M E M ÓU1ÀS
INSTITUTO
BUTANTAN
VOLUME XXXI
SÃO PAULO-BRASIL
CAIXA POSTAL 65
MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
1964
VOLUME XXXI
São Paulo - Brasil
Caixa Postal 65
SciELO Jo
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MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN
ÍNDICE
TOMO XXXI (Fasc. I)
1964
NECROLÓGIOS . 1
1. ARTIGAS, P. DE TOLEDO & PEREZ, M. D. — Catadiscus eldoradiensis
n. sp., Trematoda, Paramphistomata de Leptodactylus ocellatus .... 5
2. BRUNNER JR., A. & VALLEJO-FREIRE, A. — Estruturas em reticuló-
citos . 9
3. BüCHERL, W. — Loxosceles e Loxoscelismo na América do Sul. V. As
espécies sul-americanas do gênero Loxosceles Heinecken e Lowe 1832 15
4. BÜCHERL, W. — Distribuição geográfica dos aracnóides peçonhentos te¬
míveis (classe Aracnomorpha, subclasse Arachnoidea, ordens Scor-
piones e Araneida .:. 55
5. BÜCHERL, W. — Mecanismo da picada das aranhas peçonhentas perigosas 67
6. BüCHERL, W. — Histologia das glândulas de veneno de algumas aranhas
e escorpiões .,.
7. BüCHERL, W. — Biologia de artrópodos peçonhentos . 85
8. BÜCHERL, W., LUCAS, S. & DESSIMONI, V. — Aranhas da família
Ctenidae, subfamilia Cteninae. I. Redescrição dos gêneros Ctenus
Walckenaer 1805 e Phoneutria Perty 1833 . 95
9. CAVENAGHI, T. M. C. M. & ROSENFELD, G. — Preservation of bone
marrow cells of dog with heparin and EDTA . 103
10. FONSECA, F. da — Atricholaeps ( Ischnolaelaps) marioi, sp. n. 111
11. LUCAS, S. — Estudos sôbre aranhas da família Lycosidae. 2. Sôbre o co¬
lorido de algumas espécies da subfamilia Lycosinae . 115
12. LUCAS, S. — Sôbre a posição sistemática de algumas espécies de aranhas
verdadeiras do gênero Cupiennius, Simon 1891, da familia Ctenidae,
em relação ao gênero Ancylometes, Bertkau 1880, da família Pi-
sauridae . 127
13. MACHADO, J. C. — Alterações espontâneas da base de implantação e da
túnica média muscular da aorta de cobaias. Aspectos morfológicos
sugestivos do seu desenvolvimento e estudo da freqüência . 135
14. MARTINS, L. F. — Contribution to the studies of coagulogram in thorough-
bred horses . 143
SciELO
15. MARTINS, L. F„ GRECCHI, R. & ROSENFELD, G. — Thromboplastin
generation test in normal horses and horses injected with tetanic
toxin . 163
16. ROSENFELD, G. & LANGLADA, F. G. de — Corticosteroid and ACTH
in experimental poisoning with animal venous . 171
17. ROSENFELD, G. & LANGLADA, F. G. de — Difference between lethal
doses of toxic substanees injected intravenously and intra-arterially 185
18. SALIBA, F. — Estudo anátomo-patológico da evolução da necrose pro¬
duzida experimentalmente por veneno de Bothrops jararaca. In¬
fluência de substância organo-heparinóide . 191
19. VALLEJO-FREIRE, A. & BRUNNER JR., A. — Rickettsiemia experi¬
mental da febre maculosa do Brasil . 201
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1
NECROLÓGIO
PROF. DR. FLAVIO OLIVEIRA RIBEIRO DA FONSECA (1900-1963)
Faleceu em São Paulo, Brasil, no dia 22 de maio de 1963. o Prof. Dr. Flavio
Oliveira Ribeiro da Fonseca. ex-Diretor do Instituto Butantan, chefe da Secção de
Parasitologia e membro do Conselho do Fundo de Pesquisas do Instituto Butantan.
Nascido no Rio de Janeiro a 12 de outubro de 1900. radicou-se em São Paulo
desde 1926.
Iniciou a carreira científica já durante o Curso de Medicina da Universi¬
dade do Brasil, especializando-se em Parasitologia, Microhiologia e Zoologia Mé¬
dica, no Instituto Oswaldo Cruz em Manguinhos, Rio de Janeiro.
Formado em Medicina em 1923, trabalhou em vários laboratórios do Insti¬
tuto Oswaldo Cruz e como chefe do Laboratório do Hospital José Carlos Rodri¬
gues, do Rio de Janeiro.
Em 1925 foi designado para chefiar a Secção Médica da Comissão de Pla¬
nejamento da Estrada de Ferro Transcontinental de Santos, no Brasil, a Arica,
no Peru. tendo percorrido os sertões de Mato Grosso e florestas da Bolívia.
Em 1926 foi indicado para substituir o professor catedrático, na Cadeira
de Microhiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paido. onde.
lecionou até 1931. Nessa data foi incluído como assistente no corpo médico do
Instituto Butantan de São Paulo, de onde somente saiu para dirigir, por tempo
limitado em 1946, o Serviço de Profilaxia da Malária de São Paulo, onde intro¬
duziu o emprego do DDT e antimaláricos sintéticos modernos. No Instituto Bu¬
tantan trabalhou em Imunoterapia, Bacteriologia e Virulogia e, em 1937, foi de¬
signado chefe do Departamento de Parasitologia, ocupando êsse cargo até sua morte.
Por sete oportunidades diferentes foi chamado a exercer o cargo de Diretor
do Instituto Butantan, coincidindo quase sempre com os momentos de maiores
dificuldades para a Instituição.
O Dr. Flavio da Fonseca foi um dos fundadores da Escola Paulista de Me¬
dicina e era professor catedrático de Parasitologia desde 1933. Fazia parte do
corpo docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e da
Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo.
Era major-médico da Reserva do Exército.
SciELO
2
Ocupou inúmeros cargos de relevo, não só no ensino médico como na pes¬
quisa. Ao primeiro trabalho publicado no ano de 1926 seguiram-se 130 outros
de alto mérito científico, além de alguns inéditos. Cultivou a Acarologia como
autodidata desde 1931. Foi o iniciador do estudo dos ácaros parasitos de ver¬
tebrados na América do Sul, sendo considerado um dos grandes acarologistas da
atualidade. Deixou no Instituto Butantan, para estudos, 80.000 exemplares de
ácaros, provàvelmente uma das maiores coleções do mundo. A contribuição de
sua vasta experiência na especialidade era constantemente solicitada por pesquisa¬
dores de inúmeros centros científicos de todos os países. Sua biblioteca acaro-
lógica compreende cêrca de 2.000 trabalhos, enviados por especialistas de todo
inundo.
Nas suas horas de lazer a distração predileta era a caça, o que muito auxi¬
liou na obtenção de material para estudo de Parasilologia Comparada. Através
a colaboração de cêrca de dois mil fornecedores de serpentes e animais silvestres
de todo o sul e centro do Brasil, conseguiu organizar uma coleção parasitológica
de perto de dez mil lotes.
Além dos trabalhos sôbre ácaros, publicou vários outros sôbre Protozoologia,
Entomologia Médica, Riquetsioses e Vírus. Trabalhou com Henrique Aragão na
revisão da fauna neotrópica de Ixodidas, publicando juntos uma dezena de
trabalhos.
É de se assinalar que nos seus trabalhos sôbre Malária confirmou a hipótese
da importância exercida pelos anofelinos do gênero Kerteszia na transmissão da
malária nas matas e serras, o que por mais de 40 anos fôra pôsto em dúvida.
Dentre as inúmeras espécies de Protozoários por êle descritas, destaca-se o
achado da segunda espécie de Plasmódio de Malária de Primatas, no continente
americano.
Seus trabalhos sôbre Riquetsias e os Ixodidas transmissores da Febre Ma-
culosa Brasileira foram básicos para o esclarecimento da infecção no Brasil e
para o preparo da vacina contra a Febre Maculosa.
Foi fundador da Sociedade Brasileira de Entomatologia, do Clube Zoológico
do Brasil c da Fundação do Parque Zoológico de São Paulo; membro da Socie¬
dade Brasileira de Biologia e da Royal Society of Enlomology, na Inglaterra.
Era membro do Comitê Internacional da Revista de Acarologia e igualmente da
revista “Ciência” do México.
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DR. EDUARDO VAZ (1898-1963)
Faleceu em São Paulo, Brasil, no dia 8 de maio de 1963, o Dr. Eduardo
Vaz, ex-assistente e ex-diretor do Instituto Butantan.
Nascido em São Paulo a 13 de outubro de 1898, formado em Medicina em
1923, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde foi interno da 4. a
Cadeira de Clínica Médica do Prof. Aloysio de Castro. Foi também interno
no Hospital São João Batista de Niterói e do Instituto de Proteção à Infância.
Foi subassistente do Instituto Vital Brazil em Niterói, sob a direção do Prof.
Arlindo de Assis em 1924, fazendo nessa ocasião estudos sôbre raiva e imunidade
local, assunto que serviu para a sua tese de doutoramento em 1921.
Foi assistente do Instituto Butantan de 1925 a 1928, tendo realizado traba¬
lhos sôbre imunologia e bacteriologia. Preparou nesse período a primeira amos¬
tra de BCG em São Paulo e introduziu o emprego da vacinação “per os” contra
as infecções tífico-disentéricas. Participou com trabalhos das Conferências de
Higiene em São Paulo e em Pernambuco.
Fm 1928, com os Drs. Mario Pereira e. Pedro Romeiro, fundou o Instituto
Pinheiros, que dirigiu por 19 anos. Nesse Instituto organizou pela primeira vez
no Brasil um Serviço Antirrábico Descentralizado, que já prestou socorro a mais
de 30.000 vítimas de animais raivosos na própria localidade dos pacientes, graças
a remessa pronta da vacina pelos 230 postos espalhados no Brasil, Paraguai e
Bolívia, em um trabalho de fundo social. Sob os auspícios do Ministério da
Guerra, criou o primeiro Banco de Plasma do Brasil. Durante a Revolução
Constitucionalista de 1932, organizou e dirigiu o laboratório de campanha no
setor Sul do Estado de São Paulo. Organizou e dirigiu o Serviço de Vacinação
BCG da Liga Paulista contra a Tuberculose, tendo edificado a sua sede, graças
a colaboração do Rotary Club de São Paulo, do qual era membro.
Em 1947 foi nomeado diretor do Instituto Butantan, cargo que exerceu até
1951. Pela Organização Mundial de Saúde foi convidado a realizar estudos sôbre
a Administração de Laboratórios de Saúde Pública nos Estados Unidos da Amé¬
rica, no Canadá e em vários países da Europa. No seu regresso foi convidado
pelo Ministério da Saúde Pública a colaborar na Campanha Nacional contra a
Tuberculose no setor técnico e administrativo.
Publicou 40 trabalhos de investigação científica e de divulgação, principal¬
mente nos temas de imunização antidisentérica, de BCG e raiva.
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Mem. Inst. Butantan, PAULO DE TOLEDO ARTIGAS e MARIO DEMAR PEREZ
31 : 5 - 8 , 1964 .
O
C AT ADI SCUS ELDORADIENSIS n. sp., TREM AT 00 A, RARA i\I RI II ST OMA TA
DE LERTODACTYLUS OCELLATUS
PAULO DE TOLEDO ARTIGAS E MARIO DEMAR PEREZ
Secção de Parasitologia, Faculdade de Farmácia e Bioquímica, Universidade de
São Paulo e Instituto Butantan, São Paulo, Brasil
Introdução
Em dois exemplares de Leptodactylus ocellalus, um proveniente de São Paulo,
capital do Estado e o outro de Eldorado Paulista (SP), tivemos ensejo de encon¬
trar o trematódeo, assunto da presente nota. Em uma das verificações, o parasito
em apreço foi observado em parasitismo misto, compartilhado com Choledocystus
elegans iTrav., 1926) ; na outra verificação o parasitismo era isolado.
Na necropsia número 293, do batráquio oriundo de São Paulo, colhemos sete
exemplares de C. eldoradiensis; na necropsia número 346. da rã proveniente de
Eldorado Paulista, obtivemos um único exemplar do trematódeo citado. 0 Lcpto-
dactylus de Eldorado Paulista foi capturado em abril de 1958 e o de São Paulo
em dezembro do mesmo ano. A presente descrição é baseada no estudo desses
oito exemplares.
Descrição
Trata-se de um trematódeo pequeno, brancacento, pouco espesso, de cutícula
lisa. Ventosa oral relativamente pequena e provida de dois divertículos. Pré-
faringe delgada. Faringe pouco desenvolvida, de situação pré-cecal. Esôfago prà-
ticamente nulo. Cecos curtos, não atingindo o plano mediano do corpo. Testículo
único, volumoso, situado no plano equatorial, num campo parcialmente deslocado
da linha mediana. Bôlsa do cirro bem desenvolvida. Ovário e glândula de Meblis
contíguos, situados os dois órgãos no campo testicular, em zona imediatamente
posterior, colocados paramedialmente. Vilclinos em grandes massas foliculares, em
numero reduzido, situados na mesma zona testicular e em campo lateral, à esquer¬
da. Poro genital disposto na zona da bifurcação dos cecos. Alças uterinas nu¬
merosas, os ovos se distribuindo em lôda a área do corpo situada entre os cecos
até a extremidade posterior do corpo; ovos numerosos e operculados. Ventosa
posterior potente, grande, terminal, na extremidade posterior e com uma prega ou
espessamento bem observado em um dos exemplares examinados.
Recebido para publicação em junho de 1964.
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CATADISCUS ELDORADIENSIS n. sp„ TREMATODA.
PARAMPHISTOMATA DE LEPTODACTYLUS OCELLATUS
Catadiscus eldoradiensis Artigas et Perez, 1964.
Discussão
Trata-se, evidentemente, de um trematódeo paramfistomídeo que apresenta as
características gerais do Catadiscus e que poderia ser classificado como C. cohni
Trav., 1926., não fôsse a curiosa circunstância de apresentar a massa vitelínica
unilateral, aparentemente um complexo ímpar de glândulas vitelogênicas.
O fato de havermos encontrado o trematódeo em tela em dois hospedeiros,
embora da mesma espécie, mas provenientes de-lugares distantes (Eldorado Pau¬
lista, que ainda há poucos anos tinha a denominação de Xiririca, dista da capital
do Estado cêrca de 250 quilômetros) e a circunstância dos oito exemplares pos¬
suírem morfologia nitidamente superponível, parecem-nos elementos suficientes para
erigir uma nova espécie hem definida de Catadiscus.
1, | SciELO
Mem. Inst. Butantan, PAULO DE TOLEDO ARTIGAS e MARIO DEMAR PEREZ 7
31 : 5 - 8 , 1964 . 1
No seguinte quadro relatamos as medidas de quatro helmintos, tomadas após
coloração pelo carmim e montagem em bálsamo.
TABELA
Exemplares do lote 562
Exemplar do
lote 666
Comprimento .
3,00 mm
2,24 mm
2,16 mm
2,50 mm
Largura máxima .
1,00 mm
0,80 mm
1,04 mm
1,00 mm
Ventosa oral .
ISO X 250 /i
—
100 X 160 /I
—
Divertículo da ventosa
oral .
120 X 120 jl
100 X 100 11
130 X 100 n
—
Pré-faringe .
250 /x
—
340 ji
—
Faringe .
180 X 100 /i
200 X 180 Jl
130 X 100 ji
180 X 130 ji
Cecos .
800 X 100 ji
620 X 120 ji
610 X 120 ji
640 X 130 ji
690 X 160 ji
670 X 130 n
510 X 180 ji
500 X 160 ji
Testículo .
600 X 400 ji
460 X 410 ji
550 X 350 n
350 X 220 ii
Bolsa do cirro .
420 X 120 /i
160 X 110 ji
—
—
Ovário .
100 X 80 /i
—
—
200 X 140 /*
Glândula de Mehlis . ..
90 X 60 n
—
—
—
Acetábulo .
750 X 630 /i
600 X 650 ji
600 X 560 n
600 X 870 /i
Folículos vitelínicos . .
100 X 80 /i
—
—
83 X 63 ji
Ovos (média de 10) . .
74 X 30 /t
82 X 31/i
60 X 32 /i
62 X 32 /i
A disposição dos vitelinos nas espécies do gênero Catadiscus não é uniforme;
C. dolichotyle, C. pygmaeus, C. iiruguayensis, C. inopinatus, C. mirandai e C.
jreilaslenti apresentam dois grupos simétricos de glândulas. C. marinholutzi e C.
propinquus apresentam os vitelinos dispostos em faixa transversal. No caso ver¬
tente de C. eldoradiensis n. sp., os vitelinos, cuja disposição é o elemento diferen¬
cial específico, se dispõe unilateralmente.
SciELO
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CATADISCUS ELDORADIENSIS n. sp., TREMATODA,
PARAMPH1STOMATA DE LEPTODACTYLUS OCELLATUS
I) a d o s b io I
i olo gico s
Hospedeiro: Leptodactylus ocellatus
Habitat parasitário: Intestino delgado.
Proveniência: Eldorado Paulista (SP), antiga Xiririca (localidade tipo) e
São Paulo (SP), Brasil.
0 material que se utilizou no presente trabalho acha-se depositado na coleção
helmintológica do Departamento de Parasitologia da Faculdade de Farmácia e Bio¬
química da l niversidade de São Paulo, soh os números 562 e 666.
Resumo
É descrita uma nova espécie de paramfistomídeo, Catadiscus eldoradiensis,
cujo principal característico, único no gênero, é a situação unilateral dos vitelinos.
O novo trematódeo foi encontrado em dois exemplares de Leptodactylus ocellatus,
provenientes, um de Eldorado Paulista (localidade tipo) e o outro de São Paulo
(Estado de São Paulo). Brasil.
SüMMARY
This paper describes a nevv species of Catadiscus. The name Catadiscus eldo¬
radiensis is proposed for this new species. The most conspicuous differential
character of C. eldoradiensis n. sp. consists in lhe unilateral situation of lhe vitel-
laria, an unknown aspeet in other species of the genus. The new trematode lias
been found in Leptodactylus ocellatus captured in São Paulo (SP) and Eldorado
Paulista (SP), Brasil.
Bibliografia
1. Freitas, J. F. T. — Novo trematódeo paramphistomídeo parasito de rã. Cata-
discus inopinatus n. sp. Rev. Brasil. Biol., 1(2) :121-123, 2 figs., 1941.
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3. Freitas, J. F. T. & Lent, H. — Revisão do gênero Catadiscus Cohn 1904 ( Tre-
matoda: Paramphistomoidea). Boi. Biolotj. (N.S.), 4(2) :305-315, 20 figs.,
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parasito de ofídio neotrópico; observação sõbre a presença de dois canais
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6. Ruiz, J. M. — Considerações sôbre o gênero Choledocystus Pereira e Cuocolo,
1941 ( Trematoda. Plar/iorchiidae). Rev. Brasil. Biol.. 9(2) :167-174, 10 figs..
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7 Travassos, L. — Catadiscus cohni, nova espécie. Novo trematódeo de batráquio.
Sciencia Medica, 4(6) :278-279, 1 fig., 1926.
8. Travassos. L. — Synopse dos Paramphistomoidea, Mem. Inst. Oswaldo Cruz, 29
(1) :19-178. 86 figs., 1934.
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Mc-m. Inst. Butantan
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A. BRUNNER JR. e A. VALLEJO-FEEIRE
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ESTRUTURAS LAMELARES EM RET1CUL0CIT0S
A. BRUNNER JR. E A. VALLEJO-FREIRE
Serviço de Microscopia Eletrônica, Secção de Virulogia, Instituto Butantan,
São Paulo, Brasil
Introdução
Recentemente têm sido evidenciadas em reticulocitos de mamíferos, algumas
das estruturas comuns às demais células, como mitoeôndrios (1-6) e retículo endo-
plasmático agranular (3-6). As ribonucleoproteínas se encontram difusas no cito¬
plasma, o que se evidencia, após coloração pelo Giemsa, pela basofilia uniforme
característica. Quando a coloração pelo Giemsa é precedida de tratamento pelo
verde Jenus B, resulta uma basofilia reticulada devido à precipitação das ribonu¬
cleoproteínas e do corante em tôrno dos mitoeôndrios (7). A dissolução dos mi-
tocôndrios, retículo endoplasmático e ribonucleoproteínas, devido à perda de suas
funções na síntese de hemoglobina e o aumento da concentração desta, definem o
fim do processo de diferenciação da hemácia. Estas observações foram feitas em
pacientes com anemia hemolítica, em cobaios e coelhos com anemia provocada por
sangrias sucessivas ou por intoxicação plúmbica e em ratos intoxicados com p-dime-
t i la mi no-azobenzeno.
É o propósito desta comunicação demonstrar a existência de estruturas seme¬
lhantes às constituintes do aparelho de Golgi, em reticulocitos de cobaios com in¬
toxicação plúmbica ou com anemia provocada por sangrias sucessivas.
Material e métodos
Uma reticulocitose em tôrno de 15% foi obtida em cobaios de 350 a 400 g
de pêso, por sangrias cardíacas diárias de 4 a 5 ml durante 5 dias, sem que fôssem
observados eritroblastos na circulação. Reticulocitoses superiores a 50% foram
obtidas em cobaios intoxicados com acetato de chumbo em solução aquosa a 1%
por injeções subcutâneas diárias de 1 ml, durante 9 dias.
Em ambos os casos o sangue foi colhido por punção cardíaca ou por corte
da unha das patas (8) e fixado imediatamente com OsO, a 1% em tampão ve-
ronal-acetato, isotônico, de pH 7,4, durante 20 a 30 minutos. À desidratação pela
Recebido para publicação em dezembro de 1962.
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ESTRUTURAS LAMELARES EM RETXCULOCITOS
série alcoólica seguiu-se a inclusão em butil-metil metacrilatos na proporção de
7:3. As trocas dos meios para a desidratação e inclusão dos glóbulos foram feitas
por centrifugações a baixa rotação e decantações sucessivas. Os cortes foram ob¬
tidos num micrótomo Porter-Blum e examinados num microscópio Siemens ÜM 100 b
com tensão de 60 KV e aumentos de X7200 e X15000.
Resultados f. discussão
Os eritroblastos possuem lôdas as estruturas somuns às demais células, per¬
dendo o núcleo na fase acidofílica com movimentos ativos executados pelo proto¬
plasma, segundo documentações microcinematográficas feitas por Albrecht (9) e
Bessis e Bricka(lO). O núcleo, após sofrer deslocamentos devidos às intensas
contrações, permanece ligado à célula por meio de um fino cordão citoplasmático,
durante alguns minutos, libertando-se em seguida.
Uma das fases dêsse processo pode ser observada no eritroblasto da figura 1,
de cobaio com intoxicação plúmbica. Chama a atenção a frequência com que se
observam alguns mitocôndrios próximos à membrana do núcleo em fase de extru-
são; em eritroblastos aparentemente não em fase de extrusão nuclear, os mitocôn¬
drios não se dispõem com essa proximidade em relação ao núcleo. A membrana
nuclear não possui mais poros, possivelmente por ter o núcleo perdido sua função.
Êste fato pode ser melhor constatado nos cortes tangenciais.
A célula passa assim a constituir um reticulocito, com os elementos citoplas-
máticos remanescentes e sofre progressivas transformações ao mesmo tempo que
acumula crescentes quantidades de hemoglobina sintetizada. A síntese se processa
mais intensamente nêste período da diferenciação, segundo determinações microes-
pectrofotométricas feitas por Seno (4) em eritroblastos e reticulocitos de coelho.
Estas alterações podem se evidenciar pela perda das várias estruturas citoplasmá-
ticas e pelo aumento de densidade aos eletrons, transformando-se a célula numa
hemácia adulta.
Foram confirmados os achados anteriores em reticulocitos de cobaios com
anemia aguda provocada por sangrias sucessivas e de cobaios com intoxicação
plúmbica (1-3). Além de mitocôndrios e retículo endoplasmálico em fase de in-
volução, foi possível, em alguns reticulocitos jovens, localizar sistemas de mem¬
branas com características morfológicas do sistema constituinte do aparelho de
Golgi (Fig. 2). A distância entre uma membrana e outra varia, aproximada¬
mente, entre 10 e 18 m/x. Êste sistema de membranas é muito semelhante aos
dictiosomos de espermálides de ‘"Helix aspersa” e “Lumbricus terrestris”, descritos
por Dalton e Felix (11). Não se observam os demais componentes do aparelho
de Golgi, vesículas e vacúolos.
Na Fig. 3 a distância entre as membranas é maior, variando de 28 a 40 m/x,
dispondo-se algumas vesículas junto ao sistema de membranas. Esta hemácia jo¬
vem provavelmente se encontra numa fase de maturação em que tem início o
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Fi S- 1 — Erythroblast of guinea-pig vvith lead poisoning; N —
nucleus in phase of extrusion; m — mitochondria; re — endo-
plasmic reticulum; mp — plasma membrane; mn — nuclear
membrane.
Reticulocytes of guinea-pigs vvith lead poisoning.
^ Reticulocytes of guinea-pigs vvith lead poisoning. Dic-
tiosome (d) disposed near a mitochondria (m) of enlarged volume
and disorganized trabecular structure.
Fig. 3 — Reticulocytes of guinea-pigs vvith lead poisoning — (1 —
dictiosome; v — vesicles; m — mitochondria; re — endoplasmic
reticulum.
Fig. 4 — Reticuloeyte of guinea-pig with anemia caused by sue-
cessive bleedings, containing a system of membranes (M), vesicles
(v) and a mitochondria (m); re — endoplasmic reticulum. The
density to the electrons ls accented due to the concentration of
hemoglobin already synthetized.
Fig. 5 — Reticuloeyte of guinea-pig with lead poisoning contain¬
ing a structure constituted of concentric lamellae (1) of elliptie
section; m — mitochondria; f — ferritine.
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Mem. Inst. Butantan,
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31 : 9 - 14 , 1964 .
processo de reabsorção ou dissolução dos seus constituintes estruturais (3), como
se pode observar no mitocôndrio com membrana limitante e trabéculas, incompletas.
Seno, Kawai e Nishikawa (12) verificaram que na intoxicação plúmbica o
período de maturação do reticulocito é maior que o normal bem como o número
de células degeneradas irrecuperáveis. Êstes dois fatores aumentaram a probabili¬
dade de surpreender aquelas estruturas, desde a fase de atividade até a de disso¬
lução gradativa. Vallejo-Freire e Brunner (3) verificaram que as estruturas mem-
branosas dêsses reticulocitos se mostravam mais contrastadas em comparação com
o normal. Êste fato pode ser explicado admitindo-se ter havido uma impregnação
polo chumbo, “fixando-as”, total ou parcialmente, dependendo da fase do período
de intoxicação, ou seja, do maior ou menor teor de chumbo na circulação.
A observação de que a região que circunda o vacúolo contrátil de certos pro¬
tozoários reduz o ácido ósmico, da mesma maneira do que ocorre com o aparelho
de Golgi das células de vertebrados, levou Nassonov (13) a sugerir a existência
de uma homologia entre as duas estruturas. Esta observação foi confirmada em
exames eletromicroScópicos de protozoários e espongiários, por Gatenby, Dalton
e Felix (14). A homologia aparente entre estas estruturas implica na participação
do aparelho de Golgi no controle do equilíbrio osmótico das células. A concen¬
tração de sódio, potássio, cálcio e fósforo nos reticulocitos é maior do que nas
hemácias adultas (15-17) e o teor em água é de cêrca de 5% maior que o dos
eritrocitos (18, 19). Durante o processo de maturação aqueles solutos diminuem
portanto, em concentração, do que resulta a necessidade de perda de água da
hemácia para manter o equilíbrio osmótico em relação ao plasma. Pode-se con-
jecturar sôbre a possibilidade das estruturas descritas no reticulocito possuirem
uma função ativa nêsse sentido. No reticulocito da Fig. 4, de cobaio com anemia
provocada por sangrias sucessivas, o espaço entre as membranas do sistema de
Golgi varia ao redor de 120 m/t, observando-se algumas vesículas próximas ao
sistema. O falo dêsse reticulocito conter ainda remanescentes do aparelho de Golgi,
embora já apresente uma elevada densidade aos elelrons, devido ao conteúdo em
hemoglobina, sugere que êste sistema de membranas tem uma função ainda na
fase anucleada, pré-adulta. Os “corpos nucleares” descritos por Golgi (20) em
hemácias adultas, humanas e de outros animais, não correspondem a estas estru¬
turas que existem somente nas hemácias jovens, ainda em fase de diferenciação;
o glóbulo vermelho maturo não possui no seu interior nenhuma estrutura cor¬
puscular.
Estruturas lamelares reticulares, concêntricas e espiraladas têm sido descritas
em mieloeitos basófilos (21), epitélio do tubo contornado proximal de camundon¬
gos (22) e células L-GO em culturas de tecido (25) e em epitélio branquial de
salamandra (24), respectivamente. A função dessas estruturas não é conhecida.
A estrutura lamelar do reticulocito da Fig. 5, assemelha-se às lamelares concêntricas
descritas. As lamelas se dispõem de modo a dar uma secção elíptica ao conjunto,
tendo as mais periféricas se destacado num dos polos da elipse, ou as internas
sofrido uma retração.
cm
2 3
z
5 6
11 12 13 14 15 16
14
ESTKUTURAS LAMELARES EM RETICULOCITOS
Resumo
Em reticulocitos de cobaios normais ou com intoxicação plúmbica, são des¬
critas estruturas lamelares semelhantes aos dietiosomos constituintes do aparelho de
Colgi. Uma estrutura lamelar concêntrica, descrita em vários tipos de células, de
função desconhecida, é também apresentada.
Trabalho executado com o auxílio do f undo de Pesquisas do Instituto Butantan.
SuMMARY
In reticulocytes of normal guinea-pigs or with lead poisoning, lamellar struc-
lures similar to the dictiosomes which constitute the Colgi apparatus, are described.
A concentric lamellar structure of unknown function, described in several kinds
of cells, is also presented.
Bibliografia
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Kurozumi in Intern, Rev. Cytol,, vol. XI, p. 32 e 33, 1961.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
WOLFGANG BÜCIIERL
Mem. Inst. Butantan,
31 : 15 - 54 , 1964 .
15
LOXOSCELES E LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO SUL
V. AS ESPÉCIES SUL-AMERICANAS DO GÊNERO LOXOSCELES
HEINECKEN E LOWE 1832*
WOLFGANG BÜCHERL
Secção de Artróyodos Peçonhentos, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil
Simon (1) foi o primeiro a elaborar uma chave sistemática dos Loxoscelídeos
sul e centro-americanos, conhecidos até o ano de 1907. O grande mérito desta
chave consiste na importância que o autor deu aos palpos maxilares, ao bulbo e
êmbolo dos machos adultos, para a diferenciação das espécies; o grande defeito
é que foram menosprezadas por êle as fêmeas das mesmas espécies, não coordena¬
das sistematicamente e que não foi dada importância alguma às medidas das
pernas de ambos os sexos.
A tentativa de uma segunda chave sinóptica das espécies sul-americanas, feita
por C. de Mello-Leitão (2), em 1918, resultou em fracasso. Uma nova sistemati¬
zação, publicada pelo mesmo autor (3), em 1934, repetiu o bom critério dos
palpos dos machos, introduzido por Simon, aliado a ilustrações, feitas dos perfis
dos palpos, que elucidam melhor as figuras que Simon fizera sob outro ângulo;
os caracteres específicos para as fêmeas, julgados bons por Mello-Leitão, entretan¬
to, são destituídos de valor.
Em 1958 foi publicado por W. J. Gertsch (4) um estudo sôbre os Loxosce¬
lídeos da América do Norte, Central e das índias Ocidentais, com a aferição de
15 espécies, 3 das quais sul-americanas também e 10 descritas como novas.
O principal valor dêste trabalho consiste no estudo comparativo dos receptá¬
culos seminais das fêmeas, como importante caráter auxiliar na especificação das
mesmas. Além disso, foram comparados também os palpos maxilares dos machos,
como segundo caráter importante de especificação. Finalmente ofereceu o autor
as medidas exalas dos artículos das pernas de machos e fêmeas e o colorido. Não
se trata propriamente de uma revisão das espécies do gênero, mas antes de mais
nada da descrição de 10 espécies novas e mais 3 espécies, descritas alguns anos
antes pelo mesmo autor em colaboração com Mulaik (5), tcudo sobrado apenas
* Apresentado no Congresso de Zoologia em São Paulo, em julho de 1962.
Recebido para publicação em 8/6/1962.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
16
LOXOSCEI.ES E LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO SUL
2 espécies antigas. A elaboração de uma chave sinóptica das espécies norte a
centro-americanas será tarefa extremamente difícil, senão impossível, pois Gertsch
não deu importância alguma à fórmula das pernas, que considera de valor apenas
para áreas restritas; as excelentes ilustrações dos palpos dos machos demonstram
claramente que foram feitas muitas espécies novas, que merecem no máximo apenas
o valor de populações da mesma espécie; os receptáculos seminais das fêmeas, como
foram ilustrados, parecem-nos em parte incompletos e por outra parte cheios de
pequenos detalhes individuais, que jamais podem justificar espécies, mas apenas
populações.
Pelos nossos estudos comparativos, feitos durante 2 anos e com abundante
material, procedente de muitos lugares da América do Sul, chegamos à conclusão
que existem caracteres morfológicos, realmente aproveitáveis para a sistematização
das espécies e que, portanto, é possível elaborar-se uma chave sistemática razoa¬
velmente prática para as mesmas, abrangendo-se tanto os machos como as fêmeas.
Os caracteres específicos são os seguintes:
a) As dimensões dos artículos dos palpos dos machos, incluindo o bulbo e o
êmbolo ;
b) 0 aspecto da fenda genital e dos recptáculos seminais das fêmeas;
c) As medidas das pernas em machos, fêmeas e filhotes;
d) Certas particularidades de colorido, principalmente no cefalotórax, nos artí¬
culos dos palpos e das pernas anteriores.
Êsles quatro caracteres unidos e aferidos cuidadosamente, identificam qualquer
Loxoscelídeo adulto e são tanto mais seguros, quanto maior fôr o número de
exemplares comparados.
Material
Para a revisão sistemática das espécies sul-americanas vimos Loxoscelídeos
conservados no Museu Nacional do Hio de Janeiro, no Departamento de Zoologia,
Ipiranga, São Paido e na Coleção do Instituto Butantan.
Os exemplares mais antigos destas 3 coleções, mais ou menos até o ano de
1934, já tinham sido estudados por Cândido de Mello-Leitão, de maneira que nos
pudemos inteirar dos critérios que êste autor usava para a sistematização.
Entramos em contato com o Museo Argentino de Ciências Naturales ‘‘Bernar-
dino Rivadavia”, com o Departamento de Zoologia da Universidade de Montevidéo,
Uruguai, com o Instituto Malbran, em Buenos Aires, Argentina, com o Departa¬
mento de Pasitologia da Universidade da Santiago do Chile, com o Dr. Jean
Vellard, da Universidade de San Marcos, em Lima, Perú, com alguns coleciona-
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1 Mem. Inst. Butantan, WOLFGANG BÜCHERL
j 31:15-54, 1964.
17
I dores na Bolívia (Santa Cruz de la Sierra, Sucre e
La Paz) e recebemos a lite- 1
[ ralura
descritiva original de algumas
espécies, como
também abundante material
1 comparativo. Empreendemos várias dezenas de excursões
para captura, ao redor |
I da Capital de São Paulo, ao Litoral
Paulista, Rio i
de Janeiro, conseguindo cen- |
t lenas de exemplares. No Instituto Butantan encontram-se
conservados os seguintes
[ espécimes, com os seguintes números
da Coleção, a
procedência, data da captura
1 e sexo:
266 —
Riacho da Cruz, Minas
— 3/ 5/1935 —
1
fémea; !
I 267 —
Ourinhos, São Paulo
— 12/ 9/1934 —
1
fêmea; 1
268 —
São Simão, Rio Grande do Sul
— 12/ 7/1934 —
1
fêmea; 1 macho, 1 filhote; '
269 —
São Paulo, Capital
— 9/ 8/1935 —
1
macho; 1 filhote;
270 —
Francisco Sodré
— 18/ 9/1934 —
1
filhote;
271 ~
Inst. Butantan
— 20/ 9/1937 —
1
macho; 1
272 —
Cerqueira César, São Paulo
— 11/11/1936 —
1
fêmea, 1 macho; 1 filhote; I
276 -
Lagoa, Santa Catarina
— 11/ 2/1935 —
1
fêmea, 1 fêmea; |
277 —
São Carlos, São Paulo
1934 —
1
fêmea, 1 macho; |
278 —
Corumbataí, São Paulo
— 18/ 9/1935 —
1
filhote; j
279 —
São Paulo, Capital
— 22/ 5/1935 —
1
fêmea; 1
280 —
Corumbataí, São Paulo
— 18/ 9/1935 —
1
filhote;
281 —
Lagoa, Santa Catarina
— 13/ 9/1935 —
1
fêmea; |
282 —
Barcelos, Rio de Janeiro
— 16/ 6/1936 —
2
fêmeas; i
428 —
Capital, São Paulo, Casa Verde
— 14/11/1950 —
1
filhote; |
593 —
Montevidéo, Uruguai
— 24/10/1951 —
2
fêmeas; ,
| G28 —
Montevideo, Uruguai
— 11/12/1951 —
12
fêmeas; 11 machos; 15 fi- I
lhotes;
630 —
Santo Ângelo, Rio Grande do Sul
— 26/12/1951 —
1
fêmea; 1 macho; 3 filho- i
tes; 1
631 —
Montevidéo, Uruguai
— 27/12/1951 —
7
fêmeas; 3 machos; 12 fi- ]
lhotes;
1.232 —
Quilombo, Rio Grande do Sul
— 5/ 9/1952 —
1
fêmea; 1 macho; 1 filhote;
1.308 —
Montevidéo, Uruguai
— 23/ 7/1956 —
10
fêmeas; 7 machos; 24 fi¬
lhotes;
1.469 —
Cotia, São Paulo
— 9/11/1959 —
1
fêmea; i
1.475 —
São Paulo, Capital, centro
— 9/12/1959 —
1
macho;
1.477 —
Inst. Butantan
— 16/ 1/1960 —
1
macho;
1.498 —
São Paulo, Capital, Morumbi
— 3/ 3/1960 —
240
fêmeas; 120 machos; 320
filhotes; I
1.495 —
Inst. Butantan
— 5/ 3/1960 —
1
fêmea; j
1.504 —
São Paulo, Capital, Morumbi
— 23/ 3/1960 —
322
fêmeas; 115 machos; 275 j
filhotes; 1
1.506 —
Vina dei Mar, Chile
— 12/ 5/1959 —
1 íêmea; 1 macho; 1 filhote; !
1.509 —
Montevidéo, Uruguai
— 2/ 4/1960 —
14
fêmeas; 8 machos; 8 fi- |
lhotes; 1
1.511 —
São Paulo, Capital, Morumbi
— 29/ 3/1960 —
124
fêmeas; 73 machos; 111 fi- j
lhotes; 1
1.518 —
São Paulo, Capital, Morumbi
— 5/ 4/1960 —
73
fêmeas; 35 machos; 110 fi- 1
lhotes; ]
1.529 —
Inst. Butantan
— 22/ 4/1960 —
46
fêmeas; 14 machos; 80 fi- 1
lhotes; I
1.530 —
Caxingui, São Paulo
— 23/ 4/1960 —
14
fêmeas; 8 machos; 1
1.534 —
São Roque, São Paulo
— 30/ 4/1960 —
56
fêmeas; 17 machos; 141 fi- 1
lhotes; I
1.535 —
São Paulo, Capital
— 2/ 5/1960 —
1
fêmea; ]
1.544 —
Caxingui, São Paulo
— 17/ 5/1960 —
38
fémeas; 14 machos; 35 fi- 1
lhotes; j|
1.556 —
São Paulo, Capital
— 9/ 6/1960 —
2
fêmeas; 1
1.557 —
Inst. Butantan
— 9/ 6/1960 —
48
fêmeas; 25 machos; 40 fi- 1
lhotes; i
1.558 —
São Paulo, Capital, centro
— 11/ 6/1960 —
4
fêmeas; 8 machos; I
I 1.560 —
São Paulo, Capital, Pedreira
— 14/ 6/1960 —
28
fêmeas; 17 machos; 1
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
18
LOXOSCELES E LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO SUL
—
Inst. Butantan (sob bambu)
—
30/
5/1960 —
1900
fêmeas; 1300 machos; 2000
filhotes;
1.51)7 —
La Serena, Chile
—
8 /
3/1950 —
2
fêmeas; 3 filhotes;
1.5(77 —
Santiago do Chile
—
8 /
6/1960 —
3
fêmeas;
1.51)7 —
Santiago do Chile
—
8 /
6/1960 —
3
machos;
1.56S —
Santiago do Chile
—
11 /
7/1960 —
2
machos; 1 filhote;
1.568 -
La Serena, Chile
—
7/
2/1950 —
1
macho;
1.508 —
Santiago do Chile
—
8 /
6/1960 —
3
fêmeas; 1 macho; 1 fi¬
lhote;
1.5(1!) —
Atibaia, São Paulo
—
30/
6/1960 —
1
macho;
1.576 —
Santo André, São Paulo
—
25/
7/1960 —
1
filhote;
1.579 —
Inst. Butantan
—
28/
7/1960 —
4
fêmeas; 6 machos; 3 fi¬
lhotes;
1.582 —
Taipas, São Paulo
—
9/
8/1960 —
3000
fêmeas; 1000 machos; 800
filhotes;
1.5 NU —
Taipas (outro local)
—
13/
8/1960 —
3000
fêmeas; 1500 machos; 1300
filhotes;
1.584 —
Vifia dei Mar, Chile
—
18/
8/1960 —
1
fêmea;
1.585 —
Coquimbo, Chile
—
11 /
8/1960 —
4
fêmeas;
1.585 —
Santiago do Chile
—
11 /
8/1960 —
2
fêmeas;
1.586 —
Tarapacá, Chile
—
11 /
8/1960 —
2
fêmeas; 1 macho; 2 filho¬
tes;
1 .589 —
Taipas (3i local)
—
23/
8/1960 —
220
fêmeas; 95 machos; 40 fi¬
lhotes;
1.590 —
Taipas (4 1 ) local)
—
25/
8/1960 —
140
fêmeas; 80 machos;
1.581 —
Inst. Butantan
—
26/
8/1961 —
1000
fêmeas; 340 machos; 750
filhotes;
1.593 —
Taipas (5? local)
—
30/
8/1961 —
120
fêmeas; 51 machos; 112 fi¬
lhotes;
1.595 —
Belo Horizonte, centro
—
2 /
9/1960 —
i
macho; 1 filhote;
1.610 —
Planaltina, Goiás
—
16/
7/1960 —
i
fêmea; 2 filhotes;
1.612 —
San Bartolo, Peru
—
10/10/1960 —
5
fêmeas; 5 machos;
1.015 —
São Paulo, Capital, centro
—
9/11/1960 —
1
macho;
1.621 —
Interlagos, São Paulo
—
22 /
1/1961 —
1
fêmea;
1.025 —
São Paulo, Capital, centro
—
í/
2/1960 —
1
fêmea;
1.049 —
Pôrtc Alegre, Rio Grande do
Sul
—
17/
2/1961 —
12
fêmeas; 6 machos; 8 fi¬
lhotes;
1.651 —
Inst. Butantan (bambu)
—
20 /
4/1961 —
8
fêmeas; 4 machos; 22 fi¬
lhotes;
1.051 —
Inst. Butantan (bambu)
—
30/
5/1961 —
38
fêmeas; 25 machos; 12 fi¬
lhotes;
1.058 —
Pôrto Alegre, Rio Grande do
Sul
—
6 /
6/1961 —
4
fêmeas; 6 machos; 3 fi¬
lhotes;
1.070 —
Valinhos, São Paulo
—
14/
6/1961 —
18
fêmeas; 8 machos; 7 fi¬
lhotes;
1.678 —
Pôrto Alegre, Rio Grande do
Sul
—
17/
6/1961 —
3
fêmeas; 4 machos; 25 fi¬
lhotes;
1.080
Buenos Aires, Argentina
—
6 /
7/1961 —
2
fêmeas; 1 macho;
1.687 —
Sucre, La Paz, Bolívia
—
6 /
7/1961 —
2
fêmeas; 2 machos;
1.089
Butantan, Hospital
—
18/
7/1961 —
i
fêmea;
1.693 —
Taipas <6v local)
—
3/
8/1961 —
8
fêmeas; 3 machos; muitos
filhotes;
1.094 —
Caxingui, São Paulo
—
9/
8/1961 —
2
fêmeas; 1 macho;
1.701 —
Ribeirão Prêto, São Paulo
—
22 /
8/1961 —
5
filhotes;
1.714 —
Pôrto Alegre, Rio Grande do
Sul
—
23/
9/1961 —
6
fêmeas; 5 machos;
1.717 —
Butantan (Hospital)
—
22/10/1961 —
1
fêmea;
1.742 —
São Paulo, Capital
—
13/
3/1962 —
2000
fêmeas; 800 machos; cen¬
tenas de filhotes;
1.746 —
São Roque, São Paulo
—
21 /
3/1962 —
600
fêmeas; 300 machos; cen¬
tenas de filhotes;
1.759 —
Iguape, São Paulo, litoral
25/
4/1962 —
3
fêmeas; 3 machos; 8 filho¬
tes.
Mem. Inst. Butantan,
31 : 15 - 54 , 1964 .
WOLFGANG BÜCHERL
19
As remessas espontâneas por fornecedores e as excursões para capturas con¬
tinuam. A maioria dos exemplares é usada para a feitura do sôro anti-loxoscé-
lico polivalente, conservando-se, entretanto, de cada lote nm certo número de
exemplares.
Método
O colorido dos espécimens foi aferido em várias dezenas de exemplares. Para
a obtenção de medidas, as mais exatas possíveis, desarticulamos as pernas de
exemplares conservados em meio alcoólico e medimos artículo por artículo, com o
auxílio da lupa, tendo o cuidado de aplicar o mesmo método de medições a tôdas
as aranhas, pois uma ligeira alteração de posição de um artículo já pode modi¬
ficar as medidas que devem ser exalas pelo menos até meio milímetro.
O mesmo cuidado foi dispensado às medições dos artículos dos palpos do
macho, do bulho e êmbolo. Particular atenção merecem as tíbias, os tarsos e a
curvatura do êmbolo, que foram ilustrados de perfil, com vista dorsal, apical e
ventral, pois constituem elemento decisivo para a diferenciação segura, específica,
dos machos.
A exposição dos receptáculos seminais das fêmeas foi praticada sob a lupa
binocular, com 10 a 20 vêzes de aumento, tanto em material recente como con¬
servado em meio alcoólico. Após cuidadosa incisão lateral, destacou-se tôda a
região genital, inclusive a fenda transversal; em seguida retirou-se a cobertura
dos pelinhos e foi destacada a pele externa (com a peça submersa em álcool a
80%) ; depois afastavam-se as camadas musculares e os epitélios, de maneira que
se tinha, ao fim da operação, apenas os dois receptáculos, juntamente com as ar¬
cadas quitinosas que sustentam a fenda genital (quando elas existem), que podiam
ser estudados tanto pelo lado de cima como pelo de baixo, de perfil ou levantados,
tomando-se ao mesmo tempo suas medidas exatas e reproduzindo seu aspecto por
ilustrações ampliadas.
Cento e trinta exemplares, machos, fêmeas e filhotes, de cada lote, cujo nú¬
mero de coleção foi dado anteriormente, juntamente com a procedência, a data
da captura e o sexo, foram estudados conforme os detalhes enumerados neste ca¬
pítulo. Além disto, conferimos em cada exemplar as dimensões dos olhos, suas
distâncias (entre si, da fronte, da linha mediana, da margem lateral), a pilosidade
do corpo, das pernas (se existe ou não o que Mcllo-Leitão chamou de “escópulas”
e se estas se localizam em áreas determinadas ou não), a dentição das garras e
os comprimentos das fiandeiras.
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
1 20 LOXOSCELES
■ a) Fórmulas das pernas
I N'- 1 269: I
■ fêmur 7,40
I patela 1,5
| tíbia 8,7
[ metatarso 8,00
1 tarso 1,90
I E LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO
Resultados
ambulatórias: — “Espécie A” (fig. 1)
Machos
II III
mm 8,50 mm 7,00 mm
1,70 1,50
10,90 7,40
13,50 8,00
2,00 1,30
SUL
IV
7,60 mm
1.50
8,20
8.50
1.50
Total
27,50
36,60
25,20
27,30
Fórmula — 2, 1 = 4,
3
Paipo:
fêmur
2,00 mm compr.
0,50 mm largo
patela
0,60
0,50
tíbia
1,00
0,85
tarso
0,85
0,65
bulbo
0,50
0,50
êmbolo
1,10
serpentiniforme
Total
4,45 mm (não se computam bulbo e
êmbolo)
Nv 428
I
II
III
ÍV
! fêmur
7,20
mm 8,30 mm
6,80 mm
7,40 mm
patela
1,40
1,60
1,40
1,40
tíbia
8,50
10,70
7,20
8,00
metatarso
7,80
13,20
7,80
8,30
tarso
1,80
1,90
1,30
1,50
Total
26,70
mm 35,70 mm
24,50 mm
26,60 mm
Fórmula — 2, 1 = 4,
3
Palpo:
fêmur
1,90 mm compr.
0,45 mm largo
patela
0,40
0,40
tíbia
0,80
0,65
tarso
0,85
0,50
bulbo
0,60
0,55
embolo
1,20
serpentiniforme I
Total
3,90 mm
Nv 1477
I
II
III
IV I
fêmur
6,70
mm 8,00 mm
6,20 mm
7,00 mm |
patela
1,20
1,20
1,20
1,20 1
I tíbia
7,70
9,20
5,70
6,90 |
! metatarso
8,20
11,60
7,20
8,60 i
tarso
1,70
1,60
1,10
1,20 9
Total
25,50
mm 31,60 mm
21,40 mm
24,90 mm j
Fórmula — 2, 1 ± 4,
3
Palpo:
fêmur
2,00 mm compr.
0,50 mm larg. {
patela
0,55
0,50
tíbia
0,80
0,75
tarso
0,90
0,65
bulbo
0,55
0,55
êmbolo
1,20
serpentiniforme 1
Total
4,25 mm
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst
Butantan,
WOLFGANG BÜCHERL
21
31:15-54, 1964.
