MEMÓRIAS
ITUTO BUTANTAN
1953
TOMO XXV
FASC. 2
São Paulo, Biasil
Caixa Postal 65
MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
1953
TOMO XXV
FASC. 2
*
São Paulo, Brasil
Caixa Postal 65
As “MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN” são destinadas
à publicação de trabalhos realizados no Instituto ou com a sua contribuição.
Os trabalhos são dados à publicidade logo após a entrega e reunidos anualmente
num volume.
Serão fornecidas, a pedido, separatas dos trabalhos publicados nas
* Memórias”, solicitando-se nesse caso o obsésjuio do envio de outras separatas...
cm permuta, para a Biblioteca do Instituto.
Toda a correspondência editorial deve ser dirigida ao:
Redactor das “ Memórias do
INSTITUTO BUTANTAN"
Caixa Postal dS
S. Paulo, S. P., BRASIL
PEDE-SE PERMUTA
EXCHANGE DESIRED.
I X D I C E
PÁc.
Xoticürío — Reintegração do Diretor cícrtivo VII
Gxnissão Internacional dc Xonicnclatnra Zoológica XIII
1. — BüCHElRL, Wolfgang — Dosagcni comparada da atividade dos extratos
glandulares c do veneno puro de Phonfutria nigrh-eHlcr (Keyserling),
1891 1
2. — RUIZ, José M. — l']squistossoinosc Experimental. 4 — .Vojwu narUa c
Didflfhis l^raguayciuit, animais sensíveis à infestação experimental pelo
Schiitosoma maiuoni 23
3. — RUIZ, José M. — Processo rápido de perfusão do sistema sxjrta de nuuniícros
para coleu de esquistossomatideos, aplicavel aos traballsos de campo 29
4. — BR.AXDI, Catharina M. \V.. C.\BIB. E. & PR.ADO, J. L — Identifi-
cação cromatográíica dc adrenalina c arterenol lu adrcnal de offdios 35
Chromatographic identification of adrenaline and arterenol in snake
adrenals 39
5. — RUIZ, José M. — Contribuição ao cunlieciiiicnto das formas larvãrias d.*
trematóides brasileiros. 4 Nota sobre o sistema excrctor da cercaria de
Schislosonut mansoni 45
6. — IIOEHXE, L. & ROSEXFELD, G. — Esttxlos de licinatulugia comparada.
— II. Dados hematológicos do cachorro do mato, Cerdocyon Ihous
asarat. (Wied, 1826) 55
Studies of comparative hematolcgy. 11 — Hcnutological data of Ccr-
docyon Ihous OMraf (Wied, 1826) (Cachorro do Mato) 59
7. - ROSEXFELD, G. & HOEHXE, L. — Estudos dc hematologia comparada.
— III. Dados hematimétricos do cachorro doméstico 67
Studies of comparative hematology. III — llcmalimetric data of thc
domestic dog 69
8. — RUIZ, José ãl. — Contribuição ao estudo das íormas larvãrias dc trematóides
brasileiros. 5 — Descrição dc tres furco-cercãrias que ocorrem cm pla-
iwrbídeos hospedeiros do Schislosoma ptansoni. 77
SciELO
/
NOTICIÁRIO
REIXTEGRAÇAO IX) DIRETOR EFECTIVO
Em cumprimento de sentença do Poder Judiciário, o sr. Governador do
Estado de São Paulo mandou reintegrar, pelo Decreto No. 22.827, de 27 de
Outubro de 1953, o dr. Afrânio do Amaral no cargo de Director efectivo deste
Institu*o.
Por ocasião de sua posse, que contou com a presença de todo o funciona-
lismo do Instituto, do representante do sr. Secretário da Saude Pública e da
.Assistência Social, alem de delegados de organizações cientificas e culturais,
professores universitários, membros da magistratura, do ministério público,
da Academia Paulista de Letras, da E.scola Paulista de Medicina, do P.E.N.
Club do Brasil, e de entidades assi.stenciais cm nosso meio, o dr. Afrânio do
Amaral pronunciou o seguinte discurso;
“Ausente, durante cerca de Ires lustros, deste templo de ciência, retomo, neste momento,
o exercicio do culto que, contra a minha vontade e a meu pezar, os acidentes da vida
administrativa do Estado e do Brasil me lesaram a interromper. E o retomo com aquela
mesma disposição de espírito que cerca a função de cargo público de uma mística que,
por pouco, não desertou a vida do país. Foi realmente — justo c que o assinale — essa
mística que, no passado, mc deu forças para defender a supremacia da moral administrativa,
por isso mesmo que chegou a ser compreendida pela parte sensata da colectividade a que
pertenço, e em quem tenho plena consciência de haver conseguido despertar o sentimento
de confiança de que me era mister para a cabal consecução dos elevados objcctivos que
sempre me inspiraram na administração deste nosso estabelecimento científico.
O momento que o Brasil está vivendo é de inequívoca reivindicação, assim no campo
político, como na esfera social. Comporta, pois, retrospectos. De modo particular, é-me
grata a assinalação disso, porque permite a enquadração de determinados acontecimentos, de
perto condicentes com a evolução deste Instituto, no âmbito do desenvolvimento por que
vem São Paulo passando nestes últimos anos.
Meus amigos:
Pela quarta vez resena-me o destino o ensejo de, ser chamado a reorganizar este
estabeleeimemo, cuja fama durante tanto tempo conseguiu focalizar a atenção dos centros
cultos do munda £ não resbto, confesso-vos, à necessidade de uma retroação que julgo
indispensável, dadas as circunstâncias que me trouxeram a este retômo.
Em 1919, quando me estava iniciando na integração da vida de pesquisas deste núcleo
cientifico, fui convidado a acompanhar com os demais assistentes e auxiliares técnicos o
saudoso mestre Vital Brazil, sábio a que a nação brasileira deve inestimá\-cl sona de
serviços. Havia-se ele aposentado no cargo de Director desta casa e ia organizar em
1 SciELO
— \7ir —
Abri mão do honro^^^vh^^Tn}"’ a «ncmo presugio de seu nome.
Paulo e. de modo partFcuIar, a este Instituto, orsTr^JIs '^u'^ aTn"l^'
caçao me aconselhas-am. Aqui fiouei P , ’ *1"' ^ consciencta e dedi-
se impusera o pranteado pZ^rLl ^Z^T <1-
a garantir a continuidade dos ser^içoTS^ ÍIT‘7 T!' =‘««tta«, de modo
c da saude pública do Esuda A^nteceÍ ZZn ÍT Z da riência
Gom« ^ riSL l • “ '“«l' ri«rt»do
•Pi. . IS ^ vT ° "“i» !<«•
da principal secção do Btrtantan. \o ser nrnJT ■7!*'^'^'’ ^ assistente e chete
o z :
Tal arcunstancia, embora favorável a mim „ • j • ^ exerciam,
fio de completo sacrifído de minha vida social deixou de custar-me anos a
nessa ocasião, vários moços, e entre ^ Tl. ^7’ ‘T " * encontrar,
fni. em 1921. surpreendido com ^ meu colTssi^^.o no""" "T’""
entao, 26 anos apenas de idade. Xatural noí. ' 7*^*° Director. Contas^a,
cientes para realizar uma obra de Umanl^^Tn’. ' *^‘‘***
ampliação do nosso campo de actividade através'^? ‘Tü- ““ '^«í“"daria na
estava abrindo. Senti, ante essa conjuntura e ,1 dommios que a denda mundial
sidade de aprofundar os meus conhecimentos Re^^^^
que me fora concedido pelo governo federal miarvt/! a ° Pi^^nio de viagem
na gloriosa Faculdade da Bahk E fui esnedar^”
Ufico, estrangeiros, nas
Foi uma questão de consciência essa que me levou a d«te Instituto,
u* ™ ““
tradicional Universidade de Harvard E talvez nela f -'fediana Tropical), pela
culturais do exterior, mal havia reg^ssado B 1 ^ f —
este de maior svilto e significação, porque singular ’ pa“’raT"oÍ^d
Lnidos os serviços anti-ofidicos dessa crande nar 5 ’ nos Esudos
a incumbência que me foi cometida pelo nosso gOTê^^^fcde^T^E ‘‘'TI
custa, dado que, à última hora. o titular da pasta do Im • a^Z
certamente por intrigas <lc que a minha actuação na rida rtbr
constante, c esquecido de que era essa a única onom, Ía. * ®
de ver um filho seu distinguido Z
Cientifica internacional, não tó cri^ ^ «^^rgo dentro da esfera de colaboração
suspensão dos v^encimentos a que eu tinha "Sito 7'"^/'^- determinou atê a
representar a nossa ciência Z
declare, e pela primeira vez o faco as instlti • - Pensaçao, manda a justiça que o
resoU^eram. não súmente remunerar’ generosaní^* rtT^s^lT*
minha missão, trataram, por iniciativa da Academia de Ciência, e 2 r 'T’ Z ^
Filadélfia, de conferir-me apreciável fundo em r i. ^ ^ Consellw Municipal de
O ,^Lzí iszí.
1 SciELO
— rx —
Mal tinha eu ultimado a organização do Antivenin Institute of America, eis que o
nosso gorêmo, em mensagem que muito me captirou, me convida para vir, pela segunda
vez, assumir a direcção desta casa.
Estávamos em 1928. .Aqui chegado, procurei dotar este estabelecimento de melhores e
maiores recursos materiais e pessoais, a fim de dar-lhe a possibilidade de acompanhar o
progresso que a ciência has-ia realizado nos países mais adianUdos. Com efeito, do programa
por mim elaborado em 1927 e prèviamente aceito pelo governo, programa que significou a
condição mesma do meu regresso a este cenáculo de pesquisas, era parte integrante a criação,
que logo tratei de iniciar, de vários departamentos, até então inexistentes em toda a America
Latina e na maioria das nações civilizadas, a saber : Quimica e Fisico-química Experimentais,
Fisiopatologia Experimenul (com Endocrinologia e Farmacologia), Genética Experimentol
e Virus e Virusterapia.
Foi então que imprimi a este Instituto orientação autárquica, no intuito prccípuo <le
fazê-lo sobreviver às repetidas intromissões da política partidária, decorrentes das mutações
que se verificam periódica e repetidamente na alta administração do Estado. Com indes-
critível esforço, consegui, àquela altura dos acontecimentos, realizar uma boa parte de
meu programa, mau grado as inenarráveis dificuldades financeiras que surgiram como
consequência das alterações políticas de 1930 e 1932. Tais oiiiculdades afinal culminaram
no desvirtuamento de que foi vitima o Instituto, durante breve interregno decorrente de
nova viagem por mim feita ao Velho Afundo.
Em pouco tempo, tudo se transformou. E o que ocorreu c história de ontem, que
vem recordatla em prefácio de meu livro “Serpentes em Crise”, que Monteiro Lobato
vasou em estilo que lembra as pagirus mais brilhantes de Anatolc Francc.
Ultrapassado mais esse escolho, voltei pela terceira vez a reorganizar este centro dc
cultura, que tão dc perto me toca ao coração. E prossegui na execução daquele meu
programa, como se nada acontecera.
Todavia, a incompreensão dc nossos administradores, tão afeitos às manifestações
personalisticas, logo deu dc turbar a marcha tranquila e fecunda que o Instituto vinlia
levanda Não fora isso, e o Butantan, graças à dedicada colaboração da magnifica plêiade
de técnicos que aqui se aconchegara ao recesso da ciência, houvera certamente atingido
às culminâncias dc sua vida, conseguindo ombrear-se aos principais centros cientificos do
mundo civilizada Mas assim não entenderam os homens que no Brasil militam na política.
Dada a subversão que cm 1938 se verificou na orientação administrativa do Estado,
vi-mc novamente afastado do cargo que me pertence dc direito, e a cujo exerdeio, decor-
ridos quinze anos, hoje retomo por sentença judicial, disposto, como sempre, a tudo dar
de mim, de minha experiência, de minha capacidade de trabalho, do resto dc energia
que me sobra, em proveito desta casa que. por entender minha também, desejo vivamente
ver apta a suprimir todas as deficiências existentes na sua órbita cientifica, engrandecida c,
como ontem, atualizada às horas correntes.
— Senhores:
O momento que o Brasil está vivendo, sendo dc reivindicação, é também dc «lefiniçáo
c prestação de contas. E aqui estou para prestar contas c definir-mc.
Recebi, pur força de sentença judicial, os proventos inerentes ao meu cargo e relativos
aos trés últimos lustros, sem que tivesse podido prestar serviços directos a esta instituição.
Devo, pois, nesta oportunidade c a todos os contribuintes paulistas, esclarecer que, nesse
tneio-temtw, continuei a trabalhar em assuntos relacionados com o interésse público.
Entre essas actividades peço vénia para mencionar as mais importantes, a saber:
1 SciELO
— X —
SoliciUdo pelo gov.mo federal, ton,ei parte acU« r>a reorganrraçao. ^ onu, pa« a
colecth-idade nem para a instituição favor«ida. dc todos os serviços afectos a Cr^ ^e^^
de São Paulo, assumindo mesmo a corresponsabilidade do pagameirto de vu tosas dwidas
acumuladas pela directoria cujos desmandos me coube reparar; e. ao ^ afastar de sta
presidência, juntamente com os outros directores e dedicados comianhoros. lao tó hasna
saldado todos os débitos dessa associação, como deixei, em deposito bancarw
quase Cr.$ 1.000.000,00 dc saldo (cm moeda de valor aquisitivo quase tnplo do atual).
nara futuras aplicações.
Condoído com a situação de nossa infância des«lida, restaure, gratuitarnente os
serviços do Hospital de Crianças de Indianópolis. onde também pus cm perfeito
Ltò o ambulatório que passou a sersir a extern zona que vai do Ibirapuera a Santo
'"^^Impressionado com as perdas sofridas por nossa insuficiente produção de leite e de
artigos agro-pecuários, dirigi minha atenção para o problema de sua conserta mediante
prévia desidratação; tratodo» desse modo os produtos, a redução de seu volume passa a
desafogar a situação e a baixar o custo do transporte.
Alarmado com a precariedade de nossa produção carbonífera, dediquei bastante tempo,
juntamente com um pugilo de amigos que como eu se dispôs a manter sempre presente
no espirito a imagem do Brasil esfarrapado, à descoberta de um processo. nim«mente na-
cional que se prestasse especificamente ao aproveitamento do nosso nquissin^ nuneno de
tapomto Jo olr».sdro, r dr»(o,p> dr dor» b-Unç. d«
Comiserado com a situação dc fome ou subnutrição e anemia qM prctalece en, extensa
,1 «n Interior e devida ao baixo teor dc proteínas dos alimentos consumidos pelas
rCs d^proteln «risténeia. colaborei ativamente em extenso Uabalho de pesquisa
el^ustrialixação. para aproveitamento da soja como fonte ideal de nutrimento ^ra o ^bre.
Kão satUfeito com essa minha incursão pelos domfm-os da
volvimento racional das fontes de economia, dei de cooperar, na medida de m.nlm for^
com essa generosa e magnifica Confederação das Famílias Cristã^ a frente de cujo C«tro
dc Estudos me coube estudar graves problemas ecooômico-sociais que nos vivem a angu^r,
c prindpalmente aqueles que bem de perto concernem ao em^reamento da classe medu.
à educação da prole, ao custo da nwdicação e à prostituição em geral.
E. para culminar as minhas actividades nesse terreno, passei a colaborar nessa cam;«nha.
que ftodos nós nos empolga na hora presente, de levantamento de fundo» para a
social na Paulicéia. campanha que atende ao simbolismo monog^tico de F-
de cuja Comissão Central quis a generosidade dos meus companheiros de ideal passasse
eu a ocupar o cargo de Presidente.
Acostumado desde a minha infância a madrugar no estudo
jamais houvesse dado ao Sol o prazer de desperUr-me. amda ache, tempo, em minhas
longas vigílias, para realizar certas pesquisas aentifícas.
Impossibiliudo. durante alguns anos. de publicar em nosso meto.
qu- me^istinguiram vário, editores anglo-americano, de traUd^ e encliclop^m e ^
lle. me pus
Nwer Kn3^e of Bacteriology and Immunology (de Jordan &
Medidn- (de Pier«,l). Syllabu, and Practice of Ped«itr« (de Brennemann), Text-b^k
of t^iri.! (I ainical Tropical Medicine (de Gradwohl). além do traUdo hi.
pano-anxricano de Ros — ^íanual dc Terapêutica Oinica.
XI
Coosegtii, oirtroMim. increinentar, nesse longo entretanto, as minhas relações com a
Comissão Internacional de Xorocnclatura Zoológica, para cujo seio entrei cm 1935 como
representante dos posos de lingua portuguesa. Promovido, com surpresa, ã vice-pre-
sidência da JunU Executira, sediada em Londres, desse presunte órgão, pelo voto unânime
dos delegados ao 12,® Congresso de Zoologia (de Paris), entreguei-me à tarefa de harmo-
nizar pontos de vista divergentes com que perante nós se apresenUvam alguns delegados
de nações amigas; e, ultimamente, pela morte de meu colega na Universidade de Harvard,
o proL J. L. Peters, passei ao excrcicio da presidência dessa Comissão. Desse cargo, toda-
via. resolvi abrir mão logo depois, preferindo permanecer na vice-presidência, visto como
me convena de que o Brasil ainda não está preparado para compreender a importância
dessas activxiadcs nem em condiçoes de assumir os encargos delas resultantes.
Eis aí onde apliquei as verbas que recdiL Eis ai tudo o que tenho feito para
retribuir de algum modo o sacrifício que a todos os contribuintes paulistas foi imposto
durante esses 15 anos para sustentar-me como funcionário sem função. Se mais não fiz ê
porque não pude nem me foi permitido fazer.
Finalmrate, des o declarar que, muito antes de se tomar efectisa a decisão da Justiça
no tocante à mWia reintegração, tratei de eliminar quaisquer ligações com empresas de
natureza comercial ou industrial que, à luz do EsUtuto dos Funcionários Públicos, pudessem
de algum modo incompatibilizar-me para a retomada do cargo oficial que ora volto a
exercer.
^ poderia. Senhores, agora que os Tribtmais de Justiça do Pais, pela unani-
midade de seus membros, fulmiiuram, cm pleno regime de excepç.io, de ilegal c indevido
o afutamento que mc foi imposto, cu poderia, repito, estar pensamlo na minlia aposen-
tadoria c no descanso, a que tenho direito, das lutas que venho mantctKlo cm toda a escalada
de minha existência de homem de estudo, de pesquisa c administração.
Todavia não o faça Bem sei que muitos patrícios nossos, mal apercebidos das modifi-
cações que SC operam no ambiente psicológico nacional, vivem a estranliar que, podendo
aposentar-me com todas as regalias do meu cargo, eu mc disponlia a sacrificar os últimos
dias de minlia vida com os ônus e percalços que decorrem do cxercicio de qualquer função
adimnistrativa em nosso meia Poderia realmcnte aposentar-me com vantagem, não sómente,
porque vente, desde 1947, recebendo do Tesouro do Estado todos os proventos deste posto,
senão também porque seria perfeitamente cabível dar agora por encerrada a minha actividade
cientifica no Brasil e no estrangeira Estou, porem, decidido a continuar a emprestar ao
Estado e ao Brasil quanto em mim exista de capacidade de acção c honestidade de pro-
pósita Mais do que nunca, disponho-roe a retomar, ampliado e actualizado, o programa de
dantes, movido Uo somente pelo sonho de dar a este nosso templo, com o carinho que
sempre me mereceu e com o orgulho que dele tente, todos os elementos novamente
necessários á sua elevação no cenário cientifico nadonal e internacional. i>nin para
»anto, com a protecção de Deus e com a compreensão de todos quantos aqui irão colaborar
comigo.
Kão trago rancores nem prevenções calculadas. Trago^ sim, boa vontade para com
aqueles que se dignarem de auxiliar-me devidamente a dar á colcctividade, que nos mantém
com os seus tributos, a recompensa que tem ela de nós o direito de exigir. No íntima
do meu ser, sinta incoercível, o impulso das arrancadas viris em favor do reerguimento
deste nosso pequenino mundo que tanto beneficio pode semear pelo vastíssimo mundo
dos que sofrem e estão sempre á espera do cumprimento dc nosso apostolado cientifico”.
COMISSÃO INTERNACIONAL DE NOMENCLATURA
ZOOLÓGICA
Noticia sobre Publicação de interesse para zoólogos
Pouco depois do encerramento do XI\'.‘> Congresso Internacional de Zoolo-
gia, realizado em Copenhague em Agosto de 1953, o sr. Francis Hemming,
Diretor Administrativo de "The International Tnist for Zoological Nomencla-
ture”, distribuiu, em inglês, importante noticia sobre a publicação de um livro,
que estara sendo editado por aquela Organização, para conhecimento, por parte
de todos os zoólogos, das numerosas decisões tomadas pelo Colóquio sobre
Nomenclatura Zoológica (1.* Conferência de Nomenclatura Zoologica) e, cm
seguida, apros-adas pelo plenário do referido Congresso.
O texto dessa noticia ê que ora se divulga em português, para conhecimento
dos interessados no Brasil e cm Portugal:
"Nomenclatura Zoológica: /Iditamentos e Modificações do Código Internado
nal de Nomenclatura Zoológica, adotados pelo X/F." Congresso Internaconal
de Zoologia, em Copenhague, em Agosto dc 1953.
POR FR.\NXIS hemming
(Diretor .Administro th o de The Inlemotlonol Trust for Zoological Nomenelature).
