M E M O RIA S
INSTITUTO
BUTAMTAM
1972
VOLUME 36
SECRETARIA DE ESTADO DA SAUDE
COOHDÍMDOHU DOS SERVIÇOS KCNICOS ESPECIALIZADOS
INSTITUTO BUTANTAN
SÃO PAULO — BRASIL
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INSTITUTO BUTANTAN
SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE
Secretario — Dr. Getulio Lima Junior
COORDENADORIA DE SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS
Coordenador — Prof. Dr. Otto Guilherme Bier
INSTITUTO BUTANTAN - DIRETORIA GERAL
Diretora — Dra. Jandyra Planet cio Amaral
I - DIVISÃO DE MICROBIOLOGIA E IMUNOLOGIA
Diretor — Dra. Jandyra Planet do Amaral
Diretor Substituto — Dr. Bruno Soerensen Cardozo
a) Serviço de Bacteriologia — Controle e Técnicas Auxiliares
Diretor — Dr. Bruno Soerensen Cardozo
b) Serviço de Imunologia
Diretor — Dr. Raymundo Rolim Rosa
c) Serviço de Virologia
Diretor — Dr. René Corrêa
II - DIVISÃO DE BIOLOGIA
Diretor — Dr. Alphonse Richard Hoge
a) Serviço de Animais Peçonhentos
Diretor — Dr. Hélio Emerson Belluomini
b) Serviço de Genética
Diretor — Dr. Willy Beçalc
UI - DIVISÃO DE CIÊNCIAS FISIOLÓGICAS E QUÍMICA
Diretor — Dra. Alha Apparecida de Campos Lavras
a) Serviço de Bioquímica
Diretor — Dra. Fajga Ruchla Mandelbaum
b) Serviço de Farmacologia
Diretor — Dra. Mina Fichman
c) Serviço de Fisiologia
Diretor — Dr. Saul Schenberg
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d) Serviço de Química Organica
Diretor — Dr. Raymond Zelnik
IV - DIVISÃO DE PATOLOGIA
Diretor — Dr. Jesus Carlos Machado
a) Serviço de Fisiopatologia
Diretor — Dra. Linda Nahas
Serviços Diretamente Ligados à Diretoria Geral
a) Serviço de Veterinária
Diretor — Dr. Feres Saliba
MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN
INSTRUÇÕES AOS AUTORES
1 - FINALIDADE
As MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN são publicadas sob a
orientação da Comissão Editorial, sendo que os conceitos emitidos são de
inteira responsabilidade dos autores. Tem por finalidade a apresentação de
trabalhos originais que contribuam para o progresso nos campos da Biologia
e da Medicina, elaborados por especialistas nacionais ou estrangeiros que se
enquadrem no REGULAMENTO DOS TRABALHOS.
2 - REGULAMENTO DOS TRABALHOS
2.1 NORMAS GERAIS
2.1.1. Os trabalhos devem ser inéditos e destinar-se exclusivamente à
revista “MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN”. Os artigos serão pu¬
blicados a convite da Comissão Editorial.
2.1.2 ESTRUTURA DO TRABALHO
2.1.2.1 Elementos preliminares
a) cabeçalho — título do trabalho e nome do autor (es);
b) filiação científica e enderêço para correspondência.
2.1.2.2 Texto
Sempre que possível deve obedecer à forma convencional do
artigo científico:
a) Introdução — Estabelecer com clareza o objetivo do tra¬
balho, relacíonando-o com outros do mesmo campo o apre¬
sentando de forma sucinta a situação que se encontra o
problema investigado. Extensas revisões de literatura de¬
vem ser substituídas por referências aos trabalhos mais re¬
centes, onde tais revisões tenham sido apresentadas.
b) Material e métodos — A descrição dos métodos usados
deve limitar-se ao suficiente para possibilitar ao leitor a
perfeita compreensão e repetição dos métodos; as técnicas
já descritas em outros trabalhos devem ser referidas so¬
mente por citação, a menos que tenham sido considera¬
velmente modificadas.
c) Residtados — Devem ser apresentados com clareza e,
sempre que necessário, acompanhados de tabelas e material
ilustrativos adequados.
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5 6
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cm
cl) Discussão — Devo restringir-se à apresentação dos dados
obtidos e dos resultados alcançados, relacionando-se novas
contribuições aos conhecimentos anteriores. Evitar hipó¬
teses ou generalizações não baseadas nos resultados do tra¬
balho.
e) Conclusões — devem ser fundamentadas no texto.
Dependendo do assunto do artigo, as divisões acima poderão ser modifica¬
das de acordo com o esquema de trabalho, porém, o artigo deve conter obriga¬
toriamente:
a) Introdução;
b) Desenvolvimento do tema (com as divisões a critério do
autor);
c) Conclusão.
Agradecimentos — devem ser mencionados antes das Referências Biblio¬
gráficas.
2.1.2.3 Material de Referência
Todo trabalho deve vir obrigatoriamente acompanhado de:
a) RESUMO — um no mesmo idioma do texto, outro em
inglês, redigidos pelo(s) próprio(s) autor (s), devem
expressar o conteúdo do artigo, salientando os elementos
novos e indicando sua importância. O resumo na língua
em que está redigido o trabalho deve ser colocado antes
do texto; e o em inglês no final. Só excepcionalmente ex¬
cederá a 200 palavras. Os títulos dos trabalhos devem ser
traduzidos para o inglês.
b) UNITERMOS — Correspondendo a palavras ou expres¬
sões epie identifiquem o conteúdo, devem ser em número
necessário para a completa descrição do assunto e assina¬
lados com asteristicos os 3 unitermos principais. Para a
escolha dos unitermos usar o vocabulário protótipo do
campo especializado. °
c) REFERENCIAS RIBLIOGRÁFICAS - Devem ser in¬
cluídas apenas as referências mencionadas no texto e arran¬
jadas em ordem alfabética do sobrenome do autor, nume¬
radas consecutivamente.
Periódico:
AMORIM, M. de F., MELLO, R. F. e SALIBA, F. -
Envenenamento botrópico e crotálico. Contribuição
para o estudo experimental comparado das lesões.
Alem. Inst. Butantan, 23:63, 1950-51.
Para as ciências cia saúde usar o “Medicai Subject Headings”, com traduçiío em
português realizada pelo Grupo de Bibliotecários Biomédicos da A.P.B.
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Livros
BIER, O. — Bacteriologia e imunologia, 1, 13. ed. São
Paulo, Melhoramentos, 1966.
As citações no texto devem ser em números índices, correspondendo às
respectivas referências bibliográficas.
Exemplos:
As investigações sobre a fauna flebotomínica no Estado de São Paulo,
foram feitas em várias ocasiões '■ 3 > 4 .
... método derivado de simplificação de armadilha de Disney 2 (1968).
Referencias Bibliográficas (correspondentes aos números indices)
1. BARRETO, M. P. — Observações sobre a biologia em condições naturais
dos flebótomos do Estado de São Paulo (Diptera Psychodidae); São
Paulo, 1943. (Tese — Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo).
2. DISNEY, R. H. L. — Observations on a zoobosis: leishmaniosis in British
Honduras. J. appl. Ecol, 5:19, 1968.
3. FORATT1NI, O. P. — Algumas observações sobre Biologia dos flebótomos
(Diptera, Psychodidae) em região da bacia do Rio Paraná (Brasil).
Arq. Fac. Hig. S. Paulo, 8:15-136, 1954.
3. FORATT1NI, O. P. — Novas observações sobre Biologia de flebótomos
em condições naturais (Diptera, Psychodidae). Arq. Fac. Hig. S.
Paulo , 25: 209-15, 1960.
.3 - NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DOS ORIGINAIS
3.1 — Datilografia — Os originais devem ser datilografados, em 3
(três) vias, com espaço duplo, em uma só face, mantendo as
margens laterais com 3 cm aproximadamente. Tòdas as pá¬
ginas devem ser numeradas consecutivamente, com algaris¬
mos arábicos, no canto superior direito.
3.2 — Tabelas — Devem ser numeradas consecutivamente com al¬
garismos arábicos e encabeçadas pelo seu título. Os dados
apresentados em tabela não devem ser, em geral, repetidos no
texto. As notas de rodapé das tabelas devem ser restritas ao
mínimo possível e referidas por asteriscos.
3.3 — Ilustrações — (fotografias, desenhos, gráficos, etc) — As
ilustrações devem ser numeradas consecutivamente com al¬
garismos arábicos e citadas como Figuras. Todas as figuras
serão identificadas fora da área de reprodução com: número,
nome do autor, título abreviado do trabalho, indicação da
página de texto onde deverão constar. As legendas devem ser
apresentadas em folhas à parte. As ilustrações devem permitir
perfeita reprodução em clichês até a redução mínima de 6,3
cm (largura da coluna do texto). Os desenhos devem ser fei¬
tos em papel vegetal e tinta nanquim preta e as letras com
normógrafo, nunca datilogradas.
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A Revista admite clichês (branco e preto) até 6 do texto, para cada traba¬
lho, devendo os demais serem pagos pelo autor. Para clichês coloridos deverá
haver prévia combinação entre a Comissão Editorial e o autor.
De cada trabalho serão tiradas 100 (cem) separatas, devendo o autor pagar
as separatas que excedam a esse número, quando solicitar uma quantidade
maior. As separatas em excesso devem ser solicitadas quando o manuscrito fôr
encaminhado à Comissão Editorial.
Os trabalhos poderão ser redigidos, além da língua portuguesa, em: inglês,
francês e espanhol. Outras línguas ficarão a critério da Comissão Editorial.
A reprodução total ou parcial dos trabalhos em outros periódicos — com
menção obrigatória da fonte — dependerá de autorização prévia da Comissão
Editorial.
Para fins comerciais, será proibida a tradução e reprodução dos trabalhos
publicados pela revista.
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*
MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN
CONTEÚDO
P a g-
Artigos Originais / Original Articles
1 Estudos sobre a preparação do soro antibotulínico tipo A. 1
Studies on the preparation of Type A Clostridium botulinum antitoxin.
Edison Paulo Tavares de OLIVEIRA
2 A Antibioticoterapia no choque transfusional por sangue contaminado.
Estudo experimental em camundongo . 41
The Antibiotictherapy in Transfusible Shock by Contamined Blood.
Experimental Study in Mice.
Bruno SOERENSEN e Gilda Meire ROSENBERG
o Determinação da contaminação bacteriana em sangue estocado atra¬
vés da dosagem de glicose com tira reagente . 51
Determination of the bacterial contamination in the stored blood by
the dosage of glucose with a reagent strip.
Bruno SOERENSEN, Mary Emi YOSHIO e Marilda Casemiro da
ROCHA
4 Avaliação histopatológica comparativa da intensidade do fenômeno
proliferativo na imunidade celular à tuberculose em cobaios vacinados
oralmente e intra-dermicamente pelo BCG . 57
Comparative histopathological evaluation of the intensity of the pro-
liferative phenomenon in cellular immunity to tuberculosis in guinea
pigs vaccinated orally and intradermally with BCG.
Jesus Carlos MACHADO, Bruno SOERENSEN, Jandyra Planet do
AMARAL, Evani Aparecida PINTO e Nidia de DONOSO.
5 Ciclo sexual bienal de serpentes Crotalus do Brasil. Comprovação.
Reproductive biennial cycle in serpents Crotalus of Brasil
Francisco Garcia de LANGLADA
67
6 Contribuição a técnica operatória de serpentes. I.
Plemipenicectomia bilateral em serpentes . 73
Contribuition to surgical technique in serpents. I.
Bilateral hemipenicectomy in serpents.
Francisco Garcia de LANGLADA e Hélio Emerson BELLUOMINI
IX
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Contribuição a técnica operatória de serpentes. II.
Derivação intestinal, colostomia e cloacorrafia (para obtenção de
urina sem contaminação fecal em cloaca de serpentes) . 79
Contribuition to surgical techniques in serpents. it.
Intestinal derivation, colostomy and cloacorrapby for obtaining
urine without fecal contamination in the cloaca.
Francisco Garcia de LANGLADA e Naomi SIIINOIYA
Contribuição à técnica operatória de serpentes. III.
Ablação de glândulas de veneno em serpentes do gênero Crotalus ..
Contribuition to surgical techniques in serpents. III.
Surgical removal of venom glands in snakes of the genus Crotalus.
Francisco Garcia de LANGLADA e Hélio Emerson BELLUOMINI
89
9 Consequências da ablação cirúrgica da glândula principal de veneno
em Crotalus. Comportamento do animal e estudo histopatológico da
glândula acessória . 101
Consequence of surgical removal of the main venoums gland in
Crotalus: behavior of the animal and histopathological study of the
accessory glands.
Francisco Garcia de LANGLADA, Hélio Emerson BELLUOMINI e
Jesus Carlos MACHADO
10 Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. (Serpentes Elapidae e
Viperidae) . 109
Checklist with keys and a brief review of the classification of snakes.
Alphonse Richard HOGE e Sylvia Alma ROMANO
11 Nota sobre Xenoclon e Ophis (Serpentes Colubridae) . 209
Note on Xenoclon and Ophis.
Svlvia Alma R. W. De Lemos ROMANO e Alphonse Richard HOGE
12 Liophis mossoroensis nov. sp. do Brasil. (Serpentes Colubridae) ... 215
Liophis mossoroensis nov. sp. from Brazil
Alphonse Richard HOGE e José Santiago LIMA-VERDE
13 Serpentes coletadas pelo Projeto Rondon VII em Iauareté, Brasil 221
Snakes collected by the "‘Projeto Rondon” expediction at Iauareté,
Brazil.
Alphonse Richard PIOGE, Nevvton Pereira SANTOS. Carmen
HEITOR, Lídio Anibal LOPES e Irene Menezes de SOUZA.
14 Redescrição de Dnjptopelmid.es STRAND 1907 (ARANAE, THERA-
PHOSIDAE, ISCHNOCOLINAE) e descrição de Dn/ptopelmicles
rondoni sp. n. 233
Description of Dn/ptopelmicles STRAND 1907 (ARANAE, THERA-
PHOSIDAE, ISCHNOCOLINAE) and description of Dryptopehni-
cles rondoni sp. n.
Sylvia LUCAS e Wolíang BÜCHERL
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15 Esporulação no Calex dolosas (L. Arribálzaga 1891) do Hepato-
zoon roiilei (Pliisalix e Laveran, 1913) parasita da Bothrops alterna-
tas (D. e B., 1854), transfundido com o sangue da Bothrops
moojeni Hoge, 1965. 241
Sporulation in Culex dolosas (L. Arribálzaga, 1891), of Hepato-
zoon roalei (Phisalix and Laveran, 1913), a parasite of the
Bothrops alternatus (D. and B., 1854) transfused with the blood to
the Bothrops moojeni Hoge, 1965.
Samuel B. PESSOA, Pérsio de BIASI e Dulce M. de SOUSA
16 Novas observações sobre a transmissão congênita de hematozoários
de serpentes peçonhentas vivíparas . 245
New observations on congenital transmission of hematozoa from vivi-
parous poisonous snakes.
Pérsio de BIASI, Samuel B. PESSOA e Hélio Emerson BELLUO-
MINI
17 Bionomia de Triatona pseudomaculata Corrêa e Spínola 1964, em
laboratório . 251
Bionomy of Triatoma pseudomaculata Corrêa and Spínola, 1964,
carried out in laboratoiy
Therezinha J. Heitzman-FONTENELLE.
18 Triatoma williami Galvão, Souza e Lima, 1965, capturado em Mato
Grosso, BR, novo vector da Moléstia de Chagas . 263
Triatoma williami Galvão, Souza end Lima, 1965, captured in Mato
Grosso, Brazil, new vector of Chagas Disease.
Lauro P. TRAVASSOS F°.
Nota Prévia.
1 Sobre a posição sistemática de Porrima callipoda Melo Leitão, 1924
(ARANAE, LYCOSIDAE) . 267
Wolfgang BÜCHERL e Sylvia LUCAS
Rcsamos Bibliográficos / Review
Índice de autores do volume 36 . 269
Índice de assuntos do volume 36 . 271
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Mem. Inst. Rutantan
Stí : 1-40, 1972.
ESTUDOS SOBRE A PREPARAÇÃO DO SORO
ANTIBOTULlNICO TIPO A *
EDISON PAULO TAVARES DE OLIVEIRA
Seção de Toxinas e Anatoxinas
Instituto Butantan
RESUMO — Não tendo sido pro¬
duzido ainda no Brasil, os soros
antibotulinicos o autor estudou a
possibilidade de obtê-los no Serviço de
Imunologia do Instituto Butantan pela
hiperimunização de cavalos. Iniciou
pelo preparo do Soro antibotulínico
tipo A, experimentou vários meios de
obtenção da toxina respectiva e obteve
toxinas dosando ao redor de 800.000
D. M. M. para o camundongo as quais
transformadas em anatoxinas para
hiperimunizar equinos com esse mate¬
rial.
Verificou que o esquema da hiperi¬
munização é fundamental para a
obtenção de bons títulos neutralizantes
e obtiveram finalmente plasma hiperi-
mune contendo 160 U.A/ml. Esse soro
após purificação e concentração apre¬
sentou um título de cerca de 1.400
UA/ml.
O Soro purificado e concentrado foi
diluido para que contivesse 500 UA/ml.
que já se encontra disponível para
atender eventuais acidentes humanos.
UNITERMOS — Botulismo; envene¬
namento pela ingestão de conservas,
contaminadas com toxina Botulínica.
INTRODUÇÃO
Importância do botulismo.
Dentro do quadro nosológico das intoxicações alimentares encontra-se o
botulismo. É um envenenamento ocasionado pela ingestão de conservas ali¬
mentícias preparadas sem os devidos cuidados, contaminadas por bactérias
anaeróbias pertencentes à espécie Clostridium botulinum , secretora do mais
potente tóxico conhecido.
Um miligrama de toxina botulínica pura cristalizada contém ao redor
de 1 milhão e 200 ml DMM para o cobaio (Van Heymingen, 1950).
Das intoxicações alimentares humanas o botulismo é a mais drástica, sendo
a mortalidade causada por ele variável entre 30 a 90 por cento nos casos
não tratados e de 20 por cento nos casos tratados (Dumas, 1958).
O único tratamento curativo do botulismo é a soroterapia específica. O
êxito da soroterapia reside sempre na precocidade do tratamento, por se tratar
de uma toxina com afinidade principal pelo sistema nervoso após a impreg¬
nação deste, dificilmente regride o desenvolvimento da sintomatologia
característica.
* Tese apresentada ao Instituto de Ciências Biomédicas, da Universidade de São Paulo,
para a obtenção do título de Doutor.
Kndereço para correspondência:
C.P. 05, São Paulo, Brasil.
cm
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OLIVEIRA, E. P. T. -
Mem, Inst. liutantan, .{<;
Estudos sobre
: 1-40, 1972.
a preparação do soro antibotulínico tipo A.
3. MATERIAL E MÉTODOS
3.1 — Obtenção da toxina botulínica tipo A
3.1.1 — Seleção de cepas toxígenas
Para a obtenção da toxina botulínica tipo A, o primeiro cuidado foi
selecionar cepas que apresentassem maior toxigênese. Existiam dez amostras
na germoteca do Instituto Butantan, algumas das quais não eram repicadas
desde 1937. Todas foram repicadas para meio de Tarozzi (1907); após incuba¬
ção durante 24 horas a 37 Ü C, foram elas submetidas à bacterioscopia e às
provas de pureza, em aerobiose e anaerobiose. Em nenhuma amostra ocorreu,
dentro de cinco dias de observação, crescimento em meios aeróbios; somente
no meio anaeróbico é que ocorreu crescimento. Em seguida, foram semeadas
em placas de Petri em anaerobiose contendo ágar simples glicosado, adicio¬
nado de 5% de sangue de carneiro desfibrinado, afim de observar se os aspectos
das colônias eram semelhantes aos descritos para o C. botidinum tipo A.
Segundo Zeissler (1930), nesse meio de cultura as colônias podem apresentar-
se sob cinco aspectos diferentes; as que observamos mostravam somente um
desses aspectos: tinham cor cinzenta brilhante, eram salientes e arredondadas
e apresentavam bordos irregulares. Amostras colhidas dessas colônias foram
submetidas novamente à bacterioscopia: os germes tinham a forma de bas-
tonetes Gram-positivos, com bordos arredondados, isolados ou em pares;
observaram-se também, com rara frequência, esporos subterminais, caracterís¬
ticas estas do gênero Clostridium.
As cepas por nós experimentadas continham as seguintes indicações no
fichário correspondente:
n.° 381-1. B. — Recebida do Dr. Toledo Melo. Laboratório de Micro-
biologia da Faculdade de Medicina de São Paulo. Indicações: “Clostridium
botulinum tipo A, Grupo IX — Amostra 33, recebida da Dra. Hilda Heller
em 3.12.31. San Francisco, Califórnia, U.S.A. — amostra 198 do Laboratório
de Microbiologia da Faculdade de Medicina de São Paulo".
.3 87-I.fí. — Recebida do Dr. Toledo Melo. Laboratório de Micro-
‘Clostridium
Isolado em
Amostra IIER 204 do
n."
biologia da Faculdade de Medicina de São Paulo. Indicações:
botulinum tipo A, recebida da Dra. Hilda Heller cm 3.12.31
1931 da cultura de sangue do coração de cobaia
Laboratório de Microbiologia da Faculdade de Medicina de São Paulo —
10.5.37”.
n.° 388-1.B. — Recebida do Dr. Toledo Melo. Laboratório
Micro¬
biologia da Faculdade de Medicina de São Paulo. Indicações: “Clostridium
botulinum tipo A, recebida da Dra. Hilda Heller em 3.12.31. Isolado por
I. C. Hall, de um surto em Prince, Colorado, U.S.A., em 1931. Amostra 205
— Laboratório de Microbiologia da Faculdade de Medicina de São Paulo
- 10.5.32”.
cm
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OI 1VEIRA E. P. T. _ Estudos sobre a preparação do soro antibotulínico tipo A.
Mem. Inst. Butantun, 36: 1-tU, 1972.
n o 38 Q-I , ]}. — Recebida do Dr. Toledo Melo. Laboratório de Microbio-
locria da Faculdade de Medicina de São Paulo. Indicações: “Clostridium botu¬
linum tipo A, recebida da Dra. Hilda Heller em 3.12.31. Isolado nesse labo¬
ratório, de uma lata de conserva vinda da Itália em 1929. Amostra 206 —
Laboratório de Microbiologia da Faculdade de Medicina de São Paulo —
10.5.32”.
n.c 391-1.B. — Recebida do Dr. Toledo Melo. Laboratório de Micro¬
biologia da Faculdade de Medicina de São Paulo. — Indicações: “Clostridium
botulinum tipo A — Grupo VII, recebida da Dra. Hilda Heller em 3.12.31.
Isolado em 1930 do trigo vindo de S. Joaquim Valley, Califórnia, U.S.A.
Amostra HAJ 207 do Laboratório de Microbiologia da Faculdade de Medi¬
cina de São Paulo — 10.5.37 .
li." 392-1.B. — Recebida da Dra. Ida A. Bengtson, National Institute
of Health, Washington, D.C., U.S.A. Indicações: “ Clostridium botulinum tipo
A. Cepa isolada de azeitonas - 9.6.37. Data 27.7.37”.
n.° 394-1. B. — Recebida da Dra. Ida A. Bengtson, National Institute
of Health, Washington, D.C., U.S.A. Indicaçõeá: “Clostridium botulinum
tipo A”.
n.° 395-1 .B. — Recebida do Dr. J. B. Gunnison, que a obteve da coleção
do Dr. K. F. Meyer. University of Califórnia, San Francisco, U.S.A., 3.8.37.
Indicações: Clostridium botulinum tipo A”.
n.° 62-1. P. — Recebida do Instituto Pasteur, Paris, enviada pelo Prof.
A. R. Prévot em 1962. Indicações; “Clostridium botulinum tipo A”.
li." 193-1.P. — Recebida do Instituto Pasteur, Paris, enviada pelo Prof.
A. R. Prévot, em 1962. Indicações: “Clostridium botulinum tipo A”.
3.1.2 — Preparo do meio de cultura
O poder da toxigênese varia grandemente de uma raça para
outra; algumas raças são muito ativas, enquanto outras são quase atóxicas.
O meio de cultura desempenha também papel preponderante para a produção
de toxina (Gunnison & Meyer, 1929).
Para determinar o poder toxigênico de cada cepa, utilizamos um meio de
cultura apropriado para produção de toxina proposto por Wadsworth (1947).
Foram preparados cinco litros de meio de cultura, segundo a fórmula ori¬
ginal com pequenas alterações ditadas pela nossa experiência em trabalhos
dessa natureza. Ficou assim constituído o preparo do meio:
Carne de vitela . 5000 g
Peptona (Oxóide) . 50 g
Cloreto de sódio . 25 g
Água . 5000 g
Glicose 50%. 200 ml
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OTjIVEIRA, E. P. T. — Estudos sobre a preparação do soro antibotulínico tipo A.
Meni. Inst. Butantan, 36: 1—10, 1972.
a) A carne deve ser desembaraçada de gorduras e aponevroses e moida
a seguir.
b) Adicionar um volume de água correspondente ao peso da carne.
c) Deixar em maceração uma noite na geladeira, entre 4°C a 6°C.
d) Retirar da geladeira, levar ao fogo e ferver por cinco minutos.
e) Decantar e filtrar em algodão de vidro; espremer a carne residual em
pano, filtrar o suco em algodão de vidro, juntar ao filtrado e reacertar com a
mesma água, o volume para 5000 ml.
f) Dissolver o sal e a peptona em 500 ml de caldo e adicionar ao volume
total do meio; misturar e acertar o pH a 8,4.
g) Aquecer em vapor fluente por cinco minutos, deixar esfriar e rea¬
certar o volume.
h) Filtrar em papel xarope.
i) Acertar o pH de 7, 6 a 7, 8.
j) Distribuir em balões de fundo chato de 500 ml, contendo 450 ml de
meio e cobrir com uma camada de mais ou menos um centímetro de espes¬
sura de “Vaspar” (vaselina e parafina), com um ponto de fusão ao redor
de 30°C.
k) Proceder à esterilização fracionada a 100°C, durante meia hora, por
tres dias consecutivos.
l) Após a última esterilização, retirar os frascos da autoclave e resfriar,
bruscamente em água fria até a temperatura de aproximadamente 45°C.
3.1.
Preparo do inoculam
Prévot & Brygoo (1953) verificaram não haver necessidade de aquecimento
prévio do inoculam. Seguindo esta orientação, cada cepa foi semeada em
20 ml de meio Tarozzi; após crescimento de 24 horas e conteúdo dc cada tubo
era utilizado como inoculam para cada balão do meio. No momento da semea¬
dura, era também adicionada esterilmente 18 ml da solução de glicose e os
balões eram incubados a 37°C, durante um período de dez dias. Retirados da
estufa, colhiam-se amostras de cada balão e faziam-se as provas de pureza.
3.1.4 — Titulação da toxina
Inicialmente fizemos ensaios preliminares aproximados dos títulos das
toxinas botulínicas em DMM cm camundongos, segundo Nigg et alii (1942)
para em seguida procedermos, conforme a recomendação da OMS (1963), a
precisar os títulos tóxicos pela determinação do LD 50. Para a toxina botu-
línica, esta é a menor quantidade de toxina que, quando inoculada intrape-
ritonialmente em camundongo de 18 a 20 gramas, causa a morte de cerca de
50% dos animais em 96 horas.
As amostras para a titulagem eram colhidas de cada balão separadamente
e centrifugadas a 2.000 r.p.m., durante meia hora, em centrífuga refrigerada
a 0°C.
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OLIVEIRA, E. P. T. — Estudos sobre a preparação do soro antibotulínico tipo A.
Mcm. Inst. Butantan, 36: 1-40, 1972.
Littauer (1951) conseguiu, com certa precisão, a estabilidade da toxina
botulínica tipo A trabalhando à baixa temperatura e empregando, para a sua
diluição, uma solução tampão de gelatina fosfatada dipotássica em pH 6,6,
conforme preconizado por Stevenson et alii (1947). Supõe-se que a adição da
gelatina dá à toxina estabilidade provavelmente similar àquela conferida por
uma solução concentrada de proteina hidrolicada aminóide (Sommer & Som-
mer, 1928).
Em seguida, o decantado era diluído em solução de gelatina fosfatada, fa¬
zendo-se duas diluições para cada amostra: uma de 1:10.000, correspondente
ao título de 20.000 DMM/ camundongo; e, outra, de 1:60.000, correspondente
ao título de 120.000 DMM/ camundongo.
De cada diluição inoculamos, individualmente, 0,5 ml em lotes de 4 ca¬
mundongos, com o peso de 18 a 20 gramas. A observação da morte dos camun¬
dongos era feita e anotada a partir de 24 horas até o máximo de observação, que
foi de 96 horas, conforme preconizado por Nigg et alii (1947). Os resultados
encontram-se na Tabela I.
De cada balão semeado foi feito um repique em Tarozzi e repetimos mais
uma vez todo o processo, desde a preparação do inoculum até a titulação.
Os resultados desta segunda prova encontram-se na Tabela II.
3.1.5 — Toxinotipia
Não há neutralização entre as toxinas de tipo A e as de tipo B, como
alguns autores acreditaram existir (Legroux & Jeramec, 1953). Prévot & Bry-
goo (1952) demonstraram que essas duas toxinas não apresentavam, na rea¬
lidade, semelhança antigênica, como ocorre com outros tipos de toxinas botu-
línicas.
Utilizamos o método preconizado pelo Instituto Pasteur, que permite fa¬
zer rapidamente o diagnóstico do tipo (Prévot, 1955).
Tomamos as toxinas a determinar o tipo (as oriundas das raças n.°s 388-1.B.
e 389-1.B. previamente dosadas) e fizemos uma diluição contendo 10 DMM em
0,2 ml. Essa dose era misturada a 0,2 ml. de soro padrão autobotulinico tipo A,
contendo 1/10 U.A. de soro padronizado proveniente do “Serum of the Medicai
Research Council, London”. O volume era completado a 0,5 ml, com solução
tamponada de gelatina fosfatada. As misturas eram preparadas em quantidade
para 5 camundongos e deixadas em contato à temperatura ambiente por uma
hora. Em seguida eram inoculados 0,5 ml em cada um de 4 camundongos.
Como controle eram utilizados dois camundongos inoculados por via intra-
peritonial com 10 DMM contidas em um volume de 0,5 ml. Havendo sobre¬
vivência dos camundongos inoculados com misturas de soro e toxina dos
controles, o tipo está determinado, conforme mostra a Tabela III.
3.1.6 — Conservação das cepas
As amostras de Clostridium bottdinum tipo A usadas para produção de
toxina devem ser conservadas à baixa temperatura e em meios especiais de
2 - MEMÓRIAS
cm
SciELO
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OLIVEIRA, E. P. T. — Estudos sobre a preparação do soro antibotulínico tipo A.
Mem. Jnst. Iintantan, .16: 1-40, 1972.
manutenção, pois facilmente perdem seu poder toxigênico (Stevenson et alii,
1947).
Após as provas de pureza e toxinotipia, as amostras selecionadas foram
transferidas para o meio de manutenção. Utilizamos o meio recomendado por
Wadsworth (1947) para esse fim, cuja composição é a seguinte:
Infusão de carne concentrada
(carne 900 g — água 1000 ml) . 500 g
Ágar . 5 g
Cloreto de Sódio . 5 g
Peptona (Oxoide) . 10 g
Água . 500 g
Glicose . 10 g/kg
Dissolver o ágar na água pela autoclavação, a peptona e o sal na infusão.
Misturar. Completar o peso total. Ajustar o pH para 7, 8. Filtrar por aspiração,
quando ainda quente, através de algodão de vidro. Pesar o filtrado obtido e
adicionar a glicose. Distribuir conforme especificado em tubos de 16 por 133
mm e autoclavar trinta minutos a vapor fluente.
Os tubos assim preparados, após resfriados eram colocados na estufa a
37°C. onde permaneciam durante cinco dias, sendo então transferidos para a
geladeira e mantidos à temperatura de 4°C a 6°C.
Stevenson et alii (1947) loc. cit. observaram que as culturas quando man¬
tidas a 4°C, preservam sua toxigênese e a conservavam durante cerca de tres
meses. Findo esse prazo, precisam ser repicadas para manter ativo seu poder
toxigênico.
As cepas por nós selecionadas e conservadas como acima descrito eram,
quando necessário, repicadas para o meio de Tarozzi e, após 24 horas de
crescimento, utilizadas como inóculo para os meios de produção de toxina.
3.2 — Determinação do tempo necessário para a toxigênese máxima nas
nossas condições de trabalho.
Procuramos inicialmente verificar qual era o tempo necessário para se
obter a toxigênese máxima para uma das cepas selecionadas (388-1.B.), utili¬
zando sempre o mesmo meio de cultura.
Para isso usamos tres balões, contendo 1000 ml de meio de cultura. Usa¬
mos a técnica já descrita na secção 3.1.2 “Obtenção da toxina botulínica tipo
A”. Os meios eram semeados usando-se um tubo de inóculo para cada balão.
Os balões eram incubados a 37°C.
Passamos a colher amostras dos meios a partir do terceiro dia, com inter¬
valos de tres dias, até o vigésimo primeiro dia. Os balões era cuidadosa¬
mente agitados antes da colheita da amostra para homogenizar a distribuição
da toxina no meio. Em seguida, de cada um era retirada uma amostra de
10 ml e centrifugada a 4.°C a 2000 r.p.m. durante trinta minutos. No sobre-
6
cm
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OLIVEIRA E. P. T. — Estudos sobre a preparação do soro antibotulínico tipo A.
Mem. Inst. Butantan, 36 : 1-40, 1972.
nadante era titulada a toxina. Os resultados estão consubstanciados nas Tabelas
IV a .X
3.3 — Influencia da variação da concentração dos componentes do meio
de cultura na toxigênese
Procuramos verificar a influencia que poderia ocorrer na toxigênese mo¬
dificando-se a concentração dos componentes do meio de cultura já descrito
na secção 3.1.2.
Tentamos uma verificação nesse sentido variando a quantidade dos com¬
ponentes do meio, isto é, carne, peptona e glicose, com exceção do cloreto de
sódio, cuja concentração era mantida a mesma. Tomamos tres balões: o nú¬
mero (1), contendo cinqüenta por cento da quantidade dos componentes do
meio básico; o número (2), as quantidades normais dos componentes do meio
básico e, o número (3), o dobro das quantidades do balão número (2).
Empregamos a mesma técnica e os mesmos ingredientes no preparo do
meio de cultura para cada balão.
Nos balões (1) e (2), o volume do meio era de 2500 ml e, no balão (3),
cujos componentes entravam em dobro, o volume foi dividido em duas porções,
cada qual com 1250 ml.
Cada qual dos balões contendo o meio de cultura foi semeado utilizando-se
como inóculo 20 ml de cultura de 24 horas em meio de Tarozzi, com a cepa
C. botulinum tipo A n. ü 38S-I.B. e incubado a 37°C durante 6 dias. O balão
n.° 3, após a retirada de amostra para titulação, era em seguida adicionado de
igual volume também de meio concentrado, totalizando assim um volume de
2500 ml e mantido por mais 6 dias de incubação quando era então retirada
nova amostra para titulação.
Os balões contendo os meios eram retirados da estufa, colhendo-se em
seguida as amostras para as provas de pureza e para titulação da toxina. Cada
amostra utilizada para a dosagem era centrifugada e, o sobrenadante, diluído
em solução de gelatina fosfatada em alíquotas e titulado em camundongos.
Realizamos essa observação com tres partidas de meio de cultura preparadas
em ocasiões diversas. Os resultados estão inseridos nas Tabelas de n.°s XI,
XII e XIII.
Procuramos ainda verificar o resultado quando utilizado o meio de cultura
contendo o dobro dos valores dos componentes, sem dividirmos em duas por¬
ções. Observamos os mesmos critérios adotados para as experiências acima.
Após doze dias colhemos amostras da série de tres balões. Os resultados
estão inseridos na Tabela XIV.
3.4 — Verificação da toxigênese hoiulínica tipo A no meio de Prévot &
Bnjgoo
Procuramos testar um meio considerado por Prévot & Brygoo (1951) como
ótimo para a cultura de clostrídios e, principalmente, para a obtenção de suas
toxinas. Este meio é conhecido como meio de V F.
cm
SciELO
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OLIVEIRA, E. P. T. — Estudos sobre a preparação do soro antibotulínico tipo A.
Mcm, Irist. Butantan, 36': 1-10, 1972.
Fórmula e preparo do meio
Água destilada. 4000 ml
O
Carne de vitela . 800 g
Fígado de boi . . . 200 g
HC1 (p. a.) . 40 ml
Pepsina (Oxóide) 1/500 . 2,5 g
Glicose . 60 g
Misturar a carne e o fígado finamente moidos. Adicionar os dois terços
do volume total de água aquecida a 45°C. Dividir o terço restante em duas
partes: uma para diluição do HC1 e, outra, para a pepsina, os quais são adi¬
cionados em seguida ao volume total da mistura. Incubar em estufa a 48°C,
durante vinte horas, interromper a digestão pelo aquecimento rápido a 60°C
por cinco a dez minutos. Deixar esfriar, filtrar através de algodão de vidro e
ajustar o pll do filtrado para 7,7 a 7,8 com solução de NaOH a 40%.
Submeter o filtrado a vapor fluente por quinze minutos. Retirar da au-
toclave, deixar esfriar em meio ambiente e colocar na geladeira durante vinte e
quatro horas. Em seguida, filtrar através de papel xarope e reajustar o pH
para 7, 6 a 7, 8. Distribuir o filtrado em frascos de Erlenmeyer de 5000 ml,
contendo 3000 ml de meio de cultura cada um e cobrir com mais ou menos
um cm de altura com “Vaspar”. Auíoclavar a 110°C por trinta minutos.
Retirar da autoclave e resfriar rapidamente, mergulhando os balões em
tanque de água fria, até cpie o meio fique com a temperatura de aproximada¬
mente 45°C.
Foi preparada uma partida para 4 balões.
No momento de semear, adicionar 300 ml de solução de glicose a 20%
em cada frasco e incubar em estufa a 37°C.
Para cada balão contendo 3000 ml de meio de cultura usamos um inóculo
de 20 ml de meio de Tarozzi com cultura de 24 horas, da cepa n.° 388-1.B. e
incubamos durante nove dias. Em seguida, de cada balão colhia-se uma amos¬
tra, que era centrifugada a 2000 r.p.m., durante trinta minutos. Separado o
sobrenadante, era ele diluído em solução de gelatina fosfatada. Os resultados
são apresentados na Tabela XV.
Preparamos nova partida de meio de cultura, usando as mesmas técnicas,
com a mesma cepa. Distribuímos o produto em sete balões, cada um con¬
tendo 3000 ml. Semeamos nas mesmas condições anteriores e observamos o
mesmo tempo de incubação. As titulações estão expostas na Tabela XVI.
3.5 — Iafluência do tipo de filtração na perda do título da toxina tipo A
Na produção de toxina botulínica em volumes necessários à hiperimu-
nização, a cultura após a incubação, era, no início dos nossos trabalhos, fil¬
trado em placas Seitz EKS. Verificamos logo que tal procedimento levava a
grandes perdas no título da toxina. Supondo que a placa Seitz adsorvia a
toxina passamos a utilizar velas Mandler csterilizantes preconizadas por Nigg
et alii (1946) montadas em forma de cachos com 4 velas de 12 cm de com¬
em
SciELO
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OLIVEIRA, E. P. T. — Estudos sobre a preparação do soro antibotulínico tipo A.
Mtm. Inst. Butantcin, 36: 1-40, 1972.
primento e 2 cm de diâmetro, para a filtração de 15 litros. Posteriormente,
visto a dificuldade de obter velas Mandler passamos a usar velas Berkefeld N,
de 20 cm de comprimento e 2,5 cm de diâmetro, conjugadas aos pares, para
filtrar também 15 litros. Em todos os casos amostras eram colhidas antes
da filtração e centrifugadas a 2000 r.p.m. durante 15 minutos para fins de
titulação" afim de comparar os títulos antes e depois da filtração. Os resul¬
tados estão reunidos na Tabela XVII.
3.6 — Preparo cia anatoxina botulínica tipo A
Para transformação das toxinas em anatoxinas, escolhemos aquelas que
apresentavam títulos razoáveis, isto é, acima de 100.000 DMM/camundongo.
A quantidade de formalina usada por outros investigadores no preparo
das anatoxinas variava entre 0,3% a 1% (Polson et alii 1946; Hottle et alii, 1947;
Prévot et alii , 1953).
Procuramos verificar nas nossas condições de trabalho qual a quantidade
de formalina suficiente para a destoxificação que preservava melhor antigeni-
cidade. Utilizamos quantidades iguais de toxina, às quais foram adicionadas
porcentagens variáveis de formol (0,3, 0,4, 0,5, 0,8 e 1%) e incubamos a
37°C por tempo variável e com agitação diária.
Para cada partida de anatoxina procedíamos à verificação da destoxifi¬
cação das anatoxinas primeiramente realizados em camundongos de 18 a 20 g
de peso. Retirávamos amostras das anatoxinas, após tempos variáveis da ação
do formol a 37°C e inoculávamos 1 ml por via intraperitonial, em lotes de
cinco animais. Caso os animais não apresentassem sintomas de toxemia botu¬
línica no prazo de dez dias, passávamos à prova subsequente, que era feita
em cobaias de 250 a 300 g de pêso, em lotes de cinco animais, inoculados
com 5 ml do mesmo material por via subcutânea. A prova prévia feita em
camundongos indicava de antemão se havia toxicidade residual ou não.
As cobaias eram observadas durante 40 dias, após o que eram sangradas
por punção cardíaca. Os soros obtidos de cada lote eram misturados em partes
iguais e a mistura titulada em unidades antitóxicas internacionais, conforme
descrito na secção 2.4. Os resultados estão expostos na Tabela XVIII.
Passamos a utilizar, como rotina, em nosso laboratório para a hiperimu-
nização dos equinos, as anatoxinas de bom poder antigênico, isto é, aquelas
que determinavam nas cobaias títulos acima de 2,0 U.A.
3.6.1 — Preparo cia anatoxina botulínica tipo A precipitada pelo alúmen
Após provas satisfatórias de inocuidade, antigenicidade e esterilidade, as
anatoxinas eram adicionadas de uma solução estéril de sulfato de alumínio e
potássio a 10% com agitação constante, resultando numa concentração final
de 1,25% de alúmen. Após essa adição o pH baixa de 5,5 a 5,8 para 3,8 a 4,0.
Para determinar a precipitação ótima era necessário elevar o pH para 5,0,
com uma solução de hidróxido de sódio a 40% e deixar sedimentar durante
24 horas. O pricipitado assim obtido contem toda a substância antigênica.
Após a sedimentação era desprezado o sobrenadante e o precipitado ressus-
cm
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OLIVEIRA, E. P. T. — Estudos sobre a preparação do soro antibotulínjco tipo A.
Mcni. Inst. ButanUin, 36: 1-40, 1072.
penso ao nível primitivo com solução salina e agitado; em seguida, deixa-se
novamente repousar por vinte e cpiatro horas, quando é novamente retirado
por sifonagem o sobrenadante; essa operação é repetida tres a quatro vezes
até obter-se um sobrenadante límpido.
3.6.2 — Prova cie antigenicidacle da anatoxina precipitada pelo alúmen
Baseamo-nos na observação de Rice et alii (1947) que consiste na ino¬
culação de 1 ml de anatoxina precipitada pelo alúmen a um lote de cinco
cobaias de 250 a 300 g, por via subcutânea. Após quarenta dias, os animais
são sangrados per punção cardíaca em 5 a 10 ml; os plasmas são misturados
em partes iguais e a mistura dosada em camundongos de 18 a 20 g, em
número de quatro para cada título (1 U.A., 2 U.A., 4 U.A., 8 U.A.,
16 U.A.).
Os títulos encontrados variaram entre 1 U.A. a 16 U.A. Considerávamos
como boa a resposta antigênica quando encontrávamos títulos acima de duas
unidades. Após quarenta e oito horas, as cobaias sangradas eram inoculadas
com 100.000 DMM de toxina botulínica tipo A com o intuito de ratificar o
resultado da prova anterior.
Selecionadas as anatoxinas precipitadas pelo alúmen, isto é, aquelas que
apresentavam maior antigenicidade, passamos a utilizá-las na hiperimunização
de equinos para obtenção de antitoxina botulínica.
3.7 — Hiperimunização de cavalos para obtenção da antitoxina botulínica
tipo A
Iniciamos com um esquema de hiperimunização preconizado por Wein-
berg & Goy (1925), empregando anatoxina de antigenicidade comprovada.
Começamos aplicando em 4 cavalos uma dose vacinante de 10 ml. Após 15
dias pusemos cm prática o esquema de hiperimunização, com inoculações
subcutâneas, principiando com a dose de 30 ml para cada animal.
De 15 em 15 dias continuamos aplicando as seguintes doses individuais:
60 ml, 110 ml, 200 ml, 300 ml e 500 ml.
Sete dias após a última inoculação, fizemos a sangria exploradora na
veia jugular, para aferição do grau de resposta. A titulação do plasma de
cada cavalo foi feita separadamente pelo teste de neutralização, cuja técnica,
está descrita no “Boletim de L’Organization Mondiale de la Santé (1963)”.
Visto que esse esquema de hiperimunização não proporcionou resulta¬
dos satisfatórios — os plasmas dosaram entre 10-40 U.A., outros esquemas
foram tentados.
Dentre os esquemas de hiperimunização por nós ensaiados o que me¬
lhores resultados nos proporcionou foi aquele decalcado de nossa experiencia
no Instituto Butantan, para a hiperimunização em difteria com algumas mo¬
dificações que não compete discutir aqui.
Nesse sistema as inoculações de antígeno eram administradas em peque¬
nas quantidades diariamente durante as tres primeiras semanas; na quarta
semana as inoculações eram administradas em dias alternados e, na quinta e
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Sete dias após a última dose de antígeno era feita a sangria exploradora;
se apresentassem título suficiente de anticorpos os animais eram sangrados
(5% do seu pêso) tres vezes, com intervalo de dois dias entre cada sangria.
Em seguida os animais entravam em período de repouso por um espaço de
trinta dias. Findo esse tempo eram submetidos à reimunização durante um
período de quatro semanas, obedecendo ao seguinte esquema:
1 /' semana
6.° dia
2. " semana
3. ° dia .
6.° dia . 100 ml
3. a semana
3. ° dia .
6.° dia . 150 ml
4. a semana
3.° dia .
6.° dia . 200 ml
50
ml
Anatoxina
PP-
50
ml
100
ml
Anatoxina
PP-
100
ml
«
150
ml
Anatoxina
PP-
150
ml
»
200
ml
Anatoxina
PP-
200
ml
Cada animal recebia um total de 1.000 ml de antígeno.
Repetia-se a imunização após cada período de sangria e repouso.
Todos os cavalos eram sangrados em 5% do seu peso. O sangue era re¬
cebido sobre uma solução de 17% de citrato de sódio, na proporção de 10%
dessa solução, em relação ao volume de sangue a ser colhido. Em seguida,
era conservado na geladeira até que houvesse separação do plasma.
O plasma sobrenadante era então decantado, fenolado a 0,4% e, em se¬
guida, colocado e conservado em geladeira, aguardando maiores volumes para
serem ajuntados antes da purificação e concentração.
3.8 — Determinação da potência da antitoxina botulínica tipo A
Soro padrão
Para titulação de nossas antitoxinas utilizamos um soro padrão enviado
pela “W.H.O.” — “International Laboratory for Biological Standards by
Statens Serum Instituto”, de Copenhage, acondicionado em ampolas sob a
forma de pó seco (liofilizado) contendo 68,0 mg, equivalente a 500 U.A.
Dissolvendo-se o contendo da ampola em 10 ml, constituídos por uma
parte de solução salina isotônica esteril misturada com duas partes de glicerol
neutro e estéril, cada mililitro desse soluto contém 50 unidades internacionais
de soro padrão antibotulínico tipo A.
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OLIVEIRA, E. P. T. — Estudos sobre a preparação ,do soro antibotulínlco tipo A.
Mem. Insí. Butantan, 36: 1-40, 1972.
Toxina (Determinação da DL50)
Tomamos 150 ml de uma toxina botulínica tipo A por nós preparada
e misturamos a igual quantidade de glicerol neutro, estéril. A mistura era
mantida em geladeira a 4°C. O resultado da determinação do título tóxico
em DL50 para camundongos encontra-se na Tabela XIX, mostrando conter
cerca de 87.900 DL50 por ml.
A toxina foi, em seguida, diluída a 1:8, de modo a conter aproximadamente
1.000 DMM em 0,1 ml afim de determinar o seu limite-morte ou teste-dose.
Determinação cio limite-morte
Da mistura da toxina e soro padrão, foram preparadas nove alíquotas.
Tomamos quantidades fixas de soro padrão, isto é, 0,5 U.A., e o misturamos
com quantidades variadas da toxina utilizada como padrão e diluída a 1:8.
O volume final era completado para 2,5 ml com solução de gelatina fosfatada
e 0,5 ml de cada mistura inoculada por via intraperitonial em cada um de
quatro camundongos de 18 a 20 g de peso. Os resultados estão expostos na
Tabela XX.
Doseamento das misturas de plasma e do soro final
Os plasmas obtidos pela hiperimunização de equinos eram dosados em
U.A., segundo o método da OMS, e reunidos em volume suficiente para as
operações de purificação e concentração.
Um protocolo exemplificativo encontra-se na Tabela XXL
O plasma foi diluído 1:1S0 c desta diluição tomamos volumes corres¬
pondentes aos títulos propostos: 0,64 ml, 0,56 ml, 0,50, ml e 0,45 ml. Cada
um desses volumes foi misturado com 5 doses testes da toxina contida em 0,7
ml e o volume completado para 2,5 ml com solução de gelatina fosfatada. As
soluções assim obtidas foram incubadas à temperatura ambiente por uma hora.
Em seguida era inoculado, por via intraperitonial, 0,5 ml de cada mistura
em camundongos pesando de 18 a 20 g. Para cada título proposto, eram
inoculados quatro animais, havendo sempre 0,5 ml de excedente. Os animais
permaneciam em observação por 96 horas.
Todas as misturas de plasmas foram concentradas e purificadas segundo
o método de Pope, adaptado e modificado por Furlanetto & Santos (1961).
