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MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
1952
TOMO XXIV
*
São Paulo, Brasil
Caixa Postal 56
As “MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTAXTAX” são destinadas
à publicação de trabalhos realizados no Instituto ou com a sua contribuição.
Os trabalhos são dados à publicidade logo após a entrega e reunidos anualmente
num volume.
Serão fornecidas, a pedido, separatas dos trabalhos publicados nas
“ Mcmó'ias”, solicitar.do-se nesse caso o obséquio de enviar outras separatas,,
cm permuta, para a Biblioteca do Instituto.
Toda a corrcspondccia editorial deve ser dirigida ao:
INSTITUTO BUTAXTAX
Biblioteca
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S. Paulo, BRASIL.
PEDE-SE PERMUTA
EXCHANGE DESIRED.
cm
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MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAX
I X D I C E
TOMO XXIV (Fasc. I)
1 952
6 .
NAHAS. L. & ROSENFELD, G. — Regeneração dc hcmacias, hemoglobina
c proteinemia cm cavales após sangria. Influencia do ferro e da soja I
Hematies, hemoghbine and protrinemia nrgeneration in horses after bleedintj.
The iron and soybean influence
BERTI, F. A. & ZITI, I.. M. — The preparation oí 2,6-I)in:troanilinc 9
SCHEXBERG, S. — A simple eletric drop rccorder 13
RLTZ. JOSÉ M. — Contribuição ao estudo das formas tarvárias de trematóides
brasileiros. 2. Fauna dc Santos, Est. dc S. Paulo 17
Contribution to lhe knotdcdge of Brarilian lanai trematodes. 2. Baúna
of Santos. State of São Paulo, fírarit.
RLTZ, JOSÉ M. — Sobre um novo Cnathostoma assinalado no Brasil ( AYmj-
toda: Cnathostomatidae) 37
About a neto Cnathostoma encountered in Brazd ( Sematoda : Cna-
thostomatidae).
RUIS. JOSÉ M. — Contribuição ao estudo das formas tarvárias de trematóides
brasileiros. 3. Fauna de Belo Horizonte e Jabnticatuhas, Estado dc
Minas Gentis 4 -
Contribution to lhe kncntledge of Brasilian lanai trematodes. 3. fauna
of Belo Horizonte and ) abo tua tuias, Sate of Minas Cerais.
RLTZ. JOSÉ M. — índices cercáricos específicos do Schistosoma mansoni veri-
ficados cm Xcves c Mariana, Estado dc Minas Gerais ^
Cercarical s peei fie inderes of Schistosoma mansoni ereountered in .Vetes
and Mariana. State of Minas Gerais.
TOMO XXIV (Fasc. 2)
1952
1. ROSENFELD. G.; RZEPPA, H.: NAHAS. L. & SCHENBERG, S. _
Hcmolysis and blood concentration of sulíones “ in vivo” (jg
2. RIECKMANN, B. — Some symmetric a-ansinoacetyl derivatives of 4.4‘-diami-
nodiphcnylsulfonc --
3. SLOTTA, K. & PRIMOSIGH, J. — A ncw mcthod of quantitative paper
chromatograpby
4. RLTZ, JOSÉ M. — Técnica de perfusão para a coleta de Schistosoma mansoni
em animais de laboratório jqj
A perfusion technique for coltecting Schistosoma mansoni from laboratory
animais.
2 3 4 5 6
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6 .
9.
10 .
11 .
14.
15.
RU1Z, JOSÉ M. — Schistosomose experimental. 1. Receptividade de Procyon
cancrironis à infestação pelo Schistosoma mansoni 111
Experimental Schistosomosis. 1. Recepthnty of Procyon cancrivorus to
the infestation by Schistosoma mansoni.
RUIZ, JOSÉ M. & COELHO, E. — Schistosomose experimental. 2. Herma-
froditismo do Schistosoma mansoni verificado na cobaia 113
Experimental Schistosomosis. 2. Hermaphroditism of Schistosoma man-
soni verified in Guinca-pigs.
BüCHERL, \V. — Aranhas do Rio Grande do Sul 127
Spiders jrom Rio Grar.de do Sul.
HOGE, A. R. — Notas Erpetológicas. Revalidação de Thamnodynastes strigatus
(Günther, 1858) 157
Xotes on Herpetology. Rcralidation of Tliamnodynastcs strigatus ( Giin -
ther, 1858).
HOGE, A. R. — Xotas Erpetológicas. Contribuição ao conhecimento dos Tcs-
tudinata do Brasil 173
Xotes on Herpetology. Contribution to the knmlcdge of Testudinata from
Brasil.
HOGE. A. R. — Xotas Erpetológicas. l. a Contribuição ao conhecimento dos
ofídios do Brasil Central 1/9
Notes ou Herpetology. l. a Contribution to the knoiilcdge of the Ophidia of
Central Brasil.
HOGE, A. R. — Xotas Erpetológicas. 22 Contribuição ao conhecimento dos
ofídios do Brasil Central t 215
Xotes on Herpetology, 22 Contribution lo the knowMge of the Ophidia
of Central Brasil.
HOGE, A. R. — Snakes irom the Uaupés Region 225
HOGE, A. R. — Xotas Erpetológicas. Revalidação de Bothrops lanccolata
(Lacépède) 23*
Xotes on Herpetology. Reivlidation of Bothrcps lanccolata ( Lacépède).
HOGE, A. R. — Xotas Erpetológicas. Anomalia na lepidose e pigmentação das
escamas dorsais cm B. jararaca e B. altcniata 237
Xotes on Herpetology. Anomaly on the lepidosis and pigmentation of the
dorsal scales in B. jararaca e B. alternata.
HOGE, A. R. — Xotas Erpetológicas. Uma nova subespécie de Leimadophis
241
reginae
Xotes on Herpetology. A neto subspecics of Leimadophis reginae
HOGE, A. R. — Xotes on Lygophis Fitzingcr with revalidation of two subspecies 245
HOGE, A. R- — Herpctologische Xotizen. Farbenaberrationcn bei Brasilianischen
Schlangen 269
LEAO, A. T. & COCHRAX, DORIS M. — Revalidation and re-descriptbn of
Bufo ocdlatus Günther. 1858 (,-litura: Bufonidae) 271
AMORIM, M. de FREITAS & MELLO. R. FRAXCO de — Xefrose do
nefron intermediário no envenenamento crotálico humano. Estudo anatomo-
patológico 281
Xephrosis of the intermediate nephron in the human crotalic poisoning.
Ar.atomo-pathological study.
cm
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Jlon. Ir.st. BuUntan.
24 (1) : 1-S. 195.2.
L. XAHAS A G. ROSENFELD
1
REGENERAÇÃO DE HEMÂCIAS, HEMOGLOBINA E PROTEÍNAS
EM CAVALOS APÓS SANGRIAS. INFLUÊNCIA DO PERRO E DA
SOJA
rés L. NAHAS & G. ROSENFELD
(Laboratório de Hematologia do Instituto Butantan. S. Paulo, Brasil)
Whipple e Robschcit-Robbins (1), c.n cães com anemia correspondente a
50% mantida por sangrias repetidas, demonstraram que o sulfato terroso acelera
a produção de hemoglobina, mas que doses acima de um ótimo, que tot de 40 mg
diárias por via oral nessas experiências. não provocavam aumento de regeneração.
Buecbler e Guggenhcim (2) mostraram que proteínas da soja exercem ação
favorável sobre a formação de hemoglobina. Ratos que receberam 9 g de i.i-
rinlia de soja por dia. apresentaram uma produção diária de 2% de hemoglobina.
A farinha de soja favorece também a rcctqicração da taxa de pro cinas
plasmáticas. segundo as experiências de McNaught, Scott. Woods c V.l.ipplc
(3) em cães desproteinizados por plasmaferesc. Usando soja cm doses corres-
pondentes a 130-170 g de proteínas por semana. 24 horas após a ingestão, consta-
taram um aumento de proteínas do plasma mais acentuado para as albuminas, ao
contrário do que acontece com a maioria dos cereais que aumentam nitidamente
as globulinas.
Lcwis e Taylor (4) demonstraram que a soja autoclavada apresentava van-
tagens em relação á soja crua. Indivíduos alimentados com essa substância
autoclavada apresentavam uma retenção de azoto proteico 20% maior do que
aqueles que receberam soja crua.
Nosso objetivo foi verificar a influência do ferro c «la farinha de soja,
associados ou não, na regeneração das hcmácias. hemoglobina c proteínas plas-
mática-, após grandes sangrias, em cavalos utilizados na produção de soro anti-
tctánico no Instituto Butantan.
MATERIAL E MÉTODOS
Quinze cavalos usados rotinciramentc jura a produção de soro antitctánico
foram divididos cm 5 lotes de acôrdo com a dieta diária :
Entregue para publicação em 27 de novembro de 1951.
REGENERAÇÃO D'K HEMACiAS. HEMOGLOBINA E PROTEÍNAS EM
CAVALOS APÓS SANGRIAS. INFLUÊNCIA DO FERRO E DA SOJA
Lote 1 — regime habitual (alfaia, capim angola, cana e milho à vontade, sal uma
vez por semana).
Lote 2 — regime habitual + 1 g de sulfato ferroso + 9 g de cloreto de sódio.
Lote 3 — regime habitual + 1 g de sulfato ferroso + 100 g de soja + 9 g de
cloreto de sódio.
Lote 4 — regime habitual + 2 g de sulfato ferroso + 9 g de cloreto de sódio.
Lote 5 — regime habitual + 2 g de sulfato ferroso + 300 g de soja -j- 9 g de
cloreto de sódio.
A dieta suplementar era administrada antes da ração habitual e feito con-
trole atim de verificar si os animais ingeriam todas as substâncias. A farinha
de soja foi autoclavada durante 1 hora a 120.°.
Vinte e quatro horas antes da sangria fazia-se um primeiro exame, outro,
24 horas depois, prosseguindo-se com exames semanais. As determinações fo-
ram feitas em sangue venoso oxalatado a 0,2 g %. A hemoglobina foi dosada
em electrofotômetro e as proteínas totais, no plasma oxalatado, pelo método de
Philips. As sangrias atingiam 5% do peso do animal e eram feitas em dias
consecutivos.
RESULTADOS
A média do aumento diário era determinada da seguinte maneira: para
cada elemento, as diferenças entre o valor mínimo e máximo era dividida pelo
número de dias que o animal necessitava para atingir o valor máximo. Com
esses aumentos diários para cada animal foi determinada a média para cada lote.
O tempo de regeneração para cada elemento foi basedo no número de dias decor-
ridos desde a sangria até o animal atingir o valor máximo do elemento con-
siderado.
TABELA 1
Medias dos aumeutos diários afós a l. a sangria
(3 cavalos em cada lote)
M^dia do
aumento diário
Lote 1
Regime habitual
Lote 2
Ferro 1 g
Lote 3
Ferro 1 g-f soja 100 g
Lote 4
Ferro 2 g
Lote. 5
Ferro 2 g -f soja 300 g
Hcraácuis
mm'*
73.179
65.950
120.307
66.220
71.065
Hemoglobina
R %
0,136
0433
0.210
0416
0453
Proteínas
R %
0,075
0.071
04 S2
0,052
0404
cm
SciELO
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Slea. latt BsUalie,
24 (I) : 1-S, 1952.
L. XAHAS Sr G. ROSEXFELD
3
O sulfato ferroso nas doses de 1 ou 2 g diárias não acelerou a regeneração
das hemácias, hemoglobina ou proteínas plasmáticas. O sulfato ferroso adicio-
nado à farinha de soja autoclavada na dose de 1 g de sulfato ferroso com
100 g de soja (lote 3) mostrou um nitido aumento diário de hemácias, hemo-
globina e proteinas plasmáticas. No entanto, esse aumento parece ter sido oca-
sional para as hemácias c hemoglobina, pois doses maiores das mesmas substân-
cias. isto c 2 g de sulfato ferroso e 300 g de farinha de soja (lote 5) não
mostraram nenhum aumento desses elementos. Houve, porem, aumento de pro-
dução de proteinas nos lotes 3 c 5 que recclieram farinha de soja (Tabela 1).
TABELA 2
Tempo de regenerarão em dias após a 1 .* sangria
(3 cavalo» cm cada lede)
L"»f
1
Late 1
Lote S
Lote 4
Lote 5
Llcmer.to»
Hrgimc habitual
Ferro
c
Ferro «o]4 lOQtf Ferro
U
Fcito -f-ftojaDOOg
e *5
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49
OM
J7
Protrtou
35-77
CAI
a
*AI O
*
«70
, A tabela 2 mostra a variação individual do tempo de regeneração e a
média desses tempos. Pelos valores obtidos, verifica-se que lg de sulfato ferro-
so -f- 100g de farinha dc soja (lote 3) proporcionou uma regeneração mais rápida.
Entretanto, isso não deve ser devido a essas substâncias, pois doses maiores das
mesmas não provocaram diferença cm relação ao controle (lote 1).
Comparando os valores antes c depois da l. a sangria, observa-se (tabela 3)
que houve uma recuperação completa cm todos os lotes, para todos elementos,
tendo mesmo sido atingidos valores superiores aos iniciais. Não demonstraram
vantagem aqueles que receberam dieta suplementar, tanto dc ferro como ferro
associado àsoja.
REGEXERAÇAO DE HEMÂCIAS. HEMOGLOBINA E PROTEÍNAS EM
CAVALOS APÓS SANGRIAS. INFLUENCIA DO FERRO E DA SOJA
TABELA 3
J r aior"cs anteriores e máximos atingidos depois da l. a sangria
Os valores representados são as médias de 3 cavalos cm cada lote
O
Hé macias x 1.000
mm**
Hemoglobina
g %
Proteínas
g '•
Anticorpos (••)
ü. I. / ml
Lote
Antes
* Depois
Antes
Depois
Antes
Depois
Antes
Depois
1
7.660
8.897
14.5
13.9
9.36
11.54
650
630
2
6.730
3.660
13,0
13.7
9,26
11.54
733
1.017
3
7.540
9. C00
13,5
15.6
S.97
11.09
333
117
4
8.150
7.4S0
13.3
14.0
8.97
9.93
650
630
5
7 230
8.230
13,5
13*1
8,72
9.95
967
630
(•) Lote 1 — Rcjfitre habitual.
Lote 2 — Regime habitual -f- lg sulfato ferroso.
Lote 3 — Regime habitual + lg sulfato ferroso + 100g soja.
Lote 4 — Regime habitual -f- 2g sulfato ferroso.
Lote 5 — Rojime habitua] -f 2g sulfato ferroso -f 300g soja.
( ) t . I. (unidades internacionais). A titulagem de anticorpos fo» feita no Laboratório de Imuno»
logia pelo dr. Murilo P. Are veda
TABELA 4
Elementos
Lote 1
3 cavalos
Regime habitual
Lote 2
3 cavalos
Ferro íg
Lote 3
1 cavaiho
Ferro lg -fr- soja lOQg
Variação
individual
Média
Variação
individual
Média
Hemácias
35-70
54
63-77
68
56
Hemoglobina
35-56
44
56-77
66
36
Proteínas
21-63
36
14-42
33
42
Após uma segunda sangria o tempo de regeneração (Tabela 4) foi sensi-
velmente o mesmo, que após a primeira (Tabela 3). Porém, o ritmo diário da
regeneração das hemácias, hemoglobina e proteínas foi menor (Tabela 5). Nessa
fase o ferro associado à farinha de soja (lote 3) provocou um ritmo mais rápido-
do que somente o ferro ou o regime habitual. Todavia no que se refere às
proteínas plasmáticas os animais não conseguiram refazer-se completamente, pois
não foram atingidos os níveis anteriores à sangria (Tabela 6).
cm
SciELO
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Mux Itvst. BcUstan,
L. NAIIAS & G. ROSEXFELD
D
Nenhuma das dietas mostrou ação favorável sòbre a produção de anticorpos,
quer na primeira quer na segunda sangria (T alicia 5).
tabela 5
Compara(ão da regeneração após a /.* e 2 .* sangrias
Medias dos aumentas diários
Lote 1
Rrjtntf lUtoitaal
3 rarAl<>%
l.ole 2
Ferro Ij:
3 cavalo*
Ulf 3
Kcr»o Ig -f K))a 10CH:
1 raTalo
HtmirU» por mro-1
!l MBKTU
75.179
C.930
120 307
:< MBCna
41. MU
*.X3
67.300
Hrnwmlobm» *
li Mttnâ
0.1*
0.1»
Ull
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0.1»
0.1»
IWflw R *•
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0.K7I
0.1Q
!« «Mgri*
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0.0»
02)16
. TABELA 6
Médias dos valores anteriores e máximo atingido depois da 2 .* sangria
2. Fauna de Santas, F.stado de S. Paulo
Ci
llftniea. * 1.00*
ram 3
H«na*!otM»a
«%
Piolttna*
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1
3 ravatoa >
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7.60
uu
114
1116
138
2
3 mtiIm
SOM 8 2S)
tu
11.
ii.m
9.(9
3
1 Cirllo
».3S0
9.060
1M
116
12.00
7.*e
(•) Ltrt 1 — Rivm fcabiln»L
Late 2 — Rtcisx Eií«taal + 1* wlfito ferro».
Late J — Rtxime luMttut + 1* »«lfi«o (crnxo + 100* rojx.
DISCUSSÃO
Após a primeira sangria, vcriíicou-sc que a suplcmcntação da ração habitual
com sulfato ferroso isolado ou associado à soja não melhorou a regeneração
f REGENERAÇÃO DE HEMACIAS. HEMOGLOBINA E PROTEÍNAS EM
CAVALOS APÓS SANGRIAS. INFLUENCIA DO FERRO E DA SOJA
sanguínea. Isso demonstra que a ração dada aos animais controles era suficien-
temente rica dos elementos indispensáveis, de nada valendo um excesso de ferro,
como já haviam demonstrado Wipple e R. Robbins (1). Essa primeira sangria,
embora atingisse 5% do peso corporal não prejudicou aparentemente os animais,
pois as hemácias, a hemoglobina e as proteinas plasmáticas atingiram valores su-
periores aos verificados antes da sangria. Entretanto, após uma segunda san-
gria não houve recuperação completa das hemácias e hemoglobina e somente
animais que receberam suplemento de ferro e soja atingiram ou superaram os
valores iniciais. Isto significa que apesar da regeneração aparentemente ótima
após a primeira sangria, houve diminuição das reservas de ferro e proteínas,
evidenciada pela regeneração deficiente após a segunda sangria. A administração
de ferro compensou a deficiência da reserva, porém a de proteinas não foi pos-
sível compensar com a soja. Além disso, evidenciou-se também uma certa in-
capacidade dos órgãos hematopoiéticos, pois a regeneração das hemácias, hemo-
globina e proteinas foi menor mesmo nos lotes tratados com dieta suplementar
(Tabela 5).
Baseados no retorno ao nível anterior das hemácias e hemoglobina, Yaz
c Araújo (5) concluiram que o tempo suficiente para a recuperação é de
mais ou menos um mês, afirmando por isso, que após esse tempo, pode ser
iniciada uma nova imunização sem prejuízo para os órgãos hematopoéticos.
Nossos resultados não concordam com esses dados, pois que, não só o tempo
necessário {vira a recuperação das hemácias foi maior (médias de 33 a 68 dias)
como também o simples retorno a valores de hemácias e hemoglobina iguais ou
superiores aos anteriores não significa que o animal esteja cm condições idên-
ticas, porque, após uma segunda sangria não houve o mesmo comportamento,
tendo sido necessária a suplementação de ferro e proteínas, afim de favorecer
até certo ponto, a produção de hemácias e hemoglobina, sem conseguir, entretanto,
recuperar as proteinas plasmáticas.
RESUMO
Em cavalos do serviço de imunização anti-tctânica foi experimentada a
influência do sulfato ferroso isolado ou associado à farinha de soja autoclavada,
sobre a regeneração das hemácias, hemoglobina e proteínas plasmáticas após
sangria.
O tempo individual de regeneração foi sensivelmente igual após a l. a e 2. a
sangrias, oscilando entre os limites de 21 e 77 dias. A primeira sangria não
prejudicou aparentemente os animais, pois as hemácias, hemoglobina e proteínas
atingiram niveis mais elevados que as anteriores à sangria, não tendo demonstrado
vantagens a administração de ferro nem soja nessa fase. .Depois da segunda
sangria a regeneração não foi tão boa tendo reagido mais favoravelmente os
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Mm. Init. Bauoun. L. XAHAS k C. ROSEXFELD 7
U ( 1 ) : 1 -*. 1952 .
animais tratados com dieta suplementar. Xo entanto nessa fase houve deficiência
da regeneração das proteínas em todos os animais.
Os titulos de anticorpos não foram influenciados pelas dietas suplementares.
Esses dados demonstram que o tempo de descanso deve ser maior do que
indica a simples recuperação dos valores de hemácias c hemoglobina, pois há um
esgotamento relativo dos órgãos hcmatopoicticos que só c compensado parcial-
mente pela administração de ferro c soja.
Agradecemos ao prol. C. H. Libcralli, <|t>e nos íomcccu parte
da farinha de soja.
SUMMARY
Is was investigated thc inílucncc of ferrous sulphate associated or not to
soybcan on thc regeneration of thc red blood cclls, hemoglohin and plasma
proteins after hlceding of horses utilized in thc production of anti-tetanic se rum.
The results show that thc regeneration time is practically thc same after
thc first and second hlceding, being bctwcrn tl»e limits of 21-77 days. The
first blceding sccms to liavc no efícct on thc animais, as thc red blood cclls,
hemoglobin and plasma proteins valuc- are even highcr than Ixrforc, hcnce thc
administration of tron or soybcan is of no advantage in this phase. After the
second bleeding the regeneration is not as good as after thc first hlceding. but
thc animais treated with thc stqiplcmcntary dict react a littlc better. All animais
show a deficicnt protein regeneration in this phase.
Thc antibody content is not influcnccd by thc supplementary dict.
Thcsc results show tliat thc resting time after large blceding must l»c longcr
than thc indicated by thc simple rccupcration of blood ccll and hemoglobin
values. Therc exists a rclativc exhaustion of thc hematopoictic organs which
can bc only partially compensated by thc administration of iron or soybcan.
BIBLIOGRAFIA
1. IFhiffie, G. //. * Robtckiü-Robldas, F. S. — Blood regeneration in severe anemia;
optimuni iron thcrapy and salt eífect. A mtr. J. Physiol. 92: 326. 1930.
2. Butchlrr, E. & Guggrnkcim, K. — Efícct of quantitative and qualitative protein defi-
ciency on blood regeneration: II Hemoglobin. Blood 4: 964, 1949.
3. McSaught. /. B.; Scoll, V . C.; II "oodt. F. U. & IFhiff-lt, G. //. — Blood plasma
protein regeneration controlkd by dict; eífccts of plant protein compared with
animal proteins; inflnencr by fasting and infeetion, J. F.ifer. Mrd. 63 : 277, 1936.
4. Lrtris, J. //. {fc Taylor, F. H. L. — Compara tive utilization of raw and autoclavcd soy
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5. !’«, E. & Aroujo, P. — Da Sangria de animais de imtmixação. Hem. Instituto Butantcit
21: 275. 1948.
cm
Vira. Ir. lí- BntasSaa,
24 (I) : * (**) -12, 1952.
F. A- BERTI & L. M. ZITI
9
THE PREPARATION OF 2,6-DI N’ ITROAN I LI N* E
By F. A. BERTI & L. M. ZITI
(Fron lhe Chemotherafeutic Labor atory; Instituto Butantan, São Paulo. Brasil)
During thc coursc of our work (1) wc necded to prepare 2,6-dinitroaniline.
According to thc rcaction:
NO» NO, N O»
“04^ "-O 50 ']"—
NO» NO» NO»
wc established thc proccdurc here dcscribcd which is esscntially tliat of Ullmann
(2), thc final produet licing ohtaincd by Meam distillation. Similar rcactions
are reported by Ilollcinan and van Hacítcn (3) and by Wclsh (4). 2,6-Dini-
troanilinc can also lie preporcd by hcating 2,6-dinitroiodol>ctucne (5), or 2,6-di-
ni t ro- phcny 1 - ( 4-nit robenzyl) -et her (6), or 2.6-dinitro-chlorobctucne (7,8) with
conccntrated alcoholic ammonia; by hcating 2,6-dinitroanisol with aqueous animo*
nia (9) ; by hcating 2,6-dinitro-chlorobcn2cnc or 2.6-dinit rophcnol with urca
(10) ; from 2-nitro-phcnyl-nitraminc and hydrochloric aci<l in cthcrcal solution
(11) ; from 2.6-dinitro-dibcnzyl-anilinc with acctic anhydridc and hydrochloric
acid (12) and from o*nitroanilinc with fuming nitric and sulfuríc acid (13).
AII details will bc givcn here to facilitatc its reproduction :
I. FOTASSIUVI 3,5 - Dl NITRO - 4 - CHLOBOCENZKNESULFONATE (•) ; In a
1-1 threc-neckcd. round-bottomcd flask, fitted with a mcchanical stirrer, a
thermometer rcaching thc bottom of tlic flask and a 200 ml dropping funncl,
are plactd 50 g (021 mole) of cnidc potassium 4-chloro-bcmcncsulfo-
nate (••). Thc flask is coolcd in an icc-watcr bath and, tindcr vigorous stirring,
(•) Lindemann, A. and Wfiifl, W. desenhe the simultancous sulfonation and nitration
of chlorobcnxenc (14).
(**) Potassium 4-chlorobcnzcnsulfonatc can be ohtaincd through the 4-chloro-bcmcnc-
sulíonylchloridc as follows: 105 g (0.5 mole) of ensde 4-chloro-bctuencsulfonyl chloridc
is heated in a ooe liter porcelain dish on the steam bath with a solution of 56 g (1 mole)
Entregue para publicação cm 30 de abril de 1952.
SciELO
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THE PREPARATIOX OF 2, 6-DIXITROAN1LINE
-700 T (102 5 ml 2.3 moles) of fuming sulturic acid (spedfic gra%it> \.9o,
„ * cen, o( sulfur trioxide) are gradually added through the
neh^urirtg this operation the shouM * — -
The stirring is contmued and. *hen t e slow i y through the
fuming suffuric and »«nc a O ^ ^ ^ during the
dropping “ the suiiuric-rtitric misture, the ice-r.a,er bath ts
rcaction. - stea m-bath during 5 hours. Alter coohng,
removed and the flask is heatea {iltered so i ut ion of 300 g of po-
the nitrated cojopound» added slojr ^ fa w , lh „f
tassium chlonde m 1°“^ ^ q[ (he temp erat„re mus. he avoided here
mtrous vapour . . . ~ - rlinitro- 4 -chlorobcnzcnesulfonüte
and. alter cooling. the preeipi.ated potas,,., m
U ffltered «th snction and thoroughly washed - h is drW
^ÍTaf^uZw" hours” U is a yelkrwish potvder sfhich tveighs
SS g (« i £1 of the theoretiea, amoun, tased o„ the potassmm 4-chlo-
3 ^...^— K—TSt m a 51 «de-
. , t *| 1 . fitted with a mechanical stirrer, are plac
necked, round-bottomed tlask, fitted "'m a whik stir .
350 ml of conc. aqueous ammonia (specitic gra\i > ' , .
s J notassium 3 5 -dinitro- 4 -chlorobenzenesulfonate are added m one
nng, 58 g of potassmm J.o «n . e _bath the water being heated
portion. The flask is «mmers m a When the water boils, heating
= «ngjhree hours. A.ter coohng £ >
:;r s & «.
46-50 e (84-92 per cent of the theoretical amount).
m 26.mLaOAX.uXB: The crude potassium 3 ^,n,tro+am,nobe..
H L Í4R rr '1 is added to 180-200 ml of 70 per cent sulfunc acid (
zenesulfonate (48 g) it» a(KR , • * • _ threc-necked,
ml of concentrated acid diluted with 78 ml of " at *0 con h a Pvrex g iass
round-bottomed flask of one hter, heated m “ ^ . len gth, this flask is
tube of 20 mm of internai diameter and about 30 cm m lengx
. , n( i t i le solution almost completei)- evaporated.
of potassium hydroxide m 2a0 m o > . alcohol and air-dricd. The crude
The hl, « rol u, ,„e theoretira, — , ,
material wcighs llO-lla g ( .• .imilarlv to 4 -acetaminobcnzenesulfonyl
«■«*— -f* dta* - add. M* MU -
chloride (15) from 290 g (1 - crude material is 100- 10a g
■ — -
37-50° . . «a rAAintr 70 ml of fuming sulfuric acid
(spedhc “ 70
cif ic gravity 1.5) well cooled in icc-water bath.
cm
SciELO
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Meta. Ir.it BuUctan.
« (I) : 9-12. 1952.
F. A. BERTI S L. M. ZITt
11
connected to a three-neckcd, round-bottomcd ílask of five liters, surmountcd
by two large Allihn-condensers. Tlie crystals oí dinitroaniline, íomicd during
thc stcam-distillation, and which could obstruet the connecting tube are casily
rcnioved with thc aid of boiling water passing through the opening on top of the
tubc (see fig. 1).
ar* (••) lonorl «farine thc ditfiIUtx» aici «Vkh wH Krk thc tnhe.
When thc temperaturc of thc bath reachcs 175-180^, steani is passed ra-
pidlv through thc mixturc. Thc 2.6-dinitroanilinc immediately distills and crys-
tallizcs in the rcceiving flask. Whcn 4-5 liters of water are collcctcd all thc
produet lias passed. After cooling thc distillatc in thc icc-box, thc cnstals arc
filtered by suction and air dricd (•). Thc crudc. dccp ycllow cnstals have a
mclting point of 137-139° and wcigh 16-20 g (55-68 per ccnt of thc theorctical
ainount bascd on thc potassimn 3,5-dinitro-4-aniinobcnzcncsulfonatc and 40-50
per ccnt bascd on thc potassium 4-chIorobcnzcncsulfonate (*♦). It niay bc
(•) Extraction of thc ycllow íiltratc with cther it utclctt.
(••) In the meantime a timilar proccdurc ha* appcartd iit Organic Synthcti» (16);
howctrcr thc final yicM there rrportcd (30-36%) i> lo» cr than that wc obtaincd in
steam-diitillcd produet.
SciELO
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cm
12
THE PREPARATIOX OF 2, 6-DIXITROAN1LI.VE
purified by recrystallization from alcohol (20-22 ml/g) ; after recrystalli-
zation the product is obtained as brillian\ deep ycllow crystals melting at
138-139.5.° (*). The recovery of recrystallization is 70-75%.
RESUMO
São dados detalhes para a preparação de 2,6-dinitroanilina que é obtida
através das seguintes fases:
1) Nitração de 4-clorobenzenosulfonato de potássio.
2) Aminação de 4-cloro-3,5-dinitrobenzenosulfonato de potássio.
3) Dessulfonação de 4-amino-3,5-dinitrobenzenosulfonato de potássio.
Os rendimentos em 2,6-dinitroanilina, com P. F. 137-139°, oscilam entre
40 e 50% do teorico, na base de 4-clorobenzenosulfonato de potássio.
BIBLIOGRAFIA
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2. Ulhrunn, F., Liebig’s Ann. 366:105, 1909; Chcm. Zcntr. 2: 123, 1909; cír. Mayer,
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12. Desai, R. D., J. Indian Chcm. Soc. 5 : 425, 1928; Chcm. Zcntr. 2 : 2234, 1928.
13. Macciotta, E., Gaze. Chim. Ital. 60 : 408. 1930; Chcm. Zcntr. 2: 1068, 1930. Cfr.
Gazz. Chim. Ital. 71: 91, 1941; Chcm. Abstr. 36: 1593, 1942; Ann. Chim.
Appl. 29: 81, 1939; Chcm. Abstr. 33 : 8582, 1939.
14. Lindcmann, H. & Wessel. W„ Bcr. 58: 1223, 1925.
15. Smiles, S. & Stewart, J., Organic Synthcsis Vol. 1, pg. 8, John Wiley & Sons, Inc.,
New York, 1932.
16. Schultz, H. P., Organic Synthcsis Vol. 31, pg. 45, John Wiley & Sons, Inc., New
York, 1951.
(*) The melting points recorded in the literature are: 137° (3) 137.8° (5);
138° (9); 138° (12); 138° (11); 138° (10) ; 138° (13); 138-139° (7); 138.5-139° (4);
141-142° (6).
cm
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Mra. Init. Batanun.
M (1) : IJ-I6. I9h2.
S. SCHEXBERG
13
A SIMPLE ELECTRIC DROP RECORDER
S. SCHENBF.RG
(Department of Phytiopathology. Instituto fíutantan, São Paulo, lirasil)
Simple drop recordcrs usualiy ctnploy «he drop wcight for dircct record or
the transmission of air pressure likc in thc Marey tairibour or in thc float
recordcrs. In some clcctric drop rccordcrs thc drop wcight closcs a circuit
(Condon). Thc diííicultics found in actual work of these apparatus are plcntiful
and thc tracings are not easily rccordcd.
Tive dcvicc described here works by tive drop principie closing thc circnit
like in thc Winton drop recordcr (1). It is conncctcd dircctly to thc 110 volt.
A. C. nvains and thc circuit is a simple one. Constnictkvn and operation cha-
racterist : cs nvakc thts dcvicc much ivK>rc use fui than thc commotv ones used in
biologkal laboratories.
Workituj principie — Thc circnit presenteei here (fig. 1) is for rccords on
snvokcd jvajvcr ttsitvg an clcctromagivctic signal (time nukcr).
TRANSFORME* IIOVOlTS INPUT ATO gOVOCTS OUTPUT
n* I — BfrtrW árop m orsWr kIwm.
A circnit lvaving one oi thc wires conncctcd to two nickcl chromc wires
original cs írotn thc nvains. This circuit is nonnally open. Tive falling of a
drop betwecn thc nickcl chromc wires doses thc circuit. Hiologvc Solutions
Entrcgis- para publicarão cm 23-5-1952.
SciELO
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14
A SIMPI.E ELECTRIC DROP RECORDER
contain electrolites in amounts sufficient íor the ílow of current through them.
The current originating froni circuit closing will pass through a sniall transfomier
decreasing its voltage to the levei of conimon recording apparatus. The current
used is 110 volt A. C, 50 or 60 cycles and the variation in 1/50 to 1/60 sec.
will always be in time with falling drops otherwise the ílow woud be a continuous
one. Each falling drop provokes many circuit closings and the pen registers
many tracings which are all superposed owing to the sniall kymograph velocity.
ConstructioH — The nickel chrome wire used is oí n.° 24 or 21 B & S
gauge. They are enclosed in an insulating plate and connected to the sniall
binding pOst to which the intermpted wire coming íroni the mains is also
connected. The nickel chrome wire is advantageous because of low price and
resistance to oxidation. The space between the two wires is easily adjusted to
the drop diameter.
The transformer is froni the conimon buzzer model with 110 volt input
and 4 to 20 volt output. When the electrolite concentration is weak the
transformer can be adjusted to a higher voltage or another transfomier with
greater output be employed.
In tliis Ialxiratory thcre have never lieen the need of using transfonners
giving more than 4 to 12 volt output, but when the electromagnetic pen is of
the high consuming current type there will l>e the need of a transfomier with
a larger capacity.
Adaptations — lt is possible to use the circuit before the transfomier to
make visible and audible the falling drops using a neon lanip and a buzzer or
to adapt a loudspeaker after the transformer which is useful for controlling at
distance the variation in frequency and for demonstrations purposes. The
current and voltage are sufficient for the buzzer loudspeaker and ionization for
the neon lanip. It is always useful to uso ?. time recorder (fig. 2) when the
Fig. 2 — Upper tracintr. drop rccord ; lower tracinjc time 6 *«*c. intervala.
chief purixise is to register the flow variations. When it is desired to determine
the total number of drops in prolonged observations it is possible to connect
an electromagnetic counter (2). It is also possible to use an electric buzzer
by adapting a pen in the vibrating plate (3) and with this simplification
there is no need to use a transfomier o relectromagnetic pen. In this way
both the recording and the audible signal are obtained.
Nem. loeí. Buucun.
U lll : 1J-16. 1952-
S. SCHEXBERG
15
RESUMO
É descrita uma montagem simples para a contagem elcctrica de gotas, com
o emprego de corrente alternada, usando pequeno transformador e pena inscritora
clcctro-magnética comum. São descritas igualmente possíveis variantes do mé-
todo. para tomar visível ou audível a passagem das gotas. Instala-se j>ara isto,
no circuito, uma lâmpada neon, o que facilita a observação e demonst rações ou
uma campainha, cigarra ou alto falante, obtendo um sinal sonoro.
REFERENTES
1. I Pinto» F. R. — J. Phy»:ol. 87: 20. 1936.
2. Isilf. J. V. P. — Pcrvmal cximiunication.
3. Rocha e Sihv, M. — Per v mal conmiumcation.
Mm Inst- BcUotan,
24 ( 1 ) ; 17 - 36 , 1952 .
JOS t MANOEL RUIZ
17
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS FORMAS LARYÂRIAS DE
TREMATÓIDES BRASILEIROS
2. Fauna de Santos, listado de S. Paulo
to» JOSÉ MANOEL RUIZ
(Secfão de Parasitoloffia, Instituto Butantcn, São Paulo, fírastl )
O índice cercárieo como íator no estudo epidemiológko da Sehistosomosc
ou dc outras trematoidoses c dc importância incontestável.
Esse indicc é representado pela percentagem dc infestação natural dos mo-
luscos. O sentido dessa pesquiza pode ser orictado de modos diversos conforme
ao fim a que se destinem os resultados. Preliminarmente poderiamos distin-
guir dois índices diversos: um índice cercárieo especifico c um índice cercárieo
global; o primeiro, dando a percentagem dc infestação por uma determinada
espécie dc cercaria, e o segundo, o da infestação total por cercarias ou formas
lanarias de trematóides, no primeiro hospedeiro intcm>cdiário. Evcntualmcntc
poder-se-iam estabelecer outros índices intermediários, como. por exemplo, indicc
furco-i crcárico ou dricanocercárico j>ara exprimir a percentagem dc moluscos
infestados por cercarias dc cauda bifurcada, etc.
Nos estudos epidemiológicos o interesse concentra- v principalmcntc para o
indicc ccrrárico especifico. A determinação dc todos os Índices específicos no
estudo dc certa região não é trabalho fácil c nem sempre é dc necessidade ime-
diata. mas por outro lado. a determinação <le um índice cercárieo especifico
requer do pesquizador conhecimentos liem especializados que o capacitem no
reconhecimento exato de determinada espécie c na diagnose diferencial cm face
de formas próximas.
Um estudo morfológico detalhado das formas larvárias dos trematóides, alem
dc ser ume necessidade cientifica imperiosa no terreno da sistemática c da bio-
logia do grupo, o é também no terreno da aplicação prática no imenso campo
da higiene.
Contrastando com o imenso cabedal de conhecimentos, que ja se conseguiram
no Brasil, referentes ao conhecimento dos trematóides digenéticos, sob vários
Entregue jura publicação em 7 dc fevereiro <Jc 1952.
SciELO
10 11 12 13 14
18
CONT..^^^^»&Sa i !4S 5 ,JUn - A * , “ DE
inteiramente por se fazer.
De todas as cercarias referidas em nosso pais. talvez com a “ ^
da de SchulOMoma mansoni. faltam dados anatômicos para unn boa .dent.f.caça
O estudo do ciclo evolutivo já feito em algumas das nossas especies e
trematóides, não permite reconhecer facilmente as lazes an
pela falta de dados morfológicos importantes nas descrições ong "a -
A necessidade de obter cercarias de Schistosotno mansom para fins de
bairros do Saboó c do Jaboqu.ru ondo prol, .oram abundan, emon«_
No bairro do Saboó. Leão do Moura (1945) constatou um IU- dç 0. ,
Ao nairro oa , ,- 9 Auslra l or bis dissecados. Ao
tinho (1949), encontrou a infestação sob um mc ice i
examinando material abundante, de vários pontos. . ,
Sobro 250 exemplares do rWrutorKr capturados em fms de Outubro -lo
1951 , encontramos dois parasitados por SM*— — — ou «» um ICE
igual a 0.8 /c. . Maoalhâos (1949), dissecou uns 80 Planor-
o exame de 250 desses moluscos nos deu «m 1 ' ^ ^ ^
Outras espécies de corcánas foram ™ is ,, e „ ao ora essa
e por Coutinho sem uma ,dout,l,cacao cspec.t.ca sogu
a finalidade do trabalho do, retendo, autores. tivM panenitos
Encontramos cinco espécies diferentes de coreana, e^respee,
que identificamos e que constituem o assunto do pre»
1 _ Cercária de Schistosoma mansom
2 - Cercária de Paryphostomum segregatum Dietz
3 __ Cercaria lutai Ruiz. 1943
4 Cercaria santensc, sp n.
5 _ Cercaria hemiura, sp n.
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cm
UflB. I n.: BatanUn.
M *1} : I7-J6.
JOS t MANOEL RL’IZ
19
Os índices global ou especifico poderão ser verificados nos seguintes quadros.
Resultado dos exames realizados cm . tuslralorbis sp. de Santos (Lote 3 —
Saboó — Lote 8 — Jahaquara) de 27 de Outubro a 29 de Dezembro de 1951.
tabela 1
LO I E
N.B 3
Total
%
Data do etame
!7oul
§ DOV.
10 nor.
22 nor. j
4«!rx.
10 t!ri.
21 dr».
79 itt.
FjfopUtr*
cumissdot
21
(3
31
12
29
41
•Jí
^io
NffatiiM
10
31
21
12
S
45
19:
76.1
Ctrtiiá ár
/*. tigre falam
O
*
'
-
,
i
-
6
2.1
Crrtarta tmtxi
S
13
9
3
2
i
6
5
49
!M
Ore Ar
S. mamtomt
i
_
_
,
2
0.1
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2
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3
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namMdo*
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30
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12
«0
15
250
KtfAlltM
12
10
«
19
7
*
«7
26.9
Certéria de
/*. **r rrtarmm
1
1
2
0.9
CfTi aria Imtti
»
U
17
77
1 »
1
131
532
Cfrcanm iumnrrm
.
2
§
2
I
-
2
IS
64
C. k*m. C. Imtsi
1 ..
1
s
3
3
3
1
16
6.4
Crrtaria tamlttit
-
-
1
1
2
-
6
2.4
Cerraria de
5.
1
1
-
_
2
«19
K*pr*for t«IO«
•odetrrmmado*
2
«
1
1
3
9
3.2
ScitisTOSoMA MANSONt Saiubon
(fi*». I — 4)
Abstemo-nos de dar aqui uma descrição detalhada desta cercaria já feita
por vários autores.
SciELO
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20
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS FORMAS LARVARIAS DE
TREMATÔIDES BRASILEIROS
Para a identificação desta espécie, além dos caracteres morfológicos mais
usuais levados em consideração, como dimensões, tamanho relativo do corpo,
cauda e íurcos, ausência de faringe e ocelos, tamanho relativo das ventosas e dos
cecos, número e disposição das glândulas de penetração, etc, lembramos que deve
ser observado com especial cuidado o sistema excretor. Xo gênero Schistosoma
o número de células vibráteis é o mais reduzido que se conhece entre as íurco-cer-
cãrias; já Cort, em 1917, pôs em evidência a homologia do sistema excretor entre
as íurco-cercárias mostrando o seu valor no estabelecimento das inter-relações
no grupo.
Xo Brasil se conhecem, segundo nos consta, quatro espécies de Schistosoma-
tidac distribuídas entre os gêneros: Ornithobilharsia, Macrobilharcia e Schis-
tosonia. este último com duas espécies: S. mansoni e S. pirajai Trav., 1932, des-
crito apenas de ovo, cuja forma adulta não é ainda conhecida. É de se esperar
que as cercarias sejam muito próximas e que o sistema excretor, ou melhor o
número de solenócitos e sua distribuição, possa dar uma diferenciação genérica
ou mesmo especifica.
Paryphostomum segregatüm Dietz
(figs. 5 — 14)
A cercaria desta espécie foi descrita e figurada sumariamente por Lutz, em
1924, sob o nome de Cercaria granulifcra, “encontrada várias vezes em Planorbis
olivaceus c ccnlimetralis no Norte c nos Planorbis nigricans e confusus na vi-
zinhança do Instituto (Lutz).” É espécie muito espalhada que se distingue facil-
mente das outras echinocercárias (segundo Lutz) pela presença de dois, rara-
mente três, grânulos refringentes situados á frente da faringe, na base da
ventosa oral.
A cercaria forma cistos ovais principalmente na faringe de girinos e também
em peixes ( barrigudos e tamboatás) ou mesmo em batráquios adultos.
O adulto é parasito freqüente dos umbús.
Observamos esta espécie, com muita frequência, em Australorbis de São
Paulo (bairro de Carandirú), em começos de 1942.
O exame de 320 exemplares de moluscos, feito naquela época, revelou
um ICE = 23. 7%.
Xossas observações daquela ocasião não foram publicadas e aproveitamos
a oportunidade para incluir agora alguns desenhos e dados sobre a espécie, ao
lado das observações atuais sobre as cercarias de Santos. Xesta localidade a
espécie foi constatada nos dois fócos estudados, embora com um índice relativa-
mente baixo.
Descrição
Corpo sucetivel de grande expansão, atingindo um comprimento de cerca
de 0.430 mm. nessas condições. O comprimento médio, em repouso, é de 0,215
M cm. I mi. Botintja.
M
JOSÉ MANOEL RflZ
21
a 0,24r. mm. O corpo apresenta grande números de células grandes cm toda
a superfície. A cauda é longa afilando-se progressivamente para a extremidade
posterior c medindo 0,430 mm. de comprimento. A extremidade anterior do
corpo apresenta uma saliência discreta, sub-cònica, que em certas atitudes se
torna muito evidente c mostra uma serie de pequenos espinhos, formando uma
coroa interrompida na face ventral ; o limite dessa coroa é demarcado por 4
espinhos mais fortes juxtapostos, situados ao nivcl dos limites inferior da zona
c extnmo do campo da ventosa oral.
A ventosa oral, de contorno circular, mede 0,037 a 0,047 mm de diâmetro.
Entre «sta c a faringe existem dois, raramente 3 grânulos reiringentes ovalados
ou alongados, contidos numa espécie de câmara hialina. A faringe tem um diâ-
metro próximo a 0.018 mm. Acctahulo ligeiramente maior «pie a ventosa oral
e, no material fixado, é sempre mais largo que longo; mede 0,04/ a 0.0(>2 mm.
de diâmetro transversal. Esòiago longo, atingindo a borda anterior do acc-
tábulo. Os cécos circundam o acetálmlo e terminam quase na extremidade pos-
terior do corpo. O esôfago e os cegos são constituídos por uma única fileira
de células embrionárias. A observação do aparelho cxcretor foi apenas parcial ;
vcsicula excretora calibrosa e curta, biíurcando-sc muito antes de atingir a zona
do acctábulo, etn dois canais coletores primários. Estes, no inicio delgados,
se avolumam bruscamente ao nivcl tia zona acctahular c dirigidos para frente
formam quatro ondulações características; no nível «la faringe os canais se afilam
progressiva e rapidamente c, jwuco antes de atingirem a ventosa oral, se recurvam
para trás, voltando por um percurso pararelo ao anterior até quase a extremidade
posterior «lo corpo. A porção dilatada c ondula«la dos ramos ascendentes en-
cerram granulações de possivel natureza cakárca (solúveis no ácido acético),
esféricas, reiringentes. «pie dão á cercaria um aspecto muito bonito; cm número
de 35 a 4f. medem os grânulos maiores de 0.008 a 0.012 mm.
A cauda apresenta etn sua borda uma série simples de células e o centro
é ocupado por um tecido frouxo; a parte basal apresenta um tubo cxcretor me-
diano. dilatável, dirigido para trás c bifurcando-se antes de atingir a metade
posterior.
Esta cercaria c muito móvel e sensível' à luz; executa dois tipos de movi-
mentos principais: um de vibração c outro de reptação, em linha réta, á seme-
lhança de certas larvas tlc insetos. O primeiro movimento é executado pela
cauda e é muito característico; a cauda chicoteia para os lados amplamentc de
modo a formar um numero 8 «leitado sob o corpo, que se desloca rápido para trás.
O movimento de reptação é executado pelo corpo, entrando em jogo a combinação
harmoniosa «las ventosas; a cauda. si presente, permanece imóvel c estirada, o
movimento é rápido; cada impulso dura cerca de um segundo. Frequentemente
ao reagir contra um meio impniprio a cercaria dobra o corpo para o lado dorsal,
expondo o acetabulo numa grande saliência. Esta cercaria apresenta acentuado
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a i uz forte (maxima iluminação cio microscopio) a
=£*“«=: ss:ri^.
=sSS5s:s=.-r=rjrs
tracla uma forma encistada nos tecidos com os seguintes caractenst.cs.
' Esférica. com 0,122, ,nm. de diime.ro envolta por uma
consistência gelatinosa, ben. delimitada, com „m «n^im^* «8 ™ ;
visível na metacercária 20-25 espinhos ao redor da ventosa oral
subguais • granulações do aparelho excretor com O.Oaó mm. de diâmetro.
~(oi Observada apenas uma espécie dc echinocercana, e de se supo
ser este cisto proveniente da mesma. Este fato v.na, ate certo ponto, Po
em dúvida a identidade da presente espécie e a desenta por Lutz, qu
Tcisu em formações ovais em firma, e barrigudinhos. Entretanto como f o,
encontiado só um exemplar, em molusco infestado possivelmente no gatuno,
noderumios atribuir este fato a uma formação acidental; caso contrario o ç •
inente "teríamos encontrado grande infestação nos moluscos confinados num pe-
queno aquário.
Cercaria lutzi Ruiz
(figs. 15 — 26)
Esta cercaria foi observada desd. Novembro de 1941 .descrita em 1943,
quando afirmamos que era "sem dúvida de um Plupiorrlnonfr». provavelmente
Irnsb» dc batráquio ou de ave na forma adulta". Eucon.nnno, es ta espece
mmn rom frequência, em ambos os lotes de Amlnlortm da odade de
' K„ decorrer dos exames deparamos com ..... exc.plar m testado com es n
espécie que apresentava numeroms fonuas de metacercanas de desenvolvimento
precoce monlalia que costuma ser observada en. xilidio-cercárias. A morfolog.a
das n, «acercarias, especial,,, ente o grande desenvolvimento da
em forma de Y. nos deu qtn.se a certera para aftnnar que esta eercar.a e a
forma larvária de um Pnr.m.onorrrr, possivelmente Pnr «mm Trav.
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Mra. Inrt Bntanti».
« ( 1 ) : 17 - 36 . 1 ** 1 .
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et Anigas. 1927, jwrasito frequente das nossas rãs. Sc esta sugestão for con-
firmada. nos resta j>ouca ou nenhuma dúvida que esta cercaria ja fora obser-
vada por Lutz anteriormente. Em seu traltalho sobre parasitologia vcnczoelana,
publicado em 1928. I.utz refere, em termos muito resumidos, o ciclo evolutivo
de unn xifidiocercária do Rio de Janeiro que evolui para um adulto do gênero
Pncur. onoects. do pulmão dc Leptodactylus oeettatus. espécie que denominou
Pmcumotioeces planorbinus. que. a nosso ver. é um estrito sinónimo dc Pncumo-
noccct nrhvi Trav. e Artigas, 1927.
“Puse cm claro la biologia dc esta esjwcie cuyas partenitas vivem
etn varias esjiecies grandes dc Phnorbis. I-os csjx>rocistos son j>e-
quenos. redondeados y las cercarias no tienen rnuchos distinctivos, a
no ser un gni|K> dc glandulas cefalicas dc cada lado dcl acetábulo
(Lutz. 1928 pg. 107).
Descrição
Corpo succtivcl de grande distensão: cutícula apresentando pequenos espi-
nhos dirigidos para trás. etn toda a superfície, sendo mais ralos na metade jmis-
terior. Ventosa oral l»em desenvolvida apresentando forte estilete oral ligei-
ramente assimétrico. Acetálmlo muito reduzido, ás vezes difícil dc distinguir,
situado na região posl -equatorial. Pre faringe longo ; faringe musculosa, imedia-
tamente atrás «La qual os cecos se bifurcam: o trajeto total dos ramos cecais
não foi observado. Glândulas dc penetração etn numero de 10, sendo cinco
cm cada lado da região acetabular. Observam-se dois tipos dc células glan-
dulares: um gntjto anterior composto de 4 células c uma célula posterior corável
muito mais intensamente pelo vermelho neutro. Em nossa descrição anterior
referimos 8 células a{>enas. quatro em ca«la lado. que é alias o que á primeira
vista M observa; com o uso da lente dc imersão c oliscrvação mais acurada
distinguimos mais tnna célula glándular no gnqw> anterior.
O aparelho excretor é íomuulo por unta vcsicula etn íonna dc V. cujos
ramos atingem ou ultrapassam o limite superior da zona acctahular. Canais
coletores primários inseridos nas extremidades dos ramos. Fórmula do sistema
dc células vibráteis «lo ti|x> 2 [ (3 -4-3-í-3l-i- (3—3-3) Os solenócitos se distri-
buem igualmentc nas faces vctitral c dorsal, dezoito cm cada face, ou seja
nove em cada la«lo «le cada face. (Vide fig. 15).
Psporocistos — As cercárias se originam em csporocistos relativamcntc
pequenos, muito numerosos, um pouco alongados, de extremidades arredondadas.
Contem um número dc cercárias que varia de 1 a 10. mais frequentemente 2 a
4 bem formadas além de algumas células indiferenciadas.
Ccrcotia lutsi. como as demais xifidiocercárias «pte temos observado, exe-
cuta movimentos característicos : pode deslocar-se j*or reptaçáo como as cchinos-
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CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS FORMAS LARVARIAS DE
TREMATÓIDES BRASILEIROS
tomocercárias. o que é menos frequente, ou por vibração da cauda e do corpo;
este movimento é muito mais lerdo que o das echinostomocercárias e completa-
mente diferente; o corpo se curva ventralmente, assumindo uma forma muito
larga e achatada e a cáuda chicoteia no sentido do corpo e o deslocamento se dá
pela face dorsal da cercaria. Esta cercária apresenta acentuado fototropismo
negatho, :mobilizando-se e encolhendo o corpo e a cáuda, pela incidência de luz
forte ao microscópio.
Xa tabela 3 damos as principais dimensões (em mm) de Cercaria lutei,
comparando-as com as que apresentamos em nossa descrição original, em 1943.
tabela 3
Descrição original
1943
Cercarias vivas imobi-
lizadas pela ação do
vermelho neutro
Cercarias mortas pela
ação rapida do calor
Corpo (comprimento)
0159-0405
0,172-0410
0.185-0416
Corpo (largura)
0.0S6 0,092
0.066-
0.0980,117
Ventosa oral (diâmetro)
0.042.0,047
0,053-
0,034-0,059
Acetabulo (diâmetro)
0,016-0 020
-
0,030-
Cauda (comprimento)
0.1484)459
0422-0445
0,154-0416
Estilete oral (comprimento)
0,023
0,031-0.034
0,0280,034
Esporocistos:
Comprimento:
0,330 a 0,700
0,253 a 0.450
Largura:
0.110 a 0,115
9,1!2 a 0424
Cercaria saxtense, n. sp.
(íigs. 27 — 30)
Descrição
Corpo alongado com um comprimento médio de 0,216 mm e uma largura
média de 0,098.
Cutícula apresentando pequenos espinhos dirigidos para trás.
Cauda com o comprimento aproximado ao do corpo, delgada e atenuada
gradualmcnte para a extremidade. Em certas posições a cáuda é um pouco
mais longa que o corpo. Ventosa oral de contorno circular, bem desenvolvida,
com um diâmetro próximo a 0,050 mm, e apresentando um estilete forte, media-
namente desenvolvido, que mede 0,014 mm de comprimento por 0,005 mm de
largura, na região mediana. O estilete é anterior, situado medianamente e se
comunicando com uma abertura anterior pequena que nada tem a ver com a
abertura oral propriamente, que é ventral.
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U (II : ír-Jt,. IK2.
ros£ maxdei. Rfiz
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Acetábulo muito desenvolvido com um diâmetro subigual ao da ventosa
oral, ás vezes ligeiramente maior, com 0.0^3 mm.
Prefaringe curto, seguido por uma faringe medianamente desenvolvida. Os
cecos, não foram observados com muito nitidés porem parece-nos serem curtos,
terminando ao nivcl do meio da zona acetabular.
Glândulas de ixmctração numerosas, formando um grujx) de 6 ou 8 células
ligadas por dois canais á abertura anterior. Essas células são de igual aparência
c se confundem com as numerosas células laterais c dorsais que atingem todo
o corpo. As células laterais margeiam o corpo desde o nivcl da faringe até
proximo da extremidade; contam-sc pelo menos umas lis c as dorsais obliteram
toda a face dorsal. Observando-se com mais detalhe a abertura anterior, em
certa posição, vém-se nitidamente as terminações de 10 canais glandulares cm
tòmo do estilete que situa-se no centro; 4 correspondem às chamadas glândulas
de penetração (jicriacctabular) dois cm cada lado c em posição suh ventral c
6 correspondem ajorentemente ás células glandulares laterais; são canais muito
mais delgados distrilmidos 3 de cada lado da al>crtura. em posição sub dorsal.
.■I farclho excrclor — Não foi ol>scrvado com to<la a minúcia. A vesieula
excretora tem a forma de Y; o ramo impar apresenta uma dilatação mediana;
os ramos pores tem o comprimento aproximado do impar não atingindo a
margem inferior da zona acetabular. O canal coletor principal (Cl) parte do
ápice dos ramos e se bifurca ao nivcl da zona acetabular em dois ramos secundá-
rios: um anterior (Ca2) c um posterior (Cp2). Não foram liem observados os
canais terciários nem os capilares. Conseguimos oliscrvar dose solcnócitos na
posição representada na fig. 27. Dois anteriores ventrais. seis medianos dorsais,
e quatro posteriores ventrais.
Esporocistos — As cercarias se originam de csporocistos pequenos c alon-
gados que apresentam o corpo dilatado irregularmente; frequentemente uma
metade é muito mais delgada, com pequenas dilatações, onde se desenvolvem
novas ccrcárias. representando a zona de crescimento ou genu inativa, mais
pigmentada de amarelo alaranjado. Este aspecto (mudado) do esporocisto é
muito característico da espécie; o número de ccrcárias no interior não é muito
elevado ; a dilatação maior encerra 5 ou 6 c na porção mais delgada observam-se
ainda dc 1 a 5 células gemi inativas ou já ccrcárias bem formadas. Os esporo-
cistos são pouco móveis c medem cerca de 0.7 mm de comprimento.
Cercaria hem h‘ra. n. sp.
(fi«». 31 a 38)
Num dos lotes examinados (Jabaquara), encontramos cm 12.8% dos Aus-
tralorbis, uma interessante cercaria do grujx) que Enche denominou Cyslocerco
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CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS FORMAS LAR VARIAS DE
TREMATÓIDES BRASILEIROS
e Snitsin Cistophorous ccrcariae, que se caracteriza por apresentar uma cáuda
vesiculosa, maior que o corpo, com vários apêndices.
O aspecto desta cercaria foge completamente do comum e, á primeira vista,
se tem a impressão de outra espécie animal. A cauda é imóvel, globulosa e
complexa, e o corpo executa apenas movimentos lerdos de distensão e retração
para se locomover ; contraindo-se o corpo jxxle se alojar inteiramente no interior
vesiculoso do corpo da cauda e assim permanecer, imóvel ou não, durante
certo tempo, saindo e entrando com a maior facilidade, mas sempre com movimen-
tos lerdos. Quando no interior da cauda, parece um verdadeiro cisto, donde lhe
veio o nome, emliora impróprio, porque não se trata de um cisto na acepção
própria da jialávra e também porque nem todas as carcárias deste grupo tem
a possibilidade de se alojar no interior da cauda.
O corpo da cercaria tem o aspecto comum do de outras cercarias (figs. 36
e 37) ; é alongado, inerme, com a extremidade anterior de forma cônica. Méde
0.157 a 0,188 mm de comprimento médio, mas j>ode alongar-se muito e atingir
um comprimento três vezes maior que o da cauda. A largura é próxima de
0,070 mm. As ventosas são liem desenvolvidas. Ventosa oral subterminal,
ventral, de contorno circular, medindo 0,031 a 0.044 mm de diâmetro transverso;
na região pré-oral a extremidade do corpo é tipicamente cónica terminando em
ponta 'arredondada! Àcetábulo situado um pouco abaixo da região equatoriai,
medindo 0.034 a 0,044 mm de diâmetro. Prefaringe ausente. Faringe desen-
volvida com cerca de 0,022 mm de diâmetro. O esófago não é muito longo e
apresenta uma dilatação basal que lhe dá o aspecto de pirâmide. Cecos longos
terminando nas proximidades da extremidade posterior.
A vesícula excretora é muito larga na base e rodeada por células glândulares
e apresenta conteúdo granuloso e refringente. Da porção anterior da vesícula
parte um tronco curto, mediano, que se bifurca, quase imediatamente, em dois
canais coletores primários, delgados, que se dirigem para os lados e para a frente
como um V ; esses canais atingem a região íaringeana mas não observamos
maiores detalhes. O corpo da cercaria é óticamente homogêneo, não se obser-
vando células glândulares ou destacáveis à vista, mesmo pela coloração vital.
A cauda desta cercaria é complexa. Apresenta uma porção dilatada, glo-
bóide (corpo da cauda), vesiculosa e de paredes duplas: uma externa delgada,
outra interna, muito espessa e forte; entre as duas existe um espaço óticamente
vasio. O interior desta jxirção apresenta um esjiaço vasio rodeado por tecido
celular frouxo. O coqxi da cercaria liga-se posteriormente com a parte basal
dessa cavidade e a seu lado se insere um longo tulx) que mede ao redor de
0.2.36 a 0.380 mm de comprimento, o chamado “delivery tube” pelos americanos,
apêndice caudal de função desconhecida. Esse tubo é passível de grande dis-
tensão nos movimentos que executa; como o corpo é passível de se alojar
no interior da cavidade ou dela emergir parcial ou totalmente, á vontade. É
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Mtm- I Tí\i- Bcuntja,
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JOSfc MANOEL RLIZ
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formado jwr uma íileira simples de cerca de 20 a 22 células quadrangularcs,
envoltas por uma membrana comum e apresenta na parte «listai uma porção
diferenciada nitidamente, mais rigula c granulosa. A jwnta «lessa jtorçâo apre-
senta tuna «lilatação ent cujo interior sc nota um gnqxj «lc células dispostas cm
rosácea c dessa dilatação destaca-se uma pequena projeção terminal conico-
arredondada. Fazendo sequência ao corpo da cercaria c projetando-se para fóra
«la porção glolióide da cauda, existem aintla dois ajientlices caudais: 1 — um
bulbo cxcrctor c 2 — um apêndice terminal. O bulbo cxcrctor é uma dilatação
que faz saliência arredondada postero-lateralmente c que representa a jwrtc final
do ajtarelho excretor, estando em ligação direta com a vesícula excretora, a
apresentando, como esta. granulações refringentes. O apêndice terminal, «leno-
minaçáo que nos ocorreu no momento, é como cjue uma "cauda «la cauda ; uma
continuação «la parede externa «la porção globoide, adelgaçada, um tanto retor-
ci«la c terminando etn ponta atenuada. fc envolta |>«>r várias séries «lc células
dispostas longitudinalmente e formando uma expansão achataila c um pouco
retorcida. Km exemplares mais jovens vém-sc perfeitamente as células «pie for-
mam este env«»ltóri«> mas «lq>ois «lesajxirccetn os núcleos c o conteúdo celular,
ficamlo apenas expansões hialinas mcrabranáceas. trabcculadas. A cauda mede
O.CKl a 0.084 mm de largura máxima e um comprimento total «lc 0.128 a
0.157 mm, incluindo o apêndice terminal que mede cerca «le 0.050 mm. Quando
engloba o corpo mole um pouco mais, cerca «le 0,095 mm «le largura externa.
A parede interna volve uma arca que mede 0,0 Ui a 0,078 mm «le largura por
cerca de 0.100 mm «le comprimento.
Rêdias — As cercarias são encontradas no interior «lc rétlias liem gratulcs,
amarelo alaranja«las. com a forma «le banana, «le extremidades arredondadas, com
a metade anterior um |*nico mais calibrosa. Sã«> perfeitamente visiveis a olho
nú. pelo tamanho c jielos movimentos muito ativos: medem até 3 mm. mas
a média mais comum é «le 2.30 a 2.65 mm «le comprimento; a largura na
metade anterior c «le 0.368 a 0.427 mm e na |«ostcrior 0.263 a 0.342 mm. A
txxa é terminal afunilada seguida j>or uma faringe alongada com 0.052 «lc
largura c O.OftS a 0.080 mm «lc co m p rim e n to. O cécn c amplo c curto um tanto
recurvado em forma «le S. contendo pigmentações escuras abundantes; médc
0.315 a 0,400 mm «le comprimento. Parece existir uma abertura «le parto um
pouco altaixo «la z«ma íaringeana. O conteúdo «las redias é abundante jxxlcmlo
ser contadas mais de uma centena «lc cercárias desenvolvidas, móveis, com o
c«»rpo livre «mi incluso na cauda. As ré«lias provem de csporocistos pequenos
alongados, «lc extremidades arrctl«Mtda«las. uma «las quais é mais atenuada; con-
tem numerosas células germinativas ; são jxmco móveis.
Esta cercária muito provavelmente pertence á especic Halipegus dubius
Klein. 1905 (sin. //. sp. I.ühc. 1900 — //. similis Iaitz. 1928), Hemiuridae
relativamentc fre«jüentc em tm-sas rãs ( Leptodaelyhis oecUatus). O nome Ccr-
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CONTRIBUIÇÃO ao estudo das formas larvarias de
TRE.MATÓIDF.S BRASILEIROS
caria hcniiiira evidentemente cairá na sinonimia uma vez confirmada a relação
entre a lan a e o adulto. De acordo com as Regras Internacionais de Nomencla-
tura Zoológica, preferimos sempre usar nomes latinos ou latinizados para deno-
minar as formas descritas o que causa menos confusão.