N» 1511 —
Pernas:
Palpo:
fêmur
5,70
6,90
5,70
6,20
1,80 X 0,40
patela
1,20
1,30
1,20
1,20
0,35 X 0,40
tíbia
6,50
7,90
5,00
6,C0
0,80 X 0,70
metatarso
7,30
9,40
6,40
7,20
0,80 X 0,60
tarso
1,20
1,70
1,20
1,30
0,50 X 0,50
1,30 serpentiniforme
Total
21,90
27,20
19,50
21,90 mm
Fórmula
— 2, 1 = 4, 3
N* 1511 —
Pernas:
Palpo:
fêmur
6,70
8,00
6,30
6,70
1,90 X 0,42 mm
patela
1,40
1,40
1,20
1,30
0,45 X 0,40
tarso
7,50
9,10
5,70
6,90
0,83 X 0,72
metatarso
8,10
11,40
7,20
8,30
—
tarso
1,40
1,80
1,10
1,40
0,80 X 0,62
bulbo 0,50 X 0,50
êmbolo 1,35 serpentiniforme
Total
25,10
31,70
21,50
24,60 mm
Fórmula
— 2, 1, 4, 3
N* 1511 —
Pernas:
Palpo:
fêmur
6,20
7,00
5,70
6,40
1,80 X 0,40 mm
patela
1,30
1,40
1,10
1,30
0,43 X 0,39
tíbia
7,20
8,10
5,10
6,10
0,81 X 0,70
metatarso
7,60
9,90
5,50
7,80
—
tarso
1,40
1,30
1,10
1,40
0,75 X 0,59
bulbo 0,45 X 0,45
Total
23,70
27,70
18,50
23,C0 mm
êmbolo 1,10 serpentiniforme
Fórmula
— 2, 1, 4, 3
N» 1535 —
Pernas:
Palpo:
fêmur
5,80
6,90
5,60
6,00
1,70 X 0,36 mm
patela
1,20
1,20
1,10
1,20
0,40 X 0,39
tíbia
6,50
7,70
4,90
6,00
0,75 X 0,70
metatarso
7,20
10,00
6,50
7,10
—
tarso
1,40
1,40
1,00
1,40
0,70 X 0,55
bulbo 0,40 X 0,40
Total
22,10
27,20
19,10
21,70 mm
êmbolo 0,90 serpentiniforme
Fórmula
1
M
II
W
N* 1535 —
Pernas:
Palpo:
fêmur
6,00
7,20
5,90
6,50
1,80 X 0,40 mm
patela
1,20
1,30
1,10
1,10
0,45 X 0,40
tíbia
7,00
8,20
5,20
6,10
0,82 X 0,70
metatarso
7,50
10,10
6,50
7,50
—
tarso
1,50
1,50
1,40
1,20
0,74 X 0,58
bulbo 0,40 X 0,40
êmbolo 1,15 serpentiniforme
Total
23,20
28,30-
20,10
22,40 mm
Fórmula
— 2, 1, 4, 3
22
LOXOSCELES E
LOXOSCELISMO
NA AMÉRICA DO SUL
N* 1535 —
Pernas:
Palpo:
fêmur
6,00
7,20
5,80
6,10
1,77 X 0,40 mm
patela
1,20
1,30
1,00
1,00
0,45 X 0,36
tíbia
6,90
8,20
5,30
6,20
0,82 X 0,74
metatarso
7,70
10,20
6,40
7,90
—
tarso
1,50
1,50
1,30
1,20
0,70 X 0,56
bulbo 0,40 X 0,40
Total
23,30
28,40
19,80
22,40 mm
êmbolo
1,15
serpentiniforme
Fórmula
— 2, 1, 4, 3
N» 1569 —
Pernas:
Palpos:
fêmur
6,80
8,10
6,50
7,30
1,90
x 0,45 mm
patela
1,30
1,30
1,30
1,40
0,60
X 0,50
tíbia
7,90
10,00
6,00
7,00
0,90
X 0,80
metatarso
8,30
12,00
7,10
8,30
—
tarso
1,70
1,80
1,20
1,30
bulbo
0,90
0,50
X 0,60
X 0,40
Total
26,00
32,20
22,10
25,30 mm
êmbolo
1,40
serpentiniforme
Fórmula
— 2, 1, 4, 3
Médias aritméticas:
a) dos comprimentos das pernas: 24,50 mm — 30,73 mm — 22,17 mm — 24,01 mm
b) dos artículos dos palpos (comprimento e largura):
fêmur
— 1,86X0,43
mm
patela
— 0,47X0,40
mm
tíbia
— 0,83X0,73
mm
tarso
— 0,80X0,60
mm
êmbolo
— 1,17 mm -
— serpentiniforme
Fêmeas (íig. 4)
N 1 ) 266 — Comprimento das pernas: N* 1469 (filhote):
fêmur
7,20
8,10
6,50
7,20 mm
6,00
6,20
5,30
6,00 mm
patela
1,00
1,10
1,00
1,00
1,50
1,60
1,30
1,40
tíbia
7,90
9,00
5,80
7,10
6,00
6,40
4,60
5,80
metatarso
7,50
9,00
7,00
8,40
6,30
6,50
5,50
6,50
tarso
1,90
1,60
1,40
1,60
1,40
1,50
1,10
1,30
Total
25,5
28,8
21,7
25,30 mm
21,20
22,20
17,80
21,00 mm
Fórmula — 2,
1 = 4,
3
2, 1 =
= 4, 3
Nv 1498 (filhote):
No
1498:
fêmur
6,30
7,00
5,80
6,20 mm
6,90
.7,40
5,80
6,50 mm
natela
1,50
1,40
1,40
1,40
1,60
1,70
1,60
1,40
tíbia
6,30
7,00
5,00
6,00
6,80
6,00
4,90
6,00
metatarso
6,30
7,00
5,80
6,60
6,40
5,80
5,10
6,80
tarso
1,50
1,20
1,10
1,40
1,30
1,50
1,50
1,50
Total
21,9
23,6
19,1
21,60 mm
22,00
22,40
18,90
21,20 mm
Fórmula — 2,
1 = 4,
3
2, 1,
4, 3
1, | SciELO
Mem. Inst. Butantan,
31:15-54, 1964.
WOLFGANG BÜCHERL
23
N» 1498 (filhote):
N* 1504:
fêmur 6,20
5,80
5,00
5,60 mm
7,40
7,70
6,60
7,30 mm
patela 1,30
1,30
1,20
1,20
1,70
1,90
1,70
1,70
tíbia 5,50
5,80
4,20
5,10
7,20
7,80
5,70
7,00
metatarso 5,30
5,80
4,60
4,70
7,60
8,00
6,60
7,60
tarso 1,30
1,30
1,10
1,30
1,40
1,30
1,20
1,40
Total 19,60 20,00
16,10
18,90 mm
25,30
26,70
21,80
25,00 mm
Fórmula
— 2,
1, 4, 3
2, 1 =
4, 3
N* 1518 (filhote):
N*?
1518
(filhote):
fêmur 2,70
2,80
2,30
2,60 mm
3,60
3,90
3,00
3,60 mm
patela 0,70
0,80
0,60
0,60
0,80
1,00
0,60
0,70
tibia 2,40
2,40
1,90
2,20
3,40
3,60
2,80
3,05
metatarso 2,30
2,40
2,00
2,40
3,85
3,60
2,80
3,30
tarso 1,00
1,10
0,90
0,80
1,20
1,20
1,00
1,10
Total 9,00
9,50
7,70
8,60 mm
12,30
13,30
9,90
11,70 mm
Fórmula
— 2,
1, 4, 3
2, 1,
4, 3
N* 1530 (filhote):
No
1535:
fêmur 2,40
2,70
2,20
2,30 mm
5,20
5,60
4,80
5,20 mm
patela 0,70
0,70
0,60
0,60
1,20
1,20
1,20
1,20
tibia 2,30
2,70
1,90
2,20
5,10
5,30
4,00
4,80
metatarso 2,25
2,70
2,10
2,20
5,00
5,80
4,50
5,40
tarso 1,00
1,10
0,90
1,00
1,20
1,20
1,00
1,10
Total 8,70
9,90
7,70
8,30 mm
17,70
19,10
15,50
17,70 mm
Fórmula
— 2,
1, 4, 3
2, 1 =
: 4, 3
Médias aritméticas dos comprimentos das pernas:
22,60 mm —
23,80
mm
— 19,23 mm
— 22,17 mm;
11,90 mm —
12,90
mm
— 10,20 mm
— 11,60 mm.
“Espécie B
(fig-
2)
Machos
Comprimentos dos artíc. das pernas:
N* 268:
Comprimento e largura dos palpos:
fémur
6,00
7,00
6,00
7,20 mm
3,70 X 0,50 mm
patela
1,50
1,40
1,50
1,50
1,10 X 0,50
tibia
6,60
6,40
5,20
6,60
2,60 X 0,90
metatarso
7,00
7,50
6,50
7,80
—
tarso
2,00
2,20
1,80
2,20
0,50 X 0,54
Total
23,10
24,50
20,90
25,40 mm
7,90 mm
bulbo 0,50 X
Fórmula — 4,
2, 1,
3
êmbolo 1,45 m
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
I 24
| N* 271:
| fêmur 6,30
O patela 1,50
1 tíbia 6,80
| metatarso 7,10
I tarso 2,00
LOXOSCELES E LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO SUL
7,30 6,10 7,40 mm 4,00 X 0,50 mm
1,50 1,30 1,50 1,30 X 0,60
6,70 5,50 7,00 2,60 X 1,10
7,60 6,60 8,00 —
2,20 1,80 2,30 0,60 X 0,65
I Total
23,70
25,20
21,30
26,30 mm
8,50 mm
bulbo 0,50 X 0,70 mm
Fórmula — 4,
2, 1, 3
êmbolo 1,40 mm — recurvo
j 272 — Comprimento das
pernas:
Palpos (comprimento e largura):
| fêmur
6,50
7,00
6,30
7,00 mm
3,90 X 0,45 mm
1 patela
1,50
1,40
1,30
1,60
1,20 X 0,50
1 tíbia
7,00
7,50
5,80
7,00
2,50 X 0,90
| metatarso
6,90
7,80
6,90
8,60
—
tarso
2,00
2,00
1,80
2,00
0,50 X 0,50
Total
23,90
25,80
20,10
26,10 mm
8,10 mm
Fórmula -
- 4, 2,
1, 3
bulbo 0,45 X 0,53 mm
i Cefalotórax — 4,90 X 4,20
mm
êmbolo 1,50 mm — recurvo
Nq 272: macho, filhote, com o tarso periforme, ainda sem bulbo:
fêmur
4,00
4,40
3,80
4,70 mm
patela
1,20
1,10
1,10
1,30
tíbia
4,00
4,20
3,20
4,30
Fase evolutiva — Uma ecdise antes da
metatarso
4,00
4,40
3,80
5,40
idade adulta.
tarso
1,50
1,80
1,60
1,60
Fórmula — 4, 2 = 1, 3
Total
15,70
15,90
13,40
16,30 mm
Cefalotórax — 3,40 X 3,20 mm
N» 276:
fêmur
6,00
7,00
6,00
7,50 mm
3,70 X 0,60 mm j
patela
1,80
1,80
1,50
1,70
1,30 X 0,70 I
tíbia
7,00
7,50
5,80
7,20
2,30 X 0,90 I
metatarso
6,90
7,70
6,80
9,10
— 1
tarso
1,30
1,40
1,20
1,50
0,50 X '0,50 j
Total
23,00
25,40
21,30
27,00 mm
7,80 mm |
Fórmula —
- 4, 2, 1, 3
bulbo 0,50 X 0,50 mm |
Cefalotórax
— 5,00 X 4,20
mm
êmbolo 1,20 mm recurvo 1
N° 277:
fêmur
6,80
7,50
6,80
7,50 mm
4,00 X 0,40 mm 1
patela
1,80
1,40
1,10
1,50
1,20 X 0,50 H
tíbia
7,20
7,50
7,00
7,20
2,70 X 0,90 1
metatarso
7,90
8,00
6,80
8,60
- 1
| tarso
2,00
2,00
1,80
2,10
0,70 X 0,70 I
Total
25,70
26,40
23,50
26,90 mm
8,60 mm 1
Fórmula —
- 4, 2, 1
., 3
bulbo 0,40 x 0,50 mm 1
Cefalotórax
: — 4,80 X 4,10
mm
êmbolo 0,80 mm — recurvo 1
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Butantan,
WOLFGANG BÜCHERL
25
31:15-54, 1964.
No 628 (íilhote):
fêmur 4,80
5,20 4,60
5,70 mm
1,40 X 0,35 mm
patela 1,20
1,30 1,20
1,40
0,60 X 0,40
tíbia 4,60
5,00 4,00
5,30
1,30 X 0,40
metatarso 4,40
4,90 4,20
5,80
—
tarso 1,50
1,60 1,50
1,80
0,30 X 0,35
Total 16,50
18,00 15,50
20,00 mm
2,60 mm
Fórmula —
4, 2, 1, 3
bulbo 0,35 X 0,35
mm
Cefalotórax
— 3,70 X 3,20
mm
êmbolo 0,75 mm —
recurvo
No 1145 — Pinciamonhangaba, São Paulo
— 2/10/1950:
fêmur 5,20
6,00 5,10
5,50 mm
3,30 X 0,35 mm
patela 1,50
1,50 1,40
1,50
1,20 X 0,50
tíbia 5,90
6,70 5,00
6,30
2,20 X 0,80
metatarso 6,00
7,00 6,40
8,00
—
tarso 1,80
1,90 1,60
2,10
0,40 X 0,70
Total 20,40
23,10 19,50
24,40 mm
7,10 mm
Fórmula —
4, 2, 1, 3
bulbo 0,60 X 0,60
mm
Cefalotórax
— 4,50 X 4,10
mm
êmbolo 1,20 mm —
recurvo
1308:
fêmur 6,60
7,30 6,50
7,40 mm
3,80 X 0,40 mm
patela 1,80
1,50 1,40
1,70
1,30 X 0,60
tíbia 7,00
7,40 6,20
7,80
2,70 X 0,95
metatarso 7,00
7,50 6,80
8,20
—
tarso 1,90
1,90 1,80
2,00
0,80 X 0,80
Total 24,30
25,60 22,70
27,10 mm
8,60 mm
Fórmula —
4, 2, 1, 3
bulbo 0,50 X 0,50
mm
Cefalotórax
— 5,30 X 4,80
mm
êmbolo 1,40 mm —
recurvo
No 1308 (filhote, ainda sem bulbo):
fêmur 4,90
5,00 4,50
5,50 mm
patela 1,20
1,20 1,20
1,20
tíbia 4,70
4,90 3,80
5,00
metatarso 4,60
5,00 4,70
6,00
Fórmula —
- 4, 2, 1, 3
tarso 1,80
1,70 1,40
1,60
Total 17,20
17,80 15,60
19,30 mm
Nv 1308:
fêmur 5,70
6,50 5,50
6,70 mm
3,00 X 0,35 mm
patela 1,30
1,30 1,20
1,30
1,10 X 0,40
tíbia 6,10
6,80 5,00
6,60
2,00 X 0,80
metatarso 6,10
7,30 5,30
8,10
—
tarso 1,90
1,80 1,60
1,90
0,60 X 0,65
Total 21,10
23,70 18,60
24,60 mm
6,70 mm
Fórmula —
4, 2, 1, 3
bulbo 0,60 X 0,65
mm
Cefalotórax
— 4,50 X 4,10
mm
êmbolo 1,00 mm —
recurvo
26 LOXOSCELES I
LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO
SUL
N« 1475:
fêmur 6,50
7,30
6,70
7,70 mm
4,00 X 0,40 mm
patela 1,60
1,60
1,50
1,70
1,30 X 0,45
tíbia 7,20
8,00
6,10
7,50
2,45 X 0,90
metatarso 7,20
8,50
7,50
9,30
—
tarso 2,10
2,10
1,50
2,00
0,70 X 0,70
Total 24,60
27,50
23,30
28,20 mm
8,45 mm
Fórmula —
4, 2,
1, 3
bulbo 0,50 X 0,50
mm
Cefalotórax
— 4,50 X 4,00
mm
êmbolo 1,40 mm —
- recurvo
N9 1506 (Vina dei
Mar, Chile):
fêmur 5,00
5,00
4,70
5,80 mm
4,00 X 0,40 mm
patela 1,40
1,40
1,30
1,40
1,00 X 0,40
tíbia 4,60
4,80
3,80
5,00
2,50 X 0,80
metatarso 4,60
5,00
4,50
6,20
—
tarso 1,40
1,50
1,20
1,40
0,80 X 0,80
Total 17,00
17,70
15,50
19,80 mm
7,80 mm
Fórmula —
4, 2,
1, 3
bulbo 0,70 X 0,70
mm
Cefalotórax
— 5,00 X 4,60
mm
êmbolo 1,60 mm —
recurvo
N? 1509 (Montevideo) — filhote:
fémur 3,60
4,00
3,50
4,30 mm
patela 1,00
0,90
0,80
1,00
1,40 X 0,30 mm
tíbia 3,65
3,80
3,00
3,90
0,50 X 0,30
metatarso 3,50
4,00
3,40
4,80
1,00 X 0,50
tarso 1,40
1,50
1,10
1,50
—
0,70 X 0,65
Total 13,10
14,20
11,80
15,50 mm
2,60 mm
Fórmula —
4, 2,
1, 3
Cefalotórax
— 3,00 X 2,40
mm
sem bulbo
N» 1529:
fêmur 6,80
7,70
6,70
8,00 mm
4,00 X 0,40 mm
patela 1,70
1,80
1,50
1,70
1,20 X 0,50
tíbia 7,20
7,90
6,00
7,40
2,80 X 0,80
metatarso 7,00
8,30
7,10
9,70
—
tarso 2,00
2,000
1,60
2,00
0,60 X 0,60
Total 24,70
27,70
22,90
28,80 mm
8,60 mm
Fórmula —
4, 2,
1, 3
bulbo 0,6 X 0,5 mm
Cefalotórax
— 5,00 X 4,20
mm
êmbolo 1,50 mm —
pouco recurvo
N* 1534:
fêmur 6,00
6,80
6,00
7,10 mm
3,80 X 0,40 mm
patela 1,50
1,60
1,40
1,70
1,30 X 0,60
tíbia 6,50
7,40
5,50
6,90
2,40 X 0,86
metatarso 6,80
7,90
6,70
8,60
—
tarso 1,80
2,00
1,60
1,90
0,60 X 0,60
Total 22,60
24,70
21,20
26,20 mm
8,10 mm
Fórmula —
4, 2
1, 3
bulbo 0,50 X 0,60
mm
Cefalotórax
— 4,20 X 3,70
mm
êmbolo 1,50 mm —
recurvo
Mem. Inst. Butantan,
WOLFGANG BÜCHERL
27 I
31:15-54, 1964.
! N» 1534 (filhote, ainda sem
i bulbo):
fêmur 4,60
4,80
4,30
5,20 mm
patela 1,10
1,10
1,00
1,20
tibia 4,30
4,60
3,60
4,90
Fórmula — 4,
2, 1,
3
metatarso 4,20
4,80
4,20
5,70
Cefalotórax —
3,50 X
3,20 mm
tarso 1,40
1,60
1,20
1,70
Total 15,60
16,90
14,30
18,70 mm
1 N» 1534 (filhote de muito
pouca idade):
fêmur 2,30
2,40
2,10
2,60 mm
1 patela 0,70
0,70
0,50
0,70
tíbia 1,90
2,10
1,70
2,30
Fórmula — 4,
2, 1,
3
metatarso 1,80
1,90
1,70
2,60
Cefalotórax —■
2,70 X
2,40 mm
tarso 0,90
1,10
0,70
1,20
Total 7,60
8,20
6,70
9,40 mm
N? 1568 (Santiago
do Chile):
fêmur 6,30
7,10
6,20
7,20 mm
3,80 X 0,60 mm
patela 1,50
1,50
1,30
1,60
1,35 X 0,70
tíbia 6,80
7,60
5,50
7,00
2,45 X 1,00
metatarso 7,00
7,50
6,80
8,60
—
tarso 1,80
1,90
1,50
2,00
0,70 X 0,70
Total 23,40
25,60
21,30
26,40 mm
8,30 mm
Fórmula —
4, 2,
1, 3
bulbo 0,70 X 0,60
mm
Cefalotórax
— 5,10 X 4,40
mm
êmbolo. 1,50 mm —
- recurvo
N* 1568:
[ patela 6,00
6,60
5,70
7,20 mm
3,60 X 0,50 mm
1 fémur 1,30
1,40
1,20
1,50
1,10 X 0,50
tíbia 6,50
7,10
5,50
7,00
2,00 X 0,95
1 metatarso 6,60
7,50
6,40
8,20
—
1 tarso 1,80
1,90
1,50
2,00
0,70 X 0,70
I Total 22,20
24,50
20,30
25,90 mm
7,40 mm
E Fórmula —
4, 2,
1, 3
bulbo 0,65 X 0,65
mm
1 Cefalotórax
— 5,00 X 4,45
mm
êmbolo 1,15 mm —
- recurvo
j N*? 1568 (filhote, ainda sem
i bulbo):
i fêmur 5,00
5,50
5,00
5,90 mm
1,90 X 0,50 mm
I patela 1,20
1,20
1,20
1,30
1,00 X 0,80
1 tibia 4,90
5,00
4,10
5,40
1,10 X 0,60
1 metatarso 4,60
5,00
4,50
6,20
—
I tarso 1,60
1,70
1,50
1,80
1,60 X 0,80
1 Total 17,30
18,40
16,30
20,60 mm
5,60 mm
1 Fórmula —
4, 2,
1, 3
■ Cefalotórax
— 3,90 X 3,40
mm
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
■ 28 LOXOSCELES E LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO
SUL 1
1 N* 1568 (b)
— La Serena,
Chile:
I íêmur 5,80
6,50
4,90
6,90 mm
3,50 X 0,40 mm
I patela 1,60
1,70
1,40
1,70
1,30 X 0,50
1 tíbia 6,30
6,80
4,10
6,70
2,10 X 0,90
| metatarso 6,40
7,30
5,20
8,10
—
1 tarso 1,80
1,90
1,50
2,00
0,80 X 0,80
1 Total 21,90
24,20
17,10
25,40 mm
7,70 mm
1 Fórmula —
4, 2, 1, 3
bulbo 0,65 X 0,65
mm
I Cefalotórax
— 5,00
X 4,60
mm
êmbolo 1,00 mm —
- recurvo
[ Nv 1568 (b)
— La Serena,
Chile:
[ fêmur 6,50
7,60
6,50
8,10 mm
4,30 X 0,50 mm
1 patela 1,80
2,00
1,70
1,80
1,20 X 0,70
tíbia 7,60
8,20
6,10
7,90
2,70 X 0,90
1 metatarso 7,70
8,60
7,40
9,50
—
| tarso 2,00
2,00
1,80
2,00
0,80 X 0,80
Total 25,60
28,40
23,50
29,30 mm
9,00 mm
Fórmula —
4, 2, 1,
3
bulbo 0,70 X 0,70
mm
Cefalotórax
— 5,20
X 4,30
mm
êmbolo 1,25 mm —
- recurvo
No 1568 (e)
— Santiago, Chile (filhote,
sem bulbo):
fêmur 4,00
4,50
4,00
4,90 mm
patela 1,00
1,10
1,00
1,10
tíbia 3,90
4,30
3,40
4,70
Fórmula — 4,
2, i, 3
metatarso 4,00
4,30
3,90
5,30
Cefalotórax —
3,80 X 3,40 mm
tarso 1,60
1,70
1,50
1,70
Total 14,50
15,90
13,80
17,70 mm
No 1585 — Santiago
do Chile:
fêmur 6,00
7,00
6,00
7,20 mm
4 00 X 0,45 mm
patela 1,60
1,70
1,50
1,80
1,10 X 0,60
tíbia 6,90
7,30
5,40
7,00
2,40 X 0,90
metatarso 7,00
8,00
7,00
8,90
—
tarso 2,00
2,00
1,60
2,00
0,75 X 0,75
Total 23,50
26,00
21,50
26,90 mm
8,25 mm
Fórmula —
4, 2, 1
. 3
bulbo 0,50 X 0,50
Cefalotórax
— 4,10
X 3,60
mm
êmbolo 1,20 mm —
- recurvo |
No 1585 (V.)
— Santiago,
Chile (filhote,
sem bulbo) :
fêmur 3,90
4,10
3,70
4,50 mm
patela 1,00
1,20
1,00
1,20
tíbia 3,60
3,60
2,90
4,10
Fórmula — 4,
2, 1, 3 1
metatarso 3,70
3,90
3,50
5,00
Cefalotórax —
3,60 X 3,00 mm 1
tarso 1,50
1,60
1,30
1,60
Total 13,70
14,40
12,40
16,40 mm
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
i Mem. Inst. Butantan,
WOLFGANG BÜCHERL Oq
31:15-54, 1964.
I N* 1585 (V)
— Santiago, Chile (filhote,
sem bulbo):
I fêmur 5,00
5,20
4,70
6,70 mm
1 patela 1,40
1,40
1,20
1,40
tíbia 4,60
4,70
3,80
5,00
Fórmula — 4, 2, 1, 3
I metatarso 4,80
4,90
4,30
6,20
Cefalotórax — 4,40 X 3,90 mm
1 tarso 1,60
1,80
1,30
1,80
Total 17,40
18,00
15,30
21,10 mm
Nv 1585 (II)
— Santiago (filhote):
N9 1585 (II) — Santiago (filhote):
fêmur 5,50
6,00
5,30
6,50 mm
5,00 5,50 4,80 5,80 mm
patela 1,60
1,70
1,50
1,60
1,50 1,60 1,40 1,50
tíbia 5,40
5,80
4,60
6,00
4,70 5,00 4,30 5,20
metatarso 5,40
6,00
5,70
7,60
4,70 5,00 4,70 6,20
tarso 1,70
1,80
1,40
1,80
1,60 1,60 1,50 1,70 |
Total 19,60
21,30
18,50
23,50 mm
17,50 18,70 16,70 20,40 mm
Fórmula —
4, 2,
1, 3
4, 2, 1, 3 j
í Cefalotórax
— 4,30 X 3,90
mm
4,20 X 3,90 mm
N? 1612 — Perú
fêmur 7,00
7,80
7,00
8,20 mm
4,50 X 0,50 mm
patela 1,90
1,90
1,70
1,90
1,30 X 0,70
tíbia 8,00
8,60
6,80
8,30
2,80 X 0,90
metatarso 7,60
8,90
7,40
10,50
—
! tarso 1,80
1,90
1,70
2,00
0,80 X 0,80
I Total 26,30
29,10
24,60
30,90 mm
9,40 mm
1 Fórmula —
4, 2,
1, 3
bulbo 0,70 X 0,70 mm
I Cefalotórax
— 5,30 X 4,80
mm
êmbolo 1,35 mm — recurvo
N? 1686 — :
Buenos Aires:
fêmur 6,00
6,70
5,90
7,10 mm
4,00 X 0,45 mm
patela 1,50
1,60
1,40
1,60
1,10 X 0,60
tíbia 6,60
6,90
5,40
6,90
2,50 X 0,80
metatarso 6,60
7,60
6,80
8,60
- 1
tarso 1,70
1,80
1,50
1,90
0,60 X 0,80
Total 22,40
24,60
21,00
26,10 mm
8,20 mm j
Fórmula —
4, 2,
1, 3
bulbo 0,60 X 0,40 mm j
Cefalotórax
— 4,10 X 3,60
mm
êmbolo 1,30 mm — recurvo I
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
30
LOXOSCELES E LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO SUL
Médias aritméticas dos machos:
1. Dos comprimentos das pernas:
a) Em adultos: 23,15 mm — 25,24 mm — 21,04 mm — 26,37 mm;
b) Em filhotes: 15,47 mm — 16,47 mm — 14,20 mm — 18,24 mm.
2. Dos comprimentos e larguras dos artículos dos palpos (adultos):
fêmur
— 3,60
X
0,44
mm
patela
— 1,13
X
0,53
mm
tíbia
— 2,33
X
0,84
mm
tarso
— 0,64
X
0,67
mm
Fêmeas
Aferição dos comprimentos dos artículos das pernas:
Ne 268
São Simão, R. G. do Sul:
fêmur 6,00
6,20
5,80
6,50 mm
patela 1,80
2,00
1,70
2,00
tíbia 5,80
6,20
5,00
6,50
metatarso 5,80
6,60
6,00
7,60
tarso 1,60
1,70
1,60
2,00
Total 21,00
22,70
20,30
24,60 mm
Fórmula —
4, 2, 1,
3
Cefalotórax
— 5,10
X 4,50
mm
Ne 272 — Cerqueira
César:
fêmur 6,20
6,20
6,00
7,20 mm
patela 1,80
2,00
1,80
1,80
tibia 6,10
6,20
5,00
6,50
metatarso 5,90
6,20
5,70
7,80
tarso 1,60
1,80
1,50
1,90
Total 21,60
22,40
20,00
25,40 mm
Fórmula —
4, 2, 1,
3
Cefalotórax
— 5,80
X 4,70
mm
Ne 279 — São Paulo, Capital:
fêmur 5,50
5,90
5,50
6,50 mm
patela 1,50
1,80
1,70
1,80
tíbia 5,50
5,70
4,50
6,00
metatarso 5,50
5,80
5,40
7,00
tarso 1,70
1,80
1,30
1,80
Total 19,70
21,00
17,40
23,10 mm
Fórmula —
- 4, 2, 1, 3
Cefalotórax
— 5,00
X 4,00
mm
Ne 270 — Francisco Sodré, São Paulo
(filhote):
4,30
4,80
4,20
5,00 mm
1,10
1,20
1,00
1,10
4,00
4,30
3,50
4,70
4,20
4,50
4,00
5,50
1,20
1,50
1,10
1,40
15,80
16,30
13,80
17,70 mm
4, 2,
1, 3
4,40 :
x 3,10 mm
No
277 -
— São Carlos:
6,00
6,10
5,10
6,70 mm
1,40
1,60
1,40
1,60
5,60
6,70
4,60
6,00
5,60
6,00
5,70
7,20
2,00
2,00
1,80
2,10
20,20
22,10
18,20
23,10 mm
4, 2,
1, 3
5,00
X 4,20 mm
No
281 -
- Lagoa,
Santa Catarina:
6,80
7,00
6,30
7,60 mm
2,00
2,00
1,80
2,10
6,80
7,00
5,30
7,00
6,80
7,00
6,60
8,50
1,80
1,80
1,50
1,60
24,20
24,80
21,50
26,80 mm
4, 2, 1, 3
6,00 X 5,20 mm
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Butantan,
WOLFGANG BÜCHERL
31
31:15-54, 1964.
N? 282 — Barcelos,
Rio:
N<*
282:
fêmur 5,80 6,00
5,60
6,50 mm
5,30
5,80
5,10
6,20 mm
patela 1,90 2,00
1,90
2,00
1,80
1,80
1,70
1,80
tíbia 5,80 6,00
4,80
6,00
5,30
5,70
4,50
6,00
metatarso 5,50 6,00
5,50
7,20
5,20
5,70
5,00
7,00
tarso 1,80 1,80
1,50
1,80
1,80
1,70
1,50
1,80
Total 20,80 21,80
19,30
23,50 mm
19,40
20,70
17,80
22,80 mm
Fórmula — 4, 2,
1, 3
4, 2,
1, 3
Cefalotórax — 4,80
X 4,00
mm
5,00
X 4,00 mm
N» 593 — Montevidéo (filhote):
N*>
1308
—• Montevidéo:
fêmur 3,30 3,60
3,10
3,90 mm
5,80
5,90
5,40
6,20 mm
patela 1,00 1,00
0,90
1,00
1,60
1,60
1,50
1,50
tíbia 3,00 3,20
2,50
3,50
5,60
5,80
4,50
6,00
metatarso 2,80 3,20
2,80
4,00
5,10
5,70
5,20
7,00
tarso 1,40 1,40
1,40
1,50
1,40
1,50
1,30
1,60
Total 11,50 12,40
11,10
13,90 mm
19,50
20,50
17,90
22,30 mm
Fórmula — 4, 2,
1, 3
4, 2,
1, 3
Cefalotórax — 2,80
X 2,40
mm
5,00
X 4,00 mm
N* 1495 — Butantan
1509
— Montevidéo:
fêmur 5,50 5,70
5,30
6,30 mm
6,70
6,20
5,70
6,90 mm
patela 1,60 1,70
1,40
1,60
1,80
1,80
1,70
1,80
tíbia 5,50 5,70
4,50
5,80
5,80
6,00
4,80
6,20
metatarso 5,30 5,40
5,10
6,50
5,80
6,00
5,70
7,20
tarso 1,40 1,40
1,30
1,60
1,70
1,80
1,60
1,90
Total 19,30 19,90
17,60
21,80 mm
20,80
21,80
19,50
24,00 mm
Fórmula — 4, 2,
1, 3
4, 2,
1, 3
Cefalotórax — 5,00
X 4,00
mm
5,30
x 4,70 mm
N9 1509 — Filhote:
No
1509
— Filhote:
fêmur 3,80 4,00
3,50
4,40 mm
3,60
3,80
3,30
4,00 mm
patela 0,90 0,90
1,00
1,00
0,80
0,90
0,70
1,00
tíbia 3,60 3,70
2,90
4,00
3,10
3,50
2,80
3,80
metatarso 3,50 3,50
3,40
4,50
3,00
3,20
3,20
4,40
tarso 1,20 1,30
1,20
1,60
1,30
1,40
1,20
1,40
Total 13,00 13,40
12,00
15,50 mm
11,80
12,80
11,20
14,60 mm
Fórmula — 4, 2,
1, 3
4, 2,
1, 3
Cefalotórax — 3,50
X 3,10
mm
3,00
X 2,40 mm
N° 1529 — Butantan
(filhote):
No
1534
— Fazenda Butantan:
fêmur 2,60 2,90
2,00
3,00 mm
5,00
5,10
4,80
5,50 mm
patela 0,80 0,90
0,70
0,80
1,30
1,40
1,30
1,30
tíbia 2,40 2,50
2,00
2,80
4,50
4,80
3,70
5,00
metatarso 2,00 2,30
2,20
3,00
4,30
5,00
4,70
6,00
tarso 1,20 1,20
1,00
1,20
1,30
1,40
1,20
1,60
Total 9,00 9,80
7,90
10,80 mm
16,40
17,70
15,70
19,40 mm
Fórmula — 4, 2,
1, 3
4, 2,
1, 3
Cefalotórax — 2,30
X 2,00
mm
4,50 X 4,00 mm
32 LOXOSCELES E
LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO
SUL
N* 1534 — Fazenda
Butantan:
N*
1534
— Fazenda Butantan:
íémur 4,60
5,00
4,40
5,60 mm
5,90
6,00
5,70
6,00 mm
patela 1,30
1,30
1,20
1,50
1,30
1,30
1,20
1,50
tíbia 4,80
4,70
4,00
4,90
6,10
6,20
5,40
6,00
metatarso 4,80
5,00
4,50
5,70
6,00
6,10
5,70
6,80
tarso 1,30
1,30
1,30
1,60
1,30
1,40
1,30
1,30
Total 16,80
17,30
15,40
19,30 mm
20,60
21,00
19,30
21,60 mm
Fórmula —
4, 2,
1, 3
4, 2,
1, 3
Cefalotórax
— 4,60
X 4,20
mm
5,00
X 4,60 mm
N? 1534 — Muito jovem:
No
1534
— Filhote:
lêmur 2,20
2,20
1,80
2,40 mm
2,90
3,30
2,70
3,20 mm
patela 0,70
0,80
0,60
0,70
0,80
1,00
0,90
0,90
tibia 2,00
2,00
1,60
2,60
2,60
2,80
2,00
3,10
metatarso 1,80
2,00
1,70
2,80
2,40
2,80
2,30
3,50
tarso 0,80
1,00
0,70
1,00
1,10
1,20
1,10
1,30
Total 7,50
8,00
6,40
9,50 mm
9,80
11,10
9,00
12,00 mm
Fórmula —
4, 2,
1, 3
4, 2,
1, 3
Cefalotórax
— 3,10
X 2,80
mm
3,30
x 3,00 mm
N* 1567 (a)
— Santiago, Chile:
No
1567
(b) — Santiago, Chile:
fêmur 4,80
5,20
4,70
5,70 mm
4,50
4,80
4,20
5,20 mm
patela 1,20
1,40
1,30
1,60
1,30
1,30
1,20
1,30
tibia 4,80
4,90
4,00
5,10
4,30
4,30
3,60
4,80
metatarso 4,70
5,30
4,90
6,40
4,20
4,60
4,20
5,70
tarso 1,60
1,60
1,40
1,80
1,50
1,70
1,40
1,80
Total 17,10
18,40
16,30
20,60 mm
15,80
16,70
14,00
18,80 mm
Fórmula —
4, 2,
1, 3
4, 2,
1, 3
cefalotórax
— 4,50
X 4,00
mm
3,60
X 3,20 mm
N* 1567 (c) -
— Santiago (filhote):
No
1567
(d) — Santiago (filhote):
fêmur 3,60
3,90
3,50
4,20 mm
4,20
4,60
4,00
5,00 mm
patela 1,00
1,10
0,90
1,00
1,10
1,20
1,00
1,20
tíbia 3,40
3,60
2,80
3,90
4,10
4,30
3,30
4,70
metatarso 3,20
3,80
3,20
4,40
4,00
4,40
4,00
5,60
tarso 1,40
1,40
1,30
1,40
1,50
1,50
1,30
1,70
Total 12,70
13,80
11,70
14,90 mm
14,90
16,00
13,60
18,20 mm
Fórmula —
4, 2,
1, 3
4, 2,
1, 3
Cefalotórax
— 3,40
X 3,00
mm
3,65
X 3,20 mm
N9 1567 (e) -
— Santiago (filhote):
No
1567
(0 —
Santiago:
fémur 3,50
3,80
3,40
4,10 mm
5,80
6,20
5,70
6,80 mm
patela 0,90
1,10
0,90
1,00
1,60
1,70
1,40
1,70
tibia 3,20
3,40
2,80
3,70
5,70
6,00
4,70
6,10
metatarso 3,20
3,50
3,10
4,50
5,40
5,90
5,50
7,10
tarso 1,20
1,50
1,20
1,60
1,80
1,80
1,50
2,00
Total 12,00
13,30
11,40
14,90 mm
20,30
21,60
18,80
23,70 mm
Fórmula —
4, 2,
1, 3
4, 2,
1, 3
Cefalotórax
— 3,4C
X 3,10
mm
5,20
X 4,30 mm
Mem. Xnst. Butantan,
31:15-54, 1964.
WOLFGANG BÜCHERL
N* 1567 (g) — Santiago: N« 1567 (h) — Santiago:
fêmur
patela
tíbia
metatarso
tarso
4,90
1,40
4.70
4,60
1.70
5,20
1,40
5,1®
4.80
1.80
4,80
1,20
4,00
4,40
1,60
5,70 mm
1,60
5,30
6,00
1,90
5,20
1,50
5,00
4,80
1,50
5,70
1,60
5,20
5,10
1,60
5,00
1,50
4,20
5,00
1,40
6,10 mm
1,50
5,70
6,80
1,80
Total
17,30
18,30
16,00
20,50 mm
18,00
19,20
17,10
21,90 mm
Fórmula —
4, 2,
1, 3
4, 2,
1, 3
Cefalotórax
— 4,50 X 4,00
mm
5,30 5
< 4,40 mm
N* 1567 (i) -
- La Serena:
N o
1567
(j) — La Serena:
fêmur
6,70
7,20
5,80
7,50 mm
5,90
6,40
5,70
6,80 mm
patela
1,60
1,70
1,40
1,70
1,30
1,40
1,20
1,50
tíbia
6,50
6,60
5,10
6,70
5,70
6,20
4,50
6,10
metatarso
5,80
6,40
5,40
8,20
5,30
6,00
5,30
7,20
tarso
1,70
1,80
1,60
1,90
1,60
1,80
1,40
2,00
Total
22,30
23,70
19,70
25,00 mm
19,80
21,80
18,10
23,60 mm
Fórmula —
4, 2,
1, 3
4, 2,
1, 3
Cefalotórax
— 5,60 X 4,70
mm
5,00 X 4,20 mm
N* 1567 (k)
— Santiago:
No
' 1585
— Santiago:
fêmur
5,50
6,10
5,40
6,30 mm
6,70
7,10
6,40
7,00 mm
patela
1,30
1,50
1,20
1,70
2,10
2,10
1,90
2,10
tíbia
5,30
5,70
4,50
5,90
6,70
6,70
5,20
6,90
metatarso
4,90
5,50
5,00
7,00
6,20
6,80
6,00
8,00
tarso
1,60
1,70
1,30
1,90
1,90
1,70
1,70
1,90
Total
18,60
20,50
17,40
22,80 mm
23,60
24,40
21,20
25,90 mm
Fórmula —
- 4, 2,
1, 3
4, 2,
1, 3
Cefalotórax
— 5,20 X 4,40
mm
N* 1586 — Tarapaeá, Chile:
N«
' 1584 -
— Vina dei Mar, Chile:
fêmur
6,10
6,60
6,00
7,20 mm
5,80
6,00
5,70
6,80 mm
patela
1,60
1,70
1,60
1,80
1,50
1,80
1,50
1,80
tíbia
5,90
6,10
4,90
6,30
5,70
6,00
4,60
6,00
metatarso
5,80
6,20
5,60
7,50
5,60
6,00
5,40
7,30
tarso
1,60
1,80
1,50
1,80
1,70
1,80
1,60
1,80
Total
21,00
22,40
19,60
24,60 mm
20,30
21,60
18,80
23,70 mm
Fórmula —
- 4, 2,
1, 3
4, 2,
1, 3
Cefalotórax
— 6,10 X 4,50
mm
5,20
X 4,30 mm
N« 1612 — San Bartolo, Peru:
No
' 1686
— Buenos Aires:
lêmur
5,80
6,20
5,70
6,80 mm
6,50
6,60
5,60
6,90 mm
patela
1,50
1,60
1,40
1,60
1,70
1,90
1,60
1,80
tíbia
5,70
6,00
4,70
6,10
6,20
6,20
5,90
6,20
metatarso
5,40
5,90
5,50
7,10
6,00
6,40
5,70
7,70
tarso
1,80
1,80
1,60
2,00
1,40
1,70
1,60
1,90
Total
20,20
21,50
18,90
23,60 mm
21,80
22,80
20,40
23,50 mm
Fórmula —
- 4, 2,
1, 3
4, 2,
1, 3
Cefalotórax
— 5,30 X 4,50
mm
5, 10
X 4,50 mm
1, i SciELO
34
LOXOSCELES E
LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO SUL
N9 1687 —
Sucre, Bolívia:
fêmur 7,00
7,70
6,70
7,90 mm
patela 2,00
2,10
2,00
2,00
Fórmula — 4, 2, 1, 3
tíbia 6,90
7,40
6,70
7,00
Cefalotórax — 6,30 X 5,70 mm
metatarso 6,50
7,10
6,50
8,20
tarso 1,80
1,80
1,80
1,90
Total 24,20
26,10
23,70
27,00 mm
Médias aritméticas dos comprimentos das
pernas:
a) Em
27 fêmeas adultas: 20,86 mm ■ — 21,46 mm — 18,78 mm — 23,33 mm:
b) Em
8 fêmeas
jovens
: 13,44 mm
— 14,34 mm — 12,35 mm — 16,05 mm;
c) Em
3 filhotes: 8,76
mm — 9,63
mm — 7,70 mm — 10,76 mm.
“Espécie C”
Machos
(fig. 3)
Fórmulas das pernas:
Comprimentos e larguras (na patela e ti-
bia mediram-se as larguras apicais, que
são as maiores nesta espécie) dos artí-
N* 1714 —
Pôrto Alegre:
eulos dos palpos:
fêmur 5,7
6,8
5,1
5,8 mm
2,3 X 0,35 mm
patela 1,3
1,3
1,2
1,4
0,9 X 0,40
tíbia 5,9
7,6
4,5
5,3
1,3 X 0,42
metatarso 6,1
8,0
5,3
6,3
—
tarso 1,5
1,8
0,9
1,4
0,7 X 0,40
Total 20,5
25,5
17,1
20,2 mm
5,2 mm
Fórmula
— 4, 2, 1, 3
bulbo 0,60 X 0,43 mm
Cefalotórax — 4,70
X 4,30 mm
êmbolo 0,30 mm — curto, em gancho
No 1610 —
Planaltina Nova,
Goiás (perto
de Brasília):
fêmur 6,1
6,4
5,3
5,8 mm
2,45 X 0,36 mm
patela 1,1
1,3
1,0
1,1
1,00 X 0,40
tíbia 6,3
7,1
4,9
5,9
1,50 X 0,41
metatarso 6,3
7,1
5,5
6,6
—
tarso 1,8
1,9
1,3
1,8
0,80 X 0,40
Total 21,6
23,8
18,0
21,2 mm
5,75 mm
Fórmula
— 2, 1, 4,
3
bulbo 0,65 X 0,45 mm
Cefalotórax — 4,80
X 4,30 mm
êmbolo 0,30 mm — curto, curvo em gan-
cho
Mem. Inst. Butantan,
31:15-54, 1964.
WOLFGANG BÜCHERL
35
N* 1678 —
Pôrto
Alegre:
fêmur 5,0
6,1
4,2
5,0 mm
2,25 X 0,35 mm
patela 0,8
0,9
0,7
0,8
0,40 X 0,37
tíbia 5,7
7,3
4,5
5,4
1,25 X 0,42
metatarso 5,7
7,7
5,0
5,7
—
tarso 1,4
1,5
1,2
1,4
0,7 X 0,41
Total 18,6
23,5
15,6
18,3 mm
4,60 mm
Fórmula
— 2, 1
= 4, 3
bulbo 0,55 X 0,45
mm
Cefalotórax — 4,60 x 4,20
mm
êmbolo 0,30 mm —
- curto, curvo em
gan-
cho
1 N« 630 —
Santo Ângelo, Rio Grande do Sul (filhote, sem bulbo):
fêmur 3,7
4,0
3,4
4,0 mm
patela 1,0
1,2
0,8
1,0
I tíbia 4,0
4,5
3,0
4,0
Fórmula — 2,
1 = 4, 3
metatarso 4,1
4,6
3,2
4,1
Cefalotórax —
2,80 X 2,40
mm
tarso 1,2
1,3
1,1
1,1
! Total 14,0
15,6
11,5
14,2 mm
N 1 ? 1232 —
Quilombo, Rio
Grande do
Sul:
fêmur 7,3
9,5
6,8
7,1 mm
2,60 X 0,30 mm
| patela 1,6
1,8
1,5
1,6
0,90 X 0,40
I tíbia 8,0
10,7
6,0
6,8
1,30 X 0,45
metatarso 8,5
11,5
7,0
7,8
—
tarso 1,7
1,9
1,6
1,7
0,80 X 0,40
Total 27,6
35,4
22,9
25,0 mm
5,60 mm
Fórmula
— 2, 1,
4, 3
bulbo 0,55 X 0,45
mm
Cefalotórax — 4,90 X 4,40
mm
êmbolo 0,55 mm —
- curvo em
gancho
N* 1232 —
filhote
(ainda sem bulbo):
fêmur 5,2
5,9
4,7
5,0 mm
patela 1,2
1,3
1,1
i,i
tíbia 5,0
6,0
4,0
5,4
Fórmula — 2,
1 = 4, 3
metatarso 5,0
6,1
4,6
5,3
Cefalotórax —
2,90 X 2,40
mm
tarso 1,6
1,8
1,3
1,3
Total 18,0
21,1
15,7
18,1 mm
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
36 LOXOSCELES E
LOXOSCELISMO NA
AMÉRICA DO
SUL
1 Média aritmética dos
comprimentos das
pernas:
perna I -
— 22,22;
perna II — 27,05;
perna III
— 18,40; perna
IV x-
- 21,17.
Média aritmética dos
comprimentos e larguras dos
artículos do palpo:
a)
fêmur —
2,80 X 0,34 mm
b)
patela —
0,80 X 0,40 mm
c)
tibia —
1,30 X 0,43 mm
d)
tarso —
0,75 X 0,40 mm
Fêmeas
(íig. 6)
N» 630 — Santo Ângelo:
N,
630 —
Jovem:
fêmur 7,0
7,2
6,0
6,8 mm
4,0
4,5
3,8
4,2
mm
patela 1,8
1,8
1,5
1,7
1,1
1,2
0,8
0,9
tibia 7,0
7,5
4,9
6,2
4,0
4,3
3,0
3,8
I metatarso 7,0
8,0
5,8
7,4
4,2
4,8
4,0
4,5
tarso 1,7
1,8
1,3
1,4
1,5
1,7
1,2
1,2
Total 24,5
26,3
19,5
23,5 mm
14,8
16,5
12,8
14,6
mm
2, 1 =
4, 3
I Fórmula —•
2, 1, 4,
3
3,60 X
3,20 mm
Cefalotórax
— 5,00
X 4,00 mm
| No 1232 — Quilombo
(filhote):
Nv
1649 -
- Põrto
Alegre:
fêmur 4,5
4,6
4,1
4,4 mm
5,5
6,0
5,0
5,6
mm
patela 1,1
1,1
1,1
1,0
1,4
1,5
1,4
1,2
tibia 4,2
4,3
3,5
4,2
5,5
6,1
4,3
5,3
metatarso 4,9
4,8
4,0
4,8
5,5
6,3
4,8
6,0
tarso 1,2
1,3
1,2
1,2
1,6
1,7
1.3
1,4
Total 15,9
16,1
13,9
15,6 mm
19,5
21,6
16,8
19,5
mm
2, 1 =
4, 3
Fórmula —
2, 1 = 4, 3
4,60 X
4,20 mm
Cefalotórax
— 3,50
X 3,20 mm
No 1714 —
Põrto Alegre:
N»
1610 -
- Planaltina,
Goiás:
fêmur 5,0
5,5
4,7
5,0 mm
6,0
6,3
5,2
5,8
mm I
patela 1,3
1,4
1,4
1,3
1.1
1,2
1,0
1.1
tíbia 4,9
5,3
3,8
4,8
6,2
6,9
4,8
5,7
metatarso 5,1
5,6
4,6
5,4
6,2
7,0
5,4
6,5
, tarso 1,5
1,6
1,2
1,3
1,7
1,8
1,2
1,7
Total 17,8
19,4
15,7
17,8 mm
21,2
23,2
17,6
20,7
mm 1
2, 1 =
4. 3
Fórmula —
2, 1 = 4, 3
4,60 X
4,30 mm
Cefalotórax
— 4,30
X 3,90 mm
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Butantan,
31:15-54, 1964.