O doseamento do plasma exemplificado na Tabela XXI após a purificação
e concentração descrita, encontra-se na Tabela XXII.
De acordo com os requisitos mínimos da Organização Mundial de Saúde,
o soro antibotulínico tipo A por nós preparado foi diluído para conter 500
U.A./ml. O protocolo final da titulação desse sojo após a conveniente di¬
luição, encontra-se na Tabela XXIII.
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OLJVEIUA, E. P. T. — Estudos sobre a preparação do soro antibotulínico tipo A.
Mem. Inst. líutantnn, S6: 1-40, 1072.
RESULTADOS
Neste capítulo estão insertas as tabelas referentes aos resultados obtidos
em nossas experimentações, comentadas a seguir.
Limitamo-nos, pois, à apresentação das tabelas com explicações sucintas
das mesmas.
TABELA I
Resultados das titulações
de C. botulinum tipo A.
da toxina obtida das
Pruneira passagem em
diversas amostras
meio de cultura.
Tempo
de observação em horas
Títulos testados
24
48
72
96
20.000
0/4
0/4
0/4
1/4
381-1.B.
120.000
0/4
0/4
0/4
0/4
20.000
0/4
0/4
0/4
0/4
387-1. B.
120.000
0/4
0/4
0/4
0/4
20.000
2/4
2/4
3/4
4/4
388-1. B.
120.000
0/4
0/4
1/4
2/4
20.000
0/4
0/4
2/4
3/4
389-1. B.
120.000
0/4
0/4
0/4
0/4
20.000
0/4
0/4
0/4
0/4
391-1. B.
120.000
0/4
0/4
0/4
0/4
20.000
0/4
0/4
0/4
0/4
392-1. B.
120.000
0/4
0/4
0/4
0/4
20.000
0/4
0/4
0/4
0/4
394-1. B.
120.000
0/4
0/4
0/4
0/4
20.000
0/4
0/4
0/4
0/4
395-1. B.
120.000
0/4
0/4
0/4
0/4
20.000
0/4
2/4
3/4
4/4
62-1. P.
120.000
0/4
0/4
0/4
0/4
20.000
0/4
0/4
2/4
3/4
193-1. P.
120.000
0/4
0/4
0/4
0/4
Procedência:
Instituto Butantan
Instituto Pasteur
14
cm
2 3
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Determinação do período de
tipo A. (Cepa n° 388-1.B.,
TABELA IV
toxigênese máxima para a produção de toxina botulínica
amostras dos balões 1, 2 e 3, retiradas após 3 dias de
semeadura) *
Tempo de observação em
horas
Balão
Diluição da
* Título
n 9
Toxina 1:
DMM
24
48
72
96
100.000
200.000
4/4
150.000
300.000
2/4
3/4
4/4
i
200.000
400.000
0/4
1/4
3/4
4/4
250.000
500.000
0/4
1/4
1/4
1/4
300.000
600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
100.000
200.000
3/4
4/4
150.000
300.000
3/4
4/4
2
200.000
400.000
0/4
2/4
3/4
3/4
250.000
500.000
0/4
0/4
1/4
1/4
300.000
600.000
0/4
0/4
0/4
1/4
100.000
200.000
4/4
150.000
300.000
3/4
4/4
3
200.000
400.000
2/4
2/4
3/4
4/4
250.000
500.000
0/4
0/4
1/4
1/4
300.000
600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
* Inoculação de 0,5 ml
por yia intraperitonial em camundongos
TABELA
\T
Determinação do período de toxigênese máxima
para a produção de toxina botulínica
tipo A. (Cepa n ç 388-1.B., amostras dos balões
1, 2 e 3
retiradas
após seis
dias da
semeadura)
*
Balão
Diluição da
Título
Tempo de observação om horas
n*
Toxina 1:
DMM
24
48
72
96
300.000
600.000
3/4
4/4
350.000
700.000
2/4
3/4
4/4
i
400.000
800.000
0/4
0/4
2/4
3/4
450.000
900.000
0/4
0/4
1/4
1/4
500.000
1.000.000
0/4
0/4
0/4
0/4
300.000
600.000
0/4
3/4
4/4
350.000
700.000
0/4
2/4
4/4
2
400.000
800.000
0/4
0/4
3/4
4/4
450.000
900.000
0/4
0/4
1/4
1/4
500.000
1.000.000
0/4
0/4
0/4
0/4
300.000
600.000
1/4
4/4
350.000
700.000
0/4
3/4
4/4
3
400.000
800.000
0/4
2/4
2/4
2/4
450.000
900.000
0/4
0/4
0/4
0/4
500.000
1.000.000
0/4
0/4
0/4
0/4
* Inoculação de 0,5 ml por via intraperitonial em camundongos
n
OLIVEIRA, E. P. T. — Estudos sobre a preparação do soro
Mem. Inst. Butantan, .Ui: 1-40, 1072.
antibotulínico tipo A.
TABELA VIII
Determinação do período de
toxigénese máxima
para a produção de toxina botulínica |
tipo A. (Cepa n° 388-1. B., amostras dos balões
lj t e 3 retiradas após quinze dias de
semeadura)
*
Tempo de observação
Balão
Diluição da
Titulo
em horas
n v
Toxina 1:
DMM
24
48
72
96
200.000
400.000
4/4
300.000
600.000
2/4
4/4
400.000
800.000
1/4
2/4
2/4
3/4
500.000
1.000.000
0/4
0/4
0/4
0/4
200.000
400.000
3/4
4/4
2
300.000
600.000
3/4
4/4
400.000
800.000
2/4
3/4
3/4
3/4
500.000
1 . 000.000
1/4
1/4
1/4
1/4
200.000
400.000
1/4
4/4
3
300.000
600.000
3/4
4/4
400.000
800.000
0/4
0/4
2/4
2/4
500.000
1 . 000.000
0/4
0/4
1/4
1/4
* Inoculação de 0,5 ml por via intraperitonial em camundongos
TABELA IX
Determinação do período de
toxigénese máxima
para a produção de toxina botulínica
tipo A. (Cepa W 388-1. B., amostras dos balões 1. 2 e 3 retiradas após dezoito dias de
semeaduraj
*
Tempo de observação
Balão
Diluição da
Título
em horas
n*
Toxina 1:
DMM
24
48
72
96
100.000
200.000
2/4
4/4
200.000
400.000
1/4
3/4
4/4
1
300.000
600.000
0/4
2/4
2/4
3/4
400.000
800.000
0/4
0/4
0/4
1/4
100.000
200.000
4/4
200.000
400.000
2/4
4/4
2
300.000
600.000
0/4
3/4
3/4
3/4
400.000
800.000
0/4
1/4
1/4
1/4
100.000
200.000
3/4
4/4
200.000
400.000
1/4
3/4
3/4
3/4
! 3
300.000
600.000
0/4
0/4
2/4
2/4
400.000
800.000
0/4
0/4
0/4
0/4
* Inoculação de 0,5 ml
por via intraperitonial em camundongos
19
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Determinação do período de
tipo A. (Cepa n ç 388-1. B.,
TABELA X
toxigênese máxima para a produção de toxina botulínica
amostras dos balões 1, 2 e 3 retiradas após Pinte e uni
dias de semeadura) *
Tempo
de observação em
horas
Balão
Diluição da
Titulo
n?
Toxina 1:
DMM
24
48
72
96
100.000
200.000
2/4
4/4
200.000
400.000
0/4
1/4
4/4
300.000
600.000
0/4
0/4
2/4
2/4
400.000
800.000
0/4
0/4
0/4
0/4
100.000
200.000
3/4
4/4
200.000
400.000
1/4
1/4
3/4
3/4
300.000
600.000
0/4
0/4
1/4
1/4
400.000
800.000
0/4
0/4
0/4
0/4
100.000
200.000
2/4
4/4
200.000
400.000
0/4
2/4
2/4
3/4
300.000
600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
400.000
800.000
0/4
0/4
0/4
0/4
* Inoculação de 0,5 ml
por via intraperitonial em camundongos
TABELA XI
Dosagem
da toxina botulínica tipo A. do primeiro ensaio onde
houve variação da
concentração dos componentes do meio de cultura após seis dias de incubação.
(Cepa M" 388-1
B.) *
Tempo de observação em horas
Balão
Diluição da
Título
n 9
Toxina 1:
DMM
24
48
72
96
100.000
200.000
0/4
0/4
0/4
0/4
200.000
400.000
0/4
0/4
0/4
0/4
400.000
800.000
0/4
0/4
0/4 '
0/4
800.000
1.600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
100.000
200.000
0/4
1/4
2/4
4/4
200.000
400.000
0/4
0/4
1/4
2/4
400.000
800.000
0/4
0/4
0/4
0/4
800.000
1.600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
100.000
200.000
1/4
3/4
4/4
200.000
400.000
0/4
0/4
2/4
3/4
400.000
800.000
0/4
0/4
1/4
1/4
800.000
1.600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
100.000
200.000
2/4
4/4
3A
200.000
400.000
2/4
2/4
3/4
4/4
400.000
800.000
0/4
1/4
1/4
3/4
800.000
}
1.600.000
0/4
0/4
0/4
1/4
* Inoculação de 0,5 ml por via intraperitonial em camundongos
Balao
1 — Volume 2.500 ml. Meio de cultura
isotonizado mas com 50% dos valores
de seus componentes. Dosada após 6 dias de incubação.
l Balão n 9
2 — Volume 2.500 ml. Meio de cultura conforme a fórmula original. Dosada
após 6 dias de incubação.
Balãb n ,J
3 — Volume original 1.250 ml. Meio de cultura
isotonizado mas com 200%
dos valores de
seus componentes.
Dosada após 6 dias de incubação.
| Balão n"
3 A - O mesmo que o balão n v 3, acrescentado, 6 dias após, da quantidade
restante do
mesmo meio, titulado após
outros 6
dias de incubação.
1 20
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
OLIVEIRA, E. P. T. — Estudos sobre a preparação do soro antibotulínico tipo A.
Mem. Inst. Butantan, 36: 1-40, 1972.
TABELA XII
Dosagem da toxina botulinica tipo . 1 , do segundo ensaio onde houve variação da
concentração dos componentes do meio de cultura após seis dias de incubação.
(Cepa n'> 388-1
• B.)*
Balão
Diluição da
Título
Tempo
de observação em
horas
n 9
Toxina 1:
DMM
24
48
72
96
100.000
200.000
0/4
0/4
0/4
0/4
1
200.000
400.000
0/4
0/4
0/4
0/4
400.000
800.000
0/4
0/4
0/4
0/4
800.000
1.600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
100.000
200.000
0/4
0/4
2/4
4/4
2
200.000
400.000
0/4
0/4
1/4
2/4
400.000
800.000
0/4
0/4
0/4
0/4
800.000
1.600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
100.000
200.000
0/4
2/4
4/4
3
200.000
400.000
0/4
0/4
3/4
4/4
400.000
800.000
0/4
0/4
0/4
0/4
800.000
1.600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
100.000
200.000
2/4
3/4
4/4
3A
200.000
400.000
0/4
1/4
2/4
4/4
400.000
800.000
1/4
2/4
2/4
4/4
800.000
1.600.000
0/4
0/4
0/4
1/4
* Inoculação de 0,5 ml por via intraperitonial em camundongos
Balão n 9 1 — Volume 2500 ml. Meio de cultura isotonizado mas com 50% dos valores
de seus componentes.
Balão n 9 2 — Volume 2.500 ml. Meio de cultura conforme a fórmula original.
Balão n'-‘ 3 — Volume original 1.250 ml. Meio de cultura isotonizado mas com 200%
dos valores de seus componentes.
Balão n 9 3A — O mesmo que o balão n 9 3, acrescentado, 6 dias após, da quantidade
restante do mesmo meio e titulado após outros 6 dias de incubação.
21
MEMÓRIAS
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
OLIVEIRA, E. P. T. — Estudos- sobre a preparação do soro antibotulínico tipo A.
Mem. Inst. Butantan, 3<i: 1-40, 1972.
TABELA XIII
Dosagem da toxina botulínica tipo A, do terceiro ensaio onde houve variação da con¬
centração dos componentes do meio de cultura apó seis dias de incubação. (Cepa n"
388-1. B.)*
Balão
n'- 1
3A
Diluição da
Toxina 1:
Título
DMM
t
Tempo
de observação em
horas
24
48
72
96
100.000
200.000
0/4
0/4
0/4
0/4
200.000
400.000
0/4
0/4
0/4
0/4
400.000
800.000
0/4
0/4
0/4
0/4
800.000
1.600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
100.000
200.000
0/4
1/4
2/4
4/4
200.000
400.000
0/4
1/4
1/4
3/4
400.000
800.000
0/4
0/4
0/4
0/4
800.000
1.600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
100.000
200.000
1/4
2/4
3/4
4/4
200.000
400.000
0/4
0/4
1/4
2/4
400.000
800.000
0/4
0/4
0/4
1/4
800.000
1.600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
100.000
200.000
1/4
3/4
4/4
200.000
400.000
1/4
2/4
3/4
4/4
400.000
800.000
0/4
1/4
2/4
3/4
800.000
1.600.000
0/4
0/4
0/4
1/4
* Inoculação de 0,5 ml por via intraperitonial em camundongos
Balão n’ 1 — Volume 2.500 ml. Meio de cultura isotonizado mas com 50% dos valo¬
res de seus componentes.
Balão n 5 2 . - — Volume 2.500 ml. Meio de cultura conforme a fórmula original.
Balão n'-' 3 — Volume original 1.250 ml. Meio de cultura isotonizado mas com 200%
dos valores de seus componentes.
Balão n v 3A — O mesmo que o balão n'> 3, acrescentando, 6 dias após, da quantidade
restante do mesmo meio e titulado após outros 6 dias de titulação.
22
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
OLIVEIRA, E. P. T. — Estudos sobre a preparação do soro
Mem. Inst . Butantan, 36: 1-40, 1972.
antibotulínico tipo A. |
TABELA XIV J
Dosagem da toxina botulínica tipo A, preparada no meio de Wadsworth com o dôbro 1
dos componentes do meio de cultura após doze dias de incubação. (Cepa n" 388-1 .B J* 1
Tempo
de observação em
horas !
Balão
Diluição da
Titulo
n 9
Toxina 1:
DMM
24
48
72
96
150.000
300.000
’ 1/4
2/4
4/4
200.000
400.000
0/4
1/4
2/4
4/4
250.000
500.000
0/4
1/4
2/4
3/4
300.000
600.000
0/4
0/4
0/4
1/4
150.000
300.000
0/4
0/4
1/4
3/4 1
200.000
400.000
0/4
0/4
1/4
2/4
250.000
500.000
1/4
1/4
2/4
2/4
300.000
600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
150.000
300.000
0/4
3/4
3/4
4/4
200.000
400.000
0/4
0/4
2/4
3/4
250.000
500.000
0/4
1/4
1/4
2/4
300.000
600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
* Inoculação de 0,5 ml
por via intraperitonial em
camundongos
** Cada balão contendo
o volume de 2.500
ml de meio
TABELA XV
Dosagem da toxina botulínica tipo A, preparada no meio
de Prévot
& Brygoo. Volume
3000 ml em cada balão.
Incubação de nove
dias a 37°C. (Cepa n 5 388-1.
B.) *
Tempo
de observação em
horas
Balão
Diluição da
Título
n v
Toxina 1:
DMM
24
48
72
96
100.000
200.000
3/4
4/4
200.000
400.000
0/4
0/4
1/4
2/4
1
400.000
800.000
0/4
0/4
0/4
0/4
800.000
1.600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
100.000
200.000
0/4
4/4
200.000
400.000
0/4
2/4
2/4
2/4
2
400.000
800.000
0/4
0/4
0/4
0/4
800.000
1.600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
100.000
200.000
2/4
4/4
200.000
400.000
0/4
1/4
1/4
1/4
400.000
800.000
0/4
1/4
2/4
2/4
800.000
1.600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
100.000
200.000
0/4
3/4
4/4
200.000
400.000
0/4
0/4
1/4
2/4
400.000
800.000
0/4
0/4
0/4
0/4
800.000
1.600.000
0/4
0/4
0/4
0/4
1 * Inoculação de 0,5 ml por via intraperitonial em camundongos
23
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
OLIVEIRA, E. P. T. — Estudos sobre a preparaçfto do soro antlbotultnico tipo A.
Mcm. Inst. Hutantan, SIS: 1-40, 1972.
TABELA XVIII
Determinação da porcentagem, de formoi necessária para a destoxificação em função
do tempo de incubação e titulo antigênico após a inoculação de 5 ml em cobaias para
cada % de formoi
Número da
Título da
Porcentagem
Tempo para
Título da
partida de
Toxina em
de formoi*
destoxificação
antitoxina
Toxina
DMM
em dias
em U. A. **
0,3
30
0,5
0,4
30
0,5
17
120.000
0,5
25
1,0
0,8
15
0,5
1,0
15
0,2
0,3
35
3
0,4
30
3
23
100.000
0,5
25
5
0,8
20
1
1,0
15
1
0,3
35
1
0,4
35
1
26
200.000
0,5
30
2
0,8
20
0,1
1,0
20
0,1
0,3
30
5
0,4
30
5
31
100.000
0,5
20
10
0,8
15
2
1,0
15
2
0,3
30
0,4
30
1
35
180.000
0,5
25
5
0,8
15
0,5
1,0
15
0,5
• comercial B. Herzog
** Título da mistura do sôro de 5 cobaias imunizadas com toxóide obtido com
porcentagens diferentes de formoi.
26
cm
SciELO
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OLIVEIRA, E. P. T. —- Estudos sobre a preparação do soro antibotulfnico tipo A.
J [em. Inst. Jlutantan, 36 : 1-40, 1972.
TABELA XIX
Determinação da DLõO da toxina botulínica tipo A utilizada como padrão*
Título
correspondente
Diluição da
Toxina 1:
Tempo de observação em horas
24
48
72
96
60.000
30.000
3/10
6/10
9/10
10/10
72.000
36.000
5/10
6/10
9/10
9/10
86.400
43.200
2/10
6/10
8/10
8/10
103.680
51.840
1/10
3/10
3/10
5/10
124.416
62.208
0/10
2/10
2/10
2/10
149.299
74.649
0/10
0/10
0/10
0/10
Inoculação de 0,5 ml por via intraperitonial em camundongos
Resultado. DL50 calculada polo método de Reed & Muench (1938) = 87.958/ml
TABELA XX
Deteirminação do Limite-morte (L-(-) ou- teste dose da toxina botulínica tipo A utilizada
como padrão*
Toxina
diluída a 1:8
* *
Soro padrão
diluído a 1:50
(0,1 ml = 0,1
U.A.)
Solução de
gelatina
fosfatada
Tempo
de observação em
horas
24
48
72
96
0,10 ml
0,5 ml
1,9 ml
0/4
0/4
0/4 '
0/4
0,20 ml
0,5 ml
1,8 ml
0/4
0/4
0/4
0/4 .'
0,30 ml
0,5 ml
1.7 ml
0/4
0/4
0/4
0/4
0,40 ml
0,5 ml
1,6 ml
0/4
0/4
0/4
0/4
0,50 ml
0,5 ml
1,5 ml
0/4
0/4
0/4
0/4
0,60 ml
0,5 ml
1,4 ml
0/4
0/4
1/4
1/4
0,70 ml
0,5 ml
1,3 ml
0/4
1/4
2/4
3/4
0,80 ml
0,5 ml
1,2 ml
1/4
2/4
4/4
0,90 ml
0,5 ml
1,1 ml
3/4
4/4
* Inoculação de 0,5 ml da mistura por via intraperitonial em camundongos
** Volumes para 5 camundongos
Observações: A quantidade de toxina que pràticamente determinou cerca de
50% de morte em 96 horas foi a de 0,14 ml. Tomamos, pois, esse
valor como teste dose de nossa toxina.
27
cm
SciELO
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COMENTÁRIOS E DISCUSSÃO
A ocorrência do surto de botulismo na cidade de Porto Alegre, Rio Grande
do Sul (1958) veio mostrar a necessidade de se produzir no Brasil os soros
antibotulínicos contra os tipos de intoxicação humana mais frequentes, os tipos
A e B, até então importados de países estrangeiros. Neste trabalho, pioneiro
no país, nos preocupamos inicialmente com o preparo do soro contra o tipo A,
visto o acidente acima descrito ter sido produzido por esse tipo. Muito embora
não se tenham ainda descrito intoxicações no Brasil causadas pelo Clostri-
dium botulinum tipo B, sendo esta intoxicação frequente em outros países,
resolvemos também preparar este último soro a fim de estarmos melhor equi¬
pados contra eventuais acidentes. No entanto, neste trabalho somente cles-
crevemos o preparo do primeiro soro, isto é, o anti tipo A, visto que o preparo
do segundo soro constituiria uma repetição da metodologia empregada.
Os acidentes botulínicos revestem-se geralmente de aspecto grave e o
êxito da terapêutica sorológica (ainda a única medicação indicada) está na
aplicação precoce do soro.
No processo de obtenção do soro antibotulínico em escala industrial rea¬
lizamos numerosos ensaios para atingirmos o nosso objetivo, pois não havia
técnica pré-determinada que nos pudesse servir de orientação.
Preliminarmente procuramos selecionar as cepas mais toxigênicas das
existentes na germoteca do Instituto Butantan como podemos observar nas
Tabelas I e II.
Através dos títulos das toxinas obtidas na segunda passagem, houve in¬
cremento da toxigênese em algumas amostras. Tivemos, portanto, de optar,
um tanto arbitrariamente, por uma ou duas cepas mais toxigênicas. Assim
sendo, na primeira passagem (Tabela 1), para a raça n.° 388-1.B., a toxina
apresentou um título de 29.000 DMM/camundongo já em 24 horas. Situação
quase igual notou-se com as raças n.°s 389-1.B., 62-Í.P. e 193-1.P. Optamos,
pois, trabalhar inicialmente com a primeira daquelas raças e caso fosse ne¬
cessário, mais tarde, poderíamos utilizar as demais citadas.
Em seguida, passamos à confirmação do tipo, submetendo duas raças
à prova de toxinotipia, através da qual certificamo-nos de que as referidas
raças pertencem de fato ao tipo A (Seção 3.1.5).
Quanto ao tempo necessário para a obtenção da toxigênese máxima
na primeira titulação, que foi realizada em amostra colhida após tres dias
de semeadura, a toxina apresentou o título de 400.000 DMM/camundongo;
colhida, porém, após seis dias, o título apresentado foi de 800.000 DMM/ca¬
mundongo (Tabelas IV e V). Verificamos, em seguida, que o título se man¬
tinha estável do sexto ao décimo quinto dia, quando a cultura era mantida
a 37°C; após este período, ocorria um decréscimo do título tóxico, conforme
demonstram as Tabelas V a X.
30
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OLIVEIRA, E. P. T. — Estudos sobre n. preparação do soro antibotullnico tipo A
Mem. Inst. Butantan, 36: 1-40, 1972.
Essas observações foram repetidas por tres vezes com os mesmos re¬
sultados em experiências posteriores, cpie deixamos de apresentar acpii, a fim
de evitar repetições desnecessárias. Nossos resultados estão de acordo com
as observações de Stevenson et alii (1947), isto é, de que o aumento do
título da toxina é gradativo nos seis primeiros dias, havendo, em seguida,
estabilização, para depois ocorrer um decréscimo lento de seu título.
Prévot et Brygoo (1953) consideram a autólise como uma das causas
da liberação de toxina. A lise espontânea das bactérias aumentaria a quan¬
tidade de toxina livre numa proporção logarítmica, segundo Stevenson et
alii (1947). Com esse objetivo, os referidos autores preconizavam a destruição
dos corpos bacterianos, através de congelamento e descongelamento. Supon¬
do-se que a autólise bacteriana fosse a responsável pela toxigênese não nos
parece muito razoável que o título da toxina não aumentasse além do sexto
dia de incubação, quando deve haver provavelmente uma autólise maior.
Propusemo-nos, em seguida, a verificar os títulos das toxinas quando
obtidas em meio de cultura para o qual variamos a concentração dos com¬
ponentes do mesmo.
Partindo do meio básico, alteramos a concentração de seus componentes,
para mais ou para menos, sempre mantendo o mesmo volume. Com esse pro¬
cedimento, obtivemos os resultados expostos nas Tabelas XI, XII e XIII. Por
aí, pode-se verificar que, com o meio contendo a metade dos componentes
(Balão n.° 1) do meio básico, a toxina não chegou a dosar 200.000 DMM/ca-
mundongo, ao passo que, com o meio básico normal (Balão n.° 2), o título
pode seguramente ser estimado em 400.000 DMM/camundongo; por outro
lado, no meio de cultura contendo o dobro ds componentes do meio básico
(Balão n.° 3), a toxina obtida no sexto dia dosou também 400.000 DMM/ca¬
mundongo. No entanto, quando se adiciona sobre o balão n.° 3 o restante
do meio de cultura (Balão n.° 3A). a toxina, titulada após outros 6 dias de
incubação, chegou seguramente a dosar 800.000 DMM/camundongo. Tal ex¬
perimentação parece indicar que a toxigênese máxima obtida no sexto dia não
deve ocorrer por esgotamento dos componentes do meio, pois o Balão n.° 3,
contendo o dobro dos ingredientes, não ultrapassou o título obtido com o
Balão n.° 2. Talvez o acúmulo de metabólitos iniba o crescimento e conse¬
quentemente cause diminuição da toxigênese, essa sugestão decorre dos re¬
sultados obtidos com o Balão n.° 3A, onde foi adicionada, após 6 dias de cres¬
cimento, na porção do mesmo meio, tendo ocorrido, como consequência,
nítido aumento da quantidade de toxina, chegando a obter-se 800.000 DMM/ca¬
mundongo. Tais resultados parecem ainda contradizer o fato de que a lise
bacteriana seja a única responsável pela toxigênese. No nosso caso, parece lícito
raciocinar-se que a adição de novo meio de cultura torna a promover novo
crescimento além de diluir excessiva concentracão de metabólitos impedientes
do crescimento. Nessas condições, parece que é durante a nova fase de mul¬
tiplicação bacteriana que surge nova toxigênese. Supõe-se que os resultados
obtidos na Tabela XIV, relativos n 3 balões que continham o dobro dos ingre¬
dientes, confirmam nosso nonto de vista, nois, aí, os títulos praticamente não
ultrapassaram 500.000 DMM/camundongo.
Procuramos também comparar os títulos das toxinas obtidas com o meio
de cultura de Wadsworth e o meio de Prévot & Brvgoo, parecendo não haver
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OLIVEIRA, E. I’. T. — Estudos sobre a preparação do soro antibotulínico tipo A.
Mem. Inst. liutantan, 86: 1-40, 1972.
diferença relevante entre os títulos das toxinas obtidas, conforme podemos
comprovar pela comparação entre as Tabelas V e XV.
Ficou em seguida demonstrado que o processo de filtração da toxina
acarreta grande perda de toxicidade. Quando se usam filtros Seitz, com placas
esterilizantes (EKS), essa perda é de cerca de 70 a 80%; quando se usam velas
esterilizantes Mandler, a perda de toxicidade é da ordem de 43,3%; quando
se usam velas Berkefeld N, essa perda reduz-se a cerca de 33% (Tabela XVII).
Pela ação do formol as toxinas sofrem processo de destoxificação; se¬
gundo Henrique & Sorensen (1909), isso ocorre em conseqüencia de um blo¬
queio, por ação do formol, dos radicais amínicos responsáveis pela toxicidade.
A quantidade de formol a ser empregada, de acordo com vários pesqui¬
sadores, varia dentro de um certo limite. Levando em consideração esses fatos,
determinamos a quantidade de formol necessária para completa destoxifica¬
ção, sem prejuízo do poder antigênico. Esse valor, encontrado por nós para
a toxina botulínica tipo A, obtida nos meios já citados, foi de 0,5%; nesse caso
destoxificação ocorre ao redor de vinte e cinco dias em estufa 37°C (Tabela
XVIII).
O emprego de bons adjuvantes nas vacinas para se obter um alto poder
imunizante constitui uma das preocupações primordiais dos pesquisadores.
Dentre os adjuvantes usados, o alúmen tem sido o mais empregado para a
precipitação da fração antigênica das anatoxinas. Nigg ct alii (1947) estu¬
daram comparativamente varias amostras de anatoxinas botulínicas tipo A,
precipitadas por concentrações diferentes de alúmen em função da resposta
antigênica obtida em cobaias.
Apesar de terem verificado que os melhores resultados foram obtidos
com 2% de alúmen, empregaram-no a 1%, justificando que, para a imunização
humana, apresenta a vantagem de ser menos irritante, observação essa con¬
firmada por Reames et alii (1947).
Welikanow (1931) já havia observado, em cobaias, o alto grau de pro¬
teção conferido pela anatoxina contra altas doses de toxina homóloga.
Rice et alii (1947) obtiveram melhores resultados com cobaias empre¬
gando anatoxinas precipitadas pelo alúmen a 1,25%. Verificaram, ainda, que
as cobaias que apresentavam em seu soro títulos antitóxicos acima de 0,01
U.A./ml sobreviviam a uma dose de toxinas entre 160.000 a 480.000 DMM.
Os resultados obtidos por nós, também em cobaias, empregando anato¬
xinas botulínicas tipo A, precipitadas pelo alúmen a 1,25%, equiparam-se aos
dos autores acima citados. Tivemos a oportunidade de confirmar também
que as cobaias que apresentavam títulos acima de 2 U.A. eram capazes de
resistir à inoculação de 100.000 DMM/cobaia.
O primeiro soro antibotulínico foi conseguido por Van Ermengen (loc.
cit.) imunizando cavalos mediante inoculações periódicas de quantidades in¬
finitesimais de toxina botulínica.
A imunização com toxina botulínica apresenta alguns inconvenientes, ci¬
tados por Prévot (1955): “pode provocar reações tóxicas graves nos animais,
durante a hiperimunização, determinando um atraso no esquema imunitário,
bem como é demorada a indução da formação de anticorpos”. Por motivo
optamos pela anatoxina, a qual pode ser manipulada sem maiores precauções.
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OLIVEIRA, E. P. T. — Estudos sobre a preparação do soro antibotulínico tipo A.
Mem. Inst . Butantan, 36 : 1-40, 1972.
As amostras de anatoxinas precipitadas pelo alúmen que se mostraram mais
antigênicas foram utilizadas para a hiperimunização de equinos.
Para a obtenção de uma antitoxina botulínica tipo A, com títulos razoáveis,
foi necessário testar vários esquemas de hiperimunização, dentre eles o pro-
conizado por Weinberg & Goy (1925). Nesse esquema os títulos encontrados
giravam ao redor de 10 a 40 U.A. Como os resultados obtidos não eram
satisfatórios, não determinamos a sangria definitiva.
Tivemos melhor êxito com a elaboração de um esquema de hiperimuni¬
zação idealizado por nós e apresentado na Secção 3.7. Com esse esquema,
obtivemos títulos ao redor de 160 U.A./ml (Tabela XXI) Esse soro, após
a purificação e concentração, apresentou um título de cerca de 1.400 U.A./ml
(Tabela XXII).
O soro purificado e concentrado foi diluído para que contivesse 500
U.A./ml, de acordo com o que foi estabelecido na XV Seção do “Expert
Committee on Biological Standardization”, em dezembro de 1962.
CONCLUSÕES
6.1 — Das dez amostras de Clostridium botulinum tipo A, existentes na
germoteca do Instituto Butantan, quatro cepas mostraram-se mais toxígenas
nos meios de cultura por nós utilizados.
6.2 — 0 período de toxigênese máxima para uma das cepas por nós
trabalhadas (Cepa n.° 38S-I.B.) ocorre ao redor do 6.° dia de cultivo em
meio apropriado e o título decresce após o 15.° dia, quando a cultura é man¬
tida a 37°C.
6.3 — Variando-se a concentração dos componentes do meio de cultura,
há também variações na toxigênese, do que se depreende que a produção
de exotoxina está, até certo ponto, diretamente ligada à concentração dos
componentes do meio de cultura.
6.4 — Parece que é durante a fase de multiplicação bacteriana que se
dá a toxigênese.
6.5 — As toxinas obtidas em ambos os meios de cultura utilizados, Wads-
wortli e Prévot & Brygoo, não apresentaram diferença relevante, no que diz
respeito a títulos tóxicos.
6.6 — A quantidade de formol necessária à destoxificação das toxinas
botulínicas tipo A por nós obtidas foi de 0,5%, ocorrendo a transformação em
anatoxina ao redor de vinte e cinco dias a 37°C. Nessas condições é melhor
preservada a antigenicidade.
6.7 — 0 esquema de hiperimunização para equinos, preconizado neste
trabalho, fornece a resposta rápida e com razoáveis títulos de anticorpos.
6.8 — A mistura de plasma das diversas hiperimunizações reunidas per¬
mite obter-se um soro purificado com alto título de anticorpos.
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OLIVEIRA, E. P. T. — Estudos sobre a preparação do soro antibotulínico tipo A.
Mcm. Inst. Butantan, 36 : 1-40, 1972.
6.9 — É certamente a primeira vez que se prepara no Brasil o soro anti¬
botulínico tipo A para fins terapêuticos, o que coloca nosso país entre os
cinco países do mundo a produzir o referido sôro em escala industrial.
SUMMARY — Since no antitoxins for
Clostridium botulinum have been so far
produced in Brazil, the author decided
to study tho possibility to obtain these
preparations at the Department of
Immunology in the Instituto Butantan.
Various means of toxin obtention for
C.b. type A have been assayed, resul-
ting in toxins at a mouse test ievel of
about 800,000 MLD, which, convertcd
into antoxins, were used in the hyper-
immunization of horses.
The author found out that the scheme
of hyperimmunization is fundamental
to obtain good noutralizing titers, and
finally achieved a hyperimmune plasma
containing 160 antitoxin units/ml. After
purification and concentration this se-
rum had a titer of about 1,400 antitoxin
units/ml. Diluted to contain 500 antito¬
xin units/ml, it is now available for
eventual human accidents.
UNITERMS — Botulism;
Intoxieation by the ingestion of conta-
minated preserved food.
AGRADECIMENTOS
Para a realização do presente trabalho foram vários os amigos e colegas
cpie contribuiram de um modo ou de outro, direta ou indiretamente. A todos,
os meus profundos agradecimentos. A alguns nomes de colegas e amigos que¬
remos fazer especial referência.
Ao Professor Doutor REYNALDO SCHWINDT FURLANETTO, Pro¬
fessor Titular do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto
de Ciências Biomédicas, a quem devo minha iniciação científica e ainda a
sugestão do presente trabalho, orientação e crítica do original, a minha eterna
gratidão.
Igualmente e especialmente, ficamos gratos ao Professor Livre-Docente,
Dr. ANDREJUS KOROLKOVAS, da Disciplina de Química Farmacêutica da
Faculdade de Ciências Farmacêuticas, pela orientação em redigir e dispor a
matéria da presente tese e correção do vernáculo em várias fases da redação.
Ê justo ainda destacar nosso reconhecimento ao Dr. RAYMUNDO RO-
LIM ROSA, Diretor da Divisão de Microbiologia e Imunologia do Instituto
Butantan, pelo auxílio na fase de redação deste trabalho.
À Dra. JANDYRA PLANET DO AMARAL, Diretora do Instituto Bu¬
tantan, pelo irrestrito apoio.
Aos Drs. HISAKO GONDO HIGASHI e MEDARDO SILES VILLAR-
ROEL, pela inestimável colaboração na parte técnica.
à Da. FERNANDA I. PIOCHI, Bibliotecária-chefe do Conjunto das Quí¬
micas e à sua colaboradora, Da. OLGA MENDONÇA FRANÇA CARVALHO,
pelo indispensável auxílio prestado na narte referente à bibliografia.
Ao Prof. Dr. OMAR JAQUES MARZAGÃO BARBUTO, Diretor do Ins¬
tituto do Zootécnica e Indústrias Pecuárias “Fernando Costa”, de Pirassununga,
pela colaboração na impressão deste trabalho.
Dedicatória Aos meus pais, pela orientação e educação.
À minha esposa e filhos, pelo estímulo.
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OLIVEIRA, E. P. T. — Estudos sobre a preparação do soro antibotulínico tipo A.
Mem. Insl. Butantan, 36: 1-40, 1972.
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A ANTIBIOTICOTERAPIA NO CHOQUE TRANSFUSIONAL POR
SANGUE CONTAMINADO - ESTUDO EXPERIMENTAL EM
CAMUNDONGO
BRUNO SOERENSEN (*)
GILDA MEIRE ROSENBERG (**)
(Laboratório Clínico-Veterinário da Faculdade de Ciências
Médicas e Biológicas de Botucatu)
RESUMO ' — Estuda-se a sensibilida¬
de a antibióticos de 24 cepas isoladas
de sangue estocado, sendo 12 do gênero
Pseudomonas; 8 do gênero Enterobacter
e 4 do gênero Bacillus.
Os antibióticos para os quais os mi¬
crorganismos revelaram maior sensibi¬
lidade foram a Gabromicina, Kanami-
cina, Estreptomicina e Neomicina. Os
3 primeiros antibióticos foram adminis¬
trados em dose terapêutica em camun¬
dongos após 30 minutos de transcorrida
a inoculação de sangue contaminado,
verificando-se uma diminuição da leta-
lidade, de preferência nas primeiras 8
horas de observação.
Diante dos resultados concluem pela
possibilidade de êxito da antibioticotera-
pia no choque transfusional por sangue
contaminado, destacando-se especial¬
mente a Estreptomicina, seguida pela
Gabromicina e a Kanamicina.
UNITERMOS — Antibioticoterapia. —
Choque transfusinal por sangue conta¬
minado. — Contaminação bacteriana.
Numerosos são os acidentes, geralmente fatais, registrados em todo mundo
em decorrência da transfusão de sangue e plasma contaminados (1-5-6-7-8-9-
-11-12-13-15-18-25-26-27-29-31).
As manifestações clínicas observadas são: tremores, febre (geralmente
dentro de uma hora após o início da transfusão), náuseas e uma rápida queda
da pressão sanguínea, com colapso vascular perisférico (7), podendo se
verificar a morte num período de aproximadamente 30 horas (29).
Com referência ao tratamento, os choques endotoxêmicos atualmente são
tratados com heparina (16) ou associada a antibióticos com resultados em
geral muito bons (17). Efetivamente foi demonstrada (19-20-21) a impor¬
tância da coagulação intravascular disseminada no choque endotoxêmico asse¬
melhando-o plenamente à reação generalizada de Shwartzman-Sanarelli, es¬
tudada por diversos autores no que diz respeito aos fenômenos da coagula¬
ção (22-23-24-28).
Outros autores recomendam o uso da noradrelina em infusão-venosa
(8-26), podendo ser associada a corticoesteroides (26). O uso de antibióticos
afim de combater o agente bacteriano é indicado por diversos autores
* Diretor Substituto cia Divisão cie Microbiologia e Imunologia cio Instituto Butantan e
Professor das Disciplinas de Laboratório Clínico Veterinário e de Higiene Veterinária
e Saúde Pública da Faculdade cie Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu
** Aluna do 4.° ano da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da U.S.P.
Lmlereço para correspondência:
^■P. 65, São Paulo, Brasil.
41
1, | SciELO
SOERENSEN, B. e ROSENBERC, G. M. — A antibioticoterapia no choque transfusional por
sangue contaminado — estudo experimental em camundongo. Mem. Inst. Butantan, 86:
41-49, 1972.
(6-8-13-26), porém, sendo a toxina produzida pela bactéria, o elemento res¬
ponsável pelo síndrome, os antibióticos desempenhariam papel secundário (3).
Efetivamente ,as bactérias que interessam a Banco de Sangue são de
maneira geral saprofitas e foi demonstrado em trabalho experimental que o
fator responsável pelas reações agudas e pelas mortes é a endotoxina bac-
teriana (14).
As opiniões referentes ao uso de antibióticos, portanto, são contraditó¬
rias; sendo assim, nos pareceu de importância a verificação da escolha dos
mesmos através de antibiogramas realizados com cepas isoladas de sangue
contaminado e ainda o seu efeito protetor em comundongos inoculados com
estes sangues, uma vez que a urgência no tratamento não possibilita a reali¬
zação de antibiograma.
MATERIAL E MÉTODOS
Utilizamos 24 cepas bacterianas que isolamos de sangue estocado, sendo
12 do gênero Pseudoinonas, 8 do gênero Enterobacter e 4 do gênero Bacillus.
Estas bactérias foram identificadas pelos Drs. Margaret Pittman e Charles
R. Manclark, do National Institutes of Health, Bethesda, Maryland, U.S.A.
As cepas correspondentes aos números 1919 e 3192 foram identificadas por nós.
I — ANTIBIOGRAMA: Para cada cepa foi determinada a sensibilidade
a antibióticos e sulfamidas em placas com agar sangue (10), utilizando dis¬
cos de papel, “Polidiscos Vítor Lorian”.
Diante dos resultados, (Tabelas I e II) escolhemos os 3 primeiros anti¬
bióticos, que apresentaram melhores resultados: Estreptomicina, Kanamicina
e Gabromicina, a fim de inocularmos em camundongos; a Neomicina não foi
escolhida devido a sua toxidez (2).
II - ANTIBIOTICOTERAPIA: Com a finalidade de testar a atividade
dos antibióticos, procedemos inicialmente a colheita asséptica de sangue de cão
em solução A.C.D., distribuindo em 25 frascos dc 40 ml. e após realizar bacte-
rioscopia em lâmina corada pelo azul de metileno (30), constatando a ausência
de bactérias, foi procedida a contaminação proposital com 1 ml. de cultura
de 24 horas em caldo simples, para cada cepa. Um frasco não foi contami¬
nado a fim de permanecer como controle.
Os frascos foram mantidos em geladeira (4-6.°C) por 10 dias. Após esse
período repetimos a bacterioscopia constatando o desenvolvimento bacteriano,
foi incluído ainda o método de Gram para relacionar as características morfo¬
lógicas e tintoriais com as cepas contaminantes correspondente a cada frasco
de sangue.
Inoculamos 0,5 ml. de sangue contaminado com cada cepa por via intra-
peritoneal em 4 grupos de 16 camundongos Svviss machos de 12-18 g. (14).
Transcorrido 30 minutos (tempo correspondente aproximadamente ao início
da sintomatologia após iniciada a transfusão de sangue contaminado) foram
inoculados os animais dos grupos correspondentes a cada cepa bacteriana
com uma dose terapêutica de Estreptomicina (14mg/kg de peso); Kanamicina
(7mg/kg de peso); Gabromicina (lOmg/kg de peso) no volume de 0,5 ml.
42
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
SGERENSEN, B. e ROSENBERG, G. M. — A antibioticoterapia no choque transfusional por
sangue contaminado — estudo experimental em camundongo, Mern. Jnst. Butantan, SC:
dI-49, 1972.
por via intraperitoneal. Um grupo de 16 camundongos para cada cepa recebeu
apenas a inoculação de sangue contaminado (controle de toxidez de cada
cepa usada) e ainda um grupo de 16 animais recebeu apenas sangue mantido
em idênticas condições mas sem ter sido contaminado (controle do sangue).
Os animais foram observados após 8, 24 e 48 horas de transcorrida a
inoculação do sangue, sendo registrados os animais mortos nos diferentes
períodos.
RESULTADOS
1. Pela observação das Tabelas I e II verificamos que os melhores
antibióticos foram a Gabromicina, Kanamicina, Estreptomicina e a Neomicina.
2. No referente a capacidade de proteção exercida pelos antibióticos
diante da inoculação de sangue contaminado (Tabela III), pode-se observai
que a Estreptomicina mostrou-se eficaz diminuindo a letalidade dos animais,
especialmente nas primeiras 8 horas (23 mortes em 384 animais), quando
comparado com o grupo de animais controle, que recebeu apenas sangue
contaminado (180 mortes em 384 animais); quanto a Gabromicina e a Ka¬
namicina, mostraram-se também uteis, mas de maneira geral, em grau menor.
DISCUSSÃO
Os nossos resultados são comparáveis aos obtidos por outros autores (14),
verificando-se êxito com a antibioticoterapia; os mesmos autores interpretam
esta diminuição da letalidade pelo retardamento da multiplicação bacteriana.
É possível ainda que o mecanismo seja diferente, pois existe a possibilidade
da neutralização da endotoxina bacteriana por antibiótico, como foi obser¬
vado experimenlalmente com a endotoxina meningocócica diante da Pe¬
nicilina (4).
Pode-se observar, diante dos resultados, que existe indicação especial da
Estreptomicina, Gabromicina e Kanamicina no choque transfusional por sangue
contaminado, destacando-se dos 3 antibióticos a Estreptomicina.
CONCLUSÃO
Após análise de nossos resultados, concluímos pela possibilidade de êxito
da antibioticoterapia no choque transfusional por sangue contaminado, des¬
tacando-se especialmente a Estreptomicina, seguida da Gabromicina e da
Kanamicina.
SUMMARY — The authors studied
the sensibility to antibiotics of 24 bac-
terial strains isolated from stored blood,
12 of which belong to the genus Pseu-
domonas , 8 to Enterobacter and 4 to
Bacillus.
43
Gabromycin, Kanamycin, Streptomy-
cin and Neomycin were the drugs to
which these microorganisms were most
sensitive. A therapeutic dosis of each
of the first three antibiotics, givcn to
mice 30 minutes after inoculation of
1, | SciELO
SOERENSEN, B. e ROSENBE'RG, G. M. — A antlbioticoterapia no choque transfusional por
sangue contaminado — estudo experimental em camundongo. Mem. Inst. Iiutantan, 3li:
41-49, 1972.
contamincd blood, caused a decrease
of lethality, specially within the first
8 hours.
In view of the obtained rcsults the
authors consider the possibility of a
successful treatment by antibiotics of
shock after transfusion of contaminated
blood. The best results were obtained
with Streptomycin followed by Gabro-
mycin and Kanamycin.
UNITERMS — Antibiotic therapy. —
Shock by the transfusion of contamina¬
ted blood. Bacterial contamination.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem pela identificação das cepas à Dra. Margaret Pitt-
man, Chief, Laboratory of Bacterial Products. Division of Biologies Standards
e ao Dr. Charles R. Manclark, também do National Institutes of Health,
Bethesda, Maryland (U. S. A.).
44
cm
'10 11 12 13 14 15 16
cm
SOERENSEN, B. o P.OSENBERG, G. M.— A antibioticoterapia no choque transfusional por
sangue contaminado — estudo experimental em camundongo. Mem. Inst. Butantan, 36:
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Recebido p>ara publicação em maio/72
Aceito para publicação em 9 de novembro de 1972
46
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Mem. Inst. Butantan
36 : 51-56, 1972.
DETERMINAÇÃO DA CONTAMINAÇÃO BACTERIANA EM SANGUE
ESTOCADO ATRAVÉS DA DOSAGEM DE GLICOSE COM TIRA
REAGENTE.
BRUNO SOERENSEN *, MARY EMI YOSHIO** E MARILDA CASEMIRO
DA ROCHA**
(Laboratório Clínico-Veterinário da Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas
de Botucatu).
RESUMO — Os autores estudam a
aplicabilidade de novo método para a
determinação da contaminação bactc-
riana de sangue estocado colhido com
solução A.C.D. e preservado a 4-6 9 O
método consiste na dosagem de glicose
com tira reagente, tomando como base
que elevada porcentagem das bactérias
que interessam a Banco de Sangue des¬
dobram a glicose.
A glicólise observada foi a seguinte:
250 mg% de glicose no dia da colheita e
130 mg% após 20 dias de estocagem.
Quanto às amostras de sangue conta¬
minados propositalmente com 24 cepas
isoladas de sangue estocado, após 15 a
20 dias de observação revelaram 83%
dos sangues quantidade inferior a 130
mg% de glicose, portanto diante dos re¬
sultados, os valores inferiores a 130
mg% indicariam a possibilidade de con¬
taminação e os valores compreendidos
entre 130 e 250 mg% seriam devido a
glicólise, independente de qualquer con¬
taminação bacteriana.
Finalmente concluem que o método
apresenta a vantagem de ser rápido e
cômodo, mas deverá ser aplicado ape¬
nas quando as condições não permitam
o auxílio do microscópio, portando, o
consideram nos seus resultados como
sendo inferior aos métodos de bacte-
rioscopia pré-transfusonal.
UNITERMOS ■—- Contaminação bac¬
teriana em banco de sangue; Determi¬
nação da contaminação bacteriana em
sangue estocado. Desdobramento de
glicose por bactérias contaminantes de
sangue estocado.
A frequência dos acidentes transfusionais fatais por sangue contaminado
justifica o controle bacteriológico sistemático. Brande (1), examinando 1967
frascos encontrou 2,21% contaminados; entre nós, Russi (10) em 3.000 frascos
de plasma examinados pela bacterioscopia pré-transfusional encontrou 3,3%
de frascos suspeitos e Soerensen (11), pela bacterioscopia em lâmina corada
pelo azul de metileno encontrou, em 2194 frascos examinados, 23 contami¬
nados (1,0%).
Diversos métodos foram recomendados para a realização da bacterioscopia
pré-transfusional. Assim a microscopia por contraste de fase foi indicada
* Diretor Substituto da Divisáo de Microbiologia e Imunologia do Instituto Butantan e
Professor das Disciplinas de Daboratório Clínico Veterinário e Higiene Veterinária
o Saúde Pública da Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu.
** Alunas do 5.° ano do Curso de Medicina Veterinária da Faculdade de Ciências Médicas
e Biológicas de Botucatu.
Endereço para correspondência:
C.P. G5, Sfio Paulo, Brasil.
51
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SOERENSEN, JS. t YOSHIO, M. E. e ROCHA, M. C. — Determinação da contaminação
bacteriana em sangue estocado através da dosagem de glicose com tira reagente.
Mem. Inst. Butantcin, 36 : 51-56, 1972.
por Faria (4-5), Discombe e Meyer (3), a bacterioscopia em lâmina corada
pelo azul de metileno e pelo método de Gram por Petzelt (8), sendo preco¬
nizada ainda por Soerensen (11) uma técnica para a execução da bacte¬
rioscopia pré-transfusional, conseguindo-se assèpticamente, do frasco, uma
amostra de sangue, a feitura de esfregaço em lâmina com a própria agulha
de punção e a coloração pelo azul de metileno.
Indubitavelmente, os métodos de bacterioscopia pré-transfusional quando
executados por profissional capaz, são plenamente satisfatórios, porém existem
condições que impedem que o sangue seja selecionado adequadamente para
a transfusão, nos referimos especialmente aos casos em que não se dispõe de
auxílio do microscópio.
