MEMÓRIAS
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INSTITUTO BUTANTAN
1960 - 1961 - 1962
TOMO XXX
São Paulo, Brasil
Caixa Postal 65
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MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
1960 - 1961 - 1962
TOMO XXX
Sao Paulo, Brasil
Caixa Postal 65
Índice
Professor DORIVAL DA FONSECA RIBEIRO . 5
Prof. MANUEL AUGUSTO PIRAJÁ DA SILVA . 11
A. BRUNNER JR. — A Estrutura Intrareticulocitária . 15
ALPHONSE RICHARD HOGE — Posição Sistemática de Natrix Sexcarinatus
Wagler 1824 . 27
ALPHONSE RICHARD HOGE — Notas sôbre Xenopeltis Unicolor (Reinwardt)
1827 . 31
ALPHONSE RICHARD HOGE — Sur Ia Position Systematique de Quelques Ser-
pents du Genre Siphlophis Fitzinger 1843 W. 3o
ALPHONSE RICHARD HOGE — Serpentes da Fundação “Surinam Museum” . 51
ALPHONSE RICHARD HOGE — Notes sur Xenedon schottii Schlegel . 65
ALPHONSE RICHARD HOGE e AFONSO CELSO MARANHÃO NINA — Ser¬
pentes coletadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia . 71
ALPHONSE RICHARD HOGE e HELIO EMERSON BELLUOMINI — Notas
sôbre Bothrops Fonsecai Hoge e Belluomini, Bothrops Alternatus Duméril,
Bibron et Duméril e Bothrops Cotiara Gomes . 97
CARLOS D’ANDRETA JR. e DOLORES GONZALEZ B. — Três novas espécies
brasileiras de Simuliidae (Diptera Nematocera) ... 103
G. ROSENFELD, E. M. A. KELEN & F. NUDEL — Hemolytic Activity of Ani¬
mal Venoms. I. Classification in different types and Activities . 117
E. M. A. KELEN, G. ROSENFELD & F. NUDEL — Hemolytic Activity of Ani¬
mal Venoms. II. Variation in Relation to Erythrocyte Species . 133
PAULO ARAÚJO e HELIO EMERSON BELLUOMINI — I. Sensibilidade Espe¬
cífica de Animais Domésticos e de Laboratório . 143
PAULO DE TOLEDO ARTIGAS e MARIO DEMAR PEREZ — Considerações
sôbre Opisthorchis Pricei, Foster, 1939, O. Guayaquilensis Rodriguez, Gomez
et Montalvan, 1949 e O. Psendojelineus Ward, 1901. — Descrição de Amphi-
merus Pseudofelineus Minutus, N. Sub Sp. 157
WOLFGANG BÜCHERL — I. Instrodução, Comentários Bibliográficos, Carac¬
terização da Subfamília Loxoscelinae do Gênero Loxosceles e Enumeração das
Espécies da América do Sul . 167
WOLFGANG BÜCHERL — Revisão dos Botriurídeos da Coleção Escorpiônica do
Museum Nacional do Rio de Janeiro . 187
W. BÜCHERL, P. R. SAN MARTIN, M. FLORES DA CUNHA, F. A. MATTHIE-
SEN, S. ZIMBER e I. BÜCHERL — XII. Revisão Sistemática e Crítica dos
Escorpiões de Gênero Bothriurus Peters 1861 . 207
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PROFESSOR DORIVAL DA FONSECA RIBEIRO
Em sua residência, na Chácara Porto Edem, em Piracaia, município de Ati-
baia, onde residia, faleceu aos 53 anos de idade, o Professor Dorival da Fonseca
Ribeiro, Membro do Conselho Superior de Saúde e Professor Catedrático de
Química Biológica da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de
São Paulo.
Era filho do Dr. Benigno Ribeiro, acatado sanitarista no Estado de São Paulo.
Estudou Preparatórios no Colégio Caetano de Campos, tendo colado grau de Dou¬
tor em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em
1930.
Ingressou no magistério após concurso para preenchimento da vaga de Pro¬
fessor Catedrático da Cadeira de Química Orgânica e Biológica da Faculdade de
Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo, cargo que exerceu até 1962.
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PROF. DORIVAL DA FONSECA RIBEIRO
Convidado em 1951 para dirigir o Instituto Butantan, aceitou o trabalhoso en¬
cargo, procurando elevar ainda mais o seu renome. Foi quem deu início à reali¬
zação dos Cursos de Aperfeiçoamento para Técnicos Superiores, já aprovados pe¬
lo Conselho Técnico da Universidade.
A aquisição do primeiro Microscópio Eletrônico que possuiu o Instituto Bu¬
tantan foi iniciativa da sua administração, coroada do melhor êxito.
Tratou de fazer reverter à atividade no Instituto vários elementos do campo
da pesquisa que dêle tinham sido afastados. Esforçou-se ao máximo para dar
aproveitamento condigno à Fazenda São Joaquim, destinada a substituir a gran¬
de área do Butantan doada à Cidade Universitária.
Na própria sede do Instituto realizou várias obras e cêrca de vinte pequenas
construções, visando melhorar instalações.
Na vigência da sua administração, caracterizada por espírito de independência
e notável benignidade, a produção técnica teve substancial incremento.
Diretor da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo
em 1950, pouco tempo devia permanecer nesse cargo, chamado em 1951 a dirigir
o Instituto Butantan.
Fêz parte de várias Comissões para estudos de problemas ligados à química
alimentar.
Assistente da Cadeira de Higiene da Faculdade de Medicina de São Paulo e
assistente da Cadeira de Fisiologia da Escola de Farmácia e Odontologia de São
Paulo, foi, entretanto, na Faculdade de Medicina Veterinária, de que era Profes¬
sor, que desenvolveu sua carreira universitária, aperfeiçoada em viagens de estudos
à Alemanha, à Inglaterra e à América do Norte.
Ao falecer, integrava o corpo de Membros do Conselho Superior de Saúde
da Secretaria da Saúde Pública e da Assistência Social do Estado de São Paulo,
onde, por coincidência, funcionava como Relator de um projeto de reestruturação
do Instituto Butantan.
“CURRICULUM VITAE”
do
PROF. DR. DORIVAL DA FONSECA RIBEIRO
TÍTULOS DIVERSOS
Doutor em Medicina, pela Escola de Medicina e Cirurgia de São Paulo (Hoje: Fa¬
culdade de Medicina da Universidade de São Paulo).
Assistente Interino da Cadeira de Higiene, da Escola de Medicina e Cirurgia de São
Paulo (Hoje: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).
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Mem. Inst. Butantan,
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PROF. DORIVAL DA FONSECA RIBEIRO
1932/5 — Preparador da Cadeira de Microbiologia, da Escola de Medicina Veterinária de São
Paulo.
1934/5 — Assistente da Cadeira de Fisiologia, da Escola de Farmácia e Odontologia de São
Paulo.
1935/6 — Assistente da Cadeira de Higiene, da Faculdade de Medicina da Universidade de
São Paulo.
1936 — Professor-Catedrático, por concurso, da Cadeira de Química Orgânica e Biológica da
Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo.
1938 — Técnico na 2. a Exposição Viti-Vinícola e de Frutas, do Estado de São Paulo.
— Comissionado por doze mêses para viagem de estudos à Alemanha.
1945 — Nomeado para integrar o Conselho Técnico Administrativo da Faculdade de Medici¬
na Veterinária da Universidade de São Paulo.
— Representante da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo,
no III Congresso de Medicina Veterinária, de Porto Alegre.
1946 — Eleito Presidente da Secção de Vitaminologia da Primeira Jornada Bromatológica.
— Eleito Presidente da Comissão Nacional para Padronização de Métodos de Análises
de Vitaminas.
— Comissionado por três mêses para viagem de estudos ao Chile.
1947 — Nomeado representante da Universidade de São Paulo para integrar a Comissão de
Elaboração do Código Nacional de Alimentação.
1948 — Comissionado por três mêses para viagem de estudos nos Estados Unidos da Amé¬
rica do Norte.
1949 — Representante da Universidade de São Paulo junto ao I Congresso Internacional de
Bioquímica, em Cambridge.
1950 — Nomeado Diretor da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São
Paulo.
1951 — Nomeado Diretor do Instituto Butantan.
1952 — Eleito Presidente da Subcomissão de Vitaminas para elaboração da Farmacopéia
Brasileira.
1960 — Nomeado membro do Conselho Superior de Saúde, da Secretaria da Saúde Pública e
da Assistência Social, do Estado de São Paulo.
Trabalhos Publicados
1 — SÔBRE AS TAXAS NORMAIS DAS PROTEÍNAS NO SÔRO. Tese de Doutoramento.
Escola de Medicina e Cirurgia de São Paulo (Hoje Faculdade de Medicina da Univer¬
sidade de São Paulo) — 1930.
2 — Síntese de um sal novo de ouro. Brasil Médico, n.° 20, 557, 1934.
3 — SÔBRE UM NOVO SAL DE BISMUTO. IODO-LECITINATO DE BISMUTO. Revista
de Biologia e Higiene, Vol. 5, n.o 1, 44/5, 1934.
4 — SÔBRE UM NOVO MÉTODO DE ESTERIFICAÇÃ O DE ÁCIDOS GRAXOS. Revista
de Biologia e Higiene, Vol. 5, n.° 2, 95, 1934.
5 — NOTA SÔBRE O EMPRÊGO DO MORRUATO DE OURO NA TUBERCULOSE. Re¬
vista Paulista de'Tisiologia, n.° 3-4, 1/4, 1935.
6 — PERMEABILIDADE DO URUCÚ NA COLESTERINA E ERGOSTERINA AOS RAIOS
ULTRA-VIOLETA. Revista de Biologia e Higiene, Vol. 6, n.° 2, 102/4, 1935.
7 — URUCÚ E CAROTENO. Revista de Biologia e Higiene, Vol. 6, n.° 2, 98/101, 1935.
8 — MÉTODO RÁPIDO DE ANÁLISE PONDERAL. Apresentado na Sessão da Sociedade
de Biologia, a 8 de março de 1936.
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PROF. DORIVAL DA FONSECA RIBEIRO
9 — APANHADOS SÔBRE ESTUDOS EM ELABORAÇÃO NO INSTITUTO DE HIGIENE
DE SÃO PAULO, em colaboração com os Drs. G. II. Paula Souza, Alexandre Wancolle,
Mário Mesquita e Pedro Egydio de Oliveira Carvalho. Rev. Bras. de Química, vol. I, n.°
5, 193/201, 1936.
10 — SÔBRE A SANTONINA COMO PROVA FUNCIONAL DO FÍGADO. EMPRÊGO DO
SANTONINATO DE SÓDIO POR VIA ENDOVENOSA. Em colaboração com o Dr.
Otávio Augusto Rodovalho. Revista da Associação Paulista de Medicina, vol. X, n.°
3, 156/60, 1937.
11 — LIGEIRA NOTA SÔBRE A AÇÃO IRRITANTE DA FUMAÇA DE CIGARRO. Arqui¬
vos de Higiene e Saúde Pública, 2: 289/90, 1937.
12 — OXIDAÇÃO DA GLICOSE NA SUPERFÍCIE DE ADSORVENTES.
1 (1): 49/52, 1938.
Revista da Fac.
13 — ALGUMAS BASES PARA A ALIMENTAÇÃO RACIONAL DO POVO BRASILEIRO.
Boletim de Agricultura, São Paulo, 297/342, 1939.
14 — MURINE LEPROSY AND CAROTINOIDS. International Journal of Leprosy, vol. 8,
n.° 2, 179/92, 1940.
15 — CÁRIE DENTÁRIA. Edições Melhoramentos, São Paulo, 182 págs. 1941.
16 — NOTA PRELIMINAR SÔBRE A AÇÃO LOCAL DA VITAMINA F EM LESÕES
CUTÂNEAS. Em colaboração com o Dr. Laerte Machado Guimarães. Rev. da Fac.
Med. Vet. de São Paulo, 2 (3): 41/3, 1942.
17 — ESTUDO SÔBRE A AÇÃO ANTITÓXICA DA CLOROFILA. PRIMEIROS RESULTA¬
DOS COM O VENENO CROTÁLICO ( Crotalas terríficas terrificus) E TOXINA TE¬
TÂNICA. Em colaboração com o Dr. Laerte Machado Guimarães. Rev. da Fac. Med.
Vet. de São Paulo, 2 (2) : 3/11, 1942.
18 — VITAMINAS. NOÇÕES FUNDAMENTAIS. TEOR NOS ALIMENTOS. Edição da
Universidade de São Paulo, 212 págs., 1942.
19 — DA PROTEÇÃO DO ÁCIDO ASCÓRBICO “in vitro” PELA XANTINA, SUBSTÂN¬
CIAS CORRELATAS E EXTRATO HEPÁTICO TOTAL OU NÃO, CONTRA AGEN¬
TES DE OXIDAÇÃO. Em colaboração com o Dr. Virgílio Bonoldi. Rev. da Fac. Med.
Vet. de São Paulo, 2 (3): 87/97, 1943.
20 — AÇÃO DA HIPÓFISE DE PEIXE SÔBRE O OVIDUTO DO SAPO ( Bufo Marinas
(L.). Em colaboração com o Dr. José de Fatis Tabarelli Neto. Rev. da Fac. Med. Vet.
de São Paulo, 2 ( 3) : 99/102, 1943.
21 — INFLUENCE OF SULFANILAMIDE ON THE GERMINATION OF SEEDS. Journ,
Biol. Chem. 152 (3) : 665/7, 1944.
22 — DA OBTENÇÃO DE UM EXTRATO GLICERINADO PARA A HIPOFISAÇÂO DE
PEIXES. Em colaboração com o Dr. José de Fatis Tabarelli Netto. Ref. da Fac. Med.
Vet. de São Paulo, 2 (4): 227/32, 1944.
23 — O PÃO NOSSO DE CADA DIA. Editora Martins, São Paulo. 205 págs., 1945.
24 — PRIMEIROS RESULTADOS SÔBRE A CONSERVAÇÃO PELO ALDEÍDO FÓRMICO,
DO LEITE DESTINADO AO CONSUMO PÚBLICO. Tese apresentada ao III Con¬
gresso de Medicina Veterinária, Pôrto Alegre. Em colaboração com o Dr. Paschoal
Mucciolo — 1945.
25 — SÔBRE A INFECUND1DADE DOS REPRODUTORES BOVINOS. Tese apresentada
ao II Congresso de Pecuária do Brasil Central. Goiânia. 1945.
26 — PENICILIN ACTION ON THE GERMINATION OF SEEDS. Science 104 (288) : 18,
1946.
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PROF. DORIVAL DA FONSECA RIBEIRO
Mem. Inst. Butcmtan,
30 : 5 - 9 . 1960 - 2 .
27 — DETERMINAÇÃO DO TEOR DE ÁCIDO ASCÓRRICO DO MAMÃO ( Carica Papaya,
L. 1753). Em colaboração com o Prof. Dr. Francisco Antonio Cardoso. Arquivos da
Fac. de Higiene e Saúde Pública de São Paulo, 1 (1) : 171-92, 1947.
28 — ALIMENTOS ENRIQUECIDOS. Tese apresentada ao VII Congresso Brasileiro de Hi¬
giene, São Paulo, dezembro de 1948.
29 — VITAMINAS. NOÇÕES FUNDAMENTAIS. TEÔR NOS ALIMENTOS. 2. a Edição.
Cia. Melhoramentos, revista e ampliada, 218 págs., 1950.
30 — NEUTRALIZAÇÃO DA TOXINA TETÂNICA PELA CLOROFILA HIDROSSOLÚVEL.
Em colaboração com o Dr. Paulo M. G. Lacerda Jr. Rev. da Fac. Med. Vet. de São
Paulo, 4 (2) : 251/6, 1950.
31 — PROTECTIVE ACTION OF AXALIC ACID IN RELATION TO ASCORBIC ACID
AGAINST ITS OXIDATION BY ASCORBIC ACID OXIDASE. Em colaboração com o
Prof. Dr. Francisco Antonio Cardoso. Rev. da Fac. Med. Vet. de São Paulo, 4 (2) :
241/9, 1950.
32 — ANTI-OXIDATIVE ACTION OF OXALIC ACID IN RELATION TO ADRENALIN
AND ITS POSSIBLE IMPORTANCE IN ANIMAL ECONOMY. Em colaboração com
o Prof. Dr. Francisco Antonio Cardoso. Rev. da Fac. Med. Vet. de São Paulo,
4 (2) : 235/40, 1950.
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PROFESSOR MANOEL AUGUSTO PIRAJÁ DA SILVA
* 28.1.1873
t l.°. III. 1961
Vultos eminentes, já desaparecidos, figuram entre os que, no Brasil, culti¬
varam a Parasitologia e a Medicina Tropical. Lutz e Chagas, Goeldi e Aragão,
Vital Brazil, Rocha Lima e Lemos Monteiro encheram, com seus feitos, muitas
paginas da História da Medicina; mas não é lista completa. Faltam os da Bahia.
E não são poucos: Silva Lima, Wucherer, Vitorino Pereira, Paterson, Silva
Araújo, Pedro Severiano de Magalhães, Pacífico Pereira, Arthur Neiva...
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PROF. MANOEL AUGUSTO PIRAJÁ DA SILVA
Entre os que se notabilizaram pela originalidade da descoberta figura um
que, vivo até há pouco, se ocultava na penumbra de uma modéstia que só fazia
realçar o seu valor, por mais que se esquivasse à notoriedade, só alcançada, fora
dos círculos especializados, quando, imobilizado pela doença, não mais pôde
reagir.
Manoel Augusto Pirajá da Silva, nascido em Camamú, Bahia, a 28 de
janeiro de 1873, haurira seus conhecimentos em pura fonte, discípulo de gran¬
des mestres que foi, na França e na Alemanha. Souberam êstes incutir-lhe con¬
vicções tão profundas que na primeira ocasião de utilizar seus conhecimentos
com responsabilidade e de entrar em oposição com os mais categorizados pes¬
quisadores da época, não hesitou um momento. Insistiu na diversidade dos
Schistosoma do homem e investiu com tal veemência que levou de roldão os uni-
cistas, embora um dêles se chamasse Loos. Isto lhe confere, com pleno direito,
a prioridade da descoberta, distinta da prioridade nomenclatural, esta infeliz¬
mente escapada por pouco do brasileiro pesquisador, por fôrça de rígida con¬
venção internacional, representada pelas Regras de Nomenclatura Zoológica, para
cair nas mãos de outro gigante da patologia, Sambon, em 1907. No entanto, quão
mais justo teria sido coubesse também a prioridade nomenclatural a quem pri¬
meiro distinguiu o verme, estudou-lhe a biologia e os efeitos do parasitismo, o
brasileiro Pirajá da Silva. ..
O emérito pesquisador dos Schistosoma não limitou sua curiosidade a êste
gênero de helmintos e perlustrou com êxito vários outros capítulos da Medicina
Tropical.
Miiases, amebiase, leshmaniose, dermatose causada pelo coleoptero vesicante,
maduromicose, blastomicose, eis alguns dos tópicos da Parasitologia por êle abor¬
dados e sôbre os quais deixou comunicações originais.
Em nenhum dêles, entretanto, se agigantaria como no estudo da Esquistosso¬
mose. Foi sua obra máxima e tão sua que os contemporâneos não hesitaram
em ligar a ela o seu nome: Doença de Manson - Pirajá da Silva.
Descobrir a doença, encontrar o parasita, reconhecer sua diversidade espe¬
cífica, estudar-lhe a evolução, achar seu hospedeiro. .. Opôr-se aos que ousa¬
vam contradizê-lo, assim demonstradas firmeza de convicção e profundidade de
conhecimentos... Conter-se, manter reserva depois da vitória, sem procurar trom¬
betear aos quatro ventos que a descoberta era sua . . Saber ganhar com nobreza,
sem se deixar embriagar pela fama...
Outro aspecto da polimorfa cultura de que era dotado se avantajava tam¬
bém. O de recordar a história de sua Terra.
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PROF. MANOEL AUGUSTO PIRAJÁ DA SILVA
Mem. Inst. Butantan.
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Reproduzir a obra pioneira de Gabriel Soares dos Santos, o enciclopédico
conhecedor do litoral, da potamografia, da etnologia, da flora e da fauna brasi¬
leiros, como poderiam ser descritos no século XVI, já seria muito. Estudá-la
pormenorizadamente e comentá-la tôda como erudito, discernindo o que estava
certo do enganoso, esclarecendo o que estava obscuro e interpretando, à luz do
conhecimento atual, o que a penumbra da ciência de 1500 apenas pennitia divisar,
eis o que mais admira.
Convocou-o o Instituto Butantan quando já repousava, coberto de uma
glória que timbrava em disfarçar. Aceitou, com a modéstia de sempre, o pouco
que lhe era oferecido para, em câmbio, retribuir com tudo quanto pudesse
render sua capacidade física e intelectual.
A Pirajá da Silva ficou o Instituto Butantan ligado por laços não somente
afetivos de alguns de seus elementos, mas também pela contribuição que lhe
deu. Ainda como Professor, na Bahia, funcionou seu Laboratório como represen¬
tante do Butantan, canalizando material do nordeste, que envia a êste Instituto.
Em agradecimento dessa valiosa contribuição, dedicou-lhe um seu discípulo
uma espécie de ofídio peçonhento da região nordestina, Bothrops Pirajai Amaral.
Mais do que isso, preza-se o Butantan de ter contado com êle, infelizmente
por espaço de tempo mui breve, para abrilhantar o seu corpo de pesquisadores.
Ao organizar o Laboratório no Butantan, em 1937, a todos admirava Pirajá,
então rijo sexagenário, pela disposição com que se lançava em incursões ora por
invios sertões da sua Bahia, ora pelo extremo sul do País, em D. Pedrito, na
fronteira com o Uruguai, a coletar material, voltando carregado de raridades,
ainda hoje existindo no Horto Oswaldo Cruz, do Butantan, vários espécimes pre¬
ciosos da flora, por êle trazidos, entre os quais a Cola, Cola acuminata; o Côco
de cheiro, Borassus flabelliformis; a curiosa “Bananeira de dois cachos”.
Mais do que as preciosidades que deixou, entretanto preza o Instituto Bu¬
tantan a feição que ajudou a lhe imprimir com a sua presença: perseverança no
trabalho, austeridade, desprendimento, nobreza de proceder, altivez dentro da
modéstia, serenidade...
É depois de derrubado que se conhece a altura do colosso da floresta. Agora
que Pirajá se foi, confirmamos também que hombreou com os maiores vultos da
Medicina Pátria.
Assim era Pirajá da Silva. Engrandeceu a Cátedra e a Faculdade a que se
devotou; honrou o seu querido torrão natal, a Bahia; projetou até os mais avan¬
çados centros científicos da época o nome da sua Pátria. Na História da Medi¬
cina plantou um marco indestrutível.
F.F.
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Mem. Inst. Butantan,
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A ESTRUTURA INTRARETICULOCITÁRIA
A. BRUNNER, JR.
Serviço de Microscopia Eletrônica do Lab. de Virus e Virusterapia
INTRODUÇÃO
As hemácias jovens ou reticulocitos têm sido submetidas a estudos compa¬
rativos das estruturas observadas ao microscópio óptico, após coloração supra-
vital, com as verificadas ao microscópio eletrônico.
As diferente^ técnicas de preparo de reticulocitos para a observação ao
microscópio eletrônico resultam no aparecimento de diferenças significativas na
micro-estrutura dos componentes intrareticulocitários, o que levou alguns autores
a interpretações discordantes.
Bernhard, Braunsteiner e Mangini (1) e Braunsteiner eí Bernhard (2), após
hemolisar glóbulos vermelhos em suspensão em água destilada, constataram nos
reticulocitos, grânulos dispersos e formas circulares isoladas ou irregularmente
agrupadas no interior do estroma, mas não encontraram filamentos semelhantes
aos observados ao microscópio óptico após coloração supravital pelo verde Janus
B ou azul cresil brilhante. As formas circulares, segundo os autores referidos,
seriam pré-existentes e poderiam agregar-se em disposição linear sob a ação
dos corantes para dar origem ao aspecto de longos filamentos ou seriam, pelo
contrário', resultado da desintegração de filamentos devido ao desequilíbrio osmó-
tico provocado.
Bessis (3), Hug, Lippert e Moser (4), Peter e Wigand (5), Jung (6), Wol-
pers (7) e Brunner e Vallejo-Freire (8), confirmaram a presença de estruturas
idêntica,s em reticulocitos hemolisados em suspensão em água destilada. Alguns
autores consideram as formas circulares como componentes normais dos reticulo¬
citos (2,7); outros consideram aquelas estruturas como artefatos provocados pela
hemólise (4,8).
Filamentos característicos são observados nos reticulocitos, quando hemoli¬
sados em esfregaço após secagem parcial; nestas preparações não se observam
formas circulares. Estruturas intermediárias entrei as circulares e a,s filamentosas
podem ser obtidas desde que se proceda à hemólise em meio de hipotonicidade
menor (8) .
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A. BRUNNER IR.
Em reticulocitos íntegros, Brunner, Vallejo-Freire e Souza Santos (8) veri¬
ficaram que os filamentos vistos ao microscópio eletrônico e os observados após
coloração com verde Janus B constituem uma mesma estrutura e as diferenças de
aspecto seriam apenas consequência da presença do corante. Provaram ainda por
meio de cortes ultrafinos, que êsses filamentos correspondem à mitocôndrias, con¬
cluindo ser a “Substantia grânulo-filamentosa” essencialmente de natureza mito-
condrial. Às mesmas conclusões chegaram, independentemente, Braunsteiner, Fellin-
ger e Pakesh (10).
Vallejo-Freire e Brunner (11) encontraram maior evidência de identidade
entre filamentos e mitocôndrias no sangue periférico de animais intoxicados
com chumbo. As formas circulares resultariam das mitocôndrias filamentosas ou
granulares, quando os reticulocitos são submetidos à hemólise em suspensão em
água destilada (8 e 10).
Seno (12), Yoshizawa, Nakamoto e Kanda (13) afirmam que o verde
Janus B e outros corantes supravitais não possuem afinidade para mitocôndrias
de reticulocitos; a formação da “Substantia grânulo-filamentosa” seria devida
apenas à precipitação de RNA e retículo endoplasmático, provocada pelo corante.
Nêste trabalho apresentamos resultados obtidos com reticulocitos por meio
de cortes ultrafinos, aplicando a técnica usada por Seno (12) para a observa¬
ção de células coradas supravitalmente.
MATERIAL E MÉTODOS
Para facilitar a observação ao microscópio eletrônico, uma reticulocitose de
cêrca de 20% foi provocada em cobaios de 350 a 400 g, após sangrias car¬
díacas de 5 a 6 ml durante 6 dias.
Os reticulocitos foram corados com verde Janus B, adicionando-se 2 ou 3
gotas de sangue em 3 a 4 ml de solução salina isotônica, contendo o corante
nas concentrações de 1/10.000, 1/20 000, 1/50.000 e 1/100.000. Decorridos 5
a 10 minutos e confirmada a coloração ao microscópio com a concentração a
1/10 000, a suspensão de glóbulos vermelhos foi centrifugada a 500 r.p.m. e ao
sedimento adicionou-se solução de ácido ósmico a 1% em tampão veronal-ace-
tato de píl 7.4. Para fixar o corante e aumentar o contraste, aplicamos a téc¬
nica usada por Seno (12), tratando a suspensão de glóbulos vermelhos, 5 minu¬
tos após fixação pelo ácido ósmico, com igual volume de solução aquosa de
H g Cl 2 , 3% e Kl, 5,6%.
As hemácias, após 25 minutos, foram lavadas em água destilada e subme¬
tidas à desidratação rápida na série alcoólica, 5 minutos em cada álcool.
A inclusão foi preparada numa mistura de metil e butil-metacrilatos na
proporção de 1:4, contendo 2% de peróxido de diclorobenzoila e 0,01% de nitrato
de uranila. A polimerização se processou a 45°C, durante 12 a 24 horas. As
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A ESTRUTURA INTRARETICULOCITÁRIA
Mem. Inst. Butantan,
30 : 15 - 26 . 1960 - 2 .
17
trocas dos meios, nos quais as hemácias eram mantidas, foram feitas após
centrifugações e decantações sucessivas; a desidratação se processou rapidamente,
porque o complexo verde Janus B — fixador é solúvel nos alcóois. Os con¬
troles, mantidos em salina isotônica sem corante, foram tratados de modo idên¬
tico.
Parte dos glóbulos, após a coloração supravital, foi utilizada no preparo
de esfregaços em lâminas cobertas prèviamente com filme de colódio, para pro¬
ceder à hemólise após secagem parcial, segundo a técnica de Brunner e Vallejo-
Freire (8) .
Os cortes foram obtidos num micrótomo Porter Blum e as preparações exa¬
minadas num microscópio Siemens ÜM 100b, a 60 Kv, com aumentos de X 7200
e X 15000.
„ RESULTADOS E DISCUSSÃO
Reticulocitos corados pelo verde Janus B apresentam mitocôndrias densas
aos eletrons devido ao acúmulo do complexo corante-fixador no sistema de mem¬
branas. Observam-se várias secções transversais de retículo endoplasmático, algu¬
mas próximas às mitocôndrias (fig. 1).
Nos controles (fig. 2), as mitocôndrias se apresentam com o sistema da
membranas mais delgadas e menos densas; não há material suficientemente
corado para dispersar os eletrons.
Parte dos reticulocitos corados, liemolisa total ou parcialmente. Nas figu¬
ras 3 e 4 observam-se reticulocitos hemolisados, cujas mitocôndrias mostram
claramente um aumento de densidade aos eletrons. Esta observação sugere a
presença de corante junto às membranas, que se apresentam com maior espes¬
sura, em relação aos controles. Mais ou menos periodicamente e em disposição
perpendicular ao comprimento das mitocôndrias observam-se faixas menos den¬
sas correspondentes ao espaço intratrabecular. O espaço intertrabecular apre¬
senta-se também mais denso na figura 4. Junto às mitocôndrias observam-se sec¬
ções de retículo endoplasmático e partículas aglomeradas independentemente, que
poderiam ser de ribonucleoproteínas, dada a densidade e dimensões (100 —
e
150 A) com que se apresentam (14).
A participação do retículo endoplasmático na formação da “Substantia grâ¬
nulo-filamentosa” é mais clara nas preparações de reticulocitos hemolisados em
esfregaço, após coloração supravital e secagem parcial. O reticulocito da figura 5
foi corado com verde Janus B na concentração de 1/10 000. Não se observa
retículo endoplasmático independente do aglomerado de mitocôndrias com o
corante, o que ocorre com reticulocitos corados com verde Janus B até uma
concentração de 1/100.000; na figura 6, um reticulocito preparado pela mesma
técnica, porém tratado com o corante a uma concentração de 1/300 000, mos¬
tra o retículo endoplasmático distinto em relação às mitocôndrias, como se apre-
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sentam os reticulocitos não corados. A aglomeração do retículo endoplasmático
dependeria da concentração do corante. Seno, Yoshizawa, Nakamoto e Kanda
(13) apresentam figuras de reticulocitos corados pelo sulfato azul de Nilo, nos
quais o retículo endoplasmático não se aglomerou às mitocôndrias. As interpre¬
tações feitas por aquêles autores diferem das aqui apresentadas. A visualização
das estruturas intrareticulocitárias ao miscroscópio óptico seria função da con¬
centração do corante, como foi demonstrado por Kosenow (15) em preparações
coradas supravitalmente pelo acridinorange.
Hogeboom, Claude e Hotchkiss (16), Schneider (7) e Schneider e Hogeboom
(18) mostraram que o sistema citocromoxidase se localiza nas mitocôndrias das
células hepáticas. Êste sistema foi identificado também na fração mitocondrial
de reticulocitos, por Rubinstein, Ottolenghi e Denstedt (19) em estudos da ati¬
vidade enzimática das frações obtidas após hemólise por congelamento e des¬
congelamento de sangue de coelhos. Lazarow e Cooperstein (20) e Cooperstein e
Lazarow (21) sugerem a participação do sistema citocromoxidase no mecanismo
de coloração das mitocôndrias pelo verde Janus B. Êste sistema enzimático seria
responsável pela especificidade da coloração. As observações morfológicas aqui
feitas estão em concordância com êstes achados. O precipitado de corante e
ribonucleoproteínas evidenciado por Dustin (22), Thoma (23) e Burt, Murray
e Rossiter (24), provavelmente foi dissolvido, em parte, na série alcoólica durante
a desidratação.
A estrutura densa aos eletrons apresentada por Seno, Yoshizawa, Naka¬
moto e Kanda (13) na figura 12, corresponde provavelmente a mitocôndrias, não
permitindo distinguir alguma organização interna devido ao excesso de corante
utilizado.
Sendo a mitocôndria o elemento estrutural predominante no reticulocito,
pode-se considerá-la como o principal componente da “Substantia grânulo-fila¬
mentosa” nas preparações coradas supravitalmente para exame ao microscópio
óptico. A “Substantia grânulo-filamentosa” seria em parte um artefato, apenas
no que se refere à precipitação de ribonucleoproteínas pelo corante, pois o
precipitado se dispõe em tôrno das mitocôndrias evidenciando uma estrutura
real, préexistente, na bemácia jovem. Nas preparações em que os reticulocitos
não são corados, mas apena,s hemolisados após uma secagem parcial, o conceito
de “Substantia grânulo-filamentosa” restringe-se às mitocôndrias somente.
Uma continuidade do retículo endoplasmático com o estroma foi verificada
(fig. 7). O reticulocito apresentaria poros, de 180 A de diâmetro, em sua super¬
fície, mantendo comunicação do meio exterior com o citoplasma, temporaria¬
mente, podendo-se conjecturar que a penetração do corante se dê por essa via.
Maior dificuldade é encontrada para a explicação da passagem do corante atra¬
vés da membrana externa da mitocôndria, que se comportaria como uma mem¬
brana semipermeável, desde que se admita sua continuidade em tôda a superfície
do organelo.
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RESUMO
Reticulocitos, corados pelo verde Janus B e tratados com um fixador para
o corante contendo elementos de 1 número atômico elevado, foram examinados
ao microscópio eletrônico em cortes ultrafinos ou após hemólise em esfregaço.
Foi possível observar espessamento e aumento de densidade aos eletrons, do
sistema de membranas das mitocôndrias.
Concentrações entre 1/10.000 e 1/100.000 do corante provocam aglomera¬
ção do retículo endoplasmático, e, provàvelmente, ribonucleoproteínas e corante
em tôrno das mitocôndrias. Êste fato não se verifica quando são utilizadas
soluções de verde Janus B de menores concentrações. Com e^tas observações
apresenta-se mais uma evidência sôbre a natureza essencialmente mitocondrial
da chamada “Substantia grânulo-filamentosa” das hemácias jovens.
SUMMARY
Janus green B stained reticulocytes treated with dye fixative containing
elements of high atomic number were examined under the electron micro,scope
in ultra thin sections or in smears after hemolysis.
A thickening and an increase of electron dcnsity of the mitochrondrial
membranes system were observed.
At dye concentrations between 1/10.000 and 1/100.000 an agglomeration of
the endoplasmic reticulum was seen and, possibly, ribonucleoprotein and dye
around the mitochondriae.
This did not occur when ,solution of Janus green B of lower concentrations
were used.
These observations give one more evidence as to the essentially mitochondrial
nature of the so-called “Substantia granulo-filamentosa” of the young red blood
cells.
Agradecemos a assistência técnica prestada pelo sr. José Reis July.
REFERÊNCIAS
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10. Braunsteiner, H., Fellinger, K. und Pakesch, F. — Acta Haematol., 16:322-328, 1956.
11. Vallejo-Freire, A. e Brunner, Jr. A. — Mem. Inst. Butantan, 24:245466, 1957/58.
12. Seno, S. — Acta Path. Japon, 7:741-759, 1957.
13. Seno, S., Yoshizawa, K., Nakamoto, T. and Kanda, S. — Folia Haematol., 2:269-272, 1958.
14. Palade, G. E. — J. Biophys. Biochem. Cytol., 1:59-68, 1955.
15- Kosenow, W. — Acta Haematol., 7:360-368, 1952.
16. Hogeboom, G. H., Claude, A. and Hotchkiss, R. D. — J. Biol. Chem., 165:615-629, 1946.
17. Schneider, W. C. — J. Biol. Chem., 165:585-593, 1946.
18. Schneider, W. C. and Hogeboon, G. H. — J. Natl. Câncer Inst., 10:969-975, 1950.
19- Rubinstein, D., Ottolenghi, P. and Densted, O. F. — Can. J. Biochem. and Physiol.,
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20- Lazarow, A. and Cooperstein, S. J. — Exptl. Cell Res., 5:56-69, 1953.
21. Cooperstein, S. J. and Lazarow, A. — Exptl. Cell Res., 5:82-97, 1953.
22. Dustin, Jr. P. — Symposia of the Society for Experimental Biology, 1:144, 1947.
23. Thoma, K. — Klin. Wochschr., 28:215-216, 1950.
24. Burt, N. S., Murray, R. G. E. and Rossiter, R. J. — Blood, 6:906-915, 1951.
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POSIÇÃO SISTEMÁTICA DE Natrix sexcarinatus
Wagler 1824
SERPENTES
POR
ALPHONSE RICHARD HOGE
Natrix sexcarinatus foi descrita por W,agler, baseado num único exemplar
procedente dos arredores pantanosos das florestas do Rio Amazonas.
Schlegel (4) colocou Natrix sexcarinatus na sinonímia de Herpetodryas cari-
natus. Somente em 1891 que reaparece numa publicação a espécie sexcarinatus
Boulenger (1). No seu catálogo Boulenger (2) registrou sob o nome de Herpe¬
todryas sexcarinatus, espécimes do Brasil, Venezuela e Paraguay.
Secção de Ofiologia, Instituto Butantan.
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ALPHONSE RICHARD HOGE
Desde a publicação do Catálogo de Boulenger a espécie aparece freqüen-
temente na literatura. Convém notar que nenhum sexcarinalus dos mencionados
por autores posteriores a Wagler, são verdadeiros Natrix sexcarinalus Wagler 1824.
Bailey (3) em sua revisão dos Chironius do suleste da América do Sul,
observou que Natrix sexcarinatus era seguramente distinta de qmdricarinalus e
pyrrhopogon, admitindo a possibilidade de que Natrix sexcarinalus não perten¬
cesse ao gênero Chironius “On the other hand it is not all certain that Wagler’s
species is a Chironius”.
Recebemos recentemente, procedente do km. 86 da Estrada Belém-Brasília,
Estado do Pará, ou seja em plena floresta Amazônica, uma serpente que identifi¬
camos como sendo a mesma descrita por Wagler como Natrix sexcarinatus.
Trata-se, porém, de um ofidio, não do gênero Chironius, mas sim do gênero
Pseustes. A determinação foi baseada unicamente sôbre os dados fornecidos pela
descrição original, pois já em 1957 durante uma estadia no Museu de Munique,
onde estão guardados os tipos das Serpentes descritas por Wagler in Spix em
Serp. Bras. sp. nov., não nos foi possível examinar o tipo, pois de acordo com
informações do Dr. Helmich deve êle ser considerado como perdido durante a
última Guerra Mundial, quando a coleção de tipos foi atingida por uma bomba.
Pseustes sexcarinatus (Wagler)
1824 Natrix sexcarinatus Wagler in Spix, Serp. Bras. sp. nov. :35 Pr. 12 Terra
typica: “ad Flumen Amazonum” (Tipo perdido, originalmente depositado
na “Zoologischer Sammlung des Bayerischen States, München) .
Material : um exemplar, S , n.° 19.912 da coleção do Instituto Butantan, pro¬
cedente do km. 86 da Estrada Belém-Brasília, Estado do Pará, Brasil, coletado
por Emílio Dente em 12/XII/1960.
Rostral mais larga do que alta; internasais ligeiramente mais curtas do
que as prefrontais, que são mais largas do que longas; frontal bem larga ante¬
riormente, em contato com as preoculares, mais longa do que sua distância da
ponta do focinho; supraocularcs grandes, muito mais largas na parte posterior;
parietais largas, mais longas do que largas, ligeiramente mais curtas do que a
frontal; narina grande, entre duas placas; loreal ligeiramente mais longa do
que alta; uma preocular, mais larga em cima, em contato com a frontal; duas
postoculares; temporais 1 -f- 2 do lado esquerdo (devido a uma escama tempo¬
ral superior minúscula); supralabiais 8 (4. a , 5. a e 6. a ) a 8. a muito mais longa;
infralabiais 13, o primeiro par em contato por de trás da sinfisial, os 8 pri¬
meiros pares em contato com a mentual anterior que é mais curta do que a
posterior; dorsais em 21-23-14 séries longitudinais; 6 séries dorsais carenadas,
as escamas dorsais em séries oblíquas; fossetas apicilares duplas ou triplas na
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30:27-30. 1960-2.
POSIÇÃO SISTEMÁTICA DE Natrix sexcarinatus
região nuehal e duplas no corpo e na cauda; anal simples; ventrais 196, for¬
temente anguladas lateralmente, os ângulos formando uma estria longitudinal
realçada por colorido mais escuro; subcaudais 124/124 -j- 1. Colorido marrom
cinzento no dorso e cauda; as dorsais tarjadas de marrom escuro, bem visível
na nuca. No corpo as tarjas escuras das escamas dorsais são menos aparentes,
salvo onde o “stratum corneum” foi arrancado; labiais superiores e região guiar
brancas; a parte ventral escurece gradualmente para trás até tomar uma tonali¬
dade de marrom escuro no têrço posterior do corpo e cauda; placas ventrais
orladas de marrom escuro, apenas perceptível no quinto anterior e aumentando
gradualmente para trás. Ôlho grande, diâmetro = a distância do ôllio até a
parte anterior da narina; pupila redonda; hemipenis do tipo observado no gênero
Pseustes, espinhos em baixo e com cálices em cima, “sulcus spermaticus” simples.
Não foi possível estudar com maior detalhe o hemipenis que estava invaginado
e já bastante fixado, permitindo somente uma evaginação imperfeita. Dentes
maxilares 18, ligeiramente aumentados para trás. Comprimento total 1380 mm;
cauda 400 mm; cabeça 39,8 mm.
Observações: — o exemplar acima descrito concorda perfeitamente com
os dados da descrição original, há porém as seguintes diferenças: o número de
dentes maxilares do tipo é dado como 13 enquanto observamos 18 em nosso
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ALPHOMSE RICHARD HÔGÊ
espécimes. É provável que Wagler não tenha contado os alvéolos, suposição que
nos parece confirmada pela expressão do próprio Wagler quanto à distância
entre os dentes “dentes maxillae superiores distantes”. A narina é dada como
pequena no typo, porém na gravura aparece grande. A preocular na gravura de
Wagler não está em contato com a frontal; as supralabiais aparecem em número
de 6, porém é bem provável que são devidos a defeitos da gravura, defeitos
já bem observados em outras gravuras da mesma obra. O colorido da parte
ventral é idêntico ao por nós observado (no texto latino), porém no texto
francês a cauda é dada como “qui sont d’un pâle jaune brunâtre”.
RESUMO
Um exemplar procedente do Estado do Pará, Brasil, é identificado como
Natrix sexcarinatus Wagler 1824, e a espécie é colocada no gênero Pseusles. É
dada uma descrição detalhada do exemplar de Pseustes sexcarinatus Wagler 1824.
ABSTRACT
A specimen from the State of Pará, Brazil, is identified as Natrix sexcarinatus
Wagler 1824 and the species is considerated as belonging to the genus Pseustes.
A description of the specimen of Pseustes sexcarinatus Wagler 1824 is given.
REFERÊNCIAS
1 — Boulenger, G-A. — Proc. Zool. Coc., 1891.
2 — Boulenger, G-A. — Cat. Snakes Brit. Mus., 2:1894.
3 — Bailey, J. R. — The Snakes of the genus Chironius in Southeastem South America.
Occ. Pap. Mus. Zool. Univ. Michigan, 571 1955.
4 —- Schlegel, H. — Essai sur la physionomie des serpents, 2,1837.
5 — Wagler, J. — In Spix, Serpentum brasüiensium species novae, 1824. Miinich.
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NOTA SÔBRE Xenopeltis unicolor Reiiiwarclt 1827
SERPENTES
POR
ALPHONSE RICHARD HOGE
A posição sistemática de Xenopeltis, gênero monotípico, sempre pareceu algo
anormal devido às suas afinidades com as famílias Boidae e Colubridae.
Ainda recentemente Romer( 6 ) incluiu Xenopeltis como subfamília Xenopel-
tinae na família Anüüdae. Dowlingf 3 ) criticou por sua vez, êste agrupamento.
Na realidade, tôdas as discussões sôbre a posição sistemática de Xenopeltis
originam-se principalmente do fato de que os autores, posteriores a Boulen-
gerf 1 ) :234,1890, consideravam Xenopeltis como pertencendo à família Xenopelti-
dae, caracterizada por pré-frontais largamente em contato com os nasais; vestígios
de membros posteriores ausentes; supra-temporal intercalado na parede do crâneo
e coronóide ausente.
É de estranhar que tenha havido tanta discussão devido à ausência de
coronóide, único carácter que afasta Xenopeltis da família Boidae (sensu latus),
sem que se verificasse novamente a osteologia craneana.
Examinando três crâneos de Xenopeltis unicolor Reinwardt 1827, constatei
que: o coronóide não sòmentef está presente como é muito longo e de forma lami¬
nar (Figs. 1 e 2) ; o supra-temporal é facilmente destacável do crâneo (Fig. 3) ;
o opercular e o angular estão presentes, embora êste último seja reduzido.
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Secção de Ofiologia, Instituto Butantan.
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ALPHONSE RICHARD HOGE
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Xenopeltis unicolor Reinwardt, n.° 451 I.B. (desenhos em câmara clara).
Fig. 1 — Mandíbula.
Fig. 2 — Parte anterior da mandíbula.
Fig. 3 — Vista lateral do crâneo.
A — supratemporal no lugar.
B — supratemporal retirado mostrando que não há sinal de intercalação do mesmo
a — angular
coronóide
— o opercular.
Convém notar que quando Cope (2) :230,1864, criou a família Xenopeltidae
disse claramente que o coronóide estava presente: “coronoid and articular very
elongate-slcnder”. Observei que o coronóide do exemplar n.° 451 é dividido em
dois, o que é possivelmente devido a uma ruptura durante a manipulação.
Não há, pois, razão em considerar Xenopeltis como não pertencendo à famí¬
lia Boidae, baseando-se unicamente na ausência dc membros posteriores, pois os
Bolyerinae também não os têm, além de possuírem dois maxilares de cada lado.
Xenopeltis unicolor deve, pois, ser considerado como pertencendo à subfamília
Xenopeltinae, da família Boidae.
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NOTA SÔBRE Xenopeltis unicolor
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30:31-33. 1960-2.
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O acima exposto evidencia quanto é necessário uma revisão de diversos
dados considerados clássicos ma ( s que na realidade são baseados em observações
errôneas. Citarei, ainda a título de exemplo, o caso de Xenodon schotii Schlegel (5)
nome que, conforme já demonstrei, desde Duméril, Bibron et Duméril (4) fôra
aplicado a uma serpente opistóglifa, quando na realidade o tipo, que examinei,
é uma serpente áglifa com prêsas posteriores aumentadas, o que, aliás, estava
claramente exposto por Schlegel na sua descrição original e que é uma subespécie
de Leimadophis poecilogyrus.
Diagnose da sub família Xenopeltinae: pré-frontais largamente em contato
com os nasais; vestígios de membros posteriores ausentes; supra-temporal facil¬
mente destacável; coronóide presente, longo e laminar; angular reduzido; opCrcular
normal; dental móvel frouxamente fixado no articular. Dentes numerosos. 4-5 no
pré-maxilar; 33-48 no maxilar; 35-43 no mandibular.
RESUMO
Xenopeltis unicolor é considerado pertencendo à subfamília Xenopeltinae, da
família Boidae, baseado na presença do coronóide, que não somente está pre¬
sente, mas é muito longo e delgado.
ABSTRACT
Xenopeltis unicolor is considered as belonging to lhe sub-family Xenopel¬
tinae, of the family Boidae, since as demonstrated in tliis paper, the coronoid is
not only present but very long and slender.
Diagnosis of the family Xenopeltinae: prefontals largely in contact with
nasais; no vestige of limbs; supratemporal sinall but not intercalate in the cra-
nial wall; coronoid present, very long and slender; angular reduced; opercular
normal; dental loosely attached to the articular and movable on it. Teeth small;
very numerous 4-5 premaxillary; 33-48 in each maxillary and 35-43 in each man-
dible.
REFERÊNCIAS
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5 — Schlegel, H. — Essai sur la Physionomie des Serpents. La Haye, 1837.
6 — Romer, A • S ■ — Osteology of the Reptiles. 1953.
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Leia-se 1925.
Pág. 36: Onde se lê Lyucognathus.
Leia-se: Lycognathus.
Pág. 37: Onde se lê: ecrvinus.
Leia-se: cervinus.
Pág. 37: Onde se lê: Lycognthus.
Leia-se: Lycognathus
Pág. 38: Onde se lê: Fig. 142.
Leia-se: Fig. 1 et 2
Pág. 39: Onde se lê: Fig. 5 — Maxillai-
re de Siphlophis cervinus.
Leia-se: Fig. 5 — Mandibulaire de Siph¬
lophis cervinus.
Pág. 39: Onde se lê: Fig. 13 — Soph-
lophis geminatus (type).
Leia-se: Fig. 13 — Siphlophis gemina¬
tus (type).
Pág. 40: Onde se lê: Amaral serait.
Leia-se: Amaral 1935 serait.
Pág. 40: Onde se lê: de Siphlophis
pulcher (Raddi) 1820.
Leia-se: de Siphlophis pulcher (Rad¬
di) 1820. Toutefois Siphlophis pulcher Rad¬
di doit être considéré comme "nomen obli¬
tum", et par consequent le synonyme le
plus ancien doit être usé, doit Siphlophis
geminatus.
Pág. 43: Onde se lê: 1820 Coluber pul¬
cher Raddi.
Leia-se: 1820 Coluber pulcher Raddi
(nomen oblitum).
Pág. 43: Onde se lê: Belin: 288.
Leia-se: Berlin: 288.
Pág. 43: Onde se lê: Siphlophis pulcher
(Raddi); [nonen oblitum].
Leia-se: Siphlophis pulcher (Raddi);
Toutefo : s Siphlophis pulcher doit être con¬
sidéré comme "nomen oblitum" et par con¬
sequent le synonyme plus ancien étant ge¬
minatus. 1'espèce est identifiée comme
Siphlophis geminatus.
Pág. 44: Onde se lê: Callíopistria.
Leia-se: Callopistria.
Pág. 44: Onde se lê: Siphlophis pulcher
(Raddi).
Leia-se: Siphlophis pulcher (Raddi) —
Todavia, Siphlophis pulcher deve ser con¬
siderado como um "nomen oblitum" e con¬
sequentemente deve ser usado o sinônimo
ma's antigo, ou seja, Siphlophis geminatus.
Pág. 44: Onde se lê: Dr. Heiz Wermuth.
Leia-se: Dr. Heinz Wermuth.
Pág. 45: Onde se lê: Di aculne.
Leia-se: Di alcune.
Pág. 65: Onde se lê: N.° 256.
Leia-se: 236.
Págs. 65, 67, 69 (no cabeçário) 19502.
Leia-se: 1960-62.
Pág. 68: Onde se lê: Pirard.
Leia-se: Girard.
Pág. 68: Onde se lê: Barbourg.
Leia-se: Marbourg.
Pág. 74: Onde se lê: Moyomba.
Leia-se: Moyobamba.
Pág. 76: Onde se lê: 4 324:
Leia-se: 4,324:
Pág. 79: Onde se lê: Apachqcoalt.
Leia-se: Apachycoalt.
Pág. 79: Onde se lê: tem mais número
Leia-se: Tem maior número.
Pág. 83: Onde se lê: geminicatus.
Leia-se: geminatus.
Pág. 85: Onde se lê: univeram.
Leia-se: universam.
Pág. 97: Onde se lê: gegeráfica.
Leia-se: geográfica.
Pág. 101: Onde se lê: Estad.
Leia-se: Estado
Pág. 119: Onde se lê: veirfy.
Leia-se: verify.
Pág. 123: Onde se lê: bebetina.
Leia-se: lebetina.
Pág. 123: Onde se lê: terrifcius.
Leia-se: terrificus.
Pág. 124: Onde se lê: hemolylis.
Leia-se: hemolysis.
Pág. 143: Onde se lê: 30:133-142.1960-62.
Leia-se: 30:143-156. 1960-62.
Pág. 144: Onde se lê: Êsses dados não.
Leia-se: Êsses dados são.
Pág. 159: Onde se lê: Foster, como
boa; estamos de acordo com Bisseru (1957)
que considera o vez.
Leia-se: Foster, em P. laniger pallidus;
considerando a diferença sensível do ta¬
manho, talvez.
Pág. 160r Onde se lê: constante e con¬
sistente.
Leia-se: constante e inconsistente.
Pág. 184: Onde se lê: Überlick.
Leia-se: Überblick.
Pág. 185: Onde se lê setht.
Leia-se: steht.
Pág. 194: Onde se lê: trai do quinto.
Leia-se: Face ventral do quinto.
Pág. 209: Onde se lê: Transborthriurus.
Leia-se: Transbothriurus.
Pág. 213: Onde se lê: V.° cegmento.
Leia-se: V.° segmento.
Pág. 215: Onde se lê: sgemento.
Leia-se: segmento:
Pág. 220: Onde se lê: desginou.
Leia-se: designou.
SciELO
Mem. Inst. Butantan,
30:35-50. 1960-2.
35
SUE LA POSITION SYSTEMATIQUE DE QUELQUES
SERPENTS DU GENRE SipMophis Pitzinger 1843 W
SERPENTES
PAR
ALPHONSE RICHARD HOGE
Les descriptions originelles de Coluber pulcher Raddi 1820 (Terra typica:
Rio de Janeiro, Brésil), Lycognathus geminalus Duméril, Bibron et Duméril
1854 — (Terra typica: Brésil), Oxyrhopus rhombeatus Peter 1863 (Terra typica:
inconnue) et Callopistria rubrovertebralis Amaral 1935 — (Terra typica: Morro
Azul, Estado do Rio de’ Janeiro, Brésil), se ressemblant tellement que j’ai décidé
de vérifier la possible identité de ces espèces, ce qui m’a amené à les consi-
dérer comine synonymes.
tLn autre Adiastema cervinum Werner 1923, Alleidophis ivorontzowi Prado
1939 et Tropidodipsas longicaudata Andersson 1901 ont été placés par Amaral
dans la synonymie de Siphlophis cervinum, (Laurenti) 1769) alors qu’il s’agit
d’espèces distinctes et même dans le cas d’ Adiastema et Alleidophis, de genres
differents.
Matêriel examine. En dehors des grandes séries de serpents du genre Siphlo¬
phis déposés dans la collection de lTnstitul Butantan, j’ai examine le matêriel
suivant:
Lycognathus geminatus Duméril, Bibron et Duméril 1854, bolotype, 9 , n.°
3727 du Museum National d’Histoire Naturelle de Paris.
Lycognathus scolopax Duméril, Bibron et Duméril 1854 (nom. nov. pro
Lycognathus audax (Daudin) 1803, n.° 3726, 9, n.° 3725, 9, et n.° 1204, 9 :
tous au Museum National dTIistoire Naturelle de Paris.
Tropidodipsas longicaudata Andersson, 1901, bolotype, 9, s/n.° au Naturhis-
toriska Riksmuseum de Stockholm.
Adiastema cervinum Werner 1925, type, s/n.° au Naturhistorisches Museum,
Wien.
Laboratoire d’Ophiologie de lTnstitut Butantan.
cm
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36
ALPHONSE RICHARD HOGE
Callopistria rubrovertebralis Amaral, 1935, type, $, n.° 9109 et les para-
types (Amaral les cite comine cotypes n.° 5687 ( 2 ) et n.° 5649 ( S ) teus
déposés dans la collection de 1’Institut Butantan.
Alleidophis worontzoui Prado 1939 holotype n.° 10062 déposé à 1’Institut
Butantan.
RESUMÉ HISTORIQUE
1769 Laureiiti (17) décrit Coronella cervina d'aprés une figure publiée par Seba
(24) en 1735 (2) .
1788 Gmellin (13) décrit Coluber zeylonicus d’aprés la description de Boddaert
de Coluber maculis majoribus brunneis (nom. nud.), description elle mème
basée sur les figures de Seba (23) (I) et Scheuzer.
1788 Gmellin passé Coronella cervina Laurenti dans le genre Coluber.
1803 Daudin (8) décrit Coluber audax.
1820 Merrem (18) décrit Natrix maximilliani basé sur des fig. de Seba et
Scheuzer.
1820 Raddi (22) décrit Coluber pulcher basé sur un exemplaire originaire de
Rio de Janeiro.
1826 Fitzinger (11) place 1’espèce audax de Daudin dans le genre Dipsas.
1827 Boié (5) place audax dans son nouveau genre Lycodon. À partir de cette
date jusqu’en 1843 les auteurs conservent audax dans le genre Lycodon.
1843 Fitzinger (12) indique Lycodon audax commC genotype de son nouveau
genre et sous genre Siphlophis.
1853 Duméril (9) passe Lycognathus scolopax (nom.nov.) = Lycodon audax
dans son nouveau genre Lycognathus, tout en considérant comme étant du
genre Lycognathus plusieurs espèces actuellement placées dans d’autres
genres.
1854 Duméril, Bibron et Duméril (10) maintiennent scolopax dans le genre
Lycognathus et donnent la description de 1’espèce nouvelle Lycognathus
geminalus.
1862 Cope (7) fait revivre le nom générique Siphlophis.
1863 Jan (15) passe scolopax et geminatus dans le genre Oxyrhopus.
1963 Peters (20) décrit Oxyrhopus rhombeatus.
1896 Boulenger (6) donne la préference au nom générique de Lycognathus et
passe Coluber zeylonicus, Coluber audax, Natrix maximilliani, Lycognathus
scolopax, Lycognathus geminatus, dans la synonyme de Lyncognaíhus cervi-
nus (Laurenti) tout en maintenant comme espèce distincte, Oxyrhopus rhom¬
beatus Peter 1863.
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EUR LA POSITION SYSTEMATIQUE DE QUELQUES
DU GENRE Siphlophis
37
1901 Andersson (3) décrit Tropidodipsas longicaudata.
1915 Griffin (14) décrit Clelia euprepa.
1924 Müller (19) démontre que Oxyrhopus rhombeatus Peters 1863 est un syno-
nyme de Lycognathus geminatus Duméril, Bibron et Duraéril 1854.
1925 Werner considère Lycognathus geminatus comme espèce distincte de Lycog¬
nathus cervinus au contraire de Boulenger, mais il considère Tropidodipsas
longicaudata Andersson comme synonyme de Lycognathus geminatus.