O "The International Trust for Zoological Nomenclature” tem o prazer
de anunciar que está tratando de publicar o mais cedo iiossivcl o Rclatono
Oficial das decisões que tratam dos aditamentos e das modificações introduzidos
no Código Internacional de Nomenclatura Zoológica e adotados pelo XIV Con-
gresso Internacional de Zoologia, cm Copenhague, cm Agosto de 1953. Tais
dedsões são dc particular importância a quantos trabalham cm Zoologia Siste-
mática, visto como dizem respeito a certo número de problcnus fundamentais
que ficaram adiados, para estudo subsequente, pelo XIII Congresso (Paris,
1948), e, igualmente, representam revisão c, nalguns casos, modificaçao de de-
cisões tomadas pelo Congresso de Paris. O trabalho enipreendido pelo Con-
gresso de Copenhague completa a reforma do Código iniciada pelo Congres»
de Paris. E tomaram-se as necessárias providências para fazer-se, tao cedo
Quanto possivcl, o preparo e publicação do texto revisto do Código, incorporando
SC nele as decisões tomadas pelos Congressos de Pans e de Copcnh^c. Todavia,
até que o texto revisto do Código possa ser publicado, decorrera, inevitavelmente,
considerável período, pois será necessário, primeiro, preparar ambos os textos.
— xn- —
o inglês e o francês (de que o último se tomará afinal o único texto substantivo),
e, segundo, publicar ambos êsses textos sob a forma de esboço, de modo a dar
aos especialistas a oportunidade de verificarem que ambos se acham em completo-
acordo com as dedsões tomadas em Paris e Copenhague. O Congresso de
Copenhague, entretanto, exprimiu a eslxrrança de que, no período antecedente
à publicação do texto revisto do Código, os especialistas pudessem guiar-se pelas
decisões tomadas pelo referido Congresso. Com o fim de possibilitar êsse obje-
tivo é que o Internacional Trast tomou a si a tarefa de publicar, o mais breve
possivel, um livro em que se compendiem as decisões tomadas pelo Congresso
de Copenhague. Tal livro tornar-se-à indispensável a todos os taxonomistas,
visto como constituirá, até a publicação do texto revisto do Código, a fonte
única cm que poderão êles obter infomiaçõcs minuciosas sóbre as decisões de
Copcnliaguc.
O livro a ser brevemente publicado pelo Trust ê. em forma, o Relatório
unànimemcntc adotado pelo Colóquio de Xomenchtura 2ioológica que se realizou
na semana antecedente e durante o Congresso de Copenhague. O aludido Rela-
tório não foi finalmcnte apro\-ado pelo Colóquio senão no último dia de reunião
do Congresso de Copenliague, objcctivando-se com isso incluir nde quaisquer
sugestões que pudessem ser oferecidas pela Comissão Internacional de Nomen-
clatura Zoológica ou pela Secção de Nomenclatura do próprio Congresso. Na
forma final que foi adotada, o Relatório foi aprovado unànimcmente pelo Coló-
quio c, igualmentc. pela Comissão Internacional e pela Secção de Nomenclatura
do Congresso; cm seguida, mediante recomendação feita por êsses tres órgãos,
foi êle submetido à consideração e unànimcmente apro\-ado pelo Concilium
Plcnum final do Congresso de Cc^nhague, reunido na tarde do dia 12 de
Agosto de 1953.
O Colóquio de Nomenclatura Zoológica, que preparou o presente Relatório,
constitúi novo tlescnvolvimcnto no campo de consultas inteniacionais. Consciente
da extrema imitortáncia do Congresso de Coixnihague como o organismo a que
competiria completar a presente revisão do Código Internacional e sob cuja
autoridade seria publicado o Código revisto, o International Trust for Zoological
Nomcnclature, na qualidade de organização responsável pela gerênda dos assuntos
administrativos da Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica, deddiu,
cm 1952, adotar medidas originais c do mais compreensivo caráter para assegurar
a discussão mais ampla possível de tõdas as propostas tendentes a nova melhora
do Código Intemadonal antes de serem tais propostas submetidas ao e.xame da
Comissão Internacional e à decisão do Congresso. Para êsse fim, mediante a
assistência de contribuições financeiras recebidas da Organização Kducadonal
Cientifica e Cultural d-is Nações (U. N. E. S. C. O.) e da União Inter-
XV —
nacional para as Ciências Biológicas (I.U.B.S.). o International Trust decidia
promover uma reunião, a realizar-se na semana antecedente à da abertura do
Congresso de Copenhague, para a qual foram convidadas a enviar representantes
tódas as Juntas de Nomenclatura de Museus e de outras instituições zoológicas
conhecidas da Comissão Internacional e a cujas sessões focam, por meio de
convites pessoais, ainda convidados a comparecer os zoólogos — tanto neontó-
logos quanto paleontólogos — sabidamente interessados em problemas de nomen-
clatura zoológica. Outrossim, o Trust dedicou dois volumes completos (N.“ 8
e 10) de seu “Bulletin oi Zoological Nomenclature.” à publicação de todo o
material que fora reunido para ser examinado em Coi)enhague. As reuniões
do Colóquio contaram com a presença de cerca de 50 especialistas, muitos dos
quais eram os delegados de grandes Museus c Instituições Científicas. A com-
posição do Colóquio foi dividida mais ou menos igualmentc entre o \ elho Mundo
e o Novo Mundo. Nessas condições, por motivo, não somente de seu carater
representativo, como também das medidas exccjícionais que foram tomadas para
o iteticuloso preparo de sua .Agenda de trabalhos, o Colóquio de Nomenclatura
Zoológica, em Copenliague, possuia dos problemas pendentes um conhecimento
sem {«ralelo em qualquer previa assembléia internacional de zoólogos.
O Relatório do Colóquio de Nomenclatura Zoológica está sende, publicado
pelo Trust, em volume encadeniado, ao preço de cinco chelins (ou setenta c
cinco centavos americanos), livre de porte. Mediante pedido, podem-se obter
exemplares, dirigindo-se ao International Trust for Zoological Nomenclature,
Publications Office, 41 Queens Gate, I>ondrcs S.\V.7, Inglaterra. Rspera-se
que a publicação possa começar a ser distribuida dentro das próximas 5 ou 6
semanas, isto c, a partir de Outubro de 1953.
Londres, 22 de Agosto de 1953.”
(Tradução dc Afrãnio do Amaral)
1 SciELO
Mrm. Inst. Butantan,
2S(2);1-2I. 1953.
\VOLFG.\XG BÜCHERL
1
DOSAGEM COMPARADA DA ATIVIDADE DOS EXTRATOS
GL.\XDULARES E DO VEXEXO PURO DE PHOXEUTRIA
XIGRIVEXTER (Kej-serling), 1891 (•)
po« WOLFGAXG BÜCHERL
{^Laboratório de Zoologia ilêdiea. Instituto Butantan)
1. INTRODUÇÃO
Os acidentes humanos, provocados pela picada de Phonculria nigrivcnter
(♦). da família CTENIDAE, subfamília CTENINAE, costumam ser classificados
pelos médicos clínicos em casos leves, de media gravidade, gravíssimos e fatais.
São nove os casos mortais, humanos, documentados por médicos competentes.
\* *ital Brazil e Jean Vellard (1) referem-se a 1 caso de morte de um
homem de 40 anos, ocorrido em Itanhaem e relatado pelo Dr. Norais; de um
menino de 7 anos que morreu 17 horas depois de picado e cujo caso foi publicado
pelo Dr. Luiz Guimarães (2) ; mais um acidente, ocorrido cm Jaú e relatado
pelo Dr. Paulo Martins.
J. Vellard (3) comenta o acidente fatal de um menino de 10 anos, morto
meia hora depois de picado. O fato foi relatado pelo Dr. Francisco Gusmão;
o de uma moqa, de Taubaté, que morreu 20 horas depois.
O facultativo Francisco Gusmão comunicou mais 3 casos de morte, ocorridos
cm Franca, dois de escravos de um fazendeiro e o terceiro de um preto adulto,
que teve morte já depois de algumas horas após o acidente.
Flavio da Fonseca (4), interpretando os boletins de acidentados, enviados
continuamente ao Instituto Butantan, encontrou um caso de morte apesar da
soroterapia.
Entre os casos reconhecidamente gravisnmos c que devem somar a muito
mais do que os fatais mencionados, cita o próprio Vellard (3) dois, por ele
mesmo obser\-ados e que traduzem a resposta dramática do organismo humano
à peçonha dêste aracnídeo.
Entregue para publicação em 7. XI. 53.
•) Phoneutria nigriventer parece-nos klcntica a Ph. fera, como será demonstrado
oportunamente. 1
SciELO
2 DOSAGEM COMPARADA DA ATIVIDADE DOS EXTRATOS
GLANDULARES E DO VEXEXO PURO DE PHOXEUTRIA
XIGRIVEXTER (KeTirrIinf >, 1891
Casos de iticdia gratidade e leves são enumerados às centenas, tanto nos
boletins sanitários, enviados ao Instituto, como tratados pelo próprio Hospital
que o Butantan mantêm para socorrer os acidentados por animal peçonhento.
Em face destes acontecimentos, não hesitaram Vital Brazil e seu colaborador
Jean \'ellard (5) em realizar experiências de laboratório, as mais variadas, tanto
com a aranha Plwneutria fera como com Phoncutría nigriivnlcr (por êles cha-
madas Ctenus ferus e Clenus nigríventer, respccti\-amente). Estas pesquisas
se estendiam durante os anos de 1925 e 1926; partiam de picadas diretas em
animais de lalxiratório, de extratos de venenos, de venenos puros, em soluções
e culminaram com a fabricação de um sôro especifico anti-ctenidico.” (*)
Pelo presente tralialho, pretende-se recapitular, de um lado, o que já foi
feito pelos grandes mestres \'ital Brazil e Jean Vellard e, por outro, quer-se
contribuir para uma mellioria dos processos do doseamento das peçonhas, <la
própria imunização e da titulação dos sôros específicos.
2. OBTEKÇAO das GI.AXDULAS E DO VEXEXO PURO DE PH.
XIGRIVEXTER
Para a obtenção das glândulas inteiras, cheias de peçonlia, segue-se ainda
hoje o {irocesso descrito cm 1925 por Brazil c \’ellard c que consiste em narco-
tizar as aranhas vivas; segurar com pinça denteada as bases das queliceras c,
de.screvcndo-sc um movimento para cima, puxar as mesmas. Obtêm-se, então,
as duas glândulas presas às queliceras a]XMias pelo canal eferente do veneno.
Pode-se. então, scjiarar as glândulas e triturá-las, sòzinhas ou mesmo jun-
tamente com as queliceras. em gral de vidro, adicionando-se, como solvente,
água destilada com cloreto de só<lio a 0,85^, em pH acidificado, neutro ou
alcalino.
Quando se pretende tralialhar com grande número de glândulas, retiram-sc
estas, como foi descrito, e guardam-sc cm glicerina pura. a 3.° C de temperatura.
O processo do esmagamento total da glândula inteira, com ou sem os
ferrões, fornece nccessàriamcnte extratos que, além da peçonha, contêm quan-
tidades \-ariávcis e incontroláveis de elementos estranhos, celulares, muscula-
res, da quitina, etc..
Por êste motivo, almejaram já os próprios Brazil e \'ellard por um mé-
todo que permitisse obter somente a peçonha, em estado tão puro quanto pos-
(•) Sugerimos a substituição do nome “Soro anti-ctênico” pela de “anti-ctenidico”
para incluir também o gênero Phonmtna.
Meni. Inst. Botantan.
7S(2):I-2I. 1953.
WOLFG.VXG BfCHERt.
3
sível e isento de substâncias proteiniíornies estranhas. Ideiaram e realizaram,
já em 1926. o s^uinte processo: Extraiam-se as glândulas da maneira costu-
meira; lava\-am-se as mesmas em água; seca\-am-se na estufa e quando secas,
pesa\-am-se. Deix)is. imergiam-se em salina e após eml>ebimento, espremiam-
se de leve com um liastonete rle vidro, indo o veneno naturalmente dissolver-se
na salina; retira\'am-se os envólucros vazios; secavam-se e rel'csaz'am-sc. A
diferença das duas pesadas dava a quantidade exata da peçonha obtida, conhe-
cida através do volume determinado de Ikiuido solvente.
Algum tempo ntais tarde, modificou Jean \ cllard (3) um detalhe deste
processo, isto c, sul>stituiu a espressão com bastonete pela secção da glândula
com pequeno bisturi, consertando as duas pesadas.
A licm dizer, os pesquisadores obtiveram o veneno puro, mas apenas em
soluções. As duas pesadas, uma vez com a glândula cheia, outra vez com
da vazia, também poderiam ter sido fontes de insegurança; finalmente, não se
podia com êste método fazer estoque de veneno puro, o que constituia certa-
mente o inconveniente maior.
Em to<lo o caso, verificaram os autores que a média de veneno puro, por
indivíduo, era em Phoncutria fera em tomo de 4 mg e em rhoneutria nxgnvcn-
Icr perto de 3,2 mg.
Elaborámos um frocesso novo que i)ermite colher o veneno absolutamente
puro. sem prejudicar a aranha, de maneira que a mesma pode ser "reextraida”
cada 10 ou mesmo cada 5 tlias, dando novainente uma dctemiinada quantidade
de peçonlia.
Com duas pipetas longas, unidas em seus extremos por um tulw dc l«r-
racha fina c elástica, antes lavado, esterilizado e completamente sêco, irritam-
•se as aranlias, mantidas e alimentadas cm pequenos viveiros; estas, dotadas
de Índole agressis^a. não tardam a morder no tul» dc l)orracha, jicr furando-o
■com seus ferrões e depositando em seu interior duas gôtas dc veneno. Com
um capilar colhe-sc a peçonha, por ventura aderente à sujwrficic externa do
tubo. que se passa então â outra araniia, até que o interior do mesmo apresente
bastantes gôtas de veneno liquido. Desliga-se um terminal e assopra-sc o ve-
neno sòbre uma placa rasa, antes Item lavada e sêca. Einalmente e.spremc-se o
resto da peçonha, por ventura aderente às paredes internas do tubo, sobre o
mesmo vidro.
Seca-se o veneno em dessecador, cm vácuo. Quando bem sêco, pc.^a-sc
o veneno sóbre um vidrinho <le relógio, antes c.xatamente tarado. Obtêm-se
■assim o veneno puro, em estado sêco, cxâtamente ponderável cm miligramas c
<juc pode ser guardado em vácuo, sobre clorêto dc cálcio, cm ambiente escuro
SciELO
^ÍxDUL.A^ E'*Do VêvE\J*yL^^ EXTRATOS
ajuntando-se ao estoque a colheita de outras fraccões dn
da por novas extrações das mesmas aranhas.
fiste processo de obtenção de veneno puro seco além .
cagem e a colheita de maiores quantidades, possibilita igualmenteT/«/lf-^
penmentms ngorosas e reproduzíveis, bem ^mo rvlÍ cor a ""
çonha isenta de proteinas estranhas. ^
Com este processo conseguímos, desde 11 de Junho até 4 . .
o ter em tomo de 130 miligramas de veneno sêco de Phoneutria nign^ter
em mihir: ^ ~ média.
quantidade mínima
quantidade média
quantidade máxima
, 1,84 mg.
dénda rtÍtratur7T '"‘f ^epen-
V V aitmentaçao. Sobrevindo nos meses de
p*ovembro uma onda de calor . .. “‘eses üe Uutubro e
23 »c ,„e
n».s ».Hcr o. -“O'-
em 26 de Outubro ^
cm 3 de Xovembro
em 4 de Novembro
em 31 de Outubro ' g’oQ ..
. neando e„, ,,
É verdade que, no afá de averiguar o “Quantum” de
«n,a aranha podaria ave„,nal„,a„.e in,S,h.r m,
tido com cada aranhT de m ^ repetidas, temos insis-
borracha, mas mesmo Ssl” ü pt^^
de picadas diretas isto ' d ^
é capaz de largar e inoculaV numa’ou' Ta" pi4l''
N5o é mais ativa (como veremos d^Ts)^ ^sTiii^rd^^”
quantidade revestíndr, c i- • ^ ™ moculada em maior
himianos, ocorridos no verão. ^e maior gravidade os acidentes
^ ^ SciELO
Mcn. IdsC. BntaataD,
»( 2 ): 1 - 21 . 1953 .
WOLFG.WG BUCHERL
5
3. PREPARO DOS SOLUTOS VEXEXIFEROS
a) Extratos glandulares: (Tabela I)
*
Com as glândulas totais, extraídas de aracnídeos vivos, Vital Brazil e Jcan-
Vellard (1 e 5) prepararam os seguintes extratos:
Extrato A: — 1 — 2 glândulas em 0,5 cc de sol. fisiológico, empregado
para c.xperiências de atindade com ou sem prévia filtração por pajiel;
pH ácido (em tômo de 5).
Extrato B: — 1 — 2 glândulas totais em 0,5 cc de agua dc cal; pH tm
tomo de 8; empregado depois de filtração por papel.
No intuito de repetir as experiências dos dois grandes mestres e pioneiros,
preparámos, entre outros, os seguintes solutos:
Extrato G: — 1 glândula fresca em 1 cc de sol. fisiológico, cm pH 5 e
empregado depois de filtração por papel.
Extrato H: — 1 glândula em 1 cc de sol. fisiol., mas com pH cm torno-
dc 8 e filtração por papel.
Extratos I-J-K: — Glândulas guardadas durante 10 a 40 dias cm glicerina
com pH cm tomo de 5, a baixa temperatura (3.® C), eram retiradas
da glicerina, trituradas cm gral, adidonando-sc sol. fisiológico na pro-
porção dc 1,5 cc para 1 glandula; deixava-se macerar e ccntrifugava-sc.
Ao resíduo adicionava-sc novamente 1.5 cc dc sol. fisiol. por glândula; houve
no\-a maceração e centrifugação; o resíduo recebia no\'amentc 1,5 cc de soL
fisiol. e fez-se a terceira centrifugação; o resíduo foi rcdissolvido jícla
quarta vez com sol. fisiol. e mais uma centrifugação foi feita.
&)mo resultado obtivemos solutos veneni feros, com dissolução completa
da peçonha, independentemente do pH. A filtração por papel era dispensável.
O Soluto I foi fdto com sóro fisiológico cm pH 8; soluto J apresentava
pH 5 e o soluto K pll 6, 5. Os tres solutos não mais eram concentrados nas
proporções dadas por Brazil e \’cllard e imitadas por nós nos solutos G e H,
mas feitos nas proporções de 1 glândula cm 6 cc dc solvente, com 4 lavagens
e centrifugações, em 3 niveis diferentes de pH.
Brazil c Vellard tinham principiado suas c-xpfericncias com Phoneutría
(Ctcnus déles), fazendo picar diretamente animais dc laboratório, principal-
mente camundongos, que morriam râpidamente cm consequência da picada.
Querendo repetir esta e.xpcriência com solutos glandulares, imaginavam
que êstes solutos deveriam ser concentrados o mais possivel, para que os resul-
tados pudessem ser comparados ao efeito da picada direta. Fizeram, portanto.
SciELO
£. DOSAGEM COMPARADA DA ATIVIDADE DOS EXTRATOS
CLAXDUUXRES E DO VEXEXO PURO DE PHOXEUTRIA
XIGRIVEXTER (Keysírlinj), 1891
solutos supersaturados, em que uma grande parte da peçonha, não dissolvida,
permanecia sôbre o papel de filtro.
1)) Solutos com o veneno puro: (Tabela II)
Vital Brazil e Jean Vellard (1 e 5) e mais tarde Vellard (3) fizeram
pelo método descrito um soluto do veneno puro:
Soluto C: — Soluto de veneno puro (calculado em mg pela diferença das
duas pesadas da glândula cheia e ^•azia), feito em volume conhecido
de sõro fisiológico.
Com o nosso veneno sêco, puro, exatamente ponderável fizemos, tamliém
■em sÒTo fisiológico, os solutos D, E e F, o primeiro em pH ácido, o segundo
em pH neutro e o terceiro alcalino, para a verificação da influência do pH di-
ferente sobre a solubilidade da peçonha pura. As nossas tres soluções foram
feitas na proporção de 1 mg de veneno seco para 6 cc de liquido solvente, com
4 lavagens e 4 centrifugações; sem filtração.
4. TITUL.\ÇAO D.\ ATIVID.\DE DOS SOLUTOS GL.\NDUL.\RES E DO
VEXEXO PURO:
a) Solutos glandulares: — (Tabela I)
Brazil e Vellard tinham determinado, conforme o costume daquela época,
a dose mínima mortal, estabelecendo ainda que o animal (camundongo) deveria
morrer dentro de 1 hora após a injeção. Xós determinamos sempre a dose
50^ mortal, obedecendo a técnica, descrita por Reed e Muench (6).
Embora se possa admitir, com uma certa base de aproximação, que a
dose mínima mortal seja o dóbro da média mortal, há a considerar ainda, que,
em se trabalhando com solutos glandulares, provenientes, portanto, de glân-
dulas tnturadas com uma quantidade de peçonha variável de aranha, não é
possível, a rigor, repetir-se uma experiência.
Um outro agra\'ante consiste no fato de Brazil e Vellard terem empregado
poucos animais apenas, sanado pelas nossas titulações com várias dezenas de
camundongos, do mesmo pêso.
