dos jovens de T. pradoi
cm
Mem. Inst. Butantan.
2t: 193-202, Dm.* 19-C.
H. HOGE
197
Dorsais em 25 séries; ventrais 203; caudais 59/59. Colorido e desenho
iguais aos do holotipo porém as manchas ventrais um pouco mais claras (con-
servação ?).
Comprimento total. 845 mm
Cauda 110 mm
Cabeça 32,6 mm
Mesma procedência do que o holotipo.
Paratipos. SS No. 10.602, 10.605, 10.606, 10.608, 10.609, 10.610, 10.690
10.692 e 10.693
9 ç No. 10.599, 10.600, 10.601, 10.607, 16.611, 10.687. 10,688,
10.689 e 10. 691. Todos na coleção do Instituto Butantan. Procedentes de Pau
Gigante, Espírito Santo, Brasil.
Marcas dorsais — Dividimos as marcas dorsais em dois sistemas; um prin-
cipal e um acessorio (fig. 4).
Sistema principal
marcas paraventrais (D.)
marcas laterais (A.)
marcas marginais (B.)
marca adicional (C.)
As marcas laterais consistem em duas manchas dispostas cm triângulo nos
jovens (fig.3 ), íundindo-se nos adultos (fig.2) de maneira a formar marcas
trapezoidais, fundidas ou alternadas com ás do lado oposto. As marcas margi-
nais consistem em duas manchas colocadas na base das laterais e formando com
estas uma marca triangular.
Existe uma pequena mancha entre as laterais e as marginais (c.) que nos
adultos funda-se as vêzes com as duas laterais.
As para ventrais consistem em uma série de manchas que se alternam com
as marginais, ocupando a parte externa das ventrais, e a 1.* e 2.* série de dorsais,
estendendo-se ao longo de todo o corpo.
Sistema acessorio
marcas vertebrais (a.)
marcas paraventrais (b.)
marcas periféricas (c.)
Das marcas do sistema acessorio só duas são muito distintas, são as para-
ventrais, opostas ou alternadas. As outras manchas, vertebrais e periféricas
circundam as paraventrais e são menos nitidas.
5
Fic. 5
Desenho r entrai de T. pradoi
Cabeça — Estudando a regressão do comprimento da cabeça sôbre o com-
primento do corpo graduamos uma reta de equação Y=3, 635 -f- 0, 0385 X com
erro da estimativa = 1,008.
Parece-nos que Trimeresurus pradoi tenha cabeça menor que Trimtresunis
atrox (graf. I) ; porem, infelizmente, a amostra de T. alrox da qual dispomos é
extremamente heterogenea, tanto quanto a procedência quanto ao estado de con-
servação, não permitindo pois uma comparação satisfatória.
cm
SciELO
198 XOTAS ERPETOLOGICAS
Colorido — O colorido geral é parao cinzento não apresentando o aspecto
aveludado que se observa em T. atrox (L). O ventre é largamente maculado
de pardo cinzento (fig.5).
ne. 4
Esquema das marcas dorsais em 7*. pradot.
Mero. Inst. Butantan,
20: 193-202, Dm.» 1947.
H. HOGE
199
Lista dos exemplares de Tritncresurus pradoi.
N úmero
Sexo
J
Compr.
total
mm.
Corpo
mm.
Cauda
mm.
Cabeça
mm.
Escamas
dorsais
Escamas
ventrais
Escama
anal
Escamas
sub»
caudais
Observaçòcs
10603
ê
1110
970
140
39.3
25
203
1
63/65
holotipo
10694
9
845
735
110
32,6
25
203
i
59/59
alotipo
10602
3
970
830
140
35.3
23
193
1
65/65
paratipo
10605
3
1030
880
150
38.1
25
196
1
67/67
paratipo
10606
3
1010
875
140
36.3
25
198
i
69/69
paratipo
1060$
3
945
820
125
35,3
25
199
i
65/65
paratipo
10609
3
790
675
115
28,7
23
194
i
66/66
paratipo
10610
6
720
620
100
>
23
191
1
60/60
paratipo
10690
3
985
850
135
37,3
25
195
i
70/70
paratipo
10692
3
875
765
110
32,6
25
200
i
56/56
paratipo
10693
3
1040
905
135
37,8
25
194
1
63/63
paratipo
10599
9
1025
900
125
40,5
25
198
i
59/59
paratipo
10600
9
1145
1000
145
42.3
23
201
1
60/60
paratipo
10601
9
1190
1035
155
44.4
25
197
i
60/60
paratipo
10607
9
1150
1010
140
42.0
25
202
i
61/61
paratipo
10611
9
980
855
125
35.0
25
205
1
61/61
paratipo
10687
9
860
750
110
32.5
25
205
ii
60/60
paratipo
1068$
9
910
800
110
35,0
25
201
1
57/57
paratipo
10689
9
910
800
110 I
36,1
25
196
i
57757
paratipo
10691
9
925
815
110
24,4
25
207
ii
57/57
paratipo
Hemipenis (fig. 6) — Dividido; cálices arredondados, profundo., e franjados.
Espinhos bem desenvolvidos sendo os da parte póstero-basilar maiores.
A zona com cálices parece ser maior do que em T. atrox e os cálices são
mais profundos mesmo perto do ápice. Porem de maneira geral não se afasta
muito do hemipenis de T. atrox.
Escamas dorsais — Em Tritncresurus pradoi as escamas dorsais variam entre 23 e
25 para os machos e fêmeas, enquanto na espécie próxima T. atrox elas variam
7
'SciELO
Fic. 6
Hcmipenis de T. fradvi
200 XOTAS ERPETOLOGICAS
entre 23 e 33 sendo geralmente 25 nos machos (excepcionalmente 23) e 27 (ex-
cepcionalmente 33) nas fêmeas. Xos 20 exemplares de Trimeresurus pradoi as
escamas dorsais distribuiam-se da seguinte maneira: Machos; 3 indivíduos com
23 séries e 7 com 25 séries ; Fêmeas : 1 indivíduo com 23 séries e 9 com 25 séries.
Isto demonstra nítida predominância para o Xo. 25 e um dimoríismo sexual
sem significação, ao contrário do que se observa no atrox.
cm
COMPfllMlNTO DA CAOCÇA CM
Mem. Inst. Butanun,
It: 193-202, D «.• 1947.
H. HOGE
201
Ventrais — As ventrais variam de 191 a 203 nos machos e 196 a 207 nas
fêmeas.
Anal — Simples salvo no exemplar Xo. 10.687.
Diaynosc. — Uma espécie de Bothrups próximo a T. atrox (L) do qual
difere por ter uma cabeça menor, um corpo mais delgado, não apresentar di-
moríismo sexual nas escamas dorsais, a placa supraocokr mais alongada, pelo
colorido c desenho completamente diferente.
Hscamas dorsais 23-25, ventrais 191 a 207.
O colorido aproxima-se completamente do que -e observa nas T. neuwiedii.
RESUMO
Uma nova espécie de Tri mores urus. T rimeresurus fradoi. oriunda dos arre-
dores de Pau Gigante. Estado do Espirito Santo, Brasil é descrita. A nova
espécie é próxima de Trimcrcsurus atrox (L) da qual se distingue por ter o
corpo mais delgado; uma calieça menor; supraocular mais alongado, ausência
9
20 2
XOTAS ERPETOLOGICAS
de dimoríismo sexual no numero descamas dorsais, ventrais abundantemente ma-
culadas de pardo-cinzento escuro e um colorido e desenho aproximando-se do
das T.neuwiedii.
A ausência de formas intermediarias de um lado e a falta de B. atrox da
região não permitem de resolver definitivamente si se trata de uma espécie ou de
uma subspécie nova.
I
abstract
Description oi fi new species of Trimcresurus, “Trinicrcsurus pradoi" which
origiiiates from Pau Gigante, State of Espirito Santo, Brazil.
j !
The new species is nearest to Trimcresurus ajrox (L). from which it can fce
distinguished by a sljmmer body; smaller head; tile more elongated supraoculars ;
absence of sexual djmorphism of the dorsal scales ; ventral scales largely spotted
! with dark; a different pattern andjcolour not unlike that found in Trínteresuriis
tteteutiedii subspecies.
The missing of intennediate forms as well as the absence of B. atrox in
that region do not permit a definite conclusion. as to whether the saniple described
is a new e species or a new subspecies.
ZUSAM M ENFASSUNG
Beschreibung einer neuen Trimcresurus Species ‘'Trimcresurus pradoi” Fun-
dor Umgebung von Pau Gigante. Staat Espirito Santo, Bra:ilien.
Die neuse Sfiecies steht der Trimcresurus atrox nahe, von der sie sich durch
folgende Merktnale unterscheidet : Kleinerer Kopf ; schlankerer Rumpf ; lãngere
supraoculare Schuppen ; fehlen des sexuellen Dimorphismus der Rücken-schuppen ;
reichliche grauschwarze Tüpfelung der Bauch seite; von ãhlicher Zeichmmg wie
sie bei der Trimcresurus netaviedü zu finden ist.
Die mangelende Beobachtung von Zwischen-formen, sowie das Fehlen von
T.atrox der erwãhnten Gegend gesttat keine entgültige Entscheidung oh die
beschriebenen Exemplare einer neuen Species oder neuen Subspecies angehõrem.
BIBLIOGRAFIA
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tropical Pit-vipers. Contrib. Harvard Inst. Trop. Biol. & Med. 2: 1925.
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Meo. Inst. BcUntan.
2«:20J-21Í. Dei.» li*7.
F. \V. EICHBACM
203
POTENCIAÇÃO DA AÇAO VERMIÇIDA DO HEXYLRESORCINOL
POR DETERGENTES.
EXPERIÊNCIAS IN VITRO COM ASCARIS
DE PORCO
pó* F. \V. F.ICHBAUM (•)
(Do Laboratório de Bacteriologia do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
O efeito vermicida do Hexylresorcmol (Hr) é atirado em presença de de-
tergentes aniònicos. Rogers, examinando a ação antihelmintica do Hexylrcsordnol
contra o Nipposlrongylus muris, verificou um nitido efeito potcnciador do oleato
e laurato de sódio; a última substância era mais ativa que a primeira num pH de
6.5, fato este que o autor relaciona à maior atividade superficial do laurato. O
efeito atirante dos detergentes sobre o Hr. depende de uma concentração ótima
dos sabões, sendo que pequenas doses (0.01 — 0.02%, do oleato) reforçam a
atividade do Hr., doses médias (0.2-1%) inibim a sua ação e as doses acima de
1% têm já por si só um efeito vermicida. Estas observações estão de acordo
com os achados anteriores de Trim e colaboradores que verificaram que doses
baixas de oleato elevaram o grau de passagem do Hr. através da cutícula do
Ascaris lumbricoidcs, enquanto que concentrações altas reduzem a permeabilidade.
Estes trabalhos mostraram ainda “que o grau da penetração do Hr. está inti-
mamente relacionado à atividade interfacial da mistura sabão - Hr. A tensão
mínima da mistura Hr. - sabão é nitidamente abaixo da tensão dos seus dois
componentes, o que indica a formação de um complexo na interface’’.
O presente trabalho trata de experiências in -Atro sóbre a ação ascaricida do
Hr. em combinação com um maior número de detergentes. Incluímos entre
êstes também vários derivados do óleo de cajú, cujo alto valor detergente e efeito
vermicida foi demonstrado nas recentes publicações de Eichbaum, Leão e Eich-
baum. Uma outra parte do trabalho visava estudar o efeito de cálcio sóbre o
efeito atirante dos sabões. A presença dêste ion no intestino conduz à formação
de sabões de cálcio pouco solúveis, o que modifica nitidamente o poder ativante
(*) Estagiário.
Recebido para publicação em 10-7—*“.
1
Ofil POTEXCIAÇAO DA AÇAO VERMICIDA DO HEXYLRESORCIXOL
POR DETERGENTES
•dos detergentes, como conseguimos demonstrar também em nossas experiências
in vitro.
A técnica das nossas experiências in vitro permite uma dosagem mais va-
riada e exata dos vários reativos, obtendo-se os resutados de numerosas expe-
riências num tempo relativamente curto; a deficiência déstes testes reside princi-
palmente no fato que não se leva em conta a complexidade dos fatores inibidores
(muco, bile) ou favorecedores que podem interferir com a ação no intestino.
Os resultados obtidos in vitro permitem, porisso, concluir só com reserva sòbre
o provável efeito in vivo.
MATERIAL E MÉTODOS
Como material de experiência serviram áscaris de porco (Ascaris luinbri-
coidcs var. suis). Os vermes foram recolhidos dos intestinos de porco» recem-
mortos e eram reunidos imediatamente numa garrafa termos; levados uma hora
após ao laboratório, os verme» eram lavados em -alina fisiológica a 37' e distri-
buídos em béqueres de 250 cm 3 . Estes foram colocados em estufa a 37*, onde
permaneceram durante 3. no máximo 4 dias. com mudança diária da solução de
salina.
Tabfxa I
influencia do lemfo dc conservação sòbre a sensibilidade dos vermes ao ff cxytresorcinol (*)
Quantidade de Hexylresorcinol por 100 cm
de *ol. de Tyrode
Tempo d*
conservação
do» verme»
50
mg
25
mg
12.5
mg
5.0
mg
I
-i-
I
-f
I
+
Ml
+
24 hora»
ir
41*
27'
55*
84*
20 h
20 h
20 ti
45 hora»
26'
41'
J7'
4S*
73*
20 h
20 h
20 h
72 hora?
18*
49*
29*
71'
74*
20 h
20 h
20 h
96 horas
16’
45*
28*
73*
88*
20 h
20 h
20 h
Média
20*
44*
30*
62*
*0*
20 h
20 h
20 h
(*) — Os algarismos desta Talela representam o valor médio de * diferente» série* de
experiência» realizada» (Sobre a técnica exata destas experiência» cf. abaixo.)
I — imobilidade espontânea
-f* — morte
9
SciELO D
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
L
cm
206
POTENCIAÇÃO DA AÇAO VERMICIDA DO HEXYLRESORCIXOL
POR DETERGENTES
Foto 1
Banho maria com parcic anterior de vidro, permitindo a observação do» verme*
durante a incubação.
Após alguns minutos de permanência a 37 graus, juntavam-se aos diversos bequeres as
drogas cm teste.
A solução de Tyrode, como meio de suspensão foi escolhido na segunda parte de nossas
experiências por causa de sua maior semelhança aos liquidos do organismo e para estudar,
em particular, a influência do Ca sóbre a suposta ação ativante dos detergentes.
Para avaliar a ação vermicida de diferentes substâncias e combinações foram escolhidos
os seguintes critérios:
1. fim dos movimentos espontânees =
2. imobilidade total (morte)
todos os 4 vermes contidos num vidro-
Foram considerados “ mortos ” aqueles vermes que depois da parada dos movimentos
espontâneos não recuperaram a motilidade dentro de 30", quando re-suspensos numa solução
pura de água fisiológica ou de solução de Tyrode. Os vermes que recuperaram motilidade
sob estas condições foram recolocados na solução vermicida e as provas da “ imobilidade
total ” foram repetidas em intervalos de 15 em 15 minutos, no máximo. O tempo de
observação contínua extendeu-se no minimo a 4 horas. Uma segunda leitura final foi feita
após 20 horas. Todos os vermes cuja morte ocorreu entre 4 e 20 horas foram registrados
nas seguintes tabelas, como “ mortos em 20h " os que sobreviveram mais de 20 horas como-
“ morte oc ",
cm
7 SCÍEL0) 2.1 12 13 14 15 16 17
Mm. Inst. BuUatac.
it:20J-2l*. 194r
F. \V. EICHBAUM
207
1
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ISciELO
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cm
Tabela III
A(ao ascaracida in vitro de Hexytresorcinol, de detergentes e de combinaçBes Hexylresorcmul
+ detergentes
{Os m,j indicam a quantidade total da droga adicionada a 100 cm* de solnfdo de Tyrode )
IIEXVLRESORCINOL
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
morte
invibillct^dc ct)i<unUiH;4
M;in I r.sí. Butantan,
S*: ’03->18, I»^.* 1947.
F. W. EICHBAUM
209
Todo- os te-tes foram executados repetidas vezes (3 até 4 e mais vêzes)
com vermes de 24, 48, 72, raramente de 96 horas de conservação. Em cada
experiência foi incluido um controle com Hexylresorcinol (em várias concen-
trações) para verificar a sensibilidade dos vermes no respectivo dia. Os algaris-
mos marcados nas Tabelas II e III, representam os valores médios das diversas
experiências.
RESULTADOS
A — Ação vermicida do Hexylresorcinol, dc detergentes c de combinações
Hexylresorcinol -f- detergentes em água fisiológica a 0.85% c e>n
Solução de Tyrode
(cí. Tab. II c III)
Xáo foram incluídos nestas Tabelas os controles dc vermes suspensos cm água fisiológica,
os quais mantiveram uma boa motilidade espontânea por mais «le 20 horas; um resultado
igual foi obtido nos vidros, aos quais sc juntaram 1 ou 2 cm' dc álcool/IOO cm* dc água
iisiolõgica, (•) para controlar uma eventual influência do álcool nas tinturas dc anacardol
Ol. de caju, etc. Nem foram reproduzidos o- resultado', das cxi>criéncias com stearato c
palmitato de sódio, que cm nenhuma das concentrações usadas (6.25 — 50 mg/100 cm 1
XaCl.) (•) mostraram qualquer atividade vermicida intrinsica ou ação potenciadora sóbre o
I>oder anti-liclmintico do hexylresorcinol. Nas tabelas, os valores em parêntesis indicam
resultados discordantes numa série de experiências. Tòdas as discordâncias foram encon-
tradas só nas diluições mais altas do Hexylresorcinol, enquanto que nas concentrações médias
e fortes os resultados foram bem regulares (**)
1. Experiências cm água fisiológica (Tabela II)
O anacardato de sódio, cm quantidades dc 50 mg/100 enri XaCl fisiol.
(=0.5 mg/enri) possui tuna ação ascaricida intrinsica. causando unia “imobi-
lidade espontânea" dos vermes em ti: 100'. a morte cm cerca de 3 horas. O efeito
potenciador do anacardato de sódio sobre o poder vermicida do Hexylresorcinol
manifesta-se da maneira mais nítida, quando -e combinam doses fracamentes
ativas do Hr. (5. 0-12.5 mg) com várias concentrações do anacardato (cf.
(*) Ou solução dc Tyrode.
(•*) Quando, por exemplo, os resultados de 5 observações cm dias diferentes eram
os seguintes: Morte depois de 170', 190', 220' 20h, tiramos a media dos 3 primeiros valores
(= 193’), juntando em parêntese “ ( 2Uh ) " ; quando as mortalidades dc 20h eram mais
frequentes escrevemos ”20h (193’)”.
/
210
POTEXCIAÇAO D.\ AÇAO VERMICIDA DO HE.XYLRESORCIXOL
POR DETERGENTES
coluna Ille IV na tabeia II). Assim, por exemplo, 12.5 mg de Hexylresorcinol
imobilizam os vermes em 62' e matam-os em 20 horas; quando combinados com
25 mg de Anacardato de sódio (o qual por si só imobiliza os vermes apenas
depois de 20 horas) os vermes ficam imóveis já depois de 28' e morrem depois
de 51'. Com as doses maiores de Hexylresorcinol (25-50 mg), altamente ativas,
as diferenças no poder vermicida do Hexylresorcinol só e do Hexylresorcinol
combinado com Anacardato sódico são menos impressionantes. Um aspecto
semelhante oferecem também o óleo de cajú e seus derivados, a fração anácida
e o anacordol. Xota-se com todos êstes compostos (inclusive o anadarto de sódio)
um ligeiro efeito inibidor sôbre o poder vermicida do Hr., que se manifesta, aliás,
unicamente quando se combinam certas concentrações dos detergentes com as
doses mais altas (25-50 mg) de Hexylresorcinol. Esta inibição se refere exclu-
sivamente à imobilidade absoluta (morte), enquanto que quase todos os valores da
imobilidade espontânea indicam também nestes casos uma ação reforçada.
A inibição pelo ricinoleato, oleato e linoleato de sódio fica mais nítida quando
estes compostos são combinados com altas doses de Hr., verificando-se mais uma
vez também com estas drogas um efeito nitidamente ativador sôbre as doses baixas
e pouco atiras de Hexylresorcinol (5.0-12.5 mg). Entre estas três últimas
Tabela IV
Agua
fisiol.
Hexylresorcinol
Sol. álcool, a 5%
Detergente
PH
Poder ativador
do detergente
cm*
50
50
0.25cra* = 12. 5 mg
Ricinoleato de sódio 5 r c
6.4
7.1
—
50
0 . 2 5cm* = 12.5rog
0.25 cm* = 12.5 mt
Oleato de sódio 5%
7.5
++ — ++-
50
0. 25cm 5 = 12. Sm.;
0.25 cm 4 = 12. i mg
I.inoleato de sódio 1%
6.8
++
50
0. 25crn J = 12.5rn<
1.25 cm 5 = 12.5 ms
Anacardato de sódio 5%
6.75
+ + +
50
0. 25cm 5 = 12.5rog
0.25 cm* = 12.5 mg
Palmitato de sódio 1%
7.9
e
50
0.25c*» 5 = 12.5mg
1 .25 cm* = 12.5 mg
Stearato de sódio 1 %
7.5
©
50
0.25cm* = 12.5rag
1.25 cm* = 12.5 mg
Tintura de óleo de cajú 10%
5.S
-M + + +
50
0.25cm* = 12. 5m;
0.125 cm* = 12.5 mg
Tintura anácida 10%
6.2
-f 4- — -f -f- -f
50
0.25cra* = 12.5mg
>.125 cm* = 12.5 mg
Tintura de anacardol 10%
6.3
+ 4-
50
ü.25ctn* = 12.5mg
). 125 cm* = 12.5 mg
6.3
—
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
3[cm. Inst. Butar-tac.
I» 20J-21S, Dez.* 1947.
F. W. EICHBAUM
211
drogas o oleato de sódio tem o efeito potenciador mais forte ; ricinoleato, oleato,
linoleato de sódio não têm atividade vermicida intrínsica. nas dose> empregadas.
O poder ativador dos detergentes sóbre a ação vermicida do Hexylresorcinol
mão tem relação ao pH das diferentes soluções, como resulta da Tabela IV.
2. Experiências em solução de Tyrode (Tabela III).
Em contraste com os resultados das experiências em água fisiológica, o
anacardato de sódio em solução de Tyrode não possui mais atividade vermicida.
A fração anácida, anacardol e o ó'.eo de cajú retêm ainda uma ação vermicida
muito fraca. Xota-se que o anacardato sofre uma precipitação forte no meio
de Tyrode pela formação de sais de Ca e de Mg. o óleo de cajú uma precipita-
ção ligeira, a fração anácida e o anacardol não são praticamente alterados.
O anacardato de sódio tem um efeito ligeiramente inibidor sóbre doses
médias de Hexylresorcinol (25 mg) e nitidamente ativador sóbre doses menores
12.5 não se notando ação nítida em combinação com doses mais fracas de 5.0
mg de Hr. De maneira semelhante comportam-se o anacardol e o óleo de cajú
que talvez possuam um poder ativador algo maior. O tctrahydro-anacardato de
sódio, em solução de Tyrode inibe ligeiramente as altas doses de Hr., ativando-o
muito pouco nas diluições maiores (*)
Uma ação potenciadora bem nitida em tõdas as combinações com Hr. possui
a fração anácida (cí. colunas III e IV Tabela III), notando-se também aqui,
-como nos demais detergentes, um aumento de todos os valores em relação aos
obtidos em meio salino.
Ricinoleato. linoleato, stearato e palmitato de sódio formam cm sol. de
Tyrode um forte precipitado de sais de Ca e de Mg perdendo, assim, qualquer
efeito ativador sóbre o poder vermicida do Hexylresorcinol.
B — Ação sinergista do Anacardato de sódio c da fração anácida.
Xa primeira parte dêste traballto ficou demonstrado que o- vários derivados
do óko de cajú (conto o ácido anacárdico, anacardol. a fração anácida) têm um
efeito ativador sóbre a ação vermicida do Hexylresorcinol ; estas substâncias
possuem por si mesmas um certo efeito vermicida intrinsico que c mais pronun-
ciado no ácido anacárdico ( resp. no anacardato sódico) e no óleo de cajú,
quando estas substâncias são testadas em meio isento de cálcio.
(•) Por falta de quantidades suficientes desta droga fizemos os respectivos testes só
em meio de Tyrode. com omissão das provas em N*aCl fisioL
9
A(ão sincrgisla do Anacardalo de sódio e do fração anácida
Experiência cm á gua fisiológica (♦)
POTEXCIAÇAO DA AÇAO YERMICIDA DO HEXYLRESORCINOL
POR DETERGENTES
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(*) Tõdai *« morte» c|ue ocorreram entre !</, e 20 hurai aAo rcgiatraila» crnno *( + ) 20
I =3 imobilidade espontânea
-f- =a morte
214
POTENCIAÇÃO DA AÇAO VERMICIDA DO HEXYLRESORCINOL
POR DETERGENTES
Interessava ainda saber si os vários componentes do óleo de cajú — que
é constituído de quantidade variáveis de ácido anacárdico (50-90Çé) e da fração
anácida (cardol -j- anacardol) — têm entre si mesmos um efeito sinergista.
A Tabela V, que registra os resultados obtidos em meio salino, mostra
uma nitida supremacia da mistura artificial de doses equilibradas do anacardato
de sódio + fração anácida, em Comparação com doses correspondentes de
óleo de cajú. Assim imobilizam 25 mg de Xa anacardato -f- 25 mg da fração
anácida os vermes em 85', enquanto que 50 mg de óleo de cajú produzem o
mesmo efeito só depois de 150'.
A ação sinergista do anacardato de sódio -j- fração anácida fica ainda mais
nitida em sol. de Tyrode (Tabela VI); neste meio o anacardato é desprovido
de qualquer ação vermicida intrinsica, a fração anácida e o óleo de cajú pos-
suem-na só num grau muito reduzido. A combinação de anacardato e da fração
anácida. porém, revela uma atividade superior, não somente àquela de seus dois
componentes, como também à do óleo de cajú.
Conclui-se disso que a mistura natural de ácido anacárdico e da fração
anácida, como -e encontram no óleo bruto, ainda não representa a relação óti-
ma de seus componentes, quanto ao efeito vermicida. U'a mistura artificial de
seus dois componentes em proporções equilibradas alcança um efeito nitida-
mente superior.
C — Influcnóa dc muco sôbre a atividade vermicida do H exylrcsorcinol
c de combinações Hexylresorcinol -f- detergentes.
O muco exerce um nitido efeito inibidor sôbre o poder anti-helmíntico do
Hexylresorcinol (Rogers).
Para verificarmos si a adição de um detergente ao Hexylresorcinol é capaz
de vencer esta inibição, realizamos uma série de experiências em que juntamos
um muco vegetal (de um Hibisco, vulgo “Quiabo”), na proporção de cerca de
O.SJc à solução de Tyrode. Fóra disso, a técnica destas experiências corres-
pondeu à descrita anteriormente.
Comparava-se nestas experiências a atividade vermicida do Hexylresorcinol
só com o poder antihelmintico do Hr. associado à fração anácida.
A próxima Tabela VII é uma condensação de várias experiências dêste
tipo, em meio de Tyrode.
12
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
-Mra. Inst. Eutantan.
I» 203-218, Dm.* 1947.
F. W. EICHBAUM
215
Tabela VII
I
+
1 . Hexylreiorcinol
25 m.-
23*
75"
I i= imobilidade ctpontànca
2. HexyIre*orrinol
25 «n;
38'
110*
o- — morte
-f- muco
3. Fraçáo anácida
50 mz
20 h
X
4. Fração anácida
50 m*
20 h
X
-f muco
S. Hexylresorcinol
25 m«
20*
78'
4 * Fração anirida
6. Hexylrejorcinol
5C mç
25 n»{
30'
«8*
-J* muco
4 - fraçlo anácida
50 mf
Conclusões : a) o muco diminui a ação venuicida oo Hexvtresorcinol 1) ) nas
doses empregadas a fração anàcida não revela efeito ativador sóbre o Hcxjl-
resorcinol ; c) a presença de muco pouco enfraquece a atividade das combinações
Hexylresordnol + fração anácida: a associação de-tas duas drogas em meio
mucoso, produz um efeito mais forte do que o Hexylresorcinol cm meio mucoso
(Tubo 2). Resultados análogos foram obtido? nas misturas de Hexylresorcinol
com tintura de óleo de cajú.
RESUMO
1.*) O presente trabalho confirma os resultados de Trira c Roger- que
demonstraram uma ativação do efeito venuicida de Hexylresorcinol por deter-
gentes. Este efeito ativador depende de certas relações quantitativas, verifi-
cando-se que a combinação de altas doses do detergente com altas doses de
Hexylresordnol cau-a em certos casos uma ligeira inibição do efeito anti-hel-
mintico (do Hexylresordnol). enquanto que doses baixa<. quase inativas desta
droga são fortemente ativadas pelos detergentes em várias concentrações.
Em meio salino o óleo de cajú (sob fórma dc tintura), como também os
seus derivados: o anacardato de sódio, o anacard 1. a “fraçãn anácida" (com-
posta de u'a mistura cardol 4- anacardol) revelaram um alto efeito potenciador
sóbre o Hexylresorcinol. Entre todos os detergentes testados o anacardato e a
fração anácida possuiram o efeito ativante mais pronunciado. A ação poten-
ciadora do óleo de cajú e a do anacardol era aproximadamente igual a ação do
oleato de sódio; o linoleato e o ricinoleato de sódio mostraram-se algo menos
ativos O palmitato c o -tearato de sódio praticamente não influiram sóbre a
ação vermicida do Hexylresorcinol. Nota-se ainda que o anacardato c o óleo
1.5
91A POTENCIAÇÃO DA AÇAO VERMICIDA DO HEXYLRESORCIXOL
^ POR DETERGENTES
de cajú possuem um nítido eíeito vermicida intrínsico. a fração anácida e o
anacardo! só em grau muito diminuido.
A atividade vermicida do Hexylresorcinol em meio salino e em solução
de Tyrode não mostra diferenças significantes ; por outro lado o oleato, o rici-
noleato e o linoleato de sódio são precipitados neste meio como sais de cálcio
e magnésio e perdem com isso quase completamente a sua ação potenciadora.
Contrário a isso, o anacardato de sódio, que fica também precipitado em
. meio de Tyrode continua exercendo um nitido efeito potenciador, apesar do
fato desta substância perder completamente o seu eíeito vermicida intrínsico.
A fração anácida, em meio de Tyrode, age ainda mais forte do que o anacarda-
to: a tintura de óleo de cajú e o anacardo! tem um efeito aproximadamente
igual - ao anacardato. O tetrahidro-anacardato de sódio tem um efeito ativador
muito fraco.
Para compreender a diferença entre os sabões dos ácidos graxos, que são
inativados em meio de Tyrode, e os derivados de óleo de cajú, que mantém uma
certa atividade convem lembrar das fórmulas que mostram no ácido anacárdico
COOH
C, s H*/\OH
u
Acido anacardico
Fração anacida
2 grupos hidrofílicos (um carboxílico e um fenólico), no cardol e anacardol,
dois e um grupo fenólico, respectivamente.
Aparentemente o grupo fenólico é só pouco desionizado no meio de Tyrode,
garantindo desta maneira a persistência da ação potenciadora -õbre o poder
vermicida do Hexylresorcinol. Na fração anácida que é a mais rica em grupos
fenólicos êste efeito ativador (em meio de Tyrode) é melhor conservado.
2) Confirma-se a observação de Kogers relativa a ação inibidora de muco
sôbre o poder anti-helmintico de Hexylresorcinol. A combinação de Hexylre-
sorcinol -f- detergente (fração anácida. óleo de cajú). em meio mucoso, tem uma
atividade só ligeiramente diminuída.
3) A combinação de doses inativas de anacardato de sódio com doses
fracamente ativas da fração anácida. em meio de Tyrode. produz um efeito si-
nergista. manifestando-se ipor um ppdcr vermicida mais nítido. Isso talvez
indique de novo a importância dos grupos fenólicos na ativação de certos anti-
helminticos.
Cu Hr /\OH
\/
OH
Cardol
Cu Hr /\OH
u
Anacardol
14
Mero. Inst. Butinus.
2#: 203-218. Dei.» 1947.
F. W. EICHBAVM
217
O óleo de cajú crú. que é constituído de u’a mistura “natural” de ácido
anacárdico e da fração anácida, não representa o “ótimo” possível quanto à
sua atividade vermicida; u’a mistura artificial de seus dois componentes em
proporções equilibradas alcança um efeito vermicida nitidamente superior.
abstract
This paper confirms the findings of Trim et al., and Rogers conceming
the activating potency of anionic detergents upon the vermicidal activity of
Hexylresorcinol. This activating effect depends on certain quantitative rela-
tions between detergente and Hexylresorcinol, since the combination of high
dosis of Hexylresorcinol with high doses of detergents produces, in some ins-
tances, a certain inhibition of the vermicidal effect. whereas médium or small
doses of Hexylresorcinol, which are practically devoid of any vermicidal power,
are strongly activated in prcsence of detergents at various concentrations.