RESUMO
1. O valor do estudo das formas lanarias de trematóides e a determinação
dos índices cercáricos nos estudos epidemiológicos, são enaltecidos, distinguindo
o trabalho preliminarmente, dois índices diversos: itidicc ccrcárico global (ICG)
e indice ccrcárico especifico (ICE).
2. Apresenta um estudo de 5 espécies de cercarias encontradas em Austra-
lorbis sp. da cidade de Santos, Estado de São Paulo: 1) Cercária de Schis-
tosoma mansoni Sambon, 2) Cercária de Paryphoslomum scgregatuni Dietz,
3) Cercaria lutei Ruiz, 1943, 4) Cercaria santense, n. sp. (xifidiocercária) e
5) Cercaria hemiura, n. sp. (cistocercária).
3. Os índices global e especifico são representados nas talielas I e II.
O trabalho é ilustrado com 38 figuras originais.
SUMMARY
1. The importance of the studv of lanai Trematodes and of determination
of Cercarial Indexes in the epidemiological investigations is shown and two sepa-
rate indexes, are secognized i. e., global cercarial index (ICG) and spccific
cercarial index (ICE).
2. Five species of cercariae are studied from Australorbis sp., from Santos,
State of São Paulo. Brazil: 1) Cercaria of Schistosoma mansoni Sambon,
2) Cercaria of Paryphostomum scgrcgatiiin Dietz. 3) Cercaria Lutei Ruiz,
1943, 4) Cercaria santense. n. sp. (xiphidiocercariae) and 5) Cercaria he-
miura, n. sp. (cystophorous cercariae).
3. The global and specific indexes are represented in table I and IT.
The paper is ilustrated with 38 original drawings.
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CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS FORMAS LARVAR IAS DE
TREMATÓIDES BRASILEIROS
Fig. 2 — Paryphostomnm scgregstum Dietx
— * São Paulo — desenho a mão livre.
5 — Cercaria adulta — * Soo Paulo — desenho a muo lirre.
6*8 — Redias adultas.
9 — Cercaria, forma jovetn de perfil.
10-1 1 — Desenho representando uma cercaria durante o movimento de reptação.
12-13 — Redias jovens.
14 — Matacercária observada num das moluscos de São Paulo.
SciELO
'mu oro
Um Tnat. Bsuaua, JOS t MANOEL Rl'IZ
24 (1) : 17 2*. 1*52.
t t Jwit rlmj
15 — Crfrirv» aMiMirnraUln i »nu ■« idnnctiM ikotii. (L. 1 5-iirtn*).
IVt* — Ctróriu aotu p*W> ab. <t_ J Slalca).
t*-72 — Cmirui antii pelo nratOg aralra. <(_ 1 Suta).
17 — Tiu&u p*4o lawl acrtira. (L. 1 Sim™).
20-2 1 — Vrr»*. iamk (L ] 5o:a).
22 — * Drtatto «U ntrrmidtit uMm. ( L 2 Susa).
r<- 2 — C«*rtrã lalti (ú
cm
TTjrf 4 — Cercaria lantenSf. n. sp.
(Desenhos 6 eãmara clara)
Mel acercaria de desenvolvimento precoce intra-esporocistico.
: Metacerciria de desenv. precoce no inlevior de um cspoeoosto <,ue contem atnda
- MetacCTciria eapelida do envoltorio esporocisico por pequena presao da laminua
(24 a 26 — desenhado» de material vivo.)
- Ccrcária adulta.
- Pormenores do estilete oral e ventosa-oral.
» — Esporocistico da Cercaria santense.
cm
2 3 4
5 6
10 11 12 13 14 15
Mcm. In*t- Botastan. JOSt MANOEL ftlZ 35
24 (I) : 17-24. 1*52.
)l —
27 •-
22 —
2* —
Forma jrar rm.
Forma aviai? a. iatnra«»r«<r intlsaa na tarada.
Forma aWa. tamalmau ladau. narfow a parir aatmor 4a crrcirva para fora.
Wra c u— parir la "IHimy lafc?
Cmiru alaha fora 4a mirala r a ralai
Fr*. 5 — Crrrtria Irntara. n «p.
1 Praroir# 4 'iraara tiara i
cm
36
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS FORMAS LARVAR IAS DE
TREMATÓIDES BRASILEIROS
35 *— Pormenor da cauda.
36-37 — • Corpo da cercaria — « desenho a mio livre sem escala — de material viro.
38 — Red ia de Cercaria hemiura.
Mm. tn,« Bsucus,
24 1 1 l : J7-Í4. I9S1
JOS t MANOEL RftZ
37
SOBRE UM NOVO GSATHOSTOMA ASSINALADO NO BRASIL
( Sana toda : Gnathostomatidae )
I,.t JOSÊ MANOEL RUIZ
{Secfão dt Parasitologia, Instituto Bulantau. S. Poulo. Brasil)
Foram referidas jtara o Brasil as seguintes e>j>éaes do gênero Gnalhostoma
Owen, 1836: G. sfinigerum Owcn. 18»6, G. gracUt (Diesing, 1838), G. turgidum
Stossich, 1902 c G. amcricanum Travassos, 1925.
G. sfinifjerum tent larga distribuição geográfica que. conforme já afirmara
Travassos (1925), não c positivamente aceitável, provindo esta larga distribuição
de material mal determinado. Esta espécie foi assin a l a d a no Brasil por Diesing
(1839) no estômago de Ftlis concolor c descrita sob o nome de Cheiracanthus
robustas.
G. gtacilf ( Cheiracanthus gracilc Diesing. 1838) foi originariamente des-
crita do intestino de “pirarucu”, .1 rafai ma gigas.
G. turgidum foi deficientcmcntc descrita toscada em duas fémeas, mal con-
servadas. encontradas em Piddfhis asarac da Argentina. Posteriormente foi
identificada c rcdcscrita jtor Travassos (1925), que encontrou dois machos c
uma tf nua no estomago «le Piddphis auríta do Brasil. Na mesma ocasião
Travassos descreve G. amcricanum do estômago de Fdis ligrina, (tascado num
exemplar macho c vários segmentos de fétueas.
Em necropsia recente realizaila na Secção de Parasitologia do Instituto
Butantan (Necr. N.° 3884. 4 8/1951) foram encontrados, entre outros para-
shos, dois exemplares de Gnalhostoma localizados no figado de uma “cuica"
Lulreolitta crassiraudata que a principio julgamos idêntica a Gnalhostoma di-
ddfhit CTandlcr. 1932. Um exante atento, porem, nos induziu a concluir que
a espécie que tinhamos em ntão não poderia ser identificada á de Chandler,
em vista de diferente disposição das papilas caudais Item como do tamanho rela-
tivo dos espiculos, «las glândulas cervicais em relação ao esôfago c «leste cm
relação ao tamanho <k> coqto. As ntedidas absolutas são também «liscordcs,
porem, conto poderia tratar-se de variação própria «la espécie, consideramos
desprezíveis esses «la«los.
Entregar para poMtcação em 1 4 ile abril <tr 1952.
SciELO
10 11 12 13
38
SOBRE UM NOVO CSATHOSTOSIA ASSINALADO NO BRASIL
A presente espécie, cuja descrição é baseada em dois exemplares machos,
nos parece ainda desconhecida, constituindo assim a quinta espécie que se refere
para o Brasil.
Gnallwstoiiia brasilicnse, n. sp.
Comprimento 14,90 — 19.70 mm.
Largura máxima 0,76 — 1,12 mm.
Corpo robusto, pouco atenuado até muito próximo das extremidades. Lá-
bios trilobados, salientes, cada um apresentando, pelo menos duas grandes pa-
pilas bem evidentes. Bulbo cefálico saliente, medindo 0.43 — 0,56 mm dc
largura e 0,23 — 0,26 mm de altura; apresenta 10 — 11 fileiras regulares, trans-
versais, de pequenos espinhos dirigidos para trás. Superfície do corpo recoberta
por escamas largas, de morfologia variável com a situação, presentes até um
pouco além da metade do corpo. Imediatamente atrás do bulbo esofagiano as
escamas apresentam a porção basal ampla e a porção denticulada curta c muito
larga com 8 a 10 projeções um tanto irregulares, as medianas sendo geralmente
menores que as das extremidades; medem as escamas de 0,016 a 0,041 mm de
largura, medidas na porção média. Mais abaixo, a partir do terço anterior do
nível do esôfago, as escamas se apresentam mais longas em sua porção denticulada
e com a base menor; as projeções espiniíormes são muito longas e em número
7 ou 8. Tais projeções atingem e recobrem toda a porção basal da fileira
seguinte. Depois da região esoíagiana as escamas diminuem lenta e progres-
sivamente de tamanho, reduzindo-se também o número de projeções espinifor-
mes. As últimas c diminutas escamas terminam numa única ponta, como um
simples espinho e desaparecem um pouco atrás do meio do corpo. O resto do
corpo é liso. apresentando apenas a estriação cuticular, com exceção da porção
terminal correspondente á região bursal. que se apresenta recoberta por fileiras
transversais, regulares e muito próximas, de pequeníssimos espinhos.
Glândulas cervicais com pescoço relativamente longo e corpo cilíndrico,
pouco dilatado ; medem, a partir da base do bulbo esofagiano. 0.662 — 0,927 mm.
Esôfago não dividido em porções distintas, claviforaie, com a maior largura
na porção basal ; méde 2.81 — 4.03 mm de comprimento por 0,35 — 0,62mm de
largura máxima. A relação entre os comprimentos das glândulas cervicais e do
esôfago é de 1 :4.2 — 1 :4,3. A relação entre os comprimentos do esôfago e do
corpo é de 1 :5. Cloaca terminando a cerca de 0.14 mm da extremidade. Es-
piados desiguais de base larga e corpo atenuado progressivamente ; o menor
termina em ponta arredondada e méde 0,314 — 0,555 mm de comprimento e
0,035 — 0,042 mm de largura basal ; o maior termina em ponta truncada e
méde 0,743 — 1,280 mm de comprimento e 0.078 — 0,085 mm de base. A
relação entre os comprimentos dos espículos é de 1 :2.3. Foram observados 5
pares de papilas caudais sendo 3 pares sublaterais, subiguais. dispostas em fila
2 3 4
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Mrs. Ir.lt BsUUtn
U (I) : 1*U-
JOSt MANOEL RCIZ
39
e muito próximas, um par posterior localizado na mesma linha das anteriores
porém de dimensões menores e distanciado «las primeiras, e finalmente um jvar
de grandes papilas subventrais situadas no lado interno das primeiras suhlaterais.
Parece existir ainda um par de pequenas papilas ventrais. próximas á região cloa-
cal, porem não foram observadas com segurança.
Hospedeiro:
Localização :
Localidade :
1 lolótipo :
Lutreolina erassieaudata (Dcsinarcst)
Figado.
Sampaio Moreira. Kst. São Paulo. Brasil.
N.° 5. 871 «la CoL Helmint. do Instituto Butantan.
A presente espécie se diierencia, inicialmente, tia espécie tijx> e de G. turgi-
dum i>cla morfologia das escamas cuticulares, |>clo tamanho relativo dos espiculos
e pelo número c disposição das japilas caudais. Distingxic-se de G. atntricanum
pelos caracteres acima citados c ainda jtcla extensão espinhosa do corpo que é
menor em G. brasiliense. A espécie mais próxima jxrla morfologia c j>elo liabi-
tat é G. didelphis Chandler. 1932. da qual se distingue pelas relaçõo <lc
comprimento eture \-ãrios orgãt>s : 1 ) espiculos ( 1 :2,3 em G. brasiliense,
1:3,1 enj G. didctphis); 2) Glândulas cervicais c esófago (1:4.2 cm G. brasi-
liense 1 :3 em G. didctphis) ; 3 Esófago c corpo (1:5 em G. brasiliense 1 :6 a
1:7 em G. didctphis). Distingue-se ainda, principalmentc, |>clo número c dis-
posição das papilas caudais.
RESUMO
Na presente nota é descrita uma nóva espécie de nematóide Gnathostoma
brasiliense, n. sp.. encontrada no figado de uma "cuica" procedente de Sampaio
Moreira. Estado de São Paulo. Constitúi a quinta espécie do género referida
para o Brasil. Ê próxima de Gnathostoma didctphis Chandler. 1932. da qual se
diferencia pelas relações de comprimento entre os espiculos. entre as glândulas
cervicais c o esófago e entre este e o comprin>cnto do corpo; difere ainda pelo
número e disposição das papilas caudais.
SLMMARY
A ncw nematode spccics Gnathostoma brasiliense, n. sp. is descril>cd írom
thc livcr oí a “cuica", trorr. Sampaio Moreira, Estado de São Paulo. Brasil.
It is dose related to Gnathostoma didctphis Chandler. 1932. from which it can
bc distinguished by the ratios l>etwceti organs: 1) spicules length (1^.3 in
G. brasiliense — 1 J.l in G. didelphis ) ; 2) cervical glands and ocsophagus
( 1 A 2 in G. brasiliense — 1 :3 in G. didelphis), 3) ocsophagus and hody Icnght
(1 :5 in G. brasiliense — 1 :6 to 1 :7 in G. didelphis). and also by the different
arrangement and nnmlier of caudal papillae.
SciELO
10 11 12 13
yitts. Ic*t Bau»ua.
24 U) : 37-44. 1952.
JOSÊ MANOEL RCIZ
f,j | — CmiWw KmSíhw, b ip Vwía i.«íL
cm
SOBRE UM NOVO GSATHOSTOMA ASSINALADO NO BRASIL
SciELO
Figi. 2 ç 3 — O nathostjTTUi brasilicnsc, n. sp. Pormenor da extremidade caudal.
2« (I) : J7-I4. I »52.
OSÉ MANOEL RLIZ
4 S
SciELO
12
13
44
SOBRE UM NOVO GNATHOSTOUA ASSINALADO XO BRASIL
Fig 5 —
Gnathoiloma troiiUnue, n. sr. Vário» tipoé de eícanus cuticularw.
Mrm. Inrt. Bstuiu.
»• (1) : «S^>.\ 195—,
JOSÉ MANOEL RU1Z
45
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS FORMAS LARVAR IAS DE
TREMATÓIDES BRASILEIROS
3. Fauna de Belo Horizonte c Jabotieatubas, Estado de Minas Gerais
ro* JOSê MANOEL RLIZ
(Secfão de rarasitolofia, Instituto Butontjn. São Paulo. Brasil)
Em começo de janeiro de 1952 tivemos o ensejo de coletar em Minas Gemes
planorbidcos infectados por Sehistosoma tnansoni. Em Belo Horizonte os
Proís. A. Vianna Martins c Oswino Penna Sobrinho ptucram a nossa disposição
as dependências c funcionários da Secção de Parasitologia «Ia Faculdade de Me-
dicina. onde pudemos examinar jwrte do material coletado c inocular animais
de experiência.
Acompanhados do Sr. Antonio Leoncio, funcionário da Faculdade c conhece-
dor dos focos planorbidcos, foi-nos facil capturar nutcrial abundante de vários
pontos da capital mineira e da vizinha ci<!adc de Jabotieatubas. grande foco de
Schistosomose. segundo informações do Proí. Vianna Martins que ali se altastecc
periodicamente de Australorbis ricamcntc infectados.
índiees cercàrieos e tnetaeereárieos.
A par do aproveitamento do nutcrial de S. tnansoni jura infestações expe-
rimentais. fizemos a verificação dos Índices cercãricos dos moluscos examinados,
identificados a Australorbis çlabratus.
Conforme expuzemos em nota anterior, o indicc cercaria» se refere á
infestação de moluscos por formas lanarias que evoluiram ate a fase de cer-
caria nos referidos moluscos. As formas mais adiantadas no desenvolvimento
do ciclo biológico, constituindo as mcsocercárias e mctacercárias. são encontradas
em animais diversos que constituem os segundos ou terceiros hospedeiros inter-
mediários. Em alguns trematóides o rido evolutivo comporta um único hos-
pedeiro intermediário, sem a formação de mctacercárias. como no caso dos
Sehistosomatidae. ou com a formação de mctacercárias no meio exterior, ou
ainda no próprio molusco onde evoluiram, como no caso dos Cyelocoeliidae.
Nos Hctniuridae também só há um hospedeiro intermediário; as cercárias são de
Entrtjru? rara publicação etn 20-5-52.
1, | SciELO
46
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS FORMAS LARVARIAS DE
TREMATÓIDES BRASILEIROS
penetração passiva, não abandonando o molusco, sem, contudo, formarem me-
tacercárias.
A formação de metacercárias sem abandonar o molusco pode-se dar também,
como anomalia, em casos de desenvolvimento precoce, dentro do próprio espo-
rocisto, fato observado com relativa frequência entre as xifidio-cercárias; tal
desenvolvimento embora aparentemente anormal póde originar metacercárias tí-
picas, isto é, normais.
Em outros casos, como em certas espécies de Echinostomatidae, ou de Stri-
gcidac, as metacercárias são formadas em moluscos que podem ser de gêneros ou
espécies diversas daquelas de que se originaram as cercárias. Em casos mais
restritos a metacercária pode se desenvolver na mesma espécie de molusco, e
mais, no mesmo exemplar de que sairam antes sob a forma de cercária. Neste
caso, o l.° e 2.° hospedeiro intermediário são representados pelo mesmo indivíduo.
O indice cercárico referindo-se á infestação dos moluscos como primeiros
hospedeiros intermediários, não deverá computar as infestações por metacercárias
indistintamente.
Crémos interessante estabelecer um índice de natureza diversa aos ante-
riormente referidos: o índice metacercárico, para indicar a percentagem de ani-
mais (moluscos, artrópodos, helmintos, vertebrados) infestados por formas lar-
várias de desenvolvimento posterior a cercária. Este índice poderá ser global
(IMG), incluindo todas as metacercárias encontradas em determinado animal,
ou especifico (IME), referindo-se a uma única espécie de metacercária.
RESULTADOS DE PESQUISA DE FCRMAS LARVARIAS DE TREMATÓIDES EM
AUSTRALORBIS GLABRATUS COLETADCS EM MIXAS GERAIS
Lotes estudados :
Lote n.° 11 — Localidade: Jaboticatubas.
Situada 83 klm ao Norte de Belo Horizonte. Planorbídeos capturados em
água que abastece a cidade.
Quantidade : Abundantes no local. Capturadas várias centenas de exem-
plares.
Data de captura: 9 de janeiro de 1952 (14 ás 17 horas).
Espécie: Australorbis glabratus (Say, 1818) Pilsbry, 1934.
Lote n.° 12 — Localidade: Parque Municipal de Belo Horizonte.
Quantidade: Raros no local. Capturados cerca de uma centena.
Data de captura: 11 de janeiro de 1952.
Espécie: Australorbis glabratus.
M (1) : 45-4J. 19S*.
JOSfc MANOEL RCIZ
47
Lote n.° 13 — Localidade: Bairro Pampulha, Belo Horizonte (Defronte
á futura Cidade Universitária).
Quantidade : Abundantes no local. Capturadas várias centenas.
Data de captura: 11 de janeiro de 1952.
Espécie: Australorbis glabratus.
Lote n.° 14 — Localidade: Bairro Gordura. Belo Horizonte.
Quantidade: Coletadas algumas dezenas.
Data de captura: 11 de janeiro de 1952.
Espécie: Australorbis glabratus.
TABELA 1
Resultado do exame do lote n.° 11.
Data do exame
10 Jan.
11 Jan.
ICE
18 Jan.
22 Jan.
ICE
Total
ICE
Exemplares examinados .
1)5
75
210
Xcgatiro*
53
39.25%
47
62j66%
100
47.62%
Schislasoma moHjsni ....
21
16.29
0
0.0
22
10.47
Cercaria macroçronmhsa.
TL sp.
3
2J2
0
0.0
3
1.42
Cercaria minense. n. sp. .
2
1.40
0
0.0
2
0.95
Cercaria acaudaia. n. sp.
14
1070
5
6.66
19
9,04
Cercaria kemiura mihi . .
0
0.0
1
U3
1
0.47
Tetroeolfte sp.
25
IME
1831
9
IME
12.00
34
IME
16.19
Melacercaria sp.
Echiaostomatidoe.
37
27.40
24
32.00
61
29.04
Meta cercarias
indeterminadas
14
2
18
Infestações simples
(cerc. c metacercãrias) .
46
20
66
Infestações múltiplas
(cerc. e metacercãrias) .
36
8
44
Índice errei rico global
ICC)
28.14
4.00
1932
IndW Mctacrrc. elobal
(IMG)
48.14
36.00
43,80
1, | SciELO
4S
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS FORMAS LARVARIAS DE
TREMATÓIDES BRASILEIROS
Das infestações múltiplas houve: 29 duplas, 14 triplas e 1 quadrupla. S.
ntansoni aparece em 10 infestações simples, 5 duplas, 6 triplas e quadrupla.
Resultado do exame do lote n.° 12
Deste lote examinamos no local somente 14 exemplares, com o seguinte
resultado :
Negativos
1
exemplar,
7,14%
S. mansoni
0
9t
0,0 %
C. macrogranulosa . .
1
»
7,14%
C. mhiense
9
exemplares,
14,28%
C. hemiura
. 13
tf
92,85%
Infestações simples (de C. hemiura) 11
Infestações múltiplas 2
índice cercárico global (ICC) 92,85%
índice metacercárico global (IMG) 0,0 %
TABELA 2
Resultado do exame do lote n.° 13
Data do exame
1 1 Jan.
ICE
17. Jan.
ICE
22 Jan.
ICE
Total
ICE
Exemplares
examinados
54
116
90
260
Negativos
16
29,62%
47
40.51%
61
67.77%
124
47,69%
5". tnansoni
23
42,59
11
9,48
1
1.11
35
13,46
C. macrogranulosa
0
0.0
1
0,86
0
0,0
1
0,38
C. minense ....
0
0,0
1
0,86
0
0.0
1
0,38
C. hemiura
15
27,77
56
48,27
27
30,0
98
37,69
Metaccrcaria sp.
1ME
IME
IME
IME
Echinostomatidae
1
1,85
1
0,86
0
0.0
2
0,76
Esporocístos
ideterminados.
0
1
1
2
Infestação simples
37
67
29
133
Infest. múltiplas . .
1
2
0
3
índice ccrc. global
(ICG)
70,36
57,75
32,22
51,92
índice metac. glo-
bal (IMG)
1,85
0,86
0,0
0,76
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mrm. Inst. Butantan.
« ( 1 ) : < 5 - 6 2 . 1952 .
JOSÉ MANOEL BL'1Z
49
Resultado do exame do lote n.° 14.
Deste lo,e não dissecamos nenhum çxentptar no local, ond. ycriucãnK». en-
tretanto, a presença de cercarias de 5. m*»s o„i na água. Em Sao Panlo oram
examinados* 26 exemplares, em 18 de janeiro d. 1952. com o segmn.e resukado.
Negativos
Schistosoma mansoni .
C. granulifera Lutz •
C. minense, n. sp. —
C. acaudala, n. sp. —
Esporocistos indetenn
exemplares 61,53/i
exemplar 3,84%
-• 3,84%
exemplares 19,23%
exemplar 3,84%
exemplares 7.69%
Xesie caso o ICC i igual á soma dos ICE. porque não honre infestação
múltipla. O IMG é igual á 0,0%.
O ICE para o 5. «.i « bem d-»*» “*
Horizonte atT 24 horas após a cole, a das amostras. Transportados para Sao
Panlo. de automóvel, acondicionados em areia e algodão hem umtdos, M
chegaram en, ótimo estado. A mortalidade nos aqnartos fo, grande nos , rn t etro
dias. Exames realirados 6 a 11 dias depois da coleta das
aumento do Índice de negatividade ao lado do decrescuno dos ICC*' ' ™
cies. e. principalmente de .9. tmm»»i. Em C. o ICE parece nao se alte
rar, em números absolutos. Finalmente, o IMG tende a audtent .
rnncluir que a mortalidade dos
Os fatos acima expostos nos pera jcemuada nos exemplares
rasitis,,,,, parecendo melhor ^^^"^^.pLtde! dada a passividade
infestações por metacercanas, o que taciimenu i
da infestação. . ,
Particulannente as formas evolutivas d. 5. —»» ^
mente, fato qnc tem grande importância nos md-n.o.^dennolog^s d. Selm
tosomose. Essa particularidade já fotaobseiv ^ condicionado a
Aquele autor interpretou o declínio dos - _ «crsnmriíios dc
uma perda em massa de cercarias nos caramujos que eslao com os cs
segunda geração jã maduros’*. Em nosso caso, porem, nao pod» ta»
tica interpretação, mas atribuir o fato á mortalidade ma, or dos mo ucos
tados. porque, além do exame diário da água do aquano nao rociar uma quan
tidade de cercárias fora do comum, os moluscos examinados semp • I
vam formas evolutivas em gráos diversos dc desem o \ imento
As observações de Coutinho. são ben, fnndadas porque constatou cn, grande
número de exemplares, que "o número de moluscos mortos, quando manmlos
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
50
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS FORMAS LARVARIAS DE
TREMATÓIDES BRASILEIROS
em laboratório, éra, praticamente nulo, nesse tempo de observação”, (24 a 72
horas).
Concluímos, finalmente, que devam concorrer ambas as causas no decréscimo
rápido da infestação. De qualquer módo fica mais uma vêz patente a neces-
sidade de se proceder ao exame dos moluscos com grande brezndadc nas deter-
minações dos índices ccrcáricos, afim de não incorrer em erros estatísticos
grosseiros.
DESCRIÇÃO DAS ESPÉCIES DE CERCARIAS.
Além das formas larvárias de Schistosoma mansoni, que encontramos em
abundância, observamos cinco outras espécies de cercárias e duas metacercárias,
no material estudado, que passamos a descrever:
a) ECHixosTOM ATOiDEA Faust, 1929
1 — Cercaria de Paryphostomum segregatum Dietz.
Lutz (1924), descreveu esta espécie sob o nome de Cercaria granulifera.
É espécie muito espalhada que se distingue facilmente das demais echinocercárias
pela presença de dois, raramente três, grânulos refringentes situados á frente da
faringe, na base da ventosa oral (segundo Lutz). Observamos esta espécie, com
frequência em Australorbis de São Paulo, Capital, e, menos frequentemente, em
Santos. Em nota anterior (no prélo, Mem. Inst. Butantan, vol. XXIV), fazemos
uma redescrição da mesma. Encontramo-la uma única vêz num dos Australorbis
do lote n.° 14.
2 — Cercaria macrogranulosa, n. sp. (figs. 1-5).
Corpo alongado, mais largo na metade posterior, com um comprimento mé-
dio de 0, 215 a 0,2S3 mm, e uma largura .ao redor de 0,091 mm. Extremidade
anterior atenuada e apresentando nitido colar cefálico limitado entre as zonas da
ventosa oral e da faringe, não sendo visíveis espinhos. A extremidade posterior
é truncada dando inserção á cauda que é longa, atenuada gradualmente para a
extremidade, medindo 0,340 a 0,493 mm. de comprimento. O corpo da cer-
cária apresenta numerosas células grandes e alongadas no sentido transversal,
distribuídas pelos flancos e convergindo posteriormente ; essas células se coram
intensamente pelo vermelho neutro bem diluido. Há outro grupo de células,
da mesma categoria, entre a faringe e o acetábulo. numa zona limitada lateral-
mente pelos canais excretores. O resto do corpo apresenta células menos des-
tacáveis pelos corantes vitais. Ventosa oral circular, subtenninal. com abertura
voltada para a face ventral, medindo 0,040 a 0.047 mm de diâmetro. O
corpo se alarga na metade posterior, onde se localiza o acetábulo que é bem
desenvolvido; de contorno circular ou ligeiramente alongado para os lados, con-
JOSÊ MANOEL RL'IZ
51
M«n- Inst. Batantan.
u O) : 4M2. 1952 - jjAmetro transverso.
,, rvn^j. i 0070 mm de diameuu
foro e a ta8 " Ud, “ 1 -
CéÍsTio observados em toda tododa p», u ma camada de células
Vesícula excretora ampla, cu “ inseridos no meio do rc °
destacáveis. Canais coletes ^ ^ a frente sob a ^
terior da vesícula e partindo de un ^ ^ ayolumam bastante ao m
aproximada de um U; no inicio grânulos volumosos em cada O.
acetábulo e contem geralmente 2 rc5entand o, ás vezes, a ton
^exemplares não «P^^^fse a(i „am novamcmc c atingem
ondulações ,»nco **££££ . — num P-n» t te^Jao
o nivel da ventosa oral. onde se nc m o numero total
foram observadas as iminua por «m eanat d ,« *
Posteriormente a vesícu a «cretom * ^ ^ ^ m „, 10 delgados que
prolonga pela cauda e logo
•-S. * 7 rd 1 °d— õ^bracão da "o so^
substrato solido, e outr ladoSi formando um _ ou
cauda chicoteia rápidamente q desloca mento da cercar.,
a corpo, e este oscila em >
seja, no sentido da cauda. , u ,n
'rrím cm rédias alongadas,
**»■• ^ zzrsSZ w»°r *
tanto recurvadas, que n \ ore scntam pigmentação < processos
largura prdsima * * JST-W-W*
discreta e encerram 1 limites entre os terç porção
ambulatórios situados d “ idade um aspecto lancerdau ^ I» ^
corpo, e dois anteriores, que < a • a mbulatórios, gera n
polrior. compreendida . ap arência de ^^Xerca
um pouco do eixo do corpo alonga da no sentido long.tiu m. cstrc ; to n0
faringe é musculosa e um ‘ . mm de largura. f un do
de 0.342 mm de comprimento P° largo porção distí.
inicio, formando una comprimento que nun ^ comprimento
amplamente arredondado. . ^pando cerca de contração
xiLades da linha equatoml. movimentos de con.rac
do corpo. As rédias sio pouco ativas,
muito lerdos.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
52
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS FORMAS LARVARIAS DE
TREMATÓIDES BRASILEIROS
Diagnose diferencial : Lutz (1924, p. 71, est. 5, fig. 4), descreveu e iigu-
rou unia cercaria encontrada em Scmisinus spica, á qual não deu nome e que
muito se assemelha, no aspecto, a C. macrogranulosa, n. sp. Denominamos aquela
espécie Cercaria semisinicola, n. sp., e a diferenciamos de C. macrogranulosa
pelos seguintes caracteres:
1 — Tamanho do corpo; 2 — Tamanho relativo das ventosas; 3 —
Diferença de hospedeiro; 4 — Presença de espinhos nas rédias de C. semi-
sinicola; 5 — Comprimento dos cecos nas rédias, que em C. macrogranulosa
não atingem os processos ambulatórios.
3 — Mctacercaria sp (figs. 6-7).
Sob este nome nos referimos a uma metacercária de equinostomideo en-
contrada, com muita frequência, no lote n.° 11 e, menos frequentemente, no lote
n.° 13.
Trata-se de uma metacercária tipica, redonda, envolta por membrana lisa
e forte; méde cerca de 0,154 mm de diâmetro. Xo interior vê-se facilmente o
jovem trematóide encistado, com a ventosa oral medindo cerca de 0,045 mm de
diâmetro e o acetábulo 0,070 mm. Os dois canais coletores primários são bem
evidentes e repletos de concreções pequenas, redondas e refringentes. Na região
correspondente ao colar cefálico contam-se 41 a 45 espinhos bem desenvolvidos,
medindo até 0,015 mm de comprimento; o colar de espinhos é interrompido e os
espinhos basais, formam um grupo de 4, os demais dispondo-se, alternadamente,
em duas fileiras muito próximas, porem distintas.
b) PLAGiORCHioiDEA (Dollfus, 1930) Mc Mullen, 1937.
4 — Cercaria minense, n. sp. (figs. 8-13)
Xifidiocercária de corpo alongado, extremidade anterior arredondada e a
posterior um tanto truncada, medindo 0,185 a 0,215 mm de comprimento por
0,098 a 0.123 mm da largura. Cutícula espinhosa. Cauda delgada e atenuada
para a extremidade; quando estirada méde cerca de 0,153 mm mas a tendência
da cauda é permanecer um tanto encolhida e se apresentar muito curta em re-
lação ao corpo. Ventosa oral bem desenvolvida, de contorno circular, subtermi-
nal, com abertura ventral : mede 0,050 a 0.063 mm de diâmetro. Estilete oral
medianamente desenvolvido, medindo cerca de 0,022 mm de comprimento; apre-
senta a face ventral plana e a dorsal com uma elevação ou lombada na extre-
midade anterior, precedendo a ponta que é aguçada; localizado na porção dorsal
da ventosa se exterioriza, quando em movimento para a frente, numa abertura
circular, pequena e terminal, onde também desembocam os canais das glândulas
de penetração. O acetábulo é menos desenvolvido; situa-se na região equatorial
Mra. Inst. Batantan,
24 (I) : 45-62, 1952.
JOSÉ MANOEL RUJZ
53
da face ventral e mede 0,040 a 0,050 mm de diâmetro. Prefaringe praticamente
nulo. Faringe forte, globóide, com cerca de 0,022 mm de diâmetro. Esôfago e
cecos pouco distintos. As glândulas de penetração formam dois grupos bem
distintos: há duas grandes células mononucleadas nos lados do acetábulo, que
se coram mal pelo vermelho neutro e que se comunicam com a abertura anterior
da ventosa oral, por meio de canais bem calibrosos. Há outro grupo de pequenas
células, anteriores ás primeiras, que se coram intensamente pelo v. n. e que também
se comunicam com a abertura anterior por canais mais finos, cujo numero é
difícil estabelecer.
Característico nesta espécie é a presença de dois sacos formados aparen-
temente, por uma dilatação dos canais secretores das glândulas de penet ração, na
região da ventosa oral. Os sacos se dirigem para trás terminando cm fundo
cego amplo. Se destacam facilmente no exame a fresco apresentando-se como
espaços vazios. Vesícula excretora localizada inteiramente atrás do acetábulo.
Tem a forma de T ou Y de ramos muito abertos. O tronco impar forma sempre
uma dilatação mediana, ás vezes bem alongada jiara os lados. Os ramos pares
não atingem a zona acetabular. Os canais coletores primários, C 1 , se inserem
nas extremidades dos ramos da vesicula e formam várias circunvoluções, lógo
acima, antes de originarem os Ca. 2 e Cp., 2 ao nivel da zona acetabular. Não fo-
ram observados maiores detalhes do sistema excretor.
Esporocistos: Esta espécie provem de esporocistos bem alongados, medindo
0,422 a 1,690 mm de comprimento. A largura é muito variavel c irregular. Nas
porções mais dilatadas chegam a medir 0,280 mm de diâmetro. Encerram um
número de cercárias variável ; a maioria apresenta 4 a 5 bem desenvolvidas,
além de formações embrionárias em número variável ; num exemplar contamos
18 cercárias.
Metacerc&rias: Interessante a tendência, bem acentuada nesta espécie, para
o desenvolvimento precoce de formas enristadas ou metacercárias. São cistos
esféricos, com um diâmetro de 0.117 a 0.129 mm. mais frequentemente 0,125 mm.
Envoltos por uma membrana espessa, lisa, encerram uma forma acaudada que
conserva o estilete oral e as glândulas de penetração. Encontramos estas me-
tacercárias soltas ou no interior de esporocistos, com muita frequência. Interes-
sante que encontramos estas metacercárias. seguramente, em três moluscos do
lote n.° 1 1 que não apresentavam fases de desenvolvimento anterior. Aliás entre
as xifidiocercárias dos Plagiorchioidca a formação precoce de metacercárias não
é um fato de observação muito rara. Parece que há uma tendência, neste grupo,
a eliminar o 2.° hospedeiro intermediário, que é um artrópodo.
cm
SciELO
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54
COXTRIBUIÇAO AO ESTUDO DAS FORMAS LARVARIAS DE
TREMATÓIDES BRASILEIROS
c) CYCLOCOELioiDEA Henry, 1923
5 — Cercaria acaudata, n. sp. (figs. 14-16).
Esta forma de Cercariaeum foi encontrada nos lotes n.° 11 e 14.
As formas bem desenvolvidas têm o corpo um tanto piriforme, com a
porção posterior mais estreita e a anterior com uma saliência cônica, formada pela
projeção da ventosa oral. Mede 0,366 a 0,435 mm de comprimento e 0,185
a 0,246 mm de largura, na metade anterior. A cutícula é revestida por abun-
dantes espinhos muito pequenos e dispostos em fileiras transversais, muito mais
evidentes e abundantes no terço anterior. As formas bem desenvolvidas não
apresentam cáuda mas a extremidade posterior sobressai numa projeção sub-
cónica. Os movimentos da cercária são lerdos, de contração e distensão.
Quando distendida a parte anterior, a ventosa oral se projeta para a frente
e forma uma saliência cônica que apresenta numerosos tubérculos pequenos,
aos quais, ao que parece, afluem numerosos canais secretores, longos e delgados,
que margeiam os bordos laterais da metade anterior do corpo. Este é repleto
de células grandes, alongadas transversalmente, juxtapostas mais compactamente
na área central, o que dificulta muito a observação dos pormenores morfológicos.
Margeando a área central, outras células de idêntico aspecto, porém menos co-
ráveis, formam uma faixa marginal. Nas formas jovens existe uma pequena
cáuda, bem distinta, apensa á extremidade posterior como um pequeno brôto.
A ventosa oral é terminal, bem desenvolvida, medindo 0,060 a 0,078 mm
de diâmetro transversal. Prefaringe ausente. Faringe globóide. Esôfago re-
lativamente longo. Céeos simples, longos; atingem o nivel da vesícula excretora,
mas não observamos com segurança se terminam em fundo cego ou se fundem.
O acetábulo, de contorno circular, situa-se ligeiramente acima da linha
equatorial; mede 0,047 a 0,062 mm de diâmetro. Vesícula excretora curta,
globóide. Os canais coletores primários convergem na extremidade anterior da
vesícula; são calibrosos e formam 5 a 7 sinuosidades delicadas, em seu trajeto
para a extremidade anterior, margeando as linhas laterais do corpo; na altura
da ventosa oral se recurvam e voltam em trajeto oposto, antes de emitir rami-
ficações secundárias.
Rédias: Cercaria acaudata forma-se no interior de rédias tipicas, de ta-
manho relativàmente gigantesco, pois medem ao redor de meio centímetro de
comprimento. Cada molusco alberga uma, raramente duas rédias. Apresen-
tam corpo discretamente pigmentado de amarelo-acastanhado, muito amplo em
seus 2/3 anteriores, cujo limite posterior apresenta dois grandes processos ambu-
latórios. Daí para trás o corpo é mais delgado e termina em fundo de saco
arredondado. Faringe globóide. Céco largo de conteúdo castanho-escuro, com
um comprimento que apenas atinge o nível do 1/3 posterior, onde termina em
*
Mcm. Inst. Butanían,
M (1) : 45-62, 1952.
JOSÉ MANOEL RUIZ
03
fundo cego amplo. A rédia, com os processos ambulatórios estendidos late-
ralmente, tem a forma de uma crús, com base larga. Muito móvel e contrátil, a
redia encerra grande número de cercárias (60 a mais de 100), em vários estados
de desenvolvimento. O conteúdo se desloca livremente no interior, acompa-
nhando as contrações da rédia. Os processos ambulatórios são sacei formes e
encerram umas 8 cercárias.
Metacercária : A cercária não abandona o molusco. Uma vêz fora da
redia, tende a encistar-se, ao que parece, sem muita demora. Tivemos ocasião
de observar parte do fenómeno ao microscópio. A cercária se imobiliza len-
tamente e encolhe o corpo. Assume primeiramente o aspecto de uma tetracótile,
e, depois, assume a forma esférica. A membrana inicialmente é delgada, apenas
uma película. Xas metacercárias bem formadas, que medem cerca de 0,20 mm
de diâmetro, a membrana envolvente é espessa.
Encontramos essas formas em vários A ustralorbis não apresentando cer-
cárias o que indica uma infestação mais antiga, com o consequente desapareci-
mento das formas anteriores.
Cercaria acaudata, a julgar pelas fases observadas, é com todas as proba-
bilidades, a forma evolutiva de um Cyclocoeliidac. É a primeira cercária desse
tipo observada no Brasil. A premência de tempo nos impediu de prosseguir no
estudo do ciclo evolutivo desta espécie, aliás fácil de acompanhar.
d) hemiuroidea (iDollfus, 1930). eniend., 1927.
6 — Cercaria hemiura Mihi.
Encontramos com frequência nos lotes n.° 12 c 13, e mais raramente no
lote n.° 11, uma cercária de hemiurideo. Esta cistoccrcária, proveniente de
grandes rédias, ja fóra encontrada anteriormente em material que estudamos de
Santos, Estado de São Paulo. Descrevemos em detalhe esta espécie na Nota
II desta série, que se acha no prelo (Mcm. Inst. Butanían, vol XXIV). Por
essa razão nos abstemos de dar aqui maiores detalhes, apenas assinalando a sua
presença e justificando o nome com que aparece.
e) STRiGEOiDEA Railliet. 1919
7 — Tctracotylc sp. (fig. 17).
Em começos de 1942 observamos uma forma de tetracótile que infestava
71 .0% dos 320 A ustralorbis provenientes do Bairro Carandirú, São Paulo. Ca-
pital. Xaqueia ocasião fizemos anotações e desenhos, tiramos medidas c foto-
grafias, e fizemos experiências de evolução, mal sucedidas. Os dados ficaram
meditos. Estudando o presente material de Minas Gerais, encontramos nova-
mente a referida forma que identificamos. Todos os detalhes morfológicos e
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
=56 CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS FORMAS LARVAR IAS DE
TREMATÓIDES BRASILEIROS
medidas estão absolutamente acordes com os anteriores, apenas a infestação
sendo menos maciça. A descrição, medidas e desenho que apresentamos foram
feitos do material de São Paulo.
“Corpo piriforme com a extremidade posterior mais delgada, envolvido por
uma membrana lisa e espessa; é constituido por grandes células mais ou menos
irregulares de citoplasma fortemente pigmentado, dando á metacercária um
aspecto opaco, dificultando a observação dos órgãos internos. Comprimento
0,243 a 0,325 mm ; largura máxima variando entre 05206 e 05247 mm. Ventosa
oral circular mediana, de situação ventral medindo 0,060 mm de diamêntro.
Y entosa ventral circular, na linha mediana e ao nível da região imediatamente
acima da equatorial, medindo 0,060 a 0,064 mm de diâmetro ; a distância entre
as ventosas varia entre 0,017 e 0,047 mm. Faringe e esôfago ausentes. Cecos
longos, alcançando as proximidades da extremidade posterior do corpo.
Pseudo-ventosas de forma oval. diametralmente opostas, situadas na zona
que separa as ventosas; apresentam as aberturas voltadas para o lado interno;
dista uma da outra 0,064 a 0,088 mm, e medem, 0,054 a 0,067 mm de compri-
mento por 0,036 de largura. Órgão adesivo imediatamente post-acetabular,
muito desenvolvido, atingindo o nivel da bifurcação da vesícula excretora, e la-
deado pelos cecos. A parte superior possui uma abertura ventral muito dila-
tável ; mede este orgão 0,094 a 0,101 de largura. Póro excretor mediano,
sub-tenninal.
Vesícula excretora em forma de Y com o ramo ímpar muito curto; os
ramos laterais não foram observados. Numerosas concreções escuras e refrin-
gentes, são observadas em toda a extensão do corpo, com exceção da área ocupada
pelo orgão adesivo, formando uma verdadeira rede. Representam provavelmente
as terminações dos canalículos excretores que se ramificam por todo o corpo.
Entre a ventosa oral e a ventral, em material corado, é possível distinguir um
aglomerado de 4-6 células, possivelmente de natureza glandular.
Os parasitos se localizam ao nível dos órgãos sexuais do molusco, em
número bastante elevado, e estão contidos numa área vesiculosa de paredes
finas e transparentes, permitindo a observação, no molusco dessecado, dos pa-
rasitos a olho nú ; estes se apresentam como uma poeira branca.
A duração do parasitismo foi observada durante dois meses.
Foi tentada a infestação por via oral de dois patos novos (Cairina moschata
domestica), e de dois pombos ( Columbia lizna domestica) com resultado negativo
ao fim de 15 dias.”
RESUMO
1. São estudados 4 lotes de Australorbis glabratus de Minas Gerais.
Alem das cercárias de Schistosoma mansoni representadas por alto índice,
foram encontradas cinco espécies de cercárias, das quais três são descritas como
Mem. Inst. Butanían,
M
JOSÉ MANOEL RU1Z
57
espécies novas: Cercaria macrogranulosa, n. sp. (equinocercária), Cercaria mi-
ne use, n. sp. (xifidiocercária) e Cercaria acaudata, n. sp. (cercariaeum de
Cyclocoeliidae). São descritas duas metacercárias : Metaccrcaria sp. (equino-
cisto) e Tetracotylc sp.
2. Faz-se a distinção entre índices cercáricos e metacercáricos, estes
podendo ser específicos (IME) e globais (IMG).
3. Chama-se a atenção para a necessidade de se proceder ao exame dos
moluscos com a máxima brevidade nas determinações dos indices cercáricos
afim de não incorrer em erros estatísticos grosseiros, dado o rápido decréscimo
de infestação verificado nos moluscos removidos do seu habitat natural.
SUMMARY
1. Schistosoma mansoni cercariac have been found to ha ve a high inci-
dence in íour samples of Australorbis glabratus examined. Five species of
other cercariae are found, which three are described as new species: Cercaria
macrogranulosa, n. sp. (echinostoma cercariae), Cercaria minense, n. sp. (Xiphi-
diocercariae) and Cercaria acaudata , n. sp. (cercariaeum from Cyclocoeliidae).
Two metacercarial stages are also described too: Metaccrcaria sp. and Tctra-
cotyle sp.
2. Global (IMG) and specific (IME) metacercarial indexes, distinct
from cercarial indexes are established.
3. Attention is called to the importance of rapid molusca examination for
detection of cercarial indexes in epidemiological surveys mainly for Schistosoma
mansoni, because rapid decrease in infestation observed in specimens removed
from its natural breeding place.
BIBLIOGRAFIA
1- Coutinho, J. O. — índices de infestação natural dos planorbídcos pelas cercárias do
Schistosoma mansoni na cidade do Salvador — Bahia, An. Faculd. Mcd. Uttiv.
S. Paulo, 25 : 29-53. 1950.
2. Lute, A. — Estudos sobre a evolução dos endotrematodes brasileiros. Parte especial:
1. Echinostomidoe. J/cm. Inst. Ostvaldo Crus. 17 : 55-73, 1924.
3. Neveu-Lcmaire. i I. — Traité d’HeIminthologie Mcdicalc et Yétérinaire. Yigot Frèrcs,
Edit. 1514 pp. Paris. 1936.
4. Ruis, J. M. — Contribuição ao conhecimento das formas larvárias de trematoides bra-
sileiros. 2. Fauna de Santos — Est de São Paulo. Mem. Inst. Butantan
24 (1): 17-36. 1952.
SciELO
10 11 12 13
Mem. Inst. Butantan,
24 (1) : 45-62, 1952.
JOSÉ MANOEL RVJZ
Estampa I
Figs. 1-5. Cercaria macroç ran ulosa, n. sp. Cercarias e redias.
Figs. 6-7. Sf cl acerca ria sp. — Equinocisto e detalhe dos espinhos do colar cefálico.
u u- .
WóWá 1 »
'^ ss 2
cm
60
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS FORMAS LARVAR IAS DE
TREMATÓIDES BRASILEIROS
Esiampa II
C cr cu ria mincnsc, n. sp.
rijçs.
8-9. Esporocístos, Fig. 10.
cm pormenor. Fig. 12.
Cercaria (mesma escala de 8
pormenor do estilete oral. Fig.
e 9). Fig. 11.
13. Mctacercária.
Cercaria
SciELO
cm
M«a- Inst. Butantan,
24 (D •* 45-62, 1952.
JOSÉ MANOEL RUIZ
Eitamf si Ui
Fig. 14. Cercaria acaudata, n. sp. — Fij. 15. rédu da iwinu.
Fi g. 16. metacerciria da n.csma.
17. TciracotyU sf>. C — cccc, Ge — jrranulaçõc* calcareas, Oa — orfão adc»i'o,
’' c — porj cxcrctor, Pv — Psrudorrnt -na. Va — ventosa oral, í'i — mkali crcrdora,
í’v — ventosa vrntiaL
SciELO
^t«n. Inst. Butantan,
M (1) : 63-68, 1952.
JOSÉ MANOEI RUI7
63
ÍNDICES CERCARICOS ESPECÍFICOS DO SCHISTOSOMA
MANSONI VERIFICADOS EM NEVES E MARIANA,
ESTADO DE MINAS GERAIS
por JOSE MANOEL RUIZ
{Secção de Parasilohgia do Instituto Butantan, S. Paulo, Brastl)
Não conhecemos publicação referente ao encontro de planorbidcos natural-
mente infestados por formas larvárias de Schistosoma mansoni nas cidades de
Neves e Mariana. Da nossa rápida passagem por aquelas cidades, a 9 c 10 de
abril de 1952, resultou o achado de focos de planorbidcos infestados cm condi-
ções naturais.
Dada a natureza diversa de nossa finalidade, não nos dcti\ emos á procura
de mais fócos, ou no levantamento epidemiológico, o que seria dc grande interesse
local. Capturamos material apenas de um ponto dc cada cidade, conforme pas-
samos a expor:
Lote n.° 17.
Espécie : Australorbis glabratus (Say, 1818) Pilsbrj , 1934.
Localidade : A cidade de Neves, Estado de Minas Gerais.
Data de captura: 9-4-1952. . ...
Local: Rego existente a cena de 50 m„ á frente da Penitenciaria e
que passa entre várias residências. .
Quantidade: Material abundante. Capturado cerca dc um milheiro.
Pesquisa de cercarias: Positiva para furcocercánas pelo exame da
água no local (entre 16 e 18 horas).
Lote n.° 18.
Espécie: Australorbis glabratus (Say, ISIS) Pilsbrj,. 1934.
Localidade: Cidade de Mariana, Estado de Minas Gerais.
Data dc captura: 10-4-1952 ,
Local: Fim da Rua SanfAna (fundos da casa do Sr. Torqua o J
Lopes Camilo). Rego razo de agua estagnada, coberta dc \c-
getação.
Entrague para publicação em 9 dc Junho de 1952.
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
ÍNDICES CERCÂRICOS ESPECÍFICOS DO SCHISTOSOMA MASSOXI
VERIFICADOS EM NEVES E MARIAXA. ESTADO DE MIXAS GERAIS
Quantidade : Material abundante. Capturadas várias centenas.
Pesquisa de cercarias: .Positiva para íurcocercárias pelo exame da
água no local (entre 10 e 11 horas).
Os moluscos foram transportados em vidros de boca larga, entre camadas
de algodão hidrófilo. Dessa forma resistem vários dias de viagem. Chegados
a São Paulo, foram colocados em água de rio e alimentados com alface. O
exame foi feito por dissecção prévia, n.° 3.° e 4.° dia após a coleta. Nestas
condições as taxas de infestação, representadas pelo primeiro exame referido
na tabela, dão um índice cercário, apesar de alto, inferior ao que deveria ser
constatado no mesmo dia da captura. Conforme verificou Coutinho (1950), e
verificamos depois, (1952) o indice cercárico específico do S. mansoni decresce
rápidamente nos moluscos removidos do seu habitat natural. A tabela seguinte,
demonstra mais uma vez o decréscimo progressivo da infestação verificado em
exames praticados em dias consecutivos.
Tabela dos resultados dos exames
N.° de exemplares
Positivos para
índice cercárico
examinados
S. mansoni
específico
13-4-52
25
17
68 %
Lote N.° 17
14-4-52
25
7
28%
15-4-52
25
9
36%
16-4-52
40
10
25%
17-4-52
35
9
20%
2-5-52
60
6
10%
13-4-52
25
4
16 %
15-4-52
9
1
11.1%
Lote N.° 18
16-4-52
15
3
20%
17-4-52
20
2
10%
2-5-52
30
0
0 Vo
17-5-52
12
0
0%
Os moluscos foram identificados por comparação, caracteres da concha e
exame dos aparelhos genitais.
RESUMO
São dados os indices cercáricos específicos do Schistosoma mansoni encon-
trados em Australorbis glabratus (Say, 1818) Pilsbry, 1934, infestados em con-
dições naturais, nas cidades de Neves e Mariana, Estado de Minas Gerais.
Mea. Inst, BuUntan.
M (1) : 63-68, 1952.
JOSÊ MANOEL RUIZ
65-
SUMMARY
The cercarial specific Índex of S chis toso, na mansoni from Australorbis
glabratus (Say, 1818) Pilsbry, 1934, naturally infcctcd in Neves and Manana
Iocalities, State of Minas Gerais, is rcportcd.
BIBLIOGRAFIA
1. Coutinho, J. O. - Moluscos do gênero AustraloMs Pilsbry. 1934 (Alolusco-Plonorbidoc).
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Publica. Rio, 3: 1-438. 1949.
SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
SciELO ^
2
3
5
6
11
12
13
14
15
L
cm
Mera. Tnsí.
a*(2):69-76, Julho 1952
G. ROSENFELD, H. RZEPPA. L. NAHAS AND S.
SCHENBERG
69
hemolysis and blood concentration of sulfones
“IN VIVO"
Bv G. ROSEXFELD, H. RZEPPA, L. NAHAS and S. SCHEXBERG
( Loboratory of Heniatology, Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil)
The anemia induced by diamino-diphcnyl sulfonc (DDS) lias bccn obscr-
ved by many authors who have employed this drug chicfly on thc treatment of
leprosy. Faget et ai. 1943 (5) observed that “Promin” in daily oral doses of
0.5-1. 0 gm frequently caused toxic reactions and a marked hemolysis tliat
compelled to interrupt treatment. Intravenously thc drug was less toxic and
could bc used in daily doses from 1 to 5 gm which provoked anemia in 46 Ço
of the cases. Femandez et al. (6) in 140 patients treated with “Diazonc”, noted
that daily oral doses of over 1 gm caused a drop of the red blood ccll count and
hemoglobin in the second week of treatment. Lowe (8) found the same anemia
using daily doses larger than 300 mg of DDS, with a blood concentration
varymg between 1 to 1.8 mg %. Smith (11) noticed anemia in patients trea-
ted by mouth with “Diazone” in daily doses of over 2.4 gm. With DDS the
toxic manifestations appeared with daily doses of 300 mg (10). Allday and
Barnes (1) found toxic effects using DDS orally in daily doses of 200 mg du-
nng 2 to 8 weeks but they did not consider the hypochromic anemia as an
Mnportant symptom. In patients treated orally with 0.6 to 0.9 gm of “Diazonc” **
an d 0.2 to 0.4 gm of DDS daily, Souza Lima, Nahas and Rzcppa (9) described
an ane mia that appeared whcn the blood concentration of the drug was greater
than 0.6 mg %. This concentration was obtained with doses of 04 gm per
of DDS and exceptionally with “Diazone” iiv doses of 0.9 gm.
Table 1 shows the data from different authors that agree in respect to the
^°sis of DDS which causes anemia and which is greater than 300 mg per day,
However these opinions differ about the mechanism of the anemia and at pre-
Sent it is not possible to conclude anything about it. Faget (5) does not present
data about the probable nature of this anemia, although he refers to a hc-
rn °ly sis Wchich may be corrected by the use of antianemies. In refrnctory cases
to such therapy the anemia is corrected by the interruption of treatment.
This study was supported by the Anastacio Pascho.nl and M. Pedro Franco Funds.
Sj-nthetized in Instituto Butantan under the name “ Diarainoxil".
Rcceived for publication on July 16 , 1952 .
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HEMOLYSIS -VXD BLOOD COXCEXTRATIOX OK SLXFOXES
“IN VIVO*
TABLE 1
Relation behceen doses oi sulfonc, blood concentration and anemia (írom litcrature data)
Results xcere also calculaled in DDS, in order to faeilitate lhe comfarison
Autbor
Drug
Administration
Way
Daily dos is
gm.
DDS
mg.
Blood
concentration
of DDS mg. r i
Anemia
Faget & Col. (5)
Promin
Jntravenous
1-5
310-1.550
+
Faget & Col. (5)
Promin
Orally
0.5-1.0
155- 310
+
Lowe (8)
DDS
Orally
> 0.3
> 300
1.01.8
Allday & Col. (5)
DDS
Orally
0.’
200
- -
Souza Lima & Col. (9)
DDS
Orally
0.2
200
< 0.6
+
Souza Lima Sc Col. (9)
DDS
Orally
0.4
400
> 0.8
Souza Lima & Col. (9)
Diazoné
Orally
0.6
330
< 0.6
+
Souza Lima & Col. (9)
Diazontf
Orally
0.9
495
< 0 6
+
Fernández Sn Col. (9) . .
Diazontf
Orally
> 1.0
555
4-
Smith (11)
Diazontf
Orally
>2.4
> 1.320
+
Fcmandez ct al. (6) considcr this anemia oí the hemolytic type due to the
following findings: 1) reticulocytosis ; 2) increase of the biliary pigments in
urine; 3) increase of bilirubin in blood; 4) slight increase oí the fragility
of red blood celis. Smith (2) contradicts these authors because of these fin-
dings, which may be found in other types of non-hemolytic anemias, chiefly
when they are not very marked. He concludes that the anemia induced by
sulphones has a complex mechanism where hemolysis which is detected by the
bilirubinemia and sligFit increase of the fecal urobilin is the less important fact.
Brownlee (4) using rabbits whose diet contained 4 % of “sulphetrone”
concludes that their anemia is produced by three mechanisms: 1) slight but
continuous hemolytic anemia marked by the concurrent reticulocytosis ; 2) lack
of iron due to competition oí the alimentary iron with sulphetrone resulting a
non-absorbable complex; 3) anemia of nutritional origin caused probably by
limitation and alteration of the bacterial flora of the gut by sulphetrone. This
anemia may be prevented by the simultaneous administration of brewers yeasts.
Higgins (7) does not reach clear conclusions about the nature oí the anemia
that he observed in guinea pigs treated with 200 mg of “Promin” by mouth. In
spite of the resemblance between these blood changes and those of hemolytic
anemia, he noticed increase of the fragility of red blood cells and no sphero-
cytosis.
As the conclusions of the literature are discordant in respect to the mecha-
nism of anemia pointed by several authors, our purpose is to veriíy wihether
the DDS has an hemolytic action in vivo when large doses of sulphones are
injected to dogs.
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Niern. Insí. Butantan
24* 2) :69-“6, Julho 1952
G. ROSEXFELD. H. RZEPPA. L. NAHAS AND S.
SCHEXBEKG
GRAPH 1
DDS blood concmiralion in .log* injíCItJ «ith dif ítrtnt nüluncs
Fic. I
Graphica! rccord of caroticlial presíure in dags injirted with di íírrcnl aulíuoc*. Only
thç AMGL ha s a lif-lc transitory hypotcnsiv* actioa.
2 3
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77 hemôlysis and BLOÔD CÔXCEXTftATtÔX Of SCI. foxes
*IX VIVO"
MATERIAL AND METHODS
In dogs anesthetized with nemlnital (35 mg j>er kg of body weiglit by the
intraperitoneal route) liematological examinations and determination of DDS
in blood by Brownlee's method (3) as modiíied by Rzeppa (9) were made.
The liematological examinations were made in venous heparizized blood (0.1
mg i>er ml of blood). Hemôlysis was estimated by determination of plasma
hemoglobin. For that purpose, the supernatant plasma of tbe hematocrit, di-
lutcd 1 to 20 (0.25 ml of plasma plus 4.75 ml of saline solution) was used.
Tbe hemoglobin concentration of plasma was calculated in relation
to the concentration cf total hemoglobin of tbe same sample of blood.
The resnlt sbowed tbe percentage of hemôlysis. The determinations of liemo-
globin were made in a spectrophctometer. The first determination was done
m the anesthetized dog immediatly before the intravenous injection of drug.
The following determinations were done at intervals of 30 minutes for 300 mi-
nutes after the injection. The drugs employed were:
“Diazone” (4.4’ dianiino-diphenyl-sulfone X,X’ bis methylene stilpho-
xilate of soclittm) in 40 c /c solution. Synthet ized at the Chemotherapy Section
of the Instituto Butantan (2) under the name of "Diaminoxil”.
“Promin" (4,4' diamino-diphenlyl-sulíone X,X’ bis glucose sulfonate
of sodium ) in 40 % solution. Synthetized at the Chemotherapy IDepartnient of
the Instituto Butantan (2) under the name of “Sulfenona".
“Promin” (4,4’ dianiino-diphenyl-sulfone X,X’ glycose sulfonate of
sodium) in 40 c /c solution prepared by Parke Davis under tbe name of “Pro-
manid”.
“AMCL” (4.4' dianiino-diphenyl-sulfone' X.X’ bis glycose) in 30' í solu-
tion. Synthetized at the Chemotherapy Department of the Instituto Butantan (2).
RESULTS
Doses five times larger than those used for human therapy have been em-
ployed. The use of these larger doses was made with the purjwse disclosing
if the drug lias really a direct hemolytic action in vivo. This was clearly de-
monstrated as can be seen in Table 2.
The hemôlysis was not proportional to tbe concentration of DDS injected
and it depends upon the salt employed. Tlius the DDS under the forni of
‘‘Diazone" in concentration of 30 mg/kg induced a hemôlysis comparable to
that produced by 130 mg/kg of “AMGL” and 125 mg/kg of “Promin”. The
“AMGL" sliowed to be more hemolytic than "Promin” because in doses of 65
mg/ kg it produced a hemôlysis like that provoked by 125 mg/kg oí “Promin”.
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Mem. Insí. Butantan
24(2) :69-76, Julbo 1952
G.
ROSEXFEI.D
H. RZEPPA. I..
SCHENBERG
XAHAS AXD S.
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13
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HEMOLYSIS AND BLOOD COXCEXTRATIOX OF SULFOXES
“IX VIVO”
At 150 minutes, in the concentration of 130 mg/kg the “AMGL” provoked a
hemolysis greater than the one produced by 125 mg/kg of “Promin”.
The “Promin” made in Instituto Butantan, when compared with “Promin”
of Parke Davis shows itself to be less hemolytie, which may be interpreted as
a greater stability of the salt and consequently smaller release of DDS.
From these data it is clear that DDS is directly hemolytie in vivo and that
its hemolytie power seems directly proportional to the velocity with which the
salt employed can liberate the (DDS as “Diazone” is more easily hidrolyzed
than “AMGL” and the latter more than “Promin”.
Since up to now there is no method for determining the amount of free
DDS in the blood, hemolysis happens to be an acceptable indicator to this con-
centration. It can also show tjhe path for researches about the employed salts
therapeutic qualities as it seems that the more active the drugs, the more easily
they liberate the DDS. The latter can be measurcd by the degree of hemolysis.
In graph 1 it can be seen that great amounts of drug only cause transitory
rise of the concentration because 4 hours after venous injection the leveis are
much lower and resemble those obtained when smaller doses which do not reach
such high leveis are injected. Equal doses of DDS result in different maximum
leveis according to the salt injected. Thus with “Promin”, a higher concentration
than that with “AMGL” is obtained.
The hemolysis is not proportional to the acme of the drug concentration
because both “Promins” caused less hemolysis than “AMGL” in spite of tran-
sitory higher concentration.
In the doses employed the drugs did not have action over the of red blood
cells count, hematocrit, mean corpuscular volume, sedimentation rate und leu-
cocytes count.
“Diazone”, “Promanid” and “Sulíenona” when injected intravenously did
not produce any change of carotidial pressure in the dog. "AMGL” induced
a very slight transitonal fali of pressure, 1 minute after being injected (íig. 1).
In order to verify if “Promin” injections in large amounts did produce
thrombosis, volumes of 8 to 16 ml, containing 3.2 to 6.4 gm, were injected in
femoral vein of dogs. After injected they were totally Ueeded and autopsiated.
No thrombosis was found in the vessels neither in the heart.
SUMMARY
Several authors who have employed diamino-diphenyl-sulfone (DDS)
observed that the use of this drug led to the development of anemia. Opinions
differ as to the mechanism of anemia, some suggesting that it is hemolytie
because of the increase of reticulocytes, increase and elimination of bilirubin.
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Mem. Inst, Butantan
J< (-) :69-76, Julho 1952
G. ROSEXFELD H. RZEPPA. L. NAHAS AND S.
SCHEXBERG
75
Others are against this belief on account of the irregularity oi such findings.
In order to verify whether such sulfones are directly hemolytic this drug
has been injected in dogs intravenously in doses 5 times larger than those thc-
rapeutically applied so as to have a better way to judge its eventual hemolytic
action.
Hemolysis was observed in all animais, the intensity varying in accordance
with the dnig employed. The hemolysis incrcased until the 4th hour, without
diminution after this period. “Diazone” \vas observed to be more hemolytic
than the “AMGL”, and the latter more than the “Promin”. On the othcr hand,
it seems that the hemolysis is directly proportional to the conccntration of the drug,
giving for this an evaluation oí DDS free in the blood for what does not cxist
yet any method of assay.
The drugs utilized in the observed periods oí time had no influcnce on the
number and mean corpuscular volume of the rcd blood cclls or on the Icucocy-
tcs. Tliey also did not provoke alteration on the carotidial pressurc with ex-
ception of the AMGL which had a little and transitorial dqiressivc action.
Xo thrombosis was found when large amounts of “Promin” were in-
jected in the femural vein of dogs.
RESUMO
A anemia provocada pela diamino difenil sulfona (DDS) tem sido assi-
nalada por vários autores que usaram êsse medicamento principalmente na lepra.
Quanto ao mecanismo dessa anemia há opiniões discordantes, sugerindo alguns
Que é hemolitica devido ao aumento de reticulocitos, aumento da eliminação de
bilirrubina, no que são contestados por outros pela irregularidade desses achados.
Com o fim de verificar si essas sulfonas são diretamente hemoliticas inje-
tou-se em cães por via venosa várias sulfonas em doses 5 vezes maiores do que
as terapêuticas afim de evidenciar melhor a eventual ação hemolitica.
Observou-se em todos os animais uma hemólise que variou de intensidade
com a droga e que já se iniciara 30 minutos após a injeção, aumentando até
a 4.* hora sem regredir no fim desse lapso de tempo.