O interesse de um confronto entre as titulações de Brazil e \'ellard e as
realizadas por nós, pode visar, portanto, apenas aos seguintes problemas:
Um solvente aquoso ácido ou neutro dificultaria a solução com-
pleta da peçonha?
Esta solução se daria melhor em ambiente alcalino?
Ifctn. last. Bataataa« WOLFGAXCí Bt*CH£RL 'J
195J.
Deveriam empregar-se soluções o mais possível concentradas e
filtradas; ou seria melhor usar diluições maiores, com esgotamentos
diversos dos resíduos e centrifugação?
Poderiam preparar-se solutos ativos com glândulas, guardadas du-
rante meses em glicerina, em temperatura de 3®C?
Haveria a jxjssibilidade de estalielecer-se um confronto de ativi-
dade entre os solutos glandulares (recentes ou glicerinados) e a pe-
çonha pura, séca. exatamente ponderável e titulável?
Taljela I :
Soluto A: — Dose minima mortal por grama de camundongo, jwr via in-
tramuscular 0,04 glândula (Braail, Vellard).
Soluto G: — Dose média mortal, sulxrutâriea, por gr, de camundongo =
0,004 glândula.
O soluto A era limpido; o G se apresentava opalcscente.
Solutos feitos com o residuo, cpie ficou no papel de filtro, ainda matavam
-camundongos, o que prova que a peçonha não se tinha dissolvido senão apenas
pela metade, mais ou menos.
A minima e média mortal podem ser consideradas como coincidentes nestes
-dois ensaios (sem rigorismo cientifico), com solventes ácidos.
Soluto B: — Dose minima mortal jxir gr. de camundongo, intramuscular
= 0,005 glândula; Soluto alcalino, filtrado por papel (Brazil c
^’elIard).
Soluto II: — Dose média mortal por gr. camundongo, sulicut. =0.001
glândula.
O soluto B era fortemente opalcscente. Mesmo muito concentrado, per-
Tnitiu melhor solubilidade da peçonha, em comparação aos solutos A e G. Os
pesquisadores não dosaram o residuo sóbre o pajiel de filtro, nem mencionam
SC liouve ou não tal resíduo.
O soluto H era opalcscente; ficou um residuo sôbre o p.ipcl de filtro que,
após solução em solvente alcalino, ainda mata\‘a camundongos.
Os quatro solutos, que são perfeitamente comparáveis em atividade, pro-
vam, portanto, que não é tanto o pH que interfere na solubilidade-se bem que
a alcalinidade do solvente ajude realmente a melhor solubilização — mas sim a
concentração e filtração por papel.
Esta afirmativa é satisfatòriamcnte confirmada pelos solutos I, I e K,
-cm que se fizeram 4 dissoluções dos resíduos da peçonha e se centrifugava
•
5 DOSAGEM COMPARADA DA ATIVIDADE DOS EXTRATOS
CLAXDLT-ARES E DO VEXEXO PURO DE PHOXEUTRIA
XIGRIVEXTER (Keyscrlm*), 1891
cada vez. Independentemente de pH neutro, ácido ou alcalino, conseguiram-se
soluções 100 ^ das peçonhas, com médias mortais por gr. de camundongo via
subcutânea, em tômo de 0,0007 glândula (pH 8) ; 0,0008 glândula (pH neutro).
Mesmo após as 4 la^Tigens, ficou em cada soluto um pequeno residuo
(restos celulares e miusculares. etc..). £ste foi também retomado e redissohddo,
mas as titulações déstes residuos não revela^•am mais to.xicidade alguma para
camundongos, mesmo em concentrações grandes.
Os tres solutos foram feitos com glândulas guardadas por longo tempo em
glicerina, a frio, o que prova ser êste modo de estocagem bastante aproveitável.
A concordância das titulações da dose 50^c mortal dos tres solutos e sua
maior atividade em comparação aos solutos A, B, G, e H são novos indicios
da bôa solubilidade, independentemente do pH.
Não nos sentimos capacitados em afirmar se a atividade um pouco maior
do soluto I (pH alcalino) deva ser interpretado como cm dependência do pH.
Cremos que isto não se dê e que esta ligeira variação deva antes ser atribuida
a oue aquelas glândulas tinham realmente maior quantidade de peçonha.
A titulação do solvente, em pH 8, não revelou toxicidade alguma, por
via subcutânea.
ü) rcnciws puros: — (Tabela II)
Soluto C: — O.OOO.s mg = Dose minima mortal por gr. de camundongcv
por via venosa (Vellard) ;
0,0025 mg = Dose mínima mortal por g. de camundongo por via
intramuscular (Vellard) ;
Solutos D, E, F: — 0,00035 mg = Dose SO^í mortal por g. de' camun-
dongo via venosa;
0,0007 mg = Dose 50^ mortal por g. de camundongo via sub-
aitânea.
Os nossos tres solutos com veneno puro, sêco, exatamente ponderável cm
mg, revelaram solubilidade 100^, pelo método de 4 lavagens e centrifugações
e com diluição final das soluções-mães de 1 mg para 6 cc de solvente; demons-
traram ainda que a solubilidade independe do pH do solvente. A surpreenden-
te concordância das titulações revela que o veneno puro, sêco e còmodamente
estocâvel, tem sempre a mesma atividade e constitui o ideal cm peçonhas ara-
cnidicas. Os tres solutos se apresentavam limpidos, sem um traço de opalcs-
céneia.
Fica demonstrado novamente que se pode obter relativa concordância entre
as titulações de Vellard (minimas mortais) e as nossas (médias mortais).
Mrm. Iml. ButanUa,
»(2):I-21. 19S3.
WOLFGAXG BCCIIERL
9
5. IMUXIZAÇAO COM SOLUTOS GLAXDULARES E SOLUTOS DE
VEXEXO PURO
A primeira imunização foi feita por V. Brazil, em 1925, em um carneiro.
Num período de 13 dias praticaram-se 12 injeções subcutâneas diárias de um
soluto glicerinado de glândulas totais. inj'etando-se ào todo S4,98 glândulas.
O sôro obtido neutralizas-a 1 mínima mortal.
Numa outra imunização de um 2.® carneiro injetaram-se em 13 sema-
nas 268,42 glândulas, mais 296 mg de veneno puro (em solução), chegando
o sôro a neutralizar 0,6 mg de peçonha de Phoneutria nigrivcnter. (O mesmo
animal foi injetado simultaneamente com peçonha de Lycosa erythrognatha =
L. raptoria de Brazil e Vellard).
Um terceiro carneiro finalmente recel)eu 114 mg de veneno puro, em
8 semanas de injeções (3 injeções semanalmente) hipodérmicas, protegendo 1
cc do sôro contra 0,6 mg de veneno puro.
Um quarto carneiro recebeu em 9 semanas 239 mg de veneno puro jxir
via intradermica, neutralizando 1 cc do sôro 0,8 mg de peçonha.
Atualmente imunizam-se no Instituto Butantan cavalos com triturados de
glândulas totais, glicerinadas a 405c, neutralizando 1 cc do sôro 1 d.I.m. da
peçonha em cobaio.
Cremos ser possível começar-se agora com a imunização com a peçonha
pura. sêca, exatamente ponderável e que, completado o ciclo imunizatôrio, per-
mitirá uma aferição rigorosa do poder neutralizante do sôro por cc em relação ao
veneno puro e sêco, o que significará um novo pas.so avante na Iwa qualidade
dc sôro anticlenidico do Instituto Butantan.
6. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Os solutos de glândulas totais feitos por Brazil e Vellard em água dc cal
eram mais ativos do que os em sôro fisiológico. Os primeiros eram forte-
mente opalescentes e os últimos límpidos. Concluiram, então, os jxísquisado-
res que a opalesccncia seria sinal de atividade ou do grau da solução da peço-
nha no solvente.
Como nós tivéssemos obtido solutos opalescentes também em meio ácido e
neutro, parece que a opalescéncia nada tem a ver com a atividade. Os solutos
dc peçonha pura são sempre limpidos e, ao mesmo tempo, ativíssimos, apre-
sentando a mesma dose 505c letal, quer pela via venosa quer pela via sub-
cutânea.
SciELO
10
A oMcscc, , da dos solutos Rlandulares é devida à susi«,são no liquido de
o * ">• í-«-.™.e con,
O PH alcalino ajuda realniente a melhor solubiliração da peçonha nrín
ente quando se fa.em cintos muito concentrados Mas Tnotts eT
periencas tem-nos ensinado que é melhor dissolver tanto a peçonha m.r-, m '
os tnturados glandulares, até 4 vêzes. centntugando-se cir tz '^m 3
a filtração por papel. A primeira solubilização pode ser feita em niei T
O ‘I«^erá sir
para 6 a. ^ para 6 cc de soluto ou I glândula
Ua» «aÍlÍTo .'ar'""" — -.50
co„.r,o“l"'“;e”B^^^ 'fvtd •«'-
re„„er ho„.o„a«c„, ao a„o cri.ério e'ri,or cil.U.J^laTs
reparando-se os solutos glandulares, quer de glândulas recém evtn.H
quer guardadas em glicerina, a frio. em pH em tômo de 5 . com 4 “lavagens''
sucessiras e centnfugações. consegue-se não somente solubilizar completamen
te a peçonha (ern pH inicial 8 . depois 6 5 ) nm éste* » ~">P'f*amen-
atividade apro.rimadamente igual, e tan.^ais 0“
.sido o numero de glândulas. juamo maior tner
-Apesar das substâncias proteini formes estranhas o..a c i.-
to» ..aoduWe, . ^ - -
iranhos, po<lc-«. .mon..,,r com slândiih. • -T
meme CCKIOC ,le vária, cc„cm., o „ pema^h a T,,. *? "l"”
veneno „„ com glámlnte .,„e a me,na atividade iniriA """
A ...ulacão do, ,6ro, com veeno ..nro, Ao, ,erá «„,p,c prcterivel.
vrèotirilrS «'í
'“rir dir ';„t 'a media'
.»-e icada. em ‘,e r^dl' “a, dÜ
.0 o„ riri;::' rpiiíaiA^
camundongos em injegão ' ‘ «X»
Mcm. Ins:. Batantan,
2SfJ):l-2I. 1933.
WOLFGAXG BCCHERL
11
Se se quisesse admitir que o organismo humano tenha apenas a mesma
sensibilidade em face deste veneno que o do camundongo, deveríamos encarar
a possibilidade de, nos meses de calor, em que as aranhas injetam muito mais
peçonha do que no inverno, verificarem-se casos muito graves, principalmente
em crianças de pouco péso.
Consequentemente deveríam também 5 cc do sõro antictenidico neutrali-
zar pek» menos 5 mg de veneno sêco ou seja 1 mg por cc.
Comparando a atirídade da peçonha pura com os solutos glandulares, vemos
(|ue seriam necessárías 70 glândulas para produzirem o mesmo efeito de 7 mg
de veneno sêco. Deduz-se pois que a mídia de vencuo puro, ppr aranha, está
cm tomo de 2 mg. enquanto que as quantidades mínimas c máximas individuais
deverão naturalmente variar entre 0 e 8 mg.
Kão se pode concluir daí que, se por ventura fossem necessárias, cm
media, 500 glândulas para imunizar um cavalo, então seriam necessários 500
mg de veneno sêco, puro para obter o mesmo efeito imunitário, jwrque não se
tem realmente a garantia de que as glândulas estavam cheias ou mais ou menos
\-azias de veneno.
Xa imunização com veneno puro é mister proceder-se a ensaios, com di-
ferentes sangrias e dosagens do poder neutralizante do sõro. Certamente po-
derá iniciar-se a imunização com a dose de 0,1 mg de veneno sêco, dobrando-se
esta dose cada 4.® dia.
O fato de um carneiro, imunizado com 1 14 mg de veneno, não ter íonie-
cido sõro muito mais concentrado do que o que recebeu 239 mg demonstra
a necessidade de se fazerem diversas sangrias de controlo.
A velha questão de serem as peçonhas mais ati\'as no verão do que no
inverno, também está resolrída com a obtenção do veneno sêco. Êste apre-
senta sempre a mesma atividade e independe das variações climáticas. O que
não independe destas éa quantidade da peçonha, que é rcalmente muito
maior nos meses quentes.
Tudo isto tem seu ralor e deve ser tomado em consideração, pois o proble-
ma da Phonctdria nigriventer tende a estender-se também a outros países,
como o Uruguai, onde foi confirmado por Costa (7) e MacKinnon (8) : a
Argentina (9) e a própria .-Memanha. Xeste último país capturaram-se várias
dezenas de Phoncutria nigrifcnler, vindas com as remessas de Kinanas e es-
palhadas pelos armazéns dos ixirtos de Hamburgo c Brcmcn (10).
7. CO.NCLUS.^O
O melhor processo de s o 1 u b i 1 i z a r completamente a j)eçonha pura,
sêca, ou os macerados glandulares de Phoneulria nigrhcntcr consiste em dissol-
ISciELO
10 11 12 13 14
J2 DOSAGEM COMPARADA DA ATIVIDADE DOS EXTRATOS
GLANDULARES E DO VENENO PURO DE PHONEUTRIA
NIGRI’V"ENTER (KejrscTlin^), 1891
ve-los em água destilada com XaCl a 0,85/o, em 4 operações seguidas. Xa
primeira dissolve-se na solução alcalinizada (pH em tômo de 7 ou 8) e nas
outras 3, em pH neutro. A filtração por papel é substituída por centrifugação.
A proporção do veneno ou da glândula em relação ao solvente dc\-e ser de 1
mg de veneno para 6 cc ou 1 glândula para 6 cc de solvente.
Xa imunização de caralos com peçonha pura ou com glândulas in-
teiras há a considerar o seguinte:
Imunizando-se com glândulas totais, obter-se-á um sôro com uma série
de anticorpos estranhos, inúteis na soroterapia, provenientes de substâncias pro-
teicas celulares, glandulares, etc.., misturadas com a peçonha (fator da “opales-
cência" dos solutos glandulares) ; na titulação dos sôros, que deveriam
neutralizar pelo menos 1 mg de veneno sêco por cc, deveria substituir-se a d.l.m.,
feita cm cobaios, pela DL» ^ feita em grande número de camundongos ; para
obter-se maior rigor cientifico deveriam as titulações ser feitas com veneno
puro, sêco; quando feitas com extratos glandulares, deveriam êstes ser titu-
lados antes e depois.
Sempre será preferível, desde que se tenha bastante veneno sêco, imuni-
zar com êste, principiando-se com 0,1 mg. que corresponderia, em média, a 0,1
glândula e que seria a dose ãOÇÓ mortal, mais ou menos, para 140 gramas de
camundongo.
Do ponto de vista de acidentes humanos, ficam ple-
namente confirmados os casos, denominados na clinica de “leves”, de “média
gravidade”, “gravíssimos” e “fatais”.
Xos meses ou nos climas frios, uma Phoneulria nigriventer poderá ino-
cular nas picadas diretas quantidades de peçonha que o.scilam entre 0,03 mg
(media mínima) ate 1,84 mg (media maxima). A media nunima provocaria
os "casos leves”: a média máxima, os “casos de média gravidade”. A quanti-
dade média mesmo inoailada no inverno estaria em tômo de 0,438 a 0,7 ou 1
mg. Esta porção fomuiria o grosso dos casos clínicos leves ou de média gra-
vidade , naturalmente agravados, quando a ritima fôr de pouco peso ou de na-
tureza mais sensível.
O quadro clinico sofre uma alteração brusca no verão o.u nos climas com
temperatura constantemente quente. Por êste tempo a média mínima já es-
taria em tômo de 0,3 mg; a média, no sentido exato da palavra, já se eleva-
ria para 2 ou 2,5 mg e a média poderia estar em tômo de 3 mg de veneno puro.
A sintomatologia clinica já refletiria, por êste tempo, intoxicações de média
gravidade até gravíssimas (com comprometimento geral do sistema neuro-vas-
cular profundo e periférico: suores, calefrios, perturbações visuais até ceguei-
ra, vômitos, paresias, anúria, além da dôr local sempre presente.)
1 SciELO
Menu ToaU But^Un.
»(2):I-21. 1953.
WOLFG.\XG BCCHERL
13
Êste aspecto clinico, naturalniente, só pode ser considerado nomntivamen-
te. Há os casos e.xtremos, individuais. Individuais por parte da agressora (a
aranha) que pode, num caso determinado, não injetar veneno algum ou injetar,
em picadas repetidas 4-5 ou mesmo 8 miligramas ; individuais também pelo lado
da ^^tima fa pessoa), que pode ser criança na mais tenra idade, com pouco
peso. ou pessoa adulta, ou sadia ou íraca; pouco ou muito sensivel, etc..
Xa prática clinica, jxirtanto, podem decorrer anos, sem que liaja um só
caso fatal; mas também poderiam veri ficar-se seguidamente diversos casos fa-
tais. na ausência da soroterapia especifica.
Fóra da profissão e, portanto, incompetentes, apontamos ao especialista
apenas o que poderia acontecer, verificada a atividade assombrosa da peçonha
de Phoneulria nigríventer, perfeitamente comparável à de Crotalus tcrrificus
t^rrificus do Brasil. Cabe a éle a tarefa árdua c cheia de responsabilidade de
averiguar se deve ou não empregar o sóro num determinado caso.
Cremos poder dar o conselho, sem pretender entrar por scára alheia, que
entre nós, durante o verão, apresentando o paciente sintomas dc intoxicação
geral (sistema ners’oso) e tendo decorrido apenas pouco tempo desde o aciden-
te. é de bom aviso administrar-se o sóro anti-ctenidico, espccialmente, quando
a vitima fôr uma criança.
Temos visto, em animais de experiência, que depois de 24 horas, a toxina
iá está quase totalmente eliminada, de maneira que a soroterapia, decorrido
um dia, talvér não tenha mais indicação.
. ' 8. SUM.VRIO
Oní>re.scnte trabalho proaira apresentar uma repetição das pesfjuisas feitas
por Vital Brazil e Jean Veilard e trazer uma contribuição nova principalmcntc
no tocante às titulações e o preparo dos extratos das glândulas totais e da peço-
nha pura de Phoitntlría nigrhvnicr.
A ^
Fica demonstrado, segundo já tinham observado Brazil e \’ellard, que
as concentrações dos solutos glandulares, na proporção de 1 glândula por cc de
solvente e filtração por papel, não favorecem a solubilidade da peçonha, que
fica sóbre o pápel de filtro, principalmente quando os solutos s.ão ácidos.
Também os solutos concentrados alcalinos deixam grande parte da peço-
nha sóbre o filtro.
A solubilidade da peçonha pura ou dos macerados glandulares se toma
perfeita, quando se praticam 4 redissoluções dos resíduos e se substitui a fil-
tração por centrifugação.O ph alcalino favorece a melhor solução, mas c in-
dispensável.
ISciELO
10 11 12 13 14
II DOSAGEM COMPARADA DA ATIVIDADE DOS EXTRATOS
GI_\XDULARES E DO VEXEXO PURO DE PHOXEUTRIA
XIGRIVEXTER (Kcricrlinc), 1891
Glândulas estocadas eni glicerina pura, a 3°C, conservam tõda a sua ati-
vidade por meses.
As doses 50^ mortais por grama de camundongo são:
0,0007 glândulas por via subcutânea;
0,0007 mg de veneno puro, sêco, por via subcutânea;
0.0003 mg de veneno puro, sêco, por via venosa.
Por via venosa a peçonha age râpidamente, morrendo o animal dentro-
de meia hora a 1 hora e meia e começando a eliminação jâ depois dêste tempo,
para completar-se em 12 horas, mais ou menos.
Injetando-se a peçonha por via subcutânea, principiam os sintomas de in-
toxicação dentro de 10 a 15 minutos; agravam-se após outros 15 minutos a 1
hora, jxKlendo os animais falecer ainda dentro de 3 a 5 horas. A eliminação
da peçonha é completa em 24 horas.
Através do processo de obtenção do veneno puro, por picada direta de
aranha, mantidas viras no laboratório, são estabelecidas as seguintes ({uanti-
dades em mg que as aranhas podem injetar em picada:
mâ.xinias individuais: — 3, 4, 5, 6 até 8 mg; (no verão); 1, 8 mg no
inverno ;
médias: — 0, 4-0, 7-1 mg no inverno e 2-2, 5 mg no verão ou climas^
quentes ;
mínimas: — 0, 03 mg no inverno e 03 no verão.
Xos processos imunitários aponta-se a conveniência de os sôros serem
titulados com veneno puro, devendo preferir-se como animal de contrólo o ca-
mundongo, substituindo-se as mínimas pelas doses 50^ letais; indica-se ser
ideal imunizar-se com o próprio veneno puro. O poder neutralizante do sôro
anti-ctenidico deveria ser expressado em mg de veneno sêco, puro e o mesmo
deveria neutralizar pelo menos 1 mg de peçonha por cm*.
Demonstra-se que acidentes humanos fatais, devidos a picadas por Pho-
nculria nigríventer, são realmente muito raros, mas que podem veri-
ficar-se. devendo o clinico examinar a sintomatologia geral do paciente, seu
péso, o tempo decorrido entre o acidente e o tratamento, etc.., para capacitar-se
se deve ou não empregar o sóro específico.
Demonstra-se que a “opalescéncia” dos solutos glandulares nada tem a
ver com a atividade dos mesmos, isto é, que esta é devida â suspensão no soluto de
substâncias celulares, etc..
Confirmam-se as pesquisas realizadas por V. Brazil e J. Vellard no to-
cante a solutos concentrados ácidos, alcalinos e em relação à atividade do ve-
neno puro.