Tincture of Cashew nut shell oil, as well as its derivatives: sodium ana-
cardate, anacardol and a mixture of cardol -j- anacardol (=“anacid fraction”)
display a high potenciating effect on Hexylresorcinol, when tested against As-
caridi suspended in saline solution. Sodium anacardatc and the "anacid frac-
tion” are somewhat more active tlian the two other mentioned substances.
The potenciating effect of cashew nut oil and anacardol was about the
same as that of sodium oleate: sodium ricinoleate and sodium linoleate were
slightly less active, when combined with Hexylresorcinol in high dilutions,
sodium palmitate and sodium stearate practically did not modify the vermi-
cidal activity of Hexylresorcinol.
Sodium anacardate and cashew nut oil possess a fairly strong. intrinsic
vermicidal power, anacardol and the anacid fraction only to a very limited
extent.
In Tyrode’s solution, which contains Calcium and Magnesium íons, the
simple soaps (Xa oleate, ricinoleate. linoleate) are deprived of any potencia-
ting affect on Hexylresorcinol, due to the formation of unsoluble Ca and Mg
salts. On the contrary, cashew nut oil and its subproduets retain their poten-
tiating effect, although to a lesser degree than in physiologic saline solution.
Among these substances, the potenciating effect of the anacid fraction was the
most pronounced; cashew nut oil, sodium anacardate have a somewhat lower
activating effect on the vermicidal j>ower of Hexylresorcinol, in a Ca containing
médium.
15
oio POTENCIAÇÃO DA AÇAO YERMICIDA DO HEXYLRESORCINOL
POR DETERGENTES
In Tyrode's solution, sodiuni anacardate is practically devoid oí any in-
trinsic vermicidal activity. whereas anacardoi, the anacid fraction and cashew
nut oil retain still a slight vermicidal power. The persistence oi the activating;
influence of Xa anacardate. anacardoi, cashew nut oi] and the anacid fraction,
even in a Ca containing médium, is probably related to the presence of non-
desionized free phenol groups; consequently the two substances that contain
the highest number of free phenol groups sc. the anacid fraction and cashew
nut oil possess the highest activating influence on Hexylresorcinol in Tyrodes
solution.
2. Rogers’ observation that mucus mhibits the anthelmintic activity of
Hexylresorcinol is confirmed. The vermicidal power of a combination of
Hexylresorcinol with detergents (anacid fraction. cashew oil) is only slightly
reduced in a mucus containing médium.
3. Inactive doses of Sodium anacardate when combined with inactive
doses of the anacid fraction, in Tyrode’s médium, produce, by a synergistic
mechanism, a di-tinct vermicidal tíffect. This points once more to the possi-
ble importance of the phenolic groups for the enhancemcnt of the vermicidal
activity.
Crude cashew nut oii whieh consi-ts of a natural mixture of anacardic ac : d
+ the anacid fraction, possesses only a slight vermicidal activity in TyrodeV
solution : the natural proportion of its both constituents does not represent the
‘‘possible optimum" as to the vermicidal activity ; an artificial mixture of both
coniponcnts in equilibrated ] roportions achieves a much higher vermicidal cffect.
All experiments refered tb in this abstract were perfomed on ascaríds (. ír-
ca r is luuibricoidcs var. suis).
bibliografia
1. F.ichbaum, F. II'. — Bidogical properties oí Anacardic acid (< -penta decadicnyl salicylic
acid) and related ccmpounds. .l/cm. Inst. fíulantan. 19:69-134. 1946.
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16
Metn. Inst. Butantan.
W:219-2_’6. !)«■• 15-sr.
L. MILLER DE PAIVA
219
OVÁRIO E ADREXAL. SUAS RELAÇÕES COM A ALIMENTAÇÃO
E COM O BEXZOATO DE ESTRADIOL
por L. MILLER DE PAIVA
(Do Laboratório de Endocrinologia, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
O ovário, como toda a glândula de secreção interna, reflete o estado fun-
cional do organismo. Já se sabe de longa data que existem distúrbios ovarianos
consequentes a distiirbios gerais, como acontece nas infecções graves, nos estados
caquéticos, na insuficência supra-renal, etc.
A inter-relação das adrenais com as gõnadas tem sido salientada pelos se-
guintes fatos: as corticoesteronas e os hormônios sexuais possuem a mesma
estrutura química; o$ animais grávidos resistem melhor a adrenalectomia ; a
progesterona mantem em vida o adrenalectomizado ; na gravidez a córtex au-
menta de volume; o período inter-men>trual humano se encurta com a adminis-
tração de desoxicorticoesterona : os extratos cortfcais produzem a maturidade
sexual precoce; as anomalias sexuais produzidas por tumores corticais e ainda
a mesma origem embrionária densas duas glândulas acentuam as relações entre si.
Em 1928. Lyman (1) observou que a adrenalectomia. cm ratas brancas, fa-
zia suprimir o ciclo estral. Del Castillo (2) observou sómente um alongamento
dos ciclos (6 e 7 dias) e achou que a j-upressão era consequência do mau estado
geral dos animais, pois quase todos èles morriam poucos dias após a operação.
As ratas viviam um mês e até um ano quando apresentavam adrenais acessórias.
Em consequência desses resultados e devido aos trabalhos recentes (3. 4, 5)
sôbre a manter.ça em vida de animais adrenoprivos e sóbre a restauração da fun-
ção gonadotrópica pela dieta cloretada, fomos induzidos a estudar a função
ovariana cm relação á adrenal. É nossa intenção pois, neste trabalho, mostrar
como se comporta o ciclo estral em relação com a adrenalectomia uni e bilateral,
com a alimentação rica e pobre em cloretos, assim com.o com a sensibilização
das células queratinizadas ao benzoato de estradiol, também em relação á
alimentação.
Recebido para publicação em 17-7-47.
1
•X>n OVÁRIO E ADREXAL. SUAS RELAÇÕES COM A ALIMEXTAÇAO
E COM O BENZOATO DE ESTRADIOL
MATERIAL E MÉTODOS
Empregamos neste trabalho 48 ratas adultas, repartidas em 4 lotes:
A) 23 com adrenalectomia bilateral.
B) 10 com adrenalectomia unilateral.
C) 5 castradas-adrenalectomizadas e injetadas com Benzoato de Estradiol.
D) 10 castradas e injetadas com Benzoato de Estradiol.
Nos 3 primeiros grupos a alimentação variou periodicamente na quantidade
•de cloretos. Em todos os lotes fazíamos esfregaços diários pelo método clás-
sico. Utilizavamos para isso uma pequena alça de arame fino e torcido, reti-
Ta vamos o conteúdo vaginal e fazíamos um esf regaço em lâminas que era corada
pela hematoxilina eosiija e logo em seguida levada ao microscópio para a leitura.
As ratas eram pesadas de dois em dois dias. Ficavam em dieta rica em
cloretos ( + ) durante 30 a 35 dias, sendo que no primeiro dia. sofriam adre-
nalectomia unilateral ou bilateral.
Em um segundo período, usavamos o regime para adrenoprivos (dieta po-
bre em cloretos) (-( — [-) e com êle permaneciam de 22 a 32 dias. para retornarem
a dieta do reforço, rica em cloretos. Em 15 ratas, primeiro deixámos em dieta
pobre de cloretos, depois rica e finalmente pobre em cloretos.
Em todos esses períodos os esfregaços vaginais eram feitos diáriamente e
as ratas pesadas de dois em dois dias. Nas ratas castradas injetavamos Ben-
zoato de Estradiol em dóse de 10 U. I. diárias. As leituras dos esfregaços e
do peso corporal foram transportadas
nos gráficos numerados.
( + + ) DIETA DE
ADREXOPRIVOS
(+> DIETA RICA EM CLORETOS
POBRE EM
CLORETOS
Fubá
65%
Fubá
Farinha de alfafa
10%
Farinha de alfafa ...
10%
Farinha de carne
10%
Farinha de carne
10%
Caseína
4%
Oleo de cação
5%
Caseina
Fermento de cerveja cm pó
2%
Fermento de cerveja
3%
Mistura de sais (sal de cozinha 20g.,
lactato de cálcio 8.. carbonato de
magnésio 8g„ cit ferro 2g.,
Lugol lOg., farinha de osso 2Kg.
4%
SciELO
9
N *•
Men. Iast. Butantan.
2t: 219-2 26, D«z.* 1947.
L. MILLER DE PAIVA
221
Grafico I
Cariai Pondcra.l á« 1} ato Gciultai Qdrt fiopnirttl
a)
Grafico II
Ciclo Estral de tratas Qdrtnoprurai ern Relação d fl li-rnentação
Serie 3
CLirenolect omia
Raíit
MV
riorrnaw* : Dieta. Qvca
crn Clorato» D*eta Pobre Clorcfo»
Dieta Pica «rn Cloreto»
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?'>') OVÁRIO E ADRENAL. SUAS RELAÇÕES COM A ALIMEXTAÇAO
E COM O BENZOATO DE ESTRADIOL
Grafico III
CurLro.s Ponderoí» de Peda» CXeLultai Qd. rtnopi-^»
(S.r.e B)
Grafico IV
Ciclo Estral cie Ratas
Qdrenopru/as em Relação à CLUmcataoão
Serie 2
Çld renal «etc m »a.
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«** .
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Cloreto 5
Dieta
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em Cloreto»
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• • • •
•
•
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43
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23
25
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2 3
23
15
( ?.u r i*i Cl)
23
43
4 1
4
Mfm. I nst. Buíantan.
29: 219-226. Dm.* 19*7.
L. MILLER DE PAIVA
223
RESULTADOS
Os gráficos 1, 2, 3, e 4 nos mostram que as ratas normais apresentam
pêso pouco variável e estro de 4 a 6 dias. Uma vez em adrenalectomia bila-
teral e deixadas em dieta pobre em cloretos (Gráfico 1-3) elas perdiam o pêso
paulatinamente e permaneciam em diestro (a maioria delas) ou com estros es-
paçados. Das 48 ratas faleceram 8 nos 8 primeiros dias.
Quando operadas e deixadas em dieta de reforço (Gráfico 3 e 4), os estros
espaçavam-ise. porém não perdiam o pêso corporal. Uma vez em dieta de adre-
noprivos a maioria definhava. As ratas que não perdiam ou perdiam pouco
pêso corporal e com estros periódicos pouco espaçados, apresentavam fragmen-
tos de adrenais acessórias (Gráfico 1 e 4).
Com o retòmo do regime rico em cloretos, a* funções se recuperavam em
parte; o* estros tornavam-se cíclicos e os animais aumentavam de pêso.
A diminuição ou supressão dos estros parece dar-se por intermédio da
hipófise, porque segundo Martin (6), no regime acioretado. há diminuição da
produção do hormônio gonadotrópico verificado peto transplante hipoíisário
(a hipófise implantada não produz ovulação nem estro e suas células apresen-
tam-se degeneradas: diminuição das granulações, do aparelho de Golgi e rever-
tem-se para cromófobas).
Os adrenalectomizados unilateralmente não modificavam o ciclo estral tanto
na dieta rica como na dieta pobre cm cloretos, sendo que nesta perdiam pêso
discretamente.
Del Castillo (7) observou que a estrona produzia estro permanente em
ratas castradas; porém, dq/ois de certo tempo, as células vaginais cansavam de
responder a estrona, tornavam-se nucleadas e acompanhadas de leucócitos. Para
sabermos se a alimentação cloretada tinha influência na resposta vaginal aos es-
trogénios, utilizamos 10 ratas castradas e injetadas com 10 U. I. diárias de
Benzoato de Estradiol. Após 20 dias começamos a observar um cansaço na
resposta á estrona pelo aparecimento de células nucleadas e leucócitos. A ali-
mentação rica ou pobre em cloretos não influenciou no resultado.
Di Paola (8) (9) observou que a adrenalectomia sensibilizava a resposta
á estrona. Em ratas adrenoprivas. a estrona em pequenas dóses produzia
estros permanentes. Xós utilizamos 10 dessas ratas castradas e injetadas com
Benzoato de Estradiol que apresentavam cansaço vaginal e fizemos a adrenalec-
tomia; o resultado foi o ajxirecimento da queratinização. Isso nos leva a crer.
o
•>9 4 OVÁRIO E ADREXAL. SUAS RELAÇÕES COM A ALIMEXTAÇAO
— E COM O BEXZOATO DE ESTRADIOL
mais uma vez, no antagonismo entre os estrogênios e os hormônios androgêni-
cos da córtex da adrenal.
Essas mesmas ratas deixamo-las em seguida, primeiro em dieta rica e de-
pois em dieta pobre em cloretos. Todas elas continuaram a permanecer em
estro. Isso mostrou que a alimentação cloretada não influiu na resposta va-
ginal aos estrogênios, e, portanto, a desoxicorticoesterona não parece ser causa-
dora do cansaço vaginal e sim outro corticóide.
CONCLUSÕES
1. *) A adrenalectomia unilateral não altera a função ovariana.
2. *) A adrenalectomia total em regime rico em cloretos faz espaçar a
número de estros.
3. *) A adrenalectomia total, em regime pobre em cloretos, suspende a
função ovariana ou escasseia o número de astros além de diminuir sensivelmente
o pêso corporal dos animais; as funções se recuperam em parte com o retorno
do regime rico em cloretos.
4. ) Em alguns casos de adrenoprivo o número de estros e o pêso
corporal pouco variaram devido a restos de adrenais ou a adrenais acessórias.
5. ') As células vaginais cansam de responder queratinizadamente as dóses
continuadas de Benzoato de Estradiol, porém a adrenalectomia faz retomar a
queratinização continua.
6. *) A alimentação cloretada não influiu na resposta vaginal ao Benzoato
de Estradiol.
RESUMO
O autor estuda, em ratas adultas, as relações entre os ovários e as adre-
mais por intermédio da adrenalectomia, da ooforectonva e pela administração
do Benzoato de Estradiol. Conclui que a adrenalectomia unilateral não altera
a função ovariana, ao passo que a bilateral, em regime pobre em cloretos, sus-
pende ou escasseia o número de estros e em regime rico, faz espaça-los. A
adrenalectomia faz retornar a queratinização continua em ratas castradas e in-
jetadas com Benzoato de Estradiol. Neste caso a alimentação rica ou pobre
em cloretos não exerceu qualquer influência.
SciELO
6
Mera- Inst. Butactan,
29 : 219*226, D «-• 1947.
L. MILLER DE PAIVA
22o
ABSTRACT
The relation between ovaries and adrenals was studied, in adults rats, by
adrenalectomy, ooforectomy and estradiol benzoate administration.
The unilateral adrenalectomy does not bring alterations to the ovarian func-
tions; but bilateral adrenalectomy, in rats in adrenoprive diet, brings a stop or'
a decrease in the mumber of oestrus and in a rich chloride diet delays its
frequency.
The return of the continue keratinization wa« observed by the adrenalec-
tomy of the ooforectomizcd rats injected wuh estradiol ; in this case the diet
did not show iníluence.
Agradecimentos — Os nossos agradecimentos ao Prof. Dr. J. Ribeiro
do Valle pelo estímulo e orientação na execução deste trabalho.
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cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Metn. Inst. Butar.ian,
2# : 227 - 232 , Dei* 19«7.
JANDVRA P- DO AMARAL 4
PAULO M. G. DE LACERDA JR.
227
ESTUDOS SÔBRE A VACINAÇAO AXTITIFICA
1 . Vacinação pelo método dc Felix
por JANDYRA P. DO AMARAL & PAULO M. G. DE LACERDA JR.
(Do Laboratório dc Bacteriologia do Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil)
A clássica vacina antitiíica. um dos mais antigos processos de imunização,
tem sido profundamente modificada pelos trabalhos de Felix (1) que chamando
a atenção para o pequeno interes^ imunológico dos anticorpos flagelares, ve-
rifica o valor dos antigenos O, e muito essencialmente do antigeno Vi, nas pro-
vas de proteção contra a infecção tifica experimental. Como o antigeno Vi só
é encontrado em culturas virulentas e é termolabil, Felix institui uma técnica
de preparo de vacina com amostras virulentas de B. tificos mortos e preserva-
das nelo álcool, de maneira a reter intacto o antigeno Vi.
Em seus trabalhos êle prova ainda, (2) que empregando este tipo vacina
consegue-se produzir u'a imunidade satisfatória e com o mínimo da reação,
usando-se apenas duas dóses de 0.25 e 0.5 ml, portanto, com um número muito
menor de germens do que com a clássica vacina morta pelo calor e preservada
pelo fenol, da qual eram necessarfas 3 dóses de 0,5-1, e 1, ml.
Sabemos que o poder protetor da vacina tifica pode ser avaliado por três
métodos: —
1) pela imunização ativa de camundongos;
2) pela imunização de coelhos e provas posteriores para a verificação do
aparecimento dos anticorpos 0 e Vi ;
3) pela dosagem do- anticorpos 0 e Vi no soro de indivíduos vacinados.
O 1.* método citado, imunização ativa de camundongos, é o menos sensi-
vel, servindo unicamente, se negativo, como prova de seleção impugnando uma
vacina.
Por qualquer um dos outros métodos, porém, é possível avaliar mais ou
menos seguramente o poder protetor duma vacina tifica.
Recebido para publicação em 17-7-47.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
2">g ESTUDOS SOBRE A VACIXAÇAO ANTIT1FICA
~- No piesente trabalho foram estudadas as possibilidades, em nosso meio,
do emprego da vacina Vi de Felix, sendo referidos os resultados das dosagens
realizadas em 213 indivíduos vacinados.
A vacina por nós usada, (*) segundo a técnica original de Felix, teve como
prova preliminar de seleção a dosagem em camundongos, que, sendo inoculados
com 500 milhões de germens, mostraram proteção contra 500 a 1000 D. M. L.
de bacilos tificos.
Estas provas obedeceram á técnica aconselhada por Longíellow & Luip-
pold (3).
material e métodos
rrcparação da vacina: — A amostra usada Ty2, bastante enriquecida em
antigeno Vi por várias passagens em camundongos, foi cultivada em garrafas
de Roux com agar simples, sendo o crescimento de 24 horas a 37.* lavado com
20 ml de solução fisiológica. A cada 20 ml da suspensão de germens adicio-
naram-se 60 ml de álcool absoluto. Tal suspensão bacteriana, que continha,
pois, 75% de álcool foi conservada em frascos bem arrolhados e ao abrigo da
luz durante 2 a 3 dias, agitando-se diversas vezes durante este periodo. A
seguir, foi feita a decantação do álcool sobrenadante e o volume primitivo foi
recomposto com novo álcool a 75%, preparado com 60 horas 'de antecedência.
Nesta 2.* fase a suspensão foi conservada na geladeira. Finalmente foi feita
a diluição da solução mãe dos germens com solução fisiológica adicionada de
22% de álcool jxira 1000 milhões de germens por ml.
Verificação da imunidade e eficiência da vacina: — Foram vacinados por
via subcutânea 211 indivíduos com 2 dóses da referida vacina, sendo a 1.* de
0,25 ml e a 2 * de 0,5 ml ; o intervalo entre as 2 injeções foi de 8 dias, sendo
que estas dóses foram administradas indistintamente para homens e mulheres.
No intervalo entre as dóses vacinantes e ainda até 10 dias após a última
dóse, verificou-se apenas em poucos casos ligeira reação local e raramente uma
reação geral forte. Em uma média de 2% se apresentou ligeira reação tér-
mica, dores locais e nauseas. Foi encontrado com frequência no local da ino-
culação da vacina ligeiro nódulo que, porém, se reabsorveu sem maiores con-
sequências.
(*) Vacina preparada por um dc nós (P. L.).
->
Mçm. Imt. Butantan.
Z» .227-232, Dm." 19C.
JANDYRA P. DO AMARAL S
PAULO M. G. DE LACERDA JR.
229
Destes 211 pacientes, 88 eram operários e estudantes e 123 doentes mentais
do Hospital do Juquery, S. Paulo. No primeiro grupo, isto é, nos indivíduos
não hospitalizados, não íoi feita sangria preliminar para a verificação das aglu-
tininas já existentes no sôro; cremos porém que esta prova poude ser compen-
sada de maneira satisfatória pelos dados seguros fornecidos pelos pacientes
de não terem jamais contraído febre tifóide. Nos restantes 123 indivíduos
hospitalizados íoi feita uma sangria preliminar que, pondo em evidência os
anticorpos já existentes, supriu a falta de dados anamésicos seguros para estes
doentes mentais. Em 113 pacientes deste 2.* grupo foi feita uma sangria 10
dias após a última dóse de vacina, sendo o sôro separado e guardado em gela-
deira para se procederem ás dosagens, «empre depois de 48 horas.
A dosagem do antigeno 0 foi executada com amostra "0 901”. A incuba-
ção foi feita em banho maria a 45.*, sendo a leitura realizada 20 a 24 horas
após. Para a pesquisa do antigeno Vi foi usada a amostra Bhatnaçar ; a leitura
foi feita após incubação em banho maria a 37.*, seguida de permanência dos
tubos por 20-24 horas em temperatura ambiente.
A leitura dos títulos aglutinantes foi baseada na maior diluição que apre-
sentou aglutinação visível a olho nú.
RESULTADC6
Nossas verificações sóbre os anticorpos 0 c Vi foram realizadas, assim
para 2 grupos distintos: — um primeiro grupo para o qual não íoi feita san-
gria preliminar e um segundo lote com sangria inicial e final.
Julgamos, porém, que poderiamos instituir para o 1.* grupo como ponto de
comparação o índice médico geral de aglutinimas 0 e Vi existentes nos indivíduos
normais.
Nossas observações indicam que em 80 dos casos se encontra um titulo
aglutinante inferior a 1/20 e que apenas em 4 casos (cerca de 55c), observou-
se titulo superior a 1/80. Quanto a> aglutininas Vi, jamais foram encontradas
em titulo igual, ou superior a 1/20. A tabela I indica com detalhe os titulos
iniciais encontrados.
Nossos resultados estão mais ou menos em relação com os de Macedo Leme
e Carrijo (4) que indicaram uma porcentagem de 18,69 de indivíduos com
titulos de 0 a 1/20 e de 3,34 para titulos iguais ou superiores a 1/80. Se com-
pararmos estes titulos aos apresentados pelos pacientes do 1.* grupo 10 dias
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
230
ESTCDOS SOBRE A VACIXAÇAO AXTITIFICA
após a vacinarão, chegaremos á conclusão que, apesar de indiretamente, a com-
paração se torna simples poi* os dados são claros e absolutamente concludentes.
Tabela I
Títulos de aglutininas 0 e Vi cm indivíduos não vacinados.
aglutininas
1
<
1
1
1
1
1
1
Total
20
20
40
80
160
320
640
o
99
9
10
4
—
—
■ 1
123
Vi
123
—
—
—
—
—
—
123
Não se pode negar o poder protetor da vacina pois os titulos finais são
notavelmente superiores. É o que se pode apreciar na tabela II.
Tabela II
Titulos de aglutininas 0 c Vi nos indivíduos vacinados c que não sofreram sangria inicial.
1
1
i
i
1
1
1
1
aglutimrus
< —
—
—
—
—
—
—
Tocai
20
20
40
80
160
320
64i)
1280
0
•
20
23
17
8
1
—
ti
Vi
4
i
10
20
25
16
8
4
ti
O anticorpo Vi que se apresentou em 100/c dos pacientes com titulo abaixo
de 1/20 se mostra extraordinariamente aumentado, pois sómente em (4,5/c dos
mesmos se comporta como na tabela I ; o indice maior de aglutininas aparece
acima de 1/80 e abaixo de 1/320) O mesmo se observa para as seguintes
aglutininas 0, onde a porcentagem de 80.4 para titulos abaixo de 1/20 é redu-
zida a 7.
Para o segundo grupo de pacientes, cujas comparações foram realizadas
diretamente pelas sangrias inicial e final, a mesma sequência se verifica, havendo
uma grande diminuição dos titulos negativos, com consequente aumento dos
titulos mais aitos, para o anticorpo 0. e sempre com maior intensidade para as
aglutininas Vi. É o que se pode verificar com detalhe na tabela III.
4
Meta. Inst. Butantan.
29 :227-232, Dez.* 1947.
JANDYRA P. DO AMARAL a
PAULO M. G. DE LACERDA JR
231
Tabela III
Titulo de ailutininas 0 c Vi nos indrPíduos t acinados e que sofreram sangria inicial
1
1
1
i
1
1
i
1
aglutininas
<
20
20
40
80
160
320
640
1280
Toul
0 í
13
28
30
22
11
3
—
113
Vi
9
3
18
38
25
14
3
3
113
A tabela IV nos dá uma ideia da imunidade conferida pela vacina duma
maneira mais nitida, isto é, pela relação entre o número de soros e o aumento
de títulos entre a 1.* e a 2.* sangria.
Tabela IV
Relação do aumento do titulo fara aglutininas 0 e Vi entre a l. a e a 2. a cangria
Sem alteração
pore. de titu-
porc. de Mu*
Agluti*
ninas
i
<—
20
1
20
2.X
4X
8X
10X
ou
+
Toul
Io* não alte-
rado*
lo* pelo me no*
duplo* ao* ini*
dai*
o
‘ i
2
18
33
26
28
92.9
VI
9
—
3
18
37
46
1,3
92.1
Nossa tabela é altamente encorajadora pois Felix em seus trabalhos (2) já
computa como titulos Yi significantes depois da vacinação, aqueles que se mos*
traram duplamente aumentados, acréscimos portanto bem inferiores aos en-
contrados por nós.
De nossas observações resulta portanto a conclusão que com uma vacina Vi
perfeitamente preparada já com duas dóses pode-se obter um indice porcentual
imunitário bastante satisfatório contra a febre tifóide.
O temor que parece existir para alguns, sôbre as fortes reações gerais ou
locais em virtude da maior concentração de germens por ml. parece infundado,
pois não verificamos nada mai. do que sempre se esperou sôbre reações vaci-
nais: — uma certa porcentagem reduzida de indivíduos com constituição mais
cm
SciELO
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232
ESTUDOS SOBRE A VACIXAÇAO ANTITtFICA
V
sensível, apresentando reações locais ou gerais sem grande importância e que
sempre desapareceram em 24-48 horas.
RESUMO E COXCLUSÕES
Foi estudado o poder protetor da vacina tífica preparada pela técnica de
Felix.
Pela vacinação de 213 pacientes íoi verificada a inocuidade da vacina que
só produziu reações locais e gerais fortes em pequena porcentagem.
No local da inoculação quase sempre se formou um pequeno nódulo que
porém se reabsorveu sem maiores consequências.
Foi verificado que duas injeções de 0.25 e 0,5 ml. respecth amente são su-
ficientes para estimular a formação dos anticorpos 0 e Vi de maneira altamente
satisfatória.
abstract
The protective power oí a typhoid vaccine, prepared according to Felix's te-
chnique, has been studied on a total of 213 patients. Apart from local reac-
tions and violcnt general reactions, in a small percentage of inoculated persons,
the vaccine caused no serious harmfu! reactions.
In almost every case, a small nodule formed at the site of inoculaíion,
which however disappearcd completely after a few days.
It could be shown that two vaccine injections of 0.25 and 0,5 ml respective-
ly are suffident to stimulate the formation oí 0 e Vi antibodies to a satisfac-
tory height.
bibliografia
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1:391-395, 1941.
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Mem. Inst. Butanton, 17:121, 1943. •
6
Man. Inst. Butantin.
20:233*282, Der.* 1947.
W. BCCHERL
233
ESTUDO COMPARATIVO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DO
GÉNERO PAMPHOBETEUS POCOCK. 1901 (MYGALOMORPHAE)
POR W. BCCHERL
(Do Laboratório dt Zootogia Médica do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
Entre as* Thcraph osinac do Brasil chama mais atenção o género Pamphobcteus
Pocock, 1901, em primeiro lugar porque pertence a este género a grande maioria
das caranguejeiras, principalmente do Estado de São Paulo e depois porque os
caracteres morfológicos que. separadamente ou cm conjunto, foram aproveitados
pelos especialistas na sistematização específica dos exemplares deste género são
sujeitos a variações tão amplas, que se toma praticamente dificílimo senão im-
posssível, classificar com exatidão a espécie a que pertence determinado indivíduo
deste género.
Existem, nos trabalhos realizados por especialistas nacionais e estrangeiros,
algumas falhas hasicas comuns que devem ser apontadas como responsáveis pela
confusão sistemática dentro deste género : —
1) a escassez de exemplares e a consequente ausência de dado$ compara-
tivos sobre o valor especifico deste ou daquele caracter morfológico;
2) o fato de terem sido descritas espécies novas quase sempre apenas com
fémeas, ignorando os próprios autores os respectivos machos.
Assim Ausserer (1), em 1871, descreve como espécie nova a Pamphobcteus
isabellinus, com habitat no Estado do Rio de Janeiro, baseando sua descrição
apenas num único exemplar, uma fêmea.
Em 1S80 foi descrita a segunda espécie brasileira, a Pamphobcteus bettedenii
( Lasiodora bettedenii), por Bertkau (2), baseada igualmente apenas numa fêmea.
Em 1923. C. de Mello-Leitão (3), estabeleceu nada menos de 12 espécies
novas, descrevendo igualmente apenas uma fêmea para cada espécie, sem refe-
rir-se a machos. São as seguintes as espécies novas do referido autor:
Recebido para publicação era 30-7-47
SciELO
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cm
234
ESTUDO COMPARATIVO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DO
GÉNERO PAMPHOBE T E CS POCOCK, WH < UVGALOMORPH&)
Pamphobetcus platyomma fémea.
Pamphobcteus rondouicnsis fémea.
Pamphobetcus roseus • fémea.
Pamphobetcus sorocabae fémea.
Pamphobetcus melanoccphalus fémea.
Pamphobetcus ccstcri fémea.
Pamphobetcus cucullatus fémea.
Pamphobetcus tctracanthus fémea.
Pamphobcteus holophaeus fémea.
Pamphobetcus cxsul fémea.
Pamphobcteus insularis .... fémea.
Pamphobcteus anomalus sem indicação do sexo.
Finalmente, a fauna brasileira deste género foi enriquecida ainda com novas
espécies por S- de Toledo Piza Jr. e por B.M. Soares.
O primeiro (4) descreveu como espécie nova a Pamphobetcus piracicabensis,
baseando-se em 9 exemplares, todos fémeas. O autor, infelizmente, não se
libertou das normas costumeiras na apreciação dos caracteres morfológicos, mas
como que antevendo sàbiamente o pouco valor sistemático, principalmente do
tamanho, da distância e da posição dos olhos e do número e posição dos espi-
nhos das pernas, ele termina a descrição da espécie acima, dizendo:
“Todos esses caracteres, usados também na diagnose das outras espécies, são
aqui, conforme pude constatar pelo exame de 9 exemplares, sujeitos a variação,
de maneira que é possive! que o número de espécies de Terafosoidéas desse e
de outros géneros venha a reduzir-se, quando se conhecer melhor a amplitude
dessas variações.”
Mais tarde, o mesmo autor (5) descreve como novos a Panphobeteus mus-
eu! tis 1 macho só e a Pamphobcteus co mm unis 14 machos.
Também estas descrições foram terminadas p« lo autor com as -eguinte, pa-
lavras: “Do exame que procedi nos 13 paratipos desta espécie, muito frequente
em Piracicaba, pude. mais uma vez, constatar as variações, a que estão sujeitos os
caracteres, levados em conta na definição das espécies o que muito compromete
a segurança do conceito de espécie relativamente à aranhas. Assim, os olhos
anteriores podem ser equidistantes, como podem os médios ser mu to pouco mais
afastados entre si que dos laterais. O tamanho também varia, podendo-se mos-
trar quase iguais. Os olhos laterais anteriores e posteriores podem distar apenas
um quarto de diâmetro. A fóvea torácica pode ser direita ou procurva e as
sigilas estemais curtas e largas. As tibias I podem ser muito espinhosas e a
apófise apical esterna provida de um forte dente esterno. A apófise mterna
pode ser destituída de dente. A tíbia dos palpos pode ser armada de 2-2-2-1-1
espinhos internos”.
Em 1944 S. de Toledo Piza Jr. (6) descreveu ainda as seguintes espécies
novas :
Mem. Inst. BattnUn, W. BCCHERL ->sç
Í#:2JJ-2Í2, Dei.* 1947.
Pamphobttcus mus fémea.
Pamphobelcus cefhalophoeus fémea.
