vol.40/41-1976/77
Memórias
do
Instituto
Butantan
SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE -COORDENADORIA DE SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS
INSTITUTO BUTANTAN • SÃO PAULO - BRASIL
Recebemos o volume 40/41, 1976/77, de Memórias do Instituto Butanían.
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À Biblioteca do
INSTITUTO BUTANTAN
Avenida Vital Brasil, 1500 — Caixa Postal 65
05504 — SÃO PAULO, SP — BRASIL
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Memórias
do
Instituto
Butantan
vol. 40/41
1976/77
REDATOR RESPONSÁVEL
Fauze Carlos
Diretor Técnico do Instituto Butantan
COMISSÃO EDITORIAL
Jesus Carlos Machado - Presidente
Mina Fichman
Alphonse Richard Hoge
Bruno Soerensen Cardozo
Eva Maria Antonia Kelen
SECRETARIA - REDATORA
Renata Lara Paes de Barros
PROGRAMADORA VISUAL
Heloiza Helena Carneiro Carrettiero
SciELO 1
Toda correspondência editorial
deve ser dirigida à:
Biblioteca do Instituto Butantan
Avenida Vital Brazil, 1500 - caixa postal 65
05504 - São Paulo, SP - Brasil
Memórias do Instituto Butantan.
Brasil, 1918
1918 - 1974 , 1-38
1975 , 39
1976 / 77 , 40/41
São Paulo, SP
O
Publicação anual / Annual publication
Solicita-se permuta J Exchang desired
Distribuída em 3 de julho de 1978 / Distributed july, 3th 1978
Serão fornecidas separatas dos trabalhos publicados nas «Memórias do Instituto Butantan», solicitando-se nesse
caso o obséquio de enviar outras separatas, em permuta, para a Biblioteca do Instituto.
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Memórias do Instituto Butantan 1976/77
INSTRUÇÕES AOS AUTORES
1 _ FINALIDADE
As MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN são publicadas sob a
orientação da Comissão Editorial, sendo que os conceitos emitidos são de inteira
responsabilidade dos autores. Tem por finalidade a apresentação de trabalhos
originais que contribuam para o progresso nos campos da Biologia e da Medi¬
cina, elaborados por especialistas nacionais ou estrangeiros que se enquadrem
no Regulamento dos Trabalhos.
2 — REGULAMENTO DOS TRABALHOS
2.1 — Normas gerais
2.1.1 Os trabalhos devem ser inéditos e destinar-se exclusiva¬
mente à revista “MEMÓRIAS DO INSTITUTO BU¬
TANTAN”. Os artigos serão publicados a convite da
Comissão Editorial.
2.1.2 Estrutura do trabalho
2.1.2.1 Elementos preliminares
a) cabeçalho — título do trabalho e nome do
autor (es) ;
b) filiação científica e endereço para corres¬
pondência.
2.1.2.2 T exto
Sempre que possível deve obedecer à forma
convencional do artigo científico:
a) Introdução — estabelecer com clareza o
objetivo do trabalho, relacionando-o com
outros do mesmo campo e apresentando
de forma sucinta a situação que se en¬
contra o problema investigado. Extensas
revisões de literatura devem ser substituí-
SciELO
das por referencias aos trabalhos mais re¬
centes, onde tais revisões tenham sido
apresentadas.
b) Material e métodos — A descrição
dos métodos usados deve limitar-se ao
suficiente para possibilitar ao leitor a per¬
feita compreensão e repetição dos méto¬
dos; as técnicas já descritas em outros
trabalhos devem ser referidas somente por
citação, a menos que tenham sido consi¬
deravelmente modificadas.
c) Resultados — Devem ser apresentados
com clareza e, sempre que necessário,
acompanhados de tabelas e material ilus¬
trativo adequado.
d) Discussão — Deve restringir-se à apre¬
sentação dos dados obtidos e dos resulta¬
dos alcançados, relacionando-se novas con¬
tribuições aos conhecimentos anteriores.
Evitar hipóteses ou generalizações não
baseadas nos resultados do trabalho.
e) Conclusões — Devem ser fundamentadas
no texto.
Dependendo do assunto do artigo, as divisões acima poderão ser modifica¬
das de acordo com o esquema do trabalho, porém, o artigo deve conter obri¬
gatoriamente:
a) Introdução;
b) Desenvolvimento do tema (com as divisões a critério
do autor);
c) Conclusão.
2 .1. 2 .3 Agradecimentos
Devem ser mencionados antes das Referên¬
cias Bibliográficas.
2 .1. 2 .4 Material de Referência
Todo trabalho deve vir obrigatoriamente
acompanhado de:
a) Resumo — Um no mesmo idioma do texto,
outro em inglês, redigidos pelo(s) pró-
prio(s) autor(es), devendo expressar o
conteúdo do artigo, salientando os ele¬
mentos novos e indicando sua importân¬
cia. O resumo na língua em que está re¬
digido o trabalho deve ser colocado antes
do texto; e o em inglês, no final. Só ex-
cepcionalmente excederá a 200 palavras.
Os títulos dos trabalhos devem ser tradu¬
zidos para o inglês e vice-versa.
b) Unitermos — Correspondendo a palavras
ou expressões que identifiquem o conteú-
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do, devem ser em número necessário
para a completa descrição do assunto e
assinalados com asteriscos (*) os 3 uniter-
mos principais. Para escolha dos uniter-
mos usar o vocabulário protótipo do
campo especializado.
c) Referências Bibliográficas — Devem ser
incluídas apenas as referências menciona¬
das no texto e arranjadas em ordem alfa¬
bética do sobrenome do autor, numeradas
consecutivamente.
Periódico:
AMORIM, M. de F.; MELLO, R. F.;
SALIBA, F. Envenenamento botró-
pico e crotálico. Contribuição para
o estudo experimental comparado
das lesões. Mem. Inst. Butantan, 23:
63-107, 1950-51.
Livro:
BIER, O. Bacteriologia e Imunologia.
13. ? ed. São Paulo, Melhoramentos,
1966.
As citações no texto devem ser em números índices correspondendo às res¬
pectivas referências bibliográficas.
Exemplos:
As investigações sobre a fauna flebotomínica no Estado de São Paulo,
foram feitas em várias ocasiões 0 3,4,.
. . .método derivado de simplificação de armadilha de Disney 2 (1968). . .
Referências Bibliográficas (correspondentes aos números índices)
1. BARRETO, M.P. Observações sobre a biologia em condições naturais
dos flebótomos do Estado de São Paulo (Diptera, Psychodidae). São
Paulo, 1943 (Tese, Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo).
2. DISNEY, R.FI.L. Observations on a zoonosis: lishmaniosis in British
Honduras, J. app. Ecol., 5: 1-19, 1968.
3. FORATTINI, O.P. Algumas observações sobre biologia dos flebótomos
(Diptera, Psychodidae) em região da bacia do Rio Paraná (Brasil).
Arq. Fac. Hig. S. Paulo, 8: 15-136, 1954.
4. FORATTINI, O.P. Novas observações sobre biologia de flebótomos
em condições naturais (Diptera, Psychodidae). Arq. Fac. Hig. S.
Paulo, 25: 209-215, 1960.
3 — NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DOS ORIGINAIS
3.1 — Datilografia
Os originais devem ser datilografados em 3 (três) vias, com
espaço duplo, em uma só face, mantendo as margens laterais com
3 cm aproximadamente. Todas as páginas devem ser numeradas
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3.2
3.3 —
consecutivamente, com algarismos arábicos, no canto superior
direito.
Tabelas
Devem ser numeradas consecutivamente com algarismos arábicos
e encabeçadas pelo seu título. Os dados apresentados em tabela
não devem ser, em geral, repetidos no texto. As notas de rodapé
das tabelas devem ser restritas ao mínimo possível e referidas por
asteriscos.
Ilustrações
3.3.1 Desenhos e gráficos
3.3.1.1 Devem ser feitos com tinta nanquim preta, em
papel Schoeller Hammer 3G ou 4G. Não usar
papel vegetal porque este retrai com o calor e
abranda com o frio, e o nanquim tende a ficar
mais falhado, devido à porosidade do papel
vegetal. Na impressão, a ilustração tende a
ter ligeira deformidade e traços levemente acin¬
zentados, sobretudo os gráficos, saem total¬
mente fora de esquadro.
3.3.1.2 O tamanho, quando ocupar página inteira,
deve seguir rigorosamente estas medidas
12,6 x 19,8 cm ou 16,8 x 26,3 cm ou 21 x 33
cm ou 25,2 x 39,6 cm, pois em geral as grá¬
ficas que nós trabalhamos, tem um determi¬
nado tamanho de letra, e as ilustrações pre¬
cisam ser proporcionais a estes tamanhos exis¬
tentes. Para uma boa reprodução, não precisa
ser maior, pois sendo maior perde muitos de¬
talhes na redução.
3.3.1.3 Aplicar cola no verso do desenho ou do grá¬
fico só na margem superior, numa faixa de
aproximadamente 1 cm e colar sobre um car¬
tão um pouco maior.
3.3.1.4 Para melhor proteção, cobrir com papel ve¬
getal de comprimento um pouco maior, de
maneira a poder ser dobrado para trás na
parte superior e colado.
3.3.2 Fotografias
3.3.2.1 Devem ser bem nítidas e contrastadas, pois
fotos muito acinzentadas dão péssima im¬
pressão.
3.3.2.2 Devem vir soltas dentro de um envelope.
3.3.2.3 Devem ser entregues inteiras e não recorta¬
das, em papel fotográfico liso. O papel foto¬
gráfico crespo (martelado) dá péssima repro¬
dução.
3.3.2.4 O tamanho também é muito importante.
Uma foto para ganhar mais qualidade na im¬
pressão necessita sempre sofrer redução. Por¬
tanto, mandem fotos sempre de tamanho maior
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do que o tamanho que vai ser impresso. Ex.:
para página inteira fotos 18x24cm, para meia
página fotos 18xl2cm.
3.3.2.5 Colocar um papel vegetal em cima da foto que
tiver qualquer anotação a ser feita, ou sim¬
plesmente para limitar a parte importante a
ser usada, tomar muito cuidado para não pres¬
sionar o lápis ou caneta, a fim de não mar¬
car a foto. Não colocar letras ou números
sobre as fotos.
3.3.3 Os textos e números que completam os desenhos, gráfi¬
cos e fotos devem ser feitos em manuscrito legível ou
datilografado (os algarismos sempre em arábico) direto
sobre o papel vegetal que foi colocado para proteção
(não pressionar a fim de não marcar as ilustrações) ou
em papel branco e colado no papel vegetal, pois os textos
e números serão feitos em tipos gráficos.
3.3.4 A numeração dos desenhos, gráficos e fotos será feita
com algarismos arábicos na parte inferior do papel ve¬
getal, não importando se é foto, desenho ou gráfico.
Seguir sempre com uma numeração só.
Ex.: Um trabalho que tenha 2 fotos, 1 gráfico e 1 de¬
senho seguem com a numeração (fig. 1), (fig. 2), (fig.
3) e (fig. 4), se as 2 fotos vão numa página só, colocar
na parte inferior (figs. 1 e 2) e determinar em cima da
foto, (no papel vegetal) qual é (fig. 1) e qual é (fig. 2).
Quanto aos demais elementos necessários à identificação
das ilustrações (nome do autor e título do trabalho),
devem ser escritos atrás do cartão em que as mesmas
estiverem coladas.
3.3.5 As legendas devem ser apresentadas à parte em folhas
datilografadas, constando a numeração correspondente
à ilustração. Ex.: Fig. 1 — Legenda.
A Revista admite até 6 clichês (branco e preto) no texto, para cada tra¬
balho, devendo os demais serem pagos pelo autor. Para clichês coloridos deverá
haver prévia combinação entre a Comissão Editorial e o autor.
De cada trabalho serão impressas 100 (cem) separatas, devendo o autor
pagar as separatas que excedam a esse número, quando solicitar uma quantidade
maior. As separatas em excesso devem ser solicitadas quando o manuscrito
for encaminhado à Comissão Editorial.
Os trabalhos poderão ser redigidos, além da língua portuguesa, em: inglês,
francês e espanhol. Outras línguas ficarão a critério da Comissão Editorial.
A reprodução total ou parcial dos trabalhos em outros periódicos — com
menção obrigatória da fonte — dependerá de autorização prévia da Comissão
Editorial.
Para fins comerciais serão proibidas a tradução e reprodução dos trabalhos
publicados pela revista.
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BELLUOMINI, H.E.; BIASI, P. De; PUORTO, G.; BORELLI, V. — Bicefalia em Croíalus durissus terrificus
(Laurcnti). Serpentes, Viperidae, Crotalinae. Alem. Insl. Butantan, 40/41:117-121 , 1976/77.
F*SS. 1 a 4 — Filhote fêmea, licéfalo (teratódimo deródimo) c!e Croíalus lurissus lerrificus e demais filhotes da
n *nhada: 1 - Filhotes em vista dorsal (ccntro-bicéfalo); 2 - Filhotes em vista ventral (ccntro-bicéfalo); 3 -
Bicéfalo em vista ventral para visualização das escamas ventrais; 4 - Bicéfalo comparado dorsalmente a filhotes
lrm aos: macho (esquerda) e fêmea (direita);
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Memórias do Instituto Butantan 1976/77
SUMÁRIO/SUMMARY
1. Indução de pancreatite hemorrágica aguda no cão por veneno escor-
piônico de T. serrulatus.
Induction of acute hemorrhagic pancreatitis in dog by escorpionic ve-
nom of T. serrulatus.
Jesus Carlos MACHADO & José Franco da SILVEIRA F.° .. . 1
2. Variação do número de placas ventrais de Bothrops jararaca em fun¬
ção dos climas. (Viperidae, Crotalinae).
Variation in number of ventral plates of Bothrops jararaca in function
of the climates. (Viperidae, Crotalinae).
A.R. HOGE; Hélio E. BELLUOMINI; Wilson FERNANDES . . 11
3. Observações sobre uma ninhada de Bothrops atrox (Linnaeus, 1758).
(Serpentes: Viperidae: Crotalinae).
Observations on a brood of Bothrops atrox (Linnaeux, 1758). (Ser¬
pentes: Viperidae: Crotalinae).
Alphonse Richard HOGE & Pedro Antonio FEDERSONI JR. . . 19
4. Contribuição ao conhecimento das serpentes do Maranhão, Brasil.
(Serpentes, Boidae, Colubridae e Viperidae).
Contribution to knowledge of the serpentes from the State Maranhão,
Brazil. (Serpentes, Boidae, Colubridae and Viperidae).
A.R. HOGE; S. Alma R.W.D.L. ROMANO; C.L. CORDEIRO . . 37
5. Lachesis muta rhombeata. (Serpentes, Viperidae, Crotalinae).
Lachesis muta rhombeata. (Serpentes, Viperidae, Crotalinae).
A.R. FIOGE & S. Alma R.W.D.L. ROMANO . 53
6. Descrição de uma nova subspécie de Oxyrhopus Wagler. (Serpentes,
Colubridae).
Description of a new subsp. of Oxyhopus Wagler. (Serpentes, Colu¬
bridae) .
A.R. HOGE & S. Alma R.W.D.L. ROMANO. 55
7. Redescrição e distribuição de Sordellina punctata (Peters). (Serpen¬
tes, Colubridae).
Redescription and range of Sordellina punctata (Peters). (Serpentes,
Colubridae).
A.R. HOGE & S. Alma R.W.D.L. ROMANO . 63
cm
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8. Redescrição de Micrurus donosoi Hoge, Cordeiro et Romano. (Ser¬
pentes, Elapinae).
Redescription of Micrurus donosoi Hoge, Cordeiro et Romano. (Ser¬
pentes, Elapinae).
A.R. HOGE; C.L. CORDEIRO; S. Alma R.W.D.L. ROMANO 71
9. Posição nomenclatural de Leimadophis poecilogyrus amazonicus Ama¬
ral. (Serpentes, Colubridae).
Nomenclatural position of Leimadophis poecilogyrus amazonicus
Amaral. (Serpentes, Colubridae).
A.R. HOGE; S. Alma R.W.D.L. ROMANO; C.L. CORDEIRO 75
10. Notas biológicas a respeito do gênero Eunectes Wagler, 1830 “sucu¬
ris”. (Serpentes Boinae).
Biological notes on the genus Eunectes Wagler, 1830 “anaconda”.
(Serpentes Boinae).
H.E. BELLUOM1NI; T. VEINERT; F. DISSMANN; A.R. HO¬
GE; A.M. PENHA . 79
11. Bicefalia em Crotalus durissus terrificus (Laurenti). Serpentes, Vipe-
ridae, Crotalinae.
Bicephaly in Crotalus durissus terrificus (Laurenti). Serpentes, Vipe-
ridae, Crotalinae.
Hélio Emerson BELLUOMINI; Pérsio De BIASI; Giuseppe
PUORTO; Vicente BORELLI. 117
12. Inquérito anátomo-patológico em serpentes dos gêneros Crotalus e
Bothrops. (Serpentes, Viperidae, Crotalinae).
Anatomic-pathologic inquiry in serpentes of the Crotalus and Bothrops
genus. (Serpentes, Viperidae, Crotalinae).
Hélio E. BELLUOMINI; Adayr M. SAL1BA; Augusto S. ABE 123
13. Salvamento de animais selvagens, captura de serpentes e instalação de
postos anti-ofídicos em áreas inundadas destinadas a usinas hi¬
droelétricas.
Wildlife rescue, capture of snakes and establishment of anti-ophidic
station in flooded areas destined for Brazilian hydroelectric power
plants.
Hélio Emerson BELLUOMINI; Evandro Luiz CEMBRANELLI;
Mário Paulo AUTUORI . 129
14. Quantidades de veneno obtidas na extração de serpentes Bothrops
pradoi (Hoge, 1948). Serpentes, Viperidae, Crotalinae).
Venom quantities obtained by extraction of Bothrops pradoi (Hoge,
1948). (Serpentes, Viperidae, Crotalinae).
Percio De BIASI; Hélio Emerson BELLUOMINI; Wilson FER¬
NANDES . 155
15. Uso do gás carbônico na extração de veneno de serpentes.
The use of carbon dioxide in snake venom extraction.
Pérsio De BIASI; Hélio Emerson BELLUOMINI; Alphonse Ri-
chard HOGE; Giuseppe PUORTO . 167
16. Contribuição ao estudo epidemiológico das leptospiroses em serpentes
do Brasil: I — Levantamento sorológico em Bothrops pradoi Hoge,
1948. (Viperidae: Crotalinae).
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Contribution to the epidemiologic study on leptospirosis in Brazilian
snakes: I — Serologic survey on Bothrops pradoi Hoge, 1948.
(Viperidae: Crotalinae).
Pérsio De BTASI; Saburô HYAKUTAKE; Hélio Emerson BEL-
LUOMINI; Carlos A. SANTA ROSA. 173
17. Contribuição ao estudo da determinação da DL 50 de venenos botró-
picos. IV. Possibilidade de determinação da DL 50 do veneno de
Bothrops alternatus.
Contribution to the study of LD 50 determination of Bothrops venoms.
IV. Possibility of LD 50 determination of the venom of Bothrops
alternatus.
Raymundo ROLIM ROSA; Sirdéia Maura Perrone FURLA-
NETTO; Medardo SILES VILLARROEL; Walter BANCHER . . 181
18. Estudo de série de recursos audivisuais sobre o tema: artrópodes pe¬
çonhentos.
Serial studies of the audiovisual resources on the theme: venomous
arthropods.
Rosa Pavone PIMONT & Sylvia LUCAS . 187
19. Ácaros pilícolas do Brasil. II. Descrição de ProUstrophorus inornatus
sp.n. (Acarina: Listrophoridae).
Fur-mites from Brazil. II. Description of ProUstrophorus inornatus
sp.n. (Acarina: Listrophoridae).
Nélida M. LIZASO . 205
20. Estudo sobre a sistemática de Ctenus taeniatus (Araneae; Labidog-
natha).
Studies on Ctenus taeniatus (Araneae; Labidognatha) systematics.
Vera Regina D. von EICKSTEDT .. ... 211
21. Fisiopatologia e terapêutica do envenenamento experimental causado
pelo veneno de Micrurus frontalis.
Physiopathologie et thérapeutique de 1’envenomation expérimentale
causée par le venin de Micrurus frontalis.
Oswaldo Vital BRAZIL; Marcos Dias FONTANA; Alberto PEL-
LEGR1NI F.° . 221
22. Contribuição ao estudo imunoquímico de venenos botrópicos. III. Aná¬
lise dos componentes antigênicos comuns através da dupla difusão
em gel de ágar.
Contribution to the immunochemical study of bothropic venoms. III.
Analysis of the commons antigenic components using double diffu-
sion in agar-gel.
Medardo SILES VILLARROEL; Reynaldo Schwindt FURLA-
NETTO; Flávio ZELANTE; Raymundo ROLIM ROSA. 241
23. Um novo oxiurídeo, Gynaecometra bahiensis n.gen., n.sp. (Nematoda:
Oxyuroidea: Oxyuridae), founded in lacertilian.
A new oxyurid, Gynaecometra bahiensis n.gen., n.sp. (Nematoda:
Oxyroidea: Oxyuridae), founded in lacertilian.
Paulo ARAÚJO . 251
24. Uma nova espécie do género Neyraplectana (Nematoda: Subuluroidea:
Cosmocercidae) encontrada em ofídios.
ERRATA
MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN, vol. 40/41 - 1976/77
1 LOCALIZAÇÃO
] SUMÁRIO 23. - 2a. linha
1 27. —4a. linha
1 28. — 3a. linha
Oxyuroidea: Oxyuridaej, encontrado em lacertíüo.
Parasitism veriflcation of Polychrus ...
A new...
S pg 24 - 5a. linha
somente depois da...
pg 36 — 8. — 2a. linha
species of snakes ...
pg 42 - última linha
Amaral (1944:81j ...
pg 51 - 23. inteiro
23. LINNAEUS, C. — Amonitates academicae seu
Dissertationes variae Physicae Medicae botanicae
cum Tabuüs aeneis. Holmiae et Lipsiae apud
Godofredum Keisewetter: 1 — 563 + pr, 1749
| pg 63 — 11a. Unha
The twenty seven specimens now available permits ...
1 pg 66 - tabela — 23a. linha
IBH...
MZU 1578 o 144 47/47 8/8 - - 244 56
MZU...
ZMB... 1
pg 66 - 2P parag. — 4a. linha
smaU white spot on each parietal. Upper ...
1 pg 68 — 2a. fig. — la. linha
110 -
100 -
90 -
pg 70 — 6. - la. linha
6. AMARAL, A. do - Contribuição ao conhecimento dos
ophideos ...
pg 70 — 12. — la. e 2a. linha
12. WERNER, F. — Ubersicht der Gattungen und Arten |
der Schlangen aus der FamiUe Colubridae III. 1
Teil (ColubrinaeJ. Mit einen Nachtrag, ... |
pg 79 - 4a. Unha
H. E. BELLUOMINI*, T. VEINERT**, F. DISSMANN**, j
A. R. HOGE***, A. M. PENHA****
pg 79 - UNITERMOS - 2a. Unha
le ,(*). Eunectes murinus notaeus e Eunectes murinus
deschauemeei, ...
I pg 79 — última Unha
se alimentam na água doce ou salobra,...
I pg 79 - rodapé — 2a. e 3a. linha
* Instituto Butantan e Fundação Parque Zoológico de São j
Paulo. (
** Fundação Parque Zoológico de São Paulo.
*** Instituto Butantan e CNPq.
**** Instituto Biológico de São Paulo.
| pg 79 - rodapé — 4a. Unha
(*J Unitermos principais.
pg 119 — legenda — la. Unha
Figs. 1 a 4 — Filhote fêmea, bicéfalo (teratódimo
deródimo) de Crotalus durissus ...
I pg 129 — 6a. Unha
MÁRIO PAULO AUTUORI**
| pg 131 — 7a. Unha
fuU comprehension and unlimited support of the
interested...
! pg 137 — 2. - 6a. Unha
Raccoon ( Procyon cancrivorus), great anteater (Myrme -
cophaga jubata ),...
pg 138 — 1. — 3a. Unha
The flooding had been already started ... 1
pg 143 — 4. - 14a. Unha
serum besides the already existent stock ... j
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15
pg 149 — 1. — la. linha
1. Hydroelectric ...
pg 149 - 1. - 8a. linha
sp), were collected, as well as Myrmecophaga jubata'.
pg 152 - 5P parag. - 2a. linha
gave similar aspects with respect to the monkeys . . .
pg 169 — legenda - la. linha
Fig. 1 — Equipamento utilizado ...
pg 172 - 3. - la. linha
3. BELLUOMINI, H. E. - Venom production of snakes in
captivity ...
pg 172 - 6. - la. linha
6. LELOUP, P. - Essais de rationalization . ..
pg 179 — 7P parag. — 5a. linha
tabela 4 ), além daquele ...
pg 189 — 30a. e 31a. linha
mas para a execução dos recursos audiovisuais, houve
necessidade da colaboração de outras entidades que
possuem um serviço ou seção especializada em audio¬
visuais.
pg 190 - 21a. linha
escorpiões:...
pg 201 — 23a. linha
Série de slides ...
pg 201 — 25a. linha
Multi-meio . . .
pg 257 - ABSTRACT - 3a. linha
G. bahiensis n.sp., parasite of lacertilian.
pg 259 — 4P parag. - la. e 2a. linha
(eliminar ) Comprimento: machos ...
pg 259 — 3P parag. — 9a. linha
os trabalhos de Miranda 3 (1924J e de Crusz e Ching 2
(1975), para dirimir qualquer dúvida, desde que Tra¬
vassos, loco citato, afirma s .- eventualmente difícil a
individualização do gubemáculo em algumas das
espécies de Àplectana. '
pg 260 - la. e 2a. linha
(eliminar) qualquer dúvida ...
pg 260 — 3a. linha
NEYRAPLECTANA PAPILLIFERA N. SP.
Comprimento: machos 4,426 a 5,221 mm, fémeas
5,875 a 8,534 mm. Largura máxima: machos 0,408 a
0,510 mm, fêmeas 0,414 a 0,716 mm.
Corpo fusiforme ...
pg 281 — 8a. linha
(eliminar) Departamento de Parasitologia, . . .
pg 292 - a partir de baixo - 10a. linha
No presente quadro estão . . .
pg 299 - última linha
Tenebrio sp.
pg 301, 303 e 304 - cabeça das páginas
CORDEIRO, N. da S. - Verificação do parasitismo
do Polychrus acutirostris Spix, 1821 (Sauria: Igua-
nidae), novo hospedeiro natural do Plasmodium
(Carinamoeba) minasense Carini 8t Rudolph, 1912.
Mem. Inst. Butantan, 40/41: 299-304, 1976/77.
pg 304 - 5. — 2a. linha
duri Aragão and ...
pg 304 — 14. — 2a. linha
in Paiiama. Int. Jour. . ..
pg 305 — IP parag. — 7a. linha
talus durissus would probably eventually be recognized
from South . . .
pg 311 - 8. — 3a. linha
1972. Rattlesnakes: Their habits, life histories,.. .
pg 311 — 8. — 4a. linha
Uni». Calif Press ...
pg 313 - UNITERM OS - la. linha
UNITERM OS: Helicops hogei ...
pg 313 — a partir de baixo - 4a. linha
m. Cerro La Paloma, Sierra Imataca Território Delta
Amacuro,...
pg 316 - 1. - la. linha
1. LANCINI, A. R. - Contribucion al Conocimiento de la
Distribucion en Venezuela ...
pg 316 - 1. — 3a. linha
especie de serpiente semiacuática para la ciência. Publ. i
Ocas .... 1
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
cm
A new species of the genus Neyraplectana (Nematoda: Subuluroidae:
Cosmocercidae) founded in ophidics.
Paulo ARAÚJO . 259
25. Considerações sobre Plagiorchis luehei Travassos, 1927 (= Microder-
ma liihei Mehra, 1931) ( Trematoda, Plagiorchiidae ), parasito de
Hydrodynastes gigas Dum. et Brid. ( Reptilia, Colubridae).
Considerations on Plagiorchis luehei Travassos, 1927 (= Microderma
lühei Mehra, 1931) ( Trematoda, Plagiorchiidae ), parasite of Hy¬
drodynastes gigas Dum. et Brid. ( Reptilia, Colubridae).
Paulo de Toledo ARTIGAS & Milton Santos de CAMPOS. 265
26. Kalicephalus inermis Molin, 1861 ( Nematoda; Diaphanocephalidae).
Redescrição e confirmação desta espécie; informações de natureza
biológica e crítica do grupo “ inermis” proposto por Schad.
Kalicephalus inermis Molin, 1861 ( Nematoda; Diaphanocephalidae).
Redescription and confirmation of this species; informations of
biological and criticai nature on the group “ inermis” proposed by
Schad.
Maria da Penha Maia FERNANDES & Paulo de Toledo ARTIGAS 281
27. Verificação do parasitismo do Polychrus acutirostris Spix, 1821 (Sauria:
Iguanidae), novo hospedeiro natural do Plasmodium ( Carinamoe-
ba) minasense Carini & Rudolph, 1912.
Parasitism verification of Polychrur acutirostris Spix, 1821 (Sauria:
Iguanidae), a new natural host of Plasmodium ( Carinamoeba)
minasense Carini & Rudolph, 1912.
Nelson da Silva CORDEIRO . 299
28. Uma nova subespécie de Crotalus durissus (Serpentes: Crotalidae) de
Rupununi Savanna do sudeste da Guiana,
a new subspecies of Crotalus durissus (Serpentes: Crotalidae) from
the Rupununi Savanna of southwestern Guyana.
Herbert S. HARRIS JR. & Robert S. SIMMONS. 305
29. Redescoberta de Helicops hogei Lancini, 1964 (Serpentes: Colubridae).
Segundo hallazgo de Helicops hogei Lancini, 1964 (Serpentes: Colu¬
bridae).
Gilberto PÉREZ BRAVO . 313
Índice de autor/Author index . 317
Índice de assunto . 319
Subject index . 323
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
Aíem. Inst. Butanlan
40/41: 1-9, 1976/77.
INDUÇÃO DE PANCREATITE
HEMORRÁGICA AGUDA NO CÃO POR VENENO
ESCORPIÔNICO DE T. SERRULATUS
JESUS CARLOS MACHADO e JOSÉ FRANCO DA SILVEIRA FILHO*
Seção de Anatomia Patológica do Instituto Butantan
RESUMO: Doses subletais de veneno total de T. serrulatus induzem no
pâncreas do cão degenerações características do desenvolvimento e implan¬
tação da pancreatite hemorrágica aguda. Estas degenerações variam desde
vacuolização das células acinares até aquelas características da pancreatite
hemorrágica aguda: hemorragias, leucocitose, esteatonecrose, e degene¬
rações vasculares e dos lóbulos pancreáticos. Os resultados obtidos suge¬
rem que para a instalação da pancreatite aguda induzida pelo veneno
escorpiônico não há necessidade de acentuada redução dos grânulos de
zimogênio das células pancreáticas.
UNITERMOS: Pancreatite hemorrágica Aguda; Veneno Escorpiônico de
T. serrulatus', Histopatologia.
INTRODUÇÃO
Waterman, 1938 (23), e Bartholomew, 1970 (1), relataram a ocorrência
de pancreatite aguda em acidentes humanos causados pelo escorpião T. trinitatis.
Resultados preliminares de nosso laboratório mostraram que o veneno do escor¬
pião T. serrulatus induz alterações patológicas no pâncreas do cão que vão
desde degenerações vacuolares das células acinares pancreáticas até àquelas
características da pancreatite hemorrágica aguda, (19).
O veneno de T. serrulatus induz a liberação de acetilcolina de vários tecidos
nervosos (8, 14, 3) e a liberação de catecolaminas das terminações das fibras
pós-ganglionares simpáticas (6, 7, 22) e das adrenais, (15). A Tityustoxina,
substância polipeptídica obtida por fracionamento do veneno total de T. serru¬
latus, reproduz os efeitos do veneno total (13,8).
O veneno de T. serrulatus, por suas propriedades bioquímicas e farmaco¬
lógicas parece constituir-se em excelente ferramenta no estudo da etiopatogênia
da pancreatite. Além de induzir pancreatite sem manipulação mecânica do pân¬
creas, temos a possibilidade de testar se as alterações patológicas pancreáticas
são devido à ação do veneno ao nível do sistema nervoso (através de mecanis-
* Bolsista do FEDIB.
Endereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - São Paulo - Brasil.
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
MACHADO, J.C. & SILVEIRA F.°, J.F. da — Indução da pancreatite hemorrágica aguda no cão por veneno
cscorpiônico de T. serrulatus. Alem. Inst. Butantan, 40/41 :1-D t 1976/77.
mos colinérgico ou adrenérgico ou ambos) ou através de mecanismo que não
envolva, necessariamente, o sistema nervoso. Neste trabalho relatamos as alte¬
rações patológicas induzidas no pâncreas do cão pelo veneno total de T. serrulatus.
MATERIAL E MÉTODOS
55 cães adultos normais (10-15 Kg de peso corpóreo) foram submetidos
a jejum de 24 horas antes dos experimentos. Em certos casos, o jejum conti¬
nuou durante o transcorrer do experimento e em outros somente o jejum prévio
foi respeitado.
O veneno total de T. serrulatus foi obtido por extração elétrica e mantido
a 0-’C em dessecador. Em todos os experimentos ele foi dissolvido em solução
salina 0,9% e usado no mesmo dia. A inoculação do veneno sempre foi por via
venosa. Os animais controle eram injetados com salina. Todos os animais
foram sacrificados com éter etílico intravenoso.
A potencialidade do veneno usado é 500 microgramas, dose mínima para
cobaia de 500 gramas. Cinco microgramas deste veneno causam salivação e
outros sintomas de intoxicação característicos da toxina 20 minutos após sua
inoculação intraperitonial em camundongos de 20 gramas. Este teste também
permite avaliar a potencialidade do veneno (10).
Logo após à morte do animal, o pâncreas e demais órgãos eram retirados
e imediatamente fixados em Formol e Bouin. Pequenos fragmentos dos órgãos
foram incluídos em parafina e os cortes obtidos foram corados pelos métodos
da Hematoxilina, Eosina e Mallory-Masson.
RESULTADOS
a) Efeitos de doses letais de veneno
Oito cães foram inoculados com uma única dose de veneno (0,5-1,0 mg/Kg
p.c.). Estes animais apresentaram fortes sinais de intoxicação 10 minutos após
a inoculação do veneno: salivação, lacrimação, respiração difícil, evacuação, vô¬
mito, sudorese, urina, tremores, ficando o animal totalmentc prostrado. Os
animais morreram em menos de 6 horas após à inoculação do veneno.
Macroscopicamente, os órgãos não apresentaram alterações notáveis, a não
ser o intestino que, em muitos casos, apresentou-se com lúmen preenchido por
muco tinto de sangue.
A análise histopatológica do pâncreas mostrou degenerações microvacuola-
res parenquimatosas dos elementos acinares e algumas pequenas hemorragias
nos septos interlobulares. Os ácinos normais e os comprometidos com degene¬
rações vacuolares apresentaram-se carregados com grânulos de zimogênio.
b) Efeitos dc uma única dose subletal de veneno
Os resultados deste item estão resumidos na tabela 1.
Grupo 1 - A fim de verificar se o veneno, logo após à sua inoculação indu¬
zia alterações patológicas e a liberação de zimogênio das células acinares pan¬
em
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
MACHADO, J.C. & SILVEIRA F.°, J.F. da — Indução da pancreatite hemorrágica aguda no cão por veneno
escorpiônico de T. serrulatus. Alem. lnst. Butanlan, 40/41 :l-9 t 1976/77.
Fig. 1 — Pâncreas (Col. H.E. X 224). Pancreatite Hemorrágica Aguda. Foco hemorrágico e necrótico
substituindo o parênquima lobular.
Fig. 2 — Pâncreas (Col. H.E. X 254,3). Intenso edema e Hemorragia intersticial com vasos necrosados. O
parênquima, à direita mostra despovoamento celular com pequenos focos de necrose.
cm
SciELO
MACHADO, J.C. & SILVEIRA F.°, J.F. da — Indução da pancreatite hemorrágica aguda no cão por veneno
escorpiônico de T. serrulatus. Alem. Inst. Butantan, 40141:1-9 , 1976/77.
creáticas, três cães foram inoculados com uma dose subletal e sacrificados 1-3,5
horas após à inoculação.
Grupo 2 - Dezoito cães foram inoculados com uma dose subletal e sacrifi¬
cados 24-48 horas após à inoculação.
Doses subletais de veneno induzem o aparecimento de sinais de intoxica-
■ ção 30 minutos após à sua inoculação, embora em intensidade menor do que
no caso das doses letais. Macroscopicamente, os órgãos não apresentaram alte¬
rações notáveis. Somente um animal do grupo 2 apresentou fortes sinais de into¬
xicação e lúmen intestinal preenchido por muco tinto de sangue.
Os animais do grupo 1 apresentaram em várias regiões do pâncreas aumento
da eosinofilia e diminuição da basofilia citoplasmática das células acinares. Os
ácinos apresentaram-se carregados de zimogênio e os vasos sanguíneos conges¬
tionados e dilatados.
O grupo 2 apresentou: dois casos de Pancreatite Hemorrágica Aguda (PHA),
quatro casos em que o quadro patológico sugere instalação da PHA e nos de¬
mais, somente pequenas hemorragias interlobulares foram notadas. Nestes dois
animais citados encontrou-se quadro típico da PHA: necrose do tecido adiposo
e das áreas parenquimatosas, intensas hemorragias interlobulares e intralobula-
res. Completa o quadro exsudato redondo celular rico em polimorfonucleares,
trombose vascular, vasos sanguíneos necrosados, duetos pancreáticos dilatados
com epitélio ulcerado e intensa hiperemia (Figs. 1, 2, 3 e 4).
Quadro patológico que sugere instalação de PHA foi encontrado em três
animais. Várias regiões do pâncreas apresentaram intensas hemorragias perifé¬
ricas e interlobulares. Nestas regiões apresentam ácinos em necrose degenera¬
ções em vasos sanguíneos, início de leucocitose e intensa hiperemia (Fig. 5). Ê
interessante notar que em todos os animais do grupo 1 e 2, os ácinos pancreá¬
ticos normais apresentaram-se carregados de zimogênio.
c) Efeitos dc doses subletais cumulativas
Os resultados deste item estão resumidos na Tabela 2. A sintomatologia
externa e a análise macroscópica dos órgãos são semelhantes àquelas já descritas
para doses subletais (item b).
Grupo 1 - três animais foram inoculados com 2 doses de veneno (interva¬
los de 24 horas entre elas) e sacrificados oito dias após a segunda dose.
Grupo 2 - três animais foram inoculados com 3-5 doses de veneno (interva-
valo de 24 horas entre elas) e sacrificados 24 horas após a última inoculação.
Grupo 3 - três animais foram submetidos a tratamento semelhante ao do
grupo 2 e sacrificados oito dias após a última inoculação.
Grupo 4 - Dois animais foram inoculados com duas doses de veneno (inter¬
valo de 24 horas entre elas) e sacrificados 31 dias após a segunda inoculação.
Os animais destes grupos receberam alimentação 24 horas após a primeira
inoculação.
Quadro patológico que sugere instalação de PHA foi encontrado cm várias
regiões do pâncreas de um animal do grupo 2. Em um animal do grupo 4 o
pâncreas apresentou vários processos inflamatórios caracterizados por fibrose e
calcificação. Estes processos ocupavam regiões correspondentes a um lóbulo pan¬
em
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MACHADO, J.C. & SILVEIRA F.°, J.F. da — Indução da pancreatite hemorrágica aguda no cão por veneno
escorpiônico de T, serrulalus. Alem. Insl. Butanlan, 40/41:1-9 1 1976/77.
Fig. 3 _ Pâncreas (Col. H. E. X 177,4). Observa-se vasodilatação apresentando zonas de necrose da parede
vascular com edema e hemorragia intersticial.
Fig, 4 _ Pâncreas (Col. H.E. X 155). Pancreatite Hemorrágica Aguda. Foco de Esteatonecrose e Calcificação
e leucocitose.
Fig. 5 — Pâncreas (Col. H.E. X 249,5). Instalação de Pancreatite Hemorrágica Aguda. Hemorragias inter-
lobulares e degenerações nos ácinos pancreáticos.
SciELO
cm
MACHADO, J.C. & SILVEIRA F.°, J.F. da — Indução da pancreatite hemorrágica aguda no cão por veneno
cscorpiônico de T. serrulatus. Mem. Inst. Butantan, 40/41:1-91, 1976/77.
TABELA 1
EFEITOS DE UMA ÚNICA DOSE SUBLETAL DE VENENO DE
T. SERRULATUS SOBRE O PÂNCREAS DO CÃO
Grupo
N.° de
cães
Veneno
mg/kg
Sacrificado
(horas)
Elistopatologia do pâncreas
1
1
0,11
1
degeneração citoplasmática da CA*
1
1
0,06
3,5
degeneração citoplasmática da CA*
1
1
0,11
3,5
degeneração citoplasmática da CA*
2
1
0,05
24
PH A**
2
1
0,07
24
NORMAL
2
3
0,08
24
NORMAL
2
1
0,08
24
instalação de PHA
2
2
0,09
24
NORMAL
2
1
0,1
24
NORMAL
2
1
0,07
48
NORMAL
2
1
0,08
48
NORMAL
2
2
0,12
48
NORMAL
2
1
0,13
48
instalação de PHA
2
1
0,17
48
PHA**
2
1
0,19
48
instalação de PHA
2
1
0,22
48
instalação de PHA
2
1
0,25
48
NORMAL
* CA =
** PHA =
Célula acinar
Pancreatite Hemorrágica Aguda
TABELA
2
EFEITOS DE DOSES SUBLETA1S DE VENENO DE T. SERRULATUS
SOBRE O PÂNCREAS DO CÃO
Grupo
N.° de
cães
Veneno
mg/kg
N.° de
doses
Sacrificado
(dias)*
Histopatologia
do pâncreas
1
1
0,078
2
8
NORMAL
1
1
0,10
2
8
NORMAL
1
1
0,11
2
8
NORMAL
2
1
0,06
5
1
NORMAL
2
1
0,09
5
1
NORMAL
2
1
0,09
3
1
instalação PHA**
3
1
0,07
5
8
NORMAL
3
1
0,08
5
8
NORMAL
3
1
0,13
5
8
NORMAL
4
1
0,08
2
31
processos inflamatórios
4
1
0,11
2
31
NORMAL
* Período dc tempo transcorrido após a última dose de Veneno e o sacrifício do
animal
** PHA = Pancreatite Hemorrágica Aguda.
cm
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LO 11 12 13 14 15 16
MACHADO, J.C. & SILVEIRA F,°, J.F. da — Indução da pancreatite hemorrágica aguda no cão por veneno
escorpiônico de T. sernilatus. Mem. Jnst. Butantan, 40j41:l-% 1976/77.
creático. Nos demais animais nada foi notado de anormal. Em todos os casos
os ácinos pancreáticos normais apresentaram-se carregados de grânulos de zimo-
gênio.
DISCUSSÃO
Doses subletais de veneno de T. sernilatus induzem diminuição da basofilia
perinuclear e aumento da eosinofilia citoplasmática nas células acinares pancreá-
ticas, logo após a sua inoculação (1-3,5 horas). Doses letais do mesmo veneno
induzem degenerações vacuolares no citoplasma da célula acinar. Estas degene¬
rações provocadas pelo veneno escorpiônico, também foram encontradas nas
etapas iniciais da instalação de PHA induzida por Etionina (11, 12, 16, 17 e
18). A degeneração vacuolar induzida por Etionina na célula acinar pancreática
tem sido interpretada como sendo degenerações das membranas do retículo endo-
plasmático (16, 17).
Em 33% dos animais inoculados com uma única dose subletal e sacrifi¬
cados 24-48 horas depois, encontramos lesões pancreáticas severas: necrose lipo-
lítica e proteica, intensas hemorragias interlobulares e intralobulares, leucoci-
tose, edema e degenerações nos vasos sanguíneos. Neste grupo tivemos 2 casos
de PHA e 4 casos de instalação de PHA. A Tabela 1 mostra que neste grupo
não houve relação entre a concentração de veneno usada e a lesão pancreática
encontrada.
Em 11 animais inoculados com várias doses subletais de veneno encontra¬
mos somente um caso de instalação de PHA. Em outro animal sacrificado 30
dias após a última inoculação encontramos abcessos inflamatórios caracteriza¬
dos por fibrose e calcificação, semelhantes àqueles encontrados no pâncreas de
animais tratados com etionina (18) ou no pâncreas de pacientes humanos, que
tiveram crises de pancreatite aguda (20). A Tabela 2 mostra que não existe
aparente correlação entre o número de doses de veneno e a incidência de lesões
pancreáticas.
Lesões pancreáticas notáveis foram encontradas em 27,5% dos animais
inoculados com uma ou mais doses subletais de veneno e sacrificados pelo menos
24 horas depois da última inoculação. Algumas hipóteses podem ser levanta¬
das para tentar explicar a baixa incidência de lesões pancreáticas e a não re¬
lação entre dose e efeito: i.) Variações inerentes ao veneno e, ii.) Variações
inerentes aos indivíduos.
Utilizamos em nossos experimentos o veneno total de T. sernilatus obtido
por extração elétrica. Bucherl 1953, (4), demonstrou que LD-50 deste veneno
em camundongos varia com o lote de veneno testado. Diniz e Gonçalves, 1960,
(9) demonstraram que escorpiões capturados em diferentes lugares de uma
mesma localidade podem apresentar diferenças na composição química. Quando
cromatografado em coluna, o veneno escorpiônico separa-se em 2 componentes
tóxicos — Tityustoxina — 1 e 2 e 2 componentes sem atividade tóxica (13,8).
Em nossos experimentos não tínhamos meios de determinar a concentração de
cada um dos componentes do veneno escorpiônico.
Os fatores sexo e idade são extremamente importantes no desencadeamento
da PHA em camundongos por Etionina (17, 18). A importância destes fatores,
7
SciELO
MACHADO, J.C. & SILVEIRA F.°, J.F. da — Indução da pancreatite hemorrágica aguda no cão por veneno
escorpiônico de T. serrulatus. Mem. Inst. Bulantan, 40/41:1 -9!, 1976/77.
talvez, esteja relacionada com o fato de que o nível de inibidores das enzimas
pancreáticas no soro aumenta com a idade do organismo e é menor nas fêmeas
do que nos machos (5, 21, 2). Além destes fatores devemos, também, levar
em conta uma possível variação de sensibilidade dos indivíduos em relação
ao veneno.
Apesar destas dificuldades, o veneno de T. serrulatus parece constituir-se
em excelente ferramenta no estudo da etiopatogênia da PHA, pois, pode-se indu¬
zir lesões pancreáticas sem manipulação mecânica do órgão. A maioria dos mé¬
todos de indução experimental de PHA consistem basicamente na injeção de
substâncias (tripsina, bile, toxinas bacterianas, etc.) nos duetos pancreáticos
principais com pressões que se supõem serem fisiológicas. Estes procedimentos
são extremamente artificiais e os resultados por eles obtidos devem ser olhados
com reserva, no que diz respeito à etiologia da pancreatite.
Os nossos resultados mostram que um dos primeiros efeitos do veneno
escorpiônico sobre o pâncreas é a indução de degenerações citoplasmáticas na
célula acinar. Nos animais mais sensíveis, talvez, estas degenerações possam
comprometer ácinos inteiros, formando inicialmente focos necróticos localizados,
que depois podem se alastrar levando ao quadro típico da PHA. Parece-nos que
para a instalação de PHA induzida por este veneno não há necessidade de uma
acentuada redução dos grânulos de zimogênio das células acinares.
Agradecimentos: Ao sr. Eliseu B. de Oliveira pela excelente ajuda técnica prestada.
ABSTRACT: Sub-Iethal dosis of total venom of T. serrulatus induces
in pancreas of dogs, the characteristic histopatholqgical lesions of the acute
hemorrhagic pancrealitis. This degeneration varies from smal! citopls-
matic vacuolizations of the acinar cells to intersticial edema, hemorrhage,
leukocytosis and steatonecrosis and vascular and pancreas lobules dege-
nerations and necrosis. From these results we can consider that the zimo-
genic granules reduction in pancreatic cells is not necessary for the
induction of the acute hemorrhagic pancreatitis.
UNITERMS: Acute hemorrhagic pancreatitis. Scorpion venoms Histo-
pathology.
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19. MACHADO, J.C. & SILVEIRA, J.F.; “Obtenção experimental do quadro anátomo-
patológico da pancreatite hemorrágica aguda no cão pela inoculação de veneno
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20. ROBERTS, N.J.; BANGGENSTOSS, A.H.; COMFORT, N.W.: “Acute Pancreatic
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21. STANSLY, P.G. & RAMSEY, D.S.: “Activity and regulation of serum. Trypsin-
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22. TAFURI. W.L.; MARIA, T.A.; FREIRE, MAIA, L.; CUNHA MELO, J.R.: “Effects
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23. WATERMAN, J.A.: “Some nots on scorpion poisoning in Trinidad” Trans. Royal
Soc. Trop. Med. Hygiene, 31: 607-624, 1938.
Recebido pata publicação cm 03-XI-I976 e aceito em 13-1V-1977.
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Mem. Inst. Butantan
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VARIAÇÃO DO NÚMERO DE PLACAS VENTRAIS
DE BOTHROPS JARARACA EM FUNÇÃO DOS CLIMAS.
{VIPERIDAE, CROTALINAE]
A.R. HOGE* *, HELTO E. BELLUOMINI, WILSON FERNANDES
Seção Eíerpetologia e Seção de Venenos, Instituto Butantan
RESUMO: Bothrops jararaca em função dos diversos climas a que está
sujeita apresenta dois picos correspondentes à variação no número de
vértebras o que pode ser constatado pelo exame das placas ventrais,
principalmente quando se considera pontos extremos de sua distribuição
geográfica.
UNITERMOS: Viperidae, Crotalinae Bothrops jararaca Wied.(*) Lepidoses.
INTRODUÇÃO
Na observação de milhares de exemplares de Bothrops jararaca, chegadas
anualmente ao Instituto Butantan, despertou a atenção o fato dos exemplares
das regiões mais setentrionais apresentarem um número extremamente elevado
de placas ventrais, não tendo praticamente “overlapping” com o número das
mesmas placas observado em exemplares das regiões mais meridionais.
A leitura dos trabalhos de Wade Fox, 1948 (3) e Wade Fox, 1961 (4) —
onde serpentes prenhes Thamnophis elegans oriundas da mesma região e sub¬
metidas a temperaturas e graus de umidades diferentes, mostrou que além das
diferenças observadas na folidose em termos de supra-labiais, infra-labiais,
subcaudais, havia fundamentalmente uma diferença no número de placas ventrais.
Essa diferença seria resultante das variações de temperatura e de grau de umi¬
dade sobre esses animais por ocasião da fase da divisão dos sômitos na formação
dos filhotes.
Neste trabalho de acordo com as observações de Blanchard (2) e de Fox (3)
foi aventada a idéia de se verificar na distribuição natural da população de B. ja¬
raraca no Brasil se os diferentes climas a que essa espécie está sujeita em seu “habi¬
tat”, também influenciariam no relacionamento do número de vértebras.
Resumo apresentado no II Congresso Brasileiro de Zoologia, Porto Alegre, Brasil, Outubro de 1961.
* Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
(*) Unitermo principal.
Endereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - Sao Paulo - Brasil.
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IIOGE, A.K.; BELLUOMINI, II.E.; FERNANDES, W. — Variação do número de placas ventrais de Bolhrops
jararaca em função dos climas. (Viperidac, Crotalinae). Mern. Inst. Butantan,
40/41:11-17, 1976/77.
MATERIAL
Foram estudados 512 exemplares de D. jararara existentes na coleção do
Instituto Butantan e procedentes dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Ca¬
tarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo e que
foram utilizados para comparação.
MÉTODO
De acordo com a distribuição geográfica atualizada da espécie no Brasil
feita por Hoge e Romano (5) em 1972, — figura 1 — foi tomada em conside¬
ração a procedência das serpentes de acordo com mapas climatológicos existentes,
elaborados e baseados nos trabalhos fundamentais de Kõppen (6-7) 1931 - 1936,
e os subseqüentes de Setzer (8) 1943 e do Atlas Geográfico do IBGE, havendo
enfoque nessas circunstâncias para os climas, Cfb, Cwa, Aw e Af. Eles corres¬
pondem respectivamente: clima temperado, inverno não muito seco, com um
total de chuvas no mês mais seco entre 30 e 60 mm, sendo sua temperatura
média do mês mais quente menor que 22"C e a temperatura média do mês mais
frio menor que 18°C (Cfb); clima quente, inverno seco, com um total de chuvas
do mês mais seco menor que 30 mm, sendo sua temperatura média do mês mais
quente maior que 22 l, C e a temperatura média do mês mais frio maior que 18°C
(Cwa); clima tropical, inverno seco, com um total de chuvas do mês mais seco
menor que 30 mm, sendo sua temperatura média do mês mais quente maior que
22"C e a temperatura média do mês mais frio maior que 18°C (Aw); clima
tropical úmido, com um total de chuvas do mês mais seco maior que 60 mm,
sendo sua temperatura média do mês mais quente maior que 22 q C e a temperatu¬
ra média do mês mais frio maior que 18"C (Af).
As medidas tomadas em consideração foram as placas ventrais dos seguintes
exemplares pertencentes à Coleção Herpetológica do Instituto Butantan:
23 B.
76 B.
30 B.
81 B.
02 B.
11 B.
08 B.
09 B.
30 B.
18 B.
32 B.
01 B.
55 B.
03 B.
18 B.
31 B.
38 B.
56 B.
jararaca
jararaca
jararaca
jararaca
jararaca
jararaca
jararaca
jararaca
jararaca
jararaca
jararaca
jararaca
jararaca
jararaca
jararaca
jararaca
jararaca
jararaca
machos provenientes de Sta. Catarina (Cfb)
fêmeas provenientes de Sta. Catarina (Cfb)
machos provenientes do Paraná (Cfb)
fêmeas provenientes do Paraná (Cfb)
machos provenientes de São Paulo (Cfb)
machos provenientes de São Paulo (Cwa)
machos provenientes de São Paulo (Af)
fêmeas provenientes de São Paulo(Cfb)
fêmeas provenientes de São Paulo (Cwa)
fêmeas provenientes de São Paulo (Af)
machos provenientes do Rio de Janeiro (Cwa)
machos provenientes do Rio de Janeiro (Cfb)
fêmeas provenientes do Rio de Janeiro (Cwa)
fêmeas provenientes do Rio de Janeiro (Aw)
machos provenientes do Espírito Santo (Aw)
fêmeas provenientes do Espírito Santo (Aw)
machos provenientes de Minas Gerais (Cwa)
fêmeas provenientes de Minas Gerais (Cwa)
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IIOGE, A.R.; BELLUOMINI, II.E.; FERNANDES, W. — Variação do número de placas ventrais de Bothrops
jararaca em função dos climas. (Viperidae, Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:11-17, 1976/77.
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190 200
N DE PLACAS VENTRAIS
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220
Fig. 1 — Distribuição de Bothrops jararaca no Brasil.
Fig. 2 — Número de placas ventrais de todos os exemplares estudados de Bothrops jararaca de acordo com
seus climas de procedência.
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HOGE, A.R.; BELLUOMINI, H.E.; FERNANDES, W. — Variação do número de placas ventrais de Bothrops
jararaca em função dos climas. (Viperidae, Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:11-17, 1976/77.
RJ - ES - MG Aw 4- Cwa dç o -o
RJ - SC - PR Cfb cTç • •
3
Fig. 3 — Número de placas ventrais de Bothrops jararaca, não computando as serpentes do Estado de São
Paulo.
Fig. 4 — Número de placas ventrais dos exemplares fêmeas de Bothrops jararaca, não computando as serpentes
do Estado de São Paulo.
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HOGE, A.R.; BELLUOMINI, H.E.; FERNANDES, W. — Variação do número de placas ventrais de Bothrops
jararaca em função dos climas. (Viperidae, CrotaUnac). Mem. Inst. Butantan, 40/41:11-17, 1976/77.
Perfazendo um total de:
222 exemplares para o clima Cfb
222 exemplares para o clima Cwa
52 exemplares para o clima Aw
26 exemplares para o clima Af
RESULTADOS
A figura número 2 corresponde ao conjunto dessas serpentes dando enfoque
a placas ventrais, e separadas de acordo com a procedência nos seus respectivos
climas. Observa-se que há dois picos para as placas ventrais, o primeiro situado
no correspondente à frequência de serpentes com 188 placas ventrais no clima
Cfb - St.* Catarina e Paraná principalmente - e o segundo correspondente à
freqüência de serpentes com 203 e 204 placas ventrais nos climas Cwa e Aw (São
Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo).
Verifica-se a presença de superposição (overlapping) devido principalmente
às serpentes do Estado de São Paulo e particularmente aos machos da mesma
procedência.
A figura número 3 apresenta os mesmos dois picos e em sua composição
não foi levado em consideração os dados referentes às placas ventrais dos animais
procedentes do Estado de São Paulo, verificando-se dessa forma evidente dimi¬
nuição da superposição.
Na figura número 4 são considerados apenas as fêmeas da figura 3.
Na figura número 5 são considerados apenas os machos da figura 3.
Verifica-se que a ausência dos machos na figura de número 3, diminui
ainda mais a superposição.
Finalmente as figuras de número 6 e número 7 apresentam os dois extremos,
Paraná e St*. Catarina em confronto com o Estado de Espírito Santo ou seja
freqüência de placas ventrais de “jararacas”, fêmeas e machos, separadamente
dos Estados de St*. Catarina e Paraná - Cfb - e do Estado de Espírito Santo
- Aw.
DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
Verifica-se que os trabalhos experimentais de Fox (3-4), aplicados à dis¬
tribuição normal de B. jararaca no Brasil permite quando comparado dois climas
extremos verificar a presença de dois picos distintos na freqüência de placas
ventrais no relativo à distribuição climática.
Há superposição muito evidente quando tomada a população de B. jararaca
do Estado de São Paulo e mais discreta quando a população desse estado não é
computada.
Infere-se pelos resultados que o Estado de São Paulo nas suas transições
climáticas seria o ponto de relacionamento entre os Estados do Paraná e St*.
Catarina e de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A não participação
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HOGE, A.R.; BELLUOMINI, II.E.; FERNANDES, W. — Variação do número de placas ventrais de Bothrops
jararaca em função dos climas. (Vipcridac, Crotalinae). Mem. Jnst. Butantan, 40/41:11-17, 1976/77.
ES — Aw -► cf o-o
SC • PR — Cfb — Cf • •
• / Ve / ' \ / \ ;\
/} , •/ .V ,, * ,, \ /V ,, a ,
190 200
N- DE PLACAS VENTRAIS
Fig. 5 — Número de placas ventrais dos exemplares machos de Bothrops jararaca, não computando as ser¬
pentes do Estado de São Paulo.
Fig. 6 — Número de placas ventrais de exemplares fêmeas de Bothrops jararaca, procedentes de Santa Ca¬
tarina, do Paraná e do Espírito Santo.
Fig. 7 — Número de placas ventrais de exemplares machos de Bothrops jararaca, procedentes de Santa Cata-
tarina, do Paraná e do Espírito Santo.
16
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IIOGE, A.R.; BELLUOMINI, H.E.; FERNANDES, W. — Variação do número de placas ventrais de Bothrops
jararaca em função dos climas. (Viperidae, Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:11-17, 1976/77.
da população do Estado de São Paulo permite visualizar de maneira mais ex¬
pressiva os picos da mesma população em seus prováveis extremos climáticos de
distribuição, o que vem a confirmar a tese de Fox — divisão dos somitos — em
função de temperatura para a mesma espécie experimentalmente e que apresenta
resultados semelhantes na distribuição de B. jararaca no Brasil.
Agradecimentos: Agradecemos aos funcionários da Seção de Desenho, pela confecção
dos gráficos e o Sr. João Domingues Cavalheiro pela confecção do mapa.
ABSTRACT: Bothrops jararaca in Brazil with a geographical distribution
ranging from the South of the Bahia State to the State of Rio Grande do
Sul, shows, according to the different climates to which the epecies is
exposed, a variation in vertebrate numbers, expressed by two peaks, and
confirmed by countings of the ventrais, mainly when extreme points of
their geographical distribution are considered.
UN1TERMS: Viperidae, Crotalinae Bothrops jararaca Wield.(*) Lepi-
doses.
BIBLIOGRAFIA
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Berlin, 1936.
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"D.E.R." vais. IX a XI: 1-237, outubro de 1943 a outubro de 1945. 130 tabelas, 23
mapas. 1946, São Paulo, Brasil.
Recebido para publicação em 07-XII-1976 e aceito em 13-IV-1977.
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Mem . lnst. Butantan
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OBSERVAÇÕES SOBRE UMA NINHADA DE
BOTHROPS ATROX (LINNAEUS, 1758)
[SERPENTES: VIPERIDAE: C ROT AETNA E ]
ALPHONSE RICHARD HOGE* e PEDRO ANTONIO FEDERSONI JUNIOR
Seção de Herpetologia, Instituto Butantan
RESUMO: Um total de 33 filhotes de uma única parição de Bothrops
atrox foi examinado: 33,303% de fêmeas e 66,66% de machos. A mor¬
talidade (até dois anos) foi de 27,27% para os machos e 40% para as
fêmeas. O fato de haver um pequeno número de espécimes e uma alta
mortalidade nas fêmeas contra um número elevado de machos e a baixa
mortalidade dos mesmos, é uma condição curiosa e que será estudada
e publicada futuramente em comparação com aproximadamente 600
exemplares de diferentes idades, estudados por A. R. Hoge. Não tivemos
nenhuma dificuldade na alimentação, quando, com 17 meses, os espé¬
cimes foram mudados de gaiolas. Acidentais quedas de temperatura
foram a causa de recusa de alimentação e consequente perda de peso,
por parte das serpentes. Houve significante aumento de peso e compri¬
mento nas fêmeas (desproporcional em relação aos machos). As mudas
de pele seguiram períodos previstos em todas as fases do processo.
A ponta da cauda dos machos é branca, e nas fêmeas é negra com
estrias claras transversais.
UN1TERMOS: Botlirops atrox (Linnaeus, 1758). Filhotes. Alimenta¬
ção. Desenvolvimento.
INTRODUÇÃO
Recebemos, no dia 6 de junho de 1974, do “Departamento de Animales
Venenosos dei Instituto de Salud Publica dei Peru”, por intermédio do Sr. Rogélio
Vásquez, uma remessa constante de um Bothrops brazili Hoge, 1953' 1 e dois
Bothrops atrox (Linnaeus, 1758), 12 todos coletados no Peru. Como apresenta¬
vam bom aspecto, foram mantidos em cativeiro para futuras extrações de veneno.
Um dos exemplares, uma fêmea de Bothrops atrox, estava prenhe e pariu 33
filhotes, todos vivos, no período entre as nove e as onze horas da manhã do dia
21 de agosto de 1974.
A referida fêmea nos chegou às mãos com as seguintes informações:
“Colector: - Sr. Rogélio Vásquez - Fecha de captura: - (?)
Procedência - Iquitos: - Departamento Loreto - Peru
* Bolsista do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Endereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - São Paulo - Brasil.
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HOGE, A.R. & FEDERSONI JR., P.A. — Observações sobre uma ninhada de Bothrops atrox (Linnaeus,
1758). (Serpentes: Viperidae: Crotalinae). Alem. Inst. Bulantan , 40/41:19-36, 1976/77.
Ejemplar numero: - 1266 dei Serpentário dei Departamento de Animales
Venenosos dei Instituto de Salud Publica dei Peru
Fecha de Ingresso: - 6/11/73 (no Serpentário do Peru)”
Apesar de tratar-se de animais de ampla distribuição geográfica - Florestas
tropicais do Brasil, Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia 7 -,
não temos meios suficientemente eficazes e rápidos para conseguir exemplares
vivos, devido à escassez de vias de transporte daquelas áreas para São Paulo. Desta
maneira, não podemos chamá-los de raros para o Brasil, mas são muito raros em
nosso laboratório, daí o interesse todo especial pela ninhada, alvo deste trabalho,
uma vez que por ela poderemos registrar e acompanhar as modificações ocorridas
na morfologia, no colorido e no comportamento, durante seu desenvolvimento.
Vários autores se preocuparam com este tipo de observações com animais
em cativeiro *, 2 , 5 , 9 , 10 , 13 . Neste texto discutimos seus resultados em compa¬
ração com os nossos.
MATERIAIS E MÉTODOS
O presente trabalho tem por objetivo estudar a curto, médio e longo prazos,
as modificações fisionômicas, morfológicas e comportamentais, bem como fisioló¬
gicas, que ocorrerem no decurso das observações dos exemplares nascidos neste
laboratório.
Foram programadas as seguintes etapas:
1 etapa - Fase de recém-nascido a jovem - curto prazo - (discutida neste tra¬
balho)
2. * etapa - Fase de jovem a adulto - médio prazo - de um a três anos (exposta
aqui até os dois anos),
3. » etapa - Fase de adulto - longo prazo.
Da última etapa, faz parte do plano de trabalho desenvolver ou facilitar o
acasalamento dos exemplares, para possível obtenção e observação de ninhadas
futuras. Esta fase, talvez seja a mais difícil de ser levada a cabo, visto que o am¬
biente poderá não propiciar o satisfatório acasalamento.
GAIOLAS
Após o nascimento os filhotes foram separados individualmente; receberam
número de protocolo ao acaso e foram fotografados. Posteriormente, manteve-se
a unidade da gaiola, oferecendo uma placa de Petri com água e mantendo mo¬
lhado o papel que forrava o assoalho da gaiola.
Permaneceram nessas condições até o dia 29 de outubro de 1974, quando
foram passados para outro tipo de gaiola, constituída de uma caixa de madeira,
com as seguintes dimensões: 27 cm. de comprimento; 17 cm. de largura por 12 cm.
de altura; fechada na parte superior, por tela de arame com malhas de 3 mm.
Cada caixa foi dividida em dois compartimentos ambientais distintos, que corres¬
pondiam a 2/3 do espaço total, preenchidos até a uma altura de 5 cm. aproxima-
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HOGE, A.R. & FEDERSONI JR., P.A. — Observações sobre uma ninhada de Bothrops atrox (Linnaeus,
1758). (Serpentes: Viperidae: Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:19-36, 1976/77.
21
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Curvas com valores médios para as observações de peso de alimentação, peso das serpentes e seu comprimento. Note-se as quedas ocorridas no mês de julho de 1976.
HOGE, A.R. & FEDERSONI JR., I\A. — Observações sobre uma ninhada de Bothrops atrox (Linnaeus,
1758). (Serpentes: Viperidac: Crotalinae). Mem. Inst. Butanlan, 40/41:19-36, 1976/77.
damente, com uma mistura de terra, areia e pedra britada, umidecida periodica¬
mente com água. O 1 /3 restante dos dois compartimentos da caixa, foi preenchido
com folhas secas de jabuticabeira ( Myrcia jaboticaba). No ambiente de terra
foi colocada uma vasilha com água.
Com o passar do tempo, o espaço da caixa se tornou pequeno, devido às
dimensões que os animais tomavam. A mudança de ambiente sempre causa pro¬
blemas de adaptação em qualquer animal. De acordo com observações feitas
por nós com serpentes dos gêneros Bothrops, Crotalus e Lachesis, bem como em
alguns Boidae, quando esses são mudados de gaiolas antigas para novas, sempre
constatamos que eram prejudicados por não se ambientarem ao novo abrigo.
Iniciam por diminuir os movimentos, passam por uma abstinência total de ali¬
mentação (talvez, também de água) durante meses, muitas vezes até à morte e
durante esse período não se verificam mudas de pele. Nesses períodos não
aceitam e parecem não se interessar por camundongos colocados para alimen¬
tação, visto que com freqüência observamos que esses roedores enfrentam as
serpentes, roendo-lhes a pele e tecidos subcutâneos, sem que o animal injuriado
se manifeste contra tal procedimento. Este tipo de comportamento pode ser
observado em qualquer serpente mantida na mesma situação, mas queremos res¬
saltar aqui, que nas condições que mencionamos, há maior incidência deste fato.
Por este motivo, é que resolvemos amenizar o processo de troca de gaiolas
da seguinte maneira:
Dois meses antes de usarmos as novas gaiolas, estabelecemos que as fezes e
uréia, e a água utilizada pelo animal seriam mantidas nas antigas gaiolas, até a
mudança para as novas. Desta maneira, quando da limpeza das mesmas, a ins¬
trução foi de deixar as fezes e uréia amontoadas num canto da gaiola e de umi-
decer a terra com a água restante da vasilha.
No dia 16 de março de 1976, foi feita a mudança dos animais para seus
novos abrigos. Antes, porém, passamos as folhas secas e a terra das gaiolas
antigas para as novas. As fezes e a uréia amontoadas foram espalhadas e esfre¬
gadas pelas paredes da nova gaiola e a mesma vasilha para água foi usada sem
ser lavada ou trocada a água, que já se encontrava há sete dias no frasco.
ALIMENTAÇÃO
Por volta de vinte e quatro horas após o nascimento dos filhotes foi ofere¬
cido a cada um deles, um camundongo recém-nascido com o peso aproximado
de 1 grama. Apenas três, das trinta e três serpentes mataram os camundongos,
talvez irritadas por seus movimentos, porém logo os abandonaram, não tendo
mostrado o mínimo interesse pelos mesmos; depois que estes morreram parando
de se movimentar e apesar de termos deixado os camundongos por mais de trinta
horas em presença das serpentes, a indiferença permaneceu e nenhuma delas se
interessou em comer.
Tentou-se, nos dias seguintes, deixar para alimentação, em cada gaiola,
exemplares jovens e adultos de baratas (Periplaneta americana) e larvas de Tene-
brio molitor. Nenhum desses alimentos oferecidos foi aceito.
Como não obtivéssemos sucesso, resolvemos alimentar os filhotes de
Bothrops atrox forçando-os à ingestão de camundongos recém-nascidos. Estabe-
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cm
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HOGE, A.R. & FEDERSONI JR., P.A. — Observações sobre uma ninhada de Bothrops atrox (Linnaeus,
1758). (Serpentes: Viperidae: Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:19-36, 1976/77.
(wo) S01N3lfl!üdW00
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Médias dos comprimentos integradas para cada 28 dias.
HOGE, A.R. & FEDERSONI JR., P.A. — Observações sobre uma ninhada de Bolhrops alrox (Linnaeus,
1758). (Serpentes: Viperidae: Crotalinae). A/em. Inst. Butanlan, 40/41:19-36, 1976/77.
Iecemos, também, baseados em experiências anteriores, que seriam alimentados
semanalmente até completarem três meses e depois dessa época, quinzenalmente.
Ponderamos, também, a possibilidade de um filhote aceitar mais de uma por¬
ção de alimento, e também determinamos que seria considerada como rejeição,
somente depois de terceira recusa.
Como não conseguíssemos induzir as serpentes a comer os camundongos
inteiros e vivos, em 6 de outubro de 1974 passamos a sacrificá-los e cortá-los em
quatro partes e tendo o cuidado de retirar os ossos com pontas agudas originadas
pelos cortes. Isto feito, com uma pinça, segurávamos os pedaços e fazíamos
balanços freqüentes diante dos filhotes. Assim procedendo, conseguimos observar
três tipos de reações distintas nas serpentes:
a - percebiam o movimento e davam um bote no pedaço, prendendo-o
com a boca e passando a ingeri-lo.
b - percebiam o movimento e davam um bote na carne, soltando-o; desin¬
teressavam-se depois que a “presa” caía da pinça e ficava imóvel.
c - não se interessavam pelos movimentos, sequer demonstrando qualquer
tipo de atração ou repulsa.
O processo de corte dos camundongos previamente sacrificados, foi asso¬
ciado a outros artifícios. Usamos banhos de dez minutos, em água a 40"C, para
as partes do camundongo chegarem aproximadamente à temperatura do animal
vivo. Quando este processo falhava, fazíamos alimentação forçada com conten¬
ção da serpente.
Segurando-a como para se fazer extração de veneno, pelo método tradicional,
oferecíamos com uma pinça, a carne que previamente passara pelos mesmos
processos de preparo já descritos. No instante em que se aproximava a carne
de sua boca, invariavelmente, a serpente fazia movimentos para a frente, à
guisa de bote, picando a carne e segurando-a, passando a comê-la logo após, ou
depois do bote soltava sua porção.
Quando o segundo caso acontecia, abríamos à força a boca da serpente,
com auxílio de uma pinça, forçando também a ingerir o pedaço de carne. Inva¬
riavelmente, todas as que passaram por esse processo prenderam a carne usando
as presas e algumas passaram a deglutir normalmente seu alimento. Esse método
se mostrou satisfatório, apesar de demorado. Houve o caso de uma serpente que
ficou duas horas com a carne na boca, movimentando somente a traquéia para
poder respirar, porém sem nenhum movimento externo do corpo.
No dia 29 de outubro de 1974 a alimentação passou a ser tentada com
camundongos inteiros e vivos, o que foi bem aceito pelos filhotes, porém ainda
houve necessidade de indução para que a serpente picasse, em contenção e apre¬
sentação do camundongo com a pinça.
