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AS “MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAX ” são destinadas
à publicação de trabalhos realizados no Instituto ou com a sua contribuição^
Os trabalhos são dados à publicidade logo após a entrega c reunidos anualmente
num volume.
Serão fornecidas, a pedido, separatas dos trabalhos publicados nas
" Memórias ”, solicitando-se nesse caso o obséquio de enviar outras separatas,
em permuta, para a Biblioteca do Instituto.
Toda a correspondência editorial deve ser dirigida ao:
Redactor das “ Memórias” do
INSTITUTO BUTANTAX
Caixa Postal 65
S. Paulo, S. P., BRASIL.
I
PEDE-SE PERMUTA
EXCHANGE DES I RED.
AVISO
Conforme consta do Decreto Mo. 24.401/55, o Governo de São Paulo ,
levando cm conta a grave situação financeira do Estado, resolveu, por medida
de economia, proibir a publicação de revistas e trabalhos por conta da dotação
orçamentária de 1955. Por este motivo, não pôde ser impresso, no exercício
passado, o presente volume das “Memórias”.
ÍNDICE
1. P. SOUZA SANTOS, H. SOUZA SANTOS, G. A. EDWARDS, A. R.
HOGE & P. SAWAYA — Uma contribuição ao conhecimento da estrutura
ultra-fina e das propriedades químicas de fibrilas do tecido conjuntivo animal 1
A contribution to the knowledge of tlie fine strueture and Chemical
properties of animal conncctivc tissuc fibrils . 27
1 WOLFGANG BÜCHERL & NICOLINA PUCCA — Escorpiões e cscor-
pionismo no Brasil. III. Titulação, por meio de camundongos, das peço-
has de Tilyus coslatus (Karseh), Tilyus Iritillatus Kracpelin, 1898 c
fíolhriurus bonariensis (Koch), 1842 . 41
3. JOSÉ M. RUIZ & ERMENGARDA COELHO — Nematóidrs (Oxyuroidea)
parasitos de diplópodos da Ilha da Queimada Grande, São Paulo, Brasil 51
4. A. R. HOGE — Uma nova espécie de Micrurus (Serp. Elap.) do Brasil .... 67
5. W. II. A. SCHOTTI.ER — Observações miscelâneas sóbre peçonhas ofidicas c
antivenenos . 73
Miscrllancous observations on snakc venoms and antivctiins . 85
6. WOLFGANG BÜCHERL — Escorpiões e escorpionismo no Brasil. IV. Con¬
siderações cm torno de substâncias cscorpionicidas c outras medidas de
combate aos escorpiões . 107
7. WOLFGANG BÜCHERL — Escorpiões c escorpionismo no Brasil. V. Obser¬
vações sóbre o aparelho reprodutor masculino c o acasalamento de Tilyus
Irhitlalus e Tilyus bohiensis . 121
Errata . 157
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Hem. Inst. Butantan,
27 : 1 - 39 . 1955 / 6 .
p. SOUZA SANTOS. H. SOUZA SANTOS.
G. A. EDWARDS, A. R. HOGE A P. SAWAYA
1
LMA CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DA ESTRUTURA
ULTRA-FINA E DAS PROPRIEDADES QUÍMICAS DE FIBRILAS
DO TECIDO CONJUNTIVO ANIMAL.
P. SOUZA SANTOS*. H. SOUZA SANTOS**, G. A. EDWARDS***, A. R. HOGE****
& P. SAWAYA***.
INTRODUÇÃO
Colágeno é o principal constituinte proteico dos tecidos conjuntivos compacto
e frouxo. Ocorre seja como uma rêde de fibrilas de aproximadamente um
micro de espessura c de vários micra de comprimento, associado com a maioria
dos tecidos em toda a série animal, seja como feixes grossos formando tendões
(1). É insolúvel em água, em solventes orgânicos e, geralmente, cm soluções
diluídas de álcales e áridos a temperaturas normais. A ação prolongada de
agua quente transforma o colágeno em gelatina, uma reação química de grande
importância, da qual derivou o próprio termo (colágeno significa "gerador de
cola").
Outra propriedade característica do colágeno é seu aumento de volume sob
a ação de áridos c álcales diluidos (3).
A composição em amino-ácidos c mais ou menos igual nos diversos colá-
genos de diferentes animais, mas a ixirccntagcm relativa de sua composição varia
de animal para animal (4). A maioria dos colágenos mostra um alto teór de
glicina, hidroxiprolina e de ácidos aromáticos contendo enxofre (5, 6).
Estudos de fibrilas eolágenas por métodos físicos, tais como difração de
raios X. com angulo alto e baixo, microscopia eletrónica e microscopia de pola¬
rização, evidenciaram a natureza fibrosa do colágeno e mostraram a existência
de um período característico na média de 640 À em colágeno de tóda série
' Secção de Vírus, Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil.
!!* Sccç5 ° de Micr °scopia Eletrônica, Universidade de S. Paulo, Brasil.
Depto. de Fisiologia Geral e Animal, Universidade de S. Paulo, Brasil.
Laboratório de Ofiologia, Instituto Butantan. S. Paulo, Brasil.
Recebido, para publicação, em 26.1.1955.
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7 UMA CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DA ESTRUTURA
“ ULTRA-FINA E DAS PROPRIEDADES QUÍMICAS DE FIBRILAS
DO TECIDO CONJUNTIVO ANIMAL
animal (7). O periodo de 640 A tem sido observado também em colágeno
de animais fósseis, como, por exemplo, na prêsa desmineralizada de um mamute
de 15.000 anos (4, 7). Por outro lado, a difração de raios X com ângulo
alto, que revela pequenos intersticios na arquitetura molecular, mostra diferen¬
ças nos períodos dos diversos colágenos (8). De todos esses métodos, a mi-
croscopia eletrônica fornece uma aproximação especial à estrutura ultrafina das
fibrilas e a sua ordem nas células e nos tecidos pela visualização direta. Infeliz-
mente, devido ao poder resolvente dos microscópios eletrônicos de apenas 10 A,
detalhes de arquitetura das cadeias de polipéptidos dentro das fibrilas ainda não
podem ser observados.
Presentemente, há três objetivos principais nas pesquisas sôbre fibrilas
colágenas:
1) a consideração da sua estrutura ultrafina, partindo do arranjo espacial
das cadeias de polipéptidos formando as fibrilas, até a organização destas nas
redes dos tecidos e dos tendões. Tais estudos estão sendo feitos intensivamente
no momento, achando-se, porém, longe de completação (9, 10). A partir de
tais estudos, tentativas sérias foram feitas no sentido de reconstruir modelos das
cadeias de polipéptidos nas fibrilas colágenas. Destes os mais prometedores no
momento são os modelos de Bear (4), Randall (11), Pauling (12) e Huggins
(14), visto que o modelo de Astbury provou não ser satisfatório (13).
2) o estudo das propriedades quimicas das fibrilas colágenas, particular-
mente no que diz respeito aos melhoramentos da qualidade de couro (3, 15).
O colágeno é importante não só como matéria prima para a fabricação de gela¬
tina e cola, mas de maior importância ainda na fabricação de couro. A pele,
ou cório, tem como componente principal (35%) uma rêde de fibrilas colágenas
que lhe dá resistência e elasticidade. Afim de manter estas propriedades e para
eliminar a desvantagem da putrefação, as fibrilas colágenas são tornadas inso¬
lúveis por reação com taninos e sais de crómio. Estas reações podem ser con¬
troladas por observações no microscópio eletrônico.
3) do ponto de vista biológico, o colágeno é uma proteína estrutural inti¬
mamente associada com a organização de tecidos e órgãos. Portanto, o conhe¬
cimento da estrutura normal das fibrilas colágenas de diversos tecidos e órgãos,
sob diferentes condições físico-químicas, é o ponto inicial para a compreensão
das alterações que ocorrem em tecidos normais, por exemplo, a histogênese de
tecidos conjuntivos e o processo de envelhecimento, bem como de alterações
patológicas, tais como as produzidas por colagênase na febre reumática ou na
gangrena (16, 26).
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Mem. Inst. Batastaa,
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P. SOUZA SANTOS, H. SOUZA SANTOS.
G. A. EDWARDS. A. R. HOGE A P. SAWAYA
3
Xo presente estudo é nosso intento apresentar algumas observações sôbre
a microscopia eletrônica de fibrilas colágenas normais de vários tecidos de alguns
animais, principalmente de répteis, e demonstrar a ação de certos fatores qui-
micos e físicos sôbre a estrutura fibrilar. Pareceu-nos mais conveniente apre¬
sentar os métodos, materiais, resultados e a discussão juntamente em cada secção,
do que em capitulos separados.
PERÍODO E ESTRUTURA ULTRA-FINA DAS FIBRILAS
Estudámos fibrilas colágenas associadas com as miofibrilas dos seguintes
músculos: obliquo externo do sapo, Bufo pqraaicmis ; do jacaré, Cayinan lati-
roslris; das serpentes, Liophis miliaris e Constrictor constriclor amarali; do
pombo e do homem.
Da série dos répteis (serpentes, jacaré c lagarto Tupinambis teguixin ) foi
usado também colágeno dos seguintes músculos: hioglosso, rabo, lingua, tem¬
poral e coração. Observações foram feitas também cm fibrilas colágenas de
veias e do canal deferente das serpentes e do lagarto. Em adição, usámos ten¬
dões das patas dianteiras, do dorso e do rabo do rato albino e o tendão da
glândula venenosa de Bothrops altcmala e o seu homólogo na Constrictor cons-
irictor amarali. As fibrilas foram preparadas, para microscopia eletrónica, pela
técnica prèviamente descrita para a preparação de miofibrilas (35). Obser¬
vações foram feitas em ambos os microscópios, no Siemens 100b e r.o micros¬
cópio eletrónico RCA, EMU. Medidas foram obtidas das micrografias eletró¬
nicas ampliadas, feitas no microscópio eletrónico RCA, sendo os aumentos de¬
terminados dentro de 5 % de érro (17).
Em todos os casos, as fibrilas colágenas aparecem como filamentos únicos,
às vêzes uma réde ou em feixes, apresentando uma caracteristica estriação
transversal, formada pela alternação de bandas escuras c claras denominadas
respectivamente bandas A e B por Schmitt (18) e Iwndas D e // por Wolpers
(19). As bandas escuras são regiões de alto poder dispersivo eletrônico,
o que significa que têm maior densidade ou mais átomos por unidade de volume
do que as bandas claras. Xas preparações sombreadas com metal, as bandas
são nitidamente visíveis quando a direção do sombreamento é paralela, ou
quáse paralela, ao eixo longo da fibrila (íig. 1). Em tais preparações, onde
o sombreamento está em ângulos retos ao eixo longo, as bandas não são nitidamente
vistas nas fibrilas, mas os contornos da fibrila são visíveis na sombra. Em
preparações não sombreadas, as bandas podem ser vistas somente quando as
fibrilas estão bem limpas, isto é, quando a camada da substância básica, às vêzes
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4 UMA CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DA ESTRUTURA
ULTRA-FINA E DAS PROPRIEDADES QUÍMICAS DE FIBRILAS
DO TECIDO CONJUNTIVO ANIMAL
grudada às fibrilas, não encobre e obscurece as bandas. Pode ser visto clara-
mente, na fig. 1, que a banda A é mais alta do que a B, dando assim à fibrila
o aspecto de um fio de pérolas. Não obstante, esta aparência é, na verdade,
devido à perda de água da fibrila, sendo que foi demonstTado, por meio de ré¬
plicas de fibrilas colágenas úmidas, que a superfície é uniformemente lisa. Pa¬
rece, portanto, razoável presumir que a banda B possui um teôr mais alto de
água do que a banda A (20). Por coloração seletiva como os chamados co¬
rantes eletrônicos, isto é, ácido ósmico, ácido fosfotúngstico ou acetato de ura-
nil, uma estrutura mais fina pode ser evidenciada em preparaçõe snão som¬
breadas. Quatro linhas escuras aparecem na banda A (a, b, c, d) e uma única
linha na banda B (e). Sob certas condições, as linhas “b” e “e” podem apa¬
recer divididas em duas linhas cada, dando, assim, um total de sete linhas
(23). Em fibrilas sombreadas, nem todas as linhas se tornam visíveis. Con¬
tudo, devido ao fato de que as linhas “b” e “c” são de diâmetro largo, as
mesmas se tornam proeminentes em fibrilas limpas sombreadas paralelamente
ao eixo longo (Figs. 1, 2), dando a aparência de uma estriação transversal
extra na banda A, tendo um período de 270 Â, o assim cliamado intra-periodo
de preparações sombreadas (27). A soma dos comprimentos das bandas A
mais B dá em média 640 A. concordando, assim, com o espaceamento caracte¬
rístico das fibrilas colágenas sêcas, conforme foi revelado por difração de raios
X com ângulo baixo (4). Em todas as nossas experiências usamos espe-
cimes sombreados com metal; portanto, variações das sub-ltnhas não foram
consideradas nêste estudo.
Na maior parte do trabalho prévio em microscopia de colágeno usou-se
fixação com fortnol, visto que êste não altera a refração dupla intrínseca do
colágeno e, por conseguinte, não muda o arranjo das cadeias de polipéptidos
nas fibrilas (28). Visto que nossos estudos incluem uma variedade de colá-
genos, achamos conveniente determinar a influência de diversos fixadores, antes
de iniciar a experiência definitiva. Desta maneira, o período e o diâmetro das
fibrilas foram determinados após o uso de formol, de soluções de Zenker e de
Bouin. bem como de material não fixado. Os resultados obtidos com o tendão
da glândula salivar de Constridor são apresentados na Tabela 1, onde se pode
ver que o período é o mesmo nos materiais fixados e nos não fixados, mas
que a gama dos diâmetros varia com o fixador. O aspecto das fibrilas, após
tal tratamento, é apresentado nas Figuras 1 e 2. À base dêstes resultados, usá¬
mos material não fixado, ou fixámos com formol a 5%, nas experiências defi¬
nitivas.
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Mm. Injt. ButinUn, P. SOUZA SANTOS, H. SOUZA SANTOS, r
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As observações finais das fibrilas colágenas normais incluiram medições
do período e do diâmetro de um número de fibrilas tiradas de regiões diferen¬
tes de vários animais, e estudos sobre a forma da fibrila em geral. Na Tabela 2
são apresentadas medições do comprimento do período e do diâmetro de fibri¬
las de diversos órgãos de vários animais. Pode-se notar que, apesar de que
o período varia levemente, entre os órgãos do mesmo animal ou de animal para
animal, permanece uniformemente ao redor de 640 A, confirmando a obser¬
vação de Bear obtida por meio de difração com ângulo baixo (8). Os diâ¬
metros apresentaram maior variabilidade. Nas fibrilas de certos órgãos, por
exemplo, da lingua do lagarto, os diâmetros são uniformes. Em outros, porém,
como por exemplo do rabo do jacaré (Fig. 3), a gama dos diâmetros pode ser
extensiva, nêste caso de 640 a 1400 A. A constância do período, mais a varia¬
ção no diâmetro da fibrila, foi tomada por Bear (4) como base para seu modelo
da fibrila colágena, para sustentar a opinião de que a fibrila é composta de
unidades, as protofibrilas, cujos diâmetros são muitas vêzes menores do que
aquele da fibrila e cuja composição é a de poucas cadeias de péptidos, tudo
alinhado de maneira a dar um período constante.
Acredita-se que a fibrila colágena c composta de uma série de anéis ôcos
(27). e, de fato, micrografias eletrônicas de cortes transversais de tendões (9)
tém sido apresentadas mostrando a sua aparência ôca. Estas observações não
discordam de nenhum modo das observações feitas com o microscópio de pola¬
rização (28), indicando que as fibrilas colágenas possuem a bi-rcfringência
intrínseca e a de forma, visto que as protofibrilas são localizadas somente na
periferia. Randall (9) discorda da idéia de uma fibrila óca, alegando que, se
isto fósse verdade, a fibrila deveria mostrar menor densidade do que de fato
mostra. Como resultado dos presentes estudos, acreditamos que a fibrila é
ôca, e entendemos com “ocosidadc” a ausência de proteína ou outro material
sólido e a presença de uma fase liquida no interior da fibrila. A fase liquida
desaparece durante o processo de secagem na preparação da fibrila para o micros¬
cópio, deixando uma fibrila parcialmente achatada c com aparência de um colar
de pérolas. Em cortes ultra-finos, as fibrilas aparecem ôcas devido à preser¬
vação da estrutura tridimensional e à perda de água durante a fixação. A forma
geral da fibrila colágena é bem ilustrada numa série de fotografias tiradas do
tendão da glândula venenosa posterior de Bothrops (Figs. 5 e 6). O tendão
foi deixado em salina fisiológica a 4-6°C durante 6 semanas para maceração;
em seguida, lavado e triturado em água destilada, dessecado e sombreado com
crômio. Percebe-se que algumas das fibrilas se fendem longitudinalmcnte, mos¬
trando na região da fenda uma série de anéis incompletos (SA, 6A). Em
outros, a orientação do corte da fibrila é de maneira que se pode observar a
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a uma contribuição ao conhecimento da estrutura
ULTRA-FINA E DAS PROPRIEDADES QUÍMICAS DE FIBRILAS
DO TECIDO CONJUNTIVO ANIMAL
extremidade óca e quebrada (5A). E, ainda em outros, as extremidades das
fibrilas são achatadas (5B) ou franjadas (6B), sugerindo que o material interno
foi retirado durante o processo de secagem. Se, como acreditamos à base destas
preparações, a fibrila tem um interior líquido, ou semi-liquido, os comentários
de Randall não são mais válidos. Uma evidência adicional da estrutura anelar
da fibrila é a sua extensibilidade. Sob a ação de tensão ao longo da fibrila
única (o tendão todo não pode ser muito extendido, pois se quebra facilmente)
a fibrila aumenta em comprimento, principalmente por mudança do comprimento
da faixa clara, com pouca ou nenhuma alteração na faixa escura. Se a tensão
for suficiente, os anéis parecem separar-se, quebrando a fibrila em pequenas
unidades comparáveis aos sarcômeros de miofibrilas. Êste processo pode ser
observado de melhor maneira cm fibrilas sob a tensão da película de parlódio
quando esta última arrebenta dentro do microscópio eletrónico (compare Fig. 4
mostrando fibrilas tendinosas do rabo, não fixadas e sendo deformadas por
tensão longitudinal devido à fratura da película), visto que a extensão de uma
fibrila única por outros meios é extremamente difícil. Tais observações têm
papel importante na visualização da disposição dos amino-ácidos nas cadeias poli-
peptídicas, visto que, para o colágeno, o modêlo da cadeia alfa-beta de ceratina
não pode ser aplicado (4, 29).
AÇAO DA AGUA QUENTE SOBRE AS FIBRILAS
É liem conhecido que, sob ação prolongada de água quente, o colágeno se
dissolve e se transforma cm gelatina. Para o tendão existe uma temperatura
camteristica de encolhimento, que depende do meio e do tratamento prévio do
tendão (3). Para o tendão fresco em água, a temperatura é de 60° — 65° C.
O tendão fresco, a esta temperatura, primeiramente sofre um encurtamento
repentino acompanhado por um aumento no diâmetro e uma diminuição no pe¬
ríodo. Continuando o aquecimento, o tendão é lentamente dissolvido e toma
uma estrutura amorfa, conforme foi indicado pela diíração de raios X com
ângulo liaixo (3, 4). Extendemos êstes estudos e observámos as alterações em
fibrilas únicas por meio do microscópio eletrónico, usando tendão de rabo de
rato. As fibrilas únicas, após 2 minutos em água distilada a 00°C, diminuem
no comprimento e no período e aumentam no diâmetro, indicando, assim, que
as alterações macroscópicas acima mencionadas são o resultado de alterações
no nível fibrilar (Fig. 10A). A 40°C, nenhuma alteração na estiutura das fibri¬
las podia ser observada (Fig. 10B). A 60°C, após 2 minutos, as extremidades
das fibrilas começam a perder as suas formas. Após uma exposição mais
demorada, as estrias começam a desaparecer, demonstrando que a perda do espa-
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ceamento longitudinal caraterístico (revelado por difração de raios X com
ângulo baixo) é acompanhada pela perda do período de 640 A, pondo em evi¬
dência, dessa maneira, que os dois realmente são idênticos. Após exposição
adicional, nesta temperatura, as fibrilas se dissolvem completamente. A 100°C,
as alterações ocorrem com grande rapidez. Dentro de 2 minutos, as fibrilas
são transformadas completamente em gelatina.
Xossos resultados obtidos com o tendão do rato concordam com os de Lelli
(30) para o derma humana.
A ação da água quente pode ser interpretada como segue (4). As proto-
íibrilas primeiramente são alteradas do estado ordenado, que nomialmente ocor¬
re na fibrila eolágena intacta, para um estado desordenado. Com a prolongada
exposição, a agua quente altera as proto fibrilas colãgenas para moléculas livres
de gelatina.
AÇAO DA ACIDO ACÉTICO SOBRE O TENDÃO
Há anos, Xageotte (31) mostrou que o tendão do rabo de rato jxxlia ser
dissolvido cm ácido acético diluído (IO - * molar), produzindo uma solução clara
e muito viscosa. Esta observação foi extendida aos colágenos de diversas ori¬
gens animais (compare Bear para referências) (4). O colágeno pode ser re-
prccipitado a partir da solução viscosa alterando-se a concentração salina por
meios de diálise, ou diluindo-se com tampões adequados de pH definido (32,
34). O colágeno reprccipitado apresenta a mesma estrutura que o original,
conforme demonstra a difração de raios X (33), i.e., o espaceamento de 640
A. mas tem uma ordem interna menos regular. A compreensão do mecanismo
da reprecipitação do colágeno a partir do estado solúvel, bem como o da rea¬
ção de soluções colágenas com mucoproteinas (34), polisacáridos, glucoprotei-
nas e derivados do ácido nuclêico (7), que também produzem precipitados for¬
mados de fibrilas com jxrriodos, é de maior importância para a obtenção de in¬
formações sõbre o mecanismo da íibrogênese em tecidos.
Visto que as descrições na literatura das condições exatas para a dissolução
e a reprecipitação do colágeno são incompletas (32), repetimos estas experiên¬
cias com diversos tipos dc colágeno de vários animais, variando a temperatura,
a molaridade do ácido acético, o pH e a concentração iònica. Determinámos,
desta maneira, as condições definidas necessárias para a precipitação de certos
colágenos e descobrimos que alguns não se dissolvem, ou então se dissolvem com
dificuldade, e que a temperatura desemjienha paj»el importante no processa
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3 UMA CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DA ESTRUTURA
ULTRA-FINA E DAS PROPRIEDADES QUÍMICAS DE FIBRILAS
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A. Tendão do rabo de rato. — Quando o tendão do rabo de rato é colo¬
cado, sob condições estéreis, em qualquer volume de ácido acético molar 1CH,
em frascos tampados, a 4-5°, ou a 3/°C, somente uma pequena fracção do
tendão é dissolvida. Alterações macroscópicas, porém, podem ser observadas,
variando conforme a temperatura. Após esforços repetidos, conseguimos obter
melhor dissolução do que 95%, congelando, primeiramente, o tendão com gêlo
sêco, cortando-o, por meio de um micrótomo, em secções de espessura de 30-40
micra e colocando-o, finalmente, no ácido acético a 37° durante 6 horas,
em condições estéreis. A entrada em solução foi favorecida por agitações pe¬
riódicas, com pérolas de vidro. Repetindo o processo sem fazer os cortes, obti-
vemos igualmente bons resultados. Desta maneira, o congelamento prévio, de
algum modo, permite uma dissolução mais fácil, talvez por ação sôbre a subs¬
tância básica (ground substance) que envolve o colágeno. O tendão congelado
não se dissolveu a 4-5°C. As quantidades relativas do tendão e do ácido acético
não são criticas. Xas e.xperièncias finais usámos uma proporção de uma parte
de tendão úmido a cinco partes de ácido acético a IO- 1 molar, visto que pro¬
porções mais altas produzem soluções demasiadamente viscosas para serem fil¬
tradas no filtro de Seitz. A solução viscosa de colágeno assim produzida foi
filtrada num filtro de Seitz, afim de eliminar qualquer material suspenso ou
quaisquer fibrilas não dissolvidas e examinado o filtrado no microscópio ele¬
trónico. Xenhuma estrutura fibrilar podia ser encontrada na solução final.
O processo de reprecipitação dependeu em grande parte da temperatura.
Os melhores precipitados foram produzidos, usando-se uma parte de solução
de colágeno para cinco partes de tampão de ácido citrico-citrado de sódio a 0.1
M jior volume, a pH 4,9. A 4-5°C, não se pode observar precipitado na mis¬
tura de tampão c colágeno nem após uma semana. Centrifugação a baixa velo¬
cidade (Servall, aOOO rpm, 2 horas) não separou qualquer precipitado fibrilar
observável. Quando, porém, a solução de colágeno c a do tampão, ambos
prèviamente colocados à temperatura do ambiente, são misturados e deixados
em temperatura do ambiente, uma precipitação completa se forma dentro de
duas horas. Êste precipitado branco, gelatinoso, pode ser facilmente separado
do liquido sobrenadante por meio de decantação ou por centrifugação. Para
o exame no microscópio eletrônico, os sais foram retirados por repetidas lava¬
gens com água destilada c recentrifugação. O precipitado final, suspenso em
água distilada, em seguida foi examinado de maneira usual. Achou-se um con¬
teúdo de fibrilas colágenas caraterísticas do mesmo periodo como aquelas nas
fibrilas originais. Em geral, as fibrilas reprecipitadas mostraram contornos ní¬
tidos, mas as extremidades apareceram um tanto franjadas. Em várias prepa¬
rações apareceram diversos tipos de fibrilas, variando de fibrilas curtas, não
estriadas (Fig. 7A), a fibrilas mais compridas, não estriadas (Fig. 7B), fibrilas
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G. A. EDWARDS. A. R. HOGE & P. SAWAYA
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mais compridas estriadas (Fig. 8) e, finalmente, fibrilas definitivas (Fig. 9).
É uma tentação sugerir que estas representam fases na formação da fibrila colá-
gena estriada, i.e., que a estriação transversal ocorre somente depois que a
fibrila alcança um certo comprimento e possivelmente uma certa tensão.
Tendão da glândula saliivr. — Tentativas para repetir a experiência
acima, com o tendão posterior das glândulas labiais da Constrictor constrictor,
falharam, quando foram usados tempos de contacto mais prolongados. Esta
diferença no comportamento é inexplicável, uma vez que ambos os tendões, o
do rabo do rato e o da glândula, são tendões livres de outros tecidos. O
tendão da glândula mostrou um certo grau de inchamento após o tratamento
de 24 horas com o ácido acético. Fibrilas fixadas em formol a 5%, trituradas
em água distilada e examinadas de maneira usual no microscópio eletrónico,
mostraram um aumento no periodo de estrias transversais, com diminuição na
nitidez dos seus contornos.
C. Tendões dc zárias fartes do corpo. — As duas experiências prévias
sugeriram fortemente que o poder dissolvente do ácido acético depende do ani¬
mal, da região do corpo de onde o tendão é tirado e do pre-tratamento. Sem
congelamento prévio do tendão, a ação do ácido acético parece estar limitada
ao inchamento, cujo grau e tipo dejiendcm da temperatura.
Para provar esta tese, tendões foram tirados do rabo, do dorso e das patas
de ratos albinos. Pedaços de aproximadamente o mesmo tamanho de cada re¬
gião foram colocados, sem congelamento prévio, em ácido acético a IO -4 molar,
sch condições estéreis, a 4 o c 37° C, c foram assim mantidos durante 24 horas.
-Subseqüentemente foram fixados em formol a 5£>, triturados cm água desti¬
lada e prejiarados para o microscópio eletrónico. Em um grui» óas experiên
cias, o ácido acético foi colocado à temperatura desejada antes de adicionar o
tendão. Numa segunda série, os tendões foram colocados no ácido acético a
temperatura ambiente e cm seguida ajustado às temperaturas desejadas. Os
resultados diferiram consideravelmente, como será demonstrado abaixo.
Xa temperatura mais baixa (4°C), os tendões incham surpreendentemente
e ficam transparentes, tendo a aparência de uma geléia rigida, e os tendões
não perdem a sua forma nem após agitação (Fig. 11). A 37°C, de outro lado,
o tendão incha menos, fica opaco e perde a sua aparência sedosa. As fibrilas
dos tendões levadas gradualmente de 37° a 4 o , apareceram, no microscópio ele¬
trônico, como fibrilas em zig-zag, de periodo curto e irregular (Fig. 12). Êste
fenómeno foi visto principalmente nos tendões do rabo e do dorso. Em algumas
das fibrilas, cm zig-cag, o periodo foi mantido, cm outras desapareceu. Não
foram observadas fibrilas, em cig-zag a 37°C.
O significado da formação do tipo zig-zag irregular de fibrila não fica
'sclarecido por éstes estudos. Parece estar relacionado com o efeito da tem-
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10
UMA CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DA ESTRUTURA
ULTRA-FIXA E DAS PROPRIEDADES QUÍMICAS DE FIBRILAS
DO TECIDO CONJUNTIVO ANIMAL
pcratura na mesma, uma vez que os tendões colocados diretamente em ácido
acético prèviamente resfriado a 4°C, não mostram a formação de cig-zag. Assim,
é evidente que é causada pelo decréscimo gradual da temperatura. Xotável
era também o fato de que somente à temperatura baixà perderam-se as estrias
transversais, enquanto à temperatura mais alta as estrias continuaram observá¬
veis, mesmo quando a fibrila aparentemente se estava desintegrando ao longo
do eixo longitudinal. De fato, o aspecto das fibrilas após o tratamento com
ácido acético a 37°C é semelhante àquele após o tratamento com água a 60°C.
AÇAO DE ALCALE DILUÍDO SOBRE O TEXDAO
Outrora se acreditava que álcale diluido não ataca o colágeno. Xão obs¬
tante, Gross (16) mostrou que uma solução de hidróxido de sódio a 0,1 X
causa uma fragmentação das fibrilas colágenas na direção transversal e, evcn-
tualmente, a redução de algumas fibrilas a massa amorfa. Tentativas de repe¬
tir as experiências de Gross, com o tendão das glândulas labiais de C. cons-
trictor, não tiveram sucesso. As fibrilas colágenas foram isoladas, como orè-
viamente descrito, e suspensas em solução de hidróxido de sódio a 10 4 X. Tes¬
temunhos foram feitos por suspender outros tendões em água destilada. Dei¬
xaram-se ambos a 37°C e a 0°C durante 24 horas e em seguida examinaram-se
no microscópio eletrônio. Quanto podia ser determinado pela micrografins,
não houve alterações. Estas experiências mostram, pois, que (1) o álcale não
tem efeito sõbre o tendão, como prèviamente se acreditava, ou (2) que, como
se encontra em outras experiências acima mencionadas, o efeito de um agente
sõbre o colágeno depende em grande parte do animal e da região de onde o
tendão é tirado. Para o esclarecimento dêste ponto, novos trabalhos experi¬
mentais estão em andamento.
RESUMO
Fibrilas colágenas de vários órgãos do sapo, de répteis, do jiombo, do
rato e do homem, foram estudadas, com auxilio do microscópio eletrónico.
Observações foram feitas sõbre a influência de extensão, de fixadores, sais,
ácidos, álcales e de temperatura sõbre a estrutura da fibrila. Igualmente, fo¬
ram estudadas as condições necessárias para a dissolução e reprecipitação de
colágeno.
As fibrilas normais de vários órgãos de diversos animais mostraram um
período idêntico, mas variaram consideravelmente nos diâmetros. A variação
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Mem. Inst. Batantan,
27:1-39. 1955/6.
I*. SOUZA SANTOS. H. SOUZA SANTOS.
G. A. EDWARDS, A- R. HOGE & P. SAWAYA
11
era mais acentuada em certos animais e órgãos do que em outros; por exemplo,
as fibrilas da língua do lagarto eram extremamente uniformes, enquanto aquelas
do rabo do jacaré variavam muito.
As fibrilas foram observadas em estado fresco ou fixadas em formol, ou
nos liquidos de Bouin e de Zenker. Em todos os casos, o período permaneceu
uniforme, mas o diâmetro das fibrilas pareceu variar com o fixador. A maior
uniformidade foi obtida com formol a 5%.
Quando sujeita a tensão, a fibrila aumenta no comprimento, principal¬
mente na faixa clara. Com tensão contínua, a fibrila parte-se em unidades
individuais com comprimento de apenas duas faixas.
Tendões expostos a salina fisiológica por longos períodos de tempo, fendem-
se facilmente em direção longitudinal, durante a trituração, c mostram um
achatamento considerável quando secados nas grades. Em muitas fibrilas assim
tratadas podem ser vistos anéis incompletos na periferia da fibrila, ou um inte¬
rior ôco nas extremidades. Acreditamos, porisso, que a fibrila, normalmente,
possui um interior liquido, ou semi-liquido.
A 40°C, as fibrilas não mostram alterações cm água. Dentro de 2 minutos
de exposição à água a 60°C, as fibrilas começam a perder a sua forma. Con¬
tinuando a exposição, as fibrilas ficam mais curtas, aumentam no diâmetro,
com encurtamento consequente do periodo, dissolvem-se lentamentc e se trans¬
formam, finalmcnte, em massa gelatinosa, amorfa. A 100°C, estas altera¬
ções ocorrem dentro de 2 minutos. A água quente parece alterar as proto-
íibrilas coiágenas a moléculas livres de gelatina, passando a fases nas quais as
protofibrilas são alteradas do estado ordenado a um estado desordenado.
A temperatura desempenha papel importante na dissolução e na rcpreci-
pitação das fibrilas. Um congelamento prévio dos tendões era necessário pari
causar sua dissolução no ácido acético. A 4-5°, a dissolução é cxtrcmamcntc
lenta; a 37°C, bem rápida. A 4-5°, a reprccipitação não ocorre dentro de uma
semana, enquanto a 37°C é completa dentro de 2 horas.
Fibrilas dissolvidas em ácido acético e reprccipitadas cm tampão de citrato
mostraram diversas fases de reformação. Acredita-se que a sequência é (1)
fibrilas curtas, não estriadas, (2) fibrilas compridas, não estriadas, (3) fibrilas
compridos, estriadas. Desta maneira, parece que um certo comprimento da
fibrila e uma certa tensão são necessários para a formação das estrias nas
fibrilas reprecipitadas.
Tendões do rabo, do dorso e das patas do rato branco mostraram diferentes
respostas ao mesmo tratamento. Tentativas de dissolver e reprecipitar o tendão
posterior das glândulas labiais de Constrictor constrictor, não foram bem suce¬
didas. Desta maneira, achamos que as condições necessárias para a dissolução
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,9 IMA CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DA ESTRLTLRA
1- ULTRA-FINA E DAS PROPRIEDADES QUÍMICAS DE FIBRILAS
DO TECIDO CONJUNTIVO ANIMAL
e a reprecipitação de fibrilas colágenas variam com o animal e o órgão de
origem.
Tendões não prèviamente congelados, quando adicionados a ácido acético
prèvi amente resfriado a 4°C, incham e ficam transparentes, mas permanecem
lineares em forma. Aqueles colocados em árido acético a 37°C e em seguida
resfriados a 4°C, mostram uma forma de zig-zag. A 37°C, não são formados
zig-sags.
Alcale diluido pareceu não ter efeito sôbre o tendão de Constrictor cons-
trictor, nem a 4 o nem a 37°C.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos o auxílio técnico de Sr. Adolpho Brunner, Jr. e Srta. Cecilia
Doneux. O trabalho foi favorecido, em parte, por subsídios da Fundação de
Rockefeller e do Conselho Nacional de Pesquisas.
Tabela I
INFLUÊNCIA DE VÁRIOS FIXADORES SOBRE O TENDÃO DA GLANDULA
DE VENENO DA SERPENTE.
Fixador .
Não-fixa do
Formol 5%
Bouin
Zenker
Período (Â) ....
660
660
660
660
Comprimento (A)
1000-1600
1400-2000
830-2600
1100-1300
cm
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Mera. Inst. B-jUr.Un,
27:1-39. 1953/6.
P. SOUZA SANTOS. H. SOUZA SANTOS.
G. A. EDWARDS, A. R. HOGE A P. SAWAYA
13
Tabela II
PERÍODOS E DIÂMETROS DE FIBRILAS COLÁGENAS DE VÁRIOS
ANIMAIS (cm À)
Órgão
animal
Serpente
Lagarto
Jacaré
Sapo
Pombo
Ser
Humano
Obliquo externo
d=798
p=630
d=798
p=600
d=793
>=570
Coração
d=1100
p=600
Tempo ralis
d=630
p=590
Hioglosso
d=600
p=600
d=640-900
p=640
Tendão da glân¬
dula de ve¬
neno
d = 1400-2000
p=660
Veia
d=800
p=630
Vas dtfcrcns
d=630
p=600
Rctrator do
hemipenis
d=900
p=600
Cauda
d=640-1400
p=640
Lingua
d=600
p=S90
cm
2 3
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_
Ifm». Imt. Bntantan. V. SOUZA SANTOS. H. SOUZA SANTOS.