A “Diazona” mostrou-se mais hemolitica do que o "AMGL” e esta mais
do que "Promin”. Por outro lado, parece que a hemólise é diretamente pro-
porcional á concentração de DDS livre no sangue e não á concentração total
droga, dando com isso uma avaliação de DDS livre no sangue, para o que
ainda não existe método de dosagem.
A injeção de grandes doses (125 mg por kilo) resultou em grande
concentração momentânea da droga no sangue no fim de 30 minutos. Depois
de 4 horas havia pràticamente a mesma concentração sanguínea mesmo com
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HEMOLYSIS AXD BLOOD COXCEXTRATIOX OF SULFOXES
"IX VIVO"
doses diferentes: 20 mg/k de “Diazona”, 130 ou 65 mg/k de AMGL e 125
mg/k de “Protnin”.
Nenhuma das drogas nas doses utilizadas e dentro dos tempos observados,
teve qualquer ação sôbre o número e volume das hemacias, nem sôbre os leu-
cócitos. Não produziram também alteração sôbre a pressão carotidiana, com
exceção do AMGL que teve muito leve ação depressora transitória.
Grandes doses de “Promin” injetadas na veia femural de cães não provo-
caram tromboses.
BIBLIOGRAPHY
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SciELO
cm
2
3
5
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Mrtn. Ins‘. Batantan
24(2) :77 -W, Aítsto 1952
B RIF.CKMAXN
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SOME SYMMETRIC a-AMIXOACETYL DERIYATIVES OF
4,4’-DI AM I NODI PHEN YLSULFONE.
by B. RIECKMANN
(From the Laboratory of Chcmotherapy of lhe Instituto fíutantan, São Paulo, Brasil.)
At present 4,4’-diaminodiphenylsulfone and some of its hydrosolublc
mono- and bi-substituted derivatives arc used to a large extent in the treatment of
leprosy'. Whereas the lepromatous and tuberculoid fornis react tnorc or lcss
satisfactorily when submitted to treatment by thcsc dmgs, therc remains onc
form, which, complicated by neurologic symptoms, gencrally does not rcspond to
this therapy. Although the intermediary metabolism of 4.4’-diaminodiphcnyIsul-
fone is not yet completely investigated, a certain specific organotropism may
be assumed as the reason wherefore this substance fails to penetratc the pcri-
neural tissue. Eventually this may be the cause of the negativc rcsults obscrvcd
when this form is submitted to sulfone therapy.
This paper deals with the preparation of some N-substituted derivatives of
4,4 '-diaminodiphenylsul fone made by introduction of some radicais, the prcsence
of which is responsihle for characteristic physiological activitics of othcr substan-
ces. By this way the hypothetic organotropism, mentioned abovc, may be
modified.
Six new compounds were obtained by symmetric substitution of the
alkyl-chlorine atoms of 4,4’-(bis-a-chloracetylamino-)diphcnylsulfonc by four
secondary and two tertiary amines. Similar mono-substituted compounds havc
been prepared by Knüsli (1), who used them as intermediates for the synthcsis
of amino-alkvl derivatives of 4,4’-diaminodiphenyIsulíone and which posscss a
cardiotonic activity.
4,4’-(bis- a -chloracetylamino-)diphenylsulfone was prepared by direct con-
densation of 4,4’-diaminodiphenylsulfone \yith monochloracetic acid. using phos-
phorus oxychloride as a dehydrating agent. The procedure was similar to that
which has been developed in this Laboratory by Berti and Ziti (2). lhe rcsulting
oompound was condensed with diethylamine, di-n-butylamine, morpholinc and
piperidine, yielding respectively :
Received for publication on August 28, 1952.
1, | SciELO
7S
SOME SYMMETRIC AM IXOACETYL DERIV ATIVES OF
4,4*-DIAMINODIPHEXYLSULFOXE
Cc 2 h s ) 2 -n-ch 2 -co-nh
/" SOr \
//
NH-CO-CHj-N-CCjH^
4,4’-(bis-a-diethylaminoacetylamino-)diphenylsulfone (I)
NH-CO-CHfN-(C 4 H,) 2
4,4’-(bis-a-di-n-butylaniinoacetylamino-)diphenylsulíone (II)
\ /CH 2 -CH^‘
>NH-CO-CHjN .0
/ ' v ch 2 — ch/
4,4’- ( bis-a-X -niorpholineacetylamino-) diphenylsul f one (III)
.CH-CH, / — \ / ~\ /CH— CH 2n
C V t »r ! ' W H /**
4, 4’- (bis-a-X'-piperidineacetylamino-) diphenylsul fone (IV)
These substances, obtained in good yields, are Hposoluble. Similar derivati-
ves of aniline and substituted anilines, which possess an antipyretic or local-anes-
thetic activity, have bcen described by Majert (3), Gaind and Vohra (4),
Lofgren and Lindqvist (5) and Büchi, Lauener, Ragaz, Boniger and Lie-
berherr (6).
The compounds of the second type resulted from the same symmetrical
substitution of the alkyl-chlorine atoms of 4,4’-(bis-«-chloracetylamino-)diphe-
nylsulfone by trimethylamine and pyridine respectively. By this way derivatives
of 4,4’-diaminodiphenylsttlfone, which are quartemary salts of ammonium, were
obtained. They are:
|(CH J )i-VCHjCO-NH ^ NH-CO-CHiM-(CH^ 3 jci 2 ‘or (CIO^í
4,4’-diaminodiphenylsulfone-X,N’-bis-(carboxymethylene-trimethylammonium
chloride or perchlorate) (V)
{ >«c™< y (co.)«
4,4’-diaminodiphenylsulfone-N,N’-bis-(carboxymethylene-pyridinium
perchlorate) (VI)
The chloride of the first substance is hygroscopic and its aqueous solution
after some days reveals the odor of trimethylamine. Although it could be-
Mem. Insí. Butantan
2 *(2):77-8J, Agosto 1952
B. KIECKMANN
79
used for pharmacological tests, difficulties in purification, manipulation and
melting-point determination suggested the isolation of the base as its perchlorate,
accordmg to Hofmann (7), Strack and Hentsch (8). This salt has no pronoun-
ce d hygroscopicity, is slightly soluble in water and could be purified without
decomposition. The pyridinium salt could only be obtained as its perchlorate,
because the chloride is so hygroscopic that it could not be isolated.
EXPERIMENTAL
J,-f’-(bis-a-chloraccty lamino-) diphenylsulfonc *).- In a porcelain dish 24.8 g
ot " d, 4 -diaminodiphenylsul fone (0.1 M) were mixcd with 30 g. of niono-
chloracetic acid (0.31 M) and warmed on the water-bath to 80°, until the
sul fone dissolved completely in the excess of acid. Aftcr cooling, 16 g. of
phosphorus oxychloride (0.1 M) were slowly addcd under constant manual
stirring, which was continued until a scniisolid mass was fomicd. This was
warmed on the water-bath until the evolution of hydrogcn chloride ccased. In
order to dissolve the metaphosphoric acid formed and to remove the excess of
monochloracetic acid, the product was ground in a mortar in presence of
cold water, filtered and thoroughly washed. The crude, white substancc was
dried and yielded 31 g. (77%). It is insoluble in water, etlianol and ethcr,
hcing slightly soluble in acetic acid and aqueous acetone. After six recrystalliza-
tions from aqueous acetone, the white, prismatic crystals had a constant
melting point of 200.7 — 200.8 o .**)
axal. Calculated for C,« H 14 0 4 X 2 Cl 3 S : N, 6.99%. Found N, 7.17%.
— 4,4’-(bis-a-diethylaminoacclylamino-)diphcnylsuIfotic. — A mixturc of 9 g.
°f 4,4’-(bis-<i-chloracetylamino-)diphenylsulfone (0.022 M) and a solution of
8 g. of diethylamine (0.11 M) in 150 ml. of 60% aqueous cthanol was rcfluxcd
f°r six hours. The resulting, homogen solution was treatcd with active charcoal
and filtered. On cooling, colourless, prismatic needles crystallized, yielding
^ S- (84%). After five recrystallizations from ethanol a constant melting point
°f 151.2 — 152.6° was obtained***)
axal. Calculated for C 24 H 84 0 4 N 4 S : N, 11.8%. Found N, 11.84%.
* This substance has already been describcd, howevcr the melting points are differctiL
8o Powell, Shonle and Van Arcndonk (9) report 185-186°, Ganapathi, Delivala and
Rajagopalan (10) 191-192°.
** All mplting point determinations reported in this papcr were carricd out with
Anschütz thermometers.
*** The substance is soluble in hot peanut-oiL
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
gO SOME SYMMETRIC S-AMINOACETYL DERIVATIYES OF
4,4'DIAMIXODIPHEXYLSULFONE
II. — 4,4’-(bis-a-di-n-butylaminoacetylavnno-)diphenylsulfone. — Toa solution of
14 g. of di-n-butylamine (0.11 M) in 100 ml. of ethanol were added 10 g. of
4,4’-(bis-a-chloracetylamino-)diphenylsulíone (0.025 M). The mixture was
refluxed for 30 minutes, when complete solution occured. After boiling for
more 30 minutes, the solution was treated with active charcoal and filtered. White,
rectangular Ieaflets crystallized on cooling, whidi after filtration were thoroughly
washed with cold water. The yield was 8 g. (54%). After four recrystalliza-
tions from ethanol they melted at 150.8 — 151.6°.*)
anal. Calculated for C 3 2 H W 04 X*S : X, 9.54%. Found X, 9.70%.
III. — 4,4’-(bis-<t-X-morpliolincacetylamino-)diphcnylsiilfonc. — A mixture of
10 g. of 4,4’- (bis-a-chloracety lamino- )diphenylsul fone (0.025 M) and a solution
•of 10 g. of morpholine (0.11 M) in 100 ml. of 50% aqueous ethanol was
refluxed for one hour, when the starting material dissolved completely. On
further heating for half an hour, white crystals formed, which, after filtration
from the cold solution, yielded 9.4 g. (75%). After six recrystallizations from
ethanol, the colourless, tetragonal Ieaflets had a constant melting point of
242.4 — 243.6°.*)
anal. Calculated for Cj* Hjo Og N< S : X, 11.14%. Found X, 11.23%.
IV. — 4 ,í'-{bis-a-X-pipcridi)icaccty!amino-)diphcnylsulfonc. — In a solution of
8 g. of piperidine (0.9 M) in 100 ml. of ethanol were suspended 10 g. of 4,4’-
(bis-a-chloracetylamino-)diphenylsulfone (0.025 M). After heating the mix-
ture for five minutes, the starting material has dissolved completely and ten
minutes later white crystals began to forni. After cooling, the crude product
was filtered and dried, yielding 9.5 g. (75%). Five recrystallizations from
•ethanol gave white prismatic crystals, which melted at 244.6 — 246.6°.*)
anal Calculated for C 2 c H, V i 0 4 X 4 S : X, 11.23%. Found N, 11.1%.
V. — 4 J 4’-diamincdiplicnyIsulfonc-X,X'-bis-(carboxyiiicthylcnc-triinethylamiiwni-
vm salls).
Chloridc. — In a pressure flask. 100 g. of finely ground 4,4’-(bis-a-chlorace-
tylamino-)diphenylsulfone (0.25 M) were mixed with 300 ml. of an ethanolic
solution of trimethylamine at 27% by weight (1.2 M). This suspension was
diluted with 150 ml. of water and shaked on a machine. After 6 hours the
starting material dissolved completely. Shaking was continued for additjonal 18
* The substance is soluble in hot p"anut-oil
Mem_ InV. Bataatan
24(2):77-83, Agwu, 1952
B RIECKMANX
81
hours. The solution was concentrated on the water-bath, the excess of tri-
methylamine being evaporated simultaneously. The resulting viscous solution
was poured into 1,000 ml. of acetone, in which by some manual stirring with a
glass rod, a white semisolid mass separated. By filtration, 140 g. of a white,
amorphous and extremely hygroscopic product was obtained, which immcdiately
was dissolved in 140 ml. of water, treated with active charcoal, filtered and
added to 1,000 ml. of acetone. On standing ovcmight in an ice-box, a good
precipitation resulted. The product, filtered and dried over sulfuríc acid, yielded
84 g. (65%). The salt lost trimethylamine at 260° and did not melt until 280°.
anal. Calculated for [C~ H 33 0 4 X 4 S] ++ Cl 3 — : X. 10.79%. Found X, 10.4%. *)
Pcrchlorate. — To a solution of 80 g. 4,4’-diaminodiphcnylsulíonc-X,X’-
bis(carboxymethylene-trimethylammonium chloride) in 150 ml. of cold water,
a 70% solution of perchloric acid was added until complete precipitation. 1 he
white crystals were filtered and washcd with cold water and aftenvards purified
by recrystallization from boiling water. The yield was 60 g. (35%). After
five recrystallizations from water the prismatic crystals meltcd at 262.8 — 263.8°
with decomposition.
ANal. Calculated for [C» Hj-. 0 4 X 4 S] ++(C10 4 ) 2 — : X, 8.65%. Found N, 8.51%.
VI. — 4,4’-diaminodiphenylsulfjonc-N ^‘-bis-^carboxymelhylene-pyridinium pcr-
chloratc ) . To a suspension of 20 g. of 4 , 4 ’-(bis-«-chloracetylamino-)diphcn\lsul-
fone (0.05 M) in 160 ml. of dry methanol were added 46.7 g. of pyridine
(0.6 M). The mixture was refluxed on the water-bath and after 2 hours the
starting material has dissolved, the solution being heated for more 3 hours and
filtered while hot. When cold, 500 ml. of ether were added, causing a good pre-
cipitation. After filtration, the yellowish, semisolid and very hygroscopic mass
was dissolved in 100 ml. of water. The solution was filtered and concentrated
in vacuo, in order to remove all remaining pyridine. The resulting, \iscous !i-
quid was redissolved in 200 ml. of water, the solution being purified by active
charcoal and filtered. A 70% solution of perchloric acid was added until
complete precipitation. After filtering and washing with cold water, a yield of
16 g. (47%) was obtained. The white leaflets after five recrystallizations from
hoiiitifT wat er melted at 280.0 — 282.6° with decomposition.
anal. Calculated for [C 26 H 24 0 4 X 4 S] ++(CI0 4 ) 2 — : X, 8.15%. Found X. 8.27%.
* Better analytical results could not be obtained, in view of the instability of the
substance. .
cm
SciELO
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82
SOME SYMMETRIC a- AMIXOACETYL DERIVATIVES OF
. 4,4'DIAMIXODIPHENYLSULFONE
SUMMARY
The synthesis of 4,4’-(bis-a-chloracetylamino-)diphenylsuIfone is described.
This was condensed with
a) four secondary amines, being obtained 4,4’-(bis-a-diethylaminoacetyl-
amino-)diphemlsulfone, 4,4’-(bis-a-di-n-butylaminoacctylamino-)diphenylsulíone,
4,4’-(bis-a-X-morpholineacetylamino-)diphenylsulfone and 4,4’-(bis-a-X-piperidi-
neacety lamino- ) diphenylsul f one.
b) trimethylamine and pyridine, resulting respectively 4,4’-diaminodipherryl-
sulfone-N,X’-bis-(carboxymethylene-trimethylaimnonium chloride or perchlo-
rate) and 4,4’-diaminodiphenylsulfone-X,X’-bis-(carboxymethylene-pyridinium
perchlorate). These new derivatives of 4,4’-diaminodiphenylsulfone may have
some influence upon the neurologic forms of leprosy.
RESUMO
Descreve-se a sintese da 4,4’-(bis-a-cloroacetilamino-)difenilsulfona. Esta
foi condensada com
a) quatro aminas secundarias, obtendo-se: 4,4’-(bis-a-dietilaminoacetilami-
no-)difenilsulfona, 4,4’-(bis-a-di-n-lbutiIaminoacetilamino-)difenilsulfona, 4,4’-
(bis-a-X-morfolinoacetilamino-)difenilsulfona e 4,4’-(bis-a-X-piperidinoacetil-
amino-)difenilsulfona.
b) trimetilamina e piridina, resultando respetivamenle 4,4’-diaminodifenil-
sulfona-X,X’-bis-(carboximetileno-trimetilamonio) cloreto ou perclorato e
4,4’-diaminodifenilsulfona-X,X’-bis-(carboximetileno-piridinio) perclorato.
Espera-se que estes novos derivados da 4,4’-diaminodifenilsulfona tenham
uma influença sobre as formas nervosas da lepra.
ACKNOWLEDGMENT
The author wishes to thank Prof. Dr. H. Rheinboldt and Dr. F. A. Berti
for their valuable assistance, as well as Mr. H. W. Rzeppa for the performance
of the microanalyses reported here.
BIBLIOGRAPHY
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Mem. Insi. Butantan
■M(2):77-83, Agosto 1952
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83
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cm
SciELO
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Mera. lns‘. Butantan
2<(2):85-100, Out.* 1952
K. SLOTTA AND J. PRIMOSICH
A NEW METHOD OF QUANTITATIVE PAPER
CHROMATOGRAPHY
by K. SLOTTA and J. PRIMOSIGH
(Research Department, Ind. Farm. Endochimica S/A)
The partition chromatography as indicatecl by Consden, Gordon and Mar-
tin (1)» using filter paper as a support for the stationary phase, has since
been applied by different authors for the quantitative detemiination of amino
acids in artificial amino acid mixtures or protein hydrolysates respcctively. The
following principies have been applied:
1. Measuring of the area of the amino acids, colorcd with ninliydrin after
an appropriate method of separation (2-5). The limit of error of this
method is approximately ± 10%. Improvements on the original technique
have been described (6, 7).
2. Elution of the amino acids after previous localization and determination of
the concentration by means of appropriate micromethods (8-14). In this
case it proved difficult to eliminate respectively to control the paper blank.
By suitable pretreatment of the paper this method was improved and tiscd
successfully (with an error of ±. 5%) for the determination of the amino
acid composition of algal proteins (15).
3. Direct photometry of the amino acids, previously colorcd with ninhydrin on
the paper (16-22). This method was applied for the determination of the
amino acid concentration after twodimensional chromatography (18); pre-
fractionation in groups and subsequent onedimensional chromatography
(17-18) ; onedimensionally with buffered chromatograms (21) or onedimen-
sionally with new kinds of solvent mixtures (low alcohols with additions
(22). Under closely controlled conditions, particularly of the drying and
coloring process. the probable error could be diminished to — 4,36% (--)•
4,36% (22).
Our experiments with crotoxin hydrolysates using a butanol-acetic acid
mixture (23), gave sharp separations. Therefore the next step was to deter-
mine quantitatively the amino acids or amino acid groups separated in this-
manner.
Received for publication on October 30, 1952.
cm
SciELO
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S6
A NEW METHOD OF QUANTIT ATIVE PAPER CHROMATOGRAPHY
To determine the amino acids we chose the manometric ninhydrin carbon
dioxide method of Van Slyke et al. (24). This excellent and very specific
method is of great exactitude (25). In its submicro-and micro-execution it ena-
bles a measurement of 0.04 — 0.8 mg. of a-amino nitrogen with an error less
than 1 %. For this determination 10-15 mg. protein hydrolysate are necessary.
This relatively large amount may be applied without overcharging the paper as
a 2 cm. large streak on Whatman n.° 3 paper. To guarantee this we have
constructed a simple apparatus which applies up to 1 ml. of solution very
uniformly.
A typical chromatogram of this kind is reproduced in figure 1. In 144
hours the lactoglobulin hydrolysate, was separated into 7 distinctly defined zones.
In the dripping of í solution tyrosine, valine, methionine, phenylalanine and the
leucines were present. Usually the paper was then dried for a short time at
90-95°, the amino acid zones localized by ultraviolet light, cut out, and every
stripe eluted with O.l N hydrochloric acid. After removing the hydrochloric
acid by frceze-drying, the elution residue was dissolved in water and the amino
acids dctermined in the Van Slyke-Xeill-apparatus.
A large number of preliminary experiments were carried out to establish
the separation capacity of Whatman n.° 3 paper for different amino acid concen-
trations, the adequate running time, time and temperature for drying as well as
localization in the u. v. and elutibility of the different amino acids. Then
artificial amino acid mLxtures, containing the different amino acids in concentra-
tions as might be expected in a lactoglobulin hydrolysate, were separated and
detennined.
TABLE I
Separation of an artificial amino acid vtixlurc. Uscd: 1 ml. of an
aqueous solution corrcsponding to 10 mg of 0 - lactoglobulin hydrolysate.
pH — 6.0. Separation time: 144 hours. Solveu t: butanol-acetic acid
mixture.
Exp. «.• 17
Exp. n.° 19
Exp. n.* 20
rccovcrcd in %
recovcTcd in %
rccovercd in %
not dctermined
nc* dctermined
not detcrmined
Cystine
101.9
97.4
97.5
Lysine
103.8
HUtidine
100.4
96.2
96.0
Arginine
105.5
121.0
119.0
Aapartic acid -f- Glycine +
98.3
102.1
98.0
-f- Scrin*
102.2
98.1
Glutamic acid + Tfcretmine
99.0
100.4
99.4
99.2
100.5
Ala nine
97.1
103.2
97.0
Proline
Lost
97.3
97.0
97.4
97.3
"letn. I ii'' . Bulantan
Í4(’);S5-10U, Out.’ 1952
K. Sl-OTTA AND J. PRIMOSICU
87
0 ( )
1
2
3
4
5
6
7
FIGCRE 1
Scparalion i,f a p Lactoglobuliii hadrolyxatc cn \\ hatman H" .1 rapcr. 1 nil. h) di I'!í '-Itf
comainin; 14.5 mg. of protcin applitd at ‘O*. I>H of lhe hjdrolyjalc = 1.6. S.yaratc-I
by a mixture of bir anol + acclic acid.
Runnins-time 144 heurs. Colorcd with níokydrin. 1 = t yxtinr. 2 lydnc. 2 — hUtb.inc.
4 = arginioc. 5 = aí|«rtic acid -r glycinc + «-rin?. 6 = glutatnic acid + thmminc, 7 - ala-
r.iic + prolinc.
1, | SciELO
15
ss
A N K\v ilÉTltob ÜF QIÁAXTITATIVE PAPER CHROMATOGRARIlV
In these artificial mixtures cystine was not present; the pH of the solution
was 6,0. At this pH the separation of arginine from aspartic acid is imperfect
the one of alanine from proline perfect. Later experimenta with acid aminó
acul mixtures and protein hydrolysates of a pH = 1-2 showed that the pH
of the appl.ed solution has an influence on the separation. A low pH results
m an excellent separation of arginine from aspartic acid; on the o.her hand
tlie alanine proline separation is then imperfect. Subsequently we always used
weakly acid hydrolysates and cqnsider this procedure adequate, as the tliree
, s «m be detennined very accurately in this manner. One may desist from
the proline deter, nination as this can be separated from alanine by other solvents
(tor example butanol-water).
As may be seen in table I tire standard error is under dt 5 r / ( with the
cxception of arginine. The incomplete separation of arginine when using neu-
tral Solutions caused difficulties in the localization and cutting out of the arginine
haml. The slightcst error in cutting resulted in arginine errors up to V/,
owmg tò the neigblxiring aspartic acid’s relatively high concentration. But as
may be seen in figure 1 this source of error could be avoided by using weaklv
acid hydrolysates, thereby enlarging the free intermediary zone.
lahles II and III show the results achieved hy the ahove described method
ot separating and measuring the hydrolysates of two purified and crystallized
protems: crystallized p-lactoglobuliu and crystallized lysozvme. The vahies f«, r
tyFosine, valine + mcthionine, phenylalanine and leucine + isoleucine given in
Imes 8-1 should l>e considered as preliminary. They were obtained by a
48 hour chromatography of the hydrolysates with the butanol-acetic acid mixture-
timler these conditions the said amino acids did not migrate from the pape/
mtthe separation ,s not perfect and síreaks of artefacts make localization dif-
. n !' S IS wh >' " e consi(ler ‘he values as less accurate than those of the
ainino ac, as and anuno acid groups in the Iines 1-7. A perfect separation
of the anuno acids, dnppmg off under our standard conditions, will onlv be
possihle hy using other solvem mixtures (benzylalcohol, butanol-water).
Although the analysis of P-lactoglobulin is incomplete, a short discussion of
’ , ‘ rCS,lItS seenis advisab,e - The cystine values were 20-25% lower than those
o itained hy Brand (26) under adequate conditions of hydrolysis. The cvstine
al '°, shoWed ,ar « er o-ciUations among themselves (see hsozvme ) ; parti-
cularh prolonged heatmg of the paper led to larger losses in the case of cvstine.
e have not yet mvestigated whether cystine may l.e quantitatively detennined
by this method under adequate conditions of hydrolysis.
*’ Ur Iysine vaIue is a IitlIe h '£ her than that of Brand (26) and of Lewis
f .“ bUt . i n ° t as h, S h as Stcin and UooTe's (27). In spite of the low concentra-
tion histidtne could be determined exactly. The arginine value was app. 6 %
too low. '
Mem. Insí, Botantan
24(2) :8S-100, Out.* 1952
K. SLOTTA AXD J. PRIMOSICH
TABLE II
89
Atnino acid composition of $-lactoglobulin. Rcsults in gm. of a-amino mtrogrn
per 100 gm. of protcin.
Paper chrcrm.
Brand et al.
(26)
Stein & Moore
(27)
Lewi» et al.
(28)
i
2
Cystine
0,306
0.309
0.396
Lysine *
1,111
1,146
1.093
1,205
1,074
Ilistidinc
0.149
0.153
0,143
0.147
0.150
Arjjinine
0,221
02219
0,232
0,234
0.232
Aspartic acid || +
Gljrcine // + Se-
rine ••
3.061
3.053
3,236
3.130
3.067
dutamic acid +
Thrconine M * ...
22242
2,249
2.544
2.366
2.363
Alanine -f- Proline {
1.711
1.741
1,479
1.746
1,526
Tyrosinir
0.339
0,292
0.281
0,299
Valinc + Mcthioninc
0.98*
1.000
0,974
1,034
Phenylalanine
0.288
0.300
0.321
0,303
Lcucinc Isolcucinc
2,301
2.563
2,281
2,403
* The cxpcrimmfally obtained lysine value» wcre divided b jr 1,10.
|| The double value oi aspartic acid-X wa» used in calculating the group-nitrogen of thc rcfervnc*
protein.
ff 90 % of thc glycine-X value wcre txscd in calculating groujvX of thc rcícrciKc protcin»
** Unoorrectcd scrinc valises wcre used in thc calculation of thc group-X of thc referene*
protcin.
**' Uncorrected threoninc value» wcre used in thc calculation of thc gnoup-N of thc refermen
protcin.
9 301 % of the proJine value were tned in the cakulation of the *nwp-N of the teferme*
protcin.
The value for the group aspartic acid -f- glycine -j- serine is nearly iden-
tical with the one of Lewis and in good accordance with Stein and Moorc’s.
The diíference between our values and those of Brand is causcd by his obviously
too high serine value. The value for glutamic acid + threoninc coincides
within 5% with the one of Stein and Moore as well as with Lewis’. The
far higher value of Brand can be explained by his high value for threoninc.
Alanine and proline are amino acids which formerly could not be accurately
determined by microbiological methods. The proline value of Brand, obtaincd
by microbiological methods, could not be confirmed by Lewis who also applied
microbiological determinations. It is really higher, and although the alanine
values of both authors are fairly equal, Lewis considers his alanine value as
uncertain, presumably 10-20 % too low. Our value for alanine + proline con-
firms the supposition that both values of Brand are too low and that thc
alanine value of Lewis is also too low. Our values agreed well with the one
of Stein and Moore, but we found a much higher value than Brand and a higher
one than Lewis.
cm
SciELO
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90
A NEW METIIOD OF QCANTITATIVE PAPER CHROMATOGRAPHY
We consider the tyrosine value as uncertain, as it was impossible to localize
tyrosine beyond doubt and cut it out neatly. The valine + methionine group
was in good agreement with the three comparative values and phenylalanine is
in accordance within 5 % with Brand’s value. The value for the leucine -f-
isoleucine group corresponds very closely to the one found by Stein and Moore.
The higher value of Brand et al. is caused by the high isoleucine value obtained
by microbiological methods; it has since been corrected (29) and now corres-
ponds, more or less, to the one found by Stein and Moore through partition
chromatography on a starch column.
TABLE III.
A mino acid composilion of lysooymc. Rcsults in gm. a-amino nitrogen per
100 gm. of protein.
Paper chromat.
Fromagcot ct
Lewis et al.
1
*
aL (30)
(28)
Cystine
0,775
0,668
0,933
_
Lysine *
0,524
0,555
0.578 *)
0,546
Jiistidine
0,166
0,091
0,105 *)
0,094
Arginine
0,999
1,087
1.054 *)
1,022
Aspartic acid + Glycinc / /
-f- Serinr *•
5.714
5,761
5,298
5.594
Glutamic acid + Threoni-
ne •**
0.980 '
1.022
0,913
1,058
Alanine 4* Proline S
1,391
1,437
1,119
1,084
Tyrosine
0,402
0.286
0.277
Valine 4* Methionine
0.756
0,778
0.768
Phenylalanine
0.283
0,195
0.265
Leucine + Isoleucine ....
1,307
1,463
1,292
•) Values from a recently puhlished paprr werc used here (31).
• The experimentally found lysine values werc divided by 1,10.
]| The douhlc value of aspartic acid-X was used in the calculation of the group-nitrogen of the
leference protein.
// 90 % of tbe glycine-X value were used in calculating the group-X of the reierence protein.
** Uncorrected serine values werc used in the calculation of tbe group-X of the reference
protein.
# ** Uncorrected threoninc values were used in calculatitjg tbe group-X of the reference protein.
§ 101 % of the proline value was used in the calculation of the group* X of the reference protein.
Lysozyme is a protein with an uncommonly high trvptophane content and
gives strongly colored hydrolysates. The analysis was made difficult by streaks
of artefacts which appeared in the neighbourhood of arginine, proline and tyro-
sine. A very narrow band was once observed between aspartic and glutamic
acid.
What has been said in the discussion of the lactoglobulin value goes for
cystine too. The oscillation of the lysine values is larger than usual; the mean
Mítn. Inst. Batantan
24(2):85-100, Out.» 1952
K. SLOTTA ASD J. PRIMOSICH
91
value corresponds to the one of Lewis. Lysozyme contai ns histidinc in a very
low concentration and gave an absurd value for this constituent in experiment
no. 1. On account of a streak of artefact the localization of histidine proved
very difficult and apparently part of the arginine was found with the histidine.
In experiment no. 2 the value coincides within 5 % with the one found by
Lewis, but this must be considered as rather a chance happening, as at this
low concentration the limit of this methods accuracy has been reached. Argi-
nine was fouixl somewhat higher in experiment no. 2, but coincides within 5 %
with the value found by Fromageot. The group aspartic acid + glycine -f- se-
rine presented much higher values than those found by Fromageot and they
w«*re also about 3 % above those of Lewis. Probably the low values of
Fromageot were caused by his too low aspartic acid value. Our avcragc value
of glutamic acid -f- serine is midway betwccn tive values of Fromageot and
Lewis. Lewis finds a value of 4,32 % for glutamic acid and calculates 4,36
residues per molecule therefrom. Fromageot calculates a value of 3,3 rcsidues
per molecule from a concentration of 3,3 %. Most probably our value of 4 re-
sidues per molecule is right. It is as yet not quite ccrtain wliat causcd our rcla-
tively high value for the alanine -f- proline group. 1 he avcragc value from the
two experiments is 26 % higher than Fromageot’s and 30 % higher than Lewis .
Although Lewis refers to his alanine value obtaincd by microbiological methods
as probably 10-20% too low, this does not explain the increase of 30% in our
value. Probably the reason for this increase is a doublc one : 1 ) an actually
higher alanine value and 2) a slight increase of the value found on account of
the artefact directly adjacent to proline.
The value for tyrosine cannot be used in the case of lysozyme bccause cut-
ting out was rendered most difficult by incomplete separation, even more than
with P-Iactoglobulin. The group valine -f- methioninc coincides with both com-
parative values within 5 %. Our values for phcnylalaninc and the leucinc-iso-
leuleucine group confirm those of Lewis; the phenylalanine value of F romageot
is definitely too low. The increase of the group value leucine -f- isoleucinc of
Fromageot is caused by his higher value for isoleucinc.
From this detailed discussion of the results it may be scen how much re-
nvains to be done till this metliod can be transformed into one for a reliablc and
complete analysis of protein hydrolysates.
From the groups aspartic acid -f- glycine -f- serine and glutamic acid +
threonine the two dicarboxylic acids may be separated without difficult) by
nieans of an anion exchanger and then determincd as individual amino acids.
Preliminary experiments in this direction gave good results.
Another possibility arises from the use of different solvent mixtures (22),
resp. of buffered solvent mixtures (32). As every amino acid can be obtamed
separately in the onedimensional chromatograms, the chief problem nowadays
cm
SciELO
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92
A NEW METHOD OF QUANTIT ATIVE PAPER CHROMATOGRAPHV
consists ia applying the most rational solvent mixture. It should separate the
largest number of amino acids in a precise and easily reproductible way. Experi-
ments in this direction have been carried out.
We think it is too early to compare the exactitude of this method with
other ones of longer standing and experience. On the one hand, this method
will allow only the determination of a few individual amino acids, while on the
other the small paper blank could not yet been eliminated and artefacts are pre-
sent which render the cutting out difficult. From our experiments with arti-
ficial amino acid mixtures, which can be separated without overlapping, we may
deduce that an exactitude of ± 2 % can easily be achieved in those cases where
a good separation and a sufíiciently high concentration 0,3-0, 5 mg. of XHs-N)
make an accurate determination possible. The still existing small paper blank
could probably be completely eliminated by the very efficient purifying proce-
dure described by Hanes et al. (33).
EXPERIMENTAL PART
1 . Rcagcnts nscd.
With the exception of isoleucine from the Nutritional Biochemicals Corp.,
Cleveland, Ohio, all the amino acids used were products of the H. M. Chemical
Co., Los Angeles, Califórnia. All the amino acids were C. P. and when dried
gave theoretical Kjeldahl values within rt 0,5 %, with the exception of L-arginine
which contained sodium chloride. In spite of the satisfactory value of total
nitrogen L-proline contained oxyproline which appeared in the paper chroma-
togram. Oxyproline could be determined semiquantitatively and amounted to
ahout 2 % of the sample.
Crystallized {5-lactoglobulin and crystallized lysozyme were products of the
Armour Laboratories, Chicago, 111. They were used without further crystalli-
zation. We calculated on the basis of a total nitrogen value of 15,6% (26, 27)
for lactoglobulin, resp. 18,6% (30) for lysozyme.
The mixture used for separation consisted of butanol -f- glacial acetic acid
4- water in the proportion of 4:1 :5 (v/v). All solvents were p. a. preparations.
2. Hydrolysis.
Each time 400 mg. of air dried protein were hydrolysed for 18 hours
with 50 ml. of 6 N hydrochloric acid in an electrically heated glycerol bath
under reflux. The temperature of the bath was adjusted to 125.° C. The hydro-
lysate of lactoglobulin had a light yellow color and that of lysozyme a very dark
brown. The principal amount of hydrochloric acid was distilled in the usual
manner in the vacuum; the syruplike residue was dissolved in water and frozen
K. SI.OTTA AND J- PRIMOSICH
Mrm. In» . Bstantan
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FlCrnES 2 an.1 J
Applyinü *" h I,ÍPC,,C
cm
SciELO
94
A NEW METHOD OF QCANTITATI VE PAPER CIIRCMATOGRAPHY
in a frcczing mixture. Tlie hydrolysate was leíf in high vacuum witli dry sili-
cagcl and soda lime for the absorption of the hydrochloric acid and was com-
pletely dry after app. 60 hours. The residue was dissolved in warm water,
transferred quantitatively into a 25 ml. volnmetric flask and completed with
water. Samples of 1 ml. each of the hydrolysate dilnted in this rnanner, con-
taining 10-15 mg. of protein, were used to determine the total nitrogen and
also for the paper chromatogram. The pH of this solntion was 1.4- 1.6. At
this pll the separatkm of the hases is períect, and care nnist he taken
tliat the pH of the applied solntion is 1-2.
3. Applying the sample.
All qnantitative eq>eriments were carried ont with nntreated Whatman
no. 3 paper (46x57 cm.). In the first experiment the sample was applied 10
cm. from the upper rim of the paper with a micro-hurctte in 24 portions of
0,025 ml. each. The total volume amounted therefore to 0,6 ml. The streak
had a length of app. 38 cm. and contained 6-9 mg. of dissolved substance. Ií
the application is done evenly, relatively undistorted stripes may he ohtained after
the separation. But it is preferahle to use an apparatus which makes very regular
application possible and has the further advantage of distributing up to 1 ml.
of hydrolysate evenly, while at the same time keeping the length of the streak
unaltered.
Following a suggestion of Yanovsky et ai. (34) we used at first a modiíied
kymograph on which we clamj>ed the paper sheet. As difficulties arose con-
cerning the exact dosage of the sample to he applied we chose another procedure :
the solntion is applied to the stationary pa]>er with a pipette which is drawn
over the sheet at an even speed. Figure 2 is a photograph of the apparatus and
pipette at the beginning of the run. The movement of a motor is transmitted to
an endless screw, which moves a carriage with the pipette. The paper is stret-
ched over a board and hold at the desired position by means of two steel bars
wrappcd in filter paper. Between these rails there is a groove in the board. 5 cm.
wide and 0.5 cm. deep: this prevents the humid paper from coming into contact
with the wooden board.
A measuring pipette (Kimble Exax) of 1 ml., graduated in 0,01 ml., was
used. Its tip end was bent at a right angle and the suction end provided with a
stopcock. The tip was first closed and drawn out a little on a blast bunier
and than opened again by careíul grinding so that the size of the opening was
adequate to apply a volume of 1 ml. as a streak 38-39 cm. long at pipette speed
of 0,45 cm./ sec. On account of the fine opening of the pqrette it was necessary
to nse a vacuum putnp to fill it. Then the stopcock was closed and the pipette
hooked into the vertically movable metal support of the carriage. The tip was
placed on a piece of filter paper (starting paper) which was protected under-
SciELO
Mra. Insí. Batintan
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K. SLOTTA AND J. FR1MOSICH
95
neath by impermeable paper. The carriage was put into motion, the stopcock
opened and the liquid began to flow out onto the starting paper. As soon as the
zero point of the pipette was reached, the starting paper was pulled away with
a quick movement and then the pipette slid on the paper sheet. As soon as the
desired volume had been applied, the pipette was liíted and the stopcock closed.
The pipette should not start applying less than 3 cm. from the lateral rim of the
paper, because in the course of the 6 days of chromatography the streaks grow
longer and they should never be allowed to extend to the rim of the paper.
4. Chromatography.
The loaded paper is Ieft to dry for 15 minutes at room temperaturc and
then completely dried at 60-70.° C, prcfcrably by means of a hair dryer.
It is advisable to stipulatc the running time by the amount of solvent used
for the separation. As a rulc we introduced two paper shccts in the trough as des-
cribed by Consden et al. (1), and fillcd it with 250 ml. of the butanol-acctic
acid mixture. Aíter two days it was possiblc to add the remaining 1G0 ml. We
took the papers out of the chamber after all the liquid (410 ml. for two sheets)
in the Container had been used up. This Iasted 6-7 days. 200 ml. butanol-acc-
tic acid mixture for two sheets of paper wcre used for the prcliminary separation,
which helps to determine the amino acids normally passing into the cxtract. This
procedure of separation was finished in app. 60 hours.
5. Markiug and cluting.
Thereafter the sheets and the trough are removed from the chamber and
dried first in a cold stream of air, then for 20 minutes at 90-95. C to makc
the stripes visible under u. v. AVhen using acid hydrolysates (pH 1-- ) we
could observe stripes of artefacts originating from the hydrolysatc (tryptophanc
decomposition products, particulariy markcd in lysozyme hydrolysates) as well
as others originating from the paper. It is therefore indispensable to run a sc-
cond sheet in each experiment which is afterwards colored with ninhjdrin. This
serves to ascertain the localization in the u. v. of the amino acids on the other
sheet. The places marked with pencil are cut out resulting in 7 paper stripes
of different width, which are eluted in an elution chamber of adequate size bj
means of 0, 1 N hydrochloric acid following the mcthod describcd by Dcnt (35),
whereby the amino acids in the stripe of filtcr paper, clamped betwcen two
slides, are eluted quantitativcly by the acid. The bottom end of the paper stri]>e
'vas cut to a point, so as to guarantee better dripping off.
The first elution experiments were carried out with water. Although we
succeeded in eluting the neutral amino acids quantitativcly, arginine was only
eluted up to 80 %, lysine up to S5 % and the dicarboxylic acids up to 90 %
cm
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A NEW METHOD OF QUANTIT ATIVE PAPER CHROMATOGRAPHV
The use of 0,1 X hydrochloric acid has two advantages: 1) complete elution
of all the amino acids and 2) reduction of the paper blank to a lbw and cons-
tant levei by decomposition of the carbonates eluted from the paper. \Ve pro-
ceded with the elution in a manner to wash out all the paper stripes for 16
hours, independent of their width. The extract of the narrow stripes amounted
to app. 5 ml. and that of the widest (glutamic acid -j- threonine) to app. 25 ml.
The glass tubes used to receive the extract and for the following freeze drying
were of 2,7 cm. diameter, 11,5 cm. height and having a constriction 4 cm. under
the rim. This prevents the escape of the ice-plug, in case small quantities of li-
quid start boiling on the bottom of the tube under high vacuum, thereby expel-
ling the ice-plug. The capacity up to the constriction was about 35 ml.
The frozen samples were brought into exsiccators lialf filled with dry sili-
cagel and a small beaker of soda lime. A vacuum, better than 1 mm., was pro-
duced by means of a small oil pump. In 24-48 hours the samples were dry as
dust and were left in the exsiccator up to the time of re-dissolution. Leaving them
outside the exEiccator resulted in absorption of humidity from the air and li-
quefaction of the samples; whereby the volume of the residue is increased,
vhich has o be avoided, because when dissolving the sample in 4,4 resp. 2,4 ml.
the volume of the dry residue is insigniíicant and need not be taken into con-
sidcration.
6. Detcrmimtion.
We used the Yan Slyke-Neill portable manometric gas analysís apparatus
furnished by A. H. Thomas Co., Philadelphia. The all glass reaction vessels
(36) were convenient and absolutely air tight when greasing the stopcocks with
a mixture of 5 parts petrolatum and 1 part of crude rubber (37). "With the
exception of the two-way stopcock of the extraction chamber, which was grea-
scd with Silicone high vacuum grease, all the other stopcocks were treated with
petrolatum crude rubber mixtures. \Ye used 0,5 X sodium hydroxide saturated
with sodium chloride and 2 N lactic acid. The hydiazine sulfate (25) was dis-
solved in the 2 X lactic acid (38). The calculation íactors for the COOH-N
were taken from Mac Fadyen’s publication (39).
The routine procedure for the detennination was the following: — The
sample, contained in the all glass reaction vessel in a volume of 2 ml., was left
with 100 mg. solid ninhydrin and 100 mg. solid citrate buffer of a pH = 2,5
in a boiling waterbath for 8 minutes. Several blank tests with the same amount
of ninhydrin and citrate buffer in 2 ml. ran parallel and gave 6-7 mm. mer-
cury measured at the 2,0 ml. mark and 25-30 mm. mercury measured at the
0,5 ml. mark (24).
Mem. Inií. Butantan
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K. SLOTTA AND J. PRIMOSICH
97
The abnormally reacting amino acids gave the values shown in table I\ r ;
therefore the experimentally found value for lysine was divided by 1,10, the one
for proline by 1,01 and the one for glycine by 0,90.
TABLE IV
Carbon dioxide dcvclofment of some abnormally reacting amino acids. Volume — 2 ml.,
fJI — 2J>. Boilcd with ninhydrin for S minutes.
Our values
% COOH-N
Vãs Slyke et al.
(24)
r, COOH-N
Scbott et il.
(25)
% COOH-N
Lysine
110
105
109
Proline
10t
100
102
Glycine
89.S
95
91-92
Cystine could be determined best at pH = 1 (0,1 X hydrochloric acid wi-
thout addition of buffer) and after boiling it with ninhydrin for 5 minutes,
gave theoretical values.
As a rule we dissolved the dry clution residue in 4,4 ml. of water in the
lyophilizing tubes without taking its volume into consideration. This dilution
was preferred for the stripes which were expected to have a highcr amino acid
concentration, because it made two recordings for cach samplc possible. But
the histidine, tyrosine and phenylalanine residues were dissolved in only 2,4 ml.,
as the expected concentration was very low and the procedure did not allow
a control detennination. Cystine was dissolved in 0,1 X hydrochloric acid and
determined without adding any buffer.
In spite of the high specificity of the manometric ninhydrin carbon dioxide
method we did not succeed in the total elimination of the jxiper blank. It seems
to be brought about by a substance with the qualities of a highcr peptid (33, 40).
Possibly it can be removed by an adequate preliminary treatment of tlie paper
(40), which we have not yet tried; therefore it was necessary to do a separate
determination of the small blank value of the paper. For this purpose it is best
to run a sheet of paper parallel under identical conditions, then ait it up in stripes
of the same width as those containing the different amino acids and finally
elute them with 0,1 X hydrochloric acid. The blank values are very small and
constant and do not amount to more than 1 mm. mercury for wide paper stri-
pes and 0.2 mm. for narrow ones, determined at the 2 ml. mark., resp. 3-5 mm.
mercury for wide stripes and 2-3 mm. for narrow stripes, measured at the
0,5ml. mark. If the paper blank is not taken into consideration. plus errors up to
a % may occur.
cm
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9S
A NEW METHOD OF QUANTITATIVE PAPER CHROMATOGRAPHV
RESUMO
Um método de determinação quantitativa dos amino ácidos em hidrolisados-
protéicos por meio de cromatografia de partição foi descrito.
10-15 mg de um hidrolisado proteico são aplicados em forma de banda sôbre
papel Whatman n.° 3 e, após a separação, cada constituinte foi determinado pelo-
método manométrico de Van Slyke-Neill (ninhidrina-anidrido carbônico). Desta
maneira a lisina, a histidina, a arginina, a tirosina e a fenilalanina são determiná-
veis como amino ácidos individuais, enquanto que o ácido aspartico -f- glicina +
serina, o ácido glutâmico -f- treonina, a alanina + prolina, a valina -i- metionina
e a leucina -(- isoleucina são determináveis como grupos.
O método foi aplicado para a determinação dos amino ácidos numa mis-
tura modelo, e o erro da determinação era inferior a dt 5 °[o.
Uma análise de duas proteinas cristalisadas, a saber, a {í-lactoglobulina e a
lisozim3, deu valores em perfeito acordo com aqueles descritos na literatura.
RESUMÉ
Une méthode de détermination quantitativo des acides aminés dans des
hydrolysats protéiques à 1’aide de chromatographie de partition a été décrite.
10-15 mg d’un hydrolysat protéique ont été appliqué sous forme de bande
sur papier Whatman No. 3 et après la séparation, chaque constituant a été déter-
miné par la méthode manométrique ninhydrine-anhydride carbonique de Van
Slyke-Neill. De cette manière, la lysine, la histidine, 1'arginine, la tyrosine et la
phenylalanine sont déterminables comme des acides aminés individuels, tandis
que 1’acidc aspartique + glycine — serine, 1’acide glutamique -f thréonine,
1’alanine -f- proline, la valine -f- méthionine et la leucine -f- isoleucine, comme
groupes.
La méthode a été appliquée pour déterminer les acides aminés dans un mé-
lange modèle, et 1’erreur de détermination füt inférieure à ± 5^o.
Une analyse de deux protéines cristallisées, à savoir, la P-lactoglobuline et
le lysozyme, a donné des valeurs en parfait accord avec celles décrites dans la
littérature.
ZUSAMMENFASSUNG
Es wird eine Methode zur quantitativen Bestimmung von Aminosãuren in
Ehveisshydrolysaten mittels Verteilungschromatographie beschrieben. Bei Ver-
wendung von Whatman No. 3 Papier werden 10-15 mg Proteinhydrolysat strei-
fenfõrmig aufgetragen und nach der Trennung die einzelnen Komponenten mít.
Menu Inst. Bntantan
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K. SLOTTA AND J. PRUIOSICU
9 *
der manometrischen Xinhydrin-Kohlendioxyd-Methode von Yan Slyke-Xeill bes-
timmt. Auf diese Weise sind Lysin, Histidin, Arginin, Tyrosin und Phenylalanin ■
ais individuelle Aminosãuren, und Asparaginsãurc -f- Glycin -f- Serin, Gluta-
niinsãure + Threonin, Alanin -f Prolin, Valin -f Mcthionin und Lcuzin -f-
Isoleuzin ais Gruppen bestimmbar.
Die Methode wurde zur Bestimmung von Aminosãuren in Modellgemischen •
verwendet und der Fehler der Bestimmung lag unter ± 5 ?c.
Die Analyse zweier krystallisierter Proteine, des (i-Laktoglobulins und des
Lysosyms ergab Werte, die mit den in der Literatur beschriebenen übcrein-
stimmten.
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A NEW METHOD OF QUANTITATIVE PAPER CHROMATOGRAPHY
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24(2) : 1 0 1-1 1 0, Out.» 1952
JOSÉ M. RUIZ
101
TÉCNICA DE PERFUSÃO PARA A COLETA DE SCHISTOSOMA
MANSONI EM ANIMAIS DE LABORATÓRIO
por JOSÉ M. RUIZ
(Secção de Parasitologia, Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil.)
A coleta de helmintos assume aspectos técnicos variáveis de acordo com a
localização dos parasitas no hospedeiro. Para os Schistosomídcos cm geral as
técnicas correntes utilizadas nas necropsias rotineiras não dão bons resultados.
A localização dos delicados vermes no interior dos finos vasos sanguíneos cons-
titui um obstáculo ao encontro e retirada dos mesmos.
Nos estudos de Schistosomose experimental a coleta total dos vermes é de
primacial importância, principalmente para a avaliação da ação terapêutica das
drogas. Para a produção de antisenos é igualmente importante a obtenção do
tnaior número possível de vermes.
Já está fora de época o processo de remoção individual dos Schistosoma,
do fígado ou dos pulmões, dilacerando e esmiuçando os órgãos, ou dos plexos
niesentéricos por idêntico processo, rasgando a estilete os finos vasos.
Semelhante processo, além de moroso e cansativo, dificultado ainda pela
coagulação do sangue, não permite a remoção total dos vermes, além de fragmen-
tar grande número deles. Não serve portanto como método de controles terapêu-
ticos, de estudo das formas em evolução ou em trânsito, ou em fase de crescimento,
nem mesmo se adapta á coleta em massa de adultos para a produção de antige-
nos específicos.
0 método de perfusão é o único que pode permitir a retirada total dos
vermes sem que estes se fragmentam ou se alterem. O princípio do método
consiste em :
1 — Isolar os órgãos ou regiões a serem examinados, mediante ligaduras
cm determinados pontos do sistema circulatório.
2 — Perfundir os vasos nos quais se encontram os vermes, provocando uma
corrente líquida desde os capilares até os troncos venosos maiores.
A padronização de um processo com esta finalidade virá facilitar grande-
niente a marcha dos estudos experimentais.
Grande número de schistosomídeos permanece ainda desconhecido, na forma
ndulta ou num dos sexos, o que não aconteceria talvez se nas necropsias rotineiras
cm
SciELO
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ÍAO TÉCNICA DE PERFUSAO PARA A COLETA DE SCHISTOSOMA
UANSONI EM ANIMAIS DE LABORATÓRIO
fossem perfundidas as veias do sistema porta. Talvez com esse procedimento-
fossem evidenciados novos hospedeiros definitivos dos Schistosoma humanos,
disseminadores eventuais da parasitose. Seria, por exemplo, muito oportuno-
um exame pormenorizado nesse sentido, principalmente dos roedores capturados
em zonas de schistosomose endêmica.
Processos de perfusão: — Yolles e col. (1947) publicaram uma técnica
modificando o antigo método preconizado por Faust e Meleney (1924).
Outra técnica foi publicada anteriormente por Brandt e Finch (1946) a
qual nos parece pouco prática. Mais recentememe Pan e Hunter (1951) deram
á publicidade nova técnica de perfusão que, como a de Yolles e col. é accessive!
e prática. Quando tivemos conhecimento do trabalho destes últimos autores es-
távamos utilizando um processo semelhante n’aleuns aspectos.
Quando á aparelhagem e ás soluções usadas, introduzimos certas inovações
que oferecem várias vantagens.
Yolles e col. utilizam para a perfusão salina citratada ( 0,75 % citrato de
sodio e 0,85% cloreto de sodio), para impedir a coagulação do sangue. Pan
e Hunter usam uma simples solução fisiológica a 0,85%. A operação nos
processos citados é continua, isto é, consiste num jato continuo das soluções.
Em nossa rotina temos usado uma solução citratada mais fraca para
impedir no máximo alterações dos vermes (Citrato de sodio 0,35% — Cloreto-
de sodio 0,75% em agua distilada). Além disso, nosso aparelho permite uma
alternância de líquidos, de modo que depois de uma primeira fase de injeção
do liquido citratado, continua-se a perfusão com solução fisiológica comum, a
0,85 ou 0,90%, fechando uma torneira e abrindo outra, sem tocar no órgão-
em exame.
Outra inovação que nos parece realmente prática consiste em utilizar,
como força propulsora do líquido, o seu próprio peso, colocando em altura
adequada, o recipiente que o contem.
O aparelho de Yolles e col. requer um motor propulsor de ar e o de Pan.
e Hunter uma seringa de 100cc — num conjunto semelhante ao usado para
transfusões sanguíneas.
Aparelho: — As fotografias, 1 — 3, dispensam uma descrição detalhada.
Dois boiões de 5 litros contêm respectivamente solução citrada e solução fisio-
lógica comum e são colocados a uma altura de 1,20 m (nessa altura a corrente
de líquido conduzida, através de uma cânula de 0,75 mm de abertura, é igual
a mais ou menos 30 a 40ml por minuto). Na parte inferior do boião está
adaptado um tubo em L (ou torneira) ao qual se liga um tubo de borracha
que conduz o liquido ao aparelho. Cada cânula de perfusão se comunica com
duas torneiras por meio de um tubo de vidro em T. Cada torneira recebe o»
Mcm. Tnst. Butantan JOSÉ M. RCIZ
24(2):101-110, Out.» 1952
FIG. 1
Conjunta da apaxclhasetn pura períusão com altcnuncia de liquido.
cm
TÉCNICA DE PERFUSAO PARA A COLETA DE SCHISTOSOMA
MAS SOS I EM ANIMAIS DE LABORATÓRIO
104
FIGS. 2-3
Detalhes do aparelho de perfusüo, mostrando o sistema de distribuição dos liquidos
SciELO
Alguns detalhes teenicos
FIGS. 4 9 fuUO
sobre o isolamento do sistema porta, para r* r
liem. Insf. Butantan JOSÉ M. RL IZ 105
24(2) .101-110, Out.® 1952
cm
106
TÉCNICA DE RERFfSAO PARA A COLETA DE SCHISTOSOMA
MAS SOS l EM ANIMAIS DE LAItOKATúRIO
líquido de um dos boiões. O conjunto de cânulas pode variar de acordo com
as necessidades. Quatro nos parece um número suficiente para trabalhar con-
tinuamente. Xo conjunto se adaptam, ao tubo central distribuidor de cada
boião, as torneiras respectivas por meio de tubos em T.
As torneiras de um boião devem ser dispostas sempre no mesmo lado (direito
ou esquerdo) para haver homogeneidade no trabalho. Será interessante marcar
as torneiras do mesmo liquido com uma cruz ou usando tubos de borracha de
outra côr nas articulações. É óbvio que ao usar um dos líquidos a torneira
oposta deverá permanecer fechada. Com essa disposição pode-se perfundir à
vontade com um ou outro liquido a qualquer momento. Esse conjunto se
apoia numa plataforma de 75cm de comprimento por 20cm de largura na
qual podem ser feitos encaixes para a adaptação dos tubos, que são fixados
por meio de prendedores metálicos ou de arame. A plataforma deve ficar a
uma altura de 25 a 30 cms da base. Sob a plataforma será útil adaptar duas
lâmpadas elétricas para iluminação durante o trabalho. As cânulas devem ser
adaptadas em tubos de borracha delgados e muito flexíveis. Xão adiamos inte-
ressante o uso de agulhas de injeção para este fim; as cânulas de vidro são
amarradas com mais firmeza, podem ter uma curvatura adequada e as pontas
arredondadas evitam a perfuração dos vasos.
0 diâmetro das cânulas varia com o tipo de órgão a perfundir ou com
o animal utilizado c para a cobaia devem ter um diâmetro externo de lmm a
l,5mm.
T ccnica :
1 — Sacrificar o animal com eter.
2 — Expôr os órsãos toráxicos e abdominais mediante incisão ampla pelos
lados do ventre e do torax.
3 — Isolar o figado e região do mesentério por meio de ligaduras, como
segue :
Figado :
a) ligadura dupla da veia cava acima do diafrágma.
b) ligadura dupla da veia cava inferior entre o figado e o rim direito
çmuita cautela) (Fig. 5).
c) ligadura dupla da veia porta o mais próximo possível do figado
(Figs. 4-6).
d) ligadura simples do esôfago próximo ao estômago.
f) retirar o figado, cortando os ligamentos, canal colédoco e o diafragma;
este deve ser cortado rente das paredes do corpo.
e) cortar as veias entre as ligaduras a, b e c e acima de d (Fig. 7).
g) colocar o figado numa placa de Petri grande (15cm); introduzir a
cânula no sinus hcpáticus e amarrar fortemente (Fig. 8).
Mem. Insf. Bntantan
2*(2):101-110, Out.» 1952
JOSÊ jj. RUIZ
107
h) retirar a ligadura da veia porta, puxando o tio longo que ficou e abrir
•a torneira da sol. citratada.
t) quando o figado esbranquiçar (1 ou 2 minutos), fechar a torneira c
abrir a outra continuando a perfundir até encher 3 placas de Pctri.
Os vermes são separados por decantação.
Mesenlério :
a) ligadura simples da aorta uns 2 cm acima do diafragma, cortando
acima da mesma e destacando-a da coluna vertebral cerca de 1 cm.
b) cortar a coluna vertebral a cerca de 1 cm. acima do diafragma.
c) ligar o reto cortado atrás, destacando-o até a altura da base das ilíacas,
sem cortar as ramificações venosas.
d) ligar a aorta abdominal em conjunto com cava inferior na altura da
base das iliacas (Fig. 9).
e) cortar a coluna vertebral um pouco abaixo da ligadura d.
f) retirar o conjunto compreendido entre os dois cortes da coluna vertebral,
destacando previamente a pele.
g) colocar o conjunto numa placa de Petri ou cristalizador razo. Intro-
duzir a cânula na aorta, previamente incisada e ligar firme.
h) abrir a torneira da sol. citratada c retirar a ligadura da veia porta.
i) encher a l. a placa c trocar de liquido, perfundindo um total de 4 placas.
í necessário auxiliar a perfusão distendendo e mudando a posição das dobras
mesentéricas e dos vários órgãos.
Após a perfusão o conjunto é lavado cm agua de torneira num frasco de
capacidade de 500 ou 1000 ml. Tomar especial atenção na pesquisa dos vermes
que podem ficar retidos entre as pregas e dobras dos plexos desde o estômago
até a extremidade do grosso intestino.
Exame complementar: Depois da perfusão, se a coleta dos helmintos fôr
necessariamente rigorosa, é preciso um exame complementar, tanto do figado
como do mesentério.
O figado é dilacerado ao longo das veias maiores, numa placa de Pctri, sobre
fundo preto, com o auxílio de 2 estiletes, depois é esmiuçado em solução fisio-
lógica, recolhendo-se os vermes remanecentcs (raros ou ausentes).
O mesentério deve ser observado minuciosamente do duodeno ao reto, exa-
minando todas as ramificações sistematicamente, sobre fundo metade branco
metade preto e sob luz forte. Uma lupa é suficiente para tal exame, aliás feito
seni dificuldades a olho nú. Os machos se destacam no fundo preto ao passo que
fêmeas se evidenciam no fundo branco, aparecendo como finos riscos escuros,
devido ao conteúdo intestinal e aos vitelinos.
cm
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TÉCNICA DE PERFUSAO PARA A COLETA DE SCHISTOSOMA
M ASSO SI EM ANIMAIS DE LABORATÓRIO
Tabela dando o número de S. mansoni coletados por perfusão e pelo exame complementar,
para avaliação da eficiência do método.
Exame *.•
Cobaia n.°
Pcrf.
FÍGADO
Campi. Eficiência
da pcrf. %
Pcrf.
MESESTÉRIO
Campi. Eficiência
da pcrf. %
81
1
30
2
93.7
39
0
100,0
82
2
( 49 )
?
59
0
100,0
83
3
20
4
80,0
16
1
94.1
94
4
57
3
95,0
94
5
94,9
95
5
15
0
100,0
62
5
92,5
99
6
139
18
87,9
268
52
83,7
107
7
66
0
100,0
176
11
94,1
103
8
21
3
87,5
43
8
84,3
ín
9
4
0
100,0
24
s
82,8
113
10
84
0
100,0
15
8
65.2
114
11
28
0
100,0
44
1
97,7
118
12
6
0
100,0
2
4
33,3
120
13
37
1
97,3
53
4
92.9
123
14
( 29 )
7
35
3
92,1
132 .
15
( 181 )
f
32
0
100,0
134
16
15
0
100.0
21
0
100.0
136
17
5
0
100,0
6
0
100,0
137
18
4
0
100,0
15
0
100,0
138
19
104
2
98,1
140
20
3
0
100,0
22
2
90,1
145
21
17
4
80,9
55
2
96,5
147
22
7
0
100,0
26
1
96,2
156
23
12
3
75 %
91
2
97,8
161
24
14
0
100,0
55
0
100,0
167
25
0
0
5
0
100,0
172
26
32
0
100,0
76
20
79.1
176
27
39
5
100.0
23
0
100,0
178
28
11
0
100,0
21
4
81.0
179
29
5
0
100.0
62
13
80,1
180
30
5
0
100.0
11
0
100.0
181
31
15
0
100.0
33
4
87,9
182
32
2
0
100,0
51
2
96,0
183
33
4
0
100.0
28
2
92,9
184
34
9
0
100,0
66
0
100,0
185
35
26
0
100,0
Total ....
732
43
94,84
1.733
161
91 . 05 %
Tempo necessário : O trabalho pode ser feito por uma só pessoa.
Desde a abertura do animal até a separação dos helmintos e respectiva con-
tagem, gasta-se cêrca de uma hora.
Os exames complementares do figado e mesentério exigem cêrca de 30'
minutos.
Eficiência do nictodo: Importante é saber-se da eficiência do método sob
dados concretos. Os autores citados que trabalharam no assunto não forne-
ceram tais informes.
Mem. InsC. Butantan
24(2) :101-1 10, Oat * 1952
JOSÉ M. RUIZ
109
Consideramos eficiência do inctodo a percentagem de vermes coletados pela
perfusão sem exame complementar; pode ser considerado de eficiência pratica-
mente absoluta nas mãos de técnico suficientemente apto.
Os dados que apresentamos representam a nossa primeira manipulação no-
assunto, sujeitos portanto a melhoria á medida que a técnica se aprimoriza. As
perfusões assinaladas na tabela, nem todas foram executadas com pleno êxito r
tendo havido algumas pequenas falhas de técnica.
A tabela não se refere a perfusões feitas em condições técnicas 100%.
Sempre que a eficiência se mostrou abaixjo de 90% houve falhas no decurso das-
manipulações.
RESUMO
1 — É descrita uma técnica de perfusão para a coleta de .S( Instosoma
mansoni em cobaias experimentalmente infestadas.
2 — É utilizado novo aparelho para perfusão com alternância de liquidos.
3 — Recomenda-se a prática da perfusão nas necropsias rotineiras de ani-
mais, para a verificação de infestações por schistosomidcos cm geral.
Tal procedimento poderá redundar no encontro de possíveis portadores
e disseminadores das schistosomoses humanas.
SUMMARY
1 _ A períusion technique for collecting Schistosoma mansoni from expe-
rimental infected Guinea-pigs is described.
2 — A new apparatus with alternative perfusion liquids is used for tlus
purpose.
3 — Perfusion is recommended in routine necropsias of animais for verifying
general infestations of Schistosomatids. Possibly this new proccdure
will help to discover probable hosts from human Sclnstosoma species.
bibliografia
1. Brandi, J. L. & Finch, E. P. - Method for removal of adult S. mansoni from rabbits,
Proc. Soc. Exper. Biol. and Med.. 61: 22-23, 1916.
2. Pan, C. & Hunlcr III, G. W. - A modified perfusion technique for the recoserj
schistosomps, /. Lab. Clin. Med., 37: 815-816, 1951.
3- Yolles, T. K., Moore, D. V-, De Giusti, D. L., Ripsom, C. A. & Meleney, II.
technique for the perfusion of animais for the recovery of schistoso mes, /-
Parasito!., 33 : 419-426, 1947.
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Mcm. Ins . Batantan
24(2) :] 11-114, Oat.* 1952
JOSÉ M. RLIZ
111
SCHISTOSOMOSE EXPERIMENTAL
1. Receptividade de Procyon cancrivorus à infestação pelo Schistosoma mansoni
por JOSÉ M. RUIZ
(Secfão de Parasilologia do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
Interessante é saber até que ponto os animais domésticos c selvagens possam
ter importância na epidemiologia da schistosomose, como possíveis reservatórios
e disseminadores da parasitose.
Embora as infestações naturais e artificiais não sejam coincidentes, a deter-
minação da sucetibilidade dos animais é importante sob vários aspéctos.