Já no ano de 1975, em 27 de maio, foram oferecidos camundongos um
pouco maiores, com movimentos desenvoltos e já com pêlos. A partir desse dia,
todas as alimentações foram feitas com camundongos jovens ou adultos, desde 5
até 40 gramas de peso. 4 - 5
24
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SciELO
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HOGE, A.R. & FEDERSONI JR., P.A. — Observações sobre uma ninhada de Bothrops alrox (Linnaeus,
1758). (Serpentes: Viperidae: Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:19-36, 1976/77.
CO
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25
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Média dos pesos integrados para cada 28 dias.
HOGE, A.R. & FEDERSONI JR., P.A. —■ Observações sobre uma ninhada de Bothrops atrox (Linnaeus,
1758). (Serpentes: Viperidae: Crotalinae). Alem. Inst. Butanlan, 40/41:19-36, 1976/77.
MEDIDAS
As medidas apresentadas neste trabalho foram avaliadas sempre com a
mesma régua e com a mesma balança. A tomada das medidas, também, foi
executada sempre pelas mesmas pessoas.
Para as medidas de comprimento usou-se régua metálica, milimetrada até
1500 mm. . As frações menores que meio centímetro foram desprezadas. Para a
medida de comprimento, fazíamos a contenção das serpentes, como para extração
de veneno; a mão livre do manipulador segura a cauda, enquanto outra pessoa
faz leve compressão sobre o corpo do animal, com movimentos dirigidos antero-
posteriormente, evitando, assim, as curvas ou contrações musculares que confun¬
diriam as medidas.
O peso foi medido em balança “Mettler” com divisão em gramas e capa¬
cidade para três quilos.
Desde o nascimento, até o dia 11 de novembro de 1974, os filhotes foram
medidos, pesados e alimentados semanalmente. A partir dessa data, até a idade
de dois anos passamos a fazê-lo a cada 14 dias.
MUDAS DE PELE
Todas as peles mudadas foram numeradas, datadas e arquivadas.
A freqüência das mudas foi alvo de observação mais pormenorizada
(figura 5).
AMBIENTE
Tivemos o cuidado, como já dissemos, de manter em nosso biotério, um
ambiente úmido e com temperatura a mais estável possível para o dia e para a
noite, oscilando a máxima, entre 24° e 29°C e a mínima entre 19° e 23 Ü C.
Houve porém, um problema técnico de eletricidade, no inverno de 1976, ocasião
em que os aquecedores permaneceram desligados por três dias. Isto ocasionou
uma queda de temperatura, para 17°C no período de 2 a 10 de julho, chegando
aos níveis normais logo após. A umidade foi mantida colocando-se vasilhas com
água próximas de aquecedores e ventiladores direcionais.
RESULTADOS
Apresentamos os resultados por gráficos e tabelas.
Ressaltamos que na Tabela 1, na última coluna da direita, encontram-se as
quantidades de filhotes que nasceram e de acordo com as datas, o número de
filhotes remanescentes após as mortes de um ou outro exemplar. Nota-se nessa
coluna, que há um desvio muito grande na quantidade de machos e fêmeas:
22 machos para 10 fêmeas (vale salientar que a ninhada compunha-se de 33
filhotes ao todo. Porém, um deles, o de número 25, morreu e foi encontrado
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26
PESOS
cm
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1758). (Serpentes: Viperidae: Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:19-36, 1976/77.
TABELA 1
TOMADAS DE MEDIDAS DE PESO
E COMPRIMENTO DAS SERPENTES Bothrops atrox, PESO DE
ALIMENTAÇÃO E QUANTIDADES DE EXEMPLARES
EXAMINADOS E ALIMENTADOS NAS RESPECTIVAS DATAS.
Data
Peso em
gramas
Comprimento
em centímetros
Alimentação
em gramas
Quantidade
d
9
d"
9
d
9
d
9
74
21/8
8,00
8,15
28,54
28,55
_
_
22
10
6/9
7,23
7,45
29,54
29,50
—
—
21
10
16/9
7,52
6,95
30,11
30,05
0,40
0,40
21
9
23/9
7,57
7,83
30,66
30,61
0,38
0,40
21
9
30/9
7,73
8,11
30,85
30,88
0,52
0,52
21
9
7/10
7,90
8,16
31,02
31,00
1,00
1,00
21
9
14/10
8,14
8,66
31,19
31,05
1,54
1,38
21
9
21/10
8,69
9,22
31,30
31,16
1,00
1,00
21
9
29/10
8,97
9,22
31,30
31,38
2,10
2,10
20
9
4/11
10,25
11,00
31,70
31,61
1,85
1,88
20
9
11/11
9,62
11,50
32,12
32,00
1,75
1,77
20
9
25/11
9,70
10,55
32,67
33,11
1,95
2,05
20
9
9/12
10,13
10,72
33,25
33,61
2,13
1,77
18
9
74
23/12
10,86
11,16
33,94
34,00
1,13
1,00
18
9
75
6/1
11,19
11,61
34,30
34,40
0,16
0,55
18
9
20/1
10,91
12,18
34,61
35,31
2,27
2,00
18
8
5/2
11,50
12,62
34,94
35,56
1,00
1,00
18
8
17/2
12,08
13,62
35,33
36,12
2,20
2,12
18
8
3/3
12,69
13,93
35,63
36,37
2,63
3,00
18
8
17/3
13,25
14,75
35,97
36,87
0,94
1,75
18
8
31/3
13,00
14,93
36,13
37,18
1,86
2,93
18
8
14/4
13,19
15,56
36,58
37,87
2,55
4,18
18
8
29/4
14,29
17,31
37,55
39,00
2,11
1,93
17
8
13/5
14,82
17,06
38,05
39,56
0,70
3,75
17
8
27/5
14,88
18,56
38,23
40,37
6,20
7,00
17
8
10/6
17,17
20,56
38,94
41,18
4,23
6,50
17
8
25/6
17,76
22,62
40,26
42,93
6,91
7,06
17
8
8/7
20,91
25,50
41,17
43,93
2,70
5,37
17
8
22/7
21,00
28,28
42,00
46,00
4,41
5,71
17
7
5/8
21,58
30,35
42,88
47,14
5,44
7,50
17
7
1 ano
19/8
22,97
31,78
43,76
48,28
5,90
8,50
17
7
2/9
25,50
36,14
45,00
49,57
8,35
9,14
17
7
16/9
28,00
37,07
46,58
51,00
6,64
8,42
17
7
30/9
31,53
40,50
48,28
52,35
7,21
9,14
16
7
14/10
33,96
43,78
49,90
54,21
8,37
8,71
16
7
28/10
36,50
51,91
51,59
57,83
7,18
11,33
16
6
11/11
39,25
57,58
53,06
60,16
9,75
14,58
16
6
25/11
42,93
62,91
55,75
62,41
10,43
17,75
16
6
10/12
46,93
72,58
57,09
64,41
11,53
17,50
16
6
75
23/12
51,21
76,33
58,93
66,58
11,46
17,91
16
6
76
6/1
55,87
84,75
61,12
69,25
15,12
21,66
16
6
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HOGE, A.R. & FEDERSONI JR., P.A. — Observações sobre uma ninhada de Bothrops atrox (Linnaeus,
1758). (Serpentes: Viperidae: Crotalinae). Mem. Insl. Butanlan, 40/41:19-36, 1976/77.
Data
Peso em
gramas
Comprimento
em centímetros
Alimentação
em gramas
Quantidade
9
â
9
cf
9
cf
9
20/1
61,25
91,25
63,18
71,75
16,62
21,50
16
6
3/2
67,93
101,66
65,40
73,75
16,12
20,00
16
6
17/2
74,12
109,00
67,90
76,33
19,50
23,82
16
6
4/3
81,40
122,41
70,37
78,25
19,25
20,33
16
6
16/3
89,59
130,91
71,96
80,50
22,96
27,33
16
6
30/3
98,34
141,83
74,34
82,66
23,28
27,66
16
6
13/4
107,50
156,25
76,40
84,83
24,21
27,42
16
6
27/4
111,56
162,33
78,50
86,91
24,12
24,91
16
6
11/5
123,43
179,08
79,93
88,50
19,21
30,83
16
6
25/5
131,84
194,66
81,56
90,56
19,93
33,58
16
6
8/6
137,43
213,58
82,96
92,41
21,25
31,50
16
6
22/6
146,75
212,25
84,15
93,91
24,15
28,75
16
6
6/7
153,62
226,08
85,03
95,33
8,68
21,58
16
6
20/7
149,84
221,83
86,12
96,58
22,18
31,91
16
6
3/8
160,03
246,33
87,78
98,75
23,21
31,83
16
6
2 anos 17/8
164,96
247,00
89,06
99,75
27,46
33,91
16
6
num estado que não permitiu a determinação do sexo; portanto, os dados refe¬
rentes a esse exemplar não foram computados em nenhum dos cálculos e gráficos).
Analisando percentualmente esses dados de nascimento e morte, temos
66,66% de nascimentos para os machos e 33,303% para as fêmeas. Quanto à
mortalidade, temos 27,27% para os machos e 40% para as fêmeas. Comparando
esses dados com as mortes até o final do primeiro ano, temos a impressão de
que esta foi a fase crítica para o desenvolvimento desses animais, pois nessa fase
morreram 22,72% dos machos e 30% das fêmeas.
Na figura l 13 não está representada a curva média de nenhum dado, para
que se possa mostrar as quedas dos pesos das serpentes e dos pesos da alimenta¬
ção ingerida durante os períodos de queda de temperatura. Quando desse res¬
friamento no biotério, entre os dias 2 e 10 de julho de 1976, a quantidade de
serpentes que matou e comeu camundongos, caiu de 22 exemplares, para 10,
correspondente a 45,45% do total, tendo-se alimentado seis machos e quatro
fêmeas; percentualmente: 37,5% dos machos e 66,6 das fêmeas. 16
Nessa mesma figura, ainda percebemos que há uma diminuição no peso dos
machos, correspondente ao dia 6/7/76, data que se encontra dentro do período
de resfriamento do biotério, porém, nas fêmeas, houve uma queda de peso antes
do ocorrido com os machos, observada nas pesagens do dia 8/6/76.
A queda que se opera no peso das fêmeas, parece ser devida principalmente
ao processo de mudas de pele. Mais do que aos problemas de alimentação e
temperatura ambiente, as mudas de pele estão interferindo nos pesos corporais
das fêmeas, porque notamos que numa fase de pré-muda, ocorre um aumento
gradual muito marcante no seu peso. Porém, imediatamente após a muda, o peso
cai razoavelmente, por perda de umidade existente entre a pele antiga e a nova.
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1758). (Serpentes: Viperidae: Crotalinae). Alem. Jnst. Butantan, 40141:19-36, 1976/77.
Além desse pormenor, observamos que a partir do quinto período de muda,
principalmente nas fêmeas, e mais especificamente, nas de números 2 e 27, exa¬
tamente as maiores de todo o grupo, passaram a defecar todas as vezes que
mudavam de pele, apresentando juntamente com as fezes, uma grande quantidade
de uréia e em todas as vezes o material fecal e renal se apresentava dentro da
pele despojada.
Isto provocou uma diminuição bastante significativa no peso das fêmeas,
que foi desproporcional em relação aos machos. O exemplo mais marcante foi
a diferença entre as pesagens do exemplar número 2 nos dias 3/8 e 17/8/76,
última pesagem para este período de relato, quando houve uma queda de 54
gramas (de 365,0 g. para 311,0 g.).
Figuras 2 e 3 13 - Essas duas figuras mostram os pontos médios de peso e
comprimento respectivamente, porém, fazendo-se as médias para cada 28 dias
de observações. Pela leitura das figuras percebe-se que mesmo em termos médios
para períodos maiores, o peso das fêmeas varia no final do período dos dois anos,
crescendo e aumentando o peso de uma maneira nitidamente mais rápida que os
machos.
Nota-se também, que até o nono mês de vida, tanto o aumento de compri¬
mento, como o do peso, foi quase igual nos dois sexos, não havendo aumento
brusco para nenhum deles. Só se acentuou a diferença a partir do décimo mês.
Se compararmos essas figuras de médias mensais com a figura 1 de médias sema¬
nais e quinzenais, onde constam também os pesos de alimentação fornecida, per¬
cebemos que foi também no décimo mês que a recepção de alimentação aumen¬
tou, quando aumentamos o peso dos camundongos e passamos a oferecê-los vivos
e com movimentos locomotores normais, já não de recém-nascidos, mas de jovens
com pêlos, excitando assim as serpentes e incentivando-as a comer, mesmo nessa
estação de inverno.
Figura 4 - Quando analisamos essa figura, onde aparecem intervalos limi¬
tados a partir de classes de comprimentos de 5 em 5 cm. 1 , percebemos claramente
que as fêmeas levam consigo a vantagem de, proporcionalmente ao comprimento,
apresentarem variações de peso, em proporções também maiores 8 . Levando-se
em consideração, que a amostra das fêmeas estudadas está em disparidade com a
dos machos, a diferença de dez exemplares entre os dois sexos não nos permite
afirmar que os intervalos de pesos de acordo com cada classe de comprimento
seja igual ou maior, mas podemos afirmar que a relação mantida nesse caso,
depende por certo da relação apresentada por Leloup 11 , mostrando que realmente
os materiais de reserva das fémeas aparecem em maior quantidade que nos
machos, resultando num maior aproveitamento de alimentação naquelas, em
relação a estes.
Figura 5 - Mostra a abeissa, em intervalos regulares, os períodos de muda
de pele, dados em numerais ordinais e nas ordenadas, os intervalos de tempo,
marcados em blocos mensais, a partir do nascimento, dando-nos intervalos de
início e término de cada período de muda, demonstrados em totais de dias 14 .
Note-se que para a primeira muda, o intervalo foi mínimo, tendo-se reali¬
zado em apenas onze dias nos machos e doze dias nas fêmeas, com uma exceção
que se pode notar nas fêmeas. Esse dado corresponde ao exemplar de número 29,
que não sofreu a primeira muda juntamente com os outros, tendo esta se reali¬
zado no dia 19/11/74, oitenta dias depois do início do primeiro período de
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IIOGE, A.R. & FEDERSONI JR., P.A. — Observações sobre uma ninhada ele Bothrops nlrox (Linnaeus,
1758). (Serpentes: Viperidac: Crotalinae). Alem. Inst. Butantan, 40/41:19-36, 1976/77.
mudas de todas as outras fêmeas, tendo mudado essa primeira pele juntamente
com a segunda, formando superposição de camadas.
À parte dos cálculos e figuras, notamos que no material estudado, o dimor-
fismo sexual mais acentuado é demonstrado, até a fase dos dois anos que foram
observados, pela coloração da ponta da cauda, numa porção de aproximada¬
mente 3 cm.
Na última observação feita em 17/8/76, as caudas dos machos eram todas
de coloração branca e as das fêmeas de coloração escura, algumas marrons muito
escuras, outras negras, com estrias transversais claras em matizes que vão entre
o branco e o amarelo creme 2 - 3 . (Figuras 6 e 7.).
Pela Tabela 2, notamos que foram feitas quatro observações da coloração
das caudas e que no decorrer do tempo houve modificações na maioria dos
exemplares dos dois sexos. Nota-se que nos machos a coloração amarela de
tonalidade mais escura tendeu para um branqueamento quase total depois de
passados dois anos de vida. Já nas fêmeas, a passagem para os matizes mais
escuros de amarelo, para chegar a marrom e negro, parece ter sido mais demorada
que nos machos. Note-se que o exemplar de número 20 apresentou mesmo na
fase de recém-nascido, a cauda de coloração marrom escuro.
O exemplar de número 8, é o único macho do lote, a apresentar a ponta
da cauda negra. O fato deve estar ligado ao ataque de um camundongo que
roeu boa parte da extremidade caudal desse espécime. Note-se que até a penúl¬
tima observação feita nesse sentido, sua cauda tinha a ponta branca, o que vem
apoiar a hipótese de modificação provocada por traumatismo, uma vez, que o
comprimento da cauda antes do acidente e depois, não justifica o ocorrido, visto
que a parte roída tinha tamanho menor que toda a parte que se apresentava
branca. Dessa maneira, mesmo após o acidente, deveria aparecer uma boa parte
clara na região anterior à cicatrização. Outro fato que diz a favor da mudança
de coloração por traumatismo, é que nas fêmeas, onde o escurecimento foi
normal, o fenômeno ocorreu no decorrer de um período muito maior.
Outro fato que se mostrou contrário à maioria, foi a do número 32, que
até à última observação, tinha apresentado a coloração da extremidade da cauda
escurecendo gradualmente até chegar a marrom escuro e na última leitura se
apresentou branca.
CONCLUSÕES
As observações feitas sobre um lote de 33 filhotes de Bothrops atrox, nos
mostraram que as percentagens de nascimento para cada sexo foi de 66,66%
para os machos e 33,303% para as fêmeas. A mortalidade até completar dois
anos foi de 27,27% de machos e 40% de fêmeas. Observamos que a despropor¬
ção nos nascimentos, por sexo, veio se acentuar com a morte de tão grande
número de fêmeas.
Quanto à alimentação, não tivemos dificuldades, mesmo depois da mudança
de gaiolas. Sobre este ponto, notamos que as serpentes, como outros animais,
delimitam seus domínios, com fezes e urina, uma vez que fomos muito bem
sucedidos com a tática de transferir os filhotes de uma gaiola para outra, sem o
problema de rejeição de alimentação, ou parada de mudanças de pele, ao que
32
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HOGE, A.R. & FEDERSONI JR., P.A. — Observações sobre uma ninharia rlc Bothrofis atrox (Linnaeus,
1758). (Serpentes: Viperidae: Crotalinac). Mem. lnst. Butantan, 40/41 :l9-36, 1976/77.
Fig. 6 — Exemplar n<? 4 - Cauda negra. Ç Fig. 7 — Exemplar n9 22 - ^ - Cauda branca.
33
SciELO
HOGE, A.R. & FEDERSONI JR., P.A. — Observações sobre uma ninhada de Bolhrops atrox (Linnacus >
1758). (Serpentes: Viperidae: Crotalinac). Mem. Insl. Butantan, 40141:19-36, 1976/77.
parece, pela circunstância de termos guardado fezes e uréia, bem como água das
gaiolas antigas para transferir para as novas, esfregando o referido material por
toda a caixa de destino, dando ao animal a chance de sentir o seu próprio cheiro
e beber a água de mesmo gosto que no abrigo anterior.
Figura 1 - Com a queda de temperatura no inverno de 1976, houve queda
do peso dos exemplares e da alimentação ingerida. A queda do peso foi despro¬
porcionalmente maior nas fêmeas que nos machos.
Figuras 2 e 3 - Aumento significativo no peso das fêmeas em relação aos
machos depois do nono mês.
Figura 4 - Análise de relações peso/comprimento mostra vantagens notá¬
veis para as fêmeas, demonstrando maior aproveitamento de alimentação.
Figura 5 - As mudas de pele seguem moldes matemáticos de acordo com
os períodos do tempo.
A ponta da cauda dos machos é branca e a das fêmeas é preta, até os dois
anos de idade. (Tabela 2).
TABEI.A 2
COLORAÇÃO DA PONTA DA CAUDA
COMO DIMORF1SMO SEXUAL EM Botlirops atrox L1NNAEUS
Leituras
N.°
Sexo
18/9/74
3/3/75
28/10/75 17/8/76 Obs.
1
d
laranja
morreu
—
—
2
9
ocre
ocre
preta
preta
3
d
morreu
—
—
—
4
9
ocre
ocre
marrom
preta
5
d
laranja
laranja
branca
branca
6
d
amarelo claro
amarelo claro
branca
branca
7
d
amarelo claro
amarelo claro
branca
branca
8
d
amarelo claro
amarelo claro
branca
branca
C.M.*
9
d
amarelo escuro
amarelo claro
branca
branca
10
d
amarelo claro
amarelo claro
branca
branca
11
9
morreu
—
—
—
12
?
ocre
morreu
—
—
13
d
amarelo escuro
amarelo claro
branca
branca
14
d
laranja
amarelo claro
branca
branca
15
d
ocre
morreu
—
—
16
d
amarelo claro
amarelo escuro
C.M.
branca
17
d
amarelo claro
amarelo escuro
branca
branca
18
d
amarelo claro
amarelo claro
branca
branca
19
d
amarelo claro
amarelo claro
C.M.
preta
C.M.*
20
9
marrom
marrom
preta
preta
21
d
laranja
amarelo escuro
morreu
—
22
d
amarelo claro
amarelo claro
branca
branca
23
d
amarelo claro
amarelo claro
branca
branca
34
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
HOGE, A.R. & FEDERSONI JR., P.A. — Observações sobre uma ninhada de Bolhrops atrox (Linnacus,
1758). (Serpentes: Viperidae: Crotalinae). Mem. Inst. Bulantan, 40141:19-36, 1976/77.
N.°
Sexo
18/9/74
3/3/75
28/10/75
17/8/76 Obs.
24
9
amarelo
escuro
marrom
preta
preta
25
—
laranja
amarelo escuro
morreu
—
26
d
amarelo
claro
amarelo escuro
branca
branca
27
9
amarelo
claro
amarelo escuro
marrom
preta
28
9
ocre
amarelo claro
morreu
—
29
9
amarelo
escuro
morreu
—
—
30
d
ocre
morreu
—
—
31
d
amarelo
claro
amarelo claro
morreu
—
32
d
laranja
amarelo escuro
marrom *
branco *
33
9
amarelo
claro
amarelo escuro
preta
preta
C.M
= Cauda mutilada
Agradecimentos: Agradecemos profundamente, a dedicação e responsabilidade do Sr.
Joaquim Cavalheiro, pelo seu trabalho incansável junto às observações, manipulações e
leituras apresentadas nesta publicação. Sem sua leal colaboração não nos teria sido possível
levar a cabo este experimento.
Desejamos deixar público nosso agradecimento ao Serpentário dei Departamento de
Animales Venenosos dei Instituto de Salud Publica dei Peru, que nos enviou os exem¬
plares, nos quais se incluia a mãe dos espécimes estudados.
ABSTRACT: A total of 33 offsprings were examined: 33,303% females
and 66,66% males. The dead rate (till 2 years) was 27,27% in males
against 40% in females. The fact of small nurnber of specimens and high
dead rate in females, against high nurnber and lower dead rate in males,
is a puzzling one that will be studied and published elsewhere, in com-
parison with some 600 specimens of different ages studied by A. R.
Hoge. No difficulties araised with feeding, even when specimens after
17 months, were transfered to new cages. Accidental drops in tempe-
rature during winter time induced the snakes to refuse food and subse-
quently to lose weight. Figures 2 and 3 shows significant increase in
the weight of females in relation to males, after the 9th month. Figure
4 also shows significant differences in weight/length between females
and males.
The tip of the tail is white in males, and black in females, till
2 years.
UNITERMS: Botlirops atrox (Linnaeus, 1758). Offspring. Develop-
ment. Feeding.
BIBLIOGRAFIA
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35
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
cm
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1758). (Serpentes: Viperidae: Crotalinae). Afem. Inst. Butantan, 40/41:19-36, 1976/77.
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Recebido para publicação em 06-XII-1976 e aceito em 13-IV-1977.
Mem. Inst. Butanlan
40/41: 37-52, 1976/77.
CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO
DAS SERPENTES DO MARANHÃO, BRASIL
[SERPENTES: BOIDAE, COLUBIUBAE E VIPERIDAE ]
A. R. HOGE*, S.A.R.W.D.L. ROMANO* e C .L. CORDEIRO*
Seção de Herpetologia, Instituto Butantan
RESUMO: Todos os exemplares estudados foram obtidos na região dos
campos inundáveis, com vegetação do tipo “cocais”, do Estado do Mara¬
nhão, Brasil. Foram estudados 116 exemplares de serpentes pertencentes
a 19 espécies; destas, 18 foram descritas no século XVIII e metade do
século XIX. Corallus enydris e cooki foram consideradas como espécies
distintas, ao invés de subespécies. Coiuber exoletus, espécie da qual só
se conhecia o tipo, é revalidado como Chironius exoletus. É redescrito
o holótipo e comparado com exemplares procedentes do Maranhão, Hu-
maitá, Amazonas e Peru. Para Dromicus poecilogyrus xerophiliis, é sele¬
cionado um lectoholótipo em vista do holótipo estar perdido.
UNITERMOS: Serpentes; Boidae Cohibridae; Viperidae; Boa constrictor
constrictor; Corallus enydris (*); Epicrates cenchria; Chironius carinatus
Chironius exoietusi,*); Dromicus reginae reginae; Dromicus poecilo¬
gyrus xerophilus (*); Drymarchon corais corais; Helicops anguiatus;
Hydrodynastes gigas; Hydrops triangularis triangularis; Leptophis ahae-
tulla ahaetuila; Lygophis lineatus; Liophis cobella; Mastigodryas bod-
daerli boddaerti; Oxybciis aeneus; Oxybelis fuigidus; Oxyrhopus trigc-
minus trigeminus; Bothrops atrox.
INTRODUÇÃO
Todos os exemplares foram capturados por A. R. Hoge, Joaquim Cavalheiro
e Pedro Villela, entre 7 e 31 de maio de 1962. A região percorrida oferece carac¬
terísticas interessantes do ponto de vista zoogeográfico, por tratar-se de uma
faixa de campos alagados, situada entre a região amazônica de clima Am e vege¬
tação do tipo floresta equatorial latifoliada, com predominância de terras firmes
Este trabalho foi apresentado no «Primer Congreso de Ofidiologia» em Caracas, Venezuela, em novembro
de 1976.
* Bolsistas do Conselho Nacional do Desenvolvimento Cientfico e Tecnológico (CNPq).
(*) Unitermos principais.
Endereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - São Paulo - Brasil.
37
1, | SciELO
IIOGE, A.R.; ROMANO, S.A.R.W.D.L.; CORDEIRO, C.L. — Contribuição ao conhecimento elas serpentes do
Maranhão, Brasil. (Serpentes, Boidae, Colubridae e Viperidae). Alem. Inst. liutantan, 40/41:37-52, 1976/77.
e a região de mata de caráter de transição (transição para a vegetação do cer¬
rado). O clima é do tipo Aw’, devido ao atraso das chuvas que, embora sendo
de verão, se estendem por todo o outono. A vegetação é do tipo chamado de
“cocais ”, com predominância de babaçu (Orbignya Martiana). Nas margens da
baía de São Marcos e na boca do rio Aurá, existem, além da vegetação litorânea,
extensos mangais.
BOIDAE
Boa constrictor constrictor Linnaeus
1758 Boa constrictor constrictor Linnaeus, Syst. Nat. Ed. 10, 7;215
1932 Constrictor constrictor constrictor; Stull, Occ. Pap. Boston Soc. Nat.
Hist., 8:21
1951 Boa constrictor constrictor; Forcart, Herpetologica, 7.199.
Localidade tipo: índia “in error”
Material: 4 exemplares. IBH 21.771, São Bento, em 22/5/62, de dia. IBH
21.995, Palmeirandia, capturada em maio de 1962 de dia. IBH 21.807, Palmei-
randia, em 14/5/62 de dia, IBH 21.994 Palmeirandia, col. entre 7 e 31 de maio
de 1962, de dia.
TABELA 1
Boa constrictor constrictor
Números
Sexo
Dorsais
Ventrais
Subcaudais
Labiais
Comprimento em
mm
supra
infra
cabeça
corpo c
auda
21.771
d'
65/89/46
241
52
20/21
25/25
76,4
2250
240
21.995
cT
65/89/49
241
54
21/21
27/25
59,5
1330
155
21.807
9
73/88/48
243
47
21/22
24/24
34,7
625
65
21.994
9
78/91/47
243
59
24/24
26/26
44,7
960
117
Todos os exemplares têm o colorido avermelhado na cauda, manchas dorsais
e número de ventrais típicas da subespécie.
Corallus enydris (Linnaeus)
1758 Boa Enydris Linnaeus, Syst. Nat. Ed. 10, 7:215
1951 Corallus enydris enydris; Forcart, Herpetologica, 7:191
Localidade tipo: América
Material: 2 exemplares. IBH 21.759 Faz. São José de Canaã, Peri-Mirim
em 15/5/62 às 18h45min; IBH 22.143, Faz. São Luiz, Palmeirandia entre 7 a
31/5/62, em casa de páu à pique.
38
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
HOGE, A.R.; ROMANO, S.A.R.W.D.L.; CORDEIRO, C.L. — Contribuição ao conhecimento das serpentes do
Maranhão, Brasil. (Serpentes, Boidae, Colubridae e Viperidae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:37-52, 1976/77.
39
2 3 4 5 6 SCÍELO lo 2.1 12 13 14 15 16
IIOGE, A.R.; ROMANO, S.A.R.W.D.L.; CORDEIRO, C.L. — Contribuição ao conhecimento das serpentes do
Maranhão, Brasil. (Serpentes, Boidae , Colubridac e Vipcridac). Alem. lnst. Butantan, 40/41:37-52 , 1976/77.
TABELA 2
Corallus enydris
Números
Sexo
Dorsais
Ventrais
Subcaudais
Labiais
Comprimento
em mm
supra
infra
cabeça
corpo
cauda
21.759
d
39/55/28
276
118/118
13/13
19/17
31,2
920
241
22.143
d
38/49/27
270
115/115
13/12
18/16
21,0
520
192
Após examinar centenas de exemplares de Corallus e não tendo encontrado
“integrados”, entre Corallus enydris (Linnaeus) e Corallus coocky Gray, passamos
a considerar as duas formas como espécies distintas.
Epicrates cenchria (Linnaeus)
1758 Boa Cenchria Linnaeus, Syst. Nat. Ed. 10, 7:215
1929 Epicrates cenchria cenchria; Amaral, Mem. Inst. Butantan, 4:11
Localidade tipo: Surinam.
Material: 1 exemplar. IBH 21778 Palmeirandia, em 25/5/62, col. em cima
de um arbusto, alimentada com preá.
N" 21.778; sexo $; Dorsais 23/45/34; Ventrais 264; Subcaudais 62/62;
Supralabiais 14/14; Infralabiais 16/16; Cabeça 53,3mm; Comprimentos do corpo
1.530mm; da cabeça 53,3mm; da cauda 205mm. Dorso vermelho vivo até a 6^
dorsal anterior; 12- dorsal no meio do corpo e a 6 :l na parte posterior; lados
cinzentos.
COLUBRTDAE
Chironius carinatus (Linnaeus)
1758 Coluber carinatus Linnaeus, Syst. Nat. Ed. 10, 7:223
1826 C. [ironius] carinatus; Fitzinger, Neue Classification der Reptilien: 60
Localidade tipo: índia “in error”
Material: 4 exemplares. IBH 21.757 Buritirana, Municíp. de Perimirim, em
17/5/62, em movimento às 1 lli40min. IBH 21.756 entre a Faz. São José de
Canaã e a Faz. São Luiz, Municíp. de Perimirim, em 23/5/62 às lOhlOmin.
IBH 21.758 beira da mata de São João, Palmeirandia, em 16/5/62.
TABELA 3
Chironius carinatus
Números
Sexo
Dorsais
Ventrais
Subcaudais
Labiais
Comprimento
em mm
supra
infra
cabeça
corpo
cauda
21.756
d
12/12/8
150
59/59cm
9/9
10/10
45,4
1240
342
21.758
d
12/12/8
158
110/100cm
8/8
10/11
42,4
1175
521
21.757
?
12/12/8
159
114/114
8/8
10/10
29,3
661
327
40
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
HOGE, A.R.j ROMANO, S.A.R.VV.D.L,; CORDEIRO, C.L. — Contribuição ao conhecimento das serpentes do
Maranhão, Brasil, {Serpentes, lioidac, Colubridae c Viperidae). Mem. Insl. Butantan, 40/41:37-52 1976/77.
Chironius exoletus Linnaeus
1758 [ Cohtber ] exoletus Linnaeus, Syst. Nat. Ed. 10, 1: 223
1788 [ Coluber ] exoletus; Gmelin, Syst. Nat. Ed. 13 :i , 1 (3): 1110
1826 T. [yria] exoletus; Fitzinger, Neue Class. Rept.: 60
1830 [ Herpetodryas ] exoletus; Wagler, Nat. Syst. Amph. . .: 180
1897 (1896) “Coluber exoletus”? Herpetodryas carinatus; Lònnberg, Bih.
K. Svenska Vet. — Akad. Handl., 22 Afd IV (1): 37
Em 1754, Linnaeus (Mus. Ad. Frid. I: 34) dá uma descrição melhor do
que na 10» Edição de Systema Nat.: “Coluber scutellis abominalibus 147, squamis
caudalibus 132. Caput: oblongum, planisculum labia alba. Gula alba. Truncus
squamis tectus obtusis, per undecim series digestis. Cauda plus quam 1/3 totius,
tenius, subtus pallida. Color cinereo caerulescens. Longitudi tripedalis. Habitus
Ahaetullae.”
Esta descrição corresponde ao tipo estudado por Hoge, em Upsala, salvo
no que diz respeito ao número de ventrais (147 em lugar de 151) e ao número
de subcaudais (136 em lugar de 132).
Localidade tipo: Linnaeus l.c. 15 : 223 dá como localidade “Indiis Ja Gmelin
l.c. 10 : 1110 dá como distribuição “America australi et índia”. Fitzinger l.c.
dá como oriunda de “America, Brasília”. Boulenger no seu Cat. Snakes Brit.
Mus. nos volumes I, II e III, não menciona a espécie exoletus. A última vez
que exoletus foi mencionada na literatura foi em 1897, por Lònnberg l.c.: 37
que a considerou sinônimo de Chironius carinatus.
Redescrição do Holótipo de Coluber exoletus Linnaeus 1758
Holótipo: fêmea, n.° 135 U.U.S. (Coleção da Universidade de Upsala, Upsa-
la-Suécia) — n.° 24 citado em Lònnberg l.c., 1.
Donatio Jonae Alstrõmer nec non Caroli à Linné :37. Rostral um pouco
mais larga do que alta, visível de cima; internasais mais longas do que largas,
ligeiramente mais curtas do que as pré-frontais, que são mais longas do que lar¬
gas; frontal tão longa quanto à sua distância da rostral, alongada com os bordos
externos côncavos, muito mais larga na parte anterior do que na posterior, ligei¬
ramente mais curta do que as parietais; parietais muito largas; nasal dividida;
loreal mais ou menos duas vezes mais longa do que alta; diâmetro do olho maior
do que sua distância da narina; I pré e 2 postoculares; temporais 1+2 (do
lado esquerdo o segundo par é parcialmente fundido); 9 supralabiais (4», 5» e
6" entrando na órbita); 1 I infralabiais (5 primeiras em contacto com a mentual
anterior; mentuais anteriores mais curtas do que as posteriores; escamas dorsais
em 14/12/8 série longitudinais, lisas, grandes e as laterais fortemente oblíquas
com fossetas apicilares apenas visíveis na região nucal. O focinho sem estar tão
pontudo quanto em Chironius carinatus (Linnaeus) é bem menos largo do que
em Chironius foveatus Bailey. Colorido marrom claro esmaecido, cinzento azulado
na região nucal, “stratum corneum” ausente; supralabiais brancas, as duas últimas
manchadas de cinzento marrom no canto superoposterior; rostral mais clara ligei¬
ramente amarelada na parte inferior; nasais também claras. Ventrais 151 (Lin¬
naeus dá 147) lateralmente anguladas; ventre claro; anal dividida; subcaudais
136 (Linnaeus dá 132); cauda branca ligeiramente amarelada na parte ventral,
escamas com uma orla cinzenta pouco visível.
Variações: O pequeno número de exemplares examinados não permite ainda
uma boa avaliação. Todavia, já se pode notar que: as escamas dorsais são lisas
41
cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
IIOGE, A.R.; ROMANO, S.A R.W.D.L.; CORDEIRO, C.L. — Contribuição ao conhecimento das serpentes do
Maranhão, Brasil. (Serpentes, Boidae, Colubridac e Viperidae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:37-52 , 1976/77.
nas fêmeas; nos machos as duas séries vertebrais são fracamentc carinadas a
partir do quarto anterior, em seguida as carenas aumentam gradualmente até a
região cloacal; cauda sem carena; fossetas apiedares presentes somente na região
nucal; dentes maxilares de 25 a 26.
Afinidades: Chironius exoletus é mais próximo de Chironius foveatus Bailey,
do qual se distingue todavia pelo número menor de dentes maxilares (25 a 26 ao
invés de 28 a 35), pelo número menor de ventrais 144 a 147 nos machos (ao
invés de 157 a 173) e 151 a 157 nas fêmeas (ao invés de 162 a 169) e pelo
número menor de subcaudais 133 a 136 (ao invés de 165 a 170). Distingue-se
ainda pelo colorido da cabeça que é clara (exemplar em álcool). Chironius exo¬
letus se parece com Chironius cochranae Hoge e Romano 1969 e Chironius mul-
tiventris Schimdt e Walker 1943; mas distingue-se facilmente de ambos pelo núme¬
ro de ventrais, 144 a 157 ao invés de mais de 181; e pelo número de subcaudais
133 a 136 ao invés de acima de 181.
Localidade tipo: índia “in error”
Material: 8 exemplares, sendo 3 do Maranhão
Holótipo: U.U.S. n.° 135 índia “in error”
Material: S.M.F. n.° 18.576 Rio Ucayala-Peru, colecionado por Emmel IBH
40.813 Humaitá em 19/7/62 Estado do Amazonas, col. A.R. Hoge IBH 33.529
Humaitá em maio de 1962, Estado do Amazonas, col. A.R. Hoge IBH 37.541
Humaitá em maio de 1962, Estado do Amazonas, col. A.R. Hoge. IBH 21.753
Faz. São José de Canaã, Estrada de Perimirim, em 21/5/62, às 10h., em movi¬
mento, Estado do Maranhão. IBH 21.754 Mata de Santo Antonio, Palmeirandia,
em 4/5/62, às 14h30 min. em movimento, 2 km da Faz. São Luiz, Estado do
Maranhão. IBH 21.755 Palmeirandia Estado do Maranhão, em 17/5/62 em
movimento.
TABELA 4
Chironius exoletus
Números
Sexo
Dorsais
Ventrais
Subcaudais
Labiais
Comprimento em mm
supra
infra
cabeça
corpo
cauda
40.813
cf
13/12/8
147
136/136
8/9
11/10
28,3
730
415
18.576
cf
13/12/8
144
128/128
9/9
—
—
—
—
21.754
â
12/12/8
153
134/134
9/9
12/10
31,9
806
423
33.529
9
12/12/8
157
123/123
8/8
11/11
33,6
842
407
37.541
9
12/12/8
155
133/133
9/9
11/11
31,3
775
420
135
9
14/12/8
151
136/136
9/9
11/11
—
—
—
21.753
9
12/12/8
155
116/116
9/9
10/11
32,5
787
388cm
21.755
9
12/12/8
156
132/132
9/10
11/11
30,3
730
400
Dromicus poecilogyrus xerophilus Amaral
1946 (1944) L. Leimadophis poecilogyrus xerophilus Amaral, Pap. Avul.
Dept. Zool. São Paulo, 5:81
Amaral ( :81) descreveu L. poecilogyrus xerophilus, indicando como
SciELC/, ^
42
HOGE, A.R.; ROMANO, S.A.R.W.D.L.; CORDEIRO, C.L. — Contribuição ao conhecimento das serpentes do
Maranhão, Brasil. (Serpentes, Doidae, Colubridae e Viperidae). Mem. Inst. Bulanlan, 40/41:37-52, 1976/77.
holótipo IBH n." 2, recebida do Museu Rocha, Ceará. O n. 9 2 da coleção do
IBH é um Crotalus horridus. Gomes, em 1915:512, estudou o material do Mu¬
seu Rocha identificando 11 exemplares como Leimadophis poecilogyrus (Wied).
Considerando que na coleção do IBH não existe nenhum exemplar rotulado
como tipo de Leimadophis xerophilus Amaral 1946, e, que, para estabilidade da
nomenclatura de Leimadophis poecilogyrus subesp., um holótipo da subespécie
em questão é indispensável, designamos aqui um lectoholótipo, escolhido da série
de exemplares de Leimadophis poecilogyrus xerophilus Amaral; este lectoholótipo
existia na coleção do Museu Rocha, coleção esta que serviu de base para a des¬
crição de Amaral, l.c.. A coleção Rocha foi incorporada posteriormente na cole¬
ção do IBH. Como lectoholótipo fica escolhido o n.° IBH 20.111 de Leimadophis
poecilogyrus xerophilus, obtido no Nordeste do Ceará, segundo informação do
Sr. Fernando de Castro Lima, que cedeu gentilmente a coleção Rocha ao Insti¬
tuto Butantan.
Descrição do Lectoholótipo: IBH n." 20.111, olho moderado, focinho mode¬
rado, um tanto projetado para frente. Rostral mais larga do que alta, bem visível
por cima; internasais um pouco mais largas que longas, mais curtas que as pré-
frontais; frontal uma vez mais longa que larga, um pouco menor do que a sua
distância do fim do focinho, um pouco mais curta do que as parietais; loreal mais
alta do que longa; uma pré e duas postoculares; temporais 1+2; 8 supralabiais,
4" e 5 9 entrando na órbita; 5 labiais inferiores em contacto com as mentuais
anteriores, as quais são mais largas do que as posteriores. Escamas dorsais em
19/19/15, séries longitudinais. Ventrais 152; anal dividida; subcaudais 52/52.
Comprimentos: da cabeça 23,3mm; corpo 456mm e cauda 99mm. Colorido:
(Exemplar conservado em álcool) colorido marrom claro no dorso com as bordas
marrom mais escura, e, o ventre completamente claro.
Localidade tipo: Não claramente indicada, fica aqui restrita ao Nordeste
do Ceará.
Material: 6 exemplares. IBH 21.765 Buritirana, Munic. Perimirim, em
17/5/62 às 10h50min. 21.762 col. em 19/5/62; IBH 21.764 col. em 11/5/62;
IBH 21.763 col. em 17/5/62; IBH 21.761 col. em 19/5/62 todos coletados em
São Bento.
TABELA 5
Dromicus poecilogyrus xerophilus
Números
Sexo
Dorsais
Ventrais
Subcaudais
Labiais
Comprimento em mm
supra
infra
cabeça
corpo
cauda
21.765
d 1
19/19/15
155
54/54
8/8
11/10
21,6
378
94
21.762
d
19/19/15
157
43/43cm
8/8
10/10
21,0
—
82
21.764
?
19/19/15
154
51/51
8/8
10/10
23,3
452
91
21.763
?
19/19/15
154
52/52
8/8
10/10
26,6
560
115
21.761
?
19/19/15
163
45/45cm
8/8
10/10
21,5
445
84
Obs.: cm
= cauda mutilada
43
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
HOGE, A.R.; ROMANO, S.A.R.W.D.L.; CORDEIRO, C.L. — Contribuição ao conhecimento das serpentes do
Maranhão, Brasil. (Serpentes, lloidae, Colubridae e Viperidae). Alem. Inst. Dutantan, 40/41:37-52, 1976/77.
Dromicus reginae reginae (Linnaeus)
1758 [ Coluber ] Reginae Linnaeus, Syst. Nat. Ed. 10, 7:219
1935 Leimadophis reginae [reginae ]; Amaral, Mem. Inst. Butantan 9:238
Localidade tipo: índia “in error”
Material: 1 exemplar. IBH 21.775, Escola Rural Motta Carvalho, Faz. São
José de Canaã, Municíp. Perimirim em 25/5/62. sexo Ç; dorsais 17/17/15;
ventrais 149; subcaudais 72/72; cauda mutilada; supralabiais 8/8; infralabiais
10/10; comprimentos: da cabeça 8,5mm; corpo 392mm e da cauda 128mm.
Drymarchon corais corais (Boie)
1827 Coluber corais Boie, Isis von Oken, 1827:537
1899 [ Drymarchon corais corais ]; Stejneger, North Amer. Fauna 14:10
Localidade tipo: América.
Material: 7 exemplares. IBH 21.770, São Bento (pele medindo 2.400mm)
em 10/5/62. IBH 21.740, Palmeirandia, numa clareira na mata de Santo Anto-
nio em 19/5/62. IBH 21.741, Faz. São José de Canaã, Mun. de Perimirim, em
19/5/62. IBH 21.742, Palmeirandia, na mata de Santo Antonio em 19/5/62.
IBH 21.743, Faz. São Luiz (limite entre Palmeirandia e Perimirim) em 23/5/62.
IBH 21.976, Faz. São Luiz (limite de Palmeirandia) a 3 km. da Faz. São José
de Canaã em 7 a 31/5/62.
IBH 21.739, Faz. São Luiz (limite de Palmeirandia e Perimirim) a 3 kms.
da Faz. São José de Canaã (Mun. de Perimirim) em 21/5/62.
TABELA 6
Drymarchon corais corais
Números
Sexo
Dorsais
Ventrais
Subcaudais
Labiais
Comprimento em mm
supra
infra
cabeça
corpo
cauda
21.770
■d
17/17/15
204
78/78cm
8/8
9/9
64,0
2400
354cm
21.740
d
17/17/15
204
76/76
8/8
8/8
52,3
1350
287
21.741
d
17/17/15
200
72/72
8/8
9/8
58,3
1550
298
21.742
d
17/17/15
201
71/71
8/8
9/8
55,9
1550
312
21.976
d
19/17/15
204
78/78
8/9
9/9
72,0
2120
400
21.739
?
17/17/15
204
57/57cm
8/8
10/9
58,0
1700
277cm
21.743
9
17/17/15
206
72/72
8/8
8/8
49,2
1260
253
Obs.: cm = cauda mutilada
Helicops angulatus (Linnaeus)
1758 Coluber angulatus Linnaeus, Syst. Nat. Ed. 10, 7:217
1893 Helicops angulatus Boulenger, Cat. Sn., 7:278
Localidade tipo: Ásia “in error”
Material: 1 exemplar. IBH 21.777 Faz. do Estado, Buritirana, Mun. Peri¬
mirim coletada morta.
44
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
HOGE
E, A.R.j ROMANO, S.A.R.W.D.L.; CORDEIRO, C.L. — Contribuição ao conhecimento das serpentes do
Maranhão, Brasil. (Serpentes, Boidae , Colubridae e Viperidae). Mem. Inst.
Butantan, 40/41:37-52, 1976/77.
N.° 21.777; sexo $; dorsais 21/19/17; ventrais 119; subcaudais 75/75
cauda mutilada; supralabiais 8/9; infralabiais 11/10; comprimentos: da cabeça
19,9mm; do corpo 310 e da cauda 135mm.
Hydrcdynastes gigas (Dumeril, Bibron et Dumeril)
1854 Xenodon gigas Duméril, Bibron et Luméril, Erp. Gen., 7:761
1966 [ Hydrodynastes ] gigas; Hoge, Ciência e Cultura, SP, 18:142
Localidade tipo: América do Sul (Prov. de Corrientes, Conf. do Rio de la
Plata)
Material: 1 exemplar. IBH 21.776, Faz. do Estado, Buritirana, Mun. de
Perimirim, em 17/5/62.
N.° 21.776; sexo $; dorsais 19/19/15; ventrais 164; subcaudais 72/72;
supralabiais 8/8; infralabiais 10/10; comprimentos: da cabeça 27,9mm; do corpo
415 e da cauda 100 mm.
Hydrops triangularis triangularis (Wagler)
1824 Elaps triangularis Wagler in Spix, Sp. Nov. Serp. Bras.,: 5 pr 2.», fig. 1.
1929 Hydrops triangularis triangularis; Amaral, Mem. Inst. Butantan 4: 92.
Localidade tipo: Ega, atualmente Tefé, no lago de Tefé, na confluência do
Rio Amazonas. Material: 1 exemplar. IBH 21.768; na Barragem entre a Faz.
São José de Canaã e a Faz. São Luiz, Mun. Perimirim, em maio de 1962, durante
a limpeza da represa.
N.° 21.768; sexo ?; dorsais 15/15/15; ventrais 163; subcaudais 45/45;
supralabiais 8/8; infralabiais 8/8; comprimentos: da cabeça 13,lmm; do corpo
312mm; da cauda 53mm.
Leptophis ahaetulla ahaetulla (Linnaeus)
1758 Coluber Ahaetulla Linnaeus, [partim] Syst. Nat. Ed., 10, 7: 225.
1942 Leptophis ahaetulla ahaetulla, Oliver, Occ. Pap. Mus. Zool. Univ. Mi-
chigan, 462: 1.
1956 Leptophis ahaetulla (ahaetulla); Savage e Oliver 1956 1. c.
Localidade tipo: Ásia (in error) restrito a “South America” (Int. Comm.
Zool. Nomen., Op. 524: 263.
Material: 4 exemplares. IBH 21.749; Faz. São Luiz, Mun. Perimirim Pal-
meirandia, em 21/5/62. IBH 21.751; Pátio da Faz. São José de Canaã, Mun.
Perimirim em 15/5/62. IBH 21.750; Faz. Crispim; Buritirana, Mun. Perimirim
em 17/5/62. IBH 21.752; Pátio da Faz. São José de Canaã, Mun. Perimirim em
21/5/62.
TABELA 7
Leptophis ahaetulla ahaetulla
Números
Sexo
Dorsais j Ventrais
Subcaudais
Labiais
Comprimento em mm
supra
i infra
cabeça
corpo
cauda
21.749
d
17/15/11
164
157/157
9/9
10/11
18,7
632
382
21.751
d
17/15/11
159
149/149
9/9
11/12
17,8
545
357
21.750
d
17/15/1t
157
152/152
8/9
10/11
16,4
455
296
21.752
9
17/15/11
167
116/116cm
9/9
11/11
19,2
585
308cm
Obs.: cm = cauda mutilada
45
cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
HOGE, A.R.; ROMANO, S.A.R.W.D.L.; CORDEIRO, C.L. — Contribuição ao conhecimento das serpentes do
Maranhão, Brasil. (Serpentes, Boidae, Colubridae e Viperidae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:37-52, 1976/77.
Lygophis lineatus (Linnacus)
1758 Coluber lineatus Linnaeus, Syst. Nat. Ed. 10, 1: 221.
1843 [ Lygophis ] lineatus; Fitzinger, Syst. Reptilium: 26.
1953 (1952) Lygophis lineatus lineatus, Hoge, Mem. Inst. Butantan, 24: 249,
fig. 1; pl. 1.
Localidade tipo: Ásia “in error”.
Material: 2 exemplares. IBH 21.745, em 21/5/62 e IBH 21.744, em
17/5/62, ambos coletados na Faz. São José de Canaã.
TABELA 8
Lygophis lineatus
Sexo
Labiais
Comprimento
em mm
Subcdiidais
. supra infra
cabeça
corpo
cauda
21.744
d 1
19/19/15
162
86/86
8/7 10/10
21,5
380
149
21.745
?
19/19/15
168
82/82
8/8 10/10
20,2
505
181
Liophis cobella (Linnaeus)
1758 Coluber Cobella Linnaeus, Syst. Nat. Ed. 10, 1: 218.
1866 Liophis cobella; Jan, Icon. Gen. Ophid. Livr. 16, pr. V, fig. 1.
Localidade tipo: América.
Material: 3 exemplares. IBH 21.746 Faz. São José de Canaã, em 21/5/62.
IBH 21.747; Barragem entre a Faz. São Luiz e a Faz. São José do Canaã,
em 21/5/62. IBH 21.748 Faz. São José do Canaã, Mun. de Perimirim em
21/5/62.
TABELA 9
Liophis cobella
Números
Sexo
Dorsais
Ventrais
Subcaudais
Labiais
Comprimenlo
em mm
supra
infra
cabeça
corpo
cauda
21.746
!<?
17/17/15
151
47/47
8/8
10/10
18,2
390
88
21.747
?
17/17/15
150
49/49
9/8
10/10
23,9
505
105
21.748
?
17/17/15
151
49/49
8/8
10/10
20,8
430
82
Mastigodryas boddaerti boddaerti (Sentzen)
1796 Coluber Boddaerti Sentzen, Ophio. Frag. Myerss, Zool. Arch., 2: 59.
1970 Mastigodryas boddaerti boddaerti, Peters e Orejas-Miranda Cat.
Neotr. Sn., Bulletin 297, Part. 7: 193.
Localidade tipo: desconhecida.
Material: 2 exemplares. IBH 21.773 e 21.774, Faz. São José de Canaã, Mun.
Perimirim (mata de babaçu) em 12/5/62.
46
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
HOGE, A.R.; ROMANO, S.A.R.W.D.L.; CORDEIRO, C.L. — Contribuição ao conhecimento das serpentes do
Maranhão, Brasil. (Serpentes, Boidae , Colubridae e Viperidae). Mem. Inst. Bulantan, 40/41:37-52, 1976/77.
TABELA 10
Mastigodryas boddaerti boddaerti
Números
Sexo
Dorsais
Ventrais
Subcaudais
Labiais
Comprimento
em mm
supra infra
cabeça
corpo
cauda
21.773
?
17/17/15
189
100/100
8/9 10/10
25,5
625
238
21.774
?
17/17/15
193
108/108
9/10 10/10
23,2
550
208
Oxybelis aeneus (Wagler)
1824 Dryinus aeneus Wagler, in Spix, Sp. Bras. Serp. Nov.: 12, pl. 3.
1830 [Oxybelisf aeneus Wagler, Nat. Syst. Amphib.: 183.
Localidade tipo: habita as selvas adjacentes do rio Solimões, Ega, Tefé,
Amazonas, Brasil.
Material: 1 exemplar. 1BH 25.493, São Luiz, consta apenas o ano de 1962.
N.° 25.493; sexo d"; dorsais 15/17/12; ventrais 181; subcaudais 149/149; supra-
labiais 9/9; infralabiais 9/9; comprimentos: da cabeça 17,9mm; do corpo 630mm
e da cauda 407mm.
Oxybelis fulgidus (Daudin)
1803 Coluber fulgidus Daudin, Hist. Nat. Rept., 6: 352, pl. 80
1853 O. [ xybelis ] fulgidus Duméril, Mem. Acad. Sei. Paris, 25:487.
Localidade tipo: Arredores de Port au Prince, Saint Dominique (provavel¬
mente “in error”), Schmidt (1941:506) sugeriu Surinam; Smith e Taylor (1950:
352) restringiram a “Chichen Itza, Yucatan, México”.
Material: 1 exemplar. 1BH 21.760, São Bento em 19/5/62.
IBH 21.760; sexo <5; dorsais 17/17/13; ventrais 198; subcaudais 154/154;
supralabiais 10/10; infralabiais 9/10; comprimentos: da cabeça 35,6 mm; do
corpo 775mm; e da cauda 412mm.
Oxyrhopus trigeminus trigeminus Duméril, Bibron e Duméril
1854 Oxyrhpus trigeminus ( partim ) Duméril, Bibron e Duméril, Erp. Gen.,
7:1013.
1978 Oxyrhopus trigeminus trigeminus; Hoge e Romano Mem. Instituto
Butantan 40:55.
Localidade tipo: Rio de Janeiro e Bahia. Vanzolini (1948:382) restringiu
ao Distrito Federal, Brasil. Bailey e Peters e Orejas-Miranda (1970:233) rejei¬
tam a restrição de Vanzolini “for reasons to be published elsewhere”. Volta
porém a localidade para o Rio de Janeiro, Estado do Rio, para não ser confun¬
dido com o atual Distrito Fderal (Goiás) restrito por Hoge e Romano ( : )
para Bahia, atual Salvador, Estado da Bahia.
Material: 3 exemplares. IBH 21.767, Faz. São José de Canaã, Mun. Peri-
mirim, em 17/5/62. IBH 21.766, Faz. São José de Canaã, Mun. Perimirim em
21/5/62. IBH 21.769, São Bento em 19/5/62.
47
cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
I HOGE, A.R.; ROMANO, S.A.R.W.D.L.; CORDEIRO, C.L. -
— Contribuição ao
conhecimento das serpentes do
| Maranhão, Bras
il. (Serpentes
Boidae, Colubridae e Viperidae). Alem. Inst. Bulanlan, 40141:37-52, 1976/77.
TABELA 11
Oxyrhopus írigeminus trigemimis
Números
Sexo
Dorsais
Vcntrais
Subcaudais
Labiais
Comprimento em mm
supra infra
cabeça corpo cauda
| 21.767
?
21/19/17
198
53/53cm
8/8 12/10
20,3 578 lOlcm
j 21.766
?
21/19/17
200
67/67
8/8 10/10
18,7 555 120
j 21.769
?
21/19/17
197
64/64
8/8 10/10
18,8 495 117
1 Obs.: cm
= cauda mutilada.
Bothrops atrox (Linnaeus)
1758 Coluber atrox Linnaeus, Syst. Nat. Ed. 10, 1:
222
1830 [ Bothrops ] atrox Wagler, Nat. Syst. Amph.: 174
1966 Bothrops atrox Hoge,
Mem. Inst.
Butantan, 32
: 113
Pr V; figs. 1, la e
lb.
Localidade tipo: Ásia “in error”, corrigida e restrita para Suriname (Hoge
1. c.: 113).
Material:
69 exemplares.
IBH 22
060; 22
.056; 22.055; 21.
963; 21.941; 22.059; 21.915;
22.053;
22.054; 22.
057; 22
.187; 22.233; 22.306
; 22.188; 22.001;
22.025;
22.163; 22.
305; 22
.002; 22.039; 22.061
; 22.027; 22.167;
22.226;
21.954; 21.
953; 21
.942; 21.964; 21.858
; 22.026; 22.232;
21.803;
21.805; 21.
806; 22
.058; 21.992; 21.857
; 21.802; 22.166;
22.283;
22.175; 22.
040; 22
.029; 22.052; Mun. São Bento, no mangue
do Rio
Aurá,
entre 7 a
31/5/62. IBH 21.
786; 21.794
; 21.793; 21.798;
21.795;
21.789; 21.
790; 21
.799; 21.801; 21.788
; 21.797; 21.792;
21.804;
21.791; 21.
787; 21
.800; 21.781; 21.780
; 21.783; 21.785;
21.779;
21.782; 21.784; Mun. São Bento, no mangue do Rio Aurá em
16/5/62.
TABELA 12
Bothrops atrox
Números
Sexo
Dorsais
Vcntrais
Subcaudais
Labiais
Comprimento em mm ,
supra infra
cabeça corpo cauda
22.187
cT
30/25/20
183
60/60
7/7 10/10
36,5 780 136
22.233
d 1
./25/21
175
56/56
7/7 10/10
40,0 880 146
22.306
d
32/27/21
187
62/62
7/7 10/10
37,2 850 146
22.188
'd
./25/19
183
58/58
7/7 9/9
34,0 725 125 j
22.028
d
31/27/21
185
57/57
7/7 9/9
37,5 840 128 j
22.001
d
31/27/21
191
57/57
7/7 9/9
36,7 841 133
22.025
d
32/25/21
184
59/59
7/7 10/10
36,9 860 135
22.163
d
27/25/21
182
59/59
7/7 10/10
27,8 529 100
22.002
d
31/25/21
184
55/55cm
7/7 10/9
42,3 910 131cm
22.305
1 d
28/25/19
179
58/58cm
7/7 10/10
37,9 795 125cm
Obs.: cm = cauda mutilada
48
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
HOGE, A.R.; ROMANO, S.A.R.W.D.L.; CORDEIRO, C.L. — Contribuição ao conhecimento das serpentes do
Maranhão, Brasil. (Serpentes, Boidae, Colubridae e Viperidae). Mem. Inst. Bulantan, 40/41:37-52, 1976/77.
Números
Sexo
Dorsais
Ventrais
Subcaudais
Labiais
Comprimento
em mm
supra
infra
cabeça
corpo
cauda
22.039
d
31/27/21
187
60/60
7/7
10/9
29,8
635
112
22.061
d
31/25/21
183
57/57
7/7
10/10
33,9
783
130
22.027
\d
30/25/21
183
50/50cm
7/7
10/10
39,3
903
131cm
22.167
d
30/25/21
187
61/61
7/7
10/10
35,0
740
125
22.226
d
./25/21
185
59/59
7/7
9/10
39,4
940
147
21.786
:d
25/25/21
192
61/61
7/7
10/10
22,8
465
76
21.794
d
27/27/21
188
62/62
7/7
10/9
28,1
612
112
22.059
d
28/27/21
190
59/59
7/7
9/9
34,0
810
135
21.915
! d
27/25/19
184
21/21cm
8/8
10/9
31,7
686
43cm
22.053
d
27/27/21
185
59/59
7/7
9/10
32,3
720
125
22.054
d
27/27/21
189
64/64
8/7
9/9
36,4
825
150
22.057
‘d
27/27/20
185
45/45cm
7/7
10/10
43,2
920
120cm
22.060
d
27/27/21
188
57/57
7/7
8/9
29,7
640
107
22.056
d
27/25/21
184
57/57
7/7
9/9
39,0
840
127
22.055
'd
27/25/21
182
40/40cm
7/7
10/9
41,0
890
108cm
21.963
d
27/25/21
184
56/56cm
7/7
10/10
33,6
755
123cm
21.796
d
27/25/21
183
59/59
7/7
10/10
27,5
590
105
21.798
d
27/27/21
183
55/55
7/7
10/10
29,7
645
108
21.795
d
27/25/21
187
55/55
7/7
10/10
32,0
675
111
21.789
d
25/23/19
190
56/56
7/7
10/9
21,3
430
64
21.790
'd
27/25/21
185
57/57
7/7
9/9
16,5
265
44
21.799
d
27/29/21
190
53/53cm
7/7
10/10
42,3
1000
143cm
21.801
d
27/25/21
176
30/30cm
7/7
10/10
31,6
660
62cm
21.793
d
25/25/21
186
20/20cm
7/7
9/10
34,0
732
52cm
21.788
d
25/25/21
188
57/57
7/7
10/9
25,4
545
87
21.797
'd
27/25/21
187
58/58
7/7
10/10
34,5
795
125
21.792
d
27/26/21
180
33/33cm
7/7
9/10
36,0
805
85cm
21.941
d
27/25/21
184
59/59
7/7
10/10
40,8
895
142
21.954
d
27/25/20
194
60/60
7/7
10/9
39,6
895
145
21.953
d
27/27/20
184
60/60
7/7
9/9
38,1
860
140
21.942
\d
27/25/20
180
54/54
7/7
10/10
34,7
745
115
21.964
d
27/25/21
185
59/59
7/7
9/10
39,6
845
140
21.858
d
29/25/21
195
59/59
7/7
9/9
36,2
875
137
22.026
d
30/25/19
193
59/59
7/7
9/9
39,4
905
132
22.232
d
31/25/21
187
63/63
7/7
10/10
37,8
840
147
21.803
d
32/25/21
187
59/59
7/7
10/10
42,1
821
135
21.805
d
30/25/21
186
65/65
7/7
10/10
28,5
630
114
21.806
d
31/25/21
183
56/56
7/7
10/10
31,3
671
116
22.058
?
28/29/23
187
56/56
7/7
9/9
36,6
770
115
21.804
?
35/27/21
188
51/51
7/7
10/10
33,1
680
97
21.992
?
31/27/21
191
54/54
7/7
10/9
42,5
980
141
21.857
?
31/27/21
189
56/56
7/7
10/10
40,4
875
128
21.802
?
33/29/21
192
57/57
7/7
10/9
38,6
885
129
22.166
9
./27/21
185
50/50
7/7
10/10
36,2
740
107
Obs.
= cauda mutilada
49
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
cm
*
HOGE, A.R.; ROMANO, S.A.R.W.D.L.; CORDEIRO, C.L. — Contribuição ao conhecimento das serpentes do
Maranhão, Brasil. (Serpentes, Boidae, Colubridae e Viperidae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:37-52, 1976/77.
Múmeros
Sexo
Dorsais
Ventrais
Subcaudais
Labiais
Comprimento em mm
supra
infra
cabeça
corpo
cauda
22.029
9
31/27/22
191
—
7/7
10/10
35,5
740
112
22.040
9
32/27/21
185
48/48cm
7/7
10/10
40,0
850
105cm
22.283
9
31/27/21
187
59/59
7/7
9/9
27,8
575
95
22.175
?
31/27/21
192
46/46cm
7/7
10/10
32,3
715
92cm
21.791
$
27/29/23
184
55/55
7/7
10/10
18,5
287
41
21.787
?
27/27/21
193
52/52
7/7
10/10
17,3
289
39
21.800
9
27/27/21
186
54/54
7/7
10/10
42,2
960
132
21.781
?
27/27/21
192
56/56
7/7
10/9
17,4
280
41
21.780
?
27/27/23
184
51/51
7/7
9/9
17,6
285
41
21.783
9
27/29/23
190
57/57
7/7
10/10
18,7
328
46
21.785
9
27/27/21
185
56/56
7/7
10/10
23,7
406
62
21.779
9
30/31/23
189
57/57
7/7
9/10
18,0
275
40
21.782
9
27/27/23
184
52/52
7/7
10/9
16,5
232
34
21.784
9
27/27/21
193
55/55
7/7
10/10
18,4
297
41
22.052
9
27/25/21
189
54/54
8/8
10/9
37,2
780
110
Obs.: cm = cauda mutilada
ABSTRACT: All specimens studied were obtained from the State of
Maranhão, Brazil; in the region of periodically floaded savannah with
intercaleted “cocais” (babassu) vegetation. The 116 specimens dealed
with 19 Species: out of which 18 described in the XVilI century and
middle of XIX century. Corallus enydris and cooki were considered as
distinct species instead of subspecies. Coluber exoletus, species only
known by the type, is revalidated as Chironius exoletus. The holotype
is redescribed and compared with specimens from Maranhão, Humaitá,
Amazonas and Peru. For Dromicus poecilogynis xerophilus a lectoholo-
type was selected because the holotype is lost.
UN1TERMS: Serpentes; Boidae; Colubridae; Viperidae; Boa constrictor
constrictor; Corallus enydrisf*); Epicrates cenchria; Chironius carina-
tus; Chironius exoletus(*); Dromicus reginae reginae; Dromicus poeci-
logyrus xerophilus(*); Drymarchon corais corais; Helicops angulatus;
Hydrodynastes gigas; Hydrops triangularis triangularis; Leptophis ahae-
tulla ahaetulla; Lygophis lineatus; Liophis cobella; Mastigodryas bod-
daerti boddaerti; Oxybelis aeneus; Oxybelis fulgidas; Oxyrhopus trige-
rninus trigeminus; Bothrops atrox.
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ture... 1958.
Recebido para publicação em 06-X1I-1976 e aceito em 13-IV-1977.
52
2 3 4
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Butantan
40/41: 53-54, 1976/77.
LACHESIS MUTA RHOMBEATA
[SERPENTES: VIPERIDAE, CROTALINAE\
A.R. ROGE* * AND S. ALMA R.W.D.L. ROMANO*
Department of Herpetology, Instituto Butantan
ABSTRACT: The species Trigonocephalus ( Lachoesis ) brasiliensis Liais,
1872 and Lacliesis muta noctívaga Hoge, 1966 are put in the synonymy
of Lacliesis mata rhombeata (Wied, 1825).
UNITERMS: Serpentes, Viperidae, Crotalinae, Lacliesis rhombeata Wied,
1825, Trigonocephalus ( Lachoesis ) brasiliensis Liais, 1872, Lacliesis muta
noctívaga Hoge, 1966 and Lacliesis muta rhombeata (Wied, 1825)(*)
Wied :! (1825: 449) although using the name of Lachesis rhombeata for
the specimens he collected in Brazil did not mean to describe a new species
since he gave a complete synonymy including Crotalus miiíus Linnaeus, Bothrops
surucucu Wagler and others, all of them strict synonyms of Lachesis muta muta
(Linnaeus, 1766).
That he really intended to give a new name can be deduced from the syno¬
nymy and from several statements about the identity of his rhombeatus with B.
siirftciicu Wagler (Wied 1 .c.: 464) etc.
When I described Lachesis muta noctívaga in 1966 1 I overlooked Wied’s
description. Since Wied although using a new name for L. muta Linnaeus based
his description on specimens identical with my Lachesis muta noctívaga I could
have used the name rhombeatus instead of describing a new subspecies.
Later Liais 2 (1872: 306) describes based on information of a friend Vis-
count de Prados, and on a dried skin, Trigonocephalus (Lachoesis) brasiliensis.
His description is: size 4 to 4,50m; habitat and behaviour: “on ne le rencontre
dans les cultures, mais exclusivement dans les forets vierges, et il disparait tota-
lement dans les regions ou celles-ci sont detruites, “C’est la seule espéce de
serpent qui au Brésil attaque l’homme”. He left no doubt about the species
that he described, even gives the local name, although spelling it “sorocotinga”.
Instead of “surucutinga”.
* Research supportecl by the N.L.M. (Grant LM 00418-01) and
* Bolsista do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
(*) Principal Uniterm.
Endereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - São Paulo - Brasil.
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HOGE, A.R. & ROMANO, S.A.R.W.D.L. — Lachesis muta rhombeata. (Serpentes, Viperidae, Crolalinae).
Alem. Inst. Butantan, 40141:53-54, 1976/77.
Who really first describes the subspecies of the Atlantic slopes and Rio
Doce was Liais 2 . But since Wied’s name is the oldest, it should be used.
Lachesis muta rhombeata Wied
1825 Lachesis rhombeata Wied, Abb zur Naturgeschichte von Brazilien.
1825 Lachesis rhombeata Wied, Beitr. Nat. Braz. 1: 449.
1872 Trigonocephalus ( Lachoesis ) brasiliensis Liais.
Climats, Géol., Faune et Géogr. Botan. du Brésil: 306.
Type locality not given probably Rio Doce, Minas Gerais, Brazil.
1966 Lachesis muta noctívaga Hoge, Mem. Inst. Butantan, 32: 162 pl. 20
(1965).
Type locality: Brasil. Since Wied and Liais did not give exact localities, I,
restrict here the type locality to Vitória, Espírito Santo, Brasil.
RESUMO: As espécies Trigonocephalus ( Lachoesis ) brasiliensis Liais,
1872 e Lachesis mula noctívaga Hoge, 1966 são postas na sinonímia de
Lachesis muta rhombeata Wied, 1825.
UNITERMOS: Serpentes, Viperidae, Crotalinae, Lachesis rhombeata
Wied, 1825, Trigonocephalus ( Lachoesis ) brasiliensis Liais, 1872; La¬
chesis muta noctívaga Hoge, 1966 e Lachesis muta rhombeatus Wied,
1825(*).
BTBLIOGRAPHY
1 .
3.
HOGE, A.R. Preliminary account on neotropical Crotalinae "Serpentes Viperidae”.
Mem. Inst. Butantan, 32: 109-184, 1965 (distrb. in 1966).
LIAIS, E. Climats, Géologie, Faune et Géographie Botanique Paris, Garnier Frères,
1872. 636pl2 part. carte.
WIED, Abb. zur Naturgeschichte von Brazilien. Weimar, 1822-1831, in foi., fig. grav.
Verlage des Gr. H.S. priv. Landes-Ind Compt.
WIED Beitr. Nat. Ges Braz. 1.614p + taf. 1825 Weimar 614 p -f- taf.
Recebido para publicação em 06-VI-1977 e aceito em 29-VII-1977.
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Mem. Inst. Butanlan
40/41: 55-62, 1976/77.
DESCRIPTION OF A NEW SITBSP. OF
OXYEHOPUS WAGLER.
[SERPENTES: COLUBRIDAE ]
A. R. HOGE* * and S. ALMA R. W. L. ROMANO*
Seção de Herpetologia, Instituto Butantan
ABSTRACT: Description of a new subspecies of Oxyrhopus trigemi¬
nus: Oxyrhopus trigeminus gitibci subsp. nov. The new subspecies differs
from Oxyrhopus trigeminus trigeminus Duméril Bibron et Duméril, by
the complete black annuli; the high ventral and subcaudal counts and
black tip of the snout.
UNITERMS: Serpentes; Cohtbridae; Oxyrhopus trigeminus trigeminus
Duméril Bibron et Duméril; Oxyrhopus trigeminus guibei subsp. nov.(*)
INTRODU CT1ON
Oxyrhopus trigeminus was mentioned, but not described accordingly to the
International Rules of Nomenclature, by Duméril 2 (1853:107) in his Prodrome.
In 1854 Duméril Bibron and Duméril 3 gives a full description of O. trigeminus,
based on approximately thirty specimens either from Bahia or Rio de Janeiro,
Brazil, collected by Mr. d’Abadie, Clossen, Poyer, Lemelle-Deville and Castelnau.
Vanzolini 4 (1948:382) restricted the type locality to “Distrito Federal” now
Rio de Janeiro. Bailey 1 in Peters and Orejas — Miranda rejected this restriction
“for reasons to be published elsewhere”.
We agree with this rejection for the following reasons: one of the cotypes,
NNHN Paris 3785 a female, now 1BH 17744 collected at Rio de Janeiro by Cas¬
telnau and Deville although showing nearly same color pattern of the specimens
from Bahia presenting a very high number of ventrals and subcaudals (graph 1);
this very high number of ventrals and subcaudals separate the ecotype from the
Bahia and more northern specimens. The ventral pattern is completly different
from the one observed in the Southern population of the States of S. Paulo and
Paraná.
We must wait for more specimens from the State of Rio de Janeiro to know
if the cotype either belongs to a different subspecies or is an intcrgrade between
the northern O. trigeminus trigeminus and the Southern from described below.
