SciELO
MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
1957 — 1958
TOMO XXVIII
Suo Paulo, Brasil
Caixa Postal 6õ
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ÍNDICE
WOLFCANG BOCHERL — Escorpiões e Escorpionismo no Brasil.
VI. Sinonimia de Rothriurus melloleitãoi Prado 1931. da fêmea de Rothriurus signalus
Pocock ló93 com Bothriurus bonariensis asper (Pocock) 1893 c de Rothriurus se-
tniellrplirus Prado 1931 com Rothriurus b. bonarinesis (Koch) 1812 . 1
WOLFCANG BCCHERL — Escorpiões e Escorpionismo no Brasil.
VII. Sinonimia de Rothriurus fragilis M. I.. 1931 e R. zeugma M. I.. 1913 com R. rothai
M. I.. 1932. com o nome definitivo de Rothriurus coriareus rochai IMello-Lrilão ) 1932 11
WOLFCANG BCCHERL — Escorpiões r Escorpionismo no Bra*il.
\*I11. Revisão das espécies do gênero Rothriurus descritas dc Argentina . II
FLAVIO DA FONSECA Note- d'AcaroIogie
XI.I. Haemobe/cps Berlese versus Atrichotaelaps Evsing et Isehnolarlaps lonseca: Orni-
thonyssus Samlion versus Rdellonyssus Fonseca. *•’
FLAVIO DA FONSECA — AcandogUche Notiicn
XI.II. Geruch«organe und Entv*ieklung*ge«cliiclite der l lesostigmala und Sprlueorhsnchi-
dae .. 55
FLAVIO DA FONSECA — Nota» de AcarologU
XI III. Fauna acarologica dc roedores em Ouro Prêlo . ^
ALPHONSE RICHARD HOGE — Notes *ur la position syslcmalique de Opislhoplus de-
gener Peters 1882 et Leimadophis regina macrosoma Amaral 193.3 < Serpente» l . (u
VLPHONSE RIC1I \RI) HOCE — Elude sur Aposlolepis roronata (Sauvage 1877 > et fpu-
tolepis r/uinquelineata Bouleníer 1896 t Serpente* 1 .
VLPHONSE RICHARD HOCE — Elude »ur Vromacerina rirardini (Peracca) I Serpente.» 77
ALPHONSE RICH \RD HOCE — Note sur la position systemalique de Trigonoeephalus
< Rothrops) pubescens Cope 1869 . ^
HÉLIO EMERSON BELLLOMINI Hicefalia em Xenodon merremii (Wajler 1821» (De-
criação de um Teratõdimal (Serpentes) .
HÉLIO EMERSON BELLLOMINI e VLPHONSE RICHARD HOCE Um ca*o de Cõ-
pula heteróloga entre Rothrops e Crotalus (Serpentes) . 91
ALPHONSE RICHARD HOCE e HÉLIO EMERSON BELLLOMINI Aberrações rrom.i
licas em serpentes brasileiras .
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FLAVIO DA FONSECA — Notas de Acarologia
XLIV. Inquérito sôbre a Fauna Acarológica de Parasitas no Nordeste do Brasil . 99
HÉLIO EMERSON BELLUOMINI e ALPHONSE RICHARD HOGE — Operação cesa¬
riana realizada em Eunecles murinus ILinnaeus 17581 (Serpentes) . 187
HÉLIO EMERSON BELLUOMINI e ALPHONSE BELLUOMINI — Uma nova espécie de
Bothrops do Brasil (Serpentes) .. 195
HÉLIO EMERSON BELLUOMINI e ALPHONSE RICHARD HOGE — Observações sõbre
hábitos alimentares de “Sucuris" em cativeiro. Contribuição à biologia de Eunecles
murinus ILinnaeus 1758) (Serpentes) . 207
S. SCHE.NRERG — O oxigênio na perfusão cardíaca de sapos brasileiros . 217
P. SOUZA SANTOS, A. VALI.EJO-FREIRE. R. S. FURLANETTO and M. C. ANDRADE -
Corrclati- n betwecn the adsorption oí diphtheria toxoid and oí alizarin by aluminum oxi¬
de hydrate gels . 221
G. ROSENFELD, L. NAHAS. S. SCHENBERC AND W. T. BERALDO — Absorption ol
fluid by red blood cells and hemolysis in shock by toumiquet . 229
G. ROSENFELD. S. SCHENBERC AND L. NAHAS — Fluid absorption by red blood cells
and hemolysis in experimental venous stasis . 237
A. VALLEJO-FREIRE c A. RRUNNER JR. — Eritrocitos na reticulocitose do saturnismo
experimental. Estrutura milocondrial . 245
ALPHONSE RICHARD HOGE — Sur la po-ition systematique de Coluber quinquelineatus
Raddi 1820 267
A. VALLEJO-FREIRE. A. BRUNNER JR. and W. Beçak — Vaccinia virus multiplication
in rabbit-kidnry cell cultures. Aspects of the evolution cycle . 275
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Mem. In«t. ButanUn.
2 $: 1 - 10 . 1957 / 53 .
WOLFOAXG BCCHERL
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ESCORPIÕES E ESCORPIOXLSMO XO BRASIL
VI. SIX0N1MIA DE Bolhriurus melloleitSoi PRADO 1934, DA FÊMEA
DE Bothriurus sigatus POCOCK 1893 COM Bothriurus bonariensis asper
(POCOCK) 1893 E DE Bolhriurus semitlypticus PRADO 1934 COM
Bolhriurus b. bonariensis (KOCH) 1842.
WOLFOAXG BÜCHERL
(Laboratório de Zoologia iírdica. Instituto Hutantan )
INTRODUÇÃO
O gênero Bolhriurus Peters 1861, eom 32 espécies, tôdas neotrópicas,
apresenta-se hoje tão difícil, sob o ponto de vista de sua sistemática, que é
melhor e mais prático, começar-se tudo de novo.
Em 1899 reconheceu e caracterizou Kraepelin (1) apenas 4 espécies de
fácil diferenciação morfológica. Em 1911 reviu o mesmo o seu próprio ponto
de vista (2). estabelecendo então já 10 espécies. A revalidação de B. bona-'
riensis (C. L. Koch) 1842 foi a melhor contribuição dêste trabalho. Menos
feliz foi o autor ao revalidar igualmente a B. signatus Pocock 1893 e ao des¬
crever 4 espécies novas.
De então para cá fizeram-se mais descrições de novas espécies, em tal
profusão e com tanta ausência de critério «pie não é mais possível, hoje em
dia, dirimirem-se as dúvidas na caracterização mesmo das espécies mais comuns.
O próprio Mello-Leitão. em minuciosa c volumosa obra (3). não mais conseguiu
reduzir a "balbúrdia" a termos simples. Pelo contrário, possuído «la tendência
em reconhecer como “boas” tôdas as espécies descritas, inclusive as próprias,
preferiu abdicar aos critéri s reais e objetivos, deixando os estudiosos de
hoje perante uma “montanha" de dificuladdes.
Estas somente poderão ser resolvidas, aos poucos, por estudos criteriosos
de pequenos grupos, de espécies afins, com elevado número de exemplares,
machos e fêmeas e lctes de filhotes de idades diferentes.
• Trabalho realizado sob os aupicios do Conselho Nacional de Pesquisa.
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ESCORPIÕES E ESCORPIONISMO NO BRASIL
Xeste trabalho são reunidas as espécies, R. mcUoleitãoi, as fêmeas de
R signatus Pocock. sob a subespécie: R. bonaricnsis aspcr (Poeock> 1893.
R. semiellypticus Prado é reexaminado, confirmando-se sua identidade, de
acordo com o ponto de vista de Buekup (7 . com Bolhriurus b. bonarifnsis
(Koch).
MATERIAL E MÉTODO
Os tipos ilas 2 espécies de Prado foram revistos e comparados com várias dezenas de
exemplares, procedentes dos mesmos lugares. Finalmente foi feito o confronto entre estes
exemplares e numerosos espéeimens de R.signatus Pocock, fêmeas e B.b.axprr com
71. b. bonaricnsis.
( omparam-se o colorido geral, a diversidade de granulação céfalo-torácica, as cristas
medianas e laterais inferiores, as cristas superiores e látero-su|ieriores dos segmentos caudais
1 até 4, a face ventral do 5.° segmento caudal, a face dorsal da vesícula, prineipalmentc
nos machos e o número da variação de dentes pertineos.
HR\ IS AO DOS TIPOS DE R. mctloleitã-.i E R. srmitflypticus PRADO
E SUA COMPARAÇAO COM AS FÊMEAS DE R. signatus POCOCK. R. b.
asprr (Pocock) E R. b. bonarifnsis (KOCH .
1. R. melloUitão Prado 1934 (4)
Ilolotipo- fêmea, colecionada por Sylvio Burian, nos arredores de Corum-
bataí. Estado de São Paulo. Coleção esc» rpiônica do Instituto Hutantan sob
o X.° 68. no frasco X.° 11.
Diz Prado: "Esta espécie é afim de R. signatus, da qual se distingue:
a) pelo número de dentes pectíneos;
b) pela disposição das granulações ventrais no 5.° segmento caudal;
') por pequenas diversidades no colorido geral.
O confronto do exemplar típico com outros da mesma procedência e com
exemplares de R. signatus elimina, de uma vez. a.s “pequenas diversidades de
colorido". Quem trabalha com escorpiões sabe que. quanto ao colorido, ocorrem
em cada espécimen ligeiras variações dos matizes de fundo e das manchinhas
nas pernas e nos palpos. A êstes não se deve dar importância, enquanto o
colorido geral, as faixas, estrias, etc.... forem idêntic s.
Quanto à disposição das granulações ventrais do õ.° segmento caudal não
vemos, entre o tipo de Prado e o R. signatus, diferença alguma. A crista
ventral mediana, o arco semi-ovalar, as granulações dentro dêste are i e fóra
dele. são idênticas em ambas as espécies e diferem bastante dos desenhos.
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Mvm. In*t Butantan.
2*: i-io. 1957/58.
WOLFttAXfS BrCHKKL
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apresentados por Prado, à página 148 das Memórias do Instituto Butantan
e por C. Mello-Leitão, à página 178 do volume 40 dos Ârqnivos do Museu
XacionaL A figura 1 dêste trabalho apresenta a granularão eerta do tipo de
Prado, idêntica à de B. signatus, cujo desenho característico é apresentado
à página 190 do volume 40 des Arquivos do Museu Nacional.
Os dentes peetíneos são apenas 10 no tipo de Prado, enquanto que para
as fêmeas de R. signatus contaram-se 12-14 nas fêmeas.
•lá Pocock (5) tem constatado que em signatus há variações no número
de dentes peetíneos, tanto nos dois sexos como entre exemplares do mesmo sexo.
hxa minando-se um número maior de espécies verifica-se que o número de
dentes peetíneos nas fêmeas de R. signatus pode subir até 17 e descer até 10,
sendo o número de 14-15 a média mais frequente. O exemplar de Corumbataí,
descrito por Prado, apresenta realmente 10 dentes pectíne s, a formar justa¬
mente o número mais baixo das fêmeas de B. signatus.
A identidade entre as fêmeas de 11. signatus e B. b. asper é convenien¬
temente estabelecida pelo confronto dos seguintes caracteres:
a) Colorido ■. Brúneo-fusco. com uma faixa mediana longitudinal amarelo
clara no dorso dos tergitos.
b .Y li mero dr dentes peetíneos: de 10 a 18, geralmente 14 a 15.
c i Face inferior do 5 segmento caudal: com crista em forma de arco semi-
elíptico, em geral não completamente fechado no meio; com 1 crista
mediana longitudinal, que pode consistir apenas em alguns grânulos ou
extender-se até a metade ou um pouco além da metade do segmento.
Dentro e fora do arco há granules esparsos, mais ou menos numerosos.
d Cristas nos primeiros i segmentos caudais: cristas ventrais medianas e
laterais pràticamente ausentes, podendo haver no l.° segmento 4 ligeiras
elevações, sem grânulos, na área posterior. No lado dorsal existem 2
cristais medianas e 2 laterais, mas sempre interrompidas no meio e mais
nítidas principalmente nas áreas posteriores de cada segmento.
2. B. semicllypticus Prado 1934 (6)
Ilolotipo-fêmea, capturado em Curitiba. Paraná e depositado na coleção
escorpiônica do Instituto Butantan, sob o N.° 72, no frasco X.° 15.
Buckup ( i ) demonstrou, em 1957, que os caracteres morfológicas das
fémeas de R. bonaritnsis incluem perfeitamente as de semicllypticus e nós
podemos acrescentar que o característico principal, que fêz com que Prado eha-
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ESCORPIÕES E ESCORPIOXIS1IO XO BRASIL
masse à sua espécie (um único exemplar) de B. semiellyplicus e que seria
“... o desenho que os grânulos maiores parecem traçar na porção ventral e
basilar da vesícula”, só é visível, quando se faz incidir a luz da lâmpada de
iluminação do microscópio sob certo ângulo e que a mesma imagem, sob idênticas
condições, pode ser reproduzida com escorpiões de B. bonaricnsis.
Infelizmente enviou o autor ao senhor Mello-Leitão apenas o desenho e
não o próprio exemplar (fig. 1 da página 66 da Revista da Biologia e Hygiene,
vol. 5; 1934). Êste desenho fôra executado por um leigo e não corresponde
nem à descrição que o autor fornece da espécie. Os desenhos X.°* 2 e 3 dêste
trabalho mostram a face ventral do 5 o segmento caudal e da vesícula e um
aspecto dorsal dos primeiros 4 segmentos caudais da espécie de Prado e que não
se distinguem de B. b. bonaricnsis.
Os 17 dentes pectíneos do tipo de Prado podem ocorrer igualmente em
fêmeas de B. b. bonaricnsis, com foi demonstrado pelo gráfico 2 do trabalho
de Buekup (17).
discussão
Buekup invalidou simplesmente a espécie B. asper e a pôs em sinonimia
com B. bonaricnsis. Embora apresentasse argumentes convincentes no tocante
à sinonimia de B. semieUypticUs com B. bonaricnsis, há contudo, 2 fatos no
tocante à espécie B. asper, que aconselham prudência.
Em primeiro lugar examinamos machas de B. b. asper. que não apresentam
exeavação alguma na face superior da vesícula, característica para todos os
machos de Bonaricnsis. O segundo caráter, que considero diferencial, consiste
na faixa amarela longitudinal, bem nítida, a percorrer, sem interrupção, o
cefalotorax e o preabdomen de 6 . asper, ausento totalmente ou pelo menos com
esta nitidez em b. bonaricnsis.
Ainda dá que pensar a atitude de Poeock, autor de B. asper e profundo
conhecedor de B. bonaricnsis, quando diz: “...the 2 inwardly curved obliqúe
lines as in B. bonaricnsis”. Comparou, pois, as 2 espécies e nelas achou
diferenças.
Sabemos hoje, à luz de maior número de exemplares comparáveis, que
Poeock não foi feliz com a espécie asper, baseada apenas em um macho jovem
de 24 mm de comprimento total.
Apesar disto, entretanto, outros autores, como Kraepelin. Mello-Campo,
colocando as diferenças morfológicas de asper e de bonaricnsis nas devidos
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Mem. In»t. Butantan.
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termos, chegaram a reccnheeer em aspcr, não uma espécie própria, mas uma
sub-espécie cie bonaríensis.
Pelas nossas comparações estamos inclinados a abraçar êste ponto de vista.
Aliás o “habitat" de B. b. aspcr é o nordeste do Brasil. O tipo é de
Iguaraçú, Estado de Pernambuco, enquanto que, segundo Pocock, Kraepelin,
Mello-Leitão, nós e Buekup. B. b. bonaríensis é o escorpião mais comum da
orla do Atlântico, desde Paraná. Santa Catarina, principalmente porém, Bio
Grande do Sul, Uruguai e Argentina (Montevidéu, Buenos Aires e La Plata).
Examinamos grande número de B. bonaríensis do Rio Grande do Sul, ao
todo 197 exemplares, enviados ao Butantan por Eugênio Wedelstnedt Gruman,
procedentes de:
Theresópolis, Mun. de Pôrto Alegre
— 4
machos; 20
fémeas e 4
filhotes
Ipanema .
... 5
” ; 8
ff
ff
Porto Alegre .
O
” ; g
” ; i
ft
Três Vendas .
O
” ; i
" ; i
ff
Morro da Policia (P. Alegre) .
•>
ff . j2
ft
Vila Conceição (Livramento) .
... 3
” ; i
ff
Serraria .
4
ff •
Morro das Albertas .
3
»» •
Tristeza .
.
i
*» .
Belém Velho .
M ,
t
Vila Florida .
ff m
9
Bagé .
1
tf ,
Monte Alegre (Mun. Gen. Câmara) .
1
M .
Morro do Côco (Mun. Gravata!) .
0
” ; 4
” ; i
tf
Morro do Limoeiro (Gragatai) .
.. 1
ff •
Lagôa do Lessa .
" ;
i
tf
Lngòa Emboaba (Mun. Farroupilha) .
.. 3
ff •
Guaiba .
1
ff •
Itapoã (Mjq. de Viamão) .
1
ff •
Ipacaraí (Mun. Dom Pedrito) .
•* ; 6
ff •
Taboleiro (Lavras do Sul) .
i
tf
Santa Tecla (Bagé) .
O
M .
Morro de Sáo Pedro (P. Alegre) __
.. 1
9
Tainhas-Cambará .
1
ff •
9
Bexiga (Mun. Rio Pardo) .
1
fêmea; 1 filhote;
Morro do Sabiá (I*. Alegre) .
macho.
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g ESCORPIÕES K ESCORPIOXISMO XO BRASIL
Em nehuni vimes a faixa clara, nítida, sem interrupção, no dorso do
preabdomen, embora constatássemos ai zonas mais claras, em apreciável per-
centagem de animais.
Estamos, pois, de acordo com Buckup. de que asper não seja uma espécie
própria. Mas continuamos, até obtermos argumentos mais convincente», a
considerar a mesma como sub-espécie de B. b. bc/naricnsis.
CONCLUSÃO
Bothriurus asper Pocock, posto por Buckup em sinonimia com B. bona-
ritnsis (Koch). continua como sub-espécie desta última, com o nome de Bothriu¬
rus bonariensis asper (Pocock).
A esta sub-espécie são idênticas as espécies: Bothriurus melloleitãoi Prado
e a fêmea de Bothriurus signatits Pocock.
Xo tocante à identidade de Bothriurus semiellypticus Prado com a fêmea
de Bothriurus b. bonariensis (Koch podemos confirmar o ponto de vista do
Buckup.
São necessárias outras pesquisas sistemáticas, para dirimir plenamente as
dúvidas a respeito de B. b. asper, do macho de B. signatus e de tôdas as . utras
espécies recentes do gênero Bothriurus.
Agradecemos a colaboração da senhora Johanna Brandstãtter, estagiária do Instituto
Bntantan.
RESUMO
Bothriurus melloleitãoi Prado 19-54 e a fêmea de Bothriurus signatu >
Pocock 1893 são colocados em sinonimia com Bothriurus bonariensis asper
( Pocock> 1893. A esta última atribui-se apenas valor sub-específieo, demarcado
nos machos c nas fêmeas pela faixa amarela, muito nítida e ininterrupta, a
percorrer todo o preabdomen, sem manchinhas escuras na zona da faixa e pela
ausência, nas machos, da exeavação redonda no lado dorsal da vesícula.
Bothriurus semiellypticus Prado 1934 é idèntic > ao Bothriurus bonari* ito..
(Koch) 1842, segundo já tinha constatado Buckup.
ZUSAMM ENFASSüNG
Bothriurus melloleitãoi Prado 1934 uud das Weibchen v n B. signatus
Pocock 1893 werden ais identisch mit B. b. asper i Pocock) 1893 Itcschrieben.
Letztere hat hõchstcns den taxonomischen Wert einer Unterart von b. bona-
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riensis (Koch), von der sie sich durch nichts ais den gelben Liingsstreifen auf
dem Prabdomen und bei den Mannchen auch noch durch das Fehlen der
Xapfgrube auf der Oberseite der Blase unterseheidet.
B. semiellypticus Prado 1934 ist mit li. b. bonariensk identiseh.
BIBLIOGRAFIA
1. Kraepelin, K. — Das Tierreieh-Scorpiones und Pedipalpi-Rerlin, 1899.
2. — — — — Mitt. Mus. Hmburg 28: 59-99, 1911.
3. Mello-Leitão, C. de — Kseorpiões Sul-americanos — Arqu. Mus. Xac. Rio de Janeiro,
40, 1945.
4. Prado, A. — Mcm. Inst. Rjtantan 8: 147-148, 1934.
5. Poeoek, R. — Ann. Mag. Xat. Hist. (6), 12: 97, 1893.
6. Prado, A. — Rev. Biol. Hjg-, São Paulo, 5: 65, 1934.
7. Burkup, E. II. — Ilieringia — Sér. Sient. Mus. Rio-Orandense Ci. Xat-Zool. 7: 133,
1957.
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2- 111- 1937/-.
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ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO NO BRASIL
VII. SIXOXÍMIA DK Bothriurus fragilis M. L. 19:54 e B. zcugma M. L.
1945 COM B. rocha» M. L. 1932, COM O NOME DEFINITIVO DE
Bothriurus coriaccus rochai (Mello-Leitüo) 1932*.
WOLFGANG BÜCHERL
(laboratório âr Zoologia Mrdica, Instituto ISutanlan)
INTRODUÇÃO
Xo VI. trabalho sôbre ESCORPIÕES E BSCORPIOXISMO XO BRASIL
colocamos B. mcllolcitaoi e B. scmiellgpticus na sinonímia de B. signatus Po-
cock 1893, apesar de ter esta espécie sido muito mal caracterizada pelo seu
autor.
Continuando esta revisão das • spécies do gênero Bothriurus Peters 1861,
a fim de obter maior clareza nas questões de sistemática e nomenclatura is, reu¬
nimos agora, em base de dados morfológicos e por parentesco geográfico e eco¬
lógico, as espécies descritas do Brasil.
São estas Bothriurus fragilis. zatgma e rochai, descritas por C. de Mello*
-Leitão da Paraíba, da Bahia e do Ceará respectivamente.
Xas mesmas regiõs costumam ocorrer também B. b. asper (Pocock) 1893
e B. coriaccus Pocock 1893.
À medida que avançamos no estudo comparado de um número relativa¬
mente elevado das 3 espécies de Mello-Leitâo, começamos a suspeitar de que
-eriam na realidade apenas uma. muito próxima de*’/?. coriaccus.
A discordância a respeito do local típico de B. zatgma. indicado por Mel¬
lo-Leitâo como sendo Iguaçu, no Estado do Paraná (1), pôde ser desfeita pela
revisão do tipo e dos paratipos do Museu Xaeional. onde vimos, ser Rio Gran¬
de no Estado da Bahia a verdadeira procedência, devendo ter ocorrido troca
de etiquetas.
* Trabalho realizado sob os auspícios <lo Conselho Nacional <le Pesquisas.
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ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO X O BRASIL
MATERIAL E MÉTODO
As rárias dezenas de escorpiões do gênero Bothriuru*, procedentes dos Estados do Ceará,
da Paraíba, de Pernambuco e norte da Bahia, foram confrontados um por um, aferindo-se os
seguintes caracteres:
o comprimento total, para ver se o exemplar era adulto ou jovem;
o colorido no dorso do eefalotorax e preabdomen e na face inferior da cauda;
o sexo, em relação ao número de dentes pectíneos, a face dorsal da vesícula e a presença
ou ausência de uma excavação ou de uma apófise espiforme na base dos dedos da mão;
as estruturas granulares e cristas granuladas ou não do último tergito, do último esternito.
dos primeiros 4 segmentos caudais e principalmente da face ventral do 5.° segmento caudal.
Terminado èste estudo preliminar com o material escorpiônico do Instituto Butantan,
foi nos possibilitado, em começos de 1953, pelo senhor José Cândido de Mello Carvalho e
José Lacerda de Araújo Feio, rever os tipos, paratipoides c demais exemplares, depositados
na coleção escorpiônica do Museu Nacional no Rio de Janeiro.
A aferição das estruturas granulares e a contagem dos dentes pectíneos foi executada
com lupa binocular c as medições abrangiam fracções de milímetros.
COMPARAÇÃO DE b. rachai, b. fbaoilis, b. zel o si a E b. «muaczvs
Para facilitar a compreensão damos as descrições originais das espécies
segundo seus autores;
1. Bothriurus roriacr us Poeock 1892 (2):
“Macho-carapaça escura, com manchas ferruginosas; cauda ferruginosa, na
face ventral com estrias longitudinais; parente de B. bonaritnsis ; l.° segmento
caudal sem cristas ventrais medianas; as inferiores laterais absoletas, isto é,
existem apenas um ou 2 grânulos distais; medianas e laterais inferiores ausentes
em 2, 3 e 4; cristas medianas superiores presentes em 1 a 4; laterais superiores
presentes, mas apenas distais no 2.® e qiasi ausentes em 3.®, ausentes no 4.’
segmento; face ventral do 5.® segmento com crista cm forma de arco e 1 crista
longitudinal mediana (curta ou mais longa) e com 2 cristas laterais (muito curtas
ou até o comprimento da mediana); dentro da área do arco alguns grânulos;
vcaíeula do macho com face dorsal plana e com robusta apófise na mão, na base
do dedo móvel; 15 a 18 dentes pectíneos.
Comprimento total: 48 mm; Local-tipo: Chili.
Diferença de bonarirnsi* : apenas pelas 2 cristas laterais na face inferior do
5.® semento.”
Chamamos a atenção dos interessados que C. de Mello-Leitâo, ao fazer a
redeserição desta espécie, em 1945 (1), às páginas 159 a 161, com a figura
51. confundiu esta espécie eom B. burmeitterí, que apresenta ainda 2 cristas
paramedianas, na face ventral do 5.° segmento caudal.
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b. In«S. Butantm.
11 * 1 #. 195 ?/#.
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2. Botkriurtu rochai Mello-Lcitão 1932 (3):
“Macho; 48 mm de comprimento; eõr de palha uniforme (o aracnídeo fora
enviado fóra do álcool, em estado dessecado) ; último tergito eom um esboço de
cristas longitudinais; último esternito sem cristas; cauda sem cristas inferiores
nos segmentos 1 a 4; segmentos 1-3 com cristas superiores medianas; as supero
laterais presentes apenas por alguns grânulos epicais; face inferior do 5.° segmen¬
to caudal com 1 crista longitudinal mediana que pode ir até além da metade pos¬
terior do segmento; o arco, formado por grânulos não muito saliente, não está
fechado no meio, mas é deseiado, seguindo os 2 ramos para a frente, paralela¬
mente à crista mediana, podendo atingir o comprimento desta (às vêzes um ramo
é mais curto que o outro); dentro do arco alguns grânulos; face superior da
eesicula plana ; 22 dentes pcetineos ; mão com robusta apófise espiniforme.
Local-tipo: Ceará.”
3. Bothriurtu fragilu Mello-Leitão 1934 (4):
“Macho; 42 mm; ecfalotorax mannorado de castanho; face inferior da eauda
eom 2 faixas fuscas; último esternito s?m cristas; cauda sem cristas inferiores
nos segmentos 1-4; cristas medianas superiores completas, as laterais superiores
mais nítidas epicalniente; face inferior do 3.° segmento eom 1 crista mediana
longitudinal; no arco, formado por grânulos não muito salientes, não está fcehado
no meio, seguindo os 2 ramos para a frente, ao longo da crista mediana, podendo
um ser mais longo; dentro do arco e entre as cristas alguns grânulos; face
superior da vesícula plana; 24 dentes pcetineos; mão com robusta apófise.
Local-tipo: Campina Grande, Paraíba.”
4. Bothriunt* imputa Mello-Leitão 1945 (1):
“Macho; 36 mm; eeíalotorax com algumas manchas negras; eauda com faixas
negras inferiores; último esternito sem cristas; eauda sem cristas inferiores nos
segmentos 1-4; cristas medianas superiores completas, as laterais superiores mais
nítidas apicalmente, mareadas na frente apenas por saliências das bordas; face
inferior do 5.° segmento com 1 crista longitudinal, que vai até o 1.* terço; eom
arco aberto no meio e eom 2 cristas laterais; dentro do arco há grânulos; face
superior da vesícula plana ; mão com apófise. (O autor não menciona o número
de dentes pcetineos do macho, mas assinala 18 para a fémea).
Local-tipo: Rio Grande, Estado da Ilahia (e não: Iguaçu. Paraná).”
A simples comparação «las descrições de rochai, fragilis e zcugina não
deixa dúvida, de «pie as três espécies são realmente tinia só c esta mesma sc
distinguiria de B. coriaceus apenas pelo número de dentes pectíneos mais ele¬
vado (15-18 em coriaceus; 2*2 a 24 nos machos das 3 espécies e 18 na fémea de
zeugma).
O próprio Mello-Leitão assinala «pie a região do nordeste abriga também
as espécies B. as per e B. coriaceus (1).
O material do Instituto Butautan, proeedente desde Alagoinha no Estado
da Bahia até o Ceará, se enquadra de fato ou sob B. asi>cr (que deveria ser
chamado melhor de B. bonariensis asper) e B. coriaceus, com 15 a 16 dentes
pectíneos para as fêmeas.
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Xo frasco X.° ll/III da coleção escorpiôuiea do Museu Xaeional do Rio
de Janeiro encontramos 2 fêmeas de X.° 41.816, procedentes do Ceará, clas¬
sificadas por Mello-Leitão como B. asper. mas que, na realidade, pertencem a
êste grupo, para o qual propomos o nome de Bothriurus coriaccus rochai Mel¬
lo-Leitão 1932. Tem 21 dentes pectíneos e 2 curtas cristas laterais na face
ventrai do 5.° segmento caudal, em nada mais se distinguindo das descrições
dos machos de rochai, fragilis ou zeugma.
Revimos o tipo de B. fragilis (vidro 10/IV; X.° 48.418), depositado no
Museu Xaeional e uão constatamos nada que justificasse uma espécie nova.
Xo frasco X.° 10/IV, sob o mesmo número e do mesmo local de proce¬
dência, há um segundo macho, com 23 dentes pectíneos, com 2 cristas laterais
curtas, formadas apenas de 5 a 7 grânulos enfileirados longitudinalmente, na
face ventral do õ.° segmento caudal. Inexplicavelmente Mello-Leitão tinha
classificado êste exemplar como B. coriaccus, não como paratipóide de fragilis.
Os 4 exemplares de B. zeugma, depositados no frasco 10/IX: 3 machos
com 24 e 23;22 e 23;23 e 24 dentes pectíneos de cada lado respectivo c 1 fê¬
mea com 18 c 19 dentes pectíneos, capturados pelo dr. Moojen no Rio Grande,
Estado da Bahia (e não Iguaçu, Paraná), apresentam a crista mediana longi¬
tudinal da face ventral do 5.° segmento caudal, formada por uma fileira sim¬
ples de grânulos (e não dupla, como diz Mello-Leitão) ; apenas dentro do arco
se duplica de certo modo, esta fileira. Xum outro macho há mesmo uma fileira
tripla, mas somente dentro da área do arco.
Xada encontramos que justificasse uma espécie nova.
Examinamos ainda 8 exemplares de Alagoas, etiquetados com o X.° 27062
(Museu Xaeional), podendo confirmar o diagnóstico de B. bonariensis asper
de Mello-Leitão. As fêmeas têm geralmente 17 dentes pectíneos e 1 crista
longitudinal mediana na face ventral do 5.° segmento caudal.
O exemplar de X.° 58.356, etiquetado com Xordeste 10571, R. Ihering col-
legit. é um macho com 19 dentes pectíneos e sem crista longitudinal na face
ventral do 5.° segmento caudal. Pertence a B. bonariensis asper.
Einalmente encontramos sob os X.°s 41.815 — Ceará — macho — 23 e 24
dentes pectíneos e X.° 41.817 — Xordeste 276 — fêmea — 19 e 19 dentes pectí-
neos — dois representantes que não se diferenciam do grupo coriaccus rochai
a não ser pela face ventral do 5.° segmento caudal, onde ex ste um arco semi-
-elíptico, l crista longitudinal mediana, 2 cristas laterais mais curtas um pouco
e mais 2 cristas paramedianas, muito curtas no exemplar do nordeste, mais
longas mesmo do que as laterais no exemplar do Ceará.
t > pouco material não nos ajuda a um pronunciamento, principalmente
porque também no exemplar macho, designado por Mello-Leitão como B. zeug¬
ma. constatamos que o arco da érea posterior do 5.° segmento caudal descreve
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-JH: lMâ. 1957/8.
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na zona mediana uma curva para a frente, acompanhando os 2 ramos, com 2 a
■i grânulos, a orientação da crista mediana. Também neste exemplar há, pois.
1 crista mediana, 2 curtas cristas laterais. 1 arco e 2 curtíssimos prolongamen¬
tos do arco, na linha mediana, a formarem um “começo” de 2 cristas parame-
dianas.
Estas cristas paramedianas seriam flutuantes?
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Tanto a comparação das descrições dos escorpiões do Ceará — B. rochai , de
Campina Grande. Bahia — B. fragilis, de Rio Grande. Bahia — B. zeugma,
como a revisão dos tipos e paratipóides e demais exemplares das coleções do
Museu Nacional e do Instituto Butantan, convencem a qualquer um de que, de
fato. as 3 espécies formam o grupo do Bothriurus coriaccus 1'ocock 1893. dis¬
tinguindo-se apenas (e nem isto, quando se consideram as fêmeas) pelo nú¬
mero mais elevado de dentes pectíneos dos machos.
A única nota dissonante é que Pocoek fôra muito lacônico ao descrever a
coriaccus e o material dêle era muito mal conservado e etiquetado apenas com
“Chili” c “Valcheto”.
Entretanto, o próprio Mello-Leitão assinala (1) que coriaccus era, ao lado
de II. b. asper , frequente no nordeste do Brasil.
Justifica-se. pois, plenamente, o estabelecimento de Bothriurus coriaccus
rochai Mello-Leitão 1932, como sendo, ao lado de B. b. asper, o Botriurideo
mais frequente nas zonas áridas dos Estados do nordeste do Brasil.
Sua caracterização morfológica seria a seguinte: “Marmorado de negro
ou marron escuro, com faixas mais claras na face inferior da cauda; último
tergito geralmente sem esboço de cristas, podendo existir algumas saliências
longitudinais; último esternito sem cristas; faee ventral dos primeiros 4 seg¬
mentos caudais sem cristas medianas e laterais; faee superior com 2 cristas
medianas, mais nítidas geralmente nos primeiros 3 segmentos; as cristas la¬
terais se notam apenas sob a forma de alguns grânulos, mais numerosos apical
do que basalmente; na área distai, entre os grânulos das cristas medianas
c laterais pode haver mais alguns grânulos, em fileiras curtas, um tanto atra¬
vessadas e de percurso mais ou menos irregular; faee ventral do f>.° segmento
caudal com arco posterior, geralmente não fechado no meio; com 1 erista lon¬
gitudinal mediana curta ou mais longa, até o l.° têrço ou mesmo além, de
percurso nem sempre muito regular, podendo haver alguns grânulos também ao
lado e, dentro da área do arco, com grânulos em fileira irregular simples, du¬
pla ou mesmo tripla; com 2 cristas laterais, bem curtas ou mais longas, podendo
um ramo ser mais extenso do que o outro. Podem encontrar-se espécimes, em
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que os 2 ramos, que vêm a formar o arco, não se fecham no meio, mas se abrem,
com 2 a 3 grânulos de cada lado, acompanhando a crista mediana. Seria isto
um esboço rudimentar de 2 cristas paramediana.s. (Para os exemplares do nor¬
deste. em que há pleno desenvolvimento destas 2 cristas paramedianas, não da¬
mos interpretação, por ora) ; fêmeas com 15 a 21. geralmente 17 a 20 dentes
pectíneos; machos com 18 a 24. geralmente 21 a 24 dentes pectíneos; face dor¬
sal da vesícula dos machos plana e com apófise espiniforme na face interna
da mão”.
Agradecemos à senhora Tatyana von Bezorowsky a colaboração na revisão da Coleção
eseorpiônica do Museu Xacional.
Ao diretor, José Cândido de Mello Carvalho e ao Chefe da Secção, Dr. José Lacerda
de Araújo Feio, do Museu Xacional, os nossos agradecimentos.
RESUMO
As espécies B. rochai M. L. 1832, B. fragilis M. L. 1934, B. zcugma M. L.
1945 e B. coriaceus Poeock 1893 são revistas tanto à luz da coleção eseorpiônica
do Instituto Butantan como da mesma do Museu Xacional do Rio de Janeiro,
chegando-se à conclusão de que as três primeiras formam, de fato, um grupo
só, muito próximo de B. coriaceus, com o nome de Bothriurus coriaceus rochai
Mello-Leitão 1932.
Esta subespécie vem. ao lado de B. b. asper, formando o Botriurideo mais
frequente nas zonas áridas do Nordeste do Brasil, desde o sul do Maranhão até
o Estado da Bahia.
ZfSA.M M KXFÀSSÜXG
Die Bothriurusorten: rochai M. L. 1932. fragilis M. L. 1934, zcugma M. L.
und coriaceus Poeok 1893 wurden kritisch vergleichend nachuntersucht, sowohl
an Hand der Skorpionsammlungen des Institutes Butantan wie aueh der Ein-
sieht der Typen und Paratypoiden des Museu Xacional in Rio de Janeiro.
Xach Vergleich aller ausschlaggebenden Merkmale, kamen wir zu dem Schlusse,
dass die drei Arten, Bothriurus rochai M. L. 1932. B. fragilis M. L. 1945 der
Art Bothriurus coriaceus Pocock 1893 sehr nabe stehen und deshalb am besten
mit dem Xamen Bothriurus coriaceus rochai (Mello-Leitão) 1932 bezeichnet
werden.
Der eigentliehe, von Pocock beschriebene, />. coriaces stammt aus Chile,
ohne náheren Fundort.
Xeben B. coriaceus rochai, der den hãufigsten Skorpion des Xordosten
Brasiliens. von Maranhão bis Bahia, vertritt. ais typischer Bewohner der wüs-
tenartigen Steppen, kommt in diesen Gegenden auch noch Bothriurus bona-
riensis asper (Poeock) 1803 vor.
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Mem. In*t. Butantan.
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Klimatologisch handelt es sieh um die trockenste Gegend Brasiliens. In
Ceará. Paraíba, Pernambuco und Xorden Bahias kann es. abgesehen vou einem
schmalen Streifen der Ozeankiiste entlang, iihrlich iiber 6 Monte nicht
regnen, so dass viele Flusslàufe vollstãndig verschwinden. Die Flora ist dureh
die, mit Dornen besetzte, “caatinga” gekennzeichnet.
Der für den Menschen vollstãndig harmlose B. coriacrus rochai , der die 3
genannten Arten in einer Unterart vereinigt, kann folgender-massen gekenn¬
zeichnet werden:
Riicken braunlich, mit gelblichen kleinen, unregelmãssigen Flecken ; auch
die Oberseite des Schwanzes und der Beine; Cnterseite der Cauda mit helle-
rcn unteren Lãngsstreifen. Letztes Tergit oft mit leistenartigen Erhebungen
an Stelle der Lãngskiele; letzter Sternit oline Kiele; 1. bis 4. Sehwanzglied
unterseits ohne jeden Kiel, oberseits mit 2 mittleren Lãngskielen. «lie oft nur
hinten und vorne «leutlicher sind; die 2 oberen Lateralkiele sind in den ersten
dr< i Segmenten «leutlicher und da auch wieder nur meist vorne und vor aliem
hinten , an den hinteren Ecken zwischen der Oranulierung der mittleren und
seitlichen Kiele noch eine zwei divergierende, unregelmãssige Kõrnchen-
reiheu; 5. Caudalsegment unterseits mit bogiger Querleiste, die meist in der
Mitte nicht geschlossen ist; ausserdem mit einen mittleren Lãngskiele. der nur
em Drittel, die Hãlfte oder sogar über zwei Drittel des Segmentes einnehmen
ann und «ler entweder einfach kornig ist «xler irgendwie unrcgelmassig kornig,
so dass oft zwei bis drei Komchen nebeneinander liegen ; hinten. innerhalb der
gigen Querleiste, sind die Kõrnchen meist doppelreihig ; ausserdem noch 2
Seitenkiele, von denen meist einer langer ais der andere ist und «lie gewohnlich
d,e IIa | f, e «les Segmentes kaum iiberschreiten; bei einigen Vertretern sielit
mau, \«i« die beiden Zweige «ler nicht geschlossenen bogigen Querleiste. in der
-Ltte naeh vorne streben und dann links und reehLs des Mittelkieles die Rudi-
mente zweier Xebenkiele bilden. «lie aber nur aus je 2 bis 3 Kõrnchen bestehen
uml sehr kurz sind. Miinnchen mit 18 bis 24. meist 21 bis 24, Weibehen mit
1' bis 21, meist 17 bis 20 Kammziihnen; Oberseite der Blase auch bei den
Mannchen sehwach eingedrückt, fast ganz flach. ohne Napfgrupe; bei Weib-
clien flach; Innenseite der Hãnde bei Mannchen mit Dorn am Grunde der
Finger.
Fundort-über die Xordoststaaten Brasiliens, von Maranhão bis Ceará Pa¬
raíba, Pernambuco und Bahia und wahrschemlich auch Piauí. Liinge bis
50 mm.
BIBLIOGRAFIA
1. Mello-Leitão, C. de — Anju. Mu*. Nacional Bio de Janeiro. 40: 194-196, 1945 .
-- Pocoek, R. I. — Ann. M.-ir. N*at Hist. (6) 12: 95, 1893.
3. Mello-Leitão. C. de — Arqn. Mu*. Nacional, Rio de Janeiro. 34: 24-25. 1932.
An. Acad. Bra». Sei., Rio de Janeiro, 6: 193, 1934.
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Mrm. In«t. BuOntan.
28 : 19 44 . 1957 / 8 .
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VIII. REVISÃO DAS ESPÉCIES DO GÉNERO Bothriurus DESCRITAS
DA ARGENTINA*.
WOLFGANG BÜCIIERL
(Laboratório de Zoologia Mfdica, Instituto llutantau)
INTRODUÇÃO
Continuando as nossas pesquisas sistemáticas e ecológicas sôbre os escor¬
piões do gênero Bothriurus — provàvelmeute um dos mais difíceis no intuito
de rever as espécies até agora descritas e separar as que tem realmente valor
sistemático, colocando em sinonímia as que não se podem diferenciar e justi¬
ficar, voltamos as nossas atenções para as espécies de Bothriurus, descritas co¬
mo ocorrentes na Argentina e nas partes do Uruguai e do Chile que confinam
com o primeiro país.
Para facilitar a supervisão enumeramos as espécies, estudadas neste tra¬
balho, por ordem alfabética, ajuntando o autor, o ano da descrição e o local,
de onde provieram os tipos, bem como onde estão guardados tanto quanto nos
foi possível averiguar:
1. B. alienicola Mello-Leitão 19.11; La Fcrrera, Prov. de Buenos Aires; 1
fémea — N.° 14.462. Museu Bemardino Rivadavia, Buenos Aires.
2. B. alticola Poeock 1900; Mendoza. Argentina; Museu Britânico; Londres.
•3. B. b. asper (Pocock) 1893; Iguaçu, Pernambuco; Museu Britânico, Lon¬
dres.
4. B. b. bonariensis (Koeh); 1842; La Plata, Argentina.
•">. B. burmeisteri Kraepelin 1894; Mendoza.
6. B. chilrtisis (Molina) 1783; Chile.
Trabalho realizado sob o® aupícios do Conselho Nacional de Pesquisa, apres-ntado
j.Tanto X.» reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progre»«o da Ciência, em São
Paulo, em julho de 1958.
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20 ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL
7. B. coriaceus Pocock 1893; Chile — 4 exemplares no Museu Britânico de
Londres, sendo 3 machcs e 1 fêmea, apresentando 2 a etiqueta:
“Chili” e os restantes (1 macho e 1 fêmea) — “Coquinho".
8. fí. díspar Mello-Leitão 1931; La Ferrera. Prov. de Buenos Aires; N.°
14.462. no Museu Bernardino Rivadavia, Buenos Aires.
9. B. docllojuradoi Mello-Leitão 1931; San Fernando, Prov. de Buenos Ai¬
res; X.° 24.723, no Museu Bernardino Rivadavia. Buenos Aires.
10. B. dorbignyi (Guérin) 1843; Bolívia.
11. B. elegans Mello-Leitão 1931; La Rioja; X.° 24.667 no Museu Bernardino
Rivadavia, Buenos Aires.
12. B. flavidus Kraepelin 1910; Bahia Blanca; Naturhist. Museum, Hamburg.
13. B. keyserlingi Pocock 1893; Chile cu Peru. Um só exemplar sêco e em
estado precário de conservação no Museu Britânico, etiquetado
“Chili" ou Peru.
14. B. pringUsianus Mello-Leitão 1931; Pringlos, Prov. de Buenos Aires;
X.° 26.651 no Museu Bernardino Rivadavia. Buenos Aires.
15. B. prospicuus Mello-Leitão 1934; La Ferrera, Prov. de Buenos Aires;
X.° 21.707, no Museu Xacional do Rio de Janeiro (1 macho).
16. B. signatus Pocock 1893; Teresópolis, perto do Rio de Janeiro; Museu
Britânico, Londres.
17. B. ypsilon Mello-Leitão 1935; Pampa.
Vê-se que da Província de Buenos Aires foram descritas nada menos de
9 a 10 espécies; de La Ferrara 3 espécies, de Mendoza 2. Os autores destas
espécies possuíam, na maioria dos casos, apenas um único exemplar, não se
dando ao trabalho de refletir sôbre o possível aspecto morfológico do outro
sexo, não descrito; não estabeleciam as necessárias comparações com as outras
espécies.
Propusemo-nos. pois, uma revisão cuidadosa destas 17 espécies.
MATERIAL E MÉTODO
Comparamos, primeiro, as descrições originais dos autores das espéeies de Bolhnuru» e
os desenhos por êles feitos. Em seguida comparamos as redescrições, feitas mais tarde,
por outros autores. Xão poucas dissemelhanças, omissões e inovações injustificadas e erros
de tradução, etc., foram constatados.
De posse das descrições certas iniciamos o trabalho principal da revisão d? todos os
escorpiões, desde o Rio Grande do Sul até a Argentina e o Chile e, no tocante a R.b.atpcr
desde o nordeste do Brasil.
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Várias centenas de exemplares da COLEÇÃO ESCORPIôNICA do Instituto Butantan
e da COLEÇÃO PARTICULAR de Eugênio Wedelstaedt Cruman, de Porto Alegre, foram
comparadas, um por um, aferindo:
o sexo;
o colorido geral, predominante, principalmente no tocante à existência ou não de faixas
ou estrias;
a existência de cristas no último tergito e no último esternito do pre-abdomen e dos pri¬
meiros 4 segmentos caudais;
o aspecto morfológico da face ventral do 5.® segmento caudal, no tocante à existência ou
não de uma crista semi-elíptica posterior, 1 crista mediana longitudinal, 2 cristas laterais
e 2 cristas para-medianas.
Xos machos foram comparados ainda:
a existência ou não de 1 apófise espiforme na face interna da mão, porto da base dos
dedos e a face dorsal da vesícula para verificação de uma excavação ou não.
Os meses de trabalho foram recompensados pola constatação de que era possível reu¬
nirem-se as espécies desta grande região em grupos regionais, com o prevalescimento da
espécie típica do local.
Para obtermos maior certeza ainda, fomos, em começos de 1953, ao Museu Nacional,
no Rio de Janeiro, onde examinamos minuciosamente tôdn a COLEÇÃO ESCORPIONICA,
deixada a! por Cândido de Mello-Leitão e que contêm várias dezenas de exemplares, jus¬
tamente daquelas espécies argentinas, descritas por íste autor como novas, além do precioso
material de comparação, coletados nos lugares típicos, l>em como os tipos e os (rara-tipos.
fcstes estudos vieram a confirmar a necessidade de uma revisão nomenclatura! dos
Itotriurídeos do sul e sudoeste da zona ncotrópica, no sentido da abolição de um elevado
número de espécies novas.
Para não alongar desnecessàriamente o trabalho, omitimos as minúcias descritas de
somenos importância, restringindo nos à caracterização essencial de cada espécie. Os inte¬
ressados poderão reler aquelas nas publicações dos respecitvos autores.
COMPARAÇAO DAS ESPÉCIES
1- Grupo: li. alienicola — It. flavidus — II. pringitsiaiius:
Nome definitivo:
Bothriunu flavidut Kraepelin 1910.
a» B. olumcola (1) : “Cauda com 3 faixas ventrais longitudinais; último
tergito com saliências quase imperceptíveis no lugar das cristas; último es-
temito com idênticas saliências na zona das quilhas medianas e 2 elevações
ainda menos nítidas no lugar das quilhas laterais: segmentos caudais 1-4 com
cristas superiores medianas e laterais pouco nítidas, melhor desenvolvidas em
frente e apicalmente; no l.° e 2.° segmento as cristas ventrais medianas e la¬
terais são mais ou menos nítidas, principalmente nas fêmeas, menos nos ma¬
chos ou então, são presentes apenas em ambos os sexos na segunda metade de
cada segmento; no 3. e 4.° segmentos não há cristas inferiores medianas; mes-
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<>2 ESCORPIÕES E ESCORPIONISJIO NO BRASIL
mo as inferiores laterais costumam estar ausentes ou existem apenas apical-
mente, sem possuírem grânulos. Faee ventral do 5.° segmento caudal bas¬
tante granulosa, principalmente na metade distai, de maneira que o arco semi-
-elíptieo não sobressai com tôda a nitidez; sem cristas longitudinais (Fig. 1).
l.‘l dentes pectíneos de cada lado”.
Mello-Leitão tinha fundamentado esta espécie em uma única fêmea, não
correspondendo o desenho N\° 42 em "Escorpiões Sul-americanos” (2) à rea¬
lidade.
b) />. flavidus (3) : "Cauda eom 2 faixas ventrais longitudinais escuras,
ladeando 1 faixa amarela mediana; último tergito com 4 quilhas na metade
posterior; idem o último esternito; segmentos caudais 1 — 4 com 2 quilhas
dorsais medianas nítidas, mais perceptíveis apicalmente; as 2 quilhas dorsais
laterais também não granuladas em tôda a sua extensão, mas apenas, de vez
em (piando, apicalmente; as 2 quilhas ventrais medianas são obsoletas na fê¬
mea, mas ainda perceptíveis nos 4 segmentos; no macho só se apresentara no
l.° segmento ou ainda no 2.°; ausentes no 3.° e 4.°; quilhas inferiores laterais
obsoletas nos 2 sexos, podendo existir, principalmente nas fêmeas, no l.° e 2.°
segmento; ausentes em ambos os sexos no 3.° e 4.° segmentes; face inferior do
5.° segmento caudal com arco semi-elíptico no têrço posterior, geralmente não
completamente fechado no meio. abrindo-se os 2 ramos em orientação para a
frente; há geralmente um esboço de crista mediana longitudinal, formado por
alguns grânulos (vide fig. 2), nem sempre muito apreciável; dentro da área
e fora bastante grânulos, como em alicnicoh”.
Kraepclin. ao descrever esta espécie, dispôs apenas de 1 macho relativa¬
mente jovem (de 33 mm de comprimento total), de Bahia Blanca e de 1 fê¬
mea, ainda menor e por isto não descrita, de procedência desconhecida.
Examinamos 2 exemplares desta espécie, depositados no Museu Nacional
do Rio de Janeiro, sob os X.s 21.708 e 11.293, fêmeas, com 13 dentes pectíneos
de cada lado e a face ventral do 5.° segmento caudal, conforme a figura 2
(frasco X.° 10/IV, Museu Nacional). A fig. 60 de Mello-Leitão (2) não apre¬
senta a reprodução muito fiel do arco semi-elíptico da face ventral do 5.° seg¬
mento caudal.
e) B. pringlesianvs (4): “Face ventral da cauda com as 3 faixas das 2
espécies precedentes; quilhas do último tergito, do último esternito e das fa¬
ces dorsal e ventral dos primeiros 4 segmentos caudais iguais às das 2 espécies
anteriores; face ventral do 5.° segmento sem cristas longitudinais; com arco
posterior; dentro da área do arco com 8-10 grânulos maiores, entre numerosos
menores, que existem também fora do mesmo e com mais um amontoado de
grânulos menores na área posterior do arco; quanto ao conjunto todo, igual
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às espécies precedentes (vide fig. 3). Face dorsal da vesícula do inacho com
escavação cordiforme, sem fumo amarelo; face interna da mão do macho com
apófise espiniforme; 12-13 dentes peetíneos cm ambos os sexos".
Examinamos o paratipo, de X.° 11.291 do Museu Nacional do Kio de Ja¬
neiro (frasco 10/X) e verificamos lã dentes peetíneos em cada lado (e não
12-13) as 2 estrias escuras ladeiam a faixa mediana, longitudinal na face
ventral des segmentas caudais, como em Fkividus. alargando-se as duas faixas
na borda posterior de cada segmento; a exeavação do dorso da vesícula e a
apófise da mão corresponde às descrições de Mello-Leitão.
O tipo-fêmea, depositado no Museu Rernardino Rivadavia, em Ruenos
Aires também não nes parece ser um exemplar adulto, pois tem apenas 30 mm
de comprimento total.
Kraepelin tem sido muito lacônico, ao descrever a espécie flavidus, não
mencionado a existência da exeavação dorsal na vesícula tio macho. O con¬
fronto, entretanto, das 3 espécies não deixa dúvida de que as mesmas são, de
fato, uma só, para a qual deve prevalecer y nome de B. flavidus.
I"lteriores estudos dirão se flavidus encontra ou não uma justificação es¬
pecífica. Tudo relaciona a mesma com li. bonarímsis, com a qual apresenta
um parentesco, a justificar provavelmente apenas uma raça.
2. Grupo: II. alticola — B. díspar — B. prospicuus:
Nome defintivo:
Bothriurus alticola Pocoek 1900.
a) B. alticola (5): “Face ventral da cauda com 2 faixas longitudinais
escuras, que ladeiam uma faixa mediana mais clara. Em exemplares escuros,
as 2 faixas são menos nítidas; prevalecendo o cinza ou amarelo no colorido ge¬
ral; a faixa mediana é indistinta. Último tergito apenas com indicação de 4
quilhas posteriores; as 4 cristas do último esternito são mais nítidas; face dor¬
sal dos primeiros 4 segmentos caudais com cristas medianas e laterais com¬
pletas. podendo haver no l.° e às vêzes ainda no 2.° uma crista superior aces¬
sória; face inferior dos mesmos segmentos apenas com quilhas não granuladas,
muito leves ou quase imperceptíveis, principalmente nos segmentos 3 e 4. mas
também já no 2.°; face ventral do ã.° segmento caudal com 5 cristas longitu¬
dinais, sendo 1 mediana. 2 laterais e 2 paramedianas. mas tôdas elas mais ou
menos curtas, podendo consistir apenas de 2 a 3 grânulos; as cristas pararae-
dianas são recurvas e vêm a formar, ua área posterior, o arco scmi-elíptico;
IMxlem apresentar-se também interrompidas: machos com lã dentes peetíneos.
fêmeas com cêrca de 20”.
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24
ESCORPIÕES E ESCORPIONISMO NO BRASIL
A afirmação de Pocoek de que as fêmeas têm número de dentes peetíneos
mais elevado do que os machos, mostra elaramente que êle não estava seguro
de sua espécie nova. isto é, fêmea e macho, por êle descritos, eram na realidade
de 2 espécies diferentes. O maior número de dentes peetíneos em Bothriurus
pertence aos machos, como veremos mais tarde.
Examinamos 1 fêmea no Museu Nacional do Rio de Janeiro. X.° 58.189
(frasco 10/IV), de Sierra Yentana, Argentina, com 18 dentes peetíneos; as
cristas da face ventral do 5.° segmento caudal são curtas: a mediana atingindo
mal a metade, as laterais constando apenas de poucos grânulos e as paramedia-
nas formando uma espécie de arco semi-elíptieo posterior, bem aberto na
frente e ecm os ramos seguindo a orientação da crista mediana (vide fig. 4).
b) li. díspar (6): “7 dentes peetíneos apenas, em cada lado; último
esternito na fêmea liso, sem quilhas; cristas da face ventral do 5.° segmento
caudal muito longas, atingindo quase a base do mesmo”.
Todo o resto é igual a alticola.
Para esclarecer as divergências examinamos o jtaratipo , uma fêmea, de
N.° 21.709 dc Museu Nacional, Rio de Janeiro (frasco 10 VII).
Apresenta realmente apenas 7 dentes peetíneos. Um exame mais
minucioso demonstra, entretanto, que se trata no caso de uma “reconstituição”
de dentes perdidos, ainda não completada até a captura do animal pelo cole¬
cionador.
O último esternito também não é lisc. mas apresenta 4 cristas posteriores,
curtas, que tinham “escapado” a Mello-Leitão ; as cristas da face ventral do
õ.° segmento caudal correspondem à fig. 54 de Mello-Leitão (2), mas são pou¬
co apreciáveis na primeira metade do segmento.
Não resta nada, pois, que separasse esta espécie de alticola.
e) li. prospicuus (7): “Com cristas acessórias na face dorsal do l.°
segmento caudal; quilhas inferiores nos primeiros 4 segmentos caudais quase
imperceptíveis; face ventral do 5.° segmento caudal não correspondendo exa¬
tamente à fig. 72 de Mello-Leitão (2), mas à nossa figura 5”.
Todo o resto igual à alticola.
O tipo-macho (frasco 10/VII) apresenta HJ e 17 dentes peetíneos de cada
lado; a face dorsal da vesícula é plana, sem exeavação. No Museu Bernardino
Rivadavia. Buenos Aires, há 3 paratipos, o de N.° 14.462 é de La Ferrera; o
N.° 13.056 é de Sierras Bajas e o N.° 11.025a de Cuchilloeo — Pampas.
É evidente que as 3 espécies vem a formar uma só, para a qual deve pre¬
valecer o nome de Rothriurus alticola Pocoek 1900.
cm
2 3
z
5 6 7
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^ eB1 - In*t. Bauntan
2 «: 19 * 44 . 1957 / 8 .
WOLFOAXO nCCHERI.
25
or outro lado estamos convencidos de «iue esta espécie se aproxima de
• urmeisten, que será caracterizada depois. Os tipos de ambas são de Meu-
aoza. Restaria esclarecer a flutuação das cristas na face ventral do 5 ° ^
mento caudal. " °
O paratipo de La Ferrera. N ® 14.462 do Museu Bernardino Rivadavia
precisaria de uma revisão também, pois suspeitamos - que éle pertença ao
nos8 ° 1 "rupo-a/ienico/a, etc., eom o nome de B. flavidus.
3. Orupo: B. b. as per — B. b. bonarienris — /!. b. maculai us — B. sig-
natus: *
*'ome cienntivo:
Boi h ri urus bonariensis (Kocli) 1842.
<> -rupo deve ser subdividido em 2 subespécies de bonariensis, a saber:
, ' r ' as l, ' n "' as signatus em: Botkriurus bonariensis asper (IV
cocki 1893 e B b. bonariensis, B. b. maculai us e cs machos de II. signatus em:
aothnurus b. bonariensis (Koeh) 1842.
a B. b. aspcr e fémeas de B. signatus (8;11 ) :
Xoim* defintivo: liothriurus bonariensis asper (Pocock) 1893.
on ,nal V T l0 ° r fuSCOUS wi,h a <iis,inct median fulvous dorsal band
witb n r "' * U <>ÍÍS ani * *°" er s nrfac?s of the tail irregularly variegated
caudal ba ' U,S: ,he hst s,ermim wi * h <>ut trace of keeLs; 3 th.
nubs üX" m,nU f te ; 8nd C,0S?,y granuI,,r thronghout; a few larger gra-
teriorlv 1 - V* snperior and «upero-latoral keels being marked pos-
• '• sma11 tubert, les; th? supero-latcral keels absent in the 4 th. segment-
°" er .surfaces of these segments without keels; the lower surface of the 5
v,nT "!."^‘ ‘"‘V 0 l bS0let median kee, 5 th,< posterior semi-ovate area not
• .1 nrP ,'„ ( lf,,U>< ‘ * ,e 2 l,,wa rde, * v cu rved cblique lines as in B. bonarien-
VWÍÍC,e f,a ‘ ab ° Ve * g ™ U ^ atines
an „„í o. Pet,e f .°' Cnada C ° m Um únic0 ** xe,u plar, um macho não adulto, com
«P nas .4 mm de comprimento. Difere de bonariensis apenas:
I.
II.
III.
IV
Pela faixa longitudinal clara a ncreorrer o cefalotorax e o preabdomen;
leia ausência de quilhas no último esternito;
1’ela ausência d e uma excavaçâo redonda no dorso da vesícula dos ma-
ehos, «pie se apresenta simplesmente achatada dorsalmente.
Pelo habitat do tipo dc asper, que é o nordeste do Brasil (Pernambuco),
enquanto que bonariensis é mais espalhado desde o Rio Grande do Sul
ate Rabia Blanca. na Argentina.
SciELO
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6 17
26
escorpiões e escorpionismo no BRASIL
Para diferenciar-se uni asper de um bonaricnsis . quando se dispõe apenas
de fêmeas, só servem o “habitat” e a presença de uma faixa amarela clara,
muito nítida e larga do cefalotorax, ccm colorido geral cinzento: B. b. asptr.
Colorido geral escuro, marron até quase preto ou negro brilhante mesmo :
“habitat” sul do Brasil até a Argentina: sem faixa amarela contínua —B. b.
bonariensis.
Quanto aos machos, a distinção das 2 subespécies se terna mais tácil, pois
além dos caracteres diferenciais das fêmeas acresce ainda a ausência da exea-
vação redonda no lado dorsal da vesícula em B. b. as per, enquanto que o ma¬
cho de B. b. bonariensis é reconhecível à primeira vista por esta exeavação
muito nítida e de colorido amarelo ou amarelo-avermelhado.
B. b. asper apresenta hoje uma história sistemática bastante variada. Mal
nascida” como espécie própria, em 1893, como já temos visto, foi colocada por
Kraepelin. em 1899, em simples sinonímia com B. vittatus. Em 1910, entre¬
tanto. o mesmo autor restabeleceu a mesma como subespécie, com o nome de
B. bonaricnsis asper, tendo sido seguido, sem comentário, por Mello-Campos,
em 1922.
Mello-Leitão (2) pensou diferente e revalidou a mesma como espécie, com
o nome primitivo de B. asper.
Backup (21) foi novamente mais radical, colocando a asper novamente em
simples sinonímia com bonariensis.
Xás, em um trabalho no prelo (22) restabelecemos a mesma como subes¬
pécie de bonaricnsis.
Aliás Mello-Leitão não foi muito cuidadoso com o material por êle estu¬
dado e depositado no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Xo frasco 10, III
encontramos 47 exemplares, denominados todos per êle de B. asper. Um exa¬
me minucioso revelou que os 8 exemplares de Alagoas, de X.° 27.062, são real¬
mente B. b. asper, com 17 dentes pectíneos em cada lado nas fêmeas e com a
crista mediana da face ventral do 5.° segmento caudal atingindo quase a base
do segmento (vide fig. 6).
Os 9 exemplares de Jupuruva, entretanto, não são realmente b. asper.
Em um outro lote de Alagoas a maioria é B. coriaccus rochai, como temos de¬
monstrado em um outro trabalho no prelo (23). O exemplar de N.° 41.817,
Nordeste 276. seria um B. coriaccus, como Mello-Leitão entendeu esta espécie,
eontràriamente ao autor da mesma, Pocock, que atribuiu a esta espeeie carac¬
teres bem diferentes.
O exemplar de Pôrto Alegre, uma fêmea com 23 dentes pectíneos é, sem
dúvida, um B. b. bonariens.s; o exemplar de X.° 41.816 é B. c. rochai; o de
X.° 58.3Õ6 é novamente B. b. asper.
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Mem. In st. Butantan,
28 : 19 - 44 . 1957 / 8 .
WOUFOASG BCCHKRL
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A análise dos exemplares de b. asjxr revelou:
1. que a faixa amarela nos tergitcs é constante;
2. que a crista longitudinal mediana da face ventral do 5.° segmento caudal
é muito “flutuante”, podendo ser obsoleta, muito curta, ou até a metade
ou mesmo quase até a base do segmento;
3. (pie o número de dentes peetíneos gira nas fémeas em tôrno de 17, como
número mais frequente e nos machos em tôrno de 20, com maior frequên¬
cia, indo os variantes extremos desde 13 até 23 dentes peetíneos em cada
lado.
Fêmeas de II. siynatus: Descrição original de Pocock (11) — “Cclour
brunneo-fuscous, with a pale median dorsal band...; the lower surfaces of the
trunk pale eoloured;.. the last tergit furnisbed with 4 abbreviated kecls.
the supero-and supero-lateral keels of the tail persent on the anterior 3 seg-
inents, but smooth on the 2. and 3.; the lower surfaee tf the 1. with 4 smootli
keels..; the 2. similarly but less strongly keeled below; the 3. and 4. not
keeled below; the lower surfaee of the 5. W1TII a WEEK MEDIAX POSTE-
RIORLY GRANULAR KEEL; THE LATERAL OBLIQUELY CURVEI)
SERIES OF GRANULES XOT COMPLETELY CIRCUMSCRIBIXG THE
NORMAL AREA. WHICH IS GRANULAR IX THE MIDDLE; vesicle
smooth and flat above; pectines with 12-14 tceth; 4.» mm total .
A simples comparação original dos textos descritivos de R. b. as per e B.
isynatus, fêmea, já revela a identidade das 2 espécies de Pocock. A confir¬
mação, na prática, é inconfundível, pois, mesmo no lugar do tipo de siynatus,
em Teresópolis, encontram-se sòmente exemplares de II. b. asper.
A citação de II. b. asper neste trabalho encontra a sua justificativa no
fato de serem encontrados, ainda que com muita raridade, exemplares desta
subespécie, tanto no Rio Grande do Sul (21), como em Montevidéu. Xo frasco
10/1V, sob o X.° 11.288 do Museu Xacional do Rio de .Janeiro,, encontra-se um
exemplar de Montevidéu, ccm 20 e 21 dentes peetíneos e a faixa amarela nos
tergitos. É fêmea.
b) B. b. bonariensis, B. b. maculaius e machos de II. .siynatus:
Some defini ivo:
Bothriurus b. bonariensis (Koebi 1842.
Mello-Leitão (2) não foi feliz ao traduzir o texto original de Koch (9),
pelo que julgamos oportuno em tentar mais uma vez a tradução das partes
mais importantes da descrição original de Koch:
cm
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2S
ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL
“Brothcas bonariensis. .; niarron escuro, com cauda grossa, brilliaiite e
com uma exeavação na face dorsal da vesícula, forrada por uma membrana
com aspecto de feltro; mão com dedes grossos e curtos. Klug — Coleções Reais
em Berlim...; último tergito. na parte posterior, com 4 depressões delicadas
a formar 4 cantos salientes (seriam as 4 quilhas dorsais, obsoletas) ; cauda
muito brilhante; face superior dos segmentos caudais com pequenas saliências
ms 4 cantos, estas saliências desiguais (são os rudimentos das quilhas dorsais
medianas e laterais) ; face inferior sem quilhas, lisa, com 2 pontuações para¬
lelas em cada segmento; face ventral do 5.° segmento caudal com crista semi-
-eliptica, fechada, delimitando uma área posterior bastante deprimida e COM
TMA CRISTA LONGITUDINAL MEDIANA, QUE PERCORRE QUASE
TODO O COMPRIMENTO DO SEGMENTO; face superior do 5.° segmento
com uma depressão lisa na segunda metade; vesícula achatada na face supe¬
rior, tomada por uma exeavação grande, que deixa apenas pequenas bordas e
cujo fundo é revestido por uma membrana de aspecto de feltro;., tíbia e mão
dos palpos sem quilhas denteadas; mão mais brilhante que a tíbia, com poros
bastante numerosos na face oposta, dispostos sem ordem; tôda a face ventral
do escorpião muito brilhante, com 2 depressões em cada esternito e com cs
poros colocados aos pares em cada segmento, mais ou menos como na face in¬
ferior dos segmentes caudais; estigmas curtos, alongados; 16 dentes peetíneos
em cada lado ; cefalotorax. pré e postabdomen. palpos e pernas marron escuros,
quase pretos, cefalotorax e palpos ainda mais escuros que as outras partes; es¬
tas mais com tonalidades avermelhadas; a membrana da exeavação vesicular
amarela ou cinzenta ; cs esternitos oliváceo-amarelados com orla posterior mar¬
ron ; pentes marrons com lamelas amarelas....
O outro sexo apresenta uma cauda mais espessa; quanto ao resto corres¬
ponde à presente descrição.
1’atria — América do Sul — La Plata”.
A esta descrição minuciosa só resta ajuntar que o colorido pode estar su¬
jeito a grandes variações, desde o negro brilhante até ao vermelho ou cinza
escuro e que a crista mediana longitudinal da face ventral do õ.° segmento
caudal é bastante “flutuante”, desde obsoleta até a cobrir quase todo o com¬
primento do segmento. O número de dentes peetíneos varia igualmente, como
foi demonstrado por Buckup (21). Nas fêmeas podem existir de 12 até 21
dentes peetíneos, geralmente entre 14 a 17; nos machos a média parece ser
mais elevada (como se verifica em tôdas as espécies de Botriurideos), de lí)
a 21, com variações de 17 a 24.
Estes valores se referem a cêrca de 230 exemplares, examinados por nós,
um por um e procedentes todos de diversas localidades do Rio Grande do Sul.
Cêrca de 190 espécimes são da Coleção de Eugênio Wedelstaedt Grumann, já
mencionada por nós em outro trabalho (22).
cm
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Mí-m. Jn*l. Butantan,
2 *: 19 - 44 . 1957 / 4 .
WOI.FGAXG BTCHERI.
20
Examinamos igualmente cêrca de 70 exemplares do Museu Nacional do
Kio de Janeiro, procedente da Argentina, do Uruguai e dos Estados sulinos
do Brasil, depositados no frasco 10/L No de N.° 11.204. fêmea, com 21 dentes
pectfneos, não existe crista longitudinal mediana na face ventral do 5.° seg¬
mento caudal; no macho, de N.° 41.801. de Maldonado, da Argentina, com 24
dentes pectíneos, também não há crista; o macho de N.° 41.624, ccm 21 dentes
pectíneos, de Malabrigo, Prov. de Santa Fé, a crista mediana percorre pràti-
eamente o segmento todo. Aliás êste exemplar foi etiquetado por Mello-Leitão,
como fí. flavielus n. sp„ provàvelmente justamente per causa desta crista
(pois Mello-Leitão acreditava que bonariensis não apresentava esta quilha).