A infestação pelo Schistosoma mansoni, cm condições naturais, foi segura-
mente verificada por Camcron (1928), em Ccrcopithccus sabocus. macaco afri-
cano introduzido nas Antilhas, onde é endémica a schistosomose mansoni. Re-
centemente Kuntz (1952) assinalou a infestação natural de um pequeno roedor
do Egipto, Gcrbillus p. pyramidum Geoffrey, nas proximidades do Cairo. A
infestação constava de 3 fêmeas jovens, “ identificadas à espécie ò. mansoni ,
encontradas nos vasos do sistema porta.
Ao contrário, numerosos animais de laboratório, domésticos c selvagens
têm-se mostrado receptíveis, em gráos variáveis, á infestação experimental.
Entre os animais domésticos e selvagens, desde que se verifique a infestação,
que os vermes se desenvolvam plenamente e haja eliminação de ovos viáveis, tais
animais potencialmente podem ser considerados reservatórios da parasitose, mor-
mente se se tratar de animais de hábitos aquáticos, o que poderá favorecer a
possível infestação natural.
Este ponto de vista vem de encontro ao que na prática se tem verificado, mas
devemos ter em conta que tal pesquisa não tem sido feita devidamente. Xas
necropsias rotineiras de animais, raramente serão encontrados schistosomideos
sem que se adote o processo de períusão do sistema porta.
A pesquisa orientada no sentido de descobrir novos animais receptíveis dc\e
fazer parte de um programa de estudos sobre schistosomose, quer examinando
animais capturados em zonas endêmicas, quer procurando infestar no laboratorio
-animais de grupos zoológicos próximos ou Ionginquos.
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112
SCHISTOSOMOSE EXPERIMENTAL.!.
-ir* rj-
INFESTAÇÃO DO MÃO PELADA PROCYON CAXCRIVORUS PELO
SCHÍST OSOMA MAXSOXI.
Material c método: Animais recebidos já adultos e mantidos em cativeiro
mais de um ano antes da inoculação. Lote constituído por dois exemplares, um
macho e uma fêmea, da mesma procedência, que não pôde ser precisada, pela
perda do protocolo do recebimento, mas que seguramente são do Estado de
São Paulo.
Inoculação por via cutânea, região abdominal. Exposição durante 50 mi-
nutos. Suspensão de cercarias procedentes de dois moluscos e obtidas por
dissecção dos mesmos. Moluscos infestados procedentes de Minas Gerais.
Os animais foram, a seguir, colocados na mesma jáula, onde permaneceram
até a nata do exame, e receberam alimentação variada.
Os animais foram sacrificados pelo clorofórmio e os vermes coletados por
processo manual. Exames de fezes feitos periodicamente sem regularidade.
Resultado : Data de inoculação: 19-4-1952.
Os animais mostraram-se tristes do 2.° ao 6.° dia da inoculação com inape-
tência c muita sêde. A temperatura não foi tomada.
O primeiro exame de fezes positivo para ovos de S. mansoni foi no 55.°
dia da inoculação; tratava-se de fezes da véspera ou ante-véspera. A eliminação-
de ovos deu-se pois entre 52-54 dias.
O exemplar macho foi sacrificado em 1-7-52, no 73.° dia da inoculação.
Apresentava-se pouco infestado e sem lesões macroscópicas nos vários órgãos.
Foram coletados 2 casais adultos de S. mansoni, um nas veias do fígado-
c outro nas do mesentério.
O exemplar fêmea foi sacrificado em 12-11-52, com 6 mezes e 23 dias
de infestação . Este exemplar eliminou ovos viáveis com certa regularidade
durante o tempo de observação. Xo período entre 2-7-52 e 13-10-52 foram
feitos 29 exames de fezes dos quais 10 foram positivos para ovos. O número
de ovos encontrados nos casos positivos variou de 1 a 7 por lâmina (lamínula
18 x 18 mm). Ovos na maioria com miracidio vivo e períeitamente normais.
Foram coletados os seguintes vermes adultos: 25 machos e 6 fêmeas no
fígado; 150 machos e 110 fêmeas nas vêias do mesentério. Vérmes acasalados e
de aspecto perfeitamente normal.
RESUMO
Foram submetidos á infestação pelo Schistosoma mansoni, dois exemplares-
adultos de Procyon eancrivonis Wied.
Mem. Insí. Butantan
24(2):111-114, Out.» 1952
JOSÉ M. RUIZ
113
A eliminação de ovos viáveis verificou-se entre o 52.° e 54.° dia da infestação,
mantendo certa regularidade durante todo o tempo de observação.
Um dos exemplares (macho) foi sacrificado com 73 dias de infestação.
Foram coletados dois casais de S. mansoni adultos.
O outro (fêmea) apresentou forte infestação, tendo sido recolhido um
total de 175 machos e 116 fêmeas de 5". mansoni, todos adultos e de aspecto
normal.
SUMMARY
Two adults oi Procyon cancrivorus Wied were experimental!)’ infected by
Schistosoma mansoni.
Viable eggs found in stools 52 to 54 days after exposure to infcction and
are evacuated regularly during the observation time.
One exemplar was sacrified and examined 73 days after infcction and
only 2 couples of adult worms were recovered.
Another exjemplar was examined 6 months and 23 days after infcction.
175 males and 116 females of adult S. mansoni were recovered.
BIBLIOGRAFIA
1. Camcroit, T. W. W. — A new dcíinitive host for Schistosoma mansoni. J. Helminthol,
6(4) :219-222. 1928.
2. Kunts, R. E. — Natural Infcction of an Egyptian Gcrbil with Schistosoma mansoni.
Proc. Hclm. Soc. Washington, 19(2) : 123-124. 1952.
3. Vieira, C. — Carnívoros do Estado dc São Paulo. Arq. Zool. do Est. S. Paulo,
5(art. 3):135-176. 1946.
], | SciELO
'•'•n Ins*. Butaman
24(2):115-126, Xot.« 1952.
JOSÉ Xí. RUIZ & ERX!E>GARDA COELHO
11 =
SCHISTOSOMOSE EXPERIMENTAL
1. Herma íroditismo do Schistosoma manso ui verificado na cobaia.
JOSÉ M. RUIZ & ERMEXGARDA COELHO
(Secção de Parasitologia, Instituto Butantan, S. Paulo, fírasil)
Dissecando cobaias infestadas com cercarias de Schistosoma mansoni Vogei,
na África (1931), encontrou vários exemplares machos apresentando massas
mal definidas de células atrás dos testículos, numa situação ocupada normalmcnte
por tecido parenquimatoso.
A interpretação de tais formações foi feita posteriormente por Vogei que
retomou o assunto durante os anos de 1939-1940, publicando em 1941 c 1947
interessantes estudos sobre o hermaíroditismo, representado pela amostra afri-
cana dc Schistosoma mansoni.
Short (1948), trabalhando em Puerto Rico, observou as mesmas anomalias
em exemplares machos, examinando preparados já corados de procedência in-
determinada.
Lagrange (1948), estudando a Schistosomose experimental na cobaia c tendo
usado a mesma amostra de Vogei, constatou também o hermafroditismo cm 80%
dos machos obtidos.
Finalmente, Alice Buttner (1950) publicou suas pesquisas sobre o assunto,
tendo constatado na cobaia o hermafroditismo em 100% dos exemplares machos.
Xo decorrer das pesquisas sobre schistosomose experimental feitas no Instituto
Butantan, trabalhamos com grande número de cobáias infestadas em diferentes
épocas, com cercárias de Schistosoma mansoni, obtidas de Auslralorbis glahratus
naturalmente infestados, provenientes de Santos (Est. de S. Paulo) c dc várias
cidades do Estado de Minas Gerais.
Foi verificado em grande número de exemplares machos a presença dc
lobulos ovarianos de tamanho, número e disposição variáveis, em tudo absoluta-
mente semelhantes aos descritos por Vogei (1947).
Num lote de 11 machos provenientes de infestação monosexuada (intes-
tação por um único molusco de Santos), não constatamos nenhurtia anomalia.
Entregue para fbl.cação em 24-XI-52
cm
SciELO
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116
SCHISTOSOMOSE EXPERIMENTAL.’.
fato que vem de encontro á ideia de Vogei, quanto á influência da ausência de
fêmeas no desencadeamento dos fenómenos de hermafroditismo.
Aliás Buttner já havia demonstrado a inexistência dessa influência.
Os lóbulos ovarianos aparecem ao nível da linha mediana do corpo, princi-
palmente na área compreendida entre os testículos e a bifurcação dos cecos, isto
é, no terço anterior do corpo. O tamanho dos lóbulos varia muito, óra apare-
cendo isolados, ora formando um pequeno grupo. Os pequenos têm a forma
esferóide, semelhante á dos testículos. Os grandes variam muito quanto á forma,
sendo freqüentemente alongados e tortuosos, com o mesmo aspecto que se apre-
senta o ovário das fêmeas. Os óvulos são facilmente distinguíveis o que não
deixa dúvidas quanto á natureza ovariana dos mesmos. Dificilmente se distingue
o oviduto que pode entretanto ser evidenciado em alguns exemplares. Origina-se
na porção posterior do ovário, contorna-o e dirige-se para a frente, ao longo da
linha mediana do corpo. Não acompanhamos o seu trajeto em toda a sua exten-
são, mas ao que parece termina em fundo cego, formando uma dilatação, imedia-
tamente atrás dos testículos, conforme já foi verificado pelos outros autores.
A presença de íolículos vitelínicos, ao longo do ramo cecal impar, foi
verificada igualmente em grande número de exemplares machos. A presença
de vitelinos independe da presença de lóbulos ovarianos e vice-versa. Muitos
machos de aspecto normal apresentam vitelinos desenvolvidos ao passo que outros
com um ou vários lóbulos ovarianos podem não os apresentar.
O hermafroditismo secundário observado nos machos parece não interferir
no fenômeno da fecundação normal. O acasalamento é verificado constantemente
e as fêmeas se mostram perfeitamente normais, contendo no útero um ovo de
aspecto também normal.
Nas infestações com predominância de fêmeas temos verificado que as aca-
saladas são bem desenvolvidas com todos os órgãos genitais plenamente desen-
volvidos ao passo que as não acasaladas permanecem no fígado, não se desen-
volvem sexualmente e são muito pequenas. Esta verificação ja fora feita por
Vogei (1941). Pode-se concluir daí que os machos feminizados parecem fun-
cionar como os machos normais, sob o ponto de vista da fertilização.
Diz Vogei (1947, p. 273) “que na cobaia e no coelho a produção de ovos
de S. memsom é limitada ; muitos ovos degeneram nos tecidos antes de se originar
o miracídio e nenhum é evacuado pelas fezes”.
Nossas observações sobre cobaias permitem-nos discordar um pouco da
afirmativa tão categórica de Vogei. A produção de ovos nesse animal é, a nosso
ver, grande, o que facilmente pode ser verificado pelo exame da mucosa intes-
tinal, em qualquer porção do intestino e principalmente no ceco. A maioria dos
ovos se apresenta com aspecto de jovens mas grande parte apresenta o miracídio
bem formado e vivo. Os ovos não ficam retidos na mucosa e nem produzem
Mem- Insi. Butantan
24(2):115-126, Xov.» 1952.
JOSÉ M. Rt'IZ & ER.MEXGARDA COELHO
117
lesões acentuadas nessa porção, sendo eliminados com certa brevidade. O exame
de fezes, porem, raramente revela a presença de ovos. As razões desse fato não
•estão esclarecidas ainda.
O hermafroditismo secundário do 5. mansoni ocorre em diversos animais
de laboratório. Parece tratar-se de um fenômeno resultante da má adaptação
sobre determinados hospedeiros experimentais. A interpretação do fenômeno
tem sido discutida por Vogei e Buttner.
O primeiro autor trabalhou com hamster. Crie chis cricctus, coelhos c cobaias,
em todos observando a mesma ocorrência. O autor acha que o hermafroditismo
e favorecido por certos hospedeiros e ocorre mais frequentemente na ausência dc
femeas. Assim, cobaias e hamsters, infestados somente por machos, apresenta-
vam alta percentagem de hermafroditas, dêz vezes mais no caso da cobaia c vinte
vezes mais no dos hamsters do que quando infestados em proporções normais
de fémeas e machos.
Hlogeneticamente o hermafroditismo secundário nos Schistosoma pode ser
considerado como um fenómeno de atavismo, segundo o citado autor.
Tais anomalias parecem ser peculiares ao S. mansoni porque, em condições
similares, não foram constatadas nas espécies S. japonicum c S. hacmatobium.
Buttner trabalhou com camundongos, vários ratos silvestres, hamster dou-
rado, Cricctus auratus, e cobaias, infestados com cercárias provenientes dc
Australorbis glabratus infestados com amostras africanas de S. mansoni.
\ erificou a ausência de formas hermafroditas nos camundongos c ratos
silvestres em infestações mixtas. Em Cricctus auratus apezar da ausência de
fêmeas, também não se verificou o hermafroditismo.
Na cobaia, a feminização se verificou em lOO^c dos casos, tanto em infes-
tações múltiplas como mosexuadas por vermes machos.
Demonstrou assim: l.° que há uma influência fisiológica do hospedeiro e
2.° que a ausência das femeas não exerce influência sõbre o desencadeamento do
hermafroditismo.
Buttner aventou a ideia da possível influência da raça geográfica das cobaias
bem como de possíveis raças de S. mansoni.
A pagina 302 diz textualmente: toutes les recherches expcrimcntales, entre-
pnses jusqu’a se jour pour retrouver de semblables anomalies cliez d autre espece
°u souches de Schistosomes (S. hacmatobium, S. japonicum, souche brésiliene
de V. mansoni ) n’ont donné que des resultats négatifs, se que semblerait prouver
<jue cette caractère heréditaire, appartenant à Ia souche africaine”.
A influência da raça geográfica das cobaias parece não existir pois que
constatamos o fenômeno do hermafroditismo nas infestações dc nossas cobaias
c °mo nas europeias.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
118
SCH1STOSOMOSE EX PER TM ENTAL.2.
Quanto ás pesquisas realisadas para constatar tais anomalias em amostras
de mansoni do Brasil, não temos conhecimento de nenhuma referência biblio-
gráfica a respeito. Que a referida anomalia não se constatou ainda no Brasil é
bem verdade, mas porque naturalmente não se fizeram pesquisas nesse sentido.
O fenómeno passou desapercebido ou não se lhe deu a atenção ou a interpretação
devida.
Pelas constatações que fizemos fica demonstrado que as manifestações-
do fenómeno de hermafroditismo secundário verificadas nos machos do ó'. man-
soni não são carateres hereditários peculiares á amostra africana.
Tipos dc anomalias verificadas: Para avaliar estatisticamente o fenômeno,,
procuramos padronizar os vários tipos de anomalias verificadas que são repre-
sentadas por letras maiusculas. Assim, o tipo A é o normal, B apresenta um
lóbulo ovariano um pouco abaixo dos testiculos, C tem dois lóbulos ovarianos, etc.,
conforme se verifica na Prancha I.
Os exemplares que apresentam vitelinos são representados pela letra do
tipo correspondente acrescida de um v minúculo.
Xo gráfico I são dadas as percentagens encontradas nos vários tipos, ba-
seados no exame de 770 exemplares procedentes de 24 cobaias infestadas em
ocasiões diversas. O número de vermes examinados de cada cobaia não repre-
senta o total de exemplares coletados na mesma.
Para verificar se existe uma relação entre a presença de lóbulos ovarianos e
testiculares, fizemos a contagem dos lóbulos testiculares de cada exemplar. O
resultado dessa verificação é dado na tabela seguinte:
Tabela (•ara moslrar a relação entre o número de lóbulos ozvrianos e testiculares, ou-
entre os machos normais e fetniniuisados de Schistosoma mansoni.
de lóbulos
testiculares
Xúmero de
exemplares
examinados
n
1
1
— *
10
2
9
12
2
2
1
— —
8
24
8
3
4
1 —
1
1
4
7
68
13
11
3
— 1
8
2
2
6
134
13
29
6
4 1
32
6
3
2
S
97
19
23
4
S 1
27
3
2
2
3
4
37
8
16
5
6 —
2
1
1
3
— •
3
24
1
a
1
1 —
19
1
2
1
1
2
2
Tipos de exemplares
A
Ar
B
Bv
C Cv
D
Dv
E
Ev
F
Fv
G
Gy
Conforme se verifica no quadro acima o número de lóbulos testiculares se
manteve, com certa regularidade, dentro dos mesmos limites em todos os casos.
Mcm. Ins*. Butantan
24(2):115-I26, Xov.* 195 2 .
JOSÉ M. RCIZ & ERM ENCARDA COELHO
119-
O número mais freqüente de lóbulos está entre 5 e 6, tanto nos exemplares não-
feminizados como nos demais. Em G o número maior foi 8.
Embora seja relativamente pequeno o número de observações, tal verificação-
nos permite concluir que a feminização dos machos de 5. mansoni não está
relacionada com o número de foliculos testiculares, contrariando a afirmativa de
Buttner, segunda a qual haveria uma certa relação inversa entre o número de
lóbulos ovarianos e testiculares.
RESUMO
Pelo exame de 770 exemplares machos de Schistosoma mansoni, obtidos
experimentalmente em cobáias, foi constatado o hermafroditismo secundário enr
48% dos especimens.
Baseados no niimero e disposição dos lóbos ovarianos c na presença de
foliculos vitelinos, são estabelecidos vários tipos. Os dois tipos mais frequentes
são os que apresentam um único lóbulo ovariano, 13 c \5% respectivamente do-
total examinado.
Não se verificou uma relação entre o número de lóbulos testiculares e
ovarianos ou a presença de vitelinos. O número mais, freqüente de lóbulos
testiculares foi de 5 e 6, tanto nos especimens normais como nos feminizados.
SUMMARY
Secondary hermaphroditism of male Schistosoma mansoni obtaincd fronr
experimeritally-infected guinea-pigs was observed in 48% oi the 770 spccimens
examined.
On the hasis of position and number of ovarian lobes and piesence of vitcl-
line glands, several tvpes of this secondary hermaphroditism are established.
The two types with only one ovarian lobe were the most frequent, 13 and 15^ó
of the total, respectively.
There was no apparent relation between the number of testicular and ovariarr
lobes or presence of vitelline glands. The most frequent number of testicular
lobes was 5 or 6 for the series.
BIBLIOGRAFIA
r. Buttner, A. — Labilité particuliere du sexe chez Schistosotna mansoni. (PUthclmmtbe,
Trematode). Essai d'int?rprétatiou. Ann. Parasitol. 25: 29/-30/. 1950.
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SciELO
SciELCVo
2
3
5
6
11
12
13
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z
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5
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13
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L
cm
PRANCHA III
S. tnanfoni. Infestação experimental «la cobáia. Microfoto «le exemplares tnacbcs femi-
nizados apresentando folicrulos vi t clínicos ao longo do ramo cecal impar. Crmfluência dos
ramos çecais assinalada com uma flexa.
10 11 12 13 14 15
Metn. Insí. Butantan
24(2) :1 15-126, Nor.* 1952.
PRANCHA IV
hermafrodita» obtido» j>or infestado e*l
imero e localiraçio do» lóbulo» ovariano»
», contendo no eanal gineeóíoro uma fc
no útero- Ov — ovário; T — teíticulo».
***■*■ Insí. Butantan
24(2) : 127-1 56, Nov.» 1952
WOLFANG BGCHERL
127
ARANHAS DO RIO GRANDE DO SUL
por WOLFGANG BÜCHERL
( Laboratório de Zoologia Medica do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil .)
INTRODUÇÃO
A fauna aracnológica do Rio Grande do Sul é hoje uma das melhor conhe-
cidas do Brasil. Contribuiu para isto uma pleiade de viajantes estrangeiros que,
no século passado, percorreram aquele Estado, dedicando-se a capturas intensivas
e remetendo o material coletado aos célebres museus de ciências naturais da
Europa. Nos logares de destino o material era classificado por aracnologistas
de renome, como C. L. Koch, Walkenaer, Perty, Taczanowsky, Simon, Keyserling,
Holmberg e mais recentemente Cambridge, Blackwall, Bcrtkau, etc.. Nos últimos
30 anos apareceram igualmente trabalhos nacionais, sobresaindo os de Cândido
Mello- Leitão.
Este último publicou, em 1943, um “Catálogo das aranhas do Rio Grande
do Sul’’, onde compilou não somente toda a literatura aracnológica, referida mi-
nuciosamente por Petnmkewitch, em 1911, no catálogo sobre as aranhas do
niundo inteiro, mas enriqueceu ainda o número de espécies que, segundo Pc-
trunkevitch, era de 219 para o Estado do Rio Grande do Sul por outras 212.
Desta maneira elevou-se o número total de espécies, colhidas no Rio Grande
do Sul, a nada menos de 431. Uma bôa parte destas é cosmopolita, outra tro-
pical cosmopolita, um grande número destas aranhas ocorre desde o Sul dos
Estados Unidos da America do Norte até a Patagônia ou até Buenos Aires;
nni outro grupo é sulamericano, desde as Antilhas, as Guianas até a Argentina;
11111 número enorme foi encontrado desde o Rio de Janeiro até o Uruguai e um
tr>enor nos Estados sulinos, S. Paulo até Uruguai e Paraguai. Finalmente, existem
nn, itas espécies privativas do Rio Grande do Sul.
Este trabalho não tem por finalidade rejietir a enumeração especifica de
todas as espécies, nem tão pouco trazer as referencias bibliográficas com os
sinônimos.
Para uma orientação segura neste sentido aconselhamos ao interessado ins-
pecionar as seguintes obras:
Trabalho apresentado à IV Reunião Anual do SBPC., cm Porto Alegre, Rio Grande
do Sul, Brasil, em 3-8 de Novembro de 1952.
Entregue para publicação em novembro de 1952.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
128
ARANHAS DO RIO GRANDE DO SUL
A. Petrunkevitch
Idcm
C. Fr. Ronver
C. Mcllo-Leitão
— “A synonymic index-catalongue of spiders...” Bul. Mus.
Xat. Hist. 29, 1911;
— “Catalcgue of American Spiders”, Trans. Connect. Ac. Sei.
33, 133-338, 1939;
— “ Katalog der Araneae (de 1758 até 1949) — tomo I-até
ARGYOPI FORM IA — Bremen, 1942;
— “ Catalogo das Aranhas do Rio Grande do Sul” — Arquiv.
Mus. Nacional, 7, 149-248, 194.
O último trabalho não é acurado nas citações dos nomes dos autores das
-espécies, acontecendo o mesmo quanto às citações dos sinônimos e das datas, de
maneira que não dispensa a consulta dos outros catálogos para a verificação
•certa das datas e dos nomes específicos.
DIVISÃO DO TRABALHO
O presente trabalho está dividido em tres partes:
A l. a versa em tomo de questões de sistemática de alguns grupos de aranhas
do Rio Grande do Sul;
a 2. a procura trazer algumas noções biológicas (habitat, procriação) dos grupos
mais importantes e típicos para aquele Estado ;
.a 3 a tenta fornecer alguns dados experimentais sôbre a ação dos venenos de
determinados grupos de aranhas daquela região, tanto em relação ao
organismo humano como dos animais de laboratório.
MATERIAL
Entre os milhares de fornecedores de animais venenosos (serpentes, aranhas,
escorpiões, lacraias, etc..), que colaboram ativamente com o Instituto Butantan
segundo o sistema de “trocas de animais venenosos pelos sôros”, estes fabricados
neste Instituto, existe justamente um grande número de fazendeiros e sitiantes e
estabelecimentos comerciais (serrarias, olarias, etc..) do Rio Grande do Sul.
Enviam eles regularmente remessas de aranhas das seguintes localidades: Pe-
dreira, Cachoeira do Sul, Bento Gonçalves, Alegrete, Santa Cruz do Sul, Porto
Alegre, Monte Xegro, Santa Lucia, Ijuí, Carumbé e Cruz Alta. Com menor
regularidade recebemos ainda aracnídeos de:
Uruguaiana, Rio Grande, Livramento, Santa Maria, Santa Rosa, Pelotas,
Santo Angelo, Palmeiras, São Leopoldo e Caxias.
Em tempos passados enviava o Instituto Butantan este material ao grande
.aracnólogo brasileiro, C. Mello-Leitão, que pôde proceder a numerosas publicações
sobre o assunto, sob o ponto de vista da sistemática, enquanto que o próprio
Vital Brazil e J. Yellard se dedicaram, durante anos, ao estudo experimental de
130
ARANHAS DO RIO GRANDE DO SUL
vias de injeção eram geralmente a venosa, a subcutânea e a intramuscular. No-
caso dos camundongos procedia-se muitas vezes à necropsia e retirada do cérebro,,
pulmão, figado, rim, intestino e outros orgãos, íazendo-se preparados corados
pela Hematoxilina-Eosina, segundo os métodos de van Gieson e Mallory, com
subsequente exame hi st o-patológico. Os últimos trabalhos ainda estão em anda-
mento, contando com a colaboração de outras secções do Instituto Butantan.
Quanto à sorotcrapia valemo-nos dos dados fornecidos pelo Hospital do-
Instituto, onde costumam ser atendidos os picados por Phoneutría e Lycosa,
sobre o Loxocclismo e Latrodectismo informamo-nos em referências clínicas de
autores argentinos chilenos principalmente.
PARTE SISTEMÁTICA
Ordo ARAXEAE; subordo ORT H OGXAT HA (aranhas caranguejeiras):
Existem no Rio Grande do Sul representantes da íam. CTENIZIDAE
Thorell, 1887, subfam. Ctcnicinac (4 espécies) ; subfam. Actinopodinac (2 es-
pécies).
Rocwer, cm 1942, sinonimizou a Actinopus hitcipcs com A. crassipes, ambas
de Keyserling, 1891. Mello-Leitão, em 1943, pôs estas duas novamente em sino-
nimia com Actinopus tarsalis Perty, 1833, deixando valer como espécie bôa a
A. ccciliac Mello Leitão, 1931. Como são reconhecidas ainda duas outras espé-
cies do mesmo gênero — a A. liodon (Ausserer), 1875 e A. longipaipis C. L.
Koch, 1848, ambas mal caracterizadas sob os pontos de vista modernos da siste-
mática, cremos prematura de um lado a abolição pura e simples de A. crassipes
e do outro julgamos necessária uma revisão do gênero Actinopus, referente às
espécies ccciliac, liodon e longipaipis. O material do Instituto Butantan ainda
não é suficiente, principalmente no tocante a machos, para se proceder a esta
revisão.
Da familia DIPLURIDAE Pocock, 1897 tem o Instituto Butantan recebido-
aranhas de diversas localidades do Rio Grande do Sul, todas elas de uma só
espécie, provavelmente ParatJialcrothelc inaculatmn (Mello Leitão), 1937.
A rigor muitos dêstes exemplares poderiam ser enquadrados em qualquer
um dos gêneros Achctopus (Argentina), Euharmonicon, Hannonicon (Brasil),
Taunayclla (Sul do Brasil), como ao gênero Thalcrothclc.
Estas incertezas sistemáticas moveram Mello Leitão a colocar, em 1947, seu
gênero Proshannonicon em sinonímia com Parathalcrothclc Canais, 1931.
O caracter genérico separatório reside principalmente no aparelho “estridu-
lante”, formado pelos pêlos seriados, curtos, grossos. Conforme seu número e
aspecto criaram-se novos gêneros.
M cm. Ins*.
2«(2):12M56,
Butantan
Xov.» 19S2
WOLFANG BCCIIERL
131
Acontece que, em aranhas jovens, mantidas vivas no Instituto Butantan, pude-
mos verificar que o número das ccrdas Uri formes varia muito, aumentando em
geral com as sucessivas ecdises, mas podendo ser diverso num e mesmo indivíduo
(num lado 6 cerdas, no outro 11 cerdas). De resto, o número de espinhos nas
pernas, as escópulas, as nuanccs de colorido, não oferecem indício sistemático
aproveitável.
Biologicamente todas apresentam' os mesmos hábitos, o mesmo jeito de
agressividade. Camundongos picados em local prèviamente depilado morriam
com os mesmos sintomas de paralisia respiratória c emissão de urina no momento
da morte.
As aranhas destes gêneros necessitam de revisão comparativa, sendo de es-
perar que virão muitas sinonímias, a simplificar sua sistematização.
Xa família THERAPHOSIDAE Thorell, 1869, subfamilia GRAMMOS-
TOLIXAE, conservamos o nome de Eurypclma para a espécie borcllii de Simon,
1897, suprimindo os dois nomes genéricos Plcsiopclma c Ptcrínopclma de Pocock,
1901. Os próprios Petnmkevitch e Rocver já nos antecederam nesta iniciativa,
enquanto que C. Mcllo-Leitão, ainda em 1947, insistira na supressão de Eu-
rypclma.
Xo gênero Grammostola foram assinaladas para Rio Grande do Sul 15 espé-
cies diferentes, reduzidas em um trabalho nosso para apenas 4 espécies.
As espécies válidas e suas respectivas sinonímias são:
1. Grammostola mollicoma (Ausserer), 1875
Sinon. — Gr. longimana Mello Leitão;
Gr. roqiicttci Mello Leitão;
Gr. familiaris Bertkau.
2a) Grammostola pulchripcs pulchripes (Simon), 1S91
Sinon. — Gr. grandicola Strand;
Gr. ferruginca Mello Leitão;
Gr. fasciata Mello Leitão.
2b) Grammostola pulchripcs pulclwa (Mello Leitão), 1923.
3. Grammostola actacon (Pocock), 1903
Sinon. — Gr. brevimetatarsis Strand.
4. Grammostola iherinai (Keyserling), 1891
Sinon. — Gr. alticcps (Pocock);
Gr. chalcothrix Chamberlin;
Gr. gigantea Mello Leitão.
A parte morfológica-comparada já foi documentada em nosso trabalho de
^51 (Monografias do Inst. Butantan, N.° 1). Quanto à documentação biológica
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
132
ARANHAS DO RIO GRANDE DO SCL
há naquele trabalho também muitas considerações como também no tocante aos
tipos de venenos destas Gramostolcas. Os machos da antiga espécie Gr. longi-
i nana se acasalam perfeitamente com as fêmeas de mollicoma (e antigas roquct-
tci e familiaris). O mesmo pudemos verificar nos últimos dois anos com Gr.
pulchripcs e fcrruginca, com Gr. actaeon e brevimetatarsis, com Gr. iheringi
e giganlca.
Juntando-se, ao contrário, uma fêmea de uma destas 4 espécies com um
macho de outra espécie do mesmo gênero, verifica-se invariavelmente, pelo menos
nas fêmeas adultas, que estas travam luta de morte contra o outro indivíduo.
Quanto à ação dos venenos destas 4 espécies, injetado em camundongos, não
pudemos encontrar diferenças específicas, como — aliás, era de se supôr, mas
sempre a mesma ação que, pelo comportamento dos animais injetados e a ma-
neira de morrerem, quando se injetavam doses letais, faz supor um mecanismo
de ação sõbre o sistema nervoso.
Da subfamilia Ischnocolinae recebemos exemplares de Cyrtopholis mcridio-
nalis (Keyserling), 1891; Homoeomma villosum (Keyserling), 1891; Crypsidro-
mus auronitevs e pantherina (Keyserling), 1891.
O gênero Crypsidromus é de Ausserer, 1897 e o gênero Mctriopclina de
3ecker. 1S78. Cambridge e Pocock (1S97 e 1903) tentaram substituir o nome
Crxpsidromus pelo de Mctriopclma. Simon, em 1904, revalidou a Crypsidromus,
opinião seguida por muitos autores até os dias de hoje, inclusive Roewer, 1942.
C. Mello- Leitão, em 1923, passou a abolir a Crypsidronnis e a reestabelecer a Me-
triopclma, achando que a espécie tipica do gênero, Cr. isabellinus, na realidade
fora apenas um exemplar jovem de Pamphobetcus. Mello-Leitão não teve à
mão o exemplar tipo, mas tem encontrado nas montanhas do Rio de Janeiro
jovens de Pamphobetcus, julgando-se, por esta razão, apto a proferir esta sua
opinião, colocando a Cr. isabellinus em sinonímia com Pamphobetcus isabellinus.
Com esta tentativa nada se resolveu na prática, ainda mais porque logica-
mente tinha que cair o nome Pamphobetcus, dando logar a Crypsidromus, bem
anterior.
Em 1923 o mesmo Mello-Leitão, além das espécies auronitens e pantherina,
incorpora também sob Mctriopclma a espécie meridionalis, de Keyserling.
Entretanto, em 1943, passou novamente meridionalis ao gênero Cyrtopholis.
Julgamos mais lógico continuar o nome de Crypsidromus como fizeram
Simon, Roewer e outros.
Subordo LABIDO GXA T HA
(Aranhas verdadeiras)
Recebemos de diversos pontos do Estado do Rio Grande do Sul a espécie
domiciliar, comum em toda a América, Filistata hibcrmlis Hentz, 1842, perten-
cente à íam. FILISTATIDAE Ausserer, 1867.
Importantes são as espécies encontradas naquele Estado, localizadas na
familia SCYTODIDAE Biackwall, 1852.
Xa subfamilia LOXOSCELIS AE estão as 3 espécies, Loxoscelis hirsuta
Mello-Leitão ; Loxoscelis lacta (Nicolet), 1849 c Loxoscelis rufipes (Lucas),
1834. A última é encontrada praticam ente por todo o continente americano, en-
quanto que lacta é apenas sulamericana, sendo bastante frequente em certas re-
giões do Giile, da Argentina, enquanto que no Brasil nunca assume o caracter de
“muito numerosa”, ainda que exista desde o Estado de Paraiba até ao Rio Grande
do Sul e Mato Grosso.
Loxoscelis lacta foi recebida principalmente dos arredores de Santo Angelo,
Rio Grande do Sul. (N.° 630 da colecção do Inst. Butantan).
Na subfamilia SCYTODINAE devem ser colocadas três outras espécies,
sul-americanas, também encontradas no Rio Grande do Sul :
Scytodcs fusca Walkenacr, 1837-cosmo-tropical ;
Scytodcs lincatipcs (Taczanowski), 1874-sul-amcricana c
Scytodcs macula ta Holmberg, 1876 — Brasil até o grau 40 L. S.
Familia LYCOSIDAE Sundcvall, 1833
Foram enviadas durante os últimos 12 anos nada menos de 12 espécies di-
ferentes de aranhas do gênero Lycosa, sendo representantes tipicas da fauna
aracnológica sul-riograndense as espécies:
Lycosa chclisfasciata Mello-Leitão, 1943 (não vista por nós) ;
Lycosa inoriiata Biackwall, 1862;
Lycosa minuscula Mello-Leitão, 1932;
Lycosa ncn‘osa Keyserling, 1891 ;
Lycosa thorclli Keyserling, 1876;
Lycosa vcnefica Keyserling, 1891 ;
Lycosa imlpina C. Kocli, 1848.
Todas estas são de porte médio até pequeno; não ocorrem e-'
quantidades.
cm
SciELO
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134
ARANHAS DO RIO GRANDE DO SUL
As espécies restantes são comuns em quase todas as regiões do Brasil,
Uruguai, Paraguai e Argentina, indo algumas até o Chile. São elas:
Lycosa auricoma (Keyserling), 1891 — Desde o Rio de Janeiro ao Sul;
Lycosa auroguttata (Keyserling), 1891 — De S. Paulo ao Sul;
Lycosa humieola (Bertkau), 1880 — espécie muito mal caracterizada;
Lycosa crytlirognatlia Lucas, 1836. É um dos Licosoídeos mais robustos
e também mais comuns em todo o Sul do Brasil, a começar do Rio de
Janeiro. Costuma habitar mesmo de preferência nos jardins preparados
pelo homem, onde se instala comodamente nos gramados, nos pequenos
arbustos de enfeites, particularmente nos pinheirinhos, geralmente en-
costados e mmuros com reboco áspero. C. Mello-Leitão, em 1947 (Arqu.
Mus. Paranaense, Curitiba, 6,263) faz uma simples observação, colo-
cando a L. raptoria em sinonímia com esta espécie.
Recebe o Instituto Butantan anualmente milhares de exemplares desta espé-
cie, de maneira que nos foi possível proceder a estudos comparativos c estabele-
cer que indubitavelmente C. Mello-Leitão teve razão com sua iniciativa. L.
raptoria é sinônima de L. crytlirognatlia, descrita com antecedência de 1 ano.
Lycosa pardalina (Bertkau, 1880) — Do Rio de Janeiro ao Sul;
Lycosa pictipcs (Keyserling, 1891) — Sta. Catarina ao Sul;
Lycosa pintoi Mello-Leitão, 1932 — Sta Catarina ao Sul.
Mello-Leitão (Arqu. Mus. Paranaense, 6, 254-267, 1947) fez uma esfor-
çada tentativa, conseguindo estabelecer uma chave sistemática dos 21 gêneros
americanos de LYCOSIDAE, bem como chaves específicas para as cem espécies
sulamericanas. O próprio autor chamou este esforço de “simples ensaio", ape-
lando para que “futuros pesquisadores a completem e corrijam”. Acha que a
maior dificuldade reside num estudo morfológico comparado dos palpos do
machos.
Certos de que o apêlo abnegado do grande aracnologista brasileiro calhou
bem justamente neste grupo importante de aranhas, nos propuzemos 2 trabalhos
— um, de biologia com criação de lotes de aranhas vivas, onde já conseguimos
completar os ciclos de 2 gerações — o outro sobre a morfologia dos palpos dos
machos. No tocante ao segundo, parece-nos, infelizmente, que não se poderão
afastar as dificuldades sistemáticas, pois observa-se claramente, pelo menos nas
MYGALOMORPHAE (ORTHOGXATHA), que os palpos dos machos não
oferecem caracteres específicos, mas apenas genéricos e muitas vezes, nem isto.
Também não é viável valer-se da ação dos venenos de diferentes espécies
de Licosoídeos como carater sistemático, pois temos constatado que os venenos,
pelo menos de L. crytlirognatlia, auricoma, auroguttata e pardalina apresentam
o mesmo efeito local, necrosante na orelha de coelho, quando injetado sob forma
concentrada, sem efeito geral algum, quando injetado na veia, etc.
Man. Insí. Butantan
^4(25:127-156, Kor.» 1952
WOLFANG BCCHERL
135
Estamos com a impresso cie que é necessário ajuntar-se pacientemente um
grande número de exemplares, machos e fêmeas, do maior número possível de
■espécies e regiões do Brasil, procedendo-se depois a novos estudos comparativos,
«pie farão certamente uma grande redução no número das espécies.
Familia THERIDIIDAE Sundevall, 1833
As espécies Latrodcclus gcomctricus C. Koch, 1841 e Latrodcclus tmclans
Fabricius, 1775 foram igualmente citadas por C. Mcllo-Lcitão como existentes
no Rio Grande do Sul. O Instituto Butantan, nos últimos anos, tem recebido
•exemplares dos fornecedores daquele Estado. Latrodcclus tnactans foi, entre-
tanto recebida de Mato Grosso, perto de Campo Grande (Agachi). L. gcomctricus
pela Universidade de Porto Alegre (X.° 521 — I. Butantan).
A família EPEIRIDAE Sundevall, 1833 está representada no Rio Grande
•do Sul com muitas dezenas de espécies, das quais sobresaem :
Actinosonui pcntacanthum (Walkenaer, 1837) ;
Argiopc argentata Fabricius, 1775 — espécie americana:
Gastcracantra cancriformis (L. 1767) — espécie americana;
Ncoscona náutico (L. Koch, 1830) — tropical cosmopolita;
Ncphila clavipcs L. 1758 — espécie americana;
Ncphila cruentata Fabricius, 1775 — espécie americana;
Parawixia audax (Blackwall, 1863) — espécie americana;
Parcnvixia minas (Kcyserling, 1892) — espécie brasileira.
Família CTENIDAE Keyscrling, 1876
Astenoctcnus boreli Simon, 1897 — Argentina até Rio Grande do Sul ;
Ctenus brcznpcs Keyscrling, 1891 — Rio de Janeiro até Rio Grande do Sul;
Ctcnus foliifcrus Bertkau, 1843 — Rio de Janeiro até Rio Grande do Sul;
Ctenus griscus Keyserling, 1891 — Rio Grande do Sul (Taquara) ;
Ctcnus lagcsicola Strand, 1910 — Paraná até ao Rio Grande do Sul ;
Ctenus longipcs Keyserling, 1891 — Pernambuco até Rio Grande do Sul;
Ctcnus medius Keyserling, 1891 — Rio de Janeiro até Rio Grande do Sul;
Ctcnus tacniatus Keyserling, 1891 — Rio Grande do Sul.
Phoncutria fera Perty, 1833 — Todo o Brasil, desde Amazonas até Uru-
guai, Paraguai e Argentina.
A título de “Nota prévia” de um trabalho sobre Phoncutria que estamos fi-
malizando, queremos presumir aqui que a espécie Phoncutria nigriventer (Kcy-
cm
SciELO
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136
ARANHAS DO RIO GRANDE DO SUL
serling, 1891), é indubitavelmente sinónima com Ph. fera. O próprio Keyseriing;
(Sp. Am.-Bras. Sp. pag. 145) diz: “Da Cl. nigrivenler eine ganz ebenso ge-
staltete Epigyne besitzt, áhnlich gefãrbt, nur dünner behaart ist und sich eigen-
tlich nur durch das schwarze Feld am Bauche auszeichnet, ist er vielleicht nur
eine Yarietàt von Ct. fcrits. Die Stellung der Augen sowie die Lwangenver-
háltnisse der Beine sind bei beiden Arten auch dieselben.”
(O autor por si mesmo julga que as duas espécies sejam uma só ou que
Cl. nigrivenler seja apenas uma variadade de Cl. ferus, por não se distinguir
desta em nada além do campo preto no abdômen).
Quanto a este campo preto foi-nos possivel constatar à mão de numeroso
material, machos, fémeas e filhotes em diferentes idades:
1 . Os machos apresentam quase sempre um campo vermelho vivo, princi-
palmente na fase sexual ativa, enquanto que, com o correr da idade,
o vermelho cede a uma cór que vai do alaranjado ao marrom. Estes
machos, segundo o critério sistemático, pertenceriam a Ph. fera.
2. Os filhotes, de ambos os sexos, teem igualmente sempre um ventre
vermelho.
3 O colorido do ventre das fêmeas muda, durante o crescimento destas,
segundo o seguinte esquema:
filhotes recemnascidos — ventre vermelho;
filhotes depois de 2 ou 3 ecdises — ventre vermelho ou alaranjado ;
aranhas na idade de procriação — marrom mais claro ou escuro (po-
dendo existir indivíduos ainda com ventre mais alaranjado) ;
fêmeas com evolução completa e na idade adulta (com diversas ovipo-
sições) — ventre marrom escuro até negro, justificando o nome “m-
griventer” .
Como indício biológico da sinonímia de Ph. nigrivenler com Ph.
fera deve ser aduzido o fato de que acasalamos repetidas vezes ma-
chos de ventre vermelho (Ph. fera) com fêmeas de ventre preto (Ph.
nigrivenler), verificando-se cópula fecundante com oviposições e nasci-
mento de filhotes férteis. Prosseguindo no estudo da evolução destes
filhotes, verificamos que, ao fim do segundo ano, as fêmeas apresen-
tavam o ventre sempre mais escuro em cada eedise, até que, aos poucos,
vinha surgindo o ventre negro.
Enofloctenus cyclothorax (Bertkau, 1880) — Desde o Rio de Janeiro até
o Rio Grande do Sul
O Enoploctenídeo, encontrado nos Estados do Sul, Santa Catarina e Ric*
Grande do Sul, fora sempre classificado como sendo Enofloctenus scofulifcr
Strand, 1908, até que, em 1950, nos vimos forçado a colocar esta última espécie
Mem. Inst. Butantan
M(2):I27-156, Nov.» 1952
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137
em sinonímia com E. cyclothorax, pelas razões expostas naquela ocasião (Mem.
Inst. Butantan, 23:1-44).
Família HETEROPODWAE Thorell, 1876
Recebemos de diversas localidades do Rio Grande do Sul a espécie cosmopo-
lita: — Hctcropoda venatoria (L. 1767).
O gênero Olios está representado naquele Estado pelas espécies : — O. fas-
ciatus ( Keyserling) , 1880; O. fuscovariatus MeUo-Ldtão, 1943; O. gracilipcs
< T aczanowski ) , 1872; O. maculatus (Blackwall, 1862); O. rapidus (Keyserling,.
1880) e O. sylvaticus (Blackwall, 1862).
Existem igualmente três espécies relativamente frequentes do gênero Poly-
betes :
Polybctes germaini Simon, 1896;
Polybetcs pithagoricus (Holmberg, 1875) e
Polybetes rubrosignalus Mello Leitão, 1943.
A última espécie nos parece mais uma variedade de Polybetcs germaini otr
mesmo obnuptus Simon, 1896.
Polybctes maculatus Simon. 1897 é sinónimo com Polybetcs pithagoricus.
Da familia THOMIS1DAE Sundevall, 1833, recebemos diversas espécies dos-
gêneros Clcocncmis, Epicadus, Misumenops, Tmarus.
Vectius niger Simon, 1880, parece ser lastante frequente no Rio Grande
do Sul. Este representante da familia PLATORIDAE ocorre desde o Aniazo
nas até a Republica Argentina.
Da família SELENOP1DAE foram enviadas as seguintes duas especies:
Selcnops cochclcti Simon, 1880 e Selenops spixii Perty, 1834, capturadas já em
quase todos os Estados brasileiros.
CLUBIOXIDAE Wagner, 1888 está representada por numerosas espécies
dos gêneros Castancira, Corinna, Cytha, Trachclas e Syrisca.
As espécies Lyssomancs, num total de 6, referidas por Mello-Leitão como
tendo representantes no Rio Grande do Sul e pertencendo á familia LYSSO-
MANIDAE Banks, 1892, foram descritas respectivamente por Peckham, em
1888 (4 espécies: L. austerus, bitacniatus, miniaeeus e tristis), por Taczanowski,
1871 (L. unicolor ) e Mello-Leitão, 1917 {L. quadripunctatus). Todas estas
espécies podem ser consideradas sulamericanas, mas não nos parece que se justi-
ficarão todas estas espécies.
Na Familia SALTICIDAE Blackwall, 1841. existem muitas espécies cosmo-
politas, tropical-cosmopolitas e sul-riograndenses, descritas por Simon, Peckham,.
1, | SciELO
13S
ARANHAS DO RIO GRANDE DO SfL
•C. Koch, Audonin, 'Dufour, Walkenaer, Keyserling e outros, ajuntando C. Mello-
Lcitão, em 1943, nada menos de 14 espécies novas.
Da Família SEGESTRIIDAE Petrunkevitch, 1933 existem no Rio Grande
do Sul representantes de Segcstria ruficeps Guerin, 1823 (sinon. S. pérfida Hom-
•berg, 1876) e Ariadna mollis (Holmberg, 1876), e Ariadna obscura (Blackwall,
1858).
Dysdcra magna Keyserling, 1877, foi-nos igualmente enviada de localidades
sul-riograndenses diferentes, bem como representantes de alguns gêneros da ía-
milia AN YPHA ENÍDAE.
Finalizando a parte sistemática, citamos o grande aracnologista nacional,
■C. Mello-Leitão, que tão grandes esforços dedicou ao estudo da fauna sul-riogran-
dcnse e que cita, no fim de seu trabalho, de 1943, 31 famílias com 108 gêneros
•e 432 espécies de aranhas para aquele Estado, devendo das últimas ser descon-
tadas as que nós apontamos como sinônimas.
PARTE BIOLÓGICA
Os aracnídeos das diversas famílias muito diferem cm seus “hábitos de
vida’’. Aqui podemos apresentar sómente alguns grupos e apenas sob um ou
outro aspecto, mesmo porque não nos foi possivel observar todos os representantes
“in vivo”.
As aranlias caranguejeiras da familia CTENIZIDAE (tanto as que perten-
cem à subfam. CTENIZINAE como às da subfam. ACT1NOPODINAE) são
quase que exclusivamente de vida sedentária, subterrânea, com especialização ar-
quitetônica na construção de suas casas, que apresentam forma de tubo, provido
extemamente de tampa movediça.
Devido a esta particularidade de vida a natureza dotou o corpo destas
aranhas com certos detalhes úteis e privou-as de supérfluos, de maneira que mor-
fologicamente estas aranhas podem ser facilmente reconhecidas. Xào apresentam
mais os densos tufos subungueais de pêlos de sustentação, tão típicos das ara-
nlias que fazem longas caminhadas, apresentado, em troca, nas faces superiores
das queliceras, formações de denticulos robustos e seriados, formando como que
um “rasteio”, que as habilita a exeavarem o solo.
Conseguimos observar espécies do gênero Actinopus. Estendem um lençol
<le teia. De cabeça contra o solo, raspam a terra com o rasteio, empurrando-o para
trás com as pernas posteriores q depositando-a sobre o lençol. Depois ajun-
tam-na em montículo e com as queliceras fecham em tomo o lençol, de maneira
que surge uma bolinha de terra, que é transportada para longe e desfeita nova-
Mm. los!. Butantan
24(2) : 127-1 56. Nor.« 1952
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139
mente. Recomeça depois o serviço da excavação, até que depois de alguns dias
<ie trabalho, executado quase sempre à noitinha ou na sombra (durante o dia
com sol alto, as aranhas se escondem por perto num local sombrio), surge um
buraco, geralmente com uns 10 a 20 cm de profundidade com uns 2 cm de
diâmetro.
Misturando então terra com saliva e fios, c este buraco revertido intema-
mente por uma camada espessa, resistente, sendo a mesma forrada pelo lado
interno por nova camada, esta de fios macios, brancos, sedosos. T> tini nado o
"“habitat” dentro do solo, é dedicado cuidado especial à construção da borda
externa. Esta é bem adaptada às particularidades do terreno. Num lado apre-
senta uma leve depressão e no outro uma elevação. Na zona mais elevada é então
construída a tampa, com uma camada externa, circular espessa, impermeável c
uma interna, macia e sedosa, de meio e 1 mm de espessura e feita “sob medida”
a fechar hermeticamente a borda circular da casa. A tampa é presa com fios
sedosos à parte mais elevada da borda e quando solta ela recai, jielo próprio
peso, sobre a abertura. Por esta construção engenhosa a inquilina só tem o tra-
balho de abrir a porta, pois o fechamento c automático. A face externa desta
tampa é ainda revestida de grãos de areia, musgo, etc., garantindo uma perfeita
camuflagem.
Normalmente a aranha está recolhida no fundo óq sua habitação. Mas
também é encontrada repousando na face interior da tampa, repuxando esta com
seu peso. Quando está com fome, entreabre ligciramcntc a tampa justamfpte
o suficiente para deixar passar pela fenda as garras das pernas anteriores. Por
dentro ela adopta posição de bote. Passando, então, |)or perto, um inseto ou
•outra aranha, menor, abre-se repentinamente a arapuca. As pernas anteriores
agarram a presa, os dentes veneniferos são encravados na vitima, que morre
rapidamente pela ação da peçonha c a mesma é incontinenti arrastada para dentro
da casa c dev orada.
As fezes são sempre depositadas longe da casa, permanecendo esta limpa.
Nem uma nem outra despresa a habitação alheia. Basta retirar-lhe o funil c
dar-lhe oportunidade para entrar numa casa desocupada de outra que ela se
instala, fazendo apenas poucas modificações. Um buraco feito no solo com
um pau também é aceito. Elas então acomodam-no conforme seu gosto, alar-
gando-o ou exeavando-o ainda mais fundo para depois procederem à construção
do ninho interno.
As nossas observações foram feitas cm caixas com paredes de vidro, de
oianeira que em anotações diárias pudemos colher estes poucos dados, cx-
t^isivos às espécies A. crassipcs, luteipes e tarsalis.
Quando a habitação se torna pequena demais pelo crescimento da aranha
ou sua prenhês, ela procede ao alargamento da mesma, carreando para fóra
«ovas bolotas de terra.
cm
SciELO
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ARANHAS DO RIO GRANDE DO SUL
As espécies da faniilia DIPLURIDAE (Pa athalerotliele maculatum) ca-
vam igualmente o solo, fazendo um buraco vertical. Em geral, no fundo este
buraco é bifurcado e na borda superior não há tampa, sendo a entrada camuflada
sob folhas, etc.
Sobre os representantes sul-riograndenses da família T HERA PH OSIDAE r
subiam. GRAA1MOSTOLIXAE conseguimos reunir, durante anos de observa-
ção, uma multiplicidade de dados biológicos, já registrados na Monografia N'.° 1
do Instituto Butantan.
As centenas de filhotes nasdom geralmente pelo fim do verão e começa
do outono (Fevereiro até Abril). Xascidos ajuntam-se sobre o corpo materno,
onde permanecem entre 2-3 semanas até a 2. a ecdise. Depois cvpaíham-se, prin-
cipiando vida independente. Nos primeiros mêses de vida sua alimentação prefe-
rencial são os próprios companheiros, surpreendidos geralmcnte no estado de imo-
bilidade eedisária. Xeste primeiro ano de vida há geralmente entre 5-7 eedises,
coincidindo o crescimento com estas, de maneira que este. se processa aos saltos,,
com intervalos de estagnação. Xo 2.° ano de vida verificam-se entre 3-5 mudas
e no 3.° de 2-3, sendo a última, que coincide quase que exatamente com a data
do nascimento, a ecdise “sexual , isto é, somente agora se desenvolvem externa-
mente no corpo os órgãos sexuais e somente agora é possivel distinguir-se à
primeira vista os machos das fêmeas.
Quanto aos machos verificam-se geralmente dois casos: — quando pela
muda “sexual" os órgãos copuladorcs terminaram realmente sua formação, com
cymbium, cálice, bulbo e êmbolo, dotados de função perfeita para a cópula, êstes,
dai por diante não mais trocam de pele. mas já na primavera do mesmo ano te-
cem uma teia horizontal, sóbre a qual depositam o liquido espcrmático, que é
logo em seguida recolhido por sucção pelos bulbos e, logo depois, ao encontra-
rem uma fêmea, procedem ao acasalamento.
O segundo caso verificado consiste numa muda sexual incompleta. O bulbo
copulador não está perfeito, mas ainda rudimentar. Xeste caso os machos rea-
lizam mais uma muda de pele, gcralmente apenas no caso seguinte. Mesmo
nestas condições, quando encontram uma fêmea, procuram realizar o acasala-
mento, verificando-se então as chamadas “cópulas frustras”, isto é, não fecun-
dantes.
Com a cópula termina geralmenle a vida dos machos, pois, realizada, são
eles, via de regra, mortos e devorados pelas fêmeas.
A prenhês destas dura um pouco mais de 3 mêses. A fabricação da octeca
e a oviposição coincidem com o fim da primavera e começo de verão.
Todo o ano, no tempo que coincide com a data do nascimento c mais tarde
com o espalhamento dos filhotes, as aranhas fêmeas adultas, realizam a ecdise
e na primavera seguinte, após novo acasalamento, produzem nova leva de fi-
lhotes, e assim por diante, por diversos anos, podendo atingir fàcilmente 10 a li-
Mm. In»*. Butantan
24(2):127-I56, Nov.* 1952
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anos de vida, caso esta não seja abreviada víolentamente, o que nos parece —
aliás — ser a regra.
Neste grupo de aranhas deve a cópula fecundante preceder sempre a ovipo-
zição. Mesmo depois da fecundação há somente uma única ovipozição, o tjiie
separa estas caranguejeiras nitidamente de muitas aranhas verdadeiras, onde a
fêmea, após uma única cópula -procede a 3-5-7 ovipozições seguidas.
As Gramostóleas não constroem ninhos cxcavados, mas apro\ citam como
moradia buracos naturais, sob raizes de árvores ou arbustos ou fendas iciistcn-
tes no solo. Forram estes buracos com esteira de teia densa c a: costumam perma-
necer durante os mêscs de inverno. Os filhotes particularmcntc vivem quase que
sempre nestes buracos. Os adultos costumam sair dos mesmos à noitinha ou
na época do cio ou ainda após as chuvas quentes do verão, quando são encontrados
pelo homem ao atravessarem os caminhos, atalhos ou as estradas.
Em cativeiro estas aranhas vivem perfeitamente bem. Conservamos exem-
plares já há 8 anos, sendo alimentados com outras aranhas, pequenos c grandes
camundongos, carne fresca de vaca, etc. -As aranhas ficam tão mansas que. ao
manejá-las, podem ser tomadas perfeitamente na mão, sfcm que elas façam qual-
quer tentativa de ataque ou defesa. Nem mesmo recorrem ao expedientv' de des-
prender os pêlos urticantcs do dorso do alnlomen — o que consideramos o
sinal evkXtite mais importante da “domesticação de uma aranha caranguejeira.
A duração de vida das Gramostóleas é assaz longa. Temos visto já que o
tempo desde o nascimento até a formação dos caracteres sexuais esternos é <.c
3-4 anos. Pois bem, tentos recebido do Rio Grande do Sul machos d*ta idade, os
quais estão vivendo no Instituto Butantan já 6 anos e poucos meses o que
significa a idade atual de 9-10 anos.
Fêmeas temos já há 8 anos em viveiros, chegadas ao Butantan já com 3-4
anos — o que somaria um total de 11-12 anos th’ idade.
A alimentação consiste sempre em animais, preferivelmente vivos, caçados
ativamente e subjugados pelo poder do veneno. As próprias companheiras (ca-
nibalismo), aranhas de outras espécies, inclusive as do gênero Phoneutria, os
Licosidcos, etc., são devoradas por estas caranguejeiras, tomando-se por isso
muito úteis ao homem, pois as representantes dos dois últimos gêneros são ext.c-
mamente venenosas.
Quanto à realização das eedises, às restituições de membros perdidos, à
frequência da alimentação, nada temos a adicionar ao que já foi publicado na
Monografia N.° 1 do Instituto Butantan.
Nas aranhas da família LYCOSIDAE temos nos dedicado particularmcntc
ao estudo da evolução e dos costumes de Lyeosa crytlirognatha, sendo os dados
niais importantes, cm regra geral, os seguintes:
1, | SciELO
142
ARANHAS DO RIO GRANDE DO SUL
a) Duração total da vida :
machos — entre 250 e 560 dias ;
fêmeas — entre 480 e 740 dias.
b) Tempo entre o nascimento e o acasalamento:
fêmeas — 267-380 dias.
machos — 180-230 dias;
c) Tempo de vida entre o acasalamento até a morte:
machos — 70-330 dias ;
fêmeas — 113-360 dias.
A época do acasalamento costuma cair nos mêses de primavera-verão-outono,
principalmente no verão e fim de outono (até Maio). Freqüentemente a cópula
é repetida, com um intervalo de 2 dias até 3 semanas, sendo raro, entretanto,
que seja executada com o mesmo macho. Nestas aranhas não existe o “uxori-
cidio”, isto é, a fêmea não mata o macho após o acasalamento. Pelo contrário,
ela permanece como que inerte e passiva durante o ato, realizado com iniciativa
exclusiva do macho que, depois, se retira indene.
A mesma fêmea realiza gcralmente de 2 a 4 oviposições após a cópula, nos
seguintes intervalos :
1. a oviposição entre 60 a 80 dias após a cópula;
2. a oviposição entre 50 a 55 dias depois da l.*j
3. a oviposição entre 40 a 55 dias depois da 2 a ;
4. a oviposição entre 28 a 50 dias depois da 3. a oviposição.
A ooteca apresenta forma redonda, com ligeiro colorido verde-azulado ou
verde cinza por fóra. É afixado às fiandeiras e mantido sempre, dia e noite,
longe do solo, em suspensão. Onde a aranha vai, carrega consigo o casulo.
Os filhotes, ao romperem as paredes da ooteca, se reunem sobre o corpo
materno, cobrindo-o inteiramente, inclusive os olhos. Após a 2. a muda eles se
espalham, procedendo, então, a mãe à construção da segunda ooteca e assim
por diante, até a 4 a (raras vezes a 5 a ooteca), sem que tenha havido nova cópula
com macho.
Os filhotes de todas estas posturas nascem normais e fecundos. Conseguimos
observar o cruzamento entre descendentes da 2 a geração, que, por seu turno,
geram filhotes fecundos.
Numa única cópula recebem as fêmeas milhares de espermatozóides guar-
dados em espermatecas dentro dos receptáculos seminais durante meses. Quando
nas oviposições periódicas, os óvulos deslizam pela parte inferior do oviduto,
entram eles em contato com o espermatozóide fecundante, que provém do canal
dos receptáculos.
>!wn. InV. Bntantin
24t 2) :!27-l 56, Nov.* 1952
WOLFAXG BCCHERL.
14J
O acasalamento não é, portanto, uma “cópula” propriamente dita isto e,
não é fecundante. Significa apenas a transmissão dos espermatozóides. A fecun-
dação dos óvulos fica a cargo da própria fémea, no momento das oviposiçocs.
Às vezes, apenas uns 15 dias após o acasalamento, a fémea procede a cons-
trução da ooteca com oviposição. Em seguida ela mesma devora tanto uns como-
a outra, não deixando vestígio.
Em* as fcmeas costuma haver roubo de oofeeas. Frcqucn.emente se vc
uma fémea apoderar-se da ooteea de outra e devorar a mesma, sem que a rott-
bada ofereça muita resistência.
A primeira oviposição é geralmente a mais nume"«. ^ J^Te
mais de 1.000 ovos; a segunda já é menor com uns W» a °'° s ' '
a quarta contém em geral apenas algumas centenas d. ovos, semk .os * , ua«
muitas rifres imperfeitos, de maneira que nascem apenas mui o po ^
Ouanto à tLcttlt . (Sc são os Licosoideos animais de raptna Sur pmendem
sua presa, qne consiste principalmente em insetos (gafanhotos. .MHW»
vespas. outras aranhas, etc.) e matam por picada e moculnçao no eneno. Em
seguida sugam as partes moles, deittando como resto as potqoes qutttnoms.
A vide das espécies do género Plwe cnrrttt, família ÇTeXID AEi v^-
cialtnentc igual á dos l.icosoideos. Ainda mais que -mas »« “
nhas solitárias, de rapina e de na.urera feror. Do, atlas dc gra nde porte 3 ™
de corpo até 14 cm d. uma ponta de perna ate a outra). ™ 1» ^
venenifetras e um. peçonha muito ativa, aliado a grande agthdade de m -.mentos,
tornam-se as Phoneutrias as aranhas mais perigosas que tentos no
Após o acasalamento, em que cabe também ao macho a ™ S '"
as fémeas, decorridos uns 40 dias proceder à 1.* ovtpostç^ 2MS *as depom
nasceu, os filhotes que permanecem dentro ,1a ootcca e a, tne n» taemm.
14 ecdisc. Alimen, ant-se da própria exuvia. bem como de t óvulo» ®f™
dados, devorando igualmente o corton dos otos. os quais s. abando*
após a oviposição on urja 20 » 25 dias depois do nasetmen o 0.
nam a Jeca. rennindo-so sobre o corpo n, atento durante uns WS dtas. F.
rem. entáo. a 24 ccdise e principiam rida independente. Nos prt meiros tempos
reina entre eles o sistema do canibalismo. Comem quase que tmntcrrup an n,,^.
- forem uma nova ccdise. O numero dc mudas
com excepçao da semana cm que fazen a última
de pele durante o l.° ano de vida e de 3-1U e no segunuu
muda a que precede a madurem sexual, em qne se dtferenctan. os dots sexos,
apresentando os machos os bulbos copuladores nos tarsos dos palpos.
Na primavera do 34 ano (com 2 anos completos d. idade e alfptns meses)
verifica-se o acasalamento e alguns meses (gcralmente . e meto) epo ■ j
postura de ovos. Trés meses e meio depois segue-se a segunda pos.um te «
meses depois a terceira, podendo-se seguir, em casos raros, uma qnarta postu .-
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
144
ARANHAS DO RIO GRANDE DO SUL
Quando, após a construção da ooteca e a oviposição, a fêmea verifica que
.algo está anormal (óvulos não fecundos, ameaça de extermínio da ooteca; fome
extrema, etc.), ela não hesita em devorar a própria ooteca juntamente com
•os ovos.
A ooteca é de còr branca; apresenta forma de dois pratos fundos sobre-
postos. É afixada em geral alguns centimetros acima do solo, ficando a mãe conti-
nuamente bem perto e sobraçando a mesma com as pernas anteriores. Aban-
dono total da ooteca pela mãe importa em perecimento dos filhotes.
Realizada a terceira ou quarta postura fica o organismo materno, em geral,
tão estenuado que a aranha raras vezes consegue ainda trocar de pele. Morre
em geral dentro deste ano.
A vida média de Phoneutria é, portanto, de 3-4 anos, raras vezes atingindo
os 5. A maior parte desta vida é transcorrida como filhote e adolescente. A vida
adulta significa para as mães dedicar-se exclusivamente à numerosa e repetida
prole.
O acasalamento é também um só, resguardando as fêmeas os espermato-
zóides cm espermatecas próprias e fecundando elas mesmas os óvulos nos diversos
periodos de postura.
A sobrevivência dos espermatozóides nas espermatecas femininas é assaz
longa, podendo estender-se além de 1 ano e meio. Conservamos exemplares de
I honcutria fera durante um ano e 3 meses em viveiros. Sem acasalamento durante
todo este tempo, houve nova oviposição cm Agosto com nascimento de filhotes
em fins de Novembro, portanto pelo menos 15 mêses após o acasalamento.
A fecundidade das fémeas de Latrodcctus mactans c igualmente muito gran-
de, condicionada também apenas a um único acasalamento. Uma fêmea adulta
tinha rcalisado o acasalamento em 2-7-52. Nos dias seguidos ela mostrava-se
•extremamente voraz, sugando todo dia diversos insetos.
Em 15-7-52 fez a primeira ooteca;
em 21-7-52 a segunda ;
em 24-7-52 a terceira;
em 28-7-52 a quarta;
em 4-8-52 a quinta;
em 14-8-52 a sexta e
em 21-8-52 a sétima e última ooteca.
As ootecas são brancas, redondas, com 1 cm mais ou menos de diâmetro,
presas em suspenso aos fios da teia irregularmente trançada, ficando a mãe sempre
por perto.
As bolas de ovos são suspensas umas bem perto das outras, em grupo
contendo cada uma em média 100 ovos. Os filhotes, depois de romperem o conon]
devoram o mesmo. A l. a eedise é igualmente realizada dentro da ooteca e a
Mnn. In*. Bolantan
24(2):1ZM56, Nov.» 1952
W0LFAXG BCCHEKL
145
■exúvia é comida. Ao irromperem pela ooteca ajuntam-se os filhotes sobre os fios
-de seda da teia e não sobre a mãe.