For this reasons we restrict here the type locality of Oxyrhopus trigeminus Du¬
méril, Bibron and Duméril to: Bahia (now Salvador, BA, Brazil).
* Supportecl by a grant of the «Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico» (CNPq).
Paper presented at Primer Congreso Mundial de Ofidiologia, Caracas, Venezuela, November, 1976.
(*) Principal Uniterm.
Endereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - Sao Paulo - Brasil.
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HOGE, A.R. & ROMANO, S.A.R.W.D.L. — Description of a nevv subsp. of Oxyrhopus Wagler. (Serpentes,
Colubridae ). Mem. Inst. Butantan, 40/41:55-62, 1976/77.
Fig. 3 — O. Irigeminus guibei holotypo. Dorsal view.
Fig. 4 — O. trigeminus trigeminus n.Q 25311. Dorsal view.
57
HOGE, A.R. & ROMANO, S.A.R.W.D.L. — Dcscription of a new subsp. of Oxyrhopus Wagler. (Serpentes,
Colubridae). Mem. Insl. Butantan, 40/41:55-62, 1976/77.
MATERIAL
Material: Oxyrhopus trigeminus: twenty nine specimens from the State of
Bahia; thirty from the State of Ceará; and three from the State of Pernambuco.
Oxyrhopus trigeminus subsp, fourty six specimens from the State of São Paulo
and fifteen (holotype and paratypes) from the State of Paraná.
DESCRIPTION AND CONCLUSION
Oxyrhopus trigeminus guibei subsp. nov.
In honor of our friend Dr. J. Guibé from the Museum National d’Histoire Natu-
relle de Paris, Reptiles et Amplibieus.
Holotype: IBH 27382 a female from Londrina, State of Paraná, Brazil,
collected on July, 3-1967.
Paratypes: all specimens are from the States of: Paraná, Mato Grosso, and
São Paulo, Brazil and in the IBH collection: 17.771, 18.860, 18.987 to 18.991
are from Sengès, PR; 27.391 Porecatu, PR; 27.885 Londrina PR; 27.746 San¬
ta Mariana, PR; 18.887 Arariba, MT; 27.529 Suzano, SP.
The specimens from the State of São Paulo used for the claboration of graph
1 and 2 are not to be considered paratypes.
Dcscription of holotype: a femalle IBH 27382 (fig. 3,5 and 7)
Rostral broader than deep, just visible from above; internasals very short,
much shorter than the praefrontals extending laterally, largely in contact with the
loreal; frontal a little longer than broad, shorter as its distance from the tip of
the snout, much shorter than the parietais, wich are longer than broad; nasal
divided; loreal very long, much longer than deep, one proecular in contact with
the frontal; two postoculars; temporais 2 + 3; eight upper labiais, fourth and fifth
entering the eye; ten lower labiais, the first five in contact with the anterior chin
shields, wich are longer than the posterior. Dorsais in 21/19/17, longitudinal
rows, ventrals 204; anal entire; subcaudals 73 pairs: body length (from tip of
snout to anal cleft) 960mm, tail 215mm, head 29,3 mm.
Red above with black crossbands disposed in triads (fig. 2); the first black
band on the occiput, corresponding to the middle one of a triad. Triads on
body: 2/3 + nine complete triads, the middle band of the 10th triad just above
anal cleft. Tail with 1/3 + 3 triads. The central black ring separated from his
fellows by white interspaces; all scales of the rcd interspaces with black tips and
marginated with black (fig. 3). The red and white interspaces invading the
belly. The black rings on the belly are irregular (fig. 5).
Oxyrhopus trigeminus guibei is closely related to Oxyrhopus trigeminus
trigeminus but easily distinguished by: the black bands invading the belly (fig. 5).
The belly shows black rings, white and red interspaces instead of interely white
in O. trigeminus trigeminus; tip of the snout is enterely black in guibei
(fig. 3 and 7) instead of mottled with white (fig. 8). The scattered diagrams
(fig. 1 and 2) shows clearely the difference between the two subspecies. The
cotype of O. trigeminus from Rio de Janeiro either belongs to another subspecies
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Colubridae). Alem. lnst. Butantan, 40/41:55-62, 1976/77.
Fig. 5 — O. trigeminus guibei holotypo. Ventral view.
Fig. 6 — O. trigeminus trigeminus n.9 25311. Ventral view
cm
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HOGE, A.R. & ROMANO, S.A.R.W.D.L. — Description of a ncw subsp. of Oxyrhopus Wagler. (Serpentes,
Colubridae). Alem. Inst. Butantan, 40/41:55-62, 1976/77.
Fig. 7 — O. trigeminus guibei, liolotypo. Heacl. Fig. 8 — O. trigeminus Irigcminus n? 25311. Head
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1IOGE, A.R. & ROMANO, S.A.R.W.D.L. — Dcscription of a new subsp. of Oxyrhopus Wagler. (Serpentes,
Colubridae). Alem. Inst. llutantan, 40/41:55-62, 1976/77.
to be described elsewhere or is an intergrade (graph 1). All paratypes and the
specimens from São Paulo used for the diagrams show the same color and
pattern of the holotype. The variation in the type series is: ventrals in female,
199-209; male 190-194; subcaudals in females; 69-88; male 75-81 upper la¬
biais 8; lower labiais 9-10, largest specimen 1175 mm.
TYPE SPECIMENS
Labiais
Measurements
Numbers
Sex
Dorsais
V.
Subcaud
upper
lower
head
body
tail
27382
9
21/19/17
204
73/73
8/8
10/10
29,3
960
215
18987
cT
21/19/17
192
81/81
8/8
9/9
10,6
200
50
27391
d 1
21/19/17
194
75/75
8/8
10/9
11,4
220
56
27885
<?
21/19/17
191
79/79
8/8
10/10
21,5
656
185
27746
â
21/19/17
190
74/74
8/8
10/10
22,8
690
189
18991
9
21/19/17
202
69/69
8/8
10/9
10,7
202
42
18989
9
21/19/17
204
70/70
8/8
9/9
10,9
202
43
18990
9
20/19/17
207
71/71
8/8
9/9
10,5
198
44
18988
9
20/19/17
201
71/71
8/8
10/10
11,1
202
45
17771
9
21/19/17
206
69/69
8/8
9/10
14,5
402
88
18887
9
21/19/17
210
68/68
8/8
9/10
24,5
770
171
19868
9
21/19/17
205
67/67
8/8
9/10
26,3
805
187
18860
9
21/19/17
207
69/69
8/8
9/10
25,0
804
178
17220
9
21/19/17
206
78/78
8/8
10/10
26,5
900
226
27529
9
21/19/17
201
71/71
8/8
10/10
27,5
895
215
Acknowledgements: We are indebted to: “Conselho Nacional do Desenvolvimento
Científico e Tecnológico”; for the Grants; Dr. J. Guibé director of the department of
Reptiles and amphibians at the “Museum p’istoire Naturelle de Paris who gave us acces,
to the collections; to Mr. Antonio Seixas Neto for the photographs.
RESUMO: Descrição de uma subesp. nova de Oxyrhopus trigeminus: O
trigeminus guibei subsp. nov. A nova subespécie difere de O. trigeminus
trigeminus Duméril Bibron et Duméril por: ter anéis pretos, completos:
maior número de ventrais e subcaudais e a ponta do focinho preto.
UNITERMOS: Serpentes, Colubridae; Oxyrhopus trigeminus trigeminus
Duméril Bibron et Duméril; Oxyrhopus trigeminus guibei subsp. nov.(*)
BIBLIOGRAPHY
2 .
BAILEY, J.R. in PETERS, J.A. and OREJAS MIRANDA, B. — Catalogue of the
Neotropical Squamata: Part I. Snakes, Buli 297 Smithsonian Institution. Unitea
States Nat. Mus. 1 — VIII -f- 1 - 347 + pl Smithsonian Institution Press, U.S.
Government printing office Washington D.C. 1970.
DUMÉRIL, M. — Prodrome de la classification des Reptiles Ophidiens. Ext. Mem. Acad.
Sc. 23: 1-140 -f 2 pl. Firmin Didot Frères Paris. 1853.
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Mem. Inst. Butantan
40/41: 63-70, 1976/77.
REDESCRIPTION AND RANGE OF
SORDELLINA PUNCTATA (PETERS)
[SERPENTES: COLÜBRIDAE ]
A.R. HOGE* AND S. ALMA RWDL ROMANO*
Seção de Herpetologia, Instituto Butantan
ABSTRACT: Redescription and geographical distribution of Sordellina
punctata (Peters, 1880). Type locality restricted to Poá. S.P. Brazil.
UNITERMS: Serpentes Colubridae Sordellina punctata (Peters, 1880).(*)
Due to the extreme rarity of Sordellina punctata (Peters) nearly nothing is
known about this species.
The twenty seven specimens now availoble permit a better evaluation of the
range, and variation within the species.
HISTORICAL:
Peters 10 describes a new species Xenodon punctatus, based on a unique spe-
cimen (Brazil).
Werner 12 describes a new species Liophis rehi aiso based on a unique
specimen (Ypiranga, near São Paulo, Brazil).
Procter 11 describes a new genus and species Sordellina brandon jonesii
(Castro, Paraná, Brazil).
Amaral 1 also describes a new species, SordeUina pauloensis after three spe¬
cimens (Poá, Rio Grande and Conceição de Itanhaém, S.P., Brazil).
Amaral 3 suspects that Sordellina brandon-jonesii Procter is possibly a
synonym of Liophis rehi Werner.
Hoge !) puts Liophis rehi Werner, Sordellina brandon-jonesii. Procter and
Sordellina pauloensis Amaral in the synonymy of Sordellina punctata (Pe¬
ters) showing that Xenodon punctatus Peters does not belong to the genus
Xenodon (as already pointed out by Boulenger 7 (1890:313) and is diffe-
rent from the genus Pseudoxyrhopus. Günther (1881: 359) ( nomem novum
Supported by a grant of «Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico» (CNPq).
!*? Cr .P r Ç sen tcd at Primer Congresso Mundial de Ofidiologia, Caracas, Venezuela, November, 1976.
( ) Principal Uniterm.
Endereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - Sao Paulo - Brasil.
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HOGE, A.R. & ROMANO, S.A.R.W.D.L. — Redescription and range of Sordellina punctata (Peters). (Ser¬
pentes, Colubridae ). Mem. Inst, Butantan, 40/41:63-70 , 1976/77.
pro Homalocephalus Jan 1863:286, no Zetterstedt 1838), by the absence
of hypapophyses in punctatus instead of being present in the other Pseu-
doxyrhopus species which are all restricted to Madagascar. For these
reason Hoge” (1958:52) considers punctata Peters as belonging to the
genus, Sordellina Procter.
Hoge” (1958:52) gives by mistake São Bento S.P. instead of Poá S.P. as
type locality for Sordellina pauloensis Amaral.
Peters and Orejas Miranda’ 0 (1973:282) give the range as Rio de Janeiro,
Santa Catarina, São Paulo and Paraná, Brazil. Till this moment we were unable
to find any specimen from the State of Rio de Janeiro.
SORDELLINA PROCTER
1923 Sordellina Procter, Ann. and Mag. Nat. Hist., (9) 7 7:228, fig. 1-3. Type
species Sordellina brandon-jonesii Procter 1923 — Sordellina punctata
(Peters, 1880) fide Hoge (1958:52).
Sordellina punctata (Peters)
1880 Xenodon punctatus Peters Mber. Akad. Wiss. Berlin: 221, fig. 3: 224.
1890 Pseudoxyrhopus punctatus; Boulenger, Ann. and. Mag. Nat. Hist. (6)
4:313.
1893 Pseudoxyrhopus punctatus; Boulenger, Cat. Snak. Brit. Mus., 7:317.
1909 Liophis rehi Werner, Mitt. Nat. Hist. Mus. Hamburg, 26: 223 — Type lo¬
cality: Ypiranga, S.P., Brazil.
1923 Sordellina brandon-jonesii Procter, Ann. and. Mag. Nat. Hist., (9) 77:227
Type locality: Castro, Paraná, Brazil.
1923 Sordellina pauloensis Amaral, Proc. New England Zool. Club, <S:88 Type
locality: Poá, S.P., Brazil.
1926 Sordellina pauloensis; Amaral Arch. Mus. Nac. Rio de Janeiro, 26:104. Pl.
I fig. 10, 11, 12 and 13.
Type locality: Poá, S.P., Brazil (this is not the original description although
stated as sp. n.). The original description is Amaral (1. c 1923:88).
1929 Pseudoxyrhopus punctatus; Werner, Zool. Jb. Syst., 57:47.
1929 Sordellina brandon-jonesii; Werner, Zool. Jb. Syst., 57:123.
1929 Sordellina pauloensis; Werner, Zool. Jb. Syst., 57:123.
1930 (1929) Liophis rehi = Sordellina brandon-jonesii; Amaral, Mem. Inst.
Butantan, 4:22.
1930 (1929) Sordellina brandon-jonesii; Amaral, Mem. Inst. Butantan, 4:90.
1930 (1929) Sordellina brandon-jonesii = Liophis rehi Werner?; Amaral,
Mem. Inst. Butantan, 4:176.
1936 Sordellina brandon-jonesii; Amaral, Mem. Inst. Butantan, 70:118.
1936 Sordellina pauloensis; Amaral, Mem. Inst. Butantan, 70:118.
1958 Sordellina punctata; Hoge Mitt. Zool. Mus. Berlin, 34: 52, fig. 1, 2 and 3.
1970 Sordellina punctata; Peters and Orejas Miranda, Cat. Neotr. Squamata: 7
Snakes: 282.
Type locality: Brazil. By present restriction: Poá, State São Paulo, Brazil.
Range: Brazil. States of Santa Catarina, Paraná, São Paulo and Mato Grosso
(see map) and Rio de Janeiro fide Peters and Orejas Miranda 7. c.: 282.
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HOGE, A.R. & ROMANO, S.A.R.W.D.L. — Redescription and range of Sordellina punctata (Peters). (Ser¬
pentes, Colubridae). Mem. Inst. Butantan, 40141:63-70, 1976/77.
Fig. 1 — Sordellina punctata IBH 29487 from S.P.
Fig. 2 — Sordellina punctata IBH 10464 M.T.
], | SciELO
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HOGE, A.R. & ROMANO, S.A.R.W.D.L. — Rcdcscription and range of Sordellina punctata (Peters). (Ser- I
pentes, Colubridae). Áíem. Inst. Dutantan, 40/41:63-70, 1976/77.
SCALE COUNTS AND MESURES
OF S.
PUNCTATA SPECIMENS
MUS. Nr.
Sex
V
SC
UL
LL
Head
Body
Tail
1BH 9077
d
142
45/45
8/8
8/7
13,3
255
54
IBH 40166
d
160
54/54
8/8
8/8
14,3
380
92
IBH 40285
d
162
56/56
8/8
8/8
16,8
430
104
IBH 40851
d
160
54/54
8/8
8/8
9,3
172
40
IBH 3007*
d
139
51/51
8/8
8/8
13,4
307
80
IBH 32749
?
169
41/41
8/8
8/8
15,8
415
74
IBH 33201
?
150
40/40
8/8
9/9
14,8
385
70
IBH 22936
?
145
42/42
8/8
8/9
16,8
420
82
IBH 34290
?
149
37/37
8/8
7/8
10,1
192
34
IBH 40760
?
174
49/49
8/8
7/7
10,7
190
41
IBH 22937
?
149
43/43
8/8
8/8
14,4
—
73
IBH 22313
?
174
36/36
8/8
8/8
17,9
535
74inj
IBH 32762
?
168
11/11
8/8
8/8
15,7
450
25inj
IBH 20481
?
172
49/49
8/8
9/9
18,9
485
92
IBH 24313
?
166
44/44
8/8
8/8
18,0
480
85
IBH 10464
?
151
42/42
8/8
8/8
16,3
390
68
IBH 25130
9
148
38/38
8/8
7/9
16,0
360
65
IBH 6791
9
146
39/39
8/8
8/9
18,5
457
85
IBH 25159
9
—
42/42
—
—
12,3
300
55
IBH 34286
9
169
41/41
8/8
8/9
20,4
630
102
IBH 29487
9
148
38/38
8/7
8/8
14,2
337
63
MZU 1579**
d
158
58/58
8/8
—
—
148
36
ZMB type of
9 ?
162
42/42
8
8/8
9,0
161
26
punctatus.
*Type of S.pauloensis
**Paratype of S.pauloensis
Description: Rostral just visible from above; internasals as long or a little
shorter than the prefrontals, which are broader than long; frontal longer than
broad, as long or longer than its distance from the tip of the snout, much shorter
than the parietais; loreal deeper than long; one prae and two postoculars, eight
upper labiais rarely, 4th and 5th entering the eye in 13 specimens, 3th, 4th and
5th in 9 specimens; temporal 1+2 anterior in contract with both postoculars;
7-9 lower labiais, 4 in contact with anterior chin shields, which are shorter than
the strongly divergent posterior ones.
Dorsais in 17-17-17 longitudinal rows. Ventrals 146-172 in females and 139-
160 in males. Anal divided. Subcaudals 38-49 in females and 45-58 in males.
Upper side of the head and dorsum dark brown, sometimes in young specimens a
small white spot on each parietal. Uper labiais dark brown with white spots (fig. 1
and 2). A series of white spots on the 2nd and 3th dorsais, sometimes forming
a linc on the anterior part of the body (fig. 1 and 2). The dark dorsal color
invading outer ends of ventrals. Belly dark brown with two series of yellow
spots (fig. 3 and 5) sometimes fused (fig. 4 and 6). The white (yellow?) spots
on the parietal of type specimen (Peters, 1880 fig. 3a) and also visible on
AmaraPs drawing are rarely observed in adult specimens.
66
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
HOGE, A.R. & ROMANO, S.A.R.W.D.L. — Redescription and range of Sordellina punctata (Peters). (Ser¬
pentes, Colubridae). Alem. Inst. Butantan, 40/41:63-70, 1976/77.
ig. 3 — Sordellina punctata IBH 29487 from S.P
5 — Sordellina punctata IBH 29487 from S.P.
Fig. 4 — Sordellina punctata IBH 1C464 from M.T.
Fig. 6 — Sordellina punctata IBH 10464 from M.T.
cm
SciELO
HOGE, A.R.; CORDEIRO, C.L.; ROMANO, S.A.R.W.D.L. — Redescription on Micrurus donosoi Hogc,
Cordeiro et Romano. (Serpentes, Elapinae). Mern. Jnst. Iiutantan, 40/41:71-73, 1976/77.
55°
50°
45?
200
CORPO EM mm
Fig. 7 •— Geographical distribution of Sordellina punctata.
Fig. 8 — Sordellina punctata. Relação corpo/cauda em mm.
68
cm
2 3
6 SCÍELO 10 2.1 12 13 14 15 16
HOGE, A.R. & ROMANO, S.A.R.W.D.L. — Rcclcscription and range of Sordellina punctata (Peters). (Ser¬
pentes, Colubridae). Atem. Inst. Bulantan, 40/41:63-70, 1976/77.
Specimens Examined: All specimens are from Brazil.
IBH 9077: 1 Mogi das Cruzes S.P; 7/3/35
IBH 40166: 1 cf Iguape S.P.; 29/8/75
IBH 40285: 1 cf Pariquera-Açu S.P.; 17/10/75
IBH 40851: 1 cf Ilha Comprida (Iguape) S.P.; 16/6/76
IBH 3007: 1 d * 1 * III (Type of S. pauloensis ) Poá S.P.; 13/7/22
IBH 32749: 1 cf Pariquera-Açu S.P.; 13/12/71
IBH 33201: 1 cf Santo Amaro S.P.; 9/6/72
IBH 22936: 2? “Pedreira” Santo Amaro S.P.; 7/8/63 and 22937
IBH 34290: 2Ç “Sítio Happy Valley, Estrada Eng. !l Marcilac”, km 39,5, Pare-
lheiros, Santo Amaro S.P.; 29/10/73
IBH 4076: 1 ? Curitiba PR; 24/5/76
IBH 22313: 1 $ Juquiá S.P.; 1/10/62
IBH 32762: 1 $ Miracatu S.P.; 30/11/71
IBH 20481: 1 ? Paranaguá PR; 24/7/61
IBH 24313: 1 $ Jacupiranga, Santo Amaro S.P.; 20/10/64
IBH 10464; 1Ç Porto Esperança “Fazenda dos Cáceres” MT.; 29/11/43
IBH 25130: 1 $ Poá S.P.; 17/9/65
IBH 6791: 1 ? Butantan S.P.; 6/1/32
IBH 25159: 1 ? Criciúma SC; 9/9/65
IBH 29487: 1 $ Sete Barras, near Juquiá S.P.; 24/2/69
MZU 1578: 1 cf (Paratype of S. pauloensis) Rio Grande near “Serra de
Cubatão” S.P.; 3/1902
MZU 1579: 1 cf (Paratype of S. pauloensis) Conceição de Itanhaém S.P.
8/1909
MZU 3481: 1 Camboriú SC
MZU 3482: Vila Prudente S.P.
MZU 2003 Suzano S.P.
ZMB Type of punctatus “Brasilien”
Acknowledgments: We are imlebted to Mr. João Domingues Cavalheiro and Miss.
Alma Yasodhara Hoge for the drawings and map.
RESUMO: Redescrição e distribuição geográfica de Sordellina punctata
(Peters, 1880). Restrição da localidade tipo para Poá, S.P., Brasil.
1880). (*).
UN1TERMOS: Serpentes Colubridae, Sordellina punctata. (Peters,
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Janeiro 26: 95-121+4pl 1926.
3. AMARAL, A. do — Estudos sobre ophidios neotrópicos XVII — Valor systemático
de várias formas de ophidios neotrópicos. Mem. Inst. Butatan 4 :3 — 68, 1930
(1929).
69
cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
HOGE, A.R. & ROMANO, S.A.R.W.D.L. — Rcdoscription and ram-e of Sordfllina ininclata (Peters). (Ser¬
pentes, Colubridae). Mem. Jnst. Butantan, 40/41:63-70, 1976/77.
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Lista remissiva dos ofídios do Brasil. Mem. Instituto Butantan 4T-IV + 73-125,
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5. AMARAL, A. do — Estudos sobre ophidios neotrópicos XVIII Lista remissiva dos
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talogue of the neotropical Squamata: Part. I Snakes I-VIII + 1-347. U.S. Pritting
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Ann. and Mag. Nat. Hist. London(9) 77:227-230, 1923.
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Zool. Jahrb. 57 abt. f. Syst. [1-196 + 48] fig. 1929.
Recebido para publicação em 02-XII-1976 e aceito em 13-IV-1977.
Aí em. Inst. Dutantan
40/41: 71-73, 1976/77.
REDESCRIPTION OP MICRURUS DONOSOI
HOGrE, CORDEIRO ET ROMANO
[SERPENTES: ELAPINAE]
A. R. HOGE*, C.L. CORDEIRO* AND S.A.R.W.D.L. ROMANO*
Seção de Herpetologia, Instituto Butantan
ABSTRACT: Redescription of Micmrus donosoi Hoge, Cordeiro and
Romano, 1976.
UNITERMS: Serpentes, Elapinae Micmrus donosoi Hoge; Cordeiro
and Romano, 1976; M. coUaris (Schlegel 1837); M. narducci (Jan. 1863)
and M. karlschmidti (Romano, 1972).
At the 28th meeting of the “Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciên¬
cia” the authors presented a summary of the description of a new species, Mi-
criirus donosoi named in honor of the late Roberto Donoso-Barros. Micmrus
donosoi Hoge, Cordeiro et Romano 1 , was described after three specimens.
Material: IBH 40.155, 40077 and 40.094 collected by Luiz Werneck de
Castro Filho, respectively at July 30-1975, June 18-1975 and July 4-1975.
AU specimens are from the same locality “Mineração Serra do Sul Ltda”
60 km north of São Felix do Xingu, Long. 51° 55’ W. Lat. 6 o 10’ S. Pará, Brazil.
Holotype: IBH 40.155.
Type locality: “Mineração Serra do Sul Ltda” 60 km north of São Felix
do Xingu, Long. 51° 55’ W. Lat. 6" 10’ S. Pará, Brazil.
Paratypes: IBH Nos. 40.094 and 40077 males, from the same collector and
locality as Holotype.
Diagnosis: A coral snake without rings, entirely black above, related to
Micrurus corallinus (Merrem 1820), differing in: lacking the red bands on the
dorsum (fig. 5 and 6), in having the first black on the belly concave instead of
pointed in front (fig. 1 and 2) and red interspaces of the belly heavily spotted
with black instead of entirely red (fig. 3 and 4).
Micrurus donosoi is easily distinguished from all other Micrurus sp in: la¬
cking the red bands on the dorsum; no white collar on or just behind the pa¬
rietais; and no rows of the transverse white spots.
Supported by a grant of the «Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico» (CNPq).
Endereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - São Paulo - Brasil.
1, i SciELO
HOGE, A.R.; CORDEIRO, C.L.; ROMANO, S.A.R.W.D.L. — Redescription on Micrurtis donosoi Iloge,
Cordeiro et Romano. (Serpentes, Elapinae). Mem. lnst. Bulantan, 40/41:71-73, 1976/77.
0.5 cm
Fig. 1 — Micntrus donosoi, Holotype, showing the concavc black band.
Fig. 2 — Micrurus corallinus, showing lhe pointed black band.
Fig. 3 — Micrurus donosoi, Holotype. Vcntra) view showing the heavily black sptotted red interspaces.
Fig. 4 — Micrurus corallinus. Ventral view showing the entirely red interspaces.
Fig. 5 — Micrurus donosoi, Holotype. Dorsal view showing the entirely black dorsum.
Fig. 6 — Micrurus corallinus. Dorsal view showing the banded pattern.
cm
SciELO
IIOGE, A.R.; CORDEIRO, C.L.; ROMANO, S.A.R.W.D.L. — Rcdescription on Micrurus donosoi Hoge,
Cordeiro et Romano. (Serpentes, Elapinae). Alem. Inst. Bulantan, 40/41:71-73, 1976/77.
Description of Holotype: Rostral slightly broader than deep, frontal nearly
as broad as long, as long as its distance from the rostral, much shorter than the
parietais; parietais a little longer than broad, as long as their distance from the
internasals; one larger preocular; two postoculars; temporais 1+7; 7 upper la¬
biais, (3th and 4th) entering the orbit; 7 lower labiais, four in contact with
anterior chin shields wich are a little shorter than the posterior ones.
Dorsais in 15 longitudinal rows; ventrals 193; anal divided; subcaudals
42/42.
Dorsum and upper side of the head black. Belly with 16 black band se-
parated by red interspaces wich are heavily spotted with black, (fig. 3), 8 black
bands (including tip of tail) on the underside of tail, separated by narrow white
crossbands. Total length 481,9m body 397mm, tail 74mm, head ll,9mm.
Paratypes: N.° 40.077, ventrals 192; subcaudals 44/44; 18 black-crossbands
on the belly and 7 on the underside of tail, head lOmm, body 373mm, tail 56mm.
N.° 40.094, ventrals 192; subcaudals 50/50; 16 black crossbands on the belly
and 11 on the underside of tail, head 10,9mm, body 373mm, tail 74mm.
Notes: Micrurus donosoi differs from M. collaris (Schlegel 1837) 5 , M. nar-
ducci (Jan 1863)- and M. karlschmidti (Romano 1972) 3 in: having only
192-193 ventrals instead of 215-315; the symphysial scale separated from the
anterior chin shields instead of in contact and the absence of the white collar
on or behind the parietais.
Acknowledgments: We are indebted to Mr. João Domingos Cavalheiro for the drawings.
RESUMO: Redescrição de Micrurus donosoi Hoge, Cordeiro e Romano,
1976.
UNITERMOS: Serpentes, Elapinae Micrurus donosoi Hoge, Cordeiro
e Romano 1976; M. collaris (Schlegel, 1837); M. narducci, (Jan, 1863) e
M. karlschmidti (Romano, 1972).
B1BLIOGRAPHY
1. HOGE, A.R., CORDEIRO, C.L. and ROMANO. S.A.R.W.L. — A new species of
Micrurus from Brazil. Ciência e Cultura (Suplemento), 28(7):417-418, July 1976.
2. JAN, G. — Enumerazione sistemática degli ofidi appartenenti al gruppo Coronellidae.
Arch. Zool. Anat. Fisiol, 27(2) :213-330.
3. ROMANO. S.A.R.W.L. — Notes on Leptomicrurus Schmidt. Mem. Instituto Bulantan
25.111-115 + fig. 1 and 2, 1971 (1972).
4. SCHLEGEL, H. — Essai sur la physionomie des Serpens, Partie Générale - I - XVIJT
+ 1-251 + Atlas 21 pl and 3 maps. La Haye Ed. J. Kips. J.H.Z. and W.P. Van
Stockum, 1837.
5. SCHLEGEL, H. — Essai sur la physionamie des Serpens, Partie descriptive. 1 - 606 +
I - XV + Errata + Atlas 21 pl. and 3 maps. La Haye, Ed. J. Kips, J.H.Z. and
W.P. Van Stockum, 1837.
Recebido para publicação em 02-XII-1976 e aceito em 13-IV-1977.
73
cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Butanlan
40/41: 75-78, 1976/77.
POSIÇÃO NOMENCLATURAL DE LEIMADOPHIS
POECILOGYRUS AMAZONICUS AMARAL
[SERPENTES: COLUBRIDAE ]
A. R. HOGE*, S. A. R. W. L. ROMANO* e C. L. CORDEIRO*
Seção de Herpetologia, Instituto Butantan
RESUMO: Tendo Maglio (1970:1) colocado o gênero Leimadophis
Fitzinger na sinonímia de Dromicus Bibron, Dromicus poecUogyrus ama¬
zônicas (Amaral, 1944) passa a ser homônimo secundário de Dromicus
amazônicas Dunn, 1922. Foi dado o nome de Dromicus poecUogyrus
lancinii “nom. nov. pro" Leimadophis poecUogyrus amazônicas Amaral,
1944. Dois exemplares procedentes de Santarém, PA, Brasil, são descritos.
UNITERMOS: Serpentes; Colubridae; Dromicus Bibron; Leimadophis
Fitzinger; Dromicus poecUogyrus amazônicas (Amaral, 1944) (*), Dro¬
micus amazônicas Dunn, 1922. Dromicus amazônicas lancinii nom.
nov.(*) pro; Dromicus poecUogyrus amazônicas (Amaral, 1944).
INTRODUÇÃO
Considerando que Maglio (1970:1) colocou Leimadophis Fitzinger (1843:
26) na sinonímia de Dromicus Bibron (1843:133) e que Dunn (1922:219) des¬
creveu a espécie Dromicus amazonicus, baseado no exemplar M.C.Z. n 9 2820,
procedente de Santarém, Brasil, espécie esta, distinta de Dromicus poecUogyrus
amazonicus (Amaral, 1944), que ficou homônimo de Dromicus amazonicus Dunn,
1922, tornou-se necessário dar um nom. nov.
DISCUSSÃO E CONCLUSÃO
Designamos aqui Dromicus poecUogyrus lancinii ** como nom. nov. pro Dro¬
micus poecUogyrus amazonicus (Amaral, 1944).
* Bolsistas do Conselho Nacional do Desenvolvimento Cientfico e Tecnológico (CNPq).
** Em homenagem ao Dr. Abdcn Ramon Lancini, Diretor do Museu de História Natural de Caracas,
Venezuela.
(*) Unitermos principais.
Endereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - São Paulo - Brasil.
75
cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
HOGE, A.R.; ROMANO, S.A.R.W.D.L.; CORDEIRO, C.L. — Posição nomcnclatural de Leimodophis pocci-
logyrus arnazonicus Amaral. (Serpentes, Colubridae ). Mcm. Inst. Butantan, 40/41:75-78, 1976/77.
Fig. 1 a 3 — Dromicus poccilogyrus lancinii; 1 - Vista dorsal, 2 - Vista ventral, 3 - Detalhe da cabeça
cm
5 6 SCÍELO 10 n 12 13 14 15 16
HOGE, A.R.; ROMANO, S.A.R.W.D.L.; CORDEIRO, C.L, — Posição nonienclatural cie Leimodophis poeci -
logyrus amazonicus Amaral. (Serpentes, Colubridae ). Alem. Insl. Butantan , 40/41:75-78, 1976/77.
Leimadophis poecilogyrus amazonicus Amaral
(1944:81), foi descrita com base em exemplares dos “Estados do Amazonas e
Pará”. Amaral indica como holótipo (sem designar claramente uma localidade
tipo) o exemplar 1B n.° 61, afirmando que o espécimen em questão fora recebido
do Museu Paraense, Pará.
O n ■ 61 da Coleção do 1B é Micrurus frontalis e não Leimadophis poecilo¬
gyrus amazonicus. Não existe nenhum tipo de Leimadophis poecilogyrus amazo¬
nicus na coleção do 1B, donde se conclui que o tipo deve ser considerado como
perdido.
Considerando que Leimadophis poecilogyrus amazonicus Amaral, 1944, não
tinha localidade tipo exata, a não ser a informação “Estados do Amazonas e
Pará”, Brasil, restringimos aqui a localidade tipo a: Santarém, Estado do Pará,
Brasil; localidade da qual temos exemplares na coleção do Instituto Butantan.
Sendo muito mal conhecidas as várias subespécies de Dromicus poecilogyrus,
damos em seguida uma descrição dos dois exemplares de Santarém existentes no
Instituto Butantan. IBH n ? 15039, fêmea (figs. 1 e 2) e 1BH 15053 macho,
ambos coletados por Harold Sioli, localidade tipo Santarém, Pará, Brasil.
Rostral mais larga do que longa, visível por cima; internasais tão longas quan¬
to largas, mais curtas do que as pré-frontais; frontal duas vezes tão longa, quanto
larga, tão longa quanto a sua distância da ponta do focinho, tão longa quanto
as parietais; loreal tão longa quanto larga; uma pré e duas postoculares; tem¬
porais, 1+2; 8 supralabiais, 4 iJ e 5 if entrando na órbita; 10 infralabiais, as quatro
primeiras em contacto com as mentuais anteriores, que são mais longas do que
as posteriores. Escamas dorsais em 19/19/15 séries longitudinais; Ventrais
145; anal dividida; subcaudais 48-48. Comprimento: cabeça 18,8mm, corpo
350mm, e cauda 75mm.
Dorso marrom avermelhado, algumas escamas dorsais orladas de preto, às
vezes agrupadas de maneira a formar faixas transversais estreitas, bem nítidas
na parte anterior. Uma faixa escura na nuca, ocupando um terço da parte
posterior das parietais, indo até às quatro primeiras escamas dorsais. Ventre
esverdeado com manchas pretas na parte externa (fig. 2); IBH n" 15053, macho,
escamas dorsais em 19/19/15 séries longitudinais; ventrais 150; anal dividida;
subcaudais 49-49 (cauda mutilada); 8 supralabiais, (4 :> e 5''); 10 infralabiais
comprimento: cabeça 17,3mm, corpo 360mm c cauda 79mm.
Agradecimentos: Agradecemos ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico — CNPq. pelas bolsas, e, ao Senhor Antonio Seixas Neto pelas fotografias.
ABSTRACT: Since Maglio (1970:1) synonimized Leimadophis Fitzinger
with Dromicus Bibron, Dromicus poecilogyrus amazonicus (Amaral,
1944) becomes a secondary homonym of Dromicus amazonicus Dunn,
1922. The new narne Dromicus poecilogyrus lancinii nom. nov. pro Dro¬
micus poecilogyrus amazonicus (Amaral, 1944) is given to avoid homo-
nymy. Two specimens of Dromicus poecilogyrus lancinii are described.
UN1TERMS: Serpentes; Colubridae; Dromicus Bibron; Leimadophis
Fitzinger; Dromicus poecilogyrus amazonicus (Amaral, 1944)(*)
Dromicus amazonicus Dunn, 1922; Dromicus amazonicus lancinii nom.
nov. (*) pro Dornicus poecilogyrus amazonicus (Amaral, 1944).
77
SciELO
L0 11 12 13 14
IIOGE, A.R.; ROMANO, S.A.R.VV.D.L.; CORDEIRO, C.L. — Posição nomenclatural dc Leimodophis poeci-
logyrus amazonicus Amaral. (Serpentes, Colubridae). Atem. Inst. Butantan, 40/41:75-78, 1976/77.
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3. DUNN, E.R. — Two new South American Snakes. Proc. Diol. Soc. Washington.
55:219 - 220, 1922.
4. FITZINGER, L.I. — Systema Reptilium: 1 - 106, Braumüller et Seidel Vindobonae
1843.
5. MAGLIO, V.J. — West Indian Xenodontine Colubrid Snakes: Their Probable Origin,
Phylogeny, and Zoogeography, Buli. Mus. Coinp. Zoology 141(1): 1-53, 1970.
6. PETERS, J.A. e OREJAS —- MIRANDA, B. — Catalogue of the Neotropical Squa-
mata. Part. I Snakes, U. S. Nat. Mus. Buli, 297, Smithsonian Institution Press,
Washington, D.C. 1970.
Recebido para publicação em 02-XII-1976 e aceito em 13-IV-1977.
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NOTAS BIOLÓGICAS A RESPEITO DO GÊNERO
EUNECTES WAGLER, 1830 “SUCURIS”.
[SERPENTES: BOINAE ]
H. E. BELLUOMINI, T. VEINERT*, F. DISSMANN*, A. R. HOGE* e A. M. PENHA**
Instituto Butantan, Fundação Parque Zoológico e Instituto Biológico
RESUMO: Os autores apresentam dados ecológicos de “sucuris”, Eunectes
murinus, obtidos durante excursão científica, e dados biológicos através
de necropsias, observações de animais no Zoo, assim corno de filhotes,
nascidos e criados pela primeira vez em cativeiro até à maturidade sexual
no Zoológico de São Paulo. Especial atenção foi dada ao crescimento,
peso e comprimento, bem como comportamento na alimentação.
UNITERMOS: Eunectes murinus murinus ,(*). Eunectes murinus scyta-
/?,(*). Eunectes murinus notaeurs e Eunectes murinus ciechouenseci, Ser¬
pentes. Cativeiro. Comportamento de sucuris. Filhotes de sucuris.
INTRODUÇÃO
Tentativas na observação e na obtenção de maiores conhecimentos a res¬
peito de serpentes do gênero Eunectes Wagler 1830 — sucuris ou anacondas —
sempre encontraram maiores dificuldades no que diz respeito ao estudo no próprio
“habitat”, visto que apenas fortuitamente são encontradas na água ou nas mar¬
gens de rios, além dos perigos que oferecem na captura e no manuseio.
Amaral (1) — comentou o seguinte: “Essa escassez de observações de
ordem biológica, parece-nos estar ligada a vários fatores, entre os quais talvez
se possa assinalar o perigo ao qual com frequência estão sujeitos aqueles que se
dedicam a esse afanoso, mas de certo modo interessante gênero de estudo. Em
seguida, cumpre registrar o primeiro fato de que quase sempre o encontro de
serpentes em seu “habitat” em suas atitudes físicas estar ligado às circunstâncias
inteiramente ocasionais; e, depois o insucesso que em via de regra resulta de
excursões porventura empreendidas com o fim de realizar observações dessa na¬
tureza”.
Vanzolini (23), nos 30 trabalhos que catalogou a respeito de répteis que
se alimentam na água doce ou salubra, mostrou que há apenas 10 referências do
Trabalho realizado na Fundação Parque Zoológico de São Paulo.
** ®°histas do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
., ǰhssor contratado do Depto. de Estatística da UN1CAMP.
( ) Unitermos rinciais.
Nota: F. Dissman, faleceu em 3 cie janeiro de 1976.
Endereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - Sao Paulo - Brasil.
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BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE, A.R.: PENHA, A.M. — Notas biológicas
a respeito cio gênero Eunectes Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Atem. lnst. Butantan,
40/41:73-115, 1976/77.
gênero Eunectes, evidenciando a carência de dados a respeito desses animais,
incluindo “trabalhos feitos dentro das fronteiras do Brasil ou com animais de
comprovada procedência brasileira, outros realizados em áreas limítrofes inte¬
ressantes devido à falta geral de informações”.
Alimentação
A literatura apresenta uma série de narrativas a respeito da alimentação
desses avantajados répteis, onde as lendas se misturam até certo ponto com a
realidade.
Couto de Magalhães (17), ao descrever a força da anta (Tapirus) escre¬
veu que ela é tão considerável a ponto de permitir ao animal escapar à laçada
da “sucuri”, serpente que considerou possuidora de contratura flexível e elástica
como a do aço, apresentando semelhança e resistência à de um cabo de navio e
continuou:
“A Sucury ou Sucuryuba, como é conhecida no Norte, faz suas prêsas da
seguinte maneira: prende a extremidade da cauda, que é revestida d’uma for¬
midável unha, às partes fortes das raízes de solapa no fim do poço, que serve
de bebedouro aos animais (gado vacum, cavalar, veados, etc.) e a parte supe¬
rior do corpo ela oculta em rodilho nas macegas altas ou aguapés das margens;
e aí espera, de espreita, a primeira criação, que se aproxima para, de bote
certeiro, atravincar-lhe os dentes e rápido arrastá-la para dentro d’água. Para
o fim de engolir a sua presa, depois de babá-la toda d’uma gosma viscosa e
fétida, envolve-a nos fortes anéis que apertam até triturar os ossos todos, dei¬
xando o corpo da vítima que nem um saco de areia. Só não consegue quebrar
os chifres do gado vacum ou do cervo; e então mete-se n’água a fim de ali a
armação cair putrefacta, gestão essa morosa, o que reclama muitas semanas”.
Observou também, que foi encontrado dentro do estômago de espécime uma
suaçuapara (veado do tamanho de um novilho), medindo a circunferência da
sucuri, na ocasião, mais de 7 palmos, devido a gazes do animal em estado de
putrefação dentro do corpo da sucuri. Escreve o autor que a cabeça desta cobra
não era maior que a mão de um homem.
Cita ainda que, “quando da procriação da sucuri ouve-se um bramido bas¬
tante intenso”.
Padre Anchieta narra: “As sucuriubas engolem, como disse, alguns animais
grandes que os índios chamam Tapiara (anta); e como o estômago não possa
digerir, ficam estendidas no chão, como se estivessem mortas, não se podendo
mover até que o ventre apodreça juntamente com o alimento; então as aves de
rapina lhes dilaceram o ventre e o devoram ao mesmo tempo que o seu repasto;
depois, informe e semi-devorada, a serpente começa a se reformar, crescem-lhe
as carnes, estendem-lhes a pele e volta à sua antiga forma”. [Vide von
Ihering (15)].
Martius, citado por Taunay (22) — escreve: “No assalto, ela segura-se
pela cauda numa árvore ou saliência de rocha e lança-se impetuosa sobre a
vítima, enroscando-se em volta dessa, partindo-lhe os ossos, para devorar.
O que dela se conta, de cobrirem a prêsa previamente de baba, parece fan¬
tasia. As cobras adultas, quando esfomeadas, atacam cavaleiro a cavalo, ou
mesmo um boi, que engolem até os chifres, ficando estes nas faces, até caírem
apodrecidos”.
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BELLUOMINI, II.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; ÍIOGE, A.R.; PENIIA, A.M. — Notas biológicas
a respeito do gênero Eunecte: Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Atem. Insl. Butanlan,
40141:73-115, 1976/77.
Taunay (22) — escreveu: “As sucurys (Boa murina ou scytale de Linneu)
atingem proporções que as tornam entes deslocados na natureza proporcional ao
nosso globo, etc., tipos sobreviventes dos períodos anti-diluvianos, como são os
rhinocerontes, hippopótamus e elephantes”.
“Uma sucuri de 40 palmos, 12 de circunferência engolira alentado veado
(coxim), estava em começo de digestão e estirado ao fio comprido, deixou-se
esbordoar até morrer, sem quase se mexer”.
Taunay não acreditava no ronco ou grito de extraordinário estridor, ouvin-
do-se a “distâncias pasmosas” e que diziam ser oriundos das sucuris. Em seu
livro faz comentários à História do Paraguai escrita pelo jesuíta Charlevoix e
chega a referir: “que tais monstros se atiram às mulheres com outro fim que
não simplesmente devorá-las e cita o testemunho do padre Montoya, que, em
certa ocasião, confessara uma índia in-extremis — e cita ainda voltado para esses
animais, com critério e erudição, autores como Martius, Spix, Humboldt, August
De Saint-Hilaire, Ayres Do Casal, além de fazer referências à experiência pessoal
do famoso guia Lopes da “Retirada da Laguna”.
Dados preciosos a respeito de sucuris aparecem em 3 trabalhos de Rudolph
von lhering (15): “Alimentam-se de peixes, aves aquáticas, grandes mamíferos
■— capivaras, antas, veados. O mesmo autor assinalou que uma sucuri em cati¬
veiro passou 19 meses sem se alimentar e não chegou a emagrecer”. Alimen¬
tam-se de peixes, aves aquáticas e grandes mamíferos que freqüentam as águas
onde ela passa a maior parte de sua vida. Surpreende outros animais nos bebe¬
douros, tais como antas, capivaras, veados, etc.”.
A Enciclopédia Britânica (12) cita, baseada em Pope, o seguinte: “The
anaconda feeds chiefly at night upon birds and other animais, which it lcills by
constriction. Good sized caymans are regulary killed and eaten by anacondas.
In contrast to the boa constrictor, the anaconda spends most of its time in the
water, lying submerged with only a small part of its head above the surface,
waiting for any suitable prey. Only seldom does it establish itself in the bran-
ches of trees as the boa does.
The young, born alive, are 36 in. long at birth. A brood of 72 has been
recorded”.
Belluomini e Hoge (7) verificaram que uma sucuri havia comido um coelho
e logo em seguida um cágado, tomando o abdômen da serpente forma arredon¬
dada semelhante à de um quelônio, o que fez com que temessem pela vida do
animal. Chapas radiográficas, tiradas na ocasião, permitiram constatar o pro¬
cesso de rápida digestão da carapaça da vítima.
Belluomini, Hoge e Nina (8) — estudaram filhotes de “sucuris” alimenta¬
dos com camundongos e puderam determinar curva de crescimento e peso duran¬
te 18 meses. Nessa ocasião os autores verificaram a tendência dos filhotes de
alimentarem-se sob a água, tendo a facilidade de ingerir suas vítimas, submersas
e podendo permanecer assim tempo relativamente longo. Verificaram ainda, que
as sucuris adultas preferiam, quando possível, alimentarem-se sob a água apa¬
nhando suas vítimas na superfície. Torna-se compreensível esse fato conside-
rando-se o comprimento e peso dessas serpentes que podem chegar a mais de
20 kg por metro de comprimento.
Belluomini e cols. (9, 10, 11) publicaram notas preliminares a esse res¬
peito.
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BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; IIOGE, A.K.: PENHA, A.M. — Notas biológicas
a respeito do gênero Eunectes Wagler 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Atem . Inst. Butantan,
40141:79-115, 1976/77.
Tamanho
Há uma série de lendas a respeito do tamanho de “sucuris monstruosas”.
Fonseca (13) publicou em seu livro, carta dirigida ao Instituto Butantan
pelo sertanista e oficial do Exército Brasileiro Marechal Cândido Mariano da
Silva Rondon, assinalando o encontro de uma “sucuri”, provavelmente Eunectes
murinus, com aproximadamente 12 metros de comprimento, exemplar esse con¬
siderado o maior assinalado para o território brasileiro.
Amaral (4), em trabalho a respeito de serpentes gigantes, situou bem o
tamanho desses ofídios que podem chegar a tamanhos avantajados.
Von Ihering (14, 15, 16) assinalou que a maior pele de sucuri conhecida
encontra-se depositada no Museu de Londres e mede 8,70 metros.
No Instituto Butantan e na Fundação Parque Zoológico de São Paulo já
foram assinalados exemplares com aproximadamente 6,30 metros. De modo
geral, “sucuris” adultas estão situadas entre 4 e 5 metros de comprimento, e
quando em estado de nutrição razoável, aparentando condições razoáveis de
saúde, apresentam um peso que varia de 50 a 100 kg, o que corresponde apro¬
ximadamente a 10 a 20 kg por metro.
Em função desse peso e de seu comprimento, locomovem-se lentamente em
terra e podem ser capturadas com relativa facilidade por equipe de três homens.
Entretanto, dentro d’água são extremamente ágeis e deslocam-se com grande
facilidade, passando a maior parte do tempo, imersas ou com apenas o focinho
de fora. Admite-se que na água, além de perigosas, seriam imbatíveis.
As espécies conhecidas de “sucuris” são E. murinus e E. deschauenseei com
tamanho maior, E. notaeus com tamanho médio e E. barbouri com menor com¬
primento.
A “sucuri” é considerada como sendo uma das maiores serpentes conhe¬
cidas no globo terrestre.
Tem como rival, em tamanho, a Python reticulatus das ilhas de Sumatra e
de Borneo, Filipinas, Malásia e parte da índia, que chega a atingir 10 m de
comprimento. Tem-se notícias de um exemplar com ll,28m de comprimento,
podendo atingir, segundo alguns caçadores, 12 a 15 m de comprimento.
Nomes Vulgares
Eurico Santos (21) conseguiu catalogar uma série de nomes regionais para
as serpentes do gênero Eunectes:
Sucuri: sucurijuba, denominação dada no Norte; sucuriú e sucurijá, na
Amazônia; também é conhecida como boi-assú ou boi-guaçú, minhocão e vi-
borão.
Sucuri: de çuu-curi: ao que morde depressa.
Sucurijuba, sucuriuba: de çuucuri-yuba = sucuri amarela.
Boiuna: de m’boi-una = cobra preta.
Boiçu: de m’boi-açu = cobra grande.
Boitiaboia: de boitiaboi = cobra cipó ou de chicote.
Arigbóia: de ar-yg-m’boi = cobra que nasce na água.
Curudiu ou curutijú: de curu-tyju = secura na güela.
Encontram-se nas matas que margeiam os grandes rios. Não ocorrem nos
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a respeito do gênero Eunectes Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Mem. Inst. Bulantan,
40141:79-115, 1976777.
Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e no litoral de São Paulo, mas
no interior deste último estendem-se para o norte até o Orenoco.
Eunectes notaeus, conhecida como sucuri amarela, é de um colorido ama¬
relo oliváceo. Habita a região banhada pelo rio Paraguai, encontra-se em Mato
Grosso e Goiás, mais especificamente no Pantanal de Mato Grosso.
O mesmo autor faz referências ao tamanho de sucuris, escrevendo que peles
de 8 m por 75 cm de largura não são raras.
Afrânio do Amaral (3) também catalogou uma série de nomes para ser¬
pentes do gênero Eunectes:
Em tupi-guarani, sucuri e suas variantes: sucurijú e sucuriú, outra variante
sucurijuba, boiuna, jiboiaçú, variante boiaçú, boiguaçú, boitiaboia, aragboia, além
de minhocão e viborão.
Curutijú, ampallagua, assim é conhecida a espécie Eunectes notaeus Cope,
1862, Bacia do Paraguai e Paraná.
Reprodução
Amaral (2), em trabalho a respeito da contribuição à biologia dos ofídios
brasileiros, colocou as “sucuris” entre as serpentes ovovivíparas, admitindo um
período de prenhez de aproximadamente seis meses.
Belluomini e Hoge (6), em observação realizada em exemplar de Eunectes
murinus e na qual realizaram operação cesariana, admitiram também o período
de aproximadamente seis meses de prenhez, embora desconhecendo a data de
cobertura dessa fêmea.
Número de filhotes
Várias ninhadas de “sucuris” têm sido observadas, por intermédio de ne¬
cropsias ou de tentativas de criação em cativeiro de acordo com os trabalhos
de Belluomini, Nina e Hoge (8), e de Belluomini e Hoge (6) que, realizando
intervenção cesariana em exemplar de Eunectes murinus, verificaram a presença
de 82 filhotes (o primeiro nasceu morto). Esse número, de acordo com os
escassos dados da literatura, é o maior verificado até à presente data. Há citação
de Pope (20) 1955, mencionando fêmea grávida de Anaconda de 19 pés de
comprimento (5,70m), 236 lbr (107,05kg) e que teve 72 filhotes, cada um com
mais ou menos 38 polegadas (96,52 cm).
As ninhadas que puderam ser observadas no Instituto Butantan foram as
seguintes, de acordo com os dados dos autores supracitados:
1": ninhada 1952 de Eunectes murinus (adquirida na rua São Bento, São
Paulo), procedente de Rio Negro, território do Rio Branco, com 70 filhotes,
37 machos e 33 fêmeas. (Necropsia).
2 I >: ninhada de Eunectes murinus procedente de Soure, Ilha de Marajó,
com 82 filhotes, nascidos de operação cesariana, o primeiro nasceu morto; os
restantes assim distribuídos: 44 machos, 39 mortos e 5 vivos, 53,6%; 38 fê¬
meas, 35 mortas e 3 vivas, 46%. Dos 8 vivos 3 morreram depois de um certo
tempo e os 5 restantes sobreviveram 18 meses.
Os filhotes nasceram de modo geral com 70 cm de comprimento e 200 g
de peso.
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BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE, A.R.; PENIIA, A.M. — Notas biológicas
a respeito elo gênero Eunectes Wagler, 11130 «sucuris». (Serpentes lloinae). Mem. Inst. llulnntan,
40141:79-115, 1976/77.
3 o : ninhada de Eunectes deschauenseei, procedente de tuyuyu. Ilha de
Marajó, com 3 filhotes, 2 fêmeas e 1 macho. (Necropsia).
4": ninhada de Eunectes deschauenseei, procedente de Tuyuyu, Ilha de
Marajó, com 7 filhotes, 2 fêmeas e 5 machos. (Aborto).
5": ninhada dc Eunectes deschauenseei, procedente de Tuyuyu, Ilha de
Marajó, com 4 filhotes, 2 machos, 1 fêmea e 1 quarto filhote cujo sexo não
pôde ser determinado porque foi comido (ofiofagia). Os vivos chegaram a
morrer posteriormente.
6’: ninhada de Eunectes notaeus, procedente de Aquidauana, Mato Gros¬
so, com 13 filhotes, 8 machos e 5 fêmeas. (Necropsia).
Os autores, ao examinarem o tamanho dos filhotes das 6 ninhadas, obser¬
varam que os filhotes da ninhada Eunectes murinus eram os maiores; e o nú¬
mero de machos era maior, assim como, também, os filhotes de Eunectes des¬
chauenseei são maiores que os de Eunectes notaeus.
Posição Sistemática
Peters e Orejas-Miranda (19) apresentaram a seguinte posição sistemática
para o gênero Eunectes:
Reptilia: Serpentes: Boidac
Eunectes Wagler
1830 Eunectes Wagler. Nat. Syst. Amphib.: 167. Espécie tipo: Boa murina
Linnaeus. Distribuição: Venezuela e Colombia até a Argentina.
Eunectes barbouri Dunn and Conant.
1936 Eunectes barbouri Dunn and Conant, Proc. Acad. Nat. Sei. Phila.,
88.504, pi. 14, fig. I. Localidade tipo: Ilha de Marajó, boca do Rio Amazonas,
Brasil. Distribuição: Ilha de Marajó, Brasil.
Eunectes deschauenseei Dunn and Conant.
1936 Eunectes deschauenseei Dunn and Conant, Proc. Acad. Nat. Sei. Phi¬
la., 88.505, pl. 14, fig. 2. Localidade tipo: Ilha de Marajó, boca do Rio Ama¬
zonas, Brasil. Distribuição: Ilha de Marajó, Brasil.
Eunectes murinus (Linnaeus).
1758 Boa murina Linnaeus, Systcma Naturae, Ed. 10:215. Localidade tipo:
“América”.
1831 Eunectes murina — Gray, Synopsis Species Class Reptilia, in Griffith,
Cuvier’s Animal Kingdom, 9:96. Distribution: Venezuela e Colombia até a Bo¬
lívia.
Com duas subespécies.
Eunectes murinus murinus (Linnaeus).
1758 Eunectes scytale Linnaeus, Systema Naturae, Ed. 10:214. Localidade
tipo: Américas.
1824 Boa aquatica Wied, Isis von Oken, 6:664. Localidade tipo: Brasil.
1936 Eunectes murinus murinus — Dunn and Conant. Proc. Acad. Nat. Sei.
Phila., 88:503. Distribuição: Amazonian drainage.
Eunectes murinus gigas (Latrcille).
1802 Boa gigas Latreille, in Sonnini and Latreille, Hist. Nat. Rept. 3:196.
Localidade tipo: Guiana.
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a respeito do gênero Eunectes Wngler 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Mem. Inst. Bulantan,
40141:79-115, 1976/77.
1803 Boa anaconda Daudin (substitute name for Boa gigas. (Latreille),
Hist. Nat. Rept., 5:161, pl. 63, fig. 2.
1936 Eunectes murinus gigas — Dunn and Conant, Proc. Acad. Nat. Sei.
Pliila., 88:503. Distribution: Colombia, Venezuela, Guianas e Trinidad.
Eunectes notaeus Cope.
1862 Eunectes notaeus Cope, Proc. Acad. Nat. Sei. Phila., 1862:70. Loca¬
lidade tipo: Rio Paraguai e seus tributários.
Dunn e Connant (página 503) distinguem duas formas de E. murinus, ou
seja, E. murinus e E. gigas.
E. gigas “sensu” Dunn e Connant difere de murinus pela faixa post-ocular
distintamente mais clara do que a cor do corpo e bordejada por duas faixas
escuras ao em vez do observado em murinus, onde a faixa post-ocular é da
mesma cor do fundo.
Dunn e Connant atribuíram a forma murinus à espécie descrita por Lin-
naeus no Sistema Natural (página 215) baseado no desenho de Seba, mencio¬
nado por Linnaeus. Todavia, o tipo de Boa murina Linnaeus ainda existe no
Naturhistoriska Riksmuseum de Stockholm. Sch. n.° 9.
O estudo do exemplar tipo — holótipo — feito por A.R. Hoge, no local,
bem como as fotografias gentil mente fornecidas por Ulf Bergstrõm demonstra
claramente que se trata da forma com faixa post-ocular larga e clara (Fig. 20),
sendo conseqüentemente idêntica à espécie posteriormente descrita por Latreille
como Boa gigas.
Dunn e Connant distinguiram corretamente duas formas, mas consideraram
murinus como distinta de gigas.
À vista do acima exposto, gigas é um sinônimo de murinus. A forma con¬
siderada como murinus por Dunn e Connant necessita de um nome. Há dois
nomes que entram em consideração: Eunectes scytale Linnaeus localidade tipo
“América”, atualmente na sinonímia de murinus “sensu” autores e Boa aquatica
Wied localidade tipo Brasil. Wied, na sua descrição, menciona uma faixa lar¬
ga e alaranjada para Boa aquatica, o que leva a considerar sua espécie como
sinônimo de Eunectes murinus Linnaeus.
Embora o tipo de Boa scytale Linnaeus esteja perdido, é bem provável que
Linnaeus distinguiu as duas formas, razão pela qual fica aqui escolhido o nome
de scytale para a forma de faixa post-ocular com a mesma cor do fundo.
CHAVE ARTIFICIAL PARA AS SUBESPÉCIES DE Eunectes murinus.
1 — área post-ocular clara (no álcool).
alaranjada ou amarela no vivo . murinus
2 — área post-ocular da cor do fundo. scytale
Eunectes murinus murinus Linnaeus
1758 Boa murina Linnaeus, Syst. Nat. L Ed. 10:215
1802 Boa gigas Latreille, in Sonnini e Latreille. Hist. Nat. Rept. 3:136.
1824 Boa aquatica Wied, Isis von Oken, 6:664.
1936 Eunectes ( murinus ) gigas, Dunn et Connant. Proc. Acad. Nat. Sei.,
Philadelphia 55:503.
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BELLUOMINI, ÍT.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; ROGE, A.R.; PENIIA, A.M. — Notas biológicas
a respeito do gênero Eunectes Wagler. 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Mem. Inst. Butunlan ,
40I41:70-1U, 1976/77.
Eunectes murinus scytale Linnaeus
1758 Boa scytale Linnaeus, Syst. Nat. 1 Ed. 70:216.
1936 ( Eunectes murinus) murinus, Dunn et Connant, Proc. Acad. Nat.
Sei., Philadelphia 55:503.
PROPOSIÇÃO
A Fundação Parque Zoológico de São Paulo proporcionou, em junho de
1965, excursão científica à Baía de Samambaia, em uma área de aproximada¬
mente 20 km-, situada no Rio Samambaia, afluente do Rio Paraná, localizada
junto ao Município de Bataiporã, Estado de Mato Grosso. Dessa região, o
Zoo de São Paulo vinha recebendo exemplares de “sucuris” — Eunectes murinus,
que eram mantidas com dificuldades de sobrevivência em cativeiro e em expo¬
sição na chamada “casa das cobras”.
A viagem teve como intuito serem feitas observações desses répteis de água
doce no ambiente natural, obter dados ecológicos, para melhor adaptação e
sobrevivência em cativeiro. Capturar mais exemplares das citadas cobras e in¬
clusive se possível fêmeas prenhez, para estudos de ninhadas.
Participaram dessa excursão os Srs. Hélio Emerson Belluomini, Evandro
Luiz Cembranelli, assistente da Diretoria do Zoo de São Paulo e conhecedor
da região, e o Sr. Pedro Domingos dos Santos, residente em Bataiporã, e res¬
ponsável pela captura das serpentes.
MATERIAL E MÉTODO
Primeira parte
O material considerado para a primeira parte deste trabalho é composto
por serpentes Eunectes murinus, 4 (quatro) fêmeas, oriundas do Rio Samambaia
— Bataiporã — MT, capturadas em junho de 1965 e por exemplar da mesma
espécie, fêmea, enviada ao Zoo cm 1973, procedente de Amambaí, MT. Todos
os exemplares foram necropsiados após a morte. As serpentes são as seguintes:
1 — Eunectes murinus — (n.° 25857 da coleção herpetológica do Instituto
Butantan — doação da Fundação Parque Zoológico de São Paulo) — pro¬
cedente de Bataiporã. MT., fêmea com 391 cm de comprimento, necropsia-
da em 06.09.65.
2 — Eunectes murinus — (n.° 25858 da coleção herpetológica do Insti¬
tuto Butantan — doação da Fundação Parque Zoológico de São Paulo) —
procedente de Bataiporã MT., fêmea com 384,2 cm de comprimento, ne-
cropsiada em 31.07.65.
3 — Eunectes murinus — (n.° 25859 da colecão herpetológica do Instituto
Butantan — doação da Fundação Parque Zoológico de São Paulo) — pro¬
cedente de Bataiporã MT., fêmea com 493,3 cm de comprimento, necropsia-
da em 16.08.65.
4 — Eunectes murinus — (n.° 25860 da coleção herpetológica do Insti¬
tuto Butantan — doação da Fundação Parque Zoológico de São Paulo) —
86
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F
a respeito do gênero Eunecles Wagler, 1830 «sucuris».
40/41:79-115, 1976/77.
HOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
(Serpentes Boinae). Alem. Inst. Butantan,
procedente de Bataiporã MT., fêmea com 430 cm de comprimento, ne-
cropsiada em 13.07.65.
5 — Eunectes murinus — (n.° 36802 da coleção herpetológica do Insti¬
tuto Butantan — doação da Fundação Parque Zoológico de São Paulo) —
procedente de Amambaí MT., fêmea com 512 cm de comprimento, ne-
cropsiada em 30.05.73.
Segunda parte
Na segunda parte do trabalho são consideradas as observações relativas a
2 filhotes (macho e fêmea que viveram cinco anos) sobreviventes de ninhada
nascida em cativeiro e oriunda de uma das fêmeas (n.° 25858) estudada na
primeira parte.
RESULTADOS
Necropsias e número de filhotes assinalados.
Eunectes murinus (n.° 25857 da coleção do Instituto Butantan), proce¬
dente de Bataiporã MT., fêmea com 391 cm de comprimento, necropsiada em
06.09.65. Nada para assinalar.
Eunectes murinus (n.° 25858 da coleção do Instituto Butantan), proce¬
dente de Bataiporã MT., fêmea com 384,2 cm de comprimento, necropsiada em
31.07.65. Encontrava-se prenhe. Conseguiu expulsar 8 filhotes, em 14.07.65,
3 mortos, 5 vivos, dos quais 3 morreram em 24 horas e 2 viveram até 22.05.70.
Após à morte da fêmea em 31.07.65, a necropsia assinalou a presença de ovo
atrésico volumoso, situado no lugar correspondente ao nono filhote, no oviduto
direito, o que motivou a interrupção do parto por obstrução junto à cloaca e
impediu a expulsão dos quatro filhotes restantes desse oviduto.
O volume desse ovo atrésico provocou, pelo seu tamanho, obstrução total
da região onde se situa o resquício de pélvis. Conseqüentemente, 12 filhotes que
se encontravam no oviduto esquerdo não tiveram possibilidade de nascer. Dois
filhotes romperam o oviduto em sua parte anterior e saíram para a cavidade
geral, localizando-se um sobre o fígado e o outro sobre o próprio oviduto na
altura do rim direito, onde morreram e entraram em putrefação e por isso não
puderam ser fixados em formo! a exemplo dos demais.
Os filhotes nascidos do oviduto direito foram numerados de 25861 a
25868, e os restantes, do mesmo oviduto, de 25869 a 25872.
Os filhotes contidos no oviduto esquerdo receberam os números de 25873
a 25882. Os filhotes que foram encontrados na cavidade geral, macho e fêmea,
não puderam ser aproveitados.
Total de filhotes 26, dos quais 24 mortos e 2 que viveram até 22.08.70.
Excluindo-se os inaproveitáveis e os 2 vivos, essa ninhada fica com 22 filhotes.
A proporção entre machos e fêmeas é de 50%, sendo a mesma proporção man¬
tida para os dois sobreviventes.
A “causa mortis” da fêmea mãe foi atribuída à ruptura de oviduto e toxe¬
mia gravídica.
Dados biométricos e de lepidose: Tabelas 1, 2, 3 e 4.
Figuras: n.°s 4, 7, 10, 13, 16 e 19.
87
cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; IIOGE, A.R.; PENIIA, A.M. — Notas biológicas
a respeito do gênero Eunecíes Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Alem. Inst. Butanlan,
40141:79-115, 1976/77.
TABELA 1
DADOS BIOMÉTRICOS REFERENTES AOS FILHOTES FÊMEAS DE
Eunecíes murinus n.° 25858.
Sexo
cm
cm
cm
Corpo +
C.cabeça
C.corpo
C. cauda
cabeça
Total
Fêmea adulta
20,0
306,2
58,0
326,2
384,2
Filh. n. 9 Ovidutos*
25864
OD.
?
3,34
65,3
11,3
68,64
79,94
25865
OD.
9
3,39
64,5
11,2
67,89
79,09
25866
OD.
?
3,34
65,5
12,0
68,84
80,84
25868
OD.
9
3,30
66,5
11,9
69,80
81,70
25869
OD.
9
3,27
69,0
13,0
72,27
85,27
25870
OD.
9
3,34
67,5
12,5
70,84
83,34
25871
OD.
9
3,56
67,0
12,3
70,56
82,86
25875
OE.
9
3,41
64,5
12,7
67,91
80,61
25876
OE
9
3,33
64,0
13,0
67,33
80,33
25880
OE.
9
3,32
65,0
12,2
68,32
80,52
Observações: Dados biométricos referentes a filhotes da fêmea Eunecíes murinus,
procedente de Bataiporã, MT, necropsiada aos 31.07.65 e que
recebeu o N.° 25858 I.B.H.
* OD = oviduto direito e OE = oviduto esquerdo
TABELA 2
DADOS BIOMÉTRICOS REFERENTES AOS FILHOTES MACHOS DE
Eunecíes murinus n. 9 25858.
Sexo
cm
C.cabeça
cm
C.corpo
cm
C. cauda
Corpo +
cabeça
Total
Fêmea adulta
9
20,0 -
306,2
58,0
326,2
384,2
Filh. n. 9
Ovidutos*
25861
OD.
cf
3,36
65,5
11,9
68,86
80,76
25862
OD.
d
3,35
65,5
11,9
68,85
80,75
25863
OD.
d
3,37
62,2
11,9
65,57
77,47
25867
OD.
d
3,31
68,2
11,7
71,51
83,21
25872
OD.
d
3,27
63,5
12,6
66,77
79,37
25873
OE.
d
3,37
64,0
11,9
67,37
79,27
25874
OE.
d
3,43
66,0
12,2
69,43
81,63
25877
OE.
d
3,25
64,5
12,5
67,75
80,25
25878
OE.
d
3,21
63,0
12,1
66,21
78,31
25879
OE.
d
3,29
63,0
12,5
66,29
78,79
25881
OE.
d
3,37
66,0
12,4
69,37
81,77
25882
OE.
d
3,44
66,0
12,7
69,44
82,14
Observações: Dados biométricos referentes a filhotes da fêmea Eunecíes murinus,
procedente de Bataiporã, MT, necropsiada aos 31.07.65 e que
recebeu o N.° 25858 I.B.H.
* OD = oviduto direito e OE = oviduto esquerdo
88
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE
1 a respeito do gênero Eunectes Wagler 1830 «sucuris».
1 40141:79-115, 1976/77.
A.R. ;
Serpente
PENHA, A.M. — Notas
s Boinae). Mem. Inst.
biológicas
Butantan,
TABELA 3
i DADOS DE LEPIDOSE REFERENTES AOS FILHOTES FÊMEAS
DE
Eunecíes murinus n.°
25858
Sub-
Sub-
Infra-
Sexo
Dorsais
Ventrais
Anal.
caud.
lab.
lab.
Fêmea
adulta
?
50/64/38
256
i
67
17-15
23-23
Filh. n.
• Ovidutos*
25864
OD.
?
52/64/40
250
i
71
16-16
22-21
25865
OD.
9
52/65/39
251
i
74
16-17
22-23
25866
OD.
9
51/68/40
249
i
75
17-17
22-23
25868
OD.
?
52/66/39
250
i
73
17-17
21-23
25869
OD.
9
53/64/39
249
i
76
16-16
21-22
25870
OD.
$
52/68/41
248
i
72
16-16
22-23
25871
OD
9
51/68/39
248
i
75
16-16
23-23
25875
OE.
9
51/66/38
250
i
71
16-17
21-22
25876
OE.
9
54/64/40
247
i
75
17-17
21-22
25880
OE.
9
51/67/39
247
i
75
16-17
21-23
Observ
ações: Contagem de escamas referentes a
filhotes da fêmea Eunectes mu-
riiuts, procedente de Bataiporã, MT, necropsiada aos 31
.07.65 e
que
recebeu o N.° 25858 l.B.H.
* OD
= oviduto direito
e OE = oviduto esquerdo
TABELA 4
DADOS DE LEPIDOSE REFERENTES AOS FILHOTES MACHOS DE
Eunectes murinus n.° 25858
Sub-
I Sub-
Infra-
Sexo
Dorsais
Ventrais
Anal.
caud.
1 lab.
lab.
Fêmea
adulta
9
50/64/38
256
1
67
17-15
23-23
Filh. n.
Ovidutos
*
25861
OD.
d
55/65/40
251
1
76
16-17
24-23
25862
OD.
d
51/64/38
251
1
73
17-16
22-22
25863
OD.
d
51/66/38
247
1
79
17-16
24-22
25867
OD.
d
51/66/38
249
1
71
16-16
22-22
25872
OD.
d
52/66/41
247
1
77
17-16
21-20
25873
OE
d
52/66/40
251
1
74
17-16
22-21 j
25874
OE.
d
52/66/40
251
1
71
17-15
21-21 I
25877
OE.
d
51/67/41
248
1
72
16-16
22-23
25878
OE.
d
53/67/40
250
1
72
17-15
22-21 I
25879
OE.
d
53/67/40
251
1
74
17-17
21-23
25881
OE.
d
51/62/39
249
1
79
16-16
21-21
25882
OE.
d
50/65/38
253
1
78
16-16
22-22
Observações: Contagem de escamas referentes a
filhotes da fêmea Eunectes mu-
rinus
, procedente de Bataiporã, MT, necropsiada aos 31
.07.65 e
que
recebeu o N.° 25858 l.B.H.
* CD
= oviduto direito
e OE = oviduto esquerdo
89
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T. ; DISSMANN,
a respeito do gênero Eunectes Wagler, 1830
40141:79-115, 1976/77.
F.; IIOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas bioVógicas
«sucuris». (Serpentes Boinae). Mem. Inst. Butantan,
Eunectes murinus (n.° 25859 da Coleção do Instituto Butantan), proce¬
dente de Bataiporã MT., fêmea com 493,3 cm de comprimento e necropsiada
em 16.08.65. Macroscopicamente foi encontrado processo inflamatório na boca
e áreas de necrose. Pericardite e gastrite intensa. Suspeitava-se cm vida que
estivesse em adiantado estado de prenhez. À necropsia constatou-se a veraci¬
dade do fato, uma vez que os embriões apresentavam os hemipênis invaginados
— significando total desenvolvimento dos filhotes. Os ovidutos continham 47
embriões e 3 ovos atrésicos. O oviduto direito com 21 embriões (11 fêmeas c
10 machos) que receberam os números 25887 a 25907, este último atrofiado
e com parte da gema não absorvida, e unido em forma de “U” por sua parte
ventral. O oviduto esquerdo com 26 embriões (16 machos e 10 fêmeas) que
receberam os números de 25908 a 25933. Aproveitáveis para o trabalho 43
filhotes.