Ao que nos consta não foi publicada esta espécie, que é — um fí. b. bona-
riemis. Em 2 outras fêmeas, de N.° 42.503, com 18 dentes pectíneos e de
N° 36-826, com 19 e 20 dentes pectíneos, a primeira de Santa Fé, a segunda
de Malabrigo novamente, a crista ventral mediana é novamente obsoleta.
li. bonariensis maculai us Kracpelin 1910 (10), pelos caracteres que êste
autor lhe atribuiu e que consistem simplesmente em mauehinhas amarelas ou
cinzentas no tronco e nas extremidades, é II. b. bonariensis.
<» macho, descrito por Pocock. como fí. signatus (11) é de fato idên¬
tico com fí. b. bonariensis. Não apresenta a faixa amarela nos tergitos (como
a femea, sinonimizada por nós com fí. b. asper) e no resto é completamente
igual ao macho de b. bonariensis, como se pode depreender da descrição ori¬
ginal de Pocock:
Male distingued by very marked sexual characters;. . the upper suface
of ,h<> vesicle is «'arked by an oval deprtsstd yelloic spot. The lower surface
of ,he la - st «Mominal stemite and of the 1. and 2. segmento of the tail is not
keeled. Pectines with 13-16”.
( olorido, último tergito e esternito, primeiros 4 segmentos caudais e face
ventral do 5.° segmento caudal exatamente como em fí. b. bonariensis.
1 < cot k (8) fez com que Kracpelin (3) revalidasse a espécie fí. bonariensis,
colocada em sinonímia com fí. vittaius (15). Ao mesmo tempo êste autor
r \alidou fí. signatus, que também tinha colocado em sinonímia com vittaius
e introduziu a sua variedade. 6. maculatus.
Sobre signalus ele diz. que pertence ao grupo de bonariensis e que o Mu-
s>u <ie IIa mburgo pessuia exemplares do local típico de Teresópolis e também
machas do Rio Grande do Sul, “que fica vizinho”.
Be Maculatus êle só tinha à mão um único exemplar, uma fêmea não
adulta, procedente de Tipuani. na Bolívia.
É bastante curioso e significativo «pie os colecionadores de hoje não en-
'•< 11 * ram mais em Teresópolis. no Estado do Rio de Janeiro, os machos de sig-
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ESCORPIÕES E ESCORPIONISMO XO BRASIL
natus, mas apenas fêmeas tle B. b. asper. Os machos aí coletados não têm
excavação na face dorsal da vesícula. São, portanto, realmente machos de B.
b. asper.
O material, estudado por Poeock, proveio em grande parte das coleções
de Kayserling. Ora, êste viajou muito justamente no Rio Grande do Sul, prin¬
cipalmente nos arredores de Põrto Alegre, onde existe um bairro com o nome
de Teresópolis. Seria plausível, pois, pensar-se que o macho de signatus de
Poeock e que é, na realidade, como acabamos de demonstrar, o macho de B. b.
bonariensis, proveiu, de fato, de Põrto Alegre, local, onde o bonariensis ê
comum.
4. Grupo: B. burmeisteri — B. doellojuradoi:
N ame definitivo:
Bothriurus burmeisteri Kraepelin 1804.
a) B. burmeisteri (12). “Cauda com 3 faixas longitudinais ventrais;
7.° tergito com 4 cristas posteriores; último esternito sem cristas; 21 a 25
dentes pectíneos nos machos, 16-22 nas fêmeas; primeiros 4 segmentos caudais
sem cristas medianas ventrais; as laterais inferiores são obsoletas no l.°, alie¬
nas apicais no 2.° e 3.° e totalmente ausentes no 4.° segmento; cristas supe¬
riores medianas e laterais presentes nos segmentos 1-4. Face ventral do 5.°
segmento como a fig. 5 de Mello-Leitão (2), isto é, com 1 crista mediana
quase até a base, com 2 cristas laterais cerca do mesmo comprimento e com 2
para-medianas, sinuosas atrás; face dorsal da vesícula plana também no ma¬
cho, sem excavação; mão do mesmo com apófise espinifonne".
Mendoza, Tucuman. Sua proveniência de Buenos Aires, mencionada por
Mello-Leitão, nos parece duvidosa.
Revimos 2 exemplares no Museu Nacional de Janeiro (Frasco 10/XX),
um de Valcheto, Rio Negro e o outro perto dêste lugar. No macho constata¬
mos 25 dentes pectíneos e a crista mediana do 5.° segmento caudal é consti¬
tuída por fileira dupla de grânulos perto da borda posterior. A fêmea tem
22 dentes pectíneos.
Uma outra fêmea, de N.° 11.292, sem procedência, apresenta 21 e 22 den¬
tes pectíneos.
b) B. doellojuradoi (13): “Macho eom 3 faixas ventrais longitudinais
na cauda; último tergito, último esternito como em burmeisteri ; 20 e 21 dentes
pectíneos; cristas caudais inferiores nos primeiros 4 segmentos como em bur¬
meisteri: também as cristas superiores; face ventral do 5.° segmento com as
5 cristas longitudinais, que atingem quase a base do segmento, sendo a me¬
diana direita, as 2 paramedianas retorcidas e as 2 laterais direitas novamente
cm
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Mem. Insí. RaVant*ti,
28: 19-Í4. 1957/8.
WOLFGAXG BCCHEKL
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< vide fig. 7). A fig. 55 de Mello-Leitão (2) bem como o texto, nas linhar
18-20 da página 165, podem induzir o estudioso em êrro, porque não são sa¬
lientadas suficientemente as 5 cristas. Vesícula do macho e mão como em bnr-
meisteri”.
Tipo no Museu Bernardino Rivadavia, X.° 24.723.
5. Grupo: H. chilensis — B. keyserlingi:
Some definitivo:
Bofhriurus chilensis (Molina) 1783.
a* B. chilensis (14): Brevíssima foi a caracterização desta espécie por
Molina: Seorpio chilensis peetinibus 16 dentatis, manibus subangulatis”.
Kraepelin (15) redescreveu esta espécie da seguinte maneira:
Cclorido marrou escuro, com variações até ao amarelo claro e com mnn-
elunhas escuras; último esternito. pelo menos na fémea, com 4 cristas poste¬
riores; 4 cristas também na face ventral do l.° segmento caudal (no mnclio
nao há grânulos nestas cristas, sendo, portanto, obsoletas) ; face ventral tio
•».“ segmento caudal sem área semi-elíptica, mas com 1 crista mediana e 2 la-
ttrals, mais nítidas apicalmente e desaparecendo, aos poucos, no meio do seg¬
mento; entre estas quilhas laterais e a mediana há geralmente, no terço an-
t< rior do segmento, 1 ou 2 curtas fileiras de grânulos, a divergirem apical¬
mente. ..”
A seguir insiste Kraepelin que existem exemplares da mesma espécie cm
que as porções distais das cristas laterais do 5.° segmnto caudal correm uma
•le encontro à outra, chegando, então, a formar uma espécie de arco posterior,
semi-elíptico (como bonariensis p. ex.); vesícula do macho com exeavação dor¬
sal muito ligeira; 15 a 17 dentes pectineos.
Xo fraseo X." 10/XI do Museu Xacional do Rio de Janeiro encontramos
11 exemplares, classificadcs por Mello-Leitão como B. chilensis.
O de X.” 42.551, macho, com 16 dentes pectineos, procedente do local tí¬
pico, que e Santiago do Chile, apresenta uma exeavação bem visível na face
dorsal da vesícula; 4 cristas no último esternito e na face ventral do l.° seg¬
mento caudal; a face ventral do 5.° segmento caudal tem 1 crista mediana e
2 laterais, que seguem quase até a base (vide fig. 8) ou mais exatamente, a
mediana até um quinto e as laterais até um quarto basais; entre a mediana e as
laterais há, na área distai, 2 cristas inclinadas uma contra a outra, formando
uma área posterior, angulosa na frente.
__ * * exemplar de X.° 42.550, fémea, com 14 dentes pectineos e da mesma pro¬
cedência, apresenta idêntica configuração da face ventral do 5.° segmento
caudal; numerosos grânulos, maiores e menores, cebrem quase inteiramente
esta face.
SciELO
32
ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL
Xob o X.° 42.551 existem 3 exemplares: 1 fêmea com 13 dentes pectíneos,
1 macho com ltí e outro com 15 e 17 dentes pectíneos. A face dorsal da ve¬
sícula do último apresenta uma exeavação cordiforme, rasa e com fundo amarelo.
hl />'. keyserlingi (16): “Último esternito. l.° segmento caudal e face
ventral do 5.° segmento caudal como IS. chiUnsis; as 2 cristas posteriores oblí¬
quas formam uma área posterior fechada, com grânulos, dentro e fera da mes¬
ma (vide fig. 0) correspondendo, portanto, exatamente à variação já apontada
por Kraepelin.
Pocoek colocou esta espécie entre bonariensis e coriaceus.
Kraepelin (15) considerou a mesma apenas como variedade de bonariensis
(vittatus), com 13 dentes pectíneos nas fêmeas e 14-15 nos machos; sem cris¬
tas inferiores nos segmentos caudais 2 a 4; com quilhas supero-medianas lisas
(sem grânulos) e supero-laterais apicais apenas no 3.° c 4.° segmentos caudais;
a mão do macho apresenta uma pequena apófise romba e a face dorsal da
vesícula uma exeavação arredondada.
Encontramos na Coleção Escorpiônica do Museu Nacional o exemplar de
X.° 42.350 (frasco 10 XVI >, um macho, com 10 dentes pectíneos, procedente
da Argentina, «pie apresenta exatamente cs caracteres, mencionados por Kra-
pclin (15) e cuja face ventral do 5.° segmento caudal se apresenta igual à de
IS. chilensis (vide fig. 9); a face dorsal da vesícula tem uma exeavação cordi¬
forme e na base do dedo móvel existe uma apófise romba.
Xão pode persistir dúvida de (pie keyserlingi é. na realidade idêntica a
chilensis. Ambas as espécies foram originàriamente descritas com bastante
lacunas, mesmo no tocante aos caracteres essenciais. Pocock por exemplo, não
soube dizer nem o sexo do tipo de keyserlingi.
Tudo indica que a procedência do tipo (“Chili” ou "Peru” segundo Po¬
cock) seja realmente Chile e provavelmente os arredores de Santiago. Coin¬
cidem, pois. além dos caracteres morfológicos, também o habitat das 2 es¬
pécies. Realmente Kraepelin não menciona mais. em 1899, Peru para keyser¬
lingi, mas sim Chile e Brasil (Rio Grande).
6. Grupo: IS. coriaceus — IS. ypsilon:
Some definitivo:
Bothriurus coriaceus Pocock 1893.
a) IS. coriaceus (17): Preferimos traduzir a descrição original de Po¬
cock que poderá ser comparada pelo estudioso com a reedscrição da espécie,
fornecida por Mello-Leitão. às páginas 159-161 (2):
“Macho ; carapaça escura, com manchas ferruginosas; cauda ferruginosa.
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M«n. In»t. BnUntin,
28: 19-44. 1957/8.
WOLFCASO BPCHE8I,
33
na face ventral com estrias longitudinais escuras. Parente de bonariensis.
l.° segmento caudal com cristas inferiores obsoletas, apenas apicais; cristas
superiores medianas e laterais presentes; as supero-laterais obsoletas no 3.°
segmento, sendo presente apenas sob a forma de 1 ou 2 grânulos anteriores e
posteriores; face ventral do 5.° segmento caudal COM CRISTAS LATERAIS,
TAO COMPRIDAS GERALMENTE QUANTO A CRISTA MEDIANA; NO
TÊRÇO POSTERIOR 1 CRISTA EM ARCO e dentro da área desta alguns
grânulos; vesícula com face dorsal plana (sem exeavação) ; mão como em bo¬
nariensis, com uma pequena exeavação e dentro dela uma apófise espini-
forme na base do dedo móvel; 15-18 dentes peetíneos; 48 mm comprimento”.
Diferença de bonariensis:
“Pelas 2 cristas laterais na face inferior do 5.° segmento caudal”.
O exemplar de Casablanca. Chile, à mão do qual Mello-Leitão tinha feito
a redescrição desta espécie e que diverge profundamente da mesma (compare
a nossa fig. 10 com a fig. 51 de Mello-Leitão (2), foi na realidade um B. chi-
lensis.
As 2 fêmeas de N.° 24.572, no fraseo N.° 10/IV do Museu Nacional, pro¬
cedentes de Jujuy, Argentina, com 18 e 19 dentes peetíneos, com uma faixa
amarela, ladeada por 3 faixas longitudinais na face ventral dos segmentos
caudais, conferem exatamente com a descrição original de Pocock. Sua face
ventral do 5.° segmento caudal é representada pela fig. 10.
b) B. ypsilon (18): O único exemplar até hoje descrito, o macho-tipo,
tinha apenas 35 mm de comprimento.
“Pardo denegrido; cauda com 3 faixas ventrais escuras; 7.° tergito com
4 cristas, as médias só posteriores; último esternito com 2 cristas posteriores;
l.° segmento caudal com 2 cristas medianas ventrais, ausentes do 2.° ao 4.°
segmento; segmentos 1-3 com 2 cristas laterais inferiores, ausentes no 4.°;
segmentos 1-4 com 2 quilhas medianas superiores e laterais superiores, sem
grânulos nos primeiros 2 segmentos, com grânulos basais e apicais somente
nos segmentos 3 e 4; face ventral do 5.° segmento igual â nossa fig. 10, que
vem a corresponder, aliás, à fig. 76 deMello-Leitão (2); mão com apófise es-
piniforme; face dorsal da vesícula sem exeavação; 19 dentes peetíneos”.
Nada, absolutamente, separa esta espécie de B. coriaccus.
7. Grupo: B. dorbignyi — B. clegans:
A 'orne defintivo:
Bothriurus dorbignyi (Guérin) 1943.
a) B. dorbignyi (19): “Cauda sem faixas na face inferior; 7.° tergito
com 4 cristas posteriores; último esternito sem cristas; segmentos caudais 1-4
cm
■SciELO
0 11 12 13 14 15 16
34
ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL
com 4 cristas superiores medianas e 2 laterais, podendo existir, além disto,
nos segmentos 1-3, mais 2 cristas acessórias completas ou apenas apicais; cris¬
tas ventrais laterais obsoletas no l.°, apenas apicais no 2.° e 3.° e totalmente
ausentes no 4.° segmento (como em burmeisteri ) (segundo Kraepelin, 1899,
não existiriam quilhas na face ventral dos segmentos caudais 1-4) ; face ven-
tral do 5.° segmento caudal com uma área distai, delimitado por 2 quilhas
não granuladas e com tal percurso que esta área se apresenta quase quadrada.
Além desta linha quebrada há, nos machos, 1 leve quilha longitudinal me¬
diana (menos nítida mas presente também nas fêmeas), que pode estender-se
até o primeiro têrço basal; vesícula no macho sem exeavação dorsal; mão do
macho com um poro circular profundo, mas sem apófise; entre os dedos sem
lobo; dentes pectíneos de 23 a 27 nos machos, 18 a 22 nas fêmeas”.
Trata-se de uma espécie muito comum na Argentina, desde Buenos Ai¬
res. até Cordova, Jujuy. Salta. Mendoza, La Rioja e Chaco.
Examinamos 4 exemplares no Museu Nacional; frasco 10/11. O macho
de N.° 27.096. de Salta, apresenta 28 dentes pectíneos, cristas caudais infe¬
riores em V nos segmentos 1-3; na face ventral do 5.° segmento há, além da
área quase quadrada e da delicada quilha mediana longitudinal, quase com¬
pleta. mais 2 quilhas delicadas, longitudinais laterais que se estendem até o
têrço basal (vide fig. 11).
Os mesmos caracteres, embora ainda mais delicados, encontramos na fê¬
mea, de N.° 24.671, com 23 dentes pectíneos, da Catamarca e no macho X.°
23.905, com 26 dentes pectíneos, de Jujuy e ainda no macho, sem número, com
19 dentes pectíneos, de Mendoza.
b) fí. elegam (2): “Colorido geral como dorbignyi; último tergito e
esternito como dorbignyi; cristas inferiores e superiores nos primeiros 4 seg¬
mentos caudais como dorbignyi (as laterais inferiores formam uma mistura
entre dorbigny e burmeisteri) ; face ventral do 5.° segmento exatamente como
dorbignyi (vide fig. 12); Mello-Leitão assinala, em sua fig. 59 (2) as 2 cristas
laterais, por nós vistas nos exemplares do Museu Nacional; 26 dentes pectí¬
neos; mão do macho com exeavação, sem apófise; face dorsal da vesícula
plana”.
lt. elegam em nada difere de II. dorbignyi.
O exemplar de N*.° 41.635, do frasco 10/XIY do Museu Xacicnal. uma
fêmea, apresenta 15 a 16 dentes pectíne°s. A fêmea X.° 41.637. de Jujuy, é
igual. Classificadas por Mello-Leitão, com elegans, em nada diferem de dor-
bignyi. A crista longitudinal mediana do 5.° segmento caudal vai da borda
anterior à posterior e as 2 laterais até o l.° quinto basal; a linha transversal,
que delimita a área posterior quadrada, corre paralela à borda posterior.
cm
2 3
z
5 6 7
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M«n. In*t. Butantan.
28 : 1944 . 1957 / 8 .
WOI.FGAXG BCCIIKRL
35
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
As 16 espécies e 2 subespécies de Botriurídeos. que foram descritas como
ocorrendo na Argentina e países que com ela confinam, foram reunidas em
apenas as seguintes espécies válidas:
1 Alienicola e pringlesianus
-' Disjxir e prospicuus
•3' Asper e a fêmea de signatu
4 Bonaricnsis maculaius
5) O macho de signatus
6) Doellojuradoi
7) Keyserlingi
8) Ypsilon
9) Elcgans
sob B. flavidus Krplin. 1!)10;
— sob B. alticola Pocock 1900;
sob B. b. asper (Pocock 1893;
— sob B. b. bonaricnsis (Koch) 1842;
sob B. I». bonaricnsis (Koch) 1842;
sob B. burmcisteri Krpln. 1894;
sob B. chilensis (Molina) 1783;
sob B. coriaceus P. ck 1893;
sob B. dnrbiguyi (Guérin) 1S43.
Deixam de existir, portanto, 7 espécies de Mello-Leitão ; 1 subespécie de
Kraepelin, 2 espécies de Pocok. Asper é confirmado na posição de subespécie.
As espécies e subespécies extintas de maneira alguma podem ser justifi¬
cadas, à luz do material por nós examinado.
Espécies realmente boas de Botriurídeos existem, portanto, em muito
menor número do que se pretendia fazer crer. Mesmo uma tu outra de entre
estas apresenta nítido e marcado parentesco, tanto pelo habitat como pela
morfologia, principalmente a da face ventral do 5.° segmento caudal, do último
tergito e esternito e dos primeires 4 segmentos caudais. Parece-nos mesmo
que, fazendo-se ulteriores estudos, virão restringir-se ainda mais as espécies
acima enumeradas, cujo parentesco já temos indicado em cada caso.
O aspecto da face ventral do 5.° segmento caudal constitui o ma:s im¬
portante fator específico:
a) Existem espécies munidas apenas de arco semi-elípticc, completamente
fechado ou um tanto aberto no meio; sem quilha longitudinal mediana ou
com quilha leve e curta ou de mediano comprimento ou bem formada a
percorrer mais da metade do segmento — 11. flavidus e H. bonaricnsis
(vide figs. 1, 2 e 6).
b) Além do arco e da crista mediana, presente ou não, há mais 2 cristas la¬
terais, mais ou menos longas — lí. chilensis e II. coriaceus (vide figs. 8,
9 e 10).
c) O arco se apresenta aberto no meio, com os 2 ramos dirigidos para a fren¬
te, de maneira que surgem mais 2 cristas para-medianas, além da me¬
diana e das 2 laterais — li. alticola (vide figs. 4 e 5).
SciELO
36 ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL
<11 O arco deixou de existir como tal, dando lucrar a 2 cristas para-medianas
fortes, ainda que conservassem uma certa curvatura neste lccal, de ma¬
neira que se vêem 5 cristais longitudinais quase completas — fí. burmeis-
teri (vide fig. 7).
e) Em lugar da figura do arco há apenas 2 linhas transversais cortadas de
tal maneira que surge uma figura quase quadrada (sem dentículos), com
uma crista longitudinal também sem grânulos e um esboço de 2 cristas
divergentes, não dentieuladas — B. dorbignyi (vide figs. 11 e 12).
Xo tocante ao número de dentes pectíneos observa-se novamente uma certa
regra :
a) O número medio, mais freqüente, portanto, de dentes pectíneos dos ma¬
chos é sempre mais elevado, excedendo o número médio dos das fêmeas
da mesma espécie em 1 ou 2 ou mesmo 3.
b) Conseqüentemente, o número mínimo de dentes também nos parece mais
elevado nos machos da mesma espécie, como também o número máximo.
Para não incorrermos em mal entendido frisamos que, num caso concreto
o estudioso pode perfeitamente deparar com um casal da mesma espécie, em
que a fêmea apresenta justamente o contrário, isto é, mais dentes pectíneos
do que o macho. É que a fêmea pode apresentar o valor máximo de dentes
pectíneos e o macho um valor perto do mínimo.
É necessário, pois, dispor-se de grande número de exemplares, para se
poder formar um juízo a respeito da variação específica do número de dentes
pectíneos.
Pelo nosso material chegamos às seguintes conclusões quando aos valores
mínimos, médios e máximos de dentes pectíneos:
a)
flavidus
— fêmeas
— 10-13-14;
machos
11-15-17
b)
alticola
tt
— 14-16-18;
tt
15-17-20
c)
b. bonariensis
tt
— 14-17-21;
tt
13-21-24
d)
b. asper
tt
— 12-15-18;
tt
14-16-21
e)
burmeisteri
tt
— 12-19-22;
tt
19-22-25
f)
chilensis
tt
— 10-12-14;
tt
11-14-17
?)
coriaccus
— ”
— 13-15-19;
tt
14-18-21
10
dorbignyi
tt
— 15-19-22;
tt
19-23-27.
Xa medida que aumentar o número de exemplares examinados haverá al¬
teração nestes números. Mas o fato de possuírem os machos número maior de
dentes pectíneos do que as fêmeas da mesma espécie nos parece estatistica¬
mente significativo.
M«n. Irj't. ISutintsn.
29: 19 14. 1957/9.
WOUFGAXG BCCHEBI.
37
Quanto ao colorido prevalece uma certa monotonia. As faixas longitudi¬
nais ventrais da cauda são comuns a mais de uma espécie. A faixa amarela,
dorsal, do cefalotorax e pré-abdomen. parece ser privativo da subespécie —
IS. b. aspcr. embora Buckup tenha contestado isto.
CO.VCL.rSAO
O estudo sistemático des escorpiões do gênero Bothriurus, realizado à luz
de um elevado número de exemplares, pertencentes a 1 ti espécies e 2 subespé¬
cies. dscritas como ocorrentes na Argentina e países que eom ela confinam, re¬
vela que tôda a descrição de espécie nova, baseada apenas em um único exem¬
plar, está fadada a malogro e vem trazer confusão indesejável.
A sistemática das espécies deste gênero deve ser executada à luz do con¬
junto dos seguintes caracteres, que damos na ordem de sua importância:
a) Face ventral do 5.° segmento caudal;
b) Presença ou ausência de cristas ou quilhas nos últimos tergito e esternito;
et Presença ou ausência total ou parcia’ de cristas ventrais e dorsais, me¬
dianas. laterais e acessórias nos primeiros 4 segmentos caudais;
d) Colorido, isto é, aquelas faixas ou estrias “que dão na vista” e chamem
atenção (não as nuances minúsculas de colorido, desfeito em manchinhas
claras ou escuras, que costumam divergir mesmo em cada exemplar da
mesma espécie);
<“) O numero de dentes peetíneos, relacionado com o sexo;
f) Xos machos, o aspecto da face dorsal da vesícula e a presença ou ausên¬
cia de uma ajiófi.so espiniforme na face interna da mão e se esta apófise
se encontra dentro de uma depressão ou não.
Pelo confronto cuidadoso destes caracteres foi possível reduzirem-se as 16
espécies, que foram objeto deste trabalho, a apenas 7 realmente mais sólidas.
fi necessário, entretanto, que se continuem os estudos sistemáticos dêste
genero. Possivelmente haverá maiores reduções ainda.
Agradecemos ao Diretor do Mtiseu Nacional, Dr. José Cândido de Mello
Carvalho e ao Dr. José Lacerda de Araújo Feio o aeseso à Coleção Kscorpiõnica.
Os nossos melhores agradecimentos à senhora Tatyana de Berorowsky pela
colaboração abnegada, prestada no estado comparativo dos escorpiões do Butantan
e do Museu Nacional, no ano de 1953.
Ao Dr. Wolígang Engelhardt agradecemos a descrição original de B. bnita-
nensit, eopiado da publicação de Koch.
-SciELO
38
ESCORPIÕES E ESCORPIOXISMO XO BRASIL
RESUMO
As 16 espécies e 2 subespécies de escorpiões do género Bothriurus, des¬
critas até agora como ocorrendo na Argentina e países que com ela confinam,
foram à luz do material do Instituto Butantan e depois do exame dos tipos,
paratipos e demais exemplares da Coleção Escorpiônica do Museu Nacional do
Rio de Janeiro e após comparação das descrições e dos desenhos originais dis
autores reduzidas às seguintes espécies:
alicnicola e pringletianus para B. flavidus Kraepelin 1910;
dispar e prospicuus para B. alticota Pocock 1900;
b. asper c as fêmeas de signatus para B. b. asptr (Pocock) 1893;
b. mandaius e os machos de signatus para B. b. bonariensis (Koch 1842;
doellojuradoi para B. burmeisteri Kraepelin 1S94;
keyserlingi para B. chUensis (Molina) 1783;
ypsilon para B. coriaceus Pocock 1893;
degans para B. dorbignyi (Guérin) 1843.
É demonstrado que existe a probabilidade de que mesmo estas espécies,
consideradas por ora como defintivas, possam vir a sofrer ulterior redução.
ZUSAMMEX FA SSU XC,
In dieser Arbeit untersuchten wir die 16 Arten und 2 Unterarten von
Skorpionen der Gattung Bothriurus, die bisher aus Argentinien. Uruguai. ein*‘s
Teiles von Chile und aus Rio Grande do Sul, Krasilien. beschrieben worden
waren.
Bekanntlich war ja bisher die Zahl der Arten so gross, die Beschreibungcn
so unvollstãndig und verwirrend, dass es iiberhaupt nicht mehr moglich war,
e nen Skorpion dieser Gattung mit einiger Sicherheit in seine Art einzuordnen.
In einem Arbeitsgange von nahezu 3 Jahrcn verglichen wir rand 700
Bothriurusvertreter aus der Skorpionsammlung des Institutes Butantan, da-
von allein aus dem Staate Rio Grande do Sul etwa 350.
In Januar 1953 gab uns der Direktor des Museu Nacional in Rio de Janeiro
Gelegenheit. auch die dortige zahlreiche Skorpionsammlung, die zuvor sclion
von Mello-Leitão bearbeitet und bestimmt worden war und deshalb zahlreiches
rypen-und Paratypenmaterial enthãlt, vergleichend durchzusehen.
Schlirsslich standen uns nocli etwa 170 Exemplare derselben Gattung, die
Ilerr Eugênio \\ edelstaedt Grumann uns zur Bestimmung übersandt hatte,
zur Verfügung.
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17
Meo. Inst. BntanUn,
28: 19-44. 1957/8.
WOLFGAXG BCCHERL
39
Folgende Merkmale wurden bei jedem Tier genau eingesehen und zwecks
einer Artenstatistik aufgsehrieben
1. Die Uuterseite des 5. Caudais gmentes;
Das Yorhandensein oder nieht Vorhandensein von 2 oder 4 vollstândigen
oder vorne abgekürzten Kielen auf der letzten Rüeken-und letzten Baueh-
platte des PrSabdomens;
3. Das Vorhandensein oder nieht von vollstiindigen oder abgekürzten oder
nur basalen und apikalen dorsalen und ventralen Mittel-und Lateral*
kielen und Xebenkielen auf den ersten 4 Caudalseginenten ;
4. Farbunterschiede: Da bekanntlich bei jeden Exemplar kleine Farbnuan-
cen-und Sehattierungen und Sprenkelungen abweiehen, nahmen wir da-
bei nur auf die grossen. gleieli “in die Augen fallenden” farblicben Unter-
sehiede-wie helle gelbe Langsstreifen auf dem Cephalothorax und Prii-
abdomen; dunkle Liingsbinden auf der Uuterseite der Cauda. u. s. w.,
RQeksicht.
5. Die Zahl der Kammziibne in Bezug auf das Gesehlecht des Tieres.
6. Bei den Miinnehen wurde noch eingesehen;:
a ) Oh auf der Oberseite der Blase eine ninde Verticfung vcrhanden ist
oder nieht.
b ) Ob am Grunde der Finger «ler Innenseito der Iland eine Grube und
ein Dorn vorhanden sind oder nieht.
Die angeführte Literatur wurde im Originaltext eingesehen und die Zeich-
uungen der Àutoren vergliehen.
Die statistischen taxonomisehen Resultatc ermachtigen uns. die am An-
fang dieser Arbeit mit den Autorennamen. dem Beschreibungsjnhre, dem
hundplatz und dem Aufbewahrungsort der Tyi>en. versehenen 16 Arten der
Gattung Bothriurus auf nur 7 Arten und eine Unterart zu reduzieren und
mit diesen ais synonym zu erkennen :
1- li. alimicola und pringltsianus mit li. flavidus Kraepelin 1910;
2. ti. díspar und prospieuus mit B. alticnla Poeoek 1900;
•1- B. aspcr und die Weibehen von ti. signaiu.t mit ti. bonariensis a.tp r (Po-
eock) 1893;
3a. B. bonariensis maculaius (Kraepelin) 1910 und die Miinnehen ven B.
signatus mit li. bonariensis bonariensis (Koeh) 1842;
4. li. docllojuradoi mit B. bunndstcri Kraepelin 1894;
SciELO
40
ESCORPIÕES E ESCORPIOXISilO NO BRASIL
5. B. ktyserlingi niit B. chüensis (Molina) 1783);
G. B. ypsilon niit B. coriaccus Poeoek 1893;
7. B. elegans niit B. dorbignyi (Guérin) 1843.
Selbst unter diesen 7 definitiven Arten konnten wir Verwandtschaftsver-
hãltnisse aufdecken, die eine weitere Durchsicht dieser, an Hand von reich-
haltigem Material, angebracht erseheinen lassen und wahrseheinlieh eine noeh
ausgiebigere. Reduzierung ergeben werden.
Es existieren also viel weniger Bothriurusarten in Südamerika ais die ar-
tenfreudigen Spezialisten glauben maehen wollten. Es i.st auch keineswegs
angangig, niit etwa nur 1 Exemplar, eine neue Art aufstellen zu wollen, wie es
meistens mit den Xeubeschreibungen der Arten gemacht worden war, oft dazu
noeh mit eineni iuvenis.
Die Unterseite des 5. Caudalsegmentes ist für die Systematik der Both-
riunisarten aussehlaggebend.
a) Es gibt Arten niit nur einem halbkreisfürmigen Kõmchenkiel der in der
Mitte etwas offen sein kann. Der Liingskiel unterliegt einer grossen Va-
riation, von rudimentar bis “obsolet” bis relativ gut ausgebildet und das
Segment in der Hiilfte oder darãber dtircUaufend (siehe Zeiehnungen
1 ;2 ;3 und 6) ( B. flavidus und bonariensis) ;
b) Ausser dem halbkreisfürmigen Kiel und dem mehr oder weniger dentlichen
Liingskiele in der Mitte. sind 2 mehr oder weniger lange Seitenkiele vor-
lianden (vergl. Fig. 4 und 5); (B. chüensis u. caria cens ) ;
c) Der halbkreisfürmige Kiel ist vorne in der Mitte nicht mehr geschlossem;
vielmehr bilden die beiden Seitenzweige, die dem mittlerem Liingskiele
paralell verlaufen, den Anfang von 2 Paramediankielen (Fig. 4 u. 5); (B.
alticola);
d) Der kalbkeisfõrmige Kiel ist praktisch versehwunden und die 2 l*ara-
mediankiele sind voll entwiekelt, cbwohl liinteu noeh etwas bogenformig.
Es sind also 5, fast vollstiindige, Liingskiele vorhanden ( Fig. 7) — (B.
burmeisleri );
e) Statt eines halbkreisfürmigen Kornchenkieles wird durch eine sehr stumpf-
winklige, fein krenelierte, mit dem Hinterrande fast paralell verlaufende
Querleiste eine fast quadratiseh Endarea abgegrenzt ; dazu noeh ein sehwa-
eher Mediankiel und 2 vordere seitliebe Kiele (Fig. 11 u. 12) — (B. dor¬
bignyi).
Ein zweites interessantes Merkmal, das bisber von den Autoren griissten-
teils unbeachtet geblieben war, wird dureh die variierend Kammzahnzahl in
cm
SciELO
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Mwn. In«t. BoUnUn,
28 : 19 - 44 . 1957 / 8 .
WOI.FGAXG BrCIIEKL
41
Bezujr auf das Gesehlecht des Skorpions gebildet. Unser bisheriges Yerglei-
chsinaterial bereehtigt uns zu der Annahme, dass die Mannchen immer eine
grüssere Zahnzahl der Karame aufweisen ais die Weibchen derselben Art. Lei-
der variiert aber die.se Zahl derart, oft tiber 5 bei gleichem Gesehlecht und
gleicher Art, so da--» dieses Merkmal nur an Iland von viel Material ausgetestet
werden kann. wobei raan dann aber doeh für Mannchen und Weibchen Min-
dest-Mittel-und Ilõchstwerte, wic folgt, feststellen kann:
a) flavidus
b) alticola
c) bonariensis
d) b. asprr
e) burmeisteri
f) chilensis
K) coriaceus
h) dorbignyi
— Weibchen — 10-13-14;
” — 14-1G-18;
” — 14-17-21;
— 12-15-18;
” — 12-19-22;
” — 12-12-14;
” — 13-15-19
— 15-19-22;
Mannchen — 11-15-17
” — 15-17-20
- 14-21-24
14-16-21
” — 19-22-25
— 11-14-17
” — 14-18-21
•* _ 19-23-27.
Audi diese Zahlen werden innerhalb dieser Regei siclier noch kleine Ande-
rungen erfahren, wenn noch tnehr Vergleichsmaterial vorhanden sein wird.
An Farbuntersehieden ist uns eigentlich nur die gelbe breite Langsbinde
auf dem 1’rãabdoiuen von li. b. apser und die dunkleren Langsstreifen auf der
Caudaunterseite. die mehreren Arten zukonimt, aufgefallen.
BIBLIOGRAFIA
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-SciELO
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22. Büclierl, W. — Men. Inst. Bntantan (no prelo).
23. Büeherl. \Y. — ibidem (no prelo).
EXPLICAÇÃO DAS FIGURAS
Fig.
1: B. alienicola
— face ventral
do 5.° segmento
caudal;
Fig.
2: B. flavulu»
M T*
99 99 99
99 .
Fig.
3: B. pringlesianvs
— ” ”
99 91 99
99 ,
9
Fig.
4: B. alticola
ft •*
99 99 99
99 .
9
Fig.
5: B. prospicuus
99 ••
99 99 99
99
9
Fig.
6: B. b. asper
99 •*
99 99 99
99
Fig.
7: II. docUojuradoi
99 ••
99 99 99
99 .
Fig.
8: II. chilensis
_ 99
99 99 99
99
Fig.
9: II. leyserlingi
— ”
99 99 99
tt •
Fig.
10: II. coriaccu.s
— ”
99 99 tt
t* .
Fig.
11: II. dorbignyi
99 •'
99 99 99
99 .
Fig.
12: B. clegans
99 •»
99 99 99
99 .
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“TwiT 1957 /“ U "’ WOLFGAXG BCCHERL
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M«a. Ib« 1. BntinUn,
2 **: 45 - 54 . 1957 / 8 .
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45
XOTES D 'ACAROLOGIE
XLI. Haemolculaps BERLESE versus Atricholatlaps EWING et Isehno-
laclaps FONSECA; Ornithonyssus SAilBOX versus fídellonyssus
FONSECA.
FLAVIO DA FONSECA
(hutituto Butantan )
II y a quelques petits problêmes de Ia systematique qui deviennent autant
de sources de diffieultés pour ceux qui ne sont pas d’accord avec le status
de la taxonomie, ce qui les contraint à ne pas publier des descriptions d’espè-
ces encore inconnues jusq’à ce qu'une nouvelle acquisition vienne ouvrir une
voie qui leur semblait dés rmais fermêe. Cest ce qui arrive à certains genres
dont 1’éxistence est tachée de superflue par les uns, tandis que les autrcs la
croient utile. Une sous-division de genres s’impose fréquemment au bout
d’un certain temps pour des groupements mal connus, soit paree que leurs es-
pèces deviennent de plus en plus nombreuses, ce qui rend leur distinction diffi*
cile, soit pareequ'elles se presentent par embranchements avec des caracteres
distinctifs aussi niarqès qu'autant de lignes d’un divage naturel. !/<•> vouloir
effacer serait aussi erroné que les multiplier déraisonnablement.
II n’y a d’ailleurs pas de procédure plus normale en taxnnomie que celle
de proposer la division de tout embranchement dont les éléments peuvent être
separes en autant de groupes qu’il y a de caracteres communs, sans même
exiger pour cette distinction un raisonnement phylogénétique, pourvu que ces
attributs morphologiques aient une importance correspondante au rang taxo-
nomique qu’ils sont appelés à caractériser. Rien n’empèche donc, le cfls
échéant, d’établir une classification même artificielle s’il y a avantage pour
le travail du systématiste. C’est sa tãche de maintenir 1’équilibre juste et de
ne permettre d "exagération ni dans un sens ni dans 1’autre. LVxposé ci-
dessous donnera I'exemple de deux cas de dédoublement de genres qu'on
tãche maintenant d’abandonner sans examiner des faits nouveaux <|ui à mnn
avis justifient leur conservation.
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4G
XOTES D ACAROLOGIE
I — II t 1
Depuis une dizaine d'années je me suis imposé un silence complet sur
le sujet qui va être expcsé, bien que je seis directement implique dans ee
problème comine unique auteur vivant d’un des genres qui sont 1’objet de
eette diseussion. L "unique raison de cette abstention était que les arguments
dent je pouvais me servir, bien que suffisauts a mon a\is, ne seraient súrement
pas valables pour d’autres qui s’etaient déjà manifestés dans un seus opposé.
II s’agit de la question de la synonymie des genres Hacmolaclaps Berlese,
1910, Atricholaclaps Ewing, 1929 et Ischnolaelaps Fcnseea, 1936.
Hacmolatlaps fut crée par Berlese pour l’espèee Hacmolaclaps marsu-
pialis Berlese, 1910, capturée sur un didelphidé d'Australie appartenaut à la
famille Paramelidae. La description du genre se basait principalement sur
1’existence d’un pilus denlilis flagéliforme trés fin et long.
Dans sa discription orgiinale Berlese considérait Hacmolaclaps un sous-
genre de Laclaps Koeli. une opinion qu’il a modifié e aprés 1916, le plaçant
comine sous-genre d’HypvaspÍ 3 Canestrini, 1885, donc un genre avec une
seule paire de poils dans la plaque génitoventrale. A partir de eette époque
,| a décrit dans ee sous-genre plnsieurs espèces. tant libres que parasites,
lesquelles, à mon avis, ne se rapprochent point de l’espèee type.
Atricholaclaps Ewing, 1929 a eté décrit par son auteur eomme genre
parasite dont les espèces présenteraient moins de quatre paires de poils dans
la plaque génitoventrale et dont la mandibule naurait pas de pulvillum à la
base du digitas mobilis. ee dernier étant un caractere qu’on a, quelques années
après, demontré être inaeeptable pour les iMclaptidac. Comme génotrpe
Ewing a proposé 1’espèce Laclaps rcithrodontis Ewing. 1925, qu il avait décrit
quelques années auparavant sans figure et sans faire allusion au pilus denlilis
ni aux poils de la plaque génitoventrale, dont le nombre restait inconnu.
Ischnolaelaps Fonseca, 1936 fut érigé pour le génotypc Ischnolaelaps
rcticulatus Fonseca. 1936 et deux autres espèces semblables. Comme ces espèces
ne possedaient pas de poil filiforme dans la mandibule, mais un poil. au
contraire, extraordinairement dilaté, ce qui à mon avis sembla.t indiquer
Foccurance d’un groupement différent, je me suis refusé à les placer parmis
les Hacmolaclaps. Comme. dautre part, elles n’avaient qu’une seule paire de
poils dans la génitoventrale et que la diagnose d Atricholaclaps n eu precisait
pas le nombre, ce qui m'a paru se prêter à des futures confusions, puisque
Hirst avait déjà décrit un genre avec trois paires de poils dans cette plaque,
j’ai voulu restreindre la diagnose et j'ai créé Ischnolaelaps pour les espèces
avec une seule paire de poils dans la génitoventrale, tout en ignorant le
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FLAVIO DA FONSECA
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nombre de poiLs dans i espèee type d’ Atricholaclaps qui était insufisamment
déerite.
r Strandtmann, dans sa description originale d' Atricholaclaps sigmondi
\ n aecepta pas eette restrietíon et considera tout eourt Ischnolaclaps mi
synonyme d' Atricholaclaps. Phis tard (1949), dans son exeellente étude sur
les soi-disants Hacmolaelaps de 1’Amérique du Nortl, i! examina et dessina
1 espeee type d 'Atricholaclaps, .4. reiihrodontis (Ewing), ayant eu la eourtoisie
de me deniander au préalabre ee que je pensais de ee petit problème et m’en-
'oyant Je déssin de reithrodontis. A eette époque je m’étais déjá aperçu
<le la différence de forme du pilus dcntilis parmi eertaines espèees dentes
‘laiLs Atricholaclaps, Ischnolaclaps et Hacmolaelaps et basé maintenant sur
1 aspeet de ee poil dans reithrodontis je lui ai repoudu que je considerais
defendable la eonservation de trois genres basés sur les différenees du pilus
•t que, a propos d'Hacmolaelaps, il était mêine probable de rencontrer une
forme diverse dans un liôte si différent comine 1’était un marsupial. Je devais
a\oir dit: “dans une région ou les marsupiaux sont si nombreux on ne doit
pas s admirer de voir se développer une faune parasitaire earaetéristique”.
• e ne 1 ai pas fait et je n’ai même pent-être point de raison à eet éjrard. au
ma,ns au su i et en discussion, pareeque je sais aujourdTiui que les marsupiaux
earnivores peuvent présenter bien fréquemment à côté de leurs propres espèees
aussi des parasites de leurs proies.
•Strandtmann. qui avait justemente demontré les variations «, u ’une même
■ P*ce peut présenter par la siinplc raison de se transférer à un nouvel liõte,
ne V* laissa pas convaincre par raes faibles arguments et conserrat .1/rirAc.
adaps et Ischnolaclaps comine des simples synonymes d* Hacmolaelaps , une
opinion qui semble être maintenant adntise même jiar eeux qui avaient aecepté
les frenres restreints.
Zumpt (1950) arriva. par un raisonnement plus simpliste, à la eonelusion
eatégorique de la synonymie d' Ischnolaclaps e d 'Hacmolaelaps en affirmant:
am sure that tliLs irenus is a synonym of Ham lacla/n takin<r into eonsi-
deration the American as well as the Ethiopian s peei es".
La question était pour moi tombée au point mort et jattendais Vappar-
tunité d examiner personnelement le type d'Hacmolaelaps pour me déeider
' «ns un seus ou dans 1 autre. ee qui était important pour moi puisque je
'enais de trouver plusieurs espèees encore inconnues appartenant à ce groni>e.
Lopportunité arriva plus tÔt que je ne le songeais avec la publication
«1 un três utile travail de Womersley (1955). qui est parvenu à presenter un
exceUent dessin du matériel type de 1’espèce de Berlese eonservée à Florence
et à donner une description de la femelle et du mãle. encore inconnu, captures
daas le nid d’un ciseau d’Australie.
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48
NOTES DACAROLOGIE
Cette importante eontribution dn scientiste australien, loin de me faire
capituler, m’a encore plus affermi dans la conviction que le genre Haemo-
laelaps doit être séparé des deux autres. L’aspect earaetéristique du pilus
dcniilis, qui est flagéliforme. beaueoup plus fin et plus long que eelui d'Atricho-
laclaps et, surtout, qui se recontre aussi dans le mâle; la gaine hyaline qui
recouvre le digitus fixus; 1’existenee d 'une seule dent dans le digitus nwbilis.
le digitus fixus semblant inerme; la pilosité existente à la base du tritosterne
et, ce qui est important, le porte-spermatophore três court du mâle, lequel,
au eontraire de ce qu’on connait dans les deux autres genres, est du même
type que eelui d 'Ilypoaspis Canestrini, (conf. Vitzthum, H„ Milben ais
Pesttrãger T, in Zool. Jahrb. Syst.. Ükol. und Geogr. der Tiere 60 (3-4) :422,
1930), tout eela semble plutôt séparer que rapprocher Hatmolaxlaps des deux
autres genres.
Sans que je prétende pour celà être le maitre de la vérité, en jugant
même qu’il est impossible en ce moment de dire le dernier mot la-dessus, je
serais plutôt d’avis (pi'IIfmolaclaps est le plus primitif des trois genres,
puisqu’il semble se rapprocher le plus des Hypoaspis libres. Si les deux autres
se sont origines de lui ou s’ils ont eu une origine independante. voilá ce que
je ne crois píis pour le moment susceptible d'une opiniou plus ou moina ferme,
toute hypothèse la-dessus semblant prematurée.
Si le genre Hacmolaelaps est ici considere différenee des deux autres. il
est évident qu Wtricholadaps, avec sept ans de priorité sur Ischnolaclaps, doit
être revalide. La question se pose maintenant de savoir si ce dernier genre
doit ou non être conservê. Que les deux sont plus raprochés entre eux qu’ils
ne le sont d’Haeniolaclaps, cela va sans dire. II n’y a pour le moment que Ia
forme du pilus dcntilis qui puisse servir comme élément distinctif entre eux.
J’admets même qu’il existe des fonnes ou l'on assiste à la transition, ce qui
rend parfois plus difficile l’interpretation. Au point de vue purement taxo-
nomique de la systematique il semble cependant qu’il y a plus d’avantage à
conserver Ischncladaps qu’à le faire disparaitre, puisque le nombre d 'espèces
de ce groupement raontre une grande tendance à augmenter. S’il est dejà
difficile d’organiser une clef des 50 espêces du genre Latlaps oü l’on pent
d’ailleurs avoir recours à un beaueoup plus grand nombre de caracteres
morphologiques, que va donc arriver à ce groupement d’une si étonnante
monotonie si on le mantient dans un seule genre? Le nombre aetuel d'espèces
s'approehe dejà de la quarantaine sans compter celles que je dois décrire
prochainement.
Je crois donc qu'au non de la plus grande clarté, qui permettra d’éli-
miner un grand nombre d 'espèces à la seule enonciation d’un autre groupement
et aussi par la raison d 'une plus rapide determination des espèces, il y a
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plus (Tavantages dans la conservation d’Ischnolaclaps que dans son élimina-
tion. Je me laisse toutefois faeilment convaincre que les deux ne méritent
point le même rang nomenclaturel et que la distinction des espèces peut être
également obtenue par la division eu sous-genres.
Cette division était même dejà ébauehé dans la clef proposée par
Strandtmann pour les soi-disants Ilacmdaelaps nord-amerieains, oii la forme
du pilus, est le premier caractere dichotomique utilisé, donc une reconnaissanee
tacite sinon de son importance comme caractere distintif d’un genre, au moins
de 1’avantage de la division.
Allred (1958) est du même avis, voilà qu’il affirme: “Because of its
variability, it appeare that the pilus dentilis should be used primarily to
separate the species into major groups rather than to separate two distinct
species”.
La question se complique quelque peu en conséquence de la magnifique
étude comparative de glasgowi que Strandtmann est parvenu à réaliser, la-
quelle m'a laissé convaincu que mes trois espèces decrites comme des Ischno-
laelaps doivent être considerées identiques à glasgowi: I. rcticulatus, I. coclo-
genys et I. sciureus.
La conséquence en est glasgoici devient le sous-génotype d'Ischnolaelaps
avec la synonymie suivante: Laelaps glasgowi Ewing, 1925, Atricholaclaps
glasgowi (Ewing, 1925), Hacmolaclaps glasgowi (Ewing, 1925), Isiclaps cali-
fornicus, Ewing, 1925, Laelaps virginianus Ewing, 1925, Hypoaspis criceto-
philus Vitzthum, 1930, Laelaps stegcmani Hefley, 1935, Ischnolaelaps rcti¬
culatus Fonseca, 1936, Ischnolaelaps sciurcus, Fonseca, 1936, Ischnolaelaps
coelogenys Fonseca, 1936, Ilaemolaelaps scalopi Iveegnn. 1946, Atricholaclaps
sigmondi Strandtmann, 1946 et Atricholaclaps strandtmanni Fox. 1947.
Q» ’on se rapelle d’ailleun» ici que dans sa descri ption originelle d 'Uy-
poaspis cricctophilus, que Strandtmann croit être un probable synonyme de
glasgoici mais que Pabsence de référence à la dilatation du pilus dentilis
raproche encore plus d'un Atricholaclaps, Vitzthum s'était dejà refusé à le
plaeer par mis les Ilacnu.laclaps.
Jusqu’à ce qu’on puLsse présenter des arguments plus convainquants
j’adopterai donc le procedé suivant:
a) De mantenir Hacmolaclaps Berlese, 1910 comme genre jusqu'a présent
monotypique.
b) De proposer la revalidation d Atricholaclaps Ewing, 1929 dans la caté-
gorie de genre.
c) De considérer Ischnolaelaps Fonseca, 1936 un sous-genre d 'Atricholaclaps.
50
XOTES D'ACAROLOGIE
I’our le inoment je proposerai pour ces groupements les diagnoses
suivantes:
A) Genre Haemolaelaps Berlese, 1910 - Laelaptidae à idiosome non sous-
circulaire, a plaque sternale plus large que longue et plaque anale non
prolongee; a pattes non calcarées; plaque genitoventrale peu dilatée, non
prolonguée aux cotés et non efilée portant une seule paire de poils; euisses
et idiosome sans épines; pilus dentais long et trés fin, flagéliforme présent
aussi dans le niâle; porte-sperniatophore à peu prés de la taille des doigts
de la mandibule. Génotype: Haemolaelaps marsupial is Berlese 1910
(%. 1 ).
Fm. 1 — Mnndibules des tnâlos. A = Atricholaelaps Ischno-
]arlapx glasgoui (Enring, 1£25, d’aprj Straid-
tiuann, 1Ü4!); B = HypoaspU aculeifcr (Canes-
trini, 1S83), d’après Bregetova, 1956; C = Ilac-
molaelapt marsupialú Berlese, 1910, d' après
Womertl?y, 1955.
B) Genre Atricholaelaps Ewing, 1929 - Laelaptidae de moins d’uu niili-
metre, a pattes non calcarées; genito-ventrale non prolongee aux cotés et
non cfdée, portant une seule paire de poils; plaque sternale plus large
que longue et plaque anale non prolongée; sans epines aux euisses et
a I 'idiosome; pilus dentilis non flagéliforme et non dilaté, simple poil
eourt progressivement aminci absent dans le mâle; porte-spermatophore
plus long que les doigts de la mandibule.
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1) — S ns-genre Atr'cholaelaps Ewing, 1920. Avec le- caractères du
genre; pilus dentilis plus large au point exact de sou émergence. Sous-geno-
type; Laelaps nithrodontis Ewing. 1925.
2) — Sous-genre Ischnolaelaps Fonseea. 1936 — Avec les caractères du
genre; pilus chili!is plus large à un point situe aprè son émergenc?. Sous-
genotype: Laelaps cjlascjcnri Ewing. 1925.
Les espèces insuffisamment decrites dont on ne peut reconnaitre la forme
du pilus denlilis seront considerées conservées, provisoirement comine appar-
tenant au genre Atricholaelaps.
II — Omithonyssus Sambou 1928 et Bdellvnyssus Fonseca 1941.
II n'y a guère de genre plus discute parini les Macronyssidae (Liponyssi-
dae) «pie Leiognathus Canestrini. 1855, crigé pour 1’espèce Dermanyssus
sylviarum Canestrini et Fanzago, 1877 et ntilisé pour y placer toute une série
d'espèces dont la majorité fut d'ailleurs transferée aux genres Liponyssus
ivolenati, 1858 etBdellonyssus Fonseca, 1941, y ccmprise Fespèce type de
Leiognathus.
Dans son magnifi(pie travail sur le rôle des acariens dana la transmission
de maladies à Fhommc, publié en 1928. Sambon, sapercevant «pie Leiognathus
Canestrini. 1885 était un genre préoccupé, proposa le nouveau nom Orni-
thonyssus pour le Leiognathus sylviarum (Canestrini et Fanzago, 1877), en
y plaçant anssi le Leiognathus bursa Berlese, 1888. I/excellente publication
de Sambon, cacliant sons un titre plutõt de pathologie une importante contri-
bution à la s- r stematique. est passée inaperçue jusq’à présent à tous les acaro-
logistes que se sont occupés de ce groupement. C 'est le mérite de Clark et
Junker d'avoir em 1956 attiré 1’attention sur le nom prop sé par Sambon pour
substitner Leiognathus.
Ewing. en 1947. à fait la “redecouverte” de la synonymie de Leiognathus
Canestrini, 1885 avec Leiognathus Lacepède, 1802. dejà employé pour un genre
de poissons. en plaçant sylviarum à côté des Lyponyssus.
Fonseca, en 1948, dans sa Monographie sur les Macronyssidae du monde,
preposa la eonservation de Leiognathus Canestrini. 1885 comine genre mono-
typique parce que le génotype sylviarum presente seulement deux paires de
poiLs dans le plaque sternale et les plaques ventrales du inâle sont fusionées.
une combinaison de caractères (pie n’est recontrée dans aucun autre genre.
Furman. en 1848, dans une note ou il place le Liponyssus pacifieus Ewing,
1922 dans la synonymie de Liponyssus sylviarum, fait la remarque de la
différence de la mcrphologie du digitus mobilis ehez 1'espèee de Canestrini et
Fanzago oü il est biparti et admet que dans quelques cas la plaque sternale
narait présenter la troisième paire de poils.
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NOTES D ACAROLOGIE
N"étant pas d’accord avec Ia situation de sylviarum parrais les Lipo-
nyssus, Radford dans son Catologue des aeariens parasites des vertebrés publié
en 1950, ignorant lui aussi le nom créé par Sambon pour substifuer Leiogna-
thus, propose FonsecaOnyssus pour 1’espèce sylviarum, donc un synonyme
iVOrnithonyssus Sambon.
Strandtmann et Hunt en 1951, observant que 1’implantation de la troi-
sième paire de poils dans Ia plaque sternale était observée plus fréquemment
que l’on ne le supposait, placent Leiognathus Canestrini et Fonsecaonyssus
Radford dans la synonymie de Bdeüonyssus, tout en oubliant Tobeervation
de Furmaii sur la mandibule de sylviarum.
Clark et Yunker ont tout récemment plaeé Bdeüonyssus Fonseca, 1941.
dont le génotype est le B. bacoli (Hirst, 1913), un genre proposé pour subs¬
tituer partielement Liponyssus Kolenati, 1858, dans la synonymie d’Orm-
thony.isus Sambon, 1928, qui a comme genotype 1 'Ornithonyssus sylviarum.
Xous n’aurions rien à objecter à propos de cette dernière synonymie, bien
quelle soit trés antipathique au point de vue étymologique, ne fussent les
caracteres morphologiques distinctifs des deux génotypes, sylviarum et bacoti.
Si 1’espèce de Canestrini montre une tendance indiscutable à ne présenter
que deux paires de poils dans la plaque sternale oú la troisième pairo est une
exception, tout au contraire des espèces placées dans le genre Bdeüonyssus,
et si la femelle a une structure mandibulaire diverse, il y aura donc lieu de
choisir entre deux décisions: celle d’amplier le “coneept” du genre Ornitho¬
nyssus, pour y englober aussi les espèces avec un doigt simple et trois paires
de poils à la plaque sternale ou bien celle de mesurer Ornithonyssus et
Bdeüonyssus par Fétalon des génotypes respectifs comme des genres distinets.
Dans le travail cité ci-dessus Sambon est d’avis que Lyponyssus bacoti
(Hirst. 1913), donc le génotype même de Bdeüonyssus Fonseca, “belongs
neitbeir to CanestrinFs genusLeiognathus nor to Kolenati’s genus Liponyssus,
but, as pointed out by Hirst, resembles most a lizard mite, Leiognathus
saurarum Oudemans, for which latter I am proposing the new genus Sau-
ronyssus”.
Furman a aussi ressenti le besoin de distinguer sylviarum des espèces
jusqu ’iei connues, en disant: “It is posible that the cheliceral structure of
Liponyssus sylviarum warrants its removal from the genus LyponVssus. My
observations have not reveled a similar raorphology in other species of the
genus. Pending more extensive investigation. however, it is best to retain
the species in its present status.”
De 1’exposé dérivent donc les nonclusions suivantes:
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PLAYIO DA FONSECA
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a) Dans 1’état actuel de nos connaissances, sylviarum peut être conserve dans
un genre indépendant, Ornithonyssus Sambon 1928, dont il est le génotype.
b) Pour le moment il n’y a d’autre espèee qui puisse être placée dans le
genre Ornithonyssus, pas même Bdcll-onyssus bursa Berlese 1888 comme
1’admet Sambon, que la considérait une simple varieté de sylviarum.
c Le genre Bdetlonyssus Fonseca peut être conserve avec sa valeur origi-
nelle, c’est à dire, reserve aux espèces dont la plaque sternale, au contraire
de sylviarum, possède toujours trois paires de poils.
d) Le genre Xeoliponyssus Ewing, 1929 avec Liponyssus gordoncnsis Hirst
1923 comme génotype, est probablement un synonyme de Sauronyssus
Sambon 1928, dont le génotype est le Liponyssus saurarum Oudemans,
1901. Oudtmansiella Fonseca 1948 avec le même genotype, L. saurarum,
devient synonyme absolu de Sauronyssus, comme l’a dejà remarqué Bre-
getova em 1956.
Pour le genre Ornithonyssus Sambon, 1928 je< propose la diagnose suivante,
que est une modification de celle presentee dans ma Monographie de 1948 pour
le genre Leiognaihus: “ Macronyssidae. Éeusson dorsal non divise; cuisse sans
épines; femelle avec une plaque sternale présentant presque toujours seulement
deux paires de poils. plaque génitale non écailleuse, de pointe amincie, ne
portant que les poils génitaux et doigt mobile de la mandibule bifide; toutes
les plaques ventrales du mâle fusionées. Génotype: Dcrmanyssus sylviarum
Canestrini et Fanzago 1877”. La diagnose de Bdcllonyssus restera inalterée.
En adoptant le critérium dualiste, d’ailleurs parfaitmente défendablc et
justifié, on ne sera pas contraint d’employer un nom de genre indiquant
parasitisme d’oiseaux pour des acariens en general parasites de mammifères,
un proeedé pour lequel on ressent toujours une certaine repugnance, bien
qu’il soit absolument d’accord avec les Règles Intemationales de Nomen-
elature, ni de substituer le nom du genre le plus connu par un autre lequel,
bien que plus ancien, resta longtemps caché dans un travail três intéressant
mais dont le titre n’appella point Fattention des systematistes.
Bien que je ne me fasse point 1’illusion de pouvoir échaper à la critique
d’avoir développé un long raisonnement dans le seul but de défendre une
paternité nomenclaturelle, je courre de bon gré ce risque tout en admettant
dans le cas de ces genres que la coexistence pacifique est d’autant plus
justifiée que nous sommes tout au commencement d'un grand travail ta-
xonomique.
Pour moi ce sera toujours un motif de soulagement de sentir la main et
la pensée libres pour decrire des espèces en les plaçant oü je crois être correcte
2 3 4
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54
XOTES DACAROLOCIE
leur situation syuteinatique, sans être oblgé de faire desobeir la pluni • au cer-
veau pour suivre une pensée dirigée, même par des savants d’indiseutible com-
pétence. Si nous ne sonuuís pas d'aeeord pour le moment cela prouve que le
problème des poils eu aearologie n’est point une question de lana caprina,
mais plutôt de lana acarina , ee qui est à mon avis bien différent.
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SciELO
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Mera. In tf. BaUntan,
28: 55 58. 1957/8.
FLAVIO DA FONSECA
55
A< 'AROLOGISCHE XOTIZEX
XLII. GERUCHSORGAXE UXD ENTWICKUXGSGESCHICHTE DER
Mesostigmata UXD Spelaeorhynchidae (ACARI)
FLAVIO DA FOXSECA
{Instituto Itutantan)
Der von I*. Sehulze ausgedriickte Gedanke, das die Ixoditles, sowie
aueh die Ricinulei , iiber die hypothetischen Proixodes umnittelbnr von den
fossilen, aus Polyehiitn entstandenen Anthracomarti abgeleitet seien, wider-
spricht dem Kcnzept. dass Arar: nnd Arachnúla niehts gernein hatten, eine
Anffassung, die besonders Sig Tlior in mebreren vergleichenden. anatomischen
Arbeiten vertritt. Xach Thors Schlussfolgerungen sollen die .Icori a's eine
vcn den Araehniden vollstãndig getrennte Khi-.e aufgefa.sst werden, welche
unabhãngig von den Würniern entstand nnd deren einzige Verwandtschaft
mit den Spinnentieren darin besteht. dass die Beinzahl bei den Adulti niit der
der Spinnen iibereinstimmt.
Es ist aueh das Verdienst Schnlzes, ais Erster die Homologie zwischen
dem Ilallerschen Organ der Zecken nnd dem Blmnenthalschen Organ der Pai*
pen nnd Tarsi der Spinnen erkannt and in seiner Arbeit iiber die Entwicklung
nnd den Bau des Geruchsorgans der Zecken beschrieben zu haben. Beide
Strukturen waren von Thor in seiner sonst ausführlichen Arbeit nieht erwiibnt
worden. Die in derselben, sonst lehreiehen Monographie Schnlzes aufgestellte
Behanptung, dass iihnliche gekapselte Organe bei den Milbcn nieht zn finden
seien, ist jedoeh unzntreffend, naehdem ein solches Organ bei Eulactaps
rUzthumi von Fonseca beobachtet nnd 1935. also 6 Jahre früher, in einer Arbeit
beschrieben nnd zeichneris.h dargestellt wnrde, die dem deutsehen F rseher
nubekanut geglieben sein mnss. Aueh ist bei den Xotosligmala ein Hallersches
Organ seit 1936 von Grandjean ausführlich besehrieben worden.
In der Stellnng und Beschaffenhe t eriunert. das Palpenorgan <ler Eulac-
laps vitzthumi eher an das Blumenthalsch ais an das Hallersche Organ, da
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56
ACAROLOGISCHE SOTIZEX
es. im Gegensatz zum Geruchsorgan der Zecken, weder Sinneshaare noch
sonstige innere und áussere Bestandteile trágt. Diese Analogie zwischen den
Acari und den Spinneníieren widerlegt die Thorschen Schlussfolgerungen und
dürfte demnach, ausser dem oben erwãhnten Beitrag von Schnlze zu den Ixo-
diden. ais ein neuer Beitrag zur Verwandtschaft der beiden Gruppen gelten.
Das bei den Eulaclaps vitzthumi in den Palpen befindlicbe Orgau ist
kürzlich bei zwei anderen, nahestehenden Arten bestãtigt worden und wird
daher bald ais Gattungsmerkmal eines neuen Genus benutzt vrerden.
Das Vorhandensein eines Geruchsorgans kann zur Klarung eines weiteren.
ungelosten Problems der Systematik beitragen, nãmlich dem der schwankenden
Stellung der Familie Spelaeorhynchidae zwischen den Mesostigmata und
Ixodides. Xachdem sie lange Zeit zu den Ixodides gerechnet wurde, besteht
heute eine Tendenz diese Familie zu den Mesostigmata zu ziihlen, wie es z. B.
bei Lombardini (1938), Vitzthum (1943) und Baker und "Wharton (1952)
geschieht. Zumpt (1951) nahert die Spclaeorhynchidae den hypothetischen
Proixodoidca an, ohne es zu wagen, diese eigentümlichen Fledermausscbmarotzer
endlieh ais echte Zecken zu betrachten.
Der Schritt, der es erlauben wird die zwischen den Spelaeorhynchidae und
Ixodides noch bestehende Trennug zu beseitigen, darf jetzt ruhig getan werden.
da in dieser Arbeit die Beobachtung des Ilallerschen Organs, sowohl beim
Weibchen ais auch bei der Proteronymphe (=Larve) eines Vertreters dieser
Familie. der Spelaeorhynchus tatus, mitgeteilt werden kann. Ilier, sowic beim
Eschatocephalus vespertilionis, zeigt das Geruchsorgan seine ursprünglichte
Form. ein Beweis, dass auch die Spelaeorhynchidae zu den Plyorhina oder
“Wannennasen” von Schulze geziihlt werden sollen und dass Schulzes Ansi-
chten iiber die urspriingliche Stellung dieser Gruppe im Vergleich zu den
Thecorhinen oder “Kapselnasen” vollstandig gerechtfertigt sind.
Eine Sonderung in Wanne und Kapsel ist beim Spelacorhynchus tatus
(Fig. 1) noch nicht eingetreten, wodurch er im Aussehen dem Escaiocephalus
vespertilionis gleicht, mit dem Unterschied, dass hier die Zahl der entspre-
chenden haarformigen Gebilde geringer und deren Liinge grbsser ist. Letzteres
ist vielleieht ein Hinweis auf eine urspriingliche Stufe. Von den elf beim
Escatocephalus befindlichen Ilaaren sind hier nur vier zu sehen. wovon eins,
bei allen Exemplaren siehtbares. dicker, quergestreift und scheinbar zerbrochen,
ein zweitess dünner und schwacher gestreift, ein drittes viel dünner und
siehelformig ist und das letzte sich schon an der vorderen Grenze der sehr
cm
SciELO
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Mra. Init. Butftstan,
28: 55 58. 1957/8.
FLAVIO DA FONSECA
57
schwach ausgeprãgten Aushõhlung befindet. Ais einzig anderes Gebilde ist
ein winzig kleiner Stift zu sehen. Das Haarbüschel vor der \\ anne enthiilt
zwei riesenlange Haare; das hintere Büsehel besteht aus zwei Elementen, von
denen das vordere nahe an der Grenze der Aushõhlung steht. Die Figur
zeigt alies, was in den Praeparaten von vier versehiedenen Weibehen zu finden
war, wobei zu bemerken ist, dass solche Haare sehr haufig beim Praparieren
verderben.
Bei einer aus deui Hysterosoma priiparierten hexapodeu Xymphe, welche
das einzige andere bekannte Entwicklungsstadium der Familie darstellt, hatte
das Hallersche Organ dasselbe Aussehen und war mit zebn Haaren versehen,
wovon vier dem hinteren und zwei dem vorderen Haarbüschel angehõrten.
Ausser den übrigen vier Haaren war auch der winzig kleine Sinnesstift verhan-
den. Eine Aushõhlung konnte bei der einzigen examinierten, hexapoden Xym¬
phe nicht bemerkt werden. Sie ist auch beim Weibehen nicht so stark ausge-
prâgt, wie sich aus meiner Figur erkennen làsst.
Herrn Dr. Rudolph Bart, aus dem Instituto Oswaldo Crus, Rio de Janeiro bin ieh
für die spraehliche Korrektur der Textes ium dank Terpfliehtet.
5S
ACAKOLOGISCHE XOTIZEN
RESUMO
O conceito externado por P. Schnlze de que os Ixodides, tal como os
Riciiiulci , derivariam, por intermédio de Proixodes hipotéticos, diretamente
das Anthracomarti fósseis criginados de Poliquetas, vem contrariar as con¬
clusões de Sig Thor, segundo as quais os Acari constituiriam classe intei-
ramente autônoma e independente da classe Arachnida, com a qual o único
ponto de contato consistiria em ter na fase adulta o mesmo número de pares
de patas. Coube a Schulze demonstrar a hcmologia entre o órgão de Ilaller
do ta iso dos Ixodidecs e o órgão de Blumenthal dos palpos e tarsos de ara¬
nhas. Xa mesma ocasião asseverou Schulze que outro órgão capsulado idêntico
não existia entre os Ácaros, inadvertido de ter Fonseca em 1935, portanto
seis anos antes, descrito e desenhado um tal órgão no palp • de Pulada ps vitz-
thumi, o qual se aproxima mais do órgão de Blumenthal do que do de Ilaller.
Também nos Notostigmata é conhecida com minúcia, graças ao trabalho de
Granjean, de 1936, a existência de órgão de Ilaller.
A existência do órgão de Ilaller em Spelaerhynchus lahis Banks, estru¬
tura aqui pela primeira vez descrita e desenhada na fêmea (fig. 1) e na larva,
vem dirimir dúvidas sôbre a posição correta da família S pelaeorhynchidac
em Ixodides ou em Mcsostigmata, de monstrando tratar-se de fato de um
Ixodidco primitivo.
LITERATUH
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M««i. rníi. BoUnUn. FLAVIO D.V FONSECA K GERARDO TRINDADK
38 : 59 66 . 1957 / 8 .
59
XOTAS DE ACAROLOGIA
XLIII. Fauna aearológica de roedores em Ouro Prêto.
FLAVIO DA FONSECA
(Instituto fíutantan)
R
GERARDO TRINDADE
(Escola dr Farmácia de Ouro Freto)
A velha cidade de Ouro Prêt \ caracterizada pela intensidade da sua rida
universitária e por ser atualmente monumento histórico nacional, cujos tesouros
de arquitetura, de- escultura c outras relíquias dos tempos do Brasil colônia
se acham devidamente preservados, fica encravada entre contrafortes da Cadeia
Geral, denominados Serra de Ouro Prêto, do Itacolomi. e Ouro Branco, de
Capaneina, do Frazão, do Falcão, do Itatiaia e do Antônio Pereira.
Ouro Prêto apresenta as seguintes características:
Superfície — 1.732 quilômetros quadrados
Latitude Sul — Entre 20° 10' e 20° e 39'
Longitude — M. Gr. Entre 43°24'30' e 43°56' W.G.
