cm
As •MIIMOIUAS 1)0 INSTITUTO BLTANTAN” são destinadas
ã publicação de trabalhos realizados no Inslituto ou com sua con-
tribuição. Os trabalhos são <la<Ios ã publicidade, separadamente,
lofjo ap<is a entrega e reunidos aniialmenle num volume.
Serão fornecidas, a ]H'diJo. separatas tios trabalhos publicados
nas "Memórias”. pediiiiio-se nesse caso o obséquio tie enviar outras
separatas, em permuta, para a Biblioteca do Instituto.
TtHl:i a eorrespontienei.i editorial tieve ser dirigitia ao:
IN.STITl.TO BUTA.NTAN
Biblioteca
Uai.xa postal IW)
S. Pnuir. — BBASII.
l•l;I)K-.S^: BHBMl TA
KXCHANT.K DE.SIBKI).
X
índice
1. BCCHERI^ \V. — ChUofoéa das Ilhas da Queimada Grande e Pequena .... 1-8
ChUopoda from th* Istandi Qtuimada Granãt and Ptqutna.
2. BüCHERI., \V. — Estudos sobre Escutiseronioríos brasileiros 9-54
Stndies on BmsiKan Scutigercmorfka.
3. HOGE, R. Se GARCIA. A. — .Notas Erpet61o«kas. 4. Sobre carac-
teres sexuais secundários nas serpentes SS-<56
Soles OH Herfetoloçy. 4. Sfcoiidary ux (haraelert in lhe snakes.
4. HOGE. A. R. & GARCI.A. .A. — Notas Erpetoló*icas. 5. Notas sobre
Elafomorfkns nosnius Gotnes, 1915 67-76
Xotes on Herfetoloçy. S. Xotes on F.lafomorfhus nasntus Comes,
1915.
5. TR.\VASSOS. J.; RODRIGUES. PLÍNIO M. & CARRIJO. L. NO-
GUEIRA — Tifo innrino em S. Paula Identificaçáo da Riekrltsia
mooseri isolada de um caso humano 77-106
Xínrine lyfhns in S. Paulo. ídentifieatiom of 'lhe RUketIsia mooseri
isolaied from a human case.
6. BERTI. F. A. ; RIECKUANN. B. ; PEREGO. C. Se RZEPPA. H. W.
— A prõdoçSo cm larpi escala de 4.4‘-diamino-di{milsul{ona c derivados
. para a campanha anti-leprotica no Estado de S. Paulo, Brasil 107-116
The froduetion of 4,4'-diamino~difhenylsnlfone and derivalhes on a tarçe
Seat* for lhe amttlefroiic eamfaiçn in lhe State of São Paulo, Brasil.
7. BCCHERL, W. — Em torno das tres espécies insulares e praianas do gêne-
ro Pamfhohetrus Pocock. 1901 (Myçalomorfhae) 117-136
.dbouS Ihree island and eoast sfeeies of the genus Pamfhoheteus Pocoek,
1901 (Mygalomorfhae).
8. DOURADO. L. — ContribuiçSo aos processos de fixaçSo do colorido ver-
melho e verde das serpentes brasileiras 137-144
Conlrümtion lo the fixatiom melhods of lhe red and gr teu colours of
lhe Brasilian snakes.
9. VELLINI, L. L. — O uso da penicilina na purificaeSo da linfa vraciniea .... 145-152
The uSe of fenicillin ta lhe taecine lymfh furificatiou.
10. ARANTES. J. B. St BRANDAO. C H. — .Aniigenos e antkorpt» botrd-
pteos. I) CootribuiçSo ao estudo da dosagem dos soros antibotrópicos
polivalentes 153-178
Bolhrofic aniigens and aniibodies. l) Coniribulion lo lhe sludy of lhe
dosage of the folytaleni anltbolhrofit sera.
11. AMARAL. J. P. DO & BRANDI. R. — Da cooservaçSo da atividade da
tubercnlina diluida em liquido de Gottschall Sc Butmey 179-186
On lhe eonsertalion of lhe aethity of Inbereulin dissoired ia Co*/-
sthaíl 6r Bunney Hcjuid.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
12. HÕXTER, G. & DECOUSS.^U, D. — Concentração, purííicação e controle
fisiccMiuiinico dos soros antitóxicos e antipeçonhentos 187-20?
CoHcentralioH, purification and physical-chemical contrai of antiloxic
* and anihxnomous scra.
13. SCHUB.-XRT. O. — Os Diplopoda de algumas ilhas do litoral paulista .... 203-254-
Thc Diplopoda of some islands of lhe S. Paulo shore.
14. AR.\N'TES. J. B. & BR.-\XD.\0. C H. — .\ntigenos e anticorpos botró-
picos. II) Contribuição ao estudo da produção de soros antibotrópicos
monos^alcntes 253-260-
Bothropie antigens and antibodies. II) Contribution to the study of
the produelion of the monoixtlenl antibothropic sera.
15. BCCHERL. W. — Estudos sobre o genero Magulla Siraon, 1892 (Thera-
phosidae, Ischnoeolinae) 261-274
Sludies on the genus Megulla Simon, 1892 (Theraphosidae, Ischno-
colinae).
16. V.\Z, E. & .AR.-XUJO, P. — Da sangria de animais de imunização 275-298-
0»i the bleeding of immunication animais.
Ves. last. BaUsua,
AWil 1»4».
W. BCCHERL
I
CHJLOPODÀ DAS ILHAS DA QUEIMADA GRANDE E PEQUENA'
ra WOLFGAXG BCCHERL
(Trabalho do Laboralório de Zoologia Médica do instituto Butantan, S. Paulo, Brasil)
No intuito de conseguir uni número maior de exemplares da cobra \-enenosa,
Bothrops insularís, tem o Instituto Butantan realizado, durante o ano de 1947,
algumas excursões cientificas às Ilhas da Queinuda Grande e Pequena. Quase
equidistantes de Santos e de Iguape, cidades do Estado de S. Paulo, Brasil, e
afastadas da praia do continente, a Queimada Pequena, uns vinte quilômetros,
e a Queimada Grande, 40 quilómetros, separam-sc as duas ilhas igualmente por
innte quilómetros, mais ou menos.
Trata-se de duas ilhas pequenas, tendo a Queimada Pequena talvez menos
de 1 quilómetro quadrado de superficie e a Queimada Grande talvez o dobro da
primeira; completamentc rochosas, sem praia e sem zona praiana, dc acesso
muito dificil, snável só mesmo quando as condições da maré estiverem favoráveis.
Entretanto, há nas encostas Íngremes das rochas uma densa camada de humus,
do qual brotou uma mata de altura medíocre, entremeiada dc capinzais.
Nenhunu das duas ilhas está hoje habitada, havendo apenas na Queimada
Grande um farol automático, periodicamente abastecido pelas autoridades do jiórto
de Santos. \
Embora a situação topográfica e as dimensões exíguas das referidas ilhas não
permitissem a formação de fontes de água. tem elas. contudo, um clima muito
húmido e quente. Esta característica wiu faixirccer nas duas ilhas o desenvol-
vimento dc uma fauna artropódica muito intensa, senão especifica, pelo menos
numericamente.
.Assim foi capturado, nas referidas excursões, abundante material dif‘!of’ôdico,
t]nilof‘ódico c algum aracnológico. Os diplof'oda foram entregues ao ilustre colega
e amigo, Otto Schubart, para a determinação. O material aracnológieo necessita
ainda dc complementos essenciais para poder servir a uma apreciação objetiva c
comparativa.
Trataremos, pois, a seguir, dos Chitopoda, capturados pela primeira vez nas
duas ilhas, nas excursões de abril e outubro dc 1947. Os Gfophilotnorpha, captu-
Entregue para poblkacSo m 17 ós dczettbro * 1947.
1
1 SciELO
2 CHILOPODA DAS ILHAS DA QUEIMADA GRAXDE E PEQUEXA
rados nas mesmas ilhas foram entregues ao distinto colega, F. A. Turk, na
Inglaterra.
SCOLOPEXDROMORPHA
Fam. SCOLOPEXDRIDAE
Subfam. scolopexdrix.ae
Em nenhuma das excursões foi encontrado um exemplar sequer de qualquer
gênero desta subfamília o que constitui um fato interessante, quando se tem
presente que as escolopendras são muito frequentes justamente na zona praiana,
especialmente em Santos e São Vicente e em Itanhaem e Iguape.
Subfam. ctostigmixae Kraepelin, 1903.
Genus Otostigmus Por., 1876.
Subgenus Porotostigmus Poc. 1896.
Otostigmus pradoi Bücherl, 1939.
2 exemplares, um macho e uma fêmea, encontrados na ilha da Queimada
Pequena, apresentando todos os característicos da espécie, com exceção de ocor-
rerem dois esporões tarsais apenas no primeiro par de pernas e não nos primeiros
três pares de pernas. A fêmea mede 77mm, sem antenas e últimas pernas.
Otostigmus tibialis Broel., 1902.
22 exemplares (12 machos, 8 fêmeas e 2 filhotes), da Ilha da Queimada
Grande. São absolutamente iguais aos exemplares de São Paulo, Santos, Paraná
e do .\mazonas, demonstrando apenas maior regularidade na distribuição dos ca-
racteres morfológicos específicos. .Assim os três articulos basais das antenas são
sempre desprovidos de pêlos dorsalmente, enquanto que no lado ventral o terceiro
artículo já apresenta pêlos na metade distai. Os sulcos dos tergitos, cuja apa-
rência varia muito nos indivíduos do continente (do quinto ao décimo segundo
tergito) são completos sempre já desde o sexto tergito e estão demarcados já
desde o segundo ao quinto tergito por meio de dois curtos sulcos anteriores e
posteriores, rente às bordas.
Otostigmus limbatus Umbatus Mein., 1886.
Três exemplares (2 fêmeas e 1 filhote) da Queimada Pequena e 5 exem-
plares (2 fêmeas, 1 macho e 2 filhotes) da Queimada Grande.
Apresentam todos os característicos dos exemplares colhidos em Santos, no
Alto da Serra, na Argentina e no Paraguai, excetuando-se as seguintes particula-
ridades :
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Mcm. Tbj^ Bstaatui,
Abri] m».
W. BOCHERL
3
Xos exemplares do continente 4 articnlos antentús, basais, estão desprovidos
de pêlos, enquanto que nos exemplares das ilhas sómcntc dois artículos basais
estão "nús”, havendo áreas de pêlos já no terceiro e quarto articulo basal. Do
mesmo modo os tergitos já apresentam sulcos longitudinais completos desde o
quarto e desde o segundo curtos sulcos anteriores (ausentes nos exemplares do
continente).
Sul^enus Androtostigtnus Verh., 1937.
Olostíçmus scabricauda Humb. & Sauss., 1870.
36 exemplares, sendo 11 da Queimada Pequena (5 machos c 6 fóneas) e
25 da Queimada Grande (11 fêmeas e j4 machos).
Tendo-se á mão o material capturado nas diversas excursões, pode-se inferir
que esta espécie des-e ser a nuis frequente das duas ilhas, o que vem a formar
uma analogia perfeita com a frequência da mesma espécie no continente, onde
scabricauda c igualmente um dos mais encontrados Olostigmincos, tanto no Estado
de São Paulo, como nos outros Estados do Brasil, na Colombia e na Guatemala.
Os exemplares, colhidos nas duas ilhas, apresentam os s^intes caracteri.»-
. ticos morfológicos, que ampliam os descritos por Humbert e Saussurc c que, por-
tanto. devem ser tratados com mais minúcia;
Co/orído-Teigitos e antenas verde oliva; estemitos c pernas amarelos. Os
três a quatro últimos pares dc pernas roxos, pnncipalmente os últimos. Cumpri-
mento ate 85 mm. Número de artículos das antenas e áreas de artkulos sem
pêlos exatamente iguais como foi descrito por Humbert e Saussurc. Os mesmos
autores continuam: 4 grandes dentes forcipulares de cada lado". Os exempla-
res das duas ilhas apresentam dentes forcipulares muito fundidos, isto ê. há um
bloco dental, do qual se destacam apenas duas a três pontas, principalmente cm
exemplares muito velhos. Nos poucos exemplares jovens ainda se observam os
dentes independentes. Atrás das placas dentárias há uma corda, dc cada lado,
Icm longa c dirigida para a frente. Os sulcos paramedbnos .^empre estão
completos desde o quinto tergito. havendo no quarto tergito já sulcos anteriores
c posteriores, muito curtos e delicados. As “pseudocarenas" laterais coincidem
novamente com a descrição de Humbert c Saussurc. como também a existência
da quília mediana. Quilias laterais, entretanto, não são observadas nos exem-
plares das ilhas, mas apenas diminutas cspículas, enfileiradas c rugas nas áreas
laterais dos tergitos, principalmente no fim do corpo.
Estemitos com as mesmas depressões c cavidades, como assinalaram Hum-
bert e Saussurc ; igualmcnte os esporões tarsais. Prefemur dos machos com um
apêndice bastante difermtc do descrito por Humbert e Saussurc e da íig. 191 de
Attems (Das TierTcich-Scolopendromorpha-54 Lieferung, 1930). Em primeiro
1 SciELO
3
4 CHILOPODA DAS ILHAS DA QfEIMADA GRAXDE E PEQUEXA
f
lugar o apêndice é quase duas vezes mais longo do que o tergito, excedendo
muito o comprimento do próprio prefemur. Em segundo lugar não nasce o
apêndice na base do prefemur, mas sómente no orimeiro ouarto basal.
Subgenus Dactylotcrgitius \'erhoetf, 1937.
Otostigmus caudatus insularis, subsp. nova.
«
12 exemplares, sendo uma fêmea da Queimada Pequena, 7 machos e 4 fêmeas
da Queimada Grande.
Um confronto morfológico de todos os exemplares acima enumerados em
rclaqão a 0. caudatus caiidatus Broel., 1902, apresenta os seguintes característicos
da subespécie nova:
Todos os estemitos sem sulcos nem depressões — O. caudaltis caudatus;
estemitos 2 a 19 com sulcos anteriores e dois posteriores (vide Fig. 1), curtos
mas muito nítidos, sendo os anteriores mais longos do que os posteriores e
atingindo quase a metade de cada esteniito — O. caudatus insularis, subsp. n.
Último tergito do macho com um apêndice quase cilindrico, digitiforme, do
mesmo comprimento do tergito — O. caudatus caudatus. Último tergito do ,
macho com apêndice quase cilíndrico, digitiforme, pelo menos unu c meia vezes
mais longo do que o tergito — O. caudatus insularis, subsp. n.
Na subespécie nova este apêndice ê largo na base e se afina aos poucos,
tenib na ponta, dos dois lados, uma pequena concavidade, coberta de pêlos longos,
doirados, dirigidos para trás e para baixo (vide Fig. 2).
Todo o resto é igual a O. caudatus caudatus.
Tipo: No. 402, da cole<;ão do Instituto Butantan. Macho.
Familia CRYPTOPID.\E.
Subfamilia cryptopixae .Mtems, 1930.
Genus Otocryptops Haase, 1887.
Subgenus Trigonocryptops Verhoeff, 1906.
Cryptops ihcringi Broel., 1902.
2 fêmeas adultas e 1 1 filhotes, da ilha da Queimada Grande. Placa cefálica
com 2 sulcos longitudinais bem visivcis. enquanto que nas formas do continente
(alto da Serra. Petropolis) estes sulcos ou não existem ou são quase invisíveis.
Sulcos paramedianos ausentes no primeiro tergito. Espículas presentes já nos
últ>mos 3 tergitos, enquanto que nas formas do continente, estas espiculas só se
encontram no último tergito. Último tergito sem tubérculos nos dois lados, como
acontece com os exemplares do continente.
4 .
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Jlna. Int. Botaaua.
ti-.i-a. Abra m».
W. BCOfERL
5
Os dcirais característicos são iguais à espécsc descrita por Broeleirann.
Subfamilia scolopocryptopinae Attenis. 1914.
Genus Otocryptops Haase, 1887.
Olocryplops spinulifcr, sp.nova.
Cooipriínento (sem antenas e últimas pernas) : 50 a 60 mm. •
Colorido marrom escuro.
Placa cefálica com poros esparsos, muito delicados, cobrindo complctamentc
o primeiro tergito, de maneira que o sulco transversal deste fica invisivel. Placa
cefálica sem sulcos laterais. Antenas com 17 artículos, dos quais os três pri-
meiros apresentam menos pêlos que os outros. Coxas forcipulares coin linha
transversal. N*a margem anterior se destaca bem a placa dentária, que ajyresenta
paramedianos completos, mais profundos atrás, perto da margem posterior. .'Mêm
destes 2 sulcos há. nos tergitos. 8 a 21. um curto e leve sulco mediano, na margem
posterior. Carenas laterais do 7.® ao 22.* tergito. porem estas carenas em tergito
algum atingem completamente a margem posterior, isto ê. nos tergitos anteriores
e posteriores elas são mais curtas e nos do meio, elas se estendem mais para trás.
No 22.* tergito elas ocupam apenas um teiv» anterior. 23.* tergito liso, sem care-
nas, mas, cm lugar destas, duas suturas delicadas, que percorrem toda a zona late-
ral, dcnurcando o limite entre o tergito e as coxopleuras. Atrás, cm ambos os
lados, há uma pcquaia ponta que termina num pequeno espinho (vide nomen).
Estemitos com poros grandes ; sem sulcos nem depressões. Último estemito
com fosseta longitudinal, mediana. Campo poroso ("Porcnfeld”) estendendo-se
do estemito atê ao tergito (Fig. 4). deixatulo livre apenas un» diminuta área
dorsal, posterior. Sem espinho lateral. .Apêndice coxopleural ( Coxoplcuren-
fortsatz”) longo, com unu ponta longa; sem espinho lateral. 2 esporões tibiais
do 1.* ao 20.* par de pernas; 21.* par com um esporão; os dois últimos pares
sem nenhum. 1 esporão tarsal nos j>rimciros 21 pares de penus. Todas as per-
nas com 2 garrinhas muito pequenas, na base da garra tarsal. Último prefemur
com 1 espinho vcntral grande e um dorsal ntenor.
Tipo: macho No. 31 na coleqâo quilopodica do Instituto Rutantan
Paratipos: 12 exemplares, sendo 7 fêmeas c 5 machos.
Local~lipo: Ilha da Queimada Grande.
Paratipns das Ilhas da Queimada Grande c Pequena (da últinu 3 exem-
plares).
1 SciELO
5
CHILOPODA DAS ILHAS DA QUEIMADA GRANDE E PEQUENA
CONCLUSÃO
Nas excursões científicas, organizadas pelo Instituto Butantan, às ilhas da
Queimada Grande e Pequena, foram capturados Chilopoda, em número apredável,
prindpalmente da subfamilia otostigminae.
Aqui são citadas todas as espécies encontradas, adidonando-se novas referên-
cias morfológicas. São igualmente descritas uma subespéde no\-a, Otostiginus
caudatus insularís, e uma espéde nova, Otocryptops spmtdifer.
ABSTRACT
A new subspedes, Olostigmus caudatus insularis, and a new spedes,
Otocryptops spinulifcr are described from the islands Queimada Grande and
Pequena, near the Atlantic coast from Santos, São Paulo, Brazil.
ZUSAMMENFASSUNG
Auf den beiden kleinen, unbewohnten, mit Steilkuesten versehenen Inseln,
Queimada Grande und Pequena, die nahe an der brasilianischen Kueste, swischen
Santos und Iguape, liegen, wurdeh, waehrend mehrerer wissenschaftlidier Excur-
sionen, die vom Institute Butantan aus geleitet wNirden «•aren, verschiedene
Chilopodcn gesammelt.
Unlcr dem Material, das zum groessten Teil zur Unterfamilie der Otostigmi-
nac gehoert, wurde auch eine neue Unterart, Otostigmus caudatus insularis und
eine Art. Otocryptops spinulifcr, aufgefunden und in dieser Arbcit beschrieben.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Mem. Iftst. BcUatus,
Abrü 2M9.
W. BOCHERl.
/
1 ^ ims^Uru, raè»p. b. (mIcos ««UriorT*
t po trf ioct i do» CfCfrmito*).
2 <— Ot0tti^m4 emmdsiui imnUns, idb^p. au (Ahmo Urpito
CMB a^fiM *iÍt«iti{or«K*).
2 ~ Of#rr7p<#p« ffímmkfer, «p. b. (Cbi— C trauí cmb placB* cSrBUi«>.
4 Ol*rr7ft#f# tp. b. («hiaw » c g Bi* B to do Uobco»
CBBi caaipo pvrooB c o poBta de evfvBkoo do àhnBO iCTftlo).
1 SciELO
Mm. IttsC. Botintan.
31 .-9-54. Abril 1949.
W. BCCilERL
9
ESTUDOS SOBRE ESClTIGEROiíORFOS BRASILEIROS
(2.* poHica^o)
fo« WOLFGAXG BCCHERL
{T rabalko do Laboratório dt Zootogio SfédUj do litttitulo Butaniam, S. Pauto, BrasU)
INTBODCCÃO ,
Xo meu primeiro trabalho (1939) assinalei, entre outros caracteres morfoló-
gicos. a importância esperífica do “sintelopodito gonopódico” das fémeas dos
*sculigcrotHorfos. \'erhoeff (1936) chamou a atenção dos especialistas que. de
futuro, não mais se poderiam aceitar descrições de espécies novas, onde fôsse
omitida a morfologia destes gonópodes e condenou explidtamcntc as novas espé-
cies Thcrcuonema baÜisUs e Thereuanema bellicj Muralewitsch (1907), não só-
mente por não constar nada sobre os gonópodos das fêmeas mas tamliém porque
as descrições são absolutamente insuficientes também em relação a outros carac-
téres espedficos.
Voltando, agora, ao mesmo assunto, em face do material de escutiff^romorfos,
acumulado na coleção do Instituto Butantan desde I^IO até dezembro de 1947,
pretendo, de um lado. contribuir para o lançamento de noi-as bases morfológico-
sistemáticas. entrando em detalhes especificos e discutindo seu \'alor na especifi-
tasio destes artròfodos; por outro lado quero aproxeitar o presente trabalho e
rememorar o histórico da sistematização destes quüópodos, para completar, á mão
de material novo, o que o meu primeiro trabalho forçosamente tinha de incom-
pleto. pois trata-se de um grupo de anintais venenosos, <le sistematização muito
difícil, mesmo para especialistas que trabalham em grupos afins.
Espero, assim, encorajar a quem, entre nós, queira dedicar-se ao estudo des-
tes artrópodos, tão interessantes quanto desconhecidos e raros e quase inacessiveis,
por estar a pouca literatura muHo espalhada e porque ainda muito $e discute
•obre a posição exata dentro das subfamilias de muitos géneros.
Entrr^ue para ptMicaçio cm 26 de fevereiro de 1W8.
9
1 SciELO
10
ESTUDOS SOBRE ESCXTIGEROMORFOS BRASILEIROS
POSIÇÃO SISTEMÁTICA DOS ESCUTIGEROMORFOS
Em 1844, Xewport estabeleceu nos Arthropoda, classe Chilopoda quatro
grandes grupos: Scutigcridac ; Lithobiidae; Scohpoidridac e GeophUidac.
Tão pronunciadas são as particularidades morfológicas dos representantes
destes quatro grupos que, de 1944 até nossos dias, ninguém mais pôs em dúvida
a separação nítida dos quUópodos em quatro grupos.
F. Meinert e, depois déle, mas progredindo s^;undo o espírito do primeiro,
E. Haase. £m 1880, tentaram reunir os quatro grupos novamente em duas subor-
dens: Chilopoda anamorpha e Chilopoda ephtiorpha.
Entretanto, respeitando a di\’isão morfológica, apontada por Xewport, subdi-
vidiram os Anamorpha nas famílias: Scutigcrini; Lithobiini e os Epimorpha nas
famílias: Scolopcndridae e Gcophilidae.
R. Latzel (1880 e 1884), Ch. Bollman (1893) e F. Silvestri (1903) tenta-
ram. por seu turno, introduzir divisões e subdivisões novas dos Chilopoda. Mas,
deficientemente fundamentadas, suas inovações não Ic^raram aquele é-xito que,
mais tarde, em 1902, fw obtido por Pocock com o seguinte esquema:
Classe CHILOPODA.
la. subclasse PLEUROSTIGMA.
la. ordem: GEOPHILOMORPHA.
2a. ordem : CR.VTEROSTIGMOMORPHA.
3a. ordem: LITHOBIOMORPH.^.
2a. sublasse NOTOSTIGMA.
Ordem única : Scutigeromorpha.
Esta divisão, embora contenha imperfeições, principalmente no tocante aos
Cralcrostigmamorpha, cuja posição numa ordem própria dificilmente se poderá jus-
tificar ajienas pela “homologação dos segmentos do tronco”, baseada na pre-
sença de seis tergitos “intercalados”, representa, contudo, uma divisão natural,
solidamente objetivada e hoje cm dia universalmente aceita.
A divisão moderna é, pois:
Classe CHILOPODA.
(Artrópodes traqueados, com antenas filiformes, indivisas, de 13 artículos
ao mínimo ; com corpo separado em cabeça e tronco ; o último com segmentação
mais ou menos homónoma, estando estes segmentos providos de pernas, cujo
número varia entre 15 a 173 pares; com um par de glândulas de veneno, termi-
10
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Mea. last. Botustaa,
31:9-5«. Aknl 1919.
W. BCaiERL
11
nanrio os canais eferentes do mesmo nas pontas dos tarsos das “forcípulas”,
transformadas por forte quitinização em \-erdadeiro aparelho inoculador de ve-
neno).
la. subclasse NOTOSTIGMOPHORA.
(Artrópodes ocelados, consistindo os olhos de inúmeras pseudofacetas ; com
7 estigmas respiratórios — “stomata” — no meio dos tergitos. na parte posterior;
com 15 segmentos do tronco, dotados de pernas e cobertos por 8 tergitos "sinter-
gitos”; com antenas muito longas, subdirididas em muitos artículos, que se assen-
tam sobre uma haste curta, que contem um órgão sensorial. As antenas geral-
mente são divididas por meio.de duas aniculações maiores em “flagcllum pri-
mum” e “flagellum secundum”, sendo os dois artículos maiores denominados
“nodale” e “postnodale”; o s^undo par de maxilópodos está subdividido em
trocanter, prefemur, fêmur, tibia e urso. O último é geralmente formado por
um articulo só; com pernas muito longas, superando as últimas geralmcnte o
comprimento das próprias antenas ; tarsos subdivididos em muitos pequenos artícu-
los; evolução do embrião hemianamorfótica).
Ordem únkra Scutigeromorpha.
2a. subclasse PLEUROSTIGMOPHORA.
(Estigmas sempre pares, localizados nos lados dos segmentos do tronco
entre os tergitos e os estemitos, na região denominada "pleuras").
la. ordem A X A M O R P 11 A Haase, 1880.
la. subordem CRATEROSTIGMOPUORA Pocock. 1902.
Familia única otATcaosncMiDAE Pocock, 1902.
Gênero único CrateroUtgmus Pocock. 1902.
Habitat : Tasmãnia.
2a. ordem L I T H O B I O M O R P H A Pocock. 1902.
Com famílias, gêneros e espécies, distribuídos para todos os continentes.
2a. ordem E P I M O R P H A Haase. 1880.
la. Subordem SCOLOPENDROMORPHA Pocock, 1896.
•Abrange os cscolopendrideos, otostigmiàtos, cripiopUteos c cscolopocnptíh
pUcos.
11
1 SciELO
12
ESTUDOS SOBRE ESCUTIGEROMORFOS BRASILEIROS
2a. Subordem GEOPHILOMORPHA Pocock, 1896.
Com famílias, gêneros e espécies, distribuídos para todos os continentes.
la. Famiiia: SCUTIGERIDAE Gervais, 1837
(Todos os artículos do “ílagellum primum” com e.xceção do ‘‘ flagelloba-
sale” e do “nodale” muito mais largos que longos, como também os articulos da
metade basal do “flagellum secundum”; com 2 a 9 círculos de delicadas cerdas
nos artículos das antenas; estiletes — “Zapfen” — dos órgãos sensoriais dos
primeiros maxilares glabros ou com riscos em cruz).
la. Subfamilia: SCUTIGERINAE Verhoefí, 1904
(Dois acúleos no fim do primeiro tarso das pernas 6 a 14. Scgtmdos maxi-
lópodos com 2 acúleos no prefémur, 4 no fémur e 2 na tibia. Tarso não subdi-
vidido em dois articulos).
Géneros: Balloncma Verhoeff, 1904.
Lassophora Verhoeff, 1905.
BrasUoscutigcra BiKherl, 1939.
Scutigcra Lamarck, 1801.
2a. Subfamilia: THEREUONEMINAE Verhoeff. 1924
(Primeiro tarso, no ápice, de todas as pernas sem acúleos. Segundos
maxilópodos com 2 acúleos no prefcmur, 4 no fémur e 2 na tibia. Tar.so não
subdividido em 2 articulos).
Géneros: Thcreuoncma Verhceff, 1904.
Tochythcrcua Verhoeff, 1905.
Allothcrcua Verhoeff, 1905.
Parascutigcra Verhoeff, 1904.
Prionopodclla Verhoeff, 1924.
Thcrcuopoda Verlioeff, 1905.
Prothcreua Verhoeff, 1924.
Thcrcuopodtna Verhoeff, 1905.
Podothcrcua Verhoeff, 1ÍX)5.
3a. Subfamilia: SCUTIGERIDINAE Verhoeff, 1936
(Nada consta a respeito da presença ou ausência de acúleos no fim do pri-
meiro tarso. Telopoditos dos segundos maxilópodos com 5 articulos, pela divi-
são do tarso cm primeiro e segundo tarso. Prefémur com 1, fémur com 3 e
tibia sem acúleo apical).
12
MrsL tiM. BtrUMu.
í 1:*-54. Abnl m».
W. BOCHEKL
13
Géneros: Madagassophora Sanss. & Zchnt., 1902.
Scutigcrides Silv., 1903.
2a. FamíHa: PSELLIOPHORIDAE Verhoeff. 19(M c 1925
(Quase todos os artículos do “flagcHum primum” das antenas niais longos
que largos ou, pelo menos, tão longos que larges, havendo apenas muito poucos
artículos que são mais largos que longos. As cerdas dos nKsmos artículos são
abundantíssimas, sem estarem ordenadas em drculos tão bent expressos como em
ScMtigcridof , podendo-se, observar, contudo, 4 a 7 fileiras transversais de cerdas.
Também no “ílagellum secundum” há muitos artículos mais loiros que largos.
Estiletes sensoriais “Sinneszapíen” dos primeiros maxilare.s, no meio, com “tra-
^*^las’’ quitinosas anulares).
Géneros: Psctíiophora V’erhoeff, 1904.
Sphendononema Verhoeff, 1904.
BrasUophora Búcherl, 1939.
DESCRIÇÕES DOS GÊNEROS:
1. Ballonctna Verhoeff, 1904.
Pernas 5-14 com 3 acúleos no fim da tíbia, um superior c 2 \-cntro-latc-
rals; primeiro e segundo par de pernas apenas com 1 acúlco tibial inferior;
terceiro e quarto par com 1 acúleo apkal ventral e dorsal. Todos os segun-
dos tarsos com "cúspides". FlagcHum primum com 112 a 140 artkulos.
Primeiro par de pernas com 13 a 15 artículos no 1.* tarso e 37 a 38 no 2.*
tarso; segundo par de pernas com 13 a 15 no 1.* c 37 a 38 no 2.*; 4.* ao
13.* par de pernas com 7 a 10 no 1.* e 29 a 34 no 2.*; 14.* par de pernas
com 10 no 1.* e 43 no 2.®.
Gonópodos desconhecidos.
Habitat: — Xova Guiné.
2. Lassophora Verhoeff, 1905.
Xos segundos tarsos, principalmentc das pernas anteriores, existem
cúspides grandes e pequenas, um tanto recurvas, c em posição altemante.
Xa área das fileiras longitudinais de cerdas do 1.* e do 2.* prefémur das
pernas já existem 13 a 15 espinhos. Quinto estigma respiratório com pou-
cas espiculas nas margens e completamente sem espiculas nas bordas do
cálice estigmal. mas sim com cerdas. que estão presentes também nos estig-
mas do 6.* e 7.* tergitos. Tronco e pernas de colorido azul pálido escuro.
FlagcHum primum com 49 a 50 artículos. 1.* par de pernas com 12 artícu-
los no primeiro e 29 a 30 artículos no segundo tarso; 2.* par com 11 no l.®"
« 29 no 2.* tarso; 4.* par com 9 no 1.* c 29 no 2.* tarso.
Habitat: — Madagascar.
13
cm
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14
ESTUDOS SOBRE ESCÜTIGEROMORFOS BRASILEIROS
3. BrasUoscutigera Bücherl, 1939.
Flagellum primum com 110 a 125 artículos. Xo lado dos artículos
dos tarsos II existem cúspides grandes, recurv-as, que saltam sempre um
artículo e cujo número varia entre 9 e 15, diminuindo nos últimos 7 pares
de pernas. Já as duas primeiras extremidades com 2 acúleos tibiais; todas
as outras com 3 acúleos no prefêmur, 3 no fêmur e 3 na tíbia. Já na
segunda perna existem 2 acúleos tarsais no fim do primeiro tarso. Tergi-
tos anteriores sómente com cerdas. No quinto tergito e nos seguintes ainda
mais surgem pequenas espículas, ainda que sempre em número bastante redu-
zido, entre as cerdas, e que estão distribuidos tanto nas áreas medianas,
como laterais das placas, como também nas carenas laterais (mmca formando
bórdos-serrilhados), e em volta dos estigmas. Bordas dos estigmas e cálice
sem espículas e cerdas.
Artículos nos dois tarsos do 1.* par: — 14 a 16 e 34 a 38;
Artículos nos dois tarsos do 2.* par: — 13al4e34
Artículos nos dois tarsos do 3.* par: — 13 a 14 e 34
Artículos nos dois tarsos do 5.* par: — 9 a 10 e 38 a 42;
Gonópodos das fêmeas: Bordas externas do pro-, mes-e metartron muito
divergentes para trás. Area interna do mesartron muito curta mas bem
larga, mais larga que a base do mesartron. Lados externos do pro-e metar-
tron do mesmo comprimento; os mesartron duas vezes mais curtos.
Habitat: — Brasil (Rio Grande do Sul).
4. Scutigera Lamarck, 1801.
Flagellum primum com 52 a 78 artículos. X’os tarsos, principalmente das
pernas anteriores, há cúspides grandes, em posição altemante, sem cúspides
menores no meio. Prefêmur dos primeiros 2 pares de pernas sem espinhos
nas fileiras de cerdas. Os últimos 3 tergitos com espículas e cerdas nas
bordas laterais e no meio das placas.
Artículos nos 2 tarsos do 1.* par: — Ilal8e30a35;
Artículos nos 2 tarsos do 2.* par: — 11 a 14 e 28 a 32;
Artículos nos 2 tarsos do 4.* par: — 9 a 12 e 26 a 30;
Artículos nos 2 tarsos do 7.* par: — 7 a 8 e 24 a 28.
Gonópodos desconhecidos.
Habitat: — Região mediterrânea, América do Norte e África do Sul.
Chave dos gêneros Tlicrcuoncinimc.
á) Tergitos revestidos de numerósas espículas longas; proartron do sintelo-
podito dos gonópodos das fêmeas com lados paralelos ou subparalelos. Nos
bordos dos estigmas 12 a 13 espinhos-5. Thcreuonevia Verhoeff, 1904.
Habitat : — China, Japão, Turquestão, Síria, Egito.
14
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b) Tergitos mestidos por numerosas espículas curtas, apresentando estas espí-
culas óra uma haste alargada óra uma base cm fórma de cone, óra estão
agrupadas — ou então há ausência de espkulas — c) ; d)
c) Espículas ausentes nos tergitos, havendo em seu lugar numerosos espinhos
e pequenos acúleos. Proartron alargado distalmente-6. Tachylhereua
Verhoeff, 1905.
Habitat : — Marrocos.
d) Tergitos sempre com espículas e); f)
e) Proartron das fêmeas com lados paralelos ; c5pa(;o formado pelo mes-e me-
tartron apresentando fórma de ferradura, isto ê, mais estreito na área do
metartron !• c 2. . .
1 . Os últimos dois estigrrus com 2 a 10 espinhos na área interna e nas carenas
laterais muitos espinhos contíguos, a imitar os dentes de um serrotc-7.
Allothercua Verhoeff, 1905.
2. Os últimos dois tergitos com numerosas cerdas, mas sem espinhos na área
interna dos estigmas. Nas carenas laterais igualmente há apenas uma fi-
leira espessa de cerdas, sem espinhos-8. Parasculigfra Verhoeff, 1904.
Habiut : — Australia e Arquipélago de Bismarck.
f) Pro-e mesartron das fêmeas com lados muito divergentes atrás de maneira
que o esparjo, formado pelo mes-e metartron, ê semi-circular — g) ; h) ....
g) No limite entre o pro-e rrKsartron exute uma depressão trans\ersal na qui-
tina, delimitando nitidamente as duas zônas. Espículas dos tergitos finas
c dispostas cm séries como os dentes de um pente. Os dois últimos estignus
apenas com cerdas, sem espinhos-9. Prionopodella \'erhoeff, 1924.
Habitat : — Quecnsland — Australia.
h) Mesartron normal, sem a depressão transversal de delimitação., i) ; j).
i) Bordas dos dois últirrws estigrrras com espinhos seriados, imitando os dentes
de um serrote 1- ^ 2. ...
1 . Estigmas alongados com 24 espinhos seriados pelo menos, nas bordas- 10.
Thereuopoda V'erhoeff, 1905.
Habitat: — índia. Ceilão, Borrrêo, China e Japão.
Subgêneros: tiiereuopoda Verhoeff, 1905.
orruarHEBECA Verhoeff, 1905 (índia).
MicxoTHERECA Verhocff, 1905 (Sul da China).
15
1 SciELO
16
i)
1 .
14.
16.
ESTUDOS SOBRE ESCUTIGEROMORFOS BR.\SILEIROS
Os dois Últimos estigmas redondos e sem espinhos nas bordas-ll. Pro-
thcrcua Verhoefí. 1924.
Habitat: — Sudoeste da .\ustralia.
Nas bordas dos estigmas predominam as cerdas, enquanto que os espinhos
são poucos. Estigmas 6 e 7 alongados 1. e 2
Se.xto estigma raras vezes sem espinhos, mas geralmente com 6 a 34 espi-
nhos nas bordas. Prefêmures do 2.*, 3.* e 4.* par de pernas sem espinhos.
Primeiro par de pernas com 14 a 17 articulos no 1.* tarso e 41 a 42 no-
2.* e 3.* par com 12 a 16 e 32 a 41 respectivamente; 7.* par com 7 a 9 e
30a 37 articulos tarsais-12. Thcrcuopodina Verhoefí, 1905.
Habitat: — Ceilão.
Bordas do sexto estigma sempre sem espinhos. Prefêmures do 2.*, 3.* e-
4.* par de pernas já com uma fileira de espinhos na área das cerdas. 1.*
par de pernas com 24 artiailos no 1.* tarso e 52 no 2.*; 2.* e 3.* par de
pernas com 19 e 49 a 50 articulos; 7.* par de pernas com 13 a 43 artí-
culos respectivamente- 13. Podothcrcua Verhoefí, 1905.
Habitat : — Arquipélago de Bismarck.
Xota: Os gêneros de Thercuoneminac pertencem exclusivamente à
região indo-australiana. A. separação nitida dos gêneros-
ainda está longe de ser perfeita, porque a chave acima refe-
rida insiste, por demais, em caracteres muito variáveis, como
sejam os espinhos dos últimos tergitos e sua contagem nu-
mérica.
Madagassophora Sauss. & Zent., 1902.
Segundos maxilópodos com 1 acúleo no prefêmur, 3 no fêmur, nenhum-
na tibia. Tarsos com 2 artículos.
Habitat: — Madagascar.
Scutigerides Silv., 1903.
Segundos maxilópodos com 1 acúleo no prefêmur, 4 no fêmur, nenhum na
tíbia. Tarso com 2 artículos.
Habitat: — Trans\-aal, África do Sul.
PscUiophora Verhoefí, 1904.
Pernas 6 a 14 com 2 acúleos no fim do primeiro tarso; em todas as pernas
3 acúleos tibiais. Xos segundos tarsos de todas as pernas existem muitas
cúspides curtas, dificilmente apreciáveis nas pernas 11 a 14. Flagellum
primum com 56 a 64 articulos. Primeiro par de pernas com 18 artículos-
no 1.* tarso e 42 no 2.*; segundo par de pernas com 16 articulos no 1.*
tarso e 42 no 2.*: terceiro par ao 13.* par com 9 a \5 articulos no 1.* tarso
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e 29 a 45 no 2.*; tergitos densamcnt; cobertos por cspknlas delicadu
*‘Haarspitzchen”.
Habitat; — África Oriente, Cor^o c América Central.
17. Sphendononeina Vcrhocíí. 1904.
Todas as pernas sem acúleos no fim do primeiro tarso. 1.* ao 8.* par de
pernas apenas com 1 ou 2 acúleos tibiais; 9.* ao 13.* par com 3 acúleos
tibiais. Apenas as 9 ou 10 pernas anteriores apresentam cúspides no segun-
do tarso. Flagellum primum com 51 a 56 ailiculos. Primeiro par de
pernas com 17 a 21 artículos no 1.* tarso e 31 no 2.*; segundo par de per-
nas com 11 a 14 artículos no 1.* tarso e 30 no 2.*; terceiro ao 13.* par de
pernas com 4 a 13 artículos no 1.* tarso c 17 a 36 no 2.*. Tergitos sem as
espiculas delicadas. _
Habitat: — África (Togo e Camerum).
18. Brasilophon Bücherl, 1939.
Pertas 1 ou 2 a 14 com 2 acúleos no fim do primeiro tarso; aficnas o 1.*
e 2.* par de pernas com 2 ou 3 acúleos tibiais c prefcniurais c femurais;
do 4.* par ao 14.* sempre com 3 acúleos no prefemur, 3 no femur e 3 na
tibia. Cúspides dos segundos tarsos grandes, reatrvas, em posição bem vi-
sível, ntais numerosas nas 7 a 8 pernas anteriores, c desaparecendo do 10.*
par para trás. Flagellum primum com 40 a 60 artículos. 1.* par de per-
nas com 14 a 15 e 34 a 39 articulos nos dois tarsos; 2.* ixir de pernas com
14 a 16 e 39 a 45 articulos nos dois tarsos; 4.* par de jicmas com 10 a li
e 37 a 48 articulos nos dois tarsos ; 10.* par de pernas com 8 a 10 c 37 a
42 articulos nos dois tarsos.
Tergitos principalmente os 4 últimos, cobertos de muitos espinhos, que tem
cerdas ao lado. Fstes espinhos existem tanto nas áreas dos tergitos como
nos bordos externos dos estigmas (não nas bordas dos cálices) e nas care-
nas laterais, onde vêm a formar densas fileiras como os dentes de um ser-
rote, havendo muitas cerdas no meio dos espinhos. Gonópodos das fémeas
com lados quase paralelos ou subparalelos, tendo o metartron o maior com-
primento e sendo o proartron o mais curto. Espaço, fomudo pelo mesar-
tron quase duas vezes mais longo que largo e também quase duas vezes ma;s
loitgo do que a base do mesartron.
Habitat: — Brasil (Interior do Estado de Sâtf Paulo e Capital).
Géneros mais ou menos dúbios:
Scutiffcrína Silv., 1903.
Thereuopriona Sauss. &
Zehnt., 1902.
T/urcuopriona apresenta o tarso dos segundos maxilopodos indiviso e 1
acúleo no prefémur, 4 no fémur c nenhum na tibia, enqitanto que Sculigcrina
17
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tem 1 mais 3 mais O acúleos nos segundos maxil^xxlos, como o gênero
Madagassophora. Seu tarso, porém, é noramente indiviso, como em The-
reuopriona, com o qual concorda também pelo fato de apresentar 10 dentículos
no lado interno dos metartra dos gonópodos dàs fêmeas.
Como nada consta mais sôbre os artículos das antenas e o número dos
artículos tarsais nem sobre as cúspides, não se podem colocar a estes dois
gêneros nas devidas subfamilias.
É este o estado atual da sistemática dos escutigeromorfos. Entretanto,
considerando-se que se trata realmente de um grupo de animais, cujo estudo
não tem sido feito com aquela intensidade que se costuma obsen^ar em outros
grupos, pela simples razão da grande raridade de indi\’iduos, de maneira que,
por assim dizer, não existem espedalistas que só tenham trabalhado em
Scutigcronxorpha; considerando-se ainda que muitos dos caracteres, aos quais
tem sido atribuída importância genérica ou espécifica, teem-se verificado
como sendo “flutuantes” demais e, tomando-se em conta, finalmente, que
uma grande parte de descrições devem ser consideradas como insuficientes,
então ressalta a necessidade de uma rnnsão quase que completa, tomando-
se por base apenas 1 exemplar mas sim uma série, para que possam ser
devidamente elucidados os caracteres realmente constantes e relegados em
segundo plano os flutuantes.
Esta revisão é tanto mais necessária quanto o próprio Verhoeff, que tem
escrito mais de 15 trabalhos sobre o assimto, se mostra, muitas vezes, hesi-
tante, desfazendo num trabalho posterior o que tem escrito num anterior.
Igualmente a chave genérica dos Thercuoncmitiae não pode ser considerada
como satisfatória, como se depreende facilmente de uma leitura atenta da
mesma.
Como exemplo típico das freqüentes mudanças no modo de apreciar as
descrições sistemáticas de outros autores, dto apenas os dois gêneros Scuti-
gerina e Scutigerides Silv., 1903, consideradas por Verhoeff em 1925, quase
que como "uotnina nuda”, devido ás grandes falhas nas descrições. Entre-
tanto, em 1936, o mesmo autor, sem ter novo material, volta ao assunto,
propõe uma nova subfamilia, a Scutigerxdinae e incorpora nela o gênero
Scutigerides, antes condenado.
Igualmente mostra-se inclinado a incluir na mesma subfamilia o outro
gênero, antes considerado como dúbio, a Scutigerim, deixando de fazê-lo,
unicamente, porque está indeciso a respeito do fato, si o tarso dos segundos
maxilópodos de Scutigerim é realmente indiviso ou separado em primeiro e
segundo tarso.
Tendo em vista que, caractéres semelhantes como tarso único, presença
c número de cúspides tarsais, suturas e feixes de cerdas nas zonas entre o
pro-e o mesartron dos gonópodos das fêmeas, etc. . são caractéres de apre-
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dação muito difidl e exigem preparações espedais de deshidratação e diafa*
niração e montagem em lâmina com exame microscópco de SO a 100 vezes de
atnnento, que quase nenhum dos autores tem fdto, cora exceção de Verhoeff,
então se condui fadlmente que a preposição de uma subfamilia no\'a, baseada
justamente em duas espédes defidentemente descritas, c bem prematura.
Quanto á fáuna brasildra de escutigeromorfos, resta a c«!arecer que,
além do meu primeiro trabalho sobre o assunto, não tem aparecido outros
estudos. Como agora disponho de material mais abundante, volto ao assunto
e rcdescrc\-o os gêneros e as espécies, sob o aspéao comparatira dos carac-
teres realmente invariávds. Pretendo fazer descrições as mais exatas, com
muitas ilustrações, de maneira que os autores europeus poderão aproveitar
bem estas contribuições. Isto é, tanto mais importante, quanto os especia-
listas europeus pensavam até há pouco que na .América do Sul não existiriam
escutigeromorfos, a não ser algumas formas aberrantes "verschleppt’* do
geitcro Scutigera.
Em 1924, Verhoeff (11) chega a negar mesmo a existenda de gêneros da
familia Scutigeridae, atribuindo ao continente americano unicamente espécies das
PseUiophoridae. Em 1936, entretanto, o mesmo autor acha que justamente os
paises de dima tropical ainda rcser\arão muitas surpresas para os colecionadores.
Realmente. a coleção de escutigeromorfos, relati\'amentc pequena, do Instituto
Butantan, já revela que no Brasil existem, de fato, tantas espédes de Psselliopho-
ridae como de Seutigeridae. No último caso as espédes brasildras se subdividem
novamente para as duas subfamilias Scutigerínae e Thereuoneminae, como vere-
mos a seguir, quando tratarmos da sistemática zlas espédes brasileiras.
•Agora de\-emo-nos deter ainda no que se refere ao to/or sistemático dos
earacifres morfológicos.
a) Caracteres para diferenciar as duas famUias:
.A fómu dos articulos do ílagellum primum das antenas é hoje considerada
universalmente como um caracter intMriáfcl para as duas familias. Quando
todos os articulos do flag.prim. são mais largos do que longos, não ha\-endo ne-
nhum articulo que seja tão longo quanto largo, então trata-se de espécies da
familia Scutigeridae; quando, ao contrário, a maioria dos articulos do flag. prini.
é nmis longa do que larga ou tão longa quanto larga, hastmdo nenhum ou apenas
muitos poucos articulos mais largos do que longos, então trata-se de indivíduos da
familia PseUiophoridae.
b) Caracteres para diferenciar as subfamilias de Scutigeridae:
Verhoeff estabeleceu, no decurso de inúmeros trabalhos, que os nKlhorei
caracteres subfamiliares são a ausenda ou presença de 2 acúleos no fim do pri-
19
1 SciELO
20
ESTUDOS SOBRE ESCUTTGEROMORFOS BRASILEIROS
meiro tarso. Havendo no fim do primeiro tarso das pernas 6 a 14 (muitas vezes
já nas pernas anteriores) dois acúleos, então trata-se de indivíduos pertencentes
à subfamília Scutigcrinac ; estando todos os tarsos privados destes acúleos, te-
mos exemplares da subfamília Thcrcuonetmnac. Em 1936, ao propôr a terceira
subfamília Sculigcrídhiac, Verhoefi introduz um novo caracter subfamiliar: —
O de o tarso dos segundos maxilópodos dos gêneros désta nova subfamília estar
subdividido em 2 artículos (primeiro e segundo tarso). Infelizmeiite o autor nãò
poude elucidar a presença ou ausência dos dois aciileos no fim do primeiro tarso
das pernas, porque Sauss; & Zelintn. omitiram em suas descrições este caracter
tão importante.
c) Caractircs genéricos c específicos
Enquanto que os caracteres familiares e subíamiliares são bem delimitados e
constantes, não \-aIe. infelizmente, o mesmo no tocante aos genéricos e específicos.
Pelo contrário, aqui, já não existe mais nenhum caracter fi.xo, nem dois a três
fLxos que caracterizem firmemente um gênero ou mesmo uma espécie, tomando-
se, assim, obrigatório, para que uma descrição tenha realmente valor, que o espe-
cialista reuna o maior número possível de caracteres e os confronte com os mes-
mos de gêneros e espécies afins, para que possa surgir a certeza de se tratar
ou não de uma novidade sistemática.
Exceção a esta régra fazem, no tocante à sua posição genérica, aquelas fôr-
mas em que os segundos maxilópodos apresentam fómiulas de acúleos nitidamen-
te destacáveis. Assim, enquanto que a imensa nuioria de gêneros apresenta 2
acúleos no fim do prefêmur dos segundos maxilópodos, 4 acúleos no fêmur e
novamente 2 na tíbia (fómiula: 2 -f 4 -f 2), tem o gênero Thercuopriona a se-
guinte fómiula aculear: 1 -j- 4 -J- 0 e o gênero Madagassophora 1 3 -j- 0
(também Seuligerina). O gênero 'Seuligerides, embora apresentasse a mesma
fórmula aculear (1 -r 4 -f- 0) como Thereuopriona, foi por Verhoeff reunido
numa subfamilia nova (Sciiligcridinae) com Madagassophora pelo fato de apre-
sentarem 03 dois gêneros um tarso dos segundos maxilópodos sulxlividido em 2
artículos. Xão querendo discutir a validade desta terceira família, queremos,
contudo, insistir em que a fórmula aculear tem certamente um grande valor gené-
rico e o fato, de que Seuligerides apresenta a mesma fórmula como Thereuopriona
(1 4- 4 -|- 0) e ainda de que. em ambos estes gêneros, o lado intenio dos metar-
tra dos gonópedos das fêmeas está “denteado", parece nos insimur que estes
dois gêneros seriam por Verhoeff reunidos na subfamilia nova, com muito mais
acerto do que a Madagassophora, sobre cuja descrição o próprio autor diz que a
sua diagnose deixa grandes lacunas. Ainda mais Sauss. & Zehntn. não fizeram
preparações em lâminas dos tarsos dos segundos maxilares de Madagassophora,
de maneira que é licito pôr cm dúvida a subdivisão do tarso, porque sem prepa-
20
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~M<a. IbiC Botutu.
21.^54. AbrU I»«9.
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ração diafanizada não se vc com nitidez, si as suturas trans\'ersa!s são apenas
suturas articulares (como nas antenas e nos segundos tarsos das pernas) ou si são
realmente uma articulação.
Quanto aos outros caracteres genéricos e cspcciticos, deve-se dizer que só
mesmo quando considerados em conjunto, tem \aIor como tais. Per isso mesmo,
quase todas as espécies, descritas até aos anos de 1920 e nas quais os especialistas
• não se têm preocupado em citar detalhadamente um grande número deles, são
tnaf‘r<n‘ciláveis hoje, de\'endo as descrições de novas espécies ser consideradas
como “nomina nuda”.
São os seguintes os caracteres que devem ser descritos detalliadamente c
poísixTlmente comparados com o$ de espécies atins:
1. Os gonópodos das fèmtas: Constituem eles um dos melhores caractc-
ristkros. Os gonópodos («de Fig. 1 e fotos) foram apreciados em .seus detalhes
jiela primeira vez por \'erhocff, que de.scobriu seu grande \-alor sistemático, apli-
cando em suas descrições uma terminologia própria.
Distinguem-se nos gonópodos 3 zonas: a zona Insal (Fig.I-a), constituida
por uma peça quitinoía maciça, denominada “ proartron" ; a zona do meio
(Fig.l-b), formada por uma haste de cada lado. como continuação direta do pro-
artron c denominada " mesartron” ; a zotu terminal, que Consiste em dois apêndi-
ces, geralmente um tanto cursos (Fig.l-c) c na maioria dos casos unidos ao
mesartron por meio de una articulação incompleta, isto c. que llies faculta os
movimento apenas no sentido horizontal c para dentro. Esta zona chama-se
“mclartron”. Embora morfologicamente existam apenas duas zonas, pois o pro-e
o mesartron são formados apenas por uma peça. constitui, contudo, sua separa-
•çâo um artificio que vem auxiliar muito a sistemática, pois permite o estabeleci-
mento de um ótimo ponto de referência para o confronto das rclaçõe.s de medidas.
Para delimitar nitidamente o mesartron, bosta imaginar unu linha divisória, hori-
zontal (Fig.l-d), localizada justanicntc onde principia o espaço interno, fomudo
pelas duas apófises mesartrais.
Desta maneira obt;m-sc os seguintes dados importantes jmra a sistemática e
a strem tomados em consideração pelo especialista:
a) O comprimento externo dos pro-jnes- c nKtartra cm relação catre si
-mesmos ;
b) Si os lados externos são paralelos, convergentes ou divergentes;
c) Largura do mesartron (medindo-.«e a linha dirisória imaginária, como já
•vimos) em relação ao comprimento do mesmo;
d) Espaços internos formados pelo mes- e pelo metartron. O espaço me-
sartral é de grande importância, pois é invariável mesmo em preparações em
ãámina. Verifica-se, si é mais longo do que largo; maior ou menar do que o
21
1 SciELO
22
ESTUDOS SOBRE ESCUTIGEROMORFOS BRASILEIROS
espaço metartral. O último espaço varia naturalmente, porque os metartra são
móveis, de maneira que, ao fixar a peça deve o espedalista pôr os metartra na
posição natural, fixando-os em seguida.
e) Outras estruturas dos gonópodos; — Se existem espinhos e si há apenas
cerdas esparsas a esmo, enfileiradas ou acumuladas em certas zonas; si o lado
interno dos metartra é liso ou munido de dentículos.
Em vista do exposto qualquer estudioso de escutigeromorfos pode inferir da
grande importância deste caracter e como uma descrição bem orientada, com a
relação das medidas, etc..., já significa um bom caminho andado na especifica-
ção de um escutigerideo e ainda pode avaliar quão pouco se pode fazer com as
descrições antigas dos mesmos animais, em que os autores nem sequer se referi-
ram aos sintelopoditos gonopódicos das fêmeas.
2. O segundo caracter específico, importante, é formado pela estrutura
das placas dorsais (tergitos), tomando-se novamente necessário proceder a pre-
parações em lâminas. Entretanto não é necessário preparar todos os tergitos.
bastando geralmente os dois últimos que são separados do tronco por meio de uma
tesoura, desembaraçados dòs músculos aderentes, desidratados diretaments em
álcool absoluto e montados em bálsamo do Canadá. No exame microscópico,
com pouco aumento, observam-se então as cerdas, os espinhos, as espículas que
têm geralmente uma ou duas cerdinhas ao lado de sua base — e a disposição de
todos estes elementos — , si seriados, si aglomerados em grupos, si esparsos sem
regularidade. Especial atenção requerem as carenas laterais dos tergitos, em que
tanto as cerdas como os espinhos e cerdas intermediárias, podem estar seriados,
•.im ao lado do outro, de maneira que as carenas parecem estar denteadas, ou
então as cerdas ou os espinhos são poiKo numerosos, bem separados uns dos
outros. Finalmente, de%-e-se atender ao fato de (vide Fig. 2), si as bordas dos
estigmas ou os próprios cálices estigmais estão também ornados de pêlos ou não.
3. As pernas oferecem caracteres relativamente bons, quando se considerar
cm conjunto (Fig. 3) :
a) prefemur, si existem apenas fileiras de cerdas ou si há também fileiras
dc espinhos ; em que par de pernas aparecem os espinhos ; quantos espinhos exis-
tem na fileira curva ao redor da base do acúleo ventral; qual é o número de
acúlcos cm cada j)ema.
b) fêmur, no tocante aos espinhos e acúleos ^-ale o mesmo conw no prefê-
•mur, com exceção que aqui os espinhos ou cerdas sempre estão dispostos rigoro-
samente em filas longitudinais (geralmente 7 filas nas pernas posteriores).
c) tíbia, o mesmo exatamente como nos fêmures.
22
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Mtm. Int. BoUbUs.
II. ^$4. Abril m».
W. BCCHEBL
23
d) Primeiro tarso : conur sempre o número de artículos ; obserb-ar os espi-
nhos, príncipalmente nos artículos basais (quantos existem em fila e quantos api-
calmente) e contar os artículos, em que há esírinhos e quantos. Tomar bem em
conta em que número de pernas aparecem estes espinhos. Estes espinhos tarsais
parecem-nos um caracter muito bom.
e) Segundo tarso: contar o número de artículos (ao microscópio, cm pre-
para<;õcs em lâminas) ; si há ou não espinhos nos primeiros dois artículos basais ;
obsei^-ar bem detidamente o lado ventral destes artículos e contar os estiletes (pe-
ças quitinosas muito pequenas, geralmente curvas, denominadas também “cúspi-
des” que permitem, de um lado, que o animal suba célere e em todas as direções
pelas superfides as ntais lisas e, por outro, constituem uma amu de apreensão de
iitsetos, pois o escutigerídeo costuma laçar a >ua présa com os segundos tarsos,
segurando-a entre estes, para desferir, em seguida, a picada mortal com as forcí-
pulas, onde se encontra o aparelho inoculador do veneno), prestando atenção, si
todos élcs tem o mesmo tamanho; si ocorrem em todos os artículos ou si sua
posição é alternada, i.é., si ocorrem sempre nos artículos pares ou injparcs; ver
ainda em quantas pernas existem estiletes tarsais, si apenas nas anteriores ou
sómente nas do meio do tronco, etc.
4. Antenas (Fig. 4): — Xas antetus dos eseutigeromorfos há a conside-
rar o seguinte:
a) Logo na base existem 2 articulos largos, em cujo interior se encontra
sempre um órgão sensorial.
b) 3íais ou menos no primeiro terço observam-se novamente dois articulos
maiores, chamados "nodale” e " f^stnodale” c que dividem as antenas cm flagel-
lum f>rimuni e flagcllum secundum. Ê de se notar que há antenas, ás veies num
só indivíduo, em que na antena de um lado o nodale está ausente c o prtstno<laIe
está deslocado muito para a frente. Enquanto que este caso, que deve ser con-
siderado uma anomalia (não tomar em consideração como caracter especifico), é
relatis-amcntc raro, consitui quase regra de o nodale e postnodale de uma antena
esurem um pouco mais as-ançados do que os da outra antena, raião |X)rqac.
quando se conta o número dos articulos do flagcllum primum. nunca se pode
pretender que este número seja constante numa espécie (como pretenderam os
autores antigos, que aduziam como primeiro caracter especifico justamente o
número destes articules). Entretanto, si se tiver c^rtunidade de conferir o
número de artículos cm nuús indivíduos, estabciccendo-sc a media, então este
caracter readquire naturalmente um relativo valor espeofieo. prinopalmente quan-
do confrontado com uma série de outros indivíduos, cuja media de articulos do
flagellum primum estisTr muito além. Conx-êm observar ainda detalhadamente a
23
1 SciELO
24
ESTUDOS SOBRE ESOrriGEROMORFOS BRASILEIROS
estrutura dos artículos, si têm 3 ou 5 círculos de cerdas; si nos artículos basais
liá ou não pequenos espinhos apicais.
5. Colorido ■. si bem que apenas de \-alor relativo, pois está provado que
debabco do mesmo colorido pode haver muitas espécies e até gêneros diferentes,
presta, contudo, quando considerado em conjunto com os outros caracteres dife-
renciais, bom auxílio.
Do que foi exposto, ressalta bem, quão difícil se tema o estudo dos cscutige-
romorfos, que não dispensa, de maneira alguma, preparações em lâminas, prepa-
rações estas a serem executadas com muito cuidado, para não estragar p)or com-
pleto o animal, que muitas vezes deverá servir como tipo. Também se pode aqui-
latar, quão pouco se pode fazer com as descrições antigas e ainda se pode inferir
da razão, porque ninguém quer trabalhar justamente com este grupo de animais,
tão interessantes. Rematamos com as pal-avras do mestre Verhoeff a quem deve-
mos, sem dú\nda a metodologia nrodema na sistematização dos cscutigeromorfos:
“Sonst smd in der Systematik der Scutigeriden, abgesehen von einigen zerstreuten
Beschreibungen meist frag^verdiger .Arten, seit 1905 keine namhaften Fortschrittc
gemacht worden. Ich hatte, ini Gegenteil, Gelegenheit, m:ch davon zu ueberzeu-
gen, dass diese so interessante Tieigruppe imrner noch ein “Kraeutlein ruehr’
niicli nicht an” geblieben ist".
PSELLIOPHORIDAE
Genus: BRASILOPHOR.A BGcherl, 1939.
(Do segundo ao último par de pernas já existem 2 acúleos no fim do pri-
meiro tarso, enquanto que em Psclliophora estes só aparecem a começar do sexto
par de pernas. Nos artículos do meio do segundo tarso das pernas 1 a 8 existem
grandes “cúspides", bem visíveis, recurvas e que desaparecem abruUmente no 8.*
par, enquanto que em Psclliophora estas cúspides são pequenas, mal apreciáveis,
existindo, entretanto até o penúltimo par de pernas. Últimos 4 tergitos cobertos,
tanto internamente como nas carenas laterais, por espinhos robustos, com cerdas
na base c formando uma verdadeira borda denteada nas carenas, enquanto que
em Pselliophora existem apenas espículas muito pequenas, sem bordas dentea-
das).
la. Espécie: brasilophora margaritata Bücherl. 1939.
Comprimento do tronco 26 a 38, em média 36 mm.
Comprimento das antenas até 70 mm, sendo o flag. I. de 18-23 mm.
Comprimento das últimas pernas, até 100 mm. (fêmur. 8.5 mm; tíbia, 12-14
mm; 1.* tarso, 21,5 mm; 2.* tarso 45 a 46 mm).
24
lIctB. Iftft. Bolantu.
»:9-S4. AWil 1*49.
W. BCCHERL
25
Flagellum pnmum com 56 a 65 artículos, quase todos muito mais longos
que largos e apenas muito poucos tão longos quanto largos. Xenhum mais largo
do que longo. Também a maioria dos artículos do flag. II. mais longos do que
largos. Raras wzes o "nodus” está ausente, apresentando-se, então, o flagelium
I com mais de 80 artículos. Xcs primeiros 4 a 12 articulos basais do f!ag. I.
■existem um circulo de cerdas longas e 1 a 2 espinhos apicais (Fig. 4).
1. * par de pernas com 14 a 17 -F 39 a 46 artículos nos 2 tarsos e com 3
acúleos no prefémur, 2 a 3 no fémur e 3 na tíbia e jã 2 no fim do 1.*
tar.so. 2.* tarso provido de 23 estiletes tarsais. Prefémur provido só-
mente com cerdas, podeixlo ter já I espinho na base do acúleo ventral:
fémur já com algumas filas loi^tudinais de espinltos e outras dc cerdas;
tíbia e tarsos somente com cerdas.
2. * par de pernas cem 14 a 16 38 a 45 artículos tarsais c já com
34-3-I-3-P2 acú'eos no prefémur, fémur, tibia e 1.* tarso e com 23 esti-
letes tarsais. mais 0 a 1 espinho no prefémur: 4 a 5 filas dc espinhos no
fémur e sómente cerxlas na tibia. Nos 3 articulos tasais do 1.* tarso já
podem existir 0 a 1 espinhj a|Mcal.
4.* par dc pernas com 13 a 15 -f 38 a 42 articulos liasais e deste par até
ao penúltimo (aliás já do 2.* par) a fórmula aculear é sempre 3-f 3-f 3-r2.
Com 25 estiletes tarsais. Prefémur com 2 a 3 fileiras internas de espi-
nhos, o resto cerdas ; fémures com 7 fileiras de espinhos ; tibb com 2 a 4
fileiras de espinhos e o resto cerdas; 4 a 8 articulos Iiasais do I.* tarso
tarso com 1 a 2 espinhos aj^is.
8.* par dc pernas com 10 a 12 -f- 35 a 38 articulos nos dois tarsos e com
3^3^3^2 acúleos e com 3 filas de espinhos no prefémur. 7 no fémur.
3 a 5 na tibia e com 2 a 3 espinhos apicais em todos os articulos do 1.*
tarso (nos primeiros 2 a 3 articulos há tamhém fileiras de c.spinhos). Esti-
letes tarsais 21, menores do que nas pernas precedentes e inteiramente
ausentes nas pernas seguintes.
12.* par com 11 a 12 -h 37 a 39 articulos Ur.sais e com 3-f3-r3-t-2 acúleos e
com 3 fileiras de espinhos no prefémur, 7 no fémur e 5 na tihia e pelo
menos 1 cm todos os articulos do primeiro tarso (vide Fig. 3).
Primeiro articulo tarsal com 2 fileiras de espinhos.
Estiletes tarsais ausentes.
Placa cefálica e tergitos anteriores com poucas c.spiculas e bem pequenas,
•com cerdas do lado, aumentando suas proponjões e seu número nos 4 últimos
tergitos, onde os espinhos chegam a formar fileiras longitudinais no meio das
placas e nas zonas laterais e verdadeiras carenas laterais serrulaclas (vide Fig. 2).
25
1 SciELO
26
ESTUDOS SOBRE ESCUTIGEROMORFOS BRASILEIROS
Os espinhos têm sempre uma cerda ao lado, também nas carenas.
Sintclopodito gonopódico das fêmeas: («de Fig. 5) Lados externos do
mes-e metartron do mesmo comprimento; proartron um pouco mais curto
do que o mesartron. Lados externos do pro-e mesartron um tanto diver-
gentes para trás. Cavidade mesartral mais longa que larga, com a maior
largura atrás. Bordos internos lisos. Proartron com muitas cerdas e pêlos
finos; mesartron com cerdas seriadas horizontais, agrupadas e com um
feixe apical interno em cada lado. Metartron com bordos lisos.
Colorido: Placas dorsais castanhas, com uma zona longitudinal mediana,
que abrange também os estigmas, castanho-avermelhada. Pernas, estemitos e
antenas amarelos ; pernas com manchas escuras quase apagadas.
Tipo: No. 13 da coleção do Instituto Butantan. Fêmea.
Local: Conchim.
Paratipos: 3 fêmeas e 3 machos sob os Nos. 15, 17, 20, 24, 25 e 29 da
coleção do Instituto Butantan, colecionados tanto na Capital de São Paulo, como
em Ribeirão Bonito, em Sampaio Vidal e no Paraná.
2a. Espécie: brasilopiiora paulista Bücherl, 1939.
Comprimento: até 29 mm.
Flagellum primum das antenas com 4-56 artículos, sendo a maioria muito mais
longa do que larga ; com 4 a 5 círculos de cerdas e 1 circulo apical de cerdas bem
longas. Geralmente sem espinhos apicais nos artículos basilares (pode haver 1
a 2 espiculas nos primeiros 5 a 8 artículos).
1.* par de pernas com 18 artículos no 1.* tarso e 46 no 2.* e 3 acúleos no
prefêmur, 3 no fêmur, 2 na tíbia e 2 no fim do 1.* tarso e com 22 a 24
estiletes (oispides) no 2.* tarso.