Dados biométricos e de lepidose. Tabelas: 5, 6, 7 e 8.
Figuras: n.°s 5, 8, 11, 14, 17 e 20.
TABELA 5
DADOS BIOMÉTRICOS REFERENTES AOS FILHOTES FÊMEAS DE
Eunectes murinus n.° 25859.
Sexo
cm
C.cabeça
cm
C.corpo
cm
C.cauda
Corpo +
cabeça
Total
Fêmea adulta
?
20
406,3
67,0
426,3
493,3
Filh. n.?
Ovidutos*
25887
OD.
?
3,19
59,5
11,2
62,69
73,89
25889
OD
?
3,21
61,5
11,4
64,71
76,11
25894
OD.
?
3,17
58,5
11,0
61,67
72,67
25895
OD.
?
3,08
58,5
11,1
62,58
73,68
25899
OD.
?
3,24
61,0
11,0
64,24
75,24
25901
OD.
?
3,30
59,0
11,0
62,30
73,30
25903
OD.
$
3,26
61,0
11,4
64,26
75,66
25904
OD.
?
3,15
61,5
11,0
64,65
75,65
25905
OD.
?
3,15
60,0
ÍU
63,15
74,25
25906
OD.
?
2,99
57,0
11,5
59,99
71,49
25907
OD.
?
—
—
—
—
• —
Anormal
25908
OE.
?
3,17
62,0
10,8
65,17
75,97
25912
OE.
?
3,17
62,5
11,8
65,67
77,47
25914
OE.
?
25917
OE.
?
3,18
60,0
10,7
63,18
73,88
25920
OE.
?
3,09
53,5
11,5
56,59
68,09
25922
OE
$
3,15
59,0
11,0
62,15
73,15
25926
OE.
?
3,13
58,0
11,0
61,13
72,13
25928
OE.
?
3,21
59,0
10,8
62,21
73,01
25929
OE.
$
3,12
63,0
11,5
66,12
77,62
25930
OE.
?
3,24
62,0
11,8
65,24
77,04
Observações: Dados biométricos referentes a filhotes da fêmea Eunectes muri¬
nus, procedente de Bataiporã, MT, necropsiada em 16.08.65, e
que recebeu o N.° 25859 I.B.H.
* OD = oviduto direito e OE = oviduto esquerdo
90
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN. F.; HOGE, A.R.; PENIIA, A.M. — Notas biológicas
a respeito do gênero Eunectes Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Atem. Inst. Bulantnn,
40141:79-115, 1976/77.
TABELA 6
DADOS BIOMÉTRICOS REFERENTES AOS FILHOTES MACHOS DE
Eunectes murinus n.“ 25859.
Sexo
cm
C. cabeça
cm
C. corpo
cm
C.cauda
Corpo +
cabeça
Total
Fêmea adulta
9
20
406,3
67,0
426,3
493,3
Filh. n. 9
Ovidutos*
25888
OD.
d
3,25
60,5
11,2
63,75
74,95
25890
OD.
d
3,05
60,0
11,0
53,05
64,05
25891
OD.
d
3,11
59,0
10,6
62,11
72,71
25892
OD.
d
3,28
60,0
11,0
63,28
74,28
25893
OD.
d
3,04
—
11,0
—
68,00
25896
OD.
d
3,15
58,0
10,5
61,15
71,65
25897
OD.
d
3,14
60,5
11,5
63,64
75,14
25898
OD.
d
2,94
56,0
11,0
58,94
69,94
25900
OD.
d
3,24
62,5
11,2
65,74
76,94
25902
OD.
d
3,33
59,5
11,0
62,83
73,83
25909
OE.
d
3,19
59,0
10,9
62,19
73,09
25910
OE.
d
3,23
61,5
11,5
64,73
76,23
25911
OE.
d
3,23
61,0
11,0
64,23
75,23
25913
OE.
d
3,10
60,5
10,5
63,60
74,10
25915
OE.
d
3,24
59,5
11,2
62,74
73,94
25916
OE.
d
3,24
63,0
11,5
66,24
77,74
25918
OE.
d
3,01
57,0
10,7
60,01
70,71
25919
OE.
d
3,01
59,5
10,8
62,51
73,31
25921
OE.
d
3,09
59,0
11,0
62,09
73,09
25923
OE.
d
3,20
61,0
11,2
64,20
75,40
25924
OE.
d
3,19
60,5
11,0
63,69
74,69
25925
OE.
d
3,13
—
9,5
55
— Anormal
25927
OE.
d
3,06
58,0
10,8
61,06
71,86
25981
OE.
d
3,07
60,5
11,0
63,57
74,57
25932
OE.
d
3,20
62,0
10,8
65,20
76,00
25933
OE.
d
3,10
—
10,3
65,00
— Anormal
Observações: Dados biométricos referentes a filhotes da fêmea Eunectes murinus,
procedente de Bataiporã, MT, necropsiada aos 16.08.65 e que
recebeu o N.° 25859 I.B.H.
* QD = oviduto direito
OE = oviduto esquerdo
91
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
a respeito (io gênero Eunectes Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Alem. Inst. Butantun,
40141:79-115, 1976/77.
TABELA 7
DADOS DE LEPIDOSE REFERENTES AOS FILHOTES FÊMEAS DE
Eunectes murinus n.° 25859
Sexo
Dorsais
Ventrais
Anal
Sub-
caud.
Sub.
lab.
Infra-
lab.
Fêmea adulta
$
51/67/40
257
1
72
17-17
19-23
Filh.n.
• Ovidutos*
25887
OD.
9
7/73/43
255
1
71
16-16
23-22
25889
OD.
?
52/61/38
248
1
69
17-16
24-22
25894
OD.
9
7/71/45
256
1
67
16-15
24-24
25895
OD.
9
52/75/41
264
1
70
16-16
23-21
25899
OD.
9
50/61/37
253
1
69
16-15
23-21
25901
OD.
9
50/63/37
252
1
72
16-16
21-21
25903
OD.
9
55/65/39
249
1
74
14-16
21-21
25904
OD.
9
50/65/38
253
1
67
16-15
22-21
25905
OD.
2
51/62/38
249
1
68
16-16
22-23
25906
OD.
9
51/69/38
249
1
66
15-14
21-22
25907
OD.
O
T
—
—
—
—
—
—
25908
O.E.
9
52/64/37
255
1
68
14-15
21-22
25912
OE.
9
52/64/38
252
1
69
16-16
22-22
25914
OE.
9
—
—
—
—
—
—
25917
OE.
9
53/80/44
256
1
71
15-15
23-21
25920
OE.
9
56/77/43
252
1
64
15-15
22-21
25922
OE.
9
50/63/37
251
1
71
15-15
21-21
25926
OE.
9
52/76/41
255
1
67
15-14
24-21
25928
OE.
9
50/69/37
250
1
76
16-16
25-23
25929
OE.
9
53/66/38
251
1
73
16-15
23-21
25930
OE.
9
53/64/37
255
1
72
16-15
23-23
Observações: Contagem de escamas referentes a filhotes da fêmea Eunectes
murinus, procedente de Bataiporã, MT, necropsiada aos 16.08.65
e que recebeu o N.° 25859 I.B.H.
* OD = oviduto direito
OE = oviduto esquerdo
92
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
a respeito cio gênero Eunectes Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes fíoinae). Alem. Inst. Butanlan,
40141:79-115, 1976/77.
TABELA 8
DADOS DE LEPIDOSE REFERENTES AOS FILHOTES MACHOS
DE Eunectes murinus n." 25859.
Sexo
Dorsais
Ventrais
Anal
Sub-
caud.
Sub.
lab.
Infra-
lab.
Fêmea adulta
?
51/67/40
257
1
72
17-17
19,23
Filh. n."
Ovidutos
■C-
25888
OD.
3
50/64/39
258
1
65
15-14
21-22
25890
OD.
3
7/68/43
251
1
65
14-15
23-21
25891
OD.
3
7/71/43
258
1
66
15-15
22-21
25892
OD.
3
49/61/38
251
1
72
16-15
23-21
25893
OD.
3
51/63/36
250
1
70
15-16
22-22
25896
OD.
3
53/67/37
249
1
70
15-15
22-22
25897
OD.
3
43/67/40
249
1
68
14-15
20-21
25898
OD.
3
36/81/40
256
1
66
15-15
21-21
25900
OD.
3
51/75/43
258
1
68
16-15
20-20
25902
OD.
3
42/77/43
256
1
67
16-15
23-22
25909
OE.
3
50/73/40
246
1
66
14-14
20-21
25910
OE.
3
48/70/38
253
1
68
16-16
23-21
2591 1
OE.
3
50/69/39
253
1
70
16-16
21-21
25913
OE.
3
52/61/33
251
1
66
15-15
21-22
25915
OE.
3
53/62/38
251
1
70
16-15
23-20
25916
OE.
3
53/71/40
253
1
70
15-16
22-21
25918
OE.
3
51/70/42
258
1
67
15-15
21-20
25919
OE.
3
54/65/39
254
1
69
14-15
21-22
25921
OE.
3
52/65/38
248
1
69
16-15
23-22
25923
OE.
3
50/65/38
250
1
68
15-16
23-22
25924
OE.
3
50/61/40
251
1
72
14-16
20-22
25925
OE.
3
7/76/43
—
1
61
15-15
20-22
25927
OE.
3
54/78/41
248
1
66
15-15
21-21
25931
OE
3
52/64/33
252
1
69
15-15
20-22
25932
OE.
3
50/62/38
250
1
66
14-16
20-20
25933
OE.
3
51/65/43
—
1
67
15-15
21-22
Observações: Contagem de escamas referentes a filhotes da fêmea Eunectes mu¬
rinus, procedente de Bataiporã, MT, necropsiada aos 16.08.65 e
que recebeu o N.° 25859 I.B.H.
* OD = oviduto direito
OE = oviduto esquerdo
Eunectes murinus (n.° 25860 da Coleção do Instituto Butantan), proce¬
dente de Bataiporã MT., fêmea com 430 cm de comprimento. Necropsiada em
13/07/65, apresentava processo inflamatório na boca com extensão para o pri¬
meiro terço do esôfago. Pericardite de aspecto fibrinoso e gastrite com zonas
ulcerosas e hemorragias.
Eunectes murinus (n.° 36802 da Coleção do Instituto Butantan), proce¬
dente de Amambaí, MT., fêmea com 512 cm de comprimento. Necropsiada
em 30/05/73. Os ovidutos continham 46 embriões, embora os hemipênis esti-
93
cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN,
a respeito do gênero Eunectes Wagler, 1830
401* *1:79-115, 1976/77.
F.; IIOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
«sucuris». (Serpentes Boinae). Mem. Inst. Butantan,
vessem invaginados, poucos filhotes ultrapassavam 50 cm de comprimento. Os
19 filhotes machos receberam números de acordo com a tab. 12 e os 27 filhotes
fêmeas receberam números de acordo com a tab. 11. O oviduto direito con¬
tinha 5 filhotes machos e 15 filhotes fêmeas; o oviduto esquerdo continha 14
filhotes machos e 12 filhotes fêmeas.
Dados biométricos e de lepidose. Tabelas: 9, 10, 11 e 12.
Figuras n.°s 6, 9, 12, 15, 18 e 21.
TABELA 9
DADOS BIOMÉTRICOS REFERENTES AOS FILHOTES FÊMEAS DE
Eunectes murinus N.° 36802.
Sexo
cm
C.cabeça
cm
C.corpo
cm
C.cauda
corpo+
cabeça
total
Fêmea
adulta
$
21
409
82
430
512
Filh. n. 9
Ovidutos*
36756
OD.
?
2,63
37,5
8,5
40,13
48,63
36757
OE.
?
2,50
34,2
8,3
36,70
45,00
36758
OD.
$
2,59
40,5
8,5
43,09
51,59
36759
OE.
9
2,49
40,5
8,3
42,99
51,29
36760
OD.
9
2,67
42,0
9,0
44,67
53,67
36764
OD.
9
2,54
41,0
8,1
43,54
51,64
36765
OE.
9
2,64
35,9
8.3
38,54
46,84
36767
OD.
9
2,68
38,3
8,1
40,98
49,08
36768
OD.
9
2,50
42,0
8,9
44,50
53,40
36769
OD.
9
2,63
40,0
8,4
42,63
51,03
36773
OE.
9
2,60
38,0
8,0
40,60
48,60
36774
OD.
9
2,66
40,0
9,0
42,66
51,66
36775
OD.
9
2,62
39,8
8,8
42,42
51,22
36778
OE.
9
2,38
37,6
8,4
39,98
48,38
36779
OD.
9
2,69
58,9
8,5
41,59
50,09
36780
OD.
9
2,61
40,5
8,5
43,11
51,61
36781
OE.
9
2,52
37,2
8,1
39,72
47,82
36782
OD.
9
2,65
39,9
9,3
42,55
51,85
56783
OD.
9
2,66
41,0
8,6
43,66
52,26
36786
OE.
9
2,44
37,6
8,6
40,04
48,64
36787
OE.
9
2,48
36,8
7,8
39,28
47,08
36790
OD.
9
2,56
40,0
8,5
42,56
51,06
36794
OE.
9
2,55
38,5
8,2
41,05
49,25
36795
OE.
9
2,42
38,1
8,4
40,52
48,92
36796
OD.
9
2,83
39,2
8,5
42,03
50,53
36797
OE.
9
2,39
38,1
8,9
40,49
49.39
36799
OE.
9
2,80
37,5
7,9
40,30
48,20
Observações: Dados biométricos referentes a filhotes da fêmea Eunectes mu¬
rinus, procedente de Amambaí, MT, necropsiada aos 30.05.74,
e que recebeu o n.° 36802 I.B.H.
* OD = oviduto direito
OE = oviduto esquerdo
94
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
a respeito do gênero Eunectes Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Alem. lnst. Butantan,
40141:79-115, 1976/77.
TABELA 10
DADOS BIOMÉTRICOS REFERENTES AOS FILHOTES MACHOS DE
Eunectes murinus N.° 36802.
Sexo
cm
C. cabeça
cm
C.corpo
cm
C.cauda
corpo+
cabeça
total
Fêmea adulta
?
21
409
82
430
512
Filh. n. 9
Ovidutos*
36761
OE.
d
2,55
41,0
8,9
43,55
52,45
36762
OE.
d"
2,62
35,2
7,1
37,82
44,92
36763
OE.
d
2,71
40,5
8,9
43,21
52,11
36766
OE.
d
2,60
41,0
8,4
43,60
52,00
36770
OE.
d
2,49
36,8
7,5
39,29
46,79
36771
OE.
d
2,40
39,2
8,2
41,60
49,80
36772
OE.
d
2,60
36,5
7,7
39,10
46,80
36776
OD.
d
2,65
38,3
8,3
40,95
49,25
36777
OE.
d
2,48
39,5
8,2
41,98
50,18
36784
OD.
d
2,71
39,3
8,8
42,01
50,81
36785
OE.
d
2,60
39,0
9,0
41,60
50,60
36788
OD.
d
2,61
41,0
8,1
43,61
51,71
36789
OD.
d
2,66
41,0
8,0
43,66
51,66
36791
OE.
d
2,42
34,0
6,6
36,42
43,02
36792
OE.
d
2,20
27,8
6,1
30,00
36,10
36793
OD.
d
2,54
37,5
8,5
40,04
48,54
36798
OE.
d
2,50
38,1
7,9
40,60
48,50
36800
OE.
d
2,20
28,3
6,1
30,50
36,60
36801
OE.
d
—
—
—
—(mutilada)
Observações: Dados
rinus,
e que
biométricos referentes a filhotes da fêmea Eunectes mu-
procedente da Amambaí, MT, necropsiada aos 30.05.74,
recebeu o N.° 36802 EB.H.
II II
Q w
o o
* i
oviduto direito
oviduto esquerdo
95
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas bioíógicas
a respeito do gênero Euncctcs Wagler 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Mem. Inst. Ilutantan,
40141:79-115, 1976/77.
TABELA 11
DADOS DE LEPIDOSE REFERENTES AOS FILHOTES FÊMEAS DE
Eunectes murinus N.° 36802.
Sexo
Dorsais
Ventrais
Anal
Sub-
caud.
Sub-
lab.
Infra-
lab.
Fêmea adulta
9
48/72/38
253
1
75
16-16
20-21
Filh. n.‘>
Ovidutos* *
36756
OD.
9
48/61/39
255
1
73
17-16
22-21
36757
OE.
9
47/68/41
251
1
76
17-17
22-21
36758
OD.
9
49/63/39
257
1
71
16-16
20-22
36759
OE.
9
48/63/37
254
1
70
17-17
21-20
36760
OD.
9
51/63/40
252
1
75
17-17
23-23
36764
OD.
9
50/66/39
252
1
70
17-17
19-19
36765
OE.
9
50/68/41
252
1
76
17-17
22-22
36767
OD.
9
49/66/37
251
1
74
16-16
21-22
36768
OD.
9
53/64/42
257
1
78
17-17
22-22
36769
OD.
9
52/65/39
254
1
73
17-16
21-21
36773
OE.
9
48/62/41
258
1
70
17-17
23-21
36774
OD.
9
52/64/40
254
1
75
17-17
22-22
36775
OD.
9
49/69/41
253
1
70
17-17
21-21
36778
OE.
9
44/63/39
254
1
75
16-17
21-20
36779
OD.
9
48/65/40
252
1
71
17-17
21-21
36780
OD.
9
51/65/39
257
1
73
17-17
20-21
36781
OE.
9
43/64/35
256
1
73
17-17
21-21
36782
OD.
9
53/69/40
256
1
75
17-16
22-21
36783
OD.
9
52/65/38
256
1
68
17-17
20-20
36786
OE.
9
46/63/37
260
1
77
17-17
21-21
36787
OE.
9
47/67/36
247
1
73
17-17
21-21
36790
OD.
9
51/64/38
254
1
74
17-16
20-22
36794
OE.
9
47/65/39
258
1
74
17-16
21-21
36795
OE.
9
43/63/38
252
1
72
16-16
20-20
36796
OD.
9
50/65/37
250
1
71
16-17
21-19
36797
OE.
9
43/64/37
250
1
72
16-16
21-21
36799
OE.
9
42/65/37
255
1
75
17-17
21-21
Observações: Contagem de escamas referentes a filhotes da fêmea Eunectes mu¬
rinus, procedente de Amambaí, MT, necropsiada aos 30.05.74,
e que recebeu o n.° 36802 I.B.H.
* OD = oviduto direito
OE = oviduto esquerdo
96
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
BELLUOMJNr, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
a resfieno do gênero Eunectes Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Mem. Inst. Butantan
40/41:79-l15, 1976/77.
TABELA 12
DADOS DE LEPIDOSE REFERENTES AOS FILHOTES MACHOS DE
Eunectes murinus N.° 36802.
Sexo
Dorsais
Ven trais
Anal
Sub-
caud.
Sub-
lab.
Infra-
lab.
Fêmea adulta
?
48/72/38
253
1
75
16-16
20-21
Filh. n.’
Ovidutos*
36761
OE.
d
50/34/40
256
1
75
17-17
22-22
36762
OE.
d
47/64/39
251
1
70
16-16
21-21
36763
OE.
d
53/63/38
257
1
73
17-16
23-23
36766
OE.
d
48/64/38
254
1
75
17-15
20-20
36770
OE.
d
45/64/41
253
1
75
17-16
21-22
36771
OE.
d
48/61/55
243
1
78
16-17
20-21
36772
OE.
d
51/65/39
255
1
72
16-16
20-21
36776
OD.
d
48/66/42
251
1
72
17-17
21-20
36777
OE.
d
50/62/38
257
1
71
17-16
21-21
36784
OD.
d
50/68/38
255
1
75
15-15
20-22
36785
OE.
d
50/63/59
254
1
75
17-16
22-22
36788
OD.
d
49/64/38
253
1
71
16-16
21-22
36789
OD.
d
50/62/38
258
1
70
16-16
21-22
36791
OE.
d
46/62/34
252
1
75
16-17
21-21
36792
OE.
d
49/66/38
251
1
72
—
_
36793
OD.
d
52/69/49
260
1
70
16-16
21-20
36798
OE.
d
43/64/38
259
1
75
17-16
21-21
36800
OE.
d
43/63/37
258
1
72
16-16
20-21
36801
OE.
d
—
—
—
_
_
_
Observaç
ões: Contagem de
escamas referentes a filhotes da fêmea Eunectes mu-
ri nus, procedente de Amambaí, MT, necropsiada aos 30.05.74,
* OD = oviduto direito
_ OE = oviduto esquerdo
Análise estatística: Tabelas 13 e 14; figura n.° 1
A análise estatística teve por objetivo comparar o comprimento dos filhotes
cada ninhada com o comprimento da respectiva fêmea. Para isso foram uti¬
lizadas deste trabalho as fêmeas Eunectes murinus de n.°s 25858 e 25859 e seus
respectivos filhotes que constam de trabalho de Belluomini e Hoge (6), 1957/58.
A fêmea de Eunectes murinus 36802, procedente de Amambaí, e seus respecti¬
vos filhotes não entraram para a análise estatística em virtude dos embriões
filhotes ainda estarem em fase de crescimento.
97
cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, II.E.; VE1NEKT, T.; DISSMANN, F.; IIOGE, A.U.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
a respeito do gênero Eunecles Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes Doinae). Mem. Inst. Iiulantan,
40/41:79-115, 1976/77.
TABELA 13
DADOS REFERENTES À ANÁLISE ESTATÍSTICA RESULTANTE DO
ESTUDO COMPARATIVO DO COMPRIMENTO DE CADA NINHADA
COM O COMPRIMENTO DA RESPECTIVA FÊMEA.
(Análise de variância das ninhadas)
F.V.
Entre ninhadas
Dentro de
ninhadas (entre
filhotes)
Total
208
211
S.Q.
4787,5899
1869,0991
Q.M.
1595,8633
8,9861
F crit.
3,88
6656,6890
TABELA 14
DADOS REFERENTES À ANÁLISE ESTATÍSTICA RESULTANTE DO
ESTUDO COMPARATIVO DO COMPRIMENTO DE CADA NINHADA
COM O COMPRIMENTO DA RESPECTIVA FÊMEA.
(Análise de variância da regressão)
F.V.
g.l.
S.Q.
Q.M.
F.
F crit
Regressão
1
3966,993
3966,993
309,73**
6,76
Em torno da regr.
210
2689,696
12,808
Total
211
6656,689
b= —0,097818
r= -0,77
98
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
a respeito do gênero Eunectes Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Mem. Inst. Butantan,
40/41:79-115, 1976/77.
Fig. 2 — Fotografia do exemplar tipo — holotype — de Eunectes murinus existentes no Naturhistoriska
Riksmuseum de Stockolm. (Gentileza do Dr. Ulf Bergstrõb).
Fig. 3 — Curvas de crescimento e de peso dos filhotes macho e fêmea de Eunectes murinus mantidos em
cativeiro.
99
cm
2 3
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.: VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE. A.R.; PENHA, A.M. — Notas biotágicasl
a respeito <Jo gfnero Euntcltl YVaglcr, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae ). Mem. Inst, Butantan I
40/4U7Ü-115, 1976/77.
Dados referentes aos filhotes
Dados a respeito dos filhotes que viveram de 14.07.65 a 13.08.70 e|
22.08.70 respectivamente (5 anos) nos “terrarium” da Fundação Parque Zooló¬
gico de São Paulo.
Esses são referentes a dois filhotes, macho e fêmea. Nasceram em 14.07.75,
o macho com 76 cm de comprimento, 200 g de peso e a fêmea com 73 cm e |
o mesmo peso. No primeiro estágio foram colocados em gaiolas de madeira |
que continham bandejas de água.
Esses filhotes rejeitaram camundongos, animais esses que se admitia ser o
alimento preferido. As duas serpentes foram posteriormente obrigadas a ingerir
à força alguns camundongos, mas não se alimentavam espontaneamente.
Em vista desse insucesso, foram construídos dois “terrarium” nos labora¬
tórios do Zoo e, nos aquários com água aquecida a 26°C, colocados peixes pe¬
quenos, “lambaris” (Astyanax ), “tilápias” ( Tilapia ) e “acarás” ( Geophagus )
que despertaram o interesse, o apetite e tornaram-se o aparente hábito alimentar
das duas serpentes. Passaram a se alimentar normalmente, pegando os peixes
de qualquer maneira, mas com a prática, passaram a procurar regiões vitais,
como por exemplo as guelras. Chegaram a ficar cerca de 27 minutos imersas,
com o peixe preso na “laçada”. Cada serpente chegou a comer até cinco lambaris
em seguida, dando preferência a essa espécie, depois às tilápias, chegando a re¬
cusar os acarás.
A partir de 08.04.66 não tocaram mais nos peixes e passaram a aceitar
camundongos como variação de alimentação, chegando a ingerir até 6 desses
animais de 20 g de peso cada em menos de duas horas. Os camundongos eram
abocanhados nas “margens” dos aquários, arrastados para a água, onde eram
enlaçados pela serpente que submergia ao mesmo tempo e em seguida ingeridos
sob a água.
As serpentes, à medida que cresciam, começavam a desprezar os camun¬
dongos, até que no segundo semestre de 1967, não aceitaram mais esses roedo¬
res. Foram oferecidos cobaias, que foram vorazmente aceitos.
A partir dessa época outros “alimentos” foram oferecidos. A fêmea inge¬
riu em cinco anos 88.921 g de alimento e o macho 79.885 g. As tabelas de
n.° 1 e de n.° 2 apresentam os dados relativos à alimentação dessas duas ser¬
pentes, desde o nascimento, até à morte. Destaca-se que, embora conhecido o
fato das serpentes de modo geral só aceitarem “alimento vivo”, a sucuri macho
aceitou e chegou a ingerir, — depois de enlaçar — 2800 g de carne de cavalo,
divididas em algumas porções. A fêmea não aceitou esse tipo de alimento, nem
o macho a partir de 25.04.68.
Dados referentes ao crescimento e ao peso.
Os dois exemplares nasceram na casa das cobras, situada no recinto da
exposição de animais da Fundação Parque Zoológico dc São Paulo. O macho
nasceu aos 14.07.65 com 76 cm e 200 g de peso e morreu aos 13.08.70 com
310 cm e 17.500 g de peso. A fêmea nasceu com 73 cm e 200 g de peso e
morreu aos 20.08.70, com 320 cm de comprimento e 22.300 g de peso. O grá¬
fico de n.° 2 apresenta os dados relativos ao crescimento, ao peso das duas
serpentes e as tabelas n" 17, n" 18 e n 9 19, apresentam as respectivas eedises,
inclusive as comparações.
100
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
*
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; IIOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
a respeito do gênero Eunectes Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Mem. Inst. Butantan,
40141:79-115, 1976/77.
HISTOGRAMA DA FREQUÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO DAS
PLACAS VENTRAIS DE FILHOTES FÊMEAS DA EUNECTES MURINUS
(Fig. 4)
placas ventrais - 256
total de filhotes - 12 - 46.1%
Observação:
1. Um filho inutilizado
2. Um filhote vivo (5 anos)
Filhotes examinados - 10
I- r
245
250 255
N* DE PLACAS VENTRAIS
(Fig. 5)
placas ventrais - 257
Total de filhotes - 20 - 43,4%
Observação:
Uma fêmea inutilizada
Filhotes examinados - 19
-1 - 1-1-T
250 255
N" DE PLACAS VENTRAIS
“1 - 1 - 1 - 1 - 1 - 1 -
260
(Fig. 6)
placas ventrais - 253
Total de filhotes - 27 • 58.6%
N DE PLACAS VENTRAIS
Fig, 4 _ PLACAS VENTRAIS
Eunectes murinus n<? 25858
Fig. 5 — PLACAS VENTRAIS
Eunectes murinus n<? 25859
Fig. 6 — PLACAS VENTRAIS
Eunectes murinus n<? 36802
freqüência
da
distribuição
das
placas
ventrais
dos
filhotes
fêmeas
de
frequência
da
distribuição
das
placas
ventrais
dos
filhotes
fêmeas
de
freqüência
da
distribuição
das
placas
ventrais
dos
filhotes
fêmeas
de
101
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
cm
BELLUOMINr, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
a respeito do gênero Eunectes Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Alem, Inst. Butantan,
40141:79-115, 1976/77.
HISTOGRAMA DA FREQUÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO DAS PLACAS
VENTRAIS DE FILHOTES MACHOS DA EUNECTES MURINUS
(Fig. 7)
placas ventrais • 256
Total de filhotes - 14 - 53.8°/#
Observação:
1. Um filhote encontrado na cavidade gera?,
■junto ao fígado em estado de putrefaçãoi
2. Um filhote vivo (17 07-65 a 13-08-70)'
Filhotes examinados -'12
250
N’ DE PLACAS VENTRAIS
(Fig. 8)
placas ventrais - 257
Total de filhotes - 26 - 56,5 * 6 7 * /í
Observação:
1 . Dois filhotes anormais.serrt possibilidades
de contagem das placas vçntrais
Filhotes examinados - 24
250 255
N* DE PLACAS VENTRAIS
(Fig. 9)
placas ventrais • 253
Total de filhotes - 19 - 41,3 9 A
Observação:
Um exemplar mutilado
Filhotes examinados - 18
250
N DE PLACAS VENTRAIS
7 — PLACAS VENTRAIS — frequência da distribuição das placas ventrais dos filhotes machos de
Eunectes tnurinus n<? 25858.
Hg. 8 — PLACAS VENTRAIS — freqüência da distribuição das placas ventrais dos filhotes machos de
Eunectes murinus n.P 25859.
Fig. 9 — PLACAS VENTRAIS — freqüência da distribuição das placas ventrais dos filhotes machos de
Eunectes murinus n<? 36802.
103
cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
BELEUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
40/41-79-1°5 d l°976/77 er0 Eun ‘ CteS Waglcr - 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Mem. Inst. Butantan,
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104
1 , | SciELO
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas bioltógicas
a respeito do gênero Eunectes Wagler 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Mem. Inst. Bulanlan,
40141:73-115, 1976/77.
HISTOGRAMA DA FREQUÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO DAS PLACAS
SUB - CAUDAIS DE FÍLHOTES FÊMEAS DA EUNECTES MURINUS
(Fig. 10)
Sub-caudais - 67
Total de filhotes - 10
Observação:
1. Um filhote inutilizado
2. Um filhote vivo (5 anos)
n—i--1-1—i-1-r
70 75
N DE PLACAS SUB - CAUDAIS
(Fig. 11)
Sub-caudais - 72
Total de filhotes - 19
n- 1 - 1-1
a
-]—i-1-1— i -1-1 — r
70
N- DE PLACAS SUB - CAUDAIS
(Fig. 12)
Sub-caudais - 75
Total de filhotes - 27
i i i i i i r
I i i i n i i i
N- DE PLACAS SUB - CAUDAIS
Fig. 10 — PLACAS SUBCAUDAIS — frequência da distribuição das placas subcaudais dos filhotes fêmeas de
-unecles murinus nP 25858.
Hg. 11 — PLACAS SUBCAUDAIS — freqüência da distribuição das placas subcaudais dos filhotes fêmeas de
-unectes murinus nP 25859.
Hg. 12 — PLACAS SUBCAUDAIS — freqüência da distribuição das placas subcaudais dos filhotes fêmeas de
unecles murinus nP 36802.
105
cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
BE1.LUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE. A.R.: PENHA, A.M. — Notas biológicas
a respeito do gênero Eunecles Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Alem. Insl. Bulanlan,
40/41:79-115, 1976/77.
TABELA
17
Nascimento:
14.07.65 Tamanho: 76 cm
Peso: 200 g
Ecdise
Crescimento
»: cm
Peso:
ÇT
B
data
n ç
parcial
total
parcial
total
16.08.65
1*
8
84
22
222
16.08.65
2»
—
—
—
—
11.10.65
3“
—
—
—
—
18.10.65
4“
—
—
—
—
01.11.65
5»
—
—
—
—
13.12.65
6»
—
—
—
—
11.05.66
7»
15,5
99,5
153
375
05.08.66
8»
17
116,5
220
595
02.10.66
9»
1,5
118
205
800
14.11.66
10»
2
120
900
1 700
30.01.67
11»
37
157
950
2 650
16.03.67
12»
19
176
400
3 050
28.05.67
13»
22
198
850
3 900
19.08.67
14»
2
200
200
4 100
25.09.67
15»
0
200
0
4 100
15.12.67
16»
40
240
2 900
7 000
12.02.68
17»
20
260
500
7 500
02.04.68
18»
0
260
300
7 800
21.05.68
19»
0
260
700
8 500
19.08.68
20»
5
265
0
8 500
05.11.68
21»
0
265
500
9 000
30.12.68
22»
0
265
800
9 800
25.02.69
23»
5
270
1 000
10 800
20.04.69
24»
10
280
750
11 550
03.06.69
25»
0
280
50
11 600
27.10.69
26»
10
290
3 400
15 000
04.01.70
27»
0
290
2 000
17 000
06.03.70
28»
5
295
(-1 500)
15 500
24.04.70
29»
0
295
1 800
17 300
17.07.70
30»
15
310
200
17 500
106
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
a respeito do gênero Eunectes Wagler 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Alem. lnst . Butanlan,
40/41:79-115, 1976/77.
HISTOGRAMA DA FREQUÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO DAS PLACAS
SUB - CAUDAIS DE FILHOTES MACHOS DA EUNECTES MURINUS
(Fig. 13)
Sub-caudais • 67
Total de filhotes - 12
“1-1-1-1-1-1-—I-1—r
65 70
N DE PLACAS SUB - CXUDAIS
a
(Fig. 14)
Sub-caudais 72
Total de filhotes - 26
Observação:
Dois filhotes anormais não
tiveram as ventrais cortadas
“I I I I I I-1-1-1-1-1-1
70 75 80
N DE PLACAS SUB - CAUDAIS
(Fig. 15)
Sub-caudais - 75
Tota' de.filhotes - 18
“I-1-1—
70
N DE PLACAS SUB - CAUDAIS
13 — PLACAS SUBCAUDAIS — freqüência da distribuição das placas subcaudais dos filhotes machos de
Eunectes murinus nP 25858.
Fig. 14 _ PLACAS SUBCAUDAIS — freqüência da distribuição das placas subcaudais dos filhotes machos de
Eunectes murinus nP 25859.
Fig. 15 — PLACAS SUBCAUDAIS — freqüência da distribuiç ão das placas subcaudais dos filhotes machos de
Eunectes murinus nP 36802.
107
cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
BELLltOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; IIOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
a respeito elo gênero Eunccles Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinac). Mem. Insl. Bulantan,
40/41:79-115, 1976/77.
TABELA
18
Nascimento:
14.07.65 Tamanho: 73 cm
Peso: 200 g
Ecdise
Crescimento
: cm
Peso:
g
data
n 9
parcial
total
parcial
total
16
.08
.65
1*
10
83
22
222
18
.08
.65
2*
0
83
0
222
17
. 10
.65
3»
2
85
—
—
04,
,02.
.66
4 a
3
88
232
450
11
.04.
.66
5»
37
125
200
650
17
.06
.66
6 11
10
135
250
900
19
.08
.66
7?
5
140
370
1 270
09
.10
.66
8»
15
155
1 330
2 600
15,
.11,
.66
9*
5
160
450
3 050
20
.12
.66
10 a
5
165
950
4 000
27
.02,
.67
11*
40
205
1 400
5 400
16
.08.
.67
12*
31
236
1 200
6 600
18,
.10.
,67
13*
14
250
50
6 650
15,
. 12.
.67
14*
30
280
1 350
8 000
14.
.02.
.68
15*
10
290
1 000
9 000
30
.03
.68
16*
0
290
500
9 500
17,
.05.
,68
17*
0
290
500
10 000
05,
,08.
.68
18*
10
300
1 800
11 800
10.
.10.
,68
19*
5
305
700
12 500
11.
01.
69
20*
5
310
3 000
15 500
24.
02.
69
21*
5
315
300
15 800
10.
04.
69
22*
5
320
550
16 350
17.
06.
69
23*
0
320
450
16 800
22.
09.
69
24*
0
320
700
17 500
21.
12.
69
25*
0
320
2 500
20 000
09.
03.
70
26*
0
320
2 200
22 200
20.
05.
70
27*
0
320
100
22 300
108
cm
10 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
a respeito do gênero Eunectes Waglcr 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Mcm. lnst. Butanlan,
40141:79-115, 1976/77.
HISTOGRAMA DA FREQUÊNCIA
E DISTRIBUIÇÃO DAS PLACAS VENTRAIS MAIS SUB - CAUDAIS
DE FILHOTES MACHOS DA EUNECTES MURINUS
CFíg. 16)
Placas ventrais mais sub caudais • 323
Total de filhotes 10
4=^4
in
h r~n i i i
N’ DE PLACAS VENTRAIS MAIS SUB • CAUDAIS
(ng. 17)
Placas ventrais mais sub-cauda s • 329
Total de filhotes • 19
“i—i—i—i—t—i—T
i —— i — i — i i r— i i i r-
320 325 3
N* DE PLACAS VENTRAIS MAIS SUB. CAUDAIS
a
(Fig. 18)
Placas ventrais mais sub-caudais • 328
Total de filhotes • 27
-
r
1
j
J
1 1
310
- 1 - 1-1 - 1-1-1
315
> * • * 1 *
320 325
N° DE PLACAS VENTRAIS MAIS SUB
- CAUDAIS
330
-O-a
Fig. 16 — PLACAS VENTRAIS MAIS PLACAS SUBCAUDAIS — freqüência da distribuição das placas
ventrais mais placas subcaudais dos filhotes fêmeas de Eunectes murinus nP 25858.
Fig. 17 — PLACAS VENTRAIS MAIS PLACAS SUBCAUDAIS — freqüência da distribuição das placas
ventrais mais placas subcaudais dos filhotes fêmeas de Eunectes murinus n<? 25859.
Fig. 18 — PLACAS VENTRAIS MAIS PLACAS SUBCAUDAIS — freqüência de distribuição das placas
ventrais mais placas subcaudais dos filhotes fêmeas de Eunectes murinus n*? 36802.
109
2 3
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
cm
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
a respeito do gênero Eunectes Wagier, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae ). Alem. lnst. Bulanlan,
40/41:79-115, 1976/77.
TABELA 19
DE
DADOS
PELE DO
COMPARATIVOS REFERENTES A MUDAS
FILHOTE MACHO E DO FILHOTE FÊMEA DE
Eunectes Murinus
Ecdises
Exemplar fêmea
Exemplar macho
l. a —
16.08.65
—
restos de pele —
1*
— 16.08.65 —
2. a —
18.08.65
—
—
2»
— 16.08.65 — juntas
3. a —
17.10.65
—
—
3 a
— 11.10.65 —
4. a —
04.02.66
—
—
4 a
— 18.10.65 —
5. a —
11.04.66
—
—
5 a
— 01.11.65 —
6. a —
17.06.66
—
—
6 a
— 13.12.65 —
7. a —
19.08.66
—
—
7 a
— 11.05.66 —
8. a —
09.10.66
—
—
8 a
— 05.08.66 —
9. a —
15.11.66
—
—
9 a
— 02.10.66 —
10. a —
20.12.66
—
—
10 a
— 14.11.66 —
ll. a —
27.02.67
—
—
11 a
— 30.01.67 —
12. a —
16.08.67
—
—
12 a
— 16.03.67 —
13. a —
18.10.67
—
—
13 a
— 28.05.67 —
14. a —
15.12.67
—
—
14 a
— 19.08.67 —
15. a —
14.02.68
—
—
15 a
— 25.09.67 —
16. a —
30.03.68
—
—
16 a
— 15.12.67 —
17. a —
17.05.68
—
—
17»
— 12.02.68 —
18. a —
05.08.68
—
—
18 a
— 02.04.68 —
19. a —
10.10.68
—
—
19 a
— 21.05.68 —
20. a —
11.01.69
—
—
20 a
— 19.08.68 —
21. a —
24.02.69
—
—
21 a
— 05.11.68 —
22. a —
10.04.69
—
—
22 a
— 30.12.68 —
23. a —
17.06.69
—
—
23 a
— 25.02.69 —
24 , a —
22.09.69
—
—
24 a
— 20.04.69 —
25. a —
21.12.69
—
—
25 a
— 03.06.69 —
26. a —
09.03.70
—
—
26 a
— 27.10.69 —
1
rt #
r-’
(N
20.05.70
—
—
27 a
— 04.01.70 —
—
28 a
— 06.03.70 —
—
29 a
— 24.04.70 —
—
30 a
— 17.07.70 —
110
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F.; HOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
a respeito do gênero Eunectes Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae ). Alem. lnst. Bulantan,
40141:79-115, 1976/77.
HISTOGRAMA DA FREQUÊNCIA
E DISTRIBUIÇÃO DAS PLACAS VENTRAIS MAIS SUB - CAUDAIS
DE FILHOTES FÊMEAS DA EUNECTES MURINUS
(Fig. 19)
Placas ventrais mais sub-caudais 323
Total de filhotes • 12
—l - 1 - 1 ----- - 1 - 1 - 1 - 1 -
320 325
N! DE PLACAS VENTRAIS MAIS SUB - CAUDAIS
t— rt— i —i—i
Fig. 19 — PLACAS VENTRAIS MAIS PLACAS SUBCAUDAIS — frequência de distribuição das placas
ventrais mais placas subcaudais dos filhotes machos de Eunectes murinus n*? 25858.
Fig. 20 — PLACAS VENTRAIS MAIS PLACAS SUBCAUDAIS — frequência de distribuição das placas
ventrais mais placas subcaudais dos filhotes machos de Eunectes murinus nP 25859.
Fig. 21 — PLACAS VENTRAIS MAIS PLACAS SUBCAUDAIS — frequência de distribuição das placas
ventrais mais placas subcaudais dos filhotes machos de Eunectes murinus n<? 36802.
1, | SciELO
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.j DISSMANN, F.; HOGE, A.R.; PENIIA, A.M. — Notas biológicas
a respeito elo gênero Eunectes Wagler 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Mem. Inst. Butantan,
40/41:75-115, 1976/77.
DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
Os trabalhos a respeito de serpentes da família Boidae, dando enfoque às
observações sobre alimentação e crescimento, assinalam sempre as dificuldades
na manutenção e no manuseio dos grandes ofídios no cativeiro.
Barton e Allen (5) comentam a deficiência de informações científicas de
dados biológicos dos répteis e em particular dos ofídios gigantes e a precarie¬
dade de conhecimentos no que diz respeito à alimentação, crescimento, eedise,
etc. Esses autores, comparando os dados da literatura usados em seus estudos,
argumentaram que os répteis em determinadas fases da vida não crescem tão
lentamente como se propala, citando exemplos de tartaruga (Testudo), croco¬
dilos (Alligator) e no tocante às serpentes descrevem as próprias observações
com Python sebae, Python reticulcitus, dando destaque a exemplar de Python
molurus do Zoo de Pittsburg, U.S.A., recebido em 1949, (procedente provavel¬
mente da Malaya), com aproximadamente 7,30 m de comprimento, que poste¬
riormente durante os 11 anos de cativeiro, “aceitou” 905 kg de leitões, isto é,
até 1960, ocasião de sua morte, quando media 8,90 m e pesava pouco mais de
150 kg. Mencionam ainda um Python com 9,24 m de comprimento e 120 kg
de peso.
No relativo a Eunectes murinus, os autores apresentam observações num
período de 10 anos (1950-1960) com exemplar procedente de Belém do Pará,
Brasil, medindo 6,60 m. Controle de posteriores pesagens realizadas durante
81 meses, acusou aumento de peso de 42,2 kg, com consumo de alimento com o
peso de 247,5 kg, correspondentes a patos ingeridos e representando 2,6 kg por
459.5 g de peso ganho. Acreditam os autores que as “sucuris” ou “anacondas”
crescem menos que os Python e têm comportamento letárgico. Calculam que
a média de crescimento por eedise em Eunectes murinus adulto é pouco mais de
5.5 cm, e que essa média é menos constante para os outros gêneros de Boidae
que assinalam nesse trabalho.
Sob esse aspecto, há uma série de observações em andamento na Fundação
Parque Zoológico de São Paulo, (com serpentes do gênero Eunectes e do gê¬
nero Python), onde a “casa das cobras”, sofreu modificações em suas condições
ambientais dentro das possibilidades e de acordo com as observações ecológicas
feitas na Baía do Samambaia. O recinto envidraçado de exposição de serpentes
foi fechado, para evitar variações bruscas de temperatura tão comuns em São
Paulo e que podem trazer conseqüências funestas aos animais poicilotérmicos.
No caso das serpentes no Zoo de São Paulo, variações de temperaturas da água
de até 5°C (27° — 26° — 21° — 20°) chegaram a provocar regurgitação de
alimento recém-ingerido. A temperatura ambiente do ar nas regiões de proce¬
dência dessas sucuris era ao redor de 30°C ou mais; na casa das cobras do Zoo
com dificuldade e à custa de iluminação artificial, calor de radiação e de resis¬
tências, além do aquecimento da água, obtém-se atualmente temperaturas de
23 a 24°C, o que impele as serpentes a procurarem a água com temperatura de
1 ou 2°C acima daquela do meio ambiente.
As serpentes são alimentadas com coelhos ( Sylvilagus sp.), cobaias ( Cavia
sp.) e mesmo patos (Anasplatyrhynchus), parece que há certa preferência por
gambás ( Didelphis sp.).
As serpentes necropsiadas e encontradas prenhes, apresentaram essa caracte¬
rística ao redor do mês de junho-julho, com filhotes em fase adiantada de desen-
112
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; DISSMANN, F. ; HOGE, A.R.; PENHA, A.M. — Notas biológicas
a respeito do gênero Eunectes Wagler, 1830 «sucuris». (Serpentes Boinae). Alem. lnst. Butantan,
40141:79-115, 1976/77.
volvimento, ou em vias de nascimento, fato esse que comprovou o acerto de
escolha da época para tentativa de captura de serpentes prenhes na excursão
científica proposta para junho-julho de 1965.
Admite-se que a violenta reação das “sucuris”, à captura, dando enfoque
às fêmeas prenhes, tenha influência negativa quanto à progressão do fenômeno
gravídico, diminuindo a resistência do animal pelos traumatismos causados e
aumentando o índice de mortalidade.
Por outro lado, não são raros os ovos atrésicos, volumosos, massas enrije¬
cidas que obstruem o nascimento normal, levando a fêmea à toxemia gravídica
pela impossibilidade de expelir os filhotes situados aquém desses ovos.
Os dados das ninhadas de Eunectes deste trabalho, confirmam e corrobo¬
ram os dados da literatura, apresentados por Pope (20) em 1955, Belluomini,
Nina e Hoge (8) em 1960, por Belluomini e Hoge (6) em 1957/58, de que o
tamanho dos filhotes está na ordem de 70 cm a 80 cm de comprimento e de
200 g de peso, e de que o número de filhotes nas ninhadas vai de aproximada¬
mente 30 até 82.
Hoge e Belluomini (6) levantaram a hipótese de que o tamanho e o nú¬
mero de filhotes guarda uma certa proporção com o tamanho da fêmea. Na
tentativa de maiores esclarecimentos estatísticos foram tomados das ninhadas
relacionadas nas fichas biométricas das fêmeas de n 9 25858 e de n 9 25859
deste trabalho e mais os das fêmeas de n 9 14091 e de n 9 18422 do trabalho
de Belluomini e Hoge (6) de 1957/58.
A análise de regressão dessas quatro fêmeas de Eunectes murinus e seus
respectivos filhotes revelou que existe correlação negativa entre comprimento de
fêmea adulta e tamanho dos respectivos filhotes, isto é, as fêmeas maiores têm
filhotes de comprimento menor. Não se deve esquecer contudo, que as fêmeas
de comprimento maior continham maior número de filhotes e esse fato poderia
também explicar a diminuição de tamanho dos mesmos. Esta suposição é con¬
trariada por uma das fêmeas (comprimento 4,93 m) que continha menor nú¬
mero de elementos (43) do que suas vizinhas (vide figura 1).
Os filhotes da fêmea de n 9 36802, não puderam ser computados pelo fato
de ainda se acharem em fase de desenvolvimento. Quanto aos dois filhotes que
sobreviveram da ninhada da fêmea de n 9 25858, viveram durante 5 anos em
“terrarium” (14.07.65 a 13.08.70 e 22.08.70 respectivamente), manifestaram
tendências para se alimentarem de peixes até 08.04.66 (aproximadamente 9
meses), dando preferência pela ordem aos “lambaris” (Astyanax), “tilapias”, e
refugando “acaras” ( Geophagus ) depois de tentar comê-los.
Na fase seguinte, ao aceitarem camundongos, abocanhavam-nos à beira
d’água, enlaçavam-nos e ingeriram-nos submersas, ficando totalmente imersas até
30 minutos. “Sucuris” adultas têm sido observadas totalmente imersas até 1
hora. Os filhotes à medida que cresciam, “procuravam” alimento vivo maior.
O exemplar fêmea comeu até próximo a sua morte (22.08.70) 88.921 g de
alimento (Tabela 1), quando pesava 22.300 g, praticamente 25% do que inge¬
riu. O exemplar macho comeu até próximo a sua morte 79.885 g de alimento
(Tabela 2) quando pesava 17.500 g, praticamente 24,4% do que ingeriu na
parte alimentar há ainda dois fatos: o primeiro relativo à fêmea, que em 23.04.66,
conseguiu escapulir do seu aquário, penetrar em outro, onde se criavam dois
quelônios (Pseudemys) de 25 g cada, comendo-os em seguida; o segundo é re-
í, i SciELO
BELLUOMINI, H.E.; VEINERT, T.; D1SSMANN, F. ; HOC.E, A.R.; PENHA. A.M. — Notas biolfigicasl
a respeito do gênero Eunecles Wagler, 1830 «sucuris-*. (Serpentes Boinae ). A/em. Inst. Butantan,]
40141:79-115, 1976/77.
lativo ao macho que, de abril de 1967 e abril de 1968, comeu 2.800 g de carnel
de cavalo, abocanhando e enlaçando-a todas as vezes, como se tratasse dei
animal vivo e sempre engolindo submerso. Esse tipo de alimento infelizmente I
foi rejeitado posteriormente.
Quanto ao crescimento, o macho nasceu com 76 cm e a fêmea 73 cm. Porl
ocasião da morte, cinco anos após, mediam 310 e 320 cm respectivamente. (Fig. 1).
As trocas de peles dos dois exemplares foram observadas e medidas em |
termos de crescimento e das datas do acontecimento.
O exemplar macho trocou de pele 30 vezes de 16.08.65 a 17.07.70 (Ta-I
bela 5). O exemplar fêmea trocou de pele 27 vezes de 16.08.65 a 20.05.70
(Tabela 6). As trocas de peles podem ser comparadas na Tabela 7. Verifi¬
ca-se que há trocas de pele pralicamente sem aumento de comprimento, enquan¬
to outras são de descimento expressivo. As cinco últimas mudas da fêmea
não corresponderam ao aumento de crescimento. Esse fato pôde ser contestado
porque na ocasião os “terrarium” estavam pequenos demais para o tamanho
das cobras, impedindo, até certo ponto, movimentação mais ativa.
As duas serpentes morreram de gota úrica visceral.
A exemplo da de Mangili (18) em 1956 e de Barton e Allen (5) em 1961,
o Zoo de São Paulo também utiliza sondas para forçar a ingestão de hidro-
lizados de carne, com leite e ovos, para sucuris, que se recusam, após perma¬
nência razoável em cativeiro, "aceitar” alimento vivo.
Agradecimentos: Os autores agradecem ao Sr. Evandro Luiz Cemhranelli por sua ines¬
timável ajuda na captura das grandes serpentes durante a excursão. Agradecem também
aos técnicos da Fundação Parque Zoológico de São Paulo e do Instituto Butantan ligados
diretamente a este trabalho, assim como ao Setor de Desenho do Instituto Butantan. Agra¬
decimentos a Da. Sibylle Heller pelo desempenho na composição deste trabalho.
ABSIRACT: lhe authors present ecological data on “Sucuris” Eimectes
murinus obtained during á scientific excursion, and biological data
through necropsies. and observations of living animais at the Zoo, and
of young born and reared in captivày. Special attention was given to the
growth rates, weight, length, as well as food habits and behavior.
Eunectes murinus gigas (Latreille) is considered as a junior synonym of
Eunecles murinus murinus (Linnaeus), and Eunectes murinus scylale
Linnaeus is used for the subspecies commonly called Eunectes murinus
murinus (Linnaeus).
UNIIERMS: Sucuri. Eunectes murinus. Behavior of "sucuris". Young of
"sucuris". Captivity.
BIBLIOGRAFIA
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115
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L0 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Butantan
40/41: 117-121, 1976/77.
BICEFALIA EM CROTALUS DURISSUS
TERRIFICUS (LAURENTI).
[SERPENTES: VIPERIDAE, GROTALINAE ].
hélio émerson belluomini***, pérsio de biasi***, giuseppe puorto*
e VICENTE BORELL1**
Serviço de Animais Peçonhentos do Instituto Butantan e Departamento de Anatomia da
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP
RESUMO: É descrito o terceiro caso de bifurcação axial (Bicéfalo:
teratódimo deródimo) em exemplar de Crotalus durissus terrificus (Lau-
renti). Filhote fêmea, natimorto, de serpente “cascavel” de procedência
desconhecida, tendo por irmãos outros oito filhotes, nasceu nos laborató¬
rios da Seção de Venenos do Instituto Butantan. Dos exemplares bicéfalos
catalogados e incorporados às coleções de Institutos Científicos (Insti¬
tuto Butantan; Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo; Ins¬
tituto Pinheiros e Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, de São
José do Rio Preto) no Estado de São Paulo, Brasil, constitui o décimo
primeiro caso assinalado.
UNITERMOS: (*) Teratologia em serpentes; (*) Bicéfalo: Teratódimo
deródimo em serpente; (*) Crotalus durissus terrificus (Laurenti); Ser¬
pentes.
INTRODUÇÃO
O reestudo de nove casos de bicefalia em serpentes existentes nas coleções
de Institutos Científicos (Instituto Butantan; Museu de Zoologia da Universi¬
dade de São Paulo e Instituto Pinheiros) em São Paulo, Brasil, possibilitou a
Belluomini (2) propor modificação, ampliando a Seção II da chave elaborada
Por Nakamura (4) para classificação de tipos teratológicos em serpentes.
Recentemente, Vizotto (6) ao estudar em Philodryas olfersii (Lichtenstein,
1823) mais um caso de bicefalia, introduziu o tipo atlódimo para o teratódimo
que descreveu. Nesse ínterim, Belluomini e cols. (3) estudaram outro exemplar
Bicéfalo de Crotalus durissus terrificus que ora é descrito.
apresentado no XIV Congresso Brasileiro dc Medicina Veterinária. São Paulo, SP, Brasil.
** p°* s ' sta do Instituto Butantan.
*** faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP.
/*\ In »?tuto Butantan.
p ' Unitermos principais.
ndereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - São Paulo - Brasil.
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BELLUOMINI, H.E.; BIASI, P. De; PUORTO, G.; BORELLI, V. — Bicefalia em Crotalus durissus terrificus\
(Laurenti). Serpentes, Vipericlae, Crotalinac. Alem. Insl. Butantan, 40/41:117-121 , 1976/77.
MATERIAL E MÉTODOS
Serpente Crotalus durissus terrificus, fêmea, de procedência desconhecida,
chegada ao Instituto Butantan e encaminhada ao serviço rotineiro de extração de
veneno para fins de produção de soro específico, pariu em 3 de abril/74, ninhada
de 9 filhotes (5 fêmeas e 4 machos) dos quais um filhote fêmea, natimorto, era
bicéfalo (designado sob n" 9; para fins de referência, a cabeça esquerda do
exemplar recebeu n 9 9-A e a direita 9-B).
Injetado e fixado com formol, juntamente com os demais filhotes da ninha¬
da (n.°s 1-8), foi estudado comparativamente através de radiografia, folidose e
comprimento do corpo e cabeça.
Todos os exemplares foram incorporados à coleção do Instituto Butantan
sob n"s IB — 41094 (bicéfalo); IB — 41095 a IB — 41 102; correspondendo,
respectivamente, à ordem numérica (1-8) atribuída como referência.
DESCRIÇÃO
O filhote fêmea, bicéfalo, cujos pescoços fundem-se na altura da 9“ e 10'
placas ventrais, comparado aos oito irmãos (4 fêmeas e 4 machos), apresenta
folidose com número semelhante de escamas supralabiais, infralabiais e placas
ventrais. Mede 24,65 cm que é comprimento menor que dos demais (27,2 cm e
30,1 cm); as cabeças (9-A e 9-B) que têm o mesmo comprimento (1,85 cm)
são menores que as dos outros filhotes (1,9 cm — 2,2 cm), todavia, a esquerda
(9-A) apresenta-se ligeiramente mais larga do que a direita (9-B) (Tabela 1).
As figuras de n"s 1 a 6 mostram os filhotes em vista ventral, lateral e dor¬
sal, detalhando a cabeça e região de união dos pescoços do bicéfalo.
A figura n 9 7 mostra o bicéfalo e exemplar irmão radiografados dorsal¬
mente. A análise radiográfica permite classificar a bicefalia como teratódima
(anomalia na parte anterior do corpo, com bifurcação axial) e deródima (co¬
luna vertebral bifurcada na região anterior). Portanto, com duas cabeças e dois
pescoços independentes.
DISCUSSÃO
A chave de Nakamura (4) após o reestudo de nove casos de bicefalia foi
ampliada por Belluomini (2), que reclassificou os casos assinalados por Amaral
(1) e Vanzolini (5) em cryptoderódimo iniódimo e teratódimo deródimo, res¬
pectivamente.
O exemplar de Crotalus durissus terrificus ora descrito é classificado como
teratódimo deródimo, sendo o terceiro caso de bicefalia em serpente “cascavel”
do Brasil. Apresenta maior interesse pelo fato de permitir o estudo comparativo
com exemplares irmãos, possibilidade essa até o momento ainda não verificada.
Segundo Belluomini (2) e acrescido dos dados atualizados e fornecidos pelo
Setor de Cadastro e Registro do Instituto Butantan, correspondente ao número
de serpentes recebidas por esse Instituto, a ocorrência de bicéfalos em serpentes
brasileiras permanece na taxa de 1:100.000.
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BELLUOMINI, H.E.; BIASI, P. De; PUORTO, G.; BORELLI, V. — Bicefalia em Crotalus durissus terrificul
(Laurenti). Serpentes, Viperidae, Crotalinae. Mem. Inst. Butantan, 40/41:117-121 , 1976/77.
Figs. 5 a 7 — Filhote fêmea, bicéfalo (teratódimo deródimo) de Crotalus durissus terrificus e demais filhotes
da ninhada; 5 - Bicéfalo e filhote irmão, cm vista ventral detalhando as escamas na região do pescoço; 6 -
Bicéfalo e filhote irmão, cm vista lateral; 7 - Bicéfalo e filhote irmão radiografados dorsalmente. Notar a
duplicação da coluna vertebral na região anterior.
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BELLUOMINI, II.E.; BIASI, P. Dc; PUORTO, G.; BORELLI, V. ■— Bicefalia em Crotalus durissus terrificus
(Laurenti). Serpentes, Viperidae, Crotalinae. Mem. Inst. Butantan, 40/41 :l 17-121, 1976/77.
DADOS COMPARATIVOS DE LEPIDOSE
E COMPRIMENTO ENTRE O FILHOTE B1CÉFALO E SEUS IRMÃOS
(Crotalus durissus terrificus)
Filhote
Folidose (escamas)
dorsal ventral anal
sub- sub-
caudal labial
infra-
labial
Comprimento (cm)
cabeça corpo cauda total
1
?
29/27/19
182
1
22
14-14
17-15
2,0
24,9
2,2
29,1
2
¥
29/27/19
170
1
30
14-14
16-16
2,2
24,5
2,7
29,4
3
d
29/27/19
178
1
23
14-14
17-18
2,1
25,5
2,5
30,1
4
d
29/27/19
179
1
29
14-14
15-17
1,9
22,7
2,6
27,2
5
d
29/27/19
171
1
28
14-15
18-18
2,1
24,5
2,8
29,4
6
d
29/27/19
172
1
30
14-14
15-17
2,1
24,8
2,9
29,8
7
¥
29/27/19
174
1
30
15-14
17-17
1,95
23,0
2,5
27,45
8
9
30/27/19
178
1
24
14-14
17-17
2,0
24,6
2,3
28,9
9-A
9
26/27/19
177
1
30
13-14
17-17
1,85
20,2
2,6
24,65
9-B
—
—
174
—
—
13-13
16-15
1,85
—
—
—
ABSTRACT: The authors describe a third case of axial bifurcation (bi-
cephalus: teratodymus derodidymus) in a specimen of Crotalus durissus
terrificus (Laurenti). A stillborn young female specimen was born
together with 8 other young by a “rattlesnake” of unknown origin at the
laboratory of the Department for Venoms of the Instituto Butantan.
This is the eleventh case of bicephalous snakes classified and included
into the collections of the Scientific Institutions (Instituto Butantan;
Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo; Instituto Pinheiros and
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, de São losé do Rio Preto —
Laboratório de Zoologia) in the State of São Paulo, Brazil.
UNITERMS; (*) Teratology in snakes; (*) Bicephalus: Teratodymus
derodidymus in snakes; (*)CrotaIus durissus terrificus (Laurenti); Ser¬
pentes.
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Recebido para publicação era 07-XII-1976 e aceito em 13-IV-1977.
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cm
*
Mem. Inst. Bulantan
40741: 123-128, 1976/77.
INQUÉRITO ANATOMOPATOLÓGICO EM
SERPENTES DOS GÊNEROS CROTALUS E BOTHROPS
[SERPENTES, YIPERIDAE, CROTALINAE]
HÉLIO E. BELLUOMINI*, ADAYR M. SALIBA** e AUGUSTO S. ABE***
RESUMO: Os autores efetuaram 907 necropsias de serpentes pertencentes
ao Instituto Butantan, mortas em cativeiro, onde eram mantidas para
fins de extração de veneno. O objetivo do trabalho é apontar as princi¬
pais lesões encontradas nesses animais, já que o maior número de óbitos
é verificado em serpentes do gênero Crotahts e do gênero Bothrops. Os
animais foram necropsiados e os tecidos examinados macroscopicamente.
Fragmentos dos diversos órgãos foram fixados em formol neutro a 15%
e em líquido de Bouin, incluídos em parafina e dos blocos foram obtidos
cortes de 5^. Estes foram tratados pelos seguintes métodos: Hematoxi-
lina-Eosina, Hematoxilina Férrica de Regaud, Ziehl-Neelsen, Tricrômico
de Mallory, Wilder Foot, e Weigert para fibras elásticas.
As lesões encontradas e o número de vezes que foram observadas são dis¬
postas em tabelas e juntamente com os resultados de 78 exames histoló¬
gicos são comentadas na discussão.
UNITERMOS: Lesões encontradas em serpentes dos gêneros Crolalus
e Bothrops (Serpentes, Viperidae, Crotalinae).
INTRODUÇÃO
Poucos são os trabalhos que tratam da ocorrência dc enfermidades em
serpentes. A maioria das publicações refere-se a descrições de enfermidades em
serpentes mantidas em cativeiro em parques zoológicos.
Dessa maneira, Mc Callum em 1921 (9) descreveu no Parque Zoológico
de Bronx uma epidemia em serpentes. Clinicamente os animais permaneciam
sem se alimentar, ocorrendo a morte por inanição. Os animais necropsiados
demonstraram pneumonia e hemorragias nos demais órgãos e tecidos.
Resumo de trabalho apresentado na XXII Reunião Anual da SBPC, 5-11 de julho de 1970.
* nst * tuto Butantan.
*** Eaculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP.
Ex-bolsista universitário do Fundo de Pesquisas do Instituto Butantan.
Trabalho realizado com auxílio do Fundo dc Pesquisas do Instituto Butantan.
Endi
ere Ço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - São Paulo - Brasil.
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BELLUOMINI, H.E.; SALIBA, A.M.; ABE, A.S. — Inquérito anátomo*patológico em serpentes dos gêneros
Crolalus e Bothrops. (Serpentes, Viperidae, Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:123-128, 1976/77.
Aronson, em 1928 (3), descreveu casos de tuberculose espontânea em 4
serpentes da espécie Thamnophis sirtalis pertencentes ao Jardim Zoológico de
Philadelphia. Verificou esse autor que à necropsia os animais apresentavam tu¬
bérculos de 1 a 2 mm de diâmetro no pulmão e no fígado. Observou também
que os linfonodos da cadeia traqueal estavam aumentados de volume. Em um
dos animais, num dos pólos do fígado, observou cavidade cística que continha
no seu interior material purulento, notando nesse material, bacilos álcool-ácido
resistentes. Os cortes histológicos de fígado e pulmão demonstraram áreas necró-
ticas, circundadas por células arredondadas ou ovais, com núcleo vesiculoso e
espessa cápsula conjuntiva que separavam estas lesões de outros tubérculos ou do
tecido adjacente, descrevendo nestas lesões bacilos álcool-ácido resistentes. Con¬
seguiu ainda, através de culturas, isolar o bacilo das lesões. Não conseguiu a
reprodução experimental da moléstia, quando o material obtido das culturas foi
inoculado em cobaios, coelhos e galinhas. Através de inoculação do material
em saco dorsal de sapos, camaleões, peixes e lagartos, observou lesões que se
assemelhavam àquelas observadas nas serpentes. Através de estudos microbio-
lógicos verificou tratar-se de nova espécie de Mycobacterium e propôs para este
microorganismo o nome de Mycobacterium thamnopheos.
Appleby e Siller, em 1960 (1), descreveram casos de gota úrica articular
e visceral em répteis (tartarugas e crocodilos).
Belluomini e Hoge em 1962 (4) inicialmente e, no mesmo ano, com Soe-
rensen e colaboradores (10) descreveram em serpentes ( Crotalus durissus ter¬
ríficas) casos de gota úrica visceral, afetando até 46% das serpentes necropsiadas.
Arddie e Schvvartz, em 1965 (2), fizeram estudos interessantes em artérias
de 39 serpentes, tendo previamente efetuado a dosagem de colesterol no soro
sanguíneo, verificando alto teor dessa substância. Nas necropsias não verifica¬
ram lesões ateromatosas na aorta, notando sim, em algumas serpentes, lesões
arteriais como: aneurismas saciformes na aorta, deposição de sais de cálcio,
sudanofilia e espessamentos da íntima.
Cowan, em 1968 (6), descreveu em exaustivo trabalho as lesões obser¬
vadas em 1249 répteis que morreram no Jardim Zoológico da Philadelphia, num
período de 66 anos; desses animais, 60% dos quelônios e 80% dos restantes
répteis morreram em conseqüência da não-adaptação ao cativeiro, observando-se:
anorexia, má nutrição e septicemia, além de constatar doenças como a arte¬
riosclerose, hepatite, neoplasias, amiloidose, pancreatite regenerativa, nefrite in¬
tersticial, nefropatia urática, glomerulite, glomeruloesclerose, osteoperiostite,
osteomalácia nutricional, amebíase e tuberculose.
Machado em 1969 (8) fez estudo sobre incidência e localização do com¬
prometimento cardíaco em Crotalus durissus terrificus pela gota úrica visceral,
assinalando 53% desse tipo de processo no material examinado.
Furlanetto, Belluomini e Izuka, em 1963 (7), prepararam vacina contra
o surto endêmico que grassava em Crotalus durissus terrificus e provocado por
bacilo Gram-positivo do grupo difteróide.
PROPOSIÇÃO
O Instituto Butantan recebe anualmente, de acordo com Belluomini em
1975 (5), perto de 10.000 serpentes venenosas do gênero Crotalus e do gênero
124
cm
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BELLUOMINI, II.E.; SALIBA, A.M.; ABE, A.S. — Inquérito anátorno-patológico em serpentes dos gêneros
Crotalus e Bothrops. (Serpentes, Viperidae, Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 40/41 ;123-128, 1976/77.
Bothrops e grande é a mortalidade em cativeiro nos serpentários e nos labora¬
tórios da instituição.
O objetivo do presente trabalho é apontar as principais lesões encontra¬
das nesses animais, já que o maior número de óbitos é verificado em serpentes
do gênero Crotalus e do gênero Bothrops.
MATERIAL
Foram utilizadas no presente trabalho, 907 serpentes de idade desconhe¬
cida e que morreram nos serpentários ou nos laboratórios do Instituto Butantan
em 1969 e em 1970. Destas, 455 pertenciam ao gênero Crotalus (Crotalus du-
rissus terrificus e Crotalus durissus colillineatus) e 452 ao gênero Bothrops (B.
jararaca — 364, B. alternatus — 27, B. cotiara — 26, B. moojeni 16, B.
neuwiedi — 13, B. jararacussu — 4 e B. jonsecai — 2.
A maioria dessas serpentes era manuseada quinzenalmente para fins de
extração de veneno.
MÉTODO
Os animais foram necropsiados e as vísceras e os tecidos examinados ma¬
croscopicamente. Fragmentos dos diversos órgãos de alguns animais foram fixa¬
dos em formol neutro a 15% e em líquido de Bouin, incluídos em parafina e
dos blocos foram obtidos cortes de 5/t. Estes foram tratados pelos seguintes
métodos: Hematoxilina-Eosina, Hematoxilina Férrica de Regaud, Ziehl-Neelsen,
P-A.S. (Periodic Acid Schiff), Tricrômico de Mallory, Wilder Foot, e Weigert
para fibras elásticas.
RESULTADOS
1 — Exames macroscópicos: Os exames necroscópicos em 455 serpentes
do gênero Crotalus e em 452 serpentes do gênero Bothrops, são considerados
na Tabela 1 através da relação das lesões encontradas, assim como pelo número
de vezes que foram constatadas.
2 — Exames microscópicos: Os exames histológicos em 78 exemplares de
serpentes pertencentes aos gêneros Crotalus e Bothrops revelaram: 49 serpentes
apresentavam no tecido adiposo edema gelatinoso; 28 animais, estomatite necró-
tico-purulenta, processo esse que atingia às vezes o tecido ósseo maxilar e man-
óibular; 17 casos, pneumonia e aero-saculite necrótico-purulenta e presença de
Parasitas; granulomas verminóticos no fígado e no baço, em 3 animais; proces¬
sos degenerativos hepáticos representados por inchação turva, esteatose e necro¬
se, em 41 animais; fenômenos necróticos, no baço de 5 animais; serpentes com
gota úrica foram catalogadas 15, sendo 14 do gênero Crotalus; processos infla¬
matórios do miocárdio, onde predominavam fenômenos necróticos, com áreas
de calcificação e infiltrado prevalentemente linfoplasmocitário, notaram-se 15
v ezes; melanose maculosa em 1 animal, no pulmão; 3 casos de pericardite fibri-
n osa; enterite necrótica-difteróide, 4 vezes; hemorrágica, 1 vez; em 2 ocasiões,
125
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, HE.; SALIBA, A.M.; ABE A.S. — Inquérito anátomo-patológico cm serpentes dos gêneros
Crotalus e Bothrops. (Serpentes, Vipendae, Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 40141:123-128, 1976/7?.
RELAÇÃO DAS LESÕES ENCONTRADAS E O NÚMERO DE VEZES QUE
FORAM CONSTATADAS ATRAVÉS DE EXAMES MACROSCÓPICOS
EM 455 SERPENTES DO GÊNERO Crotalus E EM 452 DO GÊNERO Bothrops
Lesões
Número
de vezes
Total
Bothrops
Crotalus
Atrofia gelatinosa generalizada
140
238
378
Gastroenterite catarro-hemorrágica
177
10
187
Estomatite necrótico-purulenta
127
82
209
Esofagite necrótico-purulenta
29
15
44
Gastrite ulcerosa
28
0
28
Enterite hemorrágica
9
9
18
Enterite necrótico-difteróide
5
0
5
Protite necrótico-difteróide
11
9
20
Focos necróticos no fígado
84
56
140
Hematoma subcapsular hepático
0
1
1
Esteatose hepática
57
18
75
Ruptura traumática do fígado
9
10
19
Perihepatite
0
3
3
Cisto de retenção biliar
2
0
2
Focos necróticos no baço
19
40
59
Espinho de ouriço no baço
0
1
1
Focos necróticos no pâncreas
2
17
19
Perinefrite
0
1
t
Hemorragia de coração
4
0
4
Focos necróticos no miocárdio
12
21
32
Pericardite fibrinosa
1
1
2
Pneumonia
27
0
27
Pneumonia e aero saculite necrótico-
purulenta (vermes pulmonares) +
100
36
136
Granulomas parasitários no estômago
23
35
58
Ascarídeos (estômago e intestinos)
40
58
98
Cestoda (estômago e intestinos)
3
0
3
Gota úrica visceral
1
175
176
Caquexia
3
8
11
Rotura de oviduto
0
1
1
Ovidutos com ovos atrésicos
9
1
10
Traumatismo — costelas quebradas
0
1
1
Traumatismo — cabeça e coluna vertebral
0
12
12
Úlcera da pele
3
0
3
Gangrena da pele
0
1
1
Melanose maculosa do pulmão e tracto
gastro-intestinal
1
0
1
-f Porocephalus sp. e Rabdias sp.