WOLFGAXG BCCHERI- 15
Mnn. In»t. BaUnUn.
2S(2):1-21. 1953.
Agradecimento :
Ao sr. J«ê Xa«s apresentamos nossos agradecimentos pelas
t " i-<.nrao seco das aranhas vivas.
timosos sersiços nas titulações dos solutos veneniieros.
Agradecemos igualmente às srtas. I.aurinda Pucc. e I.uzu
Seabra a colaboração prestada.
SUMMARY
1 stndies oí Vital Hrazil and Jean Vellard on thc action
“he s!iXr D..»...-™ «■•!,*,», <T, a n™ .ecWc U ,kscnt«<l
oi ,h. vmom ^ .h ^ gtads.
'.ThTfJ Ôn «.'ocWona of th. above a„n.io„ed auibo,. Jh.^-
concentnitcd Solutions, in acid as ivell as m n«itral ^
U.0 pr«,»r.ion oi . iland .0 -O- “ “““o, „„ Íbo iU.«.
paper-arc not radiaUe. as a fitrat »< 4
Tn ohtain complete solution of purc venom and ot poison j.
4oou.ive Solutions a,e tc^niml, «d. (ollowcd l,y centn usa «on^
The final extraet shonld be ta the r'»"”" J,' ,1 Zue tbe fies, soln-
or 1 poison gland, to 6 cc of liqui • * ^"Jtions niav bc neutral to litmus.
.ion at an alcaline pH. although “ ,0;.! during nionths in
Poison glands rctam their full actiMtj.
purc glycerina. at d^C.
The niean Icthal dosis per gram of mouse
sulKUtancously,
0,0007 gland • • ^ sulKUtancouslv.
0,0007 milligntm ol dned venom im„vennnsly.
0,0003 milligram of dned venom
When injected elimination sets
niice wthin half to one and a ha^f liours ^
in, becoming more '(Irst” s>-mptoms of intoxication are seen
On subeutaneus ^ ^ 60 minutes with the animais
withm 10 to ™2”to Tl^urs aftenvards. Thc elimination of thc venom m
succumbmg usually 2 to 3 nours -
.he snnivors is comptee in M pho«culría ..iyme»l.-r are kept
venom U extraeted every 7 «eeks in
'’™'^'e:"oí”Hr‘^., «tom a single adni. spider. are as loiions:
]A DOSAGEM COMPARADA DA ATIVIDADE DOS EXTR.\TOS
GL.\XDULARES E DO VENEXO PURO DE PIIOXEUTRIA
XIGRn'EXTER (Keyserlin»), 1891
a) In winter-time : 0,2 — 1,8 mg maximum;
0,4 — 1,0 mg mean;
0,03 — 0,1 mg minimum.
b) In summer time: 3,0 to 5,0 and even 8,0 mg maximum;
2,0 — 2,5 mg mean;
0,3 — 1,0 mg minimum.
Tlie speciíic anti-ctcnidic scrum should be standardized with pure venom
rather than with gland-e.xtracts, its neutralizing power being expressed in mg.
An efficient anti-ctenidic serum should ncuiralhe 1 mg of dríed venom
per cc or 70 lethal doses (LDjo), on mice, siibcutaneously.
Fatal accidents in human beings seem to oceur only occaskmally, even in
the São Paulo region, on thc Brazilian East coast and in the other South-and
Central .American countries, being still rarer in winter or cold climates. Ho-
wever, death may be possible (9 fatal cases having bcen obsen-ed).
Physicians are, therefore, ad\-ised to treat eveiy- case individually aceord-
ing to the age and weight of the victims, their susceptibility, symptoms of
intoxication and principally the time which has elapsed since the accident, in
order to judge if serum thcrapy is warranted.
ZÜS.\MMEN*F.\SSUNG
In vorliegender Arbeit werden die Erforsehungen und Giftbestimmungen,
dic \'ital Brazil und Jean \'ellard, an der Spinne Phonailria nigriventer vor-
genommen hatten, nachgcprüft. Andererseists werden wesentliche Verbesserun-
gen dargelegt, die es gestatten, sowohl das trockenc Keingift wie auch das in
den Giftdrüsen enthaltene Gift, exaktcr zu bestimmen.
Es wird gezeigt, wie schon Brazil und \'ellard gefunden hatten, dass
sowohl konzentrierte Drü.scngiítlõsungen wie auch Reingiftlõsungen (1 mg
Reingift oder 1 Giftdrüse zu nur 1 cem Lõsungsflüssigkeit), mit nachfolgendem
Abfiltern, das Gift nicht nur nicht ganz zur Lõsung bringen, sondem dass auch
sehr viel Gift auf dem Filterpapier bleibt.
Dies ist besonders der F'all, wenn das Lõsungsmittel sauer reagiert. In
alkalischem Médium ist die Lõsung etwas besser, aber auch bei weitem nicht
vollstãndig.
Um eine vollstàndige Lõsung sowohl der Reingifte ais auch der mazerierten
Giftdrüsen zu erhalten, empiehlt es sich, ais Lõsungsmittel physiologische
Koclisalzlõsung zu verwenden. Die Hauptsache jcdoch ist, dass man das Gift
mindestens viermal zur Lõsung bringt und immer heraach abzentrifugiert. Das
erst Mal lõst man am besten bei pH Werten um 8 herum; die weiteren
Menu Inst. ButanUn,
2$(2):1-2I. 1953.
WOLFG.VXG BCCHERL
17
Rückstãnde dann in neutraler Lõsung. Das Endverhãltnis von Reingift oder
Giftdrüsen zur Ldsungsmenge sollte 1 :6 sein, also 1 mg oder 1 Drüse auf
6 ccm Lõsungsmittel.
In schwach sauerem Glycerin aufbewahrte Giftdrüsen verlieren bei einer
monatelangen Konsei^-ierung bei 3.° C nicht an ^\■i^ksamkeit.
Die 50 Çíig tõdlichen Dosen dieses Giftes liegen pro Gramm Maus:
bei 0,0007 Giítdrüse, subkutan;
bei 0,0007 mg Reingift, subkutan;
bei 0,0003 mg Reingift, intravenõs.
Nach intravenõser Einverleibung kommt das Gift sehr rasch zur Wirksam-
keit und die Mãuse sterben schon nach einigen Minuten bis spãtestens 90 Mi-
nuten. Nach dieser Zeit setzt schon die Giftausscheidung ein und diese ist nach
ungefãhr 12 Stunden komplet.
Bei subkutaner Einspritzung findet man die ersten Into.xikationsanzcichen
schon nach 10 bis 15 Minuten. Sie werden immer schwcrer, allgemeiner und
bõsartiger inerhalb der nãchsten 15 Minuten bis zu 1 Stundc. Nach 3 bts
5 Stunden kõnnen immer noch einige Tiere sterben; dann beginnt die Aus-
scheidung, die nach 24 Stunden auch bcendet ist.
Diese giítigsten Spinnen Brasiliens werden in unscrem L.ab<)ratoriuni zu
Hunderten lebendig gehalten. Jede Woche oder jede zweitc \\'oche wird ilinen
das Gift abgenommen. Daliei Iiedienen wir uns cines dünnen, clastischen Gum-
roischlauches, dessen Enden an zwci langen Glaspipetten bcfestigt sind. Da
Phonetitria nigriventer sehr angriffslustig ist, beisst sie einmal oder auch mchrerc
Malc in den Schlauch, wobei ihr Gift im Innem desselbcn deponiert wird und
dann bequem auf ein Glas gebracht werden kann. Es wird in V'ahuum getrock-
net und kann so ais wcisslicher Staub monatelang im \'akuum über Kalzium-
clilorit aufbewahrt werden.
Nach dieser Methodc haben wir folgende mcngenmãssige Werte pro Spinnc
erhalten :
grõsste individuclle Mengen: — 3; 4; 5; 6 und sogar 8 mg im Sommcr;
1, 8 mg im Winter;
mittlere Menge: — 0,4 bis 0,7-1 mg im Winter und 2-2, 5 mg im Sommer;
Mindestmenge: — 0,03 mg im Winter und 0,3 mg im Sommer.
Die gleichen Dosierungsffem im Tier\ersuch beweiscn, dass das Trocken-
gift sowohl im Winter wic im Sommer die gleiche Wirksamkcit Iiat. Damit
kommen wir auch auf den Grund, warum altere Forscher immer gemeint haben,
in den heissen Jahreszeiten seien die Spinnen giftiger ais in den kalten. Sic
sind immer gleichgiftig, nur haben sie in den heissen Sommermonaten mehr Gift
ais in den kalten Jahreszeiten.
1 SciELO
IO DOSAGEM COMPARADA DA ATIVIDADE DOS EXTRATOS
GLANDULARES E DO VEXENO PURO DE PHOXEUTRIA
XIGRIVEXTER (KcrKrlinf), lg9I
Bei der Titulierung der durch Pferdeblut gewonnenen spezifischen Seren
ist es zu enipfehlen, dass man zur Bestimmung der Serumswerte Trockengift
vcrwendet, statt des niehr oder weniger unkontrollierbaren Giftdrüsenextraktes.
Am liesten ist es nutürlich, wenn genügend Reingift vorhanden ist, dass man
dic Pferde mit Reingift immunisieren kamn.
Reingiftlõsungen sind immer M-asserklar. Die “Opaleszenz” der durch
Drnsenzerreibung erhaltenen I^sungen steht mit der Wirksamkeit in keiner
Bezielumg, wie Brazil und \'ellard angenommen hatten, sondem ist vielmehr
der Ausdruck, dass nelien dem Gifte auch Zell-imd Muskelsubstanzen mit in
Suspension oder I^sung gingen. Da diese elienfalls ciweissartiger Xatur sind,
dürften die damit ge^vonnenen Seren viele unnütze Antikõrpcr enthalten, die
fúr die Therapie unerwünscht sind.
Die Titulierung der Seren sollte in Bestimmungen der 50 tõdlichen
Dose an Mãuscn geschehen, statt der bis jetzt angewandten mindest tõdlichen
Dose an Meerschweinchcn, weil die Mãuse billiger sind und vor aliem in grõs-
seren Mengen zur Verfügung stehen und weil man bei diesen Tiercn rclativ
wenigcr des so wcrtvollen Trockengiftes verbraucht.
Die Xeutralisierungskiaft des ^zifischen Senims sollte in mg ausgedrückt
werdcn und ein gntes Semai sollte wenigstens pro can 1 mg Trockengift neu-
tralisieren.
Wenn man unscre Erfahrungen über dic beim Biss in den Gummieschlauch
zu vcrschicdenen Jahreszeiten abgeschiedcnen Giftmengcn auf die menschliche
Therapie übertrãgt, so kommt man zu dem Schlusse, dass menschliche Todes-
fãlle durch den Biss von Phoncutria nigrh-enter zu ganz grossen
Seltenheitcn gehõren dürften, dass sie al)er immerhin im Bereiche des
Mõglichen stehen. Bisher sind 8-9 von Arzten lieglaubigte Todesfãlle, auch
erwachsener Menschen im Staat São Paulo vorgekommen.
Da, wie wir gesehen halicn, die eingespritzten Giftmengen grossen Schwank-
ungen unterworfcn sind, muss es immer dem liehandclndcn .Arzte anheimgestellt
bleilien, festzustellen, ob Leliensgefahr vorhanden ist und ob es nõtig ist,
Scrum zu spritzen. Ist das Allgcmeinbefinden des Paticnten gcstõrt, machen
sich Sehstõrungcn. Pulslieschieunigung. Schüttelfrost und í^lielkeit, etc.., lie-
merkbar und ist der Patient ein Kind mit wenig Gewicht und ist erst eine sehr
kurze Zeit zwischen dem Bisse und der Behandiung verflosscn, so ist die spe-
zifische Serumbehandlung unbedingt angezeigt.
Zum Schlusse zeigt diese Arbeit noch auf die Mõglichkeit hin, dass dic
giftigstc Spinne Brasiliens, Plioneutria nigrhvnter, auch in Uruguay, Argen-
tinien vorkommt, ja selbst schon bis nach Hamburg und Bremen mit den Bana-
nenexporten Lateinamerikas verschlcppt worden ist, dass es sich also empfiehlt.
'Mcm. Inst. But^ntui,
«(2):1-2I. I9SJ
WOLFGAXG BfCHERI.
19
wenn die betreffenden Lãnder wenigstens cin kleines Serunideixit. das aiis Ilu-
tantan zu bezíehen wãre, halten würden.
LITERATURA :
1. Brasil, r. & rfllard. J. — Mem. Inst Ilutantan 2: S-78, 1925.
2. CuitnarõfS, J. L. — Gazeta Qin.. São Piulo, X.® I, 1916.
3. Vellard. J. — I^ \'enin des .Araignées. iLlasson, Paris, 1936.
4. Fonseca. Fl. — .\nimais Peçonhentos. Inst Butantan, S. Paulo: 262-275. 1949.
5. Brasil. I'. & 1'ellard. 1. — Mem. Inst Butantan, 3 : 243-299, 1926.
6. Reed. L. J. & Mucnch. //. — .\m. J. Hyg. 27 : 493-497. 1938.
7. Cosia, R. S. — .Anal. Inst. Hig., Montevideo. 3 : 57-66, 1949.
8. Mackinnon, J. F... & ICitkind. J. — .Aracnidisnio necrótico. .Anal. Faculd. Mcd.
Montevideo, 38 : 75-100, 1953.
9. IlHirra Grasso. A. — .Aranas e .Araneismo — I.a Semana Medica — Tomo Cin-
coentenário, (2) : 763-793, 1944.
10. SchmidI, G. — Lher die Bedeutung der mit Schiffsladungcn in Dcutschland
eingesehleppten Spinnentiere — .Anzeiger für Schãdlingsk, 26 : 97-105, 1953.
20
DOSAGEM COMPARADA DA ATIVIDADE DOS EXTRATOS
GL.VNDULARES E DO VENENO PURO DE PHONEUTRIA
NIGRIVENTER (KtjKilin*). 1891
GLÂNDULAS TABELA I
Mem. Inst. Butantan,
2S(2):1-21. 195J.
WOLFGAXG BCCHERL
21
Mas. In«. Bstantin.
íS(2):2J-27. 1933.
JOSt M. RfIZ
23
ESQUISTOSSOMOSE EXPERIMEXT.VL
4. Nasua mrica e Didclphis paraguayensis, aniniais sen.Mveis à infestação
experimental pelo Schistosoma mansoni
roR JOSÉ M. RUIZ
CSfCíâo df Parasílologia, Instituto Butantan)
A infestação experimental dos animais silvestres da nossa fauna nao tem
sido convenientemente estudada, o que ixjde ser julgado como uma deficicncia
no que diz respeito aos nossos conhecimentos sòbre equistossomose experimenta .
A importância dos animais domésticos e selvagens como jxissiveis \ectores po
tendais da esquistossomose tnansoni c fato que deve ser compro%-ado pela cxiic-
rimentação. . i
Este assunto tem sido alvo de j)es<iuisas muito recentes entre nos
o mesmo já chamámos a atenção diversas vezes. Em notas anteriores mos-
trámos a .sensibilidade à infe.stação experimental de divergis csi>ecies ammais
comuns da nossa fauna como o mão-pelada, a paca c o furao.
Tavares <h Sih-a (1945) dá noticia sóbre a infestação do preá, Cazda aperea;
César Pinto e Finnato de Almeida, no mesmo ano. conseguiram infestar o
tatú pelúdo, Euphractus sexcinclus.
Experiências com o veado mateiro, Macana americana, e a capivara. Ilydro-
choerus hydrochoerus lc 3 -adas a efeito iior esses autores, e com o cachorro dc
mato, Cerdocyon thous azarac fcitM Jxir nós (inédito), nao conseguiram ce-
monstrar a sucqitibilitlade á infestação dè.sses animais.
Em trabalho recente, Dcnald L. Pricc (1953), traUlhando com material
da América Central, relata a infestação exiierimental da cotia. Dasyprocta aguti,
que eliminou ovos pelas fezes 65 a 72 dias depois da infestação.
Em comunicação pessoal que nos fez o prof. Lauro Tra\'assos, do Instituto
Oswaldo Cruz, já no deairso de nossas atuais verificações, soubemos que o gambá,
Didclphis aurita, já fora por ele assinalado como hospedeiro natural e exiieri-
mcntal do Schistosoma mansoni, na Hahia. As obser\-ações do Prof. Travassos
tém, portanto, prioridade sobre as relatadas na presente nota, com referência aos
didelfideos.
Entregue para pablicaç.ir> em 2.4X1.53.
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
24
ESQL-ISTOSSOMOSE EXPERÍMEXTAL
A infestação natural de roedores silvestres nelr» ^
no Egipio (Knote, 1952) e no Congo Belg, 19 mT’ Vo R “T'*- “
sendo (eilas atoalmente pesquisas nesse Tmido e a '.i t
Mcontro de murideos da eegião nordestina, infestados em coTdiçSrnâlnraÍ
preiente ia "■- n
sonf 'T relatanws a infestação experimental obtida em dois repre-
sentMtes comuníssimos da nossa fauna: o coati, A*<w»a „anca, e o gainbá
Dtdelphis paraguayensxs. ^
bido 'd?‘ÍÍ''v'‘’ ’"'f'’. Um exemplar adnlto rece-
&330 -^"'nnal. Est. de Goiás, em 8-I2-I952. Vúmero de registro
Gambá”, Dídclphis paraguaycnsis. Família Ditklphiidac Cinro
um rrp,.“L"rr;:t:.,tí'^^ t r -i»-
Est. de Minas Gerais (inoculação 34) Tm Guaranesia.
pro«dente de B™madl. Est. de S. L" (in^lÍo T T"' T'
ndultos, fêm^ „,o 6.394 (i„oc„,u,3„, 36), maeho Ò .0 6 W
procedentes de João Eugênio, Est. de Paraná. ^ oailaçao 37),
Inoculação transcutánca. (x-locando-se o material iiife.;nnf,. r
sobre a Miperficie vcntral prêviamente raspada à máquina e la^-ada com"''"''*^
ZZs. cm condiçS!
eedemrde ^ "-H»- P^»-
Est. de Miti^ Gerais. Exposição á Ine artilHa", dnrante eêi d/"».’
on-tnSr^e ^rm^oti'df lfet!:\ “ ? — -
artificial durante cerca de uma hora. * Exposição a luz
Gambás (inoculaç<5es 34, 35 36 )7 ít^ lo r riv t
de cinco moluscos do lote n.» 32. 'procedentes de^ Ca^^P ^^^i
procedentes de Caratinga, Est. de .Minas
1 SciELO
Mem. Inst. Butantan.
»( 2 ); 23 - 27 . 1953 .
JOSÊ M. RUIZ
Gerais. Xúmero de cercarias elevado, não determinado. Exposição durante
15 a 20 minutos ao sol, mais 5 a 10 minutos à sombra.
Exames de fezes pelo processo de sedimentação, H. P. J., examinando-se,
no minimo, duas lâminas com laminula 18 x 24 mm.
Coleta de vermes adultos exclusi\-amente pelo processo de períusão do
sistema porta. Todos os orgãos foram fixados, a seguir, em formol fisiológico
a 10%.
RESULT.\DO
Inoculação, 23 — Nasua narica. 17-4-53.
Exames de fezes em 16, 20, 26 e 30 de maio, negativos para ovos de S.
mansoni. Exames de fezes em 10, 13, 15 de junho e 6 de julho, positivos
para ovos de 5. mansoni. A eliminação de ovos deu-se, portanto, após 54 dias
da data da infestação. A pesquisa de ovos resultou sempre positira nos. exames
feitos após aquele prazo.
Em julho, o coati e\’adiu-se do cativeiro, tendo desaparecido, razão por
que não foram feitos exames subsequentes.
Inoculação, II — Didelphis paraguayensis. (ref. 102). 2-5-52.
Vários e.xames de fezes negativos para ovos de S. mansoni.
Necropsia cm 1-8-52, ref. 143. .Vusência de lesões macroscópicas cm
todos os orgãos. Ausência de vermes adultos. Ausência de o^•os na mucosa
do intestino grosso c reto.
Inoculação, 34 — Didelphis paraguayensis. 19-5-53.
Exames de fezes em 20, 26 de maio, 16, 17 c 30 de junho e 3 de julho,
negativos para ovos de S. mansoni.
Necropsia em 3-10-53. ref. 476. Lesões esbranquiçadas, puncti formes, no
figado. \’ermcs adultos, vivos, risíveis nos plexos do intestino grosso. Cole-
tados 14 exemplares machos de S. mansoni. Ausência de fêmeas.
Inoculação, 35 — Didelphis paraguayensis. 19-5-53.
E.xames de fezes em 20 e 26 de maio, 16, 17 e 30 de junho. 3 c 4 de
julho, 27 de agosto, 4 e 18 de setembro, negativos para ovos de S. mansoni.
Necropsia em 2-10-53. ref. 475. Lesões esbranquiçadas, punctiíormes, fre-
qüentes, no figado, bem como nos pulmões onde aparecem mais extensas. Ver-
mes rivos visiveis nos plc.xos venosos do reto. Coletados 4 exemplares machos
de 5". mansoni. Ausência de fêmeas.
Inoculação, 36 — Didelphis paraguayensis. 19-5-53.