27:1-39. 195S/6. G. A. EDWARDS. A. R. HOGE & P. SAWAVA
Fic. 1 A, R. Fibrilas colápcnas normais do rctrator do bcniipcnis de Construtor
constnctor amarúli. Fixadas cm íormol.
Fic. 1 A, B. — Xormal collagcn fibrils from rctractor of licniipcnis of Constriclor
constrirtor amarali. Formalin íbccd.
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UMA CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DA ESTRUTURA
ULTRA-FINA E DAS PROPRIEDADES QUÍMICAS DE FIBRILAS
DO TECIDO CONJUNTIVO ANIMAL
Fig. 2. — A. Fibrilas colágenas normais de retractor do hemipenis de Constrictor, fixadas
no líquido de Zenker. — B. Fibrilas colágenas normais do retractor do hemipenis de
Constrictor, fixadas no líquido de Bouin.
Fig. 2 — A. Xormal collagen fibrils from Constrictor hemipenis retractor, fixed in
Zenker’s fluid. — B. Xormal collagen fibrils from Constrictor hemipenis retractor, fixed
in Bouin’s fluid.
cm
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M«n. In«. Butanun. P. SOUZA SANTOS. H. SOUZA SANTOS.
27:1-39. 1955/6. G. A. EDWARDS. A. K. HOT.E A P. SAWAVA
Fro. 3 — Fibrilas colácenas do rabo de jacaré, mostrando variação no diimetro.
: lS - •* — Fibrilas colãgcnas do tendão dorsal do rato.
Xão lixadas.
FlC. j. — Collagen fibrils from tail of caiman,
-C. 4. — Collagen fibrils írom dorsal tendon of
Unfixcd.
mostrando a influência dc extensão.
showing variation in dianKter.
rat, shawing inílucncc of stretcll.
cm
2 3 4 5 6 7
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,_ p
F ' C 5 A »■ - FWbtJ, 'Zr*' * **»* *m«.
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cm
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UMA CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DA ESTRUTURA
ULTRA-FINA E DAS PROPRIEDADES QUÍMICAS DE FIBRILAS
DO TECIDO CONJUNTIVO ANIMAL
Fic. 7. — A. Fase inicial na formação de fibrilas repreci pitadas ; na maioria fibrilas curtas,
não estriadas. — B. Fase mais adiantada, mostrando fibrilas mais compridas, não estriadas.
Fic. 7 — A. Early stage in formation oi reprecipitated fibrils ; mostly short, non-striated
fibrils. — B. Later stage showing longer, non-striated fibrils.
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Mrm. In*t. Batantan,
27 : 1 - 39 . 1955 6 .
I*. SOrZA SANTOS. H. SOfZA SANTOS.
G. A. EDWARDS, A. R. HOGE \ P. SAWAYA
21
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%i > \ "ÍjL'^ iT s 'PI
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8 A
8 B
Fic. 8 A e B. — Fases intermediárias da formação de fibrilas reprccipitadas. mostrando
algumas fibrilas compridas, estriadas.
Fic. 8 — A and B. — Intermcdiatc stages of formation of reprecipitatcd fibrils, showing
sevcral, long, striatcd fibrils.
cm
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->■> CM A CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DA ESTRUTURA
CI.TKAFINA E DAS PROPRIEDADES QCIMICAS DE FIBRILAS
DO TECIDO CONJUNTIVO ANIMAL
Fig. 9 A e li. — Fases finais na formação de fibrilas reprecipitadas; essencialn-.cntc fibrilas
todas compridas, estriadas, possuindo período igual àquele das íibrilas originais antes do
tratamento.
Fig. 9 — A and B — Final stages in formation oí reprecipitated tibrils; cssentially all
long, striated íibrils, liaving period equal to that of the original fibrils beíore treatment.
cm
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-'-' 1 - 59 . 1955 / 6 .
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B- Fibrila do twdâo do ra.o cx,*„ u a -W-C .TT J n " nU, ° S -
Fir JO __ Fihril , ' C ri,c - «ninuio-i.
n p., . . f ' m ra * ,rrnf l«n cxp< ,sct| to 60 ° C f nP 7
B. Fib„! .ron, rat tcodon cxpo*d ,o 40 » C Z 2
L *°r 2 minutes.
cm
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UMA CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DA ESTRUTURA
ULTRA-FINA E DAS PROPRIEDADES QUÍMICAS DE FU!RH.AS
DO TECIDO CONJUNTIVO ANIMAL
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Fig. 11 A e B. — Fibrilas do tendão posterior da glândula labial de Conslrictor após
exposição do ácido acético a 10-4 M prèviamcnte resfriado a 4-5°C durante 24 horas.
Fig. 11 — A and B. — Fibrils from posterior tendon oi labial gland oí Conslrictor aíter
exposure to precoolcd 10-4 molar acetic acid at 4-5.° C for 24 hours.
cm
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27 : 1 - 39 . 1955 6 .
P. SOUZA SANTOS. H. SOUZA SANTOS.
G. -V EDWARDS. A. R. HOGE & P. SAWAYA
A CONTRIBUTION TO THE KNOWLEDGE OF THE FINE
STRUCTURE AND CHEMICAL PROPERTIES OF ANIMAL
CONNECTIVE TISSUE FIBRILS.
P. SOUZA SANTOS*; H. SOUZA SANTOS**; G. A. EDWARDS***- A. R. HOGE****
AND P. SAWAYA***.
INTRODUCTION.
Collagen is the principal protcin constituent of tlie loose and compact con-
nective tissues. It occurs either as a network of fibrils of approximately one
nncron thickness and of many microns Icngth associated witli almost all tissues
in the whcle animal series; or as thick hundles forming tlie tcndons (1). Col¬
lagen is a fibrous protein, according to the classification of Asthury (2).
It is insoluble in \vater, organic solvents, and dilute Solutions of alkalies
and acids at ordinary temperatures. Tlie prolonged action of hot water
changes collagen into gelatin, a Chemical reaction of great importance and from
which is derived the tcrm itself (collagen means “glue former”). Anothcr cha-
racteristic property of collagen is its swclling by action of dilute acids and
alkalies (3). The amino acid composition is roughly the same in the various
collagens from different animais, but the rclative percentage composition changes
írom animal to animal (4). The majority of the collagens show a higli content
«>i ghcine. hydroxyproline, and of aromatic and sulfur containing acids (5, ó)
Studies of collagen fibrils by physical methods, such as high and low anglc
X-ra> scattering, electron microscopy, and polarization microscopy have put
in evidcnce the fibrous nature of collagen and have shown the existence of a
characteristic period, averaging 640 A in collagen from the entire animal series
(~i. Fhc 640 A period has lieen obscrved also in collagen from fóssil animais,
,nst ance in the demineralized tusk of a 15,000 year old mammoth (4.7). On
Secção de Vinis, Instituto Butantan, S. Paulo, Brasil.
Secção de Microscopia Eletrónica, Universidade de S. Paulo, Brasil.
Dcpto. de Fisiologia Geral e Animal, Universidade de S. Paulo, Brasil.
*** Laboratório de Ofiologia. Instituto Butantan, São Paulo, Brasil.
Received, for puhlication. on 26.1.1955.
SciELO
3
28
A COVTRIBUTION TO THE KXOWLEDGE OF THE FIXE
STRUCTURE AND CHEMICAL PROPERTIES OF ANIMAL
CONNECTIVE TISSUE FIBRILS
the other hand, high angle X-ray scattering, which reveals small spacings
in the molecular architecture, shows differences in the spacings of the various
collagens (8). Of all these methods, electron microscopy provides a speciai
approach to the fine structure of the fibrils and to their arrangement in the
cells and tissues by direct visualization. Unfortunately, due to only 10 A
resolving power of electron microscopes, details of the architecture of the polv-
peptide chains within the fibrils cannot yet be observed.
At present there are three major trends of research on collagen fibrils.
The first is the consideration of its fine structure, starting from the spatial
arrangement of the polypeptide chains forming the fibrils to the organization
of the fibrils into the networks of the tissues and tendons. Such studies are
being carried out intensively at the moment, but are far from completion (9,10).
From such studies serious attempts ha ve been made to reconstruct models of
the polypcptide chains in the collagen fibrils. Of these the most promising
at the moment are the models of Bear (4), Randall (11), Pauling (12) and
Huggins (14), inasmuch as the model of Astbury has been proven unsatis-
factory (13). The second trend is the study of the Chemical properties of
collagen fibrils, particularly with a view to improving the quality of leather
(3, 15). Not only is collagen important as the raw material for the manu¬
facture of gelatin and glue, but is extremely important in the manufacture of
leather. The hide, or corium, has as its main component (35%) a network
of collagen fibrils which give it strength and elasticity. To maintain these
properties and to eliminate the disadvantage of putrescence, the collagen fi¬
brils are rendered insoluble by rcaction with tannins and chromium salts. These
reactions can bc controlled by observation with the electron microscope. In
the third place, from the biological point of view, collagen is a structural protein
intimately associatcd with the organization of tissues and organs. Thereforc
knowlcdge of the normal structure of the collagen fibrils from various tissues
and organs, under differing physico-chcmical conditions, is the starting point
for the understanding of the changes which occur in normal tissues, e.g. histo-
genesis of the conncctive tissues and ageing process, as well as pathological
changes such as those produced by collagenase in rheumatic fever or gangrene
(16, 26).
In the present study we aim to present some electron microscope obser-
vations of normal collagen fibrils from various tissues of several animais, prin-
cipally rcptiles; and to show the action of certain Chemical and physical factors
upon the fibril structure. It has seemed more suitable to preser.t the methods,
materiais, results and discussion together under each section, rather than as
separate chapters.
cm
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p
üem. Imt. Butanun,
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P. SOUZA SANTOS. H. SOUZA SANTOS
O. A. EDWARDS, A. R. HOOE & p. SAWAYA
29
PERIOD AND FINE STRUCTURE OF FIBRILS
We have studied collagen fibrils assodated with the myofibrils of the
followmg skeletal rnuscles: externai obliqúe of the toad, Bufo paracnemis,
of the caiman. Caiman latirostris (Daudin. 1802), of the snakes Constrictor
constrtctor amarali Stull, 1932 and Liophis mUiaris mcrrcmi (Wied, 1821),
oi the pigeon and the human. From the reptilian series (caiman. snakes and
the lizard. Tupinambis teguixin (L„ 1758) ) were used also collagens from the
following rnuscles: hyoglossus, temporalis, retractor caudae, tip of tongue and
heart. Obsen-ations were also made on collagen fibrils from veins and the
eierent canal of the lizard and snakes. In addition we used tedons from
the front feet, dorsuir. and tail of the albino rat. and tendon from the posterior
poison gland of Bothrops altemata D.II. et D., 1854 and its homologue in
ouslricto). The fibrils were prepared for clectron microscopy by the tcchni-
que previously described for preparation of myofibrils (35). Obsen-ations were
ma.Ie , n both the Siemens, 1001), and the RCA, EMU, electron microscopes.
* easurements were obtamed from enlarged electron micrographs taken in the
'' A. electron nncroscope whose magnification was dctermincd within 5%
error (17).
In all cases the collagen fibrils appear as single filaments, at times in a
netuor or m bundles, presenting a characteristic cross striation formed by
ie alternai,on of dark and light lands, which have lieen called respectivelv
W and B bands by Schmitt (18) and D and H bands by Wolpers (19). The
ark bands are regions of high electron scattering power, meaning that thcy
ia\c a greater density or more atoms |>er unit volume than lia\-e the light
tonds In the metal shadowed preparations the bands are clearlv evident when
he direction of shadowing is parallel or nearly parallel to the Iong axis of
n ( '!>nre 1). In those preparations where the shadowing is at right
ang es to the long axis the lrands are not clearly seen in the fibrils but the íibril
contour i> \isible in the shadow. In unsliadowed preparations the bands can
. SCCn ° nly when thc fibri,s are q«'tc clean. i.e. when the ground substance
tóver. somet.mes attached to the fibrils. does not cover and obscure the band«
It may 1« seen clearly in Figure 1 that the A band is higher than the B, thus
pung to the f,br,1 the aspect of a string of In-ads. However. this appearance '
* S ln reaI,tv due to the ,oss of "ater from the fibril, since it has been show.i
v means of replicas of wet collagen fibrils that the surfacc is uniformly smooth
thus seems reasonable to assume that band B has a higher water contem
inn band A (20). By selective staining with the so-called electron stains,
t e. osnuc acul. phosphotugstic acid or uranyl acetate, a finer stnicturc can
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30
A COXTRI BUTION TO THE KXOWLEDGE OF THE FIXE
STRLCTLRE AXD CHEMICAL PROPERTIES OF ANIMAL
COXXECTIVE TISSUE FIBRILS
be evidenced in nonshadowed preparations. Four dark lines appear in the A
band (a, b, c, d,) and a single line in the B band (e). Under certain condi-
tions the “b” and “e” lines may appear to be split into two lines each, thus
giving a total of seven lines (23). In shadowed fibrils not all the lines become
visible. However, due to the fact that the “b” and “c” lines are of large
diameter, they become prominent in clean fibrils that are shadowed parallel to
their long axis (Figure 1,2), giving the appearance of an extra cross striation
in the A band, liaving a period of 270 Á, the so-called intraperiod of shadowed
preparations (27). The sum of the lengths of the A plus B bands adds up
to an average of 640 A, which agrees thus with the characteristic spacing of
the dry collagen fibrils as revealed by small angle X-ray scattering (4). In
all of our cxperiments we used metal shadowed specimens, hence variations of
the sub-lines were not considered in this study.
Most of the previous work in the electron microscopy of collagen has in-
volved formalin fixation since formalin does not change the intrinsic double
refraction of collagen, hence does not change the arrangement of the polypep-
tide chains in the fibrils (28). Inasmuch as our studies include a variety of
collagens it was deemed advisable to determine the influence of several fixa-
tives before entering the definitive experiment. Thus the period and diameter
of fibrils was determined after the use of formalin, Zenkers and Bouin’s Solu¬
tions, as well as unfixed material. The results obtained with the tendon frotn
the salivary gland of Conslríclor are presented in Table 1, where it will be
seen that the average period is the same in the unfixed and the íixed materiais,
but that the range of diameters varies with the fixative. The aspects of the
fibrils after such treatment is shown in Figures 1 and 2. On the basis of these
results we used either unfixed material, or fixation with 5% formalin in the
definitive cxperiments.
The final observations on the normal collagen fibrils included measuremenls
of the period and diameter of a number of fibrils taken from diíferent regions
of various animais, and studies on the form of the fibril in general. In Table 2
are presented measurements of the length of period and diameter of fibrils
from various organs and animais. It can be seen that although the period
varies slightly, both from organs of the same animal or from animal to animal,
it remains uniformly around 640 A, confirming Bear‘s observations with low
angle scattering (8). The diameters presented greater variability. In the fi¬
brils from certain organs, e.g. tongue of the lizard, the diameters are uniform.
In others, however, as for example from the tail of the caiman, Figure 3, the
range of diameters may be extensive, in this case from 640 to 1400 A. The
constancy of period plus the variation in diameter of the fibril has been taken
cm
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27 : 1-39 1955 / 6 .
P. SOUZA SANTOS. H. SOUZA SANTOS.
G. A. EDWARDS. A. R. HOGE & P. SAWAYA
31
by Bear (4) as the basis of his model of the collagen fibril to support the view
that the fibril is composed of units, the protofibrils, whose diameter is manv
times smaller than that of the fibril and whose composition is that of few poly-
peptide chains, the whole aligned in such manner as to give constant period
It is believed that the collagen fibril is composed of a series of holloiv
rir.gs (27) and indeed electron micrographs of cross sections of tendons (9)
have been presented showing the hollow appearance. These obscrvations in
no way disagree with the obscrvations made with tlx: polarizing microscope
(28) indicating that collagen fibrils have both form and intrinsic birefringence,
inasmuch as the protofibrils are Iocated only in the periphery. Randall (9)
disagrees with the idea of the hollowness of the fibril, claiming that if true
the fibril should show less density tlian in fact is the case. As a result of the
present studies we believe that the fibril is hollow, and understand as “hol
lowness” the absence of protein or other solid material and the presence of
a liquid phase in the core of the fibril. The liquid phase disappears during
the drying proccss in the preparation of the fibril for the microscope, leaving a
partially collapsed fibril of beaded appearance. In ultrathin sections the fihrils
appear hollow due to the preservation of the tridimensional structurc and the
loss of water during fixation. The general form of the collagen fibril is well
ilustrated in a series of photographs of the tendons of th; posterior poison
gland of Bothrops (Figures 5 and 6). The tendon was leit in physiological
salinc at 4-5 degrees C for 6 wecks for maceration, tlicn washed and blended
in distilled water, dried and shadowcd with chromium. It will bc scen that
some of the fibrils split lengthwise showing in the region of the split a series of
incomplete rings(5A, 6A). In others the orientation of the section of the fibril
is such that onc can observe a hollow, broken end (5A). And in still others
the extremities of the fibrils are flattencd out (5B) or fraycd (6B), suggesting
that the inner material lias been drawn off during the drying proccss. If, as
we believe on the basis of these preparations, the fibril has a liquid, or semi-
liquid core, then Randall s comments are no longcr valid. Further evidcnce of
the ring strueture of the fibril is the extensibility. Under the action of tension
along the length of the single fibril (the whole tendon eannot l>e greatly extended
as it breaks too easily) the fibril increases in length, principally by change of
length of the light and with Iittle or no change in the dark band. If the tension
is sufficient the rings appear to separate, breaking the fibril into units compa-
rablc to the sarcomeres of myofibrils. This proccss can bc best observed in
fibrils under tension causcd by breakagc of the supporting grid film in the
electron microscope (as in Figure 4 showing fibrils of unfixed tail tendon being
deformed by longitudinal tension due to film breakage), inasmuch as stretch
of the single fibril by other means is exceedingly difficult. Such obscrvations
SciELO
32
A COXTRUtCTIOX TO THE KXOWLEDGE OF THE FIXE
STRUCTCRE AXD CHEMICAL. PROPERTIES OF AXIMAL
COXXECTIVE TISSUE FIBRILS
play an important role in the visualization of the disposition of tlie amino acids
in the polypeptide chains inasmuch as in collagen the alpha-beta keratin chain
model cannot be applied (4, 29).
ACTIOX OF HOT WATER OX FIBRILS
It is well known that. iinder the prolonged action ot hot water, collagen
dissolves and turns into gelatin. For tendon therc is a characteristic shrinkage
temperature which depends npon the médium and the previous treatment of the
tendon (3). For fresh tendon in water this temperature is from 60 — 65
degrees C. Fresh tendon. at this temperature, íirst suffers a sudden shortening
accompanicd by increase in diameter and decrease in period. Upon further heating
the tendon is dissolved slowly and is changed into an amorphous structure, as
indicated by low anglc X-ray scattering (3, 4). \Ye have carried these obser¬
vai ions further by noting the changes in single fibrils by means of the electron
microscope, using rat tail tendon. The single fibrils after two minutes in dis-
tilled water at 60 degrees C shorten in Iength, decrease in period and increase
in diameter. thus indicating that the macroscopical changes mentioned above are
the result of changes at the fibrillar levei (Figure 10A). At 40 degrees C
no change in the structure of the fibrils could l>e observed (Figure 10B). At
60 degrees C after two minutes the extremities of the fibrils begin to lose their
shape. After a longer exposure the striations begin to disappear, showing
that the Ioss of the characteristic long spacing (revealed by low angle X-ray
scattering) is accompanied by the loss of the 640 A period, thus indicating that
the two are actually the same. After further exposure at this temperature the
fibrils dissolve completely. At 100°C the changes occur with great rapidity.
Within two minutes the fibrils are changed completely into gelatin.
Our results with the rat tendon thus agree with those of Lelli (30) for
human dermis.
The action of the hot water can be interpreted as íollows (4). The pro-
tofibrils are first changed from the orderly State, normally occuring in the intact
collagen fibril, into a disordered State. With continued exposure the hot water
changes the collagen protofibrils into íree gelatin molecules.
ACTIOX OF DILUTE ACETIC ACID OX TEXDOX
Years ago Xageotte (31) showed that rat tail tendon could be dissolved
in dilute acetic acid (IO -4 molar) producing a clear and verv viscous solution.
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Mrm. In«l- Butantan,
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G. A. EDWARDS, A. R. HOGE A P. SAWAYA
33
This observation has been extended to collagens of different animal origins
(cf. Bear for reíerences (4) ). Tlie collagen can be reprecipitated from the
viscous solution by changing the salt concentration by dialysis, or by diluting
with suitable buffers of definite pH (32, 34). The reprecipitated collagen
presents the same structure as the original, as shown by X-ray diffraction (33),
i. e. the MO A spacing, but a less orderly internai arrangeinent. The under-
standing of the reprecipitation of collagen from solution, as well as the reaction
of collagen Solutions with mucoproteins (34), polysacliarides, glucoproteins and
nucleic acid derivatives (7), which also produce precipitates íormed of banded
fibrils, is of the utmost importance for obtaining informático on the meclianism
of íibrogenesis in tissues.
In view of the fact that descriptions in the literature of the exact condi-
tions for dissolution and reprecipitation of collagen are incomplete (32) we
have repeated these experiments with several types of collagen from several
animais, varying the temperature, molarity of acetic acid. pH, and ionic con¬
centration. We have thus determined the definite conditions ncccssary for
predpitation of certain collagens, and have discovered that certain othcrs enter
only with difíiculty, or not at all. into solution, and that temperaturc plays
an important part in the process.
A. — Rat Tail Tendon — If rat tendon is placed, under stcrile conditions,
in any volume of 10~* molar acetic in stoppcred flasks at 4-5°, or at 37°C,
only a very small íraction of the tendon is dissolved. Macroscopical changes,
however, can l>e observed; the changes differing with the temperature.
Aftcr repeated efforts we succeeded in obtaining bettcr than 95% dissolution
by freezing the tendon first with dry ice, cutting with a microtomc into scctions
30-40 microns thick, then placing the acetic acid at 37° for 6 liours under stcrile
conditions. The entrance into solution was aided by jK-riodical shaking with
glass bcads. Repeating the process without the aitting also proved successful.
Thus the prefreezing in some way permits easier dissolution, perhaps by acting
upon the ground substance that surrounds the collagen. Frozen tendon did not
dissolve at 4-5° C. The relativc amounts of tendon and acetic acid are not
criticai. In the final experiments we used a ratio of one part moist tendon
to five parts of 1CH molar acetic acid by weight, inasmuch as higher ratios
produce Solutions too viscous to be filtered through the Seitz filters. The
viscous solution of collagen thus produced was filtered through a Seitz filter
to eliminate any suspended matter or any undissolved fibrils, and the filtrate
examined in the electron microscope. Xo fibrillar structures could be found
in the final solution. The reprecipitation process dependcd greatly upon the
temperature. The l>est predpitates were produced using one part of collagen
SciELO
34
A COXTRIBUTIOX TO THE KNOWLEDGE OF THE FIXE
STRCCTURE AXD CHEMICAL. PROPERTIES OF ANIMAL
COXXECTIVE TISSUE FIBRILS
solution to five parts of 0.1 molar citric acid-sodium citrate buffer by volume
at pH 4.9. At 4-5° C no visible precipitate in the collagen-buffer mixture
can be observed even after one week. Low speed centriíugation (Servall, 5000
rpm, 2 hours) did not separate out any observable fibrillar precipitate. If,
however, the collagen solution and the buffer, both previously brought to room
temperature, are mixed and let stand at room temperature, a complete preci-
pitation is obtained within two hours. Tliis white, gelatinous precipitate can
be easily separated from the supematant liquid by decantation or by centrifu-
gation. For examination in the electron microscope the salts were washed
out by repeated washings with distilled water and recentrifugation. The final
precipitate, suspended in distilled water, was then examined in the usual way
and found to contain characteristic collagen fibrils of the same period as those
in the original fibrils. In general the reprecipitated fibrils showed sharp con-
tours, although the extremities appeared somewhat frayed. In various prepa-
rations there appeared several types of fibrils, varying from short, non-striated
(Figure 9A), to longer, non-striated (Figure 7B), longer striated (Figure 8)
and finally deíinitive fibrils (Figure 9). It is tempting to suggest that these
represent stages in the formation of the cross striated collagen fibril, i.e. that
the cross striation occurs after the fibril reaches a certain length and probably
a certain tension.
B — Salwary Gland Tendon — Attempts to repeat the experiment above
with the posterior tendon of the labial glands of Constrictor failed, even when
longer contact times were used. This difference in behaviour is puzzling inas-
much as both the rat tail, and the gland tendon are pure tendons without other
tissue involved. Tlie gland tendon showed a certain degree of swelling after
24 hours in the acctic acid. Fibrils fixed in 5% formalin, blended in distilled
water and examined in the usual way in the electron microscope, showed an
increase in period of cross striation with decrease in sharpness of outline of
striations.
C — Tendons From Various Parts of Body — The two previous expe-
riments strongly suggest that the dissolving power of the acetic acid depends
up>on the animal, upon the region of the body from which the tendon is taken,
and upon the preteatment. Without previously freezing the tendon the action
of acetic acid appears to be limited to swelling, the amount and typc of which
depends upon the temperature.
To test this thesis, tendons were taken from the tail, dorsum and paws
of albino rats. Pieces of approximately the same size from each region were
placed, without prefreezing, in 1CH molar acetic acid under sterile conditions
at 4 o and 37°C and thus maintained for 24 hours. Subsequently they were
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Mm. In«t. BnUctín,
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P. SOUZA SANTOS, H. SOUZA SANTOS.
G. -V EDWARDS, A. R. HOGE 4 P. SAWAYA
35
fixed in 5% íormalin, blended in distilled water and prepared for electron
microscopy. In one set of experiments the acetic acid was brought to the de-
sired temperature before adding the tendon. In a second series the tendons
were placed in the acetic acid at room temperature and then brought to the
desired temperatures. The results differed considerably, as will be shown below.
At the lower temperature (4°C) the tendons swell amazingly and become
transparent; having the appearance of a rigid jelly and the tendons do not
lose their shape even after shaking (Figure 11). At 37°C, on the other hand,
the tendon swells less, becomes opaque and loses its silken appearance. The
fibrils írom the tendons brought gradually from 37° to 4°C appeared in the
electron microscope as zig-zag fibrils of short and irregular period (Figure 12).
Tliis phenomenon principally was seen in the tendons from the tail and dorsum.
In some of the zig-zag fibrils the period was maintained, in others it disappeared.
Xo zig-zag fibrils were observed at 37°C.
The meaning of the formation of the irregular, zig-zag type of fibril is
not clear from these studies. It secms to be related to the cífect of tempe¬
rature inthat when the tendons are placed directly in acetic acid previously
cooled to 4°C no zig-zag formation occurs. Tlius it is evident tliat it is caused
by the gradual lowering of the temperature. Noticeable also was the íact
that only at the low temperature was the cross striation lost, while at the highcr
temperature the striations continucd observable even when the fibril was ap-
parently disintegrating along the long axis. In fact, the aspcct of the fibrils
after being treatcd with acetic acid at 37°C is similair to that after treatment
with water at 60°C.
ACTIOX OF DILUTE ALKALI ON TENDON
It lias been held previously that dilute alkali does not attack collagen.
However, Gross (16), has shown that 0.1 normal sodiurn hydroxide causes
fragmentation of the collagen fibrils in the transverse direction and eventually
causes the reduction of some fibrils to an amorphous mass. Attempts to repeat
the experiments of Gross with tendon from the labial glands of Conslriclor
were unsuccessful. The collagen fibrils were isolatcd as describcd previously
and suspended in 10“* normal sodiurn hydroxide. Controls were made by sus-
pending tendons in distilled water. Both were then left for 24 hours at 37°C
and at 0°C and subscquently examined in the electron microscope. As far as
could be determined from the micrographs no clianges occurred. Thus these
experiments show that either (1) dilute alkali does not have an effect upon
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A COXTRIBUnON TO THE KXOWLEDCE OF THE FINE
STRUCTURE AND CHEMICAL. PROPERTIES OF ANIMAL
CONNECTIVE TISSUE FIBRILS
tendon, as previously believed, but that a stronger concentration could have or
(2) that, as found in other experiments mentioned above, the efíect of an agent
upon eollagen will depend greatly upon the animal and region from which the
tendon is taken. Further experimentation is undenvay to clarify this point.
SUMMARY
Collagen fibrils from various organs of toad, reptiles, pigeon, rat and human
have been studied by means of the electron microscope. Observations have
been made upon the influence of stretch, fixatives, salts, acids, alkalis and tem-
perature upon the stmcture of the fibril. Also studied were the conditions
necessary for dissolution and reprecipitation of collagen.
The normal fibrils from various organs of different animais showed an
identical period, but varied considerably in diameters. The variation was more
marked in certain animais and organs than in others, e.g. fibrils from lizard
tongue were extremely uniform, whereas those from the tail of the caiman
varied considerably.
Fibrils were observed fresh, and fixed in formalin, Bouin’s fluid and
Zenker’s fluid. In all cases the period remained uniform, but the diameter of
the fibrils appeared to vary with the íixative. Greatest uniformity was obtained
with 5% formalin.
When subjected to tension the fibril increases in length, principally in the
light band. With continued tension the fibril breaks into individual units of
the length of the two bands only.
Tendons left in physiological saline for long periods of time easily split
longitudinally during blending and show considerable flattening when dried on
the grids. In many fibrils thus treated may be seen incomplete rings in the
periphery of the fibril. or a hollow core at the extremities. We thus believe
the fibril to normally have a liquid, or semiliquid, core.
At 40°C the fibrils show no change in water. Within two minutes of
exposure to water at 60°C the fibrils begin to lose their shape. On continued
exposure the fibrils shorten, increase in diameter with conseqent shortening of
period, slowly dissolve and íinally become an amorphous gelationous mass. At
ÍOC^C these changes occur within 2 minutes. The hot water appears to change
the collagen protofibrils into free gelatin molecules, by stages in which the
protofibrils are changed from the normal orderly to a disorderly State.
Temperature was found to play an important role in dissolution and repre¬
cipitation of the fibrils. Prefreezing the tendons was necessary to cause their
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dissolution in the acetic acid. At 4-5° dissolution is extrcmely slow; at 37°C
quite rapid. Repredpitation at 4-5° does not occur within one week, whereas
it is complete within 2 hours at 37°C.
Fibrils dissolved in acetic add and repredpitated in citrate buffer showed
several stages of reformation. It is believed that the sequence is: (1) short,
non striated fibrils, (2) long, non-striated fibrils, (3) long, striated fibrils.
Thus it appears that a certain length of fibrils and certain tension is necessary
for the formation of the striation in the repredpitated fibrils.
Tendons from the tail, dorsum and paw of the white rat showed different
responses to the same treatment. Attempts to dissolve and repredpitate the
posterior tendon of the labial glands of Constrictor were unsuccessful. Thus
it was found that the conditions necessary for dissolution and repredpitation
of collagen fibrils varies with the animal and organ of origin.
Xon-prefrozen tendons added to acetic acid precoolcd to 4°C swcll and
become transparent but remain linear in form. Those put in acetic acid at
37°C and then lowered do 4°C show a zig-zag form. No zig-zags are fonned
at 37°C.
Dilute alkali appearcd to have no eífect upon Constrictor tendon at eithcr
4 o or 37°C.
ACKNOWLEDGEMENTS
We would like to express our thauks do Mr. Adolpho Brunner, Jr., and
to Miss Cedlia Doncux for thcir technical assistancc. The work was aided
in part by grants from the Rockefellcr Foundation and the Conselho Nacional
de Pesquisas.
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Table I
INFLUEXCE OF VARIOUS FIXATIVES UPOX TEXDOX OF LABIAL GLAXO
OF SXAKE.
Fixativc .
Xon-fixcd
5% íormalin
Bouin
Zenker
Period (A) .
660
660
660
6ó0
Length (A) .
1000-1600
1400-2000
830-2600
1100-1300
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Mem. Inst. BuUnUn,
27 : 1 - 39 . 1955 / 6 .
P. SOUZA SANTOS. H. SOUZA SANTOS.
G. A. EDWARDS, A. R. HOGE * P. SAWAYA
39
Table II
PERIODS AND DIAMETERS OF COLLAGEN FIBRILS FROM SEVERAL
ANIMAIS
(in Angstrom units)
Animal
Snalce
Lizard
Caiman
Toad
Pigcon
Woman
Organ
Externai oblnjuc
d=798
p=630
d=798
p=600
d=798
p=570
Hcart
d=1100
p=600
Temforalis
d=630
p=590
Hyoglossus
T
d=600
p=600
d=640-900
p=640
Labial gland
tcndon
d=1400-2000
p=660
Vcin
d=800
p=630
Dcícrent canal
d=630
p=600
Re tractor oi
h«nipenis
d=900
p=600
Tail
d=640-1400
p=640
Tongue
d=600
p=590
SciELO
4
M na. Inst. Batir.Un,
27 : 41 - 50 . 1955 / 6 .
WOLFGAXG BCCHERL & NICOLINA PUCCA
41
ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL
III. Titulação, por meio de camundongos, das peçonhas de Tityus costatus
(Karsch), Tityus trivittatus Kraepelin, 1898 e Bothriurus bonaricnsis
(Koch), 1842.’
WOLFGAXG BÜCHERL & NICOLINA PUCCA
(Laboratório de Zoologia Médica, Instituto Butantan)
INTRODUÇÃO
Os representantes de Tityus costatus e T. trivittatus possuem aproximada¬
mente as mesmas dimensões das duas espécies perigosas ao homem, Tityus
scrrulatus c T. bahiensis. Sua peçonha sêca é igualmcnte quase tão abundante
quanto a das últimas. Em se tratando, pois, de representantes de um e mesmo
gênero, pareceu-nos interessante investigar a intensidade de ação da peçonha
tias duas primeiras espécies e compará-la com a de T. bahiensis c scrrulatus.
O interesse na elucidação da ação da peçonha de Bothriurus bonariensis
não é menor, pois êste escorpião é muito frequente pelo Brasil afóra, princi-
palmente nos Estados sulinos e na Argentina, no Uruguai e Paraguai.
MORFOLOGIA EXTERNA E HABITAT
O Tityus costatus atinge 75 mm. O colorido do cefalotóracc é castanho
escuro, com "marmorações” mais claras e bordas denegridas. Cauda amarela,
escurecendo para trás; segmento V quase negro; vesícula amarela; estemitos e
pernas amarelados, mancliados de escuro. Mão mancliada nas fêmeas, estreita
c sem lobo’; amarela nos machos, larga e com ‘‘lobo" basilar entre os dedos.
Pentes com 16 dentes nas fêmeas e 17 nos machos.
Habitat: — Serra dos Órgãos e ilha de São Sebastião.
Recebido, para publicação, em 8. III. 1955.
SciELO
42
ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL, III
O Tifyus trivittatus, escorpião com 55 a 70 mm de comprimento, apresenta
um cefalotórace amarelado com três faixas longitudinais negras; cauda amarela,
escurecendo para trás; pernas amarelas; pentes com 20 a 22 dentes.
Habitat: — Uruguai, Paraguai, Argentina — Tityus trivittatus confluens
(Borelli, 1899), Brasil-Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás — Tityus trivitta¬
tus charreyroni (Vellard, 1932), Minas Gerais e Rio de Janeiro — Tityus
trivittatus dorsoniaculatus (Lutz & Mello, 1922).
O Bothriurus bonaricnsis (Koch), 1842 atinge entre 50 e 55 mm de com¬
primento. É um escorpião preto, brilhante, com fosseta sub-redonda na área
dorsal da vesicula caudal, preta nas fêmeas, amarela ou alaranjada nos machos.
Pentes com 21 a 24 dentes.
Habitat: Uruguai, Paraguai, Bolívia, Argentina, Brasil do Sul e Central
— Bothriurus bonaricnsis araguayac (Vellard, 1934). É o escorpião mais encon-
tradiço no Rio Grande do Sul. Representantes desta espécie foram recebidos
da zona noroeste do Estado de São Paulo e do outro lado da fronteira com
Minas Gerais. O escorpião preto destas últimas regiões foi descrito como
Bothriurus niagalhactisi Mello-Leitão, 1937. Um confronto, porém, de séries
não deixa dúvida de que deve ser incorporado na espécie de B. bonaricnsis.
MÉTODO
A peçonha dos referidos escorpiões era retirada por choque elétrico, sêca e
guardada em vácuo, ao abrigo da luz, à temperatura comum de laboratório.
Um T. trivittatus fornecia, em média, 0,25 mg; um T. costatus, 0,20 mg; e um
Bothriurus bonaricnsis apenas 0,10 mg de peçonha séca. Nas re-extrações, repe¬
tidas de mês em mês, as quantidades diminuiram ainda mais.
No dia da titulação pesavam-se as peçonhas e dissolviam-se três vêzes, por
centrifugação c redissolução do resíduo, em volume determinado de salina com
0,85% de cloreto de sódio.
Para a titulação das glândulas cortavam-se os “telsa” dos respectivos escor¬
piões e armazenavam-se em glicerina neutra, a 3.°C. Os “telsa”, retirados
da glicerina, eram triturados, adicionando-se volume conhecido de salina. Pra¬
ticavam-se, após maceração a frio, 3 centrifugações e redissoluções do resíduo,
sempre em volume certo dc salina.