VVOLFGANG BÜCHERL
37
A respeito das dimensões dos receptáculos seminais das fêmeas e das curvatu¬
ras de seus canais eferentes, conseguimos aferir as seguintes medidas, como média:
Espécie A — - bôlsa vesicular apical — 0,08-0,1 mm;
canal eferente, retilíneo — 0,15-0,20 mm;
distância entre os dois canais — 0.60 mm;
distância entre as duas vesículas — 0,40-0,15 mm.
As duas arcadas genitais (Fig. 4-c), uma superior e outra inferior, são for¬
madas de trabéculas quitinizadas, tendo cada uma uma trave mediana horizontal, com
bifurcação de encaixe, em que se apoiam as trabéculas laterais, que se articulam
em seu extremo ínfero-posterior. A trave mediana horizontal tem em média
1,00 mm e os extremos ínfero-posteriores das trabéculas laterais estão afastados
entre si cêrca de 1,20 mm, medida esta que corresponde exatamente à da fenda
genital desta espécie.
A arcada genital pode ser destacada da formação quitinosa dos receptáculos
seminais, sendo possível separá-la em arcada superior e inferior (como mostra a
Fig. 4-c).
Na mesma articulação ínfero-posterior das duas arcadas encaixa-se também o
extremo posterior da formação quitinosa dos receptáculos seminais (Fig. 4-a). A
peça horizontal central mede cêrca de 0,80 mm e as duas peças laterais cêrca de
0,5 mm. As peças laterais estão escavadas, apresentando, bem visível, em seu átrio
a entrada (redonda) para os dois receptáculos. Por esta entrada penetram os
êmbolos do macho, no ato da transmissão dos espermatozóides, que são deposita¬
dos nos receptáculos seminais. A Fig. 4-b mostra a mesma peça total pelo lado
dorsal.
Espécie B — A arcada genital é tão delicada, que em muitas fêmeas não pode
ser vista contra o colorido dos músculos vizinhos. Não nos foi
possível separá-la em superior e inferior, como na espécie prece¬
dente, dada a sua grande delicadeza. A largura da peça mediana
é de 0,60 a 0,70 mm (Fig. 5-c).
As figuras 5 —a e b — apresentam os dois receptáculos seminais, vista ven-
tral e dorsal respectivamente; a vesícula apical é de um amarelo claro, medindo cêrca
de 0,07 mm de diâmetro; o canal aferente, ligeiramente curvo, com 0.5 mm de com¬
primento por 0,03 mm de largura, contém em seu interior um lúmen estreito,
que transparece por ser colorido de marrom. A peça central, que une os doi?
receptáculos, é extremamente delicada, podendo passar por imperceptível.
í, i SciELO
LOXOSCELES E LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO SUL
Palpo do macho
Fig. 1 — Espécie A
Fig. 2 — Espécie B
Fig. 3 — Espécie C
a) vista de perfil
b) vista dorsal, tibia/tarso
c) vista dorso-apical, tarso/bulbo
d) vista ventral, tíbia/bulbo
Mem. Inst. Butantan, WOLFGANG BÜCHERL
31:15-54, 1964.
Receptáculos seminais das fêmeas
Fig. 4 — Espécie A
Fig. 5 — Espécie B
Fig. 6 — Espécie C
a) vista ventral dos receptáculos
b) vista dorsal dos receptáculos
c) arcada genital
LOXOSCELES E LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO SUL
A arcada genital é tão delicada que não pode ser vista na maioria
dos espécimes (Fig. 6-c). Entretanto, é bem mais larga que nas
duas espécies precedentes, com cêrca de 1,20 mm de largura na
trave central e 1,40 mm entre os cantos ínfero-posteriores até
1.80 mm, em alguns espécimes. Esta medida corresponde à lar¬
gura da fenda genital, que é mais larga em tôdas as espécies.
As figuras 6 — a e b — apresentam os dois receptáculos seminais. O poro
de saída desemboca diretamente na dobra da fenda genital. Os canais dos dois
receptáculos quase nunca são simétricos, podendo um apresentar-se curvo em S e
o outro em arco. Além disso, são os receptáculos muito pequenos, significativa¬
mente menores do que nas duas espécies precedentes; o alargamento apical, vesi¬
cular tem apenas cêrca de 0,04 mm de diâmetro, os canais eferentes 0,025 mm de
diâmetro, abrangendo sua extensão apenas 0,35 a 0,40 mm. Não vimos uma peça
central que unisse as bases dos dois receptáculos.
Colorido — 0 colorido das três espécies é bastante uniforme. É necessário
adquirir-se experiência pela comparação de grande número de exemplares, a fim
de poder distinguir-se o que é privativo de uma espécie.
Em tôdas as espécies há de comum o seguinte: a fronte, as quelíceras e o
lábio são de côr de ferrugem; os rebordos anteriores do lábio e das apófises ma¬
xilares, em tôrno do lábio, são amarelo-claros; o ventre é amarelo sujo; o dorso
do abdômen cinza escuro.
Particularidades coloridas da espécie A — Há no cefalotórax, em machos e
fêmeas adultos, dos lados e por detrás da fronte, uma grande mancha central
amarela, que se destaca nitidamente das bordas laterais, que são marrons. Esta
mancha clara de espalha geralmente ao longo das estrias irradiantes, de maneira
que surge uma figura de estréia de seis pontas. Fêmur e patela dos palpos, a coxa
das pernas e o esterno são amarelo-cinza; a tíbia e o tarso dos palpos, o lábio,
os metatarsos e tarsos das pernas são amarelo-marrons. O metatarso do primeiro
par de pernas dos machos é reto. O bulbo dos machos é avermelhado. Em fi¬
lhotes apenas a ponta do tarso dos palpos é marrom, o resto amarelado.
Colorido particular da espécie B — Cefalotórax sem a figura “estelar" mais
clara, mas todo êle marrom. Fêmur e patela dos palpos amarelos, tíbia e tarso
vermelhos. As pernas são amareladas ou mesmo esverdeadas, com pêlos negros,
escurecendo em direção apical, apresentando-se os metatarsos e tarsos marrons; na
face anterior apical dos fêmures do primeiro par de pernas há uma mancha aver¬
melhada. O metatarso dos machos das pernas I é ligeiramente curvo. Em
filhotes todo o palpo é amarelo.
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
Mem. Inst. Butantan,
31:15-54, 1964.
WOLFGANG BÜCHERL
41
Colorido particular da espécie C — Cefalotórax de colorido uniforme como
na espécie B. Todo o palpo é avermelhado. 0 êmholo dos machos é negro; o
bulho amarelo. As pernas apresentam colorido uniforme, marrom. A tíbia do
palpo dos machos é ligeiramente escavada na face superior.
Em aranhas conservadas em álcool mesmo por pouco tempo, esmaecem os
tons de ferrugem, o vermelho e o cinza. Quanto maior fôr o tempo de conser¬
vação em meio alcoólico, tanto mais a aranha se apresenta com uma tonalidade
única, amarelada.
Dimensões e posição dos olhos, revestimento piloso nas pernas, no abdômen e
no cefalotórax são uniformes nas três espécies. Não há espinhos nas pernas, mas
apenas pelinhos curtos e cerdinhas mais longas. As últimas estão dispostas em
oito fileiras longitudinais, duas superiores, duas inferiores, duas laterais anteriores
e duas laterais posteriores nos fêmures, nas tíbias e nos comêços dos metatarsos
das pernas. As quatro garras terminam em oníquo, no qual se inserem as duas
garras, que têm um número decrescente de dentes da frente para trás, isto é, cêrca
de onze a doze dentes na primeira, nove a dez, na segunda, seis na terceira, e
quatro e cinco na quarta perna.
Nome científico das três espécies
Em todo o abundantíssimo material estudado, procedente do Chile, Perú, Uru¬
guai, da Bolívia, Argentina e de várias dezenas de localidades do Brasil, que ofe¬
recem, portanto, um perfil verdadeiro e fiel sôbre os Loxoscelídeos realmente exis¬
tentes no grande sub-continente, encontramos apenas estas três espécies, e nada
mais. As mesmas oferecem nítida distinção morfológica, que não deixam dúvidas,
desde que se possa examinar sob a lupa, pelo menos um macho e uma fêmea
adulta, aferindo-se todos os caracteres, apontados em nosso trabalho como decisivos.
Os palpos dos machos e os receptáculos seminais das fêmeas adultas, isto é
importante, permitem sozinhos uma perfeita identificação de qualquer espécime c
podem ser aferidos também em exemplares conservados por longo tempo em meio
alcoólico.
A nossa espécie A, representada no tocante ao palpo do macho pela Fig. 1 —
a-b-c-d — e aos receptáculos seminais e arcadas genitais pela Fig. 4 — a-b-c —,
não é outra, senão a Loxosceles rufescens (Dufour) 1820, genotípica. Dufour
descrevera um macho, capturado perto de Sagunto, na província de Valência, na
Espanha. Andouin descreveu uma fêmea do Egito (1927). Walckenaer assinalou
em 1837. que o segundo par de pernas era o mais longo, o que coincide com a
nossa fórmula. Lowe fêz em 1835 um diagnóstico sumário de macho e fêmea,
sob o nome de Loxosceles citigrada.
A espécie fôra mal descrita; tipos e paratipos estão perdidos; tornou-se irre¬
conhecível quase, passando a chamar-se sucessivamente pelos nomes genéricos de
í, | SciELO
42
LOXOSCELES E LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO SUL
Scytodes, Omosita, Spermophora e finalmente Loxosceles. Seus nomes específicos
variavam ainda mais, desde erythrocephala Koch, 1937, pallida Blackwall 1865,
comoroensis Butler 1879, citigrada Lowe, marylandica Muma 1944, firmando-se fi¬
nalmente o velho nome rujescens, conforme a diagnose de um macho, feita por
Simon, em 1873. Keyserling reexaminou exemplares em 1887 e disse que o se¬
gundo par de pernas era visivelmente mais longo que o quarto; as tíbias dos
palpos do macho eram curtas e muito infladas. Houve redescrições da espécie,
sumárias ou mais detalhadas por Marx, 1890, Simon, 1893, Banks, 1904, Bosen-
berg e Strand, 1906, Petrunkevitch, 1911 (catálogo), Reimoser, 1913, Simon, 1914.
Chamberlin afirmou em 1916 que numerosos exemplares de ambos os sexos foram
capturados em Huadquina, Perú, a 5.000 pés de altura e que a espécie era muito
frequente nos dois hemisférios; Strand 1918, Petrunkevitch 1929, Bristowe 1938,
Roevver 1942 (catálogo), Bonnet 1954 (catálogo).
Gertsch (4) fêz uma diagnose minuciosa de uma fêmea, capturada em Alio
Douro, Portugal, com a seguinte fórmula de pernas — 2,4 = 1,3 (a diferença de
comprimento entre a quarta e a primeira perna é menos de meio milímetro) e com
receptacula seminalia, reapresentados pela ilustração N.° 73, cuja exatidão não nos
cabe julgar. O macho redescrito era de Roma, Itália, com a mesma fórmula
de pernas que a fêmea, havendo apenas 5 centésimos de milímetro entre a perna
1 e 4. As figuras 60-62 representam diversos aspectos do palpo do macho, êste
de Atlanta, na Geórgia, U.S.A., que coincidem singularmente com a nossa espécie
A (Fig. 1).
Bücherl(6) redescreveu o macho e fêmea, tendo à mão várias centenas de
exemplares, capturados em diversas localidades do Brasil, sob o nome de L. rujes¬
cens. Segundo aquela diagnose, feita em 1961, o segundo par de pernas é signi¬
ficativamente mais longo que o primeiro e quarto; o primeiro par ora é um
nada mais longo (não significativamente) que o quarto —- é o caso mais frequen¬
te — ora os dois pares são de igual comprimento ou o quarto par é um nada
mais longo que o primeiro (não significativamente) — o que é raro.
Os exemplares sul-americanos estão, pois, perfeitamente enquadrados no tocan¬
te à fórmula das pernas sob L. rujescens, que é espécie cosmopolita.
A esta espécie pertencem também os Loxoscelídeos, capturados em Iguape,
no litoral sul do Estado de São Paulo e descritos por Monkhaus, em 1898 (7) sob
o nome de Loxosceles similis. A fórmula das pernas de um macho (2, 4, 1, 3)
e o aspecto dos artículos do palpo do macho, representado na ilustração N.° 7 da
estampa V, conforme a qual o fêmur é cêrca de quatro vêzes mais longo que
largo, a tíbia curta, inflada, apenas mais longa que larga, o tarso, um nada mais
longo que a tíbia, bem mais longo que largo, inserindo-se o bulbo na metade
basal do tarso e o êmbolo retorcido, não permitem dúvidas. Além disso, reexa¬
minamos um lote N.° 1.759, capturado no local típico, que se tem revelado como
L. rujescens.
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Com a nova posição de L. similis Mõnekaus 1898 como sinônima de L. ru-
jescens (Dufour) 1820 cai por terra uma boa parte das argumentações de Simon
1,1927), de Mello-Leitão, 1918 e 1934, que tinham pôsto esta espécie em sinonímia
com L. lacta (Nicolet) e, conseqüentemente, tinham afirmado que lacta existia em
quase tôda a América do Sul.
A esta espécie pertence ainda Loxosceles surata Simon 1907 (1). Simon
diagnosticara um macho, capturado em Minas Gerais, Brasil: “...tibia valde
inflata (fere ut in L. rufescenti) , vix ^4 longior quam latior (Fig. — d); bulbo
depressiuculo; tarsus pedum maxillarium ovatus, longior quam latior; spina apical i
longa et curvata usque ad basin gracilis”. Esta descrição concorda perfeitamente
com as medidas das tíbias, dos tarsos, do êmbolo e bulbo, dadas por Gertsch (4)
e nós (6) para L. rujescens. Em 1918, Mello-Leitão (2) ainda não tinha visto
esta espécie, repetindo neste trabalho apenas as descrições de Simon; em 1934 (3)
redescreveu macho e fêmea, embora a caracterização da fêmea tenha sido total¬
mente confusa, baseada sôbre a ausência ou presença de escópulas na face inferior
dos tarsos e metatarsos e da forma peculiar da margem posterior da região cefá¬
lica. Êstes aspectos variam de indivíduo para indivíduo. O autor forneceu, en¬
tretanto, uma ilustração muito boa do palpo do macho, visto de perfil e que é a
reprodução exata do que foi desenhado por Gertsch e por nós para L. rujescens.
Diga-se de passagem que Mello-Leitão estava, ainda em 1936, tão desorientado
sôbre a sistematização de Loxosceles , que diagnosticou dois espécimes, os de N. oa
278 e 280, capturados pelo mesmo senhor Sílvio Burinam, no mesmo local, Co-
rumbataí, no mesmo dia 18/9/1935, como sendo, respectivamente, L. laeta, 1
exemplar e hirsuta o segundo,'embora fôssem em realidade L. rujipes.
À nossa espécie B cabe, por antiguidade e direito, o nome de Loxosceles
rujipes (Lucas) 1834. Lucas diagnosticara apenas uma fêmea, capturada em Gua¬
temala, em que os trocânteres, fêmures e patelas eram marrom-amarelados, as tí¬
bias e os tarsos dos palpos, respectivamente os metatarsos e tarsos das pernas erám
avermelhados; o quarto par de pernas era o mais longo. Tudo isto vem coinci¬
dindo com a nossa espécie B, a fêmea. Em 1849, diagnosticou Nicolet uma outra
fêmea desta espécie, capturada nos arredores de Santiago do Chile, com a seguin¬
te fórmula de pernas — 8,5 — 9-8-10 lineas, portanto, exatamente a mesma fór¬
mula da nossa, dizendo expressamente que se tratava da mesma espécie de Lucas,
diferente de laeta. Simon, Mello-Leitão e outros, confundidos pela L. similis, pu¬
seram a rujipes de Santiago em sinonímia com laeta, o que está positivamente
errado e não foi reconhecido por Keyserling e outros. Keyserling (8) fêz em 1877
uma diagnose minuciosa de uma fêmea, do Uruguai: ...pernas marrom-amare-
ladas com uma mancha avermelhada na base anterior do fêmur do primeiro par
e nos metatarsos e tarsos, principalmente das pernas anteriores. Pernas e palpos
de animais jovens são amarelados. Pernas cobertas densamente por pelinhos de¬
licados, dispostos em fileiras regulares. Fórmula das pernas — 4,2,1,3. Esta fór¬
mula e o colorido, descrito em minúcias, coincidem espetacularmente com a nossa
espécie B.
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LOXOSCELES E LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO SUL
Keyserling (9) assinalou cm 1891. que numerosos exemplares desta espécie
íoram capturados por von Ihering e por êle estudados no Rio Grande do Sul,
Brasil: Mõnckaus (7) capturou exemplares em São Paulo, no Bairro do Ipiranga.
No antigo registro de aracnídeos do atual Departamento de Zoologia, antigo Museu
Ipiranga, em São Paulo, consta a aranha N.° 631, de Iguape, colecionada em
24/13/1898 e identificada por Mõnckhaus como L. rufipes; em 1918, Mello-Leitão
diagnosticou-a como L. laeta. 0 exemplar, provavelmente uma fêmea, está desa¬
parecido. Simon (1) forneceu a primeira diagnose do macho: “Tibia fere duplo
longior quam latior, subtus valde convexa (fere ut in L. rufescenti ) ; tarsus trans-
versus, multo latior quam longior, intus prominulus et obtusissmus; bulbo depres-
siuculo, spina ajjicnli longa et curvata ad basin gracili. Espèce três répandue
dans le Sud des États-Unis, 1'Amérique Centrale et Méridionale.”
Mello-Leitão (2) repetira em 1918 a caracterização dada por Simon, deixando
impressionar-se pelo “subtus valde convexa”, com que Simon caracterizava a tíbia
do macho. “Subtus” significava para Mello-Leitão a parte apical ou basal da
tíbia. Em 1934 (3) ilustrou e recaracterizou o palpo do macho, fazendo uma
lamentável confusão com L. surala : "tíbia no máximo vez e meia mais longa que
larga; tarso pouco saliente além do bulbo; estilete menos recurvo; tíbia mais es¬
pessa” na “base”. Embora dissesse, então, que a espécie se encontrava no Rio
Grande, em São Paulo, talvez em São João d’El Rey (local típico de surata ) e em
tôda a América, nunca mais a pôde identificar, pois confundira-a com surata,
tornando-se responsável perante os autores estrangeiros, que os mesmos julgassem
que rujipes não se encontraria na América do Sul, como afirmou Gertsch (4),
em 1958.
Gertsch fêz em 1958 redescrições de macho e fêmea completamente novas
(,..“new appraisal”), não dando mais importância à primeira diagnose de Lucas,
nem à fórmula de pernas, dada por Nicolet, nem à redescrição de Keyserling.
Serviu-se de exemplares (poucos) recebidos de Panamá e Guatemala, ao todo de
4 fêmeas e 4 machos, conservados já há 13 anos em álcool e procedentes de três
localidades diferentes. A fórmula das pernas dos machos seria — 2.1 = 4,3 e das
fêmeas 2,4 = 1 = 3. A fêmea deve ter sido um filhote ainda. O fêmur do palpo
do macho é cêrca de 7 vêzes mais longo que largo, a patela 2 vêzes mais longa
que larga, a tíbia 2,5 vêzes mais longa que larga, o tarso um pouco mais largo
que longo, o êmbolo excede em cêrca de 3 vêzes o comprimento do bulbo, sendo
mais longo do que bulbo e tarso juntos. As medidas dos artículos do palpo con¬
cordam com as de nossa espécie B. Apenas Gertsch teve pouco material compa¬
rativo. Em 1961 (6) diagnosticamos macho e fêmea, insistindo então, no meta-
tarso flexuoso do primeiro par de pernas dos machos, na fórmula de pernas
— 4,2,1,3 (em concordância com Nicolet, Keyserling, etc.).
À esta espécie é idêntica a Scytodes nigella Nicolet 1849. de Santiago do
Chile, com a mesma fórmula de pernas — 4,2,1.3; a Omosita bicolor Holmberg
1876, que. segundo seu autor, é “muy abundante, la hemos tomado repetidas veces.
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LOXOSCELES E LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO SUL
sôl>re intermedia (Mello-Leitão) e sôbre a nossa terceira espécie (Fig. 3) impõem
a conclusão sôbre a identidade de intermedia com spadicea.
Idêntica a spadices é ainda Loxosceles ornata Mello-Leitão 1938 (11) e 1941
(12). Em 1938, Mello-Leitão diagnosticou uma fêmea, capturada em Cabana,
província de Córdoba, Argentina, com a fórmula das pernas 2,4 =1 = 3, palpos
marrons, colorido, idênticos a spadicea.
Em 1941, veio pelo mesmo autor, a diagnose de um macho, comum em Ca¬
bana, Potrerp de Loza, Agua de Oro e La Falda, província de Córdoba. Não
forneceu as medidas das pernas, mas em compensação descreveu minuciosamente
o palpo, ilustrando-o pela figura 2, cuja patela é cêrca de 2 vêzes mais longa que
larga, mais espêssa apicalmente, a tíbia é 3 vêzes mais longa que larga, também
mais espêssa no quinto distai; o tarso é mais longo que largo, sobressaindo além
do bulbo; o êmbolo é espiralado.
Em 1961 (6) já salientamos a sinonímia de ornuta com spadicea.
Posição sistemática das demais espécies sul-americanas
Loxosceles omosita (Walckenaer) 1837, de Guiana; pernas vermelho-escuras; o se¬
gundo par de pernas mais longo que o quarto. Não é L. rufipes, segundo
fazem supor os catálogos de Petrunkevitch, 1911, de Roewer, 1946 e de
Bonnet, 1952. Poderá ser ou rujescens ou spadicea. Precisa ser revista.
Loxosceles laeta (Nicolet) 1849, do Chile, sem indicação da localidade de captura.
Fórmula das pernas da fêmea (a única até hoje descrita) — 4,1,2,3; olhos
esverdeados, rodeados de negro; maxilares vermelhos, palpos amarelos, pernas
regularmente manchadas de pontos escuros. Simon(l), em 1907, julgou ter
descrito o primeiro macho desta espécie, dissertando apenas sôbre o palpo e
as quelíceras e sem mencionar a localidade de captura, mas julgando-a igual
a L. similis Mõnkhaus 1899 e dando como habitat Chile, Argentina e Sul
do Brasil. As quelíceras estariam cobertas de minúsculos grânulos. Era êste
o caráter específico mais importante. "Tibia pedum maxillarium longissima,
plus triplo longior quam latior; chelae antice granulosae”. A ilustração do
palpo em nada diferencia êste macho do de rufipes (Lucas). Pelas nossas
medições das tíbias dos palpos dos machos de rufipes aparece claramente que
estas podem ser 2 a 3 vêzes mais longas que largas. É falha a chave espe¬
cífica de Simon, que pretendeu poder separar as espécies, cuja tíbia seria 3
vêzes ou apenas 2y 2 vêzes mais longa que larga. Há variação dentro da
mesma espécie, que engloba tôdas estas medidas. A espécie seria frequente
no Chile, Argentina e no sul do Brasil. Em todo o abundante material exa¬
minado, só encontramos a rufipes, não mais a laeta. Mello-Leitão (2) re-
descreveu dois exemplares, de Iguape, como sendo laeta (Nicolet), sem dar
as medidas das pernas, mas insistindo: ‘'...quelíceras quase inteiramente co-
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bertas de grânulos grossos, negros, desiguais, dispostos sem ordem”. Em
1934 (3) retratou-se, dizendo: “As granulações negras das quelíceras resultam
apenas da queda de pêlos e não têm valor diagnóstico que Simon, em 1907,
lhes atribuíra”. A redescrição e a ilustração do palpo do macho, fornecidas
neste ano, são perfeitamente idênticas a L. rufipes. A nossa revisão dos es¬
pécimes de Loxoscelídeos, classificados por Mello-Leitão como “ loeta ” ‘(não
“laeta”) nos convenceu, sem sombra de dúvida, de que êle (e Simon) des¬
creveram o macho de rufipes (Lucas) como sendo o macho de laeta (Nicolet).
Ambos estão errados. A presença de grânulos negros nas quelíceras é sinal
da ausência dos pêlos e da longa conservação em álcool; que a tíbia do palpo
do macho seja 3 vêzes mais longa que larga, é comum em rufipes.
Gertseh (4) redescreveu macho e fêmea de .“ laeta ”, com diagnósticos
aliás muito perfeitos e com ilustrações do palpo do macho e dos receptáculos
seminais da fêmea. Apenas a “laeta” de Gertseh não é a laeta de Nicolet.
mas sim a rufipes (Lucas), tão liem redescrita por Keyserling, em 1877 e
em nosso trabalho. É significativo que no próprio dizer de Gertseh, o local
típico de rufipes (Lucas) é a Guatemala e uma boa parte de sua “laeta”
seja da mesma Guatemala: “Guatemala city, males and females, San Pedro,
Yepocapa. immature, Chichicastenango, immature”. Ainda é significativo que
Gertseh tenha colocado a rufipes e a nigella em sinonímia com a laeta , quan¬
do o autor de nigella a viu diferente de laeta (de fato. é rufipes ) e quando
Nicolet disse expressamente, que êle apenas estava redescrevendo a rufipes
de Lucas.
A posição de Loxosceles laeta (Nicolet) 1849 foi por nós elucidada em
1960 (12) e 1961 (6). Se existir, é uma espécie boa, com fórmula de per¬
nas completamente nova, diferente da das 3 espécies até agora bem definidas,
isto é, 4,1,2,3. Isto justifica uma espécie nova. Há mister, entretanto, que
se encontrem novos exemplares, que façam jús à descrição original de Nicolet.
Loxosceles lutea Keyserling 1877 (8), uma fêmea, Santa Fé de Bogotá, Colômbia;
fórmula das pernas, 4 = 2,1,3. Seria a quinta espécie boa do gênero. Jul¬
gamos idêntica à esta a Loxosceles unicolor Keyserlig 1887 (13), um macho,
de Punta dei Agua, Novo México, com fórmula de pernas idêntica. As fór¬
mulas de pernas que Gertseh (4) atribuíra à unicolor nada mais têm a ver
com a descrição original, tão detalhada, dada por Keyserling.
Idêntica com L. lutea é ainda a L. pictithorax Strand 1914, uma fêmea
sumàriamente descrita, de Bogotá, o mesmo local de lutea.
Loxosceles variegata Simon 1897 (14), uma fêmea, filhote ainda, San Pedro, Pa¬
raguai. Sem descrição alguma. Nomen nudum.
Loxosceles longipalpis Banks 1908. uma única fêmea, sumàriamente diagnosticada.
Ilhas dos Galapagos.
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Loxosceles accepta Chamberlin 1920 (15); diagnose deficiente de macho e íêmea,
Huadquina, Perú. A descrição da forma do palpo do macho e as medidas
das patelas e tíbias das pernas parecem indicar, que esta espécie pertence
a L. lutea Keyserling, o que poderá ser decidido pela revisão do material de
Chamberlin e a competente redescrição. O mesmo se diga de L. nesophilu
Chamberlin, 1920, de Lobos de Tierra. Perú, que. segundo o autor, se dife¬
renciaria de accepta apenas pela posição dos olhos — que não constitui ca¬
ráter específico aproveitável.
Loxosceles jlavescens Simon 1893 e 1896 — Nomen nudum.
Discussão
O grande número de material, minuciosamente estudado e proveniente de
pontos geográficos, distantes entre si de milhares de quilômetros, mas que se
deixa reunir fàcilmente e sem dificuldades maiores nas seguintes espécies:
Loxosceles rujescens (Dufour) 1820,
Loxosceles rufipes (Lucas) 1834,
Loxosceles spadicea Simon 1907 e
Loxosceles lutea Keyserling 1877,
comprova o acêrto das fórmulas das pernas, em machos e fêmeas, da cuidadosa
aferição dos artículos dos palpos, principalmente da tíbia, do tarso, da inserção
do bulbo e da forma do êmbolo em machos e do aspecto da arcada genital e dos
receptáculos seminais das fêmeas, como caracteres decisivos da especificação dos
Loxoscelídeos da América do Sul. No julgamento dos receptáculos seminais
deve-se ter em mente que a forma dos mesmos pode mudar um tanto, de espécime
para espécime, conforme a idade da aranha ou se estão cheios de líquido fecun¬
dante ou não. Além dos 3 tipos ilustrados em nossas figuras 4, 5 e 6, podem
encontrar-se inúmeros outros aspectos, que divergem em minúcias. Certamente foi
isto, que levou Gertsch (4) a descrever inúmeras espécies novas para a América
do Norte e as Antilhas, espécies estas que, a rigor, poderão ser consideradas, no
máximo, como sendo apenas populações regionais. Esta nossa suspeita encontra
sua plena confirmação quando se consideram as ótimas ilustrações dos receptáculos
seminais e dos palpos dos machos, que acompanham o trabalho de Gertsch. Há
muitas semelhanças, quase que identidades, entre espécies ditas como novas.
A conclusão de Gertsch, de que as fórmulas das pernas: “...are very useful
for separation of species of “restricted” areas, but lhey are subject to “great
variation” within each species”, sugere-nos as seguintes considerações: não temos
constatado esta variação em tôda a América do Sul, mesmo através de regiões
distantíssimas, como se dá no caso de Loxosceles rajipes, de que temos estudado
exemplares do Perú. do Chile, da Bolívia, da Argentina, do Uruguai e de deze¬
nas de localidades do Brasil.
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Por outro lado procedeu Gertsch com demasiado rigor nas medições dos ar¬
tículos das pernas, aferindo mesmo centésimos de milímetro, o que não julgamos
necessário, nem mesmo aconselhável. 0 que interessa não é o comprimento real
da perna, que varia de espécime para espécime, mas a relação real dos compri¬
mentos das pernas entre si, isto é, a verificação, qual das quatro pernas é a mais
longa, quais são as pernas que têm mais ou menos comprimento igual. Dois ou
três décimos de milímetro podem mesmo ser desprezados, como ressalta significa¬
tivamente das médias aritméticas das fórmulas das pernas das três espécies minu¬
ciosamente aferidas. Mesmo assim constata-se que entre rujescens e spadicea não
há diferença na fórmula das pernas, embora se diferenciem facilmente pelos re¬
ceptáculos seminais das fêmeas e os palpos dos machos.
Quanto às descrições e excelentes ilustrações, feitas por Gertsch Í4) em 1958,
dos palpos e dos machos, devemos confessar com franqueza, que não conseguimos
distinguir diferença alguma entre L. reclusa e devia (il. 21-23 e 24-26), entre
arizonica e unicolor (il. 27-29 e 30 a 32), entre yucatana e zapoteca (il. 33-25
e 36 a 38), entre boneti e bolivan (il. 39-41 e 42-44). Suas ilustrações dos
receptáculos seminais das fêmeas não nos convencem; deve ter havido qualquer
êrro técnico de preparação. Não é possível que haja espécies com seis receptá¬
culos, como seria o caso com L. arizonica (Fig. 90), com quatro receptáculos
(Fig. 94), L. yucatana ou que os dois receptáculos das demais espécies tenham
no lado do canal eferente ou na peça quitinizada basal, um ou mais minúsculos
tubos “cegos’. Para que? Qual seria a sua função? Como se explicaria a
transmissão do líquido espermático, se o êmbolo é sempre o mesmo? Em todos
os exemplares sul-americanos temos constatado invariàvelmente a máxima unifor¬
midade no tipo de construção dos genitalia das fêmeas, nitidamente diferenciáveis
entre as três espécies. Não pretendemos diminuir com estas observações os tra¬
balhos de Gertsch. A êle cabe indubitavelmente o grande mérito de ter sido pio¬
neiro a chamar a atenção dos estudiosos sôbre o valor específico dos genitalia das
fêmeas na especificação de Loxosceles. Insistimos apenas, que êle foi longe de¬
mais, aferindo caracteres populacionais. As suas "espécies” seriam na realidade
apenas populações.
Politípismo das espécies
Julgamos conveniente que se estabeleçam diversos tipos regionais paar cada
uma das espécies, como Levi tem feito com as espécies de Latrodectus. Aliás
apresenta o gênero Loxosceles um impressionante paralelismo com Latrodectus , seja
no tocante à distribuição geográfica nas Américas, como em relação a seu habitat
e alguns importantes costumes de vida.
Para L. rujescens haveria os tipos na Europa do Sul, para a África do Norte,
para a América do Sul. Para o último sub-continente valeria o tipo, estabelecido
por Simon para L. surata.
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Para L. rujipes deve ser feito um neo-tipo para Guatemala, para o Chile,
para a Argentina, o Brasil, para Guatemala e Honduras. Para as duas últimas
regiões serviriam os exemplares que Gertsch designou como “laeta”.
Para L. spadicea serve o mesmo tipo de Simon para a Bolívia, o tipo de in¬
termedia para o Rio de Janeiro, o tipo de ornata para a província de Córdoba,
Argentina.
Para L. lutea pode empregar-se o tipo de Keyserling para Bogotá. Colômbia,
o tipo de Keyserling — unicolor, para Novo México.
Chave sistemática das espécies sul-americanas
O segundo par de pernas mais longo que o primeiro e o quarto par; o primeiro
e o quarto par aproximadamente iguais ou ora o primeiro ora o quarto par um
nada mais longo. Tarso do palpo do macho, visto dorsaimente, mais longo que
largo, sobressaindo além da inserção do bulbo; êmbolo torcido em serpentina 2
O quarto par de pernas mais longo que o primeiro, apenas pouco mais longo
ou igual ao segundo. Tarso do palpo do macho, visto de cima, aproximada¬
mente tão longo quanto largo, não sobressaindo sensivelmente além do bulbo.
Êmbolo não serpentiniforme, mas recurvo ou quase direito . 3
Tibia do palpo do macho curta, muito inflada, no máximo uma vez e meia
mais longa que larga, com a maior largura mais ou menos no meio do articulo;
tarso quase tão longo quanto a tíbia; fêmur cêrca de quatro vêzes mais longo
que largo. Genitália da fêmea consistindo em arcada genital dupla (visível,
quando se distende a fenda genital) e em arcada porta-receptáculos. Os dois
receptáculos seminais com forma de cachimbo, com vasos eferentes curtos e retos.
Loxosceles rufescens (Dufour) 1820
Tíbia do palpo do macho longa, não inflada, dorsalmente reta ou um pouco es¬
cavada, espêssa apicalmente, cêrca de três vêzes mais longa que larga; tarso
cêrca de duas vêzes mais curto que a tíbia; fêmur cêrca de seis a sete vêzes
mais longo que largo. Fenda genital da fêmea muito larga; arcada superior
pràticamente invisível; sem arcada porta-receptáculos; os dois receptáculos semi¬
nais pequeníssimos, reduzidos a dois delicados canais curvos ou serpentiniformes,
com pequena vesícula apical.
Loxosceles spadicea Simon 1907
Quarto par de pernas mais longo que o segundo; êste mais longo que o primeiro;
tíbia do palpo do macho três a cinco vêzes mais longa que larga, com a maior
largura aproximadamente no meio, estreitando-se apicalmente; êmbolo recur¬
vado em todo o seu percurso; tarso visto apicalmente tão longo quanto largo,
às vêzes um nada mais largo que longo; fêmur cêrca de oito vêzes mais longo
que largo. Metatarso do primeiro par de pernas do macho ligeiramente flexuoso.
Receptáculos seminais da fêmea sob a forma de dois “dedos" longos, quase
retos, que terminam em uma ampola apical.
Loxosceles rufipes (Lucas) 1834
O quarto par de pernas igual ao segundo; ambos mais longos que o primeiro
par; tibia do palpo do macho ventralmente inflada, dorsalmente reta, cêrca de
2,5 a 3,5 vêzes mais longa que larga; êmbolo quase direito; tarso tão longo
quanto largo ou um nada mais largo que longo.
Loxosceles lutea Keyserling 1877
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Sinonímia das espécies estudadas
1. Loxosceles rufescens (Dufour) 1820
Sinonímias: Sc. erythrocephala Koch 1837, Sc. palida Blackwall 1865; co-
moroensis Butler 1879, L. citigrada Lowe 1832/35, marylandica
Muma 1944, similis Mônckhaus 1898, aurata Simon 1907, laeta
Simon 1907 e Mello-Leitão, 1918 e 1934 (ad partem, no to¬
cante ao macho de similis).
A
2. Loxosceles rujipes (Lucas) 1834
Sinonímias: nigella (Nicolet) 1849, Omosita bicolor Holmberg 1876; laeta
Mello-Leitão 1918 e 1934, laeta Gertsch 1958. taeniopalpus
Simon 1907, hirsutus Mello-Leitão 1931.
3. Loxosceles spadicea Simon 1907
Sinonímias: L. intermedia Mello-Leitão 1934, L. ornata Mello-Leitão 1941.
4. Loxosceles lutea Keyserling 1877
Sinonímias: L. unicolor Keyserling 1887, L. pictithorax Strand 1914.
Espécies a serem reestudadas
Loxosceles omosita (Walckenaer) 1837; Guianas) ;
Loxosceles laeta (Nicolet) 1849; (Chile);
Loxosceles longipalpis Banks 1908; (Ilhas Galapagos) ;
Loxosceles accepta Chamberlin 1920; (Huadquina, Perú) ;
Loxosceles nesophila Chamberlin 1920; (Lobos de Tierra, Perú).
Conclusão
É perfeitamente possível determinar-se a espécie certa de qualquer Loxosce-
lideo adulto, capturado na América do Sul, usando-se os critérios diferenciais dos
palpos dos machos, dos receptáculos seminais das fêmeas e a fórmula das pernas,
apontados na chave sistemática dêste trabalho. Como critério secundário convém
observar-se o colorido do cefalotórax, dos artículos dos palpos e das pernas e a
forma do metatarso do primeiro par de pernas dos machos. Para filhotes há
apenas o recurso único das fórmulas das pernas, pois nem o colorido é igual
aos adultos.
Agradecemos ao Fundo de Pesquisas do Instituto Butantan pelo auxílio
prestado.
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LOXOSCELES E LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO SUL
Resumo
De várias dezenas de exemplares jovens e adultos de Loxoscelídeos machos
e fêmeas, recebidos de diversas localidades do Brasil, Uruguai, Chile e Perú, da
Argentina e Bolívia, foram aferidas as medidas das pernas e o colorido geral;
dos machos adultos foram medidos os artículos dos palpos, o bulho e êmbolo,
prestando-se atenção especial, se o último é reto, curvo ou serpentiniforme, longo
ou curto; nas fêmeas adultas foram dissecados os receptáculos seminais e as ar¬
cadas genitais.
À mão dêste abundante material, conseguiu-se comprovar que tanto os palpos
do macho como a forma dos receptáculos seminais da fêmea e a fórmula das
pernas em ambos os sexos, podem e devem ser considerados como rigorosamente
específicos, permitindo que se coloque qualquer aranha dêste gênero na espécie
certa. Certas nuanças de colorido e a presença ou ausência de ligeira curvatura
no metatarso do primeiro par de pernas em machos, constituem caracteres menos
importantes, mas também de valor secundário.
As dimensões dos seis olhos, as distâncias interoculares, o recuo do par ante¬
rior e dos dois pares posteriores da fronte, respectivamente das margens e da
linha mediana do cefalotórax, o revestimento piloso da face inferior dos tarsos
e metatarsos, a forma triangular, pentagonal ou arredondada, com que a parte
cefálica costuma ser delimitada contra a porção torácica, foram igualmente estu¬
dados em lotes, procedentes do mesmo local de captura, chegando-se à conclusão
que não possuem valor sistemático.
Do vasto material, objeto dêste trabalho, fêz-se uma chave sinóptica específica,
que abrange machos, fêmeas adultos e filhotes, distribuídos para apenas quatro
espécies sul-americanas bem definidas, a Loxosceles rufescens, rufipes, spadicea e
lutea. Loxosceles omosita e L. laeta, ambas com fórmulas de pernas, que as di¬
ferenciam sem sombra de dúvida das quatro estudadas, são, por isso mesmo, re¬
conhecidas como espécies boas, aguardando, porém, novas capturas, cujo estudo
virá confirmar ou não sua posição sistemática. L. longipalpis, accepta e nesophila
devem ser reestudadas, segundo os três critérios acima citados. As demais espé¬
cies descritas do sub-continente sul-americano, catorze ao todo. são colocadas em
sinonímia com as quatro espécies, rufescens, rufipes, spadicea e lutea, ou declara¬
das como — nomina nuda.
SüMMARY
The general color, as well as the measures of the legs were closely observed
in many young and adult specimens of male and female Loxosceles, coming from
different regions of Brazil, Uruguay, Chile, Peru, Argentina and Bolivia; the
femur, patella. tibia, tarsus, bulbus and embolus of adult males were carefully
measured, and special attention was paid to the embolu’s curvature and length;
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the receptacula seminalia and genital arches of the adult females were dissected
and studied morphologically.
With plenty of material at hand, it was possible to prove that the palps of
the male, as vvell as the receptacula seminalia form of the female and the légs
formula of both sexes, can and should be considered as strictly specific, since
their examination give sufficient information to place any spider of this genus
in lhe right species. Some nuances in the color and the presence or absence of
a slight curvature on the metatarsus of the first pair of male legs, have less im-
portant characteristics, but are of secondary importance.
The size of the six eyes, the interocular distances, the recoil of the anterior
and of lhe two posterior pairs of the forehead, respectively from the sides and
center line of the cephalothorax, the pilous covering of the inferior side of the
tarsus and metatarsus, the triangular, pentagonal and round form, with which
the cephalic part is generally delimited against the thoracic portion, were equallv
studied, according to the same capture place the animais arrived from, therefore,
we carne to the conclusion that they have no systematic value.
A specific synoptic key was made with the great amount of material studied
in this paper which concerns young and adult males and females, distrihuted to
only four well-defined South-American species, the Loxosceles refuscens, nijipes,
spadicea, and lutea. Loxosceles omosita and L. laeta, both with leg formulas,
which distinguish them without any doubt from the four species studied, there¬
fore, they are known as good species, waiting, however, for new captures which
will either confirm or not their systematic position. L. longipalpis, accepla and
nesophila should be reexamined, according to the three criteria above mentioned.
The other species described of the South-American sub-continent, 14 all told, are
placed as synonyms with the four species, rufescens, rujipes, spadicea and lutea.
or declared as — nomina nuda.
ZUSAMMENFASSUNG
Mehrere Dutzend von Spinnen der Gattung Loxosceles — SICARIIDAE, Mann-
chen sowohl wie Weihchen und noch nicht Erwachsene, welche im Laufe vou
mehreren Jahren aus vielen Teilen Brasiliens, Uruguays, Argentiniens, Boliviens,
Chiles and Perus nach Butantan gesandt worden sind, wurden in Bezug auf die
Lange ihrer Laufbeine vergleichend untersucht; bei den Mannchen wurden Femur,
Patella, Tibia, Tarsus, Bulbus and Embolus genau gemessen und die Kurvatur des
Embolus genau gemessen und die Kurvatur des Embolus besonders beriicksichtigt,
wie auch seine Lange; bei den Weihchen wurden die "receptacula seminalia”
sowie die inneren Genitalbogen histologisch herauspraepariert und vergleichend
morphologisch studiert.
An Hand dieses zahlreichen Materials konnte der Beweis erbracht werden,
dass erwachsene Mannchen und Weihchen sehr exakt nur durch die Palpen der
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LOXOSCELES E LOXOSCELISMO NA AMÉRICA DO SUL
Mãnnchen oder die “receptacula seminalia’’ der Weibchen artlich hestimmt werden
konnen, wobei diesen Merkmalen auch ein besonderes Verháltnis der Laufbeinlan-
gen entspricht. Gewissen, mehr oder weniger deutlichen Farbnuancen, kann eine
sekundãre, spezifische Rolle nur bedingt eingeraunt werden. Sekimdar artlicb
wichtig ist auch noch das Aussehen des Metatarsus des ersten Beinpaares bei den
Mãnnchen.
I)ie Grõsse der Augen, der Abstand zwischen ibnen oder vou den beiden
vorderen zum Stirnrande oder zu den Seitenaugen, die Distanz letzterer von der
Mittelritze des Cephalothoraxes und dem Seitenrande desselben, die Ausriistung
mit Haarpolstern auf der Unterseite der Tarsen und Metatarsen der Laufbeine, die
dreieckige. runde oder fünfeckige Form. womil das Cephalon gegen das Thoracon
aiigegrenzt ist, wurden hesonders an vielen Tieren desgleichen Fundplatzes verg-
leichènd untersucht, wobei unwiederlegbar festgestellt wurd, dass allen diesen Merk¬
malen keinerlei spezifische Bedeutung zugemessen werden kann.
Mit dem zahlreichen südamerikanischen Material konnte ein Artenschlüssel
aufgestellt werden, der sowobl Mãnnchen, Weibchen wie auch Jugendformen erfasst
und nach dem die Loxosceliden dieses Sub-Kontinentes in folgende vier Arten
eingereiht werden: Loxosceles rujescens, ru jipes, spadicea und lutea. Die beiden
alten Arten, L. omosita (Walck.) 1837 und L. laeta (Nicolet) 1849 weisen, nach
der eindeutigen Beschreibung ihrer Autoren, zwei neue Beinformeln auf, besonder
lacta, dürften also zwei gute Arten abgeben, wenn sie wieder neu abgefunden
Und nach den hier angegebenen entscheidenden Merkmalen untersucht würden-
L. longipalpis Banks 1908. L. accepta und nesophila Chamberlin 1920 sollten nach
den hier angegebenen Merkmalen neu untersucht werden. Die übrigen 14, fiir
Siidamerika beschriebenen Loxoscelesarten wurden ais Synonym mit rujescens, ru-
jipes, spadicea und lutea und zwei ais “nomina nuda” erkannt.
Bibliografia
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DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DOS ARACNÓIDES PEÇONHENTOS TEMÍVEIS
(CLASSE A RA CHNOM ORPHA , SUB-CLASSE A RACHNOl DE A, ORDENS
SCORPIONES E ARANE1DA) *
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Secção de Artrópodos Peçonhentos, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil
Introdução
Para a perfeita compreensão dêste trabalho, devemos esclarecer que existem
alguns Aracnoides completamente não venenosos. A imensa maioria, entretanto,
é ativamente peçonhenta, com um par de glândulas veneníferas e um aparelho
vulnerante, inoculador da peçonha. Felizmente, porém, é a grande maioria dêste
grupo tão pouco intoxicante, ou tão raro, que não vem a constituir problema mé¬
dico. Uns e outros não são objeto desta exposição, que considera apenas aqueles
representantes temíveis do segundo grupo, cuja frequência numérica, ação do ve¬
neno sôbre homem e animais domésticos, aliados à sua qualidade de vulnerantes,
os qualificam como de importância médico-sanitária.
Quem aponta geralmente os Aracnoides temíveis é o próprio paciente ou mé¬
dico, procurado para o tratamento. Os investigadores confirmam a posteriori a
periculosidade do agente acusado, por aferições da intensidade e do modo de
ação da peçonha em animais sensíveis, pelo arrolamento de sua freqiiência nu¬
mérica em áreas geográficas restritas ou vastas, pelo estudo eco-biológico e do
contato, raro ou mais freqiiente, com o homem e pela elaboração de um sôro.
Seja desde já assinalado o fato curioso de que, dentro de um mesmo gênero,
possam existir espécies realmente temíveis, com picadas mortais e outras com ve¬
neno apenas levemente intoxicante. Mesmo dentro de uma e mesma espécie po¬
dem ocorrer intoxicações gravíssimas ou apenas leves, segundo as diferentes áreas
de dispersão do Aracnoide.
Trabalho apresentado nos VII Congressos Internacionais de Medicina Tropical e
Malária, Rio de Janeiro, setembro de 1963, sob os auspícios do Fundo de Pes¬
quisas do Instituto Butantan (FPIB).
Recebido para publicação em 19/6/63.
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DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DOS ARACNÔIDES
PEÇONHENTOS TEMÍVEIS
Dispersão geográfica dos gêneros temíveis
A proposital dispersão das poucas espécies temíveis oferece interessante con¬
tribuição à conceituação clássica do que sejam as regiões geográficas e dos meios
da dispersão ativa e passiva durante as diversas eras geológicas.
Os escorpiões temíveis, por exemplo, lodos nitidamente criptozóicos, com apa¬
recimento na maioria das vêzes apenas insular, ora estão confinados à áreas bas¬
tante restritas, ora sobrepassam insòlitamente diversas regiões geográficas. So¬
bressai um fato singular: não há hoje nenhum gênero sequer no continente ame¬
ricano comum às demais regiões zoogeográficas do Velho Mundo e da Austrália!
Mesmo no continente americano existe nítida e rigorosa separação entre a região
neo-ártica (do México e da Califórnia para o norte), onde só na sub-família Ce\-
trurinae existem escorpiões perigosos, e a região neotrópica onde há represen¬
tantes temíveis apenas na sub-família Tityinae, com concentração máxima na sub-
região brasiliana e dispersão em leque em direção ao nordeste brasileiro e a
sub-região antilhense. Os Buthinae, ao contrário, espalharam-se através das três
regiões pale-árticas, etiópica e oriental, isto é, desde Marrocos até a Sibéria, o
Nilo Superior e a África do Sul.
Os três gêneros de “Aranhas caranguejeiras” perigosas, criptozóicas e esteno-
bióticas, acham-se distribuídos por três longínquos continentes, separados por imen¬
sos oceanos, Harpactirella na África do Sul, A t r a x na Austrália e Nova
Zelândia e T rec lio na na América do Sul.
Entre as poucas aranhas verdadeiras temíveis pode observar-se que a moradia,
enquanto esta é capaz de oferecer um optimum biológico nas variadas condições
de temperatura e umidade, vem a constituir um fator de dispersão primordial:
a) As aranhas errantes do gênero Phoneutria, que nunca constroem moradia, mas
apenas aproveitam lugares escuros fortuitamente achados, mesmo em residên¬
cias humanas, tem dispersão estenobiótica apenas na região neotropical (Brasil) ;
b) As aranhas caçadoras, mas semi-sésseis do gênero Lycosa , que constroem tú¬
neis dentro da terra, providos ou não de tampa protetora, lograram lornar-se
tropical e — subtropical — cosmopolitas, penetrando até áreas francamente
temperadas ou mesmo frias e oferecendo aos especialistas a mais variada
gama de sub-gêneros e sub-espécies;
c) As aranhas obrigatoriamente sedentárias do gênero Latrodectus, quase incapa¬
zes de se locomoverem livremente sôbre o solo e que vivem em certa socia¬
bilidade, embora individualmente separadas por suas teias, construídas nas
ramas escuras dos arbustos ou perto do sol, com eficientes refúgios contra a
luz, chuvas e o frio e onde hibernam, conquistaram contudo a Europa, Ásia.