Exames de fezes em 20 e 26 de maio, 16 de junho, 4 de julho, 27 de
agosto e 4 de setembro, negativos para ovos de S. mansoni. Exame de fezes
.em 30-9-53, data da necropsia, positivo, tendo sido encontrado um ovo morto
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
26
ESCfISTOSSOMOSE EXPERIMENTAL
eni duas lâminas examinadas. Necropsia em 30-9-53. rei. 474. Fígado e
pulmões com lesões macroscópicas frequentes, como no caso anterior. Coletados
16 exemplares machos e duas fêmeas de S. mansoni.
Inoculação, 37 — Didelphis paraguaycnsis. 19-5-53.
Exames de fezes em 20 de maio, 17 de junho, 3, e 4 de julho, 27 de
agosto. 4 e 18 de setembro e 6 de outubro, negativos para ovos de S. mansoni.
Animal em observação até a presente data (18-11-53).
RESUMO
Foram submetidos à infestação experimental um coati, Xasua narica, e
5 gambás, Didelphis paraguaycnsis.
0 coati eliminou ovos viáveis pelas fezes a partir do 54.° dia da infestação;
todos os exames de fezes, em número de quatro, feitos a partir dessa data
foram positivos para ovos de 5". mansoni.
Dos gambás inoculados o primeiro (inoculação 11) não apresentou infes-
tação aparente, baseada em exames de fezes, da mucosa do intestino grossa
e do reto, bem como na perfusão total do sistema porta.
Os gambás das inoculações 34 e 35 apresentaram uma infestação pouco
intensa, apesar de inoculados com número grande de cercarias (número não
determinado), e constituida exclusivamente por machos.
ü da inoculação 36 apresentou uma infestação mista, constituida de 16
machos e 2 fêmeas, mas o encontro de ovos nas fézes verificou-se somente na
data da necropsia, fato que talvez deva ser atrilniido à fraca infestação.
CONXLUSAO
1 — O coati, -Yfljiía narica mostrou-se um bom hospedeiro experimental
do Schislosonta mansoni, conclusão baseada na eliminação regular de ovos viáveis
pcla= fezes.
2 — O gambá, Didelphis paraguaycnsis não pode ser considerado um bom
hospedeiro experimental, nas condições em que trabalhámos.
SUMMARY
One “coati”, Xasmi narica, and five “gambás” (opossum), Didelphis
paraguaycnsis, were submitted to experimental infection with Schislosoma
mansoni.
Egg climination in "coati” was observed in stools on the 54 th. day after
Mcm. In»:. BuUnUn,
»(2):2J-27. I9SJ.
JOSt M. RUIZ
27
intestation. Exaniinations ot stool after this period, in number oi four, showed
typical cggs of S. tiiansoni.
The first “gambá” did not show any apparent infection; examination of
stools, inucosae of the large intestin and rectum and perfusion of the portal
System were negative.
Two “gambás” presented a weak infection with only males 5. tmusoni.
The fourth “gambá” presented a double sex infection (16 males and 2
females adult worms) but only in the necropsy was seen one egg in stool (4
months and 11 days after exposure to infection.).
The fifth “gambá” has not yet been submitted to necropsy. Exaniinations
of stools for S. íHansoni’s eggs were negative to this date.
BIBLIOGR.\FI.\
1. Kuni:, R. E. — Natural Infection of an Egj-ptian Gcrbil with Schislosotna montoni.
Proe. Helm. Soc. JFashingtoH, 19 (2) : 12J 1952.
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Mcm. I»r. Bntantan.
JSa):29-33. 1953.
JOSÊ M. RUIZ
29
PROCESSO RÁPIDO DE PERFUSAO DO SISTEMA PORTA DE
MAMÍFEROS PARA COLETA DE ESQüISTOSSOMATiDEOS,
APLICAVEL AOS TRABALHOS DE CAMPO.
POR JOSÉ M. RUIZ
íSccção df Paroíilologia, Instituto Butantan)
Eni 1952 descre\’emos uma técnica prática de perfusão para coleta de
Schistosoma mansoni em animais de laboratório.
Pela técnica então descrita, o tempo de trabalho para a perfusão de um
pequeno animal, desde a aliertura até a separação dos helmintos c respectiva
contagem, é de cêrea de uma hora.
Como a economia de tempo é de grande importância, principalmente nos
trabalhos de grande amplitude, procurámos melhorar ou simplificar o processo
de perfusão ijue terá forçosamente uso generalizado nas pesquisas sobre esquis-
tossomose e.xperimental.
Xos inquéritos epidemiológicos, tendo-sc em vista a indagação sóbre ixis-
siveis hospedeiros definitivos entre os animais silvestres ou domésticos, seria
igualmente interessante haver uma técnica de perfusão simples e ráiúda c que
constasse de aparelhagem de fácil transporte para trabalhos no próprio campo.
Tais desideratos parece terem sido conseguidos com a técnica que passamos
a descrever e que temos utilizado com resultados muito bons.
Técnica:
1 — Sacrificar o animal com éter ou clorofórmio.
2 — Expôr os orgãos torácicos e abdominais mediante ampla incisão pelos
lados do ventre e tórax, cortando inclusive as costelas ao longo das ixjrções
cartilaginosas.
3 — Ligadura dupla da veia cava inferior acima do diafrágma, cortando-a
entre as ligaduras.
4 — Ligadura simjJes do esófago, imediatantente acima do diafrágma,
cortando-o acima dessa ligadura.
Entrrguc para publicação cm 23.XI.5J.
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
30 PROCESSO RÁPIDO DE PERFUSAO DO SISTEMA PORTA DE
mamíferos para coleta de esquistossomatideos Apli-
cável AOS TRABALHOS DE CAMPO
5 — Flexionar para a face dorsal a região torácica do animal a fim de
expôr melhor a artéria aorta. A própria borda de uma placa de Petri (15 cm
de diâmetro) serve para tal fim. colocando-se o animal com o tórax ao nível
da referida borda. Em se tratando de animais maiores, trabalha-se sobre uma
bandeja de tamanho variável e o tórax é flexionado, colocando-se um calço soh
a região torácica. A placa de Petri ou a bandeja devem ficar ligeiramente
inclinadas para o lado do operador.
6 — Incisar a aorta no mínimo um cm. acima do diafrágma; introduzir
a cânula e amarrar.
7 — Cortar a veia porta.
8 ^ — Passados cerca de 5 minutos, o figado ja estará suficientemente per-
fundido. Pinçar a veia cava entre o rim direito e o fígado. Por esta operação
a corrente liquida passará com maior pressão pelos ple.xos mesentéricos, já
perfundidos desde o início. Continuar a perfusão durante 2 ot» 3 minutos mais.
a fim de garantir uma bóa la\-agem dos plexos.
9 — La\-ar o animal num frasco de bóa cai>acidade, quasi repleto de água.
ou sob uma torneira, recolhendo o liquido num recipiente.
10 — Separar os vermes por decantação.
Liquido perfusor. Preferivelmente usar um liquido citrado, por exemplo,
com a seguinte fórmula: Gtrato de sódio 0,30^0, Cloreto de sódio 0.70%
em água distilada ou mesmo água comum.
Aparelho. O aparelho que idealizámos, que serve tanto para trabalhos de
laboratório como de campo, c o que consta na Figura 1. Um frasco de Kitasato
com capacidade para 500 ou 1.000 ml (F), ao bico do qual se adapta uma
pêra de borracha do tipo utilizado para enchimento de ampolas nos laboratórios
de hipodemiia (A). A rolha de borracha adaptacb ao bocal (em nossa figura
trata-se de uma peça inteiriça de vidro) apresenta duas perfurações por onde
passam dois tubos de vidro em L invertido. Um dos tubos (B) apenas ultra-
passa o nível inferior da rolha; superiormente tem adaptado um pequeno tubo
de líorracha que é preso por uma pinça de Mohr. Este tubo seive para dar
cscapamento ao ar, quando se deseja suspender o jacto de liquido. O outro
tubo (C) \-ai até o fundo do frasco, podendo ter adaptado na extremidade
um pequeno tubo de borracha. Na parte superior dèsse tubo liga-se o fino
tubo de borracha (D), ao qual por sua vez se adapta a cânula (E). Esta
poderá ser de vidro ou constar de uma simples agulha de hipodemiia sem
bisel.
Dados técnicos. Antes de introduzir a cânula na aorta, bombar a pêra
até produzir o jacto de liquido, afim de ciitar a introdução de ar nos vasos
sanguíneos, o que dificultaria a perfusão; prende-se com o polegar e o indicador
o tubo de borracha logo acima da base da cânula, interrompendo o jacto de
Mnn. Inst. BaUnUa.
I5(2):29-33. 1953.
JOS£ M. Rt^lZ
31
liquido, no momento da introdução dela na aorta. Uma vés introduzida a
cânula, solta-se o tubo e amarra-se a artéria.
Para interromper a corrente de liquido a qualquer momento, abre-se o tubo
de escapamento de ar (B).
Xo fim da perfusão, faz-se escapar o ar do aparelho e suspende-se a
cânula para que o liquido contido nos tubos (D e C), volte ao frasco (F).
Havendo necessidade de perfundir o fígado e o restante sistema porta em
separado, bastará ligar a veia porta do lado do mesentério, perfundir o fígado,
lavar e recolher os vermes e depois prosseguir a operação, ligando a veia cava
abai.xo do fígado e soltando a ligadura da veia porta.
RESUMO
É proposta uma nova técnica rápida de jier fusão do sistema ixjrta de ma-
míferos para a coleta de equistossomatideos.
É descrito um novo aparelho, de fácil transporte, para tal fim.
A técnica descrita possibilita a aplicação do método de perfusão cm tra-
balhos de campo.
SUM.\I.\RY
A new and rapid períusion tcchnique for revovery of schistosomatids from
the portal system of mammals is described.
A new apparatus of easy transport for this purjxjse is al.«o described.
The api)lication of pcrfusion ná-thod by this techniquc is suitable for
laborator)’ and field work.
BIBLIOGR.VFIA
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cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
Mnn. Insf. Bntantan,
2S(2):29-33. 1953.
JOSÉ M. RUIZ
33
Perinao d» coUi» pilo procttso dtKfito.
Mem. Itot. BatanUn.
ZS(2):35-3«. 1953.
CATHARIXA M.
W. BRANDI, E. CABIB & J. U
PRADO
35
IDEXTIFICAÇAO CROMATOGRAFICX DE ADRENALINA E
ARTERENOL NA ADREN.AL DE OFiDIOS (1).
C.^THARIXA M. W. BRANDI (2). E. CABIB & J. L. PRADO
(Laboratórios de Farmacologia e Bioquímica da Escola Paulista de Medicina, São
Paulo, Brasil e Instituto de Investigaciones Bioquímicas, Fundación Campomar,
Buenos ^iVrj, Argentina.)
A adrenalina e o arterenol já foram identificados em extratos de adrenal
de várias espédes (cf. von Euler, 1950). Valle e Porto (1945) determinaram
o conteúdo de aminas simpatomiméticas nas adrenais de Bolhrops jararaca, mas
como o método biológico empregado não permitia esclarecer a natureza das
substâncias estudadas, pensamos em identificá-las por cromatografia.
MATERIAL E MÉTODOS
Preparação dos extratos. Cinco a dez serpentes adultas {Philodryas sp.)
(4) foram anestesiadas com pentobarbital e suas adrenais (peso fresco medio,
27 mg) removidas, separadas da melhor maneira iwssivel de teddos aderentes
e os e.\tratos para cromatografia preparado.s segundo Cabib (1951).
Cromalografta. Utilizamos papel de filtro Whatman n.® 1, la\-ado segundo
as recomendações de Hanes e Islienvood (1949). A câmara de cromatografia
era idêntica à descrita por Block (1950), o solvente conforme Cabib (1951),
e as manchas reveladas segundo James (1948). Nas cromatografias dos ex-
tratos empregavam-se simultaneamente, conforme as experiendas, substâncias
padrões mencionadas a seguir.
Colocando-se unu faixa do extrato sôbre o papel, na linha de origem, e
fazendo-se a cromatografia com álcool etílico a 96%, conseguia-sc uma puri-
ficação prdiminar. A “revelação” de uma estreita fita lateral com o reagente
Recebido para publicação etn 12. XII. 53.
(1) G>m auxilio parcial do Conselho Nacional d- Pesquisas.
(2) “Bolsa Lederle de Farmacologia c Quimioterapia. 1953".
(3) Elndereço permanente: Instituto de Ins-estigaciones Bioquimicas, Fundación Campo-
mar, Julian Ah-ares 1719, Buenos .Aires.
14) Nossos agradecimentos ao Prof. Dr. D. Fonseca Ribeiro, então Diretor do Instituto
Butanton, pelo fornecimento dos ofidios empregados.
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
36
^«REXALIXA
1 tKtXOL, XA adrexal De ofídios
e ferncaneto, pennitia a localização do material cromatografado e conse-
quentemente a sua eluição com água. O eluato. evaporado em vácuo, era então
recromatografado com o solvente álcool/cloreto de amónio (Cabib, 1951) ou
com tenol em atmosfera de ácido cloridrico.
Ensaio biológico. Ensaiámos a atividade vasosronstritora dos eluatos na
preparaçao vascular de Uwen-Trendelenburg empregando o Bufo icterícus. Spix
como animal de expenencia e a técnica recomendada por Rapela (1948).
RESULT.\DOS E DISCUSSÃO
A cromatografia em papel dos extratos originais com etanol/cloreto de amó-
nio revelou duas manchas com as mesmas córes da adrenalina e da nor-adrenalina
respectivamente, mas com >-alores de Rf muito mais altos (Fig. 1). Quando a
adrenalina e a nor-adrenalina eram misturadas ao extrato original somente apa-
reciam aquelas duas manchas, talvez porque alguma impureza contida no extrato
nlodIflca^a os Rt das substancias adicionadas. Por causa disto os extratos ori-
ginais foram inicialmente purificados por cromatografia com etanol a 96^c e
depois recromatografados com etanol/cloreto de amónio. Nessas condições ^ajia!
receram duas manchas, que correspondiam à adrenalina e ao arterenol e ain^a
uma terceira mancha, mais rápida, e que designamos mancha X fI " )
Èste composto A', extraído do papel., possuía propriedades vaso-constritoras
quando ensaiado na preparação de Uwen-Trendelenburg. A mesma fig
mostra que outras substâncias relacionadas tais como hidrLi.irannna e epinma"
que [loderiam estar presentes nas adrenais, migram no papel com veleidade
q)mina foi adicionada ao extrato antes da cromatografia. a mancha X foi
reforçada (Fig. 2). Poder-se-ia pensar dai ser a substância res{>onsâvel pela
no^a mancha a própria epinina mas a recromatografia com fenol da num^ha
X retorçada veio revelar duas manchas corrcsiiondcnlcs, provavelmente a
uas substancias diferentes. Preparando-se os extratos de adrenal com álcool
/aedo clorídrico (Shepherd e West, 1952) em lugar de ácido tricloroacético
s^ente duas numchas. com os mesmos Rf da adrenalina e nor-adrenalina apa-
receram no cromatograma. ’ ™
Todos esKs resuliados podeni sor explicados se lor leila a suposição de
qj a s>,l»la„c,a .\ corresponde a um composto da adrenalina com o ácido
tndoroacetico, do lipo descrito por Shepherd e West (1952). .Va verdade
venhomms que adrenalina autentica, ntistuntda com nn. pouco de ácido trict’
Z ZTr, d ""-««rama.
da mlül ™ “mqlhaite àquele
1 SciELO
Mm. Insf. ButanUn,
»(2):3S-38. 1953.
CATHARIXA M. W. BRANDI, E. CABIB & J. U
PRADO
37
RESUMO
A adrenalina e o arterenol foram idei.tiíicados, por cromatografia em papel,
em extratos de adrenais de ofídios {Philodryas sp.).
Se os extratos são preparados com ácido tricloroacético, aparece nos cro-
matogramas uma terceira mancha, que possui atividade \-aso-constritora. Esta
terceira substância corresponde pro\-avelmente a um composto de adrenalina com
ácido tricloroacético, do tipo descrito por Shepherd e West (1952).
SciELO
10 11 12 13
IDEXTIFICACAO cromatografica de adrenalina e ar-
TERENOL NA ADRENAL DE OFtDIOS
LEGENDAS DAS FIGURAS
Fig. 2. Diagrama de cromalograma de extrato adrenal purificado.
A — mistura de adrenalina e nor-adrenalina sintéticas.
a) mancha da nor-adrenalina (azul) : b) mancha da adre-
nalina (rosa).
B — Extrato original de adrenal.
C — Extrato original misturado com adrenalina e nor-adrenalina.
Fig 2. Diagrama de cromatograma de extrato adrenal purificado.
A — manchas de nor-adrenalina (a) e adrenalina (b).
B — Epinina
C — Extrato adrenal purificado; nor-adrenalina (a), adrenalina (b)
e mancha X.
D — Extrato adrenal purificado misturado com epinina; nor-adrena-
lina (a), Adrenalina (b) e mancha X reforçada.
E — Hidroxitiramina.
WcnL Insf. Balantaa.
S(2):39^. 1953.
CATHARI.VA m.
IKÍg'- ^ «
J. u
39
CHRO.MATOGRAPHIC IDEXTIFICATIO.V OF ADRFVAI iv,-
ARTEREXOL IX SXAKE ADrIx.A^s (U
CATHARLXA M. >V. BR.AXD. <>,, R, cab.d » j. ^ pr^do
(Laboratonos de Farmacologia e Bioauimirn n i „
Both adrenaline and arterenol Sav»
from the adrenal glands of several snerJ " ^ P‘’“€"í «n e-vtracts
Por.» (,«5) dJnpined ,he "mL T Valle <t
adrenal glands of Bothrops Jararaca As substances in the
not give suffidcnt information aboui th. . ^ys then used do
.t was decided to identify them by paper crnL^ographV^"'”"''
material and methods
wc„^:rr.irpro7:Lr'r
to that devísed bv niock O9ã01 Tb |®™®'°Srapf’'c chamber was similar
(Cabib. 1951) and the spost re«IJr‘ ^
ard substances werc al^aj-s run bv f? (I94S). Stand-
chromatograin. ^ ‘^e unknon-ns in the same
In several instances a preliminan- purification
a band of the extract was appHed along the startin^ V “ íolloi^-s:
S me starting hne and chromatographed
3 ) Permanoit address: Institirto de Investígaci^^R^'’
Juhan AK-ares 1719. Buenos .Aires. '«mímicas, Ftmdación Caiiipomar,
a) Thanks are due to Prol. D. Fonsrca Ribeiro fhet, n-
suppiied the snakes emploj-ed. ’ 'reclor of Butantan Institute, who
-ÍU
chromatographic of adre:
-AKItKEXOL IX SNAKE ADREXALS
f\ c, rfl L. I t
■ V- • » í»
'iérric^nir rZlLt'^Z\vh2^‘bJ!r' '"^ -
und eluted wíth Ztí ‘he substances .-as cut off
whh ibe aIcoho..ai:ini^%trL'^^^^^^^ -bFoniat„
. hvdrocbloric acid atniosphere. ^
on the vaLiar uÍ-en-?r'adX,Wg7r T ^pr'’
results axd discussiox
Chioride sp<,lsTa‘,77to'„7 rthThramT»]"’ "'“'
adrenalina respectively, bm „i,h mnch hieher Rf T “ “«i "<•’■
H hen adrenalina and nor-adrenaline «ere Lxed th“' “ ‘T" '■
to cliromatography ,he ranre spols appeared as ,vith he
that some impurílv present in ihe i^n j-r *^iiari alonc. suggesting
.-raphv .-m, Sb v^ SZZ "> "--o-
*on.,ogr,„bed again „á.b cb^mi/L^Zn^dl 'T
PondiníT to adrenaline and arterenol wcre obtainod • i f ’ ^
one (spot X) was aiso visible (Fig ’) Coinno \ v ^
1 » 1 - and ionnd .„ ba a —H-^ng rSTc. ÍZTT^
Olher rclatcd substances, whích niígbt be present ín the I i - '
xytyraniine and epinine. move along the paper at a r t
from that of compound \ ÍFiV Wh^ ^ completely different
.0 .be extrac. bafore cbrUlog^hv, 'T'’ 'l”"''"’ ''»* >"'<■
2. By chromatography of the extract mí ? -• u shown in Fig.
of spot .X and new chronutograpíu- wiihllienol foHowed by extraction
»ng tiiat epinine and substance X are probablv "dBf'^'* obtained. she-
“ - r -nr:"-
c.«gra^^^^^^ Witb tbe same a^t^e ^ ^
is an adr^rneTrkÍilITLnrdrn*^
and ^\•est (1952). xMoreover addif described by Shepherd
adrenaline before cbLlTorrÍ 7: "T to autíentic
-Wd. .be same Ri
of spot X. " rather similar to that
1 SciELO
Mem. Insc. Butantan,
2S(2):J9-44. 1953.
CATHARINA M. \V. BRANDI. E. CABIB A J. L.
PRADO
41
SUMMARY
Adrenalin and arterenol were identified by pai)er chroniatography in ex-
tracts from snake adrenals {Philodryas sp.).
\\’hcn trichloroacetic acid extracts were chroinatographed, a third siwt,
corresponding to a \-aso-constrictíng substance, also appeared. This third sub-
'íance was tentatively identified as an adrenaline-trichloroacetic acid conipound,
of the tj’pe described by Shepherd and West (1952).
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SciELO
10 11 12 13
42
CHROMATOCRAPHIC IDENTIFICATION OF ADRENALINE AND
ARTERENOL IN SNAKE ADRENALS
LEGEXDS TO THE FIGURES
Fig. 1. Diagram of a chromaiography of original adrenal extract.