1929 Amaral (1) considère Tropidodipsas longicaudata Andersson, Clelia eupre-
pia Griffin et Adiastema cervinum Werner 1925 comme synonymes de Siphlo¬
phis cervinus (Laurenti). Quand à 1’espèce! Lycognthus geminatus Duméril,
Bibron et Duméril il en fait une sous espéce de cervinus soit “Siphlophis cer¬
vinus geminatus (Duméril, et Bibron) ” avec Oxyrhopus rhombeatus comme
synonyme.
1935 Amaral (2) décrit Callopistria rubrovertebralis.
DISCUSSION
Cornella cervina Laurenti 1769, pCut être facilement identifiée grâce à la
figure de Seba (24) tab. 79 fig. 4, citée par Laurenti, et qui correspond à la
forme à nombreuses transversales déchiquetées, et à plaques cephaliques rnarron-
gris foncé avec centre et bords plus clairs (Fig. 17 et 18).
Coluber zeylonicus Gmellin, 1788 (non Serpens Ceylonica Boyuna) Seba (24)
est identique a coronella cervina Laurenti 1769 comme ont peut le voir en com-
parant la figure citée par Gmellin (Seba 1, tabl. 100 fig. 4) avCc celle citée par
Laurenti.
Coluber audax Daudin 1803 est lui identique à cervinus de Laurenti comme
le prouve la description et la figure qui accompagne la description (8) pl. 79.
Quand a Natrix maximilliani Merrem 1820, Fauteur se réfère à plusieurs
planches de Seba e Scheuzer, dont plusieures ne sont évidement pas des Siphlophis
mais une des planches citées (Seba 2 pl. 100 fig. 4, correspond à mon avis trés
bien avec celle citée par Laurenti pour cervinus, malgré 1’opinion en contraire
de Duméril, Bibron et Duméril (10) :920. Donc il faut considérer Natrix maxi¬
milliani Merrem comme “partim” Coronella cervina Laurenti, comme Pont fait
Duméril, Bibron et Duméril (10) et Boulenger (6) .
En ce qui concerne Lycognathus scolopax, Duméril, Bibron et Duméril (10)
il s’agit d’un pré-linnéen auquel Duméril, Bibron et Duméril ont donné la pré-
férence.
L’étude du matériel, qui a servi de base à Duméril, Bibron et Duméril pour
décrire Lycognathus scolopax, m’a permis de constater que Pexemplaire originaire
des environs de Sta. Cruz de La Sierra, (Bolivie et non Chili) comme Pa demon-
cm
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38
ALPHONSE RICHARD HOGE
tré Vanzolini (25:) est différent des autres exemplaires par le nombre de
bandes transversales sur le corps qui sont seulement au nombre de 57 au lieu
de 88 a 93 chez les autres exemplaires.
S’il s’agit d’une difference sous-specifique ou non, seulement Pétude d’un
grande nombre d’exemplaires pourra le prouver. Dans le cas ou une difference
réèlle serait demonstrée lc nom à appliquer serait de Siphlophis euprepa (Griffin)
(14) originaire de la même région.
Clelia euprepa Griffin 1920 fut incluse dan la synonyme de Siphlophis cer-
vinus Laurenti par Amaral (1), point de vue que je partage avec la reserve que
j’ai faite au £ujet des exemplaires de Sta. Cruz de la Sierra.
Quand à Adiastema cervinum Werner 1925, Amaral (1) Pa placé dans la
synonymie de Siphlophis cervinus Laurenti. Si bien que Amaral (1) affirme avoir
examinée le type, il s’est trompé non seulement d’espèce mais même de sous-
famille, car comme Pa dejá démontré Malcolm Smith, et comme je Pai constaté
moi-même par Pexamen du type, il s’agit d’un sCrpent du genre Dinodon.
Donc Coluher zeylonicus Gmellin, Coluber audax Daudin, Natrix maximilliani
Merrem, Lycognathus scolopax Duméril, Bibron et Duméril et Coluber euprepa
Griffin doivent rester dans la synonymie de Siphlophis cervinus (Laurenti 1769).
L’espèce Coluber pulcher Raddi 1820 n’est plus citée après 1827 (tradution
resumée du travail originei de Raddi in Isis 1827,: 489) et s’agit pourtant d’une
bonne espèce que se distingue de Siphlophis cervinus (Laurenti) par les caractères
suivants:
a) La moyenne des gastrostèges est plus basse que chez cervinus (229-241
contre 238-256) .
b) Le dessin de la tête et du corps complètement différents (fig. 13, 14,
19, et 18) ainsi que par la prèsence d’une bande rouge en zig-zag sur le dos (19).
c) Le nombre de dents maxillaires qui est de 16 -f- 2.
d) Le format du maxillaire supérieur (Fig. 1, 2).
e) Le format différent de la mandibule (Fig. 5 et 8), surtout en relation à
la partie formée par le supra-angulaire [Fig. 5 (a) et 8 (a)].
Lycognathus geminatus Duméril, Bibron et Duméril 1854 est identique à
Coluber pulcher Raddi 1820 comme on peut juger en comparant la photographie 1,
dessin (13, 14 et Phot. 19) ainsi que la gravure de Jan (16) Pl. 4 Fig. 142), qui
sont du type de geminatus avec la description de Raddi (22) :337-338; dont je
citerai quelques extraits “...dorso linea longitudinali intermedia rubra subtus
Iateribusque albidis, maculis quadruplici serie longitudinali dispostis, intermediis
subquadratis, laleralibus dimidiatis; cauda acuta 1/4. Scutis abdom. 241. Scutellis
subcaudalis 109 ... II sou colore e biancasto con una linea o piultosto slriscia
longitudinale rosso overocolor di corallo sul dorso, e quatro ordini longitudinali
di machinienere piuttosto grandi ai lati, che le due intermedie quasi quadrata
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SUR LA POSITION SYSTEMATIQUE DE QUELQUES
DU GENRE Siphlophis
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0,5 cm
Fig. 1 — Maxillaire de Siphlophis cervinus
n.° 2222. I.B.
Fig. 2 — Maxillaire de Siphlophis gemina-
tus type
Fig. 3 — Maxillaire de Siphlophis longicau-
datus
Fig. 4 — Maxillaires de Alleidophis woront- Fic. 9 — Carré de Siphlophis cervinus
Fig. 10 — Carré de Alleidophis worontzowi
Fic. 11 — Carré de Siphlophis geminatus
Fig. 12 — Carré de Siphlophis longicmdatus
T/?i7/?Sl &Zl
Fig. 5 — Maxillaire de Siphlophis cervinus
Fig. 6 — Mandibulaire de Alleidophis wo¬
rontzowi
Fig. 7 — Mandibulaire de Sipholphis longi-
caudatus
Fig. 8 — Mandibulaire de Siphlophis gemi¬
natus
Fig. 13 — Sophlophis geminatus (type)
*
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10 11 12 13 14 15
cm
40
ALPHONSE RICHARD HOGE
e avoicinate 1’un’altra per uno dei loro angoli di maniera a rappresentare due
catene o annelli quadri, e quelli laterale, le quali accostano alie squame trans-l
versali, sono disposte alternativamente alie altre rappresentano ciaschiduna pressol
a poco la meta di una di esse. ... La parte superiore delia testa é alquantol
concave sul centro, seriziata di branco, rosso e nero, e coperta da nove squamel
II suo corpo é alquanti compresso ai lati, i ricuoperto di scaglié romboidalel
e liscie: ...”
Boulenger (6) :57 a considéré Lycognathus geminatus comine synonyme dei
Siphlophis cervinus (Laurenti) tout en considérant Oxyrhopus rhombeatus Petersl
1863 comme une espèce distincte.
Oxyrhopus rhombeatus Peter, dont le type a été perdu durant la derniérel
guerre mondiale, est idenlique à Lycognathus geminatus Duméril, Bibron et I
Duméril comme Müller (19) :87 Pa déjà prouve et comme on peut verifier grâcel
à Pexcellente description de Peters.
Callopistria rubrovertebralis Amaral serait, selon Amaral caractérisé pari
la dentition (16 -(- 2) ce qui est exactement le nombre de dents maxillaires citél
par Duméril, Bibron et Duméril (10) pour geminatus. Le nombre de gastrostèges I
lui aussi est le même que chez pulcher, sans oublier que les types de pulcher et
rubrovertebralis viennent tous les deux de 1’Etat de Rio de Janeiro.
Enfin la comparaison des descriptions ou plus simplement encore des fig. 13,1
14 et 19 ainsi que la figure de Jan, qui représentent les types de geminatus etI
Callopistria dispense tout commentaire quand à Pidentité des deux espèces.
Donc Lycognathus geminatus Duméril, Bibron et Duméril; Oxyrhopus rhom -1
beatus Peters et Callopistria rubrovertebralis doivent passer dans la synonymie I
de Siphlophis pulcher (Raddi) 1820.
Tropidodipsas longicaudata Andersson 1917 fut inclus par Amaral (1) :271
dans la synonymie de Siphlophis cervinus. Je suis d’accord avec Amaral quand
à la position générique, car comme j’ai pu le constater par Pexamen du type,l
Andersson n’a pas remarqué les crocbets cannelés, mais quand à la synonymie dei
Pespèce je ne puis accepter les conclusions de Amaral pour les raisons suivantes:
nombre de gastrostèges plus reduit 221-231 contre 238-256 chez cervinus, formatl
du mandibulaire lui aussi différent (Fig. 5 et 7); la partie antérieure du carrél
a une forme différente que chez les autres Siphlophis (fig. 12) ; et surtout pari
le dessin de la tête comme on peut voir sur les dessins (fig. 15, 16, 17 et 18)
ainsi que par un dessin différent sur le corps.
Quand à Alleidophis worontzowi Prado 1939, si bien que Pauteur du genrel
se soit trompé quand à la conformation de la pupille qui est verticalle et nonl
ronde comme il Paffirme, je crois que, du moins pour le moment ou peut le con-
sidérer comme un genre différent de Siphlophis surtout que le dessin formé dei
larges bandes transversales ainsi que les deux taches sur la nuque ne rappellentl
cm
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SUR LA POSITION SYSTEMATIQUE DE QUELQUES
DU GENRE Siphlophis
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14
Fic. 14 — Siphlophis geminatus (type)
L
±
J
1 C
Fic. 15 — Siphlophis longicaudatus
r>
3
Fic. 16 — Siphlophis longicaudatus
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Mem. Inst. Butantan,
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SUR LA POSITION SYSTEMATIQUE DE QUELQUES
DU GENRE Siphlophis
43
en rien Ie dessin généralement observé chez les Siphlophis. L’abscefnce d’intergra-
des entre toutes ces formes nous force à conclure qu’il s’agit d’espèces et non
de sous-espèces.
Nous avons donc les espèces suivantes:
Siphlophis cervinus (Laurenti)
1768 Coronella cervina Laurenti, Sys. Rept.: 88 — Terra typica: América” —
Typus ?
1788 Coluber zeylonicus Gmellin (partim), Car. Lin. Sist. Nat. ll eme ed.:1106
— Terra typica: pas indiquée.
1806 Coluber audax Daudin, Hist. Nat. Rept. 6:345,pl.79 — Terra typica: pas
indiquéeí.
1820 Coluber maximilliani Merrem, Vers. Syst. Anmph.:105 — Terra typica: ?
1843 Siphlophis (Siphlophis) . . . typus Lycodon audax Boie, Fitzinger, Syst.
Rept. :27.
1854 Lycognatus scollopax Duméril, Bibron et Duméril (nom.nud.) Erp. Gén.
Ophid., 7:919.
Siphlophis geminatus (Duméril, Bibron et Duméril)
1820 Coluber pulcher Raddi — Mem. Soc. Ita. Mod., 18:
Terra typica: Rio de Janeiro, Brésil.
1853 Lycognathus geminatus Duméril, Bibron et Duméril, Erp. Gén. Ophid. 7:
Terra typica: Brésil.
1863 Oxyrhopus rhombeatus Peters, Mber. Akad. Wis. Belin: 288.
1935 Callopistria rubrovertebralis Amaral, Mem. Inst. Butantan, 9:205.
Siphlophis longicaudatus (Andersson)
1907 Tropidodipsas longicaudata Andersson, Bih.K.Svenska Vet. Akad. Handh,
27 (4) :17 — Terra typica: Brésil.
RESUMÉ
Les espèces Siphlophis geminatus (Duméril, Bibron et Duméril), Siphlophis
rhombeatus (Peters) et Callopistria rubrovertebralis Amaral sont synonymes de
Siphlophis pulcher (Raddi) ; [nonen oblitum],
Siphlophis geminatus et Siphlophis cervinus sont considérés comme espèces
contrairement à 1’opinion de Amaral.
SciELO
44
ALPHONSE RICHARD HOGE
Siphlophis longicaudatus est considere comme une espèce très distincte) el
non comme un synonyme de Siphlophis cervinus comme 1’avait considéré AmaraU
Quand à Alleiãophis worontzowi placé par Amaral dans la synonymie dl
Siphlophis cervinus, il est considéré comme un genre à part.
RESUMO
As espécies Siphlophis geminatus (Duméril, Bibron e Duméril), Siphlophii
rhombeatus (Peters) e Calliopistria rubrovertebralis (Amaral), são sinônimos dl
Siphlophis pulcher (Radi) = (nonen oblitum).
Siphlophis geminatus e Siphlophis cervinus são considerados espécies, conl
tràriamente à opinião de Amaral.
Siphlophis longicaudatus é considerado espécie bem distinta e não um sinôl
nimo de Siphlophis cervinus, como Amaral o considerava.
Quanto à Alleiãophis worontzowi, incluído por Amaral na sinonímia dl
Siphlophis cervinus, é considerado um gênero à parte, pelo menos no momentol
REMERCIEMENTS
Je tiens à remercier Mr. le Docteur J. Guibé, Direícteur du Laboratoire dl
Poissons et Reptiles du Musée National de Paris et Mr. le Professeur Hialmal
Rendahl, Chef du Laboratoire de Vertebrés du Musée de Histoire Naturelle dl
Stockholm, Mr. le Dr. Heiz Wermuth, Ghef du Laboratoire de Reptiles du Musél
de Histoire Naturelle de Berlin, pour les facilités lors dei mon séjour dans leul
laboratoires.
Lei “Conselho Nacional de Pesquisas do Brasil” qui a financié mon voyagd
en Europe.
M!e. Gisèle Mauger, du Musée de Histoire) Naturelle de Paris et Mr. Joã(|
Cavalheiro, du Instituto Butantan, pour les dessins.
OUVRAGES CITÉS
1 — Amaral, A■ do — Estudos sôbre ophidios neotrópicos XVII — Valor systemmatico d|
várias formas de ophidios neotrópicos, Mem. Inst. Butantan, 4: 1-68. 1929.
2 — Amaral, A ■ do — Contribuição ao conhecimento dos ophidios do Brasil. VII. Novol
gêneros e espécies de Colubrídeos opistoglyphos, Mem. Inst. Butantan, 9:203-206
fig. São Paulo, 1935
3 — Anderson, L-G ■ — Some new species of snakes from Cameroun and South America
belonging to the collection of the Royal Museum in Stockholm, Bith ■ Svenska Veq
Akad. Handl. 27 (4) n.° 5: [1-26] 2 pl. Stockholm. 1901.
4 — Boddaert, — Nova Acta Acad. Caesar Nat. Cirius, 7: 20 [non vidi].
5 — Boié, — Bemerkungen ueher Merrems Versuch eines Systems der Amphibien (Oplii
dier), Isis von Oken, 22: 522-525. 1827.
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30:35-50. 1960-2.
SUR LA POSITION SYSTEMATIQUE DE QUELQUES
DU GENRE Siphlophis
45
6 — Boulenger, G. A. — Catalogue of the Snakes in the British Museum; 3: 1-727 -4- pl.
London 1896.
7 — Cope, E.D. — Contributions to the Ophiology of Lower Califórnia, México and
Central America, Proc. Acad. Nat. Sei. Philadelphia, pp. 292-306. 1861 (1862) .
8 — Daudin, F-M. — Histoire Naturelle générale et particulière des Reptiles, 6: 1-447 + pl.
Paris au XI (1803) .
9 — Duméril, A-M.C . — Prodrome de la classification des reptiles ophidiens, Mem. Acad.
Sei., 23: [1-139]. 1853.
10 — Duméril, A-M-C-; Bibron, G- & Duméril, A- — Erpétologie générale ou Histoire
Naturelle des Reptiles, 7 (2) : I-XII + 782-1536. Paris, 1854.
11 •— Fitzingen, L. — Neue Klassification der Reptilien nach ihren Natürlichen Verwands-
chaften, pp. 1-106. Wien, 1826.
12 — Fitzinger, L. — Systema Reptilium : 1-106. Vindobonne (Vienne) 1843.
13 — Gmellin, — Caroli à Linné Systema Naturae, 1 (3) : 1033-1516.
14 — Griffin, L.E. — A Catalog of the Ophidia from South America at present (June,
1916) contained in the Carnegie Museum with descriptions of some new species,
Mem. Carnegie Mus., 7 (3): 163-228, pl. 1919-1920.
15 — Jan, G. — Elenco sistemático delli ofidi. 1863 (non vidi).
16 — Jan, G ■ ■—- Iconographie générale des Ophidien, Livraison 35, 1870.
17 —• Laurenti, J. N. — Specimen Medicum exhibien Synopsin Reptilium emendatum cirni
experimentis circa venena et Antidota Reptilium austriacorum : 1-215 + pl.
Vienne 1768.
18 — Merrem, B. —■ Versuch eines Systems der Amphibien — Tentamen Systematis Amphi-
biorum : 1-190 + fig. 1820.
19 — Miiller, L . — Ueber neue oder seltene Mittel und südamerikanische Amphibien un
Reptilien, Mitt. Zool. Mus. Berlin, 2: 76-93. 1924.
20 — Peters, ÍF. —- Ueber einige neue oder weniger bekannte Schlangenarten des Zoologischen
Museum zu Berlin, Mber. Akad. Wiss. Berlin, : 272-289. 1863.
21 — Prado, A. — Notas ofiológicas 2. Observações sôbre ofídios da fauna Amazônica com
a descrição de um nôvo gênero e espécies. Mem. Inst. Butantan, 13: 1-6 + pl.
1939.
22 — Raddi, G . — Di sculne specie nuove de Rettili e Piante Brasiliane, Mem. Soe. Italiana
Modena, 78:313-349 + pl. Firenza, 1820.
23 — Seba, A. — Locupletissime rerum naturalium thesaurii acurate descriptio et iconibus
artifississimis expressio, per Universam, physices historiam. I: 1734.
24 — Seba, A. — Locupletissime rerum naturalium thesaurri acurate descriptio et iconibus
artifississimis expressio, per Universam, physices historiam. II, Amsterdam 1735.
25 — Vanzolini, P-E. — Notas sôbre os ofídios e lagartos da Cachoeira de Emas, no
município de Pirassununga, Estado de São Paulo, Rev. Brasil. Biol., 8 (3) : 377-400,
1948.
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SciELO
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Mem. Inst. Butantan,
30:35-50. 1960-2.
SUR LA POSITION SYSTEMATIQUE DE QUELQUES
DU GENRE Siphlophis
...
Fic. 20 — Callopistria rubrovertebralis (type)
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ALPHONSE RICHARD HOGE
Fic. 21 — Lycognatus geminatus (type)
SciELO
10 11
Fig. 22 ■— Siphlophis ccrvinus
Mem. Inst. Butcmtcm,
30:35-50. 1960-2.
SUR LA POSITION SYSTEMATIQUE DE QUELQUES
DU GENRE Siphlophis
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ALPHONSE RICHARD HOGE
Fic. 23
— Siphlophis cervinus
SciELO
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Mem. Inst. Butantan,
30:51-64. 1960-62.
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SERPENTES DA FUNDAÇÃO “SURINAAM MUSEUM”
POR
ALPHONSE RICHARD HOGE
Recebemos do Dr. Geyskes da Fundação do Museu de Paramaribo (Stich-
ting Surinaams Museum), para determinação, uma pequena coleção def ofídios,
todos procedentes da Guiana Holandesa, cuja lista segue acompanhada por con¬
siderações sôbre várias espécies e subespécies consideradas como válidas; três
espécies são novas para a Guiana Holandesa.
Os gêneros e espécies são colocados na ordem alfabética dentro das famílias.
O sinal * antes do ano da publicação original indica que examinamos o
material tipo. Todos os números se referem à coleção do Museu de Paramaribo,
salvo quando precedido pelas iniciais I.B. que se referem à coleção do Instituto
Butantan.
O comprimento do corpo, dado em mm, é medido da ponta do focinho até
a fenda cloacal.
Família BOIDAE
Gênero Boa
Boa constrictor constrictor Linnaeus
* 1758 Boa constrictor Linnaeus Syst. Nat. 10 ed. 1:215 — Terra typica: Indiis
(in error) (Lectotipo aqui selecionado n.° 10.1 [ex Mus. Frid.] depo¬
sitado no Natuurhistoriska Riksmuseum de Stockholm).
MATERIAL: —- 4 exelnplares procedentes de Paramaribo, coletados por Geyskes
em setembro de 1951.
N.° 34 A, 6. Dorsais em 97 séries; ventrais 246; anal 1; subcaudais 56;
Secção de Ofiologia, Instituto Butantan
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ALPHONSE RICHARD HOGE
supralabiais 22-22; infralabiais 25-25. Corpo 485 mm; cauda 62 mm; cabeça
28,3 mm.
N.° 34 B, 9. Dorsais em 99 séries; ventrai,s 240; anal 1; subcaudais 65;
supralabiais 22; infralabiais 25. Corpo 517 mm; cauda 69 mm; cabeça 30,3 mm.
N.° 34 C, (atualmente n.° 18 456 I.B.), S. Dorsais em 92 séries; ventrais
243; anal 1; subcaudais 58; supralabiais 22-22; infralabiais 25-25. Corpo
525 mm; cauda 70 mm; cabeça 30 mm.
N.° 34 D, 9. Dorsais em 97 séries; veíntrai,s 246; anal 1; subcaudais 51;
supralabiais 21-22; infralabiais 25-25. Corpo 482 mm; cauda 60 mm; cabeça
30,1 mm.
Todos os exemplares apresentam o colorido e desenho típico da subespécie.
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SERPENTES DA FUNDAÇÃO "SURINAAM MUSEUM'
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Família COLUBRIDAE
Gênero Chironius Filzinger
Chironius carinatus (Linnaeus)
* 1758 Coluber carinatus Linnaeus, Syst. Nat., 10 ed., 1:223 — Terra typica:
Indiis (in error) (Tipo n.° 33 no Natuurhistoriska Riksmuseum de
Stockholm) — Terra typica designata: “hoc loco”: Surinam.
MATERIAL: — 3 exemplares: N.° 22 procedente de Paramaribo (Combé), Suri¬
nam, coletado por Geyskes em 3 de julho de 1954. N.° 12 de Zanderij (perto
de Rio Pará), Surinam, coletado por Geyskes em 12 de janeiro de 1953 (D.O.R.).
N.° 8 (atualmente n.° 19 619 I.B.) procedente de Lelydorp, perto de Parama¬
ribo, Surinam, coletado por Geyskes em 21 de junho de 1953.
N.° 22, Ç. Dorsais em 12-12-10 séries; tôdas lisas; ventrais 157; anal divi¬
dida; subcaudais 111/111; supralabiais 8 (4. a e 5. a ); infralabiais 10, as 5 pri¬
meiras em contato com a mentual anterior; temporais 1+2. Corpo 765 mm,
cauda 336 mm, cabeça 30,9 mm. Colorido verde oliva escuro em cima, as para-
ventrais ligeiramente mais claras; ventre branco com manchas cinzas nos lados
(em álcool). Em vida o colorido é amarelo-gema, o que também observamos
nos exemplares que capturamos na Guiana Francesa e no Brasil. As paracaudais
têm uma mancha clara no centro. Êste centro claro das paracaudais pode tam¬
bém ser observado, embora com muito menor nitidez, nas últimas paraventrais.
N.° 12, 9. Dorsais em 12-12-10 séries lisas, salvo as duas fileiras verte¬
brais que são carenadas. As carenas nas séries vertebrais é um caráter sexual
do macho, conforme Boulenger já demonstrou no seu Catálogo. Ventrais 154;
anal dividida; subcaudais 46/47 + n; supralabiais 8-9 (4. a e 5. a ); infralabiais
10, as 5 primeiras em contato com as mentuais anteriores; temporais 1 + 2;
corpo 1000 mm, cauda 224 mm (mutilada) ; cabeça 39,7 mm. Colorido como
no n.° 22, salvo o ventre que é branco imaculado com margens escuras nas placas
ventrais.
N.° 8, (atualmente n.° 19 619 I.B.), è. Dorsais em 12-12-10 séries lisas,
salvo as duas séries vertebrais; ventrais 152; anal dividida; 123/123 subcaudais
(mutilada); supralabiais 8 (4 a e 5. a ); infralabiais 10-11 a* 5 primeiras em
contato com as mentuais superiores; temporais 1 + 2. Corpo 1110 mm, cauda
540 mm (mutilada); cabeça 41,3 mm. Colorido semelhante ao do n.° 12.
Chironius cinrvamorneus (Wagler)
1824 Natrix cinnamomea Wagler, in Spix, Serp. bras. sp. nov.,:20, pr. VI, fig. 1.
Terra typica: “in Sylvis' flumini Amazonum confinibus” (Tipo original¬
mente no Zoologisch Staatssammlung des Bayerischen Museurn States. Não
o encontramos em 1957 quando examinamos os tipos de Wagler.
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ALPHONSE RICHARD HOGE
MATERIAL: — 1 exemplar procedente das margens do Maroni, pela expedição
Médico-científica “Nason-Marowyne” em 22 de fevereiro de 1952.
N.° 1, ô. Dorsais em 10-10 séries lisas; ventrais 154; anal 1; subcaudais
115/115; supralabiais 9 (4. a , 5. a e 6. a ) ; infralabiais 11, primeiros em contato
com as mentuais anteriores. Corpo 1300 mm; cauda 625 mm, cabeça 49,3 mm.
Colorido canela (em álcool). O colorido observado num exemplar que captura¬
mos em Belém do Pará, Brasil, era côr de canela brilhante fortemente averme¬
lhado. !
Chironius multivenlris Schmidt et Walkcr
1943 Chironius multivenlris Schmidt et Walker, Field Mus. Nat. Hist. Zoology
24(6) :282 — Terra typica: Departamento Madre de Dios, Peru (Tipo
n.° 28 250 do Field Mus. Nat. Hist.)
MATERIAL: — 1 exemplar n.° 10, procedente de Onverwacht, Surinam, cole¬
tado por Geyskes em 25 de abril de 1954.
N.° 10, S. Dorsais em 14-12-9 séries lisas, salvo as duas vertebrais, que
são carenadas a partir do fim do quinto anterior do corpo; ventrais 189; anal
dividida; subcaudais 203/203; supralabiais 9-9 (4. a , 5. a e 6. a ); infralabiais 11-11,
as 5 primeiras em contato com as mentuais anteriores, ligeiramente mais curtas
do que as posteriores; rostral mais larga do que alta; internasais tão longas ,
quanto largas, mais curtas do que as prefrontais; frontal cêrca de duas vêzes
mais longa do que larga, tão longa quanto as parietais que são tão largas
quanto longas; Ioreal mais longa do que larga; preocular 1; postoculares 2;
temporais 1 + 2. Êste exemplar, embora procedente de uma região bem dis¬
tante da localidade tipo, difere por caracteres de tão pouco valor sistemático
que não nos parece prudente descrevê-lo como subespécie, pelo menos antes de
ter um material mais abundante. Difere do material tipo: — pela ausência da
estria vertebral, clara na parte anterior do dorso; pela frontal mais longa e
pelo fato das faixas transversais claras sem pouco distintas e sem bordas
escuras.
Clelia clelia delia (Daudin)
1803 Coluber delia Daudin, Hist. mat. des Rept.,6(ll) :330 pr. 78. Terra typica:
Surinam (tipo provavelmente perdido, originalmente na Col. Daudin-Levail-
lant.)
MATERIAL: — um exemplar jovem, procedente de Paramaribo (Cultuurtuin)
Surinam. Coletado por V. Dinther em novembro de 1953.
N.° 26, $. Dor,sais 19 séries; ventrais 205? (mutilada); anal dividida;
subcaudais ?. Comprimento do corpo ± 290 mm, cauda — 61 mm, cabeça 14 mm.
Colorido rosado (fide Dinther) cabeça preta, colar nucal claro.
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Gênero Dryadophis Stuart
Dryadophis boddaerti boddaerli (Sentzen)
1796 Coluber Boddaerti Sentzen Meyer’s Zool. Ach.(2):59 — Terra typica: —
desconhecida (tipo: localização desconhecida) — Terra typica designata:
Surinam (Merrem 1820).
MATERIAL: — 3 exemplares n.° 27, procedentes de Paramaribo, Surinam. Cole¬
tado por Geyskes em 5 de maio de 1951. N.° 9 procedente de Onverwacht, Suri¬
nam, coletado por Geyskes em 29 de outubro de 1953 (D.O.R.). N.° 29 (atual¬
mente n.° 18 458 I.B.) procedente de Paramaribo, Surinam, coletado por Geyskes
em setembro de 1950.
N.° 27, $. Dorsais em 17 séries lisas; ventrais 189; anal dividida; sub-
caudais 103/103; supralabiais 9-10 (4. a , 5. a e 6. a ); infralabiais 11; as 5 pri¬
meiras em contato com as mentuais anteriores. Corpo 638 mm, cauda 236 mm,
cabeça 24 mm.
N.° 9, ô . Dorsais em 17 séries lisas; ventrais 181; anal dividida; subcau-
dais 114/114; supralabiais 9-9 (4. a , 5. a e 6. a ) ; infralabiais 10-10; as 5 primeiras
em contato com a mentual anterior. Corpo 643 mm, cauda 267 mm, cabeça
27,3 mm.
N.° 29 (atualmente n.° 18 458 I.B.), Ç. Dorsais em 17 séries lisas; ven¬
trais 187; anal dividida; subcaudais 102; supralabiais 9-9 (4. a , 5. a e 6. a e 5. a
e 6. a ) ; infralabiais 10. Corpo 674 mm; cauda 268 mm; cabeça 27,5 mm. Todos
os exemplares têm o desenho e colorido normal dos adultos da subespécie.
Gênero Drymarchon Fitzinger
Drymarchon corais corais (Boie)
1827 Coluber corais Boie, Isis von Oken 20: 537 — Terra typica: América (Tipo:
localização desconhecida).
MATERIAL: — 1 exemplar jovem procedente de Paramaribo, Suriname. Coletado
por Geyskes em novembro de 1952.
N.° 32, ô, exemplar juvenil. Dorsais em 17 séries; ventrais 199; anal 1;
subcaudais 57/57 -j- 8; supralabiais 8 (4. a e 5. a ) ; infralabiais 9; postoculares 2;
temporais 2; temporal anterior superior muito pequena. Observamos 74 faixas
transversais dispostas em diadas no corpo.
Drymarchon corais corais necessita uma revisão pois na sua vastíssima dis¬
tribuição observam-se variações em certos caractéres, principalmente na presença
ou ausência de carenas, carenas essas que foram mencionadas por Boie na des¬
crição original.
SciELO
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ALPHONSE RICHARD HOGE
Gênero Erythrolamprus
Erythrolamprus aesculapii aesculappi Linnaeus
* 1758 Coluber Aesculapii Linnaeus, Syst. Nat. 10 ed. 1 :220 — Terra typica:
Indiis (in error) (Tipo no Nat. Hist. Riks. Mus. Stockliolm).
MATERIAL: 1 exemplar, procedente de Paramaribo, (Cultuurtuin) Suriname.
Coletado por Geyskes em novembro de 1952.
N.° 28, 2. Dorsais em 15 séries; ventrais 181; anal dividida; subcaudais
43/43; supralabiais 7-7; infralabiais 9-9. Comprimento do corpo 612 mm, cauda
86 mm, cabeça 21,3 mm, anéis brancos estreitos separam os anéis pretos.
Gênero Helicops Wagler
Helicops angulatus (Linnaeus)
* 1758 Coluber augulatus Linnaeus, Syst. Nat. 10 ed. 1:217 — Terra typica Ásia
(in error) (Tipo no Natur. Hist. Riks. Museum Stockholm).
MATERIAL: — 3 exemplares n.° 15 (atualmente) n.° 18 457 I.B.) procedentes
de “Mapane Kamp, Commonwyne, coletado por Lindeman em 12 de maio de
1953. N.° 30 procedente de Paramaribo (perto da margem do Rio Combé),
Suriname, coletado por Geyskes cm 12 de fevereiro de 1954. N.° 37 procedente
de Paramaribo Suriname, coletado por J. Oets, em 6 de julho de 1955.
N.° 18 457 I.B., ô. Dorsais em 19 séries fortemente carneadas, salvo as
paraventrais; ventrais 112; anal (divida); subcaudais 78/78; supralabiais 8
(4. a e 5. a ); infralabiais 10; temporais 2 -f- 2, o superior do primeiro par maior
e cobrindo em cima o segundo par; 1 preocular; 2 postoculares; 20 faixas trans¬
versais no corpo e 18 na cauda, tubérculos mentuais presentes.
N.° 30, S. Dorsais em 19 séries fortemente carenadas, salvo as paraven¬
trais; véntrais 112; anal dividida; subcaudais 78/78; supralabiais 8 (4. a do
lado esquerdo e 4. a e 5. a do lado direito); temporais 1 -j- 3 e 1 -j- 2; pre¬
ocular 1; postoculares 2; infralabiais 10; 21 faixas transversais no corpo e 19
na cauda; tubérculos mentuais presentes.
N.° 37, 2. Dorsais em 19 séries carenadas, salvo as paraventrais; ventrais
119; anal dividida; subcaudais 63/63; supralabiais 8-8 (4 a ); infralabiais 10-10;
temporais 1 -j- 3 e 1 +2; preocular 1; postoculares 2; 23 faixas transversais
no corpo e 15 na cauda; tubérculos mentuais ausentes.
cm
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Gênero Leimadophis Fitzinger
Leimadophis reginae reginae Linnaeus
* 1758 Coluber Reginae Linaeus, Syst. Nat. 10. a ed. 1:219 — Terra typica: —
“Indiis” (in error) Lectotipo n.° 45 (por presente seleção) no Natur.
Hist. Riks. Museum em Stockholm. Terra typica designata: “hoc loco”
Suriname.
MATERIAL: — 2 exemplares, ambos procedentes de Copenameweg Km. 7. Schel-
priets Coronie. Coletados por Lindeman em março de 1954.
N.° 16 (atualmente n.° 18 460 I.B., 6. Dorsais em 17-15 séries lisas; ven-
trais 139; anal dividida; subcaudais 70/70; supralabiais 8 (4. a e 5. a ); infrala-
biais 10-1Q, Corpo 422 mm, cauda 165 mm, cabeça 20,1 mm. Colorido em vida,
segundo anotações de Lindeman, preto e amarelo vivo. Colorido e desenho em
álcool se apresenta como preto azulado no dorso com os centros de escamas
dorsais brancas. No terço po,sterior começa a esboçar-se uma estria lateral
ocupando a 4. a e 5. a dorsal, baixando gradualmente até a terça na altura
do anus e prolongando até o fim da fenda cloacal. Ventre branco. Labiais supe¬
riores brancas, salvo no bordo superior. Na cabeça u’a mancha clara em cada
lado, saindo da parietal e dirigindo-se para trás até as labiais superiores. Região
guiar e quinto anterior do ventre branco imaculado. Algumas manchas nas ven-
trais. A pequena distância da cloaca as manchas desaparecem. Cauda em baixo
branco imaculado.
N.° 17, 2. Dorsais em 17-15 séries lisas; ventrais 137; anal dividida; sub¬
caudais 72/72; supralabiais 8 (4. a e 5. a ) ; infralabiais 10. Corpo 353 mm, cauda
131 mm, cabeça 15,2 mm. Colorido em vida segundo Lindeman, rosa e preto.
Em álcool apresenta o mesmo desenho e colorido com o n.° 16 (n.° 18460 I.B.).
A posição sistemática de Leimadophis reginae (Linnaeus) e Liophis cobelLi
(Linnaeus), por várias razõete, nunca ficou hem esclarecida. O exame do mate¬
rial Linneano nos Museus de Stockholm e Upsala nos permitiu esclarecer a
posição de ambas as e,spécies.
Maior confusão foi introduzida pelas conclusões de Anderseen (:11) que
transcrevemos: “...On closSr studying of Linnaeus’s description of Col. Cobella
in Mus. Ad. Frid., we find that this type-specimen probably was not a Rhadi-
nae cobella (L.) Boul. On the ground of the number of the shields and th“
colour I think that lie had as type a specimen of Liophis reginae (L.) Dum.
& Bibr. In the museum there are also two specimens of this snake from an
earlier period, called Coluber cobella, which very much agree with the Linnean
description of this laler one. Therefore, it is possible that these specimens are
the types of Linnaeus’s Col. cobella in Mus. Ad. Frid. Lõnnberg, 1 however, has
SciELO
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ALPHONSE RICHARD HOGE
shown that Linnaeus in Amoen. Acad. with Col. cobella meant the snake which
is now called Rhadinacea cobella and Linnaeus’s mislake in Mus. Ad. Frid. doeis
not cause a change of the usual names...”
Com referência às conclusões de Anderseen, acima transcritas, impõem-ge as
seguintes observações: l.° — a afirmação de que Linnaeus, quando descreveu
Coluber cobella em Mus. Akd. Frid., baseou-se num exemplar que não era Rha-
dinaea cobella (L.) sensu Boulenger, mas sim um exemplar pertencendo à e,spécie
de Liopkis reginae (L.) sensu Duméril, Bibron et Duméril, não tem nenhum sig¬
nificado, pois as regras de nomenclatura não admitem nenhuma descrição ante¬
rior à 10. a ed. do Syst. Nat., edição na qual Linnaeus, referindo-se a cobella,
cita como referência bibliográfica Amoen. Acad. e não Mus. Acad. Frid. O
número de placas ventrais e subcaudais citado na 10. a Ed. para cobella é idên¬
tico ao citado em Am. Acad. Também quando Linnaeus se refere a reginae na
10. a Ed. Syst. Nat. dá como referência bibliográfica Mus. Acad. Frid.:24 t. 13
fig. 3 e novamente o núme l ro de escamas coincide. Não concordamos que o
material citado por Anderseen como tipos possíveis de cobella (N.° 46 e 47
N.H.R.M. Stockholm) sejam de fato os tipos, pois encontramos no Mus. de
Upsala, sob o n.° 4, dois exemplares de cobella da série Mus. Gyll. da qual o
menor corresponde perfeitamente ao exemplar descrito por Linnaeus. Aliás, o
número de ventrais e caudais aliado à dentição quei examinei distinguem per¬
feitamente cobella e reginae.
Linnaeus, quando se refere a reginae em Mus. Hist. Nat. :24, diz “Magni-
tudinae Spithamea” e “crassites pennae anserinae”, tamanho e grossura que não
se aplicam a nenhum dos exemplares mencionados por Anderseen como cobella
e reginae, mas sim ao exemplar do N.LI.R. de Stockholm que tem 250 mm;
ventrais 137 e caudais 76 (Linnaeus dá 70) é mais ou menos a grossura de
uma pena de ganso.
No que se refere a Natrix semilineatus Wagler, colocado por Boulenger na
sinonímia de reginae : trata-se de uma forma válida e que será objeto de uma
outra publicação.
Leimadophis typhlus typhlus (Linnaeus)
* 1758 Coluber Typhlus Linnaeus, Syst. Nat. 10. a ed., J :218 — Terra typica:
Indiis (in error) (Tipo no Nat. Riks. Mus. Stockholm).
MATERIAL: — 2 exemplares n.° 31 (atualmente n.° 19 620 I.B.) e n.° 20,
procedente de Paramaribo, Suriname, coletado por Geyskes em novembro de
1952.
N.° 31 (atualmente n.° 19 620 I.B., S. Dorsais em 19 séries lisas; ven¬
trais 142; anguladas lateralmente; subcaudais 45/45; anal dividida; suprala-
cm
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Mem. Inst. Butantan,
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biais 8 (4. a e 5. a ); infralabiais 9. Colorido (em álcool) verde azulado, ventre
imaculado com uma mancha na parte lateral ascendente de cada ventral. Dor¬
sais uniformemente azuladas, salvo as laterais, que apresentam um retículo esbran¬
quiçado. Corpo 430 mm, cauda 100 mm, cabeça 21,8 mm.
N.° 20, ô. Dorsais em 19 séries; ventrais 147; anal dividida; subcaudais
55/55; supralabiais 8/8 ;infralabiais 10/10. Comprimento do corpo 201 mm,
cauda 48 mm, cabeça 3,6 mm.
Usamos a nomenclatura trinominal por existirem pelo menos duas raças
válidas .Leimadophis typhlus forsteri (Wagler) forma da qual trataremos com
maior detalhe em outra nota, se caracteriza, entre outros, pelo número maior
de ventrais, que é de 155-169 ao invés de 136-148 para a forma nominal.
Gênero Liophis
Liophis cobella (Linnaeus)
* 1758 Coluber cobella Linnaeus, Syst. Nat., 10. a ed. 1:218
América (Typo no Museu Linneano em Upsala).
Terra typica: —
MATERIAL: — 2 exemplares n.° 25, procedente das margens do Rio Purmurend
Suriname. Coletado por Geyskes em 28 de fevereiro de 1951. N.° 18 procedente
de Moengowey Surinam, coletado por Lindeman em 6 de junho de 1954.
N.° 25, $. Dorsais 17; ventrais 154; anal dividida; subcaudais 49/49;
supralabiais 8-8; infralabiais 9-10. Comprimento do corpo 510 mm; cauda 105 mm;
cabeça 24 mm. Capturado num banco de lama nas margens do Rio Purmurend.
Manchas temporais ausentes.
N.° 18, ô Dorsais 17; ventrais 158; anal dividida; subcaudais 48/48;
supralabiais 8-8; infralabiais 10. Comprimento do corpo 170 mm, cauda 37 mm,
cabeça 10,8 mm. Colorido do dorso cinza preto com finas estrias esbranqui¬
çadas transversais; ventre rosa com faixas pretas alternadas.
Gênero Leptodeira Fitzinger
Lepiodeira annulata annulata (Linnaeus)
* 1758 Coluber anhulatus Linnaeus Syst. Nat. 10. a ed., 1:224 — Terra typica:
América (Tipo n° 69 no Nat. Hist. Riks. Mus. Stockholm). Terra typica:
restricta (Duelhnan 1958). Baixo Amazonas, Pará, Brasil.
MATERIAL: — 2 exemplares, ambos procedentes de Paramaribo, Suriname e
coletado por Geyskes em outubro de 1952 (n.° 33 A) e novembro de 1952 (n.°
33 B).
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ALPHONSE RICHARD HOGE
N.° 33 A, 9. Dorsais em 19 séries; ventrais ]S6; anal dividida; subcaudais
82/82; supralabiais 8-8 (3. a e 4. a ); infralabiais ?; temporais 1 -)- 2. Corpo
397 mm, cauda 134 mm, cabeça 16,5 mm; 34 manchas no corpo formando às
vêzes um zig-zag. A mancha nucal é dupla na parte superior lembrando a forma
ashmeadi.
N.° 33 B (atualmente n.° 20 462 I.B.), 9. Ventrais 187; anal dividida;
subcaudais 80/80; supralabiais 8-8 (3. a e 4. a ) ; infralabiais 10-10; temporais
1 + 2. Corpo 431 mm, cabeça 16,2 mm, cauda 126 mm. Corpo com 36 man¬
chas, às vêzes alternadas formando um zig-zag. A mancha nucal não é dividida.
Gênero Leptophis Bell
Leptophis ahaetulla ahaetulla (Linnaeus)
1758 Coluber Ahaetulla Linnaeus, Syst. Nat. 10. a ed., 1 :225 — Terra typica:
Ásia, América (Tipo n.° 40 no Nat. Hist. Riks. Mus. Stockholm). Terra
typica: designata “hoc-loco”: Surinam.
MATERIAL: -—- 1 único exemplar procedente de Zorgen IIoop, surinam, cole¬
tado por V. de Zeide em 29 de dezembro de 1954.
N.° 35, â • Dorsais em 15 séries carenadas, salvo as paraventrais; ventrais
162; anal dividida; subcaudais 105/106 + n; supralabiais 9-9 (5. a e 6. a ); loreal
ausente; infralabiais 11, os 6 primeiros pares eln contato com as mentuais
anteriores, mais curtas do que as posteriores; roslral mais larga que alta. Corpo
630 mm, cauda 320 mm (mutilada), cabeça 22,2 mm.
Gênero Lygophis
Lygophis lineatus lineatus (Linnaeus)
* 1758 Coluber lineatus Linnaeus, Syst. Nat., 10. a ed., 1:221 — Terra typica:
Ásia (Tipo 3 exemplares no Nat. Ilist. Riks. Mus. Stockholm).
MATERIAL: — 2 exemplares n.° 36 A, procedente de Paramaribo, Suriname,
coletado por V. de Zeide em 22 de dezembro de 1954. N.° 36 B (atualmente
n.° 18 459 I.B.), procedente do Zorg en Hoop, Paramaribo, Suriname, coletado
por Geyskes em l.° de dezembro de 1953.
N.° 36 A, S . Dorsais 19; ventrais 166; anal dividida; subcaudais 72/72;
supralabiais 8-8; infralabiais 10-10. Comprimento do corpo 361 mm, cauda
122 mm, cabeça 15 mm.
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SERPENTES DA FUNDAÇAO "SURINAAM MUSEUM'
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Gênero Pseudoeryx Fitzinger
Pseudocryx plicatillis plicatillis (Linnaeus)
* 1758 Coluber plicatillis Linnaeus, Syst. Nat. 10. a ed., 7:217 — Terra typica:
“Termateis” (in error). Tipo do Nat. Hist. Riks. Mus. Stockholm.
MATERIAL: — 2 exemplares n.° 24 (atualmente n.° 20 463 I.B.) procedente
de Kwatta (Garnizoenspad km. 34), Surinam, coletado por Geyskes em 26 de
março de 1 1954.
N.° 23, procedente de Paramaribo (Charlesburg Zwamp) Surinam. Cole¬
tado por Geyskes em abril de 1953.
N.° 20 463 I.B., ô. Dorsais 15; ventrais 128; anal dividida; subcaudais
44/44; supralabiais 9-8; infralabiais 8-8. Comprimento do corpo 550 mm, cauda
145 mm, cabeça 29,7 mm.
N.° 23, 9. Dorsais 15; ventrais 143; anal dividida; subcaudais 36/36; supra¬
labiais 8-8; infralabiais 8-8. Comprimento do corpo 802 mm, cauda 126 mm,
cabeça (?). Colorido e desenho dos 2 exemplareis idêntico ao descrito por Hoge
e Nina.
Gênero Pseustes
Pseustes sulphureus sulphureus (Wagler)
1824 Natrix sulphureus Wagler in Spix, Serp. Bras. sp. nov. Terra typica: Rio
Japurá, Amazonas, Brasil.
MATERIAL: 1 exemplar procedente das margens do Rio Paloemeu (Campo
Final Jetété), Tumuc-humac, fronteira com o Brasil, coletado por Radin em
10 de abril de 1952.
N.° 6, ô. Dorsais em 21 séries carenadas; ventrais 212; anal inteira; sub¬
caudais 116/116; supralabiais 8; infralabiais 11. Comprimento do corpo
1 892 mm, cauda 658 mm, cabeça 62,1 mm.
Êste exemplar corresponde bem com a espécie típica, aproximando-se somente
por detalhes à P.s.faucheri. A falta de material suficiente, porém, não permite
julgar da validade de faucheri.
Gênero Pseudoboa
Pseudoboa coronata Schneider
1801 Pseudoboa coronata Schneider, Hist. Amph., 2: 286. Terra typica: desconhe¬
cida (Tipo originalmente no Museu de Heyden).
MATERIAL: 1 exemplar procedente de Moengoweg, Surinam. Coletado por Lind-
men em 6 de junho de 1954.
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ALPHONSE RICHARD HOGE
N.° 19, ô. Dorsais em 17 séries; ventrais 181; anal dividida; subcaudais
101; supralabiais 8-8; infralabiais 8-8. Corpo 545 mm, cauda 231 mm, cabeça
20,8 mm. Colorido em vida (fide Lindeman): corpo em cima côr salmão, ventre
imaculado, cabeça preta com um colar branco, salpicado na nuca.
Esta espécie, como as outras do gênero, será objeto de uma publicação da
parte de J. Bailey num futuro próximo.
Gênero Rhinobothryrum
Rhinobothryum lentiginosus (Scopoli)
1758 Coluber lentiginosus Scopoli, Delic. Flor. Faun. Insub., 3:41 pr. 20 fig. 2.
Terra typica:
MATERIAL: 1 exemplar em mau estado, procedente de Sukoza Kamp, no Rio
Surinam, Surinam. Coletado por Lindeman em abril de 1953.
N.° 14, â. Dorsais 19; ventrais 169 ?; anal dividida; subcaudais 113/113;
supralabiais 8; infralabiais ?
Gênero Xenodon
Xenodon severus (Linnaeus)
* 1758 Coluber severus Linnaeus, Syst. Nat. 10 ed., 1:219 — Terra typica: Ásia
(in error) (Typo no Nat. Riks. Stockholm).
MATERIAL: 2 exemplares n.° 21, procedente de Coppename, Wayombo, Suri¬
name. Coletado por Lindeman em agosto de 1954 e n.° 13 (atualmente n.° 20 465
I.B.) procedente de Onverwacht, Suriname. Coletado por Geyskes em 13 de maio
de 1951.
N.° 21, S. Dorsais em 21 séries; ventrais 132; anal dividida; subcaudais
39/39; supralabiais 8-8; infralabiais 12-11. Comprimento do corpo ?; cauda
118 mm, cabeça 43,5 mm.
N.° 13, d>. Dorsais em 21 séries; ventrais 130 -f- 1/2; anal dividida; sub¬
caudais 38/38; supralabiais 8-8; infralabiais 11. Comprimento do corpo 617 mm,
cauda 106 mm, cabeça 44,5 mm. Dentes maxilares 11 + 2.
Família CROTALIDAE
Gênero Bothrops
Bothrops alrox alrox (Linnaeus)
* 1758 Coluber alrox Linnaeus, Syst. Nat. 10 ed. ] :222 — Terra typica: (Ásia)
(Typo no Nat. Riksmuseum Stockholm) — Terra typica designata:
(hoc loc): Surinam.
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SERPENTES DA FUNDAÇÃO "SURINAAM MUSEUM"
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MATERIAL: 3 exemplares n.° 3 A (atualmente n.° 20 466 I.B.) e 3 B proce¬
dentes de Tapanahoni, Malobbi, Surinam. Coletados por Geyskes em fevereiro
de 1952. N.° 4 procedente de 1 Maroyni, Nassaugebergte, km. 2, Surinam. Cole¬
tado por Geyskes em outubro de 1953.
N.° 3 A, S. Dorsais carenadas em 23 séries; ventrais 202; subcaudais
38 -f- n; anal 1; supralabiais 7-7; infralabiais 9-10. Comprimento do corpo
1 500 mm, cauda mutilada, cabeça 41 mm.
N.° 3 B, Ç. Dorsais-em 27 séries; ventrais 199; anal inteira; subcaudais
61/61; supralabiais 7-7; infralabiais 9-10. Comprimento do corpo 1000 mm;
cauda 155 mm, cabeça 46,2 mm.
Os exemplares 3 B e 3 A foram capturados em cópula.
N.° 4, $. Dorsais em 25 séries; ventrais 195; anal inteira; subcaudais
61/61; supralabiais 7-7; infralabiais 9-9. Comprimento do corpo 550 mm,
cauda 90 mm, cabeça 25,3 mm.
Colorido: os 3 exemplares têm colorido cinza-marrom escuro, com algumas
manchas apenas perceptíveis, mesmo no jovem. As supralabiais e infralabiais de
côr cinzenta formada por inúmeros pontinhos de côr cinza; ventre fortemente
manchado de cinza. O colorido dos 3 exemplares corresponde muito com o do
tipo que examinei no Naturhistoriska Riksmuseum de Stockholm.
Bothrops brazili Hoge
* 1953 Bothrops brazili Hoge, Mem. Inst. Butantan, 25 (1) :15-22, 1953.
MATERIAL: 1 exemplar n.° 2 procedente do Alto Tapanahoni, Serras da Fron¬
teira.
N.° 2, ê. Dorsais em 23 séries; ventrais 159; subcaudais 48/48; anal 1;
supralabiais 8-8; infralabiais 11-10. Comprimento do corpo 611 mm; cauda
96 mm, cabeça 33,8 mm.
Gênero Crotalus
Crotalus ãurissus terrificus
MATERIAL: 1 único exemplar, procedente de Zanderij savane (campos) Suri¬
nam. Coletado por Geyskes em 18 de março de 1951.
N.° 11, 9. Dorsais 27; ventrais 171; anal 1; subcaudais 23 -j- 2/2; supra¬
labiais 13-14; infralabiais 16-16.
Gênero Lachesis
Lachesis mula rnuta (Linnaeus)
* 1766 Crotalus miilus Linnaeus. Syst. Nat. 12 ed. 1: 373. Terra typica: Suriman
(Tipo)
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ALPHONSE RICHARD HOGE
MATERIAL: — 1 exemplar procedente de Lelydorp, Surinam. Coletado por H.
Heyde em outubro de 1954.
N.° 7, S. Dorsais fortemente carenadas (carenus tuberculares); ventrais
226; subcaudais 138.
NOMES POPULARES LOCAIS
Boa constrictor constrictor Linnaeus 1758 = Boa constrictor.
Chironius carinatus Linnaeus 1758 = Redi tere.
Chironius cinamomeus Wagler 1824 — Indjibanji.
Chironius multiventris Schmidt et Walter = Redi tere.
Ilelicops angulàtus Linnaeus 1758 = Walerslang.
Lepiophis ahaetulla ahaelulla Linnaeus = Lange groene swiepie.
Rhinobothryum lentiginosum Scopoli = Koraalslang.
Bothrops atrox atrox Linnaeus = Orokoekoe.
Bothrops brazili Hoge 1953 = Orokoekoe.
Crotalus durissus terrijicus = Saka Sneki.
Lachesis mula mula = Maka Sneki.
RESUMO
Foram determinados os exemplarei dd serpentes do Museu de Paramaribo,
tendo sido encontradas 3 espécies novas para o território da Guiana Holandesa:
Chironius multiventris Schmidt et Walter, Chironius cinamomeus Wagler e
Bothrops brazili Hoge.
A nomenclatura trinominal é usada para L.typhlus typhlus baseado na reva¬
lidação def N.forsteri Wagler como subespécie válida L. typhlus forsteri. A espé¬
cie de Wagler N. semilineata é considerada como válida saindo da sinonímia de
L. reginae reginae.
ABSTRACT
Among the specimens of snakes from the Paramaribo Museum which are deter-
mined in this paper, three belong to species which are new for the Dutch Guyana:
Chironius multiventris Schmidt et Walker, Chironius cinamomeus Wagler and
Bothrops brazili Hoge.
The trinominal nomenclatura is used for L. tytphlus typhlus on ground
of the revalidation of L. typhlus forsteri Wagler. The species N. semilineata is
found to be a valid subespecies of Leimaãophis reginae.
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NOTES SUR Xenodon schottii Schlegel
SERPENTES
PAR
ALPHONSE RICHARD HOGE
Durant un séjour au Museum de Leyde, j’ai eu Foccasion d’étudier le
matériel type de Xenodon schotlii Schlegel et constate que 1’unique cotype 1 encore
existant represente une espèce totalement différente de Philodryrias schottii “auc-
tores”.
SELECTION DU LECTOTYPE. Considérant que, des deux cotypes originaux
seulement un se trouve encore au Museum de Leyde, et que cet individu corres-
pond à Texemplairé décrit par Schlegel(I2), avec le plus de détails; je selec-
tionne ici comme lectotype de Xenodon schottii Schlegel 1837, 1’exemplaire déposé
au “Ryksmuseum van Naturlyke Historie” de Leyde, sous le n.° 236.
REDESCRIPTION DU LECTOTYPE. N.° 256, mâle, déposé au R.N.H. dl
Leyde, originaire du “Brésil” d’oíi il a été rapporté par Texpédition de Natterer.
Dents maxillaires 13, suivies après un intervalle, par deux crochets sans trace
de cannelure, mais légèrement comprimes latéralement et avec le bord postérieur
coupant; rostrale plus large que haute; 8 labiales supérieures, la 4 e et 5 o touchant
Toeil; internasales aussi longues que larges, plus courtes que les préfrontales,
qui sont plus larges que longues; frénale aussi haute que large; 10 labiales
inférieures, les cinq prémieres en contact avec la sous mandibulaire antérieure.
La couleur est d’un brun-olive avec un réticule clair formé par les bords lateraux
jaunâtres des écailles dorsales. Le réticule est surtout visible si Fon écarte
légèrement des écailles dorsales. Ventre clair, avec, surtout dans la région pos-
térieure, des taches sombres peu apparentes, parfois fusionnées avec la couleur
du dos, si bien que beaucoup moins sombres que la couleur du dos.
Le dessin publié par Schlegel (12-Atlas) fig. 8-9 pis. 3 correspond exacte-
ment à Findividu 236. 11 convient toutefois noter que la vue latérale ne corres¬
pond pas au coté droit, mais bien au coté gaúche, ce qui est du naturellement
à la technique de gravure et presse de 1’époque.
Laboratoire d’Ophiologie, Instituto Butantan.
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ALPHONSE RICHARD HOGE
Les dimensions sont les mêmes que celles mentionées par Schlegel, il en est
de même quand au nombre d’urostèges. J’ai compté 153 gastrostèges au lieu de
149 comme cité par Schlegel, ce qui est ou une erreur de contage ou une erreur
d’impres,sion, puisque les autres caracteres correspondem parfaitement.
RÉSUMÉ HISTORIQUE. Le serpcnt en question a été cité et non pas décrit,
par Fitzinger(8) en 1826 sous le nom de Coluber schotlii et par Boié(2) en
1827 sous le nom de Xenodon schottii. Seulement plus tard, en 1837, Schlegel a
décrit 1’espèce sous le nom de Xenodon schottii basé sur deux individus qui
avaient été remis au Museum de Leyde sous les noms de Coluber schottii et
cinerescens.
En 1843, Fitzinger(9) :26 a placé schottii dans le genre Liophis ( Pseudophis )
schottii, tout en attribuant 1’espèce à Boié et non pas à Schlegel.
En 1853, Duméril(6) :112 a passé schotlii dans le genre Dryophylax. L’année
suivante Duméril, Bibron et Duméril (7) :1.118 ont maintenu schottii dans le genre
Dryophylax basés sur la présence de crochets postérieures canellés les exemplaires
du Museum de Paris et qu’ils ont considerés à tort comme étant identique avec
1’espècC décrite par Schlegel.