África, América e Austrália, seja por dispersão ativa de seus filhotes, levados
pelos ventos em suas minúsculas teias, seja por dispersão passiva pelo homem;
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>1) As frágeis e pequeníssimas aranhas do gênero Loxosceles, criptozóicas e obri¬
gatoriamente noturnas, sedentárias em suas teias irregulares, construídas sem¬
pre ao abrigo da luz em cavernas naturais, em fendas de barrancos, sob as
raízes e entre as cascas de árvores, sob madeiramento e tijolos, armazenados
pelo homem em volta de suas casas, conquistaram os Continentes do Velho
e do Novo Mundo, principalmente por meio de dispersão passiva, levadas pelo
homem com as mercadorias.
Distribuição geográfica das espécies temíveis
I.“ Ordem — SCOKPIONES
l. a Família — BUTHIDAE
A. Sub-família — BuTHINAE
l.° gênero — Androctonus H. e E. 1829
Espécies temíveis — A. australis, A. acneas, A. amoreuxi, A.
Iioggarensis • — Velho Mundo, desde a índia e Pérsia até
ao Atlântico: Egito, Nilo Superior, Senegal, Saara, Algéria,
Marrocos.
2.° gênero — Buthacus Br. 1908
Espécie temível — B. arenicola
Líbia, Egito, Palestina, Síria.
Marrocos, Algéria, Saara,
3.° gênero
Buthotus Vach. 1948
Espécies temíveis — B. judaicus — Israel; B. jrazwerneri
Algéria, Marrocos.
4.° gênero — Buthus Leach 1815
Espécies temíveis — B. occitanus, atlantis, marroccanus — Me¬
diterrâneo europeu e africano desde o Atlântico até o Mar
Vermelho.
5. ° gênero — Leiurus (H. e E.) 1829
Espécie temível — L. quinquestriatus —
tina, Israel, Arábia, Iemen.
6. ° gênero — Bar a b u t h u s Poc. 1893
Turquia, Síria, Pales-
Espécies temíveis — B. villosus, B. liosoma e outras
do sul, oriental e ocidental até o Sudão.
África
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B. Sub-família — Centrurinae
7.° gênero — Centruróides M. 1889
Espécies temíveis — C. sculpturatus, gertschi, suffusus, noxius,
limpidus, infamatus, gracilis, etc. — Sul dos Estados Uni¬
dos da América do Norte, México, América Central. Anti¬
lhas (dispersão passiva para a América do Sul).
C. Sub-família — Tityinae . '
8.° gênero — T i ty u s C. L. Koch 1836
Espécies temíveis — T. serrulatus, bahiensis, trinitatis, trivitalus,
etc. — América do Sul, sub-região brasiliana desde o Tró¬
pico do Capricórnio até a ilha de Trinidad (dispersão pas¬
siva — América Central até Flórida e Califórnia e Buenos
Aires).
2. a Família — SCORPIONIDAE
1 I
A. Sub-família — Diplocentrinae
9.° gênero — N eh o Simon 1877
Espécie temível — N. hieronchonticus —- Turquia, Síria, Israel
até Arábia.
B. Sub-família — Scorpioninae
10. ° gênero — Heterometrus H. e E. 1829
Espécies temíveis — //. indus, cyaneus, scaber, bengalensis,
caesar, liuriis, longimanus, liophysa — Filipinas, Málaga,
Burma, Sumatra, Java, Ceilão, China, índia.
11. " gênero — Pandinus Thor. 1877
Espécies temíveis — P. imperator, dictator, arabicus, pallidus,
bellicosus, colei — África tropical e Arábia.
12. ° gênero — S cor pio L. 1758
Espécie temível — Sc. maurus — Marrocos, Algéria, Líbia,
Saara.
13. ° gênero — O pistho phth a l m u s C. L. Koch 1838
Espécies duvidosas — O. opinatus, carinatus, laticauda, pallipes,
capensis, granijrons, pictus, gigas, flavescens — África do
Sul, Oriental, Ocidental, Central.
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PEÇONHENTOS TEMÍVEIS
3.® Família — THERAPHOSIDAE
Sub-família — Theraphosinae
4. u gênero — Acanthoscurri a Auss. 1871
Espécies temíveis — A. atrox, gigantea, geniculata, ju-
ruenicola, violacea, sternalis — America do Sul: des¬
de o 25° lat. sul até América Central e Antilhas.
5. ° gênero — T h e r a p h o s a Tlior. 1870
Espécie temível — Th. leblondi — Pequenas Antilhas,
Venezuela, Guianas, Brasil: Amapá.
6. ° gênero — La. si odora C. Koch 1850
Espécies temíveis — L. klugii, curtior, differens, sacra,
spinipes, etc. — Brasil.
7. ° gênero — Mcgaphobema Poc. 1901
Espécie temível — M. robusta — Colômbia.
8. ° gênero — X enesthis Simon 1891
Espécies temíveis — .Y. imanis, monstruosa
Colômbia. Venezuela.
I> :
aiiama,
9. u gênero — P a m p hob e t e u s Poc. 1901
Espécies temíveis — P. tetracanthus, jortis, jerox, antinous,
augusti, insignis, rosais, ornatus, etc — America do
Sul, do 27° lat. sul até Panamá.
B. Sub-Ordem — LABIDOGNATHA = “Aranhas verdadeiras”
1.® Família — CTENIDAE
Sub-família — Cteninae
l.° gênero — Phoneutria Perty 1833
Espécies temíveis — Ph. fera, luederwaldti, ochracca, rufi-
barbis, paca, andrewsi, rcidyi — Brasil: São Paulo,
Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de
Janeiro; Paraguai; Bolívia, Guianas.
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MECANISMO DA PICADA DAS ARANHAS PEÇONHENTAS PERIGOSAS *
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Secção cie Artrópodos Peçonhentos, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil
Sistemática das aranhas brasileiras perigosas
As aranhas peçonhentas do Brasil, cujas picadas são perigosas para o homem,
pertencem comumente a um dos seguintes quatro gêneros: Loxosceles, sub-família
Loxosceunae, família SICARIIDAE ; Latrodectus, sub-família Latrodectinae, fa¬
mília THERIDIIDAE ; Lycosa, sub-família Lycosjnae, família LYCOSIDAE e Pho-
neutria, sub-família Cteninae, família CTENIDAE.
As espécies mais freqüentes e melhor estudadas e sua distribuição geográfica
na América do Sul são as seguintes: Loxosceles rujescens (Dufour) 1820, tropical
cosmopolita, encontrada também na Colômbia, no Perú e em diversas localidades
do Brasil: Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, inclusive na Capital de São
Paulo; Loxosceles rujipes (Lucas) 1834, América Central (Panamá) e Sul: Co¬
lômbia, Perú, Bolívia, Chile, Argentina (a “araria homicida” de Buenos Aires),
Uruguai (considerada a mais perniciosa no país), Brasil: Rio Grande do Sul, Santa
Catarina, Paraná, São Paulo (na própria Capital), Rio de Janeiro, Minas Gerais,
Goiás; Loxosceles spadicea Simon 1907, Bolívia, Brasil: Rio Grande do Sul (Santo
Angelo), São Paulo (Santo André), Goiás (Brasília); Latrodectus geometricus C.
Koch 1841, tropical cosmopolita, encontrada em todos os países da América do
Sul e no Brasil em Pôrto Alegre, em diversas localidades do Rio de Janeiro, in¬
clusive nas praias, Minas Gerais, Bahia; Latrodectus mactuns mactans (Fabricius)
1775, sub-espécie americana desde os U.S.A., México, países da América Central,
Grandes Antilhas, Venezuela, Equador, Perú, Paraguai, rara no Brasil, tendo ha¬
vido capturas em Recife e em Pôrto Alegre; Latrodectus curacaviensis (Miiller)
1776, espécie americana, desde o Canadá até a Patagônia, Pequenas Antilhas (Cura-
çáu), Guianas, Venezuela, Galápagos, Chile, Chaco Paraguaio, Argentina (Chaco,
Patagônia, Colonia Dora, Santiago dei Estero), Brasil: praias da Guanabara, do
Estado do Rio de Janeiro (Piratininga, Itaipú, Itacoatiara, Itaipuassu, Cabo Frio),
Bahia (Caravelas); Lycosa auroguttata (Keyserling) 1891, São Paulo até o Rio
* Sob os auspícios do Fundo de Pesquisas do Instituto Butantan. Apresentado na
XV" Reunião Anual da S.B.P.C., Campinas, julho de 1963.
Recebido para publicação em setembro de 1963.
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MECANISMO DA PICADA DAS ARANHAS PEÇONHENTAS PERIGOSAS
Grande do Sul; Lycosa erythrognatha Lucas 1836, muito frequente em todo o
Estado de São Paulo; Lycosa nychlhcmera (Bertkau) 1880, o mesmo habitat da
espécie anterior, mas muito mais rara; Lycosa ornata Perty 1833, orla marítima
desde o Hio de Janeiro até o Paraná; Lycosa pardalina (Bertkau) 1880, regiões
altas do Estado do Rio de Janeiro; Lycosa poliostoma (C. Koch) 1848, Uruguai,
Paraguai, Argentina até a Patagônia, Chile; Lycosa thorelli (Keyserling) 1876,
em lodo o Brasil, com exceção da liiléia amazônica; 1‘honeutria fera Perty 1833,
desde o Rio de Janeiro, sul de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, relativa¬
mente frequente em lodo o Estado de São Paulo: vale do Paraíba, arredores da
Capital; Phoneutriu ochracea C. Koch 1818, Brasil; Phoneutria reidyi F. Cam-
hridge 1897, Santarém, Estado do Pará; Phoneutria rufibarbis Perty 1833, Uru¬
guai, Argentina; Phoneutria sanguínea (Walckenaer) 1837, Brasil.
Material e método
No intuito de verificar se entre os espécimes adultos destas espécies existem
ou não grandes variações nas dimensões do aparelho introdutor de veneno, toma¬
mos de cada espécie dez fêmeas adultas e aferimos os valores médios de seu com¬
primento total e do cefalotórax. Após dissecação e com o auxílio de microscópio
estereoscópico, aferimos os valores médios do comprimento e da largura de suas
quelíceras e dos ferrões, hem como a curvatura e a mobilidade lateral dos últimos.
Estas peças foram montadas em bálsamo do Canadá. Na medida que as disseca¬
ções progrediam, estudamos também a topografia dos feixes musculares das quelí¬
ceras e das glândulas de veneno, seus pontos de inserção e seu percurso. As glân¬
dulas de veneno foram igualmenlc medidas, como também os canais eferentes.
Muitas glândulas foram conservadas em bálsamo, de outras fizeram-se cortes lon¬
gitudinais e transversais corados com bematoxilina-eosina, para ulteriores estudos
histológicos.
Como resultado das medições obtivemos valores médios pràticamente iguais,
com diferenças mínimas, para tôdas as espécies citadas, enquanto estas pertencem
ao mesmo gênero. De gênero para gênero, entretanto, os valores medidos se mos¬
tram profundamente disparatados; a própria curvatura dos ferrões varia igual¬
mente de gênero para gênero, mas não significativamente de espécie para espécie.
Aparelho veneníeero
As aranhas citadas pertencem à sub-ordem das LAB1DOGNATHA, cujas que¬
líceras inoculadoras do veneno estão em posição diaxial em relação ao eixo longi¬
tudinal do corpo e os dois ferrões movimentam-se cm sentido horizontal de fora
para dentro e vice-versa. O aparelho de veneno (Figs. 1-4) consiste num par
de quelíceras, que, além de inocular o veneno, tem parte funcional em muitas
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!• lg. 1 Loxoscelcs rufipes — quelleeras com ferrões em repouso — 15 x aumentadas.
Fig. la — Loxosceles rufescens — quelieeras distendidas; um par de glândulas de veneno —
15 x aumentadas.
Fig. lb — Loxosceles spadicea — ferrão totalmente distendido — 45 x aumentadas.
Fig. 2 — Latrodectus mactans — quelieeras em posição de repouso — 15 x aumentadas.
Fig. 2a — Latrodectus curaçaviensis — quelieeras distendidas e glândulas de veneno —
15 x aumentadas.
Fig. 2b — Latrodectus curaçaviensis — ferrão completamente distendido — 45 x aumentadas.
Fig. 3 — Lycosa erythrognatha — quelieeras em posição de repouso — 15 x aumentadas.
Fig. 3a — Lycosa thorelU — quelieeras eompletamente distendidas — 15 x aumentadas.
Fig. 4 — Phoneutria fera — quelieeras em posição de repouse — 15 x aumentadas.
Fig. 4a — Phoneutria fera — quelieeras completamente distendidas — 15 x aumentadas.
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aranhas, para segurar e triturar o alimento e num par de glandular produtoras
do veneno, cada uma eom seu canal eferente. A glândula de veneno, de 1,7 a
2,0 mm de comprimento por 0,3 a 0,35 mm de largura em Loxosceles rufescens
e rufipes, 1,6 a 2,0 mm de comprimento por 0,32 mm de largura em Latrodectus
curacaviensis (Fig. 2a), 4,5 a 6,0 mm cm média de comprimento por 1,0 a 1.2 mm
de largura nas citadas espécies de Lycosa e de 8,0 a 10,0 mm de comprimento
por 2,4 a 2,7 mm de largura em Phoneutria /ura, tem em todos os gêneros a
forma de um pequeno cilindro (Figs. la e 2a) com leves eonstrituras. É de eôr
branco-amarelada, distinguindo-se por isto facilmente por entre os feixes muscula¬
res brancos. As duas glândulas são do mesmo tamanho e localizam-se dentro
do cefalotórax da aranha desde a fronte até a fóvea torácica, mais ou menos.
Cortes longitudinais mostram a mesma topografia nas glândulas dos quatro gê¬
neros, um manto muscular externo, a membrana basal de tecido conjuntivo e o
epitélio glandular com as células excretoras.
O manto muscular envolvente recobre, nos quatro gêneros, todo o corpo glan¬
dular desde o colo. É desdobrado em feixes musculares estriados, que correm em
volta da glândula, com os pontos de inserção e contra-inserção perlo do colo e em
volta do fundo da glândula respectivamente. Em cortes longitudinais pelas glân¬
dulas aparecem cortados ora transversal ora tangencialmente, sendo visíveis as lo-
nofibrilas de suas inserções em diferentes zonas da membrana basal.
A membrana basal parece ser dupla, pois em algumas zonas observam-se no
lado de fora as tonofibrilas do manto muscular e mais para dentro a membrana
peritoneal do epitélio glandular.
O epitélio glandular consiste nas células excretoras do veneno. Tôdas as cé¬
lulas assentam com a base na membrana peritoneal e se dirigem para o centro
da glândula, onde deixam vazio um espaço central, o reservatório do veneno ela¬
borado. As células jovens são cilíndricas, longas, com membrana envolvente ní¬
tida e com um grande núcleo na porção basal. O plasma contém apenas micro-
grânulos, localizados em volta do núcleo. Num outro trecho da glândula encon¬
tra-se um conjunto de células excretoras em fase funcional, já mais progredida,
em que os microgrânulos já avançaram em direção do ápice celular e novos grâ¬
nulos estão surgindo em volta do núcleo basal. Num terceiro conjunto, já se ob¬
servam uma ou mais massas aglutinadas de veneno, de posição apical ou sub-apical,
oriundas da fusão dos microgrânulos, enquanto que microgrânulos continuam a ser
produzidos na porção basal da mesma célula. Num conjunto ainda mais avança¬
do de produção de veneno, os ápices das células produtoras se apresentam rom¬
pidos e as massas aglutinadas de veneno penetrando no reservatório central. Na
porção basal ainda há a produção de novos microgrânulos. Finalmente observa-se
um conjunto de células excretoras, rompidas no ápice, apenas com os contornos
laterais, sem massas aglutinadas em seu interior e em sua porção basal, apenas
com um ou dois grânulos dc tamanho diferente. Deve tratar-se de células excre-
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loras esgotadas, que, ao que parece, uão mais se regeneram. Há, entretanto, em
Lycosa e Phoneutria, pequenas células, ao lado das esgotadas, aderentes à mem¬
brana basal, que poderão dar origem a novas células excretoras, renovando-se, pois,
em fases contínuas e sucessivas, lodo o epitélio glandular, Este fato é muito
importante para urna aranha que pode viver entre 3 a 6 anos.
Perto do colo da glândula, observamos em Lycosa e Phoneutria uma zona,
separada do resto das células excretoras por um seplo epitelial. As células excre¬
toras desta zona do colo formam apenas microgrânulos, que não se parecem fundir
em massas aglutinadas maiores, mas que difundem pelas paredes das células, che¬
gando assim em contato com o veneno aglutinado no lume central.
A coloração pela hematoxilina-eosina revela que o veneno acumulado no re¬
servatório central é acidófilo, enquanto que os microgrânulos dentro das células
excretoras são basófilos. É justo, pois, que se conclua, que pelo menos duas
substâncias diferentes concorram na elaboração do veneno e que o mesmo, ainda
dentro do lume central, receba ainda uma terceira substância das células do colo.
O canal eferente, que constitui a continuação do colo da glândula, percorre
os dois artículos das quelíceras e termina num poro de saída perto da ponta do
ferrão. Tem cêrca de 1,5 mm de comprimento em Loxosceles e Lalrodcctus, de
4,5 a 5,0 mm em Lycosa e entre 10 e 12 mm de comprimento em Phoneutria.
É sempre muito estreito, com menos de 0,05 mm de largura nos dois primeiros
gêneros e não muito mais nos dois últimos. Em Lycosa c Phoneutria, notamos
em alguns espécimes um alargamento vesicular de cêrca de 1.5 mm à altura da
dobradura do ferrão. () epitélio do duelo é simples, com células achatadas.
Musculatura do aparelho vexeníekro
A musculatura do aparelho venenífero, estudado nos quatro gêneros, se com¬
põe de feixes musculares extensores e flexores do ferrão, de feixes extensores e
flexores do artículo basal das quelíeras e da musculatura da glândula de veneno
e do dueto eferente. Os flexores e extensores do ferrão nascem de um a outro
lado da base do ferrão, atravessam a articulação e se inserem na membrana basal
do segundo artículo das quelíceras, sob a epiderme. Os flexores e extensores do
segundo artículo nascem na membrana basal da epiderme dêsle mesmo artículo,
dos dois lados, percorrem todo o artículo em sentido transversal e penetram pro¬
fundamente no cefalolórax, inserindo-se parcialmente na membrana basal da epi¬
derme do cefalolórax e parcialmente no endoesqueleto. Poderosos feixes flexores
e extensores do segundo artículo da quelícera nascem ainda na base interna e
externa dêste mesmo artículo, vindo a inserir-se ao lado dos feixes anteriores.
A musculatura da glândula de veneno consiste em feixes tonofibrilares de per¬
curso longitudinal, em Lycosa e Phoneutria, tem sua origem num robusto e fle¬
xível tendão, que vem desde a parte apical do ferrão, acompanha intimamente o
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percurso do dueto eferente e se desfaz, à altura da porção basal do segundo seg¬
mento da quelícera, em inúmeros feixes que se inserem na parte externa do manto
muscular envolvente da glândula. Em Lycosa alcançam o fundo da glândula de
veneno, em Phoneutria chegam até aquela porção da glândula de veneno, em que
o manto muscular se torna mais longitudinal.
No mesmo tendão nascem, dentro do artículo basal das quelíceras, os feixes
musculares dilatadores do duelo. Originam-se ao longo de lodo o dueto, atra¬
vessam tangencialmente o artículo, infiltrando-se por entre os feixes flexores e
extensores e inserem-se no membrana basal da epiderme do mesmo artículo.
No segundo artículo das quelíceras, na base, entre o cefalotórax e a entrada
do artículo, há em Lycosa e Phoneutria um espessamento e estreitamento do ar¬
tículo, com feixes musculares circulares, que mantêm a glândula de veneno no
lugar c impedem que a mesma, no momento da picada, avance para a frente.
Quando a aranha pica, isto c, quando tanto o ferrão, como o artículo basal
das quelíceras executam os movimentos de extensão e flexão e entram em jôgo
os músculos adutores e abdutores, então, por fôrça da tração exercida pelo tendão
principal, a glândula de veneno é puxada energicamente para a frente (pelos mús¬
culos que se inserem por fora do manto muscular) ; ao mesmo tempo o manto
muscular envolvente impede que a mesma se dilate pelos lados. Como consequên¬
cia dêste repuxamento, é o veneno impulsionado em jato para dentro do duelo.
Ao mesmo tempo e ainda por fôrça da tração do tendão, que envolve o dueto, é
o lúmen do dueto dilatado em todo o seu percurso, garantindo o jato de veneno
até o poro de saída (pelos músculos dilatadores do dueto).
FeKUÕES L ARTÍCULOS BASAIS IMS OULLÍCEK
AS
Em Loxosceles rujipes, rufescens e spadicea medem os ferrões em tôrno de
0,45 mm e as quelíceras 1,45 mm de comprimento por 0,65 mm de largura (Eigs.
1 - la e lb). Os ferrões se apresentam bastante curvos, principalmente na ponta.
Na posição de repouso as pontas dos ferrões repousam, cada uma, sôbre a ponta
da apófise anterior interna da quelícera, não chegando nunca os ferrões a entre-
cruzar-se, nem mesmo na picada. A máxima distensão, de que os ferrões c as
quelíceras são capazes, no ato de morder, é de cêrca de 0,8 mm, de maneira que
os dois pontos de penetração dos ferrões no corpo da vítima seriam afastados um
do outro no máximo de apenas 0,8 mm e a profundidade de penetração seria no
máximo de 0,4 mm (Fig. 5).
Em Latrodcctus mactans e curacaviensis, com 0,35 a 0,45 mm de compri¬
mento dos ferrões e cêrca de 1 mm de comprimento das quelíceras, as pontas
dos ferrões se entrecruzam na posição de repouso. Quando uns e outros forem
totalmente distendidos, há uma distância entre as pontas dos ferrões, de cêrca de
1,2 mm apenas (Figs. 2-2a e 2b). As duas marcas de penetração, deixadas no
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corpo da vítima seriam, pois, distantes uma da outra apenas de cêrca de 1 mm
(Fig. 5) e sua profundidade de penetração não excederia mais de 0,4 mm.
Nas espécies de Lycosa erythrognatha, thorelli, nychthemera, etc., medem os
ferrões cêrca de 2,7 mm c o artículo basal das quelíceras de 4,5 a 5,5 mm. Em
posição de repouso os ferrões ou se entrecruzam ou ficam recolhidos na goteira
(Fig. 3) ; em posição de ataque podem as pontas dos ferrões deixar marcas na
vítima, distantes cêrca de 9 mm ao máximo, 6 mm em média e com uma profun¬
didade de cêrca de 2,5 mm (Figs. 3a e 5).
A temível espécie Phoneutria fera, apresenta 4,6 mm de comprimento de fer¬
rões e entre 6 a 7 mm de comprimento do artículo basal das quelíceras (Fig. 4).
O máximo da distância, que suas pontas de ferrões podem deixar na vítima é
de 17 mm (Figs. 4a e 5), com uma profundidade de cêrca dc 4 mm.
Discussão
Não está definitivamente esclarecida a estrutura histológica das glândulas dc
veneno das aranhas aqui tratadas, principalmente no tocante ao esgotamento de¬
finitivo e à degenerescência das células excretoras, como também não se sabe se o
produto final venenoso resulta do concurso de três misturas venenosas diferentes,
das quais duas seriam elaboradas pelas células excretoras do corpo glandular e a
terceira pelas células excretoras do colo glandular. O funcionamento do sistema
muscular das quelíceras e das glândulas de veneno, em que, aos movimentos de
vai-vem dos ferrões, correspondem simultâneamente o esvaziamento em jato da
glândula e a dilatação do dueto eferente para a propulsão do veneno e sua ex¬
pulsão explosiva quase pode ser considerada bastante patente e condizente com
o que se observa em experiências.
Quanto às distâncias máximas que os ferrões dos quatro gêneros de aranhas
temíveis podem deixar no corpo da vítima, há a assinalar que se poderiam con¬
fundir as picadas por Loxosceles e por Latrodectus de um lado e as por Lycosa e
neutria de outro lado. Nas regiões, entretanto, nas quais se. sabe não existir
Latrodectus, como é o caso geral no Brasil (com exceção de algumas praias do
Estado do Rio de Janeiro e da Guanabara) ou um dos gêneros da Lycosa ou
Phoneutria, seria perfeilamente possível, distinguir-se pelas distâncias dos dois pon¬
tos de penetração dos ferrões, entre uma Loxosceles e uma Lycosa ou Phoneutria.
Resumo
No presente trabalho são aferidas as médias das medidas de dez exemplares,
fêmeas adultas, das aranhas perigosas dos gêneros Loxosceles, Latrodectus, Lycosa
Phoneutria de outro lado. Nas regiões, entretanto, nas quais se sabe não existir
à possibilidade de distensão máxima dos ferrões no momento dc picar, à profun-
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didade de penetração dos mesmos no corpo de uma vílima e aos comprimentos e
larguras das glândulas veneníferas. É descrita também a interrelação entre o me¬
canismo de picada, quanto aos artículos fortemente quinitizados e os feixes mus¬
culares adutores e abdutores destes e a musculatura da glândula e do dueto de
veneno.
SUMMARY
In this paper is described lhe average size of lhe fangs, of the basal segments,
of the venomous glands and lhe maximum distances of the pits from the two fangs,
when biting, of ten adult female spiders belonging to the genera Loxosceles ( ru -
jipes, rufcscens and spadicea), Latrodectus (mactans and curaçaviensis), Lycosa
( erythrognatha, nychthemera, thorelli) and Phoneutria fera. The mechanisms of
expelling the venom from the glands and the duets hy different musclc-bundles
are also described.
Agradecimento — Agradecemos à Maria Aparecida de Toledo, técnica de labo¬
ratório, pela feitura dos cortes histológicos e da montagem das peças totais das
aranhas.
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HISTOLOGIA DAS GLÂNDULAS DE VENENO DE ALGUMAS ARANHAS
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Secção de Artrópodos Peçonhentos, Instituto Butantan, São Pauto, Brasil
Morfologia do aparelho de veneno
Nas aranhas consiste o aparelho de veneno em um par de quelíceras e ura
par de glândulas de veneno. A posição paraxial das quelíceras em relação ao
eixo longitudinal do corpo e o movimento vertical das presas inoculadoras carac¬
terizam as aranhas que pertencem à subordem das “caranguejeiras” (ORTHOGNA-
THA), enquanto que a posição diaxial e movimentos horizontais são privativos das
aranhas “verdadeiras” da subordem LABIDOGNATHA. Ao primeiro grupo per¬
tencem, entre centenas de espécies, consideradas pràticamente inofensivas, as te¬
míveis representantes do gênero Atrax da Austrália e Tasmânia, as do gênero
Harpactirella da África do Sul e, na região neotropical, as aranhas de alçapão,
do gênero Actinopus e as aranhas com teias de funil, Trechona. A picada por
uma espécie pertencente aos primeiros dois gêneros, determina no homem intoxi¬
cação de média gravidade até gravíssima, inclusive a morte, como atestam recen¬
tes publicações especializadas. Nada se sabe no tocante a acidentes com os dois
gêneros neotropicais; publicações, entretanto, sôhre a ação tóxica do veneno de
Trechona e de Actinopus, feitas por V. Brasil e J. Vellard e outros, não deixam
dúvida, de que devem ser consideradas perigosas.
Entre os milhares de espécies de aranhas verdadeiras, apenas as seguintes
foram comprovadas como vulnerantes e com veneno bastante ativo sôhre o orga¬
nismo humano: as “viúvas negras”, incluindo diversas subespécies de Latrodectus
mactans das Américas, do Mediterrâneo, da África do Sul, de Madagascar, da
Austrália, de algumas ilhas do Pacífico, inclusive dt Havvaii, a Latrodectus cura-
caviensis, desde o Canadá até a Patagônia, costas do Rio de Janeiro até Pernam¬
buco, e Latrodectus geometricus, tropical cosmopolita, mas de veneno bem menos
ativo;
Trabalho referido no simpósio VENENOS E TOXINAS, na XVT Reunião Anual
da SBPC, Ribeirão Prêto, SP — 5 a 11 de julho de 1964, realizado sob os aus¬
pícios do FPIB e do National Institute of Health, U.S.A.
Recebido para publicação em 12/8/1964.
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as “ aranhas marrons”, com as principais espécies, Loxosceles rujescens e L.
rufipes, a primeira tropical cosmopolita, a segunda desde os Estados sulinos da
U.S.A., o México, América Central e a América do Sul;
as “ tarântulas ’ do gênero Lycosa, principalmente algumas espécies tropicais
e subtropicais maiores e finalmente
as “ aranhas armadeiras” do gênero Phoneutria, cujo representante típico é a
Phoneutria fera, de hábitos agressivos, que ataca ativamente e cujo veneno é de
ação intensiva sôbre o organismo humano.
Nos escorpiões encontra-se o aparelho de veneno no interior do telson, isto
é, no último artículo da cauda. Há também duas glândulas de veneno, mas ape¬
nas um ferrão inoculador. Os escorpiões perigosos, sob o ponto de vista da po¬
derosa ação de seu veneno sôbre o corpo humano e que também picam, pertencem
aos seguintes gêneros: Tityus (serrulatus, bahiensis, trinitatis ), na América do Sul,
Centruroides {sculpturatus, gertschi, gracilis, subgranosus, etc.). Na América Cen¬
tral, no México e no sul de U.S.A., Opistophthalmus e Hadogenes da África do
Sul, Androctonus, Buthacus, Buthotus, Buthus, Leiurus e Parabuthus da parte
africana e asiática da bacia do Mediterrâneo, o último gênero até a África do
Sul, Heterometrus, Pandinus e Scorpio, da Índia, Arábia e África, respectivamente.
Nas aranhas caranguejeiras as glândulas de veneno se localizam dentro do
artículo basal das próprias quelíceras, o canal eferente do veneno é curto, entre,
a glândula e a ponta do ferrão, onde se abre em fenda; nas aranhas verdadeiras,
entretanto, as duas glândulas de veneno estão bastante afastadas do aparelho ino¬
culador, situando-se na parte anterior do cefalotórax, ao lado do estômago. O
canal eferente percorre uma parte do cefalotórax, penetra entre a musculatura do
artículo basal da quelícera, percorre ainda o ferrão e vem a terminar também
numa fenda ao lado da ponta do mesmo. No telson dos escorpiões as duas glân¬
dulas de veneno são justapostas, separadas apenas por espessa camada muscular
e um septo divisório conjuntivo; os dois canais eferentes correm paralelamente
para trás, por dentro do ferrão e vêm a terminar independentemente um do outro,
perto da ponta, do lado, em uma fenda estreita.
Em aranhas e escorpiões é o aparelho inoculador do veneno, dois ferrões em
aranhas, um aguilhão nos escorpiões, constituído por um artículo robusto, forte¬
mente quitinizado a terminar sempre em ponta muito aguda, capaz de penetrar
facilmente pela cútis humana. A posição lateral dos poros, por onde sai o jato
de veneno, garante maior eficiência de inoculação, pois a ponta do ferrão abre
espaço adiante.
Nos três grupos a glândula de veneno surgiu por simples aprofundamento do
exoesqueleto, da epiderme e membrana basal. Isto é facilmente comprovado pelo
aspecto histológico do canal eferente, cujas porções distais mantém a mesma su-
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perposição das três camadas, mas em ordem inversa, isto é, a camada quitinosa
por dentro, seguido pelo epitélio e a terminar por fora pela membrana basal.
A glândula de veneno nos três grupos tem a forma de uma ampôla ou de
um saco, com a maior largura no meio ou no fundo, enquanto que na região do
colo há uma transição paulatina nas caranguejeiras e nos escorpiões da glândula
para o canal eferente, e abrupta, com estreitamento abrupto na base do canal, nas
aranhas verdadeiras. Esta diferença morfológica se explica pela localização da
glândula dentro do órgão inoculador ou longe do mesmo e ainda pela maneira
como é esvaziado o conteúdo glandular no exato e curto instante da picada, como
veremos adiante.
Nos três grupos existem poderosos feixes musculares, sempre de natureza es¬
triada, voluntários portanto. Têm duas funções. A primeira manter os canais
eferentes e as glândulas em seus respectivos lugares, a segunda garantir a expulsão
viva, a jato, do veneno no momento da picada, quer do lúmen central das glân¬
dulas, quer através do lúmen estreito do canal eferente. A terceira função da
musculatura das quelíceras é a de flexores e extensores da garra inoculadora.
Esta função é em geral exercida pelos mesmos feixes que nas caranguejeiras man¬
tém a glândula em seu lugar e ao mesmo tempo comprimem ou dilatam o volume
do canal; nas aranhas verdadeiras, os músculos flexores e extensores da garra
inoculadora, ou múscidos adutores e abdutores, exercem simultâneamente o papel
de dilatadores e compressores do lúmen do canal eferente. Nos escorpiões, ao
contrário, sendo o telson e o aguilhão venenífero constituídos de um só artículo,
rígido e sem motilidade própria, o papel de eriçar o telson para a picada é trans¬
ferido para os poderosos feixes musculares estriados, extensores e flexores do pró¬
prio artículo, sitos na própria base do mesmo. Para incrementar o vigor da pi¬
cada, é êste papel transferido sempre para os cinco artículos caudais antecedentes
que, no momento da picada são levantados todos conjuntamente, de maneira que
a cauda tôda vem a sobrepassar por cima do pré-abdomen e do próprio cefalotórax.
ficando o telson virado para baixo e para fora, com o ferrão prestes a ser proje¬
tado. qual catapulta, de encontro à pele da vítima.
Além dessa musculatura, que aciona o aparelho venenífero, mantém no lugar
e provê o transporte rápido do veneno pelo canal, existe nos três grupos uma
musculatura própria da glândula de veneno, também estriada e que envolve em
cada caso o saco glandular.
A musculatura do aparelho de veneno
a) Adutores e abdutores das quelíceras em aranhas — Nas aranhas as que¬
líceras consistem sempre de dois artículos móveis, o basal, robusto, largo e cilín¬
drico e o terminal ou garra, curvo, pontudo, que penetra na pele da vítima. 0
último não contém musculatura, a não ser em sua porção basal, exatamente na
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HISTOLAGIA DAS GLÂNDULAS DE VENENO DE ALGUMAS
ARANHAS E ESCORPIÕES
dobra dos dois segmentos. Existe nesta região um pequeno esclerito interarticular,
que é o responsável pela flexão ou pelo relaxamento do artículo terminal. Neste
esclerito inserem-se os adutores, contra-inseridos na base do artículo terminal. No
lado oposto, na porção basal do artículo terminal e na porção mediana do artículo
basal, inserem e contra-inserem-se os músculos abdutores das garras. Os abduto-
res e adutores do artículo basal se originem e terminam respectivamente dentro
do próprio artículo e dentro da porção anterior do cefalotórax. Nas aranhas ca¬
ranguejeiras — estudamos Actinopus, Trechona e várias dezenas de outras espé¬
cies — êstes mesmos músculos incluem parcialmente a glândula de veneno e, ao
funcionarem, promovem seu esvaziamento ou relaxamento. A própria glândula,
com aspecto de cenoura, com a porção mais larga na frente, não sai de seu lugar.
Em aranhas verdadeiras temos estudado Latrodectus curacaviensis, Loxosceles ru-
jescens, Lycosa erythrognatha e Phoneutria fera. Seus músculos abdutores e adu¬
tores dos dois artículos das quelíceras são essencialmente homólogos aos das ca¬
ranguejeiras, inclusive as inserções no esclerito interarticular, e as contra-inserções
ao longo da membrana basal do artículo basal. Como fato novo- encontramos neste
grupo fibras musculares, a abrirem-se em leque e que se inserem ao longo do
canal eferente do veneno, tendo suas contra-inserções num tendão longo, que corre
paralelo a êste canal e no qual terminam também fibras dos feixes adutores.
Desta maneira, ao se fecharem as quelíceras no momento de morder, é exercida
forte tração sôbre as paredes do canal, cujo lume forçosamente se dilata, dando
passagem ao veneno. O segundo fato novo, verificado nas aranhas verdadeiras,
é a presença de um esfincter muscular, isto é, um anel constritor, formado por
feixes musculares circulares, localizado exatamente na base do artículo basal das
quelíceras, na zona onde êste penetra na porção fronteira do cefalotórax. A êste
anel constritor corresponde exatamente o comêço do canal eferente. Dêste anel
partem fibras, parcialmente unidas por um tendão, penetram pelo cefalotórax a
dentro, e se contra-inserem na porção externa da muscularis da glândula de ve¬
neno. A contração dêstes músculos repuxa a glândula tôda para a frente, em
direção ao esfincter muscular. Como a glândula não pode passar daí, dá-se for¬
çosamente uma violenta contração da glândula, em sentido de trás para diante,
determinando a expulsão do veneno do lume central e sua passagem para o canal
eferente.
b) Musculatura do corpo glandular — As glândulas de veneno, tanto dos
escorpiões, como das aranhas em geral, são rodeadas externamente por um manto
muscular, que consiste em cerca de 30 a 150 feixes estriados e que, a começar
do colo glandular, rodeiam a glândula em forma de serpentina. As inserções e
contra-inserções das fibrilas se dão no sarcolema, que cobre feixe por feixe e a
muscularis inteira. Em nenhum caso foi vista uma muscularis própria dos canais
eferentes. No fundo do saco glandular os feixes são muito espêssos. Mantém
constante o volume glandular e, no momento de sua contração, promovem um es¬
vaziamento total da glândula.
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Histologia da glândula de veneno
A glândula de veneno consiste na muscularis externa, rodeada pelo sarcolenm,
na membrana basal e no epitélio excretor do veneno. A comparação de cortes
seriados pelas glândulas dos escorpiões Tityus serrulatus e Tityus bahiensis, das
aranhas verdadeiras, Loxosceles rufescens, Latrodectus curacaviensis, Lycosa ery-
thrognatha e Phoneutria fera, extraídas de animais anestesiados, fixados em Bouin
e- com 4 a 5 micra de espessura dos cortes, corados pela hematoxilina-eosina ou
segundo Mallory ou van Gieson, permite um estudo bastante comparável entre
êstes diversos grupos de artrópodos.
A membrana basal forma em glândulas de animais jovens uma camada sim¬
ples, contínua, a revestir por dentro a muscularis e a penetrar concêntricamente
para dentro do lúmen, cobrindo de espaço a espaço as células excretoras. Nas
glândulas mais velhas, em que as células epiteliais preenchem apenas ainda as
paredes ao longo da glândula, a membrana também é contínua.
0 epitélio excretor é do tipo simples. Nos escorpiões e nas aranhas caran¬
guejeiras existem dois ti[K>s de células: a primeira camada é formada por células
baixas, subcuboidais, com núcleos em repouso, dispostas ao longo da membrana
basal e espremidas contra a mesma pelo segundo tipo de células. São células de
substituição, isto é. irão substituir as células excretoras, quando estas se des¬
gastarem.
A segunda camada, a principal, é formada por células cilíndricas, colunares,
três a quatro vêzes mais longas que largas, que assentam na membrana basal e
penetram dentro do lúmen central. Em glândulas jovens preenchem quase intei¬
ramente o lúmen. Sua disposição é serpentiniforme e oblíqua em relação ao eixo
longitudinal da glândula. Nas células epiteliais jovens o núcleo se encontra na
porção basal; durante a produção de veneno, os núcleos migram ao meio e final¬
mente até a porção apical da célula excretora, aumentando proporcionalmente em
dimensão. No comêço da elaboração do veneno, vêm-se em volta do núcleo sub-
basal pequeníssimos grânulos. Êstes também migram aos poucos para o meio da
célula; aí já se apresentam como gotículas relativamente volumosas. Fazem pressão
contra as paredes laterais, de maneira que os contornos celulares agora são sa¬
lientes para fora. Em fase mais adiantada da elaboração do veneno, as gotículas
vêm a formar, por aglutinação, de uma a três ou mesmo cinco gôtas grandes, que
se reunem na porção apical da célula, enquanto que na porção mediana e basal
bá novas formações de novas gotículas ou novos grânulos de veneno. Finalmente,
por excesso de pressão, rompe-se uma pequena porção apical da célula excretora,
libertam-se as gôtas de veneno que são armazenadas no lume central. A célula,
mesmo rompida apicalmente, continua sua produção de veneno, enquanto houver
citoplasma e núcleo ativos. Após um certo tempo, entretanto, esgota-se a capa¬
cidade funcional da célula, seu núcleo é expulso juntamente com a última quan¬
tidade de veneno; ela degenera, sendo então substituida por uma das células "de
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HISTOLAGIA DAS GLÂNDULAS DE VENENO DE ALGUMAS
ARANHAS E ESCORPIÕES
substituição” já descritas. Êste tipo de células secretoras pode ser chamado do
tipo “ apócrino ”, com destruição parcial e finalmente total da célula e sua substi¬
tuição por uma nova.
Nas aranhas verdadeiras vimos, na porção apical da glândula, em tôrno do
colo, justamente onde termina a muscularis externa, um outro tipo funcional de
células excreloras. Não existem aí células de substituição. Tôdas são do tipo
cilíndrico, muito longas e estreitas, assentes na membrana basal e orientadas de
encontro ao lume central. Porém, suas secreções são sempre muito finas, granu¬
lares e migram como tais através da célula, desde sua base até ao ápice, onde
difundem através da membrana celular porosa, mas intacta, para o lúmen central.
Estas células não se rompem, pois, e devem ser consideradas como sendo do tipo
“merócrino”.
Discussão
Biicherl (1 e 2), Barth (3), Brazil e Vellard (4), Ancona (5), Millot (6),
Heese (7), Sampayo (8) e Vellard (9) foram os autores principais que se preo¬
cuparam com o aspecto morfológico, histológico e funcional das glândulas de ve¬
neno de aranhas, devendo salientar-se principalmente os estudos de Vital Brazil
e Vellard, em 1925, sôbre a Phoneutria nigriventer, e de Barth sôbre a Latro-
dectus mactans. Barth fala de um sistema duplo, da glândula de veneno de L.
muctans: do tipo merócrino nas glândulas de colo, e do tipo regiócrino, das glân¬
dulas celulares, interpretando as células subcuboidais por nós consideradas como
sendo de “substituição” às glândulas cilíndricas esgotadas, como sendo verdadeiras
glândulas em função ativa juntamente com as cilíndricas e que se esgotariam ao
mesmo tempo como estas. Concluiu então que o veneno elaborado pelas células
dos dois tipos irá durar a vida tôda da aranha, mesmo que as células glandulares
estivessem mortas já há muito tempo. O produto das células do colo irá “amole¬
cendo” sempre apenas pequenas porções de veneno “endurecido” dentro do lume
central da glândula, exatamente um volume tal que seria necessário para uma
picada.
Parece-nos que esta interpretação seria um tanto forçada, principalmente
quando se toma em consideração que há aranhas que vivem até 6 e 8 anos. Con¬
tinuamos, ao contrário, a considerar as células glandulares basais, subcuboidais,
como sendo células de reserva, que, ao se esgotar a célula principal, assumem o
papel desta, de elaborar veneno, sendo substituídas por seu turno por outras sub¬
cuboidais, que repousam ao longo da membrana basal.
Sôbre as glândulas de veneno de escorpiões pouco foi publicado desde Phi-
salix(lO) e em termos muito imperfeitos por Maurano(ll), Melo Campos (12)
e Magalhães (13).
Ulteriores estudos, principalmente no tocante às células de colo e à natureza
das células subcuboidais são necessários.
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Resumo
No presente trabalho é feito um estudo morfo- e histológico sôhre o aparelho
vulnerante, a musculatura e a glândula de veneno de Tityus serrulatus e T. ba-
hiensis, de algumas aranhas caranguejeiras, Actinopus sp. e Trechona venosa, bem
como das espécies Loxosceles rujescens, Latrodectus curacaviensis, Lycosa ery-
thrognatha e Phoneutria fera.
Agradecimento — Agradecemos à Da. Maria Aparecida de Toledo Soares, téc¬
nica em histologia, a feitura dos cortes e a coloração dos mesmos.
Bibliografia
1. Bücherl, W. — Ciência e Cultura, 15(31:243, 1963.
2. Bücherl, W. — Mem. Inst. Butantan (no prelo).
3. Barth, R. — Mem. Inst. O. Cruz, 60(21:275-292, 1962.
4. Brazil, V. e Vellard, J. — Mem. Inst. Butantan, 2:24-25, 1929.
5. Ancona, L. — An. Inst. Biol., México, 2:77-84, 1931.
6. Milliot, J. — Ann. Sei. Nat. Zool., 10(141:113-117, 1931.
7. Reese, A. M. — Trans. Amer. Micr. Soc., 63:170-174, 1944.
8. Sampayo, R. — Tesis, Buenos Aires, Univ. Nacional, Fac. Ci. Med. n'-’ 5864, 1942.
9. Vellard, J. — Le venin des Araignées, Masson éd., Paris, 1936.
10. Phisalix, M. — Scorpions, Masson éd., Paris, 1922.
11. Maurano, H. R. — Tesis — Do Escorpionismo, Jorn. Comércio, Rio, 1915.
12. Mello Campos, O. — Mem. Inst. O. Cruz, 17(21:1925.
13. Magalhães, O. — Ann. Fac. Med., Belo Horizonte, 4(1), 1935 e Mem. Inst.
O. Cruz, 44(31:425-439, 1946.
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BIOLOGIA DE ARTRÓPODOS PEÇONHENTOS*
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Secção de Artrópodos Peçonhentos, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil
Introdução
0 trabalho inclui apenas as duas ordens, Scorpiones e Araneida, e entre estas
apenas as poucas espécies, apontadas pela literatura especializada, como sendo real-
mente perigosas para o homem. São relatados apenas os dados biológicos mais
importantes, em grande parte incompletos ainda. A limitação do espaço nos im¬
pôs a omissão da literatura especializada, mesmo da mais importante, pois sua
citação bibliográfica ocuparia cêrca de 30 páginas. A classificação e distribuição
geográfica dos aracnóides peçonhentos é tratada sucintamente, pois em outro tra¬
balho de nossa autoria já foi considerada.
Refere-se ao acasalamento, gravidez e parturição, domicílios e alimentação,
quantidades de veneno que poderão ser injetadas por ocasião da picada e toxici¬
dade do veneno para camundongos. O último item deve ser interpretado apenas
como normativo, pois, evidentemente deverão prosseguir os estudos da toxicidade
em animais mais sensíveis.
I. Escorpiões perigosos
A. Classificação e distribuição geográfica
A família SCORPIONIDAE, subfamília Scorpio.ntnae abrange os gêneros pe¬
rigosos, // eterometru s (índia), P a n d i n u s (África), S cor pio (Medi¬
terrâneo) e Opisthophtalmus (África do Sul). Mais importantes são os
representantes da família BUTHIDAE, pertencendo à subfamília Buthinae os gê¬
neros : Androctonus, Buthacus, L e i u r u s, B u t h u s e P ar a b u t h u s
(Mediterrâneo, Ásia Menor, África do Norte até Pérsia e África do Sul. à sub¬
família Rhopalurinae o gênero Centruroides (México, U.S.A.: Estados do
Sul) e à subfamília Tityinae o gênero Tityus, com as espécies sul-americanas
perigosas: Tityus serrulatus, T. bahiensis e T. trinitatis.
* Sob os auspícios do FPIB e NHI. Apresentado no simpósio da XVP Reunião
Anual da SBPC, Ribeirão Prêto, 5 a 11 de julho de 1964.
Recebido para publicação em 12/8/1964.
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B. Biologia dos escorpiões
1) Acasalamento — Detalhes do acasalamento, sem interpretação correta
foram descritos por Maccary. 1810, por Fabre, 1907, por Pawlowsky, 1924. Piza,
1939/40 e 1943.
Vachon, em 1952, descreveu a emissão de um órgão sexual pelo macho.
Bücherl, em 1955, Zolessi, em 1956, Alexander, em 1956/57, Shulow, em 1957/58.
descreveram finalmente o acasalamento em Tityus, Bothriurus, Opistophthalmus,
Leiurus e Buthotus respectivamente. O macho emite no acasalamento dois semi-
espermatóforos, que, ao serem expulsos, se unem em um tubo ôco, projetado sob
o ventie da fêmea. Segurando a esta pelas mãos ou pelas quelíceras. o macho
arrasta a mesma por sôhre a ponta apical do espermatóforo, de maneira que a
ponta terminal dêste órgão possa penetrar pelo orifício genital da fêmea e pro¬
mover o transporte do esperma. Após o acasalamento, macho e fêmea se sepa¬
ram. Parece que existem espécies hermafroditas. Mathiessen, em 1961, descre¬
veu Tityus serrulatus como hermafrodita, fato totalmente insólito, se se tomar em
consideração que do mesmo gênero Tityus se conhecem muitas outras espécies, com
os sexos separados e que vivem no mesmo biótopo, como por exemplo o Tityus
bahiensis.
2) Gravidez e parturição — Nos ovários de uma fêmea adulta existem
eêrea de 300 a 500 oócitos, em diversas fases de maturição. Cada óvulo é fixo,
fecundação e desenvolvimento embrionário verificando-se no mesmo local. Daí o
nome ovário-útero . A primeira zona dos vasos deferentes também não está fi¬
xamente delimitada, podendo amadurecer aí também óvulos. Portanto, os esper¬
matozóides migram, desde o orifício genital até uma certa porção ovariana, onde
são fecundados em cada período anual cêrca de 40 a 50 óvulos. Duas fecunda¬
ções e duas parturições anuais podem ocorrer em certas espécies. Uma vez fe¬
cundado um óvido e feitas as primeiras divisões celulares, aumenta o volume do
ôvo, que empurra a parede ovariana para fora. surgindo assim um “divertículo”
de forma esférica, unido ao útero por um pedúnculo. Com o ulterior desenvolvi¬
mento do embrião, o divertículo aumenta em dimensões, funcionando como uma
■'câmara de incubação”. No polo distai desta câmara surge aos poucos um “'cor¬
dão” cilíndrico, que termina num “botão umbilical” e cuja comunicação com a
câmara é regulada por uma “válvula”. O embrião é dirigido com a cabeça con¬
tra o cordão cilíndrico. Na fase final do desenvolvimento embrionário, a câmara
é tão grande e sua parede externa tão fina e transparente, que se pode observar
perfeitamente o embrião, após remoção da carapaça do pré-abdomen materno.