Esta última morre em geral logo depois, em completo esgotamento físico.
ACÇAO DOS VENENOS
As aranhas caranguejeiras da íamilia CT ENIZIDAE, partieulannente as
•do gênero Actinopus, apresentam veneno assaz ativo, tanto sobre animais de
sangue frio (insetos, outras aranhas, sapos) como de sangue quente (camun-
dongos e ratos).
Uma única picada direta com inoculação dc veneno é suficiente para matar
sapos adultos e camundongos, dentro de alguns minutos.
Os sintomas de intoxicação são principalmentc nervosos (paresias, descon-
troles, rolamento para o lado, paralisia das pernas c repouso sobre o corpo, ano-
malias lespiratórias e morte por sufocação).
Não há noticia sobre a ação do mesmo veneno no organismo humano ou
mesmo com animais domésticos. Estas aranhas vivem debaixo da terra ; teem na-
tureza essencialmcnte sedentária. Assim não haverá facilmente ocasião, para que
um homem fosse acidentado ou sofresse intoxicação.
Completamente sem fundamento teme o povo as grandes aranlias carangue-
jeiras do gênero Grominostola, íamilia THERAPHOSIDAE. Aliás a imensa
maioria das grandes caranguejeiras do Rio Grande do Sul pertence a éste
gênero.
Sem exagero podem se qualificar estas como complctamcntc inofensivas ao
Romem. Nem na própria natureza costumam atacar, mas preferem sempre fugir.
Mesmo quando aprendidas com a mão, mal esboçam uma defesa, além do des-
prendimento dos pêlos urticantes do dorso do abdômen. Em cativeiro ficam
mansas dentro de algumas semanas, podendo então ser tomadas na mão, sem pe-
rigo algum.
Seu veneno foi dosado em animais de laboratório, como camundongos,
«tos, coelhos e pombos. Sua intensidade é tão fraca que se pode presumir com
grande segurança que, num caso de picada, uma pessoa mesmo uma criança,
tiada sofreria de grave. Nem mesmo a própria picada é dolorosa. Picados aci-
dentalmente durante os 8 anos que trabalhamos com aranhas, no indicador da
mão direita, houve apenas um ligeiro ardor local c passageiro. Mais tarde o
dedo inchou um pouco, estendendo-se a inchação ao dorso da mão. 8 horas depois
•esta inchação já tinha sumido, sentindo-sc no dia seguinte apenas um leve re-
puxo ao dobrar as falanges do mesmo dedo. Não liou ve afetação ganglionar nem
■outro sinal geral qualquer.
], | SciELO
146
ARANHAS DO RIO GRANDE DO SUL
Quanto à ação dos venenos das aranlias verdadeiras (subordem: LABl*
DOGNATHA ) estanios acostumados a prejulgar que somente têm importância
sob o ponto de vista toxicológico as aranhas das íamilias LYCOSIDAE, parti-
cularmente Lycosa erythrognatha, c CTENIDAE (as espécies do gênero Pho-
ticulria, particularmentc Phoncutria fera).
Este ponto de vista, si bem que nascido de considerações de natureza clinica,
apoiadas depois por trabalhos experimentais, executados em grande parte no
Instituto Butantan por V. Brazil e J. Vellard, necessita, a nosso ver, ser ampliado,
pois existem no Rio Grande do Sul, como também cm Santa Catarina, no Paraná,
no Estado de São Paulo, muitas outras aranhas, às vezes de proporções exíguas,
cuja picadura é de tal natureza que exige cuidados clínicos.
Obedecendo a nossa ordem sistemática, passamos em revista algumas repre-
sentantes da subordem das aranhas verdadeiras:
Conseguimos ensaiar experimentalmente os venenos das duas espécies Loxos-
cclis rufipes c L. lacta, familia SCYTODIDAE.
As glândulas foram colhidas de animais vivos, depositadas em glicerina
com pH quase neutro, na proporção de 20 glândulas para 2 cc de glicerina. Após
trituração das glândulas foi feito um extrato com agua destilada, mais cloreto de
sódio a 8 por mil, no volume total de 8 cc de salina, de maneira que nos extratos
tanto de uma como de outra espécie havia cada vês 20 glândulas em 10 cc de
liquido aquoso-glicerinado.
Protocolo
I Loxoscelis rufipes
Inacnlum
Local ia inftçio
Animal
Peio
Resultada
0,5 ml.
veia candal
5 camund.
21 g.
nada
0,8 ml.
veia caudal
5 camund.
21 g.
nada
1.0 ml.
veia caudal
5 caxmxn j.
21 g.
morreram
1.0 ml.
intramuscular na perna
5 camund.
21 B.
2 morreram
0,8 ml.
intramuscular na perna
5 camund.
21 g.
nada
1,0 ml.
intradérmico na orelha
5 camund.
21 g.
perfuração total
0.8 ml.
intradérmico na orelha
5 camund.
21 S-
perfuração total
0,5 ml.
intradérmico na orelha
5 camund.
21 g-
perfuração total
Como se trata de uma aranha pequena, entre lem a 1,5 cm de comprimento,
com pinças inoculadoras curtas, nunca se verificará "in anima nobili" uma ino-
culação venosa de veneno e nunca a quantidade do veneno será superior a lml
déste inoculum. Desta maneira já é licito deduzir que o veneno de nenhuma
destas espécies jámais será mortal para indivíduos humanos.
Man, Ir.-*. Butantan
24(2): 127-156, N'ov.« 1952
WOLFAXG BfCHKRI.
147
Protocolo
II
Loxotcclis bela
Jnconlum
Local Jj ín/rfij
Amimai
Peta
RetnltoJo
0,8 ml.
1.0 ml.
2.0 ml.
2.0 ml.
2.0 ml.
1.0 mL
0,5 ml.
veta caodal
veia candal
veia caoda!
músculo da pe na
intradérmieo na orelha
intradérmico na orelha
iotradcrmico na orelha
5 camand.
5 camsrod.
J pombo»
5 ctiaioi
4 coelho»
4 coelho»
4 Coelho»
22 t.
23 e.
350 f.
340 c.
1.5 kc.
1.5 kc.
1.5 kc.
tremores gerai*
4 morreram
2 morreram
nada
perfuração total
perfuração to*al
perfuração
Interpretação : — Os venenos dc Loxoscelií rufipes e beta parecem exercer a
mesma ação sobre animais dc laboratório.
Quando injetados os venenos dirctamcnte na corrente sanguínea, não
se verificam respostas apreciáveis, sendo mesmo necessárias doses muito
grandes (Icc = 2 glândulas, respetivamente 2 cc = 4 glândulas), para
o desencadeamento dc intoxicação geral.
As injeções intramusculares profundas feitas na [terna eram dolorosas,
gritando os cobaios horas a fio. Mas, após o veneno ser transportado pela
corrente sanguinca, cessavam todos os sintomas de intoxicação, a não ser quando
a dose era tão alta que resultava mortal mesmo por via venosa.
A verdadeira ação do veneno pôde ser apreciada nas injeções inlradénuicas
(via esta condizente, aliás, com a natural picada por estas aranhas).
Xcste caso houve logo depois da injeção tumefaeção da base da orelha,
edema, vermelhidão e temperatura. No dia seguinte formação dc escarra, na
orelha dc coelho, até 2 cm dc extensão. Horas mais tarde placa esbranquiçada
de necrose e formação paulatina de escarra mais extensa, enquanto diminuia o
edema. -No decurso de 8 dias deu-se a perfuração total da orelha, tnenos signi-
ficantc nos coelhos que recebiam apenas 0,5 cc do inoculum.
Os venenos de Loxoscclis lacta c L. rufipes agem seletivamcntc sobre o
derma, determinando nccrosc superficial cm animais dc laboratório.
As duas aranhas são caseiras, instalando sua teia geralmente nos cantos
das paredes. A L. rufipes mostra-se mais corajosa c disposta a picar, enquanto
que a lacta é bastante tímida. Mal atingem 1,5 cm de corç». Acidentes hu-
manos costumam ocorrer principalmente com a L. rufipis, cuja picada, segundo
as descrições de Macchiavello (/.. lacta ) c I. Grasso (/-. rufipes), c acomjxmliada
de “uma dór pungente, que se transforma desde logo numa sensação de insupor
tavel queimadura’’, não havendo sintomas gerais a não ser esta dór c a consc-
qüente insónia. A escara é rugosa, seca, com aspecto apergaminhado, podendo
suas dimensões variar desde um ponto penas até 30 cm dc extensão.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
148
ARANHAS DO RIO GRANDE DO SUL
Na 2. a e 3. a semana a escarra é indolor e descama, podendo deixar à vista,
mas intatos, os músculos.
Os acidentes se verificam geralmente nas casas.
A. Ibarra Grasso, tendo-se deixado morder repetidas vezes numa zona do
lado externo do antebraço esquerdo por uma L. rufipcs, fez as seguintes
observações :
A picada é quase indolor, percebendo-se apenas leves pontadas dolorosas no
local. Alguns minutos depois formam-se vesículas de 0,5 cm de diâmetro nos
locais onde penetraram os ferrões, vesículas estas levemente dolorosas e que
confluem depois de meia hora, notando-se ligeiro edema em redor. Horas depois
as pálpulas se ex tendem mais e tendem a desaparecer, sobrando apenas pequenos
edemas duros no locais das picadas, de um a 2 cm de extensão, com ligeira
sensação de pontadas em toda a zona. 18 horas depois há um único edema de
7,5 por 4,5 cm, apenas ligeiramente doloroso, estando os locais das picadas
roxeados. 48 horas depois nova formação de vesículas, algo dolorosas. 4 dias
depois as vesículas são menos dolorosas. 12 dias depois caem as escaras, dei-
xando cicatriz circular.
O veneno destas duas aranhas apresenta, pois, a mesma ação local, necro-
sante, como o dos Licosoídeos. As aranhas responsáveis são de hábitos domés-
ticos e ocorrem desde o Paraiba do Norte (lacta) ou desde os Estados Unidos
da America do Norte (rufipes). Pelos sintomas clínicos exclusivamente será
praticamente impossível distinguir-se entre Loxoscclis c Lycosa, devendo-se in-
sistir, pois, em dados biológicos (si a aranha fazia teia, si era muito pequena,
escura, sem desenho no corpo, etc..).
Temos recebido representantes destas duas espécies de muitos logarcs do
Brasil, também da própria Capital de São Paulo, como também do Rio Grande
do Sul, mas a nossa impressão é que, além de serem aranhas pequenas e tímidas
e que mal podem atingir nas picadas as camadas mais profundas do derma, elas
nunca se tomam realmente frequentes entre nós, de maneira que, contrariamente
do que acontece por exemplo no Chile, entre nós não se pode falar de um
“loxoscelismo", ainda que não se possa negar a verificação de um ou outro caso.
A Filistata hibemalis, da familia FILISTATIDAE, uma aranha isualmente
doméstica e que constroe suas teias branco-azuladas dentro de casas, foi também
referida repetidas vezes, particularmente na literatura argentina sobre aranhas
perigosas, como tendo veneno nccrosantc, de ação local, associado a distúrbios
mais ou menos intensos do fígado e dos rins (produziria hemoglobinuria, ictericia,
hematémesis, etc..).
Esta aranha é facilmente reconhecível, pois sendo olhada de cima, vê-se
um corpo escuro, rodeado de um colar branco nos trocânteres das pernas. O
corpo mede uns 2 cm e as pernas mais tres.
Ura. In». Bntanun
24(2) ; 127-1 56, Nor.* 1952
WOLFANG BIXHERL
149
Foi recebida no Instituto Butantan de muitos logares do Brasil, particular-
mente de todos os Estados do Sul e de São Paulo, mas nunca houve um
só caso concreto, comprovado, de intoxicação.
É de índole muito timida e parece nunca atacar, a não ser moscas, mos-
quitos, etc..
A Lycosa crythrognatha, familia LYCOSIDAE, apresenta igualmcnte um
veneno de ação essencialmente local, necrosante, podendo sua picada ser acom-
panhada, em casos mais graves, de temperatura, erupção cscarlatiniformc jkis-
sageira, comprometimento ganglionar, dòr que se irradia desde o local da picada
pelo membro todo. Dentro de um dia no máximo, desaparecem gcralmcntc estes
sintomas, prevalecendo apenas os sintomas no local da picada, onde o aspecto
é geralmente o seguinte: edema duro, doloroso; depois eritema com sufusões he-
morrágicas; mais tarde vesículas, flictenas cheias de liquido seroso, que rompem
depois de 2 dias. Ao fim da 2. a semana escara dura, seca, negra. A cura c
lenta, a cicatriz indelével, retrátil c dolorosa.
A Lycosa ervlhrognatha é uma aranha de 2 a 2 c meio cm de comprimento
de tronco com mais 4 cm de comprimento de pernas. De compleição robusta,
sem ser covarde, não costuma, entretanto, atacar, preferindo a fuga. Em certas
circunstâncias, entretanto, como quando carrcKando seu casulo ou quando reinam
dias de frio, com pouco sol, esta atitude pacifica dá logar a estados irritadiços.
Então esta aranha enfrenta mesmo o homem. Apoia-se sôbre as pernas tra-
zeiras ; eleva o corpo anterior, os palpos e as pernas anteriores ; dc suas presas
entre-abertas jorram gotículas dc veneno c, à maneira das aranhas armadeiras,
procede ao célebre ataque, encravando suas presas na pele da vitima.
Seu lado inferior é totalmente preto, enquanto que a face superior ostenta
um colorido cinza marrom, havendo na linha mediana do cefalotorax uma longa
faixa esbranquiçada e na raiz do abdômen uma segunda faixa, do mesmo colorido
esbranquiçado, divergente, a abrir-se em direção posterior. Xo meio desta
bifurcação há u’a mancha preta, interrompida atrás por manchinhas mais claras,
mais ou menos triangulares.
As queliceras são ornadas por pêlos avermelhados, particularmente impres-
sionantes em tomo dos ferrões, de um colorido negro luzidio. Os I.icosoidcos
teem 4 olhos menores na frente, seguidos por 2 maiores c mais distantes no topo
da fronte e mais dois posteriores, ainda mais distantes e um tanto menores.
São aranhas das mais comuns em nosso meio. Podem infiltrar-se facilmente
nas residências humanas, principalmente nas casas rodeadas por jardins, quando
as portas não vedam completamente. São trazidas também frequentemente com
cachos de bananas, feixes de lenha, etc.. Quando se aparam os gramados dos
jardins residenciais, procuram fugir pelos muros geralmente com reboco áspero, o
mesmo acontecendo ao se regar o jardim residencial.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
150
ARANHAS DO RÍO GRANDE DO SIT.
Para prevenir as lesões necrosantes (o veneno não teein ação geral /'faz o
Instituto Butantan, desde 1925, o sôro-onti-licósieo. V. Brazil e J. Vellard do-
saram o sòro de tal maneira que l.cm3 tivesse a ação de 250 unidades anti-necro-
santes-o que pode ser considerado plenamente satisfatório num caso de acidente
humano.
Protocolo
III l.ycosa crythrognatha
rtso do x cn.
Animal
Peto
VU
Resultado
1
mg.
5
camud.
22
ff.
veia
tremores gerais
0,5
mg.
5
camud.
22
I-
veia
tremores gerais
1.5
mg.
5
camud.
25
ff.
veia
tremores gerai*, menos intensos
2.0
mg.
5
camud.
22
ff.
veia
J mortos entre 1*4 horas
1.0
mg.
5
camud.
25
ff.
intradérmico
dòr local, escara
2,0
mg.
5
camud.
25
ff.
intradérmico
dòr local, perfuração
2.0
mg.
3
pombos
500
ff.
voa
tremores
2.0
mg.
2
pombo*
500
ff.
veia
morreram 2
22)
mg.
2
coelhos
1.5
k*.
intradénnico
perfuração orelha
2.0
mg.
2
coelho»
1.5
kit-
intradérmico
escara
Por repetidas coletas, uma vèz 32 glândulas, a segunda vês 64 e a terceira
vês 4S glândulas obtivemos a média de 1,500 até 1,760 mg de pêso de veneno
por glândula. Como estas aranhas só podem injetar seu veneno por via intra-
dcrmica, não poderá resultar nunca a morte de um mamífero de porte maior,
isto é. acima de 5 ks de pêso jiclo menos.
O veneno é rapidamente neutralizado c eliminado, quando na corrente
sanguínea.
Conseguimos recolher c dosar em camundongos os venenos das L. auri-
cotna, L. aiuroguttata e L. pardalim. São Licosoideos bem menores do que a
erythroffiiatha, de hábitos campestres; muito mais tímidos c menos agressivos do
que a última. O veneno seco por glândula fica em torno de 1 mg apenas.
Para se conseguir o efeito necrosante e perfurante na orelha, tanto em camun-
dongo como em coelho, são necessários 3 mg de veneno seco, não interferindo o
peso do animal, isto é, nos lotes de camundongos foi necessária a mesma
quantidade de veneno como nos coelhos. A ação geral, quando êstes venenos
são injetados na veia dos animais, é igualmente pouco acentuada.
Sobre a ação dos venenos de Latrodeclus mactaiis e gcometricus, da familia
THERIDIIDAE, não temos nenhuma experiência. Mesmo o numero de exem-
plares recebidos de diversas partes do Sul do Brasil não excede a uma dúzia.
Vem. In<. Butantan
24(2):127 1S6, Xov.” 195’
WOLFGiXGlBCCUKRI. .
15.1
Quatro (Jelas, 3 da espécie L. inactans e 1 de L. gcomelricus conservamos vivos
durante bastante tempo para os estudos do desenvolvimento dos filhotes. Temos,
entretanto, recebido algumas notícias, iiarticularmente do Rio Grande do Sul.
sobre acidentes por aranhas, descritos de tal maneira que lembra perfeitamente
o “latro-dectismo", minuciosamente detalhado por Sampayo.
Conseguimos colher 12 mg de veneno seco da espécie . Irgiopc argcnlala,
faniilia EPEIRIDAE. É uma aranlia muito vistosa, com abdômen prateado c
belos coloridos de contraste verde branco. É frequente nos aredores de São
Paulo e em todos os Estados do Sul do Brasil. Reside em teias espirais de
40-60 cm de diâmetro, permanecendo em repouso no centro da mesma, juntando
as pernas anteriores dois a dois liem como as posteriores jura trás (dois a dois).
Protocclo
IV Argiope argcnlala
r«rno srco
ris dc injeção
.-f n. ; ma it
Pt»»
KttulttJa
1 tnj.
Ycia
4 camundrcurt»
"" 24 *.
nada
1 mg.
intraomtcular
4 camtsndcnftM
24 *•
dòr (uMirita
1 mg.
intradermico
4 amtiodcnfM
24 S.
dòr (otuirini
Interpretação : — Xas doses acima o veneno se mostra muito fraco quando
injetado na veia. não sentindo os animais quase naila c retomando o alimento
jã depois de 2 horas.
Injctando-sc o veneno no músculo da perna, demonstram dòr local
durante 2 horas, com edema no local da injeção, desaparecendo a dòr depois
de poucas horas e o edema no dia seguinte.
A injeção intradermica revelou também apenas dór local, sem formação
de escarra, mas com formação de edema e pãpula no local, desaparecendo
a pãpula cm poucas horas c o edema em 24 horas.
A Argiope argcnlala não tem veneno apreciavelmente ativo, sendo, aliás,
<le índole mansa.
A Xcoscona naulica, outra aranha jtequena tia mesma familia, tem, entre-
tanto, um veneno bem ativo, semelhante ao de Lycosa crytlirognalha. lemos
podido ver um caso clinico, ocorrido num jardim no bairro da \ ila Mariana, na
Capital dc São Paulo, onde, depois da picada no lado intento tio antebraço,
surgiram lesões do tipo nccrólico superficial, iguais às determinadas gcralmcnte
por L. crythrognatha.
Outra aranha muito frequente nos campos c cerrados baixos c a Xephila
clavipcs. Constroe teias extensas, de fios robustos, itenuanccendo recolhida num
canto. A aranha ostenta colorido amarelo, com salpicos verdes c manchas colo-
1, | SciELO
152
ARANHAS DO RIO GRANDE DO SUL
ridas de verde amarelo nas pernas. É facilmente reconhecível pelos feixes de
pêlos negros das articulações das pernas.
Temos recebido centenas de exemplares, podendo recolher o veneno para.
ensaios fisiológicos e farmacológicos.
Protocolo
V Xephila clavipes
1 'cneno seco
Vú de inj.
Animais
Peso
Resultado
2 mg.
veia caudal
5 camund.
23 g.
cançados — nada mais
4 mg.
veia caudal
5 camund.
23 g.
morreram 4
2 mg.
intramuscul.
5 camund.
23 g.
sobrevivem
4 mg.
intradérmico
5 camund.
23 g.
pápula. edema — sobrevivem
6 mg.
intradérmico
2 coelhos
1.5 kg.
escara, sem perfuração
Interpretação: — Os camundongos, injetados por via intramuscular na perna-
c por via intradérmica em região previamente depilada, além do edema,
que, depois de 8 horas era bastante intenso com alastramento por uma
grande região, e das pápulas que desapareciam dentro de 8 horas mais
ou menos na região avermelhada, apresentavam alguns sintomas gerais
como hipersecreção salivar, lacrimejamento e extremo abatimento.
Xa orelha de coelho houve, alem do intenso edema, pápula visível
também no lado inferior correspondente. Dias depois foi eliminada uma.
escara, mas sem perfuração da ocelha.
Protocolo
VI Kephila eruentata
Veneno seco
Via de inj.
Animais
Peso
Resultado
2 mg.
subcutânea
5 camund.
25
ff-
intoxicados; 2 mortos
2 mg.
veia
5 camund.
25
ff-
morreram 2
2 mg.
veia
2 pombos
400
ff.
nada
4 mg.
veia
3 pombos
400
ff-
nada
10 mg.
intradérmica
2 coelhos
1.5 kg.
escara, com perfuração
Interpretaão: — Os resultados confirmam os achados já por V. Brazil e J.
Vellard. O veneno de X. eruentata c também o de X. clavipes (ainda que
em intensidade menor) são de ação local, necrosante, com ação geral
pouco pronunciada, traduzida p r hipe'secrcção, cansaço, estados diarreia»
(V. Brazil),
Sobre a espécie Phoncutría fera (sin. Ctcnus nigríventer) já V. Brazil e-
J. Vellard publicaram protocolos sobre a atividade do veneno, comparável ao
WOLFGAXG BCCHERL
Mea. Inst, Butaxxtan
24(2) : 127-1 56, Nov.» 1952
15Í
veneno da cascavel, com ação sobre o sistema nervoso central, principalmente.
Pelos resultados das experiências em animais, ai referidos, conclui-se que a
picada poderia vir a ser grave até gravíssima em gente de pouco peso (crianças)
e mesmo em adultos, particularmente quando por êste ou aquele motivo, forem
mais sensíveis ou lábeis, de maneira que se aconselha sempre o emprego do sòro-
anti-ctcnidico do Instituto Butantan.
RESUMO
Pelo concurso de mais de 20 autores que, durante os últimos 100 anos
teem trabalhado sobre a fáuna aracnolósica do Rio Grande do Sul, foi revelada
a existência neste Estado de perto de 430 espécies diferentes.
Entre as poucas ORTUOGNATHA colocamos cm sinonimia as seguintes
espécies: Grammostola longimana, roquettei c familiaris com Gr. tnollicoina
Gr. grandicola, ferruginea e fasciato com Gr. pulchripes pulchripes; Gr. pulchra
com Gr. pulchripes pulchra; Gr. brevimetatarsis com Gr. aclacon; Gr. alticcps,
chalcothrix e gigantea com Gr. iheringi.
As espécies Mctriopelma auronilens c panthcrina são reagrupadas, como íóra
antes, no género Crypsidromus.
Xas aranhas LABIDOGXATHA confirmamos a sinonimia de Lycosa
raptoría com L. erythrognatha, estabelecida anos antes já por C. Mcllo-Lcitão.
Sob o signo de uma "nota prévia” estabelecemos a sinonimia de Phoncutria
nigriventer com PU. fera Perty, 1833.
Xa parte biológica são descritas algumas particularidades da vida das
Grainiiiostolcas, das aranhas subterrâneas da familia CTEXI Z I DA li, enquanto
que na subordem LABIDOGXATHA são referidas os Licosoidcos, o género
Phoncutria e os Latrodcctus.
Xo capitulo sobre a ação do veneno se asrinala que os ensaios dc
peçonha em animais de laboratório fazem concluir que as grandes caranguejeiras
do género Granwioslola infundadamente são temidas, pois demonstram indolc
pacífica, tendo apenas um veneno muito fraco, quase inofensivo para o homem.
Entre as LABIDOGXATHA tem o Rio Grande do Sul os mesmos problemas
como todos os Estados sulinos do Brasil, inclusive São Paulo, com os seguintes
dois tipos de veneno:
Venenos dc a(ão geral (sistema nervoso e renal): — Phoncutria, Ctenus.
Latrodcctus e talvés Enoploctcnus;
Venenos dc ação local (necrose da pele superficial, pápulas. vesículas, edema,
urticária, com comprometimento geral fraco, traduzido por cansaço, diarreias,
hemoglobinuria, etc.) : — Loxoseelis, Lycosa, Xephila c dc uma maneira muito-
leve, Argiopc Neoscona (mais ativo) e Filistala.
2 3 4
5 6
SciELCVo
12
cm
154
ARANHAS DO RIO GRANDE DO SCI.
Xo caso cie Lycosa e de C tcnus e Phoneutria é aconselhado valer-se clinica-
mente dos sõros fabricados pelo Instituto Jiutantan, particularmente cjuando o
acidentado é um criança. X*o caso de Latrodcctus dever-se-ia, igualmente empre-
gar o sôro específico, ainda no fabricado no Brasil.
f „ . . . r
ABSTRACT
More or less 20 authors liave worked during the last centuries about the
spider fauna from Rio Grande do Sul, Brazil. 430 different species are now
described.
Tile autlior give a summarized description of the most important species.
Under the ORTHOGX T ATHA the following are synonymiczed : Gr. longimana,
roqiicttci and fainiliarís with Gr. grandicola, fcrruginca and fasciata with Gr.
Pulchripes pulchripcs; Gr. pulchra with Gr. pulchrípcs pulchra; Gr. brevimcta -
farsis with Gr. actaeon; Gr. alticcps, chalcothríx e gigantea with Gr. iheringi.
Mctriopclma auronitcns and pantherina are reclassiíied under the gcnus
Crypsidromus.
In the subordo LABIDOGXA T I IA is confirmed the synonymic character
from Lycosa raptaria with L. crythrognatha and also from* Phoncutrio nigri-
vcntcr with Ph. fera. Enoploctenus scopuiifcr is also synonym with Enoploctenus
cyclothorax.
Tlie biologic part of this work includcs the life haúbits from the
Brazilian drap-door spiders from CTEXIZ1DAE and from the largest Mygalo-
morph spiders Grammostolinae, as wejl as biologic descriptions fonn Lycosa and
Plionciitria and Latrodcctus.
In respect of the action of venoms is demonstrated that the large
Gramrostola can bc considered as completelv inoffensive for man.
In the subordo LABIDOGNATHA the medicai problem of poisonous spi-
ders from Rio Grande do Sul is the same as in the other Southern States from
Brazil. specially as from São Paulo.
Two typcs from venomous action must be distingtied: action uver the
wholc body (central nervous system and renal action) :
Phoneutria, Ctcnus. Latrodcctus, Acanthoctcnus and Enoploctenus ; local
action (superficial necrotic action upon the skinn with formation of bubbles,
little bladders, oedemas. erythemas, urticarifonnes eruptions, with a very feeble
general action like fatigue, diarrhoeas, liacmoglobinurrhia, etc..) — Lo.voscctis,
Lycosa, Ncphila, Xcoscona.
bor countcracting the poisonous effects from Phoneutria, Ctcnus and Lycosa
is rccommended to use the sera from the Instituto Butantan (soro anti-Iicósico
and soro anti-ctenídico or the polyvalent sôro anti-cteno-licósico).
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Menu In*. Butantui
2<(-’): 127-1 56. Nor.* 1952
WOLFCANG BfCHERI.
155
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I, | SciELO
Mera. TnV. Butanun
■24(2) :1 57-172, íer.* 1952
A. R. 1IOGE
157
NOTAS ERPETOLOGICAS
Revalidação de Thamnodynastes strigatus (Günthcr, 1858)
por A. R. HOGE
(Sec(ão de Ofiologia do Instituto Butonton, Soo Paulo, Brasil)
. - . C A- A-, mW5n do Instituto Butantan encontramos
Durante a revisão dos ofídios da coleção r , e nünther
exemplares de Tltamnodynastes que correspondem a Tomodon stngalns Gunther,
1858, especie válida como demonstraremos.
Thamnodynastes W aidcr, 1S.K)
Dryopkylax Wagler - Vers. Syst. Amph.t 181, 1*30.
llmmnodyoosUi Wagler — l c.: 1*2-
Dipsas Schlegel (pro parto) - Physion. Scrp- f !“ •
Tomado» Günthcr (pro parte) — Cat. Col. Sn..
Meiotcs Jan (pro par,.) - Arch. Zool. Anat. Ftstol. 2.306. 1863.
Dentos n, anilares 13-21. separados das g— ^TaT^l
mediário, dentes mandfculares subigua • . mioila vertical.
<°n» grosso o„ delgado; canda e oihos --
Escamas lisas ou cannadas, tossetas p do com alguns espinho»
arredondadas, subcaudais duplas, hemipems na nresentes nos <$ dc
na base. Tnbércnlos snpra-anais geralmentc ansentes. presentes. nos
T. strigatus. ■• ••
Günther. en, 1858, descreve,, a espécie Tomodo » ***«. enja desengao
transcrevemos.
Tomodon strigatus
"Brown: on each side íron, ü,e nos.nl ,o ,he ,ip ot >aU a narrow black
stripe; on each side of belly a second one Iron, the ch,n ,o lhe „P oi ,ad.
a. Adult. índia. From Mr. Wanvick*s Collection.
Entregue para publicação cm 24-11-.—
1SS
XOTAS EM*ETOL<5GICAS
Description. — Body very stout and thick, with slender neck and ílat belly,
rather compressed towards the tail; tail thin, distinct froin body, tapering, mo-
deratc. Head conical, high, broad behind, distinct frora neck, with flat
brown and rounded pointed muzzle; eye moderate, pupil? Kostral shield small,
not tnurch convex, five-sided, rounded above, just reaching the surface oí forhead ;
anterior frontais small, rectangular, triangular, pointed in íront ; posterior frontais
small, convex, l>ent on the sides; vertical elongate, more than twicè as long as
broad, with nearly parallel outer cdge and a right angle behind. Occipitais
moderate, hardlv forked l>ehind ; superciliaries elongate, prominent above the
eye; anterior ocular just reaching the surface of head, two posterior ones; loreal
quadrangular (on one side united with frontal ) ; one large nasal, pierced by the
nostril; eight upper labiais, fourth and fifth forming the lower edge of eye; two
largcr temporal shields in contact with oculars, some smaller ones l>chind. S cales
smooth, in nineteen rows, very imbricate in not very obliqúe rows; those of the
back rather short, with rounded tip, those of outer row twice as large as the other
ones, cntirely rounded, and much imbricate. Anal biíid. Posterior maxillary tooth
ver) - long and deeply channeled ; all the other tetíth equal in length. Above and be-
neath brown; beneath paler, with two narrow, lateral ininterrupted black stripes
írom the cliin to the tip oí tail, along the middle of belly are two other punctated
lines, more os less conspicuous; írom the nostril, through the eye, along the
sides of trunk and tail, a narrow black stripe; each labial beliind black-edgcd;
and crect dividing the rostral in two equal parts ; on the neck a medial yellowish
line conspiaious. Length of clcft of mouth 5/6; brcadth of hinder part of head
7/12; length of tail 4 1/2; total length 23”.
Thamnodynastcs strigatus é espécie tão característica que causa admiração o
fato de lioulenger tê-la colocado na sinonimia de Thamnodynastcs natlcrcri, de-
pois de considerá-la espécie válida, apesar de dispor do tipo de Günther (2).
Peracca continuou a usar o nome de strigatus sem fazer menção ao fato
de ter sido colocado na sinonimia por Boulenger.
Amaral na sua lista remissiva menciona sómente duas raças de Dryophylax:
D. pallidus pallidus e D. pallidus strigilis.
Rcdescrição de Thamnodynastcs strigatus (Günther, 1858)
1858. Tomodon strigatus Günther — Cat. col. Sn. 52.
1863. Mesotes obtrusus Jan — Arch. Zool. Anat. Fisiol., 2:96 & Icon.
Ophid. 18, pl. 6, fig. 1.
1886.
Thamnodynastcs strigatus Boulenger — Ann. & Mag. Nat. Hist. (5).
18:437.
Mesn. Inai. Batantan
2«<2):IJM72, ícv.- 195’
A. R. nOGE
159
1887. Tachytnenis strigatus Cope — Proc. Am. PhiL Soe.: 24:58.
1896. Thamnodynastcs nattereri Boulenger (/>ro parle) — Cat. Sn. Brit.
Mus. 3:116..
* )
1926. Dryophylax nattereri Amaral — Rcv. Mus. Paul. 14:27.
1948. Thatnnodynastes strigatus Hoge — Mem. Inst. Butantan 21 :59.
Cabeça grande; corpo forte e grosso; cauda moderada. Dentes maxilares
14-15; rostral mais larga que alta, visivcl de cima; internasais tão longas ou li-
geiramente mais curtas que as préírontais; frontal cerca de 2 vezes a 2,1 vezes
mais Icnga que larga, mais longe que a sua distância à ponta do focinho, menor
que as parietais; nasal dividida; loreal mais alta que longa; 1 preocular às vezes
dividida, atingindo a parte superior da cabeça; 2 postocularcs ; temporais 2+2, a
inferior muito maior; 8 supralabiais (exccpcionalmcntc 9); 9-10 inímlabiais, as
4 primeiras em contacto com a mental anterior que é mais curta ou igual á j«s-
terior; 135 a 156 ventrais nos c 135 a 154 nas 9 9. O "ovcrlapping" c
muito menor ao comparar machos e fêmeas de uma mesma procedência
subcaudais 50-67 nos «J S c 47-62 nas 9 9; anal dupla; dorsais cm 19
séries lisas. A ca&eça em relação ao corpo é muito grande. Tubérculos supra-
anais presentes nos machos.
Coloração marron claro com duas faixas laterais, escuras na 4. a metade
da 3 a e 5 a séries dorsais ; dorso com algumas manchas escuras ; às vezes mais
duas faixas escuras na metade da l. a , 2. a c 3. a série de dorsais. \ entre claro
com estrias longitudinais, sendo as duas intentas pouco nítidas. N’a cauda as
duas internas desaparecem gradualmcntc.
Xa cabeça uma faixa lateral escura, começando na loreal (às vezes na nasal)
atravessando a preocular, a sutura das postocularcs, a temporal, c passando na
7. a c 8.* supralabial ; mancha escura marginando a sutura das supralabiais ;
infralabiais como as supralabiais, claras com uma nitida mancha escura nas su-
turas (fig. 3 e 10) ; mancha vertical na rostral. Hemipenis não bifurcado c sem
espinhos laterais fortes.
Distribuição geográfica: Argentina, Paraguay c Brasil, estados de Kio
Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Minas ( icrais
e Rio de Janeiro.
Alótipo : Rostral mais larga que alta, visivcl de cima : internasais um jtouco
mais largas que longas, mais curtas que as prefrontais; frontal 2 vezes mais
longa que larga, maior que a sua distância à ponta do focinho c menor que a>
parietais; nasal dividida ; loreal trapezoidal, tão alta quanto longa; 2 prcocularcs;
cm
SciELO
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160
NOTAS ERPETOLÓGICAS
2 postoculares ; temporais 2/2; 8 supralabiais ; 9 infralabiais; 145 ventrais; sub-
-caudais 62/6 2; anal 1/1 ; 3 tubérculos supra-anais de cada lado da cloaca.
Colorido marron claro, com uma faixa lateral escura na l. a , 2. a e 4 a séries
-de dorsais; u’a mancha clara no meio das dorsais ocupadas pelas faixas laterais;
ventre claro com 4 estrias longitudinais, as externas bem nitidas, as duas internas
menos nítidas e confluentes na parte posterior do corpo e na cauda. Cabeça
marrom com o desenho do tipo esquematizado na figura 9. Desenho do lado da
cabeça do tipo normal (fig. 10).
Capturado em Pindamonhangaba, em janeiro de 1918, por Rosalino Mecioni.
Günther cita a índia como localidade tipo mas não indica o número de
ventrais. Boulenger, cita 133 ventrais e 56 subcaudais. Comparando estes dados
podemos sem grande probabilidade de êrro indicar a região do Estado de São
Paulo como pátria provável. Para a designação do alótipo, escolhemos um exem-
plar procedente de Pindamonhangaba, Estado de São Paulo, Brasil, n. 1482 S na
coleção do Instituto Butantan.
Dimorfisvio sexual: os machos têm tubérculos supra-anais, o número de
ventrais e subcaudais é maior do que nas fêmeas e a diferença de tamanho da
cabeça é nula nos jovens e tanto mais pronunciada quanto mais velhos os exem-
plares.
CONCLUSÕES
Thatnnody nastes strigatus Günther difere de T. pallidus pallidus (L.) pelos
seguintes caracteres: menor número de subcaudais 50-62 contra 79-90 em pal-
lidus; cabeça muito maior; dorsais em 19 séries ao invés de 17; olho rnenoi*.
Difere de T. pallidus iiattcreri por ter escamas lisas, corpo mais grosso e olho
-menor.
Agradecimentos : Agradecemos ao Sr. Parker, do British Museum, as foto-
grafias do tipo de Tomodon strigatus c a autorização para publicá-las.
RESUMO
A espécie strigatus é revalidada e redescrita.
ABSTRACT
The species strigatus ir revalidated and redescribed.
ZUSAMMENFASSUNG
Die Art strigatus wird a>s gut befunden und wieder beschrieben.
Mero. Ins . Batantau
«(2):I57-172, fcr.- 1952
A. R. 1IOGE
161
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Boulcngcr, G. A. — Ann. & Mag. XaL Hist (5) 18:437, 1886.
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pl. 6. fig. 1, 1886.
*
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\. R. IICK.E
Man. Tn.«. BuUnun
240:157-172, írv.« 195:
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NOTAS ERPETOLóGICAS
íttt y, , 1 •yrrrrprrrr
li 2
• • i • 1 •
3
1 1 . . j . >
C£NI.\dklR.fci
Foto 3. (Brit. Mus.)
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t » rri n i i
CEntiHetres
t» — 1 1 , i rr
II. I|m.
Foto 4. (Brit. Mus.)
Tipo de Tovrwdon striyatvs
Mftn. Inst. Butantan A. R. HOOE
2<(2):1S7-I72, fer.» 195’
Foro 5
Picada de D. Ilrijatm
ThamnoJynastd itriçaimi i uma espécie muito agresura e a picada Uasunle
dolorida. Em certa ocasião. o autor picado por um Jfripofiu no dedo indica-
dor, duas horas depois o edema atingiu todo o anlchrago e a articulado.
Xa fotografia acima podtsse notar o edema pr.-íu/ido por uma picada de
striçatwt na mão direita de um de meu. ausiharm, Sr. J. Caeatb-iro.
XOTAS ERPETOLÓGICAS
Fic. 6
Foto A Hemipenis de T. strigatvt.
9 B " “ * stripilis.
Maxilar de T. slrigaltu.
Fio. 8
Fic. 7
Patte e entrai (evjuemãtica) dr T. ttriga-us (Cünther)
cm
A. K. HOGE
Mea. Insí. Butantan
M(2):I37-172, fer.» 1952
Fie. 9
Fio. 10
Fio. 11
y--
Dt senho rvioenuúioJo etn T. tln/úliu
cm
SciELO
Mera. Iiwt, Butantan
J4(2l :157-172. trv.* 1S52
A- R. HOCE
169
M
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Ê
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1, | SciELO
A. R. HOGE
M«n. In«t. Butanran
2li2| :157»172, fer.« 1952
cm
Mctn. In»'. Bntnman
24(2) :17J-178, fr».* 1952
A. R. HOGE
173
XOTAS ERPETOLÓGICAS
Contribuição ao conhecimento dos Testudinata do Brasil
por A. R. HOGE
(Secfão de Ofiologia do Instituto Butanton, S. Pauto, Brasil)
Xo decurso de urna expedição organizada no Brasil central com o fim de
recolher material para as coleções do Instituto, capturamos alguns exemplarei
de Testudinata. Como praticamente não existem informações sólirc os Qu cl ti-
ntos dessa região decidimos publicar a lista dos exemplares capturados.
Ordem TESTUDINATA
Subordem tiiecomiora
Família Testudinidae
Gênero Tc st udo Linnaeus
Testudo dcnticiilata (L. l/Có)
1766 Testudo denticulata Linnaeus — Syst. Xat. 2:3.' 2
1782 Testudo tabulata Walbaum — Chelon. 122.
Procedência: Fontoura, ilha do Bananal. Estado de Goiás, Brasil. 1 exemplar
típico. Comprimento da carapaça 300 mm, largura 180 mm, altura 14 mm.
Alimenta-se de frutas e folhas, assim como de flore» caida» no chão.
Em cativeiro aceita bananas, feijão, alface, polenta, batatas, etc.
Esta espécie é geralmente conhecida pelo nome de Jabuti, os índios Karajá
dão-lhe o nome de Cotubano.
Entregue para publicação em 24-II-j2.
1, | SciELO
15
174
NOTAS ERPETO LÓGICAS
Familia PELOMEDUSIDAE
Gênero P o d o c tic mi s Wagler, 1830
Podocncmis expansa Sdnveigger, 1814
1814 Emys cxpausa Schweiggcr — Prodrome: 30
Vários exemplares dos lagos do Araguaia c Rio das Mortes.
Na região do Araguaia, como no resto do Brasil, esta espécie é
conhecida como o nome de “Tartaruga’’. Os exemplares velhos (fêmeas) são
chamadas de “Viração”; os índios Karajá as chamam de “Cotoni”.
Esta espéc.e está em vias de ser extinta no Araguaia onde outrora era
abundantíssima. Nos lagos do Rio das Mortes, porém, ela ainda e muito abun-
dante, isto devido ao fato de ser proibida a entrada nesse Rio pelo Serviço de
Proteção aos índios, muito embora esta proibição esteja longe de ser obedecida
estritamente.
O fator principal é a colheita de ovos ]>ara extração do óleo além do uso
da carne de tartaruga para fins ctdinários. Em certos lugares, não sómente
extraem o óleo para fins comestíveis, mas também para fazer sabão.
Se o Govérno não tomar medidas enérgicas e fizer re>i>citá-las, dentro de
poucos anos a tartaruga estará práticamente extinta.
A pesca da tartaruga é feita com anzol sem rcbarl», com isca de palmito
de tucum. O anzol não penetra nos tegumentos mas engancha-sc c é mantido
por uma tração constante exercida pelo pescador.
A postura no Araguaia e afluentes é nos fins de agosto e começos de
setembro. Nessa época as tartarugas saem dos lagos e procuram as praias dos
rios, onde escolhem um lugar um pouco elevado para cavocar a terra com as
patas dianteiras. Nessa cova elas põem os ovos e depois de tê-los recobertos
por uma camada de areia de cérca de 30 cm, nivelam o terreno e regressam ao
rio sem nunca voltar pelo caminho por onde vieram.
No momento da eclosão os filhotes procuram imediatameute o rio, porém,
antes de alcançá-lo, grande número é vitimado pelas aves de rapina, raposas,
gambás, e indios que os capturam para comê-los, etc.
Muitos moradores guardam as tartarugas vivas em viveiros, que são em
geral duas cêrcas atravessando um pequeno córrego de pouca profundidade onde
o quelônio é facilmente recapturado.
Mem. Insí. Batantan
24(2):17J-17Í, íer* 1952
A. R. HOGE
175
Alimentam-se de plantas. Em cativeiro alimentam-se com palmito de tucum,
uma espécie de palmeira baixa com enormes espinhos.
Podocncmis t x f o n s a
No.
procedincia
C. car.
U rar.
Observarão
12
Posto Heloísa Torre»
Maio Grosso — Hrasil
324
494
Jòvem
5
idem
30.7
474
-
2
49.6
44.0
«•
3
314
49.7
18
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-
9
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-
29
Rio da* .Morte* +
Mato Gn»*o — Hcaaü
47.0
42.1
*•
41
310.0
ivt.o
adulto
40
250.0
183.0
23
310.0
243.0
carapaça
21
305.0
236,0
23
370.0
263.0
26
433.0
323.0
27
310.0
3S3.0
44
-
730.0
330.0
Iodo* os ricmpUrn foram capturado, ou aAjuIriAw mlr*
75- 9*1945 0 S-ll-1949.
Podocneinis unifilis Troschcl, 1S48
1848. Podocneinis unifilis Troschel — in Schomburgk — Rcisc Ilrit. Guiana,
3:647.
Xo.
4
6
19
20
21
22
37
32
33
39
36
34
35
3S
31
30
42
34
procedí oe ia
C. car.
L.ca r.
1
.1 1
39.6
Ideem
R o da- Morte» — Maio <>rosS" H i
43.0
PoMo lleloisa Torre* — Maio Gro»*o H a»,l
40.0
36.7
39.9
33.6
39,6
334
»
40.6
36.4
163.0
133.0
adulto
Maio Verde — MalO Grosso — llrasii
1364
106.6
r
114.0
944
m
133.0
120.0
-
**
130.0
123.0
-
116.7
1004
-
1614
140.0
172.0
136.0
**
140.0
110.0
9 •
74.0
634
Santa Isabel — Goiás
117.0
121.0
*
126.0
e J lf
107.0
94S.
Tcdcs o» exemplares
1, | SciELO
176
XOTAS ERPETOLÓGICAS
A postura se dá como na espécie cx pausa, porém, é cerca de um mês mais-
cêdo e os ovos são ovais ao invés de redondos como em cxpansa.
Género C h cl y s Duméril
Chelys fimbriata Schneider, 1783
1783 Tcstudo fimbriata Schneider — Schidkrõte 349
Dois exemplares. Xo. 45. Lagoa de São Felix, Estado de Mato Grosso r
Brasil, 10-48. Carapaça 22 2 mm por 174 mm.
Xo. 46. Mato Grosso, Brasil. Xuma lagoa sem nome em frente de Santa
Isabel. Carapaça 280 mm por 205 mm.
Esta espécie é geralmente conhecida por "Matamatá”. Os índios Karajá
a conhecem por Wemá.
Com a captura destes exemplares a distribuição geográfica da espécie foi
aumentada de quase mil km. Temos exemplares procedentes de São Do-
mingos, no Rio das Mortes, e um exemplar procedente de uma lagoa nas
margens do Rio Vermelho, perto do Aruanã, Estado de Goiás, Brasil, o que
ainda vem aumentar de 400 km a área ocupada pela espécie. Estes três exem-
plares foram capturados na nossa última expedição e não chegaram ainda a
nossas mãos razão pela qual não estão incluidos nesta lista.
Esta espécie aceita muito liem, peixes miúdos, quando mantida em cativeiro,
Strauch (7) e, posteriormente, Günther (8) chamaram a atenção sôbre
as diferenças de tamanho da placa guiar. Günther emite a hipótese de que
trata-se talvez de uma diferença especifica ou racial. Segundo este autor Chelys
fimbriata seria a forma das Guianas com placa guiar curta, e Chelys matdmata
a forma amazônica com guiar estreita.
Xos exemplares por nós examinados notamos que mesmo em especimens
procedentes da mesma localidade, a variação é enorme encontrando-se formas
de guiar intermediárias aos extremos. Este caracter é pois, sem valor espe-
cifico ou subespecifico e é devido à mera variação individual.
Os índios têm uma técnica interessante para capturar a Matamata. Munidos
de uma flexa. êles exploram o fundo das lagoas, e quando sentem a resistência
da carapaça na ponta da flexa, mergulham e apanham o quelõnio que não
trata de fugir, porém, uma vez preso se agita violentamente projetando tam-
bém a cabeça para frente, emitindo um ruido peculiar. Os índios não comem
a “Wema”; isto talvez seja devido ao cheiro nauseabundo quo este reptil exala.
RESUMO
Uma lista dos quelônios capturados na região central do Brasil e alguns
dados sóbre a biologia das espécies encontradas são dados neste trabalho.
Mem. Ins*. Butantan
24(2) :17S-178, fcr.» 1952
A. R. HOCE
177
ABSTRACT
A list of the chelonians securetl by Bntantan expeditkm at Bananal Island
is given.
BIBLIOGRAFIA
Linnacus, C. — Systema natura 12.* edição, 1 :352, 1766.
Walbaum, — Chclonogr. 122, 1782.
Wagler, J. G. — Sistema amph. 135, 1830.
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Günlhcr, A. — On some rare Rcptiles living in the Socicty s Menagerie.
Boulcnger, G. A. — Catalogue of Chelonians Rhyn. Ampliihians and Crocodiles 1889-
Siebenrock , C. F. — Synopsis rezenten Schildkrõtcn. .
í, | SciELO
*
*
*' ■> In». Bobsun
24(2); 17*214, fcr.- 1952
A. R. HOCE
179
NOTAS ERPETOLÓGICAS
l.o Contribuição ao Conhecimento dos Ofídios do Brasxl Central
Por A. R. HOGE
(Scc ( ão de Ofiohgia do Instituto fíulontan, São Paulo, fírant)
Durante o ano de 19-tS, continuando a série de excursões para colheita dem-
tcrial de estudo, organizamos uma expedição â região da Ilha do Bananal, divisa
do Estado de Goiás com Mato Grosso. A região percomda nunca havia s«l«»
anteriormente estudada scí> o ponto de vista erpetológico.
A única publicarão cais.cn, o é a dc J. R. Hailcv c A. I- dc Carcalbo (10).
descrevendo un» nova espécie dc UftolytUoU. Ufo>yt<M‘ F-
cedente da boca do rio Tapirapé, e registrando a oeorrenen de MuUa KUuber.
A Ilha do Bananal e regiOes adjacentes estão situadas na rona de campos e
cerrados (tropical savanah Av de Kòppcn), e são de acesso relatnamente diltcd
cm virtude do estado primitivo das vias dc comunicação.
MATERIAL E MÉTODOS
O material consiste cm Quclônios, Jacarés, I-accrtilios, Ofídios c Anfíbios,
fixado cm formol a 10#, lavado c guardado cm álcool a 70# com 0,5# dc
glicerina.
Os grandes exemplares dc Quelônios c Jacarés foram taxidemuzados após
terem sido medidos.
Xo presente artigo trataremos sòmente das serjientes.
Técnica dc captura : Os colecionadores de material para museus conhecem as
dificuldades que captura de ofídios oferece, cxcctuando-se as cobras aquaticas.
A captura das serpentes é cm geral acidental e depende grandemente da época
do ano. Na zona da ilha do Bananal, a melhor estação para a coleta dc ma-
terial é durante o período das chuvas, época que os índios c os raros moradores
Entregue para publicação cm 1-II-51.
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
180
XOTAS ERPETOLÓGICAS
da região chamam de inverno, muito embora a estação das chuvas corresponda ao
verão.
Xesta época, quando tudo está inundado, às vezes por várias centenas de
quilómetros, os répteis terrestres se encontram concentrados nos pontos altos,
não atingidos pela inundação.
Xos EE. UU. tem-se usado uma técnica não aplicável no Brasil em geral,
e muito menos ainda nas regiões percorridas pela Expedição, técnica essa que
consiste em percorrer as estradas durante a noite, de automóvel e à pequena
velocidade. O Dr. Klauber, o herpetólogo americano, chegou mesmo a deter-
minar qual a velocidade ótima. Os espécimens assim encontrados são marcados
com as letras D. O. R. (dead on road).
Outro fator que dificulta a captura dos ofidios na região neotrópica é a
ausência de estações bem definidas. Xos paises de inverno rigoroso, os ofidios
são encontrados em grande quantidade na primavera.
O material que conseguimos foi obtido da seguinte maneira:
1 ) encontro acidental ;
2) durante o desmanchamento dos cupins;
3) trazidos pelos índios, muitas vezes em quantidade superior ao colecionado
por nós.
Xos ninhos de térmitas, encontram-se serpentes, laccrtilios, e mesmo mamí-
feros, além de inúmeros insectos, aracnidios e quilópodos.
A captura das cobras, uma vez localizadas, não oferece dificuldade. Merece
menção especial a captura de serpentes do gencro Helicops, de tarde, à margem
dos rios ou nos campos parcialmente inundados, pousadas no fundo, ou em
movimento.
Quanto aos laccrtilios, visto tratar-se na maioria, de formas muito ágeis,
a captura torna-se mais difícil. Consegue-se algum resultado, percorrendo-se
os campos, com os componentes da expedição espalhados com um intervalo de
5 a 10 metros.
Uma técnica que em outros lugares deu excelentes resultados mas que nesse
local falhou, consiste no seguinte: cerca-se o lugar com o maior número possível
de homens disponíveis e inicia-se a limpeza do chão, afugentando-se os especimens
para o centro do cerco, onde são facilmente capturados.
O fracasso dessa técnica foi devido ao fato de estar toda a região inundada
durante grande parte do ano. Quando as águas baixam e o terreno começa
a secar, os anfíbios cavam canais dentro da terra afim de permanecer no ambiente
úmido indispensável à sua vida. É nesses buracos profundos, atingindo às vezes
1,50 m, que se refugiam os especimens de vida á superfície do sólo, durante o-
cèrco.
liem. Tnv. Butantan
24 ( 2 ) :179-214, ter.’ 1952
A. R. HOGE
181
Os exemplares grandes, tais como, Tupinatnbis Icguixin, 7. nigropunctalus
e Iguana iguana, foram mortos a tiros de 22 ou ílexados pelos índios. Dessa
última espécie conseguimos vários exemplares apanhados pelos índios, que os
agarram vivos e os trazem com as patas ligadas por detrás.
A captura das espécies terrestres de Tcstudinata é quase sempre acidental.
As espécies aquáticas são pescadas com anzol sem rebarba, com isca de palmito
(tucum) conforme explicamos detalhadamente em trabalho anterior (32).
Os jacarés foram na maioria aliatidos a tiros de 22 ou 44, quando fóra da
agua, porém, o melhor método consiste cm percorrer os lagos c as lagoas, à noite,
numa pequena ubá. Com lanternas de pilhas |>crcorrc-se a superfície da agua c
localiza-se o jacaré, pelo reflexo da luz nos olhos. Em seguida, aproxima-se
lentamente e arpoa-se o sáurio na nuca. Uma vez arpoado precisa-se atordoá-lo
com violentos golpes na cabeça, afim de evitar que vire a canoa c agrida os
caçadores.
As medidas mencionadas foram, salvo indicação cm contrário, feitas no
material morto e já fixado e as da cabeça feitas com paquímetro.
Relacionamos abaixo diversas espécies de ofídios c a maneira como foram
encontrados:
ESPÉCIE KÚIOTO
Epicrates ccnchria crassus 1205/
Constrictor constrictor amara! i 120al
Eunectes murinus 12260
li clico ps leopardina 12013
Ilclicops poíylepis 12011
Hclicops trivittata 12012
Dryadophit bifossatus villclai sp. n. 12059
Pryadophis bifossatus villclai 123-12
Dryadophis bifossatus villclai 12341
Thalcrophis richardi richardi 12021
Xcnodon merremii 12040
Xcnodon merremii 12022
Xcnodon merremii 12053
Xcnodon merremii ’ 120d0
Y cnodon severus 12027
P seudoboa nemeiedii 12043
Dryophylax pallidus slrigilis 12041
Lygophis paucidens, sp. n. 12016
Oxybclis aeneus aeneus 12025
Bothrops atrox atrox 12046
Bolhrops neuuicdii goyasensis 1204/
LVGAR
dcsmanchamcnto dc cupim
desmancha mento dc cupim
na lagoa, dc dia
pousado no fundo dc um campo inun-
dado
debaixo duma pedra submersa
junto com a 12011
à pouca distancia dum brejo
cm um brejo
cm um brejo
num piquezeiro
des mane ha mento de cupim
no campo cm movimento
no campo em movimento
no campo cm movimento
nadando no Rio Araguaia
perto do acampamento, dc noite, cm
movimento
dc dia. num arbusto, à margem dc um
brejo
no campo em movimento
num arbusto, de dia (informação dum
fndio)
capturado dc dia. no terreiro do S. P. I.
num buraco de cupim, tomando sol
cm
SciEL0 1
182
XOTAS ERPETOLÓGICAS
CL REPTILIA Laurentius, 1/68
Ord. squamata Oppd, 1811
Subord. Serpentes L., 1758
Fam. BOIDAE Gray, 1842
Gen. E pie rat es Wagler, 1830
Epierates cenchria crassus Cope, 1862
Epicrates crassus Cope — Proc. Acad. Xat. Sei. Philadelphia : 349, 1862.
Terra típica: Cadosa, Paraná River.
N.° 12054 9 procedente de Santa Izabel. Capturado cm 18.10.48.
Supralabiais 14-14; infralabiais 14-14; dorsais 45; ventrais 233; subcaudais
40; anal 1 ; comprimento total 1110 mm; cauda 110 mm; cabeça 46,9 mm.
N.° 12057 $ jovem, procedente de Mato Verde. Capturado em 30.9.49.
Supralabiais 12-12; infralabiais 13-13; dorsais 42; ventrais 237; subcaudais
40; anal 1; comprimento total 390 mm; cauda 41 mm; cabeça 19,3 mm. Colo-
rido característico em ambos os exemplares.
Gen. Euncctes Wagler, 1830 .. •
Euncctes murimis (L., 1758)
Boa murina Linnaeus — Syst. Xat. ed. 10, 1 : 215, 1758
Terra típica: América.
N.° 12260 á (pele), procedente dos arredores de S. Felix. Capturado
cm 26.10.48.
Dorsais 62; comprimento total 2040 mm (pele mutilada).
Gen. Constrictor Laurentius, 1768
Constrictor constrictor amarali Stull, 1932
Constrictor constrictor amarali Stull — Oc. Pap. Boston Soc. Xat. Hist. 8:
27, 1932.
Mm . In*. Bntanían
U(T>:179-2U. írr- 19 S2
A. R. HOGK
183
Construtor constrictor constrictor Hogc — Meni. Inst. Butantan 20: 1S3, 1947.
Constrictor constrictor constrictor Vanzolini — Rcv. Bras. Bíol. 8: 381,
1948.
Terra típica: São Paulo, Brasil.
N.° 120Í4, 9 jovem, procedente de S. Felix. Capturado em 26.10.48.
Supralabiais 21-21; infralabiais 25-25; dorsais 77; ventrais 231; anal 1;
subcaudais 48; colorido claro com manchas indistintas no corpo, nitidas na cauda
onde tem uma tonalidade marron-avermclhada ; comprimento total 575 mm;
eauda 62 mm; cabeça 30,4 mm.
N.° 1248 9, procedente de Santa Izabel. Capturado pelo> índios Karajãs
nos arredores do Posto de Proteção aos índios, cm 9.48.
Supralabiais 21-22; infralabiais 19-20; dorsais 78; ventrais 233; anal 1 :
subcaudais 7/7 -f- 35; as manchas dorsais fundidas, formam na parte anterior
do corpo uma lista dorsal escura, c no meio são separadas c situadas latcral-
mente; na parte posterior do corpo elas estão novamente fundidas, esbo-
çando duas listas, uma de cada lado. Colorido c marcas da cauda como no
n.° 12044. Comprimento total 1037 mm; cauda 98 mm; cabeça 51,4 mm.
N.° 12051 8 c 12052 8, procedentes de Santa Izabel. Capturados |»clos
índios em 10.48.
N.»
Sexo
SI
II
D
A
V
Sc
Cab
Corp
Cauda
12051
8
19-19
22-22
77
I
230
50
62,6
1425
175
12052
8
18-19
24-25
77
1
236
46
59,4
1192
171
Fam. coLUBRtDAE Cope, 1886
Subfam. colubki.vak Co|>c, 1893
Gen. H clico ps Waglcr, 1830
Hclicops angulota (L., 1758)
Colubcr angulatus Linnaeus — Syst. Nat. cd. 10, 1: 217, 17 c8.
íerra típica : Asia
N.° 12014 9, procedente de Araguacema (recebida morta) cm 7.11.48.
Temporais 2 3, mesmo as anteriores levemente carinadas ; supralabiais 8-8, a
T. a entrando no òlho; dorsais 19; ventrais 120; anal 1 ; subcaudais 80/80; ventre
vermelho com manchas mais ou menos fusionadas formando barras transversais;
comprimento total 690 mm ; cauda 220 mm ; cabeça 27,3 mm.
cm
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181
XOTAS ERPETOLÓCICAS
N.° 12015 <5 procedente de Mato Verde. Capturado em 21.9.48.
Temporais l-f-3 (esq.) e 2-f3 (dir) ; dorsais 19; ventrais 119; subcaudais
87/87; anal 1-1 ; supralabiais 8-8; infralabiais 9-10; comprimento total 650 mm;
cauda 260 mm (cauda mutilada) ; cabeça 22,3 mm.
Hclicops leoparditia (Schlegel, 1837)
Hotnalopsis leoparditia Schlegel — Phys. Serp. 2 : 358, 1837.
Terra tipica: Desconhecida
N.° 12013 9 procedente de S. Felix. Capturado em 18.10.48.
Supralabiais 8-8; infralabiais 10-10; ventrais 138; subcaudais 54-54; com-
primento total 721 mm; cauda 145 mm; cabeça 30 mm; colorido escuro,
manchas dorsais pouco distintas.
Hclicops polylepis Günther, 1861
Hclicops polylepis Günther — An. & Mag. Nat. Hist. 3, 7: 426, 1861.
Terra tipica: Upper Amazon
N.° 12011 <5 procedente de Araguacema. Capturado em 11.48.
Temporais 1-3 (esq.) e 1-2 (dir.) ; supralabiais 8-8, a 4. a entrando na órbita;
-ventrais 159; subcaudais 54-54 (cauda mutilada); dorsais 23; anal 1-1; com-
primento total 883 mm; cauda 310 mm (c. m.) ; cabeça 26 mm. Colorido cara-
terístico.
Hclicops trhnttata (Gray, 1849)
Myron trivit tatus Gray — Cat col. Sn. :70, 1849.
Terra tipica: Desconhecida
N.° 12012 9 jovem, procedente de Araguacema. Capturado em 11.48.
Temporais 1-2; supralabiais 8-8, a 4. a entrando no òlho; infralabiais 12-12;
ventrais 119, subcaudais 54/54 (cauda mutilada); anal 1-1; comprimento total
175 mm; cauda 45 mm; colorido caraterístico; na frontal tres manchinhas lineares
claras ; as duas estrias laterais começam na região occipital com u'a mancha clara.
Gen. Dryadophis Stuart, 1939
Dryadophis bifossatus idllclai, subsp. nov.
Terra tipica: Santa Izabel, Ilha do Bananal. Estado de Goiás, Brasil
186
XOTAS ERPETOLÓGICAS
Rostral: 9,3 x 6, 7 mm
Xasal: 6,4 x 5,5 mm
Frontal: 11,8 x 7,2 mm
Parietal esquerdo: 13,7 x 8,7 mm
Supraocular esquerdo: 11,3 x 5,6 mm
Supranasal esquerdo: 5,0 x 4,5 mm
Preírontal esquerdo: 7,2 x 6,1 mm
Loreal esquerdo: 5,2 x 3,8 mm
Yentrais 187; subcaudais 92/92 (cauda mutilada); dorsais 15; anal 1-1.
Alotipo: n.° 12342 $ procedente de Mato Verde. Capturado em 25.9.48.
Temporais 2-2; supralabiais 8-8; infralabiais 9-8; ventrais 178; subcaudais
42-42 (cauda mutilada); dorsais 15; anal 1-1; comprimento total 1600 mm;
cauda 245 mm (cauda mutilada) ; comprimento da cabeça 49 mm.
Exemplar melanotieo, desenho dificilmente perceptível, não sendo possível
contar as manchas do corpo sem retirar o “stratus corncmii".
Paratipo: n.° 12341 $ procedente da Ilha do Bananal (X 1). Capturado
cm 1.10.48.
Ventrais 184; sulxraudais 35-35 (cauda mutilada); dorsais 15; anal 1-1;
supralabiais 8-8; infralabiais 10-10; temporais 2-2 e 2-1. Colorido e desenho
como no holotipo. Marcas dorsais 40; comprimento total 1200 mm; cauda
180 mm (cauda mutilada) ; cabeça 47,1 mm.
Gen. S p i l o I c s
Spilolcs pullatus anomalepis Bocourt, 1888
Spilolcs pullatus var. anomalepis Bocourt — Miss Sc. Mex. & Am. Centr. : 685
(tab. 44, fig. 3-4), 1888.
Terra típica: Brésil
N.° 12045 9 procedente de Chrysóstomo e trazida morta pelos indios
Javaés, em 6.10.48.
Supralabiais 7-7, a 5. a Sem contacto com a postocular; infralabiais 8-8;
frenal presente do lado esquerdo (diminuta); Tcmp. 1-1; ventrais 233-1/2;
subcaudais 111-11; anal 1; dorsais 16, 17 no pescoço; comprimento total 2230
mm; cauda 515 mm; cabeça 46,6 mm. O exemplar em questão é um intergrade
entre Spilolcs p. pullatus (L.) e Spilotcs p. anomalepis Bocourt, sendo mais
próximo a êste último.
Mem. Ias*. Bntantan
14(2); 179*214, frr.' 1952
A. R. HOGE
187
Gen. C h ir o n i u s Fiuinger, 1826
Chironius scxcarinatus (Wagler, 1824)
Natrix sexcarínata Wagler — in Spix — Serp. bras. sp. nov. : 35, tab 12, 1824.
Terra típica: ad flumcn Amaxonum
X.° 12055 S , procedente de Fontoura. Capturado cin 17.10.48.