126
BELLUOMINI, H.E.; SALIBA, A.M.; ABE, A.S. — Inquérito anátomo-patológico em serpentes dos gêneros
Crotalus e Bothrops. (Serpentes, Viperidae, Crotalinae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:123-128, 1976/77.
cistos hepáticos-biliares; 2 serpentes apresentavam bócio colóide; nefrite intersti¬
cial crônica, 2 vezes; a presença de granulomas parasitários e ulceração da pa¬
rede gástrica, 14 vezes; finalmente cumpre assinalar a ocorrência de 9 casos de
granulomas infecciosos no baço e no fígado.
DISCUSSÃO
Os exames necroscópicos de 907 serpentes dos gêneros Crotalus e Bothrops
revelaram a presença, em 378 casos, de caquexia e atrofia gelatinosa do tecido
adiposo, bem como derrame seroso na cavidade geral. Esses animais ao chega¬
rem ao Instituto Butantan, de modo geral, não se alimentavam e eram subme¬
tidos a diversos agentes de “stress”, como, por exemplo, o cativeiro e o ma¬
nuseio quinzenal para fins de extração de veneno, tornando-os, portanto, mais
susceptíveis àquelas lesões observadas na boca, no esôfago (209 vezes), no tubo
gastrointestinal (187 vezes), nos pulmões (128 vezes), bem como a outros
transtornos de metabolismo. A debilidade do animal ainda favoreceu o desen¬
volvimento de parasitas que freqüentemente estão presentes numa variedade
grande de serpentes, ocorrendo em conseqüência de todos esses fatores a morte
do animal. Tais observações coincidem com as de Cowan realizadas em
1968 (6).
Também foi verificado o elevado número de serpentes apresentando gota
úrica visceral (175 Crotalus e 1 Bothrops), achado esse citado como sendo
comum por Cowan, que considera este transtorno como alteração metabólica das
purinas, atribuindo o fato à desidratação e à contínua ingestão de proteínas.
Nos animais examinados, por duas vezes foram observadas no fígado lesões
semelhantes àquelas descritas por Cowan, diagnosticadas como tuberculose, pro¬
duzida pelo Mycobacterium thamnopheos, embora não tenha sido possível de¬
tectar os microorganismos nas lesões em apreço, com base na metodologia uti¬
lizada.
Lesões traumáticas foram observadas numerosas vezes, sendo a maioria
delas produzida por contenção manual dos animais por ocasião da captura, nas
quedas eventuais ou ainda pelo manuseio para a extração periódica de veneno.
ABSTRACT: The authors effected 907 necropsies on snakes belonging
lo the Instituto Butantan, that died in captivity, where they had been
kept for venom extraction. The aim of this study is to point out the main
lesions found in these animais, since most of the deaths occurred with
snakes of the genera Crotalus and Bothrops. The animais were submitted
to necropsy, and viscera and tissues macroscopically examined. Fragments
of the several organs were fixed in 15% neutral formaldehyde, and in
Bouin’s fluid, and embedded in paraffin; from the blocks, 5 M sections
were obtained. These were treated by the following methods: Hemato-
xylin-Eosin, Regaud’s Ferric Hematoxylin, Ziehl-Neelsen, Mallory’s Tri-
crômic Stain, Wilder Foot, and Weigert for Elastic Fibers.
The lesions found, and their frequency of occurrence are compiled in
tables, and discussed together with the results of 78 histological exa-
minations.
UNITERMS: Lesions found in snakes of the genera Crotalus and
Bothrops (Serpentes, Viperidae, Crotalinae).
127
í, | SciELO
BELLUOMINI, H.E.; SALIBA, A.M.; ABE, A.S. — Inquérito anátomo-patológico em serpentes cios gêneros
Crotalus e Bothrops. (Serpentes, Viperidae, Crotalinae). Alem. Inst. Butantan, 40/41:123-128, 1976/77.
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terrificus (Laurenti, 1768). Arqu. Inst. Biol. 29: 271-275, 1962.
Recebido para publicação cm 07-XII-1976 e aceito cm 13-IV-1977.
128
cm
2 3 4
5 6 SCÍELO 10 n 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Butantan
40/41: 129-154, 1976/77.
WILDLIFE RESCUE, CAPTURE OF SNAKES
AND ESTABLISHMENT OF ANTI-OPHIDIC STATIONS
IN FLOODED AREAS DESTINED FOR
BRAZILIAN HYDROELECTRIC POWER PLANTS
HÉLIO EMERSON BELLUOMINl*, EVANDRO LUIZ CEMBRANELLI**,
MÁRIO PAULO AUTUOR1***
ABSTRACT — The environmental impact by the construction of great
reservoirs for hydroelectric power plants, required extensive measures
necessary lo maintain the ecological equilibrium, as to preservation of
the fauna.
Aware of the importance of this problem, the Hydroelectric Companies
requested orientation of the Fundação Parque Zoológico de São Paulo
and the Instituto Butantan. A joint team of both Institutions was sent
not only to instruct riverine populations, tecnicians and a great number
of the hydroelectric employees on the problems related to ophidism, the
rescuing of animais, but also to establish stationary and mobile anti-
-ophidic stations. In this enterprise there were utilized expressive human
resources, small aircrafts, helicopters, motorboats, and other conveyances,
all equipped with two-way rádios. Specialists of the “Vital Brazil” Hos¬
pital gave instructions to physicians and nurses about the treatment of
ophidic accidents.
UNITERMS — Animal rescue. Capture of ophidians. Installation of
antiophidic stations.
At the National Seminary on the Great Reservoirs, Machado (11) in 1974,
presented an extense study analysis in the bibliographic references about the
effect of the environment on barrages and reservoirs with emphasis to: “The
construction of reservoirs defeats the natural equilibrium of their location and in
modifying the environment suffers the consequences of this modification”.
The most acute problems as to wildlife rescuing in general, arose during
the flooding of areas destined for the Hydroelectric Power Plant “Promissão”,
in 1974, when the Centrais Elétricas de São Paulo — CESP — requested orien¬
tation of the Fundação Parque Zoológico de São Paulo (2). In this region,
natural basins and woodland became complctely submersed, thus provoking the
formation of “great pockets” where groups of ten or more animais, mainly mon-
keys, were retained, and rescued in time by the personnel of the Natural Re-
** ^ ns t*tuto Butantan and Fundação Parque Zoológico de São Paulo.
Fundação Parque Zoológico de São Paulo.
P° ta: Sr. Evandro Luiz Cembranclli faleceu em 07-04-1976.
Lndercço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - São Paulo - Brasil
129
cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; CEMBRANELLI E.L.; AUTUORI, M.P. — Wildlife rescuc, capture of snakes and
establishment of anti-ophidic stations in flooded arcas destined for Brazilian hydroelectric power plants.
Alem. Inst. Butantan, 40/41:129-154, 1976/77.
Fig. 1 - Rescued animais returned to nature.
source Police (ex Florestal Police) of the São Paulo State and by the personnel
of the very Hydroelectric Company (5).
The Company Furnas Centrais Elétricas, during the water damming at
“Marimbondo”, aware of the problems, requested orientation of the Fundação
Parque Zoológico de São Paulo as to wildlife rescuing and other arrangements.
The Fundação Parque Zoológico de São Paulo, in turn, cognizant of the
problems related to the presence of snakes in this region, asked for the partici-
pation of the Instituto Butantan. This rescuing operation supplied also data for
the study of Bandeira de Mello e Costa Barros (12) in 1975.
Later, the joint team of the Fundação Parque Zoológico and the Instituto
Butantan has been invited to give similar collaboration to the Hydroelectric
Companies of “Salto Osório” — Eletrosul, “Coaracy Nunes” — Eletronorte,
“Capivara” — Centrais Elétricas de São Paulo, and at present, the work con¬
tinues at the future hydroelectric power plant of “Salto Santiago” — Eletrosul,
Rio Iguaçu, in the State of São Paulo, and also a preliminary field test in the
area of the Tucuruí reservoir — Eletronorte, Pará State.
cm
SciELO
BELLUOMINI, II.E.; CEMBRANELLI E.L.; AUTUORI, M.P. — Wildlife rescue, capture of snakes and
establishment of anti-ophidic stations in floodcd areas destined for Brazilian hydroelectric power plants.
Mem. Inst. Butantaiu, 40141:129-154, 1976/77.
In this work, several steps are presented related to the survey of the areas,
their problems, planning, programmation, and the results obtained as to wildlife
rescue, capture of ophidians, including the establishment of antiophidic stations
in the regions in question.
The ichthyologic fauna remained the responsability of specialists.
The present work only could be accomplished satisfactorily thanks to the
full comprehension and unlimited support of the interest hydroelectric companies
who, cognizant of the importance of the effort to be accomplished, placed at
the disposal of the team all the necessary resources as airplane, helicopter, mo-
torboats, rádios, other conveyances, specialized personnel, etc. . .
STUDY AREAS
The areas destined to reservoirs for the hydroelectric power plants men-
tioned below are the subject of this paper:
1. Hydroelectric Power Plant “Marimbondo” — Furnas Centrais Elétricas
S/A, Rio Grande, boundary of the São Paulo and Minas Gerais States.
Working period: April 16 — 25 1975
May 12 — 16 1975
2. Hydroelectric Power Plant “Salto Osório” — Centrais Elétricas do Sul
(Eletrosul), Rio Iguaçu, Paraná State.
Working period: June 07 — 11 1975
3. Hydroelectric Power Plant “Coaracy Nunes” — Centrais Elétricas do
Norte (Eletronorte), Rio Araguari, Território Federal do Amapá.
Working period:
June 23 —
- 30 1975
4. Hydroelectric Power Plant
Paulo and Paraná (CESP).
“Capivara”
— Centrais Elétricas de São
Working period:
November
10 — 14
1975
December
02 — 04
1975
December
17 — 24
1975
December
26 — 30
1975
January
02 — 09
1976
January
10 — 19
1976
Hydroelectric Power Plant “Marimbondo” — Furnas Centrais Elétricas S/A
1. Visiting period — April 16-25, 1975.
2. Site — Rio Grande, natural boundary of the São Paulo and Minas Ge¬
rais States, between the former “Cachoeira de Marimbondo” and “Porto Co¬
lômbia” (Fig. 2) along an extension of 140 km, where the river bed reaches an
800m average width.
In the operational phase, most of the Rio Pardo water reaching the areas
°f periodical overflow will be utilized.
1, | SciELO
BELLUOMINI, H.E.; CEMBRANELLI E.L.: AUTUORI, M.P. — Wildlife rescuc, capture of snakes and
establishment of anti-ophidic stations in floodcd arcas destincd for Brazilian hydrocLcctric power plants.
Mem. Inst. Butanlan , 40/41:129-154, 1976/77.
3. Ínundation area — 340 km 2 . The water levei will reach approximately
20m in the initial pliase causing a mean overflow of 3.500m along the actual
river banks.
4. Source of Information — Data supplied by the hydroelectric company
and by the teams from the Fundação Parque Zoológico de São Paulo and the
Instituto Butantan (2).
Hydroelectric Power Plant “Salto Osório” — Centrais Elétricas do Sul
1. Visiting period — June 07-13,1975.
2. Site — Rio Iguaçu, Paraná State, between Salto Osório and Salto San¬
tiago (Fig. 3). The Rio Iguaçu presents rapids, waterfalls, and canyons.
3. Ínundation area — 55 km 2 . The accumulation basin will develop, in
part, in the canyons, stretching out later.
4. Source of information — Data supplied by the hidroelectric company,
and the reports by the Fundação Parque Zoológico de São Paulo.
Hydroelectric Power Plant “Coaracy Nunes” — Centrais Elétricas do Norte.
1. Visiting period — July 23-30, 1975.
2. Site — Rio Araguari, the region where formerly the Cachoeira do Pa¬
redão (Fig. 4) was located, approximately 125 km distant from Macapá, Ter¬
ritório Federal do Amapá.
3. ínundation area — 23 km 2 . The accumulation basin proportionates the
formation of a lake in a 120m range.
4. Source of information — Data supplied by the hydroelectric company,
and reports by the Fundação Parque Zoológico de São Paulo and Instituto Bu¬
tantan.
Hydroelectric Power Plant “Capivara” — Centrais Elétricas de São Paulo.
1. Visiting period — November 10-14, 1975
December 02-04,
17-24,
December
December 26-30,
January 02-09,
January
1975
1975
1975
1976
1976
10-19,
2. Site — Rio Paranapanema between the States of São Paulo and Paraná,
at the region of Porto Capim (Fig. 5).
3. ínundation area — 500 km 2 . Forming an accumulation basin along
the actual river bank.
4. Source of information — Data supplied by the hydroelectric company,
and reports prepared by the team of the Fundação Parque Zoológico de São
Paulo and the Instituto Butantan.
WORK1NG PROGRAM
The working program was divided into three parts:
A. Inspection of the areas to be flooded or already flooded, fauna of the
region, and other problems.
132
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SciELO
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BELLUOMINI, H.E.; CEMBRANELLI E.L.; AUTUORI, M.P. — Wildlifc rcscue, capture of snakes and
establishment of apti-ophidic jstations in flooded arcas destined for Brazilian hydroelectric power plants.
Mem. lnst. Dutanlan, 40141:129-154, 1976/77.
cm
Geographical localization of the Hydroelectric Power Plant «Marimbondo». Courtesy by GEOMAPAS - 1978.
BELLUOMINI, H.E.; CEMBRANELLI E.L.; AUTUORI, M.P. — Wildlife rescue, capture of snakcs and
establishmcnt of anti-ophidic stations in floodcd arcas destined for Brazilian hydroelcctric power plants.
Mem. Inst. Bulantan t 40/41:129-154, 1976/77.
SciELO
Geographical localization of the Hydroelectric Power Plant «Capivara». Courtesy by GEOMAPAS - 1978.
BELLUOMINI, H.E.; CEMBRANELLI E.L.; AUTUORI, M.P. — Wildlifc rescue, capture of snakes and
establishment of anti-ophidic stations in floodcd arcas destined for Brazilian hydroelectric power plants.
Me in. Inst. Butantan, 40141:129-154, 1976/77.
B. Planning.
C. Programming and accomplishment.
All conveyances supplied by the hydroelectric companies were utilized. The
inspection projects were elaborated according to charts with the collaboration
of specialists of these companies.
A.l. Inspection of the areas destined to the reservoir of the Hydroelectric Power
Plant “Marimbondo”, fauna of the region, and other problems.
1. Inspection of the region — The aereal, fluvial, and terrestrial survey
allowed to appreciate in separate the details of the riverbanks and vicinities, to
examine areas less accessible, and those considered more important.
Most of the riparian region is covered by sparse woods followed by the
areas constitued by farms and pastures besides those where signs of periodical
inundation are found. Two regions present areas of expressive woodland, ho-
wever, of reduced extension.
The nature of the land, and the study of the “Marimbondo” engineering
corps revealed that damming of the water will not cause formation of new
islands, and those already existing, characterized by the absence of wood, will
become submersed. The upward slope of the banks up to the antecipated inun¬
dation limits, will impede the formation of “great pockets” were animais could
become retained.
The areas comprehending the municipalities of Fronteira, Frutal and Pla¬
nura on the Minas Gerais side, and Icém, Guarací, Barretos, Colombia, and
Guaira on the São Paulo side, were inspected to allow a discernment of the
region, conditions of the dirt roads and the time it will take to cover them, of
the ecologic problems, a survey of the amount of anti-ophidic sera existing in
hospitais and drugstores, as well as inquiries about the ophidic accidents in the
whole region. Frutal presents the highest accident rate with an estimate of about
three cases per month; in Fronteira and Guarací, only a few cases were reported.
2. Fauna of the region — The absence of woodland diminishes much the
presence of the widlife in the region, but even so there may be cited as repre-
sentative components, the following animais: maned wolf ( Chrysocyon brachiu-
rus), Capuchin monkey (Cebus sp), saguin ( Callithrix sp), howling monkey
(Alouatta sp), deer ( Mazarna sp.), tayra ( Tayra barbara ), fox ( Dusicyon sp),
Raccoon ( Procyon cancrivorus) , great anteater ( Myrmecophaga tetradactyla),
tapeti ( Sylvilagus sp), catamount (Felis sp), capybara ( Hydrochoerus hidro-
choeris ).
In the same area are found venomous snakes, represented by rattlesnake
(Crotalus durissus), jararaca ( Bothrops jararaca ), caissaca ( Bothrops moojeni),
urutu cruzeiro ( Bothrops alternatus ) and some species of true coral snakes (Mi-
criirus sp).
Also in the area of Rio Grande is noted the presence of huge non veno-
mous snakes as anaconda ( Eunectes murinus) and boa constrictor ( Boa cons-
trictor amarali).
3. Problems — The nature of the area enables the flight of most of the
animais. There are no sites for the formation of pockets. The problem will be
137
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BELLUOMINI, II.E.; CEMBRANELLI E.L.; AUTUORI, M.P. — Wilcllife rescue, capture of snakes and
establishment of anti-ophidic stations in flooded arcas destincd for Brazilian hydroclectric power plants.
A/cm. Inst. Bulantan, 40141:129-154, 1976/77.
greater with animais considered “late-comers”. These, are represented in gene¬
ral by monkeys, mainly howling monkeys, capuchin monkey and saguin. Animais
escaping from the water, settle in tree tops, unable to move on later.
The two areas of expressive woodland, may shelter late-comers, and small
elevations of the ground eventually may present similar situations.
Young and bird nests are inevitably affected. The Progressive inundation
along the riverbanks will shove away the snakes thus allowing the prediction of
ophidic accidents with a probability higher than normal, aggravated by the fact
that sevcral urban areas will then be located near the water.
A.2. Inspection of the areas destinated for the reservoir of the Hydroelectric
Power Plant “Salto Osório”, fauna of the region and problcms.
1. Inspection of the area — Helicopter, high-speed motor-boats, and ve-
hicles equipped with rádios.
The flooding had been already. The river, in a general way, runs
mostly within deep canyons.
The accumulation basin allows the water to drain from the canyon, and to
climb reasonable distances of the generally steep borders deforested beforehand
up to the proposed inundation quota.
2. Fauna of the region — The fauna in this region practically will not be
affected due to the type of accumulation basin and deforestation.
The region shows exuberant woodland.
The most representative venomous snakes are: true coral snakes ( Micrurus
corallinus), jararaca ( Bothrops jararaca), cotiara ( Bothrops cotiara), jara-
racussu ( Bothrops jararacussu ) and rattlesnake ( Crotalus durissus terrificus).
3. Problems — The antecipated deforestation of the marginal or elevated
areas to be flooded, foreseen in the respective quotas incites the withdrawal of
animais, inclusive snakes existing in a reasonable number in the whole region,
and eventually will diminish their isolation.
A.3. Inspection of the areas destinated for the reservoir of the hydroelectric
Power Plant “Coaracy Nunes”, fauna of the region and problems.
1 . Inspection of the area — Motor-cars and boats were used. The coffer-
dam in an extension of 112m maintains the water at a 97m levei thus causing
the disappearence of the Paredão rapids.
No artificial islands were formed.
The lalce will invade areas, where the deforestation along 2km, dam upward,
was made up to a 114m quota.
Most of the animais had already left for the borderline areas. The total
rising of the water is proposed up to a 115m levei, but the hydroelectric company
is prepared to extend the deforestation up to 120m quota, the maximum bea-
rable by the dam.
The forests in this environment are magnificent.
2. Fauna of the region — Animais will not be affected any more. The
partial inundation and the previous deforestation further their relocation. This
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BELLUOMINI, H.E.; CEMBRANELLI E.L.; AUTUORI, M.P. — Wildlife rescue, capture of snakes and
establishment of anti-ophidic stations in flooded areas destined for Brazilian hydroelectric power plants.
Mem. Jnst. Butantan, 40/41:129-154, 1976/77.
region of the Território do Amapá presents a series of transitions between forest,
marshland and scrubland according to Joly (9), 1970. The most representative
snakes in this region are: rattlesnake ( Crotalus durissus), one of the few sites
of the Amazônia where the species occurs; jararaca ( Bothrops atrox ), surucucu
pico de jaca ( Lachesis muta muta), some species of true coral snakes (Micrurus)
and, last not least, the huge non venomous snakes as anaconda ( Eunectes mu-
rinus) and boa constrictor (Boa constrictor constrictor).
3. Problem areas — In the regions adjacent to the exuberant forests, where
the water covers the ground, leaving part of the trees half submersed, the intri-
cate arboreal mass facilitates the relocation of the animais.
Upstream, near the region of the “Caldeirão”, several islands with periphe-
ric leveis at a 115m range, and areas well over these limits may present during
the operational phase precarious equilibrium to the fauna there existing. It has
not been possible to determine whether heavily wooded islands are inhabited by
animais. There are venomous snakes in the whole region.
A.4. Inspection of the area destinated for the reservoir of the Hydroelectric
Power Plant “Capivara”, Rio Paranapanema (November 10-14, December 2-4,
1975) fauna of the region and problems.
1. Inspection of the area — All available conveyances as helicopter, ve-
hicles and motor boats were used. The riverine region in sparsely wooded. The
construction of the reservoir provoked, besides the rainfalls since October, the
inundation of the lower borderlines covering partially small trees thus inciting
the departure of animais from these areas.
However, next to the actual area to be flooded prevails the soja agriculture
on the Paraná side and pastures on the São Paulo side, allowing a reckoning
of the local ecologic problems; to make a survey of the amount of antiophidic
sera existing in hospitais and drugstores, get a briefing on the ophidic accidents
within the whole region, at a rate of 10 or more per year although of difficult
estimate because there is no coercive notification. Distances were calculated,
and the road conditions during the rainy season were estimated.
2. Fauna of the region — The few existings forests (some already cut up
to the limit of the expected inundation) may still harbor monkeys as capuchin
nionkey (Cebus sp ), saguin (Callithrix sp), and one specimem of hedgehog
( Coendou sp). The capybara itself (Hydrochoerus hidrochoeris) is rarely found
in the region. According to the topography of the region, the following snakes
•nay be found: rattlesnake (Crotalus durissus terrificus, jararaca ( Bothrops ja¬
raraca), jararacussu (Bothrops jararacussii) , caissaca (Bothrops moojeni), urutu
cruzeiro (Bothrops alternatus) probably cotiara (Bothrops cotiara), and various
species of true coral snakes, mainly Micrurus corallinus. A series of non venomous
snake genera are also noted.
3. Problems — The marginal slopes, within the antecipated limits, present
°nly few problems as to the formation of “great pockets” where animais, mostly
monkeys as capuchin monkeys, howling monkeys and saguin could become re-
tained. No animais were found on the existing islands, already partially submer¬
sed through the impact of the cofferdam.
The few artificial islands in formation throughout the woodland were alrea¬
dy deforested or in phase of deforestation within the limits considered minimal
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BELLUOMINI, H.E.; CEMBRANELLI E.L.; AUTUORI, M.P. — Wilcllife rcscue, capture of snakes and
establishment of anti-ophidic stations in flooded areas destincd for Brazilian hydroclcctric power plants.
Alem. Inst. Butantarv, 40141:129-154, 1976/77.
by specialists (2 meters). Regions constitued by cropland will be isolated, since
harvesting of the crop must be considered, after which the operational phase is
continued.
In these areas there will be a belated danger by venomous snakes even with
the high index of mechanization of soja and wheat farming.
Other crops existing in the area as maize cause much anxiety in relation
to snakes.
B. Planning
The planning for wildlife rescue, capture of snakes, and installation of anti-
-ophidic stations was elaborated according to the characteristics of the different
regions already flooded or in phase of inundation.
The projects were developed, appraised and approved in joint meetings
with the management engineers or responsibles for the hydroelectric companies,
in general with the participation of components of the Security Department,
assigned specialists, doctors, officers of the Natural Resource Police, and the
team of the Fundação Parque Zoológico de São Paulo and the Instituto Butan-
tan, by the following criterium:
I. Data obtained through inspection
1.1. Type of the area inundated for the reservoir formation
1.1. Common river
1.2. River in canyons
1.3. Lakes
1.2. Geographical accidents
forested
2.1. Disappearance of islands without forests
with agriculture
with forests
2.2. Formation of artificial islands without forests
with agriculture
1.3. Type of vegetation
3.1. Forests
3.2. Cropland or pasture
3.3. Others (scrubland, etc.)
II. F aunai data
11. 1.1. Known local fauna — wild animais
1.2. Local fauna observed during inspection
II. 2.1. Known local fauna — poisonous snakes
2.2. Local fauna observed during the inspection
III. Material recources necessary for the practicability of the planning
III. 1.1. Location of wild animais, boates and flatboats, vehicles, be-
sides areal support.
1.2. Capture of animais — nets, net-bags, snares.
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BELLUOMINI, H.E.; CEMBRANELLI E.L.; AUTUORI, M.P. — Wildlifc rescue, capture of snakcs and
establishment of anti-ophidic stations in floodcd areas destined for Brazilian hydroelectric powcr plants.
Mem. Inst. Butantan, 40/41:129-154, 1976/77.
III.
2.1
III.
3.1
3.2
III.
4.1
III.
5.1
Capture of snakes — boxes for transportation, lariats or
capturing hooks.
Acquisition of antiophidic sera
Installation of fixed or mobile antiophidic stations
rádios.
IV. Humcm Resources
IV. 1.1. Personnel of the hydroelectric companies
1.2. Team of the Fundação Parque Zoológico de São Paulo and
Instituto Butantan.
1.3. Components of the Natural Resource Police (ex Florestal
Police).
V. Training of the personnel
V. 1.1. Theorical — practical instruetions to personnel of the De¬
partment, boat-crew, drivers, including components of the
Natural Resource Police.
1.2. Reconnaissance of typical local animais including endangered
species.
1.3. Reconnaissance of the local venomous and non venomous
snakes.
1.4. First aid, transference of accidented, training in the capture
of living animais, location of first-aid stations.
1.5. General instruetions to engineers and other technicians, assig-
ned by the hydroelectric companies, as to rescue problems,
animal species probably existing in the region, mainly poiso-
nous animais, outlines of emergency assistance.
1.6. Special instruetions to nurses rendered by specialists of the
hospital “Vital Brazil” of the Instituto Butantan, with regard
to ophidic accidents and treatment according to the precept
of this hospital.
Observation: All expenses were covered by the Hydroelectric Companies.
B.l Planning of animal rescue, capture of snakes and installation of anti-
ophidic stations in the area destinated for the reservoir of the Hydroelectric Power
Plant “Marimbondo” (Fig. 6).
1 . During the damming of the water, two airplanes of the companies ins-
pected the region, no only to localize belated animais but also to give assistance
where necessary, making use of 16 airfields for this kind of assistance. Two
high speed motor launches equipped with radio, and motor boats cover conti-
nously the inundation areas in search of animais in difficult conditions, impri-
soned on tree tops or elevations of the terrain.
The rescue of these animais was done as follows:
A motor boat, towing at a certain distance a flatboat containing food, gives
the animais the possibility to jump on this flatboat for food.
The animais considered reluetant to this kind of help are collected with
the aid of a kind of net-bag.
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cstablishmcnt of anti-ophidic stations in flooded arcas dcstincd for Brazilian hydroclectric powcr plants.
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Planning of rescue at «Marimbondo».
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cstablishment of anti-ophidic stations in floodcd areas destined for Brazilian hydroelectric power plants.
Aí em. Inst. Butantan , 40/41:129-154, 1976/77.
2. Those animais in need of treatment are maintained in special cages
to recuperate before being returned to nature.
3. Twenty components of the Natural Resource Police of each of São
Paulo and Minas Gerais States will be present to cooperate in all work, disposing
for this of 8 vehicles equipped with radio — four on each side of the river —
supplied by the management of the company.
4. The company will provide the six anti-ophidic stations maintained during
the inundation period for eventual first aid Services with anti-ophidic and anti-
elapidic sera or reinforce the existent stock. Four of the stations are permanent
in the cities of Planura, Fronteira and Guarací, respectively, and three stations
located in areas more distant or of difficult approach, located between Icém
and Guarací (adjacent to the Anglo Frigorific Plant), at Vila Barroso (per-
taining to the municipality of Frutal), in the area called “Chatão do Rio Grande”
and the Iast one in Brejinho, between Guarací and Colombia. The mobile sta¬
tions will have in stock at least twenty vials of anti-ophidic serum each; the
permanent stations, besides the serum already enrolled, will receive also twenty
vials of the same serum plus five vials of anti-elapidic serum.
The stations of Frutal will have in stock fifty vials at the request of the
responsible doctor, namely anti-ophidic serum, anti-crotalic and anti-bothropic
serum besides the already existent stok in local drugstores of about 200 vials.
The permanent stations will be attended by doctors and nurses, and the
mobile stations by nurses.
The stations, due to their location, have the possibility to attend accidented
persons from a maximal 3 hour distance, in accordance with the norm establi-
shed by the Hospital of the Instituto Butantan.
Leaflets containing instruetions about the treatment of ophidic accidents,
and other venomous animais according to the specifications of the Hospital
“Vital Brazil” of the same Institution, will be distributed.
5. Lectures will be given with respect to ophidism, the first to nurses in
Planura assigned to this kind of assistencial work, and the second to the per-
sonnel indicated by the hydroelectric company.
There are considered visits and lectures to the permanent medicai centers
(hospitais and medicai clinics) and to the mobile stations (eventual) in Guarací,
Vila Barroso, Frutal, the ambulatories of Furnas located in Planura and Fron¬
teira with the participation of a specialized doctor of the Hospital “Vital Brazil”.
6. The hydroelectric company will take charge of the confection of cap-
turing material, net-bags, snares and snake-transport boxes.
7. The prefecture of Guarací sent an employee of that municipality to the
Instituto Butantan to be trained in snake capture.
B.2 Planning related to animal rescuc, snake capture, and installation of
anti-ophidic stations in the inundation area destinated for the reservoir of the
Hydroelectric Power Plant “Salto Osório” (Fig. 7).
1. The nature of the region, the river in canyons, and the antecipated
arrangements as to the deforestation of the areas to be inundated, cleaning of
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establishment of anti-ophidic stations in flooded areas destined for Brazilian hydroelectric power plants.
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Inundation area of «Salto Osório».
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establishment of anti-ophidic stations in flooded arcas destincd for Brazilian hydroelectric powcr plants.
Mem. Inst. Butantan, 40/41:129-154, 1976/77.
the marshland, plantations or elevations that will become submersed, not only
dispersed the animais but also depopulated the region.
Although no difficulties as to the animal rescue are expected, high speed
motor-boats and vehicles backed by helicopter equipped with radio continue
the reconnaisance work between “Salto Osório” and “Salto Santiago”, mainly
in the marshland.
2. Material, boxes and snares related to snake capture were prepared
by the hydroelectric companies and distributed to the security stations where
a special staff is entrusted with the inspection of the flooded area’s boundary.
3. A general lecture will be given, with respect to venomous animais, as
well as an emergency aid outline, to engineers and other technicians. A special
lecture is programmed for doctors, nurses, and other technicians of the hospital
of the company, with reference to the norms established by the Hospital “Vital
Brazil” as to the treatment of ophidic accidents. The amount of anti-ophidic
and anti-elapidic serum, to reinforce the stock of the hospital, was calculated.
B.3 Planning related to the rescue of animais, capture of snakcs and
installation of anti-ophidic stations in the inundation area destined for the reservoir
of the Hydroelectric Power Plant “Coaracy Nunes” (Fig. 8).
1. The nature of the region, former “Cachoeira do Paredão” (Paredão
Waterfall), the reservoir in the geographical form of a lake, the slow filling
°f this accumulation basin, the absence of artificial islands, and the already
deforested borders, do not demand any forsight as to animal rescue, but only
attention to the few areas where tips of woodland may become semisubmersed.
2. Two motorboats in charge of reconnaisance, will continue to scour the
r egion, inspecting mainly the islands located dam upward (region of Caldeirão).
In case there were endangered animais on these islands, they will be rescued by
the personnel of the hydroelectric company in maintaining, during this period
of time, control of the water levei through the floodgate of the spillway.
3. The Hydroelectric Company, oriented by the Instituto Butantan, acqui-
red the following sera: 80 (eighty) vials of anti-bothropic serum, 40 (forty)
vials of anti-lachetic serum, 30 (thirty) vials of anti-crotalic serum and 10
(ten) vials of anti-elapidic serum as reinforcement of the already existing stock.
Classes with respect to venomous animais, mainly snakes, spiders and scor-
pions were proposed for the personnel of the hydroelectric company of all
schooling leveis comprehending treatment and emergency aid, given by physi-
cians of the Hospital “Vital Brazil”.
The hydroelectric company will manufacture, according to models supplied
by the Instituto Butantan, boxes and snares for transportation and capture of
snakes respectively, to be distributed in the area.
For protection, the personnel scouring the areas of the reservoir and the
Paredão de Santana lines, will take along ten (10) vials of anti-bothropic and
ten (10) vials of anti-lachetic serum.
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establishmcnt of anti-ophidic stations in flooded arcas destined for Brazilian hydroelectric power planls.
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establishment of anti-ophidic stations in flooded arcas destined for Brazilian hydroclcctric powcr plants.
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B.4 Project relative to animal rescue, snake capture and installation of anti-
ophidic stations in the areas destined for the reservoir of the Hydroelectric Power
Plant “Capivara” (Fig. 9).
1 . During the inundation period, aereal reconnaisance was made by heli-
copter, terrestrial by motorcars of the CESP (11) equipped with radio, scouring
the riverbanks, and fluvial with high-speed and motorboats also equipped with
radio. This scheme will permit the localization of isolated animais, the capture
of snakes and also render other assistance.
2. Study and approvation of the sites for the anti-ophidic serum distri-
bution.
Establish the dates for lectures to be given by physicians of the Hospital
“Vital Brazil” of the Instituto Butantan to doctors and nurses assigned to attend
the eventually accidented persons.
Establish dates for lectures and training to be given to components of the
Natural Resource Police of São Paulo and Paraná States, summoned to send
contingents to the “Capivara” region.
Set a date for the training of boat-crews and drivers in capturing animais
with net-bags, snares and hooks. The selected elements must become acqua-
inted with snakes before starting the work. They will receive instructions about
first aid, and according to the areas of their work, about the sites to where the
accidented have to be taken. For this, the responsibles have to carry along
directional maps.
Also hospitais, health centers and ambulatories as well as the selected
drugstores must be informed about the eventual problems caused by the inun¬
dation.
The hydroelectric company “Capivara” shall acquire from the Instituto
Butantan polyvalent anti-ophidic sera and place them at the disposition of neigh-
boring cities according to the following schema: Alvorada do Sul, PR-40 vials;
Cruzalia, PR-40 vials; Pedrinhas, PR-40 vials; Iepê, SP-30 vials; 1." de Maio,
PR-50 vials. Sertanópolis, PR-40 vials.
The ambulatory of the plant will have in stock 120 vials of anti-ophidic
serum, plus 20 vials of anti-arachnidic serum. There will be, of course, flexibility
in this distribution and in the dislocation to other needy areas.
The Instituto Butantan will send initially to “Capivara” 50 boxes for snake
transportation, 10 snares and one hook for snake capturing, these as models
for the manufacture of more items.
The manufacture of net-bags and the construction of six specified cages,
which will eventually be used to maintain animais in need of recuperation treat-
ment before being uncaged in safe places, has been proposed.
3. The chart of the programming of Services and logistic support necessary
to accompany the filling of the reservoir, by Walter Franco de Camargo, was
utilized, completed by the list of sites selected for medicai assistance according
to the 7 preestablished stations.
This way, the components of the teams-motorboats, vehicles, Natural Re¬
source Police-will know where the persons in need of emergency medicai assis¬
tance have to be directed to.
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establishment of anti-ophidic statíons in flooded areas dcstined for Brazilian liydroclectric power plnnts.
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Planning of rescue at «Capivara».
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establishment of anti-ophidic stations in flooded areas destined for Brazilian hydroelectric power plants.
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4. In classes with regard to wild animais that may be localized, special
emphasis will be given to those species considered endangered. These animais,
if eventually found and captured will be sent to the São Paulo Zoo, and a
scientific destination will be given to them there.
C. Programming and Accomplishment
The projects were accomplished within the proposed scheme utilizing hun-
dreds of persons, personnel of the hydroelectric companies and contingents
of the Natural Resource Police. All necessary material resources were mobi-
hzed; the expenses including transportation, board and lodging were met by
the hydroelectric companies.
Technicians of the Fundação Parque Zoológico de São Paulo and of the
Instituto Butantan, took part in the criticai phases of the operation, giving assis-
tance in “Marimbondo”, “Salto Osório”, “Capivara, and Coaracy Nunes”.
RESULTS
1. Hydrcelctric Power Plant “Marimbondo” — (May 05-21, 1975)
In various inundation regions, including the temporary islands, later sub-
mersed, hundreds of animais were rescued, mainly saguin ( Callithrix sp), hed-
gehogs ( Coendou sp), anteaters ( Tamandua tetradactyla), opossum ( Didelphis
sp), restless cavy ( Ccivia sp) and others. From the tree tops hundreds of sa¬
guins (Callithrix), tens of howling monkeys ( Alouatta ), tens of opossum ( Di¬
delphis), several couples of hedgehogs ( Coendou sp) and anteaters ( Tamandua
sp), were collected, as well as Myrmecophaga tetradactyla.
An estimated rate of more than hundred capuchin monkeys ( Cebus sp),
inhabitants of the partially submersed woodland, were able to escape by them-
selves or with little help.
It has not been necessary to use flatboats with food to save larger groups.
Several female howling monkeys and their young needed treatment and rest
(Fig. 1). They received treatment and food, and after recuperation, they
■were freed.
Two hundred snakes were captured, mainly non venomous: of the veno-
nious snakes, several rattlesnakes ( Crotalus durissus terrificus), and caissacas
(Both rops moojeni). The captured snakes were sent to the Instituto Butantan,
and the Instituto Vital Brazil. Tens of captured boa constrictor ( Boa constrictor
amarali), were, later on, released in safe places.
Sites still inaccessible where animais took refuge (tree tops) were demar-
cated for posterior rescue under better condiíions.
One ophidic accident was registered in the region of “Chatão do Rio Gran¬
de”, although outside the inundation area. The accidented received medicai
attention and recovered.
2. Hydroelectric Power Plant “Salto Osório”
Only a few animais had to be rescued, because most of them escaped by
proper means or had been chased way.
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IiELLUOMINr, H.E.; CEMBRANELLI E.L.; AUTUORI, M.P. — Wildlife rcscuc, capture of snakes and
establishment of anti-ophidic stations in flooded areas destincd for Braziltan liydroelectric power planls.
A/em. Inst. Butanlan, 40141:129-154, 1976/77.
A few exemplaries of poisonous snakes were found, distinguishing in nu-
merical order Micrurus corallinus, Bothrops jararacussu and Bothrops jararaca.
Several exemplaries of Bothrops cotiara and Crotalus durissus were also captured.
3. Hydrcelectric Power Plant “Capivara”
November 1975 to January 1976
Approximately twenty hedgehogs ( Coendou ), at least one hundred howling
monkeys ( Alouatta sp), and saguins (Callithrix) , 30 lizzards were saved, and
about 1.200 snakes, among the poisonous snakes mostly Crotalus durissus terri-
ficus and Bothrops jararaca. Although the rescue teams had been specially
trained in the recognition of endangered species, they could not find any golden
lion marmosets ( Leontides sp). No ophidic accident has been reported.
D1SCUSSION
Inspection of the areas under study, survey of the problems and the obtai-
ned results, point out a series of facts to be evaluated:
1. Strengthening the foresight, it is verified that the deforested areas (along
the rivers Araguarí and Iguaçu, where forests are exuberant, or next to the rivers
Rio Grande and Paranapanema, where the exploration by man alrnost ex-
tinguished the forests), not only drive away the local fauna but also reduce the
problems of animal rescuing. These facts accentuate the importance of previous
deforestation of certain areas as fluvial islands which later will become submer-
sed, or artificial islands formed during the inundation which will become or not
submersed.
2. The type of accumulation basins also is of great importance as eviden-
ced by the “Salto Osório” (50km-) reservoir where the river is alrnost wholly
channeled as well as that of the Rio Iguaçu with its natural obstacles as rapids
and waterfalls. These are the basins which bring less problems with respect to
wildlife. The water of the accumulation basin of “Coaracy Nunes” (23 km-),
downstream the “Cachoeira do Paredão” (Paredão Waterfall), in rising gra-
dually climinated the esthetic beauty of the waterfall, and in surpassing the upper
natural dam will be on levei with the upstream basin thus forming one great
lake. In this case the fauna also will be less affected, however, the borderline
forests will become submersed or, even better, will have to be deforested.
The accumulation basin of “Marimbondo” and “Capivara” similar in their
formation, differ from the other two. Although they are named after the rapids
and falis, where today the hydroelectric power plants are situated, the Rio
Grande and Rio Paranapanema are of appreciable width, and their borders, at
sites of the actual reservoir, had provoked in many regions the so called seasonal
inundations. The closing of the floodgates caused elevations of the water leveis
up to the limit of other upstream hydroelectric reservoirs, as that of Porto Co¬
lômbia on the Rio Grande, and “Salto Santiago” (in construction) on the Rio
Iguaçu. The water, gradually rising to spectacular leveis, flooded areas of 340-
-500km 2 , respectively, causing a series of problems, including those related to
wildlife rescue that had to be totally antecipated, studied in detail, and overcome.
In these predominantly pastoral or agricultural regions, still exist forests,
and these also affected, endured in part deforestation up to the proposed inun-
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establishment of anti-opliidic stations in flooded areas destincd for Brazilian hydroelectric power plants.
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dation quotas. The evident diminution of wildlife is due to constant extermi-
nation.
Inundation areas as the accumulation basin of “Marimbondo'’ and “Ca¬
pivara” are not the worst type in relation to wildlife rescue, although expressive
amount of material and human resources were necessary to save hundreds of
animais.
In these regions, the draining waters overflow the river banlcs, spread and
invade an enormous riverine area provoking in a few cases the formation of
isolated terrain, great pockets which gradually become submersed.
At accumulation basins where, besides the normal inundation, exist also
lateral refluxes invading at first the lower terrain with a consequent formation
of pockets, bring most serious problems that become aggravated in timberland
areas.
To the problem of poisonous animais, mainly snakes, was given special
attention, in view of the type of flooded terrain, prevailing farms or pastures,
where, in a general way, venomous snakes are found in great number. The ecolo-
gical unbalance caused by man in cultivated regions, promotes in general an
accumulation of rodents giving rise to an inversion of the ophidic fauna. Belluo-
mini (3, 4) in 1976, actualizing the statistic data of 1968, confirms that 75%
of the one million snakes received by the Instituto Butantan till 1975, were
venomous.
This preocupation is not exaggerated, for Rosenfeld (13) 1965, based on
statistic data on accidented of the Hospital “Vital Brazil”, Instituto Butantan,
wrote:
“While the majority of the venomous snakes do not climb trees, they will
do so, when the ground is very moist or inundated. All snakes can swimm and
even bite when in water. Contrary to the general point of view, the number of
accidents near habitations is reasonable; 25,39% occured in the vicinity of
houses, and 12,96% of the cases happened to fisherman near riverbanks or
lakes. This knowledge is helpful in accident prevention”.
Data on geographical distribution of Brazilian venomous snakes studied by
Hoge (8), the studies on envenomation by snakes, spiders and scorpions, by
Rosenfeld et.ah, 1966 (14), and Rosenfeld, 1971 (15), the survey in areas
destinated for hydroelectric power plants, the support given by extremely pre¬
cise charts, types of vegetation and farm and grazelands, allowed the establish¬
ment of anti-ophidic stations well distributed according to the project at se-
lected suitable places where accidented persons can receive assistance within a
tolerable three hour period of time, with sufficient stock of anti-ophidic serum
doses, and trained personnel actualized according to the experience of the “Hos¬
pital School Vital Brazil” of the Instituto Butantan.
Several urban zones of high demographic density caused serious preocupa-
tions due to the proximity of the water.
Only one ophidic accident (promptly treated and recuperated) was regis-
tered in the region of “Chatão do Rio Grande”, even so, outside the areas under
consideration.
Fortunately, ophidic accidents did not occur as expected, according to the
cases registered in the regions of the “Rio Grande” and “Rio Paranapanema”.
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establishmcnt of anti-ophiclic stations in flooded arcas destined for Brazilian hydroelectric povvcr plants.
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The high concentration of poisonous snakes expected in cultivated areas had
been the reason for general preocupation when visiting the region of “Capiva¬
ra”, however, the increased mechanization index in the culture of soja and wheat
in this area requires periodical crop rotation where the farm machinery gives
little chance to the installation of rodents and consequently to snakes which feed
preferably rodents.
The collecting of snakes in the flooded areas was moderate. More or less
2.000 snakes were captured, only 5% of them poisonous. The type of the
accumulation basin, the systematic clearing of the areas drove part of the snakes
away, and the gradual inundation along the rivers dispersed the rest. It would
be impractible to maintain capturing teams along the two hundred kilometers
of riverbanks.
A great part of the snakes were captured on treetops, and many were placed
later in liberty, mainly boa constrictor (Boa constrictor amarali ) at “Marim¬
bondo”. This is explained by the fact that boa constrictor are useful in the
control of rodents: they are even used in certain Brazilian regions as “watchdogs”
in barns or larders, in substitution of cats.
Accumulation basins, which cause problems as to the isolation of regions,
thus forming pockets, may allow the capture of higher numbers of snakes, mainly
when there is a more exuberant vegetation. At the Hydroelectric Power Plant
of “Ilha Solteira”, Hoge et. al. (7), 1974, sponsored by the CESP, captured
during the development of the reservoir nearly 7.000 snakes, 95% of which on
semi-submersed trees. This capture was done in determined regions of the re¬
servoir, and the number of poisonous snakes there was also unimportant.
The nature of the terrain, and areas transforming themselves into pockets,
gave similar aspects with respect to the monekys in “Promissão”.
In “Coaracy Nunes” the possibility of rescueing animais eventually present
on more distant islands, was solved reasonably by maintaining the water of the
basin at the same levei for the time being by means of the floodgates. In this
paper the authors considered also data in literatura on fauna rescue during the
construction of reservoirs destinated for hydroelectric power plants by Dee, N.
(6) — Oneida Narrows, and Leentvaar, P. (10) — Lake Brokopondo.
Finally, the training of the personnel is very important. Besides the coordi-
nation of the different groups, the work is better performed, mainly the dan-
gerous task of capturing poisonous snakes by selected, apt, and alert persons.
The training of personnel gives greater consistency to the planning and
execution of the project, gives fair results and reduces the accident rate during
the capture of animais, to the rescuers as well as to the rescued.
CONCLUSIONS
1. The fewer the animais that had to be captured or rescued, the better
the work prior to the closing of the floodgates.
2. Solicitations by the Hydroelectric Companies with respect to the pre-
servation of wildlife in the flooded areas show the importance of the evolution
with regard to this problem in Brazil.
152
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
BELLUOMINI, H.E.; CEMBRANELLI E.L.; AUTUORI, M.P. — Wildlife rescue, capture of snakcs anel
establishment of anti-ophidic stations in flooded areas destined for Brazilian hydroelectric power plants.
Aí em. lnst. Butantan, 40141:129-154, 1976/77.
3. The phylosophy as well as the measures adopted by the Hydroelectric
Companies as to the preservation of wildlife, diminished considerably the impact
by the construction of the great barrages.
4. The aim of this work is to instruet, and point out to most of the riparian
population, technicians of the hydroelectric companies, and a great number
of their personnel, the problems related to ophidians, as well as the wildlife
preservation in general.
5. Depending on the extension of the flooded areas, it is verified that the
early, and whenever possible anticipated deforestation, prevents major problems
related to eventually isolated animais, and at the same time furthers the Pro¬
gressive dislocation of the fauna existent in those regions.
Acknowledgements: The authors wish to thank the managements of “Furnas
Centrais Elétricas S/A”, “Centrais Elétricas do Sul do Brasil S/A — Eletrosul”, “Eletro-
norte-Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A”, and “Centrais Elétricas de São Paulo”.
Many thanks also for the authorization to publish the charts referring to the inundation areas.
The accomplishment of the enterprise would have been impossible without their uncon-
ditional support.
We are also indebted to the Direction of the Fundação Parque Zoológico de São Paulo,
and the Direction of the Instituto Butantan, for their unfailing assistance, taking also into
consideration the most helpful assistance given by the Instituto Butantan’s Drawing De¬
partment. To Mrs. Sibylle Heller for the translation and editorial aid. To Miss Suzanne
Bennett for her untiring help.
We wish to extend our thanks to Dr. Linda Nahas, Dr. Romualdo losé Maria Gioachini,
and to the technicians Wilson Fernandes, Giuseppe Puorto, and Paulo Eduardo Pereira.
RESUMO: Na construção das grandes barragens para formação de reser¬
vatórios destinados às hidroelétricas, tornam-se necessárias extensas me¬
didas para a conservação do equilíbrio ecológico e preservação da fauna.
A convite das empresas hidroelétricas, cônscias da importância deste pro¬
blema, a Fundação Parque Zoológico de São Paulo e o Instituto Butantan
enviaram equipes às diversas regiões não só para instruir as populações
ribeirinhas, os técnicos, e grande número de funcionários das empresas
hidroelétricas nos problemas relativos ao ofidismo, mas também para
instalar postos anti-ofídicos, permanentes e móveis, efetuar salvamento
de animais ilhados e capturar serpentes.
Destaque especial foi dado ao salvamento de animais em perigo de ex¬
tinção. Neste empreendimento foram utilizados expressivos recursos hu¬
manos apoiados por aviões, helicópteros, lanchas, barcos a motor e viatu¬
ras, todos equipados com rádio.
Especialistas do Hospital Vital Brazil instruíram médicos e enfermeiras a
respeito do tratamento de acidentes ofídicos.
UNITERMOS: Salvamento de animais. Captura de ofídios. Instalação de
postos anti-ofídicos.
BIBLIOGRAFIA
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do salvamento de animais na Usina Hidroelétrica de Promissão, 1974.
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bondo; 3 - Salto Osório; 4 - Coaracy Nunes; 5 - Capivara, 1975 e 1976.
153
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
I1ELI.UOMINI, II.E.; CEMBRANELLI E.E.; AUTUORI, M.P. -- Wildlife rescue, capture of snakes and
cstablislirnent oí anti-ophidic stations in flooded arcas destined for Brazilian liydroclectric power planls.
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Equilíbrio Natural, Rev. Bras. de Energia Elétrica 32, Outubro/Dezembro, 19/5,
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14. ROSENFELD, G., NAHAS, Linda, CILLO, D.M. de, FLEURY, Carlos T. —
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South America, Chapter 34 in Venomous Animais and their Venoms — (Bucherl,
W., Buckley, E. eds) Vol II pp. 345-384, 1971 Academic Press, New York,
London.
Recebido para publicação em 07-XII-1976 e aceito em 13-1V-1977.
154
cm
2 3 4
5 6 SCÍELO 10 2.1 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Butantan
•40/41: 155-166, 1976/77.
QUANTÍDADES DE VENENO OBTIDAS NA EXTRAÇÃO
DE SERPENTES BOTHROPS PR ABO I (HOGE, 1948).
(SERPENTES, VIPERIPAE, CROTALINAE)
PÉRSIO DE BTASI, HELIO EMERSON BELLUOMINI e WILSON FERNANDES
SERVIÇO DE ANIMAIS PEÇONHENTOS, INSTITUTO BUTANTAN
RESUMO: Os autores estudam 327 exemplares (186 machos e 141 fê¬
meas) da serpente Bothrops pradoi (Hoge, 1948) — Viperidae (Cro-
talinae).
Descrevem dados relativos à biologia da espécie e analisam as serpentes
quanto ao comprimento, peso e quantidade de veneno produzido.
Em 96% dos exemplares extraídos foi obtido o equivalente de até 90 mg
de veneno seco, valor este que pode ser considerado para orientação na
soroterapia, pois a sua neutralização pode representar segurança su¬
perior a 96%.
UNITERMOS: Serpentes, Bothrops pradoi (Hoge, 1948), Quantidades
de veneno.
INTRODUÇÃO
A quantidade de veneno secretado, acumulada nas glândulas das serpen¬
tes e eventualmente injetada em caso de picadas, há muito tem sido objeto de
investigações.
Nesses trabalhos não somente são verificadas quantidades de venenos obti¬
das das serpentes recém chegadas da natureza, mas também daquelas mantidas
em laboratório sob condições ambiente ou de temperatura e umidade controla¬
das, levando em consideração as épocas do ano e os intervalos entre extrações.
Kochva (8) verificou as quantidades de veneno secretadas por Vipera palestinae
Werner, 1938; Minton (9, 10) trabalhou com Agkistrodon contortrix mokcson
Daudin, 1803, Crotalus horridus horridus Linnaeus, 1758 e Crolalus atrox Baird
& Girard, 1853; Klauber (7) constatou tais valores para exemplares de espécies
dos gêneros Crotalus e Sistrurus; George (5) cita resultados obtidos com ser¬
pentes recém chegadas a serpentário; Stadelman (13) apresenta dados relativos
a Crotalus adamanteus Beauvois, 1799; Acton & Knowles (1, 2) estudam as
doses de veneno inoculado em uma simples picada, na natureza, por “Cobra”
(serpentes do gênero Naja ) e Echis carinatus (Schneider, 1801).
End
ereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - São Paulo - Brasil.
155
cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
BIASI, P. Dc; BELLUOMINI, II.E.; FERNANDES, W. — Quantidades de veneno obtidas na extração de
serpentes Bothrops pradoi (Hoge, 1948). (Serpentes, Viperidae, Crotalinae). Mem. Inst. Butantan,
40141:155-166, 1976/77.
Rosenfeld & Belluomini apresentaram (12) e posteriormente (3, 11) pu¬
blicaram dados relativos às quantidades de veneno extraídas de serpentes bra¬
sileiras mais freqüentes nas regiões centro, sul e sudeste do Brasil \Bothrops
jararaca (Wied, 1824); B. jararacussu Lacerda, 1884; B. alternatus Duméril,
Bribón & Duméril, 1854; B. moojeni Hoge, 1966, citada por Belluomini como
B. atrox (L., 1758); B. cotiara (Gomes, 1913); B. neuwiedi Wagler, 1824; B.
insularis (Amaral, 1921); B. fonsecai Hoge & Belluomini, 1959 e Crotalus du-
rissus terrificus (Laurenti, 1768)].
A principal razão na determinação das quantidades de veneno tem sido
oferecer orientação à soroterapia, assim como avaliar a gravidade dos acidentes
por picada de serpentes, tanto no ser humano como em animais.
No presente trabalho foram avaliadas as quantidades de veneno obtidas na
extração de 327 exemplares de Bothrops pradoi (Hoge, 1948).
Esta espécie (Figs. 1-3), pertencente à família Viperidae (Crotalinae) (6),
é uma das serpentes popularmente identificadas por “jararaca”. A sua distri¬
buição compreende áreas do Estado do Espírito Santo e sul da Bahia, sendo
freqüente em localidades dos municípios de São Gabriel da Palha e Colatina
(ES), procedência dos exemplares examinados. Chiesa (4) através de obser¬
vações pessoais, informa que a Bothrops pradoi habita preferencialmente lugares
pedregosos de pequenos vales úmidos (Fig. 5). Em São Gabriel da Palha, que
apresenta tais características, há um lugar denominado Córrego São João, onde
num período de seis meses foram capturadas 600 Bothrops pradoi.
Predominam na região as pequenas propriedades com reservas de mata
virgem, áreas dc pastagem e culturas de café, arroz, milho e feijão (Fig. 6), que
são periodicamente abandonadas, deixando-se desenvolver capoeiras.
Bothrops pradoi, durante o período quente, vive tanto nas capoeiras como
em áreas agrícolas; utiliza-se de espaços sob lajes de pedra para se abrigar.
Durante o período de inverno é encontrada principalmente nas capoeiras, de onde
começa a sair no mês dc agosto, intensificando sua migração de dezembro a
janeiro, o que coincide com o amadurecimento de milho, início da colheita e
consequentemente a presença de maior número de ratos, que se alimenta do milho
amontoado na área cultivada. É comum deparar com serpentes em aparente re¬
pouso, ao lado de montes de milho.
Embora faltem observações mais profundas, baseados no fato de que nas
autópsias de serpentes mortas no cativeiro ou na natureza foram constatados
apenas ratos em decomposição, pode-se afirmar que o rato é o principal alimento
de Bothrops pradoi.
MATERIAL E MÉTODOS
Para a avaliação das quantidades de veneno foram utilizados 327 exem¬
plares de serpentes Bothrops pradoi (186 machos e 141 fêmeas), procedentes de
Colatina e São Gabriel da Palha, ES, Brasil (Fig. 4), recebidas pelo Instituto
Butantan no período de março/1975 a fevereiro/1976.
As serpentes não receberam alimento (camundongos, ratos) até a primeira
extração, efetuada poucos dias após a chegada no laboratório. O veneno obtido
156
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'10 11 12 13 14 15 16
BIASI, P. De; BELLUOMINI, II.E.; FERNANDES, W. — Quantidades de veneno obtidas na extração de
serpentes Bothrops pradoi (Hoge, 1948). (Serpentes, Viperidae, Crotalinae). Mem. lnst. Bulantan,
40/41:155-166 , 1976/77.
^ *8s. 1 a 3 — Exemplar macho da serpente Bothrops pradoi (Hoge, 1948): 1 - vista dorsal da serpente.
^ * cabeça e parte anterior do corpo cm visla dorsal. 3 - mostrando a face ventral da serpente.
BIASI, P. De; BELLUOMINI, II.E.; FERNANDES, W. — Quantidades dc veneno obtidas na extração de
serpentes Bothrops pradoi (Iloge, 1948). (Serpentes, Viperidac, Crotalinae). Mem. Ivst. Butantan,
40141:155-166, 1976/77.
Fig. 4 — Depósito de serpente em Ebenézer - distrito de São Domingos, Colatina, ES, Brasil.
Fig. 5 — Localidade denominada Córrego do Macuco, em Águia Branca, São Gabriel da Palha, ES., Brasil.
Fig. 6 — Localidade denominada Pedra Torta, em Águia Branca, São Gabriel da Palha, ES., Brasil. (Notar as
áreas de pasto, agricultura e pequena reserva dc mata).
cm
SciELO
BIASI, P. De; BELLUOMINI, II.E.; FERNANDES, W. — Quantidades de veneno obtidas na extração de
serpentes Bothrops pradoi (Hoge, 1948). (Serpentes, Viperidae, Crotalinae). Mern. Inst. Butantan,
40/41:155-166, 1976/77.
é considerado como representativo da quantidade secretada e acumulada pela
serpente na natureza.
A técnica empregada para a extração consistiu em submeter as serpentes à
anóxia por gás carbônico e em seguida proceder manualmente a expressão das
glândulas.
O veneno foi colhido individualmente em vidro de relógio, seco em desse-
cador a vácuo com cloreto de cálcio e posteriormente pesado. Das serpentes são
ainda considerados: sexo, comprimento total e peso.
Com os resultados foram elaborados gráficos e tabelas, sendo os valores
grupados em intervalos de classe de 10 mg para o veneno seco e 10 cm para o
comprimento.
RESULTADOS
A figura n.° 7 mostra separadamente a distribuição da frequência do
comprimento para machos e fêmeas; o estudo estatístico dos dados apresentou
o seguinte:
fêmeas
machos
machos e
fêmeas
2 x =
114051
15500
26905
2 x 2 =
939525
1316050
2255575
X =
80,887
83,333
82,278
s =
11,0241
11,4805
1 1,3340
s- x =
0,9284
0,8418
0,6268
I.C.
As figuras n.°s 8 e 9 apresentam, respectivamente em separado e em
conjunto, a freqüência das quantidades de veneno extraídas dos machos e fê¬
meas. Análise estatística:
fêmea
macho
macho e
fêmea
2 x =
6705
7530
14235
2x 2 =
415925
416650
832575
x =
47,553
40,484
43,532
s =
26,3331
24,5837
25,5549
S- X =
2,2177
1,8026
1,4132
(46,36
I.C. -j
_
[40,71
A tabela 1 resume, para ambos os sexos, os valores extremos de compri¬
mento, peso e quantidades de veneno seco.
159
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
BIASI, P. Dc; BELLUOMINI, II.E.; FERNANDES, W. — Quantidades de veneno obtidas na extração de
serpentes Bothrops pradoi (Hoge, 1948). (Serpentes, Vipcridae, Crotalinae). Mem. Inst. Bulantan,
40/41:155-166, 1976/77.
HISTOGRAMA DA
FREQUÊNCIA DO COMPRIMENTO
DE Bothrops pradoi
T - 1 - 1 - 1 - 1 -
too
COMPRIMENTO EM CM.
Fig. 7 — Frequência do comprimento de exemplares de Bothrops pradoi.
160
cm
2 3 4
5 6 SCÍELO 10 n 12 13 14 15 16
BIASI, P. De; BELLUOMINI, H.E.; FERNANDES, W. — Quantidades de veneno obtidas na extração de
serpentes Bothrops pradoi (Hoge, 1948). (Serpentes, Viperidae, Crotalinae). Mern. lnst. Bulantan,
40/41:155-166, 1976/77.
HISTOGRAMA
DAS QUANTIDADES
DE VENENO
EXTRAÍDO DE SERPENTES
Bothrops pradoi
MG DE VENENO
MG DE VENENO
I ig. 8 — Freqüência, para exemplares macho e fêmea, separadamente, das quantidades de veneno obtidas na
ex tração da serpente Bothrops pradoi (Hoge, 1948).
161
cm
2 3 4
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
BIASI, P. Dc; BELLUOMINI, H.E.; FERNANDES, W. — Quantidades de veneno obtidas na extração dt
serpentes Bothrops pradoi (Hoge, 1948). (Serpentes, Viperidae, Crotalinae). Mem. Inst. Butantan,
40141:155-166, 1976/77.
45
HISTOGRAMA
DAS QUANTIDADES DE VENENO
EXTRAÍDO DE SERPENTES
Bothrops pradoi
35
15
10
5
T
10
Fig. 9 — Frcqücncia das quantidades de veneno obtidas na extração de Bothrops pradoi (macho e fêmea).
BIASI, P. Dc; BELLUOMINI, II.E.; FERNANDES, W. — Quantidades de veneno obtidas na extração de
serpentes Bolhrops pradoi (Hoge, 1948). (Serpentes, Viperidae, Crotalinae). Mem. Inst. Butanlan,
40141:155-166, 1976/77.
A tabela 2 relaciona
as datas da chegada das serpentes utilizadas no tra-
balho, com a respectiva distribuição das frequências de comprimento e sexo.
A tabela 3 relaciona
as classes de comprimento com as quantidades de
veneno seco produzido.
TABELA 1
VALORES
EXTREMOS DE
COMPRIMENTO,
PESO E QUANTIDADES DE VENENO SECO, DE
EXEMPLARES
DA
SERPENTE Bothrops pradoi (HOGE,
1948).
Serpente
Comprim. (cm)
Peso (g)
Veneno Seco (mg)
Menor Comprim.
?
cT
54
51
30
30
19,8
12,0
Maior Comprim.
?
d
108
108
295
235
110,8
26,0
Menor Quantid.
9
90
220
LO
de veneno
d
85
100
1,0
Maior Quant-id.
9
105
185
137,6
de veneno
d
97
210
124,7
Q
54
30
19,8
Menor Peso
+
59
30
27,2
d
55
25
9,8
Maior Peso
9
d
104
103
290
285
132.7
122.7
—
CONCLUSÕES
Do estudo de grupo formado por 327 exemplares da serpente Bolhrops pra¬
doi foi verificado que 83,2% tem comprimento entre 70 e 90 cm, não havendo
diferenças significativas entre machos e fêmeas. Nas diversas épocas do ano, as
amostras não apresentaram variação expressiva quanto à distribuição no com¬
primento das serpentes.
A quantidade máxima de veneno seco (137,6mg) foi obtida de fêmea. Não se
constatou correspondência entre o comprimento e peso com a quantidade de
v eneno produzida (tabelas 1 e 3).
A tabela 3 evidencia um grupo com 34 serpentes dc comprimento entre 70
e 80 cm, que produziu de 30 a 40 mg de veneno, assim como outro de 25 exem¬
plares com comprimento entre 80 e 90 cm, que produziu de 50 a 60 mg de
veneno.
163
cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
BIASI, P. De; BELLUOMINI, H.E.; FERNANDES, W. — Quantidades de veneno obtidas na extração de
serpentes Bothrops pradoi (Hoge, 1948). (Serpentes, Viperidae, Crotalinae). Mem. Inst. Butantan,
40141:155-166, 1976/77.
Da maioria das serpentes extraídas (96%) foi obtido o equivalente de até
90 mg de veneno seco, valor este que poderá ser considerado para orientação na
soroterapia, quando de acidentes por picada desta espécie de serpente peço¬
nhenta, na área de obtenção da amostragem, pois a neutralização da citada
quantidade de veneno pode representar margem de segurança superior a 96%,
admitindo-se que 75% do veneno contido nas glândulas é inoculado pela ser¬
pente ao picar (3).
TABEI.A 2
DISTRIBUIÇÃO DAS FREQUÊNCIAS
DE COMPRIMENTO E SEXO DA SERPENTE Bothrops pradoi (HOGE, 1948)
SEGUNDO AS DATAS DE CHEGADA DAS AMOSTRAS.
Data
Comprimento em cm N.° de serpentes
50 60 70 80 90 100 110 d 1 ? total
24.03.75
—
2
3
13
5
2
12
13
25
31.03.75
1
4
10
7
7
1
17
13
30
07.04.75
1
5
11
7
5
1
16
14
30
14.04.75
—
1
4
7
3
—
8
7
15
23/25.05.75
1
2
12
15
4
1
19
16
35
09.05.75
—
—
2
10
7
1
9
11
20
23.06.75
2
5
12
9
1
1
19
11
30
03.10.75
—
1
1
6
4
2
10
4
14
07.11.75
—
2
8
7
2
2
13
8
21
17.11.75
—
—
7
3
5
5
15
5
20
08.12.75
1
4
7
8
9
1
24
6
30
02/06.02.76
5
—
10
13
9
—
15
22
37
20.02.76
—
3
9
4
3
1
7
13
20
Total de
exemplares
11
29
96
109
64
18
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143
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BIASI, P. Dc; BELLUOMINI, H.E.; FERNANDES, W. — Quantidades de veneno obtidas na extração de
serpentes Bothrops pradoi (Hoge, 1948). (Serpentes, Viperidae, Crotalinae). Mem. Inst. Bulantan,
40/41:155-166, 1976/77.
Agradecimentos: Ao Dr. A. M. Penha, do Instituto Biológico de São Paulo, pelo
auxílio na análise estatística; à Seção de Desenho do Instituto Butantan pela colaboração
na confecção dos gráficos e tabelas; à Dona Sibylle Heller pelo auxílio na correção do
texto e nos serviços de traduções e ao Sr. A. Chiesa, colaborador de longa data do Instituto
Butantan, pelas preciosas informações documentadas fotograficamente.
ABSTRACT: The authors studied 327 snakes (186 males, and 141 fe-
males) of the genus Bothrops pradoi (Hoge, 1948), Viperidae (Cro¬
talinae).
Data are compiled as to the biology of the species as well as conside-
rations on length, weight, and venom quantities produced.
In 96% of the specimens, an equivalent of up to 90 mg of dry venom
has been obtained, a value that might be useful for serotherapic orienta-
tion, since its neutralization may represent a security of more than 96%.
UNITERMS: Serpentes, Bothrops pradoi (Hoge, 1948), Venom quan¬
tities.
BIBLIOGRAFIA
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over a period of two years. Copeia 1939(4): 234; 1939.
Recebido para publicação em 07-XII-I976 e aceito em 13-IV-1977.
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Alem. Inst. Butanlan
40/41: 167-172, 1976/77.
USO DO GÁS CARBÔNICO
NA EXTRAÇÃO DE VENENO DE SERPENTES
PÉRSIO DB BIASI, HELIO EMERSON BELLUOMINI
ALPHONSE R1CHARD HOGE e GIUSEPPE PUORTO*
Serviço de Animais Peçonhentos
RESUMO: Os autores apresentam os resultados obtidos num total de 5
extrações consecutivas de veneno, com um lote de 28 serpentes Bothrops
moojeni Hoge, 1965, popularmente conhecida por “caiçaca” ou “jarara-
cão”, submetidas à anoxia por CO,. Têm por objetivo verificar a viabili-
lidade de introduzir esta técnica nos serviços de extração de veneno das
serpentes em escala de produção.
Concluem que a técnica empregada facilita os serviços de extração de
veneno em serpentes; mostra-se de grande utilidade nos trabalhos de
avaliação das quantidades de veneno contidas nas glândulas das serpentes.
UNITERM OS: Extração de veneno de serpentes. Anoxia em serpentes.
INTRODUÇÃO
Para a extração de veneno das serpentes peçonhentas, são procuradas
técnicas que possibilitem facilitar a execução dessa tarefa e reduzir os riscos.
A contenção da serpente e seu manuseio para a extração do veneno apre¬
sentam dificuldades que se constituem em perda de veneno (5), traumas para
o animal e riscos para os técnicos (2), fatos estes que impedem a longa dura¬
ção de equipes formadas para essa especialidade, pois o risco inerente à técnica
empregada leva ao acidente por picada de serpente, em menor ou maior espaço
de tempo. Na Seção de Venenos do Instituto Butantan pode-se avaliar uma
pessoa picada para 10.000 extrações de veneno.
Têm sido feitas tentativas na idealização de aparelhos ou mecanismos ade¬
quados para contenção de ofídios (6), porém, em escala de produção e, neste
caso, quando há diversidade no tamanho e comportamento das espécies de ser¬
pentes a serem manuseadas, a generalização de uma técnica torna-se difícil.
Na rotina de trabalho em épocas nas quais ocorre o recebimento de grande
número de serpentes, também constitui obstáculo o curto espaço de tempo dis¬
ponível entre a extração de veneno de uma serpente e outra.
Irabalho elaborado com auxílio do Fundo Especial de Despesas do Instituto Butantan e do CNPq. Apresentado
XXVI Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (1974).
Bolsista do Instituto Butantan.
Endereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - São Paulo - Brasil.
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BIASI, P. De; BELLUOMINI, H.E.; HOGE, A.R.; PUORTO, G. — Uso cio gás na extração de
veneno de serpentes. Mem. Inst. Butantan, 40/41:167-172, 1976/77.
Neste trabalho é apresentado o resultado obtido com um lote de serpentes
Bothrops moojeni, Hoge, 1965, popularmente conhecida por “caiçaca ou jarara-
cão”, submetidas à anoxia — “anestesia” (4) — por gás carbônico para a ex¬
tração de veneno, com o objetivo de verificar a viabilidade de introdução desta
técnica nos serviços de extração de veneno de serpentes, em escala de produção.
MATERIAL E MÉTODOS
Com exemplares de Bothrops moojeni (Fig. 2) recebidos no Instituto Bu¬
tantan entre 10 a 18/02/72, foi constituído lote de 28 serpentes (Tabela 1),
que mediam entre 60 e 110 cm de comprimento e pesavam de 72 a 682 gramas.
Foram acomodadas individualmente em gaiolas apropriadas e mantidas em salas
aquecidas à temperatura de 28°C e umidade relativa ao redor de 75-80%. Uma
vez por semana foi oferecida a elas alimentação que consistia, dependendo da
aceitação, de um ou mais camundongos brancos, criados no Biotério do Insti¬
tuto Butantan.
As extrações de veneno foram feitas nas datas: 16/111, 06 e 27/IV, 14/VI
e 31 /VIII, de 1972. As serpentes foram submetidas à anoxia (“anestesia”) por
C0 2 de uso comercial, acondicionado em cilindros com capacidade para 20 Kg.
O gás foi injetado através de tubo comum de borracha em recipiente plástico,
com as medidas: 35 cm de diâmetro na base, 64 cm de altura e 20 cm de diâ¬
metro na boca; capacidade para 50 litros (Fig. 1).
A repleção do recipiente com o C0 2 foi verificada através do uso de chama.
TABEI.A 1
COMPRIMENTO E PESO DOS EXEMPLARES
DA SERPENTE BOTHROPS MOOJENI, SUBMETIDOS À ANOXIA
POR C0 2 , PARA A EXTRAÇÃO DE VENENO.
N.° da
serpente
Comprimento
(cm)
Peso
(g)
N.° da
serpente
Comprimento
(cm)
Peso
(g)
1
60
72
15
85
320
2
60
73
16
87
337
3
65
99
17
90
367
4
70
120
18
90
368
5
73
120
19
91
379
6
73
144
20
92
387
7
73
158
21
94
389
8
78
173
22
95
405
9
79
178
23
98
415
10
81
210
24
97
419
11
81
224
25
99
468
12
83
235
26
100
560
13
83
247
27
105
664
14
85
307
28
110
682
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BIASI, P. Dc; BELLUOMINI, H.E.: HOGE, A.R.: PUORTO, G. — Uso do gás na extração de
veneno dc serpentes. Mem. Inst. Bulanlan, 40/41:167-172, 1976/77.
7 B
Fig. 1 — Equipamento utiizado para submeter serpentes à anoxia por CO, na extração de veneno.