As soluções-mãis, límpidas com as peçonhas puras, um tanto opalescentes e
turvas com as glândulas totais, como as respectivas diluições, eram rigorosamente
estandartizadas, aquelas em relação ao pêso das peçonhas sécas em determinado
volume de diluição, estas em relação ao número ou fracção de glândula venenífera
por volume certo de veículo.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Mem. tn.it Bníintan,
27:4I-50. 1935/6.
WOLFGAXG BCCHERL & MCOLINA PUCCA
43
Empregavam-se camundongos do mesmo sexo e com pèso de 20 g cada, com
dois gramas de tolerância, oriundos dos biotérios do Butantan, isto é, criados
da mesma estirpe e sob o mesmo ambiente e idêntica alimentação.
As pipetagens e dosagens se executavam com instrumentos rigorosamente
calibrados. O “inoculam” era sempre de 0,5 ml. por animal. As injeções se
daram devagar em uma das veias caudais ou sob a pele da barriga.
O estabelecimento da dose 50letal era executado pelo método de Reed
e Muench, entrando no resultado o cálculo das mortalidades acumuladas e suces¬
sivas de todos os lotes de animais ensaiados.
RESULTADOS
I. Bothriurus bonaricnsis
a) LD 50 da peçonha sêca, por via intravenosa:
Lote
Peçonha <
mR
Camundongos
Acumulação d.
rrsult.
% de
mortalidade
total
VIVO»
mortos
tiro»
mortos
total
&
o/m
5
5
0
25
0
25
0
2
0,050
5
5
0
20
0
20
0
3
0.1
s
5
0
15
0
15
0
Q*
5
5
G
10
0
10
0
5
0.1
5
4
1
5
1
6
16,6
6
OJ
S
1
4
1
s
6
83,2
7
1.6
s
0
5
0
10
10
100
Fator de diluiçSo: 2
35
25
10
j 76
16
92
LO 50 = 0,6 mR ±
b) LD 50 da peçonha sêca, por via subcutânea:
Lote
Peçonha
mg
Camundongos
AcumulaçSo d.
rtsolt.
% de
mortalidade
total
vivos
mortos
vivo»
morto*
total
i
0i
5
5
0
18
0
18
0
2
0.4
5
5
0
13
0
13
0
3
Ofi
5
5
0
s
0
6
0
4
1.6
5
3
2
3
2
5
40
5
V
5
0
5
0
7
7
100
Fator de diluiçlo: 2
25
11
7
42
9
51
I.D 50 = 2 tr.R ±
SciELO
cm
44
ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO NO BRASIL, IU
c) LD 50 das glândulas totais, por via intravenosa:
Lote
Grándula
Camundongos
Acumulação d. result.
% de mortalidade
veneaiiera
total
vivos
mortos
vivos
morto?
total
i
1,60
5
5
0
12
0
12
0
*
1,40
5
4
1
7
1
8
12£
3
1,90
5
2
3
3
4
7
57,0
4
2,70
5
1
4
1
8
9
89,0
5
3,70
5
0
5
0
1
13
100
Fator de
diluição: 1,39
25
12
13
23
26
49
LD 50 = 1,8 gl ±
d) LD
50 das glândulas totais, por via
subcut
ânea:
i
Lote
Grándula
Camundongos
Acumulação d. result.
% de mortalidade
v-nenífera
< total
VÍVO*
mortos
vivos
mortos
total
i
2.7
5
5
0
i 14
0
14
0
2
3.7
5
S
0
9
0
9
0
3
W
5
3
2
4
2
6
33
4
7.2
5
1
4
'
6
7
86
Fator de diluição : 1,39
20
14
6
28
8
36
LD 50 = 5,85 gl. i
II. Tilyiis coslatus
a) LD 50 da peçonha seca, por via intravenosa:
Lote
Peçonha
-
Camundongos
Acumulação d.
result.
%de mortalidada
mg
total
vivos
mortos
viros
mortos
total
i
0,1
5
5
0
16
0
16
0
2
0,13
5
5
0
11
0
ii
0
3
0,17
5
4
1
. 6
1
ê
14J
4
0,21
6
3
2
4
6
66
5
0,28
5
0
5
0
9
9
100
fator de diluição: 1.292
25
16
9
35
14
(9
LD 50 = 0.20 mg ±
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
WOLFGAKG BCCHERL i NI COLINA PÜCCA
45
Mcn. Inst. Butantan,
27:41-50. 1955/6.
b) LD 50 da peçonha sêca, por via subcutânea:
Lote
Peçonha
mg
Camundongos
Acumulação d.
resuh.
•’# de mortalidad *
total
Tiro*
mortos
vivos
mortos
total
i
0,178
5
5
0
12
0
12
0
2
1.000
5
4
1
7
1
S
115
3
1,120
5
2
3
3
4
7
57,1
4
1.260
5
i
4
1
8
9
90,0
5
1,410
5
0
5
0
13
13
100,0
Fator de
dllnlcIo:J,12 !
25
12
13
23
26
49
LD 50= 1, 1 0 m ±
c) LD 50 das glândulas veneniferas, por via intravenosa:
Lote
GUndula
veneniíera
Camundongos
Acumulação d.
resnlt.
% de mortalidade
total
vivos
mortos;
vivos
mortos
total
1
1,00
5
5
0
21
0
21
0
2
1.12
5
5
0
16
0
16
0
3
116
5
4
1
11
1
1 12
81
4
1.41
5
3
2
7
3
10
30,0
5
1.59
5
2
3
4
6
1 10
60,0
6
1,78
5
1
4
2
10
12
63.1
7
2.00
5
1
4
1
14
15
93,0
Fator de diluição: 1,12
35
21
14
62
34
96
LD30= 112 gl. ±|
d) LD 50 das glândulas veneniferas, por via subcutânea:
Lote
Glândula
veneniíera
Camundongos
Acumulação d.
rcsult.
% de mortalidade
total
vivos
mortos
vivos
mortos
total
i
1.00
5
5
0
ii
0
11
0
2
2.00
5
4
1
6
1
7
14
3
4,00
5
2
3
2
4
6
66.6
4
8.00
5
0
5
0
9
9
100,0
Fator de diluição: 2
20
11
9
19
14
33
LD50 = 3,4gl.±
SciELO
46
ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL. III
III. Tityus trivittatus
a) LR 50 da peçonha sêca, por via intravenosa:
Lote
Peçonha
Camundongos
Acumulação dos results.
rag
total
vivos
mortos
vivos
mortos
total
i
0.0016
5
5
0
16
0
16
0
2
0,0032
5
5
0
a
0
11
0
3
0.0064
5
4
1
6
1
7
i4a
4
0,012
5
2
3
2
4
6
66.6
5
0,025
5
0
5
0
9
9
100
6
0.050
5
0
5
0
14
14
100
Fator dc diluição: 2
30
16
14
35
28
63
1
LI) 50 = 0X14 mg ±
b) LD 50 da peçonha sêca, por via subcutânea:
Lote
Peçonha
mg
Camundongos
Acumulação dos results.
% da mortalidade
total
tívos
mortos
vivos
mortos
total
1
0.0064
5
5
0
18
0
IS
0
2
0,0128
5
5
0
13
0
13
0
3
0.025
5
4
1
8
1
9
10
4
0.050
5
3
2
4
3
7
42.8
5
.0,10
5
1
4
i
7
8
87,5
6
0.20
5
0
5
0
12
12
100
7
0,40
5
0
5
0
17
17
100
Fator de diluiçlo: 2
35
18
17
44
40
84
LD 50 = 0,059 mg ±
COMPORTAMENTO DOS CAMUNDONGOS
A peçonha de Bothriurus bonaricnsis, quer proveniente de extratos glan¬
dulares, quer sob forma pura, parece não ser muito dolorosa. Sua ação sôbre
a sudorese, as glândulas lacrimais e salivares é mínima. A marcha da into¬
xicação é lenta, generalizada, patenteando-se principalmente por aceleração do
ritmo cardiaco, respiração curta, ofegante, intermitente. A morte sobrevém
por asfixia.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Man. Inst. Bnunun, WOLFGAXG BCCHERL 4 NI CO UNA PUCCA 4~
27:41-50. 1955/6.
A eliminação da peçonha parece estar completa depois de 24 horas.
A ação da peçonha de Tilyus coslalus é semelhante à de T. bahiettsis, ainda
que menos intensiva e menos dolorosa. A sudorese, entretanto, é menos acen¬
tuada. O progresso da intoxicação pode ser observado pelo ritmo respiratório
que de normal passa a acelerado, ofegante e intermitente, determinando, nos
casos graves, morte pior asfixia. O restabelecimento dos sobreviventes é completo
entre 16 e 24 horas.
Bem mais enérgica é a ação da peçonha pura de Tityus trizit tatus, igualan¬
do-se à de T. scrrulatus e T. bahiensis. Quando injetada na veia na quantidade
de 0,0008 mg por camundongo, já são nitidos os sintomas de intoxicação, tra¬
duzidos por respiração irregular ou intermitente, com acessos de dispneia, suor
profuso na cabeça toda (menos na nuca, como acontece com as peçonhas de
T. scrrulatus e T. bahiensis), grande excitação e irritabilidade. Os animais,
assentados sôbre as pernas posteriores, com a cabeça muito erguida, esfregam
continuamente, com as pernas anteriores, a região buco-nasal, emitindo gritos
de dõr e reagindo a qualquer distúrbio externo com manifestações exageradas
de pulos e correrias.
Com 0,006 mg êstes sintomas são ainda mais pronunciados; com 0,012 mg
já se verificam mortes por asfixia entre 15 e 48 minutos; cm doses correspon¬
dentes a 0,025 mg os sintomas são ainda mais dramáticos. Primeiro os animais
esfregam desesperadamente o focinho; transpiram no lado inferior do pescoço c
a respiração c ofegante, rápida, irregular, interrompida por ataques dispneicos.
Acessos de furor impelem-nos a correrias e pulos desordenados, seguidos de
prostração. O descontrole nervoso generaliza-se já dentro de 3 minutos. Dai
por diante os animais já não se mantêm sôbre as pernas. Arrastam-se c rolam
do lado, morrendo por asfixia em tômo de 7 minutos após a injeção.
A progessão da intoxicação é um pouco mais lenta, quando a peçonha for
injetada por via subcutânea, embora não difira desta mesma.
Concomitantemente à dõr local parece haver um efeito cxcitatório do sistema
nervoso (central c vegetativo), traduzido por suores, pulos, correrias, respiração
acelerada. Depois sobrevém a fase depressiva (prostração geral, ataques de
dispnéia, cegueira), seguida pela morte por asfixia.
Parece-nos impossível distinguir êstes sintomas dos provocados pela peço¬
nha de T. scrrulatus e T. bahiensis, não somente quanto á intensidade com »
também quanto à progressão.
SciELO
48
ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL. III
COMPARAÇÃO EXTRE A TOXICIDADE DAS PEÇOXHAS ESCORPIOXICAS
DO BRASIL
LD 50 em mg de peçonha sêca por grama de camundongo
Escorpião
intravenosa
subcutàne-
Tityus serrulatus .
0,0003-0,0007
0,0003-0,0012
Tityus bahicnsis .
0,0004-0,004
0,0007-0,009
Tityus trivit tatus .
0,0005
0,0029
Tityus costatus .
0,01
0,05
Bothriurus bonariensis .
0,03
0,1
MÉDIAS, EM MG, DE PEÇOXHAS PURAS, COLHIDAS POR CHOQUE
ELÉTRICO
Escorpião
l.*-3. a extração
6.M5.* extração
Tityus serrulatus .
0,20-0,33
0,055-0,08
Tityus bahicnsis .
0,20-0.23
0,03 -0,098
Tityus trivit tatus .
0,11-0,18
0,07 -0,1
Tityus costatus .
0,08-0,12
0,03 -0,06
Bothriurus bonariensis .
0,02-0,05
0,006-0,01
COXCLUSAO
O escorpião Bothriurus bonariensis não deve ser temido. Sua aguilhoada
nunca será fatal ao homem, nem mesmo poderá determinar intoxicação grave
ou de média gravidade. Ainda que, em picadas repetidas, se esvasiasse o con¬
teúdo total das duas glândulas veneníferas, jamais poderiam resultar acidentes
graves. Xão há, portanto, necessidade de recorrer-se a qualquer tipo de sôro
anti-escorpiônico. Anti-álgicos e sedativos constituem as medicações aconselhá¬
veis, ao lado do esclarecimento de tratar-se de um escorpião dos mais inofensivos.
O Bothriurus tnagalhaensi é por nós considerado como sinônimo de B. bo-
nariensis.
SciELO
11 12 13 14 15
Mffm. Inst. Butantan,
27:41*50. 1955/6.
WOLFGAXG BCCHERL & XICOL1XA PCCCA
49
O Tilyus coslatus, ao par da raridade, também não é portador de uma
peçonha tão ativa, que sua aguilhoada devesse inspirar cuidados especiais, além
de medicações anti-álgicas.
O Tityus trivittatus, entretanto, parece-nos dotado de uma peçonha de ação
tão enérgica como a de Tilyus bahicnsis e mesmo de T. scrrulalus. Afigura-se-
nos, pois, perfeitamente possível que se verifiquem no homem, especialmente em
crianças de pouco pêso, acidentes tão graves que, por falta de sôro especifico,
clamem pela administração precoce (entre 15 a 30 minutos após o acidente) do
sôro anti-escorpiõnico do Instituto Butantan, feito contra as peçonlias de T. scr-
mlatus e T. bahicnsis. Por pertencerem os representantes das três espécies ao
mesmo género Tilyus é de supôr-se que o mencionado sôro diminua sensivelmente
a gravidade da intoxicação quando administrado para fins curativos.
Felizmente é o T. trhittatus um escorpião raro, ocorrendo apenas em zonas
bem limitadas, geralmente montanhosas, havendo, portanto, bem poucas possi¬
bilidades de um contato direto com o homem.
SUMARIO
As peçonhas sêcas, obtidas por excitação elétrica, e os extratos glandulares
dos escorpiões brasileiros, Bothriurus bonaríensis (B. viagalhacnsi parece-nos
sinônimo dêste), Tityus coslatus c T. trivittatus, foram tituladas cm camundon¬
gos, estabelecendo as quantidades médias mortais (I.D 50^0), tanto por via intra¬
venosa como subcutânea. Apenas a peçonha de T. Irivillalus tem-se revelado
quase tão ativa quanto as de T. scrrulalus e T. bahicnsis; poderá mesmo ofe¬
recer um certo perigo ao homem, diminuído felizmente pela raridade deste
aracnídeo, perigo éste a ser combatido, cm casos graves, além de medicações
anti-álgicas e sedativas, pelo sôro anti-escorpiònico do Instituto Butantan.
Em tabelas comparativas foram fornecidas as médias cm mg de peçonha
sêca, obtida por clioque elétrico bem como as DL 50 para camundongos. Des-
creveu-se também a sintomatologia da intoxicação dos camundongos.
SUMMARY
The dried venoms, obtained from the three Brazilian scorpion spccies,
Bothriurus bonaríensis (B. viagalhacnsi seems to be synonymic), Tityus coslatus
and T. trivittatus, by the "electric shock method”, were tested on mice. The LD
50^ó is established and the results are compared with the T. scrrulalus and
T. bahicnsis venoms.
SciELO
50
ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL. III
Only the venom of the rarer species, Tityus triz-it tatus, seems to be as-
active as the serrulatus or bahiensis venoms, so as to call, in severe cases,
for serum therapy with the anti-scorpionic serum from Butantan.
The amounts of dry venoms from these Brazilian scorpions are given and
the symptomatology of the intoxication of mice is also described.
ZUSAMMENFASSUNG
Die durch elektrische Reizung periodisch erhaltenen und im Vakuum ge-
trockneten Reingifte der drei brasilianischen Skorpionarten, BotJiriurus botta-
riensis (mit dem wir die Art B. magalhaensi ais synonym ansehen), Tityus
costatus und Tityus trivittatis wurden weissen Mãusen intravenõs und subcutan
eingespritzt und die ieweiligen 50— igen tõdlichen Dosen gewichtlich
festgelegt.
Die Ergebnisse wurden mit den von uns schon ermittelten mittleren tõdlichen
Dosen der Reingifte von Tityus serrulatus und T, bahiensis verglichen und
festgestellt, dass eigentlich nur der, zum Glücke, sehr seltene T. trivittatus ein
hochwirksames Gift cnthült. Schwere. durch diese Art, hervorgerufene \*cr-
giftungsfãlle müssen, besoncers bei Kleinkindern, ausser der Behandlung mit
Analgetika und Sedativa, mit dem Anti-Skorpionserum des Institutes Butantan
recht frühzeitig (innerhalb 15-30 Minuten spãtestens) behandelt werden.
Die Mittelwert der Trockengiftmengen pro Extraktion wurden ver-
gleichend dargestelit. wie auch die Wirkungsweise der verschiedenen Gifte auf
die weissen Máuse.
BIBLIOGRAFIA
BücherI, W. — Mem. Inst. Butantan, S. Paulo, 25(1): 53-82; 1953 e 83-108; 1953
Bücherl, W. — Arzneimittel-Forschung, 2 : 68-72; 1955.
SciELO
11 12 13 14
6 17
"Mrm. Inst. Baurtan,
•27:51*66. 1955/6.
JOSÉ M. RUIZ 4 ERMEXGARDA COELHO
51
NEMATOIDES ( Oxyuroidea ) PARASITOS DE DIPLÓPODOS DA
ILHA DA QUEIMADA GRANDE, SAO PAULO, BRASIL
JOSÉ M. RUIZ & ERMEXGARDA COELHO
(Secção dc Parasitologia, Instituto Butantan)
Os nematóides referidos na presente nota provêm de Neptvnobolus hogci
Schubart, 1949, por nós identificados.
Cerca de 40 exemplares de diplópodos foram examinados, lógo após seu
recebimento, sendo constante a infestação por três espécies de nematóides, con¬
forme passamos a descrever.
O material diplopodológico foi capturado pelo Sr. Alphonse R. Hoge
<m Setembro de 1953. Os nematóides foram estudados vivos c fixados cm
formol-acético.
DESCRIÇÃO
Aorurus agilis insularis var. n.
Fêmeas — Corpo cilíndrico, atenuando-se para a extremidade anterior e
bruscamente truncado ao nível da região anal. Cauda longa c muito delgada.
Cutícula com estrias transversais, largas. Lábios inconspícuos. Vestibulo rudi¬
mentar. Aberturas anfidiais bem visíveis.
Esôfago relativamente curto, diferenciado em 3 porções bem distintas: uma
porção anterior ou corpus, com base dilatada c arredondada, piriforme, uma
porção médÍ3 ou istmo, estreita, ligeiramente arredondada em seu contorno
externo e uma porção posterior representada pelo bulbo esofagiano, globóide,
sub-piriforme, contendo um orgão triturador.
Intestino com base estreita, alargando-se logo a seguir, formando uma dila¬
tação característica ao nível do poro excretor. A partir desse ponto estreita-se
Recebido, para publicação, em 2S.III.1955.
SciELO
52
XEMATÓIDES ( OXYCROWEA) PARASITOS DE DIPLÓPODOS DA
ILHA DA QUEIMADA GRAXDE, SAO PAULO, BRASIL
progressivamente para a região posterior, terminando no ânus, na região trun¬
cada do corpo, sendo essa região envolta por várias células glandulares.
Anel nervoso situado um pouco à frente da região média do corpus.
Aparelho genital com a disposição semelhante ao tipo anfidelfo, porém, o
ovijetor situa-se posteriormente e a vulva é contigua ao ânus (anfidelfia atípica).
O ovijetor tem em seu conjunto a forma de Y cuja base é representada pela
vagina que se diferencia do conjunto, por ser mais dilatada e de aspecto musculoso.
Este conjunto é ventral ao intestino, assim como a vulva é ventral em relação
ao ânus. O útero contém um número relativamente grande de ovos que não
contêm ainda larvas diferenciadas. Ovos elipsóides, de casca delgada e trans¬
parente.
Machos — não observados.
Observação — Apesar de terem sido examinados cêrca de 40 exemplares de
N. hogei, todos infestados por esta espécie, não foi observada a presença de
machos.
DISCUSSÃO
Os dados dimensionais do nosso material, concordam com os de A. agilis
segundo a descrição de Christie (1931-1938), exceto em dois pontos:
1 — posição do poro excretor
2 — comprimento da vagina
Em A. agilis, o poro excretor está situado ao nível da base do esôfago a
cêrca de 0,22mm. da extremidade anterior. Em nosso material o poro excretor
situa-se à distância média de 0,349mm. (material recentemente morto) e 0,292mm.
(material conservado), da extremidade anterior, ou seja ao nível da dilatação do
intestino. Essa dilatação máxima dá-se num nível mais posterior do que a
observada na descrição e desenho de Christie.
Quanto ao comprimento da vagina, diz Christie: “Tlie vagin extends ante-
riad about one-third the distance from the anus to the head, where it branches
to form the two uteri”. Em nosso material a vagina tem um comprimento
total de cêrca de 0,215 a 0,370mm. (em média 0,271 mm) ou seja cêrca de
1/5,7 do comprimento que vai do anus â extremidade anterior. A porção mus¬
culosa, ao contrário, é relativamente mais longa em nosso material, pois mede
de 0,109 a 0,126mm. (em média 0,114mm), enquanto que Christie dá a me¬
dida de 0,09mm.
Dadas essas diferenças e considerando ainda a distribuição geográfica da
espécie, julgamos estar em face de uma variedade para a qual propomos o
nome de insularis var. n.
cm
7 SCÍEL0) 2.1 12 13 14 15 16
Mm- Inst. Butantan,
27:51-66. 1955/6.
JOSÉ M. RUIZ & ERMENCARDA COELHO
53
Aorurus agi! is insularis var. n.
MEDIDAS TOMADAS DE EXEMPLARES EXAMINADOS ENTRE LAMINA E
LAMINULA
exemplares receatemeate mortos por
formól — acétieo
exemplares coosenrados
(fêmeas)
i
2
3
4
5
médias
1
2
3
4
5
média.
Comprimento total
3,15
2,94
346
340
344
3.17
2,49
247
3.70
245
2.47
246
Largura na regiio do
bulbo QJ 26
0,126
0433
0,126
0.140
0,130
0,126
0.140
aiio
0.126
0.126
0,132
Largura na regtio
media
«467
CL2S1
0458
0451
0496
0452
0467
0481
0423
0425
0453
0470
^ estibulo
0,009
0,012
0/112
0,012
aoi2
0,011
0.015
0,012
0412
0,009
aon
0,014
Corpos comprimento
0.13S
0.133
0,138
0,138
0,138
0435
0.119
ai»
0,122
ati9
0.119
0,120
Corpus largura
0,065
0.064
0,084
0,064
0.065
0.076
0478
0.075
0464
0,069
0,072
0,076
Ktmo comprimento
o/ns
0/131
0/J2S
0,031
0,028
0,029
0.025
0,021
0,025
0.021
0421
0,023
istmo largura
0,034
0,031
0.031
aosi
0431
0432
0.02S
0438
0.028
0428
0,028
0.028
Bulbo comprimento
0.103
0,106
0.103
0.103
0.103
0,104
0457
0.094
aioo
0494
0.097
a094
Bulbo largura
0,097
0.103
0.100
0,094
0,100
0.099
0467
0.067
0,097
0,078
0457
0467
Esófago compr. loul 0,269
0.275
0469
0472
0469
0471
0431
0434
0447
0434
0437
a237
Pagina comprimento
—
—
0.109
0.109
0.12S
0,114
0477
0452
0470
0440
0415
0471
Cauda (ânus à extr. post./ 1,21
1.02
1.18
142
1.19
147
148
143
1.05
1,04
0415
1.02
Distância do poro ex-
cretor á extr. ant. —
0,351
0.308
0457
0453
0.349
0408
0369
0.320
—
0471
0.292
0,064
x
0/64
0/164
0.053
0.OS7
0453
.09
0.086
X.
0.063
0484
0,053
a094
X
*,050
ao9i
a&
0.078
o&o
0478
D ros
0487
o.olv;
0.067
oás
0.086
X
0.056
0.064
0,054
0.061
0
0,067
<U>54
0491
04&
0,087
0.Ò51
0.0S7
X
0.056
aosi
ao»
0.084
X
0.053
0,087
0,0^3
0,084
&
0.067
0,053
0.084
X
0,056
aos?
0.Ó56
0457
X
0,053
0467
0.Í53
aosi
Sb
aosi
0.050
*' , ° l exemplares examinado* imediatamente apôs a morte pelo formól — acético a vagin^
foi medida só na extensa 3 de soa parte muscular.
SciELO
54
XEMATÓIDES IOXYUROIDSA > PARASITOS DE DIPLÓPODOS DA
ILHA DA QUEIMADA GRANDE, SAO PAULO, BRASIL
Thelastoma bulhõesi dollfusi var. n.
DESCRIÇÃO
Fêmeas — Corpo cilíndrico, atenuado em ambas as extremidades. Cauda
longa, extremamente afilada. Cutícula estriada transversalmente. Bôca com 3
lábios ligeiramente salientes. Vestíbulo curto.
Esôfago relativamente longo, com cêrca de um terço do comprimento do
corpo (sem a cauda) ; consta de um corpus subcilíndrico, longo, regular, um
istmo curto perfeitamente separado do corpus, porém em continuação com o
bulbo esofagiano, de modo a dar a êste um aspecto piriforme no conjunto e um
bulbo esofagiano. amplo, com uma cavidade larga contendo o orgão mastigador,
<juitinizado.
Intestino muito largo no seu inicio, separado do esôfago por uma válvula
esófago-intestinal, trilobada; tem trajeto quase retilíneo afinando-se progres¬
sivamente à medida que se dirige para a extremidade posterior. Abertura anal
próxima da base da porção afilada da cauda e circundada por células glandulares.
Anel nervoso situado no terço médio do corpus esofagiano.
Poro excretor situado um pouco à frente do istmo esofagiano, do mesmo
lado que o ânus.
Aparelho genital anfidelfo, as fêmeas mais idosas contendo um grande
número de ovos. Ovijetor dirigido para trás. Vulva pouco saliente situada
mais ou menos no meio do comprimento total do corpo (inclusive cauda).
Ovos intra-uterinos não apresentando larva bem desenvolvida; não elipsoides, de
casca delgada e transparente.
Machos — não observados.
Observações — Foram examinados cêrca de 40 exemplares de .V. hogei,
todos infestados por esta espécie, apesar de que jamais foram encontrados os
machos.
DISCUSSÃO
T. bulhõesi — foi descrito originalmente por Magalhães, 1900, de Pe-
riplancla americana Fabricius, do Rio de Janeiro. Chitwood (1953) redes-
creveu a espécie que encontrou no mesmo hospedeiro nos Estados Unidos.
Dollfus identificou a esta espécie um exemplar fêmeo encontrado no intes¬
tino de diplópodo, Gymnostrcptus sf>., procedente de Sta. Adélia, Est. de São
Paulo, Brasil.
As descrições, medidas e figuras de Magalhães e Chitwood estão de acordo,
com pequenas variações compatíveis com a mesma espécie.
As dimensões e figuras apresentadas por Dollfus, ao contrário, não con-
Mcm. Inst. Bntanun, JOSÉ M. RUIZ & ERMENGARDA COELHO ;;
.27:51*66. 1955/6. •
cordam plenamente em certos pontos, como por exemplo, o comprimento do
esôfago e a posição do poro escretor. Segundo este autor o poro excretor
está situado a 0,415mm da extremidade anterior, ao passo que Magalhães e
Chitwood dão esta distância como 0,45 e 0,43mm respectivamente. A diferença
absoluta dessas dimensões não é grande, mas quando comparadas com o compri¬
mento do corpus esoíagiano ou o comprimento total do esófago, vamos ter o
poro excretor numa situação relativa mais alta, o que aliás aparece na figura
do autor. Quanto ao comprimento total do esôfago, Dollíus cometeu um erro
expresso em sua tabela de medidas, onde assinala 0,535mm. Somando-se os
comprimentos do corpus (0,505), do istmo (0,030) e do bullx) (0,110) teremos
0,645mm, o que aliás corresponde ao desenho comparado com a respectiva escala.
Esse comprimento não pode corresponder à espécie de Magalhães.
Há outras diferenças, como pôr exemplo, o menor tamanho dos ovos, que
permite considerar o especimen de Dollíus como uma espécie próxima ou
no mínimo uma variedade de T. bulhõesi.
Tivemos em mãos abudante material de T. bulhões'; de baratas de São
Paulo (Capital) e a nossa observação corresponde exatamente à descrição apre¬
sentada por Magalhães. Ao mesmo tempo trabalhamos com o material de
diplópodos da Ilha da Queimada Grande, objeto do presente trabalho. Tivemos
pois a oportunidade de compará-los em igualdade de condições c verificámos
que são fornias distintas embora muito próximas.
Nossos exemplares procedentes de diplópodos diferem dos de baratas pelos
seguintes caracteres:
1 — média do comprimento do esôfago (0,520 e 0.447mm respectivamente) ;
2 — situação do poro excretor que aparece sempre acima do istmo eso-
fagiano nos primeiros ao passo que, nos outros aparece invariavelmente ao nivel
do bulbo esofagiano, como o representou Magalhães, embora na figura de
Chitwood apareça numa posição intermediária;
3 — número de anéis cuticulares. Magalhães descreve pormenorizadamente
este característico, não mencionado pelos demais, e que está perfeitamente de
acórdo com as nossas observações no material de Periplaneta amnicana. Assim
foram encontrados da extremidade anterior até o poro excretor: 41 a 45 (48 a
52 seg. Magalhães); até a vulva: 142 a 153 (120 seg. Magalhães); e até
o ânus: 189 a 201 (ISO a 190 seg. Magalhães).
Xo material de diplópodo o número de anéis é sensivelmente menor: 42 a 47,
93 a 112 e 117 a 136 respectivamente. Em vista de tais diferenças acrescidas
ainda da diversidade de hospedeiro julgamos acertado considerar as formas
encontradas em A cptunobolus hogei Schubart, como uma variedade de T. bulhõesi
á qual denominamos Thclastcuia bulhõesi dolifusi var n. e que deve corresponder
à forma examinada por Dollíus de Gymnostrcptus sp. de Sta. Adélia, Estado
de São Paulo.
SciELO
■'5
Mera. Inst. BnUiUa,
27:51-66. 1955/6.
JOSÉ M. RUIZ & ERMENGARDA COELHO
57
TABELA COMPARATIVA DAS DIMENSÕES DE THELASTOMA BULHOESI
DADA PELOS DIVERSOS AUTORES
Dimensões em mm
(fêmeas)
T. Bulhõesi
Majralhles
1900
T. bulhõesi
Chitwood
1933
T. bulhõesi
Dollfas
1962
T. bulhòtsi
P. americana
de S. Paulo
T. bulhõesi
dollfusi
*ar. n.
Comprimento toUl
2.71
(l\KW9)
2,28-264
2.78
231-2,63
134-3,15
Largura
0.30
(0,23 038)
0JSS-O373
0-253
0,197-0381
0,154-0.267
Número de aneis outi-
culares (total)
ISO * 190
__
—
1S9 a 201
117 a 136
Esôfago — comprimen¬
to total
_
0.463-0,594
0,645
0,413-0,475
0.413-0,709
Corpus
0,36-0,40
0.3294)380
0505
0302-0357
0396-0,586
Bulbo
—
0.08041.095
0,110
0,092-0,117
O.OSO-0,104
Distância do poro ex-
cretor k extr. ant.
0,43
0.430
0,415
0,431 0,481
0308-0,542
Cauda (ânus â extremi¬
dade posteriori
0.7S-0.81
0,720-0320
0320
0344 0,965
0,605-0,971
Ovos |
0.080-0,085
X
0.060-0,067
0.070-0,080
X
0,050-0,072
0.066-0 069
X
0,052-0,055
0,085-0,097
X
0,060-0,075
0.0694)390
0,05^0,066
Dudckcnia instdaris sp. n.
DESCRIÇÃO
Corpo cilíndrico, alongado; extremidade anterior larga e arredondada, extre¬
midade posterior atenuada, terminando em pronta aguda.
Cutícula lisa, exceto ao nível da região esofagiana, onde se apresenta
finamente espinhosa ou pilosa. Lábios ligeiramente salientes. Vcstibulo ru¬
dimentar.
Esôfago relativamente curto, diferenciado em duas porções : uma anterior
larga com uma ligeira chanfradura no primeiro terço e outra posterior ou
bulbo, mais dilatada que a região anterior, contendo um aparelho mastigador.
Intestino largo, retilíneo, com a porção terminal diferenciada num reto
sub-piriforme, terminando num anus ventral. Cauda muito curta e afilada em
ambos os sexos.
Aparelho genital feminino tipicamente anfidelfo. Ovijetor a princípio diri¬
gido para a frente e a seguir recurvando-se para trás. Vagina diferenciada,
musculosa. Poro genital, ventral, situado mais ou menos na região equatorial.
Útero contendo número relativamente grande de ovos, sem larva diferenciada.
Ovos elipsóides, de casca transparente e delgada.
Aparelho genital masculino, simples, constando de um testículo, recurvado
cm N, situado na metade posterior do corpo, seguido de uma constrição mus-
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
-- 0 XEMATÓIDES '( OXYUROIDEA ) PARASITOS DE DIPLÓPODOS DA
ILHA DA QUEIMADA GRANDE. SAO PAULO. BRASIL
ciliosa e de uma porção dilatada repleta de espermatozóides (vesícula seminal?),
à qual segue-se o canal deferente, não tendo sido observada diferenciação num
dueto ajaculador. Espiados sub-iguais, relativamente curtos, de extremidades
arredondadas, ligeiramente recurvados. A extremidade posterior do macho apre¬
senta asas caudais pouco desenvolvidas.
Papilas caudais em número de 9 pares, sendo 4 pares preanais, 1 par adanal
e 4 pares postanais. As papilas preanais são ben desenvolvidas, estando o 3.°
e 4.° pares situados liem à frente do nível da base dos espículos. O l.° e 2.°
pares situam-se ao nivel da zona espicular. As papilas postananis se dispõem
em fileiras convergentes, dando ao conjunto c aspecto de um V quando vistas
de face (Fig. 11 e 12).
Dudckalia insiilaris sp. n.
MEDIDAS TOMADAS DE EXEMPLARES CONSERVADOS E EXAMINADOS
ENTRE LAMINA E LAMlNULA
Dimensões em mm
(macho)
i
2
3
4
5
6
7
8
9
10
mfdias
Comprimento total
media
2.81
3.89
2.94
3.47
3.02
.3,34
4.20
3.42
2.49
3.28
329
Largura na regiSo media 0,168
0,225
0.154
0.154
0.154
0,197
0225
0.211
0.183
0,197
0.1S7
Corpu* comprimento
0.172
0,123
0.135
0.172
0.172
0.154
0.160
0.160
0.123
0.172
0.154
Corpus largura
0.0S6
0,092
0,080
0,092
0.104
0,092
0,092
0,098
0.092
0298
0.092
Dnlbo comprimento
0.11
0.0S6
0,086
0.11
0.104
0,092
0.092
0,098
0.086
0.104
0,096
Bulbo largura
0.123
0.129
0.117
0,129
0,123
0,129
0,135
0,129
0.117
0.135
0J27
Fsõfago comprimento
total
0.2S3
0,209
0.202
0.2S3
0.277
0246
0252
0.259
0,213
0277
0250
Cauda tánus à extr.
poste noi)
0,113
0.141
0.125
0,141
0.109
0.109
0.131
0.128
0.119
0.109
0.122
Fspiculos comprimento
0.191
0,229
0,191
0,226
0,213
0248
0.226
0213
0244
0.194
0217
Distância do anel ner¬
voso ã jxtr. anterior
0.053
0.065
0,043
0.056
0.053
0,065
0.072
0.062
0.056
0.065
0,069
SciELO) ^ 12
13
15 16
Mem. Inst. Butantan,
27:51-66. 1955/6.
JOSÉ II. RUIZ & ERMEXGARDA COELHO
59
Dudckcnia iiisularis sp. n.