A esta altura o embrião ocupa também o pedúnculo, que agora é tão largo quanto
a câmara. Quando o embrião adquire mobilidade própria, êle se liberta do cor¬
dão e passa pelo pedúnculo, penetrando no lúrhen ovarial. O cordão degenera,
como também a câmara, inclusive o botão umbilical. O embrião caminha pelo
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dueto uterino, os vasos deferentes, a vagina e força a passagem pela abertura ge¬
nital. 0 botão umbilical, sob a forma de uma massa dura, marrom, é muitas
vezes encontrado na vagina. Ao nascer, já está rompida a película embrionária
ou a mesma é desfeita pela mãe. 0 embrião sobe em frente à bôea da mãe, por
entre as quelíceras, por cima do cefalotórax e se instala sôbre as reentrâncias do
pré-abdomen.
3) Fase larval — 0 embrião, ao nascer, pode ser chamado de larva, por¬
que sua forma externa ainda está longe de ser a de um exemplar adulto. Não
apresenta pêlos, suas garras não são completas, o ferrão não tem aberturas para
o esvaziamento das glândulas de veneno, etc. Apenas após a segunda troca de
pele, eles adquirem a forma definitiva, abandonam a mãe e fazem vida independente.
4) Alimentação — Todos os artrópodos e insetos são atacados, dominados
e comidos, com franca preferência dos de corpo mole. A caça é noturna e for¬
tuita, isto é, o escorpião sai à noite em busca de prêsa. Geralmente não enxerga
nem espreita a mesma, mas perambula com as mãos e os dedos distendidos, guiado
apenas pelos longos pêlos táteis aí existentes. Quando pressente algum animal
que se move, fecha os dedos resolutamente e apreende a prêsa. Só então toma
conhecimento das dimensões e do vigor da mesma. Mantém-na â distância de
seu próprio corpo e, quando a mesma se defende, dobra a cauda e o aguilhão de
veneno para a frente e injeta nela seu fulminante veneno; quando a mesma não
resiste, êle a leva diretamente às quelíceras, que arrancam pedaços. Os escor¬
piões podem alimentar-se quase todo o dia, mas também são capazes de jejuar
alguns meses. Água êles bebem com frequência.
5) Domicílios dos escorpiões — Há escorpiões de floresta, de campo, de
semi-deserto e de deserto. Os primeiros apresentam geralmente côr escura e são
pouco perigosos; os de campo chegam até a côr de chocolate e os últimos são
bem mais claros ou mesmo amarelos. Todos são capazes de escavar ativamente
o solo. transportar a terra removida, construir um corredor quase vertical ou in¬
clinado até a profundidade de 10 a 60 cm, com uma ou duas câmaras de aeração
e ventilação para equilibrarem o microclima. De dia estão nestes domicílios, de
noite caçam em volta dos mesmos. Os escorpiões semi-desérticos e desérticos e,
em escala menor, os de campo, mudam-se para residências humanas, quando a
ocasião fôr propícia e vivem aí perfeitamenle. Infestações por Tityas serrulatus
têm ocorrido em Ribeirão Prêto, em Belo Horizonte, por Tityus bahiensis em
Ouro Prêto principalmente, para citar apenas algumas cidades.
6) Aparelho de veneno — Consiste em um ferrão no fim da cauda, ponti¬
agudo e curvo para trás. Dos lados do ferrão, perto da ponta e em posição
francamente lateral estão os dois poros de saída do veneno, em forma de elipse.
No interior existem dois canais eferentes separados, cada um se originando de
uma glândula. As duas glândulas apresentam a forma de um saco com a parle
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mais larga no meio.
Por fora cia glândula liá uma roliusta muscularis, às vêzcs
dupla. Segue-se uma delicada membrana basal e as células excretoras de veneno,
cilíndricas, nucleadas, que elaboram o veneno em finíssimos grânulos na porção
basal. Os grânulos migram aos poucos para o centro da célula, daí para a porção
apical, aumentando progressivamente em tamanho pela fusão de grânulos. Fi-
nalmente o veneno é despejado para o lúmen central por rompimento de uma
porção apical da parede celular. A célula mesmo assim continua funcionando e
elaborando nova porção de veneno e assim por diante até que o próprio núcleo
seja eliminado também para o lúmen central. A célula então degenera, sendo
substituída por uma célula basal adjacente, até aqui de aspecto cúbico.
7) Quantidades de veneno — 141.285 extrações elétricas de T. scrrulatus
e 45.990 de T. bahiensis, feitas durante os anos de 1953 a 1963, forneceram as
seguintes médias de veneno puro sêco por T. serrulatus — 0,62 mg e por T. ba¬
hiensis — 0,39 mg. Aferições individuais deram até 4 mg como valores máxi¬
mos para as duas espécies.
8) Toxicidade do veneno escorpiônico — Varia significativamente de animal
para animal. No homem sempre se manifesta uma dor pungente, forte, desde o
início da picada, perdurando cêrca de 5 a 7 horas, quando não neutralizada por
analgésicos. Em seguida há comprometimento rápido do sistema nervoso, princi¬
palmente o que regula a respiração, a sudorese e a inervação das glândulas e apa¬
relhos revestidos por musculatura lisa e que, em casos graves, pode evoluir rapi¬
damente até a inconsciência e morte por parada respiratória com tetanismo ime¬
diato. Intoxicação, progressão do veneno e sua eliminação no homem processam-se
sempre muito ràpidamente. Cêrca de seis horas após o acidente o veneno já se
encontra em fase de eliminação e neutralização. As picadas de Tityus serrulatus ,
/'. trinitatis , de 7 . bahiensis em parte, na América do Sul. de Centruroides noxius,
limpidus, su/jusus no México, de C. sculpturatus no Arizona, de C. vittatus e
gertschi no Texas, de Parabuthus granulatus, capensis e talvez de algumas espé¬
cies de Hadogenes e Opistophthalmus na África do Sul. de Androctonus aeneas,
amoreuxi, australis, crassicauda, marroccanus, de Bulhus occitanus, Buthotus ju-
daicus, de Leiurus quinquestriatus principalmente e ainda de Buthacus arenicolu,
todos êstes de Marrocos, Algéria, Líbia, Egito, Palestina, Síria, Arábia, Pérsia,
raras vêzes sul da Espanha e Itália, Crécia, etc., são consideradas como as mais
perigosas, podendo causar a morte humana. Wilson relatou em 1904 diversas
mortes no Sudão; segundo Sitt, em 1923, L. quinquestriatus causaria a morte em
50% das crianças acidentadas; Walerman estabeleceu uma quota de 25% de
mortalidade, em 1957, por picada por T. trinitatis; Bücherl, em 1952, calculou
a mesma percentagem em crianças, picadas em Ribeirão Prêto por T. serrulatus;
Magalhães, em 1935, enumerou 874 acidentes em Belo Horizonte, ocorridos com
o mesmo escorpião, com 100 mortes; segundo autores mexicanos verificaram-se
em Durango. durante os anos de 1890 a 1926. 1.608 mortes por picada escorpiônica.
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II. Aranhas perigosas (ordem Araneida)
A. Classificação e distribuição geográfica
Na subordem das CARANGUEJEIRAS (ORTHOGNATHA) existe a família
DIPLURIDAE, subfamília DiPLURlNAE, com o gênero sul-americano perigoso Tre-
cliona, e na subfamília Macrothelinae o gênero temível, Atrax. As carangue¬
jeiras gigantes, às vêzes com mais de 12 ou mesmo 20 cm de uma ponta da perna
à outra, pertencem à família THERAPHOSIDAE, subfamília Theraphosinae, com
os gêneros principais: Theraphosa, ao norte do Amazonas; Acanthoscurria, Rrasil
Central, Estado de São Paulo; Pamphobeteus, tôda a parte sêca, alta da América
do Sul até o Trópico do Capricórnio; Lasiodora, Rio de Janeiro, Bahia; ,Y enes-
this e Megaphobema, as maiores caranguejeiras da Colômbia até ao rio Purús,
mais ou menos. À subfamília das Aviculariinae pertence o gênero amazônico
da Avicularia, cujas principais espécies são dendrícolas e à subfamília Grammosto-
linae pertence o gênero Grammostola do Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e
sul do Brasil. À família BARYCHELIDAE, subfamília Leptopelmatinae pertence
o temível gênero sul-africano, Harpactirella.
Na subordem das aranhas verdadeiras (LAB1DOGNATHA) há comprovadas
quatro famílias com representantes perigosos: à família das SICARIIDAE perten¬
cem as famosas aranhas noturnas, de 6 olhos, do gênero Loxosceles, com as espé¬
cies mais importantes, L. rufescens da Espanha, Itália e América do Sul, L. rufipes
da América Central e Sul, L. reclusa dos Estados sulinos de U.S.A. e L. spadicea
do Rio Grande do Sul, além de outras. A família das THERIDIIDAE compreende,
entre outros, o conhecido gênero das “Viúvas Negras” — Lalrodectus — com as
seguintes espécies e subespécies principais:
Latrodectus geometricus — tropical e subtropical cosmopolita;
Lalrodectus curacaviensis — desde o Canadá até a Patagônia e
Latrodectus mactans mactans — desde os EI.S.A. até a Argentina e Chile, L.
mactans tredecimguttatus — Mediterrâneo até a Índia e África, Abissínia e
Arábia, L. m. cinctus da Abissínia, África Oriental e principalmente do Sul,
L. m. menavodi de Madagascar, /,. m. hasselti da Austrália, Nova Zelândia
ate a índia.
Da família LYCOSIDAE. de caráter tropical, subtropical e com invasão ativa
das zonas temperadas de todos os continentes, conhecem-se algumas espécies tro¬
picais e subtropicais mais ou menos perigosas, pertencentes ao gênero Lycosa.
L. erythrognutha é comum em todo o Brasil. A família CLUBIONIDAE inclui o gê-
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aero Cheiracanthium, apontado também como tendo espécies venenosas. CTENIDAE
inclui o famoso gênero Phoneutria, com as espécies brasileiras mais conhecidas,
Phoneutria fera e ocharacea. ARANEIDAE compreende apenas o gênero Maslo-
phora ou Glyptocranium, com a famosa "aranha-bolas" dos vales viníferos do Perú.
B. Biologia
1) Acasalamento — Sôbre o acasalamento de Trechona, Atrax e Harpactirella
nada se sabe, senão por analogia para com os representantes de THERAPHOSIDAE,
que foram minuciosamente estudados por Bücherl, em longos anos desde 1949 a
1962. O macho adulto constrói uma teia “espermática”, derrama sôbre ela o lí¬
quido fecundante e carrega seus dois bulbos copuladores; procura então ativamente
uma fêmea; executa certas manobras pré-nupciais; segura então a consorte pela
frente e transmite os espermatozóides às espermatecas da mesma, sendo muitas
vêzes morto pela fêmea imediatamente depois. Nas aranhas verdadeiras o papel
ativo também é executado pelo macho; mas, após o acasalamento o mesmo vai
livremente embora, sem ser molestado pela fêmea, que fica como que "desmaiada",
principalmente em Phoneutria e Lycosa. Os machos costumam construir novas
teias espermáticas, preencher novamente seus bulbos e fecundar outras fêmeas.
Merece menção a “Viúva Negra”, em que o macho é cêrca de 10 vêzes menor
que a fêmea; é, por esta tolerado na teia, recebe alimento da mesma e costuma
demorar-se mesmo sôbre o ventre da gigantesca consorte, perto da abertura ge¬
nital da mesma. O bulbo em L. m. mactans e em L. curacaviensis ostenta um
êmbolo muito longo, frágil e enrolado, correspondendo ao mesmo um canal efe-
rente das espermatecas da fêmea também longo, enrolado como uma serpentina.
Compreende-se assim que, em muitas fêmeas, têm-se encontrado restos do êmbolo
quebrado do macho, que ficam dentro dos canais das espermatecas. Após o aca¬
salamento, o macho, segundo nossas observações, não é morto pela companheira,
mas morre naturalmente, achando-se então o cadáver dependurado na teia, fato
este que, provàvelmente, deu origem à lenda do uxoricídio nas viúvas negras.
2) Crescimento e duração de vida — Em Loxosceles nascem cêrca de 50 a
70 indivíduos após uma postura. As ootecas são transparentes, porque construí¬
das no escuro. Os filhotes, após a segunda muda de pele, tomam vida indepen¬
dente, perto dos esconderijos das mães, chegando assim a formar verdadeiras
colônias. Após cêrca de um ano ficam adultos, procriam por seu turno e morrem
naturalmente entre um ano e meio a dois anos após o nascimento. Pouco foi
observado sôbre os Loxoscelídeos.
As “Viúvas Negras ” foram melhor estudadas, se bem que nada ainda se saiba
sôbre o desenvolvimento post-embrionário e embrionário. As fêmeas de L. mactans
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e L. curacaviensis e geometricus, observadas por diversos anos em nossos labora¬
tórios, costumam construir, em dias sucessivos, entre 3 e 5 ootecas, completamente
esféricas, com um diâmetro entre 7 a 11 mm, brancas nas duas primeiras espé¬
cies e com superfície lisa, amareladas ou cinzentas e com “espinhos” em geome¬
tricus. Nas três espécies são as primeiras ootecas construídas com grande esmero,
enquanto que as últimas são menos cuidadas, fôfas e não mais tão esféricas. Fato
êste que levou Abalos a descrever espécies novas para Santiago dei Estero. O que
está errado. Os filhotes de Latrodectus, após a segunda troca de pele, trepam so¬
bre arbustos, tecem uma teia fôfa e se deixam levar pelo vento, às vêzes centenas
de quilômetros, em procura de um novo habitat. Cêrca de um ano após o nas¬
cimento ficam adultos, acasalam e procriam, vivendo as mães ainda em média
cêrca de 4 a 5 meses nas condições naturais. Em laboratório podem ser conser¬
vadas mais de 3 anos, sem macho. Não procriam mais, mas vivem e se alimen¬
tam perfeitamente.
As espécies de Lycosa trocam entre 8 a 12 vêzes de pele durante a juventude;
acasalam cêrca de 12 a 14 meses após o nascimento; após um único acasalamento
as fêmeas constroem sucessivamente, isto é, após a dispersão dos filhotes da pos¬
tura anterior até quatro ootecas esféricas, com cêrca de 1.000, 800, 600 e 300
ovos e mais uma quinta ooteca, em que entre os ovos perfeitos são depositados
também oocitos e restos foliculares até ao esgotamento completo dos ovários. As
ootecas são esféricas e afixadas nas fiandeiras. Os filhotes usam o corpo da mãe
como primeiro “trampolim” para a liberdade. As mães costumam morrer após
a última postura, geralmente quando os filhotes ainda estão sôbre seu corpo. Em
cativeiro, entretanto, temos constatado que se pode prolongar a vida média das
fêmeas (de 18 meses geralmente) por mais de um ano ou mesmo mais. Quanto
ao desenvolvimento dos filhotes, pudemos constatar que irmãos, sob as mesmas
condições de ambiente, temperatura, umidade e alimentação — pesquisas feitas em
cêrca de 3.000 exemplares — são influenciados pela alimentação. Os “comilões
trocam de pele em intervalos mais curtos, crescem mais depressa e atingem a
maturidade em tempo mais curto, procriam e morrem mais cedo; os “retardatá¬
rios” trocam de pele em intervalos mais longos, crescem mais devagar e ficam
maduros mais tarde, vivendo, portanto, mais tempo. A diferença é significativa,
pois perfaz de 2 a 3 meses.
O comportamento de Phoneutria é paralelo ao de Lycosa , com a diferença
que Phoneutria leva cêrca de 3 anos a 3 anos e meio até ficar adulta e procriar.
As fêmeas também costumam construir 3 a 4 ootecas sucessivas, se esgotam nos
cuidados maternos e morrem após a última cria em seu quarto ano de vida.
Nos quatro grupos foi visto que o ambiente de laboratório é muito mais fa¬
vorável às aranhas do que a vida na natureza.
3) Hábitos de vida — Loxosceles é estritamente noturna; as Viúvas Negras.
Lycosa e Phoneutria são vespertinas ou noturnas. Loxosceles é séssil a vida tôda
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em sua teia do tipo "lençol”, construída no escuro, sob telhas, tijolos, madeira¬
mento. em buracos e nas casas, nos cantos escuros, sob móveis, quadros, armários,
etc.; Latrodectus também é séssil em sua teia, construída parcialmente em lugar
escuro e com fios de captura de cêrca de 1 metro de comprimento ao longo do
solo: Lycosa é vagabunda na juventude e durante as estações mais quentes, fica
séssil nos meses de frio e enquanto as fêmeas cuidam da prole. Constroem, então,
funis de tecido dentro do solo até 10 ou 30 cm de profundidade, onde fazem
câmaras de maternidade e de onde saem à noitinha para as caçadas. Phoneutria
é vagabunda na juventude e depois das posturas, ficando séssil apenas durante os
trabalhos de maternidade. Não constroem teias nunca. Caçam à noite. Lycosa
e Phoneutria podem penetrar em casas humanas ativamente, Loxosceles passivamente.
4) Aparelho de veneno — Há em tôdas as aranhas duas pinças de veneno,
que se movimentam verticalmente nas Caranguejeiras e horizontalmente nas ara¬
nhas verdadeiras. Os canais eferentes dos venenos percorrem as pinças e termi¬
nam num poro na parte lateral perto da ponta. As glândulas de veneno se situam
nas Caranguejeiras no próprio artículo basal das quelíceras, enquanto que nas
aranhas verdadeiras o canal eferenle percorre também o artículo basal das quelí¬
ceras, apresentando em Lycosa e em Phoneutria um alargamento vesicular, uma
espécie de ampola coletora de veneno no artículo basal, situando-se as glândulas
de veneno dentro do cefalotórax. As glândulas têm aspecto de um saco; são afi¬
nadas posteriormente nas caranguejeiras, mais cilíndricas nas verdadeiras. A mus¬
culatura flexora e extensora das quelíceras, enquanto se contrai ou se distende,
exerce simultâneamente pressão ou tração sôbre as glândulas, provocando a ex¬
pulsão rápida e violenta tanto do veneno, armazenado no lúmen glandular, como,
nas aranhas verdadeiras, do veneno retido na ampola coletora do canal eferente.
As glândulas de veneno em Loxosceles medem em média 1,7 por 0,3 mm dc
comprimento e largura, em Latrodectus 1,6 por 0,3, em Lycosa 4,9 por 1,0 e em
Phoneutria 8,2 por 2.5 mm respectivamente. As glândulas de veneno apresentam
externamente uma muscularis robusta, constituída de feixes estriados serpentini-
fcrmes, inseridos na própria glândula e muitas vêzes sobreposta em 2 ou até 3
camadas, uma circular, outra tangencial, a terceira longitudinal. A membrana
basal é delicada, revestindo internamente a camada muscular. O epitélio é sim¬
ples, apresentando nas caranguejeiras dois tipos de células: células cilíndricas altas,
em processo ativo de elaboração do veneno, e células cúbicas, coladas à membrana
basal, ao lado das células altas e que irão substituir as últimas, quando degene¬
rarem. Nas aranhas verdadeiras temos observado igualmente êstes dois tipos de
células. Porém, na região do colo da glândula, onde termina a muscularis, há
um terceiro tipo de células excretoras de veneno, cilíndricas também, mas de du¬
ração e funcionamento permanentes. São merócrinas, enquanto que as do pri¬
meiro tipo podem ser consideradas como apócrinas.
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5) Quantidade de veneno — As quantidades médias e máximas de veneno
sêco, obtido por choque elétrico e guardado em vácuo, por aranha, são as seguintes:
TABELA 1 — QUANTIDADE DE VENENO SÊCO
OBTIDO POR CHOQUE ELÉTRICO DE ARANHAS
Aranhas
Veneno
em mg
Média
Máxima
Loxosceles .
0,100
1,500
Latrodectus .
0,100
1,500
Lycosa .
1,000
2,050
Phoneutria .
0,850
8,000
Trechona .
1,400
3,600
Acanthoscurria .
2,400
8,900
Pamphobeteus .
2,200
3,400
Lasiodora .
2,400
3,600
TABELA 2 — TOXICIDADE DE VENENOS DE ARANHAS DMM
PARA CAMUNDONGOS DE 20 g POR VIA VENOSA E CUTÂNEA
Aranhas
DMM em mg
Via venosa
Via cutânea
Trechona venosa .
0,030
0,070
Grammostola mollicoma .
0,500
1,000
Eurypelma rubropilosum .
0,350
0,850
Eupalaestrus tenuitarsus .
0,950
2,100
Pamphobeteus roseus .
0,850
1,700
Pamphobeteus tetracanthus ....
0,600
1,400
Acanthoscurria sternalis .
0,300
0,620
Lasiodora klugi .
0,640
1,200
Loxosceles rufipes e rufescens . .
0,200
0,300
Latrodectus curaeaviensis .
0,170
0,240
Latrodectus m. mactans .
0,110
0,200
Lycosa erythrognatha .
0,080
1,250
Phoneutria fera .
0,007
0,013
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ARANHAS DA FAMÍLIA CTENIDAE, SLBFAMILIA CTENINAE
I. REDESCRIÇÃO DOS GÊNEROS CTENUS WALCKENAER 1805 E
PHONEUTRIA PERTY 2833 *
WOLFGANG BÜCHERL, SYLVIA LUCAS E VERA DESSIMONI
Secção de Artrópodos Peçonhentos, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil
Introdução
As aranhas dos gêneros Ctenus e Phoneutria chamam a atenção por possuí¬
rem veneno bastante ativo mesmo sôbre mamíferos superiores e o homem e por
picarem. Ctenus foi descrito em 1805 por Walckenaer (1) e Phoneutria em 1833
por Perty (2). 0 mesmo Walckenaer, em 1837 (3), Keyserling, em 1891 (4),
Simon, em 1897 (5), F. Cambridge, em 1897 e 1902 (6 e 7), Strand, 1907 (8),
Vital Brasil e Jehan Vellard, em 1924 (9) e, nos últimos decênios, Petrunkevitch,
Comstock, Roewer, G. Schmidt e outros, não tendo visto diferenças genéricas em
representantes de ambos, aboliram o nome Phoneutria, deixando valer apenas o
gênero Ctenus. C. Koch (10), que manteve a validade dos dois gêneros em 1848,
ocupava uma posição totalmente isolada. Mello Leitão, de adepto do gênero único,
passou a readmitir em 1936 (11) o Phoneutria, no que foi seguido por Caporiaco
em 1948 (12). Büeherl, em 1953 (13 e 14) e em 1956 (15 e 16) pressupunha
os dois gêneros como válidos, mas nenhum dos três últimos autores insistia em
recaracterizar a ambos.
Por outro lado, são patentes as profundas diferenças biológicas, as dimensões,
a agressividade, a feitura das ootecas, a maneira como as fêmeas cuidam das
mesmas, o ciclo de vida, a maneira de capturarem a prêsa, a convivência no
mesmo biótopo sem acasalamento algum, não deixando dúvidas sôbre a coexis¬
tência dos dois gêneros. Sob estas premissas impõe-se a redescrição morfológica
comparada para estabelecer os caracteres diferenciais dêstes dois importantes
gêneros.
Material e métodos
Centenas de exemplares de várias espécies de Ctenus e Phoneutria, machos
e fêmeas e também jovens, procedentes de cêrca de 50 localidades brasileiras di-
* Trabalho realizado com auxílio do Fundo de Pesquisas do Instituto Butantan
(FPIB) e referido na XV-> Reunião Anual da SBPC, Ribeirão Prêto, 5-11 de julho
de 1964.
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ARANHAS DA FAMÍLIA CTENIDAE, SUB-FAMÍLIA CTEN1NAE
íerentes, desde Amazonas e Pará até o Rio Grande do Sul, foram minuciosamente
estudados no tocante à posição dos olhos, à dentição do sulco ungueal, ao colorido,
à espinulação das pernas e dos palpos, às escópulas dos tarsos, à dentição das
garras das pernas, às relações de medidas das pernas e da patela e tíbia I e IV
em relação ao comprimento e à largura do cefalotórax e, principalmente, no to¬
cante à forma do epígino das fêmeas e o bulho copulador dos machos.
Redescrição de Ctenus e Phoneutria
1. Caracteres semelhantes aos dois gêneros
Ambos pertencem à família CTENIDAE, com oito olhos em três filas (dois na
primeira, quatro na segunda e dois na terceira fila), com apenas duas garras nos
tarsos das pernas, parcialmente escondidas por entre os tufos subungueais, com
uma fímbria de pêlos longos na face interna dos lobos maxilares, que se estende
também pelo ápice, com seis fiandeiras, sem cribelo nem calamistro.
Pertencem ainda à mesma subfamília Cteninae, com lábio mais longo que
largo, dilatado um pouco no meio e escavado na base, que é mais estreita, atin¬
gindo em comprimento cêrca de meia altura dos lobos maxilares, pernas com
cinco (raras vêzes com apenas quatro) pares de espinhos negros na face ventral
das tíbias I e II e três pares nas tíbias III e IV, sendo um par apical e podendo
existir alguns espinhos laterais.
Entre os diversos gêneros desta subfamília, os dois, ora em estudo, ainda
têm em comum: margem inferior das quelíceras com 5 dentes desiguais, isto é,
o 5.° é quase obsoleto; a 2. a fila ocular apresenta-se procurva ou mesmo reta,
de maneira que uma reta, tangente à borda posterior dos médios, passa atrás dos
laterais ou é tangente também à sua borda posterior; o lábio atinge pelo menos
a metade do comprimento dos lobos maxilares; além dos cinco pares de espinhos
inferiores nas tíbias I e II — o par distai é menor — existem um ou dois espinhos
laterais nas faces anterior e posterior (as fêmeas têm menor número de espinhos
laterais do que os machos), o último artículo das fiandeiras superiores é mais
longo que o mesmo das fiandeiras inferiores; o perfil cefalotorácico atinge sua
maior elevação na região do sulco torácico, decaindo levemente em direção aos
olhos ou ambos estão à mesma altura; na margem superior das quelíceras há três
dentes, o médio grande, os restantes menores; a espinulação dos palpos e das
pernas diverge entre os dois sexos, mas é pràticamente igual nos dois gêneros.
Pernas I e II: entre 8 a 12 espinhos dorso-laterais, sem ventrais no fêmur; na
patela, sem ou com um espinho, nas fêmeas geralmenle, ou mesmo com um espinho
em cada face lateral nos machos; tíbia com 5 pares ventrais (um par distai,
menor, incluído) e com zero a um ou dois nas faces anterior e posterior (fêmeas
muitas vêzes com zero em ambas ou em uma face) ; metatarso com três pares
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de espinhos inferiores; tarsos sem espinhos. Pernas III e IV com cêrca de II
espinhos dorso-laterais; patela com um espinho nas faces anterior e posterior;
tíbia com três pares ventrais, 1 par anterior, 1 par posterior e 3 dorsais; meta-
tarso III e IV com numerosos espinhos em Phoneutria e em muitas espécies de
Ctenus; em outras espécies do último gênero existem curtos espinhos negros do
tipo de espículas; tarsos sem espinhos. Escópulas nas faces ventrais dos artículos
das pernas: completas, isto é, desde o ápice até a base, em todos os tarsos; com¬
pletas ainda nos metatarsos I e II nas fêmeas e machos de Phoneutria e nas
fêmeas de Ctenus; nos machos dêste gênero só na metade apical em muitas espé¬
cies; nos metatarsos III e IV escópulas nos dois terços apicais do artículo nas
fêmeas, decrescendo nos machos, isto é, mais ou menos na metade distai no III
e na metade apical ou menos no IV, principalmente em Phoneutria; nos machos
de Ctenus as escópulas são mais ralas, em algumas espécies mesmo ausentes no
IV metatarso. Nas fêmeas de Phoneutria há escópulas até os dois terços apicais
na tíbia I e até a metade apical na tíbia II, o que não ocorre nos machos nem
em Ctenus.
Relações de medidas das pernas (tôdas as medidas foram aferidas em 11
exemplares para
cada
gênero
e cada
sexo) :
Comprimento das pernas em
cm
Patela
+ tíbia
Compr. e largura do
I
II
III
IV
I
IV
cefalotórax (cm)
a) Phoneutria'.
fêmeas 4,44
4,22
3,60
4,75
1,78
1,66
1,43:1,09
machos 6,05
5,46
4,41
6,11
2,23
2,02
1,37:1,05
b) Ctenus:
fêmeas 2,64
2,43
2,14
2,95
1,04
1,03
0,80:0,64
machos 3,39
3,12
2,69
3,63
1,31
1,19
0,86:0,67
2. Caracteres que separam os dois gêneros
a) Escápula veludosa de pêlos nos palpos (fig. 1) — Todos os represen¬
tantes de Phoneutria, machos, fêmeas e filhotes, apresentam invariavelmente uma
densa escópula veludosa, formada por longos pêlos sedosos enfileirados e dirigidos
no mesmo sentido, presente na face interna do fêmur, patela, da tíbia e do tarso
dos palpos. Esta escópula não existe em Ctenus, em que, na mesma face, há os
pêlos comuns, longos e curtos, que nunca formam escópula uniforme.
í, i SciELO
ARANHAS DA FAMÍLIA CTENIDAE, SUB-FAM1LIA CTENINAE
Fig. 2 •— Phoneutria — epigino.
Fig. 1
a) Ctenus — desenho esquemático do
palpo direito do macho. Vista la¬
teral interna.
b) Phoneutria — desenho esquemático
do palpo direito do macho. Vista
lateral interna.
Fig. 3 — Ctenus — epigino.
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a) Phoneutria — desenho esquemático da tíbia e tarso
do palpo direito do macho. Vista ventral.
b) Ctenus —- desenho esquemático da tíbia e tarso do
palpo direito do macho. Vista ventral.
cm
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ARANHAS DA FAMÍLIA CTENIDAE, SLB-FAM1LIA CTENINAE
b) Aspecto dos epígirws nas fêmeas (íigs. 2 e 3) — Dimensões do epígino
nos dois gêneros (medidas em 10 fêmeas) :
Comprimento na linha mediana, longitudinal
Largura na frente .
Largura atrás .
Ctenus
(mm)
Embora possam variar os valores absolutos de espécime a espécime,
nao varia
esta relação diferencial entre o comprimento e as respectivas larguras. Em Pho-
neutria o epígino é minto mais longo que largo, em Ctenus, pelo contrário, é tão
ou mais largo que longo. A comparação das figuras 2 e 3 mostra a diferença
profunda entre os epíginos dos dois gêneros, dispensando qualquer comentário.
c) Tíbia e bulbo copulador dos machos (fig. 4) -— Embora a correta apre¬
ciação das diferenças genéricas da tíbia e do bulbo copulador dos machos exija
uma certa experiência é, contudo, possível separarem-se as espécies dos dois gê¬
neros, quando se tomam os caracteres em conjunto: a apófise tibial dos machos
de Phoneutria é uma só, não ultrapassando a metade do comprimento da tíbia;
o alvéolo do tarso é elipsóide e o êmbolo, dirigido para a frente, termina em
ponta aguda, simples, perto da borda anterior do alvéolo. Em Ctenus, ao con¬
trário, a apófise tibial é geralmente dupla, com um ramo curto e o outro longo
e sinuoso, quase tão longo quanto é o comprimento da própria tíbia, ou então,
há uma apófise tripla, sendo o terceiro ramo quase obsoleto. Nas poucas espécies
em que a apófise é única, ela é longa e sinuosa. Quando fôr mais ou menos
igual à de Phoneutria, tem implantação diferente na tíbia, o que lhe dá uma
posição diversa. O êmbolo em Ctenus tem, perto da ponta, uma ou duas apófises
laterais, pequenas e a própria ponta é curta e recurva, chegando a terminar longe
da borda anterior do alvéolo bulbar. Ademais, apresenta-se a borda superior do
alvéolo e do bulbo de Phoneutria coberta pela escópula veludosa já descrita, o
que nunca se verifica em Ctenus.
Discussão
Quando Walckenaer descreveu pela primeira vez o gênero Ctenus, referiu-se
apenas aos olhos, ao lábio e ao comprimento dos três primeiros pares de pernas.
Perty, autor do gênero Phoneutria, desconhecia a publicação de Walckenaer, pois
comparou seu gênero com Lycosa e não com Ctenus, com cuja descrição coincide
a sua, com exceção dos olhos laterais da segunda fila. É lógico, pois, que Wal¬
ckenaer, quando voltou ao assunto em 1837, e não tendo visto os espécimes de
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VERA DESSIMONI
101
Perty, os tivesse colocado sob seu gênero Ctei
Especial destaque merece Koch
que, em 1848, conhecendo tanto os trabalhos de um como do outro autor, insistiu
no valor genérico de PhoneiUria, descrevendo uma espécie nova, Ph. ochracea.
A plêiade dos autores posteriores, não dando importância ou não sabendo inter¬
pretar o valor sistemático dos epíginos e dos bulbos copuladores e não tendo des¬
coberto a escópula na face interna dos artículos dos palpos em Phoneutria, de
fato, não podia distinguir ou separar os dois gêneros, pois, abstraindo-se dêstes
três fatos, nada há que realmente os separe. Os fatos biológicos separam pro¬
fundamente os dois gêneros. Milhares de espécimes do gênero Phoneutria foram
observados em laboratório e na natureza. Confusão com Ctenus não é possível.
Também a forma externa de Phoneutria não admite dúvida. É, em geral, duas
vêzes maior que Ctenus, suas pernas são duas vêzes mais longas; a implantação
dos espinhos negros em manchas brancas, nas fêmeas, é inconfundível, pelo menos
na espécie mais freqüente; sua agressividade de “armar o bote” quando se sente
melindrada e finalmente a imponente ação de seu veneno e sua ooteca inteiramente
branca e achatada como “dois pratos de sopa sobrepostos” não nos permitem
duvidar de que Phoneutria é gênero bom e válido, confirmado agora por três ca¬
racteres básicos, objetivos, morfológicos.
Resumo
No presente trabalho são redescritas as diferenças entre os gêneros Ctenus e
Phoneutria, ressaltando-se que Phoneutria é gênero bom e independente, embora apa¬
rentado com Ctenus. As escópulas na face interna dos artículos dos palpos, os
epíginos nas fêmeas e o conjunto das apófises tibiais e dos bulbos nos machos,
separam nitidamente os dois gêneros.
SUMMARY
Both genera, Ctenus and Phoneutria, are redescribed. The presence of scopula
on the inner face of the articles of the palpus in Phoneutria . the differences in
epigyna and the male palpai organ as well as the tibial spurs on the males, are
justifying the coexistence of both genera. The opinions of older
íthors
discussed.
ZUSAMMENFASSUNG
An Hand von vielen hunderten von Exemplaren aus ganz Brasilien, werden
in dieser Arbeit die charakteristischen Gattungsmerkmale von Ctenus und Phoneu¬
tria neu beschrieben, besonders um Phoneutria, zu dem die giftigsten Spinnen
Südamerikas und der Welt gehôren, wiederum definitif in die Systematik einzu-
fiihren.
cm
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102
ARANHAS DA FAMJLIA CTENIDAE, SUB-FAM1LIA CTENJNAE
Phoneutria unterscheidet sich von Cíenus durch folgende drei, grundlegende
Merkmale:
a) Das Vorhandensein an der Innenseite der Palpen einer samtigen Haarbe-
polsterung am Femur, Patella, Tibia und Tarsus;
b) Die Epigyne ist lang und vorne schmal und wird nur hinten lireiter,
wãhrend bei Ctenus dieselbe breiter ais lang ist und besonders vorne sehr breit
ist (siehe Figuren 2 und 3) ;
c) , Die Mánnehen von Phoneutria haben nur einen Tibialsporn an der Tibia
der Palpen; Ctenus hat manchmal drei, meistens zwei, nur sehr selten einen Tibial¬
sporn. Im letzten Falle ist dieser sehr lang, fast so lang wie die Tibia oder nur
wenig kiirzer. Der Embolus der Kopulationsbulben ist bei Phoneutria in der
Ruhestellung naeh vorne gewandt, hat eine einfache konische Spitze, die nahe am
Alveolus endet; bei Ctenus zeigt die Embolusspitze eine oder zwei Seitenapophysen,
die Spitze selber ist mehr nach innen gekrümmt und endet weit vom Alveolusrande.
Recebido para publicação em 28/7/1964.
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Mem. Inst. Butantan,
31:103-110, 1964.
T. M. C. M. CAVENAGHI and G. ROSENFELD
103
PRESERVATION OF BONE MARROW CELLS OF DOC WITH HEPARIN
AND EDTA *
T. M. C. M. CAVENAGHI ** and G. ROSENFELD
Laboratory of Hematology, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil
The extension of the experimental works on blood and hone marrow cell
cultures in genetics, as well as in transplantation of the hone marrow has pointed
out the problem of a hetter study about an eventual activity of anticoagulants on
lhe viability of cells. Goerner (3) had reported that in the presence of 1% hepa-
rin, cells of carcinoma of Flexner-Jobling became not transplantable. Fisher(2)
observed that even 0.05% heparin prevented the cellular division of fihrohlasts
and condrioblasts of chicken embryo, and according to Heilbrunn and Wilson (4)
this same eoncentration inhibited the mitosis of eggs of Arbacis and Chaetopterus.
!h vivo, heparin was found hy Lippman (7) to produce mitotic inhibition of cells
of Ehrlich"s ascitic tumor. In experiments with human bone marrow, Kurnick,
Montano, Gerdes and Feder (6) verified that 5 unit concentrations, corresponHing
to 0.5 mg per ml of human hone marrow did not damage the cells, but this effect
was produced hy increased concentrations. Kreisler (5) reported that in trans¬
plantation of lymphosarcoma to mice, intravenous injections of heparin up to 15
units in intervals of 12 hours did not show any disadvantage, but this criterion
can not be applied in confront to lhe others above mentioned.
On the other hand, some experiments with EDTA were also published, as
those of McDonald and Kaufmann (9) in which ethylene-diamine tetracetate
(EDTA) at the eoncentration levei of 0.0004 to 0.002 M were found to cause
mitotic changes in cells of the onion root. This fact was also observed hy
Davidson (1).
Soon after the experiments reported in this paper had been finished, Lochte,
Ferrebee and Thomas (8) published results obtained through a comparative study
between the action of heparin and EDTA on the DNA synthesis “in vitro” hy
hone marrow cells. They observed that concentrations of 0.025 to 1.0 mg of he-
parin/ml did not have an inhibiting activity, while 0.5 mg of EDTA/ml depressed
* This work was supported by a grant of the Research Fund of the Instituto
Butantan (FPIB).
** Fellow of the National Council of Research (CNPq).
Received for publication in March, 7, 1963.
cm
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104
PRESERVATION OF BONE MARROW CELLS OF DOG VVITH
HEPARIN AND EDTA
the DNA synthesis after 4 hours of incubation, but this did not occur before ?>
hours. r I'hey also observed that the phenol sometimes added to heparin had an
inhibitory effect when in quantities above 0.01 g%.
The purpose of this work was to compare heparin and EDTA as to their
ability to preserve bone marrow cells when used as anticoagulants. This was
accomplished througli the number of cells found on several days to verify theii
resistance of survival.
Material and methods
Normal dogs were anesthetized with intra-peritoneal injections of 15 mg nem-
bufai and 10 mg morphine chlorhydrate per kg of body weight. Aspiration of
0.5 ml bone marrow was made from different ribs using needles with a lumen
of 10/10 mm and syringes already containing the anticoagulant. Glassware was
coated with silicone.
Commercial heparin for therapeutical use was employed in 1% Solutions
containing 0.18% of rnethyl p-hydroxybenzoate and 0.02% of propyl p-hydroxy-
benzoate. Jt was observed that 0.1 ml was the minimum volume required to
moisten the foremost part of a 20 ml syringe, this procedure was carricd oul
because it is the most frequently used. As a consequence, the heparin quantity
used was 2 mg per ml of marrow. As for EDTA, 0.05 ml of a 10% solution
of the disodic salt was used in the syringe, in the same way, corresponding to
10 mg EDTA concentration per ml of marrow.
The resulting suspension of aspirated marrow containing either heparin or
EDTA was distributed in two flasks, one being stored at +5°C and lhe olher at
—15°C. The cells were counted in a counting chamber and before drawing the
marrow from lhe flasks, they were throughly shaken for 1 minute. The cell
countings were carricd out immediately after obtaining the marrow suspensions
and at intervals of 24 hours for three days. Thereafter, flasks kept at — lõ^C
were defrosted at room temperature every day for the three days.
For observations of the red blood cells, six dogs were used and the same
number for the nucleated cells maintained at +5°C. Eour dogs were utilized for
counting of these cells in the bone marrow preserved at — 15°C.
Results
Bone marrow with heparin maintained at +5°C had a slightly increased
number of nucleated cells after 24 hours, afterwards it decreased and finally. on
the third day. it was very liltle below the initial number, but these modifications
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TABLE 1 — NUMBER OF NUCLEATED CELLS X Iff/mm 1 IN BONE MARROW
MAINTAINED AT +5°C
Heparin 2
mg/ml
EDTA 5
mg/ml
Dog number
Days at + 5°C
Dog number
Days at +15°C
0
1
2
3
0
1
2
3
12
1044
1262
958
1024
12
672
641
804
741
13
319
301
284
309
13
572
545
658
532
14
928
1034
956
889
14
854
1029
1074
939
15
1029
968
1088
984
15
827
878
1087
936
17
1247
1312
1320
1169
17
16C0
1909
1797
1626
IS
628
638
638
534
18
722
633
552
633
Mean
866
919
874
818
Mean
874
939
995
901
TABLE 2 — NUMBER OF NUCLEATED CELLS X lOVmm 3 IN BONE MARROW
MAINTAINED AT —15°C
Heparin 2
mg/ml
EDTA 5
mg/ml
' Dog number
Days at
— 15°C
Dog number
Days at
—15°C
0
1
2
3
0
i
2
3
6
382
490
224
201
6
310
231
195
159
7
674
687
502
287
7
800
1114
8S9
506
10
567
114
48
44
10
519
490
555
401
11
465
353
165
123
11
680
534
461
520
Mean
522
411
235
164
Mean
577
592
525
396
cm
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NU C L CATE D CELLS X AO^/ynnx^
Graph 1 — Number of nucleated cells on bone marrow maintained at +5°C (mean
numbers of 6 dogs) and — 15°C (mean numbers of 4 dogs).
Curve
1 — EDTA +5°C
2 — Heparin + 5°C
3 — EDTA — 15°C
4 — Heparin — 15°C
ERyTHROCVTES a A(f
A
1 _
DAyS
Graph 2 — Number of red blood cells in bone marrow maintained at +5°C and — 15°C.
Mean numbers of 6 dogs each.
Curve
1 — EDTA +5»C
2 — Heparin + 5°C
3 — EDTA — 15°C
4 — Heparin — 13°C
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T. M. C. M. CAVENAGHI and G. ROSENFELD
107
were found not to be significant (Table 1, graph 1, curve 2). With EDTA, the
increase of nucleated cells went forward until 48 bours and then decrease took
place on the third day, when the same quantity of cells was recorded as in the
beginning (Table 1, graph 1, curve 1), hut the changes observed were found
to be statistically non-significant.
Bone marrow kept at —15°C had a statistically significant decrease of nu¬
cleated cells, when mixed with heparin (Table 2, graph 1, curve 1), while the
changes observed with EDTA were found to be statistically non-significant until
the third day (Table 2, graph 1, curve 3).
As to the erythrocytes, their behavior was identical in regard to both anti-
coagulants. In the sample kept at +5°C, the number of cells diminished very
little (Graph 2, curves 1 and 2), while in the frozen marrow there was a very
marked decrease (Graph 2, curves 3 and 4).
DiscussioiV
According to Rosenfeld (10) 1 mg/ml is the best concentration for EDTA
to be used as anticoagulant when it is also able to preserve cells, as well as or
better than heparin, and if heparin is used, the best concentration is 0.1 mg
per ml of blood. In the experiments reported in this paper, greater quantities
were used in order to maintain the commonly used conditions for preparing bone-
marrow suspensions, such as syringe moistening with sterile Solutions of anticoa-
gulants, and also to give a better evidence on the unfavourable activity of these
substances on cells.
As to the erythrocytes preservation, no difference between the tvvo anticoa-
gulants was observed. The rapid decrease of cell number in the frozen sample
was obviously due to the successive thawing and freezing of samples. But in
what nucleated cells are concerned, EDTA showed advantages in relation to hepa¬
rin, not only because the increase of these cells went on for more time, indicating
a smaller inhibition on their multiplication, but also because of a better protection
in a period of three days.
It seems that EDTA can be used with advantages for replacing heparin as
an anticoagulant, when bone-marrow may not be immediately used for ]>urpose
of cells culture or transplantation. The one thing necessary is to use measured
quantities of any anticoagulant and not the syringe moistening, as it is usual, in
order to avoid variations or excess of substances that could disturb preservation
and viabilitv of cells.
cm
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PRESERVATION OF BONE MARROW CELLS OF DOG WITH
HEPARIN AND EDTA
SUHMARY
Dog bone marrow obtained by rib puncture was added to heparin in propor-
iion of 2 mg/ml or to EDTA, 10 mg/nil. Tbe samples were kept at +5°C or
— 15"C and the cell countings were made in 24 hours intervals np to the third day.
In marrow kept at +5°C, tbe number of nucleated cells seemed to increase
slightly during the first day, decreasing afterwards in the course, on the last day,
to values not far from the initial ones when heparin was used. With EDTA, the
increase of cells continued up to 48 hours, descending on the third day to almosl
the sanie quántity, as that found in the beginning. In the frozen samples, there
was a gradual decrease of the number of cells with heparin, while with EDTA
there was still a slight addition in 24 hours and smaller decay on the third day,
than with heparin. For erythrocyte preservation, there was no difference between
heparin and EDTA.
The usual method of moistening the syringe with the anticoagulant result in
the use of excess of substance that can he prejudicial, it is necessary to measure
the volume of the anticoagulant solution.
Resumo
Medula óssea de cão obtida pela punção de costelas foi adicionada de hepa-
rina na proporção de 2 mg/ml ou de EDTA na proporção de 10 mg/ml. O ma¬
terial foi conservado em temperatura de +5°C ou — 15°C e contagens de glóbulos
foram feitas com intervalos de 24 horas até o terceiro dia.
Na medula conservada a +5°C, o número de células nucleadas aumentou li¬
geiramente no primeiro dia, descendo depois no último dia para valor próximo
do inicial quando se usou heparina. Com o EDTA. o aumento das células con¬
tinuou até 48 horas depois, descendo no terceiro dia para uma quantidade quase
igual à inicial. No material congelado houve queda gradual do número de células
com heparina, enquanto que, com o EDTA ainda houve ligeiro acréscimo nas 24
horas e queda menor do que com a heparina no terceiro dia. Para preservação
de hemácias não houve diferença entre a heparina e o EDTA.
O EDTA apresentou algumas vantagens sôbre a heparina, permitindo uma
melhor multiplicação das células e, preservando-as melhor quando congeladas.
O método usual de umedecer a seringa com o anticoagulante resulta do uso
de quantidades excessivas que podem prejudicar, é necessário medir o volume da
solução anticoagulante.
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31 : 103 - 110 , 1964 .
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109
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31:111-114, 1964.
FLAVIO DA FONSECA
111
ATRICHOLAELAPS (. ISCHNOLAELAPS) MARIOI, sp. n.
FLAVIO DA FONSECA (t)»
Secção de Parasitologia, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil
Em trabalho anterior tivemos oportunidade de apresentar o nosso ponto de
vista a propósito dos gêneros Haemolaelaps Berlese, Atricholaelaps Ewing e Ischno-
laelaps Fonseca, tendo opinado pela validade de todos, o primeiro como gênero
monotípico e o último como subgênero do segundo.
Nesta oportunidade descrevemos um novo Ischnolaelaps, que segundo tôdas as
probabilidades é parasita habitual de marsupial, o que é raro entre os Mesostigmata
neotrópicos, somente encontrado similar no Neoichoranyssus wernecki Fonseca, pa¬
rasita dos Didelphys. Talvez na Austrália, pátria dos marsupiais e de onde foi
descrito o Haemolaelaps marsupialis Berlese, 1910, achado sôbre um Pasameles
e agora encontrado por Womersley sôbre pássaro, se venha a verificar parasitismo
em outros dêsses primitivos mamíferos, que por ora foram mal estudados sob o
ponto de vista acarológico.
Dentre as espécies congenéricas e de gêneros afins, esta é facilmente caracte-
rizável pela particularidade de apresentar os pêlos do escudo dorsal de dimensões
exíguas.
Encontrada duas vêzes apenas, em ambas sôbre um pequeno didelfídeo car¬
nívoro, uma “Cuíca”, provàvelmente o seu hospedeiro natural. Êstes pequenos
predadores se mostram frequentemente infestados pelo Acari das suas vítimas oca¬
sionais, que comumente são ratos; no caso vertente, porém, o parasitismo do roedor
é menos provável, pois não só a espécie nunca foi encontrada sôbre animal dêsse
grupo, como também em ambas as capturas se achava parasitando “Cuícas ' pro¬
vàvelmente de localidades separadas por milhares de quilômetros. Além disso, a
espécie difere muito dos parasitos de roedores devido ao tarso I curto e às cerdas
minúsculas do escudo dorsal, fazendo crer tratar-se de espécie adaptada a mar¬
supiais.
Descrição da fêmea
É de dimensões médias, regularmente quitinizada e de patas finas, somente
o segundo par ligeiramente alongado.
* Publicação póstuma, não revista pelo autor.
Recebido para publicação em julho de 1963.
1 ^
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A TlilCHOLA BLAPS ( 1SCHNOLAELAPS ) MARIOI, sp. n.
I d i O .
0 holótipo tem idiossoma quase perfeitamente elítico, medindo 884 micra de
comprimento por 625 micra de maior largura, sendo a extremidade perfeitamente
arredondada, sem a projeção habitual.