À partir de cette date tous les austeurs ont passé à considérer Xenodon
schottii comme un serpent opistoglyphe, et en realité ont determiné comme!
schottii, une serpent opistoglyphe que fut décrit plus tard, sucessivemcnt par
Girard en 1858 (10) :182 comme Callirhinus patagoniensis, par Guenther (11) :139
sous le nom de Euophrys modestus et par Jan comme Liophis poecilostictus.
Guenther (11) :125 a inclu Xenodon schottii dans le genre Philodryas.
Cope en 1863(4) :348 a passé schottii et patagoniensis dans le genre Euophrys
et en 1387 patagoniensis dans le genre Dirrhox.
Finalement Boulenger(3) a determiné comme Philodryas schottii des exem¬
plaires qui Cn realité sont des Philodryas patagoniensis (Girard) 1857.
DISCUSSION. II est evident que, lors de la description de Xenodon schottii,
1’intention de Schlegel était de décrire un serpent porteur de crochets plein.s et
non cannelés puisqu’il le considerait comme un Xenodon, genre qu’il affirme
avoir des crochets pleins”. . . . ces dents, ainsi que les dents postérieures de
certaines espèces de genres Dipsas, Homalopsis etc., sont souvent cannelées; tandis
que d’autres Ophidiens, tels que les Xenodons, les Cornelles, plusieure Homalopsis
etc., ont le bout postérieur du maxillaire garni d’une dent três développée mais
solide”.
Quand à la variation du nombre de gastrotègeg citée par Schlegel (186-149)
elle peut s’expliquer de deux façons: 1’exemplaire avec 186 gastrotèges ne serail
pas de la même espècC que celui de 149 (j’ai compté 158), ou il y a une erreur
de comptage ou d’impression. Si bien que la variation 159-186 se rapproche
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NOTES SUR Xenodon schottii
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fortement de celle citée par Boulenger(3) :132 pour Leimadophis poecilogyrus
(143-179) et par Amaral (1) :78 pour la raceí L .poecilogryrus albadspersus, qui
comme on verra plus loin est identique avec Xenodon schottii Schlegel.
De toute façon la gelection de Lectotype résoud la question.
Xenodon schottii Schlegel se distingue facilement de Philodryas schottiti
(auctores) = Philodryas patagoniensis (Girard 1858) par:
a) La dentition aglyphe au lieu de opistoglyphe.
b) Le nombre plus bas d’urostèges (46 contre 74-120).
c) La rostrale plus large que haute au lieu de plus haute que largé.
d) La couleur et dessin.
e) Les écailles dorsales qui ne sont pas disposées en rangées obliqúes,
comme cliez patagoniensis.
II convient noter d’ailleurs que Fitzinger, qui travaillait au Museum de
Vienne et disposait par conséquence du material de Natterer, déja en 1826 con-
siderait cinerescens et schottii comme 1 des espéces appartenant à des genres diffê-
rents, Duberria et Coluber respectivement.
Xenodon schottii est identique à Leimadophis poecilogyrus albadspersus pos-
térieurement décrite par Amaral. En effect ils ont en commun: le nombre des
gastrotèges et urostèges comme je l’ai indique (ci - d essus le dessin réticulé
clair que j’ai décrit dans la redescription du Lectotype, Amaral(1) :78 “...dorso
cinza oliváceo bastante reticulado, pela presença de escamas com bordos bran¬
cos...” la couleur du ventre qui est identique, Amaral(1) :78 “...ventre com
manchas escuras largas, de cada lado ligadas à côr do dorso, mas algo claras,
apenas sombreadas nos velhos.”; et naturellement la dentition.
CONCLUSION: Xenodon schottii Schlegel 1837 n’e'st pas un Philodryas mais,
bien un Leimadophis soit Leimadophis poecylogyrus schottii Schelegel 1837 dans
la synoymie duquel doit pas f ser Leimadophis albadspersus Amaral 1946.
Quand à 1’espèce identifiée par les auteurs comme; “Philodryas schottii” la
description qui a la priorité est celle de Girard(10) soit Philodryas patagoniensis
(Girard) 1858 originellement décrite comme Callirhinus patagoniensis.
J’ai 1’impression que Philodryas patagoniensis est susceptible de division en
sous espèces, d’autant plus que P.patagoniensis a deux frénales. En tout cas
1’étude du type s’impose.
Leimadophis poecilogyrus schottii Schlegel
1837 Xenodon schottii Schlegel — Phys. des Serp., 2:91 — Terra typica: Amé-
rique méridionale.
1843 Liophis ( Pseudophis ) schottii, Fitzinger — Syst. Reptilium:26.
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ALPHONSE RICHARD HOGE
1946 Leimadophis poecilogyrus albadspersus Amaral — Pap. Avulsos Dep. Zool
gia, 5:78 — Terra typica: Piracicaba, S. Paulo.
Lectoiype : Xenodon schollii Schlegel 1837
n.° 236, S “Ryksmuseum van Naturlyke) Histoire” à Leyd
Hollande — Terra typica: Amérique méridionale et par pil
sente restriction, Etat de São Paulo, Brasil.
RESUMÉ. Xenodon schottii Schlegel 1837, consideré à partir de 183
comme un serpent opistoglyphe est, en realité, un Leimadophis soit Leimadophl
poecilogyrus schottii (Schlegel 1837). Quand à Leimadophis poecilogyrus albaa
persus Amaral 1946 il s’agit d’un synonyme de Leimadophis poecilogryrus schoti
(Schlegel 1837).
RESUMO. Xenodon schotti Schlegel 1837 não é Philodryas mas sim ul
Leimadophis ou seja Leimadophis poecilogyrus schottii (Schlegel 1837), subespécl
em cuja sinonímia deve ser incluído Leimadophis poecilogyrus albadspersus Aml
ral 1946.
Quanto à espécie, geralmente citada como Philodryas schollii (“auctores”]
trata-se de um verdadeiro Philodryas para o qual o nome que tem prioridad
é o da çspécie de Pirard, Philodryas patagoniensis (Girard) 1858, originalmeni
descrita como Callirhinus patagoniensis.
A possibilidade de subdividir em uma ou mais raças da espécie PhilodryA
patagoniensis não está excluída.
REMERCIEMENTS
Je tiens à remercier Mr. le Prof. Dr. Brongersma, chef des laboratoires dl
Beptiles du Museum de Leyde, qui m’a facilité 1’étude sur place du materil
type de Schlegel et le “Conselho Nacional de Pesquisas” qui a financie mol
voyage d’études en Europe.
OUVRAGES CITÉS
1 — Amaral, A. do — Notas sôbre a ofiologia Neotrópica e Brasílica X Pap. Avulsos
Dep. Zool. 5(10) :75-82, São Paulo, 1946.
2 — Boié, F. — Ueber Merrems Versuch cines System der Amphibien, Barbourg 1820, (l|
Ophidier. Isis von Oken 20(12) -.508-566. lena 1827.
3 — Boulenger, G.A. — Catalogue of the Snakes in the British Museum (Natural History|
3:1 - + pl. London 1896.
4 — Cope, E.D. — Catalogue of tbe Reptiles obtained during the Explorations of til
Parana, Paraguay, Vermejo and Uruguay Rivers, by Capt. Thas. J. Page, V.S.N., anl
of those procurcd by Lieut. N., Michler, V.S. Top. Eng., Commander of the Expa
dition conducting the Survey of the Atrsato River. 1 — The Paraguay collectiol
Proc. Acad. Nat. Sei. of Philadelphia 1862:346. Philadelphia, 1863.
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NOTES SUR Xenodon schottii
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5 — Cope, E.D. — Catalogue et batrachians and Reptiles et Central America and México
Buli. U. S. Nat. Museum, 32:1-98. Washington, 1887.
6 — Duméril, M. — Prodrome de la classification des reptiles ophidiens Mem. Acad. Sei.
23:|1-140| + pl„ Paris, 1853.
1 — Duméril, A. INI. C., Bibron, G. & Duméril, A. — Erpétologie Générales ou histoire
naturelle complete des reptiles, 7(2) :781-1536, Paris, 1854.
8 — Fitzinger, L. — Neue Klassification der Reptilien nach ihren natürlichen Verwandschaften
nebts einer Verwandschafts-tafel und einer Verzeichnisse der Reptilien-Sammlung
des K. K. Zoologischen Museum’s zu Wien: 1-66 Vienne, 1826.
9 — Fitzinger, L. —■ Systema Reptilium 1-106 Vindobonnae, 1843.
10 — Girard, C. — Descriptions of some new Reptiles collected by the U. S. Exploring
Expedition under the command of Capt. Charles Welker, V.S.N. — Third part
— Including the species of ophidians exotic to North America. Proc. Acad. Nat.
Sei. of Philadelphia 1857:181-182. Philadelphia, 1858.
I 11 — Günther, A. — Catalogue of the Colubrine Snakes in the British Museum :1-
London, 1858.
12 — Schlegel, H. Essai sur 1’aphysionomie des Serpents, 1 et 2 etc.
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SERPENTES COLETADAS PELO INSTITUTO
NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA *
POR
ALPHONSE RICHARD HOGE e AFONSO CELSO DE MARANHÃO NINA (**)
INTRODUÇÃO
Não há, a despeito de trabalhos esparsos em não pequeno número, um
estudo metódico da fauna ofiológica amazônica. A coleta de material com pro¬
cedência exata, base para uma distribuição geográfica correta, só agora vem
sendo feita pelas expedições do Instituto Butantan àquela região e pelo Instituto
Nacional de Pesquisas da Amazônia, órgão recém-criado, do Conselho Nacional
de Pesquisas, e que inclui entre as suas atribuições o estudo faunístico regional.
A coleção estudada procede, quase totalmente, das proximidades de Manaus,
capital do Estado do Amazonas e sede do Instituto, cidade situada à margem
esquerda do Rio Negro, distante 18 km de sua confluência com o Rio Solimões,
tendo sido coletada no período de 1956 a 1958.
MATERIAL
Além dos exemplares do trabalho e dos tipos depositados no Instituto Butan¬
tan, foram estudados por A. R. Iloge o material tipo seguinte: Boa constrictor
Linnaeus, Boa hortulana Linnaeus, Boa muriiia Linnaeus, Coluber reginae Lin-
naeus, Coluber haje Linnaeus, Coluber pullalus Linnaeus, Coluber melanocepha-
lus Linnaeus, Coluber fuscus Linnaeus, Coluber carinatus Linnaeus, Coluber pli-
catilis var. anomalepis Bocourt e Lycognatus geminalus Duméril, Bibron & Du-
méril.
Família BOIDAE
Gênero Boa
Boa constrictor constrictor Linnaeus
1758 Boa constrictor Linnaeus — Syst. Nat., 10. a ed., 1 :215 —
Terra typica: “Indiis” (in error).
(* ) Laboratório de Ofiologia do Instituto Butantan.
(**) Do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus.
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Um exemplar n.° 1 019, $ , procedente de Manaus, Amazonas, capturado em
4-6-1957. Ventrais 248; anal 1; subcaudais 52/52; dorsais 88; supralabiais 22-23;
infralabiais 25-27. Comprimento total 1 210 mm, cauda 130 mm; cabeça 50,9 mm.
Gênero Corallus
Corallus hortulanus Linnaeus
1758 Boa hortulana Linnaeus — Syst. Nat., 10. a ed., 1 :215 —
Terra typica: “América”.
Um exemplar n.° 1 023, $ , procedente de Coari, Amazonas, capturado em
15-7-1957. Ventrais 286; anal 1; subcaudais 110/110; dorsais 51; supralabiais
13-13; infralabiais 19-19. Comprimento total 815 mm, cauda 75 mm; cabeça
23,5 mm.
Gênero Eunectes
Eunectes murinus Linnaeus
1758 Boa Murina Linnaeus — Syst. Nat., 10. a ed., 1 :215 —
Terra typica: “América”.
Um exemplar n.° 1031, ?, jovem, procedente de Manaus, Amazonas, cap¬
turado em 23-7-1958. Ventrais 253; anal 1; subcaudais 65-65-1-2; dorsais 66;
supralabiais 15-15; infralabiais 20-20; comprimento total 1330 mm; cauda
180 mm; cabeça 46,6 mm.
Difere dos exemplares típicos de murinus por não apresentar a faixa post-
ocular alaranjada característica, e sim cinza olivácea. Essa variação tem sido
observada em todo o material procedente das localidades do Rio Solimões e
Rio Negro, no Amazonas.
Família COLVBRIDAE
Subfamília COLUBRINAE
Gênero Chironius
Chironius scurrulus (Wagler).
1824 Nalrix Scurrula Wagler — in Spix — Serp. brasil, spp. novae: 24: tab. VIL
Terra typica: “Flumen Japura”.
1894 Herpelrodryas juscus, Boulenger (partim) — Cat. Sn. Brit. Mus. 2: 76.
1918 Herpetodryas juscus. Gomes (partim) — Mem. Inst. Butantan l(l): v 64-65.
1918 Herpetodryas juscus, Gomes — Rev. Mus. Paulista 10: 509.
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NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA
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Um exemplar n.° 1 019, 9 , procedente de Igarapé da Água Branca, Manaus,
Amazonas, capturado em 8-9-1956. Ventrais 158; anal 1; subcaudais 106/106;
supralabiais 9-9 (4. a , 5. a , e 6. a ); infralabiais 11-10. Comprimento total 2 270 mm;
cauda 700 mm; cabeça 60,0 mm.
DIAGNOSE: Uma espécie de Chironius caracterizada por possuir as esca-
nias dorsais tôdas lisas, em fileiras de 10-10-10; ventrais 154 a 158, anguladas
lateralmente; subcaudais 106 a 117; dentes maxilares 33 a 36; palatinos 19 a 21;
pterigóides 31 a 36; mandibulares 35 a 39 e o colorido de fundo marrom ama¬
relado claro, irregularmente manchado de marrom escuro ao preto (violáceo,
quando privado de “stratum corneum”).
DISCUSSÃO: Esta espécie foi colocada por Boulenger na sinonimia de Chi¬
ronius fuscus (Herpetodryas juscus). (6: 75). Depois dêsse autor não mais se
cogitou da validez de scurrula, silenciando sôbre a mesma inclusive, as Listas
Remissivas de Amaral (1 e 2).
Dispomos no momento, além do exemplar referido, de mais quatro, n.°
306 I.B., n.° 3 172 C.D.Z., 3 173 C.D.Z. e um exemplar sem número I.B., sem
procedência. Todos correspondem perfeitamente à espécie descrita por Wagler.
Gomes (4: 64-65) refere-se a dois exemplares de Chironius juscus ( Herpetro■
dryas juscus) que, pelo colorido, pelo número de ventrais e subcaudais devem
ser identificados como Chironius scurrulus.
Em outro trabalho, Gomes (9: 509) identifica também como juscus um
exemplar procedente do Amazonas, observando, porém, ser o mesmo “idêntico ao
da figura de Wagler”, figura essa que representa o tipo de Natrix scurrula
Wagler (13: 24, Tab. VIII). Além do seu colorido típico, Chironius scurrulus
(Wagler) 1824 distingue-se de Chironius juscus Linnaeus 1758, pelos seguintes
caracteres: dentes maxilares 33 a 36 em scurrulus e 41 a 45 em juscus; pelo
formato do osso transverso (fot. 13, 14, 15 e 16) ; pelo formato dos ossos pala¬
tinos e occipitais, tanto na face superior como inferior (fot. 23 e 24) ; pelo
tamanho dos olhos, maiores em juscus, pelo colorido e pelas escamas. Em scurru¬
lus o colorido é (em álcool) de fundo marrom amarelado claro, sôbre o qual
se destacam escamas fortemente pigmentadas de marrom escuro ao preto, dis¬
postas irregularmente, (fot. 1) enquanto em juscus, o colorido, dos adultos, é de
côr marrom escuro ao preto, uniforme (em álcool)
A cabeça em scurrulus tem a mesma côr do fundo do corpo, porém ligei¬
ramente mais escura. As supralabiais são da mesma côr, mas irregularmente
manchadas de marrom escuro quase preto, enquanto em fuscus as supralabiais
são brancas (em álcool) (fot. 7 e 8). As escamas dorsais de scurrulus são tôdas
lisas. Em fuscus, geralmente as duas séries vertebrais são carenadas, pelo menos
nos machos.
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Chironius scurrulus é afim, não de íuscus, com o qual teta sido confundido]
provàvelmente em virtude do número de dorsais, mas de Chironius laevicoli
(Wied) 1825, do qual se distingue, porém, facilmente, pelo colorido geral (fotJ
1, 2, 8 e 9). Nos exemplares de scurrulus que nos foi possível examinar, nãc
encontramos doze fileiras de escamas dorsais, mas sim, 10-10-10, enquanto er
laevicolis a fórmula é 10-12-10, excepcionalmente 10-10-10.
Distingue-se ainda de laevicollis pelo fato de ter tôdas as escamas lisas.!
Êste tem duas séries vertebrais levemente carenadas.
REDESCRIÇÃO: Olhos tamanho médio. Rostral ligeiramente mais largai
que alta, visível de cima; internasais pouco mais curtas que as prefrontais; fron-l
tal uma vez e meia mais longa do que larga, tão longa quanto a sua distâncial
à extremidade do focinho e um quarto mais curta que as prefrontais; loreall
mais longa que alta; uma pré e duas postoculares; temporais 1—(—1; nove supra-l
labiais (4. a , 5. a , e 6. a , excepcionalmente 4. a e 5. a ); infralabiais l. a , 2. a , 3. a , 4. a emí
contacto com as mentuais anteriores e a 5. a em contacto com as mentuais ante-l
riore^ e posteriores; mentuais anteriores menores que as posteriores. Dorsais eml
10-10-10 fileiras, tôdas lisas; ventrais 154 a 158, anguladas lateralmente; subcau-l
dais 106 a 117; anal inteira. Fossetas apiedares presentes nas dorsais do terçol
anterior do corpo.
Dentição: Maxilares 33 a 36; palatinos 19 e 21; pterigóides 31 a 36 e mandi-|
bulares 35 a 39.
Colorido: Dorso marrom amarelado claro, sôhre o qual se destacam escamas for¬
temente pigmentadas de marrom escuro ao preto, irregularmente dispostas; ven-|
tre amarelo-palha com manchas laterais. Cabeça com a mesma côr do fundol
do corpo, porém manchada de marrom quase preto. As supralabiais são man-l
chadas de marrom claro e as infralabiais têm côr amarelo-palha, como o abdo-l
men.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA: (mapa 1) (Brasil (Amazonas: Rio Japurá,!
Manaus: Rio Negro); Minas Gerais, Pará (Serra do Cachimbo); Ter. Federall
de Rondônia (Pôrto Velho); Perú (Moyomba, Xeheros) especimes de BoulengCrl
(6: 76, E. a & b).
Não damos uma chave para as várias espécies de Chironius por se tratar dei
grupo que necessita de revisão. Recentemente, Bailey (4) muito contribuiu parai
o conhecimento das espécies do Sul e Centro do Brasil.
Há pouco tempo, um dos autores teve oportunidade de examinar, em Mün-|
ehen, os tipos de Wagler ali depositados. Não encontrou, porém, o tipo dcl
scurrulus que talvez tenha desaparecido durante a última guerra, pois umal
bomba explodiu sôhre o depósito onde os mesmos estavam guardados. Em con-l
seqüência, grande quantidade de material tipo ficou espalhado, só posteriormentel
sendo recolhido. Estas informações foram dadas verbalmente pelo Dr. Helmich,l
do Departamento de Répteis do Museu Zoológico de München.
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Gênero Dryadophis
Dryadophis boddaerti boddaerti Sentzen
1796 Coluber boddaerti Séntzen — Meyer’s Zool. Arcb.: 59
Dryadophis boddaerti boddaerti, Stuart — Mis. Publ. Mus. Zool. Univ.
Michigan 49: 66 — Terra typica: desconhecida.
Dois exemplares, n.° 1 024 B, $ , e n.° 1 002, 9 , adultos, colorido típico
dos adultos. Procedentes de Manaus, Amazonas, foram capturados em 23-7-1958
e 1-4-1956, respectivamente.
N.° 1024: ventrais 183; anal dupla; subcaudais 107; dorsais 17; supralabiais
10-10; infralabiais ?; temporais ?; comprimento total 740 mm; comprimento
da cauda 210 mm; comprimento da cabeça ?.
N.° 1 022: ventrais 187; anal dupla; subcaudais 101; dorsais 17; supralabiais
10-9 (4. a , 5. a e 6. a ); infralabiais 11-11; temporais 2—(—3; comprimento total
900 mm; comprimento da cauda 230 mm; comprimento da cabeça 27,8 mm.
A distribuição geográfica de Stuart (12:68 mapa 2) dá como limites possíveis
os da Região Amazônica, excluindo, porém, grande parte dos Estados do Pará e
Mato Grosso. Existe, na coleção do Instituto Butantan, um exemplar de n.°
12 877, capturado no alto da Serra do Roncador, em região de serrado,
distante, aproximadamente, cem quilômetros do início da Hiléia Amazônica.
(Mapa 2).
Gênero Drymarchon
Dryniarchon corais corais Boie
1827 Coluber corais Boie — Isis: 537. — Terra typica: “América”.
Um exemplar, n.° 1022, 9, procedente de Manaus, (Reserva Duck), Ama¬
zonas, capturado em 12-7-1957. Ventrais 212; anal 1; subcaudais 4 -f 72; dor¬
sais 17; supralabiais 8-8 (4. a e 5. a ) ; infralabiais 9-9. Comprimento total:
1830 mm; cauda 320 mm; cabeça 50,8 mm. Uma escama intercalada entre as
5. a , 6. a e 7. a supralabiais e a postocular e temporal inferior. Fossetas apicilares
duplas no corpo e quádruplas à sétuplas na cauda. Duas preoculares. Achamos
que se deve considerar duas preoculares e não uma preocular sobreposta a uma
subocular, conforme menciona Amaral (4 324: 1929).
Na sua extensa distribuição esta espécie, possivelmente, oferece variações
geográficas. Seria interessante fazer uma revisão, observando a correlação da
presença ou não de escamas carenadas com a distribuição geográfica.
Gênero Helicops
Helicops hagmanni Roux
Dois exemplares n.° 1102 A, 9, e n.° 1 012 B, 9, jovens, procedentes de
Manaus, Amazonas.
N.° 1012 A: Ventrais 119; sexo 9 ; anal duplo; subcaudais 50; dorsais 25;
supralabiais 8-8(4. a ); infralabiais 10-10; comprimento total 142 mm; compri¬
mento da cauda 30 mm; comprimento da cabaça 10,0 mm.
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N.° 1012B: Ventrais 134; sexo S; subcaudais 43-43: anal duplo; dorsais 25;
supralabiais 8-8 (4. a ); infralabiais 9-9; comprimento total 135 mm; compri¬
mento da cauda 25 mm; comprimento da cabeça 9,8 mm.
Gênero Hydrops
Hydrops martii rnartii (Wagler)
1824 Elaps martii Wagler — in Spix — Serp. brasil, spp. novae: 3, Tab. II
fig. 2.
1894 Hydrops rrvartii, Boulenger — Cat. Sn. Brit. Mus. 2:187.
1936 Hydrops triangulares martii, Amaral — Mem. Inst. Butantan 70:120.
1957 Hydrops martii martii, Roze — Acta Biol. Venez. 2:69
Um exemplar n.° 1 34, Ç , procedente de Manaus, Amazonas, capturado em
23-7-1948. Ventrais 181; anal dupla; subcaudais 29—(— ?; dorsais 17; supralabiais
8-8; infralabiais 8-8. Comprimento total 1 195 mm; cauda 20-}-?; cabeça 10,0 mm.
Como demonstrou Roze (14) não se pode considerar martii como subespécie
de triaingularis, pois ambas são simpátricas. Na localidade de Tomé Assú, Pará,
A. R. Hoge coletou Hydrops martii martii e Hydrops triangularis triangularis
(n.° 10 828 I.B. e n.° 14 829 I.B., fot. n.° 25 e 26). Em Tefé, que é a terra
typica de triangularis, coletou um exemplar de Hydrops martii martii (n.° 15 086
BB.). Na coleção do Departamento de Zoologia existem dois exemplares de
triangularis triangularis (n.° 1298 e n.° 3139), coletados, respectivamente, em
Bôa Vista e Barra do Corda, Maranhão, localidades próximas a “Terra typica”
de martii.
Bocourt (5:806) assinala um exemplar de martii coletado por Jobert, na
Ilha de Marajó.
Os exemplares estudados não nos permitem delimitar uma distribuição
geográfica diferente para as duas formas. Trata-se de espécies simpátricas. So¬
mente na região das Guianas é que não foi assinalada a presença de martii.
Convém notar que Amaral (1: 92), quando usou a nomenclatura trinominal para
triangularis, não deu nenhuma razão ou razões nas quais baseou a sua afir¬
mação.
Encontramos um exemplar típico de martii (n.° 17 996) com a fórmula de
escamas dorsais em 19.
Gênero Hydrodynastes
Hydrodynastes bicintus (Hermann)
1804 Coluber bicintus Hermann — Obs. Zool., 8: 276. Terra typica: ignota.
1824 Elaps Schrankii Wagler — Serp. Bras., sp. nov., 1, pl. 1.
Terra typica: (Japura fluvio Amazonum laterale).
1843 Hydrodynastes Schrankii, Fitzinger — Syst. Rep., 25.
1894 Urotheca bicinta, Boulenger — Cat. Sn. Brit. Mus. 2:184.
1944 Dugandia bicinta, Dunn — Caldasia 5(11) : 70.
1958 Hydrodynastes bicintus, Hoge — Pap. avul. do Dep. de Zool.
Vol. 13: 221,222.
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Um exemplar n.° 1 032, á , procedente de Manaus, Amazonas, capturado
em 23-7-1958. Ventrais 170; anal 1; subaudais 54-f-?; supralabiais 9-8; infra-
labiais 10-10; dorsais 19; comprimento total 1215 mm; cauda 250 mm (-)-?);
cabeça 38,3 mm.
Gênero Leimadophis
Lcimadophis reginae reginae (Linnaeus)
1758 Coluber reginae Linnaeus — Syst. Nat., 7:219.
Terra typica: “Indiis” (in error).
Dois exemplares, n.° 1024 A, $, e n.° 1011, 9, procedentes de Manaus,
Amazonas.
N.° 1024 A: sexo 9; ventrais 149; anal dupla; subcaudais 26-j-?; dorsais 17;
supralabiais 8-8 (4. a e 5. a ); infralabiais 8-8; comprimento total 198 mm; com¬
primento da cauda 23 mm.
N.° 1011: sexo 9 ; ventrais 137; anal dupla; subcaudais 56; dorsais 17; supra¬
labiais 8-8 (4. a e 5. a ); infralabiais 9; comprimento total 150 mm; comprimento
da cauda 34 mm.
Gênero Spilotes
Spilotes pullatus pullatus (Linnaeus)
1758 Coluber haje Linnaeus (partim) — Syst. Nat., 1 : 225
Terra typica: “AEgipto inferiore”.
1758 Coluber pullatus Linnaeus — Syst. Nat., 1: 225
Terra typica: “Asia” (in error).
1894 Spilotes pullatus, Boulenger — Cat. Sn. Brit. Mus., 2: 23.
1929 Spilotes pullatus pullatus, Amaral -— Mem. Inst. Butantan, 4:83.
Um exemplar n.° 1 006, 9, procedente de Manaus, Amazonas, capturado
em 29-9-1956. Ventrais 220; anal 1; subcaudais 118; dorsais 16; supralabiais
7-7 (3. a a e 4. a ) ; frenal presente; infralabiais 4-5; temporais 1—(—1- Compri¬
mento total 2 270 mm; cauda 580 mm; cabeça 46,5 mm.
Conforme Anderson (3:31) já demonstrou e foi constatado por um dos
autores, o tipo de Coluber haje Linnaeus, depositado no Museu de Estocolmo,
é, na realidade um exemplar pertencente à espécie Spilotes pullatus, autores. De
nenhum modo pode-se admitir uma substituição ou troca de etiquetas, pois, além
de existir, no mesmo Museu, o tipo de Coluber pullatus, o número de ventrais
207 e subcaudais 107, encontrados, correspondem, exatamente, aos números
citados por Linnaeus. Além do mais, em Naja haje autores, o número de sub¬
caudais é completamente diferente.
É de estranhar que Linnaeus, que tanto valor dava ao número de ventrais,
não tivesse notado a diferença entre o exemplar descrito como Coluber haje no
Syst. Nat. e o descrito em Hasselquist’s Iter Palaest como “Coluber scutis abd.
206, squam caudal 60” e citado na sinonímia de Haje, êste sim, uma verda-
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deira Naja haje autores. A procedência indicada por Linnaeus corresponde à
distribuição geográfica de Naja haje. É provável que ao indicar “Egito Inferior”
tenha se referido, não ao exemplar descrito no Syst. Nat., mas ao de Hasselquist,
publicado em Iter Palaest (10:317), e também citado na referida obra.
Na mesma página do Sy,st. Nat. Linnaeus descreve Coluber pullatus com
217 ventrais e 108 subcaudais, o que corresponde à sua descrição anterior em
Amoenitates Academicae. Para Coluber pullatus, indica Linnaeus, como “habitat”
a Ásia, o que é, evidentemente, um êrro. Com tôda a probabilidade, o tipo de
Coluber pullatus procede do México, pois o mesmo é dado como pertencendo à
espécie “Serpens am.boinensis niger & albus” de Seba, cujo nome popular geria
“Apachqcoalt”, palavra evidentemente de origem azteca. Na descrição de Amoeni¬
tates Academicae, cita Linnaeus, como sinônimo “Serpens amboinensis niger &
albus”. Essa figura serviu de tipo para a descrição de Cerastes mexicanus Laurenti,
atualmente Spilotes pullatus mexicanus e Coluber novae hispaniae Gmel, presen¬
temente, na sinonímia de S. p. mexicanus.
É de notar que o número de ventrais e supralabiais dos exemplares tipo,
tanto de Coluber haje como de Coluber pullatus, não correspondem à fórmula
geralmente citada para Spilotes pullatus pullatus, que tem mais número de ven¬
trais e 7 supralabiais em vez de 8. Os exemplares em questão correspondem
melhor, pela folidose, com a raça encontrada na América Central e conhecida
como Spilotes pullatus mexicanus (Laurenti). Boulenger considerou esta raça
como espécie distinta, pertencendo ao gênero Coluber, sob a denominação de Coluber
novae hispaniae, nome que não pôde ser usado por estar em desacordo com
o Art. 15 das Regras Internacionais de Nomenclatura.
Amaral na sua revisão (l. a ) identifica bem as raças por êle descritas como
Spilotes pullatus maculalus e Spilotes pullatus argusiformis e a descrita por
Bocourt, Spilotes pullatus amomalepis. Não dá, porém, elementos suficientemente
claros, que permitam uma diferenciação entre Spilotes pullatus pullatus e Spilotes
pullatus mexicanus, quer pela folidose, quer pela coloração.
Achamos haver necessidade de uma revisão no gênero, dando-se maior impor¬
tância ao número máximo de ventrais, dorsais e supralabiais, incluindo, aqui, as
que entram na formação da órbita, e ao formato e proporções da frontal e ros-
tral. Com referência às ventrais, especial atenção deveria ser dispensada à sua
variação em relação ao clima, pois, tomando-se a região equatorial como refe¬
rência (onde se encontram os valores máximos), há uma diminuição tanto na
direção norte como sul.
Conclusão: Não há dúvida de que os tipos de Coluber pullatus Linnaeus e
Coluber haje Linnaeus, existentes no Museu de Estocolmo são exemplares de
urna mesma espécie, isto é, da atual Spilotes pullatus autores, b — Quanto a
Naja haje autores, não achamos conveniente a mudança de nome! por trazer mais
confusão do que clareza, o que está em desacordo com as recomendações das Regras
Internacional de Nomenclatura e em desacordo também com a “intentio autores”,
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AFONSO CELSO MARANHÃO NINA
pois não padece dúvida que Linnaeus se referia a uma serpente originária do
Egito, como fàcilmente se pode deduzir pelo “habitat” e pelo fato de citar
como pertencendo à mesma espécie, o exemplar de Hasselquist. c — Tendo o
exemplar que serviu de original para a gravura de Iter Palaest sido examinado
por Linnaeus, servindo mesmo de base para a sua descrição de Coluber haje,
não há dúvida de que se trata de um sintipo. d — Designamos aqui, formalmente,
o exemplar de Hasselquist que serviu de base para descrição em Iter Palaest
e citado no Syst. Nat. como leclolipo de Coluber haje Linnaeus, 1758.
Gênero Oxybelis Wagler
Oxybelis argeneus (Daudin) *
1803 Coluber argeneus, Daudin — Hist. Nat. Rep., 6: 336 — Terra typica: ?
1896 Oxybelis argeneus, Boulenger — Cat. Sn. Brit. Mus. 3:190.
Um exemplar n.° 1 033, 6 , procedente de) Manaus. Ventrais 207; anal 1;
subcaudais 184; dorsais 17; supralabiais 6-6 (4. a ) ; infralabiais 7-7; tempo¬
rais 1+2. Comprimento total 1-070 mm; cauda 580 mm; cabeça 21,6 mm.
Gênero Pseudoeryx
Pseudoeryx plicatilis mimeticus Cope
1886 Pseudoeryx mimeticus Cope — Proc. Am. Phil. Soc. 1885:94 —
Terra typica: “Mamore”; River in Eastern Bolivia”.
Um exemplar n.° 1026, 6, procedente de Manaus, Amazonas. Ventrais 161;
anal 1; subcaudais 39-39; dorsais 15; supralabiais 8-8; infralabiais 8-8; com¬
primento total 457 mm; cauda 62 mm; cabeça 19,5 mm.
A espécie Pseudoeryx plicatilis subdivide-se em duas subespécies.
Chave para as subespécie de Pseudoeryx plicatilis
1 — Ventrais 129-142; faixa lateral ocupando 3 escamas dorsais (fot. 31);
2 ou excepcionalmente 3 séries de manchas nas ventrais (fot. 30).
Pseudoeryx plicatilis plicatilis
2 — Ventrais 151-163; faixa lateral ocupando 4 escamas dorsais (fot. 32);
2 séries de manchas nas ventrais; paraventrais sem manchas (fot. 29).
Pseudoeryx plicatilis mimeticus
Pseudoeryx plicatilis plicatilis (Linnaeus)
1758 Coluber plicatilis Linnaeus — Syst. Nat., 10. a ed., 1 :127 —
Terra typica: “Ternataeis” (in error).
1768 Cerates plicatilis, Laurenti — Syn. Rept. : 81
1826 Pseudoeryx Daudinii, Fitzinger — Neue Klas. Rept. 3: 55
( Daudinii—plicatilis )
1842 Dimades plicatilis, Cray — Zool. Miscel. : 65
1843 Pseudoeryx plicatilis var. anomalepis, Bocourt — Mis. Sc. Mex. (Rept.) :804
1944 Hydrops Lehmanni; Dunn — Caldasia 3 (12) : 203
1957 Pseudoeryx plicatilis, Roze — Acta Biol. Venezuelica 2 (3) :21
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SERPENTES COLETADAS PELO INSITUTO
NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA
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• Pseudoeryx j>licn tilis plicatilis
O Pseudoeryx plicatilis mimeticus
© Integrados
© Pseudoeryx plicatilis?
DESCRIÇÃO. Rostral mais longa que larga, visível de cima; nasais em
contacto atrás da rostral; uma escama áziga intercalada entre as nasais e as
prefrontais; prefrontais antero-lateralmente em contacto com as nasais e mais
longas do que largas; frontal duas vêzes e meia mais longa que larga, mais
longa que a sua distância à extremidade do focinho e mais curta que as parie¬
tais; oito supralabiais (3. a e 4. a ); uma pré e duas postoculares; temporais 1-f-l
ou l-)-2; dorsais 15-15-15 tôdas lisas; ventrais 129-142; anal dividida; subcau-
dais 30-51. Dorso marrom acinzentado, com alguns pontos escuros esparsos;
uma faixa lateral ocupando, a metade da 2. a , 3. a e metade da 4. a , reduzida na
extremidade da cauda para metade da l. a ; as escamas da 3. a e às vêzes 2. a , 3. a
e 4. a com manchas esbranquiçadas no ápice; a l. a e metade da 2. a dorsal da
côr do ventre. Ventre esbranquiçado ou amarelado sombreado de cinza, com
uma série de pontos no meio das primeiras ventrais e às vêzes até o terço pos¬
terior do corpo; as ventrais posteriores com um ponto negro em cada lado;
um ponto negro maior que os das ventrais em cada paraventral, ao longo de
todo corpo. Subcaudais da mesma côr das ventrais com pontos negros maiores
do que os obsérvados do corpo. Cabeça, em cima, da mesma côr do dorso com
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82
ALPHONSE RICHAHD HOGE e
AFONSO CELSO MARANHÃO NINA
um ponto escuro nas nasais, escama áziga e prefrontais e mais alguns pontos
esparsos nas outras placas cefálicas. Uma faixa escura cia extremidade do foci¬
nho até a comissura labial, separada da parte escura das supra labiais por uma
estreita faixa esbranquiçada. Infralabiais, mentuais e guiares manchadas de mar¬
rom. Supralabiais escuras, com algumas manchas claras irregulares.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA: (mapa 3) Brasil (Pará: Ilha de Marajó,
Santarém); Guiana Holandesa (Paramaribo) ; Guiana Francesa (Caiena).
Pseudoeryx plica lilis mimeticus Cope, 1886
DESCRIÇÃO: Rostral mais longa que alta, visível de cima; nasais em
contacto atrás da rostral; uma escama áziga intercalada entre as nasais e as
prefrontais; prefrontal anterolateralmente em contacto com as nasais e mais
longas do que largas; frontal duas vêzes e meia mais longa que larga; mais
longa que sua distância a extremidade do focinho e mais curtas que as parietais.
Oito supralabiais (3. a e 4. :1 ) ; uma pré e duas postoculares; temporais 1—(-1 ou
1—(-2; dorsais 15-15-15 tôdas lisas. Ventrais 151-163; anal dividido; subcaudais
34-39. Dorso marrom cinza, com uma série de dois pontos escuros ao longo do
corpo e cauda; uma faixa lateral ocupando um quarto da l. a , 2. a e 3. a e metade
da 4. a , decrescendo na região caudal até a metade da l. a e metade da 2. a . 0
restante das escamas da parte superior da faixa lateral, esbranquiçado; metade
das dorsais da l. a série da côr do ventre. Ventre branco amarelado com uma
série de pontos escuros na região média das primeiras ventrais; nas demais,
um ponto escuro de cada lado; um pequeno ponto escuro menor, ou do tamanho
dos pontos das ventrais, nas primeiras paraventrais. Subcaudais da mesma côr
das ventrais com pontos escuros iguais aos das ventrais. Parte superior da
cabeça da mesma côr do dorso com pontos escuros nas nasais, escama áziga e
prefrontais; pontos escuros esparsos nas demais placas cefálicas; uma faixa escura
da extremidade do focinho à comissura labial, separada das supralabiais por
uma série de pontos claros; supralabiais escuras com pontos claros pouco visí¬
veis; infralabiais, mentuais e guiares manchados de marrom.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA: (mapa 3) Brasil (Amazonas: Manaus), Pa¬
rá (Itaituba, Belém); Bolívia (Rio Mamoré).
Na região de Monte Alegre, Pará, parece ocorrer a intergradação entre
as duas subespécies, representada pelo exemplar n.° 69 M.P.E.G.. Consideramos
êste exemplar como integrado, devido possuir pontos escuros nas paraventrais
como em plicatilis plicatilis e as ventrais em 141, próximo, portanto, da variação
máxima encontrada para esta raça. Possui, porém, a faixa lateral ocupando quatro
escamas, isto é, um quarto da l. a , 2. a e 3. a e três quartos da 4. a como em
plicatilis mimeticus. Êste exemplar é referido por Gomes (8:62) .
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Mem. Inst. Butantan,
30 : 71 - 96 . 1960 - 2 .
SERPENTES COLETADAS PELO INSITUTO
NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA
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Pseudoeryx plicatilis subsp.?
Na coleção do Instituto Butantan há um exemplar n.° 4 783 I.B., proce¬
dente de Porto Esperança, Mato Grosso (Rio Paraguai) e no Departamento de
Zoologia, um outro s/n procedente de Mutun-Paraná, Terr. Fed. de Rondônia (Rio
Nadim), que, pelas ventrais 139-133 c pela faixa lateral ocupando três escamas
(metade da 2. a , 3. a e metade da 4. a ), se colocaria como plicatilis plicatilis. Porém,
êstes dois exemplares têm as ventrais imaculadas, apresentando, todavia, uma
série de pontos medianos pouco visíveis. Não é de se excluir a possibilidade de
pertencerem a uma subespécie distinta, uma vez que é muito fácil a comunicação
entre as bacias do Rio Paraguai e Madeira (mapa 3). Deixamos de os considerar
como subespécie distinta, por falta de material.
Gênero Siphlophis Fitzinger
Siphlophis cervinus (Laurenti)
1768 Coronela cervina Laurenti — Syn. Rep.: 88
1843 Siphlophis cervinus, Fitzinger
Terra typica: “America”.
Neue Klas. Rept.: 27.
Um exemplar n.° 1 025, 2 , procedente de Terra Nova, Amazonas, capturado
em 19-8-1957. Ventrais 161; anal 1; subcaudais 39; dorsais 19; supralabiais 8-8;
infralabiais 8-8. Comprimento total 645 mm; cauda 160 mm; cabeça 16,3 mm.
Amaral considerou Siphlophis geminatus (Duméril & Bibron) com raça
de Siphlophis cervinus (Laurenti). Trata-se, porém, de espécie? distintas, sendo
que, tanto Siphlophis geminicatus (Duméril & Bibron) como Callopistria rubro-
vertebralis Amaral são sinônimas de Siphlophis pulcher (Raddi), conforme será
demonstrado por A. R. Hoge, na revisão do gênero que será proximamente
publicada.
Gênero Tantilla Baird & Girard
Tantilla mclanocephala (Linnaeus)
1758 Coluber melanocephalus Linnaeus (partim) Syst. Nat. 10. a ed. 202.
Terra typica: “America”.
1871 Tantilla melanocephala Cope — Proc. Ac. N. Sc. Phil. 205
Um exemplar n.° 1 026 A, 5 , procedente de Manaus, Amazonas, capturado
cm 17-11-1957. Ventrais 143; anal 1-1; subcaudais 58; dorsais 16; supralabiais
8-8 (4. a e 5. a ) ; infralabiais 9-10. Comprimento total 255 mm; cauda 60 mm;
cabeça 10,0 mm.
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ALPHONSE RICHARD HOGE e
AFONSO CELSO MARANHAO NINA
RESUMO
Na presente lista faunística estuda-se o material ofiológico coletado pelo
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, na sua quase totalidade nos arre¬
dores de Manaus. Revalida-se a Espécie Chironius scurrulus (Wagler), 1824,
amplia-se a distribuição geográfica de Dryadophis boddaerli boddaerti (Sentzen),
1796, revalida-se Pseudoeryx mimeticus Cope, 1886 como subespécie de Pseu-
doeryx plicatilis (Linnaeus), 1758 e não se considera Hydrops martii (Wagler)
1824, e Hydrops triangularis (Wagler) 1824 como subespecificamente relaciona¬
dos e sim como espécies distintas, simpátricas em algumas regiões e discute-se
a posição nomenclatura de Coluber haje (Linnaeus), 1758 e Coluber pullatus
(Linnaeus) 1758.
ABSTRACT
This paper deals with a lot of Snakes collected by the “Instituto Nacional
de Pesquisas do Amazonas”, mostly from lhe neighbourhood of Manaus.
Chironius scurrulus (Wagler) 1824 is revalidated, the range of Dryadophis
boddaerti boddaerli (Sentzen) 1796 is amplified.
Pseudoeryx mimeticus Cope 1886 is shown to be a subespecies of Pseudoeryx
plicatilis Linnaeus 1758.
Hydrops martii (Wagler) 1824 and Hydrops triangulares (Wagler) 1824
are not considered to be subspecific on ground of Range (sympatric in several
localities). The nomenclatural position of Coluber haje Linnaeus 1758 and
Coluber pullatus Linnaeus 1758 is discussed.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao Dr. Djalma Batista, Chefe da Segunda Divisão do Instituto
Nacional def Pesquisas da Amazônia, que providenciou o estágio de um do.s autores
no Laboratório de Ofiologia do Instituto Butantan e pelo interêsse posteriormente
demonstrado; ao Conselho Nacional de Pesquisas que financiou a viagem de
A. R. Hoge à Europa, onde estudou os tipos de serpentes e outro material ofio¬
lógico depositado nos Museus europeus.
Agradecemos por ter colocado à disposição de um dos autores, quando de
sua viagem à Europa, suas vastas coleções, ao Dr. Hilmar Rendhal, do Museu
de História Natural de Stockholm, ao Dr. Ülf Bergstrôm também do Museu de
História de Stockholm, por ter fornecido as fotografias do tipo Coluber juscus.
Somos gratos ao Dr. Helmich, Curator de Herpetologia do Museu de München
e ao Dr. J. Guibé, Diretor do Departamento de Peixes e Répteis do Museu
Nacional de História Natural de Paris.
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30:71-196, 1960-2.
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NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA
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Fot. 1 — Chironius scurrulus I. N. P. A. n.° 1 005
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SERPENTES COLETADAS PELO INSITUTO
NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA
Fot. 2 — Chironius laevicolis I. B. n.° 8 200
Pr. 111
Fot. 4 — Chironius scurrulus I. N. P. A. n.° 1005
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Fot. 5 -— Chironius fuscus (tipo)
Fot. 6 — Chironius laevicolis I. B. n.° 8 200
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SERPENTES COLETADAS PELO INSITUTO
NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA
Pr. IV
Fot. 7 — Chironius juscus (tipo)
Fot. 9 — Chironius laevicolis I. B. n.° 8 200
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ALPHONSE RICHARD HOGE e
AFONSO CELSO MARANHAO NINA
Chironius juscus (tipo)
Fot. 10
Fot. 11 — Chironius scurrulus I. N. P. A. n.° 1005
Fot. 12 — Chironius laevicolis I. B. n. o 200
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NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA
SERPENTES COLETADAS PELO INSITUTO
Pr. VI
Fot.
13 —
Chironius
fuscus I.
B.
n.° 14 848 —
Fot.
14 —
Chironias
fuscus I.
B.
n.° 14 848 —
Fot.
15 —
Chironius
scvrrulus
I.
N. P.
A. n.°
Fot.
16 —
Chironius
scurrulus
I.
N. P.
A. n.°
Fot.
17 —
Chironius
laevicolis
I.
B. n.°
17 632 -
Fot.
18 —
Chironius
laevicolis
I.
B. n.°
17 632
transverso
transverso
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ALPHONSE RICHARD HOGE e
AFONSO CELSO MARANHAO NINA
Pr. VII
Fot. 19 — Chironius laevicolis 17 632 — crâneo, parle inferior I. B.
Fot. 20 — Chironius scurrulus I. N. P. A. n.° 1 005 — crâneo, parte inferior
Fot. 21 — Chironius fuscus I. B. n.° 14 848 — crâneo, parle inferior
Fot. 22 — Chironius laevicolis I. B. n.° 17 632 — crâneo, visto de cima
Fot. 23 — Chironius scurrulus I. N. P. A. n.° 1 005 — crâneo, visto de cima
Fot. 24 — Chironius fuscus I. B. n.° 14 848 — crâneo, visto de cima
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NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA
Pr.
VIII
Fot. 25 — Hidrops martii
Fot. 26 — Hidrops triangular is
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Fot. 28 — Pseudoeryx-plicatilis I. B. n.° 17 639
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AFONSO CELSO MARANHÃO NINA
Pr. IX
Fot. 27 — Pseudoeryx plicatilis mimeticus I. N. P. A. n.° 1206
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SERPENTES COLETADAS PELO INSITUTO
NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA
Fot. 29 — Pseudoeryx plicatilis mimeticus I. N. P. A. n.° 1206 C
Fot. 30 — Pseudoeryx plicatilis plicatilis I. B. n.° 17 639
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NOTAS SOBRE Bothrops fonsecai Iíoge e Belluommi,
Bothrops alternatus Duméril, Bibron et Duméril e
Bothrops cotiara Gomes.
POR
ALPHONSE RICHARD HOGE e HELIO EMERSON BELLUOMINI
INTRODUÇÃO
Em trabalho anterior onde descrevemos Bothrops fonsecai í 1 ), fizemos refe¬
rência da possibilidade de ocorrer uma intergradação entre Bothrops fonsecai e
Bothrops alternatus. Para o estudo das afinidades comparamos também com uma
outra espécie Bothrops cotiara Gomes.
MATERIAL E MÉTODO
Foram comparados, além do material das três espécies existentes no Insti¬
tuto Butanlan, os dados existentes nos fichários de serpentes chegadas à Instituição
nestes últimos 20 anos, a fim de completar a distribuição geográfica.
Utilizamos mapa climático do Estado de São Paulo (Setzer 2) para distri¬
buição gegoráfica climática (segundo Kõppen). Determinados relevos de topo¬
grafia também foram as,sinalados para melhor evidenciar o estudo.
As regiões limítrofes dos Estados do Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro
também foram evidenciadas, para a devida localização das diferentes espécies.
Em gráficos de coordenadas colocamos as contagens de escamas ventrais e
subcaudais das espécies afim de verificarmos os dados em confronto. Foram
ainda revistos os crâneos e os bemipenis das três espécies em estudo.
DISCUSSÃO
Bothrops fonsecai e Bothrops cotiara se parecem bastante à primeira vista,
embora as afinidades sejam maiores entre Bothrops fonsecai e Bothrops alternatus.
O colorido e desenho de B.fonsecai e B.cotiara são parecidos. Os espinhos basais
na face ventral do hemipenis, a forma do palatino e a soma total das placas
Secção de Ofiologia, Instituto Butantan.
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NOTAS SÔBRE Bothrops fonsecai, Bothrops
alternatus e Bothrops cotiara
99
ventrais mais caudais apresentam, no entanto, sensíveis diferenças. A figura 1
apresenta as relações existentes entre as placas ventrais e subcaudais dessas duas
espécies postas em confronto.
Gráfico I
RELAÇÃO ENTRE O NÜMERO DE PLACAS VENTRAIS E SUBCAUDAIS DE
Bothrops fonsecai e Bothrops cotiara
170
160
B. COTIARA
FEMEAS O
MACHOS •
B. FONSECAI
FEMEAS A
MACHOS ▲
o
o A A A A
oo O O & O A A
O & 8
O S 5 O O A
-J I 1_I—
30
SUB-CAUDAIS
Fato interessante observado foi a limitação da distribuição geográfica de
Bothrops cotiara, restrita à região fronteiriça suleste do Estado de São Paulo,
entrando profundamente pelo Estado do Paraná e de Santa Catarina (mapa I).
O estudo do material da Coleção do Instituto Butantan, completada pela busca
dos fichários, assinalou a presença de Bothrops cotiara em apenas duas locali¬
dades do Estado de São Paulo, restritas ao clima Cfa: Fartura e Itararé.
Bothrops alternatus tem sua distribuição, no Estado de São Paulo, limitada
ao sul pelas serras de Paranapiacaba e Mantiqueira. Bothrops alternatus é encon¬
trado nas regiões baixas dos climas Aw, Cwb, Cwa e Cfa.
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ALPHONSE RICHARD HOGE e
HELIO EMERSON BELLUOMINI
ISO
B ALTERNATUS
FEMEAS O
MACHOS •
B FONSECAi
FEMEAS a
MACHOS A
170 -
• O
• • • • •
SUB-CAUDAIS
De acordo com o material depositado na Coleção do Instituto Butantan encon¬
tramos Bothrops alternatus nas seguintes regiões:
Estado de São Paulo: — Sta. Adelaide, Co,smõpolis, Carmabei, Monte Azul,
Desembargador Furtado, Leme, Macuco, Vitorino, Itápolis, Eng. Hermilo, Araras,
Americana, Ibitirama, Nogueira, Campinas, Cândido Rodrigues, Sta. Adélia, Casa
Branca, Mogi-Mirim, Andrades, Bariri, Mococa, Colina, Alberto Moreira, Lobo,
Iacanga, Palmar, Martinho Prado, Eng. Coelho, Andes, Terra Roxa, Remanso,
Taquaritinga, Pederneiras, Frigorífico, Itapetininga, Sta. Leocádia, Nova Europa,
Mogy-Guassu, Presidente Epitácio e mais as localidades assinalada^ pelos fichá¬
rios do Serviço de Cadastro e Estatística do Instituto Butantan.
Estado de Minas Gerais: Pedro Leopoldo, Campanha, Vicente Carvalhaes, Alfenas,
Nogueira, Barbacena, Fama, Três Pontes, Caxambu, Sereno, Lambari, Campo
Belo. As demais localidades foram assinaladas com base nos dados do fichário
do Serviço do Cadastro.
Deixamos de estudar neste trabalho a localização de fí alternatus nos Esta¬
dos do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, embora exem¬
plares dessas regiões fossem incluídos nas figuras 1 e 2.
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NOTAS SÔBRE Bothrops fonsecai, Bothrops
alternatus e Bothrops cotiara
101
O grláfico II, rejíresentanclo as populações de B. alternatus e B. fonsecai, em
função das escamas ventrais e subcaudais, evidencia a presença das duas espécies.
Bothrops fonsecai, de acordo com a citação em trabalho anterior, é nor¬
malmente encontrada em Santo Antônio do Capivari, no Estado do Rio de
Janeiro; Campos de Jordão, Bananal, Areias e Pindamonbangtaba, no Estado de
São Paulo; Itajubá, Itanhandu e Passa Quatro, no Estado de Minas Gerais. Recen¬
temente tivemos a oportunidade de receber 1 exemplar de Nova Friburgo, Estado
do Rio de aneiro.
Bothrops fonsecai tem sido encontrada nos climas Cfa, Cwb, Cíb, Cwa.
Baseado nos dados atuais, B. alternatus e B. fonsecai são alopátrios no Estad
de São Paulo; na região do extremo sul de Minas, as duas espécies ocorrem em
localidades distantes de apenas aproximadamente 50 km, não demonstrando ne¬
nhum caráter de intergradação.
Recentemente Rosenfeld, Hampe e Kelen ( 3 ) determinaram as atividades coa-
gulantes et fibrinolíticas de diversas espécies de serpentes, tendo encontrado índices
diferentes para Bothrops alternatus, Bothrops fonsecai e Bothrops cotiara.
RESUMO
A distribuição geográfica de São Paulo de Bothrops alternatus, Bothrops
cotiara e Bothrops fonsecai é alopátrico nêste Estado com Bothrops alternatus e
Bothrops cotiara. No extremo sul do Estado de Minas Gerais, exetaplares de
ambas espécies, procedentes de localidades distantes de apenas 50 km, não
demonstram nenhum caráter de intergradação.
A ocorrência de Bothrops cotiara no Estado def São Paulo limita-se à. região
fronteiriça com o Estado do Paraná, dentro do clima Cfa (Kkppen). Mesmo
assim a ocorrência foi constatada apenas em duas localidades.
No Estado de São Paulo a distribuição de Bothrops alternatus é limitada,
ao Sul, pelo conjunto das Serras Paranapiacaba, Mantiqueira e seus prolonga¬
mentos.
Morfologicamente Bothrops fonsecai é afim de Bothrops alternatus, afastan¬
do-se de Bothrops cotiara.
ABSTRACT
The geograpbical distribution of Bothrops alternatus, Bothrops cotiara and
Bothrops fonsecai sliows that in the State of São Paulo Bothrops fonsecai and
Bothrops alternatus are allopatric.
In the extreme South of the State of Minas Gerais, both Bothrops fonsecai
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2 3
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ALPHONSE RICHARD HOGE e
HELIO EMERSON BELLUOMINI
and Bothrops allernatus occurs in localities distant only 50 km. from each other
wilhout any intergradation.
In the State of São Paulo, Bothrops cotiara is recorded as coming from only
two localities situated at the border between São Paulo and Paraná, both Cfa
climate.
In the State of São Paulo, the Mantiqueira and Paranapiacaba range of moun-
tains forms a greographical barrier against the expansion of Bothrops allernatus
downwards to the Atlantic coast.
Bothrops fonsecai is distinctly more related with Bothrops allernatus than
witli Bothrops cotiara.
REFERÊNCIAS
1 — Hoge, A. R., Belluomini, H. E. — Uma nova espécie de Bothrops do Brasil (SER
PENTES) Mem. Inst. Butantan, 28: 195-206, 1957/58.
2 — Selzer, José — Contribuição para o estudo do clima do Estado de São Paulo. Boletim
do D.E.R. Est. S. Paulo, IX. X. — outubro 1943 — outubro 1945.1946.
3 — Rosenfeld, G., Hampe, O-, Kelen, E■ M■ A. —- Coagulant and fibrinolytic activity of
animal venoms; determination of coagulant and fibrinolytic coagulant and fribrino-
lytic index of differents species. Mem. Inst. Butantan, 29:143-163, 1959.
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SIMULIIDAE (DTPTERA NEMATOCERA)
POR
CARLOS UANDRETTA JR. (*)
E
DOLORES GONZÁLEZ B. (**)
Simulium nogueirai, n. sp.
Fêmea — Coloração geral, com aumento fraco e luz natural, castanha. Com-
jjrimento do corpo: de 2,0 a 2,5 mm.
Cabeça — Occiput e vértex pretos, fronto-clípeo castanho-amarelado; ambas
as regiões com forte pruinosidade nacarada, cerdas pretas e escamas douradas.
Olhos dicópticos, pretos e glabros. Área ocular (fig. 1) bem desenvolvida. Ante¬
nas com os artículos I a III amarelos, os restantes infuscados e com pubes-
cência branaacenta; artículo III < I -j- II; III < IV -j- V; III < XI. Peças
bucais castanhas, menos o lábio e os palpos, que são pretos; órgão sensorial
bem desenvolvido. Armadura bucal (fig. 2) com as córnuas fortemente esclero-
tizadas e espaço mediano mais hialino: ocupando todo o espaço mediano, até os
ângulos das córnuas, há 3 a 4 fileiras irregulares de dentes, sendo maiores os
da linha mediana e gradativamente menores até os ângulos das córnuas. Gálea
distalmente em forma de “V”, com 12 dentes na borda externa e 9 na interna.
Mandíbulas distalmente em forma de “V”, com 26 dentes na borda interna e
8 na externa, cuja série se inicia após curto espaço inerme próximo ao ápice.
Labro, hipofaringe e lábio sem características específicas.
Tórax —- Escudo castanho-enegrecido, com pruinosidade discreta e escamas
douradas distribuídas uniformemente; margens anterior (incluido os calos hume-
rais) e laterais castanbo-amareladas. Escutelo castanho-amarelado, com cerdas
pretas marginais e escamas douradas transversais. Posnoto enegrecido, glabro e
(*) Cadeira de Zoologia e Parasitologia da Faculdade de Farmácia e Odontologia da
Universidade de São Paulo.
(**) Laboratório de Parasitologia do Instituto de Salubridad y Enfermedades Tropicales,
México.