MEDIDAS TOMADAS DE EXEMPLARES CONSERVADOS E EXAMINADOS
ENTRE LAMINA E LAMINULA
Dimensões em mm
(fêmeas)
i
2
3
4
5
6
4
8
9
10
medias
Comprimento total
3,70
4,16
4,18
440
546
3.73
4.10
4-60
441
3.15
4,19
Largura na região tia
vulva
0.197
0,239
0.197
0453
0495
0,168
0411
0,168
0,197
0411
0412
Corpus comprimento
0,141
0.14S
0,154
0.178
0.191
0.154
0.154
0.135
0.165
0.172
0,161
Corpus largura
0,117
0.111
0.129
0,148
0,135
0.148
0.141
0,129
0.116
0,104
0.127
Bulbo comprimento
0,099
0.111
0.086
0,086
0.111
0.074
0,080
0.104
0,092
0,104
0092
Bulbo largura
0.135
0,160
0,123
0.141
0,141
0,117
0.135
0,154
0,104
0,135
0.134
Esôfago comprimento
total 0,240
0.259
0.240
0465
0402
0428
0434
0.240
0477
0427
0461
Vagina
0,675
02.20
0.675
0480
0,774
0444
0.633
0,704
0,732
0.492
0.643
Distância entre anus
vulva
c
1.63
1.67
144
243
2.46
1.60
1.97
2,05
241
1,60
1.94
Cauda (Anus a extr.
posterior)
0,163
0.197
0411
0,197
0,163
0.197
0.166
0,168
0425
0.117
: 0.192
Distância do anel ner»
voso ã extr. anterior -
0.062
0.069
0,009
0,075
0,062
0,062
0.047
0,075
0,062
0.065
0,094
X
0,065
0,097
X
0,072
—
0.061
X
0.065
0.097
X
0/175
0.094
0,069
0.C97
X
0,075
- 1
0.103
o,oVs
0.067
X
0.072
Ovos
0.097
X
0,069
0.094
X
0,069
_
0.067
X
o.on
0.067
X
o,un
0,100
1 .1
0.094
X
0.078
"x"
0.067
X
0,072
0,078
X
0,075
0.094
X
0,069
0.103
X
o/n
—
0/164
X
0.065
0,067
X
0/í69
0.091
X
0.069
0.100
X
0.07*4
—
0.094
X
0.078
0.094
X
o.on
-SciELO
Mem. Inst. Buliníir,
J7:5:-€6. 1955/6.
JOSÉ M. RUIZ & ERMXXGARDA COELHO
61
RESUMO
São descritas Aorurus agilis iiisularis var. n., Thclastoma bulhõcsi dollfusi
A-ar. n. e Dttdekenia insularis sp. n., parasitas intestinais de Xcptunobolus hogei
Schubart ( Diplopoda ) da Ilha da Queimada Grande, São Paulo, Brasil.
SUMMARY
Aorurus agilis insularis var. n., Thclastoma bulhõcsi dollfusi var. n. and
Dudckcnia insularis sp. n., intestinal parasites of Xcptunobolus hogei Schubart
(Diplopoda ), from Ilha da Queimada Grande. São Paulo, Brasil, are described
in this paper.
BIBLIOGRAFIA
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cm
■SciELO
0 11 12 13 14 15 16
Man. Inst. Batnntan,
27:51^6. 1V55/6.
JOSÉ M. RUIZ A ERMENGARDA COELHO
Prancha, 1
Figs. 1, 4, 6, — Thclastoma bulhõtsi var. düllfusi (fêmea) 1, pormenor da região
anterior — 4, pormenor da região vulvar — 6, região posterior.
Figs. 2, 3, 5 — Aoriirus atjilis var. insularis (fcmea) 2, região posterior — 3.
total — 5. região anterior. Desenhos em câmara clara.
cm
*'A
XEMATÓIDES ( OXYUROWSA ) PARASITOS DE DIPLÓPODOS DA
ILHA DA QUEIMADA GRANDE, SAO PAULO, BRASIL
Prancha, 2
Figs. 7 a 9. — Dudckcnia insularis sp. n. (fêmea). 7 — total
(2 partes) — 8 pormenor da região anterior — 9, pormenor da região
vulvar. Desenhos em câmara clara.
SciELO, ^
15 16
.Man. I&st. BoUz.tan,
1955/6.
JOSÉ M. RUIZ & ER.MEXGARDA COELHO
Prancha, 3
Figs. 10 a 13, — Dndekcnia insularis sp. n. (macho). 10 — total
— 11, pormenor da região caudal, vista lateral. — 12, pormenor da
região caudal, susta ventral, não repiesentado o último par de pápilas.
— 13, pormenor da região anterior. Desenhos em câmara dara.
cm
XEMATÓIDES (i OXYUROWEA ) PARASITO? DE DIPLÓPODOS D\
ILHA DA QUEIMADA GRAXDE, SAO PAULO. BRASIL
Prancha, 4
Fig. 14, — T. bulhõesi var. insutaris, vista total de fêmea desenvolvida.
Fig. 15, — A. ogilis var. insutaris, visita total da fêmea.
Fig. 16, — T. bulhõesi var. insutaris, vista total da fêmea pouco desenvolvida. Desenhos
em câmara clara
cm
Mtrn. Inst. Batantan,
37:67-72. 1955/6.
A. R. IIOGE
67
UMA XO VA ESPÉCIE DE MICRURUS (SERP. ELAP.) DO BRASIL
A. R. HOGE
(laboratório de OfioloRia. Instituto Butantan)
Recebemos em diferentes épocas, exemplares de Alicntrus que nos cha¬
maram a atenção pelo seu colorido e desenho diferentes. Depois de examinarmos
os exemplares registrados na coleção do Instituto Butantan como froiilalis.
encontramos no meio déstes, dois especimens com as mesmas características
(Xo. 4802 e 6124). O número de exemplares que dispomos é de nove (9), nú¬
mero êste que achamos suficiente para elaborar uma diagnose.
Micrurus tricolor nov. sp.
Material: Tipo X.° 16290, & procedente de Garandaznl*, remetido por
Odilon Lemos Alves, em 25/2/1955.
Paratipos: X.° 14297, 9, e X.° 14298 4, procedentes de Guia I-ojxts*,
remetidos por João Pedro da Silva, em 25/9/1952.
X.° 14299, 9 . procedentes de Taunay*, remetido jielo Departamento Flo¬
resta!, em 25/9/1952.
X.° 14223, 9, e 14253, & , procedentes de Taunay*, remetidos respectiva¬
mente em 27/7/1952 e 12/9/1952.
X.° 14567, 6, procedente de Taunay*, remetido por Otávio Quirino, em
5/11/1952.
N\° 4802, 9, procedente de Barranco Branco, remetido por Álvaro Garcia,
•em 20/7/1927.
X.° 6124, 9, procedente de Taunay*, remetido por Cândido Pires em
17/7/1931.
Diagnose: uma espécie de Micrurus com aneis pretos dispostos em triadas
(8 a 10) no corpo e 1 + 1/3 na cauda; o primeiro anel da l. a triada é separado
das parietais por 7 a 9 escamas vertebrais; o anel mediano das triadas é separado
dos laterais por aneis brancos; 7 infralabiais. o primeiro par em contacto por
detrás da sinfisial; 7 (3 e 4) supralabiais; ôlho pequeno, cêrca de 1 ,7 menor
* Localidades situadas no Estado de Mato Grosso, Brasil.
Recebido, para publicação, em 4.IV.1955.
f
■SciELO
0 11 12 13 14 15 16
68
UMA NOVA ESPÉCIE DE ÜICRCRVS (SERP. ELAP.i DO BRASIL
do que a sua distância até a boca; a cabeça preta até as parietais inclusive;,
ventrais 218 a 231, sendo 224 a 229 nos <S ê e 218 a 231 nas 2 2 ; anal
dividida; subcaudais duplas 25 a 30 nos & & e 21 a 29 nas 2 2 ; dentes pala¬
tinos 7; dentes pterigoides 4.
Descrição do tipo : focinho arredondado, levemente projetado para frente;
rostral mais larga do que alta, visível de cima; intemasais mais curtas do que
largas, muito menores do que as preírontais, que são tão largas quanto longas;
frontal mais longa do que larga, mais curta do que as parietais; parietais mais
longas do que sua distância das intemasais; nasal dividida, a posterior em
contacto com a preocular; 1 preocular; 2 postoculares, sendo a inferior menor;
temporais 1 + 1; ólho pequeno, cêrca de 1,7 vezes menor do que sua distância
da boca; 7 supralabiais (3 e 4), 6. a maior e 7. a bem desenvolvida apenas ligei¬
ramente mais baixa do que a 6 a , (Fig. 2); 7 infralabiais (4. a maior) ; o-
primeiro par de infralabiais em contacto por detrás da sinfisial; as quatro-
primeiras infralabiais em contacto com a mentual anterior, que é mais curta do
que a posterior; 224 ventrais; anal dividida; 29 subcaudais duplas.
Colorido e desenho: côr de fundo vermelha com 10 triadas pretas no corpo-
e 1+1/3 na cauda; o anel mediano de cada triada é maior do que os externos
e separado destes por um anel branco de cada lado. Os aneis brancos das duas
primeiras triadas são imaculados enquanto os outros têm algumas escamas dor¬
sais com uma manchinha preta na ponta; os espaços vermelhos são menores do-
que as triadas e têm as pontas das escamas pretas. O primeiro anel da pri¬
meira triada começa na altura da 9. a + 1/J4 escama vertebral. A cabeça (Fig. 3)
é preta em cima até os parietais inclusive; as suturas das placas cefálics são
marginadas de branco; as 5 primeiras supralabiais são pretas com algumas
margens brancas, a 6. a e a 7. a são vermelhas com algumas manchas pretas; a
sinfisial e algumas infralabiais são manchadas de preto (fig. 6).
Variações: em todos os exemplares o n.° de triadas na cauda é invariavel¬
mente 1+1/3, a única variação no colorido consiste me maior ou menor número
de pontas pretas nas escamas dos anéis brancos. As outras variações estão apre¬
sentadas na tabela I.
Tab. I
K°. d* ColeçSo
14297 9
1429S J
14299 Ç
14233 J
14567 S
14223 Ç
6124 Ç
4S02 9
Tipo
16290
Triadas
10
• 0 |
9 1
10
11
8
■ 0
8
10
. Ventrais
226
228
233
229
229
224 f |
233
218
220
Subcandais
21
23
24
27
30
22 |
29
23
29
n*. de vertebrais
até o 1° anel
S
9
9
7
9
8
8
8
9-f 12
Mem. Inst. Batantan.
27:67-72. 1955/6.
A. R. HOGE
(t*
Comparações'. Micrurus tricolor é a mais próxima de Micrurus frontalis
frontalis (D. B. et D.) porém diferente desta e das outras subespécies de
frontalis pela posição do primeiro anel da l. a triada, que é separado das parie¬
tais por 7 a 9 escamas vertebrais enquanto em frontalis se observa somente
l. a a 3 escamas entre as parietais e o primeiro anel preto; pela presença de aneis.
brancos (Fig. 1 e 4) ; além disto o primeiro anel da primeira triada é sempre
mais estreito em frontalis. (fig. 5).
Dentição: Micrurus tricolor tem 7 dentes palatinos e 4 pterigoides ao invés,
de 10 e 3 respectivamente em M. frontalis.*
ABSTRACT
Description of a new species of Micrurus, Micrurus tricolor nov. sp., from.
State Mato Grosso, Brazil.
Diagnosis: a coral snake with 8-10 triads on the body and 1+1/3 on the tail;
the median ring of each triad separated from the outer by white rings; head
black, parietais inclusive; the first triad separated from the parietais by 7-9 1
vertebral scales; 7 lower-labials the first in contact whith his fellow behind
the symphysial; 7 (3-4) upper-labials ; eye minute, his distance from the border
of the mouth 1,7 x his diameter; ventrals 218-230, t> í> 22+229, 9 9 218-231;;
anal divided; subcaudals divided (21-30), S ò 25-30, 9 9 21-29.
The new species is nearest to Micrurus frontalis frontalis (D. B. et D.
1854) but different from this onc and other subspecies of frontalis by the posi-
tion of the first triad (separated from the parietais by 7-9 vertebral scales
instead of 1-3 in frontalis subspecies, by the white ring instead of white, yel-
lowish powdered with dark: Furthermore the first ring of the first triad is.
constantly narrower in frontalis subspecies. Micrurus tricolor has 7 palatine-
and 4 pterigoid teeth instead of 10 and 3 respectively in Micrurus frontalis.
Variations : see table I where triadas = triads; ventrais = ventrals; sub-
caudais = subcaudals and n.° de vertebrais até o primeiro anel = nurnber of ver¬
tebral scales between the parietais and first ring.
BIBLIOGRAFIA
Duméril, Bibron et Duméril — Erpetologie Généralc 7: 1223, 1854.
Em breve publicaremos uma nota preliminar sobre as corais.
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
1 cm
2 — Micrunu tricolor (vista lateral).
3 — Micrvrus 'ricolor (vista dorsal).
SciELO
Man. Inst. Batantan, A. R. HOGE
27:67-72. 1955/6.
Micrunu tricolor, tipo (vista dorsal).
I 3 5 6 7
SciELO
) 11 12 13 14 15 16 17
M rm. Inst. Bataman,
27:*J-105. 1955/6.
W. H. A. SCHOTTLER
73
OBSERVAÇÕES MISCELÂNEAS SÔBRE PEÇONHAS OFÍDICAS E
ANTI VENENOS
W. H. A. SCHÜTTLER
(laboratório dr Farmocologia. Instituto Bulantan)
No decorrer de extensa investigação sobre as propriedades inninológicas das
principais peçonhas botrópicas do Brasil e dos antivenenos a elas correspon¬
dentes, cujos resultados foram publicados em outra revista (30), fizeram-se
numerosas observações e algumas pesquisas complementares, que não deviam
ser incorporadas áquêle artigo por não se enquadrarem bem no tema aí debatido.
Estes achados e a sua significação são apresentados aqui, não só jielo possível
interesse para outros pesquisadores dêste campo, mas também porque se rela¬
cionam, em parte, com outras investigações sobre venenos atualmente em anda¬
mento neste Instituto. Para os pormenores completos dos dados experimentais,
confronte-se a publicação (30) acima mencionada.
REAÇAO DE CAMUNDONGOS À INOCULAÇÃO PARKNTERAL 1)0 VENENO
Imediatamente após a injeção endovenosa de altas doses de veneno, os ani¬
mais apresentam sinais de grande excitação, saltam e têm convulsões violentas,
durante as quais certo número sucumbe em poucos minutos. Hemoptise abun¬
dante é bastante comum em tais casos. Outros animais entram em estado de
coma profundo, no qual morrem no espaço de alguns minutos até algumas horas.
Ainda outros camundongos se restabelecem do coma e, depois de passarem horas
em aparente bem-estar, morrem mais tarde, ou sobrevivem definitivamente.
Em animais que receberam a peçonha por via subcutânea geralmente não se
observam sintomas imediatos da intoxicação, afora certa inquietação. Então,
conforme a severidade do envenenamento, torna-se manifesto colapso progressivo,
do qual os animais raramente recuperam. Ao mesmo tempo começam a aparecer
Recebido, para publicação, cm 25.V.1955.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
74
OBSERVAÇÕES MISCELÂNEAS SOBRE PEÇONHAS OriDICAS E
AXTI VENENOS
hemorragias subcutâneas, com gangrena e necrose subseqüentes no local da in¬
jeção. Êste sintoma só, quando não acompanhado de colapso geral, não cons¬
titui medida pela qual se deduza o prognóstico, pois camundongos com lesões
locais muito extensas sobrevivem com bastante freqüência.
O comportamento e os sintomas observados nos animais eram iguais em
seguida à inoculação de ambos os tipos de peçonha, excetuado somente o veneno
de jararacussti L-7 por via subcutânea. Neste caso, cêrca de 10dos animais
que haviam recebido esta peçonha só ou combinada ao sôro antipeçonhento, e que
tinham sobrevivido um dia no mínimo, desenvolveram exoítalmia unilateral, que
atingiu enormes proporções. Em geral esta lesão se tornou perceptível 24 horas
após a injeção do veneno e alcançou o máximo no segundo dia. Uns dias depois,
o globo ocular afetado entrava em necrose (Fig. 1). A dissecção revelou, nos
casos mais avançados, necrose caseosa do globo ocular e dos tecidos anexos.
O exame histológico de um caso severo mostrou uma zona hemorrágica sob o
epitélio da conjuntiva palpebral; um foco hemorrágico extenso na câmara
anterior, seb a cómea e contornando o cristalino, e forte hiperemia do nervo
óptico. Num outro caso havia hemorragia em todas as câmaras, anterior e
posterior, e nos tecidos orbitários peri-oculares, invadindo os tecidos gorduroso
e muscular estriado da órbita; intenso grau de vaso-dilatação em pré-estaser
inicio de leucodiapedese cm alguns vasos. Em casos de menor gravidade foram
encontradas somente congestão e hemorragias peri-capilares. Este fenómeno, não
ligado à morte cu sobrevivência e atualmente sem explicação razoável, não foi
observado quando se empregaram duas outras amostras da mesma peçonha.
A intensidade das reações locais determinadas pela injeção subcutânea dos.
venenos puros ou das misturas peçonha-antiveneno é representada na Tabela I-
Deve ficar entendido que a divisão da escala continua da lesão local em cinco
graus arbitrários c liaseada apenas nas impressões pessoais do autor. Uma vez
que os graus intermediários tinham de ser avaliados para menos ou para mais,
para serem enquadrados neste esquema, somente devem ser consideradas signi¬
ficativas diferenças de 4—|- ou maiores.
A inspeção desta tabela revela que o grau da lesão local provocada pelas
sete amostras de peçonha experimentadas não depende da toxicidade de um
veneno, mas sim da quantidade absoluta de toxina inoculada. Assim, a LD 50 do
veneno o l ter nata (15.80 mg/kg) está situada na zona de reações leves até
médias .enquanto que a da peçonha dc atro .r (80.99 mg/kg) se acha bem dentro
da zona de destruição local mais severa de tecido. O fator hemorrágico dos
venenos é neutralizado até certo grau por antivenenos tanto homólogos quanto
heterólogos (dentro de um mesmo gênero). Não há, porém, congruência entre
a neutralização das atividades locais destas peçonhas e a da sua toxicidade total,
como é demonstrado pelo caso do veneno cotiara e seu anti-sôro especifico.
cm
7 SCÍEL0) 2.1 12 13 14 15 16
itero. Inst. Butantan,
27:73-105. 1955 6.
\V. H. A. SCHÕTTLER
75
DISCUSSÃO
A semelhança entre o quadro clinico do envenenamento ofidico e os sintomas
que acompanham várias formas de choque já foi comentada por Essex &
Markowitz (5), Moon (16) e outros, e é confirmada pelos achados de Witham
et al. (37). Moon & Kennedy (17) mostraram que tecido muscular triturado
e introduzido na cavidade peritoneal em dose de menos de 0.5 Çó de pêso do corpo
é suficiente para produzir choque fatal em cães. Estas e outras observações
semelhantes de outros pesquisadores sugeriam o estabelecimento de uma ligação
causal entre o extenso dano local provocado por numerosas peçonhas ofidicas
(23-27) e o aparecimento de um colapso da circulação sanguina parecido com
choque. Deste modo, Schaumann (22) distinguiu dois princípios tóxicos em
venenos de ação local, inoculados por via subcutânea, sendo um o fator tóxico
propriamente dito. devido ao qual os animais morrem em 24 horas ou menos, e o
outro o componente hemorrágico, que provoca ‘‘morte tardia”, i. e., depois de
mais de 24 horas, pela lesão severa dos tecidos no lugar da injeção ou, em
outras palavras, por choque traumático. Tal distinção entre os dois mecanismos
é, evidentemente, bastante arbitrária, pois é fato bem sabido que a morte por
trauma local, tal como contusão muscular, queimaduras etc., tanto pode ocorrer
dentro de poucas horas como levar até alguns dias depois da lesão, sendo igual
o prazo de sobrevivência na morte j>elo envenenamento por peçonhas ofidicas
isentas de atividades locais, quer em animais de laboratório (24, 27) quer no
homem (1). As observações desconcertantes de Schõttler (24), observando
que animais com trauma local aparentemente severo frequentemente não pareciam
muito afetados, puseram em dúvida a importância do dano provocado pela peço¬
nha no lugar da injeção. É bem possível que seja superestimada, pelo obser¬
vador, a importância da destruição local de tecido e do edema sanguíneo, que
raramente ultrapassa um terço da superfície do corpo em animais de pequeno
porte. Por outro lado tem sido descrito oom frequência choque fatal resultante
de lesões rclativamente pequenas, o que também evidenciam as pesquisas de
Moon & Kennedy (17).
O mecanismo do choque em geral ainda é assunto muito controvertido, e
o do choque produzido pela inoculação subcutânea de venenos dotados de ação
local, aliás a via mais comum de introdução da peçonha em casos de ofidismo,
é ainda mais complicado pelos efeitos indiretos que a toxina pode provocar por
essas mesmas reações locais. São, portanto, os seguintes os fatores que podem
ser distinguidos no trauma local provocado por tais peçonhas:
a. Produção dc edema hemorrágico local, resultando num decréscimo de
liquido no sistema circulatório. Schwiegk & Schõttler (32) demostraram que
o extravasamento de plasma para os tecidos, causado por trauma local, pode
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
76
OBSERVAÇÕES MISCELÂNEAS SOBRE PEÇONHAS OFÍDICAS E
ANTI VENENOS
ser suficientemente abundante para constituir por si mesmo a causa mortis.
Todavia não é forçoso admitir a ocorrência de edemas tão grandes no caso de
empeçonhamento, pois perdas muito menores de plasma são capazes de iniciar o
círculo vicioso — Moon (16) e Schwiegk (31) — de colapso secundário induzido
pelo decréscimo do volume de plasma ou sangue no sistema circulatório. Por
outro lado, a intensidade de um trauma local não obriga a um grau correspon¬
dente de reação sistémica. É possível que a ação destrutiva do veneno sôbre o
tecido endotelial seja tão forte que, após um aumento inicial da permeabilidade
capilar e perda consequente de liquido sanguineo, a circulação seja completamente
interrompida na área atingida devido à necrose dos vasos sanguíneos. Esta hi¬
pótese forneceria explicação aceitável à divergência entre a severidade aparente
de reações locais e a mortalidade correspondente. Xão obstante nada ser .
conhecido sôbre o mecanismo da ação local de peçonhas, exceto talvez que está
provavelmente associada à atividade proteolitica, a evidência experimental, espe¬
cialmente a neutralização do fator hemorrágico por antiveneno sem alteração
significativa da dose letal, parece indicar que o trauma local per sc não contribui
muito para a morte por envenamento ofidico, salvo quando o peritônio for per¬
furado e os intestinos ficarem expostos (24).
b. Libertação de substâncias farmacodinâmicamente ativas, normalmente
celulares, c formação de produtos tóxicos consequente à desintegração de material
inofensivo por várias ações ensimicas de venenos {.38). Feldberg & Kellaway
(6, 7), Rocha e Silva et al. (21), Werle et al. (36) e demais pesquisadores têm
demonstrado a libertação, ou formação, de histamina e outras substâncias depres¬
soras por peçonhas. Xada, porém, parece ser conhecido sôbre as proporções
nas quais estas substâncias aparecem e em que quantidades podem lesar o
organismo. Xa presente investigação em camundongos, a possivel influência de
histamina devia ser minima, pois, segundo Dekanski (3), a injeção endovenosa
de doses de histamina dez vezes maiores do que a existente no camundongo
inteiro é tolerada quase sem sintomas por esta espécie animal notadamente resis¬
tente á histamina. O papel insignificante da histamina no oíidismo também
pode ser deduzido da ineficácia terapêutica da medicação antihistaminica em
tais experiências (29). A produção de hemorragia local não está necessária-
mente ligada ao mecanismo que provoca a liliertação, ou formação, de composto-
tóxicos, como fica evidenciado pelo fato de que o mesmo também acontece com
venenos que não causam sintomas macroscopicamente perceptíveis no lugar da
inoculação. Outrossim, tal atividade não fica necessariamente limitada às ime¬
diações do local da injeção do veneno, podendo fazer-se sentir por todo o
organismo, o que acontece, entretanto, com intensidade decrescente de reação.
Ainda não foi verificado se, e até que grau. o princípio fisiológico tratado neste
parágrafo ixxle ser neutralizado por soros antipeçonhentos.
cm
7 SCÍELO) 1X 12 13 14 15 16
ilrtn. T n«t. Bstantan,
-!7:73-105. 1955/',.
W. H. A. SCHOTTLER
77
É quase certo que as ações locais combinadas de venenos são devidas aos
seus énzimos proteoüticos. Seria por isso interessante investigar a capacidade
proteolítica de doses letais das peçonhas aqui estudadas. In felizmente tais dados
somente existem para o veneno de B. jararaca. Martirani & Azevedo (15)
verificaram que esta peçonha digere gelatina na proporção de 1:83 até 1:1122
em 60 minutos e pH 8.0. O efeito letal da mesma espécie de veneno, relati¬
vamente a material sólido e admitindo que tres quartos do corpo do camundongo
são constituídos por água, tem lugar na proporção de 1:29500 a 1:581400.
Caso a digestibilidade das proteínas corporais fosse igual à da gelatina, isso
significaria que uma dose letal da peçonha devia ser capaz de desintegrar 0.01
até 3.8% da substância do corpo. Lembrado que a destruição de menos de
0.5% pode ser suficiente para provocar a morte, é evidente que não pode ser
contestada a importância da ação proteolítica de peçonhas em certo número de
casos. A hipótese da existência de um fator comum no mecanismo do choque
no envenenamento ofídico de um lado e, de outro lado, em numerosas formas
de trauma mais ou menos localizado, é ainda mais reforçada pela semelhança
dos achados histo-patológicos em ambos os casos. A possibilidade de que alte¬
rações tão disseminadas possam ser devidas ao efeito direto de doses letais tão
insignificantes como as de peçonhas, parece muito remota, não obstante o veneno
pode agir sóbre órgãos de alta susceptibilidade como. jx>r exemplo, o sistema
nervoso.
TEMPO DE SOBREVIDA A IXJEÇÀO DE DOSES LETAIS DE PEÇONHA
O quadro do tempo de sobrevida após envenenamento fatal é apresentado
na Tabela II. em cuja compilação não foram incluídas mortalidades por doses
superiores às certamente letais. Nenhuma diferença estatisticamente significa¬
tiva entre as duas vias da aplicação de veneno pode ser deduzida destes números,
obtidos pelo registro da mortalidade em intervalos de 24 horas. Talvez, um
exame mais detalhado do tempo da morte dentro do primeiro período de 24
horas depois da inoculação da peçonha, impraticável por motivos técnicos, ti¬
vesse revelado que a morte tem lugar mais rapidamente após a injeção endo¬
venosa.
Os prazos de morte dos animais nas experiências com soros antipeçonhentos
acham-se registrados na Tabela III. A comparação destes algarismos com os
obtidos com veneno só (Tabela II) mostra que não há diferença nas provas
endovenosas e que a diferença das médias nas provas subcutâneas, embora não
significativa, tende a indicar que o antiveneno retarda a morte em casos fatais.
Dispostas as observações segundo os vários tipos de soros (Tabela IV), é inte¬
ressante notar que os periodos de sobrevida se tornam mais regulares nas
experiências subcutâneas, como evidencia o desvio padrão (o) consideravelmente
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11 12 13 14 15 16 17
ro OBSERVAÇÕES MISCELÂNEAS SOBRE PEÇONHAS OFIDICAS E
° ANTI VENENOS
menor. Além disso, segundo esta disposição o mostra, a morte ocorre sem
dúvida mais ràpidamente por injeção endovenosa do que pela subcutânea de mis¬
turas letais de veneno e antiveneno, como fica patente pelos algarismos corres¬
pondentes aos primeiros dois intervalos de 24 horas de registro.
TITULAÇAO DE ANTI VENENOS MEDIANTE FLOCULAÇAO E ENSAIO
IN VIVO
Após incubação de misturas veneno-antiveneno durante uma hora a 37°C, a
floculação se manifestava somente com o sôro antibotrópico B-114 digerido pela
pepsina, enquanto que os outros antivenenos examinados neste trabalho e subme¬
tidos a outros métodos de purificação, ou talvez não purificados, não provocam
o mínimo traço de turvação. Talvez o tempo de incubação fosse demasiado curto
para a formação de um precipitado entre as peçonhas e estes últimos soros, uma
vez que Hansen (10, 11) e Petermann & Pappenheimer (18) observaram que
a digestão péptica diminúi muito o tempo de floculação de anti-toxinas, o que
explicaria a floculação do sôro B-114.
Em nenhuma das pesquisas aqui mencionadas a neutralização das pro¬
priedades tóxicas das peçonhas coincidiu com a floculação máxima (Tabela V),
o que confirma verificações anteriores sôbre êste assunto (28). Tais achados
não são surpreendentes, pois, à luz das pesquisas de Pope ct al. (19, 20) sôbre
toxina e antitoxina diftéricas purificadas, nem mesmo teoricamente deve ser
esperada relação direta entre ensaios in vivo e in vitro de antígenos tão comple¬
xos como os venenos oíidicos e os anticorpos correspondentes. De fato, Chris-
tensen (2) até observou que precipitados obtidos com proporções ótimas de
veneno-antiveneno em certos casos não continham toxina alguma. Uma expli¬
cação plausível dêste fenómeno seria fornecida pelos toxoides de venenos de
Githens & Butz (8) ou pelo grupo II do "Giftdrüsensekret” de Schõttler (24).
ORDEM DE TOXICIDADE E ÍNDICE SUBCUTANEO-ENDOS ENOSO
A ordem de toxicidade dentro de uma série de venenos é obtida pelo cálculo
da razão entre a dose mortal média de cada peçonha e da amostra mais ativa
do grupo. Os resultados para os venenos usados nesta investigação encontram-se
na Tabela VI. Da análise desta tabela parece deduzir-se que um veneno menos
tóxico quando introduzido por via subcutânea se comporta como mais ativo
quando a via empregada é a endovenosa, exceto o de ncwviedii L-10, que é fraco
em ambos os casos. Esta influência da via de inoculação na inversão da ordem
da toxicidade não ficou todavia estabelecida fora de qualquer dúvida, pois as
zonas dos índices se sobrepõem em quase cada caso. Comparadas, porém, dire-
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^ J—l -1—1
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tainente as doses letais de espécies diversas de veneno, verifica-se, e. g., que
a de atro .r L-ll é superior à de altcniala L-8 por via endovenosa, mas inferior
por via subcutânea, havendo, como essa, 32 pares de combinações, não consi¬
deradas, naturalmente, as comparações entre diferentes amostras da mesma es¬
pécie de veneno. Esta comparação direta mostra que, em 9 casos, a relação
entre duas peçonhas fica realmente invertida nos dois tipos de ensaio, e que
não há um único caso estatisticamente significativo que forneça prova do
contrário. A maior parte dos casos restantes, embora sendo estatisticamente
duvidosos, depõe a favor da mesma constatação. O mesmo se verifica com
referenda ao índice subcutâneo-endovenoso, representado pelo quociente entre
as doses letais médias subcutânea e endovenosa de uma peçonha. Xão obstante
■os limites muito amplos déste indice, as diferenças entre venenos por éle caracte¬
rizados são estatisticamente significativas no mínimo em 13 casos entre as
32 possibilidades de comparação.
A ordem de grandeza e as diferenças dos índices subcutâneo-endovenosos dos
venenos em combinação com sôro an ti peçonhento (Tabela VII) são menores do
que os desses venenos sós (Tabela VI). Mesmo que as diferenças entre os
índices das misturas veneno-antiveneno não sejam significativas, é interessante
notar que as peçonhas com indice subcutâneo-endovenoso mais alto na prova
de toxicidade — atro .r L-ll e jararacussu L-7 — têm o indice mais alto também
em combinação com sôro, e que, no ensaio endovenoso de anliveneno, é neutra¬
lizado um número considerávelmente maior de doses letais destes dois venenos
■do que dos demais (30). Além disso nota-se que a combinação com o sôro
znü-cotiara resultou em indice mais elevado em cinco das amostras de peçonha
e num segundo e terceiro lugares uma vez cada.
DISCUSSÃO
Uma possivel explicação para êstes achados podia ser fornecida pela obser¬
vação mencionada acima, de que, em conseqüência da inoculação endovenosa
<la peçonha, os camundongos caem freqüentemente em choque imediato, do qual
êles se recuperavam com rapidez para morrerem mais tarde, após horas de apa¬
rente bem-estar. Devido à natureza complexa dos venenos, não seria imprová¬
vel que dois princípios tóxicos estivessem envolvidos no envenenamento endove¬
noso, um com ação direta sóbre os seus orgãos efetores, a cujo contato é levado
pelo sangue, e outro que ou tem de sair da circulação para encontrar os seus
receptores ou que precisa de tempo para liberar, ou formar, substâncias tóxicas
dentro do corpo do animal ou que apresenta ao mesmo tempo as duas exigências.
Xa injeção subcutânea, o primeiro destes fatores estaria separado dos seus
pontos de ataque por massas de tecido, de modo que a sua entrada na circulação
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OBSERVAÇÕES MISCELÂNEAS SOBRE PEÇONHAS OFIDICAS E
ANT1 VENENOS
é retardada e gradativa, tornando-o relativamente inofensivo. Isto pode ser
deduzido das pesquisas de Schaumann (22) e de \ ellard & Huidobro (34),
que observaram que a queda imediata da pressão sanguínea causada pela in¬
jeção endovenosa de peçonhas dotadas de ação local é menos severa, ou até
ausente, quando da repetição da mesma dose, indicando a dessensibilização dos
órgãos receptores para esta fração do veneno. Assim, um fator de grande
importância no envenenamento endovenoso exerce menos, ou nenhuma, influên¬
cia sôbre o resultado da introdução subcutânea da peçonha. Variações na dis¬
tribuição quantitativa dêste fator nos venenos bem poderão ser responsabilizadas
pela ordem invertida da toxicidade das peçonhas nas duas vias de inoculação.
Outra explicação foi oferecida por Martirani (14), sugerindo que diferenças
na atividade hialuronidásica dos venenos poderiam determinar o grau da toxi¬
cidade subcutânea sem possuírem influência apreciável na inoculação endove¬
nosa. A comparação das quantidades de hialuronidase existentes em doses letais
das amostras de venenos sob investigação, tituladas pelo método de Tolksdorf
ct al. (33), (Tabela VI), mostra unia variação considerável da atividade hialu¬
ronidásica de doses de veneno que provocam a morte por injeção endovenosa,
enquanto que as quantidades dêste énzimo contidas nas doses letais subcutâneas,
bastante divergentes, são notàvelmente coincidentes. Isso justifica um exame
mais aprofundado dêste assunto.
INFLUÊNCIA DA ATIVIDADE HIALURONIDASICA DOS VENENOS SOU RE
A TOXICIDADE SUBCUTÂNEA
O possível pa|K‘l da hialuronidase no envenenamento subcutâneo deveria
tornar-se evidente se o titulo desta fõsse aumentado artificialmente, ou se a
hialuronidase da peçonha fosse consumida pelo seu próprio substrato antes da inje¬
ção do veneno. Nestas pesquisas, um produto comercial de hialuronidase testicular
bovina*, ou ácido hialurónico, foi adicionado para aquêle fim às soluções de
veneno. As misturas foram incubadas a 37°C durante uma hora antes de serem
injetadas em camundongos brancos fêmeos. Controles com as mesmas soluções
de veneno mais salina foram realizados ao mesmo tempo. Os resultados estão
registrados em Tabela VIII. O aumento em hialuronidase nas provas n.° 55.
56. 58 relativo aos controles n.° 34 ou 35, respectivamente, foi de 25. 18
e 72 r i nas doses letais médias. As quantidades de ácido hialurónico adiciona¬
das às soluções de veneno nas provas n.° 57, 59, 60 eram suficientes para
absorver 10720, 580 e 850% da atividade hialuronidásica dos controles relati-
• Fornecido, sob o nome comercial “ Hyalozima'’ da Opoterapica NESPA I.tda..
São Paulo, S. P.. pela gentileza do dr. I. Martirani.
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Mtm. ! n?t. Buíantan.
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vamente às LD^oS. Os resultados destas pesquisas são bastante desconcertantes.
As provas n.° 55, 56. 57 mostram que a redução da atividade hialuronidásica
por grandes quantidades de ácido hialurónico diminui significativamente a toxi¬
cidade da peçonha em comparação com a de soluções às quais fora adicionada
hialuronídase. Justamente o contrário aconteceu nas pesquisas n.° 58, 59, 60,
onde o ácido hialurónico aumentou a toxicidade relativamente à das soluções da
peçonha enriquecida com hialuronidase, chegando num caso (prova n.° 58/60)
o aumento a ser significativo sob o ponto de vista estatístico. Entrentaitío, o
erro muito elevado dos ensaios de toxicidade nas provas de controle com veneno
deixa transparecer que os resultados contraditórios surgiram provavelmente por
acaso. Deste modo, não é possível obter evidência alguma da influência da
hialuronidase de peçonhas sóbre a toxicidade de venenos à luz dos resultados
desta investigação. Resta a critica de que, segundo Haas (9) e Hechter (12),
outros fatores além dos aqui considerados entram no mecanismo da difusão
in vivo. Assim seria antecipada a conclusão de que a hialuronidase definiti¬
vamente não aumenta a toxicidade do veneno.
