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5 6 SciELO ;lo 11 12 13 14 15
MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
1950-1951
TOMO XXIII
São Paulo, Brasil
Caixa Poftal 65
As “MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTAXTAN” sâo destinadas^
à publicação ae trabalhos realizados no Instituto ou cotn a sua con-
tribuiçãa Os trabalhos são dados à publicidade, separadamente,
logo após a entrega e reunidos anualmente num volume.
Serão fornecidas, a pedido, separatas dos trabalhos publicados
nas “Memoras”, pedindo-se nesse caso o obséquio de enviar outras
separatas, em permuta, para a Biblioteca do Instituto.
Toda a correspondência editorial deve ser dirigida ao:
INSTITUTO BUTANTAN
Biblioteca
Caixa Postal, 65
S. Paulo. BRASIL.
PEDE-SE PERMUTA
EXCHANGE DESIRED.
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I X D I C E
VITAL BR.\ZIL jX
BÜCHERL, \V. — Ro-isão das espédcs do gênero Enoplocienus Simon, 1897 1
Rnision of tht tpecies of the gtnus Enoplocienus Simon, 1S97.
RUIZ. JOSE M. — Estudo do sistema excretor dc Leplophyllum slenocolyle
Cohn, 1902 (Tremoloda : PlagiorchOdoe) 45
SiudUs of lhe excretory System of Leplophyllum slenocolyle Cohn, 1902
{Tremoloda: Plagiorchidae)
SLOTTA, K. & PRIMOSIGH, J. - Estudos quimkos sobre os venenos ofidi-
cos. 6. Composição da Crotoxina
Chemical studies of lhe ophidian x-enoms. 6. Croloxin composilion.
AMORIM. M. DE FREITAS; MELLO. R. FRANXO DE & SALIBA, F.
— EmTnenamento faotropico c crocãlico. Contribuição para o estudo expe-
rimental comparado das lesões ^
Bothropie and crolalic poisoning. Contribution to lhe comparative experi-
menlal sludy of lhe lesions.
RUIZ, JOSÉ M. — Sobre a distinção genérica dos Crolalidae (Ophidia : Crola-
loideo) baseada em alguns caracteres osteoiógicos IO9
Generic differenliation of lhe Crolalidae {Ophidia: Crolaloidea) based on
some osleological characters.
HENRIQUES. S. B.; HENRIQUES. OLGA B. & NAHAS, LINDA -
On lhe epinephrine-induced fali of blood eosinophUs. .detion of dielhyl-
besti\>l and lhe adrenolytics : K-densylimidasoline hydro-methyl-ben-oa-
dioxone {933 F.)
.SciELO,
14
VITAL BRAZIL
* 28 dc Abril de 1865
t 8 dc Maio de 1950
cm
*
VITAL BRAZIL
Entre as mais ele\-adas manifestações de nobreza da inteligência sempre há
de se destacar o cumprimento do de\-er filial que manda louve a Criatura seu
Ciiador.
Vital Brazil e Instituto Butantan são dois nomes indissoluvelmente entrela-
çados na história do progresso das dcncias medicas, não havendo como citar um
sem recordar o outro. Ao sair à luz o primeiro volume destas Memórias depois
do desaparecimento do fundador desta Instituição e de sua tradicional publicação
vem o Butantan prantear-lhe a perda, dtá-lo como e.xcmplo dignificante para as
gerações futuras e afirmar que a sua lembrança servirá sempre de estímulo aos
continuadores da obra por ele iniciada.
Relembrar os trabalhos de pesquisa desse pioneiro é rememorar a solução de
um dos mais empolgantes problemas da Medidna Tropical, tão antigo como a
própria histona da humanidade.
Em todas as idades, como em todas as civilizações que perpassaram a super fi-
ae da terra, constituiu sempre objeto de profunda curiosidade c de justificado
terror esse poder e.xtranho, conferido pela natureza a certas de suas criaturas
de capturar a presa ou de se defender do inimigo pela inoculação súbita de ve-
neno mortal. ^
E a história e a lenda, e a mitologia e a Biblia. e o fetichismo e o alquimismo
e a superstição e o empirismo, no decorrer dos séculos, dele se ocupam ou sé
p^pam em neutndizar essa mMéfica virtude, esbarrando sempre numa mesma
barreira de aparência intransponível.
rico f ^ de surpresa que aterroriza : criança e adulto,
nco e i^bre, homem e mulher, no apogeu da vitalidade, chocantemente, brusca-
^te. sen. um avtso pre^-,o, são condenados à morte, como por um passe de
magica, dci.xado para traz um rasto de dor e de perplexidade.^
E q„, ,ím por misrao a cura dos males dos seus senudlumtes curvan»
Sjr?’ ° sua
ír ? ^ a""' sobrenatural, que derruba o
houtem na plenttude de sua lorq, ou a crianqa m. plenitude de sua promessa.
roca1)°ro!í!^'^ ’tsl^“'° «toscados lutadores, clinico da
o<«. prosou lambem por mats de uma ves o íei da derrota, mas não «t curvou
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cm
ria Vencido uma primeira e uma segunda ver, compreendeu »r precso
rdafde .á.ro. e es,u6ar‘^a do inimigo. E a êsse estudo dedrcon a v, a
Por uma dessas coincidências benéficas encontraram-se os dors
dispenslt-rs à resolução do probiemat a época do amadureermento erentrireo e o
homem preocupado com a solução. Talmette em
BehrinR funda a soroterapia antitóxica, Roux a consohda. Calmette em
analogia feliz, identifica a peçonha animal à tomna bacteriana e emons
viabilidade do método soroterápico. Campanha
de e2:: médt‘^n China volumoso tratado s<*re
á* n flp dcDois dc itíil Brâzil*
:Um';io ,tte iluminou
IxKler atrativo está ainda por mventar-se-- .
ír; oTrde’ simíte
:Lr o nTr;id: :;xtaL-“trr- Sitnbof^t r»
ZEBi xs:
bcpara a i , . 't-a- <TÂnpro<; três soros apenas,
de cria um para cada genero. » g ’ Tnstitui um sis-
Kão há veneno que chegue para as enormes j. “
verdadeiro milagre no ambiente brastleiro, perdtt _ .ntitóvicos
t técnica clássica de neutralização e aferição do valor dos soros ant.tox.cos
recui se a uudonar em presença dos venenos animais» “ « .mf^se m-
s^endo os fatores fixo e variável do an.igeno e antteorpo. Solução stmples
brilhante para um problema complexo.
cm
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Batalhou rudcnicnte, mas venceu esmagadoramente, vendo baixar progressi-
vamente a mortalidade por ofidismo, nos vinte mil casos anuais do Brasil, de
trinta para dois por cento, impondo o rigor da sua técnica em época em que os
primeiros tratamentos esperíficos apenas come«;a\'am a aparecer.
Atendendo à convocação de uma nora era surgida no domínio das ciências
biológicas, buscara as dificuldades para vencê-las, a golpes de técnica ou pela
experimentação paciente e aturada. Xão contente de ter legado ao Brasil a
glória de ter sido o primeiro país do mundo a ver resolvido o seu problema de
ofidismo, ataca frontalmente o araneismo e o escorpionismo e os risca da lista
das intoxicações contra as quais a ciência era impotente, dando, ainda aqui,
primazia à sua Pátria.
Mas não foi só. peste como a febre tifoide, a variola como o tétano
c a difteria encontraram-no sempre nas trincheiras de primeira linha.
.\ medida da sua ritória somente poderá ser comparada à grandeza da
sua fé nos métodos biológicos, de que se erigiu paladino desde os seus pri-
mórdios.
E no li\TO de História Médica Brasileira poucas páginas se lerão com a
beleza e o ralor daquela em que deixou graradas as suas conquistas. Poderá
repetir com o poeta o "erigi monumentum aere perenneus”, erigi monumento
perene como o bronze; “non omnis moriar", não morrerei de todo...
Modesto por índole, coul>e-lhe, entretanto, edificar o pedestal da sua própria
glória, fundamentado em instituição impar no mundo. Institutos mais ou menos
célebres de patologia, de bacteriologia, imunoterápicos ou zoológicos os há às
dezenas espalhados pelos cinco continentes: o Butantan entre todos se destaca
por sua fisionomia própria e a sua fama se irradia até onde alcança a civili-
zação. Dêsse templo da Ciência expulsou com o látego da técnica os vendilhões
que abusando da credulidade inata do povo impingiam-lhe mésinlias, inócuas
umas, mortíferas outras. E as vergastadas da História hão de castigar a
todos os que, por incompreensão ou por incompetência, lhe prejudicarem a
obra meritória.
Dos homens não esperou qualquer recompensa, nem a recebeu na propor-
ção dos servaços que lhes prestou e quando dele se lembraram para inscrever-lhe
o nome no Livro do Mérito, o que mais admirou a todos foi não lhe ter sido
antes conferida distinção equivalente.
E os continuadores de sua obra no Butantan. ao procurarem sintetizar num
minimo de palavras a benemerência da obra do fundador desta Casa, não
encontram vocábulos mais e.xpressivos e mais adequados, do que os que
compõem o seu próprio nome: êste mineiro venceu campanha vital para o
Brasil.
F. F.
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Mem. Inst. BotiBUn.
a : l-*4. Not.» 19S0.
WOLFGAXC BfCHERL
1
REVISÃO DAS ESPÉCIES DO GÊXERO ENOPLOCTENUS
SIMOX, 1897
KHi WOLFGAXG BCCHERL
{Da Dh-iião de Zoologia Medica do InsUtulo Butanlan, São Paulo, Brasil)
1. INTRODUÇÃO.
Xo período dos últimos 70 anos foram descritos pelos autores Bertkan.
Simon, KeyscrlinK. Strand. Mello-Uitão. nada menos de 13 espécies distinta.s
de Enoploctenus. íamilia Ocnidac. Todas estas espécies são sul-amcricanas
e, com excepção de iima. exclusi\-amcntc brasileiras. O biotopo é ainda mais
restrito, pois foram encontradas estas espécies sempre em montanlias ou nas
suas encostas, tanto da Serra dos órgãos, no Rio de Janeiro, da Serra <lo
Mar. desde o Estado do Rio até Santa Catarina, como em outras serras do.?
Estados de Minas Gerais e Mato Grosso.
Em vista deste habitat liastante restrito, causou-nos admirai;.ão que existis-
sem tantas es{»éaes diferentes deste género e nos propuzemos a rever as mes-
mas, tanto pelas descrições originais e pelos desenhos dos autores, como da
coleção de Enoploctcnideos do Instituto Rutantan.
2. MATERIAL E MÉTODO.
.Após temKw reunido toda a bibliografia sobre o assunto, com as descrições
originais dos diferentes autores, comparámos morfologicamente todos os caracte-
res e.xtemos dos exemplares da coleção do Instituto Rutantan. que perfLcm
93 exemplares. Foram estudados os Inilbos copuladores dos machos adultos;
os eptginos já evoluídos das fémeas adultas; os epiginos menos evoluídos das
fcnit^ jovens; os princípios da formação tanto dos bulbos como dos epiginos
«n indivíduos ainda mais jovens; a posição e as dimensões dos olhos, princi-
fwlmente dos 4 olhos medianos anteriores; o número e as dimensões dos deii-
ticulos cm ambas as margens das queliceras; o número, a posição e as dimensões
dos espinhos nos fémures, nas tibias c nos metatarsos das pcmas e dos palpos;
a e.xtensào das escópulas na face ventral dos nietatar.<?os ; o colcrido geral e suas
\-ariaçõcs. Finalmcnte temos aferido em todos os exemplares as medidas, tan-
to o comprime nto total (sempre menos exato, porque as dimensões do alnlômem
Entrç para publicação ctti 22 de 'novembro de 1950.
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o REVISÃO DAS ESPÉCIES DO GÊXERO EXOPLECTEXUS
SIMOX. 1897
variam conforme o estado de nutrição ou inanição ou ainda segundo as retrações,
condicionadas à conservação em meio alcoólico) , como o comprimento e a largura
do cefalotorax; o comprimento total das 4 pernas; os comprimentos dos fêmures
em relação às tibias; o comprimento das tibias em relação aos metatársos; o
comprimento das patelas e tibias do 1.® par de pernas em relação ao mesmo
do 4.® par.
Os dados obtidos e as variações individuais foram, então, comparados com
as descrições originais dos autores, conferindo-se ainda o habitat.
Assim pudemos ver claramente onde e em que ponto um autor descreveu
simplesmente uma aranha jovem, atribuindo ao epigino ainda mal formado,
importância especificamente decisiva; onde um outro autor, pela A^ariação do
número de espinhos, julgou ter prorado que esta variação seria constante e
especifica. Há mesmo descrições de indivíduos, cuja posição no gênero deve
ser colocada em dúvida.
Finalmente, chegámos a ver que se descrevera como nova espécie o que
na realidade era apenas o macho ou a fêmea de uma outra espécie já conhecida.
Suspeitamos até da possibilidade de que, algumas vezes, em exame menos
acurado, tenham sido confundidos e.xemplares de duas famílias diferentes.
Os indivíduos do gênero Acanthocienus realmente apresentam a morfologia
dos espinhos, das escópulas, etc., como os de Enoploctenus, apenas com ligeiras
variações, principalmente na posição dos olhos médios posteriores e suas dimen-
sões, na presença de espinhos também nas patelas das pernas, etc.; entretanto
Acanlhoctcnus pertencente à família Acanthoclenidae, com cribelo e ca-
lamistro. Mas estes dois caracteres, prindpalmente em indivíduos mais jovens,
são de díficil apreciação, mesmo com grande aumento. O calamistro só é
visivel nestes exemplares em certa posição da perna posterior e o cribelo fica
muitas vezes confundido com u’a mancha esbranquiçada, em frente às fiandeiras.
3. CAR.\CTERIZ.\ÇAO DE ENOPLOCTENUS E SUA POSIÇÃO XA FAMÍLIA
CTENIDAE.
O gênero Enoplcclcnus pertence à familia Ctenidae Keys., 1876.
Petrunkevitch (1) caracterizou esta familia da seguinte maneira:
“Sem cólulo, cribelo e calamistro; com 6 fiandeiras e 8 olhos homogêneos,
diurnos, dispostos em tres fileiras (2-4-2 ou 4-2-2). Queliceras escopuladas
e munidas de dentes nas duas margens. Lábio livre. Maxilares paralelos.
Pernas com espinhos. Tarsos e metatarsos escopulados. Com duas garras den-
teadas nos tarsos. Tufos subungueais presentes. Com numerosas tricobotrias,
dispostas em 2 fileiras, tanto nos tarsos, metatarsos como nas tibias. Fóvea
torácica longitudinal. Espiráculos das traquéias próximos às fiandeiras. Sis-
tema traqueano limitado ao abdômen.”
cm
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Mtsn. In*. Botanun.
a : 1-44, Nor.» 19S0.
WOLFGAXG BfCHERL
3
A esta caracterização, puramente morfológica, podem ajuntar-se algumas
particularidades biológicas:
“Aranhas tipicamente errantes (wandering spiders), que não constroem
teias, mas rivem de caça, principalmente à noite. Matam suas ritimas pelo
veneno que, em algumas espécies, é composto de substâncias tão ativas que
a picada se toma perigosa para o próprio homem.
Após a cópula a fêmea constroe uma ooteca em que deposita 800 a 1.200
ovos em média. Carrega consigo a bolsa de ovos, entre as queliceras, até que,
depois de um mês e meio, nos climas tropicais, irrompam os filhotes. Estes ficam
aglomerados sobre o corpo da mãe até a segunda muda de pele (a 1.* efetua-se
geralmente dentro do próprio casulo) a verificar-se, em média, e em ambiente
de temperatura e umidade do ar fovoráveis, já dentro de 7 a 10 dias após
a ruptura da bolsa de ovos.
Abandonada a mãe, constroem os filhotes um tecido alvo cm forma de
panela, onde ^e escondem e de onde fazem suas primeiras e.xairsõcs, voltando
sempre à teia. Suas primeiras vitimas são os próprios companheiros, come-
<;ando o canibalismo a partir da 3.* muda de pele e sendo partiailarmentc ativo
por ocasião das eedises, em que os individuos que primeiro completaram a
muda, costumam matar e de\-orar as companheiras imobilizadas c indefesas, à
espera da ruptura da cutícula.
Desta eedise cm diante realiza-se a dispersão c a vida errante, não sendo
mais construída uma teia especial. Xo primeiro ano de vida pode haver 5-7
mudas de pele e a fome dos pequenos e ageis araaiidcos é praticamente in.sa-
ciavcl; no segundo ano verificam-se 3 a 4 eedises, não se podendo, até esta
idade, distinguir morfologicamente os machos das fêmeas. Somente no 2.° ou
3.° ano de vida, através de uma ou duas eedises anuais, difcrcnciam-sc os
dois sexos, sendo então as fêmeas caracterizadas por uma complicada estnitura
quitinosa, o epigino, localizado na base do ventre — c os machos pelo apareci-
mento, nos tarsos dos palpos, do bulbo copulador, cuja estrutura morfológica
corresponde sempre à do epigino da fêmea da mesma espécie.
Os ctenideos adultos podem viver 5 anos pelo menos, principalmcntc nos
chnus tropicais e subtropicais, trocando as fêmeas de pele uma vez por ano
(exepdonalmcnte 2 vezes), enquanto que os machos adultos nunca mais absol-
vem processos eedisários.
Uma vez por ano procuram-se os 2 sexos para a realização da cópula,
annazcnando. então, as fêmeas o liquido fecundante que contêm os pacotes de
espermatozóides em seus receptáculos seminais. Elas mesmas fecundam os
ó\-ulos na ocasião da postura e, mais ou menos, um mês e meio a dois meses
após a primeira postura, tecem no\-a ooteca, menor que a primeira e procedem
à segunda oviposição e fecundação. Após a dispersão deste segundo lote de
filhotes, provenientes de 300 a 400 ovos, em média, e ainda segundo o estado
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I REVISÃO DAS ESPtClES DO GÊNERO EXOPLECTE.VUS
^ SIMON. 1897
físico da mãe, verifica-se freqüentemente, principalmente nos gêneros Ctenus
e Phoneutria, iima terceira fabricação de casulo com oriposição. Desta vez,
porém, os ovos costumam ser pouco numerosos (de 40 a 100), menores que
os das posturas precedentes, sendo mesmo muito mal formados e não fecunda-
dos. nascendo apenas poucos filhotes e não prosseguindo, muitas vezes, a mãe
em seus desvelos, perecendo, em consequência, os embriões já nos primeiros
<lias de seu desenvolvimento. Através de muitas obsercações, por longos anos,
finuou-se em nós a impressão de que as fêmeas adultas, no periodo imediato
à muda de pele, acumulam enormes reser\-as. Seu abdômen entumece pelo
crescimento descomunal dos ovários; suas glândulas sericígenas proliferam e
seus reservatórios seminais ficam repletos de espermatozóides (na cópula anual).
Procuram elas, então, esgotar estas reser\-as. primeiro pela grande quantidade
de fios de seda, gastos na construção dos diversos casulos; segundo, pelas
oviposições seguidas e, terceiro, pela fecundação dos ovos. Esta tendência de
csgotar-se vai a tal ponto que se podem obsenar fêmeas que iniciam um ter-
ceiro casulo, mas não o podem terminar ou procedem à oviposição e interrom-
IKMu a mesma ou e.xpelcm ovulos, não fecundados, pequenos, angulosos e
inaptos à sobrevivência. Elas~ mesmas, pelos meses de fome, pois não se ali-
mentam geralmente enquanto cuidam dos casulos, ficam tão enfraquecidas (jue
procuraram permanecer o mais possível no mesmo local sómbrio, imóveis, até
a dispersão definitiva dos poucos filhotes da terceira postura. Logo dejxiis jicr-
fazem sua muda e então se lançam avidamente à caça afim de alastecerem-se
de novas energias para um novo ciclo anual.
Os gêneros Ctenus e Phoneutria incluem espécies brasileiras de porte
issáz avantajado, caçadoras intrépidas, de hábitos noturnos, bastante agressivas,
icmpre jirontas a se defenderem, armando tremendos botes contra um eventual
mimigo. Xão se intimidam, nem mesmo perante o homem. Devido à ação
veemente de sua peçonha, seus costumes de caçar à noite e perseguir os insetos
mesmo pelas residências humanas a dentro e devido ainda à grande rapidez de
seus nuívimentos, principahnente dos machos — mais agéis e com iiemas mais
longas e que as fêmeas — si bem que as últimas sejam geralmente maiores e mais
agressivas, constituem algumas espécies destes gêneros uma séria preo-
cupação médico-sanitária. Para neutralizar sua peçonha é ne-
cessário. em muitos casos, recorrer-se ao sôro “anti-ctenico”, produzido pelo
Instituto Butantan.”
A familia Ctenidac é hoje subdividida em 3 subfamilias, {lara os quais
Petrunkevitch (/oc. eit.) elaborou a seguinte chave;
1. Lábio nuiis largo que longo, sem reentrâncias laterais e não atingindo o meio
das lãn»inas ma.xilarcs — CALOCTESISAE.
Lábio mais longo que largo, com reentrâncias laterais e atingindo aproximada-
mr.ite o meio das lâminas maxilares 2
cm
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Mos. Io>t. Bntantan,
33 : l-t4. Nor.» 1950.
WOLFGAIÍG BfCHERL
5
2. Pcmas coro espinhos robustos e moderadamente longos, gcralmcnte cm numero
de 3 a 3 (raras ví=es 6) pares \-entrais nas tíbias anteriores. Olhos 2-4-2.
Cefalotorax mais alto la «vgiâo da íú>ea torácka — CTENINAF.
Pcmas coro espinhos muito longos, mais flexíveis c geralmente mais de 6 pares
ventrais nas tíbias anteriores. Olhos 2-4-2 ou 4-2-2 (no último caso os da 1.*
fileira bem mmores que os da 2.*) Cefalotorax clevando-se sempre mais em
dirctrão à fronte — ACASTUEINAIl.
Mclo-Leitão estaltclcccti ainda uma quarta subfamilia — Argocteninae.
O gcncio Encploctcnus, icrtcnccnte à subfamilia Acanthcinac, foi
caracterizado por E. Simon (2) da seguinte maneira :
“ Parte frcotal do cefalotorax mais alta que a parte torádea. Os 4 oüics
do meio são grandes, sub-iguais. formando uma área sulxiuadrada, um |xmco
mais larga na frente que atrás e raras vezes um tanto mais longa que larga.
O. L. .\. pequenos, em plano mais baixo, formanslo com os médios, posteriores,
uma linha muito procurva e quase cquklisUntes Unto dos médios anteriores
como dos médios da 2.» fila. Gípeo mais largo do que a área dos olhos
medianos.
Margem inferior das queliccras com 4 dentes: o último mais afasUdo dos
outros. Lábio mais Icngo que largo. Pcmas longas, com os tarsos cscópulados.
.■Xs 4 tíbias anteriores coro / pares de acúleos inferiores, muito longos e eretos;
nieUUrsos coro 3-|-3 e mais alguns acúleos laterais. Os 4 metaUrsos anteriores
ntuis curtos que as tíbias; os posteriores mais longos."
E. Stnind (3) viu-sc fort^ado a incorporar Phyiiiatoclenus Simon, 1897,
ncste gênero, prevalecendo o nome definitivo de Enoptodenus por prioridade dc
página. \’crifica-sc rcalmnite uma tran.sição das espécies dos 2 gêneros ou
melhor, a caracterização genérica, fornecida por Simon c que insiste principal-
mente tia área formada jielos 4 olhos medtanos e a distância (|uc tnedeia entre
os olhos laterais anteriores dos mólios e laterais da 2.» fila, é por demais sujeita
a variações itidividuais para que se pos.sa, com fundamento, estalielccer 2 gêneros.
D mesmo se diga no tocante ao número de espinhos na face ventral tias
tibias. Estamos, pois, neste particular, inteiramente dc acõrdo com Strand c
achamos mesmo que, toda vez que se põe cm foco tima posição genérica
dúbia, mais proveito trazem para a sistemática trabalhos objetivos sobre o
âmbito das tanações esperíficas de espécies já conhecidas e bem definidas do
que descrições isoladas dc novas espécies ou novos gêneros.
Quanto aos hábitos b i o 1 óg i c o s das espécies de Enoploctcnus deve
ser dito que são aracnideos que preferem como habitat as alturas (Serra dos
Órgãos; Corcosado; Tcrczopolis; Ilha de São Sebastião; Serra do Mar). São
dc porte rehtivamente grande; bastante velozes; hem menos agressivos do que
as espécies do gênero Phoncutria; muitas vezes com colorido vistoso. De
hábitos noturnos, costumam esconder-se durante o dia cm ocos de arvores, sob
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(■ REVISÃO DAS ESPÉCIES DO CÊXERO ESOPLECTESVS
° SIMOX, 1897
raizes, sob cascas parcialmente desprendidas, em bromeliáceas, etc.. Quando
surpreendidos, desatam a fugir velozmente. Não costumam enfrentar o inimigo
e colocar-se em atitude agressiva, como as espécies do gênero Fhoneulría. Não
se conhecem acidentes humanos, determinados por mordedura das espécies de
Enoploctenus ; tão pouco é conhecido seu veneno, cuja ação deve ser provavel-
mente bem menos ativa do que a de Phoneutria.
4. .AS ESPÉCIES DE EXOPLOCTENUS SIMOX, 1897
Até agora foram descritas sómente espécies sul-americanas, principalmente
do sul do Brasil, ao longo da Serra do Mar, a começar do Rio de Janeiro
até Santa Catarina.
Nem sempre as espécies descritas eram representantes tipicas do gênero
e muitas vezes mesmo só foram descritas formas juvenis ou no inicio da
madureza sexual. Na grande maioria dos casos era sempre descrito um sexo
somente, desconhecendo os AA. o outro sexo, pois tratava-se de exemplares,
geralmente colhidos no Brasil por viajantes estrangeiros e depositados em co-
leções estrangeiras, às vezes em estado de consei^-ação bastante precário.
As espécies são as seguintes:
1. Enoploctcnus gcrmaini Simon, 1896 (4).
“ Os 4 olhos do meio muito grandes, quase iguais, formando um quadri-
látero um pouco mais largo na frente; olhos laterais anteriores quase equidis-
tantes dos laterais e médios da 2.* fila. Margem inferior das queliceras com
4 dentes, o quarto mais isolado. Face ventral das 4 tíbias anteriores com 7
pares de espinhos; metatarsos dos primeiros 3 pares de pernas com espinhos
muito longos.
Cefalotorax vermelho fusco, mais claro na frente; região dos olhos ene-
grecida; pêlos longos de um amarelo pálido, com manchas doiradas na região
ocular. Abdômen oblongo, amarelo, com tons cinzentos e com pontuações fusco
testáceas. Com uma linha longitudinal lanceolada e um tanto avermelhada. Na
margem anterior do abdômen duas linhas curtas convergentes. Perto do meio
pequenas pontuações negras.
Esterno e boca vermelhos; queliceras negro cinza. Pernas oliváceas; as
últimas com largos aneis amarelo avermelhados.” .
Habitat: — Rio de Janeiro.
Material estudado pelo autor: — 1 fêmea jovem, com 21,2 mm de
comprimento total.
Mello-Leitão (5) constatou a presença desta espécie desde o Rio de Janeiro
até o Paraná (Cachoeirinha), sem ter procedido, entretanto, a uma redescrição
em material melhor conservado.
cm
SciELO
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Mm. Ifut. Bauaua.
a : I-M, XoT.* 19S0.
WOLFGAXG BCCHERL
7
2. Enoploctenus scopuUfer Strand, 1908 (6)
“ Com o mesmo coiorido. mais oo menos, como gcrmaini, do qtial se distin-
gue pela parte frontal do cefalotorax mais eles-ada. pelo abdômen mais baixo
e truncado (não oblongo). Lábio apenas um pouco mais longo que largo,
ãfetatarsos I e II com escópulas na área dos tres quartos apicais.”
Habitat: — Joim-ille, Santa Catarina.
Material estudado pelo autor: — 1 fêmea jovem, com as seguintes medidas:
— comprimento total: — 21,5 mm; cefalotorax — 10 por 8 mm; pernas: 39,5
367 — 32,5 — 40,3 mm respectiramente ; patela e tíbia 1-15 mm; pat. e tibia
IV-13,5 mm.
3. Enoploctenus pedatissimus Strand, 1910 (7)
“ Todos os fémures com 3 espinhos superiores, 4 anteriores e 4 posteriores.
Patelas do III e IV par com 2 espinhos anteriores c 2 posteriores; patelas I
e II parecem ter apenas 1 espinho anterior. Tibias I com 6 pares de espinhos
inferiores; 2 anteriores e 3 superiores. Tibias II como I. Tibias III e IV com
3 pares de espinhos inferiores, 2 espinhos posteriores e 2 superiores.
ãfetatarsos I e II com 3 pares de espinhos inferiores e com 2 muito pequenos
perto da ponta e mais 3 ameriores c 3 poBteriores. No IV par os espinhos são
numerosos e de disposição irregular.
Palpos : — fêmures — 5 espinhos superiores ; patelas — 1 interior ; tibias
2 basais internos e I superior.
Margem inferior das quelíceras com 4 dentes iguais, muito juntos; margem
superior com 3. o interno bem menor.
Lábio tão longo quanto largo ou apenas um pouco mais longo, não atingindo
quase o meio das lâminas maxilares. Todos os Ursos escopulados, no IV com
cerdas oo meio. McUUrtos 1-3 com pequenas escópulas apicais. Fiandeiras
superiores tão longas quanto as inferiores. Area mediana dos olhos tão longa
quanto larga, atrás um nada mais larga que na frente: O. if. P. um pouco
maiores que os M. A. Médios anteriores afasUdos entre si por menos de seu
diâmetro, dos médios posteriores pelo seu diâmetro, dos médios posteriores pelo
seu diâmetro, da margem do cllpeo por mais de seu diâmetro. Segunda fila dos
olhos tão procurra que uma Ungente à borda inferior dos médios posteriores
e á borda superior dos laterais posteriores forma uma reta. Laterais anteriores
sejarados dos laterais posteriores c dos médios posteriores pelo seu diâmetro
mais longo e dos médios antenores por mais. Laterais anteriores maiores que
cm Phymatocttnus comosus Sim. oo Enoploctenus germaini Sim.
Cefalotorax marrom cinza com faixa mediana longitudinal amarelo clara,
bem nitida. tão larga na frente como a área dos olhos medianos, terminando
atras em ponta. Fatxa marginal torâdca amarelada com pêlos brancos sobre
fundo amarelado.