B. M. Soares (7) estabeleceu, seguindo da mesnia forma os critérios apon-
tados pelo prof. C. Mello-Leitão, as seguintes espécies novas:
Pamphobeteus urbanicolus iémea.
Pamphobctcus ypinngcnsis 3 machos.
O bem avisado e prudente autor conclui, à pagina 267: "O critério ado-
tado deverá ser este, até quando se puder, com segurança, obter as variações
possíveis dentro destas espécies, pelo exame de grande número de exemplares.
Julgo que, diante dos estudos feitos pelo prof. Toledo Piza nos 13 exemplares
de P. communis Piza e em P. piraeicabensis Piza, todas as espécies brasileiras
deste género virão algum dia a ser reunidas em. apenas, duas ou três".
C. Mello-Leitão tem o mérito indiscutível de ter lançado as bases sistemá-
cas para a especificação das migalomorías brasileiras. Entretanto, justamente
no tocante ao género Pamphobeteus, o autor certamente dispôz de material deficien-
te quantitativamente, a impossibilitar um estudo comparativo, mais aprofundado,
das variações.
Xa caracterização géncrica. por exemplo, o autor diz que, nos machos os
metatarsos se dobram “sobre o ápice” da apófise iníero-estema c, algumas pa-
ginas depois, lê-se ... "os metatarsos se flexionam entre as duas ápoíiscs
apicais”.
Ainda na descrição genérica de Pamphobeteus lemos: “Olhos anteriores
pouco desiguais, equidistantes, em linha bem procurva Laterais posteriores
menores que os anteriores — Metatarsos dos dois primeiros pares de pernas
com escópulas que vão ter à base do segmento; os do terceiro par com escópulas
em cerca de dois terços apicai- ; os posteriores com pequenas escópulas apicais”.
"Xa caracterização especifica, porém, e já na chave sinótica das então 13 espécies
brasileiras o mesmo autor se afasta sensivelmente do que ele mesmo diz, ser
genérico, atribuindo aos olhos, às escópulas metatarsais, às dimensões das pernas,
etc importância específica.
O próprio autor, porém, ainda que tenha apenas tido fémeas para a sua chave
sinótica, chama-lhes de “muito aí fins”.
Vejamos, agora, os caracteres morfológicos que foram tomado* pelos refe-
ridos autores como essenciais para a criação de espécies novas.
Consideremos, em primeiro lugar, a extensão da área ocupada pelas escó-
pulas metatarsais dos quatro pares de pernas. Tendo realizado medições das
escópulas dos metatarsos em 142 exemplares, distribuídos para 5 espécies de
Pamphobeteus, chegamos ao seguinte resultado invariável:
a) Metatarsos do primeiro par de pernas escopulados quase até a base;
cm
SciELO
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236
ESTUDO COMPARATIVO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DO
GÊNERO PAMPHOBETEUS POCOCK, 1901 (MYCALOUORPHJE)
b) Metatarsos do segundo par de pernas escopulados igualmente até a
base ou. muito raras vezes, um pouco menos;
c) Metatarsos do terceiro par de pernas escopulados nos dois terços api-
cais (raras vezes apenas na metade apical) ;
d) Metatarsos do quarto par de pernas apenas com pequenas escópulas na
ponta do ápice.
Em vista destes resultados conferimos as espécies novas dos citados três
autores, reunindo as conclusões na seguinte tabela:
Espécie
de
Pampkobeitus
Áreas ocupadas pelas escópulas dos metatarsos das pernas
!.• par
de pernas
2.* par
de pernas
3.* par
de pernas
4.* par
de pernas
flatyomma
até a bote
até a bate
2/3 apicais
apicais
bmrdcnn ....
até a bate
até a base
2/3 apicait
apicais
ronJoniensis .
até a bate
até a bate
2/3 apicais
apicais
roseus
até a bate
até a base
2/3 apicait
apicais
sorocaba* ....
até a bate
até a bate
2/3 apicait
apicais
tnrlanocepkaJus
até a bate
até a base
2/3 apicais
apicais
isabellinus . . .
até a bate
até a base
2/3 apicait
apicais
ctsttri
até a bate
até a base
2/3 apicais
apicais
cucullatus ...
até a bate
até a bate
2/3 apicait
apicais
trfracanthus
até a bate
até a base
2/3 apicait
apicais
bolophaen* . . .
até a bate
até a base
2/3 apicait
apicais
exsnl ........
até a base
até a base
2/3 apicait
apicais
íHsuIaris .....
não consta
{■tracicaítnsu .
até a bate
até a bate
2/3 apicait
apicais
musculus ....
até a bate
até a bate
2/3 apicait
apicais
commnnts ....
não consta
até a bate
2/3 apicait
apicais
nrbamcolns
até a base
até a bate
2/3 apicait
apicais
ypirangtnsis .
não consta
anomalus ...
até a bate
2/3 apicait
metade
apicais
mus .
até a bate
ctphúlofhant .
até a bate
até a base
2 3 apicait
apicais
4
M ca I r.st. Buuntac,
2# : 233-282, Dez.* 1947.
W. BCCHERL
237
Ressalta, pois, do esquema que estes dados se repetem em todas as espé-
cies do género Paniphobetcus, não convindo, assim, às escópulas metatarsais
nenhum valor especifico, mas, no máximo, apenas importância genérica.
Vejamos, em segundo lugar, a conformação morfológica do cômoro ocular
e dos olhos.
Já S. de Toledo Piza e B. M. Soares dão a este? característicos um valor
específico muito relativo, senão nulo, como já assinalamos, referindo-nos aos
estudos destes dois colegas. Seja declarado aqui, desde logo, que os termos:
“Olhos anteriores em fila procurva, muito procurva. pouco procurva ou ainda
muito pouco procurva. de maneira que uma linha tangente à borda anterior dos
médios passa pouco adiante do meio dos laterais ou no meio dos laterais ou
ainda um nada atrás do meio dos laterais”, são absolutamente insuficientes e
provavelmente até sem valor genérico. De fato, como temos auferido de me-
dições e comparações do número de exemplares referido, estes dados variam
não sómente de espécie em espécie, mas de indivíduo para indivíduo, segundo
o método de apreciação do especialista. Variam ate mesmo num indivíduo, em
que, muitas vezes, os olhos de um lado são de tamanho muito diferente dos do
outro lado do cômoro ocular.
Para certificar-se melhor destes fatos, basta coordenar os seguinte? dados:
O cômoro ocular dos Patnphobetens, mais ou menos adultos, tem o com-
primento médio minimo de 1,4 mm por um comprimento médio máximo de 2,4
mm e uma largura média mínima de 2,0 mm e largura média máxima de 2,9
mm.
Para estes comprimentos e estas larguras, que. portanto, variam muitíssimo,
temos a considerar ainda a existência de três planos diferentes 6c alturas do
cômoro ocular, a saber:
a altura da posição dos olhos laterais;
a altura da posição dos olhos médio? anteriores;
a altura do ponto mais elevado do cômoro ocular, atrás dos olhos médios
anteriores.
Estas três alturas são: para os olhos laterais de 0.2 minimo até 0.35 má-
ximo ; para os olhos médios anteriores de 0,4 minimo até 0.6 mm máximo ; para
a maior elevação do cômoro ocular de 0,7 mínimo a 1,1 mm máximo.
Portanto, nos diversos níveis de elevação há novamente uma enorme va-
riação. Isto significa que, si o especialista, ao considerar a posição dos olhos
cm
SciELO
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">38 ESTUDO COMPARATIVO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DO
GÉNERO PAUPHOBETEUS POCOCK. 1901 (M YGALOMORPHJE )
t
(da fila dos olhos anteriores) por meio de uma lupa, conservando a aranha em
posição estritameme horizontal sobre a platina, obterá, ao medir a linha dos
olhos, um valor completamente diferente do que. quando a aranha é ligeiramente
levantada anterior ou posteriormente. Estes valores já se apresentariam dife-
rentes, mesmo quando os olhos de cada espécie fossem rigidamente iguais entre
si ; mas como os olhos variam também em tamanho, e>-es valores resultam tão
diversos que são simplesmente, como dissemos acima, “insuficientes especifica
e genericamente”.
Quanto ao cômoro ocular de Pamphobeteus há a salientar que representa
uma elevação subcircular, em cujo meio há uma nova alevação, que atinge o
máximo de altura atrás do, olhos médios anteriores e posteriores, com o campo
visual a abranger os lados da aranha.
Os olhos médios posteriores repousam em plano horizontal (mais ou me-
nos) da primeira elevação, tendo seu campo visual para cima e para trás.
Os olhos médios anteriores, íinalmente, se encontram nas bordas da segunda
eltvação, com campo visual para a frente, para cima e para os lados anteriores.
Os olhos médios anteriores são sempre redondos e apresentam um tama-
nho mínimo de 0,4 e máximo de 0,6 mm. Os olhos laterais anteriores são ora
ovais, ora quase redondos, geralmente, porém, redondos na frente e angulosos
atrás e apresentam um diâmetro longitudinal médio mínimo de 0,5 e máximo de
0,8 mm e um diâmetro horizontal médio mínimo de 0,3 e máximo de 0,6 mm.
Os olhos laterais posteriores apresentam, na maioria dos casos, a mesma forma
dos laterais anteriores e os mesmos diâmetros, podendo, porém, ser ainda um
pouco menores que os laterais anteriores. São geralmente redondos atrás e
angulosos na frente. Seu diâmetro médio mínimo, na direção longitudinal, é
de 0,3 mm e o médio máximo de 0,8 mm, com 0,3 a 0,6 de diâmetros horizon-
tais mínimos e máximos respectivamente.
Os olhos médios posteriores apresentam, muitas vezes, forma irregular, po-
dendo, no mesmo animal, variar em tamanho e forma (num lado pode haver
completa fusão entre o ólho médio posterior e lateral posterior e no outro lado
não), até ovais, elipsoides, angulosos atrás, meio quadrados com cantos redon-
dos ou ainda de contornos absolutamente irregulares, mas sempre com diâmetro
longitudinal maior do que o horizontal (0,2 a 0,7 mm diâmetro longitudinal
mínimo e máximo; 0,1 a 0,4 diâmetro em sentido atravessado).
6
Mim. Inst. Botailtan,
2»:2.U-2Í2, Dei." 1947.
W. BfCHERI.
239
Das medidas acima sòbre o cômoro ocular e os olhos se infere:
1 ) que a curvatura da fila dos olhos anteriores não pode constituir caracter
específico seguro, pelo menos não no gênero Pamphobeteus ;
2) que o tamanho, a distância entre os olhos anteriores, médios e laterais
e entre os laterais anteriores e posteriores e ainda o tamanho e a distância doj
médios posteriores variam extremamente, não sómente dentro da mesma espécie,
mas até no mesmo indivíduo, sendo estas variações tão amplas que, si se qui-
zes?e atribuir importância específica a estes caracteres, qualquer exemplar de
Pamphobeteus poderia ser posto sob qualquer espécie do mesmo gênero.
Chegamos a estas conclusões depois de termos conferido os cômoros ocula-
res e os olhos de:
55 exemplares de P. sorocabae (35 fêmeas c 19 machos) ;
42 exemplares de P. rosens .... (37 fêmeas e 5 machos):
38 exemplares de P. tetracanthus (25 fêmeas c 13 machos) ;
21 exemplares de P. cesteri (13 fêmeas e 8 machos) ;
7 exemplares de P. rondoniensis (?) (7 fêmeas )•
No mesmo exemplar o? olhos da direita podem ser menores do que os da
esquerda como pode o olho médio posterior estar unido, num lado, ao lateral e,
no outro lado, separado.
Em exemplares diferentes, mas da mesma especie. os olhos laterais poste-
riores ora são iguais, ora menores ou maiores (o último caso é raro. mas existe
igualmente) do que o» laterais anteriores. Os olhos médios anteriores ora são
maiores, ora são iguais, ora menores do que os laterais (devendo-se tomar em
consideração que os médio, são sempre redondos, muitas vezes, porém, circun-
dados de um anel que facilmente é confundido com a quitina do cômoro ocular,
— enquanto que os laterais nunca são completamente redondos, ma, tlipsoides
ou angulosos no lado posterior de maneira que a apreciação objetiva da diver-
sidade de tamanho entre estes olhos é estremamente difícil. Esta dificuldade
é ainda aumentada pelo fato, já exposto, de estes olhos se encontrarem em
níveis de altura e posição completamente diferentes).
Os olhos médios posteriores ora são duas e meia vezes menores do que os
laterais posteriores ora são quase iguais em tamanho a estes.
cm
SciELO
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240
ESTUDO COMPARATIVO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DO
GÊNERO PAMPHOBETEUS POCOCK, 1901 (MYGALOMORPH£)
O próprio cômoro ocular, na mesma espécie, varia em comprimento, largura
e nas alturas podendo ora ser quase duas vezes mais largo do que longo, ora
apenas um pouco mais largo do que longo. Nunca, porém, é completamente
redondo.
Julgamos, pois, poder concluir com toda a segurança que a conformação
morfológica do cômoro ocular e a disposição dos olhos não formam igualmente
nenhum caracter morfológico especifico no género Pamphobeteus.
Insistímos nestas comparações, porque nos trabalhos sistemáticos dos di-
ferentes autores, principalmente na chave sinótica de Mello-Leitão se dá grande
importância especifica aos olho. e ao cômoro ocular. Aliás o próprio Mello-
Leitão, quando descreve as espécies separadamente, reduz novamente esta im-
portância específica, como vamos ver:
a) Cômoro ocular :
“Muito baixo, duas vezes mais largo que longo” (Mello-Leitão, p. 228)...
P. platyomma ;
“ ... alto, duas vezes mais largo que longo...” lidem, p. 234) P. mclano-
cephalus e holophacus ;
As três espécies, portanto, apresentam as mesmas medidas da rima ocular.
Mas também vimos acima que P. sorocabac, roscus, etc..., apresentam indi-
víduos com as mesmas medidas. Ainda cumpre salientar, neste conjunto, que
tivemos a oportunidade de reexaminar o tipo P. platyomma (No. 155 do De-
partamento de Zoologia, em São Paulo) e encontramos as seguintes medidas
da rima ocular: 1,9 mm de comprimento por 2,4 mm de largura. Portanto, não
é duas vezes mais larga do que longa.
Todas as outras espécies de Pamphobeteus, de-crita- pelos três autores ci-
tados, apresentam rima ocular um pouco mais larga do que longa (Ver Mello-
Leitão, Toledo Piza e Soares, nas obra, citadas).
b) Olhos c disposição ocular :
1 ) Uma reta tangente à borda anterior dos médios passa adiante do meio
dos laterais: P. platyomma; roscus; sorocabac; isabellinus; cestcri; tetracan-
thus; anomalus; piracicabensis ; ypirangetisis ; urbanicolus — (Mello-Leitão: To-
ledo Piza; Soares, opera citada).
SciELO
S
Mtrr.. Ir. -í. Bulantan,
29:233-232, Dez.’ 1947.
\V. BCCHXRL
241
2) Uma reta tangente ã borda anterior dos médios passa atrás do meio
dos laterais: P. bcncdcnii e holophacus — (Bertkau: Mello-Leitão, nos traba-
lhos citados).
3) Uma reta tangente à borda anterior dos médios passa no meio dos la-
terais: P. rondoniensis ; melanocephalus ; cucuUatus; exsul; iitsularis — (Mello-
Leitão).
Toledo Piza. nos dois trabalhos citados, ao descrever P. masculus, commu-
nis, mus e cephalophocus já relega este caracter cm segundo plano, omitindo
simplesmente “a reta dos olhos anteriores”.
c) Tamanho dos olhos c distância interoadar:
Os trés autores admitem as seguintes modalidades: médios anteriore s me-
nores que os laterais — platyomma, sorocabac, melanocephalus, cesteri, holo-
phacus, exsul, iitsularis, ccphalophaeus, mus, masculus, communis, urbanicolus,
ypirangensis; médios anteriores iguais aos laterais — benedenii, rondoniensis,
roscus, isabcllinus, cucuUatus, tctracanthus, anomalus; laterais anteriores maio-
res que os posteriores — platyomma, rondoniensis, cucuUatus, tctracanthus, ho-
lophacus, exsul, iitsularis, ypirangensis, urbanicolus, mus, ccphalophaeus, com-
munis, masculus; laterais anteriores e posteriores iguais — benedenii, r os eus,
sorocabac, melanocephalus, isabcllinus, ccstcri, anomalus.
Deduz-se disso que não existe caracter especifico como os próprios três
autores deixam inferir, C. Mello-Leitão implícita e Toledo Piza e Soares
esplicitamente (confira os trabalhos dos dois últimos, nas paginas 121 e 7-8 e
ainda 269 a 270).
A íóvea torácica transversal, direita, procurva ou recurva ; o cumprimento
e a largura do esterno: o espaço entre a margem do esterno e a sigila posterior,
são outros caracteres que, ao conferirmos os 163 exemplares adultos da coleção
do Instituto Butantan, variam de tal maneira que são praticamente inaprovei-
táveis para a especificação de Pamphobctcus.
Quanto ao número e à posição dos espinhos que armam os artículos das
pernas e dos palpos, há novamente uma grande variação, até mesmo num só
indivíduo, onde os espinhos de uma perna, dum lado, não correspondem nem
em número, nem na posição exata, aos da outro perna, do outro lado.
Seria temerário, pois, pretender que o número dos espinhos constitua um
caracter especifico fixo.
Vejamos os três citados autores e sua apreciação das medidas do esterno
das 19 espécies de Pamphobeteus : "Esterno um pouco mais longo do que largo”
cm
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242
ESTCDO COMPARATIVO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DO
GÉNERO PAMPHOBETEUS POCOCK. 1901 ( U YGA LOM ORPH.E )
— P. platyonuna, bcmdcmi, rondonicnsis, sorocabae, melanocephahts, urbar.i-
colus. comiiiunis, masculus, mus, cephalopheus, piracicabensis.
O próprio Mello-Ldtão parece ter atribuído muito pouco valor a este ca-
racter, pois. em grande número de espécies êle nem cita' as medida» (roseus,
cestcri, cucullatus, tctracanthus, holophoeus, exsul, insula ris), como também
Soares omite a descrição do esterno em ypirangcnsis.
Para a sistematização foram, em geral, aproveitados os espinhos;
a) das tíbias dos palpos;
b) Idas tíbias dos quatro pares de pernas;
c) dos metatarsos dos quatro pares de pernas.
Quanto à disposição “i»i loco” destes espinhos, principalmente nas tíbias c
nos metatarsos das pernas, costumam distinguir-se :
a) espinhos infero-apicais ;
b) espinhos inferiores;
c) espinhos anteriores;
d) espinhos posteriores.
Xa prática, porém, sómente raras vezes, os t -pinhos obedecem a uma dis-
tribuição ordenada. Pelo contrário, em geral, não se podem distinguir rigida-
mente espinhos inferiores, anteriores e posteriores. O próprio Soares, com
acerto, abandonou esta divisão, seguindo a orientação de Toledo Piza. distin-
guindo apenas entre espinhos apieai» e laterais inferiores.
Quanto ao numero dos espinhos das tibias dos palpos e das tibias e dos
metatarsos das quatro pernas, há uma certa regra, que pode ser resumida assim:
“O número de espinhos das tibias e, mais ainda, dos metatarsos de Pam-
phobctcus aumenta progressivamente nas pernas posteriores até tomarem-se
francamente "numerosos” (acima de 20) nos últimos metatarsos. Sua distri-
buição, porém, é bastante irregular, de maneira que, só raras vezes, podem ser
computados como pertencentes a uma fila anterior, uma fila posterior e uma
fila inferior. Apenas os espinhos apicais apresentam disposição certa (iníero-
lateral dos ápices), si bem que também costumam aumentar em número nas
pernas posteriores, ou, melhor, aos dois clássicos espinhos apicais são acrescidos
lateralmente mais outro» espinhos, geralmente minores e, às vezes, um tanto
afastados da borda lateral; em alguns casos acumulados numa área apical”.
10
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Mem. Tnst. Butantxn,
2» : 233-282. Dex.* 19*7.
\V. BCCHERL
243
Representando este fato eni números, poder-se-ia estabelecer a seguinte
média de espinhos, característica talvez não sómente para o género Pamphobe-
tcus, mas para toda? as terafóseas:
Tíbia I — 2 espinhos apicais e 0-2 espinhos látcro-inferiores;
Tíbia II — 2 espinhos apicais e 0-3 espinhos látero-inferiores ;
Tíbia III — 2 espinhos apicais (e 1-1 apicais secundários) e 8 a 11 espinhos látero-iníeriores ;
Tíbia IV — 2 espinhos apicais (e 1-3 apicais secundários) e 8 a 14 espinhos látero-iníeriores;
Metatarso I — 2 espinhos apicais;
Metatarso II — 2 espinhos apicais;
Metatarso III — 2 espinhos apicais (e 0-3 apicais secundários) ; muitos espinhos látero-
inferiores ;
Metatarso IV — 2 espinhos apicais (1-6 apicais secundários) e numerosos espinhos látero-
inferiores, mais do que nas tíbias correspondentes.
Tíbias dos palpos: de 0 a 5 espinhos na face interna, sendo geralmente 3-4 apicais.
Convém, ainda, ter bem presente o fato de que são raríssimas as aranhas
caranguejeiras adultas que não tenham perdido um ou outro espinho, principal-
mente, pelo hábito da caranguejeira defender-se contra pequenos mamíferos
(camundongos, ratos, cuicas, gambás, etc...) esfregando, com as pernas tra-
zeiras. em movimentos rápidos, o abdômen, fazendo desprender-se os finíssimos
pêlos dorsais do mesmo que, levíssimos e munidos de ganchos na extremidade,
envolvem o animal agressor e $e encravam em suas mucosas, determinando viva
irritação.
O desprendimento destes pêlos é principalmente causado pelos numerosos
espinhos das tíbias e dos metatarsos das últimas pernas, sendo que, nesta ope-
ração. não poucos e-pinhos se desprendem igualmente pelo atrito. Verificamos
este fato repetidas vezes e, ainda, esperamos ter a oportunidade de nos referir
a êle, quando tratarmos dos hábitos de vida das caranguejeiras.
Ora, é extremamente difícil, na contagem dos espinhos, não omitir aqueles
que faltam e cuja existência é apenas notada por pequeníssimas áreas, livres de
pêlos, no ponto de sua inserção.
O comprimento total, geralmente medido pelos especialistas desde a extre-
midade do abdômen atê a ponta da parte horizontal das queliceras, é outro
caracter muito relativo e sujeito a grandes variações mesmo já em animais vivos
e. ainda mais. em animais conservados em altas concentrações alcoólicas.
Fêmeas, cheias de ovos, apresentam abdômen grande, repleto de ovos e de
dimensões duas vezes maiores do que fêmeas não prenhes. Por outro lado po-
dem as caranguejeiras ficar meses sem alimentar-se (desde que haja. porém,
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744. ESTUDO COMPARATIVO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DO
GÉNERO PAilPHOBETEUS POCOCK, 1901 (.ÍIYGALOUORPHJE)
água à sua disposição), notando-se o estado de íome principalmente pelo tamanho
reduzido do abdómen. Tudo isto vem influir muito na medição do comprimento
geral.
Resta, neste conjunto, esclarecer ainda a questão “adultos”. Os autores, na
aferição do comprimento total, consideram geralmente como animais adultos,
todos os machos que têm orgão copulador na articulação terminal dos palpos
e apófises tibiais no 1.* par de pernas e ainda um orgão estridulante (os dois
últimos caracteres não existem em todos os géneros) e todas as fêmeas com
orgão estridulante (não em todos os géneros) ou de porte avantajado. Este
modo de pensar e agir é a consequência do fato de, mesmo os especialistas em
sistemática de aranhas, aceitarem como realidade de que a caranguejeira, após
sucessivas trocas de cutícula em diferentes períodos, cresce periodicamente até
atingir a madureza sexual, caracterizada extemamente pelo aparecimento dos
caracteres sexuais secundários (apófises e orgão copulador e ainda, em alguns
gêneros, aparelho estridulante. nos machos; aparelho estridulante, na maioria
dos géneros, nas fêmeas). Atingida esta última fase e iniciada a reprodução,
não haveria mais muda de cutícula e, portanto, o animal não cresceria mais.
Em alguns trabalhos este conceito de “adulto” já foi posto em dúvida e
pelas nossas observações em caranguejeiras, mantidas em cativeiro no Instituto
Butantan, já há 4 anos, verificamos que, mesmo após procriação de filhotes, as
fêmeas, quando bem alimentadas e quando colocadas em ambiente propício,
continuam trocando a cuticula e aumentando de tamanho. Igualmente os ma-
chos, que, depois de terem feito a cópula com a fêmea, precisam ser separados
dela, para não serem mortos e devorados, aceitam bem os alimentos e renovam
a cuticula com novo crescimento.
Estes fatos foram observados não sómente no gênero Pamphobctcus, mas
também em Lasiodora, Acanthoscurria e Grammostola.
Nos três últimos géneros, em que existem igualmente os chamados “apare-
lhos estridulantes” como expressão de uma caracterização sexual secundária,
constatamos que existe uma verdadeira graduação na formação destes orgãos
enridulantes. Na fase imediatamente anterior à madureza sexual, depois da 4.*
muda de cuticula, já estão presentes os pêlos estridulantes, as apófises tibiais
e o orgão copulador ainda que não completamente desenvolvidos.
Em Acanthoscurria violacca, por exemplo, os pêlos estridulantes nos tro-
cantares dos palpos são apenas 3 a 5 em número, mal formados, duas vezes
menores do que num exemplar muito crescido e nos trocanteres do primeiro par
de pernas, ora não existe nenhum pêlo estridulante ora apenas são presentes 1
ou 2, ainda menores que os dos palpos.
12
Mera. Inst. Bstântan.
:* 2»3-282, Dei.* 1942.
\V. BfCHERL
245
Em animais muito crescidos, ao contrário, estes pèios são grandes, em nú-
melo acima de 10, baciliforme s e com ramificações nítidas.
Estes fatos, condicionados às diversas fases evolutivas dos indivíduos, são
de suma importância para a sistemática e demonstram claramente que não se
pode tomar em consideração o comprimento de um determinado individuo como
caracter especifico.
Quanto à largura do cefalotorax dá-se o mesmo, como temos verificado em
nossos exemplares. Acresce ainda o fato de que. no álcool, diminui a medida
da largura do cefalotorax pela de-idratação e consequente retração.
O comprimento das quatro pernas é apenas um caracter genérico ou nem
mesmo isso, como já tem salientado implicitamente o próprio Mello-Leitão, não
oferecendo medidas particulares em nenhuma espécie.
Em todos os indivíduos, por nós conferidos, tanto machos como fêmeas, o
comprimento decresce na seguinte ordem:
Tendo, pois, demonstrado, à mão de mais de 700 exemplares de Pampho-
beteus, entrados no Tnstituto Butantan durante os ano- de 1944 a 1947. dos
quais 168 exemplares foram exatamente medidos e comparados em todos os
caracteres acima referidos, que ão podem ser aproveitado» como caracteres es-
pecíficos:
1) a extensão das escópula.s dos metatarsos;
2) o comprimento, a largura e a altura do cômoro ocular;
3) o tamanho, a posição e a distância dos olhos;
4) o afastamento das últimas sigilas da margem do esterno;
5) o número dos espinhos nas articulações das pernas e dos palpos;
6) o comprimento total e a largura do cefalotorax;
7) a curvatura da fóvea torácica, o comprimento e a largura do esterno,
só nos restava procurar novos caracteres. Escolhemos, para isto, um caminho
que só poderia ser trilhado por quem dispuzesse de grandes séries de exempla-
res do mesmo gênero.
Dentre os 700 exemplares de Pamphobcteus escolhemos os melhores, em
número de 163 inicialmente (número este hoje já acima de 200 pelas chegadas
contínuas de caranguejeiras ao Instituto Butantan) e procedemos à sua classi-
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OJA ESTCDO COMPARATIVO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DO
W GÊNERO PAMPHOBETEVS POCOCK. t«l (MYGALOi!ORPH.E<
íicação, valendo-nos, inicialmtnte, da chave sinóptica de Mello-Leitão. acrescida
pelas espécies novas de Toledo Piza e Soares.
Em ordem de frequência, seguindo à risca aquela chave e os trabalhos dos
outros dois colegas, encontramos naquele acervo as seguintes espécies:
P. sorocabae, rosetts, bencdenii, cucullatus, rondoniensis, tetracanthus, ho •
lophacus, melanoccphahis, isabeiinus, piracicabcnsis, ccpnalopnocus, mus, ypi-
rangensis, urbanicolus, comtnunis.
Cumpre, porém, acentuar que em quase nenhum indivíduo houve concor-
dância absoluta no$ caracteres apontados pelos autores, de maneira que a de-
terminação específica era apenas provável, em face das variações já expostas
anteriormente.
Os machos, não puderam ser determinados, já que eram desconhecidos os
métodos de sua especificação, com exceção de P. com munis e masculus, descritos
como novos por Toledo Piza, e de ypirangcnsis de Soares, três espécie, novas,
das quais não se conheciam as fêmeas.
Começamos, pois, abstraindo da classificação provisória, acima referida, a
separar do grande número de exemplares deste gênero os machos das fêmeas.
Depois dispuzemos sobre uma grande mesa as fêmeas e. depoi- de bem secas
(as cores naturais só aparecem bem, em estado seco), procedemos à uia sepa-
ração em lotes, segundo o colorido geral, de fundo, e os desenhos ornamentais
e ainda a cor dos pêlos, tendo especial cuidado em examinar não sómente o lado
superior da caranguejeira como também o inferior.
Pudemos, desta maneira, reunir todas as fémeas do género Pamplwbcteus
em cinco lotes, tendo cada lote um bom número de exemplares, alguns acima
de 70.
Neste conjunto queremos acentuar, mais uma vez, que não se podem obser-
var os desenhos ornamentais nem o colorido geral em animais submersos em
álcool e, ainda menos, fóra do álcool, mas ainda molhados. Obter-se-iam, assim,
cores fictícias bem diferentes das reais. Já Toledo Piza. ao descrever a P. mus
diz: “A aranha no álcool é inteiramente negra; seca é de cor murina escura”.
(Para a boa observação é necessário analisar as aranhas, preferivelmente, quando
vivas, ou pelo menos, em estado bem seco. Uma longa permanência em álcool
prejudica sempre o colorido, fazendo desaparecer o verde oliva, o vermelho
vivo (da fímbria dos palpos e dos pêlos do abdômen), o marrom escuro oliváceo
(do cefalotorax e das pernas), o rosa (da orla do cefalotorax e dos aneis apicais
das articulações das pernas) e o amarelo vivo (do, pêlos de algumas espécies),
prevalecendo em animais deste gênero, longamente conservados em álcool uma
cor difusa, uniforme, amarelo cinza).
14
Mm. I r.st. Butantan.
29 : 235*282, D «.• 19<7.
W. BCCIIERL
247
Feita a separação em lotes, procedemos à procura de caracteres morfológicos
constantes, verdadeiramente específicos, pois é claro que uma separação, só-
mente feita pelo colorido geral, ofereceria dados sistemáticos muito frágeis e
impossibilitaria a determinação de indivíduos, conservados no álcool por longo
tempo.
Nesta procura de caracteres invariáveis que, ao lado do colorido, pudessem,
com segurança, ser aproveitados na especificação destes lotes, tivemos em mira:
a) encontrar caracteres que não apresentassem diferenças entre uma ara-
nha viva ou recente e uma, conservada por longo tempo em álcool ;
b) encontrar caracteres, válidos não sómente para as fêmeas de Pamplio-
bctCHS, mas também para os machos, até hoje desconhecidos para 16 espécies
do género.
Depois de muitos meses de trabalhos de medições, comparações, contagens
de espinhos, aferições dos cômoros oculares, dos olhos, dos comprimentos totais
e dos esternos decobrimos. de um lado, que todos estes caracteres (já ante-
riormente estudados detalhadamente) não tinham valor especifico e, do outro
lado os comprimentos do cefalotorax em relação ao contprimcntos das patelas
e tíbias do primeiro e do quarto par de pernas constituem caracteres específicos
realmente constantes, invariáveis mesmo em grandes séries e, portanto, de suma
importância para a sistematização das espécies de Pamphobetcus.
Tanto o cefalotorax como as patelas e tíbias são revestidas de camadas
quitinosas muito espessas, de maneira que uma retração em meio alcoólico é
muito pouco sensível. Ainda mais, como não se trata mais de expressar estes
comprimentos em números, mas sim, apenas a sua relação reciproca, está claro
que mesmo após longa permanência das aranhas cm meios conservadores, esta
relação deveria ~er sempre a mesma.
Finalmente, deveria esta relação de medidas ser constante não sómente para
fêmeas, mas também para machos e, ainda, filhotes.