Ainda os métodos culturais foram recomendados para controle de este¬
rilidade de sangue e plasma (2-7-12), mas o consideramos pouco práticos e
antieconômicos.
Grande número de bactérias que contaminam sangue estocado desdo¬
bram a glicose sendo este o fato que nos levou à realização do presente
trabalho.
MATERIAL E MÉTODOS
Inicialmente afim de estudar a glicólise foram colhidos em separado amos¬
tras de sangue procedentes de 3 doadores (frascos A.C.D. Baxter com
3,30 g de glicose), sendo mantidos a 4-6.°C durante 20 dias.
A glicólise foi avaliada com tira reagente “Dextrostix”, logo após a co¬
lheita e aos 20 dias de conservação, período este correspondente ao tempo má¬
ximo de estocagem recomendado para o uso de sangue integral. A técnica obe¬
decida foi a seguinte: 1) Agitar o frasco com cuidado e retirar assepticamente
uma pequena amostra de sangue. 2) Depositar o sangue sobre a tira de ma¬
neira a cobrir totalmente a área reagente. 3) Aguardar exatamente 60 segundos
utilizando o ponteiro de segundos de um cronometro. 4) Lavar rapidamente
o sangue da tira com um jato fino de água, usando um frasco de lavagem, to¬
mando cuidado de evitar uma lavagem incompleta ou ainda a insistência em
demasia na lavagem. 5) Ler o resultado imediatamente após a lavagem, com¬
parando a área de prova com a tabela de cores. Quando a reação na tira corres¬
ponder exatamente a um dos blocos coloridos em referências, ler o valor dire¬
tamente ou se a cor obtida na tira for intermediária entre duas cores, inter¬
polar o resultado ou indicar o valor como sendo dentro dos valores designados
pelas duas cores.
Após a determinação da glicólise, procedemos a colheita de 500 ml. de san¬
gue em solução A.C.D. e a seguir foi distribuído em 24 tubos esterilizados,
10 ml por tubo e contaminado propositadamente cada tubo com cepas bacte-
rianas psicrófilas isoladas de sangue estocado, ficando um tubo como controle.
Os tubos foram conservados em geladeira (4-6°C) pelo período de 20
dias. Após 15 dias de conservação procedemos a dosagem de glicose com tira
52
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SOERENSEIsi , B., YOSHIO, M. E. e ROCHA, M. C. — Determinação da contaminaçao
bacteriana em sangue estocado através da dosagem de glicose com tira reagente.
Mem. Inat. BuUmlcin, 36 : 51-56, 1972.
reagente, sendo repetida após 20 dias. Nas duas oportunidades procedemos a
bacterioscopia em lâminas coradas pelo azul de metileno e pelo método de
Gram a fim de certificarmos do desenvolvimento bacteriano.
Determinamos o grau de toxidez dos sangues depois de ter transcorrido
20 dias de conservação, com a finalidade de relacionar com os resultados da
dosagem de glicose. Para esta prova foi seguida a técnica empregada por
Geller e Jawetz (6), inoculando 0,5 ml de sangue correspondente a cada cepa
contaminante por via intraperitoneal em 10 camundongos Swiss machos pesando
12 a 18 g.
RESULTADOS
1) A determinação da glicólise das 3 amostras de sangue levaram aos
seguintes resultados: logo após a colheita: 250 mg % e após 20 dias de estoea-
gem foram encontrados valores compreendidos entre 130 e 150 mg%, inde¬
pendente de qualquer contaminação bacteriana.
2) Todos os sangues contaminados mostraram-se positivos pela bacterios¬
copia, coincidindo as características morfológicas e tintoriais com as das cepas
contaminantes.
3) A determinação da glicose através da tira reagente e o grau de toxidez
das amostras de sangue contaminados, assim como do sangue controle não
contaminado podem ser avaliados pela observação da Tabela I.
DISCUSSÃO
A glicólise de sangue citratado conservado a 4°C, conforme Rivera (9)
pode ser observada no período compreendido entre o décimo e trigésimo
dias podendo ser notada diferenças apreciáveis entre as amostras de sangue.
O mesmo autor referindo-se a sangue estocado em soluções estabilizadoras
contendo glicose afirma que a glicólise é intensificada.
Os nossos resultados mostram que a glicólise que se processa, avaliada
pela tira reagente é a partir de 250 mg% no dia da colheita do sangue, até
180 a /150 mg% após /20 dias de estocagem a 4-6°C.
Quanto à dosagem de glicose em sangue contaminados, verificamos que
20 sangues apresentaram taxas de glicose inferiores a 130 mg%, coincidindo
com a capacidade de desdobramento da glicose pela cepa contaminante cor¬
respondente ao sangue.
A prova de toxidez das diferentes amostras de sangue contaminado, rea¬
lizada em camundongo, demonstrou ainda que a maioria das cepas são toxí-
genas, coincidindo de certa maneira com a capacidade de desdobramento da
dicose.
53
memórias
cm
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SOEJRKNSEN, R., YOSHIO, Aí. I*'. e ROCHA, Al. C. — Determinação da contaminação
bacteriana. em sangue estocado através da dosagem de glicose com tira reagente.
Mem. Inat. JJutan-tan, 36: 51-56, 1072.
CONCLUSÃO
1) O sangue conservado a 4-6° C colhido em solução A. C. D. sofre
uma glicólise que avaliada através de tira reagente se encontra compreendida
entre 250 mg % no dia da colheita do sangue e 130 a 150 mg% após 20 dias
de estocagem.
2) Aproximadamente 83% (20 amostras) dos sangues contaminados re¬
velou quantidade inferior a 130 mg% de glicose, podendo ser detectado atra¬
vés da dosagem de glicose com tira reagente. Os valores compreendidos entre
130 e 250 mg% seriam devido a glicólise independente de qualquer contami¬
nação bacteriana, portanto quando a quantidade de glicose for inferior a
130 mg%, poderá indicar uma contaminação bacteriana.
3) Finalmente, o método apresenta a vantagem de ser rápido e cômodo,
mas deverá ser aplicado apenas quando as condições não permitiam o auxí¬
lio de microscópio, portanto o consideramos nos seus resultados como sendo
inferior aos métodos de bacterioscopia pré-transfusional.
SUMMARY — The authors study the
applicability of a new method for the
deterrnination of bacterial contamina-
tion of a stored blood, harvested with
an A.C.D. solution, and preserved at
The method consists of the dosage
of glucose by the aid of a reagent strip
(band), based on the fact that the high
percentage of bactéria, which is of
interest to the Blood Bank, unfolds glu¬
cose.
The observed glycolysis is the fol-
lowíng: 250 mg% of glucose at the day
of harvesting, and 130 to 150 mg% after
20 days of storage. As to the blood sam-
ples, deliberately contaminated with 24
strains isolated from stored blood, after
15 to 20 days of observation, 83% of
the samples revealed less than 130 mg%
of glucose. In view of thesc results, there-
fore, the values lower than 130 mg%
indicate a possibility of contamination,
while the values between 130 and 250
mg% would be due to glycolysis, inde-
pendent of any bacterial contamination.
The authors conclude that this me¬
thod presents the advantage of being
rapid and easy, that it should, however,
be applied only when the conditions do
not permit the use of a microseope.
Judged by the results it is, therefore,
considerod inferior to the pretransfusio-
nal bacterioscopy methods.
UNITERMS — Bacterial contamina¬
tion in a blood bank. Deterrnination of
the bacterial contamination in stored
blood. Breaking of glucose by bactéria
contaminants of stored blood.
54
cm
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10 11 12 13 14 15 16
SOKRKXSKN, B., YOSIITO, M. !■' . e ROCHA, 1I- C. — Determinação da contaminação
bacteriana em sangue estocado através da dosagem de glicose com tira reagente.
Mem. Inst. Butantan, 30: 51 - 56 , 1072 .
TABELA I
Determinação da glicose através da tira reagente e do grau de toxidez das amostras
de sangue contaminados.
Identificação
Dosagem de
Inoculação Experimental
da cepa
glicose com
do sangue em grupos
contaminante
tira reagente
de 10 camundongos
do sangue
1919
< 40 mg%
Mortos em 8 horas
3192
< 40 mg%
Mortos em 8 horas
co
0010
(1)
= 40 mg%
Mortos em 8 horas
e
4436
(1)
± 90 mg%
Mortos em 8 horas
o
6504
(1)
< 40 mg%
Mortos em 8 horas
o
6679
(2)
< 40 mg%
Mortos em 8 horas
6785
(2)
< 40 mg%
Mortos em 8 horas
«0
7076
(2)
< 40 mg%
Mortos em 8 horas
7583
(2)
< 40 mg%
Mortos em 8 horas
33960
(2)
< 40 mg%
Mortos em 8 horas
1910
(3)
< 40 mg%
Mortos em 8 horas
3863
(4)
+ 170 mg%
Mortos em 8 horas
1323
(5)
< 40 mg%
Mortos em 8 horas
1530
(5)
< 40 mg%
Mortos em 8 horas
O
1533
(5)
< 40 mg%
Mortos em 8 horas
r€>
6892
(5)
< 40 mg%
Mortos em 8 horas
7860
(5)
< 40 mg%
Mortos em 8 horas
•4-.
£
4011
(6)
< 40 mg%
Mortos em 8 horas
4979
(6)
< 40 mg%
Mortos em 8 horas
7582
(6)
< 40 mg%
Mortos em 1 hora
CO
1044
>250 mg%
Vivos após 48 horas
9223
>250 mg%
Vivos após 48 horas
e
9437
+100 mg%
Mortos em 8 horas
cq
33992
>250 mg%
Vivos após 48 horas
Sangue não contamina-
>250 mg%
Vivos após 48 horas
do
(Controle)
(1) Pseudomonas Sp não correspondendo as características de P. aeruginosa; P.
fluorescens; P. putida; P. stutzeri; P. multivorans; P. maltophilia; P. pseudomallei.
(2) Pseudomonas Sp. similar, mas, não idêntica à P. stutzeri. (3) Pseudomonas multi¬
vorans (4) Pseudomonas fluorescens. (5) Enterobacter Uquefaciens. (6) Enterobacter
aerogenes.
55
cm
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SOERENSEN, B., YOSHIO, M. iv o ROCHA, M. C. — Detenninaqiio da contaminação
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Recebido para publicação em 30 julho/72
Aceito para publicação em 6 set./72
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Mcm. Inst. Butantan
36: 57-06, 1972.
AVALIAÇÃO IIISTOPATOLÓGICA COMPARATIVA DA INTENSIDADE
DO FENÔMENO PROL1FERATIVO NA IMUNIDADE CELULAR À
TUBERCULOSE EM COBAIOS VACINADOS ORALMENTE E
INTRA-DERMICAMENTE PELO BCG.
JESUS CARLOS MACHADO; BRUNO SOERENSEN; JANDYRA PLANET DO
AMARAL; EVANI APARECIDA PINTO e NIDIA DE DONOSO.
Seção de Anatomia Patológica e Seção de Bacteriologia do Instituto Butantan
RESUMO — Os autores estudaram a
intensidade da reação imunológica
celular à tuberculose, comparativamento
em dois grupos de cobaias que foram
vacinadas pelo BCG por via intra-dér-
mica e via oral. Após a infecção expe¬
rimental por via oral destes grupos e
mais um controle, os autores estudaram
os seguintes órgãos: pulmão, gânglios
linfáticos do mediastino, baço e fígado.
A avaliação da intensidade da reação
imunológica celular foi feita levando-se
em conta as áreas que apresentavam
esse tipo de reação, dentro da área total
do corte histológico, procedondo-se a
elaboração de um gráfico com men-
suração planimétrica.
Os autores verificaram que dos órgãos
estudados, as reações imunológicas
foram mais intensas no pulmão dos 3
grupos e foi sempre observado maior
área de reação imunológica celular nos
órgãos dos animais previamente vacina¬
dos por via intradérmica. Isto sugere
ser a via intradérmica de vacinação a
mais eficiente no sentido de provocar
maior intensidade de reação imunológica
celular à tuberculose.
UNITERMOS — Imunopatologia da
tuberculose. Vacinação pelo BCG
INTRODUÇÃO
Se não existem dúvidas no que diz respeito à eficácia da vacinação oral
pelo BCG, conforme atesta recente avaliação de GERNEZ-RIEUX, GERVOIS
e NISTRI (2) ao estudarem a incidência comparativa do dois grupos humanos
da cidade de Roubaix (França) — cuja vacinação tinha sido feita por Calmette
— onde encontraram 50% menos de casos de tuberculoses ativa nos vacinados
do que nos não vacinados, a mesma certeza não subsiste quando desejamos
avaliar a proteção ministrada pela vacinação oral em comparação com a intra¬
dérmica.
Seria extremamente interessante se pudéssemos avaliar experimentalmente
de algum modo, a intensidade da reação provocada pela vacina protetora —
BCG no caso — quando administrada por duas vias diferentes, ou seja a
intradérmica e a oral. E isso teria significado utilíssimo porque o Brasil é dos
poucos países que fazem a prevenção da tuberculose humana pela vacinação
Trabalho realizado com o auxílio do F.E.D.I.B.
Endereço para correspondência:
C.P. 65, São Paulo, Brasil.
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MACHADO, J. C., SOEKENSEN, B., AM AH AU J. P., PINTO. K\ A. e DQNOSO, N. —
Avaliação histopatológica comparativa cia intensidade do fenômeno proliferativo na imunidade
celular à tuberculose em cobaios vacinados oralmente e intradermicamente pelo BCG.
Mem. lnat. Butantan, .>(>: 57-66, 1972.
oral pelo BCG. Quando sabemos das extremas dificuldades que existem para
critérios seguros da avaliação estatística dessa proteção em grupos humanos
selecionados em nosso país, podemos bem compreender da extrema utilidade
de tal trabalho experimental.
Em continuação a estudos desenvolvidos nesse sentido por dois autores
(B. Soerensen e J. P. Amaral (6) ) do presente trabalho, procurou-se neste ana¬
lisar histologicamente a intensidade das reações proliferativas, ocorridas na
imunidade celular contra a tuberculose experimental em cobaios previamente
vacinados pelo BCG por via oral e intradérmiea.
Estudos quantitativos das reações imunológicas celulares ao bacilo de
Koch já foram realizados tanto macro como microscopicamente. Assim, Lorian
e Zanon em 1964 (5) para estudar comparativamente as lesões pulmonares na
tuberculose experimental, estabeleceram como critério tres graus de compro¬
metimento a saber:
1 — Poucos tubérculos (menos de 10, independente da localização), 2 —
Muitos tubérculos (mais de 10, até tubérculos confluentes); 3 — caseificação
(pelo menos uma parte caseificada, com volume de uma esfera de 5 mm).
lonesco e Eskenay, 1970 (3) utilizaram para estudo comparativo das
lesões tuberculosas o método planimétrico que consistia na projeção sobre
papel milimetrado de cortes histológicos onde se pode calcular a superfície
total do órgão e as áreas comprometidas fazendo um levantamento porcentual
da superfície comprometida. No nosso trabalho achamos conveniente elabo¬
rar uma avaliação microscópica da área com os fenômenos imunológicos pre¬
sentes em relação com o normal, seguida de gráfico com avaliação planimé-
trica do mesmo. Analisamos comparativamente os tres grupos estudados ou
seja um grupo previamente vacinado por via oral, outro por via intradérmiea
e finalmente um controle.
MATERIAL E MÉTODOS
Os animais escolhidos para a experimentação foram cobaias, as quais como
é sabido, independentes do sexo. apresentam grande susceptibilidade ao bacilo
da tuberculose.
Foram utilizados 132 animais com aproximadamente 1 ano de idade, ino¬
culados com 2 mg de bacilos virulentos da tuberculose da linhagem H37Rv.
A inoculação foi feita por via traqueal por ser a via normal de contágio.
Desta amostra, 51 animais foram vacinados com 100 mg de BCG por via oral,
outros 53 animais foram vacinados com 0,1 mg de BGG por via intradérmiea,
sendo que em todos os lotes a inoculação dos bacilos virulentos foi feita 45
dias após a vacinação. As 28 cobaias restantes foram utilizadas como grupo
controle.
Dos animais cpie morreram e dos sacrificados foram retirados os órgãos:
pulmão, coração, baço, fígado, rim, supra-rcnal e os gânglios linfáticos do me-
diastino, O material foi fixado em formol a 10% e posteriormente foram feitos
cortes histológicos sendo usado como rotina a coloração pela hematoxilina e
eosina (H. E.).
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MACHADO, J. C., SOERENSEN, B., AMARAL, J. P., PINTO, E'. A. e DONOSO, N. —
Avaliação histopatolôgica comparativa da intensidade do fenômeno proliferativo na imunidade
celular à tuberculose em cobaios vacinados oralmente e intradermicamente pelo BCG.
Mem. Inst. BuUintan, Jtí: 57-GG, 1972.
Nos cortes histológicos, em número aproximado de 1.800 foram analisadas
a presença e intensidade da reação imunológica celular no conjunto e isola¬
damente (infiltrado de células epitelióides e linfocitárias; tubérculos completos
e incompletos, necrose de caseificação, calcificação e fibrose). A avaliação da
intensidade foi feita pelo levantamento da área alterada em relação com a
área normal.
A intensidade de reação imunológica celular foi classificar com sinais
positivos (-[-) que variavam de um (-)-) a quatro (-j—|—|—j-). O sinal um (4-)
foto 1 correspondia a uma reação imunológica celular que ocupava 25% ou
menos da área total do corte histológico; o sinal dois (-j—|-) foto 2 corres¬
pondia a uma variação de 26% a 50%; sinal 3 (-)—b - ! - ) foto 3 correspondia de
51% a 75% e o sinal quatro (-f--j—(—b) foto 4 correspondia a 76% ou mais da
área.
Com os resultados desta classificação foram elaboradas tabelas e gráficos
levando-se em conta a área reacional.
Baseado no fato de serem os órgãos; pulmão, gânglios linfáticos do me-
diastino, baço e fígado mais habitualmente comprometidos pelo bacilo da tu¬
berculose, foi a ele dedicada maior atenção neste trabalho.
Nos gráficos, por meio de planímetro, foram medidas as áreas de reação
imunológica celular relacionadas com os 2 tipos de vacinação e controle, nos 4
órgãos acima referidos, e os valores dessas áreas estão expressos em um
gráfico de barras.
RESULTADOS
Os gráficos elaborados apresentam comparativaménte os valores das áreas
com a reação imunológica celular presente, relacionando os animais vacinados
por via oral, via intradérmica e controle. Verificamos uma área de reação sem¬
pre maior para os animais vacinados por via intradérmica, sendo que esta
diferença varia segundo o órgão considerado.
Na fig. 1 onde são apresentadas as curvas referentes as áreas de reação
imunológica celular no baço para os tres grupos de animais, verificamos que a
curva correspondente ao grupo de animais vacinados por via intradérmica é
aproximadamente 115% (2,15 vezes) maior que para os vacinados por via
oral (fig. 5). Entre os do grupo controle e os vacinados por via oral não foi
verificada diferença significativa (fig. 5).
Em relação ao pulmão, analizando os dados da fig. 2, observamos também
uma maior área de reação imunológica celular para os animais vacinados por
via intradérmica, sendo esta área cerca de 27% (1,27 vezes) maior que a
verificada para o grupo da via oral. A área relativa ao grupo da via oral é 20%
(1,2 vezes) maior que a do grupo controle (fig. 5).
O mediastino (fig. 3) apresentou resultados semelhantes, sendo que a área
da reação imunológica celular dos vacinados intradermicamente é 13% (1,13
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MACHADO, J. C., SOERENSEN, B., AMARAL, J. P., PINTO, E\ A. e DONOSO, N. —
Avaliação hi.stopatológica comparativa da intensidade do fenômeno proliferativo na imunidade
celular à, tuberculose em cobaios vacinados oralmente e intradermicamente pelo BCG.
Mem. Inst. Butantan, 36: 57-66, 1972.
vezes) maior que para os vacinados oralmente, e este último tem área 45%
(1,45 vezes) maior que a dos animais do grupo controle (fig. 5).
No fígado (fig. 4), onde a intensidade da reação imunológica celular se
apresentou diminuída, em relação aos três órgãos já mencionados, novamente
foi observada ser a área de resposta referente aos animais vacinados por via
intradérmica maior, cerca de 12% (1,12 vezes), que a apresentada pelos
vacinados por via oral. O grupo dos animais vacinados oralmente apresentou
uma área de resposta 33% (1,33 vezes) maior que a do grupo controle (fig. 5).
Observando-se os valores das áreas de reação imunológica celular, nos tres
grupos de animais, concomitantemente apresentados para os 4 órgãos na fig. 5.
podemos verificar que sempre ocorreu uma maior área dessa reação imuno¬
lógica celular para os animais vacinados por via intradérmica em relação
aos vacinados oralmente e o grupo controle.
Fig. 1. Avaliação planimétriea (la intensidade da reação imunológica celular
no baço.
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MACHADO, J. C., SOERENSEN, B., AMARAL, .T. P., PINTO, K. A. e DONOSO, N. —
Avaliação histopatológica comparativa da intensidade do fenômeno proliferativo na imunidade
celular â tuberculose em cobaios vacinados oralmente e intradermicamente pelo BCG.
Mem. Inst. Butantan, 36: 57-66, 1972.
PULMÃO
Fig. 2. Avaliação planimétrica da intensidade da reação imunológica celular no
pulmão.
Fig. 3. Avaliação planimétrica da intensidade da reação imunológica celular nos
gânglios linfáticos do mediastino.
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2 3
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MACHADO, J. C., SOERENSEN, B., AMARAL, J. P., PINTO, E’. A. e DONOSO, N —
Avaliação histopatológica comparativa tia intensidade do fenômeno proliferativo na imunidade
celular à tuberculose em cobaios vacinados oralmente e intradermicamente pelo BCG.
Mem. Inst. Butantan, 36: 57-66, 1972.
FÍGADO
% Ot CASOS
VIA ORAL
COHflAx
Fig. 4. Avaliação planimétrica da intensidade da reação imunológica celular no
fígado.
arfas nf Rr imo» ioi. im(
CELULAR (Cm')
VA rRRADtRMiCA
im
□ »
GANGL. UNfAtiT.OS FÍüAOO
DO
LSL
Fig. 5. Gráfico comparativo das áreas da resposta imunológica celular.
G2
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MACHADO, J. C., SOERENSEN, B., AMARAL, J. P., TINTO, E. A. e DONOSO, N. —
Avaliação histopatolôgica comparativa cia intensidade do fenômeno proliferativo na imunidade
celular ã tuberculose em cobaios vacinados oralmente e intradermicamente pelo BCG.
Mem. Inst. Butantan, S6: 57-66, 1972.
Foto 1 : Pulmão — corte histológico — 1 HE.
t A reação imunológica celular ocupa menos ciue 25% da área parenquimatosa
Foto 9.: Pulmão — Corte histológico — H.E.
if A reação imunológica celular ocupa entre 26 a 50% da área parenquimatosa.
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MACHADO, J. C., SOERENBEN, B., AMARAL, J. P., PINTO, E'. A. e DONOSO, N. —
Avaliação histopatológica comparativa da intensidade do fenômeno proliferativo na imunidade
celular ã tuberculose em cobaios vacinados oralmente e intradermicamente pelo BCG.
31 em. Inst. Butantan, 36: 57-G6, 1972.
Foto 3: Pulmão — Corte histológico — H.E.
•Jff A reação imunológica celular ocupa entre 51 a 75% da área parenquimatosa.
: Pulmão — Corte histológico — H.E.
A reação imunológica celular ocupa mais de 7G% da área parenquimatosa
Foto
tttt
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MACHADO, J. C.. SOERENSEN, B., AMARAL, J. r. f PINTO, K A. e D0NOSO, N. —
Avaliação histopatológica comparativa da intensidade do fenômeno proliferativo na imunidade
celular* à tuberculose em cobaios vacinados oralmente e intradermicamente pelo BCG.
Mem. Inst. Iiutantan, 8 (>: 57-GG, 1972.
DISCUSSÃO
As vacinações por via oral de BCG em grupos humanos protegem signi¬
ficativamente as populações vacinadas, conforme relatam os trabalhos de
GERNEZ-RIEUX, GERVOIS e NISTRI (2). Experimentalmente, pelos tra¬
balhos de IZUMI e COSTELLO (4) em camundongos suiços albinos, obser-
vou-se que diferentes vias de administração (intraperitoneal, intravenosa e
aerosol) de BCG também tem ação protetora. No entanto, a intensidade dessa
proteção varia segundo Costello e Izumi (1). Assim da mesma forma admitimos
que as reações imunológicas celulares possam ser diferentes em intensidade
segundo a via de administração do BCG seja oral ou intradérmica, mantidas
constantes as demais variáveis, como sejam a quantidade de bacilos do BCG e
os bacilos virulentos posteriormente introduzidos nos animais de experimen¬
tação.
No presente trabalho notamos que dos órgãos estudados pela ordem, o
pulmão, gânglios linfáticos do mediastino, baço e fígado foram os que apre¬
sentaram reações imunológicas celulares mais intensas. Como a reação imuno-
lógica celular depende da presença de bacilos, a sua maior intensidade, decorre
da maior presença numérica dos mesmos nesses órgãos, conforme assinalam
Izumi e Costello. Nos nossos casos como vemos pela figura (5), realmente as
reações imunológicas foram mais intensas no pulmão, como seria de esperar,
nos três grupos estudados. Dentre eles a maior intensidade foi no grupo va¬
cinado intra-dermicamente. Da mesma forma a reação imunológica celular foi
mais intensa no grupo dos vacinados intra-dermicamente nos gânglios lin¬
fáticos do mediastino, baço e fígado.
CONCLUSÃO
Pelos nossos resultados, cremos poder afirmar que a reação imunológica
celular protetora contra o Bacilo da Tuberculose avaliado histologicamente é
mais intensa, nas cobaias, (piando a vacinação pelo BCG é realizada pela via
intra-dérmica.
SUMMARY — The authors study the
intensity of the ccllular immunological
reaction to tuberculosis in two groups
of guinea pigs, one group having been
vaccinated with BCG intradcrmally, the
other orally. After the experimental in-
fection by the oral route, and in the
control group, the authors studied the
following organs: lungs, mediastinal
lymph nodes, spleen and liver.
The evaluation of the intensity of the
cellular immunological reaction was
accomplished taking into consideration
the arcas that exhibit this type of reac¬
tion with the total area of the histolo-
gical section and proceeding to plot this
graphically.
The authors verified that, in the or¬
gans studied, the immunological reac-
tions were more intense in the lungs of
the three groups and it was always ob-
served that the greatest area of cellular
immunological reaction occurred in the
organs of those animais previously vac¬
cinated intradermally. This suggests the
intradermal route of vaccination is the
more efficient in the sense of provoking
the more intense cellular immunological
reaction to tuberculosis.
UNITERMS — Immunopathology of
tuberculosis. BCG vacination.
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MACHADO, J. C., SOBRENSEN, B., AMA11AL, J. P„ PINTO, E. A. e DONOSO, N. —
Avaliação histopatolôgica comparativa da intensidade do fenômeno proliferatlvo na imunidade
celular il tuberculose em cobaios vacinados oralmente e intradermlcamente pelo BCG.
Mem. Inat. Butuntan, Jli: 57-Gü, 1972.
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Recebido para publicação em : 15/10/72
Aceito para publicação em: 23/10/72
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Mem. Inst. Butantan
>i6 : 67-72, 1972.
CICLO SEXUAL BIENAL
DO BRASIL -
DE SERPENTES CROTALUS
COMPROVAÇÃO 0
FRANCISCO GARCIA DE LANGLADA
Laboratorio dc Anatomia Patológica — Instituto Butantan
RESUMO — Atendendo às indicações
dc trabalhos anteriores que pareciam
mostrar que o ciclo reprodutivo das
“cascavéis” brasileiras deveria ser bie¬
nal, o autor observa serpentes fêmeas
do gênero Crotalus em ambiente de liber¬
dade controlada, pelo espaço de quatro
anos.
Durante esse período de tempo veri¬
ficou-se 100% de prenhez e partos, em
anos alternados.
Estas observações, mais os resultados
de seus trabalhos anteriores, permitem
afirmar que o ciclo da serpente Crotalus
do Brasil, é bienal.
UNITERMOS — Ciclo sexual bienal
de serpentes Crotalus.
INTRODUÇÃO
Interessados que estamos a longo tempo no fenômeno reprodutivo das
serpentes venenosas brasileiras, como fato de extrema importância nos nossos
estudos sobre inseminação artificial de serpentes, que vimos estudando e, não
encontrando dados concretos na literatura consultada que permitisse saber ao
certo o espaço entre os ciclos sexuais, reunimos uma série de observações,
fruto de nossa pesquisa, que nos permite ter uma opinião própria, a respeito
do ciclo das “cascavéis” brasileiras.
Vainio (1931) relatou um ciclo bienal em V. berus da Finlândia.
Klauber (1936) estudando C. viriclis numa altitude de 4800 pés em Plat-
teville, Colorado, concluiu que as serpentes reproduziam-se anualmente porque
quase todas as grandes fêmeas continham folículos com vitelo.
Rahn (1942) estudou 64 fêmeas de Crotalus viridis coletadas em Wyo-
ming no inverno. Na amostra existiam duas classes: aquelas com pequenos
folículos e aquelas com grandes folículos de vitelo. Espermatozóides foram en¬
contrados no útero das serpentes do último grupo mas eram ausentes nas fêmeas
com pequenos folículos e obviamente nas jovens. Rahn concluiu que a casca¬
vel da pradaria, naquela altitude (5600 pés), tinha um ciclo reprodutivo bienal
Entretanto, Klauber (1956) diz: “Infelizmente, quando eu examinei a
série de Platteville de cascavel de pradaria do Colorado, os achados de Rahn
Com auxílio cio F.E.D.I.B.
Assistente cia Seção de Anatomia Patológica cio Inst. Butantan.
Endereço para correspondência:
C.P. 65, São Paulo, Brasil.
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LANGLADA, F. G. de — Ciclo sexual bienal de serpentes Orotalus do Brasil —• comprovação.
Mcm. Inst. Butantan, 36: G7-72, 1072.
não tinham sido anunciados e por essa razão eu não diferenciei os ovos em
duas categarias”. Entretanto, é possível que tanto ciclos anuais como bienais
ocorram em ligeiras diferenças de altitude. Se ocorrerem, há uma indicação
que as serpentes são capazes de se reproduzir anualmente se as condições são
favoráveis ou bianualmente, se não o são.
Klauber (1956) refere que pouco era conhecido sobre ciclos reprodutivos
em cascavéis, embora tenha sido assumido que espécies sulinas reproduziam-se
anualmente.
Volse, 1944, na Dinamarca, relata para V. berus um ciclo anual, o mesmo
fazendo Smith em 1951, na Inglaterra.
Outros relatos indicam que ciclos reprodutivos bienais podem ser fre¬
quentes em serpentes.
Fich (1949) concluiu que C. virídis oreganus tinha um ciclo bienal, na
Califórnia. Em 1960 ele sugeriu que a espécie Agkistrodon contortrix exibia um
ciclo bienal no norte de Kansas.
Glissmeyer (1951) relatou que a cascavel C. viridis lutosus tinha um ciclo
bienal em Tooele County, Utah, onde uma média de 49% de fêmeas maduras
coletadas num longo período, estavam prenhes. O quadro, na amostra variou
de 12,5 a 66,7% em diferentes anos.
St. Girons (1957) encontrou que um ciclo bienal, e possivelmente qua¬
drienal, ocorria em V. aspis, sua duração sendo determinada primariamente
pela temperatura com um ciclo anual no sul da França e um mais longo nas
zonas de baixas isotermas. Ele concluiu que em climas mais frios um maior
período era requerido para desenvolver suficientes reservas de gordura.
Naulleau, G. (9170) trabalhando com V. aspis encontra às vezes, 2 ciclos
anuais.
Gibbons, J. W., 1972 — trabalhando com — Crotalus hórridas atricaudatus
do Sul da Carolina encontra ciclos bienais e até possivelmente trienais.
Durante a elaboração de nosso trabalho “Época de fecundação da serpente
CROTALUS do Brasil” (Langlada e Gonçalves, 1971) comprovamos que den¬
tre 1.200 fêmeas capturadas na natureza num período de 3 anos consecutivos,
durante o período correspondente à gestação do gênero, 39% apresentavam-se
prenhes.
No decorrer dos nosso trabalhos sobre estímulos hormonais do ciclo re¬
produtivo da serpente “cascavel” do Brasil vimos que, hormônios em doses
iguais, proporcionais ao peso corporal do animal, com idênticos intervalos de
administração, injetados pela mesma via e na mesma época do ano, não forne¬
ciam as mesmas respostas. Quarenta e tres por cento das fêmeas de “cascavéF’
induzidas artificialmente ao cio, por administração de hormônios, apresentavam
macroscopicamente, hiperemia do ovário, enquanto que as demais não sofriam
alterações.
Condições climáticas, as mais variadas, por nós provocadas artificialmente
no “habitat” das serpentes, não conseguiam induzir ao ponto desejado do
ciclo ovariano: a ovulação (momento do cio), nem mesmo quando associadas a
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IjANGLADA, F. G. de — Ciclo sexual bienal de serpentes Crotalus do Brasil — comprovaQ&o.
Mern. Inst. Butantan, 86: 67-72, 1972.
hormonoterapia específica. Todas estas considerações nos levaram a pensar
ser bienal o ciclo ovariano dessas serpentes.
Como é impraticável a retirada periódica de material ovariano de uma
mesma serpente, durante dois anos consecutivos, para estudos histológicos e
como as dosagens hormonais que poderiam elucidar o ciclo astral são prati¬
camente irrealizáveis, dado o desconhecimento do mecanismo endócrino da
reprodução das serpentes, resolvemos estudar o seu comportamento repro¬
dutivo, apenas por observação direta do animal.
Em observações anteriores, verificamos que o regime de cativeiro é alta¬
mente nocivo à reprodução de cascavéis e que, quando somamos a este cati¬
veiro manuseios frequentes como retirada do animal da caixa, para a limpeza,
troca de alimentação, pesagem, medição e essencialmente extração de vene¬
no, a sobrevida média não excedia a 70 dias. Estas observações são confirmadas
por trabalhos de Belluomini c col. (1966). Mesmo neste espaço de tempo, há
uma sensível perda da agressividade, não há locomoção e é frequente o vômito,
após a alimentação.
Sabíamos de experiências anteriores que a “falsa liberdade” por nos idea¬
lizada fornecia condições de vida capazes de permitir nosso estudo.
MATERIAL E MÉTODOS
Essa “falsa liberdade” consiste em espaço a céu aberto, cercado por pa¬
redes suficientes para dar proteção e segurança devidas, com chão de terra,
no qual cresce a vegetação normal da região. Artificialmente, fazemos sobre a
terra um córrego de profundidade não superior a 4 cms., que atravessa toda a
área e termina num pequeno lago de aproximadamente 6 m 2 , através do qual
a água é drenada para o exterior.
Sobre os cantos vivos, parede-chão, colocamos tábuas de madeira de
± 2 m. de comprimento por 30 cms. de largura, que servem para dar proteção,
em seu vão, às serpentes. Algumas telhas, espalhadas pela área, servem tam¬
bém como outros pontos de abrigo dos animais.
O espaço vital, por nós estabelecido, é de no máximo 4 serpentes por m 2 .
Na “falsa liberdade” a alimentação é constante, isto é, procuramos manter,
dia e noite, pequeno número de roedores vivos e soltos, à disposição das ser¬
pentes.
Nenhum manuseio desses animais é feito e nessa área, somente estreitos
caminhos de passagem são abertos.
Nessas condições, os animais sobrevivem bem, alimentam-se, não vomitam,
evacuam, mudam de pele, demarcam seu território, locomovem-se ficam agres¬
sivos (o que, a nosso ver, é uma prova de adaptação ao meio).
Estabelecemos para este estudo que seria necessário começar nossas ob¬
servações, partindo de serpentes prenhes, já que não tínhamos outro ponto
do ciclo sexual, mais fácil de se perceber. Assim observamos durante quatro
69
6 - MJíMÓRIAS
cm
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LANGL/ADA, F. G. de — Ciclo sexual bienal de serpentes Crotalus do Brasil — comprovação.
Mem. Inst. Butdntan, 36: G7-72, 1972.
anos, 32 fêmeas provenientes dos arredores de S. Paulo, todas elas prenhes,
após uma prévia aclimatação.
Junto a essas 32 fêmeas, colocamos 10 machos adultos da mesma espécie e
os deixamos em sossego completo.
RESULTADOS
Após um período de 4 meses, começaram os partos. Entre o 4.° e 6.°
mês de observação, as 32 fêmeas tinham parido normalmente. É curioso assi¬
nalar que não tivemos um só caso de presença de ôvo atrésico e não houve
nenhuma morte das fêmeas mães, pós-parto.
Separamos as ninhadas e continuamos a observação. O número total de
filhotes retirados foi de 312 vivos e 32 mortos.
No transcurso do l.° ano, morreram 2 fêmeas.
Transcorrido um ano após os partos, não tínhamos observado cio, prenhe¬
zes ou partos de nenhum dos exemplares estudados. Decidimos, assim, pror¬
rogar, por mais um ano, nossas observações.
No decorrer do 2.° ano, entre os meses de maio a setembro, houve aca¬
salamentos espontâneos.
A partir do mes de novembro do 3.° ano de observação, iniciaram-se os
partos, que vieram a terminar em 14 de março (30. a fêmea).
A sobrevida, tanto de machos como de fêmeas, tinha sido total. Durante
toda a experiência machos e fêmeas tiveram mudas de pele perfeitas, as fêmeas
2 vezes por ano (maio-julho e novembro-dezembro) e os machos apenas uma
(setembro-dezembro). Todas as trocas foram completas, saido a “camisa” in¬
teira. As ninhadas deste 2.° grupo de partos das mesmas serpentes montavam
a 412 exemplares vivos e 16 mortos. Durante o transcorrer do quarto ano não
se observavam cios, prenhezes ou partos.
Datas precisas de partos, evolução do peso corporal, comprimento e outros
dados individuais que, sem dúvida alguma, viriam melhor completar estas
observações, foram prejudicados pela necessidade de se manter as condições
de “falsa liberdade” já citadas o pela impossibilidade, até o momento, de
conseguirmos técnica adequada para a identificação individual.
DISCUSSÃO
Das nossas observações podemos afirmar que o regime de “falsa liberdade”
deu plena aclimatação às serpentes nele mantidas.
Tendo iniciado nossos trabalhos, partindo de serpentes prenhes, pudemos
comprovar, que após os partos das mesmas, seguia-se um período de descan-
70
], | SciELO
LiANGLADA, F. G. de — Ciclo sexual bienal de serpentes Crotalus do Brasil
Mem. Inst. Butantan, 36: G7-72, 1972.
comprovação.
so sexual de dois anos, ao cabo dos quais as fêmeas tornavam a entrar em
cio, ter cópulas e prenhezes normais, e com partos nas épocas adequadas, após
os quais novo período bienal de repouso se dava.
Como quer que tanto os cios, como as prenhezes e partos se davam no
mesmo ritmo, na totalidade dos exemplares observados e por espaço de 4 anos,
concluímos afirmando ser bienal o ciclo sexual das serpentes do gênero Cro-
talus do Brasil.
SUMMARY — Prcvious works have
indicated that the reproductive cycle
of the Brazilian rattlcsnake might be
biennial. To vcrify this, the author
observcd females of lhe gcnus Crotalus
in a controlled environment during a
period of four years.
During this period it was verified
that 100% of the pregnancies and deli-
veries occurred in alternate years.
These observations, with the results
of previous works, cited in the text,
permit affirmation that the reproduc¬
tive cycle of the Crotalus snake of
Brazil is biennial.
UNITRRMS — Reproductive biennial
cycle in serpents Crotalus.
71
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LANGLADA, F. G. cie — Ciclo sexual bienal de serpentes Crotalua do Brasil — comprovação.
Mem. Inst. Butantan, 3(1: 67-72, 1972.
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Aceito para publicação em 28/9/72
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Mein. Inst. Butantan
36: 73-78, 1972.
CONTRIBUIÇÃO A TÉCNICA OPERATÓRIA DE SERPENTES I *
HEMIPENICECTOMIA BILATERAL EM SERPENTES
FRANCISCO GARCIA DE LANGLADA**
HÉLIO E. BELLUOMINI***
Seção de Anatomia Patológica e Seção de Venenos
Instituto Butantan
RESUMO — Ante a necessidade de se
determinar o momento no qual as ser¬
pentes fêmeas do gênero Crotalus esta¬
riam aptas a serem fecundadas artifi¬
cialmente, os autores idealizaram téc¬
nica cirúrgica que visa converter em
“rufiões” os machos do mesmo gênero.
Os autores escolheram a ablação ci¬
rúrgica dos hemipenis, em vez da cas¬
tração, por não causar inibição da libi¬
do, ser de mais fácil realização e ofe¬
recer menores riscos cirúrgicos para o
animal.
A técnica foi realizada em dez ma¬
chos e os mesmos foram observados por
espaço de um ano.
Os resultados objetivados tanto na
técnica cirúrgica como na sua inocui¬
dade além de transformações dos ma¬
chos em “alertadores” foram plenamente
conseguidos.
UNITERMOS —■ Hemipenicectomia
bilateral em serpentes.
INTRODUÇÃO
No decorrer dos trabalhos de inseminação artificial de serpentes do
gênero Crotalus, cpie vem sendo realizado atualmente na Seção de Anatomia
Patológica do Instituto Butantan, idealizamos a presente técnica operatória
que tem por finalidade praticar a hemipenicectomia bilateral em machos do
gênero “Crotalus” com o fito de serem utilizados no reconhecimento do mo¬
mento adequado de fecundação de fêmeas do mesmo gênero, visto não exis¬
tir até o presente, método outro, capaz de, sem sacrifício da serpente, poder
detectar a fase ovulatória da mesma.
MATERIAL E MÉTODO
Para a realização da técnica cirúrgica preconizada procedemos da se¬
guinte forma:
Trabalho realizado com auxílio do F.E.D.I.B.
Assistente da Seção de Anat. Patológica do Instituto Butantan.
Diretor do Serviço de Animais Peçonhçntos do Inst. Butantan.
Endereço para correspondência:
C.P. G5, São Paulo, Brasil.
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JjANGLADA, F. G. e BELL.UOMINI, H. E. — Contribulgâo a tícnica operatória
serpentes I — hemlpenicectomla bilateral em serpentes.
Mem. Inst. Butantam, .16: 73-78, 1972.
a) Contenção do animal:
Firma-se a cabeça da serpente ao nível da borda posterior das primeiras
vértebras cervicais entre os dedos polegar e indicador enquanto que os outros
dedos da mesma mão fazem contenção do pescoço contra a palma; a outra mão
do auxiliar abarca o corpo na altura dos rins. O animal assim contido é colo¬
cado sobre uma mesa em decúbito dorsal e por medida de precaução imo¬
biliza-se o maxilar inferior, fixando-o ao superior com uma tira de esparadra¬
po ou de material adesivo.
b) Assepsia:
É feita rigorosamente com Mertiolate desde 10 cms. acima do orifício
cloacal até o guizo inclusive, em toda circunferência do corpo.
c) Exteriorização do hemipenis:
Procede-se a uma pressão suave, moderada e deslizante, no sentido caudo-
eranial, na face ventral da cauda do lado que se deseja exteriorizar o hemi¬
penis, aparecendo este por desinvaginização. Pinçam-se ambas as extremidades
do hemipenis com pinças de Kelly para mantê-las exteriorizadas ,proceden¬
do-se a assepsia do hemipenis com Mertiolate.
d) Técnica propriamente dita:
Faz-se com o bisturi uma incisão circular, ao nível da raiz do hemipenis,
que parte da borda lateral interna da mesma, seccionando-se apenas a camada
externa. Com tesoura de ponta romba procuramos o feixe vascular situado atrás
da canaleta seminal, individualizamos os vasos, ligamos em separado a artéria
e as duas veias que o compõem. Em posição diametralmente oposta encon¬
tramos outro feixe vascular constituído também de uma artéria e duas veias,
porém todos de menor calibre que o anterior; Figura n.° 1 e n.° 2. Fazemos
a ligadura deste feixe também em separado. A seguir secciona-se com bisturi
o tecido celular subcutâneo até atingir a cavidade onde se esconde o hemi¬
penis quando retraído, expondo-se assim o músculo retrator do hemipenis.
Tracionam-se as pinças que contém as duas extremidades do hemipenis per¬
mitindo visualizar e fixar a inserção caudal do músculo retrator, seccionando-se
esta inserção o mais distalmente possivel,, deixando o coto sem ligaduras ou
outros cuidados especiais. Afrontamos o tecido celular subcutâneo e sutu¬
ramos com pontos simples c separados usando categute 0000, montado em agu¬
lha atraumática. Na pele é feita sutura contínua com categute 000. O método
é repetido para o outro hemipenis. Após a cirurgia passa-se novamente Mer-
tiolato em toda ferida operatória. Não imobilizamos, não enfaixamos e não
fizemos curativo nenhum. Não fizemos medicação pré ou pós operatória de
qualquer natureza. A serpente retorna imediatamente ao seu “habitat” ante¬
rior. Não drenamos as feridas operatórias nem a cloaca, limitamo-nos a deixar
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LANGLADA, F. G. e BELLUOMINI, H. E. — Contribuição a técnica operatória de
serpentes I — hemipenicectomia bilateral em serpentes.
Mem, Inst. Butantan, 36 : 73-78, 1972.
o animal em jejum 10 dias antes c 10 dias após a intervenção, permitindo ape¬
nas a ingestão de água.
Realizamos esta técnica em dez machos de “Crotcilns” que foram obser¬
vados durante um ano.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
No pós operatório imediato não há alteração nenhuma na conduta habi¬
tual. Locomovem-se bem. Alimentam-se após os dias de jejum. Não houve
dificuldade de evacuação em nenhum caso. Não tivemos hemorragia, deis¬
cência de sutura ou infecções. A revisão cirúrgica efetuada após 30 dias em
três dos machos operados mostrou cicatrização perfeita do coto da inserção
muscular e dos diferentes planos de sutura, sem obliteração da luz dos canais
receptores dos hemipenis e sem a presença de hematomas.
Após seis meses de cirurgia cada macho foi colocado em compartimento
onde havia seis fêmeas. No momento oportuno acusaram a presença de fêmeas
aptas a serem fecundadas provando assim que a hemipenicectomia não inibe
a libido.
SUMMARY •— In order to determino
in female rattlesnakos the exact period
of sexual receptivity for artificial inse-
mination, the authors removed surgi-
cally both hemipenes of males of the
same species, so that copulation but
not fertilization coul bc effectuated.
The authors have chosen surgical
rcmoval of both hemipenes instead of
castration because it does not cause
any inhibition of the sexual impulse, is
easier to perform, and is less risky to
the animal.
Ten males treated this way werc
observed for a period of onc year.
Both objectives were achievcd: the
technical aspect was successful, and
the male’s transformation proved to be
adequate to indicate female oestrus.
UNITERMS — Bilateral hemipenicec-
tomy in serpents.
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Aceito para publicação: 15/9/72
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LANGLADA, F. G. e BEL.LUOMINI, H. E. — Contribuição a técnica operatória de
serpentes I — hemipenicectomia bilateral em serpentes.
Mem. Inst. Butantan, 36: 73-78, 19 72.
Figura n.° 1 Figura n.° 2
Nomenclatura comum às figuras números 1 e 2 : 1 — Sulco ou canaleta espermática.
2 — Corpo cios hemipenis. 3 — Ramos dos hemipenis. 4 — Músculo retrator individual de
cada ramo do hemipenis. 5 — Músculo retrator maior dos hemipenis. G — Inserção caudal
do mesmo músculo. 7 — Feixe vascular anterior no hemipenis. 8 — Feixe vascular posterior
do hemipenis. 9 — Músculo subcutâneo do hemipenis. 10 — Pele do hemipenis. 11 — Antro
da cloaca exposto por pinçamento e afastamento da escama cloacal. 12 — Vértebras do
segmento caudal. 13 — Feixe vasculo-nervoso da cauda. A — Pinçamento dos ramos do
hemipenis para tração. B — Incisão circular da raiz do hemipenis. C — Sutura após a
ablação do hemipenis.
FIGURA N.° 1 : Esquema da anatomia dos hemipenis e porção caudal da serpente
Crotalus mostrando o hemipenis direito em sua posição normal ou de repouso e o esquerdo
desinvaginado ou em posição ativa.
FIGURA N.° 2 : Síntese da técnica da hemipenicectomia. A — Pinçamento dos extremos
craniais dos dois segmentos do hemipenis. B — Seção circular de pele e camada muscular
do subcutâneo, com feixes vasculares expostos. C — Sutura final após a retirada do
hemipenis.
J, l SciELO
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LiANGLADA, F. G. o BELLUOMINI, H. E. — Contribuição a tócnica operatória cie
serpentes I — hemipenicectomia bilateral em serpentes.
Mem. Inst. Butantan, 30: 73-78, 1972.
HEMIPENICECTOMIA BILATERAL EM SERPENTES DO GítNERO CROTALUS
i ;ym>
Fig. 3: Fotografia do hemipenis direito desinvaginado, vendo-se: 1. Ramos do
hemipenis; A. Base do hemipenis.
uaJÉ M ■■
"is. 1: Fotografia mostrando: l — Ramos do hemipenis direito; 2 — Ramos
do mil seu lo retrator do hemipenis; 3 — Mós cu lo retrator do hemipenis; A —
Base do hemipenis; B — Porçá-o da base do hemipenis — secção da pele.
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LANGBADA, F. G. e BERLUOMINI, lí. K. — Contribuição a técnica operatória Ho
serpentes I — hemipenieectomia bilateral em serpentes.
Mem. Inst. Butantan , 36: 73-78. 1072.
Fig. 5: Fotografia mostrando a tração do músculo retrator do hemipenis. 1 —•
Ramos do hemipenis; 2 — Ramos do músculo retrator do hemipenis; 2 — Músculo
retrator do hemipenis; A — Base do hemipenis; B — Pelo seccionada.
Fotografia «pie moslra o aspecto necroscópico das cavidades dos her
ós 30 dias, mostrando a inexistência de aderências ou hematomas.
após
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cm
Mem. Inst. Butantan
36: 79-88, 1972.
contribuição a técnica operatória de serpentes ii 0
DERIVAÇÃO INTESTINAL, COLOSTOMIA E CLOACORRAFIA (PARA OBTENÇÃO
DE URINA SEM CONTAMINAÇÃO FECAL EM CLOACA DE SERPENTES).