Região ocular e dípeo enegrecidos; mandibulas marrom avermelhado claro,
na frente, com pontas enegrecidas, na meude basal com 2-3 estrias escuras.
ludo inferior cinza amarelado. Pernas olivâceas, marrom amareladas, com
2 ancu cnc^rtodos nos femures.
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*
revisão das ESPÉCIES^JJp ESOPLECTEWÜS
Abdômen cinza marrom, com pêlos vermelhos; em cima na metade tesal
com'eíria longitudinal estreita, branca, margeada de vermelho e. em J^^o
3 manchas negras. Mais atrás 2 pares das mesmas ^chas. mas menores
mais •> a 3 pares de feixes de pêlos longos, eretos, brancos.
Ventre cinza marrom, com 4 fileiras de manchinhas brancas. P^’
seriadas, convergentes atrás. Mais 1 ou 2 destas f.le.ras em cada lado.
Habitat: — Santa Inaz. (nome certo?), Ecuador.
ecmprimcnlo mm: cefalotomx.- : .a, amm:
,ela e ,ibk 1-13,5 nm,; pat. e tib. IV-13 mm; mmt. M3 mm, I- la mm.
O arÓDrio aulor não considem asla aranl» nm mm,o t.pico,
^,a caoclarimção gonãrica. dada po, S.mon, »pam,
as espécies dos gêneros Enoploctenas e Phymatoctcmts.
4. Enoploctenus sp. {jancirocnsis n. sp.?) Strand, 1910 (7)
- T- ns fêmures com 3 espinhos superiores. I com 3 antenores c 3
posterior-s. os anteriores mais longos e menos regulares; II e III com 4 espuAos
^tenores e 4 posteriores. Patelas I - .Hores.
vezes I com um pequeno espinho postenor. T.bia I ’
deitados e tão longos que os proxunais ultrapassam a base ^
rude de seu comprimento: na face anterior \ ^pares
^bos podem estar ausentes); T^briTrco^^^^^
rr^"rVe^:^ra7e I :;:.r ^^aurso 1-3 .res
rrorrenTe;"!!? 3 pares L robustos no lado inferior e 2 pequenos
apicais, com 3-4 anteriores e 3 posteriores.
Palpos: - fêmur com 5 superiores; patelas com 1 mterno; tibias. mter-
namente. 2 semi-basais. 2-3 superiores. 1 exterior.
O tarso em que o órgão copulador ainda não esU compleUmente de^-
volvido apresenta 3 espinhos no lado interno. 1 e.xtemo e uma garra fort -
mente denteada. .-i:,»
Cinza-marrom, com manchas mais escuras nos femures e nas tíbias.
Abdômen ausente. , ■ , ^
Arca dos 4 olho, mediam^ da mesma largura na frente e atras, mais longa
que larga. Distâncias do, olhos medianos como em E. tcdatissxmui.
Habitat: - Corcovado, cidade do Rio de Janeiro, Brasil.
Material estudado pelo autor: - 1 macho joveni e bastante danificado (s^
abdômen), mas descrito detalhadamente por se tratar de uma esi^ie du
género pouco conhecido e para o qual, caso seja confirmado que se trate de uma
esjiêcie nova, o autor propõe o nome de E. janetroensts.
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cm
Mnn. Inst. Butantaii.
a : 1-+4, XoT.* 1950.
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Cumprimento total-10 mm; ceíalutnra.\-3:5 mm: ;x*rn.i5-44 — 44.5
41.5 — 36,8 — 5-41, 5-36, 8-(o quarto ifalta) ; patela e tíbia 1-17.
5. Enophcinius geralcnsis Strand, 1910 (7)
“ Epigino 2 mm de comprimento por 17 mm de largura. Em estado seco
se apresenta cora uma parte mediana, penUgonal, mais alta e com uma fenda
longitudinal anterior.
Em frente existe em cada lado uma caridade redonda, profunda, a delimitar
a peça mediana. .\o lado da cavidade há em cada lado uma apófise curta,
vertical, continuada por duas fossas, negras, brilhantes e continuadas por uma
saliência negra.
Em estado úmido pode-se observar bem a faixa preta, brilhante que cir-
cunscreve a peça mediana, umbem em sua porçáo anterior. Peça mediana
avermelhada; cavidades esbranquiçadas.
Tibias I e II cora “ pares de espinhos inferiores, longos; 2 posteriores
sub-basais; 1 anterior sub-basal; 2 ou I superiores pequenos. Todos os fêmu-
res. como em todas as outras espécies do gênero, com 3 fileiras de espinhos;
as patclas parecem náo ter espinhos. .McUUrsos I c II com 6 espinhos inferio-
res em 3 pares, muito robustos e I pe<|ueno anterior e posterior perto <la base.
Tibias e metatarsos III e IV como cm janeiroensis.
\ crmeiho marrom claro; fêmures c tibias com aneis mais claros. .-Vbdomen
tão estragado que não mais se podem distinguir ornamentos coloridos.
Arca dos 4 olhos medianos um pouco mais longa que a largura posterior;
lado anterior um pouco mais estreito. Olhos medianos anteriores menores que
os posteriores, afastados entre si quase o seu diâmetro, dos posteriores um pouco
n»is do seu diâmetro c da margem do clipeo por um diâmetro c meio. Uma
linha tangente à borda posterior dos laterais anteriores formaria uma reta.”
Ilabilal: — Serra Geral, Brasil.
Material estudado pelo autor: — 1 fètiiea aclulta, com as seguintes dimen-
sões: — comprimento total-24 mm; cefalotorax-9,5 : 8 mm; pemas-45-41,5
— 38,5 — 45-41,5-38,5-45 mm; patclas e tibias 1-17,5 mm.
Da mesma puxedcncia o autor refere 3 fêmeas jovens e tim maclto jovem.
6. Enoploctenus tuacuUpcs Strand. 1910 (7)
“ Em todos os fêmures 3-S espinhos pequenos, superiores ; I na face ante-
rior 2 espinhos pequenos superiores, distantes entre s^ e 2 espinhos inferiores,
longos e robustos c muito juntos; na face posterio.- 4 espinhos pequenos. II c
III nas faces anterior e posterior 4 espinlios; IV com 4 espinhos anteriores c
3 posteriores; patelas parecem estar desprovidas de espinhos. Tibias com 6 pares
de espinhos inferiores longos e 3 espinhos posteriores, curtos. II como I, nus
com apenas 2 posteriores e mais 1 para pequeno apical, inferior. III com 3
pares de espinhos inferiores, 2 na face anterior c posterior c 1 superior sub-api-
cal. IV como III. Metatarsos I c II com 3 pares inferiores, robustos e 2 muito
pequenos apkais e mais 3 nas faces anterior e posterior.
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10 REVISÃO DAS ESPÉCIES DO CÊXERO ESOPLECTESUS
SIMOX, 1897
Epigino quase como em geraUnsis.
Cefalotorax morrom, com faixa dorsal amarela, levemente lanceolada em
tomo da fóvea torácica preta. Fêmures com manchas dorsais mais escuras:
tíbias com 2 aneis largos e escuros; os mesmos aneis nos metatarsos.
Abdômen cinza escuro, com faixa longitudinal esbranquiçada e com pon-
tuações pequenas, marrons, irregulares, ilais atrás pros-avelmente com manchi-
nhas esbranquiçadas, formadas por fáxes de pêlos e eretos.
Ventre marrom. "
Habitat: — Minas Gerais.
Material estudado pelo autor: — fémea, com as seguintes dimensões: —
Cefalotorax — 7,5: 6 mm; pemas-36-34-30,5-38,8 mm; patela e tibia 1-13,5 mm;
I\’ — 11,8 mm.
7. Enoploctcnus zcnatulus Strancl, 1910 (8).
“ A forma e o número de espinhos nas pernas concordam quase comple-
tamente com os de macutif^es, prindpalmente nos fêmures e nas patelas.
Cefalotorax e pernas marrom amarelado, com uma tonalidade para o ver-
melho; fêmures com manchas mais escuras e pouco distintas; tíbias em cima
com ua mancha mediana larga e uma menor, basal, com pêlos brancos; meta-
tarsos com duas manchas semelhantes, sendo a basal a maior.
Abbdomen marrom escuro, um tanto avermelhado, na segunda metade com
uma faixa longitudinal amarelada e na metade anterior com estria clara. Xo
meio duas manchas bem escuras. Xos lados da segunda metade, e em cima
pequenas manchas brancas, formadas de feixes de pêlos longos, eretos.
Ventre cinza claro, com tonalidade marrom. De campo mediano mais
escuro, que se estreita atrás e que inclui duas linhas, divergentes em frente e
que, nos lados, está delimitado por duas outras linhas, paralelas às internas, mal
atingindo a região das fiandeiras. Pêlos brancos, em parte dispostos em fileiras,
no ventre.
Margem inferior das quelíceras com 4 dentes iguais; o interno um tanto
isolado. Margem superior com 3 dentes, o mediano maior.
Area dos 4 olhos medianos um pouco mais longa que larga, da mesma
largura na frente e atrás. Distância inter-oculares como cm janeiroensis. Se-
gunda fileira ocular procorva (linha tangente na borda anterior dos laterais
posteriores e na borda posterior dos médios posteriores procun-a).”
Habitat: — Terezópolis, Estado do Rio de Janeiro, Brasil.
Material estudado pelo autor: — 1 fêmea jovem, com as seguintes medidas:
— comprimento total-22 mm; cefalotora.x-10:8 mm; pemas-39-35,5-30,7-38 mm;
patelas e tíbias 1-15; IV-12 mm.
Mcllo-Leitão, em 1936, descreveu um macho, de Rio de Janeiro, com as seguintes
dimensões: 20 mm; 60,2-55,5-46-55,5;
cm
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Mc». Imc. Botantan,
23 : 1-M. XoT.» 1950.
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8. Enoploctenus morbidus Mello-Leitâo, 1939 (9)
“Segunda fila ocular procuira. Area dos olhos médios mais longa que
larga; os olhos anteriores menores que os posteriores, mais estreita adiante.
Gipeo com um denso tufo mediano de cerdas dirigidas para a frente, da lar-
gura de um diâmetro dos olhos anteriores.
Margem inferior das queliceras com 3 dentes, o proximal menor e mais
isolada
Pernas I : — tibias com 6 pares de espinhos inferiores, 3 anteriores, perto
da face dorsal, 4 anteriores mais ventrais e 4 posteriores; metaUrsos com 6
pares de espinhos inferiores, sendo os apicilares muito pequenos, 3 anteriores e
3 posteriores.
Pernas II: — tíbias com 6 pares inferiores, na face anterior S superiores
e 2 inferiores e mais 3 na face posterior. Meuursos 4 pares inferiores (os
apicilares muito pequenos), 1 dorsal e 1 lateral basilar.
Cefalotorax e pernas pardos, irregularmente manchados de pelos trigueiros,
coro uma faixa mediana mais clara no cefalotorax. Queliceras fulvo-escuras.'
\ entre cinzento pálido uraforme. Dorso do abdômen cinza escuro, com 3 pares
dc manchas amarelo-pálidas.
Habitat: — Salobra, Estado dc Mato Grosso, Brasil.
Material estudado pelo autor: — 1 macho, coni as s^uintes dimensões:
Pernas :-37,4-28, 8-26, 2-36,4 mm; patcla e tibia 1-14,2 mm; IV-11,4 mm.
O mesmo .Autor, alguns anos antes, já tinha descrito mais as tres espécies
seguintes :
9. Enoploctenus fallax Mcllo-Lcitão, 1922 (10)
Fémea: 17 mm; pernas: 37-34-31-40 mm.
Cefalotorax baixo, coro um profundo sulco torácico; região cefálica bem
mais elevada, em aclive, separada da torácica por profundos sulcos, convergentes^
atrás. Oipeo mais longo que a área dos olhos médios, que é paralela e de olhos
Iguais.
Segunda fiU ocular forteroente procurva (uma reta tangente à borda ante-
rior dos médios passa bem atrás da borda posterior dos laterais). Margem
inferior das queliceras com 4 dentes, sendo o último mais distante e com 3 na
borda superior, dois iguais e o terceiro menor. Lábio pouco mais longo qu-
largo. chanfrado, de borda anterior cõncasa. Tibias dos 2 primeiros pares tk
pernas com 7 pares de espinhos inferiores (os apicais menores), mais 1 ante-
rior e 2 posteriores; metaUrsos com 3 pares ventrais muito loiígos e 1 basal
de cado lado.
Cefalotorax fulvo escuro; pernas pardo escuras, aneladas de fulvo; abdo-
mem igualmente fulvo escuro, manchado de negro. Epigino nigerrimo. cerca de
duas vtzes mais largo que longo, com dois tubérculos posteriores.
Habitat: — Marianna, Estado de Minas Gerais
Material estudado pelo autor: — 1 fémea.
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REVISÃO DAS ESPÉCIES DO GÊNERO ESOPLECTESVS
SIMON, 1897
10. Enoploclenus Rondoni Mello-Leitão, 1922 (11)
Segunda fila dos olhos fortemente procur.-a (uma reta tangente da borda
anterior dos médios passa muito atrás da borda posterior dos laterais). .\rea
dos olhos medianos quadrada; os 4 olhos iguais. Queliceras com 4 dentes na
margem inferior e com 3 na superior, sendo o mediano o maior. Lábio mais
longo que largo, chanfrado na base. Tíbias dos 2 primeiros pares de pernas
com 7 pares de espinhos inferiores. 1-1 anteriores e 1-1 posteriores e mais 2
inferiores, laterais; metatarsos com 3 pares inferiores c 1 anterior.
Cefalotorax côr de mogno escuro; pernas com manchas irregulares de pêlos.
.\bdomen pardo, manchado, com abundantes cerdas espiniformes; ventre pardo
com 4 linhas longitudinais de pequenos pontos fulvo-escuros, quase paralelas.
Epigino em forma de ferradura, de concavidade posterior; com uma apófise
direita, dirigida para diante e nascida no ponto anterior da mesma. Os dois
ramos laterais do epigino retorcidos para diante.
Habitat: — Mato Grosso. Brasil-seni determinação do local da captura
Material estudado pelo autor: — Uma fêmea, depositada no Museu Na-
cional.
Medidas: — comprimento total: 29 mm; pernas: 43-41-36-44 mm. Outras
medidas não são fornecidas pelo autor.
11. línoploctcnus cyclothorax (Bertkau, 1880) (12)
.A. especie Ctenus cyclothorax Bertkau. 1880-Verzeichn. Bras. Arachn.,
pag. 56, é considerada por Mello-Leitão como pertencendo indubitavelmente ao
gênero Enoploctcnus, pois, como afirma o próprio Bertkau e mais tarde Keyser-
ling (Spinnen .Amerikas, Bras-Sp. pag. 143, 1891), apresenta esta csjiêcie o cefalo-
torax nitidamente dividido em parte frontal e parte torácica, facilmente distin-
guíveis pelas reentrâncias das raias que partem da fóvea; os primeiros dois
pares de pernas apresentam 7 pares de longos espinhos ventrais nas tibias e
a área dos olhos medianos é tão longa quanto larga.
Realmente não pode persistir dúvida sobre o acêrto de C. Mello-Leitão,
em considerar esta espécie como sendo o Enoploctenus cyclothorax, porque os
7 pares de espinhos ventrais nas duas tibias anteriores constituem um caracter
genérico realmente valioso, como também a separação das porções frontal e
torácica do cefalotorax. O quadrado, formado pelos 4 olhos medianos, a nosso
ver, não constitui caráter genérico bom, como teremos oportunidade de demons-
trar mais adiante.
Enoploctenus cyclothorax vem a formar a espécie mais antiga do gênero.
Habitat: — Rio de Janeiro. Brasil.
cm
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Mnn- In«. Bntaatao.
a : 1-M, XoT.* 1950.
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12. Enoploctenus Wolfi Strand, 1915 (13)
Fémea: — 8: 6,5 mm; pernas: 31-30-26-31 mm; Pat. -f tib.:-12-ll,5-S,5-
10 mm; mctatarsos + tarsos: 10,5-10-10-12.5.
Tíbias das pcmas I c II com 6 a 7 pares de espinhos \-cntrais e 1
basal posterior. Epigino do tipo comum às fêmeas do gênero, isto é, com
uma peça mediana em forma de ferradura e com um par de peças laterais
cm cuja porção anterior há um tiente saliente,
Cefalolorax marrom claro; abdômen oli\-áceo escuro, com manchinhas ene-
grecidas. um tanto indistintas, com uma faixa dorsal mediana, lanceolada, mas
clara e semelhante à de £. scofulifrr. Faixa lanceolada margeada de orla preta,
nos lados e na frente pcx estrias pretas sinuosas, .\bdomcn no dorso e nos lados
com feixes de pelos branco róseos. Ventre com um campo preto, convergente
*trás, mcluindo duas fileiras de manchinhas muito pequenas, marrons.
Pcmas com manclias enegrecidas e com feixes de pêlos branco róseos.
Habitat: — Joinville, Santa Catarina.
Do mesmo local foi descrito pelo mesmo autor tainbcm um ntacho, cujo
colorido SC aproxima Itetn de E. scopuUfer, com exceção das côres do ventre,
que são iguais con» na fémea. .\s medidas são bastante incompletas, porque
falta a quarta perna. Comprimento do cefalot. 9: 7,8 mm; Pernas 56-52-16.5.
Til.ias 1 c 2 com 6 pares de espinhos inferiores c com 1-t-l + l superiores
e 1-f 1 posteriores basais.
O autor finaliza suas considerações, com as seguintes palavras; — “Die
Zusammengehõrigkeit der Iwiden Gcschlechter dürfte trotz .\bweichungcn in
Dimmensionen und Zeichnung doch sicher sein.”
13. Enoploctcnus Strandi Mello-Leitão, 1936 (14)
Região cefálica ligeiramcnte elevada. Segunda linlw ocular procurva;
olhos distantes entre si menos de um diâmetro e dos laterais mais de um. Olhos'
laterais 4 vezes menores do que os médios. Estes iguais, formando um quadrilá-
tero perfeito. Faixa frontal tão larga como a distância dos olhos medianos
anteriores.
Margem inferior das queliceras com 4 dentes, superior com 3. Lábio um
potKo mais longo que largo, atingindo o meio das lâminas maxilares.
Tíbias dos primeiros dois pares de pernas com 7 pares de espinhos inferio-
res e 1-hl em cada lado: metaursos das mesmas pcmas com 3 pares inferiores,
mais 1 lateral basal e com cscópulas atê a base.
Cefalotorax aUranjado. com uma larga faixa mediana mais clara, coberta
de prios cmzentos. R^ião ocular quase preU. Dorso do abdômen marrom,
ornado de u™ larga fa«a mediana longitudinal pálida, onde há uma estreiu
Imha STrmelha sobre a metade anterior. Ventre pálido.
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REVISÃO DAS ESPÉCIES CO GÊXERO ESOPLECTESUS
SIMOX. 1897
Habitat'. — Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil
Material estudado pelo autor: — Um macho com as seguintes dimenses:
Pernas: 35-32,5-28,6-35,5 mm; pat. -1- tib. 13.5-12-9,8-11; metat. 9-8,5-8-11,5
mm. Outras medidas não são (fornecidas.
5. .\PRECI.ACOES CRlTíC.AS DAS ESPÉCIES.
Temos comparado cuidadosamente as descrições das 13 espécies, juntamente
com as ilustrações originais. Procedemos igualmente a um estudo morfológico
detalhado e comparativo das espécies de Enoploctenus da coleção do Instituto
Butantan.
No decurso destes estudos chegamos à conclusão de que o número atual
das espécies de Enoploctenus deve ser reduzido consideravelmente.
Para que os interessados possam inferir, com maior precisão, do asserto
desta simplificação sistemática, vamos, a seguir, redescre^•er a caracterização
genérica de Enoploctenus. Depois consideraremos as espécies válidas e dis-
cutiremos o valor das descrições das outras.
a) Caracterização do gênero:
O gênero Enoploctenus é constituido por aranhas verdadeiras (Araneo-
morphae), cujas queliceras se articulam em sentido horizontal; não apresentam
cribelo nem cóculo e calamistro. Têm 6 fiandeiras; 8 olhos em 3 fileiras
(2-4-2); queliceras denteadas nas duas margens; 2 garras nos tarsos; pernas
com espinhos e escópulas nos 2 tarsos; com tufos subungueais (Ctenidae).
Lábio livre, mais longo que largo, lateralmente esca\-ado, e.xtendendo-se
apro.ximadamente até o meio das lâminas ma.\ilares. Pernas com espinhos
muito longos, um tanto flexiveis e mais de 6 pares ventro-laterais nas tibias
dos primeiros dois pares e 3 pares de espinhos ventro-laterais nos metatarsos
também dos primeiros dois pares de pernas. Cafalotorax elevando-se sempre
mais em direção à fronte (vide fig. 2) (Subfam. Acantheinae) .
Os caracteres genéricos principais e invariáveis de Enoploctenus são, em
ordem de importância, os seguintes:
Sete {xires de espinhos seriados, ventrais nas tibias dos dois primeiros
pares de pernas (fig. 9).
“ Trata-se d? espinhos seriados que formam 2 fileiras ventro laterais. Cada
par converge, estendendo-se quase até a metade inferior do par seguinte. O
sexto par distai é mais curto, mal atingindo a metade do comprimento dos
precedentes. Estende-se justamente até a base do último par. O sétimo par é
Étirto, implantado no anel apical do articulo, fóra da fila dos outros e não vai
além da articulação. Este ultimo par pode, raras sxzes, faltar ou então falta
um só, mas sempre no l.° par de pernas.
cm
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Man. Inst. Botantan.
a : 1-M, XoT.» 1953.
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Tres pares de longos espinhos seriados na face ventral dos inetatarsos dos
dois primeiros pares de pernas (fig. 9).
Esles espinhos são ainda mais longos c robustos do que os das tibias. Cur-
s-am-se um tanto para dentro, prindpalmente o par distai, mais curto, a terminar
um pouco antes do fim do articula Eistes espinhos seriados, quando deitados,
atingem o centro do par seguinte e repousam no tapete das escópulas. Quando
eretos, vêem-st seus “leitos”, formados por áreas “nuas”, isto é, isentas dos
pelinhos das escópulas.
Parte frontal do ccfalotorax mais elevada que a porção torácica (fig. 2).
Examinando-se acuradamente os perfis torácicos dos gênios Enoploctcnus
(fig. 5), Phoneulria (fig. 6) e Ctcnus (fig. 7), impõcm-sc as seguintes dife-
renças morfológicas:
Xo gênero Enoploclenus estão bem nítidos os sulcos que separam a parte
torádea (em volta da fóvea) da frontal. A porção frontal decorre mais ou
menos em sentido borúontal, mas eleva-sc sempre numa espécie de topo na
região ocular.
Xo género Phoneutria, ao contrária a linha do perfil torácico percorre ou
horizontalmente em toda a sua extensão ou a parte toraciea, cm volta da fóvea,
é mais elevada que a porção ocular.
Xa maioria das espédes de Ctenus, finalmente, a linha superior do perfil
torácico acusa maior elevação na parte torácica e franco dedineo na parte
frontal, ocular.
Somente estes 3 caracteres morfológicos foram considerados rcalmcnte
genericos para Enoploctcnus, invariáveis, constantes, a permitir a fácil c rápida
indentificação genérica dc aranhas da familia Ctenldae, isto c, cm que não
e.xÍ5tam cribelo nem calamistro.
Merecem, entretanto, ser citados ainda outros caracteres, mais ou menos
constantes, genéricos também e que queremos chamar de “secundários”, porque
terão seu valor apenas quando, pelo confronto dos caracteres acima, já ficou
demonstrado que o exemplar é rcalmentc um Enoploctcnus. O estudo minu-
cioso destes caracteres secundários ajuda a aquilatar devidamente o valor dos
caracteres “específicos”, porque veremos, como os autores, tendo tido à mão
apenas um exemplar, ora um macho, ora uma fémea, assinalaram como sendo
privativo da espécie o que na realidade não passa de um caráter do gênero,
ainda que apenas secundário.
a) Olhos (fig*. 1, 2. 3, 8) :
Os 8 olhos de Enofloctenus formam 3 linhas:
2 olhos médios na frente;
4 olhos na 2.* fila, sendo os 2 medianos bem grandes c os
2 laterais muito pequenos;
2 olhos grandes na 3.* fila, bem afastaddos entre si.
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16
REVISÃO DAS ESPÉCIES DO GÊNERO ESOPLECTESVS
SIMON, 1897
A scRunda fila é na realidade formada de uma linha “abstrata", porque,
como os olhos desta estejam colocados em 2 planos bem diferentes-os medianos
bem adma da fronte e dirigidos para a frente, com raio visual super-anterior
e os 2 laterais muito abaixo, com visão infero-anterior, varia naturalmente o
aspecto desta 2.» fila conforme o ângulo de obsers-ação. A fig. 1 apresenta
esta fileira vista de frente; a fig. 2 representa um aspecto lateral; a vista de
cima é representada pela fig. 3, enquanto que o desenho N.® 8 procura esque-
matizar a posição dos olhos.
Os 2 olhos grandes da 3.* fileira se encontram nos-amente em plano di-
ferente.
Não SC pode, pois, a rigor, usar as expressões “2.» linha ocular procurva,
pouco procurva, muito procurva”, pois, conforme o modo de segurar a aranha,
por baLxo da lupa, \-aria a curvatura da fila. Mesmo os termos “ Uma tangente
à borda inferior dos médios da 2.> fila e a borda superior dos laterais posteriores
forma uma linha reta” (£. pedatissimus) ou “Linha tangente à borda ante-
rior dos laterais posteriores e à borda posterior dos médios posteriores é pro-
curva (E. gcralensis) “ — si bem que mais precisos-tambem não satisfazem ple-
namente, como é óbvio.
Característico para o gênero é o quadrilátero, formado pelos 4 olhos, os
2 da la-fila e os 2 médios da 2.* fila. Este quadrilátero é muitas vezes quase
perfeito, isto c, os 4 olhos são quase iguais e equidistantes. Mmos variações,
até individuais, podendo os M. A. ser um pouco menores que os M. P., ou
o quadrilátero ser um pouco mais longo que largo ou vice->‘ersa ou mesmo um
nada mais largo atrás que na frente. Mesmo a posição destes olhos pode
sofrer individualmente ligeiras variações-o que por muitos autores foi consi-
derado como motivo suficiente a uma nova espécie. .Ao todo, entretanto, sempre
SC trm a impressão de um quadrilátero ocular.
b) ilargens das qufliceras (fig. 4) :
Afargem inferior com 4 dentes; os 3 externos bastante unido? e o 4.®,
basal, mais isolado e maior. Margem superior apenas com 3 dentes, s-ndo o
interno o menor e o mediano o maior.
Embora este numero de dentes constitua a norma, podem, às vezes, ocorrer
variações até no mesmo individuo, em que num lado podem existir 4 e no
outro 3 dentes inferiores. Mas isto só excepcionalmente.
c) Escápulas nos tarsos e melalarsos das pernas:
Todos os tarsos estão inteiraraente cobertos de escópulas, muito bem desen-
volrídas sob a forma de um tapete asxludado principal mente rios exemplares
adultos, enquanto que nos filhotes este tapete c mais ralo e os pelinhos mais
esparsos e longos.
Nos metatarsos as escópulas são quase completas nos 2 primeiros pares
de pernas; cobrem quatro quintos do articulo no terceiro par e a metade ou
mais ou um pouco menos no último par. Nos jovens as escópulas dos meta-
tarsos são muito ralas. Quanto menor a idade, tanto mais as escópulas são
substituídas por pelinhos esparsos.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Men. lojt. Butantan.
a : 1-44, No».* 1950.
WOLFGAXG BfCHERL
17
d) Dorso do abdômen e algumas artimlofõfs das furnas, l>r{HcilvImfnte dos
2 últimos tares, com feixes de pêlos eretos (vide pranchas coloridas)
Estes feixes de pêlos, si bem que não privatisos do gênero, são, contudo
raros em aranhas. Em Enoploctenus apresentam ou colorido branco ou ver-
melho sobre fundo cinsa verde, azulado ou marrom e ajudam efidentemente a
caracterizar este gênero. A semelhança dos pêlos de um pincel estão reunidos
em diversos feixes, bem nitidos e de posição simétrica no dorso e nos lados
do abdômen, sobresaindo à primeira vista.
b) Espécies z‘álidas do gênero Enoploctenus.
As 13 espécies de Enoploctenus, descritas até o dia de hoje, não resistem,
de maneira alguma, a uma apredação morfológica comparada, objetiva, pois,
por mais se queira manter as mesmas, não se encontram caracteres específicos
constantes, que justifiquem sua conservação.
O próprio Strand, que foi o autor de 7 novas espécies, manifesta suas
dúvidas a respeito das próprias espécies. Em “Xeue oder wenig liekanntc neo-
tropische cteniforme Spinnen des Berliner Museums” — Zool. Jahrb. Alit.
Syst. 28, 401, 1910, fala entre outras coisas; “Enoploctenus pedatissimus
Ein ganz typischer Enoploctenus ist das Tier nicht....; Enoploctenus sp.
(janeiroensis n. sp.) Ein junges und nur tcihveise erhaltenes Mãnnchen,
das ich jedoch, da es sich um eine seltenere Gattung handelt, kurz beschreilicn
und mit dem provisorischen Nanien janeiroensis m. belrçcn mõchte. “Trata-se
de um macho, ainda filhote, em que falta completamentc o abdômen. O autor
continua: E. geralensis ” Abdômen stark abgerieben, nur mehr ais
einfarbig zu erkcnnen (abdômen tão estragado que não mais se distinguem as
cores e os desenhos) E. ■ teu’!pes "Abdômen, hinten, walirscheinlich
weissiiche, durch alistehende Haare gebildete, Punktc atrás do abdômen pro-
vavelmente com pontuações e feixes de pêlos cm foniu de pincéis)... E.
zonatulus “Uma fêmea muito jovem”.
Deduz-sc que nenhuma destas 5 espécies c realmente bem descrita. Nenhu-
ma foi comparada com espécies afins (gennaini ou cyclothorax) ; nem mesmo
entre elas o autor estabeleceu diferenças morfológicas. Do mesmo biotopo (Rio
de Janciro-Monte do Corco5'ado) e montaniias da Tijuca, também Rio de Ja-
neiro ele descreveu um macho filhote (janeiroensis) e uma fémea filhote
(~onatulus), fazendo 2 espécies novas.
