M E M O RIA S
INSTITUTO
BUTANTAN
1973
VOLUME 37
SECRETARIA DE ESTADO DA SAUDE
CO 0 R DANADO RI fl DOS SERVIÇOS IÍCNIC0S ESPECIALIZADOS
INSTITUTO BUTANTAN
SÃO PAULO — BRASIL
SciELO
10 11 12 13 14 15
INSTITUTO BUTANTAN
SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE
Secretário — Dr. Getulio Lima Junior
COORDENADORIA DE SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS
Coordenador — Prof. Dr. Otto Guilherme Bier
INSTITUTO BUTANTAN - DIRETORIA GERAL
Diretora — Dra. Jandyra Planet do Amaral
I - DIVISÃO DE M1CROBIOLOGIA E IMUNOLOGIA
Diretor — Dr. Bruno Soerensen Cardozo
a) Serviço de lmunologia
Diretor — Dr. Raymundo Rolim Rosa
c) Serviço de Virologia
Diretor — Dr. René Corrêa
II - DIVISÃO DE BIOLOGIA
Diretor — Dr. Alphonse Richard Hoge
a) Serviço de Animais Peçonhentos
Diretor — Dr. Hélio Emerson Belluomini
b) Serviço de Genética
Diretor — Dr. Willy Beçak
III - DIVISÃO DE CIÊNCIAS FISIOLÓGICAS E QUÍMICA
Diretor — Dra. Alba Apparecida de Campos Lavras
a) Serviço de Bioquímica
Diretor — Dra. Fajga Ruchla Mandelbaum
b) Serviço de Farmacologia
Diretor — Dra. Mina Fichman
c) Serviço de Fisiologia
Diretor — Dr. Saul Schenberg
d) Serviço de Química Organica
Diretor — Dr. Raymond Zelnik
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MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN
INSTRUÇÕES AOS AUTORES
1 - FINALIDADE
As MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN são publicadas sob a
orientação da Comissão Editorial, sendo que os conceitos emitidos são de
inteira responsabilidade dos autores. Tem por finalidade a apresentação de
trabalhos originais que contribuam para o progresso nos campos da Biologia
e da Medicina, elaborados por especialistas nacionais ou estrangeiros que se
enquadrem no REGULAMENTO DOS TRABALHOS.
2 - REGULAMENTO DOS TRABALHOS
2.1 - NORMAS GERAIS
2.1.1. Os trabalhos devem ser inéditos e destinar-se exclusivamente à
revista “MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN”. Os artigos serão pu¬
blicados a convite da Comissão Editorial.
2.1.2 ESTRUTURA DO TRABALHO
2.1.2.1 Elementos preliminares
a) cabeçalho — título do trabalho e nome do autor (es);
b) filiação científica e endereço para correspondência.
2.1.2.2 Texto
Sempre que possível deve obedecer à forma convencional do
artigo científico:
a) Introdução — Estabelecer com clareza o objetivo do tra¬
balho, relacionando-o com outros do mesmo campo e apre¬
sentando de forma sucinta a situação que se encontra o
problema investigado. Extensas revisões de literatura de¬
vem ser substituídas por referências aos trabalhos mais re¬
centes, onde tais revisões tenham sido apresentadas.
b) Material c métodos — A descrição dos métodos usados
deve limitar-se ao suficiente para possibilitar ao leitor a
perfeita compreensão e repetição dos métodos; as técnicas
já descritas em outros trabalhos devem ser referidas so¬
mente por citação, a menos que tenham sido considera¬
velmente modificadas.
c) Resultados — Devem ser apresentados com clareza e,
sempre que necessário, acompanhados de tabelas e material
ilustrativo adequado.
v
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z
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d) Discussão — Deve restringir-se à apresentação dos dados
obtidos e dos resultados alcançados, relacionando-se novas
contribuições aos conhecimentos anteriores. Evitar hipó¬
teses ou generalizações não baseadas nos resultados do tra¬
balho.
e) Conclusões — devem ser fundamentadas no texto.
Dependendo do assunto do artigo, as divisões acima poderão ser modifica¬
das de acordo com o esquema de trabalho, porém, o artigo deve conter obriga¬
toriamente:
a) Introdução;
b) Desenvolvimento do tema (com as divisões a critério do
autor);
c) Conclusão.
Agradecimentos — devem ser mencionados antes das Referências Biblio¬
gráficas.
2.1.2.3 Material de Referencia
Todo trabalho deve vir obrigatoriamente acompanhado de:
a) RESUMO — um no mesmo idioma do texto, outro em
inglês, redigidos pelo(s) próprio(s) autor(s), devem
expressar o conteúdo do artigo, salientando os elementos
novos e indicando sua importância. O resumo na língua
em que esta redigido o trabalho deve ser colocado antes
do texto; e o em inglês no final. Só excepcionalmente ex¬
cederá a 200 palavras. Os títulos dos trabalhos devem ser
traduzidos para o inglês e vice-versa.
b) UNITERMOS — Correspondendo a palavras ou expres¬
sões que identifiquem o conteúdo, devem ser em número
necessário para a completa descrição do assunto e assina¬
lados com asteristicos os 3 unitermos principais. Para a
escolha dos unitermos usar o vocabulário protótipo do
campo especializado. 0
c) REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS - Devem ser in¬
cluídas apenas as referências mencionadas no texto e arran¬
jadas em ordem alfabética do sobrenome do autor, nume¬
radas consecutivamente.
Periódico:
AMORIM, M. de F, MELLO, R. F. e SALIBA, F. -
Envenenamento botrópico e crotálico. Contribuição
para o estudo experimental comparado das lesões,
Mem. Inst. Butantan, 23: 63, 1950-51.
* Para as ciências da saíide usar o “Medicai Subiect Headings”. com tradução em português
realizada pelo Grupo de Bibliotecários Biomédicos da A.P.B.
VI
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Livros
BIER, O. — Bacteriologia e imunologia, 1, 13. ed. Melho¬
ramentos, São Paulo, 1966.
As citações no texto devem ser em números índices, correspondendo às
respectivas referências bibliográficas.
Examplos:
As investigações sobre a fauna flebotomínica no Estado de São Paulo,
foram feitas em várias ocasiões 3 - 4 .
... método derivado de simplificação de armadilha de Disney 2 (1968).
Referencias Bibliográficas (correspondentes aos números índices)
1. BARRETO, M. P. — Observações sobre a biologia em condições naturais
dos flebótomos do Estado de São Paulo (Diptera Psychodidae); São
Paulo. 1943. (Tese — Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo).
2. DISNEY. R. PI. L. — Observations on a zoonosis: leishmaniosis in British
Honduras. ]. appl. Ecol., 5:19, 1968.
3. FORATTINI, O. P. — Algumas observações sobre Biologia dos flebótomos
(Diptera, Psychodidae) em região da bacia do Rio Paraná (Brasil).
Arq. Fac. Hig. S. Paulo, 8.T5-136, 1954.
3. FORATTINI. O. P. — Novas observações sobre Biologia de flebótomos
em condições naturais (Diptera, Psychodidae). Arq. Fac. Hig. S.
Paulo. 25:209-15, 1960.
3 - NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DOS ORIGINAIS
3.1 — Datilografia — Os originais devem ser datilografados, em 3
(tres) vias, com espaço duplo, em uma só face, mantendo as
margens laterais com 3 cm aproximadamente. Todas as pá¬
ginas devem ser numeradas consecutivamente, com algaris¬
mos arábicos, no canto superior direito.
3.2 — Tabelas — Devem ser numeradas consecutivamente com al¬
garismos arábicos e encabeçadas pelo seu título. Os dados
apresentados em tabela não elevem ser, em geral, repetidos no
texto. As notas de rodapé das tabelas devem ser restritas ao
mínimo possível e referidas por asteriscos.
3.3 — Ilustrações — (fotografias, desenhos, gráficos, etc) — As
ilustrações devem ser numeradas consecutivamente com al¬
garismos arábicos e citadas como Figuras. Todas as figuras
serão identificadas fora da área de reprodução com: número,
nome do autor, título abreviado do trabalho, indicação da
página de texto onde deverão constar. As legendas devem ser
apresentadas em folhas à parte. As ilustrações devem permitir
perfeita reprodução em clichês até a redução mínima de 6,3
cm. Os desenhos devem ser feitos em papel vegetal e tinta
nanquim preta e as letras com normógrafo, nunca datilo-
gradas.
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VII
], | SciELO
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MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN
CONTEÚDO
Artigos originais / Original Articles
1 Ofionimia Ameríndia na Ofiologia Brasíliense .
Amerindian Ophionymy in Brazilian Ophiology
Afrânio do AMARAL
2 Contribuição para o estudo do Ácido Bórico como antisséptico de
sangue conservado.
Contribution on the Study of Boric Acid as an Antiseptic for
Stored Blood.
Bruno SOERENSEN
3 A area de Educação do Instituto Butantan.
The Area of Education at the Instituto Butantan
Rosa Pavone PIMONT
4 Estudo eletroforético em “Cellogel” de venenos do gênero Bothrops
Electrophoretic Study in “Cellogel” of Venoms of the Genus
Bothrops.
Medardo SILES VILLARROEL, Raymundo ROL1M ROSA, Rey-
naldo S. FURLANETTO & Flavio ZELANTE
5 Localização do fator coagulante no espectro eletroforético do veneno
de Bothrops moojeni .
Localization of the Coagulating Faetor in the Electrophoretic Spec-
trum of the Bothrops moojeni Snake Venom.
Medardo SILES VILLARROEL, Reynaldo S. FURLANETTO, Fla¬
vio ZELANTE & Raymundo ROLIM ROSA
6 Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botró-
picos inoculados por via venosa em camundongos Mus musculus
Linnaeus 1758.1 Fenômenos que ocorrem na tentativa de determi¬
nação da DL50 .
Contribution to the Study of Determination of the LD50 of Bothro-
pic Venoms Intravenousíy Inoculated in Mice Mus musculus Lin¬
naeus 1758.1 Fenomenous that Occur on Trials of the LD50 deter¬
mination.
Reynaldo S. FURLANETTO, Eavmundo ROLLIM ROSA, Medardo
SILES VILLARROEL & Yara Q. SIRACUSA
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7 Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botró-
picos inoculados por via venosa em camundongos Mus masculus
Linnaeus 1758.11 — Possibilidade de determinação da DL50 através
da inoculação previa de doses infra-letais do próprio veneno .
Contribution to the Study of Determination of the LD50 of Bothro-
pic Venoms Intravenously inoculated in Mice Mus musculus Lin¬
naeus 1758.11 — Possibility of Determining the LD50 through
Previous Inoculation of Sublethal Doses of the Same Venom.
Reynaldo S. FURLANETTO, Raymundo ROLIM ROSA, Medardo
SILES VILLARROEL & Flavio ZELANTE
109
8 Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos
botrópicos inoculados por via venosa em camundongos Mus mtts-
culus Linnaeus 1758.11 — Possibilidade de determinação da DL50,
através da proteção cruzada conferida por doses infra-letais de
outros venenos de serpentes do mesmo gênero . 123
Contribution to the Study of Determination of the LD50 of Bo-
thropic Venoms Intravenously Inoculated in Mice Mus musculus
Linnaeus — 1758.III — Possibility of Determining the LD50 by
Cross Protection through Sublethal Doses of Venoms from Snakes
of the Same Genus but of Different Species.
Reynaldo S. FURLANETTO, Raymundo ROLIM ROSA, Medardo
SILES VILLARROEL & José NAVAS
9 Contribuição ao estudo da determinação da DL50 do veneno de
Crotalus durisstis terrificus (Laurenti, 1768) em Mus musculus Lin¬
naeus 1758 . 131
Contribution to the Study of Determination of the LD50 of Crotalus
clurissus terrificus (Laurenti, 1768) Venom in Mus musculus
Linnaeus 1758.
Raymundo ROLIM ROSA, Sirdeia M. P. FURLANETTO, Medardo
SILES VILLARROEL & Flavio ZELANTE
10 Estudos sobre a fixação eletiva e quantitativa do veneno de Cro¬
talus durisstis terrificus nos tecidos nervoso, renal, hepático e
muscular de Mus musculus Linnaeus 1758 . 139
Studies on Elective and Quantitativo Fixation of Crotalus durisstis
terrificus Venom in Nervous, Renal, Hepatic and Muscular Tissues
of Mus musculus Linnaues 1758.
Walter BANCHER, Raymundo ROLIM ROSA & Revnaldo S. FUR¬
LANETTO
11 Lesões da medula espinhal no megacólon
Lesions of the Spinal Cord in Megacolon
Ruy PIAZZA
149
12
Ocorrência de neoplasia mesenquimal fuso-celular em peixe da
espécie Moenkhausia dichroura (Kner, 1858) . 233
Occurence of Fusocellular Mesenchymal Neoplasia in Fisli of the
Species Moenkhausia dichroura (Kner, 1858)
Jesus Carlos MACHADO, Isao Konda & Lilian Suzan LIMA
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13 Anomalias congênitas em nma ninhada de cascavéis . 239
Congenital Anomalies in a Rattlesnake Hatch
Francisco Garcia de LANGLADA
14 Determinação da época de fecundidade em fêmeas do gênero Cro-
talus . 253
Determination of the Feeundity Period in Females of the Genus
Crotalus
Francisco Garcia de LANGLADA, Marinei F. GONÇALVES & Edna
T. RODRIGUES
15 Contribuição ao conhecimento das serpentes do Estado de Pernam¬
buco . 261
Contribution to the Knowledge on Snakes of the State of Pernambuco.
Carmen Lucia dos Santos CORDEIRO & Alphonse Richard HOGE
16 Considerações taxonômicas sobre cistos escpiizogônicos e sobre ga-
metócitos de Hepatozoon (Sporozoa, Haemogregarinidae) parasitas
de serpentes brasileiras . 291
Taxonomic Considerations on Schizogonic Cysts and on Gameto-
cytes of Some Species of Hepatozoon (Sporozoa, Haemogregari¬
nidae) Parasites of Brazilian Snakes
Samuel B. PESSÔA & Pérsio de BIASI
17 Nota taxonômica sobre cistos esporogônicos de algumas espécies
de Hepatozoon (Sporozoa, Haemogregarinidae) parasPas de ser¬
pentes brasileiras .. 299
Taxonomic Note on Sporogonic Cysts of Some Species of Hepa¬
tozoon (Sporozoa, Haemogregarinidae) parasites of Brasilian Snakes.
Samuel B. PESSÒA & Pérsio de BIASI
18 Plasmódio de uma lagartixa Urostrophus vautieri D. & B. (Sauria,
Iguanidae) . 309
Plasmodium of a Lizard, Urostrophus vautieri D. & B. (Sauria,
Iguanidae)
Samuel B. PESSOA & Pérsio de BIASI
19 Ação larvi e molusquecida do “Tego 51”: . 317
Larvi and Molluscicidal Action of “Tego 51”
Lauro P. TRAVASSOS F.°, Bruno SOERENSEN & Terezinha H.
FONTENELLE
20 Hemoglobin in Mitochondrion-like Organelles of Immature Ghick
Embryo Erythrocytes . 327
Hemoglobina em organelos semelhantes a mitocôndrio de eritró-
citos de pinto.
} R. R. COIRO, A. BRUNNER JR., M. L. SCHWANTES & A. R.
SCHWANTES
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SciELO
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Mein. Tnst. Butantan
37: 1-15, 1973
OFIONIMIA AMERÍNDIA NA OFIOLOGIA BRASILIENSE
AFRÁNIO do AMARAI,
UNITERMOS: Nomes indígenas. UNITERMS: Indigenous names.
Oíiologia do Brasil. Brazilian Ophiology.
INTRODUÇÃO
O presente tentame de interpretação da pronúncia e possível forma de
inúmeras e estranhas vozes e vocábulos ameríndios aplicados à diferenciação
de nossos ofídios procura associar o conhecimento biológico haurido do con¬
tacto direto de cerca de 70 anos com a ófio-fauna americana aos ensinamentos
colhidos da consulta da extensa e dispersa bibliografia relativa às línguas in¬
dígenas, sobretudo o Guarani (G) e o Tupi (T) antigos, além de dialetos
deste como o Nhêengatu (Nh) e o Brasiliano (Bh) de fase menos recuada de
nossa História, a par da Língua Geral (LG) e do Botocudo (Botoc.).
Essa consulta devia necessariamente abranger as obras de numerosos au¬
tores que, pela ordem alfabética sobrenominal, podem ser assim lembrados:
C. Abbeville, pe. J. de Anchieta, fr. Arronches, P. Ayrosa, pe. L. Barbosa, M.
Bertoni, B. Caetano, F. Cardim, A. de Casal, C. Drumond, Saint-Hilaire, A.
v. Humboldt, J. Laet, J. Léry, C. Magalhães, G. Marcgrave, F. Martins, C.
Monteiro, A. Montoya, fr. Onofre, W. Piso, P. Bestivo, B. Rodrigues, T.
Sampaio, G. Soares, v. d. Stein, S. Stradelli, G. Tastevin, C. Teschauer, A.
Thévet, K. Varnhagen e M. Wied.
As dificuldades inerentes à percepção do justo sentido das vozes íncolas,
ouvidas de pequenos grupos humanos disseminados pela imensidão de nosso
território — agravadas pela falta de linguagem escrita e de continuidade lin-
güística e populacional e, ainda, interpretada diversamente de acordo com a
origem de cada interlocutor, fosse ele simples viajante, devotado historiógrafo,
piedoso catequista, ou meticuloso pesquisador — essas dificuldades (que já
haviam sido postas de manifesto desde a obra pioneira de Anchieta em sua
memorável Gramática, tendo-se agravado com a progressiva extinção das
tribos de autóctones) continuam a impedir a confecção de trabalhos que
sejam bem aceitos pelos leitores mais exigentes.
Insatisfeito com os resultados colhidos nos primeiros anos de nosso in¬
teresse por esse assunto — quando em nossa infância demos de anotar as
inflexões da linguagem Nhêengatu (cuja ofionimia, como a do Tupi em geral,
é bastante objectiva e de carácter descritivo) — tratamos, desde os idos
de 1910, quando éramos mero docente de grego e latim ginasiais, de estabele¬
cer contacto pessoal com luminares da Tupinologia, quais, entre os brasileiros,
Theodoro Sampaio, Plínio Ayrosa, Lemos Barbosa e, por último, Carlos Dru-
Kndereço para correspondência:
R Paulo, SP. Brasil
K. 0n Bela Sintra, 75a
1
í, | SciELO
AMARAL/, A. do — Ofionimia Ameríndia na Ofiologia Brasiliense.
Mem. Inst. Butantan, 37: 1-15, 11)73.
mond, Egon Schaden, Herbert Baldus, Aryon Rodrigues e Frederico Edelweiss
e, entre os estrangeiros, os nossos amigos paraguaios, prof. Diaz Bordenave e
eng°, Daumas Ladouce. A todos eles somos agradecido pela orientação e
esclarecimentos de cuja falta tanto nos ressentíamos. E que nos levaram a
aproveitar tão feliz ensejo para pôr-nos em dia com o progresso que, desde o
nosso primeiro ensaio realizado em 1925 (m Boi. Mus. Nac., Rio, 2 (2):
1-13, 1926), se registou no conhecimento de novas sutilezas do Tupi-Guarani
em nosso meio.
Ao culminar nesta monografia a nossa desvaliosa obra no domínio da
Herpetologia resolvemos nela deixar consignadas — sem embargo das muitas
limitações que ainda mais se patenteiam neste longo inverno de nossa exis¬
tência — deixar consignadas as impressões que resultaram de nossos contactos
com a ofionimia dos indígenas brasileiros, na esperança de que elas possam
por ventura interessar as novas e futuras gerações.
VOCABULÁRIO
VOCABULARY
Nomes indígenas aportuguesados
Portuguese forms of Brazilindian
de serpentes
names of snakes
Tentame interpretativo
Interpretative attempt at
da conotação
their connotation
Leg.: T = Tupi +
LG — Língua Geral Nh = Nheengatu
-}- (Br = Brasiliano)
G = Guarani
Acutimbóia, Nh akuti (cutia)-mbóia
(serpente), 22*: serpente de cotia.
agouti snake
Chironius carinatus (L)
Arabóia ou Ararambóia, T ará(r) (ara-
ra)-bói (serente )-a; Nh arara (arara)-
-‘mbói (serente)-a, 20: serente de arara.
macaw snake
Boa canina L.
BoiaçUj Boiuçu, T ou Boiguaçu, 1 LG —
= (‘m)bó i (serpente)-icflSM ou djusú
(grande), 4,6.7,8,64: grande serpente 2 .
big snake + ; ‘boa’
Constrictor c. constrictor (L.)
Constrictor c. amarali Stull
Boichumbeguaçu (Boichimbèguaçu ou
Boitimbeguaçn), LG (‘m)bói (serpen-
to )-chin ou ti (nariz) bê, pé ou peba
(chato) wasú ou djuasú (grande), 75,76,
77: grande serpente (de) nariz (foci¬
nho) chato.
flatsnouted big snake
Micrurus lemniscatus (L.)
Micrurus spixii Wagler
Boicininga, T ou Boicinim. G bói
ou ‘mbói (serpente)-sinign sinl (tininto,
que tine): 96: serpente tininte.
clinking snake
Crotalus durissus cascavella (Wagler)
Crotalus durissus terrificus (Laur.)
Crotalus durissus collilineatus (Ama¬
ral)
1. Estes nos. indicam as páginas do original de nossa I.C.S.B.
2. O erudito prof. Aryon Rodrigues (dir. Sec. Ling. Mus. Nac., Rio) assim se
manifestou <in cons.) a propósito deste nome: “Esta variante da antecedente provém:
ou de um dialeto da Língua Geral que tivesse estendido o uso de — wasú para depois
de consoantes (em lugar dc usú, como em T) e que teria assim mbóywasú; ou de uma
substtiuição em portuguuês, por analogia com palavras como sagulguasú, etc.”.
cm
SciELO
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AMARAIj, A. do — Ofionimia Ameríndia na Ofiologia Brasiliense.
liem. Inst. Butantan, 3 7 : 1-15, 1973.
VOCABULÁRIO
V OCABULARY
BoiciPó, T (‘m)bói (serente)-isipó (ci¬
pó, liana), 22: serpente cipó.
liana snake
Chironius carinatus (L.)
Eudryas boddaerti (Sentzen)
Dentrophidium dendrophis (chlegel)
Philodryas nattereri (Steindnacher)
Pliilodryas psammophideus (Günther)
Boicorá ( Bacork ), G ‘mboi (serpente)
—•+ korá (do Fort. coral), 55 56,66: ser¬
pente (côr de) coral.
coral snake
Philodryas trigeminus (D., B. & D.)
Erythrolamprus aesculapii (L.)
Boicoatiara T ou Boicotiara, G Cm)bíi
(serpente)-kwatiara (desenhada), 83:
serpente desenhada (pintada).
painted snake
Bothrops alternata (D., B. & D.)
Bothrops cofiara (Gomes)
Boiguaçu — Vide Boiaçu.
Boiobi ou Boiobu, T/G (‘m)bói (serpen-
te)-o!n (verde), 9,62,65: serpente verde.
green snake
Philodryas aestivus (D., B. & D.)
Philodryas olfersii (Lichtens.)
Philodryas viridissimus (L.)
Boipeba ou Boipeva, Boipé T/G
Boipèvaçu, T (‘mibór ( serpente)-peba
(chata)-rasM (grande), 50: serpente cha¬
ta/grande serpente chata.
flat/big flat/snake
Xenodon merremii (Wagler)
Leiosophis gigas (D., B. & D.)
Boipininia, T (‘m)boi (serpente)-pmima
(pintada, com pintas), 74: serpente-pin-
tada.
speckled snake
Micrurus frontalis (D., B. & D.)
Boipiranga, T (‘ m)bói (serpente) -piran¬
ga (côr vermelha), 69: serpente côr ver¬
melha.
red snake
Elapomorphns tricolor (D., B. & D.)
Boiquira (Boiquirá), T Cm)boi (ser-
pent e)-kira (kirá, gorda), 96: serpente
grossa.
thick snake
Crotalus durisSus cascavella (Wagler)
Crotalus durissus collilineatus (Ama¬
ral)
Crotalus durissus terrificus (Laur.)
Boiuru ou Boiru, G Cm)bó t (senpente)
-urú (atacar, que ataca para comer),
54: serpente comedora (das outras?)-
ofiófaga).
eater (ophiophagous?) snake
Pseudoboa cloelia (Daudin)
Bòitiapó (nec Boitiabóia), T (‘m)boi-ti
(isi)pó (cipó), 22,66: serpente-cipó.
liana snake
Chironius carinatus (L.)
Oxybelis aeneus aeneus (Wagler)
Boitiaporana ou Boitiporana, Nh (‘m)~
boy (serpente)- ti(ísi)pó (cipó)-rana ;
64: falsa (parecida com) serpente-cipó.
liana-like snake
Philodryas schottii (Schlegel)
Boiuna T (‘m)bói (serpente)- (y) una
(preta),, 4,54: serpente preta.
black snake
Eunectes murinus (L.)
Cainana (Acaninana), T (a)ka (cabe-
qa)-rtl (pequena)-ítajid (irritada), ou
Canihana ( Canina) G (cf Bordenave),
I8b, 0: pequena cabeoa irritada.
angry, small-headed (snake)
Spilotfís pullatus pullatus (L.)
Spilotes pullatus maculatus (Amaral)
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1 AMARAL, A. do — Ofionimla Ameríndia na
1 Mcm. Inst. Butantan , 37: 1-15, 1973.
Ofiologia Brasiliense.
■ VOCABULÁRIO
VOCABULARY
I Caissaca ou Caiçaca, T kai(a) (arder)-
I (s )aka (colmilho) 80: (de) vcolmilho
1 (presa) que arde, ou faz arder.
burning-fanged (snake)
Bothrops atrox (L.)
1 Coatiara, T ou Cofiara, G kwatiara (a
I desenhada), 80,83: a (serpente) desc-
I nhada.
painted (snake)
Bothrops ulternata (D., B. & D.)
Bothrops cotiara (Gomes)
| Curidjn, G - — Vide Sucuri, ( Su)curiju.
I Cururubóia, Nh kururú (sapo)-(‘m)bói
(serpente)-a, 47,48: serpente de (que
come) sapo.
toad snake
Xcnoilon severus (L.)
1 Ibiboboca, T ou Ibiboca, G ibi (terra,
| solo)bobolca (cavar muito) ou boka (ca¬
var), 72,75: (a que) cava muito (fura¬
dora) a terra.
earth perforator
Micrurus corallinus corallinus (Wied)
Micrjirus lemniscatus (L.)
Atractus elaps (Günther)
Jabotibóia, Nh jabuti (cágado, jabo-
ti)-(,‘vi)bói (serpente-)a, 28: serpente
jaboti.
turtle-like snake
Lcimadophis retjinae (L.)
Jaçanarana, T *jasanã (piassoca, jaça-
n &)-rana (parecido com, falso), 48: pa¬
recida com jaçanã.
jaçanã-liúe snake (or jara(ka)ca-likc
snake)
Xenodon severus (L.)
Jararaca, T ou jarará, G yarâ-ra (que
agarra muito) ( r)aka (colmilho, presa),
87: (a de) presa que agarra muito.
much holding fanged (snake)
Bothrops jararaca (Wied)
Jaracaçu ou jararacuçu, T yararak-tja.-
raraca)-asií/MStí (grande), 88: jararaca
grande (maior).
big jararaca
Bothrops jararacussu (Lacerda)
Jararacambeva T, jaracabeva, G yara-
ráka(m) (jararaca)-p/bebrt (chata), 47:
jararaca chata.
flat “jararaca”
Xenodon merremii (Wagler) j
Jauücanga, Tya(g)uá(r) (onça)-(a) cágre
(cabeça), 7: cabeça de onça (jaguar).
puma.headed (snake) |
Constrictor c. constrictor (L.) 1
Jeriqud, T (Br) jírí/jurú (boca)-quú
profunda), 47: (de) boca profunda.
íhaving) deep mouth (snake) H
Xenodon merremii (Wagler) j
Jibóia, 7,8,46: Nota: em trabalhos ante¬
riores, havíamos (desde 1928) relegado
os étimos invocados por T. Sampaio,
C. Teschauer e outros especialistas, por
nos parecerem indefensáveis dos pon¬
tos-de-vista semântico e biológico; e, no
impasse a que chegou a matéria, recor-
rainbow snake * 1
Constrictor c. constrictor (L.) 1
Epicrates ccnchria cenchria (L.) 1
Epicrates cenchria crassus (Cope) 1
4 1
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AMARAL, A. do — Ofionimia Ameríndia na Ofiologia Brasiüense.
Mrm. Inst. Butantan, .i7 : 1-15, 1973.
VOCABULÁRIO
VOCABULARY
remos às luzes do nosso perquirente
confrade prof. Frederico Edelweiss.
Dessa nossa iniciativa, resultou o inte¬
ressante parecer com que o reputado
tupinólogo nos brindou (ire litt.) e de
cujo texto trasladamos para aqui os se¬
guintes tópicos: Serpente de arco-íris:
“Arco-íris em tupi é iyyba, literalmen¬
te cabo de cunha, que em composição
com (m)boía, se apocopou obrigato¬
riamente em i ?/;(/, formando inicial¬
mente iyyboia que, como vemos, pela
lei do menor esforço, se contraiu em
iyboia, o nosso jiboia Vide texto in
pp. 10-11 da presente e modesta contri¬
buição ( + ).
Maracàbóia, Nh maraká (chocalho)-
-Cmjbóia (serpente), 96: serpente cho¬
calheira.
Moçurana, T. mosú (enguia )-rána (fal¬
sa, parecida com), 54: parecida com
muçu(m) ou enguia.
Nhuaçu/Nhuguaçüquara, T/G nhú
(campo )-açú/wasú (vasto)-(q )oara (mo¬
rador), 24: que vive no campo Vasto.
Pepeua, Pepeva (Pupeba), Nh pepeba
(muito chata), 50: a muito chata.
Quiriripitá, G kwiri-ri (muito silencio-
sa.)-pitá (pousar), 48: a que pousa si¬
lenciosa (dorminhoca).
Sacaibóia, Nh sakai (ramo seco)-(‘ro)
bóia (serpente), 23: serpente-ramo seco.
Suaçu/Suguaçubóia, LG/G suasú (vea¬
do, cf Edelweiss)-(‘m)boi (serpente)a,
9: serpente-veado (veadeira)- ( Gua-
cubríi).
Epicrates cenchria hygrophilus (Ama¬
ral)
Epicrates cenchria polylepis (Amaral)
Epicrates cenchria xerophilus (Amaral)
Xenodon colubrinus (Bünther)
rattle-snake
Crotalus durissus cascavella (Wagler)
Crotalus d. collilineatus (Amaral)
Crotalus d. terrificus (Laurenti)
eel-like
Pseudoboa cloelia (Daudin)
wide field dweller
Thalerophis richardi Uocercus (Wied)
very flat (snake)
Xenodon merremii (Wagler)
silent (sleepy)-lyer
Dipsas albifrons (Sauvage)
Dipsas indica (Laurenti)
Síbynomorphus sp., sp.
dried-branch snake
Chironius sex-carinatus (Wagler)
deer-snake
Eunectes rnurinus (L.)
Constrictor c. constrictor (L.)
Constrictor c. amarali Stull
Boa hortulana L.
Epicrates cenchria cenchria (L.)
Epicrates c. crassus (Cope)
Epicrates c. hygrophilus (Amaral)
Epicrates c. polylepis (Amaral)
Epicrates c. xerophilus (Amaral)
2. Quanto ao antecedente deste termo, o douto confrade, prof. F. Edehveiss (Fac.
Filos. Univ. Baia, in Rev. Inst. Est. Brasil. 1969, 7:45, nota 56) esclarece: “A trans¬
formação do w em u é relativamente comum no próprio tupi clássico. No brasiliano
(LB do Norte), suasú se fixou definitivamente e assim se incorporou ao português.
No guarani, o vocábulo ficou reduzido, por aférese, a guasú. O desenvolvimento dia¬
letal do velho têrmo sygúasú > súgúasu > suasú mostra claramente que nada tem
que ver ctimologicamente com sod-asií-caça grande”.
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AMARAL, A. do — Ofionimia Ameríndia na
Mem. Iyist. Butantan, 3 7: 1-15, 1973.
Ofiologia Brasiliense.
VOCABULÁRIO
VOCABULARY
Sucuri , Sucuri ju ou (Su)curidju, G/T
/Sucuríjuba ou Sucuruiuba, Nh soo ou
suú (morder,, que morde)-kori (rápi¬
do )-ji{ G, juba (ou iuba) Nh (amarelo)
(de barriga) amarela: a de barriga
amarela, que morde rápido.
quick-biting and yellow (belly)
river (water)-snake
‘anaconda’/‘ampallagua’
Eunectes murinus (L.)
Eunectes notacus (Cope)
Surucucu, T/G soo, suú/su(.r)ú (mor
der), (que morde)-(fc)K(/c)w (muito, '18:
a que morde muito.
Lachesis muta (L.)
Surucuciirana, T surukukú (surucucu)-
-rána (parecida com, falsa), 12: seme¬
lhante (colorido e folidose dorsal) à Su¬
rucucu.
surucucu-ípersistent biter)-like (snake)
Helicops angulata (L.)
Surucü(cu)tinga, T surukukú (suru-
cucu)-fí|ja. (branco), 78: Surucucu
branco (claro).
white surucucu (persistent biter)
Lachesis muta (L.)
Tiapòrana/(Boí)tiapòrana, T (‘m)bói
(serpente)-fi(isi)pd (cipó, liana) )-rana
(falsa), 64: falsa serpente-cipó.
liana-Iike snake
Philodryas schottii (Schlegel)
Trairabóia, Nh t(a)reira (contorcedo-
ra )-(‘m)bói (serpente)-a; 36: serpente-
traira.
traira-(brook fish)-\vriggling snake
Liophis miliaris miliaris (L.)
Ubiraquá/Ibiràquára, G/T ibirá (árvo-
r e)-(q)oara (morador), 60: a que vivo
(mora) na árvore.
tree-dweller
Dryophylax pallidus strigilis (Thun-
berg)
Urâpiaguara, T ivirá (guirá, pássaro)-
-(u) pi (ovo)-awara (comedor) 23: o
que come ovos de pássaros.
bird-egg eater
Chironius fuscus (L.)
Urutu, G, u(r)ú (atacar, picar)-itíií
(arremesso), 80: a que pica de arre¬
messo. Urutu dourado et al.
thrusting biter
Bothrops alternata (D., B. & D.)
Bofhrops jararacussu (Lacerda)
NOTAS
Segundo mostramos alhures (in Boi. Mus. Nacional, Rio, 1928, 2, 2:6; ei
Biologia e Lingüística, Ed. Edigraf. S. Paulo, 1945: 17,49), ao nome “Jibóia”,
que a final se confinou à espécie terrestre Ccnstrictor constricior (L.), foram,
ainda no começo deste século, atribuídos os sentidos de “cobra d’água” (Tb.
Sampaio in O Tupi na Geografia Nacional, Ed. E. A. A., Bahia, 1918:203:
Tupi “gihi-boy”) e de “cobra das rãs” (C. Teschauer in N. Diccion. Nacional,
Ed. Livr. Globo, P. Alegre, 1928:449: — Tupi “gyi-boy”) embora tais sentidos
antes lembrassem a espécie aquática Eunectes murimis.
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AMARAL, A. do — Ofionlmia Ameríndia na Ofiologia Brasiliense.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 1-15, 1973.
É certo que G. Soares de Souza, em sua famosa obra Notícia do Brasil
(escrita no fim do século XVI, mas só descoberta e publicada por ]. M.
Conceição Velloso no começo do século XIX), se referiu, no c. CIX, à “giboia”
como sendo serpente que atinge 10 a 12 m de comprimento e vive em rios e
lagoas, o que a identificaria como E. mininus; todavia, no c. CX, registou novo
ofídio com símiles caracteres, ao qual atribuiu outro nome tópico, i. e.,
“sucuriu” (inconfundível com “jiboia”).
Mais despistantes ainda são as alusões feitas às duas volumosas bôidas
sob os nomes de “boiguaçu”, “jiboia” ou “cobra de veado” e “boi guaçu” ou
“cobra veadeira”, respectivamente, por W. Piso e G. Marcgravius in Historia
Naturalis Brasiliae, Ed. F. Hackium, Leida & L. Elzevirium, Amsterdão, 1648,
c. III et c. XIII, fig...
A este respeito cumpre-nos lembrar os seguintes fatos:
1. A espécie terrestre nutre-se, preferentemente, de roedores (musara¬
nhos, ratos e outros), preás, mocós, lebres, pacas e cutias, além de pequenos
veados, alimento que lhe é compatível com o tamanho e particular ecologia;
assim, ela poucas vezes recorre à constrição exceto quando apanha, p. ex.
na orla da caatinga, onde costuma caçar, algum veado “Suaçu-berá” (M.
simplicornis) — donde o nome de “oobra-de-veado”, repetido por Marcgrave
e M. Wied ou, no campo circunjacente a lugares habitados, uma ou outra
cabra ou cabrito.
2. A espécie aquática (anfíbia) é onicarnívora, comendo, irrestritamente,
quando jovem: peixes e rãs; e, mais tarde, aves, porcos, veados e outros
animais, de acordo com o tamanho de seu corpo e aparelho digestivo e com
as facilidades de seu duplo habitat; porisso, ela geralmente recorre à cons¬
trição.
3. Linnaeus foi talvez induzido a aplicar, em seu Syst. Naturae (1758) o
nome murirta à espécie aquática, pelo carácter de caçador de ratos (“murium
insidiator”) que Seba atribuiu a este ofídio na obra B. Natur. Thesauri (1735),
táb. 29, cuja fig. 1 chegou a mostrar um rato ao lado (embora em plano
inferior) da serpente.
4. Visivelmente impressionado com os erros cometidos, em conhecidas
obras clássicas no gênero, por vários autores (sobretudo Linnaeus in Syst.
Naturae, 1758; Laurentius, in Synops. Reptilium, 1768; Lacépède in Hist.
Naturelle, 1789; Latreille in H. Nat. Reptiles, 1801; Schneider in Hist.
Amphibiorum, 1801; Daudin in Hist. Nat. Généralc, 1803; e Merrem in
Tent. Syst. Amphibiorum, 1820), Schlegel in Essai, 1837, tentou seriamente
sistematizar a questão e estabelecer — à luz de dados menos incorretos sobre
o habitat de várias e importantes bôidas — melhor base para a distinção de
tais serpentes, cujas definições se basearam sobretudo em velhos exemplares
mal conservados em coleções de museus. E, por coincidêircia, ao tratar de
murina, ele chegou a dizer que Lineu “a donné à cette espèce un nom assez
vague que les auteurs cependant ont eonservé”.
5. Quanto à distinção entre essas duas conspícuas espécies, Wied, sendo,
ao lado de W. V. Eschwege (in J. v. Brasilien, Weimar, 1818, 2:276), dos pou-
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AMARAL, A. do — Ofionimia Ameríndia na Ofiologia Brasiliense.
Man. Inst. Butantan, 37 : 1-15, 1973.
cos cientistas-viajantes que travaram conhecimento direto com tais serpentes
in vivo e no habitat natural, conseguiu indicar reais diferenças morfo-bioló-
gicas entre murina (sob a designação de aquatica) e constrictor. Todavia
no ulterior preparo do texto de suas notáveis monografias (Reise d. Brasilien,
1820; Beitr. zur Naturgeschichte v. Brasilien, 1825; Abbildung, 1831), Wied
incluiu, na descrição de constrictor, particularidades da “cobra de veada”
(sic). Quanto a esta expressão lusitana, que primeiro surgiu na citada obra
de Piso e Macgravius (1648), nossas pesquisas herpetológicas e lingüísticas
conduzem-nos a admitir que esses autores, ao versarem nossas “bôidas , foram
induzidos a êrro por duas expressões regionais de origem tópica, a saber:
a) “Boiaçu” T, cujo sentido de “grande serpente”, aplicável à constrictor
(ou serpente grande, cujo comprimento alcança quase 5 m), corresponde em
Botocudo a “kuong-kuong (onomatopêico) — gipakiu” (cujo 2.° termo sig¬
nifica “grande”). E, segundo sabemos, C. constrictor, em seu habitat sub-xero-
fítico a xerofítico é uma das “serpentes de veado” (serpentes veadeiras). pois
chega a comer até M. simplicicornis: guaçu-berá ( 0 ) A par desta forma,
própria da zona do dialeto brasiliano (típico, mais recente e usado no
Norte), existe — desde NO (Rondônia) ate S de Mato Grosso a forma
“mbôiguaçu G.”
b) “Mbôiguaçu' G, conforme mostrou o confrade prof. F. Edelweiss
(in Rev. Inst. Estudos Brasileiros 1969, 7: 40, 45), realmente significa “cobra-
-veado” (=veadeira) e não “cobra grande”; isto, porque tal guaçu teria
vindo de “syguasu > sngúasu” (em G, por aferese, surgiu “güasú” > “suasú”).
Ora, o estudo biológico (eco-trofo-lógico) indica que a espécie aquática
(ou anfíbia) E. murinus é higrófila, vive no meio da mata e perto dos rios,
nutrindo-se de mamíferos (e até de anfíbios, peixes e aves), alguns de certo
porte, quais os veados conhecidos como “suaçu-êtê ou pitã” 1 (M. americana )
e “suaçu-pororoca (M. rufina). Assim, esta espécie seria também uma das
“serpentes de veado”.
— A esta luz, a sp. terrestre C. constrictor, sendo Jibóia”, é também
“boiaçu” e uma das “mboiguasu” ou “boi-suasu” (conforme a região).
Nota — Em face destes dados, pode-se compreender a perplexidade em
que se teria achado — na execução da árdua tarefa de comentador de parte
da obra de G. Marcgrave (in Hist. Nat. do Brasil. Trad. port. Ed. Mus.
Paulista, S. Paulo, 1942: LXXX1V, n.° 711) — o nosso distinto e estudioso co¬
lega e confrade, prof. P. Sawaya (Dep. Fisiol. Zool. USP), ao omitir ou disso¬
ciar o aspecto biológico (ambiência e alimentação) e lingüístico (forma e
sentido dos nomes) na destrinça das referidas bôidas, referindo-se apenas:
l.°) aos esporões (unhas para-anais, encontradiças cm todas as nossas espécies
desta família: remanescentes dos membros pélvicos) que Marcgrave registou
(* *) No NE chamam ‘guazu-berá (ba) ’ a este cervo, cie pelo reluzente
(*) Na monografia “Serpentes gigantes” (in Boi. Mus. Goelcli, 1948, 8:211-) mostrámos
que 'murinus — cujo comprimento chega a atingir 12 (ou 14) m — recebe, em sua
extensa área ecológica, os nomes vulgares do Sucuri, Sucuriu, Sucuriju, Sucurijuha,
Boiuna, Viborão e outros.
(1) No NE chamam ‘guazu-pita (ga) ’ a este cervo, de ventre ferrugíneo.
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AMARAL, A. do — Oflonimia Ameríndia na Ofiologia Brasiüense.
üfem. Inst. Butantan , 37 : 1-15, 1073.
cm sua “Boi guacu” (sic), isto é, a sp. C. constrictor; 2.°) ao jogo de manchas
dorsais escuras e arredondadas, que é próprio da sp. E. murinus, a qual os
Botocudos chamam “ketomen-iop”, sendo “iop” = água.
Com relação ao sentido histórico que a evolução lingüística emprestou
a estas duas espécies conviria talvez lembrar que J. de Laet em sua obra con¬
siderou a “Jiboia” (555) “omnium serpentum quos haec regio fert maximus”
(a maior nesta região) e a “Sucuri” (576) “omnium anguium longissima et
pulcherrima”.
c) A par destas espécies de bôidas outras ba que também recebem o
nome de (cobra) ou “serpente de veado”, a saber: l. a — na região amazônica
— onde nascemos e, na infância nos habituamos a coletar ofídios para o
Museu Goeldi — ouvimos chamarem “Suaçubóia” (serpente veadeira) à sp.
Boa hortulana , conhecida algures como “Mirambóia” (Nh. “ambirá = pau,
árvore — ( m)hoi — serpente), forma dendrícola e onicarnívora (compr. até
2m); 2. a — na bacia do Paraguai denominam “guasuboí” = serpente veadeira
à conhecida Salamanta (Epicrates cenchria), a qual chega a ter de compr.
1,8 m, possuindo mais ou menos os hábitos ecológicos e alimentares que a C.
constrictor, inclusivamente caçando até pequenos veados “Suaçu-berá” (A/.
simplicicornis).
— Síntese — Fixadas estas noções quanto aos aspectos herpetológicos,
biológicos e geográficos a par dos lingüísticos de tão complexa questão, pode¬
ríamos dizer que, em nosso fraco entender, cumpre considerar:
1. °) Que têm caráter restrito ou especial os nomes vulgares: Jibóia ou
Boiaçu T — aplicados à espécie Constrictor constrictor (reservando-se Mboi-
gúasu antes à subsp. C. constrictor amarali, do S. e S.O. do Brasil até o vale
do Paraguai) e Sucuri (e compostos) ou Boiiina, aplicados à espécie Eunectes
murinus, reservado o nome (Su)curidjú G para a sua congenérica E. notaeus
ou Ampallagua do Paraguai; Mira(m)boia — aplicado à espécie dendrícola
Boa hortulana para a mais conhecida “Cobra-de-veado”; e “Salamanta” ou
“Jiboia-furtacôr” para a campesina Epicrates cenchria.
2. °) Que tem carácter mais amplo ou geral as designações ‘Boi-suasxi T
ou "Mboi-guasü G, bem como ' Guacu-boia’ ou 'Sugüaçu-mboi’ e formas va¬
riantes, que ocorram em vasta área de dispersão zoo-geográfica, com o sentido,
proposto pelo prof. F. Edelweiss, de (serpente ou) 'Cobra-veadol
Aditamento — Seja-nos lícito agora divulgar nossa opinião, baseada em
longos anos de experiência com estes intrincados problemas, sobre a maneira
de harmonizar os dados históricos com os biológicos, constantes do seguinte
tópico do Vocabulário na Língua Brasílica (Ms fg. 3444 Bibl. Nac. Lisboa,
rev. pelo prof. C. Drumond, T 952/3, 1:76): “Giboya grandíssima da terra,
dagoa maior que todas, Çucuriiú,engole antas e veados e toda a mais caça”.
Mediante simples pontuação adequada aos imperativos herpetológicos, te-lo-
-íamos tornado compreensível e aceitável, assim: “Gibova, grandíssima da terra;
dagoa maior que todas Çucurijú: engole antas, veados e toda a mais caça”.
Esclarecimentos — Corroborando a notável argumentação constante do
parecer do professor da Universidade Federal da Bahia, lembraríamos, data
venia, os seguintes pormenores hérpeto-lingüísticos:
9
cm
2 3
z
5 6
11 12 13 14 15
AMARAL, A. do — Ofionimia Ameríndia na Ofiologia Rrasilien.se.
Mem. Inst. Jlntantan. 37: 1-15, 1973.
a) qual seja a incidência dos raios solares sobre a pele (sobretudo quando
recém-exuviada) de certas bôidas e serpentes afins, a irridescência que nela
se nota é de causar até admiração, e dos povos não tem passado despercebida;
b) a própria observação popular, baseada nesse aspecto da pele, chegou
ao ponto de aplicar o nome de ‘Giboia íurta-cor à espécie Epicrates cenchria
e âs diversas raças por nós assinaladas ou descritas (in Mem. Inst. Butantan
1954, 26:227-247) a saber: crassas (C. e S. do Brasil), xerophilus (N. E. do
Brasil), hygrophilus (Vale Bio Doce, E. Santo) e polijlepis (N. O. Minas
Gerais e S. E. Goiás), além da raça típica cenchria (Guianas e Vale do
Amazonas, Brasil) e quatro outras registadas alhures, devendo notar-se que
o próprio VVied (in Beitr.) já mostrara que o nome ‘Jiboya’ se aplica à sp.
E. cenchria na costa oriental do Brasil, o que reforça o argumento de que é
a iridescência cia pele que nestas serpentes levou os indígenas a chamarem-n’as
jiboia;
c) no S.E. dos E.U.A. chamam “Rain-bow snake” (serpente arco-iris)
a espécie de Celúbrida primitiva Abastor enjthrogrammus;
d) na fomaso monografia ilustrada que o prestimoso prof. R. Ditmars
publicou no Bronx Park de Nova York a respeito de “Snakes of the World”, a
gravura relativa a E. cenchria traz na legenda a seguinte explicação: “Gliding
into the sun the reptile is transformed. As the light catches the upper surface
at eertain slants, patcches of iridescence glow in green and blue, like the
wings of the morpho butterfly...”.
A esse dedicado colaborador, que chefiou a Divisão Neárctica do Antivenin
Institute of America que fundamos na Pennsylvania e dirigimos através de
3 Estações, 4 Serpentários e 7 Laboratórios para servir os Estados Unidos e a
América Central, bem como ao nosso saudoso e estimado amigo, prof. Tliomas
Barbour (diretor do Departamento de Biologia e Museu da Univ. de Harvard)
que chefiou, na fase mais brilhante de sua vida, a Divisão Neotrópica do
A.I.A., e a todos os outros cientistas, civis e militares, que colaboraram como
membros do nosso grupo de pesquisa, a todos aqui deixamos consignados o
nosso reconhecimento e apreço pelos serviços que dc todo o cração prestaram
em benefício da Ciência c da Humanidade. (*)
(*) Além do Dr. R. Ditmars (então chefe do Ropt. 0 Herpetológieo e Serpentário do J.
Zoológico de Nova York) e do Prof. Dr. Th. Barbour (também chefe da Secção Biológica
do Harvard Institute for Tropical Biology and Medicine), os outros membros proemi¬
nentes desse grupo de cientistas eram os seguintes *.
a) Pesquisa, e Divulgação: Cel. M. Ti. Crimmins, Dr. R. E. Scott e Maj. Dr. "W. C. Cox
(Corpo Médico do Exército dos EUA) no Texas até Rio Grande: Eng.° L. M. Klauber,
hérpeto-ecologista (J. Zoológico o Serpentário de San Diego) na Costa do Pacífico;
Dr. C. T. Vorhies (Dept.° Biológico da Universidade do Arizona), nas Montanhas
Rochosas: Dr. N. Thigerger (dirigente do J. Zoológico e Serpentário de Nova Orleans),
na zona do Golfo do México; Sr. G. P. Vierheller (dirigente do J. Zoológico e Serpen¬
tário de S. Luis, Mo.), no Vale do Mississippi; Dr. T. S. Githens, imuno-farmacologista
(diretor-assistente: Labs. Centrais de Produção e Controle), na Pensilvânia e Mts.
Allegheny: Sr. R. E. Stadelman (chefe da Estação e Serpentário de Tela), Honduras,
América Central.
b) Conselho Consultivo: Prof. Dr. TTans Zinsser (Escolas de Medicina o de Saúde Pública,
Universidade de Harvard, em Boston : Prof. Dr. TlOward Kelly (Universidades de Johns
Hopkins e de Michigan), em Baltimore; Dr. William Deeks (chefe do Dept. 0 Médico
e Hospitalar, United Fruit Co.), em Nova York e América Central : Cel. Dr. Joseph
Siler CCorpo Médico do Dept. 0 de Saúde Militar), em Washington: Dr. Herbert Clark
(diretor do Gorgas Memorial Institute for Tropical and Preventive Medicine, em
Ancón), no Panamá.
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AMARAL, A. do — Ofionirnia Ameríndia na Ofiologia Brasiliense.
Me»i. Inst. Butantaiij, 37: 1-15, 1973.
Parecer — Por fim, aproveitamos o ensejo para reproduzir na íntegra os
trechos do parecer que, a pedido nosso, formulou o prof. F. Edelweiss a
propósito do ofiônimo ‘Jibóia’:
“Tanto as lendas quanto os vocabulários de considerável número de tri¬
bos sul-americanas confirmaram a presença da cobra em funções lendárias;
ela aparece aí principalmente identificada com o arco-íris. Logo no guaraio,
um dialeto tupiguarani muito puro da Bolívia, mais chegado ao tupi antigo do
que o guarani de Montoya, mboi — cobra é sinônimo de arco-íris.
Nas Gúianas e no Amazonas a (e)kéime — cobra grande designa o arco-
iris. No Chaco e no Paraguai, entre os bororos do Mato Grosso como entre
certos índios dos Andes o arco-iris ainda é uma cobra por vêzes indeterminada,
por vêzes identificada com a sucuri. Mesmo entre os botocudos o arco-íris
continuou sendo provocado por uma cobra.
Essa verificação constitui a chave para a solução da etimologia da pa¬
lavra jiboia.
Arco-íris em tupi é iyyba, literalmente cabo de cunha , que em composição
com (m)boia se apocopa obrigatoriamente em iijy, formando inicialmente
iyyboia , que, como vemos, pela lei do menor esforço, se contraiu em íyboía ,
o nosso jiboia.
O termo deve ser relativamente novo, porque não o encontrei em nenhum
dialeto guarani. Talvez tenha surgido por influência de vizinhos, o que é muito
comum.
A via-láctea p. ex. chama-se em tupi tapií-rapé (caminho de tapir).
Tradução idêntica tem o têrmo para via-láctea em dialetos de outras famílias
lingüístieas, naturalmente por efeito de identidade de ambiente e raciocínio.”
NOTES
lntroãuction
As we have shown elsewhere ( in Boi. Mus. Nacional, Rio 1928, 2, 2:6;
et Biologia e Lingüística, Ed. Edigraf., S. Paulo, 1945:17,49), the name ‘Jibóia’
as finally confined to the terrestrial boid Constrictor constrictor (L.) was
considered, early in this century, by some authors as meaning ‘water snake’
or ‘frog snake (Th. Sampaio in O Tupi na Geografia Nacional, Ed. E.A.A.,
Bahia, 1918:203: — Tupi ‘gihi-boy’; C. Teschauer in N. Diccion. Nacional, Ed.
Livr. Globo, P. Alegre, 1928:449: — Tupi ‘gyí-boy’) in spite of such a meaning
rather fitting the aquatic species Eunectes murinus. lt is true that. G. Soares
de Sousa in his famous monograph Notícia do Brasil (as written late in the
XVI century but only discovered and published by J. M. Conceição Velloso
early in the XIX century) referred to ‘gibóia’ as a snake reaching 10 to 12 m
in lenght and living in rivers and lakes, thus identifiable with E. murinus, in c.
CIX; but lie registered in c. XX another snake with similar characters under a
different Tupi name, e. g., “sucuriú (unconfusable with ‘jibóia’). Still more
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AMARAL, A. do — Ofionimia Ameríndia na Ofiologia Brasiliense,
Man. Tnst. Butantan, 37: 1-15, 1973.
been misled, in their identification of our “giant boids”, by two regional names
of Tupi or Nhenngatu origin, to wit:
a) ‘Boiaçu T whose meaning ‘big snake’ applies to C. constrictor (as a
big snake it reaches nearly 5 m in length) corresponding in Botocudo dialect
to kuong-kuong (onomatopaic hissing)- gipakiu’, apparently meaning ‘big
hisser. As we know. in its sub-xerophytic to xerophytic habita C. constrictor is
really one of the deer-eating snakes since it can swallow even a ‘guaçu-berá’
(M aza ma simpliciccrnis). Besides th is vulgar ophionym, prevailing in the
section of the brasiliano’ dialect (more recent Tupy as used in N. Brazil),
another form ‘mbôiguaçu’ is found iram NW to S.Mato Grosso (Rondonia
southwardly).
b) Mbôiguaçu’ G, in Prof. F. Edelweiss, authoritative interpretation
(in R. Inst. Estudos Brasileiros, 1969, 7:40,45), really means ‘deer-snake’, not
‘big-snake’, since this ‘guaçu’ seems to have come from ‘syguasú > suguasú
> suasú, (through apheresis, the form ‘guasú’ is used in Guarany).
As a matter of fact, biologically (ecologically and trophologically), E.
murinus 1 is hygrophilic, living in the forest near rivers and feeding on mam-
mals (even on amphibians and birds) eventually on large size animais such
as the deer known as ‘suaçuêtê or- pitã’ (A/. americana ) and ‘suaçu-pororoca’
(Aí. rufina). Therefore, murinus is also one of the ‘deer-snakes’.
In this ligth, the ground specias C. constrictor, besides being the ‘jibóia’,
is also one of the ‘mbôi-guaçu’ or ‘boí-suasú’ snakes.
Note — All these data lead us to think of the perplexity in which our
nost distinguished colleague and confrère, prof. P. Sawaya appears to have
found himself while undertaking the arducus task of commenting on one of the
chapters of G. Marcgraves work (in Hist. Nat. do Brasil — Port. edition, Mus.
Paulista, S. Paulo, 1942, LXXXIV, N.° 711): besides omitting or dissociating
the environmental and feeding aspects from the linguistic feature (fornis and
meanings) of such names of our rnost oonspicuous boids, lie preferred to
mention but a) the para-anal spurs, common to all of the local species of
Boidae and considered as reliquat of their pelvic limbs, which, by the way,
were regisctered by Marcgrave in his ‘Boiguacu’ (sic) with the acception of
C. constrictor; b) the distribution of the dark, roundish dorsal markings so
characteristic of E. murinus, that the Botocudos call ‘ketomen-iop’ (‘iop’ mea¬
ning ‘water’) as distinct from their ‘kong-kong gipakiu’.
In connexion with the historie connotation wherewith the linguistic evo-
lution has associated both of these species, it might be pertinent to remem-
ber that J. de Laet in his work already considered (555) the ‘jibóia’ as
“omnium serpentum cpios liaec regio fert maximus” whilst lie called (576) the
‘sucuri’ “omnium anguium longissima et pulcherrima”.
c) Besides both of these species, other boids are listed under the name
of ‘deer snakes’ to wit: 1 — in the Amazon region — where we were bom
(1) In our monograph ‘Serpentes gigantes’ (Giant snaks: in Boi. Mus. Goelcli, 1948,
8:211) we showed E. murinus (whose total length may reach 12, perhaps 14 m) to
reeeive in its wide eeologic range the common names Sucuri, Sucuriu, Sucurijuba,
Boiuna, Viborâo and others.
13
í, | SciELO
AMARAL, A. do — Olionimia Ameríndia na Ofiologia IJraslliense.
Mcw. ínst. Butantan, 37: 1-15, lí'73.
and, still as a student in a Belém prímary school, were used to collecting
ophidians for Goeldi Museum — we heard people to call ‘suaçubóia’ (deer-
snake) also Boa hortulana, elsewhere known as ‘mirambóia’ (Nh ‘(a)mbira’
= wood, tree-mbói’ = snake) and so a dendricolous and omnicamivorous
species somctimes reaching 2 m in length; 2 — in the Paraguay valley natives
call ‘guaçuboi’ = deer-snake the well known Epicrates cenchría (‘salamanta’
of the Portuguese colonists), reaching 1,8 m in length and having the same
eoologic and tropologic habits as C. constrictor, including catching small
‘suaçu-berá’ deer (M. simplicicomis) . Therefore, these snakes compete with
each other in environment and feeding, besides in the iridescence of their
skin, as we shall see later on.
Synthesis — Based on these notions regarding the herpetologic, biologic
(eco- and tropho-logic), geographic and — linguistic aspects of such a com-
plex question, we should say that, in our modest opinion, the following
points deserve considera tion:
lst) That the character is restrict or special of the vulgar names ‘jibóia’
and ‘boiaçu’ T as applied to the species Constrictor conscrictor (‘mboígüasu’
bcing rather reserved for the subsp. C. constrictor amarali, from S and
SW Brazil to Paraguay valley); ‘sucuri’ (and derived compounds) and ‘boiuna’
as applied to the species Eunectes murinus, ‘(su)curidju’ being reserved c or
its congeneric sp. E. notaeus, called ‘ampallagua’ in Paraguay; ‘mirambóia’
as applied to the dendricolou Boa hortulana, that is, the most generally know
as ‘deer-snake’; and ‘salamanta’ or ‘color jibóia’ as applied to the field-dweller
Epicrates cenchria.
2nd) That the character is wide and general of the vulgar names ‘boí-
suaçu’ T or ‘mboí-guaçu’ G as well as ‘guaçu-boia’ or ‘sugüasú-mboí’ and allied
forms occurring in a wide area of geographic dispersion and bearing the
name ‘deer-snake’ as proposed by prof. F. Edelweiss.
Complement — May we now give our opinion, on the basis of our trying
experience with such intricate problems, about the manner of harmonizing the
historie and the biologic data as found in tbe following paragraph of the
“Vocabulário na Lingua Brasílica” (Ms. fg. 3444 Bibl. Nac. Lisboa, rev. by
prof. C. Drumond, T 952/3, I, 76): “Giboya grandíssima da terra, dagoa maior
qeu todas, Çucurijú, engole antas e veados e toda a mais caça”. Simply, by
adpting the punctuation to the herpetologic facts, that paragraph might be
rendered both comprehensible and acceptable, thus: “Giboya, grandíssima
da terra; dagoa maior que todas, Çucurijú: engole antas, veados e toda a
mais caça”.
Enlightenment — In confirmation of the arguments brought forth in prof.
F. Edelweiss’ brilliant report we should remind, data vénia, the following
herpeto-linguistic facts:
a) depending upon the angle of incidence of the sun rays on the newly
shedded skin of certains boids and allied primitive forms, the iridescence thus
produced is so wonderful that it has not passed unnoticed even to the lay
people;
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AMARAL, A. cio — Ofionimia Ameríndia na Ofioiogia Brasiliense.
Man. Inst. Butantan J 37: 1-15, 1973.
b) the popular observation itself as centered on sucli skin aspect caused
the name raimbow boa’, to be given to Epicrates cenchria and the various
subspecies we have described ( in Mem. Inst. Butantan 1954, 26:227-247) to
wit: crassus (C. and S. Brazil), — xerophilus (NE Brazil), hygrophilus (Bio
Doce valley, E. Santo) and polylepis (NW Minas Gerais and SE Goiás),
besides the typical race cenchria (Guyanas and Amazon Valley, Bjazil) and
the other four races registered elsewhere, it being timely to register Wied’s
information (in Beitr.) concerning the application of the name ‘jibóia’ to E.
cenchria along the E. coast of Brazil: all these facts reinforce the argument
whereby the skin iridescence led the natives to give these snakes the name
‘jibóia’;
c) in SE North Amrica the primitive colubrid Ahastor enjthrogrammus
is known as the ‘rain-bow snake’;
d) in the famous and illustrated monograph the popular herpetologist
dr. R. Ditmars (of Bronx Park, N.Y. City) pubiished on the “Snakes of the
World” the figure of Epicrates cenchria is thus explained: “Gliding into the
sun the reptile is transformed. As the light catches the upper surface at certain
slants, patches of iridescence glow in green and blue, like the wings of the
morpho butterfly. .
To that devoted confrère and collaborator as chief of the Nearetic Di-
vision of the Antivenin Institute of America which we have founded in Penn-
sylvania, and directed throungh 3 Stations, 4 “Serpentaria” and 7 Laboratories
and organized to serve the USA and C. America) as well as to our esteemed
friend, the prominent prof. Thomas Barbour — who led in a part of his
life the A.I.A. Neotropic Division — and all the other co-workers and mem-
bers of our staff, we wish here to present the tribute of our “saudade’ and
thankful appreciation of the invaluable Service they so heartfully rendered in
benefit of Science and Manldnd. ( 0 )
Finally, we are using this opportunity to quote the paragraps of the report
prof. F. Edelweiss presented as regards the ophionym ‘jiboia’ (Vide Original
Text in Portuguese: pp. 10 and 11).
(*) Resides Dr. R. Ditmars (then chief, Herpetological Dept. and Serpentarium of the
N. Y. Zoological Garden) and Prof. Dr. Th. Barbour (also chief, Biological Section
of Harvard Institute for Tropical Biology and Medicine), the other outstandinj members
of that group of scientists were the following:
a) Research and Divulgation: Col. M. L. Crimmins, Dr. R. E. Scott and Maj. Dr. W. C.
Cox (US Army Medicai Corps), in Texas to Rio Grande, México; Engr. L. M. Klauber,
herpeto-ecologist (San Diego Zoological Garden and Serpentarium), Pacific Const; Dr.
C. T. Vorhies (University of Arizona Biological Dept.), Rockie Mts.; Dr. N. Thiberger
(Director, New Orleans Zoological Garden and Serpentarium), Gulf of México; Mr.
G. P. Vierheller t chief, St. Louis Zoological Garden and Serpentarium), Mississippi
Valley; Dr. T. S. Githens, immuno-pharmacologist (assistant-director, Production and
Control Central Laboratories), Pennsylvania to Allegheny Mts. ; Mr. R. E. Stadelman
(chief, Station and Serpentarium at Tela). Honduras. Central America.
b) Advisorv Board: Prof. Dr. Hans Zinsser (Harvard University Schools of Medicine and
Public Health), in Boston; Prof. Dr. Howard Kelly (Universities of Johns Hopkins
and Michigan). in Baltimore ; Dr. William Deeks (director. Medioal Deut. and Hospitais,
United Fruit Co.), in New York City and Central America; Col. Dr. Josenh Siler (US
Army Medicai Corps and Surgeon GeneraPs Office), in Washington; Dr. Herbert Clark
(director, Gordas Memorial Institute for Tropical and Preventive Medicine), in Ancón,
Canal Zone, Panama.
Recebido para publicação em 31/VIT/73.
Aceito para publicação em Ol/YIIT/73.
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Mem. In.st. Butantan
37 : 17-42, 1973
CONTRIBUIÇÃO PARA O ESTUDO DO ÁCIDO BÓRICO COMO
ANTISSÉPTICO DE SANGUE CONSERVADO
BRUNO SOERENSEN
RESUMO — Estuda-se as possibilida¬
des do uso do ácido bórico como antis¬
séptico de sangue conservado. Determi¬
nou-se a atividade antibacteriana em
plasma e sangue humano mantido a
4-6°C e contaminados propositadamen¬
te; a influência das diferentes concen¬
trações na preservação de hemacias
conservadas a 4-6°C e finalmente a ati¬
vidade tóxica de amostras de sangue
contaminado contendo ácido bórico
como antisséptico. Foram utilizadas nas
provas cepas bacterianas psicrófilas
isoladas de sangue contaminado, sen¬
do 12 do gênero Pseudomonas, S do
gênero Enterobacter e 6 do gênero
Bacillus.
to normal, principalmente no que se
refere a colocação. A concentração de.
0,lg% do antisséptico adicionado a so¬
lução ACD (Ácido Citrico, Citrato de
Sódio, Dextrose) foi capaz de reduzir a
zero a elevada letalidade observada nos
grupos de camundongos inoculados com
sangues contaminados sem antisséptico.
Finalmente concluiu-se sobre as possi¬
bilidades do uso do ácido bórico adicio¬
nado a solução ACD na concentração
final de 0,1 g% como antisséptico de
sangue conservado. Conforme dados
compulsados na literatura referente a
intoxicação do homem pelo ácido bóri¬
co, verificou-se que as concentrações
‘que poderiam ser adicionadas como
antisséptico no sangue são possivelmen¬
te inferiores a dose tóxica, entretanto,
recomenda-se que a aplicação do mé¬
todo seja precedida de estudos comple¬
mentares.
A atividade bacteriostática do ácido
bórico no plasma corresponde às con¬
centrações de 0,12 a 0,25 g%, no sangue
0,10 a 0,20% g e a atividade bactericida
a partir de concentrações superiores a
0 3 g%. Nas concentrações inferiores a
0,06 g% o antisséptico pode ser consi¬
derado inactivo. Nas concentrações de
0,10 e 0,20g% não houve ação hemolíti-
ca, conservando o sangue o seu aspcc-
UNITERMOS — Contaminação bacte-
riana em Banco de Sangue. Ácido bó¬
rico como antisséptico de sangue con¬
servado.
INTRODUÇÃO
Os acidentes transfusionais graves decorrentes do uso de sangue conta¬
minado, registrados em todo o mundo, levaram a pesquisar a ação de antis¬
sépticos que, adicionados ao sangue ou ao plasma, possam atuar como bacte-
riostáticos sem alterar-lhe as suas características físicas, químicas e bioló¬
gicas e sem provocar manifestações de intolerância no receptor de transfusão.
Tese apresentada à Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de
São Paulo, para obtenção do grau de doutor.
Bndereço para correspondência:
C.P. Cã, São Paulo, Brasil
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SOERRXSRiV, B.
sangue conservado
Mcrn. Inst. Butantan, .>7 : 17-4
Contribuição para o estudo do ácido bórico como antisséptico de
li)?:}.
O aspecto bacteriológico da contaminação em Banco de Sangue foi motivo
de exaustivos estudos. Rivera Bandres (1967) no capítulo da etiologia dos
acidentes por contaminação, estabeleceu a freqüência destas contaminações em
3 a 5%. Discombe e Meyer (1854) a encontraram em 3 a 5% dos casos; Braude
e col. (1952), 2,24%; Stevens e col. (1953), 1 a 3%; Vonkilch (1967), 15%;
Spooner (1967), 5%; Bagdasarov (1967), 3,9%, no Instituto de Leningrado, 1,1%
no Serviço de Botkin e 2,8% nos pequenos serviços militares de transfusão, du¬
rante a guerra; Whitby (1967) estimou em aproximadamente 5% nos Bancos
de Sangue ingleses, durante os anos de 1939 e 1945; durante o mesmo período,
Heath e Province (1942) encontraram 8,5% de contaminação bacteriana em
6151 plasmas colhidos na cidade de Nova Yorque.
Entre nós, Faria (1960), em 3000 frascos de plasmas examinados pela
bacterioscopia direta pré-transfusional, encontrou 3,3% de frascos suspeitos;
Soerensen (1965), em 2194 sangues examinados, encontrou 1% de contami¬
nados.
Acidentes transfusionais mortais e reações pirogênicas foram relatadas em
nosso meio por Faria (1957, 1958, 1960), Santos Freire (1965) e Soerensen e
col. (1965). Fora do Brasil, entre outros: Leiva Cofré (1944), Borden e Hall
(1951), Stevens e col. (1953), Braude e col. (1953), Mc Entegrat (1956),
André e col. (1959), Germain e col. (1959), Massé e col. (1959) e Sanchez
Mendal e col. (1961).
A mortalidade decorrente da transfusão de sangue contaminado é de
aproximdamente 60%, Schier (1968), ou ainda de 50 a 90%, Miecznikowski
e Kus (1966).
Os estudos realizados por Pittman (1963) demonstram que os germes que
proliferam em sangue refrigerado devem apresentar as características seguin¬
tes: utilização de nutrientes do sangue, resistência à ação letal e capacidade
de multiplicação imediata a baixa temperatura. Através deste trabalho, po¬
demos ter idéia do perigo de contaminação ante a ausência de atividade bac-
teriostática do sangue sobre numerosos germes. Efetivamente, conforme estu¬
dos referidos por Blatrix e col. (1963), a conservação do sangue a +4° inibe
a fagocitose e diminui o poder bactericida do sangue, reduzindo a autoesteri-
lização; paralelamente, Grimberg e col. (1936) demonstraram a inibição da
ação bactericida do sangue exercida pelo citrato de sódio, quando usado em
concentrações elevadas sobre cepas de Coliformes e bacilos tííicos.
Diversos germes foram isolados de sangue e produtos derivados: Acliro-
mobacter, Bordem e Hall (1951); Paracolobactrum aerogenoides, Bordem e
Hall (1951), Faria (1960); Aerobacler aerogenes, Braude e col. (1952);
Paracolobactrum interrncãium, Pittman (1953); Escherichia freuclii, Pittman
(1953); Coliformc, Braude e col. (1955); Pseudomonas sp, Braude e col.