Figs. 2 a 8 _ Exemplar da serpente Bothrop/: moojeni, submetido à anoxia por CO, para extração de veneno:
2 - serpente antes da anoxia; 3 — serpente em início dc anoxia, no interior do recipiente plástico repleto
de CO (notar a abertura espontânea da boca, provocada pela diferente composição dc gases do ambiente);
4 - serpente em completa dormência, após submissão à anoxia; 5 - manuseio da serpente em dormência
para a extração de veneno; 6 - extração de veneno da serpente em dormência; 7 - serpente em inicio
de recuperação da anoxia, após a extração de veneno (notar a abertura espontânea da boca, provocada pela
diferente composição de gases do ambiente); 8 - serpente recuperada da anoxia, após extração dc veneno.
cm
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BIASI, P. Dc; BELLUOMINI, II.E.; HOGE, A.R.; PUORTO, G. — Uso do gás na extração de
veneno de serpentes. Mem. Inst. Butanlan, 40/41:167-172, 1976/77.
Devido às propriedades físicas do gás não foi necessário o uso de tampa
para fechamento do recipiente, fato este que permitiu observar as serpentes até
a dormência. (Figs. 3 e 4), quando então foi realizada a extração do veneno,
fazendo-se a contenção do animal com o apoio suave de gancho apropriado
sobre a cabeça, nos moldes habituais dos serviços de extração (Fig. 5) efetua¬
dos no laboratório da Seção de Venenos do Instituto Butantan. O veneno foi
colhido em copo graduado, pela compressão manual das glândulas (Fig. 6).
Foram manuseados 6 exemplares de cada vez.
RESULTADOS
Os dados, de um total de 5 extrações de veneno em lote formado por 28
exemplares de Bothrops moojeni, em anoxia por C0 2 para a extração de vene¬
no, encontram-se na tabela 2.
O tempo necessário para se conseguir a dormência da serpente variou entre
3 a 15 minutos e a recuperação (Figs. 7 e 8) se processou desde logo após a
extração do veneno (imediato) até o tempo máximo de 25 minutos.
Nas extrações todos os exemplares apresentaram veneno nas suas glândulas.
Em algumas das serpentes, submetidas à anoxia por C0 2 , foi constatada a
ocorrência de discreta hemorragia, constituída por filetes de sangue na mucosa
bucal.
TABELA 2
RESULTADO DE 5 EXTRAÇÕES DE VENENO EM SERPENTES
BOTHROPS MOOJENI SUBMETIDAS À ANOXIA POR C0 2 .
Data (1972)
16/1II
06/IV
27/IV
14/VI
31/V1II
Extração de
veneno
1“
2. 3
3. 3
4. 3
5. 3
Número de
serpentes
28
26
25
15
14
Com hemorragia
discreta
6
4
2
_
7
Tempo
para
anoxia
mínimo
4’
3’15”
3’
9 -20”
7T0”
máximo
14’
11*15”
15’
13’
12’30”
Tempo
para
recuperação
mínimo
imediato
imediato
imediato
imediato
imediato
máximo
8’
25’
7’
10’
1’
Veneno seco (mg)
4.482,0
2.499,6
2.306,4
2.151,4
1.579,3
Média de veneno
seco (mg)
160,0
96,1
92,2
121,4
112,8
170
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BIASI, P. Dc; BELLUOMINI, II. E.; IIOGE, A.R.; PUORTO, G.
veneno de serpentes. Mem. Inst. Butantan, 40/41:167-172, 1976/77.
Uso do gás na extração de
Os exemplares mortos, autopsiados, não revelaram ocorrência de hemor¬
ragia interna.
COMENTÁRIO E CONCLUSÕES
A técnica tradicionalmente empregada para a extração do veneno das ser¬
pentes peçonhentas, que compreende o manuseio do animal em sua plena agres¬
sividade e contenção com auxílio de gancho apropriado, representa considerável
risco para o técnico extrator de veneno.
O trabalho requerido para executar média diária de 250 extrações, perfa¬
zendo total de 4.000 a 4.500 extrações mensais nas épocas do recebimento de
muitas serpentes, conduz o técnico à fadiga, aumentando a probabilidade de ser
vitimado por picada de serpente peçonhenta.
Para a manutenção de tal ritmo de trabalho, em escala de produção, é
necessário um processo de extração que, ao mesmo tempo, reduza os riscos para
o extrator de veneno, e requeira o dispêndio de no máximo 1 a 2 minutos para
o manuseio do animal.
Belkin (1) analisa a tolerância dos répteis à anoxia em meio de nitrogênio
e Ishii e Noboru (4), empregam o C0 2 na cirurgia de Trimeresurus flavoviridis
(Hallowell, 1860), conhecida por “Habu”.
No presente trabalho, os autores procuraram verificar a viabilidade da
anoxia por C0 2 para os serviços de extração do veneno de serpentes peçonhen¬
tas, em escala de produção.
Foi escolhida a serpente Bothrops moojeni, por sua aceitação às condições
de cativeiro, agressividade e porte avantajado de alguns exemplares, sendo que
estes dois últimos fatores dificultam sobremaneira a extração do veneno destas
serpentes, nos moldes habituais.
Ficou constatado, que a anoxia parcial pelo C0 2 , ao reduzir a agressividade
da serpente, possibilita executar a extração do veneno de cada exemplar, em
cerca de 45 a 90 segundos. O método empregado permite acompanhar a anoxia
e fazer a manipulação do animal antes que entre em completa dormência.
A hemorragia discreta na mucosa bucal pode ou não ocorrer na mesma
serpente, submetida a reextrações dc veneno. Este fato não leva à morte, pois
foi observada uma serpente que apresentou discreta hemorragia nas 4 extrações
de veneno.
O tempo de permanência em atmosfera de C0 2 para anoxia é variável para
a mesma serpente nas diversas manipulações.
As quantidades de veneno extraídas dos exemplares de Bothrops moojeni
submetidos à anoxia por C0 2 (1.- extração: média de 160,0mg/exemplar; 2P:
96,lmg; 3. ;i : 92,2mg; 4.': 121,4mg; e 5. 11 : Il2,8mg) equivalem àquelas obtidas
Pelo processo habitual, empregado na rotina da Seção de Venenos do Instituto
Butantan, onde estão englobados valores referentes às serpentes de 1.- extração
°u de reextrações (março/72 — média de 141,8 mg/exemplar, em 161 extra¬
ções; abril/72 — 104,2mg em 254 extrações; junho/72 — 163,2mg em 153
extrações; agosto/72 — 107,3mg em 63 extrações).
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veneno dc serpentes. Mem. Inst. Butanlan, 40/41:167-172, 1976/77.
Uso do gás na extração de
Concluem os autores que a anoxia por C0 2 para a extração de veneno da
serpente Botluops moojeni oferece maior segurança para o técnico extrator de
veneno, possibilitando o aproveitamento de uma mesma equipe de trabalho por
tempo mais longo. O manuseio é menos traumatizante para a serpente e possi¬
bilita que os dentes de veneno continuem intactos após os serviços de extração.
Os exemplares mais agressivos podem ser contidos com maior facilidade. Não
ocorre perda de veneno durante a contenção da serpente, fato este de impor¬
tância quando se pretende avaliar as quantidades de veneno contidas nas glân¬
dulas.
ABSTRACT: The authors present the results obtained with a total of 5
consecutive venom extractions of a lot of 28 Bothrops moojeni, Hoge,
1965, a snake commonly known as “caiçaca” or “jararacão”, submitted to
anoxia by C0 2 . The purpose of this study is to verify the viability of
introducing this technique in the laboratory for large scale venom pro-
duetion.
These results allow the conclusion that this technique would facilitate
greatly the handling of snakes not only for venom extraction but also for
measuring the venom content in glands.
UN1TERMS: Venom extraction of snakes. Anoxia.
BIBLIOGRAFIA
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2. BELLUOMINI.H.E. — Produção de veneno de serpentes em cativeiro. Comparação
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Mem. Inst. Butantrn
•40/41: 173-180, 1976/77.
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO
DAS LEPTOSPIROSES EM SERPENTES DO BRASIL:
I — LEVANTAMENTO SOROLÓGICO EM BOTHROPS
PRADOI HO GE, 1948 (VIPERIDAE: CROTALINAE)
PÉRSIO DE BIASl*, SABURÔ HYAKUTAKE,** HELIO EMERSON BELLUOMINI* e
CARLOS A. SANTA ROSA**
RESUMO: Em continuação a trabalho anterior, sobre soro-aglutinação
microscópica para leptospira, os autores examinaram os soros de 61
serpentes peçonhentas da espécie Bothrops pradoi (Viperidae: Crotalinae).
Em 48 das amostras (78,7%) foi observada reação positiva para anda¬
mana (1:100 — 1:6.400); um soro reagiu contra icterohaemorrhagiae
(1:400). Os seguintes soros apresentaram como coaglutinação: bataviae
(1:100) uma amostra; icterohaemorrhagiae (1:100 a 1:200) 6 amostras,
uma das quais simultaneamente com bataviae (1:200).
Nenhuma das amostras mostrou coaglutinação com canicola, panama e
baliam, como ocorreu no soro de um espécimen de Bothrops pradoi ante-
teriormente estudado.
A Bothrops pradoi foi considerada de particular interesse porque os au¬
tores isolaram anteriormente o sorotipo andamana de uma destas ser¬
pentes, e pelas delimitações na distribuição geográfica da espécie, em áreas
do Estado do Espírito Santo e sul da Bahia, Brasil, regiões com pe¬
culiaridades climáticas.
Os autores concluem que o sorotipo andamana é predominante na área
de distribuição de Bothrops pradoi. Esta conclusão é enfatizada pelo
isolamento de leptospira andamana em outro exemplar destas serpentes,
além daquele assinalado anteriormente.
UNITERMOS: I.eptospira(*) , Serpentes, Bothrops pradoi (*), Inquérito
sorológico(*) e dados ecológicos.
INTRODUÇÃO
O estudo de animais silvestres como prováveis reservatórios de leptospira
pereceu a atenção de diversos autores. Pequeno número dos trabalhos foi rea¬
lizado com animais heterotérmicos, fato que White (11) destacou, quando se
referiu à citação de Babudieri (2): “são poucos os estudos relativos aos répteis
como prováveis reservatórios de leptospira”.
„, O" Instituto liutantan de São Paulo.
T K ^ nst * tu * 0 de Ciências Biomédicas da USP.
rabalho apresentado no XII Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e I Congresso da
( ^dade Brasileira de Parasitologia.
F 4i ^ n * ter,nos principais.
n dercço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - São Paulo - Brasil.
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BIASI, P. De; HYAKUTAKE, S.; BELLUOMINI, H.E.; SANTA ROSA, C.A. — Contribuição ao estudo
cpidcmiológico das leptospiroses em serpentes do Brasil: I — Levantamento sorológico em Bothrops pradoi
Ilogc, 1948. (Viperidae: Crotalinae). Mem. Inst. Bulantan, 40/41:173-I80, 1976/77.
White (11) em inquérito sorológico assinalou diferenças nas reações soro-
lógicas para leptospira de serpentes terrestres e aquáticas.
Ferris e cols. (5) procuraram identificar o sorotipo de leptospira predomi¬
nante na área do inquérito sorológico, através de pesquisas em animais cam¬
pestres, inclusive serpentes.
Pela ausência de dados das aglutininas de leptospira nas serpentes do Brasil,
os autores, em trabalho anterior (7) através de inquérito preliminar, levantaram
dados das reações sorológicas para leptospira de 31 exemplares de serpentes
peçonhentas e não peçonhentas chegadas ao Instituto Butantan e provenientes
de diversas localidades do Brasil, na sua maioria das regiões centro, sul e su¬
deste. Constataram a predominância do sorotipo andamana em 80,6% dos soros
examinados e isolaram esse sorotipo em exemplar de Bothrops pradoi Hoge,
1948.
Neste trabalho são analisados os resultados das reações sorológicas para
leptospira, de um grupo de serpentes Bothrops pradoi (Viperidae: Crotalinae,
cf. Hoge, 1972). (6)
MATERIAL E MÉTODOS
Amostragem — foram examinados 61 exemplares da serpente Bothrops
pradoi, procedentes de Colatina, ES, Brasil, enviados por Antonio Chieza e che¬
gados ao Instituto Butantan no período de março-outubro/ 74.
Colheita do material — procedeu-se conforme técnica já descrita no tra¬
balho anterior, em que o sangue foi colhido asséticamente por punção da crossa
aorta esquerda; os rins, após dissecção do animal, foram coletados direta e ime¬
diatamente em tubos com meio de cultura de Fletcher.
Método da soro-aglutinação — o método utilizado para detecção de anti¬
corpos anti-leptospira consistiu na soro-aglutinação microscópica, de acordo com
a técnica recomendada por peritos da Organização Mundial de Saúde, empre¬
gando-se como antígenos as culturas vivas de diferentes sorotipos. A composição
da batería de antígenos utilizada no presente inquérito foi a mesma do trabalho
anterior (7) (Tabela 1). O título mínimo considerado para este levantamento
foi 1:100.
DADOS ECOLÓGICOS DA BOTHROPS PRADOI
A serpente peçonhenta Bothrops pradoi, pertencente ao grupo popularmente
denominado “jararaca”, ocorre em áreas do Estado do Espírito Santo e sul da
Bahia, no Brasil.
Situa-se nessa região geográfica o Vale do Rio Doce, onde se localiza o
Município de Colatina (ES), de onde procedem os 61 exemplares examinados.
Segundo dados extraídos do trabalho de Ruschi (9) e da Carta Geográfica
do Brasil, ao milionésimo (8), a região do Vale do Rio Doce apresenta caracte¬
rísticas próprias de vegetação, relevo e umidade relativa. Compreende áreas de
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BIASI, P. De; HYAKUTAKE, S.; BELLUOMINI, H.E.; SANTA ROSA, C.A. — Contribuição ao estudo
epidemiológico das leptospiroses em serpentes do Brasil: I — Levantamento sorológico em Bothrops pradoi
Hoge, 1948. (Viperidae: Crotalinae). Alem. Inst. Butanlan, 40/41:173-180, 1976/77.
tabuleiros com vegetação latifoliada tropical úmida. Em diversos locais existe
pecuária e agricultura, com diferentes culturas agrícolas.
A Bothrops pradoi é freqüente nos municípios de São Gabriel da Palha e
Colatina (ES), localidades vizinhas. Habita, no período quente, capoeiras e
áreas agrícolas em vales úmidos e pedregulhosos (Figs. 1 e 2), utilizando como
refúgio os espaços vazios sob pequenas lajes de pedra.
A alimentação principal desta serpente é constituída por ratos silvestres,
pois, exemplares recém capturados e dissecados apresentavam em seu estômago
ratos parcialmente digeridos ou vestígios de seus pêlos.
TABELA I
Sorogrupo
Sorotipo
Cepa de referência
1 — Icterohaemorrhagiae
icterohaemorrhagiae
RGA
copenhageni
M20
2 — Canicola
canicola
Hond Utrecht IV
3 — Pomona
pomona
pomona
4 — Grippotyphosa
grippotyphosa
Moskva V
5 — Tarassovi
tarassovi
Mitis Johnson
6 — Hebdomadis
hebdomadis
Hebdomadis
wolffi
3705
sejroe
M84
saxkoebing
Mus 24
goiano*
—
guaicurus*
—
7 — Australis
australis
Ballico
8 — Bataviae
bataviae
Swart
brasiliensis*
An 776
9 - Ballum
castellonis
Castellón 3
10 — Panama
panama
CZ 214 K
11 — Pyrogenes
pyrogenes
Salinem
guaratuba*
—
12 — Javanica
javanica
Veldrat Batavia 46
13 — Autumnalis
autumnalis
Akiyami A
djasiman
Djasiman
14 — Cynopteri
cynopteri
3522 C
15 — Shermani
shermani
LT 821
16 — Celledoni
whitcombi
Whitcomb
12 — Andamana
andamana
CH 11
18 — Semaranga
patoc
Patoc I
A bateria de antígenos é composta de 18 Sorogrupos e 27 Sorotipos.
(*) — Novos sorotipos isolados no Brasil por Santa Rosa et alii.: goiano e
guaicurus, de bovino; guaratuba, da cuíca ( Philander opossum L.) e
brasiliensis, de gambá ( Didelphis marsupialis L.)
175
BIASI, P. De; HYAKUTAKE, S.; BELLUOMINI, H.E.; SANTA ROSA, C.A. — Contribuição ao estudo
cpidcmiológico das leptospiroses em serpentes do Brasil: I - Levantamento sorológiro em Bothrops pradoi
líogc, 1948. (Viperidae: Crotalinac). Mem. Jnst. Butantan, 40/41:173-180, 1976/77.
2
Figs. 1 e 2 — Localidades de ocorrência da Bothrops pradoi; Pedra Torta (1) e Córrego do Macuco (2), no
distrito dc Águia Branca, São Gabriel da Palha, Espírito Santo, Brasil.
SciELO
cm
BUS!, P. De; HYAKUTAKE, S.; BELLUOMINI, H.E.; SANTA ROSA, C.A. — Contribuição ao estudo
epidemiológico das leptospiroses em serpentes do Brasil: I — Levantamento sorológico em Bothrops pradoi
Hoge, 1948. (Viperidae: Crotalinae). Mem. lnst. Butantan, 40/41:173-180, 1976/77.
RESULTADOS
Os dados obtidos nos exames sorológicos das 61 serpentes Bothrops pradoi
(19 machos e 42 fêmeas) encontram-se nas Tabelas 2 a 4, cuja análise permite
verificar:
a) 48 soros (12 machos e 36 fêmeas) — 78,7% — foram positivos para
o sorotipo andamana, com títulos entre 1:100 a 1:6.400;
b) O soro de um exemplar macho reagiu positivamente para icterohae-
morrhagiae ao título de 1:100;
c) 12 soros (6 machos e 6 fêmeas) — 19,7% — deram resultado negativo;
TABELA 2
RESULTADO DA REAÇÃO DE SORO-AGLUTINAÇÃO MICROSCÓPICA
EM EXEMPLARES DA SERPENTE Bothrops pradoi
Resultado
Positivas
para:
Negativas
Total
sexo
andamana icterohaemorrhagiae
d
12
i
6
19
9
36
—
6
42
total
48
i
12
61
%
78,7
1,6
19,7
100
Observações:
como coaglutinação:
4 9, 1
<5 — icterohaemorrhagiae
1 9
1 9
— icterohaemorrhagiae e bataviae
— bataviae
TABELA 3
FREQUÊNCIA E TÍTULOS DO SOROTIPO ANDAMANA
EM EXEMPLARES DA SERPENTE Bothrops pradoi
Título
1 :
Número de casos
%
serpente d
serpente 9
total
100
5
5
10
20,8
200
—
8
8
16,7
400
4
10
14
29,2
800
—
6
6
12,5
1600
1
4
5
10,4
3200
1
3
4
8,3
6400
1
—
1
2,1
total
12
36
48
100
177
1, | SciELO
14
BIASI, P. Dc; HYAKUTAKE, S.; BELLUOMINI, H.E.; SANTA ROSA, C.A. — Contribuição ao estudo
epideiniológico das leptospiroses em serpentes do Brasil: I — Levantamento sorológico em Bolkrops pradoi
Hoge, 1948. (Viperidac: Crotalinae). Mem. Inst. Butanlan, 40/41:173-180, 1976/77.
TABELA 4
SORO-AGLUTINAÇÃO PARA LEPTOSPIRA EM
BOTHROPS PRADOI, SEGUNDO SOROTIPO E TÍTULOS,
RELACIONADOS AO SEXO DA SERPENTE.
\Títulos
Data\
(1974)\
L. ANDAMANA I:
L. Icterohae¬
morrhagiae
Negativas
100
200
400
800
1600
3200
6400
1:400
06. V
—
—
O *
9
ç **
—
—
—
—
14.V
2 d
9
—
—
—
—
—
—
—
27.V
—
—
Ç ; <j> ***
9*
—
—
—
—
—
06.VI
—
3?
d 1
9
—
—
—
—
—
ll.VII
—
—
2?
—
9
—
—
—
—
22.VII
—
—
9
9
2 9 ’ d 1
9;9*;cf
cf*
—
—
08.VIII
—
? ; ?*
3 $ ;2cf
9
—
Q
T
—
—
29;2j
30.V1II
—
o
O
-t*
9
—
—
—
—
cT
03.IX
cf
—
—
—
—
—
—
—
cf; 9
15.IX
2 cf
—
—
—
—
—
—
—
—
23.IX
O
—
cf
—
—
—
—
—
—
30.IX
2?
o #***
T
—
—
—
—
—
—
29
07.X
—
—
—
—
—
—
—
cf
9 ;2cf
16.X
20
—
—
—
—
—
—
—
—
* Coaglutinação com L. icterohaemorrhagiae (1:100)
** Coaglutinação com L. icterohacmorrhagiac (1:200) e L. Bataviae (1:200)
*** Coaglutinação com L. bataviae (1:100)
**** Isolado Sorotipo L. andamana, de Rim.
d) como coaglutinação ao sorotipo andamana, reagiram: 5 amostras com
icterohaemorrhagiae (1:100); uma amostra com bataviae (1:100); uma
simultaneamente com icterohaemorrhagiae (1:200) e bataviae (1:200);
e) dentre os títulos obtidos para andamana, a mais alta porcentagem —
29,1% — situa-se na diluição de 1:400; um exemplar macho apre¬
sentou o título de 1:6.400;
f) a leptospira andamana foi isolada em meio de cultura dc Fletcher se¬
meado com rim colhido em 30/09/74, de serpente fêmea que exibia o
título de 1:200 para andamana.
COMENTÁRIOS E CONCLUSÕES
Em inquérito anteriormente realizado pelos autores (7) foram examinados,
quanto à reação sorológica para leptospira, 31 serpentes brasileiras, peçonhentas
e não peçonhentas, sendo constatada a predominância do sorotipo andamana
(80,6%) e outros como coaglutinação ( icterohaemorrhagiae, guaicitriis, bataviae,
grippotyphosa, ballum, canicola, panama, brasiliensis, australis e javanica).
As serpentes pertenciam a 16 espécies que ocupam diferentes “habitat”
(terrestre, aquático, arborícola, etc.) e procediam de diversas localidades, prin¬
cipalmente do centro, sul e sudeste do Brasil.
178
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
BIASI, P. Do; HYAKUTAKE, S.; BELLUOMINI, II.E.; SANTA ROSA, C.A. — Contribuição ao estudo
cpidemiológico das leptospiroscs em serpentes do Brasil: I — Levantamento sorológico em Bothrops pradoi
Hoge, 1948. (Viperidae: Crotalinac). Alem. Inst. Butantan, 40/41:173-180, 1976/77.
Dentre as espécies examinadas, houve destaque no estudo das reações soro-
lógicas para leptospira em Bothrops pradoi pelo fato de ter sido isolado o soro-
tipo andamana em exemplar desta serpente, conforme assinalado em trabalho
anterior (7) e também pelas delimitações na distribuição geográfica da espécie,
em áreas do Estado do Espírito Santo e sul da Bahia, regiões que possuem pe¬
culiaridades climáticas.
Os resultados obtidos nas reações sorológicas de 61 exemplares da B. pradoi
mostraram a predominância do sorotipo andamana, com os títulos entre 1:100
-— 1:6.400 e uma amostra reagindo com icterohaemorrhagiae (1:400).
Os soros examinados não apresentaram resultados semelhantes àquele
encontrado anteriormente em exemplar desta serpente, com reação para anda¬
mana (1:400) e como coaglutinação icterohaemorrhagiae, canicola, panama e
ballum.
Baseados em observações de Ferris e cols. (5), que estudaram a “nidali-
dade” de bailam em hospedeiros campestres (diversos mamíferos e exemplar da
serpente Heterodon platyrhinus ) nas áreas de pastagem de gado vacum positi¬
vos para ballum, acreditam os autores que a predominância do sorotipo anda¬
mana esteja intimamente relacionada com a área de distribuição da B. pradoi,
particularmente com o seu ecótopo, pois White(ll) assinalou diferenças na
predominância do sorotipo de leptospira entre serpentes terrestres e aquáticas.
B. pradoi tem nos roedores seu principal alimento. Admite-se serem eles
os mais importantes hospedeiros de leptospira e que os animais, bem como as
serpentes, se infectem quando deles se alimentam (recentemente, Shenberg(lO),
isolou o sorotipo andamana de rins de Rattus norvegicus provenientes de Haifa,
Estado de Israel). Todavia, a infecção dos ofídios por contato, como foi de¬
monstrada por Abdulla & Karstad (1) ao estudarem experimentalmente infec¬
ções de serpentes e tartarugas por L. pomona, também deve ser considerada,
devido ao hábito de a maioria das serpentes eliminarem seus excretos (fezes e
urina) em coleções de água.
Por não constar registro de a B. pradoi ser ofiófaga, não deve ocorrer este
modo de transmissão, como White(ll) admite para algumas serpentes.
Com referência aos altos títulos, acima de 1:800 encontrados para o soro¬
tipo andamana, estaria demonstrado o estado infeccioso agudo das serpentes con¬
traindo leptospirose. Esta conclusão é enfatizada pelo isolamento da leptospira
andamana em outro exemplar de B. pradoi (material colhido em 30/09/74 —
fig. 4), além daquele já descrito anteriormente pelos autores (7). Acres¬
centa-se que, é mais uma evidência de serem as serpentes reservatórios poten¬
ciais de leptospira patogênica, assim considerada a andamana em vista dos tra¬
balhos de Corrêa e cols. (3, 4).
Agradecimentos: Agradecemos aos Srs. Wilson Fernandes, Giuseppe Puorto e Paulo
Eduardo Pereira pelo auxílio na coleta de sangue e órgãos das serpentes; ao Sr. Antonio
Chiesa pela remessa de serpentes ao Instituto Butantan, bem como pelas informações e
fotos acerca da Bothrops pradoi; ao Dr. Massami Kawarabayashi e Dra. Antonella Godano
Schlodtmann por seus préstimos nos exames das reações sorológicas e à Dona Sibylle Heller
BIASI, P. De; HYAKUTAKE, S.; BELLUOMINI, H.E.; SANTA ROSA, C.A. — Contribuição ao estudo
cpidcjTiiológico das leptospiroses em serpentes do Brasil: I — Levantamento sorológico cm Bothrops pradoi
Hoge, 1948. (Viperidae: Crotalinae). A/em. Inst. Butantan, 40/41:173-180, 1976/77.
ABSTRACT: In continuation of a prior study on microscopic sero-
agglutination for leplospira, the authors examined sera of 61 poisonous
snakes of the species Bothrops pradoi (Viperidae: Crotalinae).
In 48 of the samples (78,7%) there has been observed a positive reaction
of andamana (1:100 — 1:6.400), one serum reacted against icterohaemor-
rhagiae (1:400). The following sera presented as coagglutination: bataviae
(1:100) one sample; icterohaemorrhagiae (1:100 — 1:200) six samples,
one of which simultaneously wilh bataviae (1:200).
None of the samples shovved coagglutination with canicola, panarna, and
balhim, as had ocurred in the serum of a Bothrops pradoi specimen for-
merly studied.
The Bothrops pradoi was considered of particular interest because the
authors had isolated before the andamana serotype in one of these snakes,
and by the delimitations in geographical distribution of the species, in the
areas of the Espirito Santo State, and the South of Bahia, Brazil, regions
with climatic neculiarities.
The authors conclude that the andamana serotype is predominant in
the distribution area of Bothrops pradoi. This conclusion is emphasized by
the isolation of Leptospira andamana in another sample of these snake
species besides that described in a prior paper.
UNITERMS: Leptospira (*), Serpentes, Bothrops pradoi( *), Serologic
inquiry(*), ecological data.
BIBLIOGRAFIA
1. ABDULLA, P.K. & KARSTAD, L. — Experimental infections with L. potnona in
snakes and turtles. Zoonoses Rcs. 1(16): 295-306, 1962.
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Trop. São Paulo 6(2): 71-74, 1964.
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NETO, V. — Leptospirose humana por Leptospira andamana. Rev. Inst. Med.
Trop. São Paulo 13(2): 137-143, 1971.
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Including the Hog-Nosed Snake (Heterodon platyrhinus). Cornell Vet. 51: 405-
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(Serpentes Elapidae e Viperidae). Memórias do Instituto Butantan 36: 109-208,
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tribuição ao estudo epidemiológico das leptospiroses em serpentes do Brasil. Re¬
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2.» edição; Guanabara, Rio de Janeiro; pp. 31-33, 1960.
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Biologia Prof. "Mello Leitão", série Botânica n.° 1, pp. 87-92, 1950.
10. SHENBERG, E.; LINDENBAUM, I.; DIKKEN, H. & TORTEN, M. — Isolation of
a “saprophytic" leptospiral serotype andamana from carrier rats in Israel. Trop:
Geogr. Med. 27: 395-398, 1975.
11. WHITE, F.H. — Leptospiral Agglutininins in Snake Serums. Amer. J. Vet. Res. 24(98):
179-182, 1963.
Recebido para publicação em 29-X-1976 e aceito em 13-IV-1977.
180
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Butantan
40/41: 181-185, 1976/77.
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA DETERMINAÇÃO DA
DL50 DE VENENOS BOTRÓPICOS. IV POSSIBILIDADE
DE DETERMINAÇÃO DA DL50 DO VENENO DE
BOTHROPS ALTERNATUS
RAYMUNDO ROLIM ROSA*, SIRDÉIA MAURA PERRONE FURLANETTO**,
MEDARDO SILES VILLARROEL*** E WALTER BANCHER****
RESUMO: O emprego de camundongos — Mus musculus Linnaeus, 1758-
possibiíita a determinação da DL50 do veneno de Bothrops alternatus
Dumeril, Bibron et Dumeril, 1854, através de inoculação por via intrave¬
nosa, constituindo, pois, uma exceção dentre os venenos botrópicos já es-
tudados'> 2 , 3 . A inoculação de doses infra-letais duas horas antes, ao invés
de dessensibilizar os animais, conforme ocorre com outros venenos bo¬
trópicos, provoca efeito oposto. A aplicação de um veneno altamente
coagulante (B. moojeni Hoge, 1965) em dose que produz incoagulabili
dade sangüínea (2 ^g), induz uma sensibilidade maior a doses poste¬
riores do veneno de B. alternatus.
UN1TERMOS: Veneno botrópico; determinação da DL50 de veneno de
Bothrops alternatus.
INTRODUÇÃO
Quando vários grupos de camundongos são inoculados pela via venosa com
doses crescentes de venenos de Bothrops jararaca (Wied, 1824), Bothrops rnoo-
jeni Hoge, 1965, Bothrops pradoi (Hoge, 1948), Bothrops insularis (Amaral,
1921), Bothrops neuwiedi Wagler in Spix, 1824, Bothrops jonsecai Hoge et Bel-
luomini, 1959 ou de Bothrops jararacussu Lacerda, 1884, as mortes conseqüentes
não guardam proporcionalidade com a progressão das doses e algumas dessas
rnortes tendem a ocorrer dentro dos primeiros dez minutos após a inoculação 1 .
Todavia, quando camundongos são tratados previamente com doses prepa¬
ratórias (D.P.) do próprio veneno, suportam, duas horas após, elevadas quanti¬
dades do mesmo veneno, sem que ocorram mortes dentro dos primeiros dez mi¬
nutos-, Somente quando as doses inoculadas forem muito acima dos valores da
* Diretor do Serviço de Imunologia do Instituto Butantan, Professor Assistente Doutor do Departamento de
Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.
Professor Assistente Doutor do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências
*** Biomédicas da USP.
Professor Assistente Doutor do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências
Biomédicas da USP.
Professor Assistente Doutor do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências
p Biomédicas da USP.
‘ndereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - São Paulo - Brasil.
181
ROLIM ROSA, R.; FURLANETTO, S.M.P.; SILES VILLARROEL. M.; BANCHER, W. — Contribuição
ao estudo da determinação da DL 50 de venenos botrópicos. IV. Possibilidade de determinação da DL 50
do veneno de Bothrops allernatus. Mem. Inst. Bulanian, 40/41:18l-185, 1976/77.
DL50 é possível, nos animais tratados com D.P., repetir-se o fenômeno das mortes
imediatas, porém, neste caso, parecem ocorrer por um mecanismo de ação dife¬
rente, provavelmente por “choque proteotóxico” ou “anafilactoide” e não por coa¬
gulação intravascular, uma vez que a D.P. provoca incoagulabilidade sanguínea
a qual atinge o seu máximo efeito duas horas após sua aplicação 2 . Por outro lado,
os animais tratados com D.P. e que sobrevivem aos primeiros dez minutos após
a aplicação de doses elevadas, poderão apresentar intoxicação fatal tardia (24
a 48 horas), ocasionada por um terceiro mecanismo de ação do veneno botrópico.
Furlanetto et al. 3 (1973c) demonstraram, ainda, haver efeito cruzado entre
D.P. e doses devidamente escalonadas e suficientes para a determinação da DL50
dos venenos de B. moojeni, B. jararaca e neuwiedi.
Assim, propusemo-nos a estudar a determinação da DL50 do veneno de
B. alternaíus, espécie responsável por grande número de acidentes e cuja distri¬
buição geográfica se estende pelos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catari¬
na, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio de Janeiro, no Brasil,
e norte da Argentina, Uruguai e Paraguai 4 .
Além disso, decidimos analisar, também, o efeito da D.P. do veneno de
B. moojeni e do veneno de B. alternaíus, sobre o valor da DL50 deste último.
MATERIAL E MÉTODOS
Venenos utilizados : trabalhamos com os venenos de Bothrops alternaíus e de
Bothrops moojeni. Os métodos de conservação e utilização dos mesmos, foram
os descritos por Furlanetto et al 1 . (1973 a).
As tabelas apresentadas expressam resultados através de uma relação numé¬
rica onde sempre o numerador representa o número de animais mortos e o
denominador o total de animais inoculados em cada dose.
Todos os ensaios apresentam DL50 que foram calculadas com os resultados
verificados após 24 e 48 horas das inoculações, pelo método de Reed & Müench
(1938).
Animais: foram utilizados camundongos de 18 a 22 g, sem distinção de sexo,
provenientes do Biotério Geral do Instituto Butantan; as inoculações eram feitas
pela via venosa.
Furlanetto et al. 1 (1973 a) demonstraram ser impossível a determinação
da DL50, em camundongos inoculados pela via venosa, dos venenos de B. jara¬
raca, B. moojeni, B. pradoi, B. insularis, B. neuwiedi, B. fonsecai e B. jararacussu,
sem antes inocular uma pequena quantidade do veneno em estudo, ou de outro
proveniente de uma das espécies citadas. Estabeleceram como “dose preparató¬
ria” ou D.P., aquela correspondente a dois microgramas de veneno de B. moojeni,
com dose mínima coagulante igual a 0,4 micrograma, inoculada pela via venosa,
duas horas antes das doses devidamente escalonadas do veneno em estudo.
O veneno de B. alternaíus não foi minuciosamente estudado por Furlanetto
et al. 2 , 3 (1973a, 1973b e 1973c) na mesma época, porquanto o mesmo
parecia diferir dos demais venenos botrópicos analisados.
Realmente, a tabela 1 apresenta um ensaio, igual a muitos outros que rea¬
lizamos e que julgamos desnecessárias suas reproduções, que mostra ser perfei-
182
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
ROHM ROSA, R.; FURLANETTO, S.M.P.; SILES VILLARROEL, M.; BANCHER, W, — ContribuiçSo
ao estudo da determinação da DL 50 de venenos botrópicos. IV. Possibilidade de determinação da DL 50
do veneno de Bothrops allernatus. Alem. Inst. Bulantan, 40/41:181-185, 1976/77.
tamente possível a determinação da DL50 do veneno em causa, diretamente,
prescindindo, pois, do emprego de D.P. Tal resultado pode estar correlacionado
com o índice coagulante do veneno de B. alternatus determinado por Rosenfeld
et al. 9 (1959) pelo método, ligeiramente modificado, de Laki 5 (1951), os quais,
atribuindo o índice 1,0 ao veneno de B. jararaca tomado como padrão, encon¬
traram, para o veneno de B. alternatus o valor 0,51.
Uma vez verificada a desnecessidade da inoculação de D.P. para a avalia¬
ção da DL50 do veneno de B. alternatus, conforme o demonstrado pela tabela 1,
ocorreu-nos estudar o efeito que a dose preparatória poderia ocasionar. Confron-
tando-se os resultados das tabelas 1 e 2, verifica-se que não houve a dessensibi¬
lização intensa assinalada com outros venenos botrópicos, provocando, até pelo
contrário, uma sensibilização dos animais a doses posteriores do veneno em estudo.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
TABELA 1
ENSAIO DE DETERMINAÇÃO DA DL50 DO VENENO DE BOTHROPS
alternatus. cada dose era inoculada pela via venosa em
CAMUNDONGOS DE 18 a 22 g
Observação
10,0
12,6
15,9
20,0
25,2
31,7
40,0
10 minutos
0/10
0/10
0/10
0/10
0/10
0/10
0/10
60 minutos
0/10
0/10
0/10
0/10
0/10
0/10
3/10
24 horas
0/10
0/10
0/10
3/10
5/10
8/TO
6/10
48 horas
0/10
0/10
0/10
3/10
5/10
9/10
9/10
DL50
26,9 /xg
24,7 jxg
TABELA 2
ENSAIO DE DETERMINAÇÃO DA DL50 DO VENENO DE BOTHROPS
ALTERNATUS EM CAMUNDONGOS DE 18 A 22 G, TRATADOS 2 HORAS
ANTES COM 2 M1CROGRAMAS DO VENENO DE BOTHROPS MOOJENI
(D.P.)
Tempo de
Observação
Doses em microgramas
DL50
10,0
12,6
15,9
20,0
25,2
31,7
40,0
10 minutos
0/10
0/10
0/10
0/10
0/10
0/10
0/10
60 minutos
0/10
0/10
0/10
0/10
0/10
0/10
0/10
24 horas
0/10
0/10
3/10
3/10
8/10
9/10 10/10
21,4 /xg
48 horas
0/10
1/10
3/10
4/10
8/10
9/10
—
20,4 /xg
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ROLIM ROSA. R.; FURLANETTO, S.M.P.; SILES VILLARROEL, M.; BANCHER, W. — Contribuição
ao estudo da determinação da DL 50 de venenos botncípicos. IV. Possibilidade dc determinação da DL 50
do veneno de Bothrops alternatus. Mem. Inst. Butantan, 40/41:181-185, 1976/77.
TABELA 3
ENSAIO DE DETERMINAÇÃO DA DL50 DO VENENO DE BOTHROPS
ALTERNATUS EM CAMUNDONGOS DE 18 A 22 G, TRATADOS 2 HORAS
ANTES COM 2 MICROGRAMAS DO PRÓPRIO VENENO (D.P.)
Tempo de
Observação
DL50
10 minutos 0/10 0/10 0/10 0/10 0/10 0/10 0/10
60 minutos 0/10 0/10 0/10 1/10 4/10 3/10 4/10
24 horas 1/10 4/10 5/10 9/10 10/10 10/10 10/10 14,6 ,xg
48 horas _ 1/10 4/10 5/10 9/10 — — —_ 14,6 /xg
O efeito verificado com a D.P. preparada com o veneno de B. moojeni,
apresentado pela tabela 2, é mais evidente quando se empregam como D.P., 2
microgramas do próprio veneno, o que se pode constatar cotejando os resultados
das tabelas I e 3. Parece-nos que se poderia pensar num efeito maior que a
simples somatória das doses “preparatória” e finais. Há, pois, neste caso par¬
ticular, um fenômeno inverso daquele descrito por Furlanetto et al. * 2 , 3 * * * (1973b e
1973c) e que constitue, certamente, uma exceção só encontrada, até agora, com
o veneno de B. alternatus. Tal resultado também não se coaduna com os dados
de dessensibilização cruzada, encontrada em órgãos de outras espécies animais,
apresentados por Rocha e Silva 7 (1951). Por outro lado, os presentes resultados
se assemelham àqueles encontrados quando se trabalha com o veneno de Crotalus
durissus terríficas (Laurenti, 1768) 8 .
CONCLUSÕES
1 . Contrariamente ao que acontece com o veneno de outras serpentes do
gênero Bothrops, a DL50 do veneno de Bothrops alternatus pode ser determi¬
nada através de inoculações de doses escalonadas pela via intravenosa, em ca¬
mundongos, de modo direto.
2. A aplicação de 2 microgramas como D.P. do veneno de Bothrops moojeni
na determinação da DL50 do veneno de B. alternatus, parece induzir u’a maior
sensibilidade nos camundongos.
3. A inoculação de 2 microgramas de veneno de B. alternatus como D.P.,
em camundongos, induz a uma baixa significativa do valor da DL50 do mesmo.
ABSTRACT: The use of mice Mus musculus permits the calculation of
the LD50 of Bothrops alternatus venom by intravenous inoculation wich
is an exception to the Bothrops venoms already studies by the authors.
Inoculation of sub lethal doses two hours before does not desensitize the
animais as occurs with other Bothrops venoms but provokes the opposite
effect.
The application of a highly coagulant venom (B. moojeni) in doses which
prevents coagulation of the blood (2 ^g) appears to induce an increased
sensitivity to subsequent doses of B. alternatus venom.
UNITERMS: Bothrops venoms; LD50 determinalion of Bothrops alter¬
natus venom.
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ROLIM ROSA, R.; FURLANETTO, S.M.P.; SILES VILLARROEL, M.; BANCHER, W. — Contribuição
ao estudo da determinação da DL 50 de venenos botrópicos. IV. Possibilidade de determinação da DL 50
do veneno de Bothrops allernalus. Mem. Inst. Bulantan, 40/41.181-185, 1976/77.
BIBLIOGRAFIA
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Fenômenos que ocorrem na tentativa de determinação da DL50. Mem. Inst. Bu-
tantan, 37: 99-107, 1973a...
2. FURLANETTO, R.S.; ROLIM ROSA, R.; SILES VILLARROEL, M. & ZELANTE, F.
— Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botrópicos inocu¬
lados por via venosa em camundongos — Mus musculus Linnaeus, 1758. II. Pos¬
sibilidade de determinação da DL 50 através da inoculação prévia de doses infra-
letais do próprio veneno. Mem. Inst. Butantan, 37:109-122, 1973b.
3. FURLANETTO, R.S.; ROLIM ROSA, R.; SILES VILLARROEL, M. & NAVAS, J.
— Contribuição ao estudo da determinação da DL50 de venenos botrópicos inocula¬
dos por via venosa em camundongos — Mus musculus Linnaeus, 1758. III. Possi¬
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5. LAKI, K. — The polymeration of protein the action of thrombin on fibrinogen. Arch.
Biochem. New York, 32: 317-324, 1951.
6. REED, L.J. & MÜENCH, H. — A simple method of estimating fifty per cent endpoints.
Amer. J. Hyg., 27(3) :493-497, 1938.
7. ROCFIA E SILVA, M. — Bradicinina, preparação, ensaio biológico, identificação.
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8. ROLIM ROSA, R.; FURLANETTO, S.M.P.; SILES VILLARROEL, M. & ZELANTE,
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durissus terrificus (Laurenti, 1768) em Mus musculus Linnaeus, 1758. Mem. Inst.
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9. ROSENFELD, G.; HAMPE, O.G. & KELEN, E.M.A. — Coagulant and fibrinolytic
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different species. Mem. Inst. Butantan, 29.T43-163, 1959.
Recebido para publicação em 08-11-1977 c aceito em 13-IV-1977.
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Mem, Inst. Butantan
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ESTUDO DE SÉRIE DE RECURSOS AUDIOVISUAIS
SOBRE O TEMA: ARTRÓPODES PEÇONHENTOS
ROSA PAVONE PIMONT E SYLVIA LUCAS
Seção de Cursos e Seção de Artrópodes Peçonhentos, Instituto Butantan
RESUMO: O objetivo da pesquisa é a delimitação de conteúdos sobre o
tema Artrópodes Peçonhentos, a serem transmitidos através de instru¬
mentos audiovisuais.
Foram pesquisadas e desenvolvidas matrizes — seleção de informações de¬
limitadas pelo nível de percepção do grupo — sobre o tema Artrópodes
Peçonhentos.
As matrizes visaram atender a diferentes níveis de percepção: público em
geral, estudantes do I.° e 2.° graus e universitários. O conjunto de informa¬
ções científicas a respeito do tema atende às necessidades de conheci¬
mentos específicos gerados pelos programas escolares e visa estimular a
aquisição de comportamentos adequados em relação aos Artrópodes Peço¬
nhentos.
Baseados na pesquisa inicial foram desenvolvidos modelos de recursos
audiovisuais.
Decorrente deste estudo já foram elaborados os seguintes recursos audiovi¬
suais: murais, cartaz, folheto e projetados: álbum seriado, série de slides
com roteiro e multi-meio, para os grupos mencionados.
Embora os autores considerem que todos os instrumentos audiovisuais de¬
correm da pesquisa e são aplicação da mesma, foi selecionada para pu¬
blicação a série de mitrais, por abranger a grande maioria das informa¬
ções contidas nas matrizes.
Em trabalho posterior, avaliação dos recursos audiovisuais, o objetivo será
medir os conhecimentos e comportamentos adquiridos pelos elementos em
questão, em relação aos Artrópodes Peçonhentos.
UNITERMOS: Artrópodes Peçonhentos. Instrumentos audiovisuais. Infor¬
mação e Educação.
INTRODUÇÃO
Objetivos
O objetivo imediato do trabalho é a pesquisa de conteúdos sobre Artrópodes
Peçonhentos para a elaboração de matrizes das quais originar-se-ão os diversos
recursos audiovisuais.
Dentro dos objetivos foi também considerada a utilização dos instrumentos
audiovisuais no sentido de mudança de atitude ao nível comportamental, que
Endereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - São Paulo - Brasil.
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PIMONT. R.P. & LUCAS, S. — Estudo de série de recursos audiovisuais sobre o tema: artrópodes peçonhentos.
Mem. Inst. Butantan, 40141:187-203, 1976/77.
diferentes grupos, com diferentes percepções, terão face ao conhecimento, utili¬
zação e introjeção que estes instrumentos provocarem.
Se considerarmos que a educação se faz através da aprendizagem ao nível do
comportamento, estes conteúdos, traduzidos em recursos audiovisuais, deverão
colaborar de forma eficiente para que os componentes dos grupos aos quais serão
aplicados se “eduquem” em relação aos Artrópodes Peçonhentos, isto é: conhe¬
çam as aranhas e escorpiões, os seus hábitos, sua morfologia, a importância que
têm e o perigo que representam e através deste conhecimento, adquiram compor¬
tamentos adequados em relação a esses artrópodes. Consideramos comporta¬
mentos adequados: não destruir o artrópode; saber capturá-lo; conhecer a impor¬
tância dele em relação à produção de soros hiperimunes; saber como enviá-los
ao Instituto Butantan e divulgar em seu meio o que aprendeu.
JUSTIFICATIVA
A pesquisa foi baseada nos seguintes fatores:
I — A escolha do tema foi feita pela grande demanda por parte de esco¬
lares dos diversos graus, professores e público em geral.
II — Trata-se de uma área pouco divulgada, mas de grande interesse,
tanto para os escolares, constando inclusive dos programas oficiais
de ensino, como também para a saúde da comunidade em geral.
III — Os recursos existentes no Instituto Butantan, anteriores ao trabalho,
constavam de:
— bibliografia especializada
— aulas
— entrevistas com especialistas
— museu especializado
— coleções didáticas (animais fixados)
fornecidas aos colégios
Estes recursos, entretanto, não preenchem as necessidades de um ensino
efetivo, rápido e para grupos cada vez maiores, sendo necessário o desenvolvi¬
mento de recursos para reforço da aprendizagem.
IV — A inexistência de uma estrutura escolar no Instituto Butantan. Não
há um corpo de professores destinados a ensinar os diversos grupos
dos diferentes graus. A presença do especialista é importante, mas
nem sempre é possível, o que reforça a necessidade da utilização de
recursos audiovisuais.
V — O Instituto Butantan é uma instituição que possui um grande acervo
de artrópodes peçonhentos vivos e fixados, bem como estudos e
publicações sobre os mesmos.
VI — A população que deve ser orientada a respeito dos aracnídeos não é
apenas aquela que procura o Instituto Butantan. Considerando-se
que a ocorrência de acidentes se dá tanto na zona urbana, como
suburbana e rural, os recursos audiovisuais deverão alcançar também
estes grupos de pessoas.
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PIMONT, R.P. & LUCAS, S. — Estudo de série de recursos audiovisuais sobre o tema: artrópodes peçonhentos.
Mem. Inst. Butantan , 40/41:187-203, 1976/77.
MATERIAL E MÉTODOS
— Sabemos que a aprendizagem é baseada na percepção, seguida da com¬
preensão e associação a elementos conhecidos. Logo, podemos considerar um
conteúdo único, científico, sabendo de antemão que o mesmo será percebido,
compreendido e associado, segundo o indivíduo para o qual ele é apresentado.
— Neste sentido, os autores consideraram três níveis de percepção:
1) grupo de alunos do l 9 grau
2) grupo de alunos do 2 9 grau e universitários
3) grupo de público em geral.
O conteúdo científico deverá ser desmembrado em diferentes informações,
que selecionadas, formarão códigos para os diferentes níveis de percepção.
— Embora tenham sido pesquisados os três níveis, os instrumentos audio¬
visuais desenvolvidos, visaram os grupos 1 e 3. Sob o ponto de vista do pesqui¬
sador, o que vai transmitir o conhecimento, há também uma seleção a ser codi¬
ficada. O que é mais importante o aluno aprender? No l 9 grau, no 2. 9 ? E o
público em geral?
Os especialistas selecionaram, segundo o nível de percepção, as informações
do ponto de vista:
— do conhecimento biológico
— da saúde pública, principalmente no que se refere à prevenção de
acidentes.
— Numa vivência de cinco anos de atendimento ao público e aproximada¬
mente 15.000 escolares, os autores registraram as perguntas mais frequentes
formuladas pelos que compareceram ao Instituto Butantan, através de aulas,
visitas e estágios.
— A seleção e o agrupamento das informações fornecidas, constituíram ele¬
mentos para a elaboração das matrizes sobre o tema.
— Outra variável a ser considerada, foram as condições existentes no Ins¬
tituto Butantan. Para pesquisa dos conteúdos das matrizes temos os especialistas,
mas para a execução dos recursos audivisuais, houve necessidade da colaboração
de outras entidades que possuem um serviço ou seção especializada em audi¬
visuais.
— Dentro desta metodologia, foram adotados os seguintes critérios:
I) — Análise do atendimento informativo e didático que o público em geral
e escolares dos diversos graus recebem no Instituto Butantan a respeito dos ani¬
mais peçonhentos.
Desta análise se concluiu que:
a) — os estudantes e público em geral, observam animais vivos e fixados
no Museu e na seção de Artrópodes Peçonhentos;
b) — os fornecedores de animais recebem instruções pessoalmente ou pelo
correio, dados pela seção de Artrópodes Peçonhentos ou pelo Setor
de Cadastro e Registro;
c) — as escolas recebem uma pequena coleção didática de animais fixados,
fornecidos pelo Museu, mediante ofício solicitante;
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PIMONT, R.P. & LUCAS, S. — Estudo dc série de recursos audiovisuais sobre o tema: artrópodes peçonhentos.
Mem. Inst. Butantan, 40/41:187-203, 1976/77.
d) — a biblioteca do Instituto Butantan, possui publicações especializadas
nas quais os escolares poderão obter informações.
II) — Levantamento bibliográfico e análise das publicações sobre Artró¬
podes Peçonhentos que são rotineiramente consultados pelos estudantes, na bi¬
blioteca do Instituto Butantan.
Dos 14 livros sobre Animais Peçonhentos que analisamos, sete possuem
informações sobre Artrópodes Peçonhentos. Esta bibliografia, de modo geral, é
informativa, mas não didática. São publicações do período de 1945 a 1973 e
constituem os n"s: 2; 5; 6; 9; 11; 15; 21, da bibliografia deste trabalho.
III) — Realizada a seleção de informações, baseada nas variáveis consi¬
deradas e nos critérios adotados foram constituídas as matrizes que reúnem os
seguintes conhecimentos:
— noções básicas sobre morfologia de aranhas e escorpiões;
— características das principais aranhas e dos principais escorpiões do
Brasil;
— periculosidade das aranhas e dos escorpiões;
— noções básicas sobre captura de aranhas e escorpiões;
— noções sobre primeiros socorros em caso de acidente por aranhas e
escorpiões;
— dinâmica de atendimento do Instituto Butantan em relação às aranhas e
e escorpiões: captura, produção de soros específicos, atendimento hos¬
pitalar.
IV) — Seleção dos recursos audiovisuais a serem elaborados segundo:
— o grupo a que se destina;
— a forma didática que vai reforçar o aprendizado;
— a prioridade do Instituto Butantan na utilização dos recursos.
RESULTADOS
Os audiovisuais elaborados a partir das matrizes foram:
Série dc murais
A função do mural é a de informar em classe ou em trabalho escolar, para
pequenos grupos, podendo dispensar a presença do professor.
Os murais sobre Artrópodes Peçonhentos constituem um confronto de in¬
formações selecionadas e suficientes, apresentadas de forma esquemática e didá¬
tica. Foram escolhidos para publicação, por conterem a grande maioria das
informações das matrizes. Neste trabalho, estão as reduções dos murais (figs. 1,
2, 3, 4, aranhas e 5 e 6, escorpiões) destinados ao nível de percepção de alunos
do primeiro grau.
Nos originais dos murais o tamanho adequado é de l,0m x 0,70m e deverão
ser colocados na parede.
Cartaz
Recurso audiviosual que visa apresentar uma mensagem curta e rápida.
No presente trabalho, o “lay out” pesquisado, objetivou despertar o interesse
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MORFOLOGIA DAS ARANHAS
PIMONT, R.P. & LUCAS, S. — Estudo de série de recursos audiovisuais sobre o tema: artrópodes peçonhentos
Mem. Inst. Butantan, 40/41:187-203, 1976/77.
PIMONT. R.P. & LUCAS, S. — Estudo de serie de recursos audiovisuais sobre o tema: artrópodes peçonhento
Atem. Inst. Butantan, 40141:187-203, 1976/77.
PRINCIPAIS DIFERENÇAS
ENTRE ARANHAS VERDADEIRAS E CARANGUEJEIRAS
Filo: ARTRÓPODES
Classe: ARACNÍDEOS
Ordem: ARANHAS
n
ASPECTO DORSAL ASPECTO VENTRAL
DIFERENÇAS
ASPECTO DORSAL ASPECTO VENTRAL
A
POSIÇÃO DO
SEGMENTO BASAL
vertical
horizontal
B
POSIÇÃO
DOS FERRÕES
horizontal
vertical
c POSIÇÃO
DAS GLÂNDULAS
DE VENENO
no cefalotórax
no segmento basal
D
VENENO
em algumas espécies muito ativo
geralmente pouco ativo
E
PILOSIDADE
pequena
geralmente grande
F
TAMANHO
DAS ARANHAS
2
pequenas
geralmente grandes
cm
2 3 4 5 6 7
9 10 11 12 13 14 SClELO 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31
PIMONT K p & I UCAS S. — Estudo de série de recursos audiovisuais sobre o tema: artiópodes peçonhentos.
Mcm’. Inst. Butantan, 40141:187-203, 1976/77.
CARACTERÍSTICAS DAS
PRINCIPAIS ARANHAS PERIGOSAS DO BRASIL
CARACTERÍSTICAS
Gênero Phoneutria
“armadeira”
Gênero Loxasceles
“aranha marron"
Gênero Lycosa
“tarântula"
Gênero Latrodectus
“viuva negra”
0 ,
A
AGRESSIVIDADE
muito grande
mínima
pequena
mínima
B
PRINCIPAIS
LOCAIS ONDE SÃO
ENCONTRADAS
bananeiras e outras
folhagens
também nas residências
pilhas de tijolos, telhas e
beira de barrancos
também nas residências
gramados e beira
de barrancos
também nas residências
sob arbustos e em
campos cultivados
também nas residências
C
ACIDENTES
Muito freqüentes
pouco freqüentes
freqüentes
pouco freqüentes
D
HÁBITOS
vespertinos e noturnos
aranha errante
noturnos
aranha sedentária
diurnos
aranha errante e sedentária
vespertinos e noturnos
aranha sedentária
E
TEIA
inexistente
irregula r
inexistente
irregular
2 3 4 5 6 7
9 10 11 12 13 14 15SCÍELO 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33
MORFOLOGIA DOS ESCORPIÕES
PIMONT, R.P. & LUCAS, S. Estudo de série dc recursos audiovisuais sobre o tema- artrópodes
Mem. Inst. Dutantan , 40/41:187-203, 1976/77. P
peçonhentos.
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PIMONT. R.P. & LUCAS, S. — Estudo de série dc recursos audiovisuais sobre o tema: artrópodes peçonhentos.
Mem. Inst. Butanlan , 40/41:187-203, 1976/77.
PRINCIPAIS ESCORPIÕES PERIGOSOS DO BRASIL
Filo: ARTRÓPODES
Classe: ARACNÍDEOS
Ordem: ESCORPIÕES
DIFERENÇAS
ASPECTO GERAL
B
CÔR DO ABDÔMEN
TÍBIA
D
CAUDA
VENENO
Tityus serrulatus
amarelo
marron escuro
amarela
serrilhada
muito ativo
Tityus bahiensis
marrom
marron quase preto
com mancha escura
ativo
Tityus trivittatus
manchado
marron com três faixas claras
com mancha escura
ativo
199
cm 1 2 3 4 5 6 7
9 10 11 12 13 14 SClELO 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31
PIMONT, R.P. & LUCAS, S. — Estudo de série de recursos audiovisuais sobre o tema: artrópodes peçonhentos.
Nfem. Inst. Butantan, 40/41:187-203, 1976/77.
do público em geral para o problema aracnídico, estimulando a coleta e poste¬
rior remessa de animais vivos ao Instituto Butantan. O tamanho do cartaz é de
0,62m x 0,40m. O mesmo está sendo distribuído para ser fixado em estradas
de ferro, centros rurais, centros de saúde, escolas isoladas, etc. A avaliação da
mensagem está sendo realizada.
Folheto
Visa divulgar informações para o indivíduo que funcionará como duplicador
dos seus grupos sociais (família, brinquedos, escola, vizinhança).
No folheto foram fornecidas informações sobre:
1) — morfologia dos escorpiões e aranhas
2) — hábitos destes animais
3) —- ocorrência de acidentes
4) — orientação sobre a captura
5) — primeiros socorros
6) — informações gerais sobre o Instituto Butantan
Consta de quatro folhas e destina-se ao público em geral e alunos do pri¬
meiro grau.
Outros audiovisuais foram projetados:
Álbum seriado — recurso utilizado por professor em aula ou especialista
em palestra para pequenos grupos.
Estão sendo desenvolvidos álbuns sobre: aranhas e escorpiões para estu¬
dantes de 1- grau.
Série de slider com roteiro — resumo didático para ser usado em aulas
sobre o tema Artrópodes Peçonhentos. Destina-se a professores de 1" e 2’ graus.
Multi-meio — associação de mais de um recurso audiovisual. Para o pre¬
sente tema, foi pesquisado c está sendo montado multi-meio sobre a morfologia de
aranhas e escorpiões e hábitos dos mesmos. Trata-se de série de slides acoplado
à fita gravada. Dispensando operador, o recurso destina-se ao público que com¬
parece ao Museu do Instituto Butantan.
DISCUSSÃO
Se considerarmos a educação como processo global, que se realiza de forma
direta ou indireta, dirigida ou não dirigida, difusa ou sistemática, temos que
admitir que tanto o público em geral como os alunos do primeiro, segundo e
terceiro graus já devem ter noções sobre animais peçonhentos.
Provalmente seus conhecimentos são difusos ou incompletos e o público
em geral, estimulado pela curiosidade e os alunos dos diferentes graus, estimu¬
lados também por seus programas escolares, recorrem ao Instituto Butantan, a
fim de adquirir ou aprofundar os seus conhecimentos.
É indiscutível que a Instituição é a mais capacitada para o ensino e edu¬
cação na área dos Artrópodes Peçonhentos.
201
cm
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PIMONT, R.P. & LUCAS, S. — Estudo dc série dc recursos audiovisuais sobre o tema: artrópodes peçonhentos.
Alem. Inst. Butantan , 40/41:187-203, 1976/77.
Acresce que esta instituição não possui uma estrutura de escola e não pode
retirar, continuamente, dc seus laboratórios, os especialistas, para atendimento
aos alunos.
Através desta pesquisa, a partir de necessidades e realidades existentes,
criamos em bases teóricas e experimentais matrizes delimitadoras de conteúdos,
segundo diferentes níveis de percepções. Desta pesquisa originaram-se alguns ins¬
trumentos de comunicação, a fim de minorar, pelo menos parcialmente, as nossas
dificuldades e deficiências, na transmissão de conhecimentos e indução de com¬
portamentos adequados, em relação aos Artrópodes Peçonhentos.
CONCLUSÕES
A pesquisa permitiu a seleção e definição de conteúdos sobre o tema Artró¬
podes Peçonhentos.
Os conteúdos, uma vez definidos, foram organizados em matrizes, que por
sua vez foram codificadas para os níveis de percepção escolhidos pelos autores.
Decorrente do desenvolvimento do trabalho foram elaborados os instru¬
mentos audiovisuais programados.
O atendimento didático que o Instituto Butantan realiza foi enriquecido
no que concerne a uma aprendizagem mais efetiva e a comportamentos mais
adequados em relação aos Artrópodes Peçonhentos.
Agradecimento: Agradecemos a colaboração da Sra. Delminda Vargas Travassos, Chefe
da Seção de Desenho do Instituto Butantan.
ABSTRACT: The aim of this research is the delimitation of the concepts
on venomous arthropods to be transmitted through audiovisual implements.
Different patterns have been investigated and developcd, selection of infor-
mations according to the perception levei of the different groups, as the
public in general, students of the 1 st and 2 degree, and university
students.
The whole of the scientific informations in this respect will comply
with the need for specific knowledge, demanded by cducational programs
apt to stimulate an appropriate behavior in relation lo venomous
arthropods.
Based on the initial research, the authors developed audiovisual recources
as murais, posters, leaflets, serial albums, series of slides and multimedia
in a specificd program for the different groups.
Although the authors considcr all audiovisual implements as results of
their research, apt for application, the series of posters have been selected
for publication, sincc lhey compile most of the informations.
In a subsequent study on the evaluation of the recources, the main purpose
will be in measuring the knowledge and behavior acquired by the elements
in queslion as regards venomous arthropods.
UNITERMS: Venomous arthropods. Audiovisual instruments. Information
and education.
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SciELO
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PIMONT, R.P. & LUCAS, S. — Estudo de série dc recursos audiovisuais sobre o tema: artrópodes peçonhentos.
Mem. Inst. Butantan, 40/41:187-203, 1976/77.
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Recebido para publicação em 05-IV-1977 c aceito em 13-IV-1977.
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Mem. Inst. Butantan
40/41: 205-210, 1976/77.
ÁCAROS PILlCOLAS DO BRASIL.
II. DESCRIÇÃO DE PROLISTROPHORUS INORNATUS
SP. N. (ACARINA: LISTROPHORIDAE).
NÉLIDA M. LIZASO
Divisão de Biologia, Instituto Butantan
RESUMO: O gênero Prolistrophorus Fain, 1970 inclui 13 espécies todas
da região neotropical. No presente trabalho é descrita uma espécie nova:
Prolistrophorus inornatus parasitando o roedor silvestre Oryzomys sub-
flavus, capturado em Jequié, Bahia.
UNITERMOS: Prolistrophorus Fain, 1970 (Acarina: Listrophoridae)
Prolistrophorus inornatus sp.n.
INTRODUÇÃO
Fain 1 , em 1970, criou o gênero Prolistrophorus, arrolando nele duas espé¬
cies descritas por Hirst 3 , em Listrophorus. No mesmo trabalho Fain descreve seis
espécies novas. Posteriormente, em 1973 2 , acrescentou mais quatro espécies a
esse gênero. Lizaso 4 , em 1975 descreve mais uma espécie. Todas as espécies
do gênero pertencem à região neotropical, ficando assim distribuídas: Surina¬
me (2), Perú (1), Brasil (4), Paraguai (1), Argentina (5).
No presente trabalho é descrita uma espécie nova: Prolistrophorus inorna¬
tus sp. n., parasitando o roedor silvestre Oryzomys subflavus coletado em Je¬
quié, Bahia, em 1956.
Prolistrophorus inornatus, sp; n;
Macho (Fig. 3)
Corpo: comprimento 420 p, largura 105 p. Apresenta uma região segmen¬
tada (3 anéis) entre as placas propodosomal e opistosomal.
Face dorsal; apresenta 3 placas, a que recobre o capitulum, seguida sem
intervalo pela propodosomal que por sua vez se separa da opistosomal por 3
meio-anéis, onde se implanta 1 par de cerdas em posição lateral.
A placa que recobre o capitulum, uniformemente pontilhada, bem quiti-
nizada, apresenta uma região médio anterior muito pouco quitinizada. A placa
Endereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 - São Paulo - Brasil.
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LIZASO, N.M. — Ácaros pilícolas do Brasil. II. Descrição de Prolistrophorus inornatus sp. n. (Acarinn:
Listroplioridae). A/cm. Inst. Butantan , 40/41:205-2l0, 1976/77.
propodosomal quitinizada, pontilhada, apresenta I par de cerdas na linha média
anterior, 1 par de cerdas laterais e 1 par de cerdas na extremidade lateral ao
nível inferior da coxa II. A placa opistosomal uniformemente quitinizada re¬
cobre o dorso até à extremidade posterior do corpo.
Face ventral é levemente quitinizada, destacando-se nitidamente os bordos
laterais das placas dorsais. Entre a coxa I e II, 1 par de cerdas. Região genital
ao nível do intervalo das coxas 111 e IV, zona anal atrás do sulco anal. Há 1
par de cerdas anteriores ao sulco anal. Extremidade posterior do corpo bilo-
bulada, apresentando a partir da linha média: 1 par de cerdas curtas, 1 par
de cerdas longas e em posição lateral, 1 par de cerdas curtas.
Pernas: o tarso I com 2 pares de cerdas, não muito longas e de ponta
rombuda, sendo 1 curva para trás e mais 1 par de cerdas pequenas.
Fêmea (Figs. 1, 2)
Corpo: comprimento 525 largura 125 /*.
Face dorsal com capitulum semelhante ao do <$. Escudo propodosomal
pontilhado apresentando uma zona médio-lateral reticulada. No escudo implan-
tam-se 3 pares de cerdas. O escudo propodosomal está separado nos cf do
opistosomal por uma zona de 3 meio-anéis. O escudo opistosomal apresenta até
o nível da coxa IV uma região insegmentada, pontilhada, como nos outros dois
escudos, e se continua até ao final do corpo em uma série de meio-anéis. Nesta
região anelada implantam-se 3 pares de cerdas pequenas. Face ventral com uma
região médio anterior semelhante à dos cT. Orifício genital ao nível da coxa
111, 1 par de cerdas ao nível da coxa IV. Na região posterior do corpo encon-
tra-se o orifício anal e 1 par de cerdas pequenas.
Pernas: o tarso I apresenta 2 cerdas de tamanho médio, rombudas e 1
cerda longa; tarso II com 2 cerdas médias, rombudas.
Ninfa (Fig. 4)
De aspecto geral semelhante ao adulto Ç, mede 295 fx. de comprimento.
Face dorsal apresenta somente o escudo que recobre o capitulum, vendo-se
em continuação o corpo uniformemente segmentado.
Face ventral semelhante ao adulto, mas não apresenta orifício genital.
Pernas semelhantes ao adulto.
Larva (Fig. 5)
De aspecto geral semelhante à ninfa, com o corpo uniformemente segmen¬
tado, sendo que as linhas de segmentação são pequenas protuberâncias alinha¬
das em sentido transverso.
Apresenta somente 3 pares de pernas.
Holótipo c? coletado parasitando o roedor silvestre Oryzomys subflavus,
procedente de Jequié, Bahia, em 1956. Depositado sob o n 9 5257 da Coleção
Flávio da Fonseca, no Instituto Butantan.
Parátipos: 1 $, montada na mesma lâmina do holótipo, 1 ninfa e 4 lar¬
vas, todos com os mesmos dados de procedência e hospedeiro.
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LIZASO, N.M. — Ácaros pilícolas do Brasil. II. Descrição de Prolistrophorus inornatus sp. n. (Acarina:
Listrophoridae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:205-2l0, 1976/77.
50*
1 igs. 1 a 3 — Prolistrophorus inornatus sp. n.: 1 - fêmea, vista ventral; 2 - fêmea, vista dorsal e 3 - macho,
v ista ventral.
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LIZASO, N.M. — Ácaros pilícolas do Brasil. II. Descrição dc Prolistrophorus inornatus sp. n. (Acarina:
Listrophoridae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:205-210, 1976/77.
50/j
Figs. 4 a 6 — Prolistrophorus inornatus sp. n.: 4 - ninfa; 5 - larva; 6 - detalhe da região anterior e
posterior do corpo.
Fig. 7 — Prolistrophorus dolichus Lizaso, 1975 - detalhe da região anterior e posterior do corpo.
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LIZASO, N.M. — Ácaros pilícolas cio Brasil. II. Descrição de Prolislrophorus inornatus sp. n. (Acarina:
Listrophoridae). Alem. lnst. Bulanlan, 40/41 -.205-210, 1976/77.
Parasitando Holochilus sciurens foram achados 11 d e 1 $, depositados
sob o n" 5332, da mesma coleção.
DISCUSSÃO TAXONÔMICA
Prolistrophorus inornatus é próximo de Prolistrophorus dolichus Lizaso,
1975, podendo separar-se, nos d, pela parte anterior do escudo do capitulum
e pela região posterior do corpo. Nas $, pela parte anterior do capitulum, que
é igual à dos d, e pelo aspecto do escudo opistosomal.
Nos exemplares d de Prolistrophorus inornatus o escudo do capitulum
apresenta, em sua linha média anterior, uma projeção muito pouco quitinizada,
contrastando com o resto do escudo, enquanto que em Prolistrophorus dolichus
o escudo em sua extremidade anterior é de aspecto arredondado, uniforme (Figs.
6 e 7).
A região posterior do corpo em Prolistrophorus inornatus é bilobulada,
apresentando, a partir da linha média, 1 par de cerdas pequenas e 1 par de
cerdas longas, enquanto que em Prolistrophorus dolichus vê-se I par de cerdas
bem longas, 1 par de cerdas pequenas e 1 par de cerdas com o dobro do com¬
primento das anteriores. Além disso, os lóbulos posteriores de ambas as espé¬
cies apresentam formas diferentes.
Nos exemplares 9 ° escudo do capitulum é muito semelhante ao dos d-
Nas $ de Prolistrophorus inornatus o terço anterior do escudo opistosomal é
insegmentado, pontilhado, continuando-se por uma segmentação que atinge a
extremidade posterior do corpo. Em Prolistrophorus dolichus não se vê deli¬
mitação do escudo opistosomal, sendo que a partir do escudo propodosomal
até o terço posterior do corpo é uniformemente segmentado.
A comparação com as espécies descritas por Hirst em 1921 foi feita com
base nos desenhos dos machos publicados naquela oportunidade.
Das notas prévias publicadas por Fain em 1970 e 1973, extraímos alguns
dados para comparar, já que as descrições são muito suscintas e não apresentam
desenhos.
Considerando os exemplares d, temos que em Prolistrophorus inornatus
apresenta o escudo pós-capitular pontilhado, enquanto que em Prolistrophorus
crytophallus tem aspecto de pseudo-escamas. Pela observação do escudo
opistosomal, vemos que em Prolistrophorus striatus ele é estriado transversal¬
mente em sua quase totalidade, em Prolistrophorus hirstianus é dividido em 2
escudos na linha média do corpo, em Prolistrophorus inornatus é insegmentado,
uniformemente quitinizado. Prolistrophorus nectomys apresenta as ventosas
adanais em forma triangular e Prolistrophorus inornatus arredondadas.
ABSTRACT: Eleven species are considered in the genus Prolistrophorus,
Fain, 1970, all of them from the Neotropical region. In the present paper
one new species is described: Prolistrophorus inornatus. sp.n. from Oryzo-
mys subflarus of Jequié, Bahia.
UNITERMOS: Prolistrophorus Fain, 1970 (Acarina: Listrophoridae)
Prolistrophorus inornatus sp.n.
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Atem. Jnst. Butantan
40/41: 211-219, 1976/77.
ESTUDO SOBRE A SISTEMÁTICA DE CTENUS
TAENIATUS (ARANEAE; LA BI D O GNA TH A ) *
VERA REGINA D. VON EICKSTEDT
Seção de Artrópodes Peçonhentos, Instituto Butantan
RESUMO: O presente trabalho refere-se à sistemática de Ctenus taeniatus
Keyserling, 1891 (LABIDOGNATHA; CTENIDAE), uma espécie de ara¬
nha pouco estudada, embora de ocorrência frequente na região sul do
Brasil.