\
FRANCISCO GARCIA DE LANGLADA* **
NAOMI SHINOIYA***
Seção de Anatomia Patológica
Instituto Butantan
RESUMO —• Para obtenção de urina
de serpentes sem contaminação fecal
destinada a dosagens hormonais da
mesma idealizaram os autores técnica
própria para estes animais, com a qual
transformam a cloaca em depósito de
urina após desviar o intestino para o
exterior por meio de uma derivação ci¬
rúrgica.
Analisam a técnica apresentando
obtenção de urina.
Estes estudos foram realizados em 12
serpentes do gênero Crotalus e em 12 do
gênero Bothrops. Os resultados foram
considerados satisfatórios tanto no que
diz respeito à técnica cirúrgica preconi¬
zada quanto ao material obtido.
UNITERMOS - — Derivação intestinal,
colostomia e cloacorrafia em serpentes.
INTRODUÇÃO
No andamento dos nossos trabalhos sobre reprodução de serpentes em ca¬
tiveiro tivemos necessidades de estudar o seu ciclo hormonal. Para isso tinha-
mos duas possibilidades. Uma através pesquisa e dosagens dos hormônios dire¬
tamente do soro sanguíneo, trabalho que estamos realizando em colaboração
com o Professor Ladowsky, de Curitiba, e que implica no sacrifício do animal
para a obtenção de volume suficiente de sôro. Outra possibilidade seria a de
realizar dosagens hormoniais na urina. Isto nos permitiria estudar um mesmo
animal durante muito mais tempo já que não implica em seu sacrifício.
Em serpentes, a obtenção de urina isolada, sem contaminação de outros
elementos, oferece dificuldade técnica pois o cateterismo dos ureteres é im¬
praticável devido à luz reduzida dos mesmos.
A fim de resolver essa dificuldade e não tendo achado na literatura so¬
lução adequada, idealizamos a seguinte técnica operatória baseada em adap¬
tações e modificações de técnicas humanas já existentes.
* Trabalho realizado com auxilio do F.E.D.I.B.
** Assistente da Seção de Anatomia Patológica do Inst. Butantan.
*** Estagiária voluntária do Laboratório de Fisiopatologia do Inst. Butantan.
Endereço para correspondência:
C.P. 65, São Paulo, Brasil.
79
cm
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LANGLADA, F. G. e SHINOIYA, N. — Contribuição a técnica operatória de serpentes TT.
Mem. Inst. Butantan, 36: 79-88, 1972.
MATERIAL E MÉTODO
Estudamos doze serpentes do gênero Crotálus e doze do gênero Bothrops ,
acompanhando a evolução cirúrgica durante 20 dias, já que nos pareceu, pas¬
sando este prazo, fora de cogitação cirúrgica qualquer problema que por ven¬
tura aparecesse.
Escolhemos sempre serpentes adultas, com mais de 500 grs. para maior
facilidade de manipulação.
Trabalhamos com material cirúrgico esteril, e usamos suturas de “categute”
cromado números 000 e 0000 com agulha atraumâtica e fio de algodão, médio,
para a pele.
Assepsia circular de todo o terço inferior da serpente com Mertiolate.
Fizemos as colheitas de urina após a cirurgia por cateterismo da cloaca
através do esfinter anal, com tubo de polietileno P-90, previamente esteril.
TÉCNICA
Por incisão mediana que abrange da 140 a 160 escamas ventrais aborda¬
mos a cavidade ventral. Encontramos o mesentério que afastamos para o lado
esquerdo, indo cair, desta forma sobre a prega peritoneal que envolve o intes¬
tino ao nível da sua junção com a cloaca. Fizemos sobre a prega, incisão lon¬
gitudinal para abordar melhor a rede vascular do meso, dividindo-a em duas
a fim de poder localizar o nível da seção do intestino de tal modo que
não venham a ficar sem irrigação, tanto o intestino, como a cloaca. Procura¬
mos ao máximo não diminuir esta irrigação que anatomicamente já é precá¬
ria na serpente.
Pinçamos o intestino, cerca de 2 cms. acima da sua união com a cloaca,
conforme permita sua irrigação sanguínea usando duas pinças de Kelly retas
e curtas. Praticamos a seção do intestino entre as pinças, com bisturi previa¬
mente molhado em tintura de iodo.
Assim isolado o intestino da cloaca, procedemos inicialmente ao fecha¬
mento da cloaca pela mesma técnica de ligadura e sutura circular com sepulta-
mento utilizadas no coto das apendicectomias humanas. Depois de fechado o
coto, para evitar tanto o prolapso como o colapso, fixamos este com um ponto
de “categute” à face interna da parede ventral, previamente avivada por fric¬
ção com gaze montada em clampe.
A seguir, praticamos incisão da parede ventral no lado direito entre duas
costelas, mais ou menos a três centímetros acima do vértice cranial da incisão
mediana, com abertura suficiente, para caber a porção intestinal que havíamos
separado da cloaca. Por ela transpassamos o intestino com a ajuda de pinça.
Fixamos a borda cruenta do intestino à parede costal com pontos separados de
“categute” unindo a muscular do intestino ao músculo intercostal seccionado
e a pele. Evitamos assim tanto a penetração de elementos estranhos como a
reintrodução espontânea do coto na cavidade ventral.
80
1, | SciELO
IjANGLADA, F. G. e SHINOIVA, N.
Mem. Xnst, Butantan , 86: 71)-88, 11)72.
— Contribuição a técnica operatória de serpentes H.
Suturamos a ferida ventral com poutos separados, utilizando fio de algo¬
dão n.° 24. Após nova assepsia das bordas da fistula, e suas proximidades com
Merticlate, praticamos curativo-receptáculo das fezes. Este curativo é reali¬
zado da seguinte maneira: recobrimos a fístula com gaze esteril, sobre a qual
colocamos chumaço de algodão hidrófilo, (também esteril). Para fixar o
conjunto introduzimos a serpente com o curativo através do tubo de um dreno
de Penrose, do qual previamente retiramos a gaze: o dreno de Penrose deverá
ter um diâmetro igual ou pouco menor que o diâmetro da serpente, na área a
ser enfaixada.
Uma vez instalado o curativo fizemos a lavagem interna, da cloaca, via
anal, com solução fisiológica, usando seringa e tubo de polietileno de diâ¬
metro adequado.
A finalidade desta lavagem é eliminar todos os resíduos fecais da cloaca
já que, a partir deste momento, ela passará a receber apenas urina pura
certamente sem contaminação fecal, pois a evacuação ficou derivada para o
exterior através da fístula, intestinal, implantada na parede costal.
Como a cirurgia intestinal provoca desidratação grave nas serpentes é
aconselhável que se introduza no estômago da serpente, por via oral, com
auxílio de seringa e sonda, logo a seguir do ato cirúrgico, 25 ml de água,
repetindo-se esta operação seis horas após. Além da hidratação nos permitirá
tal manobra retirar por cateterismo da cloaca, agora bexiga urinária artificial,
a urina que aparece anós 24 horas.
RESULTADOS
Pelo método anteriormente descrito, após 24 horas da cirurgia, nos per¬
mitiu retirar por cateterismo da bexiga artificial, quantidades de urina sem
contaminação fecal que oscilava entre 4 ml e 10 ml para o gênero Crotahis e
entre 1 ml e 3 ml para o gênero Bothrops.
Nos cateterismos posteriormente realizados com intervalos de 5 dias obti¬
vemos as quantidades de urina não contaminada com fezes que estão descritos
nas tabelas 1 para o gênero Crotahis e II para o gênero Bothrops.
A sobrevida cirúrgica, é em média de 40 dias para ambos os gêneros.
SUMMARY — The authors developed a
technique, specific for snakes, in order
to obtain urine for hormonal analy-
sis without fecal contamination. This
technique involves transformation of
lhe cloaca into a depository for urine
aíter turning the intestine to the exte¬
rior by means of a surgical colostomy.
Technique and results are analysed.
These studies were accomplished using
12 snakes of the genus Crotalus and 12
of the genus Bothrops. The results
were considercd satisfactory from the
point of view of surgical technique as
wcll as material collected.
UNITERMS — Intestinal derivation,
colostomy and cloacorraphy in serpents
Recebido para publicação: 30/6/72
Aceito para publicação: 15/9/72
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SciELO
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cm
L ANGLADA, F. G. e SHINOIYA, N. — Contribuição a técnica operatória de serpentes II.
Mem. Inst Butantnn, 36: 79-88, 1972.
DERIVAÇÃO INTESTINAL, COLOSTOMIA E CLOACORRAFIA (PARA
OBTENÇÃO DE URINA SEM CONTAMINAÇÃO FECAL EM CLOACA DE
SERPENTES).
ESQUEMA DE NOSSA TÉCNICA.
/ \
i
Figura n.° 1 : Anatomia normal. Figura n.° 2 : Mutação anatômica após a execução cie nossa
técnica.
A. Intestino grosso; B. Ponto de fixação do intestino grosso a pele (Colostomia) ; C. Cloaca
normal; Cl. Cloaca convertida em bexiga urinária; D. Rim esquerdo ; E. Rim direito; F. Pele;
G. Ureter esquerdo; H. Ureter direito; K. Esfinter anal.
84
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
cm
I-iANGLADA, F. G. e SHINOIYA, N. — Contribuição a técnica operatória de serpentes IX.
Mcrn. Insf Butantan, 36: 70-88, 1972.
DERIVAÇÃO INTESTINAL — COLOSTOMIA E CLOACORRAFIA PARA
OBTENÇÃO DE URINA SEM CONTAMINAÇÃO FECAL EM SERPENTES.
Fig. 1: Fotografia mostrando a incisão da parede ventral, adiposidade (1) e vasos
mesentéricos (2).
Fig. 2: Fotografia mostrando a abertura do mesentério (fí) e pinçaniento do
intestino grosso (4A) para sua separação, por corte da cloaca (4).
7 - memórias
cm
2 3 4 5 6 SCÍELO 10 2.1 12 13 14 15 16
LANCjLADÀ, F. <1. e SI 11X01 VA, X
Mein. Imt. liutantan, 36: 7D-S8, 11)72.
Fis
Fotografia mostrando a ligadura err» massa do côto da cloaca (1), ;á
separado do intestino grosso (4A).
mm
Fig. I : Fotografia mostrando a invaginaçao com auxílio de pinça, do coto da
cloaca (I) e sutura ern forni.:i de ‘•iJolsa de tabaco”, para sepultamento do mesmo.
2 3 4 5 6 SCÍELO 10 13 _ 12 i3 14 15 16
cm
la.-VNGIjAl>A. F. G. o SHINOIVA, X. Gontrllmlgfto a tOenlea operatória de serpente» IT
Mcm. hiffi. liutantan. Ui: 7!»-X8, 1!>72.
Fotografia mostrando a fixação com pontos, do coto da cloaca (4) ã
musculatura da parede costal (7).
6: Fotografia mostrando a exteriorização, com. auxílio de pinça
do intestino grosso ( 1 A;, através da parede costal (9).
do
coto
Fie,
SciELO
cm
LANGLADA, F. G. e SHINOIYA, N. — Contribuição a técnica operatória de serpentes II.
Mem. Inst. Butantan, 36: 79-88, 1972.
Fig.
Fotografia mostrando
musculatura da parede
a colostomia, depois de fixada, por sutura,
costal (9). (Clichê fotográfico retocado).
88
í, | SciELO
Meni. I7ist. Butantan
36: 89-100, 1972.
CONTRIBUIÇÃO A TÉCNICA OPERATÓRIA DE SERPENTES III 0
ABLAÇÃO DE GLÂNDULAS DE VENENO EM SERPENTES DO GÊNERO
CROTALUS
FRANCISCO GARCIA DE LANGLADA**
HÉLIO E. BELLUOMINI***
Seção de Anatomia Patológica e Seção de Venenos.
Instituto Butantan
RESUMO — Os autores descrevem
uma técnica operatória cuja finalidade
é a retirada cirúrgica das glândulas
principais veneníferas das serpentes.
Esta técnica é realizada em serpentes
do gênero Crotalus destinadas a repro¬
dução e estudos de patologia e que por¬
tanto devem ser manuseadas freqüente-
temente eliminando-se todo e qualquer
risco de acidentes.
Os animais após a retirada da glân¬
dula fdram observados pelo espaço do
seis meses, mostrando durante todo o
tempo comportamento normal.
UNITERMOS — Ablação cirúrgica de
glândulas principais de veneno em ser¬
pentes do gênero Crotalus.
INTRODUÇÃO
No decorrer dos estudos que se realizam em nosso laboratório sobre a
reprodução de serpentes por inseminação artificial, nos pareceu conveniente
procurar métodos para evitar a possibilidade de acidente com os manipula¬
dores de animais. Para tanto pensamos na ablação das glândulas de veneno das
serpentes.
Encontramos na literatura: o trabalho de Jarros, 1940 (1) que tenta ex¬
tirpar as glândulas veneníferas por coagulação. Phisalix e Bertrand, 1894 (3)
realizando estudos hematológicos diferenciais “extraem” glândulas de serpente.
Kelawai C. H., 1938 (2) em estudos de toxicidade do plasma refere que
“extirpa” glândulas de veneno em Tiger Snake (Notechis sculatus) e Tai J.
1938 (4) refere trabalho que retira a glândula de veneno através da “bochecha”
da serpente. Notamos nesses trabalhos a falta de dados técnicos elucidativos
dos métodos de retirada das glândulas, bem como casuística e conseqüência
das ablações além de serem realizadas em outros gêneros de serpentes. Isto
nos levou realizar a presente técnica operatória que estuda e compara duas
* Com auxílio do F.E.D.I.B.
* * Assistente da Seção de Anatomia Patológica do Inst. Butantan.
*** Chefe do Serviço de Animais Peçonhentos do Inst. Butantan.
Endereço para correspondência:
C.P. G5, São Paulo, Brasil.
89
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
LA NG LA DA, F. G. o BKLLLOMINT, Si. K. — Contribuição
serpentes III. Mem. Inst. Butantan, 36: 89-100, 1972.
a. técnica operatória do
vias de acesso para extração de glândulas de veneno de serpentes. Acompa¬
nhamos os animais operados durante tempo superior ao do pós-operatório, para
demonstrar a tolerância à técnica.
Realizamos a técnica em 25 exemplares do gênero Crotalus “cascavéis”
adultos, machos e fêmeas que foram capturados e operados em diferentes esta¬
ções do ano, entre 1.966 e 1.969.
Cada animal foi alojado em caixa individual, nas condições usuais de labo¬
ratório. Diariamente oferecia-se em cada caixa um camundongo para controle
de alimentação.
Para observar o estado de saúde no pós-operatório baseamo-nos nos se¬
guintes itens: agressividade, movimentação, alimentação, evacuação, alteração
do peso corporal, mudas de pele e controle da ferida cirúrgica.
TÉCNICA CIRÚRGICA
1) Fixação da serpente:
É feita manualmente por um auxiliar que fixa a cabeça pela porção cer¬
vical entre o polegar e o indicador, e com a outra mão sustenta o corpo do
animal sobre a mesa.
2) Assepsia:
Usa-se água com sabão neutro e a seguir um antisséptico do tipo Mer-
tiolate ou Espadol que se passa por toda a cabeça tendo o devido cuidado para
não penetrar nas fossetas íoreais, narinas e boca.
3) Vias de acesso:
Ensaiamos duas vias de acesso, uma externa cuja incisão é feita entre a
primeira e segunda fileira de escamas paralela ao lábio e vai desde a altura da
fosseta loreal até o nível da comissura labial; outra, interna, feita exatamente
sobre a linha de transição entre a mucosa da boca e as escamas supralabiais
com início imediatamente atrás do feixe vascular visível, (pie corre transversal¬
mente e logo posteriormente à presa terminando junto à comissura labial.
Afastando as bordas da fenda cirúrgica tanto por uma como por outra via,
cairemos diretamente sobre a glândula de veneno (fig. 1) mostrando em sua
porção dorsal, um forte músculo “compressor glandulae” que a cavalga, uma
faixa nítida, na borda ventral da glândula, um dueto epie se dirige para a presa,
e em sua porção distai um ligamento de tecido conjuntivo.
Dissecamos a seguir cuidadosamente com tesoura, em movimento de di-
vulsão, o músculo “compressor glandulae” exatamente na sua inserção sobre a
glândula (fig. 2). Não é comum ocorrer hemorragia, pois a irrigação desse
músculo é feita pela outra borda de inserção.
A ressecção do “compressor glandulae” deve ser iniciada pela face externa
da glândula e depois seguindo pela borda dorsal da mesma, ressecar a inserção
90
cm
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BANGLADA, R G. o BBL.LUOMINI, 11. K. — Contribuição a técnica operatória üe
serpentes lli. .l/em • Inat. Butantan, .Ui: 8Ü-100, 19 72.
interna. Não é aconselhável a ressecção por via inferior e posterior em relação
a glândula pois corre-se o risco de lesar os ramos do trigêmeo e os grandes
vasos da região que correm em contacto direto com a face interna desse múscu¬
lo e a glândula. Caso, ocorra, é suficiente um pinçamento temporário com uma
pinça de Kelly para obter uma hemostasia eficiente.
Livre a glândula de seu músculo, seccionamos o canal entre duas pinças, e
ligamos o coto com categute cromado 0000. Rebatemos a glândula para trás
e para cima e então seccionamos com tesoura a ligamento de sua extremidade
caudal (fig. 3).
Retirada a glândula, fixamos com pontos de categute cromado OGOO mon¬
tado em agulha atraumática, o músculo “compressor glandulae” aos músculos
do assoalho palatino, para assim evitar a depressão de pele causada pela
retração da musculatura e ausência da glândula (fig. 4).
Suturamos a incisão quer da pele (via externa) quer da mucosa (via
interna) com pontos separados de categute 0000 cromado, montado em agu¬
lha atraumática. A seguir a sutura e adjacências são desinfectados com um
antisséptico.
Ambas as incisões não mostram diferenças técnicas ou vantagens clínicas.
A externa é de execução mais simples e se pode trabalhar com a boca do
animal fechada, mas pode dar alterações no desenho da pele, se a sutura não
for minuciosamente feita e a cicatriz não se der por primeira intenção.
A interna requer mais habilidade mas parece mais aconselhável do ponto
de vista estético, mesmo que ocorram complicações no pós-operatório (hema¬
tomas, micro-infecções da ferida, etc)
PÓS-OPERATÓRIO
Nos primeiros dois ou tres dias há discreta diminuição da agressividade
em alguns exemplares (armam apenas o bote). A seguir a agressividade se nor¬
maliza, passando a terem a conduta normal das serpentes em cativeiro. Ali¬
mentam-se, bebem água e não apresentam problemas mecânicos na movimenta¬
ção das presas. Quando agridem o camundongo, o fazem normalmente. Para
se alimentarem agridem como de hábito, os camundongos que lhes foram
oferecidos. Todas elas após a mordida, mantém o animal preso com a boca
até que este morra.
Alguns camundongos que foram mortos por estas serpentes e não inge¬
ridos mostraram à necropsia, hemorragias viscerais graves provocadas por agen¬
tes perfurantcs, nestes casos as presas.
As mudas de pele ocorreram normalmente e não houve variação do peso
corporal durante o período de observação que na maioria dos casos foi
superior a 6 meses. A cicatrização se fez em 15 dias em média. Em nenhum
caso houve deiscência de sutura. 'Não foi necessário a retirada dos pontos, dei¬
xamos a ferida cirúrgica exposta ao ambiente sem outros cuidados.
91
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10 11 12 13 14 15 16
LANGL/ADA, F. G. e BELLUOMINI, II. E. — Contribuição a técnica operatória de
serpentes III. Mevn. Inat. Butantan, 3G: 89-100, 1972.
Após o 2.° mês, a cicatriz é uma linha apenas perceptível (na técnica por
via interna) e imperceptível quando feita pela técnica de via externa.
Acreditamos ter demonstrado a inocuidade da técnica descrita, pois salvo
um discreto hematoma unilateral em um dos exemplares operados não tivemos
nenhuma outra complicação.
SVMMARY — The authors describc
a technique for the surgical removal of
the principal venom glands of snakes.
This technique is used in studies on re-
production and pathology, thereby eli-
minating any risk when frequently
handled.
After removal of the glands, the
snakes were observed for a period of
six months, during which time they all
exhibited normal behavior.
UNITERMS — Surgical removal of the
venom glands in snakes of the genus
Crotalus.
92
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10 11 12 13 14 15 16
IjAXGIjADA, F. G. e BEL.L.UOMINI, H. E. — Contribuição a técnica operatória de
serpentes III. Mem. Inst. Butantan, 36: 89-100, 1972.
, 2 11 71 » 8
12
Fig. 1 : Desenho esquemático que mostra a incisão da pele e afastamento das
bordas da mesma, mostrando a glândula de veneno, dueto venenífero e a
glândula acessória.
93
cm
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10 11 12 13 14 15 16
IiANGi/ADA, F. G. e BELLUOMINI, II. E. — Contribuição íi técnica operatória de
serpentes III. -liem. h\st. Butantan, 36: 89-100, 1972.
das bordas das duas porções do músculo compressor da glândula de veneno,
íi face interna da camada muscular profunda do palato, fixando-o dessa
maneira.
94
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2 3
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Contribuição a técnica operatória de
LANGLADA, F. G. e BELLUOMINI, H. E. -
serpentes III. Mem. Inat. Butautan, 36: 89-100, 1972.
NOMENCLATURA COMUM AS FIGS. N°S. 1, 2, 3 e 4
1. Pele
2. Celular subcutâneo
3. Músculo compressor da glândula de veneno, porção externa
4. Músculo compressor da glândula de veneno, porção interna
5 Glândula de veneno
G. Faseia brilhante da borda inferior da glândula
7. Dueto venenífero
7a. Ponto de secção do dueto venenífero
8. Glândula acessória
9. Ligamento posterior da glândula de veneno
9a. Ponto de seção do ligamento posterior da glândula de veneno
9b. Coto do ligamento da glândula de veneno
10. Fecho vasculo-nervoso das estruturas moles da região palatina
11. Fecho vasculo-nervoso ramos faciais que correm posteriores ao músculo compressor
da glândula e a face interna da mesma
12. Parede muscular do palato face interna
13. Face interna das estruturas musculares do palato
14 . Plano muscular profundo
15. Borda do músculo compressor da glândula
], | SciELO
95
LANGL/ADA, P. G. e BELLUOMINI, H. E. — Contribuirão a tCcniea operatória de
serpentes JII. 31 cm. Inst. Bulantan, -Ui: 83-100, 1372.
Fig. 5 : Fotografia mostrando a incisão, via interna.
Fig. C: Fotografia mostrando a incisão, via externa.
2 3 4
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
BANO BA PA, F G. c BEBT/UOMINI, H. E. — Contribuição a técnica operatória <le
serpentes IIT. Mcm. Inst. Butantan, 36: 89-100, 1972.
Fig. 7: Fotografia mostrando glândula de veneno (2) como é encontrada após
a incisão da pele.
Fig. 8: Fotografia mostrando a glândula de veneno (3)
entre pinças, para secção.
dueto primário (4)
cm
SciELO
Contribuição a técnica operatória de
LANGLADA, F. G. e BELLUOMINI, Tf. F. -
serpentes IIT. Mem. Inst. Tiutantan , 3C>: 89-100, 1972,
Fig. 9: Fotografia mostrando: Ligadura do coto cranial do dueto primário (5):
2. Ramo anterior do músculo "compressor glandulae”. 2*. Ramo posterior do
músculo “compressor glandulae”. 3. Glândula principal de veneno; 4. Coto distai
do dueto primário.
Fig. 10: Fotografia mostrando a fixação das bordas de an:.bas as lâminas muscu¬
lares do “compressor glandulae”, na face interna do palato (0). Ramo anterior
do músculo “compressor glandulae” (2).
cm
SciELO
IjANGLADA, F. G. o BELT/UOMIXT, H. E. — Contribuirão a técnica operatória do
serpentes III. Mcm. Inst. Dutantan, 30: 89-100, 1972.
Fig. 11
: Fotografia do palato mostrando o aspecto da sutura contínua da incisão
pela via interna (A).
1' ig
sutura da incisão pela via externa
(B)
A^pect(
da
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
LANGLADA, F. G. e BELLUOMINI, H. K. — Contribuição a técnica operatória de
serpentes III. Mcni. Inst. Butantan, 3G : 89-100, 1972.
BIBLIOGRAFIA
1. JAROS, D. B.: Coelusion of the venom duct of Crotalülae by electrocoagulation:
An Innovation in Operative Tcehnique. Zoologia XXV: 49-51, 1940.
2. KELLAWAY, C. H.: The results of the excision of the venom glands of the
Australian Tiger Snake ( Notechis scutatus). Australian Jour. Exper. Biol. Med.
15-16: 121-130, 1937-1938.
3. PHISALIX, C. et BERTRAND, G.: Compt. Rend. Acad. Sei.: 119:919. 1894
4. TAIT, J.: Surgical removal of the poison glands of rattlesnakes. Copeia 10-13, 1938.
Recebido para duplicação: 30/6/72
Aceito para publicação: 11/9/72
100
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2 3
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5 6
11 12 13 14 15
Mem. Inst. Butantan
J6: 101-108, 1972.
“CONSEQÜÊNCIAS DA ABLAÇÃO CIRÚRGICA DA GLÂNDULA
PRINCIPAL DE VENENO EM CROTALUS: COMPORTAMENTO
DO ANIMAL E ESTUDO HISTOPATOLÓGICO DA GLÂNDULA
ACESSÓRIA”:
FRANCISCO G. DE LANGLADA*
HÉLIO BELLU OMINI* *
JESUS CARLOS MACHADO***
Laboratórios cie Anatomia Patológica e Serviço
de Animais Peçonhentos do Instituto Butantan.
RESUMO —- Referem os autores o com¬
portamento, durante 14 meses, de 25
serpentes do gênero Crrotalus submeti¬
das a ablação bilateral da glândula prin¬
cipal de veneno, por técnica própria já
descrita por dois dos autores (S.B.P.C.
XXII Reunião anual 1.969). Assinalam
que durante esse tempo o comporta¬
mento das mesmas não foi alterado
(agressividade, repouso, alimentação,
evacuações, mudança de pele, peso cor¬
poral e prenhez). Estudaram também
histologicamente a glândula acessória e
o dueto secundário em 6 destes casos.
Verificaram que a alteração mais fre¬
quente é a dilatação dos túbulos glandu¬
lares ao lado de moderada hiperplasia.
Atribuem a dilatação à impossibilidade
da saida do produto elaborado por defi¬
ciências anatômicas decorrentes da
ablação. A hiperplasia, acreditam seria
de tipo compensadora motivada pela
exerese da glândula principal.
UNITERMOS — Comportamento de
serpentes. Histopatologia das glândulas
acessórias de veneno.
INTRODUÇÃO
Em estudo anterior (3), dois dos autores do presente trabalho, preco¬
nizaram a ablação cirúrgica das glândulas veneníferas principais, em serpentes
mantidas em cativeiro, para finalidades de estudo, a fim de evitar-se acidentes
no seu manuseio. Em decorrência dessa ablação, surgiram duas questões que
mereceram de imediato a atenção. Primeiro, qual seria o comportamento das
serpentes assim mutiladas e em segundo lugar quais seriam as alterações pro¬
cessadas nas glândulas acessórias. Estas, por questões anatômicas de pro¬
ximidade (desenho 1), não podem ser retiradas sem graves riscos para as
presas do animal. A perda dessas, para as serpentes, seria indesejável, seja
* Seção de Anatomia Patológica do Instituto Butantan.
Diretor do Serviço de Animais Peçonhentos do Inst. Butantan.
*** Diretor da Divisão de Patologia do Instituto Butantan.
Com auxílio do F.E.D.I.B.
Endereço para correspondência:
C.P. 65, São Paulo, Brasil
101
8 — MEMÓRIAS
cm
2 3
Z.
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10 11 12 13 14 15
LANOL/ADA, F. G., BEDDUOMINT, IT. e MACHADO, .7. C. — Consequências da ablação
cirúrgica da glândula principal do veneno em Crotalus : comportamento do animal e estudo
histopatológico da glândula acessória. Man. InH. Butantan. .16: 101-108, 1972.
pela dificuldade que teriam em se alimentar, seja pela perda anatômica de
peça tão significativa. Desta forma decidimos pesquisar esses aspectos em
serpentes submetidas à ablação das glândulas veneníferas principais.
MATERIAL E MÉTODO
Vinte e cinco serpentes foram previamente submetidas a retirada cirúrgica
das glândulas principais de veneno pela técnica de Langlada-Belluomini.
Foram observadas em seu “habitat” no laboratório durante um ano, com
pesagens mensais para acompanhar seu desenvolvimento, ao lado de controle
alimentar por oferecimento de número conhecido de camundongos ingeridos.
O aspecto das evacuações, agressividade e mudanças de pele também foram
anotados.
Após 14 meses foram sacrificados 6 exemplares para se fazer estudo histo-
patológico da glândula acessória.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O estudo do comportamento dos animais comparando-se o grupo ade-
nectomizado e outro normal, não mostrou variações significativas. Apesar da
ausência do veneno, a alimentação dos animais adenectomizados, não foi pre¬
judicada. As mudanças de pele e mesmo a existência de prenhezes em alguns
exemplares (tabela 1) mostraram a perfeita adaptação das serpentes à ci¬
rurgia efetuada.
As glândulas acessórias segundo E. Kochva e C. Gans (2) são estrutu¬
ras ovalares cobertas, com pobre tecido conjuntivo e uma fina mas compacta,
cápsula de tecido denso, com algumas fibras elásticas detectáveis. São cons¬
tituídas basicamente de duas porções, uma anterior e outra posterior, com
diferenças histológicas e histoquímicas nítidas. Os túbulos da parte anterior
são rodeados por numerosas células mioepiteliais. Os túbulos possuem um
epitélio misto. Centralmente na glândula notamos o dueto primário que se
conecta perifericamente com dutos secundários que se encaminham para as
presas. Segundo C. Gans e E. Kochva (1), as glândulas acessórias tem sido
consideradas ora como um reservatório de veneno, ora como um esfíncter ou
válvula para controlar a saída do veneno; ou como fonte de princípios ativos
ou como produtor de diluentes para facilitar a saída do veneno da glândula
principal pelas presas. Observações de que a glândula acessória é complexa
e elabora diferentes tipos de mucopolissaearídeos nas suas várias regiões, que
o padrão eletroforético do veneno obtido da glândula principal difere do
veneno completo, que há diferenças na digestão pética entre o veneno obtido
da glândula principal e daquele obtido no dueto principal da glândula aces¬
sória, e ainda mais que homogenatos de glândula acessória aumentam a to¬
xicidade do homogenato de glândulas principais, sugerem segundo C. Gans e
102
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
LANGLADA, F. G., BELLUOMINI, H. e MACHADO, J. C. — Consecitiências cia ablação
cirúrgica da glândula principal do veneno em Crotalus : comportamento do animal e estudo
bi.stopatológico da glândula acessória. Mem. Inst. Butantan, 36: 101-108, 1972.
E. Kochva (1) que as funções da glândula acessória devam ser estudadas
em outras direções.
Essas observações de C. Gans e E. Kochva sugerem, senão uma ação in¬
dependente secretora, pelo menos uma produção secretora coadjuvante com¬
plementar da glândula acessória junto a glândula principal. Se há essa cor¬
relação de interdependência poderíamos supor que à retirada da glândula
principal sobreviriam fenômenos adaptativos na acessória. A análise histológica
de glândulas acessórias em 6 casos de Crotalus onde foram efetuadas abla¬
ções da glândula principal de veneno, nos mostraram inicialmente uma cons¬
tante dilatação tubular de graus variáveis em 5 dos 6 casos conforme po¬
demos verificar pela tabela 2. Por outro lado sinais de hiperplasia do epitélio
glandular tubular foram verificados em 3 dos 6 casos. Esta hiperplasia (micro-
fotos 1 e 2) verificou-se ser mais acentuada na parte anterior da glândula
acessória e menos na posterior. A dilatação tubular pode ser decorrência, a
nosso ver, das dificuldades determinantes da cirurgia efetuada, principalmente
no que diz respeito a questões ligadas ao mecanismo muscular regional de
esvaziamento da glândula. A hiperplasia observada seria indício de possi¬
bilidade compensadora da exerese da glândula principal de veneno.
SUMMARY — The authors studied, ration was found to be a dilation of
during 14 months, the behavior of 25
snakes of the genus Crotalus submitted
to bilateral ablation of the main venom
grland by a technique already related
by two of the authors (SBPC, XXII
Annual Meeting, 1969). It has been
noted, that during this time the beha¬
vior (aggressiveness, rest, alimentation.
evacuation, shedding, body weight and
gestation) was not altered. Histológica!
studies on the accessory giand and se-
condary duct were also done in six of
these cases. The most frequent alte-
the giands tubules besides moderate
hyperplasia. They attribute this dila¬
tion to the blocking of the duct, hinde-
ring the outflow of its product, due to
anatomical defficiency induced by the
ablation. They belicve the hyperplasia
to be of the compensatory type also
caused by excision of the main venom
gland.
VNITERMS : — Behavior of serpents.
Histopathology of acessory venoums
giands.
BIBLIOGRAFIA
1. GANS, C. and E. KOCHVA: The acessory çland in the Venom Apparatus of
Viperid Snakes. Toxicon, 3. 61/63, 1965.
2. KOCHVA, E. and C. GANS: Histology and histochemistry of Venoms Giands of
some Crotaline Snakes. Copeia. 3, 506/515, 1966.
"■ LANGLADA, F. G. e BELLUOMINI, H.: Contribuição a técnica operatória de
serpentes. Ablação de glândulas principais de veneno em serpentes. No prelo
(Memórias do I. Butantan).
Recebido para publicação: 30/6/72
Aceito para publicação: 31/8/72
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LAN G LA D A, F. G., BEDLUOMINI, H. e MACHADO, J. C. — Conseqüências da ablação
cirúrgica da glândula principal de veneno em Crotalus : comportamento do animal e estudo
histopatológico da glândula acessória. Mem. Inst. Butantan, -Ui: 101-108, 1972.
Micro fotografia 1. Coloração H.E. 10 X. Glândula acessória de veneno
notando-se em 1 a parte anterior, em 2 a posterior e em 2 o duto principal.
Os túbulos glandulares mais próximos ao principal mostram, indícios de dila¬
tação e os mais superiores da parte anterior sinais de hiperplasia.
Microfotor/rafio 2. Coloração H.E. 100 X. Glândula acessória de veneno
mostrando túbulos com sinais de hiperplasia no epitólio
cm
SciELO
Dados individuais
da serpente SEGUIMENTO INDIVIDUAL APÔS CIRURGIA
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LANGBADA, F. G., BELLUOMINI, H. e MACHADO, J. C. — Conseqüências da ablação
cirúrgica da glândula principal de veneno em Crotalus : comportamento do animal e estudo
histopatológico da glândula acessória. Mem. Inst. Butantan, 36 : 101-108, 1972.
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LANGL/ADA, F. G., BELLUOMINI, H. e MACHADO, J. C. — Conseqüências cia ablação
cirúrgica da glândula principal de veneno em Crotalus : comportamento do animal e estudo
histopatológico da glândula acessória. Mem. Inst. Butantan, 36: 101-108, 1972.
Desenho 1 : Esquema anatômico do aparelho venenífero — Gênero “Crotalus”.
1. Músculo “compressor glandulae”. 2. Ramo anterior do músculo “compressor
glandulae”. 3. Dueto primário. 4. Glândula acessória. 5. Dueto secundário. 6.
Presas. 7. Ligamento posterior da glândula principal. S. Glândula principal de
veneno.
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Mem. Inst. Butantan
36: 109-208, 1972.
SINOPSE DAS SERPENTES PEÇONHENTAS DO BRASIL
SERPENTES, ELAPIDAE E VIPERIDAE
por
A. R. HOGE e S. A. ROMANO**
(Seção cie Herpetologia, Instituto Butantan)
RESUMO: — Sinopse das serpentes
peçonhentas do Brasil.
UNITERMOS: — Serpentes peçonhentas
do Brasil.
Elapidae; Elapinae, Micrurus sp, Viperi-
dae; Crotalinae, Bothrops, Crotalus e
Lachesis.
ABSTRACT ■ — Checklist with keys
and a bricf review of the classification
of snakes.
UNITERMS — Brazilian poisonous
snakes. Elapidae; Elapinae, Micrurus
sp, Viperidae; Crotalinae, Bothrops
Crotalus and Lachesis.
Desde o trabalho de Amaral, em 1937, nenhuma lista, nem chave para
as formas do Brasil foi publicada, muito embora houvessem revisões recen¬
tes dos Elapinae e Crotalinae da região neotrópica (Hoge 1966; Roze 1967;
Hoge e Romano 1971, etc.) razão pela qual é elaborada esta lista.
A ordem Serpentes agrupa 2.800 espécies em várias Subordens e Fa¬
mílias; o número destas varia de acordo com cada autor. Há ainda diver¬
gências entre os autores quanto à classificação das Serpentes. Omitimos nesta
lista os Natricinae e Xenodontinae que serão tratados posteriormente em
separado.
ORDEM DAS SERPENTES
Subordem SCOLECOPHIDIA
Família Typlilopidae
Subfamília Anomalepinae
Tt/phlopinae
Família Leptotyplilopidae
Subordem HENOPH1DIA
Família Aniliidae
Uropeltidae a
Xenopeltidae 9
Família Boidae
Subfamília Loxoceminae 0
Ptjlhoninae 9
Boinae
Bolijerinae 0
Trabalho realizado com auxílio do CNPq e National Library of Medicine.
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JLOCrE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Inst.
Butantan, 36: 109-20S, 1972.
Tropidophinae
Erycinae 9
Suborclem CAENOPHIDIA
Família Cólubridae
Subfamília Colubrinae
Dasypeltinae 9
Acrochordinae 9
Xenoderminae (veja mais adiante)
Pareinae 9
Dipsadinue
Calamarinae 9
Sibynophinae 9
Homólopsinae 9
Família Elapidae
Subfamília Elapinae
Dendroaspinae 9
Família Hydrophidae
Subfamília Ht/drophinae 9
Laticaudinae 9
Família Viperídae
Subfamília Atractaspidinae 9
Subfamília Viperinae 9
Crotalinae
Ordem SERPENTES
Subordem SCOLECOPIIIDIA
Serpentes adaptadas à vida subterrânea caracterizadas: por ossos cra¬
nianos fortemente unidos inclusive na região rostral; quadrato dirigido para
frente; supra-temporal ausente ou muito reduzido; foramen óptico no frontal;
epífises neurais ausentes; hipapófises ausentes; vestígios da cintura pélvica,
sem esporões visíveis externamente; fígado fortemente lobado; somente um
oviduto (direito); células visuais todas em forma de bastonetes.
Os representantes das duas famílias desta subordem, conhecidas no Brasil
como Cobras-cegas ou Mãe da sauva, são ofídios de pequeno porte e de
vida subterrânea. Alimentam-se de cupins e fonnigas. São ovíparos com poucas
exceções e ocorrem na América tropical, sudeste dos Estados Unidos, África,
extremo sudeste da Europa e Ásia.
Família Typhlopidae
Maxilar móvel, provido de alguns dentes e situado transversalmente;
pulmão traqueal presente.
Extraterritorial.
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IIOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Hl em. InsL
Butantan, 36: 109-208, 1972.
Subfamília Typhlopinae
Ectopterigóide ausente; dental reduzido e edentado; ossos circumorbitais
ausentes; hióide em Y; esplenial presente, alcançando a ponta da mandíbula;
glândula nasal recoberta pelo prefrontal; cintura pélvica reduzida.
Subfamília Anomalepinae
Ectopterigóide presente; dental bem desenvolvido; hióide em W; ossos
circumorbidais presentes; esplenial ausente; cintura pélvica ausente; glândula
nasal exposta.
Família Leptoiyphlopidae
Maxilar solidamente fixado ao crânio; maxilar edentado; dental com
alguns dentes; postorbital ausente; articulação intermandibular; hióide em V.
Subordem JIENOPU1D1A
Quadrato dirigido para trás; coronóide presente; supra-temporal bem de¬
senvolvido; foramen óptico geralmentc entre o frontal e parietal; hipófises
neurais presentes; um par de ovidutos.
Família Aniliidae
Premaxilar suturado com maxilar; supraocular ausente; hipapófises ante¬
riores ausentes; supratemporal pequeno não expandido além do contorno do
crânio; músculo levator angidi oris presente; esporões pélvicos presentes, pelo
menos nos machos; premaxilar provido de dentes; dentes palatinos bem de¬
senvolvidos.
Dos três gêneros, um, Anilius scytale (Coral d’água) ocorre na América
do Sul; os outros dois, Cijlindmphis e Anomochihis ocorrem no sudeste asiático;
são ovovivíparos.
Família Uropeltidae
Premaxilar suturado com maxilar; supraocular ausente; hipapófises ante¬
riores ausentes; sem vestígios de cintura pélvica; músculo levator angidi oris
presente.
Como o nome indica, as serpentes pertencentes a essa família são carac¬
terizadas pela presença de escamas modificadas na ponta da cauda extrema¬
mente curta.
São fossoriais e restritos a Península Indiana e Ceilão.
Família XenopcJtidae
Premaxilar desdentado em contato com os maxilares; coronóide presente;
angular ausente; supraocular ausente; hipapófises anteriores ausentes; supra¬
temporal ultrapassando o contorno craniano; dental frouxamente articulado
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HOOE, A. lí. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Inst.
Bntanlan, 36: 109-20S, 1972.
com o surangular que é muito alongado; sem vestígios de membros posteriores.
Músculo levator anguli oris presente.
A família Xenopeltidae contém um gênero com uma única espécie: X.
unicolor e ocorre na Ásia.
Família Boidae
Premaxilar livre; hipapófises anteriores presentes; supratemporal grande;
postorbital presente.
Subfamília LOXOCEM1NAE
Esta subfamília parece estruturalmente intermediária entre os Bcídeos e
Anilídeos — Uropeltídeos.
Supraorbital presente; premaxilar provido de dentes; supratemporal não
incluído no crânio; coronóide presente; pélvis composto de dois ossos além
do fêmur.
O único gênero desta subfamília tem hábitos semi-subterrâneos. Músculo
levator anguli oris presente.
Loxocemos é encontrado na América Central e pouco se conhece sobre
os seus hábitos além de seus hábitos fossoriais.
Subfamília Pijthoninae
Supraorbital presente; processo interno do palatino longo; hipapófises
somente na parte anterior da coluna vertebral; foramen lacrimal completa-
mente fechado; prefrontais não cm contato; premaxilar provido de dentes;
músculo levator anguli oris ausente.
A esta subfamília pertencem os pitons típicos do Velho Mundo.
Subfamília Boinae
Esta subfamília se assemelha bastante a Pythcninae mas, o supraorbital
é ausente; o processo interno do palatino é curto; o foramen lacrimal é aberto
ventralmente; cs prefrontais estão em contato; premaxilar desdentado; pulmão
traqueal ausente. Musculo levator anguli oris ausente.
São as Boas (jibóias) típicas do Novo Mundo facilmente reconhecidas
pela presença de vestígios de membros posteriores; compreendem duas sub-
famílias: boíneos e tropidofíneos. Os boíneos tem esporões cloacais (vestígio
de membros posteriores) bem visíveis, principalmente nos machos e dois pul¬
mões (o esquerdo ligeiramente menor). Todos matam a presa por constricção.
Não são perigosos para o homem, exceção feita à sucuri, que é temida por
sua força. Embora os relatos de sucuri que devorou um boi sejam inverídicos,
uma sucuri de 5 ou mais metros pode engolir um homem ou mesmo um pe¬
queno bezerro. Os boídeos põem filhos vivos (até uma centena). As espécies
brasileiras pertencem aos gêneros Boa, Euncctcs, Epicrates e Corallus. A Boa
constrictor é a jibóia, encontrada em todo Brasil, salvo no extremo sul. Ali-
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HOGE, A. li. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. I7ist.
Butantan, 3(>: 109-208, 1972.
menta-se cie roedores e aves. Os representantes cio gênero Epicrates são co¬
nhecidos como salamanta (às vezes, no Maranhão e Regiões Amazônicas,
como surucucu-de-fogo). Parecem-se às jibóias, porém são mais escuras e
tem ocelos ou círculos no dorso. Alimentam-se de roedores e excepcionalmente
de pássaros. Existem no Brasil várias espécies do gênero Eunectes. A maior
( Eunectes murinus) é conhecida como sucuri ou sucuriju e atinge mais de
11 metros. Todas as espécies são semi-aquáticas e vivíparas. A sucuri come
patos e outras aves aquáticas, roedores, veados, pacas e até pequenos jacarés.
A sucuri enrola-se na presa para matá-la, levando-a rapidamente para baixo
d’água. Há quatro espécies de Eunectes no Brasil: E. murinus encontrada
em parte da Bacia do Paraná e na Bacia Amazônica; E. notaeus, a sucuri-
amarela ou lampalágua, do Pantanal do Mato Grosso e Bacia do Paraná;
E. dechauenseei e E. barhouri, da Ilha do Marajó. Corallus caninus, ou pe-
riquitambóia é arborícola, de cabeça hem distinta do pescoço e pupila vertical;
alimenta-se de roedores e pássaros. De cor verde com algumas manchas
brancas; é temida nas regiões amazônicas, embora se trate de serpente abso¬
lutamente inofensiva, provavelmente por que sua cor e a cabeça tringular
a confunde com uma serpente venenosa, que, embora rara, ocorre nas mesmas
regiões, a Bothrops billineatus smaragdinus ou cobra-papagaio.
Subfamília Twpidophinae
Externamente próxima às fíoinae das quais se distingue por: rim liso,
um só pulmão além do traqueal.
Esta subfamília apresenta muitos caracteres cpie a aproxima dos Colu-
brídeos.
Os membros da subfamília dos tropidofíneos são serpentes de pequeno
porte, muito raras, conhecidas no Brasil apenas por uma espécie, Tropidophis
paucisquamis, da Serra do Mar.
Subfamília Enjcinae
Similar aos Boinaes: prefrontal confinado à parte lateral do crânio; pre-
maxilar bem em frente dos maxilares ao> invés de situada entre os maxilares;
vértebras caudais posteriores com epífises neurais divididas e processo acessó-
rio lateral; pulmão traqueal ausente.
Esta subfamília é representada por formas fossoriais ou habitantes de
cupins. Na Ásia e Polinésia.
Subfamília Bohjerinae
Hipapófises posteriores presentes; maxilar dividido; sem vestígios de
cintura pélvica; pulmão traqueal ausente.
Os representantes dessa família são formas semi-fossoriai s restritas e
Ilha de Madagascar e Mauritius.
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HOGIO A. R. e ROMANO, S. A — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. J\ícm. Inst.
Jiutantan, 36 : 100-208, 1972.
Infraordem Caenojjhidia
Coronóide ausente; foramen óptico geralmente entre frontal-parietal e
parasfenóide; vértebras com epífises neurais; somente caiotida comum esquer¬
da; o postorbial não alcança nem o maxiliar, nem o ectopterigóide; parietal
e frontal não se encontram por baixo do foramen óptico; premaxilar edentado;
Não há vestígios de cintura pélvica.
Família Coliibridae
Esta família contém a maioria dos gêneros de serpentes conhecidas.
É, sem duvida, a família mais heterogênea, incluindo inúmeros gêneros.
Muitas tentativas foram feitas para subdividi-la, mas, até o momento, salvo
para algumas subfamílias, nenhuma das tentativas pode ser considerada como
plenamente satisfatória.
Subfamília Coluhrinae
Colubridae pouco especializados; o supratemporal frouxamente articulado
com o crânio. É a subfamília que inclui a maioria de serpentes conhecidas.
Seus representantes adaptaram-se aos hábitos mais diversos: aquáticos,
arborícolas, terrestres e subterrâneos. São praticamente inofensivas (salvo algu¬
mas opistóglifas) e de porte pequeno ou médio. Não há vestígios de membros
posteriores; o pulmão esquerdo desapareceu por completo. Geralmente tem
dentes nos maxilares, pterigóides, palatinos e mandíbulas, mas nunca no in-
termaxilar. Podem ser áglifas ou opistóglifas. Como é de esperar numa fa¬
mília abrangendo tão elevado número de espécies, também seus hábitos ali¬
mentares variam enormemente, e incluem: vermes, lesmas, artrópodes, roedores
e outros mamíferos, aves, peixes, anfíbios c ovos. Algumas são ofiófagas
(mussurana, papa-pinto, etc.). São ovovivíparas, ovíparas ou vivíparas.
Subfamília Dasijpeltime
As hipapófises da região nucal atravessam a parede do esôfago, dentes
muito pequenos. Supratemporal e quadrato solidamente unidos; o complexo
rostral firmemente associado com o crânio.
Esta subfamília contém gêneros que são todos ovífagos. Como as hipa¬
pófises atravessam o esôfago, a casca do ovo é facilmente quebrada por con¬
tração dos músculos.
São formas Asiáticas c Africanas.
Subfamília ACROCIIORDINAE
Postorbital expandido para frente em cima da órbita. Um processo lateral
do frontal se expande lateralmente e para baixo formando uma crista orbital
anterior; prefrontal muito pequeno; supratemporal e quadrato firmemente
unidos. Foramen óptico no parietal; hipapófises presentes em toda extensão do
corpo; cauda curta e achatada; músculo levalor anguli oris ausente.
Asiáticas, aquáticas.
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IíOGME A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Jnst.
liutantcu36: 109-20S, 1972.
Subfamília Xenoclenninae
Muito afins dos Acrochordinae, mas, as vértebras geralmente com uma
expansão lateral das epífises neurais.
Formas orientais aquáticas: duas formas do Novo Mundo. Uma, Xenopholis
ocorro no Brasil sendo extremamente rara nas coleções (há dúvida quanto
a posição sistemática exata deste gênero).
Subfamília Pareinae
Supratemporal muito pequeno; quadrato desenvolvido, articulado com
ossos óticos; hipapófises posteriores ausentes; maxilar edentado anterionnente
(menos do 6 dentes maxilares); ectopterigóide não bifurcado. Dental sem
sulco mental; músculo levator anguli oris envolvendo a glândula supralabial;
sulco mentual ausente.