(1955), Soerensen e col. (1965); Alcaligenes faecalis, Faria (1957); FUwobactc-
riuin, Boy e col. (1958), M. pyogenes, var. albus, Faria (1960); Klebsiella,
Faria (1960); S. salivarias, Faria (1960); levedura, Faria (1960); B. sub-
tilis, isolado de um partida de solução A.C.D. contaminada, Faria (1960);
Aerobacter liquefaciens, Sanchez Mendal e col. (1961); S taphylococcus coa¬
is
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SOERENSEX, B. — Contribuição para o estudo do ácido bórico como antisséptico de
sangue conservado.
Mcm. Inst. Uiilantun, ,>7 : 17-42, 1073.
gulase negativa, Soerensen e col. (1965); bacilos Gram positivos, Soerensen e
col. (1965).
Os germes contaminantes de sangue são, na sua maioria, psicrofílos, Faria
(1967), Soerensen e col. (1965).
Estas contaminações podem ter a sua origem nas bacteremias não pa¬
tológicas do doador de sangue, como a processada no período pós-prandial, na
esterilização deficiente dos frascos de solução conservadora de sangue, nas do
aparelho de colheita, a assepsia deficiente da pele do braço do doador e qual¬
quer falha do sistema fechado, tanto de extração como nas referentes às
manipulações posteriores do frasco de sangue.
Os centros de colheita de sangue, que não apresentam condições que
asseguerem a esterilidade do material e a assepsia necessária na manipulação
do sangue, fazem aumentar consideravelmente a incidência de contaminação.
A falta de refrigeração apropriada do sangue para a conservação e o transporte,
acelera a multiplicação bacteriana, transformando os frascos de sangue em ver¬
dadeiros caldos de cultura de germes, Soerensen e Sampaio Corrêa (1965).
Nos Bancos de Sangue, mesmo aqueles considerados de bom padrão, existe
um risco de contaminação bacteriana acidental.
Paralelamente, foi relatado por Munzer e col. (1963) que a contaminação
do tubo piloto de sangue pode dar eventualmente reações de Coombs falso-
positivos.
O aspecto clínico do choque transfusional também foi objeto de estudos.
As manifestações clínicas observadas pela introdução de grande número de
bactérias através do sangue ou do plasma, decorrem da ação de endotoxinas,
Geller e col. (1954), e consistem em: tremores, febre (geralmente dentro de
uma hora após o início da transfusão), náuseas, rápida queda de pressão
sangüínea com colapso vascular periférico, hemorragia, anúria e, de modo
geral, morte num período de 30 horas. Soerensen e col. (1965). Diante deste
quadro clínico, o diagnóstico laboratorial deve ser feito através de exame bac¬
teriológico imediato do resíduo de sangue contido no frasco usado na trans¬
fusão.
É possível que as reações pirogênicas observadas freqüentemente, sejam
devidas, cm grande parte, à veiculação de pequeno número de bactérias; sa¬
be-se que apenas os sangues altamente contaminados são mortais, daí a
freqüência relativamente baixa dos casos fatais.
Quanto aos métodos usados para evitar a transfusão de sangue contamina¬
do, pode-se dizer que, indubitavelmente, devem-se prevenir as contaminações
pelo controle rigoroso da esterilização dos frascos e aparelhos de coleta, pela
assepsia rigorosa no momento da coleta e ulterior fracionamento do sangue,
e, finalmente, pela conservação dos frascos de sangue a baixa temperatura em
geladeira (a temperatura ótima de crescimento da grande maioria dos germes
que interessam a Bancos de Sangue é aproximadamente 25°), Soerensen e
Sampaio Corrêa (1965). Ainda no capítulo de métodos profiláticos, Rivera
Bandres (1956) recomenda boa esterilização cutânea, a fim de proceder a pun¬
ção venosa e evitar a colheita em doadores que ingeriram alimentos durante as
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SOEREM SEN, B. — Contribuição para
sangue conservado.
Man. Inst. Butantan, J7 : 17-42, 107o.
estudo do ácido bórico como antisséptico de
últimas 3 horas. Complementarmente, recomenda aos doadores habituais que
evitem escovar os dentes instantes antes da doação, e, finalmente, evitar a
colheita de sangue diante da menor suspeita de processo bacteriano, como pe¬
quenos furúnculos, piodermites ligeiras, focos dentários, etc.
Acreditamos que as técnicas modernas de colheita e conservação do san¬
gue e plasma em saco plástico tenham contribuído para a diminuição da con¬
taminação.
Conforme observações de James e Síokes (1957), a simples conservação
do sangue a 37° pelo período de duas horas imediatamente após a colheita,
diminui a contaminação bacteriana.
O método da bacterioscopia pré-transfusional é o mais adequado para
evitar o uso de sangue ou de plasma contaminados. A bacterioscopia pré-trans¬
fusional em microscopia de fase foi aconselhada na Alemanha por Discombe e
Meyer (1954) e entre nós por Faria (1960). Petselt (1963), na Alemanha,
recomenda que a bacterioscopia pré-transfusional seja feita em lâmina corada
pelo azul de metileno ou pelo méiodo de Gram. Entre nós, ainda, Soerensen
(1965) preconizou nova técnica para a execução da bacterioscopia pré-transfu¬
sional em lâmina corada pelo azul de. metileno, demonstrando as várias vanta¬
gens que a técnica oferece.
Recentemente, Soerensen e col. (1972) preconizaram novo método para a
determinação da contaminação bacteriana através da dosagem de glicose com
tira reagente. Este método é aconselhado quando não existe a possibilidade de
exame microscópico.
Conforme nossas observações, é imprescindível que os sangues sejam
submetidos a bacterioscopia pré-transfusional, pois a observação macroscópica
do sangue contaminado não apresenta, de maneira geral, nenhuma alteração
que indique o perigo dc sua aplicação.
Independentemente dos aspectos que foram estudados, merece atenção
especial o uso de antissépticos em sangue e plasma estocados; numerosos au¬
tores estudaram a solução do problema das contaminações através do uso de
bacteriostáticos adicionados ao plasma ou ao sangue integral.
A ação bacteriostática da acridina e do trifenilmetano foi originalmente
estudada no plasma por Churchman (1939) e a ação do Mertiolato ®, por
Jamienson e Powell (1939). Estes resultados, entretanto, conforme Novak
(1939b), não foram satisfatórios.
Novak, em 1939 (a), introduziu o uso da sulfanilamida na preservação do
sangue. No mesmo ano. Harrington e Miles (1939) também o recomendam
na Inglaterra. Estes resultados são confirmados por Hunwicke. em 1940; ainda
no mesmo ano, Bécart e Philippe (1940) estudam as sulfamidas na preservação
do plasma. Em 1942, Novak aborda novamente o assunto, analisando os re¬
sultados obtidos durante 2 anos de uso das sulfamidas, recomendando, muito
especialmente, a adição do sulfatiazol para a preservação do plasma.
Em 1942, Ileath e Province, numa análise crítica sobre o uso de antissép¬
ticos no plasma, referindo-se às sulfamidas, chama a atenção para o efeito
apenas bacteriostático sobre alguns germes, sendo praticamente ineficaz sobre
a Fseudomonas aeruginosa, germe este freqüente como contaminante de sangue.
20
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SOERBNSEN, B. — Contribuição para o estudo do ácido bórico como antisséptico de
sangue conservado.
Mem. Inat. Butantan, J7 : 17-42, 1973.
Paralelamente aos trabalhos realizados com sulfamidas na preservação do
sangue, loram usados diversos antissépticos, como o azul de metueno, em 1940,
Spívak e Pelishenko. Em 1941, Macky estuda o efeito bacteriostático de an¬
tissépticos no soro humano e plasma citratado, constatando que Mertiolaio ©,
Metaphen ® nitrato de fenumercúrio e proflavina mostram ação inibitória
por espaço relativamente curto sobre Stapliylococcus aureus, tí. subtilis , Aí.
tctragcnes , Enterococcus. Ü referido autor ressalta, ainda, que nenhum dos
antissépticos usados apresentou ação inibitória sobre a Pseudomonas pyocianea,
e a impossibilidade do uso em concentrações maiores, devido a sua toxidez;
ressalta ainda, que os testes realizados com timol e p-cloro-m-cresol foram
ineficientes como bacteriostáticos e quanto ao fenilmercúrio, o inconveniente
da precipitação das proteínas do soro.
Em 1943, Milzer, referindo-se ao assunto, afirma que infelizmente não
se conhece um antisséptico adequado, que assegure a esterilidade do plasma.
Efetivamente, os estudos de Smith e col., realizados já em 1936, demonstraram
que proteínas do soro neutralizam rapidamente o efeito bactericida do Mer-
tiolato ® e de outros preservativos mercuriais.
Em 1959, Mathes, após revisão do assunto, refere que até o momento
foram usados, como antissépticos do plasma ou do sangue, entre outros, Neo-
salvarsan ®, Urotropina sulfanilamida, azul de metileno, Prontosil ®, Ni-
pagin ®, sulfapiridina, fenol, Rivanol ® associado a tripaflavina, sulfatiazol,
Albucid sódico ®, timol, penicilina associada a sulfonamida, sulfapiridina as¬
sociada a Rivanol ® e cloranfenicol.
Este mesmo autor analisa os resultados, conclue que os correspondentes a
sulfonamidas e antissépticos foram pouco satisfatórios, destacando-se úteis,
somente alguns antibióticos, como o cloranfenicol e a tetraciclina, merecendo
destaque o primeiro. Os sinonimos e fórmula química das substâncias citadas
encontram-se no Anexo I.
Na Rússia, onde é usado o sangue de cadáver para transfusão, Shamov
(1937), Yudin (1937), pode-se observar que são muito empregadas as sul¬
fonamidas, a penicilina e outros antibióticos. Mesmo assim, os hemoterapeutas
russos acham que a adição de antissépticos é complctamente secundária, sendo
muito mais importante a aplicação de normas técnicas de extração e conserva¬
ção. Quando for usado sangue de placenta para transfusão, como descrito por
Page e col. (1939), igualmente as possibilidades de contaminação são maiores,
devido a manipulação. Nos casos necessários, Bagdasarov (1967) recomenda
sulfatiazol.
Até o presente momento não foi encontrado um antisséptico que reuna
todas as condições indispensáveis para a sua aplicação. Todos os autores preo-
cuparam-se em testar os diferentes antissépticos de maneira geral, apenas dian¬
te de germes patogênicos, esquecendo que estes, geralmente, não possuem a
capacidade de multiplicação a baixa temperatura, fato confirmado pelo iso¬
lamento de numerosas bactérias saprófitas de sangue contaminado.
As normas estipuladas pelo U.S. Department of Health Education and
Welfare não permitem o uso de antisséptico no plasma, recomendando a mani¬
pulação asséptica e sua esterilização através de radiação ultravioleta.
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SOEKENSEN, 13. — Contribuição para o estudo do ácido bórico como antisséptico de
sangue conservado.
Mem. Inst. Butantan 3 87: 17-42, 11)73.
O uso de antibióticos, a nosso ver, não seria recomendável, uma vez que
exige sejam adicionados posteriormente à colheita do sangue, a fim de evitar
a perda de atividade na esterilização pelo calor ou ainda durante a estocagem
dos frascos de solução conservadora.
Evidentemente, se for necessário o uso de antisséptico, este deverá estar
contido na solução conservadora e deverá apresentar, ainda, a característica
da impossibilidade de alteração através do tempo, em condições diversas de
estocagem. Paralelamente, são requisitos fundamentais: 1) que possua ação
bacteriostática sobre a maioria dos germes contaminantes de sangue; 2) que
não altere as características dos diferentes componentes do sangue e 3) que nas
doses usadas não exerça ação tóxica sobre o organismo do receptor, inclusive
sendo praticada transfusão de grandes volumes de sangue.
Desde 1965 nos interessamos pelo assunto e sentimos de perto os problemas
que são enfrentados para impedir a contaminação do sangue, evitar a trans¬
fusão de sangue contaminado ou ainda a mortalidade elevada decorrente da
transfusão de sangue e plasma contaminados.
Diante do insucesso no uso de todos os antissépticos e antibióticos ensaia¬
dos até a presente data, nos propuzemos estudar o ácido bórico corno antis¬
séptico de sangue conservado.
O ácido bórico foi escolhido devido a sua reconhecida ação antibacteriana.
Após exaustiva pesquisa na literatura não encontramos relato sobre o uso de
ácido bórico como antisséptico de sangue conservado.
É objetivo do presente Trabalho demonstrar que em concentrações inócuas
conserva a sua ação antibacteriana.
MATERIAL E MÉTODOS
As cepas usadas no presente trabalho foram isoladas por nós no período
compreendido entre os anos de 1965 e 1966, em 26 frascos de sangue maciça¬
mente contaminados, dos quais 3 responsáveis por acidentes transfusionais
mortais. As cepas, todas psicrófilas, são 12 do gênero Pseuclomonas, 8 do gênero
Enterobucter e 6 do gênero Bacillus, sendo conservadas em ampolas liofilizadas.
A identificação das 24 cepas foi feita pelos Drs. Margaret Pittman e
Charles 11. Manclark, do National Institutes of Health, Bethesda, Maryland,
U.S.A., e as cepas correspondentes aos números 1919 e 3192 foram identifi¬
cadas por Soerensen e col. (1965). Os números correspondem a identificação
do sangue doador.
Não incluímos deliberadamente, no presente trabalho, um Staplii/lococcus
albiis com prova dc coagulase negativa, por não possuir a capacidade de
multiplicação em geladeira 4-6° (Soerensen e col., 1965).
Na Tabela I (p. 13) encontra-se a identificação das cepas usadas.
Inicialmente, ocupamo-nos em investigar a ação antibacteriana do ácido
bórico sobre as cepas acima mencionadas.
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SOERENSEN, B. -—- Contribuição para o estudo do ácido bórico como antisséptico de
sangue conservado.
Mem. Inst. Butantan, S7 : 17-42, 1973.
TABELA I
Identificação das 2C cepas psícrófilas isoladas de sangue conservado.
Identificação
da cepa
Gênero
Espécie
1919
1
3192
Não identificada.
Não correspondendo às características de
0010
P. aeruginosa; P. fluorescens; P. putiãa;
4436
P. multivorans; P. maltophilia e P. pseu -
6504
Si
domallei.
o
6679
*
6785
o
7076
fcj
Similar, mas não idêntica a P. stutzeri.
7583
E|
33960
a,
1910
multivorans.
3863
fluorescens.
1323
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4979
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7582
El
1044
GQ
9223
Sj
9437
O
33992
O
Não identificada.
BSH
3454
1. Atividade antibacteriana do ácido bórico em plasma humano conser¬
vado a 4-6° e contaminado propositalmente.
Para a determinação da ação antibacteriana do ácido bórico foi obedecida
a técnica usada por McKay (1941) em estudos de atividade antibacteriana de
diversos antissépticos em plasma sanguíneo.
O teste foi realizado com plasma humano separado assepticamente por
centrifugação de sangue colhido em solução A.C.D. (Ácido cítrico, citrato de
sódio, dextrose).
Foi distribuído em 26 séries de 7 tubos fechados com rolhas de borracha,
contendo os primeiros tubos 9 ml e os demais 5 ml.
23
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SciELO
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SOEHBNSEN, B. — Contribuição para
uangue conservado.
Mem. Jnst. Butantauj J7 : 17-42, 11)72.
estudo uo ácido borico como antisséptico üe
Aos primeiros tubos de cada série foi adicionado 0,1 g de ácido bórico
contido em I ml de solução aquosa.
A partir destes tubos, foram leitas diluições ao dobro, em tubos contendo
5 ml de plasma, obtendo-se as seguintes diluições: 1/100, 1/200, 1/400, 1/òGü,
1/1600 e 1/3200, que correspondem respectivamente às seguintes concentra¬
ções: 1,00; 0,50; ü,2ó; 0,12; 0,u6 e 0,03 g%. O sétimo tubo de cada série perma¬
neceu como controle (sem ácido bórico). A cada série de tubos destinados a
uma determinada cepa foi adicionado, com pipeta, 0,2 ml de uma suspensão,
contendo 100 a 1000 microrganismos. A concentração bacteriana loi determi¬
nada previamente por opacidade e através de tentativas foi estabelecida a
concentração em número de germes por contagem em placa.
Os tubos foram conservados em geladeira a 4-6° pelo período de 20 dias,
período este recomendado como máximo para o uso de sangue integral para
transfusão. Completado este período foi retirado de cada tubo, após ligeira
agitação, uma amostra de plasma a fim de submeter a cultura em placas de
agar simples.
As culturas foram realizadas depositando 1 ml do conteúdo de cada tubo
(20 a 200 bactérias) em 3 placas de Petri de 13 cm de diâmetro, esterilizadas,
colocando-se a seguir em cada placa 10 ml de agar simples fundido (45°)
misturada por delicada agitação circular e logo após solidificação, incubados
pelo período de 72 horas a 25°, determinando-se a média aritmética das
colonias encontradas.
2. Influência das diferentes concentrações de ácido bórico na preservação
de hemácias humanas conservadas a 4-6°
Uma vez conhecida, diante das condições de nosso teste, a menor concen¬
tração de ácido bórico que exerce ação bacteriostática, investigamos o grau
de hemólise de diversas concentrações do antisséptico. Por motivo de ordem
prática, iniciamos pela concentração dc 0,lg% e incluímos concentrações supe¬
riores 0,2; 0,3; 0,4; 0,5 e 0,6g% a fim de sentirmos melhor a influência que
poderia exercer.
Trabalhamos com 3 amostras de sangue provenientes de 3 doadores.
Estes sangues foram colhidos em solução A.C.D. e a seguir pipetados assep-
ticamente no volume de 10 ml em 14 tubos esterilizados de 18x180 mm com
tampa de borracha contendo diferentes concentrações de ácido bórico em 0,5
ml de solução aquosa.
Dois tubos para cada amostra foram destinados a cada concentração de
ácido bórico, incluindo 2 tubos controle sem ácido bórico. Os mesmos foram
mantidos pelo período de 20 dias em geladeira (4-6°) e a intervalos de 5 dias
eram observados, sendo que um dos sangues correspondente a cada concen¬
tração do antisséptico permanecia em repouso e o outro submetido a ligeira
agitação circular.
Após 20 dias de observação todos os sangues foram centrifugados a 2000
r.p.m. durante 10 minutos a fim de avaliar o grau de hemólise através da
dosagem de hemoglobina. Para esta dosagem foi usado o método de Karr-
24
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SOERENSEN, B. — Contribuição para c estudo do ácido bórico como antisséptico de
sangue conservado.
Mem. Inst. Butantan, «'17 : 17-42, 1973.
Chornock modificado e recomendado para esse fim pelo National Institutes
of Health, Bethesda, Maryland (1952). Conforme normas estipuladas por essa
Instituição o plasma não deverá conter mais que 25 mg de hemoglobina por
lOOml, portanto admitimos esta cifra como máxima a ser tolerada.
3. Atividade antibacteriana do ácido bórico em sangue humano con¬
servado a 4-6 0 e contaminado propositalmente.
Após verificação da ausência de ação hemolítica do ácido bórico nas con¬
centrações de 0,1 g %, concentração esta praticamente correspondente a ação
bacteriostática sobre as cepas por nós estudadas, pesquisamos a atividade bac-
teriostática em sangue estocado a 4-6°.
O experimento foi conduzido da seguinte maneira: a colheita do sangue foi
feita em separado, em frascos contendo solução A.C.D. e ácido bórico nas
concentrações de 0,1; 0,2; 0,3: 0,4; 0,5 e 0,6g%. Estes frascos foram esteriliza¬
dos por autoclavação a 110° durante 30 minutos. Foi incluída para cada cepa
contaminante uma amostra de sangue controle, sem antisséptico.
Visando o posterior estudo da atividade tóxica do sangue contaminado,
usamos 12 ml de sangue por tubo correspondente a cada cepa assim como a
cada concentração de ácido bórico; isto nos obrigou a colheita de sangue de
vários doadores.
No dia da colheita procedemos a contaminação proposital dos sangues
contendo diversas concentrações do antisséptico, incluindo-se sempre para cada
cepa uma amostra de sangue controle sem ácido bórico, desta maneira cada
uma das 26 cepas serviu para contaminar uma série de tubos contendo dife¬
rentes concentrações do antisséptico e ainda um tubo controle, sem antissép¬
tico.
A contaminação dos tubos de sangue foi procedida de maneira idêntica
àquela da determinação da atividade antibacteriana do ácido bórico em plasma
citratado; o período de observação foi também de 20 dias em geladeira (4-6°).
Independentemente da contagem de germes em placa procedemos a bac-
terioscopia pelo método de Gram, de cada amostra de sangue.
4. Atividade tóxica de amostras de sangue contaminado contendo como
antisséptico ácido bórico.
Após a verificação da atividade bacteriostática do ácido bórico na con¬
centração de 0,lg% em sangue total, nos interessamos em pesquisar a atividade
tóxica destas amostras de sangue contaminado, através de inoculação em ca¬
mundongo.
Com esse objetivo, utilizamos o método descrito por Geller e col. (1954).
Este método consiste na inoculação de 0,5 ml de sangue por via intraperiíoneal
em camundongo de 12 a 18g.
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SOEKENSEN, B. — Contribuição para o estudo do ãcido bórico como antisséptico de
sangue conservado.
Mem. Inst. Butantan, 37: 17-42, 1D73.
Foram usadas nas inoculações as amostras de sangue contaminado cor¬
respondentes a concentração de 0,lg% de antisséptico assim como as corres¬
pondentes a sangue contaminado sem antisséptico. Estas amostras foram as
mesmas que serviram na determinação da atividade bacteriostática do ácido
bórico cm sangue.
Nos testes foram usados 848 camundongos svviss, machos de 12 a 18 g.
divididos da seguinte maneira: 416 animais em 26 grupos de 16 camundongos
para cada amostra de sangue contaminado contendo ácido bórico na concen¬
tração de 0,lg%. Número igual de animais foi utilizado com as amostras de
sangue contaminado sem antisséptico.
Um grupo de 16 camundongos foi inoculado com sangue não contaminado.
Todos os animais receberam o mesmo tratamento e após 48 horas foi
determinada a letalidade para cada sangue contaminado contendo antisséptico
assim como para os grupos correspondentes de animais inoculados com san¬
gue sem antisséptico.
RESULTADOS
1. Atividade antibacteriana do ácido bórico em. plasma humano conser¬
vado a 4-6 0 e contaminado propositahnente.
Através da análise da Tabela II (p. 27), pode-se observar que:
1.1. O ácido bórico exerceu atividade possivelmente bactericida a par¬
tir das concentrações superiores a 0,500 g% sobre todas as cepas
submetidas ao teste.
1.2. Nas concentrações de 0,12 a 0,25 g% exerceu ação bacteriostática.
1.3. Nas concentrações inferiores a 0,06 g% pode ser considerado inativo.
2. Influência das diferentes concentrações de ácido bórico na preserva¬
ção do hemácias humanas conservadas a 4-6°.
Pode-se observar através do exame da Tabela III (p. 28), que:
2.1. O ácido bórico nas concentrações de 0,1; 0,2 e 0,3 g% não exerceu
ação hemolítica sobre nenhuma das amostras de sangue empregadas
quando as mesmas foram mantidas em repouso. Entretanto, quan¬
do submetidas a agitação periódica, na última concentração, a
dosagem de hemoglobina ultrapassou 25 mg%. Independentemente,
foi possível seguir com intervalos de 5 dias a progressão da he-
mólise nos tubos de sangue contendo antisséptico e sangue controle
Fig. 1, 2, 3 e 4 (p. 29).
2.2. O ácido bórico nas diferentes concentrações não modificou o as¬
pecto normal do sangue, principalmente no referente a coloração
Fig. 5 (p. 29).
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SciELO
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SOERENSEN, B. — Contribuição para o estudo do ácido bórico como antisséptico de
sangue conservado.
Mem. Inato Butantan, :)7: 17-42, 1073.
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SANGUE COLHIDO EM SOLUÇÃO A.C.D. CONTENDO Dl FERENTES CONCENTRAÇÕES DE ÁCIDO BÓRICO.
PERÍODO DE CONSERVAÇÃO EM GELADEIRA (4-6.°C):5 DIAS.
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SANGUE COLHIDO EM SOLUÇÃO A.C.D. CONTENDO DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE ÁCIDO BÓRICO.
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Fig. 2
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SANGUE COLHIDO EM SOLUÇÃO A.C.D. CONTENDO DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE ÁCIDO BÓRICO.
PERÍODO DE CONSERVAÇÃO EM GELADEIRA (4-6.°C): 15 DIAS.
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SOERENSEN, B. — Contribuição para o estudo do ácido bórico como antisséptico de
sangue conservado.
Mem. Inst. Butantan. â7: 17-42, 1973.
3. Atividade antibactcriana do ácido bórico cm sangue humano conser¬
vado a 4-6 0 e contaminado propositalmente.
3.1. A bacterioscopia direta das amostras de sangue contendo ácido bó¬
rico nas concentrações de 0,1; 0,2; 0,3; 0,4; 0,5 e 0,6 g% resultaram
negativas, entretanto as realizadas com amostras sem antisséptico
(controle) resultaram positivas, confirmando as características mor¬
fológicas e tintoriais correspondentes a cepa contaminante.
3.2. As concentrações de 0,1 e 0,2 g % de ácido bórico exerceram ativi¬
dade bacteriostática — Tabela IV (p. 33).
3.3. A partir da concentração de 0,2 g% exercem possivelmente atividade
bactericida.
3.4. As amostras de sangue correspondentes às concentrações de 0,1 e
0,2 g% de antisséptico apresentaram-se com as características físicas
de sangue normal. Isto não aconteceu com as das amostras controles
(sem antisséptico) onde dependendo das c; racterísticas da çepa
contaminante, eram nítidas as alterações de cor para vermelho-es¬
cura, violácea ou ainda a verificação de evidente grau de hemólise
ou presença de fibrina. Figs. 6 a 18 (pp. 30 a 32).
4
SANGUE COLHIDO EM SOLUÇÃO A.C.D. CONTENDO DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE ÁCIDO BÓRICO.
PERÍODO DE CONSERVAÇÃO EM GELADEIRA 14 - 6 o C): 20 DIAS.
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SANGUE COLHIDO EM SOLUÇÃO A.C.D. CONTENDO DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE ÁCIDO BÓRICO
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Fig. 7
CEPA CONTAMINANTE: 3192
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SANGUE COLHIDO EM SOLUÇÃO A.C.D. CONTENDO DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE ÁCIDO BÓRICO.
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SOERENSEN, B. — Contribuição para o estudo do ácido bórico como antisséptico de
sangue conservado.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 17-42, 1973.
SANGUE COLHIDO EM SOLUÇÃO A.C.D. CONTENDO DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE ÁCIDO BÓRICO.
PERÍODO DE CONSERVAÇÃO EM GELADEIRA 14 - 6° Cl: 20 DIAS.
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CEPA CONTAM IN ANTE: 6504
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CEPA CONTAM IN ANTE: 7583
Pseudomonas Sp.
Fig. 9
Pseudomonas Sp.
SANGUE COLHIDO EM SOLUÇÃO A.C.D. CONTENDO DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE ÁCIDO BÓRICO.
PERÍODO DE CONSERVAÇÃO EM GELADEIRA 14 - 6° C): 20 DIAS.
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CEPA CONTAMINANTE: 4436
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Pseudomonas Sp.
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Bacillus Sp.
SANGUE COLHIDO EM SOLUÇÃO A.C.D. CONTENDO DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE ÁCIDO BÓRICO.
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Fig. 13
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SOERENSEN, B. — Contribuição para o estudo do ácido bórico como antisséptico de
sangue conservado.
Man. Inst. Butantan, 37: 17-42. 1073.
SANGUE COLHIDO EM SOLUÇÃO A.C.D. CONTENDO DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE ÁCIDO BÓRICO.
PERÍODO DE CONSERVAÇÃO EM GELADEIRA (4 - 6.° Cl: 20 DIAS.
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E. liquefaciens
E. liquefaciens
SANGUE COLHIDO EM SOLUÇÃO A.C.D. CONTENDO DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE ÃCIDO BÓRICO.
PERÍODO DE CONSERVAÇÃO EM GELADEIRA (4 - 6 o 0:20 DIAS.
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Fig. 15
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SANGUE COLHIDO EM SOLUÇÃO A.C.D. CONTENDO DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE ÃCIDO BÓRICO.
Bacillus Sp.
Fig. 1G
E. aerogenes
SANGUE COLHIDO EM SOLUÇÃO A.C.D. CONTENDO DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE ÃCIDO BÓRICO.
PERÍODO DE CONSERVAÇÃO EM GELADEIRA (4 - 6 o Cl: 20 DIAS.
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CEPA CONTAM IN ANTE: BSH
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SANGUE COLHIDO EM SOLUÇÃO A.C.D. CONTENDO DlFERENTES CONCENTRAÇÕES DE ÁCIDO BÓRICO.
PERÍODO DE CONSERVAÇÃO EM GELADEIRA (4 - 6 o 0:20 DIAS.
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Bacillus Sp.
Fig. 18
Bacillus Sp.
SciELO
cm
10 11 12 13 14 15 16
SOERENSEN, B. — Contribuição para o estudo do ácido bórico como antisséptico de
sangue conservado.
Mem. Inst. Butantan, ST: 17-42, 1973.
34
TABELA V
Atividade tóxica de amostras dc sangue propositalmente contaminadas.
Cepa con-
Letalidade %
taminante
do sangue
Sangue colhido
com antisséptico
Sangue colhido
sem antisséptico
1919
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100,0
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4979 (6)
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81,2
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Cd
1044
0,0
31,2
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B
33992
0,0
81.2
cq
BSH
0,0
31,2
3454
0,0
50,0
Um
grupo de 16
camundongos foi inoculado
com sangue não
contaminado não tendo sido observada nenhuma morte num período
de 48 horas.
(1) Pseudomonas Sp. não correspondendo às características de P. ae-
ruginosa; P. fluorescens; P. putida; P. stutzeri; P. multivorans;
P. maltophilia; P. pseudomallei.
(2) Pseudomonas Sp. similar, mas não idêntica a P. stntzeri.
(3) Pseudomonas multivorans.
(4) Pseudomonas fluorescens.
(5) Enterobacter liquefaciens.
(6) Enterobacter aerogenes.
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SOERENSEN, B. — Contribuição para o estudo do ácido bórico como antisséptico de
sangue conservado.
Mem. Inst. Butantan, 37: 17-42, 1973.
4. Atividade tóxica de amostras de sangue contaminado; contendo ácido
bórico como antisséptico.
Através da análise da Tabela V (p. 34) podemos chegar aos seguintes
resultados:
4.1. No grupo de animais que recebeu sangue colhido com antisséptico
e posteriormente contaminado não foi verificada nenhuma morte.
4.2. No grupo de animais que recebeu sangue colhido sem antisséptico e
posíeriormente contaminado, foi verificada uma elevada letalidade,
com especial destaque aos correspondentes às cepas Pseudomonas
e Enterobacter.
4.3. No grupo de 16 animais que recebeu apenas sangue normal (não
contaminado) não foi verificada nenhuma morte.
DISCUSSÃO
Os antissépticos adicionados a produtos biológicos devem exercer ativi¬
dade bacteriostática; no presente caso a menor concentração de ácido bórico
que exerceu ação bacteriostática no plasma sobre as 26 cepas estudadas foi a
correspondente à concentração de 0,12 g %.
Evidentemente, 0,12 g% de ácido bórico não poderá ser considerada como
sendo a menor quantidade de antisséptico que exerce ação bacteriostática,
uma vez que o intervalo nas diluições de 1/800 (0,12 g %) e 1/1600 (0,06 g%)
é demasiadamente grande.
É possível que a concentração de ácido bórico que exerça atividade bac¬
teriostática no sangue seja inferior a 0,100 g%, isto considerando os resultados
da atividade antibacteriana do ácido bórico no plasma sanguíneo.
Por ocasião da determinação do número de colónias em placa, o inóculo
representado pelo plasma ou pelo sangue continha ácido bórico em concentra¬
ções elevadas. É possível, portanto, que a presença do antisséptico na placa
lenha dificultado a proliferação de colônias. Este fato impede afirmar a ati¬
vidade bactericida do ácido bórico.
As concentrações de 0,1 e 0,2 g% de ácido bórico, não exerceram ativi¬
dade hemolítica nas condições estudadas; isto nos indica que o antisséptico
usado apresenta grande tolerância quanto à capacidade de determinar hemólise.
Estas concentrações correspondem à faixa de ação bacteriostática do antis¬
séptico.
A concentração de 0,1 g% do antisséptico adicionado a solução ACD foi
capaz de reduzir a zero a elevada letalidade observada nos grupos de camun¬
dongos inoculados com sangues contaminados sem ácido bórico, especialmente
no que se refere às cepas do gênero Pseudomonas e Enterobacter. A letali¬
dade foi menor nos grupos de animais correspondentes aos sangues contami¬
nados por bactérias do gênero Bacillus; esta observação coincide com a
afirmação de Pittman (1953), de que as reações transfusionais de pequena
gravidade correspondem às contaminações por germes Gram positivos.
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SOERENSEN, B. — Contribuição para
sangue conservado.
Moa. Iiist . Butantan, ST: 17-12, 11)73.
estudo do ácido bórico como antisséptico de I
Indubitavelmente, diante da complexidade da hemoterapia, um antissép¬
tico adicionado ao sangue deverá reunir condições muito mais amplas; assim,
no que se refere à ação sobre os elementos globulares, não podemos nos res¬
tringir apenas a um simples teste de hemólise, mas sim, à fisiologia celular e
neste particular não somente às hemácias, mas também aos demais componentes
celulares do sangue.
Referimo-nos da mesma maneira quanto ao plasma; o simples fato de
ter conservado o seu aspecto normal não indica, evidentemente, que não possa
ter sofrido alterações quanto aos seus componentes. Neste particular, fazemos
especial menção aos fatores de coagulação, aos componentes protéicos e en-
zimátioos.
Outra condição fundamental é de que o antisséptico não exerça ação tóxica
sobre o organismo, nesse sentido temos informações sobre os efeitos nocivos
verificados na terapêutica com doses elevadas de ácido bórico ou, ainda,
quanto à administração acidental do mesmo.
Peyton e Green (1941) fazem menção à recuperação de um paciente ino¬
culado com uma única dose de 28 g de ácido bórico por via subcutânea.
Mclntyre e Burke (1937) relatam a recuperação de um paciente que re¬
cebeu 15 g de ácido bórico por via intravenosa.
Brovv e col. (1936) citam um caso de administração acidental por via
intravenosa de 1000 ml de solução de ácido bórico a 2 % (total 20 g) sem efeitos
tóxicos sérios.
Através do estudo de Pfeiffer e col. (1945) sobre o ácido bórico, pode-se
verificar que somente doses elevadas levam a intoxicações graves.
Evidentemente neste sentido há necessidade de estudo meticuloso.
Conforme os nossos resultados, o ácido bórico exerce ação bacteriostática
na concentração de 0,1 g%, portanto, um paciente que recebe 500 ml de sangue
estaria recebendo 0,5 g do antisséptico.
Nos casos de cirurgias extensas ou de exanguino-transfusão um paciente
adulto poderá receber volumes de sangue de aproximadamente 7000 ml, neste
caso o paciente estará recebendo 7 g de ácido bórico.
Devem ser consideradas ainda as transfusões de pequenos volumes de
sangue durante longos períodos.
Cope (1943) demonstra que pacientes com função renal normal tratados
localmente com ácido bórico, podem excretar pela urina 2 g no período de 24
horas. Este mesmo autor refere que quando o tratamento é feito através de
irrigações de cavidades internas a excressão na urina pode elevar-se a 2,5 g
em 24 horas.
A vantagem fundamental do uso do ácido bórico como antisséptico adi¬
cionado ao sangue seria de ordem prática podendo o mesmo integrar a solução
ACD, ser submetido a esterilização e armazenagem por longos períodos, sem
alteração. O plasma retirado do sangue colhido com ácido bórico continua
conservando as suas características bacteriostáticas.
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SOERENSRX, li. — Gontribuiçfio para o estudo elo ácido bórico como antisséptico de
sangue conservado.
Mem. InsL Butantan, 37: 17-42, 1073.
As condições habitualmente apresentadas na prática de colheita de sangue
nos levam a acreditar num risco de contaminação obrigatório.
Assim como são adicionados antissépticos em elevado número de pro¬
dutos biológicos, acreditamos que no caso do sangue e do plasma também se
impõe essa necessidade. Evidentemente, se forem obedecidas nos Serviços de
transfusão e Bancos de Sangue normas de assepsia já aconselhadas há muitos
anos, inclusive entre nós por Faria (1957), os índices de contaminação teriam
diminuído consideravelmente.
O reaproveitamento de frascos de sangue e aparelhos de colheita, feito
habitualmente em Bancos de Sangue, aumenta a possibilidade de contaminação
devido a esterilização inadequada.
Acreditamos que o uso atuai de jsacos plásticos em diversos Bancos de
Sangue, devido as condições técnicas que apresentam, poderiam diminuir
o risco de contaminação.
Paralelamente, de acordo com Pittman (1953), a assepsia não deveria ser
apenas cirúrgica, mas sim uma assepsia bacteriológica, pois os germes impli¬
cados são na sua maioria saprófitas. Estas bactérias constituem um grupo de
microorganismos psicrófilos já mais ou menos definido, porém de difícil classi¬
ficação.
A punção veno:a do doador deverá ser precedida do uso de soluções ger-
micidas, uma vez que os antissépticos destruiriam somente os germes pato¬
gênicos. Outra condição que se impõe é que a solução germicida a ser usada
tenha a característica de uma ação rápida sobre os microorganismos, pois o
tempo transcorrido desde o momento do início da antissepsia do braço do
doador até a punção não ultrapassa de maneira geral 1 minuto. Isto, portanto,
se soma aos inconvenientes já mencionados para a obtenção de uma amostra
de sangue absolutamente estéril.
Diante destas considerações, destacamos os excelentes remltados que obti¬
vemos com o ácido bórico adicionado como antisséptico de sangue. O ácido
bórico complementa a solução preservativa ACD na proporção de 0,1 g por 199
ml de sangue, permitindo que os frascos sejam autoclavados e armazenados por
longos períodos. O sangue colhido com antisséptico impediu o desenvolvimento
bactcriano de 26 cepas utilizadas nos testes, não modificou o aspecto normal
do sangue e quando inoculado em camundongos evitou uma elevada letalidade.
Acreditamos, portanto, que estes fatos justifiquem estudos complementa¬
res que possam trazer ao método a necessária segurança.
CONCLUSÕES
Diante de nossos resultados, nos parece lícito concluir o seguinte:
1. O ácido bórico, nas condições do teste, no plasma mantido a 4-6° du¬
rante 20 dias, exerceu ação possivelmente bactericida a partir das con¬
centrações superiores a 0,50 g% sobre bactérias psicrófilas isoladas de
sangue maciçamente contaminados, sendo 12 do gênero Vseudomonas,
8 do gênero Entcrcbacter e 6 do gênero Bacillus. No sangue total
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SOERENSEN, B. — Contribuiçflo para o estudo do ácido bórico como antisséptico de
sangue conservado.
Mem. Inst. Butantan, 37 : 17 - 42 , 1973 .
a atividade possivelmente bactericida foi observada a partir das con¬
centrações superiores a 0,3 g%.
2. A atividade bacteriostática do ácido bórico no plasma correspondeu
as concentrações de 0,12 a 0,25 g% e no sangue nas de 0,10 a 0,20 g%.
3. Nas concentrações inferiores a 0,06 g% o antisséptico pode ser con¬
siderado inativo.
4. O ácido bórico nas concentrações de 0,10 e 0,20 g% de sangue não
teve ação hemolítica, tendo o sangue conservado seu aspecto normal,
principalmente no que se refere a coloração.
5. A concentração de 0,1 g% do antisséptico adicionado a solução ACD,
foi capaz de reduzir a zero a elevada letalidade observada nos grupos
de camundongos inoculados com sangues contaminados sem antis¬
séptico.
6. Conforme dados compulsados na literatura referente a intoxicação do
homem pelo ácido bórico, foi possível verificar que as concentrações
que poderiam ser adicionadas como antisséptico no sangue são pos¬
sivelmente inferiores a dose tóxica.
7. Finalmente, existem possibilidades do uso do ácido bórico na concen¬
tração de 0,1 g%, como antisséptico do sangue conservado. Entretanto,
deverá ser precedido de estudos complementares que possam dar ac
método a necessária segurança.
RUMMARY — The possibility was stu-
died of using boric acid as an antisep-
tic agent in stored blood. Antibacterial
activity in experimentally contamina-
ted human plasma and blood maintai-
ned at 4-6"C, the influence of diffe-
rent concentrations on stored red blood
cells maintaincd at 4-6°, as well as the
toxic effect of eontaminated blood sam-
ples containing boric acid, havu
been determined. Psychrophile bacte-
rial strains isolated from contamined
blood were used for the tests: 12
strains of the genus Pseudomonas, 8
of the genus Enterobacter, and 6 of
the genus Bacilhis.
The bacteriostatic activity of boric acid
corresponds to concentrations of 0.12-
0,25 g% in plasma, 0.10-0.20 g% in
blood; the bactericidal activity corres-
donds to concentrations higher than
0.3 g%. In concentrations lower than
0.66 g%, boric acid is considered inac-
tive. In 0.10 and 0.20 g% concentra¬
tions, no hemolytic effect has been ob-
served, and the blood retained its nor¬
mal aspect mainly in respect to color.
A 0.1 g% concentration of boric acid
added to a ACD (Citric Acid, Sodium
Citrato, Dextrose) solution reduced to
zero the high lethality observed in
groups of mice inoculated with conta-
minated blood void of the antiseptic.
Final conclusions are given as to the
possible use of boric acid in addition
to a ACD solution in a final concen¬
tration of 0.1 g% as an antiseptic for
stored blood. According to the data in
literature referring to boric acid into-
xication in men, it has been verified
that the boric acid amounts added as
an antiseptic to stered blood are far
less than a toxic dosis; nevcrtheless,
complemcntary studies are recom-
mended before the method is applied.
UNITERMS — Baeterial contamina-
tion in a Blood Bank.
Boric acid as an antiseptic agent in
stored blood.
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SOERENSEN, B. — Contribuição para o estudo do ácido bórico como antisséptico de
sangue conservado.
Mem. Inst. Butantan, 37: 17-42, 1973.
Ao Prof. Dr. Otto Guilherme Bier
À Dra. Jandyra Planet do Amaral
Ao Dr. Gastão Rosenfeld
Ao Dr. Henrique Sampaio Corrêa
Ao Dr. Luiz Augusto Ribeiro do Valle
a gratidão pela contribuição à nossa
formação científica.
Dedicatória:
â Cecilia, Roberto, Marcelo e Maurício.
Agradecimento:
MEUS SINCEROS AGRADECIMENTOS:
Ao Orientador deste trabalho: Prof. Dr. Euclydes Onofre Martins.
Ao Prof. Dr. Domingos Delascio.
Ao Prof. Dr. Donald Wildson.
A Dra. Jandyra Planet do Amaral.
Ao Dr. Oswaldo Melone.
à Dra. Margaret Pittman.
Ao Dr. Charles R. Manclark.
Ao Dr. Luiz Rachid Trabulsi.
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57. VONNKILCH apud RIVERA MANDRES, J. — Transfusión de sangre. Ma¬
drid, Marban Nuevas Gráficas, 1967, p. 631.
WHITBY apud RIVERA BANDRES, J. — Transfusión de sangre. Madrid,
Marban Nuevas Gráficas, 1967, p. 631.
YUDIN, S. S. — Transfusión of stored cadaver blood. Practical considerations:
The first thousand cases. Lancei, 2: 361-366, 1937.
54.
55.
56.
58.
59.
ANEXO I
Relação das substâncias citadas no texto. Seus nomes comerciais, sinônimos
e fórmula química.
Albucid sódico ® . (N-acetil-sulfanilamida sódica)
Mertiolato © . Timerosal (etilmercúrio-tiosalicilato de sódio)
Metaphen ® . Nitromersol (4-nitro-3-hidroxi-mercuri-o-cresol)
Neosalvarsan ® . Neoarsphenamina (3-diamino-4-dihidroxo-arscnoben-
zeno-metanal sulfoxilato de sódio)
Nioagin ® . (metil-p-hidroxibenzoato)
Proflavina . (3,6-diaminoacridínio cloreto)
Prontosil ® . Sulfamidocrisoidina (4-Sulfamil-2,4-diaminoazoben-
zeno)
ivanol ® . Ethacridina (2 5-diamino-7-etoxiacridina)
Sulfidin © . Sulfapiridina (2-sulfanilamido-piridina)
Tripaflavina © . Acriflavina (mistura de 2,8-diamino-10-metil acridí-
niocloreto e 2,8-diamino acridina)
Urotropina © . Metenamina (Hexametileno-tetramina)
Recebido para publicação em 23.VII.73.
Aceito para publicação em 01.VIII. 73.
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Mem. In^t. Butantan
1*7 : 43-82, 4 973
A ÁREA DE EDUCACÃO DO INSTITUTO BUTANTAN *
ROSA PAVONE PIMONT**
Seção de Cursos do Instituto Butantan
RESUMO — Baseada na legislação
estadual, a autora realizou estudo do
desenvolvimento do Instituto Butan¬
tan desde sua fundação até a presente
estruturação, com ênfase na evolução
das atividades didáticas da Instituição.
Sendo as referidas atividades rela¬
cionadas com Saúde Pública, Ciências
Biológicas e Médicas, foi proposto um
projeto de ordenação e ampliação da
área de educação, fundamentando-sc
nas possibilidades do Instituto Butan¬
tan e na Nova Lei de Diretrizes e
Bases do Ensino no Brasil. O projeto
refere-se, de forma mais ampla possí¬
vel à contribuição da Instituição à
Educação e ao Ensino, principalmente
a Educação em Saúde e a formação
na área das Ciências Biomédicas nos
diferentes gráus de escolaridade.
O fluxcgrama apresentado sugere li¬
nhas de trabalho a institutos de pes¬
quisa similares.
UNITERMOS — Instituto de Pesqui¬
sas; Educação em Saúde; Formação
profissional em Ciências Biomédicas.
1. INSTITUTO BUTANTAN: ÁREAS DE ATUAÇÃO
O Instituto Butantan, atualmente órgão cia Coordenadoria de Serviços
Técnicos Especializados da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, teve
suas origens no Instituto Serumtherápico, fundado na Fazenda Butantan, pelo
cientista brasileiro Dr. Vital Brazil em 1899. Nesta época este pesquisador de¬
senvolvia trabalho pioneiro relacionado com a produção de soros hiperimunes.
Em 1925 foram anexados ao Instituto Serumtherápico o Instituto Vacinogê-
nico e o Instituto Bacteriológico. A fusão destes três institutos recebeu o nome
de Instituto Butantan e, os objetivos da instituição que eram preparar medi¬
camentos, estudar e extrair princípios tóxicos medicamentosos de vegetais e
animais, foram ampliados, incluindo a educação sanitária do povo.
No desenvolvimento da estrutura de serviços do Estado, o Instituto
Butantan subordinou-se em 1931 ao Departamento de Saúde Pública, tendo
sido organizado como Centro de Medicina Experimental com finalidade de
realizar trabalhos científicos sobre animais venenosos, sobre patologia humana,
principalmente fenômenos de imunidade, preparação de produtos biológicos
e organização de cursos práticos de especialização científica.
Com a criação, em 1934, da Universidade de São Paulo passou a constituir
órgão complementar da mesma.
Em 1938, foi criado o Departamento de Saúde do Estado e o Serviço de
Laboratórios dc Saúde Pública desse Departamento incluía o Instituto Butantan.
* Parte da tese de doutoramento aprovada pela Faculdade de Educação da Universidade
de São Paulo, em 1973.
** Chefe da Seção de Cursos — Instituto Butantan.
Endert ço para correspondência :
C.P, G5, São Paulo, Brasil.
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P1MONT, R. P. — A área de educação do Instituto Butantan»
Mcm. Inst, Butantan, .?? : 43-82, 1973.
Nas subsequentes reformas administrativas o Instituto Butantan, em 1942,
subordinou-se à Secretaria da Educação e Saúde Pública e, em 1944, foi trans¬
ferido para a recém-criada Secretaria de Estado dos Negócios da Saúde
Pública e da Assistência Social.
Em 1959, com a cr.ação do Conselho das Instituições de Pesquisa do
Estado de São Paulo, foi incluído no mesmo, entre outros institutos.
Com a aceleração do desenvolvimento científico, sócio-económico e cul¬
tural do Estado de São Paulo, o Instituto Butantan expandiu-se e tornou-se
necessária uma re-organização que agrupasse suas atividades em divisões téc¬
nicas, seções e setores para um funcionamento harmônico de suas atividades.
Com esse objetivo, em 1962, foi reorganizado, sendo redefinidas suas finali¬
dades. Após várias tentativas, foi aprovada a reestruturação atual em 1968.
Atualmente o Instituto Butantan desenvolve pesquisas científicas de âm¬
bito internacional, abrangendo os campos da Microbiologia, Biologia, Bioquí¬
mica, Farmacologia, Genética, Patologia e Fisiologia.
Além das pesquisas, o Instituto é encarregado de suprir o Estado de São
Paulo de vacinas para a varíola, tétano, tuberculose, coqueluche, raiva, tifo e
febre maculosa, entre outras. Em ocasiões de surtos epidêmicos, colabora nos
programas de imunização da comunidade, promovidos pelo governo, forne¬
cendo as vacinas ao Estado e, em caso de necessidade, ao País.
O Instituto também fabrica soros específicos para tratamento de: picados
por animais peçonhentos, raiva, tétano, difteria, botulismo e gangrena. Sendo
padrão em tecnologia de produtos imunoterápicos, assessora indústrias far¬
macêuticas governamentais e particulares.
No conjunto de prédios, onde funciona o Instituto Butantan, existe um
hospital para socorros do urgência a picados por animais venenosos e que,
através de médicos e enfermeiras especializados, atende dia e noite a todas as
pessoas acidentadas que o procuram.
Somadas às atividades de pesquisa e produção, a In tituição desenvolve
atividades de extensão cultural; possui um museu especializado que é conli-
nuamente visitado por cientistas, estudantes, populares e turistas de vários
lugares do mundo; organiza cursos, aulas, estágios e treinamentos para estu¬
dantes dos diferentes graus, fornecendo material didático e bolsas de estudo;
possui uma biblioteca com acervo de 7.850 livros, 28.250 periódicos e 22.261
teses e separatas no campo da Biologia e da Medicina; publica anualmente os
trabalhos realizados pelos seus cientistas em Memórias do Instituto Butantan.
Todas as atividades citadas desenvolvem-se conjuntamente, lideradas por
oitenta e três técnicos de nível superior e organizadas numa estrutura composta
de seis grandes Divisões:
Divisão de Biologia
Divisão de Microbiologia e
Divisão de Patologia
Divisão de Ciências Fisiológicas e Química
Divisão de Extensão Cu tuial
Divisão de Administração.
Imunologia
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PIMONT, R. I’. — A área de educação do Instituto Butantan.
Man. Inat. Butantan, 37: 13-82, 11)73.
Destas seis divisões, quatro desenvolvem atividades técnicas de pesquisa
o produção: Biologia; Ciências Fisiológicas e Química; Mcrobiologia e lir.u-
nologia; Patologia.
Divisão de Biologia: é composta de dois serviços e uma seção que desen¬
volvem trabalhos de pesquisa em três setores da Biologia: Anima ; s Peçonhentos
Genética e Parasitologia.
O Serviço de Genética, dessa divisão, realiza pesquisas em genética animal a
respeito de vertebrados inferiores. Existe também uma Seção de Genética
Humana. São inúmeros os trabalhos internacionais publicados por este serviço,
além de teses desenvolvidas nos seus laboratórios.
A Seção de Parasitologia possui preciosa coleção de ácaros e desenvolve
pesquisas em sua área específica.
O Serviço de Animais Peçonhentos conta com duas seções, que são in¬
cumbidas da extração sistemática de veneno de serpentes, aranhas e escor¬
piões, venenos estes que são utilizados para produção dos soros específicos
antipeçonhentos e em trabalhos de pesquisa.
Nesta divisão são desenvolvidos trabalhos de pesquisa a respeito de ser¬
pentes e a mesma conta com uma coleção de aproximadamente 40.000 exem¬
plares de serpentes conservadas, já estudadas e classificadas.
Em algumas regiões do Estado de São Paulo e do Brasil, acidentes por
serpentes e artrópodos peçonhentos constituem problema de Saúde Pública,
razão pela qual assume grande importância a fabricação desses soros pelo
Instituto Butantan.
Esta Divisão é encarregada da recepção e cadastramento de serpentes,
aranhas e escorpiões que chegam ao Instituto, vindos de todo o Brasil e de
outros lugares do mundo.
Como os venenos animais são preciosos para os estudos e a produção do
Instituto, são fornecidas caixas, laços especiais e instruções sobre apreensão
desses animais produtores de venenos; o transporte por via férrea é gratuito
de lodo e qualquer recanto do país.
A Divisão mantém um sistema de permuta de soro por animais peçonhen¬
tos recebidos.
Divisão de Microbiologia c Imunologia comporta os serviços de Bacterio¬
logia, Imunologia, Virologia e Controle e Técnicas Auxiliares, serv.ços respon¬
sáveis pela área de produção de imunoterápicos. As vacinas originárias de
bactérias e vírus são aí produzidas, dentro do mais alto padrão ds tecnologia
de produtos biológicos. Além das vacinas são produzidos soros hiperimunes
específicos para tratamento de diversas doenças já citadas.
Os imunoterápicos são fabricados em escala industrial, uma vez que são
destinados à comunidade do Estado de São Paulo, através da Secretaria de
Estado da Saúde.
Essa Divisão abrange o Serviço de Técnicas Auxiliares e de Controle, que
realiza o controle químico e o controle biológico de aproximadamente 50
produtos diferentes, preparados em todo o Instituto Butantan.
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PIMONT, R. P. — A área de- educação do
J/em. Inst. Butcintun, 37: 13-82, 1973.
Instituto Rutantan.
Existem ainda os Setores de Distribuição, Acondicionamento e Expedição
dos produtos.
Divisão cie Patologia — subordina-se à esta Divisão o Hospital Vital
Brasil para socorros de urgência a picados por animais peçonhentos. O trata¬
mento é inteiramente gratuito e a internação se prolonga até o completo res¬
tabelecimento do doente. Este hospital possui registro de atendimento e
tratamento de acidentes desde sua função, em 1945, num total de aproxima¬
damente 33.000 casos.
Os casos estudados fornecem importantes dados para pescpiisa dos efeitos
dos envenenamentos animais em patologia humana. Desenvolvem-se, nesta
divisão, trabalhos de pesquisa ligados à Hematologia, Fisiopatologia e Ana¬
tomia Patológica.
Divisão de Ciências Fisiológicas e Química — eminentemente uma Divisão
de pesquisa pura de âmbito internacional, constitui-se de quatro Serviços:
Bioquímica, Farmacologia, Fisiologia e Química Orgânica. É a divisão mais
solicitada por estudantes universitários interessados na aprendizagem da
metodologia da pesquisa científica.
Desenvolve trabalhos sobre propriedades de venenos animais e sobre
Química de produtos naturais e Química Medicinal. É também encarregada
da produção de quimioterápicos para tratamento da hanseníase.
Como serviços de apoio à essas divisões técnicas, o Instituto possui:
a) uma Seção de Microscopia Eletrônica epie, além de atender a todas
as linhas cie pesquisa que a solicitam, desenvolve trabalhos específicos
em microscopia eletrônica em colaboração com universidades e outros
laboratórios especializados;
b) a Fazenda São Joaquim, onde estão os cavalos, vitelas e carneiros
para produção dos soros e vacinas, sendo que os animais cie pequeno
porte são criados na própria Instituição;
c) o Biotério, subordinado ao Serviço cie Veterinária, é encarregado
da criação de animais de laboratório. Camundongos, ratos, cobaias e
coelhos são aí criados dentro de preceitos científicos a fim de alcança¬
rem a homogeneidade necessária e o padrão exigido para testes de
laboratórios;
cl) Laboratórios especiais, que estão sendo organizados na medida do
desenvolvimento de determinadas linhas de pesquisa;
e) Oficinas de mecânica de precisão e vidraria especializada, cpie rea¬
lizam os serviços de manutenção dos laboratórios.
Estas Divisões atestam o desenvolvimento técnico científico cpie o Ins¬
tituto Butantan atingiu em seus 70 anos de existência.
Divisão de Extensão Cultural — constituída de três seções: Museu, Cursos
e Biblioteca e Divulgação tem por objeto informar a comunidade sobre as
realizações do Instituto.
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PíMONT, 1\. P. — A área de educaçáo do Instituto Butantan.
Mem. Inst. Butantan t 37: 43-82, 1973.
O Museu, além cias atividades já mencionadas anteriormente, através de
um setor de Taxidermia fornece a estudantes e escolas material fixado (ser¬
pentes, aranhas, escorpiões) para fazerem parte de Museus escolares ou frei¬
ras de ciências. Atende a turistas realizando demonstrações de extração de
venenos de serpentes vivas, o que sempre causa grande admiração aos visi¬
tantes.
São promovidos, pela Seção de Cursos, treinamentos de médicos, enfer¬
meiras, farmacêuticos, militares, estudantes, nas especialidades desenvolvidas
na Instituição. São organizados cursos e aulas sobre vacinas, soros, saúde pú¬
blica e é feita a tradução dos objetivos da Instituição a alunos de diferentes
Visitas aos laboratórios, acompanhadas por técnicos especializados, são
organizadas para grupos de estudantes ou profissionais da área das ciências
biomédicas. Estágios orientados fazem parte da contribuição cpie o Instituto,
através de sua Seção de Cursos, dá ás universidades nacionais e estrangeiras.
Orientação para trabalhos escolares e elaboração de material audiovisual
também são atividades desta seção.
O Instituto Butantan, sendo instituição complementar da Universidade de
São Paulo, mantém contatos culturais e didáticos com a mesma.
A Biblioteca faz parte do grupo de bibliotecas biomédicas do Estado de
São Paulo e, além de suas atividades específicas, colabora na organização de
palavras proferidas por cientistas convidados ou do próprio Instituto. Super¬
visiona o setor de Gráfica e Encadernação, que colabora na difusão cultural
imprimindo bulas e trabalhos científicos.
Divisão de Administração — abrange todos os serviços de infraestrutura
tais como: finanças, pessoal, material, compras, zeladoria e comunicações.
Esta Divisão segue os moldes da administração pública, tentando adequar
á mesma as tão diversas e complexas atividades do Instituto.
Os objetivos atuais do Instituto Butantan podem ser resumidos em:
a) Instituição de Saúde Pública — através da produção de imunoterá-
picos e do Hospital Vital Brasil que, funcionando 24 horas ininter¬
ruptamente, atende à população.
b) Instituição de Pesquisa Bipmédica — através do desenvolvimento de
trabalhos científicos de cunho internacional. As pesquisas iniciais,
baseadas nos temas básicos de Venenos Animais e Animais Peçonhen¬
tos, desenvolveram-se a tal ponto que, atualmente, existem inúmeros
laboratórios ligados a Genética. Farmacologia, Fisiologia, Patologia,
Biologia, Bacteriologia e Imunologia;
c) Instituição complementar da Universidade de São Paulo através de
organização de cursos que constituem matérias optativas ou créditos
para mestrado e doutorado. Além disso é instituição ligada à Educa¬
ção para a Saúde e à formação de especialistas em diferentes níveis
nos ramos da Ciência cultivados no Instituto.
d) Instituição de assessoria tecnológica a indústrias privadas — na fa¬
bricação de imunoterápicos.
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F1MONT, R. P. — A área de eclucaçào cio Instituto líutantan.
}Icm. Inst. Butantan, J7: 43-82, 1973.
2. EVOLUÇÃO DAS ATIVIDADES DIDÁTICAS DO
INSTITUTO BUTANTAN
Na intenção de situarmos os objetivos do Instituto ligados à educação,
realizamos um levantamento de sua legislação — desde 1801 até 1971 — pro¬
curando detectar os objetivos educacionais e através deles depreender a evo¬
lução didática da instituição.
Após o estudo e análise de 26 decretos e leis concluímos que sempre
houve uma preocupação de extensão à comunidade dos seus trabalhos teó¬
ricos e práticos, através de atividades educativas.
No iníc'o, notamos que a preocupação era de informação e divulgação,
estruturando-se mais tarde até culminar com trabalho educativo e de forma¬
ção especializada.
Descreveremos, a seguir, a organização legal do Instituto e a evolução de
sua atividade didática, selecionando, entre os 26 decretos, decretos-leis e leis,
os que se referem especificamente às atividades didáticas.
Decreto n.° 878-A de 23/2/1901 — dá organização ao Instituto Serumthe-
rápico de Butantan.
Decreto n.° 3876 de 11/7/1925 — reorganiza c Serviço Sanitário e repar¬
tições dependentes.
Capítulo X — do Instituto Butantan.
Artigo 59 — “Caberão a essa seção as atribuições dos institutos cuja fusão
resulta... na obra de educação sanitária do povo no tocante à instalação de
museus”.
Neste decreto a instituição aparece pela primeira vez com o nome de
Butantan, resultando da fusão de 3 Institutos: o Serumtherápico, o Vacino-
gênico e o Bacteriológico.
A partir desta época, surgiu a preocupação, por parte dc um Instituto
de pesquisa altamente especializado, com a educação.
Mais tarde o Decreto 4941 de 21/3/1931 reorganiza o Instituto Butantan c
redefine seus objetivos. No Capítulo I — da organização e fins do Instituto
Artigo l.° — O Instituto Butantan, reorganizado como um centro de Medicina
Experimental, subordinado à Secretaria da Educação e da Saúde Pública, tem
por fim:
Letra h — “organizar e manter cursos práticos de especialização e de divul¬
gação científica dentro de suas finalidades”.
Finalidades na época — trabalhos científicos sobre animais venenosos, pato¬
logia humana, principalmente fenômenos de imunidade, preparação de pro¬
dutos biológicos, etc....
Notamos que entre os dois decretos citados houve uma mudança. De
mera informação através de museus, objetiva-se no segundo a organização de
cursos estruturados nas diversas áreas desenvolvidas na Instituição.
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P1MONT, II. I’. — A área cie educação cio Instituto Butantan.
il/ewi. Inst. Butantan, -i7: 43-82, 1973.
Decreto n.° 6283 de 25/1/1934 — cria a Universidade de São Paulo e dá
outras providências.
Título 11
Artigo 4.° — além das Escolas, Faculdades e Institutos referidos no artigo
anterior, concorrem para ampliar o ensino e a ação da Universidade.
Letra C — O Instituto Butantan
Inicia-se a vinculação à Universidade não só no campo da pesquisa mas
no campo da formação especializada. A aproximação entre o Instituto Butantan
e a Universidade de São Paulo tornar-se-ia, infelizmente, mais formal do que
efetiva.
Decreto n.° 9393 de 5/8/1938 — organiza o Serviço de Laboratórios de
Saúde Pública do Departamento de Saúde e dá outras providências.
Artigo 1°
Parágrafo 2 P — integram a Divisão de Produção os atuais Institutos Butan¬
tan, .
Artigo 2.” — ao serviço de laboratórios de saúde pública compete.
Letra C — “Organizar e manter cursos práticos de especialização científica e
de Saúde Pública”.
Letra D — colaborar com a Universidade de São Paulo, dentro das finalidades
dos laboratórios de Saúde Pública.
Decreto n.° 9437 de 22/8/1938
Artigo l.° — Ao serviço de laboratório de Saúde Pública, dependência do
Departamento de Saúde do Estado, com sede no Instituto Butantan, compete —
Letra C — colaborar com a Universidade de São Paulo...
Nesta época de grande valorização do sanitarismo o Instituto, sendo órgão
dc saúde pública, foi considerado competente para a ministração de cursos
regulares.
Decreto Lei n.° 15094 de 11/10/1945 — reorganiza o Instituto Butan¬
tan, .
Artigo 2.° — ao Instituto Butantan compete...
Letra E — organizar cursos de aperfeiçoamento e colaborar com a Univer¬
sidade de São Paulo, como instituição complementar desta, sem prejuízo de
sua autonomia ou de suas finalidades.
Os artigos citados situam o relacionamento do Instituto com a Universi¬
dade de São Paulo, demonstrando sempre uma intenção e um interesse na área
ue educação c ensino. A relacionamento administrativo não existia, apenas o
cultural.
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FIjVIOXT, R. P. — A área de educação do Instituto Butantan.
]\[em. Inst. Butantan, 37: 43-82, 11)73.
Decreto n.° 26979 de 11/12/1956
Instituto Butantan.
cr
iação do Fundo de Pesquisas do
Artigo 2°
Item Vil — “contribui para a realização de cursos do Instituto”.
A esta altura já havia cursos regulares, que serão demonstrados no capí¬
tulo de atividades de Educação realizadas. A contribuição do Fundo de
Pesquisas do Instituto Butantan era o fornecimento de bolsas para os me¬
lhores alunos de cada curso de especialização e o pagamento dos professores.
Nesta fase analítica, nosso interesse maior é demonstrar a evolução da
área já existente mas não definida estruturalmente.
Decreto n.° 40996 de 6/11/1962 — dispõe sobre a organização do Instituto
Butantan da Secretaria da Saúde Pública e da Assistência Social e dá outras
providências.
Artigo l.° — O Instituto Butantan...
... compreende a seguinte organização.
Item XVI — Seção de Cursos Técnicos e Especializados.
O Dr. Flávio da Fonseca, então Diretor Técnico da Instituição, compreen¬
dendo a importância da formação de técnicos nas áreas especializadas culti¬
vadas no Instituto Butantan e com fins de recrutamento de pessoal técnico
superior na área biomedica, inclui de forma estruturada a área de Ensino
no Instituto.
Neste momento da evolução didatica da Instituição, a preocupação era
mais de formação profissional, através de cursos ao nível de pós-graduação.
Na ocasião ainda não havia a definição de pos-graduaçao no sentido que
existe hoje e os cursos receberam o nome de cursos de especialização ao nível
de pós-graduação.
Decreto n.° 50404 de 23/9/1968 dispõe sobre a organização do Instituto
Butantan.
Artiao 8.° — Cria de Extensão Cultural.
O
Letra C — Seção de Cursos.
Nesta oportunidade abriu-se um campo maior para a educação no Ins¬
tituto. Não apenas cursos regulares mas várias atividades educativas começa¬
ram a desenvolver-se: organização de estágios, promoção de treinamentos,
orientação para trabalhos escolares, elaboração de material audiovisual. Essas
atividades começaram a ser desenvolvidas e coordenadas pela Seção de Cursos.
Todas essas atividades desenvolveram-se sob temas ligados à Saúde Pú¬
blica e Ciências Biomédicas partindo de solicitações da Universidade de
São Paulo, de outras Universidades, escolas de vários locais, alunos de dife-
50
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.SciELO
3 10 11 12 13 14
PIMONT, R. P. — A área cie educação do Instituto Butantan.
■Alem. Inst. Butantan, 37: 43-82, 1973.
rentes níveis, grupos de militares, firmas comerciais, enfim, diferentes grupos
da comunidade.
No caso da Universidade foram oferecidas matérias optativas para gra¬
duação, disciplinas constituintes de créditos para a pós-graduação, além de
estágios nos laboratórios especializados.
No caso das escolas de nível médio, aulas, estágios, orientação para tra¬
balhos, treinamento, além de bolsas para alunos de nível médio com objetivo
de iniciação científica. Nos demais casos, segundo as solicitações dos grupos,
várias modalidades educativas.
Nesta ocasião abriu-se concurso para as chefias técnicas e, para a seçao
de cursos foi selecionado um educador com especialidade na área biomédica.
Decreto n.° 52182 de 16/7/1969 - dispõe sobre a organização da Se¬
cretaria de Estado da Saúde.
Capitulo IX — “A Coordenadoria de Serviços Técnicos Especializados com¬
preende:
item IV — Instituto Butantan
Artigo 1G8 — À Coordenadoria compete:
Item V — Educação Sanitária
Item VI — formação e adestramento de pessoal em nível central nas suas
areas especializadas.
Decreto n.° 52214 de 24/7/1969 - dispõe sobre a regulamentação do
Decreto n.° 50404, de 23 de setembro de 1968, que organizou o Instituto
Butantan e dá outras providências.
Tendo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, sido reestruturada
posteriormente ao Instituto Butantan, seus objetivos entraram em concordân¬
cia com os já estipulados. A nosso ver, os itens V e VI referem-se também ao
Instituto Butantan, uma vez que esta Coordenadoria abrange outros Depar¬
tamentos e Institutos.
Nesta unidade tivemos a intenção de apresentar a evolução da atividade
didática do Instituto através da legislação.
Julgamos que a citação cronológica da referida legislação por si so fa¬
culta uma visão panorâmica da evolução das atividades didaticas da Institui-
Çáo, que seguiu um processo de desenvolvimento histórico sofrendo as in¬
fluencias de todo um contexto social e cultural em desenvolvimento.
É fora de dúvida, que em todas as reformas, nas quais a instituição ora
subordinaya-se à Secretaria da Saúde ora à da Educação, inclusive a Secretaria
de Educação e Saúde , suas atividades educacionais embrionárias ligadas a
Saude Pública e ciências biomédicas desenvolveram-se a ponto de constituir
Urna área dentro da Instituição.
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PIMOXT, R. P. — A área de educaçiio do Instituto P.utantan.
Mem. Inst. Butantan t ;J7 : 43-82, 1973.
3. ATIVIDADES DE EDUCACÀC) E ENSINO REALIZADAS
No item anterior foi exposto, em ordem cronológica, o desenvolvimento da
atividade didática da Instituição.
Propomo-nos, a esta altura um relato das atividades já realizadas, se¬
gundo as diferentes modalidades das mesmas.
3.1. Atividades de divulgação e informação
Para as atividades de divulgação e informação, desde seus primórdios o
Instituto possui um museu de animais peçonhentos que até hoje serve de
recurso didático para a área de educação. Além de um atendimento à população
através de stands e animais peçonhentos conservados ou vivos, a Instituição
sempre se preocupou com a educação da população num sentido de prevenção
de acidentes por animais peçonhentos.
O Instituto Butantan ficou sendo conhecido por ser a Instituição que pela
primeira vez no mundo preparou o soro antiofídico. Baseadas nessa especia¬
lidade, criaram-se atividades de informação e educação da população no
sentido da prevenção e do tratamento de acidentes provocados por cobras,
aranhas e escorpiões.
Sendo o problema dos acidentes por animais peçonhentos um problema
de saúde pública, as atividades de informação e divulgação visaram em
última análise a saúde da comunidade e, portanto, tratava-se de educação
para a saúde.
Na medida da demanda, a população era atendida através de demonstra¬
ções realizadas no Museu e nos serpentários do Instituto, sendo epie para os
casos de acidentes existia ainda, um Hospital de primeiros socorros, que tam¬
bém colaborava no sentido de instruir a população.
3.2. Cursos de especialização
Com o desenvolvimento da instituição, que estudava os temas: Venenos
animais e Animais peçonhentos sob vários enfoques (bioquímico, patológico,
zoológico, genético, etc.), surgiu a grande necessidade da formação de téc¬
nicos especializados que desenvolvessem a pesquisa biomédica nessa área.
A universidade poderia dar a formação básica, mas a formação especia¬
lizada para um trabalho efetivo nos laboratórios de pesquisa teria que partir
da própria Instituição.
Dentro deste critério, em 1942 foi organizado pelo Instituto Butantan, um
curso de aperfeiçoamento denominado “Patologia Experimental”, que deveria
ser aprovado pela Universidade de São Paulo, uma vez que a Instituição se
constituía um órgão complementar da mesma.
As atividades didáticas epie até então eram difusas, descontínuas, assis-
tematicas e que se constituíam em atendimentos a grupos esporádicos, inte¬
ressados principalmente em ofidismo, começaram a ser sistematizadas, com o
objetivo de uma regulamentação das mesmas.
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PIMONT, R. P. — A área cie educação do Instituto Putantan.
Mem. h\st. Butantan, 27: 43-82, 1973.