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CARLOS DANDRETA IR. e
DOLORES GONZALEZ B.
com forte pruinosidade nacarada. Pleuritos e esternitos castanho-enegrecidos e
com pruinosidade nacarada.
Asas com cêrca de 2,5 mm de comprimento e 1,3 mm de largura máxima.
Costa com cerdas curtas e cerdas espiniformes entremeadas, em tôda a extepsão;
Sc com uma fileira de cerdas simples nos 2/3 basais; secção basal do R cerdosa;
Ri com uma fileira de cerdas simples e espiniformes entremeadas; Rs com uma
fileira de cerdas simples; Cu com dupla curvatura.
Balancins com pedúnculo castanho e capítulo amarelo-esbranquiçado.
Pernas: l.° par com coxa, trocânter e 2/3 basais da tíbia amarelos; 1/3
distai da tíbia e tarso pretos; face anterior da tíbia com forte pruinosidade
nacarada. 2.° par com coxa castanha-enegrecida; trocânter e fêmur amarelos;,
tíbia com 1/2 basal amarela e 1/2 distai enegrecida; tarsômero I com 3/4
basais amarelos e 1/4 apical enegrecido; tarsômero II com 1/2 basal amarela
el/2 distai, assim como os últimos tarsômetros, pretos. 3.° par com coxa ene¬
grecida; trocânter e fêmur amarelos; tíbia com 1/2 basal amarela e 1/2 distai
enegrecida; tarsômero I com 3/4 basais esbranquiçados; 1/4 distai, serrilha e
últimos tarsômeros enegrecidos; calcípala e pedisulco (fig. 3) bem desenvol¬
vidos; unha com dente sub-basal (fig. 4) bem desenvolvido.
Abdômen — Urômeros I e II com tergitos castanhos no centro e castanho-
amarelados lateralmente; III e IV preto-aveludados; V e VI castanho-enegrecidos
brilhantes; os restantes castanhos brilhantes.
Terminúlia — Ovipositor (fig. 5) bem desenvolvido, muito hialino e com
ápice bem arredondado. Cerca (fig. 6) arredondada. Lobo anal (fig. 6) com
uma saliência arredondada grande. Forquilha genital (fig. 7) com haste bem
esclerotizada; expansões muito desenvolvidas internamente e com uma saliência
alongada no lado superior.
MACHO — Em virtude de dispormos apenas de um exemplar, que por
eclodir em más condições, foi conservado em álcool, descrevemos somente a
relação dos artículos antenais e a terminália.
Antenas com o artículo III < I -f- II; III < IV + V; III > XI.
Terminália — Pinças (fig. 8) com o lobo apical fortemente fletido em
ângulo reto para cima e para dentro. Lobo basal subquadrangular, com 170 micra
de largura e 145 micra de comprimento. Lobo apical cônico, tendo 85 micra
de comprimento e 90 micra de largura na base e com um pequeno dente
subapical, aparentemente bífido. Processo anterior do falósoma (fig. 9), em vista
frontal, em forma de faixa estreita arqueada e recoberto por pequenos espinhos
hialinos, mais abundantes lateralmente. Processo posterior bem desenvolvido; na
altura do esternito X se inflete para cima e para a frente, quando toma grande
desenvolvimento e, junto com o lado oposto, termina formando uma borla
de processos foliáceos característicos.
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Simuliidae (DIPTERA NEMATOCERA)
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PUPA — Casulo cônico, com abertura horizontal, formado por tecido reti¬
culado, mais ou menos frouxo.
Exúvia: Cefálica com um par de tricomas trífidas na região frontal e 2 pares
bífidas na região do vértex. Torácica com granulosidade fina e algumas tricomas
múltiplas. Abdominal (fig. 10) sem granulosidade. Dorsalmente, de cada lado,
há no segmento I um par de tricomas bífidas; II com uma fileira de cerdas
pequenas e hialina^. III e IV com uma fileira de 4 ganchos simples;VI com
alguns pentes de dentes simples ou múltiplos; VII e VIII com uma fileira de
dentes simples, maiores que os do VI, terminando lateralmente por pentes for¬
mados por dentículos; IX com pentes de dentículos semelhantes aos dos VII e
VIII e com um espinho terminal bem desenvolvido. Ventralmente, de cada lado,
há no segmento VI um par de ganchos bífidos; VII e VIII com um par de gan¬
chos, sendo bífidos ou trífidos os internos e simples os externos.
Branquías respiratórias (fig. 11) em número de 6 de cada lado, cujo com¬
primento total é de cêrca de 3,0 mm. O tronco principal fornece 3 troncos
secundários, que se originam muito próximos da base (fig. 12). Cada tronco
secundário dá origem, por bifurcação simples, a dois ramos finais, longos, com
ápice rombo. O comprimento dos troncos secundários varia conforme a situação,
o exemplar e o lado num mesmo exemplar; nas 3 pupas que dispomos, encon¬
tramos os seguintes comprimentos extremos: dorsal de 120 a 230 micra, médio
de 150 a 220 micra e ventral de 50 a 150 micra.
Larva desconhecida.
Tipos — Holótipo , 5 ex-pupa, n.° 858; alótipo, S ex-pupa, n.° 859; pará-
tipo, pupa $, n.° 857; todos capturados por C. d’Andretta Jr. & M. V. Nogueira,
em Aldeinha (E.F.S.), Estado de São Paulo, Brasil, em 7.viii.l957 e depositados
na coleção entomológica da Faculdade de Farmácia e Odontologia da Univer¬
sidade de São Paulo.
Discussão taxionômica — Simulium nogueirai, n. sp., deve ser incluído no
subgênero Byssodon Enderlein, 1925, por aqueles que seguem a conceituação
subgenérica aplicada para o gênero Simulium Latreille, 1802, por Vargas, Mar-
tínez & Diaz (1946).
Distingue-se esta nova espécie de S. baiensis Pinto, 1931 (da qual se conhece
apenas o macho), principalmente pela forma e dimensões do lobo distai das pin¬
ças e pela morfologia do processo anterior do falósoma. Da fêmea de S. {B.)
benjamini Dalmat, 1952, espécie guatemalteca, separa-se fàcilmente pela rela¬
ção dos artículos antenais, morfologia da armadura bucal e do ovipositor e
pelos caracteres cromáticos do escudo e das pernas; da pupa pelo número de
filamentos branquiais e quetotaxia torácica e abdominal. De S. (B.) ganalesence
Vargas, Martínez & Díaz, 1946, espécie mexicana, distingue-se com facilidade
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CARLOS DANDRETA IR. e
DOLORES GONZALEZ B.
pelos caracteres cromáticos do escudo e das pernas, na fase adulta, pelas trico-
mas torácicas e dimensões das brânquias, na fase de pupa.
Esta espécie é dedicada ao Sr. Mário Valentini Nogueira, técnico de Para-
sitologia da Escola Paulista de Medicina, fiel companheiro de longos anos de
convívio nas lides de laboratório.
Simulium itaunensis, n. sp.
MACHO — Coloração geral, com aumento fraco e luz natural, enegrecida.
Comprimento do corpo: cêrca de 3,5 mm.
Cabeça — Occiput e fronto-clípeo pretos, com cerdas pretas e forte brilho
nacarado. Olhos holópticos, com 2/3 superiores chocolate-avermelhados e 1/3
inferior enegrecido. Antenas com artículos I, II e 1/3 basal do III ocráceos, o
restante preto e com fina pubescência brancacenta; artículo III = I -f- II;
III < IV + V; III > XI. Peças bucais enegrecidas.
Tórax -— Calos humerais e escudo preto-aveludados, com induto pruinoso;
margens laterais e prescutelo com forte brilho de pruina nacarada; no 1/3
anterior do escudo, de cada lado da linha mediana, há duas manchas arredon¬
dadas de pruina nacarada; por tôda a região há escamas finas, de forte brilho
dourado, distribuídas de modo difuso. Escutelo preto-aveludado, com grandes
cerdas pretas marginais e escamas douradas longas e transversais. Posnoto preto-
fosco, glabro e com forte brilho de pruina nacarada. Pleuras e esternitos pretos,
com forte brilho nacarado.
Asas com cêrca de 3,5 mm de comprimento e 1,8 mm de largura máxima.
C com cerdas simples e espiniformes entremeadas; Sc com algumas cerdas na
base; secção basal do R cerdosa; R t com uma fileira de cerdas simples e espini¬
formes entremeadas; Rs com uma fileira de cerdas simples, exceto em pequena
porção basal; Cu com dupla curvatura.
Balancins com haste castanho-enegrecida e capítulo amarelo-citrino.
Pernas em geral pretas. l.° par: coxa com forte brilho nacarado; 1/2 basal
do trocânter e 1/3 basal do fêmur ocráceos; face anterior da tíbia pruinosa
nos 3/4 basais. 2.° par : coxa com forte brilho nacarado; trocânter em parte
ocréceo; fêmur com porção basal ocrácea; tibia com anel basal branco-prui-
noso; tarsômero I brancacento nos 3/4 basais. 3.° par: coxa trocânter e fêmur
iguais aos do 2.° par; tíbia com o 1/3 basal brancacento; 2/3 basais do tarsô¬
mero I e base do II brancacentos. Calcípala e pedisulco (fig. 13) bem desen¬
volvidos.
Abdômen — Urômero I preto-avermelhado, com escamas douradas na por¬
ção marginal mediana e franja de longas cerdas pretas lateralmente. Demais
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Simuliidae (DIPTERA NEMATOCERA)
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segmentos prelo-avcludados. II, VI-VIII com manchas laterais brancas naca¬
radas; IV d V com manchas medianas iguais às anteriores.
Terminália — Pinças (fig. 14) com cerdas longas; lobo basal retangular,
quase 2 vêzes mais largo que longo (260 x 140 micra); lobo apical cônico,
com grande protuberância arredondada na metade basal da margem interna, tendo
300 micra de comprimento, 100 micra de largura na base c 120 micra de lar¬
gura ao nível da protuberância; com um espinho apical, de posição terminal,
fortemente esclerolizado e uma cerda espiniforme no lado interno do ápice. Pro¬
cesso anterior do falósoma (fig. 15) com a borda superior fortemente côncava;
ângulos superiores muito salientes e de ápices arredondados; processos basais
longos e fortemente esclerotizados; ventralmente, desde a parte média da borda
inferior, se origina uma formação mais ou menos cilíndrica, ôca, de ápice arre¬
dondado e densamente revestida de longos e finos espinhos não esclerotizados.
Partindo dos ângulos superiores, há duas formações membranosas, que ligam o
processo anterior aos ápices dos ramos do processo posterior. Processo posterior
do falósoma (fig. 16) com as bases fortemente esclerotizadas e o 1/3 distai
mais hialino, não chegando a formar dentes distintos.
PUPA — Casulo cônico, com o eixo longitudinal quehrado em ângulo
obtuso, com colar conspícuo, abertura horizontal, sem franja ou prolongamentos;
textura fina, pergaminhosa.
/
Exúvia: Cefálica com um par de cerdas espiniformes entre os estojos das
antenas e dois pares na região do vértex, mais curtas, uma delas sendo bífida.
Torácica com um grupo, de cada lado, de 4 a 5 cerdas espiniformes fortes.
Abdominal (fig. 17) sem granulosidade; dorsalmente, de cada lado, há no
segmento II uma fileira de 4 cerdas espiniformes; III e IV com uma fileira de
4 ganchos curtos, sendo mais fortes os do IV; IX sem espinhos terminais;
ventralmente, de cada lado, há no segmento V um par de ganchos bífidos;
VI eí VII com um par de ganchos, sendo bífidos os internos e trífidos os exter¬
nos; com aumento forte, percebe-ge na parte mediana do segmento IV várias
fileiras de pentes formados por dentículos; nos V a VII há um grupo de fileiras
de tais pentes, adiante dos ganchos internos; VIII com várias fileiras contínuas
no meio do segmento, sendo mais numerosas lateralmente; IX com várias fileiras
dêsses pentes na borda anterior.
Brânquias respiratórias (figs. 18 e 18A) em número de! 50 de um lado e
49 do outro, com comprimento, da base à extremidade mais saliente, de 0,9 mm
e diâmetro na base das ramificações finais de 30 a 40 micra. Do tronco prin¬
cipal, originam-se 3 troncos secundários grossos e curtos: o dorsal, por- 4
pontos de ramificações, fornece 19 ramos finais num lado e 17 no outro; o
ventral, por 3 pontos de ramificações, fornece 14 ramos finais em ambos os
lados; o interno, por 3 pontos de ramificações, fornece 17 ramos finais num lado
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DOLORES GONZALEZ B.
e 18 no outro. As branquías são cliscretamente anuladas e sem e^pículas; ápices
pontiagudos (fig. 19), fortemente esclerotizados.
Fêmea e larva desconhecidas.
Holótipo — S ex-pupa, n.° 856 da coleção entomológica da Faculdade
de Farmácia e Odontologia da Universidade de São Paulo, capturado por C.
d’Andretta Jr., em Itatinga (Fazenda Itaúna), Estado de São Paulo, Brasil, em
17.vii.1957.
Discussão laxionômica — Simulium itaunensis, n. sp., pelos caracteres da
genitália masculina e da pupa, agrupa-se à S. orbitale Lutz, 1910 e S. pintoi
Andr. & Andr., 1945, das quais se distingue principalmente pelos caracteres cro¬
máticos do tórax, por detalhes da genitália masculina, pela quetotaxia da pupa,
e, sobretudo, pelo número de filamentos branquiais.
Simulium jundiaiensis, n. sp.
FÊMEA — Coloração geral, com aumento fraco e luz natural, amarelada.
Comprimento do corpo: cêrca de 2 mm.
Cabeça — Occiput e vértex pretos, com ligeira pruinosidade nacarada, cer-
das pretas e escamas douradas; frontoclípeo castanho, com forte pruinosidade
nacarada e algumas escamas douradas. Olhos dicóptico^, pretos e glahros; área
ocular (fig. 20) bem desenvolvida. Antenas ocráceas, flagelo com ligeiro infiís-
camento e pubescência brancacenta; artículo III < I + II; III < IV + V;
III < XI. Peças bucais castanho-enegrecidas, com escamas douradas; palpos
enegrecidos, com escamas douradas e órgão sensorial bem desenvolvido; gálea
distalmente em forma de “V”, com 13 dentes na borda externa e 10 na interna;
mandíbulas distalmente em forma de “V”, com 32 dentes na borda interna e 8
na externa, cuja série se inicia após curto espaço inerme. Armadura bucal
(fig. 21) com as córnuas fortemente esclerotizadas e espaço mediano hialino e
ligeiramente côncavo; iniciando-se nos ângulos das córnuas e ocupando todo o
espaço mediano, há 3 a 4 fileiras irregulares de dentes grandes e pouco esclero¬
tizados. Labro, hipofaringe e lábio sem características específicas.
Tórax — Calos humerais e escudo castanho-amarelados, com duas pequenas
manchas situadas na margem anterior, de cada lado da linha média, e uma
faixa ocupando as margens laterais e a região prescutelar, de pruina nacarada
discreta; abundante escamas douradas, distribuidas de modo difuso. Escutelo
castanho, com cerdas pretas marginais e escamas douradas transversais. Posnoto
enegrecido, glabro e com forte brilho de pruina nacarada. Pleuras castanhas,
menos o mesepisterno e os esternitos, queí são enegrecidos; todos com forte
brilho nacarado.
Asas com cêrca de 3,4 mm de comprimento e 1,8 mm de largura máxima.
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Simuliidae (DIPTERA NEMATOCERA)
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C com cerdas simplçs e espiniformes entremeadas; Sc com uma fileira de? cerdas
simples nos 2/3 basais; secção basal do R cerdosa; R t com cerdas simples e
espiniformes entremeadas; Rs com uma fileira de cerdas simples; Cu com dupla
curvatura.
Balancins com a haste ocrácea e o capítulo amarelo-citrino.
Pernas:1.° par com coxa, trocânter, fêmur e 3/4 basais da tíbia amarelados;
1/4 distai da tíbia e tarso pretos; face anterior da tíbia com brilho nacarado.
2.° par : trocânter, fêmur, 2/3 basais da tíbia e do tarsômero I amarelados, o
restante enegrecido. 3.° par: trocânter, fêmur, 1/2 basal da tíbia e 3/4 basais
do tarsômero I amarelados, ápices do fêmur infuscados, o restante preto; calcípala
e pedisulco (fig. 22) bem desenvolvidos; unha (fig. 23) com dente basal bem
desenvolvido.
Abdômen — -Urômero I ocráceo, com franja de longas cerdas douradas;
o restante castanho-enegrecido, com curtas cerdas pretas esparsas.
Terminália — Ovipositor (fig. 24) muito hialino, com ângulo livre bem
saliepte e arredondado. Cerca (fig. 25) arredondada e ligeiramente escleroti-
zada. Lobo anal (fig. 25) hialino e arredondado. Forquilha genital (fig. 26)
com a baste e os ramos laterais bem esclerotizados; expansões com uma protu¬
berância bem esclerotizada, voltada para cima.
PUPA — Casulo cônico, de abertura horizontal, sem colarinho e consti¬
tuído por tecido grosseiro.
Exúvia: Cefálica com um par de tricomas trífidas na região do vértex.
Torácica com 4 tricomas multiramificadas, na região dorsal. Abdominal (fig. 27)
sem granulosidade. Dorsalmcnte, de cada lado, no segmento II há um grupo de
pequenas cerdas simples; III e IV com uma fileira de 4 ganchos simples e
curtos; VI com uma fileira, na borda anterior, de pentes com dentes simples,
duplos, triplos ou múltiplos, sempre muito pequenos; VII e VIII com uma
fileira, na borda anterior, de dentículos geralmente simples, às vêzes bífidos ou
trífidos, bem maiores que os do segmento VI; IX com uma fileira de dentes
muito pequenos, geralmente simples, algumas vêzes trífidos; espinho terminal
bem desenvolvido. Ventralmente, de cada lado, no segmento IV há um par de
cerdas espiniformes longas, V com um gancho trífido interno e um bífido externo;
VI com um gancho trífido interno e um gancho simples externo; VII com um
gancho bífido interno e um gancho simples externo.
Branquías respiratórias (fig. 28) em número de 6 de cada lado, com com¬
primento total de cêrca de 3 mm. Do tronco básico, originam-se de um modo
divergente 3 troncos secundários, o dorsal medindo de 150 a 180 micra, médio
de 210 a 230 micra e o ventral de 180 a 250 micra. Cada tronco secundário
origina dois ramos finais, que são longos, delgados e de ápice rombo. As
paredes apresentam aspecto irregularmente anelado.
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DOLORES GONZALEZ B.
Macho e larva desconhecidos.
llolótipo — $ ex-pupa, n.° 855 da coleção entomológica da Faculdade
de Farmácia e Odontologia da Universidade de São Paulo, capturado por C.
d’Andretta Jr., em Jundiaí (Bairro Caxambu), Estado de São Paulo, Brasil,
em l.°.vii.l956.
Discussão taxionômica — Simulum jundiaiensis, n. sp., distingue-se de
S. nogueirai, n. sp., pela morfologia da armadura bucal, forquilha genital e
ovipopitor, pelos caracteres cromáticos do tórax e pela quetotaxia abdominal da
pupa. Da fêmea de S. perflavum Roubaud, 1906, separa-se principalmente pelo
aspecto morfológico da armadura bucal, do ovjpositor e do lobo anal, pelos
caracteres cromáticos do tórax; da pupa pelo número de filamentos branquiais
e quetotaxia abdominal.
RESUMO
São descritos e figurados a fêmea, macho e pupa de Simulium nogueirai,
n. sp., macho e pupa de S. itaunensis, n. sp. e a fêmea e pupa de S. jundiaiensis,
n. sp.
SUMMARY
The female, male and pupa of Similium nogueirai, n. sp., the male and
pupa of S. itaunensis, n. sp. and the female and pupa of S. judiaiensis, n. sp.,
are described and figured.
REFERÊNCIAS
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liidae Schiner, 1864 (Diptera Nematocera). I. Mem. Inst. Oswaldo Cruz, Rio de
Janeiro, 43:85-152, 18 pis., 2 maps., 1945
3. Dalmat, H. T. — Descriptions of two new species of Simulium (Diptera, Simuliidae)
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Enf. Trop-, México, 7:99-192,25 pis., 1946.
cm
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30:103-116. 1960-62.
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Simuliidae (DIPTERA NEMATOCERA)
ui
Simulium nogueirai, n.sp.
Fig. 1 — área ocular; fig. 2 — armadura bucal; fig. 3 — calcípala e pedisulco da
fêmea; fig. 4 — unha 111 da fêmea; fig. 5 — oviposilor; fig. 6 — cerca e lobo
anal; fig. 7 — forquilha genital; fig. 8 — pinça, vista ventral; fig. 9 — processo
anterior do falósoma, vista ventral; fig. 10 — exúvia abdominal da pupa (esque¬
mático) ; fig. 11 — brânquias respiratórias; fig. 12 — idem, porção basal. Respec¬
tivamente na mesma escala as figuras 1, 3, 5, 6, 7, 8 e 9; 2, 4 e aumento de
8 ; 11 ; 12 .
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DOLORES GONZALEZ B.
Simulium itaunensis, n. sp.
Fig. 13 — calcípala e pedisulco; fig. 14 - pinça, vista ventral; fig. 15 — processo
anterior do falósoma, vista ventral; fig. 16 — processo posterior do falósoma, vista
ventral; fig. 17 — exúvia abdominal da pupa (esquemático); figs. 18 e 18A —
brânquias respiratórias; fig. 19 — extremidade apical de uma brânquia. Respecti¬
vamente na mesma escala as figuras 18 e 18A; 13, 14, 15 e 16; aumento de 14 e 19.
í, | SciELO
114
CARLOS DANDRETA Jft. e
DOLORES GONZALEZ B.
Simulium jundiaiensis, n. sp.
Fig. 20 — área ocular; fig. 21 — armadura bucal; fig. 22 — calcípala e
fig. 23 — unha III; fig. 24 — ovipositor; fig. 25 — cerca e lobo anal;
forquilha genital; fig. 27 — exúvia abdominal da pupa (esquemático) ;
brânquias respiratórias, porção basal. Respectivamente na mesma escala
21 e 23; 20,22, 24, 25, 26 e 28
í, | SciELO
pedisulco;
fig. 26 —
fig. 28 —
as figuras
14 15
cm
Mem. Inst. Butantan,
30:103-116. 1960-62.
HEMOLYTIC ACTIVITY OF ANIMAL VENOMS.
I. CLASSIFICATION IN DIFFERENT TYPES
AND ACTIVITIES
117
HEMOLYTIC ACTIVITY OF ANIMAL VENOMS.
I. CLASSIFICATION IN DIFFERENT TYPES
AND ACTIVITIES (*)
G. Rosenfeld, E. M. A. Kelen & F. Nudel (**)
Laboratory of Hematology, Instituto Butantan, São Paulo, Brazil
According to Fontana (9) the first remarks that snake venoms are hemo-
lytic were due to Mead in 1739, contrary to his own observations, following
those of James and Backer in the game century. In the nineteenth century, in
1884, Lacerda (19) had noted that red hlood corpuscles agglutinated, became
crenated and were hemolyzed by the action of venom. Weir-Mitchell and Rei-
chert (21) also described, in 1886, transformations of erythrocytes when venom
was added to blood “in vitro”, remarking that they agglutinated and became
spherical.
In 1889 Stephens (32) observed an increase of the hemolytic activity of
Cobra venom by the addition of serum, but he did not give an explanation for
this fact. Some years later, Flexner and Noguchi (8) noticed that gome venoms
did not hemolyze washed red cells, but if small amount of serum was added to
them the venom hemolytic activity appeared. They considered the serum as a
complement. This work started a new era in the study of the hemolytic activity
of venoms. In 1902 Calmette (4) investigating the complement activity of serum
on the hemolytic activity of snake venoms observed that its role was not gimilar
to that of alexines since heating at 62.°C did not destroy it; on the contrary, the
activity was increased and maintained even at 80°C. A further step was made
in 1902 and 1903 by Kyes (16,17) who, working in the laboratory of Ehrlich,
demonstrated that the serum thermostable substance, a necessary intermediate for
hemolysis, could be extracted by alcohol, and among the serum alcohol soluble
substances, only lecithin had this activity. Kyes prepared a complex (“schlan-
gengiftlecithid”) with lecithin and Cobra or Crotalus adamanteus venom, which
hemolyzed blood instantly. Thus the activating substance of venom-hemolygis was
defined for the first time.
A series of works followed this definition and among them that of Dele-
zenne and Ledebt in 1911 (6) should be noted as it demonstrated that by a
(* ) This work was supported by a grant of the Research Fund of Instituto Butantan (FPIB).
(**) Fellow of the Research Fund of Instituto Butantan,
cm
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118
G. ROSENFELD, E. M. A. KELLEN & F. NUDEL
catalytic action, the venom liberatete froin serum a substancc with hemolytic
activity. This conclusion was reacbed by studying the action of Naja naja venom
on horse gerum in the hemolysis phenomenon. Later, in 1914, Delezenne and Four-
neau (5), having performed a Chemical study on the hemolytic compound, called
it “lisolecithin” and defined in the chemical point of view the venom provoked
hemolysis reaction as being a saponification.
Lamb in 1905 (20), having studied the hemolytic activity of different
snake venoms on lhe same species of erythrocytes, divided them in two groups:
one group which hemolyzed dog erythrocytes directly, and another having only
indirect action, i.e., requiring the presence of serum or lecithin. He included in
the first group venoms of Naja naja (tripudiam ) and Vipera russellii. Direct
hemolytic action of Naja naja venom was also found by Slotta and Borchert in
1954 (31).
In 1904, Noc (25) determined the hemolytic activity of different snake
venoms on horse red cells. He concluded that venoms classification according
to their hemolytic intensity was correlaled to the classification of species. How-
ever Pestana in 1908 (27) after observations on the hemolytic action of Brazilian
snake venoms, considered this activity independent from the zoological classifi¬
cation, because though having found activity variations from one species to ano¬
ther, these variations could also be found in venoms of the same species.
Noc suggested in 1904 (25) that the hemolysins of different snake species
were one substance or if more than one they were of very similar nature as
they could be neutralized by antivenom serum prepared with venom of any
species. For example anti-Cobra serum neutralized the hemolysins of Naja niger,
Bungarus, Bothrops jararaca, B. urutu and others. It was also Pestana in 1916
(28) who considered the venom hemolytic substance of some Brazilian snakes
as oneí and the same substance. He verified that the anticrotalic serum could
neutralize the venom of Crotalus durissus terrificus and also those of B. alrox
and B. lanceolatus. The same was found for the antibothropic serum that preven-
ted the hemolytic activity of C. d. terrificus venom. However Houssay and Ne-
grete in 1922 (13) had reacheU an opposite conclusion, i.e., that the hemolysins
were not alike in the different venoms, not even among thoge of southamerican
snakes.
It had been stated that the venoms toxic activity was directly related to
the hemolytic activity since antivenom sera in neutralizing hemolysins also des-
troyed the toxin (Stephens and Myers, 1898) (33). This suggested the utilization
of the method for sera titrations (Calmette, 1902 and Noc, 1904) (4, 25). On
the other hand, Pestana (28) had already mentioned a disgociation between hemo¬
lytic and toxic substance for anticrotalic serum that did not neutralize the toxicity
of Bothrops venoms, though preventing the hemolytic activity of B. alrox and
B. lanceolatus venoms besides that of the Crotalus one, specific to it. This distinction
between these two activities was confirmed in 1958 by Ohsaka (26) who separated
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HEMOLYTIC ACTIVITY OF ANIMAL VENOMS.
I. CLASSIFICATION IN DIFFERENT TYPES
AND ACTIVITIES
119
electrophoretically at least two independent hemolytic fractions from the toxic one
in the venom of Trimeresurus flavoviridis, he also found (26) that more than
one hemolytic substance existed in the same venom. It must be mentioned that
some years before (1952-3), Neumann and Habermann (23) and Neumann, Haber-
mann and Hansen (24) had already isolated two different hemolytic fractions,
one having direct activity and the other an indirect one (23,24). The existence
of two of these fractions was confirmed in 1954 by Slotta and Borchert (31)
who, however attributed direct hemolytic activity to both.
Morgenroth and Carpi (22) pointed out in 1906 that bee venom {Apis
mellifica) was hemolytic, a finding confirmed by many research workers, including
Essex, Markowitz and Mann in 1930 in 1930 (7) ; but thes eauthors found reason to
believe in the similarity of this venom with that of the rattlesnake, based on
the hemolytic activity and others.
Another remarkable fact that should be pointed out in relation to venom-
provoked hemolysis is that the hemolytic activity is not always proportional to
the venom concentration, as was already demonstrated by Stephens and Myers
in 1898 (33), who verified decreasing hemolysis by greater concentrations of
Cobra venom. Houssay and Negrete in 1922 (13) made the same statement in
relation to different venoms.
The purpose of this paper was to study the relative potency of the hemolytic
activity of different animal venoms with a more exact quantitative method than
those utilized till now, and to veirfy, systematically, the eventual existence of
direct hemolytic activity and the venom capacity of transforming hemoglobin to
methemoglobin.
MATERIAL AND METHODS
Saline solution — All Solutions and suspensions usend in hemolysis tests were
made in a saline solution which contained 0,85% NaCl (w/v) and was 0,15 M
in relation to CaCl 2 , and 0,5 M as regards Mg Cl 2 . Only the washing of eryth-
rocytes was made in 0,85% NaCl (w/v).
Venom — The experiments were performed with dried venoms of the Instituto
Butantan stock. The Solutions in saline were made just before use. Bothrops
jararaca standard venom — This was chosen as standard since it is available in
greater amounts. Eacli time that a series of tests had to be performed a fresh
solution of B. jararaca venom was prepared and used as standard.
Serwrrv — Serum used in comparative hemolysis of different venoms was obtained
from horse blood after tliree hours standing at room temperature. After centrifu-
gation and separation it was kept at — 15°C until used.
For the obtention of hemolysis curves the serum was inactivated at 55°C
during 30 minutes before being stored in the freezer. Heat treated serum proved
to be more stable than fresh serum.
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G. ROSENFELD, E. M. A. KELLEN & F. NUDEL
Erythrocyles — Sheep blood was collected on an equal volume of Alsever solu-
tion and kept at 5°C up to the time of use. Prior to the hemolysis tests the red
blood cells were wasbed by cenlrifugation four times with 0,85% (w/v) NaCl
and then suspeínded in the saline solution in sucli a way as to contain 100 million
erythrocyte,s per ml. A standard curve was prepared for the resulting erythrocyte
suspension. For this purpose, different amounts (up to one ml) of the erythrocyte
suspension were made up to 5 ml with distilled water. The hemolyzed mixture
was centrifuged and the optical absorbance of the supernatant was determined
at 540 m/i. The resulting standard curve, drawn by plotting the optical absorbance
against the number of lyzed cells, was used to determine the intensity of hemo¬
lysis produced by the venoms with which the standardized suspension was incubated.
The wave length of 540 ni/i was íixed for absorption determinations because
this zone corrCsponds to the smallest absorption by gerum colour (bilirubin) as
well as by the brown colour (methemoglobin) resulted by the action of almost
all venoms.
Test for indirect hemolysis — The reaction mixtures, prepared by adding 1 ml of
standardized erythrocyte suspension, 1 ml of horse serum, 2 ml of the saline
solution and 1 ml of saline containing 5 mg of venom, were kept at 37°C for
one hour. The luhes containing the different mixtures were then transfered to
an icel-water bath and centrifuged. The degree of hemolysis was calculated from
the observed absorbance at 540 m/i by means of lhe standard curve prepared
as described. Since erythrocyte suspensions prepared on different days could
present fluetuations on sensitivity to hemolysis, and this variation should affect
the calculated intensity of hemolysis, all hemolysis tests included a determination
of the intensity of hemolysis produced by a constant amount (5 mg) of stan¬
dard venom of Bothrops jararaca. Thus, the data for lhe different venoms could
be expressed in terms of the hemolytic index (Hl) defined by the equation
N x
Hl =
Nj
in which N x and Nj are the number of erythrocytes lyzed (calculated from the
observed absorbance) by 5 mg of the tested venom and by the same amount of
B. jararaca, respectively. Since the same venom of B. jararaca was used throughout
this work, the Hl figure of the different venoms studied in thCse experiments
should permit a more accurate comparison of their relative hemolytic potencies.
As the same venom hemolyzed different number of erythrocytes in different
experiments, one of the values obtained with B. jararaca venom was considered
as standard. In all experiments a determination was done with the standard venom
and the result was corrected in function of the value considered as a parameter.
This compensation gave a correction factor to thç sensibility or resistance varia
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I. CLASSIFICATION IN DIFFEHENT TYPES
AND ACTIV1TIES
121
tions of red cells during the experiments, and this factor was used in correcting
all values. This way a more exact and more direct comparison could be made
among the relative potencies, and the hemolytic index of each venom gained
more equilibrium.
Hemolysis curves were oblained from different venom concentrations acting
on a constant number of erythrocytes.
Direct hemolysis — The same technique was used for these determinations as
that used for indirect hemolysis, except that horse serum was omitted.
RESULTS
Almost all of the experimented snake venoms used (table 1) demonstrated
indirect hemolytic activity, being exceptions only the venoms of B. cotiara, M.
frontalis and a white venom of fí. jararaca. In this group are the following
Bothrops venoms: alternatus, young jararaca, insularis, atrox of Marajó island,
fonsecai, atrox, neuwiedi, atrox asper, itapeliningae and pradoi. Exceptions were
the venoms of B. jararacussu which had only half of the potency of other Bothrops
and the venom of B. cotiara practically nonhemolytic.
Venoms of Vipera genus like V. russellii, lebetina, amodytes montandoni were
also very hemolytic as well as other Indian venoms like those of Naja naja, Bun-
garus caeruleus and Ecchis carinatus. The venom of Trimeresurus flavoviridis
demonstrated a potency similar to that of Bothrops.
Venoms of Crotalus genus demonstrated weak hemolytic activity as it is
indicated by the index of yellow and white venoms of C. d. terrijicus and that
of C. d. terrijicus of Marajó island (Brazil). Venom of C. durissus durissus (Costa
Rica) was an exception and so was that of C. d. terrijicus from the State of
Ceará (Brazil) since both were very active regarding their hemolytic activity.
Included in the group of weak venoms is also that of A. piscivorus.
The other animal venoms studied Tilyus bahiensis, T. serrulatus, Lycosa
erythrognata, Phoneutria jera, did not show hemolytic activity, only that of Bufo ma-
rinus acted slightly on red blood cells. However, the venom of A pis mellifica was
two times stronger than the standard venom, being the most hemolytic among
the venoms studied.
Hemolytic venoms changed also hemoglobin to methemoglobin easily recog-
nized by the brown colour produced on the hemoglobin Solutions and red blood
cells, excepling the white hemolytic venoms of A. mellifica, B. itapetiningae and
the white venoms of C. d. terrijicus and B. jararaca. Non hemolytic venoms did
not change the colour of erythrocytes, excluding those from M. frontalis and B.
cotiara (table 1); hut these venoms were yellow. Therefore, there was a corre-
lation between the venom colour and methemoglobin production. Yellow venoms,
whether hemolytic or not, formed methemoglobin and the reciprocai has also
been stated: white venoms, hemolytic or not, did not form methemoglobin.
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G. ROSENFELD, E. M. A. KELLEN & F. NUDEL
TABLE 1 — Indirect hemolytic activity of different vcnoms (only Apis mcllijica venom
had also direct activity)
Hemolytic indexes and capacity of producing methemoglobin in relation to shccp
erythrocytes and horse serum
VENOMS
Erythrocytes
x IO"'
' hemolyzed by
5 mg of venom
wit.h correotion
Hemolytic
indexes
Hl
Methemo¬
globin
formation
Apis mellifica .
141
2,20
absenco
Naja naja .
82
1.28
+
Vipera lebetina .
81
1,26
+
Bungarus caeruleus.
78
1,22
+
Vipera ammodytes montandoni .
75
1,17
+
Vipera russcllii .
73
1,14
+
Bothrops alternatus .
72
1,12
+
Bothrops jararaca (young snake) .
72
1,12
+
Bothrops insularis .
68
1,06
+
Crotalus durissus durissus.
68
1,00
+
Lachesis muta muta.
68
1,06
+
Bothrops atrox (Marajó island) .
67
1,04
+
Bothrops fonsecai .
67
1,04
+
Bothrops jararaca ( standard ) .
64
1,00
+
Bothrops atrox.
62
0,97
+
Bothrops neuwiedi .
62
0,97
+
Ecchis carinatus .
61
0,95
+
Bothrops atrox asper.
60
0,93
+
Bothrops itapetiningae.
59
0,92
absence
Bothrops pradoi.
58
0,91
+
Crotalus durissus terrificus (Ceará) .
57
0,89
+
Trimeresurus flavoviridis.
52
0,81
+
Bothrops jararacussu .
33
0,52
+
Agkistrodon piscivorus.
29
0,45
+
Crotalus durissus terrificus (ycllow venom). . .
29
0,45
+
Crotalus durissus terrificus (white venom) .. .
29
0,45
absence
Bufo marinus .
10
0,10
+
Crotalus durissus terrificus (Marajó island). . .
7
0,11
+
Bothrops cotiara .
2
0,03
+
Micrurus frontalis .
no hemolysis
no hemolysis
+
Tityus bahiensis .
77 77
77 77
absence
Tityus serrulatus.
77 77
77 77
absence
Androctonus australis .
77 f)
77 77
absence
Lycosa erythrognata.
77 77
7 7 77
absence
Phoneutria fera .
77 77
77 77
absence
Loxosceles rufipes .
77 77
77 77
absence
B. jararaca (white venom).
77 77
7 7 77
absence
“Direct hemolytic activity” could only bei found in Apis mellifica venom.
All other venoms acted only indirectly.
Differdnt concentrations of one venom, up to 20 mg, acting on constanl
number of erythrocytes, 100 x 10 1 ’, had shown that hemolysis was not always
proportional to venom concentrations. To an increase of venom concentration
there was not always a corresponding increase in hemolysis (fig. 1). This fact
lead to choose the concentration of 5 mg for index determinations, since this
zone still corresponded to an intense hemolytic activity of almost all venoms;
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I. CLASSIFICATION IN DIFFERENT TYPES
AND ACTIVITIES
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greater concentrations showed frequently an inhibition and weaker Solutions had
already decreasing activity.
For the same reason, venoms were divided not according to the snake species
anymore, but according to the curve type of hemolysis obtained, what permitted
to classify the venoms according to 6 types oí hemolysis curves:
Type I — curve given by venoms of Agkistrodon piscivorus (fig. 1, curve 1)
and of Naja naja, demonstrating a linear function.
Type II — a sigmoidal curve obtained with venoms of B. insularis (fig. 1, curve 2)
B. jararaca, B. alternata, B. pradoi, V. bebelina, C. d. durissus, C. d. terrifcius of
Marajó island and Ecchis carinatus.
HEMOLYSIS
RED
BLOOD
CELLS
X10 6
50
0
-i-i—i -1. i -i
0,04 20 1,25' 3,04 20
j i—i—,—i — i— j — i — i i i
j — i — i — i _ i i_i
20 1,25
1,25 0,04
100
50
0
VENOM mg
Fic. 1 — Types of curves of hemolytic activity of the venoms dilutions. (Sheep
red blood cells and horse serum.)
I — Agkistrodon piscivorus. II — Bothrops insularis. III — Bothrops
atrox. IV — Bothrops atrox asper. V — A pis mellifica. VI — Trime-
resurus jlavoviridis.
cm
2 3
L.
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G. ROSENFELD, E. M. A. KELLEN & F. NUDEL
Type III — obtained with venoms of B. alrox (fig. 1, curve 3), B. alrox of
Marajó island, B. neuuiiedi, B. jonsecai, B. jararacussu, L. ncuta and V. russellii.
Type IV — ghowed by venoms oí B. alrox asper (fig. 1, curve 4) and white venom
of C. d. terrijicus.
Type V — curve obtained with venom of A. mellijica (fig. 1, curve 5).
Type VI — curve obtained with venom of Trimeresurus jlavoviridis (fig. 1,
curve 6) .
Hemolysis curves of venoms of B. pradoi, C. d. terrijicus from Marajó island,
E. carinatus, N. naja and V. lebctina were constructed up to 5 mg, as only small
amounts of those venoms were available.
Venom of A. mellijica as well as that of standard (B. jararaca) were sub-
mitted to heating at 100°C for 10 minutes. This treatment caused a heavy
precipitation of the venom of B. jararaca with disappearence of hemolytic acti-
vity, while lhe venom of A. mellijica remained active, showing however a decrease
in potency. In presence of 1 N NaOH the hemolytic activity of this venom is
destroyed by heating at 100° C for 10 minutes, wbile, in presence of 1 N HC1,
heating causes only a change in the characteristic curve of hemolysis. The hemo¬
lytic activity of Apis mellijica venom was not modified by the addition (.1
NaOH 0.1 N or HC1 O.l N after 15 minutes at room temperature.
DISCUSSION
DIRECT HEMOLYSIS — Excluding Apis mellijica venom, none of the experi-
mented venoms had direct hemolytic activity, i.e., they were not able to hemolyze
washed red blood cells in absence of serum. This fact discords of Lamb’s expe-
riments (20), who had reported direct hemolylis with venoms of Naja naja
(N. tripudians ) and Vipera russellii, and of the observations of Slotta and
Borchert (31) who had also attributed such activity to Naja naja venom.
This difference may be explained by considering the different type of
erythrocytes used. While the lack of hemolysis reported in this paper was obser-
ved on sheep erythrocytes, Lamb used dog red cells and Slotta and Borchert
had employed liuman erythrocytes, and many reports already exist about the
difference of susceptibility of red blood cells of different animal species, as was
first secn by Mhchell and Reichert (21) and systematically studied by Kelen,
Rosenfeld and Nudel (15). One could also think that the authors had used badly
preservated erythrocytes in their experiments, since we could observe that red
cells kept at 4°C for many days increased their sensitivity to venom hemolysis.
Another important factor involved is the kind of serum and its conservation (15).
The direct hemolytic activity of venom of Apis mellijica was observed besi-
des its indirect activity, confirming the findings of Neumann and Habermann
(23), Neumann, Habermann and Hansen (24) and Slotta and Borchert (31).
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HEMOLYTIC ACTIVITY OF ANIMAL VENOMS.
I. CLASSIFICATION IN DIFFERENT TYPES
AND ACTIVITIES
125
NON HEMOLYTIC VENOMS — Scorpion venoms likef Tityus serndatus, Tityus
bahiensis and Androctonus australis did not show hemolytic activity confirming
data of Balozet (1) who stated that scorpions of Buthidae family did not have
hemolytic venom, and to this family belong the Androctonus australis and the
Buthus occitanus that he has observed, as well as the Leiurus quinquestriatus and
lhe Tityus bahiensis studied by Houssay (12).
Therefore it seems that it may be assumed that scorpion venoms of the
genus Tityus, Androctonus, Buthus and Leiurus, all of them belonging to the
Buthidae family, do not have hemolytic activity. This conclusion, however, does
not apply to lhe genus Buthacus belonging to the same family and to the Scor-
pionidae family since Balozet (1) detected indirect hemolytic activity in venoms
of Scorpio maurus and Buthacus arenicola (2), the latter having shown stronger
activity than many gnake venoms.
All snake venoms were hemolytic, excepting venoms of Micrurus jrontalis
and Bothrops cotiara that did not hemolyze sheep red blood cells. Brazil and
Pestana (3) had refered a weak hemolytic activity of venom of M. jrontalis
on horse red cells.
Spider venoms, Lycosa erythrognata, Phoneutria fera and Loxosceles rujipes
were another group that did not hemolyze sheep erythrocytes. Walbum in 1915
(35) and Houssay in 1916/17 (10,11) had already mentioned the absence of
hemolytic activity of some spider venoms. They could find very active hemolysins
only in the eggs of these animais or in body extracts.
It should be stressed that the concept of hemolytic capacity of venoms musl
be also defined in relation to species of erythrocytes used, since Kelen, Rosenfeld
and Nudel (15) observed that venoms considered as non hemolytic for one
species of cells w6re very active for another one, as well as a variation of hemo-
lysis intensity of the same factors could also be stated.
RELATIVE POTENCIES — Since the expcrimented venoms showed an indirect
hemolytic activity, their hemolytic potencie,s were calculated according to this
activity. Table 1, containing all hemolytic indexes of venoms, demonstrates clearly
the lack of diretet relation between hemolytic activity and genus or even species
of snake, confirming observations already refered by Pestana (27). Thus, venoms
of Bothrops genus show all indexes III above 0,90, however Hl of B. jararacussu
is only 0,52. In case of venoms of the same species, while) those of C. d. terrijicus
are weakly hemolytic, III r= 0,45, venom of snakes of same species and genus,
but from the state of Ceará (Brazil), was very active with III = 0,89.
In some cases the order of hemolytic potency found (table 1) for the animal
venoms studied in this work differs from classifications published previously
(13, 18, 25, 27) which have been derived from studies made without a) quanti-
tatively accurate technique of hemolytic tests, and b) a strict definition of the
species, concentration and preservation of the erythrocytes used.
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HEMOLYSIS CURVES — The first purpòse of this paper was only to investigate
the hernolytic potencies of animal venoms, but during the litrations it could be
demonstrated witb the siniple method presented and through the different curve
lypes obtained that venoms probably contain variahle number of hernolytic
substances.
Type I curve obtained may be considered as resulting from the action of
one kind of hernolytic substances; it was called component A t . Considering the
mechanism of indirect hemolysis, i.e., activation of serum lecithin by the venom
and formation of Iysocithin, Ai would be the venom lecithinase.
Type II curve shows an inhibition of higher venom concentrations, and this
inhibition lias been already described in 1893 by Stephens and Myers (33) and
in 1922 by Houssay and Negrete (13), lhough no one of them had indicated any
explanation to this fact. A plapsible hypothesis would be to assume that the
venom contains another enzyme Ao acting on lhe same substrate, lecithin, but
splitting the molecule at a different point, so that inactive substances to hemolysis
result; if Ao lipase is less active then A,, it can still act first in high concen¬
trations on the common substrate, impeding or delaying the action of Ai. By dilu-
tion, the latter act,s before Ao once it is more active, and so hemolysis occurs.
This mechanism would be analogue to that of blood coagulation by the action
of coagulant and proteolytic venoms, as described by Rosenfeld, Hampe and
Kelen (30) ; in their experiments the dilulion curve of the coagulant activity
of a venom having bolh components, shows that high concentrations do not coagu-
late plasma because, though the proteolytic substances are less active than the
coagulant ones, they are in such an amount that it permits them to act first
on the common substrate, fibrinogen, in hydrolysing it before the coagulant frac-
lion could turn it to fibrin. This way fibrinogen molecule is parted in non
coagulable fractions. As concentration decreases, proteolytic substances are not
able to act anymore, and so transformation of fibrinogen in fibrin takes place
under action of the coagulant substances.
Venoms of type III besides of having the hernolytic factor Ai and the inhibitor
A;> like the type II, they have also a weak indirect hernolytic component, acting
only in very high concentrations. This component was called A 3 .
Venoms giving type IV curve have the same components as those of type III.
However a difference is observed concerning the inhibitor concentration. Its pre-
sence is only evidenced in the curve by a “plateau” between the two indirect
hernolytic actions.
Type V curve, characteristic to bee venom, evidences the presence of com¬
ponents Ai and A 2 in higher concentrations than in the experimented snake venoms.
Besides it has a hernolytic component also active in high venom concentrations
like the A 3 with the difference however of being directly hernolytic. It does not
require an intermediate substance to hemolyse the red cells. This component was
called B.
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HEMOLYTIC ACTIV1TY OF ANIMAL VENOMS.
I. CLASSIFICATION IN DIFFERENT TYPES
AND ACTIVITIES
127
In addition to the above mentioned components two others were evidenced
in hemolysis curve of type VI obtained with Trimeresurus jlavoviridis venom:
components A 4 , inhibitor, and A 5 indirectly hemolytic, both acting in high venom
concentration.
VENOM CONCENTRATION — The importance of venom concentration in the
determination of relative potencies is anolher factor dcmonstrated by lhe hemo¬
lysis curves since an activity degree due to different substances correspond to
lhe action of different venom concentrations on a same number of erythrocytes.
Therefore the hemolytic index has just a relative value, once that the ^ame
concentration of different venoms acting on a constant number of red cells
does not refer to identical activities. The index calculated in relation to one con¬
centration will not always be comparative of the same effect. Thus, if to 5 mg
concentration of some venoms corresponds the stage of lecithin aetivation for
hemolysis of 100 million erythrocytes, to this same concentration of other venoms
corresponds the stage where the inhibitory substances of serum are still acti-
vated. Therefore, there is not an absolute criterium in choosing venom concen¬
trations in order to be able to compare their hemolytic potencies.
MULTIPLICITY OF HEMOLYTIC FACTOR — There almost do not exist data
on the existence in venoms of more than one factor with hemolytic activity. In
relation to bee venom, two kinds of hemolysins were identified, one as being
direct and another indirect (23, 24, 31) ; in 1921 Houssay (14) had observed
two components responsible for the hemolytic activity of B. neutvicdi ( Lachesis )
venom when trying to isolate from this venom its active substance. And more
recently Ohsaka (26) separated ellectrophoretically two hemolytic fractions in
Habu venom ( Trimeresurus jlavoviridis ).
The hemolysis curves obtained demonstrate quite well the variable number ol
hemolytic substances existing in venoms, permilting to classify them according
to their hemolytic activity and also to show that this activity is mucli more
complex than the way it is regarded as.
The knowledge of the mechanism of hemolysis can be useful to understand
what does occur in the chemical point of view in hemolysis resulting from other
causes than the animal venom, since enzymes of the same kind may occur or
may be activated in the organism of other animais.
The curves obtained with a simple dilution method and quantitative esti-
mation of hemolytic activity may be useful in further researches on the subject
by verifying the hemolytic components responsible for this venom activity, in
lhe point of view of hemolysis as well as that of the venom itself.
INDEPENDENCE OF HEMOLYTIC ACTIVITY FROM OTHER VENOM ACTI-
VITIES — The lack of direct relation betwecn venoms hemolytic activity and their
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coagulant and proteolytic substances is well demonstrated if comparing thc indexes
refering all oí them (table 2). This comes in favour of Pestana’g conclusion in
1916 (28), who bad dissociated hemolytic and toxic substances of some venoms,
in contradiction to conclusions of Stephens and Myers (33), Calmette (4) and
Noc (25). Obsaka (26) in 1958 has also separated hemolytic substances from
tbe toxic one of Habu venom ( T. flavoviridis).
METHEMOGLOBIN — White snake venoms of D. itapetiningae, C. d. terrificus
and one kind of white venom of D. jararaca did not transform hemoglobin to
TABLE 2 — Comparison of coagulant (Cl), fibrinolytic (FI) and hemolytic (III) indexes,
of animal venoms.
Coagulant and Fibrinolytic indexes from Rosenfeld, Hampe & Kelen (30)
0 — absence of activity + clotting after 12 hours
VENOMS
C.I.
Corrected values
F.I.
H.I.
Apis mellifica .
+
0,16
2,20
Naja naja .
0
0,17
1,28
Vipera lebetina .
+
0,24
1,26
Bungarus caeruleus.
—
—
1,22
Vipera ammodytes montandoni .
0
0,16
1,17
Vipera russellii.
0
0,14
1,14
Bothrops alternatus .
0,51
0,24
1,12
Bothrops jararaca (young snake) .
3,92
0,50
1,12
Bothrops insularis .
2,28
0,93
1,06
Orotalus durissus durissus.
0,04
0,49
1,00
Lachesis muta muta.
0,15
0,45
1,06
Bothrops atrox (Marajó island) .
—
—
1,04
Bothrops fonsecai .
1,62
0,21
1,04
Bothrops jararaca ( standard ) .
1,00
1,00
1,00
Bothrops atrox.
3,20
0,81
0,97
Bothrops neuwiedi .
1,94
0,62
0,97
Ecchis carinatus .
—
—
0,95
Bothrops atrox asper.
3,18
0,45
0,93
Bothrops itapetiningae.
0,31
0,64
0,92
Bothrops pradoi.
—
. -
0,91
Crotalus durissus terrificus (Ceará) .
—
—
0,89
Trimeresurus flavoviridis.
0
0,14
0,81
Bothrops jararacussu .
0,03
0,24
0,52
Agkistrodon piscivorus.
0
0,68
0,45
Crotalus durissus terrificus (yellow venom) .
0,29
0,17
0,45
Crotalus durissus terrificus (white venom) .
0,05
0,09
0,45
Bufo marinus .
+
0,27
0,16
Crotalus durissus terrificus (Marajó island).
0,03
0,22
0,11
Bothrops cotiara .
1,37
0,19
0,03
Micrurus frontalis .
4-
0,22
0
Tityus bahiensis .
+
0,16
0
Tityus serrulatus.
0
0,11
0
Androctonus australis.
—
—
0
Lycosa erythrognata.
+
0,16
0
Phoneutria fera .
0
0,25
0
Loxosceles rufipes .
—
—
0
Bothrops jararaca (white venom).
0,71
0
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HEMOLYTIC ACTIVITY OF ANIMAL VENOMS.
I. CLASSIFICATION IN DIFFERENT TYPES
AND ACTIVITIES
329
methemoglobin, while all yellow venoms had this activity that probably depends
on the flavins existing in these venoms. This hypothesis may bei reasonable since
the yellow colour of B. jararaca venom is due to the presence of flavins as il
has been demon,strated by Taborda and Taborda (34). And venoms of same spe-
ciés, wben white, i.e., lacking the flavin, did not transform hemoglobin, while
the yellow ones did.
STABILITY OF HEMOLYTIC ACTIVITY — Storage of venom for a long time,
practically does not change its hemolytic activity. There is only a potency decrease,
without disappearence of any component, remaining all the characteristics of the
hemolysis curve (fig. 2).
HEMOLYSIS
Fic. 2 — Influence of storage of B. jararaca venom on the hemolytic activity:
Curve 1 — desiccated standard venom, 2 years old; curve 2 — Lyophi-
lized venom, 3 months old; curve 3 — desiccated venom, 3 months
old; curve 4 — desiccated venom, 14 years old.
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G. ROSENFELD, E. M. A. KELLEN & F. NUDEL
SUMMARY
Hemolytic activity of venoms of 29 snakes, 3 spiders, 3 scorpions, 1 frog and
bee was studied. Only thc latter showed direct hemolytic activity (on washed red
cells, without serum addition). The method utilized permitted a quantitative ana-
lysis of venoms which could be classified hy their hemolytic index in relation
to B. jararaca venom considered as standard. Constant quantities of venom (5 mg)
and of sheep erythrocytes (100 x 10 G ) wcre incubatcd in prescnce of horse serum.
Hemolysis was colorimetrically determined hy the lihcrated hemoglobin.
All ,snake venoms were hemolytic though venoms of Micrurus frontalis and
Bothrops cotiara had been exceptions.
Spider venoms, Lycosa erythrogniala, Phoneutria jera, and Loxosceles rujipes
and scorpion venoms, Tityus bahiensis, T. serrulalus and Androclonus australis
did not hemolyze red cells.
Determinations of hemolysis provoked hy jserial dilutions of one venom,
starting froin 20 mg, showed curves that permitted to group all venoms in 6 types.
The different types of curve show clearly that there exist several hemolytic subs-
tances and differences in their number in each venom. Similarity in the curve
of hemolytic activity was observed in venoms of different snake families a,s wcll
as divergence among ophidians of the same genus.
All yellow venoms, hemolytic or not, had transformed hemoglobin to met-
hemoglobin. White venoms whether hemolytic or not, did not have this activity,
thus showing a direct correlation between yellow colour of venoms and met-
hemoglobin formation.
RESUMO
Foi estudada a atividade hemolítica de 29 venenos de serpentes, 3 de ara¬
nhas, 3 de escorpiões, 1 de sapo e de abelha. Somente o último veneno mostrou
capacidade hemolítica direta (sôbre glóbulos lavados sem a presença de sôro).
O método usado permitiu uma análise quantitativa dos venenos que puderam ser
classificados pelo seu índice hemolítico em relação a um veneno de B. jararaca
tomado como padrão. Usou-se quantidades constantes de veneno (5 mg) e gló¬
bulos de carneiro (100 x 10°) incubados em presença de sôro de cavalo. A
hemólise foi determinada colorimètricamente pela hemoglobina liberada.
Todos os venenos ofídicos foram hemolíticos, com exceção dos venenos de
Micrurus frontalis e Bothrops cotiara.
Venenos de aranha, Lycosa erylhrognata, Phoneutria jera e Loxosceles ruji-
pes, e de escorpião, Titiyus bahiensis, T. serrulalus e Androclonus australis não
hemolisaram os glóbulos usados.
Determinações da hemólise provocada por uma série de diluições de um
mesmo veneno, a partir de 20 mg, forneceram curvas que permitiram agrupar
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HEMOLYTIC ACTIVITY OF ANIMAL VENOMS.
I. CLASSIFICATION IN DIFFERENT TYPES
AND ACTIVITIES
131
os venenos em 6 tipos. Os diferentes tipos de curva evidenciam que pode haver
várias substâncias hemolíticas e diferença de seu número de veneno para veneno.
Foi observada semelhança da curva de atividade hemolítica entre venenos de
serpéntes de famílias diferentes, assim como diversidade entre ofídios do mesmo
gênero.
Todos os venenos amarelos, hemolíticos ou não, transformaram a hemoglo¬
bina em metahemogjobina. Nenhum veneno branco, quer hemolítico quer não,
teve esta propriedade, mostrando dêsse modo a correlação direta entre a côr
amarela do veneno e formação de metahemoglobina.
Acknowledgments. Our thanks are due to Dr. S. Schenberg, Laboratory of Physio-
logy, Instituto Butantan, who supplied us with the white venom of B. jararaca,
and to Dr. W. Bücherl, Laboratory of Medicai Zoology, I. B., who supplied us
with spider and scorpion venoms.
Venoms of Bitngarus caeruleus, Vipera russellii, Ecchis carinatus and Naja
naja were lyophilized and were kindly supplied by Dr. Deoras, of Haffkine Insti-
lute, Bombay, índia.
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HEMOLYTIC ACTIVITY OF ANIMAL YENOMS.
II. VARIATION IN RELATION TO
ERYTHROCYTE SPECIES. (*)
E. M. A. Kelen, G. Rosenfeld & F. Nudel (**)
Laboratory oj Hematology, Instituto Butantan, S. Paulo, Brazil
Sensitivity variations of erytlirocytes from different animal species to hemo-
lysis have called the attention of many research workers during experiments on
hemolysis provoked by snake venoms. Some of th em have only pointed out this
variability, such as Mitchell and Reichert (12) who found in 1886 that hird
erythrocytes are more resistant than those of Mammalia. Pestana (14), in 1908,
and Brazil and Pestana (3), in 1910, found differences in sensitivity among
the red blood cells of ox, rabbit, guinea-pig, horse and rat. Other research wor-
kers made comparative investigations on the behaviour of different erythrocyte
types, submitted either to the action of one special venom, as described by
Kyes (10,11) in 1902 and 1910, Phisalix (15) in 1903 and Ganguly (5) in
1937, or to the action of several venoms as described by Flexner and Noguchi (4)
in 1902, Houssay and Negrete (8) in 1922 and Kellaway and Williams (9) in
1933.