O exame dos tipos e o estudo comparativo de 78 exemplares dessa espécie
possibilitaram-me concluir que Ctenus albovittatus Mello-Leitão, 1939 é
sinônima de Ctenus taeniatus e que Ctenus thomasi Pickard-Cambridge,
1902, Ctenus binotatus Mello-Leitão, 1936 e Ctenus gynheraldicus Mello-
Leitão, 1936 constituem a fêmea de taeniatus, até agora desconhecida.
Os caracteres anatômicos importantes para o reconhecimento da espécie
foram ilustrados e, num mapa, foi representada a distribuição geográfica
da espécie, baseada no material examinado.
Finalmente, faço algumas considerações sobre a posição genérica da espé¬
cie ora estudada.
UNITERMOS: Ctenus taeniatus Keyserling, 1891; Ctenus thomasi,
Pickard-Cambridge, 1902; Ctenus binotatus Mello-Leitão, 1936; Ctenus
gynheraldicus Mello-Leitão, 1936; Ctenus albovittatus Mello-Leitão, 1939.
INTRODUÇÃO
Em 1891, Keyserling 4 descreveu a espécie Ctenus taeniatus (Labidognatha;
Ctenidae) baseada num macho procedente de Rio Grande, Rio Grande do Sul,
Brasil.
Poucas são as referências existentes na bibliografia especializada posterior-
res à descrição original da espécie. Em 1897, Pickard-Cambridge apenas a re¬
lacionou entre as espécies neotropicais do gênero, não a colocando, inclusive,
na chave de espécies porque, conforme o próprio Cambridge mencionou em
nota de rodapé, ele estava “unwilling to tabulate the characters of taeniatus,
parvus and velox, for they appear to stand somewhat apart from any of the
forms included above”.
* Resumo apresentado no VII Congresso Latino-americano de Zoologia, San Miguel de Tucumán, Argentina,
15-21 de maio de 1977.
Endereço para correspondência: CEP 05504 - Caixa Postal, 65 São Paulo - Brasil.
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EICKSTEDT, V.R.D. von — Estudo sobre a sistemática de Ctenus taeniatus (Araneae; Labidognatha).
Alem. Inst. Bulantan . 40141:211-219, 1976/77.
Em 1936, Mello-Leitão 7 , levando em consideração a forma do metatarso
IV e da tíbia do palpo dos machos, agrupou as espécies neotropicais do gênero
Ctenus em três subgêneros, colocando taenialus no subgênero Pachyctenus, ca¬
racterizado pela tíbia curta do palpo do macho. Apesar de não ser até então
conhecida a fêmea de taeniatus, Mello-Leitão tabulou seus caracteres na chave
de espécies do gênero, sem fazer qualquer referência no texto a exemplares estu¬
dados de taeniatus. Por outro lado, nesse mesmo artigo, Mello-Leitão descreveu
duas espécies novas de Ctenus que são, como agora verifiquei, sinônimas entre
si e a fêmea de taeniatus.
Em seu trabalho sobre veneno das aranhas, Vellard i:! fez algumas consi¬
derações sobre a atividade do veneno de Ctenus taeniatus que, segundo esse
autor, é uma espécie de tamanho muito pequeno, encontrada no sul do Brasil.
A não ser citações em catálogos de aranhas, não encontrei nenhuma outra
referência a esta espécie posterior a 1936. Como tem sido mencionado por
alguns autores 2 , 5 , í f a taxonomia do gênero Ctenus necessita ser totalmente
revista. Algumas centenas de espécies foram colocadas sob Ctenus, muitas das
quais provavelmente pertencentes a outros gêneros da mesma subfamília, mais
ou menos relacionados com Ctenus. Isso se deveu em parte à falta de um melhor
conhecimento das espécies já descritas e em parte ao desconhecimento das limi¬
tações dos diversos gêneros de Cteninae. Em 1967, Lehtinen 5 , baseando-se ape¬
nas na descrição original de Ctenus gynheraldicus, Mello-Leitão 1936, colocada
neste trabalho na sinonímia de taeniatus, transferiu a espécie gynheraldicus para
o gênero Oligoctenus, alegando que, embora a maioria dos especialistas conside¬
rem Oligoctenus sinônimo de Ctenus, diversas espécies têm sido ainda descritas
sob Oligoctenus. Na última revisão dos ctenídeos do Brasil, Mello-Leitão não
incluiu Oligoctenus entre os gêneros da subfamília Cteninae, considerando-o,
como Keyserling, Simon, Cambridge e outros autores, sinônimo de Ctenus; nesta
revisão a espécie taeniatus, assim como as que foram colocadas neste trabalho
na sua sinonímia, constam sob o gênero Ctenus.
Não disponho no momento de dados suficientes para esclarecer a posição
genérica da espécie taeniatus. No entretanto, a identificação da fêmea, as sino-
nímias e a redescrição da espécie que apresento neste artigo certamente contri¬
buirão para trabalhos futuros relacionados a este assunto.
MATERIAL E MÉTODOS
Este trabalho baseou-se principalmente no estudo comparativo de exem¬
plares de aranhas depositadas na coleção aracnológica do Instituto Butantan, a
maioria delas enviadas a este Instituto por pessoas que as encontraram perto
ou dentro de suas moradias e que desejavam informações sobre sua periculo-
sidade, hábitos de vida, etc. A revisão e reclassificação dos ctenídeos existen¬
tes nessa coleção possibilitou-mc reunir 60 exemplares de Ctenus taeniatus (37 $,
lOcf e 13 juv.).
Entre os tipos de Ctenus depositados no Museu Nacional do Rio de Ja¬
neiro (MNRJ), que me foram emprestados para estudo pela Dra. Anna Timo-
theo da Costa, encontrei um exemplar macho classificado por Mello-Leitão como
Ctenus albovittatus, que pertence sem dúvida à espécie taeniatus. O exame de
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EICKSTEDT, V.R.D. von — Estudo sobre a sistemática de Ctenus taeniatus (Araneae; Labidognatha).
Alem. Inst. Butantan, 40141:211-219, 1976/77.
um lote de ctenídeos pertencentes ao Museu Riograndense de História Natural
(MRHN), de Porto Alegre, enviados a mim para identificação pelo Dr. A. A.
Lise, permitiu-me selecionar 17 exemplares de taeniatus.
Examinei os tipos de Ctenus taeniatus Keyserling e Ctenus thomasi
Pickard-Cambridge, pertencentes ao British Museum (Natural History), o tipo
de Ctenus albovittatus, depositado no Naturhistorischen Museum Basel (NMB)
e o tipo de Ctenus binotatus Mello-Leitão, que se encontra no Instituto Butan¬
tan (IB). O tipo de Ctenus gynheraldicus Mello-Leitão que, segundo o autor da
espécie, foi depositado no Instituto Butantan sob n.° 181, está provavelmente
perdido: não encontrei nenhum exemplar nessa coleção que coincida com a
descrição e os dados de coleta fornecidos por Mello-Leitão na referência ori¬
ginal.
De cada espécime examinei os caracteres morfológicos externos e o colo¬
rido e tomei as dimensões costumeiramente utilizadas em araneologia para esta¬
belecer proporções corporais. Os caracteres anatômicos importantes para o re¬
conhecimento da espécie foram desenhados por mim com câmara clara e
passados a nanquim pela Sra. Delminda Travassos.
A redescrição de taeniatus é precedida no texto pela referência original e
referências posteriores encontradas na bibliografia relativas a taeniatus e às es¬
pécies aqui colocadas em sinonímia (C: citação; Cat: catálogo; Ch: chave; L:
lista; V: veneno).
No mapa de distribuição geográfica da espécie (fig. 5) foram assinaladas
as localidades de procedência do material que examinei, assim como as loca¬
lidades-tipo de taeniatus e das espécies sinônimas.
CTENUS TAENIATUS KEYSERLING, 1891.
Ctenus taeniatus Keyserling, 1891: 151, fig. 104. Localidade-tipo: Rio Grande,
Rio Grande do Sul, Brasil (Dr. v. Ihering col.). Holótipo 1890. 7.1.2912
BMNH (Londres). Refs. — Pickard-Cambridge, 1897: 65 (L), 74 (C);
1902: 413 (L); Petrunkevitch, 191 1: 478 (Cat.); Mello-Leitão, 1936: 3
(Ch), 5 (Ch), 13 (C); Vellard, 1936: 189 (V); Roewer, 1954: 654 (Cat);
Bonnet, 1956: 1290 (Cat.).
Ctenus thomasi Pickard-Cambridge, 1902: 403, figs. 1 e 2. Localidade-tipo:
La Plata, Argentina (O. Thomas col.). Holótipo $, 1897. 10.11.122
BMNH (Londres). Refs. — Pickard-Cambridge, 1902: 411 (Ch),413 (L);
Petrunkevitch, 1911: 478 (Cat.); Mello-Leitão, 1933: 47 (Cat.); Roewer,
1954: 656 (Cat.); Bonnet, 1956: 1291 (Cat). N. SYN.
Ctenus binotatus Mello-Leitão, 1936: 6, fig. 2. Localidade-tipo: Terenos, Mato
Grosso, Brasil. Holótipo $ jovem, n" 424 IB (São Paulo), antigo n?
152. Refs. — Mello-Leitão, 1936: 5 (Ch); Roewer, 1954: 648 (Cat.);
Bonnet, 1956: 1276 (Cat.) N. SYN.
Ctenus gynheraldicus Mello-Leitão, 1936: 8, fig. 9. Localidade-tipo: São Paulo,
São Paulo, Brasil. Holótipo Ç, n" 181 IB (São Paulo). Refs. — Mello-
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EICKSTEDT, V.R.D. von Estudo sobre a sistemática de Ctenus taeniatus (Araneae;
Mrm. Inst. Butantan, 40141:211-219, 1976/77.
Lahidognatha).
Leitão, 1936: 5 (Ch); Roewer, 1954: 650 (Cat.); Bonnet, 1956: 1282
(Cat.); Lehtinen, 1967: 254 ( Ctenus gynheraldicus = Oligoctemis gynhe-
raldicus). N. SYN.
Ctenus albovittatus Mello-Leitão, 1939: 74, figs. 56, 57 e 58. Localidade-tipo:
Leones, Córdoba, Argentina (Bleek-Heitz col.). Holótipo $, n" 1166a NMB
(Basiléia). Refs. — Roewer, 1954: 647 (Cat.); Bonnet, 1956: 1274 (Cat.);
Forcart, 1961: 65 (Cat.). N. SYN.
Colorido: Cefalotórax marrom amarelado, de colorido uniforme ou com
uma linha ou faixa clara longitudinal mediana e uma faixa clara sinuosa late¬
ral, não muito próxima à margem do cefalotórax e melhor visível nas aranhas
em álcool. Lábio e lâminas maxilares marrom avermelhados, em geral man¬
chados de escuro (Fig. 2). Esterno marrom escuro uniforme ou com manchas
irregulares amareladas. Pernas marrom amareladas, de coxas escuras, muitas
vezes com uma área triangular amarelada junto ao esterno; fêmures com man¬
chas escuras bem visíveis em alguns exemplares; espinhos das pernas em geral
circundados por pêlos claros na base. Dorso do abdômen marrom escuro uni¬
forme ou com uma série longitudinal de pares de pontos claros, dos quais par¬
tem tufos de cerdas acinzentadas eretas, melhor visíveis em animais vivos, ou
ainda, dorso do abdômen com 2 séries de manchas claras arredondadas pouco
nítidas ou com faixa clara mediana semelhante às dos tipos de albovittatus e
thomasi; região lateral do abdômen com ou sem pontos claros alinhados obli¬
quamente; ventre negro, de colorido uniforme ou com um par de pontos bran¬
cos abaixo do epígino, às vezes, com mais um par perto das fiandeiras, ou ainda
com 2 filas de pontos claros (como no tipo de taeniatus ). Fiandeiras anteriores
escuras como o ventre, as restantes, amareladas.
Anatomia externa: aranhas pequenas, de 10 a 22 mm de comprimento de
corpo, o macho menor que a fêmea, em geral com 10 a 13mm. Pernas 4 12 3
(ó 1 e Ç ). Patela +tíbia 1 igual ou ligeiramente mais longa que patela + tíbia
IV (cf e $ ). Segunda fila ocular reta ou ligeiramente recurva pelas margens
anteriores (uma tangente à margem anterior dos OMP é tangente à margem
anterior dos OLA ou passa pouco adiante dela), de aparência recurva quando
se olha a aranha pelo dorso e levanta-se a parte anterior do cefalotórax. Qua¬
drângulo ocular mediano um pouco mais largo que longo (1,3:1,0), mais estreito
na frente; diâmetro dos OMA pouco menor ou aproximadamente igual ao raio
dos OMP. Clípeo cerca de um diâmetro dos OMA. Margem inferior (retromar-
gem) das quelíceras com 3 dentes nítidos, seguidos por um ou mais dentinhos pro-
ximais punctiformes; margem superior (promargem) com 3 dentes, o do meio
maior que os outros dois. Lábio tão longo quanto largo. Perfil cefalotorácico
não recortado, ligeiramente mais alto na região do sulco torácico. Tíbia e tarso
do palpo sem escópula na face interna. Metatarso IV do macho, reto. Tíbia I
das fêmeas com 5 pares de espinhos ventrais (o 4” ligeiramente fora do alinha¬
mento dos demais) e zero a 2 prolaterais basais; dos machos com 5 pares ven¬
trais, 2 prolaterais, 2 retrolaterais e 1-2 dorsais na metade apical. Metatarso 1
e II das fêmeas com 3 pares de espinhos ventrais; do macho, além desses, mais
2 retrolaterais e 2-3 prolaterais. Epígino como desenhado na fig. 1. Tíbia do
palpo do macho quase do mesmo tamanho da patela, com uma apófise lateral
externa sinuosa (Fig. 4). Bulbo do macho como na fig. 3. Cólulo triangular, de
ápice arredondado.
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EICKSTEDT, V.R.D. von — Estudo sobre a sistemática de Ctenus taeniatus (Araneae; Labidognatha •
Aí em. Inst. Butantan, 40/41:211-219, 1976/77.
1 mm
Fig. 1 — Epígino. Vista ventral (Np L 2807/19083 In).
Fig. 2 — Lábio e lâminas maxilares (Np L 2817/19083 IB).
Fig. 3 — Bulbo genial masculino. Vista ventral (N.p L 2806/19083 IB).
Fig. 4 — Palpo direito do macho. Vista lateral externa (Np L 2806/19083 IB).
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EICKSTEDT, V.R.D. von — Estudo sobre a sistemática de Ctenus tarniatus (Araneac; Labidognatha).
Mem. Inst. Butanlan, 40/41:211-219, 1976/77.
MATERIAL EXAMINADO
ARGENTINA: Buenos Aires, n 9 1205 MNRJ, 1 çf; Punta Lara, prov.
Buenos Aires, n" 58054 MNRJ, 1 juv. BOLÍVIA: San Jgnacio, L. Hamerschmid
col. mar, 61, 3 $ (n 9 L 1525 IB). BRASIL: Amazonas: Humaitá, A. R. Hoge
col. jan. e jul. 72, 1^,2$ (n 9 L 2772/10053 IB). Goiás: Brasília, W. R. Lou-
renço col. fev. 71 (sob cupinzeiro do gênero Armitennes), 1 J 1 , 10$, 5 juv.
(n" L 2806/19083 a n 9 L 2822/19083 IB). Mato Grosso: Agachi, C. F. Mo¬
raes col. jul. 52, 1 juv. (n 9 L 751 IB); Barracão Queimado (Sa. dos Parecis),
A. R. Hoge col. jul. 62, 1 juv. (n 9 L 1801/62 IB); Camapuã, F. Silberbauer
col. jun. 68, 3$ (n" L 2349 IB); Ilha Grande, Expedição Inst. Butantan abr.
73, 2 juv. (n 9 L 1801/73 IB); Terenos, P. Schleich col. jan. 35, 1$ (n 9 L
1051 IB). Minas Gerais: Barreiro, J. Blaser col. maio 35, 1 $ (n 9 L 159 IB);
Senhora da Penha, A. Vasconcelos col. jul. 36, 1 ? (n° L 989 IB); Poços de
Caldas, J. Becker col. jul. 64, 1$ (n 9 L 1853/64 IB); Serra do Cipó, C.
Froehlich col. dez. 73, 1 $ (n 9 L 2712/13662 IB), out. 75, 1 $ (n 9 L
2712/17410 IB). Rio Grande do Sul: Canoas, Arno A. Lise col. abr. 66, 13
juv., 1 $, 3c? (n 9 189 MRHN); Porto Alegre, F. Silberbauer col. out. 62, 1
juv. (n" L 2773 IB). São Paulo: Agudos, G. Johnscher col. set. 70, 1 $ (n 9
L 1445/5608 IB); Barueri, J. Moreira col. set. 48, 1 c? (n 9 L 105/48 IB);
Assis, G. Brisolla col. out. 67, 1 tf (n 9 L 889/67 IB); Cotia, J. L. Oliveira
col. set. 63, 1 $ (n 9 L 1853/63 IB), N. Lizaso col. out. 76, 1 $ (n 9 L 2712/
19353 IB), J. L. Augusto col. out. 73, 1? (n 9 L 2712/12898 IB), nov. 73,
I $ com ooteca (n 9 L 2712/13201 IB); Dobrada, L. A. Cornar col. dez. 64,
1 $ (n 9 L 895/64 IB); Guaraci, S. Coimbra col, jul. 70, 1 $ (n 9 L 1382/
5379 IB); Itapevi, M. Kolya col. dez. 74, 1 c? (n 9 L 105/15475 IB); Itapira,
S. Nougues col. nov. 74, 1 cf (n 9 L 105/15317 IB); Jarinu, I. Kuhlmann col.
abr. 73, 1 $ (n 9 L 1382/11611 IB); Maracaí, G. Brisolla col. ago. 70, 1 $
(n 9 L 732/5513 IB); Monte Mor, E. José de Paula col. nov. 73, 1 d (n 9
L 2704/13162 IB); Nazaré Paulista, M. Granado col. dez. 75, 1 d (n 9 L
1382/17628 IB), 2 Ç (n 9 L 1382/17499 IB); Palmital, D. Lazarro col. ago.
53, 1 juv. (n 9 L 895/53 IB); Rancharia, T. J. Lane col. set. 74, 1 $ (n" L
732/15124 IB); São Carlos, H. Belluomini, col. dez. 76, 1 d (n 9 L 105/19584
IB); São Paulo, S. Nascimento col. ago. 59, 1 d (n 9 L 1445/59 IB); Tietê,
Seminário Sta. Terezinha leg. maio 53, 1 juv. (n 9 L 889/53 IB); Valinhos,
L. A. Marino col. maio 76, 1 $ com ooteca (n 9 L 1382/18523 IB).
DISCUSSÃO
O confronto da descrição original de Ctenus taeniatus com os exemplares
ora estudados mostrou certas divergências no que se refere ao tamanho rela¬
tivo dos olhos do quadrângulo ocular mediano e ao número e disposição dos
dentes quelicerais; no entretanto, o exame do tipo demonstrou que ele não
difere dos exemplares que tive à disposição, devendo ser retificada a descrição
de Kcyserling no que se refere a esses caracteres.
Apesar de não ter sido possível examinar o tipo de Ctenus gynheraldicus,
que está provavelmente perdido, o estabelecimento de sua sinonímia com tae¬
niatus foi possível porque a descrição original e a figura da genitália desenhada
por Mello-Leitão, permitem a sua identificação, principalmente quando se tem
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Erg. 5 — Distribuição geográfica de Ctenus taeniatus Keyserling, 1891.
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Alem. Inst. Butantan, 40141:211-219, 1976/77.
disponível material comparativo suficiente, inclusive da localidade-tipo da es¬
pécie.
A sinonímia de Ctenus binotatus, cujo tipo é uma fêmea semi-adulta, foi
estabelecida comparando-se o exemplar-tipo com um lote de indivíduos jovens
coletados junto com fêmeas e um macho adulto de Ctenus taeniatus (material
procedente de Brasília). A identificação de uma fêmea adulta de Ctenus taenia¬
tus procedente da localidade-tipo de binotatus (n- L 1051 IB) confirma essa
sinonímia.
Quanto à posição genérica de taeniatus é preferível, a meu ver, mantê-la,
por ora, sob Ctenus, onde foi originalmente incluída e onde tem sido citada nos
diversos catálogos de aranhas. No entretanto, é bem provável que quando esti¬
verem definidos os limites não só dos gêneros Ctenus e Oligoctenus, sob os quais
a espécie tem sido assinalada, mas também de Isoctenus Bertkau 1880, a po¬
sição genérica dessa espécie tenha que ser modificada.
ABSTRACT: This paper deals with systematics of Ctenus taeniatus
Keyserling (Labidognatha; Ctenidae) a little known species of
spiders, although very common in the Southern region of Brazil.
The comparative study of type specimens and 78 spiders, most of them
belonging to the arachnological collection of the Instituto Butantan (São
Paulo, Brazil), shows that Ctenus albovittatus Mello-Leitão, 1939 is
a synonym of Ctenus taeniatus Keyserling, 1891 and that Ctenus thomasi
Pickard-Cambridge, 1902, Ctenus binotatus Mello-Leitão, 1936 and Ctenus
gynheraldicus Mello-Leitão, 1936 corresponds to the female of taeniatus,
unknown up to present.
The significative morphological characters are illustrated, and the geogra-
phical distribution of the species, based on the avaiable material, is
represented on a map.
Finally, some remarks are made on the taxonomic position of the taeniatus
species.
UNITERMS: Ctenus taeniatus Keyserling, 1891; Ctenus thomasi Pickard-
Cambridge, 1902; Ctenus binotatus Mello-Leitão, 1936; Ctenus gynheral¬
dicus Mello-Leitão, 1936; Ctenus albovittatus Mello-Leitão, 1939.
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EICKSTEDT, V.R.D. von — Estudo sobre o sistemática de Clenus taeniatus (Araneae; Labidognatha).
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Recebido para publicação em 27-V-1977 e aceito em 29-VII-1977.
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PHYSIOPATHOLOGrIE ET THÉRAPEUTTQUE
DE L’ENYENOMATION EXPÉRIMENTALE CAUSÉE PAR
LE VEN IN DE MIC RU RU S FRONTALIS*
OSWALDO VITAL BRAZIL, MARCOS DIAS FONTANA
et ALBERTO PELLEGRINI FILHO
Departamento de Farmacologia, Faculdade de Ciências Médicas
da Universidade Estadual de Campinas
RÉSUMÉ: Le venin de Micrurus frontalis, introduit par voie intraveineuse
à des chiens anesthésiés, cause une chute brutale de la pression artérielle
qui peut entrainer la mort de 1’animal. Toutefois, quand il est injecté
par voie intramusculaire, l’effet hypotenseur est modéré et la mort sur-
vient, en général, après une à quatre heures, par défaillance respiratoire.
L’origine de celle-ci a été étudiée en détectant les décharges de potentiels
d’action sur le nerf phrénique. On a constaté qu’elle est d’origine périphé-
rique devant être attribuée à 1’action inhibitrice du venin sur la trans-
mission neuromusculaire. On a mis en évidence 1’existence de deux variétés
régionales de venin quant à la réversibilité du blocage neuromusculaire
produit sur la préparation nerf phrénique-diaphragme de rat. La recherche
du mécanisme de ce blocage a été faite sur les préparations isolées nerf
phrénique-diaphragme de rat (effet sur la libération du médiateur),
rhémidiaphragme chroniquement dénervé de rat (effet sur la contracture
produite par 1’acétylcholine et sur les réponses à la stimulation eléctrique;
effet de la protection des récepteurs par la d-tubocurarine) et le couturier
de crapaud (effet sur le potentiel de membrane, sur les potentiels minia¬
tures et sur le potentiel de plaque terminale). On est arrivé à la conclusion
que le blocage est exclusivement d'origine postsynaptique et qu’il résulte
de la combinaison des neurotoxines du venin avec les récepteurs choli-
nergiques de la plaque terminale. L’antagonisme venin-néostigmine a été
étudié sur des animaux non anesthésiés (singes, chiens, pigeons), sur la
préparation in sim nerf sciatique-muscle tibial antérieur de chien et la pré¬
paration isolée nerf phrénique-diaphragme de rat. L’effet produit par la
néostigmine sur la paralysie respiratoire a été recherché en faisant
1’électromyographie du diaphragme des chiens anesthésiés. On a constaté
que la néostigmine antagonise très bien sur le singe, le chien et le pigeon
les effets qui résultent de 1’action inhibitrice sur la transmission neuro¬
musculaire de la variété réversible du venin. Les effets causés par la
variété irréversible sont partiellement antagonisés sur le chien mais très
bien sur le pigeon. Quatorze chiens ont servi à 1’létude de 1’efficacité du
traitement par la néostigmine de 1'envenomation expérimentale; sept d’en-
tre-eux ont été employés comme témoins. Les expériences ont été realisées
de telle façon que, le même jour et à la même heure, on injectait par voie
intramusculaire la même dose de venin dans deux chiens. Quant ils
présentaient de la paralysie et une certaine dépression respiratoire, on
injectait par voie intraveineuse à l’un d’eux la néostigmine associée à
Ce travail a fait 1’objet d'unc aide do Ia FAPESP (contrat 74/336).
drcsse: Caixa Postal 1170 - Campinas - São Paulo - Brasil.
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BRAZIE, O.V.; FONTANA, M.D; PELLEGUINI F.°, A. — Physiopatholojfie <-t thcrapeutiquc do 1’enveno-
mation expérimentale causéc par le vcnin de A licrurus fronlalis. Mem. Inst. Butantan, 40141:221-240, 1976/77.
1'atropine; 1’autre (témoin) recevait seulement Tatropine. Une injection ad-
ditionelle de néostigmine était injectée si la paralysie récidivait. Tous les
chiens traités avec la néostigmine ont survécus; tous les chiens témoins
étaicnt morts en moins de quatre heures.
MOTS-CLEFS: Toxicité. Symptômes. Réversibilité du blocage neuro-
musculaire. Mécanisme d’action. Antagonisme venin-néostigmine.
INTRODUCTION
En 1949, dans un travail réalisé en collaboration avec Avelino Barrio, nous
avons démontré que le venin du serpent corail d’Amérique inhibe la transmis-
sion neuromusculaire tout comme le font ceux des Élapidés de 1’Asie, de 1’Afri-
que et de 1’Australie. Nous avons utilisé dans cette recherche la préparation in
situ nerf sciatique-muscle gastrocnémien de rat et le venin de Micrurus fronlalis,
1’espèce de serpent corail la plus fréquente au sud du Brésil et en Argentine.
Quelques caractéristiques de 1’action neuromusculaire de ce venin furent étu-
diés (18) et un net antagonisme entre celui-ci et la néostigmine fut démontré (19).
Plus tard (20), en 1963, nous avons étudié 1’action neuromusculaire du venin
d’une autre espèce de serpent corail, M. lemniscatus, en utilisant les préparations
isolées nerf phrénique-diaphragme de rat et rhémi-diaphragme chroniquement
dénervé de rat. Nous avons vérifié que le venin de M. lemniscatus produit un
blocage lentemcnt reversible dans la préparation nerf phrénique-diaphragme de
rat. Nous avons constaté aussi qiril inhibe sélectivement la contracture de 1’hémi-
-diaphragme dénervé causé par 1’acétylcholine et par d’autres drogues cholino-
mimétiques, ce qu’il semble démontrer une action des toxines du venin au niveau
des récepteurs cholinergiques. Cependant, une action pré-synaptique n’a pas
été excluse, du fait que nous n’avons pas étudié 1’effet du venin sur la libération
du médiateur. Habsence d’action contracturante sur les muscles innervés ou
dénervés aussi bien que 1’absence de perde de 1’excitabilité directe de ceux-ci
après le blocage de la transmission neuromusculaire ou des réponses causées par
1’acétylcholine suggòre fortement que ce venin ne contient pas de toxine du
type de la cardiotoxine du venin des Cobras, c’est à dire, pourvuc d’action
dépolarisante. Des résultats opposés à ceux-ci ont été obtenus par Weiss et
Mc Isaac (22) dans leur recherche sur les actions neuromusculaires et mus-
culaires du venin de M. fulvius, une espèce de serpent corail propre de 1’Amé-
rique du Nord. Ils ont vérifié, en effet, que ce venin dépolarise la membrane
des fibres musculaires et provoque 1’inexcitabililé du muscle à 1’excitation élec-
trique directe. Ils ont conclu que le venin agit à la manière de la fraction car-
diotoxinique du venin des Cobras. Cependant, Snyder et ses collaborateurs (16)
ont isolé, plus récemment (1973), une fraction neurotoxinique du venin de M.
fulvius qui, au contraire du venin total, inhibe la transmission neuromusculaire
sans produire de contracture ou de perte de Texcitabilité directe du muscle. Ce
venin contient donc des toxines qui exercent une action identique à celle des
neurotoxines élapidiques du type de la cobrotoxine ou de 1’alfa-bungarotoxine,
c’est-à-dire, d’action postsynaptique, et une fraction pourvue d’action appare-
ment semblable à cclle de la cardiotoxine.
Dans la présente recherche, nous nous sommes efforcés de éclairer la phy-
siopathologie de 1’envenomation causée par le venin de M. fronlalis aussi bien
que le mécanisme du blocage neuromusculaire produit par ce venin. Cependant,
un des principaux buts de cette recherche a été 1’étudc de 1’antagonisme venin-
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BRAZIL, O.V.; FONTANA, M.D; PELLEGRINI F.°, A. — Physiopathologie ct thérapcutique de 1’enveno-
mation expérimentale causée par lc venin dc Micrurus frontalis. Mem. Insl. Butantan, 40/41:221-240, 1976/77.
-néostigminc et 1’essai de cette substance et de la respiration artificielle pour le
traitement de 1’envenomation expérimentale. Ces derniers aspects de la recher-
che nous semblent particulièrement importants car, en fonction des résultats
obtenus, nous envisageons Femploi de ces deux possibilités pour le traitement
des accidents par morsure de quelques unes des nombreuses espèces de serpents
appartenant aux familles des Élapidés et des Hydrophidés.
VENINS UT1LISÉS; LEUR TOXICITÉ
Six échantillons de venin ont été utilisés. Celui de número 5 était consti-
tué d’un mélange de venin obtenus de diverses extractions, faites en notre labo-
ratoire, sur un bei exemplaire de M. frontalis. Les autres ont été achetés. Le
venin des échantillons n ? 1 et n 9 3 provenait de serpents capturés dans 1’Etat
de Mato Grosso, et les autres de serpents de 1’Etat de São Paulo.
Nous avons déterminé sur des souris blanches la toxicité de quatre échan¬
tillons de venin. Les doses médianes mortelles, calculées selon la méthode de
Weil (21), ont varié, en particulier celle de 1’echantillon n 9 5 s’est montré
beaucoup plus petite que les doses médianes mortelles des autres (Tableau 1).
Toutefois, comme le venin dans les essais, a été injecté par voie intraveineuse,
TABLEAU 1
TOXICITÉ
DU VENIN SEC DE MICRURUS FRONTALIS
POUR LA SOURIS.
Échantillon
Dose médiane mortelle (DL 50) et ses intervalles au niveau
n.°
fiduciaire de 95 per cent. (mg/kg, i.v.)
1
1,012 (0,675 à 1,518)
2
0,610 (0,513 à 0,725)
3
0,946 (0,869 à 1,031)
5
0,390 (0,345 à 0,440)
on ne peut pas être sür que ces différences de toxicité soient dues à des variations
du contenu en neurotoxines ou à une toxicité variable de celles-ci. II y a des
composants, comme nous le verrons plus loin, qui causent une chute brutale
de la pression artériclle quand le venin est administré par voie intraveineuse,
mais qui ont une action très modérée quand il est injecté par voie intramusculai-
re. II nous parait que la dose médiane mortelle de 1’échantillon n 9 5 a été
moindre que les autres en raison d’une teneur plus élevée de ces composants,
cela parce que dans 1’essai de cet échantillon beaucoup de souris sont mortes
sans présenter les symptômes typiques de Fenvenomation causée par le venin
de M. frontalis.
SYMPTÔMES DE L’ENVENOMATION EXPÉRIMENTALE
Le venin de M. frontalis provoque de Fhypotonie musculaire et de Ia pa-
ralysie flasque tout comme le curare. L’ordre d’atteint des différents groupes
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BRAZIL, O.V.; FONTANA, M.D; PELLEGRINI F.°, A. — Physiopathologie et thérapeutique de 1’enveno-
mation expérimentale causéc par 1c venin de Micrurus frontalis. Mem. Inst. Butantan, 40/41:221-240, 1976/77.
musculaires est aussi le même dans 1’envenomation et dans 1’intoxication par ce
poison. II faut remarquer que des singes, dans lesquels le venin a été injecté,
présentent un faciès semblable à celui de l’homme non anesthésie qui a reçu le
curare et à des patients de myasthenie grave. La principale différence entre
1’action du curare et du venin réside en ce que dans 1’envenomation les effets
sur la musculature squelettique commencent à se manifester après un délai tou-
jours long et sMntensifient très lentement. Le venin de M. frontalis, à 1’inverse
de celui des cobras, ne produit pas à 1’endroit de 1’inoculation d’oedème ou de
nécrose. Outre la paralysie des muscles striés, y compris ceux du pharynx et
du larynx, il cause une salivation abondante et, sur le chien, une douleur intense
à 1’endroit de son injection, des vomissements et de la diarrhée. Ces derniers
effets ne s’observent pas en général pendant 1’envenomation du singe et du pi-
geon. Le plus souvent ils disparaissent avant que le chien ne devienne parétique.
EFFETS CARDIOVASCULA1RES; CAUSE DE MORT
Quand le venin est introduit par voie intraveineuse, il cause une chute de
la pression artérielle qui peut entrainer la mort de Fanimal. Cest ce qu'on peut
voir sur le graphique de la Figure 1. Dans cette expérience, realisée sur un chien
anesthésié avec le pentobarbital sodique, nous avons injecté une solution de venin
par infusion intraveineuse très lente. Malgré cette précaution, la pression arté¬
rielle est tombée à zéro et le couer s’est arrêté. On a fait des massages cardia-
ques, de la respiration artificielle et une injection intraveineuse de noradrena-
line. Les battements du coeur ont repris et la pression artérielle s’est élevée.
Toutefois, quand le venin est injecté par voie intramusculaire, 1’effet hypotenseur
est modéré et la mort découle toujours de 1’arrêt des mouvements respiratoires.
La respiration artificielle, commencée au moment de la cessation de la respira¬
tion naturelle, maintient toujours le chien en vie. II faut signaler que 1’électro-
cardiogramme ne révèle pas d’altérations — extrasystoles, dissociation auriculo-
ventriculaire, rythme idioventriculaire, etc. — comme on 1’observc dans 1’enveno-
mation par le venin des Naja.
ORIGINE DE LA PARALYSIE RESPIRATOIRE
Nous avons étudié 1’origine de la paralysie respiratoire en utilisant la mé-
thode qui consiste à détecter les décharges de potentiels d’action sur le nerf phré-
nique. Cette méthodc a déjà été employée par Kcllaway et ses collaborateurs
en 1932 pour éclairer 1’origine de la paralysie respiratoire produite par le venin
d’une Hydrophydé et de nombreuses espèces d’Élapidés (9). Plus récemment elle
a été utilisée aussi par Lee et Peng dans leur étude sur la paralysie respiratoire
causée par le venin de Naja naja atra et de Bungarus multicinctus de Formose (12).
Sur des chiens anesthésiés, on isole un rameau de 1’un des nerfs phréniques, le
plus souvent celui qui provient de la cinquièmc paire ccrvicale, on le sectione et
on applique sur sa portion centrale une électrode bipolaire reliée à un préampli-
ficateur en connection avec 1’oscilloscope. Les décharges de potentiels apparais-
sent sur 1’écran et peuvent être photographiées. Les photographies reproduites
dans la Fig. 2 montrent qifaprès la cessation de la respiration spontanée, il y a
des décharges de potentiels pendant qu’on fait de la respiration artificielle. Quand
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BRAZIL, O.V.; FONTANA, M.D; PELLEGRINI F.°, A. — Physiopathologie et thérapeutique cie Fenveno-
mation cxpérimentale causée par le venin de Micrurus frontalis. Alem. lnst. Butantan, 40/41:221-240, 1976/77.
Wli.ii ildil. iiJuiti M.
r •» •:' • H
II11 1II
Fig. 1 — Pression artérielle et contractions du tibial antérieur de cliien. Stimulation électrique du ncrf
sciatique poplité externe. En V infusion intraveineuse de 60 ml de sérum physiologique contenant 5,2 mg
de venin de Aí. frontalis (0,8 mg/kg). La pression artcrielle cst tombée à zéro et le coucr s’est arrete. On a
fait des inassages cardiaqucs, de la respiration artificielle et une injection intraveineuse de noradrcnaline. Lcs
battements du cocur ont repris et la ression artérielle s’est élevée (deuxième tableau). On a fait aussi une
injection de sulfate d’atropine en vue de 1’abondantc sécrétion salivairc que Fanimal présentait et de prévenir
un possible accroissemcnt de la sécrétion bronchiquc.
Fig. 2 — Détcction des déchargcs de potcntiels sur le nerf phrénique. Chien dans lequel on a injecté
il y a 3 heures et 20 minutes du venin de Aí. frontalis (0,7 mg/kg, i.m.). II y a une heure à peu près que
la respiration naturclle a cessé. En IA, IIA et IIIA: photographies des décharges de potcntiels pendant qu’on
fait de Ia respiration artificielle. En IB, IIB et IIIB: photographies 0,5, 1 et 2 minutes après Finterruption
de la respiration artificielle. En IVB, VA, VIA et VIB: photopraphies après section des deux nerfs pneuino-
gastriques. En IVA, IVB, VA et VIA: photographies pendant qu’on fait de la respiration artificielle; en
VB et VIB: 1 et 2 minutes après Finterruption de celle-ci.
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BRAZIL, O.V.; FONTANA, M.D; PELLKGRINI F.°, A. — Physiopathologie et thérapeutiquc cie Pcnvcno-
mation cxpérirnentalc causée par le venín dc Micrurus frontalis. Mem. Inst. Butantan, 40141:221-240, 1976/77.
on interrompt celle-ci, la clurée des décharges est d’abord très prolongée et après
un temps variable, dans ce cas deux minutes, les décharges disparaissent (Fig.
2, IIIB), ce qui démontre bien que le chien est en apnée. Quand on sectionne
les deux nerfs pneumogastriques, les décharges deviennent plus prolongées et
leur fréquence moindre (Fig. 2, 1VB). Elles ne sont plus synchrones avec le
rythme de la respiration artificielle. Ces faits démontrent que le réflexe de He-
ring-Breuer n’est pas supprimé pendant la paralysie respiratoire produit par le
venin. Le chien de l’expérience que nous venons de présenter a reçu le venin
de M. frontalis par voie intramusculaire. Au bout de deux heures à peu près,
sa respiration est devenue difficile. On l’a alors anesthésié et préparé pour la
détection des décharges de potentiels sur le nerf phrénique et pour être soumis
à la respiration artificielle. Les photographies ont été faites une heure environ
aprés que sa respiration naturelle avait cessé. Nous avons fait un total de cinq
expériences pour éclairer 1’origine de la paralysie respiratoire causée par le
venin de M. frontalis (15). Tous les résultats ont été semblables à ceux de
1’expérience présentée. On peut donc conclure que la paralysie respiratoire pro-
duite par le venin de M. frontalis est aussi d’origine périphérique et qu’elle ré-
sulte de 1’action inhibitrice du venin sur la transmission neuromusculaire.
ACTION NEUROMUSCULAIRE. RÉVERSIBILITÉ DU BLOCAGE
Nous avons étudié sur la préparation nerf phrénique-diaphragme de rat
la réversibilité de la paralysie neuromusculaire produite par les divers échan-
tillons de venin de M. frontalis. Le venin était additionné au bain à la dose de
10 /j.g/ml. Quand le blocage était presque total, on procédait à des lavages
successifs de la préparation. Deux variétés de venin ont été trouvées (Tableau 2):
une d’action irréversible; une autre d’action plus ou moins réversible. Les ve-
nins de la variété d’action irréversible — échantillons n 9 1 et n 9 3 — sont
ceux qui ont été obtenus des serpents de 1’Etat de Mato Grosso. 11 semble,
donc, que nous sommes, encore une fois, en présence de variations régionales
dans la composition du venin d’une même espèce de serpent. La variété d’action
réversible ne semble pas être tout à fait uniforme. Le venin de Féchantillon n-
2 a produit un blocage plus réversible que ce Iui causé par les autres. D’après
Lee, Chang et Chcn (13), la réversibilité d’action des neurotoxines des venins
des Élapidés et des Hydrophidés dépend de leur richesse en acides aminés hy-
drophobiques. Les neurotoxines d’action irréversible comme la toxine A du
venin de Naja naja et 1’alfa-bungarotoxine sont riches en alanine et en valine,
acides aminés hydrophobiques, au contraire de celles comme la cobrotoxine et
1’érabutoxine qui produisent un blocage réversible sur la préparation nerf phré¬
nique-diaphragme de rat. Les résultats des expériences avec le venin de M.
frontalis suggèrent qu’il contient en proportions variables, en fonction dc l’ori-
gine géographique des serpents et d’autres facteurs, des neurotoxines avec un
contenu différent en acides aminés hydrophobiques dans leurs molécules. 11
faut observer que Lee et ses collaborateurs (13) ont constaté que la réversi¬
bilité du blocage produit par les neurotoxines dépend aussi de la préparation
neuromusculaire utilisée. Nous verrons plus loin que la variété du venin de M.
frontalis d’action réversible sur la préparation nerf phrénique-diaphragme de rat
produit un blocage irréversible de la contracture causée par 1’acétylcholine sur
la préparation hémi-diaphragme chroniquement dénervé de rat.
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BRAZIL, O.V.^ I ONI ANA, M.D; PELLEGRINI F.°, A. — Physiopathologie et thérapeutique de 1’enveno-
mation expcrimentale causée par le venin de Micrurus frontalis. Mem. lnst. Butanian, 40/41:221 -240, 1976/77.
TABLEAU 2
PRÉPARATION NERF PHRÉNIQUE-DIAPHRAGME
DE RAT. RÉVERSIBILITÉ DU BLOCAGE NEUROMUSCULAIRE
CAUSÉ PAR LE VENIN DE MICRURUS FRONTALIS.
Exp.
n 9
Venin
% de blocage
Échant.
Doses
Avant de laver
Après des
successives
lavages
n' ?
(mg/ml)
la préparation
15 min.
30 min.
45 min.
1
1
0,010
73,40
(90 min.)
73,40
76,60
86,70
2
1
0,010
88,50
(57 min.)
91,50
94,30
94,30
3
2
0,010
85,00
(120 min.)
78,80
54,60
6,90
4
2
0,010
88,40
(120 min.)
60,00
29,00
20,00
5
2
0,010
80,00
(98 min.)
53,50
43,50
3,40
6
3
0,010
88,60
(69 min.)
94,40
91,70
91,70
7
4
0,010
84,00
(60 min.)
80,00
60,00
50,00
8
4
0,010
86,70
(55 min.)
86,70
58,40
16,70
9
4
0,010
87,50
(70 min.)
55,40
28,60
19,70
10
5
0,010
90,00
(50 min.)
58,40
56,20
23,00
11
5
0,010
88,40
(60 min.)
71,50
60,00
42,30
12
5
0,010
88,40
(70 min.)
58,40
54,30
28,60
13
6
0,010
73,70
(120 min.)
65,80
63,20
57,90
14
6
0,010
80,00
(135 min.)
74,00
72,00
68,00
15
6
0,010
87,50
(90 min.)
50,00
45,00
37,50
MÉCANISME D’ACTION
Les préparation isolées nerf phrénique-diaphragme de rat, 1’hémi-diaphragme
chroniquement dénervé de rat et muscle couturier de crapaud ont été utilisées
pour la recherche du mécanisme d’action du venin de M. frontalis sur la jonction
neuromusculaire et sur la membrane des fibres musculaires striées.
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BRAZIL, O.V.^ FONTANA, M.D; PELLEGRINI F.°, A. — Physiopathologíc ct tliérapeutique de Pcnveno-
niation expcrimcntalc causce par le venin de Aticrurus frontalis. Alem. Jnst. Biitantan, 40/41:221-240, 1976/77.
L’effet du venin sur la libération du médiateur a été étudié sur la première
préparation mentionée, c’est-à-dire, sur la préparation nerf phrénique-diaphragme
de rat. Le dosage de l’acétylcholine liberée a été fait sur 1’iléum de cobaye
par la méthode de Paton et Vizzi (14). La libération spontanée de 1’acétylcho-
line a été moindre en présence du venin (Tableau 3). Cependant, la différence
TABLEAU 3
PRÉPARATION NERF PHRÉNIQUE-DIAPHRAGME DE RAT.
LIBERATION DE L’ACÉTYLCHOLINE (EN NANOGRAMES DE LA
BASE) EN PRÉSENCE DU VENIN DE M1CRURUS FRONTALIS
(10 mcg/ml).
Exp.
n.°
Avant 1’addition du venin au bain
Après 1’addition du venin au bain
Libération
spontanée
Libération produite
par la
stimulation du nerf
Libération
spontanée
Libération produite
par la
stimulation du nerf
1
21,00
82,00
15,50
104,00
2
22,00
73,00
16,20
100,00
3
26,70
73,00
22,00
91,70
Moyenne
± erreur
23,23±3,04
76,00±5,20
17,90±3,58
98,57±6,27
standard
n’est pas significative. Dans des expériences-témoin, la deuxième libération
(17,90 ± 2,86 ng, n = 3) a aussi été moindre que la première (21,57 ±0,51
ng, n = 3). Au lieu d’être inhibée, la libération de l’acétylcholine par 1’influx
nerveux a été accrue après le blocage causé par le venin. II ne semble donc pas
contenir des neurotoxines du type de la béta-bungarotoxine ou de la notéxine.
En tout cas, le résultat de ces expériences démontre d’une manière convaincante
qu’une action présynaptique ne participe pas au blocage neuromusculaire pro-
duit par le venin.
Les muscles chroniquement dénervés de mammifères ont des récepteurs à
1’acétylcholine tout le long de la membrane de leur fibres (4). In vitro, ils ré-
pondcnt par une contracture pure à 1’addition au bain d’acétylchoIine ou d’autres
substances cholinomimétiques, telles que le décamethonium et la nicotine. Cette
contracture cst inhibée par les antagonistes de 1’acétylcholine sur les récepteurs
nicotiniques de la plaque terminale. On peut donc employer les préparations
isolées de muscles chroniquement dénervés pour vérifier si une substance inhibe
l’effet de 1’acétylcholine en se combinant avec ces récepteurs. Le venin de M.
frontalis tout comme celui de M. lemniscatus (20) a inhibé la contracture pro-
duite par 1’acétylcholine sur le diaphragme chroniquement dénervé mais non
les réponses du muscle à la stimulation électrique. Cette action s’est montrée
irréversible même pour les variétés de venin qui produisent un blocage réver-
sible sur la préparation nerf phrénique-diaphragme de rat. LMrréversibilité de
1’action de venin nous a permis de faire des expériences de protection des ré-
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BRAZIL, O.V.; FONTANA, M.D; PELLEGRINI F.°, A. — Physiopathologic ct thérapeulique de 1’enveno-
mation cxpérinientalc causéc par le vcnin dc Micrurus frontalis. Mem. Inst. Butantan, 40/41:221-240, 1976/77.
cepteurs avec la d-tubocurarine. Sur le graphique de la Fig. 3 on peut voir
comment ces expériences ont été faites. On constate d’abord 1’amplitude et la
régularité des réponses du muscle à Faddition d’une dose déterminée d’acétyl-
choline au bain, dans le présent cas 4 mcg/ml. On lave la préparation après
chaque addition. Ensuite on laisse la préparation une demi-heure dans la so-
lution de Tyrode avec 10 mcg/ml de chlorure de d-tubocurarine. On additionne
de Facétylcholine au bain et on constate que la réponse est complètement inhi-
bée. On fait alors des lavages de la préparation et on observe, qu’après soixante
minutes, les réponses ont une amplitude normale. On additionne alors 10 mcg/ml
de d-tubocurarine et après une demi-heure 1 ou 2 mcg/ml de venin. Après 30
minutes on constate le blocage de Faction de Facétylcholine, après quoi on
procède à des lavages de la préparation. Les réponses à Facétylcholine rede-
viennent normales après quatre-vingt-dix minutes. Cela prouve que les neuro-
toxines ne se sont pas fixées sur les récepteurs parce que ceux-ci étaient déjà
occupés par les molécules de la d-tubocurarine. Dans une troisième étape, le
fait que la combinaison des neurotoxines avec les récepteurs est irréversible est
confirmé.
Nous avons étudié sur le muscle couturier du crapaud, avec la technique
des microélectrodes intracellulaires, 1’effet du venin sur le potentiel de mem-
brane, sur les potentiels miniatures et sur le potentiel de plaque terminale.
Quatre expériences préliminaires ont montré que le venin à la dose de 5 mcg/ml
produit une paralysie complète de la transmission neuromusculaire en 24 à 30
minutes. Le graphique de la Figure 4 démonstre que 5 mcg/ml et même 10
mcg/ml du venin, íFaltèrent pas le potentiel de repos de la membrane des fibres
du muscle. Chaque point du tracé représente la moyenne des valeurs du po¬
tentiel de membrane de dix fibres. On peut donc conclure que le venin de M.
frontalis, au contraire de celui de M. fulvius(22), ne contient pas de toxines
avec une action dépolarisante. Le venin de M. frontalis réduit Famplitude des
potentiels miniatures et tout comme le curare les fait disparaitre avant que le
blocage de la transmission neuromusculaire ne se soit établi. Sur des prépara-
tions des muscles couturiers en solution de Ringer riche en magnésium et pauvre
en calcium on a constaté que le venin réduit Famplitude du potentiel de plaque
et finalement le supprime.
Les résultats de toutes ces expériences démontrent donc que le blocage
produit par le venin est exclusivement postsynaptique et résulte de la fixation
des neurotoxines du venin sur les récepteurs cholinergiques de la plaque tcr-
minale.
ANTAGONISME VENIN-NÉOSTIGMINE
L’antagonisme venin-néostigmine a été étudié sur des animaux non anes-
thésiés (singes, chiens, pigeons), sur la préparation in situ nerf sciatique-muscle
tibial antérieur dc chien et la préparation isolée nerf phrénique-diaphragme de
rat. On a étudié aussi sur des chiens anesthésiés 1’effet de la néostigmine sur
la paralysie respiratoire causée par le venin en réalisant Félectromyographie du
diaphragmc de Fanimal.
L’effet produit par Fadministration intraveineuse de méthylsulfate de néos¬
tigmine (0,05 mg/kg) sur les symptômes de Fenvenomation causée au singe
(Cebus sp) par la variété réversible du venin est impressionnant: une à deux
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BRAZIL, O.V.; FONTANA, M.D; PELLEGRINI F.°, A. — Physiopathologie et thérapeutique de Penveno-
niation cxpériincntalc causée par lc vcnin de Micrurus fronlalis. Aiem. Inst. Butantan, 40/41:221-240, 1976/77.
Fig. 3 — Diaphragmc chroniquement dénervé et isole de rat. Protection des récepteurs par la d-tubo-
curarine (dTc). Les contractures ont été produites par Paddition de 4 mcg/ml d’acétylcholine. 1) Réponses
norrnalcs (deux); 2) après Padministration de 10 mcg/ml de dTc laissés en contact pcndant 30 minutes, la
rcponse à Pacétylcholine a été abolie, mais elle retourne et augmcnte après des lavages sucessifs: elle dcvient
normale après 60 minutes; 3) administration de 10 mcg/ml de dTc et après 30 minutes de 2 mcg/ml de venin
de Aí. frontalis; après 30 minutes de Paddition du venin et apès 1 heure de Padministration de la dTc, la
réponse à Pacétylcholine est abolie, mais elle devicnt normale après 90 minutes de lavages successifs; 4)
administration de 2 mcg/ml de venin de Aí. frontalis laissés en contact pendant 30 minutes: blocage presque
complet et irréversible des réponses à Pacétylcholine.
Fig. 4 — Muscle couturier isolé de crapaud. Potentiel de merabrane avant et après Padministration de
5 mcg/ml et de 10 mcg/ml de venin de Aí. fronlalis. Cliaque point représente la moyenne des valeurs du
potentiel de dix fibres.
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mation expérimentale causée par le venin dc Micrurus frontalis. Alem. Inst. Butantan, 40/41:221-240, 1976/77.
minutes après Finjection, la respiration de 1’animal redevient normale, son fa-
ciès se modifie et la paralysie motrice aussi bien que celle des muscles du larynx
et du pharynx disparaissent complètement. Après 45 minutes à une heure, la
paralysie, en général, se réinstalle, mais une deuxième injection de néostigmine
est capable de restituer une fois de plus la force musculaire à 1’animal. Des
effets identiques sont observés après Fadministration de Fanticholinestérasique
à des chiens dans lesquels on a injecté la mcme variété du venin. Quand on
emploie la variété irréversible, la néostigmine ne provoque qu’un retour partiel
de la force musculaire. Cependant, elle antagonise très bien les effets produits
sur le pigeon par cette variété du venin (*).
Des chiens anesthésiés avec le pentobarbital sodique ont été préparés pour
Fexcitation du nerf sciatique poplité externe, pour Fenregistrement des con-
tractions du muscle tibial antérieur ainsi que de la pression artérielle, et pour
être soumis à la respiration artificielle. L’excitation du nerf a été faite avec
des stimuli maximales de 0,2 msec. de durée à la fréquence de 0,5 Hz. Le
venin a été injecté par voie intramusculaire dans cinq expériences et par infu-
sion intraveineuse dans une. Après Fatropinisation de Fanimal la néostigmine
a été administrée par voie intraveineuse alors que Finhibition des réponses était
égale ou supérieure à 75% dans quatre expériences et de 58% et de 44%
dans les deux autres. L’antagonisme a été total (Fig. 5) ou presque total dans
cinq expériences. Dans Fune cFelles le retour de la tension des contractions a
TABLEAU 4
PRÉPARATION IN SITU NERF SCIATIQUE-MUSCLE
TIBIAL ANTÉRIEUR DE CHIEN ANTAGONISME ENTRE LE VENIN
DE
MICRURUS
FRONTALIS ET LA
NÉOSTIGMINE.
Exp.
n'-’
Venin
%
de blocage
Échant. Dose
n 9 (mg/kg)
Immédiatement
avant Finjection de
la néostigmine
Après
Finjection de la
néostigmine
1
1
0,80
(i.v.)
76
(180 min.)
29
2
2
1,80
(i.m.)
83
(115 min.)
0
3
4
0,85
(i.m.)
44
(240 min.)
0
4
4
0,85
(i.m.)
81
(350 min.)
50
5
4
0,80
(i.m.)
75
(225 min.)
0
6
5
0,85
(i.m.)
58
(270 min.)
20
(*) L’cffet
antagonique dc la néostigmine sur le singe, le chien ct le pigeon non anesthésiés, envenimés par
le venin de M. Ironlatis, est documente sur un film projete en 1975 à 1’Institute Pasteur de Paris, et au
Centre dc Recherche Mcrrell International à Strasbourg, après les conférences realizées par un des Auteurs
(O.V.B.) aussi qu’au 5th International Symposium on Animal, Plant, and Microbial Toxins en 1976.
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BRAZIL, O.V.; FONI ANA, M.D; PELLEGRINI F.°, A. — Physiopathologic ct thérapeutiquc* cie 1’enveno-
mation expérimcntale causée par le venin de Micrurus frontalis. Mem. Inst. Butantan, 40/41.221-240, 1976/77.
été sculement de 50% de sa valeur initiale. Sur le Tableau 4 on peut voir les
résultats des six expériences qui ont été realisées.
L’antagonisme venin-néostigmine est beaucoup moins accentué sur la pré-
paration nerf phrénique-diaphragme de rat. Le plus souvent, la néostigmine
ne provoque qu’une augmentation fugace de l’amplitude des réponses partielle-
ment inhibées. L’injection intraveineuse de néostigmine restitue les contractions
du diaphragme des chiens auxquels on avait administré du venin par voie intra-
musculaire (Fig. 6).
Sur le Tableau 5 sont exposés les résultats des quatre expériences qui ont
été faites.
On peut donc conclure que la néostigmine antagonise très bien la para-
Iysie neuromusculaire produite sur le chien par la variété réversible du venin.
TRAITEMENT DE L’ENVENOMATION EXPÉRIMENTALE
Le traitement idéal des accidents produits par la morsure de serpent ve-
nimeux est celui qui peut prévenir la manifestation des symptômes de Fenveno-
mation ou, du moins, les atténuer. Ceei peut être obtenu par Ia sérothérapie
antivenimeuse introduite par Calmette à la fin du siècle dernier et qui était
jusqu’à présent Funique thérapeutique qui donnait une garantie de guérison.
Toutefois, pour étre réellement efficace, Fantivenin doit être administré en temps
voulu et il doit être spécifique comme 1’ont démontré les belles expériences de
Brazil en 1901 (6) et en 1903 (5), aussi bien que celles de Lamb et Hanna
en 1903 (10) et en 1904 (11), de Tidswell en 1906 (17), et d’Arthus en
1912 (2, 3). Malheureusement, ces deux condition ne peuvent pas toujours
ctre remplies. II faut donc développer d’autres mesures thérapeutiques pour
qu’on puisse venir à 1’aide des accidentés par morsure de serpents venimeux dans
le cas oü Fantivenin spécifique n’est pas disponible ou a été injecté tardivement.
Les deux moyens — injection de néostigmine et respiration artificielle — que
nous avons étudié expérimentalement pour le traitement de Fenvenomation par
le venin dc M. jroníalis, au contraire de Fantivenin, doivent être employés tar¬
divement, quand la dépression respiratoire commence à se produire. 11 faut
observer que Femploi de la respiration artificielle a été déjà Fobjet d’études
cxpérimentales et cFemploi clinique. Ainsi, par exemple, Arthiis (1) a constaté
que des lapins dans lcquels on avait injecté du venin de Naja naja, traités tar¬
divement avec Fantivenin cobraíque, pouvaient être sauvés si on les soumettait
à la respiration artificielle. Campbell (7) affirme dans un travail publié en 1964
qiFil a obtenu de très bons résultats en ce qui concerne la survie des accidentés
par morsure de serpent en Nouvelle Guinée en employant, outre Fantivenin, la
respiration artificielle au cas oü surviennc la dépression respiratoire. Plus
récemment, des anesthésistes indiens (8) ont constaté sur des chiens anesthé-
siés dans lequels ils avaient injecté du venin de Naja naja que la respiration arti¬
ficielle peut maintenir en vie les animaux jusqu’à ce que la respiration naturclle
reprenne.
Les essais concernant Fefficacité du traitement par la néostigmine ont été
rcalisés sur quatorze chiens non anesthésiées. Sept on été traités par la néostigmi¬
ne. Scpt ont servi de témoins. Les expériences ont été realisées de telle façon
que, le même jour et à la même heure, on injectait par voie intramusculaire
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mation expérirnentale causée par 1c venin de Micrurus frontalis. Mem. Jnst. Butanlan, 40/41:221-240, 1976/77.
Fig. 5 — Pression artérielle et contractions du tibial antéríeur de chien. Stimulation électríque (stimuli
maximales, 0,5 Hz, 0,2 m. sec) du nerf sciatique poplité externe. A) Avant Padministration du venin; B)
3 heures et 40 minutes après; C) 90 minutes après B. Le venin de M. frontalis a été injecté par voie intra-
musculaire 0,8 mg/kg). NEO: administration de 0,1 mg/kg de méthylsufate de néostigmine par voie intra-
veineuse.
Fig. G — Électromyographie du diaphragme in situ de chien. Administration de 0,85 mg/kg i.m. de venin
de M. frontalis et de 0,1 mg/kg i.v. de méthylsufate de néostigmine. En I, photographic des «potentiels avant
Pinjection du venin; en II, III et IV, photographies de potentiels 110, 135 et 200 minutes après Pinjection
du venin; en V, 240 minutes après Padministration du venin — la photographic ne décèle plus de potentiels
(le chien est en apnée); en VI, photographic de potentiels (la respiration naturcllc est redcvenue) 3 minutes
après Pinjection de la néostigmine et 7 minutes après V; en VII et VIII, photographies de potentiels 20 et 40
minutes après Pinjection de la néostigmine.
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BRAZIL, O.V.; FONTANA, M.D; PELLEGRINI F.°, A. — Physiopathologic ct thérapcutiquc de Fenveno-
mation expérimentale causéc par le vcnin de Micrurus frontalis. Mem. Inst. Butantan, 40/41:221-240, 1976/77.
dans deux chiens d’environ le même poids 0,95 mg/kg du venin de la variété
réversible. Quand ils présentaient de la difficulté respiratoire on injectait dans
1’un d’eux par voie intraveineuse, une solution de néostigmine et d’atropine.
L’autre chien recevait par la même voie seulement de 1’atropine dissoute dans
un volume égal de sérum physiologique. On a employé dans toutes ces expé-
riences une dose de 0,05 mg/ kg de méthylsulfate de néostigmine. II faut re-
marquer qu’il a été nécessaire d’injecter une deuxième dose de venin dans l’un
des chiens dans une expérience et dans les deux dans une autre. Dans 1’intervalle
de deux à cinq minutes après 1’injection de la néostigmine, il y a eu une ré-
gression totale de la dépression respiratoire et de la paralysie motrice produites
par le venin. Une deuxième dose de néostigmine a été employée, cette fois par
voie intramusculaire, dans quatre chiens qui ont présenté une récidive des
symptômes de parésie après 20 à 70 minutes qui suivirent la première injection
de 1’anticholinestérasique. Tous les chiens traités ont survécu. Tous les chiens
témoins sont morts en moins de trois heures et quarante minutes après 1’injection
du venin. Les principales données de ces expériences sont exposées sur les
Tableaux 6a, 6b.
Comme on peut voir sur le Tableau 7 et ainsi que l’on pouvait le prévoir,
les chiens envenimés survivent aussi, si on les soumet à la respiration artificielle
jusqu’à ce que la respiration naturelle devienne normale. La respiration arti¬
ficielle a été faite sur des chiens anesthésiés.
CONCLUSIONS
1) Le venin de Micrurus frontalis cause toujours la mort par paralysie
respiratoire, s’il est employé par voie intramusculaire; quand il est introduit par
voie intraveineuse, elle peut survenir en conséquence de ses effets sur la cir-
culation.
2) La paralysie respiratoire est exclusivement d’origine périphérique et
doit être attribuée à 1’action inhibitrice des neurotoxines du venin sur la trans-
mission neuromusculaire.
3) II y a deux variétés de venin de M. frontalis quant à la réversibilité
de son aclion sur la préparation nerf phrénique-diaphragme de rat.
4) Le blocage neuromusculaire produit par le venin est exclusivement
d’origine postsynaptique et résulte de la combinaison de ses neurotoxines avec
les récepteurs cholinérgiques de la plaque terminale.
5) La néostigmine antagonise très bien la paralysie neuromusculaire et, en
conséquence, la dépression respiratoire et la paralysie motrice produites sur le
chien par la variété réversible du venin. L’antagonisme est aussi marqué sur le
singe et sur le pigeon. Les effets causés par la variété irréversible sont partielle-
ment antagonisés sur le chien, mais très bien sur le pigeon.
6) L’empIoi de la néostigmine et de la respiration artificielle permettent
la survie des chiens dans lesquels on a injecté des doses súrement mortelles du
venin de M. frontalis. Le traitement des accidentés par morsure de serpent corail
de 1’espèce M. frontalis avec une ou deux de ces ressources sMmpose dans le cas
oú survient une dépression respiratoire au cours de 1’envenomation.
7) II est très probable que la néostigmine peut aussi être efficace pour
le traitement de 1’envenomation produite par le venin d’autres Élapidés et même
par celui d’Hydrophidés.
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TRAITEMENT PAR LA NÉOSTIGMINE DE UENVENOMATION
EXPÉR1MENTALE DU CHIEN PAR LE VENIN DE MICRURUS FRONTAL1S.
BRAZIL, O.V.; FONTANA, M.D; PELLEGRINI F.°, A. — Physiopathologie et thérapeutiquc de 1’enveno-
mation expérimentale causce par le vcnin de Micrurus jrontalis. Alem. Inst. Butantan, 40/41:221-240, 1976/77.
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BRAZIL, O.V.; FONTANA, M.D; PELLEGRINI F.°, A. — Physiopathologie et thérapcutiquc cie Penveno-
mation expérimentale causéc par lc venin de Micrurus frontalis. Alem. Inst. Butantan, 40/41 -.221-240, 1976/77.
ABSTRACT: Pathophysiology and treatment of the experimental enve-
nomation produced by Micrurus frontalis venom. The cause of death
produced by M. frontalis venom was investigated in the dog. Its i.v.
injection caused a dramatic fali of arterial blood pressure which can
prove to be fatal. However, when it was administered intramuscularly
the effect on blood pressure was always mild and the animais died after
a few hours from respiratory failure if artificial respiration was not given.
The origin of this respiratory paralysis was studied by recording the
phrenic discharge of action potentials from dogs intramuscularly injected
with the venom. It was found that it is peripheral and must be ascribed
entirely to the neuromuscular blocking action of the venom. There are two
geographical varieties of venom with respect to the reversibility of the
neuromuscular blockade produced in the rat isolated phrenic nerve-
diaphragm preparation. The mechanism of the neuromuscular blocking
action of the venom was investigated on the rat phrenic nerve-diaphragm
preparation (effect on ACh release), the rat isolated and chromcally
denervated hemidiaphragm (effects on the responses elicited by ACh and
electrical stimulation, effect of protection of the cholinergic receptors
with dTc), and the toad sartorius (effects on the resting membrane
potential, m.e.p.p’s and e.p.p.). It was concluded that the neuromuscular
block produced by the venom is entirely postjunctional, resulting from
the fixation of its neurotoxins on the cholinergic receptors of the end-
plate. The antagonism venom-neostigmine was studied on unanaesthetized
animais (monkeys, dogs, pigeons), the dog sciatic nerve-tibialis anterior
muscle preparation and the rat isolated phrenic nerve-diaphragm prepara
tion. The effect of neostigmine administration on the respiratory paralysis
evoked by the venom was investigated by recording the action potentials
from the diaphragm of anaesthetized dogs. It was demonstrated that
neostigmine antagonizes very well in monkeys, dogs and pigeons the
effects resulting from the neuromuscular block caused by the reversible
variety of the venom. The effects evoked by the irreversible variety were
only partially antagonized in dogs but very well in pigeons. Fourteen dogs
were employed in the study of the effectiveness of neostigmine adminri-
tration in the treatment of the envenomation; seven of these were used
as control. The experiments were carried out in such a way that in the
same day and at the same hour two dogs were injected intramuscularly
with the same dose of venom. When they became paretic and showed
respiratory depression, one of them was injected intravenously with
atropine (control) while the other received atropine plus neostigmine.
An additional injection of neostigmine was given if the paresis returned.
All animais of the control group died within four hours; all neostigmine
treated animais survived.
UNITERMS: Toxicity. Symptoms. Reversibility of neuromuscular block¬
ing. Mechanism of action. Venom-neostigmine antagonism.
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239
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LO 11 12 13 14 15 16
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Recebido para publicação cm 09-11-1977 e aceito em 13-IV-1977.
240
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5 6 SCÍELO 10 2.1 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Butantan
40/41: 241-250, 1976/77.
CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO
IMUNOQU1MICO DE VENENOS BOTRÓPICOS
III. Análise dos componentes antigênicos comuns através
da dupla difusão em gel de ágar.
MEDARDO SILES VILLARROEL,* REYNALDO SCHWINDT FURLANETTO,**
FLÁVIO ZELANTE,*** e RAYMUNDO ROLIM ROSA****
RESUMO: A análise dos componentes antigênicos de seis espécies de
venenos botrópicos e as suas respectivas identidades imunológicas, através
da técnica de dupla difusão em gel de ágar, permitiu aos autores verifi¬
carem que os venenos das espécies B. jararaca, B. alternatus, B. insularis e
B. cotiara, apresentam um maior número de componentes inumogênicos em
comum e, a maioria, com identidade completa. Por outro lado, os venenos
das espécies B. jararacitssu e B. moojeni apresentam, em relação aos quatro
venenos citados, menor número de componentes imunogênicos em comum,
possuindo, porém, maior número de linhas indicativas com identidade com¬
pleta entre si. Tais observações permitiram concluir a existência de dois
grupos imunologicamente distintos, entre os seis venenos estudados.
UN1TERMOS: Venenos botrópicos; dupla difusão em gel de ágar de ve¬
nenos botrópicos; componentes imunogênicos comuns em venenos bo¬
trópicos.
INTRODUÇÃO
Em trabalho anterior, Siles Villarroel e col!° (1974 b), utilizando das
técnicas de dupla difusão e imunoeletroforese em gel de ágar, estabeleceram
comparações entre o veneno de B. jararaca e os venenos das espécies B. alter-
natus, B. insularis, B. cotiara, B. jararacussu e B. moojeni. Concluíram, então,
que o veneno da espécie B. alternatus era, dentre os venenos testados,
aquele que apresentava um maior número de componentes antigênicos comuns
ao veneno de B. jararaca, ao passo que o veneno da espécie B. jararacussu era
aquele que apresentava um menor número desses componentes.
* Professor Assistente Doutor do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências
Biomédicas da U.S.P.
** Professor Catedrático do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Bio¬
médicas e atual Diretor do mesmo Instituto.
*** Professor Livre Docente do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências
Biomédicas da U.S.P.
**** Diretor do Serviço de Imunologia do Instituto Butantan e Professor Assistente Doutor do Departamento
de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da U.S.P.
Endereço para correspondência: Caixa Postal 4365 - São Paulo - Brasil.
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J, j SciELO
SILES VILARROEL, M.; FURLANETTO, R.S.; ZELANTE, F.; ROLIM ROSA, R. — Contribuição ao
estudo imunoquímico de venenos botrópicos. IIÍ. Análise dos componentees antigênicos comuns através da
dupla difusão cm gel de ágar. Mem. Inst. Bulantan , 40/41:24l-250, 1976/77.
Naquela oportunidade, os autores citados destacaram, em sua introdução,
que “inexistem na literatura consultada, trabalhos que estabeleçam uma análise
comparativa entre os resultados observados com os venenos botrópicos”, pois,
conforme esclareceram os trabalhos realizados pelos diversos autores 4 , 5 , °, 7 ,
somente objetivaram uma análise individual entre seus componentes.
Pelo presente trabalho, no qual é utilizada a técnica de Ouchterlony 2 , 3
(1948, 1949), os autores se propõem a realizar um estudo comparativo entre
os seis venenos botrópicos e seus respectivos antivenenos, procurando estabe¬
lecer os componentes antigênicos comuns e suas respectivas identidades imu-
nológicas.
MATERIAL E MÉTODOS
Para o desenvolvimento do presente trabalho, foram utilizados os mesmos
materiais e os mesmos métodos já descritos em trabalhos anteriores !) , 50 , neces¬
sários à realização da técnica de dupla difusão em gel de ágar, em lâminas de
microscopia comum. Cada série experimental era constituída pelas reações rea¬
lizadas entre um dado veneno e o seu respectivo antiveneno frente aos demais
venenos estudados.
Consideramos ainda ser necessário acrescentar que:
1) foram utilizadas soluções a 2% dos seguintes venenos: B. jararaca,
B. allernalus, B. insularis, B. cotiara, B. jararacussu e B. moojeni;
2) foram utilizados os antivenenos específicos purificados, dos quais
1,0 ml neutralizava 4 mg de veneno;
3) em todas as reações, foi padronizada a colocação do antiveneno na
perfuração inferior; no orifício superior esquerdo foi colocada a solução de
veneno específico e o orifício superior direito recebia a solução do veneno não
específico. O volume das soluções de veneno e dos antivenenos depositados nos
orifícios era sempre de 0,02 ml.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise dos resultados obtidos e sumarizados pelas tabelas 1, 2, 3, 4 e
5, correspondem às reações de dupla difusão em gel de ágar a que foram
submetidos os seis venenos botrópicos combinados entre si dois a dois, frente
aos vários antivenenos. A utilização desta metodologia permitiu demonstrar o
número de componentes antigênicos comuns entre dois venenos, bem como de¬
terminar as suas identidades imunológicas.
A tabela 1, que corresponde aos resultados das reações entre o antiveneno
de B. alternatus frente ao veneno específico e frente aos demais venenos estu¬
dados, demonstra que as peçonhas de B. jararaca, B. insularis c B. cotiara são
os que apresentam um maior número de componentes antigênicos cm comum c
um maior número de componentes com identidade completa com o veneno de
B. alternatus, ao passo que os venenos de B. jararacussu e B. moojeni são os
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SILES VILARROEL, M.; FURLANETTO, R.S.; ZELANTE, F.; ROLIM ROSA, R. — Contribuição ao
estudo imunoquímico de venenos botrÓpicos. III. Análise dos componentees antigcnicos comuns através da
dupla difusão cm gel de ágar. Mem. Inst. Butantan , 40/41:24l -250 , 1976/77.
TABELA 1
RESULTADOS DAS REAÇÕES DE DUPLA DIFUSÃO EM GEL DE ÁGAR,
ENTRE O VENENO DE B. ALTERNATUS FRENTE AO RESPECTIVO
ANTIVENENO E OS DEMAIS VENENOS BOTRÕPICOS ESTUDADOS.