Face ventral — O bordo anterior da placa esternal é indistinguível da pré-
esternal que se lhe segue e que atinge a base, do tritoesterno, sendo deduzida a
sua posição pela das cerdas anteriores da placa. () bordo posterior da esternal
não apresenta concavidade, tendo limites pouco nítidos; a superfície é reticulada
e os pori repugnatori são muito finos. Cerdas anteriores com 62 micra, cerdas
médias com 78 micra e cerdas posteriores com 83 micra. A placa mede 156 micra
de comprimento na linha média e 161 micra de maior largura à frente das cerdas
médias. O tritoesterno é piloso desde a bifurcação. As cerdas metaesternais têm
50 micra. A placa genital mede 202 micra da base da cerda genital ao meio
do bordo posterior e 156 micra de maior largura, tendo a cerda genital 77 micra.
A placa anal dista 41 micra do bordo posterior da gênito-ventral, tendo um bordo
anterior quase reto e o ânus afastado dêsse bordo por uma distância igual ao
seu comprimento, apesar dêle ser alongado com 37 micra. As cerdas pares da
anal ficam implantadas pouco para trás do nível do meio do ânus e medem 47
micra. A cerda ímpar mede 72 micra. Cêrca de seis cerdas internas e seis pró¬
ximas dos bordos, além dos três pares habituais próximos da placa genital, ocorrem
na área descoberta da face ventral, sendo as anteriores bem mais curtas do que
é habitual.
Face dorsal — O escudo dorsal, com 858 micra X 550 micra, apenas deixa
descoberta estreita margem lateral e a área posterior um pouco mais larga. A
superfície não apresenta auréolas. Das cerdas somente as verticais anteriores e a
submediana marginal posterior são normalmente longas, tendo tôdas as outras di¬
mensões exíguas. A última mede 68 micra e a primeira 42 micra. A maior
cerda depois destas é a que se segue à submediana marginal posterior, na margem
do escudo, a qual tem 21 micra. As menores cerdas vistas no escudo tinham
cêrca de 10 micra. Duas marcas circulares arredondadas estão localizadas na
união do têrço posterior com os dois têrços anteriores do escudo.
F atas
As patas são finas, somente a pata II sendo ligeiramente alargada. As cerdas
das coxas são finas como nas restantes espécies do gênero. Na quetotaxia das
patas, apenas chama a atenção o aspecto da cerda anterior dos trocanteres, que
é espiniforme forte no trocanter I, chegando a parecer verdadeiro espinho nos
restantes. O tarso I, com seu pretarso, mede 156 micra e o da pata IV mede-
182 micra.
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Mem. Inst. Butantan, FL.AVIO DA FONSECA lli
31:111-114, 1964.
Fig. 1 — Atriocholaelaps ( Ischnolaelaps ) marioi, sp. n. Face dorsal.
Fig. 2 —• Atriocholaelaps ( Ischnolaelaps ) marioi, sp. n.
Face ventral.
cm
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ATRICH OLAELAPS ( ISCHNOLAELAPS ) MARIOJ, sp. n.
Gnatossoma
Maxilicoxas relativamente curtas com a cerda média interna mais longa e
corniculi pouco quitinizado. Mandíbulas normais com pilus dentilis estreito no
ponto de emergência e logo depois muito dilatado, encurvando-se e afilando-se
no ápice.
Holótipo N.° 2039, proveniente de Biriguí, São Paulo, capturado em 20/1V/
1953 sóbre um didelfídeo, “Cuíca”, N.° 6397 do registro de hospedeiros do Ins¬
tituto Butantan.
Metátipo N.° 4786, capturado também sôbre um didelfídeo, “Cuíca”, prova¬
velmente do Estado do Pará, onde foi capturado a 15/IX/1936, tendo sido trazido
pelo Dr. Evandro Chagas, que o entregou ao Dr. H. Aragão, pelo qual foi ofere¬
cido ao autor a 29/IV/1950.
A espécie é dedicada ao meu Auxiliar Técnico e amigo Mário Valentini No¬
gueira, o qual, com desvelo e competência, vem trabalhando desde muitos anos
na montagem de material e na organização da coleção de acarianos.
Resumo
Atricholariups (Ischnolaelaps) marioi, sp. n., foi encontrada duas vêzes em
pequenos marsupiais não identificados, “Cuícas”, de Biriguí, São Paulo e prova¬
velmente do Estado do Pará, respectivamente. A espécie é reconhecida facilmente
pelos pêlos curtos do escudo dorsal e pelo tarso I mais curto de 156 micra. Ho¬
lótipo N.° 2039 de Biriguí.
SUMMARY
Atricholaelaps ( Ischnolaelaps ) marioi, sp. n., was found twice on small, un-
identified marsupiais, “Cuícas”, respectively from Biriguí, São Paulo, and probably
from the State of Pará, Brazil. The species is easily recognized by the very short
hairs of the dorsal shield and by the shortened tarsus, 156 micra long. Holotype
No. 2039 from Biriguí.
Bibliografia
1. Fonseca, F. da — Notes d'Acarologie. XLI. Haemolaelaps Berlese versus Atri-
cholaelays Ewing et Ischnolaelaps Fonseca; Órnithonyssus Sambon versus
Bdellonyssus Fonseca. Mem. Inst. Butantan, 28:45-54, 1957/1958.
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SYLVIA LUCAS
115
ESTUDOS SÔBRE ARANHAS DA FAMÍLIA LYCOS1DAE
2. SÔBRE O COLORIDO DE ALGUMAS ESPÉCIES DA SUB-FAMÍLIA
LYCOSINAE
SYLVIA LUCAS
Secção de Artrópodos Peçonhentos, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil
Introdução
As descrições de várias espécies antigas baseiam-se, geralmenle, em apenas
um único exemplar adulto, um macho ou uma fêmea, quando não se trata de
exemplares jovens. Dêste modo não puderam ser levadas em conta as variações
individuais, nem as variações devidas à idade e ao sexo. Pela conservação em
álcool os exemplares sofrem descoloração mais ou menos intensa, apresentando um
aspecto, muitas vêzes, bastante diferente daquele da aranha viva. Êstes fatores
contribuem para que as descrições originais nem sempre correspondam exatamente
ao exemplar em estudo.
Procuramos, neste trabalho, comparar as descrições originais com exemplares
vivos e também com aranhas conservadas da coleção do Instituto Butantan, a fim
de observar as variações surgidas. Não nos preocupamos com a sistemática das
espécies estudadas e assim conservamos seus nomes antigos.
Material e métodos
As espécies estudadas foram as seguintes:
1 — Lycosa erythrognatha Lucas 1816
2 — Tarentula nychtemera Bertkau 1880
3 — Tarentula auroguttata Keyserling 1891
4 -— Lycosa nordenskiõldii Tullgren 1905
5 — Tarentula sternalis Bertkau 1880
6 — Tarentula ornata Perty 1833
Recebido para publicação em 24/7/1962.
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ESTUDOS SÕBRE ARANHAS DA B'AM1LIA LYCOSIDAE
Observamos sempre que possível machos e fêmeas, além de exemplares jovens,
sob a lupa, a sêco e imersas em álcool.
São mantidas vivas no laboratório:
Lycosa erythrognatha — diversos exemplares, tanto machos como fêmeas.
Tarentula sternalis — um macho adulto.
Tarentula auroguttata — uma fêmea adulta.
Descrição do colorido
Lycosa erythrognatha Lucas 1836 (Fig. l-a-7)
Os exemplares da coleção procedem de São Paulo (tanto da capital como
do interior) ; Rio Grande do Sul (Santa Cruz e Pôrto Alegre) ; Paraná (Curitiba
e Barigui) e do Rio de Janeiro.
0 colorido e o desenho de Lycosa erythrognatha não diferem da descrição
original de Lucas (2), que teve à sua disposição tanto machos como fêmeas adul¬
tos. Infelizmente, Lucas (2) não mostra na sua descrição um desenho do epígino.
mas assim mesmo não há dúvida quanto ao reconhecimento da espécie.
Lucas (2) não descreveu o colorido do dorso do abdômen em detalhe. Pelo
desenho que acompanha a descrição original, o dorso do abdômen do macho
apresenta uma faixa em forma de ponta de lança no têrço anterior e, de cada
lado, basalmente, uma grande mancha escura. Quanto às fêmeas nada pôde afir¬
mar com certeza, por não possuir exemplares cujo abdômen estivesse em bom es¬
tado de conservação.
Nos exemplares que tivemos à disposição observamos:
O dorso do abdômen é amarelo-cinzento escuro com uma faixa lanceolada
no têrço basal. Contornando esta, há de cada lado, uma faixa formada por pêlos
claros, muito larga nos machos e atingindo a região posterior do abdômen (Fig.
1-d) e mais estreita nas fêmeas e geralmente restringindo-se apenas ao têrço an¬
terior (Fig. l/j). Nos machos, os pêlos que formam essas faixas claras são quase
brancos e nas fêmeas amarelos mais escuros. Exlernamente, à “ponta de lança”
há as duas manchas negras também observadas por Lucas. Após o desenho do
têrço anterior há um triângulo denegrido cujos vértices posteriores abrem-se em
arco, seguido de 4 ou 5 linhas transversais negras.
Pela conservação em álcool, as aranhas sofrem descoloração. O cefalotórax,
apesar de ainda mostrar as faixas claras contrastando com a côr de fundo, mais
escura, torna-se bem mais claro, marrom avermelhado e os pêlos brancos que
1, | SciELO
Mem. Inst. Butantan,
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SYLVIA LUCAS
117
formavam as linhas radiantes, tendem a cair. Em aranhas vivas observa-se um
contraste em relação às estrias radiantes, que são mais claras e bem mais nítidas
nos machos (Fig. 1-a, 1-e).
0 ventre é superficialmente negro, o que concorda com a descrição de Lucas,
mas pela observação mais detalhada descobrem-se quatro fileiras longitudinais de
minúsculos pontos claros (Fig. 1-e). Êstes constituem pigmentação da própria
epiderme.
Tarentula nychtemera Bertkau 1880 (Fig. 2-a-d)
Tivemos à disposição apenas dois exemplares capturados nos arredores do
Instituto Butantan. Trata-se de duas fêmeas, sendo uma adulta e outra com epí-
gino em desenvolvimento.
Foram colocadas sob êste nome devido ao colorido e principalmente devido
ao aspecto do epígino, que concorda exatamente com o desenho feito por Bertkau.
0 colorido do ventre (Fig. 2 -b), cefalotórax (Fig. 2-c) e esterno (Fig. 2 -d)
é idêntico ao da fêmea descrita por Bertkau (1), como tipo. Esta descrição,
porém, confunde-se com aquela de Lucas (2), feita para Lycosa erythrognatha.
Os dois exemplares da coleção distinguem-se, porém, perfeitamente de Lycosa ery¬
thrognatha através do colorido do dorso do abdômen. Êste é manchado de ama¬
relo e de escuro, apresentando o desenho normal em forma de ponta de lança,
seguido de duas fileiras de pontos brancos (Fig. 2 -a). Os flancos igualmente,
também são manchados. Em Lycosa erythrognatha, sem dúvida, há algumas man¬
chas negras, porém, muito menores e menos abundantes. Os flancos são pràtica-
mente de côr amarelo-cinzento uniforme, levemente alaranjados próximo às fian¬
deiras.
Lucas (2), ao descrever Lycosa erythrognatha, não cita manchas negras no
dorso e Bertkau não dá maiores detalhes sôbre elas. Distinguimos, portanto, essas
duas espécies pelo colorido do dorso do abdômen e pelo epígino. Comparar Figs.
1 e 11.
Tarentula auroguttata Keyserling 1891 (Fig. 3 -a-d)
As aranhas desta espécie existentes em nossa coleção procedem das seguintes
localidades: São Paulo (Butantan, Caucaia do Alto, etc.); Rio Grande do Sul
(Pôrto Alegre); Paraná (Palmeiras); Minas Gerais (Pedra Corrida).
O tipo descrito por Keyserling é uma fêmea jovem de Rio Grande, Rio
Grande do Sul, cujo colorido, porém, não difere dos exemplares adultos observa¬
dos. Esta espécie apresenta um colorido muito característico, que torna fácil seu
reconhecimento. A aranha é escura, quase negra. O cefalotórax, castanho escuro,
cm
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118
ESTUDOS SÔBRE ARANHAS DA FAMÍLIA LYCOSIDAE
apresenta nas margens laterais pêlos claros, amarelos, em cluas faixas estreitas, que
vão se alargando à medida que se aproxima da região posterior (Fig. 3-a).
Na fêmea mantida viva no laboratório, a faixa mediana de pêlos claros não
percorre o cefalotórax em lôda a sua extensão, mas restringe-se ao quadrângulo
formado pelos quatro olhos posteriores. As fêmeas conservadas em álcool apre¬
sentam-na por inteira. Quanto aos machos, não pudemos examinar nenhum vivo.
Todos os conservados apresentam no cefalotórax três faixas claras, largas. Um
macho, fixado logo após a ecdise, apresenta o cefalotórax bem mais claro que os
demais, com três faixas amarelas muito largas, ocupando quase tôda sua largura.
O esterno (Fig. 3 -b) e as coxas de todos os exemplares observados, apresen¬
tam a mesma coloração do cefalotórax, isto é, pràticamente negra. Pela conser¬
vação em álcool podem sofrer descoloração, ficando manchados de amarelo, sob
fundo marrom avermelhado. Estas modificações podem surgir após curto tempo
de conservação. As quelíceras e os palpos acham-se cobertos de pêlos averme¬
lhados; da mesma côr são os que contornam os olhos da primeira e da segunda
fileira. Devido à ação do álcool podem tornar-se de côr menos viva, ou seja,
amarelados. 0 abdômen (Fig. 3-c), tanto em machos como em fêmeas, apresenta
no dorso a faixa normal, em forma de ponta de lança, delimitada dos lados por
uma faixa irregular de pêlos amarelos. Nos machos, estas são bem mais nítidas
que nas fêmeas e mais largas. Seguem-se em ambos os sexos, linhas escuras em
arco, que terminam com uma mancha amarela de cada lado. Assim, à primeira,
vista, o dorso do abdômen é negro com pares de manchas amarelo-douradas per¬
correndo-o longitudinalmente. Ventre (Fig. 3 -d) e flancos, como os descreveu
Keyserling, são salpicados de pontos amarelo-dourados. Logo após o sulco epigás-
trico há duas fileiras de pontos amarelos grandes, que não atingem as fiandeiras.
Seguem-se dos lados outras fileiras formadas por pontos menores. Tôda a região
à frente do sulco epigástrico é castanho escura, sendo os pulmões mais claros.
Pela conservação em álcool o ventre pode tornar-se mais claro. Porém, o
seu desenho típico não desaparece. Sempre é possível reconhecer-se esta espécie
devido ao ventre pintado de manchas amarelo-ouro, que lhe deu o nome de Ta-
renlula auroguttata.
Lycosa nordenskióldii Tullgren 1905 (Fig. 4-o-/)
Tullgren baseou sua descrição em exemplares da Bolívia. Esta espécie é tam¬
bém relativamente frequente no Brasil e na coleção temos exemplares de São Paulo
(Itapetininga, Ubatuba, Barirí) ; Minas Gerais (Belo Horizonte). Nesta espécie
ocorre notável dimorfismo sexual. O colorido dos exemplares observados concorda
de modo geral com a descrição de Tullgren, apesar de havermos notado ligeiras
variações. O esterno (Fig. 4-a) nas fêmeas é castanho escuro, uniforme, coberto
de pêlos negros muito densos. Nos machos (Fig. 4 -b) é amarelo-claro, coberto
], | SciELO
Mem. Inst. Butantan,
31 : 115 - 126 , 1964 .
SYLVIA LUCAS
119
de ptlos negros escassos, que deixam transparecer o fundo claro. Pode apresentar
uma faixa negra, longitudinal mediana, como observou Tullgren, mas também há
machos cujo esterno é amarelo uniforme ou com apenas algumas manchas dene¬
gridas de distribuição irregular. As coxas, tanto nas fêmeas como nos machos, são
da mesma côr do esterno. 0 dorso do abdômen apresenta a faixa em forma de
ponta de lança, que pràticamente não se distingue do colorido geral. Seguem-se
linhas em arco, que terminam de cada lado em pontos brancos sob fundo escuro
I Fig. 4-c). O ventre apresenta nas fêmeas (Fig. 4 -d) uma grande mancha negra,
que não atinge as fiandeiras. Os flancos são amarelos. Ao redor da mancha
negra do ventre há também alguns pontos negros. Na frente do sulco cpigástrico
há pêlos negros pouco densos, que deixam transparecer um fundo claro.
Os machos (Fig. 4-e) também possuem uma mancha negra no ventre, porém,
esta pode ser extremamente reduzida, e às vêzes, apresenta-se sob forma de uma
faixa negra mediana. Os flancos são de côr amarela, mais pálida que nas fêmeas.
Não há as pontuações negras ao redor da mancha no ventre.
Nos exemplares conservados em álcool surgem algumas modificações. As fê¬
meas conservam a mancha negra no ventre, mas nos machos esta pode tornar-se
tão clara que chega pràticamente a desaparecer. No dorso, tanto nas fêmeas como
nos machos os pontos brancos desaparecem devido à queda dos pêlos e em seu
lugar surgem as manchas escuras do fundo.
Tarentula sternalis Bertkau 1880 (Fig. 5 -a-d)
Lycosa sericovittata Mello Leitão 1939 (3)
Os exemplares observados desta espécie são do Paraná (Barigui) e São Paulo
(diversas localidades, tratando-se de uma espécie relativamente comum). Além
disso, o tipo descrito por Mello Leitão como Lycosa sericovittata está guardado na
coleção do Instituto Butantan, procedente de Pedra Corrida, Minas Gerais.
Bertkau (4) descreve apenas uma única fêmea de São João d’El Rei ou de
Teresópolis.
Nos exemplares examinados, notamos algumas diferenças quanto ao colorido.
Assim Bertkau (4) descreve o esterno como sendo marrom-avermelhado es¬
curo com estreitas faixas marginais claras. A maioria dos exemplares, porém,
possui o esterno marrom-avermelhado, percorrido longitudinalmente por uma faixa
mediana marrom escura. Esta, de modo geral, ocupa cêrca de um têrço da lar¬
gura, mas há casos em que é tão larga que deixa livre apenas duas estreitas
margens claras (Fig. 5 -b). 0 ventre corresponde à descrição de Bertkau. Os
machos não mostram diferenças em relação às fêmeas. As duas linhas escuras,
medianas, também podem fundir-se numa única (Fig. 5 -d). O dorso apresenta
í, | SciELO
120
ESTUDOS SÔBRE ARANHAS DA FAMÍLIA LYCOSIDAE
uma larga faixa de pêlos claros que o percorre em lôda sua extensão. Dentro
desta faixa há o desenho em forma de ponta de lança, seguido de linhas em arco.
Devido aos pêlos claros êste desenho nem sempre é muito vísivel. Em geral, ob-
serva-se apenas uma mancha escura, que corresponde ao ápice da “ponta de lança’’
e duas manchas que correspondem à hase. Das linhas em arco pode ver-se, ge¬
ralmente, apenas a região central ou uma leve somhra. Quando as aranhas estão
conservadas há algum tempo, os pêlos claros caem parcialmente e o desenho surge
mais nítido. Também as manchas negras na hainha da faixa clara, descritas por
Bertkau (4), apresentam-se mais visíveis então (Fig. 5-e).
Esta espécie não apresenta, quanto ao colorido, acentuado dimorfismo sexual.
Apresenta semelhanças com Tarentula ornata Perty, porém, distingue-se pelo
colorido do cefalotórax e dorso do abdômen. Enquanto que em Tarentula ster-
nalis as faixas claras no cefalotórax são marginais (vide Fig. a), em Tarentula
ornata são submarginais. Comparar com as Figs. 5 e 6.
Tarentula ornata Perty 1833 (Fig. 6-a-d)
Na coleção temos exemplares do litoral de São Paulo (São Sebastião, Ilha
Bela), além de exemplares dos arredores do Butantan. A descrição de Perty é
muito resumida, causando dificuldades quanto ao reconhecimento da espécie. As
aranhas estudadas foram colocadas sob êste nome devido ao colorido, principal¬
mente do cefalotórax. () cefalotórax das fêmeas é castanho escuro, apresentando
três faixas claras, uma mediana e duas laterais submarginais (Fig. 6-a). O es¬
terno é amarelo-claro e apresenta uma faixa longitudinal, mediana, negra, mais
larga na frente e terminando em ponta atrás (Fig. 6 -b). As coxas são de côr
amarela como o esterno. Os demais artículos são manchados de amarelo e cas¬
tanho escuro. O dorso do abdômen apresenta a faixa lanceolada e, de cada lado,
uma faixa de pêlos amarelados, pouco visível. Seguem-se linhas em arco (Fig. 6-c).
O ventre é amarelado-marrom. Logo após o sulco epigástrico há duas linhas es¬
curas, levemente convergentes, que terminam à frente das fiandeiras. Podem
fundi r-se numa única faixa mediana. Contornando o ventre há uma faixa for¬
mada por pontos negros, irregulares. Os flancos são manchados.
Em fêmeas jovens o esterno e as coxas apresentam pontuações negras. Além
disso, há no esterno a faixa longitudinal, também negra. A faixa lanceolada do
abdômen não é inteiramente escura, mas apenas nos seus bordos. De cada lado
há uma faixa larga de pêlos amarelos. Estas tornam-se menos nítidas à medida
que se aproximam da região posterior. O ventre apresenta pontuações negras e
o contorno é formado por faixa idêntica à existente nos adultos. Quanto aos ma¬
chos, tivemos apenas exemplares jovens à disposição. Estes apresentam colorido
igual ao das fêmeas jovens.
cm
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10 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Butantan, SYLVIA LUCAS
31:115-126, 1964.
121
Fig. 1 — Lycosa erythrognatha
a)
cefalotórax da fêmea
b)
dorso do abdômen
da
fêmea
c)
cefalotórax do macho
d)
dorso do abdômen
do
macho
e)
ventre da fêmea
f)
esterno da fêmea
Fig. 2 — Tarentula nychtetnera
a) dorso do abdômen da fêmea
b) ventre da fêmea
e) cefalotórax da fêmea
d) esterno da fêmea
Fig. 3 — Tarentula auroguttata
a) cefalotórax da fêmea
b) esterno da fêmea
c) dorso do abdômen da fêmea
d) ventre da fêmea
2 3 4
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Fig. 4 — Lycosa nordenskiõldii
a) esterno da fêmea
b) esterno do macho
c) dorso do abdômen da fémea
d) ventre da fêmea
e) ventre do macho
f) cefalotórax da fêmea
Fig. 5 — Tarentula sternalis
a) cefalotórax da fêmea
b) esterno da fêmea
c) dorso do abdômen da fêmea
d) ventre da fêmea
e) dorso do abdômen de fêmea após conservação em álcool
Fig. 6 — Tarentula ornata
a) cefalotórax da fêmea
b) esterno da fêmea
c) dorso do abdômen da fêmea
d) ventre da fêmea
Mem. Inst. Butantan,
SYLVIA LUCAS
123
31:115-126, 1964.
Pela conservação em álcool, as aranhas sofrem descoloração. () cefalotórax
torna-se de colorido geral marrom avermelhado claro, portanto, as faixas tornam-se
menos contrastantes. A faixa negra no esterno torna-se muito clara e quase que
desaparece totalmente. O dorso do abdômen torna-se de colorido uniforme e do
desenho somente resta a faixa lanceolada, principalmente o contorno e uma som¬
bra das linhas em arco. No ventre o desenho pode desaparecer totalmente.
Discussão
Lycosa erythrognatha e Tarentula nychtemera apresentam colorido muito se¬
melhante. Distinguem-se, porém, pelas fileiras de manchas brancas, grandes e ní¬
tidas em Tarentula nychtemera, e pelos flancos muito manchados. Em Lycosa
erythrognatha, os flancos são de côr pràticamente uniforme com algumas pequenas
pontuações negras, escassas.
Tarentula sternalis e Tarentula ornata também apresentam semelhanças, mas
distinguem-se muito bem pelo colorido do cefalotórax, que apresenta faixas margi¬
nais, claras em Tarentula sternalis e submarginais em Tarentula ornata.
Lycosa nordenskiõldii e Tarentula auroguttata distinguem-se já à primeira
vista das demais espécies.
Dentro de uma mesma espécie podem surgir pequenas variações individuais,
que porém, não causam dificuldades para o reconhecimento da espécie. As va¬
riações de colorido observadas dentro de um mesmo lote devem-se, sem dúvida,
ao fato da existência de aranhas de diversas idades.
Os exemplares jovens podem apresentar colorido um pouco diferente dos adul¬
tos; os machos podem apresentar colorido um pouco diferente das fêmeas. Ge¬
ralmente, os machos possuem colorido mais intenso e mais nítido do que as fêmeas.
0 colorido sempre deve ser observado quanto ao aspecto geral e as ligeiras
variações devem ser desprezadas.
Baseado no colorido, é possível estabelecer-se a seguinte chave sinóptica das
espécies:
Ventre: totalmente negro, inclusive as fiandeiras; ou com uma grande mancha
negra que não atinge as fiandeiras, ou com fileiras de pontos amarelo-ouro 2
1
5
Ventre; claro com linhas convergentes escuras
Ventre totalmente negro, com fileiras de minúsculas pontuações claras, esterno
negro, cefalotórax com faixa mediana e linhas radiantes claras, mais nítidas
nos machos . -
Ventre com mancha negra e com fileiras muito nítidas de manchas amarelo-ouro;
ou mancha negra reduzida à área central
4
cm
2 3
L
5 6
10 11 12 13 14 15
124
ESTUDOS SÔBRE ARANHAS DA FAMÍLIA LYCOR1DAE
Dorso cio abdômen com a faixa lanceolada normal seguida de pares de manchas
brancas, paramedianas, dorso e flancos inteiramente manchados de amarelo
e negro . Tarentula nyctemera Bertkau
Dorso do abdômen sem estas faixas paramedianas, porém, com a faixa em forma
de ponta de lança, dorso e flancos de côr amarelo-cinzenta, uniforme.
. Lycosa erythrognatha Lucas
Ventre negro com duas fileiras longitudinais paramedianas e várias colaterais
de manchas amarelo-ouro, cefalotórax escuro, quase negro, marginado de cada
lado por uma orla de pêlos amarelos, esterno negro.
. Tarentula auroguttata Keyserling
Ventre com a mancha negra reduzida à área central e menor ainda nos machos,
flancos amarelo-claros, cefalotórax claro com linhas pontuadas escuras, dorso
do abdômen claro com o desenho em ponta de lança muito pouco visível, esterno
negro nas fêmeas e manchado de claro nos machos.
. Lycosa nordenskiõlãii Tullgren
Cefalotórax com duas faixas claras marginais, esterno marrom-avermelhado com
faixa longitudinal escura, dorso do abdômen com larga faixa de pêlos claros.
. Tarentula sternalis Bertkau
Cefalotórax com duas faixas claras submarginais, esterno amarelo com faixa
mediana, longitudinal escura, dorso do abdômen sem a faixa larga de pêlos
claros . Tarentula ornata Perty 1SS3
Agradecemos ao Fundo de Pesquisas do Instituto Butantan pelo auxílio finan¬
ceiro, ao Dr. Wolfgang Biicherl pela orientação para a realização dêste trabalho
e ao Sr. Laureano Dourado pelo auxílio tcénico.
Resumo
1) É descrito o colorido de seis espécies de aranhas, a saber:
Lycosa erythrognatha Lucas 1836
Tarentula nychtemera Bertkau 1880
Tarentula auroguttata Keyserling 1891
Lycosa nordenskiòldii Tullgren 1905
Tarentula sternalis Bertkau 1880
Tarentula ornata Perty 1833
2) Tarentula nychtemera e Lycosa erythrognatha são espécies semelhantes, mas
distinguem-se pelo colorido do dorso do abdômen. Também Tarentula ornula
e Tarentula sternalis apresentam semelhanças, mas distinguem-se hem pelo co¬
lorido do cefalotórax.
3) Baseada no colorido, é elaborada uma chave sinóptica das 5 espécies obser¬
vadas.
cm
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10 11 12 13 14 15 16
SciELO ^
2
3
5
6
11
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13
14
15
L
cm
Mem. Inst. Butantan,
31:127-134, 1964.
SYLVIA LUCAS
127
SÔBRE A POSIÇÃO SISTEMÁTICA DE ALGUMAS ESPÉCIES DE ARANHAS
VERDADEIRAS DO GÊNERO CUPIENNIUS, SIMON 1891, DA EAMÍLIA
CTEN1DAE, EM RELAÇÃO AO GÊNERO ANCYLOMETES, BERTKAU 1880,
DA FAMÍLIA PISAURIDAE *
SYLVIA LUCAS
Secção de Artróvodos Peçonhentos, Instituto Butantan, São Paulo , Brasil
Introdução
O gênero Ancylometes, Bertkau 1880, incluído pelo autor entre a família
LYCOSIDAE, reune as espécies cuja fórmula ocular lembra as CTEN1DAE (2-4-2),
mas que apresentam uma terceira garra nos tarsos.
Bertkau (1) dá grande importância a esta terceira garra e afirma mesmo
que tôdas as CTENIDAE que a apresentam devem ser incluídas entre as LYCOSIDAE.
Porém o gênero Cupiennius, Simon 1891 com fórmula ocular 2-4-2 também
apresenta três garras nos tarsos. Simon (2) diz que êste gênero distingue-se de
Ctenus pela plântula tarsal que apresenta uma pequena e aguda unha. Esta, po¬
rém. não é análoga àquela garra independente das PISAURIDAE, onde atualmente
está incluído o gênero Ancylometes.
Portanto êste caráter deve ser usado com cuidado e sem dúvida a distinção
dos dois gêneros através dêle traz grandes dificuldades, ocasionando algumas con¬
fusões.
Procuramos, neste trabalho, revendo as aranhas da coleção do Instituto Bu¬
tantan e comparando as descrições originais, encontrar um outro caráter que pos¬
sibilitasse uma distinção mais fácil entre os dois gêneros, tão semelhantes.
Na América do Sul foram descritas as seguintes cinco espécies de Cupiennius:
1 — Cupiennius argentinus (Holmberg) 1881
Argentina — Rio Capitan — 1 fêmea
2 — Cupiennius celerrirnus, Simon 1891
Brasil — Tefé — 1 fêmea e 1 macho
* Trabalho realizado sob a orientação do Dr. Wolfgang Bücherl e sob os auspícios
do Fundo de Pesquisas do Instituto Butantan.
Recebido para publicação em 6/2/1963.
cm
2 3
L
5 6
10 11 12 13 14 15
1 OO SÔBRE A POSIÇÃO SISTEMÁTICA DE ALGUMAS ESPÉCIES DE ARANHAS
VERDADEIRAS DO GÊNERO CUPIENNIUS, SIMON 1891, DA FAMÍLIA...
3 —
■ Cupiennius diploccllatus, Mello Leitão 1936
Brasil — Terrenos — 1 fêmea
4 —
• Cupiennius exterritorialis, Strand 1909
América do Sid — 1 macho
5 —
• Cupiennius granadensis (Keyserling) 1876
Colômbia — Santa Fé de Bogotá — 1 fêmea e 1 macho
De Ancylometes foram descritas 17 espécies para a América do Sul
1 —
- Ancylometes amazonicus, Simon 1898
Amazonas — 1 macho
2 —
■ Ancylometes bahiensis (Strand) 1909 ,
Brasil — Bahia — 1 fêmea
3 —
- Ancylometes bogotensis (Keyserling) 1876
Brasil — Bolívia — Colômbia - — Panamá — Costa Rica —
1 fêmea e 1 macho
4 —
Ancylometes bolivianus, Tullgren 1905
Bolívia — 1 fêmea
5 —
Ancylometes caracassensis (Strand) 1909
Venezuela — 1 macho jovem
6 —
- Ancylometes demerarensis (F. Camhridge) 1897
Brasil — Demerara — 1 macho
7 —
Ancylometes gigas (F. Camhridge) 1897
Amazonas — 1 macho
8 —
Ancylometes hewitsoni (F. Camhridge) 1897
Brasil — Largo — 1 macho e 1 fêmea
9 —
Ancylometes orinocensis, Simon 1898
Venezuela — 1 macho
10 —
Ancylometes pulustris (F. Camhridge)
Ilha da Trindade — 2 machos
11 —
Ancylometes puracnsis (Strand) 1915
Brasil — 1 fêmea
12 “
- Ancylometes paraguayensis (Strand) 1909
Paraguai — 1 macho
13 —
Ancylometes pindareensis, Mello Leitão 1920
Brasil — 1 fêmea
2 3 L
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31:127-134, 1964.
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129
14 — Ancylometes saraensis (Strand) 1909
Bolívia — 1 fêmea
15 — Ancylometes selenkae (Strand) 1909
Brasil — 1 fêmea
16 — Ancylometes venezuelensis (Strand) 1909
Venezuela — 1 fêmea
17 — Ancylometes vulpes, Bertkau 1880
Brasil — 1 fêmea
Material e métodos
Revimos os exemplares da coleção do Instituto Butantan, cêrca de 80 fêmeas
e 30 machos, classificados sob Cupiennius, por apresentarem uma terceira garra
e fórmula ocular 2-4-2. As procedências dêste material são as seguintes: Rio
Grande do Sul (Santo Ângelo) ; Paraná (João Eugênio) ; São Paulo (Barretos,
Bragança Paulista, Caieiras, Jundiaí, São Sebastião, etc.) ; Rio de Janeiro, Mato
Grosso (Terrenos, Campo Largo, Rio das Mortes) ; Goiás (Ilha do Bananal) ; Pará
(Belém do Pará), etc.
Todos os exemplares foram reclassificados, observando-se especialmente a ter¬
ceira garra e também a forma do epígino da fêmea e do palpo do macho.
Verificamos que tôdas as aranhas estudadas apresentam uma terceira garra
independente, inerme, ao
lado das
duas principais
fortemente
denteadas
(ver figu-
ras 1 e
sultado i
2). Aferimos as
damos abaixo:
i medidas
das pernas
de
5 fêmeas e
3 machos
, cujo re-
Fêmeas:
Fêmur
Pateta
Tíbia
Metatarso
Tarso
Total
perna
I
12,5
7,0
11,0
9,0
5,0
44,5
perna
II
12,0
6,2
9,8
9,1
5,0
42,1
perna
III
11,0
5,5
8,3
9,3
4,7
38,8
perna
IV
14,0
7,0
11,5
14,0
5,5
52,0
perna
I
11,6
6,0
10,0
7,5
4,9
40,0
perna
II
11,0
6,0
8,4
7,6
4,6
37,6
perna
III
10,8
5,0
7,5
8,0
4,5
35,8
perna
IV
12,0
5,2
10,1
12,8
5,1
45,2
perna
I
12,0
6,1
9,9
8,0
5,0
41,0
perna
II
11,0
5,7
8,9
7,8
4,1 ’
37,5
perna
III
10,5
5,0
8,0
8,2
4,5
36,0
perna
IV
12,6
5,7
10,1
12,5
6,0
46,9
perna
I
13,9
6,1
11,0
9,0
5,0
45,0
perna
II
12,8
6,2
9,5
8,9
4,6
42,0
perna
III
11,0
5,5
8,0
8,5
4,1
37,1
perna
IV
13,2
5,7
11,0
14,1
5,5
49,5
perna
I
10,5
5,0
8,0
7,3
4,5
35,3
perna
II
9,0
4,5
7,1
7,0
4,5
32,1
perna
III
9,0
4,1
7,0
7,2
4,5
31,8
perna
IV
12,0
5,0
9,2
11,5
5,0
42,7
1, | SciELO
-)Qf) SÔBRE A POSIÇÃO SISTEMÁTICA DE ALGUMAS ESPÉCIES DE ARANHAS
VERDADEIRAS DO GÊNERO CUPIENNIUS, SIMON 1891, DA FAMÍLIA...
Machos:
Fêmur
Pateta
Tíbia
Metatarso Tarso
Total
perna I
14,9
6,0
14,1
15,0
7,5
57,5
perna II
14,0
6,0
13,4
14,0
6,1
53,5
perna III
12,0
5,0
11,0
13,0
6,0
47,0
perna IV
15,0
5,0
14,0
19,0
7,5
60,5
perna I
13,5
6,0
12,0
11,5
6,1
49,1
perna II
12,0
6,0
11,1
11,0
6,1
46,2
perna III
12,0
5,0
9,1
11,0
5,0
42,1
perna IV
13,0
5,0
12,0
15,3
6,2
51,5
perna I
14,0
6,5
13,1
13,1
7,0
53,6
perna II
12,8
6,0
12,0
12,1
6,0
48,9
perna III
11,0
5,0
10,0
11,5
5,0
42,5
perna IV
13,2
6,5
13,0
16,0
7,0
55,7
Os
machos apresentam, portanto, pernas bem mais
longas que as fêmeas, po-
rém, em
ambos os sexos
a perna
IV é a mais
longa e a fórmula
das pernas é
4 12 3
A espinulação das
pernas é a
seguinte:
Fêmeas -
— Todos
os
fêmures
com espinho
s fortes
distribuídos
dorso-lateral-
mente.
Patel
a I e II
sem
espinhos; III e IV com dois
: um lateral
interno e ou-
tro externo.
Tíhia I com
quatro
pares de espi
nhos ventrais (um sub-basal, dois
medianos e um apical). Sem espinhos laterais e nem dorsais. Tíhia II igual à tíbia
I porém apresentando dois espinhos laterais internos. Tíbias III e IV com três pares
de espinhos ventrais (sub-basal, mediano e apical), com dois espinhos laterais
internos e dois externos e três dorsais. Metatarso I e II densamente escopulados
até a base, com três pares de espinhos ventrais. Metatarso III e IV pràticamente
sem escópula, mas com espinhos muito numerosos. Tarsos I e II densamente es¬
copulados até a base, sendo a escópula dividida ao longo da região mediana, como
indica a figura 3. Com três garras. Tarsos III e IV com escópulas divididas e
numerosos espinhos curtos, principalmente na região ventral. Igualmenle com três
garras.
Machos — Os fêmures também com espinhos fortes. Patela I-IV com dois
espinhos, um lateral interno e outro lateral externo. Tíbias I e II com quatro
pares de espinhos ventrais, dois espinhos laterais internos, dois externos, três dor¬
sais. Tíbias III e IV com três pares de espinhos ventrais, dois laterais internos,
dois externos e três dorsais. Metatarsos I e II com três pares de espinhos ven¬
trais, além de laterais e escopulados. Metatarsos III e IV com espinhos numerosos
e fortes distribuídos por todo artículo. Tarsos I e II com escópula dividida c
três garras. Tarsos III e IV também escopulados e com espinhos curtos, ventrais
e três garras.
Quanto ao colorido, em geral êste fica muito alterado pela conservação em
álcool. As fêmeas apresentam um colorido menos contrastante que os machos.
1, | SciELO
Mem. Inst. Butantan,
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Fig. 1 — Ancylometes bogotensis: tarso 1 (fêmea), aspecto lateral.
Fig. 2 — Ancylometes bogotensis: tarso 1 (fêmea), aspecto ventral.
Fig. 3 — Ancylometes bogotensis: tarso 1 (fêmea, aspecto ventral, mostrando a escópula
dividida.
Fig. 4 — Ancylometes bogotensis: epigino da fêmea, aspecto frontal.
Fig. 5 — Ancylometes bogotensis: epigino da fêmea, aspecto de perfil.
Fig. 6 — Ancylometes bogotensis: epigino da fêmea, aspecto frontal.
Fig. 7 — Ancylometes bogotensis: epigino da fêmea em desenvolvimento.
Fig. 8 — Ancylometes bogotensis: palpo do macho.
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SÔBRE A POSIÇÃO SISTEMÁTICA DE ALGUMAS ESPÉCIES DE ARANHAS
VERDADEIRAS DO GÉNERO CUPIENNIUS. SIMON 1891, DA FAMÍLIA...
0 cefalolórax apresenta três faixas e estrias radiantes, partindo das faixas mar¬
ginais para a mediana. 0 abdome possui no dorso, no têrço anterior quatro pe¬
quenas depressões, cobertas por pêlos brancos em exemplares de conservação re¬
cente, escuras dispostas em dois pares. No têrço posterior há duas grandes manchas
redondas formadas por pêlos claros. 0 ventre é escuro, apresentando quatro linhas
claras, pontilhadas, que se iniciam logo atrás do sulco epigástrico e convergem
para as fiandeiras. As pernas apresentam os fêmures, dorsalmente, anelados de
claro e escuro.
0 epígino possui forma muito peculiar, sendo formado por uma peça mediana,
mais longa do que larga e muito saliente na região anterior, e duas peças laterais.
Vide: Figs. 4, 5 e 6. A figura 7 mostra uma fase de desenvolvimento.
O palpo do macho apresenta no ápice da tíbia duas apófises, sendo a interna
mais curva e menor (Fig. 8).
Discussão
Todos os exemplares estudados pelos caracteres apresentados não pertencem
ao gênero Cupiennius, mas ao gênero Ancylometes. Classificamos esta nossa espé¬
cie sob Ancylometes bogotensis (Keyserling) 1876.
Infelizmente não pudemos dispor de nenhum exemplar pertencente ao gênero
Cupiennius. Êste, além de se distinguir pela terceira garra, segundo Simon, um
caráter que necessita de reestudo, apresenta (pela descrição do gênero dada por
Cambridge (3) e pela dada por Keyserling (4) para Cupiennius sallei ) a perna I
mais longa de tôdas, sendo a fórmula 1 2 4 3.
1 — Ctenus originalis, Mello Leitão 1936
Revimos o tipo, uma fêmea de Itatiaia, que gentilmente nos foi cedido pela
direção do Museu Nacional do Rio de Janeiro.
0 exemplar apresenta:
1) uma terceira garra nos tarsos, independente e inerme;
2) fórmula das pernas 4 123;
3) escópulas tarsais densas e divididas na linha mediana;
4) margem inferior do sulco ungueal com quatro dentes, sendo o terceiro menor;
5) fórmula ocular 2 4 2;
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6) dorso do abdômen com quatro pequenas depressões escuras no têrço anterior
e ventre com quatro linhas claras, pontilhadas, que convergem para as fian¬
deiras ;
7) epígino ainda não completamente desenvolvido, porém não se distinguindo da¬
quele apresentado por Ancylometes bogotensis.
Portanto, Ctenus originalis, Mello Leitão 1956 é sinônima de Ancylometes bo¬
gotensis (Keyserling) 1876.
2 — Cupiennius argentinus, (Holmberg) 1881
A fórmula das pernas é 412 3. Segundo o autor é uma aranha, que pelo
modo de vida e pelo aspecto lembra uma Lycosa. Pela descrição dada não a dis¬
tinguimos de Acylometes bogotensis, (Keyserling) 1876.
3 — Cupiennius diplocellatus, Mello Leitão 1936
Mello Leitão (5) coloca esta sua espécie no gênero Cupiennius, pois: “...en¬
tre as unhas há uma plântula com uma apófise curva, em forma de unha de gato”.
Infelizmente o tipo, uma fêmea de Terrenos, Mato Grosso, que consta estar na
coleção do Instituto Butantan, sob número 117, encontra-se perdido. Portanto, esta
terceira garra não pôde ser observada. Pela fórmula das pernas, a espécie per¬
tence à Ancylometes. Pelo colorido não se distingue de Ancylometes bogotensis,
com a qual a colocamos em sinonímia. Possuímos, da localidade, um tipo de maclio
jovem, que também classificamos sob Ancylometes bogotensis e ainda de Mato
Grosso (Campo Largo e Rio das Mortes) possuímos fêmeas e machos adultos,
todos pertencentes à mesma espécie.
4 — Cupiennius celerrimus, Simon 1891
Pela descrição original de Simon, autor do gênero e da espécie, não pudemos
identificar se se trata realmente de uma espécie boa pertencente ao gênero Cupien¬
nius. É necessário fazer uma revisão do tipo, a fim de esclarecer esta dúvida.
5 — Cupiennius granadensis, (Keyserling) 1876
Pela fórmula das pernas 4 12 3, trata-se de uma espécie pertencente ao gê¬
nero Ancylometes. Pelas medidas parece ser um exemplar jovem de Ancylometes
bogotensis.
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1 o A SÕBRE A POSIÇÃO SISTEMÁTICA DE ALGUMAS ESPÉCIES DE ARANHAS
VERDADEIRAS DO GÉNERO CUPIENNIUS, SIMON 1891, DA FAMÍLIA...
6 — Cupiennius ahrensi, Schmidt 1959
A julgar pelas ilustrações e fórmula das pernas, fornecidas pelo autor, deverá
igualmente ser enquadrada sob Ancylometes.
Agradeço ao Dr. Wolfgang Bücherl, chefe da Secção de Artrópodos Peço¬
nhentos, a orientação prestada durante a elaboração dêste trabalho.
Resumo
1) Pelo presente trabalho são aferidos os principais caracteres diferenciais
entre os gêneros Ancylometes, Bertkau 1880 e Cupiennius, Simon 1891.
2) As espécies Ctenus originalis, Mello Leitão 1936; Cupiennius argenlinus,
(Holmberg) 1881; Cupiennius diplocellatus, Mello Leitão 1936; Cupiennius gra-
nadensis, (Keyserling) 1876; Cupiennius ahrensi, Schmidt 1959, são enquadradas
sob Ancylometes.
SuMMARY
1) This paper describes the principal differential characteristics between ge-
nera Ancylometes, Bertkau 1880 and Cupiennius, Simon 1891.
2) The species Ctenus originalis, Mello Leilão 1936; Cupiennius argentinus,
(Holmberg) 1881; Cupiennius diplocellatus, Mello Leitão 1936; Cupiennius gra-
nadensis, (Keyserling) 1876 and Cupiennius ahrensi, Schmidt 1951 are included
under the name Ancylometes.
Bibliografia
Bertkau , 1880 — Mem. Class. Sei., 43:114.
Simon, 1891 — Buli. Soc. Zool., France — Vol. XVI.
Simon, 1898 — Hist. Nat. Arair/n., 2(2) :207-208.
Cambridge, F., 1901 — Biol. Centr. Amer. Aran., 2:308.
Keyserling, 1876 — Verh. Zool. Bot. Ges., Wien, 26:685.
Mello-Leitão, 1936 — Festschr. Strand, 1:21.
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ALTERAÇÕES ESPONTÂNEAS DA RASE DE IMPLANTAÇÃO E DA TÚNICA
MÉDIA MUSCULAR DA AORTA DE CORAIAS. ASPECTOS MORFOLÓGICOS
SUGESTIVOS DO SEU DESENVOLVIMENTO E ESTUDO DA FREQUÊNCIA *
JESUS CARLOS MACHADO
Laboratório de Anatomia Patológica, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil
A importância primordial das alterações cárdio-vasculares humanas, justificam
meritòriamente o relato das lesões ou formações encontradas nessas localizações, em
animais, principalmente nos de laboratório. Assim, quer aspectos vasculares dege¬
nerativos espontâneos, quer a presença de nódulos cartilaginosos e ósseos ocasio¬
nais, no coração, emergência da aorta e na aorta propriamente dita, têm sido re¬
latados frequente e justamente na literatura.
Hueper (6) descreveu focos cartilaginosos em coração de ratos e camundongos,
acentuando a semelhança dos mesmos àqueles encontrados em corações de mamí¬
feros (cavalo, carneiro, búfalo e coelho), aves (galinhas) por Reterer e Lellieve,
Kern, Hausotter, Favaro, Greil, Beddard e Mitchell. Stiefel e Benninghoff. Os
nódulos localizavam-se no anel fibroso da aorta na porcentagem de 3,3% nos
ratos (100 em 3.000) e 1,5% nos camundongos (15 em 1.000). Acrescenta
Hueper que êsses dados devem ser mais frequentes, mas que provàvelmente a
menor incidência decorre do fato de por vêzes os cortes não serem felizes, não
atingindo a região pretendida. Em outros trabalhos, Hueper (5, 7, 8) descreve-os
em coelhos, onde confirma os achados de Vanzetti (15), considerando-os junta¬
mente com êsse autor, como devido a metaplasia normoplástica, ao contrário de
Dratschinski (cit. Hueper (6)) que os associou à alteração patológica. Relatou
ainda a presença de tecido ósseo, com medula, na aorta de cão. Seegal e Seegal
(13) observaram idênticos achados em 1 coelho de 30 estudados. Jaffé e Ga-
valler (9) descreveram também nódulos cartilaginosos em coração e aorta de ratos.
Dentre centenas de ratos utilizados, ora como controle, ora servindo às mais di¬
versas experimentações, encontraram em 18 dêles, nódulos cartilaginosos com lo¬
calizações diversas, no endocárdio, musculatura papilar e base de implantação da
aorta, túnica média. Interpretaram os nódulos de localização miocárdica, conto
* Trabalho realizado com auxilio do Fundo de Pesquisas do Instituto Butantan.
Recebido para publicação em maio de 1963.
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ALTERAÇÕES ESPONTÂNEAS DA BASE DE IMPLANTAÇÃO E DA TÔNICA
MÉDIA DA AORTA DE COBAIAS. ASPECTOS MORFOLÓGICOS SUGESTIVOS.. .
consequência de pequenos enfartes instalados por alteração das coronárias. Su¬
puseram Jaffé e Gavaller(9), que “isso se deu porque a musculatura foi danifi¬
cada por falta de circulação do sangue, formando tecido conjuntivo, e êste, pos¬
teriormente, foi transformado em cartilagem que depois se calcificou”. Citam os
trabalhos de Willem e Sproul (16) que encontraram, também em corações de
ratos, focos de fibrose, correlacionados por êles com a esclerose das coronárias que
nos casos estudados, sempre foram paralelos à extensão da fibrose. Quanto à in¬
terpretação dos focos cartilaginosos na base de implantação da aorta, acentuam
ser difícil compreendê-la, acreditando que, talvez, se devam a “alteração focal
degenerativa” na musculatura do vaso, se bem que não tivesse sido encontrado
nenhum outro foco. Quanto à possibilidade de serem encontrados focos cartilagi¬
nosos em outras espécies animais, principalmente nos de laboratório, é admitida,
e mesmo sugerida, por Jaffé e Gavaller(9). Acreditam êsses autores que a ra¬
ridade de tais encontros se deva, provavelmente, à não realização de estudo siste¬
mático em animais mais idosos. Barasa e Gobetto (4) afirmam de modo geral,
que a presença de cartilagem cardíaca é constante em muitas espécies — rumi¬
nantes, equídeos, pequenos roedores e insetívoros — inconstante em outros —
carnívoros — pequena e inconstante nos primatas ou representando exceções ocor¬
rendo em raríssimos casos —- homem.