Altitude mínima — 1.060 metros.
Altitude máxima — Pico do Itacolomi — 1.797 metros
Temperatura média anual — 17°, 7C.
Chuva média anual — 1.848.6 mm.
A maior parte das formações geológicas é constituída de rochas, poli-
metamórficas com forte tectonismo, donde seu aspecto fisiográfico muito
característic . com a predominância de desfiladeiros, vales profundos e estreitas
passagens entre montanhas, nas quais se desenvolveu um sistema hidrográfico
muito complicado, formado por numerosos regatos e ribeirões.
Xa região predominam os solos argilo-ferrugim sos. algumas vezes tam¬
bém mangenizíferos, e os solos sílico-argilosos.
SciELO
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60
XOTAS DE ACAROLOOIA
A flora de Ouro Prêto é bastante típica, apresentando uni grande número
de espécies. Segundo Jssé Badini, abundam os Criptôgamos e os Faneróga-
mos. Entre os Criptôgamos .-ão mais freqüentes os Pteridófitas, apezar de
existirem também Britófitas, Líquenes, Algas e Cogumelos.
Antigo eentro de mineração aurífera, tôda a circunvizinhança sofreu em
outras eras devastação total da floresta primitiva, cujo solo, depois de revol¬
vido, deu origem a matas secundárias, capoeiras e campos que abrigam con¬
siderável fauna de roedores, em sua maioria espécies autóctones. Ao lado
destas ocorrem também espécies cosmopolitas, encontradas dentro d' s limites
da cidade, representadas pelos Rattus rattus alexandrinus e Mus musculus
brevirostris. Particularidade curiosa da região é a da invasão da cidade e suas
imediações pelo rato branco de uso em laboratório, o Rattus ncrvegicus albinus
o qual, solto uma vez por um criador local, passou a dominar, tal como
habitualmente sucede ao seu irmão melanótieo, o qual não ocorre em Ouro
Prêto, nem, de regra, em cidades afastadas do litoral.
O retorno à vida selvagem de roedor estritamente doméstico, que é o
rato branco utilizado em laboratório, bem como a adaptaçã de certos ácaros
de ratos cosmopolitas com hábitos semi-doméstieos aos roedores selvagens
periurbanos locais, e vice-versa, o encontro sôbre roedores cosmopolitas de
ácaros pertencentes à fauna local dos cricetídeos, são registros do presente
trabalho «pie permitirão em futuras comparações verificar o grau de persis¬
tência ou fugacidade dessas novas características etológicas.
A distribuição geográfica de algumas espécies, tão insuficientemente
conhecida na América do Sul, fica consignada à região, onde tal pesquiza é
incipiente, sendo êste primeiro ensaio de um estudo acarológico em Minas
Gerais, de onde, pràticamente, só são conhecidos, entre os Ácaros, os Ixódidas
referidos por Aragão e por Fonseca.
Espécies encontradas e seus hospedeiros
Sôbre o rato branco foram encontradas várias espécies além dos á aros
da ratazana comum, Laelaps echidninus Berlese 1888, visto lõ vêzes. e o
parasita da sarna de ratos Xntocdres mu ris Megnin ÍB^O. encontrado em 4
ratos. Nem uma só vez foi visto, em 26 Rattus norregicus albinus examinados,
a espécie Laelaps nutalti Ilirst 1915, entretanto tão comum no hospedeiro de
variedade cinzenta. Em dois exemplares de albinus foram vistos Macronyssidat
representados uma vez por fêmea de Bdellonyssus monteiroi Fonseca 1941.
espécie até hoje apenas assinalada em Zygodontnmys lasiurus Lund. em Bu-
tantan, São Paulo, e outra vez por ninfa provavelmente pertencente ò mesma
SciELO
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Mem. In»t. BuUnUn, FLAVIO DA FONSECA E GERARDO TRINDADE
28: 59-<>6. 1957/8.
61
espécie de ácaro. Ladaps manguinhosi Fonseca 1936, até hoje referida apenas
de Mato Grosso, foi encontrado três vezes sôbre o rato branco e Ladaps paulis-
lanensis Fonseca 1936 foi achado nina só vez. Encontro digno de nota
embora representado por um linieo exemplar fêmea, foi o do Ilirstionyssus
butantanensis (Fonseca 1932), originalmente descrito no gênero JchoronyssuÈ.
Esta espécie apenas havia sido até agora vista uma vez. parasitando Mus
musculus albinus no biotério do Laboratório de Microbiologia da Faculdade
de Medicina de São Paulo, em 1930. Seu achado sôbre o rato branco parece
indicar certa especializarão do parasitismo a animais de uso em laboratório,
embora tais ratos se encontrem em Ouro Prêto em estado,selvagem. Gigan-
toladaps butantanensis (Fonseca 1936) foi encontrado uma vez, tal como
Eubmchyladaps rotundus Fonseca 1936.
Passados em revista os ácaros encontrados em liattus norvegicus albinus,
vejamos que outros achados ,digncs de atenção foram assinalados.
hodes amarali Fonseca 1937 foi encontrado em fase infal em liattus
rattus alexandrinas e em Oryzomys mattogrossae, apresentando as ninfas os
mesmos característicos que as fêmeas, não sendo pràticamente visível o espinho
interno da eoxa II, o qual mesmo no adulto é p uco nítido.
O encontro dêste Ixodida é agora assinalado pela primeira vez, após a
descrição original, também representada por material de Minas Gerais. A in¬
festação era discreta apenas tendo sido encontrado um exemplar em cada
h spedeiro, nao deixando de ser interessante ver a espécie em parasitismo
sôbre Murideo cosmopolita, o que parece demonstrar ser espécie eurixena nesta
fase do seu ciclo.
Mysoladaps microspinosus Fonseca 1936, descrito parasitando um “rato
do taquaral em Butantan, São Paulo, nunca mais fôra encontrad . sendo
agora possível registrar a sua ocorrência parasitando cinco dos oito exemplares
de Oryzomys mattogrossae capturados na Fazenda Caieira, a quatro quilômetros
da cidade de Ouro Prêto. Também desta vez não forma vistos exemplares
machos, continuando a existência dêste sexo a ser uma incógnita nos repre¬
sentantes dêste gênero de I.aelaptidae parasitas de Cricetideos.
Laelaps echidninus I5erle.se 1888 foi encontrado sôbre quatro diferentes
ratos silvestres, o qu • é raro. Tal parasitismo foi constatado em Akodon
arviculmdes cursor, em Oryzomys matogroesae, Oxymycterus roberti e Eu-
ryzygomatomys spinosus.
A eoparalaeUrps bispinosus (Fonseca 1936), até agora apenas visto sôbre
( a cia aperea aperea, foi encontrado duas vêzes neste hospedeiro e também, ines¬
peradamente, sôbre os ratos Akodon arviculoides cursor e Xcctomys sguamipes
aguai icas, uma vez em cada.
SciELO
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62
XOTAS DE ACAROLOGIA
Outra verificação de interesse é a do encontro do “micuim” Schoengastia
(Trombewingia ) bakeri Fonseca 1955, até hoje apenas capturado uma vez na
Serra da Cantareira. São Paulo, sôbre o esquilo Sciurus (Gucrtinguetus)
ingrami ingrami. A ocorrência dessa curiosa espécie, de cerdas dorsais fo¬
lheadas. parasitando Xectcinys squamipes aquaticus e Akodon arviculoides
cursor nos arredores da cidade de Ouro Preto demonstra sua larga distribuição
geográfica e capacidade de infestar outros vertebrados além do hospedeiro tipo.
Eubrachylaclaps rotundas Fonseca 1936, originalmente descrito de pequeno
rato silvestre de espécie não determinada, encontrado cm Butantan, São Paulo,
já assinalado por Furman na República do Perú, parasitando Akodon mollis
orophilus, é outra espécie que ccorre em Ouro Preto. O gênero Eubrachy¬
laclaps Ewing 1929, descrito para incluir o genótipo Eubrachylaclaps hollisteri
(Ewing 1925), apenas continha esta espécie quando descrevemos o E. rotundus.
sendo agora conhecidas no total oito espécies, muito bem estudadas por Furman
em 1955. E. rotundus foi capturado em Ouro Prêto sôbre os seguintes hospe¬
deiros: Ilattus norvegicus albinus, 1 vez; Akodon arviculoidcs cursor, 7 vêzes
em 19 exemplares examinados; Xcctomys squamipes aquaticus, 3 vêzes em 11
exemplares examinados: òryzomys subflavus, 1 vez em 3 exemplares.
Laclaps manguinhosi Fonseca 1936 é outra espécie que ocorre em Ouro
Prêto. Até agora apenas foi assinalado o lote tipo, proveniente de Pôrto Joffre.
à margem do Rio São Lourenço, Mato Grosso, onde foi capturado parasitando
o rato Holochilus vulpinus Brants. Os exemplares de Ouro Prêto diferem um
pouco dos três cotipos devido ao espinho distai mais forte da coxa I, podendo
a espécie ser reconhecida, entre outros caracteres, pela eerda postern r das
maxilicoxas, que, ao contrário do habitual neste gênero, é curtíssima. Além
da adaptação ao rato branco atraz assinalada, foi ainda, esta espécie vista
uma vez em Oxymycterus roberti entre quatro ratos examinados e em Xcctomys
squamipes aquaticus, no qual foi encontrado em 8 dos 12 exemplares desta
grande ratazana, roedor caracterizado pela índole mansa, o que é raro em
ratos silvestres.
Laclaps paulistanensis Fonseca 1936, descrito originalmente de rato sil
vestre capturado em Butantan. São Paulo, hospedeiro tipo que agora podemos
adiantar ter sido identificado posteriormente como Òryzomys eliurus Wagner,
foi também encontrado em Ouro Prêto parasitando dois exemplares de Ory-
zomys mattogrossae entre doze examinados e Akodon arviculoidcs cursor.
também uma vez, em 19 examinados.
As espécies do sub-gênero Ischnolaelaps Fonseca não foram identificadas,
aguardando a revisão geral, sem a qual a diagnose seria imprecisa.
Gigantolaclaps butantanensis (Fonseca 1936). cujo hospedeiro tipo é o
Òryzomys eliurus Wagner. < riginalmente descrito de Butantan, São Paulo, e
cm
SciELO
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Mmb In st. BuUnUn. FI.AVIO DA FONSECA K GERARDO TRINDADE
*«: 59-66. 1957/8.
63
já assinalado no Estado de Goiás, foi outra espécie identificada, capturada
duas vezes sôbre Oryzomys mattogrossae e uma vez sôbre Raitus norveyicus
albinus, tratando-se em ambos os casos de exemplares fêmeas. Sôbre um dos
exemplares de Oryzomys parasitado per fêmea e sôbre um outro rato da mesma
espécie, foram encontrados exemplares machos pertencentes à mesma espécie.
Aproveitamos a oportunidade para corrigir o êrro cometido na Monografia de
1939 sôbre o gênero Giganiolatlaps Fonseca, na qual as figuras 26 e 27 repre¬
sentam machos que de todo não pertencem à espécie Gigantolaelaps butan-
tanensis,
estando, aliás, em flagrante desacordo com a descrição do alótipo tia
lâmina 1002.
A espécie a que pertence o macho representado nas figuras cita-
das é peculiar
à fauna do nordeste do Brasil. Laelaps lateventralis Fonseca 1936.
LISTA DE
HOSPEDEIROS E RESPECTIVOS AC AROS
l.
Oryzomys TnattOfjTOsMic — fiiçontoloftúps òwlfliiffliuwii (toiisocfl
1936)
O
»»
tt
— Iiodr* amtirali Fonseca 1937 ninfa
(3602)
3.
n
»l
— ilysolarlaps microspinnsu * Fonseca 1936
(3603)
4.
tt
tt
— Giganiolatlaps
(3604 )
Lartaps jHiulislanr nsis Fonseca 1930
(3605),
Mysolalelaps miernspinosns
(3606)
G.
ff
tt
— Giganiolatlaps bulantanennis
(3607),
Mysolaclap* microspinosns
(3608),
l.arlaps pamlManrUnit
(3609)
7.
tf
tt
— Mynolatlaps microspinosu*
(3610)
<í.
«
tt
— Giganiolatlaps butantanensis
(3611)
Mgsolatlaps tnirrospinotn*
(3612)
so.
tt
tt
— l.arlaps rcbiilHinus Borlese 1888
(3691)
01.
tt
tt
— Gigantolaelaps bulanlanrnsis
(3795)
9 a 15.
Uattu* norergirn»
alia nus — l.arlaps eckidninus (3613
a 3619)
i7.
ff
tt
M _ tt tt
(3620)
19.
tt
tt
tt _ tt tt
(3621)
21 a .'2.
tt
tt
ff __ ” ” (3028
n 3631)
24 A 27.
tt
tt
tt _ »» tt
(3704)
90.
tf
tt
ff _
(3704)
10, 15.
tt
”
tt _
17 a 20.
tt
tt
” — Sr tor tires nutris Mcgnin 1880 (3712, 37
13, 3714
c
• (3625),
19
tt
tt
” — iMtlaps mangninhosi Fonseca 1936
(3622),
fídeUongssns monlriroi Fonseca 1941
(3623),
Eubrachylatlaps rotnndns Fonseca 1936
(3624)
53.
tt
tt
” — Ilirsliongssus biitanlanensis Fonseca
(1932)
53.
tt
tt
” — II trst ionttssns bn tan la nr nsis (Fonseca
1932)
(3659)
82.
tt
tt
” — Gigantolaelaps bulanlant nsis
(3692)
Ildrllongssus num le iroi
(3710)
leo.
tt
tt
” — I.arlaps manguinhosi
(37093
Ihlrllon t/ssns monttirni
(3710)
(i4
NOTAS DE ACAROLOGIA
103.
Ballus norcegicus albinus — BdeUonyssus monleiroi ninfa
(3711,
30.
lia II um rattus alexandrinus — Ixodes amarali, ninfa
(3032 )
32.
Orycomys subflarus
— BdeUonyssus monleiroi
(3633),
Ixchnolaelapx sp.
(3634 1.
Ixodes amarali, larva
(3633),
3».
»» 1»
— Ischnolaelaps sp.
(3641)
11 »*
— Ischnolaelaps sp.
(3671).
Eubrachylaelapx rolundus
(3672)
A L odon arriculoides
cursor — Eubrachylaelaps rolundus
(363>
Itichnolaelaps xp.
(303' .
BdeUonyssus monleiroi
(3639),
Schõngaslia ( Trombewingia ) baberi
Fonseca
(3040)
4 2.
11 99
” — Eubrachylaelaps rolundus
(3043),
Laelaps paulistanensis
(3640)
3 lí.
11 99
” — Ischnolaelaps sp.
(3037),
Eubrachylaelaps rolundus
(363»)
r>r>.
91 91
” — Eubrachylaelaps rolundus
(3662)
37.
11 11
” — Eubrachylaelaps rolundus
(3666)
Ischnolaelaps sp.
(.3667),
3S
11 11
” — Eubrachylaelaps rolundus
(300',,
Ischnolaelalps sp.
(36093).
Xeoparalaelaps bispinosus (Fonseca)
(19.30)
OS.
11 91
” — Xeoparalaeelaps bispinosus
(3677).
BdeUonyssus monleiroi
(367»)
To.
11 11
” — Ischnolaelaps sp.
(36»1)
7 ti.
11 91
” — Xeoparalaelaps bispinosus
(30'0),
BdeUonyssus monleiroi
(30 '7)
N3.
11 11
” — Ischnolaelaps sp.
(3694i
84.
11 91
” — Laelaps echidninus
(370',
98.
99 11
” — Ischnolaelaps sp.
(3093,
Ischnolaelaps sp.
(3634,
43.
Xcctomys squamipes aqualicus — Laelaps manguinhosi
(3694),
Schõngaslia (Trombewingia )
31.
Xcctomys squamipes equaticus — baberi
(3636),
Ischnolaelaps sp.
f
34.
91 91
” — Laelaps manguinhosi
(3600)
BdeUonyssus monleiroi
(3661 )
Laelaps manguinhosi
(3663 )
30.
11 11
” — BdeUonyssus monleiroi ninfas
Eubrachylaelaps rolundus
(3663 ,
S3.
11 11
” — Laelaps manguinhosi
(3696).
Eubrachylaelaps rolundus
(3699 )
Ischnolaelaps sp.
(3097 , ,
sO.
11 11
” — Laelaps manguinhosi
(.3642 )
40.
Oxymyelerus robrrli
— Laelaps manguinhosi
(3642)
FLAVIO DA FONSECA E GERARDO TRINDADE
65
Mem. Ib 4. Butsntan.
28: 59-66. 1957/8.
41.
88 .
89.
44.
78.
<55.
69.
73.
74.
’’ — Isehnolarlaps sp.
Bdellonyssus monleiroi
” — Bdellonyssus montriroi ninfa
” — Bdellonyssus monleiroi
” ’’ — Laelaps echidninus
Eury;yyomatomys spinosus — Bdellonyssus montriroi
Ischnolaelaps sp.
” — Laelaps echidninu»
Caria aperra aperra — Xroparalaelaps bispinosus
” — Xroparalaelaps bispinosus
Bdellonyssus monleiroi
” — Bdellonyssus monleiroi
Xroparalaelaps bispinosus
Eubrachylarlaps rolundus
” — Xeoparalarlaps bispinosus
BdeUonyssus mon Iriroi
(3643)
(3644)
(3688)
(2700)
(3702)
(3647)
(3648)
(3689)
(3675)
(3679),
(3680)
(3682),
(4682)
(3683)
(3684),
(3685)
Os números colocados entre parênteses correspondem aos preparados inclui*
d s na coleção acarológiea de um dos autores. Os números que os precedem
correspondem aos lotes capturados por (5. Trindade.
Fica consignado especial agradecimento ao Dr. João Moojcn pelo grande c importante
trabalho de identificação dos hospedeiros.
8UMMARY
A list of parasitic Acari collected from wild rodents at Ouro Preto, State
Minas Gerais. Brazil, is presonted. Hirstionyssus butantahensis (Fonseca)
originally described from a colony < f white mice in São Paulo, Brazil. and
seven other specie.s are recorded from free living white rats. Xeoparalarlaps
bispinosus (Fonseca) a parasite of ('avia aprrra, was found ou rats. Schoen-
gastia (Trombewingia) bakcri Fonseca as far encountered only <n a squirrel,
was captnred on two speeies of rats. Some other species only known by original
descriptions are also recorded.
SciELO
11 12 13 14 15 16
ALPIIOXSE RICHARD HOGB
67
Mwn. In*t. BalanUn.
tfl 87 TI IM7/I
XOTES SER LA POSITIOX SYSTEMATIQUE DE
Opisthoplus degemr Peters 1882 ET Leimadophis regina
maerosoina Amaral 1935 (SERPENTES)
ALPHONSE RICHARD IIOGE
(laboratório de Ofiologia, Instituto Butantan, ,S ão Paulo , Brésil)
MATERIEL EXAMIXÊ:
Opisthoplus degener Peters 1882. holotype, n.° 10.-Í7G au Zoologischcr
Museura Berlin. d'origine inconnue.
Aprotcrodon dementei Vanzolini, holotype, 9, au “Departamento de Zo-
ologia de São Paulo'’, Brésil; et le Paratype, 9, u.° 370 déposé daus la même
collection, et comme 1'holotype originaire <1 • “Rio Grande do Sul", Brésil.
Tomoelon dorsatus Duméril, Bibron, et Duniéri], type, 9, n.° 3.737 au Mu-
senm National d’IIistoire Naturelle de Paris.
Le materiel type de Leimadophis regina mactilieauda Iloge 1932 et Lei¬
madophis regina macrosoma Amaral 1933 deposé daus la collection de 1’Insti-
tute Butantan.
En deliors des types j‘ai examiné de grandes series de To modem dorsatus
I). B. et D. ainsi que 11 individus «le Opisthoplus degener Peters 1882 que
j'avais registre dans les collections de 1’Instituto Butantan sous le noin de
Aprotcrodon dementei Vanzolini soit; n.° 17.174. 9, n.° 17.186, ô, n.° 17.187,
&, n.° 188, 9, n.° 17.189, í, , n.° 17.190, 9, n.° 17.191, ô, u.° 17.192,
(5 . 17.193, & , et n.° 17.194, ô , tons originaires de Caràzinho, Etat de Rio
Grande do Sul, Brésil; et n.° 16.210, 9, originaire de Quinta. Etat de Rio
Grande do Sul, Brésil.
1 — Opisthoplus a été déerit par Peters (7:1149) à partir d’un unique
individu, d'origine inconnue que Boulenger (4:120) incorpora dans la syno-
uymie de Tomodon dorsatus Duméril, Bibron et Duméril 1834. Or 1’étude «lu
type de Opisthoplus degener m’a démontré qu’il ne s'agit pas d’un synonyme de
Tomodon dorsatus mais bien d’un genre et espèee parfaitmeut earacteristi«|ues.
Le genre Aprotcrodon, génotype Aprotcrodon dementei, postérieurement dé-
«rit par Vanzolini 9:181 à partir de deux individus «le Rio Grande »U> Sul,
••st à mon avis uii synonyme «le Opisthoplus degener Peters 1882 Mon ami Vau-
2 3 4
5 6 7
11 12 13 14 15 16
68
NOTES SIR LA POSlTIOX SYSTEM ATIQCE DE OPISTHOPLUS
OEGENEK PETERS 1**2 ET LEIMADOPHIS REGINA
MACROSOMA AMARAL 1935 (SERPENTES)
zolini à qui j'ai communiqué mes observations. est entièrement d’aecord avee
nion point de vue et m’a prié de bien vouloir faire la reetification.
L’étude de la dentition et de l’éeaillure de Opisthoplus degener et Apro-
tcrodon dementei ne m’a montré aucune différence. En effet. la dentition et
format du nmxilaire (Fig. 1,2) les gastrostéges (140-142 chez dementei, 9, et
137 ehez degener â ) le nonibre d’écailles dorsales en 17 series avee fossettes
apieillaires ainsi que la eoloration coincident parfaitement et autorisent de con-
siderer les exemplaires conime appartenant à Ia même espéce soit Opisthoplus
degener Peters 1882.
Eu ee qui eoneenie les éeailles dorsales il faut remarquer le suivant: Pe-
ters cite 15-16 dorsales tandis que Vanzolini cite 17-15-14. L’étude des types
m’a montré qu’en realité réeaillure est de 17-15-14. si bien que vers la fin du
tiers antérieur on peut parfois trouver 16 comine ehez le type de degener.
Quand aux fossettes apieillaires. ce earactére n’est pas três fixe et parfois
difficil (Fobserver. Chez quelques exemplaires de Opisthoplus degener ainsi
(pie sur le type de degener j’ai observe la présence de quelques fossettes dans
la régions nuchale.
Opisthoplus
1882 Opisthoplus Peters — Sitzb. Akad. WLss. Berlin, 52:1.148
1047 Aproterodon Vanzolini — Pap. Av. Dep. Zool.. 8(14) :181
Genotype: — Opisthoplus degener Peters l.c. :1.149
Opisthoplus degener Peters
1882 Opisthoplus degener Peters — Sitzb. Akad. Wiss. Berlin. 52:1.149
1806 Tomodon dorsatus, Boulenger (partim ) — Cat Sn. Brit. Mus., 3:120
1947 Aproterodon dementei Vanzolini — Pap. Av. Dep. Zool.. 8i 14).183
Temi typira: désigne iei — Et t Rio Grande do Sul, BrésiL
Distrilmiion: — eonnu des I ealités de Quinta, Carazinho et des environs
de Porto Alegre, Etat de Rio Grande do Sul, Brésil.
Aux exeellentes descriptions de Peters (1882) et Vanzolini (1047) il suffit
d’ajouter que les dorsales sont en 17-15-14 series, avee fossettes apieillaires,
que les gastrostéges varient entre 134 et 147 et les urostèges entre 42 et 62.
Quand à la musculature de la tête, j’ai examiné uniquement la position
du temporal et constate qu’il Oeeupe la même position que ehez Tomodon dor¬
satus. Toutefois ehez 1’uuique exemplaire que jai estudié à ee point de vue,
le faisceau anormal signalé par Anthony (3:237 -f- Fig.), si bien que présent,
ne passe pas au dessns de la glande vénimeuse et s'insere direetment sur le
mandibulaire.
cm
SciELO
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Mwn. In*t. ButanUn, ALPHOXSE RICII.\RI> IIOGE gf|
28: 67-72. 1957/8.
2 — Lcimadophis rcgina macrosonia a été déerite par Amaral (1) a partir
de cpiatre individus. originaires de Canna Brava, Etat de Goiás, Brésil.
Postérieurement j’ai déerit 1'espèee Lcimadophis rcgina maculicauda basé
sur 56 individus originaires des Etats de Paraná et Silo Paulo. Mon aini Van-
zolini a attiré mon attention sur la pcssible identité de Lcimadophis rcgina
maculicauda Hoge 1952 et Lcimadophis rcgina macrosoma Amaral 1935. Je
suis parfaitement d’aeeord avec 1’observation de Vanzolini d’autant plus que
le nom proposé par Amaral m’avait échappé (publié comine note dans le texte
ou 1’espèce est cité comine Lcimadophis rcgina. D’autant plus qu’il ne s’agit
pas d’une description fcrmelle dVspèce nouvelle puisque Amaral propose sons
la forme de “Xota ... parece justificar o reconhecimento de uma raça local a
ser denominada de Lcimadophis rcginac macrosoma subsp. nov.” et comine le
démontre le fait qu’il na pas cité Lcimadophis rcgina macrosoma dans la “Lista
Remissiva dos Ofídios do Brasil" publiée íin an aprés et plus elairementc eneore
le fait qu’une autre race Epicrates ccnchrh polylcpis proposé par Amaral
(1 i :236 dans la méme publication elle ausi nVst pas citée dans la “Lista Re¬
missiva dos Ofídios do Brasil" et formellement décrite par Amaral (2)
comine subps. nov. plusieures annés plus tard. Si bien que Amaral n’avait
tias rintention de décrire une race nouvelle et par eonsequent n’a pas suivi
les reeomendations de la Comissiou de Régles de Nomenclatura (“II n’a pas
indique un type, pas de gravure, ou photographie etc...”) je considere comme
déerit Lcimadophis rcgina macrosoma Amaral 1935 pour les raison suivantes:
Amaral (1) :230 a donné une diagnose et a proposé, si bien qu’avec une cer-
taine reserve le nom de Lcimadophis rcginac macrosoma subsp. nov.. II est
vrai qn’il n’a pas indiqué un type, mais ee point nest pas bien chair dans les
règles. en effet. 1’article 25,3 dit qu’il est indispensable d’indiquer un type
qnand il sagit d‘un genre nouveau. ce «pii equivaut à dire que 1’exigenee ne
se refere pas a Tespece ou sous-espèce. Mais d'autre part la ctmission re¬
comende 1’indieation d’un type. pour 1'espèce ou race, sans ou blier 1’opinion
de Riehter (8): 140 ... Donc a mon avis Lcimadophis rcgina maculicauda
Hoge 1952 doit passer à la synonimie de Lcimadophis rcgina macrosoma Ama¬
ral 1935 et la date de publication de Epicrates ccnchria polylcpis Amaral est
1935 et non pas 1954 contrairement a ropinion de Amaral qui déerit formelle¬
ment l’espèce en 1954 passant sous silence sa propre indication antérieure.
Je tiens à reraereier le Conselho \acional <lr Pesquisas du lirésil, qui a
finaeií mon voyage d'eludes en Europe, ainsi que Mr. le Dr. Wermutli “custos”
D'Herpetologi? nu Mnseum de Eerlin et Mr. le Dr. .1. Guibé, directejr du Labo-
ratoire de Poissons et Keptiles du Museum National d’Histoire Naturelle de
Paris, qui n’ont pas inessurê d’efíort jmur faciliter ma tache lors de mon sejour
à Iterlin et Paris.
70
NOTES St'K LA POSITIOX SYSTEMATIQCE I>E OPISTHOPLUs
DEGENER PETERS 1882 ET LEIMADOPIILS REGINA
MACROSOMA AMARAL 1935 (SERPENTES)
resumí:
Aprotcrodon dementei Vanzclini 1947 d’origine ‘ Rio Grande do Sul" ne
se distingue en rien de Opisthoplus degener Peters 18S2. d'origine inconnue et
doit donc entrer dans la synonymie de Opisthoplus degener Peters 18s2.
Leimadophis regina maeulicauda Hoge 1952 doit passez dans la synonymie de
Leimadophis reginac macrosoma Amaral 1935. La date de la publication de
K'picrates conchria polylepis Amaral est 1935 et non pas 1954, comme 1’avait
indique Amaral.
RESUMO
Aproterodon dementei Vanzolini 1947, Terra typica — Estado do Rio
Grande do Sul é indistinguível de Opisthoplus degener Peters 1882, de proce¬
dência deconheeida, e deve portanto passar para a sinonimía de Opisthoplus
degener cuja terra typica é designada aqui como — Estado do Rio Grande do
Sul, Brasil. Leimadophis regina maeulicauda Hoge 1952 deve passar para
a sinonimía de Leimadophis reginac macrosoma Amaral 1935. A data da
publicação de Epicratcs conchria polylepis Amaral è 1935 e não 1954 como
havia indicado, Amaral.
BIBLIOGRAPHIE
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cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Men. In*t. Butantan.
2?: 67-72. 1957/8.
ALPHONSK R1CI1ARD HlKíE
71
Fio. 1 — Maxillaire ganche de Opiãthoplus dcgtncr (type)
Fio. 2 — Maxillare droit de Aprotrrodon rlrmrntci (type) — (ci pyri Ynnxolini. 1917
fig. 1).
: 1$2
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Mem. In*t. Batantan,
28: 73-76. 1957/8.
ALPHONSK RICIIARD HOGE
73
ÉTt DE Sl lí Apostole pis coronata (Sauvage 1877) ET
Apostole pis quinquelineata Boulanger 1896
(SERPENTES)
ALPHONSE RICHARD HOGE
(du ‘‘Laboratório de Ofiologia, Instituto Butanta", São Paulo-Brasit)
Parniis les serpents conserves au “Departamento de Fisiologia” de la Fa¬
culte de Philosopliie de L’Université de São Paulo, un exeniplaire s/n et dé-
terminé eoinme Pscudoboa clodia (Daud) par Sawaya ist en realité un in-
dividu de 1’espèce Apostole pis coronata décrit par Sauvage en 1877 d’après
un unique individu d'origine vague “Surement de 1 'Amérique tnéridionale,.
remis vivant à la Menagerie".
L’étude que j ai faite du type de Elopomorphits (Elapomorphus) coro-
tutus Sauvage 1877, aetuelement au Museuni National «FHistoire Naturelle
de Paris sous le n.° 5.073 me permet de completer la description originelle de
la manière suivant: type, ô, n.° 5073; gastrostèges 47/47; anale divisée; ros-
trale plus large cpie liaute, partie visible d'en liaut = 1/3 de sa distance de
la frontale au lieu de 1/2 comine 1'indique Roulenger (2):233; diametre de
1’oeil 0,9 mm; distance de 1 'orbite à la eomisure des lèvres, 1,3 mm (Boulen-
ger (2)533) donne “nearly equal” frontale légèrement plus longue que lar¬
ge, 3.4 x 2,4 mm., aussi longue que sa distance du mttseau; supra-oculaire um
peu plus longue que large, en eontaet avec la pre-frontale. la frontale, parie-
lale, post e pré-oclaires; parietales plus longues (pie larges; nasale entière
et en eontaet avec la P et 2*" supero-labiale; la pré-oculaire, pré-frontale et
rcstrale; tí supero-labiales (2- et 3'), 5 r largemcnt en eontaet avec la pari?-
íale; 2 post-ocu la ires, temporales 0 + 1; 5 infra-labialcs ((> du coté droit)
Boulenger cite: — “five lower labiais in eontaet with the ehin — shields wbich
are equal in size toutefois chez le type, du cotê gauclie, seulement 4 sont eu
eontaet avec les mentonières. Quand à la coloration elle a été três bien dé-
erite par Sauvage (4):110 et le dessin publié par Bocourt dans 1’Atlas qui
aeompagne le travail de Dumeril. B< eourt et Mocquard (3) represente três.
fidèlement le type.
SciELO
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74
fcTUDK SÜK APOSTOLEPIS COKUXATA «SADTAUK l<77) KT
APOSTOLE PIS QUINQUELINEATA BOULEXUKR H9r.
Apostolepis coronata Sauvage 1S77
Uu individu s/n., 9, capture à TeresópolLs, Brézil. par Sawa.va en 1936.
Rostrale plus large que haute, avec une tâehe brune au milieu; pré-frontaU
un peu plus longue que large; du cotê externe des pré-fron tales on note un sig-
nal de fusion incomplète, qui correspond probablenipnt au point de suture
entre la pré-frontale et 1’internasale qui sont, en général, complèteiuent son-
dées dans le genre Apostolepis Parietales pias longues que larges; nasale en
contact avec la pré-oculaire; 1 pré-oculaire, 2 post-oculaires ; 6 supéro-labia-
les (2* et 3*), la 5* supero-labiale droite en contact avec la parietale, celle du
cotê gaúche séparée de la parietale par une petite écaille; 5 sous-labiales en
contact avec les sous-maudibulaires, lõ dorsales; 201 g&stotéges (Sawaya
cite 109); 31/31 urostèges (Sawaya cite 6S); anale divisée; coloration du do>:
brun-jaunatre assez clair avec 3 stries soinbres que se prolongent jusq’au bout
de Ia queue; la coloration et dessin de la tête est identique à celle observée
chez le type (Fig. 1); ventre blanc. Longueur totale 293 mm; queue 27 mm;
tête 10,2 mm.
Ajnstitlcpis quinquelineata Boulenger 1S90
Cette espòce décrite par Boulenger en 1890 (2) :23õ d’après un individu
de Demerara a été placé par Amaral en 1929 (l):õO dans la synonymie de
Apostolepis coronata (Sauvage 1877).
Or Fétude de 1’exemplaire type de coronata m’a démontré clairement
qu’il s’agit d'espéces bien différentes. Chez .1. coronata les préffrontales et
les 2/3 de la frontale sont entièrement de couleur brim foncé tandis que chez
quinquelineata elles sont jaunes (Fig. 1 et 2). Chez .1. coronatus le.s parietales
sont entièrement jaune clair ainsi que la 4". 5* et partielement la 3* et 6' su¬
pero-labiale (Fig. 1 et lai, chez quinquelineata toutes ees plaques ainsi que la
rêglon postérieure à la frcntale sont d’un brim presque noir (Fig. 2) .1. ipiin-
quclineata a 5 stries brunes sur le dos au lieu de 3 chez coronata. Les parie¬
tales de quinquelineata sont plus longues que leur distance du museau au con-
traire de ce qui s’observe chez coronata (Fig. 1 et 2a) et sont plus de 2 foi>
plus longues que la frontale chez quinquelineata tandis que chez coronata elles
sont seulement 1/3 plus grandes (Fig. 1 et 2a). Le noiubre de gastrostèges
parait lui aussi ètre significatif puisque les exemplaires de coronata que j 'ai
vus varient de 199 à 201 et que le type de quinquelineata , un i, en a 213.
alors que généralement les ê ont moins de gastrostèges. Quand au nombr
de supero-labiales en contact avec la parietale, si bien ipie je suis d'aeeord
avec domes, et Amaral, quaiul à la variation possible, j’ai tout «le même Fim
cm
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Mem. In*t. Butantan,
28: 73-76. 1957/8.
ALPHOXSE RiriIARD JIOGE
t O
r
<s
** Apottolepu . . ita Pjrpcfl (ipud Dtnnéril, Boconrt »• Uoc^utrd) ].
Fm. 2-a et 2-1» — Apoxtolrpix t/uim/ur hui tila [Tjrpe (apuil Roulcnger) ].
cm
jScíELO-l 12 13 14 15 16 17 k
*
7G
kTUDK SI R APOSTOLEPI8 (OKOXATA (SAUVAGE 1 -77 l ET
APOSTOLE PIS QOXQCELIXKATA BOII.EXGER l'9ti
pression que entre 1 ou 3 éeailles eu eontaet il y a une différenee qui pourrait
bien avoir une valeur spécifique, mais seulenient 1’étude d’un grand nonibre
dlndividus des espèees eu question pourra nous fixer définitivenient.
.Te tiens à remercier lo Conselho X acionai de Pesquizas du Rrésil, qui a
fiiianoió mon voyage d’études en Kuroi>e, ainsi que Mr. J. Guibé, directeur du
Laboratoire de Poissons et Reptiles du Mtiseum National d 'Histoire Naturelle de
Paris, et Mr. lo Prof. Paulo Satrara qui a mis a ma disposition 1'exemplaire de
A. coronata en question.
RESPMÊ
Deseription d’un individu de Apostole pi .< coronata <Sanvage 1877) de
Teresópolis. Etat de Rio de Janeiro, Rrésil. accompagné de notes sur le type
de A. coronata et revalidation de Apostolepis quinquelineata Roulenger 1836.
ltESfMO
Descrição de um espécime de A [tostoU pis coronata (Sauvage) 1877),
procedente de Teresópolis, Estado do Rio de Janeiro. Rrasil, com notas sôbre
o tipo de Apoxtotepis coronata. e revalidação de Apostole pis quinquelineata
Eoulenger 1836.
BIBÍ.IOGRAPHIE
1 .
3.
Amaral, A. do — Estudos sôbre ofidios neotrópicos XVII — Valor sistemático de
várias formas de ophidios neotrópicos. Mm. /«st. IíulaHtan, 4: 3-60, São Paulo,
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870, 1909.
Sauvage. M. H. R. — Sur quclques ophidiens d'esperes nouvelles ou peu connues de
la eolletion du Museum Buli. Soe. Phitom. Paris, : 107-112, 1877.
Sawaya, P. A “eobra-cega” [Siphonops annulatu.i (Mikan)] como alimento da
‘•Mussurana” [ Pm udoboa eloetia (Daud) ], Per. Idol. r hufl.. 7 (21: 8-81, 193ô.
cm
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Mem. In>t. Batanlan.
28: 77-82. 1957/8.
ALPHONSK RICHAHB HOOF.
77
ALPHONSE RICHAIU) HO«E
(laboratório ih Ofiologia, Instituto fíutantan, São 1’aiJa, llrasil)
Los deseriptions do Vromacerina ricardinii Peraeca 1897. Leptopliis fla-
geUum Andcrson 1901 ot Leptophis veriebralis Werner 1907. non I). B. et D.
1854) se ressemblent tellement qu’il m’a paru nócossaire de faire une étude
coinparative de ees ospèces.
En dehors des grandes sérios d’individiis de Leptophis ahaelulla sulisp.
j’ai examine Io type do Leptophis flagelhun Andorssou 1901, une 9. déposé
au X. R. de Stockolm sous Io u.° 1981 ot 16 indivdus de Vromacerina ricar¬
dinii (Peraeca ) déposés dans los collections de rinstitut Butantan. Ma-
lhoureusement jo n’ai pas exaniiné le type de veriebralis <pii solou les infor-
mations que j'ai reçuos a óté perdu durant la dornière jruerre inondiale.
Fio. 3 — Vrotnaccriua ricardinii (Peraeca): photograjiliie de la tète.
Vromacer Ricardini a óté derit en 1897 par Peracca d’après un unique
individu originaire «le S. Paulo. Brésil.
Leptophis flagelliim a »-t«* décrit en 1901 par Andersson (1) d’après un
individu provenaut «1«* la c«dleetion du Ilr. 1* uzet de Rio do >l<ineiro «*t «ou*
cm
2 3
z
5 6
11 12 13 14 15 16
78
KTI DK Sl-R CROMACERIXA RICARDINII (PERACCA ) , SERPENTES I
"idéré connne étant san- dou te originaire de " Brasilia”. Eu 1907 Weruer ití)
a déerit Leptophis vertebralix (honiouyine de Leptophis vcrtebralis D. B. et
I). 1854) d après un jeuiie iudividu (32-1 nmi) originaire de Petrópolis. Brésil.
Six aus plus tard Weruer (7 incorpora L. vcrtebralis Weruer 1901 dans la
synonynjie de L. flayellum Andersson 1901. Amaral eu 1929 (2) incorpora
L. flayellum daus la synonyinie de Leptophis Occidental is et /.. vcrtebralis dans
celle de Leptophis ah ictulla. Quand à Vromacer ricordinii il en fait le ge-
notype d'un genre nouveau Vromacerina. Plus tard Oliver < 4 fait des re¬
serves (piand í'i Ia position systematiipie de L. flayellum, en effet il ne con-
sidère pas connne un synonyme de occidentalis et le place (avec?) dans la
synonymie Thalerophis richardi liocercus (Wied) [actuelement Leptophis ahae-
tnllei liocercus Wied] basé surtout sur la distribution géographique et avec
1’observation “but unless an error «as made in tlie observations ou the teeth
it seenis uidikely tliat the two are the same” (liocercus et flayellum).
DISCISSIOX
Les éspeces 1'romnar ricordinii Peracea et Leptophis flnejelluin Audersson
ont en cotnun: le nombre de dehts maxilailires 23 et 25 respectivement í j ‘ai
noté (pie le type de /,. flayellum n'a pas 27 dents connne 1 'indúpie Audersson
mais bien 22. le dernier ou deux demiers plus grands et séparés par un
esjiace correspondent à envircn deux dents normales; nombre de ventrales
157 (flagellum) et 143 (ricardinii) est compris dans Ia variation que j’ai ob¬
serve eliez les l(i individus de 1'. ricordind de la collection de Instituto Bu-
tantau. La variation des urostèges est elle aussi entièrement eomprise dans
eelle observée eliez les individus de la col. I. B. (145-180, 169 flayellum et 158
ricardinii) ; niênie nombre de dorsales, lises et strit^. ainsi que la s.'*rie ver-
tébrale qui est plus large que les autres; pupille ronde; rostmle environ deux
tois plus large qui liaute; internasales atissi largi s ou légèrement jilus larges
q iulongues, j)lus eourtes que les pré-frontale, pré-frontale étroite, avec les bords
latereaux pres<pie parallòles. plus courte <pie les parietales. (F. 3) plus longues
que sa distance de la pointe du museau; nasale latérale avec la narine mt centre;
8 supero-labiales (7 du cote ganche eliez le type de ricardinii) la 4' et 5* tou-
ehant 1 oeil; 1 pré-oculaire, étroite en bas; 2 ptist-oculaires ; 1 loréale três lnn-
gue; (piand à la coloration et dessin, les descriptions originelles coincident par-
faitenient. La parfaite coincidenee des caracteres inentioniiês ci-dessus me fait
considerei- /.. flayellum Anderssou connne un synonyme de ricardinii (Pe¬
racea). En ee qui concerne Leptophis vcrtebralis Weruer (non I). B. et D.)
tout indique qu’il s'agit probablement d’un synonynie de V. ricardinii d’au-
tant plus que Weruer lui mênie avait déja place L. vertebralix dans la syno-
nyniie de L. flayellum (1925:56). Le nombre de gastrostèges (145-157),
SciELO
ALPHONSE KICHARD HOCíE
79
Mm. last. Butantan.
2-: 77*2. 1957/8.
d’urostèges (150-169) est entièrement couipris dans la variation observée chez
r. ricardinii. Le n.° de dorsales, le fait d’avoir la série vertébrale augmentée,
la forme de la fréuale, ainsi que la coloration coincident parfaitment avec
celles de U. ricardinii. Encore faut il mentionner que Werner eite la pré-
sence d’ébauches de bandes transversales (6) :56, bandes que ni Peracca ni
Andersson navaient mentionnés mais que jai observées chez plussiurs indi-
vidus de la eollectíon I. B. II est vrai ciue Amaral (2) :16 qui a examine le
type affirme que les dorsales sont earenées et le considere comme un Leptophis,
mais il est peu probable que Werner se soit trompé par deux fois (7) — 1
(2) :56 il est bien plus probable que Amaral aura eonfondu les stries avec des
carènes, je considere donc L. vericbralis comme synonyme probable de l . ritar-
dinii et non d’un Leptophis, d’autant plus que la présence de la frenale le
distingue três bien de Leptophis ahaetulla liocercus que est la forme de letat
de Rio de Janeiro.
Uronutcerina
1897 Urotnacer Ricardinii Peracca — Boi. Mus. Zool. Anat. Comp.
1929 Uronutcerina Amaral. Mem. Inst. Butantan, 4:18
Genolype: — Urotnacer ricardinii Peracca 1897
Uronutcerina ricardinii (Peracca)
1897 Urotnacer Ricardinii Peraea — Boi. Mus. Zool. Anat. Comp.,
12(282: [11 + Fig.
1901 Leptophis flagellum Andersson — Bih. Svensk Vot. Ilandl..
27(4) 5 :[13] Pl. II Fig. 12, 13 et 14.
1909 Leptophis vertebralis Werner — (non Duméril, Bibron et Dumeril
1854) Mitt. Xaturhist. Mus. Hamburg, 26:221
1925 Leptophis flagellum. Werner — Sb. Akad. Wiss. Wien, 134 1 ) :•><>
1929 Uronutcerina ricardinii. Amaral — Mem. Inst. Butantan. 4:1''
Type: — Uromaccrina ricardinii Peracca
“Terra typica:** — São Paulo, Brésil.
Distribution géographiquc: — Etats de Rio de Janeiro, São Paulo et Pa-
Paraná, Brésil.
Aux deseriptions de Peracca (1897) et Andersson (1901) il suffit dajou-
ter «pie: les gastrostèges varient de 142 a 149 chez les 9 9 et de 141 a 145
cm
JSciELO.
11 12 13 14 15 16
80
ETÜDE SLR UROMÀCERIXA RICARDISII (PERACCA) (SERPENTES)
chez ô 6 ; les urostèges de 140 a 160 9 9 et 145 a 180 & è . I>a frenale qui
est généralement iinique est parfois devisée (Fig. 1 et 2) et ehez un individu elle
est entiére d’un cotê et dcuble de 1’autre. Le variation du noiubre d’urostè
ges est enorme, 145 à 180 ce qui n’est pas du à présenee de queues mutilées.
ear même des exeniplaires avec (pieue entière donnent parfois un nombre bas
d 'urostèges.
Fio. 1 — Vromarerina rieardinii (Peraeca): vue laterale de la
tête du X.° 3.266 I. B. (dessinl.
IC-.
Fio. 2 — Uromactrimt iicnnlinii (Peraeca): vue laterale de la
tête du X.° 7.367 I. B. (dessin).
RESCMÊ
Leptophis flagcllum Andersson 1001 et Leptophis vertebralin Werner 1007
(non D. B. et I). 1854) doivent passer à la synonymie de Uromactrina ricar-
dinii (Peraeca 1807).
cm
2 3
z
5 6
11 12 13 14 15 16
Meni. Inst. Batantan.
28: 77-82. 1957/8.
ALPHOXSE RICHARD HOGE
"1
RE8UMO
Lcptophis flagellum Andersson 1901 e Lcptophis vertebralis Warner 1907
(non D. B. et D. 1854) devem passar para a sinonímia de Uromacerina ricar-
dinii (Peraeca 1897).
Je tiens à remercier le “Conselho X acionai de Pesquisas" du Brésil, qui a
financie mon voyage d’études en Europe, ainsi que Mr. Hialmnr Remlahl chef du
Laboratoire d Tlerpetologie du Xaturhistoriska Riks Mus;um de Stockolm ainsi que,
son Assistent Mr. le I)r. Cif Bergstrüm, qui m’ont respectivement, mis le Lítbora-
toire a ma disposition, et fourni des photographies de types linnéens.
BIBLIOGRAPHIE
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Staatsmuseum S. B. A kad. IViss. IVirn, 134 (2): 45-66, 1925.
JSciELO
15 16
Mcm. Inst. Butantan,
28: 83 84. 1D57/8.
ALPHOXSK RICHARD HOGE
83
XOTE SER LA POSITIOX SYSTEMATIQUE DE
T rigonocephahts ( Bothrops ) pubescens Cope 1869.
ALPHOXSK RICHAlíD HOGE
(Laboratório dé Ophiologic de 1’Inslitul Itulnnlan — São Ptndo. líraxil
Les descreptions originelles tlt» Trige/nocephalus ( Bohtrops ) pubescens
Cope 1869 et Bothrops neuwiedii riograndensis Amaral 1923 se ressemblent
tellement qu’il n’y pas de doute possible (piand à leur identité, (1'autant plus
que les types respeetifs sout de 1’Etat de Rio Grande do Sul. Rrésil. Bothrops
neuwiedii riograndensis a été décrit par Amaral (1). basé sur 33 exemplaires
dont il n 'indique tou tefois pas, sauf pour le type n.° 1.476 de la Colletion du
Departament du Z- ologie, ni les numeros ni les museums ou il sonto déposés.
La distribution geografique donnée par Amaral est Ia suivante Ragé,
Boqueirão, Caçapava. Canguassú, Itaquy (terra typiea), Maria Gomes. l'ru-
guayana, et ontres localitées du Centre-Sud de 1’Btat de Rio Grande do Sid.
Rrésil. Tngonoccphatus (Bothrops) pubescens a été déerit par Cope (3) basé
sur un unique exemplaire rapporté du Rio Grande do Sul par 1’expedition
Thayer. II est trange que Amaral dans ses descrepitions de sous-espèees passe
sans silence les espèces anterieurement déerites et consideréees par Roulenger
(2) : 542. comine synouymes de Bothrops neuwiedii Wagler 1824. Eu ce qui
eoneerne Trigonocepkalus ( Bothrops ) pubescens Cope il faut noter fpie Cope
3) :157 le eonsidérait comme une espèce proche de Bothops neuwiedii u It is
nearest the Bothrops neuwiedii Spix”. II suffit d'ailleurs de confronter les
deseriptions originelles pour voir 1 'identité absolue des deux cspèces. .Te donne
ci-dessous les citations textuelles de Amaral et Cope.
"terra lypica"
Rio Grande do Sul
Itaquy
Rio Grande do Sul
IKÍ
170-18»
colora tion
I "hrown"
"chocolate"
couleur et df»in de* tache»
j "hlackieh hrown”
; "pale edjred and alteminc"
'hlackudi hrown"
** Iqcht-edjred oppoeite or alternatc"
couleur et poeition des taches inter¬
media* res
round pole edeed brovn *po?*"
“arriei of dark. liitht-edjted *|«otV
couleur du rentre
"belly cloaely hrown epotted"
"pale hro«ui«h hei.esth more or
rrcularly apotted with dark hrown*'
JSciELO
Cl XOTE SI R LA POSITION STEMATIQVE I>E TRIGOXOCZPHALVS
( BOTHROPS) PUBESCEXS COPE 1S69
Quando au taches sur la tête elles sont au nombre de cinq dans les
deux espèees déerites respectivement par Ccpe et Amaral. Cope cite: —
“brown band from the eye to angle of mouth. pale edged below; a similar band
across head in front of superciliaris two divergent brown spots bebind tbe same
plates, and two divergent brown bads bebind these all yellow edged’ ? . Amaral ci¬
te “bead witb one ronuded dark-brown light edged spot ou the snout an two
pairs of elongated spots or baiuLs of the same color, one on the frontal and
anotber on the occipital and nuchal regions". D nc Bohtrops neuwiedii rio-
grandcnsis Amaral 1925 est un synonyme du Trigonocephalus ( fíothrops)
pubcscens Cope 1869 soit d’accord avec la nomenclature actuelle, fíothrops
neuuriedii pubcscens (Cope 1869).
RESUMÊ
fíothrops neuwiedii riograndensis Amaral 1925 est un syncnyme de
fíothrops ncuicicdii pubcscens (Cope 1869. = [Trigonocephalus ( fíothrops )
pubcscens Cope 1869].
RESUMO
fíothrops neuwiedii riograndensis Amaral 1925 é um sinônimo de fíothrops
neuwiedii pubcscens (Cope 1869) [Trigonocephalus ( fíoihrops) pubcscens
Cope 1869].
BIBL10GRAPH1E
1. Amaral, A. do — Brazilian subs]>ecies of Bothrop* neuwiedii Wagler, 1824. Contrib.
Harvard Inst. Trop. liiol. Stcd., 2 : 56-64 Map. XIII Pr. XIV, XV.
2. Boulenger, G. A. — Catalope of the Snaíes in the fíritish Museum, 3: 1-727, 25 pr.,
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3. Copo, E. D. — Seventh contribuition to the Herpetology of Tropical America. Proc.
Phil. Soe., II: 147-169, 1869.
4. Wngler, J. — (in Sptx) — Serpent jm Brasiliensium sj>ecies novae ou Histoire Xaturell-
des espèees nouvelles de Serpens, recueillies et observées pendant le voyage dans
1’interieur du Erésil dans les années 1817, 1818, 1819 e 1820, : 1-75 + pl.
Monachii, 1824.
SciELO
Mem. In»t. Batantan.
28: 85-90. 1957/8.
HÉLIO EMERSON* BELLUOMINI
8:1
IíICEFALIA EM Xenodon mcrremii (Wagler 1824)
(SERPENTES)
(DESCRIÇÃO DE UM TERAMÓDIO DERÓDIMO)
HÉLIO EMERSON BELLUOMINI
( Laboratório de Ofiolor/ia, Instituto Itutantan, São Pavio, Brasil)
INTRODUÇÃO
As figuras de teratologia em serpentes, foram observadas raríssimas vêzes
no Instituto Butantan. O presente trabalho desereve o sexto caso de bicefalía
assinalado em quase 700.000 serpentes que deram entrada na Instituição em
pouco mais de meio século de atividades científicas. Os cas s anteriores, foram
apresentadcs por Amaral (1) descrevendo três teratódimos em serpentes peço¬
nhentas e por I rado ! 2 i dando ciência de dois teratodimos em serpentes não
peçonhentas. O assinalamento dêste caso, de acordo com os dados expostos,
é da ordem de aproximadamente 1/1()().(!(H). número êsse (pie ilustra a raridade
do achado.
Xo Instituto Pinheiros de São Paulo. Pereira (3-4) asinalou dois casos de
teratódimos em serpentes peçonhentas. Xo Departamento de Zoologia de São
I aul , \ anzolini (5), asinalou um caso de deródimo em cascavel. O autor faz
o seguinte comentário: — O interêsse «pie desperta o encontro de monstruo¬
sidade duplas faz com que seja razoavelmente grande a bibliografia (epie
remonta a Aristóteles), sobre monstros duplos ofídicos. Sendo no entanto de
caráter inteiramente fortuito êsses achados, independente em geral, de qualquer
pesquisa orientada, e feitos por especialistas de formação e preocupação diver¬
sas. essa bibliografia apresenta-se extremamente heterogênea, de difícil locali¬
zação e acesso". O autor apresenta extensa bibliografia, as classificações
existentes e apresenta sugestões sõbre a matéria.
Recentemente (6) Lema, do Museu Rio Grandense de Ciências Xaturais,
assinalou novo caso de teratódimo em serpente. Cunningham (7) em obra
extensa e profunda sóbre as bifurcações axiais das serpentes, ordenou os
tipos descritos, apresentados excelente bibliografia. Posteriormente Xaka-
niura (8) preconizou chave para classificação dos tipos de duplicidade achados
nos Répteis, com divisões separadas para as serpentes, lagartos e tartarugas.
Para as serpentes em particular a chave é a seguinte:
|
JSciELO.
11 12 13 14 15 16
I
86
BICEFAMA KM XEXODON MKRREMII < WAGLER 1-24)
(SERPENTES)
Snales:-
I. Ttratopatju» : — Complete bnt conjoint twins with tbe axial skeletons fu«ed
partia lly.
1. Craniopagus: Fusion by cranium
2. Ceplialoderopagiis: Fusion by cranium and cervical vertebrae
3. Anakatamesodidymus: Separated at the anterior and posterior ends
and also in the middle of the trunk.
II. Teratodymus: An individual with a part of body donblcd
Duplicitas anterior: Axial skeleton bifurcated anteriorly
1. Rhinodymus: Double nosed
2. Opodymns: Cranium bifurcated, racstly three eyed
3. Dcrodymus: Vertebral column bifurcated in the cervical region,
doubleheaded.
A chave de Xakamura é a mais aceita idtimamente.
Material: — O presente caso se refere a uma serpente bicéfala, extrema-
mente jovem, Xcnodon merremii (Wagler 1824 . serpente não peçonhenta,
vulgarmente conhecida pelo nome de “boi peva" procedehde de Caxias, Estado
do liio Grande do Sul, e remetida pelo Dr. Obertal Barreto Povoa. O exem¬
plar está bem estragado, devido ao traumatismo a que fei submetido, quando
apanhado, o que ocasionou na região dorsal, logo abaixo da fusão das duas
colunas vertebrais, destruição de quase 2 cm de pele, de trecho correspondente
da coluna vertebral, rompimento de tecidos e placas vntrais. A fixação insu¬
ficiente da peça e a maceração não permitiram o exame dos diversos órgãos.
Descrição: — Exemplar muito jovem de Xcnodon nwrrcinü, macho,
n.° 17009 da Coleção do Instituto Butantan. apresentando duas cabeças ( Fig. 1)
ligadas a um pescoço duplo, fundido superior e lateralmente logo após a
articulação quadrado-mandibular (Fig. 2); inferiermente, os primeiros escudos
ventrais do pescoço duplo (Fig. 3) fundidos um a um e comuns a ambos,
comprimem e superpõem as regiões guiares internas junto à das infra-labiais
(Fig. 4). Os restantes apresentam-se normalmente. Há muita semelhança
entre as duas cabeças, quase iguais em suas medidas, lepiose e desenho. Êste
apresenta uma epquena variação na região temporo-parietal. A radiografia
(Fig. 5), (pouco nítida devido ao estado da peça) revela dos crânios distintos,
com as respectivas ossaturas completas e separadas. Logo após os crânios, duas
colunas vertebrais, sob um mesmo, corpo, se fusionam a altura da 7. a e 8 a vér¬
tebras. apresentando-se a coluna da esquerda em concordância com o eixo lon¬
gitudinal do corpo. A seguir verifica-se a falha já citada de um pedaço da
coluna, para depois o restante se revelar normal. Xa mesma radiografia à
esquerda do exemplar bicéfalo há um Xcnodon morremü normal, que foi usado
para têrmo de comparação.
SciELO
Mm. Inst. Butantan,
28: 245 2G6. 1957/-'".
HÉLIO EMERSON REI.LVOMINI
^7
Fio. 1 — Xrruxlon mtrremii bicéfalo —
Vista gorai
FlG. 3 — Xr norlon mrrremii bicéfalo —
1 ista vcntral das duas cabeças
Fio. 2 — X< noilon mrrremii — Vista dor¬
sal das duas calxsja
Fig. 4 — Xrtodom mrrremii bicéfalo —
Vista vcntral
JSciELO
Mem. Inst. Batantan.
28: 85 90. 1957/8.
II £ LIO EMERSON BELLCOMIXI
89
Lcpidost — Dorsais 19 — Ventrais 133 — Anal dividida — Subcaudais 40/40.
Cabeça direita: — Supra-labiais 7 7 Infra-labiais 9/9
Cabeça esquerda : — Supra-labiais 7 7 Infra-labiais 9/9
Medidas: — Comprimento da cabeça direita 14,Omni
Comprimento da cabeça esquerda 13,8mm
CONCLUSÃO
De acordo com a clasifieação de Xakamura, o exemplar bieéfalo de Xt na¬
dou merremii (Wagler 1824) descrito, é teratódimo deródimo, pois tendo e< rpo
único, apresenta duplicação de parte do seu esqueleto axial, anteriormente. com
duas colunas vertebrais na região correspondente às vértebras cervicais e duas
««•aturas craneanas completas e perfeitamente distintas.
Aproveitamos a oportunidade para apresentar os nossos agradecimentos aos
Srs. Drs. Prof. Honorato Paustino de Oliveira Junior; Dr. Jair Duarte Rodrigues
e ao técnico Olindo Ceccon, do Departamento de Radiologia da Faculdade do
Medicina Veterinária pelas inúmeras chapas tiradas. Ao Dr. Paulo Emylio Vnn-
zolini, do Departamento de Zoologia da Secretaria da Agricultura, por intermédio
do Dr. I.indolpho Guimarães, pelo valioso empréstimo do tralialho de Xakamura.
citado neste trabalho. Ao Sr. Tauíic X. Aftimus da Secção de Fotografia do
Instituto Rutantan c ao Dr. A. R. Hoge, da Secção de Ofiologia do Instituto
Butantan, pelas sugestões feitas durante a elaboração deste trabalho.
ABSTRACT
Tliis paper deals with a description cf derodymous snake, Xcnodon iner-
rttnii (Wagler 1824)
BIBLIOGRAFIA
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JSciELO
15 16
SciEL0 3
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11
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15
16
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cm
r.M CASO DK CÓPCLA HETERÓLOCA ENTRE
IIOTHROPS E CROTALCS (SEROENTES)
02
I’ rata-se da cópula de macho de Bothrops jararaca (Wied), eom fêmea de
Crotalus tiurissus tcrrificus (Laur.) serpentes peçonhentas, denominadas vul-
{íarmente respeetivamente de jararaca e cascavel.
Ambas as espécies, têm ecologia regularmente determinada: “a cascavel”,
serpente muito conhecida, é encontrada no país, geralmente nas regiões altas e
seeas tipos campos e cerrados. Alimenta-se preferencialmente de roedores, vi¬
vendo entocada em cupins e buracos de roedores. A “jararaca”, serpente pe¬
çonhenta das mais comuns por ser muito encontrada no centro e sul do país,
vive em locais úmidos, sendo porém simpática com a cascavel em alguns lo-
cais. Xos dias de sol quente não é raro observar-se jararacas galgando ar¬
bustos ou pequenas arvores, aninhando-se para gozar os raias solares. Ali¬
menta-se também de roedores.
Cascavel e jararaca, apresentam pupila vertical, sendo por isso enquadra¬
das nas chamadas serpentes de vida noturna, mas não há impedimento de se
alimentarem durante o dia, de acordo com as observações de laboratório.
ü acasalamento dessas espécies no Estado de São Paulo, ocorre geralmente
nos primeiros dias quentes do segundo semestre.
( hama a atenção, o fato das cópulas heterólogas verificadas, ocorrerem
fora da época.
Xo presente caso, a cópula também se iniciou pela madrugada, continuan¬
do pela manhã. O tato foi assinalado pelo serpentarista Jairo Mendes de
Souza. Duas horas após, morreu a cascavel fêmea, mas mesmo assim a ja¬
raraca macho continuou o ato que se prolongou por uma hora mais. sendo
nesse instante a jararaca sacrificada a fim de servir de peça para Museu, razão
pela qual não foi realizada necropsia.
É interessante observar .pie nos três casos constatados, os machos perten¬
ciam ao gênero Bothrops, as fêmeas ao gênero Crotalus e estavam mortas ou
morreram durante a cópula. Xo primeiro caso, embora classificado como de
neerofilia deve-se notar que não foi observado o início da cópula, não estando
excluída a possibilidade da fêmea ter morrido durante o ato, conforme nossas
observações que corroboram a de Sehottler.
O Instituto Butantan, desde sua fundação até a presente data, já recebeu
perto de 1 00.000 serpentes e dêsse modo podemos assinalar êsse fenómeno de
cópula heteróloga. provavelmente na ordem de 1/200.000, pois é poueo pro-
vá\el que outras cópulas heterólogas que tenham ocorrido, escapassem à obser¬
vação des serpentaristas.
SciELO
Mem. In*t. Itut.nntan.
28: 91-94. 1957/8.
HÉLIO KMKRSOX BKLLUOMIM
ALPHOXSE RICUARD HOÍÍL
93
ABSTRACT
The present paper. deaLs with tlie description of a heterologiis copulation
between a male of Bothrops jararaca (Wied) and a female of Crotalus durissus
tcrrificus (Lanr.).
BIBLIOGRAFIA
1. Amaral, A. do — Contribuição a Biologia dos Ophidios do Brasil. IV. Sóbre um
caso de necrophilia hcterúloga na jararaca ( Bothrop.s jararaca). Mem. Inst. Ilut.,
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3. Schõttler, W. H. A. — Cópula ztrischen Bothrop» und Crotalus. Dtsch. Aquar. Tcrr.
Zeitschr., 3, S.14, 195o.
cm
JSciELO
3 11 12 13 14 15 16
Fase» da cópula heteróloga eutre
macho de Bothropa jararaca
(Wied) e fêmea de Crotalus du-
riraua terrificua (Laur.).
UM CASO DE CÓPULA HETERÓLOGA ENTRE
EOTHROPS E CROTALCS (SERGEXTES)
1
3 —
FIGS.
cm
Me». In*t. Butantan,
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ALPHOXSK KK IIARI» HOGK K
HÉLIO EMERSON BELLUOMIXI
95
ABERRAÇÕES CROMÁTICAS EM SERPENTES
BRASILEIRAS
ALPHOXSE BICHARD HOGE e HÉLIO EMERSON BELLUOMINT
(Secção de Ofiologia, Instituto liutantan. São Paulo , Brasil)
Aberrações cromáticas em serpentes brasileiras, embora pouco frequentes
tem sido assinaladas sob diferentes modalidades por diversos autores. Ama¬
ral (1, 2, 3, 4. 5 e 6) verificou casos de albinismo, xantismo e eritrismo em vá¬
rias espécies; Prado e Paes de Barros (7) verificaram casos de albinismo em
cascavéis, Cratalus tcrrificus (Laur.) ; Sehreiber (8) analisou o problema do
polimorfismo do desenho e da pigmentação em boipevas Xenodon merrcmii
(Wagler). Iloge (9, 10) verificou anomalias na lepidose e pigmentação em
escamas dorsais de liuthrops descrevendo um easo de xantismo em Bothrops
cvliara (Gomes 1913) e dois easos de albinismo em cascavéis.
Neste trabalho, descrevemos três easos de aberrações cromáticas, sendo dois
sôbre a ausência de pigmento prêto em coral verdadeira. Micrurus corallinits
(Wied 1820) e outro de xantismo em salamanta, Epicratcs ccnchria crassus
(Cope 1862).
Micrurus corallinus (Wied 1824)
Exemplares procedente de Perus, Estado de São Paulo e remetidos pelo
Sr. Vicente Lago, apresentam ausência completa de pigmento prêto e corpo
translúcido sendo porém os anéis vermelhos bem coloridos.
Exemplar n.° 16.721 — 9 — jovem; dorsais 15; ventrais 213; anal divi¬
dida; subcaudals 27/27; supra-labiais 7/7; comprimento da cabeça 9.1 mm;
comprimento do corpo 201 mm; comprimento da cauda 22 mm. No corpo
observam-se 20 anéis de eôr vermelho vivo, orlados de branco, sendo o 6.° e 7.°,
11.° e 12.°, 17.° e 18.° fundidos do lado esquerdo até a metade da região ven-
tral. Na cauda há 4 anéis totalmente brancos, o último apenas evidenciado,
enquanto o 2.° e 3.° são vermelhos e orlados de branco. Quanto aos anéis que
nos exemplares normais se apresentam de eôr prêta, no caso presente são de
|
JSciELO.
11 12 13 14 15 16
I
96
ABERRAÇÕES CROMÁTICAS EM SERPENTES BRASILEIRAS
eôr rósea bem clara, dando-se o mesmo eom a mancha cefálica. O ôlho é aver¬
melhado e a língua rósea.
Exemplar n.° 16.732 — ô — jovem; dorsais 15; ventrais 201; anal di¬
vidida; subcaudais 45/45; supra-labiais 7 7; comprimento da cabeça 10 mm;
comprimento do corpo 270 mm ; comprimento da cauda 39 mm. O exemplar
apresenta no corpo 17 anéis de côr vermelha viva. sendo o 2.° e 3.° fundidos
do lado esquerdo até a região ventral; o 4.° está fundido ao 5.° pelo lado es¬
querdo e êste ao 6.° pelo lado direito. Xa cauda observam-se 7 anéis da lar¬
gura de duas escamas sendo o l.° e 7.° de um branco desbotado e os restantes
de côr vermelha orlada de branco. Os ané s que nos exemplares normais se
apresentam de côr prêta, no presente caso são de côr rósea clara ao passo que a
cabeça é de côr arroxeada. Os olhos são vermelhos e a língua é rósea.
Epicrates cenchria crassas (Cope 1862)
Exemplar n.° 16.720, recebido em 26/2/1954, procedente de São Jcsé
do Rio Pardo, Estado de São Paulo e remetido pelo Sr. Gumercindo Carvalho.
Trata-se de exemplar apresentando xantismo nítido. A côr de fundo é uni¬
formemente amarela esbranquiçada, sendo a parte dorsal ligeiramente mais
escura. Percebe-se o esboço dos ocelos que em vez d • apresentarem o colorido
característico marrou eom orlas brancas, se apresentam coloridos de amarelo
ligeiramente mais escuro que a côr de fundo e marginados de branco. As man¬
chas laterais ao invés da côr comum escura, são ao contrário, brancas, desta-
•ando-se sôbre a eôr de fundo amarelada. A cabeça é amarelada ccm uma es¬
tria central branca, da largura de uma escama, começando na altura dos olhos
c estendendo-se até a altura da junção do supratemporal com o crânio. Há
< st ria lateral branca da largura de uma escama, começando na altura da an-
te-penúltima supra-labial e dirigindo-se obliquamente para trás até a articula¬
ção quadrato mandibular. O ôlho é de côr havana clara e a língua avermelhada.
O exemplar ainda está vivo, tendo se adaptado às condições existentes em nos¬
sos viveiros, onde é alimentado regularmente com camondongos e ratos, não
tendo perdido sua agressividade característica.
RESUMO
Referc-se o trabalho presente ao registro de três casos de aberrações cro¬
máticas em serpenhs brasileiras. São descritos dois casi s de ausência completa
de pigmentação prêto em coral verdadeira, Micritrus corallinas (Wied 1820) e
um caso de xantismo em salamanta, Epicrates cenchria crassas (Cope 1862).
cm
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Mem. Inst. Rutantan,
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alphonse richard hoge e
HfcLIO EMERSON BELLUOMINI
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ABSTRACET
Chromatic aberraticns in tliree snakes of Brazil are reeordetl. Two cases
of lack of blaek pi<çment in the coral snake, Micrurus corallinus (Wied 1820)
and one of xanthisni in a “rainbow-boa", Epicrates ccnchria crassus (Co¬
pe 1862).