Differences in results already existing with regard to the classification of
snake venoms according to their hemolytic potency (14, 3, 8, 13) could be chiefly
attributed to the fact that each of them is refered to different erythrocytes.
Spider venoms studied by Walbum (18) and Houssay (7) have not been
considered as hemolytic. But hemolysins were found in body extracts of these
animais (18) or in the eggs of some gpecies (7). Variations in sensitivity of
different red cells were also observed in relation to these hemolysins.
The 1 experiments reported in this paper were made in order to find out
if some of the conflicting findings reported in the older literature could be due
to the use of erythrocytes from different species, and diversity of methods. For
this purpose a comparison was made concerning the indirect hemolytic activity
of different animal venoms regarding various erythrocyte species. Some expe¬
riments were also done to analyse the influence of deep-freezer storing on the
ability of horse serum to act as lecithin source in hemolysis tests. Quantitative
(* ) This work was supported by an aid of the Research Fund of Instituto Butantan (FPIB).
(**) Fellow of the Research Fund of Instituto Butantan.
cm
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L.
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134
E. M. A. KELEN, G. ROSENFELD & F. NUDEL
techniques have been used with standardization oí eacli stage of the method in
order to permit further comparative investigations. By this way a real evaluation
of the different sensitivities of crylhrocytes could be carried out as well as a
comparison among the different venoms utilized.
MATERIAL AND METHODS
Saline solution — Samplcs of venom were suspended in a saline solulion pre-
pared as described previously (17).
Venom — Experiments were carried out with dricd venoms of snakes ( Elapinae,
Viperinae, Crotalinae) , spiders (Theraphosinae, Grammostolinae, Cleninae, Lyco-
sinae and Sicariinae) and scorpions ( Centurinae ) from the stock of Instituto
Butantan. Solutions of lmg/ml in the above described saline, were prcpared jusl
before use. The whole series of venoms was tested in the same day on lhe same
type of erythrocytes. Venoms collected in Instituto Butantan were vacuum-dried
and stored in the dark, at room temperature.
Serum —■ Lecithin for testing the hemolytic activity of venoms was supplied from
pooled horse sera, inactivated at 55°C for 30 minutes, and kept at —15°C. For
dog red cells, however, homologous serum was added since these erythrocytes
were hemolyzed by horse serum.
Erythrocytes — Iluman blood and tliat of rhesus, horse, ox, sheep, dog, rabbit,
guinea-pig, rat and mouse were collected in Alsever solution and kept at -)-4 0 C.
The erythrocytes were! always utilized at the 4lh day after being collected. They
were centrifuged and washed 4 times with 0,85% NaCI (w/v) before a sus-
pension was prepared containing 20 million erythrocytes per ml. One ml of the
suspension was hemolyzed by 4 ml of distilled water, and, after centrifugation,
the liberated hemoglobin was determined by measuring the absorption of Solu¬
tions at 540 m/t, according to the technique standardized by Rosenfeld, Kelen and
Nudel (17). The! absorption value obtained (65 to 76% depending upon the
species of the erythrocytes) was taken to corre,spond to 100% hemolysis.
Test — For the determinations of erythrocytes sensitivity of different animal
species to the indirect activity of venoms, 1 ml of serum was added to 1 ml
red cells with constant concentration of 20x10°; afterwards 1 mg of venom
in 1 ml of the saline solution was added. The volume was made up to 5 ml
and the mixture was allowcd to stand 60 minutes in a water-bath at 37°C and
then transfered to an ice water-bath while centrifugation took place in order to
separate cells and stroma of the lyzcd cells. From lhe light absorption of the
supernatant, the amount of hemoglobin liberated was obtained and thercto the
number of corpuscles hemolyzed by the venom. The hemolysis produced by
the venoms was indicated in percentage of liberated hemoglobin in relation lo
the 100% standard. All tests were carried out in duplicate.
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HEMOLYTIC ACTIVITY OF ANIMAL VENOMS.
II. VARIATION IN RELATION TO
ERYTHROCYTE SPECIES
135
ÍIESULTS
Table 1 and 2 refer to percentages of hemolysis produccd by venoms on
erytbrocytes from different species. Venoms are grouped according to family,
sub-family, genus and species in order to give a clearer interpretation of data.
Only indirect hemolysis has been stated. Attention should be called to the fact
that horse serum had hemolytic activity on dog erytbrocytes, what can bé a
cause of error.
SNAKE VENOMS — Almost all snake venoms used presented hemolytic acti¬
vity on al of the 10 erythrocyte species, some of them being more or less sen-
sitive to the hemolysin. However, two venoms, belonging to different families,
Bothrops cotiara and Micrurus frontalis were exceptions; the venom of M. fron-
talis did not hemolyze human or ox red cells, while the venom of B. cotiara
did not hemolyze the erythrocytes of human, ox, sheep, rabbit or rhesus monkey.
The mean hemolysis values in relation to all venoms (table 1) indicate the
sensitivity degree as follows: horse 89%; rhesus 88%; rabbit 87%; human 85%;
rat 84%; guinea-pig 77%; dog 73%; ox 70%; mouse 66%; sheep 59%.
TABLE 1 — Percentage of hemolysis provoked by venoms on red blood cells of different
species
1 mg of venom — 20 x IO 0 red blood cells
SNAKES
Venom
origin
Human
Rhesus
tio
0
Q
Horse
w
O
Sheep
X
Pá
Guinea
pig
Rat
Mouse
ELAP1DAE
ELAPINAE
Bungarus coeruleus .
Bombay
100
100
75
85
75
55
100
70
80
60
Naja naja .
?
110
100
85
95
85
75
100
80
85
65
Micrurus frontalis .
Butantan
5
105
65
100
5
25
60
80
100
85
Micrurus corallinus .
80
80
65
80
100
75
85
110
65
80
V1PERIDAE
VIPERINAE
Vipera lebetina.
?
105
105
75
85
80
75
100
80
75
65
Vipera russellii .
?
105
105
75
85
80
65
105
80
80
60
Ecchis carinatus.
Bombay
105
*100
75
85
85
75
100
80
85
60
CROTALINAE
Agkistrodon piscivorus .
7
80
35
65
95
50
40
70
65
85
65
Trimcresurus flavoviridis .
7
105
100
85
95
90
75
100
90
95
70
Lachcsis muta muta .
Butantan
80
100
70
80
70
60
75
75
75
60
Crotalus durissus tcrrificus (yellow
venom) .
"
105
90
65
90
85
60
100
85
85
70
Crotalus durissus tcrrificus (while
venom) .
"
105
90
75
95
80
65
100
90
90
70
Crotalus durissus durissus .
Costa Rica
95
100
70
85
80
65
100
80
85
65
Bothrops jararaca.
Butantan
65
100
70
80
70
65
85
75
75
65
Bothrops atrox .
"
105
100
70
85
75
65
100
75
75
60
Bothrops cotiara.
"
0
5
65
85
0
0
0
35
80
60
Bothrops itapetiningae .
"
95
60
90
105
100
80
95
90
90
75
Bothrops jararacussu.
80
100
.
70
85
80
60
85
,
75
80
60
Sensitivity — Mean Hemolysis .
85
88
73
89
72
60
87
79
83
66
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
13G
E. M. A. KELEN, G. ROSENFELD & F. NUDEL
SPIDER VENOMS — In conlrast to lhe snake venoms these were only exceptio-
nally hemolytic, showing a specific action on certain types of erythrocytes. In
the Theraphosidae family all testecl venoms hemolyzed mouse cells, even when
belonging to different sub-family or genus. Two of them, Acanthoscurria alrox
and Pamphobeteus rosais also hemolyzed rat cells with smaller intensity. All
other erythrocytes were resistant to these venoms.
Venom of Phoneutria fera, helonging to the Cienidae family, was not able
to hemolyze any of the 10 erythrocyte ppecies.
From the Lycosidae, the venom of Lycosa erylhrognala demonstrated varia-
lions of activity in relation to the erythrocyte species. It hemolyzed strongly sheep
and ox red cells and less markedly human erythrocytes. It did not hemolyze
erythrocytes from other species.
Venom of Loxosceles rufipes, family Sicariidae, had a specific and high
hemolytic activity on human cells, but hemolyzed weakly ox cells and did not
have any action on the other,s.
SCORPION VENOMS — The venoms of the two species tried, Tityus bahiensis
and Tityus serrulatus belonging to the genus usually found in Brazil, were not
hemolytic to any of the experimented erythrocyte species.
TABL E 2 — Percentage of hemolysis pvovoked by venoms on red blood cells of different
species.
1 mg of venom — 20 x 10 õ red blood cells
SP1DERS
Venom
origin
Human
Rhesus
Dog
Horse
6
Sheep
Rabbit
d
.5 bo
3 *r
O
tí
Mouse
THERAPHOSIDAE
THERAPHOSINAE
Acanthoscurria atrox.
Butnntan
0
0
0
0
0
0
0
0
10
40
Acanthoscurria sternalis .
"
0
0
0
0
0
0
0
0
0
25
Pamphobeteus roseus.
"
0
0
0
0
0
0
0
0
15
60
Pamphobeteus sorocabac .
"
0
0
0
0
0
0
0
0
0
50
Pamphobeteus tetracanthus.
"
0
0
0
0
0
0
0
0
0
60
GRAMMOSTOLINAE
Pterinopelma vellutinum .
"
0
0
0
0
0
0
0
0
0
65
CTENWAE
CTENINAE
Phoneutria fera.
"
0
0
0
0
0
5
0
0
0
0
LYCOSIDAE
LYCOSINAE
Lycosa erythrognata .
"
10
5
0
0
100
65
0
0
0
0
SICARIIDAE
SICARIINAE
Loxosceles rufipes.
"
100
0
—
0
15
0
0
0
—
—
Loxosceles rufescens.
—
—
0
—
—
—
—
0
0
SCORPIONS
DUTIIIDAE
CENTURINAE
Tityus bahiensis.
Butantan
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
Tityus serrulatus .
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
cm
SciELO
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Mem. Inst. Butantan,
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HEMOLYTIC ACTIVITY OF ANIMAL VENOMS.
II. VARIATION IN RELATION TO
ERYTHROCYTE SPECIES
137
STORED SERUM — Table 3 contains data of determinations made with venoms
of Micrurus frontalis, B. cotiara, L. rujipes and L. erythrognata which have shown
speciíicity of liemolytic activity on different erythrocytes, and venoms of L. rujes-
cens, P. fera and B. jararaca. A pool of horse sera stored for a long time lias
been used as supplier of lecithin. This serurn bad been kept at — 15°C for about
40 days, and afterwards at — 4.°C for about 65 days. Il was centrifuged before
it was used in order to eliminate precipitates. With this serum, venom of M.
frontalis hemolyzed human and ox cells which wereí resistant to this hemolysin.
The action of the other snake venoms with this serum was practically the same.
However, spider venoms, as the onc of Loxosceles rufipes, spccifically hemolytic
to human erythrocytes, had lost its activity. The same happened with the venom
of Lycosa erythrognata which in presence of the stored serum did not hemolyze
human, ox and sheep red cells.
TABLE 3 — Comparison between percentage of liemolysis provoked by venom in piY-
sence of fresli serum (24 hours) and stored serum (40 days at -— 15°C and G5 days a
+ 4°C).
1 mg of venom — 20 x 10 6 red blood cells.
VENOM
Serum
Human
Rhesus
bo
o
Q
Horse
o
Sheep
Rabbit
Guinea
PÍ g
Rat
Mouse
Micrurus frontalis .
Fresh
5
105
65
100
5
25
60
80
100
85
Stored
110
—
—
80
50
20
—
—
—
—
Bothrops cotiara.
Fresh
0
5
65
85
0
0
0
35
80
60
Stored
0
0
—
70
0
0
0
—
—
—
Bothrops jararaca.
Fresh
65
100
70
80
70
65
85
75
75
65
Stored
20
65
50
75
75
65
50
80
40
45
Loxosceles rufipes.
Fresh
100
0
_
0
15
0
0
0
_
__ ■
Stored
0
—
0
—
0
—
0
—
0
0
Loxosceles rufescens.
Fresh
_
_
0
_
_
_
_
_
0
0
Stored
0
0
—
0
0
0
0
0
—
—
Lycosa erythrognata .
Fresh
10
5
0
0
100
65
0
0
0
0
,
Stored
20
—
—
0
0
0
—
—
—
—
Phoneutria fera.
Fresh
0
0
0
0
0
5
0
0
0
0
Stored
0
0
—
A comparison was done between the hemolytic activity of M. frontalis and
B. jararaca venoms on human red cells, using stored and fresh sera (table 4).
The results obtained confirmed what has been previously observed, i.e., human
erythrocytes were hemolyzed by the venom of M. frontalis when in presence of
stored serum but no liemolysis oceured in presence of fresh serum. On the other
hand, hemolytic action of B. jararaca venom remained unaffected. An estimation
of lipids and cholesterol content in both sera (table 4) showed loss of cbolesterol
in the stored serum which was probably eliminated by centrifugation, after being
precipitated by storage.
cm
SciELO
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E. M. A. KELEN, G. ROSENFELD & F. NUDEL
TABLE 4 — Hemolysis of human red cells (percentago) by snake venom in presence
of preservcd horse serum (40 days at — lá°C and 65 days at + 4°C) and of fresh serum
Total lipids and cholesterol contents of sera
Serum
Hemolysis
%
Total
Cholesterol
Lipids
without
age
Bothrops
jararaca
Micrurus
frontalis
lipids
g %
mg %
cholesterol
g %
3 1/2 months. . . .
75
110
1,117
2,0
1,115
24 hours .
70
0
1,224
113,0
1,111
DISCUSSION
The hemolytic activity of different venoms was determined as concerns their
indirect action, i.e., in presence of serum lecithin for lecithinase formation as
hemolytic agent, since it has been demonstrated by Rosenfeld, Kelen and Nudel,
(17) that no one of the experimented venoms, with exception of bee venoms
(Apis mellijica) , was able to hemolyze washed sheep erythrocytes directly (17).
As for the relation betwCen venom hemolytic activity and the zoological clas-
sification of the snakes, it has been observed that different genus of one sub-
family, Bwngarus and Naja of sub-family Elapinae, had gimilar activities. The
same was observed for different species of one genus, Vipera, species lebetina and
russellii, or the Crotalus genus. However, sometimes one genus did not have
hemolytic activity on some erythrocytes ( M. jrontalis) while thercf was similarity
of activity among other genus belonging to the same sub-family ( Bungarus, Naja).
The same exception was observed for the species cotiara of Bothrops genus in
contrast to the other Bothrops species that had similar activity on the different
erythrocytes.
The lack of correlation between hemolytic activity and zoological classifica-
tion is also evidenced in scorpion venoms, among which, the two venoms experi
mented, T. bahiensis and T. serrulatus did not have hemolytic activity on any
of the red cells used. Ifoussay in 1919 (6) also observed that the venom of
T. bahionsis was not hemolytic, as well as that of Biithus quinquestriatus, both
belonging to family Buthidae, and this lack of activity was also stated by Balozet
(1,2) with venoms of Androclonus australis and Biithus occitanus of the same
family, on horse erythrocytes. On the other liand, vCnom of Buthacus arenicola
also belonging to family Buthidae hemolyzed horse red cells, and this activity was
also observed in venom of Scorpio mauras, family Scorpionidae.
The sensitivity of each erythrocyte species to hemolysis, by all venoms, indi-
cated mouse and sheep erythrocytes as the more resistant species with 66% and
59% mean hemolygis respectively, and horse cells are the more sensitive ones, with
cm
SciELO
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Mem. Inst. Bulanlan,
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HEMOLYTIC ACT1VITY OF ANIMAL VENOMS.
II. VARIATION IN RELATION TO
ER ZTHROCYTE SPECIES
139
89%. Tliis sensitivity degree, however, is not an absolute value as resistant eryth-
rocytes, as those of mouse were hemolyzed by all snake venoms, while another
resistant species as sheep erythrocytes, were not hemolyzed by B. cotiara venom.
On the other hand, very sensitive erytbrocytes as the rhesus ones could be resis¬
tant to one venom ( B. cotiara) while the very sensitive horse erythrocytes were
hemolyzed by all venoms.
All spider venoms of family Theraphosidae (bird spiders) hemolyzed mouse
corpuscles while none of the other spider venoms had any action on them. These
spiders, precisely, had been nourished with new-born mouses, which seems to
be also their nourishment in natural conditions. This fact is stated without
trying to give any explanation to such a coincidenee, but it is a matter for further
investigations.
The very speteific action of some venoms on some erythrocytes species suggests
a sensitivity of those animais to such venoms. Yet this is not confirmed by the
clinicai symptoms observed in accidents provoked by some of these poisonous ani
mais. There is no appreciable hemolysis in humans bitten by snakes of Bothrops
genus, while the hemolysis is intense in Crotalus durissus terrificus bitten indivi¬
duais. However, the hemolytic activity of these venoms “in vitro” is almost alike.
In the case of Loxosceles rufipes venom, it seems to exist a concordance between
clinicai data and the erythrocytes sensitivity. Thus, this venom which is extremely
toxic to man by provoking intense hemolysis leading to severe anemia, icterus and
in some cases even death, is also extremely hemolytic to human erythrocytes “in
vitro”. This venom is a weak toxin for mice and does not hemolyze their erythro¬
cytes “in vitro”.
The fact that the venom of Micrurus frontalis hemolyzed human red cells
with intensity when stored serum was used, and this hemolysis did not take place
with fresh serum (table 3), suggested that an inhibitory substance to hemolysis
could have been disappeared. Since the inhibitory effect of cholesterol is already
known, bolh in hemolysis provoked by venom (5) and in hemolysis provoked by
saponin or other chemical reagents, as it was demonstrated by Ponder (16), an
estimation of the cholesterol concentration in lhe sera was carried out. In fact
this estimation confirmed the absence of this lipid in the stored serum. Thus
lhe disappearence of cholesterol seems to have favoured the hemolysis action of
M. frontalis which could not act in the presence of this substance on human and
ox erythrocytes. On the other hand venoms of Loxosceles rufipes and Lycosa
erythrognata which had been specifically active on some of the red cells species
in presence of cholesterol, did not have hemolytic activity anymore when the
serum lacking cholesterol was used. On the other hand, B. jararaca venom had a
(lecrcased activity with stored serum, while the effect produced by B. cotiara
venom remained lhe same. l.e., cholesterol inhibits some venoms in relation to
some erythrocyte species, but can activate olhers.
cm
2 3
z
5 6
10 11 12 13 14 15
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E. M. A. KELEN, G. ROSENFELD & F. NUDEL
This fact, llie variation in degree of hemolysis procluced by one venom in
relation to different erythrocyte species as well as the finding that one venom
may liemolyze some species of erythrocyte while being inactive toward others,
demonstrate the existence of different hemolytic substances in the various venoms
and the plurality of factors witli such effect in one same venom.
The results obtained show clearly that the hemolytic activity of one venom
cannot be defined without mentioning the erythrocyte species used for its
determination. For instance, venom of M. frontalis if tried on human red cells
would be considered as non-hemolytic, when in relation to dog or horse eryth-
rocytes it would be defined as extremely active. The same would happen to
venom of B. cotiara. This discrepancy is stronger for spider venoms, the one of
Loxosceles rufipes would be described as extremely hemolytic when determined its
activity in relation to human erythrocytes, but with any of the other species it
would be considered as being inactive.
SUMMARY
Sensitivity of human, rhesus, dog, horse, ox, sheep, rabbit, guinea-pig, rat
and mouse erythrocytes to lhe hemolytic activity of some animal venoms (17
snakes, 10 spiders, and 2 scorpions) was investigated. Indirect hemolytic acti¬
vity of venoms was determined on erythrocyte^ by estimating colorimetrically
lhe liberated hemoglobin.
No correlation was found between the hemolytic activity of the venoms and
the zoological clasification of the poisonous animais, for the different erythrocytes
used.
Snake venoms, in general, hemolyzed all 10 erythrocyte species. The only
exceptions were the venom of Micrurus frontalis, which did not hemolyze human
and ox erythrocytes, and that of Bothrops cotiara which did not hemolyze those
cells as well as the erythrocytes of rhesus, sheep and rabbit.
Spider venoms of Theraphosidae family hemolyzed only mouse red cells,
and some of them also rat cells. The venom of Loxosceles hemolyzed markedly
human corpuscles and weakly those of ox. Lycosa venom lyzed ox and sheep
erythrocytes and weakly human erythrocytes. The venom of Phoneutria was not
hemolytic. All other spider venoms were non hemolytic towards all types of
erythrocytes.
Venoms of Tityus bahiensis and Tityus serrulatus, the two scorpions most
frequently found in Brazil, were not hemolytic to anyone of the erythrocyte
species.
The sensitivity degree of each erythrocyte species was calculated to the hemo¬
lysis by all venoms, but it was observed that very sensitive erythrocytes could
be resistant to certain venoms and vice-versa.
í, | SciELO
Mem. Inst. Butantan,
30:133-142. 1960-62.
HEMOLYTIC ACTIVITY OF ANIMAL VENOMS.
II. VARIATION IN RELATION TO
ERYTHROCYTE SPECIES
141
The absence of cholesterol in a serum used as lecithin supplier can activate
hemolysis by some venoms, but, on the other hand, it can inhibit activity of
others.
There is specificiíy of erythrocytes sensitivity to eacli venom, demonstrating
the complexity of hemolytic activity that must be the effect of various factors.
Therefore it is necessary to indicate the species of the erythrocyte used when
defining the hemolytic activity of animal venoms.
RESUMO
Foi verificada a sensibilidade de hemácias humanas, de rhesus, cão, cavalo,
boi, carneiro, coelho, cobaia, rato e camundongo à hemolisina de alguns vene¬
nos animais (17 ofídicos, 10 aracnídicos e 2 escorpiônicos), tendo se determi¬
nado a atividade hemolítica indireta dos venenos sôbre os glóbulos, dosando
a hemoglobina liberada por método colorimétrico.
Não houve relação entre a ação hemolítica dos venenos e a classificação
zoológica dos animais peçonhentos para os diferente^ glóbulos experimentados.
Os venenos ofídicos de modo geral hemolisaram tôdas as 10 espécies de
glóbulos, fazendo exceção apenas os venenos de Micrurus jrontalis que não
hemolisou glóbulos humanos e de boi, e Bolhrops cotiara que além destes não
hemolisou os de rhesus, carneiro e coelho. Os venenos de aranha da família
Theraphosidae hemolisaram somente glóbulos de camundongo, alguns também os
de rato. O de Loxosceles hemolisou intensamente glóbulos humanos e um pouco
os de boi. O de Lycosa lisou hemácias de boi e carneiro e um pouco os huma¬
nos. O veneno de Phoneutria não foi hemolítico. Todos êles foram inativos para
as outras hemácias não referidas.
Venenos de Tityus bahiensis e Tityus serrulalus, os dois escorpiões mais
comumente encontrados no Brasil, não foram hemolíticos para nenhuma espécie
de hemácia.
Foi calculado o gráu de sensibilidade média de cada hemácia à hemólise
com todos os venenos, mas foi verificado que glóbulos muito sensíveis podem
deixar de ser lisados por certos venenos e viceversa.
A ausência de colesterol no sôro empregado como fonte de lecitina pode
ativar a hemólise de certos venenos, porém, por outro lado, pode inibir a ati¬
vidade de outros.
Há especificidade na sensibilidade dos glóbulos para cada veneno, demons¬
trando haver complexidade na atividade hemolítica que deve ser efeito de
vários fatores. Por outro lado, evidencia-se a necessidade de mencionar a espécie
de hemácia quando se quer definir a atividade hemolítica de venenos.
Acknowledgemenls. Our thanks are due to Dr. Deoras, Haffkine Institute, Bombay,
índia, who provided the samples of Bungarus caeruleus and Echis carinatus. We
cm
2 3
L.
5 6
10 11 12 13 14 15
142
E. M. A. KELEN, G. ROSENFELD & F. NUDEL
are also in debt to Dr. W. Bücherl, Department of Medicai Zoology, Instituto
Butantan, who supplied the samples of scorpion and spider venoms used in
this work.
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1902, cit. Phisalix, M. : Animaux venimeux et venins, Masson et Cie., Paris, 1922,
Vol. II, p. 620.
11 — Kyes, P.: Venom hemolysis, J. Infect. Dis., 7: 181-284, 1910.
12 — Mitchell, S. W. & Reichert, E. T.: Researches upon the venoms of poisonous ser-
pents, Smithsonian contributions to knowledge, Washington, 1886, p. 144.
13 — Noc, F.: Sur quelques propriétés physiologiques des differents venins de serpents, Ann.
Int. Pasteur, 18: 387-406, 1904.
14 - — - Pestana, B. R.: Notas sôhre a ação hemolitica dos venenos de diversas espécies de
cobras brasileiras, Rev. med. S. Paulo, 11: 436-438, 1908.
15 — ■ Phisalix, C.: Action du venin de Vipère sur le sang de chien et de lapin, Compt.
rend. Soc. de biol., 54: 1067, 1902, cit. Phisalix, M.: Animaux venimeux et venins,
Masson et Cie., Paris, 1922, Vol. II, p. 620.
16 — Ponder, E.: Hemolysis and related Phenomena, Grune & Stratton, New York, 1948,
p. 269.
17 — Rosenfeld, G., Kelen, E. M. A. & Nudel, F.: Hemolytic activity of animal venoms.
I. Classification in different types and activities, Mem. Inst. Butantan, 30: 117, 1960-62.
18 — Walbum, L. E.: Experimentelle Untersuchungen über die Gifte der Kreuzspinne
(Epeira diadema Walck) , Ztschr. f. Immunitatsforsch. u. exper Therap., 23: 565-684,
1915.
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Mem. Inst. Butantan,
30:133-142. 1960-62.
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TOXICIDADE DE VENENOS OFÍDICOS
I — SENSIBILIDADE ESPECIFICA DE ANIMAIS
DOMÉSTICOS E DE LABORATÓRIO (*)
PAULO ARAÚJO & HELIO EMERSON BELLUOMINI (**)
INTRODUÇÃO
As pesquisas para a verificação da sensibilidade e resistência de animais
aos venenos ofídicos restringiram-se, em geral, aos animais de laboratório.
Verificou Vital Brazil (10) que os venenos de cascavel, jararaca, urutú e
jararacuçu são muito tóxicos para os animais de sangue quente, em particular o,s
grandes herbívoros e os pássaros. Para o cobaio, o coelho e o pombo, o veneno
de cascavel, por via subcutânea, é invariavelmente mais enérgico que os venenos
de jararaca, urutú e jararacuçu. O cão é animal muito resistente aos venenos
de cascavel e jararaca, ao contrário do cabrito, do boi e do cavalo, que apre¬
sentam alta sensibilidade a êsses venenos. No cavalo, notou fenômenos de enve¬
nenamento após a injeção de 1 mg de. veneno (11).
Vital Brazil (12) também verificou que o porco é animal extremamente
resistente ao veneno de serpentes. Um porco que fêz picar várias vêzes por uma
cascavel, não apresentou nenhum sintoma de envenenamento. Vital Brazil &
Rangel Pestana (14), Rangel Pestana (5), Vital Brazil & Vellard (15), atri¬
buem tal resistência às substâncias anti-tóxicas provavelmente existentes no sôro
do porco, enquanto Calmette (2), considera a presença normal de espêssa
camada de tecido adiposo subcutâneo um obstáculo à absorção rápida do
veneno ofídico.
Constatou Billard (1) que o gato apresenta resistência quase completa con¬
tra a neurotoxina do veneno da víbora.
Apesar da abundante bibliografia sôbre venenos ofídicos, faltam ainda dados
sistemáticos com relação à sensibilidade específica dos animais domésticos aos
( *) Apresentado na XIII Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da
Ciência, Poços de Caldas (Minas Gerais), 9 a 15 de julho de 1961.
(**) Secção de Biotério e Setor de Biologia e Veneno da Secção de Herpetologia, Instituto
Butantan.
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venenos das serpentes mais comuns no Brasil. Êsses dados não necessários e
importantes, quer sob o ponto de vista de conhecimentos científicos, como tam¬
bém econômicos.
O propósito do presente estudo foi verificar a sensibilidade, com relação
à mortalidade, dos animais domésticos e de laboratório aos venenos das serpen¬
tes causadoras, com maior frequência, de acidentes graves. A formação de rea¬
ções locais, tais como edema e necrose, devidas à inoculação dêsses venenos,
foi também considerada.
MATERIAL E MÉTODOS
Os animais domésticos e deí laboratório experimentados, foram os seguintes:
8 cavalos com 18 mêses a 20 anos de idade e de 150 a 450 kg de pêso; 8 bois
(novilhas) com 14 mese? a 3 anos e de 118 a 225 kg; 8 carneiros adultos de
18 a 49 kg; 8 cabras adultas de 15 a 26 kg; 8 porcos (leitões) de 20 a 36 kg;
16 cães jovens e adultos de 4 a 14 kg; 8 gatos adultos de 1,5 a 3,8 kg; 16 coe¬
lhos jovens e adultos de 1,8 a 3,6 kg; 45 cobaios de 300 a 400 g; 40 ratos
de 210 a 410 g; 40 hamsters de 90 a 120 g; 55 camundongos de 30 g.
Os venenos empregado^, secos em vácuo comum, e as respectivas doses míni¬
mas letais (DML), dosadas em pombos (3), foram os das seguintes serpentes: Doth-
rops jararaca (jararaca), DML 30 mcg; B. jararacussu (jararacuçú), 50 mcg; B.
alternatus (uruíú), 40 cmg; B. cotiara (cotiara ou jararaca preta), 30 mcg; B. neu-
wiedi (jararaca pintada), 25 mcg; B. alrox (caiçaca), 40 mcg; Crotalus durissus
terrijicus (cascavel), veneno branco, 1 mcg; C. durissus terrificus (cascavel), ve¬
neno amarelo, 3 mcg.
O tempo compreendido entre a extração dos venenos e sua utilização foi
no máximo de dois mêses, com exceção do de B. neuiviedi, que foi até de dois
anos.
Todos os venenos foram inoculados em loteis de animais assim constituídos:
1 cavalo, 1 boi, 1 carneiro, 1 cabra, 1 porco, 2 cães, 1 gato, 2 coelhos, 5 cobaios,
5 ratos, 5 hamsters e 5 camundongos. Para o veneno de B. jararaca, o número
de cobaios e camundongos foi de 10; para os de B. jararacussu e B. alternatus,
o número de camundongos foi também de 10, para cada veneno.
Cada animal recebeu dose de veneno de serpente correspondente a 1 mg por
quilo de pêso corporal.
Os venenos foram dissolvidos em volume! de solução de cloreto de sódio a
0,85%, que variou com a espécie de animal experimentada. Para o boi e
cavalo a dose total foi administrada num volume de 3 ml. Para carneiro, cabra,
porco e cão a solução de veneno foi 1 g por 100 ml de solução de cloreto de
sódio. Para gato, coelho, cobaio, rato, hamster e camundongo, a solução foi de
0,1 g por 100 ml.
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A profundidade de penetração da agulha foi diversa, segundo os animais
experimentados. Para cavalo e boi a profundidade foi de 6 mm. Para carneiro,
cabra, cão e gato, foi de 4 mm. Para porco, 4 cm. Para coelho, cobaio, rato,
hamster e camundongo, 2 mm.
A região de inoculação foi o dorso para cavalo e coxa (bordo caudal) para
todas as outras espécies animais.
A observação dos animais inoculados prolongou-se até a morte ou com¬
pleto restabelecimento dos mesmos.
Os sintomas anotados foram edema e necrose no local da injeção.
RESULTADOS
Cavalo — Os 8 cavalos inoculados com venenos de serpentes morreram ao
cabo de 1 a 32 horas (Tabela 1). Com exceção do tipo amarelo do veneno de
C. durissus terrificus, todos os outros venenos produziram edema no local da
inoculação (Tabela 2). Não houve formação de necrose em nenhum cavalo (Ta¬
bela 3) .
Boi — Das 8 novilhas experimentadas, 7 morreram e 1 sobreviveu ( B. atrox).
As mortes ocorreram de 2,30 horas a 7 dias após a injeção de veneno (Tabela 1).
Houve formação de edema no membro inoculado, salvo nos casos dos venenos
(branco e amarelo) de C. durissus terrificus (Tabela 2). Causaram necrose
subcutânea os venenos de B. jararacussu, B. neuwiedi e B. atrox (Tabela 3).
Carneiro —• Os 8 carneiros usados morreram em 3,30 horas a 9 dias após
a inoculação (Tabela 1). Com exceção dos venenos branco e amarelo de C.
durissus terrificus, todos os outros produziram edema no membro injetado (Ta¬
bela 2). Não houve formação de necrose (Tabela 3).
Cabra — Dentre as 8 cabras usadas, 5 morreram e 3 sobreviveram (vene¬
nos de B. cotiara, B. neuwiedi e B. atrox) . As mortes foram constatadas de
3 horas a 3 dias após a inoculação (Tabela 1). Somente os venenos branco e
amarelo de C. durissus terrificus não produziram edema no membro inoculado
(Tabela 2). Necrose foi ausente em todos os casos (Tabela 3).
Porco — Apenas 2 porcos morreram (C. durissus terrificus, venenos branco
e amarelo) dos 8 experimentados. Ambos animais morreram 18 horas após a
inoculação (Tabela 1). A formação de edema no membro injetado foi constatada
nos 6 animais que receberam venenos botrópicos e ausente nos que receberam
venenos branco e amarelo de C. durissus terrificus (Tabela 2). Não foi notada
necrose nos 8 casos (Tabela 3) .
Cão — Foram usados 16 cães em lotes de 2 animais para cada veneno.
Morreram 7 cães e sobreviveram 9. As mortes foram assim distribuídas: B. jara-
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raca 2; B. jararacussu 1; B. alternatus 1; B. cotiara 1; B. atrox 1; C. durissus
lerrificus (veneno branco) 1. Ocorreram as morte? em tempo que variou de
20 horas a 4 dias (Tabela 1). Só não houve formação de edema no membro ino¬
culado, nos animais injetados com o veneno amarelo de C. durissus terrijicus
(Tabela 2). Necrose subcutânea foi constatada com o emprego de venenos de
B. jararacussu e B. neuwiedi (Tabela 3).
Gato — Somente 1 gato morreu (veneno branco de C. durissus terrijicus)
dos 8 inoculados. Essa única morte ocorreu em menos de 17 horas após a inje¬
ção de veneno (Tabela 1). Edema foi notado nos animais injetados com veneno
de Bi jararaca, B. jararacussu e B. alternatus (Tabela 2). A formação de necrose
não foi constatada (Tabela 3) .
Coelho • — Dos 16 coelhos experimentados, morreram 5, assim distribuídos:
B. jararaca 1; C. durissus terrijicus 4, sendo 2 para o veneno branco e 2 para
o amarelo. Os 5 coelhos em apreço morreram de 7 horas a 6 dias após a inoculação
(Tabela 1). A presença de edema foi observada em todos os animais inoculados
com veneno de serpentes do gênero Bothrops (Tabela 2). Necrose foi observada
apenas em um dos dois coelhos que receberam veneno de B. jararaca (Tabela 3).
Cobaio — Morreram 10 cobaios inoculados com venenos branco e amarelo
(5 animais para cada tipo) de C. durissus terrijicus, entre 50min a lh40min após a
injeção. Sobreviveram os 35 cobaios inoculados com os outros venenos emprega¬
dos (Tabela 1). Com exceção dos venenos de C. durissus terrijicus, todos os
outros produziram edema no membro dos cobaios experimentados (Tabela 2).
Ocasionaram necrose os seguintes venenos: B. jararaca, B. jararacussu (em ape¬
nas 3 animais dos 5 inoculados) e B. neuwiedi (Tabela 3). A necrose produzida
pelo veneno de B. neuwiedi foi constatada dentro de 24 horas, enquanto que
a dos outros venenos foi notada mais tardiamente, até 5 dias para o veneno de
B. jararaca.
Rato - — Todos os 40 ratos experimentados resistiram à inoculação dos vene¬
nos (Tablea 1). Houve formação de edema com o emprego dos seguintés vene¬
nos: B. jararaca, B. jararacussu, B. cotiara, B. neuwiedi e C. durissus terrijicus
(venenos branco e amarelo) (Tabela 2). Necrose foi ausente em todos os casos
(Tabela 3) .
Hamster — Dos 40 hamsters experimentados, morreram os 5 inoculados com
veneno de B. jararaca, em espaço de tempo compreendido entre menos de 17
horas e 4 dias (Tabela 1). Foi observado edema nos animais inoculados com os
6 venenos de serpentes do gênero Bothrops (Tabela 2). Apresentaram necrose
somente 2 dos 5 hamsters que receberam veneno de B. neuwiedi (Tabela 3).
Camundongo — Morreram 8 camundongos dos 55 empregados. As mortes,
que ocorreram de 24 horas a 2 dias, foram assim distribuídas: B. neuwiedi 2;
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C. durissus terrijicus: veneno branco 2, veneno amarelo 4 (Tabela 1). Todos
os venenos utilizados produziram edema (Tabela 2). Necrose não foi constatada
(Tabela 3) .
DISCUSSÃO
Devido às dificuldades de tôda a ordem para aquisição ou obtenção de
animais domésticos, destinados à experimentação num trabalho dêste tipo, os
resultados, forçosamente, em função do exíguo número de animais empregado?,
devem ser considerados como parciais.
Foi adotada no presente estudo a dose de 1 mg de veneno por quilo de
pêso corporal, dose tóxica limiar para cães (6) e camundongos (6 e 9), ani¬
mais êstes largamente experimentados com venenos ofídicos. O cão, por apresen¬
tar sensibilidade possivelmente comparável à do homem (13) e o camundongo
pela facilidade de obtenção.
Tôdas as inoculações de veneno foram feitas por via intramuscular, via pela
qual, gèralmente, na natureza, a serpente inocula o veneno em sua vítima, além
do interêsse em observar sintomas locais, como edema e necrose.
A profundidade de penetração da agulha foi a mesma dentro das espécies
animais experimentadas, para que a absorção de veneno fôsse a mais uniforme
possível.
Cavalo — Êsse animal mostrou-se o mais sensível aos venenos ofídicos em¬
pregados. A dose de 1 mg por quilo de pêso corporal provocou a morte rápida
de todos os oito animais.
Vital Brazil (11) notou sintomas de envenenamento em um cavalo que rece¬
beu 1 mg de veneno, não citando, contudo, qual o veneno utilizado. Verificou
ainda êsse autor (10) que os venenos botrópicos (jararaca, urutú e jararacuçú)
produzem em animais reações locais violentas e, quando o envenenamento é
demorado, há formação de necrose; por outro lado, com o veneno crotálico as
reações locais são insignificantes.
Os cavalos apresentados neste trabalho mostraram, em geral, pequena rea¬
ção local, mesmo com os venenos botrópicos. Èste fato pode ser devido à sobre¬
vivência muito curta dêsses animais, após a inoculação de veneno. O cavalo que
recebeu veneno de B. neuwiedi teve maior edema que os outros porque sua
sobrevivência foi também maior. Dos venenos crotálicos empregados, o branco
produziu edema pequeno no local da injeção.
Não houve formação de necrose em nenhum cavalo, possivelmente por não
ter havido tempo para que a proteólise se realizasse. O cavalo injetado com
veneno de B. neuwiedi, apesar da sobrevivência de 32 horas, não apresentou,
como também os outros, necrose subcutânea.
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Boi — As novilhas mostraram-se, como os cavalos, fortemente sensíveis aos
venenos ofídicos. Vital Brazil (10) enquadra o,s bovinos dentro do grupo de
mamíferos mais sensíveis aos venenos de serpentes.
A novilha inoculada com veneno de B. neuwiedi morreu 7 dias após a inje¬
ção. Neste caso, a morte foi ocasionada por infecção secundária ou pela ação
tardia do veneno, ação esta descrita por Vital Brazil & Rangel Pestana (14) para o
veneno de B. neuwiedi.
Houve uma sob revida, a da novilha que recebeu 160 mg de veneno de
B. atrox. Êste animal, mesmo que fôsse picado por uma serpente dessa espécie,
teria mais de 75% de probabilidade de resistir ao envenenamento, uma vez que,
de acordo com Rosenfeld & Belluomini (7), as B. atrox fornecem, em 75% das
extrações, 105 mg de veneno sêco. Para essa novilha, foram necessários 40 dias
para completo restabelecimento.
A formação de edema foi verificada em todos os animais que receberam
venenos botrópicos.
Tôdas as novilhas inoculadas com venenos botrópicos, que tiveram sobrevi¬
vência grande (mais de 6 dias), apresentaram necrosef subcutânea no local da
injeção. As que morreram em algumas horas não apresentaram necrose, pela
mesma razão dos cavalos.
Carneiro — Todos os carneiros experimentados morreram entre 3,30 horas
e 9 dias após a inoculação de veneno. O único animal que (sobreviveu mais de
2 dias foi o inoculado com veneno de B. jararacussu. Êste animal, no dia seguinte
ao da inoculação, apresentou edema grande no membro injetado. No terceiro
dia, notou-se enterorragia. Sete dias depois da injeção, estava o animal aparen¬
temente são, sem edema e alimentando-se normalmente. No nono dia amanheceu
morto. Provàvelmente, a morte não foi causada diretamente por envenenamento
ofídico e sim por infecção secundária e lesão inicial ou hemorragias tis ( sulares.
Todos os animais que receberam venenos botrópicos apresentaram edema
grande no membro injetado.
Não houve formação de necrose, mesmo no carneiro inoculado com veneno
de B. jararacussu, que teve sobrevivência de 9 dias. Êste fato, em particular,
está de acordo com os estudos de Vital Brazil & Rangel Pestana (14) feitos com
seis venenos botrópicos diferentes, com relação à ação proteolítica “in vitro” dos
mesmos. Colocaram os autores citados o veneno de B. jararacussu no último
lugar da escala de atividade proteolítica.
Rosenfeld, Hampe & Kelen (8), estudando a ação fibrinolítica de venenos
animais “in vitro”, verificaram os seguintes índices fibrinolíticos para os vene¬
nos de serpentes neste trabalho estudados: B. jararaca, índice 1; B. atrox, 0,81;
B. neuwiedi, 0,62; B. alternatus, 0,24; B. jararacussu, 0,21; B. cotiara, 0,19;
C. durissus terrificus (veneno amarelo), 0,17; C. durissus lerrificus (veneno
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branco), 0,09. Também neístas verificações, o veneno de B. jararacussu denota
baixo poder fibrinolítico.
Cabra — Vital Brazil & Rangel Pestana (14), em pesquisas básicas sôbre a sensi¬
bilidade de animais aos venenos ofídicos, experimentaram o cabrito com os
venenos de cascavel e jararaca, encaixando-o em gráu de seínsibilidade igual à do
boi e do cavalo.
Nas presentes experiências, mais amplas quanto à variedade de venenos, foi
constatado que a cabra é sensível aos venenos ofídicos, porém, menos que o
cavalo, o carneiro e o boi.
Houve formação de edema grande com o uso de todos os venenos botró-
picos empregados. Os venenos crotálicos (branco e amarelo) não produziram
edema.
Não foi observada necrose em nenhum animal, apesar da sobrevida das
cabras inoculadas com venenos de B. cotiara, B. neuwiedi e B. atrox. Êste último
veneno encabeça a lista de venenos proteolíticos apresentada por Vital Brazil
& Rangel Pestana (14) e está, no trabalho de Rosenfeld e colaboradores (8), logo
após o veneno de B. jararaca.
Porco — Vital Brazil & Rangel Pestana (14) citam o porco como animal
extremamente resistente aos venenos ofídicos, não chegando ao conhecimento
dos autores, “nenhum caso de acidente mortal nessa espécie, a despeito dos hábi¬
tos do animal fazerem prever a frequência com que podem êles sofrer morde¬
duras de serpentes venenosas”. Vital Brazil (12) colocou um porco em pre¬
sença duma cascavel, que o picou várias vêzes. O porco não apresentou nenhum
sintoma de envenenamento.
Contudo, as experiências citadas neste trabalho mostram que o porco é sen¬
sível aos venenos branco e amarelo de C. durissus terrificus (cascavel). Por
outro lado, foi confirmada a resistência dêsse animal aos venenos botrópicos estu¬
dados, porém, com doses de 1 mg por quilo de pêso corporal. Estas doses, nos
casos particulares, foram, de acordo com as observações de Rosenfeld & Belluo-
mini (7), inferiores àquelas que as serpentes podem inocular em suas vítimas.
Foi constatada a formação de edema em todos os porcos inoculados com
venenos botrópicos.
Necrose foi ausente em todos os casos, a despeito de serem os venenos
botrópicos tidos como altamente proteolíticos (14) e fibrinolíticos, sobretudo os
de B. jararaca, B. atrox e B. neuwiedi (8).
Cão — Rosenfeld (6) verificou que, em geral, para cães, o limiar da dose
letal de venenos ofídicos está ao redor de 1 mg de veneno por quilo de pêso
corporal. Os resultados dêste trabalho confirmam aquelas observações, uma vez
que dos 16 cães empregados, 7 morreram e 9 sobreviveram.
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Vital Brazil (10) cita o cão como animal muito resistente aos venenos
de cascavel e jararaca. Os resultados apresentados neste trabalho confirmam, ein
parte, a observação de Vital Brazil (10). Assim, neste estudo, foi constatada
resistência apenas ao veneno amarelo de cascavel eí sensibilidade ao veneno branco
de cascavel e ao de jararaca.
Todos os animais inoculados com venenos botrópicos apresentaram edema
no membro injetado.
O veneno branco def C. durissus terrificus produziu edema médio no mem¬
bro posterior inoculado, nos dois cães experimentados.
Foi observada necrose apenas nos cães injetados com venenos de B. neuwiedi
e de B. jararacussu, apesar dêsses venenos estarem nos quarto e sexto lugares, res¬
pectivamente, da lista de seis venenos proteolíticos estudados por Vital Brazil &
Rangel Pestana (14), e nos terceiro e quinto lugares da lista de venenos fibri-
nolíticos apresentada por Rosenfeld e colaboradores (8) .
Gato — O gato demonstrou grande resistência aos venenos ofídicos empre¬
gados, pois apenas um morreu, o inoculado com veneno branco de C. durissus
terrificus.
Billard (1) constatou que é quase completa a resistência do gato contra o
veneno proveniente duma picada de víbora.
Neste trabalho, o gato mostrou-se mais resistente aos venenos que o porco,
animal largamente referido como insensível.
As reações locais (edema) foram raras e pequenas, muito inferiores às apre¬
sentadas pelo porco.
Coelho — Foi verificado que o coelho é resistente aos venenos botrópicos expe¬
rimentados e sensível aos crotálicos. Estas observações concordam com as de Vital
Brazil & Rangel Pestana (14). Determinaram êsses pesquisadores, para o coelho, as
doses mínimas mortais, por quilo de pêso corporal, via intramuscular, dos seguintes
venenos: B. jararaca 7 mg; B. jararacussu 3 mg; B. alternalus 8 mg; B. neuwiedi
5mg; B. atrox 8 mg; e C. durissus terrificus 1 mg. Com exceção da dose empre¬
gada com os venenos crotálicos, tôdas as outras foram, no presente trabalho, infe¬
riores às doses mínimas mortais determinadas por Vital Brazil & Rangel Pestana.
Daí, a sobrevida dos coelhos experimentados com venenos botrópicos, salvo um dos
dois animais inoculados com veneno de B. jararaca, que morreu ao cabo de
6 dias.
Foi observada necrose subcutânea, apenas em um dos dois coelhos que
receberam veneno de B. jararaca, apesar da grande sobrevivência dos animais
inoculados com venenos botrópicos.
Freitas Amorim, Franco de Mello & Saliba (4), necropsiando coelhos e
ratos mortos por envenenamento botrópico (B. jararaca) ou sacrificados horas
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e até dias após o envenenamento, verificaram a formação de necrose do tecido
celular subcutâneo no local da inoculação, porém, com doses que variaram
entre 13 a 37 mg de veneno por quilo de pêso para coelhos e 10 a 36 mg/kg
para ratos.
A pouca incidência de necrose aqui observada corre por conta, provavel¬
mente, da dose de veneno empregada (1 mg por quilo de pêso).
Cobaio — A sensibilidade do cobaio aos vefnenos ofídicos estudados pode
ser comparada à do coelho, isto é, morte com os venenos crotálicos e sobrevida
com os botrópicos. Aliás, Vital Brazil & Rangel Pestana (14) verificaram que
a dose mínima mortal de 5 venenos botrópicos para cobaios, que neste trabalho
também foram estudados, é superior a 1 mg por quilo de pêso, enquanto que
a do veneno crotálico é inferior a 1 mg por quilo de pêso corporal.
Foi observada a formação de necrose com os venenos de B. jararaca, B. jara-
racussu e B. íieuwiedi. Os venenos de B. atrox e B. alternatus, citados por Vital
Brazil & Rangel Pestana (14) como mais proteolíticos que os outros botrópicos,
não produziram necrose em cobaios nas presentes experiências.
Rosenfeld e colaboradores (8) consideram o veneno de B. jararacussu fra¬
camente fibrinolítico. Nestas observações, dos 5 cobaios inoculados com êsse
veneno, 3 apresentaram necrose, evidenciada 4 dias após a injeção.
Rato — A resistência do rato a todos os venenos ofídicos experimentados
foi absoluta quanto à mortalidade. Todos sobreviveram.
Reação local, representada apenas por edema muito pequeno, só não foi
observada com os venenos de B. alternatus e B. atrox.
Com doses que variaram entre 10 e 36 mg por quilo de pêso, Freitas Amo-
rim e colaboradores (4) verificaram a formação de necrose subcutânea em
ratos inoculados com veneno de B. jararaca.
Os ratos, no presente trabalho, não apresentaram necrose com a injeção de
1 mg por quilo de pêso de veneno de B. jararaca, possivelmente por causa da
dose ter sido muito inferior àquelas usadas pelos autores citados.
Hamster — Diferindo dos outros animais de laboratório que, em geral,
apresentaram sensibilidade ao veneno crotálico e resistência aos venenos botrópicos,
o hamster demonstrou sensibilidade apenas ao veneno de B. jararaca.
Houve formação de edema com o emprêgo de lodos os venenos botrópicos.
Foi constatada necrose apenas nos cinco hamsters que receberam veneno de
B. neuwiedi.
Camundongo — O camundongo mostrou pequena sensibilidade aos venenos
de B. neuwiedi ef C. durissus terrijicus (veneno branco). Para o veneno amarelo
desta última espécie de serpente o camundongo demonstrou maior sensibilidade.
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Apresentou reação local, representada apenas por edema, a todos os venenos,
sendo que a reação ao veneno branco de C. durissus terrificus foi muito maior
que a do amarelo, ao inverso do que ocorreu com a mortalidade.
i
Considerando a formação de necrose, isoladamente, é interessante notar que
o aparecimento da mesma, com o uso dos venenos botrópicos, tidos como necro-
santes, foi desigual na série de animais que os receberam, isto é, algumas espé¬
cies animais apresentaram necrose, outras não a apresentaram.
Foi verificado também, que os venenos de B. alternatus e B. cotiara, bem
como os crotálicos, não produziram necrose em nenhum animal.
Êstes fatos demonstram que o poder necrosante dos venenos estudados, é
muito variável, quando experimentados em diversas espécies animais.
Não obstante, deve ser ressalvado que, neste trabalho, a necrose foi eviden¬
ciada pelo rompimento natural do tegumento cutâneo, ou, em caso de morte,
observada após incisão da pele.
Ora, provavelmente, houve em muitos casos, necrose incipiente a qual com
a sobrevida do animal, passou despercebida.
Um fator preponderante que impediu, possivelmente, a formação de necrose,
foi a sobrevivência curta de muitos animais. Talvez nesses casos pudesse aparecer
necrose, caso a sobrevivência fosse de alguns dias.
RESUMO
Foi estudada a sensibilidade, com relação à mortalidade, de animais domés¬
ticos e de laboratório, aos venenos botrópicos: Bolhrops jararaca (jararaca), B.
jararacussu (jararacuçú), B. alternatus (urutú), B. cotiara (cotiara ou jararaca
preta), B. neuwiedi (jararaca pintada), B. atrox (caiçaca) e crotálicos: Crotalus
durissus terrificus (cascavel) : venenos branco e amarelo.
A formação de edema e necrose, conseqüentes à inoculação dêssfes venenos,
foi objeto de observação no presente trabalho.
Os animais domésticos (cavalo, boi, carneiro, cabra, porco, cão, gato e
coelho) e de laboratório (cobaio, rato, hamster e camundongo) experimentados,
receberam dose única de 1 mg de veneno sêco, por quilo de pêso corporal, via
intramuscular.
Sensibilidade (mortalidade) — 0 cavalo, o carneiro e o boi, mostraram
maior sensibilidade aos venenos, vindo depois, em ordem decrescente, cabra, cão,
coelho, porco, cobaio, camundongo, gato e hamster; o rato sobreviveu a todo.s
os venenos.
Os animais considerados domésticos são mais sensíveis aos venenos ofídicos
do que aqueles tidos como de laboratório, exceção feita pelo gato, localizado
entre o camundongo e o hamster.
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TOXICIDADE DE VENENOS OFÍDICOS
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Edema — Quanto à formação de edema pelos venenos ofídicos, os resul¬
tados deste trabalho estão, de modo geral, dentro do conceito de que os vene¬
nos botrópicos produzem violentas reações locais, em contraposição ao veneno
crotálico, responsável por reações locais insignificantes.
Contudo, verificou-se meísmo dentro dos venenos botrópicos, que as reações
não foram uniformes nas espécies animais experimentadas. Assim, o gato apre¬
sentou edema somente com os venenos de B. jararaca, B. jararacussu e B. alter-
nalus. O rato não teve edema com os venenos de B. alternatus ef B. atrox.
Foi observada a formação de edema com os venenos de C. durissus terrijicus
nos seguintes animais: cavalo e cão (veneno branco), rato e camundongo (vene¬
nos branco e amarelo). O veneno branco produziu edema com maior frequência
que o amarelo.
O camundongo foi o único animal da série estudada a apresentar edema
com a inoculação de todos os venenos experimentados.
Necrose — Apresentaram necrose aos venenos tidos como necrosantes (botró¬
picos). o cobaio, o boi, o cão, o coelho e, por último, o hamster; não houve
formação de necrose no cavalo, carneiro, cabra, porco, gato, rato e camundongo.
Os venenos crotálicos (branco e amarelo de C. durissus terrijicus) não
produziram necrose em nenhum animal.
Considerando os venenos como ponto de referência, o gráu de toxicidade
para os animais estudados os coloca na seguinte ordem:
1. °) C. durissus terrijicus (veneno branco maior que o amarelo) ;
2. °) B. jararaca;
3. °) B. jararacussu e B. alternatus;
4. °) B. cotiara e B. neuwiedi;
5. °) B. atrox.
Edema — Os venenos botrópicos mostraram-se altamente ativos para a for¬
mação de edema na série animal experimentada, enquanto que os crotálicos
produziram reações relativamente pequenas e em poucos animais. Dos crotálicos,
quanto à formação de edema, o veneno branco mostrou maior atividade que o
amarelo.
Necrose — O poder necrosantc de maior intensidade foi verificado no
veneno de B. neuwiedi, seguido pelos venenos de B. jararaca, B. jararacussu e
B. atrox.
Os venenos de B. alternatus, B. cotiara, assim como o branco e o amarelo
de C. durissus terrijicus, não produziram necrose em animal algum.
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PAULO ARAÚJO e
HELIO EMERSON BELLUOMINI
ABSTRACT
This paper deals with the sensitivity in relation lo mortality of domestic
and laboratory animais, to bothropic venoms of Bothrops jararaca (jararaca),
B. jararacussu (jararacuçú), B. alternatus (urutú), B. cotiara (cotiara or jara¬
raca preta), B. neuwiedi (jararaca pintada), B. atrox (caiçaca) and crotalic
venoms of Crotalus durissus terrijicus (cascavel) both white and yellow varieties.
The formation of edema and necrosis following inoculation of these venoms
was observed.
Domestic animais (horse, ox, sheep, goat, pig, dog, cal and rabbit) and
laboratory animais (guinea-pig, rat, hamster and mouse) received intramusculary
a single dose of 1 mg of dried venom, per kilogram of body weight.
Mortality — The susceptibility to the venoms was highest in horse, following
in decreasing order: sheep, ox, goat, dog, rabbit, pig, guinea-pig, mouse, cat
and hamster; the only animal that resisted the standard dosei completely was
the rat.
The domestic animais were found to be more susceptible to the ophidian
venom than the laboratory animais, except for the cat, which stood between
mouse and hamster.
Edema — In relation to the edema produced by the ophidian venoms, the
results were in general accord with the concept that bothropic venoms produce
very intense local reactions, whereas crotalic venoms produce small local reactions.
With bothropic venom the reactions were not uniform in all animais. Cats
presented edema only against B. jararaca and B. alternatus venoms. Rats did
not present edema after injection of B. alternatus and B. atrox venoms.
The formation of edema with C. durissus terrijicus venom was verified in
horse and dog, (white venom), rat and mouse (both venoms, white and yellow).
White venom produced edema more frequently than yellow venom.
The only animal of the series that presented edema after inoculation with
all venoms was the mouse.
Necrosis — The guinea-pig, ox, dog, rabbit and hamster presented necrosis
with all venoms considered necrotic (bothropic venoms); no case of necrosis
was observed in the horse, sheep, goat, pig, cat, rat or mouse.
The crotalic venoms did not produce necrosis in any of the animais.
The degree of toxicity of the venoms to the studied animais is as follows:
1) C. durissus terrijicus (white venom greater toxicity than yellow venom) ;
2) B. jararaca;
3) B. jararacussu and B. alternatus;
4) B. cotiara and B. neuwiedi;
5) B. atrox.
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TOXICIDADE DE VENENOS OF1DICOS
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C. d. lerrijicus (ven. branco
C. d. lerrijicus (ven. amarelo!
RESUMO
JN,° cte animais
Morte (dias)
Sobre vida
N.° de animais
(Morte dias)
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N.° de animais
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14 — Vital Brazil & Rangel Pestana, B. — Nova contribuição ao estudo do envenenamento ophi-
dico. Coilectanea de Trabalhos 1901-1917, Instituto Butantan, S. Paulo, do “Diá¬
rio Official”, 1918, pp. 149-193.
15 — Vital Brazil & Vellard, J. — Action coagulante et anti-coagulante des venins, Ann.
Inst, Pastem, 42:403-451, 1928,
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TABELA 1
Mortalidade de animais domésticos e de laboratório, inoculados com 1 mg de veneno sêco de serpentes, por quilo de pÊso corporal, via intramuscular.