Pelos trabalhos aqui assinalados observamos que tem sido relatada, ocasional¬
mente ou de forma mais ou menos sistemática, nas diversas espécies animais, a
presença de nódulos cartilaginosos, seja no miocárdio, seja no chamado anel fi¬
broso da aorta. Os diversos autores, segundo a interpretação fisiopalológica desses
achados, podem ser agrupados da seguinte forma: o primeiro grupo, representado
por Vanzetti, Hueper, Barasa e Gobetto, acredita constituir essas formações simples
metaplasia normoplástica, enquanto que o segundo grupo, constituído por Drat-
schinski, Jaffé e Gavaller, Willem e Sproul, interpretam-nas como devidas ora a
fatores tensionais, ora secundários a outras alterações. Jaffé e Gavaller (9) lem¬
bram mesmo “a característica especial dos ratos em produzir cartilagem nos pro¬
cessos patológicos”. Enquanto Barasa e Gobetto (4) afirmam ser constante o en¬
contro dessas formações em pequenos roedores, Miller (11) afirma não tê-las encon¬
trado quer na musculatura cardíaca, quer na implantação da aorta em seus estudos
sôbre miocardites espontâneas em coelhos. Devemos desde já dissociar o que é
constante do que é frequente. O constante pressupõe continuidade e o freqiiente
descontinuidade. 0 fato de uma formação apresentar caráter constante não jus¬
tifica, somente por isso, a conclusão de que ela seja anatômica. Há na patologia
humana um exemplo análogo, qual seja a Arterioesclerose, que sendo constante
em tôdas aortas, em indivíduos acima dos 40 anos, é justamente interpretada como
sendo processo degenerativo e não fato anatômico. Devemos lembrar ainda que
as artérias dos animais são passíveis de sofrerem processos degenerativos.
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No tratado sôbre a ‘'Patologia especial dos animais de laboratório”, de Ernst
Joest, no capítulo sôbre artérias, dc Ackerknecht e Krause (3), é relatada a pre¬
sença de focos cartilaginosos, por vêzes ossificados na túnica média da aorta.
Devem-se êsses focos, segundo Ackerknecht e Krause a processo inflamatório-pro-
liferativo que ocasiona a metaplasia. Citam os trabalhos de Spiegel, na aorta de
um velho cão de caça e os de Wolkoff na aorta de papagaios. Chamam atenção
para a necessidade de proceder-se ao exame histopatológico do material suspeito,
porque há “espessamentos hialinos do tecido conjuntivo que podem perfeitamente
simular cartilagem”. No capítulo sôbre coração, de Ackerknecht (2), citando
Weish, comenta a presença de osso ou cartilagem no anel fibroso da aorta de
cavalos, bois, porcos e ainda cães e gatos, sem menção a qualquer interpretação
patogenética.
Nieberle (12), estudando a arterioesclerose dos animais domésticos, mostra em
dois desenhos a presença de metaplasia óssea em aorta de cavalos e lipoidose da
íntima com metaplasia cartilaginosa em aorta de papagaio. Tibiriçá (14), estu¬
dando a cicatriz do dueto arterioso do boi, descreveu alterações de calcificação “de
tôda espécie de fibra” da parede, precedida geralmente de esteatose ou de necrose.
Raramente encontrou nessas zonas “processos de homogeinização do tecido conjun¬
tivo proliferado com formação de cavidades (estádio menos raro) seguido de for¬
mação dc cartilagem e finalmente osso, com sistema de Havers e com medula
óssea amarela”.
Desta breve análise de vários trabalhos encontrados na literatura, não verifi¬
camos a descrição especifica de lais achados em cobaias, a despeito da afirmação
genérica de Barasa e Gobetto (4) de ser constante em pequenos roedores. Ainda
mais, que houve da parte dos pesquisadores ausência de estudo sistemático do
processo, nos pequenos roedores e que a descrição dos mesmos se refere, de modo
geral, a casos fortuitos revelando casuística inexpressiva, levando autores como
Jaffé e Cavaller(9), a acentuar dever ser mais frequente se melhor estudados.
Finalmente, devido à ausência de cortes sistemáticos, não há a verificação do¬
cumentada de possíveis alterações pregressas mostrando a evolução de tais pro¬
cessos, dificultando a exata interpretação fisiopatológica dos mesmos.
Pretendemos, neste trabalho, não só demonstrar que também em cobaias ocorre
a presença dessas alterações na média da aorta próxima à sua base de implantação
no miocárdio, mas também que a incidência destas alterações patológicas, em co¬
baias, diferem significativamente das outras espécies, até aqui estudadas. Ainda
mais que, o estudo sistemático dessa região, demonstra a possibilidade de se ob¬
servar alterações pregressas que possibilitam provável interpretação fisiopatológica
do início e evolução do processo.
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ALTERAÇÕES ESPONTÂNEAS DA BASE DE IMPLANTAÇÃO E DA TÚNICA
MÉDIA DA AORTA DE COBAIAS. ASPECTOS MORFOLOGICOS SUGESTIVOS.. .
Material e métodos
Em tralialho que realizamos sôbre o quadro anátomo-patológico apresentado
por eoliaias inoculadas com Mycobacterium tuberculosis (em colaboração com a
Secção de Bacteriologia do Instituto Butantan — Dra. Jandyra P. do Amaral),
procedemos a cortes sistemáticos do coração, abrangendo a emergência da aorta.
Examinamos dessa forma, o coração e aorta de 90 cobaias subdivididas em três
grupos: 1 — controle (10 cobaias); 2 — grupo inoculado subcutâneamente com
Mycobacterium tuberculosis (58 cobaias) ; 3 — grupo vacinado prèviamente com
BCG por via oral e posteriormente inoculado subcutâneamente com Mycobacterium
tuberculosis (22 cobaias). O coração foi cortado à altura da emergência da aorta,
ao meio, no sentido do maior eixo, e totalmente incluído em parafina. Três a
quatro cortes de 7 micra foram estudados para cada bloco e corados pela hema-
toxilina-eosina.
Resultados
O estudo dêsse material revelou, indistintamente, nos três grupos de cobaias, a
existência de alterações degenerativas com grande frequência (Tabela 1), sem
qualquer substrato inflamatório pregresso, tanto na base de implantação como na
média muscular.
Observa-se que inicialmente aparece um espessamento localizado, do colágeno,
na base de implantação que se confunde com área hialinizada que compromete
também a média muscular (Fig. 1). Por vêzes, a hialinização adquire aspecto
carlilaginóide. ocupando extensa área (Fig. 2). Nas cobaias mais idosas — acima
de 360 dias de idade (Tabela 4) — notamos a presença já de áreas cartilaginosas
de matriz basófila, ora em meio a área hialinizada (Fig. 3), ora ao lado de área
osteóide (Fig. 4). A figura 5 revela aspecto transicional de zona cartilaginosa
para típica trave óssea, notando-se pequeno capilar neoformado. Achados ocasio¬
nais de nódulos sem aspectos transicionais pregressos são revelados pela figura 6.
Êsses aspectos foram encontrados em cobaias dos três grupos acima referidos.
TABELA 1
Degeneração hialina isolada . 30 casos
Nódulo cartilaginoso Isolado . 7 “
Nódulo cartilaginoso + Ossificação . 1 “
Total de casos . 38 “
Total de cobaias . 90
Porcentagem de . . 40,2%
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TABELA 2
Degeneração hialina isolada . 30 casos
Tótal de cobaias estudadas . 90
Porcentagem de . 33,3%
TABELA 3
Nódulo cartilaginoso (com ou sem ossificacão) .... 8 casos
Total de cobaias estudadas . 90
Porcentagem de . 8,8%
TABELA 4 — CASOS COM AS LESÕES OBSERVADAS SEGUNDO A IDADE DAS COBAIAS
Idade (dias)
Hialinização
base
implantação
Hialinização
média aorta
Cartilagem
hialina
Cartilagem
calcificada
Ossificacão
Até 80 dias .
+
—
—
—
—
De 80 a 150 .
+ +
+
—
—
—
De 150 a 360 .
+
+ +
+
+
—
De 360 a 520 .
+
+
+
+
+
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T4f) ALTERAÇÕES ESPONTÂNEAS DA BASE DE IMPLANTACAO E DA TÚNICA
MÉDIA DA AORTA DE COBAIAS. ASPECTOS MORFOLÓGICOS SUGESTIVOS. . .
Flgs. 1 a 6 — Cortes histológicos de aorta de cobaias.
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Discussão
A observação puramenle morfológica do quadro apresentado pelas diversas
cobaias nos sugere que estas lesões degenerativas têm caráter progressivo, de acôrdo
com a idade das cobaias. Inicia-se como simples degeneração hialina localizada
das fibras colágenas, comprometendo também a média muscular da aorta, evoluindo
para tecido cartilaginóide, constituindo posteriormente típicos nódulos cartilagino¬
sos com metaplasia óssea final. Essa interpretação só é possível analisando-se cortes
sistemáticos de grande número de animais, pôsto que o encontro de aspectos for¬
tuitos isolados, como o da figura 6, não nos poderia fornecer subsídios para essa
interpretação, o que geralmente ocorre, com a maioria dos trabalhos que encontra¬
mos a êsse respeito. Além do que, a grande freqüência dos nossos achados (Ta¬
belas 1, 2, 3) deve-se à sistematização do estudo.
O encontro dessas alterações nos três grupos de cobaias afasta possível etiolo¬
gia tuberculosa, mesmo porque não se observaram lesões inflamatórias específicas
ou inespecíficas nesses locais. Êsle falo é corroborado pelas observações de Jaffé
e Gavaller (10) nos seus 18 casos de ratos, onde verificaram o aparecimento de
lesões indistintamenle, tanto nos animais controle como nos de experimentação e
ainda pelos achados de Willens e Sproúl (16) em corações de ratos.
Êsses aspectos morfológicos das lesões da média muscular, sem comprometi¬
mento da íntima e adventícia, assemelha-se, a nosso ver, à médio-esclerose de
Mõnckberg das artérias da extremidade, e mais de longe, com as escleroses fun¬
cionais da média das artérias útero-ovarianas, segundo a descrição dêsses processos
por C. Benda (cit. Aschoff).
C. Benda (1) admite para a médio-esclerose de Mõnckberg, além dos Irans-
lôrnos metabólicos, um fator tensional, representado pela “sobrecarga estática que
pesa sôbre as extremidades inferiores”. Hueper (6) também crê para os animais
uma etiologia devido a fatores tensionais. Acreditamos também, pela ausência
de lesões inflamatórias e de focos necróticos na musculatura (como se obtém ex¬
perimentalmente pela Adrenalina c Vigantol — Aschoff (1)), essa hialinização
inicial deva-se a fatores tensionais que desencadeiam o processo. Pode êle chegar
até a ossificação se a cobaia atingir tempo de vida compatível.
Dessa forma, as observações dêste trabalho, registradas em aorta de cobaias,
nos permitem descrever não só a presença de nódulos cartilaginosos e traves ósseas
em tal espécie, com incidência bem maior do que aquelas citadas em outras espé¬
cies, bem como através documentação de aspectos morfológicos sugestivos da evo¬
lução de tal processo.
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ALTERAÇÕES ESPONTÂNEAS DA BASE DE IMPLANTAÇÃO E DA TÚNICA
MEDIA DA AORTA DE COBAIAS. ASPECTOS MORFOLÓGICOS SUGESTIVOS..
Resumo
Em cobaias normais, ou inoculadas com Mycobacterium tuberculosis ou com
BCG, foi observada a presença de nódulos cartilaginosos e traves ósseas na média da
aorta, logo após a emergência do miocárdio. Verificou-se ainda que a ocorrência
destas lesões em cobaias é superior a de outras espécies estudadas por outros au¬
tores. É discutida a origem e evolução dêste processo patológico.
SuMMARY
The presence of cartilagenous nodules and bone trabeculae in tlie muscuiaris
media of the aorta, immediately after the emergence of the pericardium, was found
in normal guinea-pigs and in guinea-pigs injected vvitb BCG or witb Mycobacterium
tuberculosis. The observed incidence of these lesions in guinea-pigs was found
lo be greater than lhe observed occurrence of the same pathological process iu
other animal spccies, as reported by previous authors. The origin and evolution
of this process is discussed.
Bibliografia
1. Aschoff, L. — Tratado de Anatomia Patológica, Ect. Labor S.A., 1034.
2. Ackerknecht, E. — Spez. Pathologie der Haustire, vol. IV, pg. 323 (Berlin —-
Verlagbuchhandlung von Richarcl Schoetz), 1925.
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5. Hueper, W. C. — Arch. Path., 20:708, 1935.
6. Hueper, W. C. — Arch. Path., 27:466, 1939.
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Gõttingen, Heidelberg), 1958.
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L. F. MARTINS
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CONTRIBUTION TO THE STUDIES OF COAGULOGRAM IN
THOROUGHBRED HORSES*
L. F. MARTINS
Department of Histology and Embriology — School of Veterinary Medicin
University of São Paulo — Brasil
Referring to the literature 011 the subject, vve sec a few controvérsia] points
liave been established in relation to the coagulation phenomenon in borses. Souber
and Larrieu (55) suggested that borses’ blood had the coagulation factors on con-
centration similar to that of human beings but Bell et al. (11 and 12) carne to
the conclusion that notable difference exist between tliese factors of the tvvo men-
tioned species believing that horses’ blood is deficient in antihemophilic globulin.
Sjolin (52), disagreeing with the above writers, first admitted deficiency of
Christmas factor but afterwards (53) set a different concepl then accepting that
tliere was probaly an insufficiency of a factor quite similar or identical to Hage-
man’s. Barkhan et al. (7) aequieseed with the works of Bell et al. (11 and 12)
while Fantl and Marr (25), on lhe other side, eoncluded that the thromboplastinic
factors of the blood of human beings and horses markedly differ in quantity but
are quite similar in their action. Grecchi et al. (29), ratified BelFs et al. (12)
previous conclusion aboul the differences in thromboplastinic action.
Fantl and Marr (25) found out that it occurs greater activity of Factor V
in horses’ blood than in human blood, although Barkhan et al. (7) noticed no
differences between them in the whole prothrombinic complex.
Fantl and Ward (26) demonstrated that quantity of prothromhine in horses's
normal blood is similar lo that in man’s thrombocitopenic blood, which suits lhe
affirmation that animal lias inadequatc number of platelets thus presenting srnaller
tendency to free phospholipids (Fantl and Marr — 25).
Spontaneous hemorrbages rarely occur in horses (Miller — 37) whereas tliese
animais are entitled to liave hemophilioid diseases or others rclatcd to the processes
* Ph.D. thesis presented to the Department of Histology and Embriology, School
of Veterinary Medicin — U.S.P., 1962.
This work has been completed with the help of Research Funds of Instituto
Butantan, in the Laboratory of Hematology of the Same Institute.
Received for publication in July 24, 1964.
1, | SciELO
144
CONTRIBUTION TO THE STUDIES OF COAGULOGRAM
IN THOROUGI1BRED HORSES
of coagulation or hemostasis in horses. Barkhan (6) calls lhe aüention to lhe
question even though hc did not yet observe any real case of it. The petequial
fever, morho maculoso or hemorrhagic purpura in horses, nosologic entity known
for a long time, having a discussed etiology vvould he a non-thrombocitopenic
purpura, as concluded hy Biggers et ai. (13). Hemorrhagic States after castration,
has heen object of study liy several aulhors I 19, 49, 64) and il has heen de-
nominated l>y Chapron (18), Castration Hemo])hiIy, who admitted that hormonal
disturhances should probably he lhe cause for il. Volkmar (60), also described
hemorrhagic diseases in various animais including horses, in whieh coagulation
time was loo long or at times blood coagulation didn’t even occur.
As to horses’ cpistaxls, whose origin is quite unknown, is not yet completely
set il to he independent of alterations in blood coagulation, as well as the infcccious
anemies in horses, which may alter the coagulation process (31 and 33).
Several authors (17. 18, 22, 24, 34, 40, 42, 57) have done qualitative studies
comparing blood coagulation in horses and other species.
Expcriments for avaliation of lhe blood coagulation phenomenon and deter*
mination of normal values for horses, were subject of a few written works which,
however, due to several reasons, cannot he used as standards for the whole specie
either because tesls have heen made with few or not accurately characterized
animais or because they were not perfectly padronized. Concerning literalure,
as follows: Adams(l), Aparici (2), Archer (4), Awad and Morcos (5), Bark¬
han (7), Behrens(9), Bell et al. (121, Burker (16), Diaz(23), Florio (28),
Schwayer (50), Sippel (51), Sopena (54), Vau Wassenhove (58), Villard (59),
Weiser (62).
So, in order to clarify facts w.hich would permit to precise the Irue charactcr
of the interrelated factors in blood coagulation in horses, as well as lo set th'.’,
real scheme of the different hemorrhagic syndromes in this whole specie, it seemed
lo us fundamenlally important lo determine the normal values for the commonest
lests used in the avaliation of blood coagulation. Thoroughbred Horses were cliosen
for this work because they have great clinic interest, they are a quite homogeneous
group and they offer great possibilities for investigation of hereditary factors if
any pathological process appears.
Contradictory notes can bc found about lhe hormonal influence on blood
coagulation (8, 21, 32, 36). So, in our experiment we aimed at the determination
of the average populational values for lhe lests of: coagulation time, coagulation
time of recalcified plasma, platelet counts, clol retraction, prothrombin time, throm-
boplastin generation test, at the same time that we tried to prove lhe nullity hypo-
thesis of non-difference between sex, in relation to the mentioned tests, adopting
the rejection levei of 5 r /c.
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Material and methods
The blood submitted lo different experiments at lhe Jockey Club of S. Paulo,
was taken out of fifly Thoroughbred horses 25 females and 25 male horses hetween
2 and 5 years, eonsidered healthy clinicai, neither presenting serious nor slighl
heinorrhages and all of ihcin vvcrc suhrnilled lo a similar dicl. The material was
collecled from lhe jugular vein, heing a siliconized syringe used after the animais
resl, Ihis is, lliree hours after lhe morning Iraining.
Coagulalion time — ll was performed hy according lo Lee White’s technique
(35), using two tubes of 100/13 mm and lhe reading was done every 60 seconds.
Coagulatwn lime of recalcijied plasma — The technique descrihed in Quick
(44. — pg. 363) was adopted. We obtained the plasma used hy centrifugation
at 1,500 r.p.m. during 10 minutes of oxalated blood at 10% with an aequeous
solulion of 0.1 M of sodium oxalate. The test was made wilhin the firsl hour
after the blood was taken out and the calcium used came from a 0.02 M solution
of calcium chloride. The test performed in two 100/13 mm tuhes had ils result
expressed hy lhe tuhe that coagulated in lhe firsl place.
Platelet counts — The blood for the platelet counts was collecled in siliconized
flasks containing the dissodie salt of the ethylenediaminotetracetic acid (EDTA
Na-_>) in a 10% solution and in the proportion of 5 mg of salt for 5 ml of blood.
The method of Feissly and Ludin (27) medified hy Rosenfeld (56) was followed.
The suspension was made in a hematimelric pipelle for leucocyte counts, in lhe
proportion of 1:20 and the count in the Neuhauer camera under phase rnicro-
scopy, in a 2 mm- arca.
C.lot relr/uiion - We measured according to the method preconized hy Ro¬
senfeld (46). The test was performed in a water-bath at the temperature of 37"C
and the reading made three hours after lhe coagulalion.
Prothromhin time (prolhromhin complex) — The method of a stage introduced
hy Quick (39) was followed in the performance of this test we used the same
oxalated plasma utilized for the coagulation time of recalcified plasma test. The
thromboplastin was prepared with lhe rabhiPs hrain according to Quick’s techni¬
que (41). The thromboplastin suspensions were preserved in the ice hox +5°C
and used in the maximum for 10 days, eonsidered adequate for the use when the
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TIME !N SECONCS
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IN THOROUGHBRED HORSES
lime of normal prothrombin, this is, 11 lo 12 seconcls was given lo lhe human
plasma. The calcium chloricle used was 0.02 M. The verifications were made
three limes and il was considercd as lhe residi which was repealed; when there
was a disagreement, new determinations were made until lhe values agreod. Curves
of prothrombin dilution were made for lhe transformation of lhe data in eon-
centration.
In order to perform this curve, plasma of 10 animais was obtained, which
presenled a prothrombin time near lo the médium value. Two series of dilutions
were prepared for eacli animal and the average of lhe values obtained in the first
and second were calculaled. The average of each concentration in the 10 animais
represented the normal index for lhal concentration. The same criterion descrihed
for lhe reading of prothrombin time is here followed. The final curve transcribed
lo the dilogarithmic paper, can be changed, permitting lhe extrapolation of the
values not within the amplitude of lhe data (graph. 1). The results expressed %
of time of the prolhrombinic complex.
FIGURE I
REFERENCE CURVE OF PROTIIROMBINIC ACTIVITY IN REI.ATION TO TIME IN
SECONDS AND PERCENTAGE OF CONCENTRATION, CONSTRUCTED WITIl
VAI.UES OBTAINED WITIl 10 TIIOROUGIIBRED HORSES.
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Consumption oj prothrombin — The technique oí Quick (43) was used modified
I>y Rosenfeld (48). 5 ml oí blood were taken out placed in lulies of 100/13 mm
and left in a water-bath at a temperature of 37°C. When it coagulated, the time
was marked and lhe displacement of the clot was promoted, 59 minutes after the
eoagulalion, the material was cenlrifuged for one minute and the supernatant was
taken off and afterwards kept, in ice-bath; the quantity of residual prothrombin
was tested by lhe time it took to coagulate the mixture of lhis serum willi thromho-
plastin and calcium, having as a resource of fibrinogenous oxalated plasma absorbed
hy barium sulphate, washed according to tbe technique described hy Biggs and
MacFarlane (15) used in the proportion of 0.1 g for 1 ml of plasma. The absorp-
lion took |)lace in the water-bath for 30 minutes; the tubes were agited from time
lo time and afterwards they were cenlrifuged at 2,500 r.p.m. during 10 minutes,
being lhe supernatant taken off. The plasma was considered adequate for use,
when its prothrombin time was more than 4 minutes. As a resource of calcium,
lhe 0.02 M solulion of calcium chloride was also adequate. Three tests were
performed, that followed lhe same criterion adopted for the reading of lhe pro¬
thrombin time. The limes obtained were transformed in concentration by means
of the curve of prothrombin dilution, and tbat represented the residual prothrombin
after the evolution of lhe eoagulalion process for 00 minutes. Knowing the per¬
centual quantity of lhe plasma prothrombin, lhe prothrombin was obtained —
consumed by lhe following calculations:
100 X 1!
0
A
D = 100— C
A Total prothrombin expressed in % of time.
B = Residual prothrombin expressed in r r.
C r Residual concentration ealeulated at a rate of 100% of total prothrombin
for the animal.
D = % of consumed prothrombin.
Thromboplastin generalion — I figgs and Douglass (14) technique was fol¬
lowed. The animais were divided in 2 groups of 24 and 26, formed of male
and female horses in equal numbers. In the first group, the test was performed
with suspension of the platelets of the own animal and in the second, the phospho-
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TIME IN SECON
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IN TIIOROUGHBRED IIORSES
lipids obtained of liuman cerebrum trealed by acetone, according lo Bell’s and
Alton’s (10) technique. The citrated plasma absorbed by lhe oxalaled plasma
Ireated wilb sulphate of barium, according to lhe rule above described. The
platelets for suspension carne from lhe blood collected wilh sodium citrate in a
pbysiological solution al .8.8% in tbe proporlion of 10% of lhe total volume.
The platelets were wasbed twiee in a solution conlaining 4.0 g of sodium citrate
and 0.1 g ol dissodie sall of tbe ethylenediariiinotctracetic aeid for 100 ml ol
distilled waler and aflerwards wasbed onee more wilb a pbysiological solution.
being finally suspended in tbe same solution obeying a eoneenlration, thal is about
tbree limes bigger than be one of tbe plasma. In tbe systems prepared witli
pbospholipids in substitution to tbe suspension of platelets, a preparation was used
tbat contained 0.12 mg of lhat material by ml, the most active concentration of
a tesled series. The resource of fibrinogen was plasma oxalaled from tbe own
animal, poor in platelets and of calcium, calcium chloride in a 0.2 M solution.
The test lated 8 minutes; two verifications were made for oach animal and the
FIGURE TL
CURVE OF THROMBOPLASTINIC ACTIVITY WITII PLATELETS SYSTEM IN
RELATION TO TIME IN SECONDS AND PERCENTAGE OF CONCENTRATION,
CONSTRUCTED WITJI VALUES OBTAINED WITII 5 TIIOROUGHBRED IIORSES.
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TIME IN SECONDS
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resull corresponded to the average of these tests. A thromhoplastin dilution curve
íor lhe Iransformation of the results in concentralions was huilt. For ihis, 5
Thoroughhred horses were used, chosen among a many others, which presented
in lhe thromhoplastin generation, an index of high activily. For every animal,
2 series of dilutions with platelets were prepared and 2 with cephaline, frotn
systems in which the generation was interrupted hy a sudden fali of the tempe¬
ra tu re in ice-bath, when the generation was at the maximum and eonsidered 100%.
Three determinations of activily for each concentration were done the average was
calculated. For every animal, one dilution curve for the platelets and another
for the cephaline was ohtained, given hy the average of every concentration in
tiú; two dilution series. The average of the curves in the 5 animais tested, provided
lhe standard-values, which could he checked on lhe dilogarithmic paper, permitling
the extrapolation of lhe values, not within the amplitude of the data (graphs 11
and III).
FIGURE ir
REFERENCE CURVE OF THROMBOPLASTINIC ACTIVITY WITH PHOSPHOLIPID
SYSTEM IN SECONDS AND PERCENTAGE OF CONCENTRATION, CONSTRUCTED
WITH VALUES OBTAINED WITH 5 THOROUGHBRED HORSES.
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TABLE I - SUMMARIZED DATA OBTAINED FOR THOROFGHBRED HORSES, ACCORDING TO SEX, IN RELATION TO THE TESTS
PERFORMED AND TO THE CALCFLATED MEASURES OF POSITION AND VARIABILITY
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Results
The average values, the standard deviation, lhe median, Pearson’s coefficienl
of varialiility, as well as the estimations of lhe confidence interval of 95% for
lhe average was calculated for inale and female horses, in the different tests per-
formed. These sanie values were calculated, according lo lhe grouped data of
inale and female horses.
In table I, we can find the results ohtained in the tests of eoagulation time,
coagulation lime of recalcified plasma, platelet coimt, clot retraction, prothromhin
time and prothromhin consumption for male and female horses. In table II, tbere
are the results of the tests of thrombOplastin generation, concerning the minute
when the maximum generation occurred and the maximum activity was observetl
in male and female horses, expressed by lhe time il look lo coagulate lhe plasma
of the animal, poor in platelets plus calcium.
The results ohtained in all the tests performed, calculated according to the
grouped data of male and female horses, are summarized on table III, while ,on
table IV, we have lhe summary of lhe values found in the literalure for normal
equines, according lo the different authors, including our discoveries.
Craph IV and V illustrate the distribution of frequency of the P.S.I. equines
in function of the time in whicli the thromhoplastin generation in systems with
platelets and phospholipids, respeclively, was maximum.
FIGURE
FREQUENCIES DISTRIBUTION HISTOGRAM OF THOROUGHBRED
HORSES IN RELATION TO TIME OF MAXIMUM THROMBOPLASTIN
GENERATION WITH PHOSPHOUPID SYSTEM.
FIGURE ET
FREQUENCIES DISTRIBUTION HISTOGRAM OF THOROUGHHRFD
HORSES IN RELATION TO TIME OF MAXIMUM THROMBOPLASTIN
GENERATION WITH PLATELETS SYSTEM.
I 2 3 4 5 b 7
TIME IN MINUTES
| 2 3 • 4 5 6 7 8 •
TIME IN MINUTES
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IN THOROUGHBBED HORSES
Discussion
Analysing lhe coagulalion phenoinenon in horses we find a series of contro-
versial aspects Iiolli in relation lo the thromboplastic faetors and lo the prothrom-
1'inie eomplex. On lhe olher side, hemorrhagic diseases have been appoinled even
ihough lhe real cause for lhese disturhances are slill iinknown.
It seems to lis that the greatest diffieulties in the characlerization of hemor-
rhagic syndromes in horses, are duo lo the fact that in lhe concerning literature
there is not a hasic work, where the difíerent tests applied in the diagnosis of
lhe errors of coagulalion, are perfectly padronized for this kind of animal and
whieh results ean be safely used as comparative standards.
The analysis of lhe consulted works either aimed al the delermination of
averages for horses or as comparative studies hetween horses and olher species,
showed that they cannot, in many cases, be laken as referencc, hecause they have
not laken into consideration important faetors for the perfect characterization of
the animais, such as race, etarium factor, moment of eollection in relation lo feed-
ing, size, etc. The importance of these faetors in the final results of the tests
ean be verified hy the works of Adams(l), Awad and Morcos(5), De Nicola et
al. (22), Diaz (23), Florio et al. (28), Kment (34) and Villard (59).
It can be noticed that there is an oscillation in the results when diversc
techniques or variations of the same leehnique werc used, however, even within
the same technique, work conditions such as temperature, cause great errors, fact
that can be easily understood if one rememhers that hlood coagulalion is an en-
zimatic process in many aspects. Works hy Adams(l), Burker(16), Schwayer
(50), Sippel (51) and Villard (59) perfectly demonstrate this fact.
Baserga and De Nicola (12) verified that it occurs modificalion in hlood
coagulalion after lhe injection of sexual hormones or after spontaneous modifica-
tions of the hormonal equilibrium, while Rosenfeld and Nalias (47) concluded that
the prothromhinic eomplex does not suffer any influence either hy the benzoate
or lhe hexahydrohenzoate of estradiol or hy the hexahidrobenzoate of tesosterona.
De Nicola (22) found variation in number and lessening of platelet thromboplas-
tinic activity while menstrutions took place and this has been confirmed hy In-
trozzi and De Nicola (32). These verifications took us lo look for eventual dif-
fcrences caused hy lhe sex in the results of the difíerent test made.
Considering mentioned points such as the fact that we have been working
on Thoroughbred Horses, that a definite direction has been followcd in selecting
the animais and applying lhe techniques, it seems to us that the results should
be as exact as possihle and this will make llieir indication possible, as standards
for a definite population within the limits of the used pattern.
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Examining lhe obtained results vve find that in all tesls lhe deperidence in-
tervals of 95% for lhe average populational values estimated for inale and female
liorses, always show a variation zone which indicates that lhe differences between
sex is not significant at lhe adopted rejection levei of 5%, confirming Archer’s (4)
suggestion. That fact allowed us to aggregate the obtained residis for male and
female liorses in each test, and estimate lhe dependence limits of 95% of the
average populational values.
In relation to the authors who worked on Thoroughbred Horses, our results,
for lhe test of blood coagulation time, are numerically inferior to Adams’s (1)
who used lhe same technique wilh slight modifications and coincide with Archer’s
(4) when analysing them in function of the value obtained for the first tube.
As for the people who worked wilh other races or no definite race, we mention
Bell et al. (12) and Fantl and Marr (25) who got values much higher than ours
using lhe same technique, though with few and heterogeneous samples. Burker
(16) and Villard (59) respectively found higher and lower values than ours, but
working at the temperature of 25°C. The results of Schwayer (50) and other
authors mentioned by him, Sippel (51) and Awad and Morcos (5) cannot be
compared lo ours duc lo the different applied techniques.
The differences that we have found between the results in lhe first and the
‘second test tuhe show that there is a technical problem. The realization of lhe
lest demands two or three test tubes, but it was never established which test tuhes
indicates the result; based on experimental facts, our results define that it should
he lhe first one, hecause the time is shorter and lhe variability of the residis is
lower. The second test tube should he observei! only as a control tube in order
to avoid occasional mistakes of great range.
The test of “Coagulation time of reealcified plasma” apparently lias not yet
heen done in Thoroughbred Horses. Results obtained by De Nicola (22) wilh
few samples, in common old and young horses, were lower than ours, respectively
in 60 and 110 seconds.
The method of Feissly and Ludin (27) lias nol yet heen used for platelet
counts in horses’s blood. It is vcry difficult lo critically analyse lhe results of
tliis lesl which jiresciils the higher variation according to the technique used.
Just as an illustration we’ve noticed found that our results were a little uiider
lhe ones finded hy Barkhan et al. (7) and Archer (4), who made determinations
in Thoroughbred Horses using melhods of direct counts. Hickmet (30), Reber-
nack(45), Sopena (54), Wirth(62), Wober (63) using Kochcr-Fonio’s technique,
Bchrens (9) using Neumann and MonrcaBs technique and Weiser (61) obtained
values markedly higher than ours.
The percentage of clot retraction that we registered is slightly lower than
Archcr’s (4) who utilized McFarlane’s technique though with very few samples.
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Our j)roíliroml)in times are only comparable to the ones l>y authors who
used thromboplastin of rabbit’s cerelirum (brain) for this is the most active one;
even thromboplastin of horscs cerebrum’s acting in homologous systems, is less
active as it lias been demonstrated by Diaz (23). As already known, ollier tlirom-
boplastins are notably less active (7). The resnlts given by us, in seconds, do
not differ from the ones ohtained by Diaz (23) in Tlioronghbred Horses, at rest,
utilizing thromboplastin of rabbit’s cerebrum; the averages of 8.6 seconds are
identical. We shonld yel consider that both samples were equivalent as to lhe
numher of animais, for that author worked with 60 animais. Barkhan et al. (7)
and Archer (4) ohtained higher results applying however, thromboplastin of
horses’s cerebrum. Comparing with results ohtained in horses of different raccs.
our prothrombin times are lower than Araujo’s (3) and Kment (34) with llirom-
boplastin of rabbit’s cerebrum, Van Wassenhove’s (58) with thromboplastin of
bovine’s lung. Villard (59) with thromboplastin plus calcium “Biolyon”, Doro-
schkin’s (24) with human thromboplastin and Pinkiewicz (38) with thrombpplastin
“Boche”. The percentual values are not comparable since lhey vary in function
of the standard considered as 100%.
The results of lhe test of usage of prothrombin indicate that over 75% of
the plasmatic prothrombin is consumed 60 minutes after the beginning of lhe
coagulation process and we could not find literature on the subject lo compare with.
The thromboplastin generation test will he considered under two aspects:
First with respect to the lime necessary to happen lhe maximum generation.
Examining the tables and graphs IV and V we verify that for male and female
horses, either applying platelets suspensions of the animal itself or phospholipids
of human cerebrum, the systems show maximum activity always between lhe second
and fifth minutes. In the systems with platelets suspension, lhe average was 3.4
minutes and for System with phospholipids 3.1 minutes. This results acquiece wilii
Archer’s (4) verifications, who utilizing phospholipids of horses, found lhe ma¬
ximum generation between lhe fourth and fifth minute. The applicalion of phos¬
pholipids of human and not horses’s cerebrum is eompletely explained in Barkhan
et al. (7) demonstration, by which, both the lipidic fraction of human or horses
cerebrum may substituto the platelets suspension as a sotirce of platelet thrombo-
plaslinic factors, with no spccificily of species.
The fact that lhe maximum generation always occurs between the second
and lhe fifth minutes makes possible our advice that the test shonld be dono within
this time interval, sufficient to orientate a clinic interpretation, grcatly simplifying
its realizalion.
The second aspect lo be considered is lhe verification of the thromhoplastinic
activity at lhe moment of its maximum generation, value which is expresscd by
the coagulation time of the oxalated plasm poor of platelets. One can casily rea¬
lize, by analysing the results, that though lhe minute in which the maximum
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generation occurs, is the same for either systems wilh platelets or phospholipids,
the thromboplastinic activity is greater in the last case, fact which lias been verified
in a general way l>y Bell and Alton (10) and might also confirmate Fantl and
Marr’s (25) conclusions. However, from these consideration, wc cannot get con-
clusions also bccause lhe experiments were nol done in a way lo permit comparisons
of the different methods. The thromboplastin activity in its maximum generation
in sysleras wilh human phospholipids, appointed as average, is a lillle higher than
the value for an animal found hy Archer (4). Percentual comparison is not pos-
sihle bccause it had to be done in function of the concentration curve which
depends on the standard considered as 100%.
There was nol carc taken in evidenciating sex differences when results were
changed inlo percentage, for this analysis was done though values expressed as
lime unity. As no meaningful differences were found, both male and female horses
were used lo determine the curve of thromboplastin dilution. Same points were
taken into consideration for prothrombin time.
SUMMARY
I he most usual test were carried onl lo the evaluation of the phenomeno of
blood coagulation in I horoughhred Horses 25 males and 25 females, wilh ages
between 2 and 5. No significant differences were found between sexes in the
results of different tests at the rejection levei of 5%. The average values found
aceording to the pooled data of males and females were: coagulation lime: first
tube: 7.5 minutes ± 1.1; second tube: 8.9 minutes ± 1.4; coagulation time of
recalcified plasma: 240.6 seconds ± 69.2; platelets: 105,000/mm 3 ± 33,000;
prothrombin time: a) 8.6 seconds ± 2.5; b) 120.5% ± 58.0; prothrombin
consumption : 78.5 ± 13.5; thromboplastin generation: A) System wilh human
brain extract: a) maxima generation minute: 3.1 ± 0.9; b) maxima activity
in coagulation time of substract plasma: 18.0 seconds ± 6.0; c) activity of
maxima concentration: 107.2% ± 20.5; B) System with platelets of the animal
itself: a) maxima generation minute: 3.4 ± 0.8; b) activity in coagulation
time of substract plasma: 35.9 seconds ± 10.3; c) activity of maxima concentra-
lion: 101.0% ifc 31.7.
The result of blood coagulation time to be considered when the Lee and
White technique is employcd using two tubes, shouhl be the one obtained wilii
the first tube, bccause the lime is shorter and the variability of results smaller
and the second tube ought to be observed only as a witness, lo avoid random
crrors of grale range.
Ackncnvledgment — We thank Dr. Gastão Rosenfeld of the Department of
Physiopathology of Instituto Butantan for his orientation in doing this work, to
Dr. Fernando P. Lima, Veterinarian of the Jockey Club of São Paulo, Institution
from which we obtained the material for the experiments and to everyone who
directly or indirectly helped us.
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C0NTÜ115UT10N TO THE STUDIES OF COAGULOGKAM
IN THOROUGIIBRED HORSES
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CONTIÍIBUTION TO THE STUDIES OF COAGULOGRAM
IN THOROUGHBRED IIORSES
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31 : 163 - 170 , 1964 .
L. F. MARTINS, R. GRECCIII and G. ROSENFELD
163
THROMBOPLASTJN GENERATION TEST IN NORMAL HORSES AND
IIORSES 1NJECTED WITH TETA NIC TOXIN *
L. F. MARTINS **, R. GRECCHI »** and G. ROSENFELD ****
Laboratory of Hematology, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil
It seems that Zimmermann (15) was lhe íirst author to call tlie attention
lo a possiblc slovvness of the process of blood coagulation in the horse. From
then onward, sevcral researchers demonstrated differences in lhe phenomenon in
the equine species when compared lo the human species, although Soulier and
Larrieu (14) declared lhat lhe concentration of coagulation factors are similar
in the two species.
The greatest difficulties are found in the factors that enter in the formation
of thromboplastin. Reli et col. (2, 3) believe that there is deficiency of anli-
hemophilic factor in the horse plasma, which was confirmed hy Barkhan et col. (1).
On the other hand Sjolin (12) first admitted deficiency of the Christmas factor
hut later on (13) he lhought of a probable insuficiency of a factor similar or
identical lo the Hageman factor.
Fanll e Marr (7) found a significant quantitative difference betwecn the
thromboplastinic factors of horse and human blood, although their activilies werc
similar. Fantl and Ward (8) also observed a low aetivity in the thromboplastic
component of the horse platelets.
Therefore, we thought it would be useful to make a comparative analysis of
lhe aetivity of the thromboplastinic factors, expressed by lhe thromboplastin ge-
neration test in equine and human plasma. Another investigation was about an
eventual difference in the generaling aetivity of thromboplastin among normal
animais and injected with tetanic toxin, and also whether there is an optimum
time in the thromboplastin generation test.
* This work was supported with a grant from the Research Fund of the Ins¬
tituto Butantan (FPIB).
** Department of Histology and Embriology, School of Veterinary Medicin, Uni-
versity of São Paulo.
*** Department of Pathological Anatomy, School of Veterinary Medicin, Univer-
sity of São Paulo.
**** Head of the Department of Physiopathology, Instituto Butantan.
Received for publication in July 29, 1964.
1, | SciELO
164
TIIROMBOPLASTIN GENERATION TEST IN NORMAL IIORSES
AND IIORSES INJECTED WITI1 TETANIC TOXIN
Material and methods
20 normal cquines were used, 14 malc castrated horses and 6 female, and
10 malc horses, also castrated, which had lieen uscd for lhe production of anti-
tetanie scrum. The age of lhe animais was helween 10 lo 20 ycars, all belonging
lo Instiluto Butantan, and lhey were suhmitted lo one same diet. The hlood
was collected with 10% of 0.1 M sodium oxalate frorn the jugular vein, while
the animais were resting and a silieonized syringc was used. The plasma was
obtained hy cenlrifugation of hlood for 10 minutes at 2.500 r.p.m.
The ihromhoplastin generation lest was performed according lo lhe method
of Biggs and Douglas (4) using a platelet suspension of lhe own animal as a
source of platelel-thromhoplastinic factors. The eitrated plasma of the original
technique was substituted hy the oxalated plasma ahsorhed hy barium sulphate,
washed according lo the technique described hy Biggs and Macfarlane (5) used
in a proportion of 0.1 g of lhe salt for 1 ml of plasma. The ahsorption was
made at 37"C for 30 minutes, shaking lhe lubes once in a while. Afterwards,
lhey were centrifuged at 2.500 r.p.m. for 10 minutes; lhe supernatant was removed
and diluled 1:5 lo he used.
The platelets for the suspension were obtained from hlood collected in 10%
of a 3.8% saline diluled sodium cilrate. Tliey were washed three times in saline,
finally suspended in the same solution according lo a concentration ahout 3 times
lhe one of the plasma.
The lest lasted 8 minutes for the normal animais and 5 for lhe animais in-
jected with tetanie loxin. In lhe first case lhe readings were performed every
minute, during the 8 minutes, and in the second case, from the second to lhe
fiflh minute. Two generation tests were done for eacli animal.
For transformation of data in concentration a thromhoplastin dilution curve
obtained with human plasma was used (figure 1). The values obtained in lhe
two experimenls, were transformed in concentration and lhe average, which ro-
presenled the results for each animal, was calculated.
The human values, used as comparison, consisted of lhe results ohlaincd in
lhe Department of Physiopathology of the Instituto Butantan, with 10 individuais,
hoth male and female and of different ages, using their own plalelets with a
similar technique and analysed according lo the same dilution curve.
The levei of rcjection adopled for a statistical comparativo analysis of lhe
groups was 5%.
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CL0TT1NG TIME IN SECONDS
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L. F. MARTINS, R. GRECCHI and G. ROSENFELD
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FIGURE I
REFERENCE FIGURE 0F HUMAN TH ROMBO PLASTINIC
ACTIVITY WITH PLATELETS SYSTEM IN RELATION
TO TIME IN SECONDS AND PERCENTAGE OF
CONCENTR ATION.
Results
The results obtained, are summarized in lahle I. This tahle shows the mean
values, standard deviation, median, Pearson’s coefficient oí variability and the
estimations of 95% confidence intervals for the average, of the minute in which
the maximum thromboplastin generation and also the maximum activity of the
generated thromboplastin occurred. íl was revealed hy the clotting lime of the
substrate plasma hy the action oí ealcium chloride and of the system in lhat same
minute.
Figure 2 illustrates the distrihution of frequencies for each tested group,
showing also the mean curves of thromboplastin generation.
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166
THROMBOPLASTIN GENERATION TE.ST IN NORMAL HORSES
AND HORSES INJECTED WITII TETANIC TOXIN
FIGURE 3E
FREQUENCY DISTRÍBUTION OF T. G.T. CURVES OF NORMAL HUMAN PLASMA, NORMAL
HORSE PLASMA AND PLASMA OF HORSES INJECTED WITH TETANIC TOXIN.
THROMBOPLASTIN %
IIO
IOO
50
10 -
JNormal humanV
Vormal horseA
Hnjected horsel
MINUTES
3 4
MINUTES
Discussion
ll was already demonstrated lhat the coagulation System of lhe equines shows
differences from lhat of lhe man, in what regards several different factors (6, 9,
11). However, more attention was given to the thromboplastinic factors, because
it is in relation to them lhat most opinions differ. While some (1, 2, 3) admit
that there is deficiency of anti-hemophilic glohulin in liorse plasma, when it is
compared to that of man, others admit deficiency of Christmas (12) or even Hage-
man (13) factor. What really scems to cxist is a quantitative difference of factors
in the two species (7) and not a qualitativo one. Anyway, when both species are
compared, a smaller activity of the thromboplastin generation System of the blood
of equines seems lo be evident, when measured altogether.
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31:163-170, 1964.
L. F. MARTINS, R. GRECCHI and G. ROSENFELD
1G7
TABLE I — SUMMARY OF THE RESULTS OBTAINED IN THROMBOPLASTIN GENERA-
TION TEST FOR MAN, NORMAL HORSES, AND INJECTED WITH TETANIC TOXIN,
CLASSIFIED ACCORDING TO THE TESTS PERFORMED AND OF THE MEASURES OF
POSITION AND CALCULATED VARIABILITIES
Minute of maximum
generation
Maximum activity in % of
clotting time
Human
Normal
horse
Injected
horse
Human
Normal
horse
Injected
horse
Average .
3,6
3,4
3,2 '
99,2
31,7
37,2
Standard deviation .
0,69
1,01
0,92
6,3
14,92
10,5
Median .
3,5
3,5
3,0
99,0
33,5
42,7
Pearson’s coef. of variab. % .
19,16
29 24
28,75
6,44
47,06
28,44
95% confidence interval foi
average .
3,07
to
4,12
2,96
to
3,93
2,51
to
3,89
94,38
to
104,01
24,54
to
38,86
29,23
to
45,17
The analysis of our resulls shows a wide linc of transvariation with lhe in-
tervals of confidence calculated for the minule in which lhe greatest ihrondioplastin
activity is developed in relation lo lhe human plasma, normal equine plasma and
plasma of horses injected with the tetanic toxine, thus demonstrating that there
is no significant difference for lhe levei of rejection adopted. Therefore, we can
conclude that the time which is necessary for this activity to develop is the same
for the man and horse, between the tliird and fourth minute, as was ohserved by
Martins (10).
In relation to lhe maximum aclivily of the generated thromboplastin, lhe
same transvariation is verified between the normal horses, and the ones injected
wilh tetanic toxin, however lhe confidence interval for these two groups of animais
is quite different from the one found for man, permitting us to assume that lhe
aclivily of the equine thromboplastin is much smaller than that of the man (fi¬
gure 2).
Therefore it is not necessary to make determinations before the second and
after lhe fifth minute, in the thromboplastin generation test of Biggs and Douglas.
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THROMBOPLASTIN GENERATION TEST IN NORMAL IIORSES
AND IIORSES INJECTED WITII TETANIC TOXIN
SlJMMARY
Normal liorses liavc a smaller amount of thromboplastin than normal humans
when measurcd by the thromboplastin gencration tesl wilb tbe method of lüggs
and Douglas.
Horses injected with tctanic toxin for tbc preparation of byperimmune serum
liavc lhe samc thromboplastin activity as tbc normal animais.
The maximum thromboplastin gencration is observcd at tbc tbird or fourtb
minute with tbe method of lüggs and Douglas, in normal liorses and in horses
injected with tetanic toxin, and are tbe same times observed in normal humans.
Resumo
Cavalos normais têm menor quantidade de tromboplastina do que o homem
normal quando medida pelo teste de geração de tromboplastina, método de lüggs
e Douglas.
Cavalos injetados com toxina tetânica para preparação de sôro hiperimimc,
têm a mesma atividade tromboplastínica que os animais normais.
O máximo de geração de tromboplastina é observado no terceiro ou quarto
minuto com o método de lüggs e Douglas, tanto nos cavalos normais como nos
injetados com toxina tetânica e éste tempo é o mesmo que o observado no homem
normal.
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C0RTIC0STER01D AND ACTH IN EXPERIMENTAL P0IS0N1NG W1TM
ANIMAL VENOMS *
G. ROSENFELD and F. G. DE LANGLADA
Laboratory of Hematology, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil
Corticosteroids or ACTH liave been utilized in the treatment of human beings
bltten by poisonous snakes. Some authors have attributed beneficiai activity lo
lliese liormones, wbile ollier workers have found not only unsatisfactory results,
but also have concluded that lhese drugs provoke inhibition of the activity of anti-
venom seruni. Russel and Emcry (6) made a report on the concerning literature.
Schottler (7) utilized ACTH, cortisone and hydrocortisone in mice, injected simul-
taneously with DL50 of snake venoms ( Bothrops jararaca or Crotalus durissus
terrijicus ) and did not observe change as concern either mortality or local reaction
of the bothropic venom. Doses form 2,5 to 25 mg/kg of adrenocorticotropic
hormone (ACTH) and cortisone and 2 mg/kg of hydrocortisone were used.
Deichmann and otliers (2) made experiments with venom of Crotalus adamanteus
in dogs, having observed the reduction of mortality with injections from 200 to
650 mg of hydrocortisone; lhe results were more satisfactory when immediate
treatment was applied and were still favourable, but not so good when corticoid
was injected 4 hours afler lhe venom. Russel and Emcry (6) cmployed methyl-
prednisolone and hydrocortisone in doses from 5 lo 500 mg/kg in mice, injecting
venom of Ancislrodon contortrix, they concluded that, not only lliere was no pro-
tcction, but also that the treatment seemcd to produce unfavourahle results, either
due lo the venom action or to the suppression of the immunizing mechanism of
defense.
As the existing discrepancics were so numerous, botli in clinicai ohservations
and experimental works, il seemcd necessary once more to test the action of cor-
licoids on animais injected with snake, spider and scorpion venoms, associating
or not the treatment with specific antivenom serum. The chosen venoms were
each diverse from another, so that it woidd be possible lo come lo a greater
generalization than the referred past works.
* This work was supported with a grant from the Research Fund of Instituto
Butantan (FPIB).