Em março cie 1942 o Instituto Butantan propôs ao Conselho Universitário
cia Universidade de São Paulo a aprovação do curso de aperfeiçoamento para
técnicos superiores do Instituto Butantan, através do Diretor Geral do Depar¬
tamento de Saúde, curso este aprovado no mesmo ano.
O curriculum era constituído das seguintes disciplinas:
Imunologia
Bacteriologia
Parasitologia
Viras filtráveis
Animais venenosos.
Somente em 1953 foi realizado o primeiro curso de Patologia experimental,
sendo, nesse intervalo, continuadas as atividades esporádicas e assistemáticas de
atendimento ao público e a grupos de alunos.
Em dezembro de 1953 foi reorganizado o curso cie Patologia Experimental
que constou de 1 ano letivo de Curso Básico Experimental com as disciplinas:
Estatística
Bioquímica
Fisiologia
Farmacodinâmica
c mais um ano letivo de um curso de especialização, a escolher:
Anatomia Patológica
Bioquímica
Hematologia
Imunologia e Bacteriologia
Ofiologia e Zoologia médica
Parasitologia
Virulogia
Sendo uma das condições para a admissão ao curso o diploma universi¬
tário ou curriculum científico, o aluno aprovado recebia o título de especia¬
lista, pois o curso era considerado de pós-graduação universitária.
Na época não haviam sido definidos, como o são atualmente, os cursos
de pós-graduação.
Os professores dos cursos de especialização eram os cientistas do Instituto
Butantan ou professores convidados e as exigências desses cursos variavam
de acordo com cada especialista responsável pelo mesmo, incluindo estágios,
participação nos programas de pesquisa e publicação de trabalhos científicos.
Em 1955, foi convencionado entre a Universidade de São Paulo e o Ins¬
tituto Butantan que os cursos de especialização teriam aprovação de programa
e docentes a cada triénio.
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SciELO
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PIMONT, R. P. — A área de educação do Instituto Butantan.
Man. Inst. Butantan, 37: 43-82, 1973.
Esses cursos visavam, além da formação especializada de técnicos de ní
vel superior nas áreas cultivadas especialmente no Instituto Butantan, a for¬
mação de especialistas para futuro recrutamento da própria Instituição.
Em 1962 foi pela primeira vez estruturada a área educação como seção
de cursos técnicos e especializados, encarregada de organizar e coordenar cursos
no Instituto Butantan.
Na medida do interesse de universitários recém-formados em biociências e
ciências biomédicas e no desenvolvimento das várias seções do Instituto,
foram organizados pelo Instituto Butantan e aprovados pelo Conselho da
Universidade de São Paulo, além dos 7 cursos já aprovados e em funciona¬
mento, mais 4 cursos de especialização: em 1958 o de Artropodologia, em 1962
o de Bioestatística e o de Genética, em 1965 o de Microscopia Eletrônica, num
total de 11 cursos de formação especializada.
Sendo assim, foram ministrados, no período de 1952 a 1965, 39 cursos de
especialização ao nível de pós-graduação e na área das ciências biomédicas
(Tabela I).
No período de 1962 a 1963 o Fundo de Pesquisas do Instituto Butantan
reservou 4 bolsas anuais aos alunos dos cursos de especialização, uma vez
que estes cursos objetivavam a formação de pesquisadores.
3.3. Cursos de atualização e divulgação sobre animais peçonhentos
Paralelamente a esses cursos de especialização foram organizados e rea¬
lizados cursos de divulgação e atualização sobre animais peçonhentos. Estes
cursos constituiram-se numa sistematização do atendimento didático a grupos
de estudantes universitários, médicos, enfermeiras, militares ligados ao trabalho
de campo, como os oficiais do Serviço de Busca e Salvamento da Força Aérea
Brasileira — FAB; grupos de funcionários de firmas onde os acidentes por
animais peçonhentos eram freqüentes, etc...
Os cursos, em número de 37, no período de 1957-1966 foram ministrados
no Estado, no Brasil e no Exterior (Tabela 2).
Basicamente eram constituídos de 4 aulas, dentro dos seguintes temas:
— Reconhecimento e captura de ofídios peçonhentos.
— Reconhecimento e captura de artrópodos peçonhentos.
— Preparação de soro específico para acidentados por animais peçonhentos.
— Primeiros socorros e tratamento de urgência a picados por animais
peçonhentos.
As aulas variavam em nível e número, a depender do grupo solicitante.
Os cursos, tanto os de especialização como os de divulgação, foram minis¬
trados por técnicos superiores do Instituto, especialistas nas diferentes áreas,
uma vez que nos mesmos se incluíam Biologia, Patologia e Tecnologia.
Atualmente esses cursos constituem a maioria das solicitações, pois apenas
o Instituto Butantan possue os recursos materiais, técnicos e humanos para
ministrá-los. Este tipo de curso se adapta ao grupo solicitante.
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I-’lMONT, li. P. — A area cie educação do Instituto Butantan.
Mem. Inst. Butantan, 37: 43-82, 1973.
TABELA
Cursos de especialização realizados no
1
Instituto
Butantan (1952-1965)
*
Número de alunos
inscritos
Especiali¬
dade
Ano
Patol.
Exper.
Bacter. e
Imunol.
Artropo-
logia
Bioesta-
tistica
Bioquí¬
mica
Genética
Hemato¬
logia
Ofiologia
Parasito-
logia
Virologia
Total de
alunos
Total de
cursos
1952-1953
19
—
—
—
—
—
—
—
—
—
19
i
1954
2
—
—
—
3
—
3
5
—
—
13
4
1955
—
1
—
—
O
—
4
2
3
—
13
5
1957
—
15
—
—
11
—
12
7
3
3
51
6
1958
—
1
5
—
1
—
3
1
—
1
12
6
1959
—
3
—
—
5
—
3
2
—
—
13
4
1961
—
—
—
—
—
—
—
—
—
1
1
1
1963
—
—
11
28
2
14
—
—
—
—
55
4
1964
—
—
4
—
—
3
15
3
—
—
25
4
1965
—
—
3
13
—
—
2
3
—
—
21
4
Totais
21
20
23
41
25
17
42
23
6
5
223
39
Fonte: Seção de Cursos do Instituto Butantan.
TABELA 2
Cursos de divulgação e atualização sobre animais
peçonhentos (1957-1966)
Ano
N.°
de cursos
N.° de aulas
1957
3
11
1958
5
14
1959
2
8
1960
4
6
1961
2
3
1962
5
16
1963
6
40
1964
7
26
1965
2
8
1966
1
4
Totais
37
126
Fonte:
Seção de
Cursos do
Instituto Butantan.
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P.IMONT, lt. P. — A i'irea de educaçAo do Instituto Butantan.
31 em. Inst. Butantan, 37: 43-82. 1973.
Em 1967, devido ao grande crescimento da Instituição e da carência de
recursos humanos especializados (uma vez que a maioria dos alunos de espe¬
cialização tinha maiores chances de salários e stcitus nas universidades), a
Instituição passou por uma crise enquanto lutava para se transformar em
Fundação. Nos anos 1967/196S as atividades educativas tornaram-se quase
nulas no Instituto, a espera de uma reforma básica baseada na redefinição dos
objetivos da instituição.
O Decreto n.° 50404 de 23/9/1968 finalmente reestruturou o Instituto
Butantan em seus objetivos.
Segundo o Decreto n.° 52214, de 24/7/1969, que regulamentou o Ins¬
tituto Butantan, na Divisão de Extensão Cultural, ao lado da Seção de Biblio¬
teca e Divulgação e da Seção de Museu, foi colocada a Seção de Cursos, com
as seguintes atribuições:
a) Regulamentação dos cursos programados pelo Conselho Superior;
b) Trabalhos práticos referentes a processos de recrutamento e seleção
de candidatos aos vários cursos;
c) Execução de qualquer trabalho para a divulgação e realização dos
cursos;
d) Execução de trabalhos de documentação referentes aos cursos do Ins¬
tituto Butantan”.
Essas atribuições, limitantes, para uma Seção de Educação, constituem en¬
tretanto, apenas lembretes das atividades a serem desenvolvidas. Na fase de
implantação da nova reforma várias atividades didáticas foram organizadas e
desenvolvidas pela Seção de Cursos, baseadas não somente nas atribuições da
Seção mas também e principalmente, nos objetivos do Instituto Butantan.
4. ATIVIDADES ATUAIS DA SECÃO DE CURSOS
A partir de 1969 continuaram a ser desenvolvidas atividades educacionais
na área da Saúde Pública e na das biociências e ciênc : as biomédicas.
Dentro das condições existentes foram organizadas as seguintes atividades:
a) Trabalhos de pesquisa educacional (anexo no final)
b) Curso sobre:
“Fabricação de produtos imunoterápicos”, destinado a técnicos su¬
periores. Esse curso complementou créditos para curso de pós-gra¬
duação da Faculdade de Farmácia e Bioquímica da Universidade de
São Paulo, em 1970.
c) Curso de Ofiologia e curso de Aracnologia epie constituiram matérias
optativas para os cursos de graduação universitária do Instituto de
Biociências da Universidade de São Paulo, em 1971.
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PIMONT» R. P. — A área do educação do Instituto Butantan.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 43-82, 1973.
d) Curso de Bioquímica de Enzimas Proteolíticas, que constituiu parte
da disciplina Bioquímica do curso de Ciências Biomédicas da Escola
Paulista de Medicina, em 1971.
e) Conjunto de aulas organizado segundo solicitação, interesse e nível
grupos de alunos: médicos, enfermeiros, agrônomos, militares. Ex.:
Animais Peçonhentos; Saúde Pública; Soros e Vacinas.
f) Atendimento didático através de aulas a alunos de nível médio.
g) Orientação para trabalhos escolares a respeito de vacinas, soros, ani¬
mais peçonhentos, etc., para alunos de todos os níveis.
h) Orientação para organização de material didático: stands para feiras
de ciências, álbum seriado, roteiro para coleções de diapositivos, etc.
i) Organização e coordenação de estágios nos diferentes laborórios do
Instituto.
j) Organização e coordenação de treinamento para diferentes grupos
de pessoas — escolares ou não.
Todos os dados apresentados estão documentados na Seção de Cursos do
Instituto Butantan, mas é fora de dúvida que, outras atividades que podemos
chamar de didáticas foram realizadas embora não estejam oficialmente regis¬
tradas. Limitamo-nos a fornecer os dados passíveis de comprovação.
Após análise desta unidade concluímos que:
a) a partir de atividades didáticas assistemáticas, o desenvolvimento da
Instituição levou a uma organização e estruturação dessas atividades
culminando na atual Seção de Cursos;
b) que o Instituto Butantan como órgão complementar da Universidade
de São Paulo está em contínuo relacionamento cultural com a
mesma;
c) que a atual estrutura do Instituto abre perspectivas para um desen¬
volvimento maior na área de Educação para a Saúde na colaboração
e formação dc profissionais na área das Ciências Biológicas e Biomé¬
dicas, ampliando as possibilidades de recrutamento pela própria Ins¬
tituições similares.
Nos seus 71 anos de existência, o Instituto Butantan que, administrativa¬
mente, é de âmbito estadual e, culturalmente, de âmbito internacional, trans¬
formou-se num patrimônio de incalculável valor para a educação e o ensino.
— Seus laboratórios especializados;
— seus técnicos superiores que, após uma formação universitária, prati¬
camente “criaram” as suas especialidades.
— o desenvolvimento de pesquisas originais em áreas originais;
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PIMONT, R. P. — A área cie educação cio Instituto Butantan.
Man. Inst. Butantan, 37: 43-82, 1973.
— a luta pela sobrevivência cia pesquisa cientifica na área das ciências
biológicas e de algumas ciências médicas básicas;
— a procura de um rendimento maior na área de produção, através do
desenvolvimento e padronização de tecnologia avançada;
— a luta contra os entraves burocráticos e a falta de pessoal categorizado;
— as tentativas de aproximação com outras entidades culturais;
— a elaboração de teses de doutoramento pelos seus técnicos superiores;
— a promoção de estágios e treinamentos para alunos de nível médio e
universitário;
— o funcionamento do Hospital Vital Brazil;
— a existência de um Museu especializado em animais peçonhentos,
são fatores determinantes que caracterizam a Instituição, tornando-a recurso
inestimável a ser utilizado pela escola c pela comunidade.
Não só os recursos materiais e humanos altamente especializados, mas o
espírito de luta em favor da ciência e do desenvolvimento, tornam a Instituição
um manancial que transfere para grupos da comunidade nacional e internacional
conhecimentos e um determinado tipo de dinâmica de trabalho.
Sendo uma instituição única na área das ciências biomédicas, apresenta
aspectos únicos, abordagens únicas que são colocadas a serviço do conhe¬
cimento.
Através do desenvolvimento histórico-científico da Instituição, percebemos
que as atividades didáticas que eram, no início, esparsas, difusas e assistemá-
ticas, foram se transformando até culminarem numa Divisão de Extensão Cul¬
tural, que reune 3 seções; Cursos, Museu e Biblioteca, com funções de educa¬
ção e ensino definidas.
Baseado nas necessidades:
1. da comunidade — que necessita esclarecimentos sobre Saúde Públi
ca
3.
e algumas áreas da biologia e medicina;
das escolas de todos os graus — que não possuem elementos formados
nas áreas tão especializadas do Instituto, para fornecerem orientação
aos seus alunos;
da própria Instituição — no que se refero ao recrutamento de pessoal
técnico superior e técnico de nível médio para o desenvolvimento de
suas próprias atividades,
vem o Instituto, dentro das condições existentes, tentando organizar
uma série de atividades didáticas de forma sistemática e estruturada,
dependentes das solicitações que recebe dos diferentes grupos.
A recente Divisão de Extensão Cultural encontra-se apenas delineada em
suas linhas mais gerais.
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PIMONT, It. P. — A área elo educação do Instituto Butantan.
Meni. Inst. Butantan, ”7: 43-82, 1973.
Sendo a Seção de Cursos encarregada do atendimento de alunos de todos
os graus, da organização e coordenação de todas as atividades didáticas, do
atendimento a visitas de especialistas, e sob nossa percepção profissional de
pedagoga, orientadora educacional, educadora de saúde pública e especialista
em Bacteriologia e Imunologia, a Instituição se nos apresenta como um cabedal
riquíssimo que, mediante um planejamento educativo adequado junto à Di¬
reção Geral, poderia dar uma contribuição efetiva e inestimável à Secretaria
de Negócios da Educação, à Universidade de São Paulo e demais instituições
educacionais no sentido do aproveitamento desses recursos.
A tomada de consciência dos recursos existentes acrescida ao levantamento
e análise dos mesmos, serviram de subsídio para a elaboração de um projeto
que objetiva a definição, ordenação e desenvolvimento de uma área de edu¬
cação no Instituto Butantan.
Esperamos que a reflexão e o projeto estimulem instituições similares a
colocarem a serviço da comunidade diretamente, ou através da escola, seus
recursos didáticos.
Não esquecendo que a educação e o ensino devem ser integrados e inte¬
gradores, o projeto refere-se especialmente às de Saúde, uma vez que a
Instituição desenvolve seus trabalhos nessas áreas.
5. IMPORTÂNCIA DO APROVEITAMENTO DOS RECURSOS
EDUCACIONAIS DO INSTITUTO BUTANTAN
PELA COMUNIDADE
No caso do Instituto Butantan, os recursos a serem aproveitados pela
comunidade seriam, além do Hospital e da produção de imunoterápicos, a
Educação para Saúde e a formação profissional ou complementar em algumas
ciências biológicas e médicas.
Sendo uma instituição com funções diversificadas, o Instituto realiza ati¬
vidades de Saúde Pública e de pesquisa. As atividades de Saúde Pública são
realizadas através do atendimento à população feito pelo Hospital Vital Brasil
e na produção de imunoterápicos. As pesquisas realizadas constituem forma
de atendimento mediato à Saúde Pública.
Através de suas atividades, o Butantan oferece condições para implantar,
organizar, coordenar ou colaborar com outras instituições em programas de
Educação para a Saúde e em formação ou complcmentação nas ciências bio¬
lógicas e médicas.
Ao nível de informação e divulgação para todos os grupos da comunidade,
já conta com um Museu especializado em animais peçonhentos que recebe a
visita diária de brasileiros e estrangeiros, constituindo verdadeira atração tu¬
rística. Faz parte de todos os programas das companhias de turismo de São
Paulo uma visita ao Instituto Butantan. O Museu contém informações a res¬
peito da biologia de serpentes, aranhas e escorpiões, além de instruções
sobre a captura desses animais e tratamento em casos de acidente. Conta ainda
com a demonstração, ao vivo, de extração de veneno de serpentes.
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PIMONT, R. P. — A área do educação do Instituto Butantan.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 43-82, 1973.
Se os visitantes não se educam no sentido exato da palavra, são, pelo
menos, despertados para os perigos que esses animais representam para o
indivíduo ou para a população e são informados a respeito dos primeiros so¬
corros a picados por animais peçonhentos.
Conta, ainda, dentro da Divisão de Extensão Cultural, com o atendi¬
mento didático e com a biblioteca biomédica.
Os temas mais solicitados para aulas são sobre suas especialidades: va¬
cinas e soros, animais peçonhentos, preparação de soros antipeçonhentos.
O Hospital Vital Brazil também fornece elementos para a Educação em
Saúde, uma vez que seus médicos e enfermeiras são especializados no aten¬
dimento a acidentados por animais venenosos.
Logo, o Instituto Butantan tem condições para colaborar na área edu¬
cativa tanto na formação geral como na profissional.
Como os recursos educativos do Instituto Butantan poderiam ser apro¬
veitados pela população escolar do l.° e 2° graus?
Se a Educação em Saúde para o 1° grau objetiva a formação de atitudes
em relação à saúde e a formação de hábitos sadios; o conhecimento de condi¬
ções sanitariais do lar, da escola; o reconhecimento do valor da ação pre¬
ventiva das vacinas; a prevenção de acidentes e os socorros de urgência, o
Instituto Butantan poderia colocar à disposição de alunos, professores e técnicos
ligados à educação os seguintes recursos:
1. tradução dos objetivos da instituição como patrimônio científico-cul¬
tural da comunidade;
2. aulas sobre:
— vacinas, sua importância e programas de vacinação;
— prevenção de acidentes sobre animais peçonhentos;
— conhecimentos sobre a biologia de serpentes, aranhas e escorpiões;
— reconhecimento dos animais venenosos;
— primeiros socorros a acidentados por animais venenosos;
3. material didático ilustrativo dos temas citados;
4. visitas ao museu e serpentários acompanhadas por guias especiali¬
zados;
5. orientação para trabalhos escolares a respeito dos programas de saúde
e sobre animais peçonhentos.
Sendo o 2.° grau profissionalizante, além da formação de atitude e adoção
de comportamentos relativos à saúde, as atividades que o Instituto Butantan
poderia desenvolver para grupos de alunos, professores e técnicos desse grau
seriam:
1. tradução dos objetivos da instituição em termos de patrimônio cien¬
tífico da comunidade e das possibilidades de estágio e treinamento
nas áreas aqui desenvolvidas, bem como mercado de trabalho para
profissionais formados na área de ciências biológicas e biomédicas;
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Mevi. Inst. Butantan, 37: 43-82, 1973.
2. aulas sobre saúde pública, programa de imunização em massa, etc.;
3. aulas sobre as áreas da Biologia e Medicina desenvolvidas nas ins¬
tituição;
Por ex.: Bacteriologia e Imunologia
Genética Animal e Humana
Animais Peçonhentos
Microscopia Eletrônica
Farmacologia c Bioquímica;
4. treinamentos para reconhecimento de aptidões e interesses nas áreas
da instituição;
5. estágios para o conhecimento do método de pesquisa no trabalho e
para abertura de opção profissional;
6. orientação para trabalhos escolares: pesquisas nas áreas de saúde
e ciências biológicas e biomédicas, feiras de ciências;
7. montagem de aulas e material audiovisual.
Na reforma atual do ensino onde o aluno escolhe entre as áreas de artes,
letras, ciências exatas, ciências humanas, educação ou ciências biológicas, o
instituto Butantan conta com recursos educacionais para fornecer, através de
planejamento e de entrosamento com a rede escolar estadual e municipal e
das escolas particulares, atividades didáticas complementares na área de
ciências biológicas. A Lei n.° 5692/71, prevê no seu artigo 3.° do Capítulo I,
o entrosamento e a “intercomplementaridade dos estabelecimentos de ensino
entre si ou com outras instituições sociais..bem como . .a organização de
centros interescolares...”.
O maior aproveitamento dos recursos didáticos da Instituição pelos alunos
do 2.° grau se justifica principalmente pelo seu objeto profissionalizante.
A área das ciências biomédicas é, talvez, a que oferece um espectro maior
de disciplinas e conseqüentemente será a que formará maior número de novas
profissões.
Neste grau, além da contribuição para a formação de comportamentos em
relação à Saúde, a integração do aluno no seu meio social através do conheci¬
mento das instituições de sua comunidade, o Instituto Butantan, poderia atra¬
vés de seu atendimento didático, fornecer importantes dados para uma aber¬
tura profissional na área das ciências biomédicas.
Não caberia à Instituição realizar a orientação profissional desses alunos
mas, por meio de convênios com escolas de nível médio, forneceria aos alunos
subsídios para a orientação vocacional. O aluno teria a oportunidade de co¬
nhecer para ter condições de optar conscientemente. É evidente que essas con¬
siderações se estendem a instituições de outras áreas. No caso do Instituto, se
referem à Saúde e às ciências biológicas e médicas.
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P1MONT, R. P. — A área de educação do Instituto Butantan.
Mem. Inst. Butantan, 37: 43-82, 1973.
Por meio de estágios na Instituição, além dos subsídios para uma decisão
profissional os alunos se iniciariam no aprendizado do método de pesquisa
científica.
Ao nível universitário, a educação para a Saúde poderia e deveria cons¬
tituir-se uma disciplina autônoma.
Supondo-se que comportamentos em relação à saúde já tenham sido ado¬
tados, o aluno neste nível deverá ser desperto para a conservação e promoção
da sua saúde e principalmente da saúde da comunidade a qual ele pertence.
Na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo já há
cursos de graduação para graduados em Saúde Pública, que tendem a ser
aprovados como cursos de especialização.
Na graduação não há disciplinas ligadas diretamente à Saúde Pública.
Talvez diante das Reformas do l.° e 2.° gráu, mais a Reforma Universitária
tome consciência da importância do desenvolvimento para a Saúde como ensino
sistemático ao nível da graduação universitária.
O Projeto Rondon (1972), que visa a integração do estudante universitá¬
rio nos problemas brasileiros, desenvolve a área de saúde, mas no elenco de
disciplinas das faculdades e institutos universitários não se insere a saúde
como estudo sistemático.
O Instituto Butantan procura colaborar em projetos desse tipo, embora
seja de nossa opinião que os alunos deveriam receber uma carga horária cons¬
tante do currículo de graduação sobre Saúde e Saúde Pública.
Em relação à formação profissional na área das ciências biológicas e mé¬
dicas, consideramos que o Instituto Butantan oferece grandes possibilidades de
colaborar através de uma sistematização de suas atividades didáticas.
Por um lado, sendo um instituto de pesquisa, suas atividades didáticas são,
por assim dizer, “viezadas” pelo espírito de pesquisa, pois os professores que
ministram aulas e orientam treinamentos, que promovem estágios e atendem
visitas organizadas pela seção de cursos, são todos cientistas e pesquisadores
e no momento em que estão realizando suas atividades didáticas, filtram aos
grupos de alunos o espírito, a mentalidade de pesquisador.
Quando um grupo de estudantes universitários recebe qualquer tipo de
atividade didática recebe ao mesmo tempo um enfoque diferente sobre os co¬
nhecimentos ministrados.
O desenvolvimento do espírito de pesquisa científica leva indiretamente
ao desenvolvimento da criatividade dos indivíduos. Consideramos de máxima
importância esta reflexão, pois lazer pesquisa se aprende pesquisando. Não nos
parece factível a realização de cursos para formação de pesquisadores, se
esses não trabalharem efetivamente em ambiente de pesquisa.
Se a formação do pós-graduado pretende levar à formação do pesquisador,
já na graduação o aluno deverá ter elementos para julgar a constituição do
trabalho de pesquisa científica.
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PIMONT, IV P. — A área de educação do Instituto Butantan.
MeiH. Inst. Butantan, 37 : 43-82, 1973.
Outro aspecto é o da possibilidade que a Instituição tem de fornecer
matérias optativas para a Universidade de São Paulo ou outras universidades
ou escolas superiores dentro da área de sua especialização.
Na Universidade de São Paulo, existem dois Institutos, o de Biociências e o
de Biomédicas, erras programações já analisamos anteriormente e que se bene¬
ficiariam, através de convênios, com a ministração de matérias optativas por
instituições como o Instituto Butantan. Aliás, em 1970 já foram realizados no
Instituto Butantan dois cursos que constituiram matérias optativas para o Ins¬
tituto de Biociências da Universidade de São Paulo.
Foram ministradas duas disciplinas optativas, Herpetologia e Artropodos
Peçonhentos aos alunos do l.° ano do curso de Ciências Biológicas. Foi também
realizado em 1971, curso de Bioquímica de Enzimas Proteolíticos para alunos do
curso de Ciências Biomédicas da Escola Paulista de Medicina.
No caso de atendimento didático a alunos de nível universitário, os recur¬
sos do Instituto Butantan poderiam ser realizados através de:
1. Matérias optativas derivadas das seguintes grandes áreas:
A) Microbiologia e Imunologia
Bacteriologia e Virologia básica e aplicada em Tecnologia de
produtos biológicos.
B) Biologia
Zoologia: ofídios e artropodos
Parasitologia
Genética.
C) Farmacologia e Bioquímica (básica e aplicada em métodos de
pesquisa científica em venenos animaisl
D) Microscopia Eletrônica
Básica
Desenvolvimentos de processos.
E) Química
Tecnologia de produtos
Controle de produtos.
F) Patologia
De venenos animais.
Dessas grandes áreas poderiam ser inferidas disciplinas mais especiali¬
zadas.
Existem aspectos dessas grandes áreas que são desenvolvidas principal¬
mente no Instituto Butantan.
Por exemplo no caso do Instituto de Ciências Biomédicas há em seus
programas duas disciplinas: Artropodologia e Zoologia Médica de Vertebrados
venenosos, as quais seriam altamente beneficiadas pelos recursos do Instituto
Butantan.
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PIMOXT, R. P. — A área de educação do Instituto Butantan.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 43-82, 1973.
2. Cursos do férias para universitários a respeito das especialidades da
Instituição.
Esses cursos, sendo de extensão ou complementação universitária, visam a
informação especializada em determinadas áreas.
3. Estágios nos laboratórios especializados, com compromisso de parti¬
cipação, tanto em trabalhos de rotina, como nos de pesquisa, exigindo-
se relatórios para obtenção de certificado.
4. Treinamento nas áreas de prevenção a acidentes por animais peço¬
nhentos em casos de excursões de Biologia, Geologia, etc.
5. Aulas sobre tradução dos objetivos e mercado de trabalho que a
Instituição oferece.
O mercado de trabalho oferecido pode ser deduzido a partir de seu quadro
de profissionais técnicos superiores.
Num total de 83 técnicos, até outubro de 1972, o Instituto Butantan possui:
Médicos . 19
Biólogos . 21
Farmacêuticos-bioquímicos ou Farmacêuticos. 24
Veterinários . 8
Químicos . 7
Advogados . 2
Bibliotecários . 1
Educadores . 1
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6. Visitas aos laboratórios especializados.
Em se tratando do nível de pós-graduação, tema ainda tão discutido e
discutível em nossa universidade, lembramos os objetivos básicos da mesma,
colocados pelos membros do Conselho Federal de Educação no parecer
n.° 977/65 C.E.S.U., aprovado em 3/12/1965:
“O seu objeiivo imediato é, sem dúvida, proporcionar ao estudante apro¬
fundamento do saber que lhe permita alcançar elevado padrão de competência
científica ou técnico-profissional impossível de adquirir no âmbito da gra¬
duação”.
... a pos-graduação tem por fim oferecer. .. o ambiente e os recursos
adequados para que se realize a livre investigação científica e onde possa
afirmar-se a gratuidade criadora...”.
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PIMONT, R. P. — A área de educação do Instituto Butantan.
Mem. Inst. Butantan, 37: 43-82, 1973.
Ainda no parecer 977/65 (1965) o Aviso Ministerial aponta, "... em
síntese os três motivos fundamentais que exigem, de imediato, a instauração
do sistema de cursos pós-graduados:
1. formar professorado competente que possa atender à expansão quan¬
titativa de nosso ensino superior, garantindo, ao mesmo tempo, a ele¬
vação dos atuais níveis de qualidade;
2. estimular o desenvolvimento da pesquisa científica por meio da pre¬
paração adequada de pesquisadores;
3. assegurar o treinamento eficaz de técnicos e trabalhadores intelectuais
do mais alto padrão para fazer face às necessidades de desenvolvi¬
mento nacional em todos os setores.”
No Instituto Butantan estão sendo organizados os cursos de pós-graduação.
Se o trabalho de pesquisa for sistematizado através de cursos de pós-gra¬
duação e de modo a levar o indivíduo a realizar um trabalho efetivo e defi¬
nido que futuramente poderia constituir-se numa tese de mestrado ou douto¬
ramento, haveria as seguintes vantagens:
a) colaboração para a comunidade na formação de pesquisadores na
área de ciências biológicas e biomédicas;
b) recrutamento de pessoal especializado para a própria Instituição ou
instituições similares;
c) a relevância no sentido do trabalho científico para os elementos da
própria Instituição que, não tendo perspectivas altas quanto ao sa¬
lário, teriam perspectivas definidas em relação ao auto desenvolvi¬
mento e à realização de uma carreira científica. A própria Instituição
comporta uma geração nova carente de formação sistemática e estru¬
turada ao nível de pós-graduação;
d) o benefício decorrente (embora a longo prazo) para o desenvolvi¬
mento científico da Instituição e da área. Não só desenvolvimento
como aceleração da pesquisa.
Outro aspecto é o de ministrar cursos que sirvam de créditos a cursos de
pós-graduação da área.
A reversão de benefício para a própria Instituição ou similares é de valor
indiscutível.
Quanto ao âmbito da comunidade, podemos distinguir três aspectos:
I — o trabalho educativo direto com a população.
II — o trabalho educativo através das empresas governamentais ou par¬
ticulares, isto é, Serviços da Comunidade.
III — o trabalho educativo através da Escola.
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P1MONT, R. P. — A área de edu cagão do Instituto Butantan.
il lem. Inst. Butantan } 37: -13-82, 1973.
I — Quanto ao trabalho educativo realizado diretamente com a população,
o Instituto não pode prever grande expansão.
Este trabalho realiza-se, como já relatamos, através do museu, que está
em fase de remodelação, e do Hospital Vital Brazil.
Qualquer elemento da comunidade visitando o Museu ou sendo atendido
pelo Hospital recebe uma série de informações sobre Saúde, Biologia e Me¬
dicina.
Não podemos considerar essas atividades como um fator de desenvolvi¬
mento comunitário, uma vez que elas são atualmente organizadas sem uma
participação consciente da comunidade.
Numa revisão geral sobre comunicação, informação e educação, distin¬
guindo-se métodos de comunicação, a informação como fase da educaço, esses
recursos poderíam ser grandemente reformulados para um efetivo rendimento
no processo educativo. Na medida em que se conscientizar, na Instituição, que
o Museu pode ser um recurso didático para a educação e não apenas uma
fonte de informação e divulgação, o rendimento em termos de formação de
atitudes e comportamentos deverá ser grandemente alterado.
II — A participação da Instituição em programas educativos da Secretaria
de Estado da Saúde e da Secretaria dos Negócios da Educação e de outras
entidades governamentais ou particulares levaria a um rendimento maior das
atividades didáticas existentes.
O atendimento é feito para determinados grupos, indo ao encontro das
necessidades daquele grupo. Em termos de aprendizagem qualitativa é válido
mas em termos de rendimento quantitativo haveria uma mudança considerável,
caso fôsse sistematizado.
A sistematização das atividades do Instituto Butantan e a colocação de um
programa à disposição dessas instituições resultariam em real aproveitamento
de seus recursos por parte da comunidade.
III — Distinguimos a escola como uma terceira possibilidade, pois o aten¬
dimento tem sido feito através de solicitações de unidades escolares públicas
ou particulares de todos os níveis.
Considerando-se que os estudantes de todos os níveis são duplicadores de
conhecimentos para a Comunidade, a escola se torna elemento para o desen¬
volvimento comunitário.
Quanto ao Desenvolvimento Comunitário propriamente dito, o Instituto
é dotado de recursos inestimáveis para a área de Saúde Pública.
Em nossa opinião o desenvolvimento comunitário como processo diri¬
gido encontra-se ainda cm fase embrionária. Há algumas experiências isoladas
realizadas por determinados grupos. Este fato não invalida a colocação das
possibilidades da colaboração do Instituto Butantan no trabalho comunitário
na área de Saúde.
Sendo Instituição ligada à Saúde e órgão complementar da Universidade
de São Paulo, o Instituto Butantan poderá exercer atividades comunitárias em
associação com a própria Universidade na área de saúde pública.
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PIMONT,
Meni. Ins
R. P. — A área de educação do Instituto Butantan.
. Butantan, 37: 43-82, 1973.
6.
PROJETO DE DESENVOLVIMENTO E AMPLIAÇÃO DAS
ATIVIDADES DIDÁTICAS DO INSTITUTO BUTANTAN
Justificativa
Considerando:
1.
a necessidade de atendimento à população em geral, e especialmente
a escolar, no cpic concerne às especialidades do Instituto, quais sejam:
Prevenção em relação a animais peçonhentos
Imunização
Atendimento hospitalar
o.
a necessidade de formação de novos técnicos ou da melhoria dos
existentes para atuarem no setor saúde, de forma imediata — tecno¬
logia de produtos, ou de forma mediata, pesquisa biológica e médica,
através de treinamentos e cursos de vários níveis;
3.
a grande especialização e a diversificação de áreas do Instituto;
4.
a necessidade da existência de um material didático catalogado rela¬
tivo às atividades nas diversas áreas;
5.
a necessidade da formação de pessoal adequado para atendimento ao
público nacional e internacional;
6.
a necessidade de supervisão de toda atividade educacional realizada
no Instituto;
7.
a necessidade de uma avaliação constante de mélodos e técnicas em¬
pregadas na área educativa;
8.
ampliação e reestruturação da rede escolar do ensino médio e o
conseqüente aumento da procura por parte de estudantes do l.° e
2.° graus;
9.
a reestruturação da Universidade de São Paulo e o afluxo de estu¬
dantes para estágios e cursos correspondentes a matérias optativas;
10.
a constante solicitação por parte de grupos de militares, enfermeiros
e médicos que buscam informações especializadas a respeito de Pri¬
meiros Socorros a picados por animais peçonhentos e produção de
imunoterápicos;
11.
a necessidade de integração com instituições similares e complemen¬
tares para evitar redundância e obter maior rendimento.
Nosso principal interesse é a realização de um levantamento das possi¬
bilidades do Instituto Butantan na área da educação.
68
PIMONT, R. P. — A área de educação do Instituto Butantan.
Mcm. Inst. Butantan, 43 - 82 , 1973 .
Justificamos este projeto lembrando que não se pretende transformar o
Instituto Butantan em uma escola, mas aproveitar os recursos existentes através
de uma sistematização dos mesmos.
Objetivo geral
Desenvolver e ampliar atividades de educação e ensino no Instituto Bu¬
tantan utilizando os recursos de suas áreas de atuação.
Objetivos específicos ou parciais
1. sistematização das atividades educativas da Instituição;
2. assessoria em Educação;
3. desenvolvimento de pesquisas no campo de educação, de acordo
com as necessidades sugeridas no decorrer das atividades da Seção
de Cursos;
4. integração com instituições similares ou complementares;
5. atualização constante através de contatos permanentes com institui¬
ções ligadas à educação e ao ensino;
6. participação em congressos ligados à Ciência e à Educação;
7. organização, implantação e coordenação de cursos regulares de di¬
ferentes níveis ligados aos seguintes temas básicos:
■— saúde pública
— biociências e ciências biomédicos desenvolv.das no Instituto
Butantan
— venenos animais
— animais peçonhentos
— tecnologia de produtos biológicos;
8. coordenação de treinamento cm serviço para os funcionários do Ins¬
tituto, nos vários níveis e nas diferentes carreiras a fim de homoge¬
neizar e elevar o padrão dos mesmos;
9. treinamento especializado em animais peçonhentos para trabalho
de campo de diferentes profissionais: militares, guardas florestais,
geólogos, enfermeiros, médicos, (escoteiros), etc;
10. organização e coordenação de cursos intensivos de férias para estu¬
dantes universitários;
11. treinamento de guias para o Museu do Instituto Butantan, para o
atendimento de visitas nacionais e internacionais;
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PIMONT, R. P. — A área cie educação do Instituto Butantan.
Man. Inst. Butantan, 27: 43-82, 1973.
12. coordenação de estágios a serem realizados nos diferentes Labora¬
tórios do Instituto para professores e estudantes de nível universi¬
tário e pós-graduado;
13. orientação para trabalhos escolares de alunos e professores dos di¬
ferentes níveis;
14. organização dc material didático para uso da Seção de Cursos e em¬
préstimo aos técnicos superiores no atendimento didático;
15. organização da divulgação sistemática a respeito do atendimento
didático do Instituto.
Período previsto : Plano quadrienal para a programação dos objetivos.
Recursos humanos e materiais
Os recursos humanos disponíveis são os próprios especialistas do Instituto
que ministram aidas, orientam estágios e treinamentos e funcionários da Divisão
de Extensão Cultural. Os recursos materiais e a ampliação dos recursos hu¬
manos deverão ser previstos no decorrer da execução do projeto.
Identificação dos comportamentos de entrada
Válidos para todos os objetivos específicos ou parciais propostos.
I — Caracterização da população a ser atendida
a) Direção Geral do Instituto Butantan
b) Conselho Superior do Instituto Butantan
c) especialistas do Instituto Butantan
d) funcionários dos níveis e carreiras existentes no Instituto Bu¬
tantan
e) professores e coordenadores de cursos de pós-graduação
f) professores universitários
g) professores de l.° e 2.° graus
h) técnicos com atividades ligadas à educação
i) alunos dos diferentes níveis
j) público em geral.
II — Caracterização dos recursos da Instituição
a) pesquisadores especializados nas áreas de Saúde, Biociência e
Ciências Biomédicas
b) laboratórios especializados para aulas, treinamentos e estágios
c) museu especializado
d) biblioteca biomédica
e) hospital especializado
f) Seção de Cursos.
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PIMONT, R. P. A área de educação do Instituto Butantan.
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I, | SciELO
PIMONT, R. P. — A área de educação do Instituto Butantan.
Mem. Inst. Butantan, .17: 43-82, 1073.
7. CONCLUSÕES
1 — Os institutos de pesquisas da cidade de São Paulo desenvolvem,
em maior ou menor escala, atividades didáticas.
II — O Instituto Butantan possui recursos didáticos especializados, no
se refere às áreas de Saúde, Biologia e Medicina, que pode
colocar a serviço da educação.
III — Mediante uma sistematização dos recursos didáticos do Instituto
Butantan, a comunidade, através da escolha, poderá usufruir me¬
lhor desses recursos.
IV — O aproveitamento dos recursos do Instituto Butantan por Ser¬
viços de Educação levaria os escolares à maior integração no meio
ambiente e no seu próprio processo educativo.
V — Os estágios oferecidos pela instituição e a orientação sistemática
para estudantes de nível médio seriam úteis na escolha profissio¬
nal desses alunos.
VI — A formação especializada que o Instituto Butantan poderá for¬
necer será um meio de recrutamento de mão de obra especializada
para a própria Instituição e Instituições similares.
VII — A formação complementar, que a Instituição pode vir a fornecer,
refletir-se-á na especialização de recursos humanos, para pos¬
terior influência no desenvolvimento da pesquisa científica na
área das biociências e das ciências biomédicas.
VIII — O aproveitamento dos recursos pela comunidade seria uma re¬
versão dos gastos que essa comunidade tem com a Instituição.
IX — O projeto apresentado poderá sugerir linhas de trabalho para
outros institutos de pesquisa.
SUMMARY — Eased on thc State Lc-
gislation, thc author studied the de-
volopment of the Instituto Butantan
from its foundation to the present
strueturation. giving emphasis to the
didactic activities of the Institution.
Since these activities are ciosely re-
lated to the Public Health Service,
Biological and Medicai Sciences, a pro-
ject has bcen proposcd aiming at thc
diffcrent schooling leveis, wellfounded
on the Instituto Butantan’s possibili-
ties and on the new basical and di-
rective law of educatiion.
The presented chart suggcsts linos
of work for similar rcsearch institutes.
UNITERMS — Research Instituto.
Health Education. 1'rofessional train-
ing in Biomcdical Sciences.
80
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIMONT, H. P. — A área de educação do Instituto Eutantan.
Mciii. Insí. ButClHtan, .,'7 : 13-82, 1973.
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SÂO PAULO. Leis, decretos, etc. Decreto n.° 3.876 de 11/7/1925. Reorganiza o Ser¬
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SÂO PAULO. Leis, decretos, etc. Decreto n.° 4.917 de 3/3/1931. Transforma a Se¬
cretaria dc Estado dos Negócios do Interior em Secretaria Pública e dá outras
providências. Coleção das Leis e Decretos do Estado de São Paulo, 41: 332, mar. 1931.
SÃO PAULO. Leis, decretos, etc. Decreto n.° 4.941 de 21/3/1931. Reorganiza o Ins¬
tituto Butantan. Coleção das Leis e Decvetos do Estado de São Paulo, 41, 264,
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SÃO PAULO. Leis, decretos, etc. Decreto n 9 4.998 de 2/4/1931. Regulamenta o De¬
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Leis e Decretos do Estado de São Paulo, 41: 439, abr. 1931.
CÃO PAULO. Leio, decretos, etc. Decreto n 9 6.283, de £5/1/1934. Cria a Universidade
de São Paulo e dá outras providências. Coleção das Leis e Decretos do Estado de
Sãa Paulo, 44: 25, jan. 1934.
CÃO PAULO. Leis, decretos, etc. Decreto n. 9 9.247, de 17/6/1938. Cria o Departa¬
mento do Saúde do Estado, que fica subordinado diretamente à Secretaria de
Estado dos Negócios da Educação e Saúde e extingue o Serviço Sanitário. Coleção
das Leis e Decretos do Estado de São Paulo, 48: 112, jan. 1938.
SÃO PAULO. Leis, decretos, etc. Decreto n. 9 9.393, de 5/8/1938. Organiza o Serviço
de Laboratórios de Saúde Pública do Departamento de Saúde do Estado o dá
outras providências. Coleção das Leis e Decretos do Estado de São Paulo, 58: 171,
ago. 1938.
SÀO PAULO. Leis, decretos, etc. Decreto n. 9 3.437, de 22/8/1938. Dá competência
aos serviços de laboratórios do saúde pública, dependência do Departamento dc
Saúdo do Estado, com sede no Instituto Butantan, 48: 255, ago. 1938.
CÃO PAULO. Leis, decretes, etc. Decreto n 9 12.787, de 30/0/1942. Subordina o
Instituto Butantan diretamente à Secretaria de Educação e Saúde Pública. Coleção
das Leis e Decretos do Estado de São Paulo, 52: 193, jun. 1942.
SÃO PAULO. Leis, decretes etc. Decreto n 9 17.351, de 1/7/1947. Tranferc para a
Secretaria do Estado dos Negócios da Saúde Pública e da Assistência Social, os
cerviços que menciona. Coleção des Leis c Decretos do Estado de São Paulo, 58.
30. ául. 1847.
SÃO PAULO. Leis, decretos, ctc. Decreto n.° 26.979, de 11/12/1956. Dispõe sobre a
criação do Fundo de Pesquisas do Instituto Butantan. Coleção das Leis e Decretos
do Estado de São Paulo, 66: 638, dez. 1956.
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PIMONT, n. P. — A área de educação do Instituto Butantan.
Mem, Inst. Butantan, 37 : 13-82, 11)73.
SÃO PAULO. Leis, decretos, etc. Decreto rU 40.996, de 6/11/1962. Dispõe sobre a
organização do Instituto Butantan da Secretaria de Estado dos Negócios da
Saúde Pública e da Assistência Social e dá outras providências. Coleção das Leis
e Decretos do Estado de São Paulo, 72: 734, nov. 1962.
SÃO PAULO. Leis, decretos, etc. Decreto n.° 50.404, de 23/9/1968. Dispõe sobre a
organização do Instituto Butantan. LEX- Legislação do Estado de São Paulo e
da Prefeitura da Capital 22: 709. set. 1968.
SÃO PAULO. Leis, decretos, etc. Decreto n.° 52182, de 16/7/1969. Dispõe sobre a
organização da Secretaria de Estado da Saúde. LEX — Legislação do Estado de
São Paulo e da Prefeitura da Capital, 23: 371, jul. 1969.
SÃO PAULO. Leis, decretos, etc. Decreto n.° 52214, de 24/7/1969. Regulamenta o
Instituto Butantan e define legalmente as atribuições da Seção de Cursos. LEX
— Legislação do Estado de São Paulo e da Prefeitura da Capital, 23: 44, ául. 1969.
SÃO PAULO. Leis. decretos, etc. Decreto n.° 15.094, de 11/10/7945. Reorganiza o
Instituto Butantan como centro de pesquisa aplicada à medicina experimental e
à fisiopatologia humana, diretamente subordinado à Secretaria de Educação e
Saúde Pública. Coleção das Leis e Decretos do Estado de São Paulo, 55: 201. out.
1945.
SÃO PAULO. Leis, decretos, etc. Lei n.° 5.151, de 7/1/1S59. Cria o Conselho das
Instituições de Pesquisa do Estado de São Paulo. Coleção das Leis e Decretos
do Estado de São Paulo, 19: 18, jan. 1959.
ANEXO
INSTITUTO BUTANTAN
SEÇÃO DE CURSOS
Trabalhos de pesquisa educacional realizados no eríodo compreendido
entre: 196J/-1972
1964 — Contribuição do Instituto Butantan para a formação de especialistas no
campo da Biologia.
1965 — Cursos de divulgação do Instituto Butantan.
1966 — Metodologia dos cursos de formação de pesquisadores do Instituto Butantan.
1969 — Cursos de pós-graduação. Análise e tentativa de definição.
1970 — Evolução da atividade didática do Instituto Butantan.
1971 — Instituto Butantan: informação e educação sanitária.
1971 — Atividades do educador de saúde pública num instituto de pesquisa.
1971 —■ Delimitação da área de ação da Seção de Cursos do Instituto Butantan.
1971 — Projeto piloto de treinamento em serviço para pessoal de saúde pública.
1971 — Aspectos educacionais de um programa de desenvolvimento no setor Saúdo
pública para a cidade de Cunha (em colaboração).
1971 — Carta sanitária da cidade de Vinhedo (cm colaboração).
1972 — Comunidade e Saúde Pública.
Recebido para publicação em 23.VII.73.
Aceito para publicação em 01.VIII.73.
82
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Mem. Inst. Butantan
37: 83-ÜO, 1073
ESTUDO ELETROFORÉTICO EM “CELLOGEL” DE VENENOS
DO GÊNERO BOTHROPS
MEDARDO SIL.ES VILLARROEL *
RAYMUNDO ROLIM ROSA **
REYNALDO SCHVVINDT FURLANETTO ***
FLÁVIO ZELANTE »
de exposição do que as técnicas ante¬
riormente utilizadas.
RESUMO — Os autores, realizando a
eletroforese de seis venenos de serpen¬
tes do gênero Bothrops Wagler, 1824,
sobre membrana de “Cellogel” verifica¬
ram que a metodologia aplicada propi¬
cia uma melhor separação dos compo¬
nentes desses venenos em menor tempo
UNITERMOS ■ — Eletroforese de vene¬
nos ofídicos sobre “cellogel”; eletrofo¬
rese de venenos botrópicos.
INTRODUÇÃO
O estudo do ofidismo, entre nós, a partir dos trabalhos pioneiros de
Brazil & Pestana (1909) vem merecendo, gradativamente, maiores atenções.
Dentre as serpentes venenosas do Brasil, o gênero Bothrops é aquele respon¬
sável pelo maior número de acidentes. Rosenfeld (1969), atribui-lhe a respon¬
sabilidade de 90,8% do total dos acidentes ofídicos.
Tais observações contribuiram para despertar os nossos interesses para o
estudo dos venenos botrópicos, principalmente em seus aspectos imunoquí-
micos. Tentativas a este respeito já têm sido realizadas, quer com a utilização
de processos químicos, quer com a utilização de processos eletroforéticos.
Kõenig (1937) demonstrara a possibilidade da separação eletroforética
do veneno de B. jararaca. Seguiram-se os trabalhos de Polson et al (1946),
Gonçalves & Polson (1947), Gonçalves (1948), Gonçalves & Vieira (1950).
Esses autores utilizaram-se de papel de filtro, como suporte para a corrida
eletroforética. Gonçalves S. Vieira (1950) loc. cit. obtiveram através desta
técnica nove frações no veneno de B. jararacussu, quatro frações no veneno
de B. jararaca e sete frações no veneno de B. atrox.
A partir dessa época, melhores técnicas de eletroforese foram introduzidas
tais como a eletroforese em “Acetato da Celulose” (Afonso, 1961; Bartlett, 1963;
Ritts, Jr. & Ondrick 1964) e, mais recentemente as técnicas que utilizam, como
* Professor Assistente Doutor do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Institulo
de Ciências Biomédicas da U.S.P.
** Diretor do Serviço de Tmunologia do Instituto Butantan e Professor Assistente Doutor
do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas
da U.S.P.
*** Professor Catedrático do Departamento de Microbiologia .e Imunologia do Instituto de
Ciências Biomédicas da U.S.P.
Endereço para correspondência:
C.P. 43G5, São Paulo, Brasil.
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SILiES VILLARROEL, M., ROLIM ROSA, R., FURLANETTO, R. S. & ZELA N TE', F.
Estudo eletroforético em “cellogel” de venenos do gênero Bothrops.
Alem. Inst. Butantan, 37: 83-90, 1973.
g) solução descorante a base de metanol e ácido acético;
h) desidratante metanol puro;
i) solução de transparentização a base de metanol, ácido acético e gli¬
cerina.
Modelo e x p e r i m enta l:
Realizamos numerosas provas preliminares a fim de determinar as melho¬
res condições de contração das soluções dos venenos e de tempo de exposição,
com a finalidade de obter uma melhor separação das várias frações constituin¬
tes dos venenos botrópicos. Conseguimos assim estabelecer as seguintes condi¬
ções que oferecem melhores resultados:
a) 4% de concentração das soluções de veneno;
b) corrida eletroforética por 90 minutos e a 200 volts.
Após a eletroforese de cada veneno, nas condições expostas, procedíamos
a coloração das tiras e em seguida, a decomposição das frações em Registrador
de Extinção tipo II Zeiss, obtendo-se os respectivos eletroferogramas.
RESULTADOS
Com a utilização das condições de experimentação por nós padronizadas,
obtivemos os resultados que são representados pelo número de frações eletro-
foréticas de cada veneno. A tabela I, apresenta os dados obtidos.
Tabela I
Comportamento eletroforético sobre “Cellogel”
dos seis venenos do gênero Bothrops, em solução
Cl Iftfc
Espécie de veneno
Número de frações
B.
jararaca
15
B.
alternatus
11
B.
insularis
13
B.
jararacusSu
9
B.
moojeni
9
B.
cotiara
10
As tiras de cellogel, submetidas ao Registrador de Extinção possibilitaram
os eletroferogramas que ilustram as figuras de 1 a 6.
85
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SciELO
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Fig. 1 — Comportamento eletroforético sobre “cellogel” do veneno de
B. jararaca, em solução a 4%.
Fig. 2 — Comportamento eletroforético sobre “cellogel” do veneno de
B. alternatus, em solução a 4%.
Fig. 3 — Comportamento eletroforético sobre “cellogel” do veneno de
B. insularis, em solução a 4%.
Fig. 4
Comportamento eletroforético sobre “cellogel” do veneno de
B. jararacussu, em solução a 4%.
Fig. 5
Comportamento eletroforético sobre “cellogel” do veneno de
B. moojenij em solução a 4%.
Fig. 6 — Comportamento eletroforético sobre “cellogel ” do veneno dc
B. cotiara , em solução a 4%.
cm
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SILES VILLARROT3L, Z\F.. ROLIM ROSA, R., FFRLAXETTO. R. S. & ZELAX TE', F.
Estudo elctroforético em “ceHogel” de venenos do gênero Jiothrojts.
Mern. Inst. Butantan, : 83-90, 1973.
DISCUSSÃO
A bibliografia por nós consultada demonstra que, muito embora alguns
trabalhos tenham sido realizados objetivando o estudo do comportamento ele-
troforético dos venenos de serpentes, somente Gonçalves & Vieira (1950),
estudaram alguns aspectos de tres venenos botrópicos procedentes do Brasil;
todavia, estes autores utilizando-se de papel de filtro como suporte para a
eletroforese, obtiveram para o veneno de B. jararaca, apenas quatro frações;
para o veneno de B. atrox, sete frações e para o veneno de B. jararacussu, nove
frações. Os nossos resultados, foram concordes somente no que se refere
ao veneno de B. jararacussu, pois também determinamos a existência de
nove frações; para os outros dois venenos, determinamos a presença de maior
número de componentes pois que B. jararaca apresentou 15 frações e B. moo-
jeni nove frações. Este aumento do número de frações por nós encontrado
parece ser consequente da tecnologia aplicada e talvez consequente também
a origem dos venenos utilizados pelos autores citados, visto não terem escla¬
recido a técnica adotada para a extração. Além destas considerações, os venenos
utilizados por Gonçalves Vieira, loc. cit., foram fornecidos pelo “Instituto
Ezequiel Dias”, localizado no Estado de Minas Gerais, portanto obtidos de
serpentes provenientes de áreas geográficas distintas daquelas que forneceram
o material por nós utilizados, o que possibilitaria segundo Schenberg (1958-
1963), uma variabilidade na composição da peçonha. A rúetodologia por nós
aplicada com a utilização de tiras de “Cellogel”, permitiu uma melhor carac¬
terização das frações constituintes dos venenos em um tempo de exposição
eletroforética bem menor (90 minutos).
Os resultados obtidos pela eletroforese em “Cellogel” dos venenos das
espécies B. alternatus, B. insularis e B. cotiara, são inéditos pois não consta
na literatura qualquer trabalho relacionado com a eletroforese desses venenos.
O veneno da espécie B. jararaca, quando comparado com as outras 5
espécies analizadas, sugere ser, dentre as peçouhas por nós estudadas, aquela
que possui um maior número de frações eletroforéticas.
CONCLUSÕES
1. A separação eletroforética dos venenos de B. jararaca, B. jararacussu e
B. moojeni em tiras de “Cellogel”, quando comparada com a eletroforese em
papel, revela que além de ser um método muito mais rápido, permitiu melhor
separação e, consequentemente, obtém-se a revelação de maior número de
frações.
2. A separação eletroforética em “Cellogel” do veneno de B. jararaca.
revelou 15 frações eletroforéticas sendo pois a espécie que apresentou maior
número de frações dentre as peçonhas das espécies de Bothrops estudadas;
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cm
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STLKS VIL.LARROEL, M., ROLIM ROSA, R., FURLANETTO, R. S. & ZELANTE', F. _
Estudo eletroforêtieo em “cellogel” de venenos do gênero Bothrops.
,1/OH. Insl. Butantan, 37: 83-90, 1973.
3. A separação eletroforética cios venenos cie B. alteriiatus, B. insularis
e B. cotiara, em tiras cie “Cellogel”, foi realizada pela primeira vez, apresentan-
clc-se estes venenos, com 11, 13 e 10 frações, respectivamente.
SUMMARY — Electrophoretic analysis
of six samplcs of snake venom of the
genus Bothrops Waglcr, 1824, on “Cello¬
gel” mombrane, clemonstrated a better
separation of the venom components in
lcsstime of exposition, when compareci
with other techniques.
UNITERMS — Electrophoretic stucly
of snake venoms on “Cellogel”; electro¬
phoretic stucly on Bothrops venoms.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1.
2 .
3.
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SIX.ES VIT.LARROEL,, M., ROLIM ROSA, R„ PURLANETTO, IX. S. & ZELANTE, F. —
Estudo eletroforético em “cellogel” do venenos do gênero Bothropa.
Mem. Inst. Butantan, 37 : 83-90, 1973.
15. SCHENBERG, S. — Estudo comparativo da composição do veneno de Bo-
throps neuwiedi em placas de Ouchterlony. Ciência e Cultura. 10: 163-164, 1958.
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17. SILES VILLARROEL, M. — Contribuição ao estudo de venenos de serpentes
do gênero BothroPs ( B. jararaca, B. alternatus, B. insularis, B. jararacus.su
B. atrox e M. cotiara). São Paulo, 1972. ITese — Instituto de Ciências Biomé-
dicas da Universidade de São Paulo|
Recebido para publicação em 1C.VI.73.
Aceito para publicação em 12'.X.73.
90
cm
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10 11 12 13 14 15
Mem. Inst. ButarUan
.17: 91-97, 1973.
LOCALIZAÇÃO DO FATOll COAGULANTE NO ESPECTRO
ELETROFORÉTICO DO VENENO DE Bothrops Moojeni
MEDARDO SILES VILLARROEL *
REYNALDO SCHW1NDT FURLANETTO **
FLAVIO ZELANTE *
RAYMUNDO ROLIM ROSA***
RESUMO — Os autores, através de
eletroforese sobre membrana de “Cello-
gel” procuraram isolar o fator coagu-
lante do veneno de B. moojeni. Verifi¬
cando ser possível a recuperação deste
fator após a corrida eletroforética, obti¬
veram a recuperação de 33,3% quando
comparado com o veneno “in natura” e
de 80% quando comparada com o ve¬
neno eluido de tiras de “Cellogel”, sem
a corrida eletroforética. Demonstraram
haver fortes indicações de que o fator
coagulante é constituído por duas fra¬
ções.
UNITERM OS — Eletroforese em “Cel¬
logel” do veneno de B. moojeni; isola¬
mento dos fatores coagulantes.
INTRODUÇÃO
Trabalhos anteriores (Siles Villarroel, 1972; Siles Villarroel et al, 1973)
demonstram as vantagens da utilização de membranas de “Cellogel”, para a
corrida eletroforética dos venenos ofídicos. Os autores obtiveram uma melhor
separação e visualização das diversas frações constituintes dos venenos es¬
tudados.
Como os venenos botrópicos possuem, fundamentalmente, duas ações dis¬
tintas, proteolítica e coagulante (Rosenfeld et al 1959), cada fração visualizada
na membrana de “cellogel” representaria pois um ou mais constituintes daque¬
las propriedades farmacológicas. Como a ação coagulante dos venenos botró¬
picos é, indiscutivelmente, o componente responsável pelas mortes rápidas
conseqüentes do acidente ofídico (Furlanetto 1965) procuramos tentar visua¬
lizar esse componente no espectro eletroforético, onde poderia estar repre¬
sentado por uma ou mais frações. Haveria ainda a possibilidade de ser isolada
esta fração ou frações e, conseqüentemente de se obter praticamente em estado
de pureza, ou componente ou componentes responsáveis pela coagulação do
plasma.
Tentativas anteriores foram feitas objetivando este isolamento, tanto dos
venenos botrópicos, quanto dos de outras serpentes cujas peçonhas apresentam
a mesma propriedade farmacológica. Foram utilizados os processos físico-quí¬
micos e de eletroforese em papel , (Holtz & Raudonat, 1956; Banerjee et al,
* Professor Assistente Doutor rln Departamento de Microbiologla e Imunologia do Instituto
de Ciências Biomêdicas da U.S.P.
** Professor Catedrático do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de
Ciências Biomêdicas da U.S.P.
*** Diretor do Serviço de Imunologia do Instituto Butantan e Professor Assistente Doutor
do Departamento de Microbioloffia e Tmunologia do Instituto de Ciências Biomêdicas
da U.S.P.
Kndereço par.i correspondência:
C.P. 43G5, São Paulo. Brasil.
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SILES VILLARROEL, M., FURLANETTO, R. S., ZEDANTE, F. & ROLIM ROSA, R. —
Localização cio fytor coagulante no espectro eletroforótico cio veneno cie Bothrops moogeni.
Mem. Inst. Butantan, 37: 91-97, 1973.
1960; Klobusitzky & Kõenig, 1935-36; Kõenig, 1937; Grasset & Schwartz, 1955).
Parece no entanto serem os trabalhos cie Henriques et al, 1959 e 1960;
Fichman & Henriques, 1962 aqueles que conseguiram obter melhor purificação
do fator coagulante.
Nahas et al (1964), reconheceram pela primeira vez a existência de, pelo
menos, dois fatores responsáveis pela atividade coagulante dos venenos bo-
trópicos e sugeriram a necessidade de investigações mais profundas.
Baseados nestes aspectos, e considerando cpie, dentre os venenos bo-
trópicos o da espécie B. moojeni é cpie apresenta maior atividade coagulante,
(Rosenfeld et al, 1959; Furíanetto, 1965) nos propuzemos a partir de seu
espectro eletroforético, determinar a exata localização do fator ou dos fatores
responsáveis pela referida atividade e, em seguida, tentar separa-los do com¬
plexo apresentado pelo veneno “in natura”.
MATERIAIS E MÉTODOS
Veneno O f í dic o
O veneno da espécie B. moojeni Hoge, 1965“ utilizado em nosso experi¬
mento, procedente do Instituto Butantan, foi obtido por extração manual de
várias serpentes adultas, cristalizado por secagem a vácuo e mantido a tempe¬
ratura de geladeira (0-4°C). Utilizamos a solução do veneno a 4% em solução
fisiológica (0,85% de NaCl) mantido em frascos hermeticamente fechados e a
temperatura de -25°C (Furíanetto, 1965; Siles Villarroel, 19T2).
Eletroforese em “Ccllogcl”
Aplicamos os mesmos materiais e as mesmas técnicas já descritas em
trabalhos anteriores (Siles Villarroel, 1972; Siles Villarroel et al, 1973).
Determinação da Dose Mínima Coagulante {D..M.C.) ou Unidade Coagulante
( U.C .)
O esquema técnico foi tomado de Furíanetto (1965). A Dose Mínima
Coagulante (D.M.C.) ou Unidade Coagulante (U.C.) é, segundo o autor a
dose de produto coagulante ou de veneno, dissolvido depois de seco, que no
volume de 0,2 ml é capaz de promover a coagulação, entre 8 e 10 minutos e
a 37°C, de 1,0 ml de plasma normal de cavalo, adicionado de 0,2% de oxalato
de potássio (o plasma deve ser colhido no dia do ensaio).
O ensaio para essa determinação foi conduzido em tubos de 14 x 140 mm
imersos em banho-maria a 37°C. Considerava-se o plasma coagulado, quando
se formava bloco de fibrina capaz de escorregar pela parede do tubo, quando
este era inclinado.
Como na eletroforese, trabalhávamos com a concentração de veneno a 4%,
determinávamos a D.M.C. sempre a partir dessa solução.
* A Bothrops moojeni Hoge, 19G5, era, até e sa data, classificada como Bothrops atrox
(Linnaens, 1758).
I, | SciELO
92
Localização tio fator coagulante no espectro eletroforético tio veneno tle Bothrops moocjeni.
Mem. Inst. Butantan t 37: 91-97, 1973.
RESULTADOS
Determinamos, preliminarmente, que 1,0 ml da solução a 4% do veneno
de B. moojeni por nós utilizado, continha 100.000 U.C., portanto, uma U.C.
correspondia a 0,4 pg do veneno seco-. Tais valores mostram que o volume de
0,003 ml a ser aplicado na tira de “cellogel” equivale a 120 pg de veneno seco,
ou seja, a 300 U.C.
Como pretendíamos fazer a eletroforese do veneno em “cellogel” e de¬
pois eluir as várias frações, nos preocupamos em saber quanto era possível
recuperar, em termos de D.M.C., da quantidade de veneno inicialmente co¬
locada nas tiras de “cellogel”, sem corrida eletroforética. Para isso, aplicamos o
volume de 0,003 ml num ponto da tira de “cellogel” e aí deixamos, sem sub¬
meter à corrida eletroforética, por 90 minutos. Após esse tempo eluímos em
0,5 ml de solução fisiológica durante 1 hora em geladeira a 4°C. Foi possível
recuperar 50 pg, equivalente a 125 U. C. de veneno seco.
Após as determinações preliminares acima expostas, realizamos a corrida
eletroforética do veneno em duas tiras de “cellogel”. Uma delas sofreu o pro¬
cesso de coloração e descoloração enquanto a outra foi mantida intacta. A
tira corada tinha por finalidade servir como padrão, a fim de se poder esta¬
belecer a localização das várias frações na tira não corada. Em seguida, com o
auxílio de uma régua, determinamos a área ocupada na tira pelas várias fra¬
ções. Transportamos as mesmas medidas para a tira não corada e numeramos
de 1 a 7 as várias áreas delimitadas, que foram, posteriormente, cortadas iso¬
ladamente. Os fragmentos 1 e 5 eram, cada um, integrados por duas frações —
frações 1 e 2 e 6 e 7, respectivamente — que se apresentaram bastante próximas,
o que tornava difícil separá-las. As frações analizadas, constam da figura 1.
12 } ^ 5 6 7 fragmentos
TS í II f —*—\ i i
12} 4 5 } 7 Ç 9 frações
Fig. 1 — Delimitação das áreas separando os nove componentes do
veneno de 11. moojeni.
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SIL.ES VILLARROEL, M., FURLANETTO, R. S., ZELANTE, F. & ROLIM ROSA, R. —
Localização cio fator coagulante no espectro eletroforético cio veneno de Bothrops moogeni.
Mem. Inst. Butantan, 37: 91-97, 1973.
Cada fragmento da tira de “cellogel” foi eluído em 0,5 ml de solução
fisiológica, durante 1 hora. A seguir, de cada eluato, retiramos um volume
de 0,2 ml e adicionamos sobre 1,0 ml de plasma normal oxalatado de cavalo,
conforme descrito em “Materiais e Métodos”. A tabela I apresenta os resul¬
tados obtidos.
TABELA X
Determinação do poder coagulante dos vários fragmentos obtidos por eluição apôs
a eletroforese em “Cellogel” (veneno de B. moojeni )
Fragmento
eluído
Volume de plasma
oxalatado (ml)
Volume de material
eluído (ml)
Resultado
1
1,0
0,2
Não coagulou
2
1,0
02
Não coagulou
3
1,0
02
Não coagulou
4
1,0
02
Início de coagulação
5
1,0
02
Coagulação imediata
6
1,0
02
Início de coagulação
7
1,0
02
Não coagulou
Verifica-se pela tabela I que o fragmento cinco, integrado pelas frações
6 e 7, é o que contem maior concentração do fator coagulante.
Como nosso trabalho objetivava também determinar a quantidade do fator
coagulante que poderia ser recuperada, realizamos diluições seriadas do ma¬
terial eluído do fragmento 5. Dessa forma foram realizadas várias diluições
do eluído desse fragmento. A tabela II apresenta os resultados obtidos.
TABELA II
Determinação da dose mínima coagulante do fragmento n. 5
Diluição do eluato do
fragmento n. 5
Volume de plasma
oxalatado (ml)
Volume dos
eluato (ml)
Tempo de coagu¬
lação
1/5
1,0
0,2
1 minuto
1/10
1,0
0J2
1 minuto
1/20
1,0
0,2
2 minutos
1/40
1,0
0,2
10 minutos
1/80
1,0
0,2
Não coagulou
Verifica-se que a atividade coagulante representada em
lantes (U.C.) é demonstrável até na diluição 1/40.
unidades coagu-
uiuuise uas uioeias i e ii mosrra que a rraça-o coaguiame esia locanza-
da quase que totalmente no eluído do fragmento n.° 5 da tira de “cellogel”,
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SciELO
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Localização do fator coagulante no espectro eletroforético do veneno de Bothrops moogcni.
Mem. Inst. Butantan, 37: 91-97 1973.
que por sua vez era uma mistura das frações 6 e 7 do espectro eletroforético.
Como foram usados na corrida eletroforética, 0,003 ml da solução de veneno
a 4 %, podemos concluir que recuperamos 80% do fator coagulante, quando com¬
parado com a recuperação obtida da eluição da tira de “cellogel” não submetida
à eletroforese.
DISCUSSÃO
Com a utilização da eletroforese sobre tiras de “cellogel” pudemos loca¬
lizar, no espectro eletroforético do veneno de B. moojeni, as frações responsá¬
veis pela coagulação do plasma oxalatado. Estas seriam as frações seis e sete,
localizadas no fragmento cinco da tira de “cellogel”.
A observação da tabela I demonstra que, a ação de 0,2 ml do eluato cor¬
respondente ao fragmento cinco, agindo sobre 1,0 ml de plasma oxalatado,
promovia a sua coagulação imediata, ao passo que, os eluatos referentes aos
fragmentos quatro e seis, induziram apenas uma coagulação incipiente do
plasma, em 10 minutos. Os demais eluatos não promoveram a coagulação do
plasma. A ocorrência da coagulação incipiente, foi por nós considerada como
sendo conseqüente de uma possível contaminação dos fragmentos quatro e
seis, por uma pequena parte do espectro dos fatores localizados no fragmento
cinco que, indiscutivelmente, representam o fator coagulante do veneno em
questão. Baseados nestes resultados propusemo-nos determinar a atividade coa¬
gulante contida no fragmento cinco o que, em última análise, significa a de¬
terminação do número de unidades coagulantes (U.C.), ou Dose Mínima Coa¬
gulante (D.M.C.), presentes nessa fração.
Como através dos nossos testes preliminares, pudemos determinar que, das
300 U.C. iniciais colocadas nas tiras de “cellogel”, são recuperáveis, por eluição
simples sem corrida eletroforética. 125 U.C., nos foi possível estabelecer uma
relação com os resultados obtidos após a eletroforese. Os dados da tabela II nos
levaram a calcular que a eluição do fragmento cinco, resulta em 100 U.C. Como
este resultado equivale a uma redução de 20% sobre o total que seria recu¬
perável sem eletroforese, podemos interpretar tal aspecto, como sendo, possi¬
velmente, conseqüente das perdas representadas pela contaminação das áreas
quatro e seis, pelos espectros dos fatores coagulante, contidos na área cinco.
Acreditamos também na hipótese de que, a eletroforese possa ter desnaturado
parte do fator coagulante. Parece-nos ser esta, a primeira vez que se demons¬
tra a localização, no espectro eletroforético do veneno de B. moojeni, das fra¬
ções coagulantes. Tal fração contém duas ondulações, conforme demonstra o
eletroferograma (fig. 1). Talvez essas duas frações, que não conseguimos
separai - , no presente trabalho, representem as frações descritas por Nahas et
al (1964). Esse aspecto, no entanto, demanda outras investigações.
CONCLUSÕES
1. O fator coagulante do veneno da espécie Bothrops moojeni é prova¬
velmente constituído por duas frações, correspondentes às de números seis e
sete do espectro eletroforético.
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SILES VILLiARROEL, M., FURLANETTO, R. S., ZKLANTF, F. & ItOLIM ROSA, R. —
Localização do fator coagulante no espectro eletroforético do veneno de Bothrops mooyeni.
Mem. Inst. Butantan, ■»’7: 91-97 1973.
2. Após a corrida eletroforética cm “cellogel” de uma quantidade de
veneno de B. moojeni, equivalente a 300 U.C., foi possível recuperar ICO U.C.
que representam 33,3% de sua capacidade coagulante inicial e a 80% de recu-
peração quando comparada com a capacidade coagulante do eluato da tira de
‘'cellogel” não submetida à corrida eletroforética.
SUMMARY — “Cellogel” membrane
electrophoresis was used for isolation
of the coagulation factor of the B.
■moojeni snake venom. The coagulation
factor. after electrophoresis, was reeo-
vered in 33,3% when compared with the
venom “in natura“, and in 80% when
compared with the venom from the
“Cellogel” strips. It seems íhat the coa"
gulating factor consists of two frac-
tions.