Encontramos, pois, na relação das medidas acima referidas caracteres espe-
cíficos que permitem classificar com absoluta segurança fêmeas, machos e fi-
lhotes.
Para confirmar, de fato, a segurança destes novos caracteres, tornamos,
então, o grande número de machos e os separamos inicialmente segundo o co-
lorido (aliás muito mais uniforme do que nas fêmeas). Depois procedemos,
como tinhamos feito nas fêmtas, às medições dos comprimentos do cefalotorax
e dat patelas e tíbias do primeiro e do quarto par de pernas, encontrando abso-
luta concordância nas relações destas medidas com as das fêmeas.
15
248
ESTUDO COMPARATIVO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DO
GÊNERO PAMPHOBETEUS POCOCK, 1901 (M YGALOMORPH <E)
Finalniente, para corroborar ainda mais a firmeza destes resultados, tiramos
dos viveiros os respectivos macho- e as fêmeas e os juntamos, temporariamente,
no mesmo viveiro, e, de fato, êles procediam ao “jogo do amor”, seguido por
uma ou mais cópulas. É verdade, só pelo fato de copularem, não se pode con-
cluir que se trate de uma mesma especie ; mas. havendo concordância absoluta no
colorido e nas relações da 5 medidas biométricas e, ainda, no habitat (pois tanto
uns como as outras provinham das mesmas localidades) a realização do ato sexual
deve ser considerado um argumento convincente de se tratar de indivíduos da
mesma espécie.
Na aferição da relação das medidas do cefalotorax e das patela, e tíbias
I e IV é sempre bom medir não sómente os comprimentos das pernas de um
lado, mas também do outro; pois, muitas vezes, estas medidas divergem, ainda
que apenas por pouco. Igualmente é bom repetir estas medida- e proceder com
muita cautela, porque só se pode admitir um erro de alguns deci-milímetros, mas
nunca acima de meio milímetro. ,
O comprimento do cefalotorax é medido na linha longitudinal mediana, isto
é, a partir da frente do cômoro ocular ( tumulus oculiferus) até a reentrância,
onde nasce o abdômen-
O comprimento das patela? e tíbias I e IV é tomado em conjunto, tomando-
se as medições, quando as articulações estiverem completamente e-t içadas ( para
evitar o erro no cômputo da curvatura da patela).
Pois bem. seguindo nas separações dos lotes de Pamphobetcus o critério
do colorido, obtivemos 5 lotes, como já dissemos, lotes es^es incluindo tanto os
machos como as fêmeas, e que polem ser divididos assim:
\ Toda a aranha de colorido uniforme (ou cinza murina ou ferruginoso) 2
* ‘ ^ Lado dorsal de colorido di ferente do lado ventral 3
Cor geral cinza murina, inclusive a das pernas — P. títracanthus
2 Cor geral, inclusive a das pernas, ferruginoso, ora mais para o vermelho ora
mais para o ferruginoso escuro (principalmente no abdômen) — P. ccsleri
Lado dorsal (cefalotorax, abdômen e pernas) da cor do monho mais claro ou
mais escuro (às vezes quase preto, principalmente no cefalotorax) ; lado ventral
3 . (esterno, coxas das pernas e ventre) castanho cinza — P. sorocabac
Lado dorsal cor de monho; lado ventral ou inteiramente concolor, escuro, quase
• preto ou o cefalotorax e as coxas cinza e o ventre preto 4
Í Lado ventral (esterno, coxa e ventre) concolor, escuro, qua-e preto — P. roscus
Esterno e coxa cor castanho cinza ; ventre preto — P. rondomensis.
16
Mem. Inst. Butantar. . W. BÜCHERL 249
St: 231*282, D«z.» 1947.
Xa presente cliave sinóptica só se tomam em consideração a? cores principais,
i. é. as que dão na vista do espetador como sendo de franca predominância e como
se pode ver bem nos desenhos coloridos, que acompanham este trabalho.
É sempre de bom aviso, principalmente neste género, em que predomina uma
monotonia de colorido muito grande, não se perder em detalhes na descrição de
pêlos ornamentais, prindpalmente nas linhas e estrias das pernas; pois, do con-
trário se incidiria no mesmo erro antigo da criação de muitas espécies novas, por
causa de variações individuais dos coloridos.
Julgamos útil, pelo mesmo motivo, descrever aqui os coloridos das 5 espécies
acima com um pouco mais de detalhe:
a) Detalhes de coloridos e desenhos comuns às 5 espécies, machos e fêmeas:
Fimbria dos palpos maxilares e do- lábios castanho avermelhado, ora mais
para o amarelo ora mais para o vermelho;
Desenhos das pernas — fêmures com duas estrias dorsais daras, paralelas, a
percorrer toda a extensão da articulação, bem visíveis em roseus e sorocabae
(fêmeas) e rondoniensis, mal visíveis em todos os macho$ das 5 espécies e nas
fêmeas de tetracanthus e cestcri (razão esta porque foram feitas espécies novas,
caracterizadas pela ausência destas estrias).
Patelas com duas estrias dorsais, que formam a continuação das dos fêmures
e que convergem no lado apical da patela; direita? nas duas pernas anteriores;
bastante recurvas nas duas pernas posteriores. São muito bem visíveis nas espé-
cies roseus, sorocabae, rondoniensis e bastante mal visíveis em todos os machos e
na- fêmeas de tetracanthus e cesteri. (Em exemplares velhos estas estrias são
quase completamente destituidas de pêlos e se apresentam “nuas” pelo desgaste
sofrido pelo hábito de que a aranha, em estado encolhido, repousam sòbre as pa-
telas — outro fato já descrito por especialista como sendo um caracter de uma
espécie nova).
Tibias com duas estrias dorsais claras que começam um pouco distante do lado
basal da articulação e se estendem até o áp ee, convergindo ligeiramente no lado
apical São bem visiveis nos machos e fêmeas de roseus, sorocabae c rondonien-
sis; mais ou menos visiveis nas fêmeas de tetracanthus e ccsteri c bastante ma!
visíveis em seus machos.
No lado interno das estrias, contiguo a elas. existem duas faixas escuras,
quase pretas que, formando um semi-anel látero-dorsal no lado basal da articula-
ção, acompanham a direção das duas estrias claras e terminam no terço apical.
Estas faixas escuras são melhor risíveis nas aranhas claras, portanto, em cesteri,
rondoniensis, machos e fêmeas ; depois em sorocabae e roseus. principaimente nas
17
250
ESTUDO COMPARATIVO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DO
CENTRO PAMPHOBETECS POCOCK, 1901 ( MYGALOMORPHJE)
duas peinas anteriores. São nial visíveis em tetracanthus, machos e fêmea s e nos
machos de sorocabac e roseus. Em todas as cinco espécies são sempre mais ní-
tidas nas pernas anteriores e muito menos nas posteriores.
Metatarsos no lado dorsal, na zona basal, com uma estrias dara ímpar, curta,
não atingindo nem a metade desta articulação. Muito bem visível em roseus
(fêmeas) e em roudoniensis (fêmea), embora também nestas duas espécies esta
estria esteja mal visível principalmente na última perna. Em todos os machos
e nas fêmeas de sorocabac, tetracanthus e ccstcri não existe a estria ciara. O me-
tatarso das 5 espécies de Pamphobcbctcus, tanto machos como fêmeas é percor-
rido por uma faixa escura dorsal, sinuosa, em forma de “S” e que prindpia no
lado basal externo com uma mancha mais grossa e percorre em sinuosidade toda
a articulação. Em ccstcri esta faixa é marrom escuro. Tarsos cOm uma faixa
dor-al larga, da mesma cor da faixa sinuosa dos metatarsos, com forma oval,
tendo no meio uma estria mais clara Esta faixa com a estria interna é bem
visível em todos os machos e fêmeas das dnco espédes.
Xas articulações dos fêmures, patdas, tíbias e metatarsos, no lado apical, há
na; cinco espécies, machos e fêmeas, aneis apicais de pêlos bem mais claros do
que o ambiente ; cor de rosa até cor de tijolo em sorocabac, roseus e roudoniensis ;
dnza daro em ccstcri e tetracanthus. Em todas as aranhas do presente género
estes aneis são sempre mais ddicados e menos desenvolvidos nos fêmures, acen-
tuando-se progressivamente em direção às articulações terminais.
b) Descrição do colorido especifico:
1) Pamphobeteus sorocabac — Mello-Leitão, 1923 — Cefalotorax. abdômen
e fêmures no lado dorsal marrou escuro até quase preto. Pêlos da orla do cefalo-
torax, das pernas e do abdômen cor de rosa. Esterno, coxas, trocanteres e fêmures
e ventre de cor ferruginosa. Lábio e maxilares castanhos com orla de longo; pêlos
cor de tijolo. Pêlos do esterno, das pernas e do ventre rosa ferrugem, portanto, um
nada mais escuros do que os pêlos do lado dorsal. Patelas. tibias, metatarsos e tar?os,
no lado ventral, da mesma cor como no lado dorsal, i.é. marrom escuro, com
reflexos esverdeados em algun; exemplares, principalmente nas duas pernas
anteriores.
Em alguns exemplares velhos o marrom escuro do cefalotorax apresenta tona-
lidades escuras para o verde cinza. O mesmo colorido geral apresentam P. mela-
noccphalus Mcllo-Lcitão, 1923 e P. comunis Piza, 1939.
2) Pamphobeteus roseus — Meilo-Leitão. 1923 — Cefalotorax, abdômen
e pernas no lado dor-al marron escuro até quase preto, portanto igual ao de so-
18
Mem. Inst. Butantac.
2» 2 3 3-282, Dex.* 19 * 7 .
W. BCCHERL
251
rocabae, com nuances distintivas tão pouco pronunciada; que, observando-se
exemplares das duas espécies apenas do lado dorsal, não se consegue distingui-las
com segurança. O cefalotorax pode apresentar a zona frontal bem mais escura
do que o resto da placa (vide descrição de Piza — P. cephalopheus). Pêlos
róseos nos aneis apicais das articulações das pernas e em volta da orla do cefa-
lotorax. Os pêlos das pernas e do abdômen mais cor de tijolo. Esterno, coxas,
trocanteres, fêmures e ventre uniformemente escuro, quase preto, com pêlos
escuros também, ainda que mais claros que a cor de funao. Patelas e tíbias
(no lado ventral) com abundantes pêlos longos cor castanha clara. Escópulas dos
tarsos e metatarsos esverdeadas. Lábio e maxilas castanho escuros com pêlos
vermelho vinhoso. Pelo colorido a P. cephalopheus Piza. 1944 é idêntica com
roscus. O colorido do macho de roseus, até agora desconhecido para a ciência,
mas muito frequente na nossa coleção, também não precisa ser descrito em de-
talhes, porque é idêntico ao da fêmea, com exceção da; estrias e faixas das
pernas serem menos visíveis do que naquela, como já temos acentuado ante-
riormente (vide desenho colorido).
3) Pamphobctcus rondoniensis — Mello-Lcitão, 1923 — Cefalotorax,
abdômen e pernas no lado dorsal marron escuro. O abdômen mais escuro que o
cefalotorax. Pêlos da orla do cefalotorax. das pernas e do abdômen flavos, com
tonalidades para o vermelho, principalmente no abdômen (vide desenho colorido).
Faixas e listras das pernas como já foi descrito acima. Esterno, coxas, trocan-
teres e fêmures castanhos escuro até cinza ferruginoso, muitas vezes bem pareci-
do com as cores de sorocabae. Ventre marron escuro, quase preto. Lábio e ma-
xilares como em roseus. Pêlos vermelho flavos. Pêlos do esterno e da <5 pernas
(ventralmente) acompanhando a cor de fundo, i.é, castanhos ou cinza ferrugi-
nosos. Os do ventre quase vermelhos, -endo de notar que na zona mediana ventral
há uma área distribuída de pêlos longos. Tibias, metatarsos e tarsos com densos
pêlos dnza, com reflexos verdes. Escópulas esverdeadas, escuras (vide desenha
colorido).
4) Pamphobcteus tetrocanthus — Mello-I-eitão, 1923 — A aranha inteira,
dorsal e ventralmente, cinza murina, escura (vide desenho colorido), inclusive
os pêlos de todo o corpo e das perna;. Apenas o ventre é ainda pouco mais es-
curo. Lábio e maxilas castanho escuro, com orla de pêlos vermelho tijolo.
Estrias e faixas como já descritas.
Com tctracanthus é sinónima pdo critério do colorido (e por outras medidas
que veremos depois) o P. mus Piza. 1944. O macho, aj>re;emado no presente
19
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ESTUDO COMPARATIVO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DC
CENTRO PAMPHOBETEVS POCOCK, 1901 (MYCALOMORPHJE)
trabalho como novo para a ciência, obedece no colorido geral e dos pêlos às mes-
mas tonalidades da fêmea, de maneira que dispensa descrição mais detalhada.
5) Pamphobeteus cestcri — Mello-Leitão, 1923 (vide desenho colorido) —
Toda a aranha dorsal e ventralmente, inclusive as pernas de cor castanha ou
ocrácea ou ainda pardo ferrugínea. Pêlos das pernas, do cefalotorax e do
abdômen castanho avermelhados ou castanho ferruginosos. Faixas e listras das
pernas como já descritas, inclusive os aneis apicais das pernas. Lábio e maxilas
castanhos com fimbria de pêlos vermelhos.
O abdômen, apresenta quando a aranha perdeu os pêlos longos avermelhados
(pelo hábito de fazer afugentar um inimigo) uma penugem escura, marron escuro.
Tem o mesmo colorido como cesteri e -ão sinônimos a ela (por outros caracteres
também, — P. cucuüotus M. L-. 1923; P. holophoeus M. L„ 1923; P. exsul M.
L., 1923 ; P. urbanicolus Soares. 1941 ; P. ypirangensis Soares, 1941 ; P. piraci-
cabcnsis Piza 1933.
O macho de cestcri, muito frequente na coleção do Instituto Butantan, foi
descrito em primeira mão por Piza, sob o nome de P. piracicabensis. Não ne-
cessita ser descrito mais uma vez aqui. porque seu colorido é igual ao da fêmea,
com a diferença de que no aspecto geral prevalecem os tons cinza ferruginosos,
também nos pêlos. (Temos a duvida de que cesteri seja idêntica com P. isabelli-
nus (Ausserer), 1871, cujo colorido foi descrito por aquele autor como sendo pardo
amarelado ou ocráceo e ocráceo ferruginoso no esterno e no ventre, portanto,
bastante igual ao de cesteri. Como não dispomos do tipo, nem sabemos onde
encontrar uma descrição do mesmo, deixamos esta questão aberta, por enquanto).
Como se vê. acentuamos apenas o colorido principal, que cai na vista e per-
mite distinguir desde logo qualquer uma das 5 espécies citadas.
Existem além do colorido para a especificação segura das espécies Pampho-
beteus, as relaçõe? das medidas dos comprimentos do cefalotorax e das patelas e
tíbias do primeiro e do quarto par de pernas. Trataremos disto agora. Primeiro,
porém, devemos chamar a atenção sôbre o dimorfismo sexual entre os machos e
as fêmeas, dimorfismo este tão pronunciado e tão característico que não se pode
fazer valer, por exemplo, a relação de comprimento entre o cefalotorax e a pa-
tela e tíbia do primeiro par de pernas, para demonstração que um determinado
indivíduo masculino pertença à mesma espécie como um indivíduo fêmea, ainda
que ambos tenham o mesmo colorido.
Na tabela I é demonstrado este dimorfismo sexual, pertencendo tanto os
machos como as fêmeas, ai enumerados, às 5 espécies, a saber: P. roseus, soro-
cabae. tetracanthus, cesteri e rondoniensis.
20
item. InsL Butxntan.
M:23J-2S2, Der .
\V. BCCHERL
253
Tabela I
0 fêmeas + machos
Dimorfismo sexual no gênero Pair.fhoWttus POCOCK. 1901
Relação entre os comprimentos do cefalotorax e a 1.» patela e tíbia
11
21
11
11
ti
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+•
44 4
J L
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A tabela demonstra clarameme os seguintes dois fatos:
a) Nos machos de qualquer espécie de Pamphobeteus as patelas e tíbias do
primeiro par de pernas sempre são mais longas do que o comprimento do cefalo-
torax.
b) Nas fêmeas de qualquer das espécies aqui tratadas o cefalotorax sem-
pre é maior do que as patelas e tíbias do primeiro par de pernas.
Este dimorfismo sexual é apresentado mais detalhadamente pelas tabelas II.
III, IV e V, referindo-se sucessivamente aos machos e às fêmea; de P. sorocabac
(II), roseus (III) tetracanthus (IV e cestcri (V).
Infdizmente, não nos foi possível obter, até hoje, mais de um macho de
P. rondoniensis, mas também nesta espécie existe o mesmo dimorfismo sexual.
Nesta espécie, aliás temos muito poucas fêmeas, vindas do Mato Grosso.
>1
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
254
ESTUDO COMPARATIVO DAS ESPfcCIES BRASILEIRAS DO
CENTRO PAMPHOBETEUS POCOCK, 1901 ( MYGALOMOP.PH.E1
Tabela II
Pamphobetrus sorocabae 0 íémeas * machos
Dimorfismo sanai nos comprimentos do «falotorax e da patcla c tibia do 1.* par de pernas
Comparando as tabelas, compreende-se como os especialistas, em íace da
grande divergência nas medidas do ceíalotorax e das patelas ç tíbias I, nãD
souberam colocar os machos na devida espécie, mas estabeleceram-nos como
espécies novas, com fêmeas desconhecidas (P. ypirangensis Soares e P. commu-
tiis Piza).
Si, ao contrário, o especialista toma o colorido geral da aranha (aranha viva
ou cloroíormizada) como ponto de saida, seguindo a- normas acima apontadas,
então êle já consegue reunir os machos e as fêmeas e especifica-los. Adotando,
em seguida, como caracter especifico constante a relação do comprimento entre
as patelas e tíbias do primeiro e do quarto par de pernas, então êle vê confir-
mado o caracter do colorido, pelo menos nas íémeas (também no? machos, só
que nestes últimos a 4 core- são menos nitidas).
22
Mrm Inst. Butaatan.
2»: 233-282. Dei.* 19«r
\V. BCCHERL
255
Tabela III
Pamphoòeteus roscus £ fêmeas -f* machos
Diraorfismo sexual nos comprimentos do cefalotorax e da patela e tíbia do !.• par de pernas
U
V
41
A relação do comprimento das patelas e tíbias do primeiro e do quarto par
de pernas forma uma perfeita curva, incluindo tanto os machos como as fêmeas,
curva esta diferente para cada espécie, como se pode inferir da comparação das
medidas da tabela VI.
Nesta tabela as espécies P. roseus, sorocabae e rondoiiicnsis aparecem:
a) nitidamente distintas umas das outras,
b) os machos uniformes às fêmeas da mesma espécie.
As espécies P. tctracanthus e ccstcri cairiam, segundo este critério, dentro
da curva de sorocabae. Uma confusão, porém, não é possível devido à diversi-
dade absoluta do colorido das três espécies.
Ademais P. cestcri é muito menor, de maneira que um exemplar bem adulto
no máximo vem a atingir o tamanho de um exemplar médio de sorocabae, como
se pode ver bem comparando as espécies na tabela VII.
23
cm
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256
ESTUDO COMPARATIVO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DO
CENTRO PAMPHOBETEUS POCOCK, 1901 IMYGALOIÍORPHSE >
Tabela IV
Pamphobetcu* tctracxnthus 0 fêmeas -í- machos
Dimorfismo sexual nos comprimentos do cefalotorax e das patelas e tíbias do !.• par de pernas
Além dos dois caracteres, o do colorido e do tamanho, há ainda um terceiro
caracter especifico para ccsteri e que consiste na pouca diferença de relação entre
o comprimento do cefalotorax e o da patela e tíbia do primeiro e do quarto par
de pernas (vide tabela VII). Em ccsteri, comparando-se estas medidas numa
grande série, tanto de machos como de fêmeas, nas últimas principalmente, obser-
va-se comprimento igual entre o cefalotorax e as patelas e tíbias das pernas ( conf.
medidas de piracicabensis Piza).
Para tctracanthus, entretanto, só conseguimos, seguindo o mesmo critério,
apontar nitidamente o dimorfismo sexual (tabela IV) expresso na relação e a
24
Mera. Injt- Buta a ta a .
2»: 233-282, Dei.* 1947.
W. BCCHERL
257
Tabela V
Pampbobetcus cesteri 0 fèraeaj + machos
DimoTfismo sexual nos comprimentos do cefalctorax e das patelas e tíbias do 1.* par dc pernas
29
concordância específica dos machos e das fêmeas no tocante à relação das medidas
dos comprimentos das patelas e tíbias do primeiro e do quarto par dc pernas
(vide tabela VII). Mas isto é o suficiente, uma vez que o colorido desta espécie
(cinza murino) a destaca nitidamente e sem dúvida de confusão, tanto de soro •
cabae com de cestcri, enquanto que de rosais e de rondonUnsis ela se distingue
relações bem diversa* dos comprimentos entre o ceíalotorax e as patelas e tíbias
das pernas.
Tomando por base, além do colorido, as relações de medidas, expressas gra-
ficamente nas tabelas anteriores e procedendo à revisão dos tipos, das novas es-
pécies, chegamos novamente à conclussão de que P. mclanocephalus Mello-Leitão,
1923 e P. communis Piza, 1939 são sinónimas de P. sorocabac Mello-I-eitão, 1923.
P. cephalophcus Piza, 1944 é sinônima de P. rosais Mello-Leitão. 1923.
P. v us Piza, 1944 é sinônima de P. tcIracautJius Mello-Leitão, 1923.
P. cucullatus Mello-Leitão, 1923,
258
ESTUDO COMPARATIVO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DO
GÊNERO PAM PHOBETEUS POCOCK, 1901 (MrCALOSlORPH.E,
Tabela VI
-L Pamphoíxtcuj ros«us f P. sorocabae ^ P. rondonieníif
Relação das medidas de comprimento entre as patetas e tíbias do !.• e do 4.* par de pernas
P. exsul Mello- Leitão, 1923,
P. holopbaeus Mello-Leitão. 1923,
P. piracicabetisis Piza, 1933,
P. urbanicolus Soares 1941 e P. ypirangensis Soarei, 1941 ião sinônimas
de P. ccsteri Mello-Leitão, 1923 (deixando, por ora aberta a questão, si P. cesteri
não é por seu turno sinônima de P. isabcllinus (Ausserer), 1871 o que nos parece
muito provável).
Assim das espécies brasileira* do género Pamplwbeteus restam apenas, além
das cinco espécies boas, a P. platyomma, P. insularis e P. anomalus Mello-Lei-
tão, 1923; P. benedenii Bertkau, 1880 e P. masculus Piza, 1939. P. benedcnii
Bertkau não nos parece ser Pamphobetcus, pois apresenta medidas absolutamente
anormais para as spécies deste género, coir.^iáindo, porém, estas medidas com o
género Lasiodora. Dc fato, Bertkau cltamou sna espécie de Lasiodora benedenii.
A questão só poderia íer resolvida satisfatoriamente, si se pudesse obter o tipo.
26
Mcn. In st. Butastan,
20 : 233-282, D 1947.
\V. BCCHERI-
259
Tabela VII
Pjtqv itlo/eui
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71
Pamphobctcus platyomma Mello-Le : tão, 1923. foi mal caracterizada pelo
autor, pois em sua chave sinóptica das espécies deste género o autor insiste prin-
cipalmente no fato da diversidade do comprimento e da largura do cômoro ocular.
“Rima ocular muito baixa, duas vezes mais larga do que longa-platyomma.
260
ESTUDO COMPARATIVO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DO
CENTRO PASIPHOBETEVS POCOCK. 1901 (UYGALOllORPH.E)
Revendo o tipo existente na coleção no Departamento de Zoologia em São
Paulo, sob o X*. 155, encontramos apenas as seguintes medidas do cômoro ocular:
1. 9 mm de comprimento por 2,4 mm de largura no exemplar maior e 1, 5 mm
de comprimento por 1. 9 mm de largura no menor, portanto, a rima ocular tam-
bém nesta espécie é apenas um pouco mais larga que longa, como nas outras
espécies do género. Já por este motivo, dada a grande êmíase, atribuída pelo
autor a este caracter, a espécie não pode ser considerada boa. Quanto à relação
das medidas do comprimento do cefalotorax e das patelas e tíbias do primeiro e
do quarto par de pernas, anunciadas por Mello-Leitão como sendo IS para o
cefalotorax, 16.5 para a patela e tibia I e 18 para a patela e tíbia IV, «ri ficamos,
de fato, concordância nos comprimentos do cefalotorax e da patela e tibia IV,
sendo a ] «ateia e tibia I um pouco menor.
Patnphobctcus iiisularis Mello-Leitão, 1923 pela remedição dos comprimentos
do cefalotorax, das j>atelas e tíbias I e IV, apresenta praíicamente a mesma rela-
ção de medida, como platyomma.
É interessante, neste conjunto, constatar que Piza, em 1939, descreveu
primeiro um macho, denominando-o P. masculus, que vem a concordar, nas
citadas medidas, com as duas espécies acima, isto é. que apresenta também as
patela^ e tibia., do primeiro par de pernas menores do que as do quarto par de
pernas. O comprimento menor do cefalotorax de masculus é a expressão do
dimoríismo sexual, como já vimos.
Quanto ao colorido geral das três espécies há igualmente uma grande con-
cordância. Platyotnina, insularis, masculus apresentam cefalotorax negro, com
orla de longos pêlos róseo-cinza ou fulvo escuros. Abdômen castanho negro,
com pêlos flavos avermelhados. Esterno e ancas das pernas pardo-escuro, quase
cor de monho, inclusive o ventre, ornados de pêlos flavos.
Finalmente, existe uma relativa concordância no habitat, pois platyomma
provêm da Ilha de São Sebastião, masculus da Ilha dos Alcatrazes e insularis
da Ilha da Queimada Grande.
As três espécies seriam, portanto, também reunidas numa só, que deve ser
denominada de P. platyomma Mello-Leitão. A nossa suspeita da grande afi-
nidade destas três espécies, baseada nas medidas e no colorido geral, é confir-
mada pelo fato de ter sido encontrado um exemplar, infelizmente muitíssimo
mutilado, ainda que reconhecível, na Ilha da Queima Grande, numa excursão
organizada pelo Instituto Butantan em fevereiro de 1947. Finalmente, rece-
bemos três exemplares, machos, iguais ao descrito por Piza. com habitat na
Praia Grande e em Santos (Estado de São Paulo). Assim, torna-se bem
2Í?
M em. Inst. BuUntan.
Dez.* 1947.
\V. BfCHERL
261
provável a hipótese de que as três espécies representam uma ,ó, com habitat
no litoral do Estado de São Paulo e do Rio, inclusive as Ilhas praianas.
Os caracteres morfológicos constantes destas três espécies, reunidas sob o
nome de P. platyomvia, seriam: patela e tibia do primeiro par de pernas me-
nores do que os do quarto par de pernas (nos machos e nas fêmeas). Ceía-
lotorax igual às patelas e tibias do quarto par de pernas, nas fêmeas e maior
do que as patelas e tibias do primeiro par de pernas; nos machos o ceíalotorax
menor do que as patelas e tibias do primeiro par de pernas.
Entretanto, para ver plenamente confirmada a nossa suspeita, aliás bem
fundada, será necessário obter ainda maior número de exemplares, o que es-
peramos conseguir em futuro próximo.
Quanto a Pamphobeteus anoinalus Mello-Leitáo. 1923, cremos tratar-se
realmente de uma boa espécie, tanto pelo colorido negro uniforme em todo o
corpo como pelas medidas do ceíalotorax c das patelas e tibias do primeiro e
do quarto par de pernas. cu ja relação é a seguinte: 22.2:24.5:26, mm. Mas
como não conseguimos encontrar o tipo, existente, segundo Mello-Leitão. no
Dej»artamento de Zoologia em São Paulo, nada de positivo, por ora, çe poderá
resolver, ainda mais por não existirem outros exemplares.
Chave sinóptica das espécies mais comuns do género Pamphobctcus :
A. Chove das fêmeas
f Ceíalotorax bem maior (pelo menos 1 mm) do que as patelas c tibias do l.° c 4.°
• par dc pernas 2
1. j Ceíalotorax igual ou apenas pouco maior (menos 1 mm) do que as patelas e
| tíbias do l.° e do 4 o par dc pernas. Colorido beral uniforme, ocrácco íer-
l ruginoso, com abdômen muitas vezes mais escuro — P. ceslerí.
f Patela e tíbia 1 maior do que a patela e tibia 4 4
1 Patela e tibia 1 do mesmo comprimento do que a patela e tibia 4 3
Colorido do corpo inteiro (lado dorsal e vcntral) uniforme, cinza murino ou
cinza ferruginoso, no abdomem com tons brilhantes — P. tetracaulhus
Mello-Leitão.
Colorido superior (ceíalotorax, pernas, abdômen) cor de monho escuro, às
vezes quase preto; esterno, coxa e ventre cinza ferrugem; o ventre às
vezes mais ferruginoso — P. sorocabae Mello-Leitão.
Patela c tibia I menor do que a patela e tibia IV; colorido no lado dorsal
igual ao de P. sorocabae; estemo, ancas c ventre enegrecidos — P. rosem
Mello-Leitão.
Patela c tibia I menor do que a patela e tibia 4. colorido no lado dorsal igual
ao de P. sorocabae ; estemo e coxas ferruginosos ou cinzentos; ventre
castanho escuro até enegrecido — P. rondonicusis Mello-Leitão.
SciELO 0
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L.
cm
Mem. Inst. Batantan.
2» . 233-2$ 2, D«." 1947.
W. BÜCHERL
263
que as duas anteriores, mas existe até na Capital de São Paulo ; P. cesteri tem o
mesmo habitat de tctracanthus, sendo, entretanto, ainda mais rara do que esta;
P. rondomensis já foi encontrada: um exemplar em Piracicaba, um outro em
Artemis e todos os outros em Taunay (Mato Grosso), sendo o macho de Terenos,
do mesmo Estado.
RESUMO
O presente trabalho representa uma revisão crítica e sistemática das espé-
cies brasileiras do género Pamfhobcteius Pocock. Tendo por base um grande
número de exemplares deste género, são apresentados como falhos e inaprovei-
táveis para a boa sistematização da; espécies os seguintes caracteres, até agora
aproveitados pelos especialistas : dimensões dos cômoro; oculares ; posição e ta-
manho dos olhos; comprimento total e das pernas; largura do cefalotorax e do
esterno; posição e forma da fóvea torácica e da; últimas sigilas; número e po-
sição dos espinhos das pernas.
Igualmente, à mão do mesmo material, estudado comparativamente, foram
reconhecidos como tendo grande valor sistemático especifico, o colorido geral
juntamente com a relação das medidas dos comprimentos do cefalotorax e das
patela, e tíbias do primeiro e do quarto par de pernas. Segundo estes carac-
terísticos foram reestudados o; tipos descritos pelos autores, drs. Mello-Leitão,
S. T. Piza e B. M. Soares, chegando-se à conclusão de que entre as 19 espécies
até agora descritas para o Brasil, apena; 5 são realmente validas permanecendo
uma Via. e uma VI Ia. por enquanto duvidosas.
São as seguintes as e-pécies validas com as respectivas sinônimias:
1)
P. roseus Mello-Leitão, 1923
Sinônimas :
2)
P. sorocabae Mello-Leitão, 1923
Sinónimas :
3)
P. cesteri Mello-Leitão. 1923
Sinónimas :
4) P. rindoniensis Mello-Leitão, 1923
5) P. tetroconthus Mello-Leitão. 1923 Sinônima :
P. cephalopheus Piza, 1944.
P. melanocephalus Mello-Leitão, 1923 e
P. communis Piza, 1939.
P. cueuUatus Mello-Leitão, 1923 :
P. holophaeus Mello-Leitão, 1923:
P. exsul Mello-Leitão, 1923;
P. urbanieolus Soares, 1941.
P. ypirangmsis Soares, 1941
P. piracicabensis Piza, 1933
P. mus Piza, 1944.
A espécie ainda mal definida, por falta de maior número de exemplares é
a que reune a P. platyomma e insularis Mello-Leitão, 1923 e P. maseulus Piza,
1939 sob o nome de P. platyomma Mello-Leitão, 1923.
31
ESTITDO COMPARATIVO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DO
- J ' CENTRO PAUPHOBETEVS POCOCK, 1901 (if rCALOSíORPH.E
P. anomalus Mello-Leitão, 1923 carece ainda de ulterior confirmação à
mão de novo material. P. benedemi Bertkau parece ser uma Lasiodora. P.
isabclliiius Ausserer. 1871, é reconhecida como sendo espécie valida, dada a sua
prioridade absoluta dentro das espécies deste género. E’ quase certo que com
ela é sinônima a P. ccsteri. Mas a questão só poderá ser resolvida deíiniti-
vamente, quando se tiver conhecimento do paradeiro do tipo.