DISCUSSÃO
Xa ampla literatura sóbre o fator, ou fatores, de difusão dos venenos,
que é supostamente representado pela hialuronidase ou substância semelhante, foi
geralmente aceito bcna fidc que um mecanismo que facilita a invasão de um
organismo é favorável à ação de uma substância tóxica ou de outra maneira
fisiològicamente importante. Certas verificações confirmam êsse ponto de vista
tais como as observações de Krech (13), que achou que, em provas subcutâneas,
é necessário muito menos antitoxina para neutralizar uma dose de toxina difté-
rica prèviamente injetada, se for adicionada hialuronídase ao soro. Neste caso,
a hialuronídase acelera a difusão da antitoxina através do organismo numa
proporção que, sem o auxilio do ênzimo, sómente doses maiores de sôro podiam
alcançar. O fator tem]», porém, não tem importância alguma no envenenamento
oíidico em circunstâncias naturais, pois é inteiramente indiferente que a ser¬
pente mate a sua prêsa em 5 ou em 30 minutos. Além disso há outro aspecto
do problema da difusão no caso de peçonhas com atividade local pronunciada,
que é o da concentração limiar do veneno necessária para vencer a resistência
natural dos tecidos contra a sua ação. É óbvio que quanto maior a concen¬
tração de hialuronidase em certa quantidade de veneno, tanto mais ràpidamente
êste se difunde e, ]x>r conseqüència, se dilúi na direção do nível critico, abaixo
do qual não há mais dano local. Desta maneira, o efeito final da hialuronídase
do veneno poderá ser exatamente o oposto do que se pensa em geral.
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OBSERVAÇÕES MISCELÂNEAS SOBRE PEÇO.VHAS OFiDICAS E
ANTIVENENOS
Parece iniítil uma discussão destas possibilidades desconcertantes antes de
conhecer mais sôbre os fatores essenciais do mecanismo fisiológico letal das
peçonhas. Apesar da experimentação aqui relatada ter falhado no objetivo de
provar a importância do fator de difusão no evenenamento botrópico, não
deixa de ser verdade que uma investigação mais aprofundada do assunto, utili¬
zando também outros tipos de veneno, poderá dar resultados interessantes que
venham talvez contribuir para a melhor compreensão destas substâncias. Em
benefício da terapêutica do ofidismo, tais pesquisas deviam ser extendidas também
às reações entre antiveneno e hialuronídase. Isso não será tarefa fácil, pois,
devido à natureza protéica dos soros, a sua influência sôbre a hialuronídase
dificilmente pode ser pesquisada turbidimètricamente (33). Por outro lado, a
interpretação de ensaios viscosimétricos (9) será dificultada pelas reações si¬
multâneas entre fatores distintos, que influenciam a viscosidade do sistema
apurador de maneiras diferentes e independentes: viscosidade do ácido hialu-
rónico; viscosidade do sôro antipeçonhento; despolimerização do ácido hialuró-
nico pelo veneno; inibição inespecifica (9) e neutralização especifica (4) da
hialuronídase da peçonha pelo antiveneno; ação proteolítica, e, por isso, redutora
da viscosidade, do veneno sôbre o sôro, e alteração da tensão superficial pela
peçonha (35) se o fator responsável por êste fenômeno for diferente dos já
mencionados.
O autor agradece ao dr. M. de F. Amorim, professor de ana¬
tomia patológica da Escola Paulista de Medicina, pelo diagnóstico
dos cortes histológicos, e ao dr. I. Martirani, do Departamento
de Saúde e Assistência Social do Estado de São Pado, pela
titulação da hialuronídase nos venenos.
RESUMO
Êste artigo apresenta uma série de observações e pesquisas suplementares,
executadas ao mesmo tempo que uma investigação extensa sôbre venenos lx>tró¬
picos e os seus antivenenos, já publicada numa outra revista (30).
É descrita uma lesão ocular unilateral em camundongos, causada pela in¬
jeção subcutânea de certa amostra de veneno de Bothrops jararacussu.
A severidade das reações locais provocadas pela inoculação subcutânea de
peçonhas depende da dose e não da toxicidade geral dos venenos. Elas são
neutralizadas até certo grau por antivenenos especificos com referência à espécie
e ao gênero de ofídio. A neutralização da atividade local e da toxicidade total
ocorre em proporções diferentes. A significação do dano local no ofidismo é
amplamente discutida.
cm
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M -Tn. Inst. Batmtan.
27:73-105. 1955/6.
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São determinados os tempos de sobrevivência de camundongos após ino¬
culações endovenosas e subcutâneas de doses letais de veneno sem e com adição
de soros antipeçonhentos.
Não há relação entre a titulação in vivo e por floculação dos antivenenos.
A ordem de toxicidade dos venenos estabelecida pela prova endovenosa em
geral é inversa da obtida pela inoculação subcutânea, o que resulta em índices
subcutâneo-endovenosos diferentes nas várias espécies de peçonhas dentro do
mesmo gênero ofidico. Como explicação dêste fenômeno é discutida a pos-
sibilidde de um mecanismo duplo na morte causada por peçonhas.
Não foi observada influência alguma da hialuronídase sôbre a toxicidade
subcutânea dos venenos.
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Mim. Inst. Kutaiiian,
2~ :7J-105. 195S/6.
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MISCELLAXEOUS OBSERVATIOXS OX SXAKE VEXOMS AXD
AXTIVEXINS
W. H. A. SCHOTTLER
(Department of Pharmacohgy, Instituto Ilutantan)
In the course of an extensive study of the immunological properties of the
principal Bothrops venoms of Brazil and their corresponding antivcnins, the
results of which have been published elsewhere (30), numerous observations and
some supplementary experiments were made, which could not l>e iiKorporated in
that paper because they do not directly pertain to its subject. These findings and
their significance are reported here apart as they may not only l>e of interest to
other workers in this field but, partly, also have a 1>earing on fnrther venom
research now in progress in this Institute. For full details of the experimental
data. on which part of the present study is liased. the reader is referre<l to the
above mentioned publication (30).
REACTION OF MICE TO PARENTERALLY APPLIED VENOM.
Immediately after intravenous injection of higher doses of venom, the ani¬
mais showed signs of great irritation. jumped wildly around and had violent con-
vulsions. during which part of them succumbed within a few minutes. Abundant
hemorrhage from the lungs was rather ccmmon in sttch cases. Other animais
entered in a State of deep coma, in which they died after some minutes to
several hours. Still other mice recovered from the coma and. after hours of
apparent well-being, died later on. or survived ultimately.
Xo immediate symptoms of intoxication, except a certain restlessness, were
generally observed in animais in which the venom had Iteen injected subeuta-
neously. Then. progressive collapse according to the severity of the intoxication
Received for publication on 25. v. 1955.
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MISCEU.ANEOITS OBSERVATIOXS OX SXAKE YEXOMS
AXD axtivexixs
became manifest, from which the animais rarely recovered. At the same time,
development of subcutaneous hemorrhage with subsequent gangrene and necrosis
at the site of injection set on. However, this symptom alone, if not accompa-
nied by general collapse, is no measure by which the fate of the animais can be
predicted, as mice with very extensive local damage survrved rather often.
After both types of venom inoculation, behavior and symptoms of the ani¬
mais were alike independem from the species of venom administered, with the
only exception of the venom sample jararacussu LI 7 on subcutaneous injection.
Here. about l(Kó of the animais, which received this venom alone or in
combination with antivenin and survived at least one day, developed unilateral
exophthalmus, which attained enormous proportions. This lesion was generally
distinguishable 24 hours after venom injection and reached its maximum on
the second day. A few days later, the affected eye-ball necrotized (Fig. 1).
In the most advanced stages, dissection revealed caseous necrosis of the eye-ball
and surrounding tissues. Histological examination of another severe case showed
a hemorrliagic zone under the epithelium of the palpcbral conjunctiva, an exten¬
sive hemorrhagic focus in the anterior chamber, under the córnea and around
the lens, and pronounced hyperemia of the optic nerve. In a further case,
there was present hemorrhage in the entire anterior and posterior chambers and
in the pe ri ocular orbital tissues, extending to the adipose tissue and the striped
muscles of the orbit ; a high degree of vasodilatfon, and beginning diapedesis of
leucocytes in some vessels. In light cases, only congestion and smaller peri-
vascular hemorrhagcs could be distinguished. The phenomenon, which was not
relatcd to death or survival and for which no reasonable explanation can be
offered at present, was not obscrved with two other samples of the same
species of venom.
The intensity of the local reactions elicited by subcutaneous injection of
the vcnoms alone and of the venom-antivenin mixtures is rccorded in Table I.
It must be understood that the division of the continuous scale of local damage
in five arbitrary degrces is based on the personal impressions of the author
only. As intcrmediate subdegrees were liable to be under- or overrated in
order to be placed within the scheme, only diffcrences of -]—|- or more may
be considered significant.
Inspection of this table reveals that the degree of local damage provoked by
the se ven venom samples under investigation does not depend on the toxicity of
a venom but on the absolute amount of toxin administered. Thus, the LD 50
of the altcrnata venom (15.S0mg/kg) is situated in the zone of light to
médium local reactions, whereas that of the atrox venom (80.99 mg/kg) is
deep in the region of severest local tissue destruction. The hemorrhagic factor
of the venoms in neutralized to a certain degree by homologous as well as hetero-
logous (but genus-specific) antivenins. However, there is no congruence-
cm
7 SCÍELO) 2.1 12 13 14 15 16
M.m. !nst. Hut-jtitan.
27 73 - 105 . 1955 6 .
W. H. A. SCHOTTLKR
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Tjctween the neutralization of the local activities of these venonis and that
oi their total toxicity, as demonstrated by the case of the cotiara venom and
its specific antiserum.
DISCUSSION
The resemhlance of the clinicai features of snake poisoning to the symptoms
which accompany various fornis of shock has been commented on by Essex &
Markowitz (5), Moon (16) and others and is confimied by the findings of
Witham et al. (37). Crushed muscle tissue in a quantity of less than 0.5% of
the bodyweight and introduced in the peritoneal cavity has been shown by Moon
& Kennedy (17) to be sufficient to produce fatal shock in dogs. These and
similar observations by other authors tnade the establishment of a causal
connection between the extensive local damage wrought by numerous snake
venoms (23 — 27) and the appearance of a shock-like collapse of the blood
circulation very suggestive. Thus, Schaumann (22) distinguished two toxic
principies in locally active venoms inoculated subcutaneously, one being the
propcrly toxic factor, to which the animais succumb in 24 hours or less, and
the other the hemorrhagic component, which causes ‘‘late deaths”, i. e. after more
than 24 hours, by the severe damage of tissues at the site of injection or, in
other words, by traumatic shock. This separation of the two mechanisms is, of
course, rather arbitrary, for it is a wcll-known fact that death from local
trauma, such as muscle contusion, bums, etc., may ensue in from a few hours
to several days, but the survival time before death on intoxication with snake
venoms devoid of local activity falis in the same range in laboratory animais
(24, 27) as well as in man (1). The disconcerting observations of Schõttler
(24), namely that animais with seemingly severe local trauma often did not
appear very much affected, cast some doubt on the importance of the damage
induced by venom at the site of injection. It is well possible that the local
destruction of tissue and the fonnation of sanguineous edema, which may
hardly exceed one third of the body surface of small animais, is greatly
overestimated by the observer. On the other hand, it has been frequently
reported that fatal shock may result from relatively small injuries, as also evident
from the experiments of Moon & Kennedy (17).
The mechanism of shock in general is still a highly disputed matter, and
that of shock by locally active venoms given subcutaneously, by the way the
most frequent route of venom introduction in snake bite aecidents is further
complicated by the indirect effects the toxin may elicit through local reactions.
Thus the iactors which may be involved in the local trauma produced by poi-
soning with such venoms, are:
cm
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MIÍCELLAXEOUS OBSERVATIONS OS SXAKE VEXOMS
AND ANTIVEMKS
a. Production of local hcmorrhagic edema rcsultiiig i> i a dccrcasc of
flttid iit lhe circulatory system. Schwiegk & Schõttler (32) have demonstrated
that the loss of plasma into the tissues caused by local trauma may be voluminous
enough to constitute by itself the causa mortis. However, it is not necessary to
assume such large edemas in the case of venoms, as much smaller losses of
plasma are capable of starting the circulus vitiosus (Moon (16) and Schwiegk
(31) ) of secondary collapse induced by generalized internai loss of plasma or
blood. On the cther hand, the intensity of a local trauma does not warrant
a corresponding degree of systemic reaction. It is possible tliat the destruetive
action of venom on the endothelial tissues is so strong that, after initial in-
crease of capiüary permeability with consequent leakage of blood fluid, the
circulation is entirely interrupted in the affected area due to necrosis of the
blood vessels. This assumption would supply an acceptable explanation of
the incongruity between the apparent severity of local reactions and the
respective rates of mortality. Though practically nothing is known alxntt the
mechanism of local venom action, except that it is probably associated with the
proteolvtic activity, the experimental evidence, cspecially the neutralization of
the hemorrhagic factor by antivenin without significant alteration of the lethal
dose, tends to indicate that the local trauma per se does not greatly contribute to
death by snake poisoning, unless the peritoneum is perforated and the guts are
exposed (24).
b. Liberation of pharmacodynamically active substanccs, which are normally
cell-bound, and formation of toxic split-produets from inoffcnsive material by the
various cncymic actions of venoms (38). Feldberg & Kellaway (6, 7), Rocha
e Silva et ai (21). Werlc et al. (36) and other workers have shown the release,
or formation respectively, of histamine and other depressor substances by ve¬
noms. Nothing, however, seerns to l>c known of the proportions at which these
substances appear and in which amounts they might affect the organism. In
the present investigation on micc, the possible influence of histamine should be
irrelevant Itecause, according to Dekanski (3), the intravenous injection of
histamine doses ten times larger than exist in the whole mouse is tolerated by
this notably histamine-resistant animal species with scarcely any discomfort.
The insignificant ròle of histamine in snake poisoning is also evident from the
therapeutic ineffectiveness of antihistamine medication in such experiments (29).
The production of local hemorrliagc is not necessarily coupled to the mechanism
which brings about the lil>eration, or formation, of toxic compounds, as evident
from the fact that the latter also occurs with venoms which do not provoke
macroscopically perceptible symptoms at the site of inoculation. Furthennore,
such an activity need not l>e limited to the immediate surroundings of the
venont deposit but may spread throughout the whole !>ody along with the
absorption of the venont, although with decreasing intensity of reaction. If and
cm
7 SCÍELO) 1X 12 13 14 15 16
Alan. Inst. BuUntan,
27:75*105. 1955/6.
H. A. SCHOTTI.ER
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ío what degree the physiologic principie treated in this paragraph is neutralized
by antivenin lias not yet lieen assayed.
It is almost certain that the coinbined local actions of venoins are associated
avith their proteohlic enzymes. Therefore it is interesting to investigate the
proteolytic capacity of lethal doses of the venonis iinder consideration. Unfor-
tunately, pertinent data were only available for the venom of R. jararaca. Here.
Martirani «S: Azevedo (15) found that this venom digests gclatin in 60 niimites
at pH 8.0 in a proportion of from 1:83 to 1:1,122. The lethal effect of the
- san,e species of venom, relative to solid material under the assumption that three
fourths of the mouse body are \vater, ocairs at a ratio of from 1:29,500 to
1:581.400. If the digestibility of the body proteins were equal to that of
gelatin, this wotild mean that a lethal dose of venom should l>e capable of splitting
0.01 to 3.8% of the body substance. Recalling that the dissolution of Iess
than 0 .5 (r may suffice to provoke death, it is evident that the importancc of
the proteolytic action of venonis in quite a number of cases cannot bs denied.
The supposition of a conimon factor at least for ]>art of the mechanism con-
tributmg to shock in snake jioisoning on one side and in numerous fornis of
more or less localized trauma on the other is furthcr supported by the similarity
■of the histo-pathologic findings in both conditions. The possibility that sucli
avide-spread alterations may lie due to the direct effect of the extremelv minute
lethal doses of venom appears rather remote. although the latter niight and
probably will directb interfere with selccted organs of higher susceptibility as,
for instance, the nervous System.
SURVIVAL TIME AFTER INJECTIOX OF LETHAL VENOM DOSES
A survey of the survival time after fatal intoxication is given in Table II,
m the compilation of which mortalities at dose leveis alxivc the certainly lethal
one were not included. No statistically significam difference between the two
Toutes of venom application can lie deduced from these figures, which have
lieen obtained by recording the mortaüty rate at 24 hour intervals. A more
detailed investigation of the times of death within the first 24 hour period
after venom inoculation. which was technically impossible, might have revealed
that death ensues more rapidly after intravenous injection.
The death tinies of the animais in the antivenin assays are recorded in
Table III. A comparison of these figures with those obtained with venom
alone ( Table II) shows that there is no difference in the intravenous tests and
that the difference of the means in the subcutaneous experiments, though not
significant. tends to indicate that antivenin retards death in fatal cases. If the
■observations are arranged after the various types of antivenin (Table IV), it
7
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MISCELLAXEOUS OBSERVATIOXS OX SXAKE VEXOMS
AXD AXTIVEXIXS
is interesting to note that the periods oí survival become more regular in the
subcutaneous tests as evident from the considerably smaller standard devia-
tion (o). Furthermore, after this arrangement death ensues definitely faster
on intravenous than on subcutaneous injection of lethal venom-antivenin mixtures,
which is obvious from the figures of the first two 24 hour recording intervals.
ANTIVENIN TITRATION BY FLOCCULATION AND BIOASSAY
After incubation of venom-antivenin mixtures for one hour at 37° C,
flocculation occurred only with the pepsin digested antibothropic se rum B-114.
whereas the other antivenins, which were investigated in the present study and
which had been treated by other puriíicatory procedures or, perhaps, had nct
been processed at all, did not show the slightest trace oí turbidity. It is possible
that incubation was too short for the formation of a precipitate of the venoms
and the latter sera, as Hansen (10, 11) and Petermann & Pappenheimer (18)
have observed that peptic digestion greatly decreased the flocculation time oí
antitoxin.
In none of the experiments here reíerred to, maximum flocculation coincided
with the neutralization of the toxic properties of the venoms (Table V), which
confirms previous observations on this subject (28). Such findings are not
surprising as, in the light of the research on purified diphtheria toxin and
antitoxin by Pope et al. (19, 20), congruence between in vivo and in vitro
assays of so highly complex antigens as snake venoms and their corresponding
antibodies cannot even be expected in theory. As a matter of fact, Christensen
(2) even observed that floccules obtained at optimal venom; antivenin ratios
contained no toxin at all in certain cases. A plausible explanation of this phe-
nomenon would be supplied by the venom toxoids of Githens & Butz (8) or
group II of the “Giftdrüsensekret” of Schbttler (24).
ORDER OF TOXICtTY AND SUBCUTANEOUS INTRAVENOUS INDEX
The order of toxicity within a series of venoms is obtained by calcuhting
the ratio between the mean lethal dose of each venom and that of the most
active sample in the series. The respective figures for the venoms used in the
present investigation ar given in Table VI. The inspection of this table demon-
strates that the more active a venom is on intravenous injection the less toxic it
seems to be if administered subcutaneously, with the exception of neuwiedii
L-10. which is weak in either case. This reversed order of toxicity depending
on the route of injection is admittedly not established beyond doubt, as the
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7 SCÍELO) 2.1 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Btltantan,
27:73-105. 1955/6.
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91
ranges oí the índices overlap in nearly every instance. However, if the mean
lethal doses are directly compared, e. g. atrox L-ll is superior to altcrnata L-8
on intravenous and inferior on subcutaneous injection, 32 pairs of combination
are possible, leaving out, of course, the comparison between difíerent sainples
of the same species of venom. This direct comparison shows that in 9 cases
the relation between two venoms is definitely reversed in the two types of
assay and that there is not one statistically tenable case to supply evidence of
the contrary. The greater part of the remaining cases, though dubious in a
statistical sense, is iavorable for the indicated observation. The same is true
with regard to the subcutaneous: intravenous index, which is the quotient between
the subcutaneous and the intravenous mean lethal doses of a venom. In spite
of the very wide ranges of this index, the differences between venoms cliarac-
terized by it are statistically significant in at least 13 cases out of the 32
possibilities of comparison.
Magnitude and differences of the subcutaneous: intravenous indices of the
venoms combined with antivenin (Table VII) are smaller than those of the
venoms alone (Table VI). Though the differences between the indices of the
venom-antivenin mixtures are not significant, it is interesting that the venoms
with the highest subcutaneous: intravenous index in the toxicity test — atrox
L-ll and jararaciissu L-7 — have also the highest index in combination with
antivenin and that, in the intravenous antivenin assay, considerably more lethal
doses are neutralized of these two venoms than of the others (30). It is further
noteworthy that the combination with the anti-co/íara serurn resulted in the
highest subcutaneous: intravenous index in five of the venom samplcs and in
second and third highest once each.
DISCUSSION 7
A possible explanation of these findings might be supplied by the aforc-
mentioned observation that on intravenous venom inoculation the mice frequent-
ly enterd in immediate shock, from which they soon rccovered but, after hours
of apparent well-being, died later on. By the complex nature of venoms it
would not be unlikely that two toxic principies are involved in intravenous
poisoning, one which acts directly on its eífector organs, in immediate contact
with which it is brought by the blood stream, and another which either has
to leave the circulation in order to encounter its receptors or/and which needs
time to liberate, or form, toxic substances within the animal body. On subcuta¬
neous injection, the former factor would be barred from its points of attack
by masses of tissue so that its entrance in the circulation is delayed and gradual,
thus rendering it relatively harmless. The latter may be concluded from the
cm
SciELO
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92
MISCELLANEOUS OBSERVATIONS OX SXAKE VEXOMS
AND AXTIVEXIXS
experinients of Schaumann (22) and Vellard & Huidobro (34). who observed
that the imniediate fali of blood pressure caused by intravenous injection of
locally active veiioms is less severe or even absent on replication of the same
dose, which indicates a desensitization of the effector orgatis to this fraction of
the venom. Hence, a íactor of great importance in intravenous poisoning has
less or no faearing on the outcome of subcutaneous venom application, and
variations in the qnantitative distribution of this factor in the venoms might
well acconnt for the reversed order of toxicity of the venom samples in the
two rontes of inoculation.
Another explanation was offered by Martirani (14), who suggested that
differences in the hyaluronidase activity of the venoms might determine the degree
of the latter’s toxicity on subcutaneous injection but might be of negligible
influence in intravenous inoculations. The comparison of the amounts of hya¬
luronidase present in lethal doses of the venom samples under investigation. as
assayed by the method of Tolksdorf et al. (33) (Table VI), shows considerable
variation in the hyaluronidase activity of the venom doses that provoke death
on intravenous injection, whereas the quantities of this enzyme contained in the
rather diverging subcutaneous lethal doses are remarkably similar. Tlierefore a
closer examination of this matter is justified.
INFLUENCE OF HYALURONIDASE ACTIVITY OF VENOMS ON THEIR
SUBCUTANEOUS TONICITY
The possible ròle of hyaluronidase in the subcutaneous intoxication by
venoms should become evident if its titer is artificially raised, or if the hyaluro¬
nidase of the venom is used up by its proper substrate prior to the injection of
the venom. In these experinients, a commercial brand of bovine testiailar
hyaluronidase *, or hyaluronic acid, was added to the venom Solutions, and the
mixtures were incubated at 37°C for one hour before subcutaneous injection in
female white nice. Control tests with the same venom Solutions plus saline were
run at the same time. Results are reported in Table VIII. The hyaluronidase
increase in exjieriments Xo. 55, 56, 58 over the Controls Xo. 34 or 35. respectively.
was 25, 18 and 72% in the mean lethal doses. The amounts of hyaluronic acid
added to the venom Solutions in experinients Xo. 57, 59, 60 were suíficient to
absorb 10,720, 580 and 850$r of the hyaluronidase activity of the Controls
relative to the LD.-, 0 s. The results of these assays are rather coníusing. Exper-
iments Xo. 55, 56, 57 show that the reduction of hyaluronidase activity by
large amounts of hyaluronic acid signiíicantly decreases the toxicity of the venom
* Supplied under the trade-name “ Hyalozima” by Opoterapica NESPA Ltda.. São
Paulo, S. P-, tlirough the courtesey of Dr. I. Martirani.
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^ 1 1
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Mtsn. In*t- Batantan.
27:75-105. 1955/6.
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93
in comparison with that of the Solutions to whieh hyaluronidase had been
added. Just the opposite occurred in experiments Xo. 58, 59, 60, where hyaluronic
acid enhanced the toxicity relative to the hyaluronidase enriched venom solu-
tion, in one case (experirnent Xo. 58/60) even signiíicantly from a statistical
viewpoint. However, the extreinely large error of the toxicity estimations in
the control tests with venom alone inakes it very proliable that the conflicting
results are merely due to cliance. Thus, no evidence of the suggested influence
oí the venom hyaluronidase on the subcutaneous toxicity of venom is conceivable
from the results of these experiments, which, however, are open to the crit-
icism that, according to Haas (9) and Hechter (12), more factors tlian were
controlled here are involved in the mechanism of spreading in vivo. Hence,
the conclusion that hyaluronidase does definitely not enhance the toxicity of
venoms would be premature.
DISCUSSIOX
In the vast literature on the spreading factor, or factors. of venoms,
which is supposed to lie hyaluronidase or a hyaluronidase-like substance, it has
generally been accepted bona fide that a mechanism which promotes invasion of
an organism is favorable for the action of a toxic or otherwise physiologically
important substance. This view holds true for certain conditions such as the
observations of Krech (13). who found that. in sulicutaneous experiments,
markedly less antitoxin is necessary to neutralize a previously injected dose
of diphtheria toxin if hyaluronidase is added to the seruni. In this case, the
hyaluronidase will hasten the distribution of the antitoxin throughout the in-
íected organism at a rate which without the aid of the cnzyme might only
lie attained by higher doses of serurn. The time element, however, is of no
importance in snake poisoning undcr natural circumstances, liecause it is entirely
irrelevant whether a seqient kills its prey in 5 or in 30 minutes. Moreover, in
the case of venoms with pronounced local activity, there is still another aspect
of the problem of spreading. namely that of the threshold concentration of
venom required to overcome the natural resistance of the tissues to its action.
It is obvious that the higher the hyaluronidase content of a given amount of
venom, the faster the latter will spread and, thus. become diluted towards the
criticai levei, below which no local damage occurs. This way, the final effect
of venom hyaluronidase might lie just the opposite of what is generally assumed.
A discussion of these disconcerting possibilities is rather useless before
much more is known about the essential features oí the physiologic mechanism
by which venoms provoke death. In spite of the lack of evidence on the
importance of the spreading factor in Bothrops poisoning supplied by the exper-
SciELO
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Q4 MISCELLAXEOUS OBSERVATIOXS OX SXAKE VEXOMS
AXD AXTIVEXIXS
iments of this paper, a closer investigation oí this matter also in other types of
venom might yield interesting results, which possibly would be of help for a
better understanding of these substances. For the benefit of snake bite therapy
such research should also be extended to the interactions between antivenin
and hyaluronidase. This will not be an easy task because by the proteic nature
of sera their influence on hyaluronidase can hardly be determined turbidimetri-
cally (33). On the other hand, the interpretation of viscosimetric assays (9)
will be complicated by the concomitant reactions between distinct factors, which
influence the viscosity of the system in different and independent ways: vis-
cosity of hyaluronic acid, viscosity of antivenin, depolymerization of hyaluronic
acid by venom, unspecific inhibition (9) and speciíic neutralization (4) of
venom hyaluronidase by antivenin, proteolytic and thus viscosity reducing action
of venom on senim, alteration of surface tension by venom (35), if the factor
responsible for the latter phenomenon is different from the aíore-mentioned ones.
ACKNOWLEDGEMENTS
The author’s tlianks are due to Dr. M. de F. Amorim, Professor of Patholog-
ical Anatomy, Escola Paulista de Medicina, for diagnosis of the histológica!
sections, and to Dr. I. Martirani, Public Health Service of the State of São
Paulo, who assayed the hyaluronidase of the venom samples.
SUMMARY
This paper presents a collection of supplementary observations and experi-
ments made in connection with an extensive study on Bothrops venoms and their
antivenins published elsewhere (30).
A unilateral eye Iesion provoked by subcutaneous injection of a certain
sample of Bothrops jararacussu venom in mice is described.
The severity of the local reactions elicited by subcutaneous venom adminis-
tration depends on the dose and not on the general toxicity of a venom. They
are neutralized to a certain degree by species- and genus-specific antivenins.
Local activity and total toxicity are neutralized at different rates. The signifi-
cance of local damage in snake poisoning is amply discussed.
Survival times of mice after intravenous and subcutaneous incculations of
lethal venom doses with and without addition of antivenin are reported.
No congruence between in vivo titration and flocculation of antivenin was
observed.
The order of toxicity of the venoms established by intravenous assay is
generallv reversed in subcutaneous determimations, which results in different
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95
subcutaneous : intravenous índices for the various venom species of the same
snake genus. As an explanation of this phenomenon, the possibility of a
dual mechanisra of death by venom is discussed.
Under the conditions of the experiment, no influence of hyaluronidase on
the subcutaneous toxicity of venom was detected.
1 .
3.
4.
5 .
<5.
7.
8 .
9.
* 0 .
11 .
12 .
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Fic. I
Xccrosis of the eyc-ball provokcd by subcutaneus injection of a
ccrtain samplc of Bolhrops jararacussu Venom.
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MISCELLAXEOUS OBSERVATIONS OX SXAKE VENOMS
AND ANTIVEXINS
TabX-E IV
PERCENTAGE OF MORTALITY AS A FUNCTION OF SURVIVAL TIME
AFTER INJECTION OF LETHAL DOSES OF VENOM-ANTIVENIN MIXTURES
Type of antivcnin
Days aftcr injcction on which dcath occurrcd
Numbcr of
obscrvations
i
2
3
4
5
6
8
A.
intravenous injcction
anti-altcrnata .
91
7
2
0
0
0
0
120
anti-atrox . ...
93
5
2
0
0
0
0
85
anti-cotiara .
s<;
2
1
1
1
0
0
303
anti-jararaca.
9?
3
0
0
0
0
0
274
anti.jararacuü«*u .....
90
6
1
1
0
0
1
145
anti-ncuwicdii .
90
0
10
0
0
0
0
78
anti-Bothrops.
92
6
1
1
1
0
0
131
Wcightcd average
± 1.96 a
91±6
4+4
2+6
0+1
o±i
o±o
0+0
1136
B. »ubcutaneous injcction
anti-altrrnata .
80
14
3
3
0
1
0
147
anlratrox .
SI
14
4
1
0
1
0
160
anti-cotiara.
IO
17
6
2
0
1
0
162
anti-jararaca.. .
SO
15
4
1
0
1
0
139
anti-jararacunsa.
73
18
7
1
0
1
0
325
anti-ncuwirdu.
76
17
5
i
0
1
0
150
Wcigh*cd avcrage
± l-96 ff
77 i 6
5+3
i±i
0±0
1+0
0+0
1083
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MtSCELLAXEOt-S OBSERVATIOXS ON SXAKE VEXOMS
AXD AXTIVEXIXS
Table VI
VARIOUS ÍNDICES OF BOTHROPS VENOM ACTIVITIES
Venom sample
Ordcr of toxicity
(range)
Subcutanenus
intravenous
Index
(range)
rog of venom
containing one
unit of hyalo-
Order of hyaluronidase
actiTily in one LD50
(range)
intravenous
subentaneous
ronidase acti-
vity
intravenous
subcutaneous
alternata L-8..
5.3
(1.1-20.5)
1.4
*0.7-2.6)
8.1
(3.1-26.2)
0.073
26.8
(11.5-42.2)
2.1
(1.52.9)
atrox L-ll ....
1.0
(0.4-1.6)
7.0
(2.3-13.3)
221.4
(84.0-755.2)
0.3S0
1.0
(9.4-1.5)
2.1
(1.3-2.9)
cotiara L*6....
5.7
(1.9-20.3)
2.1
(0.9-4.0)
11.5
(4.5-30.6)
0.05S
35.9
(19.1-52.4)
4.0
(2.3-5 7)
jararaca L-5...
4.5
(1.5-15.9)
1.0
(0.7-1.3)
7.1
(3.5-16.8*
0.030
54.3
(29.0-79.7)
3.8
(2.8-4.8)
« L-14..
3.3
(0.4-14.4)
1.4
(0.8-2.4)
13.4
(5.5-83.9*
0.030
24.0
4.843.2)
3.1
(2.53.9)
jararacussu L-7
1.1
(0.3-4. 1)
6.0
*2.7-11.6)
171.4
65.2-493. Sj
0.390
1.0
'0. 5-1.6)
1.7
(1.0-2.5)
. ui
1.3
(0.2-5.5)
3.0
(1.1-6.3)
74.S
(1S.S-596.9)
0.105
4.0
(0.9-7.9)
3.2
(1.5-5.0)
• IV
1.2
(0.2-6.2)
3.4
(1.2-7.2)
76.3
(19.0-609.9)
0.150
3.5
(0.7-6.2)
2.6
(1.2-4.0)
neuwicdii L*10
6.3
(1.1-26.5)
5.7
(2.7-10.8)
Ofl O
(9.9-141.2)
0.640
3.6
(1.0-6.2)
1.0
(0.6-1.4)
TABLE VII
ME AN SUBCÜTANEOUS :INTRAVENOUS ÍNDICES OF THE LD^s OF
VENOM-ANTIVENIN MIXTURES
Antivenins
Venom samplrs
alternata
L-8
atrox L-ll
cotiara L-6
jararaca
L-5
jararaca
L-14
jararacus-
$u L-7
neuwirdii
L-10
anti-alternata.
2.99
11.54
2.43
3.29
3.48
46.38
5.S6
anti-atrox.
3.46
7.26
2.70
2.64
2.31
10.36
5.05
3.58
19.34
5.72
5.49
2.77
18.83
13.72
anti-jararaca..
2.87
9.92
3.63
3.12
3.28
17.05
10.27
anti-jarara< ussu.
3.00
8.14
4.74
1.(2
2.»
6.28
9.89
anti-neuwiedii.
2.81
8.30
2.90
2.39
3.19
10.51
3.28
Average (1.96 a)
3 12 (0.57)
10.75 8.00
3.67*2.31)
3.09*2.35*
2.93 0.82)
18.33*26.44*
8.34 (.6.87)
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ESCORPIÕES E ESCORPIONISMO NO BRASIL
IV. Considerações em tonio de substâncias escorpionicidas e outras medidas de
combate aos escorpiões.
WOLFGANG BÜCHERL
(Laboratório de Zoologia Médica, Instituto Butantan )
INTRODUÇÃO
Desde 1949 temos realizado experiências para verificar até que ponto
se poderiam empregar substâncias insccticidas e outras medidas quaisquer no
combate às duas espécies de escorpiões mais comuns e perigosas, em nosso
meio, para o homem, o Tityus scrrulatus e o T. bahiensis.
De 1949 para cá foram feitos ensaios isolados.
Octavio de Magalhães (1) experimentou o D. D. T. Etiénne Sergent (2)
demonstrou as qualidades escorpicionicidas da mesma substância em realção a
alguns escorpiões africanos. Lordello (3) usou o Rhodiatox e o B. H. C.
Lopes da Silva (4) obteve resultados promissores no tocante ao D. D. T. e
principalmente o B. H. C, quando da campanha anti-cscorpiônica de Ribeirão
Preto. O Serviço de Profilaxia da Malaria veio confirmar estes resultados na
recente luta profilática de Belo Horizonte.
Não era interessante, evidentemente, repetir simplesmente o que já tinha
sido feito. Uma análise acurada, porém, dos resultados globais, obtidos com
êstes insecticidas na luta contra os escorpiões, deixava entrever certas falhas, a
exigir maior número de experiências, em ambiente de trabalho mais favorável,
com testes de critica mais precisos e, antes de tudo, com maior número de
escorpiões por experiência, fazendo-se acompanhar a cada ensaio com o mesmo
número de testemunhas, mantidos, o mais possível, nas mesmas condições de
ambiente. No cômputo do cálculo final dos sucumbidos pela substância escor-
pionicida, podem, então, ser deduzidos os de morte natural.
Recebido, para publicação, em 23.1.1956.
cm
ISciELO
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10S
ESCORPIÕES E ESCORPIOXTSMO XO BRASIL. IV
Em quase nenhum dos ensaios, exetuado até certo ponto o de Sergent (2),
considerou-se a natureza do escorpião. As duas espécies brasileiras, acima cita¬
das, têm algo de sombrio e misterioso em seus hábitos de vida. Podem ficar
imobilizadas períeitamente semanas a fio, dia e noite, invisíveis e inexistentes
para o homem e podem também, como que a um comando secreto, abandonar
em massa seus esconderijos, invadindo em célere marcha noturna as habitações
humanas.
Aprendemos, em nossa já longa lida com escorpiões vivos, que uma ausência
não pode ser interpretada com inexistência déstes aracnídeos.
Contudo, é hoje ponto pacifico que, em ensaios “i'w zntro " ou em caixas
fechadas, onde não era possível fugir-se, sucumbem pràcticamente todos os
escorpiões, quer se aplique o D. D. T. ou Gammexane ou ainda o Rhodiatox,
seja após mistura do princípio ativo a um pó inerte ou per pincelagem ou
pulvenização do insecticida pelos recipientes. O tempo de sobrevivência depende
apenas das concentrações empregadas.
Xestas condições, o xilol, o clorofórmio, a naftalina, a gasolina vaporizada
têm-se revelado excelentes escorpionicidas, embora quase ineficazes já em reci¬
pientes arejados e de ação pràcticamente nula em condições naturais (5 ).