V’ejamos os caracteres comparativos das 13 espécies:
SciELO
10 11 12 13
Ilat>Ít.-it I
E. cychtkorax (Bcrik., 18S0)
Rio de Janeiro
E. grrmoJHi Simon, 1896
Rio de Janeiro
E. sc&pnlif(r Str., 1908
JuinviUe
E. peJatUsimus St., 1910
Equador (S. Ignacio)
E. geraiensis Str., 1910
Rio de Janeiro
E. janriromsis Str., 1910
Serra do Mar
£. maculipts Str.. 1910
Minas Gerais
E. xonatuius Str., 1910
Rio de Janeiro
E. teolfi Str.. 1915
Joinville
E. iaHax .U. X.., 1922
Minas Gerais
E. ronJimi M. L.. 1922
Compr. total
Ccfalutirax
Terna I c IV |
Tal. c lili. I c IV
18,7 mm
7,4: 5,2 mm
21,2 mm
7 : 5 mm
21,50 mm
10 : 8 mm
39,5 40,3 mm
15:13.5 mm
15 mm
7 : 5,5 iTam
45 44 mm
15.5 : 13 mm
10 mm
8 : 5 mm
24,9 mm
9,5 : 8 mm
7,5 : 6 mm
36 38,8 mm
13,5: 11,8 mm
22 zran
10 : 8,5 mm
39 33„mm
15 : 12mm
8 : 6,5 mm
31 31 mm
12:10 mm
17 mm^juvenis
???
37 — 40 mm
29 mm
???
43 44 mm
44 43 mm
14,2: 13,4 irm
37 — 35 mm
12.6 :10,5 mm
17 : ??
17,5 : 14,5 mm
???
???
Kítpínhos femur T
2+2+3+4
2 + 2 + 3+4
2 + 2 + 3+4
2+2+344
3+3+3
2+2+344
2+2+344
2+2+344
2+2+344
???
>>>
II '
I— 2+2+3 + 4
2 + 2 + 34-4
2 + 1—2 + 34.4
2+2+344
3+3+3
2+2+344
2+2+344
2+2+344
2+2+344
???
III i
1—2+24.3 + 4
2 + 2 + 3+4
2 + 1— 2 + 3+4
2+2+344
2+2+344
2+2+344
2+2+344
2+2+344
2 + 2 + 344
???
IV
2 + 2+3 + 3— 4
2 + 2 + 3+3— 4
2 + 2 + 3+3— 4
2+2+3+ ?
2 + 2 + 3+3 — 4
2 + 2 + 3+3— *
2 + 2 + 3+3— 4
2 + 2f3 + 3 ??
2 + 2+3 + 3
»??
???
patclas
0
0
0
1 a 2 em cada
7 p.v.+O — 2 + 0 — 2
7 p. + l+2+4>— 2 *np.
7 p. +(3-2 + 2
7 P.+0 + 2
7 p.+0+t-2
>
>
tiliia I
7 p.v.+O ant.-}"2 post.
7P.+0 + 2
7P.+2 + 2
6 + — 2-|- 3 sup.
idem
idem
idem
idem
idem
7 p.y. +0 + 1—2
7 p. + I— 2+1— 2
it
7 p.v.+O ant.+2 "
7P.+0 + 2
7P.+2 + 2
6 P.+1 + 2+ 3 sop.
3 p.y.+l + l— 2
3 p.y. + 1 + 1+1 lop.
3 p.y. + 1 + 1+1 »up.
3 p.T. + 1 + 141 •op*
3 p.y. + 1 + 1+1 »np.
7 P. + I+2
7 p. + l + l— 2
III
J P.V.+2 ant.+2 -|*1
3p. +2 + 2+1
3p. +2 + 2+1
3 P.+2 + 2+2
3 p.y. + I— 2+2+1— 2 *ap.
3 p.T. +2 + 2+2 sup.
3 p.T. + 2 + 2+1 — 2 sup.
3 p.y. +2 + 2+2 *up.
3 p.v. +2+2 + 2 — 3 sup.
»??
>>>
IV
3P + 2 ++1
3P.+2 + 2+1
3p. +2+2+1
3 p. +2 + 2+1— i
3 p.v‘ + l ant.+ 1 pfí^t.
3 p.y. + 1 + 1
3 p.y. + 1 + 1
3 p.y. + l + l
3 p.y. + l + l
???
?>?
tnctartos 1
3 p.r. + l ant. + l post.
3P. + 1 + 1
3 p.+I + l
3 p. + l + l
idem
idem
idem
idem
idem
3 p.y. + l + l
3 p.v. + 1 +0 — I
II
3 p.v. + l ant. + I post.
3P. + I + I
3 p.+l+l
3 p. + I + I
4 p.y.+3 a. +3 p. + l— 2 ».
4 p.y. +3 + 3+2— 3
4 p.y. + 3+3 + 1— 3
4 p.y. +3+3 + 1— 3
4 p.v. +3+3 + 1 — 3 sup.
3 +1 + 1
3 +1 + 1
III
4 p.y,+3 ant, + 3 po«t.
4p. + 3 + 3-2
4 P +3+3— 2
4 p.+3 3—2
idem
idem
idem
idem
idem
???
???
IV
i 4 P.V.+2— 3 - +2—4 ” +I eup.
4p.+2— 3 + 2— 4+1
t p.+-’-3 + 3+2
4 p. + 3 3 + 4
>>>
KM:ópti!at metatara. 1
qaa«e totais
quase totais
qua.^ totais
quase totais
quase totats
quase totais
quase totais
quase totais
quase totats
não consta
não consta
II
i«lem
idtm
idem
fdem
idetn
idem
idem
idem
não consta
não consta
III
a metade
a inri.de
a metade
a metade
a metade
a metade
a metade
a metade
- ••
*• ••
TV «m terço apical
um terço apical
um terço apical
um terço apicai
um terço apical
um terço apical
um terço apical
um terço apical
um terço apical
• «
.MarKctn ikUp. daa qiicl‘c 4 dcnic», o 4.* l*ol.
3 dentr*
3 deares
3 dente»
3 dentes
3 dentes
3 dentes
3 dentes
3 dentes
3 (lentes
3 dentes
Marffrm inf. <ia* qucUc. 3 dmtc» contiguoa
4 dentes
• 'l»»IC!l
4 dentes
4
4
. 4
4 •
4
4 dentes
4 dentes
E.pinI o* no« palpo*
femur
1+4
1+3—4
I
1+3-4
1+4
1+3—4
]
1+4
1+3-4
não consta
não consta
mtclaa
I
I
1
I
1
I
1+3—4
1
I
- «•
" *•
liliia
2+2-3 ( 1
2+2-34-1
2 + 2-Jfl
2+2-3+ 1
2+2— 3+1
2+2-3+ 1
2+2 -3+1
2+2— 3+1
2+2-3 +1
w <•
** **
tar»o
2+1
2+1
2+1
2^1
2+1
2+1
2+1
2+1
2+1
■
Cidiit ido
ccíalol.
ctnxa amarelo
cinra amarelo, avermelhado
cima aaurcio
cinza amarelo
amardo sujo
amardo sujo
amardo sujo
amardo sujo
amardo sujo
cinza amarelo
cinza amardo
(ternas
com mantthinhas negras
amarelas vermdbas
amarelai vermdbas
amarelas vermdhas
manchas negras
maiKhas negras
manchas negras
maitchat negras
manchas negras
manchas negras
nvinchas negras
ventre
3 faixas + 5 estrias
3 — 5 estrias
3 — 5 eiirias
4 — 5 estrias
????
????
sem estrias
faixas e estrias
faixas e estrias
sem ntrias
não con»‘a
alidomrm
manchas e feixes pil.
manchas e feixes
mancha.
manchas
????
????
manchas e fdxes
faixas, manchas e feixes
faixas, manchas e feixes
não cons*a
não cons*a
Exemplar dei»crito
1 fêmea
I feme.
1 macho, filhote
macho filhote
fêmea adulta
fêmea
fêmea jovem
fêmea jovem
1 f êmea
1 fêmea
4 olhos medianos
icnati e equidistantes
iguais e equistantes
'taaís c equidistantes
iguais; posteríormente
iguais e equidistantes
iguais; post. um nada
iguais e quase
iguais c quase
quase iguais e
tgtuts; anteriores um
idem
um nada mais afastados
mais afastados
mais afastados
equidistantes
equidistantes
equidistantes
E. stranái M. I...
Ouro Preto, Minae
iS —
IJ.5 :
???
???
— - 35,5 mm
II mm
???
iit
???
???
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7 p. V. + 1 + 1
7 p.v. + l + I
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3 p,v. + l+®”*
3 p . V . + > + •
???
>>?
ate a
aii a Ija»e
não coníta
3 dcntea
4 dente*
não con»la
cima amarelo
E, fn orbiJm ãt ■
Mato Gro««o (Salobra)
14 mm-ju\Tm*
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_ 36,4 mm
37,4
14,3
11,1 mm
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6 p.y. + < + ^+^ ‘“P-
6 p.y.+2 + Jf5
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I nuctio
"'"‘T. J”
P.MCO mai. »'*•
SciELO
Mesa. Inst. Butantan,
*5 : 1-44, XoT.» 1950.
WOLFGAXG BCCHERL
21
Pelo confronto atento dos dados da tabela comparada chegamos às seguintes
conclusões :
a) Os Enoploctcnidcos das montanhas em redor da cidade do Rio de Janeiro
{cyclothorax-germaini-janeiroensis-geralcnsis e zomtulus) pertencem indubita-
velmente à mesma espécie.
Apresentam o mesmo número de espinhos nos fémures, isto é, no lado
anterior 2 espinhos menores, mais afastados e 2 mais longos e mais próximos,
superiores; no lado superior 3 espinhos e no lado posterior 4. Xas tibias dos
2 primeiros pares existem 6 pares de espinhos inferiores, longos, enfileirados
e mais um 7P par, distai, bem curto (que pode faltar no 1.® jxir). Xa face
anterior ou não há’ espinho-o que é quase a regra-ou existe 1, raras vezes 2.
Xa face posterior sempre existem dois. Xas tibias do 3.® e 4.® par de pernas
existem sempre 3 pares de espinhos ventrais, 2 anteriores, 2 posteriores e 1-2
superiores. No 4.® par pode haver certa posiqão irregular, nos espinhos late-
rais e superiores.
Xos metatarsos dos 2 primeiros pares de pernas encontram-se sempre 3
pares de longos espinhos enfileirados, inferiores, 1 anterior e 1 posterior.
Xo 3.® e 4.® par de pernas e.xistem 4 pares inferiores, isto c, os 3 pares
de sempre, mais um 4.® par distai, menor, 3 anteriores, 3 posteriores e 0-2
superiores, espinhos estes bastante irregulares no 4.® metatarso, onde seu nú-
mero não é tão constante.
Os espinhos dos palpos se distribuem da seguinte maneira: no fêmur
^+3 — 4; na tibia 2-f-2 — 3-|-l, no tarsos 2-}-l e nas patelas somente 1.
O colorido das 5 espécies é também idêntico, si bem que possam
existir certas tonalidades para o claro ou escuro ou ainda o tom cinza verde,
variantes de individuo para individuo (vide pranchas coloridas). O abdômen
apresenta no meio uma estria avermelhada, estreita e curta. Ao lado das es-
trias ha uma orla amarelada que se prolonga j>ara trás, nos dois lados, abrindo-se
na segunda metade numa grande mancha triangular. .Atrás desta há u’a manclu
menor, também transversal. Xos lados, na segunda metade do alnlomen, existem
3 a 5 feixes de pêlos claros, densos e eretos, como tufos. Segundo o ambiente
em que a aranha vive, pode predominar no dorso do abdômen, alem dos de-
senhos já mencionados, um belo colorido esverdeado, a imitar musgo e pedra
(mimetismo), substituido por tonalidades cinza marrons em individuos que
habitam em terreno mais arenoso (vide as pranchas coloridas).
Xo ventre todas as 5 espécies acima enumeradas apresentam 3 campos
escuros, margeados por 5 faixas claras, formadas por tufos de pelinhos cin-
zentos. Estas fai.xas convergem atrás. Os tufos de pelinhos sempre são reu-
tndos em feixes, de maneira que aparece entre eles o campo escuro, de fundo,
dando o conjunto das faixas a impressão de colares enfileirados. Os tufos
f
.SciELO
0 11 12 13 14 15 16
I
97
REVISÃO DAS ESPÉCIES DO GÊNERO ESOPLECTESÜS
SIMON, 1897
de pelinhos nascem sobre plaquinhas de quitina mais reforçada, bem visíveis
em aranhas, em que se raspam os tufos ou que, pela longa conservação em
meio alcoólico, ficaram descoradas (veja o colorido pelas pranchas e os oma-
mentos e estrias no ventre pelas figs. 13-17).
O número das estrias ventrais varia, entretanto, dentro da mesma espécie,
principalniente segundo a idade do indivíduo. Também a intensidade do colo-
rido está sujeita a nuances, dependentes do ambiente em que vive a aranha
na natureza e segundo a idade do indivíduo e o tempo decorrido desde a última
muda de pele.
.\ comiiaração das figuras 13-17 pennite apreciar esta variação. A fig. 13
apresenta o ventre de um exemplar adulto (também reproduzido pela foto N.° 4
e as pranchas coloridas). Xa fig. 14 já estão ausentes as duas estrias laterais
incompletas. Xa fig. 15 somente as duas estrias centrais têm pontuações. Xa
fig. 16 já não existem estrias longitudinais, mas ajicnas pontuações e na fig. 17
não vemos mais pontuações, sendo as próprias estrias quase apagadas. Entre-
tanto, todas estas figuras (de 13-17) bem como as pranchas coloridas e a foto
4 retratam indivíduos, sempre da mesma espécie, procendentes de um lote da
Illia de São Seliastião.
Estamos insistindo nesta variação de colorido, jxirque C. Mello-I-eitão
{loc. cit.) tentou estabelecer uma chave sistemática das espécies do gênero,
baseando-se quase e.xclusivamente nesta variação, atribuindo-lhes valor es-
pecifico. Aliás, no gênero Enoploctcnus, mais do que em aranlias de qualquer
outro gênero, descoram-se facilmente os pêlos pela conservação alcoólica, não
se podendo distinguir em indivíduos, guardados durante anos, os matizes verdes,
cinzas, róseos do dorso do cefalotorax e abdômen. Xo ventre empalidecem as
estrias e faixas, de maneira ijue a aranha aparece de uma só cór.
Em vista disto não é admissível estabelecer-se uma chave sistemática, dife-
renciando-se 11 espécies, sem tomar em consideração outro caracter além de
nuances de colorido.
Os próprios autores das diferentes espécies, como E. Simon (£. germaini)
e E. Strand {janciroctisis, geralensis, conatulus), revendo as coleções aracnoló-
gicas de museus europeus somente longos anos depois de as aranhas terem sido
coletadas por viajantes, que costumavam passar longos anos no Brasil (V.
Ihering; Goeldi; Natterer) não mais podiam ver as côres e os desenhos natu-
rais das aranhas, descrevendo-as erroneamente de uma só cór.
Segundo Mello-Leitão, em sua chave de diferentes coloridos, E. zomtulus
teria as linhas do ventre formadas por pêlos brancos em fundo cinza, enquanto
que cyclothorax, germaini, janciroensis e geralensis não possuíam estrias no
ventre, mas um só colorido unifonne ou mais escuro que o do dorso. Mello-
Leitão parece não ter visto a janeiroensis. Admira, pois, ter-lhe atribuído um
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
WOLFCAXG BUCIIERL
23
Mem. In*t- Btitantaxi* *’
n : 1-44, Not.* 1950.
«enlre concolor, quando Strand, autor dosta esp&ic, diz; ■'Abdon.on tohlf
(abdômen ausente). jiello-Uitão a espécie E. pcniiaúii apresentaria
tanibé^fL°vCTtre èoncolor. Entretanto, o mesmo autor determinou em 1921.
eom^endo çmam o eaemplar de X.» S<», de,»sitado no Departamento de
Llol em São Paulo, Brasil, cujo ventre ainda 1, o, e apresenta 3 eam,»s
^roTmtreeonado, por 3 estrias longitudinais, em tudo tguats ao desenho
“■ o“"2.«isu^o" é outro fator a explicar a diversitlade de colorido, prin-
cipalLte das coberturas superiores do corpo. Na prancta eolonda vem-se dots
as^os de uma fémea, de São Setostfão, que foi capturada en, terreno r«l.o o,
eo?^. de musgo. A cobertura superior da artmlta acom^nha este color, do.
ao passo que se distingue chocanteniente do colondo do % entre.
. A todo «te grupo dc 5 “«píd«" é Umbém comum o mcs,^ colorido
das pernas, muito fielmente representado peU prancha eolonda da femea Ha
Z ÍLurU, nas tíbia» e nos metaUrso» 2 a 3 mancha» escuras sobre fundo
!^relo Xos fêmures esta» manclia» costumam ser tres, unu, ^uena, basal
u’a maior mediana e outra, também relatis-amenle grande, sub-ap.cal.
As ntesntas tres tnancltas escuras se vêtn nas tibbs onde a sub-apical c a
inaior. Nos nictatarsos há apenas duas ntanchas. O undo amarelo esta co-
berto por pelinhos cinza amarelados, entremeados de pelos imos. muito longos,
cinzenlos. i^iais aos representados nos palpos dos machos, nas f.piras 10. 1 e
12. Nas Ubias e nos metatarsos há. além disto, feixes arcular^ de pelos
longos, róseos, muito densos, particulannente pronunciados nos dois últimos pares
de pernas-feixes estes da mesma natureza e do mesmo colorido, roseo. dos
existentes no dorso do abdômen (prancha colorida).
Na região frontal, em volta das qucliceras, ha uma area ornada de peh-
nhos vermelhos.
Todos estes caracteres morfológicos comuns (dimensões, espinhos, colo-
rido, habitat) nos obrigam a reunir estas 5 espécies em uma só. Abstraindo-se
os caracteres genéricos, comuns a todas as espécies do geiiero, nada resta que
permita a um investigador objetivo separar especificamente estas espécies. Apre-
sentam o mesmo habitat (regiões montanhosas em volta da Capital, Rio de
Janeiro, com irradia(;ão para os picos altos do mesmo biotopo — Serra do Mar,
até Paraná-Ilha de São Sebastião) ; as mesmas relaqões mesurais nos compri-
mentos da 1.» e 4.“ perna, da patela e tibia I e IV ; a mesma relação mesurai
entre o comprimento e a largura do cefalotorax. A estensão das escópulas nos
metatarsos é francamente a mesma, embora E. Simon, ao descrever o genotipo
"germaini”, lhe tenha atribuido unu área escopulada muito pequena. É que
os pelinhos das escópulas se desprendem facilmente, quando a aranha está
cm
10 11 12 13 14 15
Jreni. Inst. Botantan,
23 : 1-44, Not.» 1950.
WOLFGAXC BfCHERL
25
As cinco espécies, E. cyclothorax (Bertk, 1880), gcnnaim Simon, 1896.
janeiroensis Strand, 1910, geralensis Str. 1910 e zonatulus Str., 1910, todas
do mesmo bio-topo, isto é, das montanhas da Serra do Mar, particularmente em
volta do Rio de Janeiro (Petrópolis, Terezópolis, Corcovado, Tijuca), são,
pois, indubitavelmente, uma só especie, para a qual deve preralecer o nome de
Enoploctcnus cyclothorax (Bertkau, 1880).
Exemplares da mesma espécie foram recebidos da Illia de São Sebastião,
em grande número, da Serra da Mantiqueira, das encostas da Serra do Mar,
entre São Paulo e Santos. O próprio Mello-Leitão assinalou exemplares, por
ele julgados idênticos à especie gerniaini, para os Estados do Rio de Janeiro,
Minas Gerais (sul), São Paulo (leste) e Paraná, de maneira que se pode concluir
que £. cyclothorax constitui o Enoploctenidio mais freqüente do gênero.
Nos arredores de Joimnlle, Estado do Paraná, Brasil, foram descritas duas
outras espécies: a E. scopulifcr Str., em 1908 e a E. tco/Jí Str., em 1915. Pelos
dados, aduzidos para as duas espécies na tabela comparativa, não resta dúvida
de que as duas espécies são absolutamente sinônimas. O próprio Strand consi-
dera o colorido dorsal de wolfi “muito parecido com o de scopulifer". Quanto
ao epigino diz “ser do tipo comum das fêmeas do gênero".
Uma prova a mais da sinonimia das duas espécies é o fato de Strand ter
descrito na mesma ocasião e do mesmo local um macho “com o colorido quase
idêntico ao de scopulifcr", não sabendo ele mesmo solucionar, si este niacho
pertenceria a scopulifcr ou a svolfi.
Na coleção do Instituto Butantan encontram-se 5 exemplares, uma fêmea
adulta N.® 940), procedente de Lagoa, Estado de Santa Catarina e mais 4
exemplares de João Eugênio, Estado do Paraná. Os últimos se dividem em
2 fêmeas adultas, 1 fémea jovem e um macho filhote. Os 4 e.xemplares, bem
como o de N.® SMO, são completamente idênticos com E. cyclothorax, de maneira
que se confirma que também estas duas espécies, scopulifcr e Tvolfi, são sinô-
nimas com E. cyclothorax. As relações mesurais das pernas, das patelas e tibias,
do cefalotorax, a escopulação dos metatarsos, o número e a posição dos espinhos
nas pernas, não as diferenciam desta última espécie.
Strand, ao descrever a espécie scopulifcr, em 1908, só conhecia para o
gênero uma única espécie, esta procedente do Rio de Janeiro, a gcrmaini de
Simon. Como Simon não tivesse encontrado escópulas bem formadas em seu
exemplar (pelas razões já expostas), julgou Strand, poder estabelecer uma
nova espécie-a segxmda no gênero-cujo caracteristico específico repousava jus-
tamente na presença de escópulas nos metatarsos das pernas. E. cyclothorax
não foi considerada por Strand, porque era tida ainda como Ctcnus.
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REVISÃO DAS ESPtCIES DO GÊNERO ESOPLECTESUS
SIMOX, 1897
b) Enoploctcnus pedatissimus Strand, 1910, embora apresente as mesmas
relações mesurais do cefalotorax, das pernas, das patelas e tíbias, a mesma po-
sição dos 4 olbos medianos, a mesma espinulação nos artículos dos palpos, as
mesmas áreas escopuladas nos metatarsos como E. cyclothorax e embora a es-
]:écie repouse sobre um tijx), manifestamelite ainda não adulto (apenas com
15 mm de comprimento total, quando a média de um exemplar adulto é de
22 mm ou mais), poderá, contudo, ser conser\ado como espécie, tomando-se
em consiileração o “habitat”, que é Santo Inácio, Ecuador e, antes de tudo,
o fato de apresentar também espinhos nas patelas das pernas locomotoras, como
também no lado superior das tíbias dos dois primeiros pares de patas. Em
nenhuma espécie brasileira do gênero temos constatado estes espinhos.
Contudo deverá esta espécie ser confirmada pela redescrição de um macho
liem adulto e principalmente tamliem pela descrição da fémea, até hoje ainda
desconhecida.
O próprio Strand diz “. . .Ein typischer Enoploctenus ist das Tier nicht”...
(o e.xemplar não é um Enoploctenidw típico). Xo colorido descrito sobresai,
antes de tudo, uma fai.xa clara, amarela a percorrer o cefalotorax e, pelo menos,
a jxirção anterior do abdômen. Ora, temos examinado uma espécie afim, do
género Acanthoctcnus, pertencente à familia ACANTHOCTENIDAE, que é
qua.se igual a Enoploctcnus, abstraindo a presença do críbellinn e do calaniis-
Initn, órgãos não poucas vezes de difícil apreciação. O dorso é percorrido
pola estria amarelo-clara; há espinhos nas patelas; o cefalotorax apresenta região
frontal bem mais elevada do que a torácica; os 4 olhos medianos formam um
quadrilátero, si bem que geralmente mais largo atrás do que na frente.
c) O gnipo de Enoploctcnidcos de Minas Gerais — maculipes Strand.
1910, fallax Mello-Leitão, 1922 e strandi Mello-Leitão, 1936, formam igual-
mente uma só espécie, cujo nome definitivo deverá ser Enoploctcnus maculipes
Strand, 1910.
Pela tabela comparativa ressalta o caráter específico princijial das tres for-
mas: — o comprimento maior da 4.® perna em relação à la, enquanto que em
cyclothorax e pedaiissinius a l.“ j^rna é significativamente mais longa do que
a IV ou então ambas são iguais em comprimento. Além deste caráter liá
ainda o colorido que, de qualquer modo, permite reunir as três espécies
numa só e diferenciar esta de cyclothorax. O colorido é menos variável, não
havendo no dorso do abdômen nem nas pernas os feixes de pêlos côr de rosa.
As pernas desta espécie são muito menos pilosas, vendo-se nitidamente nume-
rosas e pequenas manchas pretas em fundo amarelo, enquanto que em cyclotho-
rax estas manchas são maiores, apenas 2 ou 3 em cada artíailo e de posição
bem definida.
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Mon. Inst. Butantan.
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O epígino de maculipes nada oferece de especificamente interessante. O
próprio Strand diz que é quase idêntico ao de gcralensis.
Mello-Leitão, na espécie fallax diz que o epígino é nigerrimo, cérca de
duas vezes mais largo que longo, com dois tubérculos posteriores. Mas isto
é justamente a caracterização geral de todos os epíginos do género. As tra-
béculas quitinosas, laterais, são pretas; os dois espinhos das azas laterais são
elevados, simulando dois tubérculos (figs. 18-22). Quanto à largura c o
comprimento prevalece sempre a primeira. Existe na coleção do Instituto Bu-
tantan uma fémea adulta, procedente de Mariana, Estado de Minas Gerais (lo-
cal-tipo de fallax), cujo epígino é absolutamente normal (Fémea X.° 941).
Quanto à descrição original de strandi. Mello Leitão não se deu ao trabalho
de fazê-la completa. Xada se diz sobre o número exato de espinhos nos
fémures, nas libias. nos metaíarsos das iK-nias, nem dos palpos; nada é dito
sôbre as escópulas e sua extensão nos metatarsos; tão pouco a nova c.si)écie
é confrontada com qualquer outra <lo género, sendo a descrição exatamente su-
ficiente para se ver apenas que o exemplar é realmente um Enoploctcmdco.
A rigor dever-se-ia aduzir esta esi)écie como sendo um “nome» nudnm”,
mas pareceu-nos melhor reunir strandi, fallax e maculipes numa só, sob o
nome de maculipes, laseados no mesmo habitat, no colorido idêntico e no mesmo
comprimento das penias I e I\*.
.•\ espécie. Enoplocicnus rondoni, descrita por Mello-Leitão de Mato Grosso,
em nada se distingue do gnqx) de Minas Gerais, ü 4.° jxir de pernas é mais
longo que o 1.®, o colorido taml)ém não diverge: o epigínio tem exatamente
a fonna tipica do género.
Infelizmente foi o autor bastante lacónico na descrição original. Xão relata
as medidas das jxitelas e tíbias, nem do cefalotorax; nada consta sobre o
numero de espinhos nos fémures, nos metatarsos e nas tibias dos 2 últimos
pares de jjernas.
Pela nossa tabela comparada se pode inferir que não há realmente caráter
algum de natureza morfológica, que dé amho especifico, de maneira que asso-
ciamos esta espécie também ao gnipo de maculipes, declarando seu nome sinó-
nimo a este. Isto ainda mais, porque o A., ao descrever esta espécie, não é
mais explicito.
d) A última espécie do gênero, Enoploctcnus morhidus Mello-Leitão, 1939,
descrito pelo Autor como procedente de Salobra, Mato Grosso, é realmente uma
espécie boa, enquanto se pode julgar pela descrição grandemente insuficiente
(faltam as medidas do cefalotorax, os espinhos nos fémures e nos artículos dos
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REVISÃO 0AS ESPÉCIES DO GÊNERO ESOPLECTESVS
SIMON, 1897
palpos. Nada foi referido sobre a extensão das áreas escopuladas dos metatar-
sos). O lado inferior dos metatarsos do 1° par de pernas foi referido como
tendo 6 pares de espinhos — o que deve ser um êrro de impressão, pois sempre
são apenas 3 pares.
O que nos faz conservar esta espiécie é o número de espinhos nas tíbias
e nos metatarsos dos primeiros dois pares de pernas. Nas tibias, além dos 6
páres inferiores, existem 3 anteriores perto da face dorsal e 4 anteriores,
mais ventrais e ainda 4 posteriores. Nos metatarsos 3 a 4 pares inferiores, 3
anteriores e 3 posteriores. Nas tibias do 2P par existem 6 pares de espinhos
inferiores, 5 anteriores superiores, 2 anteriores inferiores e 3 posteriores.
Este número de espinhos é realmente único em todas as espécies do
género e justifica a espécie, definitivamente estabelecida quando for encontrada
a fêmea.
CONCLUSÃO E DISCUSSÃO
As 13 espécies do gênero sul-americano, Enoploctcnus, foram revistas
criticamente. Com os numerosos exemplares da coleção do Instituto Butantan
foi-nos possível traçar novos critérios para a morfologia externa deste género.
Revendo, então, os exemplares, por outros autores, como Mello-Leitão e \’el-
lard, já classificados e depositados no Instituto, na mesma coleção, nos foi
possível estabelecer uma tabela comparada, onde são demonstrados os caracteres
flutuantes de antigamente e sua insuficiência completa na discriminação das
espécies.
Reunimos, então, em apenas 4 espécies todas as outras, deste grupo. Não
mais nos baseamos nos critérios antigos — posição dos 4 olhos medianos; curva-
tura diferente das fileiras dos olhos ; extensão das escópulas nos metatarsos, etc...
piorque temos visto que estes caracteres só têm valor genérico. Também não
seguimos o método adotado por C. Mello-Leitão, que deu valor decisivo espe-
cifico ao colorido.
.‘\s 4 espécies válidas do gênero são discriminadas:
a) Perna I um pouco mais curta ou igual à perna IV'. V^entre com
fileiras de estrias; dorso do abdômen com feixes de pêlos eretos, presentes
igualmente em tômo das artiailações da tibias e dos metatarsos das pernas,
particularmente dos dois últimos pares — E. cyclothorax.
b) Perna IV' mais longa que a I. Ventre sem estrias; dorso c pernas
sem feLxes de pêlos — E. maculipes.
c) Com um a dois espinhos também nas patelas das pernas ambulatórias;
espinhos presentes também no lado superior das tíbias dos dois primeiros pares
de pernas — E. pcdatissiitius.
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d) Face anterior das tíbias dos 2 primeiros pares de pernas com 6-8 espi-
nhos; metatarsos com 3-4 anteriores e 3 posteriores — E. inorbidus.