A — Mixture of synthetic adrenalin and artercnol; a) arterenol
sport (blue) ; b) adrenalin spot (pink).
B — Original adrenal extract.
C — Original adrenal extract mixed with adrenalin and arterenol.
Fig. 2. Diagram of a chromaiography of pnrified adrenal extract.
A — .Arterenol (a) and adrenaline (b) spots.
B — Epinine.
C — Purified adrenal extract; arterenol (a), adrenalin (b) and
spot X.
D — Purified adrenal extract mixed with epinine; arterenol (a),
adrenalin (b) and reinforeed spot X.
E — Hydroxy-tyramine.
I
1
Mczn. Inst. Butantan, CATHARINA M. W. BRANDI, E. CABIB & J. L*. ^ ^
2S(2):39-44. 1953. PRADO
SciELO
10 11 12 13 14 15
Mcm. Insi. BaUntan,
»(2):4S.S3. 1953.
JOSÉ U. RUIZ
45
CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DAS FORMAS LARVARIAS
DE TREMATÓIDES BR.\SILEIROS.
4 Xota sobre o sisteiiia excretor <b cercaria de Schistosoina mansoni.
Fo« JOSÉ M. RUIZ
(Sfcfão dc Parasitologia, Instituto Butantan)
Cercaria blanchardi Pirajá da Silva, 1912 é o nome com que ajiarece, jiela
primeira véz na literatura cientifica mundial uma cercaria de Schistosomatidac.
F'oi aintla a primeira furcocercária descrita nas Américas.
A descrição sumária e a falta de dados anatómicos imiiortantes nãt» desme-
recem a diagnose original, perfeitamente compativel com a cjioca. As dimensões
e as figuras que ilustram o tralialho, as condições locais e o hosi>edeiro assinalado
e figurado jiclo autor, nos fazem sentir, como a I.utz. tratar-se da forma larvária
dc Schistosoma mansoni.
Quando Leiiicr (1915-1918) investigou o ciclo evolutivo de Schistosoma
hoA-matobium e S. mansoni no Egipto, não deu detalhes anatómicos das cercarias
respectivas. Achava Uiiier (pte sòmcnte a experimentação ou infestação de
mamiferos {Rxleria jiermitir a determinação da posição sistemática das cercárias.
A cercária de Schistosoma japoniaim. conhecida destle 1913. foi descrita
magistralmente jxir Cort em 1919.
Dizem Bettencourt & Borges (1924): "Dciiois da notável descrição dc
Cort da cercária do Schistosoma japonicum. o conhecimento das fonnas larvárias
dos Schistosoma avançou de tal motlo <|uc é possivcl atualmente classificá-las
quase tão fàcilmcnte (juanto aos vermes adultos. Faust notatlamentc chamou
a atenção para esse fato e Soiarkar (1921) vai alem. entendendo que iwra o
estudo da distribuição geográfica do S. spindalis, nas índias, será preferível a
pesquisa das cercárias nos diversos moluscos da região do que a dos adultos nos
vertebrados infestados".
Entretanto, daqueb época cm diante, muito se haveria dc discutir sé)bre
certos ponnenores morfológicos das cercárias das espécies dc Schistosoma. prm-
cipalmente sóbre as de N. lusematobium e N. mansoni.
Entregue para publicação etn 14.XII.53.
SciELO
10 11 12 13 14 15
•K)
LUATRIBflÇAO
Atualmente seria ainda uma temeridade ^ • •
blen» da distinção espeeíiio das carcÍÍ “ ^°-
mant. rasniWdn. Carios po™a«,r« ^.Lts ftadÍZl
de contonnismo. A descoberta de notas espécies de eeS ' "'“'"r ^ “"«Çao
semelhantes às do género írHrtormna, con^a df
eaem^veio tmrer mai.nts dificuldades à identificação
Essa idenüficaçao será mais ou menos difícil de arArdra
crifica objeto de estudo, detendtvse ainda tm- em
encontro de espédes no\’as. ^ possibilidade de
6 portanto imperioso o estudo biológico e morfolóuim „A,
meuonrado das formas lartárias afins, para se tafer
mento especifico e não voitar ao tempo de Uiper e falér d
Seria talver até ridicuk. ter-se d^ perf^rtl , t.““
se estabelecer a diagnose de uma cerciria já descrita, (âtoTue^t
a real.ração de inquéritos epidemiológicos. ’ ‘'"P»*»"''
Entre nos. como espéde humana, só ocorre o 5. ujunroui „.!■ ■ -
prectsara ser d.ferenciada das espécies eaóticas. Entrei 7
conta, conforme já insistimos em ter em
adulta poderão ocisure Z’ Tr^asT'” ™
diagnose diferencial. "'™ ">™« » «igir a
mundwVsTS f um TuTb '1 “ cientifica
SC caoe a um autor brasileiro a prioridade dessa rcferêne;, .
dissemos, nao deixa isto de ser um motivo de orgulho ^TnL Z r
também que no Brasil não se fêz dela aind=. ^ d ’ confessemos
descrição que temos é a de Lu“ íÍliq dcsen,So acurada. A meihor
mitiudo mesmo uma C T “ ■>'-
assunto requer. ° d-u hoje o
Tcrno~nos vdlido dcscrirõ<*ç a •
de Faus. e sua e..cola. A descrição déss. autor T das
uni ponto, de muita importância, que é necessária ^ ^ entretanto,
cação adequada do, pormenores do sistema eacretor on^Fala eTut"
se mostram exatos. ’ t^aust e outros nao
(.. - espécies
^rno à sua junção com o corpo, mas o número das mesmas LZ^ T^rlrt
1932 ; 4 (lIrlsl'*p^r“irrb!,^l^lTe
Bahr e Fairley, 1920 " (Gordon, Davey 7 PeastS,' 19 ^^*^'''^
^ ^ SciELO
Mcm. Ixut. Batantan.
2S(2):45-S3. 1953.
JOSÉ M. RUIZ
47
“Idêniico desacordo existe com referencia à posição das zonas vibráteis
(que foram obser\-adas apenas por alguns dos autores mendonados). Na cer-
cária do S. mansoni, 2 pares dessas zonas foram observadas ora no coméço
ora no fim do canal coletor prindpal, na parte dorsal do mesmo ou no canal
secundário posterior” (Gordon, Davey e Peaston, 1934).
Gordon, Davey e Peaston a seguir descrevem o sistema excretor das cer-
carias de 5". haemalobiutn e S. mansoni como sendo idêntico e apresentando 2
zonas vibráteis na porção dorsal do canal coletor principal, conforme já o
notara Vogei, e 4 pares de células vibráteis no corpo: dois acima da zona ace-
tabular e dois próximos á extremidade posterior.
No mesmo ano Faust e Hoffman, estudando material de Porto Rico, redes-
crevem a cercária do S. mansoni minuciosamente. Quanto ao sistema excretor
não referem nem figuram as zonas vibráteis dos tubos coletores e descrevem
apienas 3 pares de solenóatos no corpo além do piar caudal. O mesmo aspecto
referem outros autores em descrições originais, como Porter (1938) e Maldonado
e Matienzo (1947), sendo êste o aspiecto mais divulgado por autores diversos
ou em compêndios de piarasitologia.
Como rimos da citação de Gordon ct col. (1934), a presença de 4 pares
de solenócitos no corpx» da cercária do do 5'. mansoni já fõra obsenado pxir Iturbe
(1917) c por Vogei (1932).
OBSERVAÇÃO PESSOAL SOBRE O SISTEMA EXCRETOR DA CERCARIA DO
.y. MASSOSI
.Material e método: Moluscos procedentes de São Caetano, Municipio de
Mariana, Minas Gerais, identificados jxir nós ao Australorbi* glabratus. Ma-
terial capturado cm 5-VI-53 e eicaminado entre 11 e 17-VI-53. Taxa de in-
festação pielo S. mansoni, 7, 6 %.
Cercárias obtidas pxir dissecção dos moluscos. Estudo in vivo, sem colo-
ração vital.
Prova de identificação das cercárias piela inoculação de cobáias c obtenção
de formas adultas de 5". mansoni.
Sistema excretor: Fizemos observações minuciosas sobre o sistema excre-
*or afim de verificar o número e.xato de solenócitos e a existência das zonas
ribráteis. ja que êsses jiormenores não estão ainda perfeitamente assentados.
Apurámos que realmente e.xistem as duas zonas vibráteis, sendo risíveis
sòmente em exemplares bem comprimidos, próximos da morte. É, aliás, nestas
condições que melhor se evidenciam os piormenores do sistema e.xcretor em geral.
F<t«a«; zonas estão situadas, uma apiós a outra, mantendo uma curta distân-
cia entre si, na alça que o canal coletor principal faz ao se dirigir piara trás.
Essa alça situa-se próximo e ligeiramente acima da zona acetabular, em altura
variável, conforme a piosição da cercária observada (vide figs. 1, 2, 3, 4).
48
n„Wh ““V''!’""''" olisenadas na g„nde maioria das cercarias esa-
rr„t"- “■■ ^ evidenciá-las, o que demons-
tra que e necessário examinar vários esDécime»; rarei •> u
nados p„™,enores nmrtológicos.
ela d?«!cilts,7r° <1° ririensa excretor é
ela de d.licl eslalielecmenlo, requerendo grande aumento (imersão) e erande
numero de ol.servações. Xos espécimes represenutlos esnnZri; '
fitninsi I » 7 . «^i^csemanoj esquematicamente nas
rS^I i nr . '”*■ <1« » canal secundário anterior
( fl ) se origina no ponto em que o canal coletor princínal rr > i
l»n. trás. tsse |mm,e„„r está en, desaOrdo com a7S„ ctóij ”
ven, referidas as ro.ms vil, rateis, isto é, no canal coletor .rinciÍI 77
a ongein do canal secundário anterior seja no ponto referido I 1
diante C « i retendo, daquele ponto em
a ante t deixa de existir jiara se transformar em dois nmi - <=/.,. i —
anterior e outro oosterinr secundanos, um
......Cão ,.s t„,mnr7fí iLTzr .steor„r ; ”
clatura dos vários tulxis iwlen cotomica. A nonien-
fire o mesmo. ^ ” principio sera sem-
So presente, se nossa observação neste jionto não foi a de uma anonnl.-.
o ca» recurvado, entlmra muito tnais calibroso q„e „ Cn=. é na realidade « Cp"
este ponnenor esta em de,ac.',rdo con. o que se tem escrito e figumdo
»n, reterencta as cetcârias de todo, os Sr/.frtnron.n,;*,., en, que os can7 t
amdarios aiiarecem como oriundos num jicnto mais ixisterior istn ' r- i
curvatura em í/ invertido feita pelo canal ,Zd 7 Q. n,! ' ’ T ’
ocorrência «le zonas vil.ráteis no ca^al secundário tlterior e, ,1 " ‘'“r
quente, ja foi observada em {lelo menos duas esiiêcies de furcoc^r*
trigeideos (Cercaria macradem Cort & Brackett 1938 e C j
C. 8: H.). orackett, 1938 e Cercana mteradena
Com referência ao número e disposição dos solenúcito-s. verificámos „„e
f e c das figuras). A primeira tstá localizada uin ihiuco à fre-n, i
regiao ecpiatorial do conx, e alxiixo do anel nerv oso f g 1 ) 1 "
da segunda célula vibrátil varia um ,x,uco. sempre porém entrevii
o nivel suiK^rior da zona acetalmlar. ^ ^
udas^í ZoT7:
Q; dá origem a um capilar que l>o<ie.TlVo. "d^r^
-m, a presmtca tle uma o„ d.«s célnia, vibráteis naqnele |7, (“:;e eT;!
nócití! Tcorii 'niT^imLTresrt “"-"T '
u- atimum a existenca de uma «nica célula vibrátil ; outros
^ ^ SciELO
Mcm. Im- Batantan,
2S(í):45-53. 1953.
JOSÉ; M. RUIZ
49
estabelecem como de{initÍ 5 -a a presença de duas. Segundo nossas verificações,
podemos afirmar que ambos os casos podem ocorrer. A divisão binária nesse
])onto é muito mais precoce que nos denjais. Êste fato, entretanto, não deve
ser interpretado como anomalia, conforme quer Porter (1938), em vista da fre-
qüência com que se apresenu. Imi 25 cercárias e.xaminadas com essa finali-
dade, registamos a presença de duas células posteriores em 17, ou seja em
68‘='c'. Devemos frizar que tais cercárias foram obtidas ixjr dissecção dos mo-
luscos. atites ixjrtanto da emersão espontânea.
As células vibráteis do corjx) aparecem nitidamente como corpos triangula-
res alongados, medindo de 0,075 mm de comprimento por 0,026 tle largura má-
xima; os flagelos vibráteis formam três ondulações no interior das células.
Todas as células do corpo são pràticamentc do mesmo tamanho. .Xs da cauda,
oorém, são l)em maiores. Distinguem-se fàcilmente das zonas vibráteis <iue
são tubulares, de comprimento subigual ou um pouco mais longas, jicrém mais
e.streitas, medindo cêrea de 0,013 mm de diâmetro; os flagelos vibráteis não
formam ondulações tão nitidas e são geralmente mais ativos.
Protocolo das inoculações
1 . Ref. 466. Inoculação 39. Data 18-6-53
Material inoculado: cercárias procedentes de um único molusco infestado
pelo S. Mansoni.
Animais utdicados: duas colKÚas de sexos ojmstos.
l'ia dc inoculação: transcutânea, região ventral.
2. Resultados
a) Colaia fémea sacrificada em 4-9-53.
\'crmcs coletados pela jierfusão, cm sejxirado. do figado c do meseii-
tério. Número dc vennes coletados: Figado — 42 vennes inaebos.
Mesentério — 13 vermes machos. Vermes liem <lescnvolvidos iden-
tificados ao S. mansoni.
bl Coliaia macha sacrificada em 21-9-53.
\'ermes colcta<los cm idênticas condições. 1-igado — 49 vennes ma-
chos. Mesentério — 55 vennes machos. Material identificado ao S.
mansoni.
RESUMO
É apresentado um estudo do sistema excretor da cercária do Schistosoma
mansoni.
Foi verificada a presença dc duas zonas ciliadas ou vibráteis próximas a
base cio canal secundário posterior. Cp .
SciELO
10 11 12 13
50
COXTRIBCIÇAO AO CONHEaMEXTO DAS FORMAS LARVARIAS
DE TREMATÔIDES BRASILEIROS, 4.
A fórmula do sistema excretor é igual a 2 (2+2 (+1)) = 8 (+2) em
68% e 2 (2+1 (+J)) = 6 (+2) em 32% das 25 cercárias estudadas.
A inoculação de duas cobaias com o material procedente do mesmo molus-
co, revelou forte infestação constituida somente por machos de Schistosoma
fnansoni.
SUMM.^RY
A study of the e.xcretory system of the Schistosoma mansont cercariae
was undertaken.
The presence of two ciliated areas was seen near the basis of the posterior
collecting channels. Cp ”
Formula of the excretorj* system is equal to 2(2+2 ( + 1)) = 8(+2) im
68% and 2 (2+1 (+1)) = 6(+2) in 32% of the 25 specimcns that were
examincd. Two guinea-pigs were infccted with cercariae from the sanie
mollusc. After the prepatent period only several males of Schistosoma mansont
were recovered.
BIBL10GRAFI.\
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*
JOSÉ M. RUIZ
51
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SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
52
CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DAS FORMAS L.\RVARIAS
I>E TREMATÔIDES BRASILEIROS. •«.
EXPLICAÇÃO DAS FIGURAS
Fig. 1 — Cercaria de S. mansoni. Desenho à mão livre mostrando a dis-
posição do sistema excretor.
Figs. 2, 3 e 4. — Pormenores dos tubos coletores ao nível da zona acetabular,
mostrando as relações entre a 2.* célula vibrátil e as zonas vibráteis.
Ac — Acetábulo. — Canal coletor primário ou principal.
c — Célula vibrátil do corpo, ca — Célula vibrátil caudal. Ca?
— Canal coletor secundário anterior. C/>? — Canal coletor se-
cundário posterior. N — -Anel nervoso. Xex — Vesícula excre-
tora. Z — Zona vibrátil ou zona ciliada.
I
I
10 11 12 13 14 15
Mesi. Imt. BntaatÃii,
2S{2):SS-S7. 1953.
L. HOEH.XE Sc G. ROSE.NFELD
ESTUDOS DE HEMATOLOGIA COMPARADA. II — DADOS HE-
:kI.\TOLÓGICOS DO CACHORRO DO MATO, CERDOCYON THOUS
AZARAE. (WTED, 1826) (*)
L. HOEHXE & G. ROSEXFELD.
(Laboratório de Hematologia, Instityto Butantan, S. Paulo. Brasil)
Em prosseguimento dos estudos de Hematologia Comparada, são apresenta-
dos no presente trabalho os dados hematológicos do cachorro do mato, Cerdo-
tyon thous azarac (Wied, 1826) (4).
M.\TERIAL E MÉTODOS
Foram e.xaminados 4 exemplares de Ccrdocyon thous azorae (Wied, 1826)
recebidos 3 do Estado de Mato Grosso e 1 do Estado de São Paulo, Brasil.
O sangue, retirado da veia fcnK)ral,foi heparinizado na dose de 1 mg/l ml
de .sangue. O sangue para os esfregaços foi obtido mediante corte da ponta da
unha de acordo com o método para cobaias proposto por Vallejo-Freire (3).
As hemácias eram contadas em 1/5 mm*; a hemoglobina, determinada em
electrofotómetro ; o hematocrito, feito no tubo de Wintrobc, após centrifuga-
«;ão a 4.000 rpm durante 30 minutos; a hemosedimentação foi determinada
no tubo de M'introbe após 60 minutos. Os reticulócitos, contados em 1.000
hemácias, em esfregaços de sangue fixado, para cada animal. Os leucócitos,
contados em 2 mm*; a contagem esperífica, realizada em 100 células cm
cs f regaços corados pelo método de Roscnfeld (1), O diâmetro médio foi
verificado cm 200 hemácias, em esfregaços corados.
Determinou-se a média de todos os valores, sendo o o desvio padrão dos
valores individuais; ox o desvio padrão da média; C e Cx o coeficiente indivi-
dual de variação e o coeficiente de variação da média, respectivamente.
(*) Trabalho fãto com o auxilio de fundos do- Conselho Nacional de Pesquisas.
Recriiido para publicaçSo etn 31AII.19S3.
56
ESTVDOS DE HEMATOLOGIA COMPARADA. 2
RESULTADOS
Hemácias — O número médio de hemácias foi de 5.120.000/mm *, ha-
vendo maior variação no animal X.® 6319, que era mais jovem que os outros.
A ccncentração de hemogloliina. cuja média era de 12.72 g%, também se apre-
.';enta\'a mais liai.xa neste exemplar. A hemoglobina média das hemácias era de
24.7yY e quase a mesma em torlos os exemplares. X*a Taliela I acham-se os dados
numéricos das hemácias.
O Gráfico I mostra o diâmetro das hemácias de cada exemplar; e o Grá-
fico II, a métlia dêsse diâmetro em todos os exemplares.
As hemácias eram bicôncavas e cirailares. X'âo ocorria anisocitose nem
poiquilocitose. Era evidente a policromasia em t«j<los os exemplares; e, em 3
dentre os 4, acharam-se raros eritroblastos.
Leucócitos — Seu número médio era de 7.275, mm* apresentando-se algo
mais ele\ ado no exemplar X .® 6202. Os valores medios |>ara contagem espe-
cifica eram os seguintes; neutrófilos em liastonete 6,25^; ncutrófilos s^jmen-
tados — 53 h 2%: eosinófilos — 9%; basófilos 0,75%; linfócitos — 24,7%;
monócitos — 6%. X'a Taliela II se indicam outros dados numéricos dos leu-
cócitos.
DISCUSS.LO
X'a literatura não foram encontrados dados hematológicos do caihorro do
mato, mas sómente do cacliorro doméstico e «la rajxjsa. que representam os
géneros mais afins ao de Ccrdocyon thous azarac (Wied, W26). Torlavia, os
dados hematológicos do cachorro do mato não se assemelham aos da raposa,
aproximando-se dos do cachorro doméstico. Enquanto na raixisa o númert)
mc<lio de hemácias é de 7.990.000/mm^ o volume médio — 53ji* e a hemoglobina
corpuscular média = lóyy (Wintrobe (5)), no cachorro do mato a média é de:
5.120.000 heniácias/mm^ ; volume, de 98,77(i^ e hemoglobina corpuscular,
24,7yy. Xo cachorro doméstico, embora os valores sejam mais próximos aos
do cachorro do mato, existe uma diferença maior no volume corpuscular médio
que. naquele, é de 73,3p* (2), enquanto néste é de 98,77p*.
Ao demais, foi obsenado, frequentemente, nos animais selvagens um valor
corpuscular maior do que o encontrado nas csjiécies domésticas afins. Pos-
sivelmente. nas condições naturais, as dificuldades na obtenção de alimento
ixxleriam ser responsáveis pelas deficiendas dos fatores necessários à matu-
ração das hemácias (F.M.E.).
Mmi. Io»-. Butantan,
2S(2):55-5r. 195j.