ZUSAM MENFASSUNG
1 ii obiger Arbeit wird eine kritische Revision der brasilianischen Arten des
Genus Pamphobctcus Pocock, an Hand von zahlreichen Exemplaren. darge-
legt. Die bisher von den Zpezialisten angewandten Markmale, wie der Aug-
huegel; die Stellung und Groesse und Abstaende der Augen; die totale Laenge
und die Laenge der Beine; die Breite des Cephalothora.x und des Sternums;
die Lage und die Form der Thoraxgrube ; die Zahl und Lage der Dorneti an
den Beinen-werden vergleichend kritisch untersucht und es wird bewiesen, dass
sie keine apezitischen Merkmale darstellen. wenigstens nicht im Genus Pam-
phobctcus, weil sie zu g tos sen indivklucllen Yarationen unterworfen sind.
Positiv wird dabei festgestellt. dass gerade die allgemeine Faerbung ein
sehr wichtiges spezifisches Merkmal darstdlt. das, zusammen niit den Bezie-
hungen der 1 aengenmasse des Cep.lialonorax und der Patellen und Tibieti der
ersten und letzten Beinpaare. zur spezifischen Unterscheidung der Arten un-
bedingt zuverlaessig ist.
An Hand der neuen Merkmale werden die 19 Arten des Genus Pampho-
bctcus, mit Hilfe von inehr ais 600 Exemplaren, neu bestimmt und auf folgende
5 Arten reduziert:
1) P. rosais Mcllo-Lcitão, 1923 — Syn.: P. ctphalophtus Piza. 1944.
2) P. sorocabac Mello-Lcitão. 1923 — Syn.: P. tnehtnoccfhalus Mcllo-Lcitão und
conimunis Piza;
31 P. cestcri Mcllo-Lcitão — Syn.: cicuUatus, holophaeus. exsul Mello-Leitão;
urbanicolus. ypiratuicnsis Soares; piraã-
cabcnsis Piza.
4) P. rondonicHsis Mcllo-Lcitão, 1923
5) P. telracanlhus Mello-Leitão, 1923 — Syn.: P. mus Piza.
Zwischen plalyomiua, insular is und masculus wird eine weitgehende Ue-
bereinstimniung in Farbe, Massen und habitat gefunden und der gut begruen-
dete Yerdacht atisgesprochen, dass es sich bei dtesen drei Arten nur um eine
Art handelt, die den Namen P. platyomma Mello-Leitão, 1923 fuehrt.
32
Oi to
Mtns. Inst. Butiatin.
2» 233-2*2. D tz.' 19*7.
\V. BCCHEKL
265
Ebenso wird der Yerdacht ausgesprochen. dass P. cesteri sehr wahrschein-
lich synonym sein wird mit P. isabeUinus Ausserer. P. anomalus Mello-Leitão,
1923 scheint zwar eine gute Art zu sein, konnte aber leider hier nicht naeher
behandelt werden, einerseits weil der Typ nicht mehr aufgefunden wurde und
andererseits, weil nur ein einziges Exemplar, ein Weibchen, beschrieben wurde.
P. benedenii Bertkau konnte nicht revidiert werden, weil, wie bei isabeUinus,
weder der Typ noch eine originelle Beschreibung dieser Art zu haben war.
In gegenwaertiger Arbeit werden auch die Maennchen, soweit sie bisher
unbekannt waren. neu beschrieben und der sexuelle Gesehlechtsunterschied
zwischen Maennchen und Weibchen wird hier zum ersten Male dargelegt.
Ausserdem bringt dieser systematische Beitrag neue Schluessel zur sicheren
Bestimmung der Arten des Genus Paniphobelciis, geltend tuer Maennchen und
Weibchen. womit der synoptische Schluessel von Mello-Leitão ersetzt wird.
ABSTRACT
The 19 species oí the genus Pauiphobctcus Pocock are studied and redu-
ced to only 5 good species.
Agradecimentos — Agradecemos à Srta. Margarcthe Fuerst, os
gráiicos; ã Sra. Thcreza Sarli, os desenhos coloridos c ao Snr. J.
Talarico, as fotografias.
BIBLIOGRAFIA
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20 2S3-2S2, Dti.* 194r.
W. BCCHERL
2 67
P. sorocaber Ç
35
Pamphokrtens roscns Ç
SciELO
Mem. Inst. Butzntan.
2 0:233-282, Dez.*» 1947.
W BCCHERL
Mexn. In?t. Butantan.
-
W. BÜCHERL
P. rondonicnris O
2 3 4 5 6 7 SCÍELO, 1X 12 13 14 15 16 17
P. tftracanthhis ç
Mcm. Jnst. Butantan.
IO: 231 - 232 , !>«.* 19 ir.
W. BCCHERL
cm
') 11 12 13 14 15 16 17
Mem. Inst. Butantan.
20:233-282. Dez.» 1947.
W. BÜCHERL
M m. Inst. Butantan.
20:233-282, Dez.* 1947.
W. BUCHERL
277
A. Pampkobrteus rosens g
B. Pampkobcteus sorocobae £
C. Pamphobetruj tetracantkus £
D. Pampkobrteus cerítri ^
4S
SciELO
) 11 12 13 14
278
ESTUDO COM PARATI VO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DO
CENTRO PAMPHOBETEUS POCOCK, 1901 ( MYGALOMORPHM )
A. Pamphobeteus sorocobae 9
B. Pamphoçeteus roseus 9
C. Pamphobeteus rondoniensis 9
46
SciELO
Mem. Inst. Butantan.
20: 233-282, Dez .• 1947.
\V. BÜCHERL
A. Pamphobetens roseus ^
B. Pamphobeteuj sorocobac g
C. Pamphobettus Utracantkus ^
D. Pamphcbrieus cestrri £
9gO ESTUDO COMPARATIVO DAS ESPÉCIES BRASILEIRAS DO
CENTRO PAMPHOBETEUS POCOCK, 1901 ( ÍIYCALOMORPHJE )
Pamphobeteus cesteri Ç
A. Pamphobeteus tetracanthus ç
B. Pamphobeteus cesteri ç
cm
Mem. Inst. Butantan.
20: 233-282, Dtz.° 1947.
W. BCCHERL
2S1
Pampkobcteus to teus ç
Pj'Af>hcbeteus ronJoniensis $
Pamphobftcus sorocobce Ç
Pamphobtteus tctracanthus Q
49
SciELO
) 11 12 13 14 15 16
Mrm. Inst. Batantar..
20: 283-296, D».* 1947.
ALCIDES PRADO & ALPHONSE R. HOGE
283
XOTAS OFIOLÓGICAS
21. Observações sobre serpentes do Perít
por ALCIDES PRADO & ALPHONSE R. HOGE
(Do Laboratório de Ofiologia e Zoologia Médica, Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil )
Estas observações são o resultado do exame de um lote de serpentes que
nos foi enviado pelo prof. Carlos Morales Macedo, director do Museu de His-
tória Natural Javier Prado, de Lima, Perú.
Desse lote uma parte é agora estudada e relatada, ficando a parte restante
para ser divulgada mais tarde, em publicação subsequente.
Da importância de um trabalho desta natureza nada é preciso dizer, por-
quanto ele se relaciona não só com a sistemática, como também com a distri-
buição geográfica de um determinado grupo de animais. Disto resulta um
maior conhecimento em ambos o$ sentidos e da descoberta de formas porventu-
ra novas à ciência.
Todo o material examinado pertence à coleção do museu acima citado.
Fam. Boidae
Subfam. Boinae
Gén. E p ic r at e s Wagler, 1830
Epicrates cenchria cenchria (L., 1758)
No. 31, jovem á , procedente de Colonia dei Perené, Junin, com data de
captura: junho de 1920.
E. 45; V. 266; A. 1; Subc. 59.
Spl. 13 (7a. e 8a. junto ao olho).
Recebido para publicação em 1-8-1947.
I
1
SciELO 0
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
L
cm
Mem. Imt. Butantan.
2 »: 233-296. D-r ' 19-17.
ALCIDES PRADO & ALPHOXSE R HOGE
285
Fam. Anilidae
Gén. .4 ii i I i a s Oken, 1816
Anil i ii s scytalc (L., 1758)
No. 8, adulto ó , procedente de Huánuco. com data de captura : maio de
1946.
E. 21 ; V. 247; A. 1; Subc. 13
Vermelha, revestida de estreitos aneis negros mais ou menos completos.
Compr. total 606 mm; cauda 20 mm.
Espécie da parte equatorial da América do Sul. Habita os lugares húmi-
dos, vivendo também nas raizes dos velhos troncos.
Fam. Colc bridae
Sbfam. Colubrinae
Gén. C h i r o ti i ii s Fitzinger, 1826
Chiroiiiiis carinalus (L.. 1758)
No. 18, adulto 6 , procedente de Pucallpa, Loreto, com data de captura :
fevereiro de 1947.
E. 12; V. 147; A. 1/1; Subc. 119/119
Spl. 9 (4a.. 5a. e 6a. junto ao olho) ; 5 infl. em contacto com a mental an-
terior. Apresenta-se com 2 séries vertebrais de escamas tortemente carinadas.
Cor oliva em cima. com escamas caudais bordadas de negro; cabeça da cor ge-
ral; ventre oliva-claro.
Compr. total 1525 mm; cauda 430 mm.
No. 3. adulto 9, procedente de Satipo, Junin, com data de captura: julho
de 1940.
E. 12; V. 153; A. 1/1; Subc. 134/134
Spl. 10/10 (4a. 5a. e 6a. e 5a. e 6a. junto ao olho) ; 5 infl. em contacto
com a mental anterior.
Escamas dorsais todas lisas. Colorido mais ou menos idêntico ao do exem-
plar anterior: ventre oliva-escuro.
Compr. total 1 160 mm ; cauda 400 mm.
286
XOTAS OFIOLOGICAS. 21
Gén. Leptophis Wagler, 1830
Lcplophis occidentatis nigromargimtus (Günther, 1866)
Xo. 20, adulto 9, procedente de Pucallpa, Loreto, com data de captura:
fevereiro de 1947.
E. 15; V. 149; A. 1/1; Subc. 147/147
Spl. 8/9 (4a. e 5a. e 6a- junto ao olho) ; 5 iafl. em contacto com a mental
anterior.
Escamas fxacamente carinadas, sendo estas escuras. Ver do- azulada em
cima, com escamas marginadas de negro ; cabeça da cor geral, com placas igual-
mente marginadas de negro, sendo que as supraoculares e as parietais exibem
manchas da mesma cor.
Compr. total 875 mm; cauda 340 mm.
Leptophis occidentalis ortouii Cope, 1876
Xo. 39, jovem 9 , procedente do Vale de Chanchamayo, com data de cap-
tura: 1918.
E. 15; V. 158; A. 1/1; Subc. 147/147
Spl. 8 (9 no tipo; 4a. e 5a. junto ao olho) ; 5 iníl. em contacto com a men-
tal anterior.
Temporais 1 + 1 (1+2 no tipo), ambas muito grandes, sendo a 2a. mais larga.
Cor azul em cima e azul-clara em baixo (material conservado).
Compr. total 796 mm; cauda 304 mm.
Esta forma é afim da anterior, da qual se distingue especialmente por pos-
suir todas as escamas lisas e as ventrais não angulosas.
Gén. Leimadophis Fitzinger, 1843
Lciwadophis albivcntris (Jan., 1863)
Xo. 40, adulto <J , procedente do Vale de Chanchamayo, com data de captura :
junho de 1918.
E. 17; V. 145; A. 1/1; Subc. 64/64
Spl. 8 (4a. e 5a. junto ao olho) ; T. 1+2; 5 infl. em contacto com a mental
anterior.
4
Mcm. Injt. Butantan,
2fc: ’83-296, Dez.* 1947.
ALCIDES PRADO & ALPHOXSE R. HOGE
287
Yerde-olivácea em cima ; cabeça da mesma cor, com uma barra negra lateral
através dos olhos; corpo com uma raia negra lateral, mais visível na porção pos-
terior; ventre branco.
Compr. total 512 mm; cauda 126 mm.
Leimadophis lyphlus (L., 1758)
Xo. 14, jovem 9, procedente de Marcapata, Cuzco, com data de captura:
dezembro de 1946.
E. 19; V. 155; A. 1/1; Subc. 53/53
Spl. 8 (4a. e 5a. junto ao olho) ; 5 infl. em contacto com a mental anterior.
Temporais 1+2. Verde-oliva em cima, com pequenas manchas negras disse-
minadas; ventre branco uniforme.
Compr. total 306 mm; cauda 50 mm.
Gén. L io p hi s Wagler, 1830
Liophis cobclla (L., 175S)
Xo. 6, adulto 3 , procedente de Satipo, com data de captura: julho de 1940.
E. 17; V. 155; A. 1/1; Subc. 61/61
Spl. 8 (4a. e 5a. junto ao olho) ; 5 infl. em contacto com a mental anterior.
Parda em cima, não se deixando perceber faixas transversais, devido ao mau
estado de conservação em que st encontra o exemplar; ventre branco-amarelado,
com estrias transversais.
Compr. total 681 mm; cauda 150 mm.
Esta espécie foi, por Beebe, encontrada na Guiana Inglesa e Venezuela, nas
touceiras de bambus, alimentando-se de rãs ou de pequenos lagartos.
Gén. X e n o d o n Günther, 1863
Xcnodon scvcrus (L., 1758)
Xo. 15. jovem 9, procedente de Marcapata, Cuzco, com data de captura:
dezembro de 1946.
E. 21; V. 138; A. 1/1; Subc. 40/40
Spl. 8 (4a e 5a. junto ao olho) ; 6 infl. em contacto com a mental anterior.
2SS
XOTAS OFIOLOG1CAS. 21
Apresenta-se com faixas transversais pardo-negras, separadas por estreitos
espaços esbranquiçados; cabeça com unia faixa pardo-negra em forma de U in-
vertido, e outra de olho a olho sobre a fronte; ventre negro, maculado de bran-
co, lateralniente.
Conipr. total 230 mm; cauda 23 mm.
Esta forma tem sido registada no Perú. por vários autores.
Gén. S i b y n o vi or f h ti s Fitzinger, 1843
Sibynomorphns catesbyi (Sentzen. 1796)
Xo. 1, adulto 9, procedente de Satipo, com data de captura: julho de 1940.
E. 13; V. 180; A. 1; Subc. 88/88
Ligeiramente parda-avermelliada em cima, com largaj manchas arredondadas
pardo-escuras, alternadas, sobre o corpo ; cabeça negra, com um colar branco
nucal ; ventre manchado de pardo.
Compr. total 515 mm; cauda 126 mm.
Subiam. Boiginae
Gén. Rhinobothryu m Wagler, 1830
Rhinobothryum Icntigiiiosiiiu (Scopoli, 1785)
Xo. 9, adulto 9 , procedente de Marcapata. com data de captura: dezembro
de 1946.
E. 19; V. 264; A. 1/1; Subc. 114/114
Spl. 8 (4a. e 5a. junto ao olho) ; 5 infl. em contacto com a mental anterior.
Loreal mais alta do que longa. Temporais 2+2. Escamas carinadas no
dor.-o e lisas lateralmente. Mostra-se com largos aneis pardo-negros, em número de
25, separados de outros mais estreitos, esbranquiçados e pontilhados de pardo-
negro; cabeça com placas pardo-negras, tarjadas de branco.
Conipr. total 1185 mm; cauda 250 mm.
Serpente rara, porém já registada no Perú.
6
M cm. In«t. BuUntan.
20:283 296. Dez.* 1947.
ALCIDES TRADO & ALPHOXSE R. HOCE
2S9
Gén. Leptod eira Fitzinger, 1843
Leptodeira annulata annulata (L., 1858)
Xo. 12, adulto 9 . procedente de Marcapata, com data de captura: dezembro
de 1946.
E. 19; V. 1S8; A. 1/1; Subc. 101/101
Parda em cima, com uma série dorsal de grande? manchas negras, fusionadas
parcialmente, em ziguezague; cabeça parda-esrura, com uma faixa pardo-negra,
de cada lado da cabeça, do olho à comissura labial.
Compr. total 730 mm; cauda 185 mm.
Foi encontrada no estomago uma Hyla sp.
Gén. Pseudo boa Schneider, 1801
Pscudoboa bitorquala (Gimther. 1872)
Xo. 21. adulto 9 , procedente de Pueallpa, Loreto, com data de captura : fe-
vereiro de 1947.
E. 19; 203; A. 1 ; Subc. 76/76.
Avermelhada em cima. com escamas bordadas de negro; cabeça negra em
cima, com duas faixas da mesma cor, nucais; partes inferiores amareladas.
Compr. total 640 mm ; cauda 130 mm.
Forma compreendida na fauna do Perii. por alguns autores já assinalada.
X'o. 36, adulto © . procedente do Y r ale de Chanchamayo, com data de captura:
1918.
E. 19: V. 203; A. 1 : Subc. 87/87
Colorido idêntico ao da forma acima.
Compr. total 761 mm; cauda 174 mm.
Pscudoboa Irigcuiina ( D. & B., 1854)
Xo. 26, adulto i . procedente de Montaha, com data de captura: 1935.
E. 19; V. 195; A. 1; Subc. 83/83
Vermelha, com faixas negras transversais em tríade, bastante regulares.
Compr. total 702 mm; cauda 169 mm.
Xo. 27, adulto 9 . com a mesma procedência e a mesma data de captura.
E. 19; V. 203; A. 1 ; Subc. 79/79.
Colorido também igual ao da forma anterior.
Compr. total 977 mm; cauda 189 mm.
290
XOTAS OFIOLOGICAS. 21
Gén. Philodryas Wagler, 1830
Philodryas olfcrsii (Licht., 1823)
No. 35, adulto S , procedente de Vale de Chanchamayo, com data de captura :
1918.
E 19; V. 183; A. 1/1; Subc. incompletas
Spl. 8 (4*. e 5*. junto ao olho) ; 5 infl. em contacto com a mental anterior
Uniformemente verde em cima. sem listra negra postocular.
Philodryas inridissimus (L., 1758)
No. 22. adulto <S , procedente de Pucallpa, com data de captura : março
de 1947.
E. 19; V. 210; A. 1/1; Subc. 114/114
Spl. S (4 * e 5.* junto ao olho) ; infl. em contacto com a mental anterior.
Verde em cima e branca-amarelada em baixo.
Compr. total 760 mm; cauda 210 mm .
Espécie arborícola já mencionada no Perú.
Gén. Oxybclis Wagler, 1830
OxybeUs acuminatus (Wied, 1822)
No. 19, adulto 9 , procedente de Pucallpa, com data de captura : janeiro
de 1947.
E. 17; V. 1930; A. 1/1; Subc. 179/179
Spl. 8 (4*. 5*. e 6*. junto ao olho) ; 3/4 infl. em contacto com a mental
anterior.
Uniíormememente cinza, manchada de pardo e com leves pontuações negras;
cabeça da cor geral, com uma listra negra lateral, através do olho.
Compr. total 1187; cauda 468 mm.
Forma arborícola e muito alongada.
Gén. Erythrolamprus Wagler, 1830
Erythrolamprus acsculapii (L., 1758)
8
No. 16, adulto 5, procedente de Pucallpa, com data de captura: 1947.
E. 15; V. 189; A. 1/1; Subc. 44/44
Metn. Inst. Butantan.
2* :2$i-2 r >6, Dei." 1947.
ALCIDES PRADO & ALPHONSE R. HOGE
291
Spl. 7 (3a. e 4a. junto ao olho) : 4/5 infl. em contacto com a mental anterior.
Vermelha, com aneis negros duplos, em séries; cabeça da cor geral, com
uma faixa negra na fronte.
Compr. total 760; cauda 95 mm .
No. 29, adulto 9 , procedente de Montana. com data de captura: 1935.
E. 15; 'V. 188; A. 1/1; Subc. 45/45
Vermelha, com aneis negros, duplos, agrupados; cabeça e nuca negras, com
um colar claro nucal; algumas manchas negras sobre as parietais.
Compr. total 630 mm ; cauda 80 mm .
Fam. Elapidae
Subfam. Elapinae
Gén. M i c r u r u s Waglcr, 1824
Micrums spi.rii obscura Jan, 1872
No. 13, adulto S . procedente de Marcapata. com data de captura ; dezembro
de 1946.
E. 15; V. 217; A. 1/1; Subc. 5-15/15-2
Vermelha com aneis negros em tríades largas : anel negro sobre o pescoço.
Compr. total 1150 mm; cauda 57 mm.
Em perfeita concordância com Schmidt & Walker. reconhecemos tratar-se da
subespécie em questão.
Fam. Crotaudae
Subfam. Lachesinae
Gén. Bothrops Wagler, 1824
Bothrops niicrophthalinus Cope. 1876
No. 30, adulto 9 , procedente do Vale de Chanchamayo, com data de captura :
1920.
E. 25: V. 149; A. 1 ; Subc. 52/52
Pardo-cinza em cima. com mancha- jardo-negra- triangulares, laterais; ven-
tre pardo-claro na parte anterior e pardo-escuro na posterior.
Compr. total 425 mm ; cauda 62 mm .
Cumpre-nos assinalar aqui a presença do poro nasal, facto que se prestou a
Maslin para fazer a separação entre Bothrops c Triínercsurus. No estomago,
encontramos restos de um Tciú e de uma Perereca.
292
XOTAS OFIOLOGICAS. 21
BolJirops pictus (Tschudi, 1849)
No. 33, adulto 5 , procedente de Montana dei Perene, com data de captura:
1920.
E. 23: V. 169; A. 1 ; Subc. 52/52
Pardo-pálida em cima, com uma série dorsal de manchas pardo-negras, por
vézes confluentes, em ziguezague; pequenas manchas negras laterais; cabeça
manchada de pardo-negro no alto; lateralmente, com uma listra pardo-escura
atrás do olho, e outra, vertical, abaixo do olho.
Compr. total 370 mm ; cauda 52 mm .
Trata-se de uma pequena forma da .fauna peruana.
RESUMO
Relata-se neste trabalho o resultado do exame procedido em parte de um
lote de ofídios enviado do Perú. O valor de um estudo desta natureza está em
que ele se prende a questões de sistemática e de distribuição geográfica de um
importante grupo zoológico.
ABSTRACT
This paper deals with the síudy of a small collection of Peruvian snakes
from the Javier Prado M use um of Lima, Perú.
BIBLIOGRAFIA
1. Becbe, IV. Zool., (1) :18, 1942.
2. Bontenger, G. A., Cat. Sn. Brit. Mus., 1-3, 1893-96.
3. Cope, E. D., J. Acad. Phil., (2) 8:159. 1876.
4. Cope, E. D., Proc. Ame. Phil. Soc., 17:35, 1877.
5. Maslin, T. P., Copeia, (1) :18, 1942.
6. Schmidt, K. & Walker, IV., Zool. Ser. Field ifus. of Xat Hist., 24 (26-27) :279 et
297, 143.
10
NOTAS OFIOLOGICAS. 21
Rhinobothryum Icntiginosum (Scopoli, 1785)
Mera- Inst. Butantan. ALCIDES PRADO & ALPHOXSE R. HOGE onc
2»: 283-296, Dez.» 1947. ^3
Rkinobothryum Untitrinotum (Scopoli, 1785»
cm
Mera. Inst. Butar-tan.
29:297-314, Da* 1947.
\V. BÜCHERL
297
DUAS NOVAS ESPECIES DO GENERO EUPALAESTRUS
POCOCK, 1901.
por \V. BCCHERL
(Do Laborotorio de Zoologia Medica da Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil )
INTRODUÇÃO
O genero Eupalaestrus Pocock, 1901, pertence à ordem Araneae, subordem
Mygalomorphae (caranguejeiras), família Theraphosidac, subfamilia Thera-
phosinae.
A duas novas especies são, portanto, caranguejeiras, cujos tarsos estão
providos de densos tufos subungueais e de duas garras terminais; com quelí-
ceras desprovidas de rasteio ; com numerosos espinhos nos metatarsos das pernas
posteriores; com abundantes pelos curtos, sedosos, no lado interno dos fêmures
do ultimo par de pernas; sem “aparelho estridulante” ; com o quarto par de
pernas muito mais comprido do que o primeiro e com as tibias e, principalmen-
te, os metatarsos muito espessos em todas as especies conhecidas, normais, en-
tretanto, numa das duas noras especies.
•
O genero Eupalaestrus é, até hoje, representado apenas por tres especies,
baseadas unicamente em fêmeas, por tres autores diferentes, ignorando os proprios
autores os respectivos machos (Simon, Pocock e Mello-Leitão).
Eupalaestrus campestratus foi descrito por Simon, em 1891, assinalando
aquele autor o Paraguay como habitat desta caranguejeira.
Eupalaestrus pugilator foi descrito em primeira mão por Pocock, em 1901,
com habitat na Argentina.
A unica especie conhecida no Brasil é Eupalaestrus spmosissimus, descrito
por C. de Mello-Leitão, em 1923, e capturado em Pinheiro, no Estado do Rio
de Janeiro, Brasil.
Pelo grande espaço de tempo decorrido entre as diversas descrições das
especies acima e das nossas e pelo pequeno numero de exemplares, pois alem
do exemplar tipo dos respetivos autores não são conhecidos outros especimens,
Entregue para publicação em 10 de setembro de 1947.
2 98
DL' AS XO VAS ESPÉCIES DO GÊNERO EUPALJzSTRCS
POCOCK, 1901
nem mesmo os respectivos machos, pode-se inferir que se deve tratar de uma
caranguejeira muito rara.
Como não se conhecem outras especies no Brasil e como as duas t-pecies
novas, que passamos a descrever agora, são muito diferentes entre si e de
spinosisdimus de maneira a excluir qualquer duvida, não hesitamos em proceder
à descrição, ainda que tenhamos apenas um exemplar de Eupalacstrus tarsicrassus,
sp. nov. (uma fêmea). Eupalacstms tcnnuitarsus, sp. nov., entretanto, está
baseada em seis fêmeas e dois machos, sendo os dois machos os primeiros a serem
descritos para todo o gênero.
Eupalacstrus tarsicrassus sp. nov.
A nossa descrição é forçosamente apenas morfologica, a estabelecer sim-
plesmente o que o presente exemplar tem de particular, sem podermos inferir
possíveis variações deste ou daquele carater. Xaturalmente sempre está a pre-
sente especie nova em conironto com spitwsissiwus, da qual difere fundamen-
talmente.
Medidas :
Comprimento total 55 mm;
Cefalotorax 1 7 por 15 mm;
Pernas 47 — 42 — 40 — 55 mm;
Patcla e tibia I 16,2 mm; IV — 18 mm;
Cômoro ocular 2,7 por 2.1 mm;
Esterno 72 por 6 mm ;
Espessura do íemur IV — na base ... 2.5 mm; no apice — 3.5 mm;
Espessura da tibia IV — na base ... 3 mm; no apice — 4 mm;
Espessura do meta tarso IV — na base 3.3 mm ; no meio — 3.8 mm : no apice — 2,7 mm
Colorido (vide prancha colorida e fotografias) :
Cefalotorax cinza escuro, quase preto, com pubescencia olivaceo negra.
Quelíceras de pubescencia cinza esbranquiçada, com cerdas escuras na base e
avermelhadas nas pontas. Abdômen olivaceo, com cerdas longas, deitadas, ver-
melhas nas pontas e hastes e olivaceas na base. Pernas, no lado dorsal, cinzentas-
Fêmures marron escuro, destacando-se por esta côr das outras articulações. As
ultimas pernas inteiramente marrom escuras. Fêmures, patelas e tibias com
2 faixas dorsais, longitudinais, não muito nitidas, cobertas de curtos pêlos cin-
zentos nos fêmures; “nuas” e um tanto sinuosas e de côr marrom escuro nas
patelas; côr de cinza novamente nas tibias (quase imperceptíveis no quarto par
■>
Mcm. Itst. Butantan.
í*:297-314. Dm* 19 >7.
W. BCCHERL
299
de pernas). Tíbias, contíguo às faixas, no lado interno, com 2 listras escuras
formando um semi-ane! basal (invisíveis no quarto par de pernas). Metatarsos
com listra mediana, escura, sinuosa. Tarsos com listra escura, oval, larga.
Cordas das pernas anteriores curtas, crescendo em comprimento e intensidade
do colorido e aumentando em numero nas ultimas pernas, onde são semi-eretas.
Sempre com base escura e haste e pontas avermelhadas, até ao vermelho vivo nas
ultimas pernas. Fêmures, patelas, tibias e metatarsos, nos ápices, com filas
transversais de pêlos curtos, cinzentos, a formar uma especie de anel.
Esterno, labio, ancas do., palpos e coxas das pernas moreno escuros. Ventre
igualmente moreno escuro, abrutamente destacado no colorido dos lados do
ventre, que são cinza amarelos. Fimbria dos palpos e do labio vermelha.
Cerdas ventrais curtas e esparsas, vermelho arroxeadas.
Olhos: Olhos médios anteriores duas vezes maiores do que os laterais
anteriores, separados entre si e dos laterais menos de meio diâmetro. Laterais
anteriores e posteriores iguais. separados menos de um diâmetro. Médios pos-
teriores muito pequenos, duas vezes menores do que os laterais posteriores e
pelo menos tres vezes menores do que os médios anteriores. Contíguos aos
laterais posteriores e bastante afastados dos médios anteriores.
Esterno : Pouco mais longo do que largo, com tres pares de sigilas quase
ovais e todas equidistantes da margem.
Labio e ancas dos palpos com cuspulas numerosas, irregulares, submarginais.
Queliceras com bainha armada de 11 a 12 dentes enfileirados, que apre-
sentam os seguintes tamanhos: primeiro veem dois dentes menores, depois tres
bem maiores, depois novamente tres menores e no fim tres a quatro grandes.
No fundo da fileira de dente-, ao lado, existem mais de 15 denticulos, de posição
irregular e de tamanho diferente.
Ultimas pernas com tibias e metatarsos muito espessos, a tibia principal-
mente no lado apical e os metatarsos no lado basal c no meio, sendo a ponta
apical novamente de espessura normal.
Distribuição dos espinhos nas pernas:
Tibias
I — 2 ventro-apicais
II — 2 ventro-apicais
2 anteriores
III — 2 ventro-apicais
3 ventro-apicais
2 anteriores
2 ventro-medianos
0 ventro-apicais
1 ventro-apical mediano
Metatarsos
2 anteriores
3 posteriores
IV — 3 ventro-apicais
2 ventro-medianos
4 anteriores
5 posteriores
muitos e irregularmentc
dbtribuidos
DUAS NOVAS ESPÉCIES DO GÊNERO EUPALMSTRUS
POCOCK, 1901
Os quatro preíemures sem espinho algum.
Ancas dos palpos, na face posterior, sem espinhos mas somente com al-
gumas cerdas escuras. Trocanteres do primeiro par de pernas, na face ante-
rior, também sem espinhos, mas somente com pequenas cerdas. Ancas do pri-
meiro par de pernas, na face anterior, acima da sutura, com numerosos espinhos
pequenos, irregulares. Os mesmos espinhos escuros, curvos, longos (lembrando
cerdas) estão presentes também nas ancas, na face anterior, das tres pernas
seguintes, aumentando em numero e tamanho no quarto par de pernas. Face
posterior das ancas do segundo e do terceiro par de pernas com numerosos es-
pinhos pretos, bem menos numerosos no segundo par.
Confronto morfologico entre
E. sfinosissimus M. L., 1923 e E. tarsicrassus sp. nov.
Comprim. total 55 mm 55 mm
Pat. e tíbia I 18 mm 16 mm
Pat. e tíbia IV 20 mm 18 mm
Ceíalotorax 20 mm 17 mm
Relação diferencial :
Ceíalotorax igual à patcla e tibia IV c bem mais longo do que a patela e tibia I (2 cm)
— E. spinosissimus;
Ceíalotorax menor do que a patela e tibialV e apenas pouco maior (1,2 cm) do que a
patcla e tibia I — E. tarsicrassus sp. nov.
Ceíalotorax vermelho escuro com pubescen-
cia pardo chocolate;
Cerdas das qucliceras pardas ;
Pernas com linhas longitudinais “ nuas ” ;
Articulações das pernas sem aneis apicais
de pelos ;
Ventre côr de chocolate ;
Rima ocular duas vezes mais larga do que
longa;
Olhos m. p. a igual distancia do m. a. e
dos 1. p. ;
C. cinza escuro, quase preto com pubcscen-
cia olivaceo negra.
Escuras na base, avermelhadas nas pontas.
Linhas das pernas “ nuas " apenas nas pate-
las e com 2 listras escuras nas tibias e
1 listra sinuosa nos metatarsos.
Todas as_ articulações, no lado apical, com
pelos cinzentos, íormando anel.
Murino escuro, com lados amarelos.