3.* par de pernas com 12 14 artículos tarsais c com 3-f34-3-f2 acúleos
no fim dos artículos das pernas e com 28 a 30 cúspides no 2.* tarso. Do
3.* par para trás todas as pernas apresentam a mesma fórmula de
acúleos, enquanto que as aispides se tornam pequenas no 5.* par e de-
saparecem completamente no 7.* par.
5.* par com 12 -f 42 artículos tarsais;
8.* par com 12 4- 39;
14.'' par com 13 -}- 43 (vide foto 2).
Pre fêmures das pernas 1 a 5 sem espinhos, mas sómente com cerdas em
filas longitudinais. Do 6.* par aparecem os espinhos, ainda pequenos, princi-
palmente no lado interno, em volta do acúleo ventral, aumentando seu número e
2li
Mem. lait. BotisUn, W. BCCHERL
21:^54, AbrU IM.
seu tanianho nas pernas seguintes, de maneira que no 11.* par já se veem 3 filas
longitudinais de espinhos, com cerdas no meio. As tíbias apresentam os mesmos
característicos dos prefémures, no tocante às cerdas e aos espinhos ; os fêmures,
entretanto, apresentam numerosos espinhos, enfileirados, já desde o primeiro
par, onde se observa já uma fileira, no 3.* par já 3 a 4 fileiras, no 5.* par já
6 a 7 fileiras de espinhos, sempre com cerdas no meio. Nos primeiros 3 pares
de pernas não há espinhos nos artieulos basais do primeiro tarso ; entretanto, do
4.® até ao 12.* par obser^^am-se espiculas nos primeiros 3 artieulos basais, cm
número de 1 a 2, nas pernas anteriores ; de 4 a 11 nas pernas posteriores.
Placas dorsais com cerdas sómente nos primeiros segmentos; com poucos e
pequenos espinhos nos segmentos do meio, com bastante espiculas nos três últi*
mos tei^tos, onde são espalhados tanto nas áreas centrais como nas carenas late-
rais, onde \‘eem a formar margens denteadas. Os espinhos sempre estão acom-
panhados por cerdas.
Sintelopodito gonopódico das fêmeas semelhante ao de B. tnarganíala, mas
com as seguintes variações especificas: Lados externos do pro-e mesartron con-
\-ergindo da frente para trás; pro-mes-e metartron do mesmo comprimento.
Concavidade interna do mesartron muito mais longa do que larga e apenas pouco
menor do que a do metartron. Bordos internos do metartron lisos. Lados ex-
ternos do metartron quase duas seaes nuis longos do que a base do mesmo (vide
foto 3).
Colorido: Tergitos com área mediana amarela ou asxrmelhada e com os 2
lados castanhos. Prefémures, fêmures e tibias com manchas castanhas cm fundo
amarelo, muito nítidas príndpalmente nos fémures, onde existem sempre 3 man-
chas c.xtensas. O resto amarelo concolor.
Tif>o: Na coleção do Instituto Butantan, No. 11. Fêmea.
Paratipos: No. 10, fêmea, d* Ibarra e No. 21, macho, da Capital de São
Paulo, Brasil.
scutigeridae
Subfamilia SCUTIGERINAE
BrasUoscutigera Bücherl, 1939.
3a. Espécie: brasiuoscuticera vikiois Bücherl. 1939.
diacho, 22 mm de comprimento; fêmea, 22 a 25 mm.
Colorido: Corpo amarelo, esverdeado, sendo o s-erde mais acentuado nos
tergitos e nas pernas. O resto anurek) pálido. Flagcllum prímum com 114 a •
124 artieulos, todos mais largos que longos, alguns extremamente curtos, apre-
sentando apenas 2 fileiras de cerdas.
27
1 SciELO
23 ESTUDOS SOBRE ESCUTIGEROMORFOS BRASILEIROS
1 par de extremidades com 15al7-r37a39 artículos r.os dois tarsos e com
7 cúspides nos artículos medianos do 2- tarso. Cúspides grandes, curvas,
alternadas, isto é, saltando sempre um artículo.
2. * par de pernas com 13 a 14 + 35 artículos nos tarsos e com 9 cúspides.
3. * par com 13 + 34 artículos tarsais e 11 cúspides.
4. * par com 11 + 36 artículos e 11 cúspides.
5. * par com 10 + 42 artículos e 13 cúspides.
1. * par de pernas ccm 3 acúleos no preíêmur, 2 a 3 no fêmur, 1 a 2 na tíbia
e 0 a 2 no fim do 1.* tarso;
2. * par com 3 no prefêmur, 2 a 3 no fêmur, 2 a 3 na tíbia e 2 no 1.* tarso.
4.* par de pernas com 3 acúleos no prefêmur, 3 no fêmur, 3 na tíbia e 2 no
fim do primeiro tarso. As cúspides do 2.* tarso aumentam em número até
ao 1.* par de pernas, decrescendo então e desaparecendo completamente
no 12.’ par.
Os primeirois 5 pares de pernas somente com fileiras longitudinais de cer-
das, sem espinhos. Do 6.* ao 14.* par surgem então cs espinhos, sempre muita
pequenos e em forma de espiculas nos prefêmures, onde ocupam a área ventro-
lateral externa, em volta do acúlco ventral. Nos fêmures são um tanto maicres,
chegando a formar filas longitudinais ventrais, laterais e uma dorsal. Nas tíbias
formam igualmente filas longitudinais (5 filas), apresentando-se bem colados à
quitina e sendo de notar que as fileiras dorsais ião em número de 2, as laterais 1
de cada lado e mais uma ventral. Os 2 a 3 primeiros artículos do primeiro tarso
das pernas 8 a 14 apresentam igualmente alguns espinhos apicais ordenados no
1.’ articulo em duas filas longitudinais.
Placa cefálica e primeiros 3 a 4 tergitos apenas com poucas cerdas ; 5.’ ac 8 *
tergito ccm cerdas e pequenos espinhos que aumentam em número e tamanho nos
tergitos posteriores e que existam tanto nas placas dorsais como nas carenas
laterais, deixando livre sempre os bordos dos estigmas e os cálices. Nas carenas
nunca chegam a formar filas em forma de “dentes de serrote”, pois seu número
ê sempre restrito. Todos os espinhos como também os das pernas têm sempre
uma cerda do lado. Gonópodos da fêmea (vide Fig. 6) com os lados externos
do pro-mes-e metartron piuito divergentes da frente para trás. Lado e.xterno do
mesartron bem mais curto que o do proartron ; este mais curto que o metartron
(apenas muito pouco). cavidade do mesartron quase duas vezes mais larga
do que longa, quase da mesma largura cemo a base do mesartron.
Tipo: No. 18, da coleijão do Instituto Butantan, Macho.
Local-tipo: São Leopoldo, Rio Grande do Sul.
Paratipo: No. 16 da coleção do Instituto Butantan. Fêmea, da mesma
procedência.
28
Meia. Inst. Butaatan,
Abril 1M9.
\V. BOCIieSL
29
Scuiigera Lamarck.
4a. Esjjécie: scuticera parcespinosa, sp.n.
Comprimènto entre 20 a 24 mm. Formas adolescentes com 16 mm.
Colorido : Amarelo pálido ccm reflexos para o verde nos tergitos, vcrdc"
este facilmente descorável pela conserratjão em álcool. Anicnas com 80 a 97
artículos no f lagellum primum, sendo raros extremos com 46 ou 110 artículos (no-
último caso há supressão do nodale, existindo apenos o postnodale). Todos os
artículos muito mais largos do que longos, com 2 a 3 filas circulares de cerdas.
2. * par de pernas com 11 a 13 + 30 artículos nos dois tarsos c com 3 acúleos
no prefémur, 3 no fêmur, 2 na tíbia e 1 a 2 no fim do 1. tarso. Com 9
cúspides alternadas, grandes e curs^as, nos artículos 7 a 23.
3. ’ par de pernas ccm 12 a 13 28 a 30 atrticulos c 3+3+3+2 acúleos e
9 cúspides nos artículos 8 a 24 no 2. tarso.
4. * 4 par de pernas com 7 a 10 + 25 artículos tarsais e 3+3+3+2 acúleos
e com 9 cúspides nos artículos 7 a 23.
5. * par com 8 a 9 + 25 a 30 artículos tarsais e 3+3+3+2 acúleos c com
9 cúspides nos artículos 6 a 21, já menores do que nas pernas anteriores
8.* par de pernas com 7 a 8 (quase sempre 7) + 25 a 30 artículos tarsais
c com 3-}-3+3+2 acúleos. Cúspides já ausentes desde o 7.* par.
10.* par com 7 -f- 27 a 30 artículos tarsats.
12.* par com 7 a 9 + 26 a 31 artículos tarsais.
l-l.* par com 9 + 29 a 35 artículos tarsais. Acúleos no prefémur, fémur,
tibia sempre 3+3+3+2 já desde o 3.* até o 14.* par de i^cnias.
Os primeiros trés pares de pernas completamente desprovidas de espícu-
las ou espinhos, ntas apenas com cerdas enfileiradas. Xo 4.* par pode já l«w
pequenas espículas no lado b-entro-lateral externo do preféntur e no lada %-entral
do fémur.
8.* par com espículas numa área ventro-lateral cm filas não muito regulares;
filas rt^lares b-entro-latcrâis de espículas no fémur e filas dorso-late-
rais de espículas na tibia. Primeiro articulo do 1.’ tar-so geralmentc com
4 a 14 espinhos, em duas filas longitudinais; nos 2 artículos seguintes
1 a 2 espinhos apicais.
12.* par de pernas com 5 a 6 filas longitudinais, ventrais de espinhos, mais
uma fila ao redor do acúleo ventral no prefémur. Fémur com 7 fileiras
de espinhos; tibia com 4, geralmentc com 5 filas longitudinais de espinhos.
Primeiro articulo do 1.* tarso com 2 filas de e.«pinhos, com 6 a 9 espinhos
29
1 SciELO
30 ESTUDOS SOBRE ESCUTIGEROMORFOS BRASILEIROS
em cada fila. 2.* artículo com 2 a 3 espinhos; 1 a 2 espinhos apicais nos
2 a 4 artículos seguintes.
Très a quatro tergitos anteriores sómente com poucas cerdas, sem espículas;
nos tergitos seguintes as espículas surgem, aumentam em número e grandeza,
atingindo o máximo no tergito 7, sendo espalhadas tanto na área interna, mesmo
nos bordos e ncs cálices dos estigmas, e nas carenas laterais, onde contudo,
nunca, são numerosas, nem formam filas.
As espículas dos tergitos como os espinhos das pernas sempre têm uma
cerda do lado.
Gonófodo das fêmeas: (vide Fig. 7) Bordos externos do pro-e mesartron
paralelos. Proartron extemamente do mesmo comprimento que o mesartron.
Metartron tão longo quanto o pro-e mesartron juntos. Cavidade do mesartron
tão longa quanto larga. Bordos internos do metartron lisos. Xa área do pro-e
mesatron cerdas, como também na frente do metartron.
Scutigera parcesfinosa sp. n. é facilmente .distinguível tanto de Sc. asiacmt-
twris Verhoeff e de Sc. mohamedunica Verhoeff pelo sintelopodito gonopódico
das fêmeas que, na duas espécies citadas, apresentam os lados externos do pro-e
do mesartron fortemente divergentes para trás e o mesartron mais curto que o
proartron e o metartron um tanto mais comprido do que o pro-e o mesartron
juntos, com cavidade mesartral bem mais larga do que longa (em mohamedcmica
2 vezes mais larga do que longa). Scutigera parcespinosa sp.n. distingue-se
ainda de 5"^. colcoptraia Latz. pelos mesmos gonópodos. Em colcoptrata o
metartron é bem mais curto do que o pro-e metartron juntos, enquanto que na
nova espécie são de comprimento igual. Em colcoptrata a cavidade mesartral
é mais longa do que larga, enquanto que na nova espécie apresenta o mesmo
comprimento e a mesma largura. Colcoptrata não apresentta nenhum espinho
nas carenas do 7.* tergito, enquanto que a nova espécie tem espinhos, ainda que
não muito numerosos. Distingue-se ainda de todas as subespécies de colcoptrata
(da genuim, natedensis, rubrovittata, graeca) pela fórmula dos espinhos nos
prefêmures, fémures e artículos basais do 1.* tarso, como também pelo número
de artículos do flagellum primum e pelo colorido (colcoptrata rubrovittata tem
3 faixas dorsais vermelhas muito nitidas; colcoptrata gcntiina, graeca e matalensis
apresentam 3 faixas dorsais marrom, escuras ou azuladas, respectivamente, en-
quanto que na nova subespécie os targitos se apresentam de côr amarelo es-
verdeada ou azulada uniforme, sem faixas).
Tipo
Fêmea.
No. 22 da coleção dos Escutigeromorfos do Instituto Butantan.
Local-tipo: Sant’Ana, bairro afastado da Capital de S. Paulo, Brasil.
30
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Iizst. Bctaatao,
SÍ:*-54. Abei] 1»4».
W. BCOIF.RL
31
Bíotopo formado por fendas em pedras, onde predominam musgo e borme-
liáceas.
Paratipos: 6 machos c 4 fémeas, procedentes de bairros da Capital de
São Paulo, na nuioría do mesmo bairro de Sant’Ana. Apenas o Xo. 26, fémea,
é de Sorocaba.
Subfamília: THEREUONEMINAE
Thtrcuoquima gen.n.
Xuma excursão cientifica, em outubro de 1947, â Ilha da Oueimada Pe-
quena, distante de praia de Iguape (Estado de São Paulo, Brasil) perto de 20
quilómetros, ilha esta muito rochosa, dc acesso quase impossível, deshabitada.
foram encontrados cm bromdiáceas 9 escntigmmorfos, dos quais 5 machos c
4 fémeas, sendo 8 déles formas adultas c que apresentam tantas particularidades
morfológicas, que os aproximam tanto da fauna australiana dos ThcreuonetHinae
como, de certo modo, da fauna madagascarense, pora a qual Verhoeff tem pro-
posto em 1936 uma subfamília no\-a a Scutiijerinof. Realniente, si s- quizesse
tomar a serio a iniciativa dc Vcrhccff, então o material da Ilha da Queimada
Pequena também dc\-cria constituir uma subfamília no\-a dos Scntigcridaf, |x)i$.
nos 9 exemplares os artículos do flagellum primum são todos muito nuis largos
<lo que longos; todos os primeiros tarsos estão desprovidos dc acúleos apicais
(Thercuonhnae). Entretanto, o prefémur <lo segundos maxilópodos apresenta
apenas 1 acúleo dorso-apkral (estando ausente o grande acúlco vcntral dos
Seutigerinae e Thercuoncminae ; fémur com 4 acúlos, tibia cem 2 acúleos c
tarso indiviso e sem garra terminal.
A fórmula aculear, portanto, das fomus da lüia da Queinuda Pequena
I -f 4 4-2: tarso indiriso;
de Sculigcrinac c Thereuoncminae 2-1-44-2; " " ;
de Seutigeridinat 1 4* 3 -{- 0; ” ” ;
Entretanto, como são grandes ainda as falhas nas diagnóses dos géneros
de Madagascar c como a subfamília de Verhoeff, 1936, está ainda por ser re-
rista, preferimos, por ora colocar o género novo na subfamilia dos Thtrtuonc~
minch', devido à ausénda constante em todas as pernas dos acúleos tarsais dos
9 exemplares cuidadosamente estudados. Para elucidar melhor o género novo,
anexamos à presente descrição muitas fotografias, tiradas de lâminas dc poças
montadas em bálsamo do Canadá.
31
1 SciELO
15
32
ESTUDOS SOBRE ESCUTIGEROMORFOS BRASILEIROS
Thcreuoquima, gen.n.
Segundos maxilópos com 1 acúleo no prefêmur, 4 no fêmur e 2 na tíbia.
Tarso indiviso e sem garra terminal. Artículos antenais pelo menos 4 vezes
mais largos do que longos. Com 63 a 83 artículos no flagellum primum.
Todos os primeiros tarsos das pernas sem acúleos. Segundo tarso das pernas
1 a 13 com 18 a 20 cúspides, curvas, não alternadas, isto é, não saltando um
artículo. Sem espinhos propriamente ditos nas pernas e nos tergitos, mas
apenas com espiculas, em forma de cerdas curtas, cônicas. Gonópodos das fé-
meas com lados externos paralelos, sendo o proartron um pouco mais longo
do que o mesartron e o metartron quase tão longo quanto o pro-e o mesartron
juntos.
5a. Espécie: thereuoquima admirabilis, sp. n.
Comprimento do tronco: 17 a 19 mm.
Colorido: A olho nú observam-se 3 faixas longitudinais nos tergitos, uma
mediana e duas laterais. Com a lupa \-é-se, entretanto, no meio da faixa me-
diana, ainda uma estreita faixa longitudinal clara. Lado ventral e co.xas c
prefémures das pernas amarelos. Fémures e tibia (alguns prefémures tam-
bém) com manchas marrem escuras, do mesmo colorido das faixas dorsais.
Antenas: (vide foto 4) de 22 a 23 mm. de comprimento, cabendo ao fla-
gellum primum 53 a 5,9 mm. Flagellum primum com 63 a 83, geralmente
65 a 71 artículos, dos quais a maioria é pelo menos 4 vezes mais larga do que
longa, havendo muitos extremamente curtos, até 8 vezes mais laigos do que
longos. Os mais curtos apresentam apenas 2 círculos de cerdas finas e os outros
três. Também os artículos do flagellum secundum são muitas vezes mais
largos do que longos, com apenas 2 a 3 drculos de cerdas.
1. * par de pernas com 11 a 12 30 a 33 artículos tarsais e com 1 a 2
(geralmente 2) -j- 1 (raras vezes 2) -j- 1 acúleos no prefêmur, fé-
mur e na tibia rcspectivamçnte e com 18 cúspides, curvas, no segundo
tarso, não alternadas, mas ocupando os artículos apicais, menos os 3
últimos.
2. * par de penas com 10 a 11 (raras vezes 12) 29 a 33 artículos
tarsais -f- 2 -j- la 2 -j- 1 acúleos 18 cúspides tarsais;
3. * par de pernas com 9 a 11 (geralmente 10) 28 a 34 2 a 3 -)- b
a 2 acúleos -r 18 cúspides tarsais ;
4. par com 8 a 10 (geralmente 8)-f27a33-f3-f2a3-|-l a3
(geralmente 2) acúleos -f 18 cúspides tarsais;
32
Inst. Botaataa,
3í:9-U, Abril IW9.
W. BCCHERL
33
5.* par com 6 a 10 (gcralmcnte 7) -f 29 a 34 (geralmcntc 30) + 3 + 2
a 3 1 acúleos c ccm 18 cúspides tarsais (ríde foto 5) ;
8.* par com 6 a 7 -f 26 a 30 (gcralmcnte 27)+3-f2a3-f2 acúlcos e
18 cúspides tarsais (fotos 5 — 5 a. terceira perna);
10.* par com 6 a 7 + 36 a 31 (geralmente 26) + 3 -|-3 +3 a 3 acúlcos e
18 cúspides tarsais (foto 5 — 5 a. terceira perna);
Í3.* par com 6 a 7 (gcralmcnte 7) -f 27 a 32 artículos + 3 +3 -f 2 a 3
gcralmcnte 3) acúleos c com 18 cúspides no segundo tarso (foto 6, 7 c 8).
Todos os artículos das pernas sem espinhos propriamente ditos. Entretanto,
os prefemures, fêmures c as tibias apresentam cspiculas enfileiradas, espiculas
estas que parecem cerdas curtas, cónicas, mais robustas nos prefemures, mais
delgadas nas tibias. As últimas, na ponu apical, perto dos acúleos apicais, no
lado ventro-estemo, apresentam, além disso, abundantes cerdas finissimas, iguais
as cerdas que cobrem todos os articulos dos tarsos. Articulos tarsais, no lado
Central com cerdas mais robustas, coladas ao articulo — "Sohlenhaarc”.
Tergitos (foto 9) anteriores com as mesmas espiculas como as pernas, sem
espinhos propriamente ditos e sem cerdas. 1.* tergito na borda posterior com
I I a 13 espiculas. 5.* tergito taml)ém coni cspiculas na área interna, deixando
livre os bordos dos estigmas c com 7 a 8 espiculas nos cantos (arredondados) das
bordas posteriores. 6.* e 8.* tergitos com espiculas bastante numerosas, tanto
nas placas dorsais propriamente ditas como nas carenas. Sem unu única cerda,
a não ser duas ou três, que se dcKobrem sómente após longa procura com
aumento grande e que existem nas carenas. Bordos e cálices estignuis sem espi-
culas ou cerdas. Xos cantos posteriores das carenas laterais existem espicuhs
ent número de 8 a 12 em cada lado. enquanto que nas zonas anteriores das mes-
mas carenas não há mais espiculas.
Forcipulas: As preparações clarificadas e nKntadas em lâminas deixam
observar nitidamente as glândulas de veneno, os caiuís eferentes c a abertura,
por onde sai o veneno por ocasião da picada. O orifido de saida se localiza bem
peno da ponta, no lado antero-superior. O canal eferente se estende no interior
^ ungula inoculadora (segundo tarso) e o corpo da glândula venenífera, pro-
priamente dita, apresenta apenas a ntesnu largura do canal eferente c se estende
apenas até ao termino do primeiro tarso (até ao fim da tíbia), de mandra que
esta forma de cscutigcridio tem uma glândula muito pequena, com pouca capad-
dade de venéno, em oposição aos outros Quilópodos, em que o corpo da glândula
é muito volumoso (foto 10).
ifandibulas: As mandibulas apresentam 4 dentes, sendo 2 maiores e 2 bem
menores. Estes últimos ficam um em frente ao outro, enquanto que os dois pri-
meiros estão em fila lateral. .Ao lado do dente maior há um dcjnso feixe de
33
1 SciELO
34 ESTUDOS SOBRE ESCUTIGEROMORFOS BRASILEIROS
cerdas longas, muito plumosas e na outra extremidade, yorém. afastado dos dois
dentes menores (bem no canto da mandibula) há um segundo feixe, mais delicado,
também de cerdas plumosas.
Segundos maxilares: Apenas com 1 acúleo dorsal no prefêmur, 4 dorso-la-
terais no fêmur e 2 dorsais na tibia. Tarso indiviso e sem ungula apical. Os 4
articulos apresentam aproximadamente o mesmo comprimento. Todos os artí-
culos estão cobertos por cerdas longas e finas e ainda por um segundo tipo de
cerdas, mais robustas e mais curtas (foto 11).
Sintelopodilo gonopódico das fêmeas: Gim lados externos do pro-e mesar-
tron paralelos — um nada convergentes para trás. Proartron um pouco mais lon-
go do que o mesartron. Base do mesartron tão longo quanto o cumprimento da
cavidade mesartral. Esta quase duas vezes mais longa do que larga. Mesartron
apenas um pouco mais curto do que o pro-e o mesartron juntos. Bordos internos
do metartron completamente lisos e sem uma única cerda cu espicula. Cerdas
existem tanto no pro- como no mesartron, nos lados dorsal e ventral. Nas pon-
tas apicais internas do mesartron há em cada apófise dois feixes de cerdas, um
dorsal e um ventral, constando cada feixe de 7 a 8 cerdas longas, robustas
<foto 12).
Tipo: No. 5 da coleção do Instituto Butantan. F"êmea.
Local-tipo: Illia da Queimada Pequena.
Paratipos: 5 machos c mais 3 fêmeas, na coleção do Instituto Butantan, sob
os Nos. 1 a 9, procedentes todos do mesmo local.
Biolopo: Todos estes escutigeridios foram encontrados dentro de brome-
liáceas, onde se costuma acumular a água da chiuTi.
CONCLUSÃO
O presente trabalho procura dar:
1. * Um quadro geral sobre a literatura e o estado atual da sistemática dos
Esculigcrouiorfos;
2. * Unu redescrição das espécies brasileiras, já descritas pelo autor em 1939,
pois a primeira descrição não poude ser revista pelo autor, não estando
isenta, portanto, de erros gráficos importantes e por outro lado, a revista
(Foi. G. et Med.) não teve grande circulação, de maneira que o trabalho
não teve a necessária distribuição.
3. * A descrição como espécie nova de Seutigera percespinosa e de um gênero
novo Thcreuoquima, com a espécie nova Thereuoquima admirabilis.
4. * Novos critérios na apreciação de certos caracteres morfológicos, para a boa
distinção entre os caracteres bons e aproveitáveis e os caracteres flutuantes
34
cm
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last. Bat 2 ataii«
*I:>-S4, Abril m».
W. BoaiERL
35
c inúteis. Para tanto o trabalho foi realizado senipre comparauS-amcnte,
i.c, baseado em séries e não apenas num indi\’iduo.
ZUS.\ U MEXFASSC.VC
Schon 1939 hatte ich meinen ersten Scutigeridenaufsatz woeffentiicht und
<|ann 3 neue brasilianische Spezien beschrieben. Da jedoch jene Verocffcnt-
lichung m einer kleinen Zeitschrift gemacht wrden war und diese nur sehr
^enigen zugaenglich ist, so moechte ich hier kurz díe Diagnosen der drci .Arten
wiederholen, um so mchr, da in der ersten .Anzeigc sehr vicie Druckfchler
TOrliegcn, die die Arbtit sehr beeintraechtigen.
1. Brasilophora margaritata Buecherl, 1939.
Diese Art gehoert zu der Unterfamilie Pselliophoridae.
Laepge: 36 mm.
Flagelium primum mit 56 bis 65 Gliedem, die fast alie viel lacnger ais brcit
sind. Es befindct sich kein cinziges Gltíd darunter. das breitcr ais lacnger wacre
(Charakteristikum der neuen Gattung), wohl aber einige, die genau so lang wic
breit sind. Auch am Flag. secundum sind die meisten Gliedcr lacnger ais breil.
Die ersten 4 bis 12 Grundglicdcr des Flag. I besitzcn an der Innenseite. oben
am Rande, 1 bis 2 Doemchen. Ausser den Dccmchcn haben alie Gliedcr oben
am Rande cinen Kranz lacngerer Borsten. Bis zu 5 Borsienreihen am Flac. I
und II.
1 .
Beinpaar mit 14 bis 17 + 39 bis 46 Tarsaiglieder und 3 + 2 bis 3 + 2
bis 3 + 2 Stachcln am Praefemur, Femur, Tibia unt Endc dc.-i 1. Tarsus.
Beinpaar mit 13 bis 15 + 38 bis 42 + 3 + 3 + 3 + 2;
Beinpaar mit 10 bis 12 + 35 bis 38 + 3 + 3 + 3 + 2;
Beinpaar mit 11 bi.-t 12 + 37 bis 39 + 3 + 3 + 3 + 2.
bis 8. Beinpaar mit 23 bis 21 Tarsalzapfcn, die immer aitcmicrend
auftretcn und an den vorderen Bcinpaaren mehr zur Gcliung kommcn.
Domen treten bei dieser Art hauptsaechlich am Femur auf. Praefemur
des ersten Beinpaares nur mit Borstcnreihcn und an der IniKnseite, ventral,
om den ventralcn Stachel herum mit einigen Doemchen. Femur schon mit
aw-ei dorsalen Lcangsreihen von kleinen, anlicgenden Domen. Tibia nur
mit Borsten.
B«npaar am Praefemur und Tibia genau wic das erste; am Femur schon
mit drci bis \4er Doracnreihen.
Beinpaar am Praefemur schon mit drci bis 4 Reihen von Domen an der
Innenseite; Femur schon mit 6 Domreihen; Tibia mit 2 liis 4 Dornreihen
cm
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36
ESTCDOS SOBRE ESCITIGEROMORFOS BRASILEIROS
und die 4 bis S ersten Artikel des ersten Tarsus mit je 1 oder 2 Apical-
doernchen.
8 . Beinpaar mit 3 Domreihen am Praefemur, / am Femur und 5 and der
Tibia a:nd an allcn Gliedcrn des 1. Tarsus zum mindesten ein Apicaldorn,
fast immer zwei und an den ersten 2 bis 3 Anfangsgliedem zwei Domreihen
von 4 bis ueber 10 Doraen.
12. Beinpaar mit Bedomung wie das 8 . Alie Domen saemtlicher Beine und
auch der Rueckenplatten babem immer eine Borste am Grunde.
Die vorderen Rueckenplatten nur mit Borsten; die mittleren schon mit
Doemcbcn, wobei man sehr gut den Uebergang der Borsten zu den Doemdien
verfolgen kann. Die hinteren Platten zeigen eine sehr reichliche Bedomung, die
ungefaehr Laengsrichtung an den Tergiten einninunt und die Stigmenraender
frei laesst. An dn Seitenraendern bilden die Domen eine Saege. Alle Domen
mit Borsten and der Seite.
Gonopodensmtelopodite der Weibchen (Fig. .^) mit den .\ussenseiten des
Mes-und Metarthrons gleich lang, waehrend das Proarthron etwas kuerzer ais
das Mesarthron ist. Pro-und Mesarthron ein wenig nach hinten enveitert (aber
nur sehr wenig). Mesarthralbucht etwas laenger ais breit, mit der groessten
Breite hinten. Meíarthren and der Innenseite volisíaendig glatt.
Faerbung: Rueckenplatten und Beinj dunkelbraun, mit einer helleren mitt-
leren Laengsbinde auf dem Ruecken.
.Ms Ergaenzung der obigen Beschreibung siehe Zeichnungen 1-5 und
Photo 1.
2. Brasilophora pauOsta Bücherl. 1939.
Xur 54 bis 56 Glieder am Flag. I., die ebeníalls laenger ais breit sind,
jedoch einige vorkommen die so lang wie breit sind. Mit drei bis 4 Borstenreihen
an den Gliedern. Die ersten Grundglieder meistens ohne Randdoemchen. Sel-
ten einige Glieder mit 1 oder 2 Doemchen.
1 . Beinpaar mit 18 -f 46 Tarsalgliedern -f3-f3-|-3-f-2 Stacheln am
Praefemur. Femur, Tibia und am Ende des 1. Tarsus.
3. Beinpaar mit 12 44 Tarsalgliedern und 3 - 7 - 3 -f- 3 -j- 2 Stacheln am
Ende aller Beinglieder.
5. Beinpaar mit 12 -f- 42 Tarsalgliedern und 3 3 -f 3 -f - Stacheln.
Tarsalzapfen 24 am 1. Beinpaar. 22 am 2. ; 24 am 3. ; 22 am 4. ; Vom 4. bis.
6 . Beinpaar werden die Tarsalzapfen immer kleiner und verschwinden ganz
am 8 (siehe Photo 2).
Die Praefemura der ersten 5 Beinpaare nur mit Borsten, ohne Dornen.
\'om 6 . Beinpaar an erscheinen die ersten kleinen Doemchen und werden an
36
cm
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Mctb. Inst. Butmtan,
21:9-54, Abril 1919.
W. BCCIIERL
37
den kommcnden Bc:nen imtncr zahlrcichcr und groessír, so dass am 11. B«in>
paar schon drei Rcihen (innen, unten) von Dorncn vorlianckn sind. An den
Tibicn ist das Gleiche der Fali. An den Femura sind die Domen •vicl zahlreicher
und crscheinen schon am 1. Bcinpoar in ciner dorsalcn Lacngsrcihe; am 3. sind
schon drei dorsale Reiben vorhanden und am 5. schon 3 dorsale und 2 laterale.
Am 7. bis 14. Beinpaar sind 7 Lacngsreihen von Domen, die anliegen, vorhanden.
Am 1. Tarsus der vorderen drei Beinpoarc sind keinc Doemcljcn vorhanden.
Vom 4.-14. Beinpaar jedoch erscheinen die Docmchen. die immer groesser
werden, und an den «rderen Beincn nur in der Zahl 1 bis 2 \-ertreten sind; an
den hinteren Beinen jedoch zu mehreren auftreten, hauptsaechlich am ersten
Grundglied, wo zwei Reihen \xn Domen \-on je 4 bis 6 vorhanden sind. Jedoch
sind Domen nur an den ersten drei Gundgliedem vorhanden. Alie Beindomen
haben immer eine Borste an der Seite.
Rucckenplatten vome nur mit Borsten, in der Mitte mit Domstacheln und
and den hinteren Platten mit richtigen Domen. .«owohl innen auf den Flaechen,
jedoch die Sitgmenraender frolassend. ais auch an den Raendem, wo sie eine
Tíchtige Saege bilden. Alie Domen mit einer Borste am Grande.
Weibliche Conopoden: Aussenseiten der Pro-und Mesarthren nach hinten
verengt. Mesarthraler Innenraum fast doppelt so lang wic breit und nur etwas
kleiner ais der metarthrale. Aussenscite der Me-sarthren fast doppelt so lang wie
die basale Linie (siehe Photo 3).
Facrbung: Ruecken mit 2 dunklen Laengsbinden. Femura mit drei gros.sen
dunklen Flccken.
Br. paulista unterscljeidet sidi von tnargaritata hauptsaechlich durch die
Gonopoden der W eibchen ; durch die Tarsalzapíen. die bei pautista schon \-on 7 .
Bein ab verschwinden. naehrend sie bei tnargaritata noch ant 11. gut ru sehen
sind; durch die verschiedene Bedoraung hauptsaechlich am Praeíemur, die bei
paulista erst nach dem dritten Beinparr auftritt. bei tnargarílala jedoch schon
vorlíer; durch die Bedorang der Glieder des 1. Tarsus, die bei paulista immer
nur an den ersten 3 Grandgliedem auftritt. waehrend sie bei margaritata. zuin
Beispiel. am 11. Beinoaar an saemtlichen Glicdcm des 1. Tar.sus vorliandcn
i.st.
3. Brasilosaitigcra zvidis Bücherl, 1939.
Diese bereitz von mir beschriebene Art gehoert der Familie Scutigcridac.
Unterfamilie Scutigcriíiae, an.
Flagcllum primum mit 114 bis 124 Gliedero, die alie viel bneiter ais lang
sind. Die kuerzesten Glieder weisen nur 2 Borstenreihen auf. die anderen drcL
Ohne Doerachen an den Grundgliedem.
37
1 SciELO
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ESTUDOS SOBRE ESCUTIGEROMORFOS BRASILEIROS
1. Beinpaar mit 15 bis 17 + 37 bis 39 Tarsaigliedern und niit 7 grossen,
gekruemniten, altemierenden Tarsalzapfen und mit 3 -)- 2 bis 3 -{- 1 bis
2 + 0 bis 2 Stacheln am Ende des Praefemurs, Femurs, Tibia und 1.
Tarsus.
2. Beinpaar mit 13 bis 14 -f 34 Tarsaigliedern und mit 3 4-2-3 + 2-3 + 3-
Stacheln und mit 9 Tarsalzapfen.
3. Beinpaar mit 13 + 34 Tarsaigliedern und 11 altemierenden Tarsalzapfen r
4. Beinpaar mit 11 + 36 Tarsaigliedern und 11 Tarsalzapfen.
5. Beinpaar mit 10 + 42 Tarsaigliedern und 13 Tarsalzapfen.
Vom 4. bis 14. Beinpaar 3 + 3 + 3 + 2 Stacheln am Praefemur, Femur,
Tibia und am Ende des 1. Tarsus. Tarsalzapfen bis zum 10. Beinpaar und"
dann nach hinten verschwindend.
Die ersten 5 Beinpaare nur Reihen von Borsten, ohne Doernchen. Vom 6.
bis 14. Beinpaar erscheinen die Doernchen. Am Praefemur sind sie immer sehr
klein und kommem nur auf der ventralen, auesseren Seite, um den Ventralstachel
herum, vor. Auf den Femura erscheinen sie in Laengsserien, drei ventrale und
zwei dorso-laterale ; auf den Tibien bilden sie ebenfalls Laengsserien, bis zu 5,
jedoch umgekehrt, das heisst 2 dorsale Serien, 2 dorso-laterale und 1 ventrale.
Die ersten 2 bis 3 Grundglieder des 1. Tarsus der Beine 8 bis 14, besitzen
ebenfalls 1 bis 2 Enddoemchcn. Das erste Gruncíglied 4 bis 8 in zwei Laengs-
rcihen.
Rueckenplatten vome nur mit kleinen Borsten. Vom 5. bis 8. Tergit kleine
Borsten und Doemclien, die nach hinten an Groesse und Zahl zunehmen. Sie sind
sowohl auf den Innenflaechen der Tergite vorhanden, wo sie nur die Stigmen-
raender freilassen. ais auch an den Seitenraendern. Jedoch ist ihre Zahl nie so
gross, dass sie eine Zahnsaege bilden wuerden. Alie Doernclien, sowohl der
Beine ais auch der Tergite haben immer eine Borste zur Seite.
Wcibliche Gouopodensyntelopodilc: (siehe Fig. 6) mit den Aussensciten
der Pro-Mes- und Metarthren sehr nach hinten erweitert. Aussenseite der Mes-
arthren ctwas kuerzer ais die der Proarthren. Proarthron etwas kuerzer al.s
die Metarthren. Mesarthrale Bucht fast zweimal breiter ais lang, fast so breit
wic die basale mesarthrale Linie.
Facrbung: Gelblich und auf dem Ruecken und Beinen mit einem deutlichen-
Stich ins Gruenc. Das Gruen ist nicht Alkoholbestaendig.
4. Seutigera parccsphwsa sp. n. (genus: Scutigera).
20 bis 24 mm Laenge. Einfarbig gelb, mit einem deutlichen Stich ins
Gruene auf den Rueckenplatten. Ohne irgendeine Streifung. Flagellum pri-
mum mit 80 bis 98 (sehr selten nur mit 46 oder 110-im letzten Falle Unterdrue-
38
cm
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Mrttt. Ibj<. BuUittui,
tl^S4, Abril 1W9.
W. BCaiERL
39-
kung des Xodale), viel breiteren ais langen Gliedcrn. deren kuerzesten nur 2"
Borstenreihcn, und die laengcren drd aufwTÍsen. Ohne Doemchcn an den ba-
salen Gliedcrn. Am Flag. sec. die Gliedcr eben falis biel breiter ais lang, mit
zwci bis drei Borstenreihcn.
1. Beinpoar mit 11 bis 13 + 30 Tarsalgliedcm und mit 9 altemicrcndcn^
grossen, gckruemmten, Tarsalzapfen auf den GHcdem 7 bis 23.
3. Beinpaar mit 12 bis 13 + 28 bis 30 Tarsalgliedcm nnd mit 9 Zapfen auf
den Gliedcrn 8 bis 24.
Beinpaar mit 7 bb 10 + 25 Tarsalgliedcm und mit 9 Zapfen auf den-
Glicdem 7 bis 23.
5. Beinpaar mit 8 bis 9 + 25 bis 30 Tarsalgliedcm nnd mit 9 Zapfen \-on-
6. bis zum 21. Glicde.
8. Beinpaar mit 7 bis 8 + 25 bis 3 Tarsalgliedcm. Die Tarsalzapfen ver-
schwinden schon auf dem 7. Tarsus.
10. Beinpaar mit 7 + 27 bis 30 Tarsalgliedcm.
12. Beinpaar mit 7 bis 9 + 26 bis 31 Tarsalgliedcm.
14. Beinpaar mit 9 + 29 bis 35 Tarsalgliedcm.
Stachcln am Praefemur, Femur, Tibia und Ende des 1. Tarsus: — am 1.
Beinpaar: 3 + 2 bb 3 + 1 bis 2 + 1 bis 2; am 2. Beinpaar: 3 + 3 + 1
2 + 1 bis 2;
V’om 3. bis 14. Beinpaar: 3 + 3 + 3 + 2 Stachcln.
Die ersten 3 Beinpaarc ganz ohne Doemchcn, sondem nur mit Borstenreihcn.
Vom 4. Beinpaar ab erschcinc die ersten kleinen DoeriKhtn auf der wntralcn-
Seite des Femurs. Am. 8. Beinpaar mit drei bis 4 unrcgclmaessigen Dom-
reihen an der vcntralen Seite des Praefemurs; mit 4 regcimaessigcn vcntrolate-
ralcn Domreihcn am Femur und 3 dorso-lateralcn Reihcn an der Tibia. Erstes
Grundglied des 1. Tarsus mit 4 bis 14 Domen, in 2 Ijcngsreiben. An den beiden
folgenden Gliedcrn 1 bb 2 Domen. .^m 12. Beinpaar 5-6 \-cnlrale Domreihcn
und 1 um den veníralen Stachel herom, aip Praefemur; Femur mit 7 Domreihcn;
Tibia mit 4 bb 5; 1. Grundglied des 1. Tarsus mit 2 Lacngsrcihcn von 6 bb
9 Domen ; 2. Glied mit bis 3 Enddoemchcn ; die zwci folgenden Gliedcr mit 1
bis 2 Enddomen.
Tergite vome nur mit Borsten, in der Mitte des Koerpers schon mit Sta-
chelborstcn und an den hinteren Tergiten mit Domen. die sowohl auf den
FTacchen verteilt sind und da nur die Stigmenraender und Kcichc frcilassen, ais
auch an den Tergitraendcm, wo sie jcdoch nic eine Sacgczachnung bilden.
Alie Domen, sowohl der Tergite ais auch der Bcine mit einer Borste am-
Gmnde.
39
1 SciELO
-40
ESTUDOS SOBRE ESCUTIGEROMORFOS BRASILEIROS
irdblichc Syiitclopodife (siche Fig. 7) : Aussenseiten des Pro-und Mes-
arthron "paralell. Proarthron aussen gleich lang \\‘ie Mesarthrcn. Metarthron
so lange wie Pro-und Mesarthron zuíammen. Mesarthrakr Innenraum genau
so lang wie breit. Innenseiten der Metarthren glatt, ohne Zaehnung. Vicie
* Borsten an den Pro-und Mesarthren und auch nc-ch einige kleine am Anfang
•der Melarthren.
(Unterscliiede der neuen niit den von andcren Auktoren beschriebenen
Arten und Unterarten-ro/ro/>/rj/a rubrovittata, graeca, mtalensis, asiacminoris und
mohamcdatiica — siehe den Hauptteil dieser Arbeit).
Material der neuen Art; 11 Elxemplare, 5 Weibchen und 6 Maennchen. N.B.
Da die obigen Zahlen ueber die Bestachelung, die Domen und hauptsaechlich
ueber die Zahl und Lage der Tarsalzapfen an Hand von allen Exemplaren ver-
gleichend studiert wurde, so sieht nian daraus unbedingt, dass besonders die Zahl
;und Lage der Zapíen ein sehr gutes Merknial fuer Arten ist.
Unterfamilie : THEREUOXEMIXAE.
Waehrend alie bisher besprochenen Arten folgende Formei fuer die Besta-
chelung der Glieder der zweiten Maxilopoden aufweisen: 2 -f 4 -}- 2. mit
•einem einfachen Tarsus und am Ende des ersten Tarsus der Laufbeine ebenfalls
2 Stacheln besitzen, hat die im Folgenden zu beschreibende ncue Art, die mir
in 9 Exemplaren (5 Maennclien und 4 Weibchen) vorliegt, folgende Maxilopo-
•denstachel formei: 1 4- 4 -f 2 mit ebenfalls einfachem Tarsus; jedoch ohne
Endstacheln am ersten Tarsus saemtlicher Laufbeine. Aus diesem Gnmde habe
•ich ein neues Gcnus-Tlicrcuoquwia, aufgestellt. Wuerde man aber Verhoeffs
Einstellung, 1936, ueber die Beurteilung der Arten von Madagaskar und der
Auístellung ciner neuen Unterfamilie (Sculigcrínac) befolgen, so muesste die
-neue Gattung ebenfalls zu einer neuen Unterfamilie erhcben werden.
In diesen Zusammenhang sei noch erwaehnt, dass saemtliche Tiere in den
Roehrcn von Bromelien gesammelt wurden, auf einer Insel (Queimada Pequena),
•die ungefaehr 25 Kilometer von Iguape und an die 80 Kilometer von Santos
(Staat São Paulo, Brasilien) entfernt ist.
Die Insel ist vollstaendig unbewohnt. Hat ueberhaupt keinen Schiffsverkehr,
da sie nur aus einem Felsblock besteht (ohne Strand) ; zeigt oben eine ueppige
Vegetation, mit einem aeusserst íeuchten, warmen Klima. Die uebrige, auf der
-gleichen Insel gesammelte Fauna (Scolopendromorphen, Diplopoden, Eidechsen,
etc...), hat ein eigenes Gepraege, in dem Formen vorkommen, die der Indo-
australischen Region nicht fremd sind.
W
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Mcm. Tiut. Btstuti^n»
■*1*54. AbriJ 194».
W. BCatEBL
41
Thereuoquima gen.n.
Ma-xilopodcnstachclfonncl: 1 -j- 4 + 2; mit cinfachem Tarsus (Photo II).
Alie Laufbcinc ohne Stachtln am Ende des 1. Tarsus. .■Vntenncngliedcr atn
Flag. primum und secundum «el breiter (4 bis 8 mal) ais lang.
5. Thcreuoquinia adinirabÜis sp.n.
17 bis 19 mm. Laenge.
Drei dunkle Laaigsbinden auf dem Rueckm und groessere, dunkie, Flecke
am Femur und Tibia der Laufbcinc (Photo 9).
-\ntennen (Photo 4) bis 23 mm lang (5,3 bis 5.4 mm Flag. I.) und mit 63
bis 83, im allgemcincn 65 bis 71, \Ter bis 8 mal breiteren ais langen aiedem,
deren kuerzesten nur 2 Borstenrcihcn und dic anderen 3 besitren.
1. Bcinpaar mit 11 bis 12 -f 30 bis 33 Tarsalglicdcm und mit 1 bis 2 Stachein
am Praefemur, I bis 2 am Femur und 1 an der Tibia.
3. Beinpaar mit 9 bis 11 -f 28 bis 34 Tarsalgliedeni -f 2 bis 3 1 bis
2 -f 1 Staclteln am Praefemur, Femur und an der Tibia.
5. Bcinpaar mit 6 bis 10 ffast immer 7) -f 29 bis 34 (fast immer 30) Tar-
salgliedern -f- 3 + 2 bis 3 -r 1 bis 3 Stachein.
8. Beinpaar mit 6 bis 7 + 26 bis 30 (fast immer 27) Tarsalgliedem und
mit 3 -f- 2 bis 3 + 2 Stachein (Photo 5).
10. Bcinpaar mit 6 bis 7 -}* 26 bis 31 (im allgcmeincm 26) Tarsalgliedem und
mit 3 -f 3 -f 2 bis 3 Stachein.
12. Beinpaar mit 6-bisp 7 -j- 27 bis 32 Tarsalgliedem und mit 3 -}- 3 -f 2 bis 3
Stachein (Photos 6, 7, 8).
1 . bis 14. Bcinpaar am zwciten Tarsus mit konstant 18 Tarsalzapfcn. dic
nicht altemierend auftrettcn und mehr an den Endglicdem liegen und nach hinten
gfbogcn sind. (Dic Konstanz der Zahl ist ein u-ichtiges Merkmal).
Alie Bcinpoarcam Praefemur, Femur, Tibia und Grundglicdem de» 1. Tar-
sas ohnc Dornen, sondem nur mit kurzcn, konischen Stachein. die in Scrien
g«ordnet sind. .Am Praefemur und Femur nur diese Borsten. .\n der .\usien-
scite der Tibicn, am Ende, ausserdem mit sehr feinen dichten Haarcn, die eben-
falls an den Tarsen auftretten. Tarsen sentral mit groesscrca Soleniiaarcn.
\’orderc Tergitc nur mit den kleinen konisclícn Stachelborsten. dic besonders
»n den Seitenraendem, hinten, auftretten. .-Xn den mittlcren Tergiten werden
diese Borsten immer deutlicher und an den hinteren (Photo 12) bilden sie espi-
«mlae. sowohl auf den Inncnflaedien der Tergitc. jcdoch die Stigmenarea frcilas-
tend, a!s auch an den Seitenraendem (an den beiden hinteren Seiten). wo sie in
den Zahien 8 bis 12 auftretten. SostoW an den Beinen w-c auch an den Ter-
41
1 SciELO
42
ESTUDOS SOBRE ESCUTIGEROMORÇOS BIÍASILEIROS
^iten und den Seiteiiraendem sind ausser den Spiculae keine anderen Borsten oder
Haare vorhanden.
Syntclopoditc der ^ecibUchai Gonopoden: Aussenseiten der Pro-und Mes-
anhren paralell. Proarthron ein wenig leanger ais das Mesarthron. Basale
Mesarthrallinie genau so lang wie die Laenge des Innenraumes. Innenrauni
fast zweimal laenger ais breit. Metarthron nur wenig kuerzer ais das Pro-und
Mesarthron zusammen. Innere Raender der Metarthren ohne jede Borste oder
Haar. Pro-und Mesarthren mit Borsten auf den dorsalen und ventralcn Fhechen
und mit je 2 Buescheln von 7 bis 8 groesseren Bersten am Innenende, oben und
unten, der Mesarthren (Photo 12).
.\n Hand der hier niedergelegten Beschreibungen der 5 Arten brasiliaiuscher
Scutigeriden, kann man sehliessen, das hier noch viele Ueberaschungen zu erwa-
ten sind, zunial da Verhoeff glaubte, annehmen zu koennen, dass es sich bei der
brasilianischen Fauna nur um verschleppte Tiere handelte und dass selbst so, hier
nur Pselliophorinen und eine hoechst frag^^merdige Art der Scutigera vorkommen
wuerden. Im Gegenteil muss festgestellt werden, dass in Brasiiien die beiden
Scutigeridenfamilien niit allen Unterfamilien vertretten sind lyid der Verdacht
an der Hand liegt, dass es sich bei Thcrcitoquima vielíeicht noch um eine neue
Unterfamilie handeln wird.
ABSTRACT
nrasdoscutigcra nmrgaritata, paulista and Brasilophora z‘:ridís Büclierl are
redescribed. Scutigera parcespinosa is described as a ncw sj^ecies. Thcreuo-
quitna with Th. adiiiirabilis are described as new genus and new species. New
morphologic cliaracters, consisting chiefly of the gonopoda of females and of
spinae and spiculae of legs and dorsal plates are pointed out as much specific
important as well as the occurrence and the number of the tarsal “Zapfen”.
A revision of the Litterature of Scutigcromorpha and the actual State of this
Science is also given.
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last. Bataotan»
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W. BCOIEKL
45
E«q9rmft cir wm «■nlrlo^adttA
fuoo^o^ko <k fcam:
a) Frf>a f t rb < i
b) Mcwlrtx)
c) Metartrai
d) Liaàa taaactairia, dm«^
ria nrtrr • ar»> c • inr*
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Ftc. 2
ifraiWa ^ bara «nar^amafa
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45
1 SciELO
ESTUDOS SOBRE ESCUTIGEROMORFOS BRASILEIROS
Fíc. 3
BrasUofKna rnar^n/a/a
perna 12
laií. BotanUn,
S>:*-54. Abril 1949.
\V. BCCHERL
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Fic. 4
mtãrftritM
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Fic. c
BruHtfktrt trntTfítimt
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2 3 4 5
Fic. S
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Fie. 7
Snt^rrã ip. n.
47
I 'SciELO
Abnl m9.
\V. BCCHERL
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ric. I
BrtjiUflurt métfttUtU — «>iU dc m UBBul ÍBIolO
rie. 2
Bntüetífr* ftmlüu — vma ix* rrni». Bxlrrmn
49
1 SciELO
ESTCDOS SOBRE ESCCTIGEROMORFOS BRASILEIROS
Fic. 3
Brasilofhara paulista — gonópodos
Fic. 4
Thcrcuoquima admtrabilis, sp. n. — antena
Mem. Inst. Butantan,
21:9-S4. Abril 1949.
\V. BüCHERL
.51
Fic. S
Thrrfitoijutma oJmiraHiii, sp. n. — pcrnat 9. 8. / c 5
FiC. 6
Thtreomquima aJmtrabiliSt fp. n. — perna» 12, 11 e 10
51
1 SciELO
ESTUDOS SOBRE ESCUTIGEROMORFOS BRASILEIROS
FiC. 7
Thtreuo^uima sp. n. — pernas 12 e 11 (outro exemplar)
Fic. 8
ThcreMffqkima admiratilís, sp. n. — perna 12
(maior aumento)
1 SciELO
Mcm. Inst. Batantan,
Abril 1949.
W. BÜCHERL
Kic. 9
ThrrfiÊiMjuima sifmirabiiú, »p. n. — quinto tcrgito
Fic. 10
TArreaoqMíma aJmirúbitis, rp. n. — forcipuU».
Mc«. Inst. Batantaii,
21:55-66, Abril 1949.
A. R. HOGE 4 A. GARCIA
55
NOTAS ERPETOLÓGICAS I
4. Sôbrc caracteres sexuais secundários nas serpvnics
poa A. R. HOGE & A. GARCLA
(Do Laboratório de Ofiologia e Zoologia Médica do Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil)
Como carácter sexual secundário, nos machos de certas espécies de serpentes,
das mais diversas regiões, há muito tempo vem sendo observada a presença de
escamas modificadas. Todavia, bem pouco se tem publicado, com relação aos
ofidios neotrópicos. É nosso objetivo re.atar as nossas recentes observações sóbre
êstes.
Boettger (1) publicou um artigo, o qual fêz notar o acentuado dimorfismo
sexual em serpentes do gênero Hydrophis; H. cyanocir.ctus Daudin, H. lorcalus
(Cray). Cita, além de outros caracteres, os seguintes: “Dic stacheligen Pro-
tuberanzen der Schuppen der mittleren Vcntralreihen sind, bei welcher Spezies
immer sie auch auftreten, ein allgemeiner Giarakter des S i der Seeschlangen;
sie nehmen im Alter an Stãrke der Entwicklung zu, und dürften ein wichtiges
Plilfsmittel dieser Tiere bei der Fixierung wãhrend der Copula sein. Beim
S 5 sind sie niemals auch nur einc Hãlfte so stark entwickelt wie beim i S."
Boulenger (2) referindo-se à serpente ncotrópica Chironius carinalus (L.),
escreve: "Scales in 12 rows all smooth or thc two middle rows faintly kecled
(females) or the two middle rows more or Icss strongly kecled (males)”.
Schmidt (3) fala na existência de “supracloacal tubercles” em machos de
^íicrurus mipartitus (D. et B.) e Aíicrurus coralUnus corallinus (Wicd).
j Blanchard f4) descreve a presença de um processo córneo, parecido com as
carenas normais, nas escamas dorsais da rcjrião supra anal dos machos, de rárias
espécies de serpentes, com escamas lisas (anal ridges). Êsse processo foi veri-
ficado em espécies de Carphophis, Farancia, Abastar, Liodytes, Leimadophis
(flavilatus), Rhadinaca (dccorata e xHltata), Hypscglena, e em pcqccno número
de espécies de Micrunts.
Observou ainda que em espécies com escamas carinadas, d: pois de certa
idade os machos apresentam carenas tuberculadas (knobbcd anal keels), nas
Cicamas da região cloacal. Encontrou estas estruturas nas seguintes
Recebido para publicação cm 13 de abril de 1948.
I
XOTAS ERPETOI.OCICAS. 4.
56
espécies: Natrix sipedon, N. sipedon transz'ersa, X. sipedon crythrogaster, N.
fasciata confluens, N. fasciata. A*, fasciaia picth-entris, N. ^rahamt, N.
rhombifera. A', taxispilota e N. kirtlandii, Tamnophis sirtaJis sirtalis, T. sirtedis
parictaUs, T. ordinoides ordtnoidcs, T. ordinoldes elegans, T. sauritus e T. radix
buthri. Tropidodotiium e Scmimtrix pyfoea.
Um terceiro carácter, observado por Blanchard, foi a presença em machos de
Natrix rhombifera, de pequenos tubérculos (chin tubercles), nas placas mentuais
e escamas adjacentes.
Com relação aos tubérculos mentuais, convém lembrar que, já em 1854, na
“Erjíétologie Générale”, Duméril tt Bibron (5) descreveram a espécie Tropido-
nolvs pogonias (de tí'j5ü)v: 5 barbudo) baseados na presença desses tubércu-
los: “Les cinq plaques sous maxillaires antérieures marquées des points saillants
tubcrculcux”. Elntretanto, os próprios autores pressentiram tratar-se de um
fenômeno de dimorfismo sexual, quando se exprimiram: “Les analogies entre
ce serpent et le Tropidonote à bandes sont si nombreuses que nous le considerons
avec une certaine hésitation ccmme le type d’une nouvelle espèce. Peut être
nest il qu’unc varieté de sexe ou d age de ce Tropidonote. Cependant en pré-
sence de cette similitude remarquable chez trois individus il était indispensable
de la signalcr de façon toute particulière”.
Mertens (6) observou em duas espécies européias: Natrix tcsselata e N.
maura, a presença das carenas tuberculiformes, descritas por Blanchard em
espécies do gênero Natrix americanas; além disso descreveu um novo carácter
sexual, isto é. a presença de olhos maiores nos machos de Dendrophis pictus.
Pope (7) em sua obra sõbre as serpentes da China, elabora um quadro
indicando diferentes caracteres sexuais secundários e menciona, entre outros,
a existência das escamas cefálicas tuberculadas em Enhydrís chinensis e E.
plúmbea.
Xoble (8), em nota lida perante a “American Societj' of Zoologists”, apre-
sentou as seguintes conclusões:
Os tubérculos são fo/mados por órgãos sensoriais dispostos diretamente de-
baixo da epiderme, consistindo cada órgão numa cápsula formada por células
tácteis e fibras nervosas dispostas irregularmente.
Os tubérculos da região mentual e guiar diferem radicalmente daqueles da
região anal. por terem uma ou mais extensões através da epiderme até o extrato
córneo.
Verificou ainda que, nos machos, de rárias espécies desprovidas de qualquer
formação tubercular, os órgãos sensitivos são representados por uma porção epi-
dcrmal não visível exteriormente. Considerou ainda essas porções epidermais
como sendo ontogenèticamente precursoras das formações dermais da região
mental.
cm
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Mcm. Inst. Butantan,
2I:SS-6«, Abril 1949.
A. R. IIOCE & A. GARCIA
57
As formações epidermais existem também nas fêmeas, onde provavelmente,
só desempenham papel táctil.
Tendo coberto com esparadrapo a região mentual de machos Tamnophis,
observou que tais machos não manifesta\-am interesse pelas fêmeas, provando
assim que os tubérculos mentuais desempenham papel de auto-excitação.
Machos, cujas carenas supra anais foram cobertas com esparadrapo, se exci-
tam em presença das fêmeas, mas são incapazes, contudo, de tomar posição ade-
quada para a cópula.
MATERIAL E MÉTODOS
Os dados para a presente publicação foram colhidos depois do exame de
várias centenas de exemplares de cobras, consers-adas e vivas. Para o exame das
escamas foi utilizado um binocular entomológico. A fim de evitar possível con-
fusão, devido ao fato de diferentes autores usarem terminologia diversa, pro-
pomos a seguinte:
Carenas supra anais, quando nos referirmos à presença de carenas nas escamas
da região sacral dos machos de espécies com escamas lisas. Corresponde
êste têrmo aos “anal ridges” de Blanchard e aos “supracloacal kecis” de
Schmidt ;
Carenas supra anais lubercuhdas, quando houvçr carenas modificadas nas esca-
mas da região anal, em machos de serpentes com escamas carinadas, cor-
respondendo, pois, às “knobbed anal kecis” de Blancliard;
Tubereulos supra anais, jiara designar um novo carácter sexual secundário, con-
sistindo cm tubérculos, cm geral despigmentados, nas escamas laterais con-
tíguas à cloaca, não tendo nada em comum com os "supra cloacal tuliercics”
de Schmklt, que são sinónimos de earenas supra anais conforme já mos-
tramos;
Tubérculos mentuais, para os pontos salientes na região guiar, dos machos, de
certas serpentes, sendo, portanto, correspondentes aos “chin tuberclcs” de
Blanchard, e. finalmente;
Escamas cefálicas tuberculadas para designar o caráter já observado por Pope cm
espécies asiáticas.
RESULTADOS
TUBÉRCULOS MENTUAIS
Examinamos vários gêneros, procurando a presença de tubérculos mentuais,
tilas, além do gênero Hclicops, nenhum outro encontramos que os apresentasse
como carácter sexual secundário. Nesse gênero, os tubérculos maiores limitam-se
cm
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58
NOTAS ERPETOIOGICAS. *.
sempre às primeiras infralabiais e mentais, sendo, contudo, visíveis finas granu-
lações até as primeiras ventrais.
Helicops modesta Günther
Desta espécies examinamos 105 exemplares, sendo 70 fêmeas e 35 machos.
Os machos, além de 240 mm apresentam, todos, tubérculos mentuais bem
visíveis (Gráficol). Os da série de 100 a 220 mm, ao contrário, não têm
tubérculos mentuais visíveis, indicando que o aparecimento desse carácter sexual
secundário está relacionado, sem dúvida, à maturidade sexual que, pro\-avelmente,
aparece nos exemplares entre 220 e 240 mm.
Nenhuma das fémeas examinadas apresentam tubérculos mentuais.
A presença de tubérculos mentuais em exemplares machos capturados em
diferentes épiocas do ano, parece indicar não haver ligação a variações de estação,
confirmando as observações de Blancliard nas espécies norte-americanas.
HcUcops plcthvnlris "Werner
Só conseguimos examinar 10 exemplares desta espécie, entre os quais 4
machos. Como nas outras espécies, todos os machos apresentam tubérculos bem
desenvolvidos, porém, limitando-se às mentuais.
HcUcops aiigulala (L.)
Na série de 40 exemplares de ambos os se.xos examinados, não encontramos
nenhum exemplar que apresentasse tubérculos mentuais.
HcUcops cari nica uda (Wied)
Examinamos uma série de 38 e.xemplares, sendo 30 fêmeas e 8 machos.
Nenhuma fêmea apresentava vestigios de tubérculos mentuais (Fig. 1), sendo
que os machos os apresentavam bem visíveis.
HcUcops gomesi (.Amaral)
Esta espiécie, afim de HcUcops anguiata, não oferece vestigios de tubérculos
mentuais.
HcUcops leopardina (Schlegel)
Só conseguimos pequeno número de exemplares desta espécie. Dentre os 21
e.xaminados, os 6 machos apresentavam, todos, tubérculos mentuais, enquanto
notamos ausência dos mesmos nas fémeas.
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Mem. Inst. Butantan,
31:55-66, Abril 1M9.
A. R. HOGE & A. GARCIA
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Também nesta especie, como nas outras, os tubérculos, quando presentes,
estendem-se, até às primeiras ventrais.
Deixamos de incluir nesta lista as espécies H. hagimnm Roux, H. polylepis
Günrher e H. írh‘itlata (Cray), por não existirem machos destas espécies na
coleção do Instituto Butantan.
É interessante notar que, nos Lygophis amocmts (Jan., 1863) tanto os ma-
chcb, como as fêmeas, apresentam tubérculos mentuais bem desenvolvidos, não
tendo, pois, valor algum como caráter sexual secundário.
ESCAM.\S CEFALIC.\S TUBERCUL.\D.^S
Ob^rvamos que, nas espécies H. carinkauda, H. modesta e H. leopardiiia,
as placas cefálicas e as dorsais (Fig. III) apresentam pequenos tubérculos.
Êstes tubérculos estendem-se até a parte posterior do corpo, sendo, porém,
menos visíveis na parte distai.
As placas cefálicas tuberculadas foram observadas nas espécies asiáticas
Enhydris chinensis c E. plúmbea, como mencionamos anteriormente. Os peque-
■nos tubérculos, por nós observados em espécies de Helicops, presumimos terem a
mesma origem dos observados nas placas cefálicas de Enhydris.
C.^REN’.\S SUPR.\-.\NAIS
Blanchard e Schmidt descreveram, sob a denominação diferente, a presença
de escamas modificadas na região sacral, em cobras com escamas lisas.
Tendo Schmidt descrito a presença de carenas supra-anais nos machos de
Mierurus coralltnus, examinamos cerca de 300 exemplares da raça Mtcrurtis eoral-
linus eoraUmus (Wied, 1820 ), não encontrando, contudo, nenhum macho que
apresentasse escamas anais modificadas. Ao examinarmos, porém, um exemplar
desta cspiécie, oriundo da Colômbia, notamos a presença de carenas supra-anais
iortemente desenvolvidas, em grande número de escamas da região sacral; a nosso
Ter, não se trata de M. corallinus corallinus, mas sim de .If. coralltnus dumerilii. •
TUBÉRCULOS SUPRA-ANAIS
Nos 45 exemplares de Tachymcnis brasÜicnsis Gomes, que examinamos, en-
contramos 10 machos que apresentavam tubérculos anais bem desenvolvidos e de
co’oraç3o mais clara do que as escamas adjacentes (Fig. V). O fato de serem
de coloração diferente facilitou muito a obseiração, pois, em certas espécies, em-
bora com tubérculos acentuados, toma-se difícil obser\’á-los devido -às escamas
tuberculadas serem quase da mesma cõr das adjacentes. Essa dificuldade toma-
se ainda maior, quando os exemplares são indivíduos jovens.
Nenhunu das fêmeas de Tachymcnis brasiliensis apresentava vestígios de
tubérculos supra-anais. • .
5
1 SciELO
60
XOTAS ERPETOLOGICAS. 4.
Verificamos a ocorrência de tubérculos supra anais em Lygophis amocnus
(Jan), Thamnodynastes strigatus (Cray). Ocorrem, também, porém, com me-
nos nitidez, em Oxyrhopits cloclia (Daudin), Rachidclus lyraciJi Boulenger, nas
várias espéchs de S pilotes (Wagler), em Ptychophis fltnmdrgatus Gomes, Phi-
lodryas arnaldoi (Amaral) e Phtlodryas schottii (Schlegel).
CAREXAS DORSAIS OU ESCAMAS DORSAIS CARIXADAS
Frequentemente, os machos têm escamas dorsais fortemente carinadas, en-
quanto as fêmeas têm apenas fracamente carinadas, ou mesmo lisas. O nítido
dimorfismo sexual observado por Boulenger em Chironius carinatus (L.) foi
por nós notado cm Chironius fuscus (L.) e em Chsronius sexcariíialus (Wa-
gler), emliora menos nítido na ultima espécie. Em Philodryas serra (Schle-
g?l). os machos apresentam escamas dorsais fortemente carinadas (Fig. IV),
conforme já observou Amaral (9).
DISCUSSÃO
A existência, em serpentes brasileiras, de tubérculos mentuais, carenas su-
pm-anais tuberculadas, etc., vem mostrar que êstes caracteres são muito mais fre-
quentes, nos ofidios, do que se pensava. Está fóra de dúvida que tais estruturas
desempenham papel preponderante no acto da reprodução, como o prova de um
lado a localização de tais estruturas, de outro as experiências de Xoble. Entre a
maioria dos ofidios. os machos, antes da cópula, são agitados ix)r movimentos
frenéticos, durante os quais deslizam, repetidamente, sôbre as costas da fêmea em
direção da calxíça da mesma. É, pois, admissível que, nas espécies providas de
tubérculos mentuais, êsse procedimento excite ao máximo as pápilas sensitivas.
Alem disso, a extensão de finas granulações até as primeiras ventrais. se não
desempenham papel de auto excitação, devem, todavia, facilitar ao macho uma
posição adequada para a cópula.
Nenhum dos caracteres aqui mencionados está ligado a variações estacionais,
como já observara Blanchard entre as serpentes norte-americanas. Na espécie
11. carinicauda, o aparecimento de tubérculos mentuais relaciona-sc com a matu-
rhla.Ie sexual (Gráfico I e II).
O fato de termos encontrado uma espécie de Lygophis amocnus, na qual
ambos os sexos apresentam tubérculos mentuais, vem confirmar a opinião de
Noble, isto é, que tais tubérculos são derivados de órgãos sensitivos dispostos
debaixo da epiderme e presentes em ambos os sexos.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
ScíELOiIq
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
L
cm
•62
NOTAS ERPETOLOGICAS. 4.
RESUMO
1) Ficou prorada a ocorrência em ofídios brasileiros de certos caracteres
sexuais secundários, até agora só obser\'ados em ofídios estrangeiros.
2) A frequência da ocorrênda de tubérculos mentuais foi estudada, porme-
norizadamente, em H. modesta.
3) Foi descrito um novo carácter sexual secundário: tubérculos supra-anais.
4) Foi observada a ocorrência de tubérculos mentuais em ambos os sexos
<le Lygophis amoenus, ofídio que, como caráter sexual secundário, apresenta
somente tubérculos supra-anais.
5) Não encontramos em nenhum exemplar de serpente brasileira as ca-
Tenas supra-anais.
6) O valor taxcnômico dêstes caracteres não deve ser deprezado. Cita-
remos, a titulo de exemplo, a Tliamnodynastes strígatus (Cray) (*) espécie,
já há várias dezenas de anos, colocada na sinonímia de Thamnodynastes slrigilis
e que, todavia, é válida por vários caracteres, entre os quais a presença de
tubérculos supra-anais, ausentes em outras espécies do gênero.
7) Foi observada a presença de finas granulações nas placas cefálicas e
óorsais dos machos de H. modesta, II. caríttieauda, e H. leopardina, carácter
êste até agora só observado cm espécies asiáticas .
ABSTRACT
1) Secondary sex characters in the scale struetures, which until this date
had only been obser\-ed in forcign snakes, are show-n to exist also in Brazilian
snakcs.