UNITERMS — Electrophoretic study
on "Cellogel” of B. moojeni venom; iso¬
lation of coagulation factors.
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localização do fator coagulante no espectro eletroíorético do veneno de Bothrops moogeni.
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alternatus, B. insularis, B. jararacussu, M. moojeni e B. cotiara. Mem. Inst.
Butantan, 37, 1973.
Recebido para publicação em 1G.VI.72
Aceito para publicação em 12.X.73
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Mem. Inst. Butantan
37: 99-107, 1973
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA DETERMINAÇÃO DA DL50 DE
VENENOS BOTRÓPICOS INOCULADOS POR VIA VENOSA EM
CAMUNDONGOS — Mus musculus Linnaeus, 1758
I. FENÔMENOS QUE OCORREM NA TENTATIVA DE DETERMI¬
NAÇÃO DA DL50.
REYNALDO SCHWINDT FURLANETTO *
RAYMUNDO ROLJM ROSA**
MED ARDO SILES VILLARROEL ***
YARA QUEIROGA. SIRACUSA****
brevivem a morte imediata com doses
mais altas de veneno, poderão ou não
morrer tardiamente. Acreditam, pois,
que as mortes imediatas sejam de¬
correntes da coagulação intravascular
que pode ocorrer ao acaso devido ao
fator coagulante de tais venenos e que
as mortes tardias revelam o verdadeiro
poder tóxico.
RESUMO — Os autores demonstraram brevivem a
pela inoculação intravenosa de doses mais altas de veneno, poderão ou não
crescentes de veneno botrópico, em ca- morrer tardiamente. Acreditam, pois,
mundongos, que mortes conseqiientes que as mortes imediatas sejam de-
não ocorrem em proporção com a pro- correntes da coagulação intravascular
gressão da dose, tendo a tendência de que pode ocorrer ao acaso devido ao
aparecerem dentro dos 10 primeiros mi- fator coagulante de tais venenos e que
nutos após a inoculação (mortes ime- as mortes tardias revelam o verdadeiro
diatas), sendo impossível a reproduti- poder tóxico.
bilidade da DL50. Os animais que
sobrevivem a morte imediata com doses UNITERMOS — Venenos botrópicos —
relativamente baixas de veneno não so- Fator coagulante de venenos botrópicos
frem morte tardia. Os animais que so- — DL50 de venenos botrópicos.
INTRODUÇÃO
Desde 1907, fundamentado nos trabalhos de Vital Brazil, vem o Instituto
Butantan aferindo a potência dos soros antipeçonhentos através de misturas
“in vitro” de dose fixa de soro (1 ml) com quantidades variáveis do veneno
seco, misturas essas inoculadas, após tempo apropriado de contato, em pombos,
por via venosa. Na aferição desses soros deve-se utilizar veneno seco “padroni¬
zado” conforme preceitua a Farmacopeia Brasileira (1959), isto é, veneno cuja
Dose Mínima Mortal (D.M.M.) para pombo de 280 a 320 g seja no máximo
de 1,5 |tg para veneno de serpentes do gênero Crotalus Linnaeus , 1758 e
de 40 |ig no máximo, para veneno de serpentes do gênero Bothrops Wagler,
1824.
* Ex-chefe da Secção de Imunoterapia do Instituto Butantan. Atual Professor Catedrático
do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas
da U.S.F.
* Diretor do Serviço de Imunologia do Instituto Butantan. Professor Assistente Doutor
do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas
da U.S.P.
*** Ex-Assistente do Setor de Soros Anti-peçonhentos do Instituto Butantan. Professor
Assistente Doutor do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de
Ciências Biomédicas da ÜSP.
**** Chefe da Secção de Soros do Instituto Butantan.
Endereço para correspondência:
C.P. 4365, São Paulo, Brasil.
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Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botrópicos inoculados por via
venosa cm camundongos — Mus mu&culus Linnaeus, 1758. 1 — Fenômenos que ocorrem na
tentativa de determinação da DL50.
Mcm. Inst. Ilutunlan, .n : UU-107, 1!)7.1.
A padronização cm pombo, por esse processo, tem sofrido graves críticas,
baseadas fundamentalmente na não reprodutibilidade dos resultados alcan¬
çados. O próprio Vital Brazil, em colaboração com Rangel Pestana (1909), já
antevia argumentos contrários a tal tipo de padronização.
Tal processo, embora ainda utilizado oficialmente, contraria frontalmente
os ditames da técnica moderna, epie busca a padronização de produtos bioló¬
gicos através de provas populacionais, do tipo da DL50, isto é, a prova que
determina a dose de um produto que seria capaz de matar 50% de um grupo
de animais inoculados.
Esse procedimento é obviamente superior àquele, que emprega freqüen-
temente um ou dois animais por prova, deixando, assim, de levar em conta
as variações individuais.
Nesse sentido, outras objeções podem ser alinhadas contra o uso do
pombo como animal de prova, a maior delas sendo quiçá a raridade com que
ele é citado para tal fim, na literatura. Realmente, trata-se de animal de
criação onerosa, de nutrição pouco estudada, não sendo usual sua criação em
linhagens geneticamente homogêneas. Sobre sua patologia, o exame perfun-
ctório de obras como a de Reis e Nóbrega (1936) é suficiente para de¬
monstrar sua complexidade.
O camundongo, em contraposição, tem sido usado internacionalmente
(Grasset, 1949, África do Sul; Tanaka, 1941, Japão; National Inst. of Health,
1953, U.S.A.; Schlossberger et al, 1936, Alemanha; Hazra et ai, 1945/46, índia;
Lin, 1962, China) na padronização de venenos e antivenenos respectivos. O
camundongo oferece, de fato, vantagens para tal fim: cria-se fácil e economica¬
mente no laboratório e, sendo muito prolífero, dele podem ser obtidas rapida¬
mente linhagens geneticamente homogenizadas por seleção através de acasa¬
lamentos consangüíneos; além disso, tanto sua patologia como suas exigências
nutricionais estão muito melhor estudadas que as do pombo.
Entre nós Slotta e Syszka (1937) fizeram tentativa de adoção do camun¬
dongo e Schõttler (1951b) já advogou suas vantagens, tendo contribuição ex¬
perimental a respeito.
Neste trabalho retomamos, pois, o estudo do camundongo para padroni¬
zação de venenos ofídicos, escolhendo de início, intencionalmente, os botró¬
picos, por serem os que têm oferecido maior soma de problemas.
Ao abordar a metodologia para padronização de produtos dessa natureza
vem logo à mente a via de inoculação e, naturalmente, a contribuição de
Schõttler (1951a-1951b-1951c-1952-1954-1955-1955/56 e 1958). Esse autor, es¬
tudando venenos botrópicos, explorou as vias venosa e subcutânea, en¬
contrando em ambas grandes dificuldades, oriundas da irregularidade dos
resultados alcançados. Schõttler atribuiu tais irregularidades a grande número
de fatores que agiriam sobre a resistência individual dos camundongos: sexo,
peso, pureza de linhagem, idade dos animais e mesmo a de seus progenitores
no ato do acasalamento, além de várias condições externas, tais como — tem¬
peratura, método de contenção, estação do ano, espaço disponível, volume in¬
jetado o muitas outras. Esse autor tentou em vão o controle desses fatores.
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FUHLiANETTO, R. S. ; ROL1M HCSA, K. ; SILKS VILEAIUIOEI-., M. & SIRACUSA, Y. Q. —
Contribuição ao estudo da determlnaçAo da DL50 de venenos botrópicos inoculados por via
venosa em camundongos — Mus musculus Linnaeus, 1758. I — Fenômenos que ocorrem na
tentativa de determinação da DL50.
Mera. Inst. Butantan, 31: 99-307. 1973.
em particular no caso da via venosa. Apelou finalmente para delineamentos
estatísticos cpie estimou fossem capazes cie lançar no erro residual do método
aquelas variações individuais, dando ênfase especial aos delineamentos basea¬
dos em grandes números de animais por lote.
Desencorajado pelos resultados colhidos, mormente com os obtidos com a
via venosa, deu preferência à via sub-cutânea, apesar das variações dos resul¬
tados permanecerem oscilando entre valores extremos muito distantes.
Analisando a contribuição de Schõttler, colhemos a impressão de que
algum aspecto fundamental teria passado despercebido uma vez cpie frustraram
todas as tentativas desse autor de controlar causas de variação de resistência,
intrínsecas ao animal ou adstritas ao meio. Ocorreu-nos, então, o estudo de
causas dependentes do próprio veneno botrópico. Para essa concepção contri¬
buiu fortemente o conhecimento de que, para outros venenos, ensaios dessa
natureza levam a resultados satisfatoriamente regulares.
MATERIAL E MÉTODOS
Venenos utilizados:
Trabalhamos com venenos de serpentes do gênero Bothrops das seguintes
espécies: B. jararaca (Wied, 1824), B. moojeni (Hoge, 1965), B. pradoi
(Hoge, 1947), B. insidaris (Amaral, 1921), B. neuwiedi Wagler in Spix, 1824,
B. jonsecai Hoge et Belluomini, 1959 e B. jararacussu Lacerda, 1884.
Todos os venenos foram colhidos no serviço de rotina do Instituto
Butantan. As serpentes provenientes, em geral, do Estado de São Paulo ou de
Estados próximos são identificadas e mantidas em gaiolas isoladas e sofriam
uma extração de venenos cada 15 dias. O produto obtido era resultante de
uma mistura de venenos de várias serpentes de idade e procedência diferen¬
tes, porém sempre de animais da mesma espécie; depois de centrifugado era
dessecado a vácuo à temperatura ambiente; após a cristalização, era
pesado, colocado em frascos hermeticamente fechados e estocado em geladeira
+ 4 o C. Segundo Slotta e Syszka (1937) o veneno dessecado nessas condições
mantém sua atividade por longo tempo, o que é também confirmado por
Schõttler (1951c-1952 e 1955).
Quantidades de veneno seco da ordem de 100 a 400 |Jtg/ml eram dissol¬
vidas em solução fisiológica e mantidas como soluções básicas, em “flaco-
netes” hermeticamente fechados, cm congelador a -25° C (Furlanetto, 1965).
Para cada ensaio era descongelado um frasco a fim de preparar as doses a
serem utilizadas, desprezando-se os eventuais excedentes. O cálculo da razão
entre as doses era feito segundo a fórmula R y x onde “n” indica o
número de doses a serem utilizadas e “x” a razão entre as doses inicial e final.
Quando necessário, a DL50 era calculada pelo método de Reed & Miiench
(1938).
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SciELO
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FURLANETTO, 11. S. ; ROLIM ROSA, 71.; SILES VILLARROEL, M. & SIRACUSA, Y. Q. —
Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botrõpicos inoculados por via
venosa em camundongos — Mus muscnlus Linnaeus, 1758. I — Fenômenos que ocorrem na
tentativa de determinação da DL50.
Mem. Inst. BUtantan, 37; 99-107, 1973.
Animais :
Foram utilizados camundongos de 18 a 22 g, sem distinção de sexo,
todos provenientes do Biotério Geral do Instituto Butantan; as inoculações
eram feitas por via venosa.
RESULTADOS
TABELA I
Ensaios preliminares para tentativa de determinação de DLSO de venenos de B. moo-
jeni *, de coleta recente. Foram feitos quatro ensaios em dias diferentes com o mesmo
veneno em solução fisiológica de forma a conter em 0,5 ml a dose desejada.
Determinação feita por via venosa em camundongos de 18 a 22 g.
1" Ensaio
2 9 Ensaio
Dose de
neno em
ve-
Tempo de
lOmin.
observação
24h
48h
Tempo de
lOmin.
observação
24h
48h
4,9
1/6
1/6
1/6
0/6
1/6
1/6
5,5
3/6
3/6
3/6
0/6
0/6
0/6
6,2
4/6
4/6
4/6
2/6
2/6
2/6
6,9
3/6
3/6
3/6
3/6
3/6
3/6
7,7
4/6
4/6
4/6
2/6
2/6
2/6
8,7
4/6
4/6
4/6
5/6
5/6
5/6
9,8
3/6
3/6
3/6
1/6
1/6
1/6
3 9
Ensaio
4 9 Ensaio
Dose de
ve-
Tempo
de observação
Dose de
ve- Tempo
de observação
neno em
JX&
lOmin.
24h
48h
neno em
jtg lOmin,
24h
48h
5,5
2/6
2/6
2/6
5,0
1/6
1/6
1/6
6,9
3/6
3/6
3/6
6,5
2/6
2/6
2/6
8,6
2/6
2/6
2/6
8,5
2/6
2/6
2/6
10,8
5/6
5/6
5/6
10,5
3/6
3/6
3/ 6
13,2
3/6
3/6
3/6
14,0
6/6
—
—
16,2
4/6
5/6
5/6
18,0
3/6
3/6
3/6
23,0
3/6
3/6
3/6
30,0
3/6
5/6
5/6
38,5
6/6
—
—
50,0
6/6
—
—
Legenda:
O denominador expressa o número total de animais inoculados e o numerador o
número de animais mortos naquela dose.
Observação válida para as demais tabelas.
• A Bothrops nioojeni Hoge, 1965, era anteriormente classificada como Bothrops atrox
(Linnaeus, 1758).
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FURLANETTO, lí. S. ; ROLIM ROSA, R.; SILES VILLARROEL, M. & SIRACUSA, Y. Q. —
Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botrôpicos inoculados por via
venosa em camundongos — Mus musculus Linnaeus, 1758. I — Fenômenos que ocorrem na
tentativa de determinação da DL50.
Mem. List. Butantan, .37: 99-107, 1973.
TABELA II
Ensaio preliminar
para tentativa de determinação
de
DL50 cie veneno de B. jararaca de coleta recente.
Foi
realizado somente
um ensaio.
O veneno foi diluido
em
solução fisiológica de forma
a conter
■ em 0,5 ml a
dose desejada. Determinação
feita por
via venosa
em
camundongos de
18 a 22
a-
Doso de ve-
Tempo de observação
neno em jtg'
lOmin.
60min.
24h
48h
19,0
1/6
1/6
1/6
1/6
21,3
0/6
0/6
1/6
1/6
23,9
3/6
3/6
4/6
4/6
26,8
1/6
2/6
6/6
—
30,0
0/6
3/6
4/6
4/6
33,8
1/6
1/6
3/6
3/6
38,0
1/6
2/6
5/6
5/6
TABELA
III
Ensaio preliminar
1 para tentativa de determinação
de
DL50 de veneno
de B. pradoi de coleta recente.
Foi
realizado somente
t um ensaio.
O veneno
foi diluido
em
solução fisiológica de forma
a conter em 0,5 ml a
dose desejada. Determinação
feita por
via venosa
em
camundongos de
18 a 22
a-
Dose de ve-
Tempo de observação
neno em ng
lOmin.
60min.
24h
48h
50,0
3/6
3/6
3/6
3/6
56,0
5/6
5/6
5/6
5/6
63,0
2/6
3/6
4/6
4/6
70,5
6/6
—
—
—
79,0
4/6
5/6
5/6
6/6
89,0
4/6
4/6
5/6
5/6
100,0
3/6
5/6
6/6
—
DISCUSSÃO
As três experiências foram escolhidas entre várias constantes de nossos
registros experimentais, por retratarem a fenomenologia típica observada
quando se aplicam protocolos dessa natureza para deteminações de DL50
de venenos botrópicos em camundongos, por via vènosa.
Na realidade, trabalhamos também, com técnica semelhante, com venenos
de B. insularis, B. jararacussu, B. fonsecai e B. neuwiedi, todas elas apresen¬
tando resultados do mesmo tipo.
103
cm
SciELO
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Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botrópicos inoculados por via
venosa em camundongos — Mus niuacillus Linnaeus, 1758. I — Fenômenos «iue ocorrem na
tentativa de determinação da DL50.
Me vi. Inat. Butcmtarij 37: 99-107, 19 73.
Como não nos propuzemos a um trabalho de casuística, e sim investigar
a essência dos resultados contraditórios obtidos, cremos não ter grande in¬
teresse apresentar os demais protocolos com as quatro outras espécies de
Bothrops mencionadas. Tais protocolos mostram sempre as mesmas caracte¬
rísticas, que podem ser assim resumidas: a inoculação endovenosa, em ca¬
mundongo, de doses crescentes de venenos de ofídios do gênero Bothrops, na
tentativa de se determinar a DL50, não dá resultados homogêneos segundo os
quais os números de animais mortos estejam em razoável progressão com o
aumento da dose inoculada.
Realmente, ocorrem mortes imediatas, geralmente dentro de 10 minutos,
podendo vitimar até a totalidade dos animais com uma dose dada, mas sem
guardar correlação evidente com as doses visinhas. Nas menores doses de
veneno, os animais que escapam a morte imediata não apresentam intoxicação
tardia, isto é, o número de mortes apresentado nos primeiros minutos não
sofre alteração quando se prolonga a observação para 24-48 horas. Os animais
não vitimados por morte imediata com as doses maiores de veneno, podem
sobreviver cu não 24 horas, o que sugere a possibilidade de morte por intoxi¬
cação tardia. O valor absoluto de doses menores ou maiores capazes de causar
aqueles efeitos varia com a espécie de serpente produtora do veneno.
Os resultados apresentados nas Tabelas I, II e III mostram a dificuldade
de se avaliar com precisão a toxicidade dos venenos botrópicos; poder-se-ia
imaginar que, abandonando-se o sistema prático e econômico por nós tentado,
onde se utilizam poucos animais em cada dose, poder-se-ia obter resultado
mais satisfatório, isto é, que aumentando-se substancialmente o número de
animais em prova a resposta poderia conduzir a melhores resultados, pois a
variação desta, poderia ser imputada a variações individuais de sensibilidade;
devemos, no entanto, esclarecer que a imprecisão na determinação da DL50
não constitue assunto novo, tendo sido observada anteriormente por Schüttler
(1951a - 1951b - 1951c - 1952 - 1954 - 1955 - 1955/56 e 1958) que tentou
contorná-la aumentando o número de animais em experimentação, sem que esse
recurso, no entanto, fornecesse a precisão desejada. Esse autor fez investigações
amplas sobre toxicidade de venenos de serpentes que ocorrem no Brasil.
Utilizou a via sub-cutânea em camundongos e determinou a dose letal média
por grama de peso, através de avaliação planimétrica, mediante curva construi-
da com números acumulados de mortos e sobreviventes. Por ter preferido a via
sub-cutânea, obteve valores de toxicidade muito baixos (grandes doses de
veneno por grama de peso animal); além disso, obteve variação muito ampla
dos valores encontrados, o que atribuiu exclusivamente a oscilações dc resis¬
tência individual; seus achados experimentais levaram-no a afirmar (1951a)
que, com certos venenos, um animal pode tolerar, por grama de peso corporal,
até 9,5 vezes mais veneno que outro animal da mesma espécie.
Em 1954, o mesmo autor publicou, sobre o assunto, trabalho que carac¬
teriza bem as dificuldades encontradas; procurou resolvê-las cercando-se dos
maiores cuidados e controlando numerosos fatores que poderiam quiçá ex-
cm
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FUKLANETTO, II. S. ; ROLIM HOSA, U.; SIDES VIEÊAUHOEE, M. & SIUACUSA, Y. Q. —
Contribuição ao estudo da determinação da BE5o de venenos botrópicos inoculados por via
venosa em camundongos — Mus m-usculus Linnaeus, 1758. I — Fenômenos que ocorrem na
tentativa de determinação da DE50.
J/em. Inst. Butantun, SI: 99-107, 1973.
plicar as variações de sensibilidade animal, fator ao qual atribuía valor ex¬
clusivo na gênese dos resultados que obtinha.
Parece, pois, comprovado que mesmo que se eleve o número de animais
em cada dose, o que será pouco prático para os trabalhos usuais, a avaliação
da toxicidade dos venenos botrópicos por via venosa no camundongo continua
ainda problema complexo; as anomalias desconcertantes que se obtêm entoe
dose e resposta tem sido até agora atribuídas exclusivamente a variações de
resistência individual por numerosos fatores, alguns quase imponderáveis.
No entanto, analisando os resultados das Tabelas I, II e III, que nada
mais são do que uma demonstração numérica de fenômeno já anteriormente
descrito por outros autores, chamou-nos a atenção um fato ainda não descrito;
quando se trabalha com doses não muito elevadas de um dado veneno botró-
pico, por via venosa no camundongo, o número de animais mortos em 10
minutos a 60 minutos não varia mais com o prolongamento do tempo de ob¬
servação; não se pode aparentemente detectar intoxicação tardia com essas
doses do veneno; por outro lado, parece que os animais escapos à morte
imediata com doses relativamente maiores de veneno, podem vir a morrer
ou não, mais tardiamente. Doses maiores ainda, provocam a morte imediata de
todos os animais. Tal observação nos leva a formular a seguinte hipótese: é
de conhecimento geral que os venenos botrópicos possuem enérgico fator (ou
fatores) coagulante; tal princípio encontra-se em dose variável segundo as
diferentes espécies de ofídios produtores de veneno além de variar também
em relação a amostras diferentes coletadas de indivíduos da mesma espécie.
Aquele fator, sabe-se hoje, atua diretamente sobre o fibrinogênio transfor-
mando-o em fibrina. Ora, na inoculação endovenosa do veneno, poderia haver a
formação de coágulos intravasculares; segundo o tamanho do coágulo for¬
mado (intensidade da ação coagulante) e, sobretudo, segundo a localização
dos coágulos que necessariamente não precisariam ser de grande volume,
poderia haver ou não morte do animal sem que a variação da resistência
individual assumisse papel preponderante nesse fato. Se assim fosse, as doses
menores de veneno poderiam provocar as mortes imediatas segundo distri¬
buição ao acaso, e os animais sobreviventes, não tendo chegado a receber
dose tóxica, não iriam alterar o número de mortes com o prolongamento da
observação. Por outro lado, os animais que, também por obra do acaso,
sobrevivessem às doses relativamente maiores de veneno, poderiam agora, em
função da dose e da resistência individual, vir a morrer ou não, através de
intoxicação real de manifestação mais tardia. Quando a dose de veneno fosse
mais elevada ainda, a ação coagulante seria mais intensa e, provocando coagu¬
lação intravascular maciça, provocaria sistematicamente a morte de todos os
animais inoculados, em tempo bastante curto, em geral dentro dos primeiros
dez minutos. Cada amostra de veneno poderia conter quantidade maior ou
menor desse fator coagulante; por essa razão, os níveis capazes de provocar
mortes imediatas, deveriam variar em cada veneno ensaiado.
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FURLANETTO, R. S. ; ROLIM ROSA, R. ; SILES V1LLARROEL, M. & SIRACUSA, Y. Q. —
Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botrôpicos inoculados por via
venosa eml camundongos — Mus musculus Linnaeus, 1758. 1 — Fenômenos que ocorrem na
tentativa de determinação da DL/50.
JJ Tem. Inst. Butantan, 37: 90-107, 1973.
CONCLUSÕES
1. Quando vários grupos de camundongos são inoculados por via venosa
com doses crescentes de veneno botrópico, as mortes consequentes não guar¬
dam proporcionalidade com a progressão das doses.
2. As mortes observadas tendem a ocorrer dentro dos dez primeiros
minutos após a inoculação (mortes imediatas).
3. Os animais que sobrevivem a morte imediata com doses relativa¬
mente baixas de veneno não mais vêm a sofrer morte tardia.
4. Os animais que sobrevivem a morte imediata com doses médias de
veneno poderão ou não vir a morrer tardiámente.
5. A ação coagulante dos venenos botrópicos poderá ser a responsável
pela ocorrência das mortes imediatas após a inoculação endovenosa, impedindo
uma seqüência coerente dc resultados que impossibilita o cálculo da DL50.
SUMMARY — The authors demonstra-
ted, by intravenous inoculation of in-
crea.sing doses of Bothrops venom in
mice, that the consequent deaths are
not proportional to the progression of
the doses, and tend to occur in the
first 10 minutes after inoculation
(immcdiate deaths), preventing the re-
producibility of the LD50. The animais
that survive immcdiate death With high
doses of venom may die later or not.
The authors consider the immcdiate
deaths to be a consequence of the in¬
travascular coagulation, which can
occur at random due to the coagulant
factor of such venoms, and that the
late deaths reveal the real toxic power.
UNITERMS — Bothrops venoms —
Coagulation factor of Bothrops venoms
— LD50 of Bothrops venoms.
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FURLANETTO. n. S. ; ROL1M ROSA, R.; SILES VILLARROEL, M. & SIRACUSA, Y. Q, —
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Russell’s viper). Zikken Igaku Zasshi, 25: 89, 1941.
Recebido para publicação em 15.VI. 73.
Aceito para publicação cm 15.VIII.73
107
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Mem. Inst. Butantan
57: 109-122, 1973
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA DETERMINAÇÃO DA DL50 DE
VENENOS BOTRÓPICOS INOCULADOS POR VIA VENOSA
EM CAMUNDONGOS — Mus musculus — Linnaeus, 175S
II. POSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO DA DL50 ATRAVÉS DA
INOCULAÇÃO PRÉVIA DE DOSES INFRA-LETAIS DO PRÓPRIO
VENENO. "
REYNALDO SCHWINDT FURLANETTO *
RAYMUNDO ROLIM ROSA**
MEDARDO SILES VILLARROEL ***
FLÃVIO ZELANTE****
RESUMO — Os autores demonstraram
que a inoculação de determinadas doses
infra-letais (D.P.) de veneno botrópico
por via venosa em camundongos leva
a uma incoagulabilidadc sangüinea cujo
ápice é atingido duas horas após. Os
animais assim tratados suportam ele¬
vadas doses do mesmo veneno sem que
ocorram fenômenos de mortes imedia¬
tas, atribuíveis a coagulação intravas¬
cular, permitindo a avaliação da DL50
do veneno, com satisfatória reproduti-
bilidade. A mesma tecnicologia permitiu
caracterizar outros dois mecanismos de
morte pela ação de elevadas doses do
veneno: “choque proteotóxico” ou ana-
filactóide e, intoxicação tardia indepen¬
dentemente dos dois primeiros meca¬
nismos.
UNITERMOS ■ — Veneno botrópico; de¬
terminação da DL50 do veneno botró¬
pico; incoagulabilidadc sangüinea pelo
veneno botrc-pico; mecanismos de mor¬
te pelo envenenamento botrópico.
INTRODUÇÃO
Em trabalho anterior (Furlanetto et al, 1973), confirmaram a impossibilida¬
de da utilização dc camundongos para a determinação da DL50 de venenos
botrópicos e formularam a hipótese de que as dificuldades inerentes encon¬
tradas estivessem ligadas a fatores inherentes ao próprio veneno e não fossem
devidas a diferenças de resistência individual do animal conforme acredita
Schottler (1951, 1954 e 1955). Comentando seus resultados destacaram com
* Kx-Chefo da Secç.io de Imunoterapia do Instituto Butantan. Atual Professor Catedrático
do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas
da U.S.P.
** I*irotor do Serviço de Imunologia do Instituto Butantan. Professor Assistente Doutor
do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas
da U.S.P.
*** FiX-Assistente do Setor de Soros Antipeç mhentos do Instituto Butantan. Professor
Assistente Doutor do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de
Ciências Biomédicas da U.S.P.
**** Professor Assistente Doutor do Departamento de Microbiologia e Imunologia do
Instituto de Ciências Biomédicas da U.S.P.
Kndereço para correspondência:
C.P. 4305, São Paulo, Brasil
109
cm
2 3
Z
5 6
11 12 13 14 15
FUUT.AXKTTO, R. S., ROÍAM ROSA, U., SILKS VIIM.ARROKL, M. & ZRLANTR, F. —
Contribuição ao estudo da determlnaçião da DL50 de venenos botrópicos inoculados por via
venosa em camundongos — Mus musrulus Linnaeus, 1758. II — Possibilidade de determinação
da Di.il 0 através da inoculação prévia de doses infra-letais do próprio veneno.
Man. Inst. Butantan, .17: 100-122, 1973.
grande ênfase um fenômeno que passara até então praticamente desapercebido
chamando a atenção para a ocorrência de mortes imediatas, geralmente dentro
de 10 minutos, quando o veneno c injetado por via venosa, podendo vitimar
até a totalidade dos animais com uma dada dose mas sem guardar evidente
correlação com as doses visinhas. Tal observação levou-os a formular a hipó¬
tese de que tais mortes imediatas fossem devidas ao poder coagulante dos
venenos botrópicos e conseqüentes a formação de coágulos intravasculares; se¬
gundo o tamanho do coágulo formado, e, sobretudo a localização desses
coágulos que necessariamente não precisariam ser de grande volume, poderia
haver ou não a morte do animal, sem que a variação da resistência individual
assumisse papel preponderante nesse fato.
Fontana (1781) parece ter sido o primeiro autor a classificar o efeito de
vários venenos sobre a coagulação sangüínea, tendo distinguido sob esse as¬
pecto dois grupos, um, de venenos coagulantes e outro, de venenos anticoagu-
lanles, conforme os gêneros ou espécies de serpentes de que provinham.
Após esses trabalhos uma série muito grande de observações contraditórias
apaiecem e Noc (1904), propos-se a esclarecer porque alguns autores clas¬
sificavam certos venenos como coagulantes, ao passo que outros classificavam
os mesmos venenos como anticoagulantes.
No Brasil, os primeiros pesquisadores que se ocuparam com o assunto
(Lacerda Filho 1877; Brazil e Pestana 1909), ou então, autores estrangeiros
trabalhando com os venenos de serpentes brasileiras, como Samartino (1917),
consideraram os venenos de Bothrops (na época-classificadas como Lacliesis)
como anticoagulantes “in vivo”.
Sem dúvida, foram os trabalhos de Houssay & Sordelli (1917/18) e de
Houssay, Sordelli & Negrete (1917/1918) que vieram lançar alguma luz sobre
o mecanismo da coagulação sangüínea “in vivo” e “in vitro” com venenos botró¬
picos. Tendo esses autores estudado a ação do veneno de numerosas espécies,
“in vitro”, sobre plasma oxalatado, classificaram os venenos em coagulantes e
incoagulantes segundo aquele teste; chamam ainda a atenção para que,
quando se falar em ação coagulante ou incoagulante de um veneno, deve-se
sempre declarar bem distintamente se a experiência é feita “in vivo” ou “in
vitro”, pois que, neste último caso, “atuariam os venenos por sua ação própria
sobre o sangue”, ao passo que no primeiro caso, “deve-se acrescentar sobre
essa ação, os processos reacionais do organismo vivo”. Referem ainda que:
Os venenos que são coagulantes “in vitro” produzem “in vivo” efeitos diferen¬
tes segundo a dose e a via de administração. Se a dose é alta e a absorção é
rápida (por exemplo: injeção venosa) produz-se a coagulação intravascular do
sangue em massa ou pardahnente, isto é, a mesma ação que “in vitro”. Porém
quando a dose não é tão alta, ou que é mais importante, a absorção mais lenta
(injeção sub-cutãnea), observa-se que após 2 1/2 a 10 minutos, o sangue se
torna incoagulável e permanece definitivamente líquido.
Houssay & Sordelli, loc. cit. demonstraram ainda que a capacidade coa¬
gulante “in vitro” dos venenos botrópicos, não atua por intermédio de uma
ativação da trombina, sobre a qual são inativos, mas sim por uma ação direta
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FURLANETTO, lí. S., ROLIM ROSA, R., SILES VILRARROEL, M. & ZEEANTE, F. —
Contribuição ao estudo da determinação da DE50 de venenos botrópicos inoculados por via
venosa em camundongos — Mus mnsrulus Linnaeus, 1758. II — Possibilidade de determinação
da DL.50 através da inoculação prévia de doses infra-letais do próprio veneno.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 109-122 1973.
sobre o fibrinogênio; demonstraram ainda que “in vitro”, atuando sobre o
fibrinogênio, os venenos botrópicos têm uma ação variável segundo a dose,
isto é, transformando-o em fibrina nas doses coagulantes, e destruindo-o pela
capacidade proteolítica em doses altas, exatamente aquelas que apresentam
atividade incoagulante “in vitro”.
Ainda Houssay & Sordelli (1920) trouxeram valioso subsídio ao esclareci¬
mento da atividade da fração coagulante dos venenos botrópicos “in vivo”, ao
estabelecerem com maior precisão, a seqüência de efeitos que se pode‘obter
no animal, na dependência da dose e da via de administração.
Arthus (1912) havia já mostrado que coelhos inoculados com venenos
botrópicos, por via sub-cutânea, suportavam horas depois, a inoculação endo¬
venosa de dose que provocariam a trombose maciça em animais normais.
Para Houssay & Sordelli loc. cit. a absorção lenta do veneno inoculado por via
sub-cutânea, provocaria a diminuição ou o desaparecimento do fibrinogênio
sangüíneo.
Vellard (1938), trabalhando com o veneno de Bothrops atrox da Vene¬
zuela, confirma os achados de Houssay et al (locs. cits.); chama a atenção
para o fato de que para o cão e o coelho o veneno por via venosa produz fase
extremamente curta de elevação da coagulabilidade sangüínea exatamente no
instante da injeção; logo após, o sangue torna-se incoagulável pelo desapare¬
cimento do fibrinogênio (no cão pudemos pelo estudo dos dados do autor cal¬
cular em cerca de 0,18 mg/Kg a dose produtora de tal efeito).
Rosenfeld et al (1958) titularam o fibrinogênio no envenenamento botró-
pico experimental em cães e também, pela primeira vez na literatura, em casos
humanos de picadas acidentais; em todos os casos, no cão e no homem, havia
uma incoagulabilidade sangüínea e, simultaneamente, grande decréscimo dos
valores do fibrinogênio. Na fase experimental, em cães, 0,2 mg/Kg de veneno
de Bothrops jararaca constituiu a dose encontrada para se obter a “eliminação
experimental do fibrinogênio”.
O conhecimento do fato de se obter a incoagulabilidade sangüínea “in
vivo” com pequenas doses de venenos coagulantes é de suma importância para
o nosso trabalho atual, pois que poderíamos determinar as condições em que
o fenômeno pudesse ser obtido no camundongo e nos utilizaríamos dele como
artifício para a determinação da DL50 a fim .de confirmar a nossa hipóteses,
preliminar (Furlanetto et al, 1973).
Tais considerações levaram-nos, pois, à suposição de cpie deveria ser pos¬
sível o encontro de dose de veneno botrópieo capaz de, quando injetado por
ui a venosa em todos os camundongos de um lote a ser ensaiado, produzir efeito
protetor contra as mortes imediatas por doses mais elevadas de veneno, inje¬
tadas numa segunda fase.
A dose prévia procurada, segundo essa concepção, deveria não apenas
ser capaz de suprimir a coagulabilidade sangüínea, supostamente a principal
causa de morte imediata, como também, obviamente, ser razoavelmente tole¬
rada pelo camundongo.
Para abordar esse problema deveríamos determinar, inicialmente, o tem¬
po normal de coagulação sangüínea na linhagem de camundongos mantida pelo
ui
cm
SciELO
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Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botrópic.os inoculados por via
venosa em camundongos — Mus musculus Linnaeus, 1 758. II — Possibilidade de determinação
da DL50 através da inoculação prévia de doses infra-letals do próprio veneno.
Mon. Inst. Butantan, J 7: 109-122 1973.
Instituto Butantan. Isto feito, poderíamos injetar doses variáveis de um veneno
altamente coagulante, a fim de procurar aquela epie, não causando morte, tor¬
nasse o sangue incoagulável.
Encontrada essa dose preparatória, o problema seguinte seria o de veri¬
ficar sua aplicabilidade ao problema da determinação da DL50 a fim de reve¬
lar outros fatores tóxicos do veneno. Siles Villarroel et al (1973) mostraram a
ocorrência de 9 a 15 componentes eletroforéticos nos venenos de várias
espécies de Bothrops.
MATERIAL E MÉTODOS
Venenos utilizados:
Os venenos com os quais trabalhamos bem como seu método de con¬
servação e utilização foram aqueles descritos em trabalho anterior (Furlanetto
et al, 1973).
Veneno de Bothrops moojeni: B. moojeni (F)
No desenvolvimento deste trabalho suigiu a conveniência de se eleger
pela potência coagulante um veneno botrópico, para ser utilizado em repetidos
ensaios. A seleção recaiu em determinada amostra de veneno de B. moojeni
cuja Dose Mínima Coagulante (D.M.C.) era de 0,4 pg. Com esse veneno foi
então preparada uma solução contendo 400 pg/ml que depois de distribuída
em “flaconetes” que foram hermeticamente fechados, foi conservada no con¬
gelador a -25°C. Esse material passou a ser designado como veneno de
B. moojeni (F). No momento do uso era descongelado um “flaconete” sob
água corrente e então preparadas as diluições necessárias em solução fisioló¬
gica (0,85% de NaCl); os eventuais excedentes eram desprezados.
A n i m a i s
Foram utilizados camundongos de 18 a 22g, sem distinção de sexo, todos
provenientes do Biotério Geral do Instituto Butantan; as inoculações eram
feitas por via venosa.
Determinação da Dose Mínima Coagulante (D. M. C.) ou Unidade Coagulante
(17. C.)
A Dose Mínima Coagulante é uma unidade r.rbiirária por nós introduzida
para ponto de referência de atividade coagulante. quer de venenos, quer de
produtos coagulantes deles derivados. O esquema técnico foi tomado de Hous-
say et al (1917/1918); essa unidade pode ser assim conceituada: chamamos
D.M.C. ou U.C. a quantidade de veneno d : ssolvido depois de seco que, no
volume de 0,2 ml é capaz de promover a coagulação, entre 8 a 10 minutos e a
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Contribuição ao estudo ela determinação ela DL50 ele venenos botrópicos inoculados por via
venosa em camundongos — Mns miiscnlus binnaeus, 1758. IT — Possibilidade de determinação
ela DL50 através da inoculação prévia de doses infra-letais do próprio veneno.
Ifewi, Inst. Butantan , 37: 109-122 1973.
37°C, de 1,0 ml de plasma normal de cavalo, adicionado de 2%o de oxalato de
potássio (o plasma deve ser colhido no dia do ensaio).
O teste para essa determinação era conduzido em tubos de ensaio de
14 mm X 14 cm, imersos em banho-maria a 37°C e considerava-se o plasma
coagulado quando se formava bloco de fibrlna capaz de escorregar pela pa¬
rede do tubo quando este era inclinado.
Determinação cia Dose Mínima Mortal (D.M.M.)
A expressão D.M.M. convenciona-se como dose “certamente” letal para o
pombo de 280 a 320 g, por inoculação endovenosa segundo o método de
Vital Brazil (1907).
Determinação cio tempo cie coagulação cio sangue dc camundongos
Com tesoura bem afiada, cortava-se de golpe, cerca de 1,5 a 2,0 cm da
extremidade da cauda; sem espremer, colhia-se a gota de sangue que fluía
normalmente, sobre lâmina quimicamente limpa e iniciava-se a contagem do
tempo pondo-se a funcionar um cronômetro. Decorrido o tempo de 1,0, 1,5 e 2,0
minutos e, a seguir, cada 15 segundos, praticava-se o teste de coagulação da
gota de sangue. Tal teste era feito com o biséu de agulha hipodérmica bem
fina: procurava-se levantar cuidadosamente parte da gota; quando aparecesse
um nítido fio de fibrina ligando a gota ao bisél da agulha, considerava-se o
sangue coagulado e marcava-se o tempo.
Outras determinações
Sempre epie trabalhávamos com outro material, as técnicas utilizadas fo¬
ram rigorosamente aquelas citadas pelos autores respectivos e cuja referência
se encontra no texto.
Em dadas experimentações onde eram introduzidas pequenas alterações
técnicas, estas constam de anotações em separado.
RESULTADOS
Para a seqüéncia experimental havia a necessidade da determinação prévia
do tempo de coagulação do sangue de camundongos normais e também da¬
queles que recebessem uma dose sub-letal do veneno em questão. Para isso
tomaram-se 190 camundongos normais de 18 a 22 g de peso, os quais foram
separados ao acaso em 19 lotes.
Um desses lotes constituiu o testemunho, isto é, serviu para determinação
do tempo médio normal de coagulação »angüínea.
Os 18 lotes restantes foram submetidos a inoculações endovenosas com o
veneno de B. moojeni (F), cujas especificações se encontram no capítulo
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FURLANETTO, R. S., ROLIM ROSA, R., SILES VILLARROEL, M. & ZELANTE, F. —
Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botrópicos inoculados por via
venosa em camundongos — Mus musoulns Linnaeus, 1758. II — Possibilidade de determinação
cia DL50 através da inoculação prévia de doses infra-letais do próprio veneno.
Meni. Inst. Butantan, 37: 109-122 1973.
Material e Métodos. Esses lotes foram assim destinados: seis deles, para ino¬
culação com 1 pg de veneno; outros seis lotes com 2 pg e os restantes, com
4 Hg.
Para dada uma dessas doses de veneno havia, portanto, seis lotes de 10
animais, permitindo a determinação do tempo de coagulação em seis tempos
diferentes, a contar do momento da inoculação. Na Tabela I estão sumariados
os resultados, que representam valores médios do tempo de coagulação em
cada um dos lotes.
TABELA I
Determinação do tempo de coagulação do sangue de camundongos normais e procura
da dose de veneno que inoculada por via venosa determinasse a incoagulabilidade.
Cada dose estaca contida em 0.5 ml e era inoculada por via venosa em animais de
18 a 22 g. Veneno de B. moojeni (F).
Dose de
veneno
em |ig
Tempo, em minu¬
tos, decorrido
após aplicação
do veneno
Média * do tempo
de coagulação cm
minutos
Observações
0
0
150
Lote testemunha
5
1,40
15
1,30
30
2,20
1,0
60
2,15
120
2,20
240
1,50
5
1,30
15
3,30
30
3,15
60
5,15
Dois animais com sangue
não coagulável **
2,0
120
4,10
Oito animais com sangue
não coagulável **
240
2,25
5
Tempo de coagulação não
15
determinado neste lote, vis-
30
to terem ocorrido 20% de
4,0
60
mortes imediatas.
120
240
* Media computada apenas entre os animais em que o sangue permanecia coagu-
lável.
** O tempo de observação se extendia até o início de dessecação do material, o quo
ocorria geralmente ao redor de 10 minutos.
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FUKLANETTO, R. S., ROLIM ROSA, R., SILES VILLARROEL, M. & ZELANTE, F. —
Contribuição ao estudo cia determinação da DL50 de venenos botrópicos inoculados por via,
venosa em camundongos — Mus musciilus Linnaeus, 1758. II — Possibilidade de determinação
da DL50 através da inoculação prévia de doses infra-letais do próprio veneno.
Mem. Iiist. Butantan, 37: 109-122 1973.
O exame da Tabela I demonstra que a dose de 4pg é excessiva, uma vez
que produziu cerca de 20% dc mortes imediatas.
No que diz respeito à dose de 2 [tg, já a partir de 15 minutos após a
inoculação, observa-se elevação do tempo de coagulação, que atingiu valor
máximo no lote testado duas horas após a inoculação do veneno, quando oito
dos dez animais inoculados permaneceram mais de 10 minutos com sangue
incoagulável; quatro horas após a inoculação observou-se nítida tendência de
volta ao tempo normal de coagulação. É de se notar ainda a não ocorrência de
mortes com esta dose.
Finalmente, em relação a dose de 1 jig observou-se ligeiro aumento do
tempo de coagulação desde meia até duas horas após a inoculação; não se
registraram mortes.
Os dados apresentados (Tabela I) indicam, pois, que a dose procurada
encontra-se entre 2 e 4 |ig, uma vez que esta última dose levou alguns animais
à morte e que com a primeira, nas observações feitas uma e duas horas após a
inoculação, muitas amostras de sangue secavam sem coagular.
O fato de que determinada dose do veneno B. moojeni (F), produzia a
incoagulabilidade do sangue de camundongos e não tivesse provocado mortes
imediatas ou tardias levou-nos a ensaiá-la experimentalmente como dose prepa¬
ratória (D. P.), isto é, dose que, causando fase de incoagulabilidade sangüínea
temporária, pudesse eventualmente proteger camundongos de mortes imediatas,
frente a elevadas doses do mesmo veneno. Por essa razão, 2 pg de veneno
B. moojeni (F), foi ensaiada por via venosa na experiência constante da Ta¬
bela II, e duas horas após, tempo no qual o lote de camundongos assim trata¬
dos deveria estar em fase de incoagulabilidade sangüínea, foram aplicadas
doses de veneno capazes de provocar a morte imediata de animais não
tratados.
TABELA II
Determinação da zona de toxicidade do veneno de B. moojeni em animais tratados
com a dose preparatória prévia (D.P.) duas horas antes da inoculação das doses
tóxicas. Cada dose estava contida em 0.5 ml e era inoculada por via venosa em
camundongos de 18 a 22 g. Como D. P. foram usados 2\\.g do próprio veneno de
B. moojeni (F).
Animais
normais
— sem
D.P
Animais tratados
— com D.P.
Dose de ve¬
neno em «i£?
Tempo de observação
Tempo de observação
lOmin.
60min.
241i
48h
lOmin.
60min.
24h
48h
5
3/10
6/10
6/10
6/10
0/10
0/10
0/10
0/10
10
8/10
8/10
8/10
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0/10
0/10
0/10
0/10
20
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—
—
0/10
0/10
0/10
0/10
40
9/10
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—
—
0/10
0/10
0/10
0/10
80
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—
—
—
0/10
0/10
0/10
0/10
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FURL.ANETTO, R. S., ROJAM ROSA, U., SILES VILLARRCEL, M. & ZELANTE, P. —
Contribuição ao esturlo da determinação da DL50 de venenos botrõpicDS inoculados por via
venosa em camundongos — Mus musculus Linnaeus, 1 758. II — Possibilidade de determinação
da DL50 através da. inoculação prévia de doses infra-letais do próprio veneno.
Alem. Inst. BuUintan, 87 ' 100-1 22 1073.
TABELA III
Determinação da DL5fí pelos limites de doses fornecidos pelo experimento constante
da Tabela II com D.P. do mesmo veneno de B. moojoni aplicado 2 hroas antes da
inoculação das doses tóxicas.
Animas normais — sem D.P.
Animais
tratados
— com
D.P.
Dose de ve¬
neno em jig
Tempo de observação
Tempo de observação
lOmin. GOmin. 24h 48h
lOmin.
60min.
24h
48h
80,0
10/10
0/10
0/10
1/10
1/10
89,6
10/10
0/10
1/10
3/10
3/10
100,8
10/10
0/10
2/10
4/10
4/10
112,8
n.i. *
0/10
1/10
7/10
7/10
126,4
n.i.
0/10
4/10
7/10
7/10
142,4
n.i.
2/10
5/10
10/10
—
160,0
n.i.
4/10
9/10
10/10
—
* n.i. — não inoculado por ser consi- DL50 = 104 iig em 24 horas (calculada
derado desnecessário. pelo método de Reed & Müench, 1938).
TABELA IV
Determinação da DL50 do veneno de B. moojeni pelos limi¬
tes das doses fornecidos pelos experimentos constantes
da Tabela II com D.P. do mesmo veneno de B. moojeni
aplicado >t horas antes da inoculação das doses tóxicas.
Dose de ve-
Tempo de
observação
neno em jxg
lOmin.
60min.
24h
48h
80,0
1/10
1/10
4/10
4/10
89,6
2/10
2/10
4/10
4/10
100,8
1/10
5/10
6/10
6/10
112,8
2/10
7/10
8/10
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126„4
1/10
4/10
8/10
8/10
142,4
2/10
8/10
8/10
8/10
160,0
5/10
9/10
10/10
—
DL50 em 24 horas = 97u.g.
Todo método de avaliação de atividade deve, como condição fundamental,
fornecer resultados coerentes em ensaios repetidos. Por essa razão, resolvemos
repetir o ensaio da Tabela III em dias diferentes; tivemos o cuidado de partir
sempre da mesma solução de veneno de B. moojeni (F) (400 pg/ml) guardada
no congelador em vários “flaconetes”, sendo sempre descongelado um, no dia
do ensaio.
116
], | SciELO
FURLANETTO, R. S., ROLEM ROSA, R„ SILES VILLARROEL, M. & ZELANTE, F. —
Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botrópicos inoculados por via
venosa em camundongos — Mus muscnlut> Linnaeus, 1758. II — Possibilidade de determinação
da DL50 através da inoculação prévia de doses infra-letais do próprio veneno.
Mcm. Tnst. Butantan, 37: 109-122 1973.
TABELA V
Repetição da determinação da DL50 pelos limites de doses
fornecidos pelo experimento constante da Tabela II com
D. P. do próprio veneno de B. moojeni (2 ng) aplicado
duas horas antes da inoculação das doses tóxicas. Ensaio
repetido cerca de um mês após.
Dose de ve-
Tempo de
observação
neno em jig
lOmin.
60min.
24h
48h
80,0
0/10
0/10
1/10
1/10
89,6
0/10
1/10
2/10
2/10
100,8
0/10
2/10
6/10
6/10
112,8
0/10
3/10
9/10
9/10
126,4
0/10
1/10
7/10
7/10
142,4
1/10
3/10
9/10
10/10
160,0
3/10
5/10
10/10
—
DL50 1 =
100,8 jig em 24
horas.
TABELA VI
Repetição da
veneno de B.
determinação da DL50 com D. P. do próprio
moojeni (2 \ig) aplicado duas horas antes da
inoculação das doses tóxicas. Ensaio realizado cerca de 60
dias após a realização do ensaio constante da Tabela III.
Dose de
veneno
Tempo de
observação
em |tg
lOmin.
60min.
24 h
48h
80,0
0/7
1/7
2/7
2/7
89,6
0/7
1/7
2/7
2/7
100,8
0/7
1/7
2/7
2/7
112,8
0/7
0/7
2/7
2/7
126,4
1/7
3/7
7/7
—
142,4
0/7
3/7
7/7
—
160,0
4/7
5/7
7/7
—
DL50
= 107,05
[lg em 24 horas
DISCUSSÃO
Os ensaios constantes das Tabelas II, III, V e VI mostram flagrante des¬
locamento dos níveis letais para Valores muito mais altos nos animais tratados
com D.P. Poderiamos estimar a DL50 nos animais normais como sendo pró¬
xima de 5 |ig, enquanto que nos animais tratados oscilou entre os valores de
104, 100 e 107 |.tg, Tendo-se em mente que os tres ensaios foram feitos em
datas diferentes, é evidente a coerência entre elas.
117
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FURRANETTO, R. S., RO RIM ROSA, R., SIRES VIRRARROER, M. & ZERANTE, F. —
Contribuição ao estudo da determinação da DR50 de venenos botrópicos inoculados por via
venosa em camundongos — Mus rmisculus Rinnaeus, 1758. II — Possibilidade de determinação
da DR50 através da inoculação prévia de doses iníra-letaia do próprio veneno.
Mcm. Inst. Butantan, 37 : 109-122 1973.
As mortes imediatas, consistentemente observadas nos lotes sem D.P., com
todas as doses de veneno, desapareceram nos animais com D.P., para reapa¬
recerem somente com doses de veneno muito elevadas e muito acima da DL50
calculada. Ademais, pela análise das Tabelas III, V e VI verifica-se nítida
elevação do número de mortes, em função do prolongamento do tempo de
observação, nos animais tratados com D. P.
A Tabela IV sugere que o efeito da D.P. tenha diminuído após quatro
horas, coerentemente com os dados constantes da Tabela I, pois reapareceram
as mortes imediatas.
Não há dúvida, pois, que uma única dose adequada de veneno, aplicada
duas horas antes, pode proteger contra morte imediata por doses de veneno
capazes de matar todos os animais não tratados, e, possibilita o cálculo da
DL50 com consistente reprodutibilidade.
Se admitirmos que as mortes dos animais normais, observáveis nos 10
minutos seguintes à inoculação de pequenas doses de veneno, ocorrerem por
conta da formação de microcoágulos, parece evidente que este mecanismo de
morte é prevenido pela D.P.
Quando o intervalo entre a D.P. e a aplicação das doses tóxicas foi de
quatro horas (Tabela IV) a D.P. já não forneceu a mesma proteção o que
pode ser interpretado como conseqüência da tendência do tempo de coagu¬
lação voltar a se normalizar conforme demonstra os dados constantes da
Tabela I.
Particular menção deve ser feita às mortes imediatas em 10 minutos que
podem ocorrer nos animais tratados com D.P. após a inoculação de doses
muito elevadas de veneno, maiores que 142 |ig (Tabelas III, V e VI). Especial
atenção merece também o registro do fato que, a partir de doses não tão
elevadas de veneno (89,6 |tg), aparecem mortes em 60 minutos. Ora, as mortes
com elevadas doses de veneno quer em 10 minutos quer em 60 minutos, não
mais parecem ser atribuíveis à coagulação intravascular. Realmente, como de¬
monstrou Rosenfeld et al (1958) o sangue, tornado incoagulável por inoculação
de veneno botrópico por via venosa, leva mais de quatro horas para recuperar a
coagulabilidade. Tal resultado parece ser confirmado pelos dados constantes
da Tabela I. Parece, pois, que a D.P. permite evidenciar, nesta altura, dois
mecanismos de morte do animal:
1. °) animais não tratados que morrem provavelmente por coagulação in¬
travascular que seria evitável pela D.P.;
2. °) animais que receberam a D.P. e ficaram, portanto, pela íncoa-
gulabilidade sangüínea protegidos contra aquele primeiro mecanis¬
mo de morte, mas não ficaram protegidos contra o segundo me¬
canismo de morte rápida que se verifica com altas doses de veneno
e somente evidenciável de modo nítido por intermédio da D.P.
Tal concepção encontra apoio nos trabalhos de Arthus (1913) que, tendo
imunizado coelhos contra o fator coagulante de alguns venenos, verificou que
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FURRANETTO. R. S., ROLiIM ROSA, R., S1LES VILLARROEL, M. & ZELANTE, F. —
Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botrópicos inoculados por via
venosa em camundongos — .1 Ins muatfulua Rinnaeus, 175S. II - — Possibilidade de determinação
da DL50 através da inoculação prévia de doses infra-letais do próprio veneno.
Mem. inst. Butantan, 37 : 109-122, 1973.
animais assim tratados, quando inoculados por via venosa com altas doses de
veneno, não sofriam coagulação intravascular maciça mas sim um choque,
denominado pelo autor de ‘‘choque proteotóxico”; este se caracterizava, es¬
sencialmente, pela queda abrupta da pressão arterial, taquipnéia e morte; tal
fenomenologia foi atribuída a uma substância incoagulante que seria liberada
pela ação do veneno sobre o fígado.
A evidência de que os animais que recebem veneno botrópico por via
venosa podem sofrer choque tipo anatilaetóide, por liberação de várias subs¬
tâncias farmacologicamente ativas, tem sido mencionada insistentemente na li¬
teratura. Assim, Houssay et al (1922), trabalhando com os venenos botrópicos
por via venosa em cães e utilizando doses incapazes de produzir morte imedia¬
ta, observaram forte abaixamento da pressão arterial, acompanhada de taquip¬
néia, que chamaram também de “choque proteotóxico”. Vellard et al (1941)
reestudaram o assunto e, no coelho, obtiveram com doses apropriadas de
veneno de Botkrops atrox (hoje classificada como B. moojeni ) um choque
caracterizado por queda brusca da pressão arterial, taquipnéia, coma e con¬
gestão pulmonar e intestinal; tais fenômenos poderiam provocar a morte do
animal ou então desaparecer rápida e completamente.
Schottler (1955/1956) descreveu também um choque no camundongo com
“altas doses” de veneno botrópico; esse choque poderia provocar a morte
em “poucos minutos” ou produzir um “coma profundo” que também poderia
levar à morte, ou então permitir a recuperação total dos animais.
Tais choques anafilactóides são normalmente interpretados pela liberação
de substâncias farmacologicamente ativas pelos enzimas do veneno (Feldberg
& Kcllaway, 1937 e 1938; Zeller, 1948; Rocha e Silva, Beraldo & Rosenfeld,
1949; Essex & Markowitz, 1930; Werle, Kehl e Koebke, 1950).
Os resultados por nós obtidos, relacionados aos dados da literatura men¬
cionados, levaram-nos a admitir que a D.P. protege contra a morte imediata
por coagulação intravascular, mas não protege contra a morte pelo “choque
proteotóxico”, de Arthus, de Houssay e outros. Com altas doses de veneno,
pode-se mesmo obter o segundo mecanismo de morte “choque anafilactóide”
ou “proteotóxico” com maior evidência, evitando-se o primeiro mecanismo
através da D.P. Os animais que não sucumbem ao choque anafilactóide po¬
derão apresentar intoxicação tardia (24 horas), como terceiro mecanismo de
morte.
Para o objetivo precípuo deste trabalho, isto é, o encontro de um método
prático para avaliar a DL50 de venenos botrópicos, o segundo mecanismo de
morte não influencia substancialmente os resultados, pois ocorre de modo mais
frequente somente com doses de veneno mais elevadas do que a DL50 cal¬
culada (Tabelas III, V e VI).
CONCLUSÕES
1. A inoculação de doses relativamente pequenas de veneno de B.
moojeni, por vía venosa em camundongos, provocam mortes dentro de 10
minutos (mortes imediatas), sendo impossível avaliar sua DL50.
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FLTIILANÊTTO, n. S„ HOMXr ROSA, n„ SII.ICS VILLAUROEL, M. & ZELANTÊ, F. —
Contribuição ao estudo da determinação da JJL50 de venenos botrópicos inoculados por via
venosa em camundongos — Mtts mnscrlus Linnaeus, 17."»S. II — Possibilidade de determinação
da DL50 atravós da inoculação prOvia de doses infra-letais do próprio veneno.
Mem. Inst. Ilulantan, 37: 109-122 1973.
2. A inoculação por via venosa em camundongos de determinadas doses
infra-letais (D.P.) de veneno de B. moojeni, leva a uma incoagulabilidade
sangüínea que atinge o seu máximo efeito duas horas após. A partir desse tempo,
parece haver uma tendência à normalização do tempo de coagulação.
3. Camundongos tratados com a D.P. do próprio veneno suportam duas
horas após, elevadas doses do mesmo veneno sem que ocorram fenômenos
de “mortes imediatas”, o que sugere que estas mortes imediatas ocorram por
coagulação intravascular.
4. Doses preparatórias de veneno (D.P.) capazes de proteger os camun¬
dongos contra as mortes imediatas (dentro de dez minutos) conseqüentes a
inoculação endovenosa de outras doses maiores, tem esse poder correlacionado
com o aumento do tempo de coagulação ou com a fase de incoagulabilidade
sangüínea por elas provocadas.
5. Camundongos tratados com D.P. inoculados com doses maciças do
mesmo veneno, acima dos valores da DL50, podem sucumbir em 10 minutos o
que leva a pressupor que neste caso, tais mortes ocorram por um mecanismo
diferente da coagulação intravascular, tratando-se possivelmente de um “cho¬
que proteotóxico” ou “anafilactóide”.
6. Os animais escapos da morte imediata através da proteção conferida
pela D.P. e que sobrevivam também ao “choque proteotóxico”, ao receberem
elevadas doses de veneno, poderão apresentar intoxicação tardia (24 horas)
como terceiro mecanismo de morte pelo veneno botrópico.
7. Doses escalonadas de veneno de B. moojeni, inoculadas em camun¬
dongos previamente tratados com D.P. do mesmo veneno, permitem avaliar
com reprodutibilidade altamente satisfatória sua DL50.
SUMMARY — The authors demonstrat-
ed that tho inoculation of determinate
sublcthal doses (P.D ) of Bothrops ve-
nom by intravenous route in mice
brings tho blood to a non-coagulation
whosc apex is reached two hours latcr.
Animais troatod in this way tolerate
high doses of the sanie venom without
the occurrcnce of immediate death
attributable to intravascular coagula-
t.ion. This permits the estimation of
the LD50 of the venom, in condition of
satisfactory reproduebility. The same
technology has allowed the characteri-
zation of two other death mechanisms
due to the action of high doses of ve¬
nom: “proteotoxic shock” or anaphy-
lactoid, and delayed intoxication, indo-
pendently of the two first mechanisms.
VNITERMS — Bothrops venom; LD50
determination of Bothrops venom;
blood non-coagulation by Bothrops ve¬
nom; death mechanisms duo to the ac¬
tion of Bothrops venom.
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FURLANETTO, R. S., ROÍAM ROSA, R., SILES VILLARROEL, M. & ZELANTH, P. —
Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botrõpicos inoculados por via
venosa em camundongos — Mus musculus Linnaeus, 1758. II — Possibilidade de determinação
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Recebido para publicação em 15.VI.73.
Aceito para publicação em 15. VIII. 73.
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1, | SciELO
Mem. Irist. Butantar
S7: 123-123, 1973
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA DETERMINAÇÃO DA DL50 DE
VENENOS BOTRÓPICOS INOCULADOS POR VIA VENOSA EM
CAMUNDONGOS — Mus mmculus Linnaeus, 1758.
III. POSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO DA DL50, ATRAVÉS DA
PROTEÇÃO CRUZADA CONFERIDA POR DOSES INFRA-LETAIS
DE OUTROS VENENOS DE SERPENTES DO MESMO GÊNERO.
REYNALDO SCHWINDT FURLANETTO *
RAYMUNDO ROLIM ROSA **
MEDARDO SILES VILLARROEL,»**
JOSÉ NAVAS****
RESUMO — Os autores demonstraram traram duas possibilidades: a) eleger-se
que doses infra-letais de um veneno bo- um veneno altamente coagulante como
trópico pode prevenir a ocorrência de padrão para obter o efeito de dose pre-
mortes imediatas dos animais, quando paratória (D. P.); b) para os venenos
da inoculação duas horas após, de do- das espécies de Bothrops mencionadas
ses maciças de veneno de serpentes do pode obtcr-se o mesmo efeito com 2 |ig
mesmo gênero, porém, de espécies dife- do próprio veneno.
rentes ( B. moojeni, B. jararaca e B.
neuwiedi ), possibilitando a determina- UNITERMOS — Veneno botrópico;
ção da DL50 de um deles mediante dose DL50 de venenos botrópicos; proteção
preparatória (D.P.) de outro. Demons- cruzada com venenos botrópicos.
INTRODUÇÃO
A inoculação intravenosa de doses infra-letais de veneno botrópico em
camundongos, torna estes animais extraordinariamente resistentes à inoculação,
duas horas após, de elevadas doses do próprio veneno sem ocorrer as “mortes
imediatas” (em 10 min.). As doses prévias (D. P.), acima referidas, levam a
uma incoagulabilidade sangüínea que atinge o seu máximo efeito cerca de
duas horas após a inoculação (Furlanetto et al 1973b). Nesse trabalho foi de¬
monstrado que 2 (jtg de veneno de B. moojeni aplicado duas horas antes de
elevadas doses escalonadas do mesmo veneno, permite avaliar com reproduti-
* Ex-Chefe da Secção de Imunoterapia do Instituto Butantan. Atual Professor Catedrático
do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas
da U.S.P.
*■* Diretor do Serviço de Imunologia do Instituto Butantan. Professor Assistente Doutor
do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas
da U.S.P.
*** Ex-Assistente do Setor de Soros Antipeçonhentos do Instituto Butantan. Professor
Assistente Doutor do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de
Ciências Biomédicas da U.S.P.
**** Encarregado do Setor de Imunização do Instituto Butantan.
Endereço para correspondência:
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FURLANETTO, R. S., ROLIM ROSA, R., SUJES VILLARROEL, M. & NAVAS, J. —
Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botrôpicos inoculados por via
venosa em camundongos — Mus musculus Rinnaeus, 3 75 8. III — Possibilidade de determinação
da DL*50, através da proteção cruzada conferida por doses intra-letals de outros venenos de
serpentes do mesmo gênero.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 123-129, 1973.
bilidade satisfatória sua DL50. As doses infra-letais provocariam a destruição
do fibrinogênio devido ao próprio “fator ou fatores coagulantes” do veneno em
questão (Furlanetto 1965 e Furlanetto et al 1973b).
Se partíssimos agora da hipótese segundo a qual a fração coagulante dos
diferentes venenos botrôpicos teria natureza idêntica ou semelhante, variando
mais quantitativa do que qualitativamente entre as espécies, o ensaio cruzado
de D.P. de veneno de uma espécie de Bothrops poderia ser utilizada para o
cálculo da DL50 de outro veneno do mesmo gênero.
MATERIAL E MÉTODOS
V eneno s
Os venenos com os quais trabalhamos, bem como seu método de conser¬
vação e utilização foram aqueles descritos por Furlanetto et al (1973a).
A n i m a i s
Trabalhamos com camundongos de 18 a 22g, sem distinção de sexo, todos
provenientes do Biotério Geral do Instituto Butantan; as inoculações eram
sempre feitas por via venosa.
Outras especificações
Sempre que trabalhávamos com outro material, as técnicas utilizadas fo¬
ram rigorosamente aquelas citadas pelos autores respectivos e cuja referência
se encontra no texto. O veneno aqui citado como de B. moojeni (F) é o
mesmo referido em trabalho anterior (Furlanetto et al 1973b).
RESULTADOS
Usando D.P. do veneno B. moojeni (F) e D.P. de um veneno de Bothrops
jararaca ensaiamos a determinação da DL,50 deste último. As características
experimentais encontram-se sumariadas na Tabela I.
Empregamos veneno de Bothrops jararaca com D.M.M. = 30 |ig (Método
de Vital Brazil, 1909). Foi feita uma solução contendo 400 [ig/ml distribuída
em “flaconetes” e mantida no congelador a -25°C. No momento do uso era des¬
congelado sob água corrente um “flaconete” e o material excedente não era
aproveitado, tudo como para o veneno B. moojeni (F).
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FURLANETTO, R. S., KOLIM ROSA, li., SILES VILLAKROEL, M. & NAVAS, J. —
Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botrópicos inoculados por via
venosa em camundongos — Mus musculus Linnaeus, 1758. III — Possibilidade de determinação
da DL50, através da proteção cruzada conferida por doses intra-letais de outros venenos de
serpentes do mesmo gênero.
Mem. Inst. Butantan, 37: 123-129, 1973.
A análise dos valores expressos pela Tabela I demonstra qne a D.P. com
veneno de Bothrops moojeni, atuou de modo semelhante à D.P. do próprio
veneno do Bothrops jararaca. Em ambos os protocolos b e c desapareceram as
mortes imediatas que ocorrem indiscriminadamente nos animais sem D.P. já
anteriormente assinaladas por Furlanetto et al (1973a). Aparecem nitidamente
as mortes tardias em 24 horas com as maiores doses de veneno, e o resultado
com 48 horas praticamente não se altera; a DL50 nos dois protocolos, é muito
semelhante.
Embora se saiba que o veneno de B. jararaca é de menor potência coa-
gulante que o de B. moojeni (Rosenfeld et al 1959), utilizamos arbitraria¬
mente para aquele o mesmo valor de D.P., determinado experimentalmente
para este (Furlanetto et al, 1973b), com resultados práticos idênticos.
A seguir decidimos verificar a possibilidade de proteção cruzada entre o
veneno de outras espécies diferentes. Usando D.P. do veneno B. moojeni (F),
D.P. do de Bothrops jararaca e D.P. do de Bothrops neuwiedi, ensaiamos
a determinação da DL50 deste último veneno. As características experimentais
foram semelhantes aos da Tabela I e os resultados encontram-se sumariados
na Tabela II.
DISCUSSÃO
A análise dos resultados evidencia a possibilidade de emprego de D.P.
de um veneno botrópico altamente coagulante (B. moojeni) para o cálculo da
DL50 de outros venenos de serpentes do mesmo gênero.
É bem de ver-se, na realidade, que se houvesse necessidade de procurar
um efeito de D.P. de cada veneno, com os ensaios necessários relativos aos
tempos de coagulação, conforme feito em trabalho anterior (Furlanetto et al,
1973b), a aplicação do método seria laboriosa e conseqüentemente este teria
menor generalização.
Nesse sentido, caso a D.P. de um veneno permitisse o cálculo da DL50
do outro, poder-se-ia eleger um veneno padrão, decorrendo daí facilitação tec¬
nológica altamente desejável.
Se fosse possível simplificar mais ainda a metodologia, o âmbito de in¬
fluência do método seria grandemente ampliado. Esse raciocínio levou-nos a
ensaiar, comparativamente, como D.P. para determinação da DL50 de um
dado veneno, o próprio veneno em estudo, na quantidade idêntica àquela en¬
contrada para o B. moojeni (F). Tal forma de procedimento emergia, também,
do raciocínio dado pelos resultados do trabalho supra citado, pois talvez não
fosse necessário obter-se uma fase de completa incoagulabilidade para se obter
proteção, sendo suficiente, quiçá, conseguir-se uma dilatação de tempo de
coagulação. Nessa ordem de idéias, o princípio coagulante do mesmo veneno
a ser ensaiado poderia talvez promover dilatação suficiente do tempo de
coagulação capaz de evitar as mortes imediatas por coagulação intravascular.
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Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botrópicos inoculados por via
venosa em camundongos — Mus miiscuhts Linnaeus, 1758. III. — Possibilidade de determinação
da DL*50, através da proteção cruzada conferida por doses íntra-letais de outros venenos de
serpentes do mesmo gênero.
Mem. Inst. Butantan, 37: 123-129, 1973.
Com essas questões em mente foram conduzidas as experiências constan¬
tes do presente trabalho, cujos resultados nos permitem postular que realmente,
determinada D.P. de um veneno pode prevenir morte imediatas capazes de
resultar da inoculação de determinadas doses de outros venenos do mesmo gêne¬
ro. Com efeito, o veneno B. moojeni (F) atuou como D.P. para venenos de
B. jararaca e B. neuwiedi, permitindo homogeneidade das respostas e cálculo
das DL50 respectivas. Tal resultado autoriza-nos a supor que o veneno B. moo¬
jeni (F) possa ter o mesmo eleito para os demais venenos do gênero Bothrops
e, portanto, possa ele, ou outro que se demonstre superior, servir como padrão,
caso assim seja considerado necessário. A comprovação, em maior escala, des¬
ta suposição alicerçada em nossa experiência, constituo trabalho de casuística
em aberto.
Por outro lado, os resultados constantes das Tabelas I e II, evidenciam
que a dose do 2 jig, tomada à semelhança do veneno B. moojeni (F), pode
ter efeito de D.P., protegendo contra doses do próprio veneno capazes de
provocar a coagulação intravascular maciça imediata. Esse fato auspicioso para
a metodologia, demonstrado com venenos de B. jararaca, B. moojeni e B.
neuwiedi, parece indicar talvez, que a dose que funcione como D.P. pode
ser facilmente encontrada através de simples ensaios preliminares, sem ne¬
cessidade de se repetirem as experiências até aqui realizadas: bastaria, talvez,
ensaiar-se uma dose do próprio veneno, incapaz de promover mortes imediatas,
para se obtei o efeito de D.P. Por fim, aqueles resultados levaram ainda ao
conceito de que as proteções obtidas de modo cruzado com venenos diversos,
pudessem ser devidas, pelo menos em parte, a identidade do fator coagulanto
nos vários venenos ensaiados. Tal conceito encontra apôio nos trabalhos de
Rosenfeld et al (1962) que demonstrou haver neutralização cruzada do poder
coagulanto por antisoros obtidos pela imunização com venenos do mesmo
gênero, porém, de espécies diferentes.
CONCLUSÕ E S
1. A inoculação intravenosa de doses infra-letais (D.P.), de um deter¬
minado veneno botrópico previne a ocorrência de mortes imediatas dos animais
quando da inoculação duas horas após, de doses maciças de outro veneno de
serpentes do mesmo gênero.
2. Para os venenos botrópicos ensaiados ( B. moojeni, B. jararaca, B.
neuwiedi), a dose preparatória (D.P.) tendo efeito cruzado, permite deter¬
minar a DL50 de um, mediante dose preparatória de outro.
3. Pode-se eleger um veneno altamente coagulanto como padrão para
a D.P. para fins de cálculo da DL50 de outros venenos botrópicos.