Apenas muito pouco mais larga do que
longa. ,
M. p. contiguos aos 1. p. e afastados dos
m. a. mais de dois diâmetros.
Numero de espinhos nas tibias e nos metatarsos bastante diferente nas duas espécies.
Tipo: Fêmea Xo. 593 da coleção aracnologica do Instituto Butantan.
Local-tipo : São José dos Campos, Estado de São Paulo, Brasil.
Data de captura : 6-8-47.
4
Mem. Inst. Butanun,
2«:297-3H. Dei.” 1947.
W. BCCHERL
301
Eupalaestrus tennuitarsus, sp. nov.
Dimensões .
No.
Sexo
Compr. total
Cefalot.
Pat. e tib. 1
IV
86
fêmea
47 mm
21 mm
19 mm
20,5 mm
90
fêmea
37 mm
17 mm
15 mm
16,4 mm
91
femea
50 mm
22 mm
19 mm
20,4 mm
110
fêmea
55 mm
22 mm
18,6 mm
20,3 mm
502
macho
37 mm
16 mm
18,2 mm
20,4 mm
607
macho
38 mm
16,2 mm
18,2 mm
20,8 mm
612
fêmea
55 mm
21,6 mm
17,6 mm
19,7 mm
653
fêmea
46 mm
21 mm
17,5 mm
19,0 mm
Colorido : (vide prancha colorida e fotografias) :
Cefalotorax com densa pubcscencia cinza escura. Orla do cefalotorax e
dos pelinhos das queliccras cinza daro. Abdômen com densa pubcscencia se-
dosa, oüvacea, e com longos pelos vermelhos, semi-eretos, dirigidos para traz,
ocupando toda a parte superior e ambos os lados do abdômen. Esterno, co-
xas, trocanteres e femures com pubescencia cinza e com longos pelos averme-
lhados nas pontas e com haste preta. O numero destes pelos é maior nas ul-
timas pernas, principalmente nos trocanteres e femures. onde chegam a atingir
o comprimento de 1 cm. Ventre e lado ventral das fiandeiras pretos, como
também o lado ventral da patela, tibia, do metatarso e tarso do quarto par de
pernas. Labio e ancas dos palpos vermelhos. Cuspulas do labio numerosas;
as dos palpos maiores e menos numerosas. Fimbria dos lábios e das ancas dos
palpos vermelho tijolo.
Lado dorsal das pernas com pubescencia cinza clara, menos nos femures
que apresentam tonalidades de um cinza olivaceo. Pernas com desenhos orna-
mentais, que consistem em duas faixas e em listras e que se apresentam tão
nitidas como se vê raras vezes em qualquer outra caranguejeira.
As duas faixas são cinza daro e as listras escuras, quase pretas. Fêmures
com duas faixas, longitudinais, paralelas, muito delicadas; patelas com as duas
faixas bem mais largas, à$ vezes tripartidas, convergindo apicalmente a formar
quasi uma ponta. Tibias novamente com faixas paralelas. Metatarsos apenas
com uma faixa cinzenta, mediana, na metade basal, mais fraca nos metatarsos
das ultimas pernas. Tibias no lado interno das faixas e contiguo a estas, duas
listras pretas, estreitas, longitudinais, a começar na base desta articulação com
um semi-anel basal e a terminar um pouco adiante da metade da articulação.
cm
SciELO,
11 12 13 14 15 16 17
duas novas ESPÉCIES do género eupauestrus
POCOCK, 1901
Metatarsos com listra preta, sinuosa, a percorrer em forma de “S" a articulação
toda. Tar-os com listra preta. oval. tendo no meio uma faixa marrom nitida.
Ceíalotorax muito mais longo do que a patela e tibia do primeiro par de
pernas e ainda mais longo do que a patela e tibia do quarto par de pernas. Pa-
tela e tibia IV*. mais longa do que a I*.
Rima ocular quase circular, isto é. apenas muito pouco mais larga do que
longa nas fêmeas; nos machos é quase inteiramente circular.
Os quatro olhos anteriores iguais em tamanho, sendo, entretanto, os médios
absolutamente redondos e os laterais ovais; separados entre si um pouco menos
de um diametTo. Equidistantes. Médios posteriores um pouco menores do
que os laterais posteriores e contíguos a estes; separados dos médios anteriores
mais de um diâmetro. Os olhos dos outros exemplares conferidos variam um
pouco em distancia e tamanho, mas obedecem, contudo, sempre ao esquema
acima, como também os olhos dos machos. Fovea toracica direita nas fêmeas,
levemente procurva nos machos.
Sigilas do esterno separadas da margem mais de dois diâmetros, quase in-
visíveis, por serem inteiramente encobertos pela pubescencia do esterno. Pernas
com escopulas. distribuídas da seguinte maneira:
Xa> femeas os metatarsos são escopulados até a base no primerio e no se-
gundo j>ar de [>ernas. havendo logo abaixo fias escopulas pelos longos, amarelos,
que formam um anel basal no lado ventral.
Metatarsos do terceiro par de pernas escopulados nos dois terços apicais e
no quarto par de pernas ha escopulas apenas no ultimo quarto apical. Xos
machos existem escopulas no primeiro par de pernas apenas na metade apical ;
no segundo par apenas numa area jíouco maior do que o terço apical ; no terceiro
par as escopulas apenas ocupam um quinto apical e no ultimo par de pernas
já não mais existem escapulas, sendo toda a area ventral ocupada por cerdas
e numerosos espinhos.
Pernas jiosteriores pelo menos 6 cm. mais compridos do que as anteriores,
sendo a relação do comprimento a seguinte :
Ultimo par; primeiro par; segundo e. finalmente, o terceiro par. Esta
ordem prevalece igualmente nos machos.
Espessura das articulações das ultimas pernas (no lado dorsal) ;
Fêmures — 4.5 a S mm no larlo basal — 4.5 a 5 mm no lado apical;
Patelas — 3. 9 a 4,5 mm no lado basal — 3.9 a 4.5 mm no lado apical ;
Tihias — 5.9 a 5 mm no lado basal — 3.9 a 5.0 mm no lado apical a 4.5 a 6mm
no meio da articulação.
6
Mero. Inst. Butantan.
2í T>cr.» 1917.
\V. BfCHERL
303
Metatarsos — 2.5 mm no lado basal e 2 mm no lado apical. Os metatarsos
são, portanto, absolutamente normais, isto é, são iguais aos dos outros generos.
em oposição ao Eupalacstrus tarsicrassus, sp. nov. e ;u demais especies deste ge-
nero. em que justamente os metatarsos são muito mais espessos, do que as tíbias.
Tarsos completamente normais nas medidas.
Machos:
Fêmures — 3.8 mm iva lado basal —
Patelas — 3.5 mm no lado basal —
Tibias — 4,1 mm no lado basal —
3,8 mm no lado apical ;
3.b mm no lado apical ;
4.6 no meio — 4.1 mm no lado apical.
Metatarsos novamente normais, como nas icmcas.
As patelas. tibias e os metatarsos, tanto dos machos como das íemeas. de
todas as 'pernas ostentam pelos hirsutos, abundantíssimos, principalmente nas
ultimas pernas. Entretanto, não existem ne-ta especie nova os pequenos espinhos
negros de spinossimus.
Xittttcro dc espinhos nas pernas :
Femeos
Machos
Metatarso I —
2 a 3 ventro-apicais
3 ventro-apicais
2 anteriores
3 posteriores
Metatarso II —
2 a 3 ventro-apicais
4 ventro-apicais
0 a I ventral
2 a 3 anteriores
2 a 3 posteriores
Metatarso III —
4 a 5 ventro-apicais
4 ventro-apicais
1 a 3 anteriores
3 a 4 anteriores
1 a 3 posteriores
3 a 4 jwstcriorcs
Metatarso IV —
IS a 26 espinhos ao todo —
22 a 25 espinhos ao todo
Tíbia 1 —
1 vemro-apical
1 ventro-apical e 6 no resto
Tibia II —
1 ventro-apical
2 ventro-apicais e 4 no rc*to
Tibia III —
2 ventro-apicais
4 ventro-apicais
3 a 5 anteriores
2 a 3 anteriores
1 a 3 posteriores
2 a 3 posteriores
Tibia IV —
2 ventro-apicais
3 ventro-apicais
1 a 2 anteriores
2 anteriores
0 a 1 posterior
2 posteriores.
Fileira de dentes nas queliceras dos machos constituída de 12 a 13 dentes
enfileirados. >endo os tre- primeiros os maiores, seguindo-se então. 4 a 5 dentes
menores e novamente 5 a 6 maiores. Xo lado interno dos dois últimos existem
cm
SciEL0>
11 12 13 14 15 16 17
SOI DUAS NOVAS ESPÉCIES DO GÊNERO EUPAL&STRUS
POCOCK. 1901
alguns denticulos muito pequenos, incolores, bem menores do que os de tarsicras-
sus, sp. nov.
Xas femeas de tennuitarsus, sp. nov., os dentes das queliceras são em nu-
mero de 9 a 11. geralmente, porém, de 10, equidistantes e do mesmo tamanho,
tendo no fundo, na area dos tres últimos dentes. 13 a 17 denticulos, pequenos,
maiores, entretanto, do que os dos machos.
Ancas, na face anterior, acima da sutura, dos quatro pares de pernas, nas
femeas, com espinhos curvos numerosos nas ancas posteriores. Trocanteres dos
primeiros dois pares de pernas, igualmente na face anterior, com alguns
espinhos, mais longos e curvos do que os das ancas. Face posterior das ancas dos
palpos e dos primeiros tres pares de pernas com pequenos espinhos curtos e
pontcagudos, muito poucos em numero nos palpos, aumentando seu numero gra
dativamente nas pernas seguintes até atingir o maior numero no terceiro par.
Ultimas pernas sem estes espinhos.
Primeiro par de pernas do machc* com apófise tibial (vide prancha colorida)
dupla, recurva em forma de anel, sendo a inferior duas ezes maior do que a in-
terna. Flexionamento dos metatarsos no lado esterno da inferior (maior).
Orgão copulador com um corpo quase redondo e bem volumoso e com apófise
retorcida apenas em meia volta e relativamente curta (vide prancha).
Tipo: Femea sob X*. 612 da coleção do Instituto Butantan.
Local-tipo: Tounay, Estado do Mato Grosso. Brasil.
Remetente: Julio de Oliveira.
Paratipos: 5 femeas, procedentes do mesmo local: Xos. 86, 90, 91, 110, 653:
2 machos, do mesmo local : Xos. 502 e 607, todos na coleção
aracnologica do Instituto Butantan.
Procedendo a um confronto morfologico. dentro dos limites do numero res-
trito de exemplares das tres especies brasileiras, pode-se etabelecer a seguinte
cliave sinetica:
Femeas :
a) Cefalotorax igual à patela mais a tibia IV e maior do que a patela mais
a tibia I — E. spinosissimus, M.L. (Estado do Rio de Janeiro).
b) Cefalotorax menor do que a patela e tibia IV e apenas pouco maior do
que a patela mais a tibia I — E. tarsicrassus, sp- nov. (Estado de São Paulo).
c) Cefalotorax bem maior do que a patela mais a tibia IV e muito maior
do que a patela e tibia I — E. tennuitarsus, sp. ov. (Mato Grosso) —
Alem destes caracteres que. como já acentuamos num trabalho morfologico
comparativo sobre as especies brasileiras do genero Pamplwbctcus. são absoluta-
mente seguros e invariáveis, ha a assinalar, como segundo caracter diferencial
S
Mero. Ir.sí. Butantan.
20:297-314, Dm.» 1947.
W. BUCHERL
305
entre as tres especies: — o colorido diferente, igualmente de grande valor sis-
temático :
a) Ancas das pernas e ventre côr de chocolate; cefalotorax pardo-chocolate;
abdômen castanho esverdeado — £. spinosissimus.
b) Ancas das pernas, esterno e ventre murino escuros ; cefalotorax olivaceo
negro-E. tarsicrassus, sp. nov.
c) Ancas das pernas e esterno cinza; ventre preto; cefalotorax cinza es-
curo; abdômen olivaceo-£. tennuitarsus, sp. nov.
Em Eupalacstrus tennuitarsus, sp. nova, ha igualmente um dimorfismo se-
xual nas medidas de comprimento do cefalotorax em relação aos comprimentos
das patelas e tibias do primeiro e do quarto par de pernas e que é o seguinte:
Machos : Cefalotorax sempre menor do que a patela c a tibia I e muito menor
ainda do que a patela e tibia IV.
Femcas: Cefalotorax muito mais longo do que a patela mais a tibia I c
maior ainda do que a patela mais a tibia IV.
Quanto à relação de comprimento entre as patelas c tibias do primeiro e do
quarto par de pernas tanto os machos como as femeas apresentam novamente
intimo parentesco, isto é, em ambos os sexos as patelas e as tibias do quarto par
de pernas sempre são maiores do que as do primeiro par, de maneira que não é
possivel confundir os machos desta especie com os que, no futuro, serão desco-
bertos como pertencentes às outras dua< especies.
RESUMO
No presente trabalho são descritas duas especies novas do genero Eupalacs-
trus Pocock, a saber: Eupalacstrus tarsicrassus, sp. nov. e E. tennuitarsus, sn.
nov., que se distinguem entre si e da terceira especie brasileira, E. spinosissimus
M.L., :
1*. Pelo colorido diferente de cada especie;
2*. Pela relação das medidas de comprimento do cefalotorax e das patelas
mais tibias do primeiro e do quarto par de pernas e que são as seguintes:
a) Cefalotorax igual à patela mais tibia IV-£. spinosissimus M.L.
b) Cefalotorax menor do que a patela e tibia IV-£. tarsicrassus, sp. nova.
c) Cefalotorax maior do que a patela mais a tibia IV-£. tennuitarsus, sp.
nova.
9
-!A>: DUAS XOVAS ESPÉCIES DO GÉNERO EUPAL.ESTRUS
^ POCOCK, 1901
3*. Por um habitat diferente:
spinosissimus provêm de Pinheiro, Estado do Rio de Janeiro;
tarsicrassus de São José dos Campos, Estado de São Paulo;
tennuitarsus de Tounay, Estado do Mato Grosso.
As duas noras especies se distinguem entre si igualmente pelo colorido, ca-
racterístico para cada uma e inconfundível ; pelas medidas de comprimentos do
cefalotorax e da, patelas e tibias I e IV e ainda porque, em tarsicrassus, sp. nov.,
os últimos metatarsos são espessados, bastando conferir as medidas correspon-
dentes, enquanto que em tennuitarsus, sp. nov., os últimos metatarsos são de
espessura normal, sendo os últimos femures. as patelas e principalmente as tibias
muito espessados.
Tendo em consideração justamente estes característicos diferenciais, dêmos
às duas especies noras os seus nomes característicos, que procuram expressar
esta diferença.
Finalmente é descrito ainda o macho de E. tcmiiti/arsus, sp. nov., sendo esta des-
crição tanto mais interessante, quanto vem a preencher uma grande lacuna, pois
até agora não se conheciam os machos de nenhuma especie deste genero.
ABSTRACT
Eupalacstrus tarsicrassus and E. tcniiuitarsus are described as new species
of the gentis Eupalacstrus Pocock. The new -pecies can be easily distingued
for herselves and for the third species of this genus, E. spinosissimus Mello-
Leitão, 1923, as íollow :
a) All three have a diiferent habitat. Spinosissimus is from Pinheiro,
Estado do Rio de Janeiro; tarsicrassus, sp. nov., is from São José dos Campos,
Estado de São Paulo and tcniiuitarsus, sp. nov., is from Tounay, Estado de Mato
Grosso, Brasil.
b) The three species have a proper speciíic color, expresseed chiefly on the
cephalotorax. on the ventral side of abdômen, stennim and coxae.
c) The three species have a characteristic and strictly speeific relation be-
tween the length of cephalotorax and patellae and tibiae IV:
1. Cephalotorax as long as the patellae and tibiae IV-spinosissimus;
2. Cephalothorax longer than the patellae and tibiae IV -tcniiuitarsus, sp.
nov. ;
I
3. Patellae and tibiae IV longer than the cephalotorax — tarsicrassus, sp.
nov. In this paper also is described the first male of the Brazilian species of this
genus.
10
Men. Inst. Butantin.
21:397-31 4, Dm.« 1947.
W. BCCHERL
307
ZUSAM MENFASSUXC
In vorliegender systhematischer Arbeit werden zwei neue Arten ckr Gattung
Eupalaestrus Pocock beschrieben : . .E. tarsicrassus, sp. nov., aus São José dos
Campos, Estado de São Paulo und E. tennuitarsus, sp. nos-., aus Tounay, Estado
de Mato Grosso, Brasilien. Die bciden neuen Arten unterscheiden sich von-
einander und von der. von Mello Leitão, in Jahre 1923, beschriebenen Art, E- spi-
nosisshnus, aus Rio de Janeiro, wie íolgt:
a) Durch die verschiedene, charakteristische Faerbung, hauptsaechlich des
Cephalothoraxes. des Sternunis, der Beinhueften und der ventralen Bauchseite;
b) Durch ein verschiedenes habitat;
c) Durch eine jeweils verschiedene, durchaus charakteristische und artei-
gene Beziehung der Laengenmasse des Cephalothoraxes in Beziehung mit den
Laengenmassen der Patellen und Tibien des crsten und des vierten Beinpaares
und die íolgendermasscn in einem Artenschluesscl ausgedrueckt werden koennen;
1. Cepht. gleich lang wie die Patellen und Tibien I V -spinosissrmus
3. Cepht. laenger al s die Patellen und Tibien YV-tennuitarsus, sp. nov..
2. Cept. kuerzer ais die Patellen und Tibien IV-tarsicrassus, sjpí. nov..
Ausserdem unterscheiden sich die beiden neuen Arten durch die morpholo-
gische Beschafíenheit des lctzten Beinpaares. Bei tarsicrassus siiid hauptsacch~
lich die letzten Metatar-en sehr verdickt, waehrcnd bei tennuitarsus die Femu-
res. Patellen und Tibien verdickt sind und die Metatarsen wieder normale Dickc
aufweisen.
Schliesslieh wird in dieser Arbeit auch das erste Maennchen der ganzen
Gattung bescrieben.
A Dona Theresa Sarli e ao Snr. J. Talarico, da Secção de Fotografia, do Instituto
Bntantaa os nossos agradecimentos pelos desenhos coloridos e pela? fotografias.
BIBLIOGRAFIA
1. Simon. E.. Atui. Soc. Eutom. Bctgique, 60:311, 1891.
2. Pocock, Ann. Mag. Xat. Hist. scr. 7, 8:546, 1901.
3. Mello Leitão. C. de Rn\ Mus. PauUsld. 13 : 221, 1923.
11
'0 11 12 13 14 15 16
Mcm. Jrst. Butantan.
20:297-314, Dez.» 19 Í7.
Emfalafstrus tarjicrusruj ç
309
W. BCCHERL
cm
Mem. Inst. Butantan. \V. BüCHERL
20:297-314, De z* 1947.
1 . Eaf^clactfrus tenmuitarsws rf>. noz^a Ç
2. Eafalaestrus ttmmmitarsms £ — afôfist da tU*u i
3. Eapalacstrn: tcnnaitamt £ — orgâo copnladcr
Mem. I nst. Butantan
20:29/-314, D «.• 1947.
W. BCCHERL
313
Eufialacstrus tcnnuitarsns $
Enpclacstrns tfnnuitarsus Ç
Eufolaestrus tcnnnitarsus £
Euf>úlacstrms Uitnuitarsus £
17
SciELO
11 12 13 14
6 17
314
DUAS NOVAS ESPÉCIES DO GÊNERO EUPAL.ESTRUS
POCOCK, 1901
Eufalacstrui tarsicrassMS C
Eupalacstrus tarsicrassuj ç
18
Meai. Inst. Butanlaa.
2»:315-3Jí, Dez.* 1947
G. ROSEXFELD
315
MÉTODO RÁPIDO DE COLORAÇAO DE ESFREGAÇOS DE SANGUE.
NOÇÕES PRATICAS SOBRE CORANTES PANCROMICOS
E ESTUDO DE DIVERSOS FATORES.
for G. ROSEXFELD
(Do Laboratório de Hematologia do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil )
A coloração de es f regaços pelo» métodos pancromicos apresenta quase sempre
variações nas mãos do mesmo técnico, e especialmente quando executados por
pessoas com pouca experiencia nessas colorações. No entanto trata-se de um
trabalho elementar e simples em que não devem existir esses inconvenientes, que
provavelmente são acentuados pela falta de exatidão das técnicas como são
usualmente descritas.
É frequente ver-se recomendado o uso de quantidades medidas em gotas,
estas variam bastante de volume com os conta-gotas ou as pipetas com que
são contadas, acarretando sempre variações na relação entre agua e corante, o
que é importante na coloração.
Fm algumas técnicas aconselham o uso de numero igual de gotas de corante e
de agua, outros interpretando esses dados erroneamente recomendam quantidades
iguais medidas em cm3. Ora é muito grande a diferença entre os dois métodos,
os corantes sendo usualmente dissolvidos em metanol dão gotas com cerca da
metade do volume das de agua. de modo que enquanto no primeiro método &
quantidade de agua é cerca do dobro da de corante, no segundo elas são real-
mente iguais. Isso sem contar a variação do volume das gotas condicionadas
pelas circunstancias anteriormente mencionadas.
No presente trabalho estudamos os diversos fatores que têm influencia na
coloração, assim como métodos de con serração das preparações coradas, com o
intuito de fixar todos os dados para uma técnica de coloração rapida e simples,
o mais regular e independente possivel do fator pessoal, afim de eliminar o
fator virtuosidade até agora importante nessas colorações. O resultado foi um
método de coloração simples e muito proximo dos métodos usuais de coloração
rapida em que, porém, estão determinados os fatores de variação e sua influencia.
Os dados obtidos serviram-nos de base para a preparação de um corante que
propuzemos em outro trabalho (3), porém o método de coloração pode ser apli-
cado á maioria dos corantes usuais.
Recebido para publicação em 27 de outubro de 1947.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
316
MÉTODO RÁPIDO DE COLORAÇAO DE ESFREGAÇOS DE SANGUE
MATERIAL e métodos
Os esf regaços de sangue eram feitos de modo usual em lamina? e datando
no máximo 24 horas, pois. que. quanto mais velhos dão colorações um pouco
peores e portanto não bem comparáveis.
Corantes — Usamos diversos: Leishman. Wright. Giemsa e o corante ;> r
nós proposto (3). De fabricação “Grübler" e “Harleco” os 3 primeiros e
•'Corm” os quatro.
As soluções de corantes que devem sempre ser conservadas em vidro? secos
e bem fechados foram preparadas das seguintes maneiras:
Soluções metilicas — 0. 15 gr. % de corante em metanol sintético, neutro
ao tornesol. Essa solução é agitada algumas vezes, conservada á temperatura
ambiente e, no dia seguinte filtrada, depois do que está pronta para usar. Foram
também preparadas, diluindo 1 parte de solução glicerinada com 4 partes de
metanol, porém não com resultados tão bons quanto com a solução metilica pura.
Soluções glicerinadas tipo Giemsa — 0.75 gr. % de corante numa mistura
de partes iguais de metanol e glicerina pura com d-1,26. E^sa solução é agitada
diversas vezes e conservada 2 a 6 horas a 60", ou cerca de 12 horas a 37*. Xo
dia seguinte é filtrada e está pronta para usar.
Solução tampão — Foi preparada com fosfato monopotassico anidro
(K H, P O 4 ), e fosfato disodico anidro (Na- H P 0 4 ). Foram feitas soluções
a 10% com cada um desses sais. A mistura correspondente ao p 6.95 e
a uma concentração M/1.5 foi preparada adicionando 54,468 ml. da solução de
fosfato monopotassico a 107.0 ml. da solução de fosfato disodico. Essa solução
stock com uma concentração de 10.7645 gr ' i para ser usada era diluída a 10%
cm agua distilada.
O pH foi sempre determinado com potenciometro.
Secagem — A secagem das laminas dejxns de coradas e lavadas, era feita
com um dessecador de ar quente, do modelo corrente para secagem de cabelo,
instalado sob a mesa com a boca voltada para cima e adaptada a um orifício do
mesmo diâmetro feito no tampo da mesa. Esse método de secagem economiza
muito tempo e quando o volume do trabalho de rotina justifica essa despeza é
o mai- aconselharei. Tem as vantagens de ser rápido, evita arranhar o esfre-
gaço e o tempo exigido para secar é suficientemente curto para evitar que a
lamina descore irregularmente como acontece quando se deixa a lamina em
posição vertical para escorrer e secar.
-s
Meai. I n » t . Butantac.
2»:315-.<^$. D*í.« 194,'
C. ROSENFELD
317
RESULTADOS
Coloração
1) Coloração na fase de fixação — Essa verificação foi feita, cobrindo
no microscopio es f regaços não fixados com corante em solução metilica. que
eram imediatamente recobertos com laminula. Após alguns segundos notava-se
que os núcleos ficavam corados em azul violáceo, sem grande intensidade porém
com notável delicadeza de estrutura. Depois coravam-se as hemacias em rosa
pálido, as plaquetas com o cromomero em violáceo, e. finalmente, as granulações
e o citoplasma dos leucócitos. Essa coloração atingia o máximo no fim de 1
minuto ou pouco mais.
2) Diluição do corante sobre o esf regaço — Dois lotes de laminas foram
tratado» das seguintes maneiras:
a) Os esfregaços foram fixados com metanol durante 1 minuto, depois de
secados foram corados durante 10 minutos com una diluição feita no momento
num provete, de 1 ml de corante com 2 ml de agua distilada.
b) Os esfregaços foram fixados cobrindo com 1 ml de corante, depois de
1 minuto juntou-se 2 ml de agua distilada e depois de misturado deixou-se corar
durante 10 minutos.
As laminas do lote B mostravam núcleos com e-trutura ntais delicada e
detalhes citoplasmaticos mais nitidos.
3 J Volume do corante — Foram experimentadas diversas quantidades de
corante, desde 0,1 até 2,0 ml- A quantidade que recobria bem os esfregaços,
era sufidentemente para uma boa fixação e cuja evaporação dentro do tempo
de fixação escolhido não foi prejudicial á coloração, foi de 0.3 ml.
4) Tempo de fixação — Foram fixada* preparações pelo metanol, com
tempos que variavam de 1 minuto, desde 1 até 10 minutos. Essas laminas
foram depois coradas de igual modo com uma mesma solução aquosa de corante.
Foi verificado que estavam todas bem fixadas e coradas igualmente, portanto
0 tempo de 1 minuto é o melhor, pois o mais curto dos tempos suficiente»
é o que permite menor evaporação com as variações das condições do ambiente,
como a temperatura e ventilação.
Usando esfregaços muito recentes, de alguns minutos apenas, a fixação de
1 minuto falhava ás vezes, porém era perfeitamente suficiente si prolongada para
1 1/2 a 2 minutos. Também foi jjossivel corrigir essa fallia secando muito
bem o esfregaço antes de fixa-lo, agitando muito bem e vigorosamente a lamina
ou melhor ainda, submetendo durante alguns minutos á corrente de ar do desse-
cador.
5) Segunda fase on tempo de coloração — O tempo de coloração dependia
principalmente da concentração do corante já que o volume estava determinado.
cm
SciELO
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318 MÉTODO RÁPIDO DE COLORAÇAO DE ESFREGAÇOS DE SANGUE
Em virtude disso achamos preferível escolher a priori um tempo mais comodo
que economizasse tempo e não fosse excessivamente curto, de modo que variaçõe>
moderadas não acarretassem modificações sensíveis da coloração. Esse tempo
foi arbitrado em 5 minutos e depois experimentamos diferentes concentrações
até achar a melhor.
6) Volume da agua — Foram coradas laminas com diferentes volumes de
agua, desde 0,5 ml até 2,5ml, com variações de 0,5 ml. Foi observado que 1 ml
de agua com 0,5 ml de corante resulta numa quantidade de solução corante que
recobre bem a lamina e permite misturar perfeitamente sem transbordar o li-
quido.
7) Relação entre volume de corante e agua — Depois de experimentadas
diversas proporções entre corante e agua, a relação de 1 :2 foi a que deu colo-
ração mais eficiente dentro do tempo de 5 minutos. Havia uma precipitação
de corante muito pequena, evitando-se assim o risco de inutilizar
pelo deposito de precipitado de corante, o que se dava quando se aumentava a
proporção de agua. Diminuindo-a a coloração era pouco intensa devido à pre-
cipitação e dissolução insuficientes das substancias corantes na agua.
8) Condições da agua distilada — A agua distilada recente dá muito boas
colorações c tem um pH muito proximo da neutralidade. Quando a agua não é
recente, em geral com mais de 1 semana e especialmente si ficou exposta ao ar,
já não dá boas colorações e o seu pH baixa- Porém essa mesma agua ou mesmo
mais velha, submetida á ebulição durante 10 minutos toma a um r 1 1
mente neutro e dá boas colorações.
Portanto é o contato com o ar que inutiliza a agua para a coloração t r-
nando-a acida. Isso é devido ao C0 2 . esta verificação foi feita borbulhando ar
por meio de vacuo, cm agua distilada e em solução diluida de hidrato de bar: .
Com 15 minutos de passagem de ar já havia precipitação de carbonato de bario.
Esse mecanismo pode ser verificado nas tabelas 1 e 2. onde está demonstrado
como o borbulhamento de ar ou de C0 2 acidificam a agua.
Tabela I
Tempo
minutos
H.O
Sol. Tampão 1 %
PH
coloração
pH
coloração
Antes
—
*.95
boa
7,tJS
boa
Depois de borbulhar o ar .
90'
6.6
sofrível
7,0
regular
Depois de ferver
s<
6,9
regular
7,1
boa
Depois de ferver
10'
7,0
boa
7.15
boa
4
Mem. Inst. Butantan.
20:315-328, Dez.* 1947
G. ROSEXFEI.D
319
Essa acidez devida ao C0 L . é eliminada pela abulição dentro de 10 minutos,
isso também está demonstrado na mesma tabela. Também foi verificado pela
ebulição de agua distilada velha ou borbulhada com ar, cm que o vapor expelido
do balão passara noutro com uma solução de hidrato de bario. Xos primeiros
minutos já aparecia um precipitado de carbonato de bario, no fim de 10 minutos
foi substituído o balão com bario por outro com solução nova, este segundo
balão não mostrou nenhuma passagem de C0 2 nos 10 minutos subsequentes de
fervura a que continuamos a submeter a agua.
O mais pratico c portanto utilizar agua distilada recente e no fim de uma
semana substitui-la por outra. Desde que se submeta a agua á ebulição durante
10 minutos antes de po-la em uso. o que é o mais recomendável, não é necessário
usar agua recentemente distilada.
9) Concentração dc sais na solução tampão — Utilizamos uma mistura de
fosfato monopotassico e de fosfato disodico com pH 6.95. Xa concentração
M/1.5 ou seja 10,76 gr % de sal. a solução tampão demonstrou uma ação
im[>ediente sobre a coloração. Numa concentração 10 vezes menor, esse efeito
não se faz notar a não ser em grau muito ligeiro. A solução stock diluida á
1% em agua distilada, com a concentração de 0.1076 gr. % deu bons resultados.
O envelhecimento estraga a solução tampão diluida. do mesmo modo que
a agua distilada, porém não tão rapidamente. Esses sais não tem ação tampão
contra o C0 2 , ou é muito pequena como em geral para todos os ácidos orgânicos
fracos- O mecanismo da alteração da solução tampão é o mesmo que o da agua
distilada como pode ser observado pelos dados das tabelas 1 e 2.
Tabela II
Tempo
minutos
11,0
Sol. Tampão 1 %
pH
coloração
PH
coloração
Antes
—
«.95
boa
7.05
boa
Depois de borbulhar CO, .
S'
4.2
mi
5.5
mi
Depois de ferrer
5’
6.5
má
7,0
regular
Depois de ferrer
ro*
6.95
regular
7.05
boa
cm
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método rápido de coloraçao de esfregaços de sangue
a20
10) pH — Usamos soluções tampão com diversos pH, desde 6,0 até S,0.
As melhores colorações para íin- usuais de hematologia e citologia clinica foram
obtidas com soluções neutras ou quase neutras. Soluções mais alcalinas com pH
7,2 ou 7,4 são mais indicadas para o estudo de parasitas; soluções acidas com
pH 6.4 ou menos, para o estudo de granulações e modificações citoplasmaticas.
11) Lavagem — Coramos laminas com a mesma agua e algumas foram
lavadas com agua distilada já velha e acida, outras com agua corrente alcalina,
e finalmente outras com a mesma agua que tinha servido para a coloração e
que tinha pH 6,95. O primeiro grupo apresentava uma coloração muito aver-
melhada, o segundo muito azulada e o terceiro estava bem corado.