BIBLIOGRAFIA
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JSciELO
Vem. In*t. BnUnUc. FLAVIO DA FONSECA ()f)
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XOTAS DE ACAROLOGIA
XLIV. INQUÉRITO SOBRE A FAUNA ACAROLÓGICA DE PARASITAS
NO NORDESTE DO BRASIL
FLAVIO DA FONSECA
(Instituto Butaitan)
figS. 1 — 54
ÍNDICE
Introdução . 103
Comentário geral sôbre n coleta . 101
Ácaros veetores potenciais da peste . 103
Estudo sistemático . 10'
Ixodidet . 107
Argasidae . 107
OmifáorforOs . 107
ürnithodoros lalaje Guárin-Ménírille. 107
Ixodidae . 107
Ixodes . 108
Ixodes amarali Fonseca . 103
Ixodes loricatus Xeumann, fig. 1 . 110
Amblyomma . 111
Ambtyomma parvum Aragão . 111
Hemaphysalis . 111
Ilemaphysalis leporispalustris Pakard . 111
Mesosligmata . 111
Macronyssidae . 112
Bdellonyssus Fonseca . 112
Bdellonyssus bursa (Berlese) . 112
BdeUonyssus lutxi (Fonseca) . 112
Lepronyssoides pereirai (Fonseca) . 113
Laelaptidae . . 114
Androlaelaps foxi sp. n., figs. 52. 53 c 54 . 180
JSciELO
15 16
100
XOTAS DE ACAROLOGIA
Atricholaclaps Ewing . 169
Atricholaclaps (Atricholaclaps) tri7im<inni sp. n., figs. 44 e 45 . 170
Atricholaclaps ( Atricholaelaps ) g uimaraesi sp.n., figs. 46 e 47 . 172
itricholaclaps ( Ischnolaelaps ) Iccgani sp.n., figs. 48 e 49 . 174
Atricholaelaps ( Ischnolaelaps ) glasgoxei (Ewing) figs. 50 e 51 . 176
Eubrachylaclaps Ewing . 162
Eubrachylaclaps rotundus Fonseca, figs. 38 a 43 . 163
Gigantolaclaps Fonseca . 153
Gigantolaclaps butantanensis Fonseca . 155
Gigantolaclaps canestrinii sp.n., figs. 36 e 37 . 153
Gigantolaclaps gilmorei Fonseca . 161
Gigantolaclaps goyancnsis Fonseca . 162
Gigantolaclaps oudemansi Fonseca . 162
Gigantolaclaps strandtmanni sp.n. 156
Gigantolaclaps ritzthumi Fonseca, figs. 34 e 35 . 154
Laelaps castroi sp.n., figs. 2 e 3 . 116
Laclaps differens Fonseca, figs. 4e6 . 119
Laelaps cchidninus Berlese . 120
Laclaps exccptionalcs figs. 19 e 20 . 131
Laelaps latecmtralis Fonseca figs. 9 a 14 . 122
iMclaps manguinhosi Fonseca, figs. 17 e 18 . 130
Laclaps nutalli Hirst, figs. 7 e 8 . 120
Laclaps paulistanensis Fonseca, figs. 21 a 24 . 132
Laclaps thori Fonseca . 135
31 ysolaelaps Fonseca . 142
Mysolaclaps hetcronychus sp.n., figs. 29 a 31 . 145
3Í ysolaelaps microspinosus Fonseca, figs. 27 e 28 . 151
M ysolaelaps parcispinosus Fonseca, figs. 32 e 33 . 151
Schixolaclaps n. gen . 136
Schizolaclaps matrjai (Fonseca), figs. 25 e 26 . 139
Tur turki sp.n., figs. 15 e 16 .. 126
INTRODUÇÃO
() Serviço Nacional de Peste vem realisando amplo inquérito sõbre a fauna
de roedores da região nordeste brasileira. Tais trabalhos redundaram na
obtenção de vários milhares de exemplares de roedores e de centenas de outros
pequenos mamíferos cujos ectoparasitas foram sistematicamente colhidos e en¬
tregues para determinação a especialistas.
Por gentileza de Lindolpho Guimarães, grande conhecedor da fauna
de Insetos ectoparasitas, foram-nos confiados os Ácaros recebidos pelo Depar-
tament de Zoologia do Estado de São Paulo e coletados em eêrea de dois mil
e seiscentos daqueles animais, correspondendo a capturas levadas a efeito nos
Estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará, proporcionando oportunidade
para estudo aprofundado dos grupes aí representados.
SciELO
v i/Js-'s'« fcSÇAK
M«n. Inst. Butantan.
FLAVIO DA FONSECA
101
28 : 99186 . 1957 / 8 .
Como não estivessem determinados todos os exemplares de hospedeiros
capturados e como depois do exame do material de 2.600 animais verificásse¬
mos que se repetiam monotonamente as diagnoses, tanto dos hospedeiros quanto
dos seus parasitas, resolvemos dar por eneerrad o estudo ao atingir 1500
hospedeiros roedores com determinação científica, o que permitirá o estabele¬
cimento fidedigno da proporção relativa em que aparece o parasitismo des
Ácaros em eada animal parasitado. Além dessa verificação será apresentada
também pequena estatística dos Ácaros das duas espécies de didelfídeos repre¬
sentados na coleta.
Leve-se em consideração que as listas de capturas que recebemos incluem
apenas os h spedeiros sôbre os quais foram achados Ácaros, representando
2635 animais, numerados a partir de 1577 até atingir 6086, significando isto
que sôbre 4510 hospedeiros em 2635 ou 58,4'. foram encontrados Ácaros. As
nossas percentagens, portanto, se referem aos 1500 roedores com determinação
científica e parasitados por Ácaros e não ao total d s hospedeiros capturados,
ou aos 2635 cuja fauna acarológica parasitária foi estudada.
COMENTÁRIO GERAI.
Em coleta tão importante, uma das maiores feitas na América do Sul
visando também o estml da fauna Acarológica. não deixa de impressionar
apenas estarem representadas duas sub-ordens dos Acari, Ixodides e Mtsos-
tigmata, nela não figurando quer Sarcoptiformes, quer Trombidiformes, que
seria de esperar fossem encontrados. Mai r estranheza causa a ausência de
representantes da última, principalmente de Trombiculidae, sabidamente fre¬
quentes em roedores. Apesar da perícia demonstrada pelas turmas de captu-
radores, que obtiveram material acarológico de quase 60Cí «los animais, só à
ausência de pessoal especializado é possível atribuir a inexistência de “micuins”,
em tão vultoso acêrvo, o que se torna compreensível devido à imobilidade e
à pequenez dos representantes dêsse grupo, só perceptíveis a quem já lhes
conheça o aspecto e os hábitos.
Também primou pela ausência a espécie de Mtsosligmala a mais tempo
conhecida da região, o Cavilatlaps brazilicnsis (Ewing, 1 í>25 ) , originalmente
descrito n gênero Laclaps, encontrado sôbre Gaita spixii spixii e Gaita fla-
videns. Este parasita especializado em cavídeos já havia sido por nós identi¬
ficado em duas oportunidades, provindo, respectivamente, da Bahia e do Ma¬
ranhão, seudo talvez a sua falta no presente material atribuível ao pequeno
número de representantes da família Caviidae examinados.
Outra falha sentida é a do Dtrmangssus brasilitnsis Fonseca 1936, so¬
mente assinalado no trabalho original, do Estado «lo Ceará, em Crato, onde
cm
2 3
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5 6
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102
XOTAS DE ACAHOLOGIA
foi encontrado sôbre o rato Holochüus seiureus, aliás roedor representado por
38 exemplares identificados durante o presente inquérito.
O material de Ixodides é pobre em número de espécies, o que é relativa¬
mente compensado pela freqüência do encontro de formas jovens de Ornitho-
doros talaje Guérin-Ménévile. É mérito da presente coleta ficar conhecido
o hospedeiro do adulto de Ixodes amarili Fonseca 1936, originalmente descrito
como parasita de rates silvestres, o que talvez provenha de confusão feita pelo
eapturador do material tipo, pois entre as numerosas capturas agora realizadas,
só uma vez foram vistos adultos sôbre rato, roedor entretanto freqüentemente
parasitado por ninfas, sendo a fêmea encontrada só em um pequeno didelfídeo,
o qual, por sua vez, só excepeionalmente é parasitado pelas formas jovens.
A esmagadora maioria das espécies encontradas pertence à sub-ordem
Mrsostigmata, apenas sendo representadas duas famílias, Macronyssidae e Lae-
laptidae.
Da primeira poucas foram as espécies achadas, tôdas já conhecidas, pre¬
dominando de modo absoluto o genótipo e espécie única de Lepronyssoides
Fonseca 1941. L. pcrcirai (Fonseca 1936). Cremos poder asseverar sem receio
de erro ser a fauna de Ácaros de roedores do Brasil meridional muito mais
rica em espécies dessa família do que a nordestina.
Foi entre os Laclaptidae que se manifestou o maior desenvolvimento da
fauna local, tendo sido encontrados representantes de sete gêneros, incluindo
23 espécies desta família, das quais nove novas e outras ermuns à região
meridional do Brasil, ocorrendo mesmo uma delas na Argentina, de onde foi
originalmente descrita. Só de modo inteiramente excepcional foram encontra¬
das as duas espécies cosmop litas do gênero Laelaps , L. echidninus e L. nu-
taUi. Algumas das espécies diagnosticadas parecem peculiares à fauna nor¬
destina, onde às vêzes se mostram com extraordinária constância.
Em alguns casos foi possível concluir pela preferência ou pela incompa-
tibidade de certos Ácaros para determinados hospedeir s, sendo também re¬
conhecível que determinados roedores podem servir ao parasitismo de grande
número de espécies, bem como ficou clara a possibilidade de associação de duas
espécies.
O roedor encontrado parasitado por maior número de espécies foi o
Oryzomys subflavus, no qual apenas não foram vistas algumas das espécies
mais raras, tendo sido observada sua infestação com vinte e quatro difrentes
espécies de ácaros, dos quais dezenove Lflaptidcos. Cercomys cunieuUtris incr-
mis com treze espécies, sendo onze Laclaptidae, e Oryz .enys eliunis com de¬
zesseis, das quais treze da família citada, foram os outros roedores parasitados
por maior número de espécies de ácaros, convindo assinalar que do marsupial
Aíonodclphys domestica foram obtidas 16 espécies, ao que não devem ser ex-
SciELO
Mem. In«t. Batsntan,
28 : 99 186 . 1957 / 8 .
FLAVIO DA FOXSECA
103
tranhos os hábitos de predador, para o qual passam provavelmente os parasitas
de suas presas, pois desses ácaros dez eram Laelaplidae habitualmente para-
sitos de roedores.
Em relação à fauna acarológiea dos Didelfídeos, a tabela II é bastante
elucidativa, mostrando que além dos Ixodidas não foram encontradas outras
espécies peculiares a êsses Marsupiais devendo a presença de outros ácaros
neles encontrados ser interpretadas como mera contaminação desses onivoros
por suas presas, roedores ou pássaros. Chama a atençã o fato de não figurar
na lista o Xeoichoronyssus tctrnecki Fonseca, espécie encontrada sôbre Didel-
phys do Brasil meridional e mesmo dos Estados Unidos da América do Xorte.
EVENTUAL PAPEL DE ACAROS COMO VECTORES POTENCIAIS OU
VICARIANTES DA PESTE
Quem quer venha a ter oportunidade de confrontar a frequência do eeto-
parasitismo por insetos de um lado e pela única ordem de aracnídeos, Acari,
de outro, ficará, quem sabe, surpreendido ao verificar a extraordinária fre¬
quência de Acarianos, talvez sòmente igualada pela de Mallophaga. fi isto
pelo menos, à exceção de poucos grupament s, o (pie se observa em relação à
fauna neotrópica, na qual talvez sejam mais freqüentes vertebrados terrestres
infestados com ácaros do que os livres desse parasitismo. Xão escapa a essa
regra a ordem das Roedores, na qual. culmina a frequência de Ácaros entre
«s murídeos e ericetídeos.
São êsses. justamente, grupos de hospedeiros de grande importneia em
zoologia médica pela possibilidade de albergarem microorganismos patogênicos
para o homem, o «pie confere aos seus ect parasitas, principalmente às espécies
hematofagas. a qualidade de vectores potenciais das parasitoses causadas por
tais agentes infectuosos.
Entre as infecções pelas quais os roedores são em parte responsabilizados
— riquetsioses, berrelioses. leptospiriloses, tripannsomiases. salmoneloses. pas-
teureloses — têm as últimas grande importância por incluírem a tuia remia e
uma das mais temidas, mais disseminadas e mortíferas doenças endemo-epi-
dêmieas. a peste bubônica. Zachvatkin eita em 1948, no seu importante tra¬
balho sobre os Laclaps e sua importância epidemiológica, vários resultados
obtidos por pesquisadores da F.R.S.S., como Hatenever e Marcinkovsky, Ma-
rienkovskiy e Sinai. Djanpoladova e outros, tendentes a demonstrar que a
Paslcurclla tuia reme não só pode conservar sua vitalidade em Laclaps cchidni-
nus e L. pachypus por 10 dias entre 18 e 28° ou 18 dias entre 6 e 10°. como
também foi isolada de espécies de Laclaps capturadas em roedores silvestres.
Também no Hirstionyssus isabellinus (Oudemans 1913) capturado sôbre ca-
|
JSciELO.
11 12 13 14 15 16
I
104
XOTAS DE ACAROLOGIA
mundongos silvestres foi demonstrada por Francis e Lake desde 1922 (in Bre-
getova, 1956) a presença de P. tularense.
Veiculada por pulicídeos e de mecanismo de transmissão bem conhecido,
tem a peste bubônica, entretanto, ainda as suas incógnitas, principalmente na
chamada forma silvestre, na qual, não sendo cs murídeos urbanos cosmopolitas
os depositários incrimináveis, outros serão também certamente os transmissores
que entretêm a epizootia, já que as espécies ectoparasitas dos murídeos urbanos
só excepcionalmente são encontradas sôbre ratos silvestres.
A demonstração da possibilidade de participarem ou não os Acari da trans¬
missão de Pasteurella pestis, embora abordada mais! de uma vez. tem esbarrado
em obstáculos que impediram a perfeita elucidação do problema. Para esse
fracasso não serão estranhas, certamente, por um lado as dificuldades técnicas
inherentes à experimentação com a peste bubônica, tais como a obtenção de
amostra de bactéria boa produtora de septicemia em ratos e a identificação
segura dos germens porventura isolados de Ácaros. Por outro lado, o desco¬
nhecimento da sistemática, da etologia e da restante biologia dos acarianos bem
como o decréscimo da importância da pasteurelose, graças aos progressos da
profilaxia, que já quase conseguiu acua-la em seus últimos e primitivos redutos,
tornaram muito rara a experimentação.
Stanley Hirst, do Museu Britânico, o maior desbravador da fauna de
ácaros parasitos, dos quais descreveu cêrca de 92 espécies, em sua maioria
africanas, impressionado certamente pela frequência com que o Laelaps
eehidninus é encontrado sôbre a grande disseminadora da peste, a ratazana
fíaltus norvegicus norvegicus (Berkenhout 1769), realizou, em 1914. de par¬
ceria com A. Bacot, do Instituto Lister de Medicina Preventiva, uma série de
tentativas de infecção do L. eehidninus com a Pasteurella pestis, referidas por
L. F. Ilirst, de Ceilão. Infelizmente não conseguiram septicemia nos ratos em
que é possível o parasitismo pelo Lelaptídeo, obtendo-a em camundongos, os
quais, todavia, o Laelaps eehidninus se recusa parasitar. O presente autor
também fracassou em tentativa feita em 1933, na qual não foi possível obter
amostra de Pasteurella pestis capaz de determinar septicemia em Rattus nor¬
vegicus norvegicus e em ratos brancos. Continua-se, portanto, até hoje a ignorar
si o Laelaps eehidninus é ou não capaz de infectar-se com o bacilo da peste e,
portanto, de transmiti-la entre os roedores, uma vez que recusa a picar o
homem, embora tenha já sido criado em laboratório por Orven, alimentado
com sangue humano.
O conde Hermann Vitzthum, o grande sistematista dos Acari e prova¬
velmente o último especialista que poude abranger tôda a vasta soma de conhe¬
cimentos da Acarologia, versou o assunto em 1930 em seu trabalho interro¬
gativo — Milbcn ais Pesttrãgerf — sem contribuir para elueida-lo. É bem
cm
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FLAYIO DA FONSECA
105
verdade que nesse trabalho o pesquisador germânico eonelui que. entre as
espécies da Mandchuria que estudava, si alguma tinha probabilidade de repre¬
sentar algum papel na transmissão da peste, esta seria o Laclaps jcttmari, que
acabava de descobrir. Embora tal hipótese não tivesse podido ser até hoje
confirmada, a previsão de \ itzthum sôbre a periculosidade potencial dessa
espécie foi Últimamente reforçada em relação ao virus da Febre Hemorrágica
Epidêmica, como a chamam os japoneses ou Xefroso-nefrite Endêmica He¬
morrágica, como a denominam os russos, entidade mórbida observada na
Mandchuria, na Coréa e na Sibéria.
Entre os Acari parasitas de vertebrados, os que exercem o hematofagismo
de modo mais constante e intenso, chegando a ficar deformados pela enorme
quantidade de sangue ingerido, são representados pelos Ixididae, Argasidac
Dcrmonyssidae, Macronyssidae e Trombiculidae. Ora, dessas cinco famílias
quatro apresentam espécies comprovada e sabidamente infectáveis por mi¬
croorganismos, que nelas proliferam e que são pelas mesmas transmitidas, com
exclusividade, a animais e ao homem. Apenas quanto aos Macronyssidae, os
antigos Liponissídeos, restam certas dúvidas, embora seja conhecido o papel
representado pelo Hirstionyssus arcuatus (Kocli 1839) na transmissão do
Hepatozoon criccti, parasita do hamster Crieetus criccti e pelo Sauronyssus
sauraruni (Oudemans 1901) no ciclo evolutivo Karyolyssus laccrtannn
(Danilewsky), protozoário parasita de Lacerla muralis e seus congêneres. Um
outro gênero de Macronyssidae existe, RdcUonyssus Fonseca 1941, (sin.:
Liponyssus Kolenati 1858) cujas espécies são com freqüêneia encontradas
enormemente engorgitadas por sangue, duas delas tendo já sido acusadas da
transmissão de agentes patogênicos para o homem. Uma é o R. bacoti (Hirst
1913), incriminado da transmissão da Rickettsia mooscrí Monteiro 1931 (sin.
Rickettsia muricola Monteiro et Fonseca 1932) agente do tifo endêmico, habi¬
tualmente transmitido por pulicídeos, c também, experimentalmente, de Ri¬
ckettsia akari Hübner, Jellison et Pomeranz 1946, agente da “rickettsial pox”
humana. A outra, provavelmente mero sinônimo da primeira, é a sua corres¬
pondente oriental, o B. nayayoi (Yamada 1930), infectável experimental¬
mente pela Rickettsia mooscri, segundo Kodana e Kono, pela Rorrclia duttoni
Xov.v et Knapp 1906, segundo Ohmori e Morishita e pela Pasteurdla pestis
(Kitasato et Yersin 1894), segundo Yamada. que assegura ter obtido trans¬
missão da peste por ingestão, por picada e por inoculação do triturado dos
ácaros infectados experimentalmente.
Quem conhece a tremenda capacidade da ingestão de sangue per parte das
ninfas e principalmente das fêmeas de certos representantes do gênero Rdcllo-
nyssus e de alguns outros da mesma família, éòmente ultrapassada pela dos
Irodidae , apenas se admira de não ter ainda sido comprovada a transmissão
de infecções por tais espécies.
JSciELO
106
XOTAS DE ACAROLOGIA
Xo Brasil, além dos já bem conhecid s Ixodides e dos mal conhecidos
Trcmbiculidae, exercem intenso hematofagismo em roedores, no sul o Bdello-
nyssus brasiliensis (Fonseca 1939), encontrado sempre engorgitado sôbre os
Preás ( Cavia apcrca), podendo parasitar muitos outros roedores e já obser¬
vado sôbre o homem, e no nordeste o Lepronyssoides pcreirai (Fonseca 1935),
espécie muito freqüente sôbre roedores.
Si os ácaros devessem ser suspeitados de possíveis transmissores de Pas¬
teurella nas regiões de peste silvestre do nordeste brasileiro, abriria a lista das
espécies incrimináveis o Gigantolaelaps vitzthumi Fonseca 1939, um dos maiores
ácaros parasitas não Ixodóideos, encontrado em parasitismo no nordeste bra¬
sileiro em mais de 40 r < dos roedores que apresentam ácaros, tendo sido obser¬
vado em 18 das 20 espécies de roedores silvestres da região cuja diagnose
científica foi possível obter e que apresentavam acarofauna, estando presente
até sôbre rato cosmopolita, o fíattus alexandrinus. Seguir-se-ia o Laelaps late-
ventralis Fonseca 1936, freqüente em 24.0% dos roedores parasitados e visto
em 8 diferentes roedores cientificamente determinadcs, sendo certo que, como
o Gigantolaelaps citado, também parasita outros roedores cuja identificação
científica não foi possível obter.
Ao contrário dos Macronyssidae, é muito pouco intenso o hematofagismo
dos Laelaptidac, grupamento de encontro ainda mais freqüente entre s roedo¬
res. nenhuma espécie de Laelaptidae ingerindo quantidades de sangue compa¬
ráveis às dos representantes dos outros grupamentos citados. Que suguem, pelo
menos intermitentemente, pequena quantidade de sangue, entretanto, parece
certo, mesmo porque a espécie Laelaps echidninus Berlese. 1888 é o rec nheeido
hospedeiro intermediário do hematozoário das ratazanas, o Hrpatozoon muris
Balfour, o que somente se poderá compreender admitindo que ingira sangue
contaminado. Que a hipótese de eventual encontro de Lelaptideo infectado com
Pasteurella pestis não deve ser desprezada e nem mesmo poderia ser conside¬
rada inesperada ou de causar maior admiração, demonstra-o o fato e ser o
Laelaps muris Ljungh 1779 considerado transportador de bactéria patogênica
do mesmo gênero, também iufectante de roedores e do homem, a Pasteurella
tularense, agente da “tularemia’’.
O Acaro parasita dos roedores mais freqüente no nordeste depois dêsses
dois é o Macronissídeo, Lepronyssoides pereirai (Fonseca 1936) que, no inqué¬
rito agora realizado, contribuiu com freqüência de 12.6% e foi visto em 8 dos
18 diferentes ratos identificados.
Sendo esta uma espécie por excelência hematófaga, resulta ser também
entre os transmissores poteneiais, a mais suspeita de infecção eom germes de
que os ratos seus hospedeiros eventualmente sejam depositários.
SciELO
Mem. Inst. Butantan,
23: 99 136. 1957/8.
FLAYIO DA FONSECA
107
As restantes 27 espécies de ácaros identificados do nordeste sôbre pequenos
mamíferos o foram com freqüêneia muito menor, abaixo de 10'í dos animais
infestados.
É evidente que um eventual papel representado por tais ácaros no entre¬
tenimento de uma endemia pestosa, quer entre os roedores, quer destes ao
homem, apenas poderá ser esclarecido por verificações experimentais, de pre¬
ferência feitas no campo, por um laboratório volante, onde os Ácaros possam
ser capturados, identificados e logo a seguir triturados e o produto inoculado e
semeado, remetidas as culturas e animais inoculados a um laboratório base para
is lamento e identificação das bactérias suspeitas, podendo também ser reme¬
tidos os próprios Ácaros congelados para inoculação no laboratório.
Com o desbravamento da aearofauna local, poderá eventualmente o pre¬
sente inquérito contribuir para a comprovação futura da ocorrência no nor¬
deste brasileiro de um bioceno ainda hipotético, em que o germen da peste
circule indefinidamente e independentemente do homem e da pulga, confir¬
mada também aqui a doutrina da “Epidemiologia Panorâmica”, recentemente
erigida pelo eminente parasitologia o acadêmico Paviosvsky e estudada com
tamanho entusiasmo por seus eontinuadores, na Rússia, e, entre outros, pelo
notável acarologista e ecologista Audy, na Malásia.
LXODIDES
Si foi abundante a coleta em relação ao número de lotes conseguido, fci,
entretanto, parca relativamente ao número de espécies, cinco apenas.
Ocorreu parasitlsmo por Ixodides em 7.7 r r de 1500 lotes de roedcres
parasitados por Ácaros, predominando de modo absoluto fases jovens, que em
alguns casos não puderam ser identificadas devido a deficiência do estudo
das espécies neotrópieas, das quais em geral não foi ainda feita a descrição
das formas imaturas.
ARGASIDAE
Ornithodoros talaje Guérin-Ménéville 1849
4.0^; dos hospedeiros parasitados por Ácaros apresentavam ninfas ou mais
raramente larvas de um Argasidac do gênero Ornithodoros que julgamos ser o
O. talaje Guérin-Ménéville 1849, já assinalado no nordeste por Aragão, em 1936.
A espécie foi a princípio identificada eom eerta reserva porque em diagnose
baseada na descrição apresentada por Cooley e Kohls para a larva notou-se
divergência em relação ao número de fileiras de dentes do hipostomio, cuja
fórmula é 3/3 e não 2/2 como é referido por êsses pesquisadores.
Uma ninfa dissecada permitiu, entretanto, o exame de um adulto de
morfologia concorde com a de O. talaje . chamando a atenção o tamanho das
bochechas, que ocultam 0 gnatossoma, caracter apresentado como típico dQ
P
ISciELO
3 11 12 13 14 15 16
1
108
XOTAS DE ACABOLOGIA
O. talaje. O exame das ninfas maiores revelou a existência de duas fases nin-
fais octopodes, pois dissecando a exuvia ninfal foi encontrado outro revesti¬
mento mais fino também de ninfa.
Os roedores encontrados mais freqüentemente infestados foram os do gêne-
ro Proechimys como se verifica na tabela geral adeante apresentada.
A literatura refere a ocorrência do O. talaje desde a América do Xorte
até a Argentina. Do Brasil são referidos como hospedeiros, por Aragão e
Carvalho, o Mocó ( Kcrodon rupesiris), a Paca ( Cuniculus paca), o Queixada
(Tayassu pecari) e o Morcego Ilistiotus velatus. Cooley e Kohls citam-no sôbre
ratos, macacos e até sôbre uma serpente e Iragory e Ortis no ninho do pássaro
Phacelefdomus rufifrons inornatus, na Venezuela.
IXOPIDAE
Ixodes ama rali Fonseca 1936
Dentre os membros da família Ixodidae, uma das espécies encontradas
com maior freqüência foi o Ixodes amarali Fonseca 1936, descrito de fêmea
capturada por Blaser sôbre “rato” e depois disto não mais assinalado. Julgo
agora, graças à experiência adquirida, que Blaser, eur peu pouco familiarizado
com a fauna neotrópiea, tenha confundido com um rato silvestre o marsupial
Monadtlphys domestica (—Paramys domestica), pois de fato a espécie é parasita
na fase adulta quase exclusivamente desse pequeno marsupial sôbre o qual foi
encontrado na pn porção de 50'í do total de 49 exemplares examinados, sempre
nos municípios de Princesa Izabel, no Estado da Paraíba, e nos de Triunfo e
Pesqueira, no Estado de Pernambuco. Só uma vez foi vista uma fêmea sôbre
roedor, o Oryzomys subflavus. Ao contrário disso as formas jovens foram
encontradas quase só sôbre ratos; Oryzomys subflavus, Oryzomys eliurus,
Akodon arvieuloides, Ilalochilus sciurcus, Rhipidomys macuUpcs, vygodon-
tamys pixuna e “Rato cachorro” foram as espécies encontradas infestadas,
tendo o material sido obtido de Anadia e Palmeira dos índios em Alagoas, de
Viçosa e S. Benedito no Ceará e de Bom Conselho e Garanhuns em Pernambuco,
havendo também material de Guaraeiaba, Minas Gerais.
Xem uma só vez foi encontrado macho desta espécie, sexo êste que continua
desconhecido, tendo, talvez passado despercebido aos eapturadores devido às
dimensões possivelmente exiguas, como as de outros machos de Ixodes.
Sôbre um exemplar de Monodelphys domestica proveniente de Triunfo,
Estado de Pernambuco, foram encontradas duas fêmeas, três ninfas e uma
larva de Ixodes amarali, tôdas em início de repleção e com o hipostomio dani¬
ficado, tendo sido aproveitadas para comparação.
A principal diferença entre ninfas e fêmeas, além das dimensões, reside
na forma do escudo dorsal, que, embora alongado, não se prolonga muito além
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
Ácai
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Análise do parasitismo em 1500 exemplares de roedores eom Acari
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SciELO
Mem. Inst. Butantan.
28: 99-186. 1957/8.
FLAVIO DA FONSECA
109
das cristas laterais, parecendo proporeionalmente mais curto do que o das
fêmeas. Além disso os sulcos cervicais são mais pronunciados do que nas fêmeas
e as pontuações são raras, esparsas e superficiais.
A larva, ao contrário, tem escudo muito curto e largo, como o de Ambly-
omma jovens, não apresentando mais do que um esboço de cristas; os sulcos
cervicais, entretanto, são nítidos e as pontuações pràtieamente inexistentes,
apenas tendo sido vistas algumas próximas do 1» rdo posterior e uma profunda
no meio do escudo. Talvez devido à falta de pontuações, o reticulado do
escudo é mais aparente nas larvas e ninfas.
O gnatossoma tanto das ninfas quanto o das larvas apresenta a earena
dorsal nítida e cs prolongamentos auriculares largos, ambos mais atenuados
nas larvas. A superfície descoberta do idiossoma é pilosa nas ninfas, tal como
nas fêmeas, e nas larvas apresenta só raros pelos esparsos.
Os palpos das ninfas são iguais aos das fêmeas; os das larvas têm o 3 o
artículo largo no ápice e o 4 o artículo saliente na região subapieal do bordo
ventral. Os espinhos das coxas das ninfas representam uma redução dos exis¬
tentes nas fêmeas. Já a larva apenas apresenta espinhos muito reduzidos na
coxa 1 e vestígios insignificantes nas coxas II e III.
Tabela II
Espécies capturadas súbre Didelíideos
Parasita
Hospedeiro
29
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1
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24
IiodtM loriatfVM .
21
1, | SciELO
110 XOTAS DE ACAROLOGIA
Da tabela acima se deduz que bem Didelphys parayuayensis apenas é
susceptível do parasitismo de raros Ácaros, ao inverso de Monodelphys domes¬
tica, ou que os exemplares de Gambás foram submetidos a exame muito menos
cuidadoso e detido do que o das Cuícas. A favor da última hipótese fala a
circunstyncia de nem uma vez ter sido encontrado o Macronyssidae da espécie
NeoUponyssus wemecki Fonseca, descrito do sul do Brasil mas já observado
até nos “opossuns” norte-americanos. Por outro lado a espécie de Monodelphys
talvez seja carnívora mais inveterada do que os Didelphys, estes últimos além
disso com temperatura do corpo muito baixa e odor particularmente ativo
qualidades estas talvez repelentes para acarianos.
Ressalta muito claro o xenotrnpismo dos dois Ixodes, nenhum dos «piais
parasita o hospedeiro do outro na fase de adulto.
Ixodes loricatus Xeumann 1899.
Fio. 1 — Ixodes loiicatus Xeumann 1899.
Espécie comum dos Didelphys do Brasil meridional, foi também encon¬
trada com regularidade no nordeste, em 21 dos 29 hospedeiros, parasitando
Didelphys paraguayensis, na fase adulta. Só por duas vezes foram vistos
cm
Mem. Inst. liuUnUn.
28: 99 186. 1957/8.
FLAVIO DA FOXSECA
111
adultos parasitando ratos, pertencentes às espécies Oryzcmys subflavus e
Zygodontomys pixvna.
Amblyomma parvum Aragão 1908
O gênero predominante no Brasil, Amblyomma, raramente é encontrado
sõbre ratos e marsupiais, razão pela qual só de modo excepcional figura no
presente levantamento. Em fase adulta só duas vêzes foi encontrado num total
de 2635 exames, assim mesmo uma vez em carnívoro, fírison vittatus brasiliensis,
o Furão, e outra em Kerodon mpestris, o Mocó, um cavídeo. Tratava-se em
ambos cs casos de Amblyomma parvum Aragão 1908, pequena espécie despro¬
vida de ornamentarão, já assinalada sõbre Cavalo, Cão, Veado ( Mazama sp.),
Capivara e Mocó, tendo sid por mim encontrada, cm outras oportunidades,
sõbre ratos silvestres, em Goiás, e em Mato Grosso sõbre Tapirus Icrrcstris
ferres tris, Myrmecophaga fridactyla, Panthera ( Jaguarius ) ouca ou Felis
(Puma) ce.ncolor, Felis ( Lynchailus ) pajeros pajeros e Ilotno.
Em 20 dos 1500 roedores foram encontradas formas imaturas de .-tin-
blyomma sp.
Hemaphysalis leporispalustris (1’akard 1869).
O carrapato dos coelhos silvestres foi por várias vêzes encontrado sõbre o
Sylvilagus brasiliensis brasiliensis e sõbre mamífero não identificado, mas
segund todas as probabilidades da mesma espécie, pois só muito raramente
tem sido encontrado sõbre outros hospedeiros, citando Aragão a possibilidade
de se fixar sõbre o coelho doméstico quando este é alimentado com capim vindo
de I cal freqdentado pelos coelhos silvestres. Xos Estados Unidos da América
do Xorte esta espécie contribue para entreter entre cs Sylvilagus a infecção
pelo agente da Febre das Montanhas Rochosas, aRickettsia ricketlsi. Entre nós
êsse papel não poude sor comprovado em pesquisas inéditas realizadas em 1933
por Lemos Monteiro e pelo presente autor, que dêle tentaram isolar o mesmo
microrganismo em S. Paulo, não havendo todavia razão para crer que no
Brasil seja diverso o seu comportamento em relação à Febre Maeulosa, causada
também aqui pela mesma espécie de Rickettsia.
MKSOSTIGMATA
O fato de apenas duas famílias da sub-ordem estarem representadas em
inquérito tão vasto é em parte justificável, desde que se atente para os gru¬
pamentos a que pertencem os hospedeiros examinados, em sua quase totalidade
1, | SciELO
112
XOTAS DE ACAROLOGIA
roedores e didelfídeos, e para o fato de não terem as coletas sido feitas por
auxiliares especializados. O pequeno número de famílias é compensado pelo
número elevado de espécies que puderem ser estudadas, muitas das quais
representam aquisições novas para a Acarologia sistemática, permitindo, em
alguns casos, deduzir conhecimentos etológicos de cert interesse, graças ao
elevado número de vêzes em que poude o seu encontro ser cotejado com a
diagnose dos hospedeiros.
MACROXYSSIDAE
Três f ram as espécies dessa família representadas no material, pertencen¬
tes a dois gêneros.
Bdellonyssus bursa (Berlese 1888)
Sin.: Leiognathus bursa Berlese 1888
Liponyssus bursa (Berlese 1888)
Liponissus bursa (Berlese 1888)
Ornithonyssus bursa (Berlese 1888)
Liponissus ihcringi Fonseca 1935
Bdellonyssus ihcringi (Fonseca 1935)
Espécie caracterLsticamente parasita de .1 ves, principalmente de (lallus
domeslicus , é às vêzes encontrada em parasitismo extraviado sôbre mamíferos,
nem mesmo o h mem escapando à sua perseguição. Foi visto uma vez sôbre
um Ilespcromys sp. de localidade ignorada do nordeste, três vêzes sôbre
“Quicas”, Monodclphys domestica, provavelmente contaminadas ao se banque¬
tearem com pintos de algum galinheiro infestado, e uma vez sôbre um roedor
conhecido pelo nome de “Rato calunga”, cuja diagnose científica não foi
possível obter.
Comparações com o material de Bdellonyssus ihcringi Fonseca, recebido
de ave do nordeste brasileiro e de Cubatão, S. Paulo, onde fora assinalado
sôbre Bradypus tridactylus, leva-me a propor a sinonímia desta minha espécie
ecm o Bdellonyssus bursa.
Bdellonyssus lutzi (Fonseca 1941).
Sin. : Liponissus lutzi Fonseca 1941.
Esta espécie foi originalmente descrita de rato silvestre não identificado
capturado em Butantan. Município de São Paulo, somente sendo conhecido o
SciELO
Mera. Inst. Batantan,
28: 99-186. 1957/8.
FLAVIO DA POXSECA
113
holótipo fêmea, caracterizado por dimensão grande, eerdas do escudo dorsal
tôdas longas, exceto as verticais anteriores, placa anal alongada e palpos cem
espinho no primeiro artículo.
Encontramo-la no nordeste apenas poucas vezes, parasitando Ilesperomys
sp. e Proechimys iheringi denigratus, ambos de localidade ignorada, e outras,
duas vêzes o Oryzomys eliurus de Garanhuns, Pernambuco.
Lepronyssoides pcrcirai (Fonseca 1935).
Sin.: Liponissus pcrcirai Fonseca 1935
Este curioso Macronissídeo, caracterizado pela existência de um par de
órgãos infundibuliformes na placa estornai da fêmea, semelhantes aos encon¬
trados em Hirstesia sternalis (Ilirst 1921) da Turquia, foi o primeiro Ácaro de
rato silvestre descrito do nordeste, onde foi encontrado em Joazeiro, Paraíba,
sõbre I unare , nome pelo qual são conhecidas subspécies de Ccrcomys cuni-
cularius, bem como em Currais Novos, Rio Grande do Norte, sôbre " Kcrodon
spixi”, sic, portanto fíalca spixii. Sua presença nos Estados da Bahia e do
Ceará já fora registrada na Monografia des Mucronissídect> que publieamos
em 1948 nos Procedi ings da Zoological Society, de Londres, sempre sôbre ratos
sihestres, no último Estado em “Punare branco”. Alagoas e Pernambuco são
outres Estados em que a mesma espécie é frequente. Ao sul da Bahia, todavia,
não temos conhecimento de que ocorra este Ácaro, entretanto extremamente
frequente no nordeste, como se verifica na tabela geral aqui apresentada, tendo
sido encontrado em dez espécies de roedores.
No seu parasitismo impressionam a freqiiência com que é encontrado sôbre
um dos “Punarés", o Ccrcomys cunicularius inermis, bem como a regularidade
com que se acha associado ao Laelaps lateventralis, a ponto de construir aspecto
faunístico característico da região. Por outro lado é notável a sua raridade
sôbre Hesperomys sp., Holochilus sdurcus, Oryzomys subflavus, Rhipidomys
masfacalis e Zyçjodontomys piiuna e a sua ccmpleta ausência de Oryzomys
eliurus, Proechimys albispinus, Proechimys iheringi denigratus e Rhipidomys
ceara nus. Sua presença sobre o Mocó, Kcrodon rupestris, poude ser confir¬
mada num único encontro.
Exerce intenso hematofagismo em tôdas as fases do ciclo em que foi captu¬
rado, o que o torna muito distendido, dificultando a montagem. Continuando
desconhecido o macho, tal como em Hirstesia sternalis, não se sabe si o curioso
órgão sensorial da placa esternal, de fisiologia ignorada, é ou não existente no
sexo oposto. Machos, si existem, devem ser raríssimos, pois o número de exem¬
plares examinados alcançou algumas centenas.
1, | SciELO
114
XOTAS DE ACAROLOGIA
A grande disseminação, o ecletismo em relação aos hospedeiros e o intenso
hematofagismo tornam-no comparável, sob esses aspectos, ao Bdellonyssus bra-
sdiensis Fonseca 1939, do Brasil meridional. É, como êste, vector potencial de
infecçãe on infestação de algum dos seus numerosos hospedeiros e, quiçá, destes
ao homem, sôbre o qual não foi, aliás, ainda assinalada a espécie nordestina.
Além dos registros do presente inquérito, foi a espécie identificada em
Barra do Corda e Aldeia do Ponto, Maranhão, de onde recebem s material
capturado pelo Dr. E. P. Vanzolini, do Departamento de Zoologia do Estado
de Sã Paulo, e de Crato, Ceará.
LA ELA PT IDA E
A fauna parasitária mundial desta família é constituída por cêrca de 200
espécies distribuídas em aproximadamente 40 gêneros. A verificação da ocor¬
rência de oito gêneros e vinte e cinco espécies no nordeste brasileiro, das quais
só uma espécie não encontrada no presente inquérito, demcnstra a importância
da sua representação naquela região.
As diferenças observadas entre a fauna nordestina e a sulina do Brasil
não são tamanhas quanto o faria supor a situação geográfica e a diversidade
das condições mesológicas. F ram, entretanto, encontradas*espécies autóctones
que não atingem a região meridional, bem como fica evidenciada a existência
de espécies, em número igual ou maior, comuns às duas regiões. Cêrca de cinco
espécies são earaeteristieamente nordestinas. Cavilaclops brazilicnsis, Laelaps
lateventralis, Cr igantolaelaps vitzthumi e Gigantolaelaps canestrinii, atingindo
no máximo, segundo os dados atualmente disponíveis, a fronteira de Minas
Gerais com a Bahia, como sucede a Cl. vitzthumi. Ao contrário, cêrca de onze
espécies frequentes no sul foram assinaladas na região em estudo, chegando
uma espécie da Argentina, o Schizolaelaps mazzai, aos Estados da Bahia e do
Ceará, atingindo outra da Bolívia. Mysolaelaps hcteronychus , o Estado do
Ceará. Por outro lado há espécies tão freqüentes no sul quanto no nordeste;
é o que sucede a Mysolaelaps fxirvispinosus, Eubrachylaclaps rotundus e Lae-
taps paulistancnsis. Curiosa é a ocorrência de uma espécie de Androlaelaps,
gênero ainda não assinalado na região neotrópica. a qual chega a sugerir im¬
portação recente tal a sua raridade, como se ainda não tivesse havido tempo
para adaptar-se aos ecosistemas ( apud Tansley, 1939) locais.
As espécies autóctones não faltam características morf lógicas que as
distanciem tanto das suas congêneres que chegam a fazer suspeitar a existência
de grupamentos a parte, somente Gigantolaelaps vitzthumi. Laelaps castroi e
Cavilaclaps brazilicnsis se adaptando perfeitamente aos respectiv s gêneros.
O apêndice das mandíbulas de Laelaps lateventralis e de Tur turki e a
cm
2 3
Z
5 6
11 12 13 14 15 16
Mpto. Inst. Butantan,
28: 99 186. 1957/8.
FLAVIO DA FONSECA
115
dissimetria das garras de Mysolaclaps heteronychus concedem à fauna local
uma fisoincmia própria.
Xenotropismo extremamente acentuado foi observado em algumas das espé¬
cies estudadas. Schizolaelaps mazzai, por exemplo, predominou em II espero-
mys sp., tendo sido encontrado em 73 dos 99 exemplares que figuram na relação
de capturas. Eubrachylaelaps ro! undus é. no nordeste, caracteristciamente um
parasita de Zygodontomys pixuna e de Akodon arviculoides, sendo muito mais
raro sobre outros rates. Laelaps latevenfrali t é encontrado com impressionante
freqüência sôbre o Cercamys cunicularis inermis ; Mysolaclaps heteronychus é
tipicamente um parasita de três ratos dendricolas do gênero Rhipidomys que
existem na região. Entre 547 Oryzomys subflants identificados e que apre¬
sentaram parasitismo por Ácaros, o Gigantolaelaps vdzthumi estava presente
nu 30 1 , sendo muito mais raro sôbre o Oryzomys cliuriis , em que não atin¬
giu 25%. Laelaps pauhstanensis, embora presente sôbre grande número de
roedores, mostrou-se parasita mais constante dos do gênero Rhipidomys.
Ao contrário disso o próprio Gigantolaelaps vitzthumi apenas não foi
encontrado sôbre as raras espécies de rcedores das quais somente poucas exem¬
plares chegaram a exame, figurando entre os seus hospedeiros dois marsupiais
e até o porco doméstico.
I or outro lado o comuníssimo Laelaps latevcntralis, tão frequente e tão
P uco exigente em relação aos seus hospedeiros, foi visto uma só vez sôbre os
numerosos exemplares examinados de Rhipidomys spp. e nenhuma sôbre Ory-
zomyt eliurus, Hesperomys sp. e Proechytmjs spp., embora ocorrendo nas
mesmas localidades; isso apesar de Oryzomys eliurus ser particularmente pre-
disposto ao parasitismo por Lelaptideas, dos quais forneceu treze diferentes
espécies. Sòmente uma incompatibilidade ecológica, etológiea ou fisiológica
pode explicar tal ausência.
A maior parte das espécies pertence aos gêneros Laelaps Koch 1836 e
(> igantolaelaps I* onseca 1939, dos quais o primeiro tem nove e o segundo oito
representantes na fauna do nordeste. Segue-se o gênero Atricholaelaps Ewing
1929, com quatro espécies, duas no subgênero tipo e duas no subgênero Ischno-
laelaps Fonseca 1936. Por último os gêneros Eubrachylaelops Ewing 1929 e
Androlaelaps Berlese 1903 cada qual com uma espécie.
Laelaps Koch 1836.
Sete espécies dêste gênero foram obtidas no presente inquérito, das quais
duas são novas, apenas cinco outras espécies do Brasil não tendo sido ai
encontradas.
I, | SciELO
116 XOTAS DE ACAROLOGIA
Abre a lista uma cias novas espécies, até agora somente conhecida dessa
região, a qual temos satisfação em dedicar a um dos maiores responsáveis pelo
inquérito sôbre roedores do nordeste, Dr. Alrnir de Castro, graças ao qual
ficará a fauna de Laelapliilac do nordeste send • uma das mais bem conhecidas.
É de interesse referir quanto à quetotaxia do escudo dorsal das espécies
de Laclaps que ocorrem no Brasil, incluídas as duas cosmopolitas. L. echid-
ninus e L. nutaJli, que somente os Laclaps mazzai e navasi se afastam do padrão
estabelecido por Zachvatkin na sua monografia de Laelaps da U.R.S.S., razão
pela qual resolvemos destacar deste gênero o primeiro deles, fazendo-o cons¬
tituir o genótipo de Schizolaelaps gen. n. Quanto ao L. navasi , embora aí não
deva permanecer, é, provisoriamente, conservado no gênero original até que
seja conhecido o macho, poLs do aspecto da placa ventral dêste se poderá
concluir pela inclusão da espécie em Schizalaclaps gen. n. ou pela necessidade
de ereção de um outro gênero.
Laclaps castroi sp. n.
Entre os Laclaps. sensu strictu, conhecidos esta é uma das menores espécies.
É de morfologia próxima da de Laclaps paulistancnsis Fonseca 1936,
mas se deixa caracterizar eom relativa facilidade não só pelo tamanho bem me¬
nor, mas também pela forma do espinho posterior da coxa I. De Laclaps man¬
em
SciELO
Fio. 2 — Laelaps castroi sp. n. 9 Cótipo Fio. 3 — Laelaps castroi sp. n. 9 Cótipo
Mem. In‘t. ButanUn,
28 : 99 186 . 1957 / 8 .
FI.AVIO DA FONSECA
117
ijuinhosi Fonseca 1936. que tem dimensões iguais, difere pelo espinho posterior
da coxa I pouco maior, pela cerda posterior curta da maxilicoxa e pela cerda
espiniforme curta na c xa I de manguinhosi. Xo nordeste do Brasil é espécie
relativamente rara, mas que pode ser encontrada sóbre muitas espécies de ratos.
Dela foram capturados 37 lotes, de poucos exemplares cada um, entre 1500
roedores parasitados per Acari nessa região. Xão foram vistos machos ou for¬
mas jovens.
DESCRIÇÃO DA FÊMEA
Bem quitinisada, com cerdas não muito rígidas, de patas I e 11 alargadas,
com morfologia típiea de Laelaps.
Idiossoma
Ovoide alongado, com 670 micra de comprimento por 462 micra de maior
largura, sem hombros. com polo anterior um pouco mais afilado, mas não pro¬
jetado para frente.
Face ventral. — Placa esternal mais larga do que longa, com 108 micra
de comprimento na linha média por 136 micra de menor largura entre as
cerdas anteriores e as médias. O bordo anterior da placa é um tanto saliente
entre as cerdas anteriores e o bordo posterior é ligeiramente coneavo. As cerdas
são longas; as anteriores medem 80 micra e ficam separadas por intervalo de
56 micra. As cerdas médias têm 90 micra e as posteriores 95 micra. A placa
preesternal é apenas esboçada e as metaesternais são nítidas e parecem passar
sob a esternal sem cem ela estarem fundidas. Placa genital curta e bem expan¬
dida, medindo 144 micra desde a inserção da cerda genital até o meio do bordo
posterior e 155 micra de maior largura ao nível do par de cerdas imediato
ao genital. Cerda genital com 90 micra e cerda posterior com 80 micra,
atingindo o rebordo da anal. Placa anal de bordo anterior abaulado, tão longo
quanto largo, com 90 x 90 micra, cerdas pares robustas, com 50 micra e cerda
impar com 76 micra. Plaquetas inguinais elítieas. nítidas. Na zona desco¬
berta há cinco ou seis cerdas longas e finas. Peritrema atingindo o bordo
anterior da coxa II, com peritrematália prolongando-se mais para frente.
Face dorsal. — Escudo com 630 micra de comprimento por 385 micra
de maior largura, somente deixando estreita faixa descoberta. Cerdas verticais
posteriores bem mais longas do que as médias e as anteriores e pouco mais
curtas do que as submedianas anteriores. As submedianas são 9 pares, excluido
o marginal posterior. As do par anterior são as mais longas e têm 76 micra;
as posteriores são as mais curtas e mais fiuas medindo 43 micra.' O par mar-
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
11S
NOTAS DK ACAROLOGIA
ginal posterior mede 90 micra, sendo as restantes marginais progressivamente
mais curtas. O escudo apresenta zonas areolares na frente e mareas circulares
a traz, vend -se vários poros em forma de fenda e circulares. A quetotaxia
obedece pois ao esquema típico para o gênero Latia ps.
PATAS
Robustas, porém sem alargamento exagerado. Coxa da pata I eom forte
espinho posterior curto, largo e pontnd , aparentando ter uma porção estreitada
ou colo, a qual, examinada com forte aumento se verifica ser a implantação
já interna do espinho, medindo 22 micra de comprimento p r 11 micra de
maior largura; a cerda distai da coxa é piliforme, isto é, fina e longa, me¬
dindo 25 micra. Basifemur e telofemur I cada qual com uma cerda mais
longa dorsal e tarso I de 80 micra de comprimento (tars e pretarso), com
área pilosa distai. Coxa 11 eom cerda alongada, forte, posterior e cerda mais
fina e mais curta anterior. Coxa III eom cerda espiniforme posterior de 23
micra por 4.8 micra de maior largura e cerda rígida anterior. Coxa IV com
uma única cerda fina e tarso IV eom 140 micra (tarso e pretarso). Todos os
tars s terminados em duas garras e pulvillum.
ONATOSSOMA
Normal para o gênero, com as cerdas médias internas das maxilicoxas
longas, com 68 micra, ultrapassando a base das posteriores, que medem só
22 micra. Pilus dentilis não dilatado na base. normal portanto, eom cerca de
12 micra. Labrum conspiein. com pelos curtos.
Descrição feita de oito cótipos fêmeas, montados em lâminas com N.° 2265,
capturados a 5.1.1953 em Torres, Caruaru, Estado de Pernambuco, sôbre o
hospedeiro tipo, o rato Oryzomys eliurus. Macho desconhecido. Além do
hospedeiro tipo, a espécie foi vista em 9 outn.s ratos silvestres com determinação
científica, provenientes dos Estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará, s
quais estão citados na tabela geral apresentada.
A mesma espécie foi por mim determinada em dois lotes remetidos pelo
Dr. J. M. de Ia Barrera. de Buen Retiro, Bolívia, capturados sôbre Graomys
yrisr .flavHs e Dasyprocta rarugnta, sendo esta a primeira observação fóra dos
seus habituais hospedeiros, os ratos.
O nome específico é dado em homenagem ao Dr. Almir de Castro, ex-Dire-
tor do Serviço Nacional da Peste, um dos planejadores do notável trabalho
representado pelo inquérito epidemiológico, do qual a presente nota constitue
um dos resultados.
cm
SciELO
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Mem. Inst. Batintsn, FLAVTO DA FOXSECA íin
28 : 99 - 186 . 1957 / 8 .
O pequeno grupa representado de um lado pelo L. paulistanensis e o
L. hirsli e de outro por L. manguinhosi, L. diffcrens (figs. 4. 5 e 6) e L. casfroi
sp. n„ apresenta incontestavelmente grande afinidade. A comparação do
material tipo com o abundante materail do nordeste leva-me a separar essas
KlO. 4 — Laelaps di ff crens Fonseca 1936, de
rato não identificado da localidade
tipo.
espécies em dois subgrupos: a) espécies com a cerda anterior da ccxa I pili-
fcrme e longa, incluindo L. paulistanensis . L. hirsli e L. caslroi, sp. n.. das quais
considero L. hirsti sinonímia de L. paulistanensis; b) espécies com a cerda
anterior da coxa I espiniforme e curta, representada pelo L. manguinhosi e
Fig. 6 — Latlapa diffcrens Fonseca 1936.
Face dorsal do mesmo exemplar da
fig. 4.
Fig. 5 — Laclaps diffcrens Fon¬
seca 1936. Gnatossoma
da 9 . Mesmo lote que
o Laclaps da fig 4.
cm
120
XOTAS DE ACAROLOGIA
L. differens. O estudo de L. paulistanensis, possível "raças a > elevado número
de lotes agora recebidos do nordeste, permitiu-nos chegar à conclusão de que
os caracteres diferenciais com a espécie L. hirsli Fonseca 1939 não apresentam
a importância que a princípio lhes foi por mim atribuída, devendo esta espécie
passar à sincnímia de L. paulistanensis. Laelaps castroi sp. n., embora afim
de L. jMiulistancnsis, é considerada boa espécie.
Laelaps cchidninus Berlese 1887 e Laelaps nutalli Hirst 1915.
f
> N
-K'
&
V
V'
Fio. 7 — Laelaps nutalli Hirst 1915. Do Battus
alcxandrinus de Pesqueira. Pernambuco.
As duas espécies cosmopolitas serão tratadas em comum, já que diferem
por essa particulauliade das restantes. São encontradas onde quer ocorra o
Rattus norvegicus , existindo em nossa coleção muitcs lotes das cidades de
São Paulo, Rio de Janeiro e Belém, no Pará.
A primeira só raramente tem sido notificada de ratos silvestres, parecendo
apesar disso mais adaptável do que a segunda, já tendo sido por nós vista,
em outras oportunidades, sôbre ratos não domésticos. Conhecemos referência
de encontro de L. echidninus, fora des seus hospedeiros normais, em Rattus
culmorum e Perameles gunni (marsupial), na Australia; em Mus musculus
brevirotris na Sicília e em A podem us speciosus no Japão.
cm
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Mem. Inst. Butantan,
28 : 99 186 . 1957 / 8 .
FLAVIO DA FONSECA
121
Xo presente inquérito foi o Laclaps eehidninus visto seis vezes, sempre
no Estado de Pernambuco; sôbre o Ratlus raltus frugivorus, em Pacas, Bom
Conselho, sôbre Ratlus rattus alexandrinus em Santa Rita; uma terceira
vez sôbre o Zygodontomys pixuna nesta última localidade e em número elevado
pois foram capturados 20 exemplares; numa quarta vez sôbre a mesma espécie
de rato em Serra das Antas; uma sôbre o Rhipidomys mastaealis em Serra dos
Cavalos, Caruarú, e uma sôbre o Oryzcmys subflavus de Garanhuns.
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Fio. 8 — Laelaps nutalli Hirst 1915. Dorso do exem¬
plar da fig. 7.
Quanto ao Laclaps nutalli Hirst 1915 (siu.: L. ( Hacmolaclaps ) nutalli
Hirst 1915; Laclaps hawaiensis Ewing 1924) foi encontrado só uma vez, sôbre
um entre dois exemplares do rato cosmopolita Rattus rattus alexandrinus, em
Pesqueira, no Estado de Pernambuco. Refências ao encontro de L. nutalli
fóra des seus habituais hospedeiros, fazem menção dos seguintes animais:
Mastomys coucha e Arvicanthis dorsalis na África; Rattus culmorum e Para-
meles nasuta (marsupial) na Austrália; Mus musculus molossinus no Japão;
Raltus norvegicus caraco, segundo o cita Lange.
cm
SciELO
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12-2
NOTAS DE ACAROLOGIA
Laelpas latcvenlralis Fonseca 1936
Foi esta a primeira espécie do gênero assinalada no nordeste brasileiro,
quando a descrevemos de um “Punaré”, portanto, provavelmente um Cercomys
cunicularius (talvez da snbspécie inermis) capturado em Joazeiro, Paraíba.
Brasil.
É espécie muito característica, das maiores do gênero, bastante larga, de
escudo dorsal com faixas e áreas escuras na região anterior, de placa gênito-
ventral dilatada e de bordo posterior pràticamente reto. tendendo para a
forma triangular, com cerdas rígidas e longas no idiossoma. A formação
membranosa mandibular, muito típica, somente tem paralelo no aspecto idên¬
tico, aliás mais reduzido, encontrado em Tur turki sp n.
Foi evidenciado no decurso do presente inquérito ser o Cercomys cunicula¬
rius inermis o hospedeiro preferido pela espécie, pois foi encontrada em 95,4%,
Sendo o mesmo rato o hospedeiro preferido do Lepronyssoides percirai
torna-se muito frequente a associação dos dois Acares, predominando quase
sempre o Laclaps latcvenlralis, sendo este o causador das mais intensas infes¬
tações entre todos os roedores aqui estudados.
O número de fêmeas encontrado é sempre muito mais elevado do (pie o
de ninfas e o destas maior do (pie o de machos, estes só raramente vistos.
A espécie foi também achada sobre Hctochilus sciureus, Oryzomys subfla-
vus, Oxymycterus angularis, Rattus rattus alexandrinus, Zygodontomys pixuna
e uma só vez entre 36 Rhipid-omys maxtacalis parasitados por Acari. Seu
encontro cinco vêzes sôbre Monodclphys domestica não é de admirar por se tratar
de carnívoro, sendo mais inesperada a verificação em dois Mocós, Kcrodon
rupesfris, entre oito exemplares desse Cavídeo que tinham Ácaros, nele se
encontrando em uma das vêzes associado ao Lepronyssoides pereirai.
Tal como o Lepronyssoides, Laelaps latcvenlralis estava sistematicamente
ausente em Oryzomys cliurus e em Proechymis spp., o que. dada a frequência
tanto dos roedores quanto dos Ácaros, revela manifesta incompatibilidade de
espécies.
Além do lote tipo e dos representados no presente inquérito do Serviço
Nacional de Peste, foi a espécie capturada uma vez em Taunay, Mato Grosso,
sobre Cercomys cunicularius forsteri , o que vem comprovar ainda uma vez a
sua adaptação aos Cercomys, possuindo a n< ssa eoleção lotes de S. Francisco
(Bahia) e Russas (Ceará) capturados sôbre “Punaré”, portanto um Cer¬
comys sp., de Barra do Corda (Maranhão) em Cercomys cunicularius e de
Barro Alto (Goiás) sôbre rato de espécie desconhecida.
Aproveito a oportunidade para apresentar os desenhos dos dois sexos e
para descrever o macho, ainda não conhecido. Chamo também a atenção para
a particularidade da quetotaxia do escudo dorsal da fêmea cujo par de cerdas
cm
SciELO
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Mem. Inst. BuUntan. FLAVIO DA FOXSECA 103
28 : 99 186 . 1957 / 8 .
Fig. 9 — I.arlap» latrrenlralis Fonseca
1936. Sôl>re Cercomys cunicuta-
rius forstrri de Mato Grosso.
Fig. 11
Fig. 10
— I.arlaps latev&nt ralis Fonseca
1936. Fêmea do mesmo lote que
a da fig. 9.
— I.arlaps latrrrnt ralis
Fonseca 1936. Gna-
tossoma da fêmea do
mesmo lote da fig. 9.
Fio. 12
— Larlaps latrirnl ralis Fonseca 1936.
^ do mesmo lote de Mato Grosso.
cm
224 XOTAS DE ACAROLOGIA
que recebe a denominação de D4 na nomenclatura proposta por Zachvatkin,
correspondendo ao que o autor chamaria de 5.° par
submediano e ao iõ de Hirschmann, tem posição
mais externa do que a habitual, apresentando afas¬
tamento da linha média pràtieamenoe igual ao das
eerdas D3 (z2), que, de regra, nesta e em famílias
próximas, é mais externa do que Dl e D2 (i3 e i4).
É, portanto,, a anomalia inversa da observada com
o Laelaps pitymydis Lange, no qual as eerdas D7
(14) são muito mais aproximadas do que e normal.
DESCRIÇÃO DO MACHO
Os machos são muito mais raros do que as fêmeas, apresentando com estas
muitas características comuns.
IDIOSSOMA
O comprimento no alótipo é de 1148 micra e a largura ao nível do 4.° par
é de 728 micra, tendo o polo anterior afilado e o posterior alargado.
PATAS
A placa holoventral é reticulada em tôda a extensão, medindo de compri¬
mento total 800 micra. A sua frente se vê um retículo correspondente a uma
presternal de fraca quitinisação. Tritosterno bifurcado desde próximo à base,
com ramos pilosos, de pelos curtos. O orifício genital é marginal pouco mais
largo do que longo, o par de eerdas esternais anteriores é marginal e mede
cm
SciELO
Fio. 13 — Laelaps late-
ventralisFon soca 1936.
Gnatossoma do j de
Mato Grosso.
Fio. 14 — Laelaps laterentralis Fonseca, 1936.
Face dorsal do macho da fig. 12
Mem. Inst. Butantan.
23: 99186 . 1957/d.
FLAVIO DA FONSECA
125
135 micra; o par mediano tem 154 micra e o posterior está fraturado no alótipo,
tornando-se as cerdas mais externas à medida que são posteriores. O par
metaesternal tem 168 micra. Além do par genital a zona genito-ventral apre¬
senta mais três pares de cerdas, tanto mais longas quanto mais externas e
posteriores. A região genito-ventro-anal tem conformação característica,
subtriangular, portanto com bordo externo quase reto, formando ângulos
laterais ligeiramente retrógrados. Cerdas pares da anal ao nível do bordo
posterior do anus, curtas e robustas com 56 micra e cerdas impar robusta com
112 micra.
Restante superfície ventral descoberta com meia dúzia de cerdas longas
quase tôdas marginais.
Face dorsal. — Escudo dorsal com 990 micra de comprimento por 720
micra de maior largura, apresentando o mesmo desenho escuro, na frente, que
a fêmea, apenas mais atenuado, o qual torna a espécie muito típica. A queto-
taxia é semelhante à da fêmea, sendo as cerdas mais posteriores um pouco
mencres, medindo o par submediano marginal posterior 165 micra. Os dois
pares anteriores de verticais são curtos, sendo o segundo par menor do que o
anterior, não estando representado no desenho por faltar nesse exemplar.
Patas. — São robustas, principalmente as duas anteriores. Das coxas só
a coxa III apresenta espinho posterior, havendo nessa situação, na coxa I uma
cerda forte e longa e na coxa II uma cerda espiniforme. A cerda da coxa
IY é curta e piliforme. As cerdas das patas dos três pares anteriores são
muito curtas, espiniformes, havendo alguns espinhos marginais posteriores nos
fêmures e genual e duas cerdas longas no telofemur I. Pulvillum e garftis
normais em tôdas os tarsos.
Gnatossoma. — Cerdas das maxilicoxas curtas e subiguais. Mandíbulas com
um portaespermatoforo longo e encurvado, sem dedos diferenciados.
Descrição de um alótipo, X.° 3872, capturado sôbre Ccrcomys cunicularis
inermis em Caruaru, Pernambuco, ao lado de outros exemplares que receberam
o N.° 3313.
Desenhos do macho e da fêmea dos exemplares N.° 4836, capturados
em Taunay, Mato Grosso, sôbre Cercomys cunicularis forsteri.
O macho cujo desenho é apresentado na minha Monografia dos Gigantolae-
laps, publicada em 1939, como pertencente à espécie Gigantolaclaps butanta-
nensis Fonseca, é na realidade um macho de Laclaps lateventrolis, como se
deduz da comparação da descrição e da figura que apresento, o que só agora
poude ser corrigido, tratando-se de desenho de material do lote tipo, que era
o único existente na época em que foi feita aquela publicação. Aliás a discor¬
dância entre a descrição do macho de Gigantolaclaps butanlancnsis e a figura
entãr atribuída a essa espécie, ambos naquela Monografia, são tão completas
que a troca de desenhos havida será percebida por quem quer as compare.
SciELO
121
XOTAS DE ACAROLOGIA
Tur turki sp. n.
Já 6e encontrava composto o presente trabalho quando recebemos a pu¬
blicarão de Furman e Tipton colocando no gênero Tur Baker et Wkaston 1952
a espécie Laclaps aragonensis Fonseca 1939, para a qual propuséramos i» litc-
ris, o novo nome aragaoi, mais de acordo com as Regras Internacionais de No¬
menclatura Zoológica.
Fio. 15 — Tur turki sp. n. Ilolótipo ç .
Baseiam-se Furman e Tipton no aviso que lhes havíamos dado de que uma
nova espécie que pretendiam descrever, fazendo-a genotipo de um novo gênero,
e de <pie nos mandaram um exemplar para que opinássemos, era muito seme¬
lhante à espécie equatoriana de Turk, o Frotonyssus uniscutatus, com o que
êsses autores concordaram, optando pelo gênero Tur por estar Protonyssus preo¬
cupado. Dando a êste gênero uma diagnose mais ampla e tendo podido con¬
seguir de Gilmore a informação de que o hospedeiro tido de aragaoi era um
Proechimys, incluiram esta espécie no gênero Tur.
Também a presente espécie, das mais raras do nordeste, é encontrada
sôbre Proechimys e apresenta as características do gênero Tur. a cuja diagnose
desejo acrescentar a identidade da fórmula quetotática do escudo dorsal com
a do gênero Laclaps. segundo observou Zaehvatkin para os Laclaps da
( . R.S.S., o que podemos confirmar e ampliar para os da fauna mundial.
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Mem. In5t. Butantan,
28: 99-186. 1957/8.
FLAVIO DA FONSECA
127
Faço a correção à última hora, motivo pelo qual sai aqui a espécie de
Tur eutre os Laelaps.
sÇ
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êk&sl.
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Fio. 16 — Tur turki *p. n. Holótipo ç.
DESCRIÇÃO DA FÊMEA
Espécie pequena, com aspecto típico do gênero.
Idiossoma elítico muito regular, com hombrcs pouco pronunciados e polo
anterior poneo acuminad . medindo 714 micra de comprimento por 4ÍK) micra
de maior largura, com quitinisação média e eerdas robustas.
Face ventral. — Placa esternal muito característica devido a ter o bordo
posterior acentuadamente côncavo, o que determina seja o seu comprimento
muit reduzido, medindo 165 micra por 173 micra de menor largura. O bordo
anterior é levemente saliente entre as eerdas anteriores e os bordos laterais
são pouco côncavos; as placas metaesternais ficam fundidas com os ângulos
posteriores da esternal. Cerdas esternais grossas na metade proximal e muito
afiladas nas pontas, flexíveis; o par anterior mede 83 micra, havendo entre
as duas cerdas um intervalo de 58 micra; o par médio tem 30 micra e o
posterior 34 micra de comprimento. A superfície da placa é percorrida por
linhas de direção principalmente transversal, não havendo preesternal nítida,
embora no seu logar se observem linhas transversais indicadoras de certa
quitinisação. A placa genito-ventral é característica, apresentando a mesma
conformação das dos Laelaps echidninus Herlese. L. bcrlcsci Fonseca e Tur ara -
rjaoi (Fonseca), isto é. prolongada, alargada e de bordo posterior côncavo, acom-
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17 lí
128
NOTAS DE ACAROLOGIA
panhando o bordo antericr da anal, da qual fica separada por intervalo dimi¬
nuto. A superfície da placa, que é fracamente quitinisada, apresenta 10 linhas
transversais. Mede a placa 216 micra de comprimento contados da implanta¬
ção das cerdas genitais até o meio do bordo posterior, por uma maior largura
de 252 pouco à frente do par posterior de cerdas. O par genital, que fica
na zona estreitada, consta de cerdas robustas e de ponta fina. com 85 micra
de comprimento, separadas por intervalo de 47 micra. As cerdas seguintes têm
respectivamente 83 e 97 micra, tendo tôdas a mesma conformação das do par
genital e a pcnta flexível, sendo a sua implantação profunda. Placa anal com
136 micra de comprimento por 123 micra le largura, de bordo anterior convexo,
separado da genital por intervalo de cêrca de 3 micra apenas; anus a 22 micra
da margem anterior; cerdas pares fortes, de ponta romba, com 40 micra e
cerda impar mais forte, com 90 micra e ponta também romba. Placas inguinais
mais longas do que largas. Superfície descoberta com cêrca de 7 cerdas. Os
peritremas não atingem o bordo anterior da coxa II.
Face dorsal. — Escudo dorsal de quitinisação média, com 630 micra de
comprimento por 410 de maior largura, deixando só estreita faixa lateral
descoberta. Cerdas esparsas, robustas, havendo três pares verticais de tamanho
progressivamente crescente, o posterior com 62 micra e dez pares submedianos,
dos quais o penúltimo menor, com 54 micra, o mais posterior maior, com 123
micra e o mais anterior com 40 micra. Tôdas as cerdas são tão profundamente
implantadas no escudo que a depressão é assinalada por um semicírculo antericr.
Onatossoma. — Cerdas posteriores e cerdas médias internas das maxilicoxas
muito largas e longas e cerdas médias externas e cerdas anteriores muito
finas e curtas. Palpos curtos e grossos. Mandíbulas robustas, curtas c m
pulvillum de dez cerdas, das quais a mais longa atinge a metade do dedo móvel,
cerda curta na base do digitus fixus e cerda longa e robusta, de ponta fina no
seu ápice, à frente dela havendo dois minúsculos dentes, dos quais o apical
encurvado. Dedo móvel mais largo do que o fixo de ápice encurvado e fino,
sem dentes. Da base do lado ventral do dedo fixo, parte uma expansão mem-
branosa mais estreita do que esse dedo, a qual. ao ultrapassá-lo, se encurva
para o dorso e para fóra, tomando aspecto falciforme. Essa expansão é iden-
tiea à observada em L. latcventralis Fonseca, o que determina maior afinidade
entre as duas espécies. Labrum muito h ngo e fino. com pilosidade rala muito
curta, parecendo canalieulado até o ápice.
Patas. — Tôdas robustas, sendo as do 2.° par mais fracas e mais longas.