L. HOEHXE & C. ROSEXFELD
57
RESUMO
Quatro exemplares de Cerdocyon thoiis azaram (Wied, 1826) «'cachorro
do mato) foram examinados. Os resultados jara a série vermelha foram os
se-uintes: hemácias — 5.120.000/mm*: hemoglobina — 12.727c; hemoglobina
coV«scu>ar média — 24.7 yy: hematõcrito — 49.77o : volume métlio — 98.77
reticulócitos — 2.5 Çí ; diâmetro médio — 8.17 p; hemosedimentação — l.Omm
etn 60 minutos. Policromasia existia em todos os animais e eritroblastos foram
encontrados em 3 dos 4 espécimes examinados.
Os resultados para os leucócitos foram os seguintes: contagem glolKil:
2 275/mm^; contagem diferencial: neutrófilos em bastonetc — 6.25 Çc ; neu-
trófilos segmentados — 53.27c: eosinófilos — 9%: basófilos — 0.757o: lin-
fócitos — 24.77- : monócitos — 67-
1 SciELO
Meo. Inst. BntanUn,
2S(2):S9-«5. 1953.
L. HOEHXE 4 G. ROSENFELD
59
STUDIES OF COMPARATIVE HEMATOLOGY, II — HEMATOLO-
GICAL DATA OF CERDOCYON THOUS AZARAE (WIED, 1826)
(CACHORRO DO M.^TO) (♦)
L. HOEHKE & G. ROSEXFELD.
{Laboratory of Hematology, Instituto Butantan — 5'. Paulo, Brasil)
As a sequence to the studies of comparative heniatology, in the present
paper are reported the hematological data of the wild dog (cachorro do inato)
Cerdocyon thous azarae (Wied, 1826) (4).
MATERI.^L .\ND METHODS
Four specimens of Cerdocyon thous azarae (Wied, 1826), were examined,
Corning 3 from the State of Mato Grosso and 1 from the State of S. Paulo, Brazil.
The blood was ivithdrawn from the femoral vein and heparinized in the
dose of 1 mg/l ml of blood. The blood for the smears was obtained by cutting
the tip of the nail, according to the method proposed by Vallejo for guinca-
pigs (3).
The red blood cells were counted in 1/5 mm*; the hemoglobin was de-
termined in tlie electrophotonietcr ; the hematocrit was determined in Winlrobes
tube, centrifuged for 30 minutes at 4.000 rpm; the red blood cell sedimcntation
rate was determined in Wintrobe’s tube after 60 minutes. The reticulocytes
were counted in l.(XX) red blood cells for each animal, in fixed blood smears.
The leucocytes were counted in 2 mm*. The differential count was done in 100
cells, in smears stained by the method of Rosenfeld (1). The diameter was
measured in 200 red blood cells, in stained smears.
The mcan for all ^•alues was determined, a being the standard
deviation of the individual \-alues, cx the standard deviation of the mean ; C and
Cx the individual coeffkient of variation and the coeffident of \'ariation from
the mean, respcctivelly.
(•) This work was supported by a fund froni the Conselho Nacional de Pesquisas.
1 SciELO
60
STIDIES OF COMPARATIVE HEMATOLOCY. 2
RESLLTS
— The, iiKinnumlCToíredbroodcells «as 5 1^000' .
ther. „„„„g a j^ealer varia, i„„ i„ ,he x» 63 19 «hth ^
=..6 a,„„s. -
are shown oii Table I. ^
Graph I shows the diameter of the red blood ceIU «f i
Graph II, the niean of their diameter i» all animais.
locytlÍs dbÍ lÍTlar lilvclf =»nd poiki-
- I olychromasia uas evident in all animais In ^ .
ot 4 ammals. rare erjthroblasts were tound. " ^
Lnicocytcs — The mean ntimlier of leiicocvtes was 7 77: j , •
l.tlle hÍEher,nani,„al„«6202. The ,„ea„ valuesfer the di(ír,e„,"r ’ T"' °
the (olk,„i„El stah ..eu.rophils _ 6.2554 l.segn.emed aeutrophils rêál»!
6%. Other nnmeric data of the leucoc^Ves o 7
DISCL-SSIOX
foa„d oríat r Zeti:;;: at^ .r,„r,hr "
rfor.vo,, ,W e.-arae (Wied 1826) H„ I' í
wilcl <1„E are shailr ^,he!f Z"; ' -í •1.=
...estie tlog. Whereas i„ the Iv ,h ® ' »' 'l" <lo-
/. 990 . 000 /mm^ the mean volume = 53u^ mr! * • • •
= 16 n (Wintrohe (5)), it. the »M díe ,h '■'"'oelobin
rert bltaxl cells/,,,,,,-. the ,.«a,. v„l„„,e is 98^2 „"a„j
Iicmoglobin is 24 7 yy In thf rt *• i . ' «corpuscular
wiid dog, but a^Jrer* diftrr^T;::^’ rt.::'“" ^
‘•>at .s ,3.3 in the do.nestic dog (2) and 98.77 p^ 77" ^^d^g^"'
tly in wild animais when c7n,,«r7l77h7^7o7es7c“T t'"
l>ly, «nder natural conditions the diffir. l! •
l-ihle ,«r a <lelici»,c.v:l^h^r^':" - l-e -
turation (F.M.E.). ™ blood cells ma-
1 SciELO
Ntnn. Inst. ButanUn,
2S(3):59-6S. 195J.
L. HOEHXE & G. ROSEXFELD
61
SUMMARY
Four specimens of Cerdocyn thous acarac (Wied, ia26) (cachorro do
mato) were examined.
The results for the red blood cells were the following: red blood cells —
5.120.000 mm*; hemoglobin — 12.72 gfo; mean corpuscular hemoglobin —
24.7 yy: hematocrit — 49.7%; mean corpuscular volume — 98.77 p*; reticu-
joç^-tes 2.5%; mean diameter — 8.17|i; red blood cells sedimentation
rate 1.0 mm in 60 minutes. Polychromasia was present in all, and erythro-
blasts, in 3 ot 4 animais.
For the leucocj-tes, the results were the following: total count — 7.275/
mm*; differential count: stab neutrophils — 6.25%; segmented neutrophils —
53.2%; eosinophils — 9%; basophils — 0.75%; lymphoc>-tes — 24.7%; mo-
nocues — 6%.
BIBLIOGRAPHY
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1 SciELO
15
62
STUDIES OF COMPARATIVE HEMATOLOGV. 2
SciELO
cm
64
7
80 .
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6236
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6319
OIAMETERS
IN U.
GlAfB 1
CERDOCYOS THOUS AZARAh (Win,. 1820
Individual dtanwters of rcd blocd c*llf
01
L. HOEHXE & C. ROSEXFELD
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60 .
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CERDOCYOS THOVS AZARAE (Winl.
Red blood ccll» diaiDcter»
Meao of foar ^oi^nal»
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íS( 2 ): 6 "- 6 *- 195 J.
G.
rOSEXFELU & I- HOEHXE
67
cmmÍTméstico- C)
G ROSENFELD & E. HOEHNE.
(J^boraíório •«
,, - 7 - :::tx r:"
„,os estudos do enviá-los .os laboratonos.
sito Municipal de Sao diferentes condições quanto a raça. - • .
cborros ap-— ^
itofa 7éZ Tratamento i«ra dados qne om
r:r .rr:— -• — - -
... .. /.hinins Cinco anos.
série de expenencias nos ultim
m.\teri.\e e métodos
1 t ■ tiMiarinirado na dose de 0.1 mg/l
“ co. » »ns„e .... aa aa^ao a„
ml de sangue. Us esiTCfc s . ,
anti-coagulante. „ i/5 mm^; a hemoglobina, determina a
A. heirácias loram coataaas tin / ^vinirol». ai». cmtrilusa-
,,«,oIo,6n,c.ro: o ^ t„,oseaiman,a,ão acunnmaaa ao
cão a 4.000 rpm durante 30 leucócitos, contados cm a.mm .
tubo de Wintrobe após corados ikIo processo de Ro-
contagem especifica, rea iza ^ entre 2 contagens. ^
""'oViuai - ’.r
cí foram ignalmente calailados.
result.^dos
„ . _ o sou uú,uero mWi« c„. «> des loi ac
ni* - méaia hemoglobina corpuscular <le -2- .
globina — • ... 1 . Pf^lsas.
t to c«n o auxilio de fundos do Conselho Raciona
- • (•) Trabalho fei« 5,
Recebido pira publicaçao
cm
SciELO
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68
ESTUDOS DE HEMATOLOGIA COMPARADA. 3
— 45 , 49 ^’ ; volume médio corpuscular — 73, ; taxa de sedimentação das
hemácias em 60 minutos — 14.8 mm; hemólise parcial — 0,47% XaCl; hemó-
lise total — 0,33% XaCl. Xa Tabela I acham-se os dados numéricos das
hemácias.
Leucócitos — Seu número médio em 30 cães era de 11.080/mm*. Conta-
g-m especifica: neutrófilos em bastonetes — 11,3%; ntutrófilos segmentados
— 51,3%; eosinófilos — 8,9% ; basófilos — 0,6% ; liníócitos — 20,1% ; mo-
nócitos — 7,4%; plasmócitos — 0,2%. Xa Tabela II se indicam outros dados
numéricos dos leucócitos.
DISCUSSÃO
A Tabela III resume os’ dados de outros pestjuisadores com relação ao
sangue em séries de cães em número aproximado dos nossos. Pode-se acentuar
que a maior jyarte desses estudos foi feita em cães submetidos a tratamento e
regime especiais e. j)or isso. chamados “cães normais”. Musser e Krumbhaar
(8), todavia, segundo citação de H.S. Mayerson (ó), trabalharam com cães
cenums, segundo fizemos. É curioso observar, a notável semelhança dos nossos
dados relativos ao “cão usual” com os dados de Musser e Krumbliaar (8) re-
lativos ao “cão comum" e os dados de Ashley (1), Bruner (2), Cruz (3) I^nds-
Itcg (4), Leichsenring (5), Mayerson (6), Morris (7) e Wintrolie (10), re-
lativos ao “cão nonnal".
Existe uma concepção intuitiva de que os “cães comuns” sejam geral-
mente anêmicos e subnutridos por efeito de suas verminose.s e más condições
de vida. Entretanto, os nossos resultados revelam que mesmo esses cães
podem .'ícr u.sados em exjieriências sem prejuizo dos resultados e, do ponto de
vista hematológico, podem ser considerados tão bons quanto os “cães normais”.
RESUMO
lísludos hematimétricos de cães de rua não tratados com dieta especial
ou com vermífugos (cão usual) revelaram:
Para as hemácias (60 cães): hemácias — 6.200.000/mm* ; hemoglobina —
13.8%; hemoglobina corpusailar média — 22.2 yy: hematócrito — 45.4%;
volume médio — 73.3 p* ; hemosedimentação — 14.8/60 minutos ; hemólise
parcial — 0.74% XaCl; hemólise total — 0.33% XaCl.
Para os leucócitos (30 cães): contagem global: 11.080/mm*; contagem
específica: liastonetes — 11.3%: segmentados — 51.3%; eosinófilos — 8.9%;
basófilos; 0.6% ; linfócitos — 20.1% ; monócitos — 7.4% ; plasmócitos — 0.2%.
A identidade destes resultados com os de outros pesquisadores para o “cão
nonnal”, isto é, sem moléstias e com alimentação racional, faz que se possa
considerar o cão de nia (cão usual) igual ao cão normal para trabalhos he-
matológicos cm geral.
*
Mem. Insc. Botantan,
2S(2):89-7S. 1953.
C. ROSEXFEXD & L. HOEHXE
69
STUDIES OF COMPARATIVE HEMATOLOGY, III —
HEMATIMETRIC data OF THE DOMESTIC DOG. (*)
G. ROSEXFELD & L. HOEHXE
{Laboratory of Hematology, Instituto Butanlan — S. Paulo)
In the course of our prograni of Comparative Hematology, stiulies wcre
made cf the blood of domestic dogs (“street dogs”), as they are halí.tnally scnt
to the research laboratoriaes by the Deposito Municiial of S. Paulo. These
werc dogs of the most different conditions in respect to breed, sex. age, size
and sanitary conditions. Xo si)ecial food was given to them, and tio previous
treatment was undertaken for the rcmoval of intestinal parasites. Tlterefore, wc
used the denomination “usual dog” instead of “normal dog”. The data here rc-
ported wcre collected from the initial hematological examination of a large series
of experiments carried out on the last five years.
M.\TERI.\L .\XD METHODS
Blood was withdrawn from the femoral vein and heparin was added in the
dose of 0.1 mg/ml. The smears wcre made with the same blood. before adding
the anticoagulant. The red blood cells wcre countcd in 1/5 mm=, and tiic Icuco-
cyies in 2 mm-; the results represent tlie mcan betwecn two counts. The he-
moglobin was determined in the electroidiotometer : the red blood ccll sedimen-
tation rate was determined in \Vintrol)c*s tul)e after 60 minutes. The hema-
tocrit was detennined in \Vintrob’s tube, centrifuged for 30 minutes at 4.000
rjtm. The specific count of leucocytes was done in smears stained I.y Rosen-
feld’s method (9). Our results are from 60 dogs for the red blood cells, and
from 30 for the white ones. The standard deviation o and the rtandard de-
viation of the mean ox lhe individual coefficient of variation C and the coe-
fficient of varbtion of the mean Cx were calculated.
(•) This Work was supportcd by a fund from the Conselho Xacionil de Pesquisas.
Received por publication 31-XI1-1953.
SciELO
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70
STfDIES OF COilPARATIVE HEMATOI.OCY. J
RESULTS
Tlie mean results for the red blood cells. in 60 dogs were the following:
rcfl blood cells — 6.200.000/mm*; hemoglobin — 13.8 g%: mean corpuscular
hemoglobin 22.2 yy : hematocrit — 45.4% : mean corpuscular volume 73.3
p’: red blood cell setlimentation rate in 60 minutes — 14.8 mm; fragilitv test:
partial hemolysis — 0,47% XaG; total hemolysis — 0.33% XaG. The nunieric
data of the red blood cells can l>e obser\'ed on Table I.
The mean results for the leucocytes in 30 dogs were the followir.g: total
count of leucocytes: 11.080/mm'’; specific count: stab neutrophils — 11. 3*^??
segmente<l neutrophils — 51.3%; eosinophils — 8.9%; basophils — 0.6%;
lymphocytes — 20.1%; monocytes — 7.4%; plasmocjies — 0.2'^.
Other numeric data of the leucocjles are on Table II.
DISCUSSIOX
In Table III data of bkxxl studics madê by other researchers in series
of dogs in num1)er dose to our own. are summarized. It may lie pointed out
that niost of these studies were made in dogs submitted to special treatment
and diets. and therefore called “nonnal dog”. Musser and Krumbhaar (8),
howcver, as quoted by H. S. Mayerson (6), worked with common dogs, as we
did. Tt is curic-us to ob.sersc the striking similarity of our data for the “usual
dogs" to the data of Musser and Knnnbhaar (8) for the “common dogs” and
the data of .Ashley (1). Rniner (2), Cruz (3). Landsberg (4). l.eichsenring
(5), Mayerson (6), Morris (7), and Wintrobe (10), for the “normal dogs”.
Therc is an intuitive conception that the common dogs are generally anemic
and undcrnouri.shed, because of their verminoses and poor life condition. Xc-
verthcless our results show that even these dogs can be used in e.xperiments
without detriment of the results, and can Ix: considered, from the hematological
jxjint of view, as good as “normal dogs”.
SUMM.^RY
Hematimctric studies of Street dogs without any special food or special
treatment for removing inte.stinal parasites, “usual dogs”, have given the
following results:
For red blood cells (60 dogs): 6.200.000/mm* ; hemt^lobin — 13.8%;
mean corpuscular hemoglobin — 22.2 yy; mean corpuscular volume — 73.3p*;
red blootl cells sedimentation rate — 14.8 mm in 60 minutes; hematocrit —
45.4%; fragilih" test; partial hemolysi.s — 0.47% XaG; total hemolysis —
c. ROSEXFtXU & l~ HOEHSE
71
Mrm- Batantaiu
2S(2):8^75. 1953-
For the leucootes (30 dogs) : total count: ll.OSO/mnr; .,>ecitic jnn
stab neutrophils - ll-37c: segniented neutroph.ls -
8.9fr ; basophils — 0.67^ : lymphootes — 20.1 /o : nionoc>-te=, ■ 9> . \
otes — 0.2%. r .1 « r
The identitv o{ our results >vith those of other investigators for the nor-
mal do^s” ie. without diseases and with rational food. enables the utihzatton
Tt dog -nsual dog-, « = dog. (or ggncn.1 he™,ol„g,cal pun»»».
bibliography
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70U... 239 . 1930 .
7" 51W.. .V. /.. v;'
8 M,lur7.t TdKmZl^ãr. B^B. of the blc^ of nomut. dogs. FoU,
' ' "rrí- -■•Í-r:Lncrlt ■ c cíUí» ennica; No.
c^biWo dos componentes do "
^pr^o o!d TUld, U- J. - Values for number.
" T, l»i iSJn cocoi oí in do... .,.1 -.o..
Jonm. Physiol., 114 : 502. 1936.
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SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mr™. Buunun. C. ROSEXFELD & I- HOEHXE
ZS(2):89-75. 195J.
Mnn. Imt. ButanUn,
2S(2):77-«9. I95J.
JOSÉ M. RUIZ
//
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS FORMAS LARVARIAS DE
TREM ATÓI DES BRASILEIROS
5 — Descrição de três furcoccrcárías que ocorrem em píanorbídcos hospedeiros
do Schistosoma mansoni.
POR JOSE M. RUIZ
iSecção dc Parasitologia, Instituto Butantan)
Em viagem realizada ao Estado de Minas Gerais percorrendo um trecho
da estrada Rio-Bahia, tivemos ocasião de verificar, em moluscos que identificá-
mos ao Australorbis glabratus {Say, 1918), a infestação jxjr uma furcocercária
que c descrita na presente nota como Cercaria caratingucnsis, sp n..
Examinando planorhideos de Santos, lilstado de São Paulo, remetidos i»elo
Dr. Paulo de Azeve<lo Antunes e identificados ao Australorbis immuuis (Lutz.
1918), encontrámos, ao lado de outras formas já Ixim cotihecidas, duas furco-
cercárias que taml)ém descreveremos a seguir. Uma foi identificada á forma
laiA-ária de Clinistomum heluans Braun, 1899, ja referida ou sumàriamente des-
crita por vários autores. Trata-se de Cercaria ocellifera (Lutz. 1917) que re-
descreveremos com mais pormenores. Outra c uma fonna ajKirentemcnte n.no
assinalada na literatura e que passamos a denominar Cercaria amplicoccdla
sp. n.
Cercaria caratingucnsis, sp. n.
Estrigeocercária. faringeada, longifurcada. Corpo alongado, estreito, com
a e.xtremidade anterior arredondada e a j^sterior ligeiramente truncada. Com-
primento 0,129 a 0,172 mm, largura 0,061 a 0,070 m>n. Cuticula espinhosa
princi{)alniente na metade anterior. Na região cefálica os espinhos são muito
densos raleando progressivamente jxira trás. Ventosa oral ligeiramente alon-
gada no sentido longitudinal, bem desenvolvida, medindo 0,025 a 0,040 mm de
comiirimento por 0,025 a 0.038 mm de largura. Ao lado da al)crtura bucal,
que é terminal, deseml-ocam os duetos glandulares que margeiam a ventosa e
se dirigem para trás «m percurso sinuoso, ultra{)assandu o acetábulo. As glán-
Rícebido para publicação cm 31. XII. 53
cm
SciELO
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78
brasileiros^ /"'“'-'«''S
~ itrrr., r
J cedulas glandulares nâo foi detenninadT"lt °
dade pelos corantes vitais (vermelho neutr’ ^^tas ix)uca eleti-
«^mo circular, com um diân,etro de O.l^^a 003l' <íe
corpo Acnta da zona acetahular. sub-lateml "teio do
que sao grandes, de contômo cir^^li; «s ocelol
l'-'*"-. teprovidas de pSpÍo ‘^T" chS
u .,°diã lisrirameme atagarÍ
cla * 0.010 r* F -r'"'" «m
Cauda relativamente mm » i
« por o.(«7 a 0.0,3 de * “"'I'"-
ong^ fjue a cauda, medindo 0.166 a 0.191 mm de"**" '^‘cralmente. mais
T'JZ ‘T" «•■“‘■'o)- •VoTnúriórT'’"'”""” ■'o
de corpos caudais” ou “células caudais” f T 5 pares
•' ™‘c,da da eaoda ap“!ltl 'olr”.^ --«e^
'»"»» ' «ilinea,.- ,a« cerdas se „„" ■ ^ ■•elaova.
fíval" ''"l" nas tiircas'''^,'"' '“Krciilos (vide
'■•'alo. para .ais observações de ,,..e,o,axr "»«»'■<■' co„, „,a,er;a,
con» eo„,ple,as, ■‘“«“'a. "ao eoasideramos as verificaçõ»
' “""'a escrelora posierior, elobóide n.» i-
ooMores „ri„viri„s inseridos sú,io.b. tiaTen^r?''
<le sr„,r|ta„,o ao de escodo 7 “ ''“™'a "■" ■“P«o
parece e.v.s.ir „„„ a„as,„„ose nred^a tí^ o* ""ile
'""" secundário anterior dá origem a dois c T '“"ais sec„„d.irios.