Formas asiáticas. Alimentam-se de lesmas.
Subfamília Dipsaclinae
Próxima à Pareinae mas, maxilar com 10 ou mais dentes; ectopterigóide
fortemente bifurcado; sulco mentual presente no dental. Músculo levator angu¬
li oris não envolve a glândula supralabial.
Formas do Novo Mundo paralelas com as Pareinae do continente asiático.
À subfamília dos dipsadíneos pertencem tres gêneros brasileiros de dor¬
mideiras ou jararacas-preguiçosas: Dipsas, Sibi/nomorphus e Sibon.
Os representantes desta subfamília alimentam-se de lesmas.
Subfamília Calamarinae
Fcramen óptico entre frontal e parasfenóide; supratemporal muito redu¬
zido; quadrato articulado com os ossos óticos; hipapófises posteriores ausentes;
processo ascendente do septomoxilar alcança as nasais.
Formas Asiáticas.
Subfamília Sibijnophinae
Dental livre; hipapófises posteriores presentes; dentição peculiar com
dentes pequenos, fortes e achatados lateralmente.
Asiáticas e central Americanas.
Subfamília IIomalopsinae
Colubrídeos opistóglifos; foramen óptico pequeno; hipapófises posterio¬
res presentes; processo maxilar do palatino ausente; hemipênis dividido; fosse-
tas apicais ausentes; tubérculos no crânio e ventre.
Formas aquáticas (água doce e estuárias); alimentam-se geralmente
de peixes.
Restritas à região das índias Orientais.
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HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem Inst.
Butantam, 36: 100-208, 1972.
Família Elapidae
Aspecto geral de Colubrideo (salvo em certas formas Australianas) mas
proteróglifos. Maxilar bastante reduzido; presas fortemente sulcadas ou ca-
naliculadas; sulcos espermáticos bifurcados; fossetas apiedares ausentes.
Subfamília Elapinae
Maxilar curto e sem processo posterior; dental sem presa anterior aumen¬
tada; cauda normal; formas terrestres ou de água doce.
A esta subfamília pertencem as Naja, Kraits, Taipan, etc., Nas Américas
está representada pelas cobras corais verdadeiras.
Ásia, África, Austrália e Américas.
Subfamília Dendroaspinae
Difere bastante dos Elapinae pela presença de um processo posterior no
maxilar; maxilar longo, apesar de ter somente a presa; maxilar bastante móvel.
Forma estritamente Africana. São as famigeradas “Mambas”, serpentes
ágeis e extremamente agressivas.
Família Hydrophidae
Proteróglifas; diferem das Elapinae por terem a parte posterior do corpo
e a cauda achatadas lateral mente.
As vértebras caudais, com os processos neurais e hemais fortemente de¬
senvolvidos.
Formas marinhas (às vezes encontradas à grande distância das costas).
Regiões tropicais do Oceano Pacífico. Não encontradas até o momento no
Oceano Atlântico (salvo o extremo sul da Costa Africana).
Subfamília. Elydrophinae
Maxilar curto não ultrapassando o palatino.
Subfamília Laticaudinae
Maxilar projetando-se para frente; além do palatino.
Família Viperidae
Sclenóglifas; maxilar muito curto, mas alto, verticalmente eréctil com
uma única presa (e as de substituição); hipapófises presentes em todo o corpo.
Europa, Ásia, índias Ocidentais, África e Américas.
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ÍIOGE, A. n. e ROMANO, S. A. — Sinopse tias serpentes peçonhentas tio Brasil. Mem. Jnst.
Butantan, 36: 109-208, 1972.
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IIOCrTC, A. Ti. e ROMANO, S. A. — Sinopse cias serpentes peçonhentas do Brasil. Mcm. Inst.
Butantan, 36: 100-208, 1072.
Subfamília Atractaspiclinae
Foramen óptico entre frontal e parietal; maxilar não escavado; palatino
com processo coanal e maxilar; musculo levator anguli oris ausente; pulmão
traqueal ausente. Outros caracteres, além dos acima mencionados, sugerem que
as Atractaspiclinae são talvez mais próximas das Elapidae, do que das Vipericlae.
África e Oriente Médio, até Israel.
Hábitos subterrâneos.
Subfamília Viperinae
Maxilar não escavado; foramen óptico formado pelo frontal, parietal e
paraesfenóide. Palatino sem processo coanal ou maxilar; músculo levator
anguli oris presente; pulmão traqueal presente.
A esta subfamília pertencem as víboras.
Europa, Asia e África.
Subfamília Crotalinae
Maxilar escavado para conter a fosseta loreal.
Subfamília distribuída na Ásia, Índias Orientais e América, até a Argentina.
Há autores que consideram como válidos um maior número de taxa
acima de gênero, do que na classificação aqui adotada.
CHAVE PARA OS GÊNEROS DE SERPENTES PEÇONHENTAS
DO BRASIL
I — Fosseta loreal presente — Cobra peçonhenta (fig. 3)
1 Chocalho presente — Crotalus (cascavel) (fig. 6)
2 Chocalho ausente (figs. 4-5)
a) ponta da cauda com escamas eriçadas — Lachesis (surucucu)
(% 5 )
b) ponta da cauda normal — Bothrops (jararaca) (fig. 4)
II — Fosseta loreal ausente (figs. 1-2)
1 Escamas dorsais em 15 fileiras
a) sem presas anteriores — Cobra não peçonhenta (fig. 1)
b) com presas anteriores — Micrurus (coral verdadeira) (fig. 2)
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IiOGE, A. Ji. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Jnst.
Butantan, 36: Í09-208, 1972.
Família Elapidae
Somente uma das subfamílias ocorre no Brasil, onde é representada por
um único gênero, Micrurus, conhecido popularmente como Cobra Coral Ver¬
dadeira.
Subfamília Ehtpinae
Gênero Micrurus
Das 105 formas conhecidas de Micrurus, 33 ocorrem no Brasil.
Contrariamente ao que se pensa, nem todas as corais são serpentes pe¬
quenas. Algumas espécies alcançam mais de um metro. Micrurus spixii chega
a l,50m.
Alimentam-se em geral de ofídios. Quando molestada a coral enrola a
cauda, e, ao mesmo tempo que agita freneticamente a mesma, esconde a cabeça
por baixo do corpo, atitude que confunde o observador, que pensa que se
trata da cauda.
Essa particularidade não é, todavia, exclusiva das corais, mas de muitos
outros gêneros, principalmente os de cores vivas, que agem do mesmo modo.
Frequentemente este comportamento tem sido considerado como mime¬
tismo, mas é pouco provável que seja mimetismo, principalmente se consi¬
derarmos que não somente as corais verdadeiras como outros gêneros com os
mesmos hábitos são geralmente de vida subterrânea ou noturnos.
Nem todas as espécies apresentam os anéis vermelhos típicos do gênero.
Às vezes o vermelho é obliterado por pigmentação preta, outras espécies não
tem anéis vermelhos e outras, ainda, nem anéis apresentam.
As cobras corais verdadeiras são encontradas em todo o território bra¬
sileiro.
CHAVE PARA AS ESPÉCIES DO GÊNERO MICRURUS
A — Anéis pretos não dispostos em tríadas (Pr. 6 fig. 11 e Pr. 7 fig. 17).
I — Cabeça preta, incluindo parte ou todas as parietais, sem colar branco
transversal passando nas parietais ou imediatamente atrás. (Pr. 1 fig. 1,
3 e 5.)
Sinfisial não em contato com as mentais anteriores. (Pr. 4 fig. 1).
1 — Anéis vermelhos muito mais largos do que os pretos (Pr. 1 fig. 3 e 5).
a — Anéis vermelhos extremamente largos, o primeiro ocupando mais do
que 23 escamas vertebrais; sem anel negro atrás das parietais. (Pr. 1,
fig. 3) . averyi
b — não como em a. (Pr. 1, fig. 5) . ... corallinus
2 — Anéis vermelhos iguais ou menores do que os pretos;
a — Cabeça com algumas manchas claras nas escamas supracefálicas; 32-67
anéis pretos nos machos; 35-79 nas fêmeas (Pr. 4, fig. 1) langsdorfii
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HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse cias serpentes peçonhentas do Brasil. Man. Jnst.
Butantan, 36: 109-20S, 1972.
1) — Cabeça, geralmente, inteiraménte preta; mais cio que 74 anéis pretos nos
machos e mais do cpie 84 nas fêmeas (Pr. 1, fig. 1) . albicinctus
II — Cabeça preta, com colar nucal branco transversal na cabeça, ocupando
pelo menos parte das parietais ou imediatamente atrás (Pr. 1 fig. 4 e
Pr. 4 fig. 4)
1 — Sinfisial largamente cm contato com as mentuais anteriores; anéis ver¬
melhos geralmente ausentes; quando presentes, muito estreitos dorsal¬
mente
a — Colar nucal branco atravessa as parietais (Pr. 4, fig. 4)
ai — mais do que 230 ventrais . narduccii
a» — menos do que 225 ventrais . karlschmidti
b — Colar nucal branco situado atrás das parietais (Pr. 1, fig. 4) collaris
2 — Sinfisial separada das mentuais anteriores; anéis presentes, os espaços
vermelhos largos, mais do cpte 20 anéis pretos no corpo, orladas de
branco (Pr. 1, fig. 2) . annellatus
B — Com tríadas de anéis pretos (às vezes fundidas formando grupos de 5
anéis pretos), separados por vermelho no corpo
I - Anal inteira . hemprichii
II — Anal dividida
1 — Primeira tríada representada por dois anéis (Pr. 5, fig. 1-3 Pr. 2 fig. 1)
a — Menos do que 10 tríadas no corpo; primeiras subcaudais inteiras; tem¬
porais 1+1; faixa internasal branca ausente (Pr. 5 fig. 1-3) . spixii
1» — Mais do que 9 tríadas no corpo; primeiras subcaudais divididas; tem¬
poral 0+1; faixa internasal branca presente (Pr. 2 fig. 1) .... decoratus
2 — Primeira tríada completa (Pr. 3 fig. 1 a 5 e Pr. 2 fig. 2e 3; Pr. 4 fig. 2 e 3
e Pr. 5 fig. 4 e 5.)
a — Escamas cefálicas todas vermelhas com bordos pretos; frontal muito
estreita, mais do que as supraoculares: 6-9 tríadas no corpo surinamensis
b — Não como em a, frontal mais larga do que as supraoculares.
bj — Mais do que 270 ventrais; 14-20 tríadas no corpo . filifomiis
b_» — Menos do que 269 ventrais
u Focinho preto, faixa internasal branca, geralmente bem delineada; as pri¬
meiras dorsais vermelhas com ápices pretos, apenas perceptíveis ou
ausentes
° Menos do que 28 subcaudais; geralmente menos do que 25; 7-9 tríadas
nos machos e 7-10 nas fêmeas . ibiboboca
09 Subcaudais mais do que 27, geralmente mais do que 30 (excepcional¬
mente 8) . lemniscatus
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HOGE, A. R. e ROMANO, S. A.
Butantan, 30: 109-208, 1972.
Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Jn.^t
|1 Geralmente, algumas manchas brancas no focinho, faixa internasal branca
ausente; se presente, irregular e estreita, manchada de preto e cobrindo
parte da prefrontal; todas ou pelo menos a parte posterior das parietais
pretas. Primeiras dorsais vermelhas com ápices pretos bem delineados
(Pr. 3 fig. 1-4) . frontalis
Micrurus albicinctus Amaral Pr. 1 fig. 1
1926 Micrurus albicinctus Amaral, Comm. Linh. Telegr. Mato Grosso, Publ.
84 Annex 5: 26, figs. 7-10
1938 Micrurus waehnerorum Meise, Zool. Anz., 123: 20
1971 Micrurus albicinctus; Hoge et Romano, Ven. An and their Venoms,
2: 213.
Localidade tipo: Não mencionada; como o tipo foi coletado durante a
instalação telegráfica da linha do Mato Grosso, é provável que o espécime
provém das matas Amazônicas, do extremo noroeste do Mato Grosso ou
Rondônia.
Distribuição: Conhecido somente da localidade tipo e São Paulo de
Olivença, Amazonas, Brasil.
Micrurus annellatus (Peters)
1871 Elaps annellatus Peters, Monat, Akad. WiSS. Berlin 1871: 402
1929 Micrurus annellatus; Amaral, Mem. Inst. Butantan, 4: 228
Localidade tipo: Pozuzu, Peru
Distribuição: Vertentes Amazônicas dos Andes, do Equador até Amazônia,
Brasil.
Quatro subsp. das quais uma registrada para o Brasil.
CHAVE PARA AS SUBSPÊCIES
A — Machos com menos do que 41 anéis pretos no corpo; fêmeas com menos
do que 49.
1 — Uma postocular; anéis pretos ocupando de 4-5 ventrais . balzani
2 — Duas postoculares:
a — faixa branca cobrindo menos do que 50% das parietais; temporais geral¬
mente 1-2; anéis pretos ocupando 2-3 ventrais (Pr. 1 fig. 2) bolivianas
b — faixa branca cobrindo mais do que 50% das parietais; temporais geral¬
mente 1-1 . montanus
B — Machos com 41-61 anéis pretos no corpo; fêmeas com 49-83. . annellatus
Micrurus annellatus bolivianus Roze (Pr. 1 fig. 2).
1967 Micrurus annellatus bolivianus Roze, Amer. Mus. Novitates, 2287:7, fig. 2
1969 Micrurus annellatus bolivianus; Hoge et Romano, Ciência e Cultura 21,
(2): 454
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IIOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse fins serpentes peçonhentas do Brasil. Man. Jnst.
Eutantam, SC: 109-208, 1972.
Localidade tipo: Rio Charobambo, 50 km ao nordeste de Zudanez, Chu-
quisaca, Bolívia.
Distribuição: Bolívia ocidental e Amazonas, Brasil.
Micrurus averyi Schmidt (Pr. 1 fig. 3).
1939 Micrurus averyi Schmidt, Zool. Ser. Field. Mus. Nat. Hist, 24; 6: 45,
fig. 5
Localidade tipo: Cabeceiras do Itabu, Distrito de Couratyne, Guyana,
2.000 pés alt. (Perto da fronteira do Brasil).
Distribuição: Conhecida da localidade tipo e região de Manaus, Amazonas
Brasil.
Micrurus collaris (Schlegel) Pr. 1 fig. 4
1837 Elaps collaris Schlegel, Essai Physion. Serpens, 2s 448
1854 Elaps gastroclclus Duméril, Bibron et Duméril Erp. Gén., 7: 1212
1937 Leptomicrurus collaris; Schmidt, Zcol. Ser Field Mus. Nat. Hist., 20:
261
1972 Micrurus collaris; Romano, Mem. Inst. Butantan, 35: 112. 1971 (dist.
Mar. 1972)
Localidade tipo: Designada como as Guianas, (Hoge et Romano 1966)
Distribuição: Sudeste da Venezuela, as Guianas e Estado do Pará, Brasil
Micrurus coralhnus (Merrem) Pr. 1 fig. 5
1820 Elaps corallinus Merrem, Tent. Syst. Amph.: 144
1820 Coluber corallinus Raddi, Mem. Soc. Italiana Sei. Modena, 18: 336
1925 Micrurus corallinus; Amaral, Proc. U. S. Nat. Mus., 67; 24:20
1967 Micrurus corallinus; Roze, Amer. Mus. Novit., 2287: 13 (atribui a auto¬
ria da espécie a Merrem ao invés de Wied)
Localidade tipo: Rio de Janeiro, Cabo Frio, Brasil.
Distribuição: Argentina (Missiones); Uruguai; Brasil. Desde o sul da
Região Amazônica no Brasil até Uruguai e Nordeste de Missiones na Argentina.
(A ocorrência no Uruguai necessita de confirmação).
Micrurus decoratus (Jan) Pr. 2 fig. 1
1855 Elaps decoratus Jan, Rev. Mag. Zool., 10 (2): 525, pr. B.
1921 Elaps fischeri Amaral, Anéxo Mem. Inst. Butantan, 1 (1): 59; (pr. 2,
fig. 1-5).
1922 Elaps ezequieli Lutz et Mello, Inst. Oswaldo Cruz, 15: 235,pr. 31
1926 Micrurus decoratus; Amaral, Rev. Mus. Paulista, 14: 32
Localidade tipo: México (in error). Restrita “hoc loco” como: Serra da
Bocaina, São Paulo, Brasil.
Distribuição: Brasil, Estado do Rio de Janeiro até Santa Catarina. Um
único exemplar do “Rio Grande do Sul” sem maiores dados.
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í, | SciELO
JTOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Jnat.
Butantan, 86 : 109-208, 1972.
Micrurus filiformis (Günther)
1859 Elaps filiformis Günther, Proc. Zool. London, 1859: 86, pr. 18, fig. b
1925 Micrurus filiformis; Amaral, Proc. U. S. Nat. Mus., 67 (24): 19
Localidade tipo: Pará, Brasil.
Distribuição: Região Amazônica, extremo sul da Colômbia e norte do
Perú.
Duas subsp., ambas registradas para o Brasil.
CHAVE PARA AS SUBSPÉCIES
A — Duas postoculares; ventrais 274-279 nos machos . subtilis
B — Geralmente uma postocular; ventrais 283-309 nos machos .. filiformis
Micrurus filiformis filiformis Giinter (Pr. 2 fig. 2).
1967 Micrurus filiformis filiformis; Roze. Amer. Mus. Novit, 2287:22
Distribuição: Região Amazônica, Brasil, sul da Colômbia até norte do Peru.
Micrurus filiformis subtilis Roze (Pr. 2 fig. 3).
1967 Micrurus filiformis subtilis Roze, Amer. Mus. Novit., 2287: 22, fig. 8
Localidade tipo: Caruru, Rio Vaupés, fronteira Brasil-Colômbia.
Distribuição: Colômbia, Províncias de Vaupés e Amazonas; Brasil, Uau-
pés, Amazonas.
Micrurus frontalis (Duméril, Bibron ct Duméril).
1854 Elaps frontalis Duméril, Bibron et Duméril, Erp. Gén., 7 (2): 1223
1925 Micrurus frontalis; Amaral, Proc. U. S. Nat. Mus., 67 (24): 19
Localidade tipo: Corrientes e Missiones, Argentina.
Distribuição: América do Sul, a leste dos Andes entre os P. 10° e 35° S
Cinco subspécies: das quais, quatro registradas para o Brasil.
CHAVE PARA AS SUBSPÉCIES
A — Menos de nove tríadas, a primeira separada das parietais por, pelo menos,
7 escamas vertebrais vermelhas; o anel mediano muito mais largo do
que os externos . pyrrhocryptus
B — Mais do que nove tríadas, a primeira separada das parietais por menos
do que 7 escamas vertebrais vermelhas
1 — Subcaudais 16-18 nas fêmeas, ventrais 223-242 nos machos; internasais e
prefrontais claras . brasiliensis
2 — Subcaudais mais do que 18 nas fêmeas; geralmente, menos do que 223
ventrais nos machos; internasais e prefrontais escuras
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IIOGE, A. R. e ROMANO, S. A.
Butantan. 36 : 109-208, 1972.
Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mcm. Inst■
a — 192-216 ventrais nos machos; parte anterior cias parietais com uma man¬
cha clara irregular; cabeça escura por baixo . altirostris
b — Geralmente mais cio que 215 ventrais nos machos; parietais inteira¬
mente pretas ou com faixa branca transversal estreita; cabeça com so¬
mente algumas manchas pretas por baixo
b 1 — Ventrais 215-222 nas fêmeas, anel preto mediano muito mais largo do
que os externos; cabeça com faixa transversal branca
estreita . mesopotamicus s
b 2 — Ventrais 222-242 nas fêmeas; anel preto mediano igual ou apenas ligei¬
ramente maior do que os externos; cabeça inteiramente ou quase intei¬
ramente preta . frontalis
Micrurus frontalis frontalis (Duméril, Bibron et Duméril) Pr. 3 fi<r. 1
1854 Elaps frontalis Duméril, Bibron et Duméril, Erp. Gén., 7, (2): 1223
1860 Elaps baliocori/phus Cope, Prcc. Acacl. Nat. Sei. Phil., 185 9: 346
1896 Elaps frontalis; Boulenger, [partim], Cat. Sn. Brit. Mus,, 3: 427
1925 Micrurus frontalis; Amaral, Proc. U. S. Nat. Mus., 67, (24): 19
1936 Micrurus frontalis frontalis; Schmidt, Zool. Ser. Fielcl Mus. Nat. Hist,
20: 199
1944 Micrurus lemniscatus frontalis Amaral, Pap. Avul. Dept 0 Zool. São
Paulo, 5: (11): 92
1967 Micrurus frontalis frontalis; Roze, Amer. Mus. Novit., n.° 2287: 24
Localidade tipo: Corrientes e Missiones, Argentina
Distribuição: Sul do Brasil, Sul do Paraguai e regiões limítrofes da Ar¬
gentina.
Micrurus frontalis altirostris (Cope) Pr. 3 fig. 2
1860 Elaps altirostris Cope, Proc. Acad. Nat. Sei. Phil., 1859: 345
1887 Elaps heterochilus Mocquard, Buli. Soc. Philom., Ser. 7,11:39
1896 Elaps frontalis; Boulenger; [partim] Cat. Sn. Brit. Mus., 3: 427
1936 Micrurus frontalis altirostris; Schmidt, Zool. Ser. Field Mus. Nat. Hist.,
20: 199
1944 Micrurus lemniscatus multicinctus Amaral, Pap. Avul. Dept°. Zool. São
Paulo, 5: 91
1967 Micrurus frontalis altirostris; Roze Amer. Mus. Novit., n.° 2287:25
Localidade tipo: América do Sul.
Distribuição: Argentina, Nordeste da Província de Missiones, Uruguai e
Sul do Brasil.
Micrurus frontalis brasiliensis Roze (Pr. 3 fig. 3).
1967 Micrurus frontalis brasiliensis Roze Amer. Mus. Novit, n.° 2287: 25;
fig. 9
Localidade tipo: Barreiras, Bahia, Brasil
Distribuição: Sudeste do Brasil
* Extraterritorial.
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HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Jnst.
Butautan, 36: 109-20S, 1972.
Micrurus frontalis pyrrhocryptus (Cope) Pr. 3 fig. 4
1863 Elaps pyrrhocryptus Cope Proc. Acad. Nat. Sei. Phil., 1862: 347
1902 Elaps Simonsii Boulenger Ann. Mag. Nat. Ilist., Ser. 7, 9: 338
1936 Micrurus pyrrhocrijptus; Schmidt Zool. Ser. Field Mus. Nat. Ilist., 20
(27): 199
1944 Micrurus lemniscatus frontalis; Amaral, [partim] Pap Avul. Dept°
Zool. São Paulo, 5 (11): 92
1953 Micrurus frontalis pyrrhocryptus; Shreve, Breviora, n.° 16: 5
1956 Micrurus tricolor Iloge, Mem. Inst. Butautan, 27: 67, figs. 1-6
1960 Micrurus pyrrhocryptus; Hoge et Lancini, Mem. Inst. Butautan, (1959)
29: 12
1697 Micrurus frontalis pyrrhocryptus; Roze, Amer. Mus. Novit., n.° 2287: 26
Localidade tipo: Rio Vermejo, Argentina (Chocó Argentino, segundo Roze)
Distribuição: Brasil, sudoeste do Mato Grosso; Bolívia, oeste e sudoeste;
regiões adjacentes do Paraguai, ao sul até Mendonza e Santa Fé, Argentina.
Micrurus hemprichii (Jan)
1858 Elaps hemprichii Jan, Rev. Mag. Zool. 10 (2): 523.
1929 Micrurus hemprichii; Amaral, Mem. Inst. Butautan, 4: 230
Localidade tipo: Colômbia
Distribuição: Da Colômbia e sul da Venezuela através da Guianas, Ama¬
zonas, Brasil até Equador e Peru.
Duas subspécies, ambas registradas para o Brasil.
CHAVE PARA AS SUBESPÉCIES
A — 5-6 tríadas; ventrais 184-191 nos machos
B — 7-10 tríadas; ventrais 159-184 nos machos
ortoni
hemprichii
Micrurus hemprichii hemprichii (Jan) Pr. 2 fig. 4
1858 Elaps hemprichii Jan, Rev. Mag. Zool., 10, n.° 2:523
1896 Elaps hemprichii; Boulenger, Cat. Sn. Brit. Mus., 3: 421
1925 Micrurus hemprichii; Amaral, Proc. U. S. Nat. Mus., 67 n.° 24: 17
1953 Micrurus hemprichii hemprichii; Schmidt, Fieldiana, Zool., 34 ( 30):
166; fig. 31 (Apud Jan Icon. Gén., 42, pr. 4 fig. 3)
1972 Micrurus hemprichii hemprichii; Iloge ei Romano, Mem. Inst. Butautan,
35: 108 (1971, distr. Mar. 1972)
Localidade tipo: Colômbia
Distribuição: Colômbia oriental, sul da Venezuela, as Guianas e Brasil
(Conhecida do Pará e Amazonas, Manaus)
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IIOGE, A. R. e ROMANO, S. A.
Butantan, .16: 109-20S, 1972.
— Sinopse dns serpentes peçonhentas do Brasil, Mctn. Jnst.
Micrurus hemprichii ortoni (Schmidt) Pr. 2 fig. 5
1953 Micrurus hemprichii ortoni Schmidt, Fieldiana, Zool., 34, n.° 30: 166
1972 Micrurus hemprichii ortoni; Hoge et Romano, Mem. Inst. Butantan, 35:
108 (1971, distr. Mar. 1972)
Localidade tipo: Pebas, Peru.
Distribuição: Vertentes Amazônicas da Colômbia, Equador e Peru; Brasil
(Alto Amazonas).
Micrurus ibiboboca (Merrem) Pr. 3 fig. 5
1820 Elaps ibiboboca Merrem, Tent. Syst. Ampli.,: 142
1820 Elaps marcgravii Wied, Nova Act. Acad. Leop. Carol., 10: 109
1896 Elaps marcgravii; Boulenger, Cat. Sn. Brit. Mus., 3: 428
1926 Micrurus ibiboboca; Amaral, Rev. Mus. Paul., 15:7 e 29
Localidade tipo: Brasil
Distribuição: Nordeste do Brasil
Micrurus Karlschmidti Romano (Nom. nov.)
1966 Lcptomicrus schmidti Hoge et Romano (error typographicus pro Lep-
tomicrurus Schmidt ) — Mem. Inst. Butantan, 32: 1-9, pr. 2, fig. 2; pr. 3,
fig. 2a; pr. 4, fig. 2b.
1972 Micrurus karlschmidti Romano (nom. nov.) Mem. Inst. Butantan, 35:
111-115, (1971, distr. mar. 1972)
Localidade tipo: Tapurucuara, Amazonas, Brasil.
Distribuição: Conhecido somente da localidade tipo.
Micrurus langsdorffi Wagler
1824 Micrurus Langsdorffi Wagler, in Spix, Sp. Nov. Serp. Bras.: 10, pr. 2,
fig. 2
Localidade tipo: Rio Japurá; Amazonas-Brasil
Distribuição: Cabeceiras da Bacia Amazônica, do sul da Colômbia até o
norte do Peru, regiões adjacentes do Equador e Amazônia ocidental.
Duas subsp.: uma registrada para o Brasil.
CHAVE PARA AS SUBSPÉCIES
A — Mais do que 40 anéis pretos no corpo . ornatissimus “
B — Menos do que 36 anéis pretos no corpo . langsdorffi
Micrurus langsdorffi langsdorffi Wagler Pr. 4 fig. 1
1824 Micrurus Langsdorffi Wagler, In Spix, Sp. Nov. Ser. Bras.; 10; pr. 2,
fig. 2
Extraterritorial.
12G
cm
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ITOGE, A. H. e HOMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem Jnst.
Butantan, Sr,: 109-208, 1972.
1868 Elaps hatesi, Günther, Ann. Mag. Nat. Hist., Ser. 4, 1: 428; pr. 17-D
1869 Elaps inperator Cope, Proc. Acad. Nat. Sei. Phil., 1868: 110
1896 Elaps langsdorffi; Boulenger, Cat. Sn. Brit. Mus., 3: 416
1935 Micrurus mimosas Amaral, Mem. Inst. Butantan, 9: 221; fig. 6
1936 Micrurus langsdorffi; Schmidt [partim], Zool. Ser. Field Mus. Nat.
Hist., 20: 191'
1955 Micrurus ornatissimus; (non Jan) Schmidt, Fieldiana, Zool., 34: 345
1960 Micrurus langsdorffi; Peters; J. [partim], Buli. Mus. Comp. Zool. Harv.,
122,: 531
1967 Micrurus langsdorffi langsdorffi; Roze, Amer. Mus. Novit, n.° 2287: 30
Localidade tipo: Rio Japurá, Amazonas, Brasil.
Distribuição: Cabeceiras do Amazonas, da Colômbia ao norte do Peru
e nordeste do Brasil.
Micrurus lemniscatus (Linnaeus)
1758 Elaps lemniscatus (Linnaeus), Syst. Nat. ed. 10: 224.
1919 Micrurus lemniscatus; Beebe, Zoologica, 2: 216
Localidade tipo: Ásia (in error): restrita a Belém, Pará, Brasil. (Schmdit
ct Walker 1943). Roze 1967 considerou invalida a restrição por Schmidt
e Walker por estar a localidade escolhida fora da área de distribuição
de Micrurus lemniscatus lemniscatus.
Distribuição: Trinidad, Venezuela oriental, Guianas e bacia Amazônica.
Cinco subspécies: tres registradas para o Brasil.
CIIAVE PARA AS SUBSPÉCIES
A — Menos do que 226 ventrais nos machos; geralmente menos do que 243
nas fêmeas
1 — Praticamente todas as infralabiais brancas; 30-34 subcaudais nas
fêmeas .
2 — Somente algumas infralabiais pretas; subcaudais 32-41
frontifasciatus 0
. diutius ®
B — Mais do que 226 ventrais nos machos e mais do que 243 nas fêmeas
1 — Subcaudais 27-33 nas fêmeas; escamas vermelhas com poucas manchas
pretas irregulares ou ápices pretos; faixas brancas estreitas (1-2
escamas)
carcalhoi
2 — Geralmcnte mais do que 33 subcaudais nas fêmeas; escamas vermelhas
sem manchas pretas ou somente com ápices pretos irregulares; faixas
brancas, geralmente mais do que 4 escamas de largura
a — 9-11 tríadas no corpo
b — 11-14 tríadas no corpo
.... helleri
lemniscatus *
* Extraterritorial.
127
cm
2 3
Z
5 6
11 12 13 14 15
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mcm Jnst.
Butantan, 36: 109-208, 1972.
Micrurus lemniscatus carvalhoi Roze Pr. 4 fig. 2
1967 Micrurus lemniscatus carvalhoi Roze, Amer. Mus. Novit., n.° 2287: 33-
fig. 11
Localidade tipo: Catanduva, São Paulo, Brasil.
Distribuição: Brasil; Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Per¬
nambuco, Bahia e Rio Grande do Norte.
Micrurus lemniscatus helleri Schmidt et Schmidt Pr. 4 fig. 3
1925 Micrurus helleri Schmidt et Schmidt, Zool. Ser. Field Mus. Nat. Hist,
12: 129
1967 Micrurus lemniscatus helleri; Roze, Amer. Mus. Novit., n.° 2287: 35
Localidade tipo: Pozuzu, Huanuco, Peru
Distribuição: Regiões Amazônicas do Brasil; Sul da Venezuela, Colômbia,
Equador, Peru e Bolívia.
Micrurus narducci (Jan) Pr. 4 fig. 4
1863 Elaps narducci Jan, Arch. Zool. Anat. Fisiol., 2: 222
1869 Elaps scutiventris Cope, Proc. Am. Phil. Soc., 11: 156
1881 Elaps melanotus Peters; Sitzb. Ges. Naturf Freunde Berlin, 1881 : 51
1937 Leptomicrurus narducci; Schmidt, Zool. Ser. Field Mus. Nat. Hist., 20:
363
1972 Micrurus narducci; Romano, Mem. Inst. Butantan, 35: 112; (1971,
distr. Mar. 1972), figs. 1 e 2
Localidade tipo: Bolívia.
Distribuição: Vertentes Amazônicas; dos Andes do Sul da Colômbia, Equa¬
dor, Peru e Bolívia; Estado do Acre, Brasil.
Micrurus spixii Wagler
1824 Micrurus spixii Wagler, in Spix, sp. nov. Serp. Bras.: 48, pr. 18
Localidade tipo: Rio Solimões, Brasil.
Distribuição: Bacia Amazônica e sul da Venezuela.
Quatro Subsp.: tres registradas para o Brasil.
CHAVE PARA AS SUBESPÉCIES
A — Primeiro anel preto aumentado e projetado para a frente, cobrindo 8 ou
mais fileiras vertebrais . ohscurus
B — Primeiro anel preto não projetado para a frente, cobrindo menos do que
8 vertebrais
128
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
HOGE, A. Ii. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Inst.
Butantan, 36 : 109-208, 1972.
I — Cabeça com manchas claras, grandes; às vezes cobrindo todas as parietais,
geralmente 2/3 + tríadas no corpo
princeps *
2 — Cabeça totalmente preta ou com alguns pontos brancos; parietais pretas
a — 2/3 -f- 4-6 tríadas no corpo; ventrais 212-224 nas fêmeas
spixii
b — 2/3 -f- 6 tríadas no corpo; ventrais 218-226 nas fêmeas . martiúsi
Micrurus spixii spixii Wagler Pr. 5 fig. 1
1824 Micrurus spixii Wagler, in Spix, Ser. Brasil, 48; pr. 18
1896 Elaps spixii; Boulenger fpartim], Cat. Sn. Brit. Mus., 3: 427
1926 Elaps ehrardti Müller, Zoo!. Anz., 7/8:198
1943 [Micrurus] spixii spixii; Schmidt et Walker, Field Mus. Nat. Hist. Zool.,
24, n.° 26: 294
Localidade tipo: Rio Solimões, Brasil.
Distribuição: Médio Amazonas, Brasil.
Micrurus spixii martiúsi Schmidt Pr. 5 fig. 2
1953 Micrurus psixii martiúsi Shmidt, Fieldiana, Zool., 34; n.° 14: 175; figs.
33 e 34b
Localidade tipo: Santarém, Pará, Brasil.
Distribuição: Baixo Amazonas até o Mato Grosso, Brasil.
Micrurus spixii obscurus (Jan) Pr. 5 fig. 3
1872 Elaps corallinus var. obscura Jan, in Jan et Sordelli, Icon. Gén. Ophid.,
3: liv. 41 pr. 6, fig. 3
1881 Elaps heterozonus Peters, W., Sitzber. Ges. Naturf. Freunde Berlim, 1881
pr: 52
1896 Elaps heterozonus; Boulenger, Cat. Sn. Brit. Mus., 3: 417
1943 Micrurus spixii obscura; Schmidt et Walker, Zool. Ser. Field Mus. Nat.
Hist., 24: 294
1953 Micrurus spixii obscurus: Schmidt, Fieldiana: 175
Localidade tipo: Lima (ir. error) — restrita a Peru Oriental (Schmidt
ct Walker, 1. c.: 294) re-restrita a: Iquitos, Peru (Schmidt 1. c.: 175)
Distribuição: Sul da Venezuela e Sul da Colômbia até o Sul do Peru;
Brasil, (Conhecido por um exemplar procedente de Dom Bosco, Iauareté,
Mun. Uaupés, Estado de Amazonas).
Micrurus surinamensis (Cuvier)
1817 Elaps surinamensis Cuvier, Le Règne Animal, Paris, 2:84
1919 Micrurus surinamensis; Beebe, Zoologica 2: 216
* Extraterritorial.
129
cm
2 3
Z
5 6
11 12 13 14 15
HOGE, A. II. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Inst.
BiUantan, 36: 109-208, 1972.
Localidade tipo: Surinam.
Distribuição: Sudeste da Venezuela, Guianas, regiões Amazônicas da Co¬
lômbia, Equador, Peru, Brasil c Bolívia.
CHAVE PARA AS SUBSPÉCIES
A — Placas cefálicas, todas distintamente orladas de preto; ventrais 162-174
nos machos e 173-187 nas fêmeas . surinamensis
B — Placas cefálicas com orlas pretas incompletas; ventrais 180-193 nos ma¬
chos e 197-206 nas fêmeas . nattereri
Micrurus surinamensis surinamensis (Cuvier) Pr. 5 fig. 4
1817 Elaps surinamensis Cuvier, llègne Anim. l. a , ed.,
1896 Elaps surinamensis; Boulenger, Cat. Sn. Brit. Mus., 3: 414
1919 Micrurus surinamensis; Beebe, Zoologica, 2: 216
1952 Micrurus surinamensis surinamensis; Schmklt, Fieldiana, Zool., 34,
(4):29; fig. 4 (Apud Jan. Icon. Gén.).
Localidade tipo: Surinam
Distribuição: Guianas; Brasil, Ter. Fed. Amapá, Est. Pará, Est. Ama¬
zonas e regiões Amazônicas da Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.
Micrurus surinamensis nattereri Schmidt Pr. 5 fig. 5
1952 Micrurus surinamensis nattereri Schmidt, Fieldiana, Zool., 34, (4): 27
Localidade tipo: Entre Guaramoca e San Fernando; corrigida (Hoge e
Lancini 1962) para “Entre Guaramaco e San Fernando de Atabapo, Vene¬
zuela”.
Distribuição: Conhecida da localidade tipo, sudeste da Venezuela e nor¬
deste do Estado de Amazonas, Brasil.
VIPERIDAE
CROTALINAE
CHAVE PARA OS CROTALINAE DAS AMÉRICAS
I — Chocalho presente (Pr. 8 fig. 6) . Crotalus
A — Escudos simétricos na cabeça . [Sistrurus] (subg)
B — Sem escudos simétricos na cabeça . [ Crotalus ] (subg)
II — Chocalho ausente
A — Escudos simétricos na cabeça . Agkistrodon
B — Sem escudos simétricos na cabeça
130
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
HOGE, A. Tt. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas tio Rrasil. Mem. Jnst.
Butantan, 36: 109-208, 1972.
a) Última placas subcaudais substituídas por quatro séries de es¬
camas eriçadas (pr. 8 fig. 5) . Lachesis
b) Últimas placas subcaudais normais (pr. 8 ig. 4) .... Bothrops
CHAVE PARA OS BOTHROPS
I — Focinho levantado (Pr. 9 fig. 1) . hyoprora
11 — Focinho não levantado; cauda preênsil
A — Cor geral verde; 55-71 subcaudais, todas ou quase todas divi¬
didas . bilineatus
B — Cor geral cinzentaj 71-83 subcaudais na sua maioria inteiras
. castelnaudi
III — Focinho não levantado; cauda não preênsil
A — Bordo anterior da fosseta loreal separado da 2. a supralabial; ca-
rena longa e baixa
1 — Ventre preto; marcas na cabeça em forma de A (Pr. 9
fig. 3 e 5)
la — Marca na cabeça sem barra transversal (Pr. 9 fig. 5);
faixa postocular reta (Pr. 9 fig. 6) . cotiara
lb — Marca na cabeça com barra transversa] (Pr. 9 fig. 3);
faixa postocular em forma de gancho (Pr. 9 fig. 4)
. fonsecai
2 — Ventre e marcas na cabeça não como em 1
2a — Manchas do dorso em forma de meia lua, fundidas ou
não com as manchas paraventrais, com o centro claro
em forma de cruz; (Pr. 10 e 11 fig. 3) cabeça negra
com linhas brancas (Pr. 9 fig. 7 e Pr. 11 fig. 2); dorsais
25-37; ventrais 155-190; subcaudais 30-48 .. altematus
2b — Manchas do dorso e cabeça não como em 2a; dorsais
21-27, ventrais 166-185
2b’ — 3. a e 4. a supralabiais mais longas; subocular separada
das supralabiais por 2-3 séries de escamas; colorido do
dorso variável com manchas escuras orladas de claro,
cm forma de triângulos ou trapézios; uma série de man¬
chas paraventrais nos flancos (Pr. 35 e 36) nemoiedi
2b” — 4. a supralabial mais longa; subocular separada das su¬
pralabiais por uma série de escamas; colorido do dorso
pardo com manchas escuras formando faixas transver¬
sais largas; uma mancha clara na cabeça (Pr. 25
fig. 1-3). iglesiasi
13J.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
ÍIOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Inst.
Butantan, 86 : 109-20S, 1972.
2c — Manchas do dorso e cabeça não como em 2. a ; dorsais
19-21; ventrais 144-155
2c’ — Dorsais em 25-27 séries . itapetiningae
2c” — Dorsais em 19-21 séries . cn/thromclas
B — Bordo anterior da fosseta loreal não separado da 2. a supralabial.
(Pr. 8 fig. 3)
I — Ventre xadrezado (Pr. 13 fig. 3); supralabiais geralmente 7;
focinho pontudo projetado para frente (Pr. 13 fig. 1)
1 — Marcas dorsais indistintas com tendência a formar
faixas transversais; (Pr. 12 e 13 fig. 3); manchas dor¬
sais suplementares ausentes ou pouco aparentes; care-
na alta e curta; supralabiais escuras . utrox
2 — Marcas dorsais distintas sem tendência a formar faixas
transversais.
2a — Supralabiais escuras, região mentual escura, manchas
suplementares distintas, faixa postocular nítida (Pr.
44 e 45) . pradoi
2b — Supralabiais claras não marginadas de preto, região
mentual clara; desenho como em Pr. 32 . .. leucurus
2c — Supralabiais claras; manchas dorsais suplementares in¬
distintas; manchas dorsais com os bordos cpiase para¬
lelos; ventre xadrezado de amarelo e preto marajoensis
II — Ventre claro ou salpicado de escuro, nunca xadrezado; mar¬
cas dorsais distintas.
1 — Cantais aumentadas; supralabiais 8 a 9
la — Faixa postocular ausente ou indistinta; ventrais 159-176;
subcaudais 48-64 . brazili
lb — Faixa postocular presente; ventrais 155-164; subcaudais
43-53; marcas no corpo como Pr. 43 . pirajai
lc — Faixa postocular presente; ventrais 170-186; subcaudais
60-66; marcas do corpo e cabeça como na Pr. 30
. jararacussu
2 — Cantais não aumentadas
2a — Supralabiais geralmente 7; duas estrias claras na nuca;
marcas na cabeça ausentes ou indistintas; aspecto geral
aveludado (Pr. 33 e Pr. 34) . moojeni
2b — Supralabiais geralmente 8 a 9; marcas na cabeça e
no corpo como na Pr. 28 e 29; cor geral marrom esver¬
deado . jararaca
132
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
IIOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem Inst
Jiiitantan, 36: 109-208, 1972.
2c — Supralabiais geralmente S-9; marcas indistintas na ca¬
beça e colorido geral amarelado (Pr. 26) .. insularis
Bothrops Wagler
1824 Bothrops Wagler, in Spix, sp. nov. Serp. Bras.
Espécie tipo: Bothrops megaera Wagler = Bothrops leucurus Wagler.
Bothrops alternatus Duméril, Bibron et Duméril Pr. 10 e 11
1854 Bothrops alternatus Duméril, Bibron et Duméril Erp. Gén; 7 n.° 2.
Atlas pr. 82, bis, fig. la.
1896 Lachesis alternatus; Boulenger, Cat. Sn. Brit. Mus., 3: 543.
1925 Lachesis inaequalis Magalhães, Mem. Inst. Oswaldo Cruz, 18 n.° (1):
153. pr. 7-12.
Localidade tipo: América do Sul, Argentina e Paraguai.
Distribuição: Argentina (norte); Uruguai; Paraguai; Brasil, Estados do
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato
Grosso e Rio de Janeiro. Mapa 1.
Bothrops atrox Linnaeus Pr. 12 c 13
1758 Coluber atrox Linnaeus, Syst. Nat., 10 ed., 1: 222.
1824 Bothrops fttria Wagler, in Spix, sp nov. Serp. Brasil.: 52.
1824 Bothrops taeniatus Wagler, in Spix, sp. nov. Serp. Brasil.: 55 pr. XXL
1966 Bothrops atrox: Iloge, Mem. Inst. Butantan, 32; pr. V, figs, 1, la e lb.
Localidade tipo: restrita a “SurinanV (Iloge l.c.)
Distribuição: Florestas equatoriais da Colômbia. Venezuela, Guianas,
Brasil, Peru, Equador e Bolívia.
Bothrops büineatus bilineatus Iloge Pr. 15 fig. 2 e 3
1821 Cophias bilineatus Wied, Reise Brasil, 2: 339.
1822 T rigonoccphalus bilineatus: Schinz I, Cuv. Thier; 2: 143.
1824 Cophias bilineatus: Wied, Abbid. Naturg. Brasil, pr. 5 e 6.
1825 Cophias bilineatus: Wied, Beitr. Nat. Brasil, 1: 483.
1830 Bothrops... spécies... Cophias bilineatus Neuw.; Wagler, Syst. Amph.,
174.
1869 Trigonoccphalus [Bothrops] arboreus Cope, Proc. Amer. Phil. Soc., 9:
157.
1966 Bothrops bilineatus bilineatus; Hoge, Mem. Inst. Butantan, 32:114;
pr. 1, fig. 1.
133
10 - MEMÓRIAS
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
HOGE* A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Man. Jnst.
Butantan, 36: 109-208, 1972.
Localidade tipo: “Villa Viçosa” (atualmente Marobá) no Rio Pcruhybe,
Estado da Bahia, Brasil.
Distribuição: Florestas equatoriais da Venezuela; Guianas e Brasil, Ter¬
ritório Federal Amapá, Estado do Maranhão, e uma população isolada na
vertente Atlântica do Rio de Janeiro e Bahia.
Bothrops bilineatus smaragadinus Hoge Pr. 15 fig. 2 e 3
1966 Bothrops bilineatus. smaragdinus Iloge, Mem. Inst. Butantan, 32: 1955
114; pr. I, fig. 2a e 2b.
Localidade tipo: Alto Rio Purus, Estado do Amazonas, Brasil.
Distribuição: Florestas equatoriais do Equador, Peru, Colômbia, Brasil,
médio Amazonas e Bolívia.
Bothrops brazili Hoge Pr. 16
1923 Bothorps neglecta Amaral [partim: paratipo Bothorops neglecta] Proc
New Engl. Zool. Club, 8: 99.
1953 Bothrops brazili; Hoge, Mem. Inst. Butantan, 25: 15-21.
Localidade tipo: Tomé Assú no Rio Acará-Mirim, Estado do Pará, Brasil.
Distribuição: Florestas equatoriais da Venezuela; Guianas; Brasil, Ter¬
ritório Federal Amapá, Estado do Pará, Amazonas e Norte do Estado de
Mato Grosso; Bolívia; Peru e Colômbia. Mapa 2.
Bothrops castelnaudi Duméril, Bibron et Duméril Pr. 17 e 18
1853 Bothrops Castelnmidii Duméril, Mém. Acad. Sei., 23: 139.
1854 Bothrops castelnaudi Duméril, Bibron et Duméril, Erp. Gén., 7, (2):
1511.
1860 Bothriechis castelmui; Cope (error, pro castelnaudi) Proc. Acad. Nat.
Sc. Philadelphia: 345.
1861 Bothriopsis quadriscutatus Pcters, Mber, Berlin Akad., 1861: 359.
1889 Thanatophis montanus Posada-Arango, Buli. Soc. Zool. France: 244
1896 Lachesis castelnaudi; Boulenger; Cat. Sn. Brit. Mus., 3 : 544.
Localidade tipo: não indicada (Guichenot in Castelnau 1855 indica “Pro-
vince du Goyaz”).
Distribuição: Conhecida por alguns exemplares da Colômbia; Equador;
Peru e Brasil (um exemplar é conhecido da fronteira Brasil — Venezuela).
Bothrops cotiara (Gomes) Pr. 19 e 9 fig. 5 e 6
1913 Lachesis cotiara Gomes, Ann. Paul. Med. Cirurg. São Paulo, 1, n.°
(3): 65.
134
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
IIOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpen tes p eçonhent as do lir asil. Mem. Inst
Butantan, S6: 109-208, 1972.
1925 Bothrops cotiara; Amaral, Contr. Inst. Trop. Biol. Med., 2:53.
Localidade tipo: Núcleo Colonial Cruz Machado, Marechal Mallet, Esta¬
do do Paraná, Brasil.
Distribuição: Florestas de Araucaria na Argentina (Missiones) e Brasil
(Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e no Sudeste de São Paulo).
Mapa 4
Bothrops erythromelas Amaral Pr. 20 e 21.
1923 Bothrops erythromelas Amaral, Proc. New Engl. Zoo], Club., 8:96.
Localidade tipo: Perto de Joazeiro, Estado da Bahia, Brasil.
Distribuição: Regiões secas do Nordeste (conhecida do Estado do Ceará,
Bahia, Minas Gerais e Paraiba). Mapa 4
Bothrops fonsecai Hoge et Belluomini Pr. 22 e 23
1959 Bothrops fonsecai Hoge et Belluomini, Mem. Inst. Butantan, 28: 195.
Localidade tipo: Santo Antonio do Capivari, Estado do Rio de Janeiro,
Brasil.
Distribuição: Brasil, Nordeste de São Paulo, sul do Rio de Janeiro e
extremo sul de Minas Gerais.
Bothrops hyoprorus Amaral Pr. 24 e 9 fig. 1
1935 Bothrops hyoprora Amaral, Mem. Inst. Butantan, 9: 222.
Localidade tipo: La Pedrera, Colômbia.
Distribuição: Florestas equatoriais da Colômbia; Equador; Peru e Brasil,
Amazonas ocidental e Rondônia.
Botrops iglesiasi Amaral Pr. 25
1923 Bothorps iglesiasi Amaral, Proc. New Engl. Zool. Club, 8:97.
Localidade tipo: Perto da Fazenda Grande, margem direita do Rio Gur-
gueia, Estado do Piauí, Brasil.
Distribuição: Conhecido somente no norte do Piauí. Mapa 5
Bothrops insularis (Amaral) Pr. 26
1921 Lachesis insularis Amaral, Anex. Mem. Inst. Butantan, Sec. Ofiol., 1,
n.° (1) :18.
1930 Bothrops insularis; Amaral, Mem. Inst. Butantan, 4:114.
Localidade tipo: Ilha da Queimada Grande, na Costa de São Paulo, Brasil.