Frequentemente as laminas são coradas com agua distilada ou solução tampão
com todos os requisitos exigíveis, e depois são lavadas ou com agua distilada
velha geralmente acida, ou com agua corrente em geral alcalina (num labora-
torio na nossa cidade, chega a atingir pH S,S). No primeiro caso a coloração
torna-se avermelhada e muito descorada e no segundo, azulada e menos diferen-
ciada. Isso se dá porque a coloração é íacil e rapidamente influenciada pelas
variações do pH. Devido a esse fato é logico que deve ser usada para a lavagem
a mesma agua ou solução tampão empregada para a coloração.
Durante a lavagem faz-se a diferenciação da coloração, e quanto mais tempo
a lamina permanecer molhada, maior será, podendo ficar muito descorada si fòr
excessivamente demorada.
Conservação
É sabido que as colorações pancronucas são as mais dificeis de ser conser-
vadas. pois tem tendencia a se descorar e são muito influenciadas por emanações
acidas de qualquer natureza. Foram experimentados vários métodos depois de
retirar todo o oleo de cedro com xilol.
1 ) Balsamo do Canadá — Fechando a preparação com balsamo do Canada
e laminula, mesmo que seja da melhor proveniência e esteja em boas condições, a
coloração c prejudicada e destruida em prazo relativamente curto pela oxidação
e consequente acidificação da resina.
2) Oleo de cedro — Tem os mesmos inconvenientes do balsamo. apenas as
alterações se dão num prazo um pouco mais longo.
3) Parafina liquida — Cobre-se simplesmente o esfregaço com uma ligeira
camada espalhada com o dedo* Com o tempo a lamina fica praticamente seca e
ha tendencia a aglomerar detritos que ficam aderentes ao esfregaço. Ao ser re-
tirada a parafina com xilol os detritos continuam aderentes ou arranham a su-
perfície da preparação ao se tentar retira-los.
6
Mcni. Inst. Butantan.
M:315-òJ?, Dez.* 19*7.
G. ROSENFEL.D
4) Parafina solida — Funde-se uni pouco de parafina solida (ponto de
fusão 55*). de boa qualidade, como a usada jxtra inclusões. Pinga-se 2 ou 3 gotas
sobre o esf regaço, passa-se a lamina sobre uma chama até que a parafina derreta
e espalha-se sobre todo o esf regaço com um bastão de vidro ligeiramente aquecido
ou com o dedo. Melhor ainda será deixar espalhar a parafina colocando a lamina
numa estufa a 60* (de inclusão). A temperatura de 60* não altera a coloração.
Para examinar retira-sc a ftarafina com xilol. Esse processo é um pouco inco-
modo para reexaminar as laminas.
5) Álcool poiivinüico — Utilizamos uma solução aquosa a 20 r /r. bem
vi-cosa. Deu péssimos resultados, dissolve o corante descorando rapidamente a
lamina.
6) " Eu parai" — Esse meio de montagem é de fabricação “Crübler”. La-
minas com ele montadas foram expostas ao ambiente durante 6 anos. Já comu-
nicamos os resultados aj>ós um prazo de 21 meses (2). Xo fim de 6 anos a
parte central das preparações ainda conserva-se cm Itoas condições, porém, nos
bordos tinha havido oxidação do conservador c destruição da coloração.
7) “Encci” (1) — É um meio dc montagem semelhante ao “Etqtaral” (*).
Laminas foram montadas e submetidas pelo mesmo tempo ás mesmas condições
que o “Euparal”- Resultados provisorios também já foram por nós relatados
(2 ). Xo fim de 6 anos. manteve a coloração em boas condições, apenas nos bor-
dos havia desaparecimento da basofilia do citoplasma dos mononucleares. porém
mesmo nessa zona da preparação as outras tonalidades e detalhes estavam bons.
8) Sem conservador — Xo nosso clima as laminas não se conservam muito
bem, a duração da coloração em boas condições varia com diversas circunstancias.
Precisam ser conservadas em caixas bem fechadas. Porém si consegue-se manter
algumas, outras estragam-se perdendo O' tom azulados e violetas, o que é de regra
nas laminas alteradas com qualquer conservador.
comentários
O que foi observado quanto ao que se passa na la. fase chamada de fixação,
e-tá em desacordo com o conceito clássico. de que não ha coloração nes-a fase.
Consequência dessa coloração previa é o fato de se obter uma maior delicadeza e
detalhe da estrutura quando se usa o corante para a fixação, em lugar de
fixar com metanol e corar com solução aquosa de corante. F.sse resultado é pro-
(*) O “Enecè” é composto de coloíonia. goma copal, álcool, cantora, terebentina e
eucalipto!. Agradecemos ao Proí. J. Lane «pie nos cedeu o "Enecè” que havia sido
preparado pelo próprio autor desse meio de montagem.
cm
SciELO
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322
MÉTODO RÁPIDO DE COLORAÇAO DE ESFRECAÇOS DE SANGUE
vavelmente devido a que o corante em solução metilica impregna as célula, enquan-
to coagula as proteinas, desse modo a penetração é mais rapida e perfeita. Depois,
na 2a. fase. a agua dissolvendo e precipitando as substancias corantes na intimidade
da estrutura celular, daria como consequência a diferença notada entre os dois
métodos de coloração.
Está de acordo com essa nossa observação a justificativa dada por Schiling
(6) para o emprego do Giemsa rápido. Afirma que o Giemsa usado desse modo
(diluido com metanol), cora as granulações, estrutura nuclear, plaquetas, etc.,
melhor do que peto método clássico. Beck (5) já indicou o uso da solução de
Giemsa dduido com metanol em proporções iguais á que aconselhamos.
Todos os corantes pancromicos á l>ase de eosinato de azul de metileno, como
o Lcishman. Wright. Gienv-a, a mistura por nós proposta (3), etc., podem ser
usados segundo verificamos, de duas maneiras:
Soluções gliccrinadas tif>o Giemsa — Soluções desse tipo são usadas com as
técnicas classicas na coloração cm cubas, para cortes histologicos ou para a colo-
ração simultânea de muitos esf regaços, ou ainda para gotas espessas-
Soluções metiiicas (>ara coloração rapida — O» corantes preparados desta ma-
neira podem ser utilizados com a técnica que recomendamos, que nos parece a
mais pratica e é baseada nos resultados relatados.
Xo derorrer de preparações do azul de metileno, de eosinatos de azul de
metileno, das combinações e soluções dos corantes, tivemos ocasião de verificar
que no que se refere á qualidade da, anilinas e solventes e técnica de preparo das
soluções ha muitos conceitos que não são validos, transmitidos pelos livros e não
baseados na pratica ou em experimentação. Quase todos os que se referem a
esses detalhes insistem sobre a necessidade do emprego de anilinas desta ou daque-
la afamada marca. Já relatamos (3) que os resultados na preparação das subs-
tancias corantes independem das marcas de anilinas usadas.
O metanol sintético para uso industrial nos deu resultados tão bons quanto os
“pro analyse”. Parece-nos que a recomendação insistente de muitos autores sobre a
necessidade de empregar metanol puríssimo de Merck ou similares, é devido aos
conselhos de outras épocas, quando o metanol não era sintético e sim proveniente
da distilação da madeira, podia então conter frequentemente impurezas que pre-
judicavam. Atualmente com o uso quase exclusivo de metanol sintético não é
mais preciso escolher com tanto cuidado. O metanol quando absolutamente in-
color sempre nos deu bons resultados. Mesmo usando metanol ligeiramente acido
ao tornesol não houve modificação do corante. Por precaução neutralizamos,
varias vezes com carbonato de cálcio em pó, e depois, de preferecia, pondo frag-
mentos de mármore liem lavado e seco, que eram conservados dentro do metanol.
Essa neutralização é feita depois de alguns dias ou semanas e não nos parece
indispensável.
8
Mtm. Inrt. Butnntan.
20:315-32?. Dm.* 1947.
C. ROSENFT.I.D
323
Quanto ao preparo das soluções de corantes, inclusive do Giemsa, não apre-
senta dificuldades, desde que se use vasilhame l>em vedado e seco, glicerina branca
<1=1.26 que não tenha sido exposta ao ar. e metanol incolor. O que é preciso é
nunca deixar esses corantes em vidros abertos ou mal arrolhados pois que absorvem
humidade o que os prejudica, também é necessário não introduzir no corante
pipetas húmidas ou sujas.
A maioria das recomendações do uso de soluções tampão, ou de adição de
alcalinizantes á agua distilada, têm a finalidade de corrigir alcalinizando uma
agua inicialmente não apropriada para a coloração, já demonstramos que a ebuli-
ção por 10 minutos torna aproveitável a agua distilada, o que ê mais vantajoso do
que o uso de solução tampão ou de alcalinizantes.
As soluções tampão usualmente recomendadas assim como a agua distilada
adicionada de carbonato de sodio não apresentam vantagens sobre a agua.distilada
quanto á conservação. Todas elas estragam-se da mesma maneira quando ex-
tvjstas ao contato do ar devido ao gaz carl>onico que as acidifica e. os corante;
pancromicos são sensiveis ao acido carlxmico-
Si bem que os corantes pancromicos para dar o máximo de resultado
exijam um pH 7.0 ou muito proximo, pois são corantes neutros e como tais
muito -ensiveis a ácidos c alcalis, ás vezes para fins especiais necessita-se corar
com um pH acido ou alcalino. Nesses casos é conveniente que se empreguem
soluções tampão ]>ara regularidade e melhor reprodução das colorações, c então
aconselhável usar misturas de f sfatos de sodio e potássio, observando con-
centrações de sal dentro dos limites que referimos ao tratar do assunto. A
solução tampão aconselhada por Lacorte (4) tem um pH 7.4 que ê o mais
conveniente para a coloração de parasito».
CONCLUSÕES
Dos resultados obtidos chegamos á conclusão que ê mais aconselhável o uso
cie corantes em solução metilica que devem ser utilizados para a fixação e, a
diluição do corante deve ser feita sobre o esf regaço. O uso de solução tampão
ou agua alcalinizada é desnecessário a não ser para fins e>peciais, a agua dis-
tilada recente ou recentemente fervida durante 10 minutos, dentro de prazo
de 1 semana dá boas colorações para o uso corrente.
X
r
Método d e coloração
A técnica de coloração rapida que parece ser a mais prarica e pode ser
u-ada com todos os corantes em solução metilica ê a seguinte:
1) Cobrir o esf regaço com 0.5 ml. de corante. Deixar 1 a 2 minutos.
9
324
MÉTODO RÁPIDO DE COLORAÇAO DE ESFREGAÇOS DE SAXGt F.
2) Imitar ás gotas. 1 ml. de agua. misturar bem. deixar 5 a 7 minutos.
Para hematozoarios, outros parasitos ou laminas muito ricas em células nu-
■cleadas (leucemias, medula ossea, etc.), deixar corando mais tempo, cerca de
10 minutos.
3 ) Não despejar o corante. Lavar com um jato de agua, da mesma que
foi utilizada para a coloração, escorrer e secar rapidamente em papel de filtro,
‘mata-borrão ou secador de ar quente.
Dados práticos sobre colorações
Modo de misturar o corante — Lm bom método para misturar o corante
■com a agua, no momento da diluição, é o seguinte: toma-se um bastao de
vidro que se coloca paralelamente sobre a lamina e toca-se a super íicie do 1.-
quido, com o liquido aderido ao bastão por capilaridade (fig. 1), agita-se varias
vezes de um lado para o outro (fig 2), destacando o lmstão da superfície-
Kepete-se essa manobra cerca de 5 vezes consecutivas. O bastão não precisa
ser lavado, desde que usado só para esse fim.
Fio. 1
1
r
J
Fio. 2
Lavagem da lamina — A agua distilada ou a solução tampão para a lava-
gem deve de preferencia ficar num frasco ou balão lavador de cerca de 500 ml,
(fig. 3). Lavar despejando um jato firme que se vai fazendo correr sobre
toda a superfície da lamina rapidamente. Para isso gasta-se cerca de 20 ml.
de agua. Deste modo evita-se o deposito de precipitados sobre o esfregaço.
A lavagem ao mesmo tempo diferencia a lamina e é um dos tempos mais deli-
cados de uma l>oa coloração. Deve em geral durar cerca de 10 segundos.
Fig. 3
10
Mera. Inst. Butantan.
29:31 5-328. Dei.* ISO*.
G. ROSENFELD
325
Diferenciação — Caso a diferenciação não tenha sido suficiente, o que se
reconhece pelo tom carregado das hemacias. limpar o oleo de cedro e tornar a di-
ferenciar recobrindo com a agua distilada ou solução tampão, deixando cerca de
20 a 30 segundos.
Medição do corante c da agua para coloração — Sendo os corantes pancro-
micos muito delicados, alterando-se facilmente com ácidos, alcalis, humidade, es-
posição ao ar, etc., é conveniente não mergulhar pipetas sujas ou húmidas no vidro
de corante. Afim de evitar esses riscos é aconselhável o seguinte método que
nos têm dado bons resultados ha cerca de uma dezena de anos:
Guardar o corante e a agua ou solução tampão para diluição, em frascos conta-
gotas de vidro de l>oa qualidade. Para o corante, contar o numero de gotas neces-
sárias para encher 5 cm3 de um pequeno provete de 5 ou 10 cm3 bem graduado.
Dividindo-se por 10 obtem-se o numero de gotas que corresponde a 0,5 ml de co-
rante. numero esse que é marcado definitivamente no rotulo do vidro. Vidro con-
tagotas com rolha pipeta facilita ainda mais o trai alho por evitar a contagem de
gotas de cada vez. Para esses proccdc-se do seguinte modo: retira-se o bulbo de
liorracha. fecha-se a extremidade inferior com o dedo c pelo orifício superior, com
uma pipeta fina põe-se 0,5 ml de metanol ou álcool, que facilitam a operação. Mar-
ca-se o nivel de liquido com um diamante e depois aprofunda-se bem a marca para
que fique bem visivel. Desse modo de cada vez que se vai corar com o vidro conta-
gotas lasta despejar o numero exato de gotas ou. com o segundo vidro, encher a
pipeta, esvasia-la no vidro até a marca e. depois, despejar a quantidade medida sobre
a lamina a corar. Procede-se da mesma maneira para a agua empregada na diluição.
Correção de erros de coloração — Laminas hipereoradas — Diferenciar como
foi explicado anteriormente. Quando se quizer verificar melhor a policromasia.
pontilhado hasofilo ou outras modificações das hemacias. proceder do mesmo
modo.
Laminas hipocoradas — Si possível, corar outro esfregaço. sinão, cobrir com
metanol, deixar 1/2 minuto, despejar e repetir. Secar a lamina. Corar nova-
mente desde o primeiro tempo.
Laminas precipitadas — Proceder do mesmo modo que no caso anterior.
Idade dos esfregaços — Os esfregaços não corados devem ser guardados não
fixados. Até 2 ou 3 dias dão colorações muito boas, porém no mesmo dia obtem-
se resultados melhores. Quanto mais velhos peor será a coloração, chegando a
não se corar quando muito velhos.
Conservação de laminas coradas — Para a conservação das laminas o mais
aconselhável é retirar liem o oleo de cedro logo depois de examinar e guardar
o mais possivel abrigado do ar e de emanações acidas ou alcalinas, o que se pode
fazer em caixas ou gavetas liem .fechadas.
11
cm
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326
MÉTODO RÁPIDO DA COLORAÇAO DE ESFREGAÇOS DE SANGUE
Caso se queira fazer demonstrações repetidas é preferivel montar com ‘‘Ene-
cê” e laminula- Para tentar conservar por prazos muito longos pode ser usada,
a parafina solida.
RESUMO
Foram estudados vários fatores que têm influencia nas colorações pancro-
micas, na preparação de soluções corantes e na conservação das laminas coradas.
Foram obtidas as seguintes conclusões:
Todos os corantes pancromicos usuais podem ser usados em soluções glice-
rinadas tipo Giemsa ou soluções metilicas. O seu preparo é facil e ao alcance
de qualquer laboratorio.
Os corantes em solução metilica, na la. fase. chamada de fixação, não agem
somente fixando, na realidade nessa fase inicia-se a coloração.
Diluindo o corante sobre a lamina obtem-se uma coloração com estrutura
nuclear e citoplasmatica mais fina e delicada do que fixando previamente os es-
fregaços com metanol e corando com corante diluido aparte. Os corantes meti-
licos são os mais aconselháveis.
O volume de corante mais conveniente para a fixação e coloração de um
es í regaço é de 0.5 ml.
O melhor temjx) para a primeira fase, chamada de fixação, é de 1 minuto, e
de 2 minutos para laminas muito recentes.
O melhor volume de agua que recobre bem a lamina e permite uma boa mis-
tura é de 1.0 ml.
A melhor relação entre volume de corante metilico e de agua ê de 1/2.
A agua distilada, recente ou recentemente fervida, dentro do prazo de 1 se-
mana. dá boa coloração, não sendo necessário usar soluções tampão, agua alca-
linizada com carbonato de sodio ou outros meios. Somente são necessárias so-
luções tampão para fins especiais.
A concentração de sais nas soluções tampão tem importância na coloração e
devem ser de preferencia menor do que 1 % .
A lamina deve ser lavada com a mesma agua ou solução tampão utilizada na
coloração.
Para a conservação das laminas o mais aconselhável é guardar o esfregaço
bem limpo, sem oleo de cedro, em caixas ao abrigo do ar e de emanações acidas
ou alcalinas- Caso necessário pode ser usada a parafina solida ou o “Enecê”.
12
Mcm. Inst. Bntantan,
20 : 315 - 328 , !>«.• 1942 .
C. ROSENFELD
327
ABSTRACT
Various factors which influence panchromic staining were studied in the
preparations of stains Solutions and in the conservations o{ stainetl smears. The
following conclusions were reached :
All conunon panchromic stains may be used in Solutions with glycerine of
the Giemsa type. or in methylic sohitions. Tlieir preparation is simple and
within the reach of any laboratory.
The stains, when used in a methylic solution in the first stage, which is called
fixation, do not act by fixing exclusively, but in reality staining begins during
this phase.
By diluting the stain on the smear. a íiner and more dclicate nuclear and
cytoplasmatic structure is obtained than when methanol was used previously to
fix the smear, and after were colored with stain diluted separately. The methylic
stains are the most advisable.
The most convenient volume of the stain. to be used for fixation and colo-
ration of a smear is 0,5 ml.
The best time for the first phase (fixation) is 1 minute, and 2 minutes for
very recent smears.
The best volume of water to be employed for dilution over the slide and
which permits a good mixture, is 1,0 ml.
The best relation betweqn the volume of methylic stain and water is 1/2.
Water, recently distilled or recently boiled. within a period of 1 week. gives
a good stain. It is not necessary to use buffer Solutions, water alkalised with
soda carbonate or other means. Buffer are necessary onlv for s pedal purposes
The concentration of salts in buffer Solutions are importam in staining and
shou d preferably be less than l^c.
The smear should be washed with the same water or buffer solution used
in staining.
For the conservation of slides it is advisable to keep the stained smear very
clean. without cedar oil. in air-prcoí boxes to avoid acid or alkaline emanations.
If necessary. solid paraffin or “Enecê” may be used.
BIBLIOGRAFIA
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Mem. Inst. Oszcaldo Crus, 39:37. 1943.
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Enecê. Rev. Paul. de \fcd.. 23 :43, 1944.
13
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
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MÉTODO RÁPIDO DA COI.ORAÇAO DE ESFREGAÇOS DE SANGUE
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14
Mera. Inst. Butantar..
M.-329-5J4, Dez.* 1947
C. ROSEXFELD
329
CORAXTE PAXCROM ICO PARA HEMATOLOGIA E CITOLOGIA
CLIXICA. XO VA COMBINAÇÃO DOS COMPOXEXTES DO MAV-
GRÜXWALD E DO GIEMSA XUM Só CORAXTE DE EMPREGO
RÁPIDO
for G. ROSEXFELD
(Do Laboratório dc Hrmaloloçiia do Instituto Hti tantan. S. Paulo, Urasi!)
A preferencia pelos corantes de Wright e Leishman é devida a simplicidade
de sua técnica e pouco tempo exigido na coloração, apesar de seu- resultados serem
reconhecidamente inferiores aos da coloração combinada de May-Grünwald e
Giemsa ou método fie Pappenheim ; que segundo a opinião da maioria fios hema-
tologistas é o mais rico em detalhes.
Apesar de vantagens incontestáveis o método de Papiienheim não é o mais
usado nem o mais recomendável devido a sua técnica um i>ouco complicada e muito
demorada para um trabalho massiço de rotina. Exige atenção pois são necessá-
rias diversas manipulações, e variações destas têm como consequência irregula-
ridade nos resultados. O Giemsa isolado ê de técnica mais simples, jxjrém exige
um tempo relativamente demorado e -eus resultados são inferiores aos tio método
de Pappenheim. A evidencia desses inconvenientes c demonstrada pela tendcncia
a utilizar cada vez mais o Wright e o Leishman, e também pelas tentativas de
simplificar o Pappenheim.
Vários autores já indicaram simplificações afim de diminuir as manipulações
da técnica e encurtar o tempo. Xazim (2) em 1920 propôz uma mistura de 2
partes de solução de May-Grünwald e 1 de -olução de Giemsa. o esfrcgaço ê
fixado cobrindo com o corante durante 1 minuto e corado, juntando igual volume
de agua que se deixa permanecer durante 1 a 2 minutos. Xão obtivemos bons
resultados com e?*e método. A concentração que esse autor indica para a solução
de May-Grünwald é de 1'í , portanto 4 vezes maior do que a usual, usando esse
corante com a concentração normal. 0.25 G . obtivemos resultados melhores porém
chegamos á conclusão que esse método tem o grave inconveniente tle usar tempo
demasiadamente curto o que ocasiona variações muito grande nas colorações.
Strumia (4) em 1936 recomenda uma mistura de Giemsa e May-Grünwald cm
pó. dissolvidos segundo tecríca especial em glicerina, metanol e acetona. O
corante corresponde mais ou menos a uma proi>orçâo final de 170 ml. de solução
Recebido para publicação cm 27 de outubro dc 1947.
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3 jn CORANTE PAXCROMICO PARA HEMATOLOGIA
E CITOLOGIA CLINICA
de Giemsa, mais 60 ml, da solução de May-Grünwald, com 460 ml. de acetona e
310 ml. de metanol. Cora usando 1 ml. do corante que fixa durante 2 minutos,
e juntando depois 1 ml. de agua alcalinizada que permanece 3 minutos. O co-
rante conserva-se durante 18 meses.
Como os melhores resultados para verificação de detalhes morfologicos de
importância no trabalho corrente, segundo o consenso quase unanime é dado pela
coloração combinada do May-Grünwald e Giemsa, foi estudada uma combinação
desses corantes que permitisse uma coloração com essas vantagens associadas a
um método de coloração facil e rápido. Noutro trabalho (3) foram determina-
dos os requisitos ideais que deve apresentar o método de coloração para esfrega-
ços de sangue. O corante foi preparado após numerosas tentativas, até que se
encontraram concentrações e proporções ótimas, para ser utilizado dentro das
condições do método deduzido como o melhor no trabalho citado.
MATERIAL E MÉTODOS
Na preparação dos corantes usamos azul de metileno para uso medicinal,
eosina amarelada (tetrabromo-íluoresceina sodica), eosina azulada (dibromo-
dinitro-íluoresceina sodica) e metanol sintético. Empregamos essas substancias
de diversas procedências, com bons resultados.
O azul de metileno, azul A de Kehrmann. foi preparado pelo método de
Mac Neal utilizado por Meyer (1).
As colorações foram sempre feitas em esíregaços usuais não fixados, de
sangue humano, do dia ou no máximo do dia anterior.
O método de coloração empregado foi o recomendado em outro trabalho (3) e
deve se submeter ás seguintes condições :
1) A fixação do esfregaço deve ser feita pelo proprio corante que deve
estar em solução metilica. Essa fixação deve durar 1 minuto usualmente e 2
minutos para esf regaços muito recentes (alguns mmutos depois de preparados).
2) O volume de corante a empregar nessa primeira fase deve ser de 0.5 ml.
3) O segundo tempo deve ser feito com agua destilada previamente fervida
durante 10 minutos e utilizada até 1 semana depois. Pode ser empregada uma
•olução tampão diluida. com pH bem proximo da neutralidade. Esse segundo
tempo deve durar 5 minutos ou um pouco mais. Para hematozoarios, outros
parasitos ou laminas muito ricas em células: medula, gânglio, leucemia, etc.,
deve-se prolongar o tempo para 10 minutos- Para laminas muito pobres em
células: anemias muito intensas, agranulocitose, etc., a duração deve ser reduzida
para cerca de 3 minutos. De um modo geral esses tempos não precisam ser ne-
->
Mem. Inst. Butantan,
40 :329-334, D«.* 1947.
G. ROSENFEI.D
331
cessariamente observados com rigor, pequenas flutuações não têm grande in-
fluencia.
4) No segundo tempo o volume do diluente a empregar deve ser de 1.0 ml
ou seja, o dobro do volume do corante.
5) A lavagem da lamina deve ser feita com agua distilada ou solução tam-
pão, porém a mesma que se usou para a coloração. Despeja-se um jato franco
primeiramente num dos extremos e depois passa-se pelo resto da lamina. Toma-
se a lamina por um dos extremos, despeja-se o liquido e imediatamente enxuga-se
em papel de filtro ou de preferencia, si o volume de trabalho justificar, emprega-se
a corrente de ar quente de um dessecador de cabelo, instalado sob a mesa. com
a abertura voltada para cima justaposta a um orifício feito na mesa. Quanto
mais tempo a lamina permanecer molhada nessa fase de lavagem mais descorada
ficará.
RESULTADOS
Dentro dos detalhes da técnica previamente fixada e das condições exigidas,
partindo de dados arbitrários fomos variando a concentração de componente por
componente, enquanto os outros eram mantidos fixos. Chegamos, após mais de
uma centena' de tentativas, ás seguintes proporções que nos deram as melhores
colorações :
Formula A
Azur A 0.342 gr
Eosina amarelada 0.342 gr
Azul de mctileno 0.286 gr
Eosinato de azul de metileno 0.530 gr
Metanol q. s 1.000,0 ml
O mesmo corante pode ser obtido utilizando Giemsa e May-Grünwald em
pó. nas segumtes proporções:
Formula B
Giemsa em pó 0.97 gr
May-Grünwald em pó 0.53 gr
Metanol 1.000,0 ml
Também podem ser utilizadas soluções de Giemsa e de May-Grünwald para
chegar ao mesmo corante :
Formula C
, Giemsa em solução 125 ml
May-Grünwald em solução 215 ml
Metanol 060 ml
3
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33? CORANTE PAXCROXIICO PARA HEMATOLOGIA
E CITOLOGIA CLINICA
O corante em pó era preparado misturando o# corantes das formulas A ou
E. e juntando cerca de 200 ml de metanol para 10 gr de corante ; afim de dissolver
depois de evaporado era triturado.
Para fazer a solução metilica usual o corante em pó era dissolvido na pro-
porção de 0.15 g '/( em metanol. Agitava-se diversas vezes enquanto se conservava
ao ambiente em vidro bem arrolhado durante 24 horas. Filtrava-se e o corante
ficava pronto para usar. Essa solução metilica também pode ser preparada a
partir da solução glicerinada. diluindo 1 parte desta ultima com 4 partes de
metanol.
A solução glicerinada tipo Giemsa para coloração pelas técnicas classicas, de
cortes histologicos ou de muitas laminas simultaneamente em cubas, é preparada
da seguinte maneira : 0.75 g c /c de corante numa mistura em partes iguais de me-
tanol e glicerina pura com d = 1.26. Agita-se diversas vezes enquanto se conserva
2 a 6 horas a 60*. ou cerca de 12 horas a 37". Cerca de 24 horas depois filtra-se
e está pronta para mar.
O corante em pó e as soluções guardadas bem fechadas conservaram-se bem
até cerca de 8 anos, periodo em que tivemos ocasião de observar. Temos usado
continuamente o corante durante todo es-e tempo com muito lwns resultados, para
csfregaços de sangue, medula, baço. gânglio, tumores, pús. sedimentos de derra-
mes e todo o genero de exames eitologicos clínicos.
COMENTÁRIOS
O corante obtido reune todos os componentes do Giemsa e do May-Grümvald
dando quase os mesmos resultados e os mesmos valores que os obtidos com o
método de coloração combinada desses dois corantes, ou método de Pappenheim.
As principais vantagens que apre-enta são: exigir pouco tempo de coloração, téc-
nica muito simplificada e resultados muito regulares mesmo em mãos inexperien-
tes. desde que sejam seguidas á risca todas as indicações.
A diferença que apresenta na coloração em relação ao método de Pappenhein
é que a^ células mostram uma estrutura nuclear e citoplasmatica muito mais fina
e delicada, o que tem muito valor para avaliar o estádio de maturação da célula
e para o diagnostico diferencial de células patológicas o que é de grande importân-
cia em certos diagnósticos, como na mononucleose, leucemias agudas, etc. Essa
vantagem é principalmente devida a que as substancias corantes em lugar de
agir sob a forma de solução aquosa em células já fixadas, agem já na primeira
fase. a de fixação, enquanto ainda em solução metilica. o que como já demonsftra-
mos (3), apresenta grandes vantagens.
A unica inferioridade do método dentro do tempo e método padrão, é no
que se refere á coloração de hematozoarios. Os P. viva. r. falciparum e malaru ie
em todos > estádios evolutivo- ficam corados e perfeitamente diagnosticáveis, o
4
Ocra. Inst. Buttstan.
*0:339-334, Drr.* 1943.
G. ROSENFELD
mesmo pode-se dizer quanto á demonstração dos pigmentos, porém a coloração
não atinge a intensidade dada por outros corantes como o Giemsa, o Leishman
e o Wright. Para que nesse. casos se obtenha coloração igual, é preciso prolongar
o tempo de coloração para 10 minutos. ten»po mais recomendável para todos os
parasitos. Para esse fim também é mais indicado o emprego de solução tampão
pH 7,2 ou 7.4 o que aliás se estende ao uso de todos os corantes desse genero.
Xa preparação dos corantes usamos anilinas de muitas proveniências, tanto
de marcas alemãs como americanas, umas para fins de laboratorio, outra, para
uso farmacêutico e eosina amarelada para uso industrial. Os resultados foram
sempre bons. as pequenas variações encontradas entre uma jiartida e outra resul-
tavam sempre da preparação do azur de metileno ou do eosinato de azul de me-
ileno, que apresenta quase sempre jxtquenas variações de partida para partida,
porém de uma intensidade que não altera os resultados práticos. Os resultados
obtidos com eosina amarelada e eo-ina azulada foram idênticos, e não ha vantagem
em empregar esta ultima, em geral mais dificil de ser obtida do que a primeira.
RESUMO
É apresentada uma nova combinação corante juncromica com os componentes
do May-Grünwald e Giemsa. para esíregaços de sangue, exames citologicos clí-
nicos e cortes histologicos. Ao lado. sobre as colorações de Wright e Leislunan
apresenta as qualidades da coloração combinada de May-Grünwald e do Giemsa,
ou método de Pappcnheim. e sobre este ultimo tem vantagens. O seu método
de emprego é mais rápido c simples e mostra uma estrutura nuclear e citoplas-
matica mais delicada. É de facil prq-aro e durante anos não foi observada nenhu-
ma alteração das suas propriedades.
abstract
A new pancromic stain made with the components of May-Grünwald and
Giemsa, is presented for staining blood smears. histological slides and smears for
clinicai cytologic examinations. When compared with the Wright and Leishman
stains. it has the qualities of the Pappenheim method (May-Grunwald and Giemsa
combined staining), and has over the later many advantages. Its application is
more rapid and simpler to used, and it sbows a more delicate nuclear and cyto-
plasmatic strueture. It is easily prepared and no alteration of its properties was
observed during a period of many years.
cm
SciELO
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334
CORANTE PANCROMICO PARA HEMATOLOGIA
E CITOLOGIA CLINICA
BIBLIOGRAFIA
1. Meyer, J. P. — Noções práticas sobre a preparação e emprego de um corante seme-
lhante à mistura de Giemsa (Azul-Azul-Eosina), Arch. Instituto Biológico, 6:97,
193S.
2. Xasim, E. — Modification de la methode de Pappenheim, Prcsse Medicale, n. 23:
424, 1920.
3. RosenftU, G. — Método rápido de coloração de esíregaços de sangue. Noções práticas
sobre corantes pancrómicos e estudo de diversos fatores, SI em. Inst. Butantan,
20 : 315. 1947.
4. Slnimio, M. — A rapid universal blood stain; May-Grüwald Giemsa in one solution,
Jour. Lab. & Clin. Mcd., 21:930, 1936.
•6
.Mem. Inst. Butantan.
2® :335'352, D«.* 19S7.