Temos a constatar que não nos foi possível obter dados biométricos deci-
sivos, que permitissem uma nítida separação de espécies. Medimos em grandes
séries o comprimento do cefalotorax e sua largura, os comprimentos das patelas
e tíbias das pernas, o comprimento dos 4 metatarsos, o comprimento das 4
pernas, sem que encontrássemos uma referência mesurai decisiva ou mesmo signi-
ficativa para a discriminação de espécies. Mesmo nas 4 espécies, que julgamos
definitivas, não e.xistem diferenças específicas mesurais, exceção feita em duas
com relação ao comprimento do 1.® e do 4.® par de pernas (cyclothorax e
niacuUpes).
As outras duas espécies (pcdaíissimus e inorbidus) estão documentadas
de um lado pela presença de espinhos nas patelas (o que não mais ocorre em
nenhuma outra espécie) e por outro pelo grande número de espinhos laterais
nos primeiros 2 pares de pernas -(o que é igualmente um fato novo no gênero).
A estes caracteres diferenciais unem-se como tendo valor secundário espe-
cifico. as diferenças de colorido, partiailannente estrias no ventre e feixes
de pêlos no dorso do abdômen e nas pernas (cyclothorax), ausência destes
feixes e das estrias (inaculipes). As duas espécies se diferenciam ainda pela
presença de manchas grandes, esairas, em número de 2 a 3 nos artículos das
pernas em cyclothorax, enquanto que as pernas de inaculipes ostentam inúmeras
manchinlias negras em fundo amarelo.
.•\s restantes espécies, em número de 9, postas em sinonimia com as pre-
sentes, rcalmente não apresentam nada que j'ustificasse sua conservação. O
material, descrito por Strand e depositado no Museu de Berlim, era absolu-
tamente mal consenado; ora faltavam pernas, ora o abdômen; quase sempre
era impossível reconhecer o colorido original, de maneira que o autor foi forçado
a empregar em suas descrições originais, os termos "parece — pode ser, etc”. . .,
enfim termos impróprios em descrições de primeira mão, de espécies novas.
Acresce ainda que tanto ele, quanto E. Simon, descre^•iam espécies novas mesmo
com filhotes. Também não se davam conta muitas vezes sobre o sexo oposto,
descrevendo macho e fêmea como espécies diversas.
RESUMO
As 13 espécies do gênero Enoploctcnus são revistas criticamente, estabele-
cendo-se, em logar dos critérios antigos, reconhecidos como falhos, bases novas
para sua morfologia comparada. S^ndo este novo métododo são conside-
radas válidas apenas 4 espécies, cuja relação é a seguinte:
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REVISÃO DAS ESPÉCIES DO GÊNERO ESOPLECTESUS
SIMON, 1897
Eiioploctenus cyclothorax (Bertkau), 1880
Sinônimas: — E. gcrmaini Simon, 1896
E. jancircensis Strand, 1910
E. zonatidus Strand, 1910
E. scopulifer Strand, 1910
E. tcolfi Strand, 1915.
Euoploctcnus pedatissinius Strand. 1910.
Enoplc^tcnus maculipes Strand, 1910.
Sinônimas: — E. fallax C. Mello-Leitão, 1922.
E. strandi C. Mello-Lehão, 1936.
£. rondoni C. Mello-Leitão, 1922.
Enoploctenus morbidus C. Mello-Leitão, 1939.
ZUS.AMMEXF.ASSUKG
Die 13, bisher bekannten, Arten der südamerikanischen Spinnen-gattung
Enoploctenus ( Ctcnidae, Acantheinac) wmrden einer vergleichend mor-
phologischen Untersuchung unterzogen. Ais Vergleich.smaterial dien-
ten daliei die an die Zahl 100 grenzenden Individucn der Spinnensammlung
des Tnstitntes Rntantan, von denen cinige wenige Exemplare schon vor Jahren
von J. \'ell<ard imd C. Mello-Leitão bestimmt worden waren.
Eingangs wurden die bisher üblichen Art spezifischen Merknikale auf ihre
Gültigkeit untersucht imd dabei einwandfrei festgestellt, dass die meisten
Merkmale, die gerade von Strand, Mello Leitão, Simon, ais von Art entscheiden-
der M'ichtigkeit beschrieben worden waren, nichts weiter sind ais nur generische
Merkmale.
Es wiirde auch verschiedene Male im Te.Nt auf die Arbeiten Strands
hingewiesen und gezeigt, wie er an Hand von nur ganz wenigen Exemplaren,
die meistens noch dazu im defekten Zustande im Berliner Museum vorlagen,
6 neue Arten beschrieben hatte, die alie mehr oder weniger ais synonj-m
anzuseben sind.
Ansehliessend ein Verzeichnis der gültigen und der synonymen Arten:
CULTIG
1. Enoploctenus cyclothorax (Bertkau, 1880)
SYNOXYM
E. germaxr.i Simon, 1896
E. janeiroensis Strand, 1910
E. gcralensis Strand, 1910
E. sontulus Strand, 1910
E. xvülfi Strand, 1915
cm
SciELO
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Man. Inst. Butantan,
a ; 1-44, Sav.» 1950.
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31
2. Enoploctcnuí pedatissimiis Strand, 1910
3. Enoploctenus maculipes Strand. 1910 f) E. fallax Xicllo Leitão. 1922
e) E. strandi ” " 1936
h) E. rotidoni " ^ 1922
?• Enoploctenus morbidus Mello-Leitão, 1939.
BIBLIOGRAFIA
1. Petrunkevitch, A. — Systema aranearum — Trans. Conn. .\cad. of Arts and Science,
29. 1928.
2. ^ímoM, £. — Hist. Xat. Ar. II, 117. 1897.
3. Strand, E. — Zool. Jahrb. Abt. Syst 28, 401, 1910.
4. Simon. E. — Ann. Soc. Entom. France, 65. 495, 1896.
5. Mcllo-Lcitão, C. — .Arch. Inst. Biol. São Paulo, 11, 242, 19-10
6. Strand, E. — Zool. Aiu. 33, 6, 1908.
7. Strand, E. — Zool. Jahrb. Abt. Syst. 28. 415, 1910.
8. idem — tbidem, pag. 422.
9. Mello- Leitão, C. — Boi. Biol. 4. 2, 287, 1939.
10. Mello-Leitão, C. — Arch. Esc. Sup. .•\gr. Med. Vet. 6, 42, 1922.
1 1 . idem-bidem.
12. Bertkau, C. — Verz. Bras. .^rachn. pag. 56 {Ctenus c.), 1880.
13. Strand, E. — Arch. f. Xaturgesch. 9, 133, 1915.
14. Mello-Làtão, C. — Festschrift Embrik Strand, 24, 1936.
SUMMARY
The kno\vn 13 species of the genus Hnoploclciius (Ctcnidae, Acanlhcinac)
are comparatively stiidied and reduzed to the following 4 si)cc:es:
COOD SPECIES
1- Enoploctenus cyclothorax (Bertkau, 1880)
2 Enoploctenus pedatissimus Strand, 1910
3. Enoploctenus maculipes Strand, 1910
4. Enoploctenus morbidus Mello-Leitão, 1939.
Agradecimentos ao sr. Rubens Xathan, técnico de laboratório,
que muito nos ajudou nas mesuraçôes dos individuos da coleção
do Instituto Butantan. Agradecemos, igualmente, ao sr. Laureano
Dourado pela confecçãço das pranchas coloridas e muitos desenhos.
Ao sr. Seixas ficamos gratos pelas fotografias. À distinta familia
Urban devemos agradecimentos pelo esforço incansável na captura
de Enoploctenidios, o que nos possibilitou este trabalho.
SYNOXVMIC SPECIES
a) E. germaini Simon, 1896
b) E. janeiroensis Strand, 1910
c) E. geralensis Strand, 1910
d) E. sontulus Strand, 1910
c) E. xcolfi Strand, 1915
f) E. fallax Mello-Leitão, 1922
g) E. strandi ” ” 1936
h) E. rondoni ^ ” 1922
.SciELO
15 16
32
REVISÃO DAS ESPÉCIES DO GÊNERO ESOPLECTESÜS
SIMON. 1897
Vista anterior doa <yhos de Enoplocttnuj.
Os 4 olhos inedíanoa formam um quadrilátero
quase perfeito
3
Po»içáo do« olho» de EnofMrnas, vista de cima
VisU lateral do cefalotorax de Emtloctenns,
eom a posição do» olho»; vista lateral-nente
Qneiicera de Enoploctn»!, com os den e» nas doa» margen
# O
• ^ A o
4 ) ^
■fy.e
Posição esquematizada dos
dbos de Encplcctcnui
J(=
REVISÃO DAS ESPÉCIES DO GÊNERO ESOPLECTESUS
SIMON, 1897
Fiffs. 13 • 17
Enofloctrnus cjclothoras — Evoluçio dos desenhos e das estrias do ventre, segundo
diferentes idades.
Man. Inst. Butantan,
a : 1-4^, Xov.* 1950.
WOLFGAXG BUCHERL
35
<'■ V
^.2Z
Fies. 18 . 22
Enoploctfnus cyclcthcrojr — Evoloçio e formação <So epieino em dirersai Idades.
Foto 1
Emo^*octt'nMs mdcMlif’€S StranJ, 1910
WOLFGAXG BCCHERL
11^*41 Inrt. Hutiintan.
13 : l-;4, Xov.» 1953.
cm
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5 6
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das espécies do género esoplectesvs
SIMON, 1897
Foto 2
Enot>l^(tfHus CycLíthorúx
(Bcrtk. 1880) excin:>lar por
longo tempo conservado cm
a!ccot c sem nuinccs <!c co*
Fo!o 4
Emtleclcnut cjclothorax — vi«la do lado inferior
Mem, Inst. Butantan.
a : I-4-I, Xov.»
WOLFGAXG BCCHERL
EnoplOílmos cjcMkorojr — vista ventral da {émca
cm
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L
cm
Mcm. Inst. Butantan,
Z3 : 1-44, Xov.* 1950.
WOLFGAXG BÜCHERL
Enofloctcnus cyclolkorax — vista vcntral do macho
cm
Oá-.i
Man. Inst. But^ntan.
23:45-50, Fer.* 1951.
JOSÉ M. RUIZ
45
ESTUDO DO SISTEMA EXCRETOR DE LEPTOPHYLLUM
STESOCOTYLE COHX, 1902
(Trematoda : Plagiorchüdac)
POR JOSÉ M. RUIZ
(Da Secção de Parasitologia do Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil)
Em 1942, publicamos uma nota, em colaboração com Aristoteris T. Leão,
na qual fizemos algumas considerações sobre o gênero Leptophyllum Cohn,
1902 e sobre as espécies que se enquadravam no mesmo. Trabalhamos, na
ocasião, com oito lotes de Leptophyllum, provenientes dos Estados de Rio
Grande do Sul, Paraná e São Paulo, todos tendo por localisação o intestino
grosso de cinco espécies diferentes de ofideos. Pela comparação dos caracteres
morfológicos verificáveis nas descrições e desenhos dos autores, constatamos
serem idênticos, dentro de pequenas variações, sempre possiveis numa mesnu
espécie obser\-ada em condições diversas e por diferentes autores. Concluimos
que “em vista de tais \'ariações será dificil separar as espécies L. travtrcma,
L. tamiamiensis e L. ovalis da espécie tipo L. stcnocotylc avaliando as condições
em que trabalhou Cohn".
Reiniciando as atividades na Secção de Parasitologia do Instituto Butantan,
tivemos ocasião de necropsiar três cobras provenientes de Mato Grosso parasi-
tadas por Leptophyllum:
Dryadophis bifossatus trisserialus, proveniente de Taunay, necropsia n.®
3.843, Listrophis sp.. da mesma proveniência, n.® 3.851 e Liophis sp., prove-
niente de Carandazal, necropsia n.® 3.858. (cobras depositadas na coleção de
ofiologia do Instituto). Desta forma temos ampliado a distribuição geográfica
e os hospedeiros definitivos da espécie que identificamos a L. stenocolyle.
Uma parte dos especimes foi comprimida e outra foi fixada sem compres-
são. Fizemos um estudo cuidadoso de material vivo, comparamos o material
comprimido com os lotes da coleção e dedicamos especial atenção aos e.xem-
plares não comprimidos, condição em que trabalhou Cohn, em 1902. \'^erifi-
camos que a figura desse autor é bem correta, de acordo com as condições
Entregue para publicação cm 2-2-51.
46
ESTUDO DO SISTEMA EXCRETOR DE LEPTOPHYLLUU
STESOCOTYLE COHN, 1902
do material. Xão temos dúvida que Travtrema travtrema Pereira, 1929 ou
Lcptophyllum travtrema (P) Ruiz & Leão, 1942 seja um estrito sinônimo de
Lcptophyllum stenocotyle Cohn, 1902. Quanto ás espécies exóticas permane-
cemos no mesmo ponto de ^nsta anterior, com exceção da espécie L. tamiamiensis
Mcintosh, 1939 pois que o estudo do sistema excretor de L. Stenocotyle, que
apresentamos nesta nota, permite a diferenciação especifica.
Sistema excretor de L. stenocotyle.
Poro excretor terminal, subdorsal, guarnecido de um esfinter muscular
pouco desenvolvido. Vesicula excretora tubular, lisa, ligeiramente recurvada
em .S" ou quase reta, iniciando-se na zona testicular. Canais coletores primários
(C*) partindo da extremidade anterior ou inicial da vesicula, como acontece nos
gêneros Mcsocoelium, Brachycoelium, Clypthelmins, Choledoeystus, Pauro-
phyllum, etc. Esses canais são delgados, de calibre mais ou menos homogêneo
e se dirigem para a frente, terminando acima da zona acetabular. Os canais
coletores anteriores (C?a) são um pouco mais curtos que os posteriores (C^p).
Os canais terciários anteriores (IC^a, 2C®a, 3C^) têm origem comum num
ponto situado ligeiramente abai.xo da zona farigeana. Destes, IC^a se dirige
diretamente para a frente e seus três capilares se distribuem pelas zonas da
ventosa oral e da faringe.
2C^a é um tubo tortuoso e um tanto enovelado na própria zona de origem,
apresentando um aspecto semelhante ao que se obseiA-a em Paurophyllum
simplexus BjTd, Parker & Reiber, 1940. — Neste ponto a espécie brasileira
difere de L. tamiamiensis. 3C?a é dirigido diretamente para trás e se ramifica
em seus três capilares um pouco acima da zona acetabular.
Os canais terciários posteriores (IC^p, 2C^p e 3C^p) tem origem ao nivel
da zona testicular. IC^p se origina um pouco á frente dos demais, como ocorre
também em Paurophyllum simplexus, e, neste ponto, ainda difere no aspecto
de L. tamiamiensis.
Todos os canais terciários dão origem a um conjunto de três capilares
sendo a formula do sistema 2 (3-l-3-}-3)4-(3-f-3-i-3). Os pormenores
estão representados nas figuras ane.xas.
RESUMO
Da presente obser\’ação podemos tirar as seguintes conclusões:
1. L. stenocotyle é espécie distinta de L. tamiamiensis.
2. L. travtrema é sinonimo de L. stenocotyle.
3. O sistema excretor no gênero Lcptophyllum é idêntico ao do gênero
Paurophyllum.
Man. Inst. BatanUn,
a:45-SO, Frr.* 1951.
JOSÉ M. RUIZ
47
SUMM.\RY
In thís paper the e.xcretory System of Leptophylhim stenocotyle Cohn, 1902
is described. L. travtrema is sj-nonim of L. stenocotyle and L. tamtamiensis is
a good species based on the extructure of the excretory’ system. The excretory
System of the genus Leptophyllum is identical of those from Paurophyllum.
BIBLIOGRAFIA
1. Byrd, E. E., Parker, M. V. âr Reiber, R. 1940. — A new genus and two new
species of digenetic trematodes, with a discussion on the systeniatics of these and
certain related fornis. Jl. Parasitol., 26(2) : 1I1>122.
2. Byrd, E. E. & Roudabush, R. L., 1939 — Leptophyllum ovalis n. sp., a trematode
from the "brown watersnake ". Jl. Parasitol., 25(6): 471-473.
3. Cohn, L., 1902 — Zwei neue Distomen. Centr. Bakt I Abt. Orig., 32 : 877-882.
4. Pereira, C., 1929 — Travtrema trazirema n. gen. c n. sp., Trematoide parasito do
intestino de cobra. Boletim Biologico 16 : 92-96.
5. Ruis, J. M. & Leão, A. T., 1942. — Algumas considerações em tõmo do gênero
Leptophyllum Cohn, 1902 {Trematoda: Plagiorchiidae) , Mem. Inst Butantan,
16: 187-195.
48
Fig. Jí.» 1
PorniCTior do siitema «cretor de LeptophyHum
stcno«>tyU. Dc«aho â mão livre 5 em «cala.
SciELO
2
3
5
6
11
12
13
14
15
L
cm
Inst. Botantan,
23 : ‘ 1 - 62 . Abril 1951.
K. SLOrTA & J. PRIMOSIGH
51
ESTUDOS QUÍMICOS SOBRE OS VENENOS OFiDICOS (* * (•*) )
6. Composição da Crotoxina (♦♦)
POR K. SLOTTA & J. PRIMOSIGH
Em 1938, isolou-se a substancia neurotóxica e hemolitica do veneno crotálico
com uma proteina uniforme (1), contendo 13,2% de cistina e 1,36% de me-
tionina (2). O peso molecular desta proteina, determinado na ultraccntrifuga
foi de 30.000 (sedimentação e difusão) ou 30.500 (equilíbrio de sedimentação)
(3). Pelo ensaio electroforético da crotoxina foi possível comprorar a unifor-
midade desta proteina cristalizada (4). Experiências de inativação da crotoxina
com reagentes específicos para certos grupos mostram a erande sensibilidade da
molécula (5).
Neste trabalho procura-se detenninar quais os amino-ácidos que compõem
esta proteína. Para isto usamos a cromatografia cm papel (6) método mais
indicado, porque toma possível uma análise completa com quantidades mínimas
de substância.
Acerto das técnicas — Preliminarmente fizemos experiências com misturas
de amino-ácidos puros e depois com hidrolisados de insulina cristalisada, cuja
composição é bem conhecida. Estas experiências preliminares eram necessárias,
pois que os valores de Rf (isto é, a relação entre a distância percorrida pelo
amino-ácido e a distância percorrida no papel pelo solvente) não são constantes,
mas variam conforme a concentração dos amino-áddos, número dos componentes
(6), pH do hidrolisado em experiência (9), (13), e saturação da atmosfera da
câmara cromatográfica (13); este último ponto é especialmente importante em
experiência com fenol, onde influi muito a quantidade de amoniaco usado para
a neutralização dos amino-ácidos.
Estudando misturas cada vez mais complexas de amino-ácidos puros pode-
mos observar, confirmando assim a eficiência da nossa técnica, que com 2 cro-
matogramas mono-dimensionais, um com butanol-ácido acético e outro com fe-
Entrcguc para pubticação «n 14-4-Sl.
(•) Os primçiros cinco trabalhos foram publicados nas Memórias do Instituto Bu-
tantan 11:109, 121, 133, 1937; 12:505, 573, 1938.
(•*) O presente trabalho foi realizado no Departamento Cientifico da Ir.d. Farm.
Endochimica S/A.
52
ESTUDOS químicos SOBRE OS VEXEXOS OFIDICOS
nol 4" água, todos amino-ácidos comuns na natureza podem ser identificados,
com exceção de valina + metionina e leucina -{- isoleucina que com estes sol-
ventes não podem ser separados.
Por exemplo: o cromatograma mono-dimensional com butanol -}- ácido
acético (fato que pode ser obsenado na fotografia n.° 2), — que para melhor
separação dos amino-ácidos básicos deixamos percorrer 40 horas, — tomou
possivel a identificação dos seguintes amino-ácidos: cistina, lisina, histidina, argi-
nina, alanina, prolina, tirosina, valina -f- metionina, fenilanina e leucina -j- iso-
leucina. Xêste cromatograma, contudo, o ácido aspártico, a glicina e a serina
formam uma mancha única (ns. 2, 4 e 5 da fig. 2), o mesmo acontecendo com
o ácido glutâmico e treonina (ns. 3 e 6 da fig. 2).
Com fenol -f- água podem ser separados os amino-ácidos que no cromato-
grama anterior ficam agrupados, isto é, o ácido aspártico, a glicina e a serina de
um lado, e o ácido glutânico e a treonina do outro. A cromatografia em fenol
-|- água pennite a identificação da oxiprolina que aparece separada entre alanina
e tirosina com um Rf = 0,50 e pode ser identificada usando a isatina numa
reação especifica recentemente publicada (14).
Para a separação dos conjuntos valina -f- metionina, e leucina-isoleucina
precisa-se de dois outros cromatogramas mono-dimensionais. A separação da
mistura valina-metionina é possível com colidina; assim aparece a \'alina, com
um Rf = 0,55, separada de todos os outros amino-ácidos. Com este método,
todavia, a metionina junta-se com a manclu fenilamina -[- leucinas e não
pode ser identificada. Esta separação pode ser conseguida cromatografando
prèviamente quantidade maior de hidrolisado com a mistura butanol ácido
acético numa zona com largura de alguns centímetros. Marca-se a área que
contém a valina -|- metionina, corta-se, elui-se com água distilada e, após con-
centração do eluido, faz-se a cromatografia com colidina ou com butanol sec.
-j- metil-etil-cetona (12). Este problema foi simplificado pelo trabalho recen-
temente publicado de Mc Farren (13), que usa m-cresol em solução aquosa
tamponada em pH 8,4 e o papel prèviamente tratado com solução tampão do
mesmo pH. Com este método é possível separar a \'alina e a metionina entre
si e de todos os outros amino-ácidos.
Com álcool hutílico sec. -}- metil-etil-cetona as leucinas podem ser bem
separadas em tempo relativamente curto (6 horas, cromatografia ascendente) se
estiverem isoladas dos demais amino-ácidos, isto é, depois de uma pré-separação
dos amino-ácidos do hidrolisado com butanol -j- ácido e eluição da zona corres-
pondente. Esta separação pode ser facilmente conseguida usando n-butanol -f-
alcool benzílico em solução tamponada em pH 8,4, leucina e isoleucina aparecem
bem separadas entre si e dos demais amino-ácidos, se cromatografarmos durante
40 horas (13.
Jfcm. Inst. Butanlan,
23 : Sl-62, Abril 1951.
K. SLOTTA \ }. fRlMO.SIOH
53
Depois destes estudos iireliniinares com misturas artificiais de auiino-ácidos
puros, fizemos cromatojíramas mono e bi-dimensionais de hidrolisados de insu-
liiia e identificamos torlos os amino-.ácidos <Iesta proteina muito bem estudatla.
Resultados — Ajjós esta fa.^e e.xperimental prei>aramos croto.xina amorfa,
coagulando pelo calor as proteinas inertes, e croto.xina cristalizada c recristali-
zada. Hidrolisamos a croto-xina recristalizada com ácido cloridrico sob prc.ssão,
removemos com a técnica usual o ácido e u.samo.s este bidrolisado primeirameníe
para cromatogramas mono-dimensionais em butanol -f ácido acético (fig. 2) c
fenol f água. Assim foi i>ossivel identificar inicialmtn e os seguintes amino-áci-
dos: cistina, lisina. histidina. arginina. ácido glutámico, glicina, scrina. ácido
aspártico, treonina. alanina. prolina. tirosina, fenilanina e leucinas. Combinan-
do-se estes dois cromatogramas mono-dimcn.sionais cm um bi-dimensional, u.san-
do as duas misturas de solventes na ordem butanol -f ácido acético c fenol
-1- água. foi possivel distinguir (figuras 1-a e 1-b) os mesmos amino-ácidos
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Crematt^ramas bi Jinicnsionai» de nm hidrui^do de crotoxina fei-o cm pu>el \Vh.il.
man X.* 1 usando como solventes a mistura butamJ 4-acido acético na direção borirontal
e fenol -t-ã(rua na direção vxrtical. O ponto marcado <-bf imlica o local onde (oi
,H*to o hidrojisado que na figura !.■ correíp:.ndia a .300 microgramas. e na Ib. 250
micTogramas de crotoxina. As manchas foram reveladas cora ninidrina.
lárntifUaféo dai matukass I = Cistina. 2 = Acido asiúrtico. 3 = Acido glutámico.
a _ Serina. 5 = filicina. 6 = Treonina. 7 = .\Ivnina. S =r Tirosina. 9 = Usina.
10 — Argina. 11 = Prolina (mancha amarela que não a|*arcce t.a fotografia, feita com
filtro alaranjado). 12 = Valina-i-.'lttw»iina. II = Kenilalanina. 14 = Uocina+Isoleucina.
anterioniiente mencionados com exceção de histidina que devido a sua concen-
tração mínima não jxide ser nitidamente observada, qner no cromatograma
mono-dimensional com iKipel Whatman n.° 1, quer no cromatograma bi-di-
mensional.
1 SciELO
54
ESTCDOS QflMICOS SOBRE OS VEXEXOS OFIDICOS
Para eliminar a dúvida a respeito da presença ou ausência da histidina,
fizemos uma série de experiências no sentido de jxxler usar maior cpiantidade
de hidrolisado. \’erificamos que com a mistura butanol -}- ácido acético, o {«pel
W hatman n.° 3 permite trabalhar dupla é até quádrupla da usada com j)a})el
W batman n.° 1.
O resultado pode ser observado na fig. 2. que é constituída de dois croma-
togramas desenvolvidos sinndtáneamente, o cromatograma .4, tendo sido reve-
lado pela ninidrina e o B, jielo reagente de Pauly (ácido sulfanilico diazotado)
Fij. 2
Cromatc-gramas mcmo-dím^nsicmais dc um hidrolis'do dc crotoxina, feit»
em papel Whatman N.* 3 com batanol*ácido acético. X 09 {«onton amx a
marca (+) íoi posío hidrolisado corresponde a 200 microjrama*. O cro-
matograma A fci re^'eIado cotn niidrina entiuanto que fí fui revelado ctwn
carbonato de sódio e ácido sulfanilico diazotado. (> último mostra a
mancha nítida das histidina corresponde á marca a no crt matcgrama .- 1 .
Os outros numeros têm a mesma significação que nas figs. I« c Ib. Xotar
que a tirosina (ponto n.* 8 cromatograma A) taml>ém foi cunjugacb com o
ácido sulfanilico diazotado (no croma‘igrama B).
\'^ém-se no cromatograma B l)em nitidas as manchas de histidina e tirosina. as
únicas <iue reagiram com o reagente de Pauly. em frente às manchas marcadas
0 e 8 resjKTt ivamente do cromatfigrama
Dois outros problemas iRxliamos resolver ao mesmo temjx) usiindo o método
de Mc Farren já mencionado (13) (*) : a sejxaraçâo «la vnliiia c inctioiiiiia.
(*) .Vntes do trabalho dc Mc Farren (13) fizemos experiências coni colidina para
provar a presença da 7-aliiia «(uc no nosso cromatograma bi-dimcnsional ( fig. 1 ) apar«rce
junto com a metionina. T<mdo sido a metionina já identificada como componente da cri>-
toxina c determinada «luantitativamcntc (2) não nos interessou fazer nova prova da exis-
tência deste amin«>-ácido no hidrolisado da crotoxina. No cromatograma com colidina
aparece uma mancha que agrupa metionina, fenilalanina, c as leucinas. Fm experiências
com misturas artificiais dc amino-ácidos c com hidrolisados dc crotoxina conseguimos com
colidina -f água. separar a valina dos demais amino-ácidos.
Com dois métodos diferentes foi-nos possível provar a presença deste amino-ácido:
1.” por meio da determinação do fator Rr, que é 0,55 (cromatografia a.sccndente) confirmado
cromitografando-sc simultãneamente sob as mesmas condições 5 microgramas dc valina;
K. SLOTTA Jt J. PRIXIOSIGII
55
Mcm. Inst Butantan,
23 : 51-62, .\IiriI 1951.
de iiiii lado e leiicimi c isolaicim de outro. U.-^ndo iii-crcsol com solução tampão
de borato. pH 8.4. e paiiel W. atmaii n.” 1 iirèviameme tratado com o mesmo
tampão, obtimos bòa seiwração de valiiia e metioiiiiia deiHiis de cromatografar
df.iante 40 horas (, fig- 3).
Fig. i
a t
•
CrttnatoyTainas inon«><Íin)cn5Í<*xaí» íf.to* cm fci^l W hatnian N.* 1
1
lampcnailo cm pll 8.4 usaixlo como MJvcnte X-lmtanol-l-ilce»! bcmirco
1
1
.4 c <Ic 20 microgramas ilc uma mistura cm parIcJ iguais <lc valina c metio.
9
1
nira. enquanto qcc B é dc 100 micregramas dc croloaina. !2a = \'aliiia.
1
\Z h ^ Mctionina.
•
Fie. 4
' T «•
CrtmaUei^A^^ mçno-íjimcnsionaii feim cm papel Whalnun X. *\
V
*
lani|v.nado cm pll 8.4. com m<rc.i( lam|K>nailo cm pll 8.4. O crcmalugtam.%
cm rl(8 4. O cromiloerama A c «Ic 20 microeiairas dc uma *ni»ti;ia r;ii
•
paitc 9 ieuais dc Icucina c is^dcucina. cn<|uantt> qiic o If i dc 100 micri.-
n
f
srama* dc croCoxina. I4l» — l»o!crocina, 14 a — Lcticina, = Fcni*
lalanina.
TamiKinando da mesma maneira o {laiiel c a mistura, mas usando ii-butanol
álcool benzilico. foi jios.sivcl sejiarar leucina da isoleuciiia, ai>e.sar de.sta
.sejKiração não ser tão nitida como a de valina e mctionina (fig. 4).
1’ara confirmar a ausência de o.xiprolina. antino-ácido iimico frciiuenle na
conijio.si(;ão de proteinas (15). u.';atnos croniatogramas com fenol + água c
m-creíol + água. Oí, croniatogramas com fenol não mostraram, mesmo com
hidrolisado de 303 microgramas de croto.xina. nenhum indicio de coloração com
ninidrina. Também croniatogramas de Itidrolisidos de ICD e 203 microgramas
de croto.xina resiiectivamente com m-cresol água c |>apel tam|)onado, deram
resultados negativos.
Admitindo-se iiue cada molécula da croto.xina contenha uma molécula de
>.xiprolina esta estaria prc.sente na concentração de 0.4%. Com jiaiiel Wliatman
n.° 3. usando o hidrolisado de 1 miligrama de croto.xina. (lue deveria jkiís conter
no mininio 4 microgramas de oxiprolina. não foi [Hissivel verificar uma mancha
2 ° miíturando 5 microgir.nias «lí valina pura com hilrolisailo «Ic ICO microgramas «le cro-
toxina. o cromatograma mostra uma mancha mais intensa n«> lugar «ic\ ido.