Coxa I com dois espinhos subiguais, o distai pouco menor, ambos implantados
próximo do bordo posterior; trocanter I com pequeno espinho proximal voltado
para traz; basi-e telofemur I com algumas cerdas longas dorsais; todos os
restantes artículos com pelos finos e rígidos. Coxa II com cerda encurvada
anterior e espinho posterirr, de implantação distai, subigual ao posterior da
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
FI.AVIO DA FONSECA
129
Mem. In»«. ButanUn,
28: 99 186. 1957/8.
coxa 1; trocanter I com pequeno espinho pouco menor do que o do trocanter I;
basi-e telofemur II com algumas cerdas mais longas e mais lortes, dorsais,
sendo os peles restantes finos. Coxa III com espinho posterior pouco menor
do que homologos das coxas I e III: sem espinho no trocanter e com pelos finos
nos restantes artículos. Coxa I\ com cerda fraca; eerdas ora fortes ora finas
nos restantes artículos. Garras fracas em tôdas as patas de I a III e ausentes
na pata IV.
Descrição feita do holótipo fêmea montado na lamina N.° 22.10, capturado
sôbre o rato X.° 4062 do Serviço Nacional de Peste, Proechimys iheringi deni-
gratus, no nordeste brasileiro, entre os Estados da Bahia e do Maranhão, não
figurando a localidade entre as indicações existentes. Paratipos X."' 2.111 e
2528, respectivamente de Proechimys albupinus X.° 3482 e de rato indetermi¬
nado X.° 4077, possivelmente do mesmo gênero; X.°* 2223 e 2224 de Oryzomys
subflavus de localidade ignerada, mas também do nordeste brasileiro; a última
captura foi feita sôbre um Rhipidomys maculipes também de localidade
ignorada. Tenho prazer em dedicar a espécie a meu amigo Frank Turk, de
Conmvall.
Laelaps manguinhosi Fonseca 1936.
'
m
T/V.
n
Fio. 17 — Laelaps Manguinhosi
Fonseca 1936. Desenha¬
do dois cótipos ç ç
Esta espécie foi descrita de Pôrto Joffre, à margem do Rio S. Lourenço,
em Mato Grosso, parasitando o rato Holochilus vulpinus Brants, sem ter sido
apresentado desenho da fêmea, única fase conhecida do ciclo.
cm
7 SCÍELO ) 2.1 12 13 14 15 16
130
NOTAS DE ACAROLOGIA
A descrição original é um tanto sumária e apresenta alguns erros, entre
os quais a afirmação sem sentido de que a quitinisação dos bordos laterais
da placa esternal é mais “rara”, quando o correto é mais “fraca”, havendo
ainda a medida errada do gnatossoma que na realidade não poderia ser de
680 micra e sim 224 micra. Falta, além disso, frisar a existência de um caracter
muito típico da espécie que permite desde logo distingui-la das quatro outras
mais próximas que ocorrem no Brasil. L. cxceplionalis Fonseca, L differens
Fonseca, L. castroi sp. n. e L. paulistanensis F nseea, o qual consiste no tama-
FlO. 18 — Laclaps manpuinhosi Fonseca
1936. Desenhados de um dos
cótipos ç ç
nho muito pequeno do par de cerdas mais posteriores das maxilicoxas, que é
diminuto de cêrca de 14 micra, apenas pouco maior do que o das médias
externas.
Em chave, as quatro espécies poderão ser distinguidas do seguinte modo:
Cerdas anais subiguais - L. cxceptionalis (figs. 19 e 20).
— Cerda impar da anal maior — b
b) Cerdas posteriores das maxilicoxas muito curtas, pouco maiores do que as
médias externas — L. manguinhosi.
— Tais cerdas muito maiores, pouco menores do que a médias internas — c
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
M«m. In^t. Butantan,
2*: 99-186. 1957/8.
FLAVIO DA FONSECA
Tio. 19 — Laelaps exceplionalis Fonseca 1936. Holótipo 9
Fia. 20 — Laelaps rxceptionaUt Fonseca 1936. Holótipo 9
cm
132
XOTAS DK ACAROI/OGIA
c) Cenlas verticais anteriores muito curtas e grossas, com cêrca de 18 micra
— L. differens.
— Tais cerdas não muito curtas — d
d) Espécie pequena, espinho proximal da coxa I largo, curto e agudo —
L. castroi sp. n.
— Espécie grande, espinho proximal da coxa I mais alongado e rombo —
L. paulistanensis.
Aproveitando a oportunidade, documentaremos graficamente uo presente
trabalho, para melhor comparação, estas quatro espécies. Xo desenho de Laelaps
diffcrens, feito do exemplar N.° 4890 da nossa coleção, há uma cerda relati¬
vamente fina posterior na coxa II. e não uma cerda espiniforme forte como se
ve no holótipo. Aproveitamos a ocasião para referir que o hospedeiro tipo
de L. diffcrens, citado no trabalho original como rato 270, é o Onjzomijs eliurus
Wagner e o rato X.° 268 é um Itattus rattus.
No presente inquérito o Laelaps manyuinhosi foi encontrado por duas
vêzes, parasitando em ambas o Oryzomys subflavus, em uma vez em Riacho
Sêeo, Garanhus, Pernambuco e outra em localidade ignorada do Nordeste.
Laelaps paulistanensis Fonseca 1936.
Fio. 21 — Laelaps paulistanensis 1 onseca 1936.
Eenedito, Ceará.
Rato não identificado de S-
cm
SciELO
Mm. ln*t. Butantan.
2*: 99-1*6. 1957/8.
FLAVIO DA FONSECA
133
Quando apresentamos a descrição original desta espécie ainda não estava
determinado cientificamente seu hospedeiro tipo, o rato silvestre X.° 270, depois
identificado como Oryzomys eliurus Wagner, tendo <>s eótipos recebido <> X.° 20
em nossa coleção.
A espécie ocorre com freqüência no nordeste, tendo sido capturada nos
Estados da Bahia, Pernambuco, Ceará. Rkipidomys ceara nus foi o rato en¬
contrado infestado com maior constância, seguindo-se o Rhipidomys mastacalis,
vindo a seguir Oryzomys eliurus, Oryzomys subflavus , Cercotnys cunicularis
inermis, Hesperomys sp.. Proechymys albispinus, Rattus rattus frugivorus,
Thotnasomys pyrrorhinus e Zygodontomys pixuna. Até Galca spixii e Mono-
FlO. 22 — Laelaps paulistanensú Fonseca 1936 ç . Mesmo exemplar da fig. 40
dclphys domestica se mostraram suceptíveis de parasitismo. As últimas espécies
de ratos citados, entretanto, tal como Galca e Monodelphys pareciam estar para¬
sitadas casualmente, tão raro foi o encontro de L. paulistanensis nesses animais.
Além do material tipo figuravam já em nossa coleção lotes desse Acaro
coletados sôbre OUgoryzomys tener e “Rato do Taquaral”, de Butantan,
S. Paulo; sôbre rato desconhecido de Tietê, S. Paulo e de Barro Alto, Minas
Gerias; sôbre Oryzomys sp. de Juiz de Fóra, Minas Gerais e sôbre Oraomys
griscoflavus de Buen Retiro, Bolívia.
Machos só raramente são vistos sendo aproveitada a oportunidade para
descrever os representantes dêste sexo, ainda desconhecidos.
cm
7 SCÍELO) 2.1 12 13 14 15 16
134
XOTAS DE ACAROLOGIA
Fig. 23 — Laelaps pa ulistanensi.i Fonseea 1936.
g Alótipo. Rato silvestre não iden-
fieado de S. Benedito, Ceará.
Fig. 24 — Laelaps paulistanensis Fonseca.
1936. <5 alótipo.
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Mem. Inst. Butantan,
28: 99 186. 1957/8.
FI.AVIO DA FOKSECA
135
DESCRIÇÃO DO MACHO
Nada apresenta o macho que o caracterize como pertencente indiscutivel¬
mente à espécie paulislanemis, à qual é filiado por diferir dos machos de
espécies da região em (pie este sexo é conhecido e por ter sido encontrado entre
fêmeas de paulistanensis.
Elítieo. medindo 658 micra de comprimento por 448 micra de maior
largura, com pilosidade média.
Face ventral. — Placa holoventral integra, com 518 micra de compri¬
mento, com preesternal nítida. Tritoesterno pouco piloso, dividido a alguma
distância da base. Cerdas esternais de comprimento crescente medindo as ante¬
riores 7o, as medias 86 e as posteriores 93 micra. As cerdas anais pares ficam
ao nível do polo posterior do anus e têm 43 micra, medindo a posterior o
dobro. A superfície ventral da placa, que é muito expandida, apresenta mais
seis cerdas cujo comprimento oscila entre 75 e 90 micra, além do par genital.
Face dorsal. — O escudo di rsal mede cêrca de 630 micra e tem pilosidade
média, apresentando as cerdas verticais anteriores um pouco maiores do que
as médias. O par marginal posterior parece estar quebrado no alótipo, medindo
o pequeno par submediano posterior 43 micra.
Patas. — Robustas, principalmente as do segundo par, sem espinhos nas
coxas, medindo a eerda posterior da coxa I 50 micra, sendo a cerda posterior
da eoxa III a mais curta. Garras normais.
Gnatossoma. — Das cerdas das maxilieoxas as médias internas são as mais
longas, nada havendo na morfologia que chame a atenção apresentando-se
o dedo longo escavado, com 84 micra e o dedo curto reduzido.
Descrição feita de um alótipo macho X.° 2306, capturado sobre rato sil¬
vestre não determinado, em S. Benedito, Ceará.
Laclaps thori Fonseca 1939.
Este Laclaps, originalmente descrito de exemplar sem indicação de hospe¬
deiro ou de proveniência, foi encontrado em duas espécies de ratos do nordeste,
nos quais foi visto apenas cinco vêzes. A falta de espinhes nas eoxas e o
número normal de cerdas do escudo dorsal, as quais não ocorrem em densidade
elevada como nas espécies mazzai e iiacasi, distinguem esta entre os Lac¬
laps do Brasil. Pequenas diferenças de dimensões da placa esternal não
justificam a criação da entra espécie. L. thori foi visto quatro vêzes sôbre
1
,SciEL0
) 11 12 13 14 15 16
I
XOTAS DE ACA KOLOGIA
136
llhipidinnys cearaniis, no Município de São Benedito, Estado do Ceará e uma
vez sôbre Zygodontomys pixitna ua mesma localidade. O macho continua
desconhecido.
Schizolaelaps gen. n.
Já em 1939 referimos, em trabalho em «pie eram descritas seis n vas espé-
cies do gênero Laelaps Kocb. 1836. tôdas neotrópieas, as sucessivas restrições
que foi sofrendo a acepção dêste gênero, que, sem embargo disso, conta ainda
hoje com mais de meia centena de espécies.
Entre os trabalhos posteri res àquele e que ainda mais limitaram a diagnose
dos Laelaps figura uma interessante monografia dos Laelaps da Rússia, na
qual. além da descrição de novas espécies, são também descritos dois novos
subgênercs, hoje elevados à categoria genérica, Oryctolaelaps e Hyperlaelaps.
Zachvatkin. seu autor, não se limitou ao trabalho descritivo dessas entidades
sistemáticas, dando ênfase à importância de certas espécies de Laelaps na
propagação da Tularemia entre roedores silvestres e na conservação de focos
(srnsn Pavlonrslcy) da Pastcu relia tularense. Outro aspecto abordado pelo
autor eslavo foi o da quetotaxia dos Laelaps, propondo nomenclatura para as
eerdas do idiossoma e chamando a atenção para a constância do padrão exibido
pelo escudo dorsal, no qual encontrara sempre o número fixo de 39 pares de
eerdas. dispostas em séries longitudinais com número certo de elementos.
Não teve o trabalho de Zachvatkin. limitado à fauna «la 1'. R. S. K.. escrito
em russo e em caracteres cirílicos, sem resumo em outra língua, a repercussão
que merecia o texto a não ser em sua própria pátria, não se generalizando o
emprego da m menelatura quetotaxica, aliás extensiva aos restantes Laelaptidae
e a várias famílias de Mesostigmata.
Não somente Zachvatkin propôs nomenclatura para as eerdas do idiossoma.
Mais rccentcnieute Ilirschmann (19.>7) adota outro tipo de notação para eerdas
de Mesasligmala, o qual. si apresenta a vantagem de localizar melhor o fânero,
permitindo até conhecer a situação em que fica implantado, si direita ou
esquerda, anterior ou posterior, parece por outro latlo menos suceptível «le
generalizaçã por não corresponderem os símbolos alfabéticos a nomes tão
compreensíveis quanto os adotados por Zachvatkin. por serem estes latinos e
aquêles germânico-,
O gênero Laelaps Kocli. 1836 parecia, pois. ter já adquirido uma certa
«'stabilidade quando Zachvatkin. ao descrever «luas novas espécies da 1'. R. S. S..
uma «las quais idêntica ao Laelaps kochi Oudemans. 1936. êste um novo nome
para um velho Laelaps , o L. pachypas Koeh, 1839, as coloca no novo subgênero
Hyperlaelaps.
SciELO
11 12 13 14
16
Mrm. In!>t. BntanUn.
2K: 89186. 1957/8.
FI.AVIO DA FONSECA
137
O pesquisador russo, que fizera minucioso estudo das poueas espécies então
conhecidas da fauna da F.R.S.S., foi levado a criar a nova entidade siste¬
mática não só porque os machos daquelas espécies apresentam a particularidade
de ter a placa anal separada da genito-ventral, como também porque a que-
totaxia do escudo dorsal diferia da dos Laelaps restantes que estudara. Ao
passo que em Laelaps há ortotriquia no escudo dorsal, isto é, as cerdas se
distribuem segundo um determinado esquema, em Hyperlaelaps Zaehvatkin.
1948, a distribuição das cerdas no escudo dorsal difere, apresentando menor
número de elementos em uma das séries — internueliales (I) — segundo a
nomenclatura proposta pelo autor eslavo.
Seria uma incoerência aceitar para certas espécies as conclusões de
Zaehvatkin sem aplica-las. quando fosse o caso, a outras que também vêm
sendo mantidas no gênero Laelaps. É o que sucede ao Laelaps mazzai Fonseca
1939, espécie neotrópica em que, como em Hyperlaelaps, a placa anal é desta¬
cada da esterm-genito-ventral, nos machos, e na qual a qnetotaxia do escudo
dorsal difere do padrão atribuído por Zaehvatkin para os Laelaps.
Si a independência da placa anal aproxima L. mazzai dos representantes
do gênero Hyperlaelaps, a quetotaxia do escudo dorsal desta espécie, ao con¬
trário, impede sua inclusão neste gênero. I)e fato, ao passo que nos Hyperlar-
laps tais cerdas são espiniformes e muito curtas, excetuadas as da série M
de Zaehvatkin ou R de Hirschmann (Randreihe). isto é, as marginais do escudo,
e que há falta de elementos na série I (intermeeliales de Zaehvatkin) ou zZ
(Zwischenreihe de Hirschmann), em /.. mazzai , ao contrário, as cerdas não
são encurtadas e o seu número excede de muito o de Laelaps, principalmente
no macho, em que as cerdas se contam não por dezenas como nesse gênero,
mas por centenas. Admitido como fixo o esquema quctotaxico do escudo
dorsal cm Laelaps, a espécie mazzai escapará completamente a tal padrão.
Não é possível, portanto, a (piem aceita o gênero Hyperlaelaps. querer
conservar L. mazzai no gênero em que foi descrito ou incluí-lo em Hyper¬
laelaps, não restando outra alternativa além da de criar para a espécie uma
nova entidade sistemática, desmembrando assim mais uma vez o gênero Laelaps.
Para Schizolaclaps gen. n.. propomos a seguinte diagnose. — Laclaptidae:
fêmea com genito-ventral de dilatação média, provida dc quatro pares dc
cerdas, independente da anal e escudo dorsal com neotriquia; macho com placa
anal separada da esterno-genito-ventral e com notável hipertricose no escudo
dorsal. Genotipo: Laelaps mazzai Fonseca 1939.
Em L. mazzai em vez dos 39 pares de cerdas do escudo dorsal que caracte¬
rizam o gênero Laelaps 5cgundo Zaehvatkin. há cêrca de 64 pares na fêmea e
quatro vêzes êsse número no macho, ocorrendo a neotriquia da fêmea não só
cm
7 SCÍELO) 2.1 12 13 14 15 16
];}g NOTAS DE ACAROLOGIA
em séries já existentes, eomo as dorsales (as mais internas) e as intermediales
(a terceira série a contar da mais externa no nível em que fica a placa
c.sternal), como também aparecendo, entre estas últimas as primeiras citadas,
séries longitudinais que não são encontradas em Latlaps ou em Ihjperlaelaps.
Xão há no momento outra espécie que pcssa, com segurança, ser incluída
no novo gênero. A que dêle mais se aproxima é o L. na vas i Fonseca. 1939,
cujo escudo dorsal da fêmea tem cêrca de 85 pares de cerdas de aspecto seme¬
lhante ao das de L. mazzai. Do L. navasi, entretanto, não se conhece o macho
cujo comportamento em relação às placas ventrais será conclusivo para decisão
da posição genérica da espécie.
O trabalho de Zachvatkin apenas fazendo menção a algumas das espécies
que ocorrem na U. R. S. S. e pond de lado a restante fauna mundial, deixava
ainda em suspenso a decisão do que do fato deve ser interpretado como
ortotriquia em representantes do gênero Latlaps, isto é, si o número de 39
pares de cerdas no escudo d rsal é realmente fixo. Em espécies da mesma
fauna representadas graficamente no livro de Bregetova só a da sua fig 205,
pifymidis Lange, apresenta apenas 38 pares faltando na figura uma das
Submarr/inahs, o que talvez não passe de engano do desenhista ou de defeito
tipográfico, pois a competente autora russa inclue aquêle número de cerdas
na diagnose genérica que propõe.
Em espécies da fauna neotrópica, bem como em L. nulalli e em L. echidni-
tiiis, foi agora possível ao autor confirmar o padrão quetotático do escudo
dorsal atribuído aos Laclaps pelo pesquisador eslavo, excetuados as Latlaps
mazzai e navasi, sendo esta uma das razões que o levam a erigir um novo
gênero para a primeira destas espécies, não procedendo do mesmo modo em
relação à segunda por ser desconhecido o macho de navasi.
A propósito do genótipo de Schizolaclaps muzzai (Fonseca 1939), vem
a pelo recordar o que refere Hirschmanu no seu recentíssimo trabalho
“Gangssystematyk der Mesostigmata”, publicado em fins de 1957. Partindo
de um minucioso estudo comparado da quetotaxia, propõe o autor germânico
estabelecer relações de diagna«e específica entre os sexos como entre as várias
fases de desenvolvimento com base no estudo da pilosidade. Xo caso vertente do
Laclaps mazzai não parece que a quetotaxia resolva tal problema. O macho
que atribuimi s em 1939 a esta espécie e que ainda hoje continuamos a acreditar
pertencer a ela. tem quetotaxia do eseudo dorsal muito diversa da exibida
pela fêmea, aproximando-se mesmo bem mais da apresentada pela fêmea de
L. navasi Fonseca, «pie, entretanto, não foi até agora encontrada na área
geográfica de distribuição do L. mazzai, não podendo por isso haver confusão
entre as duas espécies.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Mem. Inst. Butantan.
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FI.AVIO DA FONSECA
189
Schizolaelaps mazzai (Fonseca 1939).
I
I
Espécie ile dimensões relativamente reduzidas, originalmente descrita no
gênero Laclaps da Província de Salta, República Argentina, de onde nos foi
remetida, após captura sôbre rato silvestre não identifiead . pelo notável
patologista argentino Prof. Salvador Mazza. Para surpreza nossa esta espécie
se mostrou com relativa freqüência no nordeste brasileiro, apesar de sua
ausência em S. Paulo, de onde não possuímos material, sem embargo de termos
coletado Ácaros parasitas neste Estado durante vinte e cinco anos.
Foi sobretudo no parasitismo de Hesperomys sp. que esta pequena espécie
sc especializou no Brasil, tendo sido encontrado em 80 dos 99 Hesperomys
achados com Ácaros ou sejam 78.7'í. Além desse hospedeiro também foi visto
sôbre Cercamys cunicularis incrmis, Oryzotnys eliurus. Oryzomys subflavus,
Proechimys ihcringi denigratus , Thomasomys pkrrorhynws e Zygodontomys
pixii na, sempre, porém em percentagem baixa, parecendo se tratar de hospe¬
deiros inadequados. Foi sobretudo nos Hesperomys do Município de Conquista,
Estado da Bahia, onde esse roedor parece ser frequente, que o Schizolaelaps
mazzai predominou, sendo muitas vezes ene n trado com exclusividade.
cm
7 SciEL0) l:L 12 13 14 15 16
Fio. 25 — Schiz<ita'taps maizai Fonseca 1936, £ . Sôbre Procchi .
myx tl< niyrntus «to nordeste Brasileiro.
140
XOTAS DE ACAROWMJIA
O adensamento das cerdas na metade anterior do escudo dorsal da fêmea
e na totalidade do escudo do maeho é uma das suas melhores características,
chamando também a atenção a inexistência de espinhes nas coxas e a divisão
das placas ventrais do macho, cuja placa anal é separada da esterno-metaes-
e A£ )
Fio. 2t> — Srhisolaelai>3 marrai Fonseca 1939. Mesmo exemplar
<|uo na fig. 23.
terno-genito-ventral, tal como em lli/pcrlaclaps kochi (Koch 1839) (sin. Laclaps
kochi Koch 1839) e em Laclaps pachypus Koch 1839.
A espécie foi por nós também identificada de Buen Ketiro, Bolívia, sobre
Oecomys mamorae e Graomys griseoflavus capturados pelo Dr. J. M. de la
Barrera.
Aproveitamos a oportunidade para apresentar uma redescrição do macho,
dele dando também novo desenho.
REDESCRIÇÃO DO MACHO
Um pouco menor do que a fêmea e de opistossoma estreitado, portanto
de conformação ovoide, e muito piloso.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Hem. In-t. Hutantan.
28 : 99 - 186 . 1957 / 8 .
FI.AVIO I»A yONSKCA
141
IDIOSSOMA
Mede 630 rniera de comprimento e 435 micra de maior largura.
Face ventral. — Placas divididas em esterno-genit«>-ventral e anal. Placa
esterno-genito-ventral com 325 micra «le comprimento, com menor largura na
zona esternal de 140 micra e maior largura na zona ventral de 162 micra.
As cerdas estornais medem, respeetivamente, de diante para traz. 76. 110 e 112
micra. O par genital mede 06 micra. Há hipertrichose da placa que se inicia
atrás das cerdas metaesternais. determinando a existência de 26 cerdas suple¬
mentares além das metaesternais e genitais, com distribuição ora simétrica,
ora irregular. A superfície «la placa é tôila reticulada, o que lhe confere
aspecto escamoso. () b rdo posterior dessa placa é muito pouco marcado,
distando 35 micra, na linha mediana, do bordo anterior «la anal. espaço em
«pie existe um par de cerdas relativamente longa-, A placa anal, isolada, mede
80 micra de comprimento por 90 micra de maior largura, apresenta superfície
reticulada e anus a 15 micra «lo bordo anteri r. As cerdas pares medem 40
micra e são robusti s. não ultrapassando <> eribrum. sendo a ímpar ainda maior
e mais forte, estando fraturada no alótipo, único macho disponíwl. A placa
inguinal é pequena e alongada. A área descoberta «la face ventral tem cêrca
de 25 cerdas de tamanh > pr< gressivamente crescente para traz. Tritoesterno
com ramos pouco pilosos. não havendo dentículos visíveis na rima hypopharingis.
Face dorsal. — Escudo «l rsal deixando estreita faixa lateral descoberta,
de quitinisação fraea; é densamente recoberto por cêrca de 500 cerdas curtas
«• rígidas, em geral com 33 a 62 micra, das quais se diferenciam dois pares
longos: o «las verticais posteriores, que são flexíveis e medem cêrca de 90 micra
e o par submedinuo marginal posterior que nu*«le 115 micra. Em lugar das
duas cerdas menorrs. existem, logo à frente «leste, três cerdas de cêrca «le
40 micra, situadas para dentro das duas manchas circulares frequentemente
observada em Ladaptulac.
«iNA TOSSO MA
As cerdas posteriores e as médias internas «las maxilieexas são as mais
longas. Troeanter dos palpos com tuberosidade interna com eertla espiniforme,
Os rorniculi são pouco quitinisado-. As mandíbulas apresentam dedo único
alargado, encnrvailo e eaniliculad . com cêrca «le 80 micra. O labro parece
apresentar em toda sua extensão uma goteira mais larga «lo que na fêmea.
SciELO, ^
15 16
14:2
XOTAS DK ACAROLOGIA
PATAS
A pata II é a mais alargada e a pata IV a mais alongada. Apenas a
eerda posterior da coxa III é espinifonue, sendo tôdas as outras pilifcrmes.
O tarso IV termina também em garras, ao contrário da fêmea.
Red escrivão de um exemplar macho montado na lâmina X.° 2230, ao lado
do liolótipo de Tur turky sp. n., capturado sôbre o rato Proechimis iheringi
dcnigratus do nordeste brasileiro.
Mysolaclaps Fonseca 1036.
O gênero Mysolaclaps foi por mim criado para dois Laclaptidac encontra¬
dos sôbre ratos silvestres de espécie na ocasião ainda não determinada, no
Brasil meridional. Pareceram-me distinguir-se suficientemente dos restantes
membros da família para constituírem gêner autônomo, embora, tal como
os Lado ps, apresentassem quatro pares de cerdas na placa gênito-ventral.
Agora que mais espécies vêm somar-se a M. microspinosus Fonseca 1936
e a .1/. parvispinosus Fonseca 1936, pode-se reconhecer que de fato havia razão
para erigir a nova unidade sistemática.
O gênero Mysolaclaps, embora com fisionomia própria e de reconhecimento
fácil devido ao seu hábilus, não é de definição cômoda, pois a simples cir¬
cunstância de ter sempre a gênito-ventral muito dilatada não é suficiente
para distingui-lo de Laelaps, confusão esta tanto mais fácil quanto há também,
mais frcqüentemente, quatro pares de cerdas gênitc-ventrais.
Caracterizam-no a coloração carregada das áreas quitinizadas, escudo
dorsal, placas esternal e genito- ventral e patas, que nos exemplares conservados
em álcool têm côr de chocolate tendendo para avermelhado e contrastando com
o tegumento descoberto que às vêzes é de um branco quase puro; o contorno
perfeitamente regular do escudo dorsal; a ausência de espinhos nas coxas;
as cerdas mais flexíveis do que em Laelaps; a ausência de quaisquer cerdas
longas para dentro das margens do escudo dorsal; certa tendência para apre¬
sentar cerdas curtas nas placas ventrais e no escudo dorsal; <s ângulos muito
arredondados da placa genito-ventral expandida; o peritrema que ultrapassa
a coxa 11; a placa anal de quitinisação fraca e mais larga do (pie longa e o
segundo par de cerdas verticais menor d (pie o primeiro.
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Mem. In«t. Butantan,
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FLAVIO DA FONSECA
143
Apesar de terem sido examinadas centenas de exemplares nunca foram
vistos machos ou formas jovens de qualquer das espécies dêste gênero, embora
sejam encontrados às vêzes em número de mais de uma dezena sobre o mesmo
hospedeiro, o que contrasta com o observado em espécies do gênero Laclaps,
no qual os machos, embora muito mais raros do que as fêmeas, são quase
sempre encontrados quando a infestação é intensa e quando o número de hos¬
pedeiros examinado é grande. Sem pretender excluir a ocorrência de partoge-
nese, considero mais provável que em Mysolaelaps os jovens e machos se limitem
a viver nos ninhos de ratos, só as fêmeas procurando o hospedeiro. Xunea vi
exemplares dêste gênero repletos de sangue.
ftste pequeno grupo é bem heten gêneo e suas espécies facilmente distin¬
guíveis por caracteres específicos que, às vêzes. em outros grupos de Ácaros
seriam bastante para erigir gêneros.
1 asso agora, quando já são conhecidas trcs espécies, a apresentar a diag¬
nose de Mysolaelaps , aliás baleada exclusivamente nas fêmeas por serem total¬
mente desconhecidos os machos.
Laelaptidae. Espécies grandes, de mais de 1200 micra, com tôdas as áreas
quitinisadas de coloração carregada; escudo dorsal de contorno muito regular
e sem cerdas longas, exceto no grupo de verticais e nos bordos; sem espinhos
nas coxas; tendência a apresentar no idiossoma cerdas curtas e, quando longas,
flexíveis; genito-ventral muito expandida, de bordo posterior reto ou côncavo,
com ângulos arredondados e com três ou quatro pares de cerdas ; peritremas
não ultrapassando a coxa II; placa anal mais larga do que longa e de quitini-
sação mais fraca, com anus a menor distância do bordo do que o seu compri¬
mento; somente a fêmea é encontrada sôbre ratos silvestres. Gcnótipo: Myso¬
laelaps parvispinosus Fonseca 1936.
As espécies brasileiras do gênero, nas quais se baseia a diagnose, deve
provàvemente somar-se o Mysolaelaps rotschihli (Ilirst 1914) (sin. Laclaps
rotschihli Ilirst 1914; Laclaps melomys Womersley 1937), cuja descrição e
figura permitem inclui-lo no gênero Mysolaelaps. O mesmo não passo dizer
de Mysolaelaps stigmatus Fox 1946, cuja figura e descrição originais afastam
a espécie das suas congenéricas. quer pela forma geral do idiosoma, quer pela
forma das placas genito-ventral e anal, quer pelo percurso maior do peritrema
e pela abundante pilosidade do escudo dorsal.
1
,SciEL0
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I
144
XOTAS DK ACAROLOOIA
Em .1/. parvispinosus (figs ‘27 e 28) a placa esternal tem o comprimento
maior do que a menor largura, o (pie não acontece com a.s outras espécies
Em .1/. parvispinosus e em M. microspinosus o hipostomio é prolongado,
bifurcado e eom prolongamentos laterais pilosos; em . 1 /. heteronychus. entre¬
tanto, o hipostomio não se apresenta como nas duas outras espécies. O escudo
dorsal tem afilamento anterior muito nítido em M. parvispinosus e em .1/. hete¬
ronychus e, pouco acentuado em .1/. microspinosus. Zonas areolares do escudo
são dificilmente perceptíveis nas três espécies. Mysolaelaps parvispinosus é
Fig. 27 — Mysolaelaps microspinosus Fonseca 1936.
Cótipo ç .
a única a apresentar o gnatossoma estreito na altura das maxilicoxas e a pata 1
alargada, sendo também a que tem a pata II mais larga e com cerdas espini-
formes mais robustas. Sòmente em .1/. heteronychus o bordo posterior da
geuito-ventral é reto, sendo levemente coucavo nas duas outras espécies neo-
trópicas. Em .1/. rotschihli a genito-ventral se aproxima muito mais da anal,
apresentando por isso o bordo posterior forte concavidade. Ao que parece
esta mesma espécie tem cerdas mais fortes nas coxas do que as espécies sul
americanas. Mysolaelaps parvispinosus é a única espécie em que a placa anal,
embora mais larga do que longa, não é excessivamente mais larga e na qual
o anus não fiea tão perto do bordo.
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FLAVIO DA FONSECA
145
Fio. 28 — M ynoUtrlnps microspiiio*** Fonseca 1936.
Cótipo ç .
O Acaro parasita que mais lembra os representantes deste gênero é talvez
o Oryctolaelaps bibikovac Lange 1955, da U.R.S S., cujo escudo dorsal apenas
apresenta raras cerdas longas próximas dos bordes, mas que difere pelo aspecto
da genito-ventral e da esternal.
Mysoladaps hctcronychus sp. n.
Entre as espécies de Ácaros parasitas característicos da região nordestina
do Brasil figura uma que se enquadra perfeitamente no'gênero .1 íysolaclaps,
diferindo das congenéricas por vários caracteres, entre os quais um de grande
valor, constituído pela hipertrofia da garra ventral dos tarsos II, III e IV
e pela atrofia completa das garras do tarso I. Fica esta sendo também a
maior espécie do gênero. Não deixa de ser curioso o contraste entre a sua
freqüência do nordeste, onde foi achada em 84 roedores, entre 1500 encon¬
trados parasitados por Acari, e a sua completa ausência no Brasil meridional.
Que seus hospedeiros habituais são ratos não padece dúvida, sendo o encontro
cm
7 SCÍELO) 2.1 12 13 14 15 16
146
XOTAS DK ACAROLOGIA
esporádico em Monodelphys domestica explicável por se tratar de marsupial
carnívoro, para o qual podem passar os ectoparasitas de suas vítimas durante
o predatismo. Desta, como das restantes espécies do gênero, não se eouhecem
machos, que ou vivem nos ninhos sem frequentar seus proprietários cu de
todo não existem, hipótese que parece suportada pelo fato de nunca terem
sido vistos machos entre centenas de fêmeas examinadas, desta e das outras
espécies. A grande freqüência do encontro sôbre roedores exclui a hipótese, já
a priori improvável, de tratar-se de ácaro de vida livre habitual.
:*?
/
ÍT
.N-
V
'
Fig. 29 — M ysolaclaps hctcronychus sp. n. Topótipo de
Orymyccrux angularis.
A espécie é indiscutivelmente adaptada aos Rhipidomys, pois foi encon¬
trada em 6 de 6 Iihipidomys maculipcs, em 36 dos 42 Rhipidomys mastacalis
identificados que apresentavam Acari e em 18 entre os 23 Rhipidomys ccara-
nus nas mesmas condições, ao passo que o rato de outro gênero encontrado
mais freqüentemente parasitado, o Oryzomys eliurus, apenas deu proporção
de 6% em 168 exemplares, parecendo a espécie ser oligoxena, pelo que se
deduz do quadro geral aqui apresentado (Tabela I).
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Kl.AVIO DA FOXSKCA
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>in. 30 — ifyxoltuUijia hetrronychua sp. n. Mesmo exem¬
plar da fig. 46.
Fio. 31 — Mytolaelapt hrteronychy» s p. n. Mesmo lote tpie nas figs. 46 e 47.
14S
SOTAS DE ACAKOLOGIA
DESCRIÇÃO DA FÊMEA
Grandes e bem quitinisadas, de colorido castanho avermelhado e de con¬
torno elítieo, não havendo cutro espinho além do dorsal anterior da coxa II. < >
colorido carregado impede o exame por transparência da face oposta à obser¬
vada, nos preparados já clareados.
IDIOSSOMA
Comprimento do idiossoina 1540 a 1720 micra e maior largura, atraz da
coxa IV. de 1130 micra, um pouco mais estreito à frente, onde < polo anterior
é levemente proeminente.
Face ventral. — Tritoesterno piloso desde a bifurcação. Placa esternal
mais larga do que longa, com 266 micra de comprimento, na linha média,
por 336 micra de menor largura, ao nível do segundo par de cerdas e 504
micra de menor largura nos prolongamentos entre as coxas II e III; a super¬
fície é de coloraçãi intensa, exceto nas margens. Bordo anterior quase reto,
não tccando a base do tritosterno; bordo posterior levemente concavo; bordos
laterais fcrtemente eoncavos nos dois terços anteriores. Cerdas da placa de
dimensões minúsculas, tal como em Mysolaelapes mieroxpinosus Fonseca 11)36.
medindo as anteriores 21), as médias 40 e as posteriores 50 micra : as anteriores
ficam implantadas quase na margem, à frente dos poros, separadas por inter¬
valo de 180 micra. Os poros são ligeiramente oblíquos para fóra e para traz.
Xão se vê vestígio de preesternal e as metaesternais são de quitinisação fraca e
têm cerda também minúscula. A placa gênito-ventral tem a conformação
habitual no gênero, isto é, de grande expansão e margem posterior pràticamente
reta, bem separada da placa anal. As cerdas genitais ficam implantadas
bem para dentro dos bordos e são, como as restantes cerdas ventrais dessa
placa, do mesmo tipo minúsculo que as esternais e metaesternais. medindo cêrca
de 22 micra. Xisto também difere a espécie do M. micropinosus cujas cerdas
posteriores da gcnito-ventral são maiores do que as anteriores. Muito convexa
des lados a placa é de bordo posterior quase reto. O comprimento da gênito-
ventral. desde a implantação da cerda genital até o meio do bordo posterior
é de 420 micra e a sua maior largura é de 670 micra. O intervalo entre as
cerdas do par posterior é de 300 micra. Curiosamente, as cerdas do par
posterior ficam implantadas já fora da superfície da placa, emb ra a uma
distância mínima desta. A placa anal. ao contrário das restantes placas
ventrais. é muito fracamente quitinizada, pouco corada e de contornos difíceis
de perceber e apresenta cerdas de comprimento normal. A forma da placa
é também sni yencrix, exageradamente expandida lateralmente e encurtada
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FI.AVIO DA FONSECA
140
a frente, de modo que o debrum anal quase toca a margem auterior da placa.
A placa é muito mais larga do que longa, medindo 150 micra de comprimento
por 250 micra de largura. As cerdas pares, com 110 micra, ficam implantadas
a pequena distância do rebordo anal e pouco para frente do polo posterior
do anus. A cerda impar é mais longa tendo 170 micra e um pouco mais forte
do que as pares. Placas inguinais quase circulares, nítidas, mas sem a colora¬
ção intensa da genito-ventral. A base de tôdas as cerdas das placas vem ter
um canal (?) visível por transparência, mais longo quando correspondente às
cerdas genitais. O peritrema é ventral em tôda extensão e atinge a coxa II.
prolongando-se à frente as perilremalalia.
Face dorsal. — O escudo dorsal, com cêrca de 810 micra, é fortemente
corado, de aparência lisa quando examinado à lupa entomológica, antes do
clareamento, cobrindo quase todo o idiossoma, apenas deixando descoberta
estreita faixa, de bordos muito regulares a partir da coxa II para traz, apre¬
sentando-se ligeiramente acuminado e com vestígios de hombros na região do
propodoss ma. A quetotaxia do escudo é característica, mantendo a tendência
de hipotrofia capilar habitual nas representas desse gênero. Pràtieaniente só
têm comprimento normal as cerdas verticais anteriores, com 85 micra, e as
submedianas marginais posteriores com 154 micra, essa* mesmas ainda assim
pequenas para as dimensões da espécie; até as cerdas verticais posteriores
são curtas, ao contrário do observado nas restantes espécies do gênero. As
cerdas marginais do escude são um pouco maiores, orçando por volta de 60
micra, mas as cerdas internas são realmente minúsculas, às vêzes só pereepítí-
veis com aumentos fortes do microscópio composto, tendo o par submediano
posterior cêrca de 18 micra. O escudo apresenta uma série de poros, ora de
fermar circular, com pertuito nem sempre central, ora em forma de fenda;
na base das cerdas não tem as formações com aspecto de canal observadas nas
placas ventrais.
PATAS
São robustas sem alargamento exagerado. As cerdas das coxas são pili-
formes, de tamanho médio, a posterior da coxa II mais longa e a da coxa IV
minúscula. O reb rdo anterior e posterior das coxas é denticulado e a coxa II
apresenta forte espinho dorsal e anterior. A característica principal das
patas consiste no comportamento das garras, totalmente ausentes no tarso I.
que entretanto continua a sustentar um pulvillum, o qual, como nos restantes
tarsos, nà é expandido. Os tarsos II a IV apresentam, ao lado de uma garra
dorsal de tamanho normal e curvatura regular, uma garra ventral grandemente
hipertrofiada e dobrada em ângulo reto, constituindo o melhor caráter distin-
cm
7 SCÍEL0) 2.1 12 13 14 15 16
150
XOTAS DE ACAKOI.OGIA
tivo da espécie, por êle logo reconhecível entre quaisquer outros Laclaptidac.
Xesses tars s os pulvilli são também mais desenvolvidos e formam uma espécie
de capa que protege a base da garra até a curvatura, havendo ainda prolon¬
gamento ou empódio de ápice franjado que atinge a região distai da garra.
Ao passo que os tarsos de II a IV apresentam poucos pelos, o tarso I. ao
contrário apresenta área distai dorsal com mais de 20 pelos de vários
tipos, demonstrando a transformação d órgão ambulatório em órgão de
sensibilidade.
GXATOSSOMA
fc relativamente curto. As maxilicoxas têm as cerdas habituais, sendo as
posteriores as mais curtas e as médias internas as mais longas. A rima hypo-
phagyngis tem uma fileira de 10 dentículos. dos quais só os mais auteriores
são duplos, ('orniculi bem desenv lvidos mas não muito quitinisados. Mandí¬
bulas fortes, com pulvillum na base. cada um dos digili com dois dentes, sem
contar a ponta e o digitus fisus com pilas dentilis curto e de ponta fina.
Hipostômio com prolongamenti s membranosos com pelos curtos. Labrum muito
conspícuo c com pelos curtos. Palpos com cerdas progressivamente mais fracas
para os artículos distais e a carda bífida característica dos Laelaps.
Descrição de cinco cótipos fêmeas em três lâminas, X.° 2569, capturado
sôbre o rato Rhipidomys maslaca'is, em Quandus. Município de Caruarii, Estado
de Pernambuco, a 6. II. 1953.
Uma larva, dissecada de fêmea pertencente a outro lote, apresentava onze
pares de cerdas dorsais longas, tanto mais longas quanto mais externas e pos-
. terinres, especialmente a M 11 de Zachvatkin. Xunea foram capturados
machos ou formas jovens sôbre os hospedeiros ou seus ninhos. Além do
hospedeiro tipo, sôbre o qual se encontra com regularidade, a espécie foi ainda
capturada sôbre Rhipidomys maculipes, Rhipidomys cearanus, Crrcomys cuui-
r a lar is inermis, Ilolochilus sciureus, Oryzomys r!i urus, O. subflavus e Oxy-
niicterus angularia, entre os roedores, c Monodrlphys domestica entre os mar¬
supiais. o que atribuímos a parasitismo acidental dêste predador. Rato xuau
e Rato fidalgo foram outros roedores ainda não identificados sôbre os quais
foi vista a espécie.
Apesar das numerosas capturas realizadas na Bahia, onde é freqüente o
M ysolaclnps parvispinosus, não obtivemos material de Mysolaelaps heterony-
chus desse Estado, provindo todos os 1 tes de Pernambuco e Ceará, o que
provavelmente estará relacionado com a distribuição geográfica dos Rhipi¬
domys. Desta nova espécie recebemos alguns lotes da Bolívia, remetidos pelo
Dr. .1. M. de la Barrera, encontrados parasitando Graomys griseoflavus e
Orymygctcrus doris de Água Hedionda e Graomys griseoflavus de Novillos e de
Flori pondio.
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Meni. In«t. BuUntan.
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FLAVIO DA FONSECA
i.')i
Os desenhos foram obtidos do material t pótipo X.° 2252 de Osymictnus
aiigularis de Caruarú.
O Mysolaclaps microspinosus Fonseca. 1936 não foi encontrado no nordeste
brasileiro. Desta espécie, além da referência original em rato, aliás conhecido
vulgarmente pelo nome de “Rato do taquaral”, temos lote encontrado sobre
Oryzomys eliurus, sem indicação da localidade e cinco outros capturados sôbre
Oryzomys mattogrossae em Ouro Prêt . Minas Clorais, estes objeto dc refe¬
rência em trabalho publicado neste volume em colaboração com o Prof. Ge-
rardo Trindade.
Mysolaclaps parvispinosus Fonseca 1936
Xo trabalho original de 1936 pr< puzemos esta espécie para genótipo de
Mysolaclaps Fonseca 1936. Muito representativa do pequeno grupamento das
três espécies brasileiras, é também a menos anômala, pois não apresenta a
Fio. 32 — Mysolaclaps parrispinosus Fonseca 1936. Cétipo ç .
considerável redução de tamanho de cerdas esternais de M. microspinosus, nem
a anomalia das garras de .1/. hetcronychus sp. n.
Deve esta ser a espécie mais disseminada do gênero, tendo sido encontrada
no nordeste com grande freqüência e sôbre número elevado de hospedeiros.
cm
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152
XOTAS DE ACAROLOGIA
O hospedeiro tipo, o rato X.° 266 capturado em Butantan, S. Paulo, bem como
os topótipos de N.°* 269 e 270, foram, posteriormente à publicação da descrição,
identificados ao Oryzomys eliurus Wagner, tendo a lâmina com dois cótipos
tomado o N.° 13 em nossa coleção de Ãearos.
É interessante frisar que no nordeste foi o mesmo Oryzomys eliurus o
rato mais freqüentemente encontrado parasitado por esta espécie, pois de 168
exemplares identificados que apresentavam parasitismo por Acari foi o My so¬
lada ps parvispinosus colhido em 92, dando percentagem de 54.8%, ao passo
Fio. 33 — llyssoalelaps parrinosus Fonseca 1936. Cótipo 9
que o hospedeiro seguinte mais freqüentemente parasitado, 0 Hcsperomys sp.,
deu proporção de 16.3% em 98 ratos, não levadas em consideração, evidente¬
mente as espécies de roedores das quais o número examinado não era significa¬
tivo. O mesmo Oryzomys eliurus figura em nessa coleção como hospedeiro em
Terezopolis, Rio de Janeiro, havendo referência também a Oryzomys sp. de
Juiz de Fora, Minas Gerais. Oecomys mamorac foi encontrado parasitado em
Bueu Retiro, Bolívia, de onde recebemos material para identificar colhido
pelo Dr. J. M. de la Barrera.
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FLAYIO PA FONSECA
153
Xesta espécie chama a atenção o comprimento relativamente grande da
plaea esternal. que mede 294 micra de comprimento por 266 micra de menor
largura num dos cótipos. ao passo que em Mysolaelaps microspinosus Fonseca
1936 estas medidas no holótipo são repectivamente de 252 micra e 266 micra e
cm Mysclaclapcs hcteronychus sp. n., são de 266 micra e 336 micra num dos
cótipos.
Gigantolaelaps Fonseca 1939
Inclue este gênero as maiores espécies de Ácaros parasitos não Ixodidcs
caracterizando-o, além das dimensões maiores, a genital quase sem dilatação
posterior e, conseqüentemente, com um único par de cerdas, e a longa cerda
pcsterior da coxa II, quase sempre de comprimento exagerado.
Até 1936 eram conhecidas apenas quatro espécies deses gigantescos
Laclaptidae, em sua maioria ainda mantida^ no gênero Laelaps: Laclaps
irolffsohni Oudemans 1910, Laclaps maximus Berlese 1903, Laclaps verstecgi
Oudemans 1904 e Macrolaclaps peruvianus Ewing 1933. Xaqueia data descrevi
no gênero Macrolaclaps Ewing. 1929. as espécies Macrolaclaps bulantanensis,
Macrolaclaps mattogrosscnsis e Macrolaclaps brachypinosus, todas de S. Paulo
»• Mat Grosso. Logo a seguir, tendo encontrado mais quatro novas espécies
com as mesmas características gerais, reconheci tratar-se de um grupo natural,
predominantemente neotrópico, e erigi o gênero Gigantolaelaps Fonseca 1939,
nêle incluindo a espécie L. versteegi, mencionando L. xcolffsohni como outra
provável participante do gênero.
Em 1949 Morlan refere o encontro freqüente de um Gigantolaelaps em
ratos do Texas e da Geórgia, tendo descrito em 1951 o G. cricctidannn Morlan
1951, o primeiro e até agera único representante neartico do grupo.
Xo presente estudo de Ácaros de pequenos mamíferos do nordeste brasi¬
leiro foram encontradas mais duas espécies novas, o que eleva a quatorze o
número de espécies conhecidas, tôdas do continente americano.
A predominância de uma das espécies na fauna do nordeste foi extraordi¬
nária, sendo enorme o número de animais parasitados por Gigantolaelaps vitz-
thumi, só ou associado. A disseminação desta espécie foi tal que mesmo ani¬
mais que não seria de esperar fossem susceptíveis de um tal parasitlsmo foram
encontrados infestados, como Sus scrofa e I)>dclphys paraguaycnsis, chegando
a sugerir engano de rotulagem.
cm
7 SCÍELO) 2.1 12 13 14 15 16
154 XOTAS DE ACAROLOGIA
Além de Gigantolaclaps vitzthumi (figs. 34 e 35, alótipo S .foi também
encontrado o G. butantancnsis, descrito originalmente de S. Paulo, sendo, entre¬
tanto essa verificação feita em número muito menor de hospedeiros, tal como
aconteceu às espécies Gigantolaclaps gilnwrei, Gigantolaclaps goyancnsis e
Gigantolaclaps oudcmansi, somente observados em poucos casos, e às novas
espécies Gigantolaclaps cancstrinii. vista doze vezes, c Gigantolaclaps strandt-
manni encontrada seis vêzes.
Fio. 34 — Gigantolaclaps vitzthumi Fonseca 1939. Alótipo £ .
Foi impressionante o número de lotes de espécies deste gênero obtidos.
Em 1500 roedores parasitados e identificados, com um total de 2661 lotes de
-lcflri nada menos de 797 vêzes pertenciam estes ao gênero Gigantolaelaps,
predominando esmagadoramente a espécie tipo. G. vitzthumi Fonseca, encon¬
trada em 647 entre 1500 roedores. Certos gêneros de ratos entretanto, parecem
não oferecer condições próprias ao parasitismo dos Gigantolaclaps. K o que
se verifica em Akodon, Ccrcotmjs, Proechymys, Hattus e Rhipidomys.
cm
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Man. Inst. Butintan.
28 : 99 186 . 1957 / 8 .
FLAVIO DA FOXSKCA
155
Fio. 35 — Giganlolaelap* ritrthumi Fonseca 1939. Alótipo £ .
Giyantolaelaps butantanensis (Fouseea 1936).
Esta espécie, originalmente publicada como Macrolaclaps butantanensis
Fonseca 1936, foi redescrita em 1939, ocasião em que ficou conhecido o macho,
do qual, por imperdoável descuido, foi apresentada figura que de todo a êle
não pertence e que está em flagrante discordância com a descrição, tratando-se
de macho de Laclaps latevcntralis Fonseca 1936, só agora descrito no presente
trabalho.
Xo inquérito atual foi a espécie vista sôbre dez ratos de espécies diversas,
mostrando marcada predileção pelo hospedeiro tipo, o Oryzomys cliurus, sôbre
o qual foi vista 71 vêzes em 168 ratos desta espécie parasitados por Ácaros,
ao passo que no hospedeiro congenérieo Oryzomys subflavus , muito mais
abundante, representado por 574 espécimes parasitados, apenas 25 vêzes foi
capturado o G. butantanensis. Chama a atenção o fato de não ter a espécie
sido encontrada em um só dos 349 Cercomys cunicularis inennis portadores
de acarianos e só raramente aparecer nos representantes do gênero Rhipidomys.
cm
7 SciELO) l:L 12 13 14 15 16
156
XOTAS DE ACAROLOGIA
A reintrância angulosa da extremidade posterior do escudo dorsal da-
fêmeas é ainda o caráter distintivo que mais chama a atenção ao ser feita a
diagnose.
Além do hospedeiro tipo, no qual foi também encontrado em Terezopolis,
Rio de Janeiro, e dos mencionados em nossa Tabela I há referência à espécie
sôbre Zygodontomys lasiurus de Butantan, São Paulo, figurando em nossa
coleção lotes de Barra do Rio São Domingos, Goiás, e do Distrito Federal,
sôbre ratos desconhecidos.
Gigantolaelaps strandtmanni sp. n.
Entre os Gigantolaelaps mais representativos do gêner figura esta espécie,
do grupo das que têm espinhos posteriores nas coxas I e III, de coxa I com 2
espinhos, de escudo dorsal de extremidade levemente côncava, cerdas dorsais
do telofemur I longas e cerda anal impar pouco mais longa do que as pares,
fi próxima de Gigantolaelaps goyanensis, da qual a distinguem o escudo dorsal
de extremidade arredondada e o telofemur com cerdas dorsais curtas na espécie
de Goiás, sendo também apresentada com o Gigantolaelaps mattogrossensis,
cuja cerda impar da placa anal, entretanto, é muito mais longa do que as pares,
tendo quase o dobro do comprimento destas, o que não sucede à nova espécie.
De morfologia mais coincidente parece ser a única espécie neoartica, o
Gigantolaelaps crícetidarum Morlan, cujo idiessoma, porém, mede apenas 1600
micra, em contraste com os 1900 micra da nova espécie, parecendo que nesta
a projeção anterior da placa esternal é mais pronunciada e que a cerda posterior
da coxac II é mais longa, pois mede 420 micra ao passo que em cricctidarum-
oscila entre 278 e 340 micra.
Originalmente obtida do norte, Estado do Pará, foi agora encontrada no
nordeste, sendo aproveitada a oprtunidade para descrever a espécie.
FÊMEA
Espécie de quitinisação forte e tamanho médio para o gênero, com um
comprimento de 2035 micra até o ápice dos palpes.
IDIOSSOMA
Idiossoma com eêrea de 1870 micra por 1330 micra de maior lagura, muito
afilado na frente.
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Metn. Butantan.
28 : 99 186 . 1957 / 8 .
FLAVTO DA FONSECA
157
Face ventral. — Placa esterual de quitinisação forte, ainda mais acentuada
nos bordos laterais, com prcjeção curta na altura do intervalo das coxas I e
II e ângulo arredondado no ponto de encontro dos bordos laterais e posterior,
medindo 364 micra de comprimento na linha média, dos quais 100 micra
correspondem à projeção anterior, e com largura mínima de 360 micra e máxima
de 392 micra. As cerdas esternais anteriores, muito longas, com 335 micra,
ultrapassam ligeiramente o bordo posterior da placa e estão implantadas junto
n bordo, ao nível da parte média da projeção da placa. Cerdas médias com
350 micra, situadas para dentro do bordo e cerdas posteriores com 365 micra,
junto do ângulo arredondado postero-interno. Poros horizontais, no limite
entre a placa e a sua projeção anterior, no prolongamento de uma linha que
parte das cerdas anteriores. Tritoesterno com a base inteiramente encoberta
pela projeção da placa, dividido desde próximo â base, com hastes pilosas
cujo ápice atinge o nível do par de cerdas médias das maxilicoxas. Placas
metaesternais pouco diferenciadas atingindo a esterual, com cerdas de 336
micra. Placa genital um tanto expandida, com largura de 224 micra ao nível
do par de cerdas e largura máxima de 280 micra, com um par de cerdas que
medem 266 micra e não atingem o bordo posterior da placa, mais fracas e
menores do que as esternais e as metaesternais. Placa anal triangular de
ângulos anteriores arredondados, com cêrea de 210 micra de comprimento por
210 micra de maior largura, com cerdas pares da anal com cêrea de 168 micra
e impar de 224 micra.diferença, portanto, muito menor do que é habitual no
gênero Gigantolaclapx. As cerdas pares estão implantadas cm nível um pouco
posterior ao meio do anus e equidistantes deste e dos bordos. Placas meta-
podais irregulares e relativamente largas. Superfície descoberta ventral pilosa,
com cerdas rígidas, a maior das quais, posterior, mede 322 micra. Estigmas
ao nível do bordo p sterior da coxa III, sem prolongamento posterior das
peritremalalia.
Face dorsal. — Escudo dorsal oval estreitado, fortemente quitinisado,
principalmente na região do rebordo, sem zonas areoladas, não recobrindo tôda
a largura e não atingindo a extremidade posterior do opistossoma, de bordos
regulares, com hombros pouco pronunciados, de extremidade anterior muito
afilada e escura e com polo posterior ligeiramente concavo entre as cerdas
posteriores, as quais medem 210 micra. O escudo mede 1680 micra de com¬
primento por 1050 de maior largura. O par de cerdas vertical anterior tem
cêrea de 140 micra e as do terceiro par 2S0 micra, não sendo possível medir
as do segundo par devido à posição erecta, tendo o primeiro par submediano
238 micra e o pequeno par posterior 84 micra, sendo de 140 micra o tamanho
da mencr cerda do escudo depois desta.
2 3 4
5 6 7
^ j_i j—i w .
11 12 13 14 15 16
158
XOTAS I>K acarolooia
PATAS
Muito robustas, principalmente as dos dois pares anteriores. Coxa I com
dois espinhos, o posterior com 84 micra e o anterior com 70 micra; coxa II
com espinho anterior de 84 micra e longa cerda flexível posterior com 448
micra; coxa III com espinhos anterior e posterior subiguais, com 75 micra;
coxa IV com cerda espiniforme de 78 micra. Pata I com eerdas longas no
fernur, medindo a maior do basifemur 518 micra, tendo o tarso I só pelos
finos. Pata II alargada, com alguns espinhos forte* no tarso, o mais robusto,
subapieal externo, com 72 micra por 18 micra de maior largura.
GXAT0S80MA
Maxilieoxas com as eerdas habituais que medem: as posteriores 75 micra,
sendo as mais robustas; as médias internas 144 micra e as externas 75 micra;
anteriores com 97 micra. Rima hypopharyngis com 11 séries, geralmente com 2
e raramente com 3 dentícnlos cada uma. Mandíbulas com o aspecto habitual
do gênero.
Descrição de 2 cótipos X.° 3037, capturados pelo Dr. II. Laemmert sôbre
um "Rato dYigua". talvez Xectomys squamipes amazônicas . na Fazenda São
Francisco, Município de Vigia. Estado do Pará. material êsse doado ao autor
pelo saudoso Prof. Henrique Aragão. Esta espécie foi capturada seis vêzes
no nordeste, duas sôbre Holochilus sciureus de Caruaru e uma sôbre Oryzomys
eliurus de Garanhuns, ambos Municípios do Estado de Pernambuco; das outras
três capturas não há indicação do hospedeiro, provindo as três dc viçosa, Ceará.
Gigantolaclaps canestrinii sp. n.
Espécie de tamanho pequeno para o gênero, medindo 1870 micra de com¬
primento total até o ápice dos palpes e lembrando de perto pelos seus caracteres
quetotaxicos o Gigantolaclaps butantanensis (Fonseca 1936), o Gigantolaclaps
gil morei Fonseca 1939 e o Gigantolaclaps wolffsohni Oudemans 1910. É de
quitinisação média, apresentando eerdas de desenvolvimento normal para o
gênero. Das coxas apenas as do terceiro par apresentam espinho posterior,
assim mesmo de desenvolvimento médio. As patas II, III, IV apresentam a
partir do genual eerdas espiniformes fortíssimas ou mesmo verdadeiros espi-
nhrs, com robustez máxima no tarso da pata TI.
Idiossoma com 1400 e 1650 micra de comprimento por 1150 micra de maior
largura ao nível do 4.° par de coxas.
cm
SciELO
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Metn. In*t. Butantan.
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KLAVIO I»A KONSKCA
159
Face ventraL — Placa esternal com projeção mediana que não atinge
a base do tristostemo e mais quitinizada nos bordos. Cerdas anteriores implan¬
tadas ao nível dos limites laterais da projeção mediana e um pouco afastada
do seu bordo anterior, com 265 micra. Cerdas medianas com 300 micra, mais
ou menos equidistantes das anteri res e das posteriores, afastadas do bordo
externo e cerdas posteriores com 310 micra, próximas dos ângulos posteriores
Fio. 30 — Gigantolarlap* ramr*trinii sp. n. Cótipo ç .
e afastadas dos bordos. A placa esternal mede 295 micra de comprimento na
linha mediana, incluindo a projeção anterior, e 320 micra de largura ao
nível do par de cerdas mediano, onde é mais estreita. O ponto de implanta¬
ção das cerdas apresenta elevação tubercnlar, não sendo a superfície da placa
cm
7 SCÍEL0) 2.1 12 13 14 15 16 17
160
XOTAS DE ACAROLOGIA
esculpida. Placas metaesternais alongadas, fundidas na frente com a esternal
e com cerdas de 249 micra. Placa genital levemente expandida, com cerdas
genitais que ultrapassam sua extremidade posterior e medem 235 micra. Placa
anal fracamente quitinizada, de ângulos esculpidos e eribrum nítido, com anus
grande e cerdas pares flexíveis, de 115 micra, implantadas para traz do nível
do meio do orifício anal; cerda impar mais robusta, flexível, com 250 micra.
Kio. 37 — Giffaulolnrlnpx canmlrin ii s[>. n. C6tipo Ç
Placas inguinais eliticas. Superfície ventral descoberta com cerca de 100
cerdas de comprimento médio e ligeiramente flexíveis, medindo 130 e 162 micra.
Patas. — Coxa I com duas cerdas, a proximal mais forte e pouco mais
longa, com 112 micra, e meni s flexível do que a distai. Coxa II com cerda
anterior curta, rígida e pouco encurvada e cerda posterior do tipo longo e
flexível com mais de ISO micra. Coxa 111 com cerda espiniforme anterior, mais
SciELO
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Vem. Inst. Butantan.
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FLAVIO DA FONSECA
1G1
forte do que a da eoxa II e espinho posterior mais curto do que a eerda pre-
citada e não muito robusto. Coxa IV com eerda espiniforme robusta e relati-
vamente curta. Basifemur I com duas eerdas mais fortes, das quais uma muito
longa e flexível, cem cêrca de 300 micra e telofemur da mesma pata com várias
eerdas fortes e uma também longa e flexível, com cêrca de 280 micra. Tarso 1
com pelos finos. Tarso II com os mais robustos espinhes encontrados na
fêmea, principalmente um subapieal, mas não os mais longos, (pie são as dos
tarsos III e IV. (pie podem atingir até 140 micra.
U gnatossoma é destituído de particularidades que earacterisem a espécie,
sendo longas as eerdas das maxilieoxas, das quais as médias internas, com
cêrca de 126 micra, são as maiores e as médias externas, de 64 micra, as
menores.
A espécie pode ser distinguida de G. wolffsohni pela base do tritoesterno
descoberta e pela falta de alargamento tio femur I. devend . entretanto, ser
muito próxima da espécie de Oudemans. De G. butantanensis diferencia-se
pela forma da extremidade posterior tio escudo dorsal tpie em (!. cancstrinii
não tem o entalhe típico do G. butantanensis. De G. gilmorei Fonseca e G. vers-
tccgi Oudemans 1004 distingue-se pela eerda posterii r da eoxa II. que nestas
duas espécies, por ser bem mais curta, constitue exceção no gênero Gigantolac-
laps. Do um modo geral se distingue tias congêneres por não ser espinhosa e
por ser entre as que apenas apresentam espinho na eoxa III. a única com as
dimensões apontadas e de eerda posterior da coxa II longa, cujo escudo dorsal
não tem entalhe posterior, nem espinhos fortes nos tarsos.
Quatro eótipos fêmeas X.° 4601, capturados sôbre “Rato de Arvore” em
localidade não especificada do Brasil, a 30.1.1944, provavelmente pelo
Dr. II. Laemmert que os entregou ao Prof. Henrique Aragão, o qual fêz
doação do material ao autor em 1950. O lote traz o número original
M - 17.174.
A espécie foi encontrada no nordeste parasitando Oryinmys eliurus,
Oryzomys svbflaws e Proechimys albispinus, sendo mais freqiiente no primeiro,
em Garanhuns e Caruaru, Pernambuco, tendo sido também vista em “Rato de
Gravata” em Jequié, Bahia.
Gigantularlaps gilmorei Fonseca 1939.
Também esta espécie se achava representada, tendo sido obtidos sete lotes.
É a maior do gênero, e o maior Ácaro parasita não Ixódida. caracterizando-a
a ausência de eerdas muito longas no femnr da pata I. o não alargamento das
patas I e TI, a projeção anterior menos desenvolvida da esternal e a eerda
posterior da coxa II relativamente eurta e p ueo flexível, este último caracter
dimensional apenas compartilhado pelas espécies G. ondemansi e G. versteegi
1G2
NOTAS I>E ACAKOLOGIA
Além da referência original sôbre rato desconhecido e sôbre Echimys sp.
de Anápolis, Goiás, constam da nossa coleção um lote capturado sôbre Oryzo¬
mys sp. de localidade ignorada e outro de "rato do inato” de Brusque, Santa
Catarina. Brasil.
Os hospedeiros do nordeste são referidos no quadro geral.
f 1 iyantolaelaps goyaiiensis Fonseca 1939.
Esta espécie foi capturada uma vez sôbre hospedeiro não identificado de
Viçosa, Ceará e outra vez de Caruaru, Pernambuco. Em nosso fichário está
assinalada a presença na coleção de material da Bolívia, onde foi capturado
por J. M. de la Barrera em Buen Retiro, sôbre Graomys griseoflavus. Dos
lotes restantes consta referência no trabalho original.
Giyantolatlaps oudemansi Fonseca 1939.
Embora perfeitamente reconhecível como pertencente ao gêner . é esta a
espécie mais aberrante, devido à hipertricose da esternal, ao escudo dorsal
estreitado, à eerda relativamente curta no bordo posterior da coxa II e ao
número baixo das fileiras horizontais de dentículos na rima hypopharyngis,
que são apenas 6, com 2 a 4 elementos, quando em cinco outras espécies exa¬
minadas são 10 a 12 fileiras, fazendo exceção o G. gilmorei. que apenas
tem sete.
G. oudemansi é espécie rara no nordeste do Brasil, só tendo sido vista
em hospedeiro identificado uma vez. em um Oryzomys sub flavas de localidade
ignorada, e em hospedeiro não identificado quatro vêzes, em S. Benedito, no
Ceará e em Quebrangulo, Alagoas.
Além das referências encontradas na descrição original, figuram ainda
em nassa coleção lotes capturados sôbre Oryzomys Icucogaster de Juquiá.
São Paulo. Oryzomys sp. de Vigia e de Belém. Estado do Pará e sôbre Ilcspe-
romys muriculus de Buen Retiro, Bolívia. Morlan (1951) refere o encontro
de Giganlolaclaps oudemansi sôbre Oryzomys ralticeps em Genipapo, Anápolis.
Goiás, onde os exemplares apresentam quatro cerdas suplementares esternais,
em vez de duas ou três como é referido na descrição original.
Eubrachylaelaps Ewing 1929.
Erigido para a espécie Laclaps hollisteri Ewing 1925. da Califórnia, este
gênero continuou monotipico até que foi descrita a espécie E. rotundas Fon¬
seca 193(> e só recentemente, em 1947. 1950 e 1951. graças às pesquisas de
dantesou. mostn u como é dilatada a sua distribuição geográfica, que da Amé¬
rica do Xorte alcança o Brasil.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
t Ki.
■>S — kubrarhylatlaim rotvwhix Foi
8eoa 1936. Topótipo ç n.® 3õ
parasita de ZygotUmtomua Ui-
Fia. 39
r. ubrachylatlnpa rotunilu* Fon¬
seca 1936. Tópotipo ç n.° 3.3,
parasita d«* Z;/ r ilontoiin/s la-
*11 TI'*.
xi uru. i
7 SciELO) l:L 12 13 14 15 16 17
Mtm. In T. Butontan. F LA VIO DA FOX SECA iro
2*: 9<J 1*6. 1957/8. ÍOO
Suas espécies figuram entre os menores Ladaptidae ectoparasitas, earac-
terizando-as, ao lado das pequenas dimensões, a largura quase igual ao com¬
primento, a rigidez das cerdas, todas espiniformes. e a placa genital quase
sem expansão ventral. do «pie resulta apresentar só o par de cerdas genital.
É grande a homogenidade de aspecto, sendo a distinção das seis espécies
existentes baseada em minúcias da morfologia. O hematofagismo foi observado
em condições naturais em E. circularia (Ewing) por Allred (1957).
Sem serem espécies estenoxenas, parecem, entretanto, ter grande afinidade
para determinado hospedeiro. Pelo menos é o < bsrvado em relação a E. ro■
lundus com os ratos Zyyotontomys pixuna e Akodon arviculc.idts, dos quais é
parasita muito freqüente no nordeste do IJrasil. embora tenha sido capturado
também sôbre outras espécies.
Eubruchylaelaps rotundus Fonseca 1936.
Aproveitamos a oportunidade para descrever o macho e redescrever a
fêmea, esta baseada em material do litoral de S. Paulo, e apresentar desenhos
do material do sul e do nordeste brasileiro, pois o encontrado na fig. 2 R de
-Famrs n (1951) não reproduz fielmente o escudo dorsal.
164
XOTAS DE ACAROLOGIA
REDESCRIÇÃO DA FÊMEA
Com as características genéricas, isto é, pequena, de contorno quase
circular, bem quitinisada, com patas curtas e fortes.
Idiossoma com cêrca de 630 micra de comprimento por 475 micra de maior
largura, logo atraz do quarto par de patas.
baee ventral. — Placa esternal bem quitinisada, avançando à frente até
recobrir a base do tritosterno e mesmo do gnatossoma, com cêrca de 115 micra
de comprimento na linha média por cêrca de 155 micra de menor largura
Fio. 40 — Eubrachylatlap» rotumlu* Fonseca 1936.
Alótipo £ n.° 37, parasitando rato não
identificado da localidade tipo.
logo atrás do par anterior de cerdas, com bordo anterior levemente convexo e
bordo posterior nitidamente concavo, recobrindo ts bordos laterais e base das
coxas II e III. O par de cerdas anterior é menor e mais fino do que os dois
outros, medindo cêrca de 40 micra. Os deis outros são subiguais. c m cêrca
lie 60 micra, o posterior implantado bem a frente do ângulo postero-externo.
A superfície da placa é densamente pontilhada, exceto próximo dos bordos.
Placa genital um pouco menos expandida atraz do que o mostra o desenho e
com cerdas genitais de 43 micra, rígidas e afiladas. A distância da bes? da
SciELO
11 12 13 14 15
Menu In*t. Butantan.
28 : 99 186 . 1957 / 8 .
FLAVIO DA FONSECA
16 .')
eerda genital ao meio do bordo posterior da placa é de cêrea de 125 micra,
sendo 144 micra a maior largura. Placa anal menos quitinisada do que as
placas esternal e genital, com 90 micra de comprimento, mais ou menos tão
Lnga quanto larga. As eerdas pares, bem mais eurtas e mais finas do que
a impar, medem eêrca de 36 micra e ficam implantadas próximo do debrum
anal. entre o polo posterior e o nível do meio do anus. A cerda impar, muito
forte, mede 58 micra. Plaquetas inguinais elítieas, nítidas e plaquetas para-
genitais alongadas. Xa zona ventral descoberta há onze eerdas de cada lado,
além das marginais. O par que fica entre as placas anal e genital chega a
deprimir o bordo posterior desta placa. As três eerdas mais externas desta
região são mais curtas e menos afiladas do que as do material tipo, que as tem
com ponta fina.
Face dorsal. — O escudo dorsal, que não atinge o bordo posterior do
epistossoma e que deixa margem lateral descoberta para traz do nível do 4.° par
de peitas, mede cêrea de 560 micra. A conformação é fortemente acuminada
na frente, mostra hombros muito acentuados, tem bordos laterais convergentes
para traz a partir do nível das coxas I\ ate o ponto de emergência do longo
SciELO
) 11 12 13 14
XOTAS I>K ACAROLOCIA
166
Pic. 42 — Eubracliyladap.x rotundu* Fonseca 1936. Parasita de
rato não identificado de Bert ioga, Santos.