C. A. SALVATORE A G. SCHREIBER
335
PESQUISAS DE CITOLOGIA QUANTITATIVA. V: ESTUDO CARIO-
MÈTRICO DAS CÉLULAS FOLICULARES E LUTEI NICAS
roR CARLOS ALBERTO SALVATORE <•) e GIORGIO SCHREIBER (»♦)
(Do Laboratório de Citopenélica, do Instituto Butantan. São Paulo, Brasil )
INTRODUÇÃO
i) Plano de Trabalho
Em prosseguimento ás pesquisas cariomét ricas sobre tecidos em ativa repro-
dução e. com o intuito de investigar o crescimento nuclear durante a interfase
iniciada- por um de nós (Schreiber). foi estudado o volume do núcleo das célu-
las da granulosa do fplículo de Grat nas ?uas diferentes fase» evolutivas desde
o estádio do íoliculo primordial até a rutura e ?ua transformação cm célula lutea.
Estas pesquisas fazem parte das que vem sendo executadas neste laltora-
tório há alguns anos. utilizando-se para o estudo da interfase as modificações
induzidas num deíenninadj tecido por fatores fisiológicos específicos, quando
estas modificações atuam por meio tia multiplicação dos elementos espedfioos
do tecido.
O estudo do ciclo f biológico de um órgão, em consequência da ação de
diferentes hormônios ou de diferentes limiares de concentração de um mesmo
hormônio, a sua colocação em repomo consequente da ablação do órgão endó-
crino correspondente, como também, a substituição em dóses maciças adminis-
tradas do mesmo hormônio nestes animais privados da glândula, constituem os
meios que o citologisía pode utilizar para obter as células nas diferentes con-
diçõe- reprodutivas.
Como foi demonstrado nas pesquisas precedentes, as células uterinas res-
pondem a estimulação hormónica com fenômenos de proliferação e de paradas
desta proliferação, que podem ser controladas pelo pesquisador conforme as
condições fisiológicas experimemalmente alterada.-. Com estas pesquisas foi
possível demonstrar que o crescimento “rítmico” dos núcleos é uma manifes-
tação do crescimento interfásico, comò também estabelecer os limites quantita-
tivos do crescimento interfásico dos núcleos.
Recebido para publicação em 10-11-104”.
(*) Da Clinica Ginecológica da Faculdade de Medicina da Universidade de S. Paulo.
(•*) Do Instituto Butantan (Laboratório de Citogenética).
1
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336
FESQVISAS DE CITOLOGIA QUANTITATIVA . V: ESTUDO CA-
RIOMÊTRICO DAS CÉLULAS FOLICULARES E LUTEINICAS
Os intensos fenômenos multiplicativos das células granulosas e o aumento
do tamanho das células luteinicas na sua origem e durante o crescimento do
corpo amarelo na prenhez, nos induziram a tentar a aplicação das pesquisas cario-
métricas neste material, esperando também trazer uma contribuição ao problema
da origem de célula lutea (*).
b) 0 problema da formação do corpo amarelo.
A formação do corpo luteo é assunto ainda não perfeitamente estabelecido,
porquanto, segundo a opinião de um grupo de autore- (4, 5, 9 e outros), essa
glândula deriva das células da granulosa e, segundo outros (4) das células da
téca interna.
Pelas recentes pesquisas, parece porém, não haver dúvida de que o corpo
amarelo deriva pela maior parte das células da granulosa, através da hipertrofia
dessas células.
Experimentalmente, com a utilização do método da colchicina. numeroros
autores, entre os quais Allen (1) e Hoffman (8), encontraram diversas mitoses
nas células da granulosa principalmente no período pré-ovulatório e, mesmo após
a rutura do foliculo, dando a impressão de existir grande hiperplasia durante
a formação do corpo amarelo. Porém, Schmidt (18 ) refere que a proliferaçSo
endotelial é a maior res|x>nsavel pelas mitoses encontradas durante a formação
do corpo luteo e, a grande maioria do> autores (1, 11. 10 c outros), afirmam
que além das células luteas derivarem das células da granulo-a. o aumento do
corpo amarelo é consequente á hipertrofia celular.
Por conseguinte, parece estar demonstrado que sob a ação do hormônio
hipofisario luteinizante. as células da granulosa se transformam em luteas e. que
provavelmente as células íoliculares que ainda entram em mitoses sejam aquelas
que ainda estão sob a ação do hormônio gonado-estimulante folicular. Exis-
tiria portanto, uma verdadeira transformação celular tanto sob o aspécto mor-
fológico como fisiológico. Assim, as células da granulosa que segundo vários
autores secretam estrogenos. após essa transformação começam também a secre-
tar outro hormônio, a progesterona.
Achamos interessante relatar detalhadamente esta situação do problema da
origem das células luteas. pois a- relações quantitativas entre os volumes nucleares
das células luteas e as da granulosa nos indicam uma provável relação de origem
entre estas duas categorias de células. A demonstração certa desta relação nos
seria fornecida t>elo estudo comparativo das células da téca, isto é, células de
(*) Devemos aqui assinalar o trabalho de E. Hintsche I Monatschr. Geburtsh. u.
Gynaek. 120 : 200, 194? ) sóbre o tamanho nuclear das células íoliculares c luteinicas hu-
manas. que não nos íoi possível consultar até esta data. Pesquisas atualmente em curso
por um de nós (Salvatore) sóbre o mesmo assunto parecem revelar que os mesmos fenóme-
nos encontrados na rata se verificam também na mulher.
O
Mem. Inst. Butíntan.
20:335-352. Dfz.* 194T.
C. A. SAI.VATORE & C. SCHREIRER
337
aspecto luteinico que se encontram no conjuntivo da téca intenta do folícitlo de
Graf. e que como relatamos acima, alguns autores consideram, ao menos em parte,
como as células progenitoras das células luteas.
O estudo desta» células apresenta maiores dificuldades do que o das outras
categorias de células ovarianas, pela relativa raridade pelo menos na rata. Apesar
do interesse embriológico e endocrinológico deste estudo comparativo, no pre-
sente trai «lho deixamos de lado este problema que será relatado em trabalho
sucessivo. Da mesma forma, deixamos para outro trabalho o problema do volu-
me nuclear das células intersticais que num ensaio preliminar revelou fenômenos
interessantes de variações ciclicas que merecem uma apresentação mais detalhada.
MATERIAL E MÉTODOS
a) Material
Foram estudados os ovários de ratas da raça Wisíar criadas no Instituto
Butantan que foram contemporaneamente utilizadas para as pesquisas cariomé-
tricas dos tecidos uterinos ( 13). Em total foram estudados 14 casos (Tabela 1)
nas diferentes fases fisiológicas que agrupamos da seguinte forma:
1) Foliados primordiais: dois grupos pertencentes a ovários diferentes.
2) Foliados em pleno desenvolvimento.
3) Foliados em transformação lutea.
4) Corpos amarelos transitórios.
3) Corpos amarelos gravidicos.
b) Métodos
Os ovários foram colhidos -empre com narcose pelo eter e fixados em Bouin
alcoólico (Duboscq-Brasil) preparados em parafina e corados em Hematoxilina
de Harris ou Heidenhain e eosina em córtes de 10 microns.
As medidas foram executadas com os mesmos princípios usados nos traba-
lhos precedentes (17.13), os quais resumimos brevemente. O núcleos (100-300)
desenhados com a câmara lúcida a uma ampliação de 1890 diâmetros são medidos
no desenho com um papel milimetrado transparente. Os núcleos são considera-
dos esféricos o que em realidade se dá no corpo amarelo, ao passo que os núcleos
da granulosa -ão frequentemente elipsoidicos. Pelo fato de não serem absolu-
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•310 PESQUISAS DE CITOLOGIA QUANTITATIVA. V: ESTUDO CA-
0,50 KIOMÊTRICO DAS CÉLULAS FOLICULARES E LUTEINICAS
tamente orientados, a medição deve ser feita como esfera de diâmetro médio entre
os dois diâmetros (maior e menor) do núcleo desenhado.
Agrupados os valores em classes de 0. 5mm foram construídos os histogramas
das frequências e calculados os valores modais, com (I) Arkin e Colton (2)
e o valor modal dos diâmetros transformado em volume da esfera correspondente
( V = d 3 ; 1,91). A Tabela 1 indica juntamente com os valores das frequências
dos diâmetros, também os valores modais dos volumes calculados.
O critério teórico que preside a escolha dêste procedimento já foi discutido
minuciosamente nos trabalhos antecedentes. Lembramos sómente que numa
massa homogênea de núcleos em ativo crescimento interfásico, os núcleos que
apresentam uma diminuta velocidade dê: te crescimento ou uma parada, apare-
cem no estudo cariomét rico-estatístico como classes de máxima frequência.
Portanto, os volumes modais representam os volumes nucleares nos quais os
núcleos param depois de acabado um período de crescimento. Este tipo de
crescimento com diferentes velocidades alternadas com paradas é chamado
“crescimento ritmico” ou “periódico” e. a sua significação causal já foi dis-
cutida nos trabalhos citados.
Nos foliculos cnde se encontram mitoses, foi ; calculado o index milotico ou
seja o número de mitoses em 100 núcleos medidos. Este valor também está na
Tabela 1.
Xos foliculos em que as mitoses aparecem com maior frequência, foi possi-
vel também medir algumas profases. O volume dêste e-tadio do ciclo nuclear
foi por nós considerado em trabalhos anteriores com particular atenção, pois
constitui uma etápa fixa do ciclo nuclear e praticamente delimita o fim de um
ciclo de crescimento interfásico e contemporaneamente j>ermite deduzir a natu-
reza interfásica das variações volumétricas ciclicas observadas.
Com os dados da Tabela 1. foram construídos os histogramas da Fig. 1.
Com os valores modais foi construído o gráfico da Fig. 2 que indica clara-
mente as relações quantitativas entre estes valores.
Apesar de que o exame de cada histograma isolado poderia sugerir dúvidas
em sentido puramente estatístico sôbre a realidade da- modas que nelas apare-
cem. o exame comparativo do conjunto de todos os histogramas revela uma per- J
feita correspondência entre este- valores modais nos diferentes casos estudados
e, como será evidenciado mais adiante, às vezes uma moda que é secundaria num
estádio, toma-se moda principal num outro estádio, evidenciando assim a reali-
dade biológica dêste valor consequente ao tip»o de crescimento ritmico do material
estudado.
4
T ABEI-A
5
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340 PESQUISAS DE CITOLOGIA QUANTITATIVA V ESTUDO CA- ~
RIOMÉTRICO DAS CÉLULAS FOLICULARES E LITEIXICAS
RESULTADOS
a) Foliados primordiais (Prot. 1 e S) :
Designamos como foliados primordiais e revestimento rle unia só camada
de células íoliculares ao redor do ovocito. Como cada foliculo é conipo-to de
um número reduzido de células, reunimos o> dados das medidas de mais ou me-
nos uma dezena de foliculos primordiais dos ovários pertencentes a um mesmo
animal.
Os dois animais sôbre os quais as medidas foram feitas estavam aml»os em
díestro. Os histogramas possuem um único máximo ao valor da cla>se de diâ-
metro 11 — 11.5. Num caso existe uma ligeira tendência a uma moda na classe
13. Em nenhum caso foi encontrado mitoses. Este, dados são representados
na Fig. 1.
b ) Foliado an desenvolvimento (Prot. 4. 7. 13a e 13b):
O foliculo em fase de desenvolvimento representa um tecido homogêneo em
grande atividade mitótica e fornece um campo de pesquisa de grande interesse.
Os histogramas (Fig. 1) ilustram o quadro carométrico desta fase que provem
de dois animais respectivamente em proestro ( n. 7) e estro (n. 13b). De cada
foliculo foram medidos aproximadamente 200 núcleos. Tixlos apresentam três
distintos valores modais respectivamente nas classes de diâmetro de rol. modais
aproximados: 11 — 12.5 — 14 (vol. 700. 1050. 1400). Em dois casos (n.
13a-b) aparece um valor modal ao diâmetro 10. Xão podemos dar a este valor
modal uma s gniíicação precisa por ser sómente ligeiramente acentuada e não na
totalidade dos casos e-tudados. Xão podemos excluir que estes núcleos peque-
nos sejam telofásicos. porém, numa pesquisa que será objeto de um trabalho
sucessivo sôbre as células intersticiais do ovário, encontramos este valor modal na
classe 10 como moda principal desta categoria de células.
Xos foliculos em desenvolvimento se encontram numerosas mito-es. As
profases medidas isoladamente tem um valor modal na classe 14 ('vol. 1400).
isto é. coincide perfeitamente com o terceiro valor modal dos núcleos interfásicos.
A frequência das mitoses nestes foliculos. por nós encontrada é mais ou me-
nos de 6 a 10/í . algarismo este que coincide satisfatoriamente com os dados conhe-
cidos na literatura (Micr. Fig. 4).
Tabela II
Diàmstro XticFar
N. do
proto-
colo
Foliculo cm
transíorma-
<;ão lutea
Valor Modal
(volume i
10
105
ii
11.3
12
12.5
13
13.5
o
14,5
15
15.5
16
ú
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^ •»
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S
13
/.ona cen-
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9
21
8
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Zona peri-
f* ru a (A)
143»;
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1
3
4
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5
20
6
2
2
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54
-
6
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ri’ PESQriSAS DE CITOtOGIA QUANTITATIVA. V: ESTUDO CA-
RIOMÉTRICO DAS CÉLULAS FOLICULARES E LUTEINICAS
c) Foliculo cm transformação Jutca (Prot. 13a e 30( :
Os dois casos representados na Tab. 1 respectivamente no fim do estro (30-
e estro (13a), apresentam também os três valores modais iguais aqueles do folí-
culo em desenvolvimento. Porém, devido a possibilidade as vezes Itastante
clara, de diferenciar as células já luteas das í liculares seja pela morfologia do
núcleo, seja pelo citoplasma basóíilo que é rico em granulações nas células iu-
tens. tentamos fazer uma medição diferencial das duas categoriaM.de células con-
temporaneamente presentes nesta fa-e do foliculo. Precsnmos esclarecer que
as células luteas começam a aparecer depois da rutura do foliculo na zona mais
periférica diste, ao passo que a zona central é ainda constituída por células da
granulosa residuais. Portanto, indicamos na Tab. 2 as duas medições com a
notação "zona central” e “zona periférica".
O gráfico da Fig. 2 representa histogramas separados^ destas duas partes
do foliculo em transformação.
1 L Jr. ' -iSu l. "
Eig. 2 — Histograma do» diâmetros., nucleares das ceiulas do foiletilo . cm transfer
mação lutea.
A) Zona periférica. predoimnantemente de célula já lutei nica*.
R) Zn na central, predominantemente de célula* foliculare*.
A linea ecrtical indica o diimctro da cla»*e da§ proiates foUculares. Vide Tabela. II.
r* . . - *. ”•
s
144 PESQUISAS DE CITOLOGIA QUANTITATIVA. V: ESTUDO CA-
RIOMÊTRICO DAS CÉLULAS FOLICULARES E LUTEIXICAS
As células foliculares tem valores volumétr cos modais iguais aos da$ célu-
las do folículo em desenvolvimento, isto é. diâmetros 11 — 12.5 — 14 (vo!. 700,
1050. 1400) ao {.asso que as células lutea, estão predominantemente na moda 14
(vol. 1400). Devido ao fato de ter-se fases intermediárias da célula da granu-
losa na transformação lutea, fases nas quais a morfologia celular não permite
as vezes uma clara classificação da célula, as curva, de frequência da Fig. 3 não
devem ser consideradas como absolutamente puras. O resultado da medição
do corpo amarelo, como será indicado adiante confirma o valor modal da classe
14 para as células luteas, e. exclue as cias-es inferiores para esta categoria de
células pelo menos no corpo amarelo períeitamente constituído.
d) Corpo amarelo transitório (Prot. 8, 9, 10 e 26):
Os quadros casos estudados encentram-se em metaestro (X.° 9, 10, 16) e
diestro (X.* 8). Os hi-togramas são todos unimodais com moda na classe de
diâmetro 14 (vol. 1400), geralmente bem regulares, excetuando o do X.* 9 que
apresenta um pequeno número de células muito grandes. Devemos salientar a
absoluta ausência de mitoses.
O aspécto morfológico do núcieo das células luteas é particularmente dife-
rente do das células foliculares. e muito homogéneo. Observam-se poucas e
diminutas granulações cromatínicas e nucleólo fortemente basófilo muito regu-
lar como demonstra as microíotografias (Fig. 3, 4. 5).
e) Corpo Amarelo grazídico (Prot. 38 e 22) :
O corpo amarelo Xo. 38 pertence a um animal sacrificado no 14.” dia de
prenhez e o X.° 22 ao 20.” dia.
O histograma nos dois casos apresenta uma moda principal períeitamente
coincidente com a II Ia. moda do 'folículo (diâmetro 14; vol. 1400) e, uma se-
gunda moda perfeitamente distinta na classe de diâmetro de 16 (vol. 2058).
Além disso os dois casos apresentam valores nucleares maiores. Para definir
com maior exatidão estes valores, foram escolhidos estes núcleos grande-, medi-
dos isoladamente e unidos depois estes valores aos dentais do histograma. Esta
maneira de proceder é ju ti ficada no caso em que interessa exclusivamente o va-
lor modal e não a porcentagem das diferentes frequências de células no total.
As modas que assim aparecem tem aproximadamente valores de diâmetro
nas classes 16.5 e 18,5 (respectivamente volumes 3000 e 4C00). Também nos
corpos amarelos gravidicos faltam Dor comoleto as mitoses.
10
ilcm. Tnst. Butantan.
2# 335-352, Dm.* 19 r.
C. A. SALVATORE J. G. SCIIREIBER
345
DISCUSSÃO
Representamos em forma sintética no Gráfico da Fig. 7 os resultados acima
analisados. Destes ressalta em primeiro lugar uma diferença fundamental entre
a célula da granulosa e a célula lutea no que se refere ao mecanismo de aumento
e reprodução. O folículo apresenta uma variação de volume nuclear que abran-
ge o intervalo desde o valor da moda I até a 111. e este intervalo c nstitue uma
duplicação do volume nuclear. Os valores das profases indicam que a moda
III representa o va’or terminal deste ciclo.
O corpo amarelo transitório tem uma constituição nuclear absolutamente
homogénea com o volume modal (1400) igual ao volume máximo da célula gra-
nulosa interfásica e ao volume da proíase da granulosa.
O corpo amarelo gravidico além destes volumes, apresenta uma segunda
moda perfeitamente distinta, de volume 1,5 maior do que a moda 1400. além de
uma pequena, pouco distinta que representa núcleos de volume maior ainda.
Devido ao pequeno número destes núcleos e a maior variabilidade tios. núcleos
grandes, é bastante difícil estal>elecer com exatidão o valor destas modas supe-
riores.
O folículo tem um mecanismo de multiplicação celular por mitose e o quadro
cariométrico praticamente é o mesmo que foi verificado por um de nós durante
as mitoses espermatogoniais. (Schreiljer. 15.17). Os núcleos duplicam o seu
volume e dividem-se em seguida, dando dois núcleos que. depois da recon-truçáo
télofasica tem cada um o volume exatamente metade do da profase. Durante este
crescimento, cuja natureza interfásica vem sendo demonstrada justamente pelo
limite representado pela profase, os núcleos param a um volume intermediário de
mais ou menos 1,5 vezes o volume inicial. Esta parada, nos tralwlhos anteriores
foi repetidamente verificada nos demais núcleos interfásicos e chamada “sesqui-
fase' por Schreil>er ( 14-15-16-17 * . Este vai r corresponde as assim chamadas
“Zvvischenklassen" encontradas em pesquisas ca rioniét ricas por vários autores,
(Brummelkamp (3) e Hertwig (7). (*)
Ao contrário, o corpo amarelo, nunca apresenta mitoses, mas pelo crescimen-
to tipicamente •‘ritmico" dos seu. núcleos devemos deduzir que apresenta um
crescimento com duplicação do volume o que indica ser o crescimento nuclear um
processo endomitótieo. excluindo portanto, fenómenos de simples embebição.
Precisamos esclarecer que usamos este termo de endomitose. no sentido mais am-
olo. para indicar o proce-so de duplicação do conteúdo gênico nuclear indiíeren-
temente do fato de se separar os produtos da multiplicação dos genomas em cro-
(*) Xos trahalhos de Schreiber (14. 15. 16. 17) está tratada a discussão sobre a sig-
nificação desta fase, conto também aquela do crescimento “ritmico" dos núcleos.
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VOLUME NUCLEAR (VALOR MODAL)
346
PESQUISAS DE CITOLOGIA QUANTITATIVA. V: ESTUDO CA-
RIOMÊTRICO DAS CÉLULAS FOLICULARES E LUTEIXICAS
cr
a
FiC. 6 — Diagrama dos valores modais dos histogramas da Fig. 1 e do Index Mitotico. M es. nas indi-
oações como na Fig. 1. — Ordenadas a direita: médias dos valores modais.
12
VALOR MODAL MEDIO
Mcm. In»t. Bmantan.
20:335-352, Dez.” V*A7
C A. SALVATORE & G. SCHREIBER
347
mosomas. em numero poliploide ou ficar reunido» em cromosomas politenico».
Além disso, este processo pode manifestar fenômenos de fases morfológicas en-
domitóceas como a» descritas por Geitler como tamliém pode faltar qualquer
manifestação de natureza cromatinica. como seja nas células do ileum dos mos-
quitos. De fato. nos núcleo- do corpo amarelo nunca tivemos, pelo menos na
rata. ocasião de observar modificações da morfologia do núcleo que fica sempre
claro com nuctéolo fortemente basófilo l>em evidente e de volume maior nas cé-
lulas maiores.
Como foi indicado mais acima é geralmente aceito que pelo menos a maioria
das células luteas se originam por transformação da granulosa, ficando aberto o
problema da origem, significação e participação da- teçais, na formação do corpo
amarelo.
Podemos, por conseguinte, admitir que a transformação da célula da granu-
losa em célula luteinica atinge o mecanismo de reprodução celular. Ao se trans-
formar em célula lutea a célula granulosa perde a capacidade de dividir-se mito-
ticamente continuando porém, o processo de multiplicação interna que a leva a
volumes nucleares de valor múltiplo superior.
É geralmente admitido que o corpo amarelo cresce por hipertrofia das célu-
la» c não por hiperplasia. Portanto, -e considerarmos o crescimento ritmico, como
uma forma de reprodução “interna" do material nuclear, sem divisão do núcleo
e da célula que é o processo fundamental do crescimento do corpo amarelo, na
realidade o crescimento nuclear permanece sempre o mesmo: multiplicação do
gciioma nuclear.
Xesta altura achamos interessante ligar estas conclusõe- com as idéias de
Painter (12) acérca da participação do núcleo nos fenómenos secretórios das cé-
lulas. Estudando trés tipos diferentes de célula» glandulares dos insetos. Painter
esclarece que todas as vezes que a célula necessita de ácidos nucleinicos para a
síntese das proteínas do citoplasma, o núcleo participa da sua formação com a
multiplicação do- seus genómas que representam o mecânisnto fundamental da
sintese das nucleinas. ulteriormente elaboradas e fornecidas ao citoplasma por
meio da heterocromatma e do nucleólo. Esta multiplicação dos genómas se dá
em certas células através de repetidos ciclos mitóticos que levam a um desenvol-
vimento hiperplástico da glândula, e em outras, jtelo contrário, se estal>elecem
núcleos fortemente poliploide» ou politenico» gigantes característicos de muita-
glândulas.
Painter ( 12) relaciona estes fenómenos nucleares com a elaboração de pro-
teínas citoplasmáticas mesmo reconhecendo que ainda não é liem conhecida a
natureza da secreção salivar do- Dipteros e admitindo que a “gordura” das cé-
lula» adiposas dos inseto» seja relacionada com fosfolipideos eventualmente liga-
dos com nucleoproteinas.
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TIO IESQLTSAS DE CITOLOGIA Lí CA X TI TAT I VA . V: ESTUDO CA-
HIOMÊTRICO DAS CíLULAS FOLICULARES E LUTEIXICAS
Por conseguinte, podemos levantar o problema se também os fenômenos nu-
cleares de natureza "interfásica” evidenciados nas células folicuKnicas e luteini-
cas possuem a mesma significação dos esclarecidos por Painter mesmo que, pelo
menos na última fase da elaboração da secreção, esta não seja de natureza proteica.
É importante frizar, que paralelamente à substituição dos mecanismos re-
produtivos das células acima indicado, se dão profundas modificações do qui-
mismo.
Ainda não estõ perfeitamente esclarecido se a célula lutea é ainda capaz
de produzir foliculina, mas está liem demonstrado que ela assunte a nova capa-
cidade de secretar progesterona. Se a formação do novo hormônio é conse-
quência da situação múltipla do genôma nuclear da célula lutea, é assunto que
não é aqui o caso de indagar: podemos sómente lembrar que a poliploidização
ou o estado politenico dos cromosomas das células traz como consequência, as
vezes modificações do seu metabolismo como foi estudado no- vegetais e como
salienta Frankhauser (6), analisando os casos de po! ploidismo nos anfíbios
CONCLUSÕES
1 ) A célula da granulosa folicular se multiplica por mitose apresentando o
seu núcleo um crescimento interfásico limitado a um intervalo de duplicação de
volume nuclear, com uma etapa intermediária de 1.5 vezes o volume inicial e
limitado superiormente j>elo volume da profase (700. 1050 e 1400).
2) A célula lutea tem no corpo amarelo transitório um volume nuclear exa-
tamente igual ao das profases foliculares (1400) e no corpo amarelo gravidico
este volume cresce ulteriormente com ciclos de crescimentos ritmicos ( 1400),
2100 e 2SC0).
3) O conjunto dos volumes modais das células foliculares c luteas forma
uma série única que corresponde perfeitamente àquela prèviamente evidenciada
nas células uterinas, isto é. uma sucessão de ciclos de duplicação com etapas
intermediárias a 1.5 o valor inicial de cada ciclo (sesquiía-e) : 700, 1050. 1400,
2100. 2800 ou seja 1 : 1.5: 2: 3: 4: 6: etc.
4) O fato dos valores ritmicos do crescimento da célula lutea constitui-
rem múltiplos superiores dos volumes ritmiccs da célula da granulosa, embora
não constitua a prova definitiva, pode ser argumento favorável para apoiar a
idéia da transformação lutea da célula granulosa.
RESUMC
Foram estudados com método estatístico-cariométrico os volumes nuclea-
res das células íoliculare-, e luteinicas da rata albina (AV star). Estas pesqui-
sas ccntir uam a série de investigações sôbre o crescimento interfásico em
tecidos em atividade reprodutiva com o intuito de esclar-cer os fenômenos de
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Mem. Inst. Butantan.
5»:J35052, D«.* 194:
C. A. SALVATORE & G. SCMREIBER
349
“crescimento r:tmico” dos núcleos aproveitando de condições fisiológicas dos
tecidos que favorecem o estudo da multiplicação celular.
Os fenômenos encontrados ião os seguintes: As células íoliculares tem um
ciclo de proliferação no quai o volume nuclear cresce a partir de um volume
básico (700) até atingir o duplo e depois entram na profane dividindo-se em se-
guida. Durante este crescimento os núcleos apresentam uma parada transitória
<lepo s de alcançado o volume 1,5 vezes aquele inicial (:£ 1050). Este ritmo
de crescimento coincide perfeitamente com aquele evidenciado por Schreiber nas
espermatogonias de ofideos.
Os núcleos das células lutemicas no corpo amarelo transitóro são toda. de
um volume igual aquele da profase das células íoliculares (1400). Xo corpo
amarelo gravidico dá-se um ulterior crescimento sem divisão, de tipo “rítmico”,
isto é. com valeres descontínuos e proporcionai, ao valor básico. A série for-
mada por estes valores continua perfeitamente aquela dos núcleos da célula foli-
cular e constituem uma série de ciclos de duplicação nos quais existe uma etápa
intermediária de um volume 1.5 vezes o valor inicial de cada ciclo. Esta etaptt
em trabalhos anteriores de Schreiber foi chamada de “sesquitase” e foi veri-
ficada também no crescimento ritmico dos núcleos das células uterinas.
E discutido o problema da origem das células luteinica-. e o fato de estas
células iniciar seu crescimento com um volume nuclear correspondente ao má-
ximo existente na. células íoliculares e continuar com valores múltiplos deste
volume é apontado como uma possivel comprovação da teoria da origem folicular
das células luteinicas.
ABSTRACT
The nuclear volumes ; i the follicular and luteal cells of the fetnaie albino
rat Wistar were studied by means of the statistical-cariometric mcthod. These
investigations follow up a series of studies on the imerphasic growth in tissues
in reproduetive activity in order to make clear the phenomenon of "rhythmic
growth of mt:ki, making use of the physi logical conditions of tissues which
favor the study of ceüular multiplication.
The following phenomena were íound: The follicular cells show a mitotac
cycle of proliíeration in which nuclear volume grows írom a basic v .lunfe until
it doulV.es in volume. They then enter the prophase and finally divide. During
tliis growth, ihe nuc.ei >how a tran-itory stop alter reaching a volume of 1.5
times that shown a. die heginning. This rhythm of growth coincides perfectly with
that shown by Schreiber in the spermatogonia of snakes.
The nu-lei in luteinical ce.ls of the transitory corpus luteum are atl of the
sante volume a> :n the prcphase of follicular cells. In the corpus luteum of
pregnancy. an ulterior growth with ut div.sion is observed. Th:s i > of the
“rhythmic type. that is. with discontinued values and proporti. nal to the basic
value. The series íormed by these values continues perfectly that of the nadei
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?rn rKSnriSAS DE CITOLOGIA QUANTITATIVA. V ESTUDO CA-
RIOMÊTRICO DAS CÉLULAS FOLICULARES E LUTEl.VICAS
oi the follicular cell and constitutes a series of duplicate cydes in which exists
an intermediate stage of volume 1.5 times the initial value of each cycle. Tn
previous works of Schreilier. this step was called "sesquiphase" and was also
veriíied in the rhythmic growth of the nuclei of merine cells.
The problem of the origin of luteal cells is discussed. Tlie fact that tliese
cells liegin their growth with a nuclear volume corresponding to the maximum
existing in the follicular cells and continuing with multiple values of this volume
is pointed out as possãble proof of the theory of the follicular origin of luteal
cells.
RIASSUNTO
I volumi nucleari delle cellule delia granulosa follicolare e dei corpo luteo di
Ratta albina (Wistar) vennero studiati col método "statistico-cariometrico" gia
usato dagli AA in publicazioni precedenti. Queste richerche continuano una serie
di mdagini sul ritmo deH'acrescimento dei núcleo interfasico nei tes>uti in attivira
mitotica nei quali possibile controllare questa attivita durante le differenti condi-
zioni fisiologiche speciíiche dei tessuto.
I fenomeni verificati durante queste richerche furono i seguenti :
La cellula folliculare presenta um ciclo di proliferazione mitotica duranti i$
quale il suo núcleo cre.-ce a partire da un volume básico fino a raggiungere il duplo
di questo volume iniziale e successivamente si divide. I nuclei profasici si trovano
tutti al volume doppio dei básico. Durante questo accrescimento interfasico I
nuclei prescntano un tappa intermediaria ad un volume 1.5 volte quello básico
iniziale. Questo ritmo di accrescimento interfasico corrisponde períet-
tamente con quello previamente descritto da Schreiber negli spermatogoni di Ofidi.
I nuclei delle cellule dei corpo luteo transitório sono tutti ad un volume eguale
a quello delle proíasi foHicolar cice duplo dei volume básico follicolare. Nei
corpo luteo gravidico si ha un accrescimento ulteriore dei núcleo senza divisione.
Questo accrescimento é di tipo “ ri t mico” cice con una successione di periodi di
accrescimento e di pause, essendo I volumi raggunti in queste pausa multipli deli
volume iniziale. Ijl serie di questi valori continua perfettamente quella dei volumi
dei ciclo delia cellula follicolare e costituisce una successione di cicli di duplicazione
dentro al quai esiste la tappa intermedia di 1.5 volte il volume iniziale di ogni
ciclo. Questa fase intermedia reune analizata da Schreiber in pubblicazioni pce-
cedente denominata. “sesquifase”. Essa venne verificata dagli AA anche nel
ciclo di accrescimento interfasico delle cellule uterine.
Viene anche discusso il problema dellorigine delle cellule luteiniche e viene
messo in evidenza il fatto che I nuclei di queste cellule iniziano il loro accrescimento
ad un volume corrispondente al volume massimo raggiunto nella interfase deAle
cellule follicolar. e suggeriscono questo fatto come ima possibile conferma delia
teoria dell'origine follicolare delle cellule luteiniche.
Mem. Inst. Butantaa,
!» 335-Í53, I»«." 1W
C. A. SALVATORE & G. SCHREIBER
3b 1
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