Supralabiais 9-9; iníralabiais 10-11; dorsais 12; ven trais 144; subcaudais
117; anal 1-1 ; comprimento total 965 mm; cauda 320 mm: cabeça 29 mm.
N.° 12056 9, procedente dc Santa Izabel. Capturado cm 15.10.48.
Yentrais 151; subcaudais 115-115; dorsais 12; comprimento total 1020 mm;
cauda 365 mm ; cal>eça 28,3 mm.
Gen. T haterophis Oliver, 1947 .
Thalcrophis richardi richardi (Bory St. Yincent, 1823)
Colubcr richardi Bory St. Yincent — in. Diction class. hist: nat:, .4 : 588, 1823.
Terra tipica: Guyanne.
X.° 12021 9 procedente de Mato Ycrdc, Estado dc Mato Grosso, Brasil,
capturado em 2 7-9-948.
Trata-se de exemplar jovem, jxrtcncciido à iorma com faixas, mencio-
nado por Oliver.
O material disjxmivel não jvermite verificar, como jã o diz Oliver t. Píí-
223) si se trata de uma população isolada dc richardi ou uma outra sulxrspccic.
Dorsais 15; supralabiais 8-8; iníralabiais 9-9, este numero sendo bastante
baixo, porem dentro dos limites previsíveis; subcaudais 141 141, também
ligeiramente inferiores em numero ã variação observada por Oliver, anal 1-1,
comprimento 515 mm.; cauda 100 mm. ; cabeça 13,1 mm.; «lentes maxilares -8.
Gen. Lcimadophis Fiuinger, 1843
Leimadophis a l nt o d a ( M aglcr. 1 824 )
Natrix almada Wagler — in Spix — Serp. Bras. spp. novae: (Natrix alntadcn-
sis na pl. X, fig. 3) 1824.
N.° 12028 9 procedente dc S. Felix. Capturado cm 31.10.48.
X.° 12030 9 procedente dc Araguaccina. Capturado em 20.11.48.
N.° 12042 9 procedente do Tapirapé. Capturado cm 29.9.48.
O exemplar jovem n.° 12012 apresenta o desenho tipico, porém pouco dis-
cm
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188
XOTAS ERPETOLÓGICAS
tinto. Nos exemplares mais velhos, o colorido passa a ser marron oliva escuro,
sem nenhuma mancha no corpo, nem na cabeça, apenas com uma estria clara
longitudinal bem visível na parte posterior do corpo, que se prolonga até a
cauda. Esta estria clara ocorre na 5. a série de dorsais. Ventre claro, averme-
lhado no vivo, com manchas transversais. Trata-se a nosso ver de especimens
pertencentes à espécie identificada como Lcimadophis rcginae, por Dunn (22)
e procedentes da Colombia. Acreditamos tratar-se de uma subespécie nova de
Lcimadophis almada; preferimos, porém, aguardar mais material antes de passar
a descrevê-la.
Lcimadophis poecilogyrus intermedius Amaral, 1944
Lcimadophis poecilogyrus intermedius Amaral — Pap. Av. Dep. Zool. 5(10) :
81, 1944.
Terra típica: Goiás.
N.° 12019 S procedente de M. Verde. Capturado cm 1.10.48.
Dorsais 19; ventrais 156 -f- 1/2; anal 1-1, subcaudais 47-47 ; supralabiais 8;
comprimento total 448 mm; cauda 75 mm; cabeça 18,6 mm.
Dorsais 19; ventrais 152 -(- 1/2; anal 1-1 ; subcaudais 47-47; supralabiais 8;
comprimento total 324 mm; cauda 54 mm; cabeça 15,3 mm.
N.° 12037 9 procedente da Fazenda do S. P. I. em Santa Izabel. Captu-
rado em 17.10.48.
Dorsais 19; ventrais 152; anal 1-1; subcaudais 49-49; supralabiais 7-8;
comprimento do corpo 548 mm; cauda 100 mm; cabeça 23,7 mm.
N.° 12036.
Dorsais 19: ventrais 157; anal 1-1; subcaudais 48-48; supralabiais 8; com-
primento do corpo 517 mm; cauda 88 mm; cabeça 22,1 mm.
N.° 12034 9 procedente Fazenda do S. P. I. em Santa Izabel. Capturado
em 17.10.48.
Dorsais 19; ventrais 159; anal 1-1; subcaudais 45-45; supralabiais 8;
comprimento do corpo 494 mm; cauda 78 mm; cabeça 19,4 mm.
N.° 12033 S procedente de Mato Verde. Capturado em 27.9.48.
Dorsais 19; ventrais 154; anal 1-1; subcaudais 48-48; supra-labiais 8;
comprimento do corpo 519 mm; cauda 90 mm; cabeça 21,3 mm.
N.° 12023 9 procedente de Santa Izabel. Capturado 9.10.48.
Dorsais 19; ventrais 158; anal 1-1; subcaudais 48-48; supra-labiais 8;
comprimento do corpo 553 mm; cauda 95 mm; cabeça 22 mm.
N.° 12032 9 procedente de M. Verde. Capturado em 4.10.48.
Dorsais 19; ventrais 152; anal 1-1; subcaudais 48-48; supralabiais 8;
comprimento do corpo 498 mm; cauda 82 mm; cabeça 20,1 mm.
A. R. HOGE
189
Mon. Inst. Batantan
24(2): 17^214, fer.* 1952
N.° 12031 9 procedente de Santa Izabel. Capturado cni 9.10.48.
Dorsais 19; ventrais 152; subcaudais 45-45; anal 1-1 ; supralabiais 8; com-
primento do corpo 568 mm; cauda 94 mm; cabeça 26,3 mm.
N.° 12017 9 procedente de Santa Izabel. Capturado S. 10.48.
íDorsais 19; ventrais 154; anal 1-1; subcaudais 47-47 ; supralabiais S;
comprimento do corpo 561 mm; cauda 9b mm, cabeça — -b mm.
N.° 12035 9 procedente de M. Verde. Capturado cm 3.9.48.
Dorsais 19; ventrais 153; anal 1-1; subcaudais 46-16; supralabia.s 8;
comprimento do corpo 445 mm ; cauda 76 mm : cal>eça 20,3 mm.
N.° 12029 S procedente de Santa Izabel. Capturado cm 6.10.48.
Dorsais 19; ventrais 155 + 1/2; anal 1-1; subcaudais 46-46; suprala-
biais 8-8; comprimento do corpo 448 mm; cauda 74 mm. calicça 18.4 mm.
N.° 12038 9 procedente de M. Verde. Capturado cm 5.10.48.
Dorsais 19; ventrais 156; anal 1-1; subcaudais 47-47; supralabiais 8; com-
primento do corpo 472 mm ; cauda 79 mm , cabeça 20,3 mm.
N.° 12039 S procedente de Santa Izabel. Capturado em 5.10.48.
Dorsais 19; ventrais 153; anal 1-1; subcaudais 46-46; supralabiais 8; com-
primento do corpo 498 mm; cauda 8b mm; cabeça -1.4 mm.
Todos os exemplares embora pertencentes à cspccic tnlermcdms, aparen-
tam intergradação com a subespécie subfascuita.
Gen. Lygophis Fitzinger, 1843
Lygophis paucidcns, sp. nov.
Terra típica: Mato Verde, Estado de Goiás Brasil.
Tipo: Inst. Butantan. N.° 12016.
Diagnose : - Uma espécie de Lygophis caracterizada por ter somente 10
dentes maxilares.
N.o J20I6 9 procedente de M. Verde. Capturado ent 24.9.48. (pr. IV
''Focinho proeminente; rostral mais larga 4» < &* ^
de cinta; inteirais maia longtn do que largas (17*1.4), um S .^“
que as preiromais. qne são ligeinmtent. tnats longas do que I
4, 5x2,4, um pouco mai, longa do que sua d, s, anca do íoenho mm. cuca do
qne os parietais; nasal dividida; loreal um pouco tnat, longa do qu aha ^n
pré-c dois postocu lares, preocula, atingindo a pane super, or da ;
da frontal; temporais 1+2; 8 supralabiais. 4.» e 5* entrando na orb, ta. 10 m
, , , . . . cm contacto com a mental anterior, que c tao
fralabiais, as quatro pnmeiras cm cuu . 17
i , ventrais 174; anal 1-1; subcaudais 62-6-, dorsais l/.
longa quanto a posterior, ventrais i/-»,
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
190
NOTAS ERPETOI.ÓGICAS
Coloração dc fundo: panlo-bronze, checando, lateralmente, a meio corpo
até metade da 4. a fileira das dorsais. Uma estria escura, de 3'/2 escamas de
largura na cabeça e 4 no corpo, corre da ponta do focinho até a cauda, mar-
ginada por uma linha preta em cada escama da 6. a série de dorsais, de cada
lado dessa faixa dorsal uma outra faixa mais clara, com largura de mais
ou menos tres escamas, marginada, em cima, pela linha preta que a separa
da faixa dorsal, e em baixo por uma linha idêntica correndo na 4 a série dorsal,
delimitando a côr de fundo da cór branca da I a , 2 a , 3. a e metade da 4.* série
dorsais.
As faixas se estendem na cauda, diminuindo gradualmente de largura até
ocupar somente uma só escama. A cabeça possui u’a mancha ocupando a me-
tade das supranasais, as prefrontais, a frontal, parte da supra-ocular, parte das
frontais e estende-se sôbre o corpo, sob a forma de uma faixa longitudinal acima
já descrita.
Outra faixa parte do focinho, atravessa o olho e continua-se no corpo,
contígua a faixa vertebral; infra-labiais brancas; ventre branco; comprimento
total 484 mm; cauda 107 mm; cabeça 15,1 mm.
Externamente a espécie acima descrita é próxima à L. lineal us (L.,
1758), porém, o número muito baixo dos dentes maxilares e o formato diferente
do maxilar, nos inclina a considerá-la espécie distinta. Trata-se possivelmente
da espécie minervoe descrila por Ltnné e considerada sinónimo de lincatus por
Anderson.
Xao tendo examinado o tipo lineano, aguardo as observações com respeito
ao tipo minervae que o Sr. UIí Bergstrõm, do Xaturhistoiiska Riksmuseum, de
Stockholm, se prontificou a enviar-me.
Gen. Lio p h i s Wagler, 1830
Liophis gcnitnaculalus Boettgcr, 1885
Liophis gcnimaculata Boettger — Zeitsch. Ges. Naturw. LVIII: 229, 1885.
X.° 12024 o procedente de Santa Izabel. Capturado em 24.10.48.
Dorsais 17; ventrais 199; subcaudais 66-66; frontal mais larga que as su-
praoculares; supralabiais 8; infralabiais 11 ; anal 1-1 ; comprimento total 330 mm;
cauda 77 mm; cabeça 9,0 mm. Colorido tipico.
Gen. Xcnodon Boie, 1826
Xcnodon merremii (Wagler, 1824)
Ophis merremii Wagler — in Spix — Serp. bras. spp, novae: 47, tab. 17,
1824.
Terra tipica: “ad urbem Bahiae”
192
XOTAS ERPETOLÓGICAS
X.° 12050 ô procedente de M. Verde. Capturado em 9.9.48, por Harald'
Schultz.
Preocular 1 ; postoculares 5 : 2 esquerdas e 3 à direita ; supralabiais 7-7 ;
infralabiais 10-10: 5 pares em contacto com as mentais anteriores; dorsais 19;
ventrais 144; subcaudais 42-42, 5 inteiras; comprimento total 635 mm; cada
113 mm; cabeça 27,7 mm; colorido normal; ventre com duas séries de manchas
escuras.
X.° 12049 9 procedente de Mato Verde. Capturado em 1.10.48.
Supralabiais 7-7; infralabiais 10-10; dorsais 19; ventrais 151; subcaudais
42-42 ; anal dupla ; comprimento total 699 mm ; cauda 97 mm ; cabeça 29,5 mm.
Colorido uniforme: marron acinzentado, sem marcas no corpo, íracamente vi-
síveis na cabeça.
X.° 12022 9 jovem procedente de Santa Izabel. Capturado em 9.9.48.
Supralabiais 7-7; infralabiais 10-10; dorsais 19; ventrais 157; subcaudais
41- 41 ; anal simples; comprimento total 210 mm; cauda 25 mm; cabeça 15 mm;
colorido típico: ventre com uma estria transversal preta em cada escama.
X.° 12040 9 jovem, procedente da Ilha do Bananal (XI). Capturado-
cm 1 . 10.48.
Supralabiais 7-7; infralabiais 10-10; ventrais 140; dorsais 19; subcaudais
49-49; anal dupla; comprimento total 233 mm; cauda 33 mm. cabeça 14,6 mm.
Colorido semelhante ao do exemplar n.° 12022.
X.° 12053 9 procedente de M. Verde. Capturado em 1.10.48.
Supralabiais 7-7; infralabiais 11-11; dorsais 19; ventrais 150; subcaudais
42- 42; anal 1-1; comprimento total 630 mm; cauda 90 mm. Cabeça 30 mm.
Colorido normal, manchas pouco distintas.
Xcnodon severus (L., 1758)
Colubcr severus Linnaeus — Syst. Xat. Ed. 10, 1 : 219, 1758.
Terra tipica: in Asia. (in error)
X.° 12027 9 jovem, procedente de Aruanã. Capturado em 27.8.48.
1 só postocular à esquerda notando-se porém traços de fusão de 3; 3
postuculares à direita; supralabiais 8-8; infralabiais 12-12; dorsais 21; ventrais
129; subcaudais 39-39; anal dupla; comprimento total 230 mm; cauda 32 mm;
cabeça 17,9 mm. Colorido típico.
N.° 12026 9 procedente de Araguacema. Capturado em 10.11.48.
Postoculares 2; supralabiais 8-8; infralabiais 11-11; ventrais 134; subcau-
dais 40-40; anal dupla; comprimento total 370 mm; cauda 50 mm; cabeça-
25,8 mm; Colorido típico.
Mím. I ai. Batintan
24(2); 179-214, ícv.* 1952
A. R. HOCE
1 95-
Subfam. BOIGIX.AE
Gen. Le ptodeira Fitzinger, 1843
Lcptodeira annulata annulata (L., 17 2 S)
Coluber annulatus Linnaeus — Syst. Xat. cd 10, 1 : 224, 1758.
Terra típica: in .America.
N.° 12809 9 procedente de .Aruaná. Capturado cm 14.11.48.
Dorsais 21; ventrais 192; anal 1-1; subcaudais 87-S7; supralabiais 8-8 - ;
infralabiais 10-10; comprimento da cal>eça 107 mm; comprimento do corpo-
290 mm; cauda 72 mm. Um colar nucal branco.
Gen. Pscudoboa Schneider, 1801.
Pscudoboa ntutuitdii (D., B. & D., 1854)
Scylale neuwiedii Duméril, Bibron et Duméril — Erp. Gen. 7: 1001-1002.
1854.
Terra típica: “Cóte Ferme”
12043 : 9 procedente de Sta. Isabel; capturado cm 18-10-48.
Supralabiais 9, em lugar de 8 como cm geral se obscna, infralabiais 8-8,
dorsais 19; ventrais 211; subcaudais 93; comprimento total 1091 mm; cauda
250 mm; cabeça 26,8 mm. Colorido semelhante ao da terceira variedade men-
cionada por Duméril, Bibron et Dumcril.
Pscutoboa rhombifero (D., B. & D., 1854)
Oxyrhopus rhombifer Duméril, Bibron et Duméril — Erp. Gen. 7: 1018, 1SM.
Terra típica: Province de las Corrientes.
N.» 12018 S procedente de Santa Izabel. Capturado em 24.10.4S.
Supralabiais 8-8; infralabiais 9-9; dorsais 19; ventrais 190; subcaudais
68-68; comprimento total 535 mm; cauda 100 mm; anal simples; cabeça l.\S mm.
Colorido típico, salvo nas tres primeiras faixas transversais que são, pnncipal-
mente a 2. a e 3. a , muito mais largas do que as seguintes.
1, | SciELO
194
XOTAS ERPETOLÓGICAS
Gen. T h a m n o d y n a s t c s Wagler, 1830
Thamnodynastes pallidus striyilis (Thunberg, 1787) (*)
Colubcr striyilis Thunberg — Mus. Acad. Upsala 1: 22, 1787.
Terra típica:?
X.° 12041 9, procedente de Santa Izabel. Capturado em 10.10.48.
Yentrais 163; subcaudais 73-73; anal dupla; dorsais 19; supralabiais 8-8;
infralabiais 9-9; comprimento total 357 mm; cauda 94 mm; cabeça 12,9 mm.
Gen. Oxybclis Wagler, 1830
Oxybclis aeneus aeneus (Wagler, 1824) (**)
Dryinus aeneus Wagler — in Spix — Serp. Bras. spp. novae 12, tab 3, 1824.
Terra típica: “Flurnen Solimõens, prope liga”
N.° 12025 9 procedente de Santa Izabel. Capturado cm 20.10.48.
Supralabiais 9-10; infralabiais 9-9; dorsais lisas cm 17; ventrais 186; sub-
caudais 144-144; anal dupla; comprimento total 1175mm; cauda 440 mm; cabeça
29,6 mm. Colorido típico.
Gen. Apostolepis Cope, 1861
Apostolcpis assimilis (Reinhardt, 1861)
Elapomorphus assimilis Reinhardt — Vid. Meddel. Naturh. for Kjõb 235, tab.
IV: 1 _ s (1860) 1861.
Terra típica:
N.° 12324 9 procedente de Santa Izabel. Capturado cm 24.10.48.
Supralabiais 6-6; infralabiais 8-8; ventrais 244: dorsais 15; subcaudais
25-25; comprimento total 636 mm; cauda 46 mm.; cabeça 15,1 mm; Colorido
(*) Estando a fazer urna revisão do gênero e não tendo ainda prontas as conclusões,
deixo de dar uma descrição detalhada, uma vez que o “ status " deste exemplar seja
talvez modificado.
(**) O nome aeneus tem precedência sõbre acuminatus Wied, conforme L. Mueller
demonstrou in Abhand. Senck. Xaturf. Gesel. 14 : 298, 1925.
*
Mcm. Ini*. üatanUn
24 ( 2 ); 179 214. Íít.* 1952
A. R. HOGE
195
típico. A relação do òlho à distancia da boca não concorda com as indicações
de Boulengcr (Cat. Sn. Brit. Mus.) i*>r ser muito menor, porém, a meu ver
êste caracter não é especifico.
Fam. ELAPIDAE Boie. 1827
Subfam. elahxae
Gen. Mi cr urus Waglcr, 1824
Micrurus Icmniscalus ibiboboca (Mcrrcm, 1820)
Ela ps ibiboboca Mcrrcm — Vers. ein. Syst. der Arnph. : 142, 1820.
Terra típica: Brasília.
N.° 12058 9 jovem procedente de Fontoura. Capturado cm 18.10.48.
Supralabiais 7-7; infralabiais 7-7; anal dupla; dorsais 15; ventrats 2 52;
subcaudais 36-36; 14 tríadas no corpo c 2 na cauda; comprimento total 286
min; cauda 22 mm; cabeça 99 mm. Ua mancha negra na região ocipital. Colo-
rido típico.
Fain. CROTALIDAE
Subiam, lacoesinae
Gen. Bothrops Waglcr
Bothrops atrox atrox (L., 1758)
Colubcr atrox Linnaeus — Syst. Xat. ed 10, 1: 222. 17aS.
Terra típica: in Asia.
N.° 12046 9 procedente de Santa IxabeL Capturado cm 6.10.48.
Supralabiais 7-7; infralabiais 10-10; ventrais 203; subcaudais 62-62; anal
simples; comprimento total 547 mm; cauda 91 mm: cabeça 28,6 mm. Colondo
típico.
Bothrops neuuicdii goyasensis Amaral. 192a
Bothrops neutvicdii goyasensis Amaral Contrib. Han. Trop. Biol. &
2: 58, tab. 14, 3,' 15, 1925.
Terra tipica: Ipameri, Estado de Goiás, Brasil.
N.° 12047 9 procedente de Santa Izabcl. Capturado cm 1.10.48.
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
196
NOTAS ERPETOLóUiCAS
Supralabiais 8-8; iníralabiais 9-9; dorsais 23; ventrais 172; subcaudais
44-44; anal dupla; comprimento total 747 mm; cauda 98 mm; cabeça 29,2 mm;
continha 6 embriões. O exemplar não é típico e oferece várias diferenças. A
meu ver o grupo neurtviedii necessita de uma revisão baseada sôbre um maior
número de exemplares, afim de estabelecer-se claramente os limites de dispersão,
da qual resultará sem dúvida a criação de novas subespécies e elevação à cate-
goria de espécie, de outras.
Subfam. crotalinae
Gen. Crotalus Linnaeus, 1758
Crotalus tcrrificus tcrrificus (Laurentius, 1768)
Caudisotia terrífica Laurentius — Syn. Rept. : 93, 1768.
Terra típica: “in America infra gradum elev. 45.”
N.° 12846 S procedente de Mato Verde. Capturado em 1948.
Dorsais 30; ventrais 175; anal 1; subcaudais 28; supralabiais 14-15; in-
fralabiais 17-17; comprimento da cabeça 53,1 mm; comprimento do corpo
1150 mm; cauda 132 mm. Exemplar tipico, da variedade collilincatus indicada
por Amaral (7-a).
XOTAS ECOLÓGICAS
O material estudado nesse trabalho provém duma região dos campos (tro-
pical savanah climate, zona Aw de Kõppen), com uma variação anual oscilando
entre 21,1 e 21,6 graus: variação anual menor que a diária (Haunvitz e Austin).
A precipitação anual varia entre 916 a 932 mm. A altitude varia de 120 até
220 metros, existindo, em alguns lugares, morros isolados de pequena elevação.
A fauna observada confirma a característica da biocinése dos campos, rica
em espécies, porém, pobre em exemplares (Hesse).
Damos em seguida um quadro comparativo sôbre a alimentação dos ofídios,
registrados por Amaral (6), Vanzolini (51) e por nós observada. (Tab. I)
Examinando a Tab. 2 notamos nas formas do cerrado uma predominância
das formas noturnas e subterrâneas sôbre as diurnas, fato indubitavelmente li-
gado às condições peculiares dos campos que se caracteriza por uma forte irra-
diação solar dum lado, e de outro, por não oferecer proteção adequada. Outro
fato dcsfavorábel à vida diurna nos campos e cerrados é a visibilidade aos
inimigos, principalmente as aves, entre as quais convém mencionar particular-
mente a ema, a siriema e algumas espécies de gaviões, todos éles em abundância
na região.
Mtro. Ids!. BoUctan
24(2); 179 214, íer.» 1952
A. R. HOGE
197
Nas formas lacustres e palustres temos uma predominância nítida das for-
mas diurnas, fato que se explica facilmente, uma vez que por seu modo de 'ida,
não são expostos diretamente à irradiação solar, nem e>t.io sujeuos a serem
vitimados pelas aves.
Os maiores inimigos das formas lacustres são o jacaré c as aves grandes,
•como o jaburu, tendo aquele, porém menos oportunidade devido a sua atividade
ser quase exclusivamente noturna.
RESUMO E CONCLUSÕES
Foi estudado material ofiológico recolhido pela Expedição Cientifica Hti-
tantan à Ilha do Bananal, em 1948.
1 — Foram registradas 27 espécies de serpentes, nenhuma das quais ante-
riormente assinaladas para essa região. EIeva-sc pois a o numero total dc
•ofídios conhecidos para essa região.
2 _ Foi corrigida a identificação errada dc Constnctor construtor amarah
feita por A. Hogc e P. E. Vanzolini.
3 - A distribuição geográfica dc Hclicofs polylcpis c //. trivitlota foi
amphada.
4 — Foram descritas duas fôrmas novas dc colubrincos, Dryadoplns btfos-
satus villelai c Lygophis paucidcns.
5 — Foram feitas algumas observações sobre a alimentação c atividade dos
ofídios.
SUMMARY AND CONCLUSIONS
In the present paper is studied a coliection of snakcs made by thc “Butan-
tan Expedition at Bananal Island, 1946 .
1 — 27 species of snakes are registered, no onc of this vvas rccordcd
before from this region ;
2 - correction of the misidentification of Constnctor construtor amoral «
made respectivelv by A. R. Hoge and P. E. ^ anzolini.
3 - the geographic distribution of H clico ps polylcpis and H clico ps trh-it-
tata is greately ampliedí .
4 - description of tvvo new Colubrínac, Dryadophis bifossatus xillcl*
■and Lygophis paucidcns;
5 — Notes on feedings habits and activity of snakes;
1, | SciELO
19S
NOTAS ERPETOLóGICAS
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Mcm. Inü. Butanían
24(2);179-214. icv. m 1952
A. R. HOCE
199
Tabela II
ATIVIDADE
1. Fornias do Cerrado e Campo
DIURNAS
SOTURNAS
Terrestres
('■ida do chão)
Arborícolas
Subterrâneas
Leimadophis almado
Leimadophis poecilogyrus intermedius
Lygophis poucidens
I.iophis genimaculatus
S pilotes pullatus anomaUpis
Chironius sexearinatus
Thalerophis ríehordi richardi
I Oxybelis aeneus aeneus
Apostole pis assimilis
Micnirus lemniscalus ibiboboca
Constrietor eonstríetor amaroli
Epicrstus cenchría crassus
l.eptodeirj annulala annulala
Fsendobcu i neutríedii
fíothrops atrox otrox
1’seudol't m rhombifer
fíothrops ueutríedii goiaxensis
Crotalus terríficas terríficas
Pryophilax pallidus strígilis
2. Fornias Lacustres
DIURNAS
NOTURNAS
Helicops angulata
Helicops leopardina
Helicops polylepis
Helicops trivittata
liuneetes m urinas
3. Formas Palustres
Vida diunia
Dryodophis bifossatus villetai
Xenodon mcrrentii
A 'enodoa sererus
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
200
XOTAS ERPETOLÓGICAS
AGRADECIMENTOS
Aproveitamos a oportunidade para agradecer à F. A. B.
(Força Aérea Brasileira) que nos abasteceu em S. Felix; ao
Exmo. Snr. Governador Jeronimo Coimbra Coelho, pela genti-
lèsa com que nos recebeu e pelo fornecimento da gazolina; ao
Snr. Donatino da Cruz, Diretor do Serviço de Proteção aos
índios (S. P. I.) cuja interferência nos proporcionou a colabo-
ração eficiente do Posto de Santa Izabel; ao Snr. Alberko Soares
chefe do Posto de Santa Izabel e Sua Exma. Esposa, pela sua
amável hospitalidade; ao Snr. Lúcio da Luz; aos componentes da
Expedição, meus sinceros agradecimentos pela eficiente colabo-
ração prestada; ao Sr. J. Tilarico, fotógrafo do Instituto, meus
agradecimentos pelas fotografias.
LOCALIZAÇAO DOS PONTOS DE CAPTURA DO MATERIAL
araguacema — Estado de Goiás. Antiga Santa Maria do Araguaia. Altitude
120 ms. Latitude Sul 9 graus. Longitude W de Greenwich
49.°49’30’
aruanã — Estado de Goiás. Antiga Leopoldina. Margem direita do Rio
Araguaia, na confluência com o Rio Vermelho.
-CHRisósTOMO — Ilha do Bananal. Estado de Goiás. Margem direita do Rio
Araguaia, aproximadamente latidudc Sul 11.°.
fontoüra — Ilha do Bananal. Estado de Goiás. Aproximadamente 30 km ao
norte de Santa Izabel.
Goiânia — Nova capital do Estado de Goiás.
.lagôa dos cavalos — Ilha do Bananal. Estado de Goiás. Situada em frente
a Mato Verde, a uns 15 kms.
mato verde — Estado de Mato Grosso. Fazenda localizada à margem esquerda
do Rio Araguaia, a 60 kms ao norte de Santa Izabel.
santa izabel — Ilha do Bananal. Estado de Goiás. Situada a 5 léguas abaixo
do Rio das Mortes.
são felix — Estado de Mato Grosso. Pequena localidade à margem esquerda
do Rio Araguaia, a 4,5 léguas abaixo da boca do Rio das Mortes.
BIBLIOGRAFIA
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niiBchcnd.r CI..,i(ka.ion *, Sã^bc - V«rf- t»
chenden Zoologic. München, Stuttgart t-nd Tubmgen.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mctn. Insí. Butantan
24(2); 1*9-214, fcv.* 1952
A. R. HOGE
205
PRANCHA 1 (Foto)
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XOTAS ERPETOLóGICAS
206
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M«a. InK. Batantm
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208
XOTAS E5PETOT.ÔCTCAS
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24(2) : 179 214, fev.* 1952
A. R- HOGE
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XOTAS ERPETOLÓGICAS
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24 ( 2 ): 379 214, fcr.* 1952
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Jlem. Inst. Batantan
~2*Í2) ;179-2I«, írr.» 1952
A. R. ilOGE
215
NOTAS ERPETOLÓGI CAS
2. a Contribuição ao conhecimento dos ofídios do Brasil Central
FOR A. R. HOGE
(Da Secção dc Ofiologia do Instituto Butontan, S. Paulo, Brasil).
Recebemos para determinação um pequeno lote dc scqxmtes colecionado
pelo Dr. Helmut Sick, zoólogo da Fundação Urasil Central c depositadas nas
^coleções do Museu Nacional do Rio.
Quase todos os exemplares são procedentes dc Chavantina, no Rio «las
Mortes, Estado de Mato Grosso, Brasil.
Chavantina está localizada cm plena zona dc campos c cerrados. A fauna
-oíídica é a mesma encontrada na região da Ilha do Bananal e do Ron-
cador. Convém notar a ocorrência de Dryadophis boddacrti boddacrti (Sentzcn,
1796) e Hclicofs polylepis Günther, 1861, o que amplia muito a zona de
distribuição conhecida destas espécies.
A maioria dos exemplares consiste em peles c cabeças, o que não permite
•uma medição util.
Gen. H e I i c o p s Wagler, 1830
Helicops polylepis Günther, 1861
diclicops polylepis Günther — Ann. Mag. Nat. Hist. 7 (13): 426, 1861.
Exemplar n.° 64 ? capturada em Chavantina, em 20.11.46.
Dorsais 23, fortemente carinadas; escamas da nuca fortemente carinadas;
ventrais 129; anal 1/1 ; subcaudais 80/80; supralabiais 8, a 4. a entrando no ólho;
mfralabiais 12, as cinco primeiras cm contacto com a mental anterior que c
maior; cabeça 13,0 mm; comprimento do corpo 702 mm; cauda 252 mm; rostral
em contacto com a intemasal; 1 preocular e 2 postoculares ; temporais lado direito
3 + 4; temporais lado esquerdo 2 4-3. Colorido marron oliva com 5 séries
de manchas indistintas no corpo, as externas fundidas com a cor preta das ven-
trais. Ventre oreto com duas séries de manchas brancas.
Entregue para publicação cm 18-11-51.
cm
SciELO
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XOTAS ERPETOLóGICAS
Gen. Dryadoph is Stuart, 1939
Dryadophis boddacrti boddaerti (Sentzen, 1796)
Colubcr boddacrli Sentzen — Meyers Zool. Arch. 2: 59, 1796.
(Pele) exemplar n.° 7 <5 capturado em Chavantina, em 1.10.46. A cabeça
deste exemplar está cortada.
Dorsais 17; ventrais 184; anal?; subcaudais 16 (cauda mutilada); supra-
labiais 9-10, claras, levemente manchadas de cinzento, a 6. a mais alta; 1 pre e 2
postoculares ; iníralabiais 10-10, 1.® par em contacto por trás da sinfisial, 5
pares em contacto com as mentais anteriores que são cerca de metade mais
curtas do que as posteriores ; temporais 2 -f 2 do lado direito, o superior dividido ;
oliva com uma estria lateral na 4. a e metade da 5. a séries de dorsais, desapare-
cendo na cauda. Ventrais claras; a cor do fundo do dorso ocupa cerca de 1/3
de cada lado das ventrais. A cabeça é de cor uniforme em cima; as supra-
labiais, iníralabiais, guiares e ventrais maculadas de cinzento.
Gen. Chironius Fitzinger, 182ó
Chironius cariitalus (L., 1758)
Colubcr carinalus Linnaeus — Syst. Nat. ed. 10, 1 : 2 23, 1758.
(Pele e cabeça ) exemplar n.° 3, 9, capturada em Chavantina, em 30.11.46.
Dorsais 12; 2 vertebrais levcmente carinadas; ventrais 160; anal?; subcau-
dais 99-99; supralabiais 9; iníralabiais 10, cabeça 25,0 mm; comprimento do
corpo 750 mm; cauda 441 mm. Colorido marron claro, passando gradualmente
ao negro na nuca; uma faixa vertebral amarelo claro, bem distinta na nuca
c parte anterior, desaparecendo gradualmente em direção à cauda. O exemplar
corresponde a H. flavolincatus Boettger (Zeit: í. ges. Naturw. 58 : 234, 1885).
(Pele e cabeça) exemplar n.° 95 9 capturada em Chavantina, em 12.1.47.
labiais 9-10; iníralabiais 10/10; cabeça 22,6 mm; comprimento do corpo 590 mm;
cauda 398 mm. Colorido igual ao n.° 3.
Gen. L c i m a d o p h i s Fitzinger, 1843
l-cimadophis almada (Wagler 1824)
Lcimadophis almada Wagler — in Spix — Serp. Brasil, sp. novae, 1824.
Exemplar n.° 106 9 capturada em Chavantina, em 14.2.47.
SciELO
Mrm. In*:. Botanun
24(2): 179-214, fev.* 1952
A. R. HOGE
217
Dorsais 19; ventrais 158; anal 1-1 ; subcaudais 68-08; supralabiais 8-S;
infralabiais 10-10; cabeça 17,6 mm; comprimento do corpo 410 mm; cauda
120 mm. Colorido (em álcool, faltando o stratus córneo) azulado cinza, uni-
forme, com uma estria clara nitida na 5. a série dorsal de cada lado. \ entre
maculado de preto. O exemplar contém seis ovos.
Exemplar n.° 80 & capturado em Chavantma, em 9.2.46.
Dorsais 19; ventrais 180; anal 1-1; subcaudais 77-77; supralabiais 8-8;
infralabiais 10-10; cabeça 13,1 mm; comprimento do coqxi 360 mm; cauda
72 mm.
Exemplar jovem, da mesma cor que o precedente, com as estrias laterais
quase indistintas na parte anterior do corpo, onde se distinguem ainda algumas
manchinhas pretas correspondendo ao desenho primitivo. \ entre avermelhado
com manchas transversais pretas.
Leimadophis regime (I.., 1758)
Colubcr regime Linmeus — Syst. Xat. cd. 10, 1: 219, 1758.
Exemplar n.° 78 9 capturada cm Chavantina, cm 5.12.46.
Dorsais 17; ventrais 146; anal 1-1; subcaudais 83-83; supralabiais 8-8;
infralabiais 10-10; cabeça 17,6 mm; comprimento do coqx» 375 mm; cauda
158 mm.
A especie regime poderá ser dividida em duas raças conforme mostrarei cm
trabalho futuro.
Gcn. Lio ph is Wagler, 1830
Liophis genomeulatus Boettgcr, 1885
Liophis gcnintaculata Boettgcr — Zeitsch. Ges. Xaturw .58 . 229, 1885.
Exemplar n.° 67 9 (exemplar jovem), capturada cm Chavantina, em
22.11.46.
Dorsais 17; ventrais 192; subcaudais 48-48; supralabiais 8-8; infralabiais
8-8 ;anal 1-1: cabeça 11,6 mm; comprimento do corpo 111 mm; cauda 24 mm.
Gen. -V enod on Boie, 1826
Xenodon ttierretnii (Wagler, 1824)
Ophis merremii Wagler — in Spix — Serp. Brasil, sp. novae: 47, tab. 17, 1824.
Exemplar n.° 12 9 (pele), capturada cm Chavantina. em 10.10.46.
I I SciELO
218
XOTAS ERPETOLÓGICAS
Dorsais 19; ventrais 157; anal 1; subcaudais 37-37; supralabiais 7; infra-
labiais 11-10; cabeça 52,8 mm; comprimento do corpo 837 mm (mais ou
menos); cauda 130 mm. Coloração uniforme cinzenta marron; as manchas
transversais não são mais visíveis, porém, esticando a pele lateralmente apare-
cem pequenas manchas brancas na parte externa de algumas escamas (mancha
aguti de Schreiber). Estas manchas esboçam o limite das faixas transversais
primitivas. Cabeça uniforme; labiais superiores manchadas de branco; infra-
labiais brancas com algumas manchas com suturas pretas; 5 iníralabiais em con-
tacto com a mental anterior que é muito mais larga do que a posterior.
Exemplar n.° 70 <3 (pele), capturado em Chavantina, em 30.11.46.
Dorsais 21; ventrais 145; anal 1; subcaudais 48-48; supralabiais 7-7; in-
fralabiais 11-10; cabeça 28,6 mm; comprimento do corpo 540 mm; cauda
120 mm.
Exemplar n.° 81 <3 (pele), capturado em Chavantina, em 12.12.4 6.
Dorsais 19-21; ventrais 153; anal 1; subcaudais 48-48; supralabiais 8-8;
infralabiais 10-10; cabeça?; comprimento do corpo 336 mm; cauda 72 mm.
Exemplar n.° 120 2 capturada em Chavantina, em 18.2.47.
Dorsais 19; ventrais 145; anal 1; subcaudais 48-48, supralabiais 7-7;
infralabiais 8-10; cabeça 29,6 mm; comprimento do corpo 504 mm; cauda 98 mm.
Os exemplares dessa procedência oferecem uma variação interessante: alguns
exemplares tem 21 séries de dorsais ao invez de 19, que é o número típico da
espécie. Examinámos todos os exemplares de Xcnodon merremii do Instituto
Butantan e não encontrámos nem um exemplar com 21 séries de dorsais.
É digno de nota que o número de 21 séries de dorsais em Xcnodon
merremii somente é encontrado em exemplares procedentes do Rio das Mortes,
e além disso, todos os exemplares teem anal inteira, o que raramente se obser-
va em Xcnodon merremii.
Trata-se a meu ver de características peculiares a uma população, não tendo
porém valor subespecifico, a menos que futuramente se encontrasse uma área
onde os exemplares se apresentassem com dorsais em 21 séries e anal inteira.
Neste caso, dever-se-ia considerar os exemplares do Rio das Mortes como per-
tencentes à zona de intergradação.
Xcnodon severus (L., 1758)
Colnbcr severus Linnaeus — Syst. Nat. 1 : 219, 1758.
Exemplar n.° 35 <3 capturado em Chavantina, em 3.11.46.
Dorsais 21; ventrais 136; anal 1-1; subcaudais 38-38; supralabiais 8;
infralabiais 11; 1 pre- e 2 postoculares ; cabeça 21,7 mm; comprimento do
corpo 250 mm; cauda 42 mm.
Mera. Insf. Butactan
24 ( 2 ) :215-224, fnr* 1952
A. R. HOGE
219
Exemplar n.° 39 S capturado em Chavantina, em 19.10.46.
Dorsais 21; ventrais 135; anal 1-1; subcaudais 37-37; supralabiais 8;
infralabiais 11; cabeça 32,9 mm; comprimento do corpo 390 mm; cauda 60 mm.
Exemplar n.° 97 S capturado cm Chavantina, cm 21.1.4/. dorsais 21;
ventrais 115; anal 1/1; subcaudais 40/40; supralabiais 8; infralabiais 10; ca-
beça 17,6 mm; compr. corpo 220 mm ±í cauda 35 mm. Colorido típico nos
tres exemplares.
Exemplar n.° 66 S (pele) capturado em Chavantina, em 2(>-ll-46.
Dorsais 21; ventrais 129; anal 1-1; subcaudais 42-42; supralabiais 9-9;
infralabiais 11-11; cabeça 57,2 mm; comprimento do corpo 103) mm; cauda
180 mm.
Este último exemplar é um espécimen velho c oferece um colorido bastante
diferente do que se observa nos exemplares jovens. O \cmrc c c. , "
oferecendo nenhuma faixa preta tranversal. Quanto ao colorido o orso
é marron escuro, com as manchas difusas. Essa diferença entre o colondo do
exemplar jovem e o velho, já havia sido observada por Gomes.
Gcn. Iman Iodes Dumcril, 1853
Iiiiantodes eenchoo (L-, 1/58)
Colubcr cenchoa Linnacus — Syst. Nat. cd. 10, 1: 226, 1/58.
Exemplar n.° 98 <5 capturado cm Chavantina, em 21.2.4/.
Dorsais 17, vertebral muito aumentada; ventrais 259 ; anal 1-1; subcaudais
159; supralabiais 8, a 4.* e 5. a entrando no olho; infralabiais . -rca ma
alta do que longa; 1 pre- e 2 postoailares ; cabeça 19,1 mm; comprimento do
corpo 745 mm; cauda 335 mm.
Gen. P seu dobo a Schneider, 1801
Pscudoboo rhombifero (D., B. ct D., 1854)
Oxyrhcpus ,h,mbif t r Duméril, Bibron et Duméril - Erp. Gcn. 7: 1018. 1854.
Exemplar n.° 96 S capturado em Chavantina, cm .'0.1.4.
Dorsais 19; ventrais ISO; anal 1; subcaudais 77-77; suptalabims 8; mbra-
labiais 10; cabeç, 17,5 nuu; comprimento do corpo 405 "™; cauda
Colorido típico; 21 íatxas transversais no corpo e 15 na cama, .
apresentam com pontos pretos.
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
220
XOTAS ERPETOLÓC.ICAS
Exemplar n.° 84 9 capturada em Chavantina. em 19.2.46.
Dorsais 19; ventrais 177; anal 1; subcaudais 64-64; supralabiais 8, a 4. a
e 5. a entrando no òlho; infralabiais 10,5 a cm contacto com as mentais anteriores;
cabeça 17,8 mm; comprimento do corpo 500 mm; cauda 115 mm; 18 faixas
transversais no dorso; escamas com ponta preta; cauda 10 faixas; ventre
imaculado.
Pscudolwa guerini ( D., 13. et D., 1854)
Rlmiosoiiius guerini Duméril, Bibron et Duméril — Erp. Gén. 7: 991, tab. 72.
1854.
Exemplar n.° 89 <5 (pele e cabeça), capturado em Chavantina. em 26. 12.47.
Dorsais 19; dentes maxilares 132; ventrais 193; anal 1; subcaudais 74-74;
supralabiais 8, a 4 a e 5. a entrando no òlho; infralabiais 9, 4 pares em contacto
com as mentais anteriores que são um pouco maiores que as posteriores; cabeça
21,4 mm; comprimento do corj>c 380 mm (mais ou menos); cauda 179 mm;
1 pre e - postoculares : prefrontais entrando na órbita; loreal um pouco mais
longa do que alta; temporais 2 + 3. Coloração quase preta no dorso, mais
clara nos flancos; ventre claro.
Gen. P hil o d r y a s Wagler. 1 830
Philodryas nattereri Steindachner, 1870
Phúodryas nallcreri Steindachner — S’B. Akad. Wiss. Wien 62 : 345, tab. 7,
1-3, 1870.
Exemplar n.° 14 A (exemplar jovem), capturado em Chavantina, em
11.11.46.
Dorsais 21: ventrais 203: anal 1: sultcaudais 170-170;' supralabiais 8; in-
fralabiais 11 ; cal>eça 13.9 mm; comprimento do corj>o 280 mm; cauda 110 mm.
Colorido: dorso marrou acinzentado, um jxhico mais claro «los lados; labiais
su)>eriorcs brancas, orladas de preto embaixo; uma faixa escura lateral, na nasai
através do olho. estreitando-se na nuca e indo desaparecer gradualmente na altura
da 25 a a 27 a escama ventral. Cantus rostralis marcado por uma linha branca
até a nuca; infralabiais escuras com algumas manchas brancas; esta coloração
vái até a 25* ventral «>nde desaparece por completo. Um ponto preto em cada
ventral (no contacto da ventral com a I a dorsal), formando uma estria de
cada lado das ventrais; a estria vái desaparecendo até a parte posterior.
Exemplar n.° 103 A capturado em Chavantina. cm 22.1.47.
Mem. In«. BotanUn A- R * HOGE
2d(2):215-224. frr.» 1952
Dorsais 21; ven trais 144; anal 1; subcaudais 121-121: supralabiais S, a 4. a
e 5.® entrando no ôlho; infralabiais 12; cabeça 15,3 mm; comprimento do corpo
280 mm; cauda 110 mm. Colorido idêntico ao exemplar n.° 14.
Phüodryas olfcrsü (Lichtenstein, 1823)
Colubcr olfcrsii Lichtenstein — Yerz. Doubl.; 104, 1823.
Exemplar 44 <S capturado em Chavantina, em 1.10.46.
Dorsais 19; ventrais 180; anal 1-1; subcaudais 99-99; supralabuus / -8;
infralabiais 11-11; cabeça ?; comprimento do corpo 375 mm; cauda 140 mm.
Gen. Ta n til la Baird ct Girard, 1853
Tantilla melanoccphala (L., 1758)
Colubcr inclanoccplialus Linnaeus — Syst. Xnt.. cd. 10. 1. 218. 17...
Exemplar n.° 75 <5 (exemplar jovem), capturado em Chavantina, em
2. 12.46.
Dorsais 15; ventrais 146; anal 1-1; subcaudais 6666; supralalnaw 7-/;
infralabiais 6-6; cabeça 13,5 mm; comprimento do coq» 183 mm: cauda /I mm.
Gen. Apostole pis Cope, 1 861
Apostolepis assiiiiilis (Kcinhardt, 1860)
Elapomorphus assimüis Reinhardt — Vid. Meddel. Xaturh. for. Kjõb: 235,
tal». 4: 1-5. (1860) 1861.
Exemplar n.° 121 ? capturada em Aragarças. E'tad»» de ( ' , " as - - ,n '
neiro dc 47.
Dorsais 15: ve.un.is 255 + 2 1/2: anal dividida; mhcauda.» 24-4: mqua-
labiais 6, a 2.» e 55 entrando no ôlho. a 5.* cm contacto com a l-nctal.
infralabiais 5, sendo a 5* maior: mentais anteriores c postrnores pa pK
focinho ligeirameme projetado; ôlho pequeno, diamet,.. tptal a ma dts attm
ate os bordos da boca: rostral tnais larga do qne alta. vtstvd dc cm-:
mais longa do tpte larga, tão longa quanto a sua distancia ao a 1 n a
c mais curta qne os ,»rie,ais: nasal não cm cmuac.o com a jmtoJ
postocular. Coloração vermelha descorada no dorso: cabeça preta sc|ntra.l.
do pescoço ,,ue tambén. é preto extendedo-se ate a acc ventral onde se
fusiona um íolar branco: 42 c parte da 52 snprt.lal.uts brancas: nu
cauda preta; face vcntrtd brtmca. Comprimento do corpo 550 mm. cauda
27 mm; cabeça 9,5 mm.
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
222
XOTAS ERPETOL6GICAS
Gen. B o thr o p s Wagler, 1824
Bothrops atrox (L., 1758)
Colubcr atrox Linnaeus — Syst. Xat., ed. 10, 1 : 222, 1758.
Exemplar n.° 65-A 2 capturada em Chavantina, em 21.11.46.
Dorsais 25; ventrais 201; anal 1; subcaudais 60-60; supralabiais 7-7; in-
fralabiais 9-9; cabeça 49,6 mm; comprimento do corpo 974 mm; cauda 166 mm.
Exemplar n.° 65-B 2 (jovem) capturada em Chavantina, em 21.11.46.
Dorsais 25; ventrais 195; anal 1; subcaudais 56-56; supralabiais 7-7; in-
fralabiais 10-10; cabeça 15,8 mm; comprimento do corpo 225 mm; cauda 37 mm.
Exemplar n.° 65-C S (jovem) capturado em Chavantina, em 21.11.46.
Dorsais 25; ventrais 198; anal 1 ; subcaudais 63-63; supralabiais 7-7; infra-
labiais 9-10; cabeça 16,0 mm; comprimento do corpo 228 mm; cauda 31 mm.
Exemplar n.° 65-E S (jovem) capturado em Chavantina, em 21.11.46.
Dorsais 25; ventrais 199; anal 1; subcaudais 59-59; supralabiais 7-7; infra-
labiais 9-10; cabeça 16, o mm; comprimento do corpo 228 mm; cauda 31 mm.
Exemplar n.° 65-E <5 (jovem) capturado em Chavantina, em 21.11.46.
'Dorsais 25 ; ventrais 197 ; anal 1 ; subcaudais 62-62 ; supralabiais 7-7 ; in-
fralabiais 8-10; cabeça 14,9 mm; comprimento do corpo 215 mm; cauda 36 mm.
Exemplar n.° 33 2 (pele e cabeça) capturada em Chavantina, em 26.10.46.
Dorsais 33; ventrais 194; subcaudais 61-61; anal 1; supralabiais 7-7: in-
fralabiais 10-10; cabeça 34,3 mm; comprimento do corpo 855 mm; cauda
133 mm.
Exemplar n.° 4 2 (pele) capturada em Chavantina, em 30.10.46.
Dorsais 25; ventrais 179: anal?; supralabiais?; subcaudais 48-48; infra-
labiais?; cabeça?; comprimento do corpo 810 mm; cauda 119 mm.
Gen. Crotalus Linnaeus, 1758
Crotalus tcrrificus terríficas (Laurentius, 1768)
Caudisona terrífica Laurentius — Syn. Rept. : 93, 1768.
Exemplar n.° 62 á capturado em Chavantina, em 21.11.46.
Dorsais 29; ventrais 172; anal 1-1; subcaudais 27; 5 segmentos no crepita-
culum; supralabiais 13-15; infralabiais 15; cabeça 31,5 mm; comprimento do
corpo 760 mm; cauda 85 mm.
Exemplar n.° 102 2 (pele e cabeça) capturada em Chavantina, em 22.1.47.
Dorsais 30; ventrais 179; anal 1; subcaudais 22 -j- 3 duplas; 6 segmentos
no crepitaculum ; supralabiais 12-8; infralabiais 17; cabeça 42,0 mm; compri-
mento do corpo 800 mm; cauda 90 mm. O exemplar corresponde à variedade^
eollUineatus Amaral.
Mm. Ins*. ButanUn
24 ( 2 ) :215-224, fr*-.* 1952
A. R. HOGE
225 -
resumo
Descrição dos ofidios colecionados pelo Dr. Helmuth Sick, da lundaçao
Brasil Central, na região do Rio das Mortes, Estado <k Matto Grosso, Brasi .
Esta região foi até o momento pouco estudada no ponto <lc \i>ta crpeto ( í, lco -
abstract
A description of the Snakes collected by Dr. Helmuth Sick. írom the
“Fundação Brasil Central ', in the near of the Rio das Mortes. State of Matto
Grosso, Brazil, is given. Up to date there are only a few papers dcahng
with the Herpetology of this Country.
ZUSAMMENFASSUXG
Eine Beschretbung der von Dr. Helmut Sick von die “Fundação Brasil
Central”, in der Nahe von Rio das Mortes. Staat Matto Grosso. HraMl.cn,
gesammelten Schlangen ist wiedergegehn, Dic Gegcnd i?t is lcu c
auf Herpetologie noch schr wcnig durchgcarbcitct " or cn -
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SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
224
XOTAS ERPETOLÔGICAS
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lÍMTj. In**. Butaman
24(2) :225-230. fev.» 195Í
A. R. IIOCE
225
SN A K ES FROM THE U AU PÉS KEGIOK
bv A. R. HOGE
( Department of Ophioloffy, Hutanlan Instituis. S. 1‘oulo-Hrasil)
The following notes are based on a few s|>ceimctis collcctcd by Dr. Iv.
Biocca, in thc Uatipés — Tiquiè region, State of Amazonas, Brazil.
Drytnarchon corais corais (Boie, 1827)
Coluber corais Boie — Isis: 537, 1827
Tvpe Locality : America
A single specimen (skin) collcctcd at thc Uquié river. Dorsais 17; \en-
trals 222; anal?; caudais?; upper labiais 8-8. 4th and 5th entering thc cye.
The color is dark — brown anteriorly, ycllowish postcriorly; bellj jellowish-
white; total lcngth ( tail inj.) 2360 mm..
Tltalcrophis richarJi nigromarginatus (Günther, 1866)
Ahactulla iiit/roinanjinata Günther — Ann. & Mag. Xat. Hist., 18 (3) . -* s . lSlrfi.
Typc locality : Upjier Amazon.
A single specimen a <5 ; intemasals a littlc shorter than pracírontals ;
frontal 1,5 longcr as deep, as long as thc parietais; lorcal absent; pracírontals
in contact with the 2nd, 3rd and 4th upperlabiak; upper labiais 9. whit.sh,
cdged with black posteriorly; nasais elongated. divided: ventrals 165 . caudais
162-162: scales in 15 rows, thc vertebral row smooth; thc Ist j»ara vertebral
row faintly keeled at midbodv; the colour is dark c.xccpt in thc anterior part
of belly. Green in life (inf. Dr. Biocca).
Receivrfl for publication on Fctmnry 2 - 4. IW.
cm
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226
SNAKES FROM THE UAUPÉS REGIO.V
Xenodon severus (L., 1758)
Colubcr severus Linnaeus — Syst. Nat. ed. 10, 1 : 219, 1758.
Type locality: Asia (in error)
A single specimen (skin) ; I’am rather reluctant to identify this specimen
as severus — and since I have only a single skin, I have to wait for more
specimens before classifying it as a new species.
Rostral twice as large as deep; intemasals as long as broad; frontal as
broad as long, shorter than its distance from the rostral; loreal deeper than long;
l prae-and 2 postoculars; 8 upperlabials, 4th and 5th entering the eye; 6 lower
labiais in contact with the anterior chin sbields which are a little longer than
the posterior; ventrals 45; scales in 21 rows. The crossbands are very indis-
tinct and belly yellowish white. I never saw a similar pattem in severus from
others localities. Length of body 1320 mm., tail (inj.) 60 mm..
Dugandia bicincta (Hermann, 1804)
Coluber bicinctus Hermann — Obs. Zool.: 276, 1804.
Type locality?
A single specimen (skin) ; upper labiais 8, anterior chin-shields a little
shorter than the posterior; frontal as broad as long; internasals much shorter
than praefrontals; ventrals 180; caudais 40 -f- n ; scales in 19 series. Length
of body 1500 mm.; tail 70 mm. (inj.).
Bothrops hyoprora Amaral, 1935
Bothrops hyoprora Amaral — Mem. Inst. Butantan 9: 222, 1935.
Type locality: La Pedrera, Colombia.
A single $ specimen, collected in the region betwecn Tiquiè and Uaupés
rivers.
This specimen which is the first collected in Brazil was described in Boi.
Mus. E. Goeldi 10 (22) : 329, 1948 by A. R. Hoge.
ABSTRACT
An annoted list of a few specimens of snakes collected between the Tiquiè
and Uaupés rivers, Amazonas, Brazil, is given. The following species are re-
Mm. I n V . Butantan
2t(2):225-230, fev.* 1952
A. R. HOGE
227
corded : Drymarchon corais corais (Boie. 1S27), Thalcrofhis richardii nigro-
marginatus (Günther, 1866), Xcr.odon severus (L., 1758), Dugandia bictncla
(Hermann, 1804) and Bothrops hyoprora Amaral, 1935, which is the íirst spe-
cimen collected in Brazil.
BIBLIOGRAFIA
Gunther, A. — Ann. & Mag. Nat. Hist. 18, (3) :28, 1866.
Hermann — Obs. Zool. :276, 1804 (m Boulenger L c).
Linnaeus, G. — Systcma Naturac ed. 10, 1:219, l/;8.
Amaral, A. do — Mcm. Instituto Butantan 9: 222, 19-'-'’.
Boie — Isis: 537, 1827 (w Boulengcr Cat. Sn. Brit. Mus. 2:31, 1S94
í, | SciELO
15
M em. Inst. BsUnlan
2«(2):2JI.2J6, fer.* 1952
A. R. HOCE
231
NOTAS ERPETOLÓGIGAS
Revalidação dc Bothrops lanceolata ( I-aci /■< di »
Po» A. R. HOGE
{Secção de Ofiotogia. IhsIíIuIo fíntanton. São l'aulo. Ilrotil)
Em 1789 Lacépèdc descreveu Colubcr lanceolalus, bascando-sc cm dois
exemplares com 228 c 225 ventrais, 61 c 59 subcaudais. respectivamcnte. pro-
cedentes de Martinique. Lacépéde dá como distribuição geográfica a ilha
de Martinique e possivelmente Cayennc ou Guadeloupe. lou M r no se
catálogo considera Cophias jararaca Wied - como sinónimo dc lanceolalus.
Barbour demonstra que a “Fer dc Lance” é restrita a ilha dc Martinique.
Gomes parece ceptico quanto à identificação da Jararaca 001,1 a “| >CCK
ccolalus : " a jararaca que. ao menos provisoriamente, continuo a identificar como
lanceolalus".
Amaral (5) identifica a “Jararaca” Lachcsis jararaca (Wied) como cs|*c.e
distinta dc lanceolalus.
Mais tarde Amaral (6) coloca lanceolalus na sinonimia dc alrox.
Referindo-se à espécie lanceolalus de Ucépcdc ele escreve ' this s|*c.c>
is very poorly figured by Lacépcde's publication. it is a stnct «jmonym of «hc
Linnéan alrox." , , .
Vellard publica um desenho de hemipenis dc lanceolalus da . lanimca c
demonstra que é diferente do de alrox. Comem, porem, no ar que
confrontou os exemplares do centro do Brasil, os quais, como mostrarei cm pu-
blicação futura, não são alrox típicos.
Tive ocasião de comparar a figura de Vellard com hemipenis de exemplares
típicos de alrox, procedentes da Guyana Francesa e constate, que o hemipenis
destes exemplares não se afasta do tipo dc alrox figurado por \ cllard.
Desde a publicação de -Amaral sobre a sinonimia de lanceotatus «m >
todos os autores têm seguido Amaral, passando a especic tipo de Bothrops
alrox.
Trata-se, porem, de duas espécies distmetas como demonstraremos:
Entregue para publicação cm 24-11-52.
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232
XOTAS ERPETOLÓGICAS
Heinipcnis : fusiforme e com espinhos fortes e recurvados em lanccolatus.
(Fig. 1 — apud Vellard)
Em forma de dedal em atrox (Fig. 2)
Carcnas: Longas e baixas em lanccolatus e altas e curtas em atrcx.
Colorido: Amarelado em lanccolatus e acinzentado a cinza avermelhado em
atrox.
V entrais: O número de ventrais deixa de ter muita importância uma vez
que os caracteres hemipenianos por si sós já são suficientes para separar
as duas espécies. Xo atrox temos 193 a 220 e em lanccolatus 217 a 240.
• O ligeiro “overlapping” não é significativo e provavelmente não haveria
nem “overlapping” si se considerasse o factor sexo, comparando sómente
exemplares de sexo igual. Também convem notar que os exemplares de
atrox com número de ventrais elevado são do México e pertencem à subspe-
specie asper de Garman. Dcrsais: 23 a 29 em atrox e 31-33 em lanccolatus.
Distribuição geográfica: B. lanccolata sómente conhecida da Ilha da
Martinica.
RESUMO
Bothrops lanccolata (Lacép.) é distinta de B. atrox (L.) e se distingue
desta última pelos caracteres hemipenianos, a forma das carenas, o número de
•dorsais e de ventrais. Bothrops lanccolata é especie distinta, porem próxima
de Bothrops jararaca.
ABSTRACT
Bothrops lanccolata (Lacép.) can be easily distinguished from Bothrops
* atrox (L.) by the hemipenian characters, the shape of the keels and the
higher number of dorsal and ventral scales. Bothrops lanccolata is distinct
from Bothrops jararaca, but closely related to it.
BIBLIOGRAFIA
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2<(2):’JI-2Jo, íct.' 1952
a. r. imx:e
233
Fm. I
Hcmtj>cnis de Bclkrcfi Um.ev.aU i.1f J VtllJid.)
Fie. II íFrfo)
Hemipeni» de Batkraft alnu
í, | SciELO
SciELO
XOTAS ER PETO LÓGICAS
Fic. IV (Foto)
Bothrofj lanccolata
(Vista ventral)
cm
10 11 12 13 14 15
cm
Fig. V (Foto)
Cabeça de Bothrofs lanttolata
O ista IaUraJ, dorsal c viatral)
NOTAS KRPETOLÓGICAS
10 11 12 13 14 15
Mm. Inst. Botantac
24(2) :237-240, wit.* l v : -
A. R- HOGF.
237
NOTAS erpetolôgicas
.Ancnalia no Upiiose c /.■pntm/t.fõo i" «como» *"»* rm B ' í 1 ””” *
B. altemata
roR A. R. HOGE
(Scccão dc Ojiologia do Instituto Bnlonton. São Paulo. Brosü)
Durante a manipulação do material oriotógico da coleção do Imtimto
Bulantan tiremos nossa atenção chamada para «m 'cemplar de B.,«rumr«
(Wied ,1824), que apresentava um aspecto particular. cri i. "
mente, essa anomalia, em outros exemplares. julgamos otd relatar o tato.
Bothrofs jararaca (Wied, 1824)
N o 4414 9 procedente dc Pilar. Estado de São Paulo. Brasil. Capturado
em 26-6-1929. ... ....
\ 'entrais »»; anal 1; subcaudais 50-50; dorsais 2/; intrala bai. 1-lli
supra labiais 9-8; comprimento do corpo 100.1 mm; cauda 126 mm (cauda
Iada) ; cabeça 44,3 mm.
As escamas dorsais, principalmente no meio do corpo, apresentam ' »
arredondada e não lanceolada. como nos exemplares típicos. . ca ' -.
observada comumente, pois, não alcança a ponta da c.-camn. ^ " '
mais larga. As nntreas tipicas são obliteradas por manchas 1^ “ ”"°™
localiradas na ponta de cada dorsal. O conjunto dessas anomalta, dao-llte um
aspecto inteinunente diverso do normal.
N.° 3767 9 sem procedência. .
Dorsais 25; veotrais 189; anal I ; subcandais 55-55 icupralabianfr^mta;
labiais 11-11 ; comprimento da cabeça 52.5 mm; comprimento do corpo 650 .
comprimento do corpo 630 mm: cauda 70 mm (c. m.).
Mesmas observações que as observadas no exemplar n" 4414, notando,
apenas que a carena em algumas de suas escamas, atinge a |k . ..
N.o 6068 4 procedente de Santa Rita do Extrema. Minas Gera». Bra .1,
Capturado em 13-2-31.
Entregue para publicação cni 18-X-51-
cm
SciELO
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238
XOTAS EKPETOLôGICAS
Dorsais 25; ventrais 192; anal 1; subcaudais 62-62; supralabiais 8-8; infra-
labiais 10-11; comprimento cia cabeça 37,3 mm; coq>o 725 mm; cauda 105 mm
(c. m.).
Neste exemplar, a forma arredondada das escamas é menos acentuada cjue
nos precedentes. Também a mancha na ponta da escama é menor. Dessa ma-
neira as marcas típicas da espécie são mais pronunciadas que nos exemplares
acima.
Bothrops alternata (Duméril. Hibron et Duméril, 1854)
X.° 7673 9 procedente de Cosmópolis, Estado de São Paulo, Rrasií.
Capturado de 12-9-1932.
Dorsais 30; ventrais 162; anal 1; subcaudais ?; supralabiais 8-9; infra-
labiais 12-12; comprimento da cabeça 33.5 mm; corpo 645 mm; cauda
10 mm (c. m.).
Mesmas anomalias que as observadas no exemplar X.° 4414.
RESUMO
Foi observada a ocorrência duma anomalia no formato e pigmentação das
escamas dorsais, cm duas esjiécics diferentes. É interessante notar que a forma
arredondada das escamas e a mancha escura na ponta das mesmas parecem
rclacionar-sc. Sabemos que a pigmentação cutânea é determinada po rgcns que.
sofrendo influências de gens modificadores, são responsáveis pela intensificação
ou diminuição dessa pigmentação.
Sabemos pelos traüialhos de Amaral e de Schreilier que as pigmentações
mclamcas se manifestam tardiamente nas espécies de Bothrops. Poderia,
portanto, no caso aqui discutido, tratar-se de um melanismo “secundário”, porém,
e pouco provável, uma vez que a pigmentação vai de par com uma forma
peculiar das escamas dorsais. Forma essa que indubitàvelmente não jxxle estar
sujeita a variações numa fase posterior à da queratinização, que se opera na
fase embrionária.
I arece-nos, pois, tratar-se duma anomalia primária da pigmentação.
ZUS A M M EX FASSUXG
In zwei verschiedenen Spezies wurden Anomalien in Forni und Pigmenta-
tion der Rõckenschuppen beobachtet. Es ist interessam festzustellen, dass die
rundliche Forni und der dunkle Fleck am Ende der Schuppen in Beziehung
stehen. Es ist bekannt, dass die Hautpigmentation durch Gene bestimmt wird.
welche durch den Einfluss von Yerãnderungsgenen für die Yerstarkung oder
Yermindenmg dieser Pigmentation verantwortlich sind .
Mcm. In*!. Butantan
W2) OS7-2W, „it.- 1952
A. K. HOCE
239
Aus den Arbeíten AmaraTs uiitl Schreilier s ist bekannt. das' sich dic
melanischen íãrbungeii verspãtet bei der Sjtczics von holhrofs ausw irkcn.
Es konnte sich also in dem hier lteschridtencn bali um sckundãrcn .Melamsmus
handeln, was alier wenig wahrsclieinlich ist, da dic Fàrbung parallcl zur bcson*
dem Fonn der Küchkenschupi>en geht. Diesc borm kann ohnc Zwciícl kcincn
V erãndenmgen nach der Qucratinisationsphasc, wclchc sich im embnonãrcn
Stadium abspielt, unterliegen.
Aus diesem (jrund scheint es sich um ciuc primãre Auomalic der I igmcnta-
tion zu handeln.
BIBLIOGRAFIA
Amaral, A. — On tlic Variation oí dorsal markinRs in Bolhroft jararaca ( \\ icd. 1^-4).