4. Pode-se também usar o próprio veneno na dose de 2 |ig para os fins
colimados na conclusão anterior no caso dos venenos de B. moojeni, B. jararaca
e B. neuwiedi.
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furlanêtto, r. s.. roltm rosa.
Contribuição ao estudo tia determinação
da 1 > 050, através da proteção cruzada c
venosa em camundongos — Mus musrulns
serpentes do mesmo gênero.
. ROLTlt ROSA. R., SILES VILLARROEL, M. & NAVAS, J. —
O da determinação da DL50 de venenos botrôpicos inoculados por via
proteção cruzada conferida por doses intra-Ietais de outros venenos de
Mus milsr.ulus Linnaeus, 1758. III—Possibilidade de determinação
.l/em. 7 nst. liutuntan. .17: 123-129, 1973
SUMMARY — The authors demonstrat-
cd that subletha! doses of a Bothrops
venom can prevcnt the occurrcnce of
immediate death of lhe animais if two
hours later these animais will receive
massive venom doses of snakes that be-
long to the same genus, but to differ-
ent species (B. moojeni , B. jararaca,
and B. neuvnedi).
a) To sclcct a standard venom with
high coagulant power in order
to obtain the preparatory dosa
effect (P. D.).
b) For the venoms of the mention-
ed Botlrrops species it is possi-
ble to obtain the same effect
with 2,0' |tg of the very venom.
It is possible to determine the LD50
of ono of these vcnt ms by means of a
preparatory dose (Pi).) of another.
UNITERMS — Bothrops venom; LD50
of Bothrops venoms; cross protection
with Bothrops venoms.
The authors demonstrated two possi-
bilities:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. FURLANETTO, R. S. — Emprego de camundongos tratados com doses prepara¬
tórias de venenos bothropieos para a avaliação de DL50 desses venenos. São
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botrôpicos inoculados por via venosa em camundongos — Mus musculos
Linnaeus, 1758. I. Fenómenos que occrrem na tentativa de determinação da
DL50. ( Mem Inst. Butantan ) — no prelo, 1973a.
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picos inoculados por via venosa em camundongos Mus musculus Linnaeus,
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Paulo, 14: 254-255, 1962.
Recebido para publicação em 15.VI. 73.
Aceito para publicação em 15. VIII .73
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liem. Tn.“t. Butanlan
37: 131-137, 1973
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA DETERMINAÇÃO DA DL50 DO
VENENO DE Crotalus durissus terrificus (Laurenti, 1768),
EM Mus musculus Linnaeus, 1758.
RAYMUNDO ROLIM ROSA *
SIRDÉIA MAURA PERRONE FURLANETTO *•
MED ARDO SILES VILLARROEL* * *
FLÃVIO ZELANTE** ***
RESUMO — O emprego de camundon¬
gos — Mus musculus — permite o cál¬
culo da DL50 do veneno de Crotalus du¬
rissus terrificus (crotamino-positivo)
através de inoculação por via intrave¬
nosa. A aplicação de doses sub-letais,
duas horas antes, não dessensibiliza o
animal, conforme demonstrado pelo va¬
lor da DL50. A inoculação prévia de um
veneno altamente coagulante (B. moo-
jeni) em doses que levam à incoagula-
bilidade sangüínea (2 jig), não interfere
no valor da DL50 do veneno crotálico.
UNITERMOS — Veneno crotálico;
DL50 de veneno crotálico.
INTRODUÇÃO
Em trabalhos anteriores, em colaboração com Furlanetto et al (1973b,
1973c), foi demonstrado que era possível determinar a DL50 dos venenos
botrópicos altamente coagulantes, mediante a aplicação prévia de pequena
dose do veneno em estudo, ou de outros produzidos por espécies diferentes,
porém, do mesmo gênero. A essa dose denominamos dose preparatória ou
simplesmente D.P., demonstrando que a mesma provocava, em camundongos
de 18 a 22g, inoculados por via intravenosa, uma incoagulabilidade sangüínea
que atingia o máximo em uma a duas horas após sua aplicação, o que possi¬
bilitava a determinação da DL 50 desses venenos.
Propuzémo-nos, preliminarmente, a estudar, com a mesma metodologia
adotada nos trabalhos anteriores, a determinação da DL50 do veneno de
Crotalus durissus terrificus (Laurenti, 1768). Trabalhamos com o veneno
crotamino-positivo, de uma subespécie do gênero Crotalus Linnaeus, 1758,
face à demonstração de Rocha e Silva (1951) da possibilidade de dessensibi¬
lização da musculatura lisa provocada por adições sucessivas, a curtos inter¬
valos, de venenos de serpentes dos gêneros Bothrops, Crotalus, Denisonia e
Naja os quais apresentariam inúmeras atividades farmacológicas comuns;
* Diretor do Serviço de Imunologia do Instituto Butantan. Professor Assistente Doutor
do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas
da U.S.P. z
** Professor Assistente Doutor do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto
de Ciências Biomédicas da U.S.P.
*** Kx-Assistente do Setor de Soros Antipeçonhentos do Instituto Butantan. Professor
Assistente Doutor do Departamoento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de
Ciências Biomédicas cia U.S.P.
Endereço para correspondência:
C.P. 65, Sâo Paulo. Brasil.
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cm
SciELO
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nOLIM ROSA, R., FURLANETTO, S. M. P., SILES VILLARROEL, M. & ZELANTE, F. —
Contribuição ao estudo da determinação da DL50 do veneno de Crotalua durissus ternficus
(Laurenti, 17(58) em Mus musculus Linnaeus, 1758.
Man. lnst. Butantan , 37: 101-137, 1 973.
Cheymol et al (1966) e Cheymol (1969), trabalhando com crotamina e com
venenos crotálicos — crotamino-positivo e não crotamínico — constataram que
a crotamina dessensibilizava, “in situ”, a musculatura estriada, enervada ou
nevrectomisada, e a musculatura lisa de órgãos isolados de ratos, à posterior
aplicação do veneno de C. d. teirificus crotamino-positivo, e vice-versa;
Rosenfeld et al (1970) demonstraram que nos acidentes muito graves provoca¬
dos por envenenamentos crotálicos, ocorre, dentre outras manifestações, in-
coagulabilidade sangüínea.
Em seguida a determinação da DL50, propuzémo-nos a estudar os efeitos
sobre os valores obtidos de uma pequena dose prévia, usando o mesmo veneno
c um veneno botrópico de alto poder coagulante, tomando por base os índices
coagulantes encontrados por ltosenfeld et al (1959).
MATERIAL E MÉTODOS
Venenos
Foram utilizadas amostras de venenos cristalizados a vácuo e mantidos a
0-4°C, obtidos de extrações recentes efetuadas pela Secção de Venenos do
Instituto Butantan, em dezenas de exemplares de C. d. terrificus (Laurenti,
1768) e de fíothrops moofeni Hoge, 1965° procedentes do interior do Estado
de São Paulo e dos Estados visinhos.
Soluções de veneno
A solução do veneno botrópico era preparada em solução de NaCl a 0,85%,
contendo 400 ug/ml, enquanto que a crotálica, conforme técnica preconizada
por Vital Brazil (1911), era preparada em solução de NaCl a 1,5%, contendo
200 |-ig/ml. Tais soluções eram distribuídas em “flaconentes” os quais, uma
vez hermeticamente fechados, eram conservados em congelador a -25°C (Fur-
lanetto, R. S. 1965). No momento do uso, cada frasco era descongelado e as
diluições necessárias eram providenciadas, desprezando-se as eventuais sobras.
Partindo das soluções de veneno descritas e de conformidade com as doses
pretendidas, eram feitas as diluições em solução de NaCl a 0,85%, em volumes
sempre um pouco além do estritamente necessário. A dose de veneno inoculada
em cada animal estava sempre contida em 0,5 ml.
As doses de veneno que deveriam ser aplicadas com o intuito de se obter
resultados com os quais fosse possvel determinar-se a DL50 do veneno crotá-
lico, eram norteadas por uma prova preliminar efetuada mediante a ino¬
culação de quantidades variáveis do mesmo, segundo uma razão constante
igual a 2. Uma vez conhecidas as doses limites, isto é, a maior dose que não
causava a morte de nenhum dos animais e a menor dose que matava todos,
eram calculadas as doses intermediárias, sempre’ através do emprego da se¬
guinte fórmula: R = Vx, em que n representa o número de doses e x a
razão entre as doses final e inicial.
* Classificada até 1965 como JBothrops utrox (Linnaeus, 1758).
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ROLIM ROSA, R., FURLANETTO, S. M. P., SILES VILLARROEL, M. & ZELANTE, F. —
■Contribuição ao estudo da determinação da DLõn do veneno de Crotalus durissus tcrrificus
(Laurenti, 17G8) em Mus muttcuhw Linnaeus, 1758.
Mcni. Inst. Butanlan, 3 7: 131-137, H)73.
Dose Preparatória ou simplesmente D.P.
Segundo Furlanetto, loc. cit., D.P. é uma dose de veneno botrópico que,
contida em 0,5 ml e aplicada em camundongos de IS a 22g, por via intravenosa,
provoca uma incoagulabilidade sanguínea que atinge o máximo efeito uma
a duas horas após sua administração. Para o caso da D.P. do veneno de
B. moojeni, essa dose corresponde a 2 ug dc u’a amostra cuja D.M.C. (dose
mínima coagulante) seja igual a 0,4 ug.
Por D.M.C. ou U.C. (unidade coagulante), acima referida em relação ao
veneno botrópico, entende-se uma unidade arbitrária por nós utilizada como
referência de atividade coagulante, quer de venenos, quer de produtos eoa-
gulantes deles derivados. O esquema técnico foi tomado de Houssay et al
(1918); essa unidade pode ser assim conceituada: chamamos D.M.C. ou U.C.,
a quantidade de produto coagulante ou de veneno, dissolvido depois de seco
que, no volume de 0,2 ml é capaz de promover a coagulação, entre 8 a 10
minutos e a 37°C, de 1,0 ml de plasma normal de cavalo, adicionado de 2 % a
de oxalato de potássio (o plasma deve ser colhido no dia do ensaio). O teste
para essa determinação deve ser conduzido em tubos de ensaio de 14 mm
X 14 cm, imersos em banho-maria a 37°C e considera-se coagulado o plasma
quando se forma um bloco de fibrina capaz de escorregar pela parede do
tubo, quando este é inclinado.
A n i m ais utilizados
Todos os ensaios foram realizados cm camundongos — Mus musculus
Linnaeus, 1758 — sem distinção de sexo, pesando de 18 a 22 g, fornecidos pelo
Biotério Geral do Instituto Butantan.
Via de inoculação
A via intravenosa foi utilizada em todas as provas.
Tempo de observação : 1/2, 1, 2, 24 e 48 horas.
Convenção adota d a
Todos os ensaios expressam resultados através de uma relação numérica
onde sempre o numerador representa o número de animais mortos e o denomi¬
nador o total de animais inoculados em cada dose.
Cálculo da D L50
Todos os ensaios apresentam DL50 que foram calculadas com os resul¬
tados apresentados após 24 c 48 horas, das inoculações, pelo método de lleed
& Müench (1938).
Prova para a Detecção da Cwtamina
Foi empregada a técnica adotada por Schenberg (1959) que consiste em
inocular, por via sub-cutânea, 0,5 mg de veneno crotálico contido em 1,0 ml
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TIO LI M ROSA, R., FURLANKTTO, S. M. P., SILES VILLARROEL», M. & ZRLANTE, F. —
Contribuiçflo ao estudo da determimuOo da 1>L',o do veneno de Crotalus durissus terrificus
(Laurenti, 1708) em Mus musculus Linnaeus, 1758.
Mcvi. lnst. Butantan, 37: 131-137, 1973.
de solução de NaCl a 0,85% em cada um de dois camundongos de peso entre
28 a 25 g. A presença de crotamina será denunciada pelo aparecimento, nos
dois animais, de uma paralisia dos membros posteriores, dentro do prazo de
30 minutos.
RESULTADOS
TABELA I
Determinação da DL50 do veneno de C. cl. terrificus, crotamino-positivo, de coloração
branca. Cada dose estava contida em 0,5 ml e era inoculada, por via intravenosa, em
camundongos de 18 a 22 g.
Tempo de
Doses em microgramas
DL50
observação
2,00
2,40
2,88
3,46
4,15
5,00
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1/2 hora
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
1 hora
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0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
0/6
2 horas
0/6
0/6
0/6
1/6
1/6
3/6
3/6
24 horas
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2/6
4/6
5/6
6/6
6/6
6/6
2,70 ixg
48 horas
0/6
2/6
4/6
5/6
—
—
—
2,70 n>i
Como se pode verificar, a determinação da DL50 do veneno de C. cl. terri¬
ficus pode ser conseguida mediante a aplicação direta do mesmo, em camun¬
dongos, isto é, prescindindo de qualquer tratamento prévio, visto não ocor¬
rerem mortes imediatas e, principalmente, não haver incoerências entre a pro¬
gressão das doses e o número de mortes, como sóe acontecer com venenos
botrópicos. Não obstante, decidimos estudar a influência que uma dose pre¬
liminar, infra-letal, do próprio veneno exerceria sobre a DL50, à semelhança
da D.P. anteriormente feita com venenos botrópicos (Furlanetto et al, 1973a e
1973b).
Provas preliminares demonstraram que 1.0 |i,g do mesmo veneno utilizado
na Tabela I, era a dose máxima tolerada pelos animais utilizados, sem mani¬
festações aparentes de intoxicação.
TABELA II
Determinação da DL50 do veneno de c. d. terrificus. crotamino-positivo, de coloração
branca, em camundongos de 18 a 22 g. tratados, duas horas antes com 1,0 do próprio
veneno. Foi usado o mesmo veneno do ensaio anterior. Cada dose estava sempre
contida em 05 ml e era inoculada por ria intravenosa.
Tempo de
Doses em microgramas
DL50
observação
2,00
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24 horas
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2,15 ( ig
48 horas
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—
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ROLIM ROSA, R., FURRANETTO, S. M. P., SILRS VILLARROETj, M. & ZELANTE, F. —
Contribuição ao estudo da determinação da DL.50 do veneno de Crotalus durissus terrificus
(Laurenti, 1768) em Mus vnusculus Linnaeus, 1758.
Mem. Inst. Butantan, 37 : 131-137, 1973.
Comparando-se a DL50 da Tabela I (2, 70 |ig) com a Tabela II, nota-se
que houve um nítido agravamento do quadro tóxico, pois o valor da DL50
baixou a 2,0 |ig em 48 horas de observação. Não houve, pois, a dessen¬
sibilização induzida pela dose prévia de veneno e sim, ao contrário, pode¬
ríamos pensar numa somatória de efeitos.
Face aos resultados obtidos, decidimos verificar se a iucoagulabilidade san-
giiínea conseguida por D.P. de um veneno botrópico altamente coagulante,
alteraria a DL50 do veneno crotálico, visto Roseníeld et al (1970) referirem
que nos acidentes muito graves provocados por envenenamentos crotálicos
ocorre, dentre outras manifestações, iucoagulabilidade sangüínea. Ademais,
Furlanetto et al (1973b) demonstraram haver proteção cruzada entre os
venenos dos crotalideos do gênero Bothrops.
TABELA III
Determinação da DL50 do veneno de C. d. terrificus, crotamino-positivo, de coloração
branca, em camundongos de 18 a 22 g } tratados, duas horas antes, com 2 m g de
veneno de B. moojeni. Cada dose estava sempre contida em 0,5 ml e era inoculada
por via intravenosa.
Tempo de
Doses em microgramas
DL50
observação
2,00
2,40
2,88
3,46
4,15
5,00
6,00
1/2 hora
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1 hora
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2 horas
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24 horas
1/6
2/6
4/6
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6/6
6/6
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2,64 |ig
48 horas
1/6
2/6
4/6
5/6
—
—
—
2,64 jtg
Os resultados da Tabela 111, confrontados com os da Tabela I, levam-nos
a acreditar que a D.P. do veneno de B. moojeni não interfere, em qualquer
sentido, na determinação da DL50 do veneno de C.d.terrificus.
DISCUSSÃO
A análise dos dados contidos na Tabela I, demonstra a possibilidade do
cálculo da DL50 de venenos crotálicos, crotamino-positivos, através do em¬
prego de camundongos, visto que, a inoculação por via intravenosa de doses
escalonadas do veneno, apresenta resultados qúe guardam íntima relação entre
a progressão das mesmas c seus efeitos.
Tais resultados foram por nós repetidamente confirmados, embora dei¬
xemos de apresentar os respectivos protocolos, por acreditarmos serem os mes¬
mos dispensáveis.
A inoculação prévia de 1,0 |tg do próprio veneno crotálico, por via in¬
travenosa (Tabela II), surpreendentemente não exerceu qualquer dessensibi-
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TIOTjIM ROSA, R., FURLANETTO, S. M. P., STLRS VILRARROKL, M. & ZTORANTE, V. —
Contribuição ao estudo cia determinação da DLõo do veneno de Crotalus durissus tcrrijicus
(Laurenti, 17G8) cm Mus uiusculus Linnaeus, 1758.
Mem. Inst. liutuntun, .17: 131-137, 1973.
lização às doses maiores, conforme poderia ser esperado diante dos resultados
encontrados por Rocha e Silva (1951) que, trabalhando “in vitro”, mostrou
a possibilidade de dessensibilização da musculatura lisa provocada pelo pró¬
prio veneno. Contraria, também, o que poderia ser esperado pelos resultados
de Cheymol et al (1966) e Cheymol (1969) que, trabalhando “in situ”
constataram que a crotamina dessensibilizava a musculatura estriada, enervada
ou nevrectomisada, do rato.
Os nossos resultados mostram que não houve dessensibilização “in vivo”,
pela inoculação prévia de dose infra-letal do mesmo veneno, mas, ao contrário,
parece haver, realmente, um efeito somatório entre a dose prévia de 1,0 |tg e
as doses necessárias para a determinação da DL50 do veneno crotálico, crota-
mino-positivo, por nós utilizado.
Por outro lado, a injeção de doses infra-letais (D.P.) de veneno de B.
moojeni que, segundo Furlanetto et al (1973a e 1973b) leva a uma proteção
cruzada marcante à inoculação de doses elevadas de venenos das serpentes
do mesmo gênero, não interfere, em qualquer sentido, no valor da DL50 do
veneno crotálico, apezar da incoagulabilidade sangüínea provocada pela ci¬
tada D. P.
CONCLUSÕES
1. A DL50 do veneno de Crotcdus durissus terrificus (Laurenti, 1768),
de coloração branca, crotamino-positivo, pode ser determinada através de ino¬
culações, por via intravenosa, em camundongos Mus muscidus Linnaeus, 175S
— de 18 a 22 g, sem distinção de sexo.
2. A inoculação de 1,0 |ig de veneno crotálico, crotamino-positivo, em
camundongos, por via intravenosa, duas horas antes das doses escalonadas
do mesmo veneno, suficientes para a determinação de sua DL50, induz a uma
baixa do valor desta. Trata-se, ao que parece, de uma somatória de efeitos
entre a dose prévia e as doses finais.
3. Camundongos tratados com “dose preparatória” (D.P.), do veneno
de liothrops moojeni Hoje, 1965, não apresentam sensibilidade maior ou menor
ao veneno de C. d. terrificus, de coloração branca, crotamino-positivo, inocu¬
lados com doses escalonadas suficientes para propiciar o cálculo de sua DL50.
SUMMARY — The utilization of mice
— Mus musculus -— permits the ealcula-
tion of the LD50 of Crotalus duris¬
sus tcrrijicus venom (with crotamin) by
intravenous route.
The inoculation of sublethal doses,
two hours before, does not desensitize
the animal, as demonstrated by the
LD50 value.
The previous inoculation of a highly
coagulant venom (Bothrops moojeni) in
such doses that are enough to impede
the blood coagulation (2,0 pg), does not
interfere with the LD50 value of Cro¬
talus durissus terrificus.
VNITERMS — Crotalus venom; LDSO
of Crotalus venom.
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Contribuiçilo ao estudo da determinação da DL50 do veneno de Crotalus durissus terrificus
( Laurenti, 171Í8) em Mus musculus Linnaeus, 1758.
Mem. Inst. Butantan, 37: 131-137, 1373.
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reparatórias de venenos bothropicos para avaliação de DE50 desses venenos.
São Paulo, 1985. /Tese — Faculdade de Odontologia da Universidade de São
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5. FURLANETTO, R. S.; ROLIM ROSA, R.; SILES VILLARROEL, M. & ZE-
LANTE, F. — Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos
botrópicos inoculados por via venosa em camundongos Mus musculus Lin-
naeus, 1758. II. Possibilidade de determinação da DL50 através da inoculação
prévia de doses infra-letais do próprio veneno. Mem. Ins. Butantan, 1973a
(no prelo).
6. FURLANETTO, R. S.; ROLIM ROSA, R.; SILES VILLARROEL, M. & NA-
VAS, J. —- Contribuição ao estudo da determinação da DL50' de venenos
botrópicos inoculados por via venosa em camundongos Mus musculas Lin-
naeus, 1758. III. Possibilidade de determinação da DL50 através da proteção
cruzada conferida por doses infra-letais de outros venenos de serpentes do
mesmo gênero. Mem. Inst. Butantan, 1973b (no predlo)
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Recebido para publicação em 15.VI.73.
Aceito para publicação em 15.VIII.73.
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Meni. Tnst. Butantan
37 : 139-148, 1973
ESTUDOS SOBRE A FIXAÇÃO ELETIVA E QUANTITATIVA DO
VENENO DE CROTALUS DURISSUS TERRIF1CUS NOS TECIDOS
NERVOSO, RENAL, HEPÁTICO E MUSCULAR DE
MUS-MUSCULUS Linnaeus, 1758.
WALTER BANCHER *
RAYMUNDO ROLIM ROSA**
REYNALDO SCHWINDT FURLANETTO ***
RESUMO ■ — Os autores demonstraram
uma fixação quantitativa do veneno de
Grotalus durissns terrificus sobre dife¬
rentes tecidos de Mus-musculus, em ter¬
mos de DL50 fixadas por grama de
tecido. Fixações quantitativas sobre os
tecidos nervoso, hepático, renal e mus¬
cular em ordem decrescente foram ob¬
servadas mostrando que provavelmente
este veneno exerça complexa ação nes¬
tas várias estruturas, durante o enve¬
nenamento experimental.
UNITERMOS — Fixação de veneno
crotálico sobre tecidos animais. Veneno
crotálico. Veneno de Crotalus durissns
terrificus.
INTRODUÇÃO
O veneno de Crotalus durissns terrificus tem sido descrito como possuidor
de uma intensa ação hemolítica, neurotóxica e nefrotóxica. São numerosos os
trabalhos demonstrando comprometimentos na indução do estímulo nervoso
provocados pelo envenenamento experimental, Houssay et al (1922) Houssay
& Hug (1928), Brazil (1954), Brazil et al (1966) Cheymol (1969 e 1971);
comprometimentos renais também têm sido descritos no decurso do envenena¬
mento crotálico tanto experimental como em acidentes humanos. Amorim e
Mello (1854) Amorim et al (1951-1960 e 1969) Rodrigues Lima (1963), Ha-
dler & Brazil (1966); alterações da pressão arterial, Vellard & Huidobro (1941)
e Brazil (1954) entre outros. Entretanto não encontramos dados na literatura
sobre a ação deste veneno no tecido hepático, bem como nada encontramos
* Professor Regente da disciplina de Microbiologia e Imunologia da Faculdade de Ciências
Médicas de Santos e Professor Assistente Doutor do Departamento de Microbiologia
e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.
** Diretor do Serviço de Imunologia do Instituto Butantan e Professor Assistente Doutor
dc Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas
da USP.
*** Ex-chefe da Secção de Imunoterapia do Instituto Butantan e atual Professor Catedrático
do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas
da USP.
Endereço para correspondência:
C.r. 43G5, S. Paulo, Brasil.
139
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BANCHER, W., HOLIM ROSA, R., FURLAXETTO, R. S. — Estirlos sobre a fixaçiio eletiva
e quantitativa do veneno de Crotalus durissm trrrificvs nos tecidos nervoso, renal, hepático
e muscular de Mus musculus BInnaeus, 1758.
Jlfent. Inst. llutantan, 37: 139-M8, 1973.
que pudesse demonstrar de forma quantitativa a ação eletiva deste veneno
sobre os tccides nervoso, renal, hepático e muscular de camundongos. Tendo
em vista que as lesões e ações até aqui descritas na literatura, nada informam
de quantitativo sobre a fixação eletiva nos vários tecidos como parte de um
complexo da intoxicação experimental pelo envenenamento crotálico, deci¬
dimos, baseado nos moldes do trabalho clássico de Wassermann & Takaki
(1898) determinar em vários tecidos isolados qual a quantidade absoluta de
veneno fixado. Relações de fixações qualitativas entre a toxina botulínica e o
tecido cerebral foi demonstrada por Kempner & Schepilewski (1898) enquanto
que Myers (1899) demonstrava uma relação entre o veneno de Cobra e o
tecido supra-renal. Nos nossos trabalhos resolvemos estudar se realmente tam¬
bém o veneno de Crotalus durissus terrificus se fixava de forma diferente nos
vários tecidos estudados; em se confirmando a nossa suspeita, outros trabalhos
seguiriam procurando demonstrar por técnicas anátomopatológicas, associada
às técnicas de imunofluorescência, quais os diferentes sítios de fixação deste
veneno nos diferentes tecidos.
MATERIAL E MÉTODOS
Doze camundongos pesando entre 18 e 22 gramas eram mortos com
éter sulfúrico e imediatamente após eram removidos o encéfalo, o rim, o
fígado e os músculos esqueléticos da região das patas posteriores; cada tecido
coletado era colocado em placa de Petri estéril e a seguir rigorosamente pesado.
Uma quantidade próxima de 5,0 gramas de cada tecido era em seguida tritu¬
rada até ficar reduzida a um estado pastoso. Após esse processo era adicio¬
nado ao triturado obtido, uma quantidade variável de veneno crotálico, crota-
mina positivo, equivalente a um determinado número de DL50 conforme a
experiência em causa. A DL 50 do veneno de Crotalus durissus terrificus*
era calculada pelo método de Reed Muench (1938) de acordo ecm Rolim Rosa
et al (1973). No presente trabalho a DL50 do veneno era de 3,64 |tg.
O veneno era cuidadosamente misturado com o triturado de tecido e
levado à estufa a 37°C por 60 minutos com homogeinização do preparado a
cada 10 minutos. A seguir o material era centrifugado a 10.01)0 rpm durante
2 horas a 4°C para a separação do sobrenadante. Este era convenientemente di¬
luído a fim de se determinar o número de DL50 de veneno crotálico livre,
isto é, não fixadas ao tecido.
Experiências-piloto mostraram-nos que trabalhando-se com tecido nervoso
em velocidades inferiores de centrifugação, não ocorria o depósito total das
]logre (1965) (1971) demonstra que as cascavais encontradas no Brasil pertencem às
seguintes subespécies: Crotalus durissus terrificus (L»aurcnti — 17(18) — C. d. collilincatus
(Amaral — 1926) — C. d. cascavella (Wagler — 1824) — C. d. marajoensis (Hoge —
1965) e C. d. ruruivia (Hoge — 1965).
Segundo estas observações inferimos que, na realidade, os trabalhos nos quais consta
o nome Crotalus terrificus terrificus deveriam referir-se a outras subespécies ou mais
provavelmente, à mistura dos venenos de C. d. terrificus e C, d. collilincatus (Belluomini,
1972).
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BANCHER, W., ROL1M ROSA, II., FURLANETTO, R. S. — Estudos sobre a fixação eletiva
e quantitativa do veneno de Crotalus durissus tcrrificus nos tecidos nervoso, renal, hepático
e muscular de Mus musculus Lihnaeus, 1758.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 139-148, 1973.
células do tecido, e, assim sendo a inoculação do sobrenadante puro sem diluir,
por via venosa acarretava sempre a morte imediata do animal, seguramente
não pela ação do veneno, comprovada pela ausência total de sintomas de
envenenamento crotálico. Tendo-se em vista o pouco volume com que tra¬
balhávamos e a impossibilidade de filtração em membranas Millipore, resol¬
vemos, no caso de se utilizar tecido nervoso, inocular o sobrenadante puro por
via intraperitoneal. Nos demais casos, a inoculação era sempre feita por via
venosa.
RESULTADOS
Ensaios relativos a fixação quantitativa do veneno sobre o tecido encefálico.
TABELA I
Ao tecido encefálico recém obtido de camundongos de 18 a 22 g foram
adicionadas HO DL50 de veneno por grama de tecido e a seguir o prepa¬
rado foi incubado por 60 minutos a 37°C. Centrifugado a 10.000 rpm, o
sobrenadante obtido foi convenientemente diluido. tentando-se detectar a
quantidade de veneno livre inoculando-se em camundongos.
dil. sb.
v. inc
DL50
Observações
presun.
12h
24h
48'n
1:1
ip
5,0
0/6
0/6
0/6
1:25
V
2,0
0/6
0/6
0/6
1:5
V
1.0
0/6
0/6
0/6
1:10
V
0,5
0/6
0/6
0/6
Observações:
dil. sb. = diluição
do sobrenadante
feita
em solução
dc
NaCl 0,85%.
v. inc. = via de inoculação: IP = intraperitoneal.
V = via venosa.
DL50 presum. =
doses letais 50% presumivelmente pre¬
sentes no sobrenadante inoculado, se
não houvesse fixação do veneno pelo te¬
cido. O numerador indica o número de
animais mortos e o denominador o nú¬
mero do animais inoculados. O volume
inoculado foi sempre de 0,5 ml.
Estas observações são válidas para as demais tabelas.
Visto ter havido absorção total de 20 DL50 por grama de tecido, decidimos
trabalhar nas mesmas condições descritas na Tabela I, com quantidades maio¬
res de veneno por grama de tecido encefálico recém obtido. As tabelas de nú¬
meros II, III e IV mostram os resultados obtidos.
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BANCHKR, W., ROLIM ROSA, líFURLANETTO, R. S. -— Estudos sobre a fixação eletiva
e quantitativa do veneno de Crotalns tliirissus terrificus nos tecidos nervoso, renal, hepático
e muscular de J/ií» musculus Linnaeus, 1758.
Mcni. Inst. Butantan, .17: 185-118, 1873.
TABELA II
Ao tecido encefálico triturado foram adicionadas 75 DL50 de veneno por
grania de tecido , tudo no mais conforme a Tabela I.
dil. sb.
v. inc.
DL50
Observações
presum.
12h
24h
48h
1:1
ip
12 5
0/6
0/6
0/6
1:1,25
ip
10,0
0/6
0/6
0/6
1:2,5
V
5,0
0/6
0/6
d/6
1:5
V
2,5
0/6
0/6
0/6
TABELA III
Ao tecido eyicefálico recém obtido e triturado foram adicionadas 270 DL^O
de veneno por <jrama de
tecido, tudo no mais conforme a Tabela I.
DL50
Observações
dil. sb.
v. inc.
presum.
12h
24h
4Sh
1:1
ip
45,0
3/6
6/6
—
1:2
V
22 5
0/6
0/6
0/6
1:3
• V
15,0
0/6
0/6
0/6
1:4
V
11,25
0/6
0/6
0/6
TABELA IV
Ao tecido encefálico recém obtido foram adicionadas 3G0
DL50 de •
veneno
por grama de tecido
, tudo no mais conforme a
Tabela I.
DL50
Observações
dil. sb.
v. inc.
presum.
12h
24h
48h
1:1
ip
60,0
4/6
6/6
—
1:1,25
ip
48,0
3/6
6/6
—
1:2,5
V
24,0
0/6
2/6
2/6
1:5
Y
12,0
0/6
0/6
0/6
Pelos resultados expostos nas Tabelas I, II, III e IV pode-se verificar que
nas nossas condições experimentais o encéfalo do camundongo é capaz de
fixar cerca de 24 DL50 de veneno de Crotalns durissus terrificus por grama de
tecido.
Ensaios sobre a fixação quantitativa do veneno sobre o tecido renal.
Conforme visto nos ensaios realizados com o encéfalo, foram também
necessárias várias tentativas com números variáveis de DL50 adicionadas a
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BAXCHKR, W., ROLIM ROSA, II., FURLANETTO, R. S. — Estuilos sobre a fixação eletiva
e quantitativa do veneno de Crotalus durissus terrificus nos tecidos nervoso, renal, hepático
e muscular de Mus musculus Rinnaeus, 1758.
Mem. Inst. Butantan, 37: 139-148, 1973.
cada grama de tecido renal a fim de se poder avaliar a sua capacidade de
fixação do veneno. Acreditando que seria fastidioso repetir todos os protocolos
preliminares, somente apresentaremos aqui a Tabela que nos forneceu o resul¬
tado desejado, isto é, aquela que permitiu a avaliação procurada.
TABELA V
A 50 g de tecido rena1 recém obtidos de camundongos de 18 a 22 g
foram adicionadas 360 DL50 de veneno por grama de tecido e tudo no
ma:s conforme a Tabela I.
dil. sb.
v. inc.
DL50
Observações
presum.
12h
24h
48h
1:2,5
V
24,0
4/6
6/6
'-
1:5
V
12,0
4/6
5/6
5/6
1:10
V
6,0
0/6
3/6
3/6
1:20
V
3,0
0/6
1/6
1/6
1:30
V
2,0
0/6
0/6
0/6
Pelos resultados expostos na Tabela V pode-se verificar que nas nossas
condições experimentais o rim do camundongo é capaz de fixar cerca de 6 DL50
de veneno de Crotalus chirissus terrificus, por grama 'de tecido.
Ensaios sobre a fixação quantitativa do veneno sobre o tecido muscular.
Pelas mesmas razões expostas no ensaio anterior, apresentamos aqui so¬
mente a tabela experimental que permitiu avaliar a fixação do veneno pelo te¬
cido muscular.
TABELA VI
A 5,0 g de tecido muscular recém obtido de camundongos de 18 a 22 g
foram adicionadas 360 DL50 de veneno por grama de tecido e tudo no
mais conforme a Tabela I.
DL50
Observações
presum.
12h
24h
48h
1:2,5
V
24,0
6/6
_
_
1:5
V
12,0
6/6
—
—
1:10
V
6 0
5/6
6/6
—
1,20
V
3,0
4/6
5/6
5/6
1:30
V
2,0
0/6
3/6
3/0
Pelos resultados expostos na Tabela VI pode-se verificar que, nas nossas
condições experimentais, o tecido muscular de camundongo é capaz de fix.ir
ao redor de 2 DL50 de veneno de Crotalus durissus terrificus, por grama de
tecido.
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BANCHER, W., ROLIM IlOSA, R., FURLANETTO, R. S. — Estudos sobre a fixação eletiva
e quantitativa do veneno de Crotahis durissus terrificus nos tecidos nervoso, renal, hepático
e muscular de Mus niusculus Linnaeus, 1758.
Mem. Inst. Butantan, 37: 130-148, 1973.
Ensaios sobre a fixação quantitativa do veneno sobre o tecido hepático.
Pelas mesmas razões expostas no ensaio sobre a fixação quantitativa do
veneno sobro o tecido renal apresentamos aqui somente a tabela experimental
que permitiu avaliar a fixação do veneno pelo tecido hepático.
TABELA VII
A 5,0 g de tecido hepático recém obtido de camundongos de 18 a 22 g
foram adicionadas 270 DL50 de veneno por grama de tecido e tudo no
mais conforme a Tabela I.
dil. sb.
v. inc.
DL50
Observações
presum.
12h
24h
48h
1:1
V
45.0
6/6
—
_
1:2
V
22,5
5/6
6/6
—
1:3
V
15,0
1/6
4/6
4/6
1:4
V
11,25
0/6
0/6
0/6
Verifica-Se aqui que nas nossas condições experimentais, o tecido hepático
de camundongo é capaz de fixar ao redor de 15 DL50 de veneno de Crotahis
clarissas terríficas, por grama de tecido.
Entendemos ser conveniente apresentar a Tabela VIII reunindo os resul¬
tados dos vários ensaios relativos à fixação eletiva quantitativa do veneno de
Crotahis clarissas terríficas sobre os diferentes tecidos por nós experimentados.
TABELA VIII
Comparação entre a fixação quantitativa do veneno sobre os tecidos
nervoso, renal, hepático e muscular de camundongos.
Tecido
Número de DL50 fixadas
grama do
aproximadamente por
tecido
nervoso
24
renal
6
hepático
15
muscular
.2
DISCUSSÃO
Parece ser esta a primeira vez que se demonstra quantitativamente haver
fixação do veneno crotálico em vários tecidos do camundongo. Em toda a li¬
teratura consultada são descritas lesões anatomopatológicas sobretudo no te¬
cido renal; não conhecemos ainda descrições anatomopatológicas de lesões do
tecido nervoso que evidentemente devem existir face a sintomatologia do en-
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e quantitativa do veneno de Crotalns dtirissus tcrrificua nos tecidos nervoso, renal, hepático
o muscular de Mus viusculus lânnaeus, 1758.
Mem. Inst. Butantan, 57: 139-148, 1973.
venenamento (Rosenfeld 1969 e 1971) e face a observação da Tabela VIII.
Esta tabela mostra uma maior afinidade do veneno para o tecido nervoso do
que pelo tecido renal; tal resultado não se contrapõe aos trabalhos de Amorim
& Mello (1954) e Amorim et al. (1951-1960 e 1969) visto que estes autores
encontraram em casos humanos e experimentais, lesões renais, atribuindo a
ocorrência da morte como uma conseqüência de síndrome do nefron inter¬
mediário. Face aos nossos resultados, podemos nesta altura dos nossos conheci¬
mentos, pressupor que as lesões do encétalo devam contribuir também de
modo preponderante no evento mortal.
Segundo Cheymol et al. (1969), a ação do veneno contendo crotamina
sobre a fibra muscular, produzindo sua contração, seria devida a uma despo¬
larização direta. Este efeito é taquifilático. O veneno sem crotamina produ-
durisstis terrificus, por via venosa, em camundongos ( Mus-muscuhis) de 18
ziria um bloqueio neuromuscular induzindo lentamente a uma ação irreversí¬
vel. Este efeito seria devido principalmente à ação direta a fibra muscular
e também, quando são usadas grandes doses de veneno, a um bloqueio dos
receptores específicos da membrana post-sináptica.
Cheymol et al. (1971), trabalhando com camundongos, galinhas e ratos,
verificaram que o veneno “in natura” é mais tóxico que a crotamina pro¬
duzindo contrações típicas e uma paralisia no camundongo e, somente paralisia
em galinhas. A crotamina induz a contrações no camundongo mas não produz
efeitos em galinhas. Em preparações neuro musculares em galinhas “in situ” o
veneno “in natura” leva lentamente a uma paralisia irreversível. A crotamina,
nas mesmas condições, não leva nem à paralisia nem à contração. Nos ratos,
em preparações neuromusculares “in situ”, o veneno “in natura” e a crotamina
mostraram efeitos semelhantes. Contrações eram conseguidas com altas doses,
geralmente seguidas por uma paralisia reversível da fibra muscular. No rato, a
ação da crotamina situar-se-ia ao nível da membrana da fibra muscular. Uma
mudança na permeabilidade dos íons Ca ou Na provocariam contrações. Estas
contrações induziriam a um efluxo do íon K responsável pela segunda fase da
ação crotamínica.
Nossos resultados obtidos com tecido muscular não nos permitem afirmar,
pela pequena fixação eletiva encontrada nesse tecido, se tal fixação se deve
realmente ao tecido muscular ou a sua inervação, que não foi por nós removida.
Não encontramos dados na literatura sobre a ação do veneno crotálico no
tecido hepático. Os resultados das Tabelas VII e VIII nos permite supor que
deva haver grande comprometimento hepático no envenenamento crotálico,
talvez até mesmo maior do que aqueles observados no parênquima renal.
Trabalho de Bancher (1972) mostra ser possível, detectar por técnicas de
imunofluorescência zonas de fixação eletiva do veneno crotálico no encéfalo
e no parênquima renal.
Resultados ainda não publicados e obtidos por Bancher, Rohm Rosa e
Furlanetto (1972), após inoculações de doses elevadas de veneno de Crotalus
a 22 g, que provocam a morte do animal em menos de quatro horas, com sin¬
tomatologia do envenenamento, revelaram, através de técnicas de imunofluo-
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BANCHER, W„ HOLIM ROSA, lí., FURLAXETTO, H. S. — Mstulos .sobre a fixarão eletiva
e quantitativa do veneno fie Crotalus tlurlssus tcnificus nos tecidos nervoso, renal, hepático
•e muscular de Mus inusculus Llnnaeus, 1758.
Mem. Inst. lSutantan, 37: 139-148, 1973.
rescência, zonas cie fixação cio veneno em diferentes áreas cio encéfalo e au¬
sência cie zonas de fluorescência no parênquima renal. Este fato experimental
sugere a hipótese de que o veneno, na dependência da dose inoculada, exerça
uma ação neurotóxica muito intensa e cpie, por si só, seria capaz de levar o
animal à morte, independentemente de qualquer lesão renal.
Atualmente prosseguimos na mesma linha de pesquisa procurando evi¬
denciar pelas técnicas anátomopatológicas e de imunofluorescência quais os
diferentes sítios de fixação do veneno nos vários tecidos aqui estudados.
CONCLUSÕES
Considerando-se os resultados obtidos nas condições de nosso trabalho,
acreditamos ser lícito concluir que:
1. O tecido nervoso do camundongo ( Mus-musculus ) tem elevada ca¬
pacidade de fixar o veneno de Crotalus ãttrissus terrificus, crotamino
positivo, ao redor de 24 DL50 por grama de tecido.
2. A fixação daquele veneno pelo tecido renal é em termos de DL
50 cerca de quatro vezes menor daquela apresentada pelo tecido
nervoso.
3.. O tecido hepático revelou-se capaz de fixar mais veneno do que o
tecido renal, isto é, cerca de 15 DL50 por grama de tecido.
4. Parece que o tecido muscular pode fixar relativamente pequenas quan¬
tidades de veneno.
SUMMARY — The authors showecl a
quantitativo fixation of Crotalus duris-
sus terrificus venom on different tissues
of Mus-musculus by establishing the
quantity of LD50 fixed by each gram of
tissue.
Quantitativo fixations were observecl
on nervous, hepatic, renal, and mus¬
cular tissues in decreasing order show-
ing a probable complex action of
this venom on these various struetures
during the experimental poisoning.
UNITERMS — Fixation of Crotalus ve¬
nom on animais’ tissues. Crotalus ve-
nonm. Crotalus durissus terrif icus venom.
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e quantitativa do veneno de Crotalus ditrissus tcrrificus nos tecidos nervoso, renal, hepático
e muscular de Mus vntscnlus IJnnaeus, 1 758.
Mem. Inst. Butantan, 37: 135-148, 1973.
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Recebido para publicação em 1S.VI.73.
Aceito para publicação em 15.VIII.73.
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Mem. Inst. Butantan
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LESÕES DA MEDULA ESPINHAL NO MEGACÓLON
RUY PIAZZA
Soção dc Anatomia Patológica
Instituto Butantan
RESUMO — O A. estudou as medulas
de 21 casos de megacólon, mediante
cortes semi-seriados, e verificou lesões
disgenéticas em 18 casos, lesões adqui¬
ridas degenerativas em 2 e lesões com¬
binadas em um.
Nos dois casos com lesões adquiri¬
das, foram encontradas atrofias dos
núcleos motores simpáticos (lesões se¬
cundárias); em 15 dos 19 casos de le¬
sões medulares disgenéticas (incluindo
o de lesões combinadas) foram verifi¬
cadas aplasia, hipoplasia ou displasia
dos núcleos motores simpáticos (lesões
primárias); nos demais casos, as alte¬
rações de desenvolvimento não permi¬
tiram a identificação desses mesmos
núcleos.
O A. considera tais achados de im¬
portância no mecanismo patogênico do
megacólon, uma vez que a ligação entro
medula e intestino é estabelecida pelos
dois neurônios motores simpáticos peri¬
féricos e pelo neurônio sensitivo sim¬
pático, também periférico.
Tecendo considerações de ordem ana¬
tômica, o A. conclui que o estudo da
medula é insuficiente para se avaliar
a participação de todos os centros e
núcleos motores simpáticos nesse meca¬
nismo, e considera imprescindível o es¬
tudo sistemático também do tronco ce¬
rebral, particularmente do bulbo, onde
se localiza o núcleo cárdio-pneumo-en-
térico.
No decorrer do trabalho, tece criticas
aos trabalhos de Koeberle e cols., que
atribuem à doença de Chagas a etiolo¬
gia das enteromegalias.
UNITERMOS — Megacólon; alterações
de desenvolvimento medulares; disge-
nesias medulares; Sistema Nervoso Au¬
tônomo do setor abdominal.
INTRODUÇÃO
As enteromegalias — megaesôfago, megaestômago, megacólon e outras
— constituem manifestações morfológicas dc importante capítulo cia patologia
do aparelho digestivo, cpie se acompanham de não menos conspícuas mani¬
festações funcionais, conhecidas por acalásia dos esfíncteres ou aperistalse.
Considerável número de pesquisadores estrangeiros e nacionais, desde
quando surgiram as primeiras descrições da doença enteromegálica, ao que
parece no século XVII, tentaram estabelecer sua causa e esclarecer seu meca¬
nismo. Entre nós, Marcos Arruda, Bitençourt Rodrigues, Sérgio Meira, Ignacio
de Rezende, Pedro de Rezende, Carlos Chagas, Pereira Barreto, Enjolras Vam-
pré, Arthur Neiva, Gaspar Vianna, Rafael Parisi, Eduardo Etzel, Almeida
Prado, Moacyr Amorim, Alipio Corrêa Nettc, Edmundo Vasconcelos e Pedreira
de Freitas, foram alguns dos autores que estudaram e pesquisaram o assunto,
desde 1895 até hoje.
LCndereço para correspondência :
Av. Paulista, 25 S4 / apto. 102
01310 São Paulo, Brasil.
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PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mem. Inat. Butantan, 37 : 140-232, 1973.
Das numerosas explicações patogênicas aventadas, que variaram desde as
de natureza mecanicista até às cpie classificaram a doença entre as psicosso¬
máticas, a hipótese do obstáculo funcional (acalásia do esfíncter) foi o
que prevaleceu até que alguns trabalhos se fixaram no estudo dos plexos intra-
murais (sob influência do trabalho de I1IRSC1ISPRUNG 8 sobre o megacólon
congênito), assinalando neles lesões degenerativas, diminuição do número de
células ganglionares e, finalmente, lesões inflamatórias. As opiniões divergiram
sobre a lesão inicial, se degenerativa ou inflamatória, e se a localização era
exclusivamente esfincteriana (produzindo a acalásia) ou se se extendia a todo
o plexo intramural (produzindo a aperistalse, nome proposto por BRASIL 3 ).
Entre nós, até 1955, o trabalho de maior reprecussão nesse campo foi o dc
AMORIM e CORRÊA NETTO 1 , que concluíram que todo o plexo mioentérico
de Auerbach estava afetado, apesar da enteromegalia ser apenas de localização
esofageana e retal, no caso por eles estudado.
Mas, em 1955, vem à luz o trabalho de KOEBERLE e NADOR 9 em que
encararam “o megaesôfago endêmico no Brasil como possuindo uma etiologia
própria, dentro do conjunto geral do megaesôfago ou da dilatação esofágica
idiopática”, e concluíram que o megaesôfago brasileiro representa manifestação
da doença de Chagas, idéia que fôra preliminarmente aventada por CHAGAS 5
em 1916 e por MINEIRO 20 , em 1948, no 2.° Congresso Médico do Triângulo
Mineiro e l.° do Brasil Central (trabalho publicado 10 anos depois).
Inda que a espíritos mais lúcidos, como JA1RO RAMOS- 2 , esta hipótese
não convenceu por inteiro, pois “se de um lado existem indicações que nos
orientam para admitir que a doença de Chagas é responsável pelos síndromes
cardíaco e digestivo, ou melhor, responsável pela miocardite e pelos distúrbios
dos órgãos ôcos musculares que se caracterizam pelo prefixo mega; de outro
lado há argumentos que contrariam este ponto de vista e que parecem indi¬
car concomitância de duas doenças com etiologia diferente”, de um modo
geral a etiologia chagásica das enteromegalias prevaleceu na opinião de muitos,
e numerosas foram as publicações nacionais e estrangeiras em seu apôio.
A obra de KOEBERLE 9 10 ’ n > 12 13 > desenvolveu-se em duas frentes: 1.
explicação patogênica; 2. comparação com o megaesôfago europeu.
1. Explicação patogênica
Para explicar a patogênese do megaesôfago, isto é, o mecanismo que des¬
de a infecção chagásica leva à enteromegalia, criou um “novo conceito pato-
genético” sobre a moléstia de Chagas, pelo qual devemos distinguir duas en¬
tidades mórbidas bem distintas entre si:
1. Moléstia de Chagas propriamente dita.
2. Seqüelas ou “patias” chagásicas.
KOEBERLE 12 atribui as “patias” chagásicas à “destruição das células gan¬
glionares do sistema nervoso central e/ou periférico” e diz que esse constitui
“o elo perdido” na patogenia da moléstia de Chagas (referindo-se à conclusão
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PIAZZAp K. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Man. Inat. Butantan, J7 : 149-232, 1973.
a quc PRADO 21 chegara, no l.° Congresso Internacional Sobre a Doença de
Chagas, realizado em julho de 1959, no Rio de janeiro, quando abordou os
diversos mecanismos patogênicos da doença).
Apresenta como justificativa para incluir o S.N. Central na sua assertiva,
apenas: a) uma frase de Gaspar Vianna em que este assevera que observou
nele “em torno dos pseudocistos rotos (de leishmanias °) reação grande, na
qual não raro perecem células nervosas”; b) uma afirmativa própria de que
“esta neuroniólise é observada após a desintegração das leishmanias, o que
indica libertação de uma substância neurotóxica ou neurolítica dos parasitas”,
que ilustra por uma figura de um corte de cerebelo em pequeno aumento em
que aparecem, no seu dizer, “pseudo-cistos rotos, propagação das leishmanias
para a camada das células de Purkinje. Notando-se na área de propagação das
leishmanias, degeneração e desaparecimento das células ganglionares de Pur¬
kinje”. Finaliza, porém, explicando que “Como existem apenas dois trabalhos
quantitativos sobre a diminuição numérica dos neurônios do S. N. Central em
camondongos e ratos deixaremos de entrar em pormenores sobre as neuropa-
tias centrais do homem”.
De modo que o próprio A. se incumbe de subtrair de sua explicação inicial
(quando atribui as “patias” chagásicas à destruição das células ganglionares
do S. N. Central e/ou Periférico) a parte referente ao S. N. Central.
Em outro artigo anterior 10 , já houvera afirmado: “É inútil procurar lesões
à distância, quando o comprometimento nervoso periférico local mostra desa¬
parecimento”.
Com efeito, todo o trabalho de KOEBERLE gira em torno da inervação
vegetativa da parede do tubo digestório e é através desse estudo que esta¬
belece o mecanismo patogênico das chamadas “enteromegalias chagásicas” que
atribui à “denervação uniforme em toda a extensão do órgão que ultrapassa
de 90baseado no estudo de 30 casos de megaesôfago “brasileiros” e em 15
baseado no estudo de 30 casos de megaesôfago
« Mm
europeus u .
Sua conclusão sobre o mecanismo patogênico é que “essa redução (neu-
ronal da parede) ° constitui o substrato anatômico da aperistalsis do esôfago,
que pode resultar em dilatação e hipertrofia do órgão”.
Essa “desnervação” seria uma “patia” chagásica, uma seqüela e não neces¬
sariamente uma forma de doença de Chagas ativa, aguda ou crônica. Apenas
conseqüência das lesões neuronais produzidas na fase aguda pelas “toxinas”
das leishmanias.
Da desnervação da parede, ao mega, os passos sucessivos seriam: a) lú-
perexcitabilidade vagai explicada pela desnervação (para o que invoca a lei
de Cannon); b) aperistalse; c) dilatação do órgão por estase do bolo alimen¬
tar; d) hipertrofia secundária da musculatura por hiperdistensão da mesma.
2. Comparação com o megaesôfago europeu
A comparação com o megaesôfago europeu, que se impunha desde que,
em colaboração com NADOR 9 publicara o primeiro trabalho sobre o me^aesô-
fago “brasileiro”, fez-se apenas no plano patogênico.
O parêntese ê meu.
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PTAZZA, U. — Lesões da medula espinhal no mcgacólon.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 14i» -232 , 11)73.
No estudo dos 30 casos de xnegaesôfagos “brasileiros” e em 15 de europeus
encontrou desnervação de igual magnitude (9G%), conforme já referi, “em
toda a extensão do órgão” e essa redução o leva a concluir que a mesma pa-
togênese explica o megaesôfago brasileiro e o europeu, mas, se por um lado
considera, naquele, a desnervação causada pela doença de Chagas, neste, a
considera de causa desconhecida. A respeito, já escrevera anteriormente 10 :
“Torna-se claro, portanto, que a doença de Chagas não é a única afecção que
tem possibilidade de produzir um “mega”. Qualquer outra doença que com¬
prometa a periferia neurovegetativa, seja sistematizada ou localizada, pode
levar à mesma conseqüência, isto é, produzir dilatação dos órgãos musculares
ocos, através de lesões dos plexos intramurais”.
Apesar desta judiciosa consideração de 1956, se generalizou entre nós a
opinião que toda enteromegalia era de natureza chagásica e as expressões me¬
gaesôfago chagásico, megacólon chagásico etc. se tornaram lugares comuns da
terminologia médica, para o que contribuiu o próprio autor, que no trabalho
de 1963 12 acentua: “o megaesôfago endêmico constitui uma síndrome de etiolo¬
gia e patogenia definida no Brasil”.
Aos poucos, o conceito estendeu-se aos países vizinhos e não faltaram
contribuições estrangeiras que vieram em seu apôio. Por exemplo, ATIAS,
MACKAY, CAMPERO, PARROCCHIA, JARPA, PIZARRO e SILVA 2 afirmam
peremptoriamente: “las comunicaciones brasileiras sobre este tema se han mul¬
tiplicado en los últimos anos, no dejando eludas de la relacion entre megaforma-
ciones y enfermedad de Chagas”.
Também na Inglaterra. SMITH- 5 em seu livro “The Neuropathology of the
Alimentary Tract” escreve: “A condition clinically identical with achalasia of the
cardia, occurs in Chaga’s disease associatecl with destruction of the myenteric
plexus by Trypanosoma cruzi” (note-se que nunca foi demonstrada a “destruc¬
tion of the myenteric plexus by Trypanosoma cruzi”).
Crítica ao conceito de enteromegalia chagásica
Uma análise cuidadosa do problema e das provas apresentadas, não sa¬
tisfaz o espírito de quem a ela se abalançar:
Vimos que as provas apresentadas de que a doença de Chagas produz
destruição das células ganglionares do S. N. Central são irrelevantes e o pró¬
prio KOEBERLE as deixa de lado, preferindo não entrar em “pormenores
sobre as neuropatias centrais do homem”, achando mesmo que “é inútil pro¬
curar lesões à distância, quando o comprometimento nervoso periférico local
mostra desaparecimento”.
A explicação baseia-se no estudo das paredes dos órgãos tubulares, pelo
qual chega à conclusão que as mesmas estão “desnervadas” — diminuição do
número de neurônios intra-murais que, comparado ao dos órgãos normais, seria
da ordem de 90%.
Para chegar a essa conclusão KOEBERLE 12 fez a contagem neuronal em:
33 esôfagos normais do Instituto Patológico de Viena; 30 esôfagos sem hiper-
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FIAZZA, Jl. — Lesões da medula espinhal no meg-acólon.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
trofia ou dilatações aparentes que chama “chagásicos” porque de portadores
da doença de Chagas; 30 megaesôfagos que chama “chagásicos” por igual
motivo; 15 megaesôfagos que chama “europeus” porque de europeus (e que
pressupõe não serem “chagásicos”).
Êsse estudo merece algumas críticas:
1. desprezou as células do plexo sub-mucoso de Meissner;
não refere o tempo de fixação do material, o que interfere no grau dc
retração do tecido;
3. de um anel de 5-6mm de altura, retirado ao nível da ampola esofá¬
gica, em cada caso fez 140 cortes transversais de 7 micra de espessura, montou
e corou cada 7.° corte e nestes é que fez a contagem neuronal do plexo mio-
entérico; portanto, 20 cortes de cada órgão e apenas na ampola esofágica,
perfazendo um total de apenas 140 micra de altura em cada caso, no espaço
de lmm, em um órgão que, normalmente, tem cerca de 25 cm de comprimento
e que, em caso de megaesôfago, poderá ter muito mais do que isso;
4. não refere nos casos de megaesôfago o volume dos órgãos estudados
ou a área total da parede e, assim, não refere os números obtidos a uma
unidade que permita comparar os resultados (é evidente que conforme a dila¬
tação do órgão o mesmo número normal de neurônios distribue-se por super¬
fícies diferentes);
5. a inclusão foi feita em parafina, método desaconselhável para ava¬
liação quantitativa de qualquer componente tecidual, sobretudo tecido ner¬
voso, dadas as variações da retração dos tecidos em cada caso, por ser um
método “a quente”.
Em outro estudo, fez, pela mesma técnica (merecedora de reparos) a
contagem neuronal do “esôfago terminal” (1/3 inferior) em sete níveis dife¬
rentes de 10 casos de megaesôfagos “chagásicos” e 2 “europeus”.
Finalmente, tentou estabelecer um padrão numérico estudando tres esô¬
fagos normais de 24 cm. de comprimento, cortados em 39 aneis com um inter¬
valo de 5 mm entre eles. De cada anel estudou 20 cortes de 7 micra, na altura
de 1 mm; também aqui não estabeleceu um padrão volumétrico ou de super¬
fície que permitisse comparar os números obtidos com os dos casos de mega¬
esôfago (a isso se destinava evidentemente o estudo).
6. explica a suposta destruição desses neurônios dos plexos intra-murais
do tubo digestório por uma toxina que as leishmanias liberariam ao serem des¬
truídas, mas não traz nenhuma prova da existência dessa toxina.
Chama “desnervação vagai” ao processo e, então, invoca a “lei da desner-
vação de Cannon” para explicar a hiperexeitabilidade das megaformações di-
gestórias aos agentes colinérgicos (VIEIRA e GODOY- 7 ). Essa desnervação
vagai encontrou aceitação entre autores como REZENDE, LAUAR e OLIVEI¬
RA- 4 para quem “As experiências de KRAMEll e 1NGELFINGER e de
BRASIL tornaram patente que o esôfago na síndrome conhecida por acalásia
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FIAZZA, li. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Meni. Iust. Butantan, 37: 149-232, 1973.
do cárdia, cardiospasmo ou megaesôfago, acha-se bloqueado em relação à
inervação vagai”.
Vejamos se essa “lei” pode ser invocada, no caso:
A “lei de Cannon” 4 diz que: “Quando de uma série de neurônios aferen¬
tes, uma unidade é destruída, desenvolve-se acentuação da irritabilidade aos
agentes químicos na estrutura ou estruturas isoladas, sendo máximo o efeito
na parte diretamente desnervada”. A respeito da sensibilização das células
nervosas diz: “Os neurônios finais do sistema simpático, com células gangliona¬
res nos gânglios do sistema, recebem impulsos das fibras pré-ganglionares.
Nesta junção neuro-neuronal a acetilcolina serve de mediadora da transmissão,
assim como o faz ao nível mio-neural nos músculos esqueléticos. Com efeito,
os eventos que ocorrem nessas duas sinapses são sob muitos aspectos acentua-
damente parecidos (cf. Rosenblueth e Cannon). É razoável, portanto, consi¬
derar os últimos neurônios simpáticos como sendo inervados pelos penúltimos.
Surgiu, como decorrência, a questão: se as fibras pré-ganglionares são corta¬
das, os neurônios finais (pós-ganglionares) ficam sensibilizados aos estímulos
químicos?” Após longa dissertação, conclui que os neurônios pós-ganglionares,
carentes de fibras pré-ganglionares por secção ou degeneração, tornam-se sen¬
sibilizados igualmente ao agente estimulador natural, a acetilcolina (por falta
de acetilcolinesterase). Portanto, a lei da desnervação de Cannon, pode ser
invocada tanto na desnervação do plexo intramural como dos gânglios da
cadeia para e pré-vertebral. O efeito final, sobre a musculatura do intestino é
o mesmo.
Mas os experimentos de Cannon não foram feitos pela destruição dos
plexos intramurais, se não que de fibras identificadas, ortossimpáticas ou
parassimpáticas, que chegam aos gânglios simpáticos, e nunca de ambas con¬
comitantemente, que é no que implica a lesão plexular.
Com efeito, ainda hoje se discute se as células ganglionares desses plexos
são ou não exclusivamente parassimpáticas 6 ’ H > 15 * 16 > 23> 25> 2S , mas o que não
se discute é que as fibras ortossimpáticas, provenientes das porções gástricas
e mesentéricas do plexo celíaco, passam pelos plexos de Auerbach (e de Meiss-
ner) e contribuem para a formação da rede plexular. Até hoje pouco se sabe
acerca das relações sinápticas que se estabelecem nos gânglios destes plexos.
Os conhecimentos atuais pouco acrescentaram em relação aos conceitos de
LANGLEY 15 ’ 16 do começo do século, para quem as fibras pós-ganglionares dos
gânglios celíacos passam por esse plexo sem interrupção e terminam nas ca¬
madas musculares e glândulas do tracto gastro-intestinal e as fibras pré-gan¬
glionares do vago é que provavelmente terminam em relações sinápticas com
células destes pequenos gânglios, cujos axônins representariam fibras pós-gan¬
glionares vagais que chegam à musculatura lisa e às glândulas.
Mas, mesmo que se admita que os neurônios desses plexos sejam vagais,
a destruição dos gânglios plexulares não pode ser considerada de efeitos ele¬
tivos para o vago. No dizer de KOEBERLE, a inflamação chagásica destrói
o plexo e, portanto, seus neurônios vagais. Mas, e as fibras ortossimpáticas
que por eles passam (mesmo que aí não façam sinapse)?
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PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mem. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
É evidente que, com a destruição dos gânglios dos plexos mioentéricos,
haverá sempre destruição de componentes orto e parassimpáticos, o que torna
aleatória qualquer argumentação que visa a provar o predomínio de um ou
de outro cios dois setores simpáticos. Para isto, é necessário que se argumente
com lesões de células ou de fibras pré-plexulares especificamente orto ou pa-
rassimpáticas.
É verdade caie KOEBEULE afirmou, conforme referi, que “qualquer
doença que comprometa a periferia neurovegetativa, seja sistematizada ou
localizada pode... produzir dilatação dos órgãos musculares ocos” e, por
periferia neurovegetativa, entende-se a eadeia neurônio medulo-ganglionar
(pré-ganglionar), gânglio-visceral (pós-ganglionar) e plexos intra-murais. Mas,
quando procura provar a hipótese, faz menção única e exclusivamente aos
neurônios dos gânglios plexulares e quando afirma cpie “Ê inútil procurar
lesões à distância quando o comprometimento nervoso periférico local mostra
desaparecimento, se refere aos mesmos plexos.
Apesar de KOEBEULE ter estabelecido a comparação entre o megaesô-
fago brasileiro e o europeu apenas no plano patogenético, não resta dúvida
que era sua obrigação, uma vez que. ao megaesôfago “brasileiro” vinculou a
doença de Chagas, comparar ambos no plano etiológico. Limitou-se, entre¬
tanto, a considerar a forma alienígena “de causa desconhecida”.
Esse modo de encarar o problema aberra dos princípios da Patologia, pois:
ou o Trypanosoma cruzi é o agente etiológico determinante das megafor-
rnações e nesse caso não há como distinguir um megaesofago brasileiro de um
europeu;
ou o Trypanosoma cruzi é apenas agente etiológico coadjuvante das me-
gaformações e não há porque distinguir um megaesôfago brasileiro de um eu¬
ropeu, desde que o agente etiológico determinante poderá ser o mesmo.
Não julgo, portanto, a teoria de KOEBEULE e NADOU satisfatória para
explicar a etiologia ou a patogenia dos megas .
Outro autor nacional que estudou o problema das enteromegalias foi
MAFFEI que, em algumas publicações e em numerosas aulas, palestras e
conferências, divulgou a sua concepção, de que as megaformações torácicas,
abdominais e pélvicas dos órgãos ocos musculares são manifestações de al¬
terações de desenvolvimento medulares, que se manifestam radiológicamente
por “spina bifida” oculta.
Eín 1951 17 simplesmente diz que entre outros sintomas da “spina bifida”
oculta está o megacólon e o megaureter.
Em 1954 18 conclui um seu trabalho dizendo: “Os megas” não constituem
simples acidente local do esôfago, do colon ou do ureter etc., mas um processo
mais geral do organismo consistindo ern uma alteração do desenvolvimento
embrionário, não só do órgão mas também da medula espinhal ou de suas
raízes e, portanto, um capítulo da Patologia Constitucional”.
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riAZZA, lí. — I^esõea da medula espinhal no megacólon.
Mcm. List. Sutantan, ú’7 : 140-232, 1973.
Para explicar o mecanismo patogênico refere que “a fisiologia nos ensina
que a progressão do conteúdo do tubo digestivo se faz por meio de ondas
peristálticas constituídas pela sucessão de contrações da túnica muscular em
um segmento e relaxamento do segmento imediato. Esse mecanismo se rea¬
liza automaticamente pela ação do sistema nervoso: as contrações são deter¬
minadas pelo sistema nervoso autônomo representado não só pelos plexos
existentes na parede do próprio tubo digestivo como também pelos gânglios
do sistema simpático que, por sua vez, estão em conexão com o eixo cérebro-
espinhal. O relaxamento dos diferentes segmentos é determinado pelo sistema
nervoso central cujos centros estão escalonados desde o bulbo até a medula
sagrada. Desse modo, enquanto um segmento recebe o estímulo simpático e
se contrai, o segmento imediato recebe o estímulo do sistema nervoso central,
relaxando-se e assim por diante, resultando a progressão do conteúdo. Por
conseguinte, se nos megas o segmento abaixo da dilatação permanece fechado
é porque lhe falta o mecanismo de abertura, dependente do sistema nervoso
central”.
Em 1967' 9 escreve: “Já vimos que estas anomalias (os megas) estão rela¬
cionados à spina bifida oculta, fato este compreensível sabendo-se que no
desenvolvimento embrionário a extremidade caudal da medula se continua
com o intestino primitivo, constituindo o canal neuro-entérico..
Apesar da carência de base na Anatomia do Sistema Nervoso Autônomo
e na Embriologia do Sistema Neural de cada uma das hipóteses patogênicas
aventadas por MAFFEI, apesar do A. nunca ter apresentado dados estatísticos
para dizer em quantas observações se baseava seu conceito; apesar de publicar
apenas algumas raras fotografias de cortes de medulas mal-formadas, o que evi¬
denciava não ter êle submetido sua hipótese aos rigores de um estudo sistemá¬
tico, resolvi pesquisar essa teoria não aventada por outros autores, uma vez que
os centros nervosos neuro-vegetativos (orto e parassimpáticos) se localizam
no eixo cérebro-espinhal (v. fig. 69), desde o hipotálamo à medula sagrada,
constituídos pela substância acinzenta peri-ependimária que reveste o 3.° ven¬
trículo, o aquedueto de Sylvius, o 4.° ventírculo e todo o canal do epêndina,
e que a sua parte periférica motora se inicia por núcleos do tronco cerebral
e da medula. Era, pois, possível que alterações de desenvolvimento medulares
pudessem estar implicadas em um mecanismo patogênico do qual evidente¬
mente participa o S. N. Autônomo, que levasse ao aparecimento das megafor-
mações dos órgãos tubulares digestivos, desde que as tentativas feitas pelo
estudo dos componentes intramurais desse mesmo Sistema não havia, a meu
ver, esclarecido o assunto.
Assim, estudei de maneira sistemática as medulas dos portadores
de megacólon por mim autopsiados no Hospital Psiquiátrico Juqueri.
Inicialmente, o estudo destinou-se a verificar genericamente a existência
de alterações de desenvolvimento. No decorrer dele observei flagrantes lesões
disgenéticas e adquiridas dos centros simpáticos medulares e, ao final,
revi todo o material para me deter no estudo de tais centros. Os resultados
dessa revisão constituíram-se em contribuição original ao esclarecimento da
etiologia e da patogenia da doença.
156
cm
2 3
L
5 6
11 12 13 14 15
PIAZZA, II. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mcm. Inst. Butantan , 37: 149-232, 1973.
MATERIAL E MÉTODO
1. O material constou das medulas espinhais de 21 casos de megacólon.
2. As medulas, após fixação de 60 dias em formalina a 10%, foram cli¬
vadas em segmentos de aproximadamente 1 cm cada. Em média, cada medula
deu 40 segmentos, que foram numerados no sentido caudal-cefálico (exceto o
caso 17 que o foi no sentido inverso), incluídos em celoidina e microtomízados
com 30 micra de espessura.
Exceto no caso 21, todas as medulas eram completas, da transição com
o bulbo ao cone terminal.
De cada bloco foram montados pelo menos 4 cortes, dois corados pelo
método de Nissl para o pirenóforo e dois, pela variante de Erhardt do método
Pal-Weigert para fibras mielínicas.
Ao todo, o material estudado se constitui de aproximadamente 4.000 pre¬
parações histológicas.
3. Excetuados os casos de diastematomielia, completa ou incompleta,
as demais alterações arquitetônicas encontradas não permitiram classificação
pois eram na maioria das vezes bizarras, em conseqüência das mais variadas
perturbações da migração e diferenciação dos neuroblastos. Isso obrigou-me
a classificá-las arbitrariamente em: 1) arquitetura profundamente alterada; 2)
alterada; 3) discretamente alterada e 4) quase normal.
4. Nas medulas com lesões somente disgenéticas, ainda que tenha exa¬
minado todas as lâminas, descrevi as coradas pelo método de Nissl apenas nos
casos ou nos segmentos em que as disgenesias, não sendo grosseiras, permi¬
tiram o estudo cito-arquitetônico.
Nas medulas com lesões somente adquiridas, essa descrição foi sistemática.
5. Para caracterizar u’a medula como disgenética foi necessário excluir
possíveis artifícios de técnica, particularmente dois: inclinação do plano de
corte e trações. Para bem entender os efeitos da inclinação do plano de corte
sobre a configuração da secção medular, fiz moldes de madeira (subst. branca)
e gesso (subst. cinzenta) das principais alturas (cervical, torácica, lombar e
sagrada), que foram serrados segundo os diferentes planos inclinados (fig. 70
a 80). Ficou evidenciado que tal inclinação não produz figuras assimétricas,
como as das figs. 36, 39, 43, 53 e 66, a não ser que a inclinação seja tal que o
plano atinja a superfície superior ou inferior do bloco, caso em que necessaria¬
mente o corte apresenta o seu contorno elíptico ou circular interrompido por
uma linha reta (arco de corda, figs. 77, 78, 79 e 80).
Quanto às trações, o método que se mostrou mais seguro foi o do estudo
da morfologia dos corpos celulares dos neurônios, pois, quando o tecido
nervoso é fracionado, tais corpos se apresentam todos alongados em uma só
157
cm
2 3
L.
5 6
11 12 13 14 15
PlAZZA, K. — L*esões da medula espinhal no megacôlon.
Mem. lust. Butantan, 37: 149-232, 1973.
direção. Por exemplo, na fig. 40, os pirenóforos são os dos neurônios do corno
anterior da medula da fig. 39-B e não apresentam essa ou outra deformidade.
Isso permite excluir que a configuração alongada em direção transversal desse
corno anterior se deve a uma tração em sentido lateral.
Mesmo convencido da natureza disgenética de uma determinada alteração
arquitetônica, somente a descrevi como tal quando tinha elementos que pudes¬
sem disso convencer qualquer espírito, mesmo o mais céptico. Preferi consi¬
derar como normais figuras que por minha longa prática do exame de me¬
dulas me davam a impressão de alteração arquitetônica disgenética, mas que
podiam ser contestadas por alguém não afeito a tais aspectos. Quando a con¬
vicção subjetiva foi muito forte e as objeções não podiam merecer esclareci¬
mento cabal, preferi deixar uma interrogação.