2) The frequenc)- of occurrence oi chin tubcrcles in II. modesta is
studied in detail.
3) A description is given of a new secondary sex character the supra-
anal tubcrcles.
4) Lygophis amoenus, a snake which exhibits supra-anal tubercles as the
only secondary sex characteristies, is shown to pessess chin-tubercles in both
se.xcs.
5) No specimen of Brazilian snakes was found to have supra-anal ridges.
6) The taxonomical value of these findings must not be underestimated,
ns may be seen for instance, with Th. strígatus (Cray). During many years,
this snake had been thought to be s)-nonymous with Th. strígilis, although
it may be clearly differentiat:d by the prescnce of supra-anal tubercles.
(•) Uma revisão do gênero ThatHHodvnasles será publicada brevemente por A. K. Hoge.
£
Mem. Iiut. Batutan,
21:5S-«6, Abril 1949.
A. R. HOGE & A. GARCIA
63
7) The males of H. modesta, H. carinkauda and H. Icoparditta were
found to possess small tuberdes on the head plates and dorsal scales, a
charaterist ^\hich hitherto had only be described on Asiatic forms.
ZUSAMMEXFASSUXG
1) Das Vorhandensein bei den brasilianischen Schlangen von sekundaeren
Geschiechtsmerkmalen in den Schuppenstmkturen, welche bis heute nur bei
auslaendischen Schlangen ais erwiescn galten, wird dergelegt.
2) Die Haeufigkeit des Vorkommens \-on Kinnk-noetchcn wird ausfuehrlich
an H. modesta studiert.
3) Ein neues s:knndaeres Geschiechtsmerkmal — die super-annal Tubir-
ke!n — werdin beschrieben.
4) Bei Lygophis amoenus, einer Schlange, die nur supra-annalc Tuberkcln
ais sekundaeren Geschlechtscharakter aufweist, wird das Vorkommcn von
Kinntuberkeln in beiden Geschlcchtem festgestellt.
5) Supra-annal Kiele konnten bei keinem Exemplar ler brasilianischen
Schlangen gefunden werden.
6) Der Taxonomische Wert dieser ilerkmale ist nicht zu unterschaetzen
w^■e, zum Beispiel aus Th. slrigatus (Cray) hervorgeht. Diese Schlange wurde
seit Jahrzehnten a's synonym mit Th. strigiHs angesehen, unterscheidit sich
Jedoch klar ven ihr durch das ^■orkommem \'On supra-annal Tuberkcln und
andere Merkmale.
7) Bei H. modesta, H. carinicauda, H. Ifiopardina, wurd bei den Maenn-
chen das Vorhandensein von kleincn Tuberkcln auf den Kopfplatten und Rue-
ckenschuppen festgestellt, wobei es skh um ein Merkmal handelt, das bisher nur
bei asiatischen Fcrmen verzeichnet wurde.
BIBLIOGRAFIA
1. Boettger, O. — Zool. Anz.. 11^95, 1888.
2. Boutenger, G. A. — Cat. Sn. Brit. Mtis.. 3:73, 1894.
3. Schmidt, K. P. — Bult. Antiv. Inst. Amer., 2(3) :64, 1928.
<. Blanchard, F. — Buli. Antiv. Inst. Amer., 4:93, 1931.
5. Dumeril & Bibron — Erp. Gen., 7:574, 1854.
6. Mertens, R. — Senckenbergiana, 19:169, 1937.
7. Pope, C. II. — The Reptiles of China, Nat. Ilist. Centr. Asit, 10, 439.
8. hoble, G. K. — in Pope I. c., 437.
Amaral, A. do — Papeis avulsos do Departamento de Zoologia, 5(7) :S0, 1946
9
1 SciELO
9.
Mcm. Inst. Butantan.
21:55-66, Abril 19-;9.
A. R. HOGE & A. GARCIA
F:cs. I c 2 — Hrlieofs ccrinUaaJa. Objcn-a-rc a prrKnca rfe ubcreuloi mcnlurit co
exemplar j e as placas perfeiuroenie lisas on exemplar 9
Fi?. 3 — Escamas dorsais de liclicops carimwamja (^)
cm
66
XOTAS ERPETOLOGICAS. 4 .
FiC. 4 — Philodryas serra
Fic. S — Taekymenis brasiliensis
1
Mcm. Inst. BuUnUn,
Sl:67-76, Abril 1949.
A. R. HOCE 4 A. GARCIA
67
XOTAS ERPETOLÓGICAS
5. Notas sôbrc Elapomorphus nasiitus Gomes, 1915
POR A. R. HOGE & A. GARCIA
(Do Laboratório de Ofiologia e Zoologia Médica do Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil).
Na revisão atual da coleção ofiológica do Instituto Butantan foram encon-
trados 39 exemplares dessa espécie, relatiramente rara e <ie distribuição geo-
gráfica muito restrita, como potle ser visto mais adiante.
Sendo que a descrição original foi baseada no único exemplar então exis-
tente nas coleções do Instituto, no presente tralialho c descrito o alotipo e,
baseada em maior número de exemplares, redescrita a espécie.
DESCRIÇÃO DO ALOTIPO i
Xo. 3085 — coleção do Instituto Butantan, proveniente de Glicério, Estado
de S. Paulo, Brasil, e capturado por Manuel Rodrigues em 30-10-1923. Rostral
mais larga que alta, parte visivel de cima um pouco maior do que sua distância
frontal; focinho proeminente; intemasais mais largas que longas; 1 prefrontal;
frontal pouco mais longa que larga, igml à sua distância da rostral c menor
do que os parietais; parietais um jX>uco iiKiiores do que sua distância da ponta
do focinho; nasal inteira, mais longa que alta e mais alta anteriormente que
posteriormente, cm contacto com a rostral, intemasal, prefrontal, prcocular e
1.* e 2.“ supralabiais ; 1 préocular mais longa que alta, de fonna triangular;
2 post oculares, a superior cerca de duas vezes maior do que a inferior; têm-
pora! O -f 1 muito comprida e cm contacto com a 5." e 6.* supralabiais, a
2*. e 3*. entrando na órbita, a 5*. mais larga na parte suix:rior do que na infe-
rior, em contacto com a parietal e temporal; 4 infralabiais cm contacto com
as mentais anteriores que são nienores do que as posteriores; 4*. c 5*. infra-
labiais muito maiores.
Colorido: Pardo avermelliado em cima. escamas dorsais orladas de pardo
escuro. De cada lado do corpo, luna faixa escura de 4 fileiras de dorsais no
corpo, e 2.5 na cauda. Estas faixas laterais são constituídas jxir fileiras de
escamas dorsais, com orla jiarda -escura, mais marcada que as demais. As
intemasais. prefrontal, frontal, supraoailar, préocular. postocular, parietais,
temporais e a parte superior da 5*. e (?■ supralabiais são de côr parda escura;
Recebido para publicação em 8 de julho de 1948.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
68
NOTAS ERPETOLOGICAS. 5.
rostral clara com u’a mancha escura na parte visível de cima; um colar nucal
claro delimitado pela coloração escura da cabeça e uma faixa postnucal escura;
escamas ventrais e primeira fileira de dorsais claras, rosadas no vivo e esbran-
quiçadas no álcool. Dorsais lisas em 15 filas; ventrais 135; subcaudais 37;
anal dupla.
Comprimento do corpo 495. (*)
Comprimento da cauda 70.
Comprimento da cabeça 15,3.
Diâmetro do ôlho 1,0.
Distância do ôlho à boca 1,6.
” ” ” ” ponta do fccinho 5,1.
Parte da rostral visível de cima 2,1 x 4,0.
Prefrontal 2,7 x 4,9.
Frontal 3,3 x 3,0.
Parietais 6,1 x 3,3 e 6,1 x 3,6.
Temporal 4,5.
REDESCRIÇAO DE ELAPOMORPHUS NA5UTUS GOMES, 1915.
Elafomorphus nasulus Gomes — An. Paul. Med. & Cir. 4(6), 121, 1915; tab. 3, Fig. 1 a 3.
Elapomorf^hus nasutus Amaral — Mcm. Instituto Butantan 4:47, 107, 224, 1930 e 10:146, 1936.
Dentes maxilares 5; focinho proeminente; rostral mais larga que alta; a
parte da rostral, visível de cima, maior que sua distância da frontal; ôlho
pequeno, diâmetro cerca de 1/6 a 1/5 de sua distância da boca; intemasais
mais largas que longas; sutura entre as intemasais cêrea de 1/3 de sua dis-
tância da frontal; 1 prefrontal mais larga que longa; frontal um pouco mais
longa que larga, igual â sua distância da rostral e menor que as parietais;
parietais um pouco maiores que sua distância da ponta do focinho; nasal inteira
mais longa que alta e mais alta na parte anterior, em contacto com a rostral.
intemasal, preocular e 1*. e 2’. supralabiais ; 1 preocular nuus longa que alta,
de forma triangular; 2 postoculares, a superior sempre cerca de duas vezes c
meio maior que a inferior; temporal 0 1 muito comprida, em contacto com
a 5.* e 6.*, supralabiais. 6 supralabiais (excepcionalmente 7), a 2.* e 3.® en-
trando na órbita e a 5*. mais larga na parte superior que na inferior, em
contacto com a parietal e temporal; 4 infralabiais cm contacto com as mentais
anteriores que são sempre menores que as posteriores; 4*. e 5*. infralabiais
muito maiores. Dorsais lisas em 15 filas; ventrais 176 a 190 nos machos e
185 a 210 nas fêmeas; subcaudais 32 a 39 nos maclios e 20 a 30 nas fêmeas;
anal dupla.
Colorido: cemo o descrito para o alotipo.
{•) Todas as medidas são dadas em mm.
cm
SciELO
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Mcm. Inst. Butantan»
21:67-76, Abril 1949.
A. R. HOCE k A. GAROA
69-
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA
Além de ser muito rara, a Elapomorphus nasulus tem uma distribuição-
geográfica das mais restritas. Foi encontrada sómente no Estado de S. Paulo
e no Estado de Minas Gerais, na região denominada “Triângulo 2iIineiro"
(mapa I).
Não podemos avaliar qual a extensão da área de distribuição no Estado
de Minas Gerais, pois o Instituto conta com pequeno número de remetentes
nêsse Estado, porém, no Estado de S. Paulo, onde há centenas de remetentes,
a distribuição pode ser melhor araliada.
A área de distribuição é compreendida entre os rios Grande e Tietê. No
norte atravessa o Rio Grande, na região de Igarapa^-a, penetrando no Estado
de Minas Gerais, numa profundidade de CO Kms aproximadamente. No sul,
ela é encontrada^ até Cabrália, aproximadamente 100 Kms ao sul do Rio Tietê.
Na região nordeste do Estado de S. Paulo há poucos^ remetentes, o que
não permite conclusões definitiras quanto à distribuição nessa zona, sendo-
poiém provável que a Elapomorphus nasutus atinja as margens do Rio Paraná.
Os dados negativos, relativos à face sueste da zona de distribuição teem grande
valor, pois das regiões limítrofes chegam constantemente grandes quantidades
de serpentes.
zona onde a Elapomorphus nasutus foi encontrada com maior frequência
tem uma altitude de 800 a 1.000 metros. Alguns exemplares foram encon-
trados cm zonas de 300 a 500 metros, porém nunca abaixo dos 300 metros.
Alimentarão: Esta espécie parece ser cxclusivamente lacertívcra, pois só
encontramos restos de lacertilios (Teidac) no estômago dos exemplares autop-
siados.
RESUMO
No presente trabalho fei descrito o alotipo de Elapomorphus nasutus
redescrita a epécie e delimitada a zona de distribuição.
ABSTR,\CT
The allotype of Elapomorphtis nasutus is described, and a new description
is given of that species with the aid of a series of these rarc spccimens.
The ventral scales vary between 175 and 190 on the males and 185 to
210 on the females; the subcaudal scales range betiveen 32 and 39 on the
niales and 20 to 30 on the females. There are five maxillarj- tecth.
Not only this species is very rare, but its extensien is limited. Until this
úay, it has only lx»n found in the State of S. Paulo and the “Triângulo
Mineiro”. Its zone diffusion lies between the Tietê and Rio Grande rivers.
3-
1 SciELO
15
XOTAS ERPETOLOGICAS. 5.
In lhe North it ultrapasses the Rio Grande river, near tlie town of lgarapa\-a,.
and thcn penetrates about 60 kilometers into the State oí Minas Gerais. In
the South, Elapomorphus nasulus may be foand near the town oí Cabralia,.
about 100 kilometers South of the Tiete river.
As Butantan possesse.s, up to now, only few specimens from the North-
west, the zone of diffusion oí this species in that direction cannot be defined
with accuracy. It may, however, be assumed that it extends in that direction
up to the Paraná river.
E. nasutus is mainly found between 25CO and 3000 feet of altitude; a
few specimens have been met with between 900 and 1500 feet, but never below
that altitude.
Alimcntation: E. ):asutus seems to feed exclusively on lizards (Tcidae),
as only such animais have been found in the stomachs of this snake.
ZUSAM XI EXFASSUXG
Der Allotyp von Elapomorphus nasulus wird beschrieben und dieselbe Art
wird an Hand von einer Serie von diesen sehr seltenen Exemplaren neu
beschrieben.
Die V<ntralschupj>en variieren zwisch.n 176 und 190 bei den Maennchen
und zwischen 185 und 210 bei den Weibchen; die subcaudalen zwischen 32 und
39 bei Maennchen und 20 bis 30 bei den Weibchen. Die Maxillenzehn» sind
fitenf. Diese seltene Art hat auch eine sehr geringe Ausbreitung. Bis jetzt
wurde sie nur im Staate São Paulo und im “Triângulo Mineiro” angetrofíen.
Die Verbreitungszone befindet sich zwischen den Fluessen Titté und RiO'
Grande. Im Norden uebtrschreittt sie den Rio Grande-Fiuss, bei der Stadt
Igarapava und dringt dann vor bis ungefaehr 60 Kilometer des Staates Minas
Gerais. Im Sueden wird Elapomorphus nasutus noch bei der Stadt Cabralia,
ungefaehr 100 Kilometer siredlich des Fluss:s Tietê, aufgefunden.
Da Butantan bis heute sehr wenig Material aus dem Nordwesten besitzt,
kann die Verbreitungszone di;fer Art in dieser Richtung nicht genau demarkiert
werden. Es kann jedoch angenommen werden, dass sie in dieser Richtung bis
zuni Paraná-Flusse gehm wird.
Die llauptfundorte von Elapomorphus nasulus liegen zwischen 800 und
ICOO Meter Ilothe; es wurden jeclcch auch einige Exemplare in 300 und 500
Meter Hoehe angetrofíen, aber nicinals darunter.
Ernaehrung: Elapomorphus nasutus scheint sich ausschüesslich von Ei-
dechsen (Tcidae) zu emathren, da nur solche in den Magen dieser Schlange-
aufgefunden wurden.
BIBUOGRAFIA
1) Comes, J. F. — An. Paul Med. * Cir., 4(6) :121, 1915.
2) Amaral, A. do — Mcm. Instituto Butantan, 4:47,107,224, 1930 c 10:146, 1936.
6
il«n. Inst. Butantan,
*1:67-76, Abril 1949.
A. R. HOCE & A. GARCIA
■ 73
LIST.A. DOS EXEMPL.ARES DE ELAPOMORPHUS XASUTUS GOMES
X.* Sexo Localidades
10409
9
Apodos — S. Panlo
2172
S
Alfredo EHs — S. Paulo .
10084
s
Aurora — S. Paulo
6723
9
Baurú > S. Panlo
9361
9
Cabrilia — S. Paulo
5253
9
Cerrado — S. Paulo
9638
Õ
Conceição — Rio
7867
9
Erial — Minas
6937
9
Franca — S. paulo
3085
S
Glicério — S. Paulo
5747
9
Guaxima Minas
9586
9
Guaxima ~ Minas
9330
A
Tearapava — S. Pauli ...
1635
9
Isarapava — S. Pauto . . .
3364
9
Jubahy — Minas
2541
9
Matâo — S. Paulo
9734
9
Matão — S. Paulo
9102
ê
MoCuca — S. Paulo
873
9
Paineiras (L*t<ral»a) — Minas
8371
9
Pedregulho — S, Paulo . .
8604
9
promissão — S. Paulo . .
11280
9
Sta. Eodoxia — S. Paulo .
6690
9
Slo. Antonio da .Megria —
S. Paulo
7588
Estado de S. Paulo
1192
9
Serra AruI — S. Paulo . .
11582
9
Toriba — S. Paulo
10315
9
Tonba — S. Paulo
10294
9
Toriba — S. Panlo
10216
9
Valparairo — S. Paulo ...
10215
9
Valparaizo — S. Paulo . . .
8328
9
Vassununira — S. Paulo . .
6781
9
Vise. de Parnaiba — S- P.
4003
9
Sem localidade
3675
9
Sem localidade
10386
S
Sem localidade
D
V
SC
mm.
Corpo
mm.
Cauda
mm.
Cabeça
Anal
SL
13
204
26/26
600
50
15.8
d
6
185
35/35
510
67
16.2
«
-
186
35/35
440
59
15
204
28/28
710
64
16.8
203
28/28
705
56
18.2
-
188
35/35
580
70
16.5
7.6
-
194
26/26
650
54
20.7
6
196
23 .'23
360
28,7
13.3
-
185
37/37
49S
70
15,3
-
197
27/27
680
58
21,5
-
198
29/29
695
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22
-
176
36/36
295
52
11.1
-
197
26/26
282
25
11.4
-
185
20/20
320
29
16.6
-
198
27/27
665
58
18,6
-
204
25/25
580
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17.1
189
39/39
355
50
12,4
••
195
25/25
750
62
22.8
f*
-
202
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600
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16.7
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18
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200
25/25
500
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15.1
-
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32/32
455
53
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-
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12.*
-
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287
26
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187
37/37
476
72
15.«
-
147
26/26
635
52
18.8
-
190
28/28
740
(.9
23.9
-
200
27/27
730
62
19
-
200
28/28
870
70
22.9
-
190
36/36
560
75
16.5
D Escamas dorsais
Y — Escamas ventrais
SC — Escamas subcaudais
SL — Escamas snpralaliais
1 SciELO
cm
SciELO
Mem. Inst. Butaatan,
21:67-76, Abrü 1949.
A. R. nOGE & A, CARCÍA
Holotipo dc F.lãfomorp-kut nãsutmt GorafS 1915
iIcTO. Inst. Butantan,
ÍI;rM06. Abril 1949.
J. TRAVASSOS: P. M. RODRIGUES
& L. XOGUEIRA CARRIJO
77
TIFO -M URI XO EM SAO PAULO
I. Identificação da Rickettsia mooseri isotada dc um caso humano
POR J. TR-WASSOS; PLINTO M. RODRIGUES & L. XOGUEIRA CARRIJO
(Secção de Virus e Riquetsias do Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil)
O tifo murino ou endêmico, assinalado prinieiramenle em 1926 por Maxey
(1) no sul dos Estados Unidos e estudado mais tarde por Mooser (2) no
México, é reconheddo hoje como uma das doenças tifo-exantemáticas mais
dis.ceniinadas pelo mundo.
Em 1932, Monteiro e Fonseca (3), após isolarem uma riquetsia de ratos
capturados na zona urbana de S. Paulo, focalizaram pela primeira vez a pos-
sibilidade de ocorrer entre nós “uma outra modalidade de febre exantemática,
de origem murina e de cuja transmissão se poderiam incriminar os pulicideos”.
Anteriormente àquela data, já era conhecida a ocorrência, em nosso meio,
da riquetsiose inicialmenlc designada “Tifo exantemático de S. Paulo”. Estu-
dada em 1929, por Piza e colaboradores (4), no Hospital Emilio Ribas e
identificada posteriormente á febre maculosa das Montanhas Rochosas (5 a 9)
que ocorre nos Estados Unidos, a doença, transmissivel ao homem por ixodidas,
evcJúi em geral de maneira grave e apresenta alta mortalidade.
Já em 1929, porém, entre os casos que recebiam no Hospital Emilio Ribas
o diagnóstico de “tifo exantemático”, constavam alguns de evolução clinica
lienigna. ás vezes sem exantema e que invariavelmente terminavam pela cura.
A reação de Weil-Felix atingiu na maioria deses casos títulos elevados jiara o
Proteus X19.
X^o mesmo hospital, foram observados nos anos seguintes, entre pacientes
lá internados para tratamento de infecção suspeita de febre tifo-paratífica,
casos de uma doença benigna, ás vezes acompanhada de exantema, nos quais,
porém, a reação de Widal e a hemocultura foram negativas. A reação de
Weil-Felix, praticada sistematicamente com o sôro desses doentes, foi com
frequência positiva, não raro a títulos altos. Observou-se mesmo a elevação
gradual dos títulos dos sôros de vários pacientes, em reações levadas a efeito
com amostras de sangue colhidas em períodos diversos da enfermidade.
Recebido para publicação em junho de 1948.
cm
SciELO
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78
TIFO MIRIXO EM SAO PAULO
A acentuada benignidade era talvez a caraterística clínica essencial desses
casos inicialmente suspeitos de infecção tifo-paratífica. Seria a Dcrinacentro-
xctius rickettsi o agente etiológko de algumas dessas infecções, em que pese
a sua benignidade? Deveria ser considerada alguma outra riquetsiose, de
evolução em geral benigna e de mortalidade quase nula, tal como o tifo murino?
As investigações realizadas pelo Seniço de Epidemiologia do Departamento
de Saúde mostravam que vários desses pacientes provinliam de zonas urbanas
e exerdam sua atividade profissional em armazéns de cereais onde os ratos
eram abundantes, não referindo eles contacto algum com ixodidas na quinzena
anterior ao início da doença.
O diagnóstico de tifo murino i>ara, pelo menos, uma parte dessas infecções
benignas, já sugerido pela observação clínica e pelos resultados positivos da
reação de Weü-Felix, parecia, assim, receber também o apoio de dados epide-
miológiccs.
Quadros clínicos semelhantes foram obseiA-ados entre auxiliares técnicos
do Serviço de controle da Peste Bubônica, em contacto diário com ratos e pulgas.
Salles Gomes (10), do Instituto Adolfo Lutz, relatou cm 1941 os resul-
tados obtidos pela inoculação do sangue de 3 desses prováveis casos de tifo
murino em coliaia. Dois deles foram verificados entre funcionários do serviço
acima referido, então localizado no Instituto Butantan. Os sintomas da infec-
ção experimental obtida por aquele investigador foram discretos, tendo a perda
rápida do virus, nas tentativas de pas.«agem em série, impossibilitado a sua
identificação mediante estudo acurado.
Aliás, um de nós não havia anteriormentc (1937) sido nuiis feliz ao tentar
isolar a riquetsia em cobaias inoculadas com o sangue do primeiro caso veri-
ficado entre aqueles mesmos funcionários. Afóra 2 dias de febre após um
período de incubação de 9 dias e uma reação escrotal discreta, nada mais poude
ser observado, tendo o virus se extinguido^ já nas primeiras passagens de
cobaia a cobaia.
Passando o Instituto Adolfo Lutz a praticar sistematicamente a reação de
Weil-Felix ccm os sóros, provenientes de todo o interior do Fstado, de casos
inicialmente suspeitos de febre tifo-paratífica, pcude ser constatada “em vários
municípios a existência de indiríduos cujos isôros atingiam títulos altos de
aglutinação em face dos vários Protais X, vspecialmente do 0X19 (1/800 até
1/6.400)” (10).
Mediante estudo epidemiológico extensivo. Pascale e Cruz (11), Pascale
e Prado (12) e Pascale (13) verificaram a positividade do Weil-Felix em
pessoas residentes em diversas regiões do Fstado onde não havia até então
sido reconhecida a febre maculosa. Ratos e pulgas foram encontrados em
abundância nos locais ende provavelmente se haviam contaminado os pacientes.
o
'Mcm. Inst. Batantan.
51:77-106. Abril 1949.
J. TR.WASSOS; P. M. RODRIGUES
A L. NOGUEIRA CARRIJO
79
• A possibilidade da existência do tifo murino não só na Capital como em
outras regiões do Estado de S. Paulo recebia, pois, além do apoio de dados
clinicos e epidemiológicos, o de resultados experimentais sugestivos mas não
conclusivos. Como bem ressaltaram Monteiro e Fonseca (3) e Salles Gomes
^10), faltava identificar a riquetsia pelo seu comportamento experimental,
ainda não estudado em detalhe, e “sobretudo por provas de imunidade
•cruzada”.
Relataremos a seguir o que nos parece ser em S. Paulo o primeiro caso
de isolamento da Ríckcitsia mooscri em que foi possivel obter a prova cabal
da sua idtntidade.
Xo curso de nossas pesquisas isolámos o virus de um caso humano da
•doença adquirida em um foco desta Capital, assim como de ratos e pulgas lá
capturados. Outras amostras de vinis foram posteriormente por nós isoladas
de doentes provenientes tanto da capital como do interior do Estado.
Xo presente trabalho, no entanto, trataremos apenas da primeira amostra
•de Rickctlsia mooscri por nós isolada de um dos casos humanos ocorridos
na Capital.
D.\DOS CLfN-ICO-EPIDF.MIOLÓGICOS
O paciente, Vollet, funcionário da Secretaria da -•\gricultura de S. Paulo,
trabalhava em um laboratório químico para analise de sementes, situado à rua
Guaicurús, nesta Capital e anexo a grandes annazens onde é depositada toda
sorte de cereais. Ratos em número ele\^ado infestavam o local, apesar de os
armazéns serem de ótima construção e terem paredes de tijolos e piso ide
•concreto.
O inquérito epidemiológico realizado não revelou contacto algum do doente
com ixodidas nos 15 dias anteriores ao aparecimento dos primeiros sintomas.
Reside ele em casa de apartamentos no centro da cidade de onde se afasto’j,
nas duas semanas que precederam o início da doença, apenas para ir diariamente
ao local de trabalho e para um passeio ás praias de Santos.
A doença evoluiu em duas semanas, iniciando-se com acentuada cefalca
que perdurou por vários dias, com calafrios e febre. Xão foi notado exan-
tema durante toda a doença e o estado geral do paciente foi sempre muito
bom, a despeito de a febre ter por vezes atingido 39,5-40C..
Os exames de laboratório para diagnóstico de febre do grupo entérico e
de brucelose foram negativos. A reação de M eil-Felix foi entretanto positiva,
tendo alcançado o titulo de 1/20.C00 para o Prolciis X19 cm exame por nós
praticado.
ISOL.\MEXTO D.\ RIQUETSI.-V
Vimos o paciente cm seu último dia de febre, sendo por essa ocasiao
•colhidos 20cc. de seu sangue para exames de laboratório.
cm
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80
TIFO MURIXO EM SAO PAULO
O coágulo, obtido após permanência do sangue em temperatura ambiente
pelo espaço de duas horas, foi deslocado das paredes do vasilhame por meio-
de alça de platina e, a seguir, centrifugado a 2.500 rotações por minuto durante
1/2 hora. Depois de separado o sôro por meio de pipeta estéril, foi o coágulo-
transvasado para um frasco contendo pérolas de vidro e submetido a forte agi-
tação, após o que foram acrescentados ao mesmo lOcc. de salina.
O material foi então passado em gaze estéril, obtendo-se assim cerca de-
12cc. de suspensão de hematias. O volume total foi injetado em partes iguais
em duas cobaias (animais N*. 1 e 2) e em dois ratos brancos (animais N*. 3-
e 4), por via peritoneal.
Os ratós não reagiram febrilmente até o 19° dia após a inoculação.do san-
gue ; foram então sangrados no coração, para que se pudesse proceder a reações
sorológicas, e, em seguida, sacrificados. Retirados os seus cérebros, foram os
mesmos triturados conjuntamente e emulsionados em 20cc. de salina. A.
emulsão foi inoculada no peritônio de duas cobaias (N*. 5 e 6), no volume de
3cc. para cada animal.
A reação de fixação do complemento, realizada com o sôro de um daqueles
ratos, foi positiva ao titulo de 1/64 em presença de um antígeno preparado no
“National Institute of Health”, de Washington, com a amostra Wilmington de
Rickettsia mooseri. Com o sôro do outro rato a reação foi negativa em uma
diluição de 1/12; não foi possivel praticá-la a titulo inferior, dada a pequena
quantidade de sôro obtida.
Esse resultado positivo indicava que pelo menos um dos animais havia sido-
infectado. Havia, pois, no sangue do paciente, mesmo no último dia de febre,
riquetsias circulantes. Aliás, o fato não é de estranhar por isso que Findlay,.
ainda recentemente (1941), afirmou que, por técnica similar á que usamos, é
possivel isolar o virus durante todo o período febril e até na convalescença (14).
As duas cobaias (N*. 1 e 2), injetadas com o sangue do paciente, apre-
sentaram no 4.* e 5.* dia após a inoculação ligeira ekvação febril que se repetiu-
13 dias mais tarde. A reação de fixação do complemento, praticada em pre-
sença do antígeno murino, foi, no entanto, negativa com as amostras de sangue
colhidas de ambos os animais 25 dias após a inoculação. As cobaias foram,
em seguida, submetidas a uma prora de imunidade. Injetadas com a riquetsia
da febre maculosa, uma delas reagiu tipicamente e a outra. e'hibora não tivesse
tido febre, apresentou esplenomegalia acentuada á autópsia praticada 8 dias
após a reinoculação. Não se verificou, assim, nesses dois animais, imunidade
alguma á febre maculosa.
/*. passagem — As cobaias 5 e 6, inoculadas com emulsão dos cérebros
dos ratos 3 e 4. apresentaram simultaneamente ligeira e fugaz elevação de
temperatura no 13*. dia e, novamente, no 18*. dia. Com o sôro de ambas as-
4
Mem. Inst. Butantan.
Il;/7-106. Abril 1949.
J. TRAVASSOS: P. M. RODRIGUES
4 L. NOGUEIRA CARRIJO
81
cobaias, sangradas no 20*. e, novanientc, no 25’’. dia, foi praticada a reação
de fixação do conipieniento em presença do antigeno niurino. O resultado foi
positivo aos titulos de 1/160 a 1/640, respecth-amente, com a primeira e se-
gunda amostra do sôro da cobaia 5. A fi.xação foi parcial a 1/40 com a
primeira e total a 1/160 com a segunda amostra de sóro da cobaia 6.
Esses resultados da reação de fixação do complemento mostravam mais
uma vez que os animais por nós inoculados vinham sofrendo de uma infecção
benigna que não se exterioriza\'a senão por insignificantes e pouco estáveis
elevações de temperatura.
As cobaias de primeira passagem nada revelaram de anormal á necropsia
praticada no 25*. dia após a inoculação. Foi retirado e emulsionado o cérebro
de cada uma delas, sendo cada emulsão inoculada intraperitonealmente em 2
cobaias e 2 ratos.
2*. passagem — Xos animais de segunda passagem, a infecção ainda não
se revelou com sinais caracteristicos. O elemento mais importante, indicador
de uma riquetsiose do grupo “typhus”, continuou a ser a presença, em altos
titulos, de anticorpos fixadores do complemento no sôro das cobaias c dos ratos
inoculados. Xa maioria dos animais foi constatada reação febril, cm geral mais
persistente que nos animais de primeira passagem; as diferentes cuiA-as térmi-
cas obtidas não apresentavam, porém, peculiaridade alguma que pemutisse en-
quadrá-las num tipo determinado, idêntico ou semelhante ao observado com
frequência nas infecções com certas raças de Rickcitsia mooscrí. Em duas
cobaias a autópsia revelou ligeiro aumento do baço.
Para passagem do virus, utilizou-se, como anteriormente, cérebro de cobaia.
Cada cérebro, depois de emulsionado, foi inoculado intraperitonealmente em 4
cobaias e 2 ratos.
J.” passagem — A presença do virus murino exteriorizou-sc de maneira
nítida na terceira passagem. Todas as 4 cobaias de um dos grupos de animais
inoculados apresentaram marcada reação escrotal. O aumento do volume da
bolsa escrotal foi observado pela primeira vez 8 ou 9 dias após a inoculação.
Xos 2 ou 3 dias subsequentes surgiu o rubor e acentuou-se o edema da pele.
A resistência constatada durante as tentativas feitas para forçar o trânsito dos
testículos pelo canal vaginal completava o sinal descrito por X’cil (15) no de-
curso de suas investigações sobre o tifo endêmico do México.
Em esfregaços preparados com material da vaginal de duas cobaias que
apresentaram reação escrotal e corados pelo método de Macchiavelo, observá-
nios numerosas “células de Mooser”, repletas de riquetsias que foram encon-
tradas também extracelularmente em abundância. A curva térmica nessas co-
baias apresentou a particularidade de observação usual nas infecções com a
cm
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TIFO MURIXO EM SAO PAULO
Rickettsia mooscri: a temperatura elevou-se no mesmo dia do aparecimento da
reação escrctal, caindo ao normal no dia seguinte para tornar a subir 24 horas
•após.
Enr nenhum dos outros 3 grupos de animais de terceira passagem, no en-
tanto, foram observados sinais aparentes característicos da infecção murina. A
reação de fixação do complemento, contudo, foi positiva em alguns animais dc
2 desses 3 grupos. Ela foi negativa em todos os animais do grupo inoculado
■com material da cobaia 8 de segunda passagem, cujo sôro, no entanto, havia
fixado o complemento em presença do antígeno murino.
\'ê-se, assim, que na terceira passagem, conquanto se tivesse observado em
um grupo de cobaias o sinal de Xeil-Mooser, sabidamente de alto valor para
a identificação do virus, a infecção dei.xava ainda de se manifestar na maioria
dos animais com sinais típicos. A positividade da reação de fixação do com-
plemento foi ainda nessa jxissagem o sinal de infecção mais frequentemente
observado. O baixo teor de virus no material inoculado ou a sua insuficiente
-adaptação á cobaia e ao rato não permitia ainda obter resultados consistentes.
De duas cobaias que apresentaram reação escrotal, foi retirado material
para passagem. Foi feita uma suspensão com as vaginais e o baço de cada
itma delas, sendo cada suspensão inoculada intraperitonealmente em 4 cobaias
e 2 ratos. .Essa prática foi seguida regularmente nas passagens subsequentes,
emj)rcgando-sc para isso material de 2 ou mais cobaias.
4.“ passagem — Todas as 8 cobaias pertencentes a 2 des 3 grupos de ani-
mais de quarta passagem reagiram tipicamente á inoculação, com elevação
térmica e inflamação escrotal acentuada. Duas cobaias de cada um desses gru-
pos foram sacrificadas no segundo dia de febre, notando-sc. á necropsia, esple-
nomcgalia com exsudação peri-espltnica, cengestão das supra-renais e vaginalite
-exsudativa. Esf regaços feitos com vaginais dessas duas cobaias mostraram
grande quantidade de riquetsias c cé ulas de Mooser.
Uma terceira cobaia do mesmo grupo foi sacrificada no 8.* dia após a
inoculação quando apresentava ainda marcada reação escrotal. O número de
riquetsias vistas no esf regaço feito com vaginal desse animal foi. no entanto,
bem menor que no caso das suas companheiras de grupo sacrificadas mais
precocemente. Esse fato levou-nos a realizar as passagens de preferência no
primeiro ou segundo dia após o aparecimento da reação escrotal. A observa-
ção ulterior veio confirmar ser esse o período de escolha para se obter suspen-
são de vaginal rica em riquetsias.
Xas cobaias do último grupo de animais de q-jarta jiassagem os sinais de
infecção foram bem menos nítidos. Uma delas teve uma reação febril fugaz
e a cutra m.ante ve-se apirética durante 21 dias de cbservação.
•6
Mem. Tiut. Batantan,
21:77-106, Ahril 1949.
l. TRAVASSOS: P. M. RODRIGUES
& L. NOGUEIRA OVRRIJO
83
O sôro obtido pôster iormente desta últinu cobaia não fixou o complemento
em presença do antígeno murino. Os animais desse grupo haviam sido inocula-
dos com suspensão de baço e vaginal, na qual a pesquisa de riquetsias fora
negativa.
5.® passagem — Todos os animais (12 cobaias e 6 ratos) apresentaram
febre e reação escrotal tíiMca, tendo sido encontradas abundantes riquetsias e
células de ilooser cm esfregaço de vaginal das cobaias sacrificadas. A reação
de fixação do complemento foi positira em todos os casos cm que foi praticada.
(5.® passagem — Xa sexta passagem a infecção passou a ter um período
de incubação mais curto, iniciando-se a reação febril já a partir do terceiro
ou quarto dia. Tanto esse como os outros sinais da infecção,' observados já
de maneira nítida e consistente cm todos os animais da passagem anterior,
mantiveram-se com regularidade nas pjssagens ulteriores.
Tendo assim mostrado como. por passagens sucessivas de coliaia a cobaia.
Conseguimos estabilizar (ver quadro X.* 1) as características da infecção expe-
rimental provocada pelo virus cm estudo, passaremos nas linhas seguintes a
analisar as liases jxira a sua identificação.
IDEXTIFIC.-VÇAO
Xo decurso de nossas investigações estudámos comparativamente o com-
portamento experimental da amestra de riquetsia a identificar c que denomina-
mos “Vollet”, com o da amostra Wilmington de Rickettsia viooseri e com o
de várias amostras de Dermacentroxcnus rickettsi, isoladas em São Paulo.
Tal estudo, aliado ao da morfologia c distribuição característica da riquetsia
nas células endoteliais da vaginal da cobaia, e os resultados das provas soroló-
gicas e de imunidade errzada nos permitiram chegar á identificação especifica
do virus isolado por nós..
1. Comportamento experimental, — Para efeito de identificação, restrin-
gimos a nossa análise aos animais das passagens posteriores á quinta, por isso
que, como vimos, o comportamento da riquetsia não se mostrou uniforme nos
primeiros animais inoculados.
a) Xa cobaia — Foram feitas ao todo 17 passagens de cobaia a cobaia,
para as quais utilizámos suspensão de baço c vaginal de animal sacrificado
geralmcnte no segundo dia de reação escrotal.
Xo gráfico X.* 1 damos as curvas de frequência dos períodos de inculiação
verificados cm 86 cobaias inoculadas com a amostra \ ollet, 69 cobaias infec-
tadas com a amostra Wilmington e 67 cobaias injetadas com a amostra Favorita
cm
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84
TIFO MURIXO EM SAO PAULO
de Dcrinaccntroxcnus rickcttsi. A cuna correspondente a esta última mostrou-
aliás, um paralelismo quase perfeito ás levantadas com os dados relativos a 3
outras amostras da riquetsia da febre maculosa.
Pode ver-se que, tanto no caso da amostra Vollet como no da Wilmington,
a infecção teve na maioria (63,8 e 65,2% respectivamente) das cobaias um
período de incubação que variou entre 3 e 5 dias, enquanto que no caso da
amostra Favorita os limites dessa variação, em 71,1% das cobaias utilizadas,
foram 2 a 4 dias.
Os dados referentes á duração do periodo febril, a qual variou entre 2 e
6 dias para a maioria das cobaias inoculadas com a amostra Vollet, não nos
forneceram elementos para a identificação específica, visto que variações aná-
logas Tòram observadas em grande número de animais injetados com as demais
amostras estudadas. Em geral a reação térmica é, no entanto, mais elevada
nos animais inoculados cem as diferentes amostras de Dcrmaccntroxenus
rickcttsi do que nos animais infectados com as amostras Vollet e Wilmington
Em boa parte das cobaias injetadas com a amostra Vollet observámos a
oscilação da curva térmica assinalada por Zinsser (16) e já descrita linhas
acima: a temperatura, após a elevação do primeiro dia, volta bruscamente ao
normal no dia imediato, para subir novamente nas 24 horas seguintes. Não
tem sido observada variação semelhante nas curvas térmicas das cobaias infec-
tadas com amostras de Deniiacentroxaius rickcttsi.
A reação escrotal da cobaia, assinalada primeiro por Neil (15), descrita em
seguida mais pormenorizadamente por Mooser (17). é hoje considerada como
elemento de valor para a identificação do tifo murino.
Os detalhes da reação por nós observada são os considerados típicos da
vaginalite provocada pela Rickettsia mooscri, jamais acompanliada das grandes
hemorragias c da necrose da pele do saco escrotal verificadas com grande fre-
quência em cobaias inoculadas com a Dcrmaccntroxenus rickcttsi. Grande difi-
culdade era experimentada ao se tentar forçar o trânsito dos testículos pelo canal
vaginal inflamado.
.■\ intensidade da reação variou muito de animal para animal da 3.*, 4.*
e 5.* passagem. A partir da 6.® passagem, porém, reações acentuadas foram
ragularmente obtidas, com considerável aumento de volume da bolsa escrotal,
tornando-sc improfícuas as tentativas de mobilização dos testículos. Intensifi-
cando-se ainda mais a reação, notavam-se por vezes algumas petéquias na pele
da bolsa escrotal.
.\s fotos Nos. 1 a 4 mostram reações típicas de cobaias inoculadas com
a Dcrmaccntroxenus rickcttsi c com as amostras Vollet e Wilmington.
A frequência do sinal de Neil na cobaia fomeceu-nos outro elemento de
valor para a identificação do virus em estudo. .\ reação escrotal foi observada,
de um lado, na grande maioria das cobaias inoculadas, a piartir da 5.^ passagem
8
PERCENTAGENS DE ANIMAIS INOCULADOS
Mera. Inst. Butantan,
21:77-106, Abril 1949.
J. TRAVASSOS: P. M. RODRIGUES
4 L. NOGUEIRA CARRIJO
85
DIAS
LEGENDA
OCRMACENTROXENU6 HICRETTSI (auO&TRa FAVORiTa^
RICKETTSIA MOOSERI (amOSTRA WILMINGTOn)
■ AU05TRA VOLLET
GiArico ■.* I
DISTRIBUIÇÃO DOS PERÍODOS DE IXCUBAÇAO NA COBAIA
cm
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10 11 12 13 14 15 16
S6
TIFO MURIXO EM SAO PAULO
do virus, quer ccm a amostra Vollet quer com a Wilmington (91,0% e 88,2%,
respectivamente), e de outro lado, segundo verificaqões por nós realizadas e
que confirmam as anteriormente citadas por Lemos Monteiro (18), em apenas
20 a 25% dos animais inoculados com diversas amostras de Dcruiaccntroxetius
rickcitsi (gráfico X*. 2).
Essas mesmas características, acima descritas, da reação escrotal por nós
observada nos animais inoculados com as amostras Vollet e Wilmington servem
para a diferenciar da que por vezes é verificada nas cobaias inoculadas com a
Rickcttsia prcnvazcki. Xeste último caso, com efeito, a reação é em geral fugaz,
de pouca intensidade e não é observada nos animais das subsequentes passagens
do virus.
Tanto no caso da amostra Vollet como no da Wilmington, o tempo decor-
rido entre a inoculação infectante e o aparecimento da reação escrotal variou,
na maioria das cobaias (69,1 e 64% respectivamente), entre 4 e 6 dias.
Xo que diz respeito á persistência da reação escrotal, observámos nas
cobaias inoculadas ccm ambas as amostras, a Vollet e a Wilmington, que a
vaginalite se prolongava geralmente por quase todo o período febril, mostran-
do-se o saco escrotal ainda endurecido mesmo após a queda da temperatura.
regressão total fazia-se em geral vários dias após o término do periodo
febril.
.\ autópsia das cobaias inoculadas quer ccm a amostra Vollet quer com
a Wilmington revelou em geral, além da vaginalite típica acima referida, um
aumento discreto do volume do baço que nunca atingiu as dimensões observadas
nos aninuiis infectados ccm a Dcrmacentroxcnus rickcitsi.
A mortalidade das cobaias infectadas com qualquer das duas amostras,
Vollet c Wilmington, foi quase nula, fato que ser\e para as diferenciar marca-
damente das amostras de Dcnnaccntroxcuus rickcitsi, que provocam em geral
a m>ite de 70% das cobaias inoculadas.
As riquetsias encontradas em grande abundância nos esfregaços feitos com
material de raspagem das vaginais inflamadas apresentaram morfologia seme-
lhante nos animais inoculados tanto com a amostra Wilmington como com a
Vollet. Em ambos os casos, a disposição das riquetsias nas células endoteliais
era idêntica á descrita por Mooser no curso das suas investigações sobre o tifo
murino. Observámos com certa frequência células repletas de riquetsias. Nas
fotos X'os. 5 e 6 e na prancha anexa veem-se aspectos típicos por nós encon-
trados os quais facilitam a identificação da riquetsia em estudo, diferenciando-a não
só da Dcrmacentroxcnus rickcitsi cemo de outras riquetsias possivelmente
existentes mas ainda não reconhecidas em nosso meio.
b) A'o rato branco — O rato mostrou-se mais sensível á infecção com a
amostra Vollet do que a cobaia. Xão fora termos inoculado o sangue do pa-
10
M«n. Inst. BuUnUn, J. TRAVASSOS; P. M. RODRIGUES
*1:7M06, Abril 1949. & L. NOGUEIRA CARRIJO
87
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FREQUÊNCIA DA REAÇAO ESCROTAL NA COBAI.V
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*1:77-106, Abril 1949.
J. TRAVASSOS: P. M. RODRIGUES
A L. NOGUEIRA CARRIJO
89
ciente Volleí em ratos brancos, provavelmente não teríamos podido isolar o
vinis responsável pela infecção.
Como vimos anteriormente, conseguimos exaltar a virulência da nquctsia
V^ollet por passagens sucessivas de cobaia a cobaia. Com emulsão de ^•aginal
e baço de cobaias de cada passagem eram inoculados ratos e novas cobaias. A
infecção nos ratos injetados com material das primeiras passagens revelou-se
apenas por ligeira reação febril que surgia em geral 13 a 19 dias após a ino-
culação. O período de incubação tomou-se, no entanto, mais curto á medida
que se exaltava a virulência da riquetsia.
Além da febre, não foram notados sintomas aparentes nos ratos em conse-
quência da infecção. Em alguns deles, porém, sacrificados oportuna-
mente, encontrámos riquetsias nas células endoteliais do peritônio e da vaginal.
A mortalidade entre os ratos inoculados foi insignificante.
Transmitimos também a infecção de rato a rato, tendo sido possível con-
servar a riquetsia através de 32 passagens sucessivas, embora com a perda de
grande parte de sua virulência inicial para a cobaia. No decorrer dessas pas-
sagens, obser\’ámos com certa frequência riquetsias nas células endoteliais do
peritônio de rato.
A reação de fixação do complemento foi, no entanto, a prova que mais
comumente empregámos para constatar a infecção do rato.
O fato da sobrevivência da riquetsia através das passagens sucessivas de
rato a rato aproxima a amostra Vollet da Wilmington; com esta última conse-
guimos até hoje realizar 34 transmissões análogas. Por outro lado, o mesmo
fato afasta a amostra Vollet da Rickettsia prozcaceki que não se mantem por
niais de 12-13 passagens de rato a rato (19) e da Denmccntroxcnus rickettsi
que se extingue já após a terceira passagem (20).
c) No coelho — Com suspensão de vaginal e baço de cobaias que apre-
sentavam, ao serem sacrificadas, reação escrotal consequente á infecção com o
'■irus Vollet, foram inoculados 6 coelhos, 4 dos quais reagiram febrilmente no
5.* - 6.* dia; a temperatura ultrapassou 40*C., não tendo, no entanto, persistido
Por mais de 48 horas.
Em 5 desses coelhos observou-se reação escrotal com rubor, edema e au-
^nto de volume dos testículos, a qual, porém, não perdurou em animal algum
por mais de 2 dias.
A reação Weil-Felix e a de fixação do complemento com antigeno murino
^oram positivas com os sôros posteriormente obtidos de todos esses 6 coelhos.
É digna de nota a reação escrotal que determinou a amostra Vollet, sabido
^onio é que a Rickettsia tnooseri provoca usualmente no coelho apenas uma
'ufecção inaparente. A reação por nós observada não atingiu em coelho algum,
^0 entanto, a intensidade da obtida no mesmo animal por Monteiro pela ino-
13
cm
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90
TIFO MURIXO EM SAO PAULO
culação de amost,ras de Dcrmaccntroxcnus rickcttsi isoladas em S. Paulo e ca-
racterizada por hemorragias e necrose da pele do escrotum (21).
d) Xo embrião dc galinha — Foram inoculados embriões de galinha (de
oito dias) pelo método de Cox com suspensão de vaginal de cobaias infectadas
com o virus Voliet e sacrificadas durante o período de reação escrotal. Os em-
briões morreram a intervalos diversos a partir do sétimo dia após a inoculação ;
em esfregaços da vitelina de vários deles foi constatada a presença de riquetsias.
Foi feita a passagem do virus para novos embriões de galinha e para co-
baias e ratos, tendo sido obser\'adas riquetsias na vitelina, na vaginal e no pe-
ritônio, respectivamente, de vários desses animais; células de Mooser foram-
constatadas na vaginal de uma das coliaias sacrificadas em pleno período febril.
A leação de fixação do complemento praticada em presença do antigeno murino
foi positi\-a com o sôro de diversos ratos e cobaias.
Xovas inoculações foram feitas, tendo sido o virus mantido através de
uma série de 12 passagens de embrião a embrião, o qual sucumbia á infecção*
em geral entre o quarto e o sétimo dia. Riquetsias foram constatadas com
frequência na vitelina dos embriões infectados.
Cobaias e ratos reagiram tipicamente á inoculação com emulsão de vitelina.
de embrião de 10.* passagem, tendo sido observadas riquetsias em esfregaços
de vaginais dos animais sacrificados.
Com vitelinas dc embriões de 11.* passagem foi preparado um antigeno
que fixou o complemento tm presença de sôro conhecidos de tifo murino.
RE.\ÇOES SOROLÔGIC.AS
a) Sôro do doente — Foram colhidas 4 amostras do sangue do paciente
Vollet: a primeira em pleno período febril, a segunda no dia anterior á volta
da temperatura ao normal e as restantes cerca de 70 e 125 dias, respectivamente,
mais tarde. < j
.A. reação de Weil-Felix praticada no Insthuto Adolfo Lutz com a primeira
amostra de sôro atingiu o titulo de 1/12.800 para o Proteus X19; esta bactéria
foi aglutinada pela segunda amostra até a diluição de 1/20.000 em reação por
nós praticada.
Com o sôro da segunda sangria levámos a efeito também a reação de
fi.xação do complemento em presença de antigenos preparados no “National
Institute of Health” quer com a amostra Wilmington de Rickettsia mooscri
quer com uma das amostras, Madrid e Breinl, de Rickettsia prowazcki, assim
como em face de um antigeno preparado em nosso laboratório com a amostra
Favorita de Dcrmaccntroxcnus rickcttsi, isolada «m S. Paulo. O resultado foi
parcialmente positivo a 1/10 com o antigeno de febre maculosa e com o murino*
14
Mcm. Inst. Butantan.
*1:77-106, Abril 19-t9.
I. TRAVASSOS: P. M. RODRIGUES
& L. XOCUEIRA CXRRIJO
91
e poMtivo a 1/320 e 1/160 com os antigenos epidêmicos, amoitras Breinl e
Madrid, respectivamente.
Em reações com a terceira amostra de s<')ro foram obtidos os resultados
seguintes: negativo com o antigeno de febre maculosa, positivo a 1/J60 com
o antigeno murino e positivo a 1/-10 com o antigeno epidêmico Breinl.
Procuraremos nas linhas seguintes dar a explicação do desacordo entre os
resultados das reações de fixação do complemento praticadas com as amostras
de sôro colhidas com cerca de 70 dias de intervalo.
Como proiTiram, entre outros, os trabalhos de Topping (22) e Plotz, \\ ert-
mann e Bennett (23), o antigeno murino e o epidêmico possuem 2 componen-
tes, ambos ativos na reação de fixação do complemento: um, específico, pró-
prio a cada uma das riquetsias (Kickcttsia vtooscri e RickcUsia f>rcni'accki) e
o outro comum a ambas. Igualmente, nos sôros-imunes de tifo murino e tifo
epidêmico tem sido comprovada a existência de 2 anticorpos correspondentes
aos dois componentes em que íc dissociam os antigenos. um, especifico, que
reagiria apenas com o antigeno especifico homólogo e o outro, comum a am-
bos os sôros, que reagiria com o componente antigênico comum a ambas as
riquetsias.
Compreende-se, pois, que a reação pudesse ter sido positiva cem a amostra
de antigeno epidêmico por nós utilizada, ainda mesmo que o sôro fosse, como
ficou a seguir comproiTido, de um caso de tifo murino.
De aparecimento mais precoce que o anticorpo especifico, o anticorpo co-
mum estaria já presente na segunda amestra de sangue (colhida no último dia de
febre) e teria reagido com o componente comum existente em quantidade apre-
ciável na amostra de antigeno epidêmico por nós utilizada. De outro lado, a
menor riqueza em componente comum da amostra particular de antigeno mu-
rino com que trabalhamos pode facilmente explicar porque esse antigeno não
reagiu apreciavelmente com essa mesma segunda amostra de sôro.
Em trabalho recente sebre o empirêgo dos antigenos solúveis no diagnóstico
das riquetsioses do grupo “typhus” pela reação de fixação do complemento,
Berge (24) assinala que “os (antigenos) preparados com as amostras epidê-
micas mostraram um maior grao de reatividade cruzada do que o antigeno
murino”.
E’ sabido, além disso, que a atividade do componente comum pode variar
muito em diferentes partidas de antigeno. quer epidêmico, quer murino. Tem
stdo mesmo constatado que essa atividade toma-se tanto nwis inten.a quanto
mais longo é o tempo decorrido desde o preparo da partida de antigeno. O
Componente inespscífico, sendo facilmente solúvel, difunde-se com o tempo mais
e mais no meio liquido em que estão suspensas as riquetsias. E’ essa difusão
no meio que torna possivel as reações cruzadas de fixação do complemento cn-
15
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TIFO MURIXO EM SAO PAULO
tre o tifo epidêmico e o muríno, visto que o componente inespecífico só se tor-
na ativo quando em solução.
Pode comprovar-se facilmente esse fato pelos resultados das reações de
fixação do complemento realizadas com amostras de antígeno murino e epidê-
mico purificadas por centrifugação. Pela resuspensão das riquetsias centrifu-
gadas e lat^adas é possivel obter antígenos isentos, em maior ou menor grao,
de componente comum ativo. Plotz conseguiu por essa técnica tomar mais es-
pecíficos os seus antígenos, eliminando boa parte das reações cruzadas observa-
das entre o tifo epidêmico e o murino.
O mesmo autor salientou que amostras de antígeno purificadas por cen-
trifugação podem tornar-se com o tempo novamente ricas em componente ati-
vo inespecífico visto que a difusão da fração antigênica comum a ambas ri-
quetsias, epidêmica e murina, no meio liquido em que elas estão suspensas, se
faz de maneira ininterrupta.
Tomou-se assim clara, graças principalmente aos trabalhos ultimamente pu-
blicados por Plotz (23 e 25), a %'antagem da utilização de antígenos purificados
por centrifugação recente para o diagnóstico diferencial entre o tifo epidêmico
e o murino. A falta de purificação das amostras de antígeno por nós utiliza-
das para a reação com o sóro Vollet dificultou-nos inicialmente o diagnóstico
especifico da riquetsiose cm causa, o qual poude no entanto ser feito ulterior-
mente com precisão pelo isolamento e pela identificação da Rickeitsia mooseri.
Já os resultados das reações com a terceira amostra de sóro foram sufi-
cientes para nos sugerir a possibilidade da explicação que vimos expondo. Essa
hipótese converteu-se, em seguida, em certeza pelo melhor conhecimento por
nós adquirido de importante literatura sobre o assunto que tinha sido até então
mantida sob segredo de guerra pelo Govêmo dos Estados Unidos.
Avendano (26) obtinha aliás em Santiago, do Chile, na ocasião em que
trabalfiaramos, resultados similares aos por nós encontrados não só com o sóro
Vollet como com os de vários outros casos a serem publicados mais tarde. O
investigador chileno teve a gentileza de nos enviar um apanhado dos seus tra-
balhos a respeito, no qual ele dá explicação cabal para as reações cruzadas obser-
radas entre o tifo murino e o epidêmico com os antígenos de Bengtson e que
podem levar o pesquisador, na falta de uma crítica apurada dos resultados, a
um falso diagnóstico diferencial entre as duas riquetsioses do chamado grupo
“t)-phus”.
A noção de que cs antígenos murino e epidêmico e os anticorpos correspon-
dentes se decompõem em fração específica e fração comum, aliada ao conheci-
mento de que: 1.*) a fração comum ativa pode estar natural ou artificialmente
muito reduzida numa determinada partida de antígeno e 2.*) o anticorpo comum
é de aparecimento mais preccce no sóro que o anticorpo especifico, permite pois
16
Mcm. Inst. Bntaotan,
í 1:77-106. Abril 1949.
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93
dar a verdadeira interpretação dos resultados semelhantes aos por nós obtidos
com a segunda amostra de sóro Vollet.
A baixa do título da fixação em presença do antígeno epidêmico Breinl
(2.* amostra: 1/320 ; 3.* amostra: 1/40) é facilmente explicável por uma re-
dução, que teria ocorrido no intervalo entre as duas sangrias, do teor de anti-
corpo comum no sóro.
Xo mesmo período teria havido uma variação em sentido inverso do teor
de anticorpo especifico no sóro, o que explicaria a diferença observada nos tí-
tulos das reações praticadas em presença do antígeno muríno (2.* amostra : l/fO;
3.^ amostra: 1/160). Foi assinalado realmente por Avendano (26) que o an-
ticorpo comum tende a desaparecer do sóro mais rapidamente que o específico.
certeza do diagnóstico de tifo murino para o caso Vollet, dada pelo iso-
lamento e pela identificação da Rickettsia mooserí, permitiu-nos interpretar cor-
retamente os resultados das reações de fixação do complemento que praticámos
Com o seu sóro. Teria sido realmente muito dificil, senão impossível, chegar
no caso Vollet, pela reação de fLxação do complemento, a um diagnóstico dife-
rendal seguramente comprovado entre o tifo epidêmico e o murino, por não
dispormos então de antígenos purificados.
Foi, no entanto, o resultado das reações de fi.xação do complemento reali-
zadas já com a segunda amostra de sóro que nos forneceu o diagnóstico .seguro
de riquetsiose do grupo “typhus” (compreendidas nessa designação o tifo epi-
dêmico e o murino). Realmente os antígenos de Bengtson com os quais tra-
balhámos são bastante específicos no que se refere á distinção entre a febre
maculosa, de um lado, e o grupo “typhus” do outro.
Ainda mais, foram os resultados das reações de fi.\ação do complemento
que nos levaram, desde o início das nossas investigações, a pesquisar de prefe-
rência o tifo murino, dada a e.\istência já então reconhecida de reações cruza-
das entre as doenças do grupo “typhus” e visto falarem os dados cpidemioló-
gicos contra a hipótese de tifo epidêmico não só para o caso Vollet como para
vários outros similares ocorridos em S. Paulo.
.A. reação de fLxação do complemento, praticada com a amostra de sóro
colhida do paciente Vollet cerca de 4 meses após a cura da infecção, foi ainda
positiva em face do antígeno muríno e do epidêmico Breinl, aos títulos de 1/40
e 1/10, respectiramente.
Xo quadro X.* 2 estão reproduzidos os resultados das várias reações pra-
ticadas com o sóro do doente.
b) Sóro de ratos expcrimentaJmcntc infectados — Foi a reação de fixa-
ção do comjJemento que nos deu em primenro lugar a certeza de que havia-
nios conseguido transmitir experimentalmente ao rato a infecção em estudo.
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TIFO MURIXO EM SAO PAüLO
Vimos anteriorniente, com efeito, que o sôro de um dos ratos inoculados com
o sangue do paciente fixou o complemento em presença do antígeno murino.
Xo correr das passagens sucessivas quer, inicialmente, de cobaia a rato,
quer, posteriormente, de rato a rato, realizámos grande número de reações de
fixação do complemento com sôro deste último animal, utilizando para isso o
antígeno epidêmico e o murino. Os resultados foram em sua maioria positivos,
sendo os títulos em geral mais altos com o antigeno murino do que com o epi-
dêmico. A interpretação da reação tomou-se assim mais facil que no caso do
soío de segunda sangria do doente \'ollct. .\lguns sôros de ratos foram exa-
minados tamljem em presença do antigeno de febre maculosa, não liavendo ne-
nhum deles fixado o complemento.
De qualquer maneira, aliás, a positividade das reações de fixação do com-
plemento, quer com o antígeno murino quer com o epidêmico, fomeceu-nos o
diagnóstico de riquetsiose do grupo “typhus*’ para a infecção que banamos
conseguido transmitir a numerosos ratos.
Ainda mais, graças àquelas reações, o virus poude ser acompanhado até
a sua 32.® i>assagem de rato a rato. .\ fixação do complemento levava-nos
assim indiretamente, cxcluida a hipótese de tifo epidêmico, ao diagnóstico de
tifo murino. E' sabido, com efeito, que a Rickettsia prov:azcki tem a sua n-
rulência atenuada e. cm seguida, desaparece ao ser transmitida sucessivamente
de rato a rato, não sobrevivendo em geral a mais de 10-12 passagens (19).
A reação de Weil-Felix foi praticada com grande número de sôros de ratos
infectados com o virus em estudo, tendo o resultado sido positivo na maioria
das vezes.
c) Sôro dc cobaias cxpcrimcnialmentc infectadas — .-Vs reações de fixa-
ção do complemento praticadas com sôros de cobaias infectadas com o virus
\’'ollct deram resultados mais niticíos do que as realizadas quer com o sôro do
paciente quer mesmo com os sôros de ratos. Realmcnte, foram muito raros
os sôros de cobaias que. quando experimentados em presença do antígeno mu-
rino e do epidêmico, fixaram o complemento a titulo mais alto cm face deste
último.
.A.vcndano. aliás, observou o mesmo fato em investigações realizadas no Ins-
tituto Bacteriológico de Santiago do Chile.
d) Sôro dc coelhos cxpcrimentalmcntc infectados — Vimos anteriormente
que a reação de fixação do complemento e a de Weil-Felix foram positivas
com o sôro de 6 coelhos inoculados com suspensão de vaginal de cobaia infectada.
c) Antigeno preparado com a riqnetsia em estudo — Já vimos iguaimen-
te que, com vitelinas de embrião de galinhão infectado com a riquetsia \'ollet,
foi preparado um antigeno. Praticámos várias reações de fixação do comple-
mento, em presença desse antigeno, com vários soros de cobaias e ratos infec-
IS
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tados. A reação foi poiitiva com os anti-sôros Vollet e Wilniington e negativa
•com o de febre maculosa das Montanhas Rochosas.
Como controles, utilizámos cs antigenos recebidos do “National Institute
of Health” e preparados, um com a amostra Wilmington de Rickcttsia viooseri e
os outros com as amostras Madrid e Breinl de Rickcitsía prcnco::eki.
PROVAS DE IMUNIDADE CRUZADA
Foram feitas na cobaia provas de imunidade cruzada com a amostra ^'ol-
Jet em estudo e as amostras de riquetsias seguintes; amostra Favorita e Cupe-
cê de Dermaccniroxenus rickcllsi, isoladas em S. Paulo de Atnblyonuua cajcn-
ncnsc naturalmente infectado; amostra Wilmington de Rickcttsia mooscri, re-
cebida do “National Institute of Health” de Washington; amostras de riquetsia
isoladas de cérebros de ratos capturados no foco onde o paciente provavelnrenfe
adquiriu a infecção, assim como de pulgas parasitas desses mesmos roederes.
Uma parte das coliaias foi imunizada mediante uma única inoculação com
virus vivo; os animais restantes receberam duas doses imunizantes antes da
inoculação de prova. Esta foi feita em ledos os casos pelo menos 20 dias após
o fim do último período de febre detenninado jwlas inoculações imunizantes.
I — Cobaias inoculadas com a amostra Vollet c rcinoculadas com a riquetsia
-da febre maculosa.
a) Sangue de cobaia infectada com a riquetsia da febre maculosa das
^lontanhas Rochosas foi inoculado em 9 cobaias que haviam anteriormente so-
frido uma isfecção com o virus \cllet. Seis cobaias haviam apresentado reação
térmica e escrotal cm consequênda da primeira inoculação; a infecção das tres
restantes com a riquetsia \‘ollet ficou comprovada pela positividade da reação
<le fixação do coinj^cmcnto praticada com o seu sôro cm presença do antigeno
iiiurino.
Oito dos nove animais rcinoculados tiveram uma infecção com o período
incubação, a reação febril e a csplenciiKgalia usualmente obscr\‘ados na co-
■fiaia inoculada com a riquetsia da febre maculosa ; a cotiaia restante morreu pre-
•«ocemente. Dessas 8 cobaias, 5 sucumbiram á infecção.
b) O virus da febre maculosa foi também inoculado em 4 cobaias que,
■3pós terem ^frido uma infecção com }\*irus Vollet, l’Aviam sido injetadas
■<^om uma amostra de riquetsia isolada de cérebro de rato. As 4 cobaias rea-
giram com febre ao virus \'ollet; 3 delas apresentaram reação escrotal, tendo
■o sôro da restante fixado o complemento em presença do antigeno murino. O
^nico sinal de infecção consequente á inoculação do virus isolado de rato foi
3 reação térmica, que não se manteve por mais de um dia, observada cm urna
"Cobaia apenas.
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TIFO MURIXO EM SAO PAULO
Tres das 4 cobaias reagiram febrilmente á reinoculação com a Denttacen-
troxenus ricketlsi e faleceram em consequência da infecção. O animal restante
não apresentou reação térmica e foi sacrificado 12 dias após á inoculação: mos-
trou. no entanto, acentuada esplenomegalia á autópsia.
II — Cobaias imunizadas contra a febre maculosa e rcinoculadas com a
amostra VoUet — O virus Vollet foi inoculado em 12 cobaias que haviam an-
teriormente sido injetadas por duas vezes com a Dcrmacentroxenus rickettsi, sen-
do a primeira inoculação praticada com uma vacina morta pelo acido fênico e a se-
gunda, 12 dias após, com o virus ^^vo. \ vacinação com o virus morto ha\'ia
conferido ás 12 cobaias uma imunidade sólida á febre maculosa.
Em 10 cobaias a inoculação do virus \''ollet provocou reação térmica e es-
crotal, esta última pouco intensa em alguns animais; nenhum sinal de infecção
foi notado nas duas cobaias restantes.
III — Cobaias imunes á febre maculosa e rcinoculadas com a amostra U’i!-
mington — O virus Wilmington foi inoculado em 6 cobaias que haviam ante-
riormente sido hipermunizadas contra a febre maculosa, de maneira similar á
utilizada com os animais do grupo precedente.
Das 6 cobaias, 5 reagiram com febre á inoculação com virus Wilmington,
tendo 3 delas apresentado reação escrotal; nenhum sinal de infecção foi obser-
vado no animal restante.
IV — Cobaias inoculadas com a amostra Vollet e rcinoculadas com dife-
rentes amostras de riquetsias isoladas de ratos c pulgas — De ratos capturados
no foco onde provavelmente se contaminou o paciente Vollet e de pulgas que
os parasitavam foram isoladas diversas amostras de riquetsias.
a) Uma dessas amostras, isolada de pulga, foi injetada em 5 cobaias que
antcriormente haviam sido inoculadas com a amostra \'ollet. Em nenhuma co-
baia foi observado sinal algum de infecção em seguida á reinoculação.
b) Uma amostra de riquetsia isolada de cérebro de rato foi injetada em
12 cobaias antcriormente inoculadas com a amostra \'^ollet. Apenas em 2 co-
baias foi observ'ada febre que não atingiu 40*C. ; os 10 animais restantes não
reagiram á reinoculação.
V — Cobaias injetadas com diferentes atnostras de riquetsia isoladas de
ratos e pulgas e reinoculados com a amostra Vollet.
a) O virus Vollet foi inoculado em 5 cobaias anteriormente injetadas com
uma amostra de riquetsia isolada de pulga de rato capturado no foco já men-
cionado. Apenas uma das 5 cobaias reinoculadas teve uma reação febril que
não atingiu 40®C. ; nas 4 restantes nenhum sinal de infecção foi obser\-ado.
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Mem. Inst. BuUntan,
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b) O virus \’o!let foi também inoculado em 4 grupos de cobaias anterior-
mente injetadas com diferentes amostras de riquetsias isoladas de cérebro de
rato capturado no foco acima referido. Dos 16 animais reinoculados, somente
um te^-e reação térmica que perdurou apenas por um dia e atingiu 39,9*C. ; as 15
cobaias restantes não apresentaram sinal algum de infecção.
VI — Cobaias inoculadas com a amostra Vollet c reitioculadas com a amos-
tra Wilmington — A amostra Wilmington foi inoculada em 12 cobais ante-
riormente injetadas com o virus V’ollet. Das cobaias reinoculadas, apenas 2
apresentaram reação febril que durou 24 horas e não atingiu 40*C.. Nenhum
sinal de infecção foi observado nos 10 animais restantes.
VII — Cobaias inoculadas com a amostra IVilmington e reinoculadas com a
amostra Vollet — A amostra Vollet foi inoculada em 7 cobaias anteriormente
injetadas com a amostra Wilmington. .Apenas uma reagiu com febre que não
se manteve por mais de 24 horas e que atingiu 40,rC.; os 6 animais restantes
não apresentaram sinal a'gum de infecção.