VENENOS
1 mg/kg
B. jararaca
B. jararacassu
B. aUernatus
B.
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B.
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B. atrox
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terrijicus (ven. amarelo!
RESUMO
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PAULO ARAÚJO e
HELIO EMERSON BELLUOMINI
2) B. jararaca;
3) B. jararacussu and B. alternatus;
4) B. cotiara and B. neuwiedi;
5) B. atrox.
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Mem. Inst. Butantan,
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TOXICIDADE DE VENENOS OFÍDICOS
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Edema — The bothropic venoms are very active! in edematous formation
in the experimental animais; crotalic venom produces relatively small reaction
in ftíw animais. From the crotalic venoms the white one shows more activity
lhan the yellow in edematops formation.
Necrosis — Necrotic capacity was verified to he of greater intensity in pre-
sence of B. nemviedi venom, followed by the venoms of B. jararaca, B. jarara-
cussu and B. atrox.
Bothrops altematus and B. cotiara venoms, as well as white and yellow
venoms of C. durissus terrificus, did not produce necrosis in any animal.
AGRADECIMENTOS — Êsle trabalho foi realizado com auxílio do Fundo
de Pesquisas do Instituto Butantan. Agradecemos ao Sr. José Navas a determi¬
nação da dose mínima letal dos venenos empregados neste trabalho.
REFERÊNCIAS
1 — Billard, G. — Sur Fimmunité naturelle du chat domestique contre le venin de vipère,
C. R. de la Soc. de Biol., 69:318,1910.
2 — Calmette, A. — Les venins, Paris, Masson éd., 1907, p. 233.
3 — Farmacopeia dos Estados Unidos do Brasil, II.
4 — Freitas Amorim, M. de, Franco de Mello, R. & Saliba, F. — Envenenamento botrópico
e crotálico, Mem. Inst. Butantan, 23: 63-108, 1951.
5 — Rangel Pestana, Bruno — Notas sôbre o veneno das cobras brasileiras. Imunidade
natural. Anais Paulista ; de Medicina e Cirurgia, 5:120-130,1915.
6 — Rosenfeld, G. — Comunicação pessoal.
7 — Rosenfeld, G. & Belluomini, H. E. — Quantidade de veneno encontrado em serpentes
venenosas do Brasil. Dados comparativos para avaliação da mortalidade humana.
Primeiro Congresso Brasileiro dt Zoologia (Rio de Janeiro Guanabara, 10-15 out.
1960).
8 — Rosenfeld, G., Hampe, O. G & Kelen, E. M. A. — Coagulant and fribrinolytic acti¬
vity of animal venoms; determination of coagulant and fibrinolytic index of different
species, Mem. Inst. Butantan, 29:143-163, 1959.
9 — Schòtler, W.H.A. — Toxicity of the principal snake venoms of Brazil, Am. J. Trop. M.,
31:489499, 1951.
10 — Vital Brazil — Contribuição ao estudo do veneno ophidico, Collectanea de Trabalhos
1901-1917, Instituto Butantan, S. Paulo, Typ. do “Diário Official”, 1918, pp. 1-30.
11 — Vital Brazil — Do envenenamento ophidico e seu tratamento, Collectanea de Trabalhos
1901-1917, Instituto Butantan, S. Paulo, Typ. do “Diário Official”, 1918, pp. 31-55.
12 — Vital Brazil — La défense contre Fophidisme, S. Paulo, Imp. Pocai & Weiss, 1911.
13 — Vital Brazil — Serumtherapia anti-ophidica, Collectanea de Trabalhos 1901-1917, Ins¬
tituto Butantan, S. Paulo, Typ. do “Diário Official”, 1918, pp. 195-229.
14 — Vital Brazil & Rangel Pestana, B. — Nova contribuição ao estudo do envenenamento ophi¬
dico. Collectanea de Trabalhos 1901-1917, Instituto Butantan, S. Paulo, do “Diá¬
rio Official”, 1918, pp. 149-193.
15 — Vital Brazil & Vellard, J. — Action coagulante et anti-coagulante des venins, Ann.
Inst. Pasteur, 42:403-451, 1928,
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4-
4-
4-
4-
4-
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4-
4-
4-
4-
4-
TABELA 2 —
corporal, vi
tf)
i—(
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CAVALO .
BOI.
CARNEIRO.
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PORCO .
CÃO.
GATO .
COELHO .
COBAIO .
RATO .
HAMSTER .
CAMUNDONGO..
SciELO
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LDLMA: 4- — pequeno; ++ = médio; + + + = grande.
Quando houve formação de edema, todos os animais do mesmo grupo apresentaram-no com a mesma intensidade.
TABELA 3
Eormação de necrose em animais domésticos e de laboratório, inoculados com 1 mg de veneno sêco de serpentes, por quilo de pêso corporal, via intramuscular
VENENOS
1 mg/kg
ANIMAIS
li. jararaca
B.
jararacussu
B.
alternatus
B. cotiara
B. neuwiedi
B. atrox
C. d. terrijicus
(ven. branco)
C. d. terrijicus
(ven. amarelo)
NECROSE
N.°de
NECROSE
N.°de
NECROSE
N.°de
NECROSE
N.°de
NECROSE
N.°de
NECROSE
N.°de
NECROSE
N.°de
NECROSE
N.°de
C/N
S/N
animais
C/N
S/N
animais
C/N
S/N
animais
C/N
S/N
animais
C/N
S/N
animais
C/N
S/N
animais
C/N
S/N
animais
C/N
S/N
animais
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35
35
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30
10
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30
1
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0
30
30
0
30
30
C/N = com necrose
S/N = sem necrose
Os animais marcados com asterisco morreram dentro dc 24 horas após a inoculação, não tendo havido, possivelmente, tempo suficiente para a formação de necrose.
cm
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_7 lí
19 20 21 22 23 24 25 26 27
29 30
T A B E L .' 3 de pêso
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PAULO ARAÚJO e
HELIO EMERSON BELLUOMINI
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animais
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Mem. Inst. Butantan,
30 : 157 - 166 . 1960 - 62 .
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CONSIDERAÇÕES SÔBRE OPISTHORCHIS PRICEI,
FOSTER, 1939, O. GTJAYAQUILENSIS RODRIGUEZ,
GOMEZ ET MONTALVAN, 1949 E O. PSEÜVOFELI-
NEUS WARD, 1901. — DESCRIÇÃO DE AM PILIM ERUS
PSEÜDOFELINEUS MINUTUS, N. SUB SP.
PAULO DE TOLEDO ARTIGAS ( r )
MARIO DEMAR PEREZ ( 2 )
r •
No decurso de necropsias de didelfídeos, tiveímos oportunidade de encon¬
trar em dois exemplares de Didelphis aurita Wied, provenientes do litoral do
Estado de Santa Catarina (sul do Brasil), um trematódeo opistorquídeo, locali¬
zado nos dutos biliares do hospedeiro. Em um dos Didelphis encontramos 95 exem¬
plares e no outro um único trematódeo.
A descrição do parasito em apreço, em exemplares corados e montados, é a
seguinte:
Corpo achatado, foliáceo, em geral tendendo o seu contorno para a forma
ovalada longa, eventualmente linguiforme. Cutícula lisa, desprovida de escamas
ou e,spinhos. Coloração brancacenta.
Ventosa oral terminal, bem desenvolvida e diretamente relacionada com uma
faringe musculosa; esôfago curto e se bifurcando nos dois ramos ceCais, que se
prolongam até a extremidade posterior do corpo.
Ventosa acetabular, regulando em suas dimensões com a ventosa oral, também
bem desenvolvida e localizada ligeiramente acima do limite do terço anterior
com o terço médio do corpo. O diâmetro médio da ventosa oral e da acetabular
oscila ao redor de 0,3-0,4 mm.
O póro genital jse situa logo acima da ventosa acetabular; é simples e nêle,
num átrio gCnital comum, vêm terminar os dutos genitais masculino e feminino.
O aparelho genital masculino se compõe dos dois testículos, situados no têrço
posterior do corpo, volumosos, lobados ou ligeiramente ramificados, dispostos em
situação ligeiramente oblíqua, com campos e zonas parcialmente coincidentes; os
canais eferenteís dirigem-se para frente e, depois de se unirem, formam uma longa
(!) Faculdade de Farmácia e Bioquímica da Universidade de São Paulo.
( 2 ) Faculdade de Farmácia e Bioquímica da Universidade de São Paulo e Instituto Butantan.
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PAULO DE TOLEDO ARTIGAS o
MARIO DEMAR PEREZ
vesícula seminal, tubulosa e, eventualmente, tortuosa. Não apresenta bolsa do
cirro, ou cirro diferenciado.
A genitália feminina se constitui do ovário, volumoso, de contorno irregular,
lobado ou ligciramente ramificado, de situação pretesticular e colocado no eixo
do corpo do trematódeo, entre o receptáculo seminal muito amplo e mais ou
menos retortiforme e a glândula da casca, também volumosa; canal de Laurer
presente. A situação recíproca destes três orgãos é um tanto variável, ficando
a glândula da casca num plano mais anterior. 0 útero se apresenta com abun¬
dantes ovos e as alças uterinas são de situação intracecal e se dispõem transver¬
salmente, de situação préovariana, até atingirem o poro genital.
Vitelinos extracecais e seus ácinos de médio tamanho se distribuem desde
o plano da ventosa anterior até o plano do testículo posterior. Os ácinos vite-
línicos se dispõem ou de modo contínuo ou, eventualmente, em aglomerados mais
ou menos separados; a sua extensão é ligeiramente variável em relação à extre¬
midade posterior do trematódeo, sempre atingindo a zona testicular. Os dutos
vitelínicos secundários, anteriores e posteriores, reúnem-se formando os dutos
principais que convergem para o campo médio.
Os ovos são ovóides, operculados, com um pequeno apêndice posterior e
medem, em média, 28-32 /x por 15-15,6 n (medidas de ovos naturalmente elimi¬
nados pelo trematódeo) .
O aparelho excretor abre-se na extremidade posterior, através de um poro
genital singelo; há um longo canal excretor de aspecto sigmoidal, intertesticular,
que, na zona entre os testículos e o ovário, se bifurca em dois ramos principais
(fig. 4) .
O tamanho do trematódeo é de pequeno para médio; exemplares não com¬
primidos e fixados em formol-acético (fig. 1) têm, em média, 4 mm de com¬
primento, por 2 mm de largura máxima. Exemplares comprimidos, logo após a
colheita do material, distendem-se facilmente e apresentam maiores dimensões,
chegando a 7 mm de comprimento e a 2,5 mm de largura máxima.
A presença de opistorquídeos em marsupiais é verificação rara; na literatura
consultada, deparamos unicamente com a referência de Foster (1939), que des¬
creve Opislhorchis pricei Foster, 1939, encontrado nos dutos biliares de Philander
laniger pallidus Thomas, oriundo do Panamá. Êste marsupial, é interessante notar,
apresenta uma extensa dispersão geográfica.
A presente verificação é, julgamos, a segunda, em que se relata a presença
de opistorquídeos em marsupiais; no caso vertente, o parasitismo ocorre em
hospedeiro diferente, isto é, Diaelphis aurita Wied.
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Mem. Inst. Butantan,
30 : 157 - 166 . 1960 - 62 .
CONSIDERAÇÕES SÔBRE Opisthorchis pricei, O. guayaquilensis
e O. pseudofelineus — DESCRIÇÃO DE Amphimerus
pseudofelineus minutus, N. SUB SP.
159
Conforme a exposição de Cabrera, Yepes e Wiedner (1940), Philander
taniger tem uma área de dispersão muito ampla, “um dos marsupias com área
de dispersão mais extensa”. Esta espécie, freqüentemente, coexiste com Didelphis
aurita, cuja área de dispersão é mais restrita.
Temos a impressão, examinando a descrição e a figura apresentadas no
trabalho de Foster, que o parasito por nós encontrado é, morfologicamente, igual
à O.pricei; a diferença mais marcante se resume no tamanho. O O.pricei ape-
sentando-se mais longo, 9,67 mm, e mais estreito, 1,35 mm, medidas do único
exemplar perfeito e que serviu para a descrição de Foster (material fixado e
corado). Entretanto, o exemplar único encontrado numa das nossas necropsias
referidas (fig. 5) já se apresenta relativamente estreito (6,1 mm de comprimento
por 1,4 mm de maior largura) .
Wallace e Penner (1939) descreveram O.tonkae, encontrado em condições
naturais em Ondrata zibethica e, Cm condições experimentais, no cão, gato, cobaio
e rato albino, após ingestão de metacercárias de Notropis deliciosas stramineus.
Aparentemente O.tonkae se diferencia de A.pseudofelineus pela disposição dos
vitelinos, embora seja morfologicamente muito próxima. Uma comparação mais
perfeita entre O.tonkae e A .pseudofelineus seria interessante, sobretudo conside¬
rando a origem geográfica por assim dizer comum das duas espécies. Silmann
(1935) confirma os trabalhos de Wallace e Penner, conseguindo tôda a evolução
de O.tonkae e mais uma vez demonstraram a frouxa especificidade dos Opisthor¬
chis para os hospedeiros vertebrados.
A nossa tendência é identificar o parasito de D.aurita ao encontrado por
Foster, como boa; estamos de acordo com Bisseru (1957) que considera o
vez se imponha uma distinção sistemática, para o que propomos a denominação
sub-específica minutus.
De outro lado, não encontramos razão para a subsistência da espécie de
Foster, como bôa; estamos de acordo com Bisseru (1957) que considera o
O .pricei sinônimo de O .pseudofelineus, Ward, 1911, do mesmo modo que 1 con¬
sidera O. guayaquilensis Rodriguez, Gomez et Montalvan, 1949 também sinônima
de O .pseudofelineus.
Aliás, tomando em aprêço mesmo o tamanho, o trematódeo parasita de
D.aurita não deve ser considerado diferente de O.guayaquilensis; o material
estudado pelos autores equatorianos apresenta, entre outros, exemplares de 8 mm
de comprimento e 1,5 mm de largura. Discrepância, ^e houver, será no tama¬
nho dos ovos, que em O .guayaquilensis, medem 27-35 p por 11-17 p.
O O.guayaquilensis foi encontrado em cães e é, com tôda a probabilidade,
também parasito do homem (no homem só foi constatada a presença de ovos
idênticos aos do parasito do cão e isto em hospedeiros da mesma zona geográ¬
fica). O trabalho de Rodriguez, Gomez e Montalvan, interessante no seu plane¬
jamento, revela uma importante falha na pesquisa bibliográfica, que se resumiu
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PAULO DE TOLEDO ARTIGAS e
MARIO DEMAR PEREZ
na revisão de tratados de parasitologia humana. É esta, certamente, a razão que
levou aqueles autores a considerar O .guayaquilensis como espécie nova. É
importante relembrar que o O.pricei foi descrito no Panamá, país próximo do
Equador e com fauna sensivelmente idêntica.
Foster encontrou motivos para considerar o seu O.pricei diferente de O.pseu-
dofelineus, do qual difereria pela extensão mais ampla dos vitelinos e pela maior
lobulação do ovário. Aliás, para Foster, a disposição dos ácinos vitelínicos em
grupo e a presença de uma área livre de glândulas na zona ovariana seriam
motivos para que o parasito fôsse considerado no gênero Amphimcrus Barker,
1911. Evidentemente, Foster, tendo à sua disposição um único exemplar do trema-
tódeo em boas condições para estudo, não estava em condições satisfatórias para
emitir a opinião que tornou pública.
Bisseru (1957), na sua revisão do gênero Opisthorchis Blanchard 1895,
afirma que não encontra razões para a subsistência do gênero Amphimerus, desde
que a ausência de folículos vitelínicos na altura do ovário não seja um ele¬
mento constante e consistente, por isso, para a ereção de um gênero. Bisseru
tem razão nêste pormenor; todavia o gênero Amphimerus é a nosso ver um
bom gênero, dentro do ponto de vista de Morgan (1927). Èste autor, muito
razoavelmente, considera Ahphirnerus um bom gênero, diferindo de Opisthorchis
pelo fato de apresentar glândulas vitelínicas até a zona do testículo posterior, ao
passo que nas espécies de Opisthorchis os vitelinos não vão além do nível da zona
ovariana (Morgan, chave pag. 103) . Esta circunstância morfológica, vitelinos
se extendendo até n zona do testículo posterior, é constante e característica de
vários opistorquídeos e não apenas ligeira variação individual, como pretende
Bisseru.
Erhardt (1939), apud Bisseru, loco citato, considera Amphimerus na categoria
de sub-gênero, usando a mesma característica utilizada por Morgan, isto é,
vitelinos prolongando-se até o testículo posterior, ou ainda além do testículo
posterior, pelo menos de um lado do corpo.
Reportando-nos novamente à O .guayaquilensis, parece-nos bem fundamen¬
tada a apreciação de Bisseru, quando põe esta espécie na sinonímia de O. pseudo-
felineus. Os caractéres em que se basearam Rodriguez, Gomez e Montalvan, isto
é ácinos vitelínicos comprimidos no sentido transversal e testículos lobados, não
são consistentes. Se pequenas variações, devidas às circunstâncias fortuitas e aci¬
dentais, forem invocadas pelo morfologista, deveríamos dar a cada exemplar de
trematódeo um nome individual. No nosso material, temos exemplares em que os
folículos vitelínicos se apresentam contínuos, ao passo que outros já mostram
estas glândulas em grupos mais ou menos isolados.
O atual estudo permite alguma apreciação de interesse científico geral e
também de interesse na parasitologia médica: l.° — Confirma a sinonímia de
O.pricei e de O.guayaquilensis, que na realidade deveriam ter sido classificados
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CONSIDERAÇÕES SÔBRE Opisthorchis pricei, O. guayaquilensis
e O. pseudofelineus — DESCRIÇÃO DE Amphimerus
pseudoíelineus minutus, N. SUB SP.
1C1
como O-pseudofelineus; 2.° -— Permite considerar a zona de dispersão de O.pseu¬
dofelineus muito mais ampla; 3.° — Torna conhecida a existência de hospedeiros
de 1 O .pseudo felmeus ainda não citados na literatura médica e científica em geral.
Com os dados que temos presente, parece-nos que a atual zona geográfica de
dispersão do O .pseudofelineus se extende desde os Estados Unidos, atingindo o
Panamá, o Equador e o sul do Brasil. É de se supor que, em verificações futuras,
o parasito venha a ser assinalado em outras zonas das regiões neártica e neo-
trópica, isto estando na dependência dos hospedeiros intermediários, sobretudo
dos moluscos (a evolução biológica do trematódeo ainda não é conhecida). Con¬
forme acontece com outros opistorquídeos, a especificidade dos hospedeiros ver¬
tebrados de O -pseudofelineus parece ser pouco consistente e dependendo sobre¬
tudo do regime alimentar, no caso do hospedeiro definitivo.
O material utilizado para o presente trabalho encontra-se na Coleção de
Helmintologia do Departamento de Parasitologia da Faculdade de Farmácia e
Bioquímica da Universidade de São Paulo, sob os n. os 558 e 559.
RESUMO
Descreve-se um trematódeo opistorquídeo, encontrado nos dutos biliares
de Didelphis aurita Wied, proveniente de Santa Catarina (sul do Brasil). Êste
trematódeo é identificado à Opisthorchis pricei Foster, 1939, do qual será provà-
velmente uma sub-espécie.
Confirma-se a sinonímia de O.pricei Foster, 1939 e O.guayaquilensis Rodri-
guez, Gomez et Montalvan, 1949. Igualmente estas duas denominações são consi¬
deradas sinônimas de Opisthorchis pseudofelineus Ward, 1901.
Considera-se Amphimerus Barker, 1911 um bom gênero, nêle devendo ser
incluído Amphimerus pseudofelineus (Ward, 1901) e, agora, Amphimerus pseu¬
dofelineus minutus n. sub. gp.
Enumeram-se os hospedeiros conhecidos de A .pseudofelineus: o homem, o
cão doméstico, o coiote ( Canis latrans) , o gato doméstico e os didelfídeos Phy-
lander laniger pallidus Thomas e Didelphis aurita Wied.
De acordo com o ponto de vista exposto, a área de dispersão de A.pseudo-
jelineus se extende pelos Estados Unidos, Panamá, Equador e sul do Brasil. É
prevista a possibilidade da ampliação da zona de dispersão de A - pseudofelineus,
condicionada, sobretudo, pela dispersão dos hospedeiros intermediários, inver¬
tebrados ainda desconhecidos, e pela frouxa especificidade dos opistorquídeos pró¬
ximos, em geral, no segundo hospedeiro intermediário e no definitivo.
SUMMARY
An opisthorchid fluke found in Didelphis aurita Wied biliary ducts is des-
cribed. The hosts were captured in Santa Catarina (South Brasil). This fluke is
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identified as Opisthorchis pricei Foster, 1939, from which it is probably a subspe-
cies.
The synonymy of Opisthorchis pricei Foster, 1939 and Opisthorchis guaya-
quilensis Rodriguez, Gomez et Montalvan, 1949 is confirmed. It is also ceírtain that
these two denominations are synonyms of O. pseudofelineus Ward, 1901.
It is considered that Amphimerus Barker, 1911 is a valid genus in whicb
Amphimerus pseudojelineus (Ward, 1901) mu.st be included, as well as Ainphi-
merus pseudojelineus minutus n. sub. sp.
The definitive hosts actually known for A .pseudojelineus are: man, domestic
dog, coyot ( Canis latrans) , domestic cat and the didelphids Phylander laniger
pallidus Thomas and Didelphis aurita Wied.
Actually, according to our knowledge, the range of A. pseudojelineus is
the United States, Panamá, Equador and South Brasil.
The possibility that the range of A .pseudojelineus will be increased is looked
forward, conditioned specially to the dispersion of the intermediate invertebrates
host, not yet known, and also considering, in general, the low specificity of the
cercariae and the adult flukes of this group.
REFERÊNCIAS
Bisseru, B., 1957 — On the genus Opisthorchis R. Blanchard, 1895, with a note on the
ocurrence of O.geminus (Looss, 1896) in New Avian Hosts. J. Helminth. 3:187-202.
Foster, A. O., 1939 — Some Helminths of the Wooly Opossum in Panama. Trans. Amer. Micr.
Soc., 58: 185-198.
Cabrera, A., Yepes, J., Wiedner, C, 1940 — Mamíferos Sud-Americanos. Compania Argentina
de Editores, Buenos Ayres.
Morgan, D. O., 1927 — Sudies on the Family Opisthorchiidae Braun, 1901, with a deseription
of a New Species of Opisthorchis from a Sarus Crane (Anligone antigone). J. Hel¬
minth. 5: 89-104.
Price, E. W., 1940 — A surview of the trematode superfamily Opisthorchioidea. Proc. Hel¬
minth. Soc. IPash. 7: 1-13.
Rodriguez, J. D. Gomez, L. F., Montalvan, C. J. A., 1949 — El Opisthorchis guayaquilensis
(Una Nueva Especie de Opisthorchis Encontrada en el Ecuador). — Rev. Ecuato-
riana Hig Med. Trop. 6:11-24.
Sillman, E. S., 1953 — Notes on the Life History of Opisthorchis tonkae Wallace and Penner,
1939 ( Trematoda: Opishorchiidae). Journal Parasit. 39, n.° 4, Sec. 2 (Suplement) : 21.
Wallace, F. G., Penner, L. R., 1939 — On a new liver fluke of the genus Opisthorchis. J.
Parasit. 25: 437-449.
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Fic. 2 — Neste exemplar são bem visíveis os cintos dos vitelinos anteriores. Vitelinos dispostos
em grupos mal definidos, atingindo e ultrapassando o testículo posterior.
Fic. 3 — Vitelinos formando um agiomerado contínuo e apenas ultrapasasndo o testículo
anterior.
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e O. pseudofelineus — DESCRIÇÃO DE Amphimerus
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Fic. 4 — Vesícula excretora sigmoidal, intertesticular, dividindo-se era dois ramos que se
prolongam para a frente. Vitelinos em monobloco, atingindo o campo do testículo
posterior. Vesícula seminal mais ou menos tortuosa.
Fic. 5 — ■ Exemplar único da necropsia n.° 357 (n.° de registro na Coleção: 559). — Viteli¬
nos distribuídos em grupos e não ultrapassando o testículo anterior.
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ARANHAS DO GÊNERO LOXOSCELES E “LOXOSCELISMO”
NA AMÉRICA DO SUL
I. INTRODUÇÃO, COMENTÁRIOS BIBLIOGRÁFICOS,
CARACTERIZAÇÃO DA SUBFAMÍLIA LOXOSCEL1-
NAE, DO GÊNERO LOXOSCELES E ENUMERAÇÃO
DAS ESPÉCIES DA AMÉRICA DO SUL (*)
POR
WOLFGANG BÜCHERL
INTRODUÇÃO
As aranhas de seis olhos do gênero Loxosceles têm vasta dispersão pelas
zonas tropical, subtropical e temperada do mundo inteiro. São freqiientes tam¬
bém na maioria dos países sul-américanos.
Trata-se de aranhas da família SICARIIDAE ou SCYTODIDAE, de hábitos
noturnos, de vida sedentária, com corpo c pernas amarelo pálidos ou cinzentos,
com nuances de ferrugem nas quelíceras, na fronte) e no lábio, com abdômen
ovalado, cinzento e mais elevado do que seu cefalotorax. Suas dimensões oscilam
entre 8 a 15 mm; suas pernas não excedem geralmente 18 a 30 mm.
Na natureza são encontradas em ambientes escuros, em buracos de barran¬
cos, em vãos e fendas, sob cascas parcialmente desprendidas de árvores, Cm
cavernas e grutas.
Em tôrno da Capital de São Paulo encontramo-las freqüentemente em bar¬
rancos que) ladeiam as estradas. Residem aí em buracos de 15 a 25 cm de pro¬
fundidade, nem .sempre sozinhas, mas em associação com outras aranhas, caran¬
guejeiras subterrâneas, com Scytodes annulata, lineatipes, vittata, Filistata hiber
nalis, etc., com uma ou duas espécies de opiliões e até com o escorpião Titym
bahiensis.
De seus esconderijos naturais acercam-se facilmente da,s residências no campo,
em fazendas, em sítios, nos bairros e arrabaldes das cidades, seja por locomo¬
ção ativa durante a noite ou por serem levadas em meio a madeiras, tijolos e
telhas. Nos pátios e quintais, onde o homem costuma depositar êstes materiais
de! construção, deixando-os ao relento mêses ou anos, encontram ambiente ainda
Laboratório de Zoologia Médica, Instituto Butantan.
Lido perante a XII Reunião anual da S-B.P.C., na cidade de Piracicaba, em julho de 1960.
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mais favorável do que era o do seu habitat original. Proliferam então extraordi¬
nariamente.
Cêrca de 700 exemplares foram colhidos em abril dêste ano sob uma pilha
de tijolos e algumas dezenas de telhas, encostados junto às paredes de um casebre
no bairro do Morumbi, Capital de São Paulo. Uns 300 metros adiante, encontra¬
mos várias dezenas sob telhas empilhadas e não longe dali, sob os tocos de uma
cêrca de bambu, onde havia tijolos, novamente algumas dezenas.
Sua dispersão para adegas, garagens, quartos de despejo ou, em casas menos
cuidadas, para os cômodos e dormitórios, é, pois, fácil.
Tôdas as espécies do gênero Loxosceles apresentam costumeiramente vida
sedentária, isto é, fazem tecidos fôfos, esbranquiçados, com aspecto de fios de
algodão, entrelaçados em todos os sentidos. Ora êstes fios ,se apresentam como
esteira delicada, ora se sobrepõem em diversas camadas. Raras vêzes suas dimen¬
sões excedem 5 a 8 cm 2 e sua altura 1 cm. Mais ou menos no meio dêste
“lençol”, deixam livre um vão, pouco maior que suas próprias dimensões. Bor¬
dam as margens desta área com “seda” reforçada e repousam aí mesmo com
seu corpo inteiro agachado ao “substratum”. Não se incomodam em permanecer
em posição horizontal ou vertical, de ventre para baixo ou para cima, de cabeça
virada em direção ao solo ou ao céu. Revirando-se um montão de telhas ou tijolos,
encontra-se geralmente um “ninho” na face inferior de cada telha. Excepcio¬
nalmente pode haver dois, mas, então, bem separados um do outro. Respeitam
rigorosamente o “habitat” da vizinha e não invadem o seu domicílio. Morta
esta, entretanto, não fazem cerimônia em ocupar sua teia vazia.
Nas residências humanas ajustam suas pequenas, delicadas e quase invisíveis
teias sob as molduras dos quadros, em vãos escuros atrás de móveis e objetos.
Quando descobertas pelo homem, permanecem geralmente imóveis em seus
esconderijos, podendo, pois, ser mortas ou apreendidas fàcilmente. Somente
quando se destroem as suas teias são afugentadas. Empreendem, então, rápida
fuga, sempre em direção a um lugar escuro. Jamais se colocam em posição de
ataque ou mesmo de defesa.
Embora imóveis sôbre uma pequenina teia, como vimos, podem, entretanto,
quando afugentadas, viver livremente também por alguns dias, até que encontrem
novamente um lugar propício à construção de nôvo refúgio.
Esta fase de vida “errante” parece-nos justamente a mais propícia para
ocasionar contato direto entre estas aranhas tímidas, pacíficas e o corpo humano.
Por exemplo, quando durante a noite as vestes são dependuradas em pregos
ao longo da,s paredes, ou a roupa de cama é jogada ao chão, pode uma aranha
“errante” se refugiar aí e chegar assim ao contato com o corpo humano. No
momento de ser então aprisionada, apertada e morta (ao vestir-se ou deitar-se o
homem), costuma então, como último esforço de defesa, morder e inocular sua
pequena dose de veneno.
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No demais, quando em seus ninhos sob os tijolos ou as telha,s ou nas
garagens, sob os quadros, comportam-se de uma maneira absolutamente pacífica;
não fazem mal a ninguém; podem viver em grande número junto ao homem, sem.
que se registre um só acidente. A população, com a qual tomamos contato e sob
os olho£ da qual caçamos estas aranhas, as julga insignificantes, conhece-as e
tolera-as. Verificamos repetidas vêzes que em casebres, cheios de crianças a
pularem sôbre o madeiramento e os tijolos do quintal e onde a dona-de-casa cos¬
tuma estender a roupa de casa e de corpo, nunca houve acidente, embora tivés¬
semos capturado várias dezenas destas aranhas sob êste material.
Acontecia mesmo que alguém nos tivesse chamado a atenção, “que isto jamais
foi aranha perigosa!”.
Êstes três fatores —- vida escondida do homem, ausência absoluta de agres¬
sividade e vida sedentária sôbre uma pequena e mal visível teia — favorecem,
em última análise, estas delicadas aranhas, que se podem propagar sossegada¬
mente em seu ambiente.
Um levantamento superficial já nos mostrou que devem existir pelo Estado
de São Paulo inteiro, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, no Paraná, em Santa
Catarina, no Rio Grande do Sul, no Uruguai, na Argentina, no Chile, na Bolívia,
no Peru, etc., milhões e milhões de exemplares, distribuídos em muito poucas
espécies.
COMENTÁRIOS BIBLIOGRÁFICOS
Por pequena e insignificante que fôsse esta aranha, apesar de sua índole
mansa, tem causado e causa ainda hoje em dia alguns acidentes humanos. Geral¬
mente dentro das casas, na própria cama ou ao vestirem-se. Êstes acidentes, embora
realmente raríssimos em face da grande freqiiência de aranhas dêste gênero,
e não obstante terem geralmente caráter benigno, têm apresentado de vez em
quando um quadro local na zona de picada e uma sintomatologia geral tão
graves, que alertaram desde cêdo a atenção dos médicos. Dos médicos clínicos
principalmente. No Chile, na Argentina, no Uruguai, no Peru, no Brasil e no
ocidente dos Estados Unidos da América do Norte, apareceram descrições da
sintomatologia de picadas em pessoas, que nos obrigam a alinhar as espécies
do gênero Loxosceles entre as poucas aranhas possuidoras de veneno perigoso
para o homem, justamente ao lado das representantes dos gêneros Latrodoctus
(THERIDIIDOE ), Phoneutria (CTENWAE ), e Lycosa ( LYCOSIDAE ).
A sintomatologia da intoxicação pelo veneno dos três últimos pode ser desig¬
nada, sob o ponto de vista etiológico, com os respectivos nomes de “ Latrodectismo”,
de “Ctenidismo” ou mais corretamente de “Phoneutriisnvo” e de “ Lycosismo”;
da causada pelas espécies dêste gênero se chama de “ Loxoscelismo”.
Vamos referir as publicações principais sôbre o assunto:
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Quanto ao Chile encontramos a casuística de Guzmán(l) que, em 1894,
descrevera alguns acidentes humanos, causados possivelmente por “insetos pozo-
ríosos”. Em 1927 descreveu Matus(4) a “mancha gangrenosa” que mais tarde
deveria entrar definitivamente na literatura especializada. Tirado (5) acusou
positivamente a uma aranha como causadora da “gangrena cutânea” e chamou
o quadro de envenenamento de “aracnoidismo cutâneo gangrenoso do Chile”.
Quatro anos depois, em 1935, publicou Escudero(6) o primeiro caso fatal
humano e em 1936 apresentou Gallinatto(7) alguns “enfermos de aracnoidismo”.
Macchiavello (8-13) dedicou-se intensivamente a êste assunto, principalmente
no período de 1934 a 47. Apresentou a história clínica de cêrca de uma centena
de pessoas acidentadas; descreveu minuciosamente o síndroma do envenenamento
dósde os casos leves de repercussão meramente local até casos fatais. Conseguiu
capturar as aranhas suspeitas e enviar algumas a especialistas em aracnologia
na América do Norte e no Brasil, obtendo dêles o diagnóstico de que se tratava
de Loxosceles laeta. Procedeu a ensaios experimentais com o veneno desta ara¬
nha, fazendo-a morder coelhos e ratos e preparando soluções de veneno. Intro¬
duziu na clínica especializada o diagnóstico do “aranismo cutáneo-gangrenoso
y hemolítico”.
Donoso-Barros(14), em 1948, Bertin(15), em 1950, Menghello e Empa-
raza(16), em 1952, chamavam a atenção sobre a extraordinária gravidade de
certos acidentes humanos, raros embora e sôbre a relativa freqüência no Chile
dos quadros clínicos menos graves, meramente cutâneos. Achavam que o termo
“Loxoscelismo” seria mais correto. Viram resultados satisfatórios no tratamento
dos picados pela cortisona.
A publicação de Schenone(17), em 1953, retrata fielmente a situação de
certas regiões chilenas no tocante a esta espécie de aranha e fornece dados
concretos sôbre o diagnóstico clínico de acidentes: As aranhas maçs perigosas
são a “araria dei trigo” — Latrodectus mactans — e a “araria de los rincones”
— Loxosceles laeta. Ambas ...“no atacan espontáneamente al homhre y solo
lo muerden, inyectandole su veneno, cuando se creen atacadas”. A Loxosceles
laeta” “...e(s una espécie casera que existe en Chile desde Tarapacá (no norte)
a Talca (no 35.° gráu latitude sul, mais ou menos). Habita en las paredes de las
casas viejas, de preferencia en los rincones, grietas, debajo de los cuadros. A
veces se coloca debajo o entrC las ropas colgadas en las paredes”.
A inoculação de peu veneno no homem pode produzir dois quadros clínicos:
“...uno de la forma cutânea pura o “mancha gangrenosa”, y otro, la forma
cutáneo-visceral o sistemática...”. 30 a 60 minutos após a inoculação do veneno
se observa uma zona eritermtosa, a circunscrever excentricamente uma ou várias
flictenas, que contêm geralmente um líquido amarelento. Posteriormente aparece
um edema duro, de aspecto lívido, que pode alcançar extensão variável. Neste
tempo o indivíduo experimenta certo mal estar, nervosismo e elevação térmica,
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que desaparecem habitualmente ao íim de 1 ou 2 dias. A zona eritematosa vai-se
escurecendo, . . .se transforma em uma escara, quef se elimina lentamente, deixando
a descoberto os tecidos subjacentes... Por fim cicatriza. A extensão da escara
depende da quantidade de veneno injetado...
Êste quadro tem o nome de “mancha gangreno,sa“... “Pero hay ocasiones,
por fortuna poco frecuentes, en que el quadro puede adquirir inusitada intensi-
dad... y se agrega grave compromiso general y de los parénquimas renal y
hepático con um sindrome hemoglobinúrico. Hay una profunda intoxicación
general, se presentan náuseas, vômitos, cefalea, hipertermia, sudoración, subicte-
rícia e icterícia, y hemoglobinuria intensa con albuminúria. Antes que la
lesión cutânea alcance su completa evolución, suele produzirjse la muerte por blo¬
queo renal, debido al acúmulo de hemoglobina en los túbulos renales, y a hemor¬
ragias viscerales.”
Como tratamento o autor aconselha — em face da ausência de sôros espe¬
cíficos — “...de los quales desafortunadamente no se dispone en el país”, vaso-
dilatadores, compostas de ácido nicotínico, em comprimidos, em doses diárias de
100 mg 4 vêzes para adultos e de 50 mg 4 vêzes para crianças, além de aplica¬
ções de ultradermia de 15 a 20 minutos de duração, durante os primeiros 6 a 8
dias, transfusões, hidratação com sôro glicosado, sedantes e analépticos e mais
200 mg diários de cortisona nos primeiros 3 dias e 100 mg nos dias seguintes.
Em 1957, Prats e Schenone(18) voltaram a tratar do loxoscelismo no Chile,
referindo maiores detalhes de interesse do biólogo e do médico clínico: “...De
una casa vieja fueram capturadosi hasta 84 ejemplares adultos de Loxosceles laeta,
cantidad excepcional, ya que, corrientemente, no se captura más de una docena;
y, cosa curiosa, nunca se había registrado un accidente entre los moradores.”
A aranha é tímida; nunca ataca espontâneamente, mas somente quando é
comprimida contra o corpo, entre as roupas, na cama, etc. “La mayor frecuencia
de mordeduras se registra en la cara, cuelo, parte alta dei tórax y porción
proximal de las extremidades”.
0 quadro clínico em pessoa mordida começa geralmente “...con la sensa-
ción de un lancetazo. Posteriormentef se presenta dolor de intensidad variable.
Uma hora despues, edema rojizo, duro, algo caliente y doloroso. A las 3 o 4
horas se puede observar en el centro de la zona eritematosa una placa violácea
pálida, llamada “placa liveloide”, de 1 o 2 a 20 cm de estensión”, ... com con¬
torno irregular, rodeada de um halo pálido. “Nunca se acompaíía de adenopatia
regional”.
Em casos mais graves pode perdurar a evolução do quadro local — desde
o eritema, a flictena, o edema duro até a escara, sua descamação e eventual neo-
formação até a cicatrização definitiva — entre 30 a 50 dias.
Esta forma, meramente local, é a mais frequente, sendo chamada de “loxos¬
celismo cutâneo” ou simplesmente “mancha gangrenosa”. É de prognóstico
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benigno no tocante à vicia do paciente. Âs vêzes, porém, sua localização pode
deixar cicatrizes que aletam a estética.
Segundo a quantidade de veneno injetado e a sensibilidade da vitima, porém,
“una forma grave de loxoscelismo cutâneo-visceral, sistemático o hemoglobinú-
rico” pode ocorrer, com grande ...“compromisso general, con dolores difusas
en todo el cuerpo, especialmente abdominales, cefalea, vómitos, agitación, fiebre,
palides amarillenta, a veces icterícia, anúria o hematúria con albuminúria intensa,
coma y muerte.”
Referimos os detalhes mais importantes das publicações de Schenone, Prats
e Schenone, porque permitem ao clínico especializado um diagnóstico diferencial
bastante acurado entre uma mordida por Loxosceles e por qualquer espécie de
Lycosa.
Quanto à previsão, continua o trabalho dos dois autores, se se trata apenas
de um loxoscelismo local, gangrenoso ou de um loxoscelismo geral, grave, a
ameaçar a vida do paciente, há sinais tanto mais importantes na clínica prática,
quanto é sabido que, em geral, as vítimas somente costumam aparecer à con¬
sulta médica horas após o acidente e em geral sem saberem qual tinha sido a
aranha responsável: ...“Es la presencia de anúria o de orinas de aspecto hema-
tárico, manifestaciones que, por lo general, son precoces e indican la gravidad
dei proceso”. Quando a urina tiver aspecto normal, qualquer que seja a exten¬
são do processo local, se trata geralmente apenas de um quadro local, sem maior
perigo. Se, ao contrário, houver anúria ou hematúria, mesmo com discretas mani¬
festações cutâneas apenas, ...“debemos estar alertas, porque es muy possible que
se trate de un cuadro grave”.
Prats e Schenone julgam que a espécie chilena, tratada por êles como sendo
a Loxosceles laeta, seja igual à que no Uruguai, na Argentina e no Peru é a
causa do loxoscelismo.
Entre os autores uruguaios houve a princípio a mesma confusão a respeito
da causa do “aracnidismo necrótico”, embora a êste tempo Macchiavello já tivesse
publicado seus trabalhos mais importantes, acusando positivamente a Loxosceles
laeta.
Em 1936, Ribeiro-Rivera(19) e May(20) discorreram sôbre “gangrenas cutâ¬
neas”, sem suspeitarem de sua causa. Volpe e Barberousse(21) publicaram em
1938 a descrição de um acidente humano fatal por picada de aranha, sem que
se tivesse determinado a espécie. A vítima foi uma criança de 11 anos, que veio
a falecer 36 horas após o acidente, com extensas afecções locais. Em 1938,
Mackinnon(22) descreveu mais 3 casos de “aranismo cutáneo-gangrenoso y hemo-
lítico”. 6 outros casos foram descritos por Costa e Salveraglio(23), em 1939 e
pouco depois mais 4 por Costa, Breta e colaboradores(24). Os últimos se mos¬
travam ainda bastante desorientados, chegando mesmo a atribuir a cura de um
acidente ao emprêgo do sôro anti-ofídico polivalente do Instituto Butantan. Em
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1945, Stajano(25) publicou o histórico de um acidente, “con extensa y profunda
necrosis de la piei”, causada “por picadura de inseto no determinado”. Em 1948,
finalmente, Mackinnon (26 e 27) conseguiu provavelmente como primeiro no
Uruguai ver as duas aranhas, causadoras de 2 acidentes humanos, e enviá-las
a especialistas no Brasil, para determinação. Recebeu a resposta que ge trataria
certamente de Loxosceles e provavelmente da espécie L.laeta. Foi assim estabe¬
lecida também no Uruguai a relação de causa entre a picada por esta aranha
e o “aranismo cutáneo-gangrenoso y hemolítico”. Costa e Salveraglio(28) e
Costa (29) publicaram, em 1949, mais alguns acidentes. Em Montevideo intensifi-
caram-se, em seguida, os estudos sôbre esta aranha. Arroyo e Witkind(30) fize¬
ram, em 1951, experiências com o veneno em ratos. Outros resultados foram publi¬
cados por Witkind(31), em 1953. Mackinnon e Witkind(32) publicaram, em 1953,
um resumo clínico dos 29 acidentes humanos, verificadog no Uruguai, em tôrno
de Montevideo, entre os quais 8 graves e 2 mortais. Os autores insistiram, “... que
en el Uruguay las aranas constituyen un problema de mayor magnitud que los
ofídios... para el habitante de las ciudades... El aracnidismo necrótico cons-
tituye un problema caracterizado por una lesión local... a veces muy extendida...
con infiltración edematosa, dura y dolorosa, con extravasación sanguínea y la
consecuente producción de una escara cutânea que puede llegar a 30 cm y que.
desprendida, deja una ulceración que cicatriza lentamente. Signos de intoxicación
general pueden ser aparentes y elos consisten en fiebre, icterícia, hemoglobinuria,
enterorragias, exantemas, hemólisis, etc., na siendo rara la muerte. Una pequena
y aparentemiente inofensiva araria domiciliaria, muy comun en los edifícios
modernos y antigos de Montevideo, galpones, viviendas rústicas, etc., es causante
dei aracnidismo necrótico.”
Em ensaios de laboratório com aranhas vivas conseguiram obter por tritura¬
ção e extração aquosa das glândulas veneníferas valores de veneno gêco por ara¬
nha que oscilavam entre 0,6 e 0,3 mg de substância sêca por exemplar. 57 peque¬
nos ratos, mordidos na orela, mostravam-se bastante intoxicados, morrendo 42
dentro de 24 horas; 4 coelhos, picados igualmente na orelha, acusavam edemas
extensos e escaras com perfuração total ou parcial da orelha picada, dentro de
13 a 15 dias, sem outros sinais de intoxicação geral. Mesmo assim um coelho,
de 1.400 g, morreu dentro de 18 horas. Injetando soluções de veneno em 3 camun¬
dongos, avaliaram a dose mínima mortal mais ou menos correspondendo ao con¬
teúdo de 1 glândula. Para neutralização do veneno de Loxosceles mostraram-se
ineficazes os sôros anti-licósicos, anti-ctênico, anti-cteno-licósico e os anti-ofídicos
do Instituto Butantan. Tentaram imunizar alguns coelhos por repetidas picadas
pela própria aranha: “...Si se desea hacer terapêutica específica contra el arac¬
nidismo necrótico en el Uruguay, seria necesário disponer de um suero “anti-
Loxosceles laeta”. Si bien dei punto de vista teórico ello parece possible, dei
punto de vista práctico ofrece grandes dificuldades en la actualidad, pues gran¬
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de cantidades de ararias serían necesária para obtener sueros realmejite efec-
tivos.”
Os autores argentinos, muito anteriormente aos uruguaios, já se preocupa¬
vam ora com o quadro patológico local ou geral, ora com o “inseto” ou a “ara¬
nha” responsáveis. “De pequena dimensión”, escrevera Delio Aguilar, em 1908;
“Um pequeno insecto que resultó ser una araria”, assinalaram Sommer e Grecco,
em 1910; “oscura, casi negra, pequena”, segundo dei Pino, em 1910; “negra y
pequena”, mencionou A. E. Solari, em 1911; “causadora de certas afecções da
pele, de incidência relativameníe freqüente, a merecer a atenção dos médicos.
Seria um verdadeiro “aranidismo” ou “aranismo”, ou ainda “araneismo íctero-
hemolítico”, conforme Sommer e Grecco (2), em 1914.
Em seguida iniciou-se a polêmica. Houssay(3), em 1918, não conseguiu
demonstrar nenhuma ação hemolítica, nem nos venenos de aranhas nem em seus
extratos celulares. Tampouco tem havido, segundo êste autor, a demonstração
clínica de uma “icterícia hemolítica” por picada de aranha. O mesmo ponto de
vista é defendido por Vellard, em 1936, em “Le venin des araignées”, pois em
nenhum veneno aracnídico sul-americano foram encontradas propriedades hcmo-
líticas, proteolíticas ou coagulantes, diretas.
Geigues, por outro lado, continuava a falar, em 1935, em “íctero hemolí-
tico”, provocado pela picada de uma aranha “diminuta, de color negrusco” ou
apenas “dei tamano de una mosca”, no dizer de Gandolfo, Steinberg e Isidoro,
em 1936.
Em 1944, Ibarra Grasso(33) publicou os resultados de suas experiências de
mais de 8 anos; reviu a principal literatura da Argentina, que continha a descri¬
ção de 16 acidentes humanos fatais, dos quais 1 era devido à picada de uma
aranha caranguejeira, provavelmente do gênero Acanthoscurria, 3 à picada por
halrodectus mactans e os restantes 12 a “una araria “misteriosa”, produtora de
esos quadros clínicos terminados a menudo con la muerte. Parece tratarse de una
arana de cuerpo alargado y movimientos rápidos, cuyo tamaiío seria tal vez
inferior a un centímetro.
Esta “arana obscura y de pequeno tamano, ...causante dei cuadro íctero-
hemolítico y única responsável de todas las muertes causadas por picadura de
arana en nuestro país”..., tornou-se uma espécie de “obsessão”, em Ibarra
Grasso. Não hesitou em apelidá-la de “arana homicida”.
Despendeu 8 anos na procura desta aranha, sem encontrá-la. Sabia pelas
publicações de seus conterrâneos e pela própria experiência que não se poderia
tratar de Latrodectus, cujo veneno não apresenta ação local necrosante nem toxi¬
dade sôbre o fígado e os rins.
“. ..En Buenos Aires le corresponden todos los casos graves y mortales publi¬
cados; es evidentemente una arana que se encuentra cômoda en la ciudad, pero
también se hace notar en las casas dei campo... Al princípio solo hay sintomas
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locales... muchas veces insignificantes... Una pequena tumefacción rosada.
Un mancha violácea dei tamano de una cabeza de alfiler... Una ampollita
rojiza... sobre una zona rubicunda de uns 5 cm.... El dolor puedeí ser apenas
notable, desapareciendo luego para hacerse presente horas más tarde con vio¬
lência cresciente (Aguilar; Solari) ... o se presenta desde el início en rápido
aumento y estendiendose llega a tomar grandes zonas... Entre las 3 y 12 horas
y a veces más, aparecen los primeiros sintomas de la acción visceral dei veneno:
gran prostación, estado nauseoso, cefalogia, y al segundo o tercer dia muestra
marcada tendência al coma; ...en los ninos ya al primer dia... Generalmente
hay icterícia y hemoglobinuria...”
Não há dúvida para nós de que esta aranha “homicida” e “misteriosa” seja
exatamente uma representante do gênero Loxosceles. Ibarra Grasso, porém, pen¬
sou e agiu diferentemente: durante os anos de 1935 a 1943 realizou em si
mesmo cêrca de uma centena de experiências, fazendo-se morder num dos ante¬
braços, nas mãos ou nos dedos 13 vêzes pela aranha Polybetes pythagoricus, cêrca
de 40 vêzes pela caranguejeira, Grammostola burzaquensis, 7 vêzes por Lycosa
polistoma, 22 vêzés por Dysdera magna, 2 vêzes por Ariadna mollis, 2 vêzes por
Neosconella lathyrina, 3 vêzes por Argiope argentata, 2 vêzes pela caranguejeira,
Pterinopelma saltator, 1 vêz por Cercidia deliciosa, 1 vêz pela caranguejeira,
Crypsidromus morenii, 2 vêzes por Parawixia audax e 1 vêz, finalmente, por
Loxosceles rufipes.
Seja porque tivesse ficado relativamente imune pela incorporação de 12
antígenos aracnídicos diferentes ou porque a I^oxosceles tivesse injetado muito
pouco veneno — a picada ocorrera no tempo frio, escreveu êle, e além disso
perdeu-se sôbre a sua pele “...una gota relativamente grande dei veneno” —
o fato é que pôde assinalar apenas um edema persistente “■•■y várias escaritas
definidamente necróticas”. . ., com cicatrização somente depois de cêrca de 70
dias. Embora êle não tivesse podido constatar com nenhuma outra aranha escaras
tão persistentes, não teve dúvida em classificar êste veneno como sendo “...de
simples acción local cutânea, necrosante”, como o das espécies de Lycosa.
O mesmo assunto empolgou os médicos clínicos do Midwest (Kansas e
Missouri principalmente) nos Estados Unidos da América do Norte. No início
houve confusão com mordidas por insetos ou ,se falou apenas em sintomas locais
de causa desconhecida. Mais tarde foi acusada “uma aranha pequena, marrom,
que se encontrava nas vestes dos pacientes e que mordia, quando era contundida”.
Atkins, Wingo e Sodeman(34) resumiram, em 1957, estas condiçõefs “...which.
though less generally severe than those occasioned by the hite of Latrodectus mac-
tans, are serious enough to require attention. A thick wheal usually forms with
necrosis of tissues at the immediate side of the punctures made by the chelicerae.
The necrotic area soon turns viohceous, than black and dry. May persist foi
several weeks and healing takes place very slowly. In a few patients, systemic
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disturbance of a general nature has been indicated by a rasli resembling thal
of scarlet fever.”
Finalmente foi capturada também a aranha responsável. Tratava-se de Loxos-
ceies reclusa. Em algumas experiências preliminares com o veneno desta espécie
os autores concluiram “...that the venom of L. reclusa i,s a powerful necrotizing
agent, capable of causing cutaneous necrosis in mammals”.
Scbmaus(35) já se tinha referido em 1929 a uma “significantly poisonous
spider in Kansas”, cuja identidade foi descrita em 1959 como L.rcclusa( 36) .
Além da sintomatologia local, há caso,s raros com leve febre, taquicardia eí ner¬
vosismo”.
Em abril de 1960 publicaram Weiner, Stoffer, Chornock e Young(38) o
histórico clínico de uma menina de 6 anos, com hemólise intravascular maciça
aguda, devida certamente à inoculação do veneno de um pequeno aracnídeo, que,
entretanto, não pôde ser identificado.
No Brasil não houve publicação clínica especializada, em que fôsse acusada
a Loxosceles como aranha perigosa, embora Moenckhaus e Mello-Leitão tivessem
assinalado a presença de diversas espécies dêste gênero não somente na Capital
de São Paulo, em Iguape e outras cidades do interior do Estado de São Paulo,
mas também em Minas, no Rio def Janeiro, no Rio Grande do Sul e no Paraná.
Desde 1934 recebia o Instituto Butantan espécimens de Minas Gerais, do próprio
Butantan, de Ourinhos, de diversos locais da Capital de São Paulo, de Francisco
Sodré, Cerqueira Cesar, de Lagôa em Santa Catarina, de São Carlos, Corum
bataí, de Barcelos no Estado do Rio de Janeiro.
Em 1952(39) verificamos, com injeções de soluções de veneno de Loxosceles
rufipes e L.laeta (naquele tempo seguimos a classificação de Mello-Leitão)
que, na orelha de coelho, o conteúdo de 1 glândula de veneno determi¬
nava necrose local com perfuração total da orelha depois de 8 dias. No primeiro
dia havia tumefação de tôda a base da orelha, edema em tôrno do local da
injeção, vermelhidão. O edema se estendia até a nuca e o ôlho do lado corres¬
pondente!; a orelha permanecia decaída. No dia seguinte abudante exsudato em
volta do local; edema ainda mais generalizado. Comprometimento geral não se
notava; o animal alimentava-se regularmente. A mesma necrose local com per¬
furação de orelha foi reproduzida com a injeção de 1 glândula de Lrujipes.
A quantidade de veneno correspondente a 2 glândulas, injetada na veia caudal
de 5 camundongos, matava a todos. A dose média mortal do veneno de L. rufipes
e laeta para pombos de cêrca de 300 g, por via endovenosa, girava em tôrno
de 2 glândulas.
Em camundongos, cobaios, coelhos e pombos podíamos, então, observar a
ação local necrosante, quando o veneno era injetado por via intradérmica, com
comportamento geral pràticamente nulo. Por via endovenosa ou se notava prà-
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GÊNERO Loxosceles E ENUMERAÇÃO
DAS ESPÉCIES DA AMÉRICA DO SUL
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ticamente nada ou, com o aumento das doses, os animais de experiências eram
fulminados.
CARACTERIZAÇAO DA SUBFAMÍLIA LOXOSCELINAE
Entre 8 a 15 mm de comprimento de corpo e 18 a 30 mm de comprimento
das pernas; abdômen da forma de uma azeitona, cinza escuro; cefalotorax no perfil
deprimido, baixo, não abaulado dorsalmente, com a fronte saliente e a fóvea
toráxica longitudinal; clípeo obliquamente decaindo para a frente; 6 olhos quase
iguais, do tipo noturno, homogêneos, dispostos em 3 díadas, formando os 4
anteriores uma linha fortemente recurva; lábio imóvel ou apenas parcialmente
móvel, isto é, unido ao esterno por uma pseudosutura pouco profunda; bem mais
longo que largo, estreitando-se nos dois lados e alargando-se novamente na base;
lobos maxilares convergindo em tôrno e em frente ao lábio e amoldando-se per¬
feitamente aos contornos dêste; com os ápices amarelos; esterno pouco mais longo
que largo, terminando em ponta atrás, na linha mediana, à altura do meio das
coxas do quarto par de pernas; quelíceras mais longas que largas, soldadas em
sua base, com membrana “vítrea”, transparente em seu lado interno a terminar
apicalmente numa ponta da côr de quitina, ponta esta em que se apoiam as
pontas das “ungulae”; sem côndilo; em suas faces externas com “lira estridula-
dora”, delicada e mal visível, formada por uma série def pequenas trabéculas
paralelas; à mesma corresponde um minúsculo “pino” estridulador na face interna
basal dos fêmures dos palpos; com um par de pulmões nos lados do gulco epi-
gástrico e um espiráculo traqueal microscópico na linha mediana perto das fian¬
deiras; sem cribeio e calamislro; “genitalia” externos da fêmea do tipo hapló-
gino, sem estruturas visíveis externamente, abrindo-se os receptáculos seminais
diretamente no canal vaginal; bulbo dos machos do tipo simples, sem hemato-
doca ou outros órgãos acessórios; cólulo longo, digitiforme, coberto de robustas
cerdas, atingindo seu comprimento um pouco mais de um têrço do das fian¬
deiras anteriores; 6 fiandeiras, as inferiores e superiores aproximadamente do
mesmo comprimento, bi-segmentadas, sendo o segmento apical do primeiro par
formado por um estreito disco apenas; o par mediano tem um segmento só; é
cêrca de 5 vêzes mais curto que o par superior e está coberto de densas cerdas;
nasce sôbre uma saliência na base interna das fiandeiras superiores; pernas
um pouco laterais, com os metatarsos e tarsos delicados; sempre o terceiro
par é mais curto e o segundo, nos adultos pelo menos, sempre mais longo que
o primeiro par; sem espinhos, mas com curtos e delicados pêlos eí com cerdas mais
longas e robustas, rigorosamente seriadas em 8 fileiras longitudinais nas tíbias
e nos metatarsos; tarso dos palpos na? fêmeas sem garras; tarsos das pernas
com 2 garras superiores relativamente robustas, curvas, pretas, dotadas de apenas
1 fileira de “dentes”; o número dêstes dentes decrescendo nas pernas posteriores;
em volta das garras cerdas seírrilhadas; oníquio presente e delicado; terceira
garra, quando presente, minúscula e mal perceptível, aderente quase ao oníquio.
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CARACTERIZAÇÃO DO GÊNERO LOXOSCELES HEINECKEN & LOWE 1832 (1835)
A estrutura e conformação externa de tôdas as espécies sei enquadram per¬
feitamente na descrição da subfamília.
Cefalotorax um pouco mais longo que largo, direito em frente, levemente
bi-lobado atrás, sendo o “torax” quase circular e o “cephalon” bastante saliente,
delimitado atrás por 2 sulcos divergentes e decaindo obliquamente para os lados,
que aí são quase paralelos; de perfil o cephalon e o thoracon são da mesma
altura quase; geralmente os 2 olhos laterais posteriores são um pouco menores
que os laterais anteriores e êstes um pouco menores que os médios anteriores,
mas podem ser quase iguais também, principalmente os 4 primeiros; raras vêzes
os L.A. são um pouco maiores que os M.A.; os machos são geralmente mais
delgados que as fêmeas, com corpo mais estreito e com pernas mais longas em
relação ao comprimento do corpo.