6. As lâminas foram estudadas e descritas uma a uma. A conclusão sôbre
cada uma foi baseada no seu exame isolado, para que os achados em outras
lâminas não influíssem na apreciação do corte em observação. A não ser assim,
a descrição das lâminas 14 e 36 a 38 do caso 8 (figs. 32 a 35) não traria uma
interrogação, pois as lâminas 5, 6, 7. 8 e 9 do mesmo (figs. 27 a 31) poderiam
coonestar a opção por uma alteração arquitetônica do desenvolvimento naque¬
les cortes.
7. Não foi feita a identificação (a partir das raízes) da altura de cada
segmento medular por ocasião da clivagem do material, mas a sua numeração
foi seguida, de modo que, na maioria das vezes, foi possível identificar não
só a altura (cauda, sagrada, lombar, torácica ou cervical) do segmento como
sua localização mais cefálica ou mais caudal em relação aos demais da
mesma altura. Quer dizer, as lâminas e segmentos 17 e 19 por exemplo, são
respectivamente mais caudal e mais cefálica do que a do segmento 18. É
óbvio que os números seguidos correspondem a segmentos vizinhos. Houve
casos, porém, em que o corte apresentava arquitetura tão alterada que não
permitia identificar a altura e as lâminas imediatamente precedente e proce¬
dente eram do alturas diferentes; assim, fiquei sem poder identificar a altura
do segmento observado. Nas tabelas da casuística, tais casos aparecem com
interrogação na coluna das alturas medulares.
8. Os principais elementos de que me vali para avaliar a existência de
uma alteração do desenvolvimento embrionário foram:
1. forma, em seu conjunto;
2. presença de células nervosas nas estruturas apensas (figs. 2, 3, 15, 17),
protrusas (fig. 1) e acoladas (figs. 25, 26, 43 e 44) à formação me¬
dular principal;
3. forma dos pirenóforos nos casos sugestivos de tração (figs. 39-B e 40);
4. direção das fibras nervosas (fig. 47);
15S
cm
2 3
z
5 6
11 12 13 14 15
5 .
R. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
í. Butantan, 37: 149-232, 1973.
população neuronal dos núcleos medulares; como não existem padrões
estabelecidos na raça humana, me guiei pela comparação com medulas
normais e entre os dois lados da medula em estudo; os resultados fo¬
ram expressos em “rarefacção celular” e “ausência” de um determi¬
nado núcleo; este estudo, corno se percebe facilmente na Casuística,
foi dirigido para as estruturas cinzentas simpáticas, por motivos que
explicarei na Discussão.
Adotei a seguinte nomenclatura:
9.1 — Arquitetura normal — ausência de lesões disgenéticas.
9.2 — Aquitetura alterada (profundamente, simplesmente ou discre¬
tamente) e quase normal — presença de lesões disgenéticas.
9.3 — Segmento — segmento resultante da clivagem (bloco).
9.4 — Altura (Ca, S, L, T e C) - um dos grandes segmentos meta-
méricos da medula: cauda, sagrada, torácica ou dorsal e cer¬
vical.
9.5 — Centros simpáticos — centros neuro-vegetativos ou autônomos
(orto e parassimpáticos).
9.6 — N — coloração pelo método de Nissl para o corpo ce¬
lular do neurônio; E — coloração pelo método de Erhardt (va¬
riante do Weigert-Pal) para fibras mielínicas; LAM (lâmina)
— número do segmento da medula, resultante da clivagem;
COL — método de coloração; ALT — altura (v. 9.4),
5 .
159
cm
2 3
L
5 6
11 12 13 14 15
PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no mesacólon.
Mevi. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
CASUÍSTICA
CASO 1
L
C
A
A
O
E
M
L,
T
2
E
S
Duas porções: de um lado, S-5 com raízes ao redor; do ou¬
tro, somente feixe de raízes.
o
O
E
O
Formação única, com profunda alteração da forma e da
disposição das substâncias branca e cinzenta.
4
E
9
Medula dupla (diastematomielia): ambas as porções de for¬
ma muito alterada.
5
E
9
Formação única, com acentuada alteração da forma, ape¬
sar da qual aparece o H de substância cinzenta.
6
E
9
Diastematomielia: uma das porções tem morfologia de
medula; a outra é apenas rudimentar.
7
E
9
Formação única com morfologia de medula, que, entre¬
tanto, tem dois fascículos conspícuos no funículo posterior
8/9
E
o
Diastematomielia: uma das porções tem morfologia do
medula; a outra é apenas rudimentar.
10/15
E
rp
Formação única, praticamente normal, apenas de volume
aumentado a expensas da substância branca.
16/28
E
T
Formação única, de volume aumentado a expensas da
substância branca, com alterações das colunas intermédio-
laterais, traduzidas por aplasia ou hipoplasia de uma ou
de ambas as espículas laterais.
29
E
C
Aplasia de uma das espículas laterais (deve ser altura
C-8).
30
E
C
Mal-formação ou defeito dc técnica?
160
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA, It. — Lesões da medula espinhal no megacõlon.
Mem. Inst. Butantan, .37: 1 19-232, 1973.
Fier. 1. Caso 1. Iam. 3. Aum. 10 x
L6l
cm
2 3 4 5 6 SClELO 1Q n 12 13 14 15
PIAZZA, It. — Lesões da medula espinhal no megacõlon.
Mem. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
CASO 2
L
C
A
A
O
I.
M
L
T
1/2
E
S
3/8
E
E
9
E
T
11
E
T
12/17
E
T
18
E
T
19
E
T
20
E
T
21/22
E
T
23
E
T
24
E
T
25/26
E
m
J.
27
E
T
28/30
E
7
31/32
E
C
Arquitetura normal.
alterada.
profundamente alterada.
Ausência de uma espícula lateral.
Espículas laterais apenas esboçadas.
Espículas laterais apenas esboçadas.
Arquitetura praticamente normal.
Ausência de uma espícula lateral.
Espículas laterais praticamente ausentes.
Ausência de uma espícula lateral.
Arquitetura alterada: massa de tecido nervoso (em que
foram vistas células nervosas) em forma de crescente,
apoiada lateralmente.
Arquitetura profundamente alterada (impossível confusão
com artifício de técnica).
Arquitetura profundamente alterada (impossível confusão
com artifício de técnica).
Observação — Há em todas as alturas desmielinização do feixe piramidal cruzado
de um dos lados.
163
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mem. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
Fie. S. Caso 2, lam. 32. Aum. Sx.
SciELO
cm 123456
PIAZZA, lí. — Tensões da medula espinhal no megacólon.
Mem. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
CASO 3
L
C
A
A
O
ij
M
L,
T
1
E
S
2
E
s
3/4
E
L
5/12
E
T
13
E
T
14/15
E
T
16/22
E
T
23
E
T
24/26
E
T
27/30
E
C
31/32
E
C
Arquitetura profundamente alterada ou artifício de téc¬
nica?
Arquitetura profundamente alterada.
- ” --— quase normal.
- ” - discretamente alterada (espículas laterais
apenas esboçadas de um ou de ambos os Jados).
Arquitetura alterada.
- ” - normal.
- ” - discretamente alterada (como em 5/12).
Arquitetura alterada.
Arquitetura praticamente normal.
profundamente alterada.
166
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA. R. — Lesões (la medula espinhal no megacôlon.
Mcm. Inst. Jlntuntan, .í7 : 149-232, 1973.
167
SciELO
cm
Fig. 10. Caso 3, lâm. 31. Aum. llx.
Fig. 9. Caso 3, lâm. 2.
PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no mesacôlon.
Mem. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
L
C
A
A
O
T,
M
L
T
1/4
E
Ca
5/7
E
S
8/9
E
U
10
E
I,
11
E
L.
12/13
E
Tj
14
E
L
15
E
T
16
E
T
17
E
T
17
N
T
18
E
T
19
E
T
20/21
E
T
20/21
N
T
22
E
T
22
N
T
23
E
T
24
E
T
25
E
T
25
N
T
26
E
T
27/28
E
T
27/28
N
T
29/30
E
T
29/30
N
T
31/32
E
T
31/32
N
T
33/35
E
C
36/38
E
C
39/41
E
C
42/44
E
c
CASO 4
Nada digno de nota.
Arquitetura normal.
-quase normal.
--alterada.
- profundamente alterada.
— ”-(tipo diastemato-
mielia).
Arquitetura profundamente alterada (há um crescente re¬
cobrindo a face posterior da medula, destacado dela, cons¬
tituído por tecido nervoso — presença de células nervosas
nos cortes corados pelo método de NISSLb
Arquitetura alterada.
Ausência das espículas laterais.
Presença dos núcleos intermédio-laterais (estando o de um
lado no corno posterior).
Arquitetura diseretamente alterada: de um lado, corno an¬
terior muito menor (que do outro) e ausência da espícula
lateral.
Arquitetura alterada.
Espículas laterais apenas esboçadas.
Núcleos intermédio-laterais rarefeitos.
Uma espícula lateral apenas esboçada e outra ausente.
Dc um lado, núcleo intermédio-lateral muito rarefeito; do
outro, no corno posterior.
Arquitetura profundamente alterada (tipo diastematomie-
lia).
Arquitetura profundamente alterada.
Espículas laterais apenas esboçadas e nos cornes poste¬
riores.
Núcleos intermédio-lateris rarefeitos, mais o de um dos
lados.
Arquitetura normal.
Espículas laterais nos cornos posteriores e uma delas ape¬
nas esboçada.
Núcleos intermédio-laterais rarefeitos.
Espículas laterais nos cornos posteriores.
Um dos núcleos intermédio-laterais rarefeito.
Espículas laterais nos cornos posteriores.
Núcleos intermédio-laterais normais.
Arquitetura alterada.
- ” - normal.
— profundamento alterada.
- ”-normal.
168
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA, lí. — Lesões da medula espinhal no megaeolon.
ü/eni. Inst. Butantan, St: 149-232, 1973.
Fisj. 11. Caso 4, lãm. 11. Aura. 7,5x.
Fig. 12. Caso 4, lãm. 12. Aura. 7,5x.
169
SciELO
PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mem. Inst. Bntantan, .17: 149-232, 1973.
Fig. 15. Caso 4, lâm. 15. Aum. 7x.
Fig. 1G. Caso 4, lâm. 19. Aum. 10x.
171
SciELO
PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mem. Inst. Butantan, S7 : 149-232, 1973.
173
2 3 4 5 6 SClELO 1Q 2.1 12 13 14 15
PIAZZA, lí. — Lesões da medula espinhal no megacõlon.
Mnn. lust. Ilutantan, .17 : 146-232, 1373.
171
CASO D
Arquitetura normal.
19
E
Uma espícula lateral apenas esboçada.
Espiculas laterais apenas esboçadas.
Núcleos intermédio-laterais rarefeitos.
Arquitetura discretamente alterada.
Espiculas laterais apenas esboçadas.
Arquitetura normal.
- ” —- alterada.
Ausência de uma espícula lateral.
Uma espícula lateral no corno posterior.
Uma espícula lateral no corno posterior, outra apenas es¬
boçada.
Uma espícula lateral no corno posterior; ambas apenas
esboçadas.
Uma espícula lateral apenas esboçada.
Arquitetura normal.
discretamente alterada,
alterada.
profundamente alterada (tipo diastemato-
mielia).
-
•. V.AV
em
tí 7/
r
Wr
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Fiu
21. Caso 5, lâin. 26. Aum. 8x
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacôlon.
Mem. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
CASO 6
L
C
A
A
O
Tj
M
L
T
1/7
E
Ca
8/10
E
S
11/15
E
L
16/23
E
T
24/30‘
E
T
31
E
T
32/44
E
T
45/47
E
C
48/50
E
C
51/52
E
C
Nada digno de nota.
Arquitetura normal.
Ausência de uma espícula lateral.
Arquitetura quase normal.
-”-normal.
-” - profundamente alterada.
- ”-alterada.
- ” - normal.
Fig. 22. Caso G, ' f! ni. 45. Aum. 9,5.\.
175
2 3 4 5 6 SClELO 10 n 12 i3 14 15
cm
PIAZZA, TI. — Lesões da medula espinhal no megacôlon.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
Fig. 23. Caso G, lâm. 4G. Aum, 10x.
176
2 3 4 5 6 SClELO 1Q 1X 12 13 14 15
PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
CASO 7
L
C
A
A
O
Li
M
L
TL
1/9
E
Ca
10/12
E
S
13/15
E
L
16/29
E
T
30/31
E
C
32
E
C
33
E
c
34/35
E
c
36
E
c
37
E
c
38
E
c
Nada digno de nota.
Arquitetura normal.
quase normal,
discretamente alterada,
profundamente alterada,
alterada.
discretamente alterada,
profundamente alterada.
177
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA, Tl. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mem. Iust. Bntantaii, .17 : 1 49-232, 1973.
178
Fig. 25. Caso 7, lâm. 35. Aum. 8,5x.
2 3 4
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA, R. — Lesões cia medula espinhal no inegacólon.
Mem. List. Butantan, 37: 149-232, 1 973.
CASO 8
L
C
A
A
O
L,
M
L
T
1
E
Ca
Nada digno de nota.
2/4
E
n
Arquitetura normal.
5/9
E
T
- ” - profundamente alterada (tipo diastemato-
mielia).
10/12
E
T
Arquitetura normal.
13
E
T
Uma espícula lateral no corno posterior.
14
E
T
Arquitetura alterada ou artificio de técnica?
15
E
T
- ” - normal.
16/17
E
T
Uma espícula lateral no corno posterior.
18/19
E
T
Espículas laterais nos cornos posteriores.
20/21
E
T
Espículas laterais nos cornos posteriores, sendo uma menor
do que a outra.
22/25
E
T
Espículas laterais nos cornos posteriores.
26
E
T
Uma espícula lateral no corno posterior e menor do que n
outra.
27
E
T
Arquitetura alterada.
28
E
T
Espículas laterais nos cornos posteriores.
29
E
T
Arquitetura praticamente normal.
30/34
E
c
- ” - normal.
35
E
C
Não pode ser avaliada.
36/38
E
C
Arquitetura profundamente alterada ou artifício de íéc-
nica?
PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 119-232, 1973.
Fig. 28. Caso 8, lâm. G. Aum. 7,5x.
Fig\ 29. Caso 8, lâm. 7. Aum. 10x.
2 3 4
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA, R. ■—• Lesões da medula espinhal no megacõlon.
Mem. Inst. Butantan, ST: 149-232, 1973.
CASO
L
C
A
A
O
L
M
L
T
1
E
Ca
o
E
S
3/6
E
S
7/10
E
L
11/32
E
T
33/39
E
C
Nada digno de nota.
Arquitetura alterada: assimetria que simula artifício de
técnica.
Arquitetura normal.
184
M
Fiff. 36. Caso 9, lâm. 2. Aum. 7,5x.
2 3
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA, ü. ■ — Lesões da medula espinhal no megaeólon.
Mem. Inst. Butantan, 37: 149-232. 1973.
CASO 10
L
C
A
A
O
L
M
L
T
1/4
E
Ca
5/7
E
S
8/12
E
b
13/15
E
T
16
E
T
16
N
T
17
E
T
17
N
T
18
E
T
18
N
T
19
E
T
19
N
T
20
E
T
20
N
T
21
E
T
21
N
T
22
E
T
22
N
T
23
E
T
23
N
m
X
24
E
T
24
N
T
25
E
T
25
N
T
26
E
T
26
N
T
27
E
T
27
N
T
28
N
T
29
E
T
29
N
T
30
E
T
30
N
T
31
E
T
31
N
T
32
E
T
32
N
T
33
E
T
33
N
T
34
E
C
34
N
C
35/37
E
C
38
E
C
38
N
C
39
E
C
40
E
C
41
E
C
Nada digno de nota.
Arquitetura normal.
- ” - alterada (ausência de uma espícula late¬
ral).
Ausência de um dos núcleos intermédio-laterais.
Arquitetura alterada (espículas laterais praticamente au¬
sentes).
Ausência dos núcleos intermédio-laterais.
Arquitetura alterada (ausência de espícula lateral).
Ausência de um dos núcleos intermédio-laterais.
Arquitetura alterada (ausência de espículas laterais).
Ausência de núcleos intermédio-laterais.
Arquitetura alterada (ausência de espículas laterais).
Ausência de núcleos intermédio-laterais.
Arquitetura alterada (ausência de uma espícula lateral).
Ausência de núcleos intermédio-laterais.
Arquitetura discretamento alterada.
Núcleos intermédio-laterais presentes.
Estrutura quase normal.
Núcleos intermédio-laterais presentes.
Ausência de uma espícula lateral.
Núcleos intermédio-laterais nos cornos posteriores.
Arquitetura quase normal.
Núcleos intermédio-laterais presentes.
Arquitetura quase normal.
Um dos núcleos intermédio-laterais rarefeito.
Arquitetura quase normal.
Um dos núcleos intermédio-laterais rarefeito.
Núcleos intermédio-laterais presentes.
Arquitetura normal.
Núcleos intermédio-laterais presentes.
Arquitetura normal.
Um dos núcleos intermédio-laterais rarefeito.
Arquitetura normal.
Um dos núcleos intermédio-laterais rarefeito.
Arquitetura normal.
Lâminas descoradas.
Arquitetura normal.
Núcleos intermédio-laterais presentes.
Arquitetura normal.
Nada digno do nota.
Arquitetura normal.
-” - alterada: um corno anterior bem maior, do
que o outro e de forma anômala (espécie de excrescência
lateral).
Células do corno anterior do lado anômalo n.o mostram
sinais dc estiramento.
Arquitetura profundamente alterada.
- ” - normal.
- ” —-- alterada.
185
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA, R. — Lesões da medula, espinhal no megacólon.
Mem. Inst. Butantan, 87: 149-232, 1973.
— B —
Fig. 39. Caso 10, lâm. 38. Aum. 15x.
187
Fig. 40, Caso 10, lâm. 38. Aum. 40x.
2 3 4
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacôlon.
Mcm. List. Butantan, 37: 149-232, 1973.
L
A
M
1/3
4/9
10/14
15/37
38/41
42/43
44/46
47
CASO 11
Nada digno de nota.
Arquitetura normal.
alterada
normal.
alterada
SciELO
188
PIAZZA, It. — Lesões da medula espinhal no megaeólon.
Mem. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
CASO 12
L
C
A
A
O
Ij
M
L
T
1/5
E
Ca
Arquitetura
normal.
6/9
E
S
t>
ti
10/14
E
L
tt
”
15/35
E
T
tt
ti
36/39
E
C
1)
it
40
E
C
>>
— alterada.
41
E
■n
tf
— quase normal.
42
E
c
tt
— alterada
43
E
c
ti
— quase normal.
Fig. 42. Caso 12, Iam. 40. Aura. 8,5x.
189
PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacõlon.
Mem. Inst. Butantan, 37 : 149-232, 1973.
CASO 13
10
20
E
E
Nada digno
Arquitetura
lia).
Arquitetura
Arquitetura
lia).
Arquitetura
Arquitetura
Arquitetura
lia).
Arquitetura
lia).
Arquitetura
de nota.
profundamente alterada (tipo diastematomie-
profundamente alterada (dois canais centrais),
profundamente alterada (tipo diastematomie-
profundamente alterada (dois canais centrais),
alterada.
profundamente alterada (tipo diastematomie-
profundamente alterada (tipo diastematomie-
normal.
- ” - discretamente alterada (uma espícula me¬
nor do que a outra).
Arquitetura discretamente alterada (uma espícula bem me¬
nor do que a outra).
Rarefação de um núcleo intermédio-lateral.
Arquitetura discretamente alterada (igual a 19).
Rarefação de um núcleo intermédio-lateral.
Arquitetura discretamente alterada.
Arquitetura discretamente alterada (igual a 20).
Arquitetura quase normal.
Arquitetura discretamente alterada (igual a 20).
Um núcleo intermédio lateral rarefeito.
Arquitetura quase normal.
Um núcleo intermédio-lateral rarefeito.
Ambos os núcleos intermédio-laterais muito rarefeitos.
Arquitetura quase normal.
Arquitetura normal.
Arquitetura alterada (disposição radiada das fibras da
substância branca).
Arquitetura normal.
- alterada (igual a 33).
- nomal.
- discretamente alterada.
■-alterada (igual a 33).
- normal.
- alterada (igual a 33).
- normal.
-—-- alterada (igual a 33).
190
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA, R. — Le sões da medula espinhal no megacõlon.
Mem. Inst. Butantan, 3 7: 119-232, 1973.
191
cm
PIAZZA, n. — Lesões cia medula espinhal no megacúlon.
31 cm. Inst. Butantan, ST. 149-232, 1973.
Fig. 45. Caso 13, lâm. 21. Aum. 10x
Fig. 10. Caso 13. lâm. 10. Aum. 10x
192
2 3 4 5 6 SciELO 10 1X 12 13 14 15
PIAZZA, R. — Lesões cia medula espinhal no megacólon.
71/em. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA, H. — Lesões da medula espinhal no megacõlon.
Mem. Inst. Butantan, SI: 149-232, 1973.
CASO 14
L
C
A
A
O
L
M
T
T
1
E
Ca
Nada digno de nota.
2/4
E
S
Arquitetura normal.
5/8
E
L
»» >»
9/12
E
T
13
E
T
alterada (ausência de espículas laterais) discre¬
tamente.
13
N
T
Núcleos intermédio-laterais nos cornos posteriores.
14/21
E
T
Arquitetura profundamente alterada (pode simular artifício
de técnica).
22/24
E
T
Arquitetura alterada (pode simular artifício de técnica).
25/26
E
T
Arquitetura profundamente alterada (não pode simular arti¬
fício de técnica).
27/28
E
T-C
Arquitetura quase normal.
29/30
E
C
” normal.
31/32
E
c
alterada (pode simular artifício de técnica)
Grande aumento de tamanho.
33
E
c
Arquitetura quase normal.
34
E
c
” normal.
cm
2 3 4 5 6 SClELO 10 n 12 13 14 15
PIa 3?A, ít. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mem. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1073.
Fig. 49. Caso 14, lâm. 14. Aum. 10x.
Fig. 50. Caso 14, lâm. 23. Aum. 10x.
2 3 4
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA, lí. — Lesões da medula espinhal no megacôlon.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
Fig\ 51. Caso 14, iam. 26. Aum. 10x.
Fiff. 52. Caso 14, lâm. 33. Aum. 9x.
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA, n. — Lesões da medula espinhal no megncõlon.
Mr.n. Inst. Butantan, i7 : 140-232, 1973.
PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacõlon.
Mem. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
CASO 15
L
C
A
A
O
L
M
L
T
1/3
E
Ca
Nada digno de nota.
4/6
E
S
Arquitetura normal.
7/11
E
L
- ”-” -
12/33
E
T
- ” - ” -
34/36
E
C
- ” - ” -
37/43
E
c
-” - profundamente alterada.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
RIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacõlon.
Mem. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
CASO 16
L
C
A
A
O
L
M
L
T
2/5
E
Ca
6/8
E
S
9/12
E
L
14/16
N
T
17/23
E
T
24/25
E
T
26
E
T
27/34
E
T
35/43
E
C
Nada digno de nota.
Arquitetura normal.
Uma espícula lat. no corno post.; outra de tamanho reduzido.
Arquitetura profundamente alterada.
- ” - alterada.
- ” - profundamente alterada.
- ” - normal.
- ” - —— normal.
Observação: em todas as alturas há denegeração do feixe
piramidal cruzado de um lado.
cm
2 3 4 5 6 SClELO 10 2.1 12 13 14 15
PIAZZA, H. —- Lesões ela medula espinhal no megacôlon.
Mem. Itist. Butantan, 37: 349-232, 1 973.
CASO 17
L
C
A
A
O
L
M
L
T
32/33
E
S
30/31
E
L
28/29
E
L
26
E
T
25
E
T
24
E
T
21/23
E
T
17/20
E
T
14/15
E
T
11/12
E
T
8/10
E
T
1/7
E
C
Arquitetura ncrmal.
- proíundamente alterada.
- discretamente alterada.
- praticamente normal.
- alterada (núcleo anômalo na zona interme¬
diária dos cornos de um lado).
Arquitetura praticamente normal.
- discretamente alterada.
praticamente normal,
normal.
202
SciELO
PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
-l/em. Inst. Butantan, St: 149-232, 1973.
CASO 18
L
C
A
A
O
L
M
L
T
1/6
E
Ca
Nada digno de nota.
7/9
E
S
Arquitetura praticamente normal: apenas discreta assime¬
tria (que não pode ser artifício de técnica) a que corres-
ponde maior população neuronal de um dos lados.
10/14
E
L
Arquitetura normal.
15/16
E
T
-” -- ” - -
17/28
E
T
Espículas laterais apenas esboçadas.
17/28
N
T
Rarefação celular dos núcleos intermédio-laterais.
29/32
E
T
Arquitetura normal.
33
E
rj
Arquitetura normal.
34
E
c
-”-praticamente normal.
35/36
E
c
•- ” -alterada.
37
E
c
” - profundamente alterada.
38/40
E
c
- ”-praticamente normal.
203
1, | SciELO
PIAZZA, R. •— Pesõcs da medula espinhal no megacólon.
Mem. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
Fig. 61. Caso 18, lâm. 9. Aum. 10x.
Fig. 60. Caso 18, lâm. 8. Aum. 18x.
204
SciELO
PIAZZA. R. — Rcsões da medula espinhal no megacólon.
Mem. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
Fig. 63. Caso 18, lâm. 37. Aum. 7,5x.
205
SciELO
10 11 12 13 14 15
I’lAZZA, Jí. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Hem. Inst. Butantan, ,17 : 149-232, 1973.
CASO 19
L
C
A
A
O
L
M
L
T
1/3
E
Ca
4/7
E
S
8/12
E
h
13/16
E
T
17
E
T
17
N
T
18
E
T
18
N
T
19
E
T
19
N
T
20
E
T
20
N
T
21
E
T
21
N
T
22
E
T
22
N
T
23
E
m
X
23
N
T
24
E
T
24
N
T
25
E
T
25
N
T
26
E
T
26
N
T
27
E
T
27
N
T
28
E
T
28
N
r
29
E
T
29
N
T
30
E
T
30
N
T
31
E
T
31
N
T
32/38
E
C
Nada digno de nota.
Arquitetura normal.
Uma espícula lateral menor que a outra.
Um dos núcleos intermédio-laterais rarefeito.
Igual a 17.
Igual a 17.
Igual a 17.
Igual a 17.
Espículas laterais apenas esboçadas.
Rarefação dos núcleos intermédio-laterais.
Igual a 17.
Cito-arquitetura aparentemente normal.
Igual a 17.
Igual a 17.
Igual a 17. Uma arteriola csclerosada ocupa grande parte
de uma espícula lateral.
Igual a 17. Uma arteriola esclerosada ocupa grande parte
de um núcleo intermédio-lateral que está muito rarefeito.
Arquitetura normal. Arteríolas esclerosadas.
Igual a 17.
Arquitetura normal.
Igual a 17.
Arquitetura praticamente normal. Tròs arteríolas csclerosa-
das ocupam a comissura cinzenta.
Ambos os núcleos intermédio-laterais presentes e aparen¬
temente normais.
Arquitetura normal.
Ausência de células de um corno lateral, ocupado por uma
arteriola arciformc esclerosada.
Arquitetura normal.
Ambos os núcleos intermédio-laterais presentes.
Arquitetura normal.
Ambos os núcleos intermédio-laterais rarefeitos, um. mais
acentuadamente.
Arquitetura normal.
Um dos núcleos intermédio-laterais rarefeito.
Arquitetura normal.
Núcleos intermédio-laterais aparentemente normais.
Arquitetura normal.
Observação', há arteriolosclcrose em todas as alturas.
206
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
P JAZZ A, R. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mem. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
Fig. G4. Caso 19, lâm. 26. Aum. 25x.
Fig. 65. Caso 19, lâm. 27. Aum. 20x.
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA, R. —- Lesões da medula espinhal no megacõlon.
Mem. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
CASO 20
L
C
A
A
O
L
M
L
T
1/3
E
S
4/8
E
L
9/12
E
T
13
E
T
14
E
T
15
E
T
16
E
T
17/18
E
T
19
E
T
20
E
T
22
E
T
23
E
T
24
E
T
25
E
T
26
E
T
27/28
E
T
29
E
T-C
30
E
O
31/32
E
C
33/35
E
C
36
E
C
Arquitetura alterada: uma hemi-medula menor do que a
outra; do lado menor, há considerável redução da subst.
cinzenta dos cornos anterior e posterior.
Arquitetura normal.
- quase normal (uma espicula lateral quase
desaparecida).
Arquitetura normal. Uma espicula lateral ocupada por duas
arteríolas esclerosadas.
Arquitetura normal. Uma espicula lateral ocupada por duas
arteríolas esclerosadas.
Arquitetura alterada (ausência de uma espicula lateral)
discretamente.
Arquitetura normal.
Arquitetura quase normal (uma espicula lateral apenas
esboçada). Arteríola que se dirige para ela esclerosada.
Arquitetura normal.
Arquitetura quase normal (uma espicula lateral bem menor
do que a outra. A arteríola que se dirige para ela, escle¬
rosada).
Arquitetura normal.
Arquitetura alterada discretamente (ausência de espicula
lateral). Fibras de substância branca de direção horizontal.
Arquitetura alterada discretamente (ausência de uma cs-
pícula lateral). Fibras de substância branca irradiam-se
horizontalmente do corno anterior dêsse mesmo lado.
Arquitetura normal. Uma espicula lateral ocupada por ar¬
teríolas esclerosadas.
Arquitetura normal.
- ” ————- ” - Esclerosada a arteríola que se
dirige para uma espicula lateral, ocupada por arteríolas
com o mesmo processo degenerativo.
Arquitetura normal.
- ” - alterada.
-”-normal.
- ” - alterada.
208
Observação: há arteriosclerose em todas as alturas.
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PiAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mem. Inst. Butantan, S?: 149-232, 1973.
Fig. CG. Caso 20, lâm. 2. Aura. 12x.
2 3 4 5 6 SciELO 10 2.1 12 13 14 15
PJAZZA. R. — Lesões ela medula espinhal no megacólon.
Mtm. Inst. Butantan, .17 : 149-232, 1973.
CASO 21
L
C
A
A
O
L,
M
L
T
1
E
S
1
N
S
2
E
S
2
N
s
3
E
s
4/5
E
L
6
E
L-T
7/8
E
m
L
7/8
N
T
9
E
T
9
N
T
10
E
T
10
N
T
11
E
T
11
N
T
12
E
T
12
N
T
13/14
E
T
13/14
N
T
15
E
T
15
N
T
16
E
T
16
N
T
17
E
T
17
N
m
A
Arquitetura normal.
Rarefação celular dos núcleos em franja.
Arquitetura normal. Arteriolosclerose.
Rarefação celular dos núcleos em franja. Em cada um deles
aparece uma arterícla esclerosada.
Arquitetura normal.
Um dos núcleos intermédio-laterais rarefeito.
Arquitetura normal.
Um dos núcleos intermédio-laterais ausentes é ocupado por
uma arteríola esclerosada.
Arquitetura normal.
Um dos núcleos intermédio-laterais rarefeito.
Arquitetura normal.
Núcleos intermédio-laterais normais.
Arquitetura normal.
Núcleos intermédio-laterais (igualmente) pouco densos.
Arquitetura normal.
Um dos núcleos intermédio-laterais rarefeito (praticamente
ausente).
Arquitetura normal.
Um dos núcleos intermédio-laterais ausente.
Arquitetura normal.
Um dos núcleos intermédio-laterais rarefeito.
Arquitetura normal.
Núcleos intermédio-laterais igualmcntc densos (normais).
01>servação — Há arteriolosclerose em todas as alturas, sempre mais intensa
na comissura cinzenta, onde chega a formar-se estado lacunar.
210
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mem. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
RESUMO DA CASUÍSTICA
Para efeito deste resumo, foram estabelecidos alguns conceitos: a) cata¬
loguei na tabela 1 como disgenéticas as alturas medulares que classificara
como de “arquitetura alterada” ou de “arquitetura profundamente alterada”,
apenas, a fim de dar à argumentação baseada na mesma u’a margem de segu¬
rança bastante ampla; a altura torácica do caso 10 aí aparece, apesar de ter
alterações arquitetônicas classificadas em cada segmento por “arquitetura
discretamente alterada”, porque os cortes corados pelo método de Nissl reve¬
laram ausência dos núcleos intermédio-laterais em tres segmentos sucessivos;
b) no caso 1 não foi possível a definição exata da altura da medula nos seg¬
mentos 3 a 9, pela morfologia; mas, pela seriação dos cortes, as alterações de
desenvolvimento são muito provavelmente sagradas e lombares, e, como tais,
foram tabeladas;
c) não considerei a degeneração do feixe pi¬
ramidal cruzado como lesão medular adquirida
porque nos casos estudados não era lesão primá¬
ria do órgão (como o seria se se tratasse de mie-
lose funicular, por exemplo) e porque esse feixe
não tem relação com as estruturas que interessa¬
vam (isso não seria admissível se cuidasse da ci-
to-arquitetura dos cornos anteriores, p. ex.); con¬
vém consignar, também, que essa lesão não causa
deformidades na medula que se possam confundir
com alterações de desenvolvimento.
1. Dos 21 casos estudados, 18 apresentavam
lesões disgenéticas; dois, lesões adquiridas; um, le¬
sões de ambos os tipos.
2. Os dois casos somente com lesões adquiri¬
das apresentavam lesões dos centros neuro-vegeta-
tivos (substância cinzenta peri-ependimária) e dos
seus núcleos motores ortossimpáticos (núcleos in¬
termédio-laterais) e parassimpáticos (“em franja”).
Em ambos encontrei arteriolosclerose, à qual atrn
bui as lesões referidas, que no caso 19 atingiam
toda a altura torácica e no caso 21, as alturas sa¬
grada e torácica (não sei da cervical porque foi
neste caso que faltou essa altura no material es¬
tudado ).
4. As alterações de desenvolvimento atingiam (v. tabela 1):
a) em 8 casos, uma só altura (casos 6,7,9,11,12,15,16,18), cervical
em 6 casos (6,7,11,12,15,18), torácica em um (16) e sagrada em
um (9);
A
ALTURA
S
O
s
L T
c
1
X
X
2
X
X
3
X
X X
X
4
X X
X
5
X
X
6
X
7
X
8
X X
9
X
10
X
X
11
X
12
X
13
X
X X
X
14
X
X
15
X
16
X
17
X X
18
X
20
X
X
TABELA 1
Alturas
das disgenesias
medulares.
212
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
Man. Inst. liutanta i. 31: 119 - 231 ’. 1973 .
b) em 7 casos, duas alturas seguidas (casos 1,2.5,8,1014,17), sendo
S-L em um caso (1), L-T em dois (8,17) e T-C em quatro (2
•5,10,14);
c) em 1 caso, tres alturas seguidas (caso 4), que eram L-T-C;
d) em 2 casos, todas as alturas (3,13);
e) em 1 caso, duas alturas separadas (20).
5. Nas 19 medulas disgenélicas, as mal-formações apareceram:
a) 14 vezes na altura cervical;
b) 10 vezes na altura torácica;
e) 6 vezes na altura lombar;
d) 5 vezes na altura sagrada.
DISCUSSÃO
1. Das 21 medulas espinhais de casos de megacólon que foram objeto de
estudo, 18 apresentavam lesões disgenéticas, 2 apresentavam lesões adquiridas
c uma, lesões mistas.
Tendo examinado apenas quatro dos aproximadamente 300 cortes possí¬
veis em cada segmento clivado, tais resultados não são absolutamente seguros.
Não deixam, entretanto, de ser muito provavelmente certos, pois, ainda que o
número de lâminas examinadas represente apenas pequena tração das que se
poderiam obter em cortes seriados, constituem a meu ver, número significativo
(em média 160 de cada medula), mesmo porque as 4 lâminas examinadas não
eram necessariamente as 4 primeiras de cada bloco, mas colhidas ao acaso de
um número de cortes nunca inferior a 40. Algumas discrepâncias entre arqui¬
tetura e população neuronal, como se observam no caso 19, explicam-se por
este motivo.
Apresenta-se, assim, uma nrimeira verificação: as medidas são disgenéticas
na grande maioria dos casos dc megacólon , mas muito provavelmente não na
sua totalidade.
A medula é órgão extremamente complexo e o dizer-se simplesmente
que é mal-formada constitui-se em afirmação auase aleatória, pois nada escla¬
rece quanto ao mecanismo patogênico de nenhuma doença, o megacólon in¬
clusive.
Entretanto, do exame dos meus casos, me parece possível chegar-se à
estrutura medular que é a peça desse mecanismo. Primeiramente vejamos os
casos apenas com lesões adquiridas:
ü caso 19 apresentava acentuada arterioloesclerose localizada predomi¬
nantemente nas bases dos cornos anteriores e posteriores e na substância cin¬
zenta peri-ependimária (fig. 64), zonas que constituem os centros neuro-ve-
getativos medulares; às vezes, a relação entre lesão vascular e rarefação celular
era muito evidente (fig. 65); além disso, neste caso, as lesões ocupavam ape-
nasmente a altura torácica, delas estando livres as alturas sagrada, lombar, e
213
cm
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Z
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PIAZZA, R. — Lesões cia medula espinhal no megacôlon.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 140-232, 1073.
cervical, e atingiam a coluna intermédio-lateral, portanto, havia especifica¬
mente comprometimento das colunas motoras ortossimpáticas, com rarefação,
ora de uma, ora de outra, ora de ambas.
O caso 21 apresentava arteriolosclerose generalizada, rarefação celular dos
núcleos em franja (parassimpático caudal) e rarefação de um ou de ambos os
núcleos intermédio-laterais (ortossimpático) em todos os segmentos que nor¬
malmente ocupam, portanto, lesão dos dois setores neuro-vegetativos.
Tais lesões, na falia de alterações congênitas, revelam atrofia dos núcleos
motores simpáticos (lesões secundárias).
Acho que elas permitem supor que as estruturas medulares comprometidas
no mecanismo do megacôlon adquirido são as neuro-vegetativas, o que parece
lógico, óbvio mesmo, uma vez (pie o liame entre medula e intestinos é repre¬
sentado pelos neurônios periféricos simpáticos.
Se isto é válido para as lesões adquiridas, o deve de ser para as disgenéticas
e, então, podemos concluir que, nas medulas mal-formadas, com muita pro¬
babilidade, são as alterações de desenvolvimento das estruturas neuro-vege¬
tativas que provocam as enteromegalias. Vejamos o que constatei:
2.1 Nos casos como os de números 1, 2, 3, 4, 5, 6, 8, 13, 14, 16, 17 e 18,
com lesões disgenéticas imponentes era muito difícil de avaliar o estado do
simpático medular ao exame microscópico das alturas afetadas por esse tipo
de lesões; mas, fora delas, em segmentos em que havia apenas discretas alte¬
rações arquitetônicas (rotuladas como “arquitetura discretamente alterada” ou
“arquitetura quase normal”) foi possível fazer um estudo cuidadoso:
No caso 1, nos segmentos 16 a 28 (T) e 25 (C) as espículas laterais
(colunas celulares intermédio-laterais) faltavam ou estavam pouco desenvol¬
vidas de um ou de ambos os lados.
No caso 2, nos segmentos torácicos 18 a 20 e 23 a 26, as espículas laterais
eram apenas esboçadas ou faltavam de um lado ou praticamente faltavam dc
ambos.
No caso 3, nos segmentos torácicos 5 a 12 e 16 a 22, uma espícula lateral
estava apenas esboçada.
No caso 4, do segmento 17 ao 32, todos torácicos, havia inúmeras altera¬
ções do setor simpático medular, tais como ausência ou tamanho reduzido de
uma espícula lateral, ambas apenas esboçadas, ambas em situação anômala nos
cornos posteriores; sempre que as espículas eram menores ou apenas esboçadas,
a população neuronal, avaliada pelo método de Nissl, estava rarefeita.
No caso 5, lesões semelhantes apareceram nos segmentos torácicos de
7 a 20 (rarefação celular, localização anômala etc).
No caso 6, havia ausência dc uma espícula lateral na metade cefálica da
medula torácica (segmentos 24 e 30).
No caso 8, lesões dos núcleos intermédio-laterais foram constatadas nos
segmentos torácicos 13, 16 a 26 e 28.
No caso 13, as lesões disgenéticas, que nas alturas sagrada e lombar eram
muito complexas, na altura torácica, entre os segmentos 19 e 27, eram dc molde
214
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VIAZZA, 11. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mrui. Inst. Butantan t 37: 149-232, 1973.
a permitir o estudo da coluna celular ortossimpática, a qual apresentava essas
mesmas alterações arquitetônicas das espículas laterais com correspondente
rarefação ou praticamente ausência dos núcleos intermédio-laterais.
No caso 14, havia alterações de igual natureza da mesma coluna no seg¬
mento 13.
No caso 16, nas alturas torácicas de 14 a 16, uma espícula lateral estava no
corno posterior e a outra era de tamanho reduzido.
No caso 17, havia um núcleo anômalo na zona intermediária (base) dos
cornos de um lado, portanto, em plena zona simpática, no segmento torá¬
cico 24.
No caso 18, as espículas laterais eram pouco desenvolvidas nos segmentos
torácicos de 17 a 28, ao que correspondia rarefação celular dos núcleos inter¬
médio-laterais.
Na ausência de lesões adquiridas, essas lesões descritas revelam aplasia,
hipoplasia ou displasia (revelada por localização anômala) dos núcleos moto¬
res simpáticos (lesões primárias).
2.2 Em casos com disgenesias arquiteturais discretas, como os de nú¬
meros 9, 10 e 20, encontrei lesões igualmente significativas, pois atingiam, no
primeiro' o setor parassimpático caudal; no segundo, especificamente a coluna
ortossimpática, havendo em diversos segmentos até ausência das espículas la¬
terais (e dos núcleos intermédio-laterais), e no terceiro, ambos os setores.
Portanto, quando as lesões disgenéticas medulares permitiram o estudo
dos centros neuro-vegetativos, constatei que eles estavam afetados, confir¬
mando a suposição baseada no estudo das medulas com lesões somente adqui¬
ridas (este foi o caminho seguido na pesquisa).
Perante essa constatação, àcho válido concluir que, se nas alturas atingidas
por disgenesias discretas há lesões dos centros neurovegetativos medulares, nas
alturas que apresentam disgenesias mais acentuadas (“arquitetura alterada” e
“arquitetura profundamente alterada”) as lesões de tais centros devem de ser
mais graves.
3. Concluindo-se que os centros neuro-vegetativos medulares podem estar
implicados no mecanismo patogênico das enteromegalias, se conclui também
que o estudo da medula é insuficiente para se avaliar a participação de todos
os centros nervosos autônomos nesse mecanismo.
Com efeito, conforme sc vê no esquema da fig. 69, o sistema nervoso autô¬
nomo tem centros orto e parassimpáticos no eixo cérebro-espinhal. Os pri¬
meiros estão principalmente na medula torácica, pois vão de C s a L., e os se¬
gundos, no tronco cerebral e na medula sagrada.
Um estudo de tais centros tanto quanto possível completo, exige o do
tronco cerebral (onde se localizam: o núcleo eárdio-pneumo-entérico ou motor
dorsal do vago — X par; o núcleo salivatório inferior — IX par; o núcleo sa-
livatório superior — VII par; o núcleo lácrimo-muco-nasal — VII par; o núcleo
ambíguo, faríngeo ou motor ventral do vago — IX e X pares; o núcleo do feixe
solitário ou gustativo — VII bis, IX e X pares; todos do tubo digestivo), em
particular, para o que nos interessa, o do bulbo, onde se localiza o núcleo
215
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PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Metn. List. Butantan, ST: 149-232, 1973.
Fig. 39. — Diagramme des centres végétatifs méduüaires.
En traits pleins 1'ortho-sympathique, en traits pointillés le parasympathique.
Fig. 09. Diagrama dos centros vegetativos medulares (reproduzido de DELMAS,
Votes et centres nervenx, Masson & Cie. Paris, 9.“ ed., 1970).
A. —
216
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
PIAZJ5A, li. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mcm. Inst. Butantan, 87: 149-232, 1972.
cardio-pneumo-entérico, que inerva de fibras parassimpáticas o intestino, até
o 1/3 superior do colon descendente.
O meu material sugere algo a respeito.
Considerando que disgenesias isoladas apareceram seis vezes na medula
cervical; que nas outras alturas, apenas uma vez na sagrada e uma na torácica;
que a disgenesia cervical não pode ser invocada na patologia dos neurônios mo¬
tores periféricos simpáticos (apenas C 8 contém algumas células em continuação
com as espículas laterais torácicas); que as disgenesias de mais de uma al¬
tura eram sempre vizinhas, exceto em um caso; que nesses seis casos não
havia disgenesia (arquitetura alterada ou profundamente alterada) na al¬
tura vizinha mais caudal; tudo sugere a probabilidade da altura mais cefálica,
isto é, o bulbo, apresentar alterações de desenvolvimento neles.
Convém assinalar a esta altura que HIGGS e cols 7 provocaram em gatos,
por meio da lesão eletrolítica do núcleo motor dorsal (bulbar) do vago, acalá-
sia do cárdia.
4. O esquema da fig. 69 mostra que os centros simpáticos motores me¬
dulares são divididos em centros cílio-espinhal, bronco-pulmonar, esplâncnico-
abdominais e csplancnico-pélvioos (todos ortossimpáticos) e centros pelvi-
perineais (parassimpáticos), conforme o seu território de distribuição visceral.
Conquanto que o riquíssimo sistema de anastomoses das fibras simpáticas
tornem tal divisão funcionalmente quase aleatória, interessante teria sido uma
comparação entre altura medular lesada e segmento intestinal alterado.
Isso não me foi possível fazer porque não assinalei nas autópsias esse
segmento, como não assinalei, na clivagem da medula, a altura exata dos blocos,
o que teria sido possível a partir da identificação das raízes.
A não ser assim, provavelmente dados interessantes poderia ter colhido.
Por exemplo, no caso n.° 9, em que a lesão atingia apenas a altura sagrada
teria sido interessante verificar se a enteromegalia atingia o segmento intes¬
tinal entre 1/3 superior do cólon descendente e extremidade caudal do reto.
5. Nos 21 casos estudados, verifiquei lesões dos núcleos motores sim¬
páticos em 15 (casos 1, 2, 3, 4, 5, 8, 10, 13, 14, 16, 17, 18, 19, 20 e 21).
Se tais núcleos estão lesados, é lógico que os dois neurônios periféricos o
estejam e, possivelmente, provoquem rarefação dos neuronios dos gânglios dos
plexos de Meissner e de Auerbach.
A ser exata a constatação dos autores que estudaram o plexo mioentérico
de Auerbach nas enteromegalias (AMOR1M e C011REA NETTO 1 , KOEBER-
LE 12 ) de que há neles rarefação celular, as lesões descritas podem jutificá-la.
6. Em vista dos achados, se impõe uma questão: à lesão de qual dos
dois setores (orto ou parassimpáticos) do Sistema Nervoso Autônomo pode
estar patogenicamente vinculado o megacólon?
Quando se raciocina com a fisionomia do Sistema Nervoso Autônomo, se
admite, em geral, que a estimulação dos nervos ortossimpáticos produz no
217
I, j SciELO
PIAZZA, 11. — Le&ões da medula espinhal no megacólon.
Mcrn. Inst. Butantan 9 3 7: 149-232, 1973.
tubo digestivo, perda do tonus, cessação das contrações rítmicas e constrição
dos esfíncteres, enquanto que a estimulação dos nervos parassimpáticos, pro¬
duz a contração da parede e dilatação dos esfíncteres.
Se assim fosse, uma síndrome parassimpaticopriva produziria dilatação do
intestino (por atonia intestinal, acalásia do esfincter a jusante e acúmulo de
bolo fecal) e uma síndrome ortossimpáticopriva produziria efito semelhante,
por contração espasmódica de um segmento intestinal, dilatação do segmento
a montante e acúmulo de bolo fecal). As síndromes ortossimpáticoprivas, pro¬
vavelmente explicariam os “megas” de segmentos intestinais que, a jusante,
não têm esfincter. Uma síndrome ortoparassimpáticopriva produziria a ape-
ristalse.
Entretanto, a patologia experimental mostra que a fisiologia do Sistema
Nervoso Autônomo é muito complexa e os dados colhidos freqüentemente con-
flitam entre si, além dos efeitos obtidos serem muitas vezes passageiros e alea¬
tórios.
Tais experimentos encontram inúmeros obstáculos, entre os quais sobres¬
saem: a) a inervação vagossimpática não é igual em todos os mamíferos (por
exemplo, o esôfago do gato é controlado pelo núcleo motor dorsal do vago,
enquanto que o do cachorro o é pelo núcleo ambíguo)'; b) as relações dos
plexos intramurais com os nervos simpáticos é ainda hoje assunto muito discu¬
tido, por mais que se acumulassem trabalhos para resolvê-lo, usando das téc¬
nicas mais sofisticadas, cirúrgicas e histoquímicas; conforme disse na Intro¬
dução, estamos praticamente no ponto em que Langley nos deixou no início
do século; c) o mediador químico é a acetilcolina ao nível da sinapse axo-
neuronal do primeiro para o segundo neurônios periféricos, tanto ortossim-
páticos como parassimpáticos, pois somente ao nível da sinapse neuro-muscular
é que a noradrenalina aparece como mediador ortossimpático; d) tanto as
fibras parassimpáticas atravessam, sem fazer sinapse, os gânglios ortossim-
páticos da cadeia paravertebral, como as fibras ortossimpáticas podem atraves¬
sar os gânglios parassimpáticos da cadeia pré-vertebral; e) não se sabe
até hoje o papel que as “células intersticiais” dos plexos mioentéricos represen¬
tam, pois desde Koelliker (1S96) até hoje há autores que as consideram
apenas células de sustentação, enquanto que outros, desde Cajal (1909), de¬
fendem sua natureza neuronal 25
Tudo isso, e muito mais, não permitem nenhum raciocínio seguro em
matéria de patologia humana que necessite de basear-se na fisiopatoíogia do
S. N. Autônomo, muito menos argumentar dentro do esquema teórico dessa
oposição orto-parassimpática. Por isso, qualquer argumento que desejasse u.ar
para explicar a patogênese das enteromegalias seria necessariamente simplista,
à luz dos conhecimentos atuais, como o são a maioria das explicações tentadas
até hoje.
Prefiro apenas assinalar que encontrei lesões medulares de ambos os
setores, orto e parassimpático, tanto disgcnéticas como adquiridas, cm 21 casos
de megacólon.
7. Cabe agora perguntar: a) existe megacólon adquirido puro ou sempre
há uma lesão disgenética do eixo cérebro espinhal?
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z
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11 12 13 14 15
IMAXZA, li. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mem. Inst. fíntantan, .! 7: 1 19-232, 1973.
Pelo material aqui estudado, parece muito provável que haja megacólon
adquirido, isto é, sem disgenesia medular ou troncular. Com efeito, nos casos
19 e 21, as lesões vasculares assestavam-se principalmente nos centros simpá-
tivos medulares e nos seus núcleos motores, o que torna bastante plausível que
tais lesões fossem ligadas à doença enteromegálica. Não é preciso como no
ue haja megacólon
m efeito, nos casos
nos centros simpá-
como no
caso das medulas malformadas só na altura cervical, invocar a possibilidade
de outras lesões para correlacionar o megacólon ao simpático encéfalo-espinhal.
Entretanto, não podemos esquecer que o estudo do S. N. Autónomo no
S. N. Central torna obrigatório o estudo do tronco cerebral e que, sem este,
não podemos afirmar que alguma disgenesia não esteja implicada no processo.
Não posso, pois, responder de maneira cabal à pergunta.
Por enquanto, existe tanto a possibilidade de haver megacólon puro ad¬
quirido como a de todos os casos apresentarem obrigatoriamente disgenesias
do eixo cérebro-espinhal (não necessariamente medulares).
À vista dos meus achados, em ambas as eventualidades as lesões se loca¬
lizariam nos centros do S. N. Autónomo, mesmo porque o único liame entre
eixo cérebro-espinhal e intestinos são os componentes periféricos desse Sistema
(os dois neurônios motores e o neurônio interoceptivo).
b) não havendo megacólon puro adquirido, isto é, no caso do estudo do
trcnco cerebral e da medula revelar sempre a presença de disgenesia, qual o
papel que essa disgenesia representaria na doença enteromegálica?
As mal-formações congênitas constituem apenas o fator endógeno das
doenças congênitas. É claro que, por vezes, tal fator é tão intenso que, por si,
pode até constituir-se em condição incompatível com a vida. Mas, em regra,
não é isso cpie acontece: a disgenesia é apenas o fator predisponente e- para
que se manifeste como doença é preciso cpie incida sobre ela um fator exógeno,
que pode ser da mais variada natureza, física, química ou biológica.
As alterações de desenvolvimento que descrevi nas medulas dos casos de
megacólon e as que provavelmente existem no tronco cerebral, representam
apenas o substrato constitucional sobre o qual irá incidir um fator exógeno
que alterará o equilíbrio adaptativo entre o organismo e disgenesia, provocan¬
do o aparecimento da enteromegalia.
Esse fator exogeno, mesmo entre nós, não é necessariamente a doença
de Chagas, inda que esta, devido à sua gravidade possa se constituir em tal
fator (nos meus casos não havia indícios de sua participação). No caso 20, nessa
ordem de raciocínio, sobre u’a medula mal-formada, se instalou um processo
adquirido (arteriolosclerose) que representa o fator exógeno.
8. Quanto à etiologia, no caso de haver megacólon adquirido puro, a
noxa poderia ser a mais variada possível, desde que capaz de produzir lesões
atróficas, degenerativas ou necróticas nos centros simpáticos medulares e tron-
culares já descritos. Em tais casos, as enteromegalias seriam síndromes.
No caso de haver sempre uma disgenesia medular ou troncular, a etio¬
logia permaneceria desconhecida na maioria dos casos, pois até hoje muito
219
cm
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11 12 13 14 15
PIAZZA, R. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Mcrn. Inst. Butantan, 37: 149-232, 1973.
pouco se sabe a respeito. Nestes casos, as enteromegalias seriam doenças con¬
gênitas, mesmo se manifestadas a partir da idade adulta.
9. Para dirimir as dúvidas sugeridas por esta pesquisa, compete:
a) estudar de maneira sistemática o tronco-cerebral e a medula dos
casos de megacólon;
b) o tronco cerebral deve ser estudado em cortes seriados do bulbo (sede
do núcleo cárdio-pneumo-entérico ou dorsal do vago) e a medula em cortes
semi-seriados de segmentos identificados quanto ao metâmero, a partir das
raízes nervosas;
c) determinar qual o segmento intestinal dilatado e verificar, a jusante,
se o segmento estreitado coincide com um dos esfíncteres conhecidos da
Anatomia, ou não. É evidente que esta verificação pode ser aleatória, dados os
fenômenos pós-mortais.
CONCLUSÕES
1. A medula espinhal nos casos de megacólon apresenta lesões que atin¬
gem os centros e os núcleos motores simpáticos.
2. As lesões medulares são, com grande probabilidade:
a) apenas disgenéticas, na grande maioria dos casos; b) de natureza ape¬
nas degenerativa, em algumas vezes; c) em outras, de natureza combinada
3. Para saber-se com certeza se existe megacólon adquirido puro ou se
produzido exclusivamente por lesões adquiridas dos centros e núcleos sim-
todo megacólon tem um componente congênito, isto é, se existe megacólon
páticos do neuro-eixo ou se em todo megacólon existem alterações de desen¬
volvimento desses mesmos centros e núcleos, se impõe o estudo sistemático do
tronco cerebral (mais particularmente do bulbo, onde se localiza o núcleo
cárdio-pneumo-entérico), além do estudo também sistemático da medula es¬
pinhal.
220
cm
2 3
z
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Fig. 70
221
SciELO
MODELOS EM MADEIRA DAS DIFERENTES
ALTURAS DA MEDULA PARA ESTUDO DOS
EFEITOS DOS DIFERENTES PLANOS
DE CORTE SORRE A MORFOLOGIA
DA SUPERFÍCIE DE CORTE
Legenda:
a — superfície de corte transversal
(normal para a altura)
b — plano de secção inclinado: a ima¬
gem refletida no espelho permite
identificar a direção do plano
c — superfície de corte do plano de
secção inclinado
FLANO DE CORTE DE CIMA PARA BAIXO E DA FRENTE PARA TRÁS OU
ESQUERDA OU VICE-VERSA
PIAZZA, II. — Lesões cia medula espinhal no n-.esacólon.
Mem. Inst. Butantan, .17: 149-232, 1973.
PLANO DE CORTE DE CIMA PARA BAIXO E DA DIREITA PARA A
ESQUERDA OU VICE-VERSA (cont.)
222
SciELO
FIAZZA, K. — Lesões da medula espinhal no tnegacclon.
Mem. List. Butantan. .17: 149-232. 1973.
FLANO DE CORTE DE CIMA PARA BAIXO E DA FRENTE PARA TRAS OU
VICE VERSA
Fig. 74
224
2 3 4 5 6 SClELO 1Q 2.1 12 13 14 15
PIAZZA, lí. — Lesões da medula espinhal no megacólon.
Man. Inst. Butantan, .'?? : 149-232, 1973.
PLANO DE CORTE DE CIMA PARA BAIXO E DA DIREITA PARA A
ESQUERDA OU VICE-VERSA, QUE ENTALHA AS SUPERFÍCIES DE
CORTE HORIZONTAIS
' v 4 ^'
1
2 »
Flg. 77
227
SciELO
SciELO
10 11 12 13 14 15
P GG
PIAZZA, 11. — Lesões da medula espinhal no megacõlon.
Mem. Inst. Butantan, St: 149-232, 1973.
SUMMABY — The A. studied the spi-
nal cord of 21 cases of megacolon, by
means of semi-serial microscopic sec-
tions, and confirmed dysgenetic lesions
in 18 of them, while acquired degene¬
rativo lesions were found in two and
combined lesions in one.
But, considering the anatomy of the
Autonomous Neural System, the A. con-
siders the study of the spinal cord in-
sufficient to evaluate the participation
of all the sympathetic centers and nu-
ciei in that mechanism, and concludes
that systematic research in the brain
stem is necessary, in particular of the
medulla oblongata, where the cardio-
pneumoenteric (dorsal) nucleus of the
X pair is localized.
two motor and by the sensitive Periphe¬
rie sympathetic neurones.
In the two cases with acquired le¬
sions, atrophy of sympathetic motor
nuclei were found (secondary lesions);
in 15 of the 19 cases with dysgenetic
cordal lesions (including that with com¬
bined lesions), aplasia, hypoplasia and
dysplasia of sympathetic motor nuclei
(primary) were found; on the remnant
cases, the developmental changes did
not allow to identify the same nuclei.
The A. considers such data of outstan-
ding significance to explain the patho-
genetic mechanism of megacolon, sinco
the linkage between the spinal cord
and the intestine is established by the
UNITERMS — Megacolon; spinal cord
developmental changes; spinal cord
dysgenesias; abdominal Autonomic Ner-
vous System.
In his work the A. shows the incon-
sistency of the theory of Koeberle et
al., that attributes the etiology of me¬
gacolon to the Chagas’ disease.
BIBLIOGRAFIA
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esophago e megarecto. An. Fac. Med. São Paulo, 8: 101-12 (, 1932.
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item. Inst. Butantan, .17 : 1-19-232, 1073.
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Recebido para publicação em 17.IX.73.
Aceito para publicação em 06.XI.73.
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Mem. Inst. Butantan
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OCORRÊNCIA DE NEOPLASIA MESENQUIMAL FUSO-CELULAR EM
PEIXE DA ESPÉCIE MoenkJmusia dichroura (Kner, 1858)
JESUS CARLOS MACHADO *
ISAO KONDA* *
LILIANI SUSAN LIMA***
Laboratório de Anatomia Patológica do I. Butantan
Disciplina de Patologia da Fac. Medicina de Catanduva
RESUMO —■ Descrevem os autores a
presença de um Sarcoma fibroblástico
de baixo grau histológico de malignida¬
de na pele de um peixe da espécie
Moenkhausia Aicliroura (Kner, 1948),
encontrado no município de Borborema,
Estado de S. Paulo, no porto de Laran¬
ja Azeda. Assinalam a importância do
relato dessas neoplasias em peixes,
principalmente tendo em vista o descar¬
te de .poluições ambientais.
UNITERMOS — Neoplasias. Neoplasias
em Peixes.
INTRODUÇÃO
A ocorrência cie neoplasias espontâneas em peixes, até 1966, veio sendo
publicada de forma fragmentária, não coordenada, e constituída por relatos
isolados como por exemplo os de Lucké (1942), Gordon e Smith (1938) e
Ilalver e Mitchel (1967).
A partir de 1966, o esforço conjunto do “National Câncer Institute” e
do “Smithsonian Institute”, permitiu a criação do “Registro de tumores em ani-
fnais inferiores”. Este registro vem sistematicamente catalogando a incidência
de neoplasias em invertebrados e animais poiquilotermos.
Em 1969, a Universidade de South Dakota em Vermillion, estimulou um
Simpósio organizado por O.W. Neuhaus e J. E. Ilalver cuja temática específica
foi: “O Peixe na pesquisa”. Nesse Simpósio foi dedicado um capítulo especial
sobre neoplasias espontâneas e experimentais em peixes. Nele, podemos, desde
logo, depreender as excelentes informações que são obtidas de relatos de neo¬
plasias espontâneas nesses animais, relatos esses que permitem desde logo,
não só valiosos dados estatísticos sobre a ocorrência e localização das Neopla¬
sias nesses animais, como também tirar ilações sobre a ação de carcinogênicos
em animais aquáticos relacionando-a também com possíveis poluições am¬
bientais. Daí julgarmos oportuno a publicação do encontro de uma neoplasia
* Diretor cia Divisão de Patologia cio I. Butantan e Professor titular da Disciplina de
Patologia da Fac. de Med. de Catanduva.
** Monitor da Disciplina de Patolocia da FAMECA.
Apresentado em setembro de 1972 na Seoãn de Anatomia Patológica da Associação
Paulista de Medicina presidida pelo Prof. W. E. Maffei.
*** Bolsista do FEDIB do I. Butantan. Trabalho realizado com auxílio do FEDIB.
Endereço para correspondência :
C -P- G5, São Paulo, Brasil.
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MACHADO, J. C., KONDA, T. & LIMA, L. S. — Ocorrência de neoplasia Mesenqulmal
fuso-celular em peixe da espécie Moenkhausia ilichroura (Kner, 1858).
Mem. Inst. Butantan, 17: 233-238, 1973.
fuso-celular espontânea em exemplar de Moenkhausia dichroura (Kner, 1858)
em rio do Estado de São Paulo, Brasil.
MATERIAL E MÉTODOS
Um dos autores do presente relato (1. Konda), apanhou no Rio Tietê- no
Município de Borborema, a 1.000 metros aproximadamente do porto de Laranja
Azeda (desenho 5) um exemplar de peixe, catalogado pelo Museu de Zoolo¬
gia da Universidade de São Paulo (Seção de Plerpetologia), como pertencente
a espécie Moenkhausia dichroura (Kner, 1858).
O exemplar medindo cerca de 15 cms. apresentava (fotos 1 e 2), no seu
terço posterior, lado esquerdo, formação tumoral, ovalar, saliente, medindo
3,8 cms. de comprimento por 2,4 cms. de largura e 1,2 cms. de altura. A
pigmentação da pele nesse local era mais escura. Ao corte observou-se que a
neoplasia era de cor brancacenta, fasciculada, apresentando-se no derma, sem
comprometer ou ulcerar a epiderme. Seus limites eram precisos, não havendo
macroscopicamente comprometimento de estruturas profundas. A pigmenta¬
ção era restrita a epiderme e não à neoplasia.
Foram efetuados numerosos cortes do tumor que, após inclusão em para¬
fina, foram corados pela Hematoxilina e Eosina e Tri-crômico de Masson.
Observou-se que a neoplasia era composta por feixes de células fusiformes que
se entrecruzavam. Os núcleos alongados na maoiria, ovalares mais raramente
(Microfotografias 3 e 4), mostraram cromatina regularmente bem distribuída.
Alguns núcleos mostraram discreta intranquilidade. Raros feixes tumorais com¬
prometiam a musculatura subjacente. A nossa conclusão foi a de que se trata¬
va de um sarcoma fibroblástico de baixo grau histológico de malignidade,
desde que a coloração pelo Tri-crômico de Masson mostrou serem as células
fibroblastos, pois, se bem que discreta, havia produção de fibras de colágeno.
O estroma tumoral mostrava evidente edema intersticial.
DISCUSSÃO
Na literatura oncológica tem sido relatada a presença de neoplasias em
peixes. Gordon e Smith (1938) publicaram o achado de melanomas malignos
nos peixes Plalypoecillus niacidatus e Xiphophorus hellcri, Gorbman e Gordon
(1951) demonstraram a ocorrência de elevada incidência de neoplasias espon¬
tâneas da tireoide em peixes mantidos em laboratórios da espécie Xiphophorus
montezumae. Em outras duas espécies de Xiphophorus e quatro de Platij-
poecillus, mantidas em condições semelhantes esses tumores foram mais raros.
Alguns tumores como os hepatomas, bem estudados por Halver e Mitchell
(1967), mostraram ocorrência epidêmica em peixes das espécies Salmo gaird-
neri. S. darki e 8’. trutta em várias localidades dos Estados Unidos e Europa.
Sobre neoplasias fuso-celulares temos a descrição de Lueké em 1942 que
relacionou-as com Schwanomas humanos. R. Walker (1948 e 1961) relatou a
presença de tumores múltiplos na pele de Stizostedion vitreum, possivelmente
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MACHADO, J. C., KONDA, I. & LIMA, L. S. — Ocorrência de neoplasia Mesenquimal
fuso-celular em peixe cia espécie Moenkhausia dichroura (Kner, 1858).
Mem. Inst. Butantan, 37: 233-238, 1973.
fibromas ou fibrosarcomas. Nesses tumores foram descritas a presença de par¬
tículas semelhantes a virus de cerca de 1.000 Á de diâmetro.
O nosso caso mostrou ser uma neoplasia fuso-celular, dispostas em feixes
entrecruzados e que pela coloração pelo Tri-crômico de Masson mostrou pro¬
dução de fibrilas colágenas. Portanto a neoplasia se cataloga entre os tumores
fibroblásticos e não entre os Schwanomas. Apesar do tumor ser bem diferen¬
ciado, encontramos uma certa intranqüilidade nuclear que apesar de discre¬
ta (microfotos 3 e 4) cremos poder nos permitir dar o diagnóstico de sarco¬
ma fibroblástico de baixo grau histológico de malignidade. Apesar do cuidado
com que os patologistas referem-se a essas neoplasias nos peixes, a insinuação
dos feixes tumorais por entre as fibras musculares no nosso caso, reforça o
diagnóstico.
SUMMARY —• The AA. describe a fi-
bloblast sacoma, with a low histolo-
gieal degree of malignancy, on the skin
of the fish species Moenkhausia di¬
chroura, found in the municipality of
Borborema, State of São Paulo, at La¬
ranja Azeda harbor.
The importance of reporting these
neoplasias in fish is emphasized mainly
with regard to the discharge of envi-
ronmental pollution.
UNITERMS — Neoplasias. Neoplasias
in fish.
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Recebido para publicação cm 20 . VII. 73.
Aceito para publicação em 20.VIII.73.
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MACHADO, J. C., KONDA, I. & LIMA, L. S. — Ocorrência de neoplasia fuso-celular em
peixe da espécie Moenkhausia dichroura (Kner, 1858).
Mem. Inst. Butantan, 37: 233-238, 1973.
(Kner, 1858),
mostrando a
Foto 1 : Fotografia lateral do exemplar de Moenkhausia dichroura.
mostrando o tumor no seu terço posterior.
Moenkhausia dichroura (Kner, 1858),
tumoral no terço posterior do exemplar.
Foto 2 : Fotografia de
saliência
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MACHADO, .1. C., RONDA, I. & LIMA, L. S. — Ocorrência de neoplasia fuso-celular etn
Peixe da espécie Moenl.hausia tUchronra (Kncr, 1858).
-1/ein. Tnst. Butantan, .17: 233-238, 1073.
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Foto 3 : Microfotografia do tumor mostrando ser composto por feixes de células
fusiformes com moderada produção de fibrilas observáveis no estroma que está
edemaciado.
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Voto 4: Microfotografia evidenciando moderado polimorfismo e diferenças
tintoriais nos núcleos dos elementos neoplásicos.
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MACHADO, J. C., KONDA, I. & LIMA, L. S. — Ocorrência de neoplasia fuso-celular em
peixe da espécie Moenkhausia dichroura (Kner, 1858).
Mem. Inst. Butantan, 3 7 : 233-238, 1973.
^rem. Inst. Butantan
37: 239-251, 1973
ANOMALIAS CONGÊNITAS EM UMA NINHADA DE “CASCAVÉIS” *
FRANCISCO GARCIA DE LANGLADA **
Laboratório de Biopatologia de Serpentes
Seção Anatomia Patológica — I. Butantan
RESUMO — Foram encontrados em 20
exemplares de filhotes de Crotalus du-
nssus terrificus nascidos em cativeiro,
agenesias de pupila, intestino grosso,
cloaca e órgãos genitais.
Anomalia das presas, esôfago, estô-
m ago, intestino delgado, fígado, rins,
ureteres e orifício cloacal ocorreram
também nos mesmos filhotes observa¬
dos.
Desvio de coportamento, hábitos e
reações também foram constatados nos
mesmos exemplares, por comparação
com indivíduos normais.
UNITERMOS
cascavéis.
Ninhada anômala de
INTRODUÇÃO
No desenvolvimento dos trabalhos que nosso laboratório realiza sobre
reprodução artificial e adaptação a cativeiro de serpentes venenosas, encon¬
tramos uma ninhada de cascavéis, cujas anomalias nos pareceu útil descrever
J a que não encontramos semelhantes na literatura.
Procedente da Fazenda São Joaquim, do Instituto Butantan, situada em
São Roque (SP), chegou ao nosso laboratório um exemplar de Crotalus duris-
sus terrificus fêmea, adulta, em bom estado de saúde, sem sinais externos de
trauma ou ferimentos, com 120 cm de comprimento e 1,280 quilos de peso
com oito aneis no guizo e com evidentes sinais de prenhez.
Foi posta em observação em local em que existia possibilidade de loco¬
moção, com água corrente e temperatura controlada, que oscilava entre 26° e
2S°C. Alimentou-se espontaneamente duas vezes, com camundongo branco de
laboratório, com intervalo de dez dias. Bebia água, evacuava fezes normais
que depositava a maioria das vezes na água corrente.
Permanecia por longos períodos de tempo com a porção caudal introdu¬
zida na água. Tinha agressividade normal que se acentuou à medida que o
parto se aproximava. Locomovia-se pouco. Ignoramos a paternidade e a data
da cópula.
Comunicado na XIV Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
Bio de Janeiro, GB — 12.Julho. 1967.
** Assistente do Instituto Butantan.
* Trabalho realizado com auxílio do CNPq.
Trabalho realizado com auxílio do FKDIB.
Endereço para correspondência:
^•B. 65, São Paulo, Brasil.
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LAKGLADA, F. G. DE — Anomalias congênitas em uma ninhada de “cascavéis”.
Mim. Inst. Butontaiij J7 : 239-251, 1973.
Após 49 dias de laboratório a serpente pariu espontaneamente 20 filhotes,
sendo os 17 primeiros vivos e os 3 últimos mortos. Durante todo o trabalho
de parto a fêmea não se deslocou do local. Os períodos de expulsão eram
curtos de 30 a 60 segundos, com intervalos de 10 a 20 minutos entre uma expul¬
são e outra.