Em todas as experiências que acabámos de relatar, foi feito o controle <lo
virus de prova pela sua inoculação em cobaias normais. Damos a seguir após
a designação de cada experiência o número de cobaias utilizadas como controles :
Ia-6; Ib-2; II-4; III-4; IVa-4; lVb-12: Va-4; Vb-16; VI-7: VII-8. A quase
totalidade dos testemunhos dos diversos virus empregados mostrou sinais, em
geral típicos, de infecção, tifo murino ou febre maculosa, conforme o caso.
Aliás, durante o período em que realizámos as provas de imunidade cruzada,
a virulência das amostras com as quais trabalhámos foi cuidadosamente man-
tida por passagens frequentes e regulares em cobaia c rato.
Anahsando em primeiro lugar (ver quadro N.* 3) os resultados das pro-
vas de imunidade cruzada praticadas com a riquetsia da febre maculosa, de um
lado, e com a amostra Wilmington ou a riquetsia isolada do paciente Vollet,
de outro lado, somos levados a cwicluir que esta última não é uma amostra de
Dcnnacentroxenus rickettsi. E’ sabido, com efeito, que a vacinação e princi-
palmente a infecção com ^ riquetsia da febre maculosa das Montanhas Rocho-
sas produzem uma imunidade homóloga sólida ; este fato e confirmado pela
expieriência por nós adquirida em longos anos de trabalho com diversas amos-
tras do virus responsável pela febre maculosa endemica cm vários estados do
Brasil, entre elas as amostras Favorita e Cupecê utilizadas nas proras acima
citadas.
A. julgar pelos resultados das pro\’as por nos realizadas com os animais
hiperimunizados com a Dcrmaccntroxcnus rickettsi, si a inoculação com virus
ntorto e a reinoculação com virus vivo produzem na cobaia alguma resistência a
infecção quer com a amostra Wilmington quer com a amostra Vollet, ela é, em
ambos os casos, ligeira e de grao mais ou menos equivalente ao da imunidade
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TIFO MÜRIXO EM SAO PAULO
Quadro x.° 2
Reações sorolâgicas com o sôro do paciente
Datas
das
sangrias
\Veil-FeIi.x
0X19
Reação de fixação do complemento
D. rickettsi
Favorita
R. mooseri
Wilmington
R. prouazeki
BreinI
R. provazeti
^^adríd
1/12.800
1-12-45
1/20.000
1/10 (-h-t-)
1/10 (-f-f)
1/320
1/160
8- 2-46
1— 1
-
1/160
1/40
5- 4-46
1/40
1/10
( + + ) =z reação parcialmente positiva.
Qu-vdro x.® 3
Provas de imunidade cruzada
inoculadas
com as riquetsias
Sintotras de infecção consequente á reinoculação com as ríquetsias
Dcrm. richettsi
am. Favorita
/?. mooseri
am. Wílmin^cn
Amostra
Vollet
Amostra isola*
da de rata
Amostra is.»la-
da de pulga
e
+
-l-^
©
+
-f-f
©
-1-
-H-
0
+
++
o
-i-
++
Üerm. rickettsi
am. Favorita
1
2
3
2
0
10
R. meoseri
am. Wilmington
6
1
0
Amostra
Vollet
0
1
11
10
2
0
10
2
0
5
0
0
Amostra isolada
de rato
15
1
0
Amostra isolada
de pulga
4
1
0
© = ausência de sintomas
± = sintomas ligeiros
+ + = sintomas tipicos
Exemplo de leitura do quadro: Das cobaias inocuIa<las com a amostra Favorita, 6 foram reinoculadas
com a amostra Wilmington e 12 com a amostra Vollet. Das 6 primeiras, uma não teve sintomas de infecção
■consequente à rcinocubção, 2 tiveram sintomas ligeiros e 3 tiveram tipicos, Das 12 restantes, 2 rtão tiveram
sintomas e 10 tiveram sintomas tipicos.
Meni. Tnst, Butaotan,
*1:77-106, Abril 1949.
J. TRAVASSOS; P. M. RODRIGUES
& L. NOGUEIRA C.\RRIJO
99
cruzada já constatada por Parker (27) e Castaneda e Silva (28), entre o tifo
murino e a febre niaculosa das Montanlias Rochosas.
Esses resultados se harmonizam perfeitamente com a hipótese da identi-
dade imunológica das amostras \'olIet e Wilmington. A imunidade cruzada
por nós constatada em cobaias infectadas com um desses \'ir 4 is e, em seguida,
reinoculada com outro r.ão dei.xa dúvidas a respeito dessa identidade.
Ficou igualmente constatada, pelas provas de imunidade cruzadas, a iden-
tidade imunológica da amostra Vollet e das amostras de virus isoladas quer de
ratos quer das pulgas que os parasitavam; a importância dessa identidade para
a determinação de espécie da riquetsia Vcllet torna-se evidente si considerarmos
a origem das amostras com as quais ela foi comparada. Os sóros dos ratos
encontrados infectados com algumas dessas amostras fixaram o complemento
em presença do antigeno murino; a reação foi aliás pesitira com o sòro de
numerosos outros ratos, capturados, como aqueles, no mesmo foco de infecção.
Deixaremos para descrever com mais detalhes em trabalho ulterior as ba-
ses para a identificação da enzootia de tifo murino, verificada nesse foco. De-
sejamos aqui apenas referir-nos ao fato para que se tome clara a significação
dos resultados de provas citadas.
C o N C L U S .\ o
Como vimos no inicio deste trabalho, estudos epidemiol^icos e pro\'as ex-
perimentais realizados já há vários anos sugeriam a existência do tifo murino
«ntre nós. Na literatura publicada até concluirmos a redação destas páginas
não encontrámos, no entanto, referência alguma a caso de isolamento da Rickcl-
tsia mooscri no Brasil no qual a idintidade do virus tivesse sido comprovada de
incdo cabal.
A dificuldade de manter a infecção da cobaia ou do rato por passagem do
virus, em série, de animal para animal tomou impossivel em várias ocasiões
n execução de provas experimentais, sobretudo as de imunidade cmzada, que
permitissem identificar a riquetsia em causa.
O estudo detalhado da amostra Vollet descrito nas paginas precedentes per-
niite-nos agora afirmar com segurança a existência do tifo murino em São Paulo.
Não nos parece que pos.sa haver dúvida sobre a identidade do virus Vollet:
todas as suas características estudadas no decurso da nossa experimentação le-
vam a classificá-lo como uma amostra de Rickettsia mooscri.
Entre as propriedades do viras destacam-se a constânda com que e!e induz
o aparecimento do sinal de Neil-Mooser na cobaia, o seu comportamento em
provas de imunidade cruzada, idêntico ao da amostra-padrão Wilmington de
Rickettsia mooscri, a sua sobrevivência eni passagens em série de rato a rato
^ finalmente o seu poder antigênico especifico. Em relação a esta última pro-
2.t
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100
TIFO MURIXO EM SAO PAULO
pViedade, com efeito, vimos, de um lado, que o virus produz no organismo do
homem, da cobaia e do rato, anticorpos que fixam o complemento em presença
de antigeno-padrão murino e, de outro lado, que com ele é possivel preparar
um antigeno que fixa o complemento em presença de sôros conhecidos de tifo
murino.
Algumas dessas características são, aliás, suficientes por si sós para nos
permitir chegar á conclusão que o virus por nós isolado é uma amostra de Ricket-
tsia fnooseri cuja existência no Brasil parece-nos assim ficar comprorada pela
primeira vez com segurança.
S U M M A R Y
Rickcltsia tncoscri was isolated from a human case of murine typhus which
oceurred in São Paulo City. Th» disease had since 1937 been known to oceur
in the State of São Paulo but this is the first time that Rickettsia mooseri is
isolated and surely identified in Brazil.
The patisnt is an employee at a grain located in the urban area of
São Paulo and where a considerable number of rats and fleas were found. A
positive complement fixation test with Bengtson’s antigens (murine or epidemic)
was obtained with 3 specimens of blood taken from the patient during or after the
disease. .Agglutinins for Proteus X19 were found in two specimens of serum
obtained during the disease, reaching in one of them a titer of 1/20.000.
The virus was isolated from blood which was taken on th» last day of
fever and inoculated into 2 rats and 2 guinea-pigs. The rats did not show
any febrile reaction until the 19th day after the inoculation when they were
test;d for complement fixing antibodies. positive reaction with an antigen
prepared with the Wilmington strain oi RickcUsia mooseri was obtained with
the serum of one of them, in a dilution of 1/64.
Both rats were then sacrificed and their brains were inoculated into guinea-
pigs and new rats. From then on, the virus was kept through serial pig-to-pig
passages. Up to the third passage, the presence of complement fixing anti-
bodies in the blood of many guinea-pigs and rats was th; main sign of infectior
with the murine virus. In some pigs a scrotal reaction was then obser\’ed
which became more and more marked and frequent as the virus was further
passed.
Rickettsiae were found since the third passage in smears prepared with
the túnica vaginalis of infected guinea-pigs.
Up to now the virus has been kept through 17 pig-to-pig and 32 rat-to-rat
passages. A typical Neil-Mooser sign has been regtilarly observed in the in-
fected guinea-pigs since the fífth passage.
24
Mem. Iiut. Butantan,
21:77-106, Abril 1949.
J. TRAVASSOS: P. M. RODRIGUES
& L. NOGUEIRA CARRIJO
Cross-immunity tests leít no doubt that the virus is ditíerent froin Dcrsna-
ccntroxcnus rickeitsi and identical with the Wilmington strain of Rickettsia
inooscri.
The virus w^as cultivated in the yolk-sac of fertilized hen’s eggs and kept
thrcugh 11 egg-to-egg passages. With the fgg cultures an antigen was pre-
pared which w-as used in comi^ement fixation reactions performed with se^•e^al
sera from infected guinea-pigs and rats. The reaction was positive with the
Vollet and Wilmington and negative with the Rock}- Mountain spotted fever
anti-sera.
An especially interesting feature of tlie infection was observed in 6 rabbits
inoculated with the São Paulo murine strain. They showed a definite scrotal
reation though of shorter duration and bv far less intense than the one usually
produced in the same animal by the inoculation of the São Paulo strain of Dcr-
macentroxenus rickeitsi.
Agglutinins for Proteus X19 were found in the blood of all six rabbits
which gave also a positive complement fixation reaction with a murine (Wil-
lington'' antigen.
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26
PRANCHA
OL. PiriTO
A esquerda: Riquetsias em células da tuniea vaginal de cobaia infectada com a
amostra ^'oIIet.
A direita: Rickcttsia moosen em cclulas da túnica vaginal de cobaia infectada
com a amostra Wilmington.
J. TRAVASSOS: P. M. RODRIGUES
!05
Foto S Toto 6
Fotoj 5 e 6 — Rtq:ic:5Ías cm ccIuUs tuiiica vagiiul dc cdaia infectada cem a
amo«tra \‘olIct.
29
106
TIFO MURIXO EM SAO PAULO
Foto 3 Foro 4
Fotos 1 e 2 — Reação cscrotal em cobaia infectada pela Drrmacentroxenus ríckcttsi,
amostra isolada em S. Paulo.
Foto 3 — • Reação cscrotal em cobaia infectada pela Rickettsia mooserí, amostra
Wilmington.
Foto 4 — Reação cscrotal cm cobaia infectada pela amostra Vollet.
30
Mem. Inst. BuUntan,
21:107-116, Abril 1949.
F. A. BERTI: B. RIECKMAXX;
C PEREGO & H. \V. R2EPPA
107
A PRODUÇÃO EM LARGA ESC.ÃLA DE 4,4'-DIAMIXO-DIFEXIL-
SUL.FOXA E DERIVADOS PARA A CAMPAXHA AXTI-LEPROTICA
XO ESTADO DE SÃO PAULO. BRASIL
POR FRANCISCO A. BERTI; BERND RIECKMANN; CARLO PEREGO & HANS-
W. RZEPPA
{Do Laboratorio de Quimioterapia do Instituto Bulantan, São Paulo, Brasil)
Resultados encorajadores do uso de “Promin” (1) e “Diasona” (2) na
quimioterapia da lepra são citados na literatura medica desde o 2.* semestre-
de 1943.
Idênticos resultados têm sido observados nos leprosarios do Estado de S.
Paulo (3) e em outros Estados do Brasil (4). Consequentemente, foi plane-
jada por este Laboratorio a extensão do tratamtnto sulfonico aos 8.900 líprosos
registrados no Estado.
O principal problema para por em extcução o referido plano consistiu na
produção de 4,4'-diamino-difenilsulfona em larga escala e de baixo custo.
O uso de matérias primas de facil aquisição no mercado brasileiro e a produção
de uma substancia que possua um grau de pureza maior do que aquela manu-
faturada por processos que partem de sulfetos e nitro-derivados, constituiram
outra parte importante do nosso trabalho. Em nossa pesquisa para estabelecer
o melhor método de sintese de 4,4'-diamino-difenilsuIfona, que satisfizesse
estes requisitos, experimentamos os se^infes processos:
1) pela condensação de 4-cloro-nitrobenzeno com sulfeto de sodio, cm
solução aquosa, foi obtido 4-nitro-4'-amino-difenilsulfeto como descrito por
Lar.tz (5). Depois da acítilação, esta substancia foi oxidada á correspondente
4-nitro-4'-acetilamino-difenilsulfona com “superoxol” (6) ou com acido sulfo-
cromico (7). Pela ulterior redução e simultânea desacetilação com cloreto
cstanhoso e acido cloridrico concentrado (8) ou estanho metálico e acido
cloridrico concentrado (9), obtivemos a 4,4'-diamino-difenilsulfona.
Este método que foi por nós utilizado numa escala de labo.^atorio durante
Um ano, resultou ser antieconomico, 1 ) ptlos grandes volumes necíssarios de
Recebido para publicação eni 24 de julho dc 194ií.
cm
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108
A PRODfÇAO EM LARGA ESCALA
DE 4.4’.DIAMIX0-DIFEXILSULF0XA
drcp^as, 2) pelo baixo rendimento final e ainda forneceu um produto escuro
contaminado pelos metais usados nas reações intermediarias (Cr e Sn).
2) O 4,4'-diamino-difenilsulfeto também pode ser usado como matéria
prima. Afim de obter esta substancia, diferentes sinteses foram experimenta-
das tais como a ação do en.xofre sobre a anilina na presença de oxido de chum-
bo nO) ou a redução do 4-nitro-4'-amino-difenilsulfeto (7). Os rendimentos
são igualmente baixos, não havendo porisso rantagens.
3) A aminação da 4,4'-dioxi-difenilsulfona poderia ter sido usada, si
não se formassem simultaneamente isomeros durante a sulfonação do fenol (11).
4) Processos, usando anilina ou acetanilida, afim de obter a 4,4'-diami-
no-difenilsulfona numa via direta, não deram resultados. Como agentes sulfo-
nantes experimentamos; trioxido de enxofre e acido clorosulfomco. Também
pelo método de Wenghõffer (12), condensando acetanilida com cloreto de etil-
sulfurilo, não conseguimos obter 4,4'-diacetil-diamino-difenilsulfona como afir-
mou o autor.
5) A aminação da 4,4'-dicloro-difenilsulfona (13) satisfaz todas as
condições acima mencionadas, dando 4,4'-diamino-difenilsul{ona com 70% de
rendimento. Diversos métodos foram experimentados afim de obter 4,4'-di-
cloro-difenilsulfona, tais como sulfonação de clorobenzeno com trioxido de
enxofre (14) ou acido sulfurico fumegante, condensação de acido 4-clorob:n-
zensulfonico com clorobenzeno (15), a ação do cloreto de sulfurilo sôbre cloro-
benzeno na presença de cloreto de aluminio (16), a condensação de cloreto de
4-clorobenzensulfonilo com clorobenzeno, usando cloreto ferrico (17) ou
cloreto de aluminio (18) como agentes condensantes. Este ultimo método com
cloreto de aluminio resultou ser o melhor, tanto do lado pratico como do
economico, sendo especialmente aplicavel.no nosso meio.
Dc todos estes processos, o primeiro poude ser aplicado somente na escala
de laboratorio, emquanto que o método de aminação de 4,4'-dicloro-difenilsul-
fona tomou possivel a produção de 4,4'-diamino-difenilsulfona em escala piloto.
As vantagens deste método são; 1) simplicidade de instalação e equipamento,
2) numero reduzido de reações intermediarias, 3) ausência de subprodutos
e isomeros, 4) nenhuma neesssidade de importar matéria prima, 5) alta
pureza de produtos intermediários e finais, 6) custo bem baixo da produção.
Com o nosso atual equipamento estamos aptos a produzir mensalmente 35
kg dc 4,4'-diamino-diftnilsulfona. Ainda que esta quantidade corresponda so-
nKnte a 50% da produção calculada, ela permite a fabricação de quasi 60 kg
d; derivados quimioterapicamente ativos os quais são simples produtos de con-
densação. Apesar da nossa produção ter começado sómente em março deste
ano, depois de completado o nosso equipamento industrial, até o fim de 1948
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Mera. InsL Butantan.
S1:10MI6. Abril 1949.
F. A. BERTI; B. RIECK.MA.VN;
C. PEREGO & H. \V. RZEPPA
109
estaremos aptos a produzir quantidades de sul fonas suficientes aos leprosarios do
Es»?do de São Paulo.
RESUxro
Em vista dos resultados animadores da aplicação terapêutica na lepra de
<lerivados sulfonicos. foi elaborado um método de sintese, que permite a obten-
Çao de 4.4'-diamino-difenilsulfona em grande escala, possibilitando a aplicação
de seus derivados em todos os leprosarios do Estado de São Paulo. Depois de
descrever brtvemente os diversos processos experimentados no laboratorío c
expor os inconvenientes rtlativos que impediram a aplicação industrial dos
mesmos, são enumeradas as fases do m;todo que resultou ser o melhor e que,
líaseido numa ciorosulfonação, numa sintese de Friedel-Crafts, seguida de uma
aminação sob pressão, possibilitou a produção atual de 4,4'-diamino-difenilsul-
íona, que é de 35 quilos mensais.
Embora esta quantidade corresponda apenas a 50% da produção mensal
planejada para os leprosarios do Estado de São Paulo, ela permite a obtenção
de 60 quilos de derivados quimioterapicamente ativos. Iniciada em março do
corrente ano. a pro<lução alcançará o máximo previsto no fim de 1948, quando
ficarão completas as instalações industriais.
São as seguintes as vantagens do método descrito:
1 ) Simplicidade das instalações e aparelhagem.
2) Reduzido numero de reações intermediarias.
3) Ausência de produtos secundários e de isomeros.
•^) Nenhuma necessidade de importação de matéria prima.
5) Alta pureza dos produtos intermediários e do produto finai.
6) Muito bai.xo custo de produção.
cm
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Mem. Inst. ButanUn,
21:111-116, Abril 1949.
F. A. BERTI: B. RIECKMAXX:
C. PEREGO & H. W. RZEPPA
111
THE PRODUCTIOX OF 4,4'-DIAMINO-DIPHEN\XSüLFONE AND
DERIVATIVES ON A LARGE SCALE FOR THE ANTILEPROTIC
CAMPAIGN IN THE STATE OF SAO PAULO, BRAZIL.
BV FRANXISCO .4. BERTI; BERXD RIECKMAXX; C.\RLO PEREGO and HAXS
W. RZEPPA
(From thc Laboratory of Chemothcrapy of the Instituto Butantan, São Paulo, Bra^t)
Encouraging results of the use of “Promin” (1) and “Diasone” (2) in
cheniotherapy of leprosy are reported in the medicai literaturc sincc the last
semester of 1943.
Similar good results ha%'e also becn observed in the leprosaria of the State
of São Paulo (3), and in other States of Brazil (4). Consequently it was
aimed by this Department to extend the sulfone trcatment to a!l the 8.900 lepers
clas.sified in the State.
The main problem for such a purpose consisted in the production of
4,4'-diamino-diphenylsulfone on a large and cheap scale. Using Chemicals of
easy acquisition on the Brazilian markct, as starting materiais for this s\-nthesis
and producing a substance which has a greater degree of purity than that maiui-
factured by processes starting from sulfides and nitro-derivates, fcrmed another
imp'irtant part of our work. In our scarch for the best mcthod of spithesis of
4,4'-diamino-diphenylsulfone which would satisfy these requirements, we tried
the following ways:
1) by condensation of 4-eh!oronitrobenzcne with sodium sulfide in aqucous
solmion, 4-nitro-4'-amino-diphenylsulfide has been obtained as described by
Lantz (5). After acetylation this substance has been oxydized to the corres-
ponding 4-nitro-4'-acttylamino-diphenyIsulfone wàth superoxol (6) or sulfo-
chrcniic acid (7). By subscquent reduction and simultaneous dcsacetylation
with stannous chloride and concentrated hydrochloric acid (8) or metallic tin and
conccntrated hydrochloric acid (9) we obtained 4.4'-diamino-diphenylsulfone.
This method, which has been applied by us on a laboratoiy' scale during one
year, proved to be uneconomical, owing 1) to tlie large amounts of dnigs which
Rcctbido para publicação cm 24 de julho dc 1948.
112
THE PRODUCTION OF 4.4'-DIAMI.\0-DIPHEXyLSUL-
FOXE AXD DERIVATIVES ON A LARGE SCALE
had to be usíd 2) to the low final yieMs and to give a dark product contaminatcd
by the metais used in the intermediate reactions (Cr and Sn).
2) 4,4'-diamino-diphenylsulfide can also be used as starting material. In
order to obtain this snbstance, different syntheses have been triid such as the
action of sulfur on aniline in the presence of lead oxide (10) or the reduction
of 4-nitro-4'-amino-diphenylsulfide (7). Th» yields are equally poor, presenting
therefore no advantage.
3) The amination of 4,4'-dioxy-diphcnylsuifone could have been used, if
isomers would not fonn simultaneousiy during the sulfonation of phenol (11).
4) Processes using aniline or acetanilide in order to obtain 4,4'-diamino-
diphenylsulfone in a direct way gave no result. .-\s sulfonating agents we tried:
sulfur trioxyde and chlorosulfonic acid. .-Mso by the methotl of Wenghõffer
(12). condensing acetanilide with ethylsulfur)’! chloride, we did not obtain
4,4'-diacetyl-diamino-diphenylsulfone, as claimed by the author.
5) The amination of 4.4'-dichloro-diphenylsi:lfone (13) satisfied all con-
diticns mentioned above, giving 4,4'-diamino-diphínylsulfone in a 70 per cent
yield. Various methods have been tried in order to obtain 4,4'-dichlorodiphenyl-
sulfone, such as sulfonation of chlorobenzene with sulfur trioxyde (44) or fuir.ing
sulfuric acid, condensation of 4-chlorobenzenesulfonic acid with chlorobcn-
zcn-: (15), the action of sulfuryl chloride upon chlorobinzene in the presen-
ce of aluminum chloride (16), the condensation of 4-chlorol)enzene-sulfo-
nylchloride with chlorobenztne using ftrric chloride (17) or aluminum chlo-
rklc (18) as condensing agent. This lattcr melhod with aluminum chlori-
de proved to be the best, on the practical as well as on the economical side, being
<..>;pecially suitable to our home industry.
Of all thcse methods the first could be applitd on a laboratory scale only,
whtreas the mcthcd of amination of 4,4'-dichloro-diphenylsulfone made it
possible to execute tlie production of 4,4'-diamino-diphenylsulfone on a
pilot plant scale. The advantages of this method are: 1) simplicity of ins-
tallation and equipment, 2) reduced number of intermediate reactions, 3)
absínce of by-produets and of isomers, 4) no necessity for importing raw
material, 5) high purity of intermediate and final produets, 6) very low pro-
duction costs.
With our actual equipment we are able to produce monthly 35 kg of
4,4'-diaraino-diphenylsulfone. Although this corresponds only to 50 per
cent of the aimed production, it permits the output of about 60 kg of
chcmotherapeutically active derivates which are simple condensation pro-
duets. Since our production began only in March of this year. after the com-
pietirn of our industrial equipment, until the end of 1948 we shall be able
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Mern. Tnst. Butantan.
11:111-116, Abril 194».
F. A. BERTI; B. RIECKMAXX;
C PEREGO & II. \V. RZEPPA
113
to produce sufficient quanlities of the drugs as nceded by tlie Leprosy Do-
paríiTKnt of the State of São Paulo.
SUMMARY
Considíring the encouraging results of the use of sulfone derivatives in
the treatment of leprosy, it has been established a inethod of synthesis
which allows the production of 4,4'-diamino-diphenylsulfone on a large
scale, being possible on the other hand the application of its derirates in all
Lepiosaria of the State of São Paulo. After dcscribing the various prooe-
dures tried in the laboratorj' and exposiiig their rebitive propírties which
failcd in their industrial application, are related the various stcps of that me-
thod which provcd to be the best. Thcy consist in a chlorosulfonation, a
synthesis of Friedel-Crafts, followed by high pressure ainination. By this
procedure an actual nionthly prodiKtion of 35 kg of 4,4'-dianiino-diphenyl-
sulfone is possible.
.\lthough this quantity corresponds only to 50 per cent of that nccíssary
for rhe Leprosaria of tlie State of São Paulo, it allows the production of
ibcut 60 kg of clieniotherapeutically active dcrivates. The production star-
ted in March of this year and irill reach its niaximuni at the eiid of 1948
after completion of the industrial equipment.
The method described has the íollowiiig advantages:
1) Simplicity of inetallation and equipnient.
2) Reduced niimber of intcrmcdiate reactions.
3) Abseiice of by-products and isoniers.
4) Xo necessity of raw material imports.
5) High purity of interniediate and final products.
6) Very low production costs.
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Soc. 61:2763, 1939.
8. Organic Syntheses 22:32, 1942.
9. Gattermann, L. & JFieland, H. — Laboratorj- Methods of Organic Qicmistry, London:
165, 1941.
10. Merz, F. 6- IVeilh, W. — Ber. deut. chem. Ges. 4:386-387, 1871.
11. Annahcim, J. — Ber. deut. chem. Ges. 6:1308. 1873.
12. Wenghõfjcr, L. — (a) J. Prakt. Chem. (2) 16:459, 1877;
(b) Ber. deut. chem. Ges. 10:444, 1877.
13. Girard, André — Fr. Pat. 844 220; Chem. .4bstr. 34:7543, 1940.
— I. G. Farbenind. .4. G.: Brit. Pat. 506 227: Chem. .4bstr. 33:9328. 1939.
— Firma B. Fragner: Ger. Pat. 735 415-. Chem. Abstr. 38:2668. 1944.
— 1. G. Farbenind. A. G.: Fr. Pat. 829 926: Chem. Abstr. 33:1760, 1939.
— Ciocea, B. & Canônica, L. (*) — Chimica c industria 26:7, 1944; Chem. Abstr.
40:3104, 1946.
— Cf. also Heymann, H. & Fieser, L. F. — /. Am. Chem. Soc. 67 :1979, 1945.
14. Otio, R. — Ann. Chem. 145:28, 1867. Jahresber. Chem. 634, 1867.
— U. S. Pat. 2 000 061. Chem. Abstr. 29:4027. 1935.
15. Fouque, G. & Lacroix, J. — Buli. soc. chim. France (4) 33:183, 1923; Chem. Centr.
1:1121, 1923.
— Meyer, H. — Ann. Chem. 433:342, 1923; Chem. Centr. 1:320, 1924.
— Cf. also Heymann, H. & Fieser, L. F. — J. Am. Chem. Soc. 67:1980, 1945.
(•) Xot CuKCú, B. & Canr.açnola, L. as in Chem. Abstr.
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Vrm. Inst. Butantan,
21:111-116, Abril 1949.
F. A. BERTI; B. RIECKMAXX;
C. PEREGO & H. W. RZEPPA
115
16.
17.
18.
Cf. Steinkopi, W. & Buchhcim, K. — Ber. deut. chim. Ges. 54 :2963-2968, 1921 ; Chem.
Centr. 1:326, 1922.
Cf. Sugasawa, S. & Sakurai, K. — J. Pharm. Soc. Japan 60:22, 1940, Chem. Abstr.
34:3704, 1940.
Huismann, J. — Ger. Pat. 701 954; Chem. Abstr. 36:98, 1942.
Ullmann, F. & Korselt, J. — Ber. deut. chem. Ges. 40:643, 1907.
CÍ.Ctocca, B. Sr Canônica, L. — loco cit \
Mem- Inst. Butantan.
^1:117-136, Abril 1949.
W. BUCHERL
117
EM TÔRNO DAS TRÊS ESPÉCIES INSULARES E PRAIANAS
DO GÊNERO PAMPUOBETEÜS POCOCK. 1901 (mOALOMORPIIAE)
POH \V. BÜCHERL
(Do Laboratório de Zoologia Médica do Itistituto Butantan, S. Paulo, Brasil).
INTRODUÇÃO
Em nosso primeiro trabalho “Estudo comparativo das espécies brasilei-
Tas do genero Pomphobctciis Pocock, 1901” trnios deixado abrrta a questão
^bre a validade das seguintes espéciis praianas e insulares:
1 .* Painphobeteus plalyomim Mello Leitão, 1923, dtscrita da Ilha de
São Sebastião;
2. * Pamphobetcus iusularis Mello Leitão, 1923, procedente da Ilha
Grande ;
3. * Pamphobcleus tnascnlus Piza, 1933, das Ilhas dos Alcatrazes.
Temos insistido na suspeita fundada de um parentesco íntimo destas três
■espécies, parentesco este bastado não somente no mesmo habitat (litoral dos
Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, a começar possivelmente na cidade do
Eio de Janeiro até Iguape. incluindo o grujx) das ilhas e ilhotas praianas, co-
mo Queimada Grande, grupo das Alcatrazes, São Sebastião e Ilha Grande e
talvez ainda outra, até agora não visitadas por expedições cientificas), mas
principalmente na relação dc medidas quase idênticas entre o comprimentò do
cefalotorax, das patelas e tíbias do primeiro e do quarto par de pernas. Os
respectivos autores referiram estas medidas da seguinte maneira.
Elspécie
Se.xo
Compr.
cefalt.
Compr. pat. c
Tíbia I
Compr. pat. c
Tíbia IV
P . masculiis ....
macho
18 mm
16,5 mm
18 mm
P. platyomma ..
fêmea
24 mm
21,0 mm
21 mm
P • insularis ....
rr
25.5 mm
27,0 mm
28 mm
Entregue para publicação eni 5 de outubro de 1948.
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11« EM TORNO DAS TRES ESPÉCIES INSULARES E PRAIANAS
DO GÊNERO PAiíPHOBBTEVS POCOCK, 1901
Em remedições, entretanto, dos respectivos tipos, depositados um, no Depar-
tamento de Zoologia, em S. Paulo e o outro, na Escola Superior “Luiz de
Queiroz’', em Piracicaba, verificamos as seguintes medidas:
P. platyoDima = cefalot. — 18,0 mm; pat. e tib. I — 16,8 mm; pat. e
tib. IV — 17,4 mm.
P. wciscttltis = cefalot. — 25,5 mm; pat. e tib. I — 27 mm; pat. e
tib. IV — 28,0 mm.
Infelizmente não consegtiimos verificar as medidas de P. itisularis, depo-
sitado no Museu Xacional, no Rio de Janeiro, como nos informou o nosso
amigo e colega, Prof. C. Mello-Leitão.
Referimo-nos ainda ao colorido das três espécies, quase idêntico, a não ser
ligeiras miances flutuantes e que foi descrito pelos autores da seguinte ma-
neira :
“Cefalotorax negro, com um orla de longos pêlos avermelhados” —
P. f>latyomma.
“Cefalotora.x negro, com uma orla de longos pêlos fulvo-escuros” —
P. msularis..
“Cephalothorax pubesc. ntia nigia obtectus. marginibus . . . pilis cine-
reis... ornatis” — P. tnascultu.
“Esterno pardo-ferrugineo ; ancas das penias pardo acinzentadas” —
P. plalyomma.
“Esterno e ancas. das pernas cinzentos” — P- insularis.
“Sternum nigrum, pilis longis, flavis, praeditum” — P. tnasculus.
“.Abdômen castanho negro, com longos pêlos mais claros” — P. pla-
tyouniia.
“Abdômen castanho negro, com longos pêlos vermelhos” — P. insularis.
Piza não descreve a cór do abtlomen, dizendo, entretanto, no tocante à
côr dos pêlos: “Densissime flavo-pilosum”. Mas também a espécie de Pi-
za tem o alxlomen castanho negro, como nos foi dado ver pessoalmente, por
gentileza do nosso amigo e colega, Prof. Piza.
“Pernas castanho escuras com longos pêlos vermelhos” — P. plaiyonvna.
"Pernas negras, com fai.xas longitudinais. . . vermelhas e com abundantes
pêlos longos, eretos, vermelhos” — P. insularis.
"Pedes... densissime flavo-pilosi . . . , A-ittis binis castaneis omati” —
P. tnasculus. i
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Mem. Inst. Bntantan,
21:117-136, Abril 1949.
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Julgamos necíssário o exame cie maior número de exemplares e deixa-
mos de pé, naquele nosso trabalho, a hipótese das três espécies constituirem
uma única, devendo para ela prevalecer o nome de P. platyoinma .
Conseguindo, agora, material abundante, •encontramo-nos em , condições
de confirmar a hipótese, o que contribui para o presente trabalho.
MATERIAL
Tendo o Instituto Butantan organizado uma excursão cientifica às Ilhas
dos Alcatrazes, quase equidistantes de Santos c de São Sebastião, bem mais
próximas, entretanto, à Ilha d; São Sebastião (Estado de São Paulo, Bra-
sil), excursão esta realizada na segunda quinzena de fevereiro de 1948, sob a
direção do nosso prezado colega e amigo, Dr. A. Hoge, assistente do Institu-
to Butantan, foi encontrado material bastant* numeroso. Muitas destas ca-
ranguejeiras foram mesmo trazidas vivas, juntamente com cxitecas, repletas de
ovos. Posteriormente, por gentileza da sra. Urban, conseguimos grandes
e.xemplares, em parte vivos, de uma fazenda da Ilha de São Sebastião. Da
Ilha da Queimada Grande, local de diversas excursões científicas do corpo
técmico do Instituto Butantan, veiu igualmente um e.xcmplar, ainda que mor-
fo € em péssimo estado de conservação. Por diferentes fornecedores do Ins-
tituto Butantan, finalmente, foram encaminhadas a este Instituto caranguejei-
ras da "Praia Grande”, entre Santos e Itanhaem, da própria cidade de Santos e
redondezas, como Cubatão e, ainda, das zonas praianas, até os limites com o
Estado do Rio de Janeiro.
Possui, então, a coleção aracnológica do Instituto Butantan 64 e.xempla-
res, assim di\ndidos:
17 fêmeas adultas e conservadas em ukío liquido;
22 machos adultos e conservados em meio liquido;
2 fémeas vivas, mantidas em viveiros;
2 machos vivos, mantidos em vivíiros;
21 filhotes ^^vos.
De todo este material provieram: 15 machos e 14 fêmeas das Ilhas dos
Alcatrazes; 2 fêmeas da Ilha de São Sebastião; 1 fêmea da Ilha da Queimada
Grande ; 7 machos e 2 fêmeas da “ Praia Grande”, de Santos, de Cubatão, Ca-
raguatatuba, dos arredores de Ubatuba e de Parati . Apenas a última loca-
Hdade pertence ao Estado do Rio de Janeiro. Todas as outras são localida-
praianas do Estado de S. Paulo.
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EM TORXC DAS TRES ESPÉCIES INSULARES E PRAIANAS
DO GÊNERO PAMPHOBETEUS POCOCK. 1901
DESCRIÇÃO DO HABITAT
O clinia, tanto das referidas illias conio o das praias, é tipicamente tro-
pical, quente e húmido. Entretanto, as ilhas, principalmente a maior do gru-
po dos Alcatrazes, têm o característico de ilhas rochosas, de encostas ingremes.
a caírem abruptamente para o mar. Entre as fendas e fumas, formadas pelas
rochas, tem-se acumulado uma camada densa de humus, do qual brotam den-
sos chapadões de vegetação rasteira e de pequenos arbustos e árvores, cuja
folhagem é varrida pelo vento para dentro das fendas. Nestas, naturalmen-
te, ttm-se acumulado bastante humidade, retida pela vegetação. Nestes lu-
gares foram encontradas, em grande número, as referidas caranguejeiras, ora
sob a folhagem, ora em pequenos buracos naturais. Sob a mesma folhagem se
acumulam também os diplópodos, em imensas quantidades e os otostigmíneos,
que são também frequentes. Em lugares mais quentes e mais sêcos, podiam
ser recolhidas numerosas aranlias verdadeiras, do gêjiero Ctcnus.
Como as caranguejeiras se alimentam principalmente de aranhas de outros
gêneros, como Lycosa, Ctcnus, Phoncutría, de escolopendrídeos e de diplópo-
dos, pode-se compreender facilmente, dado o espaço limitado de uma ilha, que
elas ai se tornem muito frequentes. Como as referidas ilhas quase não são
habitadas, tetm elas poucos inimigos. Interessante é o fato de que em todas
as ilhas ocorram apenas poucas espécies dentro de um grupo zoológico. As-
sim, dos escolopendrídeos não ocorre ai nenhuma espécie de escolopendra, mas
sónKnte algumas de um único gênero só (Otostigmiis). Dos Scutigeromor-
pha igualmcnte só existe uma única espécie, como também das aranlias ver-
dadeiras. Das aranhas caranguejeiras não se observaram espécies dos gêne-
ros Acanthoscurría, Grammostola, iMslodora, mas unicanunte as presentes que
pertencem ao gênero Pamphobctcus e a uma só espécie nitidamente definível.
Acredita-se, pois, que em tempos remotos, um ou outro «xemplar de caran-
guejeira tenha abordado a estas iilias, vindo das praias próximas e, encontran-
do no novo habitat um ambiente propicio, tenha-se propagado rapidamente.
No caso esp:cial da ilha principal dos Alcatrazes existe a particularidade de te-
rem sido encontradas duas espécies distintas do mesmo gênero Pamphobctcus:
a P. cesterí e a F. platyoinma, havendo também formas intermediárias, possí-
velmnte hibridas (ver o desenho colorido No. 1).
MORFOLOGIA
a) Relação dc medidas entre os comprimentos do ccfalotorax, das patc-
lat c tíbias do primeiro c do quarto par de pernas:
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Mcni. Inst. Butantan,
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Entre o lote d? caranguejeiras que constituem o material do presente
trabalho, conseguimos identificar perfeitamente as três espécies seguintes:
P. phtyomvta, insularís e masculus.
A relação de medidas entre o comprimento do cifalotorax e o das patelas
e tíbias do primeiro e do quarto par dj pernas, referida por Piza, quando des-
creveu como novo o Pamphcbeteus masculus, podia por nós ser confirmada à
mão da série de machos. Também se verificou como sendo fiel o colorido, des-
crito pelo mesmo autor (verificar o desenho colorido Xo. 1-B e as tabelas
Xo. 1. 2 e 3 — P. />la/ 5 '<M«»M<i-niachos) . Infelizmente não dispunha o citado autor
de mais exemplares à sua disposição, nem ccnhecia a fêmea, descrita anterior-
mente como platyomma, pelo prezado coUga Mcllo-Leitâo.
Pamphobctcus platyomma, analisada i)e’o lote de fêmeas, apresenta as se-
guintes dintensões :
a) sempre o cefalotorax ê muito mais longo do que as patelas c tíbias do
primeiro par de pernas (Tabela Xo. 1 ) ;
b) sempre as patelas e tibias do quarto par de pernas são mais curtas do
que o comprimento do cefalotorax (Tabela Xo. 3) ;
c) sempre as patelas e tibias do quarto par de pernas são mais longas do
que as do primeiro par (Talwla Xo. 2).
Conferindo estas mtsmas três relações de medidas do lote dos machos (de-
nominados por Piza d; masculus), então chega-se à conclusão de uma jier fei-
ta concordância das mesmas, isto c:
a) sempre o cefalotorax é muito mais curto do que as patelas c tibias do
quarto par de pernas e me.smo mais curto do que às do primeiro par
(verificar as Tabtias Xos. 1 e 3) — o que constituo a expressão do
dimorfisino sexual no gênero Pamphobctcus, como já temos assinalado
em nosso primeiro trabalho;
b) sempre as patelas e tibias do quarto par de pernas são mais longas do
que as do primeiro par, concordando nisto sempre os dois sexos (Ta-
bela Xo. 2). Pela Tabeb Xo. 2 vê-se claramente, como os dois sexos
descritos outrora como dras espécies diferentes, vêm a formar apenas
uma. As tabelas 1 e 3 separam novamente os dois sexos, revelando
o dimorfismo sexual, como acontece tm todas as espécies deste gênero
(ver o nosso primeiro trabalho).
.^ssim torna-se claro que a espécie descrita por Piza, em 1933, e denomi-
nada de P. masculus, é sinônima de P. platyomma, descrita por Mello-Dritão,
cm 1923. O tipo do último proveiu da Ilha de São Selwstião e do primeiro das
Alcatrazes.
5
199 EM TORNO DAS TRES ESPÉCIES INSULARES E PRAIANAS
— DO GÊNERO PAMPHOBETEUS POCOCK, 1901
Ainda devemos notar que foram encontradas na Ilha dos Alcatrazes, em
São Sebastião, e, na zona praiana, algumas caranguejeiras, tanto fêmeas como
machos, de colorido marron uniforme no dorso e no ventre. Conferindo as
relaijõís das medidas do comprimento do cefalotorax e das patelas e tíbias do
prinndro e do quarto par de pernas, nos machos e na^ fêmeas, chegamos à con-
clusão de tratar-se indiscutivelmente de Pamphobctens cestcri Mello-Leitão.
Tem ela as seguintes dimensõts: a) patelas e tíbias do primeiro e do quarto par
de pernas, tanto nos machos como nas fêmeas, sempre do mesmo comprimento,
ainda que o comprimento total do último par de pernas seja ssmpre maior do
que o do primeiro (verificar tabela Xo. 2-o traçado linear) ; b) cefalotorax,
nas fêmeas, sempre mais longo do que as patelas e tíbias do quarto par de
peinas e, nos machos, sempre mais curto. Xos mesmos locais finalmente, foi
colecionado um terceiro lote, ainda que, com poucos exemplares, sendo a maioria
composta de fêmeas, lote este com indivíduos que apresentam colorido diferente,
mais para o marron cinza e o castanho (veja destnho colorido Xo. 1-a e c) prin-
cipalmente na face ventral. Entretanto, conferindo a relação das medidas entre
o cefalotorax e as patelas e tibias do primeiro e do último par de pernas, pode-
mos concluir que se enquadram também perfeitamente dtntro das medidas de
Panijihobctcus platyomma, machos e fêmeas.
b) Cômoro ocular c olhos:
O cômoro ocular, tanto dos machos como das fêmeas, é sempre um pouco
mais largo do que longo, havendo sempre ligeiras variações nestas dimensões,
que não podem ser consideradas especificamente importantes. Os olhos médios
anteriores ora são do mesmo tamanho como os laterais anteriores, equidistantes
entre si e dos últimos, ora são ligeiramente maiorís do que estes e ora são um
tanto menores. Os laterais anteriores ora são equidistantes dos médios ante-
riores e dos laterais posteriores, ora a distância é quase duas vezes maior do que a
do3 médios anteriores. ^ Os laterais posteriores podem ser quase do mesmo tama-
nho que os laterais anteriores ou bem menores. Os médios posteriores sempre
são menores do que os laterais posteriores, mas podem ser quase redondos ou
conip’etamente angulosos. (Desenhos coloridos Xos. 2 e 3).
c) órgão copulador dos machos:
igual ao descrito por Piza; “Bulbus magnus, paene globosus, rufescens,
basi nigro nitidus, stylo sinuoso, extus laminatim amplato”. (Confira o desenho
colorido Xo. 2-a). .
d) Apófises tibiais no primeiro par dc pernas dos machos:
A interna é quase duas vezes mais espessa do que a externa. Esta, ein
comjensação, é mais longa do que aquela, recurva, dobrando-se a perna por
6
Mem. Inst. Butantan,
2I:11MJ6. Abril 1949.
\V. BüCHERL
123
cima dela. Ambas possuem longos pêlos amarelo cinza, tão densos que mal
permitem distinguir-se os contornos das apófises.
e) Colorido :
Os desenhos de Xo. 2 (macho) e de Xo. 3 (fêmea) apresentam o colorido
próprio de Pamphobcteus platyomma. Para o macho nada há a acrescentar ao
que descreveu Piza sobre P. uiasculus: “Cefalothorax pubescentia nigra obtectus,
marginibus lateralibus pilis cinereis, margine antico fimbria cinerea oniatus.
Chelae, pedes et abdômen densissimc flavo pilosa. Sternum nigrum (vide de-
senho colorido Xo. 1-b), pilis longis, flavis, praeditum. Patellae pcdum inttis
castaneis binis ornatae, tibiae vittis minus distinctis”. Apenas há a acrescentar
que o bulbo do órgão copulador geralmente ê de um vermelho vi\-o(desenho
Xo. 2-a), como também a parte anterior do lábio, em volta das cúspides, c os
lobos internos das coxas dos palpos.
A fêmea (desenho colorido Xo. 3) apresenta dorsalmente o mesmo colorido
do macho. As estrias longitudinais das pernas são mais nitidas do que nos
niachos, podtndo ser notados tanto nos fêmures, nas tibias, nas patelas como
nos dois tarsos.
Um estudo detalliado requer o desenho colorido Xo. 1. Observam-se três
fêmeas, vistas pelo lado ventral. Apezar do colorido ser nitidamente diferente
nos três individuos. representam eks sem dúvida uma só espécie, a P. platyomma,
fêmea, como se jiode inferir de um lado das relações de medidas entre os com-
primentos do cefalotorax e das patelas c tibias do primeiro c do quarto par de
pernas. Por outro lado pudemos observar, à mão do lote total, que o colorido
geral zKiria, havendo todas as tonalidades de transição, desde o escuro, quase
preto, uniforme (a grande maioria no desenlio colorido, caracterizado com a letra
b), nara o cinza escuro ou o cinza mais claro (c) até o marron avermelhado (a).
Esta extrema variação no colorido foi provavelmente a causa pela qual os
nossos amigos e colegas, Mello-Leitão c Piza, não tendo a mão, cada qual, senão
apenas um único ex;mp'ar, ou de sexo diferente ou de colorido diverso, se ■\iram
forçados a descrever os indivíduos como novas espécies. Assim a P. itisiilaris
de Mello-Eeitão apresenta justamente o colorido da variação c) e a P. platyomma,
também de Mello-Leitão, o colorido de a), no lado vtntral, enquanto que dor-
salmente já está uniformemente preta, igual às cores do desenho Xo. 3.
Esta diversidade de cores nos causou inicialmente uma grande dificuldade.
Ela não existe em nenhuma outra espécie de Pamphobcteus do continente. Pen-
samos inicialmente tratar-se de uma particularidade que esteja em relação inti-
ma com o clima e a natureza das ilhas. Esta suspeita foi parcialmente objeti-
vada também pelo fato de que, entre os exemplares avermelhados, trazidos vi-
■vos para o Instituto Butantan e que estão sendo criados em viveiros até o dia
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EM TORNO DAS TRES ESPÉCIES INSULARES E PRAIANAS
DO GÊNERO PAilPHOBETEUS POCOCK, I9<J1
de 'loj?, O colorido já está cedendo a tonalidades bem mais escuras. Tratar-
se-ia, então, de uma tonalidade relacionada com o clima, a temperatura, a alti-
tude. etc.
Como, por outro lado, porém, foram colecionados também no mesmo local
e.Nemplares que pertencem à espécie P. ccsteri, cujo colorido é vermelho marron
imifoime, não se pode rejeitar também a hipótese das formas avermelhadas serem:
hibrnias. Isto, tanto mais, porque a relação das medidas dos comprimentos das
patelas e tíbias das pernas I e IV, em alguns exemplares, apenas diferem por 1
ou 3 décimos dc mm-o que os aproximaria bastante de ccsteri, que têm as patelas
e tiblas destas pernas exatamente do mesmo comprimento. Esta última hipótese
é ainda confirmada pela espécie descrita por Mello-Letão, a P. insidaris, que,
.«egundo aquele autor, têm realmente as patelas e tíbias das pernas I e IV' do
mesmo comprimento. Realmente pudemos encontrar em alguns indivíduos, cujO’
colorido é igual ao do desenho colorido Xo. 1-c) (que corresponde perfeitamente
i.o de insularís, segundo Mello-Leitão) , que a patela e tíbia IV'’ são apenas alguns
décimos de mm mais longas do que a do 1.* par de pernas. Em outros indiví-
duos, entretanto, com o m-smo colorido, já as medidas das pernas são idênticas
às da forma preta — da P. platyotmm.
Em face destes resultados, aliados- ao caracter peculiar que costuma apre-
.sentãr a fauna das ilhas, não se pode inferir que se trate de raças diversas.
Pelo contrário, deve-st concluir que as três variedades de coloridos representam
apenas uma só espécie, para a qual deve prevalecer o nome proposto pior Mello-
Lcirão — Pamphobelcus platyoinma. As duas espécies, a hisularis do mesmo-
autor e do mesmo ano, nas citadas piáginas dejxiis de platyomma e a masculas,
descrita por Piza em 1939, portanto, 16 anos depois, devem ser consideradas
como sinônimas, de platyomma.
Este fato é ainda confirmado pelo grande número de filhotes que nasceram
nos viveiros do Instituto Butantan e qne provieram tanto de uma fêmea da ilha
de .São Sebastião como de uma outra das Ilhas dos Alcatrazes. O número destes
filhetes era inicialmente jierto de 1.700. Porém, dadas as dificuldades de ali-
mentação e o fato do pronunciado canibalismo dos filhotes, sómente nos foi
poisivel procriar em psequenos viviiros isolados, 21 filhotes.
Os ovos eram esbranquiçados, redondos, com um diâmetro aproximado de
0,4 mm por ovo. Em 20 de fevereiro deu-se a eclosão e os filhotes começavam
a abandonar a ooteca, aberta dorsalmrnte. Nos primeiros dias êles permane-
ciam amontoados em tomo da mãe c mesmo no dorso dela, encobrindo-a quase
totalmente. .-V máe, durante estes dias, se conservava comphtamente imóvel.
.■\pós 4 a 7 dias as pequenas aranhas começavam a dispiersar-se pelo viveiro,
principiando a tecer uma teia, muito irregular, j>elo simples trançamento, em
todos os sentidos, de fios de seda. Ao fim de uma semana, o viveiro, que tem>
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*1:117-136, Abril 1949.
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inais ou menos 20 por 30 cm, esta\-a compktamente coberto de uma teia irre-
ffiilar, perfurada de pequenos buracos, por onde passearam os filhotes. À
noite estes se reuniam sempre em grupos. Algumas aranhas, mais atrazadas
'.m .seu desenvolvimento, ainda por este tempo se conservaram no dorso da mãe.
Em 1. de março os filhotes trocavam a pele piela s^unda vez, durandO"
C3t-i fcdise do lote inteiro entre 1 e 3 dias. Daí por diante as aranhas, agora
já bem maiores (0,8 cm), começaram uma vida bem mais atira. Sua teia foi
aos poucos crescendo pelas paredes do viveiro acima. .Xs aranhas, em carreira
rápi.ia, subiam e teciam pelos buracos da mesma.
2 de abril efetuou-se a terceira troca de pele. Fazíamos a alimentação-
regular, inicialmente com sôro sêco de cavalo, diluido em água, molhando-se
com esta mistura pequenos pedaços de algodão hidrófilo, a’godão este que era
chupado avidamente pelas pequenas aranhas.
^lais tarde elas já se precipitavam sobre pequínas moscas que se colocavam
no >iveiro. ao mesmo tempo, que também começava a reinar entre elas um
ativo canibalismo, de maneira que diariamente o lote decrescia.
Durante o período de maio a agosto, devido ao frio, a vida das pequenas
aranhas se tornava estacionária, não mais se realizando troca de pele, ate a
presente data.
Em setembro separamos 21 exemplares dos dois lotes e isolamos araiilia
por aranha em pequenos tubos de vidro. Semanalmente alimentamos, assim,
todas as aranhas, com pequenos pedaços de carne fresca, que elas chupam avi-
damente. Cada dois dias é renorada a água por meio de uma pequena quanti-
dade de algodão hidrófilo. Desta maneira as aranhas passam perfeitamente
bem. não oferecendo a sua criação maiores dificuldades a não ser cuidado
quase diário d» inspeção, para renovação da água e da alimentação. Medem
e!as, hoje, em média de 1,2 cm de comprimento de eixo longitudinal e entre
2,8 a 3 cm de extensão das pernas.
Quando recem-nascidas apresentavam elas o colorido marrom claro..
-Xtuaimente, entretanto, esta cór está ced.ndo lugar a tonalidades bem mais
esairas, sendo de presupor que, de futuro, tias escureçam completam: nte. Al-
gumas entretanto são mais claras, de maneira que a variação do colorido, veri-
ficado em exemplares adultos, também pode sír observada já nestes filhotes.
RESUMO E CONCLUSÕES
De posse de 1:111 lote apreciável de aranhas caranguejeiras, do gênero-
Pamphobetcus, capturadas nas Ilhas dos Alcatrazes, São Sebastião, Queimada
126
EM TORXO DAS TRES ESPÉCIES INSULARES E PRAIANAS
DO GÊNERO PAUPHOBETEUS POCOCK. 1901
Grande e nas praias da ir.esma região, concluimos que as espécies P. plfltyomnta,
P. ipsularis e P. masculus constituem uma só espécie, para a qual deve preva-
lecer o nome de P. platyomma Mello-Leitão, 1923.
ABSTRACT
The large collection of bird-spiders {Mygaíotnorphae) of the ganus
Pamphobctcus, made in the islands of Alcatrazes, São Sebastião, Queimada
Grande and in the coasts of Atlantic ocean of the State São Paulo, is studied
and províd that the three species — P. platyomma, P. insularis and P. masculus
are really cnly 1 specimen, named P. platyomma Meüo-Leitão, 1923.
ZUSAM .M E.NFASSUNG
Xachdem in unsertr ersten Arbeit (1) saemmtliche Pamphobeteusartcn, die
auf dem brasilianischen Festlaaide vorkommen, durchgearbeitet wurden, imd
neue, konstante, ArtuntersclieidungsnKrkmale festglegt «airden, wird nun, auf
-Grund derseiben Mtrkmalc naeher auf die drei noch urbrig bleibenden Arten
dcsselben Genes naeher eingegangen. Es handelt sich um .Xrten, die
von den verschiedenen Auktoren, ais nur von Inseln herstammtnd, beschricben
wurd;n. P. platyomma MeÜo-Leitâo, 1923 (2) wurde von der Insel São Sebas-
tião, die nordoestlich von Santos, ganz nahe der Paulistaner Kueste, liegt,
bescbrieben ; P. iusularis Mello-Leitão, 1923, stammt von der “Ilha Grande”,
die ebeiifalls ganz nahe der Kueste liegt und díiu Staate von Rio de Janeiro
angehoert; P. masculus Piza, 1939 kommt (3) von der Inselgreppe, die Alca-
trazes benaniit wird und die ungefaehr gleich weit entfemt ist sowohl von der
Stadt Santos ais von der Insel São Seliastião, wobei sie ungefaehr 40 Kilometer
vom Festlande entfernt im Meere liegt.
Die beidín ersten neuen Arten waren bisher nur je in einem einzigen
Wcilnrhen bekannt und die letztere nur in einem Maennchen. Das ist auch der
Grund, warum die Vtrfasser neue Arten aufgestellt hatt:n, ohne zu ahnen,
dass es sich bei diesen drei Spezien schliesslich nur um eine einzige Art
handelt.
An Hand von ueber 60 Exemplaren. die sowohl von den genannten Inseln
ais auch von den gegenueberliegendtn Strandzonen, herstammen, werden nun
die drei Arten untersucht, wobei wier unser .■\ugenmerk auf die konstanten
Artmerkmale richteten. So konnten wir feststellen, dass den drei Arten folgende
Mas.se, die artausschlaggebend sind, gemeinsam zukominen :
10
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mcin- Tnst. Batantan.
^1:117-136, Abril 1949.
W. BüCHERL
127
1 . Die Patellae und Tibiae des vierten Beinpaares sind imnier laenger
ais die des ersten, Beinpaares (Tabellen Xo. 1, 2 und 3).
2. Der Cephalothorax ist bei den Weibchen immer laenger ais die Pa-
tellae und Tibiae sowohl des vierten ais auch des ersten Beinpaares
und bei den Maennchen immer kuerzer (sekundaerer Geschlechtsun-
terschied) (Tabellen Xo. 1, 2 und 3) ;
3. Die Faerbung des Oberkoerpers ist dunkel einfabrig, braunschwarz
oder stark dunkelbraun; die Unterseite (Stemum, Hueften der Beine
nnd Bauchseite) ebenfalls einfarbig dunkelbraun bis fast schwarz.
(Kolorierfe Zeichnungen Xo. 2-Maennchen, und 3-\\'eibchen). Der
ganze Koerper, hauptsaechiich jedoch die Beine, besonders die letzteren
und das .Abdômen dicht mit langen schuettercn geibroten Haaren
besetzt. Maennliches Kopulationsorgan (Tafel 2-a) rot bis rotbraun,
mit einer seitlichen Apophyse nahe des Endes.
Ausser dieser Grundfarbe wurden auch Exemplare, sowohl Maennchen
wie Weibchen, gefangen, dercn Farbe vom Dunkel allmaehlich ins Hellere,
Graue (Tafel 1-c), bei anderen Exemplaren ins Helibraune (Tafel 1-a)
uebergeht, wobei alie Stufen der Zwischenfarben vorhanden sind. Diese
Farbschattierungen mressen wohl regionaer bedingt sein. Sie finden ihre
Erklaerung eimal durch den Charakter des Inselklimas, sowie durch die niedere
Lage der Insein und des heissen, feuchten Klimas. Tatsaechlich sind schon 4
Tiere, die lebendig von den Insein irtitgebracht ^\■urden und sich nun schon seit
7 Alcnaten in Behaeltem be finden. viel dunkler gewordcn.
Da ausserdem auf der Insel dos Alcatrazes auch einige Exemplare von P.
cestcri gefangen wurden, so koennte man auch an Hybridismus denken.
Es bleibt jedoch kein Zweifel, dass die drei genannten Arten identisch
sind. Sie muessen P. platyomma Mello-Leitão heissen, da dieser Xame Proiri-
taet vor den beiden anderen Xamen, vor visularis um einige Seiten desselbén
Buches, wr masculus um 16 Jahre besitzt.
BIBLIOGRAFIA
1. BücherI, lí'. — Memàríis do Iiutiluto Bulanlan, 20:233-282. 1947.
2. Mello-Leilão, C. — Rcv. Muí. Paulista, 13 ;225-242, 1923.
■3. Pha, S. T. — Rev. de Agricultura, Piracicaba, 14:4.6, 1939.
11
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
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Tabela No. 1
Pamphobeleus flatyomma ó machos 9 fcmeas
Relação das medidas dos comprimentos do ccfalotora.\ e das patclas
e tíbias do primeiro par de patas.
Relação de comprimentos entre as patelas e tíbias do primeiro e do
quarto par de pernas
Pamphobeleus platyomma 9 fêmeas Pamphobeleus cesleri Q machos
Pamphobeleus plalyomma ê machos Pamphobeleus cesleri ^ fêmeas
13
EM TORXO DAS TRES ESPÉCIES INSULARES E PRAIANAS
DO GÊNERO PAMPHOBETEUS POCOCK, 1901
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f7«-» f# fí 29 2* 22 23 2* 23 2é 27 29
Tabela Xo. 3
Pamfhobclcus ['latyomtna
Relação de medidas entre o comprimento do cefalotorax e as patelas
e tíbias do quarto par de pernas
$ machos $ fêmeas
14
*
y
J-
-'lem. Inst. ButanUn.
*1:117-U6. Abril :94'>
W.
BCCHERL
Desenho colorido Xo. II — PaiiiplwbcUus flatyomma, macho, vendo-se
em cima o cômoro ocniar com a disposição dos olhos e em hai.xo o bulbo
do orgão copulador (a).
SciELO
Mem. Inst- Butantan.
2I;117-U6, Abril 1949.
W. BÜCHERL
]35
Desenho colorido Ao. III — Pamfhohetnis plalyotnma, fêmea, vendo-se
o tomoro ocular com a disposição dos olhos.
19
t>J Vi
Mem. Inst. BuUnUn.
21:23;-H4, Abril 1949.
L. DOURADO
137
CONTRIBUIÇÃO AOS PROCESSOS DE FIXAÇ.ÃO DO COLORIDO*
VERMELHO E VERDE DAS SERPENTES BRASILEIRAS
POR LAUREANO DOURADO
(Da Secção de Zoologia e Museu do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
Ein o laboratório de taxidermia do museu do Instituto Butantan, as serpentes
são preparadas para conservação em meio liquido ou em estado seco. ou então
são retiradas as p;les e conservadas sêcas.
Obedecendo às técnicas já clássicas, nenhuma dificuldade há na consírvação
das cores naturais das serjjentes venenosas c não venenosas, cujo colorido é for-
made essencialmente de tons pretos, castanhos, cinzas e outras tonalidades entre
o marron e o amarelo escuro.
Xo tocante às corais, venenosas ou não, cujo colorido é cssencialmente ver-
melho. e às cobras verdes, os métodos habituais não satisfazem, pois, nKsmo em
ambiente escuro, as cores esmaecem até o desaparecimento.
Das muitas tentativas que temos feito para solucionar este problema, chega-
mos ao estalielecimento de uma técnica que é o objeto da presente comunicação.
MATERIAL E .METODOS
.As modificações das técnicas para a perfeita constrvação das cores vermelha
e verde, foram empregadas no seguinte material:
Micrurus froutalis
Mterurus Icinuiscatus
4 Oxyrrhopits trigeminus
3 Erythrolatuprus aesculapii
1 Sitiiopliis rhinostoma
3 Philodryas olfersii
1 Boa canina
1.' lolc: pcks vermelhas conservadas
sêcas.
2’ lolc: peles verdes, conservadas
sêcas.
Recebido para publicação em 25 de outubro de 1948.
1
138
PROCESSOS DE FIXAÇAO DO COLORIDO DAS SERPENTES BRASILEIRAS
2 Elpponwrpbus tricolor
2 Oxyrhopus trigcminus
2 Micrurus corallinus
3 Micrttrus frontalis
1 Erythrolojnpnis acsculapii
3 Philodryas olfcrsii
3 Philodryas acstmis
1 Doa canina
3.’ lote: cobras inteiras, conservadas
em meio líquido ou em estado sêco —
vermelhas.
4.’ lote: cobras inteiras, verdes, con-
servadas em miio líquido ou em es-
tado sêco.
Este total de 36 sirpentes, verdes e vermelhas, apresenta-se em perfeito
estíidi) di conservação das cores naturais, datando alguns exemplares já de 7 anos.
a) Modificação do processo de Hochstetter, substituindo a parafina sólida
pela parafina liquida, para peças a serem conservadas em meio líquido:
O processo clássico de Hochstetter, já modificado por divjrsos autores para
sirvir mais de perto esta ou aquela finalidade visada, tem-se revelado tamliém
parii nós um método ótimo para a conservação das ccris para peças embalsamadas
c censervadas a sêco. Assim, jiara estas peças, adotamos também o mesmo pro-
cesso
Tínhamos, entretanto, a necessidade ds conservar muitas peças em meio
liquido, tanto papa os mostruários do Museu do Butantan como para servirem
para futuros estudos. Para estas últimas modificámos o processo de Hochstetter
da .seguinte maneira:
7. fixação: Praticam-se várias pequenas incisões na região ventral da
cobra, para facilitar a penetração do fixador. Extrai-se a vesícula biliar. Inje-
ta-.se formol a 15%, com o cuidado de que ele penetre em todas as partes do corpo.
2. Desidratação: Após a fixação desidrata-se a cobra pela série de
alcoolis (a 60%, 75%, 85%, 90%, 96% e 100%), permanecendo cerca de 2 dias
cm cada concentração e renovando-se 2 a 3 vezes o álcool absoluto. '
3. ConserzKição: Conservar a cobra, depois de completamente desidrata-
da, em parafina líquida, de boa prccedencia, tendo-se o cuidado de trabalhar com
cuidados e assepsia, esterilizando antes, por fervmra, o recipiente em que vai ser
conservada a serpente. Fechar este recipiente herméticamente, de maneira a
evitar a formação de bolhas e cultura de cogumelos.
É este o método, simples e facil, para a perfeita conservação do colorido
■vcne.elho das serpentes. Sómente o correr do tempo nos afirmará se realmente
o problema foi solucionado.
cm
SciELO
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Mem. Inst. BuUntan.
2I;237-144. Abril 1949.
L. DOURADO
139
b) Conscrzvção do colorido verde rm scr(>cutcs:
A consenação do colorido vírde de serpentes em peças sêcas ou guardadas
•em meio liquido é, antes de mais nada, ema questão de fixação. Experimenta-
rnios, sem grandes resultados, quase todos os fixadores comuns, como o formol,
o akcol, o ácido acético, etc.
O Duboseq-Brasil (ácido pícrico 5g: formol 30Ccc; álcool a 8 O 5 Í» 750cc;
ácido acético 75cc), demonstrou possuir propriedades fixadoras do colorido verde
basUiUte satisfatórias. Após as necessárias incisões ventrais e a ablação da ve-,
sÍCTih biliar, a serpente é colocada neste fi.xador, permanecendo nêle entre 3 a
10 dias, segundo seu tamanho.
T’ara o bom êxito desta técnica é importante retirar completamente o ácido
qiicrico, o que é conseguido, por banhos sucessivos da peça, por uma solução de
4% de iodo ressublimado, por tempo equivalente ao da fixação.
Restaura-se, finalmente, o colorido original, por novos e sucessivos banlios
em ama solução aquosa a 2*yc de hipossulfito de sódio cristalizado, durante o
•período de 5 horas a 1 ou mais dias. sígundo o volume da serpente.
A cpnservação, feita igualmente sob condições assépticas e cm vidro esteri-
lizado. poderá ser num dos dois .seguintes líquidos conservadores:
1) Kaiserling (acetato de potássio 200 g; glicerina -100 g; água 2.000cc) ;
2) Schidtz (acetato de sódio 300 g: glicerina GOO g; água l.OOOrc).
RESUMO
O método de conservação de Hochstetter é modificado c adaptado ao meio
liquido para a conservação do colorido vermelho das cobras corais brasileiras.
"O Duboseq-Brasil é também introduzido como fixador muito bom para o colo-
rido verd: das cobras.
abstract
The Hochstetter’s preservations-nuthcd is modified to liquid conservations
niedium for the conser\-ation of red colour of the Brazilian coral snakes.
The Diboseq-Brasil is also introduced as a wery good fixativ colour for the
.green colours of the snakes.
cm
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140
PROCESSOS DE FlXAÇAO DO COLORIDO DAS SERPENTES BRíVSILEIRAS
ZÜSAMMENFASSUNG
An Hand von grossen Mengen brasilianischer gruenen und roten Schlangen-
und nach 5 bis 7 Jahren von Beobachtungen, wird dargelegt, dass es gelunger
ist. die Kaiserling’sche Embalsamierungsmethode auch fuer die roten Korallens
chlangen anzuwenden und diese in fluessigem Médium mit guter Farbkonser-
vierung zu erhalten.
* Zu definitivín Erhaltung der gruenen Farbe in ingendeinem fluessigen Kon-
servierungsmedium, werden die Schlangen zuvor in Duboscq-Brasil gut fixiert,
die Pikrinsaeure mit resublim ertem Jod wierder herausgeholt und die natuer-
liche Farbe mit Natrium-Hj-posulfit wierder restauriert.
BIBLIOGRAFIA
1. Bücherl, W. — Compêndio de Técnica Microscópica, S. Paulo, 1943.
2. Daükes, S. H. — The Medicai Museum, London, 1900.
3. Hochsleller, F. — Die Utnschau, 31:650-652, 1927.
4. Koiserling, C. — Bcrliner Klinische IFochenschrift, 33:775, 1896.
5. Kaiserling, C. — Verhandiungen der Deutschen Pathologischen Geselischaft, 2:203-217,
6. Meyer, 1. R. — Preparação c montagem de peças anátomo-patológicas. Arquivos do-
Instituto Biológico, 6:257, 1935.
(Trabalho af-rescnfado pcla Secção de Zoologia-
e Museu do Instituto Butontan, sob a direção do dr..
IVolfgang Bücherl).
cm
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Mein. Inst. BuUotan,
:i;2J7-144, Abril 1949.
L. DOURADO
141
Fic. 1
Pele de PkiloJryaj olfersii fixada com Dubo«cq-BrasiI. apresentando-se com sua côr natural.
Flü. 2
Pele de Pkiloãryat olftrtii não fixada, apresentando-se aaulada.
5
Mcm. Inst. Butantan,
21:145-152. Abril 1949.
L. L. VELI-IXI
145
O USO DA PENICILINA NA PURIFICAÇÃO DA LINFA VACINICA
POR L. L. VELLIXI
(Do Laboratório Vacinico do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
INTKODUÇAO
Os pesquisadores interessados no preparo da linfa vacínica de origem
animal, têm empregado vários métodos físicos, químicos e biológicos para isen-
tá-la da flora secundária.
O emprêjo da penicilina, nos vários setores da bacteriologia, trouxe as
primeiras investigações de purificação da linfa vacínica, embora o meio glice-
riiiado pudesse ser possível entrave á sua ação.