O gênero Loxosceles abrange uma espécie considerada tropical cosmopolita,
3 espécies paleárticas, 8 espécies etiópicas, 15 espécies norte e centro-americanas,
das quais 10 descritas como novas por Gertscb, em 1958(37) e 16 espécies sul-
americanas.
ENUMERAÇÃO DAS ESPÉCIES DA AMÉRICA DO SUL
Não é interessante, evidentemente, enumerar as 16 espécies de Loxosceles sul-
americanas, tal qual como já constam nos Catálogos taxonômicos de Bonnet
(Bibliographia araneorum, 2(3), pag. 2574; 1954) e de Roewer (Katalog der
Areneae 1, pag. 320; 1956) .
Vamos, pois citá-las segundo os países de origem, sem entrar, entretanto, em
considerações sôbre se podem ou não ser consideradas como válidas.
A. Colômbia:
1
Loxosceles lulea Keyserling 1877 (Verh.zool.-bot.Ges.Wien 27:216) .
Somente foi descrita 1 fêmea, de Bogotá.
2. Loxosceles pictithorax Strand 1914 (Mem.Soc.Neuchât.Sci.Nat. 5:819) .
Somente foi descrita 1 fêmea, perto de Bogotá, de Guaduas.
Loxosceles taeniopalpus Simon 1907 (Ann.Soc.Ent.Belg. 51:247) .
Foi descrito somente o macho.
C. Ilha dos Galapagos:
4. Loxosceles longipalpis Banks 1908 (Proc.Wash.Sci. 4:55) .
Foi diagnosticada somente 1 fêmea.
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D. Peru:
5. Loxosceles accepta Chamberlin 1920 (Brooklyn Mus.Sci.Bull. 3(2) :39) .
Embora o autor tivesse conseguido numerosos exemplares, descreveu,
contudo, apenas o macho. Tipo na coleção do Mus.Comparal.ZooIogy,
Harvard, N.° 518; dois paratipos com os N. os 163 e 164. Coletados
em Huadquina, a 5.000 pés de altura.
6. Loxosceles nesophila Chamberlin 1920 (Brooklyn Mus.Sci.Bull. 3(2) :40).
Capturaram-se apenas 2 fêmeas, das quais uma era jovem, sendo diag¬
nosticada apenas a adulta, depositada como tipo no M.C.Z., Harvard,
sob o N.° 522. Capturadas em Lobos de Tierra.
E. Bolívia:
7. Loxosceles spadicea Simon 1907 (Ann.Soc.ent.Belg. 51:247).
Foi diagnosticado apenas 1 macho. Mello-Leitão (em 1941) viu alguns
espécimes de Rosário de la Frontera, na província argentina de Salta,
perto da fronteira boliviana, portanto.
F. Chile:
8. Loxosceles flavcscens (Nicolet 1849). Em Gay:Hist.Chili 10(3) :350
Não houve até hoje diagnóstico nenhum, de macho ou fêmea. Apenas
foi mencionado êste nome específico, “Scytodes flavescens” , e a êle
foi comparada uma outra espécie, a Scytodes nigella, descrita na mesma
página como nova por Nicolet. O autor, sem caracterizar a flavescens
e sem mencionar seu habitat, já pressupõe que a mesma seja conhecida
dos especialistas. Terá êle incorrido num lapso de memória, isto é,
teria êle escrito “flavescens” em lugar de rufescens, que constitui real¬
mente espécie bôa, já então conhecida? Simon refere-se 2 vêzes a
flavescens, em 1893 e 1896, como sendo de Nicolet, sem fornecer
maiores detalhes.
9. Loxosceles laeta (Nicolet 1849) (Gay:Hist.Chili 10(3) :349) .
Nicolet diagnosticou uma fêmea sob o nome de Scytodes laeta, do Chile.
Simon, em 1907 (Ann.Soc.ent.Belg. 51:246), colocou-a no gênero Loxos¬
celes. Isto evidentemente sem ter visto os exemplares de Nicolet. A
grande autoridade de Simon fêz com que todos os autores posteriores,
Petrunkevitch, Mello-Leitão, Bonnet, Roewer, Gertsch, Chamberlin, etc.,
também sem terem visto o espécime típico de Nicolet, tivessem adotado
o mesmo ponto de vista. Surgiram assim redescrições de Loxosceles
laeta (Nicolet) da Argentina, do Brasil, de diversos países sul e centro-
americanos e mesmo dos Estados sulinos da América do Norte que,
na realidade, nada tinham que ver com a primitiva Scytodes laeta do
Chile. Os próprios chilenos de) hoje, não enfronhados evidentemente
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no assunto, julgam que a Loxosceles cio Chile seja de fato a “ laeta
Um macho de Iguape, Estado de São Paulo, descrito por Moenkhaus,
em 1898 (RevJVlus.Paulista 3:77-112), sob o nome de Loxosceles simi-
lis, foi colocado, com resefrva.s embora, em sinonímia com L.laeta
por Petrunkevitch, em 1911. Em 1918, confirmou Mello-Leitão esta
sinonímia, dizendo que L. laeta ocorre também em Iguape, além da
Argentina e do Chile (Rev.Mus.Paulista 10:127). Foi seguido “de
bôa fé” por Bonnet e Roéwer.
G. Argentina:
10 .
Loxosceles ornata Mello-Leitão 1938 (Rev.Mus.La Plata 1(4) :91 no
tocante à diagnose da fêmea) e 1941 (Ibidem-2“ 107-108, com o diag¬
nóstico do macho). O local típico é Cabana, na província de Cordoba.
Outros espécimes de Potrero de Loza e Agua de Oro, na província
de La Falda e também, ainda segundo Mello-Leitão, de Salobra, Mato
Grosso.
H. Paraguai:
11. Loxosceles variegata Simon 1897 (Boll.Mus.Torino 12(270) :5) .
Foi diagnosticada apenas uma fêmea não adulta, procedente dei San
Pedro, no Paraguai.
1 Brasil:
12. Loxosceles hirsuta Mello-Leitão 1931 (Bol.Biol.Rio de Janeiro 17:13).
Foi diagnosticada apenas 1 fêmea. Em trabalhos posteriores Mello-
Leitão mencionou exemplares de Pedras Altas, no município de Cacim-
binhas, Rio Grande do Sul, de Curitiba, Estado do Paraná, de Eldorado,
de Puerto Vitoria, na província de Misiones e do derredor de Buenos
Aires, na Argentina. Na Coleção do Instituto Butantan se encontra
um espécime 1 , determinado pelo próprio Mello-Leitão, procedente de
Corumbataí, Estado de São Paulo.
13. Loxosceles intermedia Mello-Leitão 1934 (Ann.Ac.Bras.Sci. 6(2):69-79).
O autor diagnosticou macho e fêmea, embora sem as medidas das per¬
nas e dos artículos dos palpos do macho. O tipo fôra depositado no
Museu Nacional, Rio de Janeiro 50 b o N.° 803. Local do tipo: Petró-
polis, Estado do Rio de Janeiro.
14. Loxosceles Surata Simon 1907 (Ann.Soc.ent.Belg. 51:247).
Foi diagnosticado por Simon apenas 1 macho. Na coleção do Insti¬
tuto Butanta encontram-se os seguintes espécimes, determinados por
Mello-Leitão: N.° 266, fêmea, de Riacho da Cruz, Minas Gerais;
N.° 267, fêmea, de Ourinhos, São Paulo; N.° 268, fêmea, de São Simão,
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Rio Grande do Súl, macho adulto e fêmea não adulta; N.° 269, macho,
de Capital de São Paulo; N.° 270, fêmea não adulta, de Francisco
Sodré; N.° 271, macho adulto, capturado por Aristóteles Leão nos
próprios terrenos do Instituto Butantan; N.° 280, fêmea não adulta,
de Corumbataí, São Paulo.
J. Velho e Novo Mundo (Tropical cosmopolita):
15. Loxosceles rufescens (Dufour 1820):
Scytodes rufescens Dufour 1820(Ann.Gen.Sci.Phys. 5:203) .
O autor descreveu apenas um macho, que passou a ser o genótipo, pro¬
cedente) de Sagunto, na província de Valença, na Espanha. Êste tipo
está provavelmente perdido. Em 1827 foi diagnosticada uma fêmea por
Audouin, capturada no Egito. Em 1835 foi descrita por Lowe a Loxos¬
celes cidgrada, colocada depois em sinonímia com rufescens, com a
prevalência do nome de Loxosceles rufescens para o exemplar de
Dufour. Em 1864, Simon mencionou o nome) de Omosita rufescens, sem
diagnóstico algum do exemplar que lhe servira para tal, colocado igual¬
mente em sinonímia com L.rufescens. Marx, em 1890, Banks, em 1904,
Cambridge, Chamberlin, Gertsch e outros referiram a ocorrência de
espécimes desta espécie para a América do Norte e Central, certa¬
mente trazida originàriamente da Espanha e de Portugal, onde deve ser
sua região típica.
É curioso notar que, embora houvesse tido navegação ininterrupta de
Portugal e Espanha para os países sul-americanos, durante séculos,
nunca tenha ocorrido aos especialistas da América do Sul a idéia de
que representantes da me ( sma espécie pudessem ter sido trazidos igual¬
mente para êste sub-continente. Nunca ninguém procurou informar-se
sôbre esta espécie! e comparar exemplares sul-americanos, principal¬
mente no Brasil, com a mesma. Em 1916 acreditou Chamberlin que
os espécimes de Huadquina, no Peru, seriam L. rufescens e afirmou
que esta espécie) era muito comum na América do Norte e do Sul.
Gertscb, em 1958, escreveu que o grupo de L.rufescens existiria, além
da região do Mediterrâneo, das ilhas do Atlântico, de Madagascar e
do Japão, na parte oriental da América do Norte e no seu centro,
bem como na América Central e na América do Sul.
K. América do Sul e Central (incluindo muitos países):
16. Loxosceles rufipes (Lucas 1834) :
Scytodes rufipes Lucas 1834(Guérin:Mag|Zool.Cli. 8).
Diagnose da fêmea.
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Scytodes omosita Walckenaer 1837 (Hist.Nat.Ins.Apt.: 273).
Diagnose de uma fêmea.
Scytodes rufipes Nicolet 1849 (Gay:Hist.Chili 10(3) :348) .
Diagnose de uma fêmea.
Loxosceles rufipes Kayserling 1877 (Verh.zool.bot.Ges.Wien 27:214).
Diagnose de uma fêmea.
Loxosceles unicolor Kcyserling 1887 (ibidem 37:474) .
Omosita bicolor Holmberg 1876 (An.Agr.Rep.Argen. 4:4) .
Diagnose, mas sem determinação do sexo da aranha.
Loxosceles rufipes Keyserling 1891 (Spinnen Amerikas, Brasil. Spinnen:
167) . Diagnose de uma fêmea.
F. Cambridge 1899 (Biol.Centr.Amer.Aran. 2:52).
Simon 1907 (Ann.Soc.enl.Belg. 51:247).
Moenkhaus 1898 (Rev.Mus.Paulista 3:77) .
Mello-Leitão 1918 (ibidem 10:123) .
idem 1934 (Ann.Acad.Bras.Sci.Rio de Janeiro 6:69).
Ibarra Grasso 1944 (La Semana Medica, Buenos Ai¬
res, Tomo cincoenla.(2) :763-793) .
Gertsch 1958 (Am.Mus.Novit.1907:33-35).
Espécimes de ambos os sexos foram estudados e muito bem desenhados
por F. P-Cambridge em “Biologia Centrali-Americana”, embora êste autor não
tivesse fornecido nova descrição, nem mesmo do macho, cujo palpo é apresen¬
tado num desenho. E. Simon, em 1907, também não forneceu descrições riem do
macho nem da fêmea. Moenkhaus, em 1898, assinalou a presença de Loxosceles
rufipes no bairro do Ipiranga, na própria Capital de São Paulo, ;sem fornecer,
entretanto, descrições. Mello-Leitão foi, depois, de fato, o primeiro a caracte¬
rizar o macho de L.rufipes, tanto em 1918 como em 1924. Mas também suas
descrições são incompletas, por não fornecerem as medidas das pernas nem as
dos palpos do macho. Gertsch, em 1958, forneceu finalmente uma descrição
realmente completa e jsatisfatória do macho, portanto 124 anos depois de ter sido
descrita a primeira fêmea.
O país do tipo de Lucas parece ser a Guatemala. Os espécimes de Cambridge
provieram iguahnente da Guatemala. Keyserling, dispôs de numerosos exemplares
do Rio Grande, Brasil, coletados por von Ihering; Mello-Leitão de Rio Grande,
Estado de São Paulo, de São João dei Rei, Minas Gerais; Ibarra Grasso de
Buenos Aires, Argentina. Os exemplares de Montevidéu, examinados por nós,
são desta espécie, que, aliás, é realmente muito comum no Estado de São Paulo,
por todo o interior e nas cidades, inclusive na Capital de São Paulo e nos próprios
terrenos do Instituto Butantan. Nicolet já assinalou a sua presença no Chile,
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quando, em 184.9, cita a Sc.rufipes Lucas e Gertsch estudou, em 1958, exem¬
plarei de ambos os sexos, provenientes do Panamá (Santa Rosa, Panamá City
e Old Panamá City) .
CONCLUSÃO
As aranhas do gênero Loxosceles , apesar de sua índole não agressiva e vida
sedentária, preocupam evidentemente os pesquisadores e médicos clínicos de diver¬
sos países do continente americano. A literatura sôbre o “Loxoscelismo” já é
avantajada. Embora nascida independentemente na Argentina, no Chile, no Uru¬
guai e nos Estados Unidos da América do Norte, mostra, contudo, uma concor¬
dância surpreendente na apreciação da aranha causadora dos acidentes humanos
e da evolução da inoculação de sua peçonha, que consiste geralmente apenas em
gangrena local, superficial e reversível; nos casos graves, porém, em um -sín¬
droma hemolático, principalmente do fígado e dos rins.
Unânimes são os autores, quand oapontam a necessidade de um sôro anti-
loxosceles, pois os demais sôros anti-aracnídicos têm se revelado inócuos na neu¬
tralização da peçonha destas aranhas. Há concordância também na literatura,
quando diz que estas aranhas vivem de preferência nas imediações e mesmo
dentro das casas humanas.
A boa sistemática das espécies do gênero Loxosceles está ainda muito longe
de ser perfeita. A maioria das espécies sul-americanas tem sido mal caracteri¬
zadas, devendo tudo ser refeito, partindo-se das espécies cronologicamente mais
antigas e comparando-se grande número de exemplares.
SÔRO ANTI-LOXOSCELES DO INSTITUTO BUTANTAN
Em esforços conjugados entre o pessoal das Secções de Zoologia Médica,
de Imunologia, do Hospital “Vital Brazil” e da Diretoria do Instituto Butantan
foi possível, num prazo de telnpo curtíssimo, elaborar-se um sôro anti-loxosceles.
Está sendo feito com a imunização de cavalos com os antígenos de Loxosceles
rujescens e L.rujipes, que constituem justamente as duas espécies mais frequentes
na América do Sul e às quais deve ser atribuído o maior número de acidentes
humanos.
RESUMO
Neste primeiro trabalho sôbre Loxosceles e Loxoscelismo faz-se uma rese¬
nha bibliográfica das publicações mais importantes havidas na América sôbre o
assunto; caracteriza-se a subfamília LOXOSCELINAE, o gênero Loxosceles e enu¬
meram-se as 16 espécies descritas na América do Sul e tidas como válidas, sem
entrar na apreciação detalhada das mesmas.
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ZUSAMMENFASSUNG
In dieser ersten Arbeit iiber die Spinnen der Gattung Loxosceles aus der
Familie S1CARIIDAE wird ein Überlick der wichtigsten ãrztlichen Literatur aus
Chile, Uruguay, Argentinien, den U.S.A. und Brasilien gegeben. Obwohl die
Beobachtungen eines jeden Landes unabhãngig gemacht und niedergeschrieben
worden sind, wurden dennoch übereinstimmend folgende Charakteristika hervorge-
hoben:
1) Es handelt sich durchwegs um kleine), kaum mebr ais 1 cm grosse,
Spinnen, von eintõniger dunkler brauner oder gelb-grauer Farbe. Sie
pflegen relativ zahlreich unter Sleinen, Dacbziegeln, unter Bildern, in
Kellern und an anderen dunklen Plátzen selbst in den menschlichen
Wohnungen und um dieselben herum im Freien aufzutreten.
2) Die Spinnen sind durchwegs an Dunkelheit gebunden. Verbringen fast
ihr ganzes Leben in kleinen weissen Geweben und suchen bei Storungen
immer da,s Dunkel auf, oline sich zur Welir zu stellen. Ja sogar mit
blosser Hand kõnnen sie angefasst werden, ohne zu beissen.
3) Nur wenn sie gegen den menschlichen Korper gedrückt und gequetscht
werden (etwa im Bette oder beim Anziehen der Kleider), drücken sie
ihre winzigen, kaum mehr afs 1 mm langen, spitzen, Chelizerenenden in
die menschliche Flaut und spritzen etwa 1 bis 4 mg Gift ein.
4) In etwa 90% dieser Unfãlle bilden sich, um die Bisstelle herum, ein
Üdem, Schwellung, Entzündung; spater Blauverfarbung und schliesslich
nach zwei bis dreii Tagen ein Schorf. Wahrend all dieser Zeit kann
leichter bis stechender Schmerz, kontinuierlich oder in Zeitabstanden,
vorhanden sein. Der Schorf fallt ab und das darunter liegende ent-
zündete Géwebe liegt zu Tage. Die Wunde kann sich ausbreiten, neuer
Schorf entstehen; kleine nassende Randblãschen kõnnen auftreten und
die Verletzung sich weiter ausbreiten. Erst nach einigCn Wochen oder
selbst Monaten tritt definitive Heilung, oft unter Narbenbildung, ein.
Der Verlauf dieses Prozesses ist von den chilensischen Autoren trcf-
fend ais “mancha gangrenosa” bescbrieben worden.
Die Grosse der Hautnekrosis und der Heilungsprozess hangen durchwegs
von der eingespritzten Giftmenge ab. Das Allgemeinbefinden der Patien-
ten ist gewòhnlich nicht gestõrt.
5) In rund 10% der Patienten, hauptsachlich bei Kindern, treten jedoch,
neben den lokalen Prozcsscn, allgemeine Storungen auf, Schmerzen, Kopf-
web, Schwindelanfalle, besonders Anurie, Oligurie mit Haemoglobinurie,
welche zwischen dem zweiten und achten Tage mit dem Tode des Be-
troffenen enden kõnnen. Solche schwere Vergiftungsfalle, “icterícia
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hemolítica” von den gennanten Autoren benannt, die tõdlich verliefen,
wurden aus Argentinien, Uruguay und Chile berichte.
' Weiterhin wird die Unterfamilie LOXOSCELINAE und die Gattung Loxos¬
celes neu gekennzeichnet und schliesslich werden die, in den Spinnenkatalogen 16
siidamerikanischen anerkannten, Arten nach den Fundorten auf geführt. Eine
gute, brauchbare, Systematik dieser Arten setht noch aus und soll in weiteren
Arbeiten behandelt werden.
Zum Schluss wird berichtet, da,ss es uns in engster Zusammenarbeit mit der
Immunologischen Abteilung des Institutes gelungen ist, ein neues Serum-Sôro
anti-loxos ceies- aus den Arten Loxosceles rejuescens und Loxosceles rufipes,
herzustellen und dass dieses Serum allen daran interessierten Lãndern zur
Verfiigung steht.
Agradecemos ao Fundo de Pesquisa do Instituto Butantan, pelo auxílio con¬
cedido para a realização dêste trabalho.
REFERÊNCIAS
1 — Guzmán, C. — Accidentes causados por insetos pozonosos en Chile — Congresso Cien¬
tífico, Santiago; 1894.
2 — Sommer, B. e Greco, N. V. — Aranidismo (aranismo) — An. Dept. Nacional Higiene,
Buenos Aires, 21:122-172; 1914.
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XI. REVISÃO DOS BOTRIURÍDEOS DA COLEÇÃO
ESCORPIÔNICA DO MUSEU NACIONAL DO RIO
DE JANEIRO (*)
POR
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1. INTRODUÇÃO
Por gentileza da diretoria do Museu Nacional, Rio de Janeiro, fui rever a
valiosa coleção dos escorpiões do gênero Bothriurus Peters 1861, estudada e eti¬
quetada por Cândido Mello-Leitão. A primeira revisão fiz em 1953. Nos anos
posteriores estudei numeroso material depositado no Instituto Butantan e publi¬
quei 3 trabalhos (1, 2 e 3) sôbre o gênero. Premido pelas dificuldades sistemá¬
ticas que vinham surgindo, revi a mesma coleção em 1958. Constituiu a base das
numerosas publicações de C. Mello-Leitão e como tal tem grande importância
para todos que queiram trabalhar na sistemática dêste gênero. Julgo importante,
pois, que os resultados destas revisões sejam tornados públicos aos interessados.
2. MATERIAL E MÉTODO
O material estudado por C. Mello-Leitão compreende algumas centenas de
Botruirídeos, depositado no Museu Nacional nos peguintes frascos:
(*)
10/1
Bothriurus bonariensis (Koch) 1842
76
exemplares
10/11
Bothriurus dorbignyi (Guérin) 1843
8
99
10/III
Bothriurus asper Pocock 1893
46
99
10/IV
Bothriurus coriaceus Pocock 1893
16
99
10/V
Bothriurus signalus Pocock 1893
2
99
10/VI
Bothriurus flavidus Kraepelin 1910
2
99
10/VII
Bothriurus prospicuus Mello-Leitão 1934
tipo
10/IIX
Bothriurus dispar Mello-Leitão 1931
99
10/IX
Bothriurus zeugma Mello-Leitão 1945
99
10/X
Bothriurus pringlesianus Mello-Leitão 1931
99
10/XI
Bothriurus chilensis (Molina) 1783
11
exemplares
>logia Médica.
, Instituto Butantan.
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” 10/XII Bolhriurus peruvianus, sem autor tipo
10/XIII Bothriurus borellianus Mello-Leitão 1934 2 exemplares
” 10/XIV Bothriurus elegans Mello-Leitão 1931 2
10/XV Bothriurus jragilis MelloLeitão 1934 tipo
10/XVI Bothriurus keyserlingi Pocock 1893 1 exemplar
10/XVII Bothriurus iusularis Mello-Leitão 1947 2 exemplares
10/XVIII Bothriurus moojeni Mello-Leitão 1945 5
10/XIX Bothriurus magalhaensi Mello-Leitão 1937 2
10/XX Bothriurus hurmeisteri Kraepelin 1894 3
As minhas revisões foram feitas à luz do exemplar. Quando nada menciono,
cheguei às mesmas conclusões de Mello Leitão, publicadas principalmente em
“Escorpiões sul-americanos” (4) e no Boletim do Museu Nacional, em 1947.
3. RESULTADOS
Frasco 10/1: B.bonariensis
N.° 11.294 — Montevideo; fêmea; 21 dentes pectíneos; face dorsal da vesícula
achatada, com depressão grande quase rasa, amarela. 2 machos; 24 dentes
pectíneos: = B.bonariensis.
N.° 42.287 — Morretes, Paraná; F. Lange legit; fêmea; 15 e 16 dentes pectí¬
neos; sem sulco interocular; último esternito e primeiros dois segmentos
caudais com 4 quilhas ventrais rugosas; face ventral do V.° segmento cau¬
dal com arco aberto no meio; a quilha longitudinal mediana consistindo
apenas de 4 grânulos; lado dorsal da vesícula plano, mas com pequena
mancha amarela elíptica.
Outra fêmea; 13 dentes pectíneos; as 4 quilhas do último esternito e dos
primeiros dois segmentos caudais quase imperecptíveis.
Um filhote; 17 dentes pectíneos; último esternito liso; primeiros dois seg¬
mentos caudais lisos na área mediana ventral; as 2 quilhas laterais inferiores
salientes apenas no terço posterior (elevações distais) ; na face ventral do
V.° segpiento caudal, além do arco, 4 grânulos enfileirados longitudinalinente
na área mediana, em frente ao arco.
Êstes 3 exemplares não são B.bonariensis, embora apresentassem o mesmo
colorido negro brilhante. Bonariensis tem sulco interocular; último ester¬
nito liso nos dois sexos, como também a face ventral dos dois primeiros
segmentos caudais; dentes pectíneos 17 a 22 dm fêmeas e 19 a 24 em machos.
Estudei grande número de exemplares, iguais aos 3 exemplares vindos de
Palmeira e Morretes no Paraná d aos quais dou o nome de Bothriurus moojeni
M. L. 1945, com a seguinte caracterização: todo o corpo, inclusive as per¬
nas, preto; sem sulco interocular; machos com 14 a 18, fêmeas com 13
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a 16, filhotes com 17 a 19 cientes pectíneos; último esternito liso no macho,
opaco e finamente granular na fêmea; face ventral dos primeiros três seg¬
mentos caudais sem quilhas medianas, mas com quilhas laterais que formam
um “V” com as quilhas laterais superiores, figura esta que atinge a metade
posterior no primeiro segmento, o terço posterior no segundo e apenas o
canto distai no terceiro; face ventral do V.° segmento caudal com arco,
quase fechado ou um tanto aberto no meio; dentro do arco cêrca de 7 a 11
grânulos, fora do mesmo alguns grânulos, espalhados a $mo ou ordenados
longitudinalmente 1 na linha mediana; face dorsal da vesícula na fêmea plana
com mancha mais clara ou amarela, no macho achatada, com depressão
oval ou cordiforme, amarela, mas pouco profunda; mão do macho com apó¬
fise na base do dedo móvel, continuada por um espinho e com escavação
na base do dedo imóvel.
N.° 36 826 — Malabrigo, província de Santa Fé, Argentina; macho; 21 dentes
pectíneos; face ventral do Y.° segmento caudal percorrido por uma crista
longitudinal mediana até em frente; o resto igual a B.bonariensis. É bona¬
riensis.
N.° 41.634 — Malabrigo; macho; 21 dentes pectíneos; etiquetado como “tipo”
de B. bonariensis jlavipes, porém nunca publicado por Mello-Leitão, cer¬
tamente porque o autor se convenceu de que o exemplar era de fato um
bonariensis.
N.° 42 503 — Santa Fé e La Plata — diversos exemplares = bonariensis.
N.° 41.443 — Morretes, Paraná; macho; 14 e 15 dentes pect. = B .moojeni
M.L. 1945
Serrinha, Paraná; macho; 14 dentes pect. = B.moojeni M. L. 1945.
N.° 11.290 — Campo Grande, Mato Grosso; fêmea; 11 e 12 dentes pectíneos;
tergitos percorridos por uma faixa amarela; face ventral da cauda com
uma estria mediana preta, ladeada por uma faixa larga amarela e dos dois
lados ainda outra estria escura, que se alarga posteriormente em cada seg¬
mento; último esternito e face ventral dos dois primeiros segmentos cau¬
dais lisa; face ventral do V.° segmento caudal com arco achatado em frente,
aberto; dentro de sua área cêrca de 6 a 8 grânulos grandes, sem menores;
na linha mediana, em frente ao arco, 3 a 4 grânulos enfileirados longitu¬
dinalmente; face dorsal da vesícula plana, não achatada.
Não é B.bonariensis. Comparamos o exemplar com numerosos outros da
coleção do Butantan, procedentes de Guaiçara, Vista Alegre, Campo Grande,
ctc. Achamos que se trata do Botrurídeo mais frequente no Estado de São
Paulo e Estados limítrofes, inclusive Mato Grosso e Goiás até a ilha do
Bananal. Enquadra-se perfeitamente entre M.magalhaensi e B.b.araguayae Vel-
lard 1934. Vellard só tem descrito a fêmea, enquanto que de magalhaensi
Mello-Leitão 1937 figuram macho e fêmea.
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N.° 41.601 — Maldonado, Uruguai = B.borvariensis.
N.° 41.602 — Porto Alegre; 7 exemplares = B.bonariensis. Uma fêmea apre¬
senta uma crista longitudinal mediana na face ventral do V.° segmento
caudal; 2 machos, mas filhotes, ainda não têm apófise na mão, nem escavação
na face dorsal da vesícula.
N.° 42 700 — Paraopeba, Minas Gerais; fêmea; 16 e 17 dentes pectíneos; com
sulco interocular; último esternito e face ventral dos dois primeiros seg¬
mentos caudais lisos e brilhantes; faixas e estrias da face ventral da cauda
como o exemplar 11.290 de Campo Grande; face ventral do V.° segmento
caudal também como êste exemplar = B.b.araguayae. Outra fêmea com 19
dentes pectíneos.
N.° 41.501 — Rio Grande do Sul; diversos exemplares = B.bonariensis.
N.° 11.287 — Itatiaia, São Paulo; fêmea; 13 e 14 dentes peíctineos; com sulco
interocular; esternito último e primeiros dois segmentos caudais lisos na
face ventral; face ventral do V.° segmento caudal com arco e alguns grâ¬
nulos longitudinais medianos enfileirados e outros espalhados fora do arco;
cauda com faixa e estrias ventrais = B.b.araguayae.
N.° 42.433 — Cachoeirinha, Paraná; fêmea; 12 dentes pectíneos; uma faixa
amarela a percorrer os tergitos; último esternito e face ventral dos primeiros
dois segmentos caudais com 4 quilhas; sem sulco interocular; face ventral do
V.° segmento caudal com arco, com uma fileira longitudinal mediana até
a metade do segmento; ao longo do arco' 4 grânulos justapostos; dentro
do arco grânulos maiores.
Não é B.bonariensis, mas B.signatus Pocock 1893.
Outra fêmea; 13 dentes pectíneos e sem sulco interocular.
Com B.signatus é sinônima a espécie B.nielloleitãoi Prado 1934, como já
foi demonstrado por mim(l) . Eu não tinha razão, entretanto, quando colo¬
quei a fêmea de signatus em sinonímia com 05per(l) e o macho com bona-
riensis( 3); B.signatus é espécie boa, com os seguintes caracteres diferenciais
mais importantes: “Cefalotorax percorrido por uma faixa mediana amarela;
sem sulco interocular; machos com 14 a 18, fêmeas com 10 a 15 dentes pec¬
tíneos; último esternito rugoso ou com 4 quilhas posteriores, mais ou menos
nítidas na fêmea, liso ou com elevações distais apenas no macho; face
ventral dos primeiros dois segmentos caudais com 2 quilhas medianas e 2
laterais na fêmea, com elevações distais apenas ou inteiramente lisa nos
machos; face ventral do V.° segmento caudal com arco e com uma fileira
longitudinal mediana de grânulos muito curta, de comprimento médio ou
quase ausente; arco aberto no meio, mas estendendo-se quase até a metade
do segmento; a área dentro do arco não está muito decaída; face dorsal
da vesícula do macho achatada, com escavação elíptica amarela, da fêmea
sem escavação, mas amarela ou clara também.
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Frasco 10/11: B.dorbignyi
N.° 27.096 — Salta, Argentina; macho; 28 dentes pectíneos; com uma fosseta
profunda sob o dedo imóvel; sem sulco interocular; último esternito liso.
brilhante, porém finamente granular dos lados; primeiros segmentos cau¬
dais com cristas dorsais medianas, dorso-laterais e ventro-laterais completas,
sem ventrais medianas = B.dorbignyi.
N.° 24 571 — Catamarca, Argentina; fêmea; 23 dentes pectíneos.
N.° 23.905 — Jujuí, Argentina; macho 26 dentes pectíneos.
N.° 41 388 — Salta. Mais um macho, de Mendoza, com 19 dentes pectíneos.
N.° 41.535 — Santiago dei Estero.
N.° 42.555 — Juan, Argentina. Todos = B.dorbignyi.
Frasco 10/III: B.asper
B.asper apresenta uma curiosa história, que reflete as dificuldades da cor¬
reta sistematização da maioria das espécies dêste gênero. Foi descrito por
Pocock, em 1893, com apenas um macho, filhote (com faixa amarela nos
tergitos; último esternito liso; face inferior do,s segmentos caudais lisas;
face ventral do V.° segmento caudal com arco, com quilha mediana longi¬
tudinal obsoleta; face dorsal da vesícula apenas achatada; 20 dentes pectí¬
neos; Iguarassú, Pernambuco.
Kraepelin colocou a espécie em sinonímia com B.vittatus, em 1899, e como
variedade (de colorido) de B.bonariensis em 1911; Mello Campos a fêz
subespécie de B.bonariensis, em 1922; Mello-Leitão revalidou-a, com razão,
como espécie boa, em 1934 e 38; E. Bukoup(5) colocou-a novamente em
sinonímia com B.bonariensis, em 1957 e eu, em 1957/58, revalidei-a nova-
mente como subespécie (1). Julgo-a, entretanto, espécie boa e bem definida,
devendo adicionar-se à caracterização de Pocock apenas o seguinte, que
inclui as fêmeas: — Cômoro ocular sulcado; faixa amarela nítida, para¬
lela e contínua através de todos os tergitos; último esternito e face ventral
dos primeiros dois segmentos caudais lisos em machos e fêmeas; face ven¬
tral do V.° segmento caudal com arco mais ou menos aberto, com grânulos
dentro; a crista longitudinal mediana é geralmente obsoleta, com poucos
grânulos ou quase nenhum, em casos raros vai até a metade ou pouco além
do meio; fêmeas com 16 a 19, machos com 19 a 21 dentes pectíneos; face
dorsal da vesícula achatada, principalmente nos machos, menos nas fêmeas,
no máximo com mancha amarela, mas nunca com escavação; colorido geral
marrom claro, nunca preto; distribuição geográfica — nordeste; brasileiro:
Piauí, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia. Resta confir¬
mar sua presença em Minas Gerais, no Espírito Santo e mais para o sul,
o que me parece pouco provável.
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N.° 27.062 — Alagoas; 8 exemplareis; 1 fêmea com 17 cientes pectíneo,s; face
ventral do V.° segmento caudal muito granulosa, a crista mediana indo até
a base do segmento quase = B.asper.
N.° 43.250 - — Alagoas; 10 exemplares = B.asper.
N.° 41.928 — Alagoas; 10 exemplares = B.asper.
Bom Jesus da Lapa, Bahia; 1 fêmea; 16 drtites pect.; sem crista mediana
longitudinal na face ventral do V.° segmento caudal, mas apenas com
uns 10 grânulos esparsos fora do arco = B.asper.
N.° 58.356 ■— Nordeste e 10.571: R.v.Ihering; 1 macho, 19 dentes pectíneos =
= B.asper; cêrca de 15 grânulos dentro do arco e 4 fora; sem crista mediana;
vesícula plana dorsahnente.
Sem n.° — Pôrto Alegre; Padre Pio Buck legit; 1 fêmea; 23 dentete pectíneos;
cefalotorax e tergitos com faixa amarela, mas esta não é paralela e contí¬
nua, mas segmentar, alargando-se na frente de cada segmento e estreitando-se
atrás, formando um “T”; face ventral da cauda com uma larga faixa me¬
diana amarela, ladeada por 2 estrias escuras, segmentares, estreitas na
frente e alargando-se atrás; face ventral do V.° segmento caudal com arco
e com crista mediana que vai até a base do segmento. Não é asper, mas
indubitàvelmente uma subespécie de B.bonariensis, a ser confirmada pela des¬
crição do macho de Pôrto Alegre. É justamente esta forma de Pôrto Alegre
a responsável, que induziu a E. Bukoup a considerar asper sinônimo de
bonmiensis.
N.° 58.448 — Jupuvura; fêmea, 13 dentes pectíneos; outra fêmea, com 12 e 13
dentes pectíneos, do Vale de Itaúna, no Espírito Santo; face ventral do V.°
segmento caudal sem crista mediana, com faixa amarela nos tergitos, mas
com 4 cristas no último esternito e na face ventral dos dois primeiros seg¬
mentos caudais. Não são asper, por conseguinte, mas B.signatus.
N.° 41.816 — Ceará; 2 exemplares; 21 dentes pectíneos; face ventral do V.°
segmento caudal inleiramente granulado, de maneira que o arco é mal visí¬
vel; com uma crista longitudinal mediana nítida e ainda com 2 cristas
acessórias curtas. Não é asper, mas certamente B.rochai Mello-Leitão 1932.
N.° 41.817 — Nordeste; R.v.Ihering legit, gob N.° 276; fêmea; 19 dentes
pectíneos; cômoro ocular sulcado, último esternito liso; face ventral da
cauda com uma faixa mediana clara ladeada por duas estrias escuras; face
ventral do V.° segmento caudal com arco, com 1 crista longitudinal mediana
até o primeiro terço do segmento, com 2 cristas paramedianas no último
quinto apical e com 2 cristas laterais até a metade do segmento. A ausência
do arco bem definido e a,s 5 cristas demonstram que êste curioso exemplar
não é asper nem rochai mas algo de nôvo no nordeste brasileiro, que vere¬
mos detalhadamente, quando tratarmos de B.coriaceus do frasco seguinte.
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Mem. Inst. Butantan, ESCORPIÕES E ESCORPIONISMO NO BRASIL 193
30:187-206. 1960-62.
Frasco 10/IV: B.coriaceus
O conteúdo dêste frasco é de escorpiões do Chile (local típico de coriaceus
Pocock 1893), de Jujuí, oeste da Argentina, nos contrafortes dos Andes
(região ainda admissível para coriaceus) e — numa distância assombrosa
— da Paraíba no nordeste brasileiro. O que terá influenciado a Mello-Leitão
a admititr a presença desta espécie no polígono da sêca?
N.° 41.815 — Ceará; macho; 23 e 24 dentes pectíneos; último esternito e face
ventral dos primeiros dois segmentos caudais lisos; face ventral do V.° seg¬
mento caudal com uma área posterior, delimitada por um arco nada nítido;
com 1 crista longitudinal mediana até o primeiro terço, com 2 cristas para-
medianas um pouco mais curtas e com 2 cristas acessórias até a metade. A
ausência do arco nítido, a presença de 5 cristas não deixam dúvida de que
êste exemplar é justamente o macho de uma espécie, cuja fêmea foi des¬
crita antes sob o n.° 41.817. Não é coriaceus certamente, como Mello-Leitão
pensava e eu aceitei em meu trabalho de 1957/58(2). Esta confusão dele c
minha precisa ser refeita, pois levaria a novas dificuldades num gênero já
por demais confuso. Eu, por exemplo, coloquei B.fragilis Mello-Leitão 1934
e B.zeugma Mello-Leitão 1945 em sinonímia com B.rochai Mello-Leitão 1932,
no que não pode haver dúvida e que sustento ainda hoje, mas errei — ao
lado de Mello-Leitão, quando puz rochai como subespécie de coriaceus. B.
rochai é espécie boa, do nordeste, ao lado de asper; coriaceus, entretanto,
é somente do Chile e zonas argentinas limítrofes. Veja-se a descrição ori¬
ginal de Pocock, em 1893:
3 machos e 1 fêmea do Chile e de Coquimbo (Chile); 15 dentes pectíneos
na fêmea, 18 no macho; primeiro segmento caudal com cristas inferiores
obsoletas (no macho) ; face ventral do V.° segmento caudal com crista
mediana longa, com 2 cristas laterais quase tão longas como a mediana ; e
mais 2 cristas em arco; parente de bonariensis.
Êste laconismo do autor da espécie levou Kraepelin, em 1899, a colocai
coriaceus em sinonímia com vittatus; em 1911 reconheceu-a como espécie
boa, dizendo então que pouco tinha de comum com vittatus mas que, no
tocante às cristas do V.° segmento caudal, quase não poderia ser /separada
de B.chilensis. Êle examinou diversos exemplares, todos do Chile; Pocock
tinha recebido mais exemplares de Punta de Vacas ao sul do Aconcagua e
Borelli da serra de Cordoba.
A descrição do coriaceus Pocock 1893, do Chile, é a seguinte, quando se
incluem todos os caracteres: dentes pectíneos cêrca de 15 nas fêmeas, 18 nos
machos; primeiros dois esternitos lisos; terceiro e quarto finamente granu¬
lares nas fêmeas, menos nos machos; face ventral do primeiro segmento
caudal com 4 quilhas nas fêmeas, nos machos apenas com 4 elevações dis¬
tais mal visíveis; face ventral do V.° segmento caudal sem arco, com 1
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fileira mediana de grânulos e 2 laterais, quase até a base do segmento e
mais 2 fileiras paramedianas de grânulos, convergentes atrás em direção
à linha mediana (Pocock chamou a isto de “arco”) ; face dorsal da vesícula
do macho plana, sem escavação.
Os dois exemplares do nordeste (41 815 e 41 817) não correspondem a
esta caracterização (maior número de dentes pectíneos, último esternito e
segmentos caudais 1 e 2 lisos; com.arco, etc.). Propomos para êles o nome
de Bothriurus camlidoi n.sp., em homenagem a Mello-Leitão, em cuja cole¬
ção os encontramos.
N.° 24.572 — Jujuí, Argentina; 2 exemplares = B.burmeisteri Krpln. 1894.
trai do quinto segmento caudal com arco, com 1 crista mediana longa e
com 2 acessórias curtas, como o exemplar n.° 41.816, Não é B.coriaceus,
mas B. rochai.
N.° 58.037 — Santiago do Chile; 10 exemplares = B.coriaceus.
N.° 24 572 — Jujuí, Argentina; 2 exemplare = B.burmeisteri Krpln. 1894.
N.° 42 559 — Soledade, Paraíba; 1 exemplar = B.rochai.
N.° 41.968 — Satosa, Nordeste; 1 exemplar = B.rochai. A fileira de( grânulos
medianos da face ventral do Y.° segmento caudal é dupla ou tripla dentro
da área do arco, como foi descrito para fragilis e zeugma, que são idênticos
a rochai.
Frasco 10/V: B.signatus
N.° 11.288 — Montevideo; fêmea; 20 e 21 dentes pectíneos; cômoro ocular
sulcado; tergitos percorridos por faixa amarela, segmentar, larga na frente,
estreitando-se atrás; último esternito liso; face ventral da cauda percorrida
por larga faixa mediana amarela ou clara, ladeada por duas estrias escuras,
estreitas na frente, alargando-se atrás, em cada segmento; face ventral do
V.° segmento caudal com arco aberto, com 1 crista mediana que vai quase
até em frente, com alguns grânulos fora do arco, dos lados e outros dentro
da área do arco. Não é evidentemente, B.signatus, mas a mesma subespécie
de B.bonariensis, assinalada no frasco 10/III, de Porto Alegre.
N.° 58 189 — Sierra Ventana, Argentina; fêmea; 18 dentes pectíneos; face
ventral do V.° segmento caudal com arco aberto, prolongando-se os dois
ramos para a frente, 1 crista até um pouco além da metade do segmenta
e mais 2 cristas acessórias muito curtas, formadas apenas por 3 grânulos
de cada lado; último esternito com elevações distais apenas, primeiros dois
segmentos caudais com 2 quilhas laterais inferiores posteriores, as ventrais
medianas mal perceptíveis. Não é signatus, certamente, mas provavelmente
a fêmea de B.jlavidus Krpln. 1910.
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Frasco 10/VI: B.flavidus
N.° 11.293 — Sem procedência; fêmea, 13 dentes pectíneos; tergitos percor¬
ridos por uma faixa amarela segmentar; face inferior da cauda com 3 estrias
longitudinais; face ventral do V.° segmento caudal com arco aberto, indo
os ramos um pouco para a frente e com crista mediana curta; adiante do
arco, principalmente dos lados, bastante grânulos = B.flavidus Krpln. 1910.
N.° 21.708 — São Luís, Argentina = B.flavidus.
Frasco 10/VII: B.prospicuus M.L.1934
N.° 21.707 — La Ferrere, província de Buenos Aires; tipo; macho; 16 e 17
dentes pectíneos; sulco interocular muito raso, quase imperceptível; último
esternito com 4 quilhas, no meio delas rugoso; face ventral dos primeiros
dois segmentos caudais sem cristas medianas, mas com 2 quilhas laterais
que formam um “V” de abertura posterior com as quilhas laterais supe¬
riores; face ventral do V.° segmento caudal com arco muito aberto e com
os dois ramos bastante dirigidos para a frente, paralelamente à crista mediana
longitudinal que vai até a metade do segmento, ainda que mais curtas
e ainda com 2 cristas acessórias, embora delicadas C interrompidas, mas
que alcançam quase o comprimento da crista mediana.
Frasco 10/VI1I: B.dispar M.L.1931
N.° 21.709 — La Ferrere; tipo; fêmea; 7 dentes pectíneos; gem sulco interocular;
último esternito com 4 quilhas, no meio delas granuloso (não liso, como
escreveu Mello-Leitão) ; face ventral dos dois primeiros segmentos caudais
com duas quilhas medianas e duas laterais; face ventral do V.° segmento
caudal com arco, cujos ramo,s seguem em frente, paralelamente à crista
mediana até o primeiro terço do segmento, a mediana se estende até a
base quase; do arco brotam 2 cristas acessórias, tão longas quanto os ramos
do arco; face dorsal da vesícula achatada, com fosseta nítida, oval, pequena,
amarela.
Os 7 dentes pectíneos são evidentemente uma má formação, como revela
um exame atento, que deixa descobrir falhas. Quanto ao resto: ausência de
sulco interocular, último esternito e face ventral dos 2 primeiros segmentos
caudais — há concordância com prospicuus, tomando-se em conta que nas fê¬
meas as quilhas são mais salientes, nos machos menos; em compensação apre¬
sentam os machos cristas mais desenvolvidas na face ventral do V.° segmento
caudal do que as fêmeas.
La Ferrere é também o local do tipo de B.alienicola Mello-Leitão 1931. Sc
foi descrita uma fêmea; 13 dentes pectíneos, cômoro ocular não sulcado;
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último esternito com 4 quilhas, primeiros dois segmentos caudais com 4 qui¬
lhas ventrais, apenas a face ventral do V.° segmento caudal seria diferente,
muito granular, sem arco visível e sem cristas longitudinais. Um exemplar
— o tipo — do Museu Bernardino Rivadavia, entretanto, apresenta arco,
ainda que fraco, aberto no meio, indo os dois ramos um pouco para a
frente, uma curta crista mediana e acessórias curtíssimas. É, pois, da mesma
espécie.
Alienicola, dispar e prospicuus, tôdas de La Ferrere, formam uma única
espécie, tão parecida com B.flavidus Krpln. 1910 que não se pode deixar
de considerá-las como idênticas com esta, devendo passar seus nomes em
sinonímia com B.flavidus, como já tenho assinalado em 1957/58, a respeito
de alienicola e pringlesianus. Pringlesianus será considerado a seguir. Agora
incorporo os nomes dispar e prospicuus também sob flavidus, não mais sob
alticola, como tinlia feito naquele trabalho.
Todos êstes espécimes, colhidos em La Ferrere, Pringlos e Bahia Blanca,
isto é, na província de Buenos Aire.s, apresentam sulco interocular ausenle
ou tão raso que pode passar por ausente, 3 ou 5 faixas ou estrias na face
ventral da cauda, 17 a 14 dentes pectíneos nos machos e 12 a 15 nas
fêmeas, último esternito e primeiros dois segmentos caudais com 4 quilhas
inferiores ou 2 quilhas laterais inferiores nas fêmeas, menos nítidas às
vêzes nos machos ou reduzidas mesmo a elevações distais apenas; face
inferior do V.° segmento caudal com arco aberto, indo os ramos mais ou
menos para a frente, de comprimento flutuante, com 1 estria mediana longi¬
tudinal de comprimento flutuante e com 2 cristas acessórias também de
comprimento flutuante, desde ausente quase em alienicola e flavidus até
longas em dispar, menos longas em prospicuus; face dorsal da vesícula do
macho achatada, com nítida depressão pequena, oval, amarela ou pálida.
Frasco 10/IX: B.zeugma
Rio Grande, Estado da Bahia; Moogen legit; 4 exemplares, entre êles o
tipo; ao todo 3 machos e 1 fêmea. Não compreendo como em “Escorpiões
sulamericanos” pôde ser assinalado Iguaçú, Paraná, como local da captura.
Macho; 23 e 24 dentes pectíneos; face ventral do V.° segmento caudal com
arco, com 1 crista mediana de grânulos duplos dentro da área do arco r
com 2 cristas acessórias curtas; face dorsal da vesícula plana, sem escavação.
Macho; 22 a 23 dentes pectíneos; o resto igual ao exemplar anterior.
Fêmea; 18 e 19 dentes pectíneos; a crista mediana ventral do V.° segmento
caudal se estende quase! até a base e apresenta grânulos enfileirados desorde¬
nadamente, de maneira que em certos locais a fila aparece como dupla ou
mesmo tripla.
Macho; 23 e 24 dentes pectíneos; crista mediana ventral do V.° segmento
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caudal de grânulos simples e distantes fora do arco, dentro do mesmo a fila
é dupla ou tripla; as 2 cristas laterais apresentam grânulos muito espaça¬
dos == B.rochai.
Frasco 10/X: B. pringlosianus
N.° 11.291 — Pringlos, Argentina; macho; tipo; 15 dentes pectíneos; cômoro
ocular com um sulco raso, quase imperceptível; último esternito e face ven-
tral dos primeiros dois segmentos caudais com 4 quilhas; face ventral do
V.° segmento caudal com arco aberto, indo os dois ramos um pouco para
a frente; dentro do mesmo uns 10 grânulos maiores e mais para tris um
amontoado de menores; com dois a três grânulos no local das cristas aces¬
sórias; adiante do arco, na zona mediana um amontoado de grânulos; face
ventral da cauda com as 5 estrias já descritas no grupo flavidus; face dorsal
da vesícula achatada, com escavação nítida cordiforme, pequena.
É evidente que pertence ao grupo flavidus, devendo o nome passar em sino-
nímia com êste, como já assinalei em trabalho anterior.
Frasco 10/XI: B.chilensis (Molina) 1782
Esta espécie tem a sua nomenclatura tão complicada, que precisamos citá-la:
Scorpio chilensis Molina 1782
Cercophonius chilensis Karsch 1879
Bothriurus chilensis Kraepelin 1894
Bothriurus signatus Pocock 1893
Bothriurus keyserlingi Pocock 1893
Bothriurus chilensis (Karsch) Kraepelin 1911
Bothriurus borellianus Mello-Leitão 1934
Bothriurus chilensis (Molina) Mello-Leitão 1945.
Signatus Pocock e keyserlingi Pocock 1893 são considerados hoje espécies
boas; borellianus, — nome proposto por Mello-Leitão — para um espécime,
descrito por Borelli como chilensis, é espécie completamente diferente, que
será tratada mais tarde.
Botriurus chilensis, diagnosticado por Molina: — Scorpio chilensis peteti-
nibus 16 dentatis, manibus subangulatis — e redescrito por Karsch e Kraepe¬
lin, apresenta os seguintes caracteres específicos: com cômoro ocular sul¬
cado; face ventral do V.° segmento caudal sem arco, mas com crista mediana
que se estende quase até em frente, com 2 cristas laterais na metade pos¬
terior do segmento e com 2 cristas curtas, divergentes para trás, intermediá¬
rias; mão do macho com fosseta e com espinho robusto sob os dedos; último
esternito e face ventral dos dois primeiros segmentos caudais, nas fêmeas,
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com 4 quilhas posteriores com ou seím grânulos, nos machos pràticamente
ausentes ou reduzidas a duas elevações distais; no referente aos dentei pec-
tíneos falam os autores em 15 (nas fêmeas) até 20 (nos machos); vesícula
do macho achatada dorsalmente, com leve depressão oval, amarela.
N.° 42.550 — San Alfonso, perto de Santiago, Chile; fêmea; 14 dentes pectí-
neos; face ventral do V.° segmento caudal com crista mediana que vai até
o quarto basal, cristas laterais desde a borda posterior até a anterior quase,
portanto mais longas que a crista mediana; duas cristas posteriores, inter¬
mediárias, divergentes da frente para trás; a área ventral, em frente às cris¬
tas divergentes, muito granulosa. Não é chilensis, mas coriaceus.
Sem n.° — El Canelo, perto de Santiago; macho; 16 dentes pectíneos; com espi¬
nho entre os dedos, cômoro ocular sulcado; face dorsal da vesícula plana,
sem depressão; face ventral do V.° segmento caudal como no exemplar ante¬
rior = B.coriaceus.
N.° 42.551 — El Canelo; fêmea; 13 dentes pectíneos; face ventral do V.° seg¬
mento caudal, como nos dois exemplares anteriores = R.coriaceus.
Sem n.° — Macho; 15 e 17 dentes pectíneos; segmento V.°, como nos outros;
face dorsal da vesícula plana, com leve depressão, com mancha cordiforme
amarela. Pode ser B.chilensis ou coriaceus.
Sem n.° — Macho; 16 dentes pectíneos; o resto = chilensis ou coriaceus.
Voltaremos a chilensis eí coriaceus quando tratarmos de B.keyserlingi.
Frasco 10/XII: B.peruvianus
1 exemplar; Tarma, Perú, a 3.100 metros de altitude; fêmea; 12 dentes
pectíneos; sulco interocular quase imperceptível; último esternito finamente
granular;primeiro segmento caudal com 4 quilhas ventrais, lisas; segundo
segmento, idem, embora mais fracas; face ventral do V.° segmento caudal
sem arco, com 1 crista longitudinal mediana que vai quase da borda poste¬
rior à anterior, existindo na frente alguns grânulos horizontais, com os quais
forma um “T”, atrás a crista mediana se ramifica, formando um “V”,
aberto atrás; as 2 cristas laterais começam igualmente quase na borda poste¬
rior, embora um tanto irregulares, seguem em frente até além do primeiro
quarto basal; entre a mediana e as duas laterais há duas cristas paramedia-
nas, quase tão longas quanto as laterais e divergentes no quinto apical do
segmento; face dorsal da vesícula plana.
Não me consta que Mello-Leitão tenha publicado o nome e a descrição desta
espécies. Representa real mente a fêmea, — aliás a primeira —, da espécie
Bothriurus titschalá Werner 1939. Werner descreveu o macho de Contulmo,
do Chile!. A caracterização tem sido muito deficiente. Cabe, pois, a Mello-
Leitão a caracterização da fêmea desta espécie.
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Frasco 10/XIII: B.borellianus M.L. 1934
Sem n.° — Casa Blanca, Chile; Cajardo Tobar legit; fêmea; 18 e 19 dentes pec-
tíneos; sem sulco interocular; último esternito com 4 quilhas na segunda
metade e granular no permeio, as quilhas muito leves; face ventral dos dois
primeiros segmentos caudais lisa; face ventral do V.° segmento caudal sem
arco, com 5 cristas: a mediana até a base, as 2 laterais da borda posterior
até o primeiro quinto do segmento, as 2 paramedianas tão longas quanto
as laterais, mas divergentes atrás. Não é B.borellianus, mas B.burmeisteri,
cujo sulco interocular é tão raso que passa desapercebido.
B.borellianus deixa, pois, de existir.
Frasco 10/XIV: B.elegcms
N.° 41.635 — Jujuí, Argentina; fêmea; 15 e 16 dentes pectíneos; sem sulco
interocular; face ventral do V.° segmento caudal com uma fila transversal
de grânulos, paralela à borda posterior; a quilha mediana longitudinal vai
de borda a borda, interrompida apenas na zona da fila transversal; as 2
quilhas laterais vão até o quinto basal.
N.° 41.636 — Igual. Ambos os espécimes são B.dorbignyi, com o qual o nome
de B.elegans deve ser posto em sinonímia, como já assinalei num trabalho
anterior.
Frasco 10/XV: B.fragilis
N.° 48.418 — Campina Grande, Paraíba; macho; tipo; 22 dentes pectíneos;
vesícula com face dorsal plana; face ventral do V.° segmento caudal com
crista múdiana longitudinal reta, com arco aberto no meio e com 2 cristas
acessórias curtas, que consistem apenas em 4 grânulos laterais, irregular¬
mente ordenados, não atingindo a metade do segmento. Não é jragilis uma
espécie boa, mas igual a B.rochai, descrita pelo mesmo autor no nordeste
brasileiro.
Frasco 10/XVI: B.keyserlingi
N.° 42.350 — Argentina, sem outra procedência; macho; 16 dentes pectíneos;
sulco interocular muito raso, quase imperceptível; último esternito e primeiro
segmento caudal com 4 quilhas delicadas, sem grânulos, não nítidas; face
dorsal da vesícula com exeavação rasa, pequena, oval, sem mancha amarela;
face ventral do V.° segmento caudal com arco, aberto no meio, com crista
mediana longitudinal que atinge quaseí a frente e com 2 cristas acessórias
curtas.
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Não é heyserlingi, mas pertence indubitavelmente a B.flavidus. A diagnose
de B.keyserlingi de Mello-Leitão, em Escorpiões Sulamericanos, 1945, de
maneira alguma corresponde à descrição original de Pocock da espécie
heyserlingi. Representa mais um esforço em esclarecer uma espécie mal des¬
crita por Pocock e que em autorçs posteriores tem despertado lôda a sorte
de ambiguidades, não mais solúveis.
B.coriaceus, heyserlingi, estas duas de Pocock 1893 e chilensis (Molina) cons¬
tituem boje três espécies irreconhecíveis, das quais sabemos como certo ape¬
nas o seguinte: as 3 são do Chile ( heyserlingi talvez do Peru) ; a face ven-
tral do V.° segmento caudal das 3 espécies apresenta uma crista mediana,
2 cristas laterais e 2 intermediárias, divergentes da frente para trás. A
mediana e as laterais têm comprimento flutuante; o último estemito é liso
ou quase liso nos machos, com 4 quilhas posteriores nas fêmeas; a face
ventral dos dois primeiros segmentos caudais apresenta quilhas, medianas
e laterais ou laterais somente nas fêmeas, menos desenvolvidas nos machos.
O número de dentes pectíneos parece flutuar entre 13 a 16 nas fêmeas,
15 a 18 nos machos. Em um trabalho anterior, coloquei, por isso mesmo.
heyserlingi em sinonímia com chilensis. Acho que não fiz bem, pois chilensis
já é bastante duvidçso em si mesmo, como já demonstrei. Julgo melhoi
retornar “à estaca zero” e ficar com Pocock, que descreveu em 1893 as
duas espécies, coriaceus e heyserlingi; de coriaceus êle tinha um macho, dc
heyserlingi uma fêmea; a procedência de ambos era “Chile” ou Peru; exa¬
minou os dois exemplares e achou que heyserlingi era igual a coriaceus, com
a única exceção de que apresentava 4 quilhas no último esternito e na face
ventral do primeiro segmento caudal, que eram obsoletas em coriaceus.
Sabemos hoje que i§to é uma diferença ligada aos sexos: as fêmeas sempre
têm quilhas melhor desenvolvidas que os machos.
Portanto, considero hoje heyserlingi como a fêmea de coriaceus, mas faço
um vivo apêlo a estudiosos chilenos para procurarem resolver as espécies
chilenas do gênero Bothriurus.