Distribuição: Ilha da Queimada Grande
135
cm
2 3
L
5 6
11 12 13 14 15
TIOGE, A. Tt. e TtOMANO, S. A. — Sinopse de.s serpentes peçonhentas do Brasil. Mem, Inst.
Butantan, 30: 109-208, 1972.
Bothrops itapetiningae (Boulenger) Fr. 27
1907 Lachesis llapetiningae Boulenger, Ann. Mag. Nat. Hist, 20, n.° (7): 338.
1910 Laclwsis neuwiedii ilapetiningae; Ihering [partim], Rev. Mus. Paul.,
8: 360.
1930 Bothrops itapetiningae; Amaral, Mem. Inst. Butantan, 1929 4: 235.
Localidade tipo: Itapetininga, Estado de São Paulo, Brasil.
Distribuição: Nos campos do Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Minas
Gerais até Distrito Federal (conhecido por um exemplar do Rio Grande do
Sul cuja procedência tem que ser confirmada). Mapa 7
Bothrops jararaca (Wied) Pr. 28 e 29
1824 Cophias jararaca (no texto) Cophias atrox “pullus” (na prancha); Wied
Abbild. Nat. Brasil, Lief, 8. non Cophias jararaca Merrem 1822 nom.
nov. pro colubcr jauanus Gmelin iconotypo em Seba I. pr. XIX, 12
localidade tipo: Java “in error” Crotalus duríssus susp. (pos. C.d. cas-
cavella Wagler 1824), Wied, Abbild. Nat. Brasil, Lief. 7.
1824. Cophias alrox ... jararaca; Wied 1824, In Isis v. Oken, 14, (9): 987.
1824 Cophias jajaraca; (erro tipográfico pro jararaca) Wied In Isis v. Oken,
14 (10): 1103.
1825 Cophias jararaca; Wied Beitr. Nat. Brasil, 1: 470.
1830 Bothrops jararaca; Wagler, Nat. Syst. Amph: 174.
1896 Lachesis lanceolatus; Boulenger [partim], Cat. Sn. Brit. Mus., 3 : 535.
Localidade tipo: Espirito Santo, Brasil.
Distribuição: Argentina, Missiones; Paraguai; Brasil, Estados do Rio
Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito
Santo, Bahia (sul) e Minas Gerais. Mapa 6.
Bothrops jararacussu LaCerda Pr. 30 e 31
1884 Bothrops jararacussu Lacerda, Lee. Ven. Serp. Brézil, n.° 8
1896 Lachesis lanceolatus; Boulenger [partim], Cat. Sn. Brit. Mus., 3:535.
Localidade tipo: Província do Rio de Janeiro, Brasil.
Distribuição: Argentina (nordeste); Brasli, Estados de Santa Catarina,
Paraná, Mato Grosso, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo,
Sul da Bahia; Paraguai e Bolívia.
Bothrops leucurus Wagler Pr. 32
1824 Bothrops megacra Wagler (homônimo de Megaera Shaw = Bothrops
lanceolatus (Lacépède), In Spix Serp. Bras; Sp. Nov, p. 50; pr. XIX, —
localidade tipo: Bahia (Salvador) Brasil.
SciELO
136
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Inst
Butantaiij 36: 109-208, 1972.
1824 Bothrops Icucurus Wagler, In Spix, Serp Brasil; Sp. Nov. p. 57; pr.
XXII, fig. 2
1966 Bothrops megcierci; Hogc, Mem. Inst. Butantan, 32:110.
Localidade tipo: Província da Bahia, Brasil.
Distribuição: Conhecido por alguns exemplares da Bahia.
Bothrops marajoensis Iloge
1966 Bothrops marajoensis Hoge, Mem. Inst. Butantan, 32: 123.
Localidade tipo: Severino, Ilha Marajó, Estado do Pará, Brasil.
Distribuição: Ilha Marajó e ao longo da costa até regiões equatoriais
do Maranhão, Brasil.
Bcíhrops moojeni Hoge Pr. 33 e 34
1966 Bothrops moojeni Hoge, Mem. Inst. Butantan, 32: 126; pr. IV.
Localidade tipo: Brasília, Distrito Federal, Brasil.
Distribuição: Brasil, Estado do Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Minas
Gerais, Goiás e Maranhão.
Bothrops neuwiedi neuwiedi Wagler
1824 Bothrops neuwiedi Wagler, in Spix, Serp. Brasil, Sp. Nov. n.° 56.
1896 Lachesis neuwiedi; Boulenger [partim], Cat. Sn. Brit. Mus., 3:542.
1925 Bothrops neuwiedi neuwiedi; Amaral, Contr. Ilarv. Inst. Trop. Biol.
Med., 2: 57.
Localidade tipo: Província da Bahia, Brasil.
Distribuição: Brasil, Estado da Bahia.
Bothrops neuwiedi bolivianus Amaral
1927 Bothrops neuwiedii bolivianus Amaral, Buli. Antivenun, Inst. Amer., 1: 6.
Localidade tipo: Buenavista, Prov. Sara, Departamento de Santa Cruz de
La Sierra, Bolívia.
Distribuição: Bolívia; Brasil, extremo oeste do Estado de Mato Grosso.
Bothrops neuwiedi diporus Cope Pr. 36 e 37
1862 Bothrops diporus Cope, Proc. Ac. Nat. Sc. Philadelphia, 14: 347.
1896 Lachesis neuwiedii; Boulenger, Cat. Sn. Brit. Mus. 3:542..
1930 Bothrops neuwiedii meridionalis Amaral, Buli. Antiv. Inst. Amer. 4 38:66
fig. 1.
Localidade tipo: Rio Vermejo, fronteira Argentina-Paraguai.
Distribuição: Argentina; Paraguai; Brasil, regiões limítrofes com Paraguai.
137
cm
2 3
z
5 6
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HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Inst.
Butantan, 36: 109-208, 1972.
Bothrops neuwiedi goyazensis Amaral
1925 Bothrops neuwiedi goyazensis Amaral, Contr. Harv. Inst. Trop. Biol.
Mecl., 2: 58; XIV:3; XV:3
Localidade tipo: Ypameri, Goiás, Brasil.
Distribuição: Brasil, Estado de Goiás.
Bothrops neuwiedi lutzi (Miranda — Ribeiro)
1915 Lachesis lutzi Miranda-Ribeiro, Arch. Mus. Nac. Rio de Janeiro, 17: 4
1925 Bothrops neuwiedi hahiensis Amaral, Contr. Harv. Inst. Trop. Biol.
Med., 2: 57.
1930 Bothrops neuwiedii lutzi; Amaral, Mem. Inst. Butantan; 4: (1929) 238.
Localidade tipo: Rio São Francisco, Estado da Bahia, Brasil.
Distribuição: Brasil, interior do Estado da Bahia.
Bothrops neuwiedi mattogrossensis Amaral Pr. 38
1925 Bothrops neuwiedi mattogrossensis Amaral, Contr. Harv. Inst. Trop.
Biol. Med., 2: 60; pr, 14:6; pr. 16:6.
Localidade tipo: Miranda, Estado de Mato Grosso, Brasil.
Distribuição: Brasil, Sul de Mato Grosso.
Bothrops neuwiedi meridionalis Miiller
1885 Bothrops atrox meridionalis Miiller, Verh. Nat. Ges. Basel, 7:699.
1896 Lachesis neuwiedii; Boulenger [partim], Cat. Sn. Brit. Mus., 3:542.
1932 Bothrops neuwiedi fluminensis Amaral, Mem. Inst. Butantan, 7: 97.
1966 Bothrops neuwiedi meridionalis; Hoge, Mem. Inst. Butantan, 32: 128
(1965).
Localidade tipo: Andarai, Estado do Rio de Janeiro.
Distribuição: Brasil, Estados de Guanabara, Rio de Janeiro e Espírito
Santo.
Bothrops neuwiedi paranaensis Amaral
1925 Bothrops neuwiedi paranaensis Amaral, Contr. Harv. Inst. Trop. Biol.
Med., 2: 61; pr. 14:7; pr. 16: 7.
Localidade tipo: Castro, Estado do Paraná, Brasil.
Distribuição: Estado do Paraná.
Bothrops neuwiedi pauloensis Amaral Pr. 39 e 40
1925 Bothrops neuwiedi pauloensis Amaral, Contr. Harv. Inst. Trop. Biol.
Med., 2: 59.
138
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Inst.
Bntantan, 36 : 109-208, 1972.
Localidade tipo: Leme, Estado de São Paulo, Brasil.
Distribuição: Estado São Paulo.
Bothrops neuwiedi piauhyensis Amaral
1916 Bothrops neuwiedii piauhiense; Gomes, In Neiva et Penna.. .
(n. nud.), Mem. Inst. Oswaldo Cruz 8: (3): 101.
1925 Bothrops neuwiedii piauhyensis; Amaral, Contr. Harv. Inst. Trop. Biol.
Med., 2: 58.
Localidade tipo: Regeneração, Estado do Piauí, Brasil.
Distribuição: Brasil, Estados do Piauí, Pernambuco, Ceará, Sul do Ma¬
ranhão.
Bothrops neuwiedi pubescens (Cope) I’r. 11
1870 Trigonocephahis [Bothrops] pubescens Cope, Amer. Phil. Soc. Phil, 11
(1869): 57
1896 Lachcsis neuwiedii; Boulenger, Cat. Sn. Brit. Mus., 3: 542.
1925 Bothrops neuwiedii riograndensis Amaral, Contr. Harv. Inst. Trop. Biol.
Med., 2: 61.
1959 Bothrops neuwiedi pubescens; Hoge, Mem. Inst. Bntantan, 28: 84.
Localidade tipo: Rio Grande do Sul, Brasil.
Distribuição: Estado do Rio Grande do Sul.
Bothrops neuwiedi urutu Lacerda Pr. 42
1884 Bothrops urutu Lacerda, Leç. Ven. Serp. Brézil, :11
1896 Lachesis neuwiedii; Boulenger, [partim], Cat. Sn. Brit. Mus., 3: 542
1937 Bothrops neuwiedi urutu; Amaral, Mem. Inst. Butantan, 10: (1936): 160.
Localidade tipo: Província de Minas Gerais, Brasil.
Distribuição: Brasil, Norte do Estado de São Paulo e Sudeste de Minas
Gerais.
Bothrops pirajai Amaral Pr. 43
1923 Bothrops pirajai Amaral, Proc. New Ehgl. Zool. Club, 8: 99.
1923 Botrops neglecta Amaral, Proc. New Engl. Zool. Club, 8: 100.
1966 Bothrops pirajai; Hoge, Mem. Inst. Butantan, 34: 132 (1965)
Localidade tipo: Ilhéus, Estados da Bahia, Brasil.
Distribuição: Sul do Estado da Bahia e Nordeste de Minas Gerais.
130
cm
2 3
z
5 6
11 12 13 14 15
IÍOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Jnst.
Butantan, 36: 100-208, 1972.
Bothrops pradoi (Hoge) Pr. 44 e 45
194S Trimeresurus pradoi Hoge, Mem. Inst. Butantan, 20: 1947. 193-202.
1955 Bothrops atrox; Amaral, Mem. Inst. Butantan, 26: 215-220.
1966 Bothrops pradoi; Hoge, Mem. Inst. Butantan, 32: 132 (1965)
Localidade tipo: Pau Gigante, Estado de Espírito Santo, Brasil.
Distribuição: Espírito Santo e Sul da Bahia.
CHAVE ARTIFICIAL PARA AS ESPÉCIES DE CROTALUS DA
AMÉRICA DO SUL
I — Desenho do dorso com manchas romboidais nitidamente delineadas so¬
bre a cor de fundo; estiias nucais distintas . durissus
II — Desenho do dorso e estrias nucais indistintas, obliteradas por escamas de
ponta branca, distribuídas irregularmente no corpo . vegrandis 0
CHAVE ARTIFICIAL PARA AS SUBESPÉCIES DE durissus
I — Parte interna das manchas dorsais apenas mais claras do que os
bordos Pr. 52 . terrificus
II — Parte interna das manchas dorsais distintamente mais claras do que os
bordos
A — Estrias paravertebrais largas com o centro mais claro do que os bordos e
marginadas por uma série de escamas brancas (Pr. 50-51) ruruima
B — Estrias paravertebrais não como em A
a — Estrias paravertebrais curtas menores do que o comprimento da
cabeça (Pr. 48 e 47) . cascavella
b — Estrias paravertebrais longas, maiores do que o comprimento da cabeça
b 1 — Estrias paravertebrais sobre uma série de pintas escuras . . marajoensis
bj — Estrias paravertebrais sobre estrias contínuas (Pr. 48-49) collilineatus
Crotalus [Crotalus] durissus cascavella (Wagler, 1S24) Pr. 46 e 47
1824 Crotalus cascavella Wagler, In Spix. Brasil, Sp. Nov.,: 60
1925 Crotalus terrificus var. collirhoinheatus Amaral, Rev. Mus. Paul., 15: 90.
1966 Crotalus [Crotalus] durissus cascavella; Hoge, Mem. Inst. Butantan, 32:
139, pr. 12
Localidade tipo designada: Minas de Caraíba, Estado da Bahia, Brasil.
Distribuição: Regiões secas do Maranhão, Ceará, Piauí, Pernambuco, Ala¬
goas, Rio Grande do Norte e extremo Nordeste de Minas Gerais.
* Extraterritorial.
140
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
HOGK, A. R. e ROMANO, S. A.
Butantan, 38 : 109-20S, 1972.
Sinopse cias serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Jnst
Crotalus [Crotalus] durissus collilineatus Amaral Pr. 48 e 49
1926 Crotalus terríficas collilineatus Amaral 1926 [partim], Rev. Mus., Pau¬
lista 15: 90.
1956 Crotalus durissus terríficas; Klauber [partim], Rattlesnakes 1: 33.
1966 Crotalus [Crotalus] durissus collilineatus; lloge, Mem. lust. Butantan
32: 139-142.
Localidade tipo: (Restrita, Hoge 1966) ao Estado de Mato Grosso, Brasil.
Distribuição: Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São
Paulo; no Sul, até a Argentina.
Crotalus [Crotalus] durissus marajoensis lloge
1966 Crotalus [Crotalus] durissus marajoensis Hoge, Mem. Inst. Butantan,
32: 143; pr. XV.
Localidade tipo: Tuyuyu, Ilha Marajó, Estado do Pará, Brasil.
Distribuição: Campos da Ilha Marajó, Brasil.
Crotalus [Crotalus] durissus ruruima Hoge Pr. 50 e 51
1966 Crotalus [Crotalus] durissus ruruima Hoge, Mem. Inst. Butantan, 32:
145; pr. XVI
Localidade tipo: Paulo Camp, Monte Roraima, Venezuela.
Distribuição: Conhecida das vertentes do Monte Roraima e Cariman-Paru
na Venezuela. No Brasil um único exemplar do Território Federal de Roraima.
Crotalus [Crotalus] durissus terrificus (Laurenti) Pr. 52 e 53
1768 Caudisona terrífica Laurenti, Syn. ltept, 93.
1896 Crotalus terrificus; Boulengcr [partim], Cat. Sn. Brit. Mus., 3: 573.
1926 Crotalus terrificus collilineatus Amaral [partim], Rev. Mus. Paul., 15: 90.
1936 Crotalus durissus terrificus; Klauber [partim], Rattlesnakes, 1: 32.
1966 Crotalus [Crotalus] durissus terrificus; Hoge, Mem. Inst. Butantan.
32: 147; pr. XVII.
Localidade tipo: Júlio de Castilho, Município de Tacpiari, Estado do Rio
Grande do Sul, Brasil (por designação lloge 1966 l.c.).
Distribuição: Argentina; Uruguai; Paraguai; Bolívia; Sul do Brasil, Minas
Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.
Populações isoladas na Amazônia e Pará (Campos de Humaitá, Serra do
Cachimbo e Santarém).
Lachesis muta muta (Linnaeus) Pr. 54 e 55
1766 Crotalus mulas Linnaeus, Syst. Nat. 12 a ed.,: 373.
1803 Lachesis mutus; Daudin, Hist. Nat. Rept, 5: 351.
141
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IIOGE, A. lt. o ROMANO, S. A. — Sinopse cias serpentes peçonhentas cio Brasil. Mem. Jnst.
Butantan, 36 : 109-208, 1972.
1896 Lachcsis muta; Boulenger, Cat. Sn. Brit. Mus., 3: 534.
1951 Lachesis muta mula; T.aylor, Kansas Univ. Sei. Buli., 34(1): 184.
1966 Lachesis mula muta; Iloge, Mem. Inst. Butantan, 32: 161.
Localidade tipo: Surinam
Distribuição: Florestas equatorianas do Brasil; Guianas; Venezuela; Tri-
nidad; Bolívia; Peru; Equador e Colômbia.
Lachesis muta noctívaga Hoge Pr. 56 e 57
1966 Lachesis muta noctívaga Hoge, Mem. Inst. Butantan, 32: 162.
Localidade tipo: Vitória, Espírito Santo, Brasil.
Distribuição: Florestas da vertente Atlântica do Rio de Janeiro até Alagoas.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos as fotografias ao Senhor Antonio Seixas Neto e os desenhos
de Bothrops, Crotalus e Lachesis a Ralph Grantsau; de Micrurus, mapas e
desenhos esquemáticos a João Domingos Cavalheiro.
Recebido para publicação em 30/6/72
Aceito para publicação em setembro / 72
142
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ÍNDICE DAS SERPENTES PEÇONHENTAS DO BRASIL
ELAPIDAE
ELAPINAE
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrums
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
Micrurus
PAGS.
albicinctus Amaral . 120
annellatus boUvianus Roze . 121
auert/i (Schmidt) . 121
collaris (Schlegel) . 122
coraüinus (Merrem) . 122
decoratus (Jan) . 122
filiformis (Günther) . 122
filiformis filiformis (Günther) . 123
filiformis subtilis Roze . 123
frontalis (Duméril, Bibron et Duméril) . 123
frontalis frontalis (Duméril, Bibron et Duméril) . 124
frontalis altirostris (Cope) . 124
frontalis brasiliensis Roze . 124
frontalis pyrrhocryptus (Cope) . 125
hemprichii hemprichii (Jan) . 125
hemprichii ortoni Schmidt . 126
ibiboboca (Merrem) . 126
karlschimidti Romano . 126
langsdorffi langsdorffi VVagler . 126
lemniscatus carvalhoi Roze . 128
lemniscatus helleri Schmidt et Schmidt . 128
narduccii Romano . 128
spixii spixii Wagler . 129
spixii martiusi Schmidt . 129
spixii obscurus (Jan) . 129
surinamcnsis surinamensis (Cuvier) . 130
surinarnensis natiereri Schmidt . 130
143
cm
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HOGE, A. H. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil, ji/cm. Inst.
Butantan, 36: 109-208, 1972.
VIPERIDAE
CROTALINAE
PAGS.
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Bothrops
Crotalus
Crotalus
Crotalus
Crotalus
Crotalus
Lachesis
Lachesis
álternatus Duméril et Duméril .
atrox (Linnaeus) .
bilineatus bilineatus (Wied) .
bilineatus smaragdinus Hoge .
brazili Hoge .
castelnaudi Duméril, Bibron et Duméril
cotiara (Gomes) .
erythromelas Amaral .
fosecai Iloge et Belluomini .
hyoprortis Amaral .
iglesiasi Amaral
insidaris (Amaral) ..
itapotiningae (Boulenger) .
jararaca (Wied) .
jararacussu Lacerda .
leucurus Wagler .
marajoensis Hoge .
moojeni Hoge .
neuwiedi neuwiedi Wagler .
neuwiedi bolivianas Amaral ....
neuwiedi diporus Cope .
neuwiedi goijasensis Amaral .
neuwiedi Intzi (Miranda-Ribeiro)
neuwiedi mattogrossensis Amaral
neuwiedi mcridionalis Mixller .. .
neuwiedi paranaensis Amaral . ..
neuwiedi pauloensis Amaral .
neuwiedi piauhtjensis Amaral ...
neuwiedi pubescens (Cope) ....
neuwiedi urutu Lacerda .
pirajai Amaral .
pradoi Hoge .
durissus cascavella (Wagler) ....
durissus collilineatus Amaral .
durissus marajoensis Hoge .
durissus ruruuna Hoge .
durissus terrificus (Laurenti) ...
muta muta (Linnaeus) .
muta noctívaga Hoge .
144
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Jnst
Butantan, 36: 100-208, 1972.
Bothrops braxili
14G
cm
2 3 4 5 6 SClELO o 12 13 14 15
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Jnst.
Butantan , 36: 109-208, 1972.
SciELCro
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
Z
cm
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A.
Butant.an, 30: 103-208, 1972.
Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Inst.
150
cm
2 3 4 5 6
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.0 11 12 13 14 15 16
1IOGK, A. U. e ROMANO, S. A — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem, Inst
Hutantau, 36: 109-20S, 1972.
cm
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Inst.
Iíntantan , 30: 109-208, 1972.
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HOGE, A. R. e ROMANO, S. A.
Butantan, 36: 109-20S, 1972.
— Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil, il/em. Inst.
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156
cm
.0 11 12 13 14 15 16
HOGE, A. R. e KOMANO, S. A. — Sinopse aas serpentes peçonhentas cio Brasil. Mc Dl. Inst.
Butantan, 36: 109-208, 1972.
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158
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2 3 4 5
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
IIOGJ3, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Inst.
Butantan, 36: 109-20S, 1972.
PR. 9
1 — Bothrops com focinho levantado
2 — Bothrops sem focinho levantado
3-4 — Bothrops fonsecai
5-6 — Bothrops cotiara
7-S — Bothrops alternatus
150
10 11 12 13 14 15 16
ítOÒE, A. IÍ. e UOMANO, S. A
Butantan, .16: 109-20S, 1072.
Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Jnst.
Bothrops alternaUis
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Jnst.
Butantau, 36 : 100-208 1972.
PR. 11
Fig. 1 a 3 — Bothrops alternatus
L61
cm
5 6 SCÍELO 10 2.1 12 13 14 15 16
HOGE, A. II. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil, fttem. Jnst.
Bntantan, 36: 109-208, 1972.
PR. 12
Iiothrops atrox
cm
PU. 14
Fig. 1-3 — Holhrops bUíneutus bilincalus
1G4
SciELO
cm
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Jnst.
Butantan, 36: 103-208, 1972.
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Metn. Jnst
Butantan, SG: 109-208, 1972.
16o
12 - MEMÓRIAS
cm
2 3 4 5 6 SCÍELO 10 1X 12 13 14 15 16
PR. 1G
Bothrovs bra:iII
cm
SciELO
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. -— Sinopse cios serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Inst.
Butantan, 3fi: 109-208, 1972.
PR. 18
Fig. 1-3 — Bothrops castelnaudii
168
cm
IIOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse cias serpentes peçonhentas do Brasil. Mcm. Tnst.
Jintantan , 36: 109-20S, 1972.
PU. 19
SciELO
PR. 20
Ttothrona evythroaicUis
cm
6 SciELO 10 11 12 13 14 15
172
PR. 22
Bothrops fonsecai
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem, Inst
Butantan, 36 : 109-208, 1972.
2 3 4 5 6 SClELO o 2.1 12 13 14 15 16
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Inst
Butantan, S6 : 109-20S, 1972.
PR. 24
Fig. 1-3 — Bothrops hyoprora
cm
SciELO
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse cias serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Jnat.
Butantan, 36: 109-20S, 1972.
PR. 25
Fig". 1-3 — Bothrons iylesiasi
SciELO
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse rias serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Inst.
Butantan, 36: 103-208, 1972.
PR. 26
Fig. 1-3 — Bothrops insularia
176
cm
PR. 27
Bothrops itapetíningae
177
SciELO
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem . Inst.
Butantan, 36: 109-208, 1972.
6 - Bothropa .jararaca
Ibiúna - São Paulo
Turma 5 Topógrafos -São Paulo-Light - 25/ll/l963
PR. 29
Fiç. 1-3 — Bothiops jararaca
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PR. 30
Bothrops jararacus&u
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15
HOCxE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Inst
Butantan, 36: 109-208, 1972.
181
13 -- MEMÓRIAS
2 3 4 5 6 SClELO o 2.1 12 13 14 15 16
PR. 32
Jiuthrops leucurus
A' '"
J - y <
cm
10 11 12 13 14 15
PR. 33
Buthrojjs rnoojeni
SciELO
pr. 34
Fig. 1-3 — Bothrops moojeni
184
cm
rn. 36
Bothropa neutoiedi diporus
SciELO
PR. 39
Bothrops neuwiedi panloensis
189
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HOGrE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Jnst.
Butantan, 36: 109-208, 1972.
PR. 40
Fig. l-o — Bothrops neuwiedi iKiuloensis
190
2 3 4 5 6 SCÍELO 10 2.1 12 13 14 15 16
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Eothrons plrajaí
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SciELO
PR. 44
Bothropa pradoi
10 11 12 13 14 15 16
cm l
PR. IS
Crotulus ICrotuIus] durissus coUiUneatus
19 $
SciELO
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse cias serpentes peçonhentas cio Brasil, item. Jnst.
JSutantan, 36 : 109-20S, 1972.
PR. 49
Fig. 1-3 — Crolalus [ Crotalits] iluríssus collilineatus
199
SciELO
SciELCo
2
3
5
6
11
12
13
14
15
16
L
cm
HOGE, A. R. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Jnst.
Butantan, 36 : 109-208, 1972.
PR. 53
Fig\ i -3 — Çrotalus [Crotalus] durissus terrificus
203
SciELO
SciELO
cm 1
206
PR. 5G
Lachesis viu ta noctívaga
HOGiE, A. II. e ROMANO, S. A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil. Mem. Jnst .
Butcintaiij 36 : 109-208, 1972.
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Mem. Inst. Butantan
36: 209-214, 1972.
NOTA SOBRE XENODON E OPHIS
SERPENTES COLUBRIDAE
S. ALMA R. W„ DE L. ROMANO* e A. R. HOGE*
(Secção de Herpetologia, Instituto Butantan)
RESUMO — Xenodon merremii Wa-
gler é considerado gênero distinto de
rophis nom. nov pro Ophis Wagler
1824 pré-ocupado por Ophis Turton
1807.
UNITERMOS ■— Waglerophis nom
nov. pro Ophif Wagler. Diagnose de
Xenodon e Waglerophis.
Durante a revisão de Xenodon, a espécie merremii demonstrou-se tão
diferente das demais espécies que deve constituir gênero à parte.
MATERIAL: de cada uma das seguintes espécies, Xenodon neuwiedii, Xe¬
nodon severus, Xenodon merremii, Xenodon guentheri e Xenodon colubrinus
foram examinados 10 crânios, 4 hemipênis ,além de terem sido dissecadas várias
cabeças para o estudo da musculatura. De Xenodon suspectus e Xenodon
bertholdi foi examinada apenas a dentição.
Xenodon merremii (Wagler) 1824, foi descrito originalmente no gê¬
nero Ophis passando finalmente para o gênero Xenodon. Além de Ophis cons¬
tam na sinonimia de Xenodon os gêneros Acanthophallus Cope 1893, espécie
tipo Xenodon colubrinus Günther e Procteria Werner 1924, espécie tipo Proc-
teria viridis, Eiselt deu um nom. nov. Xenodom werneri para Procteria viridis
Werner pré-ocupado por Xenodon viridis Duméril, Bibron e Duméril 1854.
Nenhum destes gêneros é utilizável para a espécie merremii por serem
sinônimos de Xenodon Boie 1926 cuja espécie tipo é Coluber severus Linnaeus.
As peculiaridades do aparelho de mordedura de Xenodon merremii chama-
rnaram repetidamente a atenção de: Boulenger, E. G. 1915; Haas, G., 1931;
Anthony, J. 1955 e Anthony & Serra 1951. É curioso notar que todos esses
dados se referem a espécie merremii e não houve comparação com as outras
espécies do gênero.
Em virtude de Ophis Wagler 1824 estar pré-ocupado por Ophis Turton
1807, torna-se indispensável um nom. nov. pro Ophis Wagler 1824.
Waglerophis nom. nov.
Espécie tipo: Ophis merremii Wagler 1824
Diagnose: Colubridae, opistomegadonte com maxilar verticalmente erétil
(fig. 6); maxilar curto provido de 6-7 -4- 1 dente com o processo palatino quase
Trabalho auxiliado pelo C.X.Pq e National Llbrary of Medicine.
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ItOMANO, S. A. R. W. e HOGE, A. R. — Nota sobro Xenodon e Ophis. Serpentes colubridae.
Mem. Inat. Butantcin, . 36: 209-214, 1972.
em contato com a base da presa posterior (Pr. I fig. 8); parietal mais longo
do que largo (Pr. I fig. 7); com a parte de tendão do cérvico mandibular não
prolongado até à articulação quadrato-mandibular (Pr. 2 fig. 2); hemipênis
fortemente bifurcado ecm disco apical e sulco espermático dividido (Pr. 3
fig. 5). Difere do gênero Xenodon pelo formato e função do cérvico-maxilar
(Pr. 2, fig. 2); pelo menor número de dentes maxilares 6-7 ao invés de 10-16
(figs. 3 e 8) e pelo formato do ectopterigóide (figs. 2, 5, 7 e 10).
Em Waglerophis o cérvico-mandibular que tem origem comum com o
cérvico-maxilar, desce para baixo e para frente dividindo-se em dois corpos:
1 — Cérvico maxilar (Pr. 2, fig. 2). O cérvico-maxilar é muito mais desen¬
volvido do que o cérvico-mandibular com o qual tem origem comum, dirige-se
para frente passando acima do quadrato recobrindo grande parte do digástrico
(Pr. 2, fig. 2). Na altura do digástrico e temporal posterior as suas fibras con¬
vergem formando o tendão que vai se inserir na parte posterior do maxilar
atrás da articulação maxilo-ectopterigóide. Na altura da formação do tendão o
cérvico-maxilar é cruzado por um pequeno feixe muscular originado nas apo-
neveóses do digástrico e temporal posterior, e se insere na pele.
A separação entre o cérvico-maxilar e o cérvico-mandibular já é com¬
pleta à altura onde ambos cruzam o cérvico-esquamosal (cérvico-supra-tem-
poral).
2 — Cérvico-mandibular dirige-se lateralmente e se insere diretamente na
parte superior da extremidade dista] da mandíbula (Pr. 2, fig. 2).
Em Xenodon, o cérvico-maxilar se separa do cérvico-mandibular depois de
cruzar o cérvico-esquamosal. As suas fibras ao invés de se dirigirem franca¬
mente para frente, o fazem lateralmente indo inserir-se no ligamento que vai
do maxilar até à articulação quadrato-mandibular (Pr. 2 fig. 1).
Dos Xenodontinac a musculatura de Lystrophis (Pr. 3, fig. 3) é a que
mais se aproxima do observado em Xenodon (Pr. 2, fig. 1) e será discutido
em detalhe noutra nota.
ABSTRACT — Xenodon merremii
(Wagler) is considered as belonging to
a distinct genus, XVaglerophis nom. nov
pro Ophis Wagler 1824 preocupicd by
Ophis Turton 1807.
UNITERMS — Waglerophis nom.
nov. pro Ophis Wagler. Xenodon, Wagle¬
rophis diagnosis.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem à Bolsa do Conselho Nacional de Pesquisas e ao Na¬
tional Library of Medicine Grant LM 00418-01. Ao Sr. João D. Cavalheiro,
os desenhos.
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ROMANO, S. A. R. W. e HOGE), A. R. — Nota sobre Xenoáon e Ophis. Serpentes colubridae.
Mem. Inst. Butantan, S(i: 209-214, 1972.
BIBLIOGRAFIA
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serpente aglipha da América Tropical, Xenodon merremii An. Fac. de Farm. e
ANTHONY, J. e Serra, R. — Anatomie de 1’appareil de Ia morsure chez Xenodon
Odont. USP, VII, 1948-49
ANTONY, J. e Serra, R. — Anatomie de 1’appareil do la morsure chez Xenodon mer¬
remii B„ serpent aglyphe de 1’Amerique Tropicale, Arquivos do Museu Nacional t
vol. XLII: 21-48, 15 est., 1951
BOULENGER, E. G. — On a colubrid snake (Xenodon) with a vertically movable
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EISELT, J. — • Zur Kenntnis der colubriden Schlangengattungen Procteria und
Xenodon, Ann. Naturhist. Mus. T Vien, 68: 279-282, 1963
HAAS, G. — Über die Morphologie der Kifermuskulatur und die Schádelmechanik
einiger Schlangen. Zool. Jahrb. Anat. Jena, 45: 333, 1931
Recebido para publicação em 30/6/72
Aceito para publicação em outubro/72
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ROMANO, S. A. R. \V. e HOGE, A. R. — Nota sobro Xenodon e Ophis. Serpentes colubridae.
Mem. Inst. Butantan, 36: 209-214, 1972.
J.D.Cav«aLH*t>o
Fig.
1
— Xenodon scverus
Fig.
6
— Xenodon merremii
1 — preocular
1 — preocular
2 — maxilar
2 — maxilar
3 — ectopterigóide
3 — ectopterigóide
Fig.
2
— Xenodon scverus
Fig.
7
— Xenodon merremii
Fig.
3
— Xenodon scverus maxilar
Fig.
8
— Xenodon merremii
maxilar
Fig.
4
— Xenodon scverus palatino
Fig.
9
— Xenodon merremii
palatino
Fig.
5
— Xenodon severus ectopterigóide
Fig.
10
— Xenodon merremii
ectopterig/jide
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ROMANO, S. A. II. \V. e HOGE, A. U. — Nota sobre Xenodo» e Ophis. Serpentes colubrklae
Meni. hixl. Butantan, ,ifi : 2ltí»-214, 1!>72.
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IO - MEMÓRIAS
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ROMANO, S. A. R. \V. e HOGE, A. R. — Nota sobro Xenodon e Ophis. Serpentes colubridae.
Mem. Inst. Butantan, 36: 209-214, 1972.
Fig-. 3 — Lysfrophís dorWgnyi
Fig. 4 — Hemipênis de Xenodon severus
Fig. 5 — Hemipênis de Waglerophis merremii
Mem. Inst. Butantan
36 : 215-220, 1972.
LIOPH1S MOSSOROENSIS nov. sp. do BRASIL
[SERPENTES: COLUBRIDAE]
ALPHONSE RICHARD HOGE
JOSÉ SANTIAGO LIMA-VERDE*
(Seção de Herpetologia, Instituto Butantan)
RESUMO —- Descrição de Liophis
mossoroensis afim de Liophis purpurans.
UNITERMOS — Liophis mossoroensis
sp. n. afim de Liophis purpurans.
Ao estudarmos o material herpetológico procedente dos Estados do Ceará e
Rio Grande do Norte (Brasil), despertou-nos a atenção algumas seqientes per¬
tencentes ao gênero Liophis Wagler, 1830, ainda não descritas.
Liophis mossoroensis sp. nov.
Descrição do holátipo : IBH n.° 32.078, macho; procedente de Mossoró,
RN; rostral mais larga do que alta, visível de cima e em contato com as
internasais, nasais anteriores e primeira supralabial; é ligeiramente mais ele¬
vada do que as internasais; as nasais anteriores e as supralabiais apresentam
o bordo superior preto e cor amarela em toda sua extensão; sua forma é seme¬
lhante a uma ferradura; nasais: a anterior com o bordo posterior côncavo e o
anterior convexo, contorno quadrangular, cor amarela com os bordos supe¬
rior e posterior escuros; a posterior tem forma grosseiramente retangular, de
cor preta, com bordo antero-superior côncavo; internasais: grandes, de cor
preta, com bordo latero-externo pontiagudo comunicando-se com a narina;
prefrontais: duas vezes mais longas do que as internasais, pretas nos bordos
e amareladas no centro; loreal, de forma quadrática, cor amarela e bordo in¬
ferior escuro; uma preocular, em forma de clava, amarela escura com bordos
antero-superior e superior pontiagudos; supraocular, mais longa do que larga;
postcculares: a superior é preta com mancha amarela-escura na parte anterior,
a postocular inferior apresenta forma retangular, de cor amarela-escura com
bordo posterior pontiagudo; frontal: tão longa quanto sua distância à extre¬
midade do focinho, bordo anterior retilíneo e ponteagudo, bordos laterais
retos ,o bordo posterior é pontiagudo cm a extremidade entre as duas parietais;
parietais, menores do que a distâncias até a ponta do focinho; sinfisial: de cor
amarela e com forma de triângulo equilátero; mentuais anteriores de forma
retangular e pontiagudas nos bordos internos posteriores e de cor amarela;
Escola Superior de Agricultura de Mossorô — Mossoró — Rio Grande do Norte -—-
Brasil. Trabalho elaborado durante o estrtgio na Seção de Herpetologia, por ocasião
do preparo da tese de doutoramento na Fisiologia USP.
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HOGE, A. R. e LIMA-VERDE, J. S. — Liophis mossoroensis nov. sp. do Brasil. (Serpentes
colubridae). Mem. Inst. Butantan, 36: 215-220, 1972.
as posteriores de formas paralelogrâmicas com o bordo interno formando a
base menor; supralabiais: em número de 8, a 4. a e a 5. a entrando na órbita;
infralabiais, 10/10; dorsais 17/17/15; ventrais: 159; anal dividida: subcau-
dais 47/47; coloração, o dorso é preto com manchas amarelas na cabeça; as
l. a e 2. a fileiras de escamas dorsais são amarelas e a 3 a fileira das mesmas,
apresenta manchas amarelas no centro; a superfície ventral do corpo é
amarela com algumas linhas escuras nos bordos; comprimentos: da cabeça
21,3 mm; corpo 486,0 mm; cauda 99,0 mm.
AFINIDADES
Liophis mossoroensis é afim de Liophis purpurans do cpial se distingue
pelo desenho da cabeça (fig. 1), subcaudais 49/51 nas fêmeas e 45/49 nos
machos, ao invés de 57 a 62 e 53 a 61 em purpurans (graf. I).
ABSTRACT — Description of the new UNITERMS ■— Liophis mossoroensis sp.
species Liophis mossoroensis closely n. closely allied to Liophis purpurans.
allied to Liophis purpurans.
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HOGE, A. R. e LIMA-VERDE, J. S. — Liophis mossoroensis nov. sp. do Brasil. (Serpentes
colubridae). Mem. Inst. Butantan, 36: 215-220, 1972.
BIBLIOGRAFIA
COPE, E. D. — An Examination of the Rcptilia and Batrachia obtained by the Orton
Expedition to Equador and the Upper Amazon, with notes on other Species.
Proc. Acad. Nat. Sei. Philadelphia, 20, 96-140, 1868.
REUSS, A. — Zoologische Miscellanien Reptilia, Ophidier Senck. Mus•, 1: 129-162,
tafel VIII fig 1 a und b, 1834
BOULENGER, G. A. — Catalogue of the Snakes in the British Museum (Natural
History). Volume II. Longmans & Co., B. Quaritch, Dulau & Co. Kegan Paul
& Co., XI -f 382, 25 figs., XX pis., London.: 127-143, 1894
218
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Mem. Ir.st. Butantan
36: 221-232, 1972.
SERPENTES COLETADAS PELO PROJETO RONDON VII EM
IAUARETÊ, BRASIL
ALPHONSE RICHARD HOGE, NEWTON PEREIRA SANTOS, CARMEN HEITOR,
LÍDIO ANÍBAL LOPES E IRENE MENEZES DE SOUZA.
(Seção de Herpetologia, Instituto Butantan)
RESUMO —• Foram identificados os
espécimes coletados na região de Iaua-
reté, entre os quais se destacam tres
espécies novas para o território brasi¬
leiro: Chironius holochlorus (Cope),
Micrurus filiformis subtilis Roze, Mi-
crurus spixii obscurus (Jan). Oxyrhopus
occipitaiis (Wagler) foi revalidada.
UNITERMOS — Serpentes coletadas
em Iauareté-Amazonas, Brasil.
Identificação das espécies.
Durante o mes de Janeiro de 1971, a equipe do PR VII coletou várias es¬
pécies de serpentes, entre as quais se destacam tres que são novas para o
território brasileiro.
O material é proveniente da região de Iauareté, Município de Uaupés.
Localidade situada na Amazônia Ocidental, região do Alto Rio Negro. Apre¬
senta clima equatorial úmido, temperatura média de 24.°C com mínimas
e máximas anuais de 19° C e 30° C. Com uma média de 2.500 mm de precipi¬
tação anual. A vegetação é a característica deste clima, exuberante com gran¬
de variedade de espécies: a características floresta de terra firme do Alto Ama¬
zonas. Ãs margens do Rio Uaupés, na região de Iauareté, encontram-se matas
secundárias.
Atractus torquatus (Duméril, Bibron et Duméril)
1854 Rabdosoma torquatum Duméril, Bibron et Duméril, Erp. Gén., 7: 101
1862 R. [abdosoma] varium Jan, Arch. Zool. Anat. Fis., 2: 18
1894 Atractus torquatus; Boulenger, Cat. Sn. Brit. Mus., 2: 309.
Localidade tipo: Santa Cruz de La Sierra, Dept 0 de Santa Cruz, Bolívia.
Material: Um exemplar; fêmea; procedente de Iauareté, AM, Brasil.
IBH n.° 31999 — jan/fev/71 — Dorsais 17/17/17; ventrais 156, anal 1;
subcaudais 35/35; supralabiais 8/8; infralabiais 8/8;
comprimentos: da cabeça lOmm; do corpo 260mm;
cauda 35mm.
Colorido do corpo característico da espécie.
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HCGE, A. R., SANTOS, N. P., HEITOR, C. f LOPES, L. A. e SOUZA, I. M. — Serpentes
coletadas pelo Projeto Rondon VII, em Iauaretô, Brasil. Mevu Inst. Butantan, 36 : 221-232, 1972.
Chironius fuscus (Linnaeus)
1758 Coluher fuscus Linnaeus, Syst. Nat. Ed. 10. a : 222.
1930 Chironius fuscus; Amaral, Mem. Inst. Butantan, (1929) 4: 161.
Localidade tipo: ÁSIA (in error).
Material: Um exemplar, fêmea, procedente da região entre Santa Maria
e Maloca Macu, AM, Brasil.
IBH n.° 31987 — jan/fev/71 — Dorsais 12/10/10; ventrais 143, anal 1;
subcaudais 136/136; supralabiais 9/9; infralabiais 11/10;
comprimentos: da cabeça 13,9mm; do corpo 245mm;
cauda 145mm.
Dorso verde-cinza co;n faixas oblíquas claras anguladas de preto. Cabeça
escura. Ventre mais claro; supralabiais brancas. Todas as escamas dorsais lisas.
Chironius. holochlorus (Cope)
1876 Herpetodnjas holochlorus Cope, Jour. Acad. Nat. Sei. Philadelpbia,
1875: 178'
1969 Chironius holochlorus; Donoso-Barros, Boi. Soc. Biol. Concepcion 41;
190.
Localidade tipo: Bio Maranón, Peru.
Material: 2 exemplares, procedentes de Iauaraté, AM, Brasil.
IBH n.° 31963 — Jan/fev./71 — fêmea. Dorsais 12/10/10, todas lisas; ven¬
trais 159; anal 1; subcaudais 116/116; supralabiais 9/9;
infralabiais 11/10; comprimentos: da cabeça 23,4mm do
corpo 465mm, cauda 225mm.
IBH n.° 31964 — jan/fev/71 — macho. Dorsais 12/10/8, sem fossetas api¬
cais; ventrais 152; anal 1; subcaudais 111/111; suprala¬
biais 9/9; infralabiais 10/10 comprimentos: da ca¬
beça 19,7mm; do corpo 355mm; cauda 165mm.
Colorido uniformemente verde.
Esta espécie revalidada por Donoso-Barros é mencionada pela primeira
vez no território brasileiro; distingue-se facilmente de Chironius fuscus, pelo
colorido uniforme.
Erythrolamprus aescuJapii subsp.
IBIIn. 0 31985 — Jan/fev/71 — macho, procedente de Javareté, Colômbia.
Rostral mais larga que alta, visível de cima; intemasais mais curtas que
as prefrontais; frontal aproximadamente uma e meia vez mais alta que larga,
mais longa que sua distância da ponta do focinho, mais curta que as parietais;
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HOGE, A. R., SANTOS, N. P., HEITOR, C., LOPES, L. A. e SOUZA, I. M. — Serpentes
coletadas pelo Projeto Rondon VII, em Iauareté, Brasil. Mem. Inst. Butantan, 36 : 221-232, 1972.
loreal tão larga quanto alta; 1 preocular, não em contato com a frontal; 2
postoculares, sendo a inferior em contato com a 4 a e 5. a supralabiais; tem¬
porais 1 —2; 7-7 supralabiais (3. a e 4. a em contato com o olho); 9-9 infra-
labiais, sendo as 4 primeiras em contato com as mentuais anteriores, que são
ligeiramente mais longas que as posteriores. Dorsais 15/15/15. Ventrais 187.
Anal 1/1. Subcaudais 37/37. Comprimento dos anéis pretos (escamas dor¬
sais), faixa branca que os separa e os espaços vermelhos, no meio do corpo:
2 — 2/á — 2!á — 12/2 — 2 — 2/2 — 2. Quinze anéis no corpo e 4 na cauda; es¬
camas orladas de preto; uma faixa preta na cabeça, passando através dos
olhos; na região nucal 2 a a 4 a fileiras de escamas dorsais orládas de preto,
delimitando uma mancha nucal imprecisa.
Comprimentos: da cabeça 18,8mm; do corpo 590mm; cauda 80mm.
1BH n.° 31968 — jan/fev/71, macho, procedente de Iauareté, AM, Brasil.
Dorsais 15/15/15; ventrais 182; anal 1/1; subcaudais
41/41; supralabiais 7/7; infralabiais 9/9; comprimentos:
da cabeça 9,0mm; do corpo 573mm; cauda 85mm.
Helicops hagmanni Roux
1910 Helicops hagmanni Roux, Zool. Anz., 36: 439.
Localidade tipo: Santarém, AM, Brasil.
Material: Um exemplar, macho, procedente de Iauareté, AM, Brasil.
IBH n.° 31967 — Jan/fev./71 — Dorsais 23/23/19; ventrais 123; anal 1/1;
subcaudais 57/57; supralabiais 8/8; infralabiais 10/11;
comprimentos: da cabeça 14,6mm; do corpo 245mm;
cauda 86mm.
O exemplar mostra duas fileiras de manchas escuras no ventre; interco-
nectadas com manchas brancas, estendendo-se até a 4 a fileira dorsal. Dorso
escuro com 2 fileiras de manchas negras (as manchas ocupam 4 escamas).
Dorsais carenadas. Cabeça na mesma cor do dorso.
O exemplar mostra colorido bastante mais vivo, do que os outros exem¬
plares por nós examinados, mas tratando-se de um juvenil, devemos aguardar
mais material na região para poder avaliar uma possível variação no colo¬
rido.
Hydrodynastes bicinctus bicinctus (Hermann)
1804 Coluber bicinctus Hermann, Observaciones Zoologicae: 276.
1958 Hydrodynastes bicinctus; Iloge, Pap. Avul. Dept.° Zool. São Paulo,
13: 222.
1966 Hydrodynastes bicinctus bicinctus; Hoge, Ciência e Cultura, São Paulo,
18: 1431
Localidade tipo: não indicada.
Material: 14 exemplares.
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HOGE A. R, SANTOS, N. P„ HEITOR, C„ LOPES, L. A e SOUZA I M
coletadas pelo Projeto Ronflon VII, cm Iauareté Brasil ' “ Serpentes
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cm
HOGE, A. II., SANTOS, N. P., HEITOR, C., LOPES, L. A. e SOUZA, I. M. — Serpentes
coletadas pelo Projeto Rondon VII, em lauareté, Brasil. Mem. Inst. Butantan, 36 : 221-232, 1972,
Leptodeira annulata annulata (Linnaeus)
1758 Coluber annulatus Linnaeus, Sys, Nat., Ed. 10. a : 224.
1929 Leptodeira annulata annulata; Amaral, Mem. Inst. Butantan, 4: 78.
1958 Leptodeira annulata annulata; Duellman; Buli. Amer. Mus. Nat. Hist.,
114:51
Localidade tipo: Bacia Amazônica, restrita por Duellman, Buli. Amer.
Mus. Nat. Hist., 114, 1958, para: baixo Rio Amazonas, Pará, Brasil.
Material: 4 exemplares.
Leptophis ahaetulla copei Oliver
1942 Leptophis ahaettdla copei Oliver, Occ. Pap. Mus. Zool. Univ. Midi.,
462 : 7.
1948 Thalerophis richardi copei Oliver, Buli. Amer. Mus. Nat. Hist., 92: 230.
1958 Leptophis ahaetulla copei Oliver, Inst. Comm. Zool. Nomen., Op.
524 : 270.
Localidade tipo: Salto do Iluá, Brasil.
Material: Um exemplar, macho, procedente de lauareté. AM, Brasil.
IBH n.° 32010 — jan/fev/71 — Dorsais 15/15/11; ventrais 166, anal 1/1;
subcaudais 174/174; supralabiais 9/9; infralabiais 11/11;
Comprimentos: da cabeça 20,lmm; do corpo 647mm;
cauda 442mm.
Dorso azulado com tom mais escuro da 4. a à 9. a fileira, cobrindo a cabeça,
ventrais no mesmo tom que a l. a e 2. a fileiras dorsais. Dorsais carenadas.
Hemipênis alcançando a 6. a subcaudal; espinhos basais presentes.
0 séries de espinhos à altura da 3. a subcaudal, que decrescem em
tamanho para trás; cálices na porção distai. Olho de diâmetro igual à sua
distância entre o seu bordo anterior e a narina; uma preocular não em con¬
tato com a frontal; loreal ausente; 2 postoculares, sendo a inferior muito
menor do que a superior; supralabiais (5. a e 6. a ); temporais 1 -)- 2; parietal
não em contato com postocular inferior; escamas carenadas de 6. a até a 10. a
fileira dorsal; nenhuma escama carenada à altura do ânus; postocular inferior
inteiramente ocupada por uma faixa que termina na última supralabial; na
parte anterior à órbita, a faixa é apenas esboçada na parte superior da l. a
até a 4. a supralabial (não há faixa vertebral clara).
Os caracteres cromáticos e hemipenianos do exemplar são os de copei,
porém, o número de ventrais, 166, é inferior ao mencionado para a espécie
e entra na variação conhecida para ortoni (152-158), média 161,54. Quanto
ao número de subcaudais é ligeiramente inferior ao número conhecido para
copei, porém, superior à variação conhecida para ortoni (144-151), média
de subcaudais para copei 16S nos machos; variação (176-179).