Fio. 43 — Eubnicbyladap .< rotundu.i Fonseca 1936. Parasita «le rato
nao identificado de Beriioga, Santos.
SciELO
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Mrm. In*t. Butantan.
2 *: 99 186 . 1957 / 8 .
FLAYIO I>A FONSECA
167
par ile eerdas posteriores, sendo o bordo reto entre essas duas. Os limites do
escudo são um tanto indistintos na frente. As eerdas verticais têm o aspecto
apresentado na figura, sendo o par médio mais curto e ereeto e o posterior
mais longo, com cêrca de 42 micra, e dirigido para traz. O primeiro par
submediano, com cêrca de 11 micra, é ainda mais curto do que as restantes
eerdas da superfície interna do escudo, as quais medem no máximo 15 micra.
Somente as eerdas marginais são mais longas, medindo as do par mais posterior
cêrca de 90 micra e as do par seguinte cêrca de 29 micra, não alcançando mais
de 23 micra as do 3.° par. Sôbre os hombros, portanto na altura da coxa I, liá
duas eerdas aproximadas, das quais a mais externa e anterior é curta e a outra
é relativamente longa. O material tipo difere do agora descrito por apresentar
o material original as eerdas do primeiro par submediano, as duas eerdas d( s
hombros e as marginais posteriores tôdas mais longas do que o que agora
descrevemos, sendo tal diferença principalmente sensível em relação às oito
eerdas marginais do escudo dorsal que se seguem ao par posterior.
Patas. — Tôdas entroncadas, somente os artículos finais da pata IV sendo
um tanto mais finos; a própria pata I é robusta como as outras. Não há
verdadeiros espinhos nas coxas e sim eerdas rígidas, finas e longas sendo a
posterior da coxa III a mais robusta e a única cerda da coxa IV a menor,
chegando a ser dificilmente perceptível. Da cerda anterior da coxa II não se
chega a perceber a implantação, tão superposta lhe fica a coxa I. Tôdas as
cerda e pelos das patas são rígidos, tendo o ba-ifemur I uma cerda mais longa
dorsal. O tarso I é encurtado e exibe um grupa de pelos dorsais, subterminais
dos quais um sempre muito encurvado. As garras dos tarsos são ineonspíeuas.
principalmente as do tarso I.
Gnatossoma. — O exame in situ é difícil, não tendo sido tentada a disecação.
A extremidade proximal da base é c berta pelo bordo da placa esternal. As
eerdas posteriores das maxilicoxas são de tamanho diminuto, sendo as média-
internas as maiores. As mandíbulas são de í.aclaptiilac e o pilus dentilis é de
ponta afilada e não dilatado.
DESCKIÇAO DO MACHO
O macho desta espécie, muito raro. ainda não havia sido descrito, o que
agora fazemos, aproveitando material topótipo.
O macho é robusto mas de quitinisação fraca e mede 490 micra de com¬
primento por 422 micra de maior largura ao nível do 3.° par de patas.
Face ventral. — Embora a placa holoventral seja íntegra, há diferença
de aspecto da placa anal, cujo retículo é diferente. Das eerdas esternais a
anteriore- são um pouco menores, ficando implantadas no bordo da placa, dos
cm
7 SCÍELO) 2.1 12 13 14 15 16
16S
XOTAS DE ACAROLOGIA
laclcs do órgão masculino, que é largo e faz saliência na margem anterior.
Parece haver uma pre-esternal menos quitinizada. A região genito-ventral é
bem alargada, atingindo o nível do bordo externo das coxas, estreitando-se em
seguida para alcançar a largura da anal. tendo oito pares de cerdas iguais.
A cerda impar da anal é pouco maior do que as pares, estas implantadas quase
ao nível do meio do anus. A região ventral descoberta tem poucas cerdas,
sendo maior o par mais posterior. O tritoesterno não foi visto com nitidez.
Estigmas ao nível do intervalo das coxas III e IV; peritremas curtos apenas
atingindo a coxa II e peritrematalia longa, atingindo o bordo anterior da
coxa I.
Face dorsal : — Escudo dorsal elítico, cobrindo todo o idiossoma, de mar¬
gens indistintas paralelas no centro. O par de cerdas mais longo é o mar-
largura, de margens paralelas no centro. O parde cerdas mais longo é o mar¬
ginal posterior, vindo em seguida o vertical posterior, atrás do qual ha oito
pares de cerdas submedianas.
PATAS
Sem espinhos nas coxas, sendo a cerda posterior da coxa III, a mais
robusta, espiniforme e curta. As patas são rcbustas, principalmente a pata II.
só no femur I sendo notadas cerdas dorsais um pouco menores. Tôdas as
patas com pulvilli e garras.
G.VATOSSOMA
A rima hypopharinyis tem cêrca de cinco séries de dois dentículos. Das
cerdas das maxilicoxas as médias internas são as maiores. Labro lcngo, lan-
ceolado, de bordos pilosos. Mandíbulas com um só dedo canaliculado.
A descrição e o desenho de um macho, alótipo, N.° 37 da nossa c leção,
pertencente ao lote tipo, de rato não identificado de Butantan, São Paulo.
Redescrição baseada em fêmea de um lote de dez exemplares montados em
laminas com o X.° 4846. coletados sôbre um pequeno rato silvestre não identi¬
ficado, X.° 6061 do registro de hospedeiros da Seção de Parasitologia do Ins¬
tituto Butantan, capturado a 9.VI. 1955 no Sítio São Lourenço, Praia de
Itaguaré, Bertioga, litoral de São Paulo.
Em 1500 pequenos roedores parasitados por Ácaros no nordeste do Brasil
esta espécie foi encontrada 141 vêzes. Akodon arviculoides, Ccrcomys cunicula-
ris incrmis, Oryzomys clirius, Oryzomys subflavus, Zyyodontomys pis una foram
os roedores encontrados infestados com maior frequência, tendo a espécie sido
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Mem. Ir.»t. Balantan.
28 : 99 - 186 . 1957 / 8 .
FLAVIO I*A FO.VSECA
1G9
capturada, eicepcionalmente, uma vez em cada um, sôbre Uesptromys sp., IIolo-
chilus sciureus, Oxymycterus angular is, Ilaltus ratlus frugivorus, Rhipidomys
ceara nus e também sôbr? o didelffídeo Monodelphgs domestica, no qual os há¬
bitos de carnívoro explicam a razão pela qual é frequente o encontro de
espécies parasitas de roedores, fato que observamos com sete espécies de Lac¬
ta pt ida e entre 11 espécies de Ácaros diferentes (pie c parasitavam.
Foi impressionante a preferência de Eubrachylaclaps rotundus pelos ratos
Zygodontomys pixxina, sôbre o qual foi capturado em 96 entre 140 exempla¬
res identificados dêste roedor que se achavam parasitadcs por Ácaros e
Akodon arviculoides sôbre o qual foi encontrado 19 vezes em 20 exemplares
identificados e com parasitismo por Ácaros.
Pela redescrição da espécie percebe-se que é grande a variação das me¬
didas nos exemplares, oscilação esta ainda mais acentuada em relação ao com¬
primento das cerdas, o que fica bem demonstrado nos dois desenhos que
apresentamos da fêmea. Comparando séries foi possível verificar que entre
os exemplares de cerdas mais longas, principalmente do escudo dorsal, e os de
cerdas curtas há tôda sorte de transições, o qne pode conduzir a engano de
identificação, sugerindo tratar-se de espécie nova quando na realidade não pas¬
sam tais diferenças de variações intra-específicas. Tais variações morfológicas
foram já assinalados por Furman (1955) e por Allred (1957) na espécie
norte-americana Eubrachylaclaps circularis (Ewing 1933).
Esta é atualmente a única espécie do gênero a assinalar no Brasil. Ori¬
ginalmente descrita de rato silvestre indeterminado, foi obtida de Zygodonto-
mys lasiurus e de Rattus norvcgicus, também da localidade tipo. que é Butan-
tan, São Paulo, havendo registro do seu encontro em Barra do Rio Sã Do¬
mingos e Anápolis, Goiás e Barro Alto, Minas Gerais. Últimamente identificá¬
mo-la sôbre Akodon mollis de Xovillos, Bolívia, onde foi capturada pelo Dr. .1.
M. de la Barrera.
Atricholaelaps Ewing 1929.
Os Laclaptidae dêste grupo, cujo pitus dentilis, tal como os Hacmolaelaps
Berlese 1910, tem aspécto típico, isto é, consta da um pêlo não dilatado,
não tinham ainda sido vistos no Brasil, onde são muito mais raros do que os
de pilus dentilis dilatado na base, êstes por mim incluídos em Ischnolaelaps.
As divergências observadas na interpretação de Ilacmolaclaps, Atricholaelaps
e Ischnolaelaps, levaram-me a fazer uma revisão crítica dêsses grupamentos,
concluindo pela manutenção do primeido como gênero monotípico e do segundo
desdobrado em dois subgêneros. Atricholaelaps e Ischnolaelaps tendo-a publi¬
cado neste volume.
cm
7 SCÍELO) 2.1 12 13 14 15 16
170
XOTAS DE ACAROLOG1A
Atricholaelaps ' Atricholaelaps) willmanni sp. n.
0
Difere cia espéeie seguinte por apresentar os pêlos d escudo dorsal longos
e por ter as cordas pares da anal também longas, quasi do comprimento da
impar.
DESCRIÇÃO DA FÊMEA
Idiossoma com 870 micra por 630 miera de maior largura, oA'oide, mais
afilado à frente; gnatossoma estreito e alongado; cerdas longas e não muito
rígidas.
Face ventral. — Placa esternal com 135 micra de comprimento na linha
média, por 170 miera de menor largura, com limites anterior e posterior
muito pouco nítidos no holótipo, onde o bordo anterior parece prolongar-se
em preesternal que atinge a base do tritoesterno, sendo o bordo posterior
fortemente concavo na região central. Pori repugnatari anteriores atrás e
para dentro da implantação das eerdas anteriores, inclinados para fora e para
trás, ficando os posteriores, cpie têm inclinação idêntica, porém mais acentuada,
equidistantes das cerdas médias e posteriores. Cerdas anteriores com 80 mi¬
cra separadas por intervalo de 94 micra ; médias e posteriores com 12G micra.
Tritoesterno piloso. Gênito-ventral de bordoR indistintos, pouco dilatada, me¬
dindo 222 micra da base da implantação do par de cerdas genital ao meio do
bordo pcsterior, com eêrca de 110 micra de maior largura. Placa anal com
eêrca de 117 x 170 micra, com anus a 30 micra do bordo anterior. Cerdas
pares pouco atrás do nível do polo posterior do ânus. medindo 105 miera.
um pouco mais finas do que a impar que tem 112 miera. Superfície ventral
descoberta com eêrca de 12 eerdas de cada lad . das quais três flanqueando a
placa, sendo as marginais muito longas, até de 160 miera.
Face dorsal. — Escudo dorsal recobrindo quasi todo o idiossoma, de qui-
tinisação fraca, mais afilado a frente. Com exceção das eerdas verticais mé¬
dias e anteriores, tôdas as restantes cerdas do escudo são muito longas, até
mesmo as do par sub-mediano posterior, que apenas são mais finas. Cerdas
verticais anteriores com 70 miera, médias com 60 micra e posteriores com
180 micra. O par sub-mediano marginal posterior, que é de regra constituído
pelas mais longas cerdas do escudo, foge aqui a esta regra, medindo 169
miera, ao passo que há cerdas do escudo até com 180 miera e o próprio par
sub-mediano posterior atinge 126 micra.
PATAS
Finas, sem espinhos, com eerdas finas e rígidas. Tarso I com 210 miera
e tarso IV com 224 miera. incluindo o pretarso.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
cm
Mem. Inst. Butantan,
2 $ : 99 - 186 . 1957 / 8 .
FI.AVIO DA FONSKCA
Fio. 44 — Atricholntlaps ( Atrieholaehrp *) tcillmanni sp. n. Holótipo ç.
Fio. 45 — Atriekolaelap* ( Atrieholaelap *) trillmanni sp. n. Holótipo $.
17-2
NOTAS DE ACAROLOGIA
GXA TOS SOMA
Estreito e alongado. Das cerclas das maxilicoxas só as médias externas
sã cortas. Medem as posteriores 58 micra, as médias internas 86 micra, as
externas 26 micra e as anteriores 65 micra. Corniculi finos e longos. Man¬
díbulas alongadas e pilus dentüis fino, porém não progressivamente afilado
parecendo o afilamento um tanto brusco na base, com 21 micra.
Descrição do b lótipo fêmea X.° 2410. capturado sôbre o rato Zygodonto-
mi/s pixuna em Triunfo, Estado de Pernambuco, em Maio de 1952. Da mesma
espécie foram capturados exemplares X.° 2199 e 2202 sôbre Monodelphys
dcmeslica e X.° 2205 sôbre Heliurus sp.. todos da lccalidade tipo. e o X.° 2545,
uma ninfa provavelmente da mesma espécie, sôbre Oryzomys subflavut de lo¬
calidade igncrada do nordeste. O encontro sôbre o marsupial carnívoro
Monodelphys domestica provavelmente decorre dos seus hábitos de predador.
A espécie é dedicada a C. L. A. Willmann, de Breinen.
Atricholaelaps ( Atricholaeps ) yuimaraesi sp. n.
Esta espécie se distingue da precedente principalmente pe!a situação e
pelo tamanho das cerdas pares da placa anal, que aqui ficam implantadas quasi
ao nível do meio do anus e são mais curtas, diferenciando-se de Atricholaealps
kecgani sp. n., também pelas cerdas mais curtas do escudo dorsal na espécie
abaixo descrita.
DESCRIÇÃO DA FÊMEA
Idiossoma ovoide, com 858 micra por 665 micra de maior largura, sem
hombros; gnatossoma mais largo do que na espécie precedente.
Face ventral. — Placa esternal com superfície reticulada. Pori repugna-
tori anteriores de direção transversal, sem inclinação, e posteriores fortemente
inclinados para trás e para fora. Bordes anterior e posterior nítidos, ambos
côncavos. Comprimento na linha média 130 micra e maior largura adiante das
cerdas médias 155 micra. Cerdas posteriores eom 83 micra; cerdas médias com
98 micra e cerdas posteriores com 104 micra. Placa gênito-ventral com 78 mi¬
cra da base da cerda genital ao meio do berdo posterior, com cerda genital de
130 micra. Placa anal com eêrea de 130 x 135 micra e com cerdas pares impan-
tadas quasi ao nível do meio do anus, medindo 62 micra; cerda impar com 124
micra. Ha três cerdas flanqueando a placa gênito-ventral, de cada lado e mais
eêrea de 7 cerdas na restante superfície ventral. de cada lado. as posteriores
maiores
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Mem. In«t. Batsntan.
28: 99-186. 1957/8.
FLAYIO DA FONSECA
17:3
Fig. 46 — Atricholaelap * ( Atricholaelap » ) guimaraesi sp. n. 5
Fig. 47 — Atricholaelap» ( Alricholarlaps ) guimaraesi sp. a. ç.
cm
174
NOTAS l>K ACAROLOU IA
Face dorsal. — O escudo dorsal recobre pràticamente todo o idiussoma;
sendo de fraca quitinização e não tem limites muito nítidos. Cerdas verticais
relativamente longas bem como as anteriores e as marginais do esoud . As
cerdas submedianas são relativamente curtas, medindo a posterior 78 micra.
As marginais posteriores não puderam ser medidas, estando ambas fraturadas
no holótipo, tendo todavia mais de 130 micra. As verticais anteriores têm
cerca de 73 micra, as médias cêrca de 73 micra e as posteriores cêrca de 120
micra. As maiores cerdas do esudo medem 130 micra e as menores cêrca de
Ii8 micra, ao passo que na espécie precedente as menores têm 130 micra.
PATAS
A pata II é relativamente larga, como também é um tanto alargado o
fêmur I. Não há verdadeiros espinhos, quer nas coxas, quer nos restantes
artículos, sendo as cerdas rígidas e em geral largas. Tarso mais pretarso 1
com 234 micra e IV com 286 micra.
Descrição de um exemplar holótipo fêmea, aliás o único encontrado. X.°
2209, capturado sôbre um rato, Hesperomys sp., de localidade ignorada do
nordeste do Brasil.
O nome específico é dado em homenagem a Lindolpho Guimarães, do
Departamento de Zoologia da Secretaria da Agricultura do Estado de São
Paulo, abalisada autoridade em Insetos ectoparasitas, ao qual o autor deve a
entrega para estudo do precioso material colhido pelo Serviço Nacional de
Peste.
Atricholaelaps ( Ischnolaelaps ) kcegani sp. n.
Idiossoma elítico, pouco afilado à frente, às vêzes com esboço de hombros
com 840 micra por 510 micra uo cótipo maior e 730 micra por 504 micra
no menor.
Face ventral. — Placa estenial medindo 490 micra de comprimento por
574 micra de menor largura, com bordo anterior qnasi reto. bem distanciado
da base do tritoesterno, e bordo posterior pouco nítido, ligeiramente eôneav .
Cerdas fortes e longas, as anteriores implantadas no bordo, separadas por
intervalo de 72 micra, com 75 micra de comprimento; cerdas médias com 90
micra e posteriores com 97 micra. Cerdas da metaesternal menores, com 65
micra apenas. Gênito-ventral relativamente curta, com 130 micra da bas.>
da cerda genital ao meio do bordo posterior e 130 micra de largura, terminando
muito distante da anal. Cerdas genitais muito longas, qnasi atingindo o bor-
d posterior da placa, com 125 micra. Entre a gênito-ventral e a anal, devido
ao encurtamento da gênito-ventral, há dois pares de cerdas. Placa com 145
cm
SciELO
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175
íSrWwS: m 1 7/1.- F, - AVI ° nv FON ' SE( -'
Fio. 4S — Atricholatlap» (Iachunhirla/ut) krrgani sp.
Cótipo ç .
Fio. 49 — Atricholaelap* (Ixchuolaelapt) keepani sp. u. Cótipo ç
1
.SciELO
) 11 12 13 14 15 16
I
176
XOTAS DE ACAROLOG1A
micra ile comprimento e 126 micra e maior largura, com cerdas pares fortes,
de 83 micra, implantadas pouco à frente do nível do polo posteru r do anus,
tendo a impar 90 micra. Além dos três pares de cerdas que flanqueiam a
gênito-ventral, há na superfície descoberta, mais quatro pares de cerdas, for¬
tes, longas e de ponta afilada, afastadas dos bordos. A placa inguinal não
f i vista, devendo, si existe, ser muito fracamente quitinisada.
Face dorsal. — O escudo dorsal cobre inteiramente o idiossoma. medindo
no exemplar menor, cêrea de 730 micra. Suas cerdas são todas longas, com
exceção apenas das duas verticais mais anteriores; todas são de ponta extre¬
mamente afilada ; a maioria tem aspecto rígido, havendo algumas sinuosas,
O par de cerdas vertical posterior mede 108 micra e o par sub-mediano ante¬
rior tem 128 micra. O par sub-mediano posterior mede S0 micra e o subme-
diano marginal posterior 134 micra. A maior cerda do escudo tem 145 micra
e a menor, que é a vertical anterior, 40 micra. Há duas marcas brilhantes,
circulares, próximas das margens laterais do opist ssoma.
PATAS
A pata II é um pouco mais robusta. As cerdas posteriores das coxas I
e II são robustas, longas e de pontas muito afiladas e a da coxa III é
espiniforme, curta. Os femures e genual não têm cerdas dorsais longas. Tarso
e prctarso I com 130 micra e IV com 195 micra.
OXATOSSO.MA
Cerdas medias internas das maxilicoxas mais longas. Pilus dentilis dila¬
tado na base e de ápice curvo e fino.
Descrição de três cótipos fêmeas capturados sôbre Orgzomgs subflavus de
localidade ignorada do nordeste brasileiro, montados em lâmina X.° 2533.
.. Atrieholaclaps (hchnolaelaps) glasgowi (Ewing 1925)
Ao contrário da precedente, esta é espécie muito quitinisada e de pilosi¬
dade de comprimento médio; sendo também maior e mais larga. Apesar das
dimensões totais maiores, a espécie pouco diverge dos limites de variação
apresentados por Strandtmann para o Laclaps glasgowi Ewing 1925, por êle
incluído no gênero Hmnoclaclaps e por mim considerado subgenótipo de
hchnolaelaps. Tendo adotado o critério de não dar valor específico, nos dois
subgêneros de Alricholarlaps, a pequenas variações dimensionais, considero a
presente espécie idêntica a Atrieholaclaps (hchn olaria ps) glasgowi (Ewing
1925).
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cm
Mem. In?t. ButanUn.
28: 99 186. 1957/8.
FI.AVIO PA FONSECA
17T
Atncholarlap» ( I*ehnnla'laps) gliugori (Earing l£»2õ)) ç
t IG. oil Atrieholaelapt ( Iwhnolaclapt) glmgoxri (Enring 1£»25) ç
178
XOTAS DK ACAROLOGIA
DESCRIÇÃO DA FÊMEA
Idiossoma largo, quasi elítieo, apenas ligeiramente afilado na frente, me¬
dindo 980 miera de comprimento por 725 micra de maior largura.
Face ventral. — Placa esternal com retículo de malhas largas, pouco apa¬
rente devido à forte quitinisação. É provável que haja uma preesternal que
se continue insensivelmente com o bordo anterior. A placa mede 144 micra
de comprimento na linha média por 170 micra de menor largura à frente da-
cerdas médias. Cerdas anteriores com 72 micra, médias com 97 micra e pos¬
teriores com 101 micra. O bordo posterior da placa apresenta área côncava
mediana. As placas metaesternais avançam por baixo dos ângulos da ester-
nal c apresentam um poro em frente da coxa III. tendo cerdas metasternais
curtas, com 61 micra, muito externas, numa insinuação entre as coxas III e
IV. Gênito-ventral nítida, percorrida p r três linhas transversais e outra-
anteriores oblíquas, com bordos laterais paralelos, pouco dilatada, com cerdas
genitais de 90 micra, ainda ao nível do bordo da coxa IV. Dista 8-3 micra
da placa anal e mede 240 micra da implantação das cerdas genitais ao meie
do bordo posterior. Placa anal com 162 micra de e mprimento por 173 micra
de maior largura, com forma de coração estilisado e de bordo anterior depri¬
mido, com anus separado do bordo anterior por distância maior do que •>
seu comprimento, com cerdas pares de 75 micra, implantadas ao nível do meio
•lo anus e cerda impar com 125 micra.
Ilá sete pares de cerdas na superfície ventral descoberta, des quais dois
flanquando a placa gênito-ventral, as mais próximas do bordo maiores. A pla¬
queta inguinal é bem nítida, havendo para dentro e para frente desta um i
plaqueta menor.
Face dorsal. — Escudo dorsal deixando apenas estreita faixa descoberta,
medindo 910 por 690 micra, com pequenas aureolas anteri res. A- cerdas mar¬
ginais e as anteriores são de comprimento médio e as internas são curtas. As
verticais posteriores são maiores do que as do primeiro par submediano, que
medem cêrca de 50 micra. As do par de submedianas p steriores. muito
finas, medem 40 micra e não ultrapassam o bordo do escudo. As cerdas
submedianas marginais posteriores são as maiores, com 135 micra, sendo tam¬
bém longo e robusto o par marginal à frente, que tem 122 micra, decrescem!
bruscamente o tamanho das cerdas marginais do 3.° par. a contar de trás.
inclusive.
PATAS
As patas são robustas, as do segundo par um pouco alongadas. Não há
verdadeiros espinhos e sim cerdas rígidas. Tarso I com 168 micra e tarso IV
com 266 micra.
SciELO
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Mrm. In«t. Butantan.
2* 99 1*6. 1957/ê.
FLAVIO I>A FOXSKCA
170
GXATOSSOMA
Cerdas médias internas das maxilieoxas mais longas. Labruin nítido, estria¬
do no sentido longitudinal. Corniculi robustos. Pilus dentilis muito dilatado
na base.
Descrição de três exemplares fêmeas, X.° 2172, capturadas por técnie s
do Serviço Nacional de Peste a 9/1 1953, sôbre Oxymyctcrus angularis, em
Yarzea do Ingá. Garanhuns, Estado de Pernambuco.
Androlaelaps Berlese 1903.
*
A espécie de que vamos tratar é o primeiro representante do gêner encon¬
trado na América do Sul, pertencendo tais ectoparasitas caracteristieamente à
Região Etiópica, de cnde vem sendo bem estudados por Zumpt e à Região
Xeoártiea, de onde foram descritos por Eads e Hightower, havendo ainda uma
espécie de Porto Rico, descrita em 1946 por Fox, o A. setosus. Do Brasil só
agora, depois de examinados vários milhares de roedores, aparaceu uma espé¬
cie. devendo o gênero ser mal representado também na restante América do
Sul.
A presente difere das restantes espécies americanas e etiópicas e das de
Berlese com as quais foi possível compará-la, bem ccmo da espécie de Bre-
getova.
A espécie brasileira difere de A. gradiculatus pela forma dos espinhos
da pata II, principalmente o do genual e o do tibia; de A. levieulus pela for¬
ma desses espinhos, pela forma da placa esternal e tamanho dos pêlos da anal ;
de .4. impensus pelo pequeno alargamento da pata II nesta espécie e pela
forma dos espinhos da mesma pata.
O gênero Androlaelaps Berlese 1903 havia sido desdobrado por Zumpt c
Till (1953), sendo criado, para as espécies que apenas apresentam um par de
cerdas na plaea gênito-ventral, o gênero Turkiella Zumpt et Till 1953, que
englobaria as espécies etiópicas e americanas e, de um modo geral, as ectopa¬
rasitas, ficando Androlaelaps reservado às espécies de vida livre, cuja placa
gênito-ventral apresenta, com A. hermaphrodita Berlese 1903, quatro pares
de cerdas. Keegan. entretanto, refere, em 1956. que a espécie de Berlese ape¬
nas apresenta o par genital de cerdas, do que resulta não haver razgo para
manter o gênero de Zumpt e Till.
2 3 4
5 6 7
^ w -1- J—I -1—1
11 12 13 14 15 16
I
ISO
XOTAS DE ACAROLOGIA
Androlaelaps foxi sp. n.
DESCRIÇÃO DA FÊMEA
Idiossonia elítieo pouco mais afilado à frente, sem hombros, de quitiniza-
ção fraca, medindo 7.30 micra de comprimento p r 530 micra de maior lar-
pura atrás do 4.° par de patas.
Face ventral. — Placa esternal mais larga do que a longa, medindo 87
micra de comprimento na linha média por 120 de menor largura logo à frente
do par médio de cerdas. A superfície da placa é reticulada e o bordo p s-
terior nitidamente côncavo, sendo o anterior apenas levemente côncavo. As
cerdas anteriores sa mais curtas, medindo 40 micra e separadas por inter¬
vala de 65 micra : as cerdas médias e posteriores são subiguais. medindo 58
micra. Os pori rcpugiialori anteriores ficam logo atrás das cerdas anteriores
e os posteriores são equidistantes das cerdas médias e das posteriores. A ester¬
nal segue-se uma pre-esternal que atinge a base do tritoesterno, o qual apre¬
senta pilosidade curta desde a sua bifurcação.
As placas metaesternais alcançam os ângulo; e têm corda mais fraca e mais
•‘urta do que as posteriores da esternal. Placa gênito-ventral longa, impes-
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Mem. In«t. Butantan.
2*: 99 lé>6. 1957/$.
FLAVIO DA FONSECA
1S1
sível de medir no holótipo, onde está encoberta pelas patas encurvadas, medindo
310 micra da base da cerda genital ao bordo posterior da placa num outro
exemplar, no qual fica separada do bordo anterior da anal por intervalo
Fhj. 53 — Aitdrolarlap» foxi sp. n.
de 12 micra. A gênito-ventral é pouco expandida atrás, de quitinização fraea
e tem largura máxima de 155 micra nesse exemplar, onde o par de eerdas
genital mede 46 micra. Acha-se a placa flanqueada por três eerdas de cada
Fio. 54 — Aixlrotadaps foxi sp. n.
Pata II «lo holótipo ç .
1
,SciEL0
) 11 12 13 14 15 16
I
182
NOTAS I>E ACAKOLOG1A
lado, havendo uma marea ua altura da eerda genital que não se pode decidir si
corresponde a outra cerda fraturada ou não. Placa anal tão larga quanto lon¬
ga. com 100 micra, de quitinisação fraca, com anus a 30 micra do bordo ante¬
rior. As cerdas pares são mais kngas do que a impar, o que é frequente
neste gênero, medindo as pares 50 micra e a impar 32. A res/ante superfície
descoberta veutral apresenta cêrca de três cerdas de cada lado além das que
ladeiam a placa gênito-ventral.
Face dorsal. — Escudo dorsal muito pouco quitinisado e de limtes indis¬
tintos, com pilosidade curta e esparsa. O par de cerdas submediano poste¬
rior marginal (M 11 de Zaehvatkin ou z 5 de Hirschmann) é mais longo, com
7ti micra, seguindo-se o par submediano posterior, respectivamente S 8 ou I 5
daqueles pesquisadores e depois o par vertical posterior, que pela anotação de
Zaehvatkin é o F3. As cerdas verticais anteriores são fortes, medindo mais
ou menos micra e o par médio é situado muito para fora do anterior. Das
restantes cerdas as marginais do escudo as marginais (M ou R) são as maiores,
sendo as internas curtas e muito finas.
PATAS
Como é característico no gênero, a pata I é alargada c as restantes re¬
lativamente finas. Não há espinhos nas coxas, cujas cerdas são finas, sendo
a posterior da coxa III menor do que a anterior e a posterior da eoxa II de
inserção muito distai, já próxima do bordo. O espinho do fêmur é enorme
e de ponta romba, emergindo de uma saliência do bordo ventral. medindo vi
o espinho, sem o tubérculo onde está implantado, 38 x 15 micra. O espinho
do genual, também rombo, é menor, tem 20 micra c está implantado em saliên¬
cia menor. O espinho tibial tem base muito larga, de cujo ângulo anterior
parte uma ponta de ápice muito agudo. Xao há cerdas longas no bordo dor¬
sal do fêmur. Xos artículos do 2.° par há algumas cerdas mais fortes.
GXATOSSOMA
Das cerdas das maxilicoxas as menores são as médias externas e as maio¬
res as internas, que medem 72 micra, sendo as anteriores quasi do tamanho
destas, portanto muito longas. Os corniculi são muito afilados e longo*. O
labm tem pêlos curtos e é lanceolado. O digitus fixus tem pilus denlilts curto
e fino.
Descrição do holótipo fêmea X.° 2412, capturado sôbre o rato Zygodonto-
mi/s pixuna em Comorango. Pesqueira. Estado de Pernambuco, a 26.8.1952.
Outro exemplar, também uma fêmea, paratipo, X.° 2192. capturado vibre hos-
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
M rm. In *t. Hutântan,
2 -*: 99 1 * 6 . 1957 /*.
FI.AVIO DA FONSECA
283
pedeiro da mesma espécie, em localidade não assinalada da mesma região nor¬
deste do Brasil. A espécie é dedicada a Irving Fox. de Porto Hieo, o pri¬
meiro a apresentar contribuição ao estudo do gênero na Região Neotrópiea.
SUMARY
A large survey on ectoparasites of many thousands little mammals,
mainly rodents, by the National Plague Service is in eourse in the northeast
Brazil.
Results of the Identification of the aearo-fauna from 1549 elassified hosts,
from a series cf 2635 mammaLs, is presented in Tables I and 11. A total
of 2313 lots was obtained from ideutified hosts, belonging to four families:
Argasidae, Ixodidiac, Macronyssidac and Lealaptidac. Nine new and twenty
two older species were found in this survey, their distribution through twenty
three hosts being shown in two tables. The local fauna of parasitic -lcari
and the ahsence of Trombiculidae. Sarcoplidac, davilaelaps brazilunsis
(Ewing) and Dennanyssus brasilicnsis Fonseca are commented. Literature on
the transmission of Plague by Acari is reviewed. The liost of the adult
female of Izodcs amarali Fonseca. 1936 was diseovered to he the marsupial
Monodclphys domestica, ticks being found in 25 out of 4!) animais, males rema-
ining unknown. For Laclaps mazzai Fonseca. 1939 the new genus Schizi.lar-
laps is proposed, witli following diagnosis: Laelaptidac ; female with a l.ar-
laps like genito-ventral plate and many suplementary setae in the dorsal
shield; male with separated sterno-genito-ventral and anal plates and dorsal
shield densely besct with setae. Genotype: Laelaps mazzai Fonseca 1939. The
number of the setae in the dorsal shield i.« the mnin distinguishing character
from Hypcrlaclaps Zaehvatkin 1948. The first Androlaelaps species from
South America. Androlaelaps foxi sp. n., is described from Zygoehmtomys
pixuna of Comorango, Pesqueira, Pernambuco and from the same host of an
unknown locality cf northeastern Brazil. Stemal plate 87 by 12 micra; tritm-
ternum setous from the bifurcation. Genito-ventral plate abont 155 micra
wide, with 46 micra long genital setae. Anal plate as long as wide, with
100 micra, the paired setae longer. The two posterior pairs of suhmedian
setae of the dorsal shield are the longest. Only leg I is enlargcd; spines of
this leg as show in fig. 54. Atricholaclaps (A/r.) guiynaracsi sp. n. from lles-
romys sp. of northeast Brazil was seen once; idiosoma 858 by 665 micra;
sternal plate 130 by 155 micra. Anal plate 130 by 135 micra, with paired
setae almcst at the levei of the middle of the anus and half as long as the
unpaired one. Dorsal shield with eomparatively short submedian setae. Air t-
cholaelaps (-i/r.) willynanni .-p. n„ type host Zigodonlomys pixuna from Triun-
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5 6 7
^ w -1- J— I -1—1 w i
11 12 13 14 15 16
I
184
XOTAS DE ACABOLOGIA
fo, Pernambuco, was also captured on Oryzomys subflavus, Hdiurus sp. and Mo-
nodelphys domestica; it differs from. A. guimaraesi b.v the longer dorsal and
paired anal setae. Atricholaelaps ( Ischnolaelaps ) keegani sp. n., from Ory¬
zomys subflavus of northeast Brazil, has an 840 micra long idiesoma; sternal
plate 490 by 574 micra; metaesternal setae shortest than the smaller ones of
the sternal plate; genito-ventral plate small, only 130 micra long from the
basis of the genital setae to the middle of the posterior border, by
130 micra wide, with 125 micra long genital setae; anal plate 145 micra
longe by 126 micra wide paired setae with 83 and unpaired one with
90 micra; pilus dentilis inflated basaly as in all spécies of this subgenus.
Oigantolaelaps strandtmanni, sp. n„ with Xectemys squamipes amazônicas from
\ igia. Pará, as typc host, has been captured on Holochilus sciureus from Ca¬
ruaru, Oryzomys eliurus from Garanhuns, both in Pernambuco and on
unknown host from \ içosa, Ceará; it belongs to the group with two spin s
on coxa I and a posterior spiue on coxa II and III; it differs frem G.
goyanensis Fonseca by a somewhat concave posterior margin of the dorsal shield;
from (i. mattogrossensis it is distinguished by a much smaller unpaired anal
reta; from G. cricetidarum Morlan it differs by its longer size, by a longer
size, by a longer posterior seta on coxa II and by the more prononneed ante¬
rior projetion of the sternal plate. Oigantolaelaps canestrinii sp. n., is
described from four female cotypes captured on “Tree rat” frem unknown
region of Brazil; in the northeast it has been obtained from Oryzomys subfla¬
vus, Oryzomys eliurus and Proechimys albispinus at Qaranhuns and Caruaru,
Pernambuco, as also from “Gravatá rat” at Juquié, Bahia. This species has
a total lenght to the apex of the palpi of 1870 micra; frem the coxae only
that of the third pair of legs has true spines; tarsus II with very strong
spines. Laelaps castroi, sp. n., has an idiosoma of 670 micra and closely
npproaches /,. paulistanensis Fonseca, L. manguinhosi Fonseca. /.. differens
Fonseca and L. exceptionalis Fonseca. L. castroi differs from the first of these
species by the smaller size and wider, shorter, pointed proximal spine of coxa
I; from manguinhosi it differs by the very short posterior gnathosomatal setae
( n this species; from differens it is distinguished by the very short and strong.
only 18 micra long anterior vertical setae; from exceptionalis it is easely
distinguished by the subequal anal setae in this species. As typc material
they were selected eight females captured on Oryzomys eliurus at Torres.
Caruaru, Pernambuco. The sarne species was seen in nine other identified
rats from Bahia. Pernambuco, Alagoas and Ceará and on Graomys griseofla-
vus and Dasyprocta variegata from Buen Retiro. Bolívia, the last one a quite
unexpeeted host for a true Laelaps. The male remains unknow. Tur
turki sp. n.. is described from tbe female holoty obtained from a Proe¬
chimys iheringi denigratus of undetermined region of northeast Brazil.
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
PI.AVIO r>A FONSECA
185
Mm. ln«t. Butanün.
2ri: 99-186. 1957/8.
Idiosoma 714 micra long; sternal plate 165 micra long with an arched pos¬
terior border. Genito-ventral plate long and wide with a shallow posterior
border to aeomracdate the anterior border of the anal plate, as in the echidni-
nus group. A membranous expansion is seen between the finger of the
mandibles much in the same way as in L. lateventralis Fonseca. Mysolaclaps
hctcronychus, sp. n., Ls prevalent on rats of the genus Rhipidomys, type
material being from Rhipidomys mastacalis from Quandú, Caruaru, Pernam¬
buco; other hosts from Brazil as in Tables I and II. The species was also
obtained from Graomys griseoflavus and Oxymicierus dons from Agua He¬
dionda and from Graomys griseoflavus from Floripondio and Xovillos in
Bolivia. lt is the largest species cf this genus, with a 1500-1700 micra long
idiosoma. the most striking characters being the unequal claws on tarsus II to
IV as shown in the fig 31; only three pairs of setae are implanted direztl.v
on the genito-ventral plate; as in other species of this genus males were not
found. Following diagnosis is proposed fer the genus Mysolaclaps honseea
1936: Laelaptidae; large, more than 1200 micra long species; all chitimsed arcas
of a deep colour; dorsal shield very regular in outline, only the marginal and
the vertical setae being long; coxa devoided rf true «pines; setae of the idio¬
soma frequentlv short and if long they are flexible; genitoventral plate very
long and very wide, with four or three pairs of setae; peritrem don t exeed
coxa II; anal plate weaek. wider than long. the anus at a shorter distanc*
from the anterior border than its lenght; only females are found on wild
rats. Genotype: Mysolaclaps parvispitu.sus Fonseca 1936.
Drawings of older species published without figures are presented.
Preference or avoidance of some hosts are elearly deduced from the data
obtained from 1549 redents and marsupiais as shown in tables I and II.
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SciELO
11 12 13 14 15
Mrm. In-t. But»nt*n,
2«: 167194. 1957/8.
HÉLIO E. BELI.rOMIXI «• AUMIOSSK R. HOOK
187
OPERAÇÃO CESARIANA REALIZADA EM EunccUs
murinus (Linnaeus 1758) (SERPENTES)
HÉLIO EMERSON BELLUOMIXI e ALPnONSE RICHARD HOGE
(Laboratório de Ofiologia do Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
INTRODUÇÃO
O gênero Eunectes enquadra as maiores serpentes brasileiras, vulgar¬
mente conhecidas como “sucuris’', “sucurijús”, “boiunas”, etc..., dependen¬
do principalmente da região onde são encontradas.
Essas serpentes são ovo ví paras e pouco se sabe sôbre sua biologia. Ama¬
ral (1), Fonseca (2) e von Ihering (3) fazem referência a alguns aspectos
biológicos, mas de modo geral a bibliografia c escassa. Sabemos que o período
de prenhez desses répteis é de aproximadamente G meses.
MATERIAL
Em novembro de 1957, foi capturado em Soure, Ilha do Marajó, um
exemplar de “sucuri”, com aproximadamente 5 metros. Oferecido ao Bu-
tautan, foi transportado para São Paulo, em avião da F.A.B. O exemplar
deu entrada no Butantan nos primeiros dias de janeiro de 1958, quando veri¬
ficamos tratar-se de um exemplar de Eutucies murinus (L. 1758). fêmea,
(Fot. 1 e 2), com 5.20 metros de comprimento, o qual chamou a atenção por
apresentar na região abdominal, em seus dois terços posteriores, dilatação
bem conformada, dando a impressão de animal prenhe (Fot. 3). Colocado
na piscina do Butantan, especialmente adaptada para conter grandes ser¬
pentes, permanecia longas horas, absolutamente quieto, inteiramente submerso
ou apenas com o focinho fora d'água. Persistindo o volume abdominal, che¬
gamos a conclusão de que realmente o exemplar estava em estado de prenhez
e partindo da suposição de que a cópula tivera se realizado em fins de ou¬
tubro ou começo de novembro, ficou estabelecido de acordo com conhecimentos
existentes que a ninhada deveria nascer entre fins de abril e a primeira quin¬
zena de maio. A partir dos últimos dias de abril, a observação do exemplar
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I
1SS
OPERAÇÃO CESARIANA REALIZADA EM ECXECTES
MERINOS (LIN.VATfS 175S) (SERPENTES)
se tornou mais intensa. Durante êsse longo período a serpente não se ali¬
mentou apesar das tentativas feitas eom coelhos domésticos. Devido a falta
de aquecimento da água da piscina, e a temperatura ter eaido muito na ocasião,
chegamos a conclusão que diticilmente haveria uma parição.
Xa manhã de lí) de maio, foi encontrado um filhote recém-nascido no ie-
cmto da piscina. Observamos a serpente até às 10 horas, quando resolvemcs
injetar “pituitrina na tentativa de que funcionasse também em serpentes.
Dessa maneira foi injetado por via subcutânea, uma ampola de pituitrina
Park Davis" de 0.5 ml representando 5 unidades internacionais; às 10.40
horas uma segunda e às 11,40 horas uma terceira injeção do mesmo produto.
Às 14 horas, como a serpente não apresentasse nenhuma reação, resolvemos in¬
tervir, tentando uma operação cesariana no sentido de salvar o maior número
de filhotes possível.
A laparotomia em serpentes ovovíparas, já foi realizada por diversos au¬
tores. a maioria interessada em estudes da fisiologia sexual das serpentes,
efeitos da ovarioctomia, hipofisectomia, administração de hormônios e verifi¬
cação dos efeitos sôbre a gestação das serpentes ovovíparas; a determinação
de hormônios em serpentes também despertou o interésse dos pesquisadores.
Podemos citar diversos autores, Fraenckel e Martins (4 e 5), Fraenckel. Mar¬
tins e Mello (G e 7), Clausse (8), etc. ..
De modo geral, o interesse era voltado mais para as serpentes do gênero
< rataius e Bothropt. Claussen (8) estudou o efeito da ovarioctomia. hipofi¬
sectomia, a administração-de progesterona e extrato pituitário na prenhez de
algumas serpentes do gênero Xatríz e Thamnophis Fraenckel e Martins (4 e
of. apresentaram dados preliminares acerca da biologia sexual de duas ser¬
pentes ovovíparas. a “cascavel” Crotalus duritsus terrífica L. 1758 e a “Ja¬
raraca" Bothropt jararaca (Wied 1820) assinalando a presença de corpo ama¬
relo nos ovários das duas espécies, quando prenhas, alternando com os fo-
lículos. Descreveu a inserção do ôvo, como formação comparável ao tipo de
placenta vitelina e a presença entre as partes maternas e fetais de uma se¬
creção viscosa dando as reações de albumina e mue na. Especificaram «pie a
placenta só se eneontra\a do lado “mesometrial do útero, correspondendo à
uma linha no ponto de entrada dos vasos maternos para onde os embriões es¬
tão, quase sempre voltados.
Esses dados, somados às nossas experiências de necropsias e os trabalhos
anatômicos sôbre as serpentes de modo geral feitos por Cope (!• > e outros r>>
sumidos em Bronn (10) permitiram um conhecimento regular da região que
pretendíamos abrir. Xa elaboração dèste trabalho consultando também Ma¬
te ra (11).
SciELO
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M«n. In't. BuUntin. HÉLIO E. I1ELLVOMINI r ALPHOXSE R. HOGE Jgg
28: 187-194. 1957/8.
MÉTODO
Retirada a serpente do recinto da piscina, injetamos inieialmente Fla-
xedil “Rhodia" 3 ml, solução acpiosa a 2 ' < às 14.25 horas; às 14.50 horas a
serpente, já com a musculatura bem relaxada, foi contida por 5 homens, posta
com a região ventral voltada para cima e contida de modo a deixar o campo
operatório o menos móvel possível. Medindo a serpente 5,20 metros, inje¬
tamos a metro e meio acima da cloaca, no correspondente a linha média e num
comprimento de aproximadamente 30 cm. 25 ml de Sinalgan n.° 5 "Moura
Brazil”.
Exatamente às 15 horas, iniciamos a operação, fazendo uma incisão de
30 cm aproximadamente na região descrita, rebatendo a pele, pinçando e su¬
turando todos os vasos. A seguir, num segundo plano, nova incisão foi feita,
separando a forte camada de músculos oblíquos. Rebatidos êsses músculos, tí¬
nhamos à nossa frente o peritônio. Após a incisão do mesmo, surgiu parte
dos ovidutos, transparentes, repletos de filhotes, que se achavam dispostos um
a um. em fila e separados entre si. Expondo os ovidutos e amarrando os vasos
colaterais dessa região procedemos a abertura. Havia inúmeros filhotes; cs
ovidutos se prolongavam em direção eranial e caudal além do corte, quase
80 cm. Foi necessária a introdução do braço até a articulação, escapulo hu-
tneral, a fim de proceder a retirada des filhotes. Verificamos que a maioria^
dos filhotes estava morta, há alguns dias. pois apresentava aflorando a super¬
fície da pele, infiltração biliar. A ninhada era composta de 82 filhotes, dos
quais, 44 machos (30 mortos o 5 vivos { 53.65'. > c 38 fémeas (35 mortas e 3
vivas = 46,34'. ). Tivemcs a oportunidade de constatar a presença de duns_j
fêmeas gêmeas.
Após a retirada dos filhotes as suturas foram feitas de acordo com cs
planos descritos, sendo usada de preferência a sutura cm U. As 17 horas ter¬
minada a operação, foram injetadas 2 ampolas de Prostigmine “Roehe” e 2
ampolas de Cardiazol “Knoll”. A serpente permanecia pràticamente imóvel.
Foi colccada em tanque com pequena quantidade de água morna.
Xo dia seguinte às 8 horas, deslocava-se perfeitamente aparentando estar
resistindo bem à intervenção. Entretanto às 10 horas morreu repentinamente.
Qtyfnto aos 8 filhotes sobreviventes, 3 morreram. Os cutros 5 (3 ma- ^
chos e / fémeas) (Fot. 4), estão passando bem e alimentando-se atualmente com
camondongos. Vivem todo o tempo mergulhados n’água. Xesta data 19 de
julho, estão exatamente com 2 meses de vida. Nasceram com um comprimento
médio de 70 cm. e 200 grs. de peso.
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^ ^ -L- J—I J_l w i
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190
OPERAÇÃO CESARIANA REALIZADA EM ElXEITEs
MURIXCS i T.INNAEfS 17:.') .SERPENTES.
DISCUSSÃO
A operação cesariana foi realizada como último recurso na tentativa de
salvar uma ninhada de Eunectes murinus L. 175»).
De acordo com nossa hipótese inicial sôbre a possível época da cópula, o
êrro quanto a data foi mínimo.
A escolha do local e o tipo de incisão, foi baseada nos conhecimentos da
disposição dos órgãos internos das serpentes. O cálculo foi preciso nesse
ponto, pois além do corte cs ovidutos, caudal e cranialmente, se prolongavam
80 cm além da incisão, de modo a permitir e obrigar a introdução do braço
até a articulação escapulo-humeral no sentido de retirar os filhotes.
Apesar da pouca experiência no assunto, acreditamos que em serpentes
de grande porte, não haja possibilidade de outro tipo de incisão além da me¬
diana. devido a disposição longitudinal e comprimento das partes em questão.
Anteriormente, a incisão mediana, foi por nós praticada, com a finali¬
dade de reduzir prolapso do reto em Python reticulatus (Schneid). A ser¬
pente viveu quase um ano depois da operação sem apresentar outras ami¬
mai ias.
'
RESUMO
fiste trabalho assinala a primeira operação cesariana realizada no Insti¬
tuto Butantan em Eunectes murinus (L. 1758). após a expulsão de filhote mor¬
to e ultrapassando o prazo de 6 meses, tempo necessário a gestação de Boíde»*s.
Foram retirados 82 filhotes, dos quais 8 vivos e ©s restantes mortos com infil¬
tração biliar aflorando à superfície da pele. Dos filhotes 44 (53,66%) eram
machos e 38 (46,31%) eram fêmeas. A laparotomia foi feita por incisão me¬
diana de 30 cm de comprimento, em três planos: pele, músculos oblíquos do ab¬
dômen, peritônio e oviduto. Foi utilizada de preferência a sutura em U. A
serpente morreu 15 horas após a interveução.
RÊSUMÊ
Description de la premierc opération cesariénne faite à FInstitut Bu¬
tantan sur un exemplaire de Eunectes murinus (L. 1758). I/opération nyant
commencé trop tard seulement 8 sur 82 étaient vivants. Actuelement deux
mois aprés Foperation 5 jeunes sont vivants et se nourissent normalement.
AGRADECIMENTOS :* Agradecemos o auxílio prestado durante a in¬
tervenção e posteriormente com o manuseio dos filhotes ao Prof. Afonso Celso
Maranhão Nina, estagiário c aluno da Secção de Ofiologia.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
*
Mero. In«t. HutanUn.
25 : 157 - 194 . 1957 / 5 .
HÉLIO E. BKLI.rOMINl e ALPHOXSE K. HOGE
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p
2 3 4 5 6 SCÍELO 10 2.1 12 13 14 15 16
cm
192
OPERAÇÃO CESARIANA REALIZADA EM KÜNECTES
MCRINIS (LINNAECS 175f*> (SERPENTES)
FoTOCRAriA n.° 1 — Detalhe <Ia eabe^a.
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Mrtn. In*l. Batantin, HÉLIO E. BELLUOMINI » ALPHON 8 E R. HOOE jp3
2 -: 187 - 194 . 1957 / 8 .
FoTOeiunA x.° 2 — FotoRrafia mostrando os 2/3 posteriores ila reRÍão abdominal aumcn
lados de volume.
10 11 12 13 14 15 16
1Q4 OPERAÇÃO CESARIANA REALIZADA EM EUNECTES
MCRIXCS (LINNAECS 175*) (SERPENTES)
Fotoorafia N.° 3 — Fotografia dos filhotes salvos pela intervenção cesariana.
Mm. In*t. Butantan.
2 *: 195-2 6 . 1957 / 8 .
ALPHONSK R IIOííE e HÉLIO K BELLCOMIXI
195
UMA XO VA ESPÉCIE DE Hnthrops DO BRASIL
(SERPENTES)
ALPHOXSE RICHARD I10GE e HÉLIO EMERSON BELLCOMIXI
(Laboratório de Ofiologia do Instituto Ilutantan, São 1'aula, Brasil)
Existe na Coleção do Instituto Butantan uma série de serpentes do gê¬
nero Bothrops procedente dos Estados de Rio de Janeiro, São Paulo e Minas
Gerais, serpentes essas que não conseguimos identificar com nenhuma das es¬
pécies do gênero Bothrops conhecidas. Passamos, portanto, a descrevê-las
como espécie nova.
Bothrops fonsecai sp. nov.
Tipo: — n.° 7.896 I. B.. <3 , procedente de Santo Antonio do Capivary,
Estado do Rio de Janeiro, capturado pelo I)r. José Sterce em 2 '4/1933.
Pamtipos: — n.°s. 7.830,
7,
8.968,
<3 , 9.237. ó . 7.586.
9, 9797, 9,
8.967,
9,
8.969.
9 . 9.236, <5, 7.587.
9 , 8.259, <3 ,
9.296,
9.
8.598,
<3. 9.106. 9 . 7.882.
S, 9.235, <3,
9.103,
<3 .
9.128,
«3 . 7.834, ,5 , 9.112.
9, 8.316, 9,
7.886.
<5,
8.497.
filhote. 8.169. filhote.
todos procen-
tes de Santo Antonio do Capivary. Estado do Rio
de Janeiro, Brasil.
n.°s. 1.539. <3, 6.023, «S, 1.457. 9. 9.231, 9. 9.232, 9,
7.513. 9. 7.831. 9. 16.765. 9. 8.071. 9. 7.486. <5,
7.452, a. 9.229. 9. 12.594. filhote, 7.106 filhote pro¬
cedentes de Campos do Jordão, Estado de São Paulo.
n.°s. 9.767. 9. 9.765. 9. 9.820. 9. 9.819, 9 9.766, 9,
10.032, 9, 934. 9. procedentes de Bananal. Estado
de São Paulo.
n.°s. 7.239. á . procedente de Pindamonhangaba, Estado
de São Paulo.
n.°s. 17.306. 9 e 17.337. 9. procedentes de Areias-Queluz.
Estado de São Paulo.
1, | SciELO
196
t'MA NOVA ESPÉCIE DE BOTHROPS DO BRASIL
(SERPENTES)
».°S. 9.(04, 9 e 9.690, 9 , procedentes de Itajubá. Estado
de Minas Gerais.
n.°s 16.(19, <J , procedente de Itanhandú, Estado de Minas
Gerais e n.° 2.638. S , procedente de Passa-Quatro
Estado de Minas Gerais, Brasil.
Diagnose j 1 ma nova especie de Bothrops eom a parte anterior da fos-
seta loreal nao formada pela 2 a supra-Iabial, ventre preto, faixa post-ocular
preta formando um desenho em forma de gancho por trás da comissura labial
< >g. 4 n. (.896), desenho da parte superior da cabeça interrompido, pare¬
cido com o que se observa em Bothrops cotiara, (Pig. 3, n.° 7.896), sutura das
infra-labiais com mancha sub-triangular (Pig. 4, n.° 7.896), três grandes
manchas pretas na região guiar (Fig. 5, n.° 7.896), manchas laterais do corpo
muito parecidas com as que se observam em Bothrops altirnatus ( Fig li
colorido geral cinzento escuro, quase prêto; face ventral do hemipenis'apre¬
sentando na região basal pequenos espinhos, semelhante ao de Bothrops alter-
natas; palatino parecido como de Bothrops altematus bem diferente do apre¬
sentado por Bothrops cotiara (Figs. 8 , 9 e 10).
Afinidades: — Bothrops fonsecai é próxima de Bothrops altematus D.,
B. et I). c Bothrops cotiara (Gomes). Distingue-se de Bothrops cotiara pela
forma do palatino, pelos espinhos basais da face ventral do hemipenis, pela
forma das manchas laterais, pela forma do desenho da cabeça, pela soma total
< as placas ventrais e caudais, pelo colorido muito escuro, pelas manchas da
região guiar e por ter as ventrais anteriores pretas ao invés de claras. Dis¬
tingue-se de Bothrops altematus pelo desenho da cabeça e pela coloração da
região ventral. Nao podemos resolver pilo momento se se trata de uma subes-
pecie de altematus por não termos visto integrados. Por outro lado Bothrops
fonsecai parece ser alopátrica em relação a Bothrops altematus.
1 (inações: — Machos: Placas ventrais: 165 a 173; sub-caudais: 51 a 56.
Fêmeas: Placas ventrais: 165 a 179; sub-caudais: 39 a 49 .
Descrição do tipo: - 7.896 I. B., á, procedente de Santo Antonio de
Capivarv, Estado do Rio de Janeiro; rostral mais alta do que larga, intema-
sais e cantais com o rebordo levantado; cantais separadas por seis séries de pe¬
quenas escamas fortemente earinadas; supra-oculares longas e estreitas, sepa¬
radas por dez séries de escamas cefálicas earinadas; oito supra-labiais. a 2 a
não entrando na formação da fosseta loreal e a 4 a muito mais longa; supra-
-labiais separadas da órbita por três séries de escamas; nove infra-labiais;
tres mfra-labiais em contacto com a mentual; l.° par cm contacto por trás da*
siufisal ; ventrais: 170 + 2 1/2; anal simples; sub-caudais: 57/57; compri¬
mento da cabeça: 33,8 mm; comprimento do corpo: 715 mm; comprimento da
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
liem. InO. Bntinun. ALPHOXSE R. IlOGE r HÉLIO E. BELLLOMIXI 107
28 : 195 - 206 . 1957 / 8 .
cauda : 123 nmi. Colorido de fundo, de côr cinza claro com 19 manchas pretas
de cada lado do corpo, oposta* ou alternadas (Fig. 1); as manchas são seme¬
lhantes às que se observam em Bothrops alternatus ; sete manchas indistintas
na cauda. Xa região vertebral os espaços entre as manchas pretas são ocupa¬
dos por manchas de forma de losango de côr cinzenta escura e separadas das
manchas pretas por um rebordo claro da largura de uma escama. Face ven-
tral com algumas manchas cinza-claro na parte externa das ventrais e nas
para-ventrais; sendo mais numerosas as manchas claras no terço anterior, de¬
crescendo gradualmente em número para trás (Fig. 2).
Colorido da cabeça: — superiormente uma mancha lembrando à (pie se
observa em Bothrops cotiara (Gomes), porém, ligada ao meio (vide Fig. 3
n.° 7896). Lateralmente, uma faixa escura post-ocular. muito parecida com
à que se observa em Bothrops alternatus D. B. et I)., (vide Fig. 4 n.° 7896).
Supra-labiais brancas com uma mancha que ocupa a segunda parte da pri¬
meira e terceira ; outra mancha na sutura da 3. a com a 4. a . e s* estendendo ver¬
ticalmente até a órbita; os bordos superiores da 5. a , 6. a e 8. a , ocupados pela
faixa post-ocular (vide Fig. 4 n.° 7896); infra-labiais pretas com uma mancha
semi-lnnar branca na eomisura da bôea (vide Fig. 4 n.° 7896), na face in¬
ferior da cabeça duas faixas pretas de forma peculiar (vide Fig. 5 n.° 7896).
Distribuição geográfica: — Até o momento Bothrops fomccai foi encon¬
trada em Santo Antonio do Capivary, Estado do Rio de Janeiro; Campas do
Jordão, Bananal, Areias e Pindamonhangaba. Estado de São Paulo; Itajubá.
Itanhandú e Passa Quatro. Estado de Minas Gerais.
Derivação do nome: — Denominamos esta espécie, em homenagem ao
Prof. Dr. Flavio da Fonseca, Chefe do Laboratório de Parasitologia do Insti¬
tuto Butantan e Professor Catedrático da Escola Paulista de Medicina.
RESUMO
Descrição de uma nova espécie de Bothrops, Bothrops fonsecai caracteri¬
zada pelos dados acima citados na diagnose.
ABSTRACT
Dcscription of a new Bothrops species. Bothrops fonsecai, with the second
upper labial not formig the anterior border of the loreal pit, lower parta
black. a post-ocular stricke as in Bothrops alternatus, I). B. et D. Pattern of the
eephalic region like that of Bothrops cotiara (Gomes), but interrupted. Lower
labiais black with a semi-lunar white spot on the upper border. The general
pattern is very similar to Bothrops alternatus ; pnlatiue and hemipenis of the
same sbape of thos? of Bothrops alternatus.
], | SciELO
1Í>S
fMA NOVA ESPÉCIE DE BOTHROPS DO BRASIL (SERPENTES!
BIBLIOGRAFIA
I. Gomes, F. J. — Uma nova cobra venenosa do Brasil — Laeketu cofiara, nova
-limes Paulistas dc Medicina c Cirurgia. 1 (3): 65-67, Pr. S. 1913.
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Xaturelle complète des Reptiles, 7 (2): 1512, 1S54.
SciELO
13
espéeie.
Histoire
15 16
Mem. In«*t. Butantan.
28 : 195 206 . 1957 / 8 .
ALPHOX.SE K. HOGE e HÉLIO E. BKLLUOMIXI
199
Fig. 1 — Bothrop .« fonxcai tipo (visto dorsal).
cm
Fio. 2 — Tiothrnps foHsrcai tij>o (vista vcntral)
SciELO
200
IMA NO\A ESPÉCIE I>E liOTHROPS DO BRASIL (SERPENTES)
Mem. In*t. BuUntan,
2S: 195206. 1957/8.
ALPHONSE R. IKKiE r HÉLIO E. BELLUOMINI
l'ic. 3 - llolhrops cofiara tipo (X.° 452) vi„a mperior da ral^a.
RolMropt foutrem t.po (X- 7896) vi,ta -uj- rior da cahLa.
cm
2 3 4 5 6 SClELO 10 2.1 12 13 14 15
Mem. In*t. Butantan.
28: 207-216. 1957/8:
H£LIO K. BELLUOMIXI r ALPHONSE H. HOGE
207
CONTRIBUIÇÃO À BIOLOGIA DE Eunectes muriniis
(Linnaeus 1758) (SERPENTES)
OBSERVAÇÕES SOBRE HÁBITOS ALIMENTARES DE “SUCURIS’
EM CATIVEIRO
HÉLIO EMERSON BELLUOMIXI e ALPHONSE RICHARD HOGE
(Laboratório de Ofiologia do Instituto Ilutantan, São Paulo, Brasil)
INTRODUÇÃO
Raras vezes tivemos a oportunidade de receber serpentes de porte avan¬
tajado, principalmente do gênero Eunectes, as famosas “sucuris”, “sucurijús",
“boiunas” etc... nomes vulgares dados à êsses ofídios tão lendários e discuti¬
dos que, vivem por quase todo o Brasil, habituando rios e lagoas. Dotadas de
extraordinária fôrça muscular e de extrema agilidade (piando n’água, matam
suas vítimas por constrieção, constituindo sério perigo para os animais de pe¬
queno e médio porte, assim como para o próprio homem.
O maior exemplar de Eunectes visto no Brasil, foi assinalado em carta
dirigida ao Instituto Butantan pelo grande sertanista Mar. Cândido da Silva
Rondon, cujos dizeres se encontram transcritos em livro de Fonseca (1). O
exemplar tinha aproximadamente 12 metros de comprimento. Exemplares
outros, no máximo com 6,20 metros raramente deram entrada no Butantan.
0 tamanho dos poucos exemplares que aparecem quando não são ainda pe¬
quenos. varia de 4 a 5 metros de comprimento e. (piando bem nutridos, em
bom estado de saúde, o pêso varia de 80 a 100 quilos. Locomovem-se lenta-[
mente em terra, depreendendo-se dêsse fato o hábito de viverem em rios e l
lagoas grande parte do tempo, imersas ou apenas com o focinho fora d agua.
O estudo das serpentes, de modo geral, em seu “habitat”, é difícil, de¬
pendendo de acasos fortuitos. Em se tratando de “sucuris”, a água dificulta
ainda mais as observações, pois facilita a fuga e a dissimulação, verdadeira
camuflagem. A pele dessas serpentes é de coloração olivávea, com manchas
arredondadas negras, impossibilitando prticamente a localização do ofídio
mergulhado. É difícil e complexo realizar trabalhos dêsse gênero.
cm
SciELO
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20S
COSTRIBCIÇAO -V BIOLOGIA DE ECNECTES
MCRIXC8 (LIXXAEUS 173-' (SERPENTES)
A bibliografia é escassa e poucos pesquisadores tiveram a oportunidade
de fazer observações nesse sentido. Amaral (2) em trabalho de contribuição
à biologia dos ofídios brasileiros, assinala inicialmente: — “Essa escassez de
observações de ordem biológica, parece-me esteja ligada a várias fatores, entr?
os quais talvez se possa assinalar o perigo a que com freqüência estão sujeitos
aqueles que se dedicam a êsse afanoso, mas de certo modo interessante gênero
de estudo. Em seguida cumpre registrar, primeiro o fato de que quase sem¬
pre o encontro de serpentes em seu próprio “habitat” e em suas atitudes tí¬
picas estar ligado a circunstâncias inteiramente ocasionais; e, depois o in¬
sucesso que em via de regra resulta de excursões por ventura empreendidas
com o fim especial de realizar observações dessa natureza”. O mesmo autor,
sob o ponto de vista ecológico, coloca Euiuctes murinus entre as serpentes
aquáticas ou mais propriamente, anfíbias, porque passam parte do tempo
em terra.
Devido a conformação da pupila, que é vertical, são tidas as “sucuris”
como serpentes de vida noturna, embora possam ser encontradas em atividade
durante o dia. fato esse citado por Amaral e em seu trabalho e observado
por Iloge em suas viagens pelo interior do Brasil.
Amaral, enquadra-as em seu esquema de gênero de alimentação, em es¬
pécies rodentívoras, que se alimentam em geral de ratos, preás, mocós e ou¬
tros roedores, o que não corresponde às nossas observações. Von Ihering (3)
apresenta dades interessantes: — “alimentam-s? preferencialmente de peixes,
aves aquáticas, e grandes mamíferos que frequentam as águas onde ela própria
passa a maior parte da vida; capivaras, antas bem como veados e outros ani¬
mais que surpreende nos bebedouros. Vive só nas matas que margeiam os
grandes rios; não existe no litoral paulista, mas do interior dsête Estado ela
se estende para o Norte até o Orenoco”. Afirma que, em geral, em relação ao
ser humano, ela não ataca senão crianças, mas cita fatos verídicos de caçadores
que atacados por “sucuris", foram salvos pelos companheiros. De acordo com
êste autor, o maior animal que segundo observações bem documentadas, foi
encontrado na na barriga de uma “sucuri", era uma suçuapara, cervo do ta¬
manho de Uma novilha como documentou o Gen. Couto Magalhães. Cita,
ainda, trechos das famosas “Cartas” do Padre Anchieta, fazendo referências
às “sucuriubas”. Hoge, teve a oportunidade de encontrar “sucuri" recém-
-eapturada, regorgitando ave aquática e outra apresentando em seu estômago
um Caiman crocodilus crocodilos (Linnaeus). Constatamos em necropsia de
Euncctcs murinus, realizada no Butantan, a presença de restos de um Cervídio
(cascas ossos pequenos) no conteúdo intestinal da mesma. Outra necropsia
revelou a presença de um ferrão de arraia, atravessando a parede estomacal
da serpente (Fot. 1). No Jardim Zoológico de Roma, Mangili (4) conseguiu
*
M#-ni. 1 11*1. Hutantan,
2- 2.C-21B. 1957/8.
HÉLIO K. BKLLIOMIM . ALPHONSK R. HOGE
209
alimentar entre outras cobras, uma "sucuri’* de 2,50 metrcs, com hidrolizado
de carne.
K tradição dizer-se que êsses avantajados ofídios que matam por cons-
tricção apanham suas vítimas apenas fora d'água ou junto a ela, devido a ne-
cessidade de um ponto de apoio para o bote e posteriores laçadas para a cons-
tricção. bicando a beira dos curs< - de águas calmas ou lagoas, dispõem-se so¬
bre paus c galhos baixos para se projetarem sôbre a vítima. Essas afirmações
vem sendo repetidas há muito tempo, reafirmando sempre a impossibilidade
désses ofídios apanharem suas vítimas n agua. Nossa intenção, nesta parte
«lo trabalho é demonstrar «pie. também apanham suas vítimas dentro d’água
abocanhando e enlaçando-as com extrema facilidade e rapidez, levando-as para
debaixo d agua, onde são mortas e eiigulidas. Podemos dizer que talvez o
meio aquático seja o ambiente de predileção onde essas serpentes se alimentam.
MATERIAL
\«>ssas observações fazem referências a serpentes do gênero Euncdes em
cativeiro na pequena piscina do Butautaii «pie tem 13.30 metros de compri¬
mento por 5,90 metros «le largura: a parte funda apresenta 2,15 metros de
altura «• a rasa 1.28 metros. 1'rna loca pequena em forma «le túnel com 3
aberturas foi construída com pedras rústicas na parte funda e uma toca. na
parte rasa. A quantidade «le água é controlada para chegar ao limite su¬
perior «lo plano inclinado, que une ambas as partes, permitindo assim a pos-
sihilidade «lêss«*s répteis se aquecerem ao sol. em ambiente sêco, expostos dire--
tamente ou protegidos pela toca. A parte superior da piscina foi coberta de
t-la. . duas portas tipo alçapão permitem o acesso ao interior. A água é
mantida a altura «le 1,80 metrts «• trocada quinzenalmente, quando as ope-
raçô»** «le limpeza se processam, a fim «le «pie haja sempre condições higiênicas
próprias e transparência necessária para as observações. Neste ambiente (on-
«le falta apenas o aquecimento «la aguai, adaptado para hospedar as grandes
serpentes aquáticas, nas épocas quentes do ano. são mantidas serpentes de di-
versos portes, variando o comprimento d« 3 a 5 metros, vivendo ccnjunta-
mente com pequenos jacarés e cágado-.
As ••sucuris" «pie temos observado podem passar até 1 hora sob a su-
perticie «1 água em condições normais, ou então ficam quase imersas, dei¬
xando fora d agua apenas a ponta do focinho.
I ma sucuri E iinccles mi urimts. macho, depois «le alguns meses sem se
alimentar, parecia entretanto adaptada à piscina, devido aos passeios pela
agua. A época era boa. pois a temperatura andava perto de 30 graus. Lan¬
çamos certa tarde à água, um coelho adulto, bem nutrido a fim de desper-
SciELO
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cm
210
CONTRIBUIÇÃO A BIOLOGIA DE EUXECTES
MURINUS (LfXXAEUS 1758) (SERPENTES)
tarnios o interesse cio réptil. Para nossa surpresa, o mesmo que estava em re¬
pouso no fundo da piscina, saindo de sua imobilidade, nadou velozmente em di¬
reção do animal, abocanhando-o e enlaçando-o. Simultaneamente, levando-o pa¬
ra o fundo dágua, permaneceu mantendo a constrieção até a imobilidade com¬
pleta do coelho. Depois de 15 minutos vagarosamente abriu a bôca que ainda
abocanhava o coelho e sem desfazer a laçada, como se fosse ura sistema de
rôsca sem fim. mudou e manteve-a com o têrço posterior do corpo. Após isso,
quase 25 minutos da mordida inicial, mantendo sempre a vítima solidamente
segura, veiu à superfície apenas com a ponta do focinho, respirou, observou o
ambiente, mergulhou novamente, e após várias tentativas, abocanhou o coelho
pela cabeça (hábito geral das serpentes no ato de engulir as vítimas) e engu-
liu-o em poucos minutos. Posteriormente êste exemplar de “sucuri” que me¬
dia 5,20 metros, repetiu o feito, durante um dia bastante quente e ensolarado.