Para separar a Icucina da isolcucina utilizamos «Ictalhes técnicos publicados rccentcnu-nte
(12) : cluimos a zona contendo as leuciras de vm cromatograma «Ic hidrolisado de crotoxiua
feito em butanol + ácido acético e com esta solução fizemos um cromatograma rscemlente
durante 6 horas c(jm uma mistura de butanol-stc. -f- melil-etil-cetona.
1 SciELO
56
ESTI DOS üli.MICOS SOBRE OS VEXEXOS OFIDICOS
corrcs{K)n(lcnte à oxiprolina nem com ninidrina. nem com isatina em cromato-
^ramas com m-cresol + ágna e pai)el tamponado. Experiências comparativas
indicaram qne com 4 microgramas de oxiprolina se obtém com isatina manchas
azues bem visiveis.
Xão hidrolisamos crotoxina com álcali para verificar a presença de tripto-
fana anteriormente encontrada (15) e até detenninada quantitativamente (5).
Reunindo estes resultados podemos concluir que a molécula de crotoxina é
constituida dos 18 amino-ácidos seguintes, classificados segundo um sistema su-
gerido recentemente (17):
Com cadeias laterais catiônicas: arginina, histidina e lisina.
Com cadeias laterais aniònicas: ácidos aspártico e glutâmico.
Com cadeias laterais não polares: glicina, alanina, valina, leucina, isoieucina,
prolina, fenilalanina.
Com cadeias laterais j)olares não-iônicas: serina, treonina, tirosina. tripto-
fana, metionina, cristina.
Durante a execução deste trabalho, Hasson e Gonçalves (16) publicaram
resultados da análise cromatográfica de um componente tóxico separado do ve-
neno de Crotalus tcrrificus tcrrificus por eletroforese. Os referidos autores
identificaram os mesmos amino-ácidos por nós descritos, com excej)ção da valina,
argina e histidina.
P.\RTF. E.\PER1MENT.\L
Material e Técnicas
1. °) Crotoxina. A crotoxina foi preparada seguindo-se a técnica anterior-
mente descrita jwr Slotta e Fracnkel-Conrat (1). O melhor rendimento foi
obtido jartindo de veneno recentemente colhido oferecido gentilmente iwlo Ins-
tituto Pinheiros. .As proteinas inertes eram coaguladas |x;la ação do calor cm
pl 1 ácido, a croto.xina era precipitada jxtr neutralização com amónea e cri.stali-
zada cm presença duma mistura de piridina e ácido acético cm pll 4,1. Final-
mente era rccristalizada e dessecada em alto vácuo.
2. ° Hidrólise. 10 miligramas de crotoxina eram dissolvidas à temi)era-
tura ambiente em 10 ml de ácido cloridrico 6 X, livre de metais pesados. Este
era preparado de ácido cloridrico redistilado cinco vezes. A solução ácida de
croto.xina era hidrolisada num tubo de vidro fechado, por aquecimento a 120.”C
durante 18 horas. Do hidrolisado le%Temente amarelo, o e.xcesso de ácido
cloridrico era retirado jxjr liofilização, redissolução do residuo e nova liofilização.
Este processo era re])etido 3 a 4 vezes. O residuo final, dissolvido em 1 ml
de água morna, era filtrado. 0,01 ml do hidrolisado obtido continha, jwrtanto.
os amino-ácidos correspondentes a 100 microgramas de crotoxina; em algumas
Mcm. Inst. Botantiin.
a : Sl-62. Abril 1951.
K. SLOTTA 4 J. PRIMOSIGH
57
experiências tornou-se ^•antajoso aumentar a concentração para 200 micro-
granias por 0,01 ml. Desta solução mais concentrada eram utilizados 0,005 ml
para cada cromalograma mono-dimensional.
3. ®) Papel. Em geral usavamos o papel Whatman n.° 1 cm tiras de
5x57 cm para cromatogramas mono-dimensionais e em folhas de 57x57 cm para
cromatogramas bi-dimensionais. Para a determinação de histidina usávamos
papel Whatman n. 3 devido a sua maior capacidade.
4. °) Câmaras e cilindros para cromalografia. Os cromatogramas mono-
dimensionais eram executados em manilhas com 15 cm de diâmetro interno e
75 cm de altura, com a parte inferior (menor) fechada com cimento e a superior
com bordos esmerilhados e engraxados para assegurar o contato perfeito e
fechamento hermético com uma placa de vidro. Xo fundo do cilindro era colo-
cada uma placa de Petri contendo o solvente apropriado. A saturação do
ambiete demora\’a cerca de meia hora. Como reservatório do solvente usamos
as barquinhas descritas por Consden e colabs. (6) com 25 cm de comprimento e
cerca de 30 ml de capacidade.
Para os cromatogramas bi-dimensionais usávamos caixas de madeira de
20x70x70 cm tendo a frente fechada por vidro, para permitir a observação do
andamento do processo. A introdução da barquinha de 200 ml de capacidade
era feita pelas abertura superior que media 65 cm de comprimento. No fundo
da câmara cromatogrâfica púnhamos 4 placas de Petri cheias com o solvente,
2 horas antes de iniciar a cromatografia.
5. ®) Reagentes. .
a) Mistura N-Butanoí -f Acido acético —
Composta de 40 partes de n-butanol, 10 de ácido acético glacial e 50 de
âgua em volume. A camada superior, rica em butanol, era usada na barquinha
para a cromatografia e a inferior, constituida de âgua saturada com o solvente,
era usada nas placas de Petri para saturar o ambiente. Os reagentes usados
eram “para análise” e utilizados sem purificação ulterior.
b) Mistura Fenol -f água —
Preparada com 80 partes de fenol redestilado e 20 de água destilada.
c) M-Cresol —
M-Cresol técnico destilado uma vez sob pressão atmosférica e saturado com
tampão de borato de pH 8.4 em tunil de separação (13).
58
ESTUDOS QUÍMICOS SOBRE OS VEXEXOS OFIDICOS
d ) Mistura Colidina -f- Agua —
A) colidina (recebida de Schweizerische Teerindustrie AG. Pratteln, Ba-
seland) não foi purificada e a mistura era feita saturando-se esse reagente coro
água por meio de um funil de separação.
e) Mistura N-Butanol -f- Álcool bencilico —
Preparada conforme Mc Farren (13).
f) Reagente de Pauly —
Consiste de duas soluções separadas ;
Sol. 1) 5g de nitrito de sódio em 1 000 ml de água destilada
Sol. 2) 5g de ácido sufanilico em 50 ml de ácido clorídrico concentrado
completando-se com água destilada o volume de 1000 ml.
Xo momento de usar, misturava-se um ml da solução 1) com 50 ml da
solução 2).
g) Ninidrina —
Foi usado o produto “para análise”, sem mais purificação, na percentagem
de 0,2 em n-Butanol prèviamente saturado com água.
li) Isatina —
Foi usado um preparado com ponto de fusão 201.° C, na concentração de
0,2^ em n-butanol contendo 4^ de ácido acético.
6.°) Colocação do hidroUsado. Geralmente para cromatogramas nono-
dimensionais eram colocadas quantidades de hidrolisado correspondentes a 100
e 150 microgramas da proteina contidas em 0,005 ml a 0,01 ml por meio de
uma micropipeta graduada ao 0,001 ml. O material era colocado à distância
de 8.5 ml da margem superior da tira de jxipel e dessecado em corrente de ar
quente proveniente de um secador elétrico. Para as e.xperiências com papel
Whatman n.° 3 usávamos quantidades de hidrolisado entre 200 e 300 micro-
gramas contidos em 0.01 a 0,02’ ml.
Xos cromatogramas bi-dimensionais, que sem e.xceção foram feitos com
piapiel \\ hatman n.° 1 , o lugar da colocação do hidrolisado era a 9,5 cm das
margens siqicrior e lateral. O Cromatograma da figura Ib, foi feito com uma
quantidade de amino-ácido correspondente a 350 microgramas de crotoxina num
volume de 0,02 ml. Os cromatogramas comparativos continham num mesmo
volume a mesma quantidade de uma mistura artificial de amino-ácidos. Depois
da secagem, o papel era colocado na câmara, já saturada pelo solvente. Na
combinação n-butanol -f ácido acético e fenol — água achamos preferivel esta
sequencia, isto é, n-butanol -f ácido acético para a primeira dimensão e fenol
+ agua l»ra a segunda. Recomenda-se também, na cromatografia com n-bu-
tanol -f acido acético, deixar continuar a cromatografia até o solvente gotejar
Jlcm. iDst. Butantan,
23 : 51^2, Abril 1951.
K. SLOTTA & J. PRIMOSIGH
59
do bordo do papel, o que leva mais ou menos 40 horas. Deste modo, aumen-
tam-se as distâncias entre os amino-ácidos separáveis com este solvente, obten-
do-se melhores resultados na separação s^inte com fenol -+- água.
Depois de feita a cromatografia na primeira dimensão tira-se da câmara
cromatográfica o papel úmido, juntamente com a barquinha. Restos do solvente
retidos na barquinha eram removidos por aspiração e o papel era a seguir des-
secado em corrente de ar quente. A follia de papel era então, colocada nova-
mente na barquinlia. porém com um giro de 90.° e a barquinha cheia, agora,
com a mistura fenol + água. Para a neutralização dos amino-ácidos, coloca-
mos na câmara o conteúdo de 5ml de amônea a 25% (D = 0,910) numa placa
de Petri para manter o ambiente saturado de amoniaco. Xem cianeto nem mo-
nóxido de carbono foram usados.
A cromatografia era interrompida quando faltavam 2 cm para o solvente
atingir a margem inferior da folha de papel. Xeste momento, tiráramos o papel
da câmara. secá\-amo-lo primeiramente numa corrente de ar quente e depois
10 minutos numa estufa entre 80 a 90.» C, apesar do perigo de destniição parcial
de alguns amino-ácidos (10 e 11). Secávamos a estas temperaturas para remo-
ver os últimos restos de amoniaco, que prejudicam o cromatograma, produzindo
com ninidrina, zonas azues difusas que dificultam a verificação da existência de
alguns amino-ácidos. A folha de papel seca era umidccida uniformemente com
solução de ninidrina a 0;2% usando para isso um nebulizador. Logo após
séca-se toíla a folha numa corrente de ar quente até que as manchas azues
comecem a aparecer. Em seguida com uma lâmpada de raios infra-vennelhos
reforçamos as manchas indidduais até atingir a sua máxima intensidade.
7.°) Métodos especiais.
a) Determinação de histidina c tirosina —
Em tiras de papel Whatman n.° 3 de 12x50 cm, eram colocadas duas amos-
tras de hidrolisado (200 microgramas / 0,02 ml) e cromatografadas com a
mistura n-butanol ácido acético durante 40 horas. Depois de proteger uma
parte da tira de papel interpondo-a entre duas placas de vidro, o cromato-
grama B cra saturado com uma solução aquosa de 2,5% de carlwnato de sódio
e secado à temperatura ambiente. Depois era adicionada sobre esta parte uma
solução de ácido sulfanílico diazotado por meio de um nebulizador. As duas
manchas côr de tijolo da histidina e tirosina apareciam depois de poucos se-
gundos no fundo ligeiramente amarelado e ficavam estáveis durante alguns
dias. O cromatograma A era revelado com ninidrina.
b) Determinação de zvlina —
1) Com m-Crcsol. Papel Whatman n.° 1 era saturado com solução tampão
de borato de pH 8,4 conforme Mc Farren (13) e sêco á temperatura ambiente.
1 SciELO
60
ESTUDOS químicos SOBRE OS VENENOS OFIDICOS
O ni-cresol era saturado no funil de separação com esta mesma solução tampão.
Simultaneamente eram cromatografados durante 40 horas um hidrolisado corres-
pondente a 100 microgramas de crotoxina (B) e uma mistura de valina e me-
tionina (10 microgramas de cada) (A).
2) Com colidina -j- água. Os cromatogramas ascendentes de um hidro-
lisado de crotoxina apresentaram uma mancha azul totalmente isolada na mesma
altura que nos cromatogramas feitos nas mesmas condições com valina pura.
Para confirmar este achado, 5 microgramas de valina pura foram adicionados
a uma nova porção do hidrolisado de 100 microgramas de crotoxina e novo
cromatograma foi feito. No lugar característico da valina apareceu uma mancha
mais intensa.
c) (Determinação da Icucina e isolcucina (veja fig. 4).
Usavamos papel W hatman n.° 1 tratado com tampão de borato pH 8,4 (13).
A mistura de n-butanol-ácool benzilico era saturada com o mesmo tampão. De-
pois de cromatografar 40 horas, a existência destes dois amino-ácidos nitida-
mente separados (B) era provada e confinnada pelo cromatograma simultâneo
de uma mistura de leucina e isoleucina (10 microgramas de cada) (A).
RESUMO
Por meio da cromat ogra fia de partição bi-dimensional em papel foi demons-
trado que a crotoxina contém pelo menos 14 amino-ácidos. Além destes, por
meio de técnicas especiais de cromatografia mono-dimensional, foi possível de-
monstrar que a crotoxina contém valina, histidina, leucina e isoleucina, e não
contém oxiprolina.
Pode-se afirmar, que a crotoxina cristalina é composta dos seguintes 18
amino-ácidos: arginina, histidina, lisina, ácidos aspártico e glutâmico, fenilala-
nina, triptofana, tirosina, glicina, alanina, valina, leucina, isoleucina, prolina,
serina, treonina, cistina, metionina.
ABSTR.\CT
The presence of at least 14 amino-acids in the acidic hydrolizate of erys-
talline crotoxin has been demonstrated by two — dimensional partition chroma-
tography on jjaper. Also it has been possible to prove by one-dimensional chro-
matography, using special techniques, that crotoxin contains valine, histidine,
leucine and isoleucine, whereas hydroxyproline is absent.
It can now be asserted that cr)'stalline crotoxin is composed of the following
18 amino-acids : arginine, histidine, lysine, aspartic and glutamic acids, phenylala-
Mcm. Inst. Batintan,
23 : 11-62, Abril 1951.
K. SLOTTA & J. PRIMOSIGH
61
nine, trj-tophan, tyrosine, glycine, alanine, valine, leucine, isoleucine, proline,
serine, threonine, cystine, inethionine.
Agradecemos à Diretoria do Instituto Pinheiros e particular-
mente ao DD. Diretor Dr. Anibal A. Pereira, pela magnânima
ajuda prestada e espirito de cooperação cientifica.
.As fotografias foram executadas por J. Jaeger; H. Benedick
prestou serviços técnicos s-aliosos; a estes nossos agradecimentos.
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1 SciELO
^lem. InM. Butantan, M. DE FREITAS AMORIM; R. FRANCO DE MELU3 ^7
3:63-108. jnlho 1951. & F- S.\LIB.\
ENVENENAMENTO BOTRÓPICO E CROTALICO
Contribuição para o estudo experimental comparado das lesões
POR M. DE FREIT.\S .AMORIM; R. FR.ANCO DE MELLO & F. S.ALIB.A*
(Secção de Anatomia Patológica do Instituto Butantan. S. Paulo, Brasil)
introdução
anatomia patológica do envenenamento ofidico foi, ate hoje, pouco
estudada, tanto no homem, como nos animais. .Apesar dos estudos experi-
mentais terem começado já, em 1860, com os trabalhos de Mitchell, este autor
só prosseguiu em siuis pesquisas em 1868 e, depois, após uma outra interniiição,
em 1886.
Além disso, somente tivemos em 1909, o trabalho de Pearcc. Mais tarde,
apareceu a publicação de Taube e Essex e, finalmcnte. a de Fidler, Glasgow e
Camiichael.
Quanto à anatomia jiatológica das lesões do ofidismo no homem, raros
trabalhos se conhecem na literatura, salientando-se, princiiialmente os de Rotter,
em Costa Rica, que relata os seus acluidos em .1 autópsias. E entre nós, há a
publicação de Mac Clure que estudou um caso de envenenamento liotrópico.
Em vista da raridade dos trabalhos sobre esse assunto, julgamos util ana-
lisar as publicações consultadas, passando depois à descrição das princiixiis lesões
liistológicas encontradas em nossas experiências.
HISTÓRICO
Mitchell iniciou as suas investigações em 1860, continuando-as em 1868,
quando aplicado o veneno crotálico (proravelmente <le Crotalus adamanteus)
diretamente sobre o mesentério exposto, conclui que a hemorragia é provocada
pela ação direta do veneno sobre a parede vascular. Mais tarde (1886),
Mitchell e Reichert demonstram que a hemorragia não ocorria, nas artérias e
nas veias, mas só nos capilares. Como não encontrassem lesões ou rupturas
da parede capilar, deduziram que o sangue escapava por filtração através da
parede vasailar.
Entregue para publicação em 17 de julho de 1951.
1 SciELO
64
ENYENENAiCENTO BOTRóPICO E CROTALICO ■:
Wilson (1808) estudou 48 casos humanos fatais de envenenamento crotá-
lico dos quais somente 4 com autópsia, assim mesmo incompleta. Nenhum
desses casos possuia exame histológico.
Bates (1925-27) descreve 2 casos de autópsia de picados. Em 1926, Mal-
lory faz o estudo histológico pormenorizado de um terceiro caso de autópsia,
descrevendo "numerosos trombos hialinos nos capilares do pulmão” e também
alguns, no figado. A intima da maioria dos vasos se achava fragmentada ou
“missing”. A adventícia e a média eram normais. Segundo Rotter (1937),
os 3 casos de autópsia acima referidos devem ser de pessoas picadas, provavel-
mente por Bothrops atrox que é a serpente mais frequente, na America Central,
onde aqueles autores fizeram as suas obser^-ações.
Entre nós, Mac-Clure (1935) publica um caso de picado por Balhrops
jararacussu, relatando em detalhe as lesões encontradas na autópsia que consis-
tiram, especialmente, em uma glomerulo-ne frite aguda difusa.
.‘\zevedo e Teixeira (1938) descrevem um caso humano de autópsia em um
picado por Bothrops jararaca, no qual encontram necroses simétricas do córtex
renal, estudado principalmente essa lesão do rim em relação com a eclampsia.
Pearce (1909) em um importante estudo, hoje clássico, descreve em mi-
núcia, as lesões glomerulares produzidas experimentalmente pelo veneno de Cro-
talus adamanteus. Pearce tendo usado antes esse veneno para o estudo experi-
mental do edema, baseado na sua conhecida ação hemorrágica, notou a pro<lução
de uma lesão glomerular “exsudativa” que chamou a sua atenção. Por isso,
resolve empreender em iiir. trabalho posterior, o estudo mais detalhado dessa
lesão. Até então, as lesões renais importantes, afectando só o glomerulo eram
limitadas á cantaridina e ao arsénico. Pearce acrescenta a este grupo o “venom”
pela sua ação endoteliotóxica, já antes demonstrada por Fle.xner e Noguchi
(1902). Pearce empregou 21 coelhos, usando uma solução salina padrão de
0,85% que continha em 1 cm^, a quantidade de 0,5 mg de veneno seco. Por
via intravenosa, uma única dose de 0,5 mg de veneno, era suficiente para pro-
vocar a morte de um coelho de 1500g de 5 a 6 dias depois. Comtudo, nesses
animais, o autor não encontrava lesões glomerulares francas. Estas ocorriam
quando a dose era dada em cada 2 ou 3 dias e, “quase constantemente, após uma
única dose de 1 mg, ou com uma administração total de 2 mg em 4 doses.
Qjm a grande dose única de 1 mg o animal usualmente desenvolve uma hema-
túria ou uma hemoglobinuria dentro de 24 horas”, além da albuminúria de in-
tensidade \’ariável. Os animais eram sacrificados quando aparecia uma franca
hematúria ou albuminúria.
Dos 21 coelhos, obteve lesões renais somente em 14, sendo 11 do 5.° ao
6.° dia e 3 com 1 a 4 dias após a injecção. Os 7 outros coelhos que não apre-
sentavam lesões eram animais que receberam uma só dose ou varias pequenas
doses
Man. Inst. BnUntan,
S:63-108. jnlbo 1931.
M. DE FREITAS AMORIM; R. FRANCO DE MELLO
& F. SALIBA
Ele di\*ide as lesões glomerulares encontradas nos 14 coelhos em dois tipos,
ambas de natureza essencialmente vascular. :
O primeiro tipo consistia em uma lesão hemorrágica, óra na espessura do
tufo glomerular (intra-glomerular), sem ruptura, óra dentro do espaço capsular,
livre (intra-capsular). As hemacias podem estar aglutinadas em massas hialinas
em que as células não são distintas, possivelmente devido ao efeito lizantc do
veneno sobre as células vermelhas. Pequenos acúmulos de fibrina ou de serum
podem ser associados com a hemorragia, mas “os Icucocitos são raramente
encontrados”.
Em alguns casos muitos glomerulos apresentavam a hemorragia; em outros
somente, alguns, na proporção de 1 para 2 ou para 3, 4 e 5 e raramente, um
glomerulo hemorrágico para cada 12 a 20 não hemorrágicos.
O segundo tipo de lesão era caracterizado por fenomenos que o autor
classifica como exsudativos, isolados ou associados às hemorragias intra-glo-
merulares. O exsudato é constituido às vezes, por todos os elementos do sangue,
principalmente hemacias, ou somente de soro, ou de sôro e de fibrina, ou de
raros leucócitos.
“Um aspecto comum diz Pearce é aquele de uma delicada rede de fibrina
contendo hemacias e granulações de serum coagulado”. Em um animal, encon-
trou em muitos glomerulos um exsudato densamente fibrinoso, homogéneo, for-
temente corado pela eosina. Outras vêzes, os capilares do tufo são indistintos
por das massas de fibrina hialina, dando a ajKiréncia de uma degeneração
fibrinoide do tufo. Pearce, interpreta esses fenómenos como correspondendo a
uma nefrite vascular, de\'ida a uma lesão primária que afectou os capilares do
glomerulo e analoga às produzidas em qualquer parte do corpo pelo veneno e que
leraram à hemorragia. As lesões dos capilares eram caracterizadas por fre-
quente tumefaeção da parede com o aspecto granuloso e com núcleos picnóticos
ou inchados, fracamente corados e “reduzidos em número”. Outros mostram
a erosão do tecido ou solução do mesmo, vendo-se no meio de u’a massa de
exsudato, um tufo com núcleos, em sua porção central, porem, sem nenhum
núcleo na periferia”. Estas alterações são diferentes daquelas que ocorrem nas
formas comuns de nefrite experimental, mostrando um processo analogo ao da
autólise o qual póde ser explicado pela ação do principio endoteliolitico”. O
autor conclui por uma ação selectiva do veneno sobre o endotélio glomerular
documentada pela quase completa ausência de lesões no epitelio tubular. Na
maioria dos animais, não existiam lesões tubulares. Somente em poucos, existia
uma tipica inchação tui^a e acidcntalmente, uma evidente degeneração vacuolar.
Nunca ha\'ia necrose ou destruição nuclear, c, “raramente, a degeneração gor-
durosa pelo sudan”. Ele encontra cilindros de origem exsudativa com produtos
de hemólisc, porem, não de origem tubular. .‘\s células da cápsula de Bowman
eram normais, ou, bem conservadas. Pearce, conclui que se trata de uma es-
66
EXVEXE.NAMEXTO BOTRÓPICO E CROTALICO
qtlisita lesão exsudativa, caracterizando um tipo de nefrite vascular experimental,
até aqui, não descrita, diferente da produzida pelo arsénico, cantaridina e por
outros venenos.
Taube e Essex (1937) descrevem detalhadamente os seus achados em cães
mortos de 8 minutos a 20 horas depois da injecção intravenosa de veneno de
Crotalus adamanteus “Rattlesnake”. Encontraram hemorragias petequiais e ma-
ciças em todas as serosas e mucosas e também, em vários parênquimas.
Rotter (1937), em Costa Rica, descreve em minúcia os seus achados his-
tológicos em 3 autópsias de picados por Bothrops atrox (“terciopelo”). A
dose letal do veneno é de 0,02 mg por quilo de coelho, sendo 3 vezes e
menor que a da Bothrops brasileira (provavelmente. Bothrops jararaca). A
ação proteolitica do veneno também é menor que a da Bothrops brasileira.
Por isso o autor começa acentuando, em seu trabalho, “que essa mediocre
propriedade proteolitica do veneno da Bothrops costariquense seria importante
para a interpretação dos seus achados de autópsia, de vec que as alterações his-
tológicas poderiam ser modificadas por esse fato em relação aos achados de
outros paises”. Segundo o autor, o veneno brasileiro produz a dissolução da
gelatina em duas horas, na dose de 1 mg de veneno jiara 1 cnP de uma solução
a 20^ de gelatina, enquanto que o veneno costariquense só a produz depois de
22 horas.
Xo primeiro caso do autor, tratava-se de um homem de 50 anos, morto
78 horas após a picada no pé direito. Recebe duas iniecções de sôro Rutantan.
Xa autópsia, encontra: fócos de amolecimento vermelho do tamanho de uma
noz nos hemisférios cerebelares ; hemorragias extensas sul>-piais na conve.\idade
do cerebro c do cerel)elo. Edema pulmonar, hiperemia do liaço, figado e rins.
Xo segundo caso, uma menina de treze anos, picada no braço direito, recebe
duas injecçòes de sôro Butantan. Encontra intensa anemia. Hemorragia pela
ooca. Morte, 56 horas ajxjs a picada. Xa autópsia: edema hemorrágico do
braço direito e na musculatura do torax do mesmo lado. Tumefaeção cerebral
com o achatamento das circunvoluções. Edema pulmonar. Hiperemia dos
orgãos parenquimatosos.
No terceiro caso. individuo de 25 anos, picado no pé esquerdo. 3 ampolas
de sôro Butantan. Gangrena seca do pé e da perna es<iuerda. Paralisia direita
dos membros. Taquicardia. Forte anemia generalizada. Morte. 86 dias após
a picada. Xa autópsia: trombose de ambas as veias femurais, iliaca direita e
veias renais esquerdas, esplénicas, veias piais da convexidade do cérebro. Exten-
sas hemorragias nos bacinetes. Hemorragia antiga, pigmentada do tamanho de
uma cereja, sub-cortical, na parte posterior do lobo parietal esquerdo. Numero-
sas embolias pulmonares pequenas. Intensa ancilostomíase.
Diz Rotter, que “se limita a descrever só as alterações do sistema ner\’oso
central e do sistema vasatlar, porque nos órgãos restantes não se encontra
Man. InM. Bntanun,
23:63-108, joOio 1951.
M. DE FREITAS AMORIM; R. FRANXO DE MELLO
& F. SALIBA
67
nenhuma lesão diretaniente reladonada com a ação do veneno ofidico” (“da
an den úbrigen Organen keine direkt mit der Schlangen-giftwirkung in Be-
ziehung zu setzenden Veraenderungen gefunden wurden”). Trata as alterações
vasculares nas proximidades do ponto da picada separadamente das do sistema
vascular cerebral, porque julga que póde relacionar as primeiras com a ação
proteolítica.
I — Histologicamente Rotter descreve, nas zisin/ianças da picada, forte
edema e hemorragia. Grandes artérias c veias inalteradas morfologicamente.
Endotélios conscr\'ados.
As pequenas artérias mostram alterações graves. A parede do ^•aso, total
ou parcialmente transformada em uma massa homogénea, sem limites com a
adventicia. Tem a impressão de que o plasma sanguineo inundou a parede e
as vizinhanças. Endotélios no território hialinizado. destruidos ou só em parte.
conser\-ados.
Pré-capilares: alterações idênticas, sendo a parede transfonnada cm um
anel espesso, homogéneo, sem luz reconhecivel (homogeneização da jiarede dos
pré-capilares). A lesão é só na média. Células endoteliais conser\adas.
Veias: apresentam núcleos dispostos em paliçada. Diz o autor neste ponto,
que a consei^^ação dos endotélios, toma improvável o mecanismo das lesões
por ação proteolitica do veneno (pg. 412). “Muito mais provável é que te-
nhamos aijui, as conseqücncias de uma jierturbação funcional grave do sistema
vascular no sentido de uma hiperemia peri-estática". (“sehr viel wahrschein-
licher ist es, dass wir die Folgezusfaende einer schweren funktionellen Stoerung
des Gefãssystems im Sinne einer pariestatischcn IIij)erãmie vor uns haben”).
Por esse mecanismo falariam também as lesões cerebrais.
II — Hemorragias do cerebclo: o estudo histologico das hemorragias do
cerebelo também mostra que são grandes fócos hemorrágicos jKjr confluência de
numerosas pequenas hemorragias anulares, iieri-capilarcs, as quais se observam
em massa na zona marginal do infarto vemielho.
As inaiores artérias se apresentam taml>ém aqui morfologicamente, não
alteradas, porém, as pequenas artérias apresentam a mesma homogeneização da
parede. São freiiüéntemente envoltas jxir hemorragias e necrosadas, conforme
ele demonstra em suas microfotografias 4, 5, 6 e 7 (-\ngionekrose).
* Xos gânglios da base, as mesmas lesões arteriais, conquanto menos intensas.
Xo seu segundo caso, Rotter não encontrou infarto vennelho. .\pcnas
forte edema ou tumefaeção cerebral, principalmente nos gânglios da base.
Interpreta a ação do veneno botrópico como desencadeando uma {lertur-
bação funcional do sistema vascular cerebral, no sentido de uma hijieremia iicri-
estática. Tal conceito concordaria com a localização das lesões no cerebelo.
68
ENVEXEXAMEXTO BOTRôíICO E CROTALICO '
gânglios da base e nas meninges moles, as quais são também alteradas em
outros envenenamentos, çomo^no mpnoxido de carbono.. e na eclâmpsia, como
sçdes de predilecção. . '7 :
Rotter interpreta as diferenças de intensidade nos seus casos 1 e 2 pela
rapidez da reabsorção e pelas propriedades individuais do sistema \-ascular
cerebral nos trópicos, pois encontrou alterações idênticas na malária^ nos vasos
cerebrais, com niptura da barreira entre o sangue e os tecidos nervosos. A
homogeneização da parede vascular, bem como o aparecimento de numerosos
“Corpora amylacea” seria a expressão da penetração do plasma sanguineo.
Tratar-se-ia da mesma alteração funcional que ocorre nos casos de malária grave
cerebral com enorme dilatação e sui^er-enchimento dos capilares, correspondendo
à imagem de estáse. Aliás, justamente o seu primeiro caso havia apresentado
ataques anteriores de malária.
.■\ anemia tropical tamliém seria outro fator coadju\‘ante, pois, nesta, ha
forte trombose com frequentes hemorragias no cérebro devidas a uma “particular
labilidade do sistema vascular”.