Experiências em laboratório, mas adaptadas às condições do habitat natural
dêstes aracnídeos, conduzidas com o D. D. T„ e Gammexane e o Rhodiatox. nem
sempre foram de molde a garantir um êxito 100/f • Yeri ficámos isto em ensaios
próprios, oriundos de suspeitas, quando acompanhamos de perto a desinfecção
de Ribeirão Preto e de Belo Horizonte. Os triunfos cantados em face das várias
centenas e mesmo milhares de aracnídeos mortos ou capturados e trazidos aos
“quarteis-generais" da campanha pela população prestimosa e desafogada, pare¬
ciam -nos algo prematuros, embora a mortalidade escorpiônica tivesse sido real¬
mente impressionante, tendo decaido igualmente a cifra dos acidentados. Mesmo
então não nos parecia o “escorpionismo um problema resolvido”. Realmente,
receberam as nossas suspeitas confirmação alguns anos depois de Ribeirão Preto,
onde o Pronto Socorro Municipal, sob a eficiente direção do I)r. Chiarello, teve
o desprazer de registrar os seguintes algarismos de acidentes humanos por T.
scrrulatus:
Em
1945 .
48 acidentes,
em
1946 .
65 acidentes.
em
1947 .
83 acidentes,
em
194S .
196 acidentes,
em
1949 .
330 acidentes,
em
1950 (l.° semestre) _
263 acidentes.
SciELO
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Menn- Inst. Butantan,
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Em 14 de Junho até fins de Julho de 1950 verificou-se a campanha inten¬
siva, escorpionicida, desinfectando-se 798.590m 2 de muros, cercas, prédios, ruas,
quintais, galerias pluviais, etc. e gastando-se 2.129 Kg de B. H. C. a 10% e
200Kg. de D. D. T. a 30% (4). Entretanto, apesar de tudo isto, mantinham-se
os acidentes humanos, socorridos pelo Pronto Socorro, em 1951 e 1952 em tomo
de 200.
Lm facto paralelo parece verificar-se em Belo Horizonte, onde apesar das
campanhas escorpionicidas e apesar da diminuição dos acidentes humanos, foram
coletados e en\iados ao Instituto Butantan, durante o ano de 1955, nada menos
do que 40.000 “telsa” de T. serrulatus.
MATERIAL E MÉTODO
Em cada ensaio vimos empregando S Tityus serrulatus e 8 Tityus bahiensis
adultos, acompanhdos do mesmo número de testemunhas para a verificação da
mortalidade natural. Os testemunhas foram mantidos em condições de ambiente
iguais aos escorpiões sob ensaio, exeto o contacto com a substância a ser ensaiada.
Como “escorpionicidas” empregámos o Dicloro-difenil-tricloro-etano ou
D. D. T„ o tiofosfato de dietil paranitrofenila ou Rhodiatox e o hexacloreto de
benzeno ou B. H. C. (Gammexane), em suspensões aquosas ou em pó, pesando-sc,
antes de cada ensaio, tanto a substância activa como o veículo, ou medindo-se o
' olunie ce água de suspensão. Julgamos esta precaução de grande importância.
De um lado, porque outros nem sempre se tinham dado conta da quantidade
de insecticida realmente empregada, ainda que tivessem declarado a porcentagem
das suspensões ou dos pós. Por outro lado, poderiam surgir normas sôbre as
diluições eficientes dos insecticidas, evitando gastos inúteis com concentrações
maiores.
A ordem dos ensaios foi estabelecida da seguinte maneira:
A. Por contacto direto do insecticida com o escorpião:
a) contacto permanente:
Xo chão do recipiente era espalhado determinado volume de sub¬
stancia a ensaiar, permanecendo os escorpiões no mesmo recipiente,
enquanto viviam ou até que tornassem a alimentar-se, não mais
se ressentindo da toxicidade. Temos omitido propositadamente a
pincelagem do material sôbre o corpo do escorpião ou a submersão
do aracnídeo na suspensão, por ser já garantido o contacto direto
3
5 6
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1
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ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL. IV
(com as pernas e o ventre) e ainda porque julgamos êstes dois
processos artificiais em demasia.
b) contacto temporário :
Os escorpiões permaneciam no recinto, cujo chão estava impregna¬
do com o insecticida apenas durante 10 minutos, 30 minutos, 1
hora e 5 horas: Removia-se depois qualquer vestígio da substância
tóxica por lavagem e submersões dos escorpiões em água. Os lotes
de testemunhas também eram submetidos aos banhos em água.
c) contacto tardio:
Sem nova edição de insecticida eram as caixas expostas ao sol, à
chuva e aos ventos, permanecendo, em média 8 a 15 dias ao relento.
Depois colocaram-se nelas os 16 escorpiões com permanência du¬
rante 24 horas, sendo em seguida removidos para ambiente normal.
Afigurava-se-nos que, se por ventura ainda fosse verificada qual¬
quer “acção residual’*, deveriam os escorpiões ressentir-se dela já
dentro de 24 horas, procurando, então, a salvação na fuga.
B. Em ambiente, o mais possível, natural:
Com alguns tijolos, cacos de telha, pedaços de reboco endurecido, algumas
cascas de árvore, um pouco de terra arenosa, um tufo de grama fazia-se um
“esconderijo” natural de 40 cm de diâmetro, mais ou menos, dentro de uma
caixa de 2 metros de comprimento por 90 cm de largura e 30 cm de altura,
com paredes de vidro e tampas superiores de telas de arejamento. A certa
distância eram instalados mais dois outros esconderijos semelhantes.
Bi: Pulverização (pela superfície externa, frestas e fendas de um dos escon¬
derijos, sob o qual tínhamos alojado os escorpiões momentos antes) de
um volume medido de insecticida.
Permitia-se aos escorpiões, acossados, que abandonassem a zona perigosa,
instalando-se sob os outros “montículos”, livres de tóxicos.
B 2 : Com um regador espalhava-se abundante água sóbre o esconderijo enve¬
nenado, a imitar, p. ex., uma pequena área de horta, tratada com insecticida,
mas submetida a chuvas. 8 dias depois colocavam-se os 16 escorpiões, que
também neste ensaio podiam refugiar-se sob os outros 2 esconderijos na¬
turais, caso se sentissem intoxicados no primeiro.
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Tanto os animais “sub experientia” como os testemunhas ti nham sempre
água potável à disposição. Terminada uma experiência com uma substância ou
uma diluição, lavavam-se os viveiros com abundante água, em operações repetidas.
Depois colocavam-se alguns escorpiões neles com alimento e água, etc., para se
ter a certeza da inocuidade dos recipientes. Somente em seguida empregavam-se
os mesmos para nova experiência.
As manipulações das substâncias tóxicas faziam-se longe do recinto das
experimentações, para evitar que possíveis emanações viessem a alterar os
resultados.
O tempo de observação dos “candidatos” extendia-se até a morte ou até
que os sobreviventes encetassem novamente vida normal, com aceitação de
alimento, etc..
RESULTADOS
I. Com o Rhodiatox: — (em suspensão aquosa)
Tempo de contacto
Gramas de subs¬
tância por 'm*
Animais de experiência
Testemunhas
intoxicados
mortos
mortos
permanente .
0.13
5 b. e 3 s.
4 b. e 2 s.
3 b. e 1 s.
(123
10 minutos .
0.25
2 b. e 3 ..
1 b.
i >.
30 minutos .
0.25
3 b. e 2 >.
2 b. e 1 s.
2 b.
1 hora .
0,26
5 b. e 4 s.
5 b. s 4 s.
2 b. e t *.
5 horas .
0,25
7 b. e 6 s.
6 b. e 5 s.
_ _
cont. tardio .
0,13
2 b. e 2 i.
1 b. e 1 s.
2 b. e 1 t.
B 1 .
0,25
4 b. e 3 >.
4 b. e 3 i.
1 b.
B 2 .
0.25
2 b. e 2 i.
2 b. e 2 i.
2 b. e 1 «.
b. = Tityus bahiensis. s = Tityus serrulatus
O contacto direto de 10 minutos, o contacto tardio e o ensaio 132 revelam a
pouca possibilidade do Rhodiatox, fora de casa.
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ESCORPIÕES E ESCORPIONISMO XO BRASIL, IV
II. Com o D. D. T. em suspensão aquosa:
Gramas de subs-
Animais de experiência
Testemunhas
Tempo de contacto
• 9
táncia por m*
intoxicados
mortos
mortos
permanente.
0,5
4 b. e 5 s.
3 b. e 3 s.
— -
permanente.
1,0
5 b. e 4 s.
5 b. e 3 s.
2 b. e 1 s.
permanente.
2,0
8b. e 8 s.
8 h. e 7 s.
—
10 minutos.
2,0
0 b. e 2 s*
0 b. e 0 s.
1 b.
30 minutos.
2,0
6 b. e 5 s.
3 b. e 2 s.
— —
2.0
7 b. e 6 s.
5 b. e 5 s.
1 b.
5 horas . .
2,0
8 b. e 8 s.
7 b. c 6 s.
1 b. e 1 s.
cont. tardio.
2,0
2 b. e 1 o.
1 b. e 1 s.
2 b. r 2 *.
B 1 .
2.0
. e 4 s.
5 b. e 4 s.
1 b. e 1 s.
b 2 .;.
24)
1 b. e 2 s.
2 b. e 2 s.
1 b. e 2 s.
O D. D. T. é superior ao Rhodiatox, quando em concentração perto de 2 g
de substância ativa por metro quadrado. Precisa, entretanto, estar em contacto
direto pelo menos por 30 minutos com o corpo do escorpião. Pelo sol e as
chuvas seu poder escorpionicida se extingue rapidamente.
III. Com o D. D. T. em pó, com 5% do princípio ativo:
Em nossa lida com os escorpiões temos verificado que êles costumam
ajuntar-se invariavelmente sob qualquer esconderijo, que os abrigue da luz. A
fotofobia é mesmo tão pronunciada que êles se escondem sob cartões quadrados,
de bordos dobrados para baixo, apesar de estar presente sob êstes esconderijos
uma substância tóxica.
Apenas 10 gramas do pó de D. D. T. com 5fc de substância ativa foram
espalhados sob 2 cartões (5 gramas sob cada um). Xão sentem os escorpiões
nenhuma repulsa ao insecticida, chegando a refugiar-se da luz sob os cartões
e a deitar-se directamente sôbre o tóxico, resultando disto um contacto directo
permanente, de maneira que pudemos dispensar ensaios do contacto temporário.
Resultados: — Dentro de 3 dias sucumbiram todos os 16 escorpiões. Os
sinais de intoxicação (tremores das pernas e da cauda, movimento convulsivo
das pernas, dos pentes, abaixamento total da cauda, dedos das mãos abertos,
marcha titubeante, com a cauda extendida e quedas por desequilíbrio, finalmente
extensão completa sôbre o dorso ou o ventre) se estabeleciam após mais ou menos
3 horas de contacto. A agonia era longa, perdurando até dois dias.
Sem renovar o insecticida sob os cartões repetia-se a experiência, após 2
semanas e 1 mês, sucumbindo novamente todos os 16 escorpiões. Após a expo-
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sição do viveiro ao sol e à chuva e renovação dos cartões, não se via mais
vestígio do pó e dos 16 escorpiões sucumbiram apenas 3 b. e 2 s., dentro de
8 a 27 dias, morrendo neste tempo 3 b. e 2 s. dos testemunhas.
IV. Com o B. H. C. em pó, com 1% de isõmero gamma:
As condições das experiências foram idênticas às do D. D. T. em pó; os
resultados davam sempre, durante 2 mêses (4 ensaios), uma mortalidade de
100/í). Após meia hora os escorpiões abandonavam, já intoxicados, os escon¬
derijos, mas tornavam a voltar a êles. Morriam de costas, com abdômen flácido
e as pernas em flexão. Todos tinham insecticida aderido ao ventre.
O sol e a chuva neutralizavam também os efeitos dêste insecticida.
V. Com o B. C. H., em suspensão aquosa de 0,1 g, 0,5 g e 1,0 g de isomêro
gamma por metro de superfície:
Gramas de subs¬
tância por m~
Animais de experiência
Testemunhas
Tempo de contado
intoxicados
mortos
mortos
permanente..
0,1
6 b. c 6 s.
5 b. s 4 s.
2 b. c 2 *.
permanente .
05
8 b. e 8 s.
8 b. e 8 s.
— —
permanente .
1.0
8 b. e 8 s.
8 b. e 8 ».
- —
10 minutos .
0.50
8 b. e 8 *.
6 b. e 5 s.
1 b. —
30 minutos .
050
8 b. c 8 s.
7 b. e 7 s.
— —
1 hora.
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Sb.cSi.
8 b. e 8 ».
— —
cont. tardio.
0,50
4 b. e 2 ».
4 b. c 2 *.
2 b. e 2 *.
B 1 .
o/a
Sb.rHi.
7 b. e 5 s.
1 b. e 2 ».
B 2 .
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4 b. e 3 s.
5 b. e 4 s.
2 b. c 1 s.
Também o B. H. C, sem dúvida o cscorpionicida mais enérgico entre os
ensaiados, tanto em pó como em suspensão aquosa, não mata 100/í> quando
em ambiente natural. Também êle é enfraquecido e mesmo neutralizado sob a
ação das chuvas. Intoxica, entretanto, muito mais rapidamente do que o D. D.
T.; o fato, entretanto, de agir também como repelente, pois faz que os escorpiões
empreendam a fuga, parece—nos uma desvantagem.
DEDUÇÕES DOS RESULTADOS
As experiências demonstram daramente:
a) que deve haver contacto direto entre o insecticida e o corpo do escorpião;
b) que êste contacto deve ser pelo menos de 1 hora com B. H. C., de mais de
5 horas com o D. D. T. e o Rhodiatox;
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c) que nas suspensões aquosas se obtém resultado bom somente com meio
grama de B. H. C., com 2 gramas de D. D. T. e com mais de meio grama
de Rhodiatox por metro quadrado?
d) que os três insecticidas perdem ràpidamcntc sua atividade, quando espalha¬
dos em áreas, sujeitas a chuvas, ventos e sol;
e) que, sob a forma de pó, o D. D. T. com 0,25 g. de dicloro-diíenil-tricloro-
etano em cada 5 g. de pó inerte e o B. H. C. com 0,05 g. de isômero
gannna por 5 g. de pó inerte constituem os escorpionicidas por excelência,
com uma ação residual suficiente por várias semanas, quando ao abrigo
das chuvas e da luz.
As campanhas realizadas em Ribeirão Preto e em Belo Horizonte não
puderam acabar com os escorpiões, porque uma grande percentagem destes
aracnídeos não foi atingida diretamente e ainda porque a ação dos insecticidas
fora neutralizada em breve tempo pela ação das chuvas, do sol e dos ventos.
Xestas circunstâncias não seria lógico pensar-se em dar combate aos escor¬
piões no próprio campo. Após cada queda de chuva deveria repassar-se o
insecticida. Há a considerar ainda que o escorpião, principalmente o T. ba-
hiensis, costuma viver até 2 metros dentro da terra, sob cupins, em buracos
profundos, cavados por outros animais, em fendas e rachaduras do solo, onde
jamais é atingido diretamente por nenhum destes insecticidas. O mesmo ocorre
naturalmente nos quintais, nas hortas e nos jardins das habitações humanas.
Dai êles são transportados pelo homem para junto de sua habitação ou
diretamente para dentro dela com a lenha, os tijolos, as madeiras, as forra¬
gens, etc.. Muitas vêzes éles chegam à habitação humana, porque o próprio
homem constroi sua casa diretamente por cima do "habitat” escorpiônico, como
verificamos repetidas vêzes no Pacaembú, Pacaembíizinho, nas encostas do
Sumaré, Jardim Paulista e Cidade Jardim, todos bairros da Capital de S. Paulo.
Da necessidade do contacto direto do tóxico e de sua neutralização pelas
chuvas, dos hábitos de vida deste aracnideo omnipresente e ausente ao mesmo
tempo, deduz-se que o combate eficiente ao escorpionismo é complexo.
O escorpião é muito ardiloso. Pode esperar escondido dias, semanas e
meses; ]>ode simular uma perfeita ausência, principalmente no inverno e nos
mêses precedentes e seguintes ao inverno. De repente, no verão, ele aparece den¬
tro dos globos de lúz, pendentes do tecto, no banheiro, completamente azulejado e
ladrilhado, em torno do tanque e do W.C. do quintal.
A nossa luta contra ele deve ser também ardilosa e paciente, prolongada por
mêses e anos. Deve ser feita dentro da casa e nos quintais em lugares abrigados
da chuva.
Mtm. I nst. Butar.tan,
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A melhor maneira, adaptada às tendências do escorpião e de resultados
realmente seguros, tanto em residências ricas como em habitações modestas,
consiste em adquirir um meio kilo de D. D. T. ou Gammexane em pó. Adqui¬
rem-se ainda algumas íollias de papelão preto, do qual se cortam quadrados de
10 x 15 cm. de lado. Dobram-se então três bordos para baixo, na largura de
1 cm. apenas, deixando-se um lado aberto como “entrada”. Ao longo da
parede interna da casa, directamente encostado nela, colocam-se um ou dois dêstes
“esconderijos”, espalhando-se por baixo dêle, directamente no chão, o pó insecti-
cida, em camada muito fina.
Após limpeza geral, renova-se a camada de pó, fazendo-se o mesmo em
cada 2.° mês. Basta uma das armadilhas em cada cômodo, no banheiro, no
porão, alpendre, etc.; e após dias, semanas ou mêses, veremos aparecer escor¬
piões mortos ou agonizantes.
Os ensaios com o pó do D. D. T. e do B. H. C. não deixam dúvida a
respeito. Como não liá luz direta nem chuva, os insecticidas conservam sua
ação durante semanas. O escorpião, por seu turno, tem tanta atração pelo escuro
em suas marchas ao longo das paredes, que se refugia imediata e irresistivelmente
nestes esconderijos. Tendo apenas 1 cm. de altura, obrigam-no a deitar-se, de
maneira que seu ventre e a própria cauda entram em contacto imediato com a
substância tóxica.
Nos citados bairros da Capital de São Paulo houve franco entusiasmo por
êste método barato, pouco trabalhoso e sumamente eficiente.
OUTROS MF.IOS DE COMBATE AOS ESCORPIÕES
Há uma infinidade de recursos e de métodos que podem convergir no
combate aos escorpiões.
Entre os animais ocasionalmente escorpionivoros sobressaem a galinha do¬
méstica e o sapo (Bufo marimts marimts e B. vi. paracnemis).
A galinha, embora durma quando o escorpião é activo, costuma nas hortas
e nos quintais da população suburbana devorar um considerável número de escor¬
piões, escondidos de dia sob folhas, cascas e pequenos pedaços de detrito.
O sapo enfrenta o escorpião, persegue-o mesmo de noite e o devora sem
maiores dificuldades. Temos observado repetidas vêzes que o sapo, antes de
dar o golpe certeiro, examina o escorpião como que a verificar o melhor
“jeito” para engulir o aracnídeo.
Uma das melhores possibilidades de combater os escorpiões reside, a nosso
ver, na construção das casas pouco propícias a êste. Julgamos êste ponto de
grande importância. Acreditamos mesmo ser necessário, em zonas onde há êste
problema, que nas escolas de engenharia se administrem algumas instruções aos
■engenheirandos, para que construam casas somente com muros lisos e comple-
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ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL, IV
tamente rebocados; não permitam adornos de madeira, muros lisos de simples
tijolos, sem reboco, revestimentos com granito, sem enchimento seguro dos
vãos com argamassa de cal, areia e cimento.
A instrução do povo e das crianças escolares sôbre o modo de proceder
em face do escorpionismo é sumamente importante. Se nos quintais das mora¬
dias da população menos favorecida de Belo Horizonte, de Ouro Preto, Mariana,
Aparecida etc., não houvesse o mais variado depósito de “cacarecos” velhos
(alguns tijolos empilhados, táboas sobrepostas, chapas de folhas empilhadas em
porões abertos, canteiros delimitados por fileiras de pedras ou tijolos soltos, etc.),
fácil seria mantê-los limpos e menos numerosos seriam os esconderijos natu¬
rais dos escorpiões.
A captura dos escorpiões merece lugar de destaque entre as medidas pro¬
filáticas mais eficientes.
Relatam E. Dias e colaboradores (5) que o Instituto Oswaldo Cruz de
Belo Horizonte tem adquirido, em 6 anos, nada menos de 107.533 escorpiões
vivos ou mortos somente da cidade de Belo Horizonte.
O Instituto Butantan, no período de 1950 a 1955, recebeu por compra directa
ou permuta contra sôros 107.542 escorpiões ou sejam 63.218 “telsa” de Tityus
scrralatus, 30.727 “telsa” de T. bahiensis e 3.902 T. serrulatus e 9.695 T. baltien-
sis vivos.
Pela captura de uma fémea adulta pode evitar-se a existência de mais 15
ou 25 filhotes no ano seguinte.
CONCLUSÃO
Nas regiões brasileiras, onde existe o problema do escorpionismo, pode ser
controlado e reduzido a proporções toleráveis, não tanto por campanhas espo¬
rádicas de exterminação, mas principalmenle pela ação persistente e ininterrupta,
de cada habitante e do povo em geral.
De acordo com os hábitos dos escorpiões de refugiar-se da luz diurna sob
qualquer lugar baixo que garanta escuridão, constitui medida econômica e fácil
espalhar-se 1 g. de D. D. T. ou Gammexane em pó diretamente no chão, ao
longo das paredes internas, numa área de 10 a 15 cm. quadrados colocando-se por
cima pequenos papelões quadrados, com lcm. de altura apenas, para que os
escorpiões se possam refugiar sob os mesmos, chegando em contacto direto
com o insecticida.
Recursos outros, como a captura direta, a construção da moradias humanas
pouco habitáveis para os escorpiões, com uma faixa solidamente cimentada em
torno, com muros, paredes e forros sem fendas ou rachaduras, meticulosamente
rebocados e alisados, sem obras de arte de madeira, sem plantas rasteiras ou
trepadeiras pelos muros, a proteção do sapo e da galinha (quando outras
circunstâncias concorram para que êstes dois animais possam ser tolerados ao
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redor do homem), constituem outros tantos fatores a ajudar o homem na luta
contra os escorpiões.
RESUMO
Estudos experimentais sôbre o Rhodiatox, o D. D. T. e o Gammexane são
apresentados para verificação de seu poder escorpionicida sôbre as duas espécies
brasileiras, o Tityus scrrulatus e o T. bahictisis.
O Rhodiatox em suspensão aquosa, na concentração de 0,25 g. por metro 2
de superfície não chega a matar mais do que 70% dos escorpiões, mesmo
quando em contacto direto de pelo menos 5 horas.
O D. D. T. em suspensão aquosa, com 2 g. de substância atira por metro
quadrado, mata entre 90 a 95%, quando em contacto direto de pelo menos 5 horas.
O Gammexane, em suspensão aquosa, na concentração de 0,5 g. por metro 2
de superfície, mata pràticamente 100% dos escorpiões, quando em contacto di¬
reto de pelo menos 1 hora.
Não se verificando, entretanto, contacto direto, nenhum dos 3 insccticidas,
nas concentrações referidas, pode ser considerado satisfatório. A mesma defi¬
ciência ocorre quando êstas substâncias sofrem os efeitos da chuva, do sol e de
outras condições atmosféricas, inclusive a secagem dentro das casas, parecendo-
nos que as suspensões aquosas além de serem de custo elevado, quando espalhadas
a esmo e por áreas extensas, não venham a constituir método ideal para
combater êstes aracnídeos.
O D. D. T. cm pó, entretanto, com 5% de principio ativo, ou o B. H. C.
cm pó, com apenas 1% de isòmero gama por metro quadrado, espalhados um
ou outro no chão, sob pequenos cartões, na quantidade de 1 g. apenas para
cada cartão, colocados ao longo das paredes internas ou externamente ao abrigo
das chuvas, devem ser considerados escorpionicidas com lOOJo de atividade.
Também aqui o escorpião deve chegar em contacto direto com a substância
tóxica. A permanência destes esconderijos nos cômodos nas habitações hu¬
manas durante mêses e talvez anos c a renovação do insccticida cada segundo
mês, garante, quase com certeza, que algum dia o escorpião, em suas peregri¬
nações noturnas pela casa, se refugie da luz matinal sob um dos cartões, esta¬
belecendo o contacto mortifero.
Esta maneira, de agir constitui um método prático e pouco trabalhoso;
implica diminutos gastos e reduz, com o tempo, ao mínimo o problema do escor-
pionismo.
SUMMARY
Experimental studies on the effect of insecticides on the 2 most common
scorpions, in S. Brazil, Tityus scrrulatus and T. bahiensis, are presented in this
cm
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paper. The íollowing insecticides were investigated : Diethyl-paranitrophenyl-
thiophosphate (Rhodiatox), dichlorodiphenyl-trichloroethane (D. D. T.) and
benzene hexachloride (Gammexane).
Rhodiatox, suspended in water and sprayed in a concentration of 0,25 g
per square meter, kills about 70% of scorpions, after direct contact for more
than 5 hours.
D. D. T., suspended in water and aprayed in a concentration of 2 g. of
active substance per square meter, kills about 90 — 95% of scorpions, after
direct contact of 5 hours.
Gammexane, suspended in water, in a concentration of 0,5 g. per square
meter, kills practically all scorpions, after a direct contact for 1 hour.
If no direct contact exists between the Chemical and the arthropod or ií the
three insecticides are exposed to rain, wind, sun or other climatic conditions,
these concentrations are no more efíective.
D. D. T. powder with 5% of the active principie, and gammexane with
1% of the gaiiima isomer for square meter seem to be the best substances for
killing nearly all scorpions. The following technique for using the insecticides
has been found very effective in our experiments: Little lwxes (10 to 15 cm.
on each side and 1 cm high, one face open) are constructed with black paper
and placed arround the internai walls of each room of the house. The insecticide
is sprayed on the ground, one gram under each box, and renewed every 4 months.
The scorpions, walking from room to room during night, always use the boxes
to protect themselves from the daylight and thus carne into direct contact with
the insecticides spray.
Our experiments show that 100% of these are killed in this simple and
practical way.
Under these conditions it is advisable that. in such localities aíflicted hy
scorpionism as Belo Horizonte, Ouro Preto, Mariana and Passagem, all in
the State of Minas Gerais, Ribeirão Preto, Pontal and Aparecida do Norte in
the State of S. Paulo, the problem can be greatly reduced if those boxes are
permanently placed in all houses, rooms and gardens and protected from direct
rain and daylight.
ZUSAMMEXFASSUNG
In dieser Arbeit werden Yersuche mit einigen der modemen Schàdlingsbekãm-
pfungsmittel gegen die beiden giítigsten brasilianische Skorpione, den Tityus
sernilatus und den T. balticnsis, dargelegt.
Das Diaethyl-Paranitrophaenyl-Thiophosphat oder Rhodiatox, das Dichlor-
Dipliaenyl-Trichloraethan oder D. D. T. und das Benzen-Haxachlorid oder
Gammexan wurden versucht.
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Das in Wasser emulsionierte Rhodiatox, tõtet, bei einer Konzentration von
0,25 g. pro Quadratmeter, nur bis 70% de Skorpione, wenn es mindestens 5
Stunden lang in direktem Kontakt mit diesen gelangt ist.
Das in Wasser aufgelõste D. D. T. und mit einer Konzentration von 2 g. des
wirksamen Prinzipes pro Quadratmeter, kann schon 90 bis 95% der Skorpione
tõten, wenn es eben falis wenigstens 5 Stunden lang in direktem Kontakt mit
diesen gekommen ist.
Das in Wassr suspendierte Gammexan tõtet schon in einer Konzentration
vom 0,5 g. des Gamma Isomers pro Quadratmeter an die 100% aller Skorpione,
wenn es wenigstens 1 Stunde lang in direktem Kontakt mit diesen war.
Kommt es jedoch zu keinem direktem Kontakt oder trocknen diese drei
in \\ asser emulsionierten Substanzen aus oder werden durch Regen, Sonne,
W ind und andere klimatische \'erhâltnisse beeinílusst, kann keine der Dreien
mehr ais bcfricdigend angesehen werden.
An Hand der Tatsache, dass diesse Bekàmpfungsmittel direkt mit dem
Kórper der Skorpione in Berührung kommen müssen und dass sie andererseits,
liauptsãchlich durch Regen und Sonne baldigst unschãdlich gemacht werden,
liat. Verfasser geine Methode ausgearbeitet, die diesen beiden Postulaten weitest
gerecht wird und die, wie experimentell durch Versuchsreihen gezeigt werden
konnte, auch tatsáchlich die Skorpionplage auf ein zulãssiges Minimus herabdrü-
cken kann.
Aus schwarzem Pappkarton werden 10 bis 15 cm. lange und breite Vierccke
herausgeschnitten. An drei Seiten wird 1 cm breiter Rand nach unten gebogen,
wãhrend die vierte Seite offcn gelassen wird. Man streut dann etwa ein
Gramn D. D. T., mit 5% der aktiven Substanz oder 1 Gramm Gammexan mit
1% Gamma Isomer, in Pulvcrfonn direkt aui den Boden, und zwar den inneren
Hauswãnden cntlang und setzt iiber dieses Pulver die angeíertigten \ r erstecke.
In sehr verseuchten stãdtischen Bezirken, wie in Belo Horizonte, Ouro
Preto, Mariana, Passagem, etc., iin Staate von Minas Gerais oder in Ribeirão
Preto, Pontal. Aparecida do Norte, etc., im Staate von São Paulo, empfiehlt cs
sich, mõglichst viele solcher Unterschliipfe in jedem Raume des Inneren der
Wohnliãuser und auch im Garten (geschützt vor Regen und Sonne) aiuubringen.
Alie zwei Monate ist die wirksame Substanz zu erneuern und die Verstecke
sollen monate oder jahrelang aufgestellt werden.
Es ist eine allen Fachleuten bekannte Tatsache, dass die Skorpione nur des
Xachts die Hauser und Gãarten durchstreifen, sei es auf der Suche nach Bcute
oder, um einen anderen, mehr zusagenden Wohnsitz zu finden. Vom Tageslicht
überrascht, suchen sir sich immer ein dunkles Versteck. Dabei laufen sie
regelmãassig den Wãnden entlang. Da aufgestellte Unterschlüpfe werden auch
sofort benützt und der Skorpion pflegt selbst dann darin zu bleiben, wenn auch
P
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D. D. T. order Gammexan in Pulveríorm darin ausgestreut wurd. Durch die
geringe Hõhe der Kartons, pflegen sich die Tiere' hinzulegen und kommen so
mit diesen Substanzen in unmittelbaren Kontakt nnd werden auch tatsãchlicli
100%-ig getõtet.
Die ãusserst einiache Methode kann von jedermann ausgeführt werden
und dürfte die billigste und wirksamste Form darstellen, um der Skorpionplage
in den genannten Stãdten allmãhlich Herr zu werden.
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ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL
V. Observações sôbre o aparelho reprodutor masculino e o acasalamento de
Tityus trivittatus e Tityus bahicnsis.
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{Laboratório de Zoologia Médica, Instituto Butantan)
INTRODUÇÃO
Foram relativamente poucos os pesquisadores a preocupar-se com o estudo
da morfologia e anatomia do aparelho genital dos escorpiões em geral e do
comportamento dos mesmos no acasalamento.
Não houve maior dificuldade na descrição morfológica dos testículos, como
dois tubos esbranquiçados, com ramificações transversais e uma longitudinal,
anastomosadas. Surgiram, entretanto, pontos de vista divergentes no tocante
aos condutos eíerentes dos testículos.
Pawlowsky (1), Wemer (2) e Vachon (3) designaram estas partes com
o nome costumeiro de “vasos deferentes”. Piza (4), entretanto, tem constatado
que, pelo menos o trecho próximo aos testículos podia exercer função gameto-
gênica (7) e que esta atividade só cessaria temporariamente, quando o excesso
de produção de espermatozóides obrigaria êste trecho a servir de depósito aos
mesmos, funcionando então como “vesícula seminal suplementar” (5; 6).
As opiniões foram ainda mais desencontradas no tocante aos dois órgãos
genitais, localizados na parte anterior do pre-abdomen, um de cada lado. Dufour
(8) e Blanchard (9) designaram os dois orgãos com os nomes de “canais do
penis” (furreaux des verges), atribuindo-lhes função precipua no acasalamento.
Pawlowsky (1), entretanto, num exaustivo estudo comparativo sôbre o
aparelho genital dos machos de Scorpio maurus, Bathus cupcus, Hetcrovictrus
cyancus, Isomctrus maculatus, Lychas mucronatus, Tityus cambridgei, Centrurus
margaritatus, Uroplcctes triangulifer, Urodacus inanicatus, Calchas Aordmanm,
Recebido, para publicação, em 27.III.1956.
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Hcmiscorpio lepturus, Opisthacaiitlius clatus, Brotcas granimanus, Vejovis
spinigerus, Bolhriurus vittatus e de muitas outras espécies, afirmou positiva¬
mente que os dois orgãos nada tinham que ver com o acasalamento. As “lâmi¬
nas” estreitas, longas e de côr marron, que transparecem através da membrana
envolvente e interpretadas por Blanchard e Dufour como orgãos copuladores,
quitinizados, serviriam na realidade apenas como “armações” internas, para
manter o conjunto de órgãos em sua posição normal.
Chamou ao conjunto de “órgãos paraxiais” (Paraxialorgane).
Os verdadeiros órgãos copuladores residiriam no fim do conduto ejaculador,
por entre os dois opérculos genitais e seriam visíveis, quando êstes forem desta¬
cados. Apresentam-se sob a forma de dois delicados apêndices, não articulados.
Êstes mesmos apêndices já tinham sido descritos, aliás, muito antes de
Pawlowsky, por Xarayanan (10) numa espécie de Hctcroiiictrus. Pesquizando
a região genital externa, descreveu êste autor os “músculos depressores operculi”,
de percurso dorso-ventral e que recolocariam os opérculos e os dois apêndices
em sua posição normal, ao passo que um outro feixe, o “adductor”, com percurso
transversal, manteria fechada a entrada genital, ficando os dois apêndices cober¬
tos pelos opérculos.
O prestígio de Pawlowsky foi suficientemente grande, para que sua opinião
fosse abraçada, sem maior discussão, tanto por Birula (11) como por Werner
(2), que apresentou em sua obra, à página 157, as figuras X. 126 e 127, com
os dois apêndices, designados por ele de “Kopulationszangen”. Xão pôde
deduzir, entretanto, como poderiam funcionar no acasalamento, já que, macros¬
copicamente. em preparações totais e em cortes, não se podia ver nenhum canal
eferente ou outra i>erfuração, a possibilitar uma eventual transmissão do esperma.
Xos últimos anos resurgiram opiniões em favor da velha hipótese de
Blanchard c Dufour. Vachon (3) interpretou as formações de côr escura, que
podem ser vistas nos machos, quando se suspendem os dois opérculos, como
sendo as porções apicais, quitinosas, dos órgãos copuladores, que repousam
naturalmente em bainhas. Pela ação muscular e pressão sanguinea poderiam
as duas “lames peniales” vir a aflorar facilmente pela câmara genital e a cons¬
tituir, após juxtaposiçâo, uma única peça, o pênis. O esperma fluiria por êste
orgão óco.
Piza, influenciado possivelmente por Werner, não deixou de aludir aos
apêndices copuladores externos de Tilyus bahiensis (5), mas insurgiu-se no
mesmo trabalho contra a terminologia de Pawlowsky. Os “orgãos paraxiais”
são um mero "nomen nudum”. Existe realmente um órgão copulador, que
repousa numa membrana e que deve chamar-se de pênis (5).
Em um segundo trabalho (6) veio a descobrir que são dois órgãos copu¬
ladores, um de cada lado do pre-abdomen. e que os mesmos poderiam ser extraídos-
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com pinça ou por meio de eletro-choque de escorpiões vivos. O órgão que
vinha, então, à tona era na realidade constituído pela fusão intima dos dois
órgãos internos. A verdadeira terminologia seria, portanto, de “pênis” para
o órgão definitivo e de “hemipenes” para os dois órgãos parciais, sediados em
suas re c pectivas bainhas. Xo momento da emissão estabelecer-se-ia a fusão dos
dois, vindo a constituir um tubo óco, transmissor do esperma. A união seria
tão completa que, “não fosse a constatação prévia, jamais se poderia suspeitar
de sua duplicidade”.
Piza e Yachon, trabalhando um com o Tityus bahiciisis do Brasil e o outro
com escorpiões peçonhentos da África do Xórte, vieram, pois, em completa
independência um do outro, a reconfirmar a opinião de Blanchard e Dufour
contra Pawlowsky, Birula, Werner e outros.
Piza (7), entretanto, viu-se em frente a uma nova dificuldade: — Como
se daria, após o acasalamento, a separação dêste tubo em suas metades originárias ?
Embora tivesse examinado machos, destituídos totalmente de hemipenes e apesar
de ter visto que os mesmos “poderiam abandonar êste órgão pelo chão”, insistiu
o autor na separação do pênis, após o acasalamento e no recolhimento das
duas metades em seus depósitos naturais (7).
Xo tocante ao acasalamento houve meras conjeturas de lado a lado, pois
ninguém o tinha observado até hoje. Todos que escreveram sóbre o assunto,
insinuavam que haveria duas fases:
a) a do “prelúdio” nupcial;
b) a do acasalamento propriamente dito.