226
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
HOGE, A. R., SANTOS, N. P„ HEITOR, C., LOPES, L. A. e SOUZA, I. M. — Serpentes
coletadas pelo Projeto Rondon VII, em Iauareté, Brasil. Mem. Inst. Biítantan, 86 : 221-232, 1972.
Oxybelis fulgidus (Daudin)
1803 Coluber fulgidus Daudin, Hist. Nat. Rept., 6: 352, pr. 80
1853 O. [xybelis] fulgidus — Duméril, Mém. Acad. Sei. Paris, 23: 487.
Localidade tipo: Perto de Port-au-Prince, Santo Domingo (provavelmente
errado). Localidade tipo sugerida: Surinam, Guiana Holandesa (Schmidt,
1941). Localidade tipo restrita: Chichen-Itzá, Yucatán, México
Material: 2 exemplares.
Um exemplar; IBH n.° 32009 — jan/fev/71, fêmea; procedente de Iaua-
reté, AM, Brasil. Dorsais 20/17/13; ven-
trais 214; anal 1/1; subcaudais 150/150
(cm); supralabiais 10/10; infralabiais
11/11; comprimentos: da cabeça 46,8mm;
do corpo 1285mm; cauda 602 (cm).
Colorido do corpo uniformemente verde, ventre mais claro, com duas
estrias laterais brancas.
Um exemplar IBH n.° 31979 - jan/fev/71, macho; procedente de Santa
Maria, AM, Brasil. Dorsais 17/17/13;
ventrais 207; anal 1/1; subcaudais ....
160/160; supralabiais 10/10; infralabiais
10/10; comprimentos; da cabeça 19,8mm;
do corpo 335; cauda 162mm.
Colorido igual ao IBH n.° 32009.
Oxyrhopus petola digitalis (Reuss)
1834 Coluber digitalis Reuss, Mitglad. Senckenb Naturforscb. Ges., 1:148,
pr. 9, fig. 1.
1970 Oxyrhopus petola digitalis; Bailey in Peters & Orejas Miranda, Bul.
U.S.N. Mus. 297, Washington: 233.
Localidade tipo: Ilhéus, Brasil.
Material: Um exemplar macho; procedente de Iauareté, AM, Brasil.
IBH n.° 31969 — jan/fev/71; Dorsais 21/19/17; ventrais 208; anal 1;
subcaudais 118/118; supralabiais 8/8; infralabiais 10/10;
comprimentos; da cabeça 15,8mm; do corpo 439mm;
cauda 153mm.
Oxyrhopus occipitalis (Wagler)
1824 Natrix occipitalis Wagler, in Spix., Sp. Nov. Serp. Bras.: 21, pr. 6, fig. 2.
Bailey in Peters et Orejas Miranda: 232, considera labialis como sinôni¬
mo de formosus, admitindo no entanto, que este agrupamento é um com-
SciELO
227
HOGE, A. Ii., SANTOS, X. IV, IlEITOli, C. f LOPES, L. A. e SOUZA, I. M. — Serpentes
coletadas pelo Projeto Kondon VII, em Iauareté, Brasil. Meni. Inst. liutantan, : 221-232,197?
plexo de formas e que é necessário mais material para se chegar a uma con¬
clusão mais certa. A observação de Bailey, que os exemplares da Bacia Ama¬
zônica e Colômbia perdem as faixas pretas quando adultos, é procedente,
todavia, nenhum dos exemplares da região amazônica por nós examinados,
apresenta esboço de faixas transversais, nem os jovens, apresentando sempre
o aspecto do focinho claro [não a cabeça inteira como formosus, seguido
por uma região escura, alcançando a região nucal. Revalidamos aqui
Oxyrhopus occipitalis (Wagler)].
Oxyrhopus occipitalis Wagler, distingue-se de Oxyrhopus formosas Wied
por ter o corpo uniformemente avermelhado; as escamas com as pontas es¬
curas com tendência a formar uma orla preta; cabeça e nuca escura; ponta
do focinho clara aproximadamente até a altura da frontal.
Material: Dois exemplares, fêmeas, procedentes de Iauareté, AM, Brasil.
IBR n.° 31989 - jan/fev/71 - Dorsais 19/19/17; ventrais 197; anal 1;
subcaudais 72/72; supralabiais 8/8; infralabiais 9/9;
comprimentos: da cabeça 24,9mm; do corpo 810mm;
cauda 186mm.
IBII n.° 31989 — jan/fev/71 — Dorsais 19/19/17: ventrais 197; anal 1;
Subcaudais 75/75; supralabiais 8/8; infralabiais 10/9;
comprimentos: da cabeça 20mm; do corpo 647mm;
cauda 154mm.
Oxyrhopus trigeminus (Duméril, Bibron and Duméril)
grupo melanogenys
1854 Oxyrhopus trigeminus Duméril, Bibron and Duméril, Erp Gén., 7:1013
1913 Oxyrhopus trigeminus; Thompson, Proc. Acad. Nat. Sei. Phila., 79.
Localidade tipo: Bahia c Rio de Janeiro, Brasil; restrita para Distrito
Federal, atualmente Estado da Guanabara, por Vanzolini, Rev. Brasil. Biol.
8: 382, restrição rejeitada por Bailey (por razões a serem publicadas, pos¬
teriormente).
Material: Um exemplar fêmea, procedente de Iauareté, AM, Brasil.
IBII n.° 31970 — jan/fev/71 — Dorsais 21/19/17; ventrais 203; anal sim¬
ples; subcaudais 83/83; supralabiais 8/8; infralabiais
10/10; comprimentos: da cabeça 13mm; do corpo
367mm; cauda 96mm.
O exemplar difere bastante dos exemplares do resto do Brasil. A espécie
necessita de revisão pois há várias subspécies; aguardamos a revisão de Bailey.
Pseudoboa coronata Schneider
1801 Pseudoboa coronata Schneider, Hist. Amphib., 2: 886.
Localidade tipo: América.
228
cm
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HO GE, A. R., SANTOS, N. P., HEITOR, C., LOPES, L. A. e SOUZA, I. M. — Serp entes
coletadas paio Projeto Rondon VII, em Iauareté, Brasil. Mem. Inst. Butantan, 36 : 221-232,1972.
Material: Dois exemplares procedentes de Iauareté, AM, Brasil.
IBH n.° 31981 — jan/fev./71; macho; dorsais 17/17/17; ventrais 199;
anal 1; subcaudais 85; supraláabiais 7/7; infralabiais 8/8
comprimentos; da cabeça 22,7mm; do corpo 730mm;
cauda 234mm.
IBH n.° 31993 — jan/fev/71; fêmea; dorsais 17/17/17; ventrais 195;
anal 1; subcaudais 83 (cm); supralabiais 7/7; infrala¬
biais 8/8; comprimentos: da cabeça 25,5mm; do corpo
770mm; cauda 253mm (cm).
Colorido do corpo dos exemplares: dorso salmão com faixa longitudinal
preta, que se inicia na nuca e vai da 4. a fileira até a 15. a , tornando-se menos
larga à medida que se aproxima da cauda. Cabeça com a parte anterior
do focinho escura até a frontal. Ventre imaculado.
Spilotes pullatus pullatus (Linnaeus)
1758 Coluber pullatus Linnaeus, Syst. Nat., Ed. 10. a :225.
1830 Spilotes pullat. [t/s]; Wagler, Nat. Syst. Amph.: 179.
1929 Spilotes pullatus pullatus; Amaral, Mem. Inst. Butantan, 4: 277, fig. 1.
1962 Spilotes pullatus pullatus Hoge e A.C.M. Nina, Mem. Inst. Bu¬
tantan, 30: 77.
Localidade tipo: ASIA (in error).
Material: Um exemplar fêmea, procedente de Iauareté, AM, Brasil.
IBII n.° 31965 — jan/fev/71; dorsais 14/16/11; ventrais 231; anal 1; sub
caudais 109/109; supralabiais 6/6; infralabiais 8/8; com¬
primentos: da cabeça 20,9mm; do corpo 440mm; cauda
128mm.
O exemplar, mostra dorso preto, com faixas amarelas dirigidas obliqua¬
mente para a frente do corpo, em direção ao ventre, formando anéis largos
posteriormente, até o fim da cauda. Ventre amarelado, com manchas trans¬
versais negras. Cabeça amarela com manchas negras.
Xencdon severus (Linnaeus)
1758 Coluber severus Linnaeus, Syst. Nat., Ed. 10 a : 219.
1826 X. [enodon] severus; Fitzinger, Neue Classification der Reptillien: 57.
Localidade tipo: “ÁSIA”, restrito à América do Sul (Günther, 1863:353).
Material: 5 exemplares procedentes de Iauareté, AM, Brasil.
Ventre amarelado. Dorso acinzentado escuro com a maioria das esca¬
mas orladas de preto e grandes manchas escuras através do corpo, mais
acentuadas na região próxima a cabeça; cabeça acinzentada.
229
16 - MEMÓRIAS
cm
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0 11 12 13 14 15 16
HOGE, A. R., SANTOS, N. P., HEITOR, C., Lopes, L. A. e SOUZA, I. M. — Serpentes
coletadas pelo Projeto Rondon VII, em Iauareté, Brasil. Mem. Inst. Butantan, 36 : 221-232, 1972.
Bothrops atrox (Linnaeus)
1758 Coluber atrox Linnaeus, Sys. Nat., Ed. 10. a : 222.
1966 Bothrops atrox; Hoge. Mem. Inst. Butantan, 32:113; pr. V; figs. 1, la,
e lb.
Localidade tipo: ÁSIA (in error,) corrigido e restrito [Hoge, 1966 (1965)],
para Surinam.
Material: 4 exemplares.
Bothrops brazili Hoge
1653 Bothrops brazili Hoge, Mem. Inst. Butantan, 25: 15, figs. 1-6 e 7b.
Localidade tipo: Tomé Assú, Bio Acará-Mirim, Estado do Pará, Brasil.
Material: Um exemplar, fêmea, procedente de Javareté, Colômbia.
IBH n.° 31972 — jan/fev/71; dorsais 28/25/19; ventrais 157 (+1); anal
1; subcaudais 43/43; supralabiais 8/8; infralabiais 12/11;
comprimentos: da cabeça 41,6mm; do corpo 660mm;
cauda S4mm.
Colorido e desenho do exemplar de cor de fundo castanho-acinzentado;
manchas laterais trapezoidais, escuras marginadas lateralmente de marrom
escuro, algumas confluentes com as do lado oposto; ventre branco com man¬
chas arredondadas escuras, na parte lateral das ventrais e para ventrais. Faixa
postocular ausente.
Micrurus filiformis subtilis Reze
1967 Micrurus filiformis subtilis Roze, Amer. Mus. Novitates, 2287: 22, fig. 8.
Localidade tipo: Caruru, Bio Uaupés, fronteira Brasil-Colòmbia.
Material: Um exemplar, macho, procedente de Iauareté, AM., Brasil.
IBH n.° 32005 — Jan/fev/71; dorsais 15/15/15, ventrais 271; anal 1/1;
subcaudais 35/35; supralabiais 7/7; infralabiais 7/7;
comprimentos: da cabeça lO.lmm; do corpo 502mm;
cauda 3Smm; tríadas no corpo: 16; na cauda 12/3.
O exemplar apresenta focinho preto, uma faixa branca cobrindo as pre-
frontais e estendendo-se da 2 a até parte da 4 a e 5 a supralabiais; uma faixa
preta cobrindo a frontal, parte anterior das parietais e a temporal anterior
alongando-se até a 4. a e 5. a supralabiais. Parte anterior da cabeça vermelha,
ocupando 21/2 escamas da fileira dorsal.
16 tríadas no corpo e 1 2/3 na cauda; a tríada preta central mostra-se
mais larga que as externas. O comprimento da tríada no meio do corpo e
da vermelha adjacente é 3 - 1— 4 — 1 — 3 — 6 1/2. As bandas vermelhas
têm os ápices angulados de preto.
Trata-se do primeiro exemplar coletado em território brasileiro.
Micruruf. spixii obscurus (Jan)
1872 Elaps corallinus var. obscura Jan, in Jan and Sordelli, Icon. Gén.
Ophid. Livr. 41: pr. 6, fig. 3.
231
SciELO
IIOGE, A. n. f SANTOS, N. P., HEITOR, C., LOPES, L. A. e SOUZA, I. M. — Serpentes
coletadas pelo Projeto Rondon VII, em Iauareté, .Brasil. Mem. Inst. Butantan, 36 : 221-232, 1972.
1943 Mierurus spixii obscura; Schmidt and Walker; Zocl. Ser. Field. Mus.
Nat. Hist, 24: 294.
1933 Mierurus spixii óbscurus; Schmidt, Fieldiana Zool., 34:175.
Localidade tipo: Lima, corrigida (Schmidt et Walker 1943), para Peru
Oriental e posteriormente designada (Schmidt l.c.) para Icpiitos.
Material: Um exemplar, fêmea; procedente de Dom Bosco, AM, Brasil.
IBII n.° 32004 — jan/fev/71; dorsais 15/15/15; ventrais 207; anal 1/1;
subcaudais 3/3; 7, 9/9; supralabiais 7/7; infralabiais
7/7; comprimentos; da cabeça 25,8mm; do corpo 905mm;
cauda 50mm.
O exemplar mostra colorido vermelho na cabeça, onde as placas são angu¬
ladas e manchadas de preto. Primeiras escamas dorsais laterais amarelas. 16
anéis pretos sempre mais estreitos que os interespaços, que se sucedem ama¬
relos e vermelhos; primeiro anel preto com uma prolongação angular chegando
à nuca. As faixas vermelhas e amarelas anguladas de preto.
Trata-se do primeiro espécime coletado no Brasil.
Mierurus surinamensis naítereri Schmidt
1952 Mierurus surinamensis naítereri Schmidt, Fieldiana, Zool., 34: 27.
1962 Mierurus surinamensis nattereri; Hoge et Lancini, Publ. Ocas.
Mus. Ciên. Nat. (Zool.). Caracas, Venezuela, 1: 12.
Localidade tipo: Guaramoco e San Fernando, Venezuela, corrigida por
Hoge et Lancini (l.c.), para, entre: Guaramaco e San Fernando de Atabapo,
Venezuela.
Material: Um exemplar, macho; procedente de Dom Bosco, AM, Brasil.
IBH n.° 32006 — jan/fev/71; dorsais 15/15/15; ventrais ISO; anal 1/1;
subcaudais 39/39; supralabiais 7/7; infralabiais 7/7;
comprimentos: da cabeça 10,4mm; do corpo 2l5mm;
cauda 27mm.
Exemplar com a cabeça vermelha, escamas escassamente marginadas de
preto. 6 2/3, tríadas no corpo e 1 1/3 na cauda. Anel preto central da tíada
maior epie os anéis externos. O comprimento da tríada no meio do corpo e
interespaço adjacente vermelho é 3 1/2 — 11/2 — 71/2 — 11/2 — 7 1/2.
abstract — Spccimcns colected at
Iauareté are identified. Twenty species
are recorded from wich three, Chironius
holochlorus (Cope), Mierurus filiformis
subtilis Roze, and Mierurus spixii obs-
curus (Jan), are new for Brazil.
Oxyrhpns occipitalis (Wagler) is reva-
lided.
UNITERMS —- Snakes colected at
Iauareté, Amazonas, Brazil.
Identification of species.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao Projeto Rondon pelas facilidades oferecidas.
Recebido para publicação em 30/6/72
Aceito para publicação cm outubro/72
232 '
cm
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.0 11 12 13 14 15 16
>Iem. Inst. Butantan
36: 233-241, 1972.
REDESCRIÇÃO DE Dryptopelmides STRAND 1907 ( ARANAE, ORTHOG-
NATHA, THERAPHOSÍDAE, ISCHNGCOLINAE ) E DESCRIÇÃO DE
Dryptopelmides rondoni sp. n.
SYLVIA LUCAS (♦) e WOLFGANG BÜCHERL (* **)
(Secção de Artrcpodos Peçonhentos, Instituto Butantan)
RESUMO —• Strand em 1907 descre¬
veu Dryptopelmides e D. ludwigi, g. n.,
sp. n.. Não pôde dar uma descrição de¬
talhada, pois o único exemplar, uma
fêmea, estava em mau estado de con¬
servação. Também não considerou o
aspecto dos receptáculos seminais.
Dispondo de um macho e de uma
fêmea de Iauaretê, Amazonas, perten¬
centes a esse gênero, damos uma des¬
crição mais completa do mesmo e esta¬
belecemos uma espécie nova, Dryptopel¬
mides rondoni, que se distingue de
ludwigi pelo colorido, pela dentição das
quelíceras, pelo comprimento dos artí¬
culos das fiandeiras superiores e péla
espinulação das pernas.
UNITERMOS —• Redeserição de
Dryptopelmides: D. rondoni —; Sistemá¬
tica.
INTRODUÇÃO
Strand em 1907 descreveu Dryptopelmides ludwigi g. n., sp. n., baseado
numa fêmea de Puerto Cabelo, Venezuela. O mau estado de conservação do
exemplar, com lábio e coxas I parcialmente danificados, não lhe permitiu dar
uma diagnose detalhada do gênero e o autor também não mencionou os re¬
ceptáculos seminais, caracter de tão grande valor na sistemática.
Recebemos um macho e uma fêmea da localidade de Iauaretê, Amazonas,
Brasil, que nos permitiram fazer uma redeserição do gênero Dryptopelmides,
com desenhos do bulbo copulador e da apófise tibial do macho e dos recep¬
táculos seminais da fêmea, além da observação de outros caracteres importantes.
Estabelecemos a espécie nova Dryptopelmides rondoni nome dado em
homenagem à IX Operação Rondou. • ■
REDESCRIÇÃO DO GÊNERO
Ãrea ocular paralela; cômoro ocular baixo, principalniente na fêmea; face
externa do trocanter dos palpos com pelos curtos, plumosos e algumas cerdas;
coxa I, acima da sutura, com pelos longos, deitados, dirigidos para a frente e
* Chefo da Secção de Artrópodos Peçonhentos, Instituto Butantan.
** Bolsista do CONSELHO NACIONAL DE PESQUISAS, Rio de Janeiro.
Endereço para correspondência:
C.P. 05, São Paulo, Brasil
233
cm
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LUCAS, S. e BÜCHERL, W. — Redescriçlío de Vryptopelmides STRAND 1907 (ARANATC,
ORTIIOCNATHA, TEIERAPHOSIDAE, 1SCHNOCOL1NAE) e descrição de Dryptopehnides
rondoni sp. n.. Mem. Inst. Butantan, ,f6: 233-240, 1972.
com algumas cerdas rígidas; abaixo da sutura quase glabra e com algumas setas
curtas e rígidas; escópulas tarsais divididas: no macho, na perna I a divisão
é pouco nítida, já na fêmea é mais visível; todos metatarsos com escópula
dividida; lábio e ancas com numerosas cúspides; tíbia I do macho com apófise
dupla, desigual, flexionandc-se o metatarso do lado externo da apófise ventral;
bulbo com êmbolo longo, fino, quase reto; receptáculos seminais da fêmea
com aspecto de dois tubos com pequena ramificação lateral.
Êste gênero difere, segundo Strand, de Stichoplaslus Simon, 1889 porque
os olhos medianos anteriores são menores do que os laterais anteriores; as
escópulas tarsais das pernas posteriores não são divididas por uma linha es¬
treita de cerdas, mas esta ocupa um terço da largura do segmento e de suas
escópulas laterais no ápice; a fóvea torácica é recurva. Difere de Chaetopclma
Ausserer, 1871 porque o cefalotórax é pouco elevado, a fila de olhos ante¬
riores é procurva; os olhos médios posteriores são nitidamente menores do que
os anteriores; os metatarsos possuem mais de um espinho basal. Difere de
Dryptopehna Simon, 1889 porque o cômoro ocular é baixo; os metatarsos
posteriores são escopulados apicalmente e os anteriores possuem escópulas
até a base.
Dnjptopelmides rondoni n. sp.
Holótipo macho e parátipo fêmea, frasco N.° 4090 da coleção de ORTHO-
NATHA da Secção de Artrópodos Peçonhentos do Instituto Butantan.
Procedência: Iauaretê, Amazonas, Brasil.
Gol. A. R. Hoge, F. Saliba, N. P. Santos, Janeiro 1971.
Medidas:
Comprimento total: 30,0mm Comprimento do celalotórax 14,mm
Largura do cefalotórax: ll,0mm Comprimento do lábio: l,lmm
Largura do lábio l,0mm Comprimento do esterno: 4,5mm
Largura do esterno 4,3mm Comprimento do abdómen ll,0mm
Fiandeiras superiores: artículo basal l,6mm; médio l,4mm e apical l,9mm
Cômoro ocular: comprimento l,5mm e largura 2,lmm
Bulbo: comprimento l,2mm; largura na região mediana l,lmm
Comprimento
das pernas:
fêmur
patela
tíbia
metatarso
tarso
Total
I 12,5
6,0
11,0
9,0
5,8
44,3
II 10,0
5,5
9,0
10,0
5,5
40,0
III 9,0
4,5
8,0
12,5
5,5
39,0
IV 13,0
5,0
11,5
17,5
7,5
54,5
234
cm
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LUCAS, S. e BÜCHERL, W. — Redescrição cie Dryptopehniáes STRAND 1907 (ARANAL*,
ORTHOGNATHA, THERAPHOSIDAE, ISCHNOCOLINAE) e descrição de Dryptopelmides
rondoni sp. n.. Mem. Inst. Butantan, 36: 233-240, 1972.
Quetotaxia:
Fêmures: I e II com 3 a 4 clorso lat. ant.; III e IV com 7 a 11.
Patelas: I e II sem espinhos; 111 e IV com 1 lat. ant. Tíbias: I com 2 ven-
trais apicais, 2 álat. ant. e 2 a 3 dorso lat. post.; III e IV com cerca de 12.
Metatarsos: I e II com 1 sub apical ventral e 3 ventrais lat. ant.; III e IV com
cerca de 18 distribuídos irregularmente.
Cefalotórax, quelíceras e pernas com pelos cor de ferrugem, curtos e
alguns mais longos e mais claros. Dorso do abdómen com abundantes pelos
longos, avermelhados. Fóvea torácica curta, levemente recurva. Cômoro ocular
baixo. Olhos em duas filas paralelas, a anterior procurva ,isto é, uma reta
tangente à borda anterior dos MA corta os LA no têrço anterior. MA redondos,
pouco menores que os LA, que são ovais. Separados entre si menos de um raio
e ainda menos dos LA. MP os menores de formato ligeiramente triangular,
quase contíguos aos LP e estes também muito próximos dos LA. Lábio e ancas
dos palpos com numerosas cúspides, pequenas. Siglas posteriores ovais e se¬
paradas da margem um diâmetro transversal. Sulco ungueal com 14 a 15 dentes,
os distais maiores e junto aos proximais uma porção de dentículos. Face externa
do trocanter dos palpos com pelos plumosos, abundantes, deitados, dirigidos
para a frente e algumas cerdas negras. Abaixo da sutura a área é quase gla-
bra, apresentando apenas algumas setas curtas e rígidas.
Tarsos com duas garras pectinadas em série única, com 6 a 7 pequenos
dentes, decrescentes do ápice à base. Tufos subungueais presentes e escópulas
tarsais divididas. Na perna I a divisão é pouco nítida, sem cerdas, na perna II
já é mais nítida, havendo uma estreita linha divisória de cerdas que se abre
sob forma de um pequeno losango sob os tufos. Nas pernas III e IV a divisão
é formada por uma faixa de cerdas que vai alargando em direção ao ápice
onde ocupa um têrço da largura do segmento. Todos metatarsos são esco-
puladcs. Em I e II as escópulas atingem quase a base do segmento e apre¬
sentam linha divisória de cerdas, em III atingem um terço e em IV um quinto
apical. O bulbo copulador apresenta forma de pera com êmbolo longo, fino
e quase reto. Tibia I com duas apófises situadas na face ventral anterior. O ramo
mais ventral é o maior e apresenta, dorsalmente, um espinho forte; o ramo
menor também apresenta um espinho lateral que acompanha a curvatura da
apófise.
Esta espécie distingue-se de D. luãwigi Strand 1907, pelo colorido, pelas
sigilas, pela espinulação, pela relação de comprimento entre os tres artículos
das fiandeiras superiores e pela dentição das quelíceras.
Fêmea:
Medidas:
Comprimento total: 34,0mm Comprimento do cefalotorax: 14,0mm
Largura do cefalotorax: ll,0mm Comprimento do lábio: 2,4mm
Comprimento do esterno 4,8mm Comprimento do abdómen: 14,5mm
Fiandeiras superiores: artículo basal: l,8mm; médio; l,4mm e apical:
2,3mm
235
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
LUCAS, S. e BÜCHERL, W. — Redescrição de Dryptopelmides STRAND 1907 (ARANAT7.
ORTUOGNATHA, THERAPHOSIDAE, ISCHNOCOLINAE) e descrição de Dryptopelmides
rondoni sp. n.. Mem. Inst. Butantan, 36: 233-240, 1972.
Cômoro ocular: comprimento l,6mm largura: 2,2mm
Receptáculos seminais: 0,7mm
Comprimento das pernas:
fêmur
patela
tíbia
metatarso
tarso
total
I
11,2
6,3
8,7
7,5
5,5
39,2
II
10,0
5,5
7,5
7,5
5,3
35,8
III
9,0
4,5
7,0
9,0
5,0
34,5
IV
12,5
5,0
11,0
14,0
6,0
48,5
Difere do macho pelo colorido do dorso do abdómen que apresenta pelos
escuros, curtos e entremeados por longos de cor amarelada. O cômoro ocular
é muito baixo, quase não se destacando do cefalotórax.
A linha de olhos anteriores é mais procurva, sendo que uma reta tangente
à borda anterior dos MA corta os LA no meio. A divisão das escópulas na
perna I já apresenta eerdas e é mais nítida do que no macho. O metatarso III
possue escópula na metade apical e o metatarso IV no quarto apical. O tarso
do palpo também apresenta uma escópula dividida por linha de eerdas. Os
receptáculos seminais tem a forma de dois pequenos tubos curvos, apresentando
cada um, uma pequena ramificação lateral.
DISCUSSÃO
A existência de espécies sul-americanas pertencentes ao gênero Chaeto-
pelma Ausserer, 1871, foi posta em dúvida por Simon apesar de ter sido descrita
C. longipes L. Koelr in Ausserer, 1875, baseado num macho de Puerto Ca-
bello, Venezuela. Simon em sua viagem por aquele país não reencontrou esta
espécie e em 1903 tirou o gênero da América, sem estabelecer porém, um
lugar para longipes.
Comparando-se as descrições de C. longipes e D. ludwigi verificam-se
grandes semelhanças, coincidindo ainda o local de captura. A principal dife¬
rença, segundo as duas descrições, sumárias, reside na divisão das escópulas,
nas pernas anteriores. Realmente este caracter apresenta-se de diferente ma¬
neira em macho e fêmea, como pudemos verificar nos exemplares de Iauaretê.
Portanto, cremos que D. ludwigi Strand, 1907 é sinônimo de C. longipes
L. Koch in Ausserer 1875, devendo prevalecer o nome Dryptopelmides lon-
gipes.
SUMMARY — Strand in 1907 could
only describe incompletcly his genus
Druptopelmides, for the type specimen,
a female, vvas very damaged. Also he
did not mention the aspect of the spor-
mathacae.
Based on a male and a female from
Iauarete, Amazonas, Brazil, we redes-
cribe this genus and establish a new
species Dryptopelmides rondoni which
differs from D. ludwigi by the colour,
the dentition of the chelicera, the lenght
of the segments of the upper spinnerets
and the spine formulae.
UNITERMS —• Redescription of Dryp¬
topelmides — D. rondoni — Sistematic
236
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
LUCAS, S. e BÜCHERL, W. — Redescrição de Dryptopelmides STRAND 1907 (ARANA7I7,
ORTHOGNATHA, THERAPHOSIDAE, ISCHNOCOLINAE) e descrição de Dryptopelmides
rondoni sp. n.. Mem. Inst. Butantan, 36: 233-240, 1972.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao Dr. M. Grasshoff do Forschungsinstitut Senckenberg,
Frankfurt o envio de biografia, bem como à Sra. Delma V. Travassos pela
confecção dos desenhos.
Relação cias figuras:
1. Bulbo copulador do macho
2. Bulbo copulador do macho
3. Apófises tibiais do macho
4. Receptáculos seminais da fêmea
BIBLIOGRAFIA
AUSSERER, A. —. Beitrãge zur Kenntniss der Arachniden Familie der Territelariae
Thorell (Mygalidae Autor). Verh. zool. bot. Ges. Wien, 21: 190, 1871.
AUSSERER, A. — Zweiter Beitrag zur Kenntniss der Arachniden Familie der Terri¬
telariae Thorell (Mygalidae Autor). Verh . zool. bot. Ges. Wien, 25: 136-137, 174-
-175, Pr. VI, Figs. 20, 21, 1875.
SIMON, E. — Histoire Naturelle des Araignées, Tome 1, Fascicule 1, Paris, 1892:
138-140.
SIMON, E. — Histoire Naturelle des Araignées, Tome 2, Fascicule 4, Paris, 1903: 921,
930.
STRAND, E. — Aviculariidae und Atypidae des kgl. Naturalienkabinetts in Stuttgart.
Jahresh. Verh. Naturk. Wiirt., 63: 18-21, 1907.
Recebido para publicação em 30 de junho de 1972
Aceito para publicação em 4 de set. de 1972
237
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
IAJCAS, S. e BÜCHERB, W. — Redescrição de Dryptopehnitles STRAND 1907 (ARANAE*,
ORTHOGNATHA, THERAPI IOSIDAE, ISCHNOCOLINAE) e descrição de Dryptopelmiies
roncloni sp. n.. Mem. I?ist. Butantan, 36 : 233-240, 1972.
LUCAS, S. e BÜCHERD, W. — Redescrição de Dryptopelmides STRAND 1907 (ARANAK
ORTHOGNATHA, THERAPHOSIDAE, ISCHNOCOLINAE) e descrição de Dryptopelmides
rondoni sp. n.. Mem. Inst. Butantan, 36: 233-240, 1972.
1 mm
Fig. 4 — Receptáculos seminais da fêmea.
239
cm
2 3 4 5 6 SClELO o 2.1 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Butantan
30: 241-245, 1972.
ESPORULACÃO NO CULEX DOLOSUS (L. ARR1BÁLZAGA, 1891), DO
HEPATOZOON ROULEl (PHISALIX & LAVERAN, 1913), PARASITA
DA BOTHROPS ALTERNATUS (D. & B., 1854), TRANSFUNDIDO COM
O SANGUE NA BOTHROPS MOOJENI HOGE, 1965. °
SAMUEL B. PESSOA, PÉRSIO DE BIASI** e DULCE M. DE SOUZA***
(Laboratório da Seção de Venenos, do Instituto Butantan e Seção de Vírus Transmi¬
tidos por Artrópodos, do Instituto Adolfo Lutz)
RESUMO — Como os AA. não con¬
seguissem fazer os mosquitos que dis¬
punham ( Culex fatigans, C. dolosus e
Aedes fluviatilis), picar a Bothrops al-
ternatus — “urutu” parasitada pelo
Hepatozoon roulei, fizeram uma trans¬
fusão de sangue desta espécie para filho¬
tes de Bothrops moojeni, nos quais os
parasitas ficam circulando por muitos
dias. Os mosquitos picaram bem os dois
filhotes de B. moojeni e no organismo
deles se desenvolveram os cistos do H.
roulei, parasita da B. alternatus. Comen¬
tam os AA. a praticabilidade deste mé¬
todo para o melhor conhecimento da
evolução de hematozoários de outras
espécies e mesmo de outros gêneros, que
parasitam os animais de sangue frio.
UNITERMOS : Esporulação do He¬
patozoon roulei; * Esporulação de he-
moparasita do Bothrops alternatus;
* transfusão de sangue com hepatozoon;
Esporulação no Culex dolosus.
INTRODUÇÃO
Para experiencias sobre transmissão das espécies do gênero Hepatozoon,
parasitas de serpentes terrestres, temos empregado mosquitos criados em la¬
boratório, graças à gentileza do Dr. Oscar Souza Lopes, Chefe da Seção de
Vírus Transmitidos por Atrópodos, do Instituto Adolfo Lutz. Nessa Seção são
criadas duas espécies de Culex: o C. fatigans e o C. dolosus, e uma espécie
do gênero Aedes: o A. fluviatilis.
Temos utilizado em nossos trabalhos, principalmente, mosquitos das duas
espécies de Ciáex. Em geral, eles picam facilmente as serpentes terrestres, re¬
cusando-se a picar as serpentes aquáticas. Em relação às terrestres, parecem
sugar melhor certas espécies do que outras. Assim, por exemplo, as arborícolas
do gênero Corallus são mais facilmente picadas do que as terrestres propria¬
mente ditas, como a Bothrops moojeni — “caiçaca” e a Bothrops jararaca — “jara¬
raca”. Destes mosquitos, poucos foram os exemplares que em nossos ensaios
picaram a “cascavel”: Crotalus durissus terríficas e C. d. collilineatus e re¬
cusaram-se sempre a picar a Bothrops alternatus — “urutu”. Nas várias tenta¬
tivas feitas por nós, com as duas espécies de Culex citadas anteriormente e
com o A. fluviatilis, todos os mosquitos morreram sem se engurgitar, na gaiola
em que foram colocados juntos com a “urutu”.
* Com auxílio cio Fundo de Pesquisas do Instituto Butantan.
Do Instituto Butantan.
*** Do Instituto Adolfo Lutz.
Kndereço para correspondência:
C.P. G5, São Paulo, Brasil
241
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
cm
PESSOA, S. B., DE BÍASI, P. e SOUSA, D. M. — Esporulaçfio do Culex dolosns (L. Arri-
bálzaga, 1891) do Hepatozoon roulei (Fhisalix & Laveran, 1913) parasita da Bothrops
alternatus (D. & B., 1854) transfundido com o asngne na Bothrops moojeni Iloge, 19G5.
Mem. Inst. Butantan, 36: 241-244, 1972.
Para conseguirmos em mosquitos a evolução do H. roulei, parasita da
“urutu” (fig. 1), usamos do seguinte artifício: fizemos uma transfusão do
sangue de uma “urutu” parasitada por aquela espécie de hepatozoon, em duas
“caiçacas” recém-nascidas que se mostraram negativas aos exames de sangue.
Como foi por nós verificado e que será relatado em outro trabalho, estes
esporozoários circulam durante alguns dias ,aparentemente sem se alterarem,
no sangue da cobra receptora, dentro dos eritrócitos da cobra doadora, fato
este observado por Phisalix h Como os mosquitos Culex das duas espécies
com que trabalhamos picam facilmente a B. moojeni — “caiçaca”, consegui¬
mos desta forma a esporogonia do II. roulei no C. dolosus.
MATERIAL E MÉTODOS
A serpente doadora foi uma fí. alteratus — “urutu”, recebeu o nosso
número de registro H-131, e estava fortemente infectada pelo II. roulei.
Usamos como receptoras duas cobrinhas da espécie B. moojeni “caiçaca”,
que se mostraram negativas a repetidos exames de sangue, sendo registradas
em nossa série F-10S e F-110.
Cerca de 1,5 cc. de sangue da cobra doadora (sangue com II. roulei )
foi diluído em 2,5 cc. de solução isotônica de citrato de sódio e injetados 2 cc.
em cada uma das cobrinhas, às 16 horas de 10/02/72. Após meia hora, exa¬
minamos uma gota de sangue destas receptoras e constatamos a existência de
numerosos eritrócitos parasitados no sangue periférico de ambas as cobrinhas
(fig. 2). Foram elas às 18 horas introduzidas em uma gaiola contendo cerca
de trinta C. dolosus, fêmeas. Aí permaneceram até o dia seguinte, quando
verificamos que os mosquitos tinham sugado as cobrinhas. Foram cias re¬
tiradas da gaiola e os mosquitos permaneceram em temperatura entre 25° a
29° C, sendo dissecados no 8.°, 11.° e 14.° dias após haverem picado as co¬
brinhas, para pesquisa das formas evolutivas do hepatozoon.
RESULTADOS OBTIDOS
Os mosquitos dissecados oito dias após a picada revelaram a existência
de cistos jovens do H. roulei (fig. 3), na cavidade geral ao redor do estômago
do C. dolosus. Onze e quatorze dias após a picada, já se encontravam cistos
maduros, isto é, com esporozoitas no interior dos esporocistos (fig. 4). Os
cistos (fig. 5) apresentavam-se com os mesmos caracteres daqueles encontra¬
dos em outras espécies de serpentes, cujos ciclos esporogônicos foram por nós
anteriormente realizados (3,4,5).
COMENTÁRIOS
Pensamos que a experiência que acabamos de relatar tem interesse não
somente sob o ponto de vista parasitológico, como na biologia geral. Realmente,
242
cm
SciELO
.0 11 12 13 14 15 16
PESSOA, S. B., DE BÍASÍ, P. e SOUSA, D M. — Esporulaçâo do Culex dolosas (L. Arri-
bâlzaga, 1891) do Hepatozoon roulei (Phisalix & Laveran, 1913) parasita da Bothrops
alternatus (D. & B., 1854) transfundido com o asngue na Bothrops moojeni Hoge, 1965.
Mem. Inst. Butantan, 36: 241-244, 1972.
tínhamos dificuldades em realizar o ciclo evolutivo do H. roulei , parasita
da B. alternatus — “urutu”, no C. clolosus e C. fatigans, pois estes mosquitos
sc recusavam a picar aquela serpente. Porém, picam eles com certa facilidade
o B. moojeni daí a idéia de transfundir o sangue daquela espécie para esta,
possibilitando a transferência dos parasitas. Os mosquitos ao picarem as ser¬
pentes receptoras, infectaram-se e assim pudemos conhecer as formas sexuadaj
do H. roulei, da B. alternatus. Este processo porém, só pode ser empregado
no caso do hepatozoon, pois outros hemoparasitas de serpentes, quando trans¬
fundidos com o sangue, são destruídos rapidamente, como se dá com os tripa-
nosomas. Quanto aos plasmódios, se se tratar de receptor da mesma espécie ou
de espécie afim, pode haver transmissão do parasita e nunca a sua trans¬
ferencia, como no caso do hepatozoon.
Sob o ponto de vista geral, podemos levantar a hipótese de este processo
ser utilizado para o melhor conhecimento da evolução de hematozoários de
outros gêneros.
SUMMARY — In their experiments,
lhe authors did not achieve any biting
by the mosquitoes ( Culex fatigans, C.
clolosus anel Aedes fluviatilis), available
at their laboratory, of the snake Both-
iops alternatus —• “urutu”, infected by
Hepatozoon roulei. Therefore, they
transfused blood from the infected spc-
cies (B. alternatus) into two young B.
moojeni. This species is well bitten, and
the parasite (ff. roulei) consequently
developed cysts in the organisms of the
mosquitoes.
In the present paper \ve suggest the
practicability of this method for better
knowledge of the evolution of other spe¬
cies and genera of hemoparasites from
cold-blooded vertebrates.
VNITERMS — Sporulation of Hepa¬
tozoon roulei; * Hcmoparasite sporula¬
tion of the Bothrops alternatus; *
Transfusion of blood containing hepa¬
tozoon; Sporulation in Culex clolosus;
BIBLIOGRAFIA
-t- BHISALIX, Mme. Essai d infection sur la Vipére asper et les couleuvres Tro -
pidonotus avec Haemogregarina roulei. C. R. Soc. Biol. pp. 110-111, 1913.
2. PHISALIX, Mme. LAVERAN, A. — Sur une Hémogrégarine nouvelle de Lachesis
alternatus. Buli. Soc. Path. exot. G: 330 — 333, 1913.
ü- PESSÔA, S. B-, SACCHETA, L. e CAVALHEIRO, J. —■ Xotas sôbre hemogre-
garinas de serpentes brasileiras. X — Hemogregarinas da Hyclroclynastes gigas
(Duméril et Bribon) e sua evolução. Rev. lat-amer. Microbiologia 12- 197-200
1970.
4. PESSÔA, S. B., CAVALHEIRO, J. e SOUSA, D. M. — Notas sôbre hemogregarinas
de serpentes brasileiras. XIII Evolução esporogônica da hemogregarina da
Thamnodynastes strigatus (Colubridae). Arq. Inst. Biológico 37 (3)27: 213 — 217,
1970.
5. PESSÔA, S. B„ BELLUOMINI, H. E., BIASI, P. e SOUZA, D. M. Notas sôbre
Hemogregarinas de serpentes brasileiras. XIV — Esporogonia da Haemogrega¬
rina da Bothrops moojeni Hoge, 1965, no Culex (Culex) dolosus tL. Arribálzaga),
1891. Arq. Inst. Biol., S. Paulo 3.8 (4): 253-258, 1971.
Recebido para publicação em 30 de junho de 1972
Aceito para publicação em 16 de outubro de 1972
243
cm
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0 11 12 13 14 15 16
Sangue de Ti. Memalus, parasitado por II. ro-ulei que foi transfundido na n mooimt
(aumonto 2.0U0
Sangue de li. moojeni, depois de transfundido com. o sangue de li. alternaius
Aolar que os rritrdcltos parasitados são de II. riUcrnatim (aumento 1 700 x)'
Cistos Jovens de II. roulei na cavidade geral do C. dolotua au redor do seu
estômago (objetiva sêca, aumento 200 x).
Ksporocisto eom esporozolta de II. roulci na cavidade geral do C. dolosus que
picou o 7>. moojeni (contraste de fase, aumento 1.700 x).
Iclem (contraste ile fase, aumento 2 .O 00 x).
244
cm
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Mem. Inst. Butantan
86: 245-249, 1972.
NOVAS OBSERVAÇÕES SÔBRE TRANSMISSÃO CONGÊNITA DE
HEMATOZOÁRIOS DE SERPENTES PEÇONHENTAS VIVÍPARASA
FERSIO DE BIASI**, SAMUEL B. PESSOA e HÉLIO E. BELLUOMINI*
(Laboratórios da Seção de Venenos do Instituto Butantan)
RESUMO — Os autores relatam novas
observações sobre serpentes peçonhen¬
tas vivíparas, prenhes, com os seguintes
hematozoários: hepatozoon, tripanosoma
e plasmódio. Elaboram a hipótese de
que os gametóeitos dos hepatozoons,
recém formados ou jovens, produzidos
na serpente materna, levados pela cor¬
rente sanguínea à circulação uterina,
indo ter à circulação dos embriões, onde
atravessam as membranas embrionárias,
por mecanismo ainda não elucidado pe¬
netram nos seus eritrócitos, mas, como
os autores verificaram, somente ocorre
nos últimos estágios da prenhez (está¬
gios 30 a 37 da escala de Zehr). Não
encontraram nos casos observados a
transmissão congênita do tripanosoma e
nem do plasmódio.
UNITERMOS — Transmissão congê¬
nita de hematozoários; transmissão
congênita em serpentes; hepatozoon,
tripanosoma e plasmódio.
INTRODUÇÃO
Em nota anterior (1971), os autores (De Biasi e cols. 1 ), mostraram que
a transmissão congênita de hemogregarinas do gênero Hepatozoon, parasita
de serpentes peçonhentas vivíparas, verifica-se regularmente e quanto mais
forte o parasitismo materno, maior será o número de filhotes que nascem
parasitados e mais numerosos os parasitas no sangue destes filhotes.
Nesta nota, trazemos novas observações sobre a transmissão congênita
de hepatozoons e a ausência desta transmissão no que se refere aos tripano-
somas e plasmódio, naquelas serpentes.
MATERIAL E MÉTODOS
As serpentes prenhes que chegaram ao Laboratório da Seção de Ve¬
nenos, do Instituto Butantan, foram examinadas para a determinação do pa¬
rasitismo sanguíneo e aquelas que se encontravam positivas para hemopara-
sitas eram separadas em caixas à prova de insetos e outros artrópodos, para
estudo de suas crias.
* Com auxílio do Fundo de Pesquisas do Instituto Butantan.
** Do Instituto Butantan.
Endereço para correspondência:
C.P. G5, São Paulo, Brasil
17 — MEMÓRIAS
245
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0 11 12 13 14 15 16
DE B1ASI, P., PESSOA, S. B. e BELLUOMINI, H. E. — Novas observações sobre trans¬
missão congênita de hematozoários de serpentes vivíparas. Mem. Jnst. Butantan, 36:
245-240, 1072.
Os exames de sangue foram feitos não só a fresco, entre lâmina e lamí-
nula, como também por esfregaços fixados pelo metanol e corados pela Giemsa.
Nascidos os filhotes, foram eles examinados pelos mesmos processos, logo
após o nascimento ou no máximo dois dias depois.
A anotação do parasitismo foi feita da seguinte forma: consideramos
infecções leves, quando os esfregaços de sangue das serpentes apresentavam
no mínimo um parasita para cada dois ou tres campos. Em geral, dispensamos
as serpentes positivas com menor número de parasitas, apesar de termos, ini¬
cialmente feito algumas observações em casos de parasitismo muito fraco.
Infecção média, quando encontramos de um a tres parasitas por campo e acima
desta frequência, a infecção foi considerada forte.
Nos casos em que autopsiamos fêmeas prenhes, porém não a termo, a
idade provável dos embriões foi referida de acordo com a escala de Zehr (4).
RESULTADOS OBTIDOS
Examinamos até agora sessenta serpentes peçonhentas prenhes, vivíparas,
pertencentes às seguintes espécies dos gêneros Bothrops e Crotalus: B. moojeni
Hoge, 1965; B. neuwiedi Wagler, 1824; B. cotiara (Gomes, 1913); B. jararaca
(Wied, 1824); C. clurissus tcrrificus (Laurenti, 1768) e C. d. collilineatus
Amaral, 1926, obtendo-se os seguintes resultados, que incluem alguns exem¬
plares já relatados na nota anterior (1), os quais assinalamos por um aste¬
risco.
Da C. d. tcrrificus e C. d. collilineatus examinamos 43 serpentes prenhes,
encontrando: dezesseis positivas só para hepatozoon, uma positiva para he-
patozoon e tripanosoma, quatro positivas só para tripanosoma. Destas, ano¬
tamos as seguintes, de acordo com nossa numeração:
G-6, com forte infecção para hepatozoon, pariu sete filhotes positivos para
hepatozoon;
G-7®, com fraca infecção para hepatozoon, pariu sete filhotes, sendo só um
para hepatozoon;
G-l()°, com infecção média para hepatozoon, pariu sete filhotes positivos para
hepatozoon;
G-13°, positiva para tripanosoma, pariu oito filhotes, todos negativos; (3)
G-14, com infecção fraca para hepatozoon, pariu dois filhotes, sendo um
positivo e um negativo para hepatozoon;
G-48, positiva para tripanosoma e com infecção média para hepatozoon,
pariu nove filhotes, todos positivos para hepatozoon e negativos para
tripanosoma;
Quatro fêmeas, cuja prenhez não estava a termo e que foram por nós
autopsiadas, os embriões examinados mostraram os seguintes resultados:
G-35, com infecção média para hepatozoon, quatro embriões examinados
(estágio 20 da escala Zehr), todos negativos;
246
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DE BIASI, P., PESSOA, S. B. e BELLUOMINI, H. E. — Novas observações sobre trans¬
missão congênita de hematozoários de serpentes vivfparas. Mem. Inst. Butantan, S6:
245-249, 1972.
G-41, com infecção média para hepatozoon, quatro embriões examinados
(estágio 30 da escala Zehr), todos negativos;
G-42, com infecção média para hepatozoon, cinco embriões examinados (es¬
tágio 26 da escala Zehr), todos negativos;
G-44, positiva para tripanosoma, seis embriões examinados (estágio 30 da
escala Zehr), todos negativos.
Da B. moojeni, examinamos cinco serpentes prenhes, encontramos uma
positiva para hepatozoon e outra para hepatozoon e plasmódio, ao mesmo tempo.
Damos as seguintes anotações;
G-3°, com infecção forte para hepatozoon, pariu sete filhotes, todos posi¬
tivos para hepatozoon;
G-ll”, com infecção média tanto para hepatozoon como para plasmódio, pariu
dez filhotes, dos quais só pudemos examinar sete, todos positivos para
hepatozoon e negativos para plasmódio.
Da B. neuwieãi examinamos seis serpentes prenhes, sendo encontradas
duas positivas para hepatozoon;
G-17, com infecção média para hepatozoon, pariu dez filhotes, todos positivos
para hepatozoon;
G-58, com infecção média para hepatozoon, prenhez não a termo, autopsiada
poucos dias antes de parir, os onze embriões (estágio 37 de escala Zehr)
mostraram-se todos fortemente positivos para hepatozoon.
Finalmente, foram examinadas tres B. cotiara e tres B. jararaca, prenhes,
mas negativas para hematozoários.
Sublinhamos as observações das serpentes G-13 e G-14, ambas “cascavel”,
parasitadas pelo tripanosoma, cujas crias foram negativas, bem como a “cas-
cavél” G-48, com tripanosoma e hepatozoon, cuja cria só apresentou o hepato¬
zoon; a “caiçaca” G-ll, parasitada pelo hepatozoon e plasmódio, que pariu
filhotes somente parasitados pelo hepatozoon.
COMENTÁRIOS
Como sabemos, são independentes, nas serpentes vivíparas, as circulações
materna e fetal; assim, os hematozoários não podem passar diretamente do
sangue materno para o fetal. Para explicar o encontro de hepatozoon no san¬
gue das crias recém-nascidas, poderiamos admitir a hipótese das erosões sobre
os capilares uterinos das serpentes permitirem esta transmissão, porém, tal
hipótese está hoje abandonada (Hcffman, 1970) (2).
Após examinarmos esfregaços das membranas embrionárias (fig. 1) em
casos de serpentes infectadas pelo hepatozoon, nos quais estes parasitas se
247
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DE BIASI, P., PESSOA, S. B. e BEELUOMINI, H. E. — Novas observações sobre trans¬
missão congênita de hematozoârios de serpentes vivíparas. Mem. Inst. Butantan, 86 *
245-249, 1972.
mostravam fora dos eritrócitos, verificamos a existência de gametócitos que
nos pareceram ainda jovens, isto é, recém-formados. Parece-nos pois, que os
cistos esquizogônicos que se formam em vários orgãos internos das serpentes,
além de produzir os esquizontes, produzem também os gametócitos tal como
se dá na esquizogonia do plasmódio da malária. Estes gametócitos, assim
formados, que invadem os eritrócitos da serpente materna, por mecanismo
ainda não elucidado, também são levados pela corrente sanguínea à circulação
uterina e aí atravessam as membranas embrionárias, penetram nos eritrócitos
dos embriões (figs. 2, 3, 4), igualmente por mecanismo desconhecido, mas
que, como foi por nós verificado, somente ocorre nos estágios finais da pre¬
nhez (entre os estágios 30 e 37 da escala de Zehr).