: “".enor do corpo, ,„e lerminan, "° !s á -• ■"■'>««
"“a ""B"" a dois capilares ,p,e se l.i(„è' "«"«lírio
fc"g"-se amda ,.ela cauda em cuja base “"P»' P'"'
O canal e.vcrc,or caudal é mediano e se proZr jT '““*1. '
Km resumo, há 1 o célula t ' ■ ■ "pós a biíurcação.
<>» con»: en, cada la'd„. dua^s per^XÍ;^™"'"" '“«^a
l«.se da cauda há duas células vibrá.ei, A fo™„'laT'° «ares . „a
■« -X I (+1,, ou 2 ,2 + 4 ,+,,, 1 rd ,; á. P-is.
2 3 4 5 6
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
Mtm. Insí. BatanUn,
JS(2):*7-89. 195J.
JOSÉ M. RfIZ
79
Cercaria caratinguoisis se origina em esporocistos muito longos e delgados,
com cêrca de 0,5 mm de comprimento, de coloração amarelada. Formam «m
emaranhado na região do hépato-pàncreas.
Hospedeiro: Australorbis glabratus (Say, 1818).
Procedência: Caratinga, Estado de Minas Gerais.
Comportamento: Esta cercaria, que emerge espcntaneamente em grande
qi.antidade. é muito ativa estando em movimento a maior parte do tempo. Pelo
til» de movimento se confunde com a do S. mansoni, formando um 8 caracte-
rístico e deslocando-se para trás. Reiiousa alguns momentos no meio liqiudo
ou na superficie. ijermanecendo então com as furcas abertas, o corjx) para bai.vo.
assumindo tipicamente a forma de um T.
Diagnose diferencial: Xo mesmo lote de moluscos encontrámos, com certa
freqücncia. a infestação por uma Tctracotyle que liem ixKlena ser a fase .seguinte
da presente espécie. Por essa razão procurámos identificá-la à Ihcranoccrcarta
molluscipcta de Lutz. Pelas dimensfies dadas por este autor notámos (pie.
emlwra o corpo tenha um comprimento próximo, a cauda cm C. caratmguensis
é liem mais longa, dando-se o mesmo com as furcas que ^o sempre mais longa.s
que o corpo, ao contrário da espéciede Lutz. .\ descrição de molluscipcta c
ahsolutamente inadequaib mas a presença dos ocelos. cniliora nao pigmentados,
não poderia escapar à observação do autor.
Cercaria psendoburti Rankin jr.. 1939 e muito próxima de nossa especie.
Devem ser congenéricas as formas adultas. O número de coqios caudais dife-
rencia fácilmente as duas esjiécies: cinco pares cm C. caratingncnsxs c sete iiares
em C. psendoburti.
Cercaria amplicocccata, sp. n.
Estrigeccercária. faringeada. longifurcada. Corpo ..%longado. estreito: ex-
tremidade anterior arredondada e jKisterior iigeiramente truncada. Compri-
mento 0.172 mm. largura 0.W3 mm. Cuticula revestida de fileiras transversais
de espinhos. Estes são mais densos na extremidade anterior, na regiao da ven-
tosa oral. .-Miaixo dessa zona as fileiras são regularmente espaçadas de mo o
a se formarem 7 ou S até o nivel da zona acetabular; dai jiara tras sao mais
esparsas e os espinhos mais ralos. \'entosa oral alongada ou ehpsoide. medindo
0.W7 mm de comprimento c 0.022 mm de largura. Ao lado da abertura huca .
nue é terminal, se exteriorizam os duetos glandulares, formando duas peíiucnas
saliências laterais. Os duetos são sinuosos e estreitos na porção mais anterior
m J se avolumam liastante na porção lasal. antes de atingirem as glandulas de
cm
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80
COXTRIBIIÇAO AO ESTUDO DAS FORMAS TABi-ii..
DE TREMATÔIDES BRASILEIROS^ 5
penetração. Estas estão situadas iinediataniente adiante do -iretáS i
utu,das por seis seodo .rés de cada lado As dôsf^^ '
nores, de cada lado. são bem desenvolvidas r a terceira ^,
menor. Acetábulo de con.órao cirenlar, ben. desenvolridr!.' T* '
suua-se imediatamente abai.xò da linha equatorial d abertura ampla,
de diâmetro. ^Aparelho digestivo bem desenvolvido ^
fago longo e delgado, atingindo as pro.ximidades da
muito amplos e relativamente longos terminando ^«‘abular. Cecos
c.xcretora. ^ ’ terminando um pouco acima da vesícula
Cauda longa e uniforme, medindo mm ^
de largura. Furcas achatadas lateralmen; longas
ximado ao da cauda, cu ligeiramente maior. Oâi' d “v
e possível descobrir cérca de 8 pares de corpos’ cauda’*" * ”
var dois ixires de cerdas Iatero-l«sa.is. .Xas^ur «''^er-
numero.sas e curtas (vide fig. 13 ) eerdas são relativamcnte
Sistema excretor sim,,les. sem anastoniDses a, «rentes ' ,
glolKiide. um tanto ampla. Canais coletores primários iniri 1
nor e lateral; dirigem-se para a frente pelí lado, do '
Os canais secundários se originam na altura da r "*1 ^ acetábulo.
O coqio apresenta 16 células vibráteis 8 em cad^T d glandulares,
anterior e 5 na posterior. A cauda apresenTa Tcéluf ’ T
formam JeCTr7Z
Hosprdmi,: .-luslnlorbis immimis (Lm. igig,
rr«cd;;„ia: Saw„s. Estado de São Paulo.
na,„.
do luoKisco diluído uum pouco de ásu.i. esu TetóS^te”
;r:;:i:rT“;r:T^ ""
«ma abenáucia de movimeraos e eslacío,l“L!l.'Tato“!I'„Tchan»‘’''“'
Q..a..d„ ,„,e,.ceu,e. as (urcas (ic,.„ diaa.e.raln.en.e op„,.„ i „tã ’” “
a fonua de r. Em preparados eu.re lâmina e rn.rm,lâ "b !'
.As furcas assumem posicfes muito variarias. cr„ra,rdo r ?“““
mente, conm unn. tesoura, e enrolando ainda unn. ou antaT at '.í '''iu™.e-
lado e.xtemo. Con. freqúencia forntam dobn, mais m, °
de mo<lo a aDrcsentnrpm i u - . ’ nienos no meio
apresentaren, a conitguraçao de un, ângulo ob..„„. Ontuts >” 0 ,’
SciELO
10 11 12 13 14 15
JOSÉ M. RCIZ
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Mrm. Ix»f- Batantan,
Ís(2):77-«9. I95J.
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c::z -^o »
:l,.emelha-^e a Ccrcana Difere' entreUnto, daquela fonua
1917 e redescrita em 1^1 ^Uculares. pela ausên-
principalmente j^ela d.stnbu.çao e das células caudais. Pelos
cia de ocelos nao {^rma próxima. Cercaria ramc Cort
,uesmos ,„.Vradr..a Cort & Brackett. 1938 se assemelha nva.s
& Brackett. ; detalhes do sistenui excretor, na qual falta, como
c,„e as primeiras q ,^,„osc dos canais primários, próxima .ao acctalmlo.
Z ruTsl espécie principalmente pela disiTosição das células glandulares
S XX tue rdistribuem em dois graq^s separados pelo acembulo.
Cercaria de ainosto.uu,n Hcluans Braun. ou CcrcuWu oceUifcra (Lutz. 1917).
Estrigeocercária. faringcava, brevifurcada. Comprimento do I
t.stngcoc comprimento jxir 0.027 mm de lar
, 0.185 mm. 0,117 mm .lo cmrc-
.Wmlo com W ^ ^ compnmon.o
::l«oHr Co,ón. provo„io...o. Oo »!.- .c imo.ú,m lo, .o.
UosHdciro: Ausíralorbis immums (Lutz, 19:» •
i„«l,V«.o: Esmio do Smo E";;»- “-j ,.,o-
Esta corciria W oncontrada o,u 3.67, do. VI n
ocdontes do lairro do Salmó, 'çtaa„d„ diMondida. o corpo
A corcária é mmro lonja om »u conjvm.
aprcKnta o mesn» diâmetro anlerior. .X vcmosa oral
nhosa. sondo os ospinhos ma,s abundan ^
i alongada no grande cavidade alongada por
des sao espessas glândulas cefálicas qne são dilalados nessa allnra.
onde passam “ ^ „g 5 „ p,„,rácil. con» se observa nas cer-
Funcmna a j a venrosa oral segue um intesuno rmlmientar,
cúrias dos g eerilineo, atinge o nível da regrao acera-
.lelgado com tt^ acetábulo se alarga, formando uma espéce de vesícula
Wlar. Um P»'» ^ „„a faringe e por veres esl^fada na r^.ao nuns
arredonda^. ■ d. i„,erpretacão duvidosa na maior, a dos exem-
anterior, mas csaa v.-
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COXTRIBCIÇAO AO ESTCDO
ÜE TREMATÔIDES
DAS FORMAS I_\RVARIAS
BRASILEIROS. 5
piares examinados, parecendo existir sob fonna embrionária pouco adiantada.
O acetábulo é muito pequeno, de contômo circular, situado um pouco atrás da
zona equatorial do corpo. É obser\*ado mais fàcilmente, estando o corpo de
perfil, posição aliás preferida pela cercária, quando examinada nos preparados
microscópicos. O corpo apresenta, na metade posterior da face dorsal, uma
crista mediana, relativamente larga, com a forma aproximada de meia-lua. Co-
meça ao nivel da linha que passa pelos ocelos e, à medida que se e.xtende jjara
trás. aumenta progressivamente de largura até atingir um máxinK), na região
mediana; depois, progressivamente, diminui de diâmetro e termina em ponta,
próximo á extremidade jxisterior do corpo. Apresenta várias pregas transver-
sais que sustentam a porção membranosa em posição erecta, ajarccendo como
esj essamentos refringentes.
Segundo Luiz (1933. p. 355), a crisla se prolonga pela cauda, mas em
nosso material jamais obsersámos tal ocorrência.
Os ocelos aiKirecem como duas manchas negras, colocadas siniètricamente
logo adiante <la linha meiliana do corpo. .\ pigmentação negra aparece com
muita nitidez sob a forma de grânulos que formam um conjunto de contômo
circular. O corpo da cercária é repleto de células espessas, o que dificulta a
obser\açâo dos caracteres anatômicos. As glândulas de jicnetração íonnam um
conjunto de células granulosas, de núcleo arretlondado, situado na zona com-
preendida entre os ocelos e o acetábulo. O número exato de células glandulares
não pôde ser precisado, parecendo existir 8 ou mais. distribuidas cm dois
grupos confluentes. Os duetos glandulares apresentam um trajeto um tanto
tortuoso, jiassando entre os océlos e penetrando na ventosa oral i>ela liasc. Exis-
tem pelo menos dois canais de cada lado. No interior da ventosa oral, esses
canais se dilatam muito, preenchendo uma cavidade ovalada f|ue se evidencia
muito bem. Atrás do acetábulo. vcntralmente. existem duas áreas justapostas,
arredondaths. ocupando toda a parte central do corpo. Tais áreas são preen-
chidas jxir células pequenas e arredondadas. Trata-se, promvclmcnte. do jiri-
mórdio genital.
.\ vesicula excrctora é estreita e alongada, prolongando-se até a cauda
numa certa extensão. Os duetos excrctorcj não foram obser\ados em minúcia,
exceção feita ao canal primário que tem um trajeto lateral e se extende ate um
nivel ligciramentc anterior ao acetábulo.
São obsermdas no corjx) 8 células vibráteis, 4 de cada lado. .-X primeira
célula excretôra está situada um pouco acima do nivel dos ocelos. As 2.“ e
3. “ são muito próximas e se localizam um jwuco atrás da zona acetabular e a
4. “ nas proximidades do extremo posterior. Na l>ase da cauda existem 2 células
e.xcretoras. .X fônnula do sistema excretor é. pois, = 2 (4 X 1 (-^ 1) ) r::
8 (t 2). Um longo canal excretor se prolonga jielo centra (Ui cauda e das
Mcfn. Inst. Botantan,
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furcas, acompanhando a bifurcação, exteriorizando-se na extremidade destas,
onde se forma uma ampóla de forma cônica.
•\ cauda é kniga. como diz Lutz, aproximadamente 3/5 do comprimento
total. Aprc^cnta um diâmetro homogêneo em tcxla a extensão. .-Xs furcas são
achatadas lateralmente, tendo na base a mesma largura que a cauda. Ê reves-
tida por cuticula espessa e apresenta estrias transversais numerosas. Kxistem
muitas células caudais e granulações refringentes. São oliscrvadas diversas
cerdas. distribuidas i^elas margens laterais: existe uma fileira de ó de cada
lado do tronco da cauda, e uma na parte mediana de cada furca. .^s cerdas
são longas e retilineas, estando implantadas em pequenos tultêrculos que se des-
tacam como pontos refringentes.
Como em outros pormenores, no que se refere à quetotaxia, a nossa oh.a:r-
vação está de acôrdo com a de Knill (1934), iwra a cercaria de Clinostomum
inarginaium (Rud., 1819).
Comporlamenio: .\ emersão espontânea parece ser |)equena ncsta espécie.
Exi»ndc-sc um molusco infestado, contido num frasco de Borrei com cêrea
de 30 ml. de água. á ação de uma lâmiKida elétrica. ol>servam-se raras cercarias
ao fim de 3 horas. Deixando o mesmo frasco durante téxla a tarde c téxla a
noite, sem iluminação e temperatura ambiente, no dia seguinte ob^erva-se um
número bem maior de cercarias na água, uma centena talvez. Parece, portanto,
que a ação da luz e do calor pouco influem na emersão esjtontânea da cercaria.
Nas condições acima, esta cercária mostra um comportamento completa-
mente diferente do obsei^^ado na espécie Schistosoma tnattsoni. Não procura
a superficie do liquido, não se prende ás paredes, nem atinge o fundo do reci-
piente. .A jxjsição predileta c a de repouso no meio do liquido: permanece com
o corjx) flectido ventralmente, cauda reta bem como as furcas que ficam entrea-
l)crtas, fennando um ângulo aproximado de 45.°. Nessa atitude, calteça ]xira
I)aixo. menos freqüentemente inclinada, a cercária cai muito Icntamcnte durante
um certo i)crcurso. Antes de atingir o fundo (talvez evitando um excesso de
pressão), executa um mo\-imcnto vibratório, setnelliante à de S. mansoni, e sobe
ràpidamente, a cauda à frente, perfazendo um trajeto quase igual ao feito jTela
queda lenta. Karamente dá unta rápida volta em circulo ixrqueno durante a
ascenção. .Agitando-se a água, todas as cercárias se movimentam hruscamente
mas lógo ficam imóveis, deixando-se levar, indiferentemente, pela corrente do
liquido.
Em prqtarados microscópicos, a fresco, a cercária se movimenta muito,
reagindo à pressão da laminula. Assume posições as mais \-ariadas. O corpo,
quando quiescente. dobra-se ventralmente e no prejtarado a cercária aparece de
lado. A caitda se agita, se contrái, se alonga, forma estrangulamentos, mas
quando rqtousa em posição normal c, via de regra, reta.
cm
SciELO
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«y, CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS FORMAS LARVARIAS
DE TREMATÓIDES BRASILEIROS. 5
Pela ação prolongada dos corantes vitais a cercaria morre e assume vários
aspectos, como os representados nas figuras 8 a 12. Confrontadas com pequenos
Cjfracideos. fcrmani metacercárias a principio móveis e idênticas ao corpo sem
cauda da cercaria. São abundantes entre os espaços das nadadeiras. Posrerior-
mente assumem a forma arredondada e são envolvidas por uma membrana hia-
lina. O saco intestinal das metacercárias se apresenta repleto de granulações
refringentes, amarelo-esverdeadas e. Ic^o atras, se notam duas formações arre-
dondadas, em seqüencia, que devem representar as fonnações testiculares. O
sistema e.xcretor ê idêntico ao do corpo da cercaria.
Cercaria occllifcra foi sumáriamente descrita por Lutz em 1917 de Planorhis,
procedente de Manguinhos.
F.m 1919. o mesmo autor apresenta figuras (estampa 41, fgs. 64-66) sem
maiores explicações ou descrição, dando nessa ocasião a denominação da espicie:
Dicranoccrcaria occUifera.
Em 1933, Lutz apresenta uma descrição mais detalhada, porém incompleta
e sem medidas. Apresenta ainda figuras da cercária (fig. 5) e da rédia (fig.
5.=»). Xota-se que a fig. 5 representa uma cópia da fig. 65 do traballio de 1919,
.'■presentando alterada a posição do corpo. Diz o autor, à irâgina 355: “Uma
cercaria de cauda bifurcada que ja mencionei em ocasiao anterior como ocor-
rendo no Xorte (.Aracaju, 9-3-20), vive em espécies de Planorbis . . e à
página 446: “Xo comêço de março de 1931 observei de novo a Dicranoccrcaria
occllifcra na água de um lote de Planorbis ininiunis da vizinhança do Instituto. . . ”
Em 1934, Lutz reprorluz o ciclo evolutivo experimental desta cercaria que,
passando jiela fonna de metacercária através de girinos e jieixes, se desenvolve
i:m aves na fase adulta de Clinostomum hcluans Braun, 1899.
Em 1945, foi referida em Australorbis nigricans de São Paulo, Capital,
por Pinto e Maciel e por Leão de Moura em Australorbis glabralus ( ?) de
Santos, Est. de São Paulo.
Provavelmente foi vista por Coutinho. em 1949, nos mesmos moluscos de
Santos, sendo referida como “forma semelhante à C. ncotropicalis Faust &
Hoffman.”
Finalmente fei referida em Australorbis olivaceus ( ?) nas vizinhanças de
Manguinhos. por Paraense, em 1951.
RESU.\IO
São descritas duas espécies de furcocercárias do grupo das faringeado-
longifurcadas: Cercaria caratinguensis, sp. n. e Cercaria amplicoccata, sp. n.
Ê feita uma redescrição da cercária de Clinostomum hcluans Braun, 1899
{Dicranoccrcaria occllifcra Lutz, 1919).
SciELO
*
Mra. In»:- Butantan.
jS(2):77-8*- 1953.
JOSt M. RCIZ
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SUMMARY
Two furco«rcous cercariae oi the pharjngeau-longiiurca.a tyi» '«re de,-
cribed- «rolia^aW ,p. n. and Cmano (Cf.
A rede.m„,ion oi lhe cercaria oi Clímstomu,,, l.cl.a.s Brann, 1S99 (D,
cranoccrcaria ocellifcra Lutz. 1919) is gi\en.
bibliografia
, Con W. W. oi lhe -«moO- •>«"" »'
. J: LÃ* s.}! crr^ruc iroa, lU. Dooa.a.
57; 276-281. 1938. «.hieh producc a bloat discae
4 Cort. W. W. & Brackctt, S. A ikw stngcid ccrcana vhhieh p
õí udpoks. J. Paraíitol. 24 : 263-271. 19 _ intermediário do SrAixío-
5. Coutinho. J. O. Contribuição para o est«do^do^l^P^d_^ ^
soma monsoni em Santos-^o au • ^ Clinoslomum
‘""'rpaLrC^Tr.trri^-^olphi. 1819) (Trem^toda: Clinostomidac). F-c.
r.
uJ:t'o?ÃLLl~- c i«™>o ih^nacoc. ieiu. no
Lnu°"f ümLoSh «meinel»"»*'
JL"’-sri«h.e dicanoccaria. hradidr... .«». /-■ <>• «’■«'
,, lJ! A. On.ro grap. de «d. na..^
espécie com cécos abnndo para fora. . ^ ,4doítho
12. MouiT S. a. L. Schistosomose manson. autoctone em Santos.
Luls. 5: 279-311. 1945. ^ relation to the
13. Oliver. L & Cort, W. W. Ccrcana doug ast CorX. 27 : 343-346. 1941.
p..r„: w.' L'’~~i.‘Lre írdrsdr^r'.;^’
,s, pJ:;rn.S.TrEtl.“XTsehi.,o.o.n.« on S.hi.l». em «o Pnn.O,
São Paulo. 4 pp.. 1945. (Impresso). „ r_.:i Wf,n. Insl. Oswaldo
16. Pinto. C. & Almeida. A. F. Schistosom«s.s Manson. no Bras.l. .'ic
Cru-', .'W?»-- 5. 272 PP-, 20 est^ Wa.
17. Rankin Jr., J. S. Ccrcana
Massachusetts. J. Parasitai.. 25: 87-91. 193 .
8 .
9.
10 .
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
CONTRIBIIÇAO AO ESTUDO DAS FORMAS L.\RVARIAS
DE TREMATÔIDES BRASILEIROS. 5
S6
EXPLIC.\ÇAO D.AS FIGURAS
Prancha I. Cercaria earatingucHsis, sp. n.
1 — ^’ista tolal. 2 — Pormenor cia cauda mostrando as
células caudais. 3 a 5 — Várias atitudes da cercaria (material
fixado). Câmara clara.
Prancha II. Cercaria oceilifera (Lutz, 1919).
6 — Vista total. 7 — Idem de perfil. 8-12 — .Xtitudes da
cercaria (material fixado). Câmara clara.
Prancha III. Cercaria amplieoecata. sp. n.
13 — \'ista total. 14 — Corpo de perfil. 15 — Pormenor do
corpo e parte da cauda. 16 a 18 — .-\titudes da cercâria (ma-
terial fixado). Câmara clara.
I
I
195J-
cm
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■RBriSrA DOS TRtDVSÁlS- LTDâ.
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