No seu terceiro caso havia uma grave anemia tropical concomitante com
fortes hemorragias sub-corticais antigas, no lobo parietal e hemiplegia, a qual
surgiu tempos após a picada.
Rotter cita também Magalhães (1935) que obser\'ou hemiplegia cm um
paciente, 8 dias após a picada de uma cascavel, Crotalus terrificus lerrificus e,
em um outro individuo, 19 dias depois da picada de um escorpião, Tityus
serrulatus. Ele julga que nestes casos, também deveriam e.xistir perturbações
funcionais análogas, e mais tarde, sobre o solo de lesões angionecróticas, produ-
ziram-se hemorragias por rexis. Posteriormente, Rotter admite que outros
factores teriam sobrevindo em seus casos, levando a uma extensa trombopatia de
quase todos os territórios venosos. Conclui que “nos casos de morte muitas
horas após o envenenamento botrópico, se produz uma perturbação circulatória
grave (hiperemia peri-estática) no sistema vascular cerebral” (“eine schwere
Zirculationsstõrung (periestatische Hyperãmie) im Cerebralen Gefãssystem”),
a qual se reflecte em uma tumefaeçãp cerebral, ou cm um gráu mais forte de
alteração circulatória, no infarto vermelho. Em consequência dessa alteração
circulatória surgem angionecroses que podem levar mais tarde a hemorragias
por hemiplegia. Tais lesões seriam ainda fortalecidas pela malária e pela anemia
tropical existentes, anterionnente.
Fidlcr, Glasgow, Cannicliael (1940) estudam as alterações patológicas expe-
rimentais provocadas pela injecção de veneno de Crotalus atrox (“Rattlesnake”)
na Macaca mulatta. Utilizam 9 macacos, pesando de 2.770 a 3.950 g. Dissol-
vem o veneno seco cl \^c em solução fisiológica e dividem a solução em duas
partes iguais, injectando em cada lado da região lombar. A dose é de 7 a
10 mg. por quilo de pê.so. A autopsia foi feita 2 horas após a morte a qual
Mem- Insí. Biitintan, M. DE FREITAS AMORIM:.R. FRANCO DE MELLO
S:6J-108, jnlho 19SI. 4 F. SALIBA ^
se dá em média 36 horas depois da injecção de veneno. Clinicamente, obser\-am
exdtação, depois fraqueza progressiva. Não havia urina sanguinolenta. Na
autópsia observam: gânglios linfáticos inchados e vermelhos com hiperplasia
histiodtária. Coração: hemorragias nos tecidos sub-endocardicos do septo ven-
tricular esquerdo em 6 animais sobre 9. Degeneração gordurosa do miocárdio.
Em um animal, pequenas hemorragias sub-pleurais e sob a cápsula do fígado.
Em 2 animais havia hemorragia do septo. Marcado edema hemorrágico na pele,
no ponto de inoculação, com lesões necróticas na parede dos pequenos vasos e
dos capilares, os quais contêm trombos. Em 3 animais, houve degeneração gor^
durosa dos túbulos renais. Supõem que a causa mortis mais provável tenha sido
o choque. Não encontram lesões vasculares generalizadas. Somente uma perda
subcutânea de sangue e de flúido.
Afirmam não terem encontrado no macaco nenhuma das lesões hemorrágicas
ou exsudativas das alças glomerulares descritas por Pcarce.
No cérebro e na medula espinhal, liá apenas uma leve congestão nos
pequenos vasos, meninges, substância cinzenta e branca. As alterações celulares
não eram marcadas, mas “there w’as evidence of some chronutolysis”. No
pulmão, assinalam apenas que os capilares alveolares não era indubitavelmente
distendidos. Nenhuma referência a trombos no interior de capilares. Rins:
ligeira inchação tur\’a e esteatose muito leve dos túbulos. Nenhuma lesão
glomerular, e.xcepto uma lerissima tumefaeção dos glomérulos.
As ilustrações dos autores são bastante pobres e escassas, demonstrando,
somente hemorragias, no miocárdio, além de duas microfotografias em que os
autores se referem a dois vasos no tecido adiposo e sub-cutâneo, os quais porém
não são perceptíveis, pelo menos, nitidamente, nas figuras e.xibidas.
M.\TERI.\L E MÉTODO
No nosso trabalho, relataremos os resultados experimentais das pesquisas
feitas em 2 lotes com um total de 24 animais, 21 dos quais foram injectados com
veneno ófídico seco dissohndo em sôro fisiológico, nas doses inoculadas que
se vêm nos protocolos dos quadros gerais de numero 1 e 2, anexos. Usamos
o veneno seco de Bothrops jararaca (Wied, 1824) e, o veneno seco de Crotalus
terrificus terrificus (Laurentius, 1768). (Na amostra de veneno seco de B.
jararaca, a actividade marcada pela dose minima mortal foi de 136 microgramas
e, na de C. t. terrificus, de 1 a 2 microgramas. A dose mínima mortal é deter-
minada em pombos de 250 a 320 g. de peso, por via endovenosa.) Destes
animais, 15 foram inoculados com veneno botrópico (sendo 8 coelhos e 7 ratos)
e 6 com veneno crotálico (4 coelhos e 2 ratos). Além destes animais, utilizamos
mais 3 cães injectados com veneno crotálico em outro laboratório do Instituto
e enviados (pelo Dr. M. P. Azevedo e Dr. I. Martirani) para exame, nesta
secção.
<
Cá
tí
Ü
O
Cá
C
<
O
a
*
cm
'/SCÍELO3 j_ 2 _ j _2 13 14 15 16
Animais inoculados com veneno de Crolaliis Icrrificus terrifiens
2 3 4
5 6
SciELO
12
cm
72 • EXVEJfENAMENTO BOTRÔPICO E CROTALICCÍ
As injecções foram feitas por via subcutânea na região do dorso com
excepção de 2 coelhos injectados por via endovenosa e 3 cães injectados por
via intramuscular com veneno crotãlico liofilizado.
Dos 15 animais injectados com veneno bolrópico, 11 morreram num tempo
que variou de 5 minutos até 71 horas e 1/2. Dos 4 sacrificados, variou o tempo
de 28 horas e 35 minutos até 6 dias após a 1.® injecçâo.
Dos 6 animais injectados com veneno crotálico, 4 morreram após um tempx)
que variou de 3 horas e 30 minutos até 51 horas e 40 minutos. Os 2 outros
foram sacrificados de 52 horas e 40 minutos até 23 dias, 4 horas e 30 minutos
após a 1.^ injecçâo.
Os cães, foram sacrificados 24 horas depois da injecçâo de veneno.
Pêso: (vêr nos quadros anexos)
Doses: conforme pode ser visto nos quadros gerais n.® 1 e n.® 2, as
doses foram dadas, em alguns animais, em uma só vez, e em outros, várias
doses distribuídas em um mesmo dia, ou em dias consecutivos, até um total de
mais de 23 dias.
Xão se procurou administrar o veneno de maneira imifomie em todos os
animais mas sim de forma heterogénea, com o objetivo de provocar, eventual-
mente respostas lesionais diversas.
As doses totais variam de 250 microgramas até um total de 50 miligramas
de veneno seco (vêr os quadros gerais n.® 1 e n.° 2).
Sintomatologia: — A sintomatologia consistiu, nos animais injectados por
via endovenosa, em con\'ulsões e morte por sincope respiratória e cardiaca, 5
minutos depois da injecçâo. Quanto aos demais casos, o coelho n.® 57-48, apre-
sentou inapetência e a temperatura rectal foi de 39,5. Em outro caso, (n.®
80-48), o animal mostrou inapetência no 1.® dia, taquipneia, tremores musculares
e prostração. Os reflexos estavam presentes. Morte no mesmo dia. Um
outro animal (caso 179-48) apresentou-se abatido com taquicardia e com os olhos
cheios de secreção.
Não foi feito exame de urina.
As autópsias foram e.xecutadas, geralmente logo após a morte.
Fixação: — Para o exame histopatológico retiramos, na maioria dos casos,
u’a média de 15 a 20 ou mais órgãos, como: pele na região injectada e mús-
culos, pele e musculos na parte oposta da zona inoculada, pulmão, coração, timo,
tiroide, rins, adrcnais, figado, baço, estotnago, intestino, glândula salivar, pân-
creas. testículo, epididimo, vcsiculas seminais, hipófise, cérebro, cerebelo, ponte,
bulbo e medula espinhal.
Os órgãbs nervosos, foram examinados, de modo geral, só por métodos
comuns de coloração adiante mencionados, com o fim prindpalmente de pesqui-
sarmos as alterações vasculares e inflamatória, bem como lesões celulares mais
grosseiras.
f
Moa. Inst. Butaaun.
23;63-10S, jnUia 1951.
M. DE FREITAS AMORIM; R. FRANXO DE MELLO
& F. SALIBA
73
E’ nossa intenção procedermos ao estudo minucioso destes orgãos, por
métodos electivos de coloração do tecido nervoso, em um trabalho futuro, no
qual pretendemos investigar principalmente os núcleos de alguns nervos cra-
neanos bulhares (núcleo do vago) e os núcleos do pavimento do 4.° ventriculo.
Supomos, pois, que sem um estudo visando atentamente e especificamente esses
núcleos, provavelmente não se poderá chegar a nenhuma conclusão de interésse
neste género de intoxicação.
Os órgãos foram fixados em Bouin, fonnol salgado a 20% e, em álcool
a 96%.
Os cortes foram feitos em congelação, e, após a inclusão em parafina.
Colorações: — Hemato.xilina de Ilarris, Hematoxilina Férrica de Weigert,
Tricromico de Masson, Van Gieson, Weigert para fibras elasticas e Escarlate R.
RESULTADOS
/ — Aspecto viacroscopico das lesões
A) Xos casos de envenenamento botrópico.
Xa autópsia, nos casos de envenenamento botrópico. obseixmii-s” na pele,
extensas zonas escuras de côr vermelho-arroxeada, tomando a zona da injeção, o
dorso indo por vezes até o torax ou até a base da cauda ou mesmo até os membros
posteriores. Tais áreas correspondem á intensa hiperemia e, às hemorragias com
necrose do tecido celular subcutâneo, aprofundando-se até os músculos estriados
subjacentes. Os pelos se destacam com facilidade. A zona necrosada, por vezes
apresenta um exsudato não punilento com crostas secas.
A pele se destaca com facilidade. Em alguns casos houve foniiação de
fístula na zona inoculada.
Mucosas: nada digno de nota.
Cavidade torácica:
Pulmões: em geral bastante congestionados. Timus: hemorrágico em um
caso (n.° 86-48).
Coração : nada digno de nota.
Cazndade abdominal :
Figado: hiperemia acentuada. Baço: Hiperemico. Hemorragia na face
inferior e nos bordos, em um caso (n.® 86-48). Rim: hiperemico. Sufusões
hemorrágicas sub-capsulares em um caso (n.® 87-48). Aumentados de volume
€ de coloração vermelho-escura em um caso (n.® 84-18). Bexiga: repleta de
urina sanguinolenta em 2 casos (n.® 84-48 e 87-48).
Pancrcas, Adrenais, Testiculo, Epididimo, Próstata, J'esiculas Seminais,
Estômago, Intestino: — nada digno de nota.
Cavidade craniana:
74
ENVENENAMENTO BOTRÓPICO E CROTALICO
Menwges, Encéfalo, Hipófise, Medula espinhal: nada digno de nota.
B) Xos casos de envenenamento crotálico.
Pele: em um animal (n.° 157-48), na autópsia, verificamos macroscopica-
mente pequeninas manchas escuras de 0,5 cm. de diâmetro com aspecto necrótico
incipiente, no ponto inoculado. Xos demais casos, no local da injecção, nada
digno de nota.
Intestino: congestão' dos vasos das alças intestinais (n.® 147-48). Figado:
coloração vennelho escura. Rim: enorme gráu de hiperemia, deixando sair
grande quantidade de sangue na superficie do córte em um animal (n.“ 147-48).
Esclerosc renal em um caso (n.® 183-48). Pulmão: nada digno de nota.
Tiróidc: em geral ligeiramente congestionada. Aumentada de volume em 4 ani-
mais (n.®s. 179-48; 183-48; 186-48; 187-48). Coração: sinais de pericardite
em um coelho (n.® 183-48).
II — Lesões histopatológicas
.\) Veneno Botrópico.
Pele: E.xtensas su fusões hemorrágicas que invadem o denna, hipodenna
c a musculatura estriada subjacente. Xa maioria dos casos. obseiAam-se zonas
de necrose do tecido gorduroso e de feixes de fibras musculares estriadas, cujos
contornos ou sombras são visiveis, principalmcnte nas partes periféricas dos
fócos. Trata-se de uma necrose de coagulação gangrenosa. .-\ parte central
destas áreas é em alguns casos liquefeita ou amoledda. Xa parte jxíriférica dos
fócos. nota-se uma larga zona de reacção inflamatória exsudativa, caracterizada
por intensa infiltração de granulocitos neutrófilos e, de linfocitos. Muitas fibras
musculares estriadas dos feixes circunjacéntes apresentam a degeneração hialina
de Zenker. Os capilares e pré-capilares mostram-se extremamente dilatados e
cheios de hemácias, estando em hiperemia peri e pré-estática. Xa maioria deles,
a parede é nitida, sem sinais de necrose. .Alguns capilares chamam a atenção
jvir estarem cheios por massas de glóbulos vermelhos aglutinados, hialinos, dando
a imagem de estase propriamente dita, com a formação de tromlws hialinos
capilares. Tal facto, exjdica, a nosso vêr o mecanismo das hemorragias peri-
capilares e. das su fusões hemorrágicas por confluência, devidas à hiperemia na
fase pré-estática. O edema, notável cm muitos trechos, é explicado pela fase
de ixrriestase. Outros capilares mostram imagens de leucodiapedese. Em algtms
capilares e pré-capilares, nota-se apenas um aspecto fragmentado ou dissociado
das células endoteliais.
Em um coelho (n.® 57-48), notamos entre os planos de musculos estriados
voluntários vizinhos, um vaso pré-capilar parcialmente tromboso, com endotelio
ainda conser\ado, mas apresentando a jKirede de cór rosea homogénea, sem
Man. Inst. Butantnn.
S:63-I0S, jnlho 19S1.
M. DE FREITAS AMORIM: R. FRANXO DE MELLO
& F. SALIBA
75
núcleos, em típica hialinização ou hialino-necrose, conforme se vê no desenho
colorido n.° 1.
Tal ^’aso reproduz fielmente a imagem de homogeneização da parede dos
pré-capilares e arteriolas, tal como foi descrita por Wemer Rotter, sendo que a
imagem por nós referida, em desenho microscopico fiel do preparado, se superpõe
exactamente à microfotografia n.® 1 do Trabalho de Rotter, acima citado.
Em nosso caso, tais lesões foram encontradas somente nos capilares e pré-
capilares, ou em vasos como o do desenho da figura n.° 1, que iKKleriam ser
interpretados possivelmente como arteriolas, porém de calibre extremamente di-
minuto. Na verdade, todas as demais arteriolas que se encontram nos córtes,
tanto nas zonas de necrose, como nas de simples edema e hemorragia, ou nas
vizinlias das mesmas, apresentam a sua estrutura musadar lisa e endotelial,
absolutamente integras, sem sinais de hialinização.
Pulmão: Marcante hiperemia em muitos casos, sem edema ou hemorragias.
Em um caso (n.® 184-48), haviam hemorragias jieri-capilares e intra-alveolares.
Em outros casos foi consignada uma hiiieremia moilerada (3 coelhos e 3 ratos).
O que nos chamou a atenção destle o inicio, foi jicrém a presença, em
muitos capilares e prc-capilares de figuras típicas de estase, com a fonnação de
trombos hialinos, no seu interior (desenho das figs. 2 e 3) (n.® 83-48).
A frequência dos trombos hialinos, nos casos de envenenamento liotrópico,
no pulmão, é sem duvida muito grande, jxjis nós a ol)ser\-amos em 5 ca.sos tipi-
camente, e em 2 soh a forma de estase e pseudo-aglutinação bem manifesta,
apenas sem a hialinização nítida das massas de eritrocitos, motivo pelo qual,
consideramos duvidoso inteqiretar estas imagens, como de verdadeiros trombos
capilares já formados.
É interessante notar que nos nossos 8 coelhos, existiam típicos trombos
hialinos nos capilares pulmonares em 4 casos, sendo que cm alguns, cm prc-
capilares e cm uma arteriola (desenho n.® 4), (caso n.° 83-48). Em um caso,
como relataremos adiante, encontramos tromlios hialianos nos capilares do pân-
creas (n.® 79-48). Portanto, constatamos 5 casos com trombos capilares, nos
órgãos, em 8 coelhos inoculados.
Já nos ratos desta série, cm numero de 7, foram encontrados tromlxis
capilares do pulmão somente cm 2 casos e. 1 caso foi duvidoso (n.® 86-48)7 além
da trombose nos capilares da pele. no local injectado, encontrada em um outro
caso (n.° 184-48).
Ausência de edema pulmonar.
Timus: Em 2 casos notamos forte hiperemia com dilatação dos capilares
e das venulas, e, cm um caso (n.® 81-48), pequenas sufusões hemorrágicas.
Coração: Pequenas hemorragias difusas cm 3 casos n.®s. 79-18; 80-48;
84-48), sendo que em 2, eram sub-endocardicas e intersticiais do miocárdio.
76
ENVENENAMENTO . BOTRÔPICO E CROTALICO . *
Havia miocardite intersticial sub-aguda ou crônica em fócos, predominantemente
histiocitária, em 3 casos (n.°s. 81-48; 82-48 ; 83-48). . :
Rim: Hiperemia dos glomerulos foi encontrada em 11 casos do total de
15 animais inoculados, sendo em 5 coelhos e 6 ratos. Em um coelho a hiperemia
era muito intensa (n.° 83-48). Em 3 ratos era intensa (n.®s. 84-48 ; 87-48;
185-48). Em um rato (n.® 87-48) haHa hemorragia intra-glomerular e intra-
capsular com hematúria. Neste caso, e em outro (n.° &4-48), foi constatada
urina sanguinolenta na bexiga.
Interessante é notar que tais lesões hemorrágico-glomerulares só foram
obser\'adas, em nosso material, nos 2 ratos assinalados enquanto que, no coelho
só foi observada hiperemia, sem fenomenos hemorrágicos. No rato (n.® 87-48),
as lesões glomerulares hiperêmico-hemorrágicas lembram o quadro descrito em
1909 por Pearce, com veneno de Crotalus adamanteus. As lesões encontradas
foram as seguintes, segundo refere o laudo respectivo: "os glomerulos apresen-
tam intenso gráu de hiperemia. Muitos apresentam alças enormemente dilatadas
e cheias de hemacias, não se percebendo por vezes núcleos nas paredes de algumas
dessas alças de modo a dar impressão de uma necrobiose das mesmas. Vários
glomerulos estão aumentados de volume e enchem completamente a cápsula.
Em alguns vêem-se as hemácias livres na cavidade capsular, como si formassem
pequenas hemorragias sub-capsulares. Em certos glomerulos, vêm-se massas
hialinas entre as alças e a cápsula com os caracteres de fibrina. Em outros,
têm-se a impressão de um aumento na quantidade de núcleos. Muitos núcleos
são pequenos, assemelhando-se a neutrófilos. Muitos túbulos apresentam acen-
tuada inchação turva e, degeneração vacuolar ou hidrópica bastante intensa.
Muitos túbulos contêm cilindros hialinos. Outros túbulos apresentam granu-
lações volumosas coradas pela eosina. Pelo Escarlate R, nota-se esteatose em
ilhotas do córtex, abrangendo zonas dos tubos cortomados de 1.® ordem,
próximas dos glomerulos. Diagnóstico: — Nefrose granulo-albuminoide in-
tensa. Intensa hiperemia glomerular com pequenas hemorragias e necrobiose
das alças glomerulares por glomerulonefrite aguda.
Fenomenos típicos de glomerulo-nefrite ou de glomerulite não encontramos,
em nenhum outro caso.
Fenómenos de nefrose com inchação turva, acompanhada ou não de dege-
neração hidrópica, foram encontrados respectivamente em 9 casos, sendo 5
coelhos e 4 ratos. Degeneração hidrópica em um coelho (n.® 79-48) e em um
rato (n.® 87-48). Esteatose dos túbulos em um rato (n.® 87-48).
Não assinalamos aqui lesões seamdárias ou, assodadas de nefrite intersti-
cial por serem e.xtremamente freqüêntes em animais de laboratório e não terem
assim relação aparente com as nossas experiências.
77
Mem. Inst. Butantan,
23:63-108, intbo 1951.
DE -FREITAS AMORIM: R. FRANCO DE iÍELLO
& F. SALIBA
• Fígado: Havia hiperemia em 6 coelhos e em 3 ratos, ein um -total- de
9 animais. Inchação turva dos hepatocitos, esteatose, degeneração hidrópica,
em 9 casos em gráu variáveis em (6 coelhos e 3 ratos). .
Fenómenos inflamatórios de hepatite não têm interesse no nosso estudo.
Baço: Hemorragias difusas em um caso (n.° 79-48). Hiperemia em 3
coelhos e em 1 rato. Hiperplasia histiocitária da polpa em 6 coelhos e 4
ratos. Hialinose das arteriolas centro-foliailares em 1 coelho (n.® 79-48).
Pâncreas: — Ausência de lesões dignas de nota a não ser um gráu notável
de hiperemia com trombos hialinos nos capilares cm um coelho, (n.° 79-48).
Adrenais : — Nada digno de nota a não ser a presença de um foco hemor-
rágico de forma elíptica presente na zona fasciculada em um rato (n.° 184-48).
HaHa lipoidose da fasciculada em 5 casos (coelhos).
Sisteina Nervoso: — Hiperemia das leptomeninges em 2 casos (n.®s 57-48;
184-48), um coelho e um rato. Não encontramos trombos hialinos capilares no
sistema neivoso.
Encefalite e.xpontânea em 7 casos. Meningite cm ligeiro grau em 2 casos.
Bulbo: — Hiperemia das leptomeninges em 1 caso.
Quanto às lesões das células nen-osas. como antes já dissemos, ê nosso
intuito, fazer o seu estudo minucioso em um trabalho futuro com as técnicas
histoló^cas apropriadas para a investigação do parênquima dos centros ncr\'o-
sos. Entretanto, podemos declarar desde já que com os métodos comuns das
técnicas empregadas, encontramos com frequência imagens de degeneração isquê-
mica das células segundo Spielmeyer, e. por vezes, lesão homogemizante da
mesma, com as alterações características do citoplasma e do núcleo, tanto em
células piramidais do corte.x cerebral c do sector dc Sommer do como de
Ammon como em células dc Purkinje e, em neurônios dos núcleos centrais do
cerebelo bem como nos núcleos da base do 4.® entriculo, nos núcleos de ner%-os
motores’bulbares e também em grandes neurônios da formação reticulada bulbo-
protuberancial.
B) Pene no crotálico
Pele - — Conforme foi descrito só foram encontradas lesões macroscópicas
na pele, em 1 caso (n.® 157-48). O exame histológico desse caso não revela
lesões dignas dc nota.
Apenas nos tnusculos estriados, subjacentes notamos necrobiose de muitas
fibras musculares com desintegração racuolar das mesmas. Moderado exsudato
de granulocitos neutrófilos no conectivo intersticial.
Pultnão: Hiperemia moderada em alguns casos e, em gráu bastante
marcada em outros. Em um caso nota-se uma substância hialina, porém com
aspecto de plasma coagulado no interior dos vasos (n.® 183-48). Em outro.
78
ENVENENAMENTO BOTRÓPICO E CROTALICO
apenas havia forte hiperemia com aparência de aglutinação de hemácias nos
capilares do pulmão.
Chamamos a atenção para esse facto, que nos parece extremamente signi-
ficativo, de que em nenhum de nossos casos de envenenamento crotálico, nos foi
dado encontrar, verdadeiros trombos hialinos nos capilares do pulmão, ao con-
trário do que obsenamos nos casos de envenenamento botrópico, nos quais este
fenómeno se apresentou com bastante frequência.
Coração'. lEm um caso em que as injecções se prolongaram por mais de
23 dias (coelho n.° 183-48), encontramos zonas de degeneração fibrinoide
sub-endocárdicas, devidas possivelmente à sensibilização do endocárdio pelas
múltiplas injecções do antigênio.
Xada de particular nos demais casos.
Rim : Marcante hiperemia dos glomerulos em 6 animais, (2 coelhos. 2
ratos e 2 cães), sendo principalmente acentuada em 3. Em um cão (n.® 38-50),
em que havia nefrite crónica com intensa esteatose degenerativa da porção
ascendente das alças de Hcnle e dos túbulos. ao lado de áreas de necrobiose do
epitelio tubular, encontramos alguns glomêrulos hiperemiados e outros raros
com hemorragias. Alguns glomêrulos apresenta%am tumefaeção das alças capi-
lares ou necrose das mesmas. Em outro cão (n.® 45-50), havia inchação turva
dos túbulos, com marcante inchação turva e hipertrofia das células dos glome-
rulos com nitida basofilia. Presença de albumina coagulada, na luz da capsula
de Bovvman. Tumefaeção dos glomêrulos e nefrite intersticial crônica.
Em um coelho (n.® 179-48) havia pielo-nefrite crônica, vendo-se vários
glomerulos com uma ou mais alças hialinizadas, reproduzindo aspectos de uma
amiloiilosc. Inchação turva e degeneração gránulo-hialina nos túbulos.
Xo coelho injectado durante mais de 23 dias com um total de 41 miligramas
e 450 microgramas de veneno distribuido em 17 injecções e depois sacrificado,
em que havia degeneração fibrinoide do endocárdio, encontramos largas áreas
cicatriciais no córtex, dando o aspecto de um rim retraido macroscopicamente,
sendo nonnal a maioria dos glomerulos, nas zonas restantes.
Inchação turva de túbulos com degeneração granulo-hialina havia em 3
animais; cilindros hialinos cm 2; esteatose em 2 (n.®s. 35-50 e 40-50), sendo
da parte ascendente das alças de Henle no cão nT* 40-50 e das alças de Henle e
dos tubos '-ontomados no cão n.® 3S-50. Xeste animal, havia também intensa
hiperemia em alguns glomerulos e isquemia na maioria deles, com partes necro-
sadas dos glomerulos : vêm-se algumas alças sem núcleo, com necrose das paredes
e de aspecto turvo. Xos glomêrulos isquemiados, as alças se mostram ricas em
núcleos e tumefeitas; nos glomêrulos hiperemiados, ao contrário, há necrose
de parte das alças.
Em outro cão (n.® 40-50), os glomerulos são volumosos e ricos em núcleos
principalmente endotciiais, enchendo quase completamente a cápsula de Bovvman.
Man. In*t. Baunun, M. DE FREITAS AMOWM: R. FRANXO DE MELLO 79
23:61-108, julho 1951. * SALIBA
Em muitos cortes, vêm-se os capilares glomerulares clieios de hemácias. Nefrite
intersticial crônica e pielite em gráu moderado.
Finalmente, no terceiro cão, (n.° 45-50), havia intensa inchacão turva,
hipertrofia e nitida basofilia das células dos glomerulos. Presença de albumina
coagulada na luz da capsula de BowTnan. Capilares dos glomerulos dilatados,
porém, por vezes vazios. Ausência de degeneração gordurosa dos tubulos.
Em conclusão, achamos que nos 3 cães e.xaminados, há sinais evidentes de
lesões glomerulares no sentido de uma gloiiicrulo-nefriie aguda, porém em jócos,
e não difusa, ao lado de nefrose.
Adrenais: — Hipercmia de alto grau assinalada em um rato (n.® 187-48).
Baço: Hipereniia intensa em 3 coelhos, em 1 rato e em 1 cão. Hiperplasia
histiocitária, principalmente nos centros reacionais dos foliados cm 1 rato, e
2 cães.
Pancrcas: — Iliperemia intensa em 1 rato.
pigado: — Hipereniia cm 3 coelhos, em 2 ratos c cm 1 cão. E um cão
(n.° 40-50), foi encontrada trombose em ramos venosos portais:
Sistema nervoso: — Hipereniia em 4 animais, sendo 2 coelhos, 1 rato e 1
cão, sendo intensa em um caso (n.® 183-48) no cercbelo, córtex e núcleos cen-
trais. Em um rato com hiperemia (n.® 187-48), haviam também hemorragias
difusas no cérebro e nas lepto-meninges. Em um cão (n.® 40-50) haviam he-
morragias peri-capilares pequenas na medula espinhal e no bulbo.
Encefalite expontânea só liavia no coelho (n.® 147-48) c em 1 cao
(n.® 40-50).
Lesões neuromis: repetimos as ressalvas feitas para o estudo das lesões
do envenenamento botrópico. Encontramos degeneração isquémica das células
neivosas. principalmente no como de .^mmon, no córtex cerebral, no cerebe/o,
principalmente em 2 coelhos (n.®s. 147-148 e 183-48) e nos 3 cães examinados.
Xo cão n.® 45-50. havia além da degeneração isquémica no como de .\mmon,
lesão homogeneizante das células de Purkinje e, além disso, lesões extremamente
curiosas destas células, com vacuolização e aspecto esponjoso, com nitida tume-
facção lialonifomie desses elementos. Tais lesões, que lembram fortemente
certos aspectos das lesões neuronais características da idiotia amaurótica, no
homem .deverão ser objecto de um estudo posterior, com bs métodos apropriados
de técnica neurohistológica. Devemos anunciar porém, desde já, que as lesões
eram acompanhadas por um notável grau de proliferação histiocitária nos gân-
glios linfáticos e no baço desse animal, factos esses sem dúvida dignos de nota
por estaran associados, cliamando assim a atenção ainda mais para a semelhança
com a afecção referida.
1 SciELO
80
EXVEXEXAMEXTO BOTRÓPICO E CROTALICO
Nos gânglios linfáticos, os macrofagos histiocitários enchiam os seios e os
cordões. No baço, a hiperplasia histiocitária se notava tanto nos centros foli-
culares. onde se apresenta\'a em gráu intenso e nos cordões de Billroth. As
fibras musculares lisas das trabéculas eram manifestamente hiperplasicas.
DISCUSSÃO E CONSIDER.\ÇCES GERAIS
Dos resultados acima, podemos concluir de que as lesões encontradas no
ofidismo experimental, quer pelo veneno botrópico, quer pelo veneno crotálico,
são sem dúvida sob o ponto de vista anátomo-patológico morfológico, discretas e
de evidenciação bastante delicada e dificil. Realmente do conjunto das lesões
descritas, aquelas que com certeza podem ser relacionadas com o veneno, ex-
ceptuando-se as únicas lesões intensas encontradas que são^ as e.xistentes na pele
e nos músailos subjacentes, no envenamento liotrópico, sao somente de ordem
vascular, principalmente, no domínio dos capilares sanguíneos, como foi descnto
por Mitchell, Pearce. Rotter, Fidler e outros.