No caso da infecção pelos tripanosomas, organismos que são cerca de
tres vezes maiores que o hepatozoon e apresentam movimento rotatório (tipo
“rotatorium”), parece não terem possibilidades de atravessar as membranas
embrionárias.
Em relação ao plasmódio, nossas observações são poucas, mas verificamos
que tanto os seus gametócitos como os merozoítas, talvez por sua fragilidade
não penetram como os hepatozoon. De qualquer forma, não constatamos em
nossas poucas observações haver malária congênita nas serpentes vivíparas.
SVMMARY — The authors relate
additional observations on pregnant
venomous viviparous snakes, carrying
the following hemoparasites: hepato¬
zoon, trypanosoma and plasmodium,
They sustain the hypothesis that the
newly formed young gametocytes, pro-
duced in the maternal snake, and car-
ried by the blood circulation to the ute-
rine circulation, and by passing through
the embryonic membrane, enter the
fetal circulation where, by a mechanism
not yet clear, they invade the fetal ery-
throuytes. This oceurs, however, only at
the last stages of pregnancy (stages
30 — 37, Zehr’s scale) as verified by the
authors.
No congenital transmission of neithcr
trypanosoma nor plasmodium has been
found in the observed cases of parasi-
tism.
UNITERMS — Congenital transmis¬
sion of hematozoa; Congenital transmis¬
sion in snakes; Hepatozoon, trypanoso¬
ma and plasmodium.
BIBLIOGRAFIA
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2. HOFFMAN, L. H. — Placentation in the Garter Snake, Thamnophis sirtalis. J.
Morphology, 131 (1): 57-88; 5 pi., 18 figs-, 1970.
3. PESSÔA, S. B. e DE BIASI, P. Trypanosoma cascavelli sp. n. parasita da cascavel:
Crotalus durissus terrificus (Laurenti). Atas da Soc. Biologia , R. de Janeiro, 15
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4. ZEHR, D. R. • — Stages in the Normal Devolopment of Common Garter Snake,
Thamnophis sirtalis sirtalis. Copeia 1962 (2): 322-329, figs. 1-4, 1 tab., 1962.
Recebido para publicação em 30/6/72
Aceito para publicação em 16/10/72
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1 — Esfregaço cie membrana eorialnn tolde, mostrando a presença de gametôcltos livres
do hepatozoon (coloração Glemsa; imersão, 1.200 x). .
2 — Membrana eorialantolde distendida e corada pelo Giemsa, mostmrdo dois gamo-
tõcitos do hepatozoon livres, aderidos à parede de um capilar sanguíneo (imersão,
3 — Membrana corlalantoide distendida e corada pelo Gietnsa, mostrando Kametôcitos
do hepatozoon intra-eritroclticos, circulando nos capilares sanguíneos (Imersão,
1.000 x). „ .
. 4 — Desenho esquemático da micro fotografia anterior. 240
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Mem. Inst. Butantan
36: 251-262, 1972.
BIONOMIA de Triatoma pseuãomaculata CORRÊA E SPINOLA, 1964, EM
LABORATÓRIO
THEREZINHA J. HEITZMANN-FONTENELLE
Seção de Parasitologia. Instituto Butantan.
RESUMO — Triatoma pseudoma-
culata Corrêa e Spinola, 1964-espécie de
ampla distribuição nas regiões centro e
nordeste do Brasil e na qual já se cons¬
tatou a infecção por tripanossomos do
tipo cruzi — é estudada desde a eclosão
até adulto, anotando-se em cada estádio,
dados de interesse bionomico como
ecdises, tempo de duração dos estádios
ninfais e adulto, intervalos entre as
refeições e mortalidade. Dos Triatomi-
neos brasileiros de biologia já estudada,
este foi o que apresentou maior tempo
de duração do seu ciclo evolutivo.
UNITERMOS ■— Triatoma pseuãoma¬
culata Corrêa e Spinola, 1964: ciclo evo¬
lutivo em laboratório: regime alimentar.
INTRODUÇÃO
Das espécies brasileiras de Triatomineos tem-se esparsos dados biológicos.
Dias (1955) apresenta dados sobre o tempo de evolução de algumas espécies.
Lent e Jurberg (1968) já nos dão o ciclo mais detalhado de Panstrongylus
geniculatus (Latreille, 1811) e Juarez (1970) os de Triatoma arihurneivai
Lent e Martins, 1940.
Sendo Triatoma pseuãomaculata Corrêa e Spinola, 1964 de ampla dis¬
tribuição no Brasil (Piaui, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas,
Goiás, Distrito Federal, Bahia e Minas Gerais) e sendo já constatada a sua
infecção por Tnjpanosoma cruzi em várias localidades (Corrêa, 1968) nos
propuzemos a um estudo detalhado de sua evolução em laboratório.
MATERIAL E MÉTODOS
Tendo recebido de Recife, PE, vários exemplares vivos desta espécie de
Triatomineo, iniciamos sua criação na Seção de Parasitologia do Instituto
Butantan. Decorrido algum tempo, isolamos ovos de femeas deste lote e acom¬
panhamos o desenvolvimento de cada exemplar eclodido, anotando-se os dados
de interesse.
Seguindo os métodos utilizados na criação de Mantodeos (Travassos Filho
o Heitzmann, 1960), os ovos foram colocados em um frasco e a medida que
as ninfas iam eclodindo, eram isoladas em frascos numerados, de pequeno
Endereço para correspondência:
C.P. 65, São Paulo, Brasil
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FONTE NELLíE', T. J. H. — Bionomia de Triatoma pseudomaculata CORRÊA e SPINOEA,
1964, em laboratório. Mern. Jnst. Butantan, 36: 251-262, 1972.
diâmetro, juntamente com um pedaço de papel sanfonado para servir de su¬
porte para inseto. Esses frascos, fechados com rolha de cortiça ou tampo de
algodão, eram conservados em lugar sem muita luz direta e à temperatura
ambiente.
Depois de alguns dias de vida, as ninfas eram diariamente postas para
sugar (sangue humano, colocando-as na parte interna do nosso antebraço)
e eram anotadas as datas das que se alimentavam. Quando as ninfas atingiram
maior tamanho, passamos a alimentá-las em intervalos mais espassados e com
sangue de coelho, colocando-as para sugar na parte interna das orelhas. Foi
tentada a alimentação em pombo, mas o seu controle era bastante difícil por¬
que o inseto, as vezes, afastando-se da região preparada, tentava se ocultar
entre as penas. Também tentamos a alimentação em camundongos recem-
nascidos, mas os resultados não foram satisfatórios, provavelmente porque a
temperatura corporal dos camundongos nesta fase, seja relativamente baixa.
Esporadicamente era dado água, aspergindo-a nas paredes do frasco.
Somente ao atingirem o 5.° estádio ninfal, é que as ninfas foram trans¬
feridas para pequenos borreis, colocando-se dentro, também, um pedaço de
papel sanfonado e tampando-os com gase, presa por elástico.
CICLO EVOLUTIVO
Iniciamos a criação isolada, com 45 exemplares, eclodidos entre 7 de
janeiro e 2 de fevereiro de 1970; esse material, incorporado à Coleção Pa-
rasitologica do Instituto Butantan, recebeu a numeração de 901 a 945.
ESTÁDIO I
O primeiro estádio ninfal ocorreu de janeiro a março, sendo que, em 7
exemplares, se estendeu até abril. Teve uma duração de 35 a 103 dias (ta¬
bela I), oscilando a média entre 52 a 62 dias (15 exemplares).
Apesar de ser dada, diariamente, a oportunidade de se alimentarem, as
ninfas só iniciaram a faze-lo depois do 9.° dia de vida (ex. n.° 901) (tabela
II) e o jejum pos-natal mais longo foi de 26 dias (ex. n.° 918). A maioria fez
a sua primeira refeição em prazo que oscilou entre 15 a 20 dias (18 exem¬
plares). O tempo da refeição sanguínea, nesta fase, variou de 15 a 20 minutos.
Durante este estádio, as ninfas sugaram de 3 a 4 vezes (a maioria); 6
ninfas sugaram só duas vezes e 2 ninfas sugaram cinco vezes. O jejum pré-
ecdise não é notado, como acontece com os mantodeos, sendo que o número
de dias entre as refeições é, por vezes, maior que o número de dias entre
a última refeição e a ecdise. O intervalo entre as refeições foi de até 42 dias
(ex. n.° 911, entre a 3. a e 4. a refeição, enquanto levou 23 dias no jejum pré-
ecdisé). ü maior jejum pré-ecdise foi de 24 dias (ex. n.° 925). (Tabela II).
Durante este estádio ocorreram 15 mortes, sendo que tivemos uma grande
mortalidade nos 8 primeiros dias de vida (11 exemplares). Os 4 casos res¬
tantes ocorreram antes da primeira refeição, com 10, 11, 12, e 14 dias de vida.
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FONTENELLE', T. J. H. — Bionomia de Triatoma pseudomaculata CORRÊA e SPINOLA,
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ESTÁDIO II
O segundo estádio ninfal que ocorreu, principalmente, entre março e maio,
levou de 34 a 222 dias (tabela I), sendo que na maioria dos exemplares,
durou menos de 60 dias (19 exemplares). Apenas 4 ninfas passaram o se¬
gundo estádio com mais de 100 dias: os exemplares n.°s 929, 942, 911 e 925
com 171, 175, 184 e 222 dias respectivamente, atravessando o inverno e indo,
nesta fase de desenvolvimento, até setembro, outubro e novembro.
Durante este estádio as ninfas se alimentaram entre duas (3 ninfas) até
oito vezes (2 ninfas); a maioria se alimentou tres vezes (13 ninfas). O maior
intervalo entre as refeições foi de 69 dias (ex. n.° 911 entre a 4. a e 5. a refeição).
O maior período de jejum préecdise foi de 162 dias (ex. n.° 925). Ocorreram
duas mortes durante esta fase: uma apenas com 18 dias neste estádio e após
2 refeições; a outra com 41 dias de duração no estádio II e após 4 refeições,
ambas ocorreram no mesmo dia e 5 dias após a última refeição.
ESTÁDIO III
O 3.° estádio ninfal que ocorreu principalmente entre maio e novembro,
durou de 50 a 241 dias (tabela I). Chamamos a atenção para um aumento
bastante grande na duração deste estádio (a maioria das ninfas levou mais de
100 dias), em virtude das temperaturas frias de maio até novembro ocorridas
no ano de 1970, e uma prova disto, foram as ninfas n.°s 911, 925, 929 e 942
que tiveram o segundo estádio ninfal longo nesse mesmo período do ano,
tiveram o estádio III curto, com respectivamente 50, 64, 94, e 114 dias. Apenas
5 exemplares levaram menos de 100 dias neste estádio e foram, além dos já
citados n.°s 911, 925 e 929, o de n.° 905 que levou 63 dias (abril-junho) e
o de n.° 919 com 81 dias (maio-julho).
Quanto à alimentação, a maioria se alimentou de 3 a 4 vezes (15 exem¬
plares); as 11 ninfas restantes se alimentaram de 2 a 6 vezes. O intervalo
entre as refeições ficou mais espassado, embora as ninfas fossem postas para
sugar regularmente, em intervalo de poucos dias. Esse período chegou a ser
de 147 dias (ex. n.° 930, entre a 2. a e 3, a refeição). O ex. n.° 925 que já
havia feito, no estádio II, um jejum pré-eedise de 162 dias, só se alimentou
5 dias após a eedise II, ficando assim, 167 dias sem se alimentar. O maior pe¬
ríodo de jejum pré-eedise foi de 152 dias (ex. n.° 901) (tabela II).
Neste estádio ocorreram duas mortes, ambas após o 4.° repasto das ví¬
timas (após 117 (ex. n.° 926) e 140 dias (ex. n.° 902) da eedise II). Esta
última ninfa citada se alimentou bem 13 dias após a eedise e, depois disso,
se alimentou por mais 3 vezes, mas sugando muito pouco em todas elas.
ESTÁDIO IV
No quarto estádio ninfal, que ocorreu, principalmente, entre novembro
(1970) a janeiro (1971), sua duração variou de 34 a 218 dias: a maioria
(17 ninfas) teve um 4.° estádio ninfal com menos de 100 dias em virtude
dele ter ocorrido em meses de temperaturas elevadas (tabela I).
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FONTENELLE', T. J. H. — Bionomia de Triatoma pseudomciculata CORRÊA e SPINOEA,
1964, em laboratório. Mein. Inst. Butantan, 36: 251-2G2, 1972.
Quanto ao número cie refeições (tabela II) 7 ninfas se alimentaram por
duas vezes (sendo que 2 delas morreram 24 e 38 dias após a última refeição);
13 se alimentaram por tres vezes (sendo que 4 delas morreram 11, 11, 21 e
30 dias após a última refeição); 3 ninfas se alimentaram por quatro vezes; 2
ninfas se alimentaram por cinco vezes e apenas uma ninfa se alimentou poi¬
seis vezes (ex. n.° 919, com um estádio que durou 145 dias). O maior inter¬
valo entre as refeições foi de 135 dias (ex. n.° 905, entre a 2. a e 3. a refeição).
Como os jejuns pré-eedises do estádio anterior foram mais longos e as
ninfas iniciaram a se alimentar mais tarde nesta nova fase, há jejuns entre os
dois estádios de 156 (ex. n.° 932), 163 (exs. n.°s 901 e 917) e 170 dias (ex.
n.° 914). Esta ninfa (n.° 914) ficou 109 dias sem se alimentar depois da eedise.
Neste estádio ocorreram 6 mortes: quatro em janeiro (exs. 918, 923, 927
e 930, com 61, 45, 56 e 61 dias de duração deste estádio); uma em fevereiro
(ex. n.° 940, com 73 dias de duração neste estádio) e outra em julho (ex. n.°
920, com 192 dias no estádio IV, alimentando-se normalmente por tres vezes.
ESTÁDIO V
Nesta fase de desenvolvimento, em virtude das mortes ocorridas nos di¬
versos estádios, as nossas observações passam a ser relativas a 20 ninfas.
Essas 20 ninfas entraram no 5.° estádio ninfal de dezembro (exs. n.°s 919
e 928) até abril do ano seguinte (1971) (exs. n.°s 925 e 942), sendo que a
maioria, entre janeiro c fevereiro (15 ninfas). O tempo de duração deste es¬
tádio foi de 33 (ex. n.° 914) a 324 dias (ex. n.° 919) (tabela I); sendo que
a maioria (14 ninfas) com menos de 100 dias.
O número de refeições variou de uma (ex. n.° 928, com um estádio de
44 dias) até seis vezes (exs. n.°s 911, 919 e 924, com estádios de 299, 324 e
297 dias). O maior intervalo entre as refeições foi de 135 dias (ex. n.° 911,
entre a 5. a e 6. ;l refeição), passando de junho a outubro sem se alimentar.
O jejum pré-eedise mais extenso foi de 11 dias (ex. n.° 929) (tabela II).
Apesar de ser um estádio onde 6 exemplares tiveram mais de 200 dias
de duração, não ocorreu nenhuma morte.
ESTÁDIO VI
O exemplar n.° 914 teve um 5.° estádio ninfal curto com 33 dias e após
a eedise V, ainda permaneceu como ninfa. Este 6.° estádio ninfal durou 274
dias (7 de fevereiro a 8 de novembro de 1971), alimentando-se normalmente
por 3 vezes, quando passou a adulto femea.
VIDA ADULTA
Obtivemos na fase adulta 14 femeas e 6 machos.
O tempo de duração da vida adulta variou de 60 a 374 dias. Como, quan¬
do encerramos essa primeira etapa das observações, em março de 1972, ainda
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FONTENEULE?, T. J. H. — Bionomia de Triatoma vseudomaculala CORRÊA e SPIXOL.A
1964, em laboratório. Mevi. Inst. Butantan . 36: 251-262, 1972.
tínhamos 4 adultos vivos ( ! ) esse número de dias poderá ser maior, em vista
do exemplar n.° 913 que já se encontra nesta fase desde abril de 1971. Apenas
4 casos de vida adulta com menos de 100 dias (exs. n.°s 914, 924, 925 e
942 com respectivamente 65, 98, 85 e 60 dias). Devemos assinalar que os
exemplares n.°s 914 e 925 sofreram acidentes na última ecdise, ficando de¬
feituosos. Aparentemente, eles apresentavam as asas não completamente dis¬
tendidas, mas o ex. n.° 914 não quis se alimentar nesta fase. O exemplar n.°
925 que também apresentava falta das pernas anterior e mediana do lado
esquerdo, desde o 2.° estádio ninfal, alimentou-se por 4 vezes. Ambos eram
femeas e conservadas virgens, conseguiram por alguns ovos.
Quanto a alimentação, os adultos o fazem em menor quantidade, nunca
sendo observada uma completa replecção como nas ninfas. A duração da
refeição é bastante demorada: eles sugam em vários pontos e a qualquer mo¬
vimento do coelho, retraem o rostro, não mais se alimentando.
O número de refeições nesta fase foi de zero (ex. n.° 914) a 12 (ex. n.°
934), número esse que será maior pelo fato de 4 exemplares ainda estarem
vivos. O maior intervalo entre as refeições foi de 92 dias (ex. n.° 931, entre
2 a
refeição), (tabela II).
a l. ;
Foram tentados alguns acasalamentos (macho n.° 911 com a femea n.°
934; macho n.° 929 com a femea n.° 931; macho n.° 929 com a femea n.° 913),
mas não foram observadas cópulas. Essas fêmeas, bem como as fêmeas vir¬
gens, fizeram posturas de poucos ovos, os quais, alguns dias após, se apre¬
sentavam murchos.
DISCUSSÃO
Examinaremos, agora, a tabela I onde estão indicados: as durações, em
dias, de cada estádio ninfal, a duração total da fase ninfal e o periodo anual
correspondente ao intervalo entre eclosão e fase adulta ou eclosão e morte,
a duração total da fase adulta e o periodo anual correspondente, e, finalmente,
a duração total, em dias, desde a eclosão até a morte dos 20 adultos obtidos.
O exemplar n.° 934 teve o periodo ninfal mais curto, com 375 dias, o
que corresponde a um pouco mais da metade do periodo ninfal mais longo
que foi o do exemplar n.° 911, com 678 dias. Este exemplar teve o l.° (ja¬
neiro-abril), o 2.° (abril-outubro) e o 5.° (janeiro-novembro) estádios ninfais
bastante longos e, embora tenha tido o 3.° (outubro-dezembro) e o 4.° (de¬
zembro-janeiro) estádios entre os mais curtos ,isso não influiu para diminuir
o período total de evolução. Ele também suportou maiores jejuns entre as
refeições no l.° (42 dias), 2.° (69 dias) e 3.° (135 dias) estádios.
O exemplar n.° 934, teve os estádios ninfais com duração média, salvo
o último (janeiro-fevereiro) que foi um dos mais curtos.
Notamos ainda, epie 13 exemplares levaram de 375 a 492 dias, com última
ecdise nos meses de fevereiro (3 exemplares), março (3 exemplares), abril
(6 exemplares e julho (1 exemplar) de 1971. Os sete exemplares restantes ti¬
veram 663 a 678 dias, com a última ecdise em novembro de 1971.
(1) O ex. n.° 919 morreu em G-XI-72, com vida de adulto de 366 dias e vida total
de 1.024 dias. A maior vida adulta foi a do ex. n.° 913 com 457 dias, com vida total de
907 dias —- Dados obtidos após entrega do original.
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1964, em laboratório. Mem. Inst. Butantan, ■16: 251-262, 1972.
Não foi notada nenhuma diferença no desenvolvimento entre os sexos:
os 6 machos levaram ’de 378 a 678 dias e as 14 femeas de 375 a 665 dias para
o completo desenvolvimento.
A duração da vida total, desde a eclosão do ovo até a morte variou de
491 dias (ex. n. 928) a 763 dias (ex. n.° 924), mas os exemplares n.°s 911,
913, 919 e 929 que ainda não haviam completado seus ciclos de vida quando
encerramos as observações, já liavam ultrapassado esse número de diasÇ).
Na tabela II estão representados o número de refeições em cada estádio
e na fase adulta. O número total de refeições na fase ninfal variou de 13
(exs. n.°s 917 e 928) a 23 (exs. n.°s 936 e 942), mas a maioria fez, em média,
17 a 19 refeições (12 ninfas). O número de refeições não está relacionado
com a duração dos estádios ninfais; assim, examinando tres exemplares (n.°s
919, 929 e 942) todos com 658 dias de duração da fase ninfal, vemos que
o número de repastos foi de 21, 19 e 23 respectivamente: agora examinando
os exemplares n.° 936 (com 441 dias de vida ninfal) e n.° 917' (com 442 dias)
vemos que enquanto o primeiro fez 23 refeições, o último só fez 13, por outro
lado, os exemplares n.°s 936 e 942, ambos com 23 refeições tiveram 441 e 658
dias para o completo desenvolvimento.
O número de refeições durante a vida total variou de 15 (ex. n.° 928, que
teve a menor duração de vida) a 32 (ex. n.° 936).
Os exemplares n.°s 934 e 936 tiveram a mesma duração de vida (749
dias) e quase o mesmo número de repastos: 31 e 32, mas o exemplar n.° 936
apresentou desde a eclosão, um comportamento diferente do das demais ninfas
que quando iniciavam a sugar, ficavam imóveis e só paravam a alimentação
depois de saciadas ou quando molestadas; este exemplar sempre foi irriquieto,
picando o doador várias vezes e raramente ficando replecto, o que talvez,
tenha concorrido para o aumento de repastos da fase ninfal (23 vezes). Alem
disso, as seis primeiras refeições dessa ninfa foram com sangue humano e,
então, pudemos constatar que as suas picadas eram dolorosas, enquanto que
as das outras ninfas eram indolores.
CONCLUSÕES
O tempo de evolução desta espécie de Triatoma, em condições ambien¬
tais (temperatura média de 19 a 23.°), oscila entre 1 ano a 1 ano e 10 meses.
A duração de vida total, nas mesmas condições ambientais, é de aproxima¬
damente 2 anos. ( 1 )
Quanto ao número de refeições, a média em cada estádio ninfal foi de
3. Também notamos que uma lauta refeição não é seguida de jejum mais pro¬
longado, havendo casos em que depois de 2 dias de uma completa replecção,
a ninfa tornava a se alimentar.
A duração do repasto pouco oscilou com o desenvolvimento das ninfas:
foi entre 15 (quando a ninfa alcançava um vaso sanguíneo) a 30 minutos.
(1) De 2 anos, 9 meses e 24 dias para o ex. n.° 913, dado completado após entrega do
original.
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FONTENELDE', T. J. H. — Bionomia de Triatoma pseiulomaculata CORRÊA e SPINOLA,
1964, em laboratório. Mem. Inst. fíutantan, 36: 251-262, 1972.
Os adultos demoraram mais tempo, visto que eram inquietos, sugando em
várias áreas e, também, por raramente ficaram replectos.
É notável a resistência oferecida por este inseto a jejnns prolongados,
principalmente, no período entre ecdises, chegando a passar aproximadamen¬
te, 7 meses (202 dias — ex. n.° 914) sem se alimentar.
Os triatomineos observados só defecam sobre o doador quando comple¬
tamente replectos. Ao se alimentar, T. pseudomaculata, ao contrario de Rhod-
nius prolixas (Stál), prefere uma posição vertical afim de penetrar sua probós-
cide perpendicular à superfície cutanea, assim, para defecar, ele gira seu corpo
de, 80°, depondo suas fezes quase sobre a ferida da picada, o que aumenta a
possibilidade de contágio, se ele estiver infectado por T. cruzi
SUMMARY — Triatoma pseudoma-
culata Corrêa & Spinola, 1964, a species
of ample distribution in Central and
North east Brazil, where its infection
with trypanosomes of cruzi type has
been reported, is here studied from its
eclosion to its adult stage, with notes
on each stage, and data of bionomic
interest, such as ecdysis, duration of
stages, nymphae and adults, interval
between feeding, mortality, etc.
Of the Brazilian triatomids of known
biology, this is the species with a larger
cmration of its developmental cycle.
UNITERMS — Triatoma pseudoma¬
culata Corrêa & Spinola, 1964: life cycle
studies in laboratory: feeding data.
AGRADECIMENTOS
Queremos deixar aqui nossos agradecimentos ao Dr. James Dobbin Jr.
do Departamento de Endemias Rurais - Instituto Aggeu Magalhães, Recife,
PE, pelo oferecimento do material vivo já identificado e ao Dr. Lauro P. Tra¬
vassos Filho do Instituto Butantan pelas inúmeras sugestões.
257
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SciELO
0 11 12 13 14 15 16
FONTENELLE', T. J. H. — Bionomia de Triatoma pseudomaculata CORRÊA e SPINOLA,
1964, em laboratório. Mem. Jnst. Butantan, 36: 251-2G2, 1972.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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em laboratório. Rev. Bras. Biol. 15 (2): 157 — 158, 1955.
3. JUAREZ. E. — Observações sôbre o ciclo evolutivo do Triatoma arthurneivai, em
condições de laboratorio (Hemiptera, Rcduviidae). Rev. Saúde públ., S. Paulo 4
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4. LENT, H. e JURBERG, J. — Observações sôbre o ciclo evolutivo, em laboratório,
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minae). An. Acad. bras. Ciênc. (1969) 41 (1): 125 — 131, 1969.
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em Laboratorio 1. Parastagmatoptera unipunctata (Burm, 1838). Mantidae —
Vatinae. Arq. Zool. S. Paulo 1] (8): 171-192, 1960.
Recebido para publicação em junho/72
Aceito para publicação em dezembro/72
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TABELA 1
DURAÇÃO (EM DIAS) DA EVOLUÇÃO DE T. PSEU DOM ACU LATA CORRÊA E
SPINOLA, 1964
N 1 ' de
N 1 ' de
N" dJ
EX.
N° de dias
para cada estádio ninfal
dias de
vida
dias de
vida
dias cl
vidal
I
II
III
IV
V VI
ninfal
Periodo anual
adulta
Periodo anual
total 1
901
52
39
236
55
90
472
7- I -1970
237
24- IV-1971
709 I
24-IV-1971
17-XII-1971
902
58
68
140
- -
8- I -1970
1- X-1970
903
35
81
192
79
78
465
9- I -1970
288
19- IV-1971
753 1
19-IV-1971
1- 11-1972
904
53
41
- -
9- I -1970
18-IV-1970
905
43
39
63
218
41
404
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149
17- 11-1971
553
17- 11-1971
16-VII-1971
906
8
- -
9- I -1970
17- I -1970
907
8
- -
9- I -1970
17- I -1970
908
8
- -
9- I -1970
17- I -1970
909
10
- -
10- I -1970
20- I -1970
910
80
18
- -
10- I -1970
18 -IV-1970
911
103
184
50
42
299
678
10- I -1970
19- XI-1971
19- XI-1971
912
11
, -
- -
10- I -1970
21- I -1970
913
53
40
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TABELA 1
DURAÇÃO (EM DIAS) DA EVOLUÇÃO DE T. PSEUDOMACULATA CORRÊA E
SPINOLA, 1964
N» de
N 9 de
N 9 de
EX.
ninfal
N'- 1
N'-’ de dias
para cada estádio
vida
vida
vida
i
II
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IV
V
VI
ninfal
Periodo anual
adulta
Periodo anual
total
901
52
39
236
55
90
472
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237
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709
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17-XII-1971
902
58
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1- X-1970
903
35
81
192
79
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288
19- IV-1971
753
19-IV-1971
1- 11-1972
904
53
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9- 1 -1970
18-IV-1970
905
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404
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149
17- 11-1971
553
17- 11-1971
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906
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17- I -1970
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9- I -1970
17- I -1970
908
8
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17- I -1970
909
10
*-
10- I -1970
20- I -1970
910
80
18
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18 -IV-1970
911
103
184
50
42
299
678
10- I -1970
19- XI-1971
19- XI-1971
912
11
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21- I -1970
913
53
40
241
34
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450
13- I -1970
8- IV-1971
8- IV-1971
914
49
45
100
162
33
274
663
14- I -1970
65
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728
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12- I -1972
915
52
40
191
87
52
422
14- I -1970
182
12-III -1971
604
12-III-1971
10- IX -1971
916
2
15- I -1970
17- I -1970
917
62
54
187
69
70
442
17- I -1970
269
4- IV -1971
711
4- IV-1971
29-XII-1971
918
76
50
186
61
17- I -1970
24- I -1971
919
74
34
81
145
324
658
17- I -1970
366
6- XI -1971
1.024
6- XI-1971
6- XI -1972
920
58
48
205
192
20- I -1970
7- VI-1971
921
45
35
213
68
72
433
24- I -1970
161
2- IV -1971
594
2- IV-1971
10- IX-1971
922
14
24- I -1970
7- 11-1970
923
64
53
201
45
26- I -1970
24- I -1971
924
62
60
180
66
297
665
28- I -1970
98
24- XI -1971
763
24- XI-1971
1- III -1972
925
75
222
Ô4
79
209
649
28- I -1970
85
8- XI -1971
734
8- XI-1971
1- 11-1972
926
55
73
117
29- I -1970
1- X-1970
927
61
34
206
56
29- I -1970
26- I -1971
928
62
55
159
58
44
378
29- I -1970
113
11- 11-1971
491
11- 11-1971
4- VI-1971
929
63
171
94
67
263
658
29- I -1970
18-XI-1971
18- XI-1971
930
46
49
203
61
30- I -1970
24- I -1971
931
49
46
180
65
70
410
30- I -1970
322
16- III-1971
732
1S-III-1971
1- 11-1972
932
55
44
195
57
56
407
30- T -1970
130
13- III-1971
537
933
13-III-1971
21-VII-1971
4
v —
31- I -1970
4- 11-1970
934
52
38
190
59
36
375
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749
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19- 11-1972
6
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6- 11-1970
936
48
50
202
80
61
441
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308
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749
937
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19- 11-1972
5
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938
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54
61
213
71
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117
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609
939
7- VI-1971
2- X-1971
5
1- 11-1970
6- 11-1970
940
52
6
61
190
73
1- H-1970
12- 11-1971
941
1- 11-1970
7- 11-1970
942
67
175
114
73
229
658
1- .11-1970
60
20- XI-1971
718
943
20-XI-1971
19- I -1972
5
2- 11-1970
7- 11-1970
944
12
2- 11-1970
14- 11-1970
945
2
2- 11-1970
4- 11-1970
Sexo
9
9
9
á
9
9
á
9
ê
S
9
9
ê
S
9
9
9
9
9
9
SciELO
TABELA II
INTERVALOS (EM DIAS) ENTRE AS REFEIÇÕES DE T. PSEUDOMACULATA
Ex. N' 1
901
902
903
904
905
910
911
913
914
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925
926
927
928
929
930
931
932
934
936
938
940
942
Estádio
9
12
11
12
19
18
16
13
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15
18
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17
17
24
16
16
15
22
21
15
20
19
25
20
16
18
17
18
I
12
8
6
1
6
7
2
21
17
14
27
18
33
11
8
25
19
14
18
24
25
17
8
9
14
11
9
9
14
13
14
14
2
5
26
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5
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4
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4
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5
5
5
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4
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7
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12
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19
15
23
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17
12
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ii
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11
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12
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9
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Estádio
4
4
5
8
5
8
21
5
5
3
5
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7
5
6
8
13
10
19
8
7
11
3
5
13
1
4
13
14
7
II
5
5
12
5
7
5
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4
11
6
14
10
5
9
1
5
10
11
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5
5
10
5
14
5
5
1
5
5
7
10
3
9
9
6
9
4
5
4
5
10
11
3
21
11
10
11
10
34
19
5
1
14
10
10
11
1
14
19
5
7
5
5
5
13
9
2
5
23
5
19
4
69
19
16
7
G
10
9
8
49
5
7
11
19
10
30
20
21
22
12
65
22
24
22
30
30
12
23
1
19
26
162
33
21
33
51
22
22
26
18
16
33
32
62
Estádio
5
13
9
12
20
7
5
7
14
13
9
30
9
13
13
5
6
10
10
57
9
9
18
13
5
10
11
46
III
10
35
13
10
3
21
11
11
9
7
13
28
21
7
19
13
19
29
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10
13
13
35
6
13
7
7
31
11
50
85
11
10
13
10
32
26
19
9
12
29
19
112
4
30
19
49
147
65
16
9
19
19
12
10
15
10
9
13
38
12
38
31
135
23
20
30
26
7
112
72
8
13
57
38
38
38
82
50
91
40
35
100
62
40
152
85
20
17
34
61
65
138
97
50
99
23
27
36
19
36
93
27
34
93
142
79
37
65
41
17
Estádio
11
7
9
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4
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20
25
16
6
14
26
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33
18
13
15
5
15
12
14
13
12
14
8
20
IV
18
46
19
19
11
13
47
25
6
35
84
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14
21
15
19
4
16
19
7
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19
4
5
4
32
7
15
135
8
15
7
73
14
14
17
14
29
16
19
4
4
3
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31
28
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40
3
12
23
23
13
22
19
11
27
19
11
19
20
19
31
21
12
29
25
17
27
18
23
27
23
21
Estádio
18
33
12
18
6
14
3
18
12
21
11
20
10
11
3
6
3
18
5
28
V
32
10
3
15
42
3
19
15
10
29
15
36
4
11
19
12
10
13
36
17
10
17
49
17
52
49
3
14
48
23
66
63
88
19
26
4
62
52
74
16
34
135
32
59
40
35
26
29
24
16
30
20
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22
58
101
34
111
18
31
21
33
35
79
Estádio
VI
Adulto 23
28
16
46
39
12
43
13
45
50
9
22
34
8
11
23
30
53
13
22
22
19
43
22
76
70
14
74
40
35
19
29
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19
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19
86
48
76
6
48
52
38
32
22
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32
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Mem. Inst. Butantan
36: 263-2ÜG, 1972.
TRIATOMA WILLIAMI GALVÃO, SOUZA & LIMA, 1965, CAPTURADO
EM MATO GROSSO, RR, NOVO VECTOR DA MOLÉSTIA DE CHAGAS
LAURO P. TRAVASSOS FILHO
Seção de Parasitologia, Instituto Butantan.
RESUMO — Um exemplar $ de Tria -
toma williami Galvão e Cols., 1965, foi
capturado em Xavantina, MT, amplian¬
do a distribuição geográfica da espécie,
até então restrita ã localidade-tipo
(Piranhas, GO).
O espécime era portador de formas
infectantcs de tripanosoma tipo cruzi.
sendo assim mais um vector da Moléstia
de Chagas no Estado de Mato Grosso.
UNITERMOS - Trialoma williami Gal¬
vão e Cols., 1965: Hemiptera, Reduviidae,
Triatominae. Primeira observação no
Estado de Mato Grosso, BR. Exemplar
infectado com Trypanosoma tipo cruzi.
MATERIAL EXAMINADO
Da Coleção Entomo-Parasitologica do I. Butantan:
1 ê, n. 869, Xavantina, MT, IX-1969, L. G. M. Rosenfeld col. ôc of.
1 ê, n. 870, Piranhas, GO, Parátipo, A.A B. Galvão of.
Da Coleção Dr. Arclhbaldo B. Galvão:
Triatoma williami: 3 ô, Parátipos $ Alótipo, 1 ninfa, Piranhas, GO.
Triatoma deanei: ô Holótipo, 1 ninfa, Piranhas, GO.
DISCUSSÃO
Galvão, Souza & Lima, 1965, (2) descreverem Triatona williami baseados
em 12 machos e 4 femeas, exemplares que faziam parte de um lote de 18
“barbeiros” adultos e 2 ninfas, capturados na “casa n.° 2” da Fazenda Antonio
Bueno Faria, no município de Piranhas, Estado de Goiás, exemplares que não
apresentaram coproparasitismo.
Dois outros exemplares desse lote inicial, um casal, foram descritos como
Triatoma deanei também por Galvão, Souza & Lima, 1967 (3).
Galvão & Fuentes, 1971 (4) descreveram aquelas duas ninfas do lote
capturado na “casa n.° 2”, como sendo uma de T. williami e outra de T. deanei.
Corrêa, 1968 (1), publicou a lista dos triatomíneos brasileiros, assina¬
lando T. williami ainda entre os não registrados como vectores da Moléstia de
Chagas.
C.P. G5, São Paulo, Brasil
Endereço para correspondência:
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TRAVASSOS F.°, L. P. — Triatoma Williami G AL VÃO, SOUZA e LIMA, 1965, capturado
em Mato Grosso, BR., novo vector da Moléstia de Chagas. Mem. Inst. Butantan , 36:
263-266, 1972.
Em setembro de 1969, o Dr. Luiz Gastão Mange Rosenfeld capturou num
alojamento coletivo da localidade de Xavantina, Estado de Mato Grosso, um
“barbeiro” de aspecto diverso do habitual nos triatomíneos mais frequentes; o
exemplar vivo toi entregue ao Dr. Gastão Rosenfeld, o qual constatou ser o
mesmo portador de foimas infectantes de Trijpanosoma (S.) criizi.
Enviado o inseto a Seção de Parasitologia do Instituto Butantan e não
sendo possivel uma identificação imediata, fomos ao Instituto üswaldo Cruz,
Rio de Janeiro, onde o Dr. H. Lent, comparando com exemplares de Tria¬
toma wílliami e T. deanei, ambas de Gaivao & Gols., 1965 e I9tí7, respecti-
mente, concluiu tratar-se de 1 è da primeira espécie.
Mais tarde recebemos do Dr. Arquibaldo B. Galvão um exemplar macho
da série paratípica; comparando com esse paratipo verificamos também que
o exemplar de Xavantina é realmente um macho de Triatoma wílliami Galvão
& Cols., 1965, o qual foi tombado oa Coleção Entomo-Parasitologica do Insti¬
tuto Butantan com o n.° 869, recebendo o parátipo ofertado o N.° 870.
Face ao encontro de “barbeiro” raro, mas de hábito evidentemente do¬
miciliar, pois tanto o lote que permitiu a descrição da espécie -como o de
Xavantina, foram encontrados em residências, este último portador de formas
infectantes de tripanosoma tipo cruzi, enviamos a Xavantina o Snr. Mario
Nogueira, então técnico da Parasitologia e também excelente colecionador
de campo, na esperança de obter mais exemplares; a passagem por essa loia-
lidade de turma de desinsetisadores, dias antes da chega do Snr. Nogueira,
prejudicou a observação, tendo sido encontrada uma única ninfa, em pro¬
vável estádio IV, e que morreu poucos dias depois, com sinais de intoxicação.
Comparada com ninfas de T. williami e de T. deanei, gentilmente cedidas
pelo Dr. A. B. Galvão, verificamos não se tratar de ninfa de nenhuma dessas
espécies, e sim de triatomíneo de menor porte.
Aproveitando o bom estado do exemplar de Mato Grosso, foi feito o
desenho colorido que apresentamos, para possibilitar o pronto reconhecimento
dessa espécie que, por se apresentar com o conexivo praticamente sem man¬
chas, difere da grande maioria dos demais triatomíneos; face ao seu colorido
preto e pardo-amarelo, bastante discreto, o T. williami pode ser confundido
com hemípteros fitofagos ou reduvíneos predadores .escapando às coletas de
“barbeiros” feitas por pessoal técnico não especializado.
Ao assinalarmos a presença na localidade de Xavantina, Estado de Mato
Grosso, do curioso e raro Triatoma williami Galvão & Cols., 1965, destaca¬
mos o fato de ser espécie provavelmente transmissora do Trtjpasonoma (S.)
cruzi uma vez que, sendo de hábitos domiciliares, já foi constatado ser porta¬
dora de formas infectantes do agente da Moléstia de Chagas.
ABSTRACT — A male specimen of
Triatoma williami Galvão & Cols., 1965,
up to know only known from its typc-
locality in the State of Goiás, was cap-
tured in Xavantina, State of Mato Gros¬
so, extending thus it geographical dis-
tribution. As the specimen was found
to carry the infectant forms of Trypa-
nosoma type cruzi it should.be included
in the list of vectors of Chagas disease.
UNITERMS — Triatoma williami
Galvão & Cols., 1965 — Hemiptera, Re-
duviidae, Triatominae; first observations
in the State of Mato Grosso, BR. Infec-
ted by Trypanosoma type cruzi is a new
vector of Chagas disease.
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TRAVASSOS F.°, L. P. — Triatoma Williami GALVÃO, SOUZA e LIMA, 1965, capturado
em Mato Grosso, BR., novo vector da Moléstia de Chagas. Mem. Inst. Butantan, HG:
263-266, 1972.
AGRADECIMENTOS
Aos Drs. Luiz Gastão Mange Rosenfeld e Gastão Rosenfeld pelo envio
do exemplar para a Coleção Entomo-Parasitologica do Instituto Butantan e
pelas valiosas informações pessoais; ao Dr. H. Lent, do Instituto Oswaldo
Cruz, pela identificação do exemplar; ao Dr. Archibaldo Bello Galvão pela
doação de um exemplar parátipo e empréstimos de outros exemplares de
T. williami e T. deanei e respectivas ninfas, possibilitando perfeita compara¬
ção com o exemplar de Xavantina. Agradecimentos especiais a Sra. Juventina
dos Santos, Desenhista-Chefe do Instituto Biológico de S. Paulo, pelo per¬
feito desenho colorido que ilustra o trabalho.
As comparações de exemplares e a biometria foram feitas com apare¬
lhagem ótica adquirida com auxílio do Conselho Nacional de Pesquisas, ao
qual renovamos os agradecimentos.
BIBLIOGRAFIA
1. CORRÊA, R. R. — Informe sôbre a doença de Chagas no Brasil e em especial no
Estado de São Paulo. Rev. Brasil. Malar. D. Tropicais, R. Janeiro, 20 (1-2):
39-82, fgs., 1968.
2. GALVÃO, A. B„ SOUZA, A. H. da SILVA E & LIMA, R. R. DE — Triatoma
williami n. sp. (Hemiptera, Triatominae). Rev. Brasil. Malar. D. Tropicais,
R. Janeiro, 17 (4): 363-6, fgs., 1965.
3. GALVÃO, A. B., SOUZA, A. H. DA SILVA E & LIMA, R. R. DE — Espécies de
Triatominae ocorrentes em Goiás e descrição de uma nova espécie. Rev. Brasil.
Malar. D. Tropicais, R. Janeiro, 19 (3): 397-412, fgs., 1967.
4. GALVÃO, A. B. & FUENTES, F. B. — Descrição de ninfas de Triatoma williami
(B. Galvão & Cols., 1965) e T. deanei (B. Galvão & Cols., 1967). Rev. Goiana
Med., Goiania, 17: 141-5, fgs., 1971.
Recebido para publicação em Agosto/72
Aceito para publicação em dezembro/72
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TRAVASSOS F.°, T j. I*. — Triatoma Willicnni GAL/VÃO, SOUZA e L.IMA, 19G5, capturado
em Mato Grosso, BR., novo vector da Moléstia de Chagas, .liem. Ijist. Butantan, .36:
2G3-2G6, 1972.
Triatoma toilliami Galvão, Souza & lama 19G5
X.° 8G9 da Coleção Entomo-Parasitológica do
Instituto Butantan.
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Mem. Inst. Butantan
36: 267- , 1972.
Nota prévia
SOBRE A POSIÇÃO SISTEMÁTICA DE PORRIMA CALLIPODA
MELLO LEITÃO, 1934
(Aranae; Lycosidae)
WOLFGANG BÜCHERL* e SYLVIA LUCAS**
(Seção de Artrópodos Peçonhentos, Instituto Butantan)
R — Revisando o holótipo de Porrima callipoda Mello Leitão, 1934 (LY-
COSIDAE), uma fêmea jovem de Ribeirão Claro, Mato Grosso, depositado
sob o número 1002 (antigo 5) da coleção aracnológica do Instituto Butantan,
concluímos que, pelo colorido, pela quetotaxia, pelas dimensões do cefalotórax
e dos artículos das pernas, pela extensão das escópulas tarsais e pelo aspecto
do epígino, pertence ao gênero Tetragonophthalma Karsch, 1878 (PISAU-
RIDAE).
A morfologia de Porrima callipoda demonstra que está próxima de T.
obscura Keyserling, 1891 e T. freiburgensis (Keyserling), 1871, as quais o
próprio Keyserling julgava serem idênticas entre si.
BIBLIOGRAFIA
1. MELLO LEITÃO, C. F. — Tres aranhas novas nas coleções do Instituto Butantan.
Mem. Inst. Butantan , 8: 405-407, 1934.
2. KEYSERLING, E. — Die Spinnen Amerikas. Brasilianische Spinnen. 3 NüJrnberg,
Bauer und Raspe, 1891, Pr. I, Fig. 192.
3. KEYSERLING, E. — Übcr amerikanische Spinnenarten der Unterordnung Ci-
tigradac. Verh. zool. bot. Ges. Wien, 26: 671-673, 1877.
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ÍNDICE DE AUTORES
BIASI, p., PESSOA, S. B. e SOUZA, D. M.
BÜCHERL, W. e LUCAS, S. (nota previa)
FONTENELLE, T. J. H.
HOGE, A. R. e LIMA-VERDE, J. S.
HOGE, A. R. e ROMANO, S.A.
HOGE, A. R., SANTOS, N. P„ HEITOR, C., LOPES, L. A. e SOUZA.
I. M.
langlada, f. g.
LANGLADA, F. G. e BELLUOMINI, H. E.
LANGLADA, F. G. e BELLUOMINI, H. E.
LANGLADA, F. G„ BELLUOMINI, H. E. e MACHADO, J. C.
LANGLADA, F. G. e SHINOIYA, N.
LUCAS, S. e BÜCHERL, W.
MACHADO, J. C„ SOERENSEN, B„ AMARAL, J. P., PINTO, E. A. e
DONOSO, N.
OLIVEIRA, E. P. T.
PESSOA, S. B., BIASI, P. e SOUZA, D. M.
ROMANO, S. A. R. W. L. e HOGE, A. R.
SOERENSEN, B., YOSHIO, M. E. e ROCHA, M. C.
SOERENSEN, B. e ROSENBERG, G. M.
TRAVASSOS F 1 ', L. P.
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245-249
36:
267
36:
251-262
36:
215-220
36:
109-208
36:
221-232
36:
67- 72
36:
73- 78
36:
89-100
36:
101-108
36:
79-88
36:
233-240
36:
57- 66
36:
1- 40
36:
241-244
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209-214
36:
41- 49
36:
51- 56
36:
263-266
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ÍNDICE DE ASSUNTOS
Ablação cirúrgica
glândulas principais de veneno em serpentes do gênero Crotalus... 36: 89-100
Aranhas caranguejeiras
redescrições de gênero
nova espécie
36:
233-210
Antibioticoterapia
Choque transfusional por sangue contaminado
36:
41- 49
Antibioticoterapia
Contaminação bacteriana
36:
51- 56
Bctulismo
envenenamento pela ingestão de conservas
36:
1- 40
Botulismo
preparação do soro antibotulínico tipo A
36:
1- 40
Contaminação bacteriana
em banco de sangue
36:
51- 56
contaminação bacteriana
determinação — em sangue estocado
36:
51- 56
contaminantes
sangue estocado
36:
51- 56
contaminação bacteriana
antibioticoterapia
36:
41- 49
choque transfusional
por sangue estocado
36:
41- 49
ciclo sexual bienal
Serpentes Crotalus
36:
67- 72
cclostomia e cloacorrafia
em serpentes
36:
79- 88
Crotalus
ablação cirúrgica de glândulas principais de veneno
36:
89-100
Crotalus
ciclo sexual bienal
36:
67- 72
Crotalus
comportamento de serpentes
36:
101-108
Crotalus
histopatologia das glândulas acessórias de veneno
36:
101-108
271
SciELO
Crotalinae, Bothrops. Crotalus e Lachesis
Serpentes peçonhentas do Brasil
cicio evolutivo em laboratório
Triatoma pseudomaculata Corrêa e Spinola, 1964.
Desdobramento de glicose por bactérias
Determinação da contaminação bacteriana
sangue estocado
Derivação intestinal
Serpentes
Diagnose
Xenodon e Waglerophis
Envenenamento pela ingestão de conservas
soro antibotulínico tipo A
Esporulação
Culex dolosus
Esporulação
Hepatozoon roulei
Esporulação
hemoparasita de Bothrops alternatus
Hemipenicectomia bilateral
serpentes
Histopatologia das glândulas acessórias de veneno
Crotalus
hematozoários
hepatozoon, tripanosoma, e plasmódio
Hepatozoon roulei
esporulação
transfusão de sangue com hepatozoon
hemoparasita de Bothrops alternatus
esporulação
Imunopatologia
Tuberculose
Identificação de espécies de serpentes
Iauareté, Amazonas, Brasil
IÀophis mossoroensis
Liophis purpurans
Nova espécie
Aranhas caranguejeiras
Redescrição de gênero
Aranhas carangueijeiras
Serpentes peçonhentas do Brasil
Elapidae; Elapinae, Micrurus sp, Viperidae
Crotalinae, Bothrops, Crotalus e Lachesis
Serpentes coletadas em Iauareté, AM, Brasil
Identificação das espécies
36: 109-208
36: 251-262
36: 51- 56
36: 51- 56
36: 79- 88
36: 241-244
36: 241-244
36: 57- 66
36: 221-232
36: 215-220
36: 233-240
36: 233-240
36: 109-208
36: 109-208
36: 221-232
272
cm
SciELO
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Transfusão de sangue
hepatozoon
Transmissão congênita
serpentes
transmissão congênita
hematozoários
Triatoma pseudomaculata Corrêa e Spinola 1964
ciclo evolutivo em laboratório
Triatoma rvilliami Galvão e cols., 1965
Hemiptera, Reáuviidae, Triatominae
Triatoma williami Galvão e cols., 1965.
primeira observação no Estado de Mato Grosso
exemplar infectado com Tripanosoma tipo cruzi
Vacinação pelo BCG
Imunopatologia da tuberculoso
Waglerophis nom. nov.
Ophis Wagler
SciELO
36: 241-244
36: 245-249
36: 245-249
36: 251-262
36: 263-266
36: 263-266
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