Frasco 10/XVII: B.insularis
Sem n.° — Ilha do Francês, Canavieiras, Santa Catarina; dois paratipos; fêmea;
11 dentes pectíneos; sem sulco interocular; último esternito e primeiros dois
segmentos caudais com 4 quilhas inferiores; face ventral do V.° segmento
caudal com arco muito aberto na frente e muito dirigido para a frente,
ocupando quase a segunda metade do segmento; a área, incluída pelo arco,
não muito decaída; a crista longitudinal mediana atinge quase a base do
segmento; alguns grânulos fora da área; um grânulo de cada lado, no
local lateral; dentro do arco a crista mediana se bifurca em “V”, com aber¬
tura posterior.
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Outra fêmea: 11 e 12 dentes pectíncos; face ventral do Y.° segmento muito
granulosa ao longo da crista mediana eí dos lados; o resto igual ao exemplar
anterior.
Ambos os tergitos são percorridos por uma faixa segmentar amarela, mais
larga na frente de cada tergito.
É evidente que êstes exemplares são idênticos com B. signatus Pocock 1893,
devendo, pois, B.insularis ser considerado sinônimo com B.signatus. Conferir
também o exemplar n.° 42 433, de Cachoeirinha e descrição de signatus,
que aí dei; também o exemplar n.° 58 448 de Jupuvura.
Êstes espécimes podem, pois, substituir os do frasco 10/V, que não são
signatus.
Frasco 10/XVI1I: B.moojeni
Sem n.° — - 5 exemplares, machos e fêmeas, tipo e paratipos; Iguaçu, Paraná;
negro píceo no tronco, na cauda e nas pernas; pentes amarelos; sulco inter-
ocular bastante raso, em alguns exemplares quase imperceptível, podendo
passar, pois, como sendo “sem sulco interocular”; 12 a 16 dentes pectíneos
nas fêmeas, 15 a 18 nos machos; último esternito finamente granular no
macho até quase liso, mais granuloso nas fêmeas; face ventral dos primei¬
ros dois segmentos caudais sem quilhas medianas ou apenas granular mas
com quilhas granuladas laterais inferiores posteriores, nas fêmeas, menos
acentuadas nos machos; face ventral do V.° segmento caudal com arco,
muito aberto, de grânulos pequenos; com crista mediana do comprimento
flutuante e de grânulos tão delicados e esparsos que se torna imperceptível;
sem cristas laterais, no máximo um ou dois grânulos esparsos aí, mas que de
maneira alguma podem ser interpretados como cristas acessórias. (O dese¬
nho, à página 180, de Mello Leitão, “Escorpiões sulamericanos”, 1945, não
está correto neste particular) ; face dorsal da vesícula quase plana na fêmea,
plana no macho, com mancha amarela, em alguns machos com ligeira depres¬
são, com pequena mancha amarela.
Trata-se da mesma espécie dos exemplares de Morretes, Paraná (frasco
10/1 — N.° 42 287; 42.503; 41 443 e outros, tido por Mello-Leitão como
B.bonariensis) . Todos êstes são, pois, B.moojeni Mello-Leitão 1945, devendo
prevalecer, entretanto, a minha redescrição, onde esta se afasta da caracte¬
rização original de Mello-Leitão.
Neste conjunto quero esclarecer a posição de B.bonariensis var. maculatus
Kraepelin 1910. Em trabalho anterior, em 1957/58, coloquei-a em sinonímia
com bonariensis, mas distingue-se, segundo Kraepelin, por ter apenas 10 den¬
tes pectíneos (fêmea), por não apresentar sulco interocular e pelas manchas
claras amareladas na face dorsal e ventral da cauda. O tipo é de Tipuani,
na Bolívia e até o dia de hoje ninguém mais encontrou outro exemplar
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qualquer. O tipo era uma fêmea, não adulta. Todo o resto seria igual a
B.bonariensis. Se novas coletas confirmarem êstes caracteres (sem sulco
interocular, último esternito e face ventral dos primeiros segmentos caudais
em fêmeas e machos lisa; face ventral do V.° segmento caudal com arco
e com uma crista longitudinal de comprimento flutuante; 10 dentes pectí-
neos apenas) tratar-se-á de uma espécie boa, não de uma variedade.
Frasco 10/XIX: B .rnagalhaeiisi
N.° 42.504 — 2 exemplares; Queluz, Minas Gerais (deve tratar-se do tipo e
de um paratipo) ; fêmea; 16 e 17 dentes pectíneos; com sulco interocular;
último esternito é face ventral dos primeiros dois segmentos caudais lisos;
face dorsal da vesícula plana; face ventral do V.° segmento caudal com
arco semi-elíptico (os ramos não vão para a frente), com alguns grânulos
espalhados fora do arco, também na área mediana, dentro do arco um
amontoado de grânulos maiores, sem menores; tergitos percorridos por uma
faixa amarela, segjnentar, pouco nítida.
Fêmea; 15 e 16 dentes pectíneos; poucos grânulos fora da áre l a do arco na
face ventral do V.° segmento caudal; o resto igual ao outro exemplar;
B.magalhaensi Mello-Leitão 1937 é muito parecido com B.bonariensis ara-
guayae Vellard 1934, impondo-se um estudo comparativo mais acurado, por
que se trata, ao que tudo faz crer, dos Botriurídeos mais comuns do Estado
de São Paulo.
Frasco 10/XX: B.burmeisteri
Kraepelin descreveu esta espécie, em 1894, da seguinte maneira: Cômoro
ocular não sulcado no macho, com sulco raso, imperceptível quase na
fêmea; último esternito opaco, granular e enrugado; face inferior dos seg¬
mentos caudais anteriores sem quilhas medianas e laterais; face ventral do
Y.° segmento caudal sem arco, mas com 5 quilhas longitudinais longas
(percorrendo quase todo o .segmento), 1 mediana, 2 laterais e 2 intermediá¬
rias, as últimas curvas em sua porção distai; face dorsal da vesícula do
macho achatada, com ligeira escavação; mão do macho sem a fosseta pro¬
funda, mas apenas com depressão rasa com um espinho escuro robusto;
21 a 22 dentes pectíneos. Argentina.
Em 1910 completou Kraepelin a sua descrição, dizendo então: “Em 1894
só tive dois exemplares, mal conservados; os dentes pectíneos oscilam entre
17 e 22; em espécimes não totalmente adultos é o último esternito fina¬
mente granular, em mais jovens também os esternitos anteriores; uma
fêmea muito grande (e velha) apresentava o V.° esternito liso e brilhante.
Como em geral em todos os demais, também êste exemplar apresentava qui¬
lhas (caudais) desgastas. Mendoza, Argentina, é o local de maior fre-
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qüência; outros são da Argentina em geral; a fêmea muito grande é do Chile.
Mello-Leitão completou a descrição de Kraepelin, em 1945: fêmea com 16
a 22 dentes pectíneos, machos até 24; face ventral dos segmentos caudais
anteriores sem cristas medianas; cristas inferiores laterais presentes no
segmento I, ocupando a metade distai nos segmentos II a III.
Sem n.° — 2 exemplares; Valcheto, província de Entre Rios, Argentina; macho;
25 dentes pectíneos; sulco interocular imperceptível; face dorsal da vesícula
plana; último esternito granular; o resto igual à redescrição de Mello-Leitão
em 1945.
N.° 11.292 — Entre Rios; fêmea; 21 e 22 dentes pectíneos; último esternito
granular; face ventral dos primeiros dois segmentos caudais com quilhas
laterais; o resto igual à descrição de Mello-Leitão.
Sem n.° — Valcheto; fêmea; 22 dentes pectíneos.
Os 3 exemplares são realmente B ■ burmeisteri. B. doellojuradoi Mello-Leitão
1931, de San Fernando, jrrovíncia de Buenos Aires, foi posto em sinonímia
com B.burmeisteri, em 1957/58. Além de ser conhecido apenas um macho,
com o último esternito granular, jsem cristas; a face ventral dos primeiros dois
segmentos caudais sem cristas medianas, mas apenas com laterais; face ven¬
tral do V.° segmento caudal com 5 cristas longitudinais completas, até a base
do segmento, porém pouco sobressaindo, pois tôda a face ventral se apre¬
senta granulosa; face dorsal da vesícula com fosseta lisa.
Está realmente dentro da morfologia de burmeisteri, como tenho demonstrado
já em 1957/58.
Mais complicada se apresenta a espécie B .aldeola Pocock 1900. Em 1957/58
reuni a esta espécie as duas seguintes, B.dispar e B.pospicuus, no que não
fui feliz, pois as mesmas pertencem a B.jlnvidus, que é uma espécie atlân¬
tica, enquanto aldeola é uma representante andina. Pocock mencionou como
local do tipo o “caminho dos Incas”, na fronteira argentino-chilena, a
cêrca de 3.000 metros de altitude. Kraepelin achou em 1910 que a espécie
de Pocock era boa, embora êle nunca tivesse visto um só exemplar. A carac¬
terização de Kraepelin é a seguinte: com sulco interocular; último esternito
grosseiramente granular no meio; face ventral dos primeiros dois segmentos
caudais com quilhas medianas nítidas, com 2 quilhas laterais inferiores, mais
longas no primeiro segmento, na área ventral mediana (no local das quilhas
medianas) ainda grânulos; face ventral da cauda com estrias longitudinais;
dentes pectíneos 15 nas fêmeas, 20 nos machos; face ventral do V.° seg¬
mento caudal sem arco, com 5 cristas longas, sendo uma mediana, 2 laterais
e 2 paramedianas.
Não há dúvida de que esta espécie é relacionada com o grupo chileno —
chilensis, coriaceus e principalmente também com B. burmeisteri. Quem estudar
êste grupo deverá ver também B. aldeola.
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WOLFGANG BÜCHERL
Bothriurus ypsilon foi enquadrado por mim sob B .coriaceus, em 1957/58.
Já expliquei que as espécies, coriaceus, chilensis e keyserliugi ainda carecem
de melhor caracterização. B.ypsilon pertence indubitavelmente a êste grupo;
parece, porém, ser mais chegado a chilensis, como foi redescrito por Karsch
e Kraepelin, isto é, com sulco interocular, último esternito com 2 pequenas
cristas distais, face ventral do primeiro segmento caudal com 2 quilhas media¬
nas e 2 laterais; segundo apenas com 2 laterais distais; face ventral do
V.° segmento caudal sem arco, com crista mediana longitudinal quase até
em frente, bifurcada atrás, com 2 cristas laterais até a metade do segmento
e com 2 cristas intermediárias fortemente divergentes para trás; face dorsal
da vesícula com fosseta; 19 dentes pectíneos; Pampa; Argentina.
4. CONCLUSÃO
B.honariensis é espécie bem definida, da orla atlântica desde Buenos Aires
até Pôrto Alegr e;B.b.asper, do nordeste brasileiro, deverá ter seu nome modifi¬
cado para B.asper, pois parece ser espécie bôa; B.b .araguayae tem maior número
de caracteres comuns com asper do que com bonariensis, devendo chamar-se, por
êste 1 motivo, de B.asper araguayae. Com esta espécie seria idêntica a B.maga-
lhaensi, o que deverá ser estudado ainda com maiores detalhes; B-b.var.maculatus
parece-me ( ser uma espécie e não apenas uma variedade, se novos achados confir¬
marem sua existência na Bolívia.
B moojeni é espécie boa; igualmente B.signatus, da qual são sinônimos
B melloleilãoi e B insularis. B. coriaceus parece-me ser espécie boa, da qual é
sinônima B.keyserliugi, ambas do Chile. Devem se)r reestudadas.
B rochai é espécie boa, sendo suas sinônimas B.fragilis e zeugma; B can-
tlidoi n.sp., já descrita no texto, apresenta o mesmo conjunto de caracteres, o
mesmo colorido e número de) dentes pectíneos como rochai, à qual se aproxima
também pelo habitat, distingue-se, porém, desta e de B.asper pelas 5 cristas
venlrais, longitudinais do V.° segmento caudal, o que constitui um fato insólito
entre todos os Botriurídeos da zona atlântica e permite identificá-la à primeira
vista.
B jlavidus é espécie boa, sendo sinônima dela B.prospicuus, dispar, alieni-
cola e pringlesianus, todos da província de Buenos Aires.
B chilensis é espécie boa, mas que precisa ser reestudada juntamente com
coriaceus e keyserliugi. Dela é sinônima a espécie B.ypsilon, aparentada com
alticola, que pertence às espécies chilenas. B.elegans é sinônimo de B.dobgnyi
e borellianus de burmeisteri; peruvianus tem um conjunto de caracteres novos;
confesso, porém, que não possuo neím consegui encontrar dados a respeito de
sua descrição publicada, de maneira que situo-a perto de litschaki, ainda que
provisoriamente.
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5. RESUMO
No presente trabalho são redescritos os escorpiões do gênero Bothriurus
Peters 1861, da família BOTHRIURIDAE, que!, após minucioso estudo sob a
lupa, mostravam apresentar caracteres morfológicos diferentes dos publicados
por C. de Mello-Leitão, em “Escorpiões sulamericanos”. Bothriurus candidoi do
nordeste brasileiro é apresentado como espécie * 1 2 3 nova. O trabalho fornece também
novos elementos para a confecção de uma nova chave sistemática de tôdas as
espécies do gênero, pois as publicadas até agora são realmente muito deficientes.
6. SUMMARY
The scorpions from the genus Bothriurus Peters 1861, family BOTHRIUR1-
DAE, formerly studied by C. de Mello-Leitão and published in “Escorpiões sul-
americanos”, have been reexamined and redescribed. Bothriurus candidoi is pre-
sented as a new species. New specific characters are referred as important to
a new systematical revision of the genus.
Agradecemos ao Conselho Nacional de Pesquisas pelo auxílio concedido para
a realização dêste trabalho.
7. REFERÊNCIAS
1) Bücherl, W. — Mem. Inst. Butantan 28:1-10 e 11-18 e 19-44; 1957/58.
2) Mello-Leitão, C. de — Arq. Mus. Nac. Rio de Janeiro XL; 1945.
3) Buckoup, E. — Iheringia, Pôrto Alegre, Brasil 7:133; 1957.
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ESCORPIÕES E ESCORPIONISMO NO BRASIL
XII. REVISÃO SISTEMÁTICA E CRÍTICA DOS
ESCORPIÕES DO GÊNERO BOTHRIURUS
PETERS 1861
POR
W. BÜCI1ERL, P. R. SAN MARTIN, M. FLÔRES DA CUNHA,
F. A. MATTHIESEN, S. ZIMBER e I. BÜCHERL
INTRODUÇÃO
No intuito de resolver a problemática da posição taxonômica dos escorpiões
do gênero Bothriurus Peters 1861, reuniram-se durante os mêses de janeiro a
março de 1961, no laboratório de Zoologia Médica do Instituto Butantan e sob
a orientação de Wolfgang Bücherl, os penhores P. San Martin, do Departamento
de Etomologia de la Facultad de Humanidades y Ciências de Montevideo, Prof.
F. A. Matthiesen, do Departamento de Zoologia da Faculdade de Filosofia, Ciên¬
cias e! Letras de Rio Claro, M. Flores da Cunha, do Centro de Estudos Zooló¬
gicos da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, Sylvia
Zimber, do Departamento de Zoologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e
Letras da Universidade de São Paulo, e Ilona Biicherl.
Após revisão minuciosa da maioria dos exemplares, — cêrca de! 800 —,
já estudados em anos anteriores por Wolfgang Biicherl, auxiliado por Ilona
Bücherl, depositados na coleção escorpiônica do Instituto Butantan e consultas
das descrições originais dos autores e outras publicações sôbre o gênero, che¬
gamos à conclusão, que a divisão do gênero em 3 subgêneros — Bothriurus s.str.,
Andibothriurus e Transbothriurus — facilitará muito a sistemática das espécies.
MATERIAL E MÉTODO
Foram revisadas centenas de Botriurídeos da coleção escorpiônica do Instituto
Butantan, já anteriormente estudados por W. Bücherl, várias dezenas do Depar¬
tamento de Zoologia da Secretaria da Agricultura de São Paulo, alguns exem¬
plares trazidos para o estudo por Matthiesen de Rio Claro e por San Martin
de Montevideo. Entraram em consideração também as coleções do Museu Nacional
Laboratório de Zoologia Médica, Instituto Butantan.
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W. BÜCHERL, P. R. SAN MARTIN, M. FLÔRES DA CUNHA,
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e do Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. As do Museu Nacional foram
revistas por Bücherl em 1953 e 1959 e em parte por San Martin em 1960; as
do Oswaldo Cruz por San Martin em 1960.
Chegamos às seguintes conclusões quanto à metodologia sistemática do
a) A posição das “tricobótrias”, as “cristas” caudais: dorsais, medianas e
laterais e as pequenas diferenças de colorido não separam as espécies; não
têm valor sistemático, portanto.
b) O colorido geral, entretanto, por exemplo, se o escorpião é inteiramente prêto
ou amarelo, se os tergitos são de uma côr só ou são percorridos por uma
faixa mediana amarela, se a face inferior da cauda apresenta a mesma côr
do dorso ou existem aí 3 £aixas longitudinais nítidas, tem certamente valor
específico.
c) Da maior valia sistemática é o aspecto da face ventral do V.° segmento
caudal, podendo distinguir-se 3 tipos, agrupados por nós em 3 subgêneros:
— com “arco”, isto é, as 2 cristas laterais posteriores curvas correm para
o meio do segmento, formando uma espécie de arco, interrompido no meio,
geralmente, = Bothriurus s.str.; sem “arco”, correndo as cristas laterais
para- a frente, sem se curvarem = Andibothriurus; finalmente é o último
terço do segmento limitado por uma “trabécula” atravessada, paralela à
borda posterior = Transbolhriurus Mello-Leitão 1945.
No grupo dos portadores de um “arco” podem existir ainda: uma
fileira mediana de grânulos e 2 fileiras acessórias de grânulos. O compri¬
mento exato destas fileiras, descrito pelos autores, é menos importante, pois
costuma variar de espécime para espécime, dos machos para as fêmeas,
dos filhotes para os adultos.
d) O último esternito e a facé ventral dos dois primeiros segmentos caudais
oferecem bons caracteres diferenciais. Há Botriurídeos, em que êstes se apre¬
sentam completamente lisos, brilhantes; outros, em que se podem observar
2 ou 4 cristais longitudinais, que percorrem o segmento todo ou pelo menos
a metade posterior; há, finalmente, ainda escorpiões em que êstes se apre¬
sentam granulares. Infdizmente êste caracter só é nítido em fêmeas adul¬
tas; nos machos as cristas podem estar reduzidas a uma minúscula saliência
ou a um grânulo distai, de maneira que não servem para distinguirem-se
os machos de espécies diversas.
e) A presença ou ausência do “sulco interocular” é um caracter aproveitável.
Muito poucas são as espécies em que o sulco é tão raso que oferece dúvidas
de interpretação.
f) O aspecto da face dorsal da vesícula é de alguma importância no tocante
a machos de algumas espécies. Nas fêmeas não lhe cabe significação alguma.
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O macho de B. bonariensis pode ser determinado com segurança somente
pela profunda escavação amarela ou vermelha, grande, cordiforme da face
dorsal da vesícula; em machos de outras espécies esta é suavemente depri¬
mida dorsalmente; em outra é, ao contrário, abaulada.
g) O número de dentes pectíneos é certamente um bom caracter, não só para
diferenciarem-seí os dois sexos de uma espécie, mas também para a separação
de espécies diferentes ou de grupos próprios. A correta interpretação do
número de dentes pectíneos, entretanto, exige, nos dois casos, grande perícia,
adquirida somente após comparação de maior número de exemplares.
DIVISÃO DE BOTHRIURUS EM SUBGÊNEROS
1. Face ventral do V.° segmento caudal com arco semi-elíptico, formado pelas
duas cristas laterais; com ou sem fileiras mediana e acessórias de grânulos
(Figs. 1, 4, 7, 8,) — Bothriurus s.str. subg.n.
Face ventral do V.° segmento caudal sem arco, correndo as fileiras de
grânulos diretamente para a frente ou com a área posterior delimitada por
uma trabécula transversal, paralela quase à borda posterior — 2.
2. Face ventral do V.° segmento caudal com três ou cinco fileiras de grânulos,
dirigindo-se para a frente (Figs. 2, 5, 6).
Anãihothriurus subg.n.
Face ventral do V.° segmento caudal com área posterior subquadrangular,
delimitada por uma trabécula transversal.
Transborthriurus Mello-Leitão 1945
CARACTERIZAÇÃO DAS ESPÉCIES
a) do subgcnero Bothriurus s.str.
1. Sulco interocular ausente; escorpiões totalmente negros ou marrons; no
segundo caso ou com faixa longitudinal mediana amarela nos tergitos
ou com 3 estrias na face ventral da cauda . 2
Sulco interocular presente .. .. 6
2. Escorpião negro; 10 dentes pectíneos; margenf posterior dos tergitos
granulosa; cauda com manchas dorsais e ventrais claras. — Tipuani,
Bolívia — Bothriurus ( B .) maculntus Krpln.1910.
Número de dentes pectíneos acima de 10. Brasil, Uruguai e Argentina 3
3. Cefalotórax e tergitos percorridos por uma faixa mediana, longitudinal,
amarela; machos com 14 a 18, fêmeas com 11 a 15 dentes pectíneos;
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último esternito e face ventral dos dois primeiros segmentos caudais com
4 quilhas completas ou pelo menos na mütade posterior, reduzidas nos
machos a meras elevações distais; face ventral do V.° segmento caudal
com arco, que alcança quase a metade do segmento, a fileira mediana
longitudinal de grânulos é curta ou alé a metade do segmento; sem filei¬
ras acessórias; face dorsal da vesícula do macho achatada, com ligeira
escavação oval, pequena, amarela (Figs. 10 e 10a). Desde Teresópolis,
Rio de Janeiro, até o Rio Grande do Sul ■— Bothriurus ( B.) signatus
Pocock 1893.
Cefalotórax e tergitos sem faixa amarela; face ventral da cauda com ou
sem estrias longitudinais; face ventral do V.° segmento caudal com arco,
que se estende somente até ao último têrço do segmento; a área inclusa
pelo arco bastante deprimida .
D
Bothriurus asper asper
— face ventral do V.° segmento caudal;
2)
Bothriurus coriaceus
— idem;
3)
Bothriurus dorbignyi
— idem;
4)
Bothriurus jlavidus
— idem;
5)
Bothriurus paessleri
— idem;
6)
Bothriurus burmeisteri
— idem;
7)
Bothriurus a. aragrayae
— idem;
8)
Bothriurus a. alticola
— idem.
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4. Colorido geral, inclusive a face ventral da cauda, negro; machos com
15 a 18, fêmeas com 14 a 16, filhotep com 17 a 19 dentes pectíneos;
último esternito com 4 quilhas posteriores ou apenas finamente granular
ou rugoso; face ventral dos primeiros dois segmentos caudais nas fêmeas
ou com 4 quilhas posteriores ou apenas com 2 quilhas posteriores late¬
rais, que formam com as quilhas dorsais laterais um “V” aberto atrás;
nos machos as quilhas são menos acentuadas, também no último ester¬
nito. Face ventral do V.° segmento caudal com arco, geralmente sem
fileira mediana de grânulos ou esta atingindo a metade ou pouco mais
do segmento; fora e dentro do arco grânulos, os de fora, dos dois lados
às vezes ordenados longitudinalmente, mas ;sem formarem verdadeiras
filas acessórias; vesícula do macho achatada dorsalmente, com levis-
sima depressão oval ou cordiforme, pequena, amarela ou avermelhada.
Iguassú, Palmeiras, Morretes, Carambeí, Caiacanga, etc., Paraná —
Bothnurus ( B .) moojeni Mello- Leitão 1945.
Colorido geral pardo claro, pernas manchadas, cauda amarela ou pua
face inferior com 3 faixas longitudinais .
5. Face inferior da cauda com larga faixa mediana amarela, às vezes
separada em duas por uma estria central escura, ladeada por duas estrias
escuras; sulco interocular ausente ou muito raso, imperceptível, por¬
tanto; machos com 14 a 17 dentes, fêmeas com 12 a 15 dentes pectí¬
neos; último esternito e face ventral dos dois primeiros segmentos cau¬
dais com 2 ou 4 quilhas ou cristas nas fêmeas, geralmente posteriores
apenas; menos acentuadas nos machos; face ventral do V.° segmento
caudal com arco, bastante aberto no meio, podendo seus ramos seguir
para a frente; com 1 fileira mediana e 2 fileiras acessórias de grânulos,
longas, meio curtas ou as acessórias quase ausentes; vesícula do macho
com ligeira escavação na face dorsal (Figs. 10 e 10a). Bahia Blanca,
La Ferrere, Pringlos e outras localidades da província de Buenos Aires —
Bothriurus (B.) flavidus Krpln. 1910
Cauda dorsal e ventral amarela, sem faixas ventrais, os ápices dos
artículos fulvo-escuros; 12 a 13 dentes pectíneos na única fêmea até
hoje descrita. Último esternito e face ventral dos primeiros dois segmen¬
tos caudais lisos, sem quilhas; face ventral do V.° pegmento caudal
com arco muito aberto, sem fileira mediana ou acessórias de grânulos.
Vila Velha, Paraná —
Bolhriurus (B .) ruhescens Mello-Leitão 1947
6. Cefalotórax, face superior da cauda e pernas negros, brilhantes; machos
com 19 a 24, fêmeas com 17 a 22 dentes pectíneop; último esternito e
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face ventral dos 2 primeiros segmentos caudais lisos; vesícula do macho
com profunda escavação dorsal, grande, cordiforme, com fundo ama¬
relo ou avermelhado .
Cefalotórax marron ou cinza, com ou sem faixa mediana longitudinal
amarela; cauda e pernas marrons ou amarelos, manchados de escuro;
vesícula do macho apenas achatada, sem ou com leve depressão ....
9) B-a-asper — vista lateral do telson do macho;
10) B . a • araguayae — idem;
11) B.moojeni — vista lateral do telson do macho;
11a) B-moojeni — vista dorsal do telson do macho.
12) B-b■bonariensis — vista lateral do telson do macho;
12a) B-b-bonarirnsis — vista dorsal do telson do macho.
7. Face inferior da cauda sem faixas longitudinais, mas negra ou flava;
face ventral do V.° segmento caudal com arco, quase fechado, com
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numerosos grânulos dentro e fora do mesmo e com fileira longitudinal
dei grânulos de comprimento flutuante (Fig. 4); sem fileira,s aces¬
sórias. La Plata, Buenos Aire,s, Montevideo, Porto Alegre —
Bothriurus (B.) b.bonariensis (C. L.Koch) 1842
Face inferior da cauda com larga faixa mediana longitudinal amarela,
ladeada por uma estria segmentar escura —
Bothriurus ( B .) b.multichnctus P. San Martin 1961
8. Cefalotórax e tergitos percorridos por uma faixa mediana longitudinal
amarela nítida . 9
Cefalotórax e tergitos sem faixa mediana . 11
9. Machos com 19 a 22 dentes pectíneos, fêmeas com 16 a 19; filhotes com
20 a 21; último- esternito e face ventral dos primeiros segmentos cau¬
dais lisos; face ventral do V.° segmento caudal com arco aberto no
meio, dirigindo-se os dois ramos mais ou menos para a frente; dentro
de sua área e na região anterior e lateral numerosos grânulos; fileira
mediana longitudinal de grânulos curta ou até a metade; face dorsal
da vesícula do macho apenas achatada, sem depressão. Nordeste brasi¬
leiro, desde a Bahia até o Ceará.
Bothriurus {B.) asper Pocock 1893
Machos apenas com 14 a 18, fêmeas com 13 a 16 dentes pectíneos. Uru¬
guai, sul e sudoeste do Brasil até a altura do Rio de Janeiro, Minas
Gerais, Mato Grosso e Bolívia . 10
10. Último esternito e face ventral dos 2 primeiros segmentos caudais com¬
pletamente lisos; face ventral dos V.° eegmento caudal com arco semi-
elíptico, quase fechado, não se dirigindo seus ramos para a frente; sem
fileiras mediana ou acessória de grânulos (Fig. 7) ; face dorsal da
vesícula do macho sem depressão, mas ligeiramente abaulada, com ou
sem pequena mancha amarela ou clara. Goiás, sul de Minas, todo o
Estado de São Paulo, uma parte de Mato Grosso até Bolívia —
Bothriurus (B.) asper araguayae (Vellard) 1934
Último esternito e face ventral dos 2 primeiros segmentos caudais com
4 quilhas posteriores nas fêmeas, com elevações distais apenas nos ma¬
chos; face ventral do V.° segmento caudal com arco aberto, dirigin¬
do-se os ramos para a frente; com fileira longitudinal mediana de
grânulos até a base quase e com 2 fileiras acessórias de grânulos curtas;
vesícula em ambos os sexos pequena, afilada, bem mais estreita que o
segmento precedente; sua face dorsal achatada nos machos, sem esca-
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F. A. MATTHIESEN, S. ZIMBER e I. BÜCHERL
vação, mas com grande mancha amarela. Departamento Maldonado,
Uruguai —
Bothriurus (B.) bücherli P. San Martin 1962
11. Machos com 22 a 25 dentes pectíneos, fêmCas com 18 a 21; face ven-
tral do V.° segmento caudal com arco e com 3 a 5 fileira,s longitudinais
de grânulos; nordeste brasileiro desde a Bahia até o Ceará . 12
Machos com 14 a 17, fêmeas com 12 a 15 dentes pectíneos; face ven-
tral do V.° segmento caudal geralmente apenas com arco, raras vêzes
com arco e uma fileira mediana longitudinal de grânulos, sem fileiras
acessórias. Paraná até Misiones, norte da Argentina . 13
12. Face ventral do V.° segmento caudal com arco, com 1 fileira mediana de
grânulos até a metade do segmento e com 2 fileiras acessórias de com¬
primento flutuante; face dorsal da vesícula do macho achatada. Nordeste
brasileiro, desde a Bahia até o Ceará —
B.signatus ■— último esternito e face ventral do l.° segmento caudal.
Bothriurus (B.) rochai Mello Leilão 1932
Face ventral do V.° segmento caudal mal perceptível, mas com 5 fileiras
longitudinais de) grânulos, de comprimento flutuante. Nordeste brasileiro,
desde a Bahia até o Ceará —
Bolhriurus (B.) candidoi Bücherl 1963
13. Último esternito e face ventral dos 2 primeiros segmentos caudais lisos;
face ventral do V.° segmento caudal com arco', aberto no meio, sem que
seus ramos se dirijam para a frente, sem outras fileiras, mas apenas
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poucos grânulos dentro e fora do arco; face dorsal da vesícula do
macho achatada, com leve escavação trapezoidal, pequena. Iguazú, prov.
de Misiones, norte da Argentina —
Bothriurus ( B .) bertae Abalos 1955
Último esternito liso ou rugoso; face ventral dos 2 primeiros segmentos
caudais enrugados na área ventral mediana, com cristas laterais inferio¬
res, posteriores mais nítidas em fêmeas, menos em machos, ou sem cris¬
tas laterais — B.üludens ... 14
14. Último esternito liso; face ventral dos 2 primeiros segmentos caudais com
cristas laterais posteriores; face ventral do V.° sgemento caudal com
arco, sem fileira mediana de grânulos; face dorsal da vesícula do macho
achatada, sem escavação. Caviuna, Paraná —
Bothriurus (B.) illudens illudens Mello-Leitão 1947
Último esternito e face ventral dos 2 primeiros segmentos caudais
rugosos, sem cristas laterais inferiores; face ventral do V.° segmento
caudal com arco quase fechado, formado de grânulos achatados; dentro
da área do arco apenas 3 a 1 grânulos; fora 4 grânulos transversais;
com ou sem fileira mediana de grânulos. Face dorsal da vesícula do
macho achatada, sem depressão, mas com mancha cordiforme amarela.
Localidade-tipo: — Arapongas, perto de Londrina, nortê do Paraná —
Bothriurus ( B .) illudens araponguensis subsp.n.
■N.
b) do subgênero dndibothriurus
1. Com 7 a 9 dentes pectíneos. 2
Com 12 a 15 dentes pectíneos ... 3
2. Último esternito liso; face ventral dos 2 segmentos caudais sem cristas
medianas, com quilhas laterais, mais granulares no terceiro e quarto seg¬
mentos; face ventral do V.° segmento caudal com 5 fileiras longitudinais
de grânulos, 1 mediana, estendendo-se de borda a borda, 2 interme¬
diárias completas, mais nítidas nas bordas posterior e anterior e 2 late¬
rais completas. Contumo, Chile —
Bothriurus (A.) titschaki Werner 1939
Último esternito liso na metade anterior, finamente granular na poste¬
rior; face ventral dos 2 primeiros segmentos caudais com 2 cristas
laterais granuladas; no local das cristas medianas há algumas fileiras
de grânulos perliformes; terceiro segmento caudal com 2 cristas laterais
posteriores (como a espécie anterior); face ventral do V.° segmento
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o-ic W. BÜCHERL, P. R. SAN MARTIN, M. FLÔRES DA CUNHA,
* ±u F. A. MATTHIESEN, S. ZIMBER e I. BÜCHERL
caudal com 5 cristas, porém mais curtas que na espécie anterior, indo
geralmente apenas até a metade) do segmento. Sorata, Bolívia —
Bothriurus (A.) bocki Kraepelin 1910
3. Face ventral do V.° segmento caudal com 3 cristas longas, completas;
machos com 23 a 24, fêmeas com 20 a 22 dentes pectíneos; Peru .... 4
Face ventral do V.° segmento caudal com 5 cristas longas ou mais curtas,
as intermediárias às vêzes apenas posteriores e divergentes para trás . . 5
4. Tergitos com 2 faixas largas, pretas, paramedianas, 1 faixa mediana e
2 faixas laterais amarelas; cômoro ocular sulcado; último esternito
granuloso no macho, nas fêmeas apenas alguns grânulos; face ventral
dos dois primeiros segmentos caudais com grânulos medianos, com 2
cristas laterais no macho, 2 quilhas laterais na fêmea; face ventral do
V.° segmento caudal com 3 cristas completas, direitas, em alguns lugares
duplas; face dorsal da vesícula do macho apenas achatada, sem depres¬
são. Cataringo Mollendo, Perú -—
Bothriurus (A.) paessleri Krpln. 1910
Tergitos amarelados, com 2 faixas paramedianas mais escuras; cômoro
ocular sulcado; último esternito granular; primeiros 2 segmentos caudais
como na espécie anterior; também a face ventral do V.° segmento cau¬
dal; vesícula do macho com ligeira depressão dorsal; dedo móvel do
macho curvo perto de sua base. Perú —
Bothriurus (A.) curvidigilus Krpln. 1910
5. Face ventral do V.° segmento caudal com 5 cristas longas quase com¬
pletas, a mediana às vêzes dupla em sua porção distai, as paramedianas
curvas em “S” em sua parte distai; machos 21 a 25, fêmeas 16 a 22
dentes pectíneos; último esternito finamente granular na fêmea, liso
quase no macho; face inferior dos 2 primeiros segmentos caudais lisas
nos machos, nas fêmeas com indicação de quilhas laterais posteriores e
um pouco granular na área mediana; face dorsal da vesícula do macho
plana, com leve depressão elíptica. Tôda a região elevada, pré-andina,
ao longo da fronteira entre a Argentina e o Chile até a Patagônia —
Bothriurus (A.) hurmeisteri Krpln. 1894
Face ventral do V.° segmento caudal apenas com 3 cristas mais ou menos
longas, direitas, dirigidas para a frente) (a mediana e as 2 laterais),
as 2 cristas intermediárias são curtas, posteriores divergentes para trás 6
6. Quilhas laterais superiores e paramedianas superiores nítidas e geral¬
mente granulares e) completas nos segmentos caudais 1-4 . 7
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Quilhas laterais superiores e paramedianas dorsais no terceiro e quarto
segmentos caudais nítidas apenas na frente e atrás, ausentes no meio . . 8
7. Machos com 16 a 19, fêmeas com 12 a 16 dentes pectíneos; último ester-
nito grosseiramente granular; quilhas laterais inferiores ausentes nos
segmentos caudais 3 e 4; presentes nos 2 anteriores; tronco amarelo-
avermelhado, com margens posteriores mais claras; face inferior da
cauda com faixas e estrias longitudinais; face inferior do V.° segmento
caudal com crista mediana e 2 cristas laterais direitas, dirigindo-.se até
um pouco além da metade anterior; as 2 cristas intermediárias diver¬
gentes (Fig. 8); face dorsal da vesícula do macho achatada, sem esca¬
vação, com mancha elíptica amarela. Caminho dos Incas, fronteira argen¬
tino-chilena, perto de Mendoza —
Bothriurus (A.) a.alticola Pocock 1900
19 dentes pectíneos no único macho até agora descrito; último esternito
com 2 pequenas cristas; cristas medianas ventrais presentes no seg¬
mento 1, ausentes no 2; laterais inferiores presentes na metade posterior
dos primeiros segmentos; face vCntral do V.° segmento caudal com
crista mediana até o primeiro quarto de segmento, atrás bífido; cristas
laterais até a metade; intermediárias divergentes; vesícula estreita, com
fosseta dorsal; tronco pardo denegrido; face inferior da cauda com
3 faixas. Pampa, Argentina -—•
Bothriurus (A.) alticola ypsilon (Mello-Leitão) 1935
7. Todos os esternitos lisos, a nã oser as 4 quilhas posteriores do último
esternito, nas fêmeas ou das elevações distais dos machos; face ventral
dos dois primeiros segmentos caudais com 4 quilhas posteriores na
fêmea, com elevações distais apenas no macho; face ventral do V.°
segmento caudal com quilha mediana e 2 quilhas laterais que mal atin¬
gem a metade do segmento; as 2 quilhas intermediárias posteriores,
divergentes; face dorsal da vesícula do macho com leve depressão.
Tronco e cauda escuros, quase pretos ou marrom escuro. Santiago
Chile —
Bothriurus (A.) chilensis (Mollina) 1782
Primeiro e segundo esternitos lisos, terceiro e quarto na metade poste¬
rior e quinto inteiramente granulares; face ventral dos primeiros dois
segmentos caudais com 4 quilhas nas fêmeas, ausentes quase nos ma>-
chos; face ventral do V.° segmento caudal com a crista mediana e as
2 laterais estendendo-se, quase até a base do segmento; as 2 interme¬
diárias como na espécie anterior (Fig. 2).
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F. A. MATTHIESEN, S. ZIMBER e I. BÜCHERL
Face dorsal da vesícula do macho plana; tergitos escuros na metade
anterior, amarelos na posterior; cauda amarelo-avermelhada, as partes
distais dos segmentos negras, às vêzes também as parles basais, no
permeio, na face ventral, indícios de estrias. Coquimbo, Chile —
Bothriurus {A.) coriaceus Pocock 1893
>
c) do subgênero Transbothriurus Mello-Leitão 1945
Machos com 23 a 28 dentes pectíneos, fêmeas com 14 a 23; mão dos
machos apenas com fosseta, sem apófise ou espinho; sem sulco inter-
ocular; último esternito liso; face inferior dos 2 primeiros segmentos
caudais sem quilhas medianas mas com cristas laterais posteriores; face
ventral do V.° segmento caudal com área distai subquadrangular, for¬
mada pelas duas quilhas laterais que vêm a formar uma trabécula atra¬
vessada, paralela quase à borda posterior do aegmento; quilha longitu¬
dinal mediana quase completa, nítida, embora apenas trabecular (Fig. 3).
Chaco boliviano (Cairá, Misiones de San Francisco, Pilcomayo; tôda a
região montanhosa do norte e oeste argentino (Jujuí, Rosário, Salta,
Santiago, Tucuman, Catamarca, La Rioja, S. Juan, Mendoza, La Pampa,
etc.) —
Bothriurus (T.) dorbignyi (Guérin) 1843
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA
A distribuição geográfica das espécies do gênero Boihriuru-s acentua o
acerto de sua divisão em três gubgêneros:
O subgênero Bothriurus s.str. vive ao longo do oceano Atlântico, desde o
sul da província de Buenos Aires até o Estado do Maranhão, no extremo nor¬
deste brasileiro. Sua penetração pelo Hinterland vai na Argentina até Corrientes,
Entre-Rios, o Gran-Chaco e Misiones; abrange todo o Uruguai e a parte este
e norte do Paraguai; prossegue pela região da Bolívia Oriental, a província
de Santa Cruz e Tipuani; no Brasil inclui os Estados do Rio Grande do Sul,
Santa Catarina, Paraná e São Paulo, em direção ao pantanal do Mato Grosso;
compreende os Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Goiás
até a ilha do Bananal; ocupa, finalmente, o nordeste brasileiro desde a Bahia
até o Ceará e Maranhão com penetração até os rios São Francisco e Parnaíba,
onde o comêço da vegetação amazônica lhe opõe uma barreira natural. A última
região é caracterizada por B.asper, rochai e candidoi; do Rio de Janeiro até
o Uruguai ocorre B.signatus, escorpião que, nas regiões mais quentes, prefere
as montanhas (Mantiqueira, Serra dos Órgãos, etc.) e no sul as cidades (Pôrto
Alegre); Buenos Aires, Montevideo e Pôrto Alegre, ao longo do Atlântico, por¬
tanto, abrigam B.bonariensis; a província de Buenos Aires ainda B.flavidus,
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B.asper araguayae e B.moojeni são importantes pela sua freqüência e grande
área que ocupam, a primeira todo o Estado de São Paulo, sul de Minas, Goiás,
pantanal do Mato Grosso até Bolívia; a segunda, Paraná, desde Morretes em
direção sudoeste até Iguassú. As outras espécies do subgênero foram capturadas
até agora apenas em locais isolados e em número tão restrito que não permitem
ainda avaliações de suas regiões geográficas ( B.maculalus de Tipuani, Bolívia;
rubescens de Villa Velha, Paraná; b.multicinctus de fronteira Rio Grande do
Sul com Uruguay; büclierli de Maldonado no Uruguai, bertae de Iguassú, Misio-
nes, norte da Argentina, illudens de Caviúna, Paraná e illudens araponguensis de
Arapongas, Londrina, Paraná).
distribuição geográfica de Bothrlurua
As espécies do subgênero Andibothriurus vivem na cordilheira dos Andes,
tanto ao longo da costa do Pacífico, — B.coriaceus e chilensis
Chile,
como nas regiões argentinas nos contrafortes andinos — burmeisteri, alticola e
allicola ypsilon. B. titschaki e bocki ocorrem na região chilena setentrional em
torno de Contumo, em direção nordeste até Sorata, na Bolívia. B. paessleri e
curvidigitus são do Perú.
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F. A. MATTHIESEN, S. ZIMBER e I. BÜCHERL
B.dorbignyi é o único representante do subgênero Transbothriurus Mello-
Leitão 1945; sua frequência desde o Potosi na Bolívia em direção sul, Jujuí,
Salta, Tucuman, Mendoza até a Patagônia, na Argentina e seus caracteres exter¬
nos, porém, justificam perfeitamente um subgênero.
DISCUSSÃO
Já em 1899 deparara Kraepelin com tão grandes dificuldades para deter¬
minar com correção as 4 espécies, então reconhecidas, que reuniu bonariensis,
aspcr, signatus e coriaceus sob B.vitUUus, desginou keyserlingi como variedade
de vittatus e colocou signatus (uma outra forma) sob chilensis.
Em 1910 o autor fêz nova tentativa, honesta e esforçada, incluindo então
outras espécies, que vinham surgindo com as descrições de Karsch, Borelli,
Pocock e dêle mesmo, reconhecendo então bonariensis, b.maculatus, signatus,
jlavidus, dorbignyi, chilensis, coriaceus, burmeisteri, bocki, alticola, curvidi-
gitus e paessleri. Apenas chilensis e corioaceus ficaram então duvidosos; as
demais espécies estavam bem identificadas; asper tem sido considerado apenas
como variedade de bonariensis.
De 1910 até 1945 houve novas descrições, principalmente por Werner e
Mello-Leitão, de Abalos e outros. De Werner pouco é aproveitável e muita a
confusão. Mello-Leitão fêz algumas determinações muito boas, em outras foi
menos feliz, principalmente quando, não sabemos por que motivo, tentou aban¬
donar os critérios morfológicos já clássicos e substitui-los pela contagem das
tricobótrias, no que foi seguido por Abalo,s.
Bücherl esforçou-se em três trabalhos, em 1957/58, em conseguir uma
síntese das espécies aferidas por Mello-Leitão em 1945: — aliennicola, alti¬
cola, asper, bocki, bonariensis, b. araguayae, b. rnaculatus, borellianus, burmeis¬
teri, calharinae, chilensis, coriaceus, curvidigitus, dispar, doellojuradoi, dorbig¬
nyi, elegans, jlavidus, Jragilis, keyserlingi, larnpei, magalhaensi, melloleitaoi,
moojeni, paessleri, pringlesianus, prospicuus, rochai, semiellyplicus, signatus, tits-
chaki, vittatus, ypsilon e zeugma, mais illudens, insularis e rubescens Mello-Leitão
1947 e B.bertae Abalos 1955 — ao todo, pois, 36 espécies e 2 subespécies. O
número de espécies diminuía, então consideravelmente, pelo desaparecimento de
rnello-leilãoi, jragilis, zeugma, prospicuus, dispar, alienicoia, pringlesianus, doel¬
lojuradoi, rnaculatus e elegans.
No mesmo ano, em 1957, E. Buckoup tinha feito desaparecer B. semiellyp¬
licus e B.asper.
Num trabalho ainda não publicado, Bücherl reagrupou os Botriurídeos,
revendo criticamente seus próprios trabalhos, com as seguintes conclusões:
B.bonariensis é espécie boa, bem definida; B.b.asper seria provavelmente
espécie; B. magalhaensi é idêntica com B.b.araguayae e êste tem maior afinidade
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com asper do que com bonariensis; a B.b. var. maculatus parecei ser espécie;
moojeni é espécie boa, também signatus, com a qual são idênticas, B.mellloeilãoi
e insularis; keyserlingi é igual a coriaceus; zeugma e fragilis são iguafs a
rochai, que é espécie bôa, nada tendo de comum com coriaceus, como Mello-
Leitão pensava. Para os exemplares do nordeste brasileiro, com 5 cristas na face
inferior do V.° segmento caudal, — que deram motivo à confusão com coriaceus,
estabeleceu Biicherl a espécie nova, B.candidoi; com flavidus são sinônimos
prospicuus, dispar, pringlesianus e alienicola, enquanto que alticola seria espécie
boa, da região andina, que nada tinha que ver com o flavidus da província
de Buenos Aires; chilensis é espécie boa; com coriaceus é sinônimo keyser¬
lingi, necessitando estas quatro espécies de um reestudo; peruvianus seria
sinônimo de titschaki e borellianus e doellojuradoi são idênticos a bunneisteri;
elegans é dorbignyi.
A introdução dos 3 subgêneros, — Bothriurus s.str. e Andibothriurus por
nós e de Transbothriurus por Mello-Leitão em 1945, auxilia bastante na difícil
sistemática dos Botriurídeos: — Sob Bothriurus js.str. agrupamos tôdas as espé¬
cies com “arco” na face ventral do V.° segmento caudal e que geogràficamente
ocupam a área atlântica desde Baía Blanca na Argentina até Terezina no Piauí.
São as seguintes espécies (sinônimos em parêntesis) :
B.maculatus, signatus, ( mello-leitãoi, insularis), moojeni, flavidus ( alieni¬
cola, dispar, prospicuus, pringlesianus), rubescens, b,bonariensis, b. multicinc-
tus, asper, asper araguayae (magalhaensi), biicherli, rochai ( fragilis, zeugma),
candidus, bertae, illudens, illudens araponguensis n.subsp. Portanto, 12 espécies
e 3 subespécies.
Maculatus, rubescens, bertae, illudens necessitam de novos estudos, em mate¬
rial abundante. Até aqui só se conhecem os exemplares típicos, à,s vêzes um
sexo só ou mesmo somente um filhote. O grupo de flavidus varia muito no
tocante à face ventral do V.° segmento caudal, de maneira que não se pode
insistir nos comprimentos das cristas medianas e acessórias e também não nos
prolongamentos dos dois ramos do arco, nem na granulação mais ou menos
abundante dentro e fora do arco. O sulco interocular também é ambíguo, ora
está ausente, ora é tão raso que passa por imperceptível. Bothriurus catharinae
Werner, de Santa Catarina, não foi considerado neste trabalho. Sua descrição
por Werner nos parece totalmente inverossímil.
Sob o subgênero Andibothriurus reunimos tôdas as espécies além e aquém
da cordilheira dos Andes que não apresentam arco na face ventral do V.° geg-
mento caudal. Mas há que confessar que as descrições das espécies são de todo
insuficientes, de maneira que novos estudos com nôvo material se fazem neces¬
sários. Compreende as seguintes espécies: B.litscliaki, bocki, paessleri, curvidi-
gitus, burmeisteri ( borellianus , doellojuradoi), alticola, a.ypsilon, chilensis ( vit-
tatus) e coriaceus (keyserlingi ). Não pudemos considerar B.Jampei Werner 1916,
com 20 dentes pectíneos, procedente do Perú, pois seu autor nada revelou a
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respeito da face ventral do V.° segmento caudal; tampouco conseguimos enqua¬
drar B.peruvianus, 1 fêmea, com 5 cristas longitudinais completas na face ven¬
tral do V.° segmento caudal, com 12 dentes pectíneos, com 4 quilhas lisas na
face ventral dos dois primeiros segmentos caudais, último esternito liso. Pode
tratar-se de uma espécie boa, embora Bücherl a tenha colocado em sinonímia
com dtschaki. Esta parece-nos idêntica a boclci. o que deverá ser confirmado
ou não com nôvo material. O mesmo vale no tocante a curvidigitus e paessleri,
tão nitidamente relacionados que sua separação é difícil. O dedo curvo de
curvidigitus parece-nos uma anomalia, pois não se repete em nenhuma espécie
do mesmo gênero. B.boreallianus, nome nôvo, proposto por Mello-Leitão, em 1934
para designar B. chilensis (Karsch) deparou-se a nós como sendo B.burmeisteri,
com 5 cristas longas na face ventral do V.° segmento caudal. B.doellojuradoi é
realmente idêntico também com burmeisteri. B. aldeola e ypsilon apresentam
pràticamente os mesmos caracteres, de maneira que julgamos prudente enqua¬
drar a última como subespécie de aldeola. Coriaceus e keyserlingi são idênticos.
Ambos representam, juntamente com chilensis, Botriurídeos tipicamente andinos,
transandinos mesmo, não sendo correto pretender-se identificar como keyserlingi
espécies atlânticas do Rio Grande do Sul e do Uruguai.
No subgênero Andibothriurus temos, pois, espécies com 3 cristas longitudi¬
nais completas, direitas e 20 a 24 dentes pectíneos ( paessleri, curvidigitus ) e
outras com 5 cristas. Quando as 5 cristas são completas ou quase, temos lits-
chaki, bocki e burmeisteri; quando apenas 3 cristas se dirigem para a frente,
enquanto as 2 intermediárias são posteriores e divergentes — correspondendo
ao “arco” das espécies atlânticas — estamos diante do alticola, a.ypsilon, coria¬
ceus e chilensis.
CONCLUSÃO
O presente trabalho, embora de cunho sistemático, faz justiça à distribuição
geográfica dos Botriurídeos. A divisão em 3 subgêneros — Bothriurus s.str.,
Andibothriurus e Transbothriurus — constitui a base da correta separação das
espécies atlânticas, em número de 12, com 3 subespécies, das andinas, em número
de 8, com 1 subespécie e de B.dorbignyi (Transbothriurus ), cuja determinação
não oferece dificuldades.
Bothriurus s.str. inclui 5 grupos bem definidos: o grupo bonariensis entre
Pôrto Alegre e La Plata; o grupo flavidus na província de Buenos Aires, o
grupos signatus desde Rio de Janeiro até o Uruguai, o grupo asper desde o nor¬
deste, o Araguaia até a Bolívia e o grupo rochai-candidoi no nordeste. Maculalus,
rubescens, bertae e illudens necessitam ainda de melhores esclarecimentos, mas
pertencem a êste subgênero.
Andibothriurus está igualmente bem definido por êste trabalho, embora haja
necessidade urgente de se reeestudarem as espécies mais antigas ( coriaceus e
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chilensis) e se colherem novos exemplares de) titschaki, bocki e de paessleri e
curvidigitus.
RESUMO
O presente trabalho introduz 2 subgêneros novos, — Bothriurus s.str. e
Andibothriurus e reconhece o subgênero Transbothriurus Mello-Leitão 1945. Os
Botriurídeos de cada subgênero apresentam uma distribuição geográfica bem
definida, a região atlântica para o primeiro a cis-e transandina para o segundo
e a região boliviana e pré-andina para o último.
São introduzidas novas chaves sistemáticas para as espécies de cada subgê¬
nero, chaves estas que afastam as confusões das de Kraepelin, 1899 e 1910 e
de Mello-Leitão, 1945 e que servem realmente para se distinguirem com rela¬
tiva facilidade as espécies melhor caracterizadas, citadas nominalmente com as
respectivas sinonímias no capítulo da DISCUSSÃO. O trabalho mostra também
aquelas espécies dos subgêneros Bothriurus s.str. e Andibothriurus que neces¬
sitam de novos estudos.
ZUSAMMENFASSUNG
1899 versuchte Kraepelin die bis dahin bekannten Bothriuriden Südame-
rikas in 4 Arten und einer Unterat zusammenzufassen; 1911 erweiterte er diesel-
ben auf 11 Arten und 1 Unterart, ohne der systematischen Schwierigkeiten Herr
geworden zu sein. 1945 verõffenlichte C. Mello-Leitão einen Bestimmungsschlüs-
sel, der 33 Arten und einige Unterarten einschloss und mit dem in der Tat die
Systematiker nichts mehr anzufangen wussten. 1947 und 1955 kamen noch 4
und mit peruvianus noch eine neue Art hinzu, so dass es von da ab unmõglich
wurde, eine Übersicht der Arten zu erhalten. E. Bukoup, 1957 und Bücherl,
1957/58 und 1961 bemühten sich um eine kritische Revision der einzelnen Arten
und merzten viele ais Synonym mit schon bestehenden aus.
Diese Arbeit bedeutet den Abschluss dieser kritischen Revisionen aller bisher
verõffentlichten Bothriurusarten. Die Gattung wurde in 3 Untergattungen, -
Bothriurus s.str., Andibothriurus und die von Mello-Leitão 1945 beschriebene
Transbothriurus eingeteilt. Dabei wurde den Veretretern jeder Untergattung ihre
geographische Verteilung zugrunde gelegt: Bothriurus s.str. umfasst die atlan-
tischen Arten von Buenos Aires im Süden bis Terezina im áussersten Nordosten
Brasiliens; Andibothriurus die trans-und cisandinen Arten von Concepción in
Chile bis Nordperu und Transbothriurus die einzige Art, B.dorbignyi von Bolivien
nach dem Süden über Jujuí, Salta, Tucuman, S. Juan, Mendoza der prãandinen
Gebirgszüge.
Die 3 geographisch getrennten Untergarttungen lassen sich auch morpho-
logisch gut abgrenzen: — Das V. Caudalsegment mit einer halbkreisfõrmigen
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Endarea, die durch die bogigen Lateralkiele umgrenzt wird — Bothriurus s.str;
ohne halbkreisfõrmige Endarea, sondem die ventralen Kiele von hinlen nach
vorne ziehend — Andiborthriurus subg.n.; ohne halbkreisfõrmige Endarea und
ohne Langsseitenkiele, sondem eine fast rechtekige Endarea — Transbothriums
M.L. 1945.
Die besser bekannten Arten innerhalb jeder Untergattung konnen wiederum
in mehr oder minder zusammengehõrige Gruppen vereinigt werden, wobei das
Zusammenspicl von mehreren Merkmalen ausschlaggebend ist, wie die Anzahl der
Kammziihne, die Augenfurche, die) allgemeine Fãrbung (ganz schwarz oder mit
gelber Liingsbinde auf den Tergiten, Schvvanzunterseite mit drei Lãangsbinden),
das Vorhandensein oder nicht von Lãngskielen auf dem letzten Sternit und der
Unterseite der beiden ersten Schwanzglieder.
Nach diesen neuen Gesichtspunkten wurden die Arten und Unterarten, wel-
che bisher beschrieben worden sind, in folgende eingeteilt und ihre Synonymen
in Klammern angefübrt:
Sugen. Bothriurus s.str.
1) B.(B.) maculatus Krpln. 1910;
2) B.[B.) signatus Pocock 1893 (melloleitãoi, insularis );
3) B.(B.) moojeni Mello-Leitão 1945;
4) B.(B.) flavidus Krpln. 1910 ( prospicuus, dispar, pringlesianus, alienicola) ;
5) B.(B.) rubescens Mello-Leitão 1947;
6) B.(B.) b.bonariensis (C. L. Koch) 1842 (semiellypticus );
6a) B.(B.) multicinctus P. San Martin 1961;
7) B.(B.) a.asper Pocock 1893;
7a) B.(B.) a.araguayae (Vellard) 1934 (magallvaensi) ;
8) B.(B.) bücherli P. San Martin 1961;
9) B.(B.) rochai Mello-Leitão 1932 ( fragilis, zeugind) ;
10) B.(B.) candidoi Bücherl 1963;
11) B.(B.) bertae Abalos 1955;
12) B.(B.) i.illudens Mello-Leitão 1947;
12a) B.{B.) illudens araponguensis n.sbsp.
Subgen. Andibolhriurus :
13) B.{A.) titschaki Werner 1939;
14) B.(A.) bocki Krpln. 1910;
15) B.(A.) passleri Krpln. 1910;
16) B.(A.) curvidigitus Krpln. 1910;
17) B.(A.) burmeisteri Krpln. 1894 ( borellianus, doellojuradoi ) ;
18) B.{A.) alticola aldeola Pocock 1900;
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18a) B.{A.) alticola ypsilon (Mello-Lleitão) 1935
19) B.(A.) chilensis (Mollina) 1782 (vittatus );
20) B.(A.) coriaceus Pocock 1893 (Iceyserlingi );
21) B.(A.) peruvianus Mello-Leitão.
Subgen. Transbothriurus Mello Leitão 1945:
22) B.(T.) dorbirgnyi (Guérin) 1843 (elegans).
Bothriurus catharinae und lampei Werner konnten, wegen der ganz unge-
nügenden Beschreibung ihres Autors nicht berücksichligt werden. Die Arten
N.° 1, 5, 11 und alie Andibothriuriden müssen an neuem Material nochmals
untersucht werden.
Agradecemos ao Fundo de Pesquisas do Instituto Butantan pelo auxílio concedido
para a realização dêste trabalho.
REFERÊNCIAS
5-
5.
6 .
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Butantan. São Paujo 28:1-44; 1957/58.
12. — Revisão dos Botriurídeos da coleção escorpiônica do Museu Nacional
do Rio de Janeiro — Mem. Inst. Butantan (no prelo) .
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Indústria Gráfica Siqueira S. A.
SÃO PAULO
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