Em nossos casos, foram encontradas, principalmente, pequenas hemorragias,
ocasionais em vários órgãos; intensa hiperemia. frequente, em várias vísceras; a
trombose hialina, amiudada em certos órgãos. Em alguns casos apareceram e-
sões renais glomerulares.
I — Hiperemia
São alterações que além de serem inespeci ficas, apresentam ora, um grau
moderado, ora um gráu inten.so, em certos casos, às vezes até notável, nao ha-
vendo porém nenhuma diferença apreciável em relação a sua intensidade entre
os 2 grupos de animais injectados. Foi assinalada principalmente no pulmão,
figado, rim, baço. glândulas salivares, adrenais e hipófise.
No sistema neiAoso, a hiperemia parece ser de grau mais intenso no
envenamento crotálico.
II — Hemorragias
No envenamento botrópico, encontramos fócos hemorrágicos, ora difu^s,
ora delimitados com caracter peri-capilar. no timus, em um =
no pulmão, com carater peri e intra-alveolar, em um
adrenal, neste mesmo animal; no coraçao em 2 coelhos, (n. s. 79-48 « ^
sendo no primeiro caso, difusas no miocárdio e no segundo em focos sub-endo-
cárdicos pericárdicos e intersticiais, no miocárdio. No rim, em um rato (n.
87-48), sob a forma de pequeníssimas lesões glomerulares hemorrágicas,
bexiga continha urina sanguinolenta em 2 ratos (n.®s &I-48 e 87-48). Baço com
hemorragias difusas em um coelho (n.® 79-48). Em todos esses casos tratava-se
de envenenamento botrópico.
2
3
z
5
6
Man- Inst. Bntantan,
23:63-108, julho 1951.
M DE FREITAS AMORIM; R. FRANCO DE MELLO
& F. SALIBA
81
Xo envenenamento crotálico, encontramos hemorragia do tecido adiposo
peri-adrenal em um coelho (n.° 147-148) e no cérebro de um rato (n.® 187-48),
no qual apresentava um caracter difuso, afectando o cerebro e as nieninges
moles. Xo cão n.” 40-50, haviam pequenas hemorragias peri-capilares, na me-
dula espinhal e no bulbo.
Assim sendo, em resumo, não obser5-amos a hemorragia no sistema nerv’oso,
nenhuma vez no envenenamento botrópico, enquanto que no crotálico nós a
observamos em 2 casos n.°s 187-48 e 40-50. Quanto às visceras, deu-se o con-
trário, não se obser\'ando hemorragias no envenenamento crotálico senão em 2
casos, no tecido adiposo periadrenal de um coelho (n.° 147-18) e no rim, onde
foram vistas as delicadas lesões hemorrágicas glonierulares descritas no cão
n.o 38-50.
Ao contrário, nos casos de envenamento botrópico, as hemorragias foram
mais freqüentes, encontrando-se, além das hemorragias da pele, fócos hemor-
rágicos em 6 casos do total de 15 animais (4 coelhos e 2 ratos). Assim no
envenenamento botrópico, as hemorragias ocorreram em um coelho (n.® 79-50)
no coração e no baço; em outro (n.® 80-48), no coração; nos restantes, res-
pecti\-amente, no timus (n.® 81-48), no pulmão (n.® 57-48), no rim (n.® 87-48),
no pulmão e na adrenal (n.® 184-148).
Assim sendo, as hemorragias são ao que parece, no caso do veneno de
Bothiops jararaca, bem mais frequentes do que no envenenamento por Crolalus
tcrrificus tcrrificus.
Esses nossos achados diferem dos descritos por Pearce que, com veneno
do Crotalus adamanteus. na America do Xorte, obteve com grande freqüéncia
hemorragias viscerais, no coelho.
Julgamos que tais hemorragias não parecem poder e.xplicar a morte do
animal, pelo seu caracter inconstante e pela sua pequena intensidade.
III — Trombose hialina nos capilares
É esta uma lesão que, mau grado o seu pequeno 5-ulto c a delicadeza do
seu reconhecimento cuja diagnóstico requer e-xtremo cuidado e atenção, nos pa-
receu de grande importância em nossas obsei^-ações. Ela foi encontrada em 9
casos em um total de 15 animais com veneno botrópico, dando uma frequência
de 60%. Si excluirmos 2 animais injectados por via endovenosa, teremos em
13 animais inoculados por via subcutânea, 9 casos de trombose hialina nos capi-
lares, dando uma frequência de 69%. Isso só ocorreu no lote de animais com
veneno botrópico, não tendo sido encontrado, nem uma vez sequer de modo
indubitável, no lote de veneno crotálico.
1 SciELO
82
EJÍVENENAMEXTO BOTRóPICO E CROTALICO
QUADRO COMPARATIVO X.® 1
Lesões histopatológicas principais nos envenenamentos por
Bothrops jararaca e por Crotalus I. tcrrificvs
LESÃO
Orgão
Veneno
Botrópico
Veneno
Crotálico
Hemorragia
Pele
Rim
Coração
Adrenal
+
-f (2 casos)
(3 casOs)
+ (1 caso)
-
Cerebro
Meninges
Bulbo
M. Espinhal
J T. adiposo
1 penadrenal
-
-i- (1 caso)
-f- (1 caso)
-1- (1 caso)
-f (1 caso)
-f (1 caso)
Hemorragia
Glomerular
Rim
(2 casos)
-
Sinais histoMgicoa
de glomerulo^oefrlte
aguda.
Rim
-■
-f (3 casos)
Trombos hialinos em
capilares e em arte-
riolas.
ruIm.*io
-f (7 casos
w %)
-
Pancreas
+ (1 caso)
-
Necrose e inHamaçâo
hemorrágico necroU-
zante.
Pele
+
1 “
1
No grupo de veneno crotálico, encontramos apenas em um animal, imagens
de aglutinação de hemácias em capilares do pulmão, porem sem forma típica
de trombos hialinos. Em um cão (n.° 40-50), foram encontrados trombos
venosos, porem em ramificações portais do figado.
Desse modo, nos parece que a trombose hialina capilar é quase que espe-
cifica do envenenamento botrópico experimental (coelho e rato). É sobretudo
interessante observar a sua frequência no pulmão, onde ela foi encontrada em
7 casos do total de 9 casos positivos em 15 animais com veneno botrópico, cerca
de 475 Í. Si e.xcluirmos 2 animais injectados por via endovenosa, teremos em
13 animais do lote de veneno botrópico injectado por via subcutânea, 7 casos
Mera. Inst. Bntantan. M. DE FREITAS AMORIM; R. FRANCO DE MELLO 83
23:63-108, julho 1951. & F. SALIBA
positivos, dando 54%. Entretanto julgamos que será necessário maior número
de animais para se chegar a uma conclusão definitiva sobre esses achados.
Contudo, em vista da frequência dessa lesão no envenenamento botrópico,
em contraste com a sua ausência no envenenamento crotálico, julgamos que de-
vemos salientar a grande significação prática da mesma que poderia servir para
o diagnóstico diferencial da causa mortis ou do género de envenenamento, nos
casos de ofidismo.
QUADRO COMPARATIVO N.* 2
Lesões mais frequentes dos órgãos, nos envenenamentos por
Bolhrops jararaca e por Crotalus I. lerrificiu
ORGAO
LESÕES
VENENO
BOTRÓPICO '
VENENO
CROTÁLICO
aparcntexzi«iitc
File
Necrose, bemortagUs, inHaioa*
çio bemorragieo-ncciotirante
caracteristicas
Pui mio
Tromboê hialinos em capilares
c em arteriotas (7 casos 54%)
aparentemente
menoa
características
Sistema
nerroso
a) Hiperemia intensa do ce^
rebelo (2 casos).
b) líemorragias no ccrebro
e em meninges (1 caso).
c) Hemorragias no bu'bo c
na ns?dula espinhal (1
caso).
Rim
a) Iliperemia e bemorracú
intraglomenüar e intra*
capsular (1 caso).
b) Urina bemorrafica (2
casos).
e Nefrose moderada.
a) Intensa hiperemia glocne*
rular.
b) Ausência de hemorragia
c) Glomemlo.ncfrite aguda.
Pâncreas
Trombo hialino capilar
(1 caso)
Realmente, pudemos comprovar em várias ocasiões, no decurso de nossas
pesquisas que toda vez na qual o e-xame histopatológico de fragmentos de pulmão
indicava a presença de trombos hialinos nos capilares, podiamos levantar a
suspeita ou fazer o diagnóstico de que provavelmente se tratava de envenena-
mento botrópico, o que em nossos casos foi sempre confirmado. Porem nos casos
1 SciELO
ENVENENAMENTO BOTRôPICO E CROTALICO
84
negativos, nada se póde afirmar, pois como -rimos pela frequência de porcen-
tagem encontrada, não se póde afastar a possibilidade de se tratar também de
um caso de envenenamento botrópico. Quer nos parecer porem que nos casos
negativos, a maior probabilidade é de que se trate de envenamento crotálico.
IV — Lesões glomerulares
Quanto às lesões glomerulares, podemos também salientar de que no enve~
ncnaviento botrópico não observamos, nem uma vez sequer, lesões que pudessem
ser filiadas a qualquer tipo de glomenilo-nefrite, não só difusa, como focal.
Portanto de nossos achados, julgamos poder afirmar pela ausência de glome-
rulo-nefrite no envenenamento botrópico experimental pelo menos nas espécies
dc auimais utilizadas em nossas experiências (coelho e rato). Ao contrário,
esse veneno produz no homem lesões evidentes de glomerulite, como foi obser-
vado por Mac-Clure e também por nós em um caso humano que será publicado.
Quanto ao envenenamento crotálico, não podemos afirmar a mesma coisa
em relação à glomerulo-nefrite, pois 3 cães estudados por nós apresentaram
sinais evidentes de glomerulo-nefrite em focos.
Em relação à hiperemia e, às lesões glomerulares de tipo hiperemico-hemor-
rágico, como antes já referimos, são realraente frequêntes também nas espédes
de animais de laboratório, segundo Pearce e outros autores. A frequência é
quase igual nos dois grupos de envenenamento ofídico experimental (hiperemia
glomerular em 11 casos de envenenamento botrópico em um total de 15, e em 6
casos de envenenamento crotálico em um total de 9 animais. Havia hemorragia
elomerular evidente em 1 caso em cada um dos 2 lotes de animais com veneno).
CONCLUSÕES
1 . — No envenamento por Bothrops jararaca (Wied, 1824), as hemorragias
são frequêntes em vários orgãos internos e, raras no sistema nervoso;
2. — No envenamento por Crotalus terrificus terrificus (Laurentius, 1768),
as hemorragias são raras nos órgãos internos e, frequêntes nos centros
nervosos ;
3. — No envenenamento botrópico é frequênte a trombose hialina dos capilares
do pulmão cuja lesão poderá seiA-ir como um sinal diagnóstico diferencial
do género de envenenamento ofidico;
4. — No envenenamento crotálico, não existia, nem uma vez sequer, a trom-
bose hialina, nos capilares pulmonares;
5. — A trombose hialina dos capilares do pulmão poderá constituir, portanto,
um sinal diferencial de grande valor, provavelmente patognomónico, no
diagnóstico histopatológico do envenenamento botrópico, uma vez que
Mcm. Inst. Butantan.
•0:63-108, julho 1951.
M. DE FREITAS AMORIM; R. FRANCO DE MELLO
& F. SALIBA
85
tal lesão venha a ser confirmada em nm material experimental mais
abundante ;
6. — A hialinonecrose da parede capilar e arteriolar, descrita por Rotter, só
foi encontrada em 1 caso experimental de envenenamento botrópico na
pele, no local da injecção;
7. — No envenenamento botrópico, encontram-se lesões hiperemico-hemorrá-
gicas glomerulares, no rim, idênticas àquelas descritas por Pearce, no
envenenamento pela cascavel norte-americana, Crotalus adamanteus;
8. — Porem não há lesões de glomerulo-nefrite focal ou difusa, no coelho
e no rato, no envenenamento botrópico experimental;
9. — Ao contrário, no cão, encontram-se sinais de glomerulo-nefrite em focos,
no ofidismo experimental pelo veneno de Crotalus terrificus terrificus;
10. — As lesões produzidas nos órgãos, no ofidismo experimental variam,
segundo a espécie zoológica dos animais empregados e, conforme a
qualidade do veneno que depende do género e da espécie zoológica da
serpente doadora do mesmo.
RESUMO
Os autores relatam as lesões histológicas encontradas em um grupo de 24
animais injectados com veneno ofidico dos quais, lun primeiro lote de 15 animais
(8 coelhos e 7 ratos) com veneno de Bothrops jararaca (Wied, 1824), um
segundo lote de 9 animais (4 coelhos, 2 ratos e 3 cães) com veneno de Crotalus
terrificus terrificus (Laurentius, 1768). Dois coelhos foram inoculados por via
endovenosa, 3 cães foram injectados por via intramuscular, e os animais res-
tantes, subcutãneamente. Os animais foram autopsiados em um tempo que
•variou de 5 minutos, 1, 2, 4 até um total de mais de 23 dias depois da primeira
injecção de veneno. As quantidades totais de veneno variaram de 250 micro-
gramas até 50 miligramas, introduzidas por um única dose ou distribuidas por
v-irias doses em dias consecutivos.
Além da forte hemorragia e do edema com necrose de coagulação do tecido
celular subcutâneo e dos musculos estriados voluntários subjacentes, no lugar
da injecção, as principais lesões no envenamento botrópico experimental consisti-
ram, no seguinte:
1) As hemorragias eram amiudadas em vários órgãos internos, nos animais
inoculados com veneno botrópico. No envenenamento crotálico, as hemor-
iTigias são raras, nos órgãos internos e ao contrário, repetidas, no sistema
nervoso. Desse modo, parece aos autores que as hemorragias viscerais são
mais frequéntes, no ofidismo e.xperimental por Bothrops jararaca do que
1 SciELO
86
ENVENENAMENTO BOTRÔPICO E CROTALICO
no envenenamento crotálico experimental pelo Crolalus terrificus terrificus
(America do Sul) e também talvez pelo Crolalus adamanteus (America do
Norte) cujo veneno foi estudado por Pearce.
2) A trombose hialina nos capilares foi encontrada, no lote de 15 animais in-
jectados com veneno botrópico em 9 casos (60%), sendo que no pulmão,
em 7 casos (47%). Mas com a exclusão de 2 coelhos injectados por via
endovenosa, há em 13 animais inoculados por via subcutânea, 9 casos de
trombose hialina dos capilares (69%) e, no pulmão, em 7 casos (54%).
Esse facto ocorreu exclusivamente, no lote com veneno botrópico e nem
uma vez sequer no grupo com veneno crotálico. Por essa razão, os autores
chamam a atenção para o valor prático que poderá ter tal lesão para o
diagnóstico diferencial do envenenamento ofidico. Até hoje, não se havia
atribuído tal importância por outros investigadores à essa lesão.
A hialino-necrose da parede capilar e arteriolar, como foi descrita por
Rotter, só foi encontrada em 1 caso, na pele, no lugar da injecção, no grupo
inoculado com veneno botrópico.
3) Quanto às lesões renais, os autores descrevem, no ofidismo botrópico
experimental, somente lesões hiperemico-hemorrágicas, em partes idênticas
àquelas descritas por Pearce, no envenamento experimental pelo Crolalus
adamanlcus (America do Norte). Comtudo, não acharam nos animais
injectados com veneno de Bolhrops jararaca, os sinais de glomerulonefrite
encontrada no homem por Mac-Gure (em picado por Bolhrops jararaettssu')
e também pelos autores em um caso humano, em curso de publicação. Uni-
camente, em 3 cães do grupo injectado com veneno de Crolalus lerrificus
terrificus (America do Sul) acharam os sinais de glomerulonefrite em focos.
O tipo de lesão produzida nos órgãos, no envenenamento ofidico, parece
depender da espécie zoológica dos animais usados nas observações e varia
de acordo com a qualidade do veneno que por sua vez depende do género
c da espécie da serpente doadora do mesmo.
SUMMARY
The authurs relate in detail the histological lesions found in 24 animais
inoculated with snake venom. The first lot of 15 animais (8 rabbits and 7
rats) was injected with the venom of Bolhrops jararaca (Wied, 1824) and the
second lot of 9 animais (4 rabbits, 2 rats, 3 dogs) was injected with the venom
of Crolalus terrificus terrificus (Laurentius, 1768). Two rabb;ts were inocula-
ted intravenously, 3 dogs received intramuscular injections and the rest were
injected subcutaneously. The animais were autopsied within a period ranging
from 5 minutes to 1, 2, 4 and up to 23 days after the first injection of the
Mem. Inst. BatanUn. M. DE FREITAS AMORIM; R. FRANCO DE ME1.LO 07
23:63-103, julho 1951. * F. SALIBA
venom. The doses (0,25 — 50,00 mg) were administered eitlier all at once or
distributed over several consecutive days.
Besides severe hemorrhage and edema, with coagulation necrosis of subcuta-
neous cellular tissue of the voluntary striated muscles subjacent to the place of
injection, the principal lesions in the cases of experimental bothropic poisoning,
were as follows:
1) Hemorrhages were frequently found in the internai organs of animais
inoculated with bothropic venom. In crotalic poisonings they were rarely
present in the internai organs but, on the contrary, more oíten found in
the ner\'ous System. Thus, it seems to the authors that visceral hemorrha-
ges appcar more frequently in cases of experimental poisoning by Bothrops
jararaca than in experimental crotalic poisoning by Ctolalus terrificus
terrificus (South America), and perhaps by CrotaUis adamanleus (North
America) as described by Pcarce who demonstrated that the venom of C.
adamanteus produces hyperemic-hemorrhagic glomerular lesions in the
kidney.
2) In the lot of 15 animais injected wnth bothropic venom, hyaline thrombosis
in the capilbries was found in 9 cases (60^), 7 cases (47Ç{)) of which
were of the lung. Ilowevcr, excluding 2 endovcnously injected rabbits, there
are 9 cases of hyaline thrombosis in the capillaries of 13 animais inoculated
(69%), 7 cases (54%) of which are of the lung. This fact occurred
only in the lot with bothropic venom and not once in the lot with crotalic
venom. For this reason, the authors call attention to the practical value
which such a lesion may have in the diagnosis of snake poisoning, after
this fact has been confirmed in a largcr numbcr of cases. Up to the
present, other investigators have not attributed such importance to the above
mentioned lesion.
Hyaline necrosis of the capillary and arteriolar walls, as described
by Rotter, was found in only one case in the skin at the place of injection.
3) With regard to renal injuries, only hyperemic hemorrhagic glomerular le-
sions are described in bothropic poisoning, in part identical to those des-
cribed by Pearce in e.xpcrimental poisoning with CrotaUis adamanleus
(North America). Howevcr, no signs were found of glomerulonephritis
in the animais with bothropic venom such as were found in man by
Mac-Qure {Bothrops jararacussu) as well as by the authors in one human
case now in course of publication. Signs of focal glomerulonephritis were
found only in the 3 dogs inoculated with the venom of Crotalus terrificus
terrificus. Therefore, the t}'pe of lesion produced in the organs by snake
poison seems to depend on the zoological species of the animal used in the
1 SciELO
88
EXVENEXAMENTO BOTRóPICO E CROTALICO
obsen-ation. It also varies in accordance with the quality of the poison,
which in tum depends on thi genus and probably also on the zoological
species of the serpent from which the poison was obtained.
ZUSAMMEXFASSUNG
Die Verfasser beschreiben eingehend die an 24 Tieren durch Schiangengift
hervorgerufenen histologischen Schãdigungen. 15 Tiere (8 Kaninchen und 7
Ratten) erhielten Gift von Bolhrops jararaca (Wied, 1824) und 9 Tiere (3
Hunde, 4 Kaninchen und 2 Ratten) Gift von Crotahis terrificus tcrrificus
(Laurentius, 1768) injiziert. Das Toxin ^\-urde bei 2 Kaninchen appiiziert. Die
3 Hunden intramuskulãr und bei den übrigen Tieren subkutan appiiziert. Die
Giftdosen (0,25 — 50,00 mg) w-urden entweder auf einmal gegeben oder auf
mehrere aufeinanderfolgende Tage verteilt. Die Sektion der Tiere wurde 5
Minuten und 1, 2, 4 bis mehr ais 23 Tage nach der erstcn Giftinjektion vor-
genommen.
Bei expcrimentellcr Bothrops — Vergiftung wnirden ausser starken Hã-
morrhagien und Oedem rait Koagulationsnekrose des Unterhautzellgewebes an
der Injektionsstelle und der darunterliegenden quergestreiften Muskulatur
hauptsãchlich folgende Verãnderungen beobachtet:
1) Blutungen in verschiedenen inneren Organen der mit Bolhrops Gift be-
andelten Tieren wurden õfters beobachtet. Bei Crotahis — Vergiftung
waren diese selten, wãhrend hierbei widerum õfters Blutungen im Ner-
vensystem beobachtet ^vurden. Die Ver ff. haben daher den Eindruck, dass
viscerale Hãmorrhagien bei e.xperimenteller Bothrops — Vergiftung hãu-
figer sind ais nach Applikation von Giften der Klapperschlangen, und zw'ar
sowohl des sGdamerikanischen C. t. terrificus wie auch vielleicht des nord-
amerikanischen C. adamantcus, dessen To.xin von Pcarce untersucht wurde,
der fand, dass es hjqjerãmischhãmorrhagische Glomerulusschãdigungen
hervorruft.
2) Unter den 15 mit Bothrops-Giit behandelten Tieren wurde in 9 Fãllen
(60^) hyaline Kapillarthrombose beobachtet, da von 7 mal (47%) in der
Lunge. Wenn man 2 intravenõs injizierte Kaninchen von der Betrachtung
ausschliesst, zeigten 9 der restlichen 13 Tiere hyaline Kapillarthrombose
(69%), davon 7 in der Lunge (54%). Diese Beobachtung ^\•urde aus-
chliesslich bei Bo//iro/>j-Vergiftung gemacht und nicht ein einziges Mal bei
Cro/fl/iíj-Intoxikation. Falis dieses Phãnomen an Weiterem Untersuchungs-
material bestãtigt wird, mõchten die Verff. auf seine mõgliche Bedeutung
für die Differentialdiagnose der Schiangenbissvêrgiftung hinweisen, was
anderc Forschcr bisher unterlasscn haben.
Mem. Insc. BntuiUn.
a:63-108, jnlbo 19 S 1 .
M. DE FREITAS AMORIM: R. FRANXO DE MELLO
4 F. SALIBA
89
Hyaline Nekrose der Kapillar — und Arteriolanvand, wie sie Rotter
beschreibt, •wnirde nur in einem Falle in der Haut der Injektionsstelle
angetroffen.
3) Von Nierenschãdigungen durch experimentelle Bot/irops-Vergiítung ^vur-
den nur hyperãmisch-hãmorrhagísche Glomerulusverãnderungen beobachtet,
die teihveise mit den von Pearce mit C. adai/ianfeus-Toxin erhaltenen iden-
tisch sind. Anzeichen von Glomerulonephritis, wie beim Menschen von
Mac-Clure nach Biss von Bolhrops jararacussu und in einem Falle auch
von den Verff. beobachtet (im Verlauf der Publikation) wurden bei den
mit B. jararaca-Giít behandelten Tieren nicht gesehen. Nur bei 3 Hunden,
die Injektionen von C. t. terrificus-Toxm erhalten hatten, wurden Zeichen
vrn Glomerulonephritisherden gefunden. Der Typ der durch Schlangen-
gift an den Organen bcwirkten Schãdigungen scheint daher von der zoolo-
gischen Species der Versuchstiere abzuhãngen. Er verãndert sich ausser-
dem auch noch je nach den Eigenschaften des Giftes, die ihrerseits wieder
von der Gattung und wahrscheinlich sogar der Art der das Toxin liefemden
Schlange abhãngen.
Agratkcctnos à Sra. Ludlia M. Atnorim que voluntariamente
fez os desenhos coloridos que ilustram o nosso trabalha Igual-
mente, somos gratos à V. Mondim e à M. A. de Toledo pelas
preparações histologkas e pelas manipulações biológicas. Agrade-
cemos também a A. Seixas, as microfotografias e à C Franke,
as traduções.
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SciELO
3 11 12 13 14
Man. Inst. Butantan,
23:63-108, julbo 1951.
M. DE FREITAS AMORIM: R. FRANCO DE MELLO
& F. SALIBA
91
Ficvka k.* 1
Artenola com hialino^nccrosc da parede com ruptura dc um lado, conteúdo pequenat
massas trombóticas hialinas. Edema e exsudato inflamatôrto do cooectiro cm torno do vaso.
Um capilar em pré^tase, à esquerda. Pele do coelho n.* A (57H8), inoculado com
25 mgm de veneno botróptca Coloração por 11. (Microsc. binoo. Zetss Obj. <10,
Oc. K 10). Desenho de Lucilia Maia Amorim.
1 SciELO
Mcm. Inst. Butantan,
3:63-108, julho 1951.
M. DE FREIT.\S AMORIM; R. FRANCO DE MELLO
4 F. SALIBA
Jt
^ •'^c.^ítNorífV)
ftCVKA }».• 2
Pulmão de coelho, forte aumento, coloração por il. E. Notam-»e a e»querda e no
centro, dots capilare*. contendo trocr.boa hialinos no interior. No angulo inferior direito
da fi^ra. há um capilar normal, contendo erítrocidos liem isolados. Coelho n.« A (83.48),
injectado com 50 mgm de veneno boCrópico. (Microsc. Zeiss binoc.. Obj. 40, Oc. K 10).
Desenho de Lucilta Maia Amorim.
^ •.e,t , •% i' *^4
•ç
«
)
Ficcaa x.* 3
Um pré-capilar de pulmão do mesmo caso anterior, contendo de um lado uma pequena
massa trombótica e do outro, eritrocitos isolados. Coelho n.» A (83-48), injectado com
50 mgia de veneno botrópico. (Microic. Zeiss binoc. Obj. 20, Oc. 6). Desenho de
Luctlia Maia Amorim.
1 SciELO
SciELO
2
3
5
6
z
cm
10 11 12 13 14 15
Mem. tnst. Butantan.
D:63 I08, julho 1951.
M. DE FREITAS AMORIM: R. KRAXO) DE MELLO
& F. SALIBA
Kicuka 5
Rira do rato n.* A (87^8). injcctado cora tngm de de veneno botrópico. NoCa>»e á direita»
em baixo entre o gkmierulo e o folheto externo da cápsula de Bowman. a pre»cnça
de massas dc fibrína filamentosa. Sinct|uia de alças glcraeruares e da cápsula» á
esquerda. Coloração pela H. e E. (Microscop. Zeiss binoc. Obj. 40, Oc. K 10).
Desenho em brarco e preto por Lucilia Mata Amorim.
1 SciELO
*
Mon. ln»l. Baunun. M DE FREITAS AXIORIM; R. FRANTO DE MELLO
3:63-108. jalho I9S1. 4 F. S.XLIBA
ri<.v»A » •
Micti ♦. c*'CTr«r«>nílrnlc »o «1* ^nh.» 4* ('cura n.* I. p^rin ^ ni om aum-n! i
150 Hiâmr ro*. Corlho n.* 5r.4.<, ín)rttar‘ crnn 25 mc. «fc TCT>mo Vrr j
dr^ris-^ (b ficura n * I IVlc. Coloração II. K.
W
'4^ ^ -J. ^ ^
í JS"' i', ••
*lii
b^'/í '-Sf* 4
• ▲ ^9. * • ^ 9 • ^ _
s
«
^ V
\
FicrtA X.* r
t o mewno córtf hi«toIó*i'co dí ficora n.» 6, ma» cotn uma am|4iac3a ilc 450 vnr».
Ci-mparar com o dc«cnho colocólo da íítura n.* I que é o racrno c<ittc com a mc«ma
dcacriçáa Fclc do cocibo n.* 5#-48 in<ru -ilo cum 25mcm dc vtmcno boirófico. C-loracáo
I-jr U. E.
99
2 3
SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
100
EXVEXEXAMEXTO BOTRôPICO E CROTALICO
Ficika X * 8
Zona da inocnlacio do vrnmo. n>o«trando a rração infUmatòria. \ ditciu t nn drai,
avíMa ».- um capiUr tromhoMdo. Prit do coriho n.* 57-4í« injctUdo com 25 mim dc
vcncni bc«r<>i*ico. MicrofoCografia com um aumento de 5S0 veetA. Coloeacio po»
Ficu»a X-* 9
Necrose de uma arietiola na zona inilamada do hipodenra onde o eeneno foi introluzido.
Pele de coelho n.* 5"-48 que recebeu 25m(m de eeneno botrópico. MicrofoCojrafia x 750.
Çolpracão por H. E-
SciELO
3 11 12 13 14
Nfcrn. InsC Batontin,
23:6J-108, jnlho J95I.
M DE FREITAS AMORIM; R. FRANXO DE MELLO
& F. SALIBA
101
Ficvia >f.* 10
íIa inncaU^ão do vcnct Z^fiu dc nrcfo*c c de hemorragia entre »»• feixe» mu*.
cttlarr* e^trU*!"*. Rat.» n.* S54^ que reerheu 1 injeção de 4 mgm de \-enen.» Iiotrópêco.
Micn>fo(f«rafia de côrte de pele um aumento dc 90 Teres. CoUiracão por II. K.
Ficcba 11
Musculatura n<- ponto de in‘<uUç* - d== «'netw. I^gcneraçÃo hialina da* fibras musculares
roluntárias, Tcodi c detrit» <le célula* necrtMadat em torno da* me*ma«. Coelho n.*
8d-4S injecUdo cten 50 trem de renetio botrOpico por ria subcutAoca. Microfotografia %
7Sf> C^doraçio por II. E.
1 SciELO
1Ò2
ENVENENAMENTO BOTRôPICO E CROTALICO
Ficcia 12
rAucrra». Prtcapuir, moAtrando o* «ea» ramos trombosados. Coclbo inoculado cocn
SOm^ni. de veneno bolrópico. Animal n.* 79-48. MicrofoloçTafia x 570, Coloração
por II. E,
Ficcsa x.» 13
Pulmão. Vista de conjunto do pulmão no qual sobresui. clatamente um precapilar trosn-
bosado. Microfotodrafia x 130. Coelho n.* 83-48 injectado com 50 m(m dc vcoct»
botripico. Coloração por H. E.