Todos os autores estão concordes que a penicilina não ataca o vúrus vaci-
nico em nenhuma de suas propriedades biológicas.
Cassio Miranda (1), usando penicilina na purificação da polpa, chegou á
conclusão de que a penicilina mais glicerina pode se tornar um método corrente
de purificação da vacina anti-variólica. J. B. Rirarola (2), com o mesmo in-
tuito, empregou caldo de cultura de Pcnicilium notatum, diminuindo para 80 o
número d; germes por cm* em 15 dias de frigo, e, continuando seus estudos
com A. Canese (3), concluiu que a penicilina possui evidente ação seletiva e
permanente sobre a flora de contaminação da linfa vacínica especialmente sôbre
a flora de contaminação Gram Positiva e esporulados soprofitos, diminuindo
outiossim os processos anormais observados frequentemente com o uso de linfas
dep-.iiadas por outros métodos quimicos. Morin e Turiotte (4), colaborando
nesse mesmo sentido concluem que as polpas com estafilococos hemoliticos e
bacit rias anaeróbias, que, por isso seriam descartadas, podem ser usadas, após
trata.Tiento com a penicilina, estando em poiKos dias isenta dos principais micró-
bios, com exceção dos bacilos Gram Negativos. R. Fasquelle (5), citado por
P. Nelis, resumiu seus trabalhos dizendo: sem efeito sobre o virus, a penici-
lina adicionada á vacina á razão de 1.000 U. O. por cm*, permite obter rapida-
mente uma csleriliMçõo aparente da mistura. Se a polpa penicilada fór conser-
vada cm geladeira durante 15 ou 30 dias tudo se passa como se fôra destruído
Recebido para publicação em 7 dc dezembro de 15M8.
cm
SciELO
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146
o uso DA PENICILINA NA PURIFICAÇÃO DA LINFA VACiXICA
O estafilococo. P. Xelis (6) iniciou suas pesquisas usando como téste de expe-
rimentação a penicilinase. Seus expsrimíntos. feitos sob vários aspectos, per-
mitiram a que concluisse: 40.000 U. O. de penicilina são insuficientes por cm*
para esterilizar a polpa com Staphylococcus aurcus.
Resolvemos verificar, no Laboratorio Vacínico do Instituto Butantan. a pos-
sibilidade de isentar a polpa vacinica de sua flora secundária por meio da peni-
cilina, sem prejuizo do podrr imunogênico do virus.
MATERIAL E MÉTODOS
1 — Polpa
Os nossos ensaios com penicilina foram iniciados, com ua polpa \-acínica
do estoque, que, respondendo aos testes de laboratório como patogênica a co-
baios, fôra impugnada. Sua flora aerobia. contada por várias vezts e em várias
dib.ições em placa de agar simples, mostrou uma variação entre 400.000 e 600.000
colônias por cm*, explicável pela impossibilidade de se obter uma trituração e ta-
mização que garantam a perfeita homogeneidade de amostra. A cultura anaeró-
bia desta polpa é exuberante já nas primeiras 24 horas, e, com 10 dias de estufa
a 37*C. mata cobaio com 1 cm* das diluições 1 :10 e 1 :100, em 24-72 horas. Sub-
metida á ebulição durante 5 minutos e resemeada em Tarozzi, com 10 dias de
estufa a 37”C. mata cobaios com 1 cm* das diluições 1 ;10 e 1.100, em 24 horas.
2 — Penicilina
Usamos em nossas experimentações. Penicilina sódica de procedência ame-
ricana.
Em frascos escuros, distribuimos : polpa -j- penicilina -f- agua distilada
(em quantidades crescentes) homt^enizando pelo liquefator. Frigo a — 10*C.
A dose inicial de penicilina é de 500 U. O. por an*.
Após 5 dias de frigo mais 500. e, após 10 dias 1.000 U. O. por cm*.
Após um periodo de 30 dias, distribuição em capilares e em frascos menores —
20 cm*- para controle em meio ambiente, visando confrontar os resultados das
contagens.
PROTOCOLO XOl. I
Frasco I
Polpa glicerinada 100,0 cm*
50.000 U. O.
50.000 U. O.
100.000 U. O.
Penicilina
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mcn. Inst. Butantan.
21:145-152, Abril 1949.
L. L. VELI.IXI
147
As contagfns eni placa iniciaram-se após 5 dias da ultima adiqão, estando
portanto com um total de 2.000 U. O. por cm^.
Tempo de eonlaclo
em frigo a — lO^C
.VuMicro de
colônias em
phea opôs:
24 horas
1/f horas
72 hores
5 dias
15.130
X
X
9 dias
60
10.405
15.312
11 dias
11.750
14.700
15.750
16 dias
105
10.550
145.850
23 dias
17.805
115.116
253.260
32 dias
1.000
1.000
1.000
Semeadura de 1 an^ de diversas diluições, em placas de agar simples e
mantidas em estufa a 37 C. O numero de colônias é representado pela média
das diversas contagens nas diver.sas diluições.'
PSOTOCOLO Xa II
Frasco II
Polpa g.icerinada
Penicilina
Agua distilada
100.0 cm»
50.000 U. O.
50.000 U. O.
100.000 U. O.
10,0 cm»
Nas mesmas circunstancias que o protocolo I
Tempo de eonlaclo
em frigo a — lO^C
Kumero di.
eoiânias cm
placa após:
24 horas
4S horas
72 hores
5 dias
735
X
X
9 dias
45.050
54.Õ47
58.931
11 dias
2.650
5.250
5.250
16 dias
2.000
240.000
23 dias
12.130
238.509
2.t8.635
32 dias
6.000
3
Mem. Inst. Butastan,
■21:145-152, Abril 1949.
L. I.. VELLIXI
149
Da linfa vacínica, distribuída em capilares e cm meio ambiente, fizemos
•conlagens obtendo os seguintes resultados:
Tempo em
ambiente
Frasco I
Frasco 11
Frasco III
Frasco IV
24 horas
216.000
152.000
147.000
17.000
48 horas
255.000
267.000
152.000
151.000
72 horas
267.000
291.000
263.000
157.000
As contagens foram feitas nas mesmas circunstancias indicadas no pro-
tocolo I.
Da linfa vacínica distribuída em frascos com 20,0 cm* e mantida em tem-
;píratura ambiente obtivemos os seguintes resultados:
Tempo em
ambiente
Frasco I
Frasco II
Frasco III
Frasco IV
24 horas
37.000
55.000
63.000
17.000
48 horas
66.000
121.000
107.000
151.000
72 horas
400.000
155.000
160.000
157.000
As contagens foram feitas nas mesmas circunstancias indicadas no pro-
-tocolo I.
Afim de sabermos da atividade do virus vacínico, confrontamos a polpa
penicilada e mantida em geladeira com uma po^pa não penicilada do nosso esto-
que € sabidamente ativa por testes anteriores, obtendo:
Polpa tratada pela penicilina
Polpa não tratada pela
penicilina
Coelho No. 85 XXXX ....
Coelho No. 108 XXX
Coelho No. 53 XXX
Coelho Na 1615 XXX
Coelho No. 2316 XXXX
Coelho Na 1119 XXX
Usamos as diluições usuais do nosso laboratório, 1 :1000 e 1 : 10.000, obtendo
■confluência na reação em ambos os lotes.
A revacinação como teste de próva, foi negativa para ambos os lotes, pro-
'vando dest’arte a imunidade dos coelhos.
5
150
o uso DA PENICILINA NA PlRIFIC.\ÇAO DA LINFA VACINICA
RESULTADOS
\
Analisando os resultados das contagens dos frascos mantidos no frigo a-
— 10”C, verificamos uma grande discordância e uma variabilidade de contagem
a contagem, o que vem demonstrar que, embora a penicilina presente, a dificuldade
de ação mesmo bacteriostatica se faz sentir, quer pe'a glicerina, qu:r p:los frag-
mentos de epitélio que passam pelo tamiz.
As contagens feitas com a linfa vacinica distribuida em capilares, da fórma
a f[ue são usualmente utilizados, demonstraram uma pequena queda no numira
de colônias, que. no entanto, não pode ser atribuida á penicilina, pois contagens
feitas com capilares distribuidos com vacina não penicilada também demonstram
variaqões bem acentuadas.
A linfa \‘acinica distribuida em pequenos frascos, contendo 20,0 cm3, de-
moi strou a mesma variabilidade que nos dtmais ensaios, dando no entanto para
o Fiasco I uma contagem tão grande quanto a polpa natural não tratada.
.V atividade do virus vacínico, comprovada em coelhos, nos deu resultados
nitidos, pois que. revacinados, responderam negativamente em confronto com
o do téste, mantido e vacinado nas mesmas circunstancias.
COMENT.\RIOS
.•\ possibilidade de melhor homogenização, e, portanto, mais direta ação
da penicilina, que pensavamos obter, adicionando agua distilada, não foi fator
que merecesse maiores atenções.
Os trabalhos que até certo ponto seguiam um ritmo afirmativo, tiveram
em Fasquelle e Xellis afirmativa que corroboramos para os germrs aerobios,
visto como as nossas semeaduras em Tarozzi tornaram-se estereis após GO dias
da ação da penicilina em frigo a — 10'C. o que vém em parte confirmar os tra-
balhos de Morin e Rivarola.
0 poder piogênico de certas espccies de estafilococos presentes na linfa
vacinica, se manteve ativo para coelhos, respondendo sempre que inoculados pela
via subcutânea á formação de abcessos, dando mostras de que sobre certas
raças de estafilococos a penicilina exerce in zntro ação diminuta oa nula nas
circunstancias <m que foram feitos os nossos ensaios.
RESUMO E CONCLUSÕES
1 — A jienicilina não mostra ação liactericida nitida pelo menos sobre
certos cocos gram positivos cki flora secundária da polpa vacinica glicerinada
A ação bacteriostatica da penicilina é evidente nas primeiras 48-72 horas, quanda
a polpa é mantida em frigo a — 10*C.
cm
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Mrm. Inst. Dutsntan,
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L. h. VELLI.NI
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2 - — O fator diluição tem influência sõbre a ação bacteriostática da penici-
lina.
3 — Dentro de um periodo de 60 dias, uma polpa vac'nica glicerinada e
tratada com 2.000 U. O. de penicilina e mantida no frigo a — 10*C, toma-se esteril
de seus espomiados patogênicos e não patogênicos como demonstraram cuitura
em meio de Tarozzi.
4 — Uma polpa vacinica glicerinada e tratada pela penicilina e mantida
em temperatura a — 10*C, perde sua ação bacteriostática já em 48 boras de tcm-
ix:rritura ambiente.
5 — o poder piogênico para coelhos, de certas espécies de estafilococos
pre.-;ntes da linfa vacinica, não se altera por ação da penicilina, mesmo na
diUiição mais alta por nós empregada (2.000 U. O.)
íi A penicilina realmente não altera nem a vitalidade nem o pcrler
imunogênico do vims vacinico.
7 Xão exerc.ndo a penicilina ação bactcricida nítida nuii ação bacte-
riostática que se prolongue jxir mais de 48-72 Iwras, à temperatura ambiente,
o método de emprego da penicilina para depuração da jxilpa vac'nica, não oferece
maiores vantagens que torne seu emprego de uso corrente.
SUMMARY AND CONCLUSIONS
1 — Pínicillin has not distinct bactcricial action, at least on ctrtain Gram
positive cocei of the secondarj' bactéria of glycerinated \-accine pulp. The liac-
teriosíatic actien of penicillin beconris evident durinj the first 48-72 hours
ivhen the pulp is kept at — 10*0 in a refrigerator.
2 — The dilution factor influences the liacteriostatic action of penicillin.
3 — \\'ithin a piriod of 60 days, a glycerinated vaccine pulp which \vas
treated A%ith 2.000 Oxford Units of penicilin and kept in a refrigerator at — 10*C
bec.ime sterile from its pathoginic and non-pathogenic sjxire-bearing micro-
orglnisms as demonstrated by cultures in Tarozzi médium.
4 — Glycerinated vaccine pulp which is treated by penicillin and ktpt at
■ — 10*C, loses its bacteriostatic action alrcady after 48 hours at room temperaturc.
5 — The pyogínic potency, in rabbits, of certain species of staphylococci
which are present in \'accine htnph, is not affected by the action of penicillin,
even at the highest dilution used by us (2.000 O. U.).
6 — Pínicillin has not real effect on the vitality nor on the immunogenic
potency of the vaccine virus.
7 — As penicillin does not exhibit a pronouneed bactericidal or bacteriostatic
actien which lasts for more than 48-72 hours, at room temperaturc. the m-hod of
ttsing penicillin for the depuration of s-accine pulp does not offcr advantages
which could warrant its current use.
7
•152
o uso DA PENICILINA NA PURIFICAÇÃO DA LINFA VACINICA
BIBLIOGRAFIA
Miranda, C. — Revista Brasileira de Medicina, 1(11) ;919, 1944.
Rivarola, J. B. — Revista Brasileira de Biologia, 4(4) :483-484, 1944.
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Mem. Inst. Butantan,
21:153-178, Abril 1949.
J. B. ARANTES & C. H. BRAXDAO
153
AXTIGENOS E ANTICORPOS BOTRÓPICOS
IJ Contribuição ao estudo da dosagem dos soros antibotrópicos polivalentes
\
FOB J. B. ARAXTES & C HABERBECK BR.-\XDAO
(Do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
As bases experimentais em que se apoia o método de preparação dos soros
antibotrópicos polivalentes, tal qual é ainda empregado no Instituto Butantan,
e também a continuidade dos esp’cndidos resultados obtidos com esses soros
na terapêutica dos envenenamentos ocasionados pelas serpentes do gênero Bo-
throps, justificam plenamínte a manutenção do método, como foi fixado por
Vitai Brazil.
Em linhas gerais os soros antibotrópicos resultam da inoculação, cm equinos,
de doses adequadas de u’a mistura de venenos de Bothrops jararaca (Wied),
Bothrops atrox (L.), Bothrops altemata (D. & B.), Bothrops jararacussu (La-
cerda), Bothrops coliara (Gomes) e Bothrops nctnricdii (Wagler), sendo o poder
antitóxico dos soros assim obtidos titulado por meio do veneno da Bothrops
jararaca, tomado como padrão. Admitia-se, pois que os valores neutralizantes
dos anticorpos contidos nos soros e correspondentes especificamente aos vene-
nos das seis cspecies de Bothrops que constituem o antigeno, fossem equivalen-
tes, em média, podendo representar-se por um deles o título dos demais. Es-
tabe'cceu Vital Brazil esta norma dc dosagem, por considerar de pequena monta
as diferenças encontradas na titulação dos anticorpos especificos, o que não
afetava sensivelmente os resultados práticos proporcionados pelo método (1).
R. Kraus (2) tentou elucidar a questão da mencionada equivalência, con-
cluindo, de suas investigações, que a titulação de um só anticorpo não indica
o valor dos outros antivenenos que se contêm nos soros. Entretanto, (como
teremos ocasião de assinalar, o material de que Kraus se utilizou em suas
e.xo.riências, além de muito reduzido, foi estudado pwr métodos não compará-
veis aos da Vital Brazil, o que toma de valor precário os resultados obtidos.
Porém, um de nós (J. B. A.), em 1932, retomando o assunto, encontrou
valores que, de fato, contrariavam o suposto, pois frequentemente os títulos
dos anticorpos espícificos eram muito diversos, e, além disso, afasta\am-se bas-
Recebido para publicação cm 7 de Dezembro de 1948.
cm
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154
A.NTIGEXOS E ANTICORPOS BOTRÓPICOS. I)
tante das dosagens médias determinadas pelo veneno padrão. Completamos^
então, esse estudo preliminar, (que não chegou a ser publicado,) pesquizando a
ocorrência em maior número de animais, sendo objeto da presente mtmória
rclaiar os resultados das investigações procedidas.
MATERIAL E MÉTODOS
Fizeram-se as observações com soros de 19 equinos, imunizados com anti-
geno botrópkro polivalente segundo os preceitos usados rotineiramente no Ins-
tituto. O antigeno empregado nas imunizações foi stmpre o mtsmo, prepa-
ranlc-se de acordo com as seguintes normas: colhe-se em separado veneno-
recí-ntemente extraido das serpentes acima mencionadas, juntando-se quantidade
idêntica de glicerina aos volumes obtidos; deixa-se em seguida permanecer por
longo tempo no laboratório, ao abrigo da luz, e em temperatura ambiente. O
antigeno botrópico polivalente constitue-se pela mistura, em partes iguais, desses
venenos glicerinados. com exceção do de Bolhrops cotiara, qu; entra em propor-
ção cincoenta por cento menor.
Utilizamo-nos de venenos preparados assim, datando ele d.z anos aproxi-
madamente, representando centenas de coletas de milhares de serpentes, e con-
tendo aproximadamente 150 mgr de veneno seco, por centinvetro cúbico, calculo-
basvndo nas determinações médias feitas por Vital lirazil (3).
Fm média, na imunização de animais normais (eqirinos. ainda não injetados
con: venenos) gastam-se 1.800 mgr de antigeno polivalente, fracionados em 24
inoculações, sendo a primeira de 0.2 mgr e a última de 300 mgr, transcorridas
15 semanas. Sangrados, os animais são afastados do serviço por dois meses
c findo esse período de descanço, voltam a ser imunizados. As imunizações se-
guintes (chamadas re-imunizações a partir da segunda imunização) processam-
se, cm média, mais rapidamente, durante 7 semanas, sendo iniciados com doses
maiores, 30 mgr., injetadas em menor númtro de vezes, 8. Enquanto o estado
de saúde dos animais for bom e os titulos dos soros permanecerem satisfatórios,
repelí m-se as imunizações sucessivamente.
O mesmo lote de animais serviu para as nossas verificações, figurando na
primeira todos, e na segunda 14 (5 equinos foram r.tirados da experiência por
diversas causas) ; utilizamo-nos, nas dosagens dos anticorpos específicos, de soros
colliidos no final da imunização, por ocasião das sangrias, titulando-os de acor-
do com a técnica recomendada por \'ital Brazil (1). As doses minimas mor-
tais para o iiombo, dos venenos padrões empregados em miligramas, eram as
síguintes :
/>. jararaca
0,032
B alternata
0.070
B. airox
0,080
B. jararacKSsu
0,050
B. ncitiíicdii
0,035
B. cotiara
0,070
2
Mcm. Inít. BuUntan.
21:153-178. Abril 1949.
J. B. ARANTES i C. H. BRAXD.AO
155
Üs animais examinados sofreram variado número de imunizações, deta-
Ihando-se, no quadro I. as relações existentes entre essas imunizações e as duas
verificações procedidas.
QUADRO No. I
Primeira verificação
Segunda terificação
Imuniscção anterior
ao exame
Animais
Xo.
Imutticação anterior
ao exame
Animais
Xo.
Nenhuma
260-J08-
318-319-
320-343-
350-367-
Nenhuma
319-338-
341-350-
367-
Uma
338-341-
289-
Uma
6-9-24-27-
36-260-289-
320-
Duas
9-
Duas
18-
Trêj
6-
Quatro
31-
Cinco
29-
Dez
24-27-36-
Treze
18-
RESCLT^VDOS
.•\naIisando-sc, pelos gráficos Xo. 1 a 19, os resultados da primeira verifi-
cação vê-se que o titulo dt antiventno-jararaca nunca correspondí exatamente
aos (los outros anticorpos produzidos simultaneamente, no decorrer da imuni-
zação. sendo o animal de Xo. 18 exceção única- Alem disso, nos dezenove
animais, em regra, encontramos sempre um outro antiveneno com título, se não
mais elevado, pelo menos igual ao padrão; então no primeiro caso onze animais,
>
156
ANTIGEXOS E ANTICORPOS BOTRÔPICOS. I)
6-27-29-31-36-320-338-341-343-350-367, e no segundo um, 289; sómente em 6
animais, 9-24-260-308-319, é que se encontram maiores titulos para o antiveneno
jamrra, e, assim mesmo, por pequena diferença. Os titulos considerados médios,
de 1,1 a 2,0 mg, abrangem a maior parte dos resultados alcançados (Quadro
II-A), excetuando-se os correspondentes ás Bothrops neiezciedii e cotiara.
A fraca antigenicidade do primeiro desses dois venenos é patente: apenas
um único animal. Xo, 29, apresentou dosagem superior á média: 2,1 mg. Quan-
to ars resultados obtidos com o segundo, já não poderemos dizer o mesmo, pois
parecem obedecer á norma geral de imunologia, que estabelece relação quantita-
tiva entre o antigeno injetado e anticorpo produzido. Comparando-se as dosa-
gens dos dois anticorpos, notam-se índices maiores para o antiveneno-cotiara
em 12 (animais Nos. 9-24-36-260-308-318-319-320-332-341-343-350), igual em
um (animal No. 18) e inferiores em seis (animais Nos. 6-27-29-31-289-867),
ou seja, 63,15%, 5,26% e 31,57%, respectivamente, e a existência constante de
titulos sempre superiores a 0,5 mgr, o que não acontece com o antiveneno-neu-
wiedii.
Na segunda verificação, observa-se, inicialmente, que houve melhora evi-
dente na resposta imunitária, traduzida pela obtenção, em percentagem maior,
de titulos mais elevados; apezar de diminuir o número de animais encontram-se
índices maiores para as dosagens superiores ás médias (Quadro II-B). A se-
guir, nota-se que os valores de antiveneno- jararaca são inferiores aos de outros
antWcnenos na quase totalidade dos casos; é suplantado pelo antiveneno-atrox
em dez (animais Nos. 6-9-18-27-36-260-289-319-341-350), pelo antiveneno-
jararacussu em dois (animais Nos. 338-367), pelo antiveneno-alternata em um
(animal No. 320) ; sómente no animal No. 24 é que encontramos igualdade
entre o antiveneno padrão e um dos outros valores an ti peçonhentos.
Relativamente á semelhança existente entre as curvas que nos gráficos re-
presntam os resultados das duas verificações, deduz-se, pelo confronto das mes-
mas, que apenas em quatro casos essa semelhança ocorreu — animais: Nos. 9-
24-338-341, sendo flagrante a desigualdade apresentada pelo animal No. 18-
A fraca antigenicidade do veneno de B. ncinacdii parece confirmada, sendo,
como foi, o único a produzir titulo inferior a 0,5 mg (Quadro II-B) ; por
outro lado, a provável melhor capacidade antigenica da B. cotiara em relação
a c^se veneno manifestou-se outra vez, registando-se titulos superiores cm sete
casos, (animais Nos. 9-24-36-320-338-341-350), dois idênticos (animais Nos.
27-260) e cinco inferiores (animais Nos. 6-18-289-319-367), ou seja, 50%,
14,28% e 35,71%, respectivamente.
cm
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Í1:1S3-178. AbrU 1949.
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157'
Por sua vez os vermes da B. jararacussu e da B. aJtcrnala aparecem-nos
como antigenos comparáveis ao da B. jararaca, sendo que o da primeira dessas
duas especies revelou-se antigenicamente superior ao segundo. De fato, na
primeira verificação encontramos \-aIores superiores para o antiveneno- jararacus-
su, comparativamente ao antiveneno-altemata. Na segunda verificação, essa
superioridade confirmou-se, pois registamos apenas um caso com dosagem com-
preendida entre 0,5 e 1,0 mg (animal No. 289) enquanto que houve quatro
animais nos quais o antiveneno-altemata ficou entre esses limites; além disso,
em dois casos, o antiveneno-jararacussu atingiu titulos que não puderam ser
alcançados pielo antiveneno-altemata (Quadro II-B) .
O animal No. 341 (Gráfico No. 16) apresenta-se como caso único, no
dec( rrer desta experiência. Confirmando, inicialmente, a suposição de que
não é possivel representar, exatamente, pelo antiveneno-jararaca o titulo dos
outros anticorpos específicos; em seguida pelo fato singular de nele se manterem
quase no mesmo nivel, os titulos de todos os anticorpos, tanto num como noutro
exame; finalmente, sugerindo pela pemianencia de um só anticorpo especifico
prals-amente no mesmo teor, que os resultados da imunização anti-botrópica
polivalente parecem depender de factores estritamente indiriduais.
Talvez esteja aliada a esses factores a antigenicidade melhor do veneno
da B. alrox; nos dezenove animais e.xaminados, especialmente na stgunda verifi-
cação, temos a impressão de que essa superioridade, de fato, existe, como de-
monstra 0 estudo comparativo das partes A e B do Quadro^ II.
Esse mesmo quadro indica também que a rc-imunização melhora, de modo
geral, a produção dos anticorpos; essa melhoria é evidenciada pelo confronto
do quadro No. 4 onde se reproduzem os resultados das duas verificações feitas
em três animais, adrede escolhidos, pois elas são coincidentes com a primeira
imunização e primeira re-imunização, respectivamente. Nota-se que, nesses
exames, os antivenenos-atrox e jararacussu revelam, mais acentuadamente do
que o antiveneno-jararaca, os bons resultados da segunda imunização.
comentArios
Dos resultados de nossas pesquisas, deduz-se que a aferição dos soros anti-
botrópicos p)olivalentes exige, para ser precisa, a titulagem de cada um dos anti-
corpos esp)ecificos neles contidos, pois, normalmente, os titulos dos seis anti-
corpos são diferentes, altemando-se os seus valores com as imunizações sucessi-
vas Apezar das dificuldades que essa modificação traria jara o método de
dos.^amento em vigor, tornando obrigatória a avaliação de-psr-si dos anti-corpos
especificos existentes nos soros de cada animal imunizado, evitar-se-ia o apareci-
mento das diferenças que surgem forçosamtnte no produto final, representado.
Sempre, pela mistura de vários soros contendo valores antipeçonlientos os mais
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AXTICEXOS E ANTICORPOS BOTRôPICOS. 1;
diversos. O gráfico No. 20, representativo da aferição de um soro pronto
para uso terapêutico, eridencía essa falha, pois, na sua dosagem, só se levou
em consideração o teor de antiveneno-jararaca, como de regra, aliás.
Ultrapassando, de muito, os inconvenientes assinalados, surgem, em primeiro
lugar as vantagens de tornar-se o tratamento dos addentes ofidicos mais seguro,
livre dos riscos de ocasionar neutralização insuficiente dos venenos inoculados
por certas Bothrops, o que oceoreria, por exemplo, se com o^sor-), cuja dosa-
gem figura no gráfico Xo. 20, pretendessemos tratar envenenamento produzido
por B. nctncicdii ou D. coliara (*). Com efeito, devemos considerar que em-
bora a preponderância da H. jararaca, no gênero Bothrops, seja fato inconteste
em quase todo território brasileiro, não ocorre o mesmo, sempre, em alguns
pon*cs do pais. como em Mato Grosso, no Rio Grande do Sul, no Paraná e em
Santa Catarina onde as espicies mais frequentes são, respectivamente, B. ncit-
nvicdii, B. cotiara c B. altermta (4-5) tomando, pois, indispen.savel a real efi-
cácia polivalente dos soros anti-botrópicos. Além disso, há a considerar o lado
econômico, dado que, levando-se em conta apenas o antiveneno-jararaca, des-
prezam-se titulos especificos muito elevados, como aconteceu no caso dos ani-
mais Nos. 320-341-367, (gráficos Nos. 14-16-19) cujos soros, adicionamos a
outros, iguahnente ricos nos restantes antivenenos, produziriam, mais rendosa-
mente. mistura polivalente de alto teor.
Quanto á possibilidade de se prepararem soros mono\-alentes especificos
objct’vando-se remover os incovenientes acima mencionados, e facilitando, con-
sequentemente, a preparação dos soros polivalentes (suprindo-se as deficiên-
cias das misturas polivalentes pela adição de quantidades adequadas de an-
ticorpo monovalente) jrarece-nos questão ainda a resolver jrois, em trabalhos
que serão dados á publicidade, verificamos ter-nos sido impossivel obter so-
ros nwnovalentes não só estritamente especificos, como tamliém possuidores
de titulos altos, embora tivéssemos usado os mesmos antigenos que vieram
a servir para a preparação da mistura irolivalente utilizada na imunizlação
dos dezenove animais da presente investigação. Ju'gamos. pois. até ser o
problema perfeitanKiite elucidado, que a produção dis antivenenos betrópi-
cos, em equideos, é problema mais comple.xo do que aparenta á primeira
vista, não nos pennitindo, no momento, afirmar qual sejam os fatorrs decisivos
do estabelecimento e da manutenção da imunidade anti-botrópica.
Não obstante termo-nos utilizado de vmenos padrões de valores desiguais,
no que se refere ás suas doses minimas mortais para o poinlio, os titulos encon-
trados nos soros dos animais examinados significam diferenças existintes de
fato. Isto porque, se convertéssemos o valor dos soros, que é expresso em
miligramas de venenos neutralizados, no número de d.m.m. que são contidas
(*) Atendemio às extetncias da Fannacopéia Brasileira (6) esse soro contem 40% de excesso de
anti-veneno, para lhe prolongar o praxo de validade até J anos. DeduU la essa margem de seguranc^t
notais com maior clareza, a insulciéncta dos antivenenos outros que não o correspondente à Jararaca.
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AXTIGEXOS E .OTTICORPOS BOTRÓPICOS. I)
nesses venenos, reduziriamos essas diferenças a um nivel tal, que leriamos a
impressão de não existirem as desigualdades encontradas. Aliás, foi esse crité-
rio, o de julgar da atividade de um soro poli^'alente segundo sua capacidade neu-
tralizante de determinado número de doses letais, que levou Vital Brazil a es-
Iher o veneno da B. jararaca como indicador dessa atividade. Sordelti e Pace.la
(7), e Lucas de Assumpção (8), pro\-aram que não existe relação entre a to-
xidade de venenos de B. altcrnata e B- jararaca e o seu poder de neutraliza-
ção pelos soros anti-peçonhentos respectivamente especificos. Xo decorrer des-
tas experiencias tivemos ocasião de ver confirmados os trabalhos desses auto-
res ao titularmos os soros dos animais Xos. 341 e 367 com venenos de ati-
vidade letal muito diversa. Assim, com o soro do primeiro disses animais, re-
imumzado parcialmente com veneno de B. alrox, após a segunda verificação
(recebeu sómente 225 mg ds veneno), observamos que com veneno-padrão-
ativo (d.m.m. = 0,020 mg), seu titulo neutralizante era igual a 1,8 mg., en-
quanto que, utilizando-se outro veneno, muito menos ativo, (d.m.m. = 0,083
mg) o valor do soro passava a ser, apenas, 2,3 mg e não 7.65 mg, como^
poderia parecer; portanto, embora a relação existente entre os venenos seja
de 1 :4,25 os titulos dos soros permanecem entre si como 1 :1,27. Com o soro do
animal No. 367, então, observamos fato paradoxal já descrito por Lucas de
Assumpção (9). neutralização menor, 2,5 mgr, cem veneno de jararaca menos
ativo (d.m.m. = 0,090 mg), do que com outro veneno (d.m.m. — 0,032
mg) quando o valor antipeçonhento elevava-se a 2,6 mg.
Cabe-nos agora analisar os resultados obtidos por R. Kraus na sua tentativa
de elucidar a interessante questão que vimos debatendo. Esse pesquizador titulou-
os diversos antivenenos de cinco soros anti-botrópicos polivalentes, concentrados,
(na preparação dos quais não figura o veneno da B. cofiara), servindo-se do mé-
todo de doseamento denominado “imediato” (10), do qual, juntamente com
Rocha Botelho é o introdutor; os venenos padrões empregados eram todos de
valer toxico diverso dos que Vital Brazil lançara mão nos seus trabalhos. De
inicio, deve-se notar que, além dos soros estudados serem em número reduzido,
o método é diferente do original, dificultando extraordinariamente a compara-
ção dos resultados. Apezar disso, esses resultados estão em oposição ao firmada
por Lucas de Assumpção quando este diz que as diferenças encontradas na titu-
lação dos soros com venenos de toxicidadi desigual desaparecem no caso dos
soros concentrados, resultantes sempre da nústura do plasma de vários animais
(11). Depois, os titulos apresentados por Kraus não exprimem realmente os va-
lores neutralizantes existentes, sendo apenas aproximativos, segundo êle próprio
esclarece:” Como não se trata de conhecer bem exatamente o valor curativo
(porque não tratou de soros para serem aplicados na prática) titulamos de 5 a
10 d.m.” — (sic). A seguir, observamos que as diferenças assinaladas são
sempre calculadas segundo o número de doses mortais neutralizadas. Ora, já
salientamos que, segundo os trabalhos de Sordelli e Pacella, Lucas de Assump-
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J. B. ARAXTES & C. II. BRAXDAO
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ção, e as nossas próprias investigações, deve-se titular o valor dos soros pelo
número de miligramas de veneno que êle é capaz de neutralizar, abstração feita
da toxicidade dos venenos (dentro dos limites apresentados, é claro) sem o que
não é possível fazermos comparações verdadeiramente significativas. ÍFinal-
niente, julgamos muito simplista o plano imaginado por Kraus, para corrigir
diferenças encontradas na imunização dos equinos, feitas com antigeno poliva-
lente, o qual consistiria na inoculação, separadamente, de cada veneno. Além
de não ser possível atinar com as vantagens que decorreriam dessa modifica-
ção, devemos salientar que antigenicidade das misturas polivalentes parece ser
evidentemente melhor do que a de cada veneno isolado, pois, como dissemos
linhas atrás, a nossa experiencia mostrou o quanto é dificil conseguir soros mo-
novalentes de altos títulos, apezar de serem as quantidades de venenos especí-
ficos injetadas em cada animal, seis vezes mais elevadas, como é obvio. Basta
dizer que nenhum dos soros que preparamos atingiu o limite de 1,5 mg, o que
é facílimo conseguir-se quando a mistura polivalente c empregada (vide Qiia-
dro Xo. III).
Xão obstante os resultados colhidos em nossas pesquisas, deve-se admitir
que o método de Vital Brazil corresponde,^ ainda hoje, ás necessidades praticas
da preparação dos soros anti-lx)trópicòs, e da titulação dos mesmos. Compro-
va-íC isso pelo exame do Quadro Xo. III, onde se expressam, em números
globais, os resultados das nossas dosagens, agrupadas segundo os diferentes
limites atingidos. A preponderância dos valores médios, de 1,1 a 2,0 mg é
evidente, pois representam 42,98^0 da primeira verificação e 48,80^ na segun-
da, o que é bem expressivo. Acresce notar que o método de dosagem, adotado
pela legislação brasileira a respeito, que exige tenham os soros capacidade de
neutralizar 1,5 mg de veneno B. jararaca por centímetro cúbico (12), consa-
grando, pois, não só a escolha desses limites médios como a do veneno da
B. jararaca como padrão, atende, ao mesmo tempo, ás necessidades de prepa-
ração dos soros e, embora fortuitamente, ás exigências da terapêutica dos enve-
nenamentos produzidos pelas Bothrops. Com efeito, não obstante a prepon-
derância de B. jararaca não se verificar sempre em todas as regiões do país,
como se sabe, é forçoso reconhecer que as únicas estatísticas seguras de que
dispomos sobre os envenenamentos ocasionados jielas serpentes do gênero
Bothrops acusam nitidamente o maior vulto dos provocados pela B. jararaca'.
62.67%, segundo os dados coligidos por Afranio do Amaral (13). única res-
trição a fazer no momento, á parte o que já foi dito sobre a titulação dos soros,
seria relativa á obtenção dos antivenenos tictrzdcdii e coliara, constantemente
encontrados com titulos baixos. Acreditamos que a correção dessa deficiência
(que não nos parece deva ser imputada ao método), requer inicialmente, para
o primeiro deles, investigações cuidadosas acerca da provável deficiência antige-
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163
niva do veneno; quanto ao segundo, como já acentuamos, parece que se se
elevsse a proporção do veneno de Cotiara, na mistura poliralente, á dos outros
cinco componentes, corrigir-se-ia a falha.
COXCLU.SÕES
I — A titulação dos soros anti-botrópicos polivalentes, pelo veneno B.
jararaca, não expressa exatamente o valor dos outros componentes antipeço-
nhentos existentes nesses soros.
II — Para que a uniformidade e consequente eficácia terapêutica, dos
soros anti-botrópioos ftoli\-akntes seja real; seria necessaírio que se dosasse
cada um dos anti venenos específicos nêles contidos.
Hl — O teor de antivenenos contidos nos soros anti-botrópicos é variável
no decorrer de imunizações sucessivas, só conservando a mesma cuna excep-
donalmente.
IV — Os venenos das B. atrox, B. jararaca, B. jararacussu e B. altenuxta
são, em ordem decrescente os que produzem, com maior facilidade titulos mais
altos, sendo o da B. neuwiedii o mais fracamente antigenico; o da B. cotiara
parece ser tão antigenico quanto os quatro primeiros.
V — Os titulos médios, neutralizando de 1,1 a 2,0 mgr por centimetro
cúbico, conseguem-se com grande facilidade na imunização polivalente, para a
maioria dos antigenos.
VI — re-imunização melhora, comumente, os titulos antipeçonhentos.
VII — As dosagens dos soros anti-botrópicos devem ser feitos pelo cal-
culo ponderai e não pela neutralização do to.xicidade dos venenos empregados.
SCM.\RIO
Os autores analisaram o método de preparação dos soros anti-botrópicos
polivalentes preconizado por Vital Brazil, dosando o teor de antivenenos dos
soros de vários cavalos imunizados com venenos das seis espécies de Boüirops
maii frequentes no Brasil: B. jararaca, B. atrox, B. altcrnata, B. jararacussu,
B. neuzinedii e B. cotiara.
A inoculação desses venenos, misturados em partes iguais, com excepção do
de B. cotiara que figura em proporção 50% menor, produz antivenenos espe-
cíficos de valor variável, em cada imunização e também no decorrer de imuniza-
ções sucessivas. Os mais antigenicos são os quatro primeiros citados, parecendo
ser o melhor o de B. atrox, enquanto o penúltimo é de fraco poder antigenico.;
com referencia ao veneno de B. cotiara é necessário ter em mente a proporção
em que ele entra na mistura. Os titulos de antiveneno-jararaca não indicam.
11
164
AXTfGEXOS E ANTICORPOS BOTRÓPICOS. I)
de maneira segura, o valor dos restantes anticorpos espícificos existentes nos
soros, muito embora o método de dosagem em vigor e adotado pela legislação
brasileira determine o valor terapêutico dos soros sómente por esse veneno.
Convem, pcis, que os soros polivalentes sejam aferidos pelos diferentes au-
tigepos que Ir.es dão nascimento, para maior segurança e eficácia da tera-
peut ca de envenenamentos produzidos por certas Bothrops, como os que são
c-casxmados pela B. /icinciedii, por exemplo.
Os titulos dos soros devem sempre referir-se a miligramas de venenos neu-
tralizados, e não á neutralização do poder toxico dos venenos empregados como
padrões.
ABSTRACT
The authors studied tlie method oi preparation of poh-A-alent anti-bothropic
sera, deiiásed by \’ital Brazil, determining the amount of anti-venom in the sera
of several hores immunized against the venoms of the six most frequent species
of Brazil: B, allcniata, B. atrox, B. jararaca, B. jaracacussu, B. nctncicdii,
B. cofiara.
These venoms which were mixed in in equal parts — with the excep-
tion of the B. cofiara venom which ^ras used in smaller proportion (50
less) — produce, on injection, specific anti-venoms of variable \-alue, during each
immunization and also in subsequents immunizations. The most antigenic are
th~four first-u.tnrinnned, the besí one being the B. afrox venom, whilst the la.-^t
but ene has only weak antigenic power; as to the B. cofiara venom one must
bear in mind tlie proportion in which it enters into the niLxture. The titers of
jararaca anti-venom do note indicate, with reliability, the value of the remaining
specific antibodies existing in the sera, although the actual method of dosage
aceording íc> the llrazilian legislation determines the therapeutic value of the
sera by this venom cxclusively.
They rccommi.pc to standardize the pol3valent sera by the different
antigens that were used for their production to greater safety and efficacj’ of
the therapeuties of poisonings produced by ctrtain Bothrops such as those
caused by B. ncincicdii, for instance.
The titers of the srra should always be expressed in milligrams of venom
that is neutralized, and not by the neutralization of the to.xic power of the
venems used as standards.
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165
ZUSAM M EN FASSU NG
D:e, seinerzíit von Vita! Brazil, erdachte Herstellungsmethode der polyva-
Icnten, anti-bothrcpischen Sera wurde von den Verfassem eingehend untersucht
an Hand des Gegen Gift Gehaltes der Seren, die von Tieren stammten, die mit den
Giftcn der folgenden sechs haeufigsten brasilianischen Bothrops-Giftschlangen
immunisiert wurden: Boíhrops jararaca, B. atrox, B. altcmata, B. jaraciissu,
B. nctncicddi und B. cotiara.
Dies; Giíte, obwohl sie alie in genau gleichen Mengen den zu immunisieren-
d«n Tieren eingespritzt wurden, mit Ausnahme <les Cotiara-Giftes, das in der
^liscbung nur im Verhaeltnis von 50% enthalten war, erzeugen die entsprechcn-
den spezifischen Anti-Gifte in verschiedenen Werten. Und zwar nicht nur bei
der Erst-immiánisicnng, sondem auch bei den folgenden.
Die %'ier erstgenannten Gifte haben die beste antigene Wirkung, wobei es
scheint, dass das Atrox-Gift an erster Stelle steht, waehrend das von Neu-
wiedii stammende Gift eine nur sehr schwache antigene Wirkung zeiít.
In Bezug auf das Cotiara-Gift ist es notwcndig, zu bedenken, dass es in
einem geringíren Prozentsatz in der Mischung enthalten ist.
Die erhaltenen Werte des Anti-Jararaca-Giftes stimmen nicht vollkommen
mir denen der anderen Gegen-Giíte ueberein, obwohl die klassisclie Dosierungs-
methode, die auch durch die brasilianiche phamiazeutiche Gesetzgcbung vorge-
sch rieben ist, den therapeutischen Wert der Seren nur an dem ^^■erte dieses Giítés
bcstiinmt.
Es muss deshalb gefordert werden, dass die pohwalenten Seren and die
veschiedenen Anti-gene, aus denen sie entstehen, neu titriért wêrdén, damit
eine groessere Sicherheit und Wirkung bei der Behandlung der verschiedenen
Bothrop-\"ergiftungen, besonders bei Xeuwiedii, erzielt werden kann.
Bei der Titrieung der Seren muss immer angegeben werden, -wieviel mg
Gift ein bestimmtes Quantum disser Seren neutralisiert “und nidit, wlelche
Faohigkcit sie besitzen zur Neutralisierung der padronisierten Gifte.
RESUME
Les auteurs ont analisé la methode de préparation des sérums anti-bothropi-
ques polyvalents, préconisée par \'ital Brazil, en dosant les anticorps des sérums
de plusieurs chevaux imunisés avec des six espaces de Bothrops les plus com-
niunes au Brésil, B. jararaca, B. altcmata, B- jararacussu, B. ticinviedii, B. cotiara.
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ANTIGEXOS E ANTICORPOS BOTRÔPICOS. I)
L’inoculation de ces venins mélangés em parties égales, exception faite de
B. cotiara qui figure avec 50% à moins, produit des antivenins spécfiques
de \'aleur \‘ariable, dans chaque immunisation et aussi au courant d’immunisa-
tions successives. Les plus antigéniques sont les 4 premiers cités, B. airox
réagissent le mieux tandis que Tavant demier n’a qu’un faibe pouvoir anti-
génique. Quand, au pouvoir antigénique de B. cotiara il ne faut pas perdre
de vue la proportion pour laquelle elle intervident dans le mélange. Les titres
dantivenin jararaca n’indiquent pas avec certitude la valeur des anticorps res-
tanls dans les séruns, malgré que la méthode de dosage adoptée par la legis-
lation brasilienne determine la valeur thérapeutique des serums uniquement par
ce venin.
II en resulte donc; que les sérums polyvalents doivent être dosés en re-
lation aux divers antigènes qui ont servis de base à leur preparation, afin
d’avoir plus de garandes quant à Tefficacité thérapeutique dans les accidents
produits par certaines Bothrops comme ceux produits par la B. nciiwicdii p. e.
Les titres des sérums doivent toujours indiquer en miligrammes la quan-
tité de venin neutralisé.
BIBLIOGRAFIA
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11. Assumpção, Lucas de — loc. cit.
12. Farmacopeia dos Estados Unidos do Brasil — 1.® c 2.* suplementos. Rio de Janeiro.
1947, p. 83.
13. Amaral, Afranio do — loc. cit.
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TITULO DE ANTICORPOS, EM MILIGRAMAS DE VENENO
NEUTRALIZADO POR CENTÍMETRO CUBICO DE SORO
ANIMAL 6
GRAFICO N2|
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2.* verificação
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AXTIGEXOS E ANTICORPOS BOTRóPICOS. I)
TITULO DE ANTICORPOS, EM MILIGRAMAS DE VENENO
NEUTR.-KLIZADO POR CENTÍMETRO CUBICO DE SORO
ANIMAL 18
GRAFICO N® 3
ANIMAL 24
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2 3 4 5 6
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TITULO DE ANTICORPOS, EM MILIGRAMAS DE \'ENENO
NEUTRALIZADO POR CENTÍMETRO CUBICO DE SORO
ANIMAL 27
GRAFICO N9 5
ANIMAL 29
GRAFICO NO 6
L“ verificação
Legenda =
2.* verificação
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SciELOi'o
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^lem. Inst. Butantan.
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TITULO DE ANTICORPOS, EM MILIGRAMAS DE VENENO
NEUTR.\LIZADO POR CENTÍMETRO CUBICO DE SORO
ANIMAL 260
GRAFICO N“9
ANIMAL 289
GRAFICO
Legenda r=
N° 10
— 1.* verificação
2.* verificação
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ANTIGEXOS E ANTICORPOS BOTRóPICOS. I)
TITULO DE ANTICORPOS, EM MILIGRAMAS DE VENENO
NEUTRALIZADO POR CENTÍMETRO CUBICO DE SORO
ANIMAL 308
& JARARACA B ATROX BALTERNATA B JARARACUSSU BNEUWIEDII BCOTIARA
GRAFÍCO N» II
1 SciELO
TITULO DE ANTICORPOS. EM MILIGR.\MAS DE VENENO
NEUTR.\LIZADO POR CENTÍMETRO CUBICO DE SORO
CRAFÍCO N2 13 '
GRAFICO
Legenda =
N2 14-
1.* verificação
2.* verificação
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21:153-178. Abril 1949.
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TITULO DE ANTICORPOS, EM MILIGRAMAS DE VENENO
NEUTRALIZADO POR CENTÍMETRO CUBICO DE SORO
ANIMAL 343
GRAFICO N ? 17
ANIMAL 330
GRAFICO
Legenda =
N2 18
1. * verificação
2. * verificação
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TITULO DE ANTICORPOS, EM MILIGRAMAS DE VENENO
NEUTRALIZADO POR CENTÍMETRO CUBICO DE SORO
ANIMAL 367
GRAFICO N2 19
SORO ANTI-BOTROPICO POLIVALENTE CONCENTRADO
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2 3 4 5 6
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Mem. Imt. ButanUn,
*1:153-178. Abril 1949.
J. B. ARAXTES i C. II. BRANDAO
TITULO DE ANTICORPOS, EM MILIGRAMAS DE VENENO
NEUTRALIZADO POR CENTÍMETRO CUBICO DE SORO
ANIMAL 319
2 .
I.
n
íj
B. JARARACA B. ATROX B Air CRN AT A B. JARARACUÍSU B.NtUWlEOll B.COTIARA
ANIMAL 350
f
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El 1
ft. JARAftACA ’ B. ATROX ' 8. ALTC ANATA 'b. JARARACUiSU' B. NCUWICDn' B.COTIARA
ANIMAL 367
í/í
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B. JARARACA ' bTaTROX ' B.ALTCRNATA JARARACUS3u' B. NEUWlCOtl' B.C0T IARA
177
legenda:-
C53 - 1 *■ VER IF ICAÇÁO
■ -2»-VERIFICACÃO
?5
2 3 4
5 6 SCÍELO_o 11 12 13 14 15 16
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Mem. Inst. Butantan,
21;ir9-186. Abril 1949.
J. P. DO AMARAL 4 R. BRANDI
179
DA CONSERVAÇÃO DA ATIVIDADE DA TUBERCULINA DILUlDA
EM LIQUIDO DE GOTTSCHALL & BUXNEY (* *)
PO* JANDYRA PLANET DO AMARAL
(Do Laboratório de Bacteriologia do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil).
& ROBERTO BRANDI
(Do Laboratório do Dispensário Clemente Ferreira, São Paulo, Brasil).
A conclusão de vários estudos comparativos sobre provas tuberculínicas é
que o test de Mantoux é o mais delicado e seguro.
Para os clínicos, porém, a objeção mais importante sobre o uso do mesmo é
que a tuberculina diluída, perdendo ràpidamcntc sua potência, torna o test pre-
judicado de seu caráter prático, pois a diluição de\-crá ser feita sempre no
momento da prova.
Num esforço de remover êste impecilho, Gottscball e Bunney, em agosto de
1937 (1), propoem um diluente especial no qual êles julgam poder conserrar a
atividade da tuberculina diluída por tempo mais ou menos longo.
O liquido diluidor formado por uma solução tamponada pelo bora.K-ácido
bórico no pH 7,2 — 7,4, homogenizado pela goma arábica e tendo por antisép-
tico o fenol, conservaria a atividade e a esterilidade das soluções, facilitando assim
sobremaneira o serviço de tuberculino-diagnóstico.
Logo em seguida ao trabalho destes autores, Clark (2), estudando 1648
reações de Mantoux, conclui que a tuberculina pode ser usada em diluição, até
30 dias.
Eim nosso meio, Medeiros Filho (3) sugere que se poderá usar sem incon-
venientes, tuberculinas diluídas i)elo prazo mais ou menos de um ano. Suas
verificações, porém, são pouco concludentes, pois são baseadas num número
reduzidíssimo de observações (3).
Ao sermos encarregados do preparo da tuberculina, se nos deparou logo o
problema de sua distribuição aos serviços clínicos, e julgamos sem dúvida, que
seria muito mais econômico, razoável e prático, que esta fosse feita já nas dilui-
ções mais comumente empregadas.
Porém, julgamos de interesse que tivéssemos um conhecimento pessoal sobre
o assunto, e nossas verificações são o objeto da presente comunicação.
1948.
Recebido para publicação eni 11 de dezembro, de 1948.
(*) Trabalho apresentado ao IV.* Congresso Nacional de Tiá>erculosc, Recife, Nov.
1
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180
DA COXSERVAÇAO DA ATIVIDADE DA TUBERCULIXA
DILI.TDA EM LIQUIDO DE GOTTSCHALL & BUXXEY
PARTE EXPERIMENTAL
Foram praticadas reações de Mantoux em 928 pessoas. Estas provas foram
feitas indistintamente em homens e mulheres e em qualquer idade, aproveitando
assim o servnço de rotina do ambulatório do Dispensário Clemente Ferreira.
Trabalhamos com duas populações distintas, uma para tuberculinas fabrica-
das em caldo glicerinado, e outras para tuberculinas em caldo Dorset, com o
interesse de verificar se o caldo de cultura poderb ter influência sobre os resul-
tados finais.
A tuberculina Dorset nos foi gentilmente cedida por Adindo de Assis, em
outubro de 1947, e a glicerinada foi preparada no Instituto Butantan, partida
24-25. naquela mesma data.
A partida 24-25 fabricada pelo Instituto Butantan, foi comparada ao padrão
Internacional e a Arlindo -‘\ssis à primeira. As dosagens foram feitas em
doentes pela técnica standard. \'eri ficou-se que a partida 24-25 sempre produ-
ziu reações com 5 mm para menos que a Internacional e que tuberculina Dorset
comportou-se também com menor atividade que a 24-25, como se pode notar no
quadro abaixo :
Doente
Diluição
Leitura •/<¥ horas
But. 24-25
Dorset
.K
1/1000
5 mm
2 mm
B
C
**
20
18
D
n
10
5
E
12
5
F
2
O
Para cada uma das populações o critério das provas foi o mesmo a saber;
as diluições das tuberculinas foram sempre feitas em liquido de Gottschall e
Bunney, quer para a diluição recente, quer para a antiga. O diluente foi sempre
preparado no momento de ser utilizado. As diluições antigas foram sempre
guariladas na geladeira a 5'C em vidro neutro.
Todo o trabalho foi feito com assepsia e controle cuidadoso das seringas
e agulhas. As reações praticadas com tuberculina diluída recentemente (dia da
prova) foram comparadas com as diluídas em tempos variáveis por injeção intra-
dérn-.ica de 0,1 cm^ da diluição desejada, na face anterior do antebraço, havendo
entre as duas inoculações uma distância de mais ou menos 6 cm. As leituras
for; ;m feitas em 48 horas.
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21:179-1*6, Abril 1949.
J. P. DO AMARAL & R. BRANDI
ISl
Foram obsen^adas comparativamente as diluições conservadas durante tem-
pos variáveis, a saber; 15, 45, 60, 75. 100 dias e 7 mêses; como controle das
provas em um lote de pessoas, foram feitas injeções com a mesma tulierculina
diluida recentemente nos dois pontos citados acima. Os lotes não foram unifor-
mes quanto ao número, pois as possibilidades de um ambulatório são variáveis
dia a dia como é conhecido de todos; julgamos porém que êste ponto em nada
interfere na ideia geral do assunto.
As leituras foram sempre realizadas jicla mesma pessoa para obedecerem a
um mesmo critério.
A tabela e o gráfico anexos condensam os resultados encontrados.
Pela observação dos mesmos notam-se resultados tão variáveis que parecem
não ter uma sequência lógica, tanto para a tulierculina glicerinada, como para
a Dorset.
Xota-se de inicio uma queda da porcentagem dos positivos para a tubercu-
lina diluida há tempos; ilògicamente a curva às vezes ascendente continua irre-
gular durante todo o tempo estudado.
A curva do inicio lembraria muito simplesmente uma perda da atividade,
para a tuberculina diluida já com 30 dias; para a segunda fase porém, devemos
falar de falsas reações, produzidas talvez jiela desnaturação da tulierculina di-
luida.
Assim é que pela análise de cada caso estudado, verificamos qu? as reações
inespecificas, i.sto é, mais intensas para a tuberculina diluida há mais tempo, já
começam a aparecer em diluição de 45 dias na qual em 77 casos estudados se
encontra uma maior em 5 mm de diâmetro.
Para 60 dias, em luzerculina preparada em caldo glicerinado, em 89 rea-
ções, tivemos duas com diferença de 7 mm para mais na diluição antiga, e em
caldo Dorset. em 84 casos uma com 6 mm.
As comparações das diluições recentes e de 100 dias apresentam resultados
bem interessantes, pois em 103 observações com tuberculina fabricada em caldo
glicerinado, 5 reações se mostram negativas para a diluição recente, e com 15, 5,
8, 10, e 10 mm para 100, dias, ainda em 14 outros casos as reações recentes foram
menos intensas, podendo-se pois falar de 19 falsas reações. Esta mesma compa-
ração, feita para a tuberculina fabricada em caldo Dorset, em 41 pessoas mostrou
os seguintes resultados: em um caso, reação negativa para diluição recente e
cont 5 mm para 100 dias; em 12 outras reações a diluição recente apresentou-se
menor que a antiga, tendo-se então 13 falsas reações.
Para diluições de 7 mêses em 40 reações estudadas para tuberculina em
caldo glicerinado, tivemos duas tm que a diluição antiga mostra reação maior e
para a tuberculina cm caldo Dorset em 41 tests, o mesmo resultado jxira 5 casos.
Se compararmos êstes resultados com os referidos pila mesma tuberculina
injetada em dois pontos do antebraço, cujas reações são pràticamente iguais nos
3
DA CONSERVAÇÃO DA ATIVIDADE DA TUBERCULINA
DILUÍDA EM LIQUIDO DE GOTTSCHALL & BUNXEY
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Mem. Inst. Batutui,
21:179-186, Abril 1969.
J. P. DO AM.UIAI. & R. BRANDI
183
37 casos estudados (diferença nunca maior que 4 mm), podemos afastar a
ideia destas discrepâncias estarem ligadas a qualquer êrro técnico, mas sim a
algum fator inherente à própria tuberculina ou ao diluente. Não queremos
nesta pequena comunicação afirmar categoricamente que a tuberculina não deverá
ser distribuída em diluição, mas, chamar a atenção para que sempre que for
possível, seja a tuberculina diluída no momento de ser usada, para que se
evitem erros possíveis de serem corrigidos.
Se considerarmos que a praxe rotineira do diagnóstico tuberculínico reco-
menda injeções sucessivas de diluições decrescentes, para os casos negativos de
início, não haverá sem dúvida, grande importância numa reação positiva que
falhasse de ser revelada por uma tuberculina diminuída de atividade; o que
nos parece de certa gravidade porém, são as falsas reações mascarando a reali-
dade da prova, o que parece acontecer em vários casos para as tuberculinas
diluídas em tempo mais longo.
RESUMO E CONCLUSÕES
São referidos os resultados obtidos em Mantoux íests com tuberculinas di-
luídas em líquido de Gottschall e Bunney recentemente, c em tempos variáveis,
15-30-45-60-100 dias e 7 meses e comparados às reações apresentadas por uma
tuberculina diluída recentemente, e injetada segundo a mesma técnica cm dois
pontos diferentes do antebraço.
» •
Como conclusão principal, sugerem os autores que o emprego de tuberculinas
prèv-amente diluídas e conservadas sob esta forma, para fins diagnósticos, dão
resultados discutíveis (falsas reações) especialmente quando utilizadas após 30
dias da data da diluição.
SUMMARY AND CO^CLUSIONS
Are referred the results obtained recently in Mantoux tests with tuberculines
dissoveld in Gottschall and Bunney liquid, 15-30-45-60-100 days and 7 months
and compared to the reactions presented by a tuberculine recently dissolved,
and injected aceording to the same technics in two different places of the fore arm.
As principal conclusion, the authors suggest that the employment of tuber-
culines previously dissolved and kept in this way, for diagnotiscal purpose, give
results that may be discussed (false reactions) specially when used after 30 days
from the day of dilution.
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184
DA COXSERVAÇAO DA ATIVIDADE DA TUBERCULIXA
diluída em LIQUIDO DE GOTTSCHALL & BUXXEV
BIBLIOGRAFIA
1. Gottschall, R. ôr Bunnty, /('. E. — The Journal of Immunology, 34(2) :103, 1938.
2. Clark, E. — American Rcz-icu’ of Tuberculosis, 38s270, 1934.
J. Medeiros Filho, Amaury — O Hospital, 27(5) :823, 1945.
Agradecimento: Deixamos aqui consignados os nossos agra-
decimentos ao dr. J. Rosenberg que nos facilitou a realização do
presente trabalho e aos drs. Romilda \'alentino, Mario Camargo
e‘Amelio Magalhães que genlilmente nos auxiliaram na leitura dos
tests.
Aos drs. Nelson Planet e Waldemar Ferreira de Almeida que
se interessaram pela interpretação dos resultados somos também
muito gratos.
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Mem. Inst. Butan-^n. J. P. DO AMARAI, & R. BRANDI
-21:179-186, Abril 1949.
PORCENTAGEM DE POSITIVIDADE
À REAÇÃO TUBERCULINICA
X
TUStfiCüLíNA iu CALOO DOR5ET
50
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7
Mrm. Tnst. Batantan.
21:18"-202. Abril 1949i
G. HOXTER 4 D. DECOUSSAU
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CONXEXTRAÇAO, PURIFICAÇÃO E CONTROLE FiSICO-QülMICü
DOS SOROS ANTITÓXICOS E AXTIPEÇONHENTOS
roR GÜXTER KOXTER & DORIVAL DECOUSSAU
(Da Secção de Conceniração de Soros do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
INTRODUÇÃO
Desde o começo da soroterapia estudaram-se os meios para a purificação
e concentração dos soros terapêuticos. As pesquisas neste sentido foram
moti\adas pelo desejo de se obter os princípios curativos, com o menor teor
possível de substâncias inertes, e aumento de elemento especifico, adquirindo
assim efeito terapêutico superior. Procurava-se, com a purificação destes pro-
dutos, bai.xar a percentagem de certos sintomas, tão desagradáveis, conhecidos
por doença do sôro, tão frequente com a aplicação de soros impuros. Era
ainda objetivo da purificação, elevar o efeito terapêutico do sôro (1). Enquan-
to a concentração de um sôro eleva-!he a dosagem específica, a purificação
o expurga de todas as substâncias desprovidas de -valor curativo.
O sôro antitóxico é uma solução estável de proteínas que neutralizam a
ação destruidora das toxinas microbianas e das fitotoxinas. As proteínas do
sôro antipeçonhento neutralizam as peçonhas de animais venenosos. As pro-
teínas neutralizantes específicas são produzidas no organismo animal depois
da injeção da toxina ou do veneno correspondente. Tais substâncias provo-
cadoras da formação de anticorpos produzem estímulos bem específicos; o anti-
corpo geralmente só neutraliza aquele antígeno que provocou a sua formação.
Os anticorpos encontram-se nas proteínas plasmáticas e são preparados partin-
do-sc do sangue de animais imunizados. O valor neutralizante é dado em uni-
dades por ml para os soros antitóxicos, e em mg de veneno neutralizado para
os soros antipeçonhentos.
Os processos que têm sido usados para êste fim baseiam-se em princípios
físico-químicos de fraccionamento de uma mistura cujas partes mostram dife-
renças de solubilidade, de precipitabilidade, de ponto iso-elétrico, de velocidade
eletroforética, de resistência à desnaturação por agentes químicos ou físicos, de
liotropia, de estabilidade termodinâmica, ou de comportamento em presença da
Recebido para publicação cm 7 de dezembro de 1948.
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COXCEXTRAÇAO. PURIFICACAO E COXTROLE FISICOQUIMICO
0OS SOROS AXTITÓXICOS E AXTIPEÇOXHEXTOS-
ação de agentes proteolíticos. Estas diferenças dependem da estrutura e do
tamanho da molécula. A composição química das frações proteicas do plasma
sanguíneo é bem semelhante em todas, mas o tamanho molecular varia, sendo
as maiores moléculas menos solúveis, mais precipitáveis e mais fàcilmente desna-
turáveis que as menores.
A divisão clássica reconhecia — à base de diferenças de solubilidade — a
presença, no plasma, das seguintes frações proteicas: fibrinogênio, euglobulina,
pseudoglobulina, e serina ou albumina do sôro. Por estudos electroforéticos
sabemos entretanto, que esta c'assificação semi-empírica é melhor substituída
pela divisão electroforética, do plasma normal: y — globuüna, fibrinogênio, P
— globulina, a globuüna, e albumina. No plasma de cavalos imunizados, os
anticorpos aparecem na fração da y — globulina, ou como uma nova fração
entre a P — globulina e a y — globulina. Não há paralelismo entre a preci-
pitação salina e a separação electroforética. A primeira depende da relação
entre a liotropia da proteína e a liotropia do ion precipitante, enquanto que a
velocidade electroforética depende da carga da proteína e de sua dífusibilidade.
carga externa da proteína é mínima ou práticamente nula no ponto iso-elétrico,
crescendo com o afastamento daquele ponto, .\baixo do ponto iso-elétricto (lado
ácido) a proteína tem carga positiva, acima dele predomina a carga negativa.
Como todas as frações electroforéticas do plasma têm pontos isoeléctricos dife-
rentes, o processo ideal para a obtenção do anticorpo puro, tal como êle existe
no plasma do animal imunizado, seria a electroforese do plasma num pH bem
afastado do ponto iso-eléctrico, mas dentro dos limites de estabilidade do anti-
corpo, Preparamos várias partidas de anticorpos electroforèticamente puros,
mas ainda existem dificuldades técnicas para a aplicação do processo em escala
industrial.
A molécula proteica que constitui o anticorpo pode então ser separada da
mistura plasmática pela electroforese ou pelos processos clássicos de precipi-
tação. O mais comum entre êstes últimos emprega o sulfato de amónio que
na concentração de 16% precipita fibrinogênio, euglobulina e uma parte inativa
da pseudoglobulina, transformada por aquecimento a 60.* C. No filtrado desta
primeira precipitação passam a albumina e a pseudoglobulina antitóxica, a última
sendo precipitada por uma concentração de 26% de sulfato dè amónio. Sepa-
rando o sulfato de amónio por diálise, a pseudoglobulina entra em solução,
juntamente om um complexo lipo-proteico que se toma insolúvel com o tempo
ou pode ser retirado por uma precipitação iso-eléctrica, pelo ajustamento do
pH num meio isento de sais, para o ponto iso-eléctrico do complexo lipo-proteico
(2). concentração final destas soluções de pseudoglobulina pode ser aiunen-
tada por ultrafiltração ou, com maior facilidade, pela criocontentração que
consiste no degêlo fracionado da solução congelada. Nos soros assim puri-
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G. HOXTER & D. DECOUSSAU
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ficados pela precipitação coni sulfato de amónio, sòmente 20^ das proteinas
são anticorpos, sendo o resto impurezas de pseudoglobulina inath-a que tem
o mesmo grau de dispersão c a mesma liotropia que os anticorpos e porisso
precipitam em conjunto.
Fermentos proteolíticos desdobram a molécula antitóxica em duas frações
de tamanho quase igual, uma delas contendo tôda a atividade antitóxica da mo-
lécula original. Estas frações ainda podem ser temio-desnaturadas, sendo a
fração antitóxica mais estável. LTtilizando êstes princípios. Pope (3) elaborou
um processo de purificação que consiste em:
1. Desdobramento com pepsina, da molécula antitóxica em duas frações;
2. Desnaturação térmica em presença de sais e desnaturantes químicos
para predpitar a proteína não-antitóxica, deixando a proteína antitóxica mo-
dificada em solução. Os anticorpos preparados por éste processo são mais puros
que a pseudc^lobulina antitóxica preparada pelo sulfato de amónio, êles têm
pêso molecular menor, são mais assimiláveis pelo organismo humano e produzem
menos reações séricas em virtude da modificação radical da molécula original.
Adotamos o processo de Pope no Instituto Butantan desde agosto de 1947 para
a purificação dos seguintes soros: sóro antidiftérico, tetânico, crotálico, histo-
iítico, oedematiens, perfringens, vibrião séptico. Estamos estudando as condi-
ções para aplicar êste processo, também aos outros soros (botrópico, escorpiónico,
cténico, licósico) que ainda estão sendo purificados pela precipitação com sulfato
de amónio, segundo o processo “Standard Methods” com pequenas modifica-
çõe.s. usando p. ex. sulfato de amónio sólido no lugar da solução saturada.
TÊCXICA
1.* fase: Mistura dos plasmas e diluição
Os p, asmas citratados e fenicados' (0, 4%) de vários cavalos são mistu-
rados até dar um volume total de 50 litros. (Todas as medidas do vasilhame
usado são conferidas prèviamente pelo processo abaixo indicado). Se os
plasmas não estiverem límpidos, éles devem ser passados através de uma ca-
mada de gaze para eliminar os grumos de proteína desnaturada- Juntam-se
90 litros de água da torneira, aquecendo a mistura a 30* por meio de vapor
que passa na parede dupla de um caldeirão de aço inoxidável, de capacidade
de 400 litros, munido de um agitador eléctrico e de 2 tubos para introdução
dos electródios externos de um pjotenciómetro e dos termo-elementos de um
registrador automático de temparatura. A diluição com água diminui o teor
proteico que depwis da 2.* fase, onde o volume total atinge 150 litros, cai nara
menos de 3%.
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COXCEXTRAÇAO. purificação E controle FISICO-QUIMICO
DOS soros ANTITóXICOS e antipeçonhextos
2.* fase : Ajustamento do pH a adição de pepsina
O plasina diluído é acidulado, com ácido clorídrico diluído ao meio, até
um pH entre 3,5 e 4,0. Juntam-se 250 g de pepsina 1 : 10.000 (5 g por litro
de jjlasma) dissolvidos em 9 litros de água, bai.xando o pH logo em seguida
par.i 3.20 pela adição de mais um pouco de ácido clorídrico. Obsen-a-se
que a turvação inicial da mistura vai desaparecer quando o pH se aproxima
de 3.2 indicando assim, de uma maneira grosseira, a zona ótima para a atuação
da j)epsina, que consiste na destruição da albumina e modificação das globuünas
aefj e do anticorpo, deixando ay — globulina e o fibrinogênio intactos. O
vclume total da mistura é completado para 150 litros com água de torneira,
conservando a mistura a 30" com agitação constante, durante 30 minutos, a
contar do momento da adição da pepsina.
3.^ fase: Reajustamento do pH c adição de sulfato c toluol
Num estudo sobre a purificação enzimática dos soros, Harms (4) mos-
trou que o rendimento é maior com pH elevado e quantidade pequena de amó-
nio. O grau de dispersão do precipitado que se forma — e que consiste de
pepsina, fibrina, y — globulina, as frações termocoaguláveis da a e ff —
globulina, e do anticorpo — não permite a filtração acima de um pH de 4,3 e
com menos de 120 g de sulfato de amónio por litro. Harms indica um limite de
130 g por litro, mas nós conseguimos filtração rápida com quantidade menor.
Experiências realizadas com outros sulfatos — de sódio, potássio, litio, magné-
sio — demonstraram grandes vantagens do sulfato de amónio sóbre os demais.