Atualmente, temos cinco filhotes vivos de Eunectes murinus (Fot. 2) sal¬
vos por operação cesariana, descrita em outro trabalho, qu? estão se alimen¬
tando com eamondongos de modo idêntico ao observado. Êstes são atirados
ou postos em pedras que ficam junto ao pequeno tanque com água mantida
em temperatura tépida por meio de aquecedores. As pequenas vítimas são
levadas para baixo d ’água. que tem 10 cm a 12 cm de altura, mortas por
constrieção e engolidas.
Xa segunda parte deste trabalho referimos a um exemplar de Eunectes
murinus de aproximadamente de 3 metros, que mantido também na piscina
do Instituto Butantan engoliu um cágado, fato êste inédito ao que se nos pa-
eere (não presenciamos infelizmente o acontecimento mas constatamos e de¬
monstramos o fato posteriormente). Devido à dilatação provocada pelo corpo
do quelonio no abdômen da serpente e também à espessura e consistência da
carapaça, chegamos a recear pela vida da serpente. Horas após. no mesmo
dia, a serpente alimentou-se novamente, ingerindo um coelho doméstico.
Conseguimos radiografar a serpente no dia seguinte e as chapas (Fot. 3
e 4) revelam com tôda a nitidez, os corpos do coelho e do quelonio, êste já com
a carapaça em fase de desagregação devido a ação dos sucos gástricos das
serpentes, que normalmente digerem quase que totalmente as vítimas, com ex¬
ceção das partes queratinizadas. A “sucuri" continuou passando perfeita¬
mente bem.
CONCLUSÕES
Demonstramos neste trabalho que as serpentes Eunectes murinus (Lin-
naeus 1758) podem i>egar suas vítimas dentro d agua, matar e engoli-las sob
a água. Êste fato serve de aviso para os caçadores e pescadores mais afoitos
«pie se aventuram sozinhos sem outros cuidados, por lagoas e rios. Filhotes re-
cm
SciELO
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Mrm. In-t. Butantan. IIÊI.IO K. BELI.COJÍIXI r AI.PHOX8E R. HOGE Oll
28: 207-216. 1957/8. “
cém-naseidos de Eunectes murínus obtido por operação cesariana, descritos em
outro trabalho, também se alimentam da mesma forma, demonstrando, por¬
tanto, que é hábito da espécie. Os filhotes até o presente momento adapta¬
ram-se perfeitamente bem e alimentam-se regularmente eada 15 dias com ca-
mondongos criados no Biotério do Instituto Butantan. Assinalamos também
o fato inédito de um exemplar de Eunectes murínus ter se alimentado com um
quelonio e posteriormente, no mesmo dia. com um coelho doméstico.
AORADECIMEXTOS : — Apresentamos nossos agradecimentos aos Srs. I)rs.
H. F. Oliveira Jr., J. I). Rodrigues e ao Técnico
O. ( Vccon. todos do Departamento de Baio X, da
Faculdade de Medicina Veterinária de São Paulo,
pelas radiografias apresentadas neste trabalho.
RESUMO
Este trabalho demonstra que serpentes do gênero Eunectes murinus (Lin-
naens 1758) podem abocanhar suas vítimas dentro dVigua. matar e enguli-las
submersas. Filhotes recém-nascidos de Eunectes murínus. salvo por operação
cesariana, descrita em outro trabalho, também se alimentam da mesma forma.
Assinalamos o fato inédito de um exemplar de Eunectes murínus ter se ali¬
mentado de um exemplar adulto de Pseudemys dorbiejnii Duméril. Bibron
1835, cágado e posteriormente com um coelho.
RÊ8U.MÊ
On demonstre que de> ophidiens du genre Eunectes murínus peuvent
mordre et deglutir leur proie nu fond de 1'eau. II en est de même i»our les
jeunes. sauvés par opération cesariénne. Fne autre observa tion est celle d’un
Eunectes murínus qui a englouti sucessivemeiit une tortue. Pseudemys dorbignii
(D. B. et D. 1833), et un lapin domestique.
BIBLIOGRAFIA
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2. Amaral, A. d» do — Contribuirão à biologia do« ophidios brasileiros. Habitat, hábi¬
tos e alimentação. 1.® nota prévia. Coletânea ito Instituto Jintantem, 2: 177-181,
1918-1924.
3. Mangili, G. — Rierherche dietologirhe su serpent in envitá nel giordino di Koma. ZOO
Ano // 2 Giugno 19ÕU, Bologna, Italia.
4. Ihoring, R. — von — Dicionário do* animais do Brasil, 1940.
SciELC/o ^
14
CONTRIBUIÇÃO À BIOLOGIA DE EÜXECTES
MURIfíUS (LINNAEC8 1738) (SERPENTES)
Fotografia N.° 1 — Fotografia mostrando ferrão de Arraia atravessando a parole estomacal
de Eunrclm muriim.' (L. 1T5S).
cm
SciELO
Mem. In-t. Bitintan,
28; 207-216. 1057 B.
HkLIO k. bellcomixi » alphoxsk ü. iukíe
VoroGtxnx x.® 2 — Fotografia do» filhoto* do EamrcUt ««rímu (I.. 17 .-. 8 ) , ; ,i Vf >» , H .r
operação cesariana.
cm
214
CONTRIBUIÇÃO v BIOLOGIA DE ECNECTEs
MURINUS (LINNAECS 1733) (SERPENTES.
SciELO
11 12 13 14
nornlo digerido* pela nerpente.
Mem. In»t. Batantan.
28: 217-220. 1957/8.
S. SCHEXBERG
2V,
O OXIGÊNIO NA PER FUSÃO CARDÍACA DE SAPOS
BRASILEIROS
S. SCHEXBERG
(Laboratório de Fisiologia, Instituto Butantan, São Faulo, Brasil)
Dada a escassez de rãs em São Paulo (Capital), freqüentemente somos
obrigados a empregar o sapo (llufa marinus e II. paracnemis) como substituto
na experimentação biológica. A perfusão do coração de sapos apresenta certas
dificuldades (piando comparada a mesma perfusão em rãs. Xos primeiros, é
comum a parada do coração e irregularidades do ritmo e amplitudes, princi¬
palmente quando esta preparação é observada por longo tempo. O emprego
da adrenalina, veneno de sapo e também de ácidos gordurosos, recursos habi¬
tualmente recomendados para afastar êstes inconvenientes, não são satisfatórios
em muitos easos, mòrmente (piando a preparação tem de ser usada para en¬
saios quantitativos ou mesmo qualitativos, onde a ação farmacológica destas
substâncias mascara o “test”.
Em trabalho que realizamos em nosso laboratório deparamos com os em¬
pecilhos acima descritos, o que nos levou a tentar a oxigenação dos liquides
de perfusão com o fim de obter condições constantes de funcionamento car¬
díaco. A oxigenação é obtida borbulhando-se oxigênio diretamente no líquido
(Ringer de batráquio) da cânula de Straub. com auxílio de um capilar de vi¬
dro. podendo-se usar a montagem anteriormente descrita (1). Empregamos
Je preferência corações de fêmeas de porte médio, por apresentarem maior re¬
gularidade na contração cardíaca.
Os corações perfundidos das espécies de sapos experimentados são sensí¬
veis às variações de oxigênio. Como pode ser observado na fig. 1, (piando o
oxigênio deixa de ser borbulhado por poucos minutos, diminuem as amplitudes
de contração cardíaca, parando os batimentos ao fim de um pequeno intervalo.
Contudo, se reiniciamos a oxigenação do coração que parou por deficiência de
oxigênio (fig. 1), em poucos minutos volta a bater e normaliza sua atividade.
A oxigenação permitiu, de fato, melhorar as condições de funcionamento do
coração perfundido tornando-se constantes os batimentos por períodos longos,
proporcionando assim, êste tratamento, a utilização do coração perfundido de
sapo para ensaios farmacológicos sem maiores dificuldades; isto é evidenciado
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
218
O OXIGÊNIO NA PERFISÃO • ARDIACA DE SAPOS BRASILEIRO-
pelo traçado apresentado na fig. 2. obtido no curso de ensaios repetidos de
ATP, feitos com a finalidade de acompanhar a destruição dessa substância por
veneno ofídieo.
É singular o fato do coração perfundido de sapo necessitar de oxigênio
para sua atividade, não sucedendo o mesmo com nossas rãs. apesar de serem
ambos animais homeotemios e pertencerem a gêneros próximos. Xão foi mo¬
tivo de investigação determinar o mecanismo intrínseco da oxigenação em co¬
rações perfundidos de sapas e. assim sendo, não é possível afirmar se o oxigê¬
nio, nestas preparações, interfere com o metabolismo cardíaco ou se exerce
mera ação de presença.
RESUMO
O oxigênio borbulhado diretamente no liquido da cânula de Straub. cm
perfusões cardíacas de sapos < Rufo nturiiuis e R. para ene mis), permite obter
contrações com constância de ritmo e amplitudes, em preparações observadas
por longos períodos, tornando possível o emprego do coração perfundido dêss- s
animais em ensaios farmacológicos.
ABSTRACT
Babbling of oxygen directly into the perfusions Solutions of Straubs
cannula, in isolated liearts of toad> 1 Rufo marinus and R. paracnemisj. per-
mits to obtain contractions which are con-tant in rhytbm and amplitudes in
preparations observed for long periods. enabling so the use of thesc toad’s
perfused hearts in pbarmacological tests.
BIBl.ICXíRAPIA
1. Sfhenberg S, — Acta. Physiol. Latinoamer. 6 : 137-14(5, 1936.
SciELO
11 12 13 14 15
Metn- In*t. ButsiiUn.
28: 217-220. 1957/8.
S. SCHEXBERG
2 lí*
F*o. 1 — Perfusão de coração de sapo. As
setas indicam o ponto onde o bor-
bulhamento de oxigênio foi inter¬
rompido ou reiniciado. O coração
permaneceu 8 minutos sem oxige¬
nação e restal>eleceu-se rápida-
mente com o reinicio da oxige¬
nação.
Fio 2 — Coração de «a]K> em perfusão longa. Tempo total de perfusão — 62 minutos.
O traçado é uma determinação do tempo de inatiração do ATP por venenos cro-
tálicos. C = Y ‘Ir ATP, dos? empregada como controle. Os números, na
part? superior, indicam o tempo de incubação do ATP com veneno. Os números
inferiores identificam a amostra de veneno cuja determinação está s-ndo feita.
A seta indica o ensaio onde o veaeno completou a inativação do ATP.
1, | SciELO
Mem. InJt. BotanUn, p. SOUZA SANTOS, A. VALLEJO FREIRE. R. S.
28: 221 223. 1957/8. FCRLANETTO, AND M. C. ANDRADE
221
CORRELATIOX BETWEEN THE ADSORPTION OF
DIPHTHERIA TOXOH) AND OF ALIZARIN BY
ALUMINUM OXIDE HYDRATE GELS *
P. SOUZA SANTOS,** A. VALLEJO-FREIRE, R. S. PURLANETTO,
AND M. C. ANDRADE
(Laboratório de Virus e Virusterapia, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil)
The adsorption of diphtheria toxoid is used to estiraate the adsorptive
power of Schmidt’s alumimim hydroxide gel (1) for the preparation of foot-
-and-mouth disease vaccine (2). Tliis inethod is open to criticLsm, beeause it is
known that anions sueh as phosphate, borate. carbonate and citrate ean inbibit
the adsorption of diphtheria toxoid on aluminum hydroxide gel and the toxoid
used for the measurement of the adsorptive power is usually dissolved in phos¬
phate buffer (2, 3, 4, 5). Adsorption of Congo Red lias also been suggested
for the same pur])ose (6), but its use lias been criticized beeause it is not
directly eorrelated to the adsorption of foot-and-niouth disease virus (5).
This report deseribes the results of experiments showing that the amount
of diphtheria toxoid adsorbed by aluniinuni oxide hydrate gels of different
crystalline structures in presenee of chloride ion and in absenee of phosphate
ion ean be eorrelated to the amount of alizarin adsorbed by the same gels.
MATERIALS AND METHODS
Toxoid. — Prepared aeeording to the methods of the New York State De¬
partment of Health (7), the toxoid was precipitated at pll 3.2 and dissolved
in the miniroum amount of either M/15 phosphate or glycine-potassium ace-
tate buffer of pll 7.2 (7a), and used without separation of the iron porphyrin.
The titer of the toxoid was determined by the preeipitation inethod of Ra-
mon (8) and expressed in number of Lf units per me of solution.
(•) This work was supported br a grant from the Conselho Xaeional de Pesquisas,
Rio de Janeiro, Brasil.
(**) Present address: Instituto de Pesquisas Tecnológicas, São Paulo, Brasil.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
‘MO
CORRELATIOX BETWEEN THE ADSORPTION OF DIPHTHERIA
TOXOID AND OF AEIZARI.V BY ALCMINCM OXIDE HYDRATE GELS
Aluminum oxide hydrate gels. — The preparation of the aluminum oxide
hydrate gels used in this study was deseribed in previous papers (9). All
freis were freed from soluble salts by dialysis in eellophane bags afrainst dis-
tilled water for 2 days. The aluminum content of the gels was determined
by the 8-hydroxyquinoleine method (10) and expressed as A1 2 0j, in view of
the different water content cf the gels. The gels used in the present study
were the following: I) pure Bayerite gel. from amalgamated aluminum. cons-
tituted by Bayerite somatoids (9); II) Willstaetter’s C-gamma gel, eonstitu-
ted by Bayerite somatoids and Gibbsite hexagonal prisms and platelets (9) ;
III) Willstaetter*s “new b" gel, from aluminum ehloride and ammonium hy-
droxide, constituted by Bayerite somatoids and Gibbsite hexagonal prisms and
platelets; IV) aged Gibbsite gel, from aluminum ehloride and ammonium hy-
droxide, constituted by hexagonal prisms and platelets; V) Boehmite gel, from
amalgamated aluminum, constituted by spherieal particles and irregular pla-
tes (9); VI) Schmidfs gel, constituted by Boehmite fibrils (9, 11 i ; VII
amorphous aluminum hydroxide gel, constituted by spherieal particles (9);
the amorphous aluminum hydroxide was preeipitated inside the toxoid solu-
tion, previously alkalinized by ammonium hydroxide, by adding aluminum
ehloride of adequate concentration to adjust the pll to 7.2 and to produce
the desired amount of Al(OH)*. Before the adsorption of toxoid the pH of
the gels was between 6.5 and 7.0. The particle size, shape and structure of
these gels were determined by eleetron microseopy and by X-ray or electron
diffraction, as deseribed in previous papers (9). In this paper, these gels
will be referred to under the general denomination of aluminum hydroxide gels.
Adsorption of toxoid. — Diphtheria toxoid solution (400 Lf/ml) was
diluted with cither M/15 phosphate buffer or 0.85% sodium ehloride solution
in order to obtain inereasing coneentrations of toxoid. 1 ml of the gel, eon-
taining 20 mg of A1 2 0 3 , was added to 19 ml of eaeh of these Solutions plaeed
in centrifuge tubes, and the mixture thoroughly homogenized by agitation.
The tubes were left at room temperature for 24 hours and the precipitate
was separated by centrifugation. The toxoid titer was determined in aliquots
of the solution before and after adsorption; the amount of toxoid adsorbed was
ealeulated by difference and eheeked by titration cf an eluate of the precipi¬
tate obtained with sodium citrate solution. The pH of the toxoid Solutions
was measured before and after adsorption; it was, in general, between 6.8
and 7.2.
Adsorption of alizarin. — The method for measuring the adsorption of
alizaiin was a modification of the method used by Weiser to follow the decrease
of surfaee area with aging of aluminum hydroxide gel obtained from hydro-
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SciELO
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M«n In»t Batinun P. SOCZA SANTOS. A. VALLEJO FREIRE. R. S.
28 221 228 1957/8 PÜRLAXETTO. AND M. C. ANDRADE
223
lvsis o£ amalgamated aluminum (12). The modification was made in order
to follow a similar teehnifjue to that used for the adsorption of toxoid. A
standard M 200 soluticn of sodium alizarinate was prepared by dissolving pu-
rified Merck ’s alizarin in normal sodium hydroxide and diluting witli distilled
water to obtain different concentrations of alizarinate; 1 ml of the gel was
added to !> ml of these Solutions, the mixture homogenized and centrifuged
after one hour. The alizarin content of the supernatant fluid was determined
bv colcrimetrv and the amount acLsorbed caleulated by differenee.
RESULTS AND DI 8 CÜSSION
Rfsults of the adsorption and the elution of toxoid adsorbed on Boehmite
gel are listed in Table 1. These data refer to toxoid dissolved in glyeine-po-
tassium acetate buffer and diluted witli sodium chloride solution.
TABLE I
Alnrptiw of <3.>htheris toxoi I by B>e'.mite rp!
total amo int of
tinSer of i.f’.< a'!-
• - mbcr f IX* n in-
numberoí IX* cl :t-
ibc
N.°
toxoi 1 in 20 ml
>r >e 1 Ly 20 ni t of
AVi
'sorbel in 20 ml
7 1 from the ailsor-
bate
i
100
100
-0-
100
2
160
160
-0-
120
3
240
rio
-0-
180
-1
580
220
360
200
5
7:o
roo
500
210
6
tioo
200
900
200
7
1600
200
1400
200
8
2200
200
2000
200
These data sliow that the adsorption of toxoid in sodium chloride solu¬
tion follows roughly a Langtnuir or Freundlich isotherm, in the satne way
as obsened by McLaren in the adsorption of proteins and enzymes on Kaoli-
nite (13). The departure from a Langmuir isotherm is obsened in lower
concentrations of toxoid. where no Lf units are found in the supernatant.
This fact eould be interpreted as a ehemisorption of the toxoid on the Boeh¬
mite gel by means of a proeess of ion exchange witli the hydroxyl ions on
the surface of the Boehmite particles and/or primary valence binding to the
aluminum ions on the surface of the Boehmite particles, similarly to what
happens in the adsorption of proteins on Kaolinite (13). However, it eould
also be a physical adsorption of the toxoid on the Boehmite particles if the
cm
SciELO
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224
CORRELATIOX BETWEEX THE ADSORPTION' OF DIPHTHERIA
TOXOID AND OF ALIZARIX BY ALVMIXLM OXIDE HYDRATE GELS
uumber of Lf’s left in the supernatant is smaller than the experimental error
of the precipitatíon method of Ramon (8). ThLs type of isotherm was foimd
for all gels, with the exception of Bayerite and Willstaetter’s C-gamma gels,
which adsorbed only a very small amount of toxoid (4).
Tlie maximmn adsorption of toxoid is 13 Lf/mg A1 2 0 3 for Boehmite. For
higher concentrations of toxoid, the amount of adsorption decreases and re-
mains eonstant at 10 Lf/mg A1 2 0 3 . This constant value for the adsorption of
toxoid for increasing equilibrium concentrations of toxoids agrees with the
hypothesis of an ion exchange mechanism for the adsorption of toxoid, but
the oeeurrence of the maximnm of adsorption eannot be explained only by
this mechanism.
A complete inhibition of adsorption of toxoid was observed in gels of
greater particle size in presence of phosphate ion; on gels of smaller particle
size, the adsorption of toxoid in presence of phosphate is smaller as compared
with the amount of adsorption in presence of sodium chloride. A significant
inerease in adsorption of toxoid could be observed, if part of the M/15 phos¬
phate buffer used for dilution was substituted by sodium chloride solution.
The values of the amount of adsorption of toxoid on Boehmite gel are higher
in presence of sodium chloride than in presence of phosphate ion. These dif-
ferences ean neither be due to the pH (13), nor to the iouic strength of the
solution. since after adsorption the pll’s were always between 6.8 and 7.2. and
there were not found any significant diffcrcnces in adsorption if XaCT Solutions
of higher concentration were used as diluents (4).
Table II lists the average size of the particles of the seven aluminum oxide
hydrate gels. measured by electron microscopy (9); these values are measured
in the directions of maximum elongation of the particles, with the exception
of Schmidt’s gel, in which case the diameter of fibrils is given instead of their
length, which is variable (1).
The amounts of toxoid adsorbed by the seven aluminum oxide hydrate
gels are listed in Table II; the uumbers refer to the constant and the maximum
values of adsorption of toxoid in presence of chloride and phosphate ions.
The amount of adsorption of alizarin or of alizarinate ion on aluminum
hydroxide follows a chemisorption isotherm (12); the constant maximum va¬
lue of adsorption correspouding to the saturation of all aluminum ions on the
surfaee of the particles (14) is listed in Table II, in milliequivalents of aliza¬
rin per mg of A1 2 0 3 .
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*
Mem. In«t. Bntinun, P. SOCZA SANTOS. A. VALLEJO FREIRE. R. S.
28: 221 228. 1957/8. FURLAXETTO. AND M. C. ANDRADE
99 .
20
TABLE II
Amount of adsorption of diphtheria toxoid and alizarin by aluminum oxide hydrate gels
al iminum hydroxide
gel
average partí¬
eis siz? in mil-
limicrons
number of Lfs
ai sor’.»e I per
mg A1 sOj inore
sence of 0.85%
XaCl sobition
number of Lfs
adsorbed per
m; A1 ;°i in
pre-enceofM 15
phosphate buffer
number of rnilli-
equivalents of
alizarin adsorl -
ed |>er mg AljCj
Btyerite (I) . .
2.200
P.95
-0-
2.03 X 10-*
C-gamms II).
1.400
0.75
-0-
0..SS X 10 s
New b (III
450
3
-O-
2.20 X 10- J
Gibbsite (IV).
126
7
1 5
2.33 X 10‘ s
Boehmite (V ).
75
10-13
1.5
4.04 X 10- 5
Schmidt's(fibril<) (VI)
Amorphous AlfOH'j
30 (diameter)
40-15
-0-
4.S0 X 10- J
CFII).
00
503-SOO
20
44.25 X I0 S
The data listed in the third and fourtli coluinn show that phosphate ion
inhibits the adsorption of toxoid. probably by blocking the sites of hydroxyl
exchange of the aluminum hydroxide gel. Cole and Jackson (15) found that
phosphate ion is adsorbed irreversibly on Gibbsite with formation of dihydroxy
aluminum dibydrogen phosphate — A1(0H) 2 H 2 P0 4 (variscite); the forma-
tion of that aluminum phosphate liappens the same way in which phosphate is
fixed in soils. If we assume that the adsorption of toxoid occurs by exchange
with hydroxyl ions and binding to the aluminum of the colloidal particle
through the carboxyl groups of the protein. the effeet of phosphate ion is lo-
gically explained by the formation of variscite on the surface of the particles,
thus blocking the adsorption sites, since only one of the OH-groups of the alu¬
minum oxide hydrates is free on the surface (16). It is also remarkable that
the adsorptive power of amorphous Al(OII) 3 is greater in comparison with
Schmidfs gels. even in presence of phosphate, which can be explained in basis
of the higher surface area of this hydroxide. This explanation may also be
applied to the results of Holt (17) who obtained adsorption of 22 to 45 Lf\s
per milligram of aluminum phosphate gel. beeause the high value for the sur¬
face area of this gel may overcome the inhibiting effeet of the phosphate
ion (*).
From the above findings it is evident that the use of the amount of adsorp¬
tion of toxoid as a measure of the adsorptive power may give unreliable results
if phosphate ion is preseut, which thus eonfirms the critieism made by Pyl
on this method (5). If the adsorption of toxoid is made in absence of phos¬
phate ion and presenee of monovalent anions snch as chloride or aeetate, the
(•) Measurements show an average partido siic oí 33 milliniicrons in precipitated
alnminum phosphate.
SciELO
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cm
>2fi
CORRE LATI ON BETWEEN THE ADSORPTION OF DIPHTHERIA
TOXOID AND OF ALIZARIN BY ALCMINUM OXIDE HYDRATE GELS
aniount of toxoid adsorbed is invtrsely related to the partiele size of the alu-
minum hydroxide gel and therefore constitutes a reliable estiniate of its sur-
faee area.
The saturation aniount of adsorption of toxoid and of alizarin (eolumns
3 and 5) decreases proportionally to the average partiele size (column 1) of
the seven almninum hydroxide gels. as it eould be expeeted from the depen-
dence of surfaei area on partiele size. The amonnt of adsorption of alizarin.
which Ls also an estiniate of the nuniber of free -OH ion per Al ion on the sur-
faee of the particles (14), follows the saine pattern as toxoid does in absenee
of phosphate ion in the médium. Figure 1 shows in a log.-log. scale the
eorrelation existing between the adsorptive power of the seven gels for alizarin
measured by the eonstant or saturation values listed in Table II and for to¬
xoid in presence of 0.85XaCl solution. The adsorption of aliazarin ean
thus be used in plac> of Ccngo Red to estiniate the adsorption of foot-
-and-niouth d is. ‘a.se virus on aluminum hydroxide gels. with the advantage
that the mechanism of adsorption of alizarin is better known (14). Moreover,
the results indicate that the crystalline strueture and or the partiele size or
surface area of the aluminum hydroxide gels have influence < n the adsorptive
power for diphtheria toxoid; gels constituted by Bayerite and Gibbsite are
less adsorptive, tliose constituted by Boehmite intermediate, and the amorphous
aluminum hydroxide gel is the most adsorptive one. However, the differences
may be due to differences in surface area ratlier than to different crystalline
strueture of the gels.
SfMMAKY
Adsorption of dphtheria toxoid in presence of phosphate ion may give
erroneous results as estimates of the adsorptive power or surface area of alu-
niinuin oxide hydrate gels of different partiele sizes and struetures due to the
inhibiting action of the phosphate. If the adsorption is made in presence of
chloride ion and in absenee of phosphate, it gives relable estimates of the sur¬
face area and these values are in direct eorrelation to the adsorptive power
of the same gels for alizarin. The use of adsorption of alizarin in plaee of
Congo Red is suggested for evaluation of the adsorptiv<' power of aluminum
oxide hydrate gels for preparation of foot-and-mouth disease vaccine.
RESfMO
A adsorção de toxóide diftérico em presença de ion fosfato fornece resul¬
tados errôneos na avaliação do poder adsortivo de hidróxidos de alumínio
constituidos de partículas de diferente dimensão e estrutura, devido à ação ini-
cm
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Mtm. Id \ Butantsn. p. SOCZA SANTOS. V. VALLEJOFREIKK. R. S. 227
28: 221 228. 1957/8. FUHLAXETTO. AND M. C. ANDRADE
biclora do fosfato. Fazendo-se a adsorção em presença de ion cloreto e na au-
sèuc a de fosfato, obtém-se resultados seguros na avaliação da área de super¬
fície, e êstes valores estão quantitativamente relacionados com o poder adsor-
tivo dos mesmos «réis para alizarina. É sugerido o uso da adsorção de alizarina
em lugar do Vermelho de Congo para a avaliação do poder adsortivo de géis
de hidróxido de alumínio destinados ao preparo de vacina contra aftosa.
REFERENCES
1 ) Sehmidt, S. — Z. Immunit., 98; 392 (1938).
2) Sehmidt, S. & Fogedby, R. — F.ull. Off. Int. Epizoot., 31; 65 (1949).
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5) Pyl, G. — Areh. Exp. Veterinaerined., 7; 9 (1953).
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9 ) a — Souza Santos, P., Vallejo-Freire, A. & Souza Santos, II. L. — Kolloid-Z., 133;
101 (1953);
b — Watson, J. II. L., Parsons, J.. Vallejo-Freire, A. & Souza Santos, P. —
Kolloid-Z., 140; 102 (1955);
c — Souza Santos, P. & Souza Santos, H. L. — Naturwiss-, 44; 113 ( 195 1 ) ;
,1 — Watson, J. H. L., Parsons, J., Vallejo-Freire, A. & Souza Santos, P. — Kolloid-Z.,
154; 4 (1957);
e — Souza Santos, P., Watson, J. II. L-, Parsons, J. & Vallejo-Freire, A. — Studies
on Sehmidt ’s Aluminum Hydroxidc Gel — Experientia (in i>ress).
10 ) Kolthoíf, I. M. — Textbook of Quantitative Inorganic Analysis, pg. 638, The Mac
Millan Co., New York, 1947.
11) Souza Santos, P. — Unpublished studies.
12) a — Weiser, H. B. — J. Phys. Chem., 33; 1713 (1929);
b — Weiser, H. B. — Alexander’s Colloid Chemistry, 4; 507 (1932);
c — Parks, L. R. J. Phys. Colloid Chem., 35; 488 (1931).
13) McLaren, A. D. — J. Phys. Chem., 5S; 129 (1954).
14) a — Wedekind, E. & Rheinboldt, H. — Ber., 53; 1013 (1919);
b — Rheinboldt, H. & Wedekind, E. — Kolloidchem., Beiheft, 17; 15 (1923);
c — Feigl, F. — Chemistry of Specific, Seleetive and Sensitivo Reaetions, — pg.
537, Academie Press, 1953.
15) Cole, C. V. 4. Jackson, M. L. — Soil Sei. Soe. Amer. Proe., 15; 84 (1950).
16) Russell, A. S. — Alumina Properties — Tech. Paper n.° 10, ALCOA, 1956.
17) Holt, L. B. — Developments in Diphtheria Prophylaxis, pg. 64, Wm. Heinemann
Medicai Books, London, 1950.
SciELO
0 11 12 13 14
228
CORRELATION BETVVEEX THE ADSORPTIOX OF DIPHTHERIA
TOXOID AND OF ALIZARIN BT ALDMI.VCM OXIDE HYDRATE GELS
NUMSC* 0» AOSOB «cs Pt* MC cr *10 IX P«£MNCt Or SCOuu cxoaot
Fioure 1 — Corrclation between the number of units of toxoid and tnilliequivalents of
alizarin adsorbed per miligram of aluininum Iivdroxide gels of different
particle sizes and crystalline structures: the Roman numbers refer to the
aluminum hydroxide gels listed in table II.
cm
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Mem. Inst. Butantan,
28: 229-238. 1957/8.
ROSEXFEI.D. L. NAHAS. S. SOIIENBERO
AXD W. T. BERALD0**
229
ABSOR PTION OF FLUID BY RED BLOOD CELLS AND
HEMOLYSIS IN SHOCK INDÜCED BY TOURNIQUET*
G. ROSEXFELD, L. NAHAS, S. SCHEXBERG AND W. T. BERALDO**
(Laboratory of Hematology, Instituto Ilutantan, São Paulo, Iirasil)
Coonse et al (1) observed hemolysis in dogs submitted to traumatic shoek
but he failed to observe it in those dogs submitted to bemorrliagic shoek. Ro-
senfeld (2) observed that shoek indueed by histamine, trypsin, peptone, bra-
dykinin and bothropic venom provoked in dogs an inerease in mean corpus¬
cular volume accompanied by an inerease of the fragility of erythroc. v tes and
hemolysis. These red blood cell alterations were not due to the substanccs in-
jected because, with exeeption of botliropic venom. none of them modified
the red blood cells “in vitro”, even in concentrations higher tlian those injected.
Rosenfeld concluded that the liquid absorption by the erythroeytes with the
consequent alteration were not due to the substanccs injected but to the shoek
conditions indueed b? them. By this mechanism the red blood cells are res-
ponsible for the disappearanee of a great part of the plasmatic liquid loss pe-
culiar to shoek.
According to these facts, shoek indueed by other means would also pro-
voke these red blood cells alterations. In the present paper the modifieations
that occur in sliock indueed by tourniquet are studied.
MATERIAL AXD METHODS
To dogs anesthetized with Nembutal by intraperitoneal route (35 mg per
kg of body weight), a wire torniquet was fastened tight on a hind leg and man-
tained for six hours or more.
The first blood sample was colleeted from the femoral vein of the other
hind leg while under anesthesia, before the tourniquet fitting, iramediatl? be-
fore torniquet removal. and 5, 15, 30 and 60 minutes thereafter. 5 ml of blood,
with 0.1 mg of heparin per ml were colleeted at each time.
• This study was supported br the Anastacio Paschoal and M. Pedro Fellowship, and
by the Conselho Xacional de Pesquisas. Part. of this paper has been presented at the
TV International Congress of the International Society of Hematology, 1952.
**From the Department of Phisiology, Faculty of Medicine, U.S.P..
cm
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230
ABSORPTIOV OF FLCID BY RED BLOOD CELLS AND HEMOLYSIS
IX SHOCK IXDUCED BY TOCRXIQCET*
For erythrocyte counting the blood sample was first shaken mechanically
for 2 minutes by means of the shaker usuall. v employed for Kalm reaction and
then diluted. In order to obtain better results, the pipette containing the
sample and diluting fluid was shaken mechanically for 1 minute by meams of
a standard shaker. All cells present in an area of 0.2 mm- of the hematimeter
were counted.
For hematoerit determinations, the blood samples were centrifuged in a
Wintrobe tube, for 15 minutes at 4.000 rotations per minute.
Hemolysis was qualitativel? estimated in the supernatant plasma of the
hematoerit. In one case the absolute hemoglobin quantity was determined in
a spectrophotometer. Other hematologic data were studied and will be pu-
blished,elsewhere. Blood pressure from the carotid artery was reeorded by the
usual method.
RESULTS
Data from seven dogs are presented in Table 1. With exception of 1 R
all showed hemoconeentration. In dog IR which showed hemodilution, the
tourniquet was maintained for 18 hours, while in the others it was maintained
for 6 hours.
All but one dog showed hematoerit increase in a proportion larger tlian
the increase of red blood cells thus indicating a mean corpuscular volume in¬
crease.
IIemol. r sis occurred in 6 dogs. In all cases it appeared only after tour¬
niquet removal and remained till the end of the experiment. Free plasma he¬
moglobin of dog 2-52 Cg reached 0,528 g/100 ml, amounting to 2,9% of total
hemoglobin.
Graph 1, prepared with the mean values presented in table 1. indicates
that hemoconenetration appeared after tourniquet fitting and that the hema-
100
8o
K»*oval
n»<twr. s
ITo. 2 — Arterial blood pressure reeording of dag 1
R. exposed to tourniquet for 13 hours.
cm
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T A B K L A 1
RED BI.OOD CELL COÜNTS. HEMATOCRIT AND HEMOLTSIS DURING THE TOURNIQUKT SHOCK IN DOGS
The vahH*» recordrd under th»* headin* "IWore tourniquet remo vai ** wcre ohtained from aample» tokrn ju»t before rrlcndn* the
toumiquet. «a* »v«y<! rouffly by the color oí the nupernntant plo*mn obtnined durinff thc hcmatocrit deterroinntion*
In ca.*e of do* 2-52 -C’í thc concentration of plaMim hcmo*!obin ww dctcrmined photometricaUy
RBC • Red bxod cri! count* Ht • Hrmatocrit; MCV • mranico torp'i«ctiltr voJum*
DOC
Bcforr thc toumiq*j«»t ' Before thc tourr.iquet
_ , Application remova!
Time of rtpMurc
TIME IN MINUTES AITE 1 THB REM0VAL OK THE TOURNTQUET
5
15
.30
60
»HC
( ■' ^
Ht
%
MCV
itemo- URC
1}.L. j X 10*
Ht
%
MCV
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Hemo»
I)W
UBC
x io«
Ht
%
MCV
JA*
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RBC
X 10*
Ht
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MCV
ii*
RBC
x io*
ui
%
MCV
V*
Hemo-
1 y*i»
RBC
x io*
m
%
MCV
Ilcino
lyaia
2C
5 bcure KiHed 5.7
**
7S.3
° 6 5 !
«0.3
73.3
0
0 1
48
78.7
0
6.1
48.5
80
+
6.0
49.5
82.3
+
6.0
31
85
+
3 C
5 hou*s Killcd 6.1
41
0 7.1
54.2
76
0
7.3
54
74
0
6.4
54
84-3
0
6.7
55-3
82.5
+
6.0
34.4
82.4
+
I C
6 boury Kiilrd 5.8
41.6
71-3
0 6.6
MA
82
0
7.3
54.4
00.1
0
6.9
50.2
72.7
+ +
C.7
32
77.6
++
6.5
18.1
74.1
++
4 C
t.40 Houm Killrti 4.S
36
75
C 5.4
45
83
0
í C
49.1»
83.1
+++
30
83
+++
6.3
50.5
80
++++
6-3
50
79.2
++++
J.1S4
0.312
0-304
0.526
2-32-C*
6 hour* K.lt-d 1 6.6
« 3
74 6
0 7.5 j
56.0
74.8
0
1
01.4
70.3
+ +
8.3
61.7
71.7
+ + +
8.6
03.2
72.5
+++
8.1
3 2
78
++++
5 C
5 hour» Killcd 1.8
40.4
91
0 3.6
«2.6
76
+
5.4
14.5
82
+ +
4.9
10
82
+ +
5.0
40
80
+++
• >i
41.0
81
+ +■+
1 H
13 houn Di"*l 6.8
48.5
71.5
— 6.0 |
47
77-3
I 6.0
40
6-3
47.5
75.5
6.0
46.5
< t
AVKRAGEá
1 3.90
1.1.3
6.35
4V.I
77A
6.76
51.1
76.2
6.4.3
50.7
78.1*
6.51
5.
79.6
6.40
30.8
79.6
*
cm
10 11 12
S
iEL
17
2
Mwn. In«t. BntanUn,
28: 229 236. 1957/8.
U. ROSEXFEI.D, L. XAHAS. S. SCHEXBERG
AND W. T. BERALDO’*
231
tocrit increase was greater than that of the erythrocyte countings, tlius sho-
wing an increase in the mean corpuscular volume.
io
■SS591II
KlO. 1 Arterial blood pressure reeording of dog 4 C, exposed to tourniquet
for 4.4 hoars.
10
PERCENTUAL
VAiuES Tourniquet Application
120 J Tourniquet Remova/
RED BLOOD CEULS
15 30 60
MINUTES
■ HEMATOCRIl
Graph 1 — Perccnt rbangeg of red lilood eell
count and hematoerit of dogg cxposed
to tourniquet. The graph was prepared
br averaging the results inrluded in
tabb 1.
In all cases the blocd pressure fell soon after removal of the tourniquet,
but remained normal while the latter was on. This can be seen from figures
1 and 2; it must be mentioned that the former is a record of blood pressure
of dog 4 C, whieh was exposed to tourniquet for 4.4 hours, while the latter be-
longs to dog 1 R, exposed to tourniquet for 13 hours.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
ooo ABSORPTIOX OF FT.UID BY RED BLOOD CELLS AXD HEMOLYSIS
“ 0 ~ IX SHOCK IXDCCED BY TOCRXIQLET*
DISCCSSIOX
Tourniquet fitting is sufficient to produee hemoconeentration and mean
corpuscular volume increase even before a fali in the blood pressure as it ean
be seen from th? Fig 1 and 2 and table 1. On removing the tourniquet, a fali
in the blood pressure was noted and 5 minutes thereafter the deseribed inodi-
fications were found to be more intenses, the corpuscular volume increased and
hemolysis appeared. The alterations remained during the next 60 minutes,
period of time in which observations where done. It would seem tbat the tour¬
niquet induces hematologieal alterations peculiar to shock probably due to
blood stasis in the neighborhood of the place where the tourniquet was fitted.
As reported in tliis paper hemoconeentration appeared even w.th the tour¬
niquet on, a phenomenon which eannot be explained b. v elimination of the cir-
culaticn through the leg to which the tourniquet was fitted, since during this
experimental period, it swelled, increased markedly in volume, and acquired a
hemorrhagic aspect. This indicates that the swollen region was drawing blood
from the general circulation; therefore the venous circulation was probably
interrupted wliile the arterial flow was not totally blocked. Besides. at this
stage the was already a tremi towards an increase of the mean corpuscular vo¬
lume which showed that more marked alterations took place. Hemol. v sis ap¬
peared on toruniquet removal, when pressure fali and hematologieal modifiea-
tions become more intense. Hemolysis could also be due to hemoglobin libe-
ration by the red blood cells demaged in the region near to the tourniquet.
Our attention was called to the fact that hemodilution oecurred specially
in dog 1 R, which had been submitted to tourniquet for a longer time than the
other dogs. According to Moon (4), hemodilution would be eharaeteristic of
primary shock, wliile hemoconeentration would be proper of secondarJ shock,
when endothelial damages appear and cause alterations in the liquid cquili-
brium, but what was observed does not agree with this concept. In dog 1 R,
which presented hemodilution, secondary shock should actually have oecurred
because it was submitted to tourniquet during a period of time three times lon¬
ger than others and it was the only dog that dietl spontaneousl. v . Besides, the
noticeable increase of the mean corpuscular volume showed that an alteration
of red blood cell permeability had oecurred, probably by the same mechanism
that affects the endothelium of the blood vessels.
These results showed that in shock induced by tourniquet there is an in¬
crease in red blood cell volume by fluid absorption and consequent hemolysis.
These alterations occur even before the arterial pressure falis, and are pro¬
bably due to stasis or maeeration of the tissues adjaeent to the place where
the tourniquet was placed.
*
M<m. In*t. Butantan,
28: 229 236. 1957/8.
ROSKNFKLP. L. NAU AS. S. SCHKNBEKG
AND W. T. BERALDO**
233
In order to see if the inerease of the red blood cells volume could be due
to an inerease of the CO; coneentration with consequent a fluid absorption,
the following experiments were done:
A sample of venous blood of dog taken with Ethylenedianrnetetraacetic
aeid. disodium salt, as a antieoagulant (1 mg/ml of blood), under the technical
eondutions used in the laboratory (3). 5 ml of blood was transfered to eacli
of three tubes of 20 ml capacity. Close to the surface of the blood eontained
in the first two tubes a stream of oxygen or carbon dioxyde was injeeted for
several minutes in order to substitute the atmospheric air and to saturate the
cells; the stream was regulated so as to provoke agitaticn of the blood without
foaming.
After a gentle rotation of the tube. two portions of the O; saturated blood
were transfered to two Wintrobe tubes for hematocrit determination. The O;
Ia. v er eontained in the tube was carefully replaeed by air. the sample was me-
ehanieally shaken fer 2 minutes, as for hematimetric determinations, and he¬
matocrit was determined again. The COj-satured sample was treated in a
similar manner. The sample eontained in the third tube served as control and
was treated in the same way, but replacing O; or CO; by air. The wliole ex-
periment was repeated using blood taken from a second dog. The results obtai-
ned are presented in table 2 where the averages of the two replieates are regis-
TABLE 2
Hematocrit changes produced by saturation of the blood sample with CO*, 0* or air. Kach
figure representa the average of 2 determinations
Experimental eonditions
Ga» saturated
Ga» saturated and shaken
afterwards in atmospheric air
Hematocrit
%
Variation
%
Hematocrit
%
Variation
%
Atmospheric air (control).. .
43.6
_
43.2
-0.9
Oxvgen..
42.4
-2.8
42.8
- 1.8
Carbon dioxvde.
46.8
+ 7.3
44.6
+ 2.3
tred. The results indieate that, as expeeted, the volume of the red blood eells
deereases in presenee of 0 2 (-2,8%3 and inereases in preseuee of CO; (+7,3%) ;
but their size change again towards the normal values when shaken mevhani-
cally in presenee of air under the eonditions of shaking as for hematimetric
determinations. In faet the final hematocrit variation was -1,8% and + 2.3%
for the portions of blood wliieh ad been saturated with O; and CO; respectively.
A second experiment was done to see if the eells obtained after a venous
stasis. in wich an increased volume was observed. thev diminished when shaken
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
234
ABSORPTION OF FLCID BY RED BLOOD CELLS AND HEMOLYSIS
IX SHOCK INDCCED BY TOCRNIQCET*
in an atmosphere of 0 2 . A blood sample was obtained from the vein of the
dog leg without tourniquet or stasis; after this. a tourniquet was put to pro-
voke stasis for 5 minutes and another sample was taken. 5 ml of each blood
was put in tubes of 20 ml. The tubes were mechanically sliaken fcr 5 minutes
and the hematimetric values were determined. Afterwards the air was substi-
tuted by 0 2 by means of a stream no so strong as to provoke agitation of the
blood contained in the tube, and shaken again the hematimetric values were
determined once more.
All determinations were made in duplicate and the results of Table 3
are the means obtained.
TABLE 3
IXFLUEXCE CF AIR CR OXYGEX CX THE HEMATOCRIT VALUE AXD MEAX
CORPUSCULAR VOLUME OF DCG BLOOD COLLECTED WITH OR WITHOUT STASIS
Erythrocyte-
Hemitocrit
Me m corpuscular
Variation
Blood
mm 1 X 10*
Vo
%
Without Stasis + atnv 'spheri? air
4.43
35.3
79.7
—
Without Stasis + (F .
4.39
35.9
79.7
0
With Stasis 4- atrmspheric air.
4.63
39.4
85.1
+ 6.78
With Stasis + 0-.
4.64
39.3
84.7
+ 6.27
The results obtained in this connexion show that the meehanical shaking.
eitlier witli air or with 0 5 , is not sufficient to annul the increas? in er. v throcyte
volume produced by stasis. ThLs finding seems to indicate that this increase
in crythroeyte volume is not due to increased saturation with C0 2 . since the
exeess of this gas should have been eliminated by the meehanical shaking as
indicated b. v the results of the first experiment (table 2). This seems to be
more so, since, in the seeond experiment, a 5 minutes meehanical shaking with
oxygen was unable to reduce the erytliroeyte volume towards the normal figure.
The results presented in this paper show. therefnre, that, in tourniquet
shock, there is a marked absorption of fluid b? the red blcod cells. This leads
to the conclusion that the loss of plasma volume which aeeompanies this type
of shoek is due in part to fluid absorption by the red blood cells and not only
to the loss of blood plasma through the membrane of the blood vessels, as
usually accepted. Since similar findings have been reported b. T Rosenfeld (2)
in shock produced by histamine, trypsin, bradykinin and bothropic venom, it
would seeni that this ma. v perhaps apply to all typcs of shoek independently
of its cause.
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
SciELCVo
2
3
5
6
11
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13
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15
16
L
cm
Man. In«t. Butantan.
28: 237244. 1957/8.
G. ROSENFELD. S. SCHEXBERG AND L. XAHAS
237
FLUID ABSORPTIOX BY RED BLOOD CELLS AND
HEMOLYSIS IX EXPERIMENTAL YEXOPS STASIS*
G. ROSENFELD, S. SCHEXBERG AND L. XAHAS
( I.aboratory of Uematology, Instituto Ilutantan. São raulo, Ilrasil)
Absorption of fluid by red blood cells accompanied by an increase in their
volume, fragility and hemolJsis was reported by Rosenfeld (1) in dogs under
shock by histamine, trypsin, peptone or bothropic venom. Kinee tbe.se subs-
tances, with exception of bothropic venon, do not prodnce any change of the
red blood cells “in vitro”, these modifieations were considered b. v Rosenfeld
as due to shock induced by the drugs and not as a direet effeet of the drugs
mentioned. If that is the case, then absorption of fluid by erythrocytes should
be a constant finding in shock. In part it would also explain the deerease in
plasma volume, known to occur in shock, which has so far been attributed to
loss of blood plasma through the walls of the blood vessels.
Rosenfeld, Xalias, Schenberg and Beraldo (2) observed later the same
phenomenon in tourniquet shock in dogs. As the alterations were the same and
appeared even before arterial pressure fali, t he. T seemed to be produced by ve-
nous stasis. In ordcr to test these hypothesis, the modifieations that occurred
under experimental venons stasis were studied.
MATERIAL AND METH0D8
. A laparotomy was done to clamp the abdominal veins or to handle the vis-
eerae of dogs maintained under Xembutal anesthesia (35 mg/kg). The earotid
blood pressure of most animais was also recorded during the experimental pe-
riod. From the exposed femoral veins, 5 ml of blood were collected at each
time. To avoid clotting 0.1 mg of heparin per milliliter of blood were added.
Red blood cell counts were done in 1/5 mm 2 after shaking meehanically blood
* This study was supported by th? Anastácio Paschoal and M. Pedro Franco Fellowship,
and by a grant from the Conselho Nacional de Pesquisas. Part of this paper has been
presented a* the IV International Congress of the International Society of Hematology,
1952.
1, | SciELO
238
FLCID ABSORPTIOX BY RED BLOOD CELLS AND
HEMOLYSIS IX EXPERIMENTAL VEXOCS STASIS*
and pipets (2). Wintrobe hematocrits were used and all were centrifuged for
15 minutes at 4,000 rpm. Hemolysis was estimated in the spectrophotometer
from the hemoglobin eoneentration present in the supernatant plasma of he-
matocrit determination.
RESCLTS
Clamping of the vena cava just below the renal veins provoked a gradual
and sliglit fali of blood pressure (fig. 1) followed by hemoconeentration, mean
corpuscular volume increase and hemolysis (table 1 and graph 1). On clamp
release, after this clamp had acted for 50 minutes, a transitorial rise of blood
pressure appeared but the hematological modifications remained.
Clamping of the mesenteric vein near to its junction in the vena cava
produced a gradual and more marked fali of blood pressure (fig. 2) with the
same blood alterations. On clamp removal, the modifications became more
marked (table 2, graph 2). In a dog (fig. 3) there was very small pressure
fali, although the same blood alterations were observed (table 3, graph 3).
Removal of viseera from the abdominal cavity and its handling a!so pro¬
voked pressure fali (fig. 4) and the same blood modifications (table 4. graph 4)
whieh remained even after replacement of the viseerae and normalization of
the blood pressure. It was observed that during this experiment stasis oecurred
in the mesenteric veins as shown by dilatation and c. v anosLs of the intestinos.
Controls were done (fig- 5, tables 5 and 6. graphs 5 and 6) in order to
find out if anesthesia or the incisions to expose femoral or carotid artery were
sufficient to provoke alterations of the same kind. In these experiments he¬
moconeentration did not oeeur; and a marked or eonstant increase of mean
red blood cells volume could not be observed. In one of these animais (table
5) hemolysis appeared and the dog died during the experiment. In another
eontrol which had neither been anesthetized nor submitted to incisions, no al-
teration took place (table 7, graph 7).
TABLE 1
Dog 5-52-C1. Clamping of the vena cava for 50 minutes
Time in minutes
Before
Clamping
After Climping
After Clamp removal
15
30
15
60
Red blood cells X 10*.
6.0
os
6.7
6.6
6.7
Hemntocrit % .
45.0
52.0
54.5
52.0
54.5
Mean Corpuscular Wlumr 51 * -
74.2
80.2
81.3
79.1
81.7
Hemolvsis Hb. gm %.
0.06
0.08
0.20
0.20
0.40
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Mem. Inst. BuVnUn.
28: 237-244. 1957/8.
G. ROSENFELD. S. SCHENBERG AND L. XAHAS
239
TABLE 2
Dog 17-52-C1. Clunping of t’.ie misenteric vein for 45 minutes
Before
Clamping
Red blood cells X 10*.
7.4
Hematocrit % .
51.0
Mean Corpuscular Volume p 3 ..
68.9
Hemolysis .
0
Time in minutes
After Cl imping
After Clamp removal
15
30
45
15
150
240
6.6
6.4
6.4
7.5
8.2
8.9
50.5
46.1
46.5
59.2
61.5
64.7
7G.5
70.7
73.S
SO.O
78.7
72.7
++
+ 4-
+ +
+ +
+ + +
+ + +
TABLE 3
Dog 26-52-C1. Clim-in^ of the m?sent?rie vein for 60 minutes
Time in minutes
Bjforc
After Chmping
Aftcr Clamp
remova!
*
10
20
50
30
ISO
Red blood celh X 10*.
u
6.2
6.8
7.0
7.3
7.7
Hematocrit %.
36.3
46.0
49.0
51.0
53.5
56.0
Mean Corpuscul ir Volume p 3 ..
6’.6
74.2
75
72.8
73.2
72.7
IlemolvsH Hb gm %.
0.1
0.1
0.1
0.05
0.1
0.1
TABLE I
Dog 27-52-C. Vi-cera! hrn.Ming for 20 minutes
Before vis-
eerrl handl-
\fter handl-
Time
in minutes
ing before re-
plicement
\ftcr replacement of intestinos
ing
60
180
240
Red blood cells X 10* .
5.8
7.2
7.4
7.6
9.2
Hematocrit %.
45.0
57.4
60.0
61.7
62.5
Mean Corpuscul ir Volume p 3 —
77.5
79.7
81.0
81.1
67.9
Hemolysis Hb gm % .
0
0.30
0.35
0.85
0.60
1, | SciELO
240
FI.UID ABSORPTCON BY REI» BLOOD CELLS AXD
HEMOLYSIS IX EXPERIMENTAL VEXOCS ST ASIS*
TABLE õ
Dog 30-52-C. Control. Anesthesia, exposure, handling of femoral veins and blood pressure
reeording. This animal died duríng the experiment.
-....
Bafore
operation
Time in
minutes
40
100
160
340
Red blood eells X 10'*.
6.3
6.2
6.0
6.4
Henatoerit % .
46.0
40.0
43.0
47.1
43.1
Mean Corpuscular Volume [í 1 .. .
73.0
64.5
71.7
73.6
75.6
Hemolysis Hb gm %.
0
0
0.1
0.2
0.3
TABLE 6
Dog 32-52-C. Control. Anejthesia and femoral vein exposure.
Bafore
anesthesia
Time in hours
After anesthesia and vein exposure
1
2
3
5
Red blood cells X 10®.
6.9
7.1
7.0
6.3
6.3
Ilematocrit %.
49.4
52.4
54.4
47.4
45.0
Mean Corpuscular Volumes \J. 3 _
71.6
73.8
77.7
75.2
71.4
Hemolysis Hb gm %.
0
0
—
0
0
TABLE 7
Dog 33-53-C. Control. Without anesthesia or vcins exposure
Time in hours
0
1
2
3
4
Red blood cells X 10®.
5.0
4.6
4.3
4.6
4.5
Ilematocrit %.
37
31
33
31
33
Mean Corpuscular Volume (l*..
74.0
67.4
76.7
67.4
73.3
Hemolysis Hb gm %.
0.16
0.12
0.12
0.16
0.16
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
*
Mim. Ins». Butantan,
28: 237-244. 1957/8.
G. ROSEXFELD, S. SCHEXBERG AND L. NAHAS
241
PPG S-32-C1
CLAMPING Of VcNACA*
DOG I7-S2-L
CLAMPING MESENTERlt VElN
DOG 30-32 - C
CONTROL ARTERIAL PRESSuRE
AND VEINS EXPOSUAE
OptrqfiQ*
40 >00 '6c 220
UiNUTtS
DOG 32-52-CO
30 45 15 150
MINUTES
DOG 27-52-C
-OnTROw OnLY VEIN ExPOSuRE
DOG 26-52-Cl
CLAMPING McSENTERC VtlN
AÔOOMlNAL VISCERAL HANOUNG
Ptrtff
va
CONTROL WlTMOUT ANESTmESK,
OR OPERATlON
©
n M.0 ftcOOO C1LLS |j<UA:OCAlT
I bi.i
Grachs 1 — 7 — Percent changos of red blood cells eounts and rcd blood cells volumo
(hematocrit). Disproportional increase of the hematocrit value show
increase of the volume of the red blood cells.
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
242
FLUI D AB80RPTI0X BY RED BLOOD CELLS AND
HEMOLYSIS IX EXPERIMENTAL VEXOUS STASIS*
8o -
Aoo\-
l
8 o U
6oU
io-
Fio. 1 — 5
Arterial blood pressure reeording.
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Mera. Inst. BuMnUn. G. ROSENFELD. S. SCHENBERG AND L. NAHAS OIQ
28 : 237 - 244 . 1957 / 8 .
DISCU88IOX
The mesenteric region was chosen to study the venous stasis as the site
where a large amount of blood accumulates during common shock. In this
loeation a great accumulation of blood easib' oeeurs and probably the altera-
tions due to stasis there take place with more intensity. In faet. clamping of
the mesenteric vein produees modifications which are more marked than when
the vena cava is clamped.
It was observed the same hematimetric modifications noted by Rosenfeld
(1) and Rosenfeld et al (2) in different kinds of shock. even before the actual
appearance of shock Evidenee was presented which indicates that the increase
of the volume of the red blood eells observed is not due to an increase of CO a
in the eells because the teehnic used for the homogenisation of the blood for
the hematimetric determinations was suffieient to eliminate the excess of
C0 2 if present, as was demonstrated by Rosenfeld et al (2). Ilemoeoneentra-
tion which according to Moon (4) Ls the first sign of capillary circulator? dis-
turbance, appears even before an arterial pressure fali occur. Even without
shock and even with normalization of the arterial blood pressure, the increase
in mean corpuscular volume remained and hemolysis eontinued.
It seems that stasis in some regions is suffieient to provoke intense red
blood eells modifications altering their permeability and thus provoking a di-
sappearence of a great part of plasmatic liquid from the circulation. As a
eonsequence, there is an increase of red blood eells fragility, and hemolysis
occur, even without a traumatism.
8UMMARY
An increase of the mean corpuscular volume, hemolysis and hemocon-
eentration of the red blood eells were observed as a consequenee of clamping
of the vena cava or mesenteric vein in dogs. These chauges appeared even when
there was no appreciable fali of the arterial blood pressure. Venous stasis
seems to provoke a modifieation of the permeability of the red blood eells thus
inducing an increase of their volume by absorption of plasmatic fluid. Pro¬
bably part of the blood fluid loss in shock is due to this mechanism.
RESUMO
Foi provocada estase sangiiínea pelo pinçamento da veia cava ou da me-
sentérlca em cães laparotomizados. Essa estase, assim como a simples mani¬
pulação das vísceras exteriorizadas, provocou aumento do volume médio das
1, | SciELO
014 FLUID ABS0RPTI0X BY RED BLOOD CELLS AND
~ HEMOLYSIS IX EXPERIJIEXTAL VEXOüS STASIS*
heniácias, hemólise e hemoeoneen tração, observadas em sangue retirado da
veia femural. Essas modificações apareceram mesmo quando não havia que¬
da apreciável de pressão arterial. A estase venosa provoca portanto uma mo¬
dificação da permeabilidade das hemácias com absorção do líquido plasmático
que passa para esses glóbulos, causando hemoconcentração e explicando parte
da perda de plasma sangüínea no choque.
BIBLIOGBAPHY
1. Rosenfeld, G. — Hematimetric Studies in shock produced by animal venoms, Trypsin,
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SciELO
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ln*t. BritantAn.
2 *: 245 266 . 1957 / 8 .
A. VALLEJO FREIRE * A BRtNNKR JR.
245
ERITROCITOS NA RETT UT* LOCITOSE 1)0
SATERNISMO EXP ER I MENTAL*
ESTRUTURA MITOCOXDRIAL
EBYTH BOCYTES IX RETICÜLOCYTOSIS OP EXPERIMENTAL SATIHNISM
MITOCIIOXDRIAL STRUCTÜRE
A. VALLEJO-FREIRE e A. BRUXXER JR.
( Laboratório de Vinis e Virustrrapia, Instituto Itutantan, São Paulo, Brasil)
INTRODUÇÃO
Com os recontes aperfeiçoamentos do microscópio eletrônico, é possível
atingir um poder de resolução de 7 a 10 A, ao passo que eom a raicroscopia
óptica só em condições ótimas se atingia 2000 A com luz natural, e 1100 A com
o uso da luz ultravioleta. Este fato trouxe como conseqüência a necessidade
de se proceder a uma revisão das noções já adquiridas sôbre a microestrutura
dos componentes celulares, para comprovar ou modifiear os conhecimentos es¬
tabelecidos. Somente após esta revisão é que em muitos casos será possível es¬
tudar as relações entre a morfologia e o estado fisiológico celular e surpreender
as modificações patológicas intracelulares em seu início.
Cuidados especiais devem ser tomados para que o material biológico não
sofra alterações durante a colheita, fixação e preparo final. Artefatos que
seriam de somenos importância nos preparados observados ao microscópio
óptico passam a ser críticos no exame detalhado das estruturas celulares ori¬
ginais ao microscópio eletrônico.
Em estudos visando a localização de riquétsias e vírus no sangue, encon¬
tramos dificuldades para interpretar algumas alterações verificadas nas células
sanguíneas, até então mal descritas quando observadas ao microscópio eletrô¬
nico. Êstes fatos se verificam até mesmo com os glóbulos vermelhos, particular-
mente quando houver uma reticulocitose mesmo discreta.
Em preparações feitas com sangue hemolisado, precauções especialíssimas
devem ser tomadas para não confundir partículas de vírus com aquelas origi¬
nadas de reticulocitos. glóbulos brancos ou plaquetas alteradas nas manobras
feitas durante o preparo do material.
O estudo da ultraestrutura dos corpúsculos observados no interior dos
glóbulos vermelhos jovens, conhecidos pela denominação de “substantia gra-
nulo-filamentusa”, tem apresentado dificuldades técnicas que só recentemente
* Trabalho realizado eom auxílio do Conselho Nacional de Pesquisas, Rio de Janeiro,
Brasil.
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246
ERITROCITOS NA RETICCLOCITOSE DO SATCRJflSMO EXPERIMENTAL
vêm sendo superadas. Com a microscopia óptica, as formações intra-reticulo-
citárias eram evidenciadas somente através de artifícios técnicos e métodos de
coloração, que davam margem a interpretações as mais diversas quanto à sua
origem e natureza.
Desde qup se verificou que as elementos citoplasmáticos corados pelo verde
Janus 15 poderiam ser identificados às mitocôndrias, os corpúsculos intracelu¬
lares que se coravam por aquele corante passaram a ser interpretados como
sendo mitocôndrias. Com o advento da microscopia de contraste de fase,
tais estruturas foram observadas em células vivas, independente do uso de
corantes ou qualquer artifício técnico, eliminando assim a possibilidade de
que fossem resultado de artefatos.
Reticulocitos tratados pelo verde Janus B apresentam no seu interior fi¬
lamentos corados em azul esverdeado, o que induziu os pesquisadores a sus-
peitar de que estas formações fossem mitocôndrias ou material delas derivado,
sem que houvesse sido possível, pelos métodas ópticos, obter uma segura com¬
provação morfológica. Vários autores, todavia, suspeitavam de que as estru¬
turas assim evidenciadas eram produtos de artefatos. Dustin (8) supunha
que as estruturas intrahemátieas eram devidas à precipitação do ácido ri-
bonucleico durante a secagem, ou aos métodos de .fixação e coloração. Ko-
senow (11) pretendeu ter demonstrado que tanto grânulos como filamentos
eram formados pela precipitação de ácido nucleico pelos corantes.
A hemoglobina dos reticulocitos impede evidenciar, no microscópio de
fase, qualquer estrutura semelhante às encontradas em outras células. Isto
sdmente é possível com o uso de corantes vitais apropriados, como o verde Ja¬
nus B e o azul de cresil brilhante. Esta circunstância fêz com que persistissem
as dúvidas quanto à preexistência da estrutura da chamada “substantia gra-
nulo-filamentosa”.
O fato de que os filamentos e grânulos nos reticulocitos hemolisados, após
uma secagem parcial, tomam a coloração vermelho-rosa, quando tratados pela
fucsina ácida e azul escuro, pela hematoxilina, métodas respectivamente de
Altmaun e Regaud para evidenciar mitocôndrias, levou a se procurar em
definitivo esclarecer se êstes filamentos eram realmente mitocôndrias.
Posteriormente, com auxílio da microscopia eletrônica, a “substantia gra-
nulo-filamentosa” foi identificada aos filamentos que somente podem ser evi¬
denciados na sua forma original, se a hemólise fôr executada, observando-se
determinadas precauções para evitar a sua alteração ou desintegração (6, 7).
Por meio de secções ultrafinas obtidas de reticulocitos íntegros não hemoli-
sados foi, recentemente, verificado que, tanto os filamentos como os grânulos
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intrareticalocitários no sangue de cobaias, apresentavam a mieroest rutura
caraeterístiea de mitoeôndrias. permitindo concluir que a “substautia granulo-
-filamentosa” deve ser morfologicamente identificada às mitoeôndrias (5, 7).
Xeste trabalho são apresentadas micrografias de mitoeôndrias em eritro-
citos dc cobaia durante intoxicaão aguda pelo chumbo, e observações adicionais
a trabalhos anteriores «pie confirmam a interpretação dada sôbre a natureza
e estrutura da “substantia gra nulo-filamentosa”, assim como informações sôbre
a estrutura mitocondrial de eritrocitos na reticulocitc.se experimental de co¬
baia submetida à intoxicação aguda pelo chumbo ou sangrias sucessivas.
MATERIAL E MÉTODOS
Cobaias de 350 a 400 g de péso. Sangue obtido por punção cardíaca ou corte da unha
das patas posteriores (16).
Intoxicação pelo chumbo. — Injeções subcutâneas, diárias de 1 ml de solução aquosa
de acetato de chumbo a 1%, durante 3 a 9 dias. Colheita do sangue 3 a 7 dias após
a última injeção. Fixação imediata em 0s0 4 a 1% em tampão veronal-acetato, isotônico,
de pi! 7.2-7,4. durante uma hora. Nas preparações de sangue de animais assim tratados,
o número de rctieuloeitos, pelo Giemsa, variou de 6 a 50%. O número de normoblnstos era
de aproximadamente a décima parte do dc reticulocitos ; em um caso atingiu 0,6%, cm
sangue com reticulocitose dc 6,2%.
Anemia por sangria* sucessivas. — Sangria cardíaca diária de 5 a 7 ml durante 6 dias.
Colheita do sangue 3 a 4 dias após a última sangria. O número de reticulocitos variou
em tõrno dc 10%. Adicionou-se 1 ml de água destilada a cada um de quatro vidros de
relógio, usados nas preparações, c duas gõtas dc sangue de cobaia com reticulocitose.
Cinco, der, vinte e quarenta segundos após a adição do sangue adicionou se 1 ml do
solução aquosa de 0s0 4 a 2%, interrompendo, assim, o processo hemolitico em diversas fases
e iniciando a fixação dos glóbulos em 0s0 4 a 1%, que se prolongou por uma hora.
Algumas gõtas foram fixadas também em XaCl a 0,75%, contendo 10% de íormol, durante
18 horas. Logo após, lavagem em água destilada e coloração durante 1/2 hora em solução
de ácido fosfotungstico a 1%, dc pH 4,0.
Inclusão e cortes. — Após a fixação segundo Palade (12), os glóbulos foram lavados em
água destilada e, em seguida, desidratados pela série alcoólica. A inclusão foi feita numa
mistura de metil e butil metacrilato, contendo um catalizador. As trocas dos meios,
nos quais as hemácias eram mantidas, desde a fixação até a inclusão, foram feitas por
centrifugações c decantações sucessivas. Os cortes ultrafinos foram preparados com mi-
crótomo Porter-Blum. Nos cortes, os reticulocitos foram identificados de acórdo com cri¬
tério seguido em trabalho anterior (7).
H emólise cm esfregaço. — Os esfregaços foram preparados em lâminas cobertas com filme
de colódio e, após 10 a 20 horas, hemolisndos em XaCl a 0,8% contendo 2,5% de fonnol,
lavados em água destilada, corados durante 5 minutos em solução de ácido fosfotúngstico
a 1% de pH 4,0, lavados em água destilada e secado» à tem]>eratura ambiente. Os
filmes, contendo os glóbulos hemolisndos, foram transferidos para grades metálicas c
submetidos ao processo de sombreamento metálico, com Pd.
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ERITROC1TOS NA RKTHTLOCITOSE DO SVTURMSMO EXPERIMENTAL
HcmóUse em suspensão. — Imediatamente após a sangria., 1 ml de sangue foi adicionado
a 20-30 ml de água destilada e, cinco minutos após, adicionados 2 ml de ácido ósmico a
líc. Após cinco minutos, os glóbulos eram centrifugados a 500 r.p.m., para a remoção da
hemoglobina, e lavados com água destilada, até que um sobrenadante incolor fôsse obtido.
Gôtas da suspensão de estromas lavados eram depositadas sôbre grades metálicas coliertas
com um filme de colódio e, após a remoção da água com material absorvente e secagem,
os estromas eram metalizados com cromo ou paládio.
As preparações foram examinadas num microscópio eletrónico Siemens tipo til 100b,
a 60 Kv, fotografadas em aumento originais de 7200 x e 15000 x e ampliadas fotográfica
mente.
RESULTADOS
Esfregaços do sangue de cobaia intoxicadas pelo chumbo, hemolisados
após fixação por meio de secagem parcial, apresentam reticulocitos contendo
grânulos e filamentos de diâmetros em tôrno de 7õ() m/x (Fig. 1 a). Raramente,
encontram-se reticulocitos contendo grânulos e filamentos de diâmetro nor¬
mal, assim considerados os de reticuloeitose provocada por sangrias múltiplas.
A estrutura dos reticulocitos é mais facilmente evidenciada do (pie a dr.s
hemáeias jovens em casos de anemia provocada por sangrias múltiplas (7).
apresentando-se, as membranas e trabéculas mitocondriais. com linhas melhor
definidas e contrastadas. O diâmetro médio das mitocôndrias nos cortes ul-
trafinos atinge a 4G0 mp (mínimo: 180 m/x; máximo: 830 ra/x) (Fig. 2a). Ra¬
ramente, as mitocôndrias se apresentam com a microestrutura característica
preservada. As alterações mais freqüentes são: mitocôndrias com volume sem¬
pre aumentado, delimitadas por uma membrana externa contínua e uma in¬
terna da qual se originam as lamelas duplas ou cristac mitochondriales (13)
e mitocôndrias de volume aumentado ou não, desprovidas da membrana ex¬
terna limitante.
Nas mitocôndrias de maior diâmetro, a membrana externa, contínua, se
encontra acentuadamente distendida, mantendo somente em alguns trechos a
relação espacial normal com fragmentos do que se convencionou chamar mem¬
brana interna. Estas mitocôndrias alteradas apresentam uma matriz menos
densa aos eleetrous do que o citoplasma e. na grande maioria, apresentam, no
interior, lamelas duplas fragmentadas em maior ou menor grau (Fig. 2a).
Alguns reticulocitos apresentam somente mitocôndrias sem qualquer ves¬
tígio da membrana limitante externa, e em outros, esta membrana está par¬
cialmente destruída ou sofrendo desintegração progressiva (Fig. 3). Nestes
easos, as lamelas duplas podem ainda apresentar a mien estrutura caraeterív
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tiea. notando-se elaramente a sua continuidade cora a membrana interna. As
lamelas intramitoeondriais são constituídas por uma estrutura contínua de¬
rivada da membrana interna que teria sofrido invaginações mais ou menos
periódicas. As mitocôndrias de forma alongada ou filamentosa podem apre¬
sentar lamelas duplas que atravessam de um lado para outro tôda a largura
do organelo, ligando a membrana interna de um lado com o outro, separando
a estrutura interna da mitoeôndria em vários setores, contendo lamelas, em
número variado, que não atingem o lado oposto. A membrana externa, con¬
tínua, manteria unidos êstes vários setores, envolvendo-os completamente. O
espaço interlamelar, nas mitocôndrias desprovidas da membrana externa, está
diretamente aberto para o citoplasma e a distância entre as membranas cons¬
tituintes das lamelas varia de 8 a 19 m/x, correspondendo aproximadamente,
ao que se verifica nas mitocôndrias de retieuloeitos de cobaias com anemia por
sangria.