SciELO
3 11 12 13 14
Mra Inst. Butintan, M. DE FREITAS AMORIM; R. FRAXCO DE MEI.I.O
a:63-108, julho 1951. ’ 4 F. SAMBA
103
Ficcia X.* 14
Pnimio. cMjocriU. ri-tc um capiUr dilatado com o Iam» cheio de bemiciat. A
direita há um capilar com o lume obliterado por um tromba hialino. Coelho n.» 8J-4».
injeciado com 50 ni*m de TcDctw boirdpica Colorafáo por H. E. Jiicrofutocralia x 530.
Ficrta X.* 15
Pulmão Dois capilares ctuemeroente dilalatlos cten oa seus lumes quase totalmente
trosnhoaudos. Somente existem ataumas bemacias mdtas em um lados dos capr.ares.
CooUvi n • iepectada com 50mcm de eeiieno boirópico. Colorocão por H. E.
Microfotocrafia x 4S0.
1 SciELO
15
104
ENVENENAMENTO BOTRÓPICO E CROTALICO
Ficvia *•* 16
Pulmjo. Prccapibr enm o lume parcialmcntc oMiterailo (wf lr«nl» llpíco que e»ta
ji. cm parte .klimila.!.. por cílula» emUdiai». A otil« parte do lume a^cícnla o»
erilroeiloi livre». Coelho n.* 8J.4!< inoeulado com SOmem -le veneno boCrópico, Colo-
ração poe H. E. MierofoCturafia x 460.
Fiei-a» ».* 17
Pulmão do coelho n.* S.I-4*. E’ o mesmo corte que o da fwura lu* 16 m<»trantlo a parte
ohlilerada pelo tromlio no précapilar jã delimitada pelas célula» emMeliais. Coloracao
pela H. E. Microlotografia x 750. Animal injcciado coea 50 mxm de veneno boCropico.
^r«n. Inst. Butanun. M. DE FREITAS AMORIM: R. FRANCO DE MEI.I.O JQS
a:6J-I08, jolho 1951. * SAI.IBA
KicriA X.* IS
PuImÃo <k> corthn n.* 8^9 inKCU«lo c««fn 50 mem dc vrnmo tio(r6|>tco, modraml» unu
arterioU fMitrra>La trc<nlK»tica. C«>rte hi«loôftcn c«>rrr«piinilmtr ao dc«ctiho
colorido da fizuta n.* 4 com a mesma dcitericlo, CdoracSo i«ta U. R. XltcrofuCofrafía
X 155. Kaicr a cieni^raçáo entre a fizura n.* 4 c a fienra n.* 18.
Ficvia X.* 19
t o mesmo córte hirtolÓxico da fixara n.^ 18 , |■•rcm c««i «ma amfltai;^, de 460 xnn
fara cridcnciar a ma»u Irombitiea no inferiiT da arteriola que ru* mostra na sua parcele
rarías fibra* mo^culares Hm*. Xo lado ««itterilo <ta ftfura. em l^aixo. ve-*e o epitelto
dlindrico brooqtsolar. Gdoração pela H. £.
1 SciELO
15
106
ENVENENAMENTO BOTRóPICO E CROTALICO
Ficu*a 20
Rim. Inchação tanra com degeneração hidrofnca doo toboloo. Vem-oe dois clocoerulos
com a hialinização das atças c com oma pctioena deposição de fthrina. Rato n.* 87*48
com 2 iT^rm. de veneno boirópico. Coloração pHa li. K. Microfo(f«rafta x 400. Ver
fiffora n.® 5.
Fici'>a k.* 21
Rim do rato n.* 87'48, tnoenUdo com 2 de rmemo botrópico. O glocnerulo da
fifTtira apresenta uma bemorrairia intracapsnlar ^ esquerda. Há no mesmo sloncnilo «nu
deposição de fibrioa e também uma isqoemia das a!ças do mesmo. CeJoração per
H. E. Microíotofrafia com um aomenio de 6b0 diâmetros.
SCÍELO3
13
15 16
Slnn. Inst. Botanlan. M. DE FREITAS AMORIM; R. FRAXCO DE MELLO
a;6J-I08. jnibo 1951. 4 F. SALIB.V
Í07
Ficc»a X.» 22
Córte bi<tai6(Ka do rim do rato n.* 87.48, injcctado com 2 mg de Tcnmo butrApico. O
Klomemlo da ficara moatra i eaqoerdi, nma al^ bialiniiada. Também, no lado eoiuerdn,
hã uma nura de forma ovoide com o aapecto de fibrína. bem de:imiuda. Coloraçio por
II. E. Microfo(o«rafia x 750.
Ficraa x.* 25
Rim do Rato n.* 87-48 inoculado com 2 m*. de renct» boCrópico por via •ubcutinca. O
Ctomemlo acima mootra iaqncmia e um aumento do teu Tolume. \ direita reae uma
alça capilar bialinizada. contendo fibrina. O campo desta microfotrcrafia c couiTalente ao
do dcícnbo cm branco e preto da ficura n.» 5. Coloração por H. E. Ampliação de
750 diâmetroa.
1 SciELO
Man. Inít. BotinUn.
a: 109-114, Aftwto 1951.
JOSÉ M. RUIZ
109
SOBRE A DISTINÇÃO GENÉRICA DOS CROTALIDAE (Ophidia:
Crotaloidea) BASEADA EM ALGUNS CARACTERES OSTEOLÓGICOS
{Nota prclimitiar)
POR JOSÉ M. RUIZ
{Secção de Zoologia Medica, Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil)
Os caracteres ósseos, em especial os craneanos, são fundamentais na estru-
turação da sistemática dos ofideos. Essa sistematização, no que se refere aos
crotalideos, pode-se dizer, tem atualmente um limite que não ^•ai alem do gru-
pamento família. A distinção especifica e, consequentemente a genérica, é feita,
mormente, à base de caracteres morfológicos externos. Raros autores dão, cm
suas descrições especificas, caracteres osteológicos e, quando o fazem, se limitam
frequentemente á enumeração dos dentes. Descrições detalhadas são encon-
tradas esporadicamente. Estudos seriados se referem aos grandes grupos.
Estudos de conjunto, para grupos especificos ou genéricos entre os crotalideos,
não existem ao que nos conste, não obstante terem sentido essa necessidade auto-
res como Stcjnrçer, que já em 1907 (Smith. Inst., U. S. Nat. Buli. 58: 466)
afirmara:
“As a matter of fact, until the cranial strueture of all the \'arious
forms which make up tlie bulk of the Crolalidac is known, generie
combinations must bc verj- uncertain in this family.
Essa opinião fóra emitida ao constatar certa heterogeneidade entre espécies
do gênero Trimeresurus. Precisamente esse gênero e seu “rival” americano
Bothrops tem sido e continua a ser um dos problemas não resolvidos da siste-
mática dos crotalideos. Os demais gêneros incluidos atualmente na familia são
diferenciados, com relati\-a facilidade, em base nos caracteres externos. Entre-
tanto, pelos atuais conhecimentos, os ofiologistas sentirão dificuldade ou mesmo
impossibilidade cm reconhecer, pelo simples exame do crâneo, por exemplo, a
posição genérica de um dado especime. Existe, sem dúvida, uma grande lacuna
neste importante setor da ofiologia (ainda que não refiramos a sua repercussão
na paleontologia). É quase certa a previsão de que o preenchimento gradativo
Entregue para publicaçio cni 23 de agosto de 1951.
SciELO
110
SOBUE A DISTIXÇAO GEXÉRICA DOS CROTAUDAE iOfhidia:
CnHüJoiJfa) BASEADA EJI ALGUXS CARACTERES OSTEOLÓGICOS
dessa lacuna venha trazer algumas surprezas e esclarecimentos a problemas sis-
temáticos hoje obscuros, que pousam sobre uma situação de conformismo.
A presente nota é um tentâme preliminar nesse sentido. Sob a forma de
chave damos a diferenciação genérica dos Crotalidae, com base em alguns caracte-
res osteológicos do conjunto maxilo-palatal que, a julgar pelo material exami-
nado, nos parecem de real valor, tais como:
1 . Morfologia do maxilar (parte)
2. Morfologia do transverso ou ectopterigoide.
3. Morfologia do palatino.
4. Extensão dos dentes pterigóides.
5. Relação entre o comprimento do transverso (medida máxima, externa)
e da parte basal (até o limite posterior do transverso) do pterigoide.
Xão entramos na discusão desses caracteres que serão referidos com maior
detalhe em próximas publicações.
CH.-WE GENÊRIC.\ DOS CROTAUDAE B.\SE.\D.\ XOS OSSOS DO
COXJUXTO MAXILO-PALATAL
1. Osso transverso mais curto que a porção basal do pterigoide (figs. 27, 2&)
AGKISTRODOX.
Osso transverso mais longo que a porção basal do pterogóide (figs. 20 a 26) 2
2. Osso palatino em forma de forquilha, apresentando uma apófise dorsal (figs. 12 a 16).
Borda da cavidade maxilar (vista antero-lateral-e.xtcma) regular, formando uma curva
simples cm semicirculo aberto (figs. 4, 19) BOTHROPS.
Osso palatino não bifurcado como anteriormente, a porção dorsal formando uma
dilatação ampla, convexa (figs 5 a 11). Borda da cavidade maxilar apresentando
uma léve reentrância ou uma apófise pequena, formando duas curvaturas distintas 3
3. Dentes pterigóides ultrapassando o nivel da articulação transverso-pterigóide. Osso
transverso muito forte com a parte distai ou anterior dilauda e de forma um tanto
quadrangular (figs, 23. 24), TRIMERESURUS.
Dentes pterigóides não ultrapassando o nivel da articulação transverso-pterigoide. Osso
transverso mais delicado, não formando uma dilaUção distai 4
4. Apófise da borda da cavidade maxilar lisa (figs. 1, 2, 18)
CROTALUS c SISTRURUS.
Apófise da borda da caridadde maxilar apreseriUndo uma cavidade bem diferenciada
na parte externa (fig. 17) LACHESIS.
Pelos caracteres eni apreço não é possível distinguir os gêneros Crotalus e
Sistrurus.
A presente chave é baseada no estudo de 90 cráneos, /3 por nós preparados
e os dernais existentes na coleção da Secção de Ofiologia do Instituto Butantan.
2
3
L
5
6
Mnn. Inst. BtrtasUn.
a : 109-114. Agwto 1951.
JOSÉ M. RUIZ
111
Serv-irani de base as espécies tipo de cada género e tantas espécies adicionais
quantas nos foi possivel e.xaminar até a presente data, conforme passamos a
enumerar :
1 . Gênero Bothrops (11 espécies) :
B. altcmatus, B. atrox, B. bilineata, B. cotiara, B. hyoprora, B. ittsu-
laris, B. erythr orneias, B. ncuzvicdü, B. jararaca, B. jararacussu, B. lans-
bergü e B. nasula.
2. Gênero Crotalus (11 espécies):
C. atrox atrox, C. adamantcus, C. ccrastes, C. conflucntus conflucntus,
C. conflucntus (?), C. exsul, C. horridus, C. lepidus, C. molossus. C.
iriscríatus, C. tcrrificus tcrrificus e C. tiçris.
3. Género Sistrurus (2 espécies):
S. catenatus catenatus e S". tniltarius.
4. Gênero Agkistrodon (4 csjiécics) :
A. blomhoffii, A. himalayanus, A. mokascn e A. piscivorus.
5. Gênero Trímeresurus (2 espécies):
T. gramineus e T. xiaglcri.
6. Gênero Lachesis (csp. única) : L. inuta.
ABSTRACT
This paper deals with the generic differentiation of the Crotalídac, baser on
osteological characters of the ma-xilopalatal coniple.x.
This work is bascd on the examination of 11 Bothrops species, 11 Crotalus,
2 Sistrurus. 4 Agkistrodon, 2 Trimeresurus and 1 Lachesis.
SciELO
112
^ GENÉRICA DOS CROTALWAE (O^kUia-
Crotaloulta) BASEADA EM ALGUNS CAR-XCTERES OSTEOLÔGICOS
EXPLICAÇÃO DAS FIGURAS
KIG. N.«
1.
Maxilar
de
2.
"
3.
-
4.
-
5.
Palatino de
6.
•
7.
-
8.
-
S.
-
10.
-
11.
-
12.
-
13.
•
14.
•
15.
■
16.
•
17.
Maxilar
de
18.
-
19.
m
20.
Transrerso e
21.
•
22.
23.
-
24.
•
35.
•
26.
-
77.
28.
•
Sisfntruf c^trnatus catenatms
Sistrurnj müiariuj
Tnmrresnrus çnminmj
Açkixtrodcn ^crrcnts
SUtmrus mUiartuf
Crotalms hcrridus
Lochrju muta
Sisirmrms cairnafmj nfmctus
Cro4alHS ítmfícKs tfrrificus
Trimrresvrns tra^/m
Trimfresnrms çnminmt
BotkroP* jararaca
Bútkrí^ps eoiiara
BathroPs jararaca (risU anterior)
Batkropt atrox
Bctkrcps nmtvttdi
L^chcns muta
Crotalms trrrificMs terrificus
Batkraps atroT
Laekeris muta
Crotaiuj trrrificuj tcrrificus
7*rti*ierrrMr«x traçlrri
Trimrrcjnms çramimms
BcikraPf altfmcta
Batkraps atrox
^ffkisirçdon maiasm
^ffkiiiradan tiscivcrux
1 .
Todos na mesma escala
(exceto fig. 7), Ori^nais.
VI 2 .
Todov na mesma
escala crífinais.
SciELO
3 11 12 13 14
SOBRE A DISTINÇÃO GENÉRICA DOS CROTALWAE (.Ophidiai
Crctaioidea^ BASEADA EM ALGUNS CARACTERES OSTEOLÓCICüS
cm
*
Uon. Icut. BntaataB*
JJ : 115-12J. A*osto 1951-
S. B. HENRIQUES, OLGA B. HENRIQUES &
LINDA NAHAS
115
ON THE EPINEPHRIXE — INDUCED FALL OF BLOOD
EOSINOPHILS.
Action of diethylstilbestrol and the adrcnolylics: Z-bcnzylimidazoUnc hydro-
chloride (Priscol), yohimbine and pypcridin-methyl-bensodioxane (933 F)
BV S. B. HENRIQUES, OLGA B. HENRIQUES and LINDA NAHAS
It has been known for a long time that epincphrine injcctions cause an
increase in the adrenal weight (1). This fact has been interpreled as a con-
sequence of the non-speciíic stressing action of adrcnaline (2) or of the
physiological stimulation of the anterior pituitar)- (3). It is also known that
prolongcd treatmcnt with high doses of stiibestrol causes a markcd increase of
the adrenal glands. Skelton, Forticr and Selye (4) obser\’ed that 1 nig of stilbes-
trol administered daily to rats during 10 days caused a fali of the adrenal
cholesterol and ascorbic acid to 1/4 and 1/10 rcspcctivcly of the control values.
The production of cortical homiones by the adrenal glands is always associated
with a decrease in its content of cholesterol and ascorbic acid (5). We felt
that an assay of the activity of the adrenals of rats treatcd with diethyl-stilbestrol
might throw some light on the undcrstanding of the adrenal physiology.
This paper is both an attempt to block by adrenol>-tics the epinephrine-
induced increase in production of cortical hormoncs (Experiment I), and a
study of the actirity of adrenal glands depleted by prolonged treatment with
diethylstilbestrol (Experiment II). Since the judgement of actirity of the
adrenal was assessed by counting eosinophilic leucoc)-tes, involving the analysis
of data with Poisson’6 distribution, to which most biologists are not familiar,
details of statistical analysis will also be given.
Experiment I.
INFLUENCE OF ADRENOLYTICS ON THE EPINEPHRINE-INDUCED FALL
• OF EOSINOPHILS.
MATERIAL AND METHODS.
Rats — 64 male white rats weighing from 120 to 160 g were distributed
at random into the latin square presented in table I, the letters of which are
explained in table II.
Trabalho entregue para publicação em 20 de agosto de 1951.
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
cm
116
os THE EPIXEPHRIXE — IXDUCED FALL OF BLOOD
EOSIXOPHILS.
Table I
l.alin square used in the txperimeni designed to íiudy the influence of adrenolytics on
lhe epinephrine-induced eosinophil fali *
Table II
Meaning of lhe letters of lhe latin square prcsenUd in table I
labibilors
F.pinephrine
Witbomí*} With
Wilhoal (•) ..
A
B
Prtícol
C
D
Yvhtmbine...
E
F
933 F
G
H
(*) Willumt — 0.9% Mdiam chioríde wu administcred instcad o{ tbe
inliibitor» or oí epincptiríoc.
Dniffs — Parke-Davis & Co. adrenaline hydrochioride, Specia’s piperidin-
methyl-bcnzodioxane (933 F), Riedel-Hãen’s yohimbine hydrochioride, and
Ciba’s "Priscol” solution.
Trcatmcnts — All animais receivcd 2 subcutaneous ihjections, the second
30 minutes after the first, the latter bcing in a volume o{ 0.5 ml / 100 g of
body weight while the former in 0.2 ml per 100 g. The dosages used were
the following: epinejArine — lOOr, yohimbine and 933 F — 5 mg/Kg body
weight and Priscol — 10 mg / Kg of body weight. All animais were bled
tvvice from the tail for eosinophil counting, the first bleeding being done 20
minutes after the first injection and the second 4 hours after the second
injection. The 64 rats, therefore, constituted the followring groups of eight rats:
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Mcm. Inst. Bntuun.
2i ; 115-123, Acosto 1951.
S. B. HEXRIQUES. OLGA B. HEXRIQÜES &
LIXDA XAHAS
117
Group I received only 0.9% sodium chloride injectíons and senxd as abso-
lute control. Group II received 0.9% sodium chloride in the first injection
and epinephrine in the second one. Group III ser5-ed as control for Priscol
injections, receiving Priscol in the first injection and 0.9% sodium chloride
in the second. Group I\’' received Priscol in the first injection and epinephrine
in the second. Group V served as control for yohimbine injection, receiving
yohimbine in the first injection and 0.9% sodium chloride in the second.
Group \ I received yohimbine in the first and epinephrine in the second
injection. Group \'II ser\-cd as control for the 933 F, receiving 933 F in
the first injection and 0.9% sodium chloride in the second. Group VIII recei-
ved 933 F in the first injection and epinephrine in the second.
The eosinophilic countings were made in 1/10 diluíion of the blood in
Dunger's fluid in which the concentration cf acetone was increased to 15%
aceording to a modification for rat blood (6). The countings were made in a
hematimetric chamber of 0.1 mm of height in which all the eosinophils present
in 16 mm- were counted.
RESITLTS
Table III picsents the results for the eosinophil countings obscr\'ed 20
minutes after the first injection in all animais, and table IV presents the
final ^-alues obser\*ed.
Table III
Initial tvJufs for cosinofhUs in 0.16 cu. mm. of rat blood
20 minutes after
Eoainophils
in rat
n.®
injectton <*) of
1
2
3
4
5
6
7
8
I
0.»fi Xaa
19
19
42
41
23
40
4
20
II
0.9», Xaa
18
17
60
70
24
96
8
36
III
PflKol
S
23
18
13
10
31
8
23
IV
Pritcol
13
9
41
40
47
18
17
21
V
Yohimbine
21
32
6
93
57
64
3
21
VJ
Yohtmbioe
61
11
1
9
13
20
26
33
VII
sn F
34
13
36
17
37
43
38
3
VIII
933 F
31
13
28
48
19
13
19
64
(*) (ubcntaiMoas in a Toionie o{ 0.5 mI/100 ( o( rat
SciELO
118
ox THE ---HRINE - --CEO EALL OE BEOCO
Table IV'
Final wlucs for eosinofhUs in 0.16 cu. mm. of rat blood
EotioopbJi
ia rat
n*
Group
TreAtment
1
2
3
4
5
6
7
s
I
Two iniections oí
0.9«, NaQ. o .
19
19
27
27
23
51
1
15
n
0.9*, NaCl + EP'-
D«phrÍDe ....
2
3
29
20
11
47
2
13
ni
Priscol -f-O.Q** NaCI
19
7
3
7
lã
7
IV
PríKol 4- Epineph-
2
6
3
11
19
10
2
2
V
Yoh>mbin« + 0.9**
NaO
9
7
0
33
19
33
2
0
VI
Yohimbiní
phrinc
25
5
4
6
0
11
5
9
Vtl
933 F + 0 9*.. X»C1
20
23
31
6
17
15
S5
19
VIII
933 F + Epinrphrioe
25
11
li
13
11
13
4
The analvsis of this kind of data is common.j oonc u> ^
cach group for .hc gmcn.1 average of ini.ial by covanance
““'ma. data rr.r. submittrd to covarianc. analysis at.er th. tranafomn-
tion V4r 4- 1,'^ bcing the different ^•aU^es foxmd.
Tb. r.to.t of tbisW cot. b. s«n f„ tabf. V. «n o tb^ tt.
Aotrs tbat n.ith.r days (ro»s of th. latm »,uar. oi tabl. I), or ord.r
Table V
Uegr^cs
Som» of »qoarf9
prodoct»
and
)U*tfd
D^grer»
of
Variante
Snurce of T.iUlion
o[
v2
aquar^s
fri^^dom
frrfdom
X* *y
Rows (dav*). . •
15697 110.16
115.29
40.00
7
5.714
24.54
117.35
Colucnn^ ...»
7
73.63 61.21
73JÍ7 27. *'7
65 91
124.59
7
• ••
16.764
Trratmenl» . •
122.38
41
2.990
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42
49S «S 294.06
296.92
Tol.I
63
f04 55 493.30
601.71
(•••) highir lignific»®*
(*) The transformation
a normal one.
ion V 4.r -f T is used to transform the Poissoo diitribution into
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Mrm Inst. BaUntan.
:: : 115-12Í. Acosto 1951.
S. n HENRIQUES. OI.OA B. HENRIQUES S
LINDA .NAHAS
119
trcatment. influeiiced tlie final coiintinjjs. Hiit ihe trcatnienls caiiscd a liijjhlv
sijjnificant differcnce in thc rcsj>onses. I'ÍK. I prc.^ents tlie 80^f confi<lence
liinits (*) of the averagcs of the ci}«ht Rroiips.
It can l)e secn that I*ri.>icol and yohinibinc alonc pnxlucc a lall of cosinophils
and none of thein inhihits tlic epineplirine-induccd fali of eosinopliils. On tlic
other liand in;.|K-ction of fi^. I sucin.s lo indicatc that a ccnain jiroti-ction was
pruvidfd by 933 1'.
933F+ EPINEPHRINE
933F + 0.9 •/. N.CI
YOHIMBINE + EPINEPHRINE
YOHIMBINE + 0.9-/N.CI
PRISCOL -t- EPINEPHRINE PRISC0L+ 0.9Z N^Cl
0.9Z hUCl + EPINEPHRINE
2 X 0.9% N,C1
4.0
5.0
6.0
7.0
6.0
9.0
10.0
cotifWmc» I.miu ol l.iul o< bWrf Arcra,r, «rr,rtc.l hy
cotarúim aiuI).» «ilh inilial ,ihr» alttr tbr tr»n,íonimi.„ y" 47 " ^ |.
Thercforc we reix-ateil tlu- c.xjxrrinii-nt coni|>arinx tlu- action of adrenalinc
on eosinopliils in animais injectetl with .salinc witli that of the .'vime dnis; in
animais injecteil with 20 mK of 933 K |Kr Kji of IhkIv wcitjht. The resiilt of
this e.\|)eriment is |)resente<I as confidence limits of the correcteil averapes in
t.ahle \T. It .should U- oh.semil that the fin.il valnes .are .alK.nt the donhie
(•) The usr of 80^ ONifidence liniit> of a m-i of avera^e
cictcct statistically .sÍRnificant clifferenecN am.mK tlxin. It can bc dcmonslratcl that thc
probability of a diffcrcncc beins duc to chance is at nx>st 0.0/ when thc superior S0<T
confidence limit of thc sniallcr averase just touches thc inferior confidcncc limit of the
liirucr isic ('»).
*
170 ON THE EPIXEPHRIXE — IXDLXED FALL OF BLOOD
EOSIXOPHILS.
Table VI
Corrcctcd confidensc limits of axvrage final eosinofhxl counts of animais ircalfd u-ith
rfinefhrine flus
0.97o SaCl or 933 f
Trratmrnt
Correcird (*) M)*,
liroil^
confidente
inícrior
superior
Salínc .Kpinephnne
S.SÕO
12.030
933 F t Kpinephrioc
9.225
I3.41í:i
(*} Br covariance anaJysU with tbe inilial coainophil couMinc.
of those pre.-^ciitcd bv fig. I. This is diie to the fact that the cosinophils
prcsent in 32 nini* wcre counted in.stead of 16 nim*. It can lie scen tliat no
protçction was afforded.
^
■ 0 , .1 f-. * • • ' * «Swt
Fic. ’
SuriaiTiop^t^ic WAtc^íil o( ;MlrcnaI of a n<‘nDal ral (A) aiwl of a rat trcatci With
di«th;1«tin<«trol (Rl.
cm
2 3
SciELO
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Mem. iMt. Butinun, S. B. HENRIQUES. OLGA B. HENRIQUES & 121
n : 115-121, Ar»t« 1951. LINDA NAHAS
Experiment II.
ACTIVITY OF ADREX.\L GLAXDS DEPLETED BY PROLONGED
TREATMEXT WITH DIETHYLSTILBESTROL.
MATERIAL AND METHODS
24 nialc white rats, weighíng from 150 to 200 g wcre distributed at random
into 3 groups. Group I received 1 mg oí diethylstilbestrol in 0.2 ml of ethyl-
arachidate subcutaneously. Group II ser\-ed as normal control receiving 0.2
ml of ethylarachidate subcutaneously. Group III s€r\e<l as adrenalectomized
control receiving the same treatment as group II. These injections were given
daily for 14 days.
On the fiftheenth day of treatment the eosinophils of each animal were
counted, and each animal received 100 y of epinephrine dissolved in 0.2 ml
per hundred grams of body weight, 4 hours later the animais were bled again
and the eosinophils were counted. After that the animais were killed and at
lutopsy the adrenlas and thymus were removed and weighed. Histological
senions of the adrenals wcre made and colored for adrcnal lipids by Sudan III.
RESULTS
Observation of microscopic scctions colored by Sudan shows a complete
disjppcarance of sudanophilic material of the adrenals of rats treatcd with
stilbestrol. This can be seen in a typical case prcsented in fig. 2.
Tablc VII prcscnts other pcrtinent results.
Table vii
Adrenals, and thymtis wAghts and adrenal aclhity (•) of rats treaUd tfilh dUlhyl-stilbestrol
Adr^naU
Thymus
Final
cutiaophtN(***)
cootidence limilt
Dtcthyl‘»t>Ibestrot lhes
rpíoepbrioe
37.1 — 12.9
t~)
17.9 — 87.8
12 6 — 13.6
Oil, thro epÍDrphrine .
30.1 — 3S.5
168.0 — 210.9
12.0 — 13.3
Adr- Ecl- T. -i-
oil, theo rpioepbnnc.
231.7 - 291 6
18.5 - 21.7
(•) £piiiephnae>ítMlucMl rainoplul fill.
(••) Absolate wcickt Ío mf.
(***) Aíler tbe tnmfonrutioii y 4 r T »nd corrtxtioo by corariaoce anljr*^
(— •) ToUl »drena;«clc«ny
SciELO
122
OX THE EPIXEPHRIXE — IXDCCED FALL OF BLOOD
EOSIXOPHILS.
It can be observed, as already known, that treatment with diethylstilbestrol
cause<l a signiticant increase in the weight of adrenal glands and a thjTnus
atrophy.
As to the responsiveness of adrenals to epinephrine it can be seen that the
stilbestrol-treated rats, with complete exhaustion of the sudanophilic material
of the adrenal, presented final eosinophil countings equal to those of normal
Controls.
DISCUSSION
Previous work showed that dibenamine (10) and dihydroergocomine (11)
do not block the increase in the adrenal córtex activity produced by epinephrine
injections. \Ve can see now that Priscol, yohimbine and 933 F are also unable
to block this epinephrine action. As a matter of fact, in the experiment herein
reportcd it \%-as observed that Priscol and yohimbine produce by themselves an
increase of cortical hormones secretion as detected by the eosinophil fali. This
action is similar to that described for dibenamine (10).
More work is therefore neetlcd to find an adrenolytic blocking the epi-
nephrine-induced fali of blood eosinophils. It is to be cxpected that such an
adrcnoljTic would clarify the mechanism involved in the activation of the
' hj’pophysis by adrcnaline. Still more important, it might also throw light on
the mechanism involved in the activation of the h>'pophysis by stress in general.
Our results show also that rats treated with stilbestrol for fourteen days
do not present an exhaustion of the adrenals causcd by overproduction of cortical
hormones. This is in contradistinction to the hypothesis of Mc Phail and
Read (12), which attributed the death of mice treated with stilbestrol to corticM
insufficiency. Vogt’s (13) comparison of the action of stilbestrol on the adrenal
with the action of antithyroid substances on thyroid is also not substanciated by
our results. It seems therefore, that stilbestrol, while keeping the adrenal working
at high levei (4) does not exliaust its capacity of responding to a superimposed
stimulus, as adrenaline.
SUMMARY
1. Priscol, yohimbine and 933 F, in the amounts used, do not inhibit
the fali of blood eosinophils caused by epinephrine.
2. Priscol and yohimbine cause by themselves a fali of blood eosinophils.
cm
SciELO
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Man- Inít. BuUntan,
ÍJ : 115-123, Ar»»o 1951.
S B. HENRIQUES. OLGA B. HENRIQUES 4
LIND.\ NAHAS
123
3. Prolonged treatment of rats with diethylstilbestrol does not induce an
exhaustion of the adrenal córtex in what concems honnonal secretion, as
detected by the test of eosinophil fali.
SUM.\RIO
1 . Os adrenoliticos Priscol, ioimbina e 933 F nas quantidades empregadas
nêste trabalho não inhibem a queda de eosinófilos do sangue provocada pela
adrenalina.
2. O Priscol e a ioimbina por si sós determinam uma que<la dos eosinófilos
sanguineos.
3. Pelo teste de queda de eosinófilos, verificou-se que tratamento pro-
longado de ratos com dietilstilbestrol não causa exaustão das adrenais no que
diz respeito à sua ati\'idade cortical.
.•\cknowkdRcments — Our thanks are duc to Prof. \V. L.
Stevens without wliosc hclp this work wonld probably not bc
done. Our thanks arc also duc to Prof. Moacyr dc Freitas
.Xmorim for the interpretation of the histological scctions and to
Mtss Vera Mondin for their preparation.
BIBLIOGRAPHY
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SciELO