Permaneceu em repouso a maior parte do tempo durante 44 dias em que
sobreviveu ao parto. Não mais se alimentou, bebeu pouco e não procurou
mais a água para suas evacuações ou para submergir a porção caudal. Veio a
falecer no 44° dia após o parto.
Na autopsia encontramos ampla necrose com perfuração extensa do ovi-
duto direito que exteriorizava 3 filhotes em avançado estado de putrefação.
Peritonite com abudante exsudato de aspecto mucopurulento na cavidade ab¬
dominal. Demos como “causa mortis”: Toxemia.
MATERIAL E MÉTODOS
Usamos como mrterial de estudo os próprios filhotes da ninhada nascida
cm nosso laboratório, objeto deste trabalho.
Como método essencial de trabalho usamos a comparação dos dados fí¬
sicos e de comportamento da ninhada referida, com os mesmos dados por nós
registrados na observação de ninhadas de outras serpentes do mesmo gênero,
também nascidas em nosso laboratório, e que já vinhamos observando de longa
data com o fim de estabelecer um critério padrão de vida, crescimento, com¬
portamento, etc... do filhote de Crotcilus (Estas observações serão motivo cie
próxima publicação).
Logo após a parto, separamos a ninhada para exame físico, pesagem, me¬
dida e outras observações.
Um dos filhotes morreu dentro das primeiras 24 horas. Na necropsia en¬
contramos várias agenesias e anomalias.
Passadas as primeiras 24 horas os 16 filhotes vivos foram isolados em uma
caixa de madeira de 9 m 2 de superfície e cujo fundo foi recoberto em porções
iguais de terra seca, terra úmida, areia seca, areia úmida, pedregulhos, paus
secos, capim seco e uma porção livre do próprio chão epie é de cimento. Isto
tudo para conhecer as preferências individuais ou de grupo pelo tipo de solo.
Sobre cada amostra de solo foi colocada uma pequena abóbada de pape¬
lão que permita a idéia de “toca”.
No centro da caixa existia uma goteira de 2,50 metros com areia, terra
e pedras pela qual era mantida água corrente. A temperatura ambiente foi
controlada entre 25° e 28°C. Não nos foi possível determinar a umidade rela¬
tiva nem a pressão atmosférica.
Das observações da ninhada, pudemos anotar as seguintes alterações de
comportamento em relação aos recém-nascidos normais, cuja conduta foi pa¬
dronizada pela observação de cerca de 1000 exemplares nascidos em nosso
laboratório.
Desde que nosso estudo é comparativo, exporemos sempre juntos, os
resultados dos normais e dos observados como segue.
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TjAXGIíADA, F. G. DE — Anomalias congênitas em uma ninhada de “cascavéis”.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 239-251, 1973.
A) Peso e Medida individuais:
Os filhotes da ninhada em estudo, apresentavam-se em bom estado de
saúde.
Peso e medida estavam dentro dos limites que admitimos como normais:
peso médio 27,5 g e 23,5 cm de comprimento.
B) Presas
No filhote que consideramos como normal, as presas são em número de
duas, recobertas por mucosa e de tamanho capaz a permitir facilmente sua
exteriorização.
Nos filhotes em estudo, encontramos em 6 deles, presas duplas em ambos
os lados, de diâmetro normal mas de comprimento tão exagerado a ponto de
não poderem ser exteriorizadas pela abertura da cavidade bucal.
Uma outra anomalia constatada na cavidade bucal foi a ausência das
fileiras de pequenos dentes paralelos à fissura palatina.
C) Troca de Pele
Nas observações de filhotes normais, anotamos a primeira troca de pele
entre as 24 e 48 horas após o nascimento. Na ninhada observada, somente al¬
guns exemplares trocaram de pele, fazendo-o apenas após o 4.° dia de vida.
D) Olhos
Nos filhotes da ninhada em estudo, constatamos a ausência de pupila em
todos os exemplares. Apresentavam olhos cor azul celeste, límpidos e brilhantes,
semelhantes aos das serpentes albinas, independendo esta cor das mudanças
de pele, o que nos assegurou não ser o desprendimento desta, a causa aparente
da ausência de pupila.
E) Agressividade
O filhote normal é extremamente agressivo à aproximação de qualquer
objeto estranho, que desencadeia nele um movimento rápido para armar o
bote, um movimento vibratório de agitação de cauda, e uma agressão em
forma de picada, com golpes rápidos e certeiros bem dirigidos ao objeto de
que se quer defender.
Os filhotes observados armam o bote como os normais mas não agitam a
cauda e agridem indistintamente em qualquer direção não reagindo rapida¬
mente à presença de objetos estranhos próximos, e não coordenando a dire¬
ção do bote para o objeto; pelo contrário, agrediam em picadas dirigidas a
todos os lados, sem método ou controle, dando-nos a impressão de perce¬
berem o objeto estranho sendo, no entanto, incapazes de situá-lo.
F) Pesquisa do ambiente
Os normais o fazem com a língua em movimentação rápida no sentido
vertical e antero-posterior; os da ninhada observada exteriorizavam lentamente
a língua, sem fazer movimentos com ela.
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LANGLADA, F. G. DE — Anomalias congênitas em uma ninhada de “cascavéis”.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 238-251, lí)73.
G) Percepção
As serpentes adultas, quando em cativeiro, apresentam uma espécie de
“curiosidade” pelos objetos estranhos levados junto a elas e os “estudam” e
“pesquisam” com a língua (C. B. Perkins, 1942); observamos esta mesma con¬
duta nos filhotes normais. Os filhotes anormais por nós observados, permane¬
ciam entretanto, completamente indiferentes diante de quaisquer objetos.
Noble, 1934 e Noble e Schmidt, 1937, descrevem uma percepção do calor
até com variações de 2°C da temperatura ambiente e que é acusada pelas
serpentes pela movimentação de sua cabeça em direção ao foco de maior
calor. Para nosso teste usamos um ferro aquecido a 100°C mais ou menos, que
passávamos lentamente a várias distâncias das serpentes e pudemos verificar
que as normais o “percebiam” desde a distância de 50 cm até a distância má¬
xima de 10 metros. As observadas nunca o “percebiam” ou melhor, nunca deram
demonstração alguma de que o percebessem, em nenhuma distância.
H) Luz artificial dirigida:
Quando em plena escuridão fazemos incidir um feixe de luz diretamente
sobre um filhote de cascavel, verificamos que após curto espaço de tempo o
animal se locomove, procurando novamente a sombra, enquanto que as por
nós observadas permaneciam imóveis.
I) Movimentação
Consideramos como comportamento normal, o dos filhotes repousarem
enrolados, isolada ou agrupadamente durante o dia, dando preferência a áreas
secas e utilizando-se, quase sempre, das “tocas” artificiais de papelão.
Estes filhotes, à noite, percorrem a área de cativeiro indistintamente em
todas as direções.
Na ninhada observada, os filhotes se locomoviam durante o dia e, cu¬
riosamente, todos sempre na mesma direção, seguindo o sentido dos pon¬
teiros do relógio. Mesmo quando interceptada, por nós, sua marcha, tornavam
a caminhar no sentido dos ponteiros do relógio. Descansavam à noite, isolados,
sem se enrolarem e sem procurarem o abrigo das “tocas” e, preferentemente,
sobre terra úmida.
J) Reptação em plano inclinado
Usamos para esta prova uma prancha de papelão colocada no chão da
caixa onde vivem os filhotes.
Quando um deles se aproxima de uma das extremidades da prancha, ele¬
vamos a outra até obtermos um plano inclinado dc 45° aproximadamente. Os
filhotes normais, quando sobem pela prancha, fazem um percurso de 1 m com
duas ou tres paradas no caminho. As observadas, quando tentavam subir na
prancha, desistiam a poucos centímetros do início, deixando-se cair para os
lados.
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LANGLADA, F. G. DE — Anomalias congênitas em uma ninhada de “cascavéis”.
Mcrn. Inst. Butantan f 31: 239-251, 1973.
K) Agrupamento
Os normais descansam enrolados sobre si mesmos e geralmente procuram
agrupar-se, enquanto que os da ninhada em estudo permaneciam estirados e
não se agrupavam.
L) Alimentação
Usamos para alimentação camundongos recem-nascidos. Os normais agri¬
dem, matam e ingerem a presa, os da ninhada em estudo agrediam, mata¬
vam, mas não ingeriam a presa.
M) Água
Os normais procuram ao longo do “rio” um lugar adequado em profun¬
didade e correnteza para beber, com escolha nítida do local, mantendo sem¬
pre o corpo fora da água, quando bebem, enquanto que na ninhada observa¬
da, os filhotes vão para a beira da água, sem escolha do local, introduzindo,
por vezes, o corpo inteiro na água, para beber.
Das necropsias
À medida que os filhotes iam morrendo eram realizadas necropsias que
nos permitiram constatar uma série de agenesias e anomalias internas.
Estas necropsias, que foram feitas dentro do possível, pelo mesmo mé¬
todo que as autopsias humanas, mostraram os resultados que serão a seguir
relatados.
Omitiremos a citação das vísceras que não apresentavam alterações ma¬
croscópicas.
Em 12 especímens encontramos fígado mole e rosado, que nada lembra
o comumente achado de cor marrom vinhosa.
A vesícula biliar, nos exemplares que tiveram maior sobrevivência, apre¬
sentava engurgitamento. Grande infiltração biliar foi encontrada tanto no in¬
testino delgado quanto no grosso.
O intestino delgado apresentava-se na quase totalidade dos casos com
ausência de alças, como um tubo reto, de paredes espessas com consistência
muito aumentada e pouca flexibilidade (aspecto de papelão).
O intestino grosso, em todos os casos, apresentava-se imperfurado ter¬
minando em fundo de saco e continha fezes amarelas em maior ou menor
quantidade.
Em 12 casos, encontramos união do fundo de saco do intestino grosso à
parede abdominal, na altura do úraco. Este foi encontrado nos mesmos 12
filhotes, recoberto'por panículo adiposo com aspecto de gomo de tangerina.
Em 2 casos, encontramos vestígios de cloaca, sem conteúdo fecal, apenas
com escassa urina.
Em 3 casos- os rins se apresentavam divididos em segmentos separados
entre si, ligados apenas pelo pedículo vascular; em 10 exemplares, havia au¬
sência de ureteres e em 1 dos exemplares, os mesmos terminavam no antro
cloacal.
243
cm
2 3
L.
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LANGLADA, F. G DE — Anomalias congênitas em uma ninhada de “cascavéis”.
Mem. Inst. Jiutantan, S7: 239-251, 1973.
Em 16 casos, os rins eram fortemente bocelados, com aspecto e consis¬
tência de rim adulto de serpente.
Foi notada ausência de órgãos sexuais em todos os casos.
Damos, a seguir, uma tabela que resume todos os dados das anomalias
encontradas e sua freqüência e as fotografias que mostram algumas destas
anomalias.
SUMMARY — In 20 young specimens
of Crotalus terrificus born in captivity,
agenesias of the pupil, large intestine,
cloaca, and thc genital organs were
found.
Anomalies of the fangs, esophagus,
stcmach, small intestino, liver, kidneys,
ureters and cloaca were also found ln
the same newly hatched snakes.
The same specimens showed further-
more deviations of behavior, habits and
reactions, as compared to normal in¬
dividuais.
UNITERMS
rattlesnakes.
Anomalous hatch of
Recebido para publicação em 10.VIII.73
Aceito para publicação em 18.IX.73
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AMARAL, A. do — Ofionlmia Ameríndia na Ofiologia Brasiliense.
Meni. Inst. Butantan, 37: 1-15, 1973.
puzzling are the references made to these ‘giant’ serpents under the names of
‘boiguaçu’, ‘jibóya’, or ‘cobra de veado’, and ‘boi guaçu’ or ‘cobra de veado’,
respectively, by W. Piso and G. Marcgravius in Historia Naturalis Brasiliae,
Ed. F. Hackium, Leyden & L. Elzevirium, Amsterdam, 1648, ch. III & ch.
XIII, fig. ..
In this connexion the following facts must be reminded:
1. The terrestrial species preferably feeds on rodents (mice.rats, cavies,
rock-cavies, hares, pacas and agoutis) such preys being compatible with its
size and particular ecology; and so it seldom needs to resort to constriction,
excepting when it catches some ‘suaçu-berá’ ( Mazama simplicicornis) at the
caatinga edge, where it uses to hunt; thence comes its name ‘deer-snake’ as
repeated by Marcgrave and by M. Wied.
2. The aquatic (amphibious) species is omnicarnivorous, irrestrictly feed-
ing, first, on fish and frogs; later, on birds, peccaries, deer, etc., in accord
with its body size and stomach capacity as well as with the facilities found in its
double habitat; therefore, it resorts to constriction as a rule.
3. Linné was apparently induced to apply in his Syst. Naturae (1758)
the name murina to the water boa in view of the rat-hunting tendency
(“murium insidiator”) that Seba assigned to this snake in R. Natur. Thesauri
(1735), in table 29 of which a rat was figured (fig. 1) aside (although at a
lower levei) the snake.
4. Certainly impressed by the errors his predecessors made in this field
in most ancient publications (especially Linné in Syst. Naturae, 1758; Lau-
rentius in Syn. Reptilium, 1768; Lacépède in Hist. Nat. Reptiles, 1801;
Schneider in Hist. Amphibiorum, 1801; Daudin in Hist. Nat. Générale, 1803;
and Merrem in Tent. Syst. Amphibiorum, 1820), Schlegel in Essai, 1837, se-
riously attempted at systemat.zing the question and establishing, in the light
of more correct data on the range of several and important boids, a bettcr
basis for their distinction since their definitions were mostly founded ou oid,
poorly preserved specimens in museum collections. And, on having a chance
to deal with the water boa, he aptly remarked that Linné gave “à cctte espéce
un nom assez vague que les auteurs sependant ont conservé”.
5. As to the real distinction between both of these conspicuous snakes,
Wied, being — besides W. v. Eschwege (in J. v. Brasilien, Weimar, 1818, 2:276)
— one of the few traveller-scientists ever to make direct acquaitance with
such ophidians in vivo and in their natural habitat, was able to point out
real morpho-biologic differences between murina and constrictor. Howevcr,
in finally preparing the text of his remarkable monographs (Reise d. Brasilien,
1820; Beitr. zur Naturgeschichte v. Brasilien, 1825; and Abbildung, 1831),
Wied still kept some confusion over tliem, in including, in the description of
constrictor, particulars of “cobra de veado”. As regards this Lusitan expression,
which first appeared in Piso and Maregravius’ (1648) quoted monograph, our
herpetologic and linguistic researches induce us to admit those authors having
12
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DANGDADA, P. G. DE — Anomalias congênitas em uma ninhada de “cascavéis”.
Mem. Inst. Butantan, 37: 239-251, 1973.
Fig. 1 — Fotografia que mostra a cavidade bucal de um filhote da ninhada
anômala em estudo; nota-se o desproporcional tamanho das presas que ultra¬
passam, quando retraídas, as comissuras labiais. Nota-se também a não
existência de dentes nas bordas das fissuras palatinas.* Ponta terminal da Direita.
otografia que mostra a diferença entre um olho de filhote de serpente
normal, “A” e o de um filhote da ninhada em estudo “Lí”.
Note-se a ausência de pupila em ”15”
SciELO
LANGLADA, P. G. DE — Anomalias congênitas em uma ninhada de
Mcm. Inst. Butantan, 37: 239-251, 1973.
cascavéis
Fig. 3 — Fotografia de um filhote de cascavel com 1G dias de vida, normal com exposição
das vísceras da cavidade ventral, em que vemos:
A) adiposidade mesentérica
B) intestino delgado em que se notam as circunvoluções das alças
C) intestino grosso
D) cloaca repleta de fezes e urina
E) rim esquerdo pouco bocelado, como é normal no filhote de serpente
P) feixo que corre paralelamente ao rim, formado por: vasos normais, ureteres e dueto
espermâtico
G) testículos
H) fígado
I) estômago
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I.ANGLADA, F. G. DF — Anomalias congênitas em uma ninhada de “cascavéis’'.
Mcm. lnst. Butantan, 37: 239-251, 1 ’•>73.
Fig. 1 — Fotografia de um dos filhotes anômalos descritos com 8 dias de vida, mostrando
as vísceras da cavidade ventral.
Observamos como anomalias:
11) intestino delgado sem circunvoluções das alças, e de consistência rija.
C) pequena porção do intestino grcsso, que se apresentava imperfurado, terminando em
forma de fundo de saco. em sua porção distai.
E) rins fortemente bocelados
K) antro da cloaca, imperfurado
Notar a ausência de cloaca, genitália e 2/3 do intestino grosso.
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JjANGTjADA, F. G. DF — Anomalias congênitas em uma ninhada de “cascavéis".
Mnn. Jnst . Butaiitail, ■!7: 230-251, 1973.
Fig. 5 — Fotografia de um des filhotes anômalos descritos com 12 dias de vida t mostrando
as vísceras da cavidade ventral.
Observamos como anomalias:
F.) intestino delgado extremamente reduzido em seu comprimento, sem circunvoluções, sem
alças, que foi por nós separado de C.
C) pequena porção de intestino grosso imperfurada e aderida em sua porção terminal à
parede costa'.
H) fígado que se apresentava de cor rosado pálido.
I) estômago
K) antro da cloaca, genitália e 5/8 do intestino grosso.
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LANGLADA, F. G. DE — Anomalias congênitas cm uma ninhada de “cascavéis”.
Mem. Inst. Bntantan, 37: 239-251, 1973.
Fig. 6 — Fotografia de um dos filhotes anômalos, com 9 dias de vida, mostrando as vísceras
da cavidade ventral.
Observamos como anomalias:
13) intestino delgado, sem circunvoluções nem alças fortemente estenosado desde 3,5 cm
acima de sua junção com o intestino grosso.
C) intestino grosso reduzido a 3/8, aproximadamente, de seu tamanho normal, imperfurado
e fixo à parede costal em sua porção terminal.
E) rins fortemente bocelados
K) antro da cloaca que apresentava um septo transverso, imperfurado e unido à mus¬
culatura dorsal interna.
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LANGLADA, P. G. DE — Anomalias congênitas em uma ninhada de “cascavéis”.
Mem. Inst. Butantan, 37: 239-251, 1973.
Fig. 7 — O mesmo filhote mostrado na Fig. 9, mostrando o pedículo (*) due unia C 5.
parede ventral na altura do úraco (**).
BIBLIOGRAFIA
1. NOBLE, G. K. — The structure of the facial pit of the Pit Vipers and its proba-
ble function. Anat. Rec., 58, supp. pp. 4, 1934.
2. NOBLE, G. K. & SCHMIDT, A. — The structure and function of the facial and
labial pits of snakes. Proc. Am. Philos. Soc., 77, n.° 3, 263-288, 1937.
3. PERKINS, C. B. — Something about Rattlesnakes. Zoonooz 15, n.° 11, pp. 4-5,
1942.
4. PERKINS, C. B. — More about Rattlesnakes. Zoonooz., 15, n.° 12, pp. 5-6, 1942.
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Mem. Inst. Butantan
87: 253-260, 1973
DETERMINAÇÃO DA ÉPOCA DE FECUNDIDADE EM FÊMEAS DO
GÊNERO CROTALUS *
FRANCISCO GARCIA DE LANGLADA **
MARINEI FERREIRA GONÇALVES ***
EDNA TALARICO RODRIGUES ***
Laboratório cie Biopatologia de Serpentes
Seção Anatomia Patológica — I. Butantan
RESUMO •— Os autores tecem um es¬
tudo sobre a época de fecundidade em
serpentes do gênero Crotalus do Estado
de São Paulo.
Para tanto, pesquisam a presença de
espermatozóides no trânsito genital de
1.522 fêmeas adultas, logo após a captu¬
ra e por espaço de 4 anos, correlacio¬
nando a presença desses espermatozói¬
des, com a época de fecundidade.
Ao mesmo tempo, analisam a sobre-
vida de espermatozóides inoculados ar¬
tificialmente em 50 fêmeas, procurando
determinar a sobrevida dos mesmos no
aparelho genital feminino.
Realizam também, pesquisas anatô¬
micas no sentido de encontrar esper-
mateca ou lugar análogo no percurso
genital da fêmea de Crotalus.
Concluem o trabalho, apresentando o
tempo médio de sobrevida dos esper¬
matozóides, não tendo encontrado con¬
dições anatômicas para estocagem de
espermatozóides e dando a época pró¬
pria para fecundação entre os meses de
maio e outubro.
UKITERMOS — Epoca de fecundidade
e sobrevida de espermatozóides no trân¬
sito genital feminino em serpentes bra¬
sileiras do gênero Crotalus.
INTRODUÇÃO
Para poder levar a cabo os trabalhos de inseminação artificial que esta¬
mos realizando, já de longo tempo no laboratório, precisamos estudar, com
exatidão, a época do ano em que as serpentes do gênero Crotalus ( C. d.
terríficas e C. d. collelineatus ), do Estado de São Paulo, estão aptas a serem
fecundadas.
Através da literatura pertinente consultada, que citamos na discussão, fi¬
camos alertados da possibilidade de serpentes se reproduzirem em cativeiro,
sucessivas vezes, sem presença de macho. Isto nos fez supor numa estocagem
de espermatozóides de cópula anterior ou numa faculdade de retardar, quer
a fecundação, quer o desenvolvimento embrionário.
* Comunicado III Congresso Bras. de Zoologia.
Tlio de Janeiro — 20.Jul.1968.
** Assistente do Instituto Butantan.
*** Bolsista do P.E.D.I.B.
* Trabalho realizado com auxílio do CNPcj.
* Trabalho realizado com auxilie do FED1B.
1, | SciELO
253
LANGLADA, P. G. I >10. FERREIRA GONÇALVES, AI. & RODRIGUES, E. T. — Determi¬
nação da época de fecundidade em fémeas do género Crotalus.
Mom. Inst. Butantan, 31 : 253-260, 1973.
Essa mesma literatura dava-nos as idéias mais díspares sobre épocas de
reprodução, dependendo, claro está, das espécies estudadas e das condições
ecológicas das mesmas.
Além disso, quase todos estes trabalhos eram feitos por estudos histoló¬
gicos do aparelho genital quer do macho, quer da fêmea, e, na maioria dos
casos, com número extremamente pequeno de exemplares.
Sabíamos também pela literatura, das possibilidades do ciclo 9 ser
bienal, trienal e até mesmo com espaços maiores.
Sendo assim, parecia-nos que um estudo específico de nossa cascavél, de¬
talhado e preciso, deveria ser feito, em grande número de exemplares, e por
longo tempo, para podermos ter uma base firme em nossa inseminação ar¬
tificial.
Este estudo foi planejado de forma a obter o maior número possível de
respostas concretas a nossas interrogações, respostas estas que tentamos reu¬
nir, parte no presente trabalho, parte no já publicado “Ciclo Sexual Bienal de
Serpentes Crotalus do Brasil” Comprovação. Memórias do Instituto Butantan,
36 : 67-72, 1972, e ainda parte no “Estudo da cadeia hormonal de serpentes do
gênero Crotalus” a ser publicado brevemente.
Para o desenvolvimento do presente trabalho, dividimos nossa pesquisa
em dois campos:
1. ° “Possibilidades de fecundação a longo prazo sem presença de macho”,
isto é, possibilidades de estocagem de espermatozóides, sobrevida dos mes¬
mos no aparelho genital da fêmea ou possibilidades de retardo, quer da
fecundação, quer do desenvolvimento do embrião (também na fêmea), após
a cópula e,
2. ° Época de fecundidade das mesmas.
Para tanto procedemos da seguinte maneira:
MATERIAL E MÉTODOS
Como apenas o estudo histológico não nos fornecia dados suficientes a
uma conclusão certa, já que não seria possível obter biopsias periódicas de
um mesmo exemplar durante 2 ou 3 anos e que por outra parte, mesmo que as
obtivéssemos, não poderíamos precisar quais as influências no ciclo das suces¬
sivas retiradas cirúrgicas de fragmentos do aparelho genital, optamos por dar
maior atenção à presença de espermatozóides no trânsito genital da fêmea.
Assim estabelecemos verificar, durante 4 anos, em duas fêmeas diferentes
por vez, em dias alternados, a presença de espermatozóides no trato genital
das mesmas, e a relação dessa presença com a transformação macroscópica do
óvulo e sua localização, certos de que iríamos encontrar uma época do ano em
que o número de serpentes com espermatozóides no trânsito genital nos desse
cm
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11 12 13 14 15
LANGLADA, F. G. DE, FERREIRA GONÇADVES, M. & RODRIGUES, E. T. — Determi¬
nação da época de fecundidade em fêmeas do gênero Crotalus.
Mcm. lnst. Butantan, 37: 253-2G0, 1973.
apoio para afirmar ter havido cópula espontânea, sendo portanto óbvio que
deveria corresponder, essa época, com a do período de fecundidade da fémea.
Usamos para este estudo fêmeas vivas provenientes de captura, recebidas
no Instituto Butantan e outras por nós capturas nas proximidades de São Paulo.
Como método para exame retiramos por laparotomia mediana, ovários, úte¬
ros (oviduetos) e vaginas, que eram abertos, com tesoura estéril, longitudinal¬
mente.
Recolhíamos, por contato direto de lâmina para microscopia, o conteúdo
de todo o interior da vagina e útero, indo pesquisar a presença de espermato¬
zóides e o estado dos mesmos.
Ao mesmo tempo, exame do ovário era feito, tanto no sentido de pro¬
curar células sexuais femininas, quanto masculinas.
Para podermos ter uma idéia mais exata da possível sobrevida dos esper¬
matozóides no trânsito genital feminino após cópula, coletamos esperma de
machos vivos, por retirada cirúrgica de ambos os canais deferentes e expressão
dos mesmos sôbre placa de plexiglas. Introduzimos este esperma sem diluição
ou outro qualquer tratamento nas vaginas de fêmeas vivas, usando seringa e
agulha equipada com um tubo de polietileno P — 90, de mais ou menos 5 cms
de comprimento, com o fim de colocar o esperma certamente nos fundos de
saco vaginais. Recolhemos diariamente por cateterismo com bastão de vidro
adequado, a secreção vaginal e uterina de cada fêmea inseminada, para a pes¬
quisa de espermatozóides vivos, controlando sua motilidade e duração da
vitalidade.
Estudamos por este método 50 serpentes fêmeas, colocando em ambas as
vaginas de cada uma o total de esperma retirado dos conductos espermáticos
de cada um dos 50 machos vivos utilizados.
Depositados os espermatozóides, recolhíamos diariamente, parte do con¬
teúdo das vaginas e úteros de cada fêmea em estudo, com auxílio de um bas¬
tão especial de vidro, para pesquisa do estado dos espermatozóides.
Ainda tínhamos a saber das possibilidades de existência na fêmea de
Crotalus de receptáculo análogo ou não à espermateca de alguns insetos, que
permitisse armazenar espermatozóides por períodos de tempo mais ou menos
prolongados, sem alterações para os mesmos nas possíveis prenhezes periódicas
desse animal.
Para tanto, examinamos o trânsito genital completo de 100 fêmeas adultas,
com auxílio de microscópio estereoscópico, já que seriados histológicos seriam
proibitivos, dado o tamanho de cada aparelho genital feminino (25 cm apro¬
ximadamente de comprimento de vagina a ovário e ainda em número de 2 em
cada fêmea).
As técnicas utilizadas para estes procedimentos são objeto de trabalho em
próxima publicação.
O material usado para este trabalho foi: Serpentes do gênero Crotalus (C.
d. terrificus e C. d. collelineatus) adultos com peso médio de 400 gramas
(máximo de 700 e mínimo de 350 gramas), todas procedentes do Estado de
São Paulo,
255
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SciELO
10 11 12 13 14 15
LANGLADA, F. G. DE, FERREIRA GONÇALVES, Aí. & RODRIGUES, E. T. — Determi¬
nação da época de fecundidade em fémeas do género Crotalus.
Mcm. Inst. Butantan, ./ 7: 253-260, 11)73.
O período de estudo foi de janeiro de 1967 a Dezembro de 1970. Usamos
um total de 1522 fêmeas e 50 machos.
RESULTADOS
Introduzido o esperma, por injeção, no trânsito genital de 50 serpentes,
usando 1 cada 3 dias, por espaço de pouco mais de um ano, verificamos na
colheita diária de conteúdo de vaginas e úteros, a presença de espermatozói¬
des vivos e com motilidade desde um mínimo de 5 dias após o depósito do
esperma até um máximo de 59 dias, dando-se esta presença da seguinte forma:
De 1 a 10 dias: abundantes espermatozóides com motilidade normal,
todos vivos.
De 11 a 20 dias: grande número de espermatozóides com motilidade
normal, outros com motilidade diminuída, mas todos
vivos.
De 21 a 30 dias: boa motilidade de 50% dos espermatozóides vistos por
campo e o restante totalmente imóvel, mas íntegro.
De 31 a 50 dias: queda acentuada do número de espermatozóides, da
sua vitalidade e motilidade, encontrando-se muitos res¬
tos de espermatozóides em fase de desintegração. Ape¬
nas uma serpente apresentou espermatozóides vivos
após 60 dias, se bem que em número muito pequeno e
motilidade quase nula.
Examinados detalhadamente, com auxílio de microscópio estereoscópico,
100 úteros e 100 vaginas correspondentes a 50 serpentes adultas, durante um
espaço de 12 meses consecutivos, não encontramos receptáculos, prega ou lugar
que, a nosso ver, permitisse a estocagem de espermatozóides. A presença dos
mesmos, quando achados, quer em serpentes por nós inseminadas, quer nas
vindas de liberdade por captura, eram encontrados sempre disseminados atra¬
vés do útero, em toda a extensão deste, podendo ter agrupamento de maior
população, tanto na raiz da vagina, quanto em qualquer ponto dos 25 cms
aproximados de comprimento de cada útero.
Estes achados nas fêmeas, vindas por captura, eram sempre bilaterais, isto
é, davam-se todas as vezes nos 2 úteros e em intensidade semelhante.
A existência de espermatozóides no trato genital feminino foi comprovada,
a partir de maio aumentando em junho, julho e agosto, diminuindo em setem¬
bro, outubro, e. desaparecendo totalmente na primeira quinzena de novembro.
Simultaneamente encontramos a partir de julho, migração do óvulo do
ovário para o útero. Não raro encontramos serpentes prenhes ainda com es¬
permatozóides vivos na vagina.
Verificamos que, durante os quatro anos consecutivos que pesquisamos a
presença de espermatozóides, os resultados de cada ano praticamente se su¬
perpunham.
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cm
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uacjuo «la época ile fecundidade em fêmeas do gênero Crotalus.
Mevi. Inst. Butantan, .17 : 2511-260, 1972.
Apresentamos a seguir uma tabela do resultado médio geral, durante os
4 anos.
Nesta tabela, constam além das épocas de presença dos espermatozóides
no aparelho genital da fêmea, os meses do ano em epie encontramos serpentes
prenhes.
DISCUSSÃO
Na farta literatura pertinente, encontramos as mais diversas e contradi¬
tórias opiniões, quer no que se refere às possibilidades de estocagem de es¬
permatozóides, quer nas possíveis épocas de reprodução, nas diferentes es¬
pécies.
Wood, 1933 menciona acasalamento de fêmeas prenhes, durante o verão.
Saint-Girons (1952, 1957, 1966); Dottrens (1963); Duguy (1964) referem
haver sempre um acasalamento na primavera e outro no outono, sendo férteis
apenas os da primavera.
Belluomini e cols., (1966), num estudo citológico e ponderai do testículo
de C. d. tenificiis, realizado no período de um ano, afirmam haver maturidade
sexual do macho dessa espécie no período de janeiro e maio, sendo de junho
a setembro o período de repouso sexual.
Berry, e Lim, (1967) relata que, durante um ano de observação de exem¬
plares de Homolapsis bucccita de clima equatorial, não encontrou uma época
lixa e definida de reprodução.
Osgood, 1969 refere-se sobre as influências climáticas no acasalamento
de serpentes.
De um modo geral, todos esses autores relatam, de um modo lato, as
épocas de acasalamento, sem definí-las exatamente, dando, muitas vezes, a en¬
tender que haveria grande influência das condições climáticas e ecológicas na
época da reprodução.
Wcodward, (1933); Haines, (1940); Kopstein, (1938); Rahn, (1940), e
Blanchard e Blanchard, (1940), afirmam ser possível encontrar espermatozóides
com motilidade e capacidade de fecundação normais, dentro do aparelho ge¬
nital da fêmea, por longo período, após a cópula.
Sosnowsky, (1940) admite a possibilidade de atraso de fertilização, re¬
latando um caso de fêmea de Elaphe dione , coletada em agosto cie 1936
e que veio a colocar ovos férteis em maio de 1937.
Trapido, (1940) cita haver encontrado espermatozóides com motilidade
normal no trânsito genital feminino, desde o outono, até a primavera seguinte.
Haines, (op. cit.) encontra estocagem de espermatozóides em Leptodeim
mmulata por espaço superior a 6 anos, pela observação da presença de ovos
férteis nesse espaço de tempo.
Rahn aventa a possibilidade de a cascavel da pradaria manter espermato¬
zóides vivos no trânsito genital feminino, que sobreviveriam durante todo o
inverno.
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LANGLADA, F. G. DE, FERREIRA GONÇALVES, M. & RODRIGUES, ET. — Determi-
naQ&o da época de fecundidade em fêmeas do gênero Crotalus.
Mem. Inst. Butantan, 87: 253-200, 1973.
O mesmo autor, (1942), relata ter encontrado espermatozóides confinados
somente na porção posterior do útero, em fêmeas, após longo espaço da cópula.
Ralin (1942) também parece encontrar uma correlação entre a presença
de espermatozóides no trânsito genital feminino e a fase do ciclo ovariano do
mesmo.
Carson (1945) observou a postura de ovos fecundados, após 4 anos e 4
meses de cativeiro, sem presença de macho, de um exemplar fêmea de Dry-
marchon corais.
Darevsky (1971) admite também, a possibilidade de estocagem de es¬
permatozóides no trânsito genital feminino, por observação de um exemplar
fêmea de Xenodon merremii que durante 2 anos e 10 meses, em cativeiro, sem
contacto com macho, depositou ovos fecundados.
Klauber (1956) dedica' em seu livro Rattlesnakes, um capítulo a comen¬
tários sobre a reprodução da cascavel norte-americana.
Todos esses autores relatam fatos por eles observados, sendo concordantes
no fato da possibilidade de existência de armazenamento de espermatozóides
no trânsito genital feminino de serpentes ovíparas que permitiria posturas su¬
cessivas de ovos fecundados, e que, nas serpentes vivíparas, haveria possibili¬
dade de sobrevida longa desses espermatozóides.
Com relação à época de maturidade sexual dos machos do gênero Crotalus,
referida no trabalho de Belluomini e cols., op. cit, que é baseada no peso pon¬
derai do testículo, notamos anteceder essa época ao período de fecundidade das
fêmeas, por nós encontrado. Essa antecipação poderia ser explicada como um
preparo sexual prévio do macho que, carecendo de vesícula seminal, reteria o
esperma no dueto espermático e possivelmente no próprio testículo.
Com a entrada da fêmea na época propícia à cópula, os duetos espermá-
ticos seriam esvaziados, por coito, dando vazão ao conteúdo testicular, com con-
qüente diminuição de seu peso, coincidindo esses achados com o início do
cio das fêmeas.
CONCLUSÃO
Baseados em nossos achados, podemos afirmar não haver aparente possi¬
bilidade anatômica de estocagem de espermatozóides por pei iodos superiores
a 60 dias, no aparelho genital da fêmea de Crotalus do Estado de São Paulo,
se bem que os mesmos tenham sobrevivido até 59 dias, com motilidade normal,
quando introduzidos artificialmente nas mesmas.
Por outro lado, parece-nos poder fixar a época de fertilidade das fêmeas
de Crotalus do Estado de São Paulo, corno sendo entre os meses de maio
a agosto.
A presença de espermatozóides até o mes de outubro, apresentada em
nossas tabelas, é explicada apenas como sendo a sobrevida desses no trato
genital feminino, após a cópula.
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LANGLADA, F. G. DF, FERREIRA GONÇALVES, M. & RODRIGUES, E. T.
nação cia época cie fecundidade em fêmeas do gênero Crotalus.
Mem. Inst. Butantan, 37: 253-260, 1973.
Determi-
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259
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NUMERO DE EXEMPLARES PESQUISADOS
SUMMARY — The AA. study the fe-
cundity period in snakes of the .'jenus
Crotalus in the State of São Paulo.
ca or some similar place in the genital
tract of the Crotalus female.
To this purpose they investigated
the presence of spermatozoa in the
genital tract of 1522 females, soon after
capture and during a period of 4 years,
correlating the presence of these sper¬
matozoa with the fecundity period.
The average survival time of the
spermatozoa was establishcd, no anato-
mic conditions for storage of the samc
having been found. The period fa-
vorable for fecundation is given as
between the months of May and Octo-
ber.
Simultaneously the survival time of
spermatozoa artificially inoculated in
50 females was analyzed.
UNITERMS — Fecundity period and
survival of spermatozoa in the genital
tract of female Brazilian snakes of the
genus Crotalus.
Anatomic examinations were also made
with a view to finding a spermathe-
BIBLIOGRAFIA
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BER, G. — Estudo citológico e ponderai do testículo de Crotalus durissus terri-
ficus durante o ciclo reprodutivo anual. Meui. Inst. Butantan, Simp. Internac.
33(3), 761-766, 1966.
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snake, Homalopsis buccata Boulenger. Copeia, 2: 307-313, 1967.
3. BLANCHARD, F. N. & BLANCHARD, F. C. — Factors determining time of
birth in the gartersnake Tham nophis sirtalis sirtalis (Linnaeus). PaP. Midi.
Acad. Sei , Arts and Let., 26: 161-176, 1940.
4. CARSON, H. L. — Delayed fertilization in a captive indigo snake with notes
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5. DAREVSKY, I. S. — Delayed fertilization in the Brazilian colubrid snake Xe-
nodon merremii (Wagler). Journal of Heretology, 5: 12, 82-83, 1971.
6. DOTTRENS, E. — Batraciens et reptiles d’Euroe. Delachaux et Niestlé-Neuchdtel,
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7. DUGUY, R. — Biologie des vipères de Vendée. Science et Nature, 61: 11-15, 1964.
8. HAINES, T. P. — Delayed fertilization in Leptodeira annulata- polysticta. Copeia,
3: 116-118, 1940.
9. KLAUBER, L. M. — Rattlesnakcs. University of Califórnia Press, 2 vols., pp.
xxix -f 708; xvii -j- 1476. 1956.
10. KOPSTEIN, F. — Ein Beitrag zur Eierkunde und Fortpflanzung der Malaiischen
Reptilien. Buli. Raffles Mus., 14, 81-167, 1938.
11. OSGOOD, D. W. — The effect of temperature in the breeding of snakes. Diss.
Abstr. Buli, 29:9, 3547-3548, 1969.
12. RAHN, H. — Sperm viability in the uterus of gartersnake, Thamnophis. Copeia,
2, 109-115, 1940.
13. RAHN, H. — The reproduetive cycle of the prairie rattler. Copeia, 4, 233-240, 1942.
14. SAINT-GIRONS, H. — Ecologie et éthologie des vipères de France. Ann. Sc.
Nat. Zool. 14, 263-343, 1952.
15. Saint-Girons, H. — Le cycle sexuel chcz Vipera aspis (L.) dans 1’Ouest de
la France. Buli. Biol. Fr. Belg,, 91(3), 284.-350, 1957.
16. SAINT-GIRONS, H. — Le cycle sexuel des serpents venimeux. Mem. Inst. Bu¬
tantan, Simp. Internac. 33(1), 105-114, 1966.
17. SOSNOWSKY, J. P. — Breeding biology of Elaphe dione (Pall). Trans. Moscoto
Zoo, I, 169-173, 1940.
18. TRAPIDO, H. — Mating time and sperm viability in Storeria. II. 107-109 1940.
19. WOOD, F. D. — Mating of the pairie rattlesnake Crotalus confluentus confluen-
tus Say. Ibid, 3, 84-87, 1933.
20. WOODWARD, S. F. — A few notes on the persistence of active spermatozoa in
the African night adder, Causus rhombeatus. Proc. Zool. Soc. London, I.
189-190, 1933.
Recebido para publicação em 10.VIII.73.
Aceito para publicação em 18.IX.711.
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Mem. Inst. Butantan
37: 261-290, 1973
CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DAS SERPENTES DO
ESTADO DE PERNAMBUCO
CARMEM L. CORDEIRO **
A. R. HOGE *
Seção de Herpetologia, Instituto Butantan
RESUMO ■— No presente trabalho
foram registradas 28 espécies de ser¬
pentes não venenosas: 3 Boidae e 25
Colubridae: 5 espécies de serpentes
venenosas marcando um total de 250
espécies.
UNITERMOS — Serpentes do Nordes¬
te brasileiro.
Considerando que ainda liá muitas lacunas no conhecimento da fauna
ofiológica do Nordeste brasileiro, julgamos útil a publicação da presente lista,
constando de tabelas.
MATERIAL:
Foram estudadas as seguintes coleções:
DEH = Depto. de Ecologia do Instituto de Biociências da Universi¬
dade Federal de Pernambuco.
IBM = Coleção dc Ofídios da Seção de Herpetologia do Instituto
Butantan.
MZUSP = Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.
DISCUSSÃO
O número relativamente elevado de especimens examinado, permite uma
melhor avaliação da distribuição geográfica, pois a maioria dos especimens
provém de localidades onde a sua ocorrência das espécies não tinham sido
constatada.
Ampliou-se também a distribuição geográfica conhecida para a espécie
mossoroensis recentemente descrita.
Para um estudo mais pormenorizado da distribuição de acordo com as
regiões fitogeográficas, ainda se necessitam de muito mais especimens.
« e ** Trabalho realizado com auxílio do CNPq e TJ.F.PE.
Endereço para correspondência :
C.P. 05, São Paulo, Brasil.
261
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CORDEIRO, C. L. & HOGE, A. R. — Contribuição ao conhecimento cias serpentes do Estado
de Pernambuco.
Mem. I7ist. Butantan, 37: 2G1-290, 1973.
LISTA DAS ESPÉCIES
Boa constrictor constrictor . 263
Corallus em/dris enydris . 263
Epicrates cenchria assisi . 264
Apostolepis cearensis . 264
Clelia occipitolulea . 264
Chironius carinatus . 365
Chironius flavolineatus . 366
Dipsas neivai . 266
Dnjmarchon corais corais . 267
Helicops angulatus . 267
Helicops leopardhms . 268
Dromicus alinadensis . 269
Dromicus poecilogyrus xerophilus . 270
Dromicus veridis . 272
Leptotyplops brasiliensis . 272
Liophis cobella . 273
Liophis mossoroensis . 273
Mastigoãryas bifossatm triseriatus . 274
Oxybelis aeneus . 274
Oxyrhopus rhombifcr rhombifer . 275
Oxyrhopus trigeminus . 275
Pseudoboa nigra . 277
Plnlodryas nattereri . 278
Philodryas olfersii . 279
Tantilla melanocephala melanocephala . 283
Thamnodynastes pallidus . 283
Thamnodynaslcs strigilis . 284
Waglerophis mcrremii . 284
Micrurus frontalis altirostris . 28o
Micrurus ibiboboca . 285
Bothrops erythromelas . 286
Crotalus [Crotalus] durissus cascavella . 286
Lachesis muta noctívaga . 287
262
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CORDEIRO, C. D. & HOGE, A. R. — Contribuição ao conhecimento cias serpentes do Estado
de Pernambuco.
Mem. Inst. Butantan, 37: 2G1-290, 1973.
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CORDEIRO, C. D. & HOGE, A. R. — Contribuição ao conhecimento cias serpentes do Estado
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cm = cauda mutilada.
Dromicus poecilogynis xerophilus (Amaral)
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Mem. Inst. Butantan, 37: 2G1-290, 1973.
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Mem. Inst. Butantan, .17 : 261-290, 1973.
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ABSTRACT — In thc present paper are
registered 28 species of non-poisonous
snakes: 3 Boiclac and 25 Colubridae; 5
species of poisonous snakes making a
total of 250 spccimens.
UNITERMS • — Northeastern Brazilian
snakes.
ACKNOWLEDGEMENTS
We are indebted to the Conselho Nacional de Pesquisas for the grant, and
to the Departamento de Ecologia da Universidade Federal de Pernambuco.
AGRADECIMENTOS
Nós agradecemos ao Conselhos Nacional de Pesquisas pela bolsa e ao
Departamento de Ecologia da Universidade Federal de Pernambuco.
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Recebido para publicação em 30.VI.72.
Aceito para publicação em 28.VIII.73.
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Mem. Inst. Butantan
37: 291-298, 1973
CONSIDERAÇÕES TAXONÒMICAS SOBRE CISTOS ESQUIZOGÔNICOS
E SOBRE GAMETÓCITOS DE HEPATOZOON (SPOROZOA,
IIAEMOGREGARINIDAE) PARASITAS DE SERPENTES BRASILEIRAS. * **
SAMUEL B. PESSÔA "
PÉRSIO DE BIASI * *
Seção de Venenos
Instituto Butantan
RESUMO — Os autores mostrara a di¬
ficuldade existente na caracterização
das espécies de Hepatozoon parasitas
de serpentes, pela morfologia dos cistos
esquizogônicos ou dos gametocitos, de¬
vido à semelhança daqueles em muitas
espécies, bem como a variabilidade des¬
tas últimas formas. Dão vários exem¬
plos com microfotografias de Hepato¬
zoon parasitas de serpentes para ilustrar
esta asserção.
UNITERMOS — Hepatozoon, Haemo-
gregarina, cistos esquizogônicos, game-
tócitos, taxonomia.
INTRODUÇÃO
As serpentes podem ser parasitadas por várias espécies de Hepatozoon,
sendo que o critério taxonômico para separá-las, reside ainda hoje, principal-
mente, na aparência morfológica de gametocitos no sangue periférico do animal
e, mais raramente, também na dos cistos esquizogônicos encontrados nos órgãos
internos dos hospedeiros. Após termos examinado, no Instituto Butantan, várias
espécies de serpentes venenosas e não venenosas, notamos cistos e game-
tócitos muito semelhante entre si, de hepatozoons parasitas de diferentes espécies
de serpentes.
Em ambos os casos, caracteres toxonômioos baseados na morfologia de
cistos ou de gametocitos podem ser falhos e levar a se confundir hepatozoons
de espécies provavelmente diferentes, apesar de não se saber definitivamente
ainda, se diferentes espécies de serpentes albergam ou não, diferentes espécies
de hepatozoons.
MATERIAL E MÉTODOS
Os exames de sangue foram feitos sempre de serpentes vivas, pelo seu
esfregado em lâminas e coradas pelo Giemsa e às vezes pelo May-Grunwald-
* Trabalho do Instituto Butantan.
** Bolsista do FE'DIB.
»*« Chefe da Seção de Venenos do Instituto Butantan.
ICndereço para correspondência:
C.P. G5, São Paulo, P.rasil.
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SciELO
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PESSOA. S. B. & BIASl, P. — Considerações taxonômicas sobre cistos esquizogônicos e
sobre gametócitos de Hepatozoon (Sporozoa, Haemogregrarinidae) parasitas cie serpentes
brasileiras.
Mem. Inst. Butantan, 87 • 291-298, 1973.
Giemsa. Exames histológicos cios órgãos internos eram feitos somente em caso
de ser o animal positivo para hepatozoon, sendo os tecidos fixados pelo formol
102 ou pelo Bouin e os cortes corados pela hematoxilina-eosina; também foram
feitas impressões destes órgãos que eram fixadas pelo álcool metílico e coradas
pelo Giemsa.
De uma serpente altamente parasitada por hepatozoon e com grande nú¬
mero de formas anômalas dos gaxnetócitos, foi extraído o sangue pelo Dr. Oscar
de Sauza Lopes (Instituto Adolfo Lutz) e tentado o isolamento de vírus, com
resultado negativo.
RESULTADOS OBTIDOS
A) Cistos esquizogônicos — estes cistos do Hepatozoon são encontrados
em vários órgãos internos das serpentes, sendo vistos mais comumente no
fígado e no pulmão, mas podem ocorrer no baço, miocárdio, submucosa intes¬
tinal, etc. Como se sabe, os esquizontes do Hepatozoon podem formar duas
categorias de cistos: os “macrocistos”, contendo numerosos pequenos merozoi-
tas — “os micromerozoitas” —, e os “microcistos” que contém poucos “macro-
merozoitas” com morfologia e tamanho semelhante ao dos gametócitos circulan¬
tes nos eritrócitos das serpentes. MacKerras (1961) denomina aos primeiros de
esquizontes X e aos segundos de esquizontes Y; mas tanto a origem como o
destino de ambos são ainda obscuros.
Baseados na morfologia de tais cistos, a separação específica em muitos
casos pode ser falha. Assim, nas figuras 1 a 4 temos microfotografias de cistos
do Hepatozoon morfologicamente idênticos, encontrados em 4 diferentes es¬
pécies de serpentes:
Philodrtjas aestious, serpente n.° 233, procedente de Jundiaí, SP, em
1/2/1966, corte de cisto no miocárdio (fig. 1);
Spillotes pullatus frullatus, serpente n.° 317, procedente de Três Lagoas,
MT, em 28/3/1967, corte de pulmão (Fig. 2);
Crotalns duríssus terríficas, serpente n.° 352, de Santa Rita do Passa
Quatro, SP, em 27/3/1967, corte de cisto no fígado (fig. 3);
Helicops modestas, sem procedência, corte de fígado (fig. 4).
Pelo exame destas microfotografias, vê-se que os cistos esquizogônicos,
morfologicamente idênticos, impossibilitam a separação específica somente ba¬
seada em sua morfologia.
Exemplos de “microcistos” com dois ou três maeroesquizontes, que tam¬
bém se mostram morfologicamente idênticos, temos nas serpentes:
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PESSOA, S. B. & BIASI, P. — Considerações taxonômlcas sobre cistos esquizogõnicos o
sobre gametócitos de Jlcpatozoon (Sporozoa, Haemogregrarinklae) parasitas de serpentes
brasileiras.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 201-298, 1073.
a) com somente dois esquizontes:
Mastigodnjas bifossatus bifossatus, serpente s/n.°, corte de fígado (fig. 5);
Liophis miliaris, serpente n.° 310, corte de fígado (fig. 6);
Bothrops jararaca, serpente n.° 312, procedente de Araguaia, corte de
fígado (fig. 7);
b) com três esquizontes:
Chironius flavolineatus, cobra n.° 62, procedente de Ponta Grossa, PR, em
25/11/1966, corte de fígado (fig. 8);
Pliilodrtjas patagoniensis, serpente n.° 74, procedente de São José dos
Pinhais, em 29/4/1966, esfregaço de fígado (fig. 9).
Também se verifica a impossibilidade da separação específica por meio
destes cistos.
Achamos desnecessário citar outros exemplos, entretanto, queremos fazer
notar’ que de fato, há cistos que diferem muito uns dos outros nas diferentes
espécies, mas há cistos semelhantes encontrados em espécies de serpentes ta-
xonomicamente distantes.
B) Gamctócitos — temos freqüentemente encontrado ao lado das formas
normais, outras formas de gametócitos no sangue de várias espécies de ser¬
pentes.
Na Hydrodijnastes gigas, Liophis miliaris e Hclicops carinicaudus (figs.
10, 11 e 12) ocorrem gametócitos que se caracterisam pelo grande desenvol¬
vimento do citoplasma com aspecto esponjoso, os quais ocasionam grande
alongamento do eritócito parasitado e deslocamento de seu núcleo para um
d.s pólos da célula. O eritrócito não parece entretanto apresentar alterações,
como as que se encontram, por exemplo, nos núcleos dos eritrócitos parasitados
por espécies pertencentes ao gênero Karyolysus Labbé, 1894.
O parasita chega a alcançar até 30 microns de comprimento e a célula 35
microns. A serpente que apresenta mais freqüentemente estas formas é a
Liophis miliaris.
Além das espécies acima citadas, encontramos esta forma ocorrendo tam¬
bém no Chironius bicarinatus (cobra-cipó).
Os gametócitos do hepatozoon da Liophis miliaris podem apresentar ainda
outras formas, que nos parecem anormais (figs. 13, 14 e 15) vemos que são
arredondadas ou ovaladas, deslocando fortemente o nkcleo e hipertrofiando o
glóbulo vermelho. Tais formas se aproximam dos gametócitos que encontramos
na Hydrodynastes gigas (fig. 16).
Finalmente, na Philodnjas patagoniensis (fig. 17), há uma forma por
nós encontrada, em que o hepatozoon apresenta uma parte delgada, em forma
de cauda, extremamente exagerada. O núcleo do eritrócito fica deslocado e
achatado, talvez devido à compressão mecânica.
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- a,. *. Considerações taxonômicas sobre cistos esquizogOnicos o
sobre gametócitos de Hepatozoon (Sporozoa, Haemogregrarinidae) parasitas de serpentes
brasileiras.
Mem. Jnst. líutantan, 37 : 291-298, 1973.
COMENTÁRIOS
Pensamos que este nosso estudo está de acordo com o ponto de vista de
Hull e Camin (1980), quando mostram a impossibilidade da separação espe¬
cífica de hepatozoons somente pelas diferenças morfológicas das formas in-
traeritrocitárias. Aqui vamos mais longe, pois também encontramos tal im¬
possibilidade se quisermos nos basear nas formas esquizogônicas que se mul¬
tiplicam nas células do sistema retículo-endotelial. Para Acholonu (1964) a
evolução dos hepatozoons em varias categorias de invertebrados, por exemplo,
mosquitos, sanguessugas, carrapatos, etc. seria elemento indiscutível para sua
separação. Porém, como Pessoa e cols. (1970) mostraram, o hepatozoon da
llydrotlynasles gigas pode evoluir em sanguessuga e em mosquito, o que
levou aqueles autores a concluírem ser a serpente em apreço parasitada por
duas espécies diferentes de Hepatozoon. Para Hull e Camin (1956), so¬
mente a transmissão experimental dos parasitas entre espécies diferentes de
serpentes poderá resolver a questão. Seria, como lembrou Brumpt (1946) a
utilização do xenodiagnóstico para a identificação das espécies de Hepatozoon
Segundo Krasilnikov (1969), a evolução do hepatozoon se processa por
aumento de tamanho do gametócito; inicialmente a capsula e o gametócito no
seu interior permanecem ovais; após, o gametócito dobra-se formando uma
concavidade (forma em “jack-kniíe”) e posteriormente aparecem as formas
com longos processos caudais. Segundo o autor em apreço tais formas de
hepatozoon ocorrem unicamente no Cáucaso. Entre nós também ocorrem estas
formas, em espécies diversas de hepatozoons das serpentes, e damos uma
figura do Hepatozoon da Philodryas patagoniensis (fig. 17) para ilustrar esta
asserção, porém as temos encontrado em outras espécies.
Terminando estes comentários, não podemos ainda afirmar que existe uma
só espécie de hepatozoon parasita de serpentes, porém pensamos que, é ne¬
cessário intensificar as experiências que já vem sendo feitas em pequena
escala, relativamente à transmissão experimental entre serpentes criadas cm
laboratório e livres de qualquer contato com possíveis agentes transmissores,
para podermos resolver a importante questão das espécies válidas do gênero
Hepatozoon.
SUMARY — The authors show that the
characterization of hepatozoon species
parasiting snakes, based on the mor-
phology of the schizogonic cysts and on
the gametocytes in the peripheric blood,
is difficult due to the similarity of tho
former in a great number of spccies,
and to the variability of the latter.
UNITERMS — Hepatozoon. Haemogre-
garina, schizogonic cysts, gametocytes,
taxonomv.
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Recebido para publicação em 18 .VI.73.
Aceito para publicação em 1:7.IX.73.
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PESSOA, S. B, & BIAST, P. — Considerações taxonômicas sobre cistos esquizogônicos e
sobre gametõcltos de Hepatozoon (Sporozoa, Haemogregrarinidae) parasitas de serpentes
brasileiras.
Mem. Inst. Butantan, 57: 201-208, 1073.
f *
; n
12
Fig. 7. Cisto esquizogônico (microcisto com 2 esporozoitas) : Bothrops
jararaca.
Figs. S e 0. Idem (idem com 3 esporozoitas) : 8. Chironius flavolineatus; 9.
Philodryas patayoniensis.
Fies. 10 a 12. Oametócitos alongados: 10. ITydrodynastes yiyas; n. Liophis
minaria; 12. Helicops carinicaudiis.
(Aumentos: figs. 7 a 9, x 1.500 ; figs. 10 a 12, x 1.800)
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NOTA TAXONÔMICA SOBRE CISTOS ESPOROGÒNICOS DE ALGUMAS
ESPÉCIES DE HEPATOZOON (SPOROZOA , HAEMOGREGARINIDAE)
PARASITAS DE SERPENTES BRASILEIRAS 0
SAMUEL B PESSÔA * *
PÉRSIO DE BIASI ***
Seção de Venenos — Instituto Butantan
RESUMO — Os autores estudam a mor- serem elas muito uniformes, não se
fologia das formas esporogônicas, prin- prestando, diferenças morfológicas aca-
cipalmente dos cistos e esporocistos de so encontradas, para a caracterização
espécies de Hepatozoon parasitas de taxonômica das espécies do gênero He-
serpentes, Após fazerem uma revisão do patozoon parasitas de serpentes.
assunto e terem analisado estas diver¬
sas formas em hospedeiros interme- UNITERMOS — Hepatozoon, Haemc-
diários, como sanguessuga, carrapato gregarina, cistos esporogônicos, íaxo-
e mosquito, chegam à conclusão de nomia.
INTRODUÇÃO
Em nota anterior os autores (1973) 1 , fizeram alguns comentários iaxo-
nômicos sobre gametócitos e cistos esquizogônicos de Hepatozoon parasitas
de algumas espécies de serpentes brasileiras. Esta nota pode ser considerada a
segunda parte daquela, pois agora abordamos em nossos comentários os cistos
esporogônicos das serpentes referidas na nota anterior.
Também aqui queremos mostrar as dificuldades em se caracterizar as
espécies de Hepatozoon parasitas de serpentes, empregando-se critérios morfo¬
lógicos das formas evolutivas.
Damos no Quadro I a relação dos Hepatozoon parasitas das serpentes
estudadas e dos hospedeiros intermediários em que evoluem.
MÉTODOS EMPREGADOS
Os métodos usados para a infecção dos hospedeiros intermediários, iá
foram dados em artigos anteriores e citados na bibliografia deste trabalho.
Quanto ao carrapato achado, que ainda não tínhamos publicado, trata-se
do encontro de esporocistos isolados (provavelmente devido à ruptura de
* Trabalho feito com auxilio do Fundo Especial do Despesas do Instituto Butantan.
** Bolsista do FEDIB.
*** Chefe da Seção de Venenos do Instituto Butantan.
Endereço para correspondência :
C.P. 05, São Paulo, Brasil.
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PESSOA, S. 13. & BIASr, I*. — Nota taxonômica sobre cistos esporogônlcos cie algumas
espécies cie Hepatozoon (Sporozoa, Haemogregarinidae) parasitas cie serpentes brasileiras.
Mem. Inst. Butantan , 37: 299-307, 1973.
um oocisto) em um Ambhjomma agamum Aragão, 1912, que parasitava a
serpente Pseustes sulphureus, parasitada por sua vez, por uma espécie de He-
patozoon, ainda não descrita. Quando à espécie de sanguessuga usada, tem sido
a Haementeria lutzi, criada em laboratório c capturada em Goiânia, Estado de
Goiás.
QUADRO I
N.° de
registro
Nome da
serpente
Data da
publicação
Hospedeiros
intermediários
Observações
794
1072
Liohis miliaris
Liophis miliaris
1969 (2)
Haementeria lutzi
Sanguessuga
897
Helicops carinicaudus
1969 (3)
Haementeria lutzi
Sanguessuga
56
Hydrodynastes pigas
1970 (4)
Haementeria lutzi
Culex fatigans
Sanguessuga
Mosquito
1111
Hydrodynastcs pigas
1971*
Haementeria lutzi
Culex fatigans
Mosquito
NS.719
Leptophis ahaetula
1973*
Culex fatigans
Mosquito
NS.276
Corallus caninus
1970 (5)
Culex fatigans
Mosquito
NS.282
Thamnodynastes stri-
gatus
1970 (6)
Culex dolosus
Mosquito
H- 41
H-401
Bothrops moojeni
Bothrops moojeni
1971 (7)
Culex dolosus
Mosquito
H-131
Bothrops alternatus
1972 (8)
Culex dolosus
Mosquito
888
Pseustes sulphureus
1969*
Amblyomma agamum
Carrapato
* Publicado
pela primeira vez neste
trabalho.
Em relação aos mosquitos, usamos, mais freqüentemente o Culex dolosus,
pois, parece-nos que pica com maior facilidade animais de sangue frio, do que
o Culex fatigam. Todas as espécies usadas foram criadas em laboratório.
A temperatura em que se desenvolveram os cistos, foi gcralmente de 26
a 2S"G e a umidade entre 75 a 807. A dissecção dos hospedeiros intermediários
foi feita em tempo variável, desde 2 a 3 dias, até 30 dias após a sucção do
sangue da serpente. A análise da morfologia dos cistos só foi feita nas bases
dos cistos maduros, pois quanto aos jovens, ao que parece, apresentam mor¬
fologia muito semelhante para todas as espécies consideradas.
RESULTADOS
Oocistos — Nos oocistos que se desenvolvem na cavidade geral dos mos¬
quitos pode-se perceber uma membrana externa delgada e transparente. O
esporoblasto e posteriormente também o esporocisto, são envolvidos por outra
300
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PKSSOA, S. 13. & BIASI, P. — Xota taxonômica sobre cistos esporogônicos de algumas
espécies de Hepatozoon (Sporozoa, Haemogregarinidae) parasitas de serpentes brasileiras.
Mcm. Inst. Biitantan, 37: 299-307, 1973.
delgada membrana anista e entre as duas fica um espaço contendo um líquido
incolor (Fig. 1).
Já nos oocistos que se desenvolvem em sanguessugas, não pudemos per¬
ceber a membrana externa, mas neste caso o esporoblasto e, posteriormente, os
esporocistos, são envolvidos por uma única e delgada membrana anista (Fig. 2).
A existência de dupla membrana nas espécies encontradas na cavidade
geral de mosquitos nem sempre ocorre, pois pode-se encontrar oocistos despro¬
vidos de membrana externa, como nos mostra a microfotografia de oocisto de
Corallm caninus na cavidade geral do Culex (Fig. 3).
Quanto ao número de oocistos, varia muito para uma mesma espécie, pois
podemos encontrar um único no mosquito (Fig. 4) até algumas dezenas
(Fig. 5). Também os que se desenvolvem na sanguessuga são em grande nú¬
mero e parecem forrar o tecido mole subcuticular do hirudíneo (Figs. 6 e 7
oocistos do Hepatozoon da Liophis miliaris). Nos primeiros dias após a picada
os oocistos parecem se mostrar na mesma fase de desenvolvimento, sendo todos
de tamanho quase idênticos (Fig. 8 — oocistos de Hepatozoon da Bothrops moo-
jeni). Nos dias que se seguem, alguns oocistos se desenvolvem mais rapida¬
mente que seus irmãos, como se pode ver pela microfotografia (Fig. 9), que
mostra dois oocistos do Hepatozoon de CoraUns caninus no Culex fatigans, em
que um deles se desenvolveu mais rapidamente que o outro, alcançando diâ¬
metro maior, com maior número de esporocistos, ainda que pareçam ser da
mesma idade. É o que encontramos freqüentemente nos Culex dissecados em
datas diferentes, porém que picaram as serpentes no mesmo dia. Encontram-se
todas as fases de evolução dos oocistos, desde os muito jovens até os comple¬
tamente maduros, quando o mosquito é dissecado de 12 a 15 dias após o en-
gurgitamento. Pensamos que, na evolução do Hepatozoon no mosquito inter¬
venham outros fatores, além da temperatura e umidade, sendo que um deles
deve ser o de maior ou menor grau de susceptibilidade individual do díptero
O tamanho é também variável, pois podemos encontrar oocistos muito
grandes de modo a parecerem prejudicar a vida do inseto. Ver a Fig. 10, que
nos mostra um corte de um Culex fatigans com oocistos de Hepatozoon da
Comllus caninus (serpente n.° 226).
Esporocistos — No interior do oocisto, o esporoblasto pode se dividir
previamente em 2, 3 e mais massas (Fig. 11 — esporoblastos do hepatozoon
de B. moojeni), que após darão os esporocistos, ou então permanecem indivi¬
sos e dão diretamente os numerosos esporocistos. O número dos esporocistos no
oocisto varia, porém em geral são muito numerosos. Na fig. 12, temos um oocis¬
to com 9 esporocistos do hepatozoon da Liophis miliaris, na sanguessuga, e na
Fig. 13 um oocisto com uma centena de esporocistos do hepatozoon da B.
moojeni.
Às vezes, provavelmente devido à alteração da temperatura ou da umi¬
dade, o oocisto e o esporoblasto se degeneram e este último se transforma em
uma massa amorfa (Fig. 14), ou então as paredes dos esporocistos, bem como a
membrana do oocisto se espessam, desaparece a estrutura dos esporozoítas que
se transformam em uma massa amorfa (Fig. 15).
301
cm
2 3
Z.
5 6
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PEJSSOA, S. H. & BIASI, P. — Nota taxonômica sobre cistos esporogônicos de algumas
espécies de Hepatozoon (Sporozoa, Haemogregarinidae) parasitas de serpentes brasileiras.
Man. Inst. Butantnn , 37: 299-307, 1973.
Esporozoítas — O número dos esporozoítas nos esporocistos também é
variável em uma mesma espécie. Damos na Fig. 16 um exemplo de três espo¬
rocistos do Hepatozoon da C. caninus, em que se pode notar perfeitamente
este fenômeno. Os esporozoítas que se desenvolvem na sanguessuga (Fig. 17
Hepatozoon da Hydrodynastes g/g as, serpente n.° 1.111), não parecem dife¬
rir morfologicamente daqueles que se desenvolvem em mosquitos (Fig. 18),
bem como no carrapato (Fig. 19 — esporocisto com esporozoítas encontrado no
carrapato A. agarnum parasitando a serpente n.° S16, por sua vez parasitada por
Hepatozoon sp.)
Em alguns casos os esporozoítas ( Hepatozoon da B. moojeni, B. jararaca,
etc.), ao que parece, se originam de uma zona central do esporoblasto, que
permanece indivisa, como se pode ver pela microfotografia Fig. 20. Tal apa¬
rência nunca tivemos ocasião de ver em esporozoítas que se desenvolvem em
sanguessugas.
CONCLUSÃO
Do que ficou relatado concluímos sobre a grande uniformidade morfológica
dos cistos e esporocistos de espécies de hepatozoon parasitas de serpentes' mes¬
mo quando estas se acham colocadas bem distantes na escala toxonômica.
O mesmo se verifica ao compararmos estes parasitas encontrados em san¬
guessuga e em mosquitos, evoluindo o hemosporídio de maneira bastante uni¬
forme em ambos os hospedeiros, apresentando, é claro, diferenciação morfoló¬
gica ligada à sua adaptação cm hirundíneos e artrópodes. Chegamos a obter
evolução de hemogregarina de uma serpente ( Hydrodynastes gigas) em mos¬
quito e em sanguessuga, que, provisoriamente consideramos como espécies
distintas. Mas esta conclusão não está demonstrada, sendo possível conside¬
rá-la uma única espécie evoluindo em dois hospedeiros diversos. Só conseguimos
ver esporocistos e esporozoítas uma única vez em carrapato, sendo o aspecto
destes organismos idênticos aos encontrados em sanguessugas e em mosquitos.
Ao nosso ver, torna-se processo dificilmente utilizável na prática da siste¬
mática do gênero Hepatozoon tentar a classificação das suas diversas espécies
baseando-se na morfologia das formas esporogônicas do organismo. Aliás seria
também processo excessivamente trabalhoso, principalmente (piando se trata
de espécies de Hepatozoon parasitando serpentes muito raramente encontradas
na natureza.
SUMARY — The authors make com-
ments on the sporogonic cysts of somo
species of Hepatozoon parasites of Bra-
zilian snakes.
The study of these cysts and sporo-
cysts in mosquitoes, leeches and ticks
shows that they arc very similar to
each other and do not evidence ade-
quate characteristics for their separa-
tion.
UNITERMS — Hepatozoon, Haemo-
gregarina, sporogonic cysts, taxonomy.
302
SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
PESSOA, S. 13. & BI A ST, P. — Nota taxonômica sobre cistos esporogônlcos de algumas
espécies de ITepatozoon (Sporozoa, Haemogregarinidae) parasitas de serpentes brasileiras.
Mem. Jnst. Butantan, 37: 209-307, 1973.
— Oocisto do Hepatozoon da IiolJirops vioojeni no Culex fatigam.
— Oocisto maduro de Hepatozoon da Helicops caHnicaudus na
sanguessuga.
— Oocisto do Hepatozoon da Corallus caninus no mosquito.
— Um único oocisto na cavidade geral do Culex.
— Numerosos oocistos na cavidade geral do Culex (Hepato.zoou
da Corallus caninus).
— Oocistos com esporocistos na sanguessuga (Hepatozoon da
lAophis miliaris), visto por compressão do corpo do Hirudíneo.
(Aumentos: figs. 1, 2, 3 — x 320; figs. 4, 5, G — x 40)
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PKíSSOA, S. P. & J3IASI, P. — Nota taxonômica sobre cistos esporogônicos <le algumas
espécies de Hepatozoon (Sporozoa, Haemogregarinidae) parasitas de serpentes brasileiras.
31 cm. Inst. Butantan, 37: 299-307, 1973.
Fig. 7 — Oocistos com esporocistos na sanguessuga ( Hepatozoon da Liophis
miliaris), vistos por corte da parede da sanguessuga.
Fig. S — Oocistos jovens do Hepatozoon da Bothrops moojeni no mosquito.
Fig. 9 — Oocistos maduros no Cv.lex (Hepatozoon da Corallus caninus).
Fig. 10 — Corte de Ciilex para mostrar oocistos de grande tamanho (oocistos do
Hepatozoon da Corallns caninus).
Fig. 11 — Ksporoblasto em divisão em um oocisto de Hepatozoon da Bothrops
moojeni no Culcx dolosus.
Fig. 12 — Oocisto com nove esporocistos maduros (Hepatozoon da Liophis miliaris
na sanguessuga).
(Aumentos: Figs. 7, 9, 11 e 12 — x 320; fig. 8 — x 80; fig. 10 — x 40)
304
2 3 4
5
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PESSOA, S. B. & BlASI, P. — Nota taxonômica sobre cistos esporogônicos de algumas
espfcies do Hepatozoon (Sporozoa, Haemogregarinidae) parasitas de serpentes brasileiras.
Mera. Inst. Eutantnn, .37: 203-307, 3973.
Fig. 13 — Oocisto com numerosos esporocistos (Hepatozoon da IS. moojeni no Culex).
Fig. 14 — Oocisto degenerado, o esporoblasto se transforma em uma massa amorfa.
Fig. 15 — Oocisto degenerado; os esporocistos apresentam as paredes muito degeneradas.
Fig. 16 —• Esporocistos do Hepatozoon da C. canlnus, em mosquito Culex.
(Aumentos: figs. 13, 14 e 15 — x 370 ; fig. 16 x x 1.400)
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PESSOA, S. B. & BIASI, P. — Nota taxonômica sobre cistos esporogônicos cie algumas
espécies de Hepatozoon (Sporozoa, Haemogregarinidae) parasitas de serpentes brasileiras.
Mem. Jnat. Butantan, "7: 200-307, 1073.
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Fig. 17
Fig. 18
Fig. 20
20
Esporozoitas do Hepatozoon da Hydrodynaates gigas na sanguessuga.
Esporozoítas do Hepatozoon da Coralina caninus no mosquito.
Esporocisto com esporozoítas do Hepatozoon da li. moojeni, na cavidade geral do
Culex dolosus.