Por esta razão, também, substituímos a solução de hidróxido de sódio a 40%
que Harms recomenda, elevando o pH para 4,30 com amoníaco concentrado
(24%), depois da adição de 18 kg de sulfato de amónio e 150 ml de toluol que
facilita a eliminação de lipoides e precipitação das proteínas inativas. O uso de
pirofosfato de sódio, que Harms junta nesta fase para evitar a formação de
compostos coloridos do cresol e para elevar o pH, é considerado desnecessário
por nós, pois não encontramos nas nossas misturas substântías catalisadoras
da o.xidação de grupos fenólicos nem ions de ferro; também, as proteínas for-
mam um sistema tampão bastante eficiente e permitem atingir o pH 4,3 pela
adição de amónia com relativa facilidade. O uso de sais tampões (citratos,
fosfatos), em substituição ao sulfato de amónio, ainda se encontra na fase
e.xperimental.
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4.^ fase: T cnm-dcsmturação c filtrarão
Ele\a-se a temperatura a 55° o mais rapidamente possivel para suster a
ação da pepsina cuja atividade proteolitica aumenta com a temperatura até 50°.
Com um volume inicial de 50 litros de plasma, conseguimos a elevação da tempe-
ratura para 55.* em 4 minutos, mas com volumes maiores êste tempo aumenta, de-
terminando perda maior de antitoxina, razão pela qual estabelecemos, como
limite máximo 50 litros de plasma para o nosso aparelho. Conserva-se a tem-
peratura a 55* durante uma hora i^ara desnaturar 70% da proteina original,
eliminando assim ay — globulina, a maior parte da a — globulina e as fra-
ções termolábeis da p — globulina e da globulina antitóxica- O precipitado é
separado por filtração da mistura, resfriada a •^5*. em carapuços de feltro,
deixando, após 24 horas, um residuo bem ressecado e dando um filtrado de
quase 145 litros que contêm 50 — 60% das antitoxinas modificadas, além
de proteoses formadas pela ação da pepsina sobre albumina e o — globulina.
A lavagem do residuo nos carapuços não compensa o trabalho dispendido, pois
a recuperação de anticorpos extraidos foi sempre menor de 3% do total.
5.* fase: Precipitação da antitoxina modificada
Xo plasma original, tòda a pseudoglobulina antitóxica é precipitável por
uma concentração de 250 g de sulfato de amónio por litro, mas pelo trata-
mento com pepsina modificamos, além do tamanho molecular, também o grau
de dispersão do anticorpo que agora só precipita totalmente com 340 g de
amónio por litro, as frações que predpitam entre 280 e 320 g sendo as mais
puras. Entretanto, deve-se limitar a concentração final de sulfatos para evi-
tar a co-precipitação das proteoses formadas pela ação da pepsina sôbre a al-
bumina. Juntando 180 g de sulfato de amónio por litro de filtrado da fase
anterior, obtem-se uma concentração de mais ou menos 300 g por litro que é
suficiente para precipitar quase todo o anticorpo. A perda nesta fase é rela-
tivamente pequena (i: 6^).
6.® fase: Filtração c secagem da antitoxina precipitada
Doze horas após a precipitação separa-se a maior parte do liquido por de-
cantação ou sifonagem, filtrando o residuo em papel de filtro Whatman No. 50,
de 50 cm de diâmetro. Eiste papel tem a vantagem de ser bem resistente, po-
dendo ser usado cerca de 20 vezes. A massa é retirada dos filtros com espátula
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19^ COXCENTRAÇAO. PURIFICAÇÃO E CONTROLE FISICO-QUIMICO
DOS SOROS AXTITôXICOS E AXTIPEÇOXHEXTOS
de madeira, preferentemente canela e colocada em pano de brim, de malha bem
fechada, para segurar a proteina e deixar passar apenas o excesso de solução de
sulfato de amónio c a humidade. O papel ^Vhatman usado é lavado em água
corrente até eliminação dos sulfatos, deixando-o secar em temperatura ambiente
para nora utilização. Os panos com a massa permanecem 1 a 2 dias na tem-
peratura ambiente, colocando-os depois numa prensa hidráulica a 37* para retirar
o resto do liquido.
7.® fase: Diálise e ajtistamento fitujl
A massa prensada e bem sêca é a seguir fragmentada a mão, formando gru-
mos irri^lares os quais se colocam no centro de uma folha de papel celofane.
Cada folha, com 400 g de massa, dobrada em forma de saco, cuja boca se
amarra, é colocada em tanque de água corrente, refrigerada ou não, de tal modo
que sòmente o fundo do saco esteja em contato com a superfície de água. A
diálise se processo até que unu amostra da água, adicionada de solução de clo-
reto de bário acidulada com áddo clorídrico, dê apenas uma leve turrâção, o
que lera cm média 6 dias. Neste tempo, a massa ensacada dissolve-se na água
que penetrou pelos poros do papel celofane. Retira-se esta solução de antitoxi-
na do tanque dialisador, mede-se o volume e junta-se 8 g por litro de cloreto de
sódio e 20 ml por litro de uma suspensão de fenol a 20%, em água, dando
assim uma concentração final de 0,4% de fenol. Acerta-se o pH para um ralor
de 7,2 pela adição de solução de carbonato de sódio a 18,5%. Embora êste pH
não seja o mais indicado para a conservação do anticorpo, que é mais estável num
pH mais liaixo, nós preferimos deixar o sóro cm 7,2 para fins de estabilização
do estado coloidal ; pois o sóro terapêutico devia ter uma reação na região do pH
fisiológico (7,4). Wadsworth na última edição dos “Standard Methods’’ (5)
recomenda uma outra fase suplementar de purificação usando alúmen para
adsorv-er mais algumas impurezas qutj possam existir no sóro, mas verifi-
camos que êste procedimento não contribui para aumentar a pureza e é até
prejudicial, dando uma perda muito maior. O sóro ajustado é diluído com
solução fisiológica fenicada até o valor antitóxico ou antipeçonhento desejado
e então colocado numa câmara fria a 4.*C, onde êle permanece durante 2-4
méses. Durante êste tempo processa-se uma leve precipitação e uma queda na
dosagem biológica até atingir um valor estável. Além desse tempo de arma-
zenamento que serve para estabilizar o sóro e garantir-lhe contra a perda de
atividade posterior à saída, damos ainda um excesso de 50% sôbre a dosa-
gem indicada e uma garantia de 5 anos a partir da data de doseamento, pois,
o anticorpor é um dos poucos remédios onde não se pode pecar por excesso.
6
Mcm. Inst. BnUntan,
31:lg7-202, Abril 1949.
G. UOXTER 4 D. DECOUSSAU
193
Depois de estabilizado, o sôro é submetido a um rigoroso controle fisico-
químico e novo doseamento biológico. Após a esterilizaq^} por filtragem,
cm ve!a e distribuição na ampola, um serviço especializado de controle procede
ao exame final que consiste de 4 partes:
1. V'erificação da esterilidade por incubação durante 14 dias cm 3 meios
de cultura diferentes.
2. Verificação da inocuidade por injeção cm camundongos.
3. Verificação comparativa da dosagem biológica com padrões interna-
cionais, ou. no caso das peçonhas, com os padrões estabelecidos pela Secção de
Venenos Animais do Instituto Butantan.
4. \'crificação dos caracteres físico-químicos.
Esta última parte consiste na determinação de densidade, viscosidade, pH,
concentração de fenol, concentração de cloreto de sódio, pesquisa de sulfatos e
de metais pesados c da dosagem do teor proteico e do azoto não-proteico.
Damos cm seguida um resumo de várias técnicas que estão sendo usadas
no Instituto Butantan, durante o preparo de soros.
1) Aferição dc vasilhames por processos químicos: Encher o vasilhame com
água até um pouco abaixo da marca de volume, juntar uma certa quanti-
dade bem pesada dc cloreto dc sódio que ia dar uma concentração dc Ig
por litro, completar o volume com água ato a marca c dosar os cloretos cm
10 ml da solução.
Oortto posto X 1»)
\'olume do \asilhamc =
Ooicto encontrado not 10 tnl
2) Determinação da concentração dc sulfatos durante a purificação: Reati-
vo: Suspender 2 g de benzidina em 80 ml de água distilada, juntar 5
ml de ácido clorídrico concentrado, completar o volunte dc 100 ral com
água distilada e juntar solução de hidróxido de sódio a 40^ até obter um
título ácido de aproximadamente 0,2 normal, titulando contra hidróxido dc
sódio deanormal. Filtrar. Técnica: Xum balão volumétrico dc 50 ml,
colocar uns 10 ml de água e juntar 0,2 ml da solução a dosar. Aquecer
um pouco, juntar 10 ml da solução de benzidina, completar o volume de 50
ml com água distilada e filtrar. Tirar 10 ml do filtrado límpido, juntar
algumas gotas do indicador de púrpura de bromocresol e titular contra
hidróxido de sódio decinormal.
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104 CONCENTRAÇÃO. PCRIFICAÇAO E CONTROLE FISICO-QUIMICO
DOS SOROS ANTITÔXICOS E ANTIPEÇONHENTOS
CALCULO:
*
XaOH para neutralizar 10 ml da sol. benzidina A ml
” ” ” 50 ml do filtrado D ml
Pêso equi\'a!ent€ do sulfato na solução P.E.
1
Sulfatos em g por litro = (A — D) x P.E.
Sulfato de amónio em g por litro = (A — D) x 33
Grau de saturação (Aproxim.) % = (A — D) x 6,6
3) Determinação da densidade: É suficiente determinar êste valor a 20.® até
a 3.* casa decimal por qualqiier processo. Xós usamos a balança de
Westphal ou um areômetro sensível, para volumes grandes, e a pesagem
direta de 2,00 ml, para pequenas quantidades. O teor proteico aproximado é
calculado pela fórmula:
Proteína em % = 348 (densidade — 1,007).
Para sóros com muita proteína recomenda-se a determinação da densidade
na diluição a 50% com solução fisiológica.
4) Determinação da viscosidade: Esta medida é de grande importância indi-
cando a estabilidade do estado coidal das proteínas do sôro. determinação
é feita no viscosimetro de Ostwald, dando o \-alor da nscosidade cinemática.
5) Detenninação do pH : Um potenciómetro Beckman com electródios de
>'idro e de calomelano é ajustado antes de cada determinação com o seguinte
tampão de fosfatos:
Solução .\= 9,078 g por litro de fosfato mono-potássico KHjPO^
Solução B= 9,465 g por litro de fosfato di-sódico XajHPOí
Misturando partes iguais destas soluções — que podem ser conservadas sepa-
radamente na geladeira durante vários meses obtem-se um pH de 6,80 que
serve de ponto de referência para o pontenciómetro.
6) Determinação da concentração de fenol:
RE.\TIVOS: a) Solução decinormal de bromo: Dissolver exatamente
2.7837 g de bromato de potássio KBrO* c 10 g de bro-
meto de potássio KBr em água distilada e completar o
volume para 1000 ml.
b) Solução decinormal de tiosulfato de sódio.
c) Solução de ácido tricloracético a 20%.
d) Solução de iodeto de potássio a 10%.
e) Acido clorídrico concentrado.
f) Solução dc amido.
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Mm. In5t. BaUaUn.
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G. HOXTER k D. DECOCSSAU
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TÉCNICA: Diluir exaiamente 2,00 ml de sõro a dosar com uns 20 ml de
água distilada, juntar 5 ml de ácido tricloracético a 20%, fen-er e filtrar. La\-ar
o filtro com mais 5 ml de ácido tricloracético, reunindo laragem c filtrando num
frasco de 250 ml com rolha de esmeril. Juntar exatamente 10,00 ml da solução
de bromo e 10 ml de ácido clorídrico. Dei.\ar num lugar escuro durante 30
minutos, juntar depois 15 ml da solução de iodeto de potássio e titular contra
a solução de tiosulfato de sódio, usando o indicador de amido.
CALCULO :
Fenol em g por litro = (10 — N) x O^S
Tiosulfato de sódio gasto = N ml
7) Determinação da concentração de cloretos: Misturar exatamente 5,00 ml
do sóro a dosar com álcool a 90* G.L. até completar o volume de 50 ml num
balão volumétrico. Centrifugar a mistura durante 2 minutos. Tirar 10 ml
do sobrenadante límpido, juntar algumas gotas da solução de cromato de
potássio a 5% e titular contra a solução decinormal de nitrato de prata.
Nitrato de prata gasto = N ml
Qoreto de sódio em g por litro = N x 5,85
8) Pesquisa de sulfatos e de metais pesados: Precipitando as proteínas com
ácido tricloracético, como na determinação do fenol, obtem-se um filtrado
que serve para pesquisa direta de sulfatos pelo cloreto de bário e de me-
tais pesados pelo sulfureto de sódio.
9) Doseamento do asoto: Determina-se o azoto total no Micro-Kjeldahl em
0,1 ml de sóro, juntando 1 g de oxalato neutro de potássio c 2,5 ml de
ácido sulfúrico concentrado para transformar o azoto cm sulfato de amó-
nio. A distilação é feita com adição de 15 ml de solução de hidróxido de
sódio a 40%, recebendo o distilado em 20 ml de uma solução de ácido bó-
rico a 2% que contém algumas gotas do indicador de s-ermelho metila.
O borato de amónio formado é titulado contra ácido sulfúrico centinormal.
Para determinar o azoto não-proteko, precipitam-se as proteinas com
ácido tricloracctico. dosando o azoto no filtrado pelo Micro-Kjeldahl. .'\
diferença entre azoto total e azoto não-proteico dá o azoto proteico que,
multiplicado pelo fator 6.25 indica o teor proteico do sóro.
Estabelecemos os seguintes limites para os caracteres físico-químicos
dos nossos soros: (Valor máximo)
cm
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196 CONCENTRAÇÃO, PURIFICAÇÃO E CONTROLE FISICO-OLTIIICO
DOS SOROS ANTITÔXICOS E ANTIPEÇONHENTOS
Densidade a 20* 1,045
\’iscosidade dnemática a 20* 4 centistokes
pH a 20* (mínimo 7,0) 7,8
Fenol (mínimo 3g/l) 5 g por litro
Coreto de sódio (mínimo 7,5 g/l) 9,5g ” ”
Sulfatos 0,2%
Metais pesados 0,001%
Proteína 15%
Azoto não-proteico 0,3%
DISCUSSÃO
Os processos de purificação baseiam-se nos seguintes fatos:
1) O anticorpo é uma proteína no%-a que se forma no plasma no decur-
so da imunização. É estável e conserva suas propriedades terapêuticas mesmo
quando separado de outras proteínas plasmáticas.
2) As frações proteicas do plasma são corpos distintos, cada um com sua
composição química, com seu ponto iso-elétrico, com sua solubilidade, e outras
propriedades físico-químicas bem definidas.
3) Os anticorpos dos plasmas 'equinos (anti-diftcricos, tetânicos, histoliti-
cos, oedematiens, perfringens, vibrião-septicos, botrópicos, crotálicos, elapídicos,
escorpiônicos, licósicos, e ctcnico), encontram-se na fração que precipita em con-
junto com a Y c uma grande parte da p — globulina acima de uma concen-
tração de 150 g por litro de sulfato de amónio.
4) Pelas precipitações com sulfato de amónio consegue-se isolar o anti-
corpo, contaminado pelas frações adjacentes de P c y — globulina, mas relati-
sumente puro, sem modificar as suas propriedades físico-químicas e biológicas
5) Pela ação controlada de pepsina pode-se desdobrar a molécula do anti-
corpo, em duas frações diferentes, a maior das quais retêm toda a atiridade
terapêutica e c mais termo-estável que a menor.
O processo de Pope que se baseia nestes fatos, modifica completamente a
molécula do anticorpo, reduzindo-lhe o tamanho e o pêso molecular pela meta-
de. A fração ativa tem mais valências secundárias que a outra fração. Em
virtude disso ela retém quase 90% dos carbohidratos da molécula original, tor-
nando-a mais estável e mais resistente contra a ação litica da pepsina e a desna-
turante do calor. De especial interesse são as observações de Glenny e Llewel-
lyn-Jones (6) que verificaram que a molécula do anticorpo modificado pelo
processo de Pope é absorvida com maior rapidez e eliminada mais lentamente
que o anticorpo integral. A diminuição do pêso e do tamanho molecular faci*
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SciELO
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Mem. Iiut. BatanUn,
11:1*7.202, Abril 1949.
C. HO.XTER & D. DECOUSSAU
197
lita a absorção e a passagem do anticorpo pelos \-asos, pois a sua contribuição
à viscosidade do sangue é menor. A menor velocidade de eliminação, entretan-
to. não tem explicação simples; proràvelmente há um aumento das \-alências se-
cimdárias da molécula modificada que desu maneira se liga com maior fôrça
aos tecidos ou a outras substâncias do sangue que dificultam a eliminação. Ou-
tra vantagem terapêutica do anticorpo modificado é a eliminação parcial da es-
pecificidade do animal produtor dos anticorpos. Quando separado das outras
frações proteicas pelo sulfato de amónio, o anticorpo ainda conserva todas as
características das proteínas do cavalo e pode provocar reações em pessoas sen-
síveis a estas proteínas. O tratamento pelo processo de Pope provoca uma mo-
dificação da molécula, destruindo quase totalmente as características da espécie
equina. Temos assim quatro grandes vantagens do anticorpo modificado sõbrc
o anticorpo comum;
a) Absorção mais rápida;
b) Eliminação mais lenta; ,
c) Menor incidência de sintomas de doença de sòro;
d) Possibilidade de administrar em volume menor de sóro, maior quanti-
dade de anticorpo, pois a diminuição do pêso molecular (na difteria: de ....
184.000 para 98.000) e o consequente enriquecimento cm unidades por grama
tíe proteína permitem atingir uma dosagem mais elevada. O tratamento pela
pepsina, também, diminui a assimetria da molécula do anticorpo; na difteria,
a relação entre o eixo maior e o menor, que, no anticorpo não modificado é
de 7,0 passa a ser de 3,3. Isto significa sensível diminuição da viscosidade das
soluções antitóxicas, facilitando a administração e a absorção. Fizemos a ob-
servação que o anticorpo anidro, obtido por liofilização da solução aquosa con-
gelada, dissolve-se na água quase sem discontinuidade de fase entre o solvente,
a solução saturada e o sólido.
.•\s vantagens apontadas compensam perfeitamente as perdas relativamente
elevadas que os anticorpos «ofrem. quando tratados pelo processo Pope: jus-
tifica-se plenamente essa perda, pois os resultados qualiutivos da purificação,
mais importantes que o rendimento quantitativo, cabem no plano cstabc‘ccido
pelo Instituto Butantan que se bate principalmente pela qualidade do produto.
Xão poupamos esforços para reduzir as perdas c conseguimos verificar que o
processo de Pope rende pouco, quando aplicado a plasmas de cavalos recern-
-imunizados, melhorando consideravelmente no decurso da imunização. Esta
observação encontra apoio nos seguintes fatos: Na imunização há inicialmente
um aumento da y — globulina, com formação de um anticorpo muito ávido
mas de pequena estabilidade. Depois de um certo tempo de imunização, e na
reimunização. forma-se um novo anticorpo que pelas características está mais
próximo da P — globulina, apresentando, porém, pêso molecular mais c’evado.
Este último anticorpo (às vezes também chamado "fração T’’) é mais estável,
11
1 SciELO
IQS COSCEXTRACAO. PfRIFICAÇAO E CONTROLE FISICO-QCIMICO
DOS SOROS AXTITóXICOS E AXTIPEÇOXHEXTOS
entretanto nienos resistente á ação da pepsina e porisso pode ser desdobrado
com maior facilidade para fornecer o anticorpo modificado.
Plasma de animal não-imunisado
albumina a-g!obulina ^-globulina
Plasma de animal recém-imunisado
albumina a-globulina (i-globulina
Plasma de animal imunisado
albumina a-globulina P-globulina
Plasma de animal hiper-imunizado
albumina a-globulina P -j- anticorpo
Y-globulina
anticorpo -f- y
anticorpo y-glob.
y-globulina
A pepsina desdobra estas frações na ordem indicada, da esquerda para a
direita, começando pela albumina e terminando com a y-globulina que é mais
resistente. A cisão da molécula do anticorpo pelo processo de Pope produz
um novo anticorpo que pelas características electroforcticas aproxima-se mais
da y-giobulina e adquire maior resistência contra a ação da pepsina. (Isso ex-
plica talvez a eliminação mais lenta quando injetada em outro animai, quand-a
pensamos no papel das enzimas proteolitkas do organismo que tem de destruir
a molécula proteica para que ela seja eliminada pelos rins). Também outros
autores (7) verificaram que o primeiro passo na digestão é o desaparecimen-
to da albumina e a substituição da fração “T” por uma nora componente y.
Continuando a digestão, a nora y permanece inalterada, mas as outras frações
electroforétkas desaparecem.
RESULTADOS
Xa tabela que segue reunimos os resultados obtidos no serviço de concen-
tração e purificação de soros durante os primeiros 10 meses do ano de 1948.
Indicamos a espécie de plasma, o volume total de plasnu de cada espécie que
foi concentrado, o volume total de sôro de cada espécie obtida, a média das
dosagens, em unidades por grama de proteina para os soros antitóxicos, e em
miligramas de veneno neutralizado por grama de proteina para os soros anti-
peçonhentos. Incluímos também os índices médios de purificação que são a
relação entre a dosagem por grama de proteína antes e depois da purificação,
e uma indicação aproximada do rendimento médio.
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Mem. Iiut. Butantao,
?l:U7-202, Abril 1949.
G. HOXTER 4 D. DECOUSSAU
199
Efpêcie
I
Proc.
II
Ptasraa
III
Sõio
IV
Oosaffem
V
1. p.
VI
Rendimento
VII
Diftêrico
Pope
2.750.000
217.500
60.000
5,2
45
Tetâmeo
Pope
J4.S00
45.850
58.000
4.5
52
HUtoIitico
Pope
600.000
2.200
55.000
6,0
48
Oedematiens
Pope
100.000
8.200
11.000
4.9
41
Pcrfrinfcns
Pope
200.000
14.400
6.900
5.2
24
Víbriio
Pope
100.000
6.000
lO.OO.’)
4.0
50
Botrópico
Pope
450.000
55.100
40
5,0
21
Botrôpico
2>uAm
400.000
59.900
50
1.8
51
Altcnuta
SuAm
9,000
1.900
27
1.1
24
Atrox
SuAin
24.000
2.600
12
2,5
29
Cotiara
SoAra
11.000
2.150
25
1.5
25
lasularit
SuAm
7.200
1.050
45
5.8
90
Jararaca
SuAra
8.500
1.200
16
1.7
51
JararactKú
SuAtn
10.100
1.800
9
1.4
52
LacbcMs tn
SuAm
1.500
soo
18
1.5
50
Crotilico
Pope
600.000
40.200
4U
8.0
57
Crocilico
SuAm
200.000
42.400
18
2,4
57
Eacorptômco
SoAra
59.200
7.650
57
1.8
20
Cténico
SuAra
27.000
5.200
40
1.6
25
Iricdsico
SuAm
59.000
4.750
400
1.4
24
I = Espécie do sõro
II = Processo osado para a purificação: ^I°íf*^*'**
ouAm — Sulfato de amonio
III = V'olunie total de plasma em ml
IV = Volume total de sòro obtido em ml
V = Dosagem em unidade por grama de proteina para os 6 primeiros
em mg de veneno neutralizado para os 11 seguintes
em doses mínimas mortais para escorp. e cténico
em doses mínimas necrosantes para licósico
VI = índice de purificação
VII = Rendimento procentual
CONCLUSÕES
1) O processo de Pope pode ser usado para a purificação de plasmas equi-
nos, antitóxicos e antipeçonhentos em geral, com reais vantagens.
2) Os p'asmas de cavalos recém-imunizados dão um rendimento menor que
os de cavalos hiper-imunizados. • • »
3) As vantagens do processo de Pope sobre os processos clássicos de sul-
fato de amónio são manifestas pebs propriedades terapêuticas e físico-químicas
do anticorpo modificado, que ê de tamanho menor e quase totalmente despeci-
f içado.
13
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200
CONCENTRAÇÃO. PtTRIFICAÇAO E CONTROLE FtSICO-QUlMICO
DOS SOROS ANTITÔXICOS E ANTIPEÇONHENTOS
4) Um período de estabilização, antes da expedição e saída do sôro, o es-
tabelecimento de limites certeiros para as propriedades biológicas e físico-quími-
cas e um rigoroso controle final garantem a estabilidade e eficiência do sôro.
RESUMO
Os autores estudam a concentração e purificação dos soros terapêuticos, a
partir do sangue de cavalos imunizados.
Êles mostram as \-antagens do processo de proteólise segundo Pope sôbre
o processo clássio> de sulfato de amónio, dando detalhes da técnica usada no
Instituto Butantan.
Êles apontam, a necessidade de um contrôle rigoroso e indicam métodos
físicos e químicos que foram ai^icados para êste fim.
ABSTR.\CT
1) The Pope process may used for the purification of antitoxic and anti-
venomous horse plasma in general, wth real adrantages.
2) The plasma of freshly immunized horscs yields less than that from
hj-per-immunized animais.
3) The advantages of the Pope process over the classical amnionium sul-
fate process are evident from the therapeutic and physical-chemical properties
of the modified antibody which has a smaller size and lowcr molecular weigbí
and is nearlj' completely despeciated.
4) .\ períod of stabilization, beforc the sending out of the serum, the
determination of fixcd limits for the biologic and physical-chemical properties
and a stríct final control guarantee the stability and efficiencj* of the serum.
RÉSUMÉ
Les auteurs décrívent leurs études sur la concentration et purification des
sérums thérapeutiques, procédant du sang de che%’aux immunisés.
Ils démontrent les arantages du procès de protéolyse selon Pope sur le pro-
cès dassic de sulfate d’ammonium, et donnent les détails de la technique em-
ployéc dans Tlnstitut Butantan.
IIs affirment la nécessité d’un contrôle rigoreux et indiquent les méihodes
physiques et chimiques dont ils se sont servies pour ce fin.
14
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Men. last. Botantan,
21:187-202. Abril 1949.
G. HOXTER 4 D. DECOUSSAÜ
201
BIBLIOGRAFIA
1. Gay, Frederick P. — Agentes of disease and host resislance, Springíield, Charles C.
Thomas, 1935, p. 1513.
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l.=
1 SciELO
Mem. Inst. Butantao.
íl:20J-2$<, Abril 1949.
OTTO SCHCBART
203
OS DIPLOPODA DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PAULISTA
(Rfsullados das fxpedifões rfalbadas fflo Instituto Butantan sob
a chefia do dr. A. Hoge em 1947-I94S)
K» OTTO SCHUB.^RT
(Da Estação Experimental de Biologia e Piscicultura ca D, C. P. em Pirassununga)
CONTEÚDO
A. Introdução.
B. Parte Sistemáti.a.
I. Ilha da Queimada Pequena
1. Rhinocricus insula ris, sp. n.
2. Cladostreptus ubostianus Brõlonsroí
3. Pseudonannolene monVíitio, sp. n.
II. Ilha da Queimada Grande
1. Leptodesmus paulislut Brõlcmann
Keptunobolus, gcn. n.
2. Septunobotus hogei. sp. n.
3. Cladostreptus sebastienu: Brõlcmann
4. Pseudonannolene maritima. sp. n.
5. Pseudonannolene tricolor Brõlemann
III. Ilha dos .Meatrazes: Ilha Grande
1. Leptodesmus paulistus Brõlctrann
2. Pseudoeurydesmus aleotrrzensis Schubari
3. Rhinocricus, sp.
4. Cladostreptus thalattophilus. sp. n.
5. Pseudonannolene maritima, sp. n.
6. Pseudonannolene tricolor Brõlemarai
1 /. Ilha dos .'\lcatrazes. Ilha do Farol
1. Pseudonannolene halophila. sp. n.
Recebido para publicarão em 22 cV dezembro de 19411.
cm
SciELO
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Mctn. Inst. Botuitan.
3I;2t»-254. Abrí) 1949.
OTTO SCHCBART
205
A. INTRODUÇÃO
Em 1947 c no começo de 1948 realizou o Instituto Butantan, sob a chefia
do dr. A. Hoge, Chefe da Secção de Zoologia do citado Instituto, um total de 3
expedições nas ilhas do litoral paulista. Foram visitadas a Ilha da Queimada
Grande (14. IV — 22. IV. 1947) a Ilha da Queimada Pequena (30. IX. 1947)
e 4 ilhas do pequeno arquipélago que forma os Alcatrazes: a Ilha Grande
(16.11.1^), a liha do Farol (19.11.1948), a Ilha da Sapata (22.11.1948)
e a Ilha do Paredão (24.11.1948).
Nestas viagens que visaram principalmente a fauna herpetológica e os de-
mais animais venenosos foi, entre outras, dedicada especial atenção aos Myria-
poda. O sr. Emílio Dente, do Departamento de Zoologia da Secretaria da
Agricultura, foi um dos colecionadores mais zelosos, sem menosprezar aqui o
auxílio dos outros membros das expedições.
Foram reunidos um total de 9 espécies c 900 exemplares, quantidade bem
ipande, o que permitiu um estudo intensivo do material, estudo que foi, porem,
de certo modo prejudicado pelo estado pouco favorável de sua conseivação.
Já em abril de 1920 cientistas do Instituto Butantan visitaram pela primei-
ra ^-cz a Ilha da Queimada Grande. Em novembro de 1920 e, depois, em ou-
tubro de 1922, estiveram Hermann Lueden*'aldt e José Pinto da Fonseca, am-
bos do Museu Paulista, nos Alcatrazes, colecionando sòmentc na F.ha Grande.
Existindo algum material, aproveitamos sua inclusão neste trabalho. Baseado no
mesmo material publicamos, cm 1945, uma espécie nova (Pscudocurydcstntis al-
catrazensis) dos Alcatrazes.
E’ um grato dever manifestar meus agradecimentos ao dr. W. Bücherl por
ter possibilitado o estudo do atual material c ao dr. Lindolpho Guimarães pela
facilidade de incluir o material anteriormente reunido e, em parte, ainda não
estudado.
A fauna das ilhas sempre atraiu a atenção dos zoólogos e biologistas. Se-
jam as ilhas isoladas na vastidão do oceano, sejam as ilhas nas imediações dos
continentes, sejam restos de antigos continentes com sua fauna relicta, sejam
ilhas \-ulcánicas que surgem sob a observação da ciência como o Krakatau, se-
jam ilhas formadas pela areia e as dunas na plataforma continental do Mare
Norte, sempre oferecem inúmeros e interessantes problemas para o cientista.
Nas ilhas recentes se processa sob nossos olhos a po^•oação de uma terra vir-
gem, se manifestam os fatores que influem neste processo; ao contrário, nas
cm
SciELO
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206
os DIPLOPODA DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PAULISTA
antigas ilhas que muitas vêzes representam só os picos de altas montanhas de-
saparecidas sob as ondas do mar, existem os restos de uma fatma isolada e
peculiar .
A restrição do ambiente, a eliminação de muitos biotopos, a peculiaridade
das condições e a seleção de espédes criam finalmcnte uma fauna e flora toda
especial .
Sob o ponto de rista msTÍapodológico relacionamos os belos estudos sobre
as ilhas do Mar Báltico de Lohmander, sobre Xos^a Caledónia d; Cari e Ri-
baut, sobre Mauritius de Verhoeff, sobre Madagascar de Saussure e Zehntner
e sobre o Arquipélago Malayo de Pocock e Attems.
Conhecemos únicamente sobre as ilhas brasileiras um trabalho sobre os J/y
riapoda de Fernando Xoronha e da autoria de R. I. Pocock, alem das escassas
informações dadas por Luederwaldt nos seus relatórios sobre a fauna das ilhas
paulistas.
B. P.\RTE SYSTEMATIC.\
I. ILHA DA QUEIMADA PEQUENA.
A parte Sul de Santos possúe poucas ilhas, entre estas as Ilhas da Quei-
mada. a Queimada Pequena que dista 21 km de Itanhaem, e a Queimada Gran-
de 35,5 km distante do mesmo ponto. Não encontrei dados mais detalhados;
também a “Exploração do Littoral. 2.* secção. Cidade de Santos a fron-
teira do Estado do Paraná” publicada em 1920 se refere muito sumáriamente
a estas ilhas.
Incluimos aí as indicações ecol^cas sóbre estas ilhas dadas por Bücherl
no seu estudo sóbre os Chilopoda das Queimadas.
“Trata-se de duas ilhas pequenas, tendo a Queimada Pequena talvez me-
nos de 1 quilómetro quadrado de superfície e a Queimada Grande talvez o do-
bro da primeira (A. Hoge, em 1947, fala em 1 1/2 km* de supcrficie) ; com-
pletamente rochosas, sem praia e sem zona praiana, de acesso muito difícil, viá-
vel só mesmo quando as condições da maré estiverem favoráveis. Entretanto
há. nas encostas íngremes das rochas uma densa camada de humus, do quai
brotou uma mata de altura medíocre, entremeiada de capinzais.”
“Embora a situação topt^ráfica e as dimensões exíguas das referidas ilhas
não permitissem a formação de fontes de água, tém elas, contudo, um clima
muito húmido e quente. Esta característica veiu favorecer nas duas ilhas o
desenvolvimento de uma fauna artropódica muito intensa, senão especifica, pelo
menos numéricamente.”
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Batantu,
21:301-254. AbrU 1949.
OTTO SCHUBART
207
Família Rhinocricidae.
1 . Rhinocricus insularís, sp. n.
Medidas.
85 mm
80 mm
80 mm
80 mm
75 mm
70 mm
60 mm
60 mm
55 mm
50 mm
8.1 mm 49(-
7.3 mm 53 (-
7.8 mm 52(-
7J mm 51 (-
7.9 mm 48(-
7.1 mm 49(-
6.9 mm 53(-
6,8 mm 50(-
6.4 mm 48(-
6.2 mm 51 (-
sgm.
9
90
mm
8,9
mm
50(-l)
sgm.
sgm.
9
87
mm
8.0
mm
53(-l)
sgm.
sgm.
9
85
mm 8,4
mm
50(-l)
sgm.
sgm.
9
85
mm
8.0
mm
54(-l)
sgn>.
sgm.
9
80
mm
7.5
mm
52(-l)
sgm.
sgm.
9
75
mm
7,7
mm
52(-l)
sgm.
sgm.
9
70
mm
7.6
mm
53(-l)
sgm.
sgm.
9
65
nun
6.8
mpi
53(-l)
sgm.
sgm.
9
65
mm
7.0
mm
50(-l)
sgm.
■sgm.
9
60
mm
6.4
mm
49(-l)
sgm.
Medidas extremas:
<J <í 50 — 85 mm de compr.
9 9 55 — 90 mm de compr.
S S 48(-1) até 53(-l) sgm.
9 9 47(-l) até 54(-l) sgm.
6.2 — 8,3 mm de larg.
6.3 — 8,9 mm de larg.
87 — 97 pares de pernas
87 - 101 pares de pernas
Pardo enegrecido. Cabe<;a com clipeo e a parte distai do suko mediano
amarelado, as antenas amarelas, os ocelos pretos. CoUutn largamente margina-
do de amarelo, íendo a margem anterior quase da dupla largura da posterior.
Metazonitos amarelos, estreitando-se a côr amarela nos flancos c faltando no
lado ventral. Parte basal do segmento pre-anal parda enegreada; a côr ama-
rela se intensifica no processo pre-anal. Margem distai das válvulas amare-
lada, escama amarela. Esternitos c pernas amarelo ocre. Um único c.\emplar
i de uma côr só, castanho claro.
Cabe<;a: Occiput com algumas séries de curtos traços curvos perto da es-
tria transversal que separa o occiput do vértice. Sulco mediano fino. Ocelos
na seguinte ordem: 8,8,8,7,7,4. no total 42. Faces do i quase quadradas, ru-
gosas. Último articulo das antenas aproximadamente com 30 cones sensitivos.
Collum nos lados estreito arredondado.
Prozonitos com chagrin fino, os metazonitos mais pontilhados. Nos flan-
cos dos prozonitos com estrias obliquas que se encontram quase até a altura
dos poros. As prozonas com finas estrias transs-ersais . As scobinas começam
no 7.* e são visiveis até os últimos segmentos, no typus até o 47.* segmento.
Elas são largas, sua área riscada também larga e a distância entre as duas me-
nor que sua largura. Pseudosutura ou sulco suplementar bem desenvolvido, a
área entre ela e a sutura é pontilhada. Sutura também nítida. Os metazoni-
tos só no lado ventral com cêrea de 10 estrias longitudinais, na altura do poro
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
208
os DIPÍOPODA DE ALCfMAS ILHAS DO LITORAL PALT-ISTA
com fino sulco horizontal. Além disso possuem os metazonitos no meio um sul-
co transversal, bem nítido no lado ventral e nos flancos, cxtinguindo-se ao lado
dorsal. Margem distai dos metazonitos com finas estrias e impressões longi-
tudinais.
Telson: Segmento pre-anal com processo saliente; a base da escama com
estrias transversais.
Estemitos com cerca de 7-8 estrias transversais.
Pernas do S : As primeiras de formação comum, o 3.® par já mostra uma
dilatação na parte interna do fêmur e sinais de dilatação na parte distai do post-
fêmur e da tíbia, ddatações muito mais pronunciadas nos 4.*-/.* pares de per-
nas; o 8.* par, situado atrás dos gonopódios, já é normal.
Gonopódios : Os anteriores com seu estemito retangular, possuindo no meio
um processo dedi forme, largo, com suas margens fracamente curvadas. Coxa
o%al, seu lobo interno triangular, mais alto que o estemito. Telopodito ainda
mais comprido, o lobo distai pouco menos que a metade do comprimento do
próprio telopodito. Gonopódios posteriores: Coxa duas vêzes mais comprida
que larga. Telepodito comprido, sua base alargada. O ramo externo reto ter-
minando numa fõlha laiga cuja parte interna se prolonga numa ponta fina;
seu lado externo com saliência. O ramo interno, o próprio solenomerito, es-
treito, sinuoso, sua parte distai pouco engrossada. Sua margem distai mostra
uma fina scrrilhação, respectivamente finas cerdas ao lado oposto. A ramifi-
cação se dá pouco depois da metade do comprimento do telopodito.
A 9 sem peculiaridade, únicamente no lado interno das pernas com cor-
das fortes as quais faham nos artículos transformados do £ .
Como typus foi escolhido o S f de 70 mm de compr., 7,5 mm de larg. e
51 (-1) segmentos; em álcool c várias lâminas microscópicas.
Procedéncb: Ilha da Queimada Pequena, Estado de São Paulo, Brasil.
Sob folhas, detritos, etc. — 84áá,99 9 9 — 30. IX. 1947 — col. Expedição
A. Hoge.
Justificação: Apesar das muitas espécies que foram descritas deste gêne-
ro, é esta certamente nova para a ciência. A formação do estemito dos gono-
pódios anteriores com sua parte mediana de repente estreitada, é muito espe-
cial e só conhecida em pequeno número de formas como por exemplo em Rhi-
nocricus cachocirensis e Rhinocrícus pugio. Mas outros caracteres diferenciam
bem as três espécies.
Sóbre a variação — Os 200 exemplares quase que permitem um estudo de-
talhado sôbre a mriação desta linda espécie. Os 6 exemplares jowns porém
não facilitam qualquer solução sôbre seu crescimento.
Praticamente todos os adultos possuem 1 único segmento ápodo. Só cm
2 á á e 1 9 encontramos 2 segmentos ápodos- Mas queremos chamar a aten-
ção que em alguns indivíduos de ambos os sexos o último par de pernas não é
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mnn. Inst. Bntostan.
Íl:20J-254. Abril 1949.
OTTO SCIIVBART
209
tão bem desenvolvido como de costume. Trata-se de exemplares de comprimen-
to ainda menores, ê S de 50, 55 60 e 65 mm e 9 9 de 60, 60, 65 mm.
A variação do número de segmentos encontrados está reunida nas tabelas
I e II, dividida por sexo e número de segmentos ápodos. Os poucos exem-
plares jovens, todos de sexo feminimo, foram acrescentados á tabela das 9 9 .
Tab. I. Variação dos segmentos nos ô d do Rh. insuíaris.
Número
total de
segm.
sgm.
ápodos
(-1)
Sgm.
ápodos
(-^)
Número
de pares
de pernas
Número
total de
exemplares
53
6
97
6
52
15
95
15
51'
25
93
25
50
22
1
91
22
49
11
1
89
12
48
3
87
4
total
82
2
84
Tab. II. Variaçãj dos segmentos nas 9 9 do Rh. insHlatis.
número
de sgm.
adultos
jov.
número
de pares
de pernas
número
total de
exemplares
sgm.
ápodos
(-1)
sgm.
ápodos
(-2)
sgm.
ápodos
(-3)
sgm.
ápodos
(-4)
54
3
101
3
53
10
99
10
52
13
97
13
51
28
1
2
95
28
50
31
I
93
32
49
10
1
91
10
2
jov.
48
2
1
89
'7
1
jov.
47
1
»»
87
1
1
jov.
46
...
I
85
45
83
1
jov.
44
...»
81
43
*—
79
1
jov.
total
98
1
4
99
6
jov.
1 SciELO
210
os DIPLOPODA DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PALT-ISTA
As 9 9 atingem somente 1 segmento a mais, também o máximo é 1 seg-
mento mais alto que o dos á S . Considerando que na realidade os S $ pos-
suem 2 pares de pernas mais do que consta na contagem, sendo os 2 pares da
7.* segmento transformados em órgãos para a copulação, possuem ambos os se-
xos um número praticamente igual de segmentos. Uma ligeira preponderân-
cia das 9 9 , em certas espécies, ás vezes, muito pronunciada, se manifesta,
estudando-se o tamanho dos sexos. Para representar estas medidas foram to-
mados os comprimentos e a largura de todos os exemplares. O resultado está
reunido na tabela III. Para sua simplificação foi o material reunido em clas-
ses de tamanho, abrangendo, por exemplo, os de 50 mm os exemplares de
45-54 mm, etc. Esta tabela dá também uma idéia entre o número de segmen-
tos e o respectivo tamanho dos exemplares.
Tab. III. O comprimento em relação ao número dos segmentos nos dois sexos da
Rh. insularis (sem os 3 ex. com 2 sgm. apodos).
número dos
segmentos
9 9
compr. cm mm
compr, cm mm
50
60
70
80
90
total
50
60
70
80
90
total
í4(-l)
- -
2
1
3
S3(-l)
I
1
4
6
1
5
4
10
S2(-l)
5
6
4
15
1
4
6
2
13
51(-1)
1
1
13
9
1
25
10
17
1
28
SO(-l)
5
12
5
22
•y
14
9
6
31
49(-l)
1
4
3
3
1
11
3
2
4
1
10
48(-l)
2
1
3
1
1
2
47(-l)
1
1
total
2
18
35
26
2
82
7
36
44
11
98
Um fato muito interessante se destaca já nesta tabela; o número de seg-
mentos não influi nas medidas dos e.xemplares. Elxistem exemplares com um
número baixo de segmentos, mas talvez com 90 mm de comprimento e vice-
versa exemplares somente com 55 mm de comprimento, porém com 53 (-1) seg-
mentos. Para salientar êste fato, também diferente em outras famílias, onde
SC manifesta nunu nítida relação entre número de segmentos e tamanho, reuni-
mos ainda numa outra tabela (IV) os tamanhos máximos extremos encontra-
dos para cada segmento.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
HcnL InsL Bctintan.
2l:20}-254. Abrfl J949.
OTTO SCHCBART
211
Ta. IV. Os tamanhas extremos em relação do número de segmentos nos dois
sexos do Rh, íirm/ortr.
número de
segmentos
S S
9 9
compr.
larg.
compr.
larg.
54(-l)
80 — 85
8,0 — 8,5
S3(-l)
60 — 80
6,9 — 7,3
55 — 87
5,9 — 8,2
S2(-l)
60 — 80
6,5 — 8,1
60 — 90
6,3 — 8,3
51(-1)
50 — 83
6,2 — 8,3
60 — 85
6,6 — 8,8
SO(-l)
60 — 80
6,5 — 7,8
60 — 90
6,5 — 8,9
49(-I)
55 — 85
6,3 — 8,1
35—80
6.3 — 8,8
4S(-I)
55 — 75
6,4 — 7,9
70 — 80
8.0 — 8,2
47(-I)
75 —
7.8 —
51 (-2)
58 —
6.3 —
50(-2)
60 —
6.9 —
49(-2)
50 —
5.9-
Para futuros trabalhos queremos anotar somente os dados das medidas dos
e.\emplares Jovens, no total de 6.
T. 9 47 nuii 5,4 mm 50(-3) sgm.
9 45 mm 5,1 mm 51 (-3) sgm.
9 44 mm 5,3 mm 51 (-3) sgm.
r. 9 42 mm 5,2 mm 49(-3) sgm.
•. 9 37 mm 4,6 mm 46(-4) sgm.
9 35 mm 4.5 mm 48(-4) sgm.
Sôbre o ovário — Todas as 7 9 9 cortadas contêm óvulos no seu ovário
que se estendia do 17* ou 18* segmento até ou 34*-39* segmento. Seu com-
primento \-aria entre 35 - 43 mm com uma largura de 2 mm aproximadamen-
te. Os óvulos eram, em parte, muito pequenos e irregulares em tamanho, acen-
tuando-se êste aspecto na parte posterior. Uma 9 tem seu ovário completa-
mente vazio.
O tubo digestivo — Além de detritos contem sempre muito tecido vege-
tal, como pedacinhos de folhas e vasos lenhosos.
Família Spirostreptidae .
2. Cladosircpius sebaslianus Brõleman, 1902.
O material em apréço pertence, com grande probabilidade, a esta espécie de
Brõlemann. Para facilitar futuros estudos c para justificar meu ponto de vis-
ta, daremos não só uma redescrição, como também desenhos dos gonopódios.
cm
SciELO
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212
os DIPLOPODA DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PAULISTA
Medidas: <S 45 mm 3,3 mm 68(-l) sgm.
9 55 mm 3,9 mm 70(-l) sgm.
9 55 mm 3,8 mm 70(-l) sgn;.
9 55 mm 3,9 mm 69(-l) sgui.
9 50 mm 3,8 mm 69(-l) sgm.
9 48 mm 3,6 mm 69(-l) sgm.
9 45 mm 3,6 mm 67(-l) sgm.
9 45 mm 3,0 mm 68(-2) sgm.
9 40 mm 3,4 mm 69(-2) sgm.
9 35 mm 2.8 mm 66(-2) sgm.
jov. a 40 mm 3,0 mm 67(-3) sgm.
jov. á 33 mm 2,5 mm 64 (-4) sgm.
jov. a 30 mm 2,5 mm 65 (-5) sgm.
jov. a 27 mm 2,3 mm 63(-5) sgm.
37 mm 2,9 nmi 68 (-4) sgm.
36 mm 2,7 mm 68(-5) sgm.
35 mm 2.9 mm 67 (-4) sgm.
30 mm 2,7 mm 67(-3) sgm.
25 mm 2,6 mm 66(-5) sgm.
Medidas extremas:
9 9
a 45 mm de compr.. 3,3 mm de larg.
35 — 55 mm de compr., 2,8 — 3,9 mm de larg.
68 (-1) segm. 127 pares de pernas
f '>\ vn/'
a 68 (-1) segm. 12/ pares de pernas ,
9 9 66 (-2) até 70 (-1) segm., 123 — 133 pares de pernas
A resdescrição se baseia no único exemplar S .
Côr castanha. A cabeça mostra uma faixa escura entre os ocelos; cHpeo e
labro avermelhados, a margem do último escura, quase preta. Collum larga-
mente marginado de uma faixa acinzentada; o centro malhado de claro. Os
prozonitos no dorso escuros, sendo malhados seus flancos. Xa parte anterior
do corpo a coloração é mais intensa. Telson pardacento, a parte dorsal do
segmento pre-anal e a margem das válvulas avermelhadas.
Cabeça: Occiput além da sutura marginal com uma segunda, paralela a
marginal, porém abreviada; a!ém disso, com algumas impressões curtas e com
chagrin e finas estrias longitudinais. Sulco no vértice fino, curto. Clipeo liso,
com cerdas supralabiais. Faces do S largas, pouco rugosas, seu ângulo poste-
rior arredondado, sua margem lateral grossa, lisa. pouco encurvada. Ocelos na
seguinte ordem: 4,5,5,5,1, no total 20. Antenas 0,40; 0,65; 0,58; 0,57; 0,48;
0,59; 0,11 mm; no total 3,38 mm.
Collum nos lados largo, truiKado, com 1 sulco oblíquo curvo quase paralelo
á margem e com 1 outro sulco interrompido perto da margem.
Prozonitos e metazonitos com um chagrin muito fino, quase liso com alguns
riscos. As prozonas estreitas, só com 4 estrias finas transversais, as mesozonas
lisas. Metazonitos com estrias no lado ventral, ficando as mesmas sempre bem
10
cm
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10 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst. BaunUn.
21:30J-2S4, Abnl 1949.
OTTO SCHUBAKT
213
afastadas dos poros. Estas estrias são nos primeiros segmentos mais fortes,
quase formando sulcos. A sutura lisa, na altura do poro antero-curvada. Os
poros comeqam no 6.° segmento, sendo o l.° afastado cerca de 1/5 do compri-
mento do metazonito, se distanciando sempre mais da sutura nos seguintes
até 1/3 do comprimento. As medidas relativas no 20.* segmento: prozona:
mesozona: metazonito = 20 : 40 : 40.
Telson pontilhado: Segmento pre-anal sem processo, no dorso antes da
parte distai com leve incisão. Margem das válvulas pouco elevada.
Estemitos com chagrin fino, e com riscos transversais.
Pernas do ê : Coxosternum do 1.* par nos lados pouco convexo, na parte
distai reto, com 3 — 4 cerdas nos lados. Prefêmur quase triangular com algu-
mas séries irregulares de cerdas curtas. O lobo prefemural largo, metade da
largura do prefêmur, de forma quadrada, irregular. Lado interno dos primeiros
pares de pernas com cerdas fortes, já no 8.* par somente cerdas fortes na parte
distai dos árticulos. Sem palmilhas tibbis e postfemorais.
Gonopódios: Coxa alta, não muito larga. Telocoxito reto, na parte distai
prolongado num curto processo aculei forme. Paragonocelo curvado para dentro,
sua margem interna antes da parte distai com um nítido degrau ; esta parte distai
arredondada, densamente coberta de cerdas pequenas. O telopodito livre atrás
da curvatura com longo e fino processo basal, sua ponta fina recurvada. Abaixo
da base deste processo se dilata o telopodito; além disso se encontra ai um
pequeno lobo triangular. Na parte distai termina enrolado o telopodito numa
fina ponta.
Um jovem S com 64 (-4) segmentos possui ainda seu 1.* par de pernas do
tipo feminino, sem as modificações encontradas no á . Os gonopódios são ainda
muito primitivos, nada mostrando das diferenciações. Observa-se um par de
folhas compridas relativamente estreitas, que apresentam os gonopódios anteriores
em estado de atrofia, faltando os mesmos aos adultos por completo. Atrás destes
existe um outro par de folhas grandes, largas, que se dividem na parte distai
numa parte posterior lisa e numa parte anterior, coberta com algumas cerdas
curtas, provavelmente o futuro paragonocelo.
Procedência : Ilha da Queimada Pequena. Estado de São Paulo, Brasil —
1 ô , 4 jov. í á , 10 9 2,5 jov. 9 9 — 30-IX-1947 — col. Expedição A. Hoge.
Justificação: Um estudo cuidadoso convenceu-nos de que se trata da espécie
descrita por Brõlemann c proveniente de Cubatão, São Sebastião, e da Ilha de
São Sebastião
Brõlemann dá medidas só para 2 exemplares:
ô 62 mm 4,0 mm 70 (-2) sgm. (Ilha de São Sebastião)
9 56 mm 3,3 mm 69 (-2) sgm. (São Sebastião)
11
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
214
os DIPLOPODA DE ALCCMAS ILHAS DO LITORAL PAULISTA
Suas figuras dos gonopódios (Figs. 210 e 211) são bem semelhantes às
minhas. Não se pode negar que Brõlemann sempre estilizou o aspecto dos
gonopódios nestes desenhos, também relatix^amente pequenos. Material da es-
pécie de lugares no continente resolverá a questão. Sem duvida é interessante
que os exemplares dos Alcatrazes pertencem a uma espécie diferente, apezar da
maior vizinhança com a Ilha de São Sebastião do que com as Queimadas.
Família Pscudonannolenidae.
3. Pscudonannolcnc uiarithiia, sp. n.
Medidas: S 80 mm 4,0 mm 78 (-1) sgm. 9 70 mm
6 70 mm 4,0 mm 74 (-2) sgm. 9 70 mm
9 80 mm 4^ mm 81 (-1) sgm. 9 65 mm
9 80 mm 4,8 mm 75 (-2) sgm. 9 65 mm
9 80 mm 4,6 mm 77 (-1) sgm. 9 65 mm
9 80 mm 4,4 mm 76 (-1) sgm. 9 60 mm
9 75 mm 4.6 mm 75 (-1) sgm. 9 60 mm
9 75 mm 4,4 mm 73 (-2) sgm.
jov. á 50 mm 3,3 mm 69 (-2) sgm. jov. 9 55 mm
jov. ê 50 mm 3,3 mm 67 (-4) sgm. jov. 9 45 mm
jov. S 40 mm 2,9 mm 67 (-3) sgm.
jov. S 33 mm 2,4 mm 62 (-5) sgm.
4,3 mm 72 (-2) sgm.
4,0 mm 70 (-2) sgm.
4.0 mm 70 (-2) sgm.
3,9 mm 71 (-2) sgm.
3,9 mm 70 (-2) sgm.
3,8 mm 71 (-2) sgm.
4.1 mm 71 (-2) sgm.
3,6 mm 70 (-3) sgnu
3,0 mm 64 (-4) sgm.
Medidas e.\trcmas:
c S 55 - 80 mm de compr., 3,4 —
9 9 60 - 80 mm de compr., 3,8 —
á ô 74 (-2) até 78 (-1) sgm., 137
9 9 70 (-2) até 81 (-1) sgm.. 131
4,0 mm de larg.
4,8 mm de larg.
147 pares de pernas
155 pares de pernas
Castanho pardacento, sendo os metazonitos mais escuros. A cabeça, o collum
e os segmentos em seguida castanhos. O telson castanho pardacento claro.
Antenas castanhas com pigmento escuro. Pernas castanho-claras. As 9 9 em
geral castanhas, possuindo na altura do poro, às vezes, u’a mancha escura. Ca-
beça, antenas, collum, telson e pernas mais claras.
Cabeça: Occiput com forte chagrin longitudinalmente estriado. O sulco do
vértice fraco. Cabeça lisa. Faces ovais compridas, rugosas, no á com saliência
nítida na margem posterior. Os ocelos escuros, de colocação um pouco irregular,
na seguinte ordem: 9,10,87.5, (3), no total 42 no í de 78 (-1) -segmentos;
9,9,8,6,5 no total 37 numa 9 de 76 (-1) segmentos e 8.7,7, 5,4 no total 31
numa outra 9 de 72 (-2) segmentos. Antena do tyPus: 0,38; 0,70; 1,00;
0,75; 0,62; 0,10 mm, no total 4,25 mm.
12
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Ucm. Inst. Batantao.
Sl:203-2$4. Abril 1»49.
OTTO SCHfBART
215
Collum com finas estrias longitudinais, irregubrmente distribuidas ; nos
lados arredondados com 6-7 sulcos.
Prozonitos lisos, as prozonas com 5 — 6 finas estrias transversais. Os
metazonitos um pouco maior do diâmetro também com finas estrias e riscos
irregulares. Nos flancos com 9 — 10 estrias fortes longitudinais, atingindo no
5.* segmento o poro, depois sempre mais distanciadas do poro. A sutura entre
as estrias e a altura do poro com impressões o^-ais, que diminuem em tamanho
ao lado dorsal e se extinguem na altura do poro. Estas impressões possuem a
forma de pequenas virgulas. Poros começam no 5.* segmento, o primeiro na
sutura, os seguintes já afastados, ficando depois 2/5 do comprimento do meta-
zonito distante da sutura.
Telson: Segmento pre-anal na parte disto-dorsal com nítida impressão.
Válvulas lisas. Escama com estrias longitudinais.
Estemitos lisos, com fino chagrin.
Pernas do á : O 1.® par com coxas largas, cobertas de cerdas grandes,
colocadas em series curvas. Sua largura máxima é um pouco maior que seu
comprimento. Sua nwrgem lateral é fracamente encurvada. Prefêmur peque-
no, seu lobo basal coberto de cerdas fortes. Os demais pares sem peculiaridades.
Penis oral, largo, curto, os dois lobos distais com 4 séries ^ acúleos, aproxi-
madamente 12 em cada lado.
Gonopódios: Co.xa grande, comprida, sua largura máxima cabe 1 vezes
no seu comprimento. Sua margem interna perto da base com um lobo semilunar ;
a margem externa na parte basal oral, na parte distai encurvada. Telopodito
largo, curto, na margem distai com cerdas grandes, além disso com 3 cerdas
•colocadas numa série obiíqua com algumas cerdas na parte externa. O compri-
mento cabe 4 vezes no da co.xa. O solenomerito bem mais comprido que o
telopodito, sca parte distai atinge as pontas das cerdas. A parte escamosa se
estreita e termina num lobo arredondado, a folha hialina comprida, falei forme,
Tccur\’ada para o lado interno.
Pernas da 9 sem peculiaridades.
Como typus foi escolhido o á de 80 mm. 4,0 mm 78 (-1) sgm. Para-
typiis 2 i é, 13 S 9. Procedência: Ilha da Queimada Pequena. Estado de
São Paulo, Brasil — 3 á á , 4 jov. á á , 13 9 9 , 2 jov. 9 9 — 30-IX-1947
— col. Expedição .-V. Hoge.
Justificação: A espécie não concorda com nenhuma das até agora conhe-
cidas. O nome foi dado por causa da sua ocorrência nas ilhas oceânicas.
Sôbre um jovem á — Examinamos um exemplar macho de 62 (-5) seg-
mentos, que mostrava os seus gonopódios expelidos. OI.* par de pernas mostra
ainda um aspecto feminino, faltando a forma característica do i , ímicamente
nas coxas duas áreas de cerdas e nos prefêmures também uma área. Os gono-
pódios já mostram o aspecto tipico do gênero com todos os seus detallies, mas
13
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
216 os DIPUOPODA DE ALCCMAS ILHAS DO LITOR.\L PAULISTA
t
diferem em todas as proporções, largura e comprimento da coxa, no comprimento-
do telopodito, etc.; tudo é diferente, só o lobo hialino do solenomerito já mostra.
n forma definitiva.
Possuindo este e.Nemplar já gonopódios relativamente bem desenvolvidos,
parece que se apresenta nesta família um desenvolvimento lento dos gonopódios,
semelhante ao do conhecido nas famílias dos Colobognatha.
II. ILHA DA QUEIMADA GRANDE.
Sòbre o aspecto desta ilha foram dadas algumas informações no começo do-
capitulo I.
Família Lepiodcsmidac.
1. Lcpiodcsmus paulistus Brõlemann, 1902
Procedência: Ilha de Queimada Grande, Estado de São Pau’o, Brasil. —
49 á á 4 jov. á á , 44 9 9,3 jov. 99 — 14 IV — 22-IV-1947 — coL
Expedição A. Hoge, principalmente E. Dente.
Daremos primeiro algumas medidas deste material.
Medidas :
s
55
mm
8.1
mm
9
50
mm
8,1
mm
s
52
mm
7,5
mm
9
48
mm
8,5
mm
é
45
mm
7.2
mm
9
47
mm
7.7
mm
s
43
mm
6.2
mm
9
45
mm
7.6
mm
s
42
mm 6.1
mm
9
45
mm
7.5
mm
s
40
mm
6.9
mm
9
44
mm
7.3
mm
s
40
mm
6.5
mm
9
40
mm
67
mm
s
39
mm
6.7
mm
9
38
mm
77
mm
s
35
mm
6.5
mm
9
34
mm
6.4
mm
ê
33
mm
6.3
mm
9
32
mm
67
mm
As suas medidas extremas são as seguintes:
ê ê 33 — 55 mm 6,0 — 8,1 mm
9 9 33 — 50 mm 6,2 — S,5 mm
Examinamos e medimos tuna parte do material. Foram encontrados-
exemplares de 30 mm : 1 S 3 9 9 , de 40 mm : 18 í á 13 9 9 c de 50
mm : 1 $ 4 9 9.
Nesta população foram encontrados exempiares bem pequenos juntamente
com indivíduos grandes de mais de 50 mm. mas não se manifesta qualquer
14
Ucm. Inst. ButanUn.
Sl:203-254. AbrU 1949.
OTTO SCHUBART
217
preponderância de exemplares pequenos ou grandes, sendo a maioria em ambos
os sexos do grupo de 40 mm.
Encontram-se exemplares quase pretos ou melhor de um marron enegreddo,
em tôdas as nuances até um rosado ou castanho rosado claro. Algtms esbran-
quiçados ainda moles, passaram, sem dúvida, há pouco tempo na mudança da cara-
paça e não conseguiram a sua coloração definitira. Juntamos nossas observ-a-
ções num pequeno quadro comparativo:
Tah. V. Distribuição da coloracão nos exemplares do Líptodfsnms paulistus
provenientes da Ilha da Queimada Grande.
Côr
marron
enegrecido
marron
marron
avermelhado
rosado
esbran-
quiçado
total
Tabela
de
Seguy
No. 41 c
sr
No. 103
No. 123
No. 14S
e 161
No. 205
ê
21
14
8
2
4
49
9
26
8
8
1
1
44
total
47
22
16
3
5
93
A metade pertence aos exemplares escuros, predominando as fêmeas. In-
felizment- não possuímos series tão grandes tiesta espécie de outras localidades,
mas tivemos a oportunidade de registrar no continente e.xcmplares bem escuros
em número relativammte muito menor.
Os exemplares jovens, todos com 19 segmentos, tem as seguintes medidas:
jov. s 30 mm 5,1
jov. 3 30 mm 4,9
jov. á 28 mm 5,0
jov. í 28 mm 4,2
mm
JOV.
mm
jov.
mm
jov.
mm
9 31 mm 5,0 mm
9 30 mm 4,9 mm
9 25 mm 4,7 mm
Foram comparados os gonopódios de vários e.xemplares coiu os de outras
localidades do Estado de São Paulo, mostrando plena concordância entre as po
pulações continentais e ás da Queimada.
Familia Pachybolidae
A espéae em questão pertence certamente a um gênero novo que se enquadra
perto de Cairibolus. Este gênero, descrito por Giamberlin, possui processos
15
1 SciELO
218
os DIPLOPODA DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PAULISTA
grandes no 5.* par de pernas e aparentemente gonopódios bem diferentes. O
conceito até das familias não está ainda muito bem esclarecido, em parte uma
consequência das muitas descrições absomtamente deficientes e. e de outra parte,
por causa dos caracteres difíceis.
Keptunobolus, gen. n.
Com 2 4" 2 cerdas supralabiais. Prozonitos nos flancos com estrias oblíquas,
metazonitos bo lado ventral com estrias longitudinais. Sutura nítida só nos
flancos. Poros começam no 6.* segmento, situados antes da sutura. Pernas sem
peculiaridades.
Gonopódios anteriores: Estemito largo triangular, coxito e telopodito bem
mais compridos. Gonopódios posteriores ligados no meio, com uma vesícula. Os
telepoditos simples, compridos, na parte distai com pequeno lobo triangular interno.
Gcnotypus-, hogei, sp. n.
Procedência: Ilha da Queimada Grande, Estado de São Paulo, Brasil.
2. Xepliinoboliis hogei, sp. u.
llcdidas :
s
80
mm
6,9
mm
49
(-1)
sgm.
s
77
mm
6,2
mm
47
(-1)
sgm.
£
75
mm
6,2
mm
49
(-1)
sgm.
ê
70
mm
6.2
mm
49
(-1)
sgm.
6
70
mm
6.2
mm
47
(-1)
sgm.
ê
66
mm
6.2
mm
48
(-1)
sgm.
£
65
mm
5.8
mm
49
(-1)
sgm.
£
65
mm
5.6
mm
46
(-1)
sgm.
£
Oi
mm
5,5
mm
48
(-1)
sgm.
£
58
mm
5.5
mm
47
(-1)
sgm.
jnv.
jov.
85
mm
8.2
mm
49
(-1)
sgm.
85
mm
7.3
mm
48
(-1)
sgm.
80
mm
7.8
mm
49
(-1)
sgm.
77
mm
7.4
mm
49
(-1)
sgm.
75
mm
7.5
mm
46
(-1)
sgm.
75
mm
7,0
mm
48
(-1)
sgm.
72
mm
7,0
mm
48
(-1)
sgm.
70
mm
6.3
mm
49
(-1)
sgm.
65
mm
6,5
mm
49
(-1)
sgm.
60
mm
6,3
mm
48
(-1)
sgm.
45
mm
6.3
mm
47
(-1)
sgm.
42
mm
5,3
mm
49
(-1)
sgm.
^fedidas extremas: ê é 58 — 80 mm 5,4 — 6,9 mm
9 9 60 — 85 mm 6,1 — 8,2 mm
á <5 46 (-1) até 49 (-1) sgm., 83 — 89 pares de pernas
9 9 45 (-1) até 49 (-1) sgm.. 83 — 91 pares de pernas
Preto brilliaiite, parte distai do clípeo, labro. gnatoquilário e antenas e pernas
vermelho alaranjadas até escarlate alaranjado, somente o artículo basal das ante-
nas pardacento. \’áh'ulas anais também com tonalidades pardas.
Cabeça: Occiput com elevação marginal. Vértice com sulco longitudinal,
finamente reticulado. I.abro com impressão mediana e 2 -j- 2 cerdas suprala-
biais. Faces do á ovais, marginadas, na parte dorsal com algumas impressões
•e estrias curvas. Ocelos diminuindo em tamanho para o lado interno, colocados
Mcm. Inst. Bntantan.
*I:20J-2S4. Abril 1949.
OTTO SCHUBART
219
na seguinte ordem: 9,8,Sy,6,5.5,3^. no total 53. Antenas curtas, colocadas na
posição repousante núma impressão da parte lateral da cabeça : os artículos distais
com cerdas.
Collum nos lados estreitado, os ângulos arredondados ; com sulco marginal que
começa na altura dos ocelos e termina na margem distai.
Prozonitos : Prozona com chagrin fino, denso, provocando um aspecto fosco. ,
Mesozona nos flancos com muitas estrias, obliquas no lado ventral, ficando
quase horizontais para cima, as últimas cur\-as; nos primeiros segmentos elas
atingem a altura do poro, depois afastando-se sucessivamente e limitadas somente
ao lado ventral. Acima do poro com finas impressões semilunares. Sutura nos
flancos nitida, depois indicada só por uma impressão suave. Metazonitos no
diâmetro um jxjuco maior que os prozonitos, lisos, brilhantes; as estrias dos
prozonitos dobram e continuam em estrias horizontais, só nos primeiros segmen-
tos atingindo os poros, depois limitadas ao lado ventral. Como sempre ficam
as estrias menos fortes na parte posterior do corpo. Poros começam no 6.*
segmento, situados na frente <la sutura.
Tclson : Segmento pre-anal com suave impressão dorsal, sem processo. As
váhailas sem impresíão submarginal, com margem saliente, lisa. Escama trian-
gular.
Estemitos com 6 — 8 sulcos fundos, transversais, cm parte um ixjuco irre-
gulares, bifurcando-se.
Peras do á : O 1.* jxir com coxosternum, sendo as próprias coxas sepa-
radas cm mais que a metade de seu comprimento. O 2.® par com coxas
compridas, não separadas. Xos demais jiares nota-se uma coxa curta. Nos
primeiros 40 pares com fraca entumcccncia membranosa na parte intero-distal
dos artículos com exceção da coxa e com estreita palmillia tarsal. üs pares pos-
teriores simples.
Gonopódios anteriores: Estemito tião muito alto, triangular, sua margem
lateral, um pouco sinuosa; na frente truncado. Co.xa larga reta, lu parte dorsal
prolongada numa fõlha dirigida para dentro e para cima que termina num pro-
cesso fino. O telepodito, situado na parte aboral, é unu lâmina cursada para
dentro terminando juuna fòlha truncada, cuja margem c munida de cerdas curtas.
Gono})ódios posteriores: são formados por 2 braços simples, ligados no meio por
membranas. Xa parte basal horizontal, a coxa, c visivel uma vesicala. O pró-
prio telopodito, formando um ângulo reto com a coxa, é simples. Sua parte
basal, comprida, simples é o fêmur; a parte distai, limitada jror uma lâmina
|)equena saliente para dentro e coberta de cerdas curtas na sua margem, ê o
tibiotarso, fôllia arredondada na parte distai. Xa sua parte interna se encontra
o solenonterito, fino, flageli forme.
Pernas da 9 bem semelhantes, mas relativamente compridas e o tarso das
pernas sem palmilha tarsal.
17
1 SciELO
220
os DIPLOPODA DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PAULISTA
Procedência: Ilha da Queimada Grande, Estado de São Paulo, Brasil.
Sob as folhas sêcas, nas bromeliáceas e também em quantidade nas arvores
e nos arbustos onde elas ficam nas folhas e nos galhos. — 36<Já,38 99 2
jov. 9 9 — 14-IV' — 22-IV-1947 — col. Expedição A. Hc^c.