O primeiro encontrara a pena magistral do naturalista Fabre (12) que
viu o ponto culminante do prelúdio no que ele chamou de “promènade à deux’*
de “arbre droit”. A cauda dos dois parceiros se elevaria verticalmente, pas¬
sando o macho a agarrar a companheira com as pinças e passeando o casal em
marcha compassada para a frente e para trás. Terminado o prelúdio, refugiar-
se-iam os dois num abrigo impenetrável ao olhar humano, vindo a surgir, mêses
depois, somente a fêmea, já com numerosos filhotes nas costas.
Werner (2) escreveu o seguinte: “Cber die Art und Weise der Kopu-
lation ist l>ei der nãchtlichen und verborgenen Lebensweisc dieser Tiere nichts
bekannt geworden. Jedenfalls kann sie nur so vor sich gehen, dass sich die
beiden Tiere mit der Vcntralflàchc bcriihrcn, vobei das Weibchen vom Mánn-
chen mit Hilfe der beiden Kopulationszangen festgehalten vi rd. Ais cigentliche
Kopulationsorgane kann man diese nicht bezeichnen, da sie in Ermangelung
einer Rinne oder eines Kanals zur Leitung eines flüssigen Spermasekretes nicht
geeignet sind. Andererseits wissen vir durch Pawlowsky, dass das Spenna in
Forni einer Spcnnatophorc übertragen wird. Es ist mõglich, dass sich die
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Tiere wãhrend der Paarung aneinander vertikal aufrichten ; ebenso ist es aber
auch mõglich, dass sie dabei aufeinander liegen.”
Yachon (3) admitiu: “On ne connait que peu de chose sur les moeurs
nuptiales des scorpions malgré les observations de nombreux chercheurs et il
n’est poiut prouvé que le peu que l’on sache chez Buthus occüanus corresponde
à ce qui se passe chez les autres espèees. Toutes recherches dans ce domaine
seraient donc les bienvenues. Chez les scorpions, après un prélude, un véri-
table accouplement a lieu, à la faveur duquel le mâle introduit directement le
sperme à 1’intérieur des voies génitales femelles.”
Para Piza (7) seria plausível a seguinte hipótese: “Xo acasalamento deve o
pênis penetrar diretamente na câmara genital feminina. A união entre os dois
sexos deve ser tão íntima que não possa haver contacto do esperma com o ar.
Pois êste contacto, ainda que por um momento só, solidificaria o liquido seminal
e faria com que os dois hemipenes ficassem definitivamente fundidos numa só
e inseparável peça, a impossibilitar, após a cópula, sua separação e retração para
as respectivas bainhas.”
Xada de concreto, entretanto, foi observado. Para Vachon “le mystère
reste entier.” Fabre (12) vira uma única vêz que o macho ficava por baixo
de uma fêmea. Maccary (13) julgara ter visto um macho "cavalgar” uma
fêmea. Yachon opinou que o pênis se quebraria total — ou parcialmente, per¬
manecendo um pedaço na vulva.
Existe realmente na vulva da maioria das fêmeas fecundadas uma pecinha
quitinizada, com a forma de um “Y” invertido, penetrando as hastes pelos dois
ovidutos. Esta peça já era conhecida pelos antigos autores e foi designada com
o termo de "spcrmatoclcutrum”. Até hoje, entretanto, não pôde ser explicado
se o mesmo era de procedência masculina ou formado pelos próprios órgãos
genitais da fêmea. Segundo Pawlowsky, a peça serviria de tampão, a impedir
o refluxo do esperma. Vachon aventou a hipótese de que, na cópula, o macho
transmitiria primeiro o esperma, incluso ou não num espermatóforo, e depois
o spermatocleutrum, como fecho da vulva, a tomar impossível mecanicamente
novo acasalamento.
MATERIAL E MÉTODO
O aparelho reprodutor masculino foi estudado comparativamente em 47
Tityus trivittalus e em 228 Tityus bahiensis. Todos estes escorpiões e muitas
centenas mais se encontravam ou se encontram ainda hoje vivos nos laboratórios
do Instituto Butantan.
Iniciando-se a incisão na zona lateral do última placa ventral do pre-
abdomen do animal recém-morto e prosseguindo-se o corte pelos lados, ao
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longo das coxas das pernas, em direcção ao esternito, pode destacar-se facil¬
mente toda a chapa ventral. Para que não haja ruptura dos condutos genitais,
na altura dos opérculos, pratica-se ainda uma incisão circular em tôrno destes.
Submergindo-se, então, o escorpião em solução de Ringer ou num líquido fixa¬
dor (preferimos o Dubosq-Brasil), podem desprender-se os “lobos hepáticos”
envolventes e libertar totalmente o aparelho genital com os órgãos anexos.
Os órgãos isolados e fixados foram cuidadosamente seccionados e mon¬
tados, após desidratação, em bálsamo do Canadá ou incluidos em parafina, cor¬
tados ao micrótomo, corados pela hematoxilina-eosina ou ainda segundo os mé¬
todos de Mallory e de van Gieson e montados igualmente em bálsamo do Canadá.
Para melhor interpretação preferimos cortar separadamente glândula por glân¬
dula e peça por peça, obtendo desta maneira cortes seriados dos testículos, das
bainhas com os hemipenes, de um trecho da glândula cilíndrica, da ampóla do
vas deferais, da vesicula seminal e dos dois pares de glândulas, o oval e o
anterior, acessório.
Também foram feitas preparações totais destes mesmos órgãos, coradas ou
não com carmim borácico.
Xa mesma orientação de trabalhos foram necropsiados até agora nada menos
de 425 exemplares de Tityus scrrulatus, sem que tivéssemos podido encontrar
um único macho sequer!
Para facilitar a observação do prelúdio nupcial e do acasalmcnto foram
improvisados viveiros com fundo de vidro. Com lente de aumento módico po¬
díamos verificar, então, o que realmente se passa nesta fase da vida do escorpião.
NOVAS PESQUISAS
Os machos das duas espécies são reconhecíveis pelas grandes mãos, ama¬
relas em Tityus trivittatus c pela base dos dedos separados por uma exeavação
oval em Tityus bahiensis.
Suspendendo-se os dois opérculos genitais (Fig. 1), observam-se na entrada
da fenda genital, nas duas espécies, os dois pequenos apêndices cilíndricos,
designados por Wemer de “Kopulationszangen”, por Pawlowsky de “orgãos
copuladores”, Yachon de “crochet du copulation”. Para evitar maior confusão
terminológica, propomos o nome definitivo de "styli gcnitales externi”. São
revestidos por uma delicada camada cuticular, pouco quitinizada. Xão são
articulados e atingem as dimensões de 1 mm de comprimento por 0,2 mm de
espessura. Os músculos "adduetores” c "depressores" dos opérculos coman¬
dam igualmente a ereção ou retração dos styli gcnitales extenii. Além da
estrutura costumeira do tegumento escorpiônico não encontrámos nenhum ele-
cm
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mento novo nos dois apêndices. A epidermis consiste em uma só camada de
células cilíndricas, com os núcleos distribuídos na parte basal. A membrana
basal é simples. Há muitas glândulas cutâneas. Devido ao mesmo colorido do
ambiente, não se podem distinguir facilmente os dois apêndices. Quando a
câmara genital estiver fechada, são invisíveis externamente (Fig. 2; a).
Tityus trivittatus: opérculos genitais em posição normal Tityus trhnttatus: Opérculos genitais
entreabertos : a) Fenda genital ; b) sty-
li gcnitalcs externi (25 x).
(25 x).
Os testículos de Tityus trivittatus constituem um tubo esbranquiçado em
forma de “U”, com um ramo longitudinal mediano e mais três a quatro ramos
transversais, anastomosados (Fig. 3;k). Em exemplares jovens existem so¬
mente dois tubos anteriores que, aos poucos, se extendem cada vêz mais para
trás, até que estabeleçam a união na área do último segmento preabdominal.
No ponto, onde os dois testículos se encontram e se soldam, persiste um septo
divisório. O calibre testicular é quase sempre o mesmo. As anastomoses trans¬
versais surgem mais tarde e parecem partir do ramo mediano, seguindo cm
direção ao tubo lateral. Primeiro se estabelece a anastomose posterior, depois
a segunda, seguida pela terceira, podendo, em exemplares com grande ativi¬
dade gametogênica, vir a formar-se ainda uma quarta anastomose total ou
parcial, anterior. A desembocadura desta última dá-se na secção testicular, que
corresponde topograficamente aos vasos deferentes.
Em Tityus bahiensis temos observado o mesmo. Verifica-se, pois, nas
duas espécies estudadas um facto curioso: — Um trecho do vaso deferente se
transforma em tubo testicular com atividade gametogênica e anatomicamente
igual ao restante testículo. Êste mesmo trecho, entretanto, continua a exercer
o papel de vas deferens, pois conduz os espermatozóides à vesicula seminal.
Mcm. Inst. Batantan,
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A contextura anatómica dos testículos é muito parecida com a das aranhas
caranguejeiras. Há inúmeros folículos, separados uns dos outros por um peri-
tôneo”. Em cada foliado ha novamente uma série de repartições, dispostos
radialmente em tomo do lumen central. Lm septo conjuntivo separa as repar¬
tições, podendo ver-se, em umas, espermatogônias; em outras, esjiennatócitos
de la. ou de 2a. ordem; em outras, espermátidas. Em outras tantas repartições,
finalmente, vêem-se espermatozóides imaturos, quase maduros e, por último, os
espermatozóides maduros, com longos filamentos caudais e em disposição uni-
polar, isto é, com as cabeças dirigidas para a parede distai da repartição e os
flagelos em direcção ao lume central.
Os dois vasos deferentes (Fig. 3;g) conduzem o produto dos tubos testiai-
lares às bolsas seminiíeras. Formam tubos largos nas porções basais. (Segue-
se um trecho intermediário com menor calibre). Descrevem, então, uma volta
em torno da glândula cilíndrica e das bainhas. Alargam-se novamente e desem¬
bocam nas vesículas seminais por meio de um alargamento, denominado de
"ampóla”. Apenas a parte intermediária, mais estreita, não exerce função
gametogênica. As porções posterior e anterior e a ampola apresentam a mesma
anatomia dos folículos testiculares, com ativa produção de espermatozóides.
Em alguns exemplares de Tityus bahiensis temos visto mais outro apêndice
ôco, ao lado da ampola e que serve igualmente à armazenagem dos esperma¬
tozóides, merecendo, por isso, a designação de "vesícula seminal acessória”
(Fig. 6;m).
Pelo estudo comparativo dos vasos deferentes cm diversos exemplares, com
idades diferentes ou em estação anual diversa, chega-se à conclusão de que as
dimensões, a formação da ampóla ou da vesiaila seminal secundária c ainda a
existência de trechos com função gametogênica, variam muito de indivíduo
para indivíduo e dependem também do ciclo vital e da época do ano. Ao
conjunto dêstes fatores estão condicionados um maior desenvolvimento ou a
involução temporária. Em volta da ampóla e da vesícula secundária ha um
envólucro, constituído por fibras musailares circulares, mais espessas no local
da desembocadura do vas deferens e formando uma espécie de constrictura ou
esfíncter.
A vesícula seminal (Figs. 3 e 5;e) é de forma oblonga. No meio ha
geralmente um estrangulamento. Uma camada de feixes musculares rodeiam-na.
O peritôneo é relativamente espesso e as células epiteliais, com os núcleos em
posição basal, apresentam-se como cilindros muito estreitos e longos, com o
citoplasma finamente fibrilar. O canal eferente é curto e dcscmlxjca na glân-
gula cilíndrica.
A glândula cilíndrica (Figs. 3 e 5; i Fig. 6) é muito maior do que a vesicula
seminal. Constitúi uma formação alongada, sinuosa, adaptada dorsalmente «i
cm
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ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL, V
Tilyus Irrvitlatusi Esquema do aparelho genital masculino : a) fenda genital; c) glândulas
acessórias anteriores; d) glândula oval; e) vesícula seminal; f) glândula cilíndrica;
g) vas deferais; h) bainha do órgão hemipenial; i) parta distai da glândula cilíndrica;
j) parte distai do órgão hemipenial; k) testticulos (20 x).
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silhueta da bainha do hemipênis, em cuja reentrância é encaixada e mantida
por meio de feixes musculares de ligação. Sua parte posterior é quáse triangular.
No meio, à altura da vesícula seminal, é entumecida (Fig. 5;f) e, em frente,
é afinada. Na porção triangular vê-se macroscopicamente uma espécie de lumen
transparente que contém quase sempre um filamento de colorido quase negro
e cuja significação não pudemos averiguar. A ponta distai é unida à zona
flagelar da baína do hemipênis por meio de robustos feixes musculares. A
glândula cilíndrica tem um longo canal eferente, que conduz, além das elimina¬
ções da própria glândula, o conteúdo da bolsa seminífera ao conduto ejaculador,
em que desemboca. Também esta glândula é rodeada por feixes musculares,
mais robustos na porção distai e em tomo do canal eferente. Seu epitélio
consise tme células cilíndricas com o citoplasma finamente fibrilar e os grandes
núcleos em posição basal.
Em frente à vesícula seminal, encostada à parte anterior da glândula cilín¬
drica, localiza-se a glândula oval (Figs. 3 e 5; d. Fig. 6;n), cuja forma externa
faz jús ao nome. Rodeada por delicados feixes musculares circulares, com o
cpitelio cilíndrico disposto radialmente em tomo do lume central, relativamentc
Tityus trívittatus: Corte através do conduto ejaculador, com as glândulas anteriores-
1) porção anterior do hemipênis; h) bainha hcmipenial (40 x).
volumoso, parece eliminar um produto importante para o prolongamento da
vida dos espermatozóides. Seu canal eferente é muito longo e fino e acompanha
de perto o percurso do mesmo da glândula cilíndrica, desembocando os dois,
um ao lado do outro, na parte inferior, lateral, do conduto ejaculador, exatamente
na região da cabeça dos hemipênes.
Do lado externo da glândula cilíndrica encontra-se o órgão transmissor do
esperma à fêmea, um de cada lado. Dufour, Blanchard, Piza e Vachon desig¬
naram a êstes dois órgãos com os nomes de pênes, órgãos copuladores, hemipênes.
f
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ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL, V
Tityus Irivtltalus : Parle dos órgãos genitais masculinos (40
como na fig. 3).
x); (designações das partes
rilyiis trii-iltalus: Hemipênis (retirado da bainha) : 1) parte
quitinizada; j) flagelo (36 x). i
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Tityus bahiensis: Trecho da glândula cilín¬
drica : g) ampola do tur defcrcns: m) ve¬
sícula seminal acessória: n) glândula oval
(30 x).
cm
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ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO NO BRASIL, V
Para não criar maior confusão terminológica e por simples conveniência
continuamos a denomina-los de hemipenes. Cada um está envolto por uma
membrana, denominada de “bainha” (Figs. 4 e 5;h) e que é a simples con¬
tinuação bifurcada do conduto ejaculador. Tanto as duas bainhas como os dois
hemipenes chegam a atingir quase 1 cm de comprimento por 0,3 cm de largura.
As bainhas estreitam-se abruptamente na parte distai, vindo a. formar uma
espécie de tubo enovelado (Fig. 8). No canal interno, com aspecto de meia
lua em corte transversal, repousa o hemipênis.
Êste apresenta-se como uma metade de tubo. Sua parte anterior é
larga e quitinizada (Fig. 7; 1), enquanto que no fim termina num flagelo
dedicado e elástico (Fig. 7; j). A “cabeça” apresenta uma camada de quitina
muito fina, com um reforço quitinizado na borda externa. A zona intermediá¬
ria apresenta rebordos laterais ligeiralmente revirados. No terço posterior há
noramente um reforço quitinizado, saliente e bifurcado, dirigindo-se um ramo
para trás, enquanto que o lateral, sob a forma de um acúleo pontudo o recurvo,
chega a perfurar com a ponta a própria bainha. A cauda ou “flagelo” é
fino, sem quitina, muito elástico, repousado igualmente dentro da porção mais
adelgaçada da bainha (Fig. 8).
A própria situação topográfica elucida a origem dos órgãos copuladores.
As duas bainhas são o resultado de uma profunda invaginação do tegumento
externo. Os hemipenes, como porção interna da formação invaginada, corres¬
pondem em sua estrutura anatómica, quitinizada, exatamente à epi-e exo-cuticula.
A membrana, que delimita o lume do conduto ejaculador c de sua continuação,
formada justamente pelas duas bainhas, contém os elementos da endo-cutícula.
O epitclio destas bainhas vem a corresponder exatamente à epiderme do tegu¬
mento. A delicada membrana externa das bainhas e do conduto ejaculador
pode ser identificada como a “membrana basalis”.
A estrutura anatômica da parte mais larga dos hemipenes, de facto, revela
sua natureza essencialmente cuticular. Toda vez que estas 2 peças são defi¬
nitivamente perdidas no acasalamento, incumbem-se os epitélios das bainhas a
segregar substâncias, que vêm a formar novamente estas peças, tal como a
epiderme segrega os elementos da nova cutícula em cada éedise.
A figura 4 apresenta esquematicamente a fenda genital, com os 2 “styli
gcnitalcs externi”, a parte do conduto ejaculador aberta e as porções anteriores
das 2 bainhas (h), que formam a continuação direta dêste. Em seu lume aberto
vêem-se as porções anteriores dos 2 hemipenes (1). A disposição dêstes é tal,
que, ao afluírem ao conduto ejaculador, unem-se, encaixando-se uma metade
perfeitamente na outra (Fig. 7), vindo a formar o verdadeiro órgão copulador,
o pênis (Figs. 9; 10; 11). Na figura 9 podem observar-se ainda as duas sutu¬
ras dos primitivos hemipenes (9; p), bem como o par de acúleos laterais (q).
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Tilyus triviltatuj : Flagelo hcmipcnial,
parcialmente envolto ainda pela bainha
(65 x).
Tityus Irivillalus : Órgão copulador, resultante da fusão
dos dois hemipenes: o) sutura inferior; p) sutura supe¬
rior; q) acúleos laterais; f) flagelo (36 x).
cm
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ESCORPIÕES E ESCORPIOXISSIO XO BRASIL, V
yj- yjQ’ Tityns trnittatus: Órgão copulador
J’ com o flagelo caudal distendido (7 x).
Tilyus trivitlatus : Órgão copulador,
aspecto superior (36 x).
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O corpo do pênis vem a formar um tubo ôco, aberto na face dorsal anterior.
Quanto ao resto está o pênis completamente fechado.
As duas bainhas estão rodeadas por feixes musculares circulares. Êstes
músculos formam camadas ainda mais espessas na área do conduto ejaculador,
onde, além disso, há um poderoso músculo, de percurso vertical, que recobre
o fundo do conduto ejaculador. A contração dêste feixe repercute vivamente
no próprio conduto ejaculador que expulsa violentamente o seu conteúdo.
Xa porção anterior do “ductus ejaculatorius” desembocam os dois canais
das duas glândulas acessórias anteriores (Figs. 3 e 4;c), de colorido amarelado.
Seu epitélio é de natureza glandular e o produto, eliminado por êste epitélio.
é depositado justamente na parte anterior dos dois hemipenes, no momento de
sua emissão e serve de “cola”, para determinar a firme adesão das duas metades
e ainda para fixar o pênis projetado sõbre o solo.
A julgar pela localização topográfica do conjunto de canais, que desem¬
bocam no conduto ejaculador, devem afluir a esta câmara as seguintes excreções:
a) um liquido gomoso, que se solidifica em contato com o ar e que promove
a fusão dos 2 hemipenes e a fixação do pênis sõbre o solo. É elimi¬
nado pelas 2 glândulas anteriores.
b) um líquido (que serve para manter vivos os espermatozóides) das
glândulas ovais.
c) o próprio liquido seminal com os espermatozóides, das vesiculas se¬
minais.
d) uma excreção, provinda das glândulas cilíndricas.
O conteúdo de todos estas glândulas é esvaziado concomitantemente, veri¬
ficando-se logo em seguida a penetração dos 2 hemipenes na mesma zona. No
momento da juxtaposição das 2 lâminas, enche-se seu espaço interno com os
produtos glandulares, de maneira que o órgão copulador definitivo, ao ser pro¬
jetado para fóra da fenda genital, já se acha “carregado” com os líquidos seminais.
b) Acasalamento:
A iniciativa no acasalamento nas duas espécies estudadas aqui cabe ao macho,
geralmente mais robusto do que a fêmea. Verificamos que o processo pode
ser resumido em três fases:
a) a da escolha da companheira;
b) a do prelúdio nupcial;
c) a do acasalamento propriamente dito.
cm
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ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL, V
Na escolha da companheira devem influir “certos fatores de cio”, pois o
macho passa muitas vêzes rente a uma fêmea, sem importar-se com a mesma,
ao passo que, chegando perto de uma outra, manifesta incontinente interesse
sexual. O “cio" está ligado, entre outros momentos, ao fator “tempo”, res¬
trito nas duas espécies aos meses da primavera e começo de verão (outubro
a dezembro). Fóra deste tempo convivem os machos com as fêmeas, sem mani¬
festação sexual alguma. Mas mesmo na época do cio há fêmeas, geralmente
em começo de prenhez, que não são absolutamente importunadas. Às vezes
um, dois ou mesmo três machos escolhem a mesma fêmea. O primeiro a chegar
apodera-se das mãos da parceira e coloca-se em posição normal de acasalamento.
Os outros agarram qualquer parte proeminente da mesma, uma das pernas ou
a cauda. Iniciando-se, então, a “promènade à deux”, neste caso “à quatre”,
toma o macho da posição normal a iniciativa, seguindo o restante da tribu mais
ou menos de arrastão. A fêmea não ensaia resistência alguma, sendo puxada
para a frente ou empurrada para trás. O macho “dianteiro” está empenhado
em fazer desistir os companheiros, e toda a vez, que se lhe oferece ocasião,
desfere vigorosos golpes contra os mesmos, empregando o ferrão. Consegue
finalmente seu intento e os outros desistem, cabendo a fêmea exclusivamente
a êle, como trofeu de seu vigor.
A luta pela fêmea não constitui, entretanto, a regra, pois o número destas
parece exceder, nas duas espécies, o dos machos. Mas mesmo assim nunca
temos observado que as fêmeas tomassem a iniciativa ou brigassem por causa
de um macho. O aparente desequilíbrio entre os dois sexos tem sua razão de
ser. A fêmea, uma vez fecundada, pode guardar em seus receptáculos seminais
os espermatozóides por mais de um ano ou, provavelmente, por mais tempo ainda,
de maneira que, sem novo acasalamento, pode parir filhotes durante um, dois
ou mais anos. Em várias dezenas de necropsias de fêmeas das 2 espécies temos
constatado nos ovários embriões quase que completamcnte desenvolvidos e pres¬
tes de virem a nascer, enquanto que em outros trechos ovarianos havia fases
embrionárias ainda em começo ou apenas ovos nas primeiras divisões celulares.
Não poucas vezes viam-se apenas um ou dois embriões grandes e todo o resto
dos ovários era tomado por ovos recém-fecundados. Esta fecundação é feita
pela própria fêmea, ao que parece e não haverá mais novo acasalamento, enquanto
durar o estoque dos espermatozóides, armazenados provavelmente nas porções
anteriores dos ovidutos.
O macho, entretanto, entra em cio anualmente, podendo, portanto, acasalar-
se cada ano com outra fêmea. Portanto, mesmo um número três vêzes menor
de machos, como parece ser, mais ou menos, em Tityus bahicnsis e T. trivit-
tatus, garante o equilíbrio entre os sexos e a supervivência da espécie.
Mctn. Inst. Rutantan.
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Situações anómalas, que um macho agarre outro macho menor e inicie com
éle a permabulação, também foram vistas, mas em pouco tempo é descoberto o
engano e os dois se largam.
Escolhida a companheira inicia-se o prelúdio nupcial. Macho e fêmea estão
colocados frente a frente, testa contra testa (Foto 1), segurando o macho com
os dedos as mãos da eleita. Pode ser que no primeiro golpe da escolha seja
apreendida a cauda ou uma perna. Então, o macho passa para a frente, segu-
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Foto 1 — Tityus bahiensis: Pausa, durante a " romènadv à deux" (o macho dando
alimento à fcniea).
rando successivamente com as mãos ora uma perna ora outra, até que fique em
posição dianteira. A fêmea não ensaia nenhum gesto de resistência.
O prelúdio nupcial é um passeio a dois, em marchas longas, para a frente
e para trás ou para os lados, ora aos empurrões, ora puxando a companheira
que se deixa dirigir, presa pelas mãos entre os dedos do macho. Colocando-se
pequenos obstáculos no caminho dos dois. por exemplo, pedrinhas ou um pouco
d'agua (êles não gostam de entrar diretamente na agua), verifica-se que a fêmea,
mesmo em marcha a ré. está atenta ao caminho, apalpando o mesmo com as
pernas ou desviando-se hYbilmente da i>oça dagua ou da pedrinha. Embora
passiva, está, contudo, alerta e acompanha o passeio forçado, enpregando as
próprias pernas na locomoção. A marcha ora é mais rápida, com pausas brus¬
cas intercaladas, ora é lenta e comedida. Nos intervalos o macho procura
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agradar á fêmea, dando-lhe uma papa alimentícia, regurgitada pelo esófago. De
vêz em quando dá umas “cabeçadas” contra a fronte da fêmea.
Xesta fase formam os dois uma figura bastante simétrica, com as mãos
quáse paralelas ao eixo do coqx), os fêmures horizontais, as pernas de um
formando a figura de espelho do companheiro, as caudas parcialmente enroladas
ou ligeiramente elevadas ou ainda deitadas ao lado (Foto 2).
Foto 2 — Tityus bahiensis: “ Promèmde à deux”.
O corpo do macho é periodicamente sacudido por violentos tremores; seus
pentes se encontram em contínuos movimentos giratórios; suas pernas anteriores,
quáse não empregadas na locomoção, executam movimentos vibratórios sob os
opérculos genitais da fêmea, provocando nela, aos poucos, um excitamento.
Colocados os dois sobre uma placa de vidro, a dificultar a sua marcha,
mantêm a fêmea as pernas imóveis, deixando-se empurrar ou arrastar pelo
companheiro.
Por esta caminhada “a dois” procura o macho encontrar um local propício
ao acasalamento. Contràriamente do que faziam supor as publicações a res¬
peito, não se refugiam os dois num esconderijo, impenetrável ao olho humano.
Xenhuma vez houve acasalamento sob os esconderijos, que se encontram em
profusão nos viveiros dos escorpiões; pelo contrário, os que repousavam ai,
vinham para fóra. em procura de uma companheira, acasalando-se a descoberto.
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As caminhadas podem perdurar até uns 10 ou 15 minutos e o casal dá
a volta diversas vezes a um viveiro de 4-6 metros de circunferência, interca¬
lando frequentes pausas, em que o excitamento do macho se toma cada vez
mais vivo e mais rápidos ficam os movimentos vibráteis de sens pentes e pernas
anteriores. Com o progresso do excitamento dos dois, entumece a região dos
opérculos genitais, chegando mesmo a aparecer a fenda genital, avidamente fri-
cionada pelas pernas do macho.
Enquanto se escolheu um local apropriado e a vulva da fêmea está disten¬
dida e apta a receber o liquido fecundante, chega o excitamento do macho ao
auge. Os movimentos vibratórios já se estendem também ao 2.° par de pernas;
a cauda é periodicamente sacudida convulsivamente. O passeio consiste agora
apenas em uns 10 passos para a frente e os mesmos para trás, de maneira
que, nos intervalos, repousam os dois no logar escolhido para o acasalmento.
Nesta fase eleva-se a cauda do macho verticalmente (Foto 3). Os últimos
segmentos do pre-abdomen acompanham os movimento convulsivos. A cauda
da fêmea, entretanto, não acompanha esta elevação. Em meio de um grande
Ferro 3 — Tilyus bahiensis: Fase do “arbre droit”, cm <|tie o macho projeta o órgão
copulador.
esforço, com a cauda na posição de "arhre droit” (segundo Fabre), verificam-
se no macho veementes ondas convulsivas, a percorrer a cauda desde o ferrão
e descendo gradativamente por todos os artículos em posição vertical.
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É justamente êste o momento do descarregamento simultâneo, sob a in¬
fluência da pressão aumentada nos órgãos, de todas as glândulas sexuais e dos
próprios hemipenes. Êstes se unem, ao passarem pelo conduto ejaculador, no
órgão copulador definitivo, que conduz em seu canal, como já foi dito, o líquido
seminifero.
Pelo concurso do sistema muscular que recobre as bainhas, o conduto
ejacular e a região dos opérculos genitais, com a ajuda ainda da pressão
sanguínea aumentada ao máximo, é o pênis arrojado para íóra da fenda genital
do macho; descreve uma trajetória de 4-6 cm de extensão e atinge finalmente
o solo diretamente sob a vulva da fêmea. Por meio da “cola”, provinda das
glândulas anteriores, fixa-se definitivamente no solo. Seu flagelo caudal, entre¬
tanto. continua mesmo agora, ainda a manter contacto com as bainhas de ori¬
gem. Êste flagelo é muito elástico, podendo ser esticado até 40 vezes seu com¬
primento natural, sem romper-se. (Fig. 10).
Após a emissão do órgão copulador verifica-se uma pausa, em que a cauda
do macho volta â posição normal. Em seguida é reiniciado o “pasesio a dois”,
esta vez com passos comedidos e certos, sempre por cima do órgão copulador
e de tal maneira que, em cada passagem, a massa dos espermatozóides chegue
em contacto direto com a vulva da fêmea. A “promènade” abrange apenas uns 4
cm para a frente e para trás. Em cada retrocesso do macho é esticado o flagelo
(pois o pênis está preso ao solo )e a fêmea chega em contacto com o esperma
com sua vulva entreaberta : avançando o macho, volta o flagelo a condição nor¬
mal. penetrando o pênis parcialmente pela fenda genital masculina, até onde o
permitam os dois acúleos on freios laterais, que se engancham nos slyli genitales
cxtemi.
Sob pressão muscular apertam os slyli a parte basal do órgão copulador,
à maneira de uma bomba de pressão, jorrando, então, um novo jacto de líquido
fecundante para a parte anterior do pênis.
O sentido pois, do vai-vem rítmico é o de “bombear" o liquido seminifero
para a parte anterior do pênis (no avanço do macho) e o de fazer com que
êste liquido penetre pela vulva da fêmea (no recuo do macho).
Que êste passeio a dois esteja absolutamente ritmado e como que com os
avanços e recuos calculados exatamente, depende dos limites de elasticidade do
flagelo caudal do pênis.
O passeio sòbre o órgão copulador dura. mais ou menos, 1 minuto apenas,
com 5 a 10 contactos da fêmea com o mesmo. Em seguida parece esta desper¬
tar de sua letargia e tornar-se repentinamente ativa. Com repuxos vigorosos li¬
berta as suas mãos do amplexo masculino e com os dedos passa a desferir alguns
golpes enérgicos no companheiro, como a demonstrar-lhe que não mais está
interessada na continuação do passeio.
Mm. Inst. BuUntan, WOLFGAXG BÜCHERL 141
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Êste desiste prontamente e, no ato de virar-se, para seguir seu caminho,
estica o flagelo caudal do pênis, preso sõbre o solo, até ao máximo, provocando
minalmente sua ruptura.
Centenas destes órgãos copuladores foram vistos e examinados por nós e
dezenas de vezes pudemos presenciar o acasalmento do Tityus trhnttatus e T.
bahicnsis.
Necropsias realizadas nos machos logo depois da cópula, revelaram que
as bainhas estava vazias, sem os hemipenes. Entretanto, já depois de 6 a 8
semanas, são formados de novo pelo epitélio das bainhas.
APRECIAÇAO DOS RESULTADOS
Não admira que até agora ninguém tivesse podido observar o acasalamento
<los escorpiões e a emisssão e perda do pénis. Muito poucos têm realmente tido
ocasião em observar, anos a fio, maior número de escorpiões vivos, para a des¬
coberta da “estação do cio”. O pênis é relativamente pequeno e passa facil¬
mente despercebido, pois fica geralmente encoberto pelo corpo ou do macho
ou da fêmea. Descobrir êste pequeno órgão sõbre terreno arenoso, p. ex.,
afigura-se-nos quáse impossível.
Entretanto, está fóra de dúvida que, o que pôde ser observado em Tityus
trhnttatus e Tityus bahicnsis, deva valer também no tocante às espécies euro¬
peias, africanas, asiáticas, estudadas por Pawlowsky e referidas parcialmente na
introdução dêste estudo. As peças, minuciosamente descritas e designadas por
êste autor de “órgãos paraxiais”, se assemelham por demais com os órgãos
copuladores de Tityus bahicnsis e T. trix-it tatus, para que se pudesse pôr em
dúvida sua natureza e função.
Aliás Vachon, Dufour e Blanchard, no tocante às espécies do Velho Mundo,
e Piza, no tocante ao Tityus bahicnsis, estão unânimes na rejeição do termo
“órgão paraxial” (Pawlowsky, Birula, Wemer, etc.), interpretando êstes órgãos
como responsáveis pela transmissão do esperma.
A questão, se os espermatozóides seriam transmitidos à fêmea, inclusos em
“espermatóforos” ou diretamente em “estado livre”, não nos parece tão fácil
de ser resolvida. Julgamos, pelo que temos visto até agora, que as duas moda¬
lidades podem existir e que será necessário pesquisar espécie por espécie.
Pawlowsky, Wemer e Vachon não se manifestaram de uma maneira muito
positiva, afirmando ora que existiriam sempre espermatóforos e, em outro logar
dos respectivos trabalhos, que seriam espermatozóides “livres”.
Correlato a esta questão surge um novo problema: — o da fecundação dos
óvulos. Será que no ato do acasalamento os espemiatozoides migram através
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ESCORPIÕES E ESCORPIO.NISMO XO BRASIL. V
dos ovidutos até a sede dos óvulos, fecundando a todos ou apenas a alguns?
Ou será que eles ficam depositados nas 2 porções anteriores, mais largas, dos
mesmos, mêses e talvez anos a fio, aguardando a sua vez de serem libertados
e poderem ir de encontro a um trecho do ovário, coberto de óvulos?
Esta interessante questão aguarda ainda solução. Temos constatado real¬
mente nas 2 espécies estudadas, que a fêmea não é fecundada todo o ano, embora
parisse todo o ano uma média de 16 a 22 filhotes. Embora as necropsias tivessem
revelado que, nesta fase, seu pre-abdomen esteja praticamente repleto com o
volume dos embriões a nascer, ha, comtudo, trechos ovarianos, ao longo dos
quais estão enfileirados, como contas de um rosário, inúmeros óvulos. Estariam
estes também já fecundados, esperando a sua vez para o início do desenvolvi¬
mento embrionário? A nós nos parece mais lógico, admitir-se no aparelho
genital das fêmeas a existência de “receptacula seminalia”, que seriam abertos
toda vez que fosse necessário “fecundar” um outro número de óvulos.
Restaria a ser resolvido ainda o problema da “pasagem” dos embriões a
nascer. São êles de grandes dimensões. Em sua passagem pelos ovidutos,.
distendem a êstes ao máximo, havendo o perigo de arrastarem consigo possíveis
espermató foros, que estivessem no caminho.
Quanto à interpretação dos " st y li gcnitalcs cxterni” como apêndices orien¬
tadores da trajetória do pênis e auxiliarem para bombear o líquido seminífero
para a frente, não pode haver dúvida. Gostaríamos que fosse conservada esta
nossa terminologia, em logar de “Kopulationszangen” (Wemer), “crochot du
copulation” (Vachon), “apêndices copuladores” (Piza), para evitar a reinci¬
dência na interpretação errônea dêstes apêndices, descrita por Pawlowsky e outros.
A significação dos dois “acúlcos” do pênis, descritos já por Blanchard, sem
que êste autor tivesse podido explicar seu sentido, também está esclarecida.
Servem de “freio”, pois engancham-se nos 2 “styli gcnitales”, e impedem que
o pênis torne a entrar pelo aparelho genital do macho nos avanços do acasa¬
lamento.
A suposição antiga e repetida sempre de novo, de que no acasalamento a
fêmea teria a iniciativa e que esta arrastaria o macho para um esconderijo,
impenetrável ao olhar humano, e que aí, após a cópula, ela devoraria impla¬
cavelmente o companheiro, aparecendo, mêses depois, sozinha com os filhotes
nas costas, não corresponde à verdade. Em nossos viveiros há muitos escon¬
derijos, sob os quais os escorpiões se refugiam sempre e sem excepção durante
o ano todo. Aproximando-se, porém, a estação do "cio”, apodera-se da maioria
deles uma inquietação, que faz, com que abandonassem os esconderijos, apesar
de normalmente evitarem a lúz diurna, realizando-se o prelúdio nupcial e o aca-
salmento fóra dos "refúgios”.