(Aumento de todas figs.; 1.550 x)
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PESSOA, S. B. & BIASI, P. — Xota taxonômica sobre cistos esporogônicos de algumas
espécies de Hepatozoon (Sporozoa, Haemogregarinidae) parasitas de serpentes brasileiras.
.Vem. Inst. Butantan. 3 7: 299-307, 1973.
BIBLIOGRAFIA
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3. PESSÕA, S. E. & CAVALHEIRO, J. -
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Em publicação.
1969 — Rev. Bras. Biol. 29 (4): 451.
1969 — Rev. Goiana Med. 15: 155.
— 1970 — Rev. lat.-amer. Microb. 12: 197.
5. PESSÕA, S. B., CAVALHEIRO, J. & SOUZA, D. M. — 1970 — Arq. Inst. Biol.
S. Paulo 37: 205.
PESSÕA, S. B., CAVALHEIRO. J. & SOUZA, D. M. — 1970 — Arq. Inst. Biol.
S. Paulo 37: 253.
PESSÕA, S. B., BELLUOMINI, H. E., BIASI, P. & SOUZA, D. M. — 1971 —
Arq. Inst. Biol. S. Paulo 38: 253.
PESSÕA, S. B., BIASI, P. & SOUZA, D. M. — 1972 — Mem. Inst. Butantan 36:
241-244.
Recebido para publicação em 18.VI.73.
Aceito para publicação em 15. IX. 73.
307
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SciELO
10 11 12 13 14 15
Mem. Inst. Butantan
37: 309-31G, 1973
PLASMÓDIO DE UMA LAGARTIXA, UROSTROPHUS VAUT1ERI D. & B.
(S AU RIA, 1GUANIDAE )•
SAMUEL E, PESSÔA**
PÉRSIO DE BIASI***
Seção cie Venenos — Instituto Butantan
RESUMO — Os autores descrevem
uma nova espéce de plasmódio ■ Pias -
modium vacutieri n. sp., parasita do
uma lagartixa do Estado de São
Paulo, Urostrophus vautieri, Iguanidae.
Esta espécie pertence ao subgênero
Sauramoeba pois possui esquizontes
grandes. Os gametccitos são pequenos
e arredondados.
UNITERMOS — Plasmódio de lagar¬
tixa, Nova espécie, Haemosporidia,
Urostrophus vautieri.
INTRODUÇÃO
Há mais de dois anos (abril/71), recebemos uma pequena lagartixa, cuja
procedência exata não foi possível ser determinada, tendo-se como único dado
disponível a citação de localidade, o Estado de São Paulo.
Apesar das precárias condições de vida em que se encontrava o sáurio,
foram feitos, em lâminas, alguns esfregaços do seu sangue, fixados pelo me¬
tanol e corados pelo Giemsa (as lâminas assim obtidas foram arquivadas na
coleção do Instituto Butantan).
Só agora tivemos ocasião de examinar as lâminas da largatixa em apreço,
que foi classificada pelo ilustre Zoólogo, Dr. Paulo E. Vanzzolini, Diretor do
Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, como sendo um exemplar de
Urostrophus vautieri (D. & B.). A área de distribuição desta espécie alcança,
segundo Peters e Donoso-Barros (1966), o Sul do Brasil e o Norte da Argentina,
além do Oeste da Bolívia. Damos adiante a descrição sumária da espécie do
plasmódio encontrado no sangue da lagartixa.
Plasmodio da Urostrophus vautieri
Garnham (1966) divide os parasitas dos Sáurios do gênero Plasmodium
em dois subgêneros: espécies com grandes esquizontes (subgênero Sauramoeba)
e espécies com esquizontes pequenos (subgênero Carinamoeba). A espécie
* Trabalho do Instituto Butantan.
** Bolsista do FEDIB.
»»« chefe da Seção de Venenos do Instituto Butantan.
Endereço para correspondência:
C.F. Cõ, São Paulo, Brasil.
309
21 - Memórias
2 3 4 5 6 SClELO 1Q 1X 12 13 14 15
cm
PESSOA, S. B. & BIASI, P. — Plasmôclio cie uma lagartixa, Urostrophus rautieri (D. & B.)
( Hauria — Iyuaniclae ).
Mem. Inst. Hutantan, 37: 309-316, 1973.
sui esquizontes grandes. Neste subgênero distinguem-se séries com gametócitos
alongados e com gametócitos arredondados; o plasmódio que descrevemos pos¬
sui gametócitos arredondados.
Não conseguimos identificar o plasmódio deste réptil a nenhuma das outras
espécies até hoje descritas em sáurios da Região Neotropical e, por conseguinte,
consideramos corno nova espécie que denominamos Plasmodiuin ( Sauramoeba)
vautieri n. sp.
Esquizontes — A menor formação por nós encontrada mostra-se como um
corpúsculo ovóide, com um grânulo cromático bem visível e medindo cerca de
2 microns (Fig. 1). () csquizonte posteriormente assume uma forma arredon¬
dada, sem haver ainda divisão nuclear, com cromatina periférica e vacúolo
bem visível (Figs. 2 e 4, glóbulo da esquerda). Em seguida, o núcleo se
divide produzindo 3, 5 e 6 fragmentos nucleares; não há modificação da for¬
ma do eritrócito, bem como seu núcleo conserva-se normal, em forma, tamanho
e posição na célula (Figs. 3, 4 — glóbulo da direita, e 5). Agora já se per¬
cebem grânulos de pigmentos parasitários escuros, que são encontrados no
interior da área nuclear.
O esquizonte em divisão ou maduro pode ser arredondado (Figs. 7, 8, 9
— glóbulo superior, e 11 — idem), em forma de leque (Figs. 10 e 12, globulo
da direita) e apresenta-se ainda alongado, como se vê pelas microfotografias
6 , 9 (glóbulo inferior), 13, 14, 15 e 16. Os grânulos escuros do pigmento se
acumulam no centro ou em uma das bordas do esquizonte. Os esquizontes ma¬
duros que medem de 7 a 10 microns de comprimento, produzem de 10 a 20
merozoítas, que se situam, geralmente, nos polos dos eritrócitos que parasitam;
quando a célula é parasitada por dois esquizontes, em geral um se coloca em
um dos polos e o outro no polo oposto (Fig. 15, glóbulo inferior).
Neste particular, esta espécie se aproxima de P. tropiduri, porém se di¬
ferencia por muitos outros aspectos como, tamanho do esquizonte e muito
maior número de merozoítas.
Não verificamos distorções da célula hóspede, nem perturbações nucleares,
devidas à presença do parasita.
Gametócitos — São raramente encontrados nas poucas lâminas de sangue
que tivemos ocasião de examinar. Os gametócitos jovens tem a forma arredon¬
dada, medem 4 a 5 microns; o citoplasma condensado nas bordas, determina
uma superfície um pouco irregular, sendo que o citoplasma central tomando
mal o corante de Giemsa o organismo mostra-se esbranquiçado (Figs. 17 e 18).
Os gametócitos masculinos medem de 6 a 8 microns, são arredondados (Figs.
19 e 20) ou ligeiramente ovóides (Fig. 21); seu citoplasma toma mal o corante
e os pigmentos formam pequenos grânulos na sua superfície. Quanto aos ma-
crogametócitos ou gametócitos femininos, são maiores, arredondados ou ovói¬
des, medem 9 a 10 microns,, tomam melhor o corante de Giemsa; aparecem
assim com o citoplasma azulado e a cromatina visível mostra-se ligeiramente
avermelhada e dispersa no citoplasma (Fig. 22) ou mais concentrada (Fig. 23).
310
cm
2 3
z
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PJ2SS0A, S. B. &. P.IASI, r. — Plasmóclio de uma lagartixa, Urostrophus vautieri (D. & b.)
(Sonria — InuanUlae ).
Mcí n. Inst. ISutantan t 37: 309-316, 11173.
O pigmento é fino e se espalha na superfície do citoplasma do parasita. Os
gametócitos femininos e masculinos se colocam geralmente nos polos dos eri-
trócitos e o núcleo da célula que parasitam não é deslocado, bem como a célula
não se apresenta hipertrofiada ou destorida.
Formas exoeritrocíticas — Encontramos um esquizonte exoeritrocítico em
um monócito, com duas cromatinas e sem pigmento (Fig. 24); também damos
microfotografias de esquizontes exoeritrocíticos fora dos glóbulos vermelhos,
no sangue periférico da lagartixa (Figs. 25 e 26) e um outro esquizonte no
interoir do citoplasma de um monócito (Fig. 27).
COMENTÁRIOS
Consideramos o parasita que acabamos de descrever como nova espécie
do gênero Plasmodium, que foi colocado no subgênero Sauramoeba, sendo pois
denominado Plasmodium ( Sauramoeba ) vautieri n. s. p. Isto porque, verifica-se
que esta é a primeira espécie de plasmódio descrita em Iguanidae do gênero
Urostrophus , encontrado na região Sul do Brasil e no nosso caso, no Estado
de São Paulo. Do subgênero Sauramoeba foram descritas as seguintes espécies
de plasmódio com gametócitos arredondados que nos interessam: V. tropiduri,
P. meximanum e P. floridense. O P. tropiduri afasta-se da nova espécie que
descrevemos por possuir esquizontes menores cpie esta; foi descrito em Minas
Gerais e posteriormente no Paramá, por Lainson e Shaw (1969), na Mabui/a
mabuya. O maior número de merozoítas no P. tropiduri parece não passar de
12, sendo porém a média 8. Quanto às duas espécies, verifica-se que o P. vautieri
n. sp., diferencia-se do P. floridense, pois esta espécie apresenta largos vacúolos
em todas as formas evolutivas, quer esquizontes ou gametócitos, bem como pelo
seu tamanho menor do que a espécie que ora descrevemos. Em relação ao
P. mexicanum, sabe-se que o gametócito desta espécie determina a distorção
dos eritrócitos parasitados e perturbações de seu núcleo.
Quanto a outros, como o P. diploglossi e P. cnemidophorus separam-se
facilmente, pois estes possuem gametócitos alongados e produzem mais de uma
centena de merozoítas.
Quanto aos P. torrealbai, P. basilisci, P. pifanoi e P. balli, também pos¬
suem gametócitos alongados. O P. rhadinurum que possui gametócitos arredon¬
dados como a espécie que descrevemos, emite prolongamentos citoplásmicos
muito típicos.
Várias outras espécies descritas mais recentemente na Zona Tropical, como
o P. gonatodi, o P. moruium (Telford, 1969 e 1970), se diferenciam do P.
vautieri n. sp., na aparnêcia e nas dimensões.
SUMMARY — The AA. describe a new
species of plasmodium of a lizard, Uros-
tophus vautieri (Iguanidae), subgenus
Sauramoeba. The lizard is from the
State of São Paulo, and the plasmo-
dium has a large schizont with round
gametocytes.
UNITERMS — Lizard’s malaria. New
species. Haemosporidia. UrostoPhus
vautieri.
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cm
PESSOA, S. I!. & P.XASI, P. — Plasmódio de uma lagartixa. Urostrophus vautieri (D. & XJ.)
(Sauria — IyuanUluc).
Mem. Itist. Butantan, .17: 300-316, 1073.
BIBLIOGRAFIA
A bibliografia sobre Plasmódio dos Sáurios é encontrada na monumental mono¬
grafia de P. C. C. Garnham 1966): “Malaria parasites and other hemosporidia",
1 Volume, 1.114 páginas, Blackwell Scientific Publication, Oxford.
Aqui citamos os trabalhos mais recentes e que mais nos interessam:
AY ALA, S. C. — 1970 — Lizard Malaria in Califórnia; description of a strain of
Plasmodium mexicanum and biogeography of lizard malaria in western North
America, J. Protozool. 56: 417-425.
HERBAN, N. Z. & COATNEY, S. R. — 1969 — Plasmodium basilici from El Sal¬
vador — Honduras. J. Parasitol. 55: 225-226.
JORDAN, H. B. — 1970 — The ocurrcnce and developmcnt of Plasmodium mexica¬
num, in the western fancc lizard Sceloporus occidentalis. J. Protozool. 17: 86-89.
LAINSON, R. & SHAW, J. J. — 1969 — New host records for Plasmodium diploglossi,
P. tropiduri Aragão e Neiva, 1909, and P. cnemidophori Carini, 1941. Parasitology
59: 163-170.
PETERS, J. A. & DONOSO-BARROS, R. — 1970 — Catalogue of the Neotropical
Squamata. Part. II — Lizards and Amphisbaenians. Smithsonian Institution, Uni¬
ted States National Museum, Washington, D. C.
TELFORD, S. R. Jr. — 1969 — A new saurian malaria parasite, Plasmodium balli
from Panama. J. Protozool. 16: 431-437.
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pical forest gecko, Tecadactylus rapicaudus, in Panama. J. Protozool. 17: 308-311.
TELFORD, S. R. Jr. — 1972 — Malarial parasites of “Jesu Cristo” lizard Basiliscus
basiliscus (Iguanidae) in Panama. J. Protozool. 19: 77-81.
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Recebido para publicação em 18.VI. 73.
Aceito para publicação em 15.IX.73.
312
cm
2 3
L
5 6
10 11 12 13 14 15
PESSOA, S. B. & BIASI, P. — Plasmódio cie uma lagartixa. Urostrophus vautieri (D. & B.)
(Sauria — Içjuanídae).
Meia. Inst. Butantan, 37 : 309-310, 1973.
Figs. 1 e 2 — Esquizontes jovens.
jrjg. 3 — Esquizonte com G merozoltas.
pig. 4 — Eritrócito â esquerda (esquizonte com cromatina perifé¬
rica e vacúolo) ; à direita (esquizonte com 3 merozoltas).
Fig. 5 — Esquizonte com 5 merozoltas.
pj £ r Q — Esquizonte alongado com vários merozoltas.
Figs. 7 e S — Esquizontes arredondados com 10 a 12 merozoltas.
(Aumentos figs. 1 a 1, G a 8 : x 2.000 ; fig. 5: x 3.000)
313
cm
SciELO
PESSOA, S. B. & BIAST, P. — Plasmódio de uma lagartixa. Urostrophus vautieri (D. & B.)|
(Sauria — Iguanidoe).
Mem. Inst. Butantan, 37: 309-316, 1973.
Fig. 9 — Eritrócito superior (esquizonte arredondado com 10 mero-
zoítas) ; inferior (esquizonte alongado com diversos mero-
zoítas).
Fig. 10 — Esquizonte em leque com mais de 15 merozoítas.
Fig. 11 — Idem (eritrócito inferior) ; esquizonte em divisão (eritrócito
superior).
Fig. 12 — Esquizontes: em leque ccm 15 merozoítas e jovem com 7
merozoítas.
Fig. 13 — Esquizonte alongado, em leque, com diversos merozoítas.
(Aumentos: x 2.000)
314
cm
SciELO
PESSOA, S. B. & BIAST, P. — Plasmódio de uma lagartixa. UrostropJius vautieri (D. & B.)
(Sauria — I (juanidae) .
Mem. Inst. Butantan, 37: 309-316, 1973.
15
14
a
jê
wmpg 1 .
17
■ i
19
pijr. 14 _ Esquizonte alongado, com poucos merozoftas.
Fig. 15 _ Eritrócito superior (esquizonte alongado com poucos merozoftas) ;
inferior (com dois esquizontes, sendo um em cada pólo da célula).
F ig-. 16 — Esquizonte alongado com 12 merozoftas.
Figs. 17 e IS — Gametócitos jovens.
Figs. 19, 20 e 21 — Gametócitos masculinos (microgametócitos).
(Aumentos: x 2.000)
315
SciELO
10 11 12 13 14 15
cm
PESSOA, S. 13. & PIA SI, P. — Plasmódio de uma lagartixa. Urostrophus vautieri (D. & T
(Sauria — Iguanidae).
Alem. Inst. Butantan, 37: 309-316, 1973.
(Aumentos: figs. 20 a 26 x 2.000 — fig. 27: x 3.000)
Figs. 22 e 23
Fig. 24
Figs. 25 e 26
Fig. 27
— Gametócitos femininos (macrogametócitos).
— Esquizonte exoeritrocítico (em monócito).
— Merozoítas exoeritrocíticos, no sangue circulante da lagartixa.
— Esquizonte exoeritrocítico em monócito.
316
SciELO
cm
Mem. Inst. Butantan
37 : 317-325, 1973
AÇÃO LARVI E MOLUSQUECIDA DO “TEGO-51” 0
LAURO P. TRAVASSOS FILHO
BRUNO SOERENSEN
THEREZINHA J. H.-FONTENELLE
Seções de Parasitologia e Controle. Instituto Butantan
RESUMO — Observações iniciais, íei- fatigans Wied., 1828, além de pertur-
tas com concentrações de 2,5/1000 a bar a eclosão dos adultos desse mos-
1/16.000 de: “Tego-51”, portanto bem quito. Todas as concentrações, entre-
inferiores às que causariam efeitos tó- tanto, mostram-se letais para os pe-
xicos em camundongos, demonstraram quenos peixes Lebistes reticulatus.
ação letal sobre Biomphalaria tenago-
phila (Orbigny, 1835) e até 1/8.000 so- UNITERMOS — Detergente “Tego-51”,
bre larvas e pupas de Gulex pipiens Ação larvi e molusquecida.
INTRODUÇÃO
Desenvolvendo métodos para combater vectores e invertebrados aquáticos
de interesse à Saúde Pública, iniciamos com este trabalho, pesquisas experimen¬
tais com substâncias capazes de combater o vector da esquistossomose sem
prejudicar as qualidades potáveis das coleções líquidas em que vivem os
moluscos planorbídeos.
Tentativas nesse sentido já haviam sido feitas em 1954 por Vallejo-Freire,
Ribeiro & Ribeiro 4 , empregando compostos amoniacais e experimentando em
peixes e moluscos planorbídeos.
Os planorbídeos, como moluscos pulmonados, são obrigados a respirar
na superfície do meio líquido em que vivem, aí abrindo o pneumostomo, muito
embora essa respiração nem sempre obedeça a frequência rápida, na dependên¬
cia do teor de oxigenação do líquido. Consideramos então que emprego de
substâncias tensoativas, como os detergentes, em concentrações adequadas
traria uma modificação de tensão superficial capaz de, ao envez de permitir a
entrada do ar no pneumostomo, facilitasse a entrada da água, afogando o mo¬
lusco.
Considerando também que, pelo mesmo mecanismo, esse processo serviria
ao combate de larvas de culicídeos, com maior e mais imediato interesse no
extermínio das larvas de espécies do gênero Cluex, por se desenvolverem em
* Trabalho (n. 109, p. Sl) apresentado no XVIII Congresso Brasileiro cie Higiene, São Paulo,
outubro do 1970.
Endereço para correspondência :
C.P. 65, São Paulo, Brasil.
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TRAVASSOS F.°, L,. P., SOEUENSEX, li. & FONTENELLE, T. H. — Açio larvl e molus-
queckla do “TEGO-51”.
Mem. Inst. Butantan, 3 7: 317-325, 1373.
qualquer coleção cie água cios ambientes domésticos ou cie áreas poluídas, re¬
solvemos também observar sc, modificada a tensão superficial, larvas e pupas
de moscpiitos conseguiriam o ar cpie veem buscar na superfície dos meios lí¬
quidos em cpie vivem.
As pesquisas foram iniciadas com o “Dodecyl-di (amino-etil) glicina’, cpie
é um amino ácido de grande cadeia molecular, anfotensidio conhecido pelo
nome de “TEGO-51”, com apreciável atividade germicida e baixo nível de to-
xidez para mamíferos, propriedades bem determinadas por Soerensen, Corrêa
e Zezza Neto, em 1969 1
Na Argentina as propriedades bactericidas foram experimentadas na pre¬
servação do leite para consumo público, por Mazza, Landolfi e Montes, em
1970-, mas seu emprego foi abandonado por produzir muita espuma pela agi¬
tação no transporte.
As nossas observações foram feitas buscando-se o limite mínimo de to-
xiclez para planorbídeos, larvas e pupas de culicídeos e também para peixes,
uma vez que o combate aos planorbídeos deve ser feito inclusive em reserva¬
tórios onde, eventualmente, também são criados peixes de interesse econômico.
As experiências iniciais, feitas com concentrações as maiores sem efeitos
tóxicos para camundongos, demonstraram logo a ação esperada, ainda mais,
relativamente aos culicídeos, também pareceram os adultos saidos de pupas
colocadas já maduras nas soluções testes, isso porque, não conseguindo os mos¬
quitos apoio na superfície da água, dada a baixa da tensão superficial pelo de¬
tergente, naufragavam espetacularmente.
Contudo a ação tensoativa mostrou-se muito tóxica para peixes, provavel¬
mente interferindo no sistema de trocas metabólicas ao nível das branquías, e
os peixinhos Lebistes, mesmo nas concentrações mínimas empregadas logo se
mostravam inquietos, perecendo em prazos curtos.
Damos em seguida os resultados obtidos nas diversas concentrações dc
“TEGO-51” relativos ao molusco planorbídeo Biomphalaria tenagophila (Or-
bigny, 1853), vector da esquistossomose, à larvas, pupas e adultos do mosquito
comum Ctilex pipiem fatigam Wied., 1828 e também de pequenos peixes
Lebistes reticulatus.
MATERIAL
Com vistas aos vectores da esquistossomose, foram empregados exemplares
com cerca de 10 mm de diâmetro do planorbídeo Biomphalaria tenagophila.
Vizando o combate aos culicídeos, empregamos larvas e pupas do mosquito
comum, Culex pipiens fatigam; as larvas foram selecionadas entre as mais de¬
senvolvidas do último estádio, condição importante por termos verificado que,
quanto menores mais sensíveis e poderiam mascarar os resultados.
As experiências com as pupas desse Culex foram feitas tanto com as re-
cém-pupadas, de colorido claro, como as de evolução mais adeantada, até as
pré-adultas, de colorido preto, mostrando todas elas o mesmo comportamento.
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TRAVASSOS F.'\ L. P., SOERENSEN, B. & FOKTENELLE, T. H. — Ação larvi e molus-
«íueolda <lo "TEGO-51”.
Mcm. Inst. Uutantan, ST 317-325, 1973.
Nas observações com peixes foram empregados $ adultos de Lcbistes
reticulatus, eom cerca de 25 mm de comprimento e com bastante tempo de
vida nos tanques de criação.
Esses peixinhos foram testados separadamente porque, sendo predadores
eficientes de larvas de mosquitos, antes de sentirem os efeitos do detergente
atacavam e devoravam as larvas dos culicídeos.
MÉTODOS
Foram empregados frascos cilíndricos de vidro neutro, com cerca de 10,5
cm de diâmetro, nos quais o volume de 1000 ml correspondente a uma coluna
líquida de 12 cm.
Foi empregada para as soluções água de grande tanque, onde habitual¬
mente são criados moluscos pulmonados e peixes Lcbistes, dando-se aos ani¬
mais de prova o mesmo meio ambiente.
Utilizamos 8 frascos para as provas, sendo o primeiro deixado com as tes¬
temunhas, e os seguintes com a concentrações decrescentes de “TEGO-15”:
2,5/1.000 - 1/1.000 - 1/2.000 - 1/4.000 - 1/8.000 - 1/16.000 - 1/20.000.
A primeira concentração, 2,5/1.000 (=0,25%), foi empregada como teste
de concentração excessivamente alta, porém ainda sem efeitos tóxicos para ca¬
mundongos, como controle de tempo de morte dos animais observados.
Numa primeira tentativa de observação simultânea, foram dispostos 8
frascos com 500 ml de água em cada um, a metade do volume pretendido; nesse
volume foram colocados os animais de provas a saber, larvas e pupas de Culcx
e os planorbídeos.
Após vinte minutos de espera, para uma boa adaptação ao novo ambiente,
eram acrescentados os restantes 500 ml de água em cada frasco, com o dobro da
concentração de “TEGO-J51 , pois com isso completávamos o volume de 1.000
ml e a concentração desejada para cada experiência.
Essa segunda parte do líquido era acrescentada lentamente por meio de
fino tubo plástico no fundo do frasco de prova, sendo evitada qualquer agita¬
ção, para que a difusão se fizesse lentamente.
Todavia esse processo, além de trabalhoso e lento, apresentou o inconve¬
niente dos animais de prova nadarem na parte de concentração dupla antes da
mistura se tornar homogenea, levando a resultados pouco significativos. Por
isso a técnica foi modificada para muito mais prática, tanto no preparo dos
líquidos, como possibilitando a observação imediata dos resultados em todas as
concentrações e com os mesmos fatores de ambiente.
Nessa segunda fase as soluções com as diversas percentagens de “TEGO-51”
foram preparadas diretamente nos frascos de prova, bem agitadas para perfeita
mistura e deixadas em repouso por 24 horas, possibilitando a mesma tempera¬
tura em todos os recipientes, o que era controlado nos termômetros de cada um.
Verificada a uniformidade de temperatura nos recipentes, eram então
colocados em cada frasco os animais testes, simultaneamente, pois esses animais
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quecida do “TEGO-51”.
Mem. Inst. Bntcintan, 37: 317-325, 1973.
também já haviam sido previamente separados em frascos correspondentes a
cada prova, apenas em volume mínimo de água, que completou o volume total
quando juntada. Isso permitiu se observar e comparar de imediato o que
acontecia nas diversas concentrações e feitos os respectivos registros.
Houve necessidade de serem observações simultâneas para que as leituras
fossem feitas na mesma temperatura; as variações de ação do “TEGO-51” em
relação a temperatura do meio líquido serão objeto de pesquisas futuras.
Durante as observações com pupas maduras de Culcx, verificamos que os
adultos ao eclodirem não conseguindo sobre o filme dc água da superfície a
estabilidade necessária para o desenvolvimento e endurecimento de suas estru¬
turas, apoio que faltava devido a ação tensoativa do “TEGO-51”, naufragavam
de maneira expetacular. Para estas observações foram então usados cristaliza-
dores de maior diâmetro para maior superfície às pupas, mas os resultados
foram os mesmos que os primeiros observados nos frascos das demais provas.
Devido a excassez de animais para testes, as verificações de durabilidade
de ação tóxica do “TEGO-51” tiveram que ser deixadas para outra oportuni¬
dade; podemos entretanto adiantar que as mesmas soluções usadas nas pro¬
vas iniciais, ainda apresentavam ação larvi, molusco e ictiocidas cerca de vinte
dias após o primeiro uso. Esse efeito residual, dc grande importância no com¬
bate, inclusive sob o ponto de vista econômico, será objeto de pesquisas futu¬
ras, na dependência de melhores instalações, em andamento.
PESULTADOS
(Tabela única)
Biomphalaria teimgophila (Orbigny, 1835),
Golocados os exemplos deste planorbídeo na solução de ‘TEGO-51” a
2,5/1.000, a morte é imediata. O molusco retrai-se na concha definitivamente,
expelindo líquido amarelo por algum tempo.
Nas soluções a 1/1.000 e 1/2.000 o comportamento é quase semelhante;
ha uma imediata retração para dentro da concha, e apenas podem ser vistos,
a lupa, lentos movimentos dos tentáculos, que cessam completamente após 80 e
120 minutos, respectivamente.
Na solução a 1/4.000, o molusco demonstra de início, forte reação ao de¬
tergente, retraindo-se na concha; posteriormente tenta, sem êxito, locomover-se
pelo fragmento de folha de alface, sua alimentação predileta, colocado como
estímulo ou então tenta deslocar-se pelas paredes do frasco tentando chegar a
superfície do líquido.
Ao fim de 3 a 4 horas fica semiretraido na concha, com movimentos lentos
dos tentáculos, que cessam ao fim de 18 horas, quando foram considerados
mortos.
Idêntico procedimento foi registrado nas concentrações de 1/8.OCO cl/
/16.000, variando apenas o período de vida, o qual foi de 20 e 24 horas respec-
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quecicla do “TEGO-51”.
Mcm. Inst. Butantan, 37: 317-325, 1073.
H. — Ação larvi e molus-
tivamente. É interessante assinalar que, embora a concentração cie "TEGO-51
fosse o dobro, 1/8.000 e 1/16.000, a diferença de prazo até a morte foi mínima,
apenas de 4 horas.
A última observação foi feita com concentração de 1/20.000; após 27 horas
de permanência nessa solução, os moluscos se achavam no fundo do frasco,
semi-retraídos nas conchas e apresentando movimentos perceptíveis apenas à
lupa estereoscópica.
Larvas de Culex pipiem fatigans Wied., 1828
Nas soluções mais fortes, 2,5/1.000 e 1/1.000, as larvas desse mosquito
mostram logo sinais de intoxicação; na mais concentrada morreram dentro de
160 minutos e, na solução seguinte morreram em 48 horas.
As larvas maduras mostraram-se bem resistentes ao “TEGO-51”, só mor¬
rendo, afora as duas primeiras soluções citadas, nas de 1/2.000, 1/4.000 e
1/8.000, ao fim, respectivamente de 3, 5 e 7 dias. Há porém uma nítida intoxi¬
cação pois, não só deixam de se alimentar, como interromperam o desenvol¬
vimento, nenhuma atingindo a fase de pupa na concentração de 1/2.000, e as
poucas que se transformaram em pupas morreram nessa fase nas concentrações
seguintes (1/4.000 e l/S.OOO).
Larvas maduras de C. p. fatigam colocadas em soluções de “TEGO-51”
a 1/16.000 e 1/20.000 evoluíram normalmente, passando a pupas e estas a
adultos, que voaram.
Pupas de Culex pipiem fatigam Wied., 1828
As pupas desses mosquitos mostraram reações inesperadas no “TEGO-51”,
sendo muito mais sensíveis ao detergente que as larvas; isso pode ser explicado
pelo metabolismo mais intenso que ocorre na fase pupal, em que praticamente
só ficam na superfície, com as duas tubas respiratórias em contacto com o ar,
o que é dificultado pela ação tensoativa do detergente, levando-as a afoga¬
mento mais rápido que as larvas. As observações foram feitas sempre com pupas
claras, para permitir maior tempo de observação antes de passarem a adultos.
Nas soluções a 2,5/1.000, e 1/1.000, a morte das pupas verificaram-se em 90
e 150 minutos respectivamente; tão logo eram colocadas nas soluções, ficavam
irriquietas, perdendo a motilidade pouco a pouco até ficarem mortas no fundo
do frasco. Nas soluções a 1/2.000 e 1/4.000 morreram todas em cerca de 48 e
55 horas, respectiva mente.
Nas concentrações de 1/8.000 e 1/16.000, os resultados foram semelhantes,
com diferença de horas, morrendo as pupas respectivamente em 60 e 72 horas.
Na concentração de 1/8.000, de algumas pupas eclodiram adultos os
quais, face a ação do detergente, não conseguiram voar. Na concentração de
1/16.000 alguns adultos dos eclodidos conseguiram voar outros não.
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TRAVASSOS F.°, L. P., SOEUEXSEX, R & FOXTENELLE, T. II.
queckla do “TEGO-51”.
Mem. Inst. Butantan, 37: 317-325, 1973.
— Ação larvi e molus
A concentração de “TEGO-51” a 1/20.000 não se mostrou tóxica para
pupas desse culicideo, todas evoluíram até adultos, que voaram.
Adultos de Culex pipiens fatigans Wied., 1828
Pupas já bem evoluídas, com a cor preta característica, quando colocadas
em soluções de “TEGO-51” até a concentração de 1/8.000, na maioria morrem
como já foi comentado.
Entretanto, como os mosquitos para bem eclodir dos puparios necessitam
de apoio na superfície líquida, os que eclodiram na solução a 1/8.000 naufra¬
garam justamente por lhes faltar o apoio habitual da tensão superficial, modi¬
ficada pelo detergente, muitos naufragando ainda presos ao próprio pupário.
Na solução a 1/16.000 muitos adultos naufragaram, poucos conseguiram
voar.
A fotografia 1 mostra a superfície da solução de “TEGO-51” a 1/8.000,
vendo-se os mosquitos naufragados, alguns ainda presos aos respectivos pu-
pários.
A fotografia 2, em outro frasco com mais exemplares, além de muitos mos¬
quitos naufragados, larvas e pupas ainda respirando na superfície e, ao fundo,
como sombras por estarem abaixo do plano focal da superfície, pupas mortas,
em posição típica que assumem, como que esticadas para trás, posição oposta
a de “vírgula” que apresentam quando vivas.
Peixes Lehistes reticulatus
Morrem rapidamente na concentração de 2,5/1.000; nas concentrações de
1/8.000 e 1/16.000 resistem apenas 38 minutos. Não foi observado na con¬
centração de 1/20.000.
Voltaremos, em pesquisas futuras, a observar o comportamento de peixes
em soluções ainda mais diluídas de “TEGO-51” quando, inclusive, estudare¬
mos a ação do detergente em peixes maiores que Lebistes.
SUMMARY — Initial observations
made with coneentrations of 2,5/1.00 to
1/16.000 of “Tego-51”, hence much low-
-er-than such as would cause toxic
effects in mice, showed lethal action on
Biombhalaria tenagaphilia (Orbigny,
1835); coneentrations of 1/8.000 had
the same effect on larvi and pupae of
Culex pipiens fatigans Wied, 1828, bc-
sides disturbing the eclosion of adults
of this mosquito. All coneentrations,
however, were lethal to the small fish
Lebistes reticulatus.
UNITERMS — Larvicidals.
cidals. “Tego-51”.
Molusci-
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TRAVASSOS F.°, L. P., SOERENSEN, D. & FOXTEXEI/EE, T. II. — Ação larvl e molus-
queeida do “TEGO-51”.
Meni. Inst. fíutantan, 37: 317-325, 1973.
Foto 1 — Mosquitos Ciilex p. fatigans afogados após a eclosão em solução de
“TEGO-51” a 1/8.000.
Feto 2 — Cvlex p. fntigana: larvas c pupas vivas respirando na superfície da
solução cie “TEGO-51” a 1/8.000. No fundo, jã mortas, pupas na posição típica
ele afogamento. Na superfície adultos de ambos os sexos (ver as antenas) mortos
ao eclodirem, alguns naufragando ainda presos aos respectivos pup&rics.
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TRAVASSOS F.°, L. P., SOERENSEN, B. & FONTENELLE, T. H. — Ação larvi e molus-
quecida do “TEGO-51”.
Mem. Inst. Butantan, 87: 317-325, 1973.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao então Serviço de Erradicação da Malária, da Secretaria
da Saúde Pública, em S. Paulo, o fornecimento semanal de centenas de larvas
e pupas identificadas de Ciilex pipiens fatigans, o que nos permitiu experiências
sucessivas com farto material.
As reações dos animais de provas, para controle do tempo exato da colo¬
cação deles na solução até a morte, principalmente nos planorbídeos que fi¬
cavam logo quase imóveis, movendo apenas lentamente os tentáculos, foram
acompanhados sob lupa estereoscópica Zeiss IV, adquirida com auxílio do
Conselho Nacional de Pesquisas, GB, concedido a um dos autores.
As fotografias apresentadas foram feitas com aparelhagem fotográfica adap¬
tada àquela lupa, gentilmente emprestada pela Firma C. Zeiss, SP, a quem
agradecemos a colaboração.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. MAZZA, D. de, LANDOLFI, M. R. & MONTES, A. L. — Ensayos sobre la acción
biocida dei Tego-51. An. Soc. Ci. Argentina, 189(1-2): 3-10, 1970.
2. SOERENSEN, B„ CORRÊA, H. S. & ZEZZA NETO, L. — O uso do TEGO-51 nas
indústrias alimentícias de origem animal — Toxidez e ação antibacteriana. O
Biológico, SP, 35 (1): 3-7, 1969.
3. TH. GOLDSCHMIDT A.-G. CHEMISCHE FABRKEN, Essen, Alemanha: Folhetos
referentes a composição e empreço do Tego-51.
4. VALLEJO-FREIRE, A., RIBEIRO, O, F. & RIBEIRO, I. F. — Quaternary Ammo-
nium Compounds as Molluscacides. Science, 119 (3093): 470-4,72, 1954.
Recebido para publicação em 24.X. 1973.
Aceito para publicação em OG.XI.1973.
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HEMOGLOBIN IN MITOCHONDRION-LIKE ORGANELLES OF
IMMATURE CHICK EMBRYO ERYTHROCYTES
J. R. R. COIRO
A. BRUNNER JR.
M. L. SCHWANTES
A. R. SCHWANTES
Laboratório de Microscopia Eletrônica, Instituto Butantan,
SUMMARY — Thin sections of chick
proerythrocytes show in their interior
the presence of mitochondrion-like or-
ganclles (MLO) containing a consider-
able number of dense granules iden-
tical to the particles within the hemo-
globinized eytoplasm, suggesting that
the content of these organelles are he-
moglobin molecules.
Electrophoresis of the supernatant
from the lysed MLO fraction in po-
lyacrilamide gel confirmed the presen¬
ce of hemoglobin, however with a high-
er migration rate than that of the
eytoplasm from proerythrocytes. The
authors propose the term “hemosome”
for these organelles.
UNITERMS — Hemoglobin in mito¬
chondrion-like organelles.
INTRODUCTION
Hemoglobin biosynthesis in immature chick erythrocytes is not related to
the nucleus but to the basophilic sytoplasmic reticulum (9). Furthermore he¬
moglobin biosynthesis was found to be proportional to the amount of the baso¬
philic reticulm or “Substantia granulo-filamentosa” (7). Through thin sec¬
tions and in hemolysed smears of supravitally stained mammalian reticulocy-
tes, it was shown that the filamentous mitochondria are one of the constituents
of the “Substantia granulo-filamentosa” (1). Besides mitochondria, however
reticulocytes contain other organelles. Since neither DNA nor aspects
suggesting division liave been detected yet, the term mitochondrion-like or¬
ganelles (MLO) was proposed on account of their structural similarity to
mitochondria. Recently, the term hemosome was suggested for these organel¬
les because verv probably the final hemoglobin biosynthesis takes place in
the MLO (3). '
This report is meant to show that immature chick erythrocytes, or proery¬
throcytes, contain the same MLO as found in mammalian immature ery¬
throcytes.
This researeh has been supported by the Conselho Nacional de Pesquisas, Fundação cie
Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo and Fundo Especial de Depesas do Instituto
Butantan.
Address: C.P. 65, São Paulo, Brasil.
327
í, | SciELO
OOIKO, J. R. R., BRUNNER JR., A., SCHWANTIOS, M. Jj. & SCHWANTES, A. R. —
Hemoglobin in Mitochondrion-like Organelles of Immature Chick Embryo Erythrocytes.
71/cm. Inst, Butantan, 37: 327-333, 1973.
MATERIALS AND METHODS
Blood was obtained from 16-day-old chick embryos by cardiac puncture.
Supravital staining with brilliant cresyl blue sbovvcd that the peripheral blood
contains mostly erythroblasts and proerythrobasts. For electron microscopic
examination, blood was fixed according to the following procedures: a.) di-
rectly in 1.0% osmium tetroxide in phosphate buffer, pH 7.3' during 30 mm;
b.) directly in 1.5% glutaraldehyde in phosphate buffer, pH 7.3, during 1 h,
followed by osmium tetroxide fixation (15 min), after three washings in the
buffer, uranyl acetate staining (30 min), dehydration, and embedding, in Poly-
lite 8001 (4,5). Thin sections were obtained in a Porter-Blum MT-1 microtome,
stained by lead citrato (10), and photographed in an Elmiskop I electron
microscope at 60 and 80 Kv with magnifications from X 8,000 to X 40,000.
The presence of hemoglobin within the MLO lias been demonstraíed by
electrophoresis. Blood cells from 30 16-day-old chick embryos as well as from
6 newborn chicks were submitted to fractionation, the MLO isolated and lysed
according to the following procedure: 1. Blood is poured on 18 ml of a
0.153M NaCl, 0.005M KC1, 0.005M MgCL, 0.006M NalIC0 3 , 0.0014M EDTA
and 0.05M phosphate buffer (pH 7.2). 2. Centrifugation of the cell suspen-
sion for 10 min at 200Xg, discarding of the supernatant, and resuspension of
the sedimented cells (1.0 — 1.3 ml) in ten-fold their volume of a 0.32M
sucrose and 0.04M phosphate buffer. 3. Homogeneization in a Potter-Elveh-
jem tube at 1,000 rpm for 4 min at 4°C. 4. Centrifugation of the homogenate
at l,350Xg for 10 min. 5. Centrifugation of the l,350Xg supernatant at
26,360Xg for 10 min aí 4°C. 6. Resuspension of the nuclei-free MLO sedi-
ment in 0.32M buffered sucrose and five washings of the fraction by suces-
sive resuspensions and centrifugations at 26,306Xg for 10 min. The sediment was
lysed by resuspension in 3.0 ml distilled water. 7. The suspension was cen-
trifuged at 30,OOOXg, for 20 min., after the lysis was completed, and the su¬
pernatant was used for electrophoresis.
Supernatants of the lysed MLO and of the last washing médium were
concentrated about 10-foíd in a vacuum chamber, and then submitted to
electrophoresis. Diluted hemoglobin obtained from the supernatant of the
26,360Xg centrifugation (step 5) was used for comparison through this
method.
Samples were run on disc electrophoresis in polyacrylamide gel, accor¬
ding to Dietz and Lubrano (6). A 2.5mA currcnt per tube was applied for 40
min at 5°C, and the hemoglobin band was identified by benzidine or orto-
dianizidino reagents.
RESULTS AND DISCUSSION
The general aspect of chik proerythrocyte cytoplasm, with regard to its
high electron density due to hemoglobin molecules, is similar to that of mamma-
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COIRO, J. n. R., BRUNNER .TR., A., SCHWANTES, M. Jj. & SCHWANTES, A. R.
Hemoglobin in Mitochomlrion-like Organelles of Immature Chick Embryo Erythroeytes.
Mem. Inst. Butantan, 37: 327-333, 1973.
Iian reticulocytes. Polyribosomes, responsible for globin synthesis, are present
from the monomer to the heptamer forms, as found in mammalian reticulocy¬
tes (11). The MLO, constituted by lamellae in transversal, obliqúe or longitu¬
dinal disposition, are highly electron dense, generally more than the hemoglgo-
binized eytoplasm. These three types of lamellae disposition may de found in
one and the same organelle (Fig. la).
At higher magnifications, MLO show dense particles dispersed within the
interlamellar space, presenting 90 to 100 A in diameter. These particles are
identical to the particles in the eytoplasm; íhey are, houwever, more agglomer-
ated in the MLO, thus conferring to the organelles a higher electron density
at some regions (Figs. lb).
Through disc electrophoresis on polyacrylamide gel of the supernatant
from the lysed MLO fraction, at least two hemoglobin bands were obtained,
resembling those fiom the supernatant of the 26.360Xg centrifugaiion, which
contain the cytoplasmic hemoglobin of proerythrocytes. The former showed,
hovvever, a higher migration rate than the latter (Fig. 2). The second MLO
hemoglobin band has a migration rate corresponding to tliat of the first cyto¬
plasmic hemoglobin band. One of the three hemoglobin types thus found is
common to the eytoplasm and the MLO.The last washing supernatant showed
no visiblc band at all, indicating that no contamination of the MLO by the cy¬
toplasmic hemoglobin occurred.
These results suggest that the final hemoglobin biosynthesis, or combina-
tion of globin vvith heme, occurs within the MLO, in the same way as it might
happen within the MLO of mammalian reticulocytes (3). Iron-containing ma¬
terial is incorporated by the immature erythroeytes through pinocytosis, or in
erythroblasts by rhopheocytosis (8), and is then enveloped by membranes re-
sembling the smooth endoplasmic reticulum problably with the presence of
globin while the ferruginous material is transformed for heme synthesis (Fig.
3a); this whole gives rise to a pro-MLO which originates the MLO (2) (Fig.
3b). Since the MLO of chick proerythorcytes seem io play a role in hemoglo¬
bin biosynthesis, they may be termed hemosome, as suggested for the MLO of
mammalian immature erythrorocytes (3).
RESUMO — Cortes finos de proeritró-
citos de ave mostram a presença de
organelos semelhantes a mitocôndrios
(OSM) contendo um considerável nú¬
mero de grânulos densos, idênticos às
partículas encontradas no citoplasma
hemoglobinizado, sugerindo serem as
partículas no interior dos organelos,
moléculas de hemoglobina.
A eletroforese do sobrenadante do
Usado da fração OSM, em gel de polia-
crilamida, confirmou a presença de
hemoglobina, porém, com velocidade de
migração superior a da hemoglobina ci-
toplasmática dos proeritrecitos. Os au¬
tores propõem o termo hemossomo pa¬
ra os OSM.
UNITERMOS — Hemoglobina em or¬
ganelos semelhantes a mitocôndrios.
ACKNOWLEDGEMENTS
The authors wish to thank Mrs. Vera Mondin Weisz, Mr. Alipio Silva
Gonzales and Mr. Heitor Costa for their excellent technical assistance. And
Mrs. Sibylle Iieller for her editorial aid and translation.
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como, j. h. n., brunnkh jr., a., schwantes, m. o. & schwantes, a. r.
Hemoglobin in Mitochonclrion-like Órganelles of Immature Chick Embryo Erythrocytes.
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Recebido para publicação em 2(1.X. 1974
Aceito para publicação em 26.XI. 1974
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COIRO, J. II. R., BRUNNE'11 Jli., A., SCHWANTES, M. L. & SCHWANTES, A. R. —
Hemoglobin in Mitochondrion-like Organelles of Imraature Chick Embryo Erythrocytes.
Man. Inst. llutuntan. í7: 327-333, 7973.
i _ Thin sections of chiek-embryo proerythrocytes. The nuclei (N) are retracted due
to the fixation.
a) With a mitoehomlrion-Iike organelle (m) constitutcd by lamellae in obliqúe or
longitudinal dispositions.
I>) Containing an eleetron-dense mitochondrion-like organelle (m) completely filled
with particles identical to the ones of the hemoglobinized cytoplasm; the trans-
verse or obliciue lamellae are hardly vlsible. V — vesicle.
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como, J. R. R., BRUNNER JR., A., SCHWANTES, M. E. & SCHWANTES, A. R.
Hemoglobin in Mitochondrion-like Organelles of Immature Chick Embryo Erythrocytes.
Mem. Inst. Butantan, 97: 327-333, 1973.
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COIRO, J. I). R., BRUNNBR JI!., A., SCHWANTES, M. Iv. & SCHWANTES, A. R, —
Hemoglobin in Mitoehondrion-Iike Organeiles of Immature Chick Embryo Erythrocytes.
Mem. Inst. Butantan, ST: 327-333, 1973.
Fig. 3 —- Thin sections of proerythroeytes.
a) An electron-dense material is enveloped by tlie smooth endoplasmic reticulum
( arroto ). Remnants of the Golgi complex (G) and a vesicle (V’) are seen. N —
nueleus.
b) Organeiles identical to pro-hemosome ( ph ), and hemosome in development (70,
of mammalian reticulocytes are observed. V — empty vesicle,
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37: 335-314, 1973
HEMOSOME AND HEMOGLOBIN BIOSYNTHESIS IN EMBRYOS AND
IN REGRESSIVE ANEMIAS
A. BRUNNER JR.
J. R. R. COIRO
M. L. SCHWANTES
A. R. SCHWANTES
Laboratório de Microscopia Eletrônica, Instituto Butantan,
reticulocytes contain mostly mitochon-
dria.
SUMMARY — Hemosomes are orga-
nelles. Which increase in number at the
reticulocytary stage in the peripheral
blood of embryo-rabbits, and of adult
humans and guinea-pigs in hemolytic
regressive anemias. Through fractiona-
tion of immature erythrocytes, isolation
and lysis of hemosomes, and electropho-
resis of the lysate supernatants, heino-
globin bands were obtained. This does
not occur in bleeding anemia, in which
These facts suggest that the final
hemoglobin biosynthesis may occur in
the hemosomes. A hypothesis of an
association between mitochondrion and
pre-hemosomal structures is discussed.
UNITERMS — Homosome and hemo¬
globin biosynthesis.
INTRODUCTION
As was stated in the peripheral blood of rabbit-embryos, organelles in¬
crease in number at the reticulocytary stage (l).They were termed mitochon-
drion-like organelles (MLO) on account of their structural similarity to mito-
chondria, and because neither DNA nor aspects suggesting any division have
been detected up to the present. This increase is due to the newly formed
MLO which arise from the interrelation of smooth membranes with
ferruginous micelles (2), incorporated by immature erythrocytes through pi-
nocytosis (9). This results in the appearance of a pro-MLO followed by a
definitive MLO, generally constituted by longitudinal lamellae (2). Size mea-
surements of particles within the interlamellar space of the organelles and of
particles dispersed in the hemoglobinized cytoplasm of immature embryo ery-
trocytes, as well as electrophoresis of lhe supernatant of the lysed fraction,
showed that hemoglobin molecules are present within these organelles, for
which the term hemosome lias been proposed (3).
This paper shows that hemoglobin biosynthesis in reticulocytes of adult
humans and of guinea-pigs, both with hemolytic regressive anemia, depends on
This research lias been supported by the Conselho Nacional de Pesquisas, Fundação
de Amparo ã Pesquisa do Estado de São Paulo and Fundo Especial de Despesas do
Instituto Butantan.
Address: C.P. 65./05604, São Paulo, Brasil.
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BRUNNER JR., A., COIRO, J. R. R. f SQHWANTES, M. L. & SCHWANTES, A. R. —
Hemosome and Hemoglobin Biosynthesis in Ernbryos and in Regressive Anemias.
Mem. Inst. Butantan, 37: 335-344, 1973.
the hemosomes, the same as occurs in immature erythrocytes of newborn and
embryonic rabbits. The behavior of hemosomes during the maturation of reti¬
culocytes, as well as a possible association between pre-hemosomal structures
and mitochondrion, are discussed.
MATERIALS AND METIIODS
1. Bloocl frorn newborn and embryo-rabbits.
Blood samples with about 20% reticulocytes were obtained from newborn-
rabbits by cardiac puncture. Other samples were collected, sectioning the um¬
bilical cord of 18-day-old rabbit-embryos, and were found to contain, besides
definitive erytroroblasts and reticulocytes, a few primitive erythroblasts and
erythrocytes.
2. Bleeding anemias in guinea-pigs.
Five to 6 ml of blood were withdrawn by daily cardiac puncture from 4
animais weighing 400 g, during 5 days; 2-3 days after the last bleeding, the
blood samples contained 10-15% reticulocytes.
3. Saponin-induced hemohjtic anemia in guinea-pigs.
Four animls, weighing 350 g, received daily subcutaneous 0.1 ml injee-
tions of 1% saponin in an isotonic sodium chloride solution, for 3 days; 4-5
days after the last injection, the blood samples contained 15 to 20% reticu¬
locytes.
4. Human blood.
Two samples of venous blood from a patient with acquired hemolytic ane¬
mia presented a reticulocytosis of about 30%, and less than 1% erythroblasts.
Blood samples obtained by cardiac puncture were collected in a 2.5% v/v
of an 1.0% EDTA and 1.0% sodium bicarbonate Solutions, in equal volumes.
All samples were supravitally stained with 0.1% brilliant cresyl blue in isotonic
sodium chloride, in order to determine the reticulocyte percentage. To increase
this concentration, the blood samples were submitted to centrifugation at 60Xg
for 5 min; the supernatant contained about twice the inicial percentage of
reticulocytes.
Hemolysis of blood smears.
Thin blood smears were prepared on collodion-ooated histological slides
and allowed to dry at room temperature for 18-20 h; hemolysis was performed
in a 0,8% sodium chloride solution containing 2.5% formalin. The smears were
then stained for 7 min. in an 1% aqueous phosphotungstic acid solution, washed
in distilled water and dried at room temperature. The films were transferred
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Hemosome and Hemoglobln Biosynthesis in Embryos and in Regressive Anemias.
Mctn. Inst. Butantan, 37 : 335-344, 1973.
to copper grids and submitted to the shadow-casting process with palla-
dium (4).
Fixation and embedding for thin sectioning.
1. All blood samples were fixed in 2% glutaraldehyde in Millonig’s phos-
phate buffer (pH 7.3) (11) for 1 h, followed by fixation in 1% osmium tetro-
xide in the same buffer. After staining in an 1% aqueous uranyl acetate so-
lution for 30 min., the blood was dehydrated and embeddel.
2. Other blood samples obtained from rabbit-embryos were fixed for
18-20 h in 10% formalin in 0.50% sodium chloride solution. After washing in
0.50% saline solution, staining was done in an 1% aqueous phosphotungstic acid
solution for 1 h. Dehydration was initiated in 70% alcohol, containing 1% phos¬
photungstic acid, for about 10 min. at 4°C; then the staining continued for
2-3 h at room temperature in the same alcohol; dehydration finished in the
alcohol series without staining.
Araldite (10) and Polylite (5) were used as embedding media. Sections
were obtained in a Porter-Blum MT-1 microtome and stained with lead ci¬
trato (12).
All preparations were examined in UM 100b and Elmiskop I electron mi-
croscopes with magnifications of X 1,300 to X 40,000, at 60 and 80 Kv.
Demonstration of hemoglobin within the organelles.
Immature red blood cells were fractionated, the organelles isolated and
lysed according to the following procedure: 1. Blood is poured on 8-12 ml of
a 0.153M NaCl, 0.005M KC1, 0.005M MgCl,,, 1 x 10- 4 M EDTA and 0.04M
phosphate buffer (pH 7.2). 2. Centrifugation of the cell suspension for
10 min at 200Xg, discarding of the supernatant, and resuspension of the sedi-
mented cells (cell volumes: 0.6 — 2.0 ml) in 10-fold their volume of a
0.32M sucrose and 0.03 phosphate buffer. 3. Homogeneization in a Potter-
Elvehjem tube at 1,000 rpm for 3 min at 4°C. Centrifugation of the homoge-
nate at l,350Xg, for 10 min. (sometimes steps 3 and 4 were repeated, resuspen-
ding the l,350Xg sediment). 5. Centrifugation of the l,350Xg supernatants,
at 4°C, for 10 min. at 10,000Xg. 6. Resuspension of the organelle sediments
in 0.32M buffered sucrose, and 5-foId washing of the fraction by sucessive
resuspension and centrifugation at 10,000Xg for 10 min. The sediments were
lysed by resuspension in 3-4 ml distilled water. 7. After the lysis was copleted,
the suspensions were centrifuged at 19,OOOXg for 20 min. The supernatants
were used for electrophoresis, and the sediments were fixed and embedded for
electron microscopic examination.
The supernatants of the lysed organelles and of the last washing médium
were liophylized in a vacuum chamber, and later hydrated for electrophoresis.
Diluted hemoglobins, obtained from the supernatants of 10,000Xg centrifu¬
gation (step 5), were used for comparisons. All samples were run on disc elec¬
trophoresis in polyacrylamide gel as described by Dietz and Lubrano (7). A
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Hemosome and Hemoglobin Biosynthesis in Embryos and in Regressive Anemias,
.l/em. Inst. Butantan, .17: 335-344, 1 ÍI73.
current of 2.5mA appliecl per tube for 40 min. at 5°C, and the hemoglobin
bands were identified by benzidine reagent.
RESULTS
Morphological ohservaiions. Hemosomes are largely found in less mature
reticulocytes and generally present two or three longitudinal lamellae. Their
interlamellas space is filled vvith agglomerated hemoglobin molecules, whieh
confers to the organelles a higher density than that of the hemoglobinized
cytoplasm. They present diameters varying from 0.12 to 0.15[i (Figs. la and
lb) which increase to 0.20|i or more when lhe hemosomes present a higher
number of hemoglobin molecules. The presence of these hemosomes is then
only recognized by remains of the interlamellar space, as seen in Fig. lc. The
dense honeycomb-like body, or prohemosome, is continuous to a mitochondrion,
as can be observed in Fig. 2a. In other instances, the region of continuity is
slightly enlarged, and at the opposite extremity of the pro-hemosome a typical
hemosome arises (Fig. 2b). Often hemoglobin molecules are also observed in
the organelle extremity constituted by obliqúe or transverse lamellae (Fig. 2c).
In figures 2a and 2b the organelles are highly electron dense due to phospho-
tungstic acid staining. These immature embryo erythrocytes, when examined in
hemolysed smears, present filaments of different lenghts, whose diameters
range from 0.11 to 0.21p; erythroblast contain a lower number of filaments
than reticulocytes (Figs. 3a and 3b).
Thin sections of reticulocytes of guinea-pigs vvith bleeding anemia show
a high number of characteristic mitochondria measuring 0.25 to 0.30p in dia-
meter (Fig. 4a); pro-hemosome or hemosomes are rarely found. In hemo¬
lysed smears, filaments with 0.24 to 0.30[i in diameter or more were observed
(Fig. 4b). Reticulocytes of saponin-induced hemolytic anemia in guinea-pigs,
as well as reticulocytes, and a few erythroblasts, of the peripheral blood of a
human with acquired hemolytic anemia, contain besides mitochondria, typical
hemosomes (Fig. lb) such as the ones found in immature embryo erythrocytes
(Fig. la). Hemolvsed blood smears show reticulocytes containing filaments
whose diameters range from 0.13 to 0.33jt.
Organelle isolation and h/sis. Electrophoreiis. The pellets of lO.OOOXg cen-
trifugations, isolated from reticulocytes of newborn rabbits, embryo-rabbits,
guinea-pigs with saponin-induced hemolytic anemia and a human with acquired
hemolytic anemia, presented a rose-pink to reddish colour. The final pellets,
after five washings with sucrose solution (Fig. 5a), turned to a brownish co¬
lour. After the osmotic lysis with distilled water (Fig. 5b) the sediments were
clearly visible, although sprayed on the wall of the centrifuge tubes. The cell
volumes obtained by centrifugation of the blood at 200Xg, after the coneentra-
tion of reticulocytes, ranged from 0.60 to 0.85 ml. The pellets of the lO.OOOXg
centrifugation, isolated from reticulocytes of guinea-pigs with bleeding anemia’
presented a palc-yellow colour, even starting from a cell volume of 2.0 ml.
After the osmotic lysis, the fine sprayed sediment was hardly visible.
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Hemosome and Hemoglobin Biosynthesis in Embryos and in Regressive Anemias.
Mem. Inst. Butantan, 37: 335-344, 1973.
Disc electrophoresis in polyacrilamide gel of the concentrated last washing
supernatants of all hemosomal fractions showed no visible band. No visible
hemoglobin band was obtaincd from the supernatant of the mitochondrial frac-
tion lysate of reticulocytes from bled guinea-pings. The supernatant of the
hemosome lysate, corresponding to reticulocyte organelles from saponin-indu-
ced hemolytic anemia, showed two distinct hemoglobin bands, and the super¬
natant of hemosome lysates corresponding to newborn-rabbits, rabbit- embryos
and human immature erythrocytes, presented only one sharp hemoglobin band
(Figs. 6a and 6b).
DISCUSSION
The increase of filaments in reticulocytes, after extrusion of the nucleus
by the orthochromatic erythroblast (1), as observed in hemolysed smears,
(Figs. 3a and 3b) is due to “the rising of benzidine positive organelles
(2), later termed hemosomes (3), and not a result from organelles division, as
is the case of mitochondria. This increase may be correlated with the increase
of the hemoglobin synthesis rate observed in anucleated immature erythrocytes
(8, 13) and can be found also in the human peripheral blood.
Initially, pinocytotic vesicles, carrying ferruginous material, fuse among
themselves and ferritin granules appear as simple clusters, later surrounded by
a double membrane; the ferruginous clusters turn into dense bodies
by the gradual disappearence of the ferritin granules. The dense bodies
transform themselves in honeycomb-like bodies, or pro-hemosomes, giving rise
to the definitive hemosomes (2). They contam hemoglobin molecules within
the generally longitudinal interlamellar space, as was demonstrated through
fractionation of reticulocytes, organelle isolation (Fig. 5a), lysis (Fig. 5b), and
electrophoresis of the lysate supernatant (Fig. 6a). When hemosomes are
filled to a high degree with hemoglobin molecules, or are “mature”, the hemo¬
globin spreads out to the cytoplasm in consequence of the disruption of in¬
ternai and externai membranes of the organelle (Fig. lc). The extremely va-
riable disposition of hemosomes, found in hemolysed erythroblasts and reti-
culocytes, are possible due to their dislocation in the cytoplasm of the living
cells, thus explaining the uniformity of hemoglobin distribution. Comparable
results were achieved from erythroblasts and pro-erythrocytes of 16-day-old
chick-embryos blood, conceming the presence of hemosomes, and obtainment
of hemoglobin bands througs electrophoresis of the supernatant of their ly¬
sate (6).
It is difficult to explain the way by which the hemosomes grow, since
neither DNA nor RN A haye yet been detected in these organelles, and how
the energy for final hemoglobin synthesis is supplied. Hypothetically, an as-
sociation between mitochondria and pro-hemosomes might provide tíie neces-
sary conditions for hemosome growfh and their possible biosynthesis íunc-
tion, as suggest Figs. 2a and 2b. Subsequently, mitochondria may behave as
hemosomes (Fig. 2c).
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Hemosome and Hemoglobin Biosynthesis in Embryos and in Regressive Anemias.
Mcm. Inst. Butantan, 87: 335-344, 1973.
First, to verify if in reticulocytes of adult animais with regressive anemia
hemoglobin biosynthesis is conditioned by the presence of hemosomes, guinea-
pigs were submitted to successive bleedings. But, reticulocytes present only
typical mitochondria, and rare hemosomes (Fig. 4a); no visible hemoglobin
band was obtained through electrophoresis of the supernatant of the lysed
mitochondrial fraction. Anemia induced under these oonditions, causes insuf-
ficiency of iron, protein as well as other factors, and in consequence, recupera-
tion proceeds slowly, Through hemolysis of partially dried smears (4) a marked
difference in diameters is evident between hemosomal (Fgs. 3a and 3b) and
mitochondrial (Fig. 4b) filaments of reticulocytes from rabbit-embryos and
guinea-pigs with bleeding anemia, respectively. The former vary from 0.11 to
0.21|i; mitochondria diameters vary from 0.24 to 0.30|i. Correspondingly, tliis
marked difference is also observed in sections (Figs. la and 4a).
In hemolytic anemias, as the one induced in guinea-pigs by daily injections
of a saponin solution, no iron, protein and other material necessary for the bio¬
synthesis of hemoglobin are withdrawn. Sections of reticulocytes show typical
hemosomes, besides mitochondria, and hemolysed reticulocytes contain fila¬
ments ranging from 0.15 to 0.37[t in diameter. Electrophoresis from the super¬
natant of the lysed hemosomal fraction showed two distinct hemoglobin bands.
Similar results were obtained with the blood from the patient with acquired
hemolytic anemia, whose reticulocytes show also typical hemosomes (Fig. lb);
filaments with 0.11 to 0.33ir in diameter were found in hemolysed reticulocy¬
tes, and one sharp hemoglobin band was obtained by electrophoresis of the su¬
pernatant of the lysed hemosomal fraction (Fig. 6b).
The above results suggest that the final hemoglobin biosynthesis may take
place within the hemosomes. Positive benzidine reaction (2) demonstrated the
presence of heine in the course of their formation. Globin, synthesized in poly-
somes (14, 15), could be already present during the growth of hemosomes,
combining to heme within the organelle (2). This does not oocur when ele-
ments necessary for hemoglobin biosynthesis are insufficient. Consequently,
reticulocytes contain only mitochondria, and there scarcely ever occurs hemo¬
some genesis, ,as happens in bleeding anemia. In reticulocytes of adults with
hemolytic regressive anemias the cytological modifications observed during
maturation are the same as in immature embryo erythrocytes.
RESUMO — Hemossomos são organo-
los que aumentam em número na fase
reticulocitária no sangue periférico de
embriões de coelho, e do homem e
cobaios adultos nas anemias hemolí-
ticas regressivas. Através do fraciona¬
mento de eritrócitos imaturos, isola¬
mento e lise dos hemossomos, eletrofo¬
rese dos sobrenadantes dos lisados da
fração, foram obtidas bandas de hemo¬
globina. Na anemia provocada por
sangrias, em que os reticulócitos não
contêm praticamenle hemossomos, mas
apenas mitocôndrios, nem mesmo tra¬
ços do bandas de hemoglobina são
obtidos.
Estes fatos sugerem que a biossín-
tese final da hemoglobina pode ocorrer
nos hemossomos. Uma hipótese sobre
a possível associação entre estruturas
pre-hemossômicas e o mitocôndrio é
discutida.
UNITERMOS — Hemossomo e biossín-
tese de hemoglobina.
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nnuNNEii m, a., como, .r. n. r., scjhwantes, m. l. & schw antes, a. r. _
Hcraosomc and Hemoglobin Biosynthesis in Embryos and in Kegressive Anemias.
Mem. Inst. llntantan, 37 : 335-344, 1973.
ACKNOWLEDGEMENTS
The authors wish to thank Mrs. Vera Monclin Weisz, Mr. Alipio Silva
Gonzales and Mr. Heitor Costa for their excellent technical assistance. And
Mrs. Sibylle Heller for her editorial aid and translation.
Tho human blood samples were obtained through courtesy of Dr. Gastão
Rosenfeld, Director of the Laboratório de Hematologia Clínica, São Paulo,
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in protein synthesis. Prof. Nat. Acacl. Spi., 49: 122-129 (1963).
Hecebido para publicação em 26.X. 1974
Aceito para publicação em 26.XI. 1974
341
cm
2 3
L
5 6
11 12 13 14 15
BRUNNER JR., A., COIRO, J. R. R., SCHWANTES, M. L». SCHWANTES, A. R.
Hemosorne and Hemoglobin Biosynthesis in Embryos and in Regressive Anemias.
Mem. Inst. Butantan, 37: 335-344, 1973.
Thin section.s of adult human (Fig. lb) and rabbit-embryo reticulocytes (Figs. la, c, 2a, b
and c). Glutaraldehyde/OsOé fixation : Figs. la, b, c and 2c; formalin fixation and phos-
photungstic acid staining: Figs. 2a and b.
Fig. la — Several hemosomes (h) slightly more electrondense than the cytoplasm are
seen. Tvvo of them are longitudinally sectioned. Polyribosomes (arrows) are diffusely
distributed.
Fig. lb — A typical hemosorne (h), constituted by longitudinally disposed double lamellae
and limited by an externai membrane.
Fig. lc — Three “mature” hemosomes completely filled witli hemoglobin molecules, which
confounds them with the hemoglobinlzed cytoplasm. From one hemosorne, hemoglobin
molecules spread out to the cytoplasm (arrow).
Fig. 2a — A honeycomb-like organelle or pro-hemosome (ph) is continuous to a mito-
chondrion (m), suggesting a possible association between these organelles.
Fig. 2b — Continuous with the extremities of a long pro-hemosome (ph), a hemosorne (h)
and a mitochondrion (m) are seen. The region of connection between ph and m is slightly
enlarged (arrow).
Fig. 2c — The long hemosorne (h) is continuous to a hemosorne constituted by transverse
and obliqúe lamellae (h*) which could have been a mitochondrion. A dilatation between
h and li’ can be observed (arrow).
342
cm
SciELO
BRUNNER JH„ A., COIRO, J. R. R., SCHWANTBS, M. L. & SCHWANTES, A. Ií. _
Hemosome and Hemoglobin Biosyntbesis in Embryos and in Hegressive Anemias.
Mem. Inst. Butantan, 3~ : 335-344, 1973.
Reticulocytes of guinea-pigs with bleecling anemia.
Fig. 4a — Thin section showing mitochcndria (m) of liigher diameters tban liemosomes,
and polyribosomes (arrows). rro-hemosomes (pb) and liemosomes are rarely found,
Fig. 4b — Hemolysed reticulocyte presenting filamentous and rod-shaped mitochondria (mf
of higher diameters than filamentous liemosomes of Figs. 3a and 3b.
343
Figs. 3a and 3b — Hemolysed orthoehromatic rabbit — embryo erythroblast, extrudtng
its nueleus (N) and reticulocyte, respectively. Filamentous and rod-shaped liemosomes (h)7
and polyribosomes (arroiv) are observed.
cm
BRUNNER JR., A., COIRO, J. R. R., SCHWANTES, M. L. & SCHWANTES, A. R. —
Hemosome and Hemoglobin Biosynthesis in Embryos and in Regressive Anemias.
Mem. Inst. Butantan, 37: 335-344, 1973.
O
m Hb
m
1
li i
ii
d
6a —
-6 b
Sections of hemosomes obtained from reticulocyte fractionation.
Fig. 5 — After five washings; lamellae were not preserved.
Fig. 5b — After osmotic lysis for electrophoresis of the supernatant.
Electrophoresis patterns of the hemoglobin from the supernatants of 10,000Xg centrifugation
(I) and from hemosome content (II); o — origin; Hb — hemoglobin; d
Fig. 6a — From rabbit-embryo reticulocytes.
Fig. 6b — From reticulocytes of humans with acquireà hemolytic anemia.
dye.
344
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
ÍNDICE DE AUTORES
AMARAL, A. do
BANCHER, W., Rolim Rosa, R.
Furlanetto, R. S.
BRUNNER JR., A., Coiro, J. R. R., Schwantes, M. L.
& Schwantes, A. R,
COIRO, J. R. R., Brunner Jr„ A., Schwantes, M. L. & Schwantes, A. R.
CORDEIRO, C. L. S. & Hoge, A. R.
FURLANETTO, R. S., Rolim Rosa, R„ Siles Viilarroel, M.
& Siracusa, Y. Q.
FURLANETTO, R. S.,
& Zelante, F.
Rolim Rosa, R., Siles Viilarroel M.
FURLANETTO, R. S., Rolim Rosa, R., Siles Viilarroel M.
& Navas, J.
LANGLADA, F. G. de
LANGLADA, F. G., Gonçalves, M, F. & Rodrigues, E. T.
MACHADO, J. C., Konda, I. & Lima, L. S.
PESSÔA, S. B. & Biasi, P.
PESSÕA, S. B. & Biasi, P.
PESSÔA, S. B. & Biasi, P.
PIAZZA, R.
PIMONT, R. P.
ROLIM ROSA, R., Furlanetto, R. S., Siles Viilarroel, M.
& Zelante, F.
SILES VILLARROEL, M., Rolim Rosa, R., Furlanetto, R, S.
& Zelante, F.
SILES VILLARROEL, M., Furlanetto, R. S., Zelante, F.
& Rolim Rosa, R.
SOERENSEN, B.
TRAVASSOS F.°, L. P., Soerensen, B. & Fonteneile, T. H.
37
: 1- 16
37:
: 139-148
37:
335-344
37:
327-333
37:
261-290
37:
99-107
37:
109-122
37:
123-129
37:
239-251
37:
253-260
37:
233-238
37:
291-298
37:
299-307
37:
309-316
37:
149-232
37:
43- 82
37:
131-137
37:
83- 90
91- 97
37:
17- 42
37:
317-325
345
cm
SciELO
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ÍNDICE DE ASSUNTOS
Ação larvi e molusquecida
Detergente “Tego 51”
37: 317-325
Acido bórico
antisséptico de sangue conservado
37: 17- 42
Alterações de desenvolvimento medulares
37: 149-232
Biossíntese de hemoglobina
Hemossomo
37: 335-344
Contaminação bacteriana
banco de sangue
37: 17- 42
Crotalus
época de fecundidade
sobrevida de espermatozóide
37: 253-260
DL50
do veneno botrópico
determinação
37: 109-122
de venenos botrópicos
37: 99-107
com veneno crotalico
37: 131-137
Detergente “Tego 51”
Ação larvi e molusquecida
37: 317-325
Disgenias medulares
37: 149-232
Eletroforese
de venenos ofídicos sobre “Cellogel”
de venenos botrópicos
37: 83- 90
em “Cellogel” do veneno de B. moojeni
isolamento dos fatores coagulantes
37: 91- 97
Fator coagulante.
venenos botrópicos
37: 99-107
Fixação do veneno crotálico
sobre tecidos animais
37: 139-148
Formação profissional
Ciências Biomédicas
Educação em Saúde
37: 43- 82
Gametócitos
37: 239-251
Hemoglobina
em organelos semelhantes a mitocôndrios
37: 327-333
Hemossomo
Biossíntese de hemoglobina
37: 335-344
347
cm
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