Algumas secções de mitocôndrias, principalmente as de menores dimensões
e de forma esférica ou ovóide, permitem constatar (pie as crutae mitochondria-
Irs podem, às vêzes, ser constituídas de tubos, à semelhança de dedos de luva,
apresentando, nos cortes perpendiculares, secções circulares. Observam-se res¬
tos mitocondriais constituídos de fragmentos de lamelas duplas, envoltas por
uma linha descontínua e mal definida, ou situados no interior de uma região
apenas ligeiramente mais densa aos electrons do que o citoplasma (Fig. .‘D,
que seriam resíduos das membranas mitocondriais em fase de decomposição.
Frequentemente, aparecem nos cortes, retieuloeitos apresentando formações
morfologicamente semelhantes ao retículo endoplasmático. Em uma das secções
foi observado que a membrana do estroma do retieulocito se continuava com o
interior da célula através do que supomos tratar-se do retículo endoplasmático;
há, portanto, a possibilidade da existência, pelo menos temporária, de comu¬
nicação entre o meio externo e o sistema de canalíctilos intraretieulocitários.
Grânulos densos aos electrons são encontrados em eritroblastos, reticuloci-
tos e eritrocitos adultos, no sangue circulante:
a) agrupados no interior de mitocôndrias. já desintegradas;
b) agrupados e envolvidos por uma membrana dupla;
c) agrupadas, aparentemente sem membrana limitante, iniciando a dispersão;
d) dispersos no citoplasma.
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KRtTBOCITOS XA RETICULOCITOSE DO SATCRNISMO EXPERIMENTAL
DISCUSSÃO
O reduzido campo de observação do microscópio eletrônico torna difícil
localizar retieuloeitos do sangue normal, onde se encontram em número extre¬
mamente reduzido, principalmente nos cortes. Esta dificuldade pode ser su¬
perada provoeando-se uma retieuloeitose por sangria, como foi feito em tra¬
balhos anteriores (6). Foi passível dêste modo obter sangue de eobaias com
retieuloeitose da ordem de 10%, sem que localizássemos eritroblastos. Além
da presença ou ausência de mitoeôndrias, a diferenciação entre hemácias adul¬
tas e retieuloeitos pede ser feita, facilmente, pela maior densidade que
apresentam as primeiras, devido à menor concentração da hemoglobina nos
retieuloeitos. Na intoxicação aguda pelo chumbo, a presença de eritroeitos
nueleados ou eritroblastos pode levar à obtenção de preparações nas quais as
secções não atingem o núcleo, e. a interpretar como retieuloeitos cs eritroblastos.
o que é possível, levando-se em consideração as dificuldades ainda existentes
para se obter regularmente cortes seriados. Ainda neste caso, o eritroblasto
apresenta menor densidade do que os retieuloeitos, mas em grau que não per¬
mite a fácil distinção entre êstes e os eritroblastos. Considerando-se que o nú¬
cleo nos eritroblastos se localiza aproximadamente no centro da célula, desde
que se consiga algumas secções seguidas, torna-se fácil surpreendê-lo. No exa¬
me das secções, foram tomadas precauções para escolher cortes de retieuloei¬
tos que permitissem afastar a possibilidade de serem confundidos com eritro¬
blastos, selecionando aquelas células que apresentavam cortes em série.
Um dos métodos de preparo do glóbulo vermelho para estudo ao microscó¬
pio eletrônico é o da retirada da hemoglobina, a fim de que os electnms pos¬
sam passar através do estroma, mostrando, no caso particular do reticulocito,
elementos estruturais como a chamada “substantia granulo-filamentosa”. Esta
estrutura se apresentará sob a forma de pequenos discos, mais ou menos in¬
dividualizadas, se a hemólise se processar em suspensão, em água destilada ou
solução salina de baixa concentração. Quando a hemólise é feita após tuna se¬
cagem parcial dos glóbulos, os retieuloeitos se apresentam com a estrutura fi¬
lamentosa, relativamente preservada, devido à secagem prévia que “fixa"
aquela estrutura, mas não é suficiente para fixar a hemoglobina que é retirada
num meio salino hipotônico. DêstPs filamentos cu bastonetes originam-se os
pequenos discos por efeito da hipotonia do meio. «piando a hemólise se processa
em suspensão, sem secagem prévia (6).
No saturnismo, o diâmetro médio des grânulos e filamentos de retieuloeitos
hemolisados em esfregaço é de cêrca de três vêzes o dos grânulos e filamentos
de retieuloeitos na anemia por sangrias sucessivas. A mesma relação foi ob¬
servada quanto ao diâmetro médio das mitoeôndrias identificadas nos cortes
nltrafinos (7). Esta observação constitui prova complementar à hipótese
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Mera. Tn«t. ButanUn. A. VAI.LEJO FREIRE e A. BRLNNER JR. 251
2 *. 245 266 . 1957 /*.
formulada em trabalhos anteriores, nos quais se pretendeu identificar, morfo¬
logicamente, a chamada “substantia granulo-filamentosa" às mitocôndrias
(5, 7).
Xo que diz respeito às reticuloeitoses provocadas por sangrias múltiplas
ou por intoxicação aguda pelo chumbo, acreditamos ter evidenciado a estrutura
mitocondrial da chamada ‘'substantia granulo-filamentosa". Devemos, no en¬
tanto, tendo em vista as observações feitas neste trabalho, considerar que é pro¬
vável que, em condições normais, as reticulocitos possam ser identificados no
sangue sem a presença de estruturas definidas, mas apenas de material cons¬
tituinte destas estruturas e dispersos nos eritrocitos no curto espaço de tempo
que resta para a sua transformação em glóbulo vermelho adulto. Em outras
palavras, seriam falsos reticulocitos que poderiam explicar as observações de
alguns autores mostrando correlação quantitativa entre corantes vitais e subs¬
tância grânulo-filamentosa intrahemática. Numa reticuloeitose verdadeira,
como a que se obtém por simples anemia provocada por sangrias sucessivas,
grande quantidade de eritrocitos que perderam o núcleo entram na circulação
contendo maior ou menor número de mitocôndrias nos vários estádios de in-
volução. Esta fase deve iniciar-se logo que o núcleo deixa de estar presente,
ou mesmo momentos antes, quando o bioquimismo intracelular foi suficiente¬
mente alterado para justificar as alterações verificadas no eritroblasto, que le¬
vam à perda do núcleo e à progressiva desintegração da estrutura mitocon¬
drial que se verificaria inicialmente pela perda da membrana externa c lise
dos elementos intramitocondriais. A ausência da membrana limitante externa
nas mitocôndrias de alguns reticulocitos, nos quais todos os demais elementos
e.stão preservados, acompanhados de sucessivas modificações indicativas de um
progressivo processo de reabsorção das mitocôndrias ou de suas partes, nos
leva a considerar possa ser êste o mecanismo normal de evolução do reticulocito
para a hemácia adulta, isto é. hemácias sem mitocôndrias e retículo endoplas-
mático, ou seja, sem “substantia granulo-filamentosa”. Ê difícil distinguir,
uos limites dêste trabalho, o que ocorreria por conta dêste fenômeno, daquilo
que poderia ser devido ao saturnismo. Esta discriminação seria viável, não
fossem as conhecidas dificuldades de melhor observação de detalhes estrutu¬
rais em reticulocitos de animais normais ou com anemia por sangria.
O aspecto das mitocôndrias (Fig. 3), desprovidas da membrana externa,
nas quais se observa nitidamente a continuidade das lamelas duplas com a
membrana limitante interna, corrobora a interpretação dada por Paladc (13)
e não apoia o esquema inicialmente apresentado por Sjüstrand (15), referente
à organização estrutural das mitocôndrias, segundo o qual as membranas
constituintes das lamelas não se continuam com a membrana limitante interna,
isto é, haveria estruturalmente uma independência entre os dois componentes
1, | SciELO
j-y.
ERITROISTOS N.V RETICVI.OCITOSK DO SATURNISMO EXPERIMENTAL
mitocondriais. Todavia, é preciso considerar a possibilidade da existência de
diferentes particularidades estruturais em mitocôndrias de células de tipos di¬
versos.
O melhor contraste observado nas estruturas das mitocôndrias dos reticulo-
citcs no saturnismo. quando examinados no microscópio eletrônico, poderia ser
atribuído ao aumento de volume sofrido por aqueles organelos, porém o mesmo
se verifica com as mitocôndrias que não sofreram aumento aparente. O chum¬
bo, presente no plasma, contribuiria para a preservação das estruturas “in
vivo” ou penetraria nas hemácias durante o processo de fixação, juntamente
com o tampão e o ácido ósmico, localizando-se de preferência nas membranas,
contribuindo para aumentar o contraste e atuando como um corante
adicional ao ácido ósmico. Aub. Fairhall, Minnt e Reznikoff (1) mos¬
traram que o chumbo, combinando-se provavelmente com fosfatos do plasma,
posteriormente se precipita sôbre a membrana: dos glóbulos vermelhos, alte¬
rando suas propriedades, ou. poderia ainda, penetrar na célula e reagir sôbre
constituintes outros, excluída a hemoglobina. Cabe ainda considerar a possi¬
bilidade de o chumbo, penetrando nos reticuloeitos, "fixar" seus constituintes
vitais como as mitocôndrias. impedindo o processo de evolução normal da cé¬
lula à hemácia adulta. Neste caso, a população de reticuloeitos circulantes se¬
ria constituída de reticuloeitos fixados ou estabilizados em várias de suas fa¬
ses de evolução para o glóbulo vermelho adulto, e de elementos jovens con¬
tinuamente lançados na circulação e que sofreriam a mesma ação do material
tóxico circulante no plasma.
O aumento de volume das mitocôndrias de reticuloeitos e as alterações mi-
eroestruturais observadas no saturnismo (Fig. 2 o) são muito semelhantes ao
que observamos nos reticuloeitos de casos de anemia por sangrias múltiplas
submetidos à ação de um meio hipotônico, “in vitro” (Fig. 6). Ilemácias
normais colocadas num meio isotônico contendo cloreto de chumbo sofrem um
aumento de volume e, após um certo tempo, o seu pêso específico passa a ser
significativamente maior (1).
Devido à falta de mais completos dados experimentais sôbre as alterações
que se processam no sangue de animais intoxicados pelo chumbo, não é possí¬
vel interpretar seguramente o mecanismo que leva ao aumento de volume so¬
frido pelas mitocôndrias. Suspeitando-se. porém, que o aumento de volume
possa ser consequência de alterações osmóticas ocorridas durante a intoxicação,
Foram feitas preparações de reticuloeitos de cobaias com anemia por sangrias
sucessivas, fixadas nas várias fases dn processo osmótico, 5. 10, 20 e 40 se¬
gundos após a adição dos glóbulos à água destilada, para comparação. Em
todas estas preparações foram observada» hemácias nas várias fases de he-
mólise.
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M**m. In*l. ButanUn,
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•2õ3
Xa mitoeôndria <la fig. (i. a membrana interna aeompanliou a externa,
possivelmente devido à atuação de fatores de ordem físico-química. As regiões
das extremidades e as compreendidas entre os estrangulamentos corresponde¬
riam às formas circulares no interior de retieuloeitos hemolisados em suspensão
em água destilada (Fig. 7). Os pontos de estrangulamento corresponderiam,
provavelmente, às lamelas duplas, que se dispõem em todo o diâmetro da mi-
tocôndria, as quais ofereceriam resistência ao aumento de diâmetro naqueles
pontos, até o momento em que a membrana das lamelas se rompesse. Assim,
(piando de um filamento se originam várias formas circulares, estas terão uma
ruptura, a qual corresponderia à da membrana limitante externa da mitocôn-
dria. As mitoeôndrias das figs. 8 e 0 apresentam o sistema de lamelas no
centro, o que indica que a membrana limitante interna não acompanhou a li¬
mitante externa ou. no caso de tê-la acompanhado, sofreu rupturas. Esta
conclusão tem fundamento no conhecimento das relações estruturais das la¬
melas duplas com a membrana interna. Pode-se deduzir destas observações
(pie a membrana limitante externa é o componente mitoeondrial que confere
ao organelo a propriedade de responder às variações de pressão osmótica do
meio, atuando à semelhança de um osmômetro.
O retículo endoplasmátieo. em alguns retieuloeitos, parece bem desenvol¬
vido. possivelmente nos mais jovens. O sistema de eanalículos, observado por
meio de cortes ultrafinos. se assemelha ao retículo endoplasmátieo de outras
células. A observação de estruturas ou de resíduos estruturais de retículo
endoplasmátieo nos retieuloeitos foi difícil ou pelo menos muito rara nas vá¬
rias centenas de preparações de cortes analisados ao microscópio eletrônico.
Os filamentos mais finos, descritos em retieuloeitos hemolisados, após secagem
parcial em esfregaço (6), provàvelmente correspondem àqueles eanalículos.
A observação de que o retículo endoplasmátieo se continua com a mem¬
brana do estróina do reticulocito pode ter importância no estudo da mecânica
de processos fisiológicos e parasitológicos em normoblastos e retieuloeitos.
O es f cdo do normoblasto na fase em que se dá a extrusao do seu nueleo,
como já foi observado i 2 ». se justifica, desde que a comunicação da membrana
citoplasmática com o retículo endoplasmátieo c a dêste com a membrana nuclear
externa foi observada em leucócitos (14). Em células de tumor aseítico de
Ehrlioh, partículas identificadas como sendo do vírus Anopheles A, foram
observadas no retículo endoplasmátieo (9). Esta observação pode sugerir
que os pontos de penetração do parasita na célula sejam os de comunicação
do retículo endoplasmátieo com o meio externo. Seria de interesse, neste par¬
ticular. o estudo de retieuloeitos de animais eom impaludismo experimental,
pois é conhecida a afinidade de várias espécies de Plasmodhm pelos retieulo¬
eitos.
], | SciELO
2õ 4
ERITROClTos NA RKTICfLOCITOSE I><> 'ATIRXISMO EXPERIMENTAI.
Os grânulos densos aos eleetrons, (|iie localizamos geralmente agrupados
em normoblastos. reticuloeitos e hemáeias maturas, se assemelham aos deseri-
tos por Iloffman, Hillier, Wolman e Parpart (10) em estróinas de eritroeitos
normais e anormais, listes autores, entretanto, não conseguiram localizá-los
em casos de intoxicação pelo chumbo. As observações feitas a êste respeito
no decorrer deste trabalho, quanto aos grânulos encontrados em normoblastos,
reticuloeitos e eritroeitos, confirmam os trabalhos de Bessis e Breton-Gorius
(3, 4 i sobre o saturnismo experimental em rato. principalmente em células da
medula. Segundo êstes autores, aqueles grãos seriam de ferritina.
RESUMO
Eritroeitos de cobaias intoxicadas pelo acetato de chumbo foram exami¬
nados no microscópio eletrônico, especialmente a ultraestrutura das mitocôu-
drias dos reticuloeitos. Foi confirmada a identidade tia chamada ‘'substantia
granulo-filamentosa" com as mitoeôndrias. Xo saturnismo experimental, cons-
tatou-se aumento de volume ou tumefação das mitoeôndrias «pie atinge em mé¬
dia 3 vêzes o que se observa em reticuloeitos de anemia por sangrias sucessivas.
Alterações de tipo semelhante foram obtidas submetendo a variações osmóticas
reticuloeitos de sangue de cobaias com reticulocitose conseguida por meio de
sangrias sucessivas. Em alguns reticuloeitos foi possível surpreender a pro¬
gressiva desintegração da estrutura mitocondrial a partir da perda da mem¬
brana externa seguida de sucessiva dissolução dos demais elementos consti¬
tuintes da mitoeôndria, aspectos êstes que foram considerados como represen¬
tando o mecanismo natural de desintegração das mitoeôndrias nos eritroeitos,
desde a fase de eritroblasto até a de hemácia adulta.
SUMMARY
Erythrocytes of guinea pigs with satnrnism induced by lead acetate were
examined in the electron microscope, with special reference to the ultrastrnc-
ture of mitochondria of retienloeytes. The identity of the so-called “substan¬
tia granulo-filamentosa” with mitochondria was confirmed. The increase of
volume or tumefaction of mitochondria was found to be on an average 3 times
greater tlian the one observed in retienloeytes from bleeding anemia. Similar
changes were obtained by means of osmotie variations “in vitro” in retienlo¬
eytes from guinea pigs with reticuloeytosis provoked by suecessive bleeding'.
In some retienloeytes the Progressive disintegration of the mitochondrial strnc-
ture could be observed beginning from the loss of the externai membraue fol-
lowed by suecessive dissolution of the other constituting elements of the mi¬
em
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
Mem. In*t. Butantan,
2-: 245-266. 1957/;?.
A. VALLEJO FREIRE ♦* A. BRUXXEK JR.
>nn
toehondria; these aspeets are heltl to represeut the natural meclianism of the
(lisiiitegration of mitochoiulria in erythroeytes. from the stajre of the erythro-
bla>t to the ailult ral cell.
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256
ERITROCITOs NA RETICCLOCITOSE DO s ATI'RN Is MO EXPERIMENTAL
Fios. 1 Reticulocitos hemolisados após secagem parcial, em solução salina (0,8%) for-
molada (2.5%). Corados 5 minutos com ácido fosfotúngstieo 1% (pH 4.0).
í.stu técnica evita a desintegração das íuitocõndrias.
a) Saturnismo. Filamentos (m) com diâmetros de cêrca de 750 mu e retículo endo-
plasmático (re).
I>) Anemia por sangria. Filamentos (m) com diâmetros de cêrca de 230 mu.
Fius. 1 Keticulocvtes hcmolyscd after partíal drving, in saline (0.8%) with formalin
(2.5%); stained 5 minutes in 1% pliospbotungstic acid solution (pH 4 . 0 ).
Tliis tcclinique avoitls disintegratioii of the iiiitoctiondria.
a) Saturnism. Filaments (m) of about 750 m„ in diameter. and endoplasmic re-
ticulum (re).
1») Illeeding anemia. Filaments (m) with diameters near 230 m u .
Figs. 2
— Cortes de reticulocitos fixados imediatamente ajais a colheita, em ácido ósmieo
1% em tampão veronal-acetnto, pH 7,2, isotônico, durante 1 hora.
a) Saturnismo. Mitocôndrias com diâmetros ao redor de 800 mp. delimitadas pelas
membranas interna e externa (md = membrana dupla). A seta (1) indica uma
lamela parcialmente destruída. A maioria das lamelas está desintegrada, po¬
dendo ver-se ainda na periferia resíduos de “cristae mitochondriales".
I> ) Anemia j>or sangria. Corte de mitocôndrias em várias direções (uh, nu) e in¬
clusive transversalmente (m»). Mitocôndrias com grande número de lamelas
dujilas preservadas. Os maiores diâmetros são de aproximadamente 17o mp.
Xos reticulocitos de anemia j>or sangria a observação das mitocôndrias é mais
difícil do que nos de casos de saturnismo, onde o contraste das estruturas é
maior.
Figs. 2 — Seetions of reticulocytes fixed after bleeding. irith 1% osmium tetroxide in
iwtonic acetate-veronal bnffer (pH 7.2 1 .
a) Saturnism. Mitochondria of about 80'* nu, in diameter. Internai and externai
membranes (md). Arrow (1) points to a partially destroyed lamella. Most la-
mellae are disintegrated ; traces of “cristae mitochondriales” can Ik- seen at the
jieriphery.
b) Bleeding anemia. Mitochondria cut is varions planes (m,, m„). one l>eing trans-
verse (m,). Preserved lamellae are visible. The largest diameters corresjmnd to
the range of 170 mp. Due to the jwor contrasts. these mitochondria are more
diffieult to be observed tliau those of saturnism.
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25 S
ERITROOITOS NA RETICCLOCITOSE DO SATURNIsMO EXPERIMENTAL
lio. 3 — Saturiiisino. Corto do rotioulooito. Mitocôndria* (mi e ui j ) -em membrana ex-
torna. Lamelas ou trabéculas mitocondriais constituídas de simples invaginações
da membrana interna que se abrem diretamente para o citoplasma. Da mitocôn-
dria nu restam algumas lamelas duplas. A mitocôndria nu contém também la¬
melas duplas, envoltas por tuna região ligeiramente mais densa aos electrons.
È possível que êstos aspectos correspondam às fases de reabsorção das mitocôn¬
drias durante o processo de maturação do reticuloeito. Mitocôndria nu com
trabéculas cortadas transversalmente.
1 10 . 3 — Saturnism. Scction of rctieulocyte. Mitochondria (nu and ms) without externai
membrane. The mitoeliondrial lamellae consist of simple invaginations of the
internai membrane which are directly opened towards the cytoplasm. Of mito-
chondrion nu remain some double lamellae. Mitocbondrion nu contains double
lamellae which are surrounded by a slightly more electron dense zone. These
aspects possibly corresi>ond to reabsorption stages of mitochondria during the
maturation proeess of the reticulocyte. Mitochondria m. with tubular trabe-
culae cut in a transversal plane.
SciELO
14
Mem. In-t. RuUnUn
2S: 245 266. 1957/6.
A. VALLEJO FREIRE e A. BRCXXER JR.
259
260
ERITROCITOS XA RETICILOCITOSE IH> SATIRXISMO EXPERIMENTAI
Kios. 4 e õ Saturnismo. Mitocôndrias (,, de volume aumentado, menos densas aos
eleetrons que o citoplasma, contendo algumas lamelas duplas não disten¬
didas. No bordo de uma das mitocôndrias pode se notar uma zona mais
densa aos eleetrons, provavelmente lamelas duplas desintegradas. As mi-
toeondrias m,, de densidade aproximadamente igual à do citoplasma, apre¬
sentam lamelas duplas mais ou menos regularmente dispostas. .Vestas ele-
tromierografias, coexistem dois asjiectos das mitocôndrias que foram in-
terpretados da seguinte maneira: as mitocôndrias m, sofreram forte
aumento de volume devido à existência da membrana externa durante o
processo; as m,, que estariam em fase mais avançada de involução, não
sofreram aumento considerável de volume, possivelmente, porque não pos-
suiam a membrana externa.
Fios. 4 and õ - Saturnism. Mitochondria (m.) of increased volumes and less electron
' ensit.v tlian the crtoplasm, containing some double lamellae which are
not distended. At the Imrder of one of tlie mitochondria there can 1*
noticed a more electron denso zone, probablv disintegrated lamellae.
. Iitochondria m,, which have approximately the same electron density as
the crtoplasm, show regularlr disposed double lamellae. The two
eoexisting mltochondrial aspects of these electron micrographs were
intcrpreted as follows: the volumes of mitochondria m, were remarkal.lv
increased due to the existence of the externai membranes; mitochondria
“-• which presumablr are in a more advanced invobition stage, did not
suffer any noticeable tncrease in volume possibly brcause they brd no
externai membranes.
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2(i2
KRITKOI 'ITOS NA KETICCLOOITOSE DO S ATVRNIsMO EXPERIMENTAL
Fuj. (5 — Anemia por sangria. Corte de retienloeito. fixado 10 segundos após o iníeio do
processo de hemólise em água destilada. Observa-se uma mitocôndria, provavel¬
mente filamentosa, num estágio de alteração consequente a modificações osnióti-
cas violentas, com diâmetros aumentados e estrangulamentos mais ou menos pe¬
riódicos. As lamelas (1) se apresentam rompidas ou desintegradas. Ao longo
do limite do organelo distendido observam-se ainda resíduos das membranas du¬
plas interna e externa (md). O aspecto das mitoeôndrins, de reticuloeitos de
casos de saturnismo (fig. 2a), é semelhante ao desta mitocôndria . Estroma
(e) mais denso aos electrons.
Fio. 6 — Bleeding anemia. Section of retienlocyto fixed 1" seeonds after Leginning
liemolysis in distilled «ater. A mitocliondrion. probably filamentous, appears in
a modified stage provoked by violent osmotic clianges; it presents increased
diameters and periódica! strangulations. Lamellae (1) are disrupted or desinte-
grated. Along the border of tlie distended organelle there are still tra es of
the internai and externai membranes (md). In saturnism (fig. 2a), mitochondria
present similar aspects. The reticulocyte is Iimited by a more electron dense
band corresponding to tlie stroma (e).
^ IG - • Anemia por sangria. Eetieulocito hemolisado em suspensão cm água destilada.
Xo interior do estroma observam-se formas circulares (m) às vezes não comple¬
tamente individualizadas, correspondendo às mitocõndrias primitivamente filamen¬
tosas.
^ ,G - ' Bleeding anemia. Reticulocyte hemolysed in suspension in distilled water.
Inside the stroma nppenr round elements (m), sometimes not perfeetly individua-
lized, whicli correspond to primitively filamentous mitochondria.
d Kl. S Anemia por sangria, t orte de retienloeito preparado em idênticas condições ao
da fig. li. As lamelas duplas (1) foram surpreendidas distanciadas da membrana
externa (me), no centro da mitocôndria alterada durante a hemólise parcial. A
seta (e) aponta o estroma rompido na altura da mitocôndria, possivelmente, du¬
rante as manipulações para a inclusão.
Fio. S — Bleeding anemia. Thin s etion of reticulocyte prepared nnder identical oadition.-.
as that of fig. (5. The double lamellae (1) «ere deteeted in the center of the mito-
chondrion. having been separated from the externai membranc (me) during par-
tial liemolysis. Arrow (e) points to the stroma disrupted at the levei of the
mitocliondrion, possibly during handling for inclusion.
Fio. 1» — Anemia por sangria. Corte de retienloeito fixado com formol em salina hipo-
tônica e corado pelo acido fosfotúngstico. As mitocõndrias <e apresentam com
diâmetros aumentados e limitadas pela membrana externa (me), contendo no
centro o conjunto de lamelas duplas (1). A membrana do estroma se apresenta
rompida na altura de uma mitocôndria. Estas mitocõndrias e a da figura ante¬
rior. sugerem que o componente estrutural que confere a estes organelo. a pro¬
priedade de responder às alterações osmóticas do meio, é a membrana limitante
externa.
Fio. 9 Bleeding anemia. Section of reticulocyte fixed «itli formalin in hypotonic
saline solution and stained by phosphotungstie aeid. Mitochondria present
increased diameters and are Iimited by the externai membrane (me) : double
lamellae (1) are centrally disposed. The membrane of the stroma appears dis¬
rupted at the levei of a mitocliondrion. From this and the preceding micrographs
it may bo concluded that the structural component rcsponsible for the organelle ’s
property of swelling in hypotonic media is the externai membrane.
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11 12 13 14 15
Alem. In*t. Butantan,
23: 245-266. 1957/8.
A. VALLEJO-FREIRE e A BRUXXER JR.
265
cm
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Mem. In^t. ButanUn,
2* 267 274. 1957/8.
ALPHOXSK R1CHARD HOGE
267
SUR LA POSITIOX SYSTEMATIQUE DE Coluber
quinqueUneatus Racldi 2820
ALPHONSE RICHARD HOGE
(Laboratoirc d’Ophiologie de 1'Institui Butantan — São Paulo, Brasil)
I/excellente description de ('oluber quinqu*liaeatus par Raddi (6), des-
cription que seulement 1’année derniére il m’a éte possible de consulter, permet
d’identifier C. quinqueUneatus Raddi 1820 Terra typica: Rio de Janeiro,
avec 1’espèce postérieurement déerite par Schlegel (8) sons la dénomination de
Calamaria blumii.
Coluber quinqueUneatus a été déerit par Raddi basé sur uti individu ori-
ginaire des environs de Rio de Janeiro, Brésil. En 1837 Schlegel a deerit Ca-
lamaria blumii basé sur trois individus, dont deux sont originaire.s de 1’Etat
de São Paulo “Province de St. Paul" et le troisiéme rapporté par A. St. Ili-
laire du “Brésil”. Les deux premiers étaient deposés au Museum de Leyde et
le troisiéme au Museum de Paris, selon Schlegel (8) :45.
MATERIEL TYPE EXAMISÉ : — n.° 124 (deux femelles) déposées au
“Ryksmuseum vau Xatuurlyke Historie” à Leyde et n.° 3.673, une femelle,
déposée au Museum National d llistoire Naturelle de Paris (les 3 exemplaires
cotypes). Je ne suis pas parvemi à localiser le type de Raddi, ui à Florenee
ni à Modena, mais la description de Raddi ne permet aucun doute.
Xotes sur les cotypes <h Calamaria blumii Schlegel 1827.
Deux individus (cotypes) sont eonservés dans un bocal <|iii porte le n.°
124 au Museum de Leyde. L’un des individus ( 9 ) a: lã dorsales, 6 labiales
supérieures ( 2* et 3’), 181 gastrcstèges; 33/33 urostègf s. anale double. [Schle¬
gel cite 35 urostèges (8) :45]. Sur le dos et les flanes on note trois bandes
longitudinales. Le ventre est d’un blanc sale avec des points brun-noir dans
1’angle extèrne de quelques gastrostèges. L’autre exemplaire ( 9 ) a 15 dor¬
sales, 6 labiales snperieurs (2* et 3’) 185 gastrostèges (Schlegel cite 36) ; anale
double; ventre iramaculé; trois bandes longitudinales sur le dos. II convenient
noter que Schlegel (8): cite : 185 4- 36 et 181 -f- 35 or eoinme nous I avons
constate il y a une différence de deux plaques entre nos observations et eelles
SciELO
•268
SIR LA POSITIOX SYSTEMATIQIK I>K
COLUBER QÜIXQDEUKEATTS RADDI lí2<>
de Sehlegel, d’autre par Sehlegel (7) :133 cite 180 + 35: peut être que eette
citation se refere au cotype du Museum de Paris «pii a en effet 180 gastrostè¬
ges, mais encore ici il y a une différenee entre le nombre d 'urostèges.
Quand au n.° 3.673, 9, au Museum National d’Histoire Naturelle de Pa¬
ris, rapporté du Brésil par A. St. Hilaire, il a : 15 dorsales; 180 gastrostèges;
27/27 + 1 urostèges; anale double; tête 20 mm; corps -f tête 665 mm; queue
75 mm; rostrale un peu plus large que haute, partie vlsible d’en haut environ
égale à la longueur des internasales; interuasales 1 3 moins longues que les
pré-frontales; frontale 6x4 mm; distanee de la frontale à la pointe du museau
environ 6 mm; parietale 10 x 4,5 mm (celle du coté gauehe 4 mm); 1 pré et
2 postoculaires, temporales 1 + 1; 6 labiales supérieures (2* et V); 1’oeil est
plus petit que sa distanee de la comissure des lêvres; 7 labiales inférieures (4
en contact avec la sous-mandibulaire antérieure): la sous-mandibulaire anté-
rieure est plus lougue que la postérieure; entre les sous-mandibulaire^ posté-
rieures et les premières gastrostèges il y a quatre écailles.
La coloration du fond est d’uns brun-jaune elair. Une bande d'un brun-
-foneé sur la série vertébrale et en partie sur les paravertébrales ; une bande
latérale moins nette sur Ia 4 série dorsale, et partie des écailles adjacents.
Ces bandes qui ont la même position sur les types de Leyde correspondent
donc aux trois bandes montionnés par Sehlegel (7) :133, et (8) :46. Toutefois,
une autre bande latérale, si bien que peu distinte se voit sur la 6' dorsale (et
adjacentes) (Fig. 1). La bande vertébrale disparait sur la queue à la hauteur
de la 5* urostège (Fig. 1), tandis que la bande externe continue jusquau bont
de la queue (Fig. 1). La couleur de ventre est d’un blanc immaculé sans
aucun tâche, au contraire de ce que j’ai observé sur un des cotypes du Museum
de Leyde comme je Uai cité ci-dessus. La tête est plus sombre et nuagée de
elair et sombre; un collier jaunâtre de la largueur d’une écaille dorside (Fig.
1). Les écailles dorsales, sauf les paraventrales, sont finement tachetées de
brun. Une tache blanchãtre sur les 3', 4% 5' et 6* labiales supérieures. Les
labiales inférieures avec une tache sombre (Fig. 2). Les sous-mandibulaires
et quelques gulaires avec un petit point noirâtre (Fig. 2).
DISCUSSIOX: — Coluber quinquelineatus Raddi 1820 et Calamaria blu-
m ii Schclegcl 1837 on en comrnun les caractéres suivants (le travail de Schle-
gel étant bien connu je me limite a citer Raddi entre”)
a — Le nombre de gastrostèges: 184-191 chez le type de Coluber quinquelinea-
tus et 180-185 chez les cotypes de Calamaria blumii.
b — anale double.
c — dorsales en 15 series lises.
cm
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*
Mera. In**t. líutantan,
-S: 267 274. 1957/8.
d — urcstèges doubles.
ALPHOXSE RiriIAR» HOGE
269
e — la tête aplatie, emousée est peu distinete du eou “tutto il corpo, noa ecce-
tuata la coda, e depresso como la testa, la quale é altretanta larga quanto
il eollo (6) :339.
f — le nombre de bandes longitudinales qui sont au nombre de cinq : En
effet, Raddi dans sa diagnose (6) :339 et description: 340 cite cinq ban¬
des longitudinales. 11 est vrai que Schlegel (8) : 46 en cite seulement 3
mais, comme je 1 'ai explique, entre la bande vertébrale e externe, soit plus
éxactamente sur la 6* rangée de dorsales on note, chez les cotypes une
bande à peine perceptible mais uniforme (Fig. 1). Les bandes sur la
4' dorsales sont parfois à peine perceptibles mais bien souvent aussi nettes
que les autres et on peut trouver toutes les graduations possible (Fig. 3,
4 et 5). On peut donc definir le nombres des bandes dorsales soit comme
3 [comme Schlegel l’a fait (8):46], soit comme ciuq [comme Dumeril,
Bibron et Dumeril (3) :84 ainsi que Raddi (6) :339 et Boulenger (1) :240].
g — La eouleur de fond.
h — les taches sur les labiales inférieures “le squamme che circundano il
labbro inferiore hanno nel tnezzo una macchia nerastre quasi quadra...”
(6) :339 (comparez avec le cotype de Calamaria blumii (Fig. 2).
i — les points noirs sur la région gulaire (6) “... e a hanno parimente nel
centro un punto nerastro alcune delle piccolc scaglie situatc sotto la gola
cd il collo” (comparez avec la fig 2).
j — le collier jaunatre (6) “... ed il collo; quest’ ultimo e altraversato da
una stretta faseia biancastra, che atraverse la sua parte superiore”. (com¬
parez avec la fig 1). En ce qui concerne les points noirâtres, sur les
cotés des gastrostèges, mentionnés par Raddi (6) :339 “Subtus albidus,
serie punctorum subnigrorum in utroque latere scutorum”, je ne les ai
pas observé, (sauf chez un des cotypes. 9 ), sur les cotypes de C. blumii
mais comme j ai pu le eonstatèr sur la grande série d’individus conserves
à Flnstitut Butantan, ces points sont, abcents, à i»iene marquées ou bien
marquês selou les individus et sans que ce fait soit liê au sexe ou à la
distribution géographique. La fig. (5) represente un individu ou on
observe quelques points sur les plaques du ventre. D’ailleurs Boulenger
(1) :240 á dejá signalé la présence ou absence des points en question.
Donc Calantaria blumii Schlegel 1S37 est un synonyme de Colubcr quiii-
quelincatus Raddi 1820 soit d'aecord avec la nomenclature actuelle Ela-
pomorphus quinquclineatus (Raddi 1820).
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.0 11 12 13 14 15 16
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270
StIR LA POSITIOX SYSTEM AT1QITE DE
COLCBER QCIXQCELIXEATTS RADDI 1820
Elapomorphus
gcnotypc: — Elapomorphus blumii (Schlegel 1937) = Elapomorphus
quinquclineatus Raddi 1820.
Elapomorphus quinquclineatus (Raddi)
1820 Colubcr 5 — lineatus Raddi — Terra typica: — environs de Rio de -Ja¬
neiro, Brésil Mem. Soc. Uai. Modena. 18:339.
1826 Duberria quinquelineata, Fitzinger — Seue class. Rept. :Õ6.
1837 Calamaria Blumii Schlegel — Terra typica: Etat de São Paulo, Brésil
Phys. Serp. 1 :133 et 2:45.
1943 Elapomorphus Hlumii. Wiegnann in Fitzinger Syst. Rept.: (1):25.
1853 Elapomorphus Hlumii, Duméril — Mem. Aead. Sei., 23 : 93.
1854 Elapoomrphus Hlumii, Duméril. Bibron et Duméril, Erp. Génér..
7(2) :841.
1858 Elapocephalus taeniatus Giintlier — Cat. Col. Snakes: 276.
1896 Elapomorphus blumii, Boulenger Cal. Snk. Ilrits. Mus.. 3 239.
Typc: — Elapomorphus quinquclineatus (Raddi 1820)
Terra typica: — Environs de Rio de Janeiro, Brésil.
BÊSUM£
Elapomorphus blumii (Schlegel 1837) , st un synonyme de Elapomorphus
quinquclineatus ( Raddi 182*) i|ui en consequence devient le genotvpc de Ela¬
pomorphus.
KESfMO
Elapomorphus blumii (Schlegel. 1837 deve passar para a sinonímia de
Elapomorphus quinquclineatus (Raddi 1820) que é consequentemente, o geno-
tvpo de Elapomorphus.
SciELO
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Meni. Inst. Butantan.
28: 267 274. 1957/8.
ALPHOXSE RICHAKD HOGB
271
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KESIERCIEMKXTS: — Jc tiens à rcmercicr m. les Drs. Guibé directeur du Laboratoire
de Reptiles et Poissons du Museum National d’IIistoirc Naturelle
de Paris et M. le Dr. Brongersma directeur du Dcpartament de
Reptiles au “Ryksmuseum van Natuurlyke Hystoria” à Leyde qui
ont mis leurs laboratoires à ma disposition, ainsi que "CONSE¬
LHO NACIONAL DE PESQUIZAS DO BRASIL”, qui a financié
mon voyage en Europe.
SciELO
274
SUR LA POSITIOX SYSTEM ATI QUE DE
COLCBER QCIXQCELIKEATUS RADDI 1S20
Fio. 3
Fio. 4
Fm. 5
Elapomorphu .< quinquelinealux (Raddi), avec trois bándes dorsales
” , nvee eiq bandes dorsales
” , intermediare entre fif X et 2.
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M,-in. In$t. Butantsn,
28 : 275 284 . 1957/58.
A VALLEJO FREIKK.
A. BRCXXER Jlv. AND \V. UEÇAK
'.IO
YACCIXIA VIRUS MULTIPLICATIOX IX
RABBIT-KIDXEY CELL UULTURES*
ASPECTS OF THE EVOLUTION CYCLE
A. VALLEJO-FREIRE, A. BRUNNER JR. AND W. BEÇAK
(laboratório <le 1'irus e 1'iruslcrapia, Instituto Butantan, São Paulo, ISrasil)
The intracellolar life eycle and virus-cell interaction have been suecess-
fully studied in the electron inieroseope, partieularly with phages, not only be-
eause of their functionally organized morphology, but also as a consequence of
the use of pure viras and “eell" suspensions. Tissue culture techniques using
isolated and purified cells permit to extend to a certain point the same facilities
to other viruses, provided that they may Ih* identified inside the eell and diffe-
rentiated from eell coniponents. Bioeheinieal studies of intraeellular virus and
histoehemistry of infeeted cells may be earried out and well interpreted only
if preeeded by the knowledge of morphology of the intraeellular evolution eycle
of the virus and its relation to the eell inicrostruetures. Speeial interest present
the viruses of the pox group, which in spite of the more complicated
bioeheinieal systems and stractures will permit the observation of intraeellular
morphologieal modifieations due to their larger dimensions. Ilowever, even
with large viruses teehnieal diffieulties have arisen in observing all morpholo¬
gieal transfonnations that occur during the evolution process from the moment
of entering the eell until liberation of mature virus. with or without host eell
destruction. The existence of a virai evolution phas» without identifiable eor-
puseular structure has been responsible for diffieulties in the interprotation of
the morphogen sis of eertain virus or pro-virus partieles.
In vaecinia infeeted cells of chicken embryo ehorioallantoic membrane,
Wyckoff (6) deteeted virus mierceolonies. in which it was not possible to
distinguish the way of miütiplication nor the interferenee of virus with
cytoplasmic eomponents. In that study. Wyckoff draws the attention to the
faet that no evidenee was found of an inerease of volume, nor of subsequent
division of the partieles eonsidered the elementary bodies of vaecinia virus.
This Work was supported br grants from lhe Conselho Nacional de Pesquisas, Rio
de Janeiro, Brasil, and from the Fundo de Pesquisas do Instituto Butantan.
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SciELO
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27i;
VACCINIA VIRfS MCLTIPLICATIO.V IX KAKBIT KIDXKY CELL CTLTURE1»
Huska and Kausche (5) already inade the sanie ob.servation by statistieal eva-
luation of size and shape of purified vinis particles.
More recently, Morgan et al. (3) in studying the strueture and develop-
'nen* of vaccinia viros using ultrathin seetions of focal areas of hyperplasia
in infected chicken embryo chorioallantoic membranes, described intracyto-
plasmic vinis particles averaging 200 x 300 m/x and containing a densc, nuclens-
like body ínucleoid) separated from granular material (viroplasm) by a zone
ot lesser density. They are enclosed by a single membrane. Also on the
cell surface and in the intercellular spaces. thesc authors detected the presence
ot another vinis particle type composed of a double membrane enclosing a
central body of variable sbape and density.
This note gives preliminarv results of an attempt made in order to detect
a system of cell-vaccinia virus allowing better observation of the different
evolution stagcs of this virus. Some phases of the evolution cycle are depicted
in the micrograpbs.
Materials and Mrthods
(irowth nmliti aml crllx. Trypsiiiizcd epithclinl kiitner pclls obtained from six-month*
<>1<1 rnbbits (7) were cultured in Hanks ’ or Enrlc ’s bnlanced salt solution witb ÍOÇ, e alf
serum, 5% lactnlbumin hydrolysate and antibiotics. Media were changed after 72 hour«.
Wtien eonfluence of the eeUs wns obtained, usually within 5 to 7 dars, the same nutrient
medinm «as used with onlr 29r ealf serum.
Inoeulum. The initial inoculation for tissie rulture was obtainesl from cowjkix vinis
used in routine vaecine prodnction, maintnined br passage» through ealves, with occasionnl
transfers in rabbit skin.
\ aceinia infected bovine dermal pulp was homogenized, dilnted 1 :5 with phosphate
Imffered saline containing antibiotics, and centrifnged at 500 r.p.m. for 30 minutes. 0.1
ml of supernatant fluid showing postular eonfluence when scarified in rabbit skin at the
dilution of 1:100 was inoculated in 16 x 16 tissue culture tubes or the corresponding amount
in larger flasks. Aftcrwards, 2 ml of nutrient médium were added.
One hundred and eight passage» of the vaccinia virus were made using slwny- cell*
obtained directly from rabbit kidney.
Material of each passage was tested in rnbbits and same of it ais. in chicken embryo >-ho-
riollnntoic membrane». Electron microscopic Controls of purified virus suspensions of tissue
culture from tubes showing total eytopnthogenie effert were perfonned with material of
different passage leveis; virus of the 5-ith passage was also tested in scarified ealf skin.
The results obtained in tliese and the cross immunization tesís in rabbit» and in tissue
culturys demonstrate tlnt the infective and vaccinogenic properties of the virus apparentlv
remained unchanged.
Undiluted suspensions of virus from the 43rd tissue culture passage caused characte-
risticat cutaneous reactions when scarified in humnn skin.
The eytopnthogenie effect on the culture» is clearly visibl • before 24 hours elapse l;
lysis is usunlly complete after 4s hours. Hacteriologicnl Controls were performed as a rou-
line in nll passage».
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Mem. Inst BuUnUn.
*_>*: 275 2«4. 1957/5S.
V.U.L.KJO KKK1RK.
A. BRfXXER JK. AND \V. BEÇAK
Electron microscopy. Micrographs i Ilustra te raeciuia infeeted rabbit-kidney cells 24
hours after inoculation with vinis of the 23rd passage in these artifirially ciltured cells,
when crtopathogenic effect was already evidcnt in some cells or groups of cells.
The fluid médium was discarded and the cultures vcrsenized (0.02*;<r solution) for 15
minutes at 37°C. Elimination of the Versene (di-sodium ethylene diamine tetra-acetic acid)
solution was obtained by centrifugation at 500 r.p.m. for 5 minutes. The cells were fixei
during one hour with 1% 0s0 4 in isotonic acetate-veronal buffer (pll 7.2), dehydrated in
the alcohol series, and embedded in methyl and butyl methacrylates. The ehanges of the
alcohol series and methacrylates were performed by centrifugations and deeantations. Sec-
tions made in a Porter-Blum raicrotome were examined in a Siemens electron microscope
mudei ÜM 100b at 60 Kv. The original microgrnphs x7.200 and xlã.000 were enlarged
photographically.
RESULT8
Cells with intracytoplasmic inelusious and elementary bodies may be
found with three hours of infection. Xevertheless, in this study we used
mostly 24 hours infeeted cultures, at wliich time the beginning eytopathogenic
effect is evidenced.
Further studies on cultures between 0 and 24 houra will be published
elsewhere. In 24 hours infeeted cultures, a large number of cells presents
besides the inclnsion bodies, different aspeets of the evolution proceas until
the appearance of the mature viros, the strueture of which is similar to that
of virus of infective inoculum and which lias been described by Morgan et
al. (3). The intracytoplasmic parasitism of infeeted cells may present one of
the following predominant aspeets:
A) Rolatively well delimited “inclnsion" of variable dimeusions that may
achieve 3.5 p in dianieter. as the one depicted in figure 1. Xo virus-like par
tich ■> are d.-teeted Lsolated or in groups in the rest of the cytoplasm. Cells with
these charaeteristics are less frequently observed.
These inclnsion bodies are composed of an agglonieration of sub-units
0.45 n wide and 0.5 to O.tí p long. which w* shall call “matrix", and which
present poorly defined contours. Spherical or elliptical corpuscular particles
are s en to originate froin the wliole surface of all the matrices (fig. 2). AU
stages, from a small jirotuberance to the individualized corpuscular particle
measuring in average 250 nip, may be detected on the surface of the matrices
or already free between them. The spaee between the matrices lias the
same electron density and general strueture as the cytoplasm outside of the
inclusion. In some inelusious, the matrices are regularly disposed and the
spaces measuring 370 to 770 mp permit the corpuscular bodies to be isolated.
free in the inter-matrix spaces. Corpuscular bodies, which will be referred
to as “pro-viruses". apparently originate from matrices like sprouts or salien-
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VACC1XIA VIRIS MVLTIPLICATIOX IX RABBITKIDSEY CELL CULTURE8
ces of a “morula”. These sprouts present a s >rt of membrane onlj' in the
part protrudiug from the matrix towards the eytoplasm or to the spaces
betwren the matrices. Apparently, there is no discontinuity between the inner
material of th» matrix and that of the sprouts. Isolated pro-viruses show
circular or slightly elliptical shape, measuring 210-240 m n x 280-320 m/i, with
a membrane that appears donhle in some micrographs. A more electron dense,
apparently homogeneous material is seen inside of those partieles. Some
seetions show eccentric, dense bodies averaging 80 m/i, separated from the
inside pro-virus material by a halo of tmieh less electron density. A more
accurate examination of matrix and pro-virus seetions showed that they are
not eomposed of simple granular or structureless material, but that at least
some of these elements eontain variable amounts of parallel, continuous lines
or circular eontonrs like those of vesicles (figs. 3 and 4). The diameters of the
circular forms are approximately the same as the distanee between the parallel
lines (10 to 15 m/t), wliieh suggests that the same strueture was cut in per-
(íendieular or longitudinal planes.
B) Most frequently. the infected cells show variable amounts of indivi-
dualized corpuscles of the above described pro-virus type irregularly distri-
buted in the eytoplasm; often they are grouped in larger nnmbers in some
region of the eytoplasm, however. without being concentrated in a well delimit-
ed arca. In some cells, hundreds of these partieles may be counted in a single
seetiou. All steps of the evolution process may be followed from the inclu-
sion body to the moment when only pro-virus partieles are contained in
the eytoplasm. Isolated or small groups of matrices permit better analysis
of the progressive formation of pro-virus. The increase in number of these
eorpuseles corresponds to the progressive decrease, disintegration or consump-
tion of the matrix. At the same time. the spreading of the pro-viruses in the
eytoplasm is evidenced.
In a further step, no more matrix or similar strueture is seen. and the
free pro-virus partieles appear embedded in a granular material whieh is
more electron dense tlian the normal eytoplasm (figs. 5 and 6). When virns
formation oeeurs in the vieinity of the Golgi apparatus. apparently a regular
distanee is maintained between its eharacteristieal struetures and the zone
of virns partiele formation and evolution. In figure 6, this fact is observed
witli partieles in the pro-virus phase B.
Sometimes newly formed pro-virus partieles show a yet incomplete mem¬
brane or a membrane whieh is better defined on one side of the partiele than
on the other. Finally, all pro-viruses are distributed at random, individuali-
zed, show a complete membrane diffieult to be distinguished whether double or
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Mt»m. In«t. Butantan.
2*: 275 284. 1957 58.
A VALLLJO FREIRE.
A. BRUXNER Jh. AND W. BEÇAK
27!l
single, and contain the inner eccentric, cliaracteristieal dark mass; in the
eytoplasm, no more regions are found where the spaces between the pro-viruses
are filled with a dense, granular material.
C) In this study it has not been possible to follow all steps between
the pro-virus phase and the appearauce of a defined inner morphology of the
viros partiele preceding or eonstitnting the inature viros. Before the liberation
of the vinis or the disintegration of the cell, vinis particles fill almost all
the eytoplasm in some sections (Fig. 7). Frequently, sections containing large
number <>t this \inis partiele type do not show the dark inner bodies. I*re-
dominantly thev tend to an elliptical sliape, whieh does not seem to be an ar-
tifact due to pressure of the knife during sectioning, sinee they are irregularly
orientated. Xevertheless, it is possible that this sliape is partly influenced by
tensions during the fixation and polymerization proeess, to whieh the virai
particles in this phase inay be more susceptible. In most sections, the inner
strueture appears dumb-bell shaped, the two enlarged extremities being orien¬
tated along the large axis of the ollipsis. Some cells pivsent exclusively this
vinis phase without the presence of particles of the pro-virus type; few other
particles are identieal to those deseribed in B, liaving the eccentric bocly and no
defined strueture. In some sections, near the cell membrane there may also
be observed particles tending to be spherical, identieally to those deseribed
in D.
D) Matnre or free, extracellular virases (fig. 8) tend to bc spherical
in sliape and most frequently have dimensions near :{00 m,i. Xo intact cells
were lonnd in whieh only spherical fornis are eontained in all the eytoplasm,
but oceasionally spherical. like inature particles are found in the neighbourhood
of the host cell membrane. It was not possible to observe the extrnsion of a
vinis through the cell membrane. AVhen large amounts of matnre viroses
were found in the field, they were loeated iu the intercellular spaee, in the
vieinity or in fragments of already destroyed eells.
Typieal mature vir uses may be found in the periphery of the eells
deseribed in A, B or C. in 24 hours cnltures, whieh seem to originate from
<h*11s already destroyed by the aetion of the virus of one or more infection evcles,
as evidenced by the eytopathogenic effect observed in some eells of the eulture.
The intracellular loeation of the ineliLsion body A to inature virus TI is
progressively distant from the nucleus. approaching the cell membrane.
Sections of liberated virus particles show two circular, concentric limiting
membranes. as if they were sections of two spherical bodies one inside the other,
the central one containing a structureless. non eleetron dense substanee like a
vaeuole; the spaee between the inner and the outer sphere is filled with a den-
'•'•r. granular material, in some sections showing one or two niucli denser bodies
SciELO
280
VACCINA VIRCS MI LTIPLK ATIOX IX RABBIT KIOXKV CKI.I, CILT1RF.S
located, if two are present, on opposite poles of the spherieal vinis. In some
sections, these masses of dense material are Iarger than the iiiter-meinbranal
space, protruding at the expense of the spherieal shape of the outer membra-
ne (fig. 9).
mscrssiox a xi) coxcLrsioxs
The described part of the evolution eyele is based on the predoniinant
aspeets observed in hundreds of niicrographs. The order of deseription from
an inclusion to mature virus is believed to be the on? whieh is elosest to the
faets, considering the impossibilite to follow the virai evolution process in one
eulture or eell in the electron mieroseope.
Much more work is required to clarify the morphologieal intermediate
stages of the inain pictures we tried to fix in A. 1$. t’ and I). For example.
not all the steps of the progressivo modifications of the structure of what we
eall pro-virus to the virus described in C or from this to D were detected, even
when large numbers of infected eells were observed. We believe these steps were
not detected becanse they oecur in a short perimi of time, so that their pre-
sence is less frequent in eells. not considering the limitations of the resolntion
in our niicrographs.
From tlie point of view of electron microscopy. an inclusion body is the
center of newly formed vimses or the place in the cell where pro-viruses are
originated and viruses reorganized or formed from one or more matrices. This
interpretation agrees with that of Prowazek (4) who described the inclusion
body as being an obligatory stage of virus multiplication or a colony of vinis
partidos. More recently. Bland and Kobinow (1) confirmed this interpretation.
From Wyekoffs and our owu (tii observations it may be concluded that
newly formed vimses are not originated by binary division or fission of one
previously enlarged virus particle giving origin to new virus corpusdes.
Figs. 2, 3 and 4 seem clear enougli to admit that vaccinia and relate»! vi-
ruses are not reproduced like bactéria, as one could expect, specially becanse
of their large dimensions as eompared with other viruses. The structural re-
semblance of fowl pox and vaccinia virus partidos and the interior of pro-virus
partidos with small mitochondria lias already been described by others. Eaves
and Flewett (2) show in infected chicken embryo chorioallantoic membranes
that the inner structure of elementary bodies is similar to small mitochondria.
but distinguishable. The double lines inside the matrix, however, are more
similar to the mitochondria! lamdlae. We believe that mitochondria play som
important role in the formation of the inclusion or in the process between
the moment at which virus partidos enter the cell and the time of rearrange-
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Mm. In»t HutanUn.
2«: 275*244. 1957/51».
A VALLEJO FREIRK.
A. BRfNNKR JR. AXI> W. BKÇAK
281
inent of the matriees or reorganization of new virus particles in the inclusion
body.
Sections of les-s compact inclusions or isolatetl matrices show too frequently
the presence of mitochondria usually having the same dimensions as virus
particles. Larger mitoclioudria are seen to be in a process of disorganization,
still showing the typieal trabeculae. Sometimes, matrices already giving origin
to sprouts show traces of trabeculae. After the pro-virus formation. an almost
complete disappearance of preserved mitochondria is observed in the place of
virus formation, whilst in other areas of the cytoplasm large amounts of mi-
tochondria are found irregularly distributed, or in arcas where pro-viruses and
viruses are encountered in large numbers.
From these observations it is not possible, at the present stage of the
work, to draw secure conclusions regarding this relation, however, two possibi-
lities may be considered. First, that mitochondria partieipate directly in th
constitution of the inclusions, not only contributing with their enzymatic
systems to the formation of the new pro-viruses, but also by constituting ma¬
terial of their struetures which would be disintegratcd and the disintegration
Products usetl in the virai morphogenesis. The other possibility would be that
pro-viruses and the matrix have struetures similar to that of mitochondria, and
that the true mitochondria would influenee the virai morphogenesis from dis¬
ta nt, not being necessarily present at the inclusion or the place of development
tf new virus particles.
The granular material seen in the area of newly forined pro-viruses is ve-
ry similar to that found in the place where groups of mitochondria are disinte-
grated and their inner material liberated in the cytoplasm. This material
-seems to be consumed between phases B and C, or somehow dispersed in the
cytoplasm. We believe this material to take part in the evolution process.
because it is always present in phase B (pro-virus) and always disappears
when phase C is predominant.
This paper deals specially with the aspects of intraeellular virus deve¬
lopment, only mentioning the eventual relation between mitochondria and
this process. It is not possible, nor do we wish to make any reference here to
the modifications of the endoplasmic reticulum and the nucleus, which might,
as already described by others. take part in the evolution process of the virus
m the eell.
8UMMABT
In epitheliai rabbit kidney cells cultured “in vitro" various phases of
the vsccinia virus evolution cycle wcre detected and described, partieularly
tbose observed from the formation of the inclusion botlies to the appearance
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VACCIXIA VIRUS MULTIPLICATIOX IX HAIII1IT KIDNKY CEI.I. CULTCRE8
and liberatiou of mature elementary bodies. The inclusions may be eomposed
of one or more sub-uuits or matriees, on the surfaee of which parti ele forma-
tion takes place by a proeess of “sprouting”, whieh in the initial pbase confers
the matriees the shape of a morula. Three main stages can be differentiated
during the Progressive modifieation of tbese particles until the stage of ma-
turity. Indieations were observed that mitochondria may participate in the
formation cf the inclusion matrix or even in the formation of the elementary
bodies.
Studies viewing a better knowledge of the formation of the inclusions and
of the structural trausformations that oceur during the passage from one phase
to another in the evolution of the elementary body are being carried out in
tliis laboratory.
SUMARIO
Vírus vaeínico foi adaptado ao crescimento de células epiteliais de rim
de coelho artificialmente cultivadas em meio de Hanks ou Earle, contendo sôro
bovino, hidrolisado de laetalbumina e antibióticos. Cento e oito passagens ini¬
ciadas com amostra bovina utilizada para vacinação humana foram feitas inin¬
terruptamente em células epiteliais de rim de coelho cultivadas “in vitro
Vestas células foi possível acompanhar, ao microscópio eletrônico, grande par¬
te do ciclo evolutivo deste vírus no citoplasma, principalmente após a formação
das inclusões e até a liberação de partículas de corpúsculos elementares ma¬
turos.
As inclusões, em geral situadas na região próxima ao núcleo, são consti¬
tuídas de uma ou mais subunidades ou matrizes, na superfície das quais se
originam as partículas que vão sendo progressivamente liberadas no citoplas¬
ma. Vesta fase, as matrizes adquirem o aspecto de uma mórula, devido ao fato
de que as partículas vão se formando por um processo semelhante ao de uma
brotulação. Terminada esta fase. a matriz desintegra-se ou é consumida. Vo
interior das partículas recém-formadas inicia-se uma série de transforma¬
ções, que se evidenciam por significativas alterações morfológicas que antece¬
dem o pleno amadurecimento dos corpúsculos elementares. Esquematicamente,
três fases principais podem ser diferenciadas no transcorrer destas transfor¬
mações evolutivas. Tanto as matrizes quanto as partículas individualizadas
recentemente formadas, apresentam, por vêzes, estrutura interna difícil de se
diferenciar daquelas das mitocôndrias. Outros fatos analisados parecem tam¬
bém indicar a provável participação destes organelos, quer na formação das
inclusões, quer na formação dos corpúsculos elementares na sua primeira fase
evolutiva.
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VACriNIA VIRO» lirLTIPI.ICATIOX IN RABB1T K1I>XKY CKLL. CULTURES
Fig. 1 — Section of a vaccinia infected cell containing a large cytoplasmie inclusion cora-
posed of numerous sub-units (su) and also of some already individualized par-
tícles. In this phase, matrices or individualized virus particles are scen only in
the inclusion area or in its vicinity. Between tlie centrally disposcd cell ana
the cell at the riglit side of the micrograph, some mature virus particles (mv)
are seen. X " nucleus; li = lipids; er — endoplasmic reticulum; mi = mito-
chondriou.
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VACCI.VIA VÍRUS MULTIPLICATIOX IX RABBIT-KIDXKY CKLI, CULTORES
F ‘S- ° — Enlargement of tlic iiiclusion depieted in fig. 1. Each sub-unit (su) is compos-
ed of a matrix (m) giving origin to new viros particles at its periphery. Xcw
spherical particles are apparentlr fornied likc sprouts from the central matrix.
Generalh, double lines and vesicles (dl*v) are seen inside the matriecs, tlic
sprouts or the newly formed particles.
3 — Cytoplasmic region of granular material (g) containing particles with double
lines and vesicles (dl-v) inside and an almost complete linriting membrane. Tliese
structures resemble tl.at of mitoehondria (mi). In arcas of granular material
where nonc of the completelr individualized particles appear, elements (dl) are
found which resemble more distinctly mitoehondria, although they are not well
defined because of being associated witli the granular material of the crtoplasm.
The aspects presented in this micrograph are licld to l>e the final stage of acti-
vity of one or two matrices giving origin at the same time to pro-virus particles
and the surrounding granular material, li = lipids.
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VACCIXIA VIRUS MULTIPUCATIOX IX RABBITKIDXEY CELL CULTURES
Kig. 4 — Çytoplasm with granular, dectron densc material (g) eontaining more or lesa
individaalized partidos, some of whieli present a dense, eccentrically disposcd
body. In mi appears an agglomeration of mitochondria, near to wliich are
vacuoles (v) limited by double membranes, whidi remind mature virus partides
rarely observed in tlie çytoplasm. mr = mature virus partides, outside and
inside tlie çytoplasm.
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VACCISIA VIRUS MCLTIPMCATIOX IX RABHIT-KIDXEY CELL CULTURES
Fig. — (Vil containing muneroiis pro-virus particlcs, phase B, in the cvtoplasm. The
majority of the pro-virus particlcs is already indiridualized and located in a
more granular zonc (g). Many mature vinis particlcs (my) are adhcrcnt to
the eell membrane. X = niicleus; mi = mitochondrion; li = lipids; cr = endo-
plasmie reticulum.
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VACCIXIA VÍRUS MULTIPI.IUATIOX IN' RAIHtlT-KIDXKV < KLI. CGLTURES
Mg. (i — Section of i'|>itlielinl reiI fixed ã liours after infeotioii, coiitainiiig vírus partidos
surroundcd by a granular zono (g). The a iva of oleinentary body formation
and ovohition is apparontly maintnined at a oonataut distanro from tlie location
of tho constitutiiig domeuts of tlie líolgi apparatus (O), mi = niitodioiidrion;
cr = cndoplnsnitr rctiridum ; li = lipids.
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VACC1NIA VIRUS MULTIPLICATION' IX RABBITKIDXEY CELI. CDLTÜRES
’ — (VII with vinis partidos oecupying tho cytoplasm to a large extent. Tlie vírus
partioles, which are in a more advanced stage of developmeiit than tliosc of th.*
preceding figures, present va ria Me internai struotures, howerer, generaly are
ohnracterized by the dumb-bell sliape. Tlieir elliptical seetions do not scem to
Ik* due to pressure of the knife during sectioning, becatise there are partioles
orieiitated in different diri-etions along the larger uxis. No clectron dense, gra¬
nular material is seen in tliis phnse; the cytoplasm surrounding the partidea pre-
sents a similar aapect to areas without partioles. X = nucleus; mi = mitoehon-
drion ; li = lipids.
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VACCIMA VIRU8 MILTIPLICATIOX IX RABBITKIDXEY (EI.L CULTORES
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Sevtioii of eells in different leveis sliowing large iiuiuIht of inatiire vinis par*
licles (mv) cloee to the e.vtoplasmic menibranes. Tlie mecha íiism of vinis cii-
tering the ertoplnsm «as not yet deteeted, however, particles similar to tlic exter¬
nai o nos were already olaerved insi.le the eell in the ]>eriplterieal cytoplasm.
X = iinelciis.
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VACC1XIA VIRI S MELTIPEICATIOX IX RABBIT-KIDXEY
CELI. CCLTCRE8
:500
>,R ‘ " — Schematic reprcsentation of prcdominant morphological aspects of sections of
vnccinin v,riIS <lur "*K evolution from the inelusion body to tho mature, frcc cle-
mentary body. Phases a, b and r arc intracytoplasmie; phase ,1 eorrcsponds to
frco, mature virus. Rarely, type ,/ partidos aro *een in tho eytoplasm. Froc
o to b, the charaoteristics aro the progrcssive disintegration of thc matriz 0 r
matrieos constituting tho inelusion, simultanoously giving origin to an increasing
nuniber of “pro-virua” partidos surroundod by granular material; from b to e,
the partidos undorgo internai, struetural modifications, simultanoously with the
disappearanco of tho granular material; from o to d, tho virus partidos arc li-
boratcd from tho host coll, apparently at the some timo «hen dcath and disinte-
tfratioii of tho coll occur.
The aim of this paper was not to study in dotail thc mierostrueturo of the
virus partidos in oacli evolution phase, but to know their relation to tho preee-
ding and sueeeeding phase.
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1 S R R A T
A
do v.2Ê
1 das
Memórias do
Instituto Butantan
C Índice
'
16a. linha
Sm lugar de "FLAVIO DA FONSECA - No¬
tas de Acarologia" ler "FLAVIO DA
F0MS3CÀ e GERARDO TRINDADE - Notas
de Acarologia"
| índice
- 5a. linha
no verso
Sm lugar da "HÍLIO EMERSON BSLLUCMI
NI e ALPHONSS BELLUOIÜNI" ler "HÊ -
LIO EMERSON BSLLUOMINI e ALPHONSE
RICHARD HOGE"
Página
1
4a. linha
-
Sm lugar de "semillypticus" ler
"semiellypticus"
Página
2
••
18a. linha
Ela lugar de
loleitãoi n
"aelloleitSo" ler "mel-
Página
3
•
10a. linha
—
Sm lugar de
mens"
"espécie" ler "especi-
Página
4
-
15a. linha
-
Sm lugar de
"(17)" ler "(7)"
Página
12
-
17a. linha
-
Sm lugar de
"Rachai" ler "Rochai"
Página
17
-
17a. linha
-
fia lugar de
"zwei" ler "zweite"
Página
23
-
2a. linha
-
Sm lugar de
"fumo" ler "fundo"
! Página
48
*
21a. linha
Eia lugar de
férent"
"différence" ler "dif-
j Página
49
19a. linha
••
Em lugar de
"en est que
"en esf glaagovri" ler
glasgowi"
Página
61
um
15a. linha
Sm lugar de
ninfal"
"fa3e infal" ler "fase i
Página
61
-
29a. linha
-
Em lugar de
"forma" ler "foram"
Página
70
*
19a. linha
*
En lugar de
chria"
"cenchiria" ler "cen-
Página
78
••
27a. linha
Em lugar de
longue8 n
"q iulongue3" ler "que
Página
83
mm
14a. linha
-
Em lugar de
"sons" ler "sous"
Página
84
-
la. linha
-
•Em lugar de
"quando" ler "quand"
Página
84
-
5a. linha
-
En lugar de
"bad8" ler "bands"
Página
84
•
9a. linha
-
Em lugar de
"du" ler "de"
Página
85
•
sub-título
Em lugar do
todirao"
"Teramódio" ler "Tara-
Página
86
—
23a. linha
-
Em lugar de
remi!"
"morremii" ler "mer- J
Página
86
-
30a. linha
•
Em lugar de
"lepiose" ler "lepidose" j
Página
86
-
32a. linha
-
Em lugar de
"dos" ler "dois"
Página
86
34a. linha
mm
Em lugar de
ler "sob um
"sob um mesmo, corpo" 9
mesmo como" j
Página
89
-
17a. linha
mm
Em lugar de
"N. Aftiraus" ler "Aued"
Página
91
-
3a. linha
-
Em lugar de
"ideias" ler "idéia" |
Página
92
-
6a. linha
-
En lugar de
"tipos" ler "tipo" 1
Página
92
•
9a. linha
•
Em lugar de
trica*'
"simpática" ler "s „ pa- 1
Página
93
10a. linha
En lugar de "Zeitschr.,3,5.14,1950" j
ler "Zeitschr,3,S.14,1550, Berlim , I
Alemanha. 1
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Página 100 - 19a. linha -
Página 108/9 - 22a. linha -
Tabela I
Página 108/9 - 23a. linha
Tabela I
Página 108/9 - 31a. linha -
Tabela I
Página 133
Página 143
Página 147
Página 147
Página 150
Página 183
Página 188
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Página 189
Página 207
Página 208
Página 221
Página 230
Página 230
Página 245
Fig. 22
17a. linha
Fig. 30
Fig. 31
40a. linha
33a. linha
25a. linha
38a. linha
32a. linha
21a. linha
17a. linha
26a. linha
17a. linha
linha
A -
Tabela I
- 11a.
Página 283 - 16a. linha -
Página 290 - 3a. linha -
Sm lugar de "excentionales " ler
" exceptionalis "
Sm Hysolaegl» parvisninosus - Acre-
centar: 3, na 2a. coluna, es T. nyr
rorhinoB j 4, na 4a. coluna, es R.
raastacalis ; 3, na 6a. coluna, em
R. cearanus j 1, na 7a. coluna, era
R. r, frugivorus j 92, na 14a. colu
na, era 0. eliurus ; 3, na 17a. col^
na, em H. sclureus j 16, na 18a. co
luna, em Hespsroravs ; 1, na 19a. c£
luna, era G. snixii
Sm Schizolaelap8 raazzai - Eliminar
0 numero 3, da 4a. coluna, era R.
j nastacalis
Sa Ixodes loricatus - Eliminar 0
numero 8, da 11a. coluna, em 0.
angularia
Em lugar de "fig. 40" ler "fig. 21"
Em lugar de "partogenese" ler "par-
tenogene8e"
Sm lugar de "fig. 46" ler "fig. 29"
Era lugar de "figs. 46 e 47" ler
"figs. 29 e 30"
Eira lugar de "Floripondio" ler "Flo-
ripondio, Boliyia."
En lugar de " Hesrorava " ler " Hespe-
ronva "
Sm lugar de "4 e 53" ler "4 e 5"
Sm lugar de "consultando" ler "con¬
sultamos"
Sm lugar de "outros 5 (3 machos 3
femeas)" ler "outros 5 (3 machos e
2 feraeas)"
Sm lugar de "olivávea" ler "olina-
cea"
Sm lugar de "Amaral e em" ler "Ama¬
ral em" -
Sm lugar de "me" ler "ml"
Sm lugar de "18 hours" ler "13
hour8"
Os dados numéricos entro os resul¬
tados dos cSes 4-C e 2-52-Cg refe¬
rem-se a este último
Sn lugar de "atingia 2000 A" ler
"atingia 2000 X" e "e 1100 A" ler
"e 1100 A "
Era lugar de "Younger" ler "Youngne"
no itera 7 da bibliografia
Sm lugar de "(my)" ler "(mv)"
H
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víi
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Indústria Graiica Siqustra S. r I
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