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As hipóteses de Vachon (de que, durante a cópula, uma parte do pênis
se quebraria, permanecendo os pedaços na vulva da fêmea) e de Piza (de que
o macho introduziria diretamente o pênis na vulva da companheira e que, feita
a transmissão do liquido fecundante, o órgão se desfaria novamente nos 2 hemi-
penes, alojados de novo em seus logares primitivos) não puderam ser confir¬
madas. O pênis é perdido em cada acasalamento. Esta perda não significa
lesão alguma para os machos. As bainhas refazem, aos poucos, os 2 órgãos
quitinizados, tal qual a epiderme refaz cada vez a nora cutícula nas écdises
periódicas. Pelas necropsias temos visto que, 4 a 6 semanas após o acasa¬
lamento, já estão refeitos os 2 hemipenes.
Poder-se-ia discutir a terminologia dêstes órgãos. Será apropriado chamar
de “pênis” a uma peça, que resulte da fusão de 2 outras e que é perdida
definitivamente em cada acasalamento? Não implica o termo “pênis” num órgão
fixo e definitivo? Preferimos continuar a usar o termo, porque Dufour, Blan-
chard, Vachon, Piza o empregaram (embora adiando que se trate de órgãos
definitivos, i.é., que não se percam no acasalamento) e porque não encontramos
outra designação no reino animal, já que não é cabível, pelas razões expostas,
apelida-lo de “espermatóforo”.
Quando dividimos o asalamento em três fases (escolha, prelúdio e cópula),
o fizemos para poder expor o assunto com maior clareza. Na realidade, em¬
bora fosse sempre esta a ordem cronológica, as três fases são uma operação
só. Escolhida a companheira, seguem-se manejos de excitamento mútuo (o
macho dá alimento à companheira; os dois se dão “cabeçadas”; os órgãos geni¬
tais são apalpados, etc..) e de busca de um local apropriado, chegando, então,
ao auge, o espasmo convulsivo do “orgasmo”, com a emissão do pênis e a trans¬
missão do líquido fecundante à vulva.
Um observador menos avisado veria apenas, durante todos êstes aconteci¬
mentos, primeiro um passeio a dois mais longo; depois restrito a um logar rcla-
tivamente pequeno, com repetidas marchas em rai-vem ; finalmente a erecção
vertical da cauda e da parte posterior do pre-abdomen do macho ; novas marchas
dos dois, para a frente e para trás, agora ritmadas e de distância certa e, final-
fente, a separação pacífica.
As observações amadureceram também uma interpretação satisfactória da
significação do " spcrmatodeutrum” . Consiste êste numa substância escura,
como que uma “espécie de cola preta, endurecida” e que obstroi firme c
totalmente a vulva das fêmeas fecundadas. Em fêmeas jovens, cm não fecun¬
dadas ou nas que “entram em cio”, não está presente. Quando nascem os filho¬
tes, é esta massa amolecida por um líquido, eliminado pelo aparelho genital femi¬
nino, ficando removido para dar passagem aos filhotes. Em seguida, porém, for¬
ma-se noramente, tamponando a vulva.
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A presença do spcrmatocleutrum impede realmente um novo acasalamento.
Temos separado um lote daquelas fêmeas que, na época do cio, foram “des¬
prezadas” pelos machos. Em todas elas havia o spermatocleutrum. Entretanto,
mais ou menos 6 semanas depois, elas pariram, surgindo depois do parto um
novo spennatocleutrum.
Êste é, portanto, de origem feminina, dirimindo-se com estas observações
muitas hipóteses, aventadas por diversos autores. É ao mesmo tempo um indí¬
cio de que a portadora dispõe ainda em seu corpo de esperma fecundante, não
necessitando de um novo acasalamento.
Não pudemos averiguar ainda, si se verifica somente um único acasala¬
mento durante toda a vida da fêmea. A relação numérica entre machos e
fêmeas das 2 espécies estudadas e que é, mais ou menos, de 1 para 3, e o
facto óbvio de que justamente esta relação garante harmoniosamente o equili-
brio biológico, com a garantia da sobrevivência da espécie, parece insinuar, salvo
melhor juizo de mais competentes, que haja apenas um ou, no máximo, dois
acasalamentos durante a vida da fêmea, a não ser que esta tenha vida muito
longa, o que também ainda não está estudado em nenhuma espécie escorpiônica.
Significativo nos parece o caso de Tityus serridatus, que é um escorpião nume¬
rosíssimo em certas regiões do Brasil (Belo Horizonte, Ribeirão Preto, etc..),
observado já há várias dezenas de anos e do qual ainda hoje não se conhece o
macho. Entretanto, as fêmeas dos nossos viveiros parem anualmente. Uma só
fecundação pelo macho, no começo da fase sexual da fêmea, tornaria plausivel
a ausência dêste ou sua enorme raridade.
CONCLUSÃO
Em Tityus trlvittatus e Tityus bahiensis realiza-se o acasalamento pela
transmissão do esperma, do macho à fêmea, por meio de um órgão copulador,
o pênis, que é o resultado da união dos dois hemipenes, localizado cada um em
sua respectiva bainha.
Durante a cópula é o pênis fixado sòbre o solo, levando em sua parte
interna o liquido fecundante. Pelo vai-vem dos passos para a frente e para
trás do casal, preso pelas mãos, e dirigidos por cima do órgão copulador, é o
"scmen” bombeado, aos poucos, para a parte anterior, aberta, do pênis, chegando
em contato direto com a abertura genital de fêmea, quando esta roça com a
vulva esta parte do órgão.
Finalizado o acasalamento, é o pênis abandonado sôbre o solo, cabendo aos
«pitélios das bainhas a neo-formação das lâminas peniais.
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As dimensões, o aspecto externo e as estruturas histológicas dos testículos,
dos vasos deferentes, da vesícula seminal e das glândulas anexas, são sujeitos
a variações individuais, segundo maior ou menor atividade sexual do indivíduo.
O “vas deferens” das 2 espécies não corresponde ao que se entende geral¬
mente sob esta designação, pois os dois tubos, além de conduzirem o líquido
espermático às ampólas seminíferas (verdadeiras ou secundárias), exercem igual-
mente atividade gametogênica, tanto na porção anterior como na posterior, reve¬
lando sua estrutura anatômica que também a parte intermediária pode desen¬
volver esta atividade.
Os espermatozóides obedecem, dentro dos foliculos testiculares, a uma dis¬
posição unipolar, ao passo que, uma vez descarregados para o lumen central,
testicular ou para dentro da vesícula, parecem estar distribuídos em feixes, com
as cabeças e caudas orientadas a esmo.
A união dos sexos abrange um conjunto de manobras, cuja iniciativa cabe
-exclusivamente ao macho e que se desenrola na seguinte sequência: a) escollia
da fêmea, exteriorizada por sua apreensão com as mãos do macho; b) prelúdio
nupcial, com a escolha de um local propício à cópula, distribuição de alimento
à companheira, excitação mútua por diversos “manejos pre-nupciais; c) acasa¬
lamento propriamente dito, com a emissão do pênis pelo macho e a fixação
sòbre o solo ; a transmissão do liquido fecundande da parte anterior do pênis
à vulva da fêmea, pelo vai-vem da perambulação ; d) separação pacífica dos
dois, permanecendo o pênis abandonado no solo.
RESUMO
Estudos comparativos sòbre o aparelho genital masculino de Tityus trivit-
■tatus e Tityus bahiensis e sòbre o seu comportamento no acasalamento são
apresentados.
A velha teoria de Dufour e Blanchard, de que os verdadeiros órgãos copu-
ladores residiriam dentro de bainhas, ao lado dos testículos, é plenamente con¬
firmada, sendo invalidadas as interpretações dêstes mesmos órgãos como simples
""orgãos paraxiais”, feitas por Pawlowsky, Birula, Werner e outros.
A verdadeira significação e função dos apêndices genitais externos dos
machos é elucidada e, para evitar de futuro, maiores complicações terminoló¬
gicas, é proposta para os mesmos a designação de "styli genitales externi", ao
passo que se conserva a designação de “pênis” para o órgão copulador.
Foi assinalado, nas 2 espécies, que o “vas dcfcrcns ” exerce dupla atividade,
a gametogênica e a de transportar os espermatozóides às vesículas.
Foi verificado que, no acasalamento, abandonam os 2 hemipenes seus loga-
res nas bainhas e, ao passarem pela fenda genital, se unem solidamente em um
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único tubo, o pénis, que carrega em seu interior o liquido fecundante. £ste órgão
é, após sua projeção, fixado sôbre o solo, diretamente por baixo da vulva da
fêmea.
A “promènade à deux” é realizada por cima dêste órgão, de maneira que,
no vai-vem da marcha, a vulva receba, ao roçar sôbre a parte anterior do pênis,
os espermatozóides. Após a cópula, é o órgão masculino abandonado sôbre o
solo, refazendo as bainhas novos hemipenes.
O processo do acasalamento é minuciosamente descrito e a significação dos
“styli genitales” nos opérculos genitais, dos acúleos no pênis, do spermatocleu-
truin nas fêmeas é explanada.
SUMMARY
Comparative studies on the male genital apparatus oí Tityus trivittatus and
T. baJiicnsis, two South-American scorpion species, and their pairing habits are
presented in this paper. The following facts were observed:
1. The lestes are situated in the pre-abdomen. They are two white tubes,
nearly parallel to the length of the body. In the adults, they are linked together,
near the posterior part of the pre-abdomen and from this point a further central
tube, parallel to the other, extends to the front. These three are linked by
three or four horizontal tubes.
2. The two vasa dcfcrentia have the samc structure like the testes and
the gametogenic activity is still exercised by the posterior and the anterior,
vesicle-Iike, part. In T. bahicnsis sometimes another ampoule is still present
in the «ame region and may be designated as “secondary seminal vesicle”.
3. The “vasa deferentia” lead to the two " seminal vesicles” and these
open in the “cylindrical” glands.
4. Three pairs of accessory glands exist, to wit:
Two “accessory anterior glands ” with very long ducts, situated one on each
side on the inner face of the genital opercules. They discharge their products
in the anterior part of the dnctus cjacnlatorius;
two “oval, pyriform glands”, situated near the seminal vesicles. Their
ducts open in the inferior face of the ejaculatory duct, one on each side, vera¬
near the opening from the cylindrical glands;
two xlyndlrícal glands”, long in size and with wider openings. Their
body is elongated, with three ampoule-like parts. The last part is almost trian¬
gular.
The anatomical structure of these glands is nearly the same: a thin, externai,
circular muscle layer; a circular peritoneum; an epithellium with extremely long
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cylindric cells and a “membrana basalis”. All have a central “lumen”, for
discharging their products.
5. There are two copulating organs in T. trivittatus and T. bahiensis, as
described already bv EHifour and Blanchard in some .\frican species and named
by these authors as “íourreaux des verges” or “lames peniales” (Vachon).
These organs, which are real “hemipenes” (Piza) and not “paraxial organs”
(Pawlowsky, Birula, Wemer and others), have a complex structure. They
are surrounded by a thin, transparent layer, the “membrane”. Both, hemipenis
and membrane look like a tube, cut in half along the length. When recently
formed, as after each mating, the hemipenes are flexible; but later become less
elastic and more chitinous. Their anterior part is larger and not so densely
chitinized. Their posterior portion has a sharp, extern, chitinized point, Corning
out sometimes through the membrana of the surrounding layer. The terminal
portion is continued by a long, elastic, not chitinous “flagellum”, also surrounded
by the membrane.
This membrane constitutes the natural continuation of the ductus ejacula-
toriiis.
6. The ejaculatory duct forms the “cantara gcnitalis”, in which open
all the ducts of the accessory glands, the seminal vesicles and the two canais
of the hemipenes.
7. Between the two “opercula gcnitalia” the ejaculatory duct opens. Two
appendages exist on the inner, inferior side, designated as “styli gcnitalcs
extemi”. Pawlowsky, Birula, Wemer and others thougt that these were the
true copulating organs, responsible for the transfer of spcrmatic liquid to the
female. But they serve to the union of the hemipenes and to hindcr the
reentrance of the penis in the ejaculating duct.
8. The following facts summarize our obscrvations on the mating-habits
of Tityus trivittatus and T. bahiensis:
The mating may be divided into three periods:
First the male takes firmly the liands or the fingers of the female with
his two broader pincers and begins to walk forwards or backwards, selecting
a proper place for mating. Periods of rest interrapt this walk. Their pedi-
palps are carried horizontally in front and the caudae are bent upwards from
their backs or dragged behind or sidcwards.
Second, the two hemipenes and all the sexual and accessory glands are
discharged into the ejaculatory duct. The hemipenes are united firmly into
a single copulating organ, the penis. In his internai canal are the products
of the seminal vesicles and of the other sexual glands.
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The penis is projected and fixed on the soil. directly under the open vulva
of the female. At the moment of ejaculation the male bents the cauda verti-
cally. simulating a figure, designated by Fabre as “arbre droit”.
In the final period of mating the seminal íluid is transferred from the
penis to the vulva of the female, coming aut of the anterior, open part of the
copulaitng organ (fixed over the soil). The “promènade à deux” is very ca-
reful.
9. The considerable degree of uniformity in the morphologic and anatomic
structure of male sexual apparatus in the two studied species and the European,
Aírican and Mexican species, described by Pawlowsky, strongly suggests that
all these species. even from different families, which have hemipenes (“paraxial-
organs”-Pawlowsky), have also the same mating-habits as T. triznttatus and
T. bahictisis.
10. The ‘‘nuptial prelude”, described by Fabre, really includes the mating.
ZUSA M MEN FASSUNG
\’erglcichende Studien über die mànnlichen Geschlechtssorgane der beiden
Skorpionarten Südamerikas, dem Tityus trhntiatus und T. bahiensis werden
dargelegt und die Begattungsweise der beiden Arten wird ausführlich beschrieben.
Es wird hiennit iiberhaupt die Kopulation der Skorpione erstmalig beschrieben,
da bisher nur Vermutungen und Hypothesen verzeichnet werden konnten. Fol-
gende Tatsachen konnten beobachter werden:
1. Die Hodcn liegen bei Jungtieren ais zwei kurze vordere Lãngstrãnge
an den Innenseiten des Prae-Abdomens, teilweise zwischen Lel>erfollikeIn ein-
gebettet. Allmãhlich wachsen sie weiter nach hinten und vereinigen sich
schliesslich and der hintersten Grenze des Prae-Abdomens zu einem einzigen,
gleichmássigen, weisslichen Hodenschlauche. Xahe der Verinigungsstelle wãchst,
mit zunehmender Geschlechtsreife, ein mittlerer Hodenschlauch nach vome und
entsendet jeweils nach links und rechts eine Seitenanastomose, die die ãusseren
Rohre erreichen. Die vollstándig entwickelten Hoden beider Skospione bilden
schliesslich eine Hufeisenfigur, die nach vome offen ist, mit einem mittleren
Lãngsstrang und drei vier Queranastomosen.
In den Hodenfollikeln befinden sich. fãcherartig um ein Zentrallumen an-
geordnet, die Follikelfãcher. In jedem Fach kann man eine liestimmte Menge
vou Keimzellen in einer bestimmten Entwicklungsphase sehen, angefangen von
den Urspermatogonienden Spermatogonien. den Spermatocyten 1. und 2. Ord-
nung, den Prae-Spermiden bis zu den unreifen, íast reifen und vollstándig
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ausgebildeten Spermatozoen. Letztere sind unipolar angeordnet, verlieren aber
diese Anordnung, wenn sie in die Samenblasen befõrdert werden.
2. Die Vasa deferentia sind im hinteren Abschnitt von den Hodenschlãu-
chen nicht zu unterscheiden. Weiter nach worne werden sie allniãhlich dünner;
wenden sich nach aussen, winden sich dorsal um die Kopulationsorgane und die
Anhangsdrüsen herum; richten sich wieder nach innen, wobei sie wieder an
Dicke zunehmen und münden schliesslich, vermittels einer “Ampulle” in die
Samenblasen. Bei Tityus bahicnsis kommt neben der Ampulle nicht selten noch
weiterer Blindsack vor, eine Art von “vesícula seminalis accessoria” (Fig. 6; m).
Die Vasa deferentia haben funktionell zwei Aufgaben: die der Samenleitung
und, im Vorderteil und der Ampullenregion, die der Samenbereitung. In diesen
beiden Abschnitten sind sie anatomisch kaum von den eigentlichen Hodeníol-
likeln zu unterscheiden. Selbst der mittlere, schmãlere, Teil hat Urspermato-
gonienzellen und kann jederzeit, je nach Bedarf, zo Hoden umgewandelt werden.
Diese Bauart der Ausführwege der eigentlichen Hoden scheint uns sehr
aufschlussreich sowohl in onto-wie auch in phyllogenetischer Hinscht und diirfte
wohl ein Ausdruck der relativen Primitivitãt der recenten Skorpione darstellen.
3. Die beiden Samenblasen (Fig. 3 und 5;e) sind stets vorhanden und
hilden ein lãngliches, ovales Sãckchen, oft mit einer leichten, mittleren Einschnü-
rung und einem etwas spitz zulaufenden Hinterende. Der relativ kurze Aus-
führkanal mündet in den Vorderteil der zylidrischen Drüse.
4. Die Zylidrische Drüse ist langgestreckt und gewunden (Fig. 3 und
5;f und i). Sie ist mit dem Riicken in eine rinnenfõrmige Lãngsfalte der
Kopulationsorganscheiden eingekerbt und wird durch verschiedene Muskelbãnder
in dieser Lage gelialten. Der Hinterabschnitt der Drüse ist fast dreieckig und
gewunden. Man kann sie von den Kopulationsorganscheiden sehr leicht lõsen.
Ihr langer Ausführgang mündet in den duetus ejaculatorius ein.
5. Die “envie Drüse'' (Fig. 6;d) liegt etwas vor der Ampulle des vas
deferens (Fig. 5;g und gl) und ihr langer, dünner Ausführgang führt parallel
nebem dem der zylindrischen Drüse in den duetus ejaculatorius.
6. Vorne, links und rechts vom duetus ejaculatorius, liegt je eine “vordere
Anhangsdrüsc (Fig. 3 und 4;c), durch ihre gelbliche Fãrbung sehr leicht aus
der Umgebung zu erkennen. Ihr Inhalt wird in den Vorderteil des duetus
ejaculatorius geleitet.
Die Samenblase, der Endteil der vasa deferentia und die drei Paare von
Anhangsdrüsen sind aussen mit einer zirkulãr verlaufenden Muskelschicht
ausgestattet. Ihre Kontraktion gestattet eine ruckartige Entleerung ihres
Inhaltes.
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7. Der ductus ejaculatorius bildet einen relativ weiten Genitalraum, in
dem die Ausführgànge aller Drüsen zusammenlaufen. Mãchtige Lángs-und
Quermuskeln ermõglichen eine Dehnung oder Raumverschiebung. Besonders an
seiner Hinterseite verlàuft ein starker vertikaler Druckmuskel, dessen Zusam-
menziehung eine Auspresswirkung in Richtung der Genitalõffnung bewirkt.
Der ductus ejaculatorius geht nach aussen in die unpaare Genitalõffnung
über, die im Ruhezustande von den Genitalklappen verdeckt wird. An den
Hinterseiten dieser Õffnung liegen die beiden "Kopulationszangen” (Fig. 2;b),
von denen Pawlowsky und nach diesem Birula, Werner und andere behauptet
hatten, sie wãren die eigentlichen Kopulationsorgane, also für die Spermaüber-
tragung vom Mãnnchen zimi Weibchen verantwortlich (Mit Recht hegte Werner
den Y erdacht, dass sie zu eigentlichen Kopulationsorganen nicht braunchbar
wãren). Lm für immer eine irreführende Bezeichnung zu beseitigen, haben
wir m dieser Arbeit die Bezeichnung “Styli gcnitales externi” vorgeschlagen.
Es handelt sich um zwei winzige, unartikulierte Stiftchen, die, selbst bei geõffne-
ten Genitalklappen, nur sehr schwer zu unterscheiden sind und deren Bedeutung
spãter dargelegt werden soll.
Der ductus ejaculatorius teilt sich hinten in zwei Seitenãste (Fig. 4;h),
deren schematischer Verlauf durch die Figur 5 (h und j) etwas klarer wird.
Diese Seitenãste enthalten die eigentlichen Kopulationsorgane, deren Anfangs-
teile in Figur 4 (1) gekennzeichnet sind.
Wir mõchten diese, im Querschnitt halbmondfõrmigen, Organe ais "Kopu-
lationsorganscheiden" bezeichen und das darinliegende, eben falis halbmondfõr-
mige, aus Chitin bestehende Organ, ais Kopulationsorgan oder "Hemipcnis
Pawlowskys Bezeichnung dieser Bestandteilc ais “Paraxialorgane”, der auch
Werner beigepflichtet hat, besteht zu Unrecht. Die alte Meinung von Dufour
und Blanchard. und neuerdings von Piza und Vachon ist die richtige. Hier
handelt es sich unzweifelhaft um die richtigen Kopulationsorgane.
Diese Organe, je eines in einer Scheide, also zwei im Ganzen, haben die
Po™ die in Figur 7 wiedergegeben ist. Ein breiter, stark chitinisierter Vor-
derkõrper mit einem scharfen Seitenzacken (Fig. 9; q) setzt sich hinten in eine
diinne Schwanzgeissel fort (Fig. 7; j), die ebenfalls von der Membrana umfasst
wird (Fig. 8).
Durch Muskel-und erhõhtem Turgordruck werden auf dem Hõhepunkte der
Kopulation sowohl die beiden Samenblasen wie auch alie Anhangsdrüsen ruck-
artig in den ductus ejaculatorius entleert. Hierauf, ebenfalls durch Druckwir-
kung der Muskeln und des Blutes. rücken die beiden "hemipenialcn Stiicke”.
von jeder Seite her eines, ebenfalls in den Geschlechskammerraum und fassen
in ihren Hohlrãumen die Geschlechtsdrüsenflüssigkeiten auf. Da sich nun die
beiden Stiicke. bei weiterem Vorrücken. vorne berühren (vergleiche Figur 4;I)
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und, bei ihrem Durchgang durch die relativ enge Geschlechtsõffnung, ganz innig
aneinandergepresst werden, vereinigen sie sich zum definituven Kopulationsorgane,
dem Penis.
Um diese Vereinigung zu bewerkstelligen, sind die Seitenrãnder der Hemi-
penes falzig umgeschlagen, so dass die eine Hãlfte genau in den Falz der anderen
hineinpasst. Bei der Passage durch die Geschlechtsõffnung, werden die Falze
durch den Drüsenkitt der vorderen Anhangsdrüsen befeuchtet. Diese Substanz
erhãrtet, bei Luftzutritt.
Beim Vergleichen der Figuren 7 (ein Hemipenis), 9 und 11 (vollstãndiges
Kopulationsorgan ) , kann man die definitiva Verwachsung der bpeiden Hálften
verfolgen. Figur 9 (o ; p) zeigt noch die verbundenen Falzrãnder der ursprim-
glichen Hálften. Das definitive Kopulationsorgan bildet ein geschlossenes Rohr,
in dessem Innerem sich die augeschiedenen Geschlechtsprodukte befinden. Das
Rohr is nur vorne, an der kopfartigen Enveiterung, offen. (Figur 9).
8. Die Kopulation von Tityus triznttatus und T. bahiensis konnte oftmals
beobachtet werden und spielt sich folgendermassen ab:
a) Auszuahl der Parlncrin :
Zur Brunstzeit, also im brasilianischen Spãtfrühling (Monate Oktober bis
Dezemberanfang), pflegen die Skorpione ihrc Verstecke zu verlassen. Die
grõsseren und krãftiger gebauten Mãnnchen suchen ihre Partnerinnen aus. An
manchen gehen sie achtlos vorbei, wâhrend sich oft gleich zwei bis drei auf
dasselbe \\ f eibchen stürzen, bis dann schliesslich das gewandterc Mãnnchen die
Nebenhuhler durch kràftige Hiebe vertreiben kann. Bei der Partincrinwahl
müssen gewisse “Brunststoffc” eine ausschlaggebende Rolle spielen und diese
Stoffe müssen durch die weibliche Geschlechtsõffnung ausgeschieden werden;
denn wir konnten immer beobachten, dass die Weibchen, deren Vulva durch den
Spcrmatoclcutrumpfropf verschlossen war, niemals von den Mãnnchen aus-
gewãhlt wurden.
Mãnnchen und Weibchen stellen sich Kopf gegen Kopf, das Mãnnchen
etwas hõher und umfasst mit den Fingem der krãftigen Hãnde, von aussen
her, die Hãnde der Partncrin.
b) Das Vorspiel und der Skorpiontanz:
Kaum liegen die Hãnde des Weibchens fest zwischen denen des Mãnnchens,
setzt auch schon der õfters beschriebene Skorpiontanz ein. Dieser besteht darin,
dass das Mãnnchen anfangs die Partnerin einfach mit sich sehleppt, bald im
Vorwãrts-bald im Rückwãrtsschritt, wobei an die 10 bis 20 Meter zurückgelegt
werden kõnnen, um einen ftir die Kopulation geeigneten Platz ausfindig zu
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machen. Dieser liegt nicht etwa tief in der Erde, in einem für das menschliche
Auge verborgenen Verstecke, wie so oft vermutet wurde, sondem besteht einfach
aus einem Stück glatten Bodens, irgendwo im Schatten. Niemals haben die
Hunderte von Skorpionen von beiden Arten, die wir lebendig halten, zur Ko-
pulation ihre Verstecke benutzt, obwohl sie, zu normalen Zeiten, regelmãssig
darunter hausen. Zur Brunstzeit verlassen sie gerade die Verstecke, kommen
ans Tageslicht und vollziehen da die Begattung, um spãter wieder in ihre
Verstecke zuriickzukehren.
Ist der zweckmãssige Platz erkoren, beginnt das “ Liebcsspicl”, das in einem
mehr geregeltem Hin-und Herschreiten besteht, immer über der augsgewãhlten
Stelle. Man mõchte annehmen, dass damit ein Glatten und Austreten des Bodens
erreicht werden soll. Am Ende angelangt, wird eine kurze Pause eingelegt.
Das Mãnnchen stõsst mit der Stime gegen die des Weibchens. Seine Mandibeln
werden stãndig vor und riickwãrts bewegt und zwischen ihnen erscheint ein
weisslicher Spcisebrei, der der Partnerin zwischen die Mandibeln und auf die
Stirnrãnder gelegt wird. Das Weibchen verhàlt sich sonst passiv; begleitet
wohl alie Schritte des Mãnnchens aktiv; ergreift aber von sich aus niemals die
Initiative. Bringt man beide Tiere auf eine Glasscheibe, so lãsst sicli das
Weibchen einfach vom Partner hin-und herschieben, ohne die Beine zu erheben.
Die “Promènade à deux” kann einige Minuten bis zu einer halben Stunde
andauern; wird oft durch Ruhepausen unterbrochen und dient hauptsãchlich
dazu, die sexualle Errtgung beider allmáhlich auf einen Gipfelpunkt zu treiben.
Anfangs benutzte das Mãnnchen noch die 4 Beinpaare zum Vor-und Rück-
schreiten ; nun werden nur mehr die drei hinteren Paare dazu eingesetzt, wahrend
das vorderste Paar heroben ist, dem Weichen unter das Prae-Abdomen greift
und heítig seine Genitaloperkeln betrommelt. Dabei spielen die Kãmme beider
durch krãftiges Ein-und Auswãrtsschwenken, durch Auf-und Xiederbewegungen
eine wichtige Rolle. Der mãnnliche Kõrper wird wellenartig erschüttert. Mit
zunehmender Erregung klappen allmáhlich lieider Genitaloperkeln auf und die
Geschlechtsòffnungen werden sichtbar.
Photo 1 zeigt eine Ruhepause beider Tiere und Photo 2 eine Phase des
ntãnnlichen Rückwártsschreiten.
c) Samenübcrtragung und Skorpiontanz :
Ist die Erregung beider, besonders des immer aktiven Mãnnchens, auf den
Hõhepunkte angelangt, hãlt dieses plótzlich im Schreiten inne; erhebt das Post-
Abdomen (Cauda) lotrecht (Photo 3), wàhrend das Weichen nur die drei
letzten Scbwanzglieder etwas hochstellt. Es entsteht so die von Fabre besch-
riebene Figur des “arbre droit”. In dieser Stellung sammelt sich sowohl das
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Blut wie auch der Darminlialt im Prae- Abdômen, was eine bedeutende Druck-
erhõhung zur Folge haben muss und unter diesem aufs Hõchste gespanntem
Drucke werden ruckartig die Geschlechtsdrüsen entleert und die beiden hemi-
penialen Stücke nach aussen gepresst, wo, wie schon envãhnt, erstmalig ihre
vorderen Teile zum Kopulationsorgane verschmelzen. Durch einen letzten Druck
der starken Muskelbündel an der Hinterseite des ductus ejaculatorius, wird dann
der, beim Herausgleiten verschmelzende, Penis ausgeschleudert. Der Penis
dringt nicht in die weibliche Vulva ein, sondem gleitet auf den Boden und
klebt da mit seiner verderen Unterseite fest (durch den anliaftenden Stoff, der
von den vorderen Anhangsdrüsen geliefert wurde) (Fig. 11). Die Schwanz-
geissel des Kopulationsorganes bleibt jedoch auch jetzt noch mit den mãnnlichen
Geschlechtsorganen in Verbindung. Sie ist selir dehnbar und kann, ohne zu
reissen, um das 10 bis 30-fache ihrer natürlichen Lãnge, gedehnt werden.
Sofort nach dem Ausschleudem des Kopulationsorganes beginnt von neuem das
Hin-und Herschreiten; nun jedoch sehr achtsam und regelmássig, so dass der
Beobachter den Eindruck bekomnit, es ltandle sich um einen Tanz. Beim
Rückschreiten des Mãnnchens kommt die Vulva des Weibchens genau iiber den
offenen, vorderen Teil des auf dem Boden festhaftendem Kopulationsorganes,
und kann die Spennamasse in sich aufnehmen; beim Vorwãrtsschreiten des
Mãnnchens dringt das Hinterende dieses Gliedes naturgemãss wieder in seine
Geschlechtsõfínung ein (da sich ja die elastischc Schwanzgeissel wieder zusam-
menzieht) (Figur 9;r). Dabei hacken sich die beiden Seitendomen (Fig. 9 ; q)
an den “Styli gcnitales” (Fig. 2;b) fest. Durch Zug der Geissel und Druck
der schon von Xarayanan beschriebencn Gcnitaldeckelmuskeln auf den Hinterteil
des Kopulationsgliedes wird so ein wciterer Schub von Samenflüssigkeit an die
vordere. offene Stelle gepumpt, um wieder, beim Rückwãrtsschreiten. in die
weibliche Vulva eingefõhrt zu werden.
Diese Pump-und Einführprozedur wird an die 10 bis 15 mal wiederholt,
bis schliesslich das Weibchen aus seiner Apathic erwacht; sich mit krãftigem
Rucke aus den mãnnlichen Fingem befreit und diesem einige energische “Püf-
íe” versetzt. Damit ist die Samenübertragung abgeschlossen. Friedlich sucht
jedes Tier seinen Weg. Das Mãnnchen wcndet sich ab, wobei nun der bis
ans Ausserste gespannte Geisselfaden zerreisst. Das Kopulationsglied bleibt
unbeachtet an der Stelle kleben. Schon nach 5 his 8 Wochen hilden die
mãimlichen Hemipenisscheiden netie Organe aus, die aber erst wieder l>ei der
nãchsten Bmnstzeit lienützt werden.
Dass diese Beschreibung die erste Beobachtung der Paamng unter den
Skorpionen überhaupt darstellt, ist nicht zu verwundem. Obwohl schon manche
den Hochzeitstanz beschrieben hatten und auch schon photographieren konnten,
hat doch niemand das kleine, brãunliche, unter den Partnern liegende Organ
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ESCORPIÕES E ESCORPIOXÍSMO XO BRASIL. V
aufgefunden, weil es sich farblich mit der Umgebung vermischt. Ausserdem
mag es wohl bisher noch keinem Forscher gelungen sein, über ein so zahlreiches,
lebendes, Skorpionmaterial zu verfügen, wie es uns gegõnnt ist.
9. Wir hegen keinen Zweifel, dass das an Tityus trizit tatus und T.
bahicnsis erstmalig beobachtete Gebaren bein der Begattung auch all den von
Pawlowsky beschriebenen Skorpionarten, die ein sogenanntes “Paraxialorgan”
besitzen, zukommt.
10. Die Ausführungen Wemers, Birulas und anderer, die grõsstenteils
auf den Behauptungen Pawlowskys beruhen, müssen also wieder, im Sinne
Blanchards, gedeutet werden.
11. Wenn wir die Ausdrücke “Hemipenis” und “Penis” für die halben
und für das definitive Kopulationsorgan benutzten, so taten wir das um der
Klarheit willen und um die Terminologie nicht noch mehr zu verwirren. Wir
sind uns klar, dass ein Organ, das zur Samenübertragung auf das andere Ge-
schlecht benutzt wird, aber dabei definitiv verloren geht und durch ein neues
ersetzt wird, nicht ohne Weiteres ais “Penis” bezeichnet werden sollte. Ande-
rerseith handelt es sich aber auch um keine Gebilde, die man sonst ais “Sper-
matophoren” benennt.
12. Aus den Ausführungen dieser Arbeit wird auch die Tatsache ersicht-
lich, dass, obwohl bei den meisten Skorpionarten das Verhãaltnis der Mãnnchen
zu den Weibchen wie 1:3 oder 1:5 liegt, dennoch das biologische Gleichgewicht
mit der Garantie des Überlebens der Art besteht. Bei vielen Arten mag eine
einzige Samenübertragung für das ganze Leben des Weibchens ausreichen, da
diese die Spermatozoen in ihrem Kõrper jahrelang lebendig erhalten kõnnen und
alljãhrlich 15 bis 20 Junge zur Welt bringen kõnnen.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos aos técnicos, auxiliares e serventes do Laboratório de Zoologia
Médica, cuja dedicação e espírito de colaboração nos possibilitou êste trabalho.
BIBLIOGRAFIA
1. Pawlowsky, E. N. — On the morphology on the male genital apparatus in scorpions.
Trans. Soc. Nat. Lcningrad 53: 18-86, 1924.
2. Wemer, F. — Scorpiones, Pedipalpi. Bronn’s Klassen und Ordn. d. Tierreiches 5. IV
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de T. bahiensis. Jorn. de Agronomia, Piracicaba, Brasil, 2 (1) : 49-59, 1939.
5. — Sobre os orgãos copuladores dos escorpiões. Ibidem 2 (4) : 285-291, 1939.
6. — Estudos antomicos em escorpiões brasileiros. Rev. de Agricultura, Piracicaba,
São Paulo, Brasil, 15 (5-6): 215-228, 1940.
7. — Meiose no macho do escorpião brasileiro. Ibidem 18 (7-8) : 228-248, 1943.
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Quart J. Micr. Sei. 30: 121-124, 1889.
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1: 115-192, 1910.
12. Fabre, J., H. — Souvenirs entomologiques ; neuvième serie. Delagrave, êd. Paris :
1-374, 1907.
13. Maccary, A. — Mémoires sue le scorpion que se trouve sur la montagne de Cette,
Cabon éd. Paris: 1-48, 1910.
JSciELO
ERRATA
Dos numerosos erros tipográficos existentes no trabalho de W. H. A.
Schottler “Lista suplementar de bibliografia sôbre venenos animais publicada
nos anos de 1863 até 1946” (Mem. Inst. Butantan 26: 7-73; 1954), devem ser
desde logo rectificados aqueles que tornam difícil, ou mesmo impossível, o
encontro da literatura citada, a saber:
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lin.
34:
II
17,
II
25:
ff
18,
f»
14:
M
22,
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8:
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18:
99
20:
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38:
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36:
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39:
pag.
25.
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6:
ff
28
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II
31.
lin.
8:
ff
32,
ff
13:
II
34.
ff
10:
ff
11:
pag.
35,
ff
3:
ff
44,
99
16:
ff
48,
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6:
ff
49,
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27:
ff
50,
ff
12:
ff
51.
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12:
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53,
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35:
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54,
ff
34:
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61,
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22:
ff
66,
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4:
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69,
ff
16:
ff
20:
Pag.
71,
ff
22:
ff
73,
ff
26:
Bdyth = Blyth
193 = 1903
inserir "5:” entre “Cirurg.” e “297”
628 = 683
1927 = 1937
644 = 646
Coohdgc = Coolidge
122 = 1922
Cand. = Cana d.
Ccntralol. = Centralbl.
substituir lin. 30 c 31 por “ Fcldhauscn, M. — übcr dic Einwirkung des
Daboiagiítes auf die Nieren. (The-’’
1863 = 1893
Gleny = Glcnny
2 = ?
1864 = 1867
a na cm ia = haemorrhage
38 = 365
Zoll. = Zool.
128 = 28
inserir 27; 1907).” depois “nat”
1925 = 1935
194 = 1924
Rept. = Dept.
inserir “ (Boll. mens. Accad. Gioenia Sei. nat Catania?: 2; 1891).”
depois “ L.”
9 = ?
9 = ?
inserir “Xac.” entre “Esc.” e “ Cienc.”
1045 = 1405
Adelaire = Adelaide
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"REVISTA DO$ TRIBVXAIS "
* São Paulo ie
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