Received for publication in March 7, 1963.
cm
2 3
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CORTICOSTEROID AND ACT11 IN EXPERIMENTAL
POISONING WITH ANIMAL VENOMS
Material and metiiods
Venoms of Ratllcsnake ( Crotalus durissus tcrrijicus) and Jararaca ( Holhrops
jararaca), cxlracted hy pressing lhe glands, wcre ulilized. 'lhe spider (Phoneu-
tria /era) and scorpion ( Tityus serrulatus) venoms vvere obtained hy elcctric sliock
of the preys. All venoms wcre dried out in lhe vacuum and kept dry protected
from light, lhey wcre always a pooling obtained from a large number of animais
and lhe solnlion was rnade on the saine day lhey were injected.
Albino mice weighing from 20 lo 35 g were used. Venom and corticoids
were injected intravenously in the tail or intramuscularly into a thigh in order
lo have a 3 mm penetralion of lhe injected needle in all cases. They were kepl
under observation several days and vvere fed in the usual way. The results liere
reported concern the animal survival after one or two days, bccause no modifica-
lion of grealer importance was observed afler lhese periods. For eacli experiment,
on the same day, four groups of mice were used. The first group received only
venom and served as control for lhe second group which was injected wilh venom
and hormone; the tliird group received venom and specific antivenom serum for
controlling lhe fourth grouj) which was injected wilh venom, antivenom serum
and hormone.
Antivenom sera were specific for each inoculated venom and the ones ulilized
were of routine production in lhe Instituto Butantan. These sera are purified hy
pepsin hydrolysis and precipitation of lhe antihody-carrying fraction. The injected
doses corresponded to one lhe capacity of in vitro neutralization of lhe correspond-
ing inoculated doses of venom, and were introduced subcutaneously or intravenously
al the same time as the first injection of lhe hormones.
Zinc ACTíI of long action or Dexamcthasone-phosphate were used for intra¬
muscular or intravenous injections, wilh variable doses repeated afler 4, 8, 12 or
24 hours. Wilh lhe grealer doses of corticoid, some agitation could be noticed
in mice. They also showed polyphagia and a tendency lo attack otlier animais
presenting necrosis after lhe first day (inoculated wilh bothropic venom).
Hesults
Table 1 presents lhe results obtained in experiments done wilh snake, spider
and scorpion venoms and the respectivo treatment wilh antivenom serum and ACTH.
Table 2 presents lhe results obtained in experiments wilh lhe same venoms
and treatment wilh antivenom serum and Dexamethasone.
In Table 3 all results of Table 1 were accumulated and the data of each
group were compared wilh each other lo analyse the significance of the differenl
treatments. ACTH lias signifieantly diminished lhe mortality, when spider venom
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was injected without serumtherapy, liut produced a negative effect increasing lhe
mortality when antivenom serum was given with the same venom. No effect was
ohserved wilh crolalie, hothropic or scorpionic venom with or without serumtherapy.
In Tahle 4 all results of Tahle 2 were reported and analysed in the same
manner as in Tahle 3. Dexamethasone has significantly diminished the mortality
when spider and scorpion venoms were inoculated and antivenom was nol given,
but inereased the mortality when crotalic or spider venoms were injected and serum¬
therapy was given. No effect was seen with crotalic or hothropic venom without
serumtherapy and also with hothropic an scorpion venom when antivenom serum
was given.
In all experiments the results have shown a very significant protective activity
of the specific antivenom sera which were injected 15, 30 or 60 minutes after
the venom (Tables 3 and 4).
Discussion
Apparently results are contradictory, but a more careful analysis permits a
better understanding. Table 5 summarizes favourable, unfavourable and absence
of effects of hormone treatments according to their significance measured by the
Chi-square test.
ACTH did not have any significant activity as to mortality in experimental
envenomation of mice with venoms of Crotalus durissus terrificus and Bothrops
jararaca associated or not to treatment with specific antivenom serum. These re¬
sults agree with lhat of Schôttler (7) who studied the same venoms and with
Minton (4) who experimented the venom of Ancistrodon contortrix in mice, but
neither of them did associate serumtherapy. However, it was not the same for
spider venom ( Phoneutria fera ) and scorpion venom ( Tityus serrulatus). Mor¬
tality was significantly diminished by ACTH in animais injected only with the
spider venom (P. fera) while a markedly unfavourable result was obtained when
serumtherapy was associated. The beneficiai activity in the first case is possibly
due to a favourable action of the hormone on the pain stress caused by this venom
which is of great intensity in human cases. In the second case, the negative action
could be attributed lo an eventual neutralization of the serum effect as it was sug-
gested by Knyvett and Molphy (3) in human cases bitten by snakes having neuro-
toxic and hemolytic venom, or by Chang and Veinstein (1) in experiments with
tetanus toxin and cortisone associated or not to serumtherapy.
On the other hand, in experiments with lhe scorpion venom ( T. serrulatus)
ACTH had a slight protective action but not significant when not associated to
serumtherapy; this venom likewise that one of P. fera provokes intense pain,
nevertheless there was no negative action of ACTH by its association with serum.
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TABLE 2 — MORTALITY OF MICE TREATED WITH VENOMS OF SNAKES, Crotalus durissus terrificus (C.d.t.), Bothrops jararaca (B.j.), SIPDER
Phoneutria fera (P.f.) AND SCORPION Tityus serrulatus (T.s.), ALONE OR IN ASSOCIATION WITH A CORRESPONDING DOSES OF SPECIFIC
ANTIVENOM SERUM, AND/OR DEXAMETHASONE. OBSERVATIONS MADE AFTER 24 HOURS
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CORTICOSTEROID AND ACTH IN EXPERIMENTAI.
POISONING WITH ANIMAL VENOMS
As for Dexamethasone in doses varying from 0.02 to 0,5 mg per mouse, lliere
vvas a significant negative adiou increasing mortality caused by crolalic veuoni
and a slight tendency lo this effect with hothropic venom, though there vvas no
activity similar lo ACTH when serumtherapy vvas not done. With spider venom
(/'. fera ) and scorpion venom I T. serrulatus) Dexamethasone shovved a marked
protection against lhese venoms, when serumlherapy vvas not given, hut likewise
the ACTH, it had a negative action on the spider envenomation when serumtherapy
was associated and no action al all was seen on lhe scorpion envenomation.
It does not seem that corticoids woidd aggravale these envenomations by sup-
pressing the mechanism of immunological defense as it has heen suggested by
Russel and Emery (6), for in none of the venom inoculated groups that have
heen treated only with hormones the mortality was increased; there vvas ahsence
of changes or beneficiai activity was observed as to spider and scorpion venoms.
On the other hand, the negative effect also can not be attributed to a neutraliza-
tion by corticoids of the antivenom serum effect according to a hypothesis of
Knyvett and Molphy (3) since the negative effect was not systemalic in the hor-
mone treated groups which have received associated serumthera|)y, as can be ob¬
served in Table 5.
In cases of spider and scorpion venoms not treated by serumtherapy in which
ACTH as vvell as Dexamethasone diminished mortality, this beneficiai effect can
be attributed to the decrease of the local pain by lhe anti-inflammatory action of
these hormones. It is known that these venoms have neurotoxins which provoke an
intense local pain and this pain stress contrihutes very much to aggravate the general
condition since the mere suppression of pain by other agents withdraws a whole
complex of symptoms in man as it was already stated by Rosenfeld et al. (5).
The fact that there was no similar action on crolalic and hothropic envenomation
can be explained since both venoms do not have pain provoking neurotoxins which
act directly on nerves; the one of Crotalus clarissas terríficas has neurotoxins act-
ing only on the central nervous System without causing any pain and the venom
of Rothrops jararaca causes local pain by the proteolytic action on tissues al lhe
site of the bite. Summarizing, hormones would not have a direct action on the
neurotoxins of spider and scorpion venoms, but they would mitigate the pain pro-
voked by lhese loxins and would thus remove its consequent stress.
The aggravation of the poisoning by 1‘honeutria fera when the treatment with
ACTH or Dexamethasone is associated to serumtherapy could be tentatively ex¬
plained by assuming that the venom alone would produce a discharge of both
hormones and lheir supplemental administration would come to reenforce this
venom action. When serumtherapy is not given, lhe.y do not shovv negative effect
since they mitigate the pain stress thus decreasing one of the aggravating compo-
nents of the poisoning. Together with the antivenom serum which eliminates and
diminished pain, hormones would only act through their harmful side synergically
with the venom. Envenomation by venom of Crotalus durissus terrijicus would
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TABLE 5 — SCHEMAT1C RESULTS OF EFFECTS OF TREATMENT WITH ACTH OR
DEXAMETHASONE ASSOCIATED OR NOT WITH SERUMTHERAPY ON THE MORTALITY
OF MICE BY THEIR STATISTICAL SIGNIFICANCE AS SHOWN BY THE CHI-SQUARE TEST
SUBSTANCES INJECTED
HORMONE
ACTH
Dexamethasone
Crotalus durissus terrificus + hormone .
None
None
Crotalus durisus terrificus + antivenom and hormone ..
None
Negative
Bothrops jararaca + hormone .
None
None
Bothrops jararaca + antivenom and hormone .
None
Possibly
favorable
Phoneutria fera + hormone .
Favorable
Favorable
Phoneutria fera + antivenom and hormone .
Negative
Negative
Tityus serrulatus + hormone .
Possibly
favorable
Favorable
Tityus serrulatus + antivenom and hormone .
None
None
not be aggravated by ACTH administration only by that of Dexamethasone, because
this venoni would not provoke an ACTH discharge and only of corticoids. These
interpretations would lead lo assume that venom of Phoneutria fera provokes an
intensive ACTH and corticoids discharge, while that of Crotalus durissus terrificus
and Bothrops jararaca would only discharge corticoids. The other experimented
scorpion venom would not have either one of these actions.
Results show that no generalization is possihle as to indication or counter-
indication of corticoids in animal venoms poisonings. The table of results is Iike
a mosaic which as the utmost would permit generalization only for similar venoms.
Thus ACTH and Dexamethasone are useful and indicated in cases of spider and
scorpion envenomations, when lhe venoms are similar lo those of Phoneutria fera
and Tityus serrulatus. They are formally counterindicated in these same cases
when specific antivenom serumtherapy is given, Dexamethasone shall be counler-
indicated in envenomations by snakes having similar venoms to those of Crotalus
durissus terrificus, i.e., hemolytic and neurotoxic venoms.
An interpretation of the reasons for these apparently contradictory activities
will not only allow a better indication of these hormones, but will also be useful
to guide and suggest the physiopathogenic action of these venoms, besides permit¬
em
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CORTICOSTEROID AND ACTII IN EXPERIMENTAL
POISONING WITH ANIMAL VENOMS
ling a better understanding of lhe action and indicalions of ACTH and corticoids
in envenomations.
A secondary observation to ibe purpose of this paper automatically obtained
due lo lhe seheme adopted for experiments is tlie cvidence that serumtherapy with
specific antivenom scra, without any auxiliary treatmenl is really able to diminish
mortality provoked by venonis.
Summary
Repeated intramuscular doses of ACTH did not change mortality in mice in-
jected with snake venoms ( Crotalus durissus terrificus and Bothrops jararaca)
Ireated or not with specific antivenom scrum. On tbe olher liand, it significantly
diminished mortality in animais injected with spider venoms ( Vhoneatria jeru)
but showing a negative effect on this kind of envenomation when serumtherapy
was associated. With scorpion venom ( Tityus serrulatus) ACTH demonstrated a
tendency to protect survival of animais when no serumtherapy was given and
ahsence of any modification when associated to serum.
Repetead intramuscular or intravenous doses of Dexamethasone did not change
mortality in mice injected with snake venoms (Crotalus durissus tcrrijicus and
Bothrops jararaca) not treated with serumtherapy. When associated to antivenom
.serumtherapy, it demonstrated an evident negative effect in the case of crotalic
venom and a tendency towards this effect with bothropic venom. With spider
venom ( Bhoncutria fera) and scorpion venom ( Tityus serrulatus) Dexamethasone
significantly diminished mortality when serumtherapy was not associated and when
it was given, mortality was increased in cases of spider venom and no modifica-
tions occur with scorpion venom.
ACTH and corticoid act differently according to lhe venom also when treat-
ment antivenom serumtherapy is associated.
Complementary, the efficacy of specific antivenom serumtherapy was de¬
monstrated since it significantly diminished mortality in mice injected with venoms
of Crotalus durissus tcrrijicus, Bothrops jararaca, Phoneutria jeru and Tityus ser¬
rulatus.
Resumo
O ACTH em doses repetidas injetadas por via intramuscular não modificou
a mortalidade de camundongos injetados com venenos de serpentes ( Crotalus du¬
rissus tcrrijicus e Bothrops jararaca), tratados ou não com sôro antiveneno espe¬
cífico. Ror outro lado, diminuiu significativamente a mortalidade nos animais
injetados com venenos de aranha ( Bhoncutria jeru), mostrando porém um efeito
negativo nêsse envenenamento quando se associou a soroterapia. Com o veneno
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de escorpião ( Tityus serrulatus), demonstrou uma tendência à proteção da sobre¬
vivência dos animais quando uão se fêz a soroterapia e ausência de qualquer mo¬
dificação quando foi dado também o sôro.
A Dexamctazona, em doses repetidas injetadas por via intramuscular ou in¬
travenosa, não modificou a mortalidade de camundongos injetados com venenos
de serpentes ( Crotalus durissus terrificus e Bothrops jararaca ) não tratados pela
soroterapia, quando se associou o tratamento pelo sôro antiveneno demonstrou um
efeito negativo no caso de veneno crotálico e uma tendência no mesmo sentido
com o veneno botrópico. Com os venenos de aranha ( Phoneutria fera) e de es¬
corpião (Tityus serrulatus) a Dexamctazona diminuiu significativamente a morta¬
lidade quando não foi feita a soroterapia e quando esta foi aplicada aumentou a
mortalidade no caso de veneno de aranha, não tendo produzido modificações com
veneno de escorpião.
() ACTH e os corlicóides agem diferentemente conforme os tipos de venenos
e também quando se associa o tratamento com soros antivenenos. Foi sugerida
uma hipótese para explicar essas ações aparentemente contraditórias.
Complementarmente foi demonstrada a eficiência da soroterapia específica que
diminuiu significativamente a mortalidade de camundongos injetados com venenos
de Crotalus durissus terrificus, Bothrops jararaca, Phoneutria fera e Tityus ser¬
rulatus.
ACKNOWLEDGEMENTS
We thank Dr. Wolfgang Bücherl for samples of venom of Phoneutria fera and
Tityus serrulatus, to Merck, Sharp & Dohme for the Dexamethasone and to Cia.
Farm. Organon do Brasil for the ACTH Zinc used in this work.
References
1. Chang, T. W. and Weinstein, L. — Effect of Cortisone on Treatment of Tetanus
vvith antitoxin. Proc. Soc. Exper. Biol. & Med., 94:431, 1957.
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Crotalus adamanteus (Rattlesnake venom). Am. J. Med. Sciences, 23G:204,
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Report of two cases. Med. J. Australia, 2:481, 1959.
4. Minton, S. A. Jr. —- Referred by Russell and Emery (6).
5. Rosenfeld, G., Nahas, L., Cillo, D. M. de and Fleury, C. T. — Envenenamentos
por serpentes, aranhas e escorpiões, in Prado, F. C., Ramos, J. de A. and
Valle, J. R. do — Atualização Terapêutica, 5th ed., Livraria Luso-Espa¬
nhola e Brasileira, Rio, 1963. pp. 1148-1160.
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Ancistrodon contortrix venom. Am. J. Med. Sciences, 241:507, 1961.
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Anesthetic in snake bite. Am. J. Trop. Med. & Hygiene, 3:1083, 1954.
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DIFFERENCE BETWEEN LETHAL DOSES OF TOXIC SUBSTANCES
INJECTED INTRAVENOUSLY AND INTRA-ARTERIALLY
G. ROSENFELD and F. G. DE LANGLADA *
Laboratory of Hematology, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil
According to Braier (1, 2), when a toxic hemolytic substance, such as ben-
zene, is injected intravenously in rabbits, 0,12 ml/kg provoke hemolysis and dealli
oí the animal in a few minutes, whereas this dose can be increased five times in
intra-arterial injection without producing such manifestations. This diversity in
the threshold of the toxic dose is due to the retention of the injected substance in
the region served by the artery, even if no interruption of venous efferent circula-
tion is made. This fact can also be observed with chloroform, saponin or non-
hemolytic toxics, such as strychnine sulphate, potassium chloride, potassium cyanide
and sodic luminal (1, 2).
In this paper, a comparison between these two routes of administration was
made, as regards the lethal potency on guinea-pigs of benzene, potassium cyanide
and venom of Bothrops jararaca.
Material and metiiods
Cuinea pigs were used. The animais were anesthetized intraperitoneally with
nembutal with doses of 15 mg/kg. Median laparotomy was made and the injec-
tions were given in the abdominal aorta or in the distai cava vein. Animais thus
treated, but not injected with toxics (controls) survived 48 hours. In the experi-
ments with dogs, injections were given in the femoral vein or femoral artery with¬
out anesthetics or skin incision.
The criterion of observation time for death varied according to the drug or
the kind of animal that had been used. In guinea pigs injected with benzene,
potassium cyanide and snake venom (Bothrops jararaca), the observation lime
was restricted to 30 minutes for the two first mentioned substances, and 60 minutes
for the last one; short times were selected because the animais were anesthetized
and laparotomized and the action of the drugs with such doses was very rapid.
Dogs injected with benzene were observed for 24 hours since they had not been
submitted to any traumatic operation.
* Fellow of the Research Fund of Instituto Butantan (FPIB).
Received for publication in March 7, 1963.
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DIFFERENCE BETWEEN LETHAL DOSES OF TOXIC SUBSTANCES
INJECTED INTRAVENOUSLY AND INTRA-ARTERIALLY
Results
Intravenously injected benzene killecl all guinea pigs from lhe dose of 0,2
ml/kg or higher, vvhile intra-arterially lhe same residis were observed only with
doses 32 times higher, i.e., 6,4 ml/kg (Table 1) : in dogs the inlravenous doses
of 0,2 ml/kg killed 3 animais in 3, 4, and 5 minutes respectively, surviving onlv
one animal: intra-arterially the same dose killed only one animal in 80 minutes,
having survived three of them (Table 2). For larger doses, mortality was the
same in both kinds of injections, but survival limes were markedly longer wben
doses until 0,8 ml/kg were injected arterially.
Potassium cyanide injected intravenously killed all guinea pigs with doses
starting from 10 mg/kg, while the same effect appeared only with 20 mg/kg
when injected intra-arterially (Table 1).
Snake venom of Bothrops jararaca injected intravenously, started killing all
guinea-pigs with 1 mg/kg, whereas only the dose of 4 mg/kg produced the same
effect when injected intra-arterially (Table 1).
Discussion
The intra-arterial route has been utilized in chemotherapy as lhe most direct
route for obtaining high concentrations of the therapeutical agent at the tumour
site, permitting even the inlravenous use of higher doses than usually, as it had
been reported. by Byron. Singh, Bierman and Kelly (1959). The principie in-
dicated by Braier(l, 2) however, is quite different: he demonstrated that doses
not imaginable as possible, conld be injected intra-arterially, based on the know-
ledge of the intravenous toxic dose.
Results reported in this paper completely confirmed Braier’s affirmations (1960-
1961) that to cause death by toxic substances, much higher doses are required
by intra-arterial than by intravenous injections. Probably, the explanation of this
fact is the retention or the better absorption of the substance by the tissues of
the arterial region, as it was BraieFs observation (1960-1961).
The toxic threshold for the arterial route in relation to the venous one, varied
with the injected substance, since its absorption must be different for eacli drug,
according to its affinity to the surrounding tissues. This fact shows that identical
results cannot be generalized or induced to other substances: an experimental ve-
rification for each drug is necessary in order to define the difference between
the venous and the arterial toxic dose for each one of them. Only then, the
arterial injection of high doses of lhe most suitable substances for this purpose
should be tried.
With this verification, new possibilities for chemotherapy can be foreseen, since
it will eventually be possible to inject cytotoxic drugs intra-arterially and regionally
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in mucli higher doses than lhose utilized now, that would be lethal if injected
intravenously. This way, the attainment of sterilizing or total chemotherapy could
he possible for cases of localized tumours.
SummarY
Anesthetized and laparotomized guinea-pigs were injected intravenously in
the distai cava and intra-arterially in the abdominal aorta wilh several toxic subs-
tances. The observation time was 30 minutes for those injected with benzene
and potassium cyanide and 60 minutes for those injected with snake venom.
There is a great difference between mortal doses, when a toxic substance is
injected intra-arterially or intra-venously. The mortal dose was always greater
by intra-arterial injection, and also distinct for each substance. For benzene, it
was 0,2 ml/kg intravenously and 6,4 ml/kg intra-arterially. For potassium cya¬
nide, it was 10 mg/kg intravenously and 20 mg/kg intra-arterially, and for snake
venom ( Bothrops jararaca ), it was 1 mg/kg intravenously and 4 mg/kg intra-
arterially.
Dogs not anesthetized or traumatized by surgery, shovved twice more resistance
to benzene injected in lhe femoral artery than in the femoral vein.
Resumo
Cobaias anestesiadas e laparotomizadas foram injetadas por via venosa na
cava distai e por via arterial na aorta abdominal com várias substâncias tóxicas.
O tempo de observação foi de 30 minutos para as injetadas com benzeno e cia-
nureto de potássio, e de 60 minutos para as injetadas com veneno ofídico.
A dose mortal de benzeno foi de 0.2 ml/kg por via venosa e de 6,4 ml/kg
por via arterial. A dose mortal de cianureto de potássio foi de 10 mg/kg por
via venosa e 20 mg/kg por via arterial. () veneno de Bothrops jararaca foi
mortal nas doses de 1 mg/kg por via venosa e 4 mg/kg por via arterial.
Cães não anestesiados nem traumatizados cirurgicamente, injetados na veia
ou na artéria femoral com benzeno. mostraram resistência duas vêzes maior quan¬
do injetados por via arterial.
Rkfkrknces
1 . Braier. L. — Inyección Intra-arterial e Inyección Intravenosa de Substancias
Hemolíticas en et Conejo. Semana médica, 117:1232, 1960.
2. Braier, L. — Injection intraartérielle versus injection intraveineuse de substan-
ces hémolytiques chez le lapin. Arch. Ont. Pharmacodyn., 133:20, 1961.
3. Byron, R. L., Singlu B. P., Bierman, H. R. & Kelly, K. H. — Intra-aortic Nitro-
gen Mustard Therapy in Advanced Pelvic Malignancies. Surgery, 45:634,
1959.
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FERES SALIBÁ
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ESTUDO ANATOMOPATOLÓGICO DA EVOLUÇÃO DA NECROSE PRODU¬
ZIDA EXPERIMENTALMENTE POR VENENO DE BOTHROPS JARARACA.
INFLUÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ÓRGANO-HEPARINÓIDE *
FERES SALIBA
Secção de Anatomia Patológica, Instituto Butantan, São Paulo, Brasil
O veneno de Bothrops jararaca (Wied, 1824) provoca extensas necroses no
local da inoculação experimental ou acidental. Amorim, Mello & Saliba (1) des¬
creveram experimentalmente o quadro macro e microscópico do processo em coe¬
lhos, demonstrando a existência de extensas sufusões hemorrágicas no hipoderma
e musculatura adjacente, necrose de coagulação gangrenosa no ponto de inoculação,
um estado de estase e pré-estase, além de capilares contendo trombos hialinos na
luz. Descreveram, também, forte edema e hemorragias peri-capilares e sufusões
hemorrágicas por confluência, como consequência do estado de peri-estase. Re¬
lataram também degeneração hialina de Zenker cm feixes musculares e ainda hia¬
lino-necrose de um pré-capilar. Na parte periférica, descreveram uma larga zona
de reação inflamatória exsudativa, caracterizada por intensa infiltração de granu-
lócitos neutrófilos e de linfócitos.
Eichbaum (7), estudando a ação dermatotóxica do mesmo veneno, concluiu
que, "a afinidade das dermatotoxinas para com o tecido cutâneo parece ser muito
grande, visto que a injeção de doses altas de antitoxina não conseguem neutralizar
o veneno injetado poucos minutos antes, no mesmo lugar”.
Inúmeros trabalhos clínicos (17, 16, 14, 6, 2, 8, 3, 9, 15, 4, 10 e 11) sôbre
o heparinóide de órgãos animais, afirmam sua capacidade de lesar trombos, de
reabsorver hematomas e de ter marcada influência sôbre a cicatrização cutânea
em vários tipos de lesões.
Degni & Langlada concluiram ter a substância heparinóide influência benéfica
sôbre a cicatrização cutânea das áreas necróticas produzidas pelo oleato de mono-
etanolamina injetado na orelha de coelho com o fim de determinar tromboses lo-
* Trabalho realizado com auxílio do Fundo de Pesquisas do Instituto Butan¬
tan (FPIB).
Recebido para publicação em maio de 1963.
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ESTUDO ANÁTOMO-PATOLÓGICO DA EVOLUÇÃO DA NECROSE
PRODUZIDA EXPERIMENTALMENTE POR VENENO DE
Nas experiências relatadas neste trabalho, estudou-se anátomo-patològicamente
a evolução da necrose produzida em coelhos pela injeção de veneno de B. jararaca
e verificou-se se o mesmo seria influenciado pela aplicação de anticoagulante de
pulmão de vitela (Hirudoid Luitpold-Werk).
Material e métodos
Neste trabalho foram utilizados 32 coelhos machos de 2,5 kg, cujas orelhas
tinham sido depiladas manualmente cinco dias antes do experimento. Na face
externa da região média de uma orelha de cada animal, injetava-se subcutânea-
mente 1,5 mg de veneno-padrão de B. jararaca (dose mínima mortal para pom¬
bos: 2 jiig), dissolvidos num volume de 0,15 ml de solução de cloreto de sódio a
8,5 °/oo • Seis horas após, cada animal recebia intravenosamente, antitoxina bo-
trópica em dose cinco vêzes superior à necessária para a neutralização do veneno
administrado. Os animais foram distribuídos, 48 horas após a administração do
veneno, em dois grupos de 16, recebendo cada animal do primeiro grupo uma
aplicação local diária de 1,3 g de pomada, contendo em 100 g, 1 g de substância
anticoagulante do tecido pulmonar de vitela, durante 7 dias. Os do segundo grupo
recebiam idêntico tratamento mas não se administrava a pomada.
No final do experimento todos êles foram sacrificados e as orelhas necrosadas
eram fixadas em formol neutro a 10%, incluindo-se em parafina um segmento
necrosado, corando-se os cortes resultantes pela hematoxilina-eosina ou, para de¬
monstrar pigmento hemosiderótico, pelo método de Mac Callum Hall.
Resultados
Aspecto macroscópico c desenvolvimento do processo
Tanto nos animais tratados como nos não tratados com a substância hepari-
nóide, 2 horas depois da inoculação havia intenso edema, e flexão da orelha para
baixo (Fig. 3A). Concomitantemente, notava-se forte hiperemia e a formação de
uma volumosa flietena que se rompia ao cabo de 24 horas. O rompimento da
flictena deixava em seu lugar uma área isquêmica de necrose. Em alguns casos
observavam-se hemorragias mais ou menos acentuadas, de curta duração, conse¬
quentes ao rospimento da flictena (Fig. 3A). Os vasos da orelha injetada apre¬
sentavam-se dilatados e repletos de sangue, e o edema agora atingia o máximo
de seu desenvolvimento. Sôbre a área isquêmica de necrose, formava-se uma
placa de fibrina, a qual, à medida que decorriam os dias ia-se transformando
numa crosta sêca (Fig. 4C). A necrose, nos casos mais graves, perfura a orelha,
comprometendo a cartilagem e o tecido correspondente ao lado oposto (Figs. 215
e 4B). O edema desaparecia gradualmente até que, por fim, nos casos tratados,
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êle quase se limitava a uma estreita faixa bem delimitada, que circundava o ponto
de inoculação, enquanto que na orelha dos coelhos não tratados, persistia numa
faixa maior e mal delimitada. Às vêzes a lesão se ramificava e se desmembrava
em dois ou três focos, no máximo, separados, porém próximos.
Macroscopicamente nos casos mais graves (Figs. 2 e 4), havia, sob a crosta
sêca, perda de tecido em grau acentuado com massas necróticas e às vêzes um
pouco de pus. Nos menos graves a crosta caía ao cabo de 6 a 7 dias e observa¬
vam-se nítidos sinais de cicatrização (Figs. 1 e 3).
No início, as alterações desenvolviam-se nos dois grupos de animais, com os
aspectos já referidos. Mais tarde, todavia, os tratados apresentavam algumas par¬
ticularidades favoráveis, como se pode ver na tabela I, caracterizadas por uma
evolução mais adiantada de cura em relação aos testemunhas. Na tabela, a in¬
tensidade dos processos é expressa de + a +++, sendo que + significa grau
moderado, H—b grau evidente e H—b+ grau intenso, dependendo da extensão da
lesão, medida em centímetros.
TABELA I — INFLUÊNCIA DA SUBSTÂNCIA ÕRGANO-HEPARINÓIDE SOBRE AS LESÕES
OBSERVÁVEIS MACROSCOPICAMENTE
Início da experiência
(2 dias)
Fim da experiência
(9 dias)
+ + +
+ +
+
0
+ + +
+ +
+
0
A
Não tratados
Necrose .
13
o
1
—
8
2
5
i
Edema .
16
—
—
14
2
—
-
Cicatrização .
7
2
7
—
B
Tratados
Necrose .
12
o
2
—
i
5
8
o
Edema .
16
—
—
—
12
2
2
—
Cicatrização .
12
2
2
—
Coelhos com pêso aproximado de 2,5 kg, injetados subcutãneamente com 1,5 mg de
veneno padrão de B. jararaca, dissolvido em 0,15 ml de solução de cloreto de sódio a 8,5»/
e tratados intravenosamente com antitoxina botrópica 6 horas após. Os animais do grupo
B recebiam, 48 horas depois, uma aplicação local diária de pomada contendo 1% de subs¬
tância anticoagulante do tecido pulmonar de vitela, durante 7 dias.
+ grau leve, + + grau médio, + + + grau intenso, 0 ausência.
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Figs. 1 a 4 — Coelhos injetados por via subcutânea na orelha com
1,5 mg de veneno de B. jararaca.
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Aspectos microscópicos
O exame microscópico, cujas lâminas foram examinadas ao acaso, com o fim
de evitar erros subjetivos, revelou, nos dois grupos de animais, nos casos mais
graves, o seguinte quadro: Na região da inoculação, havia uma extensa área de
necrose de coagulação do tecido, que penetrava profundamente, atingindo a hipo-
derma, chegando a ultrapassar, em alguns casos, a própria cartilagem, que se
apresentava rompida, permitindo que o processo se manifestasse também na face
interna da orelha (Fig. 5). Ao redor das massas necrólicas, havia regeneração
do tecido adjacente, caracterizada por intensa proliferação de tecido de granulação,
rico em vasos neoformados, apresentando numerosíssimos granulócitos eosinófilos
(Figs. 5 e 6). Havia forte edema, hiperemia intensa e quase sempre hemorra¬
gias difusas (Fig. 7), principalmente nas partes superficiais. Nos bordos ocorria
proliferação mais ou menos acentuada do epitélio de revestimento, notando-se no
tecido conjuntivo subcutâneo, focos inflamatórios de natureza Ieucolinfocitária es¬
parsos e perivasais. Quando o processo se estabelecia muito próximo de arterío-
las, notava-se uma intensa proliferação da adventícia. Na área necrosada, encon¬
travam-se raras vênulas trombosadas com hialinização das paredes, parcial ou
inteiramente destruídas.
Nos casos pouco graves, notava-se que a área de necrose era bem menor,
melhor demarcada por tecido de granulação e não apresentava as massas necró-
ticas centrais (Fig. 8). 0 tecido de granulação evidenciava intensa infiltração
eosinofílica. Os vasos apresentavam-se com sangue, não havendo, porém, hipere¬
mia acentuada. Havia edema hem circunscrito e pouco acentuado. No seio do
tecido notavam-se ainda pequenos focos inflamatórios de natureza leucocitária e
alguns perivasais. A reepitelização era bem evidente, chegando por vêzes a um
“restitutio ad integrum” (Fig. 9).
Em todos os cortes corados pelo método de Mac Callum Hall, havia deposição
de pigmento hemossiderótico em maior ou menor grau, demonstrando ter havido
hemorragias também nas adjacências da lesão (Figs. 10 e 11).
A tabela II mostra a intensidade e a frequência dos vários componentes das
lesões microscópicas mais características no grupo tratado e no grupo testemunha,
expressa nos símbolos já convencionados de + a +++. Nota-se particularidades
favoráveis aos animais tratados, no que se refere à necrose, edema, hemorragia,
hemosiderose, hiperemia, reepitelização e cicatrização, indicando que na altura
dos nove dias, nos animais testemunhas, o processo estava em evolução mais atra¬
sada do que nos animais tratados.
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ESTUDO ANÁTOMO-PATOLÓGICO DA EVOLUÇÃO DA NECROSE
PRODUZIDA EXPERIMENTALMENTE POR VENENO DE
por via subcutânea
Figs. 5 a 11 — Cortes histológicos das orelhas dos coelhos injetados
com 1,5 mg de veneno de B. jararaca.
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TABELA II — INFLUÊNCIA DA SUBSTÂNCIA ÓRGANO-HEPARINÓIDE SÕBRE AS LESÕES
OBSERVÁVEIS MICROSCOPICAMENTE
A
— Não
tratados
B —
Tratados
+ + +
+ +
4-
0
+ + +
+ +
+
0
Necrose .
8
1
5
2
4
3
7
2
Edema .
13
2
1
—
7
9
—
—
Hemorragia .
11
3
—
2
1
1
5
9
Hemossiderose .
3
12
1
—
2
11
3
—
Hiperemia .
14
1
1
—
4
1
10
1
Reepitelização .
4
2
10
—
12
4
—
—
Cicatrização .
7
2
7
—
11
4
1
—
Coelhos com pêso aproximado de 2,5 kg, injetados subcutâneamente com 1,5 mg de
veneno padrão de B. jararaca, dissolvido em 0,15 ml de solução de cloreto de sódio a 8,5 °/ 00
e tratados intravenosamente com antitoxina botrópica 6 horas após. Os animais do grupo
B recebiam 48 horas depois, uma aplicação local diária de pomada contendo 1% de subs¬
tância anticoagulante do tecido pulmonar de vitela, durante 7 dias.
+ grau leve, + + grau médio, + + + grau intenso, 0 ausência.
As lâminas foram examinadas ao acaso, tendo-se o cuidado de identificá-las sõmente
no fim do exame.
Comentários
A análise das tabelas revelou: Necrose ; não apresentava, macroscopicamente,
diferenças muito significativas, eis que a ação altamente proteolítica do veneno
sempre ocasiona necroses graves. Mesmo assim, nos animais tratados, a necrose
mostrava-se ao final menos intensa. Havia 50% de casos graves contra 6,2%, nos
casos tratados. Os casos menos graves eram de ordem de 50% nos tratados e de
31,25% nos não tratados. Havia uma certa divergência entre o resultado das
observações macro e microscópicas, pois necroses mais profundas não reveladas
ao primeiro exame, manifestavam-se evidentes no segundo.
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ESTUDO ANÁTOMO-PATOLÓGICO DA EVOLUÇÃO DA NECROSE
PRODUZIDA EXPERIMENTAL MENTE POR VENENO DE
Pelos dados obtidos ao exame microscópico, havia 43,75% de casos leves nos
tratados e 31,25% nos não tratados; 25% de casos graves nos tratados, contra
50%, nos não tratados.
Edema — Os dados macro e microscópicos correspondiam-se aproximada¬
mente. Havia uma porcentagem de edema da ordem de 43,75% para os tratados
e de 81,25% para os testemunhas.
Hemorragia — Êste é o item mais importante e mais evidente da análise.
Existiam em dezesseis animais tratados, onze (68,75%) com pouquíssima ou ne¬
nhuma hemorragia, enquanto que nos não tratados existiam somente 6,2%. Êstes
números indicam que as hemácias extravasadas para os interstícios do tecido, eram
absorvidas mais cedo, razão pela qual. quase não se notava hemácias livres nos
casos tratados.
Hemosiderose — Quanto à presença de pigmento hemosiderótico nas adja¬
cências da área afetada, notava-se um certo equilíbrio de intensidade em todos
os casos examinados, quer tratados ou não. Nos grupos dos animais tratados
havia 68,75% de casos moderados (++) e 75% nos não tratados. Estas cifras
indicaram uma constância absoluta de hemosiderose, mostrando que nos trinta e
dois coelhos, havia hemorragias e hemólise no local da inoculação.
Hiperemia — Nos animais tratados havia 62% de casos onde se manifestava
hiperemia moderada, contra 6.2% dos não tratados. Em 87,5% dos casos teste¬
munhas havia hiperemia intensa, ao passo que havia 25% nos tratados. A hipe¬
remia, quando intensa, indicava haver um estágio de evolução mais atrasado, pois
a observação demonstrava que nos casos onde a cicatrização era mais avançada,
a hiperemia era menos intensa.
Reepitelizução — Era mais intensa nos casos tratados, que revelavam 31,25%
de reepitelização atrasada, em contraposição a 75% dos não tratados.
Cicatrização — Macroscopicamente havia 75% de boa cicatrização nos tra¬
tados e 43,75% nos testemunhas. A má cicatrização era da ordem de 6.2%
para os tratados e 43.75% para os não tratados, havendo correspondência com a
observação microscópica.
Resumo
Foram estudadas as lesões macro e microscópicas em 32 coelhos injetados
com 1,5 mg de veneno de R. jararaca (Wied, 1824), por via subcutânea, na face
externa do pavilhão auricular direito, tratados seis horas após, com 5 ml de sôro
específico. O primeiro grupo de 16 coelhos foi tratado, 48 horas depois, com
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substância órgano-heparinóide sob a forma cie pomada dermo-absorvível, durante
7 dias. O lote testemunha não foi submetido ao tratamento da referida substân¬
cia. A experiência durou 9 dias, ao cabo dos quais todos os coelhos foram sa¬
crificados.
0 estudo comparativo, realizado através do quadro macroscópico, revelou
edema, hiperemia e necrose, em graus variados, tanto no lote testemunha como
no lote tratado com a substância órgano-heparinóide. O quadro microscópico
evidenciou necrose de coagulação do tecido afetado, acompanhado de edema, hi¬
peremia, hemorragias difusas, focos inflamatórios esparsos e perivasais, proliferação
da adventícia arteriolar, raras tromboses de vênulas com hialinização das paredes.
Êste aspecto era acompanhado por processos regenerativos de proliferação de te¬
cido de granulação e por reepitelização. Em todos os cortes havia deposição de
pigmento hemosiderótico nas adjacências da lesão.
Nos animais tratados, a necrose teve cicatrização mais avançada, o edema foi
menos intenso, a reepitelização mais acentuada, a hiperemia menos intensa e as
hemorragias menos freqiientes. Em todos os casos observou-se pigmento hemosi¬
derótico nos cortes, denotando hemorragias na evolução do processo.
SlJMMARY
Macro and microscopic lesions were studied in 32 rabbits injected with 1,5 mg
of venom of Bothrops jararaca (Wied, 1824), subcutaneously, on the externa!
side of the right auricular pavillion, treated after six hours with 5 ml of specific
serum. The first group of 16 rabbits was treated 48 hours afterwards with organo-
heparinoid substance as a dermo-absorbable ointment for 7 days. The witness
lot was not treated with the above mentioned substance. The experiments- lasted
9 days, after which, all rabbits were sacrificed.
The comparative study, performed by means of the macroscopic picture re-
vealed oedema, hyperemia and necrosis in different degrees, in lhe witness lot as
well as in the lot treated with the heparinoid substance. The microscopic picture
showed coagulation necrosis of the affected tissue, followed by oedema, hyperemia,
diffused hemorrhages, dispersed and peri-vasal inflammatory focuses, proliferation
of the arteriolar adventitia, seldom thrombosis of the venulae with hyalinization
of the walls. lhe aspect was followed by regenerative processes of proliferation
of granulation tissue and reepithelization. In all the sections, we verified the de-
position of hemosiderotic pigments in the surroundings of the Iesion.
In the animais treated, the necrosis that always existed in all cases had a
more advanced cicatrization, the oedema was less intensive, the reepithelization
more accented. the hyperemia less intensive and the hemorrhages not so frequent.
In all cases, hemosiderotic pigment could be observed in the sections, showing
hemorrhages in the evolution of the process.
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A. VALLEJ O-FREIRE e A. BRUNNER JR.
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RICKETTSIEMIA EXPERIMENTAL DA FEBRE MACULOSA DO BRASIL
A. VALLEJO-FREIRE e A. BRUNNER JR.
Serviço de Microscopia Eletrônica, Secção de Virulogia, Instituto Butantan,
São Paulo, Brasil
Introdução
Apesar de constantes tentativas realizadas em esfregaços corados pelos méto¬
dos de Giemsa e Macehiavello, a rickettsia da Febre Maculosa do Brasil não foi
até o presente momento identificada morfologicamente, quer no sangue de cobaios
utilizados para passagem do vírus, quer em experiências de laboratório.
Lemos Monteiro (1) concluiu que o agente infeccioso existe sob a forma gra¬
nular no meio circulante, representando uma das fases da evolução da rickettsia.
Trabalhando com macacos e cobaios infectados com Febre Maculosa das Mon¬
tanhas Rochosas, Rieketts (2) descreveu em 1909, em preparações coradas pelo
Giemsa, corpúsculos em forma de diplococos e, por vêzes, em formas bacilares.
Estas partículas, encontradas com frequência no sangue destes animais, eram
menos constantes no sangue dos doentes, onde só puderam ser localizadas mediante
a concentração do sôro. Em ovos de Dermacentor sp. foram encontradas forma¬
ções, que mostraram ser específicas em provas de aglutinação com sôro imune
de cobaios.
Nicolle, Blanc e Conseil (3) não observaram forma microbiana alguma em
sangue de cobaios infectados experimentalmente com Tifo Exantemático Europeu.
No sangue de doentes, Rocha Lima (4) encontrou partículas suspeitas apenas em
leucócitos, que, quanto à forma, tamanho e afinidade tintorial se assemelhavam
à Rickettsia prowazeki.
No presente trabalho apresentamos eletromicrografias de sangue de cobaios
infectados experimentalmente com Febre Maculosa do Brasil, e analisamos o signi¬
ficado das partículas suspeitas.
Recebido para publicação em fevereiro de 1963.
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SciELO
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202
RICKETTSIEMIA EXPERIMENTAL DA FEBRE MACULOSA DO BRASIL
Material e métodos
Foi utilizado sangue de animais no segundo e terceiro dias do período febril,
obtido por punção cardíaca. As provas de esterilidade eram feitas em tioglicolato,
caldo simples e Sabouraud. As provas de atividade consistiam na inoculação in-
traperitoneal de 1 ml de sangue, fazendo-se, no fim do período febril das cobaias
de prova, esfregaços peritoneais corados pelo método de Macchiavello.
Titulações — Eram determinadas pelo método de Reed e Muench, as DL 50 , do
sangue íntegro citratado, do sangue hemolisado, obtido por congelamento a — 20°C
e descongelamento e do plasma obtido por centrifugação a 500 g durante 15
minutos.
Réplicas — Imediatamente após o preparo dos esfregaços de sangue, para
exame ao microscópio eletrônico, faziam-se fixações por vapores de ácido ósmico.
Decorridos 40 a 60 minutos, os esfregaços eram mergulhados em solução de co-
lódio a 1% em acetato de amila e mantidos em posição inclinada na estufa a
40°C durante 30 a 40 minutos. Em seguida, os filmes eram destacados dos es¬
fregaços por meio de fitas gomadas de 5 mm de largura, aderidas aos mesmos,
em posição perpendicular ao comprimento da lâmina. A fita gomada, com uma
abertura quadrada de aproximadamente 3 mm de lado, era destacada juntamente
com o filme. O filme correspondente à região da abertura era colocado, em po¬
sição invertida, sôbre uma grade metálica, prèviamente mergulhada numa solução
diluída de goma em éter de petróleo.
Hemólise — A 10 ou 15 ml de água destilada era adicionado 1 ml de sangue.
Dez minutos após, adicionava-se 1 ml de solução aquosa de ácido ósmico a 1%,
prosseguindo a fixação por 10 a 15 minutos. As hemácias hemolisadas eram la¬
vadas com água destilada, por meio de centrifugações e decantações sucessivas
até a obtenção de um sobrenadante incolor. A suspensão de estromas era gote¬
jada sôbre grades metálicas prèviamente cobertas com um filme de colódio e o
excesso de líquido da gôta retirado por absorção em papel de filtro.
As preparações eram submetidas ao sombreamento metálico com cromo e
examinadas num microscópio eletrônico Siemens ÜM 100b, a 60 KV, com au¬
mentos de X7200.
Resultados e conclusões
Tôdas as partículas suspeitas observadas dispõem-se nos bordos da hemácia o,
com frequência, numa reentrância, como se o glóbulo vermelho tivesse sido com¬
primido. Mas figuras 1 e 2 observam-se réplicas de partículas suspeitas, com a
região central aparentemente sem colódio. Êste aspecto está em concordância com
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A. VALLEJO-FREIRE e A. BRUNNER JR.
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Figs. 1 and 2 — Replica of rickettsiae (r) disposed on the borders of the red blood cor-
puscles (h). The central reglon oí the replica of particles presents a hole corresponding
to the height of the rickettsla.
Fig. 3 — Rickettsla from a preparation of hemolysed blood, containlng a capsule (c);
the long shadow (s) shows the pronounced height of the partiele.
Figs. 4 and 5 — Pseudoreplicas containing rickettsiae (r) situated in a concavity on the
borders of the red blood corpuscles (h). The shadows are not long because the particles
are partially embedded in collodium.
Figs. 6 and 7 — Hemolysed red blood corpuscles with particles, of variable dimensions
and constant form, adsorbed on the stromas.
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204
RICKETTSIEMIA EXPERIMENTAL DA FEBRE MACULOSA DO BRASIL
a morfologia da rickettsia, como se verifica na figura 3. O sombreamento me¬
tálico indica uma acentuada saliência da região central da partícula, sendo possível
que parte do colódio possa ficar aderido nessa região quando o destaque da ré¬
plica é feito.
Estas partículas medem no seu eixo maior, de 720 a 620 m/x e no eixo menor,
de 540 a 330 m/x. As medidas feitas nas réplicas, não correspondem exatamente
às medidas reais da partícula, se se considerar as tensões que sofrem as mesmas,
quando destacadas do esfregaço e as devidas ao bombardeio eletrônico, quando
são submetidas ao exame.
Nas figuras 4 e 5 verifica-se um aspecto diferente dos anteriores, devido ao
fato de terem as partículas se destacado do bordo das hemácias, permanecendo
incluídas no colódio. Nestes casos foram obtidas somente as réplicas das hemá¬
cias, que mostram também a disposição das partículas em reetrâncias. Estas par¬
tículas medem 390 X 480 m/x.
Formas bacilares, como as que se observam em esfregaços peritoneais e de
membrana do saco vitelino corados pelo Macchiavello, nunca foram surpreendidas
no sangue de cobaios, mas apenas formas cocoidais isoladas (Figs. 1 e 4) ou pró¬
ximas, que dariam o aspecto de diplococoidais ao microscópio óptico (Figs. 2 e 5).
As dimensões, a forma, a disposição das partículas em relação à hemácia e o
título relativamente baixo do sangue (DL 50 = IO' 2,15 ), são fatores que podem ex¬
plicar as dificuldades na observação da rickettsia em esfregaços de sangue ao mi¬
croscópio óptico.
Suspensões de glóbulos vermelhos hemolisados foram examinadas com o ob¬
jetivo de concentrar as partículas presentes no sangue, desde que estivessem ad-
sorvidas aos estromas das hemácias. Nas figuras 6 e 7 observam-se estromas nos
quais estão adsorvidas partículas de forma constante, porém, de dimensões que
variam de 98 X 146 m/r a 200 X 630 m/x. O sombreamento metálico triangular,
cujo vértice corresponde aproximadamente ao centro das partículas, indica uma
saliência nesta região, à semelhança do que se observa nas rickettsias. Estas par¬
tículas não apresentam um envoltório ou cápsula visível como a rickettsia da fi¬
gura 3. Embora não tenham sido observadas em sangue de cobaios normais, não
se pode acreditar ainda na sua participação num processo de desenvolvimento que
a rickettsia provavelmente apresenta, levando-se em conta o seu pleomorfismo.
Nestas preparações nunca foram observadas formas típicas de rickettsia em estro¬
mas de hemácias, mas apenas isoladas. É possível, pois, que além da rickettsia
não ser adsorvida pelos estromas, seja também destacada da hemácia durante o
processo de hemólise osmótica. A aderência da partícula ao glóbulo vermelho
seria mantida somente no sangue íntegro. Isto está de acordo com observações
feitas por Vallejo-Freire (5), de que ocorre um aumento do título no sangue, man¬
tido a baixa temperatura (4°C) para conservação, quando se processa, em decor¬
rência, uma hemólise. Êste fato pode ser explicado por uma distribuição mais
í, | SciELO
Mem. Inst. Butantan,
31 : 201 - 206 , 1964 .
A. VALLEJO-FREIRE e A. BRUNNER JR.
205
homogênea de rickettsias nas amostras quando duas ou três partículas aderidas a
uma hemácia se destacam, considerando-se possível o processo de desencadeamento
da infecção por uma única rickettsia. A DL 50 do sangue hemolisado por conge-
o que corrobora as considerações feitas
lamento e descongelamento foi de IO" 2
acima.
Resumo
Não tendo sido possível observar ao microscópio óptico o agente etiológico
da Febre Maculosa do Brasil na fase circulante, foram feitos exames de esfregaços
de sangue pelo método de réplicas. As rickettsias, geralmente granulares, se dis¬
põem nos bordos das hemácias e medem 390 X 480 m/r.
O baixo título, a forma e dimensões e sua disposição em relação às hemácias
são fatores que dificultam sua observação pelos métodos clássicos.
SüMMARY
It was not possible to observe the etiological agent of the Brazilian Spotted
Fever in the circulatory blood at the optic microscope, therefore, blood smears
were examined at the electron microscope by lhe replication method. The general-
ly granular ricettsiae dispose themselves on the borders of the red blood corpuscles
and measure about 390 X 480 m/i.
The low title, form and dimensões and the disposition in relation to the red
blood corpuscles, are factors that make the observation by the classical methods
difficult.
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2 .
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cm
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Com posto e impresso nd
TIPOGRAFIA EDANEE S. A.
ruâ São Pdulo, 165-171
São P d uI o - Brd s i I
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