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Piracicaba, São Paulo, 1949).
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mem. In». Butantan
2«(2):2-ll-244, fcv.* 1952
A- R. HOCE
241
NOTAS ERPETOLÓGICAS
Uvta turra subspccic de Lcimadophis rcginac
ros A. R. HOGE
(Da Sec(ão de O/iologia do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
Lcimadophis regime macuhcauda, sbsp. n.
Diagnose: Uma subspccic «!c Leiinadophis reginae (L.) 1 caracterizada
por ter cauda maior, subcaudais maculadas, ausência de manchas laterais na parte
anterior do corpo, manchas das ventrais anteriores sempre presentes e colorido
muito mais claro.
Txpo — Uma femea adulta n.° 9606 na coleção do Instituto Ilutantan,
recebida em 12-11-1936.
Dentes maxilares 24. separados por um espaço grande de «luas presas, não
sulcadas; rostral mais larga do que alta; suptanasais tão longas quanto largas
mais curtas do que as prefrontais que são tão longas quanto largas, frontais mais
longas do que largas, igual a sua distancia da ponta do focinho, mais curta do
que as parietais e maior do que a sutura entre os parietais; supra oailarcs mais
longas do que largas e mais estreitas posteriormente : nasal dividida mais longa
do que alta ; loreal mais alta do que longa, rectangular. cm contato com a nasal
posterior, prefrontal, preocular c as 2. 1 c 3. a labiais superiores . 1 prcocular cs
treita e alta: 2 postoculares, sendo a superior cerca de duas vezes mais alta
do que a inferior; temporais 1-2, sendo a l. a muito mais longa do que alta,
8 supralabiais, sendo que a 4 a c 5 a entram na orbita: 10 infralabiats. sendo
a 6 a e 7 a maiores; 5 infralabiais em contato com a sintisial antenor <jue c
levemente mais curta do que a posterior; pupila redonda: olho grande, diâmetro
igual a sua distancia da narina; dorsais em 17-17-15, lisas com fossetas apiedares,
ventrais 152, subcaudais 80/80; anal 1/1 ; comprimento do corpo 560 mm. cauda
220 mm, cabeça 24,0 mm.
Colorido — Esverdeado no terqo anterior do corpo (Hcllcborc Green PI
23 L 3), passando gradualmente ao oliva escuro (PI. 24 A5) na parte I" ''tenor.
Cabeça levemente mais escura do que o corpo. A còr esverdeada «lo corpo
Entregue para publxação ent 24-11-52.
1, | SciELO
242
*
NOTAS ETiPETOLóGICAS
Lcimadophis reginac maculicauda
Typo p jaratifos i-roc rd entes de S. Paulo
Número
Sexo
Data
Procedência
314
5
10-1913
Maninho Prado
1.313
6
8-1917
Franca
458
V
4-1914
Jatajr
10.213
$
17-10-1941
Toriba
8.452
9
2- 3-1934
Taquarítinga
7.549
9
21-10.1932
Taquarítinga
9.012
s
2*. 1-1935
I.uiz Barreto
9.556
ê
13-10-1936
Krsaca
10.333
<$
5-10-1942
Toriba
5.777
ê
23- 2-1931
Vila liofn Fim
10.291
a
2- 2-1942
Toriba
7.138
9
30-11-1932
Cerqueira César
6.340
9
28- 6-1933
Bauru
2.653
a
2.10-1931
Rclwdouro
6.426
a
Franca
*57
s
1-1915
Leme
5.946
a
20- 4-1931
Taquarítinga
8.123
9
25-10-1933
Agua Vermelha
6.283
9
14- 9-1931
Conde do Pinhal
5.945
9
20- 4-1931
Itoin
5.633
9
26- 1-1931
Brotas
1.597
9
6-1918
Boa IvqicTança
5.933
9
22- 4.1931
Itotú
9.323
9
9 11-1935
São Si mão
9.367
9
8-11-1935
Engenheiro Ribas
6.602
9
23-11-1931
Rtf«cd«»uro
6.551
a
18-11-1931
Ceniueira César
10.211
9
29- 9-1941
Marcnndêsia
5.920
9
10- 4.1931
Itofaa
364
9
1-1914
Santa Erncstina
5.6*7
á
13- 2 1913
Cajurú
7.472
9
2-11-1932
Itnbi
1.297
9
5-1917
Araraquara
4.565
24-10-192*
Araraquara
5.561
a
22-12-1930
Pedro Alexandrino
10.330
9
8- 6-1942
Toriba
10.527
á
13-10.1944
Grania
341
9
3- 1 1930
Roberto Stenhac
359
9
21- 3-1938
Faveiro
5.764
a
11-1913
Taquarítinga
5.039
9
1-1940
Fazenda S. CarIo«
9956
9
23- 2-1931
Aracangra
6.535
9
16-111931
1 rabi grui
440
9
2-1914
Batatais
8.843
9
23-11-1934
Cabralha
5.881
9
23- 3.1931
llcbi
1.256
a
4-1917
Mogtm Mirim
5.961
9
20- 4-1931
Taquarítinga
5.751
9
16- 2 1931
1 M
10.212
a
10-10-1941
Monjolinho
6.326
9
25- 9-1931
Ha uni
2.660
9
12-1914
leme
10.043
9
1- J- 1939
Pirassununga
546
S
4-1914
Restinga
9.852
9
18-10-1937
Oescalvado
1.361
9
10-1917
Franca
SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
Ura. In*T. Bntantan NOCIE 243
24(2) £41-244, ícv.* 1*3 2
estcnde-se até as ventrais onde ocupa unta largura igual à cia l. a serie <le dorsais.
Uma faixa estreita e preta nas suturas entre as supralabiais c a nasal posterior,
loreal, preoatlar e olho, atravessando cm seguida as 6 a c 7 a supralabiais. I nu
faixa vertebral ligeiramente mais escura da largura de tres dorsais no coqto c
duas na cauda. Lateralmente uma estria escura na 3. a serie de dorsais no
corpo e na I a e na 2. a da cauda. Esta estria lateral e pouco nitida na jurte
anterior e fortemente pronunciada na jurte jx>sterior c na cauda. A scrii de
dorsais formando a faixa vertebral tem as escamas margeadas (na jurte antero
pleural), jx,r uma manchinha amarela cór de céra prindpabnnitc visível • nas
duas series externas. Ventrais cinza claro na jurte anterior, aproximadamente
ate a 50. a ventral, da I a júra triu passa gradualmente ao amarelo ara (Wax
Y Pl. 11, 14 ) coloração que se jtrolottga ate a ponta cia cauda. Uma mancha
preta lateral cm cada ventral, alternando geralmente com a da ventral anterior,
porem às vezes tem duas manchas fusionadas numa só ventral. Cauda amarela
em luixo fortemente saljiicada de cinzento escuro.
Observações — A Leimadophis reginae niaeulieanda jurece atingir maior
comprimento do que a L. reginae. Ela c encontrada nos estados dc I aranã e
São Paulo.
Encontramos restos de rãs ( Lepiodactylus sp.) em alguns exemplares. Ela
prefere os lugares úmidos ,<crto dos brejos. Não tem dimorí.smo sexual no
número de ventrais nem no comprimento da cauda.
Dunn (2) considerou Leimadofhit atmadt i (Wagter) como sinónima dc
Lcimadophts reginae (L.), todavia não clã as razoo <|tic o impelcni a c A
na sinonimia; trata-se jiorem dc csjxrcies I>em distintas.
RKStMO
E’ descrita a subespécie nova Uimadophis reginae maeMsauda. A sulces-
jiecie nova distingue-se dc /.. reginae reginae jxt ter cauda iu.u> r. . u xau
maculadas, ausência de manchas laterais na jurte anterior do corpo e colondo
mais claro.
ABSTRACT
Descrlption of a new subspedes LemadafUis reginae maeulieanda. The
new subspedes differs from Leimadofhis reginae reginae (!-•) V a h-nger
caudais largely spotted with dark. the lateral markings of the anterior jurt o
body fails completely a lichtercolour, and a stouter body.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
2-44
XOTAS ERPETOLÓGICAS
ZUSAMMEXFASSUXG
Beschreibung einer neufln Unterart Leimadophis reginae maculicauda
D.e nueue Unterart unterscheidet sich von L. reginae reginae durch folgende-
Merkniale ; Lãnger Schwanz, reichliche grauschwarze Tüpfelung der Schwanz
unterseite, fehlen der seitlichen Zeichnnungen am Forderrumpf, und eine
leichter Farbung.
BIBLIOGRAFIA
Maerss, A. & Paul M. R. — Dictionary oi Color. 1930. — Dunn E. R. — A revision of
the . S lOT,b ' an snakcs of the «mera Leimadophis, Lygophis, Liophis, Rhadinae r
and / lioccrcus, with a note on Colombian Coniophancs.
SciELO
Mrm. Inst. Batantan
24(2) 245-26», ícv > 195’
A. R. HOGE
245
NOTES OX LYGOPHIS FITZIXGER
Rnalidation of Kc o subsfecies
bv A. R- HOGE
( Ofhioloijical Section of Butantan hutitulc, São Paulo, Brasil)
INTRODUCTION
A revision of thc genus Lygophis Fiuingcr tnust await thc accumulation
of greater number of specimcns than arc now available in lhe collcctions "í
Butantan Institute and others.
In the course of the revision of thc Lygophis in thc Butantan collcctions
hco fonns have come to our attention. Sincc Amaral s rcvicw on thc sti>jcct,
thesc forais have bccn considercd lineatus synonyms. In this |w]>cr, on thc
basis of observation of a greater number of specimcns. we revalidate and redes-
cribe those forais.
HISTORICAL
While the lOth edition (1758) of Linnacuss Systenia Naturac (33) is lhe
oldest valid refcrence, the consultation of oldcr Linnaeus j»apcr mkIi a . lus.
Ad. Frid. (32), etc., bccomes indispensable on account of t!»e mcomplctcncss of
his discriptions. . .
In all Linnaeus descriptions of Coluber lineatus and C nunenae , he g.ve
no details, but we can consider the species C. mine™ synonyn. of C. lineatus.
as will lie apparent from thc data and literaturc presented in t t> |upcr.
Daubenton 1784 (13) also mentions Coluber lineatus (I did not rcad this
paper, but I follow the authors).
Gmelin 1788 (21) repeats Linnaeus descriptions. but while omittmg thc
species minervae, he describes another one. the Coluber atralus. Howcver,
Boulenger (9) showcd that C. atralus is a pro parte lineatus.
Lacépède 1799 (28) refercd to C. lineatus and C. minervae and gave a
brief description of thesc species. In the newest editions of Lacépède. works
this descriptions remains un-niodiíicd and agrees with lineatus
Receivcd foi publication on Frbruary 24, 19;2.
I, | SciELO
246
XOTES OX LYGOPHIS FITZIXCER
I -íitreillc 1802 (30) cites lhe species liiicalus iinder the naine of La Raieé
(not seen).
I had no possibilite of Consulting the works of Shaw 180 2 (40 1 and
Daudin 1804 (14). In this connection, I foi lo w the authors and consider their
lineal us identical with lineal us L.
Fitzinger 1826 (19) cites briefly the species Colnber lineal us L. and C.
tninervac L. and considers their habitat as unknown. This is in contradiction
wnh Lmnaeus’ statement of Asia and Indiis respectivdy.
Ctivier 1829 (12) places the species C. atralus and C. Icrlineatus, Lacépède
m the synonymy of linealus. It should l»e noted however, that is a pro parle
atralus and not a strict synonym of linealus.
M errem 1820 (35) puts the sjiecies linealus and inincrvac in the gentis
Natrir while considering C. atralus synonym of jaculatus.
Schlegel 1837 ( 42) gives a full description of speámens received from
Surinain. He correctly ascribes theni to the species linealus L. and includes
this species in the gentis Herpelodryas. But in his pajier he also mentions other
specimens which he assumes to have come from Brazil and calls "zvricté de
clnnat this can l»e lietter seen from the quotation given bellow;
"Lc Brcsil produit une jolic varicté de dimat de cet Iirpetodrxas, qui notts
a été addressé des musces de Vienne et de Berlin sons les noms de Colnber
channssoni et moniliger. Les individus sont en tout analogties a ceux dtt
. urinam excepté qu’ils ont trois raies nioins distinctes. interrompues et compo-
sées dun grand nombre de taches, partiatliérement sur les Ixtrds des raies
ce qui en augmente le nonfl.re du double. Us écailles sont souvent bordées
de noir.”
However, lack of Information concerntng the exact habitai of the Iattes
specimens makes it impossible to identify them safely to any specimens or subspe-
cies posteriorly descnbed. Probably they belonged to the sjiecies later descrílied
by Schenkel as variety tncridionalis.
Fitzinger 1943 (20) created the gentis Lygophis indicating Herpetodrxas
linealus Schlegel as genotype of the new gentis. This could lead us to consider
Lygophis linealus Fitzinger as pro parts lineatis. and tncridionalis. Yet his indi-
cat.on of Schlegel as the author of the species might well be a slip very frequent
in his epoch. It is probably more convenient. thereíore. to consider Schlegel's
Herpelodryas linealus Fitzinger as identical to Colnber linealus Linnaeus.
Duméril 1853 (15) created the gentis Dronticus in which he included the st>e-
cies linealus citing also Schlegel and not Linnaeus as the author of the species.
Dumeril. Bibron Duméril 1854 (16) presented a redescription of Dronticus
linealus m which they mix true. northem. linealus with spedmens coming
rom Santa Cruz (probably Paraguay). But Boulenger showed alreadv
SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
Mcm. Tn«. Butantan
24(’l ’45-2..S. fcv.” 1952
A. K. IIOCE
247
that the Santa Cruz iot bdongs to Uophis genimaculats. (>11 page < 0 / «*t
volume 7 oí " Erpetologie Génerale". Duméril et al. (16) mcntion also lhe
so called varie! é de clima! , previously descrilicd bjr Schlegd. Me should thc-
refore consider Dromieus lineais D., B. et D. a* a compound of Lygophu
lineais (L.), Lytjophis lineais var. meridionalis (Scbenkd) and l.wplns <je-
nimaculatus Boettger.
Günther; 1858 (23) identifies as lineais a s|>ecic> that Boulengcr latcr
proved to he Uophis parvifrons.
Coj>e, 1862 (10) descri bes the two new species flavif renais and dilcpts.
He also inentions the sjiecics lineatus. but in that rc>j»ect 1 "dl sh<>\\
pajicr that his lineais sperimens belong to thc var. meridional, s Schcnkcl.
Keinhardt and Lõthe inentions. Guianas. Brazil, Guaiaquil and México as
range of Lvgophis lineatus. Their speciniens wcre probably a coni|>ouml oi
Lygophis lineatus (L.). from Guianas and Brazil. and Lygophs ddcp.s iro».
Guaiaquil. Thesc from México should belong to another genns. probol.lv
Conophis. — *
Jan. 1867 ( 25) produce a figore corcctly Hknl.íied as hneains (1. i-
MÕIler, 1878 (36) idenlilies as «ronrirn* t» Suriname and Mcxican
speciniens. Akhongh he was corrcc. lo lhe Snrinamesc. he «as »n»S
as ,o thc Mcxican specimo» which shnnld heha» ■" lhe s, tec.cs Ca-aflu,
lineatus.
Boulenger, 1894 (9) puts dilepis in the synonyn.y of lineais.
Peracca, 1895 ( 38) makcs an excellent rcdescrip.ion oí thc
He also mentions Aporophis lineais, but according to lu> <>''»
should var. meridionalis descrilied later h\ Schenke . . ... .
Itoutenger, 1896 (9, reconsidera his opininn o( 18W and accep.s agan,
as valid species. , . . .
Boeder, 1898 (7) ci.es the s,tecies /tas/rm.(.« and hneatn, and nKhnng
in the lattcr. spedmOS CS»*» * ..
ilerp 1899 hrieiely tnention» .1- «■«* ditefi, and fUnnfrena,.,.
Anderssonn, 1900 (5) in his revision oi ünnaean retlesenhe^ W
oí lineatus and slH.tvs ,ha. CoMer nri.moe ,s a amorno, oi i.uea, ...
Schenke!. .900 (42) descrito Afareis lineatus var. -nrrid.,
Lindholm, 1902 (31) klen.ities correc.lv spechncns o( l.neatus.
Gomes, 1918 (22). identiíies corrcc.lv lineatus 1..
MõUer. 1928 (37) descrito lhe ol d**«
1, I SciELO
248
NOTES ON LYGOPHIS FITZIXGER
lineatus lativittatus should be included therefore in the synonymy of Lygophis
dilcpis Cope.
Amaral, 1929 (2) considers as synonyms the species Lygophis lineatus (L.),
Aporophis lineatus var. meridionalis, A. lineatus lativittatus and Lygophis
dilepis.
The specimens which were classified by Amaral, 1934 (3) as lineatus
belong probably to the species dilcpis which is revalidated in this paper.
Hoge (24) describes a new species, L. paucidens.
The bibliografhical analysis and the comparative of the Lygophis material
of the Butantan Institute lead us to the conclusion of the validity of six forms
occuring in Brazil. These can be divided into two grotips. The first possessing
scales in 17 rows includes the species Lygophis flavifrenatus Cope, Lygophis
amoenus Jan and Lygophis paucidens Hoge. The second group possesses scales
in 19 rows and includes Lygophis lineatus (Z..), Lygophis dilepis Cope and
Lygophis lineatus meridionales (Schenkel).
The species of the first group are well characterized and do not need íurther
discussion.
As regards the second group the following comments are needed. Cope
based his Lygophis dilcpis on the presence of 2 preoculares, shorter tail, broader
lateral bands, while his lineatus (which this paper wil prouve to be meridionalis)
has 1 proecular, longcr tail and narrower lateral bands. However if we compare
topotypes of our collection of Lygophis dilcpis with the type specimen of
Lygophis lineatus and with specimens of typical lineatus írom Frendi Guiana
(Brazilian border Iine), we can see that the only difterence between the two
species is the presence of larger, not constricted at the neck, lateral bands in
Lygophis dilcpis. Cope‘s observation of a shorter tail in the dilepis as comparcd
to the lineatus species is probably due to the fact that his confounded the species
meridionalis and lineatus. And his reinark of two preoculars in dilcpis could be
due to an anomaly. It should also be noted that the Crossing of the lateral band
could simulate a division of the preocular.
The variety meridionalis must be considered as a valid silbspecies. This is
indicated by the presence of discontinued lateral band ; ventrals with black lateral
spots ; first, second, third and fourth paraventrals with black edges ; longer tail ;
and a fewer number of teeth.
This paper shows therefore that dilepis Cope and meridionalis Schenkel
are valid forms.
AU these forms are easely distinguished on the characters givin in the follo-
wing synopsis.
M rn:_ Inst. BntanUn
24 ( 2 ) :245-26S, fcv.» 1952
A. R- HOCE
249
SYXOPSIS OF THE BRAZtUAS SPECIES
I — Scales in 19 series.
A. Three distinct dark streaks. not intcr-
rupted on the neck; the lth, 2lh, 3th
and 4th series of dorsal scales white
or nearly white:
1 — lateral strcak > 1 scale
wide on the body (much
larger on the hcad) (pl- I
fjg lincalus lincalus
2 — lateral strcak 3 or inorc
scales wide (pl. I, íig- 2) Uneotus ditepis
B. Three indistinct dark bands, inter-
rupted on the neck ; lateral scales hca-
vely dotted with hlack: ventrals with
a lateral serie of hlack spots (pl. I,
lincalus ineridionalis
f'g- 3)
II — Scales in 17 series.
A. Max. tecth more than 10
1 — Ventrals 157-178: pattem
and colour near meridio-
nalis (pl. I. íig- 5)
2 _ Ventrals 137-143; uni-
fomi dark with a serie of
whitish spots on the 3th
or 4th series of scales
(pl. I. fig- 4 )
B. Max. teeth 10: pattem ncarthcsc of
dilepis
flaxifrcnatus
ainoenus
f-aucidens
Genus Lygophis Fitzingcr, 1824
Lvgofhis lincalus Hncatus (1-. 17.'8»
1758 Colubcr lincalus Linnaeus — Syst. Xat. < 10) /:221
1758 Colubcr minervae Linnaeus — 1. c. 22 /
l I SciELO
15
250
NOTES OX LYGOPHIS FITZIXGER
1766 Colubcr lineal us Linnaeus — Syst. Xat. ( 1 ] j 7:382
1766 Colubcr niincnvc Linnaeus — 1. c. 388
1784 Colubcr lineatus Daubenton — Quadr. Ovip. Serpens: 668
1788 Colubcr alratus Gmelin — Syst. Xat. ( 13) :1 103 (pro parte)
1788 Colubcr lineatus Gmelin — 1. c. 1104
1789 Colubcr lineatus (La Rayée) Lacéjiède — Hist. Xat. Serp. 2:215
1789 Colubcr iaculus Lacépède — 1. c. 23 (pro parte)
1802 Colubcr jaculatrix Latreille — Rept. 4:173
1802 Colubcr lineatus Shaw — Gen. zool. 3:529
1802 Colubcr jaculatrix Shaw — 1. c. 3:536
1803 Colubcr lineatus Daudin — Hist. Xat. Rq»t. 7:25 (pro parte)
1803 Colubcr jaculatrix iDaudin — 1. c. 53
1803 Colubcr alratus Daudin — 1. c. 86 (pro parte?)
1820 Colubcr ( natrix ) lineatus Merreni — Yers. Syst. Amph. 112
1826 Colubcr lineatus Fitzingcr — X. Cias. Rept 58
1826 Colubcr niincnvc Fitzinger — 1. c. 57
1826 Colubcr terlineatus Lacépède — Oeuvres du Conte de Lacétíède 4 • 106
e 304
1826 Colubcr niincnvc Lacépède — 1. c. 96
1826 Colubcr jaculus Lacépède — 1. c. 108 e 371
1832 Colubcr lineatus Lacépède — Oeuvres du Conte de Lacépède 4 : (2) 154
1832 Colubcr lineatus Lacépède — Serpens 3: (1) 318
1832 Colubcr ( natrix ) niincnvc Lacépède — 1. c. 144 4: (2)
1832 Colubcr jaculatrix Lacéj>ède — 1. c. 238
1837 Hcrpctrodryas lineatus Schlegel — Phys. Serp. 2:191 e 7:153 (pro jurte)
18a3 Dronticus lineatus Duméril — Prodr. Class. Ophid.
1854 Dromicus lineatus Duméril. Bibron et Duméril — Erp. Gén. 7:655 (pro
parte)
1858 Dromicus lineatus Günther — Cat. 134 (pro parte)
1863 Lygophis lineatus Reinhardt et Lütke — Bidrag til. Vestind. Xat. Foren
\ idensk. mcddel. 10 ( pro parte)
1882 Dromicus lineatus Fischer — Arch. f. Xat. 285.
1885 Aporophis lineatus Cope — Proc. Ac. Philadelphia 76
1867 Dromicus lineatus Cope — Proc. Ac. Philadelphia 76
1867 Dromicus lineatus Jan — Icon. Gén. Ophid. 24, pi. 6. fig. 1
1894 Aporophis lineatus Boulenger — Cat. Sn. Brit. Mus. 2:158 (pro parte)
1899 Aporophis lineatus Anderson — Bih. till. K. Sv. Yet. Akad. Handlin-
26: (4)
1930 Lygophis lineatus Amaral — Metn. Inst. Butantan 7:169 (pro parte)
1936 Lygophis lineatus Amaral — Mem. Inst. Butantan 10: 112.
Typc locality — Asia (in errore )
SciELO
Mm. In«‘. Butantan
202 j I45-I6Í. fev.* 1952
A. R. IIOGE
251
Range : Guianas aiul adjaccnt territory, Brazil — Antapa territory,
Aniazon and Pará States
Xante: Jararaca listada, Brazil; Red-striped Snake. English
Body slender ; rostral as broad or broader tha» deej»; visible from al-«vc;
ínternasals shorter than praefrontals wohich are as long'as broad ; frontal narrow,
narrowlv separeted from the pracocular : supraoculars longer than lus distancc t rom
the end of the snout, as long or a Iittlc shorter than the parietais. wohich are tw.ee
as long as broad: nasal divided, in contact with the 1 th. and -th. up|>crlabial» ,
loreal as deep or a little deqxr tlian long. in contact with 2th. and 3th. up|*r!a-
bials; 1 praeocular reaching the ttpper suriacc of the head; eyc moderate: |*>s-
toculars 2; temporais 1+2. lth. in contact with the 2 postoculars Mb. an<I ' th.
upper labiais wohich are longer ttlia.n deep; supra labiais 8, (, th. largcr Ullow 1 \ » r
labiais 9-10; 5 Iower labiais (or six?) in contact with the anterior chm-sbields,
wohich are as long or longer than the postenor ; anal dhicled, scalcN in 1 r .
A clark brown vertebral lond extends from the supranasals through the
praefrontals. the frontal and internai Iwrder oí the supraoculars. the jianctn *.
throughout the body occuping 3 scales and thehalves of the adjacent row l*lk>w.
A dark lateral line (Iess one scale wi.Ie on the body) extends ín«i the
loreal and j«ss through the eyc (where he is broader) tothe end of the ta.!,
(pi. II.
1862
1863
1885
1894
1894
1895
1896
1899
1928
1929
1934
1936
1944
Lygophis lineal ti s dilepis Cojic. 1862
.ygophis dilepis Cope - Proc. Ac. Xat. Sc. Philadelphia 81 348
.ygophis lincatus Reinhardt et Lütke - Nat. Foren. \ tdenslc pro
arte
ygophis dilepis Co]>c — In. Anter. Philos. Soc. _2:I9I
\porophis lincatus Boulenger — Ann. & Mas- Nat - Hl * ‘ 0 * .
porophis lincatus Boulenger - Cat. Sn. Bri. Mus. 2:158 (pro I»rtc)
porophis dilepis Peracca - Boll. Mus. Zool. Ana, . Tor.no 10 (195) tl 5
porophis dilepis Boulenger - Cat. Sn. Brit. Mus.
porophis dilepis Berg - An. Mus. Xac Buenos A,res2:I8
porophis lincatus latrrittatus Müllcr Zoo\. An/. ' ‘y*
ygophis lincatus An, arai - Mc,n. Inst. Butantan 4 : 20 19
ygophis lincatus Amaral - Mrra. Inst. Butantan *:186
ygophis lincatus Amaral - Mem. Inst. Butantan 10: (pro ,«ric)
ygophis lincatus Dunn — Caldas ia _ . ( 10) 48 1
ypc locallitv — Paraguay
ange : From Rio Grande do Norte, Brazil throughout Mato Grosso
and Paraguav to Nortcr Argentina
1, | SciELO
25 *
NOTES OS LYGOPHIS FITZIXGER
Name: Jararaca listada, Brazil.
Body slender ; rostral broader than deep; just visiblc from above; intema-
sals as broad as long; frontal nearly twice as long as broad, longer than his
distance from the end of snout, as long or a Iittle longer than the parietais; nasal
divided: loreal as long as deep; 1 proeocular, visible from above; postoculars
2, supenor deeper than inferior; temporais 1-2; upper tt>ials 8; lower labiais
0 (exceptionaly 9 or 8) ; scales in 19 rows; ventrals 169-178 ( <J ) and 159-180
( S ) ; anal divided ; caudais 66-85.
For pattem and colour, see original description
Lygophis lineatus mcridionalis (Schenkel, 1900)
1S37 Herpctodryas lineatus Schlegel — Phys. Serp. 2:153 (pro parte)
18f 3 Herpctodryas lincatiis Duméril — Prod. class. ophid. 2:81 (pro parte)
18a4 Dromicus lineatus Duméril, Bibron et Duméril — Erp. Gen. 7:655 (pro
parte)
1895 Aporophis lineatus Peracca — Boll. Mus. êool. Anat. Torino 10:17 (pro
parte)
1900 Aporophis lineatus var. mcridionalis Schenkel — Verh. Ges. Basel 13:160
1929 Lygophis lineatus Amaral — Mem. Inst. Butantan 4:19
1934 Lygophis lineatus Amaral — Mem. Inst. Butantan 4:19
1936 Lygophis lineatus Amaral — Mem. Inst. Butantan 10: (pro parte)
Typc locality — Paraguay
Range: Paraguay, Southern Brazil, norther Argentina
Name: Jararaca listada (Brazil)
For details see original description.
\ entrais 162-184 (in 9 ) and 162-179 (in <$ ) caudais 71-88.
Lygophis flavifrcnatus Cope, 1862
!?? Lygophis flavifrcnatus Cope — Proc. Ac. Nat. Sc. Philadelphia : 80
lb67 Dromicus amabilis Jan — Icon. Gén. 24. pl. 5, fig. 2
1885 Aporophis flavifrcnatus Cope — Proc. Am. Phil. Soc. 22:191
Dromicus flavifrcnatus Boulenger — Ann. & Mag. Nat. Hist. (5) 73:433
i<-78 Aporophis flavifrcnatus Boettger — Kat. Seckn. 2:65
1894 Aporophis flavifrcnatus Boulenger — Cat. Sn. Brit. Mus. 2:158
1S99 Aporophis flavifrcnatus Berg — Ann. Mus. Nac. Buenos Aires 2:19
1.36 Lygophis flarnfrcnatus Amaral — Mem. Inst. Butantan 10:
Typc locality — “Rio Vermejo Region”
Range: Paraguay. Argentine and Southern Brazil as far north as State
São Paido.
SciELO
Mem. In»t. Batanun
24(2):24S-Í6S, íev- 195’
A. R. HOCE
253
Natne : Jararaca listada (Brazil)
Upper labiais 8 (except. 9-7) Iower labiais 10 (cxcqit. 9) : vcntrals
151-170 (in 9 ) and 149-161 (in <J ) ; caudais 68-90.
See original description.
Lygophis amocnus (Jan, 1863)
1863 Enicognathus amocnus Jan — Arch. Zool. Anat. Phys. 2 :27 0
1866 Enicognathus amocnus Jan — Icon. Gcn. 16, pl. 2, fig. 1
1894 Aporophis amocnus Boulcngcr — Cat. Sn. Brit. Mus. 2: 160
1929 Lygophis amocnus Amaral — Mem. Inst. Butantan 7:169
1936 Lygophis amocnus Amaral — Mem. Inst. Butantan 10:
Typc locality: unknown
Range: From statc oí Paraná through .São Paulo as far north as State
of Rio de Janeiro
Namc : ?
Rostral broader than dcep, just visiblc from above; intcmasals as long or
nearly as long as broad; pracfrontals as long as broad. a littlc longer than thc
inteniasals, frontal twice as long as broad, longer than its distance from the cml
of snout, shorter than thc parietais (Boulcngcr gives, "as long as thc parietais") ;
loreal dccper than long; 1 prae and 2 postoculars; temporais 1-2; upper la-
biais 8, 4th or 5th (or 3th, 4th and 5th) entering thc eye; Iower labiais; Iower
labiais in contact with tbc anterior chin-shiclds which are sltorter than thc pos-
terior; scales in 17 rows ventrals 139-151, subcaudals / 2-93 ; anal divided;
olive brown or dark Grevish olive aibove; a dark vertebral l>and. visible only on
the posterior half of the third (or 2th, or 2th and 3th) lateral row of scales
with two lateral witish spots (Boulcngcr gives “with a round white sjx>t in thc
middle") ; a narrow dark streak on each sitie of the hcad. passing through (or
below) the eye; upper labiais witish. sometimes mottled with grey. \ entrais
white with a round black dot on each side ( 6 ) or largcly mottlcd with hlack ( 9 ).
Both males and females have chin tubercles. Hic males have supracloacal
íubercles. Ventrals 139-144 ( $ ) ; 143-151 ( 9 ) : caudais 72-93.
Lygophis paucidcns Hoge. 1952
See original description pg.
In the original description there was some doubt on thc possiblc synonymy
with C. mincrvac L., but I have examined the photographs and receivcil ol»er-
•vation on the type specimen. So I now ant able to assign C. minenve to the
synonymy of C. lincatus L. : Lygophis paucidcns is a distinct spccics.
1, | SciELO
List of L) gopliis i)i Iiutantan Collcclion
254
XOTES OX LYGOPHIS FITZIXGER
Mcm, I n st. Buupt^n
24U):-’45 ícV 195.
A. K. IIOUE
255
cm
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10 11 12 13 14 15 16
Lygophis f lainf renal us Cope
(Locality : State Paraná)
Mrm. Inít. Bamba
S4(2):245-26í. fer.» 1952
a. r Hcx;r.
257
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1, | SciELO
Lygophis lincalus lincalus
'Frendi Guyana)
258
XOTES OX LYGOPHIS FITZIXOER
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2 3 4
5 6 SciELO 10 2.1 12 13 14 15
Mcm.
M<2):
Inst. BuTanUn
245-26*, frv.* 1952
A- R HOC.E
lygophis lineal us ntcridionalis (Schcnkcl)
XOTES OX LYGOPHIS FITZJXGER
SciELO
15
262
NOTES ON LYGOPMS FITZIXGER
ACKXOWLEDGMEXTS
I ain indebted to Dr. I lf Bergstrõin for notes on. and photographs of the
type specinien of C. lineatus L. and C. minervae L. preserved in the Xaturisto-
riska Riksmuseum in Stockholm. to Messrs. J. Cavalheiro and F. Cavalheiro for
scale counts, and to Mr. Seixas for photographs.
SUMMARY
A hrief discussion on f Brazilian Lygophis fonns is presented. Following
forins are arísed froni the synonytny of lineatus: L. lineatus d Hep is Cope and L.
lineatus meridionalis Schenkel. Only subspeciíic rank was assigned to this fonns.
RESUMO
Corta discussão das formas brasileiras de Lygophis. Foram revalidadas as
seguintes formas: lineatus L., d He pis Cope e meridionalis Schenkel. A todas
foi conferido valor subspecifico.
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Butan*ji
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A. R. HOCE
RASCE (tpcciiwní in Botinun collwtion)
L.
limc+tuj
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L.
Hbj+íbj êmtfnmt
L.
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270
HERPETOLOGISCHE XOTIZEN*
Beide Exemplare (12.933 und 12.934) stammen von Japira, Paraná. Bra-
zilien. und kanien ain 13-2-45 lebendig nach Butantan. Xr. 12.933; junges
Weibchen ; Rückenschuppen 26; Bauchschilder 158; Oberlippenschuppen 13/13;
Unterlippenschuppen 15/15; Afterschilder 1; Schwanzschilder 30; Klapper mit
nur einem Glied.
Xr. 12.934; Mãnnchen; Rückenschuppen 27; Bauchschilder 185; Oberlip-
penschilder 14/14; Unterlippenschilder 15/14; Afterschilder 1; Schwanzschil-
der 28; Klapper ehenfalls mit nur einem Glied.
Beide Exemplare sind vollstãndig albinotisch, weisslichrosa. Die lateralen
Zeichnungen, die für die Art typisch sind, kommen hier nur ais weisse Umran-
dungen vor. IDer Kõrper ist so durchsichtig, dass man die aufgenommene
Nãhrung im Dami und die Wirbelsãule durchscheinen sieht. Die Augen sind
vollstãndig pigmentlos.
Der Albinismus ist liei diesen Exemplaren umso interessanter, da angenom-
men werden kann, dass sie vom gleichen Wurf stammen.
ZUSAM M ENFASSUXG
Es werden ein Fali von Xanthismus bei B. cofiara Gomes und zwei Fãlle
von Albinismus l>ei C. terríficas terrificus (Laurentius) beschrieben.
RESUMO
Um caso de Xantismo cm B. cotiara (Gomes) e dois de albinismo em C.
terrificus terrificus (Laurentius) são descritos.
BIBLIOGRAFIA
Gomes, F. — Ann. Paulistas Med. e Cir., 1(3): 65, 1913.
JLaurtntiuS, J. X. — Specimcn Mcdicum exhibens Synopsin Reptilium emendatam cum
experimentis Circa \"encna ct andideta reptilium austracorum. \'icnnae — Editor
Joan. Thom. 1768.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Mm. In*?. Batantan
24(2) :271'280, rfcx.* 1952.
ARISTOTF.R1S T. I.EAO 4 DORIS Jl. COCHRAN
271
RE V ALI DAT ION AND RE-DESCRIPTION OF BUFO OCFLLATUS
GÜXTHER, 1858 (ANURA: BUFOS IDAE)
bv ARISTOTERIS T. LEAO & DORIS M. COCHRAN ( )
(DcfartM of Meditai Zoology - Intitulo ButmOa». S. Poulo. Braàl)
In 1858 Günther dcscribed Bufo occllatus l*sed «n a single specunm and
wrote *■ Bra 7 .il" as geographical distrilmtion. The descripoon «-as as .ollows.
“Crown rather flat, with two bony ridges beginning íroni thc
snout, much divergem posteriorly. cach bifid Wiind: snout rather
jKiinted, protruding. Paratoids indistinct. no. swollen : «vmpanum verv
distinct, much higher than broad. Above covered with numerou
ncarlv equal warts, beneath granulated. Toes half-webed; tarsus
with two tubercles, without cutaneous íold. Hack brown. w„h . nar-
row vertebral line separating four or five pa.rs of black ye lowcrlg^l
spots; sides punctated with yellow; belly punctated w, th black.
a. Adult. Brazil. From M. Pamidaki s collection .
Fr„m Janttaria. State »( Minas Orai,, we received in IM5. Wd speci-
mens of a Bufo strinkingly similar to lhat deserihed hy Guntlmr
Diiring a trip to lhe trone of Itananal islan.I, m th. Aragna.a mer (State
of Goiás-Mato Grosso), IW the sênior atlhor cmfct f °' ,
interesting Bufo and observed its hahilat. One of tltese l ufo »a, sent to r
H W. Parker, herpetologis. of the British .Mnsettm, whose oompartson »as
the fcllowing: . . ,
•■I fi„d that the two are very similar tndeetl They "e approm-
mately the satne sire and almost the only ntorphotogwal ■>>««»“
that í cnn notice is that in the type the cratnal ndges
Itetter developetl and posses, an.ter edgcs. The «bor pMte"t o
the two is cssentially similar. Detadetl eompa.,»,, ,s dt.Itcnl. be-
cause the type has Ireen evisceram! and also damaged by anis...
One of the speeimen from janttaria ln.,1 already nndergone contparison by
one oí us (D. M. C.) with thc following result:
Rcceived for publication in Decembcr 30, 1°53.
(*) United State National Muwuni — U. S. A.
I I SciELO
272 REVAUDATION AND RE-DESCRIPTIOX OK BUFO OCELLATUS
GUNTHER, 1858 (ANURA: PUFOSIDAE)
"I íotind D. occllalus worthy o£ full speciíic rank, and not to be
conftised with any other Brazilian species”.
Bcing sure of the non-cospecificity between Bufo occllahis and Bufo t\~
phonius, based on the comparison of Parker and Cochran on one hand, and on
the material at our disposal on the other, we avail ourselves of the oportunity
to revalidate the name and redescribe the Bufo above mentioned.
Drscription: Based chiefly on an adult 9 (with eggs) U. S. N. M. 131333
(fomierly Inst. Butantan 397) from Januaria, Minas Gerais.
Tongtie elliptical, very elongated, about 1/3 of mouth opening, entire and
free for its posterior half; snout short, its sides forming a right angle and
its tip somewhat tnincated when viewed from alwve, bluntly rounded in profile,
the upper jaw extending well beyond the lower; nostrils nearly at tip of snout,
just below canthus, the opening supero-lateral, separated from each other by
an interval equal to half to their distance from eye. Canthus rostralis marked
by a rather weak arc-shaped ridge joining a somewhat heavier supraocular
crest thickening on its inner posterior border into a short parietal crest, and
continuing ontward and posteriorly to fonn a short distinct postorbital crest;
preocular crest generally not evident, though the spccimcns Inst. Butantan 1.677
and 1.678 show this character fairly well; interocular space flat, below Ievcl of
ridges ; parotoids variable, rounded or elongated, possessing orange-vellow
poison, when elongated its distai end tapors, or they may be piri forni; they are
smaller, equal or somewhat larger than cyelid and extending only to levei of
shoulders; eye modcrate, projecting beyond snout; interorbital diamctcr about
twice the width of upper eyelid, three times the interval between nostrils.
Tympanum generally well evident in outlinc, but in some specimens this cha-
racter is not so distinct (Inst. Butantan 1.67] and 1.674), higher than broad,
as high as the diameter of the eye and close to it. Fingers free, with lateral
ridges distally, lst and 2nd fingers subequal and shortet than 4th ; a large palmar
tuberde and a small one beside it at base o] lst finger; subarticular iubercles
of fingers quite prominent, some double and some single; toes webbed at the
base, with a lateral series of minute tubercles, 3rd and 5th subequal, reaching
to base of penultimate phalanx of 4th; a small oval inner and a round outer
metatarsal tubercle; no tarsal ridge; subarticular tubercles of toes small, all
single. Body stoutness, in postaxillary region nearly twice the greatest width of
head (in female distended with eggs) ; when hind leg is adpressed, heel fails to
reach axilla, and tip of 4th toe barely reaches end of snout ; when limb are laid
along the sides, knee and elbow are separated by an interval equal to length
of til ia , when hind legs are bent at right angles to body, heels are widely sepa-
rated. Body completely covered witli small tubercles, slightly larger along dor-
solate.nl line and slightly larger along the dorsolatcral line and around anus,
smaller on sides and lower surface of legs. No obvious scapular ridges ; no tibial
SciELO
10 11 12 13
Mm. Insi. Batantan
tH2):27l ’80. <!«-• 1952.
ARISTOTERIS T. I.EAO A IMÍRIS Jl COCIIRAX
273
glande no skín fold on chest. A pair of vcry promincnt tnborclcs just ovcr
the anus.
Color in alcoliol. Dorswn deep fawn color with a white midlinc bcgmning
on tip of snout and going backward and reaching tip of coccyy ncar anus;
dorsum dotted by two rows of four occlli, separated by «hc white midlinc. a
third row of two ocelli is sccn more laterally. AH occlli arc surrounded by a pale
border; lateral region with a black irregular line frotn outside of parotoid and
sometimes reaching the border of thigh; a large crossband on dorsum of hind
thigh : a white Stríp in the middle oi chest is sometimes to 1* seett: arms and
legs with black crossbands separated by Hght areas; ventral reg.on with a
coarse dark and Iight rcticulation, centre of throat dusky. and edges af hps
fawn color; warts along lateral line and bclow anus Iight.
Habitat: Thcy werc found at Mato Verde, on the Iwrdcrs of the States of
Mato Grosso and Goiás, as well as on the Island of Bananal factng the fonner
locality. They were also found at Santa Izabel (Island of Bananal). State ot
Goiás. At Mato Verde some specimens werc caught at waters edgc ot the
Araguaia river, near a pond. At Mr. Lodo da Luz’s farm their voiccs were
frequentlv hcard at night after some rain or changc of atmosphenc conditions.
Others were caught ahout 5 km from the Araguaia river. on a piam region
full of termitaria. They werc always found at the bottom of the termitam.
On tlic island of Bananal factng Mato Verde is anothcr plain region near a
lagoon named “Lagoa do Cavalo”, here they werc found only in holes in the
ground, these being about 30-40 ccntimcters deep. On a ramy night wc tear.
a chorus of these batrachians. Unfortunately our flashlight «as damaged and
we caught onlv a few specimens. During the wanner part of tlie day they werc
seen at the opening of the holes. At Santa I«M (Island o, Bananal) wc
were able to obtain specimens from the ground holes and from the bottom of
termitaria.
Voicc: Unfortunately wc took no notes on their voiccs.
Rcproduction: We could not get any information on the suhject. and wc
did not observe couples during sexual behavior.
Observations; The inclusion of Bufo ocellotus in the synonymv of Bufo
typhor.ius seem to us entirely unjustified. Bufo ocellotus is aparently not do-
seiy related to any other Brazilian fonn. although «.períioally « some«lut
resembles Bufo granulosus and Bufo dorbiguyi iu stoutness of body aml m
linib proportions. Its characteristic ixittem distingu.shes it at once tront a
other Brazilian toads. In sliape of parotoids it suggests Bufo tuonnoreus f
M exiro.
1, | SciELO
274
REVAUDATIOX AND
CUNTHER,
RE DESCRI PTIOX OF BUFO OCELLATUS
1858 (ANURA: BUFOXIOAE)
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SciELO
14
15
Mem. In»'. Butantan
24(2) :271 2S0, do.» 1952.
AR1STOTERIS T. LEAO 4 DORIS M. COCHRAN
275
b)
c)
I.i.-t of specimens:
a) British iluseum: An adult (stuffed skin), Brazil, type of Bujo occl-
latus Günther, from M. Parzudakis collcction.
United States National Museum: 121334 (Inst. Butanlan 397), from
Rio Pandeiro, Januaria, Minas Gerais.
Instituto Butanlan: Mato Verde, Mato Grosso: 1.677 lor ,he
U. S. X. M.), 1.678 (body, stemum and skull), 1.6/9, 1-680, I.6K1.
1.682, 1.683, 1.6S4, 1.685, 1.686 and 2.59S. Mato \ crde, Isbnd of
Bananal. Goiás: 1.670 and 1.671 (skin and skeleton). Santa labei.
Island of Bananal. Goiás: 1.672. 1.673 (sent for thc U. S. N. M.).
1.674, 1.675, 1.676 (sent for the British Museum) and 1.936. Aruanã,
Goiás: 2.599. Rio Pandeiro, Januaria, Minas Gerais: 398.
Dimcnsions (of the specimen U. S. X. M. 131333): head and body, 59mm;
head lenght, 16mm; dian-.eter of eye, 7mni: width of head, 20mm; fciur,
tibia, 19mm; hind leg. 63mm ; íore Icg, 31miu.
SUMMARY
In this paper the AA revalidate the nanic and rcdcscril* Bufo oecllatus
Günther, 1858. up to now under the synonymy of Bufo typhomus lufonnat.on
is given on thc habitat of these interestmg Bufo bascd on the observations of
ahout 20 specimens ohtained in the Irland of Bananal regmn. on ^th «d«
of the Araguaia river. border of thc States of Mato Grosso and Gotas, Bnu.l.
SUMARIO
Neste traltalho os AA revalidam o nome o »«/•
Günlhfr, 1858. até agota considerado sinonimo de «n/o /.sr _ ,
alguns dados sobre o habi.al destes inlerersantes í.n/o. taaeauo, na s.-cr .(.
de cerca do 20 exemplares obtidos na região da Ilha do llanatral. de and», o,
lados do rio Araguaia, fronteira dos estado, de Mato Grosso e Gotas. Urasd.
bibliography
{«,. MM. - Catalogue of the batrachi. salientia » eollectko of «• ■>■**
Museum. Loti ion, 1S5s, PS- 61.
1, | SciELO
15
Mera. In*í. Butanlan
24(2>:’71 280, dra.» 195.’.
ARISTOTERIS T. LEAO 4 DORIS M. COCHRAX 277
FJf. i — Bmfa «eelMwi Cònlfcef. 1 95®
Donobtrral »ie»
j.-j g _> p m ft xflUlal tljnthcT. 1*58
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J7< REVALIDA fíD RE-DESCRIPTIOX OF BUFO OCELLATUS
«UNTIIER. 1858 IAMKA: BUFOMIHE)
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Yen trai view
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280
REVAL1DATIOX AND
CfXTIlER.
REDESCRIPTIOX
1S5S (AXURA:
OF BUFO OCF.LL.ITU V
BUFOSinAE )
Fig. 6 — Bufo occllatnt Günthtr. lg:.\
rhnusrapfijr r f a prwnrol tprcimra <lorul vicw
Fl S- ' — Bafo occllatus Gümher. J858
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SciELO
10 11 12 13 14
Mcm. Inv. Butantin
34(21:281-316, fcr.* 1952
M. DE FREITAS AMORIM & R. FRANCO DE MEl.I.O
281
NEFROSE DO XEFROX INTERMEDIÁRIO XO ENVENENAMENTO
CROTALICO HUMANO. ESTUDO AXATOMO-PATOLÓGICO
por M. DE FREITAS AMORIM & R. FRANCO DE MELLO
(Secção dc Anatomia Patológica do Instituto íiutantan t Defartamento de Anatomia
e Fisiologia Patológicas da Escola Paulista de Medicina, S. Paulo, fírasil)
Conforme já acentuamos cm tral>alho anterior (I c 2). poucas são as publi-
cações sobre a anatomia j«atológica dos envenenamentos oíidicos, que como se
sabe, produzem distúrbios bastante diferentes segundo a qualidade do veneno.
Prinopalmcnte os venenos da cascavel ( Crotalus I. tcrrificus) c o da jararaca
( Botliipps jararaca), produzem, o primeiro, lesão cutânea quase imperceptível
e morte por graves distúrbios renais, e o segundo, extensa necrose com edema
c hemorragias da pele e lesões dos músculos subjacentes, com hemorragias vis-
cerais múltiplas.
Além disso, as raras publicações feitas ate hoje referem-se ainda assim,
somente a casos de morte por envenenamento botrópico, como os de Rates
(1925-27), sobre 2 casos de autópsia humanos, o de Mallorv (1926), sobre 1
caso, Rotter (1937). sobre 3 casos humanos. Entre nós, os trai «alhos de Mac-
Clure (1935) e de Pena de Azevedo e Teixeira (1938). são também aml«os con-
cerneii'es ao envenenamento por Pothrops. MacClurc descreve em seu caso único
(Z>. jararacussu) uma glomcrulo-nefritc aguda difusa e Azevedo c Teixeira, ne-
crose simétrica do córtex renal com uremia ( B . jararaca).
Quanto ao envenenamento crotálico. os vários trai «alhos publicados até hoje,
só dizem respeito ao envenenamento experimental, como os de Mitchell (1860),
Mitchcll e Reichert (1886), Pearce (1909), Taubc c Essex (1937), Fidler,
Glasgjw, Carmichacl (1940), tralialhos esses já relatados por extenso em nossa
publicação anterior citada (M. F. Amorim. R. F. Mello c F. Salil«a), sobre
-o estudo experimental comparativo da.» lesões produzidas pelo envenenamento
botrópico e crotálico.
Tendo ocasião de estudar ultimamente as lesões de tres casos de autópsia
cm indivíduos picados por cascavel ( Crotalus I. tcrrificus), adiamos por isso
importante relatar o resultado destas observações, dado o interesse qiM
conhecimento apresenta na patologia. Além disso, sendo as lesões por nós en-
contradas no rim. como veremos adiante, absolutamente idênticas às do chamado
“Crush syndrome", ou “nefrose de soterramento” (“ Vcrschúttungsnephrosc' ),
], | SciELO
OQ-) XEFROSE DO XEFROX INTERMEDIÁRIO NO ENVENENAMENTO
CROTALICO HUMANO
e, ultimaniente, mais conhecidas pela designação de “nefrose do neíron inferior’
avulta o interesse dessas observações, com a demonstração de mais um fator
etiológico capaz assim de produzir as lesões já, em parte, bem conhecidas dessa
sindrome. Por outro lado, procuraremos discutir esse conceito, sobretudo no que
concerne à nomenclatura mais precisa a ser adotada para a referida sindrome.
Algumas destas considerações e achados foram em parte objeto de uma
comunicação resumida feita em conjunto com os dados clínicos, em colaboração
com B. L. Wajchenberg e J. Sesso (3). Xo presente trabalho, damos, agora, o
resultado completo do estudo anátomo-patológico que procedemos nesses casos,
bem como de sua interpretação e das questões correlatas de patologia. Quanto
ao estudo clinico desses casos e outros, bem como do envenenamento crotálico
no homem, será objecto de uma publicação especial por B. L. Wajchenberg.
J. Sesso e outros, segundo comunicação pessoal.
RESUMO DAS OBSERVAÇÕES
Caso I — O primeiro caso refere-se a: P. J. da C., de 58 anos de idade, branco,
masculino, brasileiro, casado, lenhador, residente no bairro de Bom Sucesso (Cayeiras).
No dia 11 de Marco de 1952, às 16 horas quando trabalhas-a no mato, foi picado por
uma serpente, no pé esquerdo; 1 hora após sentiu perturbações visuais, sendo-lhe aplicadas
então 3 ampolas de soro anti-crotálico. A noite já urinava pouco e cór de sangue. No
dia seguinte, 12, foram aplicadas mais 2 ampolas c no dia 13 mais 3, pois o doente não
havia apresentado melhoras. No dia 14 às 18 horas apresentou-se no ambulatório do Insti-
tuto Butantan. Pelo exame da serpente, enviada posteriormente ao Instituto, trata-se de um
caso de envenenamento por C rolai ns I. lemficus. Estado geral : prostado, fácies abatido,
temperatura 36,9, pulso 110, pressão arterial: 130-80. Nenhuma alteração se notava na perna
esquerda. No dia 15 a temperatura era de 36,1, pulso 120, pressão sobe a 130-90. Recebeu
injecções de sóro anti-crotálico por via subcutânea (160 ml com capacidade de neutralizar
118 mg de veneno). Durante todo o tempo da hospitalização no Instituto Butanta não
urinou nenhuma vez, não tendo por isso nenhum exame de urina. O paciente foi removido
para o Hospital S. Paulo da Escola Paulista de Medicina, onde foi submetido ao rim
artificial.
Os exames de sangue, segundo comunicação pessoal do Dr. G. Rosenfcld, revelavam
aumento de volume das hemácias como sinal precursor de hemólise (*).
Falecimento cm 16 de Março de 1952, às 20 horas.
Retiramos do laudo tia necroscopia (n.° 24/52), executada no Departamento de Anato-
mia Patológica da Escola Paulista de Medicina (Scrv.ço do Prof. M. de Freitas Amorim),
no dia 17 de Março de 1952 às 9 horas (necroscopista Dr. R. A. Aún), os dados principais,
seguintes :
Causa Mortis: Coláps . periférico. Moléstia Principal : Envenenamento Ofídico e
Pneumonia Lohar. Diagnósticos Anatômicos : Edema cerebral, suíusões hemorrágicas das
leptomeninges, mais acentuada nos lobos temporal e parietal direito, hemorragias intensas
nos polos posteriores dos hemisférios cerebelares, principalmcnte à esquerda, polos íron-
(*) C. Rosenfcld — Comunicação pessoal, trabalho cm curso de publicação.
SciELO
10 11 12 13
Mem. Inst. Buuman M. DE FREITAS AMORIM 4 R. FRANCO DE MELLO 283
24(2):281-316, fcr.« 1952
tais dos ventrículos laterais com conteúdo hemorrágica Dilatação discreta do ventrículo
esquerdo, dilatação da aurícula esquerda, hipertrofia do ventrículo direito, acentuada dila-
tação da aurícula direita, atrofia fosca do miocãrdio, cicatrizes calosas múltiplas do mio-
cardio, esclcrose das artérias coronárias, pneumonia lobar infcncc esquerda na fase de
hepatização vermellia, antracose c cnfizema pulmonar, pcrihcpatite, congestão c csleatosc
do figado, congestão passiva crônica do haço, inchação turva dos rtns, pericardite hemorrá-
gica, incisões cirúrgicas recentes no ante-braço esquerdo, cicatriz antiga na arcada fcmural
direita.
Do Relalorio Macroscópico extraímos os seguintes dados que mais interessam no caso:
C crebro : Edcmadado. Pequenas sufusões hemorrágicas nas leptomeningcs. mais acen-
tuadas nos lobos temporal e parietal direita Hemorragias extensas nos polos posteriores
dos hemisférios cerebclares, princ.pa lmente à esquerda. Conteúdo hemorrágico nos polos
frontais dos ventrículos laterais.
Rins : (foto 1) Aumentados de volume, cápsula facilmente destacável, superfície lisa.
Superfícies externa c de corte, de coloração róseo-palida, opaca, de aspecto semelhante A
carne cozida. Consistência firme.
Bexiga: Distendida, contendo ISOcc de urina de cõr avermelhada. Hipercroia e cctasia
dos vasos da mucosa.
Femurcis : Ausénria dc t rombos nas veias íemurais.
RELATÓRIO HISTOPATOLÓGICO
(InsL Butantan, n.° 3H Serie B)
Rim : Vários fccos hemorrágicos difusos no tecido gorduroso do hilo renal. Intensa
hiperemia dos capilares, vários mostrando figuras dc conglutinação das hcmácias. por
estase. .... 1
1) Córtex: Em vários trechos, nota-se intensa hiperemia com vaso-dilataçáo máxima
dos pré-capilares. Apresentam a luz cheia dc critrocitos, prrm com os limites muito bem
conservados, sem figuras de conglutinação das hcmácias. Não há, portanto, estase pmprta-
mente dita, mas somente estagnação do sangue, segundo o conceito de Ricckcr. Quase
todos os capilares da zona cortical mostrara esse estado dc intensa hiperemia, inclusive nos
glomérulos renais.
Chama a atenção no córtex, a existência cm vários trechos em que o* tubu os sao
dilatados e têm o lume cheio por células descamadas e granulocitos noutro h los (fig. ■»).
Em alguns destes, a parede é mal delimita.la, com nitida proliferação histioeitana cm tomo
e marcante infiltração intersticial por granulocitos neutró/ilos.
Tais áreas inflamatórias corticais tém uma distribuição em focos, do mesmo m «lo
aliás como as lesões degenerativas e a distribuição dos cilindros hialinos numeroso» no»
cortes (figs. 2, 3, 4). Por vezes, nota-se, com fraco aumento, cm tais focos, na parte cen-
tral, uma ou mais secções do túbulo contendo cilindro hialino eosinofilo. e. em tom«.
vários cortes dc túbulos dilatados, contendo material róseo, granuloso ou fragmentado, dc
mistura com células descarnadas e granulocitos neutro filos.
a) Glomérulos: Alças insufladas sendo algumas vazias e outras cheias de hcmacia»,
predominando ora uma ora outra dessas imagens. Não se vêm ncutroíilo». nem aumento
dos núcleos. Cápsula muito fina com simples descamação das cálulas endoteliais. O espaço
capsular é cheio por uma substância finamente corada cm róseo, granulosa ou rcticul,
Arteriolas aferentes glomcrularcs nada mostram dc particular a não ser. por vezes, ligeira
dilatação
], | SciELO
284
NEFROSE DO XEFRON INTERMEDIÁRIO XO ENVENENAMENTO
CROTALICO HUMANO
b) Túbulos: Túbulos contcmaaos de l.° ordem, mostram intensa incitação turva
com abundante conteúdo grãnulo-albuminoso na luz. Cutícula em escova conservada na
maioria das células; em algumas esta não é observada. Em certos túbulos, nota-se uma
ou outra célula cm mitose, «tentando numerosos cromosomas dispostos irregularmente no
plano equatorial das células, alguns com forma arredondada e outros alongado. Formam
por vezes uma placa equatorial assimétrica, com vários cromoscmas aberrantes situados para
fora do fuso acromático. Em uma célula, o aspecto é de mitose atípica (microfoto 5).
Partes ascendentes da alça de Henlc e túbulos contornados de 2.° ordem: — Mostram-se
com frequência, bastante dilatados, com as células achatadas e o lume cheio por deposições
(fig. 7). Estas são ora pequenas c granulosas, ora de aspecto hialino e contornadas por
células descamadas, dç mistura com granulocitos neutrófilos. Outros túbulos de 2.° ordem
mostram as células tumcíeitas, o citoplasma rico cm granulações eosinófilas hialinas. Várias
células desaparecidas, outras apresentam núcleo plcnótico. As lesões tèm uma distribuição
em fócos. Próximo dos glomérulos, tais túbulos apresentam frequentemente o máximo de
dilatação tendo o lume cheio principalmente por células descamadas e granulocitos ncutró-
filos, como si íòra uma lesão catarro-descamativa. Mais distantes dos glomérulos, éles
apresentam por vézcs somente massas de uma substância bialinizada, fortemente eosinóíila,
no lume.
2) Zona intermediária: Já com forte aumento, as partes ascendentes das alças de
Henlc chamam a atenção por apresentarem a luz cheia pelos cilindros de material hialino,
fortemente corado pela eosina. Os cilindros formam óra, um bloco homogéneo, óra são
formados pelo amontoamento de numerosos fragmentos de estrutura homogénea. As células
dos túbulos são nitidamente cúbicas ou fortemente achatadas cm outros trechos. Em certos
pontos estão descarnadas ou ausentes. Os núcleos apresentam pienóse, cariolise, etc.. Nas
partes da zona intermediária mais próximas da zona medular não se observam sinão cilindros,
sem fenomenos inflamatórios intersticiais. A medida, porém que nos aproximamos do córtex
(fig. 9) notamos que muitos túbulos contêm neutrofilos no interior e o conectivo intersticial
apresenta intensa infiltração inflamatória, principalmente por granulocitos neutrófilos, com
forte edéma e dissociação. Xéstcs trechos, nota-se ao mesmo tempo intensa dcscamaç'o
das células cpiteliais cm vários túbulos, mesmo cm alguns onde não se vem cilindros ou
material hialino no interior. Vários pontos mostram também ferte proliferação bistiocitária
no estroma (figs. 12 c 14), de par com infiltração por linfocitos c algumas plasmacélulas.
Em suma, na zona intermediária, o processo inflamatório é bastante intenso, tanto pela
grande migração de neutrófilos dentro dos tubulos (íigs.9, 18 e 19), como pelas reações
inflamatórias com edêma, granulocitos neutrófilos e proliferação histiocitária, no tecido
intersticial.
3) Zona Medular: Esta apresenta um aspecto característico, dada a existência no
interior de muitos túbul )s coletores de Belini (figs. 20, 21 e 22), (porém não em tedos),
ora de cilindros hialinos, ora de cilindros de estrutura granulosa, ou, por vezes, contendo
células descamadas e granulocitos ncutrófiks no interior. O tecido intersticial cm tomo e
entre os túbulos, apresenta-se, porém, absolutamente limpo, isto é, sem fenómenos inflamató-
rios (figs. 20 e 22). Tal aspecto contrasta de modo imponente com as reações inflamatórias
intensas que descrevemos acima, na zona intermediária, e, cm focos, no córtex. Alguns
túbulos de Belini, apresentam as células epiteliais simplesmente descarnadas, porém sem
nenhum vestigio de cilindros em seu interior fig. 20). Pelo método da reação á Benzidina
de Eepehne, os cilindros contidos nos túbulos, tanto na zena medular como intermediária e
mesmo alguns no córtex, apresentam coloração marron escura, isto é. positiva para a
hemoglobina (Microfcto 13).
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10 11 12 13
Meou In*. Batmtin
24 ( 2 ) :28I-316. Irr.* 1*5-
M . OE FREITAS AilORlVI * R- FRAKCO DE -EU*
285
1W ' # 1952 . , uu ausÉnc * de inflamação « zona medular
Em r.-zumo: Desejamos cortf5 . nitrando ^ « tipico, olmdro,
a uai se apresenta coroo uc liroí» ^ U(lo> contrastando com esse tact .
de hemoglobina no interior dos distribuição cn. foco, no cortex ^m^to
— -szzz .:ss£-* a,ím *- wtwot f
Nos deroais órgãos, observamos. ^ ny)4tra: Zonas dc atclcctasia ao
! _ PulmSo: Examinado em 8 reg. moderada- Forte h.pcrrnua. Em
lado d- outras com eníizema v.caruntc. - úmulam estase cm hialwti açãa
5£- «S - «nas Outras zor^ — «
p^âMC, Kdcnia »-»» **»**« r*
tr s: *
As células dc Kuptcr sa ps pfcado roalanco. 4 — * '«»
citoplasma. com hemorragias cm ‘Z^enso griu dc hiperemia <U
hiperemia na po gcrininativos. 5 — , snfila* m ne uiüllÍp o6«C in>f
individuahzaçao do, sjn r^g ^ tle ecluU. ««ofiU. » _ ^
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C, R O, «.«.!-*» »»• u ^ „
Perus. 1954 às 8 horas, quawlo tralal »a , rar :da &o
No dia 8 de Fevere.ro * ^ , k um a cascavel. morta W<< ^ <||mi .
ÜTiT STis -i-nL-fffcW-S-—
ítuff --—£rrJ:“rr ■ - ^
Nada digno d, noU no. _ *, J. W» B - ' J °
perda da visão, tonturas. Tempera i,J0.
Te ccagulação: 5 minutos. Tempo dc J ^ Butantan. as M * J
Logo após as primeiras «^iS ^P-r
pressão caia no l.° dia (™““ Urina a pouco, urina cor ’ muiiiiw nUTl f niais.
teve queda palpcbral c me °r esta do geral 'alava me k» . Km 24 horas,
a subir a 130/90. Dia 10. meUm ou do «•£ e ^ r- *, dU ,1
eufórico, porem >P r - c f “'^"“coloração vinhosa. Pressão subiu ^ ^
urinou somente 290 cm 3 , un Hosp iul das Clinicas pelo esta d,. itc
d, fcwrdro W g tl ,,g„„ , „ «O-
às 9,30 hs. do dia ^ jempre hemogloblnuru intensa. •
Os exames de urina rc normaL
havia anemia. Número de hemacia
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10 11 12 13 14 15 16
cm
2S6
NEFROSE DO NEFRON INTERMEDIÁRIO NO ENVENENAMENTO
CROTALICO HUMANO
A autópsia foi feita no Laboratório de Verificação de Óbitos do Hospital de Clinicas,
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paula, pelo Dr. José Lopes de Faria.
O exame histopatológico relatado a seguir foi feito por nós no Instituto Butantan.
RELATORIO HISTOPATOLÓGICO
(Inst. Butantan, 4.° 338, serie B).
Rim: S r a sona medular nota-se forte hipcrcmia e dilatação dos vasos, mas com as
hemácias bem conservadas (fig. 8). Contrastando com essas imagens, vêm-sc outras,
aparentando pseudo-trombos hialinos, formados por amontoados de granulações vermelhas,
conglutinadas ou hialinizadas, pór(m situadas no interior de túbulos renais. Estes são
constituidos principalmente por tubos coletores de Bclini e possivelmente partes ascendentes
da alça de Henle.
Na sono eortical nota-se a maioria dos túbulos ccntomados, contendo um material
finamente granuloso, ou reticulado, de albumina coagulada. Xas alças de Henle, tractos inter-
calares c tubos coletores, vcm-sc cilindros de granulações conglutinadas (figs. 10 c 11).