Lâminas
demons¬
trativas
N ? de
linhas
obtidas
na reação
específica
(veneno e
antiveneno
de B.
cilternatiis )
Venenos
comparados
frente ao
antiveneno
de B.
álternatus
N" de
Identidades antigênicas
linhas
obtidas
na reação
não
específica
Iden¬
tidade
com¬
pleta
Iden¬
tidade
parcial
Falta
de
iden¬
tidade
C-29
9
B. jararaca
9
6
2
1
C-25
9
B. insularis
8
5
T
1
C-95
. 9
B. cotiara
9
6
2
1
C-47
1 9
B. jararacussu
7
1
5
1
C-19
' 9
B. moojeni
6
1
5
—
Fotografias ilustrativas das rações de dupla difusão em gel de ágar, realizadas
em lâminas, entre o antiveneno de B. alternatus e os vários venenos estudados
(Tabela 1).
Fig. 1 — Lâmina nd C-29. Dupla difusão em gel de ágar entre o antiveneno de B. alternatus e os venenos de
B. alternatus e B. jararaca.
Fig. 2 - Lâmina nd C-25. Dupla difusão em gel de ágar entre o antiveneno de B. alternatus e os venenos
de B. alternatus c B. insularis.
Fig. 3 — Lâmina nd C-95. Dupla difusão em gel de ágar entre o antiveneno de B. alternatus e os venenos
de B. alternatus e B. cotiara.
Fig. 4 — Lâmina nd C-47. Dupla difusão cm gel de ágar entre o antiveneno de B. alternatus e os venenos
de B. alternatus e B. jararacussu.
Fig. 5 — Lâmina nd C-19. Dupla difusão em gel de ágar entre o antiveneno de B. alternatus e os venenos
de B. alternatus e B. moojeni.
SILES VILARROEL, M.; FURLANETTO, R.S.; ZELANTE, F.; ROLIM ROSA, R. — Contribuição ao
estudo imunoquímico dc venenos botrópicos. III. Análise dos coinponentecs antigênicos comuns através da
dupla difusão em gel de ágar. Mem. Inst. Bulanlan, 40/41:241 -250, 1976/77.
TABELA 2
RESULTADOS DAS REAÇÕES DE DUPLA DIFUSÃO EM GEL DE ÁGAR,
ENTRE O VENENO DE B. INSULARIS FRENTE AO RESPECTIVO ANTI-
VENENO E AOS DEMAIS VENENOS BOTRÓPICOS ESTUDADOS.
Lâminas
demons¬
trativas
N 9 de
linhas
obtidas
na reação
específica
(veneno e
antiveneno
de B.
insularis )
Venenos
comparados
frente ao
antiveneno
de B.
insularis
N 9 de
linhas
obtidas
na reação
não
específica
Identidades antigênicas
Iden¬
tidade
com¬
pleta
Iden¬
tidade
parcial
Falta
de
iden¬
tidade
C-14
9
B.
jararaca
8
6
1
1
C-34
9
B.
alternatus
7
5
2
—
C-40
9
B.
cotiara
6
4
1
1
C-33
9
B.
jararacussu
6
o
L
4
—
C-7
9
B.
moojeni
6
2
3
1
Fotografias ilustrativas das reações de dupla difusão em gel de ágar, realizado
em lâmina, entre o antiveneno de B. insularis e os vários venenos estudados
(Tabela 2).
Fig. 6 — Lâmina nb C-14. Dupla difusão cm gel de ágar entre o antiveneno dc B. insularis c os venenos de
B. insularis e B. jararaca.
Fig. 7 — Lâmina nb C-34. Dupla difusão em gel dc ágar entre o antiveneno de B. insularis e os venenos dc
B. insularis e B. allernatus.
Fig. 8 — Lâmina nb C-40. Dupla difusão em gel de ágar entre o antiveneno de B. insularis c os venenos dc
B. insularis e B. coliara.
Fig. 9 — Lâmina nb C-33. Dupla difusão cm gel de ágar entre o antiveneno de B. insularis e os venenos dc
B. insularis e B. jararacussu.
Fig. 10 — Lâmina nb C-7. Dupla difusão em gel de ágar entre o antiveneno de B. insularis e os venenos de
B. insularis e B. moojeni.
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SILES VILARROEL, M.; FURLANETTO, R.S.; ZELANTE, F.; ROLIM ROSA, R. — Contribuição ao
estudo imunoquímico de venenos botéópicos. III. Análise dos cornponentecs antigênicos comuns através da
dupla difusão em gel de ágar. Mem. Inst. Butantan, 40/41:241 -250, 1976/77.
TABELA 3
RESULTADOS DAS REAÇÕES DE DUPLA DIFUSÃO EM GEL DE ÁGAR,
ENTRE O VENENO DE B. COTIARA FRENTE AO RESPECTIVO ANTI-
VENENO E AOS DEMAIS VENENOS BOTRÓPICOS ESTUDADOS.
Lâminas
demons¬
trativas
N" de
linhas
obtidas
na reação
específica
(veneno e
antiveneno
de B.
cotiara)
Venenos
comparados
frente ao
antiveneno
de B.
cotiara
N" de
linhas
obtidas
na reação
não
específica
Identidades antigênicas
Iden¬
tidade
com¬
pleta
Iden¬
tidade
parcial
Falta
de
iden¬
tidade
B. jararaca
B. alternatus
B. insular is
B. jararacussu
B. moojeni
Fotografias ilustrativas das reações de dupla difusão em gel de ágar, realizadas
em lâmina, entre o antiveneno de B. cotiara e os vários venenos estudados
(Tabela 3).
Fig. li — Lâmina nP C-98. Dupla difusão cm gel de r.gar entre o antiveneno de B. cotiara c os venenos de
B. cotiara c B. jararaca.
Fig. 12 — I lâmina nP C-56. Dupla difusão em gel de ágar entre o antiveneno de B. cotiara c os venenos de
B. cotiara e B. alternatus.
Fig. 13 — Lâmina nP C-6. Dupla difusão em gel de ágar entre o antiveneno de B. cotiara c os venenos de
B. cotiara e B. insularis.
Fig. 14 — Lâmina nP C-100. Dupla difusão em gel de ágar entre o antiveneno de B. cotiara e os venenos de
B. cotiara e B. jararacussu.
Fig. 15 — Lâmina nP C-74. Dupla difusão em gel de ágar entre o antiveneno de B. cotiara c os venenos de
B. cotiara e B. moojeni.
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SILES VILARROEL, M.; FURLANETTO, R.S.; ZELANTE, F.; ROLIM ROSA, R. — Contribuição ao
estudo imunoquímico de venenos botitópicos. III. Análise dos coxnponentccs antigênicos comuns através tia
dupla difusão em gel dc ágar. Mem. Inst. Dutantan, 40J41:241-250, 1976/77.
que possuem um menor número de componentes em comum e, destes, somente
um pode ser considerado como tendo identidade completa com o veneno de
B. alíernatus.
As tabelas 2 e 3, relativas às reações entre os antivenenos e os venenos de
B. insularis e B. cotiara combinadas com os demais venenos, apresentam as
mesmas características reacionais daquelas observadas na tabela 1. Dessa for¬
ma, podemos, a “priori”, estabelecer serem os venenos das espécies B. alterna-
tus, B. insularis e B. cotiara os que mais se aproximam antigenicamente ao ve¬
neno da espécie B. jararaca.
As tabelas 4 e 5, que sumarizam os resultados observados quando das rea¬
ções em que participam venenos e os antivenenos de B. jararacussu e B. mooje¬
ni comparados com as demais peçonhas, notamos uma inversão das caracterís¬
ticas anteriormente observadas. Somente o veneno da espécie B. moojeni pode
ser considerado como antigenicamente mais próximo ao da espécie B. jarara¬
cussu, pois, dos oito componentes antigênicos em comum, cinco apresentaram
identidade completa (tabela 4). O mesmo pode-se observar na tabela 5, quando
da reação do veneno e do antiveneno de B. moojeni, em comparação
ao veneno de B. jararacussu; neste caso, dos oito componentes comuns, quatro
foram por nós considerados como possuindo identidade completa.
Embora estas observações, associadas às de Siles Villarroel e col. 10 (1974b)
reflitam os resultados obtidos apenas em relação a seis venenos botrópicos, as
serpentes correspondentes são as mais freqüentes entre nós, com exceção da
espécie B. insularis que é segregada, pois ocorre somente na ilha de Queimada
Grande, no litoral do Estado de São Paulo 1 .
A análise comparativa das tabelas 1, 2, 3, 4 e 5, autoriza-nos a admi¬
tir a existência, no gênero Bothrops, de dois grupos com características imuno-
gênicas distintas. O primeiro deles seria representado pelos venenos de B.
jararaca, B. alíernatus, B. insularis e B. cotiara, entre os quais pode ser obser¬
vada u’a maior aproximação, por apresentarem um maior número de compo¬
nentes antigênicos comuns e maior número de componentes com identidade
completa; o segundo grupo é representado pelos venenos B. jararacussu e B.
moojeni, que guardam entre si uma estreita relação imunogênica, com carac¬
terísticas próprias que os afastam do primeiro grupo. Tais verificações,
vieram a confirmar as observações de Siles Villarroel e col. 8 (1973),
pois o número de frações eletroforéticas e os respectivos eletroferogramas já
determinados para os mesmos venenos, permitiram antever estes dois grupos.
Também Hoge*, de acordo com seus estudos da sistemática dessas serpentes,
acredita na existência dessa separação. A imunoeletroforese desses mesmos ve¬
nenos, posteriormente realizada'-’, reforçou ainda mais aquelas observações ini¬
ciais que, agora, foram definitivamente estabelecidas.
Dessa forma, acreditamos que o comportamento imunoquímico desses ve¬
nenos, anteriormente demonstrado 1 ’, 10 , associado aos atuais resultados, possam
constituir-se cm valioso recurso utilizável cm estudos taxonômicos, para a clas¬
sificação de espécies de serpentes, principalmente as do gênero Bothrops. Esta¬
mos também inclinados a admitir da possibilidade de serem utilizados somente
dois venenos na mistura imunogênica para a produção do antiveneno botrópico
Hoge, A. R.
Iniorine pessoal.
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SILES VILARROEL, M.; FURLANETTO, R.S.; ZELANTE, F.; ROLIM ROSA, R. — Contribuição ao
estudo imunoquímico de venenos botdópicos. III. Análise dos componentecs antigcnicos comuns através da
dupla difusão em gel de ágar. A/cm. lnst. Butantan, 40/41:241-250, 1976/77.
TABELA 4
RESULTADOS DAS REAÇÕES DE DUPLA DIFUSÃO EM GEL DE ÁGAR,
ENTRE O VENENO DE B. JARARACUSSU FRENTE AO RESPECTIVO
ANTIVENENO E AOS DEMAIS VENENOS BOTRÓP1COS ESTUDADOS.
Lâminas
demons¬
trativas
N v de
linhas
obtidas
na reação
específica
(veneno e
antiveneno
de B.
jararacussu)
Venenos
comparados
frente ao
antiveneno
de B.
jararacussu
N 1 ' de
linhas
obtidas
na reação
não
específica
Identidades antigênicas
Iden¬
tidade
completa
Iden¬
tidade
parcial
Falta de
iden¬
tidade
C-88
10
B. jararaca
7
1
3
3
C-18
10
B. alternatus
7
—
5
2
C-24
10
B. insularis
7
2
3
2
C-38
10
B. cotiara
5
—
2
3
C-84
10
B. moojeni
8
5
1
2
Fotografias ilustrativas das reações de dupla difusão em gel de ágar, realizadas
em lâmina, entre o antiveneno de B. jararacussu e os vários venenos estudados
(Tabela 4).
Fig. 16 — Lâmina nP C-88. Dupla difusão em gel de ágar entre o antiveneno de B. jararacussu e os venenos
de B. jararacussu e B. jararaca.
Fig. 17 — Lâmina nP C-18. Dupla difusão cm gel de ágar entre o antiveneno de B. jararacussu e os venenos
de B. jararacussu e B. alternatus.
Fig. 18 — Lâmina nP C-24. Dupla difusão em gel de ágar entre o antiveneno de B. jararacussu e os venenos
de B. jararacussu e B. insularis.
Fig. 19 — Lâmina nP C-38. Dupla difusão cm gel de ágar entre o antiveneno de B. jararacussu e os venenos
de B. jararacussu e B. cotiara.
Fig. 20 — Lâmina nP C-84. Dupla difusão cm gel de ágar entre o antiveneno de B. jararacussu e os venenos
de B. jararacussu e B. moojeni.
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SILES VILARROEL, M.; FURLANETTO, R.S.; ZELANTE, F.; ROLIM ROSA, R. — Contribuição ao
estudo imunoquímico dc venenos botriSpicos. III. Análise dos componentees antigênicos comuns através da
dupla difusão cm gel de ágar. Mem. lnst. Butantan , 40/41:24l-250, 1976/77.
TABELA 5
RESULTADOS DAS REAÇÕES DE DUPLA DIFUSÃO EM GEL DE ÁGAR,
ENTRE O VENENO DE B. MOOJENI FRENTE AO RESPECTIVO ANTI-
VENENO E AOS DEMAIS VENENOS BOTRÓPICOS ESTUDADOS.
Lâminas
demons¬
trativas
N' ? de
linhas
obtidas
na reação
específica
(veneno e
antiveneno
de B.
moojeni)
Venenos
comparados
frente ao
antiveneno
de B.
moojeni
N“ de
linhas
obtidas
na reação
não
específica
Identidades antigênicas
Iden¬
tidade
completa
Iden¬
tidade
parcial
Falta de
iden¬
tidade
C-27
8
B. jararaca
8
1
4
3
C-99
8
B. alternatus
7
1
4
2
C-2
8
B. insularis
7
1
4
2
C-61
8
B. cotiara
8
2
4
2
C-32
8
B. jararacussu
8
4
3
1
Fotografias ilustrativas das reações de dupla difusão em gel dc ágar, realizadas
em lâmina, entre o antiveneno de B. moojeni e os vários venenos estudados
(Tabela 5).
O
C-99
C-2
O
C-61
21
22
23
C-32
.24
25
F.g. 21 — Lâmina n.° C-27. Dupla difusão cm gel de ágar entre o antivento de B. moojeni c os venenos
dc B. moojeni e B. jararaca.
Fig. 22 — Lâmina n.o C-99. Dupla difusão cm gel dc ágar entre o antiveneno de B. moojeni e os venenos
de B. moojeni c B. allernalus.
Fig. 23 — Lâmina N.o C-2. Dupla difusão em gel de ágar entre o antiveneno de B. moojeni c os venenos
dc B. moojeni e B. insularis.
Fig. 24 — Lâmina n.o C-61. Dupla difusão cm gel dc ágar entre o antiveneno de B. moojeni c os venenos
de B. moojeni e B. cotiara.
Fig. 25 — Lâmina n.9 C-32. Dupla difusão em gel dc ágar entre o antiveneno dc B. moojeni c os venenos
dc B. moojeni e B. jararacussu.
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SILES VILARROEL, M.; FURLANETTO, R.S.; ZELANTE, F.; ROLIM ROSA, R. — Contribuição ao
estudo imunoquímico de venenos botASpicos. III. Análise dos eoinponentces antigênicos comuns através da
dupla difusão em gel de ágar. Mem. Inst. Butantan, 40/41:241-250, 1976/77.
polivalente. Estes venenos seriam representantes de cada um dos grupos bá¬
sicos por nós caracterizados, isto é, grupo B. jararaca e grupo B. moojeni. Toda¬
via, a adoção desta conduta, requer maiores estudos.
CONCLUSÕES
1) Os atuais resultados confirmando os dados emanados de trabalhos
anteriores permitiram caracterizar a existência de dois grupos imunologicamente
distintos, nos quais podem ser enquadrados os seis venenos botrópicos estu¬
dados.
2) Os venenos de B. jararaca, B. insularis, B. cotiara e B. alternatus são,
dentre os seis venenos estudados, aqueles que mais se aproximam imunogeni-
camente entre si.
3) Os venenos de B. jararacussu e B. moojeni são, dentre os seis venenos
estudados, aqueles que mais se distanciam imunogenicamente dos demais ve¬
nenos.
ABSTRACT: An analysis of the antigenic components of six venoms from
different species of Bothrops and their respective immunological identities
using the double diffusion in agar-gel technique, allowed the authors to
verify that the venoms of the species B. jararaca, B. alternatus, B. insularis
and B. cotiara, have a larger number of imiminogenic components in
common and among these most have a complete identity. On the other
hand the venoms of two other species, B. jararacussu and B. moojeni
show in relation to the four cited venoms a lesser number of common
immunogenic components, but at the same there are a greater number
of indicative lines of completely identical components between these two
venoms.
These observations point to the existence of two distinct immunological
groups among the six venoms studied.
UN1TERMS: Bothrops venoms; double diffusion in agar-gel of Botlirops
venoms; common immugenic components in Bothrops venoms.
BIBLIOGRAFIA
1. HOGE, A.R. & ROMANO, S.A. — Sinopse das serpentes peçonhentas do Brasil.
Serpentes Elapidae e Viperidae. Mem Inst. Butantan, 36: 109-208, 1972.
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of diphtheria. Acta path. microbiol. Scand., 25: 186-89, 1948.
3. OUCHTERLONY, O. — Antigen-antibody reactions in gels. Acta path. microbiol.
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SILES VILARROEL, M.; FURLANETTO, R.S.; ZELANTE, F.; ROLIM ROSA, R. — Contribuição ao
estudo imunoquímico dc venenos botrópicos. III. Análise dos coinponentecs antigênicos comuns através da
dupla difusão em gel de ágar. Mem. Inst. Butantan, 40/41:241-250, 1976/77.
8. SILES VILLARROEL, M.; ROLIM ROSA, R.; FURLANETTO, R.S. & ZELANTE,
F. — Estudo eletroforético com “Cellogel” de venenos do gênero Bothrops. Mem
Inst. Butantan, 57:83-90, 1973.
9. SILES VILLARROEL, M.; ZELANTE, F.; FURLANETTO, R.S. & ROLIM ROSA, R.
— Contribuição ao estudo imunoquímico de venenos botrópicos. I. Análise com¬
parativa de componentes antigênicos de seis espécies de venenos frente a seus
respectivos antivenenos através das técnicas de dupla difusão e imunoeletroforese
em gel de ágar. Mem. Inst. Butantan, 38:13-30, 1974a.
10. SILES VILLARROEL, M.; FURLANETTO, R.S.; ROLIM ROSA, R.; ZELANTE, F. &
NAVAS, J. — Contribuição ao estudo imunoquímico de venenos botrópicos. II.
Análise comparativa dos componentes antigênicos comuns de seis espécies de vene¬
nos botrópicos. Mem. Inst. Butantan, 38:31-40, 1974b.
Recebido para publicação em 08-11-1977 e aceito em 13-IV-1977.
250
cm
2 3 4
5 6 SCÍELO 10 2.1 12 13 14 15 16
Aícrn. Inst. Butantan
40/41: 251-257, 1976/77.
UM NOTO OXIUR1DEO,
GYNAECOMETRA BAHIENSIS X. GKEN., X. SP.
(XEMATODA: OXYUROIDEA: OXYURIPAE),
ENCONTRADO EM LACERTTLIO
PAULO ARAÚJO
Departamento de Parasitologia, Universidade de São Paulo
RESUMO: É proposta a criação de um novo gênero de oxiurídeo,
Gynaecometra, pertencente à subfamília Syphaciinae com a espécie
G. bahiensis n.sp., parasita de lacertílio.
UNITERMOS: Lacertilio(*); Nematoda(*); Oxyuridaef*): Syphaciinae;
Gynaecometra n. gen.(*); G. bahiensis n.sp.(*).
Em um lacertílio (Polychrus acutirostris ) proveniente do município de
Xique-xique, Estado da Bahia, foram encontradas centenas de exemplares de
pequenos oxiurídeos pertencentes à subfamília Syphaciinae Railliet, 1916.
A subfamília Syphaciinae, segundo Yamaguti (1961) 2 , contém os seguintes
gêneros com espécies parasitas de répteis: Alaeuris Thapar, 1925, Pamlaeuris
Cuckler, 1938, Pseudoalaeuris Walton, 1942, Tachygonetria Wedl, 1862 e Ve-
versia Thapar, 1925.
O gênero Veversia com uma espécie, V. tuberculata (Linstovv, 1904) Tha¬
par, 1925, é o único que poderia abrigar os nematódeos acima referidos, pelo
fato de suas fêmeas, como as de V. tuberculata, possuírem útero único e dois
ovários. Contudo, como os nematódeos em apreço apresentam importantes ca¬
racteres anátomo-fisiológicos que os distanciam do gênero Veversia, propomos a
criação do gênero Gynaecometra n. gen. com a espécie G. bahiensis n. sp.
GYNAECOMETRA N. GEN.
Diagnose genérica - Syphaciinae: Cutícula com fina estriação transversal.
Asas laterais ausentes. Extremidade anterior com dimorfismo sexual: presença
de 6 lábios cônicos na boca das fêmeas, ausência de lábios na dos machos;
ligeira dilatação cuticular na extremidade anterior dos machos, ausente na das
fêmeas; cápsula bucal presente nas fêmeas, ausente nos machos. Esôfago com
bulbo posterior, contendo aparelho valvular. Poro excretor ao nível do bulbo
(*) Unitcrmos principais.
Endereço para correspondência: Departamento de Parasitologia. ICB. Universidade de São Paulo - Caixa
Postal 4365 - São Paulo - Brasil.
251
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ARAÚJO, P. — Um novo oxíurídco, Gynaecornctra bahiensis n. gen., n. sp. (Nematoda: Oxyuroidea:
Oxyuridae), encontrado em laccrtílio. Mem. Inst. Butantan , 40/41:251 -257, 1976/77.
esofagiano nas fêmeas, pós-bulbar nos machos. Machos: Cauda com as¬
pecto de retângulo quando observada ventral ou dorsalmente. Espículo ro¬
busto; gubernáculo presente, bem quitinizado. Fêmeas: Cauda subulada e pon¬
tiaguda. Vulva adiante do meio do corpo; ovejetor (ou larvejetor?) curto; útero
único, contendo ovos ou larvas; dois ovários curtos, digitiformes; opistodelfas.
Vivíparas. Parasitas de répteis.
Espécie tipo: G. bahiensis n. sp., in Polyclmts acutirostris, Estado da
Bahia, Brasil.
GYNAECOMETRA BAHIENSIS N. SP.
Comprimento: machos 1,120 a 1,260 mm, fêmeas 1,587 a 2,106 mm.
Largura máxima: machos 0,052 a 0,062 mm, fêmeas 0,108 a 0,162 mm.
Corpo fusiforme. Cutícula com fina estriação transversal. Asas laterais
ausentes. Poro excretor nas fêmeas ao nível do bulbo esofagiano; nos machos,
pós-bulbar. Anel nervoso aproximadamente entre o terço anterior e o terço
mediano do comprimento total do esôfago. Extremidade anterior dos machos
com pequena dilatação cuticular, medindo cerca de 0,038 mm de comprimento;
na extremidade anterior das fêmeas não há dilatação cuticular. Boca das fê¬
meas provida de 6 lábios cônicos com cerca de 0,003 mm de comprimento; ca¬
vidade bucal com aproximadamente 0,005 mm de comprimento por 0,006 mm
de largura. Boca dos machos desprovida de lábios e de cavidade bucal. Esô¬
fago com bulbo posterior, apresentando uma parte anterior mais ou menos cilín¬
drica na qual está localizado o anel nervoso, seguida de uma porção adelgaçada,
mais curta que a primeira, que vai ter ao bulbo piriforme com aparelho valvular.
Intestino sub-retilíneo, sem dilatação anterior.
Machos — Cauda curta, com a extremidade arredondada; quando vista
ventralmente apresenta aspecto de retângulo contendo um acúleo alojado cm
pequeno receptáculo — provavelmente “phasmid” - em cada ângulo livre. Na
extremidade posterior observa-se ainda a presença de 2 pares de papilas ad-cloa-
cais e um par de papilas pré-cloacais. Espículo robusto com a extremidade livre
pontiaguda. Gubernáculo fortemente quitinizado, com forma triangular, estan¬
do, às vezes, parcialmente exteriorizado através da cloaca.
Fêmeas - Opistodelfas, vulva situada adiante do meio do corpo. Ao
ovejetor (larvejetor?), que se dirige para a frente, segue-se o útero único que
toma direção oposta, contendo no seu interior 3 a 7 ovos, ou embriões ou, ainda,
larvas. Próximo da extremidade posterior do útero há 2 pequenos ovários, digi¬
tiformes, um anterior ao outro, com suas extremidades livres dirigidas para a
frente ou para trás. Posteriormente, após o último ovário, há um prolongamento
uterino saciforme, no qual não foi observada a presença de ovos. Em uma fêmea
juvenil com 1,587 mm de comprimento, foram observados os 2 ovários com
células germinativas, o útero único ainda sem ovos no seu interior e o saco pos¬
terior (fig. 8). Os ovos, quando provavelmente no início dc seu desenvolvi¬
mento, aparentemente desprovidos de casca, medem de 0,080 a 0,096 mm de
comprimento por 0,048 a 0,056 mm de largura. Ulteriormente, quando mais
desenvolvidos, tornam-se reniformes, medindo de 0,152 a 0,160 mm dc com¬
primento por 0,072 a 0,080 mm de largura. Em uma fêmea de 2,106 mm de
comprimento foi verificada a ocorrência de 4 embriões no interior do útero, os
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ARAÚJO, P. — Um novo oxiurídeo, Gynaecometra bahiensis n. gen., n. sp. (Nematoda: Oxyuroidcã:
Oxyuridae), encontrado em lacertílio. Mem. Inst. Butantan, 40/41:251-257, 1976/77.
quais mediram de 0,256 a 0,264 mm de comprimento (fig. 7). Uma larva, ex¬
traída artificialmente do útero da fêmea, mediu 0,400 mm de comprimento por
0,044 mm de largura máxima; nesta larva foi observada forte curvatura na cauda
(fig. 9). No interior do útero de uma fêmea de 1,944 mm de comprimento
observaram-se duas larvas medindo, cada uma, 0,680 mm de comprimento.
As medidas de machos e de fêmeas de G. bahiensis n. sp. encontram-se nas
tabelas 1 e 2.
Na luz intestinal do hospedeiro, juntamente com os vermes adultos, foram
encontradas larvas em diversas fases de desenvolvimento, medindo de 0,852 a
1,498 mm de comprimento. Foram também observados machos em fase de
muda final; os comprimentos de dois deles foram 1,120 e 1,140 mm.
Hospedeiro: Polychrus acutirostris.
Habitat: Intestino.
Localidade: Xique-xique, Estado da Bahia, Brasil.
Espécimes-tipo r os síntipos acham-se depositados na Coleção Helmintoló-
gica do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas, Uni¬
versidade de São Paulo, sob n.° 1938.
DISCUSSÃO
Thapar (1925) 1 , ao erigir o gênero Veversia assim o definiu: “Veversia
gen. nov. Oxyurids of small size; simple lips; lateral alae present; no caudal
alae; vulva behind the middle of the body; ovejector very long; uterus single;
two ovaries; spicule single; accessory piece present; genital papillae sessile.”
Baseando-se provavelmente na redescrição da espécie V. tuberculata for¬
necida por Thapar 1 , Yamaguti (1961)- apresentou a seguinte diagnose genérica
de Veversia :
“Syphaciinae: Cuticle thick, transversely striated and furnished in both
sexes with thick hairs. Lateral flanges running on each side parallel to each other
along entire length of body. Mouth surrounded by three conical lips; buccal
cavity small, armed in its depth with small teeth, and granular knob-like out-
growths arising from anterior end of esophagus. Esophagus elongated, with a
posterior bulb containing a valvular apparatus. Excretory pore postesophageal.
Male: Posterior extremity truncated ventrally behind cloaca and ending in a
long narrow tail. In front of the tail the cuticle is inflated to form lateral alae,
but caudal alae are absent. One pair of preanal and two pairs of postanal pa¬
pillae, one of which is on the tail. Spicule relatively long, stout; gubernaculum
present. Female: Tail elongated, conical, pointed. Vulva behind middle of
body; ovijcctor very long, uterus single, dividind anteriorly into two short ovi-
ducts leading into ovaries. Oviparous, eggs bean-shaped, embryonated in útero.
Parasites of reptiles.”
Considerando-se como válida a descrição sumária do gênero Veversia for¬
necida por Thapar 1 , verifica-se que os oxiurídeos, motivo do presente trabalho,
poderiam dele se aproximar, não fosse a ocorrência de pormenores anatômicos
divergentes, tais como a situação da vulva, posterior ao meio do corpo em Ve¬
versia c anterior ao meio do corpo em Gynaecometra n. gen., o comprimento do
ovejetor, muito longo em Veversia e curto em Gynaecometra n. gen. e as asas
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cm
SciELO
L0 11 12 13 14 15 16
MEDIDAS (mm) DE EXEMPLARES MACHOS DE GYNAECOMETRA BAHIENSIS n. gen..
ARAÚJO, P. — Um novo oxiurídco, Gynaecometra bahiensis n. gen., n. sp. (Nematoda: Oxyuroidea
Oxyuridae), encontrado em lacertílio. Aiem. Inst. Butantan , 40/41:251-257, 1976/77.
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dados percentuais são relativos ao comprimento do corpo.
ARAÚJO, P. — Um novo oxiurídeo, Gynaecometra bahiensis n. gen., n. sp. (Nematoda: Oxyuroidea:
Oxyuridae), encontrado em lacertílio. Mem. Inst. Butantan t 40/41:251-257, 1976/77.
PRANCHA — Gynaecometra bahiensis n. sp. j 1 - Fêmea. 2 - Macho. 3 - Extremidade posterior de macho,
face lateral. 4 - Extremidade posterior de macho, face ventral. 5 - Extremidade anterior de macho, face
lateral. 6 - Extremidade anterior de fêmea, face lateral. 7 - Aparelho genital de fêmea com 4 embriões no
interior do útero. 8 - Aparelho genital de fêmea juvenil. 9 - Larva extraída artificialmentc do útero de fêmea.
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ARAÚJO, P. — Um novo oxiurídeo, Gynaecometra bahiensis n. gen., n. sp. (Ncmatoda: Oxyuroidca:
Oxyuridae), encontrado em lacertílio. Mem. Inst. Butantan , 40/41:251 -257, 1976/77.
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dados percentuais são relativos ao comprimento do corpo.
ARAÚJO, P. — Um novo oxiurídeo, Gynaecomctra bahiensis n. gen., n. sp. (Ncinatoda: Oxyuroidea:
Oxyuridae), encontrado em lacertílio. Mem. ínst. Butantan, 40/41:251 -257, 1976/77.
laterais, presentes em Veversia e ausentes em Gynaecometra n. gen. Além disso,
a redescrição de V. tuberculata e a diagnose genérica de Veversia apresentadas
por Thapar 1 e por Yamaguti 2 , respectivamente, mostram que G. bahiensis n. sp.
não cabe no gênero monoespecífico Veversia.
Poder-se-ia, ao invés de propor a criação de um novo gênero, reformular
a diagnose genérica de Veversia, com base nas características morf o-fisiológicas
das espécies V. tuberculata e G. bahiensis n.sp. Contudo, considerando-se que:
a) em V. tuberculata a cutícula, em ambos os sexos, é inteiramente revestida de
“pêlos” e em G. bahiensis n. sp. faltam esses “pêlos”; b) a extremidade ante¬
rior é semelhante nos dois sexos em V. tuberculata, e em G. bahiensis n. sp. há
dimorfismo sexual nessa região do corpo; c) a situação do poro excretor em
V. tuberculata é a mesma tanto nos machos como nas fêmeas e em G. bahiensis
n. sp. a situação do poro excretor é diversa segundo o sexo; d) a cauda dos ma¬
chos de V. tuberculata termina com um longo e fino prolongamento e a cauda dos
machos de G. bahiensis n. sp. não possui tal prolongamento, apresentando forma
de retângulo; e) a vulva em V. tuberculata é pós-equatorial, enquanto que em G.
bahiensis n. sp. está situada adiante do meio do corpo; f) o ovejetor é longo em
V. tuberculata e curto em G. bahiensis n. sp.; e que g) as fêmeas de V. tuberculata
são prodelfas e ovíparas, enquanto que as de G. bahiensis n. sp. são opistodelfas e
vivíparas, conclui-se que seria difícil apresentar diagnose de gênero que pudesse
abrigar as espécies tuberculata e bahiensis n. sp., com tantos caracteres morfo-
-fisiológicos discordantes.
Assim, parece estar amplamente justificada a criação de novo gênero e de
nova espécie para o nematódeo, motivo da presente comunicação.
O encontro de formas adultas, de formas juvenis e de larvas em diversas
fases de desenvolvimento na luz intestinal do hospedeiro indica que o ciclo bio¬
lógico de G. bahiensis n. sp. pode realizar-se inteiramente no interior do intes¬
tino do hospedeiro, não havendo quiçá necessidade de fase evolutiva no meio
exterior. Tal hipótese, se confirmada, poderia explicar a alta infestação encon¬
trada no lacertílio examinado.
Agradecimentos: Somos gratos aos Drs. Domingos Baggio e Ruy Lopes de Cerqueira
pela doação do lacertílio no qual foram encontrados os nematódeos motivo da presente
comunicação e ao Prof. P.E. Vanzolini, pela determinação da espécie do referido lacertílio.
ABSTRACT: The author proposes the creation of a new genus of oxyurid,
Gynaecometra, belonging to the subfamily Syphaciinae, with the species
Gynaecometra n.gen.f*); G. bahiensis n.sp.(*).
UNITERMS: Lacertilian(*); NematodaC 1 '); oxyuridf*); Syphaciinae;
Gynaecometra n.gen.(*); G. bahiensis n.sp.(*).
BIBLIOGRAFIA
1. THAPAR, G.S. Studies on the oxyurid parasites of reptiles. Journal of Heiminthology,
5/83-150, 1925.
2. YAMAGUTI, S. The nematodes of vertebrates. Partes 1 e 2. Systema Helminthum. v.
III. New York e London, Interscience Publishers, 1961.
Recebido para publicação
04-X-1976 c aceito em 13-IV-1977.
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Mem. ínst. Buíanlan
40/41: 259-264, 1976/77.
UMA NOVA ESPÉCIE DO GÊNERO
NEYBAPLEGTANA (NEMATODA: SUBULUROIDEA:
COSMOCERCIDAE) ENCONTRADA EM OFÍDIOS
PAULO ARAÚJO
Departamento de Parasitologia, Universidade de São Paulo
RESUMO: É descrito um cosmocercídeo, Neyraplectana papiUifera n.sp.,
encontrado na porção terminal do intestino de ofídios.
UNITERMOS: Serpentes(*); Nematodaf*); Cosmocercidae; Neyraplecta-
na(*); N. papiUifera n.sp.(*)
Na porção terminal do intestino de uma serpente, Dromicus typhlus, foram
encontrados dois machos e seis fêmeas de cosmocercídeo, com caracteres mor¬
fológicos do gênero Neyraplectana Ballesteros Márquez, 1945. Ulteriormente,
também do intestino posterior de outra serpente, Xenodon neuwiedii, foram co¬
lhidos quatro vermes fêmeos com características anatômicas iguais às das fê¬
meas já citadas.
Em 1945, Ballesteros Márquez 1 criou o gênero Neyraplectana para as espé¬
cies do gênero Aplectana Railliet e Henry, 1916, cujos machos fossem despro¬
vidos de gubernáculo. A iniciativa de Ballesteros Márquez foi aceita por Yama-
guti 5 (1961), em cujo catálogo tais espécies estão classificadas da seguinte for¬
ma: Neyraplectana crucifer (Travassos, 1925), N. linstowi (Yorke e Maplesto-
ne, 1926), N. pintoi (Travassos, 1925), N. schneideri (Travassos, 1931) e N.
vellardi (Travassos, 1926), todas parasitas de anfíbios.
Após consultar trabalho de Travassos 4 (1931), não tivemos mais dúvida
de que o nematóide encontrado nas duas serpentes acima referidas diferia, em
aspectos que reputamos relevantes, das demais espécies de Neyraplectana e que
deveria ser considerado, pois, como nova espécie, para a qual propomos a de¬
nominação Neyraplectana papiUifera n. sp., devida ao grande número de papilas
presentes ao longo do corpo, tanto nos machos como nas fêmeas. Tal consulta
tornou-se básica, para a perfeita classificação da nova espécie, entre as demais
oriundas da Região Neotrópica. Sentimo-nos igualmente obrigados a consultar
os trabalhos de Miranda 1 * (1924) e de Crusz e Ching 2 (1975), para dirimir
Comprimento: machos 4,426 a 5,221 mm, fêmeas 5,875 a 8,534 mm. Lar¬
gura máxima: machos 0,408 a 0,510 mm, fêmeas 0,414 a 0,716 mm.
(*) Unitcrmos principais.
Endereço para correspondência: Departamento de Parasitologia. ICB. Universidade de São Paulo. Caixa Pos¬
tal 4365 - São Paulo - Brasil.
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ARAÚJO, P. — Uma nova espécie elo gênero Neyraplectana (Nematoda: Subuluroidea: Cosnioccrcidae)
encontrada em ofídios. Mem. Insl. Butantan, 40/41:259-264, 1976/77.
qualquer dúvida, desde que Travassos, loco citato, afirma ser eventualmente di¬
fícil a individualização do gubernáculo em algumas das espécies de Aplectana.
NEYRAPLECTANA PAPILLIFERA N. SP.
Corpo fusiforme de cor branca opalescente. Cutícula com fina estriação
transversal e provida de numerosas papilas em toda a superfície do corpo em
ambos os sexos. Asas laterais pouco desenvolvidas que se iniciam, anterior¬
mente, adiante do meio do esôfago e terminam, posteriormente, entre o ânus
ou cloaca e o meio da cauda. Poro excretor adiante do bulbo esofagiano.
Anel nervoso aproximadamente entre o terço anterior e o terço mediano do
comprimento total do esôfago. Boca com três lábios nítidos e armadura qui-
tinosa com forma de V invertido. Esôfago com a estrutura característica do grupo
e constituído de um faringe curto, uma parte cilíndrica e um bulbo posterior piri-
forme com aparelho valvular. Intestino subretilíneo, com dilatação anterior.
Machos - Cauda cônica subulada afilando bruscamente após o término
das asas laterais, com papilas pré, ad e pós-cloacais. As papilas pré-cloacais
são representadas por uma grande papila ímpar imediatamente adiante da borda
da cloaca e por 4 fileiras longitudinais de papilas, em número variável, sendo
duas fileiras subventrais e duas sublaterais, entremeadas de papilas que existem
ao longo de todo o corpo do verme. As papilas ad-cloacais são constituídas
por 1 par de papilas situadas um pouco adiante das comissuras cloacais. As
papilas pós-cloacais estão distribuídas em 2 grupos, um de situação entre a
cloaca e o término das asas laterais e outro grupo localizado entre o término
das asas laterais e a ponta da cauda. No primeiro grupo há 2 pares de papilas
subventrais e 3 a 4 pares de papilas sublaterais. O segundo grupo de papilas,
localizado na parte afilada da cauda, é composto de 4 a 5 papilas reunidas assi-
metricamente, limitando anteriormente o que Travassos 4 (1931) denominou “fla¬
gelo terminal” da cauda. Espículos sub-iguais, falcados, com acentuada curva¬
tura no terço distai e apresentando botão hialino na extremidade livre. O
testículo (em macho com 5,221 mm de comprimento) inicia-se entre o terço me¬
diano e o terço posterior do corpo; dirige-se para a frente por extensão aproxi¬
mada de 0,703mm, onde se curva, tomando direção oposta; logo a seguir, há
uma grande vesícula seminal com estrangulamento mediano; à vesícula seminal
segue-se um tubo que continua pelo dueto ejaculador. Gubernáculo ausente.
Fêmeas - Prodelfas com vulva situada atrás do meio do corpo. Ao ovejetor,
que inicialmente dirige-se para frente e que após curvatura toma direção opos¬
ta, segue-se a parte indivisa do útero. Este, ao se bifurcar, emite um ramo que
se dirige para frente e outro para trás. No limite de cada um dos ramos ute¬
rinos com o respectivo ovário há uma grande espermateca piriforme; dessas,
uma situa-se adiante e a outra atrás da vulva, sendo a posterior mais distante
da vulva que a anterior. Os ovários, após várias curvaturas, apresentam suas
extremidades livres próximas do início do intestino. Cauda cônica subulada
com estreitamento brusco logo após o término das asas laterais e extremidade
pontiaguda. Ovos, alguns embrionados, medem 0,084 a 0,092 mm por 0,050
a 0,064 mm (média: 0,088 por 0,056 mm).
As medidas tanto dos machos como das fêmeas encontram-se na tabela
anexa.
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MEDIDAS (em mm) DE EXEMPLARES MACHOS E FÊMEOS DE NEYRAPLECTANA PAPILLIFERA
ARAÚJO, P. — Uma nova espécie
encontrada em ofídios. Mem. Inst.
do gênero
Butantan,
Neyraplectana (Nematoda:
40/41:259-264, 1976/77.
Subuluroidea: Cosmocercidae)
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ARAÚJO, P. — Uma nova espécie do género Neyraplectana (Ncmatoda:
encontrada em ofídios. Mem. Inst. Butantan, 40/41:259-264, 1976/77.
Subuluroidea: Cosmocercidae)
DISCUSSÃO
Neyraplectana papillijera n. sp. diferencia-se das demais espécies conheci¬
das pertencentes ao gênero Neyraplectana, pelos seguintes caracteres morfoló¬
gicos:
De N. crucifer, pelo número e disposição das papilas pré e pós-cloacais;
pela ausência, em N. crucifer, do grupo de 4 a 5 papilas no início do flagelo
terminal da cauda; pelos espículos, que em N. crucifer são maiores que em N.
papillifera n. sp. (9,4% e 7,6%, respectivamente, do comprimento do verme);
pelo comprimento da cauda, que em N. crucifer é maior que em N. papillifera
n. sp. (12% e 5,8 a 6,8%, respectivamente, do comprimento do verme); pelo
tamanho e forma das espermatecas — grandes e piriformes em N. papillifera
n. sp.
De N. linstowi, pela presença de papilas na base do flagelo terminal da
cauda; pelos espículos, que em N. linstowi são menores que em N. papillifera
n. sp. (5,1% e 7,6%, respectivamente, do comprimento do verme).
De N. pintoi, pelo comprimento dos machos, menor em N. pintoi (1,8 mm)
que em N. papillifera n. sp. (4,426 a 5,221 mm); pela forma dos espículos, fal-
cados e com um processo basal em N. pintoi e pelo comprimento dos mesmos,
menores em N. pintoi que em N. papillifera n. sp. (5,0% e 7,6%, respectiva¬
mente, do comprimento do verme); pelo comprimento da cauda, maior em N.
pintoi que em N. papillifera n. sp. (22,7% e 5,8% a 6,8%, respectivamente, do
comprimento do corpo do verme).
De N. schneideri, pela forma dos espículos que apresentam acentuada
curvatura no terço posterior, enquanto que em N. schneideri é observada suave
curvatura no terço mediano; pelo início do tubo testicular, que em N. schneideri
encontra-se ao nível da base dos espículos, enquanto que em N. papillifera n. sp.
o testículo inicia-se ao nível do estrangulamento da vesícula seminal; pela ve¬
sícula seminal, que apresenta estrangulamento mediano, estrangulamento este
ausente em N. schneideri.
De N. vellardi, pelos espículos que além de maiores em N. papillifera n. sp.
(5,5 a 5,6% c 7,6%, respectivamente, do comprimento do verme), apresentam
em N. vellardi um processo basal estendendo-se ao longo de cerca de 1/3 de
seu comprimento; pela vesícula seminal, estrangulada em N. papillifera n. sp.;
pelo tamanho e forma das espermatecas — grandes e piriformes em N. papilli¬
fera n. sp.
Todas essas espécies acima citadas não apresentam, segundo a descrição
dos autores a papila ímpar pré-cloacal, existente em N. papillifera n. sp. Tal
papila foi observada, ainda segundo a descrição dos autores, em Aplectana mem-
hranosa (Schneider, 1866) Miranda, 1924, em A. raillieti Travassos, 1925, em
A. chamaeleonis (Baylis, 1929) Travassos, 1931 e em A. uropeltidarum Crusz e
Ching, 1975, parasitas de anfíbios ou de répteis.
N. papillifera n. sp., além de não apresentar gubernáculo, diferencia-se des¬
sas espécies, pelas seguintes características morfológicas principais:
De A. membranosa, por não possuir os espículos com ponta bífida; pela
forma da cauda dos machos, com flagelo terminal.
De A. raillieti, por não apresentar espinho cuticular na ponta da cauda dos
machos; pelos espículos, maiores em A. raillieti.
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ARAÚJO, P. — Uma nova espécie do gênero Neyraplectana (Nematoda: Subuluroidca: Cosmocercidae)
encontrada em ofídios. Mem. Inst. Butantan, 40/41:259-264, 1976/77.
PRANCHA — Neyraplectana papilifera n. sp.: 1 - Extremidade posterior dc macho (face ventral). 2 -
Extremidade anterior de macho. 3 - Extremidade posterior de macho (face lateral). 4 - Macho. 5 - Extre¬
midade posterior de macho (detalhe do «flagelo terminal» da cauda). 6 - Fêmea. 7 - Extremidade posterior
de fêmea (face lateral).
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ARAÚJO, P. — Uma nova espécie do gênero Neyraplectana (Nematoda:
encontrada em ofídios. Mem. Inst. Butantan, 40/41:259-264, 1976/77.
Subuluroidea: Cosmocercidae)
De A. chamaeleonis, pelo número e disposição das papilas caudais nos
machos; pelo comprimento dos espículos e pela cauda das fêmeas que em A.
chamaeleonis mostra-se progressivamente atenuada, terminando em ponta fina.
De A. uropeltidarum, pelo comprimento dos vermes, maior em N. papilli-
fera n. sp.; pelo número e disposição das papilas pré e pós-cloacais; pelo com¬
primento do flagelo terminal da cauda dos machos, menor em A. uropeltidarum
(aproximadamente 1/3,5 a 1/4 do comprimento da cauda) que em N. papilli-
fera n. sp. (1/2,5 a 1/2,6 do comprimento da cauda); pela forma da cauda das
fêmeas.
Espécimes-tipo: Os síntipos (Reg. n 9 1937) acham-se depositados na Co¬
leção helmintológica do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências
Biomédicas da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil.
ABSTRACT: A cosmocercid, Neyraplectana papiUifcra n.sp., is described
from the terminal intestine of the ophidian Dromicits typhlns.
UN1TERMS: Serpentes(*); Nematoda(*); Cosmocercidae; Neyraplecta-
na(* ); N. papillifera n.sp.(O.
BIBLIOGRAFIA
1. BALLESTEROS MÁRQUEZ, A. Revisión de la familia Cosmocercidae Travassos, 1925.
Recta ibr. Parasit., Tomo extraordinário: 150-180, 1945.
2. CRUSZ, H. & CHING, C.C. Parasites of the relict fauna of Ccylon. V. New species
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3. MIRANDA, C. Alguns nematodeos do genero Aplectana Railliet & Henry, 1916. Mems
Inst. Oswaldo Cruz, 17:45-49, 1924.
4. TRAVASSOS, L. Pesquizas helminthologicas realizadas em Hamburgo. IX. Ensaio
monographico da família Cosmocercidae Trav., 1925 (Nematoda). Mems. Inst.
Oswaldo Cruz, 25:237-298, 1931.
5. YAMAGUTI, S. The nematodes of vertebrates. Partes 1 e 2. Systema Helminthum.
v. III. New York e London, Interscience Publishers, 1961.
Recebido para publicação em 21-VII-1976 e aceito em 13-IV-1977.
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Mem. Inst. Butanlan
40/41: 265-279, 1976/77.
CONSIDERAÇÕES SOBRE PLAGIORCHIS
LUEHEI TRAVASSOS, 1927 (= MICRODERMA
LÜHEI MEHRA, 1931) {TREM ATO D A,
PLAGIORGHIIDAE), PARASITO DE HYDRODYNASTES
GIGAS DUM. ET BRIB. (. REPTILIA, COLUBRIDAE ).
PAULO DE TOLEDO ARTIGAS* MILTON SANTOS DE CAMPOS**
RESUMO: Em 1927, Travassos descreveu Plagiorchis luehei, trematódeo
parasito do esôfago de Hydrodynastes gigas, ofídio encontradiço nas bacias
do Amazonas, Paraná e Paraguai. Em 1931, Mehra transfere P. luehei
para o novo gênero Microderma Mehra, 1931, que na ocasião erigira para
situar Microderma elinguis, trematódeo por ele encontrado em um que-
lônio da fauna índica. Neste trabalho, redescreve-se P. luehei, que é re-
transferido para o gênero Plagiorchis Luehe, 1899 e se discutem pondera¬
ções em torno do gênero ora citado e do gênero Glypthehnins Stafford,
1905. Em nosso entender Glypthehnins deveria ser posto na sinonímia de
Plagiorchis.
UNITERMOS: Trematoda. Plagiorchiidae. Plagiorchis. Glypthehnins. Mi-
croderma. Morfologia de P. luehei.
INTRODUÇÃO
Plagiorchis luehei Travassos, 1927, foi encontrado no esôfago de Hydro¬
dynastes gigas Dum. e Brib., espécie de colubrídeo bastante freqüente nos pan¬
tanais e banhados das bacias dos rios Amazonas, Paraná e Paraguai (Amaral
1929).
Na descrição original, Travassos afirmou ser Eunectes murinus, L., ofídio
da família Boidae, o hospedeiro de P. luehei; em 1969, no tratado “Trematódeos
do Brasil”, Travassos, Freitas e Kohn retificaram aquela informação, dizendo
que o trematódeo em tela é parasito do Cyclagras gigas (= Hydrodynastes
gigas).
Tivemos agora (1976) a oportunidade de reencontrar P. luehei em dois
exemplares de H. gigas, provenientes do Estado de São Paulo; num desses hos¬
pedeiros (necropsia n 9 4.290), a localização do parasito era esofagiana; no
outro hospedeiro (necropsia n 9 4.231), o trematódeo foi colhido na primeira
porção intestinal.
Professor colaborador do Departamento de Parasítologia do I.B. da UNICAMP.
Professor Adjunto do Departamento de Parasítologia do I.C.B. da U.S.P.
265
cm
SciELO
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ARTIGAS, P. de T. & CAMPOS M.S. de — Considerações sobre Plagiorchis luehei Travassos, 1927
(= Microderma lühei Mehra. 1931) (Trematoda, Plagiorchiidae), parasito de Hydrodynastes gigas Dum.
et Brib. (Reptilia, Colubridae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:265-279, 1976/77.
Através da bibliografia a nosso dispor, parece-nos ser esta a segunda vez
que P. luehei é encontrado e na mesma espécie de hospedeiro que fornceu o
material utilizado por Travassos. As poucas referências da literatura sobre P.
luehei são sobretudo de listagem, com exceção do trabalho de Mehra (1931)
que, ao criar o género Microderma, para nele situar M. elinguis n. sp., parasito
do quelônio Kachuga smithii, da fauna índica, recomendou a transferência de
P. luehei para este novo gênero. Olsen, em 1937, também isola, em chave de
gêneros, M. elinguis e M. luehei.
Parece-nos interessante redescrever P. luehei e, sobretudo, focalizar a sua
situação sistemática que, em nosso entender, foi truncada por Mehra. Este
autor, ao transferir P. luehei para o gênero Microderma, apresentou a seguinte
argumentação: “Pode ser assinalado que Plagiorchis luehei Travassos não per¬
tence ao gênero Lepoderma sin. Plagiorchis. A presença de espermateca e de
vesícula seminal tortuosa são de suficiente importância para excluir o trema-
tódeo desse gênero. Esta espécie aparentemente pertence ao gênero Microder¬
ma, levando em conta a ausência de esôfago, a vesícula seminal tortuosa, pre¬
sença de espermateca e situação dos vitelinos”.
A argumentação de Mehra, acima transcrita, não foi até hoje contestada;
Olsen (1937), Skjabin e Antipin (1958), Yamaguti (1958) e Travassos, Freitas
e Kohn (1969), sucessivamente, passaram a apresentar o binômio Plagiorchis
luehei na sinonímia de Microderma luehei.
Em nossa opinião, o arrazoado de Mehra não tem procedência, como de¬
monstraremos na discussão do presente trabalho. Aliás, causa-nos surpresa o
fato de Travassos e colaboradores, em 1969, não terem se manifestado contra
o modo de ver do parasitologista indiano.
A descrição original de Travassos (1927), acompanhada de duas figuras,
é satisfatória e com dados suficientes para o reconhecimento do P. luehei; o
mesmo se pode afirmar da segunda descrição (1969), esta de Travassos e cola¬
boradores.
Nesta publicação, tornamos a redescrever P. luehei e apresentamos dese¬
nhos originais, feitos em câmara clara, de seis exemplares, selecionados entre
os parasitos obtidos na necropsia n" 4.290 e desenhos de quatro exemplares
separados dos parasitos conseguidos na necropsia n’ 4.231. Para efeito com¬
parativo, anexamos as figuras originais de Travassos e o desenho de M. elinguis
oferecido por Mehra em seu trabalho de 1931.
DESCRIÇÃO DE P. luehei,
BASEADA EM MATERIAL POR NÓS COLECIONADO:
Trematódeos pequenos, de cor brancacenta, com o tegumento revestido
de minúsculos espinhos.
São trematódeos de corpo alongado e com as extremidades arredondadas.
Os exemplares provenientes da necropsia n- 4.290, localizados no esô¬
fago, apresentam apreciável variação de tamanho; são, entretanto, decidida¬
mente maiores que os exemplares colhidos na necropsia n- 4.231 e encontra¬
dos na porção intestinal imediatamente após o estômago.
266
cm
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AR I ICjAS, P. de 1 . & CAMPOS M.S. de — Considerações sobre Plagiorchis luehei Travassos, 1927
(= Microderma lühei Mehra, 1931) (Trematoda, Plagiorchiidae), parasito de Hydrodynasles gigas Dum.
et Brib. (Reptilia, Colubridae ). Alem. Inst. Butantan, 40/41:265-279, 1976/77.
1.0 mm
I-1
Figs. 1, 2 c 3 — Desenhos de exemplares de Plagiorchis luehei Travassos, 1927. Material proveniente de
Hydrodynastes gigas; localização esofagiana.
267
cm
5 6 SCÍELO lo 1 1 12 13 14 15 16
ARTIGAS, P. de T. & CAMPOS M.S. de — Considerações sobre Plagtorchis luehei Travassos, 1927
(= Microderma lühei Mehra, 1931) (Trematoda, Plagiorchiidae), parasito de Hydrodynastes gigas Dum.
ct Brib. (Reptilia, Colubridae). Mem. lnst. Butantan, 40/41:265-279, 1976/77.
Ventosa oral subterminal, ampla e musculosa; liga-se à faringe por inter¬
médio de pré-faringe diferenciada; zona pré-faringeana apresentando glândulas
anexas. Faringe volumosa, fortemente musculosa, ligando-se diretamente aos
cecos, sem a presença de uma porção esofagiana. Ramos cecais retilíneos, pro¬
longando-se nos campos laterais, até quase à extremidade posterior do tre-
matódeo.
Ventosa acetabular pós-bifurcal e situada no eixo do corpo; musculosa e
bem desenvolvida; regula de tamanho com a ventosa oral.
Poro genital imediatamente pré-acetabular, sub-mediano, situando-se ligei¬
ramente à esquerda do eixo longitudinal.
Genitália masculina: testículos volumosos, arredondados, dispostos em dia¬
gonal, em campos parcialmente coincidentes e em zonas distintas. O testículo
anterior é de situação pré-equatorial; o testículo posterior está abaixo do plano
equatorial. A bolsa do cirro é relativamente longa, ultrapassando o rebordo
posterior da ventosa acetabular; em seu interior observam-se vesícula seminal
enovelada e porção prostática bem desenvolvida.
Genitália feminina: ovário grande, arredondado; situado no mesmo campo
da ventosa acetabular; está, entretanto, em posição sub-mediana, com relação
ao eixo longitudinal do corpo. Ovário e ventosa acetabular são ligeiramente
coincidentes, quanto à sua situação zonal. Imediatamente posterior ao ovário,
situa-se a espermateca, bem desenvolvida. Glândulas vitelogênicas de situação
lateral, são essencialmente extra-cecais, entretanto existem ácinos nos campos
cecais; os ácinos vitelínicos começam a ser vistos na altura da zona imediata¬
mente pós-ovariana, ou na zona do testículo anterior e se distribuem daí para
trás; os folículos vitelínicos mais posteriores situam-se antes da porção final dos
cecos. O útero constitue-se de um ramo descendente e de outro ascendente; o
metratermo, a partir do átrio genital, prolonga-se para trás, passando entre a
ventosa genital e o testículo anterior; as alças uterinas dispõem-se entre os dois
testículos; toda a região pós-testicular é preenchida por alças uterinas de posi¬
ção transversal e que aparecem até à extremidade posterior do corpo. As alças
uterinas invadem ligeiramente os campos cecais, sobretudo no quarto posterior
do corpo. As alças uterinas mostram-se abarrotadas de ovos, que são extrema¬
mente numerosos. Ovos operculados, de casca pouco espessa e de coloração
amarelo-acastanhada. Poro excretor de situação terminal; a vesícula excretora
tem a disposição de Y.
No quadro anexo encontram-se as medidas de interesse para identificação
do trematódeo. Neste quadro acham-se as medidas de seis exemplares pro¬
venientes da necropsia n" 4.290 e colhidos no esôfago e de mais quatro exem¬
plares provenientes da necropsia n 9 4.231 e colhidos na primeira porção intes¬
tinal, logo após ao estômago.
Nossa descrição coincide satisfatoriamente com a de Travassos. Há um
ponto de discordância, que deve ser assinalado: é o tamanho dos ovos, que
Travassos diz medirem 0,045 a 0,050 por 0,025 a 0,035 milímetros. Tirando
a média de 80 ovos medidos por nós, encontramos os seguintes números:
0,023 mm de comprimento por 0,013 mm de largura; praticamente, em nosso
material, os ovos são quase 50% menores, com relação às medidas apresenta¬
das por Travassos. Somente observação mais ampla decidirá sobre esta atual
divergência.
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ARTIGAS, P. de T. & CAMPOS M.S. de — Considerações sobre Plagiorchis luehei Travassos, 1927
( = Microdcrma lühei Mehra, 1931) (Trematoda, Plagiorchiidae) , parasito de Hydrodynastes gigas Dum.
et Brib. (Reptilia, Colubridae). Atem. Inst. Butantan, 40/41:265-279, 1976/77.
A localização parasitária
no esôfago; encontramo-lo no
intestino anterior são menores
lógico.
MEDIDAS, EM MM,
merece reparos: Travassos encontrou P. luehei
esôfago e no intestino anterior. Os parasitas do
i. Não sabemos explicar a razão deste fato bio-
DE 10 EXEMPLARES DE P. LUEHEI.
Ne- :
Desenho
Compri-
Largura
Ventosa
Ventosa
Ovário
Testícul
!o Testículo
crópsia
n.°:
mento
máxima
oral
acetabular
anterior posterior
0,569
0,244
0,512
0 219
0,5
0,558
0,0232
4290
1
6,035
1,383
X
X
X
X
X
X
X
0,569
0,314
0,453
0,407
0,442
0,5
0,0142
0,512
0,331
0,465
0,430
0,546
0,558
4290
2
6,151
1,419
X
X
X
X
X
X
0,581
0,331
0,488
0,267
0,453
0,5
0,523
0,256
0,558
0,395
0,674
0,651
0,0214
4290
3
5,325
1,360
X
X
X
X
X
X
X
0,535
0,291
0,488
0,302
0,674
0,662
0,0107
0,581
0,325
0,523
0,395
0,628
0,558
0,0214
4290
4
5,709
1,349
X
X
X
X
X
X
X
0,558
0,267
0,05
0,302
0,384
0,453
0,0125
0,430
0,174
0,384
0,337
0,5
0,593
0,025
4290
5
3,825
0,930
X
X
X
X
X
X
X
0,5
0,244
0,349
0,279
0,709
0,570
0,0143
0,477
0,244
0,488
0,349
0,546
0,651
0,0268
4290
6
4,907
1,151
X
X
X
X
X
X
X
0,558
0,174
0,453
0,267
0,5
0,442
0,0143
0,360
0,209
0,244
0,209
0,407
0,442
0,0214
4231
7
3,477
1,023
X
X
X
X
X
X
X
0,360
0,139
0,267
0,186
0,407
0,477
0,0143
0,349
0,174
0,291
0,232
0,523
0,430
4231
8
4,012
0,930
X
X
X
X
X
X
0,372
0,232
0,302
0,232
0,395
0,511
0,337
0,139
0,291
0,267
0,465
0,5
0,0214
4231
9
3,081
1,104
X
X
X
X
X
X
X
0,407
0,163
0,291
0,244
0,407
0,395
0,0125
0,384
0,198
0,302
0,209
0,395
0,395
0,0214
4231
10
3,535
1,035
X
X
X
X
X
X
X
0,430
0,186
0,291
0,209
0,465
0,442
0,01607
(*) Média da medida de 10 ovos.
DISCUSSÃO:
Nesta discussão, opinaremos sobre a posição sistemática de Plagiorchis
luehei Travassos, 1927 = Microclerma luehei (Travassos, 1927) Mehra, 1931, e
também discutiremos a situação dos gêneros Plagiorchis Luehe, 1899, e Glypthel-
mins Stafford, 1905, ambos da família Plagiorchiidae Ward, 1917, situação essa
a nosso ver confusa e que, entendemos, determinará, mais cedo ou mais tarde,
um remanejo dessa família.
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ARTIGAS, P. cie T. & CAMPOS M.S. dc — Considerações sobre Plagiorchis luehei Travassos, 1927
(= Microderma lühei Mehra, 1931) (Trematoda, Plagiorchiidae), parasito de Hydrodynastes gigas Dum.
et Brib. (Reptilia, Colubridae). Mem. lnst. Butantan, 40/41:265-279, 1976/77.
Posição sistemática de P. luehei Travassos, 1927
Desde logo, temos que considerar a observação, já citada, de Mehra, quan¬
do, em 1931, propõe situar P. luehei no gênero Microderma. P. luehei não deve
ser incluído no gênero Microderma por várias razões: 1 no gênero Micro¬
derma a bifurcação intestinal situa-se a grande distância da ventosa acetabular.
Tal caráter anatômico é fácil de se verificar na figura de M. elinguis original de
Mehra e que reproduzimos neste trabalho. O próprio Mehra, ao definir o gê¬
nero Microderma (pág. 194 de seu trabalho) assinala: “Esôfago inteiramente
ausente, bifurcação intestinal distante e em frente à ventosa acetabular...”;
2-) a presença de vesícula seminal enovelada e de espermateca não é motivo
para a retirada de P. luehei do gênero Plagiorchis; são diversas as espécies de
Plagiorchis que possuem vesícula seminal; ainda a presença de espermateca é
igualmente atributo de espécies de Plagiorchis; 3 -) o ovário, em Microderma,
situa-se a meia distância, entre a ventosa ventral e o testículo anterior; em P.
luehei, a ventosa acetabular e o ovário estão em zonas parcialmente coinciden¬
tes; 4 •) os testículos, em Microderma elinguis, espécie tipo do gênero, situam-se
francamente na metade posterior do corpo; em P. luehei, e em outras espécies
congenéricas, os testículos situam-se no terço médio e, pois, relativamente, em
posição muito anterior; 5 ») a inexistência do esôfago, salientada por Mehra,
é de valor secundário; existem espécies de Plagiorchis em que o esôfago parti¬
cularmente não existe (exemplos: P. didelphides (Parona, 1896); P. parumbour-
satus Freitas e Dobbin Júnior, 1961; P. rangeli Artigas e Zerpa, 1961); 6 !1 )
as espécies do gênero Plagiorchis se caracterizam por serem relativamente curtas,
a relação comprimento-largura estando ao redor de 4:1; em Microderma elin¬
guis, observamos um trematóide relativamente longo e em que a relação com¬
primento-largura é de 8,8:1; 7") in finis, o gênero Microderma baseia-se na
observação de quatro espécimes, dos quais dois eram sexualmente imaturos.
Portanto, a iniciativa de Mehra, criando um gênero novo para uma espécie até
certo ponto duvidosa (possuindo apenas dois exemplares adultos) é, sem dú¬
vida, arrojada; porém, pretender criticar um autor de renome mundial pelo vo¬
lume e qualidade de trabalhos (referimo-nos a Travassos) é iniciativa pouco
recomendável. Os argumentos acima alinhados são eloqüentes e demonstram
de maneira cabal a inconsistência da crítica de Mehra.
Algumas considerações sobre os gêneros Plagiorchis Luehe, 1899
e Glypthelmins Stafford, 1905.
A oportunidade de rever P. luehei oferece ensejo para uma apreciação sobre
os dois gêneros referidos nesta epígrafe. Consultamos as definições oferecidas
por Travassos, Freitas e Kohn (1969) e por Yamaguti (1958), bem como ana¬
lisamos as chaves oferecidas por este último autor. No caso presente, ao encon¬
trar o trematódeo que motiva esta publicação, isto é, P. luehei, na tentativa de
classificá-lo, concluímos que poderia ser situado, indiferentemente, em qualquer
dos dois gêneros em tela; tentamos, com auxílio das chaves de Yamaguti, de¬
finir esse trematódeo, e tornamos a verificar que a chave não funciona para as
espécies desses gêneros. Nesse impasse, procuramos assimilar as reais diferenças
entre Plagiorchis e Glypthelmins e concluímos que, na verdade, elas não exis-
272
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ARTIGAS, P. de T. & CAMPOS M.S. de — Considerações sobre Plogiorchis luehei Travassos, 1927
(= Microderma lühei Mehra, 1931) (Trematoda, Plagiorchiidae), parasito de Hydrodynastes gigas Dum.
et Brib. (Reptilia, Colubridae). Alem. Inst. Butanlan , 40/41:265-279, 1976/77.
fer
0.5 mm
Figs. 11, 12, 13, 14, 15 e 16 — Desenhos de exemplares Plagiorchis luehei Travassos, 1927, focalizando o
acetábulo, bolsa do cirro e ovário. No desenho n.P 15, assinala-se também a espermateca.
273
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ARTIGAS. P. cie T. & CAMPOS M.S. de — Considerações sobre Plagiorchis hiehei Travassos, 1927
(= Alicroderma lühei Me lira. 1931) (Trematoda, Plagiorchiidae), parasito de Hydrodynastes gigas Dum.
et Brib. (Replilia , Colubridae). Alem. Inst. Butantan, 40/41:265-279, 1976/77.
tem. O minucioso trabalho de Olsen (1937), em que é feita a revisão dos Pla-
giorchiinae Pratt, 1902, procura esmiuçar as características anatômicas dos gê¬
neros nela incluídos; reproduzimos, em colunas paralelas, as definições que
Olsen adota para diferenciar os dois gêneros.
COMPARAÇÃO DE CARACTERÍSTICAS ANATÔMICAS
DE PLAGIORCHIS E GLYPTHELMINS (SEGUNDO OLSEN).
Plagiorchis
Glypthelmins
Aspecto
Corpo ligeiramente alongado,
um tanto arredondado nas
extremidades.
Corpo alongado ou elipsóide,
extremidades arredondadas.
Tegumento
Tegumento espinhoso.
Tegumento espinhoso.
Glândulas
faringeanas.
Presentes ou ausentes.
Esôfago e
pré-faringe.
Esôfago e pré-faringe muito
curtos ou ausentes.
Esôfago presente.
Cecos
Cecos em geral estendendo-
se até à extremidade poste¬
rior do corpo.
Cecos estendendo-se até à ex¬
tremidade posterior do corpo.
Poro genital
Poro genital ligeiramente an¬
terior ao acetábulo, geral¬
mente à esquerda da linha
mediana.
Poro genital entre o acetá¬
bulo e a bifurcação intesti¬
nal.
Bolsa do cirro.
Bolsa do cirro fortemente de¬
senvolvida; rodeia o acetá¬
bulo como uma estrutura
com a forma de C, geralmen¬
te do lado direito; vesícula
seminal evidente;
cirro longo.
Bolsa do cirro grande; curva
e dirigida obliquamente para
trás; pode ser pré-acetabular
ou se estender até à margem
posterior do ovário.
Espermateca
Espermateca ausente.
Espermateca volumosa.
Testículos
Testículos redondos ou ovais,
margens geralmente lisas;
oblíquos entre si.
Testículos pequenos; oblí¬
quos ou paralelos entre si;
próximos do acetábulo e
quase inteiramente pré-equa¬
toriais.
Ovário
Ovário geralmente redondo;
mediano ou à direita da linha
do corpo.
Ovário mais ou menos esfé¬
rico, próximo do acetábulo.
Canal de Laurer
Canal de Laurer presente.
Ütero
Ütero característico por suas
alças em S entre o ovário e o
testículo anterior e entre os
testículos.
Útero pós-testicular com nu¬
merosas alças transversais in-
tracecais que se estendem até
à extremidade posterior do
corpo.
374
cm
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ARTIGAS, P. dc T. & CAMPOS M.S. de — Considerações sobre Plagiorchis luehei Travassos, 1927
( = Microderma liihei Mehra, 1931) (Tremaloda, Plagiorchiidae) , parasito de Hydrodynastes gigas Dum.
et Brib. (Reptilia, Colubridae). Mem. lnst. Butanlan, 40/41:205-279, 1976/77.
17
lí
y»
I
iâ
1,0 mrif
0,2 mm
1,0 mm
lÜ
c
Figs. 17 e 18 — Reprodução das figuras do trabalho de Travassos (Boi. Biol. 1:16-20), ilustrando Plagiorchis
luehei na descrição original.
Fig. 19 — Reprodução do desenho original de Mehra (Parasitology 23(2) :191-195), ilustrando Microderma
elinguis.
275
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ARTIGAS, P. de T. & CAMPOS M.S. dc — Considerações sobre Plagiorchis luehei Travassos, 1927 1
(= Microderma liihei Mehra, 1931) (Trematoda, Plagiorchiidae) , parasito dc Hydrodynastes gigas Dum. I
et Brib. (Reptilia, Colubridae). Mem. Inst. Butantan, 40/41:265-279, 1976/77. 1
Plagiorchis
Glypthelmins 1
Vitelinos
Folículos vitelínicos numero¬
sos, os anteriores entre o ní¬
vel da ventosa oral e o nível
do acetábulo; os posteriores
geralmente atingem a extre¬
midade posterior do corpo;
folículos separados anterior¬
mente ou reunidos na forma
de espessa comissura.
Vitelinos variáveis no com- 1
primento, extra cecais, even- B
tualmente estendendo-se na 1
área intra cecal, ou medial- 1
mente confluentes antes do 1
acetábulo. I
Vesícula
excretora
Vesícula excretora com a for¬
ma de Y.
Vesícula excretora alcança t
os testículos; com a forma 1
de Y, ou sacular. jj
Poro excretor
Poro excretor terminal ou |
subterminal. ]
O confronto das duas diagnoses demonstra que a grande maioria de dados 1
é comum para os dois gêneros. Apenas a espermateca, ausente em Plagiorchis
e presente em Glypthelmins e uma disposição particular no útero, com alças
entre acetábulo e testículo anterior em Plagiorchis, disposição esta não existente |
em Glypthelmins, seriam os elementos essenciais de diferenciação. A presença,
ou ausência, de espermateca, não é atualmente levada em conta; a disposição
das alças uterinas também não merece importância; nos dois gêneros há um tubo
uterino descendente que se prolonga até a porção posterior e, a seguir, orienta-se
para diante, são ramos descendente e ascendente; na área pré-testitular, as alças
uterinas, de ordinário, se apresentam transversalmente enoveladas.
Para corroborar o que está acima exposto, apresentamos, nas mesmas con-
i dições, as diagnoses que Yamaguti propõe para os dois gêneros em discussão.
1 COMPARAÇÃO DE CARACTERÍSTICAS ANATÔMICAS j
| DE PLAGIORCHIS E GLYPTHELMINS (SEGUNDO YAMAGUTI) |
Plagiorchis
Glypthelmins 1
1 Aspecto
Corpo oval para fusiforme;
elíptico e um tanto alongado.
Corpo lanceolado.
■ Tegumento
Tegumento de pequenos es¬
pinhos.
Tegumento espinhoso.
1 Acetábulo
Acetábulo comparativamen¬
te pequeno, situado a um
terço, ou mais, do compri¬
mento do corpo da extremi¬
dade anterior.
Acetábulo pequeno, na me¬
tade anterior do corpo.
K Ventosa
1 oral
Ventosa oral bem desenvol¬
vida, seguida de pré-faringe.
Ventosa oral bem desenvol- |
vida, pré-faringe distinta, fa- 1
ringe pequena. |
1 276 1
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ARTIGAS, P. de T. & CAMPOS M.S. de — Considerações sobre Plagiorchis luehei Travassos, 1927
(= Microderma lühei Mehra, 1931) (