Justificação: Como typus foi escolhido o ó com 48 (-1) segmentos,
guardado sob a. Já na descrição do gênero nos referimos ás dificuldades
existentes ainda neste grupo. Temos o prazer de dedicar esta espécie ao idea-
lizador das expedições para as ilhas, Dr. Alfons Hoge.
Variação: Sòbre a \-ariação desta espécie demonstra fàcilmente o seguinte
quadro :
Tab. VI. Variação dos segmentos no Stptunoholus hogei.
sexo
43(-l) 46(-l) ^ 47(-l) 48(-l)
49(-l)
(?)
total
£
— 16 9
19
1
36
9
1 2 3 11
21
38
A pequena variação existe igualmente no comprimento, porém menos acen-
tuada no diâmetro. Um £ não poude ser aproveitado, possuindo irregularidades
na formação dos segmentos, caso muito raro.
Biologia: Cortamos algumas das $ 9 e encontramos em tõdas elas óvulos,
porém cm número muito reduzido o que prova que esta espécie já se reprodu-
ziu nesta época. Assim encontramos numa 9 de 48 (-1) segmentos no total
37 óvulos, distribuídos irregularmente entre o 9.* e o 35.* segmentos, numa outra
9 de 49 (-1) segmentos 11 e numa terceira 9 também com 49 (-1) segmentos
só 8 óvulos, em parte de tamanho reduzido, mostraram os óvulos maiores 1,1
até 1,2 nun de diâmetro.
O tubo intestinal contêm em todos os exemplares examinados restos v^e
tais, menos digeridos que nas outras espedes: pedacinhos de fõlhas onde se vêm
células da epiderme, ás vezes até estómatos; raramente células do mesophyllum;
pêlos estrelados (geralmente como os encontrados em Dicotylcdonae ) ; feixes le-
nhosos e vasos espiralados isolados.
Nematoda de forma lanceo’ada foram encontrados numa 9 de 49 (-1)
segmentos, sendo aparentemente não muito comuns.
18
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
U«n. Inst. BotanUn.
ai:20J-254, Abril 1M9.
OTTO SCHUBAHT
221
jov. 9 45 mm 3,4 mm 71 (-2) sgm.
FamilÍA Spirositcplldae.
3. Cladostreptus sebastianus Brõlemann
Procedência: Ilha da Queimada Grande, Estado de São Paulo, Brasil. —
3 S S.l jov. á 6 9 9 1 jov. 9 - 14-IV. — 22-IV-1947 - col. Expedição
A. Hoge.
O material colecionado tem as seguintes medidas:
é 55 mm 3.7 mm 69 (-1) sgm. jov. S 40 mm 3,1 mm 69 (-5) sgm.
S 53 mm 3,6 mm 71 (-2) sgm.
9 70 mm 4,6 mm 72 (-1) sgm.
9 65 mm 4,6 mm 72 (-1) sgm.
9 65 mm 4,4 mm 76 (-1) sgm.
9 60 mm 4,0 mm 77 (-1) sgm.
9 55 mm 4,0 mm 71 (-1) sgm.
9 50 mm 37 nim 70 (-2) sgm.
Com exceção de 2 9 9 com 76, respecti\'amente, 77 segmentos concorda
a população da Ilha da Queimada Grande com a da Queimada Pequena.
Não constatamos diferenças nos gonopódios.
Encontramos na bolsa gonopodial do S com 71 (-2) segmentos no total
•6-7 Acarina os quais foram enviados ao dr. A. F. Turk.
Família Pscudomnnolenidac .
4. PscudonannoUne marítima, sp. n.
Procedência: Ilha da Queintada Grande, Estado de São Paulo, Brasil —
2 ê ê 19 7 jov. 9 9 — 14.IV. - 22. IV. 1947 — col. Expedição A. Hoge.
O material colecionado possui as seguintes medidas:
60 mm 4,0 mm 69(-4) sgm.
55 mm 3,6 mm 67 (-4) sgm.
50 mm 3,9 mm 69(-3) sgm.
50 mm 3,7 mm 71 (-4) sgm.
45 mm 3,4 mm 68(-4) sgm.
jov. 9 45 mm 3,3 mm 68^5) sgm.
O material se distingue nitidamente do da Ilha Queimada Pequena pela co-
loração, sendo a mesma um preto pardacento, a cabeça e os primeiros 2 segmen-
tos alaranjado claros ou amarelos, os ocelos alaranjado escuros.
.'\pezar da coloração tão diferente, não 3Ssina’amos outras diferenças, com
«xceção da sutura, que mostra entre o poro e a primeira estria longitudinal no
metazenito sulcos semilunares, que diminuem dorsalmente.
19
é
65 mm 3,8 mm 71 (-2) sgm.
jov.
6
50 mm 3,4 mm 70(-2) sgsi.
jov.
9
70 mm 4,5 mm 75 (-2) sgm.
jov.
jov.
jov.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
222
os DIPLOPODA DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PAtTLISTA
Examinamos cntros detalhes, principalmente os gonopódios; existem ás ve-
zes ligeiras diferenças, mas baseado em poucos ê ê não seria justificável qual-
quer separação.
Queremos ainda chamar a atenção numa anomalia relativa à distribuição dos
poros. Uma jovem 9 com 67(-4) segmentos possui em todos os segmentos
ápodos poros que faltam só ao segmento pre-anal coligada comumente a ausên-
cia de pernas com a de poros na parte distai do corpo.
5. Picudonannolcnc tricolor Brõlemann, 1902.
Procedência: Ilha da Queimada Grande, Estado de São Paulo, Brasil. —
3 9 9,1 jov. 9 — 14. IV. - 22. IV. 1947 — Expedição A. Hoge.
.•\s suas medidas: 9 80 mm 5,0 mm 66(-2) sgm.
9 50 mm 3,5 mm 59(-2) sgm.
jov. 9 40 mm 2,9 mm 58(-4) sgm.
.Apezar da falta de um exemplar masculino estamos convencidos que se tra-
te desta espécie, muito comum em grande parte do Estado de São Paulo.
III. ILHA DOS alcatrazes: ilha cr.\nde
Para melhor compreensão do ambiente transcrevemos primeiro a interessan-
te e muito instrutiva descrição dada pela "Comissão Geografica e Geologica de
Estado de São Paulo”, em 1915:
“Trinta e tres kilometros a Sudoeste da ponta da Sella e trinta e cinco ki-
ümetros ao Sul da ponta do Sahy, fica situada a ilha dos A’catrazcs. É um
rochedo que se extende de Nordeste para Sudoeste, com o comprimento de 2.50(>
metros e com largura media de 500 para 600 metros. Deste corpo principal que
tem a altitude maxima de 266 metros, sahe para o lado Norte uma península da
largura media de 200 metros e do comprimento de 600 metros, formando, jun-
tamente com a ponta Leste da ilha, uma pequena bahia, o Sacco do Funil. A
Sudoeste ha imi ilhote, separado da ilha por um canal de 400 metros de largu-
ra, e no meio deste canal fica uma lage grande que o divide em dois estreitos.
No lado de fóra quasi unido ao ilhote, fica um grupo de pequenas lages, deno-
minado Lage Preta.”
"A Noroeste, na distancia de 2.800 metros encontra-se o Paredão, uma
ilhasinha com um diâmetro de 200 metros e uma altitude de quasi 50 metros;
e entre esta e Alcatrazes, na distancia de 700 metros do porto dos Pharoleiros,
está situado um ilhote onde se acha collocado um pharolete.”
"Cerca de 3 kilometros a nordeste da ponta de Alcatrazes encontra-se
mais um ilhote, ou lage abaulada, ilha da Sapata, que na Carta Maritima tem
20
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mem. Buunun.
ÍI;20J-254. Abril 1949.
OTTO SCHIBART
223-
a denominação de East Island. Existem também varias pequenas lages, uma
ao Sul e outra a Sudoeste da Sapata, uma ao Sul do Paredão e outra a No-
roeste <la ilha do Pharol. A área da ilha é de 1.352.000 metros quadrados
c dos ilhotes e das lages 71.000, perfazendo a área total de 1.423.000 m-.”
forma característica dos picos de .Alcatrazes é a cônica, com a ponta
rombuda ou arredondada. O pico Grande, o mais typico, na parte Oeste da
ilha, eleva-se até a altura de 266 metros, e delle parte um espigão que, mais ou
menos no centro da ilha se bifurca em dois. dos quaes um, st^uindo o mesmo
rumo, acaba na ponta Leste e outro, perpendicular ao primeiro, \'ai até a ponta
Norte. Pouco ao Sul da ponta de bifurcação fica o Pico Pcqiteno (192 m), e
na peninsula da ponta Norte, tem mais alguns picos, mais t)ai.\os e de tipo me-
nos pronunciado.” A Oeste do Pico Grande e!eva-sc outro pico, o Oratorio,
com altitude de 130 m, c entre estes dois pontos a ilha estreita-se consideravel-
mente. tendo a altitude de apenas 30 metros.”
“Toda a costa desta ilha é brava e de dificil accesso, a não ser nos saccos
do Oratorio e do Funil, e no porto dos Pharoleiros. No lado de fóra, ao Sul,
é Íngreme, especialmente na parte que fica entre os dois picos maiores, onde os
paredões, quasi a prumo, tem uma centena de metros de altura.”
“O riacho mais importante da ilha corre na baixada do Funil onde também
encontra-se a maior extensão de matta. A vegetação da ilha em geral, c muito
escassa, limitando-se a arbustos nas pedras. Somente em alguma baixadinha ou
assento onde se accumulou um pouco de terra vegetal encontram-se ar\'oredos
grande?. ”
“Uma outra aguinha. que nasce nas pedras no porto dos Pliaroleiros, e que
nunca constou secear. tem um gosto alcalino e, pelos visitantes da ilha, c con-
siderada altamente digestiva.”
«
No -seu estudo sóbre a lllia dos Alcatrazes se ocupam Lucdeivvaldt & Fon-
seca, 1922, entre outros, detalhadamente com a vegetação, distinguindo 9 for-
mações diferentes; entre estes queremos salientar a formação do mato que nes-
te tempo ainda existia em dez lugares diferentes, bosques mesmo os dificilmen-
te accessiveis e portanto poupados pelo machado, alcançando de 8-10 metros,
exceto as palmeiras; a do campo, de I>ambús, de matas arbustis-as, de sapé, de
Pteridium aquilUtum, de palmeiras, de lichens e Tiltandsia, de Cephaloccrcus com
begônias e bromeliáceas. Do ponto de vista cco’ógico é lamcntavel que não fos-
sem cuidadosamente separadas as colheitas por biotopos, conseguindo desta ma-
neira certamente muitas formas menores e minúsailas das famílias Polyxcuidae,
Vaniíocffcnitdac, Stylodesmidae, etc.
Luederwaldt & Fonseca escreveram no capítulo dedicado aos Arlhropoda (p.
479) : "Rica presa forneceu um tronco morto de Fourcroya; Térmitas, dez ba-
21
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
224
os DIPUOPODA DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PALT-ISTA
ratas, unia espécie de Camponotus, 1 belo Julideo (*), 6 scolopendrideos, 3 ara-
nhas, 2 conchas e uina lagartixa com 4 ovos.”
“Entre as raizes das bromeliáceas \-ivem blattideos, mjTiapodos, muitas ara-
nhas, 3 espécies de tenebrionideos, formigas... etc.” E, na p. 483, referindo-
se especialmente aos Miriápodos.
“Myriapodos eram frequentes quanto ao número de individuos, ao passo
que de espécies só colhemos 5. Mencionemos um Julideo 1), de mais de 10
-cm de comprimento. Uma espécie de Polydesmia, (n. 160) quando adulto de
mais de 4 cm de comprimento e de um pardo avermelhado 2), quando novo
<le côr branqueada 3), vivia muito frequentemente entre as bromeliáceas. Ti-
vemos a sorte de encontrar também seus ninhos, bolas de até 2 cm de dia-
metro e de 15 cm de altura, irr^ulares e de grossas paredes consistindo em
humus preto. Um scolopendro (n. 162) de côr parda, toma-se interessante
pelo que se tinge em certas partes do alcohol de um azul e violeta bonitos.”
Nos resultados eles piencionam como colecionados:
Polydesmidae 4) 1 espécies 22 exemplares
Julidae 5) 2 ” 15
Scolopendridae 2 ” 15 ”
Família Lcplodesmidae
1 . Leptodesmus paulistus Brõlemann, 1902.
Procedência — liha dos Alcatrazes: Ilha Grande, debaixo da terra, cavocan-
do-sc um pouco, em lugares bem sombreados e húmidos — 4 á á , 1 8 —
16.11.1948 — col. Expedição A. Hoge; — ib. — 1 i — XI. 1920 — col. H.
Lucdcnvaldt .
O material, idêntica nos gonopódios, possui as seguintes medidas:
‘ é 48 mm 7,1 mm 9 ? mm 7,4 mm
á 45 mm 6,3 mm
S 45 mm 6,0 mm
S 43 mm 6,2 mm
(•) peve-se tratar conforme a classificação moderna de um Rkinocricus,
.Anatacão: O material mencianado iie.tence certamente ás seguintes formas;
1 ) Rhinocricui sp.
2) Leptodesmus paulistus.
3) Pseudoeurydesmus alcatrazensis.
4) Leptodesmidae: Leptodesmus paulistus c Pzeudoeurydeímus akatruzensis.
5) Spirostreptidae c Ps ‘udonannolenidae.
22
Metn. Iiut. Butantan,
21:203-254. Abrí] 1949.
OTTO SCUUBART
225
2. Pseudocurydesmus alcatraccnsis Schubart, 1945
Procedência — Alcatrazes: Ilha Grande, Estado de São Paulo, Brasil. De-
babco da terra cavocando um pouco em lugares bem sombreados e húmidos
— 4áá,8 99 — 16.11. ISWS — col. Expedição A. Hoge. — Já em X.1922
■colecionou H. Luederwaldt esta espécie em quantidade, como testemunham os
7 áá,4 99 e9 jov. S S jov. 9, que me scr\-iram para descrevê-la.
As medidas dos exemp'ares recem-colecionados são:
á 33 mm 6,5 mm
i 32 mm 5,6 mm
<5 30 mm 5,8 mm
(J 30 mm 5,8 mm
9 36 mm 7,0 mm
9 34 mm 7,0 mm
9 34 mm 6,4 mm
9 33 mm 7,0 nun
9 33 mm 6,8 mm
9 33 mm 6,3 mm
9 32 mm 6,7 mm
9 32 mm 6,6 mm
As medidas extremas desta cípccie baseado em todo o material são:
6 S 27 — 33 mm de cempr., 5,8 — 6,5 mm de largura
9 9 30 — 36 mm de compr., 6,4 — 7,0 mm de largura
Xo comprimento mostram os exemplares agora colecionados, um pequeno
.aumento, que deve ser porém puramente uma consequência da conservação. O
á c mostra uma pequena irregularidade, possuindo o 14.® segmento no bdo
•esquerdo um poro. A 9 g também mostra um poro no 14.® segmento. X^os
gonopódios não foram constatadas diferenças.
Em duas 9 9 foram encontradas nos flancos da parte posterior do corpo 1,
respectivamente, 2 Acarina, mandados ao meu colega dr. A. F. Turk.
Família Rhinocricidae.
J. Rhinocricus sp.
Procedênda — Ilha dos Alcatrazes: Ilha Grande, Estado de São Paulo,
Brasil. Num tronco morto de piteira {Fourcroya) — 1 9 — em X-1920 —
•col. PI. Luederwaldt & P. da Fonseca. (No. 325, Museu Paulista). 9 110
mm de comprimento 8,1 mm de largura 72 (-1) segmentos.
Este grande cxemp'ar de côr preto-olivácea possui 49 ocelos, colocados da
seguinte maneira: 7,9,9,7,7,6,4 ; suas antenas com mais de 30 cones. As scobinas
são pequenas, muito distanciadas uma da outra; a área riscada triangular, pouco
-desenvolvida. Flancos dos prozonitos com poucas c fracas estrias obliquas.
Uma pseudosutura ausente. Sutura nítida. Flancos dos metazonitos com
-8 — 9 estrias longitudinais, sendo os 5 — 6 superiores fracas, pouco desenvol-
vidas. Segmento pre-anal com pequeno processo prc-anal.
23
cm
SciELO
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226
os DIPÍOPODA DE ALGDMAS ILHAS DO LITORAL PAULISTA
Uma classificação cspedtica, no momento, impossivel. Talvez viva esta
espécie também no litoral do Continente.
Família Spirosireptidac.
4. Cladostreptus thalatlophilus, sp. n.
Espécie lisa, de tamanho médio, de côr castanha, com sutura interrompida.
Medidas: ê 55 mm 4,4 mm 67 (-1)
S 55 mm 4,3 mm 65 (-1)
S 50 mm 4,3 mm 67 (-2)
S 48 mm 3,8 mm 64 (-2)
ê 47 mm 3,9 mm 67 (-1)
3 47 mm 4,0 mm 64 (-1)
3 45 mm 4,0 mm 64 (-1)
3 45 mm 3,8 mm 64 (-1)
3 43 mm 3,9 mm 65 (-1)
3 43 mm 3,5 mm 64 (-1)
jov. 3 45 mm 3,9 mm 66 (-1) sgm.
jov. 3 43 mm 3,8 mm 65 (-1) sgm.
jov. 3 37 mm 3,0 mm 64 (-3) sgm.
jov. 3 33 mm 3,0 mm 66 (-5) sgm.
Medidas extremas:
9 65 mm 5,1
9 63 mm 5,3
9 62 mm 5,6
9 60 mm 4,9
9 55 mm 4,8
9 55 mm 4,5
9 50 mm 4,4
9 45 mm 4,3
9 45 mm 3,9
9 45 mm 3,8
9 45 mm 37
9 40 mm 3,3
9 35 mm 2,9
9 35 mm 2,9
9 35 mm 2,8
mm 66 (-1)
mm 67 (-1)
mm 67 (-1)
mm 69 (-2)
mm 66 (-1)
mm 66 (-1)
mm 68 (-2)
mm 68 (-1)
mm 65 (-2)
mm 69 (-2)
mm 68 (-3)
mm 64 (-3) <
mm 65 (-5)
mm 66 (-4)
mm 67 (-5)
3 3 43 — 55 mm de compr., 3,5 — 4,4 mm de largura
9 9 40 — 65 mm de compr., 3,6 — 5,6 mm de largura
á á 64 (-2) sgm. até 68 (-1) sgm., 117 — 127 pares de pernas
9 9 64 (-1) sgm. até 71 (-1) sgm., 121 — 135 pares de pernas.
Castanho claro. Os ocelos marron até marron escuro. O vértice malha-
do. Entre os ocelos com faixa marron escura, que se dilata entre a base das
antenas e esmaece no clipeo. Perto da base das antenas com mancha oval de
côr castanha. Faces e a margem do labro marron. Collum malhado, margina-
do de escuro, sendo a faixa anterior mais larga que a posterior. Flancos dos
prozonitos malhados, seu dorso e a parte anterior dos metazonitos na frente
quase marron enegrecido. Na altura dos poros u’a mancha marron, formando
uma linha pontilhada nos flancos. Nos primeiros 10 — 15 segmentos a côr
bem castanho-avermelhada, depois se transformando cm castanha, às vêzes se
tomando um castanho acinzentado na parte posterior do corpo. Telson de
um -castanho flavo com fina faixa mediana. A parte dorso-distal do segmento-
pre-anal, a margem das váh-ulas e a escama de um castanho avermelhado.
24
cm
SciELO
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Mcm. Inst. BaUoun.
21:2CJ-254, Abríl 1949.
OTTO SCHUBART
227
Cabeça: Occiput com finas estrias longitudintús, perto da mediana com
alguns curtos sulcos além da profunda sutura que o separa do vértice. Vértice
com chagrin longitudinal; 4 cerdas supralabiais. Os ocelos não muito distintos,
diminuindo seu tamanho sucessi\'amente para a mediana e para baixo; seu nú-
mero \'ariável. O lypus com 57^,7, 5,2 no total com 26 ocelos; duas 9 9 com
4,5,6,7t4 e 3, 5, 6, 6, 4 ocelos. Faces do S pontilhadas, com margem lisa e largo
lobo arredondado no ângulo postero-infcrior. Faces da 9 igualmente pontilha-
das, sua margem lisa pouco elevada, com fraca entrança no lado inferior e com
pequena saliência no ângulo posterior. Antena 0,40; 0,65; 0,53; 0,48; 0,45;
0,50; 0,10 mm; no total 3,11 mm.
Collum liso, nos lados pouco estreitado e além do fino sulco marginal com
um sulco oblíquo, paralelo à margem.
Prozonitos e metazonitos lisos; com aumento maior se notam um chagrim
muito fino e riscos longitudinais. A relação entre prozona, mesozona e metazo-
nito é 17: 43: 40, medida no 25.* segmento. Prozonas com 5 estrias transversais
finas. Mesozonas lisas. Metazonitos no lado vcntral e nos flancos com cerca
de 10 estrias longitudinais, muito afastadas dos poros; nos primeiros segmentos
fortes, quase formando sulcos. A nítida sutura na frente dos poros encurvada
e num pequeno trecho interrompida. Os poros ficam 1/8 até 1/6 do compri-
mento do metazonito afastados da sutura.
Telson com chagrin e riscos e além disso pontilhada. A parte dorso-distal
do segmento pre-anal nitidamente separada por uma incisão. A margem das
válvulas lisa. A escama lisa triangular, pouco abaulada.
Estemitos com alguns riscos abreviados.
Pernas do á : Coxostcrnum do 1.* par com algumas cerdas no lado. Pre-
fêmur oval, com cerdas curtas na altura da margem distai do coxosternum. O
lobo prefemoral na parte distai arredondado, metade da largura do prefemur,
tão comprido quanto largo, sua base levemente estreitada. As demais pernas
sem peculiaridades, sem palmilha prefemoral e tibial.
Gonopódios : Na sua construção geral existe uma semelhança muito grande
com Cl. sebastianus. Referimo-nos a respeito dos detalhes para sua redcscrição.
Coxa alta, não muito larga. Telocoxito reto, na parte distai prolongada num
longo processo aculeiforme. Paragonocelo curvado para dentro, sua margem
externa um pouco sinuosa; sua parte distai nitidamente separada, coberta de
algumas cerdas pequenas. O telopodito livre com curto e recurvado processo
basal. Abaixo deste processo se dilata um pouco o telopodito. para depois se
estreitar novamente, terminando numa ponta fina. Abaixo da separação do
processo basal com lobo curto e arredondado.
Procedência — Ilha dos Alcatrazes : Ilha Grande — debaixo da terra, cavo-
cando-se um pouco eni lugares bem sombreados e húmidos — 35 á í 12 jov.
25
cm
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228
os DIPLOPODA .DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PAULISTA
col. Expedição A. Hoge;
— X.1920 — col. Lue-
á á 189 9 9 jov. 9 9 — 16.11.1948 —
ib. — 2 á á 1 9 — 1920 — col. ? ; ib. — 2
derwaldt & Fonseca.
Como lypus foi escolhido o 5 de 50 mm com 64 (-1) segmentos. Paratypits
os demais exemplares : 34 á á 189 9 9 .
Justificação: Esta espécie nova, bem semelhante ao Cl. sebaslianus se
distingue pelo 1.* par de pernas do S , pela interrupção da sutura na altura do
poro e pelos gonopódios. Seu nome foi dado pela ocorrência numa ilha oceânica.
Biologia; As 9 9 contêm, em parte, óvulos, cujo tamanho em estado
conservado varia de 1,9 — 2,1 mm por 1,4 — 1,6 mm. Foi \-erif içado que
sempre as 9 9 com ovários cheios de ó\'ulos apresentam um intestino quase ou
cr.mplelamente vazio. Xo conteúdo intestinal foram encontrados detritos ve-
gdais, algum tecido vegetal, areia finissima e um pedaço de uma ninça de um
Pstudoscorpionidea, involuntariamente ingerido com o detrito. Constatamos cm
algumas das 9 9 autopsiadas um e outro Xematoda, mas parece que seu número
é sempre muito reduzido, nunca acima de 4.
Variação da espécie: O material, mais de 200 exemplares, possibilita um
estudo de sua variação. Unu parte dos exemplares chegou avariada e pôde ser
aproveitada somente para a medida da largura. A outra parte é toda c.-.-itada c
medida. Isso explica a diferença nas somas totais das diversas tabelai. Não
utilizamos nestas tabelas os 4 á á 1 9 colecionados em outras épocas, em 1920,
possuindo os mesmos as seguintes medidas:
é 45 mm 3,8 mm 64 (-1) sgm. 119 pares de pernas
á 45 mm 4.0 mm 63 (-1) sgm. 117 pares de pernas
4 42 mm 3,6 mm 64 (-1) sgm. 119 pares de pernas
á 40 mm 3,5 mm 63 (-2) sgm. 115 pares de pemas
9 50 mm 4.3 mm 67 (-1) sgm. 127 pares de pernas
Tab. VII. Variação dos segmentos nos ô á e jov. ô c do Cl. thalaitophUus da Illia
dos Alcatrazes: Ilha Grande, 16-11-1948.
26
cm
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Mcm. Init. BaUnun.
*1:203-254, Abril 1949.
OTTO SCHUBART
229
Tab. \ III. Variação dos segmentos nas 9 $ e jov. 9 9 do Cl. thalattofhilus da Ilha
dos Alcatrazes; Ilha Grande 16-11-1948
número
total de
segmentos
59
Jov. 9 9
segmentos apodos
(-1) (-2)
segmentos ápodos
(-3) (—4) (-5)
71
1
70
3 2
69
10 4
25 2
1
67
45 15
I 2
66
11 5
— 1
65
9 2
.. 2
64
2 —
1
total
106 28
3 1 4
O critério para a distinção do macho adulto é a abertura vcntral do 7.”
segmento; a mesma está ainda completamente fechada nos exemplares jovens.
Os seus gonopódios somente são esboçados e ao primeiro par de pernas faltam
as características do adulto. Abaixo de 64 segmentos não foram encontrados
cjcemplares adultos, sendo mais dificil a separação no sexo feminino. Os exem-
plarei com 3 e mais segmentos apodos são certamente todos imaturos. Os d á
são sempre bem menores em número de segmentos c, como veremos cm seguida,
também em número de pares de pernas.
27
1 SciELO
230
os DIPLOPODA DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PAUUSTA
Tab. IX. Vaiiação de número de pernas nos exemplares de Cl. thalattophilus da
Ilha dos Alcatrazes: Ilha Grande. 16-11-1948
número
de pares
de pernas
O
jov. S
5
jov. 9
135
1
133
3
131
12
129
29
127
1
47
125
3
24
1
123
4
1
14
1
121
10
1
4
119
7
3
117
I
1
115
1
2
113
1
total
26
4
134
8
A diferença dos se.xos está melhor ainda representada pelo diâmetro, sem-
pre medido aproximadamente no meio do corpo ou mais ou menos no 30.* seg-
mento. Foi aproveitado o material todo, isto é, os 244 exemplares. Os resultados
daremos na tabria X.
232
os DJPLOPODA DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PAULISTA
Apesar do grande número de adultos, o dos jovens foi bem reduzido. Mas
já se destaca nitidamente que a espéde atinge primeiro seu número definitivo-
de segmentos, porém ainda com número grande de segmentos apodos, 5 até 4.
Depois com ainda mais uma ou algumas mudanças da carapaça diminui a espécie
consecutivamente o número dos segmentos ápodos e atinge finalmente seu
estado adulto. Os ê S mostram esta relação melhor (veja tab. VII), existin-
do exemplares jovens com 66 segmentos, número que só uma quarta parte dos
adultos atinge ou o ultrapassa. O número de 5 segmentos ápodos' é, em con-
junto com outros caracteres, a melhor prova de seu estado juvenil. O aumen-
to se realiza em seguida com uma diminuição dos segmentos ápodos. Uma so-
lução definitira exige uma coleção bem mais ampla em estados juvenis.
Família Pseudonannolenidae .
5. Pscudonannolene marítima, sp. n.
Procedência — Ilha dos Alcatrazes: Illia Grande, Estado de São Paulo,
Brasil — 31 3 ê , 28 9 9 — 16.11.48 — col. Expedição A. Hoge.; ib. — Z
S 9 — X.1920 — col. Lueden%aldt e Fonseca. (No. 329, Museu Paulista).
Daremos algumas medidas:
4.5 mm
4,0 mm
4,2 mm
3,7 mm
3,7 mm
3.6 mm
37 mm
3,5 mm
3,4 mm
3,4 mm
72(-2)
72 (-2)
75 (-2)
70(-2)
69(-2)
70(-3)
71 (-3)
70(-3)
69(-4)
66(-4)
sgm.
9
80
mm
4,8
mm
72(-2)
sgm.
sgm.
9
70
mm
4,8
mm
71 (-2)
sgm.
sgm.
9
70
mm
4,0
mm
72(-3)
sgm.
sgm.
9
65
mm
4.0
mm
72(-2)
sgm.
sgm.
9
65
mm
3.9
mm
72(-3)
sgm.
■sgm.
9
60
mm
4,5
mm
70(-3)
sgm.
sgm.
9
60
mm
4,2
mm
68(-3)
sgm.
sgm.
9
60
mm
4.0
mm
73(-2)
sgm.
sgm.
9
60
mm
3.7
mm
68(-3)
sgm.
sgm.
9
60
mm
3.6
mm
67(-3)
sgm.
9
55
mm
3,7
mm
69(-3)
sgm.
As medidas extremas :
3 3 50 — 70 mm de compi., 3,2 — 4,5 mm de largura
9 9 55 — 80 mm de compr., 3.2 — 5,1 mm de largura
<J 3 66(-4) até 75(-2) sgm., 117 — 139 pares de pernas
9 9 67 (-3) até 72 (-2) sgm., 123 — 135 pares de pernas
Na coloração os exemplares concordam muito bem com os da Ilha da Quei-
mada Grande, também na formação da sutura. Os gonopódios mostram em S
3 3 examinados uma certa concordância entre sí, sendo o próprio solenome-
rito relati\amente estreito em comparação com os da Queimada. Trata-se aqui
de uma raça em evolução?
30
cm
SciELO
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Men. In<t. Botantan.
21:203-254, AbrU 1949
OTTO SCUUBART
23 J-
Aparentemcnte os exemplares da liha da Queimada Pequena são maiores
em ambos os sexos, mas tirando a média do número de pares de pernas en-
contramos as 5 9 das 3 ilhas oscilando entre 133 e 135 pares, sendo a media
dos S S mais irregular, consequência do número insuficiente de exemplares
S S : 2 i $ da Queimada Pequena (média 143 pares) e 2 da Queimada Gran-
de (média 131 jiares). Os 14 á á dos Alcatrazes possuem cm média 127
pares. Considerando o número dos segmentos ápodos se manifesta (-1) so-
nos exemplares da Queimada Pequena. Mas achamos qualquer denominação
subspecífica ainda prematura. Para resolver esta questão seria necessário um-
maior número de indivíduos, principalmente de á á , para investigar a variação
dos caracteres observados e jara assim julgar a sua eventual \-alidez com base
mais segura.
Biologia: Umas 9 9 examinadas contém óvulos grandes. O conteúdo in-
testinal é composto de detrito fino e, raras vêzes, de restos vegetais. Xas per-
nas anteriores do S, principalmente no coxostemum do 1.* par, foram observa-
dos alguns pequenos Acarim. 5 9 9 e.xaminadas contêm numerosos Ncnwloda
no intestino.
6. Pscudonamwlenc tricolor Brõlemann, 1902
Procedência — Ilha dos .-Meatrazes: Ilha Grande, Estado de São Paulo.
Brasil. — 6 S S 4 99 — 16.11. 1948 — col. E.xpedição A. Hoge; ib. 2
9 9 — X.1920 — col. Luederwaldt & Fonseca (No. 325, Museu Pauista) ;
ib. — 4á i 4 9 93 jov. 9 9 —X.1920— col. Luederwaldt (Xo. 329. .Mu-
seu Paulista) ; destas duas últimas coletas falta a indicação exata da ilha. mas
baseado nos relatórios não hesitamos em colocá-la nesta.
Cortamos vários S S das diferentes coletas e constatamos sua plena iden-
tidade com os exemplares do continente. Para futuras comparações daremos
suas medidas:
ê 65 mm 3,4 mm 61 (-2) sgm.
S 60 mm 3,6 mm 62(-2) sgm.
S 60 mm 3,5 mm 62(-2) sgm.
«S 45 mm 2,9 mm 60(-3) sgm.
S 35 mm 2,5 mm 58(-4) sgm.
9 65 mm 4,0 mm 61 (-2) sgm.
9 60 mm 3.6 mm 60(-2) sgm.
9 60 mm 3,6 mm 60 (-2) sgm.
9 55 mm 3,7 mm 61 (-2) sgm.
9 55 mm 3.5 mm 60(-2) ^m.
9 50 mm 3,4 mm 60(-3) sgm.
jov. 9 45 mm 2,9 mm 60(-2) sgm.
jov. 9 40 mm 2,5 mm 59 (-5) sgm.
jov. 9 40 mm 2,4 mm 58(-5) .sgm.
A'guns S S danificados possuem as seguintes larguras: 3,6 mm, 3,6 mm,
3.5 mm, 3,0 mm e 3,0 mm e duas 9 9 4,0 mm e 3.3 mm.
31
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
234
os DIPLOPODA DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PAULISTA
iw . ILHA DOS alcatrazes: ilha do FAROU
Familia Pseudonannolcnidac .
1 . Pseudonannolene halophila, sp. n.
?
mm
3,3
mm
?
sgm.
9
70
mm
4.3
mm
64(-2)
sgm.
?
mm
3,3
mm
?
sgm.
9
65
mm
4,0
mm
64(-3)
sgm.
?
mm
3.1
mm
>
sgm.
9
65
mm
3,7
mm
62(-2)
sgm.
?
mm
3,0
mm
p
sgm.
9
50
mm
3.4
mm
60(-2)
sgm.
35
mm
2.3
mm
59(-4)
^m.
jov. 9
30
mm
2,1
mm
57(-4)
sgm.
Além deste material foram eiKontrados 15 9 9 ; destas foi aproveitado uni-
camente o diâmetro. Estas medidas estão reunidas numa tabela comparativa.
Preto com tonalidade de marron. Cabeça com clipeo marron; as antenas
marron-acinzentadas, sua parte distai avermelhada. Válvulas marron - escuras,
principalmcnte sua mai^em. Escama marron. As pernas castanho amareladas.
Cabeça: Occiput com chagrin grosso e alguns riscos longitudinais. O vér-
tice com fino sulco, limitado na altura dos ocelos por uma estria transversal.
Vértice e clípeo lisos. Faces rugosas, nos S S mais acentuadas. Ocelos bem
nitidos, na seguinte ordem: 6,8,8,7,5,4, no total 38 no lypus. Antena com as
s^uintes medidas: 0,30; 0,70; 0,80; 0,63; 0,60; 0,62; 0,10 mm; no total 3,75 mm.
CoUum no lado com 7-8 sulcos, sendo os 2 primeiros curtos e além disso
alguns outros irregularmente intercalados.
Prozonitos: Prozona com chagrin, nos flancos com 8-10 finas estrias trans-
?“rsais. Mesozona com finas e.strias longitudinais, irregularmente distribuídas.
A sutura simples. Metazonitos, pouco rugosos, nos flancos com 15-18 estrias
longitudinais, sendo as dos primeiros segmentos muito bem desenvolvidas, for-
mando sulcos, que ficam pouco abaixo do poro. O primeiro poro pouco afas-
tado da sutura, colocado-se rapidamente mais para trás, até cerca da metade do
comprimento do metazonito. Atrás do poro nota-se um sulco longitudinal re-
lativamente fundo, que atinge quase o bordo posterior.
Telson: Segmento pre-anal com sulcos longitudinais que na margem distai
dobram para baixo. \'álvulas com impressões irregulares, rugosas; com nitida
impressão submarginal e com fina crista marginal. Escama larga.
Estemitos com chagrin grosso e cerca de 7-8 estrias transversais fundas.
Pernas do á : O coxostemum do 1.® par não tão densamente coberto de
cerdas. O coxosternum do 2.* par dilatando-se suaveniente. O penis com uma
fila de 3-6 cerdas na margem distai.
Gonopódios: Coxa grande, bem comprida, sua largura máxima cabe 2 ve-
zes no seu comprimento. :\ porte distai basal formando um ângulo ponteagu-
32
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Metn. InsC BaUntu.
11:203-254, Abril 1949-
OTTO SCHUBAKT
235
do. A margem interna com pequeno lobo, a margem externa angulada, sua par-
te basal menos oblíqua que a distai. Telopodito coni forme, suas margens dis-
tais com cerdas grandes. O seu comprimento cabe quase 5 vêzes no da coxa.
O solenomerito bem mais comprido que o telopodito, sua parte distai sobres-
saindo as pontas das cerdas. A parte escamosa larga, sua margem distai oblí-
qua, terminando numa fôlha triangular. A fôlha hialina não diminuindo de
largura, pouco angulada e truncada.
Pernas da 9 sem peculiaridades.
Como typus foi escolhido um S com 3,0 mm de diâmetro.
Procedência — Ilha dos Alcatrazes: Ilha do Farol, Estado de São Paulo,,
Brasil. — 4 á á, 1 jov. á, 19 9 9, 1 jov. 9 — 19.11.1948 — col. Expedi-
ção A. Iloge.
Justificação: A espécie não poude ser identificada com qualquer das até
hoje descritas, tendo sido considerada como nova. Seu nome foi dado pelo mo-
tivo da sua ocorrência nas ilhotas que formam os .Meatrazes .
V. iLUA DOS alcatrazes; ilha da sapata
Família Pscudonannolcnidae.
1 . Pscudomnnolene halophila, sp. n.
Procedência — Ilha dos Alcatrazes: I!ha da Sapata, Estado de São Paulo,
Brasil. — 12 áá,28 9 9 — 22.11.1948 — col. Expedição A. Hoge.
Só uma parte do material permitiu seu aprowitamento total. As suas me-
didas:
65 mm 3,5 mm 64(-2) sgm.
65 mm 3,4 mm 65(-2) sgm.
60 mm 3,5 mm 64(-2) sgm.
60 mm 3,5 mm 62 (-2) sgm.
50 mm 3,3 mm 61 (-2) sgm.
45 mm 2,8 mm 60(-3) sgm.
45 mm 2,8 mm 60(-3) sgm.
40 mm 2.6 mm 60(-4) sgm.
70 nun
65 mm
65 mm
60 mm
58 mm
55 mm
55 mm
50 mm
50 mm
50 mm
4,J mm
4.0 mm
3,6 mm
3,6 mm
3.4 mm
3.5 mm
3,4 nun
3,2 mm
3.1 mm
3,0 nun
62(-2)
63(-2)
61 (-2)
65 (-2)
59(-2)
62(-2)
59(-2)
60(-3)
60(-2)
60(-3)
Os gonopódios concordam perfeitamente com os dos exemplares da Ilha do
Farol. Num exemplar é de*62(-2) segmentos obscr\amos um único par de
penias no ante-penúltimo segmento.
O conteúdo intestinal é composto de detrito muito fino. Em 5 exempla-
res examinados encontramos Ncmaloda.
33
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
236
os DIPLOPODA DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PAIXISTA
VI. ILHA DOS alcatrazes: ilha de PAREDAO
Família PseudonannoJenidae.
1 . Pseudonannolcne ludophUa, sp. n.
Procedência — Ilha dos Alcatrazes : Ilha de Paredão, Estado de São Paulo,
Brasil. — 20 éá,51 99,2 jov. 9 9 — 24.11.1948 — col. Expedição A.
Hoge.
O material se encontrava em melhor estado e permitiu sua contagem qiase
completa .
Medidas :
á 50 mm 2,8 mm 64(-3) sgm.
S 50 mm 2,6 mm 64 (-2) sgm.
S 45 mm 2,6 mm 63 (-2) sgm.
é 45 mm 2,6 mm 60(-3) sgm.
S 45 mm 2,6 mm 60(-2) sgm.
S 40 mm 2,4 mm 60(-3) sgm.
i 40 mm 2,4 mnl 59 (-2) sgm.
i 38 mm 2,4 mm 59(-3) sgm.
S 35 mm 2,3 mm 59(-3) sgm.
i 32 mm 2.2 mm 58(-3) sgm.
Queicmos ainda chamar a atenção num á
do o ante-penúltimo segmento nenhum par de pernas, porém um par de poros.
Este material em conjunto com o das outras ilhas permite um pequeno es-
tudo sôbre a variação desta espécie.
Sòbre a variação da Pseudonannolcne halophila.
É muito interessante notar que esta espécie mostra nítidas diferenças de
tamanho nas três ilhas.
Para obter um número maior de exemplares examinamos primeiro o diâme-
tro de todos os exemplares e obtivemos o seguinte resultado;
55
mm
3,4
mm
63(-2)
sgm.
55
mm
3,2
mm
63(-2)
sgm.
50
mm
3,4
mm
64(-3)
sgm.
50
mm
3,1
mm
62(-2)
sgm.
50
mm
2,9
mm
62(-2)
sgm.
48
mm
3,0
mm
62(-2)
sgm.
45
mm
3,0
mm
61 (-2)
sgm.
40
mm
2,8
mm
60(-3)
sgm.
38
mm
2,6
mm
60(-3)
sgm.
35
mm
2,5
mm
61 (-3)
sgm.
40
mm
2,6
mm
59(-4)
sgm.
27
mm
1.9
mm
54(-5)
sgm.
de 64(-3)
segmentos.
possui n-
34
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Meus. Inst. Bntantan.
31;20J-254. Abril 1949.
OTTO SCHUBART
237
Tab. XI. A variação do diâmetro nos exemplares de Ps. halof^hila de proveniência
de 3 ilhas diferentes dos Alcatrazes.
Os exemplares das Ilhas do Farol e da Sapata concordam bem em ambos
os sexos; a sua media é bem semelhante; no ê 3,2, respetivamente, 3,3 mm
e na ç 3.7. resjictivamente, 3.3 mm. Mas os da Ilha dc Paredão se apresen-
tam em ambos os sexos bem menores, a sua média é de 2,4 para os á á c de
2,9 para as 9 9 .
O comprimento dos exemplares está em certa correlação com a largura c
mostra por isso condições semehantes. Nas ilhas do Farol e da Sapata foi
encontrado um número relativamente grande de c.xemplarcs acima de 55 mm,
ao contrário dos da Ilha de Paredão, onde sòmcnte 2 á á atingem 50 mm e
3 9 9 55 — 5S mm.
35
1 SciELO
238
os DIPLOPODA DE ALGUMAS ELHAS DO LITORAL PAULISTA
A posição singular dos exemplares da Ilha de Paredão se revela igualmente
no número dos segmentos e no número dos segmentos apodos. Antes de mais
nada reunimos as nossas contagens a respeito numa outra tabela, considerando-
se que uma parte dos exemplares não foi possivel ser incluida.
Tab. XII. A variação do número dos segmentos e dos segmentos apodos nos exemplares
Ps. halophila, provenientes de 3 diferentes ilhas dos .\Icatrazcs.
Apezar do tamanho bem menor dos exemplares da Ilha do Paredão existe
no número dos segmentos uma diferença bem diminuta. Prevalecem exempla-
res com um número maior de segmentos apodos. O número de pares de jier-
nas, calculado neste material deu o seguinte resultado:
36
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Butantan,
21:203-254, Abril 1949.
OTTO SCHUBAKT
239
Tab. XIII. A %-ariação do número de pares de pernas nos exemplares de Ps. halophila^
provenientes de 3 ilhas diferentes dos Alcatrazes.
No número dos sarnentos e no dos pares de pernas existem nas popula-
ções das 3 ilhas diferenças pouco pronunciadas, bem ao contrário do seu tama-
nho, seja no comprimento, seja no diâmetro. O carater específico não foi ain-
da mudado pelas condições das ilhas, mas a população da ilha de Paredão já
não atinge as dimensões encontradas nas outras ilhas. Talvez sejam as con-
dições ecológicas menos favoráveis que provoquem um crescimento quase ra-
quítico, que com o tempo também poderia diminuir o número médio dos seg-
mentos e consequentemente o dos pares de pernas e, finalmente, resultar numa
nova raça.
\ai. CHAVE AXALf-nCA DAS ESPÉCIES DE DIPLOPODA DAS ILHAS PAULISTAS.
Foram incluídas as espécies até hoje registradas nas Ilhas, sendo por isso-
esta chave aproveitável somente para determinada região. Aproveitamos carac-
teres fáceis para facilitar o uso desta tabela.
1(4) Espécies com 20 segmentos. Cabeça sem ocelos. O corpo com care-
nas laterais. Poros só em determinados segmentos. No á são os
gonopódios, o primeiro par de pernas do 7.* segmento, não escondi-
dos no corpo.
Prolerospermophora (Família Lcptodcsmidae)
37 -
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
240
os DÍPLOPODA DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PAULISTA
2(3) Espécie côr de rosa até marron enegrecido, sendo as carenas laterais
amareladas até amarelas. 30-55 mm de comprimento.
Lcptodesmus paulistus
3(2) Espécie castanho amarelada até esbranquiçada; as carenas da mesma côr.
27-36 mm de comprimento.
Pscudocurydesmus alcatrazensis
4(1) Espécies com muito mais do que 20 segmentos, em geral entre 45-75
segmentos, seu número \-ariável. Cabeça com ocelos. O corpo redon-
do no corte transversal. Poros começam no 5.* ou 6.* segmento e
faltam só nos segmentos apodos. Xo ô são os gonopódios, os 2 pa-
res de pernas do 7.* si^mento, escondidos no corpo.
Opisthospennophora
5(14) Poros começam no 6.° segmento.
•6(11) Colliim nos lados arredondado. Espécies grossas, os adultos com 5,4
até 8,9 mm de diâmetro.
.7(10) Prozonas no dorso com 1 par de scobinas. Segmento pre-anal pro’on-
gado num processo pre-anal.
~ Família Rhinocricidae
8(9) Espécie preta olivácea, antenas e pernas pretas. 5 110 mm 8,1 mm
72(-l) sgm.
Rhinocricus sp.
9(8) Espécie parda enegrecida, listrada de amarelo (metazonitos) . Ante-
nas e pernas amarelas, á 9 50-90 mm, 6,2-8,9 mm, 47 (-1) até 54(-l)
sgm.
Rhinocricus insularis
10(7) Prozonas no dorso sem scobinas. Telson sem processo pre-anal. Es-
pécie grande e grossa. Preta brilhante, parte distai do clípeo, labro,
antenas e pernas vermelhas, á 9 58 — 85 mm, 5,4 — 8.2 mm, 45 (-1)
até 49(-l) sgm.
Neptunobolus hogrí
11(6) Collum nos lados truncado, com sulcos longitudinais. Telson sem pro-
cesso pre-anal. Os adultos menos grossos, de 3.3- 5,6 mm de diâmetro.
12(13) Cor castanha. Sutura na altura do poro não interrompida, á 9 35
-75 mm, 2,8- 4,6 mm, 67(-l) até 77(-l) sgm.
Cladosirepius scbaslianus
13(12) Côr castanha clara, com manchas escuras na altura dos poros. Sutura
na altura do poro nitidamente interrompida. 5 9 43-65 mm, 3,5-
5,6 mm, 64(-2) até 71 (-1) sgm.
Cladostrcptus thalatlophilus
38
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mcm. laft. Batmtan.
Jl:20J-254. Abril IW9.
OTTO SCHUBART
241
14(5) Poros começam no 5.* segmento. Espécies estreitas, compridas. Col-
lum r.os lados arredondado, com 5-8 sulcos longitudinais.
Família Pscudomnnolcitidae
Corpo em forma de um rosário, sendo o diâmetro dos metazonitos maior
que o dos prozonitos. Preto azulado, metazonitos na parte distai do
dorso com uma faixa vermelha, os flancos às vêzes até esbranquiçados.
Pscttdotiannolenc tricolor
Corpo não em forma de um rosário. Sem vermelho e o preto é sem
tonalidade de azul.
VáK-ulas anais lisas. Castanho ou preto pardacento, a cabeça e os pri-
meiros 2 segmentos sempre mais claros até amarelados, ê 9 50-80
mm, 3,2 -5,1 mm, 66(-4) até 81 (-1) sgm.
Pseudonannolcnc viarilivta
Castanho pardacento, cabeça e collum mais claros.
Exemplares da Ilha da Queimada Pequena
Preto pardacento, calieça e segmentos amarelado claro.
Exemplares da Ilha da Queimada Grande e dos Alcatrazes
\ alvulas anais com impressão submarginal e com crista marginal. Pre-
to, com tonalidade de marron. ê 9 32-70 mm, 2,2 - 4,3 mm, 58 (-4)
até 65 (-1) sgm.
Pseudonannolcnc halophila
C. .\NOT.\ÇOES ECOLÔGIC.XS
Conhecemos até hoje 10 espécies diferentes como habitantes destas ilhas,
onde elas são encontradas em touceiras de gramas, paus podres, troncos mortos
de Fourcroya, e também entre as raizes de bromeliáceas. sob as folhas sécas e
debai.xo da terra em lugares bem sombreados e húmidos. Xão foram feitas
colheitas que permitam qualquer comparação no sentido quantitativo, sejam co-
letas de certo tempo por e.xemplo de 30 minutos o que dá uma ótima ideia da
população existente, ou coletas abrangendo uma certa superfície por exemplo
1 m®. De’ conformidade com os dados fornecidos pelos colecionadores, podem-
se obter lialdes cheios de diplópodos. Dos Neptunobolus hogei foi registrado
que num m- vi%’iam até 100 exemplares, o que dá uma idéia da sua abundân-
cia. O grande número, em várias espécies, reunido em pouco tempo, e certa-
mente não com a atenção voltada a este grupo, é a melhor prova da sua incal-
culável abundância.
Poucas espécies, ntas estas em grande abundância. Este fato é verificado
• por um conjunto de circunstâncias favoráveis, entre as quais mencionamos uma
constante e relativa alta humidade, trazida com os ventos saturados vindos do
• mar, lugares próprios, uma falta completa ou quase completa de inimigos maio-
39
15(16)
16^15)
17(20)
18(19)
19(18)
20(17)
^ ^ SciELO
242
os DtPLOPODA DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PAULISTA
res como pequenos mamíferos, aves e batráquios e talvez uma certa falta de-
concorrentes nos biotopos povoados pelos diplópodos.
Xos dados fornecidos consta que o Kcptunobolus vive em quantidade nas
arvores e nos arbustos, enrolando-se nos galhos e nas fólhas e caminhando na
casca da vegetação arbórea. Como todos os diplópxidos, com ligeiras excep-
ções, são muito exigentes e sensíveis á humidade, morrendo facilmente com os
raios solares e uma diminuição da humidade do ar, pro\-a esta abundância em
lugares expostos ao vento, etc. a sua saturação com água, possibilitando aos
Diplopoda suas migrações e seus passeios até diurnos.
Um desenvolvimento numericamente fóra de comum é mais conhecido nas
colónias das aves marinhas nidificando também nestas ilhas e, em geral, em
ambientes isolados geográfica, topográfica ou quimicamente como, por exem-
plo, nas grutas, nas águas salobras do interior, etc.
Estudos cuidadosos nos biotopos esclareceriam quais os fatores responsáveis
I>ara este notável desenvolvimento.
D. F.\U.\ISTIC.\ D.\S ILH.AS P.^ULIST.\S
Incluímos numa tabela tódas as 10 espécies divididas em 6 gêneros e 5
famílias até hoje registradas nas ilhas.
Tab. XIV. distribuição dos Dlplofida nas Illas Paulistas.
Espécie
Queimada
P G
c r
q a
u n
c d
n c
a
Alcatrazes
G F S P
r a a a
a r p r
n o a c
d 1 t d
e a â
o
Conhecido do
Litoral Paulista
o gênero
a cspccic
Lcflodcsmus faulislus
— 4-
+
4-
4-
Pseudocurydcsmtu alcalrj^nsis
^
4-
RhiHocricus insularis
+ —
— — _
4-
Rhiiiocricus sp.
— —
4- — — —
-L
Xe/>tunoboIus hogei
— +
~ ^ ^
Cladostreftus sfbatlianus
+ 4-
— .
4-
4-
Cladostrt-flus thalattophilus
— , —
4- — _ _
4-
PsfudoHannolCHe niarilima
4- 4-
+ _ _ _
4-
Pscudonannoh-m tricolor
J-
+ — — —
4-
+
Pseudonannolcnc halofhila
-4-4-4-
Total
3 5
6 111
5
3
40
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mrm. Inst. BaUntan.
ÍI:2t)3-2S4, Abril 1949.
OTTO SCHCBART
243
Xo máximo foram encontradas 6 espécies, numa só ilha, nas pequenas ilho-
tas porém 1 só.
3 das espécies já são conhecidas do litoral e não é impossivel que seu nú-
mero aumente ainda mais. São os seguintes;
Leptodesmus pauUstus é uma espécie largamente distribuida no litoral, co-
nhecida desde Itanliaém até Santos e Guaratuba. Xo interior do Estado se
encontram seus pontos mais ocidentais perto de Brotas e em Monte Alegre.
Cladostreptus sebastianus foi descrito por Brõlemann baseado em material
proveniente da Ilha de São Sebastião (Vila Bela). Certamente vive também
no próprio litoral.
Pscudommwlene tricolcr Brõlemann vive não somente na zona do litoral
como também em grande extensão do Estado de São Paulo, como por exemplo
na r^ião de Pirassununga e Piracicaba, e baseado também em antigas classi-
ficações cm outros Estados.
Xeste grupo talvez pos>a ser incluido Rhinocrícus sp. dos .Meatrazes, es-
pécie enorme, que com grande certeza se encontra também nas matas da Ser-
ra do Mar.
Tres destas espécies são habitantes dos dois grupos de ilhas; das Queinu-
das e dos .-Meatrazes; Leptodesmus paiilisliis. Pseudcmnnolenc Irieolor e Pseu-
donanuotene marítima .
Cinco espécies ocorrem em outras formas no continente. .-V única csjié-
cie não conhecida nem no género nem na família é o Xeptiinobolus hogei.
X'o Brasil existem somente poucos representantes da Superfamília Trigo-
itiulidcae. Xum tralxilho recente (1947) reunimos todos os dados disponíveis
c mostramos que tòdas elas são estranhas á fauna brasileira, importadas de ou-
tros continentes. São as seguintes; Família Trigoniulidae: Trigomulus lumbrí-
einus (Gerstaecker, 1873), Spirostrophus tiaresi (Pocock, 1893) e Família Pa-
ehyboUdac: Epitrigoniulus enienlatits Brõlemann.
Existe na Ilha de Fernando Xoronlia unu cspecie. o Spirobolus noronhen-
sis Pocock, 1890, representante da família Spirobolidac, igualmente família es-
tranha ao Brasil.
Duas espécies “sj-nanthropas” da mesma são; SccheUobolus dictyoiiotus
(Latzel, 1895) e Paras pirobolus pauUstus Brõlemann. 1902. supondo que a últi-
ma tem ^-alidez. Sôbre o Spirobolus da Illia Fernando Xoronha não podemos
julgar.
Desta maneira achamos difícil uma solução definitiva; os conlKcimentos
atuais indicam uma importação do Xeptunobolus hogei de outras plagas, mas
só a descoberta do gênero ou melhor da espécie na sua pátria resolveria a questão.
41
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
2-14
os DIPLOPODA DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PAULISTA
M RESUMO
Xas diversas expedições realizadas pelo Instituto Butantan, sob a chefia
do dr. A. Hoge, para a exploração da fauna, principalmente de animais vene-
nosos, que vi%’e nas ilhas situadas na costa do Estado de São Paulo, picos de
antigas serras desaparecidas no Oceano, um grande número de Diplopoda foi
colecionado. Dividem-se em 9 espécies diferentes. Incluindo material anterior-
mente colecionado, conhecemos até agora 10 espécies nas ilhas, cuja distribui-
ção é indicada na tabela XIV. Xo máximo 6 espécies foram encontradas numa
única ilha. Algumas das espécies são noras, Rhinocriais insularis, Cladostrcptus
lhalattophiliis, Pseudoiiaiiiiolcnc tiiaritiwa e Ps. Italophila. Elas possuem espé-
cies próximas no continente. Somente N eptunobolus Itogrí é uma espécie estranha
à faima brasileira; como centro da família PachyboUdac pode-se indicar a .-Xsia
Oriental, a índia, etc.
A rariação das espécies é ventilada. É de grande interesse a rariação de
Ps. utarittina que vive nas duas ilhas das Queimadas e numa dos Alcatrazes,
hfos gonopódios não foram encontradas diferenças suficientes nas popu’ações
das três ilhas; pode-se salientar unicamente um solenomerito relatiramentc es-
treito para os exemplares dos Alcatrazes, mas existe uma nitida diferença na
coloração. Os exemplares da Queimada Pequena são castanho pardacentos com
a cabeça, collum e os segmentos anteriores de cor castanha. Os exemplares
da Queimada Grande e dos Alcatrazes são preto pardacentos com a cabeça.
collum c os primeiros segmentos amarelo-claros ou castanho-amarelados muito
claro. Também a sutura dos exemplares da Queimada Pequena é de forma-
ção diferente.
Uma outra espécie do mesmo gênero. Ps. Italophila, que vive nas três ilho-
tas dos Alcatrazes, não possui diferença no número de segmentos e nos gono-
pódios nas três populações; porém, no tamanho representado pelo diâmetro cm
ambos os sexos (Taliela XI) os exemplares da Ilha do Paredão são bem inte-
riores. Possivelmente as condições ecológicas são menos favoráveis e provo-
cam um crescimento menor sem por enquanto influir no número de segmentos.
São feitas anotações sóbre o conteúdo inte.stinal, os ectojarasitas (Acarí-
na) e os endoparasitas (Xcmatoda) .
Também foram feitas diversas notas sobre as condições ecológicas das ilhas,
possibilitando um desenvolvimento quantitativo muito grande. .A alta humidade
do ar, a camada grossa de detrito no solo, a ausência de muitos inimigos na-
turais e talvez concurrentes na alimentação favorecem um desenvolvimento do.'
Diplopoda.
Chaves analíticas facilitam a classificação das espécies encontradas nas ilhas.
42
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst. BnUntan.
11:303-254, .\bril 1M9.
OTTO SCHUBART
245
ZUSAMMEXFASSUXG
Auf mehrereri vom Institut Butantan unter Führung von Dr. A. Hoge zui
Erforschung der Gifttier-Fauna untcmomnienen Expeditionen nach dcn der
Küste des Staates São Paulo vorgelagerten Inseln, die alie Gipfel abgcsunkcner
Bergketten darstellcn, >\-urde eine grosse Anzahl von Diplopoden gesamnielt.
Diese verteilen sich auf 9 verscliiedcne Arten. Im Verein niit einigem früher
zusamniengetragenem Materiale kcnnen wir bis jetzt 10 verschiedene Arten von
den Inseln. deren Verteilung aus der Tabelle XI\' zu ersehen ist. Bis 6 ver-
schietlene .Arten sind auf einer einzigen Insel festgestellt . Einige Arten sind
neu wie Khinocricus insularis, Cladostrcptus thalattophilus, Pseudomnnolcuc ma-
riiitna und Ps. halophila, leben aber in verwandten Arten auf dem Kontinent;
nur KeptunoboUis hogci ist ein Fremdling der brasilianischen Fauna ; der Schwer-
punkt der Familie ist in Asien, Indien etc. zu suchcn.
Die .Arten sind hinsichtlich ihrer A’ariation besprochen,. Besonders inte-
ressant ist die Variation von Ps. jnarilima, die auf dcn beiden Queimada und
einer der .Alcatrazes-Inse!n lebt. In den Gonopoden konnten keinc brauchbare
und durchgehende Unterschiede in den Populationen der 3 Inseln festgestellt
werden, es sei denn, dass die Stücke von den Alcatrazes ein relativ schmales
Solaenomerit besitzen. Aber in der Fãrbung besteht ein durchgrei fender Un-
terschied. Die Stücke von der Queimada Pequena sind braungrau mit braunem
Kopf , Collum und vordersten Segmenten . Die Stücke von der Queimada Gran-
de und den Alcatrazes dunkelgraubraun, fast schwarz, mit hellgclbem oder hell
gc.bbraunem Kopf, Collum und vordersten Segmenten. .Auch die Naht der
Stücke ven der Queimada Pequena ist verschieden ausgeprãgt.
Eine andere .Art der gleichen Gattung, Ps. halophila, die auf 3 kleinercn
Eilanden der Alcatrazes lebt, unterscheidet sich weder in der Zahl der Segnientc
noch in den Gonopoden, aber in der Grõsse, dargestellt durch den Durchmesser
in beiden Geschlechtem (Tabelle XI), zeigen sich die Stücke von der Insel Pa-
redão bedeutend unterlegen. Vielleicht sind die õkologischcn Bedingungen die-
scr Insel weniger günstig und be^^irken ein geringeres Wachstum, ohne jcdoch
vorlãufig die Segment-zahl zu beeinflussen.
Es sind Angaben über den Dann-Inhalt, die Ectoparasiten (Acarina) und
die Entoparasiten {Xentaloda) gemacht.
Ul)er die õkologischcn Bedingungen der Inseln. die eine Masscn-Entwicklung
der Arten ermõglichcn, sind verschiedene Angaben gcmacht. Die hohe Luft-
íeuchtigkeit, der Humusgchalt der Bodens. das Fehlen vielcr natürlicher Fcinde
und vielleicht von Xahrungskonkurrcnten wirkcn im glciclten Sinne begünstigcnd
auf die Entwicklung der Diplopoden ein.
Analytische Bestimmungsschlüssel erleitchtern die Klassifikation der auf den
Inseln gcfundenen .Arten.
43
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
246
os DIPLOPODA DE ALGUMAS ILHAS DO LITORAL PALXISTA
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44
0,1 mm
1 — Rhim 0 Cricus injtlarú — Pcriui áo 4.*, 6.*, #.• e S-* par dc pernas do
Fij. 2 — Rkimocrwus insmlcrij — Gonopôdios interiorrs do fTfa/. Oral.
Fi|í. 3 — • Rkínocrinu injniahj — L’m Kmwpodio posterior do ty^»s. Oral.
F-C- 4 — • Kkimocriínj iNrit/«nf — Parle distai do grmoi/KÜo posterior de um ^
5 “* Rkinacriems imtulcris — . Paite distai do gonoped o posterior de um outro
Vista lateral interna.
eom 51 ( — 1) *gm.
^ com 51 ( — 1) sgm
cm
vSciELO) ; l 1 12 13 14 15
Metn. Inst. ButanUn.
21:203-254, AbHI 1949.
OTTO SCHUBART
249
F»f. C ^ Rhtm^crwmt imjmUrts — A» última* prma» de irnia ç com 49 ( — I) ««m., m^ramlo o último
par pooco desemolrido.
FvCa 7 ^ CUJcríreftat sebatiamns ~ Parte ta*a) do K* par de perna» dc uta ^ lum 68 (~1) sgm.
da Ilha da Queirstada Pequena. Oral.
Fí8. 8 “• Claáastrcftms sch^ttiamas — Gonopódioa de um ^ com 68 ( — I) ** 1 * 1 . da Ilha da Queimada
Pequena. Oral.
Fig. 9 — CUdastftpiat uba^tUmmt — Tek^iodito livre «le «m ^ com 71 (— J) »gm. da Ilha da Queimada
Gi ande. Oral.
47
cm
Fií. 10 —
Fie. II —
Fi*. 13 —
Fie. 13 —
Fie. H —
48
Ctsdffsirrf^tns srhasticKUS — Ba»? do 1.* í*ar de penu» de um jorctn ^ com 64 ( — 4) ic«>*
da Ilha da Queimada Pc«)uena. Orei.
CíttJcsfrr^tus sfhasiianns K»ho<ct dos fooop^^dio». aa frente o% (onopódioi anteriore»*
Jov. ^ com 64 (—4) da Ilha da Queimada PcqtieTU.
PsemJan^nnçicnf menlima — Ba*e do !.♦ par de pema» do ty^Mi crtn TH ( — l) s^. »la
Ilha da Queimada Grande. Oral.
P/radoneNao/exe marttímc — Peni» de oro ^ com 71 ( — J) *jm. da Ilha da Queimada
Grande. Oral.
Psnui^ujnncUttr marítima — Gonopúdio do lado direito, do ty^us cotii 78 ( — 1) *^m. da tlha
da Queimada Petjuena. Oral.
OTTO SCHUBART
251
Mem. Inst. Butastan.
21:203-254. Abril 1949.
Fíf. 15 — PfcmJifnémn^rne marítima ~ Parte díftal do fooof»ô<lio mai« aumentada de um ^ co« 7l (»2)
*íTO. da Ilha da Queimada Grande. Aboral.
Fie. 16 — Psmdamannclen^ marítima — Parte baial do 1.* par de perna de um jor. • cwn 62 ( 5)
spn- da Ilha da Queimada Pequena. Oral.
Fif. 17 ~ PtrudanamncUnt marifima — Gooopôdtoa de um jor. ^ cota €2 (—5) da Ilha da
Queimada Pequena. Oral.
Fie. 18 — .VrffmmaMmi Âoífn — Parle anterior do corpo de ura ^ .
49
0,1 mm
O TOtM>pó<!io poftenor dc
Fíf. 19 — éVr^íMMoMmi k^ri Gooopódicw do com 48 (~1) >i
um Udo já c tirodo. OraL
Fif. 20 — Sfptmno^lufhQffri — GonopMios dc ura X ^ — O *fni.
sgm.
Aoorfti.
Cooopódio posterior do tyfns com 48 ( — 1) s(ni.
Parte distai do mesmo fooopodio posterior, mais aumentada.
Fij. 21 — SfptümcMus koçrí
Fíí. 22 AVpia»«>^/«s áopo
OS
DIPLOPODA
DE AI.GUMAS ILHAS DO LITORAL PAULISTA
SciELO
cm
) 11 12 13 14 15 16 17
Mcm. Inst. Butanun,
í 1:203-254, Abril 1949.
OTTO SCHUBART
0.5 mm
Fií- 23 — CiadostTfftus — Parte dUtal de uma antena do ty^x com 64 ( — I) da
Ilha Grande doe Alcatraxee.
Fií. 24 — • Clmioxirtfinx tkmlAtt^hilmx — Parte bata] do I.* par de perna» de um da Ilha Grande
doe Alcatrazee. Oral.
Fij. 25 — • Cléiostrrfins th^l^tiofhilmx — Gooopódio direito (a) e iioUdof o telopodito lirre (b) e uma
parte do telocoxtto (c) do tyf%x com 64 ( — 1) acm. da Ilha Grande do» Alcatraret. OraL
cm
SciELO
0,5 mm
FÍ 4 ^. 26 ^ Psfud^naHn^Ifnc maríftmj — > Parte distai do gonopOdio de xxm cTctopUr dos Akatraiet. AboraL-
Fig. Psfud^nanncUmt kat^kila — O 2.* par de perna» çom o peni» de um ^ da Ilha do Pa-
redão. Oral.
Fip. 28 — /'iradonaaao/fae kãlofkila — Peni» de um ^ da Ilha da Sapata. Oral.
Fig. 29 — Pscuáon^nnoltnc kaíofkita — Cooopodío direito de um ^ da Ilha do Farol. Oral.
Fig. 30 — PstudoncnnoltHC kãlofkUa — Telson de um exemplar da Ilha da Sapata. Ventral.
*
Mcm. liut. Butaotan.
*1:255-260, Abril 1W9.
J. B. ARAXTES & C. H. BRANDAO
255
AXTIGEXOS E AXTICORPOS BOTRÓPICOS
II) Contribuição ao estudo da produção de soros antxbotrópieos monovakntcs
(Xota prci-ia)
roB J. B. ARAXTES & C. HABERBECK BRANDAO
(Do Instituto Butantan. São Pauto, Bresil)
Ein trabalho anterior ( 1 ) ao coincntar os resultados da produção, cni equi-
deos, de soros antibotrópicos polivalentes, assinalamos que, nonnalmcnte, os títulos
anti-peçonlientos obtidos e correspondentes aos seis antigenos injetados não
guardavam entre si nenhuma relação. Com efeito, em cavalos que receberam o
mesmo volume de antigeno, o título mais alto era, ora o anti-jararaca, ora o
anti-atrox, etc. Alem disso, um mesmo animal, após nova «crie de inoculações
de antigeno. os titulos neutralizantes variavam de maneira diferente. Frequen-
temente, por exentplo, o titulo mais alto encontrado depois de uma imunização
era o ant:-jararaca ; no entanto, nova serie de injeções de antigeno poderiam
fazer com que o titulo de qualquer outra das varias frações anti-iieçonhentas
viesse a superar esse titulo.
Os inconvenientes resultados dessa variabilidade são atinentes não só ao
aspc«o cientifico do problema, como tamliém ao lado prático.
Com efeito, é uso corrente na titulagem dos soros antibotrópicos polivalentes
utilizar-se como antigeno apenas o veneno de B. jararaea. É claro assim que
poderiam ser entregues ao consumo soros incapazes de neutralizarem, por cen-
tímetro cúbico, 1,5 mg de veneno B. atrox ou de qualquer outro dos antigenos
empregados no preparo do sóro polivalente, com exeção do veneno de jararaca.
A deficiência desses anticorpos, nos soros em causa, pode, pois explicar
certas falhas observadas na prática da terajiêutica dos envenenamentos causados
por algunias serpentes do veneno Bothrops. Por outro lado, partidas haverá que
possam ser liberadas com titulos e.xcessivamente altos, o que redundaria, secunda-
riainente, em rlesperdicio .
Uma das soluções razoáveis para o problema seria a preparação de soros
mcnovalentes, porquanto se fosse possível alcançar assim titulos altos para todos
os anti-venenos, a adição de quatidades apropriadas desses anti-venenos supri-
riam as deficiências das misturas polivalentes.
Recebido para publicação etn 26 de janeiro de 1W9.
-SciELO
0 11 12 13 14 15 16
cm
256
AXTIGEXOS E ANTICORPOS BOTRÔPICOS. II)
Os resultados de nossas primeiras experiências, orientadas, pois, nesse sen-
tido, são relatados na presente nota.
MATERIAL E MÉTODOS
Servimo-nos de equinos que nunca tinham sido empregados em qualquer
esjiécie de imunização, pesquisando-se cuidadosamente a existênda de antivene-
nos naturais antes de serem inoculados. Os antigenos específicos utilizados foram
os mesmos que serviram para a preparação dos antigenos polivalentes emprega-
dos nas nossas pesquisas já citadas, bem como foram idênticos, processo de
imunização, colheita dos soros, titulagem dos anticorpos, etc., etc.
RESULTADOS E COMEXT.\RIOS
\'erifica-se, em primeiro lugar que a imunização não produziu títulos altos,
pois nenhum dos anticorpos obtidos atingiu a dóse de 1,5 ings, considerada como
média (gráficos 1 e 2). A seguir, vemos que a resposta imunitária não corres-
ponde estritamente ao esperado, pois o sõro <lo animal 458. imunizado apenas
com veneno de B. alrox, contém antiveneno-jararaca quase na mesma quanti-
dade: 0.8 mg e 0.6 mg, rcspecti^amente . Os resultados obtidos na imunização
do animal Xo. 452, com veneno de B. alternata, foram, comparativamente, ligei-
ramente superiores, apesar do titulo especifico atingir sómente 1.3 mg.
Tinhamos suposto que o veneno da B. atros fosse de antigenicidade superior
ao das outras Bothrops. dada a facilidade com que nas imunizações poli\'alentcs,
se obtem valores superiores aos médios. Nesta investigação, porém, não depa-
ramos com Ui superioridade; se, como parece assentado, as re-imunizações com
antigenos polivalentes melhoram os valores anti-peçonhentos, podem-se esperar
idênticas modificações para o caso das imunizações monovalentes. Todavia,
como as condições especiais dos animais Nos. 452 e parecem tender natu-
ralmente à formação de antiveneno-atrox, causa certa estranheza não obtermos
resultados condizentes com essa tendência.
Dois animais, Nos. 459 e 4ó0, imunizados respectivamente com veneno de
B. jararactissu e B. cotiara, os quais, infeUzmentc tiveram de ser afastados da
experiência por causas diversas, são e.xemplos elucidativos, entretanto, das difi-
cultades que cercam a preparação dos soros específicos anti-botrópico. Com
efeito, o primeiro produziu titulo mais ele^■ado para o antiveneno-atrox. 0,8 mg ,
enquanto que o antiveneno-jararacussu permaneceu em 0.7 mg ; no segundo,
encontramos antiveneno-alternata com titulo igual a 1.3 mg. enquanto que o
antiveneno especifico não foi além de 0,8 mg.
No que diz respeito às duas maneiras de se interpretar o valor dos soros,
isto é. se .se deve representar o titulo antipeçonhento por meio de miligramas de
veneno neutralizado ou pelo número de doses letaes para o pombo, também neu-
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Batintan.
31:255-260. Abril 1949.
J. B. ARAXTES & C. H. BRANDAO
257
tralizadas, insistimos em julgar que a primeira parece-nos mais razoável. Ve-
jamos, pelo que nos mostra o quadro N.* 1 como seria aberrante adotarmos o
segimdo ponto de vista: o sòro do animal N.* 458, neutralizando inespeciíica-
mente apenas 0,02 mgs de veneno de B. insularis, deveeria ser considerado como
mais rico nesse antiveneno pois esse título corresponde a mais de 13 d.m.m., o
que o qualificaria como superior ao próprio antiveneno específico, já que o
título deste corresponde apenas a 10 d.m.m. (•)
No entanto, em valor real, a diferença a favor do antiveneno especifico é
de quarenta vezes.
Julgamos desnecessário dizer que só se obterão resultados verdadeiramente
conclusivos quando estas experiências forem repetidas em escala maior, investi-
gando-se, especialmente, os efeitos de re-imunizações com antigenos poli\-alentes
na melhoria dos títulos obtidos inicialmente com antigeno específico monoralente.
O que desejamos salientar desde já, é que, até agora, investigações como as
nossas parecem ser as primeiras procedidas cm equideos seguramente normais,
nos quais se averiguaram prèviamente a existência dos diversos antivenenos;
esse detalhe, de importância capital para a interpretação positira dos resultados,
tem sido sempre descurado, exceção feitas das experiências de Vellard (2). Esse
autor, entretanto, orientou os seus trabalhos em sentido diverso do nosso, não
tendo, alem disso, dosado o teor de antivenenos naturais existentes nos soros dos
equinos utilizados nas suas pesquisas.
RESCMO
Os autores descrevem os primeiros resultados obtidos na produção de soros
antibotrópicos monos-alcntcs, na qual empregam sómente equideos seguramente
normaes.
Os títulos dos soros conseguidos foram baixo, além do que demonstraram
possuir especificidade relativa, parecendo ainda que o factor individual, no que
se refere á predisposição natural, pequena influência exerce na obtenção de an-
ticorpos específicos. Os autores julgam que a mistura dos diversos antigenos,
como a que é empregada na produção de soros polivalentes, talvez seja de anti-
genicidade melhor, dados os resultados conseguidos com esse antigeno na pre-
paração desses soros antibotrópicos.
ABSTRACT
The authors describe the first rcsults obtaincd in thc production of mono-
valent anti-bothropic sera, for which thej- used only definitely normal horses.
(•) Lembranx» que a dose mínima mortal, para o pombo, do veneno de B. atrox
empregado nas titulagens era igual a 0,060 mg e a do veneno de B. infularis, 0,0015 mg.
3
258
AXTIGEXOS E AXTICORPOS BOTRÓPICOS. II)
The titers of sera were low, besides exhibiting only relative specificitjv
and it seemed that the individual factor, as regards the natural predisposition,
has a limited influence on the yield of specific antibody. In the authors’ opinion,
a mixture of \^rious antigens, such as it is used in the production of polyvalent
sera, may be of superior antigenicity, in view of the results obtained with íhat
antígen in the preparation of polj-valent anti-bothropic sera.
RESUME *
Les auteurs ont decrit les premiérs rcsuhats obtenus dans la production de
serums anti-bothropiques nionovalents, production pour laquelle ils ont eniployé
exclusivement des e quidés vierges de toute injection d’anticorps.
Les titres obtenus ont été faibles, et en p!us demontrcnt une spécificité
relative. II semble que le facteur individuel, en ce qui concerne la prédisposition
naturelle, n excerce qu’une faible influence sur Tobtention d’anticorps spécifiques.
Les auteurs jugent que le mélange des divers aníigènes, comme celui cmployé dans
la production des sérums poIy\-alents, est peut-ètre d'une antigénicité meilleure,
■vm les resultais obtenus avcc cet antigène dans la preparation de routine du sérum
anti-bothropique.
DIBUOGRAFIA
1. Aranifs, J. B. & Brandão, C. fíaberbeck — Memórias do Instituto Butantar^.
21:153-178, 1948.
2. VtUard, J. — Ann. Inst. Pasteur, 44 •.148, 1930.
MetD. Inst. BntanUn.
«:255-260, Abril 1949.
J. B. ARAXTES k C. H. BRANDAO
259
TITULO DE ANTICORPOS EM MILIGR.\MAS DE VENENO NEUTRALIZADO
POR CENTÍMETRO CUBICO DE SORO.
ANIMAL N» 450
— antcs oa imunização
oe^ois OA IMUNIZAÇÃO
ANIMAL NS 452
antes oa imunização
DEPOIS OA IMUNIZAÇÃO
5
260
ANTIGEXOS E ANTICORPOS BOTRóPICOS. II)
DOSES MIXIMAS MORTAIS DE VEXENO XEUTRALIZADO POR CEXTI-
METRO CUBICO DE SORO.
ANIMAL N2 458
«P. o. D. O D. O.
jararaca ATROX ALTCRMATA JU55U NCWIEOII COTIARA INSULAR13
LE&ENDA
m ANTES DA IMUNIZAÇÃO
B DEPOIS DA IMUNIZAÇÃO
Mcin. Inst. BaUnUn,
íl:261-274. Abril 1M7.
W. BCCHERI.
261
ESTUDOS SOBRE O GÊNERO MAGULLA SIMON, 1892
(THERAPHOSIDAE, ISCHXOCOLINAE )
POR WOLFGAXG BÜCHERL
(Do Laboratório de Zoologia Médica do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
1. INTRODUÇÃO
O gênero MaguUa é cxclusivamente brasileiro, contendo, até agora, apenas
duas espécies descritas: a primeira — .1/. janeira (Keyserling), em 1891, e a
segunda — M. obesa, Simon, em 1892. Em “Theraphosidae do Brasil”, em
1923, Mello-Leitâo limitou-se apenas a fornecer traduções abreviadas, tanto da
descrição genérica como da caracterização das duas espédes, de maneira que
nenhuma contribuição nova representa neste particular o assaz meritório traba-
lho do dtado autor.
Simon, baseando a descrição genérica exdusivamente sôbre M. obesa, não
tez justiça à espéde de Keyserling, descrita pelo autor como pertencente ao
gênero Ischnocolus e colocada no gênero MaguUa apenas em 1895 por Pocock.
Além disso, contêm a descrição genérica c especifica caracteres que hoje não
podemos aceitar como válidos e constantes (dimensões do cômoro ocular, cur-
vas dos olhos e distâncias interocu'ares, etc.).
Faz-se necessário, pois, uma no\'a redescrição deste gênero e das duas es-
pédes já existentes. Esta redescrição é feita no presente trabalho, à mão de
material novo, 6 exemplares adultos e 68 exemplares jovens, procedentes da
Ilha de São Sebastião, de Botucatú e de Altinópolis, Estado de São Paulo, Bra-
sil. No material da Ilha de São Sebastião consta uma espécie nova para a
ciência, que denominaremos — MaguUa sytnmelrica, sp. n., de acordo com a
simetria bilateral do esterno.
2. REDESCRIÇÃO GENÉRICA
Simon, na descrição genérica, diz o seguinte: “Cephalothora,x brevis, con-
vexus et latus, sed antice sat attenuatus. Tuber oculorum parum convexum.
Recebido para publicação em 26 de janeiro de 1949.
1
262
ESTUIWS SÔBRE O GÊXERO ilACULLA SIMOX. 1892
haud duplo latins quam longius. Oculi antici inter se appropinquati et subae-
quales, in lineant leviter procunani. Oculi niedii postici anticis multo minores.
Laterales postici mediis majores sed lateralibus anticis minores. Spatium inter
laterales dimidium oculum circiter aequans . . . Stemum latius quam longius
(Keyserling, na descrição de il. janeira, diz: “Das ílach gewoelbte Stemum
nicht leanger ais breit”), leviter convexum. Jletatarsi antici infere ad api-
cem aculco medio minutissimo tantum armati. . . Scopulae tarsonim densae, pri-
mi paris linea setosa angusta, secimdi paris linea latiore apicem versus amplia-
ta. tertii et quarti parium vitta latissima, latitudinem totam fere occupante, sec-
tae. “Keyserling, em discordância com a divisão das escópulas tarsais por meio
de cerdas medianas, diz de sua espécie: “.\lle Tarsen der Beine haben eine
dichle Scopula, die an denen des dritten und vierten Paares durch ein breites
Band von Staclielborsten geteilt ist. Audi das Endglied der Palpen hat eine
dichte und ungeteilte Scopula”.
Simon atribue apenas um espinho ao metatarso do segundo par de pernas,
enquanto que Keyserling já assinala dois.
Observa-se, portanto, unu divergência não pequena entre os dois autores,
quanto à caracterização genérica. Se se toma em conta que da descrição ori-
ginal de Simon pouco se aproveita realmente, pois “que o cefalotora.x é curto,
conve.xo e largo; o cômoro ocular é quase duas vézcs mais largo que longo e
se se insistir no tamanho e na distância dos olhos entre si”, tendo apenas um
único e.\eniplar, não podendo, portanto, inferir sóbre a amplitude das varia-
ções destes caracteres, então ressalta a necessidade de basear uma nova redes-
criçãí) genérica em caracteres novos e constantes.
Redescrição not-a; Todos os tarsos com tufos subungaeais; tenninando em
2 unhas; lâbio livre; sem rasteio; fiandeiras posteriores medíocres, com segmen
to apical um pouco mais longo que o intemKdiário, afilado (Thcraphosidac) .
Com 8 a 10 espinhos robustos nos metatarsos posteriores; escópulas dos
tarsos de todas as pernas divididas por uma linha longitudinal de cerdas, me-
nos desenvolvida nas pernas anteriores, mas muito bem pronunciada no quar-
to par (Ischnocoíinae).
Lâbio com numerosas cúspides pequenas na porção apical; olhos em duas
filas, subparalelas ; trocanter dos palpos sem escópulas plumosas; fiandeiras su-
periores quase da metade do comprimento do abdômen, bastante separadas na
base; escópulas de todos os tarsos inclusive as dos palpos maxilares divididas
no meio por cerdas longitudinais, em uma fila só nos palpos e no primeiro par
de i>emas, em filas duplas e triplas nas pernas seguintes; olhos médios poste-
riores menores que os médios anteriores; metatarsos anteriores um nada mais
curtos do que os tarsos (Magulla) .
Mcm. Inst. Batintan,
•31:261-274, Abril 1947.
W. BCCHERL
263
3. REDESCRIÇAO DAS ESPÉCIES
Simon forneceu uma descrição muito deficiente, de maneira que damos uma
Tedescrição da espécie dêle, em confronto com a espécie de Keyserling:
iíagnUi} obesa Simon MaguUa Janeira (Keyserling)
Cefalotorax, pernas e ventre fusco;
abdômen negro veludoso.
Cefalotorax 8 por 7,1 mm.
Pat. e tíbia I — 7,8 mm.
Pat. e tibia I\' — 8,0 mm.
Xibias do 3.® par de pernas com 3
espinhos, do 4.* par com 6 espi-
nhos.
Último artículo dos palpos com 2 a
3 espinhos ventro-apicais c 1 me-
diano ventral.
Metatarsos do 1.* par com 1 espinho
vcntro-apical ; do 2.* par com 2-3
ventro apicais c 1 mediano; do 3.*
par com 9 espinhos ao todo e do
4.* par com 18 espinhos ao todo.
'Metatarso I um pouco mais curto do
que o tarso.
Habitai: — Terezópolis, Estado do
Rio de Janeiro.
Encontram-se na coleção aracnológica
do Instituto Butantan. Exempla-
res procedentes de Botucatú e Al-
tinópolis. Estado de São Paulo.
Toda a aranha côr de café.
Cefalotorax 8,9 por 7,3 mm.
Patela e tibia I — 7,4 mm.
Patela e tibia IV — 7,4 mm.
Tibias do 3.® e 4.* par de pernas ape-
nas com 1 a 2 espinhos.
Último artiailo dos palpos sem e*spi-
nhos.
Metartaso 1 com 1 espinho; 2 com 2
espinhos c das pernas 3 e 4 com
numerosos espinhos.
Metatarso I um pouco mais longo do
que o tarso.
Habitat: — Serra Vermelha (Rio de
Janeiro) .
A nova redescrição não mais se baseia sôbre os olhos e o cômoro ocular.
Não insiste igualmcnte nas medidas do abdômen e na largura do cefalotora.x,
pois estes caracteres são absolutamente inseguros, jxir variarem grandemente de
indivíduo em indivíduo ou por estarem sujeitos a alterações de dimensões j>ela
conservação em álcool. Em substituição foram postos caracteres constantes,
como o colorido e a relação de medidas entre os comprimentos do cefalotorax
e das patelas e tíbias do primeiro e do quarto par de pernas e ainda as medidas
de comprimento do tarso e do metatarso do primeiro par. A' mão destes da-
dos obsen-am-se imediatamente as diferenças especificas das duas espécies, se
3
264
ESTUDOS SOBRE O GÊXERO ilACULLA SIMOX, 1892
bem que a última palavra ainda não poderá ser dita enquanto não se encon-
trarem machos das referidas espécies. Entretanto, como já tivemos oportuni-
dade de constatar, também as medidas dos machos hão de acompanhar perfeita-
mente às das fêmeas no tocante aos comprimentos das patelas e tíbias das per-
nas e ao colorido geral do corpo.
4. DESCRIÇÃO DE MAGULLA SYMilETRICA, sp. n.
(Ver as Figs. 1 e 2 e as duas pranchas coloridas)
Colorido: Cefalotorax, queliceras, pernas vermelho marrom; abdômen cinza
escuro com «'a mancha negra de pêlos veludosos no meio da face dorsal, man-
cha esta a cobrir a terça parte da face dorsal. Cefalotorax coberto de pêlos
cinzentos, longos, alinhados na fronte. Pernas com pêlos longos cinzentos, qua-
se brancos, ausentes nas coxas e com pêlos curtos, pretos (a imitar espículas)
e ainda com pelinhos cinzentos muito curtos e densos, ausentes na face dorsal
das coxas e dos trocanteres. Fêmures, patelas c tíbias das 4 pernas e dos palpos
com duas estrias dorsais, longitudianis, quase paralelas, com exceção das patelas
do 3.* e 4.* par de pernas, em que são curvas, confluindo no ápice do segmento.
Dorso do abdômen igualmente com longos pêlos, um tanto esparsos, cinzentos
e por baixo destes com pêlos veludosos, densos, curtos, marrom escuros e com
pubescência preta na mancha.
Os três segmentos das fiandeiras posteriores cobertos por pêlos cinzentos.
Esterno, lábio, queliceras e pernas (no lado ventral) do mesmo colorido
que o lado dorsal e com os mesmos três tipos de pêlos. No esterno, no lábio e
nas ancas das pernas faltam os pêlos longos, sendo os pelinhos escuros mais
robustos, a representar verdadeiras espículas enfileiradas nas face interna e
basal das coxas e na margem do esterno (vide Fig. 2). Fímbria dos palpos.
da margem anterior dos lábios e das queliceras com uma franja de longos pêlos
verme'ho amarelados (Fig. 2). Ventre e fiandeiras cinzentos, com pêlos longos
cinzentos, pelinhos mais curtos, escuros e pubescência fulvo cinzenta. Na área
mediana anterior, entre as traqueias anteriores, feixes de pêlos escuros, longos.
Escápulas: Na linha mediana ventral as escópulas são divididas por cerdas.
Já nos tarsos dos palpos (Fig. 1 — No. 1) há uma füa de cerdas longitudinais;
no primeiro par de pernas estas cerdas já são mais pronunciadas (Fig. 1 —
No. 2) ; no segundo par já existem 2 filas de cerdas divisórias (Fig. 1 — No. 3) ;
no terceiro par existem 3 fileiras paralelas de cerdas (Fig. 1 — No. 4) e no
quarto par as cerdas cobrem quase toda a largura ventral. Nos metatarsos as
escópulas são indivisas. Ocupam no penúltimo segmento dos palpos quase três
quartos da área ventral, no metatarso I mais da metade apical, no metatarso II
menos da metade apical, no metatarso III apenas um terço apical e no metatarso
IV sómente um quarto apical (Fig. 1).
4
Mcm. Tnst. Bntantan,
Jl:261-2?4, Abril 1947.
\V. BCCHERL
265
Espinhos: Palpos maxilares com 0 ou 1 ou 2 tspinhos ventro-apicais no
penúltimo sarnento; 1.' par de pernas com 1, raras vêzes com 2 espinhos ventro-
apicais no metatarso; 2.* par de pernas com 1 a 2 espinhos ventro-apicais e 1
ventral mediano; 3.* par de pernas com 3 a 4 espinhos ventro-apicais e 6 a 7
espinhos esparsos; 4. par de pernas, no metatarso, com 2 a 3 esjMnhos ventro-
apicais e 7 a 8 espinhos esparsos (sendo os 2 dorsais muito longos).
As tíbias dos 2 primeiros jxires de pernas sem espinho; as do 3.* par com
3 a 6 espinhos ao todo e as do 4.* par também apenas com 3 a 6 ao todo (vide
Fig. 1).
Queliecras: Relativamente pequenas, subverticais. Sulco ungueal (Fig. 2)
com 10 a 11 dentículos em fila longitudinal e 4 a 8 dentículos diminutissimos e
irregulares, contiguos aos 3 dentículos enfileirados, basais. Quando existem
11 dentes, o undécimo é sempre muito pequeno.
Cúspulas: Das ancas, dos palpos e do lábio (vide Fig. 2) numerosas, pe-
quenas, ocupando no lábio o terço anterior e nas ancas dos palpos uma pequena
área anterior, basal.
Estcmo: Anguloso, correspondendo cada ângulo à porção basal posterior
das coxas; bem simétrico, de maneira que uma linha imaginária, longitudinal
dividiria o esterno em duas placas bem simétricas (dai o nome cientifico desta
espécie).
Medidas : Comprimento total — 26 mm. ; Ccfalotora.x — 9,3 por 7,5 mm. ;
abdômen — 12 por 8 mm.; pernas — 24;21,8:20;26,4 mm.; patela e tíbia I —
8,4 mm.; patela e tibia IV — 8,0 mm.; esterno — 4 por 4 mm.; lábio — 1,4
mm. de largura por 1,2 mm. de comprimento; metatarsos — 1-3 mm.; 11-2,8
mm.; 111-2,7 mm.; IV-3,3 mm.
Olhos c cômoro ocular: Cômoro ocular ora um nada mais largo que longo,
ora bem mais largo do que longo. Olhos laterais anteriores e posteriores ora
iguais, ora os posteriores menores que os anteriores ; sempre alongados. Médios
anteriores redondos, ora do mesmo tamanho como os laterais anteriores, ora um
pouco menores, ora um nada naiores ; olhos médios posteriores ora quase redon-
dos, ora bem angulosos atrás ; ora qiase do tananho dos laterais posteriores, ora
nem a metade destes. Distâncias interocularcs variando de meio diâmetro a um
quarto diâmetro.
Tipo: Fêmea adulta.
Paratipos: 4 fêmeas adultas.
Local-tipo: Ilha de São Sebastião.
Helga Urban encontrou estas aranhas caranguejeiras sob a folhagem húmida
da referida ilha: um exemplar em 5 de novembro de 1948 e as outras 4 fémeas,
juntamente com uma ninhada de filhotes em 11 de janeiro de 1949. .\ ela os
nossos sinceros agradecimentos.
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
266
ESTUDOS SÔBRE O GÊNERO ilACULLA SIMON, :89J
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL ENTRE AS TRÊS ESPÉCIES
j) Pelo colorido :
1 . Toda a aranlia côr de café — ilangulla janeira (Keyserling) ;
2. Cefalotorax, pernas, esterno fuscos; face dorsal do abdómen n^ro
•veludoso — Magulla obsea Simon;
3. Cefalotorax, quelíceras, pernas vermelho amarelado; abdómen cinza,
com u’a mancha negra na face dorsal — Magulla symmctrica, sp. n.
b) Pela relação de medidas: — (das fêmeas) (Ver Fig 3)
1. Cefalotorax mais longo do que a patela e tibia I ou IV. Estas do mes-
mo comprimento — M . janeira.
2. Cefalotorax mais longo do que a patela e tíbia I e do mesmo compri-
mento do que a patela e tibia I\'; patela e tíbia IV mais longa do que a patela
e tíbia I — M. obesa.
3. Cefalotorax mais longo do que a patela e tibia I ou IV; ^tela e tíbia
I mais longa do que a patela e tibia IV — M. synnnetrica, sp.n.
5. CONCLUSÃO
Xo presente trabalho faz-se uma redescrição nova do gênero brasileiro
Magulla, sendo esta redescrição baseada em caracteres novos, constantes, cm
oposição à caracterização de Simon, onde se insiste demais em medidas variáveis,
insuficientes por tanto para esta caracterização genérica.
As duas espécies antigas, M. obesa e M. janeira são igualmente redescritas
-e confrontadas uma com a outra.
Finalmente é descrita como espécie nova a Magulla syinmelrica, da Ilha de
São Sebastião, fazendo-se um diagnóstico diferencial e.xato entre esta e as duas
espécies antigas.
ABSTRACT
A new redescription of the Brazilian genus Magulla Simon (Thcraphosidae,
Ischnocolinae) is given, who differs from the description by Simon.
The t\vo species, M. obesa and M. janeira are also redescribed with news
and constant characters, as the comparative length of ceplialothorax, patellae
and tibbe of the first and fourth pair of leges. Magulla synunelrica, from Ilha
de São Sebastião, São Paulo, Brazil, is described as a new species and the
differential diagnosis is pointed out between the new species and the two old
species.
■6
Mem. Inst. Batantan.
11:261-274, Abril 1947.
W. BCCHERL
267
ZCSAMMEJÍFASSUNG
Simons Beschreibung der Gattung Magitlla {Thcraphosidac, Ischnocoliuae)
wird ais unzulaengjch und auf falscher Basis beruhend, dargestellt, indem
bewnesen wird, dass die gewrischen Mermale, auf denen Simon sine Gattungs-
besdireibung fussen liess-wie die Groesse, Lage und Distanz der Augen; die
Masse des Abdomens, etc. ais zu variierend und inkonstant gelten. Es wird
deshalb die Gattung Magulla neu beschrieben auf Grund von konstanten
Merkmalen.
Auch die beiden Arten — M. obesa Simon und M. janeira (Keyserling)
werden neu beschrieben; scliliesslich wird M. symmctrica von der Ilha de São
Sebastião, São Paulo, Brasil, ais neue Art aufgestellt und vergieichend mit den
bei den andercn Arten beschrieben. Die Drci Arten unterscheiden sich folgender
Massen: —
1 . Durch die Faerbund :
a) Die ‘ganze Spinne kaffeebraun — . janeira;
b) Cephalothorax, Beine, Stcnium roetlich braun ; Abdômen dorsal sammet-
schwarz — *.!/. obesa;
c) Ccphalothora.\', Stemum, Beine rotgelblich ; Abdômen dorsal dunkelgrau,
mit einem klcinen, rutiden, schwarzen Flcck — M. sytnmetrica.
2. Durch die vergleichcnden Masse des Cephalothoraxes und der Patcllen
und Tibien der ersten und vierten Bein paare: — (Fig. 3)
a) Cephaloth, laenger ais die Patellen und Tibien I und IV ; Patellen und
libien I und IV* gleich lang — ^[. janeira;
b) Cephaloth. laenger ais die Patellen und Tibien I aber gleich lang wie
die Patellen und Tibien I\'; diese laenger ais die crsteren — 3/. obesa;
c) Cephaloth. loenger ais die Patellen und Tibien I und IV ; jedoch Patcllen
und Tibien I laenger al= IV — M. sytnmetriea, sp.n.
A Dona Teresa Sarli os nossos agraJecimenlos
Pelas pranehas coloridas.
7
SciELO
15
Mem. Tnst. Butantan,
S1:J6 I-íT 4. Abril 1947.
W. BCCHERL
269
Fic. I
XtaçMtU tymtmrtri^, «p. n.
1 . palpo maxilar.
2. I.» perna.
3. 2.*
4 . 3 .*
5. <• •
Fic. 2
3fãçnllú fymmrirús, tp. a.
Face Teatral,
9
SciELO
10 11 12 13
270
ESTUDOS SOBRE O GÊNERO ilAGVLLA SIMON, 1892
rrTT- ^ - ■■ .
]
Tn.ja-neiTa.
1
1
1
1
â . 1 «
5 6 7
g S 'iO-mffx.
Segenda:
D
cefalotorax
paíela e Mia I
pdUla e
Fio. 3
Qu^ro demonstrativo das relações diferenciais das
medidas do cefalotorax» da patela e tibia do primeiro
e do quarto par de pernas nas tres espécies de iía^nZfa.
10
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0 11 12 13
15
SciELO^
2
3
5
6
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L
cm
Mfm. Iml. Botanlan.
21;261-274, Abríl 1947
W. BCCHEEL
cU
cm
Mcm. Inst. Buuntan,
*1:275-298, Abril 1949.
EDUARDO VAZ & PAULO ARAÚJO
275
DA SANGRIA DE ANIMAIS DE IMUNIZAÇÃO
POR EDU.^RDO VAZ & PAUI.O ARAÚJO
(Da Secção de Veterinária do Instituto Bulantan, São Paulo, Brasil)
No serviço de imunização de grandes animais, em especial o cavalo, parar
obtenção de soros profiláticos e terapêuticos, a questão da sangria é das mais
importantes .
No decurso da imunização, o animal é sangrado periodicamente na jugu-
lar, em alguns centímetros cúbicos, nas sangrias chamadas exploradoras, para
doseamento do \-alor do sôro, e determinação do momento propício para a
sangria grande, de litros. Tanto uma como outra são praticadas, de regra, 1
semana após uma das injeções imunizantes.
O volume a extrair-se 5-aria com o pêso do animal, oscilando entre 4-12
litros, por sessão. Pode ser repetida 1-2 vêzes com intervalo de uma semana,
injetando-se após cada .“^ngria, uma dose de antigénio. Em seguida o ani-
mal entra em fase de recuperação, de descanso, até que seja julgado cm condi-
ções de receber nova série de injeções imunizantes. Assim lhe decorre a exis-
tência, até que morra ou seja sacrificado por dessangria.
Ao invés de sangrias semanais, pode sangrar-se em 2-3 dias seguidos, toman-
do-se para referencia do volume a extrair-se, 5% do seu pêso. Um animal de pe-
queno porte. 300 quilos, por exemplo, pode perfeitamente ser sangrado em uma
tarde em 6 litros, na manhã s^uinte 5 litros, e à tarde do mesmo dia em 4
litros, ou, então, 3 dias seguidos.
Essas espoliações sucessivas determinam queda do volume globular, que-
da do número de eritrócitos, queda da hemoglobina.
Procuramos pelo estudo do quadro sanguíneo, julgar das condições de saú-
de do cavalo, no decurso da imunização e no período subsequente à sangria, com
informações sóbre a restauração.
O presente trabalho desenvolve ainda o assunto da dessangria.
Recebido para publicação em 30 de Janeiro de 1949.
cm
ISciELO
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276
DA SAAGRIA DE ANIMAIS DE IMUNIZAÇÃO
DADOS HEM.\TOLÕGICOS, NA
SANGRIA E
REST.AURAÇAO
Efeito da sangria sôbre o número de
eritrócitos e a
taxa de hemoglobina
Caso No. 1
Erilrócitos
Hemoglobina
por ml
g! 100 ml de sangue
Antes da sangria
6 500 000
16,0
24 h após sangria de 18 litros (em 3 sessões)
5000000
13,0
Queda máxima (4 dias após sangria)
4 650000
10,0
Caso No. 2
Antes da sangria
5 000 000
12,0
24 h após sangria de 18 litros (em 3 sessões)
3 000 000
9,6
Queda máxima (24 h após sangria)
3 000000
9.6
Caso No. 3
Antes da sangria
7200 000
19,0
24 h após sangria de 18 litros (em 3 sessões) . 5 000 000
12,0
Queda má.xima (24 h após sangria)
5000 000
12,0
Estes, são 3 protocolos de centenas do nosso arquivo.
A repetição das provas hematol<%icas no período de recuperação após
sangria, nos ensina que esta se faz em cêrea de um mês, momento em que se
pede reiniciar a imunização sem prejuízo para as atividades hematopoiéticas.
Quadro i
TAXAS DE HEMOGLOBINA E VOLUME GLOBULAR
Animais
aV.O
de
Hemoglobina
(gllOO ml de sangue)
Volume
globular
%
casos
Media
arit.
Flutuação
Média
arit.
Flutuação
Cas-alos normais
(antes da imunização) . . . .
118
15,0
9,0-19,9
37.1
24,5-51,0
Antes da l.’* sangria
(após 1.* imunização)
69'
13.4
8,1-18,2
33,4
20,7-433
Antes da 2.* imunização
(após l.“ descanso)
60
13,5
9,7-184
33,8
22,8-42,4
Antes da 2.* sangria
(após 2.* imunização)
46
14,4
10,0-194
35.9
26,3-484
Antes da 3.* imunização
(após 2.* descanso)
17
13.4
9,0-17,4
34.1
24,8-48,8
Antes da 3.* sangria
(após 3.* imunização)
13
14.4
lU-18,7
36,1
27.9-45,5
Antes da 4.» imunização
(após 3.* descanso)
5
13,8
12,0-16,6
36,1
31.041,0
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0 11 12 13
2
HCmOCLOBINA Ot SANiUC )
Mcm. Init. ButanUn,
21:275-298, Abril 1949.
EDUARDO VAZ & PAULO ARAÚJO
277
Como se vê no Quadro I e nos Gráficos 1 e 2 (Fig. 1) a primeira imuni-
zação determina queda das taxas de hemoglobina e volume globular, queda re-
presentada por 1,6 g de hemoglobina por 100 ml de sangue e 3,7 Çí de volume
globular, em média.
GRAFICO 1
GRÁFICO 2
A
•CAVALOS MO«WAlS ^AMTtS OA tMUMlZAÇÂo)
A-B
6
ANTIS OA f» SA»#CMlA (Áeos IA imunização)
B -C
C
■ ANTIS OA z* M/MiZAÇÃO (a^ÕS •* OCSCanSo)
0
1
u
D
• AMTIS OA z» SANCniA (a^ÓS 2* imunização)
0-c
C
• ANTIS OA iMUNiZAçZo ^aaôs z* dsscanso)
£ -F
F
• ANTtS OA s» SANCAIA ^A»OS )* IMVNIZAÇÃo)
F -C
C_
ANTtS OA A* IMUNIZAÇÃO ^APOS MSCANSO)
MAtOOO M 4S*itO OiAf
»(«*boo oc > 0 — oiA»
^caiboo 01 Jo «o
ataiOOO 01 >0 ■ ■ ■ oui>
aiaooo Ot M- to OiAft
acaiboo 01 >o ■■ 0»*>
Fi^ 1 — Cráficoo das médias de hemoflobtna (l) e volume flobutar (2), com flutuações
máximas e mínimas de cavalos de imunização.
Considerando essa queda ocorrente em cavalos de imunização, tomamos
como referência para o retomo à normalidade, os dados obtidos após a pri-
meira imunização.
Verificamos as seguintes frequências:
3
278
DA SANGRIA DE ANIMAIS DE IMUXIZAÇAO
a) Cavtilos ncnitais (antes da imtwisacão) — JIS casos:
Hemoglobina — 103 casos entre 12,1 — 17,0 g/100 ml de sangne 87,2^i
Volume globular — 105 ” ” 30,1 — 45% 88,9%
b) Antes da 1.“ sangria (após J.“ imunisacão) — 69 casos:
Hemoglobina — 60 casos entre 10,1 — 17,0 g/100 ml de sangue 86,9%
Volume globular — 58 ” ” 25,1 — 40,0% 84,0%
e) Antes da 2“ imunisa(ão (após 12 descanso) — 60 casos:
Hemoglobina — 50 casos íntre 11,1 — 17,0 g/100 ml de sangue 83,3%
Volume globular — 44 ” ” 30,1 — 40,0% 73,3%^
d) Antes da 22 sangria (após 22 intunisaçoã) — 46 casos:
Hemoglobina — 36 casos entre 12.1 — 17,0 g/100 ml de sangue 78,2%
^'ol•Jme globular — 34 ” ” 30,1 — 40,0% 73,9%
e) Antes da 32 imnnisaçâo (após 22 descanso) — J~ ca^os:
Hemoglobina — 12 casos entre 11.1 — 15.0 g/100 ml de sangue 70,5%
\'oltnne globular — 12 “ ” 25,1 — 35% 70,5%
f) Antes da i.* sangria (após 32 imunisafão) 13 casos:
Hemoglobina — 11 casos entre 11,1 — 16,0 g/100 ml de sangue 84,6%
Volume globular — 11 “ ” 25,1 — 35,0% 84,6%
g) Antes da 42 imunisafão (apôs 32 descanso) — 5 casos:
Hemoglobina — 2 casos entre 13,1 — 14,0 g/100 ml de sangue 40,0%^
Volume globular — 2 ” ” 35,1 — 40,0% 40,0%
De acôrdo com os dados acima, podemos verificar ciue, com o descanso de
um mês após sangria, o carealo está nozamenlc apto a receber injeções imuni-
cantes, para futuramcnlc, outra vec, ser sangrado.
Xas sangrias com anticoagulante, podem ser aproveitados os elementos,
figurados, ressuspensos em solução fisiológica, e injetados na jugular do mes-
mo animal, 8-12 horas após cada sangria parcial.
Poderá ser útil essa prática, no entanto, os dados hematológicos compa-
rativos com e sem reinjeção de glóbulos não refletem diferença. Abaixo,,
protocolos de 2 dos nossos cavalos, e que são concordes com os de outros ca-
valos experimentados.
CASO X.* 1
Restauração, com rnnjeção de glóbulos
Antes da sangria
24 h após sangria de 20 litros (em 3 sessões) . . .
34 dias após sangria
Restauração, sem rrínjeção de glóbulos
-Antes da sangria 5 000 000 14,4
24 h após sangria de 20 litros (em 4 sessões) 5 500 000 9,0
31 dias após sangria 6000000 11,2
Entrócitos
por tnl
9500 000
5500 000
8 500 000
Hemoglobina
g/100 ml de sangut-
13,8
9,8
14,0
4
Mem. Inst. Batantan,
21:275-298, Abril 1949.
EDU.\RDO VAZ & P.\ULO ARAÚJO
279
G\SO X.* 2
Restaurafão, com rcinjeção de glóbulos
Antes <la sangria
24 h após sangria de 16 litros (cm 3 sessões)
34 dias após sangria
Restauração, sem reinjeção de glóbulos
.■\ntes da sangria
24 h após sangria de 18 litros (em 3 sessões)
28 dias após sangria
Eritróeilos
Hemoglobina
por ml
g/100 ml de sangue
6600 000
11,6
5 000 000
8,0
7 000 000
11,0
5000 000
12,0
3 000 000
9.6
5 600 000
13,0
O animal sc ressente da hemorragia, mas esta não chega, nas sangrias
parceladas, a proi-ocar choque, nem anemia grave, que justifiquem Irans fusão
ou infusão de glóbulos.
As injeções de g'.icose cm alguns casos, a administração de ferro, a ali-
mentação proteica rica, durante o jieríodo de recuperação, são normas bastantes
para colocar, dentro de um mês, o animal cm condições de reimunizar-se.
Quanto à importânda da variação ixjndcral de cavalos no decurso da imuniza-
ção, no após-sangria, e no período de recuperação que sc lhe segue, seria de supôr
queda de peso em consequência da imunização e sangria, e retòmo no período
de descanso. Xâo é, no entanto, o que se dá. Xão há dúvida da influência
das condições alimentares, da natureza do antigênio, do método de imuniza-
ção, da sensibilidade, raça, idade do animal, regime de estabulação, grau de
espoliação sanguínea, duração de cada uma das fases do serviço. X’o entan-
to, pode-se dizer de um modo' geral que o caralo engorda no período de imu-
nização; que o pêso cai após-sangria e logo se eleva; por efeito do descanso
de 30 dias, a elevação continua; reiniciada a imunização ainda persiste o au-
mento.
Apresentamos o gráfico (Fig. 2) de 4 grupos de cavalos de pesos dife-
rentes, mostrando o que adma foi referido.
5
1 SciELO
2S0 SAXGRIA DE ANIMAIS DE IMUNIZAÇÃO
LEGENDA
% ÇAAOS
~ - iscAso*
fà ^ nwCiO (*^i«KÂo)
rsT^ AUTt» DA f* VkwCAiA (&»M r* iwVMiZACÃo) ípCO OC «>*129 e«A>
f C^ Ailtt» DA <*IWWNI2AÇÂ0 («909 f* OtXAMSO) 1B-»C ^ 9t9>000 M M ^ OtA»
i O^ AWTj» DA 2* >AMCaiA (a 90S Z^twUMiZA^Âo) ÍC‘D^ 9t9iboO 99 20 *90 Oia>
rO A»Tt> OA i^iMwwZAÇÂO (*90S 2*0UCA»(>O) lo-t ^ 91000 9« 20 ^ OiAl
9a 2* 2AM«aiA (*902 29 »Mt.;tiiZAÇAO) IC-P^ 9t9ÍOOO Dl 20 -*90 0<A2
U
Fi^. 2 — Griíico das raria^dcs pcrcentoais do peso em caratos dc ixnuoizaçio.
SANGRIA E PÊSO DOS ANIMAIS
Se o volume de sangria é função do pêso do animal, é fora de dúvida
que os cuidados de alimentação passam a merecer atenção especial. Os dados
da Fig. 3, mostram um experimento com 141 cavalos do serviço de imunização
do Instituto Butantan, após 2 meses de cuidado especial na alimentação.
6
SciELOi'o
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
L
cm
282
DA SAXGRIA DE AXIMAIS DE IMUXIZAÇAO
O volume de sangria é função do pêso. Verifica-se pelo gráfico da Fig-
4 que, com a engorda dos animais e orientação adequada à sangria, a produção
de sangue em relação aos anos 1947-1948 aumentou consideravelmente, conser-
vando-se relati\'amente o mesmo número de cavalos em imunização.
1 947 1 940
LC&CNDA
□ SAMftUt CM
ANIMAI» CM IMUNIZAÇÃO (mLOiA MCNSA^^
Fí^. 4 _ Gráfico da produção de sangue nos axK» de 1947*1948,
com indicação dos cavalos em imunização representados pelas
médias mensais.
Do ponto dc zdsla econômico, c dc grande interesse o exame repetido,
como vigilância do estado de saúde dos animais de imiiniaação, para se dcli-
3
'Mem. InsL Butantaa,
JI:27S-298, Abril 1949.
EDUARDO VAZ 4 PAULO ARAÚJO
283
berar a cada sangria, sc cia dcvc scr parcial ou total, sc o animal está ou não
cm risco iminente de morte súbita, ocorrência que redunda cm perda de uma
■grande massa de sangue imune.
O exame clinico, e as provas complementares, de sangue, de urina, acom-
panham o estado de intoxicação que se \-ai processando por efeito das inje-
ções repetidas dos antigênios de origem bacteriana, animal ou vegetal.
DESSAXGRIA
A prática mostra que após um certo volume, variável com o antigênio tó-
xico empregado, o aninul corre o perigo de morte súbita.
A morte súbita significa jierda de apreciável massa de sangue, e dai a
Tiecessidade de indicar-se em tempo, o sacrificio do animal. O exame necros-
cópico do animal revela quase sempre amiloidose heiiática.
Indicamos a dessangp-ia nas seguintes circunstâncias;
a) quando se instala um estado de anemia crónica;
b) quando o volume de antigênio atinge uma quota, já no limiar da com-
patibilidade com a saúdr do animal;
c) nos distúrbios cárdio-hépato-renais . Estes distúrbios se manifestam
principalmente pela presença de edemas subailâneos extensos, derrame nas
cavidades serosas, etc;
d) quando após certo tempo de imunização, alguns animais entram cm
ximagrccimento progressivo, podendo chegar à caquexia;
e) nas afecções dos cascos, de tratamento longo e que impedem a es-
tação quadrúpede do cavalo;
f) quando, em caso de acidentes, quedas principalmente, há fraturas
tanto dos membros como da coluna vertebral e base do crânio.
Analisando-se a estatistica de mortes de um serviço veterinário de imu-
nização, tem-se que a morte natural, ocorrida sem tempo de socorrer, ou de
íiproveitamento de sangue, representa prejuizo econômico sensivel.
A estatistica dos anos 1947-1948. dividida em trimestres, do Instituto
Butantan. está representada na Fig. 5.
• 9
1 SciELO
284
DA SAXGRIA DE AXIMAIS DE i::UXIZACAO
+ + »• • /
19«7 ,9«s
LEC.ENOA
El OCSVAMCttAOO (com *»«OvCiT*UCNlO Ct ^anCuI )
m ANIMAL MOA ro (SKM A Pff Qv 1 1 TAM C N TO OI SANCUt^
Fiff. 5 — Griíico das baixas de cavalos mostrando a percen-
tagem de animais mortos sem aproreitamento de sangtse imane.
A conduta seguida nos laboratórios de sõro, é, hoje, a de sangrar em ci-
irato de sódio, sendo o plasma retirado, diluido prèviamente em solução fi-
'siológica, para precipitação purificadora, c posterior concentração.
Partindo de que o cavalo dessangrado sucumbe, não à inanição, porque
se lhe tenha exaurido todo o sangue, mas por uma diminuição da massa san-
guínea, atingindo o indispensável à mecânica circulatória, e considerando que
a diluição do plasma que se faz iii viiro poderia ser feita tn livo, resolvemos
aumentar a sobrevida do animal em dessangria por meio de injeção venenosa
10
Menu Inst. BaUntan.
21:275-298, Abril 1949.
EDUARDO VAZ & PAULO ARAÚJO
285
dc solução salina e 0,85^, obtendo com isso uma parte do sangue que ficaria
no animal, e que passa a ser substituida pela solução.
Protelamos o choque hemorrágico. E’ o que nos basta, e por isso não
procuramos um substituto do plasma, de eliminação mais lenta e que man-
tivesse a pressão elevada por mais tempo.
Podemos calcular o quanto de solução fisiológica foi misturada iti vivo,
e de quanto o sangue saiu diluido, praticando nêste o doseamento proteico e
a determinação de densidade.
V’amos nos estender na parte da dessangria comum e da dessangria aju-
dada pela perfusão, por constituir esta a parte experimental mais desenvolvi-
da deste trabalho.
Em caso de emergência, a dessangria é imediata na carótida. Nos ca-
sos comuns, precede-se à dessangria de duas sangrias parciais na jugular de
6-8 litros em uma tarde, 6 na manhã seguinte, e a total à tarde.
TÊCNIC.\ ADOT.\D.\
a) Dessangria comum — O animal c derrubado c contido por meio dc
cordas ou entravões. Faz-se uma incisão cutânea, de dimensão aproximada
de 15 cm na goteira da jugular e ao nivcl do terço proximal do pescoço. Dis-
seca-se a artéria carótida c pinça-se a mesma duplamente, deixando um es-
paço entre as duas pinças de mais ou menos 8 cm. Com um bisturi faz-se uma
pequena incisão na artéria, por onde se introduz, contra a corrente circula-
tória, uma cânula de metal ligada a um tudo de borraclia, ambos estéreis.
-Após ligar a artéria na cânula, retira-se a pinça proximal, e o sangue é cole-
tado cm tudos prèviamente preparados, contendo solução de citrato de .sódio
a 17%, e na proporção de 10% em relação ao sangue.
b) Dessangria com perfusão dc solução fisiológica — Na incisão dutâ-
nea feita no pescoço, fica à mostra a veia jugular, onde se introduz tuna agu-
lha (100 .X 40) ligada a um tubo de borracha de 3 m de comprimento que
vai ter a um frasco de capacidade para 20 litros, graduado de 5 em 5, conten-
do solução fisiológica a 0,8% (Fig. 6).
11
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
286
DA SAXGRIA DE AXIMAIS DE IMUXIZAÇAO
A êsí€ frasco também está ligada uma pera insuíladora, para manter a
pressão constante. solução fisiológica deve ser aquecida a 37-38* C.
Deve-Se conser\'ar sempre ao lado do frasco em uso, outro igual, afim de su-
bstituir o primeiro quando se es%aziar. Para colocar o aparelho insuflador no
frasco substituinte, pinça-se o tubo de borracha na extremidade da rolha e
muda-se todo o conjunto para o novo frasco, e imediatamente retira-se a pin-
ça fazendo-se pressão com a pera, de forma a interromper durante o menor
tempo possível a perfusão de solução fisiológica.
Os tubos coletores de sangue, desde que se comece a perfusão de so-
lução fisiol^ica, perfusão esta iniciada após o fornecimento de 6 litros, de-
vem ser marcados nos tampões de papel. Xós adotamos a marca “S. F.”
(solução fisiológica) envolvida por um circulo, afim de chamar a atenção do
separador de plasma.
Xo início da operação, a entrada de solução fisiológica corresponde em
volume à saida de sangue, porém, no seu término, devido à queda inevitável da
pressão, verifica-se que a saída de sangue é menor que a entrada de solução.
Considerando que com a perfusão de solução fisiológica o sangue fica
diluido, fizemos uma curva de densidade de plasma citratado, obtido em san-
grias parciais de cavalos de imunização, afim de, após a separação do plasma
conhecer o grau de diluição, e ter assim os volumes reais de sangue e plasma
obtidos na dessangria, com perfusão.
12
'Mem. Inst. BuUntan,
*1:275-298. Abrü 1949.
EDUARDO VAZ & PAULO ARAÚJO
287
Escolhemos a dctermina^jão da densidade para a conversão dos volumes,
por tratar-se de processo prático e rápido. A dosagem das proteínas totais
no plasma é processo moroso.
Fizemos a curva de densidade de plasma citratado de cavalos de imuni-
zação, e não de ca\'alos normais, devido ao fato dos imunizados possuirem
maior taxa proteica do que os cavalos normais, e consequentemente densidade
também maior.
Habitualmente nas sangrias parciais, os animais são sangrados em três
sessões, em 2 ou 3 dias seguidos. Considerando-se integrais tanto o san-
gue como O plasma nessas três sangrias, resolvemos fazer determinações de
densidade nos plasmas provenientes das três sangrias. Seguem-se os dados
de 9 cavalos (Xos. 287, 316. 469, 471, 501, 502, 503, 504, 505) pertencentes
ao serviço de.sôro antidiftérico.
Após a separação do plasma da la. sangria colhemos de cada cavalo
amostra de 20 ml. e as misturamos, agitando-as fortemente. O mesmo nas
duas outras sangrias.
Usamos para determinar a densidade um areômetro tipo urinômetro (Dr.
Vogei, — Ernest Leitz, Berlin), cuja graduação máxima é de 1,025.
Ora, sendo o plasma integral de densidade maior que 1,025, tivemos que
iniciar as determinações com plasma diluido a 50% com solução fisiológica
(0,8%). Depois, continuamos diluindo sempre à metade, isto é, a 25, 12.5 e
6.25%.
Todas as nossas determinações de densidade foram feitas à temperatura
de 18 a 20® C.
Passamos a apresentar as densidades obtidas em misturas de plasnu ci-
tratado provenientes dos 9 cavalos, nas três sangrias:
la. saiifrría:
Plasma citratado.
diluido com sol.
fisiol.,
a 50%
— D = 1,023
tf »*
ff tf **
ff
25%
— D = 1.013
ff «•
»» »* ff
tf
’• 12.5%
— D = 1.008
ff ff tf
ff
” 6.25%
— D = 1,006
A densidade da solução fisiológica (0,8%) à temperatura de 18 a 20* C
ê igual a 1,003.
Com os dados acinu fizemos um gráfico (Fig. 7), que nos diz ser a den-
sidade do plasma citratado na la. sangra igual a 1,043.
13
1 SciELO
288
DA SAXGRIA DE ANIMAIS DE IMUXIZAÇAO
OCNSIOAOC
Fig. 7 ^ Gráfico de deoftidade de plasma citratado — 1.* saogría.
2a. sangria:
Plasma
citratado. diluido com sol. fisiol.,
a 50%
— D = 1,021
ff
»» ff tr »» »»
” 25%
— D = 1,012
tf
tf tf ft ft tt
’• 12.5%
— D = 1,007
tf
tr tt »» ft
•’ 6.25%
— D = 1,005
No gráfico cia Fig. 8, v:ritica-se que a densidade do plasina citratado da 2a.
sangria é igual a 1,039.
Fig. 8 — Gráfico de densidade de plasma citratado — 2.* sangna.
3a sangria:
Plasma citratado.
diluido com sol.
fisiol..
a 50%
— D =
1,020
tt tt
tt ft f*
tr
” 25%
— D =
1,012
tt ff
tf tt tt
ft
•’ 12,5%
— D =
1.007
1* tt
tt tt tt
tr
” 6.25%
— D =
1,005
^Icm. Inst. Butantan,
21:275-298, Abril 1949.
EDUARDO VAZ & PAULO ARAÚJO
289
No gráfico da Fig. 9, vê-se que a densidade do p!asnia citratado prove-
niente da 3a. sangria é igual a 1,037.
OCnSIOAOC
Fi*. 9 — Crifico de densidade de plasma citratado — 3.* sancria.
Media das tres sangrias
Plasma citratado integral
diluido com sol. fisiol., a 50%
25%
— D
— D
— D
— D
— D
12.5%
” ” ” 6,25%
Com estes dados fizemos um gráfico (Fig. 10), que representa
média de densidade de plasma citratado de cavalos de imunização,
sangrias.
1,0396
1,0213
1.0123
1,0075
1,0055
a cur\’a
nas três
OtNSIOADE
Fiff. 10 Cr&fico de densidade média de plasma citratado das tres saneias.
Baseamo-nos no gráfico da Fig. 10, para efetuar as conversões, de plas-
ma diluid.T a plasma real. Adotamos esta cun-a como tabela para o nosso
serviço.
15
*
SciELO
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cm
290
DA SANGRIA DE ANIMAIS DE IMUNIZAÇÃO
Sangue — 63,0 ml /kg
Plasma — 41,2 ml/kg
Rendimento de plasma em relação ao sangue total — 65,5Çé
PROTOCOLOS DE DESSAXGRIA
Expomos dois protocolos (Quadros I e II), o primeiro, referente à des-
sangria comum, com 20 observações, e o segundo, apresentando 10 casos de
dessangria com perfusão de stdina.
16
Mcm. Inst. BnUntan.
Í1 .275-298, AbrU m9.
EDUARDO VAZ & PAULO ARAÚJO
291 ;
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Após
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(litros,)
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Com sol,
fisiológica
(litros)
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SciELO
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cm
292
DA SANXRIA DE AXIMAIS DE IMUXIZACAO
DISCUSSÃO
Xos serviços de imunização de grandes animais, para obtenção de soros
profiláticos e terapêuticos, a sangria é praticada comumente, 1 semana após
uma das injeções imunizantes, encontrando-se na literatura, alguns dados so-
bre o momento mais conveniente de sangrar-se, na dependência da espécie de
sõro. Assim, no que respeita aos antipeçonhentos, Calmette (1) indica o 12.*
dia, por ser êste o ponto em que mais alto atinge o sangue o seu poder anti-
tóxico, fazendo 2 outras sangrias com intei^-alos de 5 dias, num volume total
de 20 litros e dando um repouso de 3 meses, durante o qual o ca\-alo recebe
duas doses de 2 g de veneno, a fim de manter o título.
Rangel Pestana (2), fazendo observações em 1 cavalo produtor de sôro
antipeçonhento, não aconselha 3 sangrias sucessivas, pois o titulo de sóro, nas
3 sangrias, com intervalos de 10 dias, passou de 1.9 mg. na la. sangria, para
1,1 mg, na 3a. sangria.
As pequenas variações de índice antitóxico, entre 7 e 12 dias, não justi-
ficam, ante o grande trabalho e o tempo necessário de doseamento, a procura,
em cada cavalo, do dia preciso para a sangria. Assim, para regularidade do
sei\'iço, a marcação de 1 semana, após 1 das injeções, com conhecimento do
resultado da sangria exploradora, é praxe satisfatória.
Se a queda do índice se faz após cada sangria e se refaz variavelmente
nos dias subsequentes, com ou sem injeção, como mostraram Calmette e Ran-
gel Pestana para soros antiofídicos, não é possível estabelecer para cada ani-
mal o prazo das ressangrias após cada imunização, se intervalos de 1-2-3 ou
7 dias. Optamos, como prática corrente, pela sangria em 3 sessões inter\-ala-
das de 6-24 horas dando depois ao animal descanso para restauração.
O ponto seguinte focalizado no nosso trabalho é o critério para julgamen-
to de que o animal está restaurado c em condições de sofrer reimunização
e futuras sangrias.
O retorno do pêso do animal, que cai, em consequência da imunização e
da sangria, tem servido geralmente de bússola. Xo entanto, é insuficiente,
bastando notar-se que há aumento de pêso dos animais imunizados com vene-
nos ofidicos, ocorrendo queda passageira sequente à espoliação sanguínea, de
1 a 5% do seu pêso em média.
De qualquer maneira a pesagem periódica dos animais é indispensável em
todo decurso da vida do animal no serriço de imunização.
Com ração balanceada, bem distribuida. tivemos, em 2 meses de obser-
\-ação, em 141 cavalos aumento de pêso, em 85,5^, rariando entre 10 e 60
quilos. O estado geral melhorado, naturalmente se reflete na capacidade rea-
cional, no titulo do sôro e na obtenção de maior quantidade de sangue à san-
18
'Mcm. Inst. Batantan.
■ai;275-2»8. Abril 1949.
EDUARDO VAZ k PAULO ARAÚJO
293
gria. Afora esse aspecto, a queda de peso, apesar de cuidados alimentares,
chama a atenção para o estado de saúde do animal, dependente ou não de pro-
cesso de imunização.
A menor resistência do animal indica o seu sacrifício, pela dessangria,
mipondo-se a necropsia para estudo complementar. Na nossa obser\ação dos
141 caralos. tivemos um com perda de 60 quilos, e que à necropsia revelou
rim policístico.
Introduzimos na rotina do nosso ser\-iço a dosagem de hemoglobina, e a
determinação do volume globular, para conhecimento do estado do animal ao
entrar em imunização, ao terminá-la, ao ser sangrado, e antes do reinicio da
imimização. Por éle avaliamos a repercussão do processo tóxico e da espo-
liação sanguínea no quadro hematológico, e julgamos assim da restauração.
Não encontramos na literatura referência à conduta similar em outros ser-
viços. Há institutos que adotam a devolução dos glóbulos do próprio cavalo,
■em injeção endovenosa, concentrada em sokção fisiológica, no propósito por
•certo de apressar o seu refazimento.
Fizemos as pro\-as cm grande número de animais, de imunização com
-\-encno. tanto de atividade hemolitica, como não, alternando no decurso de
rcimunizações e sangrias, a infusão de glóbulos e outro tratamento geral, como
solução de glicose na veia.
Pelas verificações hematológicas concluímos que as infusões não influem
-nos índices, nem na rapidez da restauração. Não liá compensação do tralxi-
Iho exigido para essa prática.
A massa globular pode ser aproveitada sêca, e adicionada à alimentação,
•como fonte de proteína.
No nosso scr\iço, além dos cuidados alimentares, a recuperação é aju-
dada com glicose e ferro, em casos de anemia mais profunda.
Para o conceito de nonnalidade da taxa de hemoglobina no cavalo,
Coffin (3) dá \-ariação de 10,5 a 17.3 g por 100 ml de sangue; para o de
■volume globular a variação é de 30-44 Çí». Em 118 caralos, tivemos 103
casos {8727c) em que a variação foi de 12.1 a 17,0 g de hemoglobina por
cento. A flutuação nos 118 casos foi de 9,0 a 19.9 g por 100 ml de san-
gue. Quanto ao volume globular, 88.97 í> dos 118 ca>-alos ofereceram li-
mites similares aos de Coffin, 30,1 a 4550.
Devemos notar que no decurso de uma sangria de litros, o volume
globular vai diminuindo nas diversas amostras tiradas. Assim se explica
que o rendimento final de plasma atinja e, I>or vezes, ultrapasse 70%, cor-
respondendo pois a um volume globular de menos de 30%.
De acõrdo com Dukes (4) o volume de sangue circulante no cavalo,
é de 97% de seu pêso. Ora, nos nossos resultados verifica-se que o san-
.■gue obtido na dessangria comum ê de 6,3% e na dessangna com solução
19
29 +
DA SANGRIA DE ANIMAIS DE IMUNIZAÇÃO
fisiológica é de 10,07%. Este último dado parece paradoxal, porém deve-
se considerar que antes da dessangria, o animal é sangrado prèviamente,.
por via venosa, em 6, 12 ou 14 litros, de acordo com o seu estado geral e
porte. No caso do animal ser sangrado prèviamente em 12 ou 14 litros,
esta sangria é feita em duas fases, uma na tarde da véspera e outra na ma-
nhã do dia do sacrificio. Este é efetuado aproximadamente 6 horas após-
a última sangria.
Computamos o sangue obtido nestas sangrias prévias ao sangue obtido
na dessangria, para facilidade de registro. Uma vez que estas sangrias
prévias foram feitas tanto nas dessangrias comuns como naquelas com so-
lução fisiológica, não vimos inconveniente em considerarmos o volume total
como sendo da dessangria.
Ainda em relação à técnica da dessangria com solução fisiológica, veri-
ficamos que o resultado se torna melhor em se iniciando a perfusão de sa-
lina, somente após o fornecimento de 6 litros de sangue.
Para se avaliar as vantagens da dessangria com perfusão de solução-
fisiológica, devem-se confrontar os seguintes dados (Quadro IV) :
QUADRO IV
Dessangria
sem sol,
fisiológica
Dessangria
com sol.
fisiológica
Diferença
Sangue
63.0 ml/kg
100,7 ml/kg
-f 37,7 ml/kg
Plasma
4r.2 ml/kg
70,0 ml,/kg
-{- 28,8 ml/kg
Rendimento <k plasma
65,5%
69,3^
+ 3.8%
Se cm 63,0 ml de sangue fornecido por quilograma, obtem-se um au-
mento de 37,7 ml, percentualmente o aumento é de 59,8%.
Em relação ao plasma, o aumento é de 69,9%.
Contudo, precisavamos verificar se a curva por nós obtida da densida-
de de plasma citratado era verdadeira.
Ora, sendo ao sangue adidonado dtrato de sódio, é certo que êste sal
vai influir consideravelmente na densidade do plasma.
Nas sangrias usa-se o dtrato de sódio como anticoagulante, em solu-
ção a 17% e na proporção de 10% em relação ao sangue. Portanto, em.
cada litro de sangue citratado, há 17 g de sal, ou seja, 1,7%.
20
'Man. lut. BatanUn.
«:27S-298. Abril 1949.
EDUARDO VAZ & P.\ULO ARAÚJO
295
Dosando o citrato nos plasmas obtidos das três sangrias dos 9 ca^valos
que sei^-iram para fazermos a curs^a da densidade de plasma citratado, veri-
ficamos que em média há 1,33^ de citrato de sódio.
Partindo pois de uma solução de citrato a 17%, verificamos que esta
íolução a 12,5% em água destilada, tem a densidade 1,014- Verificamos
que esta solução a 6,25% tem a densidade igual a 1,007 e a 3,125%, igual a
1,004. Com estes dados e sabendo que a densidade da água destilada é
1,0, fizemos um gráfico (Fig. 11), e verificamos que uma solução de citrato
de sódio a 17%, tem a densidade de 1,112. Estas verificações também
foram feitas à temperatura de 18 a 20 C.
Fi(. 11 Gráfico dc denudadr da solução de citrato de sodio a 17%.
Xo gráfico da Fig- 11, consideramos a solução de 17 g de citrato em 100
znl de água destilada, cohk) sendo 100%. \'imos que em 100 ml de plasma
citratado, há 1,33 g de citrato. Se 17 g de citrato (na solução) correspondem
na cur\'a a 100%, 1.33 g de citrato no p‘asma. ^'ai corresponder a 7,8%, em re-
lação ao gráfico. Portanto, se verifica que 7.8 g de citrato em 100 ml de
plasma, vão dar uma densidade igual a 1,0088.
Considerando que a densidade da água é 1,0, temos que 7,8 g de citrato
em 10 ml de plasma, vão influir em 0.0088 na densidade deste.
Ora. subtraindo esta cifra da densidade do plasma citratado (1,0396),
Jemos que a densidade real do plasma por nós obtidos, é dc 1.0308.
Para confinnar êste resultado, fizemos o seguinte cálculo.
21
296
DA SANGRIA DE ANIMAIS DE IMUNIZAÇÃO
Vp X Dp ^ c X Dc = Vpc X Dpc
Vp = Volume de plasma.
Dp = Densidade do plasma.
Vc = Volume de citrato.
Dc = Densidade do citrato (solução).
Vpc = Volume do plasma citratado.
Dpc = Densidade do plasma citratado.
Substituindo os valores, temos que a densidade do plasma (Dp) é iguall
a 1,03088.
Este resultado confirma o anterior (1,0308).
CO.VCLUSOES
1 — Xos serviços de imunização praticam-se 3 tijxis de sangria:
a) exploradora, em pequeno volume, para provas de avaliação do teor-
eni anticorpo; b) definitiva, em litros, para obtenção do sõro; c) dessangria, a
que sacrifica o animal, por exaustão;
2 — .-\ sangria e.xploradora é indicada pelo laboratório de imuniza-
ção, enquanto que a escolha entre a sangria definitiva e a dessangria deve
ser da alçada do laboratório e da Secção de Veterinária, considerando o
estado dc saúde do animal e a quota de to.xina já recebida;
3 — .\ sangria definitiva, ao cabo da imunizaçio, deve seguir-sc unv
periodo de recuperação, que pode ser julgado suficiente, quando as provas
hematológicas, de hemoglobina, número de eritrócitos e volume globular in-
diquem que os órgãos hematopoiéticos refizeram as consequências da espo-
liação sanguinca;
•1 — A vigilância do serviço de veterinária, prognosticando os casos de
risco de morte súbita, redunda na sobreponência do número de cavalos
sacrificados por dessangria sóbre os que morrem sem aproveitamento de
sangue ;
5 — .\ perfusão de solução fisiológica no decorrer da dessangria per-
mite maior sobrevivência do animal, e assim maior volume de sangue obtido
por quilograma de pêso;
6 — Xo cálculo do rendiiiKnto da dessangria com perfusão, o método da
densidade das diversas amostras do plasma, permite determinar e afastar o-
coeficiente de solução fisiológica injetada;
7 — .*V determinação da densidade do plasma citratado diluido com so-
lução fisiológica, na dessangria com perfusão de salina, é um processo rá-
pido e eficiente, para o fim de calcular os volumes reais de plasma e sangue;.
22
Mcm. Inst. Batantan.
*1:275-298, Abril 1949.
EDU.\RDO VAZ & P.WLO AR,\UJO
297
8 — Xos serviços de imunização, a sangria não significa apenas ato
operatório; é um complexo, exigindo a colaboração íntima de diversas sec-
ções, como imunologia, veterinária, análises clínicas, anatomia patológica,
e donde resulta compensador rendimento, não apenas sob o aspecto técnico-
científico, mas ainda do ponto de vista económico.
RESUMO
Os A.\., baseados em observações clinicas, em dados expcriiiKntais,
em provas de laboratório, minuciam as indicações das sangrias, tipos, método,
volume, modificações hematológicas, consequências dos processos de imuni-
zação e espoliação sanguinea, critério de recuperação, e fundamentam o mé-
totío que adotam para a dessangria, consistindo na perfusão com solução
fiaiologica, para manter a pressão sanguinea, e assim maior sobrevida do
animal em operação. Evidenciam, por dados positivos, grande vantagem
do método proposto sóbre a dessangria comum.
.\BSTR.\CTS
The authors. based on clinicai observations on experimental data, on la-
lioratorj' tests, give detailed indications of the bleedings, tjqies, methcKls,
volume, hematologic modifications, consequences of tlie process of imniu-
nization and blood exploration, criterium for recuperation, and cxplain the
mcthod which they adopt for bleeding out, consisting in the perfusion with
physiological saline, in order to maintain the blood pressure and thereby a
loiiger survival of the animal under operalion. They give positive nume-
rical e^ndence to point out the great advantage of the proposed method over
the common process of bleeding out.
RÊSUMÉ
Les auteurs, ã base d’observations cliniques, des déterminations expe-
rimentelles d’épreuves de laboratoire, detaillent les indications des saignées,
des tj-pes, des méthodes, volume, modifications hématologiques, conséquen-
ces des procés d’immunisatíon e d’utilisation sanguines, criterium de ré-
cuperation, et expliquent la méthode qu’ils adoptent pour la saignée totale
et qui consiste de la perfusion avec solution physiologique, pour maintenir la
pression sanguine, et ainsi une plus grande survie de lanimal opéré. I!s
23
298
DA SANGRIA DE ANIMAIS DE IMUNIZAÇÃO
donnent des résultats positifs démonstrant grande vantage de la raéthode pro-
posée sur la saignée totale comniune.
BIBUOGR.\FIA
1. Calmette, A. — Les venins. Les animaux venimenx et la sérothérapie’ antivenimeuse,
Masson et Cie., Elditeurs, 1907, p. 258.
2. Pestana, B. R. — SerothcraiKa anti-ophidica — An Pau!, iled. e Cir., 3:27, 1914.
3. Cofiin, D. L. — Manual of Veterinary Qinical Pathology, ed. 3, Ithaca, Xew York,
Comstock Publishing Ca, Inc., 1947, p. 118.
4. Dukes, H. H. — The Physiology of Domestic Animab, ed. 6, Ithaca, Xew York,
Comstock Publishing Co., Inc., 1947, p. 61.
24
SciELO
0 11 12 13
cm
g SciELO ;lo 11 12 13 14 15