Muitos glomérulos estão fortemente hiperêmicos, notando-se bastante albumina coagulada na
cavidade da cápsula de Bowman. Xão há hemácias c nem hemorragias nos glomcrulos. As
alças capilares são dilatadas, sendo muitas vazias e abertas, outras contêm hemácias (fig. 6).
Os túbulos contornados de 1.* ordem, mostram tipica inchação turva, sem degeneração
grânulo-hialina (fig. 11). Os túbulos contornados de 2.» ordem que contem cilindros hia-
linos ou granulosos, fertemente corados pela cosina, apresentam a parede desfeita em
vários trechos com aspecto nccrótico ou necrobiótico. Os núcleos das células desses tubulos
mostram hipercromatose c pienose, muitos desaparecem. O citoplasma apresenta-se ora
vacuolizado claro, ora finamente granuloso, ora contendo granulações ou massa irregulares,
fortemente coradas pela eosina, ue se continuam com as massas coaguladas uc enchem
a luz do túbulo. Xos perparados corados pelo método de Masson, as células destes túbulos
toma muma coloração roxa, enquanto que os cilindros e as granulações se coram cm
vermelho vivo. Em vários túbulos, vcm-sc as granulações vermelhas volumosas no cito-
plasma das próprias células, demonstrando tratar-se de degeneração grânulo-hialina das
células, a qual é responsável pela formação de ciiindros. Xão há íenomenos inflamatórios
uasc enchendo a cápsula, porém sem aumento evidente do número de núcleos. Xos cortes
por congelação e corados pelo Sudan III, não há nenhum indício de esteatose degenerativa
nem nos glomérulos nem no estroma. Sómente raros glomérulos apresentam-se tumefeitos,
nem da zona medular e nem da zona eortical. Os cilindros dos túbulos mostram-se for-
temente tefringentes, com extrutura granulosa, ou em massas compactas e hialinas, forte-
mente coradas pela hematoxilina. Pelo método de Weigert para a fibrina, os cilindros se
coram cm azul, mostrando porém uma extrutura granulosa. Pulmão: Forte hiperemia e
edéma em várias regiões, distribuídas em focos, entre outras, com cnfizèma vicariante, li-
geiramente anêmicas. Coração: Infiltração inflamatória por granulocitos neutrófilos no
tecido gorduroso pericárdico sem deposição fibrinosa. Miocárdio: nada de particular.
Baço : Intensa hiperemia, principalmente dos cordões de Billroth. Seios venosos vazios e
dilatados. Foliculos linfáticos: nada de particular. Fígado: Discreta hiperemia do figado.
Necrose c esteatose ccntro-lobular. Xas células degeneradas notam-se pequenas inclusões
eosinófilas no interior de um vacuolo claro.
Caso III: J. M. A., 12 anos, branco, brasileiro, procedente do Colégio Adventista,
Santo Amaro, picado por C. t. terrificus, às 13,30hs. do dia 15/10/1952. Fci apresentado ao
cm
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Mcm. Inst. Bntaiitaa
24(2) :2 15-224, fcr.» 1952
M. DE FREITAS AMORIM & R- FRANCO DE MELLO
2S7
ambulatório do Butantan às 19,00hs do dia 15/10/52. onde recebeu soro is 21.00!u. Foi
removido ao Hospital das Clínicas onde faleceu em 22/10/52, as <Xv^h«.
Apresentou uremia, acidosc, com albuminúria, hematúria e hemoglobinúria. A prin-
cipio oligúria c depois anúria, falecendo em uremia.
A autópsia foi procedida no Serviço de Verificação de Óbitos do Hospital das Clinicas,
pelo Dr. Evandro Pimenta de Campos que encontrou congestão dos pulmões, supra renal,
•encefalo e leptomeninges, sem hemorragias. Congestão e esteatosc do ligado.
Exãmc macroscópico: (n.° 348 - Série B) - RIM: - Superfície lisa. cápsula facil-
mente destacável. Superfície de corte (íig. 24). - Camada medular e corneai bem
distintas, sendo a cortical espessa, medindo aproximadamente / a 8mm. de coloração
branco amarelada pálida e a medular de cór castanha. Bacinete: — Nada digno de nota.
Rim direito — Pèso — lSOg, mede 10x6x4 cm — Rim esquerdo — 150 g, mede 10.0x6x4.3 cm.
RELATORIO HISTOPATOLÓGICO
(Inst Butantan, serie B, n.° 348)
Rim - Córtex - Glomfndos : As alça, apresentam-se frequentemente d, latada,, porém
quase sem hcmácias, como se fossem insuflodos. Nitida isquemi^ A cav.dade * eáptó»
contém granulações de uma substância corada em róseo. Nao há aumento do nun^ro de
granulocitos neutrófilos. Túbulos contornados de 1 * ordem com marcante mchaçao urva e
conteúdo grânulo-filamentoso corado em róseo. Alguns tubulos de 2 ordem mostram, a
presença de cilindros hialino, eosinófilos, ora em massa, compacta, ora ™
coloração tende para um tom ligeiramente pardo. Outro. «"*"«<»
granulocitos neutrófilos e células descamadas no lume. Alguns apresentam forte degeneração
grânulo-albuminoide. Não há hiperemia visível dos capilares cortmais.
Zõiu, limilanie: Típico, cilindros em massas compacta, «i em forma,
vistos, principalmente no, segmentos acendentes «la alça de Hcnle e ^
Nos primeiros, o contorno dos cilindros é irregular, por
nuando-se como as granulações das células da parede
nos tubulos coletores de Belini. os cilindros teu. de regra, hm.tes ma . nit.lo. . Lm »«
trechos há forte hiperemia e hemorragia, intersticiais na zona Me
. -i i a n-irwti» «Irtramadas de mistura com fragmento, de hemoglobina «los
Tnostram as células da parede descamacw., «
Alguns túbulcs do **££??££ TL £ ZÍ
que jazem no Iumem. de mistura com o, fragmento, de cUwa™' com
filós, por vezes desintegrados, dando um aspecto de necrobmse de todo o «ubulo.
As lesões da zôna limitante se distribuem em foco, de nitida rea £ ,nd
. , . , , .... _,, r ir... hiperem co-hemorragicas. A rcaçao inflamatória con
oal, ladeadas ou envoltas I»r filtração de granulocitos neutrófilos e mais intensa
siste, em alguns trechos, cm discreta mtiitraçao uc k
«proliferação de macrofagos histiocitários. túbtilo*.
O, bb*dK, íormam W - «« ^
cr. .,*,—.1. s™ conservado*. «» ™ «*"*“*>• * . T '?.
, , , , snrrto cr anu omatoso. Alguns desses nodulo» histiocitanos sao
desse modo, por vezes, um aspecto K ,JIIUIUU . , , . . Muito*
isolados e muito pequenos. lembrando pelas suas dimensões. nódu^ de AK^Í. X uno,
tubos coletores parecem estar também intensamen.e lesados nestes ^
mostrando, de mistura com os cilindros, células descamadas c numerosos núcleos cm P«~
Outros trecho# mostram edéma intersticial e apenas discreta infiltração mflamator
•difusa por liníocitos e alguns granulocitos eosinófilos e raras plasmacelubs.
I I SciELO
2SS
NEFROSE DO NEFRON INTERMEDIÁRIO NO ENVENENAMENTO
CROTALICO HUMANO
Zôna medular: Em plena zôna medular vètn-se muitos tubos coletores, na maioria-
com a parede bem conservada e ostentando cilindros no lume. Nenhuma reação inflamatória
intersticial. De tal modo, a zôna medular e papilar têm sempre o aspecto de “ limpas”, sob-
êsse ponto de vista em relação à zôna limitante, onde as lesões degenerativas e inflamatórias-
são evidentemente mais intensas.
Cortes em congelação corados pelo Sudan III, não mostram nenhum indício de degene-
ração gordurosa ou lipoídica, uer no córtex, uer na zôna meudular.
Nos preparados pelo Masson-Malory, muitos cilindros tomam uma côr vermelha viva,,
outros rósea, e outros, ainda, uma côr carmim escuro. As artérias e arteriolas nada
mostram de particular.
Pelo Yan-Gicson, alguns cilindros tomam uma coloração amarelo dourada e outros
alaranjada clara.
Conclusão: Isquemia do córtex. Forte inchação turva dos túbulos contornados de 1.*
c de 2.* ordem. Forte hipe remia da zóna limitante, com hemorragias intersticiais; numerosos
cilindros e túbulos em nccrobiose. Reação inflamatória de caratcr histiocitário, granulcma-
toso, sub agudo, em fócos, entre os túbulos, na zôna limitante. Zóna medular contendo apenas
numerosos cilindros de hemoglobina nos túbulos coletores, de regra sem lesão das células
parietais.
Trata-se de uma neírose predominante da zóna intermediária ou limitante do rim com
reação hipcrémico-inflamatória secundária cm fócos de aspecto granulomatoso.
DISCUSSÃO E CONSIDERAÇÕES GERAIS
Em resumo, nos 3 casos por nós observados, trata-se, como vimos, de indi-
víduos que, após a picada por serpente da espécie Crotalus t. tcrrificus apre-
sentaram uma sindrome caracterizada soí ve tudo por uma anúria grave c progres-
siva, urina sanguinolenta com coloração vinhosa, hemoglobinúria, com ]>ertur-
hações visuais e outros fenómenos neurológicos, dando-se o êxito letal em poucos
dias (3 e 8). Na autópsia, as lesões principais se observavam quase exclusiva-
mente nos rins, sendo caracterizadas por lesões degenerativas graves, necrobió-
ticas, predominando na parte ascendente da alça de Henle e túbulos contornados
de 2. a ordem, portanto, no segmento chamado “segmento intermediário” de-
Schwtigger-Seidel. Neste encontramos, desde a degeneração grânulo-hialina
das células, com pienóse, cariolise, etc., degeneração vacuolar, esteatose e desa-
parecimento de muitas células (fig. 7). Na luz dos túbulos, notam-se cilindros de
estrutura hialina, formados ora j>or massa única, (fig. 8), ora por fragmentos
irregulares ou globosos, de coloração pardacenta ou marron, parda-avermelhada ou
suja nos cortes corados pela hematoxilina-eosina, os quais davam tipicamente a
reação da benzidina pelo método de Lepehne, (fig. 13), demonstrando a sua
natureza hemoglobínica.
Na zona medular, os tubos coletores apresentam as células ilesas, porém
no seu interior, ostentam, em grande número, os típicos cilindros hialinos de
hemoglobina, principalmente, em nosso primeiro e terceiro casos, acompanhando-
cm
SciELO
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Mem. Inst. ButanUn M. DE FREITAS AMORIM à R. FRANCO DE JIFJ.I.O
24 ( 2 ) :215-224. frv* 1952
as leites degenerativas ou parenquimatosas mais graves, notava-sc uma forte
reação inflamatória do tecido intersticial, com edema c migração dc granulocitos
neutrófilos, linfocitos e plasma-celulas, e, cm certos treclios, marcante reação
histioc. : ‘ária ( f igs. 12 e 14). Muitos cilindros eram então invadidos, também por
gramdccitos neutrófilos (figs. 18 c 19). Tais lesões inflamatórias, rcacionais-
ou secundárias à destruição necrobiótica do epitelio, aoompanhavam na sua in-
tensidade as próprias lesões degenerativas c portanto eram mais notáveis n<>
córtex renal e na zona limitante do rim em torno das jwrtes ascendentes das
alças e tubos contornados de segunda ordem. onc!c jx>r >ua vez a> looes dege-
nerativas eram mais graves. Na zona me<lular, notam-se* somente cilindros,
sendo “limpa” de fenómenos inflamatórios (figs. 20 c 22). de vez «pie não apre-
sentavam lesões degenerativas das células tubulares. Constitui. portanto, a zona
medular pela simplicidade dc sua estrutura c das lesões que nela se assestam,
apenas uma indicação ou lugar dc eleição jiara o encontro rápido dos cilindros-
Ueir.oglobinúricos, como que patognomonicos da sindrome lesionai.
* * •
Conforme vemos, as lesões encontradas |x>r nós se sobrejx>em exactamcntc
às conhecidas na literatura, desde às descrições feitas na Alemanha j*»r Minami.
Hackiadt, Bredaucr (1917-23) sob a designação dc "Verschüttung^-XcphrQSc”
("Nefrose dc Soterramento”), c mais tarde, somente dc l^JJ em diante. 20
anos após, bem estudada nos jxiises dc lingua inglesa, I»>r Hywatcrs e I.iblc.
Lticke e outros, sob a designação dc “Cmsh-Syndromc , l>em «mijo por Ham-
burger na França e etc..
Dada a importância fundamental do conhecimento desses tralxilbos para a
boa compreensão do assunto, passamos adiante a uma analise detalhada das
questões mais importantes contidas nos mesmos, imprescindõei' jura a imrr-
pretação de nossos achados, bem como do conceito de nefrose e da nomemlatura
mais apropriada a ser atribuída a essas lesões.
♦ * *
Scigo Minami (1923), dc Tokio, trabalhando no lalwratório do Proí. Pick
em Berlim, publicou os seus achados sobre o rim em 3 casos do material dc
guerra colecionado pelo Proí. Pick dc típica nefrose após soterramento (“Xe-
phrsíse nach Verschüttung”). Xo mesmo material. A. Lewins. outro discípulo do
Instituto de Pick, havia estudado as necroses musculares, em sua dissertação
inaugural.
Segundo Minami, Herxheimer, Dietrich, Grãff c outros já haviam descrito
bem as inflamações renais agudas, puras, observadas durante a guerra. Quanto
às alterações, puramente parenquimatosas, predominantemente tubulares do run.
I, | SciELO
-XXI XEFROSE DO XEFRON INTERMEDIÁRIO XO ENVENENAMENTO
CROTALICO HUMANO
haviam sido também estudadas por Hackradt, em sua tese inaugural, de Mu-
nich, 1917, e por Groll, no tratado de Schjeming (1921) sobre a experiência
médica na guerra mundial em 1921.
Quanto às necroses musculares, observadas nos casos de soterramento,
primeiro por L. Frankenthal, depois por Borst e Pick (e comunicados por
Hackradt e Lewin), foram consideradas como características ou tipicas, espe-
cíficas para soterramentos por Frankenthal. Elas se produzem sem lesão de-
monstrável da parede vascular e sem formação de trombos, sob a forma de ex-
tensos focos, na musculatura das extremidades, principalmente nas inferiores.
"Wieting relaciona-as menos com a estase linfática e sanguínea de que com uma
degeneração parenquimatosa dos elementos musculares. Groll considera-as
uma espécie de embebição ácida osmótica ou coloido-quimica em consequência de
um acúmulo de produtos do metabolismo. Outro grande grupo de autores
(Dietrich, Bors, Schmincke, Wieting, Pick, Groll, Bredauer, Küttner), aceitam
a concepção original de Frankenthal que considera a músculo-necrose como is-
quêmica. A isquemia seria devida à uma compressão direta do território ou do
vaso principal, ou seria de natureza zvsomotora (Borst). Para Pick poderia
ser “indireta”, secundária à uma lesão dos nervos vasculares. Groll salienta a
significação das perturbações vasomotoras como a expressão de um determinado
estado dc choque.
Por isso. Bredauer fala nesses casos de infartos anêmicos do rim, baço e fí-
gado, produzidos do mesmo modo como a anemia da pele ou das vísceras,
também encontradas, por desvio da distribuição do sangue. Não seriam devidas
às lesões vasculares ou trombos, porém a espasmos vasculares de condição trau-
mática, no sentido de Borst caracterizou as nefroses agudas por êle encon-
tradas após soterramento, como vasomotoras. Hackradt distinguiu também,
nitidamente, entre as nefrites de guerra, propriamente ditas, representadas pro
glomerulonefrites agudas hemorrágicas com todos os sinais característicos da in-
flamação, da nefrose vasotnolora aguda mortal, condicionada pelo soterramento
“Verschüttungs-nephrose”.
Nas suas figuras, Minami reproduz tipicos cilindros da zona medular, bem
como ? infiltração dos mesmos por células redondas pequenas. Os cilindros
são mais ou menos pardacentos, pigmentosos, e não raros nas alças de Henle,
mais raros nos túbulos contornados (pg. 257). São irregulares, dando uma
reação pardo-escura nos cortes pelo método dc Lcpcnnc a bencidina. Nos 3
•casos, a reação do ferro foi negativa, bem como a reação ao Sudan. Diz que
nos stus casos, os achados no rim se superpõem aos de Bredauer. Trata-se de
indivíduos sadios que vêm a falecer do 4.° ao 7.° dia após o esmagamento
< Vcr>chüttung).
Macroscopicamente, os rins apresentam-se aumentados de volume, flácidos,
•cápsula facilmente destacável, superfície lisa. Superfície de corte: córtex largo.
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10 11 12 13
Mcm. Inst. ButanUn
24(2):281-31í, fer.» 1952
H. DE FREITAS AMORIM 4 R- FRASCO DE MELLO
291
amarelado-róseo, tumefeito, turvo, desenho apagado, medular contrastando for-
t emente pela sua côr azulada escura, róseo ou mesmo violácea.
Microscopicamente: glomérulos não aumentados de volume, e, o que e
importantíssimo, “tanto nos glomérulos, como nos mais finos «sos sanguíneos
renais, encontra, em nenhum dos 5 casos, um desvio do conteúdo sanguíneo
habitual” (pg. 259). A cavidade da cápsula de Bowann contem deposições,
finamente granulosas. Em contraste com estes achados, os canal.culos unnanos
e principalmente os “Tubulicontorti”, apresentam quase sempre notáveis altera-
ções, cem a imagem conhecida da degeneração parenquimatosa aguda, ou netrosc
aguda, e os característicos cilindros de pigmento, pardacentos sujos ou cinzento
pardacento, principalmente nos tubos coletores, nas rad.açoes medulares. Dao
sempre reação de benzidina pelo método de Lepehne. sendo negnuvasao . u.bn e
à reação do ferro, e positivas à coloração pelo sulfato de “NUblau c vermelho
neutro, bem como à coloração de Smith-Dictrich.
Por êste comportamento morfológico c microqu.m.co. Minam. «"‘erpreUo
pigmente dos cilindros, como coos.ih.ido por mha.hcomslot.ma. cora. hooh cm
Bredauer. Scsondo Minnmi. existe. pois nesses casos, uma nefo ose . coosboud,
com ii.fartos dc mcta-hcmoglobina, mais ou orenos m.cos.voc A ausenma d ““
substância nos glomírolos c na cavidade capsular sem ...sportamer c«. rolacor, ao
local c teoria .la eliminação da hemoglobina. Cmrl.no. a olea deWhrM
senlido, segundo o qual entrariam em consideração, somente o cp.
buli-contorti" de 1.» ordem e o da alça de Henle. M«~o chmrameme. ^
racteres da urina indicam a existência dc uma meta- emog g 0
hemoglobinúria. Cita dc passagem, entretanto, que em - caso . • .
CO-hemoglohina no sangue do cadaver, perhda pelo ro ■ ' ,
tiva. Discute a ação do frio sobre a produção de uma heumglohn ejnmto
globir.úria a qual (oi produrida experimenlalmen.c oo coelho (G,cse outro.)
por congelamento e sua possibilidade nos soterrados.
Minami considera ta„,bém. coo. Bredauer. a inlluénca de pro .luto. ldx .co.
do metabolismo, oriundos da extensa destruição e a «O'"'- , . j
triadou a qual produziria a destruição de glóbulos venoelhos e a fonnaçao d.
destruição aguda de substância muscular prde coodicmnar
uma h< moglobinemia e ^
retirado da patologia animal. Na f •». m .,i • acnm .
. ‘ ., rT1 narexvsmalis mvogloliinaemica equi , a qual c acom
conhecida por m)Os.t,s ^ ^ ^ degenemivas de vátios grupos
panhaoa de paralisia cn.ra . ^ Kjtt (191 i). agiriam, como
que j* eu, 1»
hemoglobinenua, porem da ehminaçao ae suo.uu
I, | SciELO
292
NEFROSE DO NEFRON INTERMEDIÁRIO NO ENVENENAMENTO
CROTAL1CO HUMANO
Conforme as novas investigações de H. Günther (1921), tratar-se-ia de tnio-
globtra, aparentada, quimicamente com a hemoglobina, portanto de uma mioglo-
binemin e mioglobinúria.
Meyer-Betz (1911) descreveu também em um jovem de 13 anos, uma
afecção idêntica à dos equinos, com hemoglobinúria paroxística “per-acuta” e
graves paralisias musculares. Portanto, nêsses casos, tratava-se de cilindros de
mioglobina no rim, embora Minami chame a atenção (pag. 263) que tal deter-
minação deveria ser feita, mais precisamente, por pesquisas exatas quimicas e
espetroscópicas.
Minami lembra também o papel tóxico possível das massas proteicas em
destruição, das quais a mais estudada e capaz de produzir um choque mortal
seria a histamina.
Bredauer concebe a nefrose, como desencadeada por um mecanismo vaso-
motor no sentido de Borst. Minami, porém, considera que como nos seus casos,
bem como nos 2 de Bredauer, não há nenhuma base para admitir um desvio da
circulação renal, que a mesma noxe autotóxica poderia condicionar, tanto a lesão
parenquimatosa do rim, como a meta-hemoglobinemia e a meta-hemoglobinúria.
A destruição de glóbulos vermelhos e a nefrose seriam pois sinais coordenados
da auto- intoxicação.
O seu mecanismo é, portanto, diferente do da “nefrose aguda mortal vaso-
motora” após esmagamento, dos casos de Hackradt. Nestes, o rim mostrava
muitas pequenas hemorragias na supcrficie e os duetos coletores apresentavam
0 lume. não raramente, cheio de verdadeiros cilindros hemáticos. Nos vasos
aferentes e capilares glomerulares havia massas homogêneas, como expressão da
êxtase, portanto para esta forma da nefrose aguda, podia-se admitir uma génese
traumática-vasomotora, no sentido de Borst. Nos casos observados por Minami,
ao contrário, tratar-se-ia de uma forma traumático-tóxica de lesão aguda do pa-
rênquim arenal.
Para tornar mais claro esse pensamento, poderiamos concluir portanto que,
1 — Forma traumática-vasomotora de Borst e Hackradt : 2 — Forma traumático-
segundo a concepção de Minami, haveria 2 formas de nefrose pro soterramento r
tóxica de Pick-Minami.
Bywaters e Dible (1942), reuniram em seu trabalho 22 casos, 10 dos quais
haviam sido já relatados por vários autores. Em alguns destes, como referenv
só tiveram accesso a blocos ou a cortes em parafina já corados.
Em todos a urina aparecia escura ou vermelha, acida, contendo albumina e
dando a reação positiva da benzidina. Ao exame espectroscópico encontravam-se
as faixas características de absorção da miohemoglobina. O sedimento demons-
trava cilindros e raros eritrocitos.
cm
SciELO
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Mem. In»'. Batantm
24(2 1 :281-316. ftv.- 1952
M. DE FREITAS AMORIM A R FRANCO DE UEU.O
293
Na cura, o paciente podia parecer bem, excepto pequena mchaçao no n.ent
Na cu™, * sobrevinha oligúria ou anuna. aumento
bro comprimido. M-» c «*** n o sangue. Morte no fim da pn-
de concentração da u , 1 Bsts AA . encontram também a mcsnu
meira semana, ou cura apos d - • origens, Microsco, ficam enU
síndrome «n casos de muscUr de^on^ a, ia-
encontram completa necrose cm peq Hcn , e c Q «*gundo túbulo
gindo mais severamente *£™**™™' do cilindro no tecido intersticial co,n
contornado; ruptura do tulue t niais adian tadas nota-se fibrosc.
Tentro dos t^los. t or leitos
ser ascética e não há pielite; soem dois casos ela se extern,
atingindo o segundo túbulo contornado. colcto res, vendo-se em muitos.
Os cilindros sao mau, típicos ulojOS ou homogéneos. Não dão
cm cortes transversais das pai ilas - - j Rimington mostrou o
a rcac» dc Pds. A rca Ç ac. '^Vridi,,. c «ca.c -
«spcctro da ,»r,dma.l.ca.«r..i...*ctico 1 „ ci li„dr„, rcrtcccn
dutor. Portanto as substancias I - nwstrou «^er mio-hemoglobina,
ao grupo haem dc pigmentos c con a<wlinie tlwt this intratubular
tanto em solução como nos cüindros. we ma> a
jiigment is miohemoglobine or onc of it> tcn . descrita já durante
5— « r ,cí t zzzrsx** s*. ’
a primeira grande guena n ■ • -^do na literatura inglesa ou
Kayscr, quando nada havia ainda m<1o K
americana. . . : bi para Bywaters c Dible
Quanto á patogenese do qxvsAro rc . ■ . q , nccAnico dos túbulo*.
á uma hemólise mtra-vascular e nao a um
. ikc rvienso sobre o assunto, refere também
Lucke, (1946), em um trabalh ° ” . ' cm um a grande variedade de
que lesões idênticas sao sempre cm isquan as musculares não
condições como: traumatismo* >o „ incompatível, inalação, nulá-
traumáticas, queimaduras, tran * 1 . eclampsia e lesões utero-placentares.
* r Fal ^ ,n,m - -c— oc po, cenos npcuc vc
alcalose, mtoxicaçao pela - ,« n creatite aguda, choque por vánas C*U-
getais e químicos, anemia hemo it t • ■ 1 os m dc um mesmo
sas. Todas estas condiçoes tui > . , - renais O predomínio
tipo padrão definido de alterações funcionais e lesões rena... 1
(•) prifad» r°» o6á -
1, | SciELO
294
NEFROSE DO NEFRON INTERMEDIÁRIO NO ENVENENAMENTO
CROTALICO HUMANO
de cilindros de heme”, as lesões de natureza primariamente degenerativa, le-
varam ao uso do termo “nefrose hemoglobinúríca” para caracterizá-las. Porém
considerando que “the location of the lesions is so characteristic and unique
that the termo “lower nephron nephrosis” seems more descriptive and has
been adopted”.
Suas investigações são baseadas em 538 casos fatais do Instituto de Pato-
logia do Exercito, durante a última guerra (Army Institute of Patholojrv)
Washington. J
Os tubulos coletores se apresentam raramente lesados em grau significativo,
mas seus lumes podem ser obstruídos com cilindros de “heme”. O estroma,
como descreve Lucke, no texto e demonstra em suas microfotograíias, é edema-
toso e exibe uma reação inflamatória em fócos, em torno da desintegração
tubular. Xo inicio, as células participantes são predominantemente liníocitos e
histiocitos; granulocitos são usualmente raros e células gigantes, ocasionais
Ulteriormente, aparecem fibroblastos e cicatrizes. “Quando os túbulos se tor-
nam necróticos eles se podem romper dentro de uma veia, induzindo fenómenos
e trombose. Os trombos usualmente são parietais, raramente oclusivos. Glin-
ros de heme compostos, são usualmente mais conspícuos nos túbulos coletores
do que no nefron inferior, mau grado as alterações degenerativas raramente
atingirem os túbulos coletores e a maioria destes aparecer normal.
Quanto à patogenese dos distúrbios, Lucke consigna que, quando a destruição
de células vermelhas é grande, como em uma hemólise intra-vascular extensa,
nem toda a hemoglobina liberada pode prontamente ser metabolizada em
pigmentos biliares e grande parte dela passa através dos filtros glomerulares
por um mecanismo ainda discutido. A permeabilidade glomerular é alterada ou
aumentada pelo mecanismo seguinte: quando a concentração de hemoglobina no
plasma excede certo nivel, ela exerce uma ação vaso-constrictora específica,
transitória, sobre as arteriolas renais (Mason e Mann). Surge, experimental
mente, uma albuminúria transitória por aumento da permeabilidade dos capilares
glomerulares, o que induziria também uma hemoglobinuria, nos caros em que
a hemoglobina é injetada intravenosamente, mesmo em experiências humanas.
ais alterações da permeabilidade do capilar seriam devidas á falta de oxigênio
subseqüente a vaso-constricção arteriolar.
É geralmente aceito que os poros das membranas são menores do que o
diâmetro da molécula de soro-albumina, cujo peso molecular é aproximadamente,
/ 0,000, c a qual normalmente não passa através do glomérulo. A molécula
de hemoglobina tem aproximadamente o mesmo peso, sendo possivel que uma
pequena proporção, talvez 3% (Lucke) dos poros capilares seja suficientemente
grande para permitir a penetração da hemoglobina, ou que a hemoglobina possa
se dissociar em moléculas de menores dimensões que possam então passar através
da maioria dos poros dos capilares normais, e, principalmente, que a permeabi-
SciELO
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Mna. Inst. Butanun
24(2j :2$1-316, f*Y* 1952
M. DE FREITAS AMORIM A R- FRANCO DE MELLO
295'
lidade glomerular seja aumentada, e, portanto, todos os poros sejam alargados
(Yuile, Bott e Richards )(dt. por Lucke).
Uma porção relativamente pequena de hemoglobina é rcabsolvida pelas
células do segmento proximal, por um processo semelluntc ao da tagocitosc
(Yuile). Segundo Bywaters e Stead a injeção intravenosa da mio-hemoglobina
leva a insuficiência renal com retenção de pigmento, quando a acidez da urina
alcança níveis de pH 4,5 a 6,1. A hipótese de que a acidez da urma e de
primeira importância na génese da desintegração renal levou ao uso terapêutico,
da alcalinização nos casos de tráuma muscular severo, ou de hcmohsc intra-
venosa, embora outros autores pensem de modo contrario.
Quanto á idéa de que a isquémia renal, c consequentemente a anoxia. c
de importância fundamental na patogenese destes distúrbios, Lucke relembra
aqui o famoso ditado de Haldane: “Anoxia not only stops the mach.ncry
but wrecks the machine”. Assim todo o agente que diminui a circulação san-
guínea nos capilares glomerulares c peri-tubularcs, reduzindo a pressão nestes
capilares, leva a uma diminuição da filtração c do suprimento essencial de
oxigênio.
Concluindo (pag. 394) Lucke. resume as lesões cspecincas que ocorreu
no rim como esscncialmcntc c selectivamentc restritas aos segmentos inferiores,
do nefron, sendo caracterizadas por “degeneração focal, ou netrose. presença
de cilindros de “heme”, reações inflamatórias secundárias no estroma circutija-
cente e trombose das veias de paredes finas.
Quanto á patogénese relembra, em suas conclusões, que provavelmente
vários fatores estejam combinados, entre os quais: produtos de degradaçao da
mioglobina e hemoglobina, produtos da destruição de tecidos, alteraçao Iimco-
quimica do sangue e dos fluidos do corpo, choque e distúrbios do atluxo san-
guíneo renal resultando em isquémia do rim c anuria.
* * •
Entre nós Pizarro (1950). cm longo trabalho, passa em revista as varias
condições mórbidas capazes de desencadear a sindrome, rcsumin o-as cin -
condições principais, entre as quais porém não menciona o emenenament ti
Em seu trabalho, estuda principalmente a incidência dessa sindrome em casos
obstétricos, bem como a respectivo mecanismo patogenético.
CONCEITO DE XEFROSE
Hamburger (1950), cm suas obsennções, salienta o lato ,1c que as alte-
rações tubulares maciças se ajuntam, muitas seres, focos < e nccro
reação do tecido intersticial cora Infiltrados Unfoplasnraatam». lesões infla, tu-
tórias peHvasculares, além de um certo grau de probíençao fibtolasttras e
tromboses intra-vasculares. Porisso. ‘n rcr.no -e/rorc nde detv rrr «Wo d„
1, | SciELO
296
NEFROSE DO NEFRON INTERMEDIÁRIO XO EXVEXEX AMEXTO
CROTAL1CO HUMANO
Hamburger. "porquanto leva a uma confusão triste com a sindrome nefrótica
e outras nefropatias (como a nefrose lipoidica) e porque a reação intersticial
acima demonstra que o processo c inflamatório tanto como degenerativo,
merecendo o nome de nefrite”. Hamburger afirma ainda : “As lesões tubulares
se extendem a todo o comprimento do tubo, afetando tanto o tubo proximal
quanto a alça de Henle e o tubo distai. Por esta razão, parece-nos inexato uti-
lizar o termo " loivcr neph-on nephrozis” proposto por Luckc cm 1946 e que
parece ser rapidamente generalizado nos países de língua inglesa. A expressão
tubulo-ncfntc que opõem esta classe mórbida às nefropatias glomerulares é
certamente preferida,” conclui Hambt rger.
Hible (11), salienta igualmente serem as lesões extensas à todo o nefron
e não somente á parte distai.
Alias, e sabido como o próprio conceito de nefrose tem sido discutido,
sobretudo nos últimos tempos.
Mesmo entre nós, já Lemos Torres e Lemos Torres, em 1940, acentuavam
•como tal conceito muitas vezes se pode apresentar precário, dadas não somente
as diferentes interpretações a lhe serem atribuídas (Fahr, Randerath), como
também os desacordos anatomo-clinicos çue os dois autores não raro encontraram
em seus propnos casos. Salientam as dúvidas existentes no conceito de nefrose,
acentuando que "as entidades nosográficas são noções abstratas resultantes dé
uma generalização esquemática por mera necessidade de classificação”. Porisso,
os Lemos Torres já, nessa data. lançam a interrogação, si devemos “recusar á
Jiefrose como uma entidade clinica autónoma”. Relembram a opinião de Ran-
erat i segundo o qual nas nefroses não haveria uma degeneração primária do
u o, mas sim que as modificações morfológicas destes, dada a unidade do
nefron. sao causadas ]x>r uma perturbação funcional do glomeruio. com ou sem
lesões demonstráveis histologicamente. Dai a definição de nefrose de Randerath.
que constituiria “ primeiramente uma modificação da permeabilidade do capilar
g omerular a qual pode ou não se acompanhar de lesões da parede capilar e
secundariamente, provocar modificações morfológicas do epitélio dos túbulos e
dos glomerulos ’. Fahr se opõe a esta concepção insistindo em sua divisão
das nefroses em glomérulo-nef roses e túbulo-nefroses. do mesmo modo com
, olhard, o qual admite como causa da nefrose a ação direta do tóxico, em geral
de origem microbiana, sobre o parenquima renal.
Assim. Lemos Torres e Lemos Torres como que antevendo as discusões
que ainda devenam sobrevir sobre a pureza desse conceito, terminam afirmando,
a gmza de conclusão “que o capitulo das nefroses não é ainda um terreno
pacifico pois a discussão sobre esse assunto não se pode considerar como
encerrada . Contudo, para justificar a conservação desse conceito, ponderam,
ao terminar: “mas o espirito estudioso tem necessidade de uma unidade nas
Jioçoes que ele adquiriu, embora seja esta unidade uma hipótese”
SciELO
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Jfrai. Inst. But-mUn
24<2):281-31í, f «.♦ !?52
M. DE FREITAS AMORIM 4 R. FRANCO DE UELI.O
297
Volhard, como é sabido, admite casos dc nefrose com predomínio de um
componente neíritico, revelado por leve hipertensão c hematúria c sem lesões
histológicas do glomérulo e já afirmava que não se pode muitas \ezes distinguir
histologicamente a nefrose da glomeruloncfritc lc\e com predominância ncíró-
tica, pois, entre ambas existe uma transição insensível.
Conhecido é também o conceito dc Bell e Dunn que vão mais l"ngc, \cndo
apenas diferenças de intensidade ou quantitativas dos sintomas nas duas entidade
com transições insensíveis, e considerando, porisso, a neíro.-e como uma variedade
especial de ne frite simples.
Pouco mais tarde, cm 1942, o conceito dc nefrose sofreu grande revisão
por parte do grupo de clínicos c anátomo-jiatolcgntas do Loniion-H>>spit.d .
Assim Ellis (1942), em um dos trabalhos cm que resume as observações |*cssoai>
de cerca de 20 anos, c de 10 anos cm colaboração com os Ilrs. II. Evans e l .
Wilson, referentes a um material dc 000 casos estudados clinicamentc c 3"0 com
autópsias e estudo histológico sobre a chamada moléstia de Bnghst, afirma.
“I do not think Ihal this conccption of nephrosis as a separate fniity is jtulified ’.
“Em nossa experiencia, diz ele, si o paciente com a as-nu ilum.id.i ncphfOSÍS
não morre nos estágios precoces ou não sara, ele se toma jx»tcri<>rmcntc m«h - •
tínguivel de um paciente com a nefrite do tijx> 2 . Além di>-<>, >i examina rim»
casos dc falecidos nos estágios precoces, liá uma graduação no qu.n.ro hi»t*>lo„icu
da assim chamada nepUrosis para a nefrite tipo 2. No mais das veres, vários
casos tidos clinicamente como ncíroscs mostram as alterações histologkns «la
nefrite tipo 2, enquanto, ao contrário, alguns jwcicntes que nós r«?cnhcccm<>s
clinicamente como nefrite tipo 2, durante a vida, revelam na autopsia o quadro
histológico de nefrose". “Na minha opinião, afirma Ellis , a diferenciação
essencial não se acha «mtre nefrose c nefrite, mas entre a nefrite t ijso 1 i a
tipo 2 ; se a separação é feita neste ponto ,os casos da chamada nefrose caem
naturalmente em seu lugar com outros exemplares <!c nefrite tipo .. Incluídos
cm nossas series dc nefrite tipo 2 estão , porisso, 12 casos qtu tanto sol lasi
clinica como histológica sedam chamados nef roses por vários oos, rvadores
XOMEXCLATURA
Um ponto que nos parece deve ser discutido é o «Ia nomenclatura atual-
mente admitida para os diversos segmentos do nef ror. e consequentemente 'coo.
as formas rcspcctiivs de nefroses. Ao contrário de ser tão simples como nos
dá a entender Lucke, é esta uma questão complexa c carecería liem dc uma
revisão, como está acontecendo atualmente i«ra tantos setores da ,iato!n S ia renal.
Não seria, porisso, nada demais que o mesmo acontecesse para a sua nomencla-
tura histológica, afim de melhor adaptá-la aos novos conceitos atuais «la patolog.a.
Assim Lucke. nas jiags. 3&\ e 385 dc seu trabalho, simplificando um tanto
a nomenclatura do túbulo renal, diz que este é diferenciado em 3 segmentos
l I SciELO
298
XEFROSE DO XEFROX INTERMEDIÁRIO XO EX VEXEXAMEXTO
CROTALICO HUMAXO
principais, que chama proximal (superior), intermédio e inferior (upper, inter-
mediate, lower). O segmento intermédio é dado, na nomenclatura adotada por
Lucke, como a parte delgada da alça de Henle, não citando entretanto, nenhuma
\ez„ neste capitulo, quais os histologistas ou anatomistas dos quais terá retirado
essa nomenclatura. O segmento inferior seria constituido pela parte espessa de
Henle e o tiioo contornado distai. Estas duas porções são consideradas como
uma unidade histológica e funcional, ou “lower segment”. Os tubos coletores
não constituem partes dos nefrons, pois que são simplesmente tubos excretores
que lc\am o filtrado glomerular já completamente modificado, a urina, para a
pélvis renal.
Basta-nos, entretanto, rapida revisão da literatura para verificarmos não ser
tão simples tal nomenclatura, nem unanimente aceita.
Assim, 1 oirier e Charpy, no seu capitulo “Nouvelles Conceptions du
Canaliculc Urinaire , 1925, pg. 83-85, referem que o tubo urinífero compreende,
além do glomérulo, 3 segmentos sucessivos: “segmento labiríntico (tubo con-
tornado), um segmento medular (de Henle), um segmento labiríntico, ( canal
tntermediário) (?), aos quais se segue uma série de segmentos medulares
(coletores).
K. Peter, (1909) pelo método da dissociação c das reconstruções distinguiu
6 segmentos sucessivos, o último dos quais (F) ou “canal intermediário ” (ou
tubo contornado distai), compreende uma porção meândrica espessa e escura, co-
locada entre duas porções mais finas e claras”.
> a nomenclatura de Policard, o que ele chama de “segmento intermediário”
corresponde aos segmentos D, E, F, de Peter, caracterizando-se por um epitélio
a bastonetes basais, sem cutícula e sem limites intercelulares nítidos.
Este segmento a bastonetes sem cutícula estriada (segmento III) compreende
o ramo ascendente da alça de Henle e o segmento intermediário.
Segundo Hovelacque e Turchini, 1938 (pgs. 209-11), “o segundo segmento
contornado, longo de 6 milímetros” é chamado por “peça ou segmento inter-
mediário de Schweigger Seidel (1865), segmento intersticial, segmento inter-
calar, segmento distai ( tubulus contortus II, pars convoluta II) do tubo urinário”.
Os autores usam, porém, em todo o texto, mau grado essa grande sinonimia, a
designação de segmento intermediário. E concluem ainda que “a divisão clássica
de Schweiggerseidel permanece contudo como “Ia plus generalement adoptée”.
Celestino da Costa (1944) tomo 2, l. a parte, 2. a edição, pg. 214, diz: “esta
segunda porção cortical, alargada, do ramo ascendente da ansa, recebe os nomes
de, peça intermediária de Sdnveigger-Scidel, segmento distai do tubo urinífero.
ou tubo contornado II. (*)
(*) grifado por nós.
cm
SciELO
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Mero. Ins». BuUnUn
24(2):281-J16, fev.* 1952
M. DE FREITAS AMORIM S R. FRASCO DE MF.UjO
299
Confirmando o conceito de H. Braus (1924), Celestino da Costa acres-
centa que o “conjunto de segmentos aqui descritos representa a pane do tubo
urinífero relacionada com a formação da urina; é este conjuntt
o “neírònio". Realmente, como se sabe. segundo H. BlSUS (1924 ), os primeiros
segmentos do tubo urinífero ou rephron constituem a parte secretora do rim;
o último, a parte excretora.
No trabalho de Lucke, nota-se como esse autor adota o termo de ncíron
rior, no seu esquema, sem entretanto, mencionar essa numerosa
sinonímia encontrada na literatura jiara as diversas |>artt> do tuins urinífero.
Assim sendo, baseados já nessa própria multiplicidade de nomenclatura que
atribui ao mesmo segmento, ora a designação de "segmento distai «u micrior .
ora a mais freqiientemente adotada de “segmento intermediário (Hovelacque e
Turchini), <1- evidente que na patoiogia renal, tanto se poderia designar os quadros
cm que predominam lesões do segmento intermediário, como nctrosc do nclmn
inferior, ou como nefrose do nctron intermediário. Tudo dijK.ide apenas
termos que o A. usasse habitualmente para designar, na histologia normal, a
parte correspondente do túbulo: si o termo usado fosse segmento dist.d ou
ícrior", então seria preferida a designação de nefrose do ncíron inferior,
fez Lucke. Si, porém, se prefere, c é o que nos parece mais justo, a designação
de “segmento intermediário” para a designação dessa parte do tubulo renal,
então dever-se-á adotar, para designar a smdrome respectiva, o termo "nefrose
do nefron intermediário”, que propomos, assim neste trakalho.
Este modo de encarar teria tamliém talvez a vantagem de deixar reservado
um nome, para quando pretendéssemos 1 «atirar os quadros renais em qui a
lesões predominantes se localizassem realmente na zona medular ou nos tu «os
coletores, que afinal, convenhamos, constituem no potilo 'ie '* ,a e. tritame
da patologia, os verdadeiros segmentos distais ou inferiores d" tu.m >
Não do “nefrônio” certamente, pois este i>or definição, ou p«>r convenção ado-
tada até agora, se convencionou chamar somente a jsaru secretora «o tu
renal. Mas o túbulo propriamente se continua até os coletores, na papila rena
Ora, acontece que os exemplos de tais lesões predominantes na /< na medula
do rim, não são raras. De um lado estão aquelas produzidas pea a n,a 11
no rim, de outro aquelas produzidas na zona medular por condiçoes ct.olog.cas
as mais variadas, principalmente em certas intoxicações experimentais relembra-
das ainda recentemente por White. Mori e Chavez (joum of Nat Cancw Inst
1952), como intoxicação peto vinvlan.in (I.evaditis tc.rnhvdropunolma , Kehn>,.
bromthylaminobromidrato (Oka), em ratos pela exclusão de gorduras na dieta
(Burr e Burr, Borland c Jackson), etc.
Seria, então, o caso de se perguntar: mm estas, verdadeirament.
formas mais legitimas de nefroses do ncíron inferior.'
I I SciELO
15
•JAA NEFROSE DO NEFRON INTERMEDIÁRIO NO ENVENENAMENTO
CROTALICO HUMANO
Ora, é evidente, que a aclopção de uma tal classificação nesse setor das mo-
léstias renais, implica em um alargamento ou revisão do conceito do nefron.
Tentamo-la aqui, não baseados puramente na histofisiologia e embriologia do rim,
mas nas necessidades da patologia, e encarando a questão, não do ponto de vista
estritamente funcional que permitiu a subdivisão clássica do tubo urinário em
duas partes, a saber, nefron (parte secretora) e tubo coletor (parte exclusiva-
mente excretora), mas empregando a expressão nefron somo sininimo de tubo
urinifero em toda a sua extensão, em todos os seus segmentos, bem entendido,
daqueles que integram a totalidade do parenquina renal e somente esta.
As considerações acima são feitas não no simples desejo de crear novos
nomes, por ventura complicando nomenclaturas simples já existentes, o que
absolutamente não é o caso para o rim, como vimos, mas de ventilar efetiva-
mente o assunto oferecendo ao delate novos pontos de vista que possivelmente
podem se tornar úteis na classificação e conceituaçãc das moléstias renais.
RESUMO
O problema das lesões produzidas pelo veneno crotálico no homem foi
pouco estudado até agora. Em vista do seu grande interesse para a patologia,
os autores relatam o estudo anátomo-patológico minucioso dos achados feitos
em 3 casos humanos de envenenamento por cascavel. O primeiro caso foi
autopsiado no Departamento de Anatomia Patológica da Escola Paulista de Me-
dicina, possuindo a descrição completa dos achados em todos os órgãos, tanto
macro — como microscópica. Os 2 outros foram autopsiados no Serviço de Ve-
rificações de Óbitos do Hospital das Clinicas, tendo sido enviados gentilmente
fragmentos dos órgãos principais ao Instituto Butantan, onde foi feito o presente
estudo histopatológico.
As lesões encontradas consistiram, principalmentc, em fenomenos degene-
rativos e necrotizantes, sobretudo, na parte ascendente da alça de Hcnle e se-
gundo túbulo contornado, com presença de cilindros no interior, os quais deram
a reação positiva da hemoglobina pelo método da benzidina de Lepenne. Os ci-
lindros são numerosos também na zona medular, no interior dos tubos coletores
de Belini. Porém, na zona intermediária do rim e no córtex, em torno dos tú-
bulos mais degenerados, nota-se em dois casos, reação inflamatória e intersticial
Por granulocitos neutrófilos, com edêma e, por vezes, marcante hiperplasia em
focos de células histiocitárias. Na zona medular, pelo contrário, os AA. acen-
tuam o facto de que os tubos de Belini contém somente cilindros, não apresen-
tando fenómenos degenerativos ou necróticos, e, consequentemente, nenhuma
reação inflamatória em torno. Os autores salientam esse fato que dá à zona me-
c.ular a impressão de limpa ’, em contraste com as zonas intermediária e cortical
do parenquima, cuja imagem se toma menos nítida por causa da presença de
lesões inflamatórias rcacionais.
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M. DE FREITAS A MORIM & R. FRANCO DE MEI.LO
301
Quanto à sua interpretação, tais lesões se superpõem exatamente aquelas
já conhecidas desde os primeiros trabalhos de Hackradt Mmami. sob a designa-
ção de Xefrose por soterramento (“Verschuttungs-Nephr«e ), depois por
Bvwaters e Dible sob a designação de "Crush-Syndrome e postenormente de -
critas como “nefrose do neíron distai" (Lucke) cm um numero mmto grand
de outras condições mórbidas e tóxicas (Lucke. Hamburgcr. etc .) Es t as sa o
caracterizadas, de regra, por uma mio-hemoglobinúna ou simples hcmogbbu u-
ria, ou por uma anemia hemolitica, como nos envenenamentos, mtoxu
xemia gravidica. malária pelo PI. fa!cipar»,n, tnmsfusao de sangue ncoinpamH
sulfonaniidas e etc. Tais lesões não tinham sido desentas. entretanto a, e agora
em casos dc intoxicação ofidica. Trata-se portanto, de una nova condição a
lógica que os autores acrescentam pela primeira vez. na literatura, no r« <
múltiplas condições mórbidas já citadas pelos autoro acima. e. entre
J. J. Pizarro, na podução da nefrose hemoglobinúrica. Quanto a nomenclatura
ao contrário de Lucke que designou tal qtiadro por nvn-c do netron um m.
(“lower nephron nephrosis”). os autores discutem as bases dessa ^'nencla .
relembrando a confusão na sinonimia usada ainda atualmente por diversos au-
tores em relação aos diferentes segmentos do nefron Considerando que as r -
tes mais atingidas nessas lesões são justamente aquelas designadas
dos autores como o "segmento intermediário- do netron desde \ c «
Seidel, e ainda o fato de ser a localização principal das Ic-cs mais jntensa..
não na zona medular, mas. realmentc na zona linutaiite e córtex renaK, prefc;
rem dar a esse quadro a denominação de “Xefrose do Nefron Intermediário
ou "Xefrose Xecrotizante do Xcfron Intermediário - Sugerem a
de se reservar na Patologia renal, a designação _dc "net roses da pa«tc < • •
do túbulo urinário para os quadros cm que as lc.-ões ( egcncratiia
tes são realmente predominantes na zona medular do nm, como c o a
as lesões renais produzidas pela gota úrica e por vánas ou t ms condiçoes morb -
das citadas ainda recentemente no trabalho de White. . ori. e ia\cz
mente, quanto às lesões inflamatórias ou nefriticas encontradas no pnm
caso, assinaladas também por Hamburgcr e desde Mmarnt e ILnaters n I
prio "Crush-Syndromc”, concordam que as mesmas sao secundanas as lesões
principais, degenerativas ou nefróticas, dessas sindrotnes.
SUMMARY
T„e probletn o t the M.
tcc, studied .o any J the a „a,nmo.pa.holopc,l stody ot 3
pathology, the authors describe m deta. fhe ^ t casc wa * performed
human cases of rattlesnake poisomng. • - , ~ i c Medicina
i„ tbe Department o( Pathologieal Anato,,, y of the Lteda Paul, 5U de MH, n a
and permitted a complete de.erip.ion of the f,nd,n S s m every orpn. bo.lt
I, | SciELO
302
NEFROSE DO XEFROX INTERMEDIÁRIO XO EXVEXEKíiMENTO
CROTALICO HUMANO
cro — and microscopically. The two other cases were submitted to autopsy
in the Hospital das Clinicas, and sections of the principal organs were sent to
the Instituto Butantan for this histopathological study.
The lesions found consisted chiefly of degenerative and necrotic pheno-
mena. especially on the ascending part of the Henle loop and the second con-
voluted tubule, with cylinders present inside which gave a positive hemoglobin
reaction by Lepehne’s benzidine test. The cylinders were also nunierous in the
niedullar zone, inside the Bellini collecting tubes. In two of the cases, there
was in the intennediate zone of the kidney and the córtex, around the more de-
generated tubules, an inflammatory and intcrstitial neutrophilic granulocyte
reaction, with edema and some marked focal hyperplasia of histioc>tic cells.
In the niedullar zone, however, the Bellini tubes contained only cylinders. wi-
thout any sign of degenerative or necrotic phenomena and, consequently.
absence of any inflammatory reaction in that region. The authors stress this
fact which gives to the niedullar zone the imprcssion of a “clearing”, in con-
trast to the intennediate and cortical zones of the parenchyma wich presents a
less neat pattem on account of the presence of rcactionary inflammatory lesions.
As to tlieir interpretation, such lesions may be superposed exactly to those
first described by Hackradt, Minami, under the denomination of burial ne-
phrosis (“ Verschüítungs-Xephrose”), by Bywaters and Dible as Crush-Syn-
drome and later as Xephrosis of the distai nephron (Lucke) in a very large
number of other morbid and toxic conditions. These are characterized, in ge-
neral, by myohemoglobinuria or simple hemoglobinuria or by hemolytic anemia,
such as are found in poisonings. intoxications, toxemias of pregnancy. inalaria
by PI. falciparum, transfusion of incompatiblc blood, sulfas, etc. However, lesions
of this type have not hitherto bcen described in cases of ophidic intoxication.
The authors are thereforc dealing for the first time with a new etiologic condi-
tion which they contribute to the literature of the multiple morbid conditions
by the above-mentioned authors and, amongst Brazilian publications, by J. J.
Pizarro, for the production of hemoglobinuric nephrosis. Contrary to laicke s
designation of lowcr nephron nephrosis, the authors discuss the basis of this
nomenclaturc, recalling the confusioa in the synonymy which is still being
used by several authors with rcspect to the different segments of the nephron.
Considering that the parts most affected by these lesions are just those which
have been ternied the intennediate segments of the nephron since Schweigger-
Seidel, and that the more intense lesions are principallv localized, not in the
niedullar zone, but rcally in the limiting zone and the renal córtex, the authors
prefer for this type of pattern the denomination "Intermediate Xephron Xe-
phrosis” or “Xecrotizing Intermediate Xephron Xephrosis”. They suggest the
necessity of reserving, in renal pathology, the term “nephrosis of the distai or
lower part” of the urinay tubule for those cases where degenerative and ne-
cm
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303
crotic lesions are reallv predominating in the medullar zonc of the k.dney, such
as the renal lesions produced by uric gout and ntany othcr ntorb.d cond.t.ons
which have recently been described by White, Mori and Chave*. Fmal.y the
authors agree that the inflammatory or nephntic les.ons tound m ther f.rst
case. which had also been described by Hamburger and smee Minam, and By-
waters in the proper Crush-Syndrome, are secondary to the pnncpal degenera-
tive or nephrotic lesions of thesc syndromes.
ZÜSAMMEKFASSUNG
Die durch Crotalus tcrrificus - Toxin bdm Mcnschcn hcrvorgcruícnen
pathologischen Verãnderungen sind bisher wcnig untcrsucht worden Im
Hinblick darauf, dass dieses Problcm von grossem Interesse fur d.c atholc g
ist. berichten Verff. über ihr eingehendes Studium der patho^sch-anatom.s-
chen Be funde an 3 Fãllen von Klapperschlangenvergiítun bem M«ischen. E>ncr
dieser Fãlle kam in der patbologisch-anatomischen Abtclung der Escola la
lista de Medicina in São Paulo zur Sektion. wclche auch un Bcs.tz der vo ls-
tãndigen Beschrcibung aller ntakro _ und mikrokop.schcn Organbc funde s .
Die Sektion der anderen beiden Fãlle fand ini Le.chenscltat.haus der tn.xers,-
tátsklinikcn von São Paulo statt. das dem Instituto Butantan. wo d.e h.e -
dergegebenen histopathologischcn L ntersuchungcn urcigctu.
dlichcnveise Teile der hauptsãchlichen Organc ül>erlies>.
Die angetroííenen Verãnderungen beslehen im wesenlbchen ... I*g™' ra '
lion und Xekrose vor aliem a... aufsleignden Sehenkel der I ele.el.en Scdeden
„„d a., den Tubuli eonlorti zwei.er Ordnung umer An.Tsenhe.1 ™n ^ .nden,
im Lumen. die n.it der Benzidinprobe nacl. Lepelme posn.ve 1 a,.»gl..l»..reak.
liou ergaben. Zahlreiche Zylinder ianden siri, anel, .... Mark.ed. und I »ar «n
Inuern der Ilellinisrhen Sammelrührehen. In de, Cbergnug.zone der X.e e und
i„ der Rinde .vurden indessen in rwei der Fãlle u„, d,e a,„ „,e,s. CT degener «
Tubuli herum i,uers.i.ielle EnUündnngsproresse nu. nemrqdnlen Gran„l ory1en .
ÍJdem und tnanchmal dcu.lichcr Hyperplas.e h.stiozytarer '■
In, Gegensa.z dam betonen Vertí., dass die Samm.lrnl.rrbm des M arta nnr
Zvlinder enll.iel.en, aber keiuerlei Degenerations - nder Sekrçseersehe munga
„„d demzufolge auch keine EnlanndongHealmon® der Umgebmjg
Die Verfí. beL diesen Cmsland
Sen
Bezüglicl, ihrer ■ In.erpm,a.mn .sei Mil Ji
mit denen decken, d.e se.t den er s ten ArDc.ten \
Verschütlungsnephrose bekaun, sind, dann von _ By.-a.ers und D ‘^*V C ™
Syndrom" und "pã.er bei einer grossen Anza.,1 .veuerer Kmnkbe, »-n^
xíkations fãlle (Lucke. Hamburger U. S. W.) ais Nepbrose de. d.slalen Ne-
1, | SciELO
704 NEFROSE DO NEFRON INTERMEDIÁRIO NO ENVENENAMENTO
CROTALICO HUMANO
phrons (Lucke) beschrieben wurden. Sie sind im allgemeinen durch eine
Myohãmoglobinurie oder einfache Hãmoglobinurie charakterisiert, oder auch
durch eine hãmolytisehe Anãmie wie bei Vergiítungen, Schwangerschaítsto-
unvertrãglicheni Blut, Sulfonamide u. s. w. Derartige Befunde sind jedoch
xãmie, durch Plasmodium falciparum verursachter Malaria, Transfusion von
bisher noch nicht in Fállen von Schlangenbissvergiftung beschrieben worden.
Es handelt sich demnach neben den vielfãltigen, bereits von den oben enváhnten
Autoren und in Brasilien von J. J. Pizarro angeführtcn Ursachen für das Zus-
tandekonimen der Xephrosis haemoglobinurica hier um einen weiteren und erst-
malig von den Verff. in die Literatur erhobenen ãtiologischen Faktor. Was die
im Gegensatz zu Lucke stehende Nomenklatur anbelangt, der den hier beschrie-
benen Symptomenkomplex ais Xephrose des unteren Xephrons bezeichnet, so
diskutieren Verff. die Grundlagen dieser Benennung, wobei sie an die Kon-
fusion bei der heutzutage noch von verschiedenen Autoren für die einzelnen
Abschnitte des Xephrons angewcndeten Synonymie erinnern. Unter Berücksi-
chtigung, dass die am ineinten von diesen Befunden betroffenen Teile gerade die
von der Mehrsahl der Autoren seit' Schwcigger-Seidel ais Zwischenstücke des
Xephrons bezeichnet en sind, und ferner, dass sich der Sitz der ausgeprãgtesten
Lãsionen nicht im Mark sondem in Wirklichkeit hauptsãlich in der Grenzschicht
und in der Xierenrinde befindet, mõchten die Verff. für das ervvãhnte Bild
der Bczeichnung “Zwischenstüchsnephrose” oder “Xekrotisierende Zwischenstü-
cksnephrose” den Vorzug geben. Es wird die Xotwendigkeit hingewiesen, in
der Xierenpathologie den Ausdruck “Distale Xephrose” der Hamkanãlchen auf
die Fãlle zu beschrãnken, in denen Dcgeneration und Xekrose tatsãchlich im
Xierenmark vorwiegt, wie es bei dcnjenigen Xierenschãdigungen der Fali ist,
die durch Arthritis urica und verschieden andere, erst kürzlich in der Arbeit
von Whitc, Mori und Chavez aufgeführte Ursachen ausgelõst werden. Was
schliesslich die im arsten Fali beobachteten entziindlichen und nephritischen
Prozesse anbetrifft, auf die auch von Hamburger und Minami und Bywaters
beim eigentlich “Crush-Syndrom” hingewiesen wird, so sind Verff. ebeníalls
der Meinung, dass sie gegenüber den hauptsãchlichen, degenerativen oder ne-
phritischen Schãden nur Sekundãrerscheinungen sind.
Agradecimentos — Agradecemos: Ao dr. João Scsso, clinico
do Instituto Butantan, pela gentileza de nos fornecer os resumos
dos dados clinicos, aqui relatados, dos casos 1 e 2 e 3. Ao dr.
Evandro Pimenta de Campos, da Faculdade de Medicina de São
Paulo, a quem devemos a gentileza da remessa do material fixado
c dados gerais da autopsia do caso 3. Ao dr. José Lopes de
Faria pela remessa de fragmentos de vários órgãos do caso 2.
Ao dr. A. Rotondi pelos exames de urina do caso II.
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NEFROSE DO NEFRON INTERMEDIÁRIO NO ENVENENAMENTO
CROTAI.ICO HUMANO
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envenenamento
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M. DE FREITAS AMOR III -V R. FRANCO DE MELLO
315
LEGENDA DAS GRAVURAS
r,c. 1 _ Fotografia tracroicopiea. mmtiando a .urcrfirie dr corlr do nm. m aovo primeiro ca».
XoiMe, na:e ca» a ctlaeaçio rriatiramente «.cura do corte*.
(P. J. C. «crie B. 254. Autopna do Depart. dr .Viat. Paa»'»gira da Eaetda PaulaMa de
3icdkina).
Fic. 2 — Corte* renal, v «ta de conjunto, coa fraco aumento. Glemrruto. normai». Vario, cilindro»
de côr mcura na foto. etn par e. do. MVmrnto. intemscdiari Hipmtmua da ca p. lure*
Color. H. E.
rio. 5 — Cone*. Ghroerulo. imiuemiado^ Vario, corte, de IuJm e«>torno.Io, de .» mdrm e parte.
OAcendentc* dc alça*, otcntando cilindros. Ca*o I. Cuor. II. h.
ric.
ric.
4 — Corte*. Vario, cilindra de bemvloíiina. Km cima e em b»i*o. »nda infiltrado inflamatória
principal mente por granulocito. ndutrofiloo. tanto dentro corno fora de ttdniU.. fato I.
Color. II. E.
5 - Cone* renal meando.* de um lado «dono». haura de mito»-, aparenVmrntr rJpiça em
uma celu'a epitdial — (De tabulo contornado de I • ordem!). I>a «atro lado ctUndro de
hemocMa na em «egmento intermediário. Ca»> 1 . Coor. II. E.
6 — Tmho do coete* mmtrando glcroerulo. brtn co«*rvadoo tom Wmae-a. em varia. nka".
Precipitaçõe. de albumina na capwla e no. tubolo. cmstoenado» de !• ordem. Viria citindn •
de hemoglobina wmente em tobulo. contornado, de ordem. Cobr. II. t_
7 _ vè-Mf com forte aumento pelo mrt. dc Malloey.Maimm. nm grande cilindro mn rabelo conde-
nado dc 2 .* ordem, p«-rerhrodo-«r vacnol.xa<io dr nua. célula, c pienive nuclear. Taba
dc !.• ordtrn com albumina no lume.
S — Idem idrm: — Zõna limitante mmtrando virio. cibndr» rm parte, .«emlentr. .te alca. de
Henlc (wgtnrnto intcramdUrfc». Nrtar a forte bipmcmia dm capilarc utp*. nr...
xòm. Calor. II. E.
9 — Zcgia limitante — Algor. mgmentm intenred.irio. com cilindra no lume. NtCar a fonr
infiltrarão inflamatória, principalmentt por granulorito. neutra' filo. no tecido int.T«icial
Ca» I. Coloe. H. E.
10 — Corte* com cilindrm dc virio. a.pccro» «mio algun, compacto, r biaboirado. Color. II E
11 — Cm cr ande cilindro da figura anterior rm forte aumente. Intr-.ta vaemJ racio e irmane rv.
degenerativo. na. célula, do tubulo r»t*ctivo (intermediirv.) on Jo» parvo mento de
alguma, célula, e pienóe e eariorc*». Em torne toboW- de I» redem rinmr cm mclM*»
turva, vendo» rm um drie. ainda parte da cuticola cm ewdva. Coloe. II. K.
nc. 12
Id. id. — Zõna limitante — Cm cilindro rm icgmmto ««rendrote da al«a cm .Igun. nmtró-
filo. no lume Notar a forte infiltração inflamatória .ntrrvtu.al por granulmito, ocu rói, la. c
nitida proliferação bmtiocitiria rm algun» trtubm. Cokr. H. K
nc. 15 — Id. id. — Zõna meduUr — Numero», cibndrou no interior dc tuhn, «More. «""*<»•'
da Benxidiaa pelo me ado de Lcpehne (color. c*.ta»bo oevr.t . Icv, roloraçi, nu.lmr dc
contraste pelo canrim.
.« « . . r r / , • ii líi) a marcante pfoliím<ij «Ir rlftDwfcH hirtirt.nuril» •
rtc. 14 - Corte* renal Ca» " ^^jTum tóo r...rnlo um cil r Iro, eu, a pacile » aeSa
entre granulocito». ncutrofilo». ao lado «c m «criem, mmopa Zei»>.
alterada ou de»rgamea«to rm .. I nriK. M. Aaotia)
binocular, obj. 40, ce. 7, Color. II. E. A um. ÍÓO *. (Dc. poc Lool» M. A»*.»,.
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XEFROSE OO NHFRO^ERMEO.AR^NO ENVENEKAHKNTO
no . 15 — Córtex. Aspecto» ^diferentes dc ciKndros dc *— * >— “ Cend ' nt " *
alças dc Hwlc.
i 6 _ Córtex id. Notam-se os Tdo^^Xne» 0 ^.»
hemoglobina granulosos e compactos, em partes retas do tubo un
da alça de Henle).
rI , 17 _ Zòna limitafite, limite com. a aona medula, Numeros» cilindros principalnfcn.e em tul~
coltfiorcs. Color. M assoo.
- - • „ a a niMínlar \lguns cilindros ao lado de gtanulocitos neutrof.los
rto. 18 — Zôna limitante, proximo oa meoular. Alguns
que invadiram o lume do tubulo.
m 1, _ Zona limitante do cortex renal. Vario, tubulos dilatad» -cm o lume cbeio P~ mUndro.
de mistura com células descamadas e granulootos neutrof.los.
„c 20 21 e 22 — Zôna medular mostrando vários aspectos dos cilindro, em tubo, coletores. Tecido
rtc. 20, 21 .^.; r i jt . cial UTre de reação inflamatória.
na UM. * •— W— * “• “*— «* “
Caso II, Color. H. E.
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cm
2 3 4 5 6 SClELO 10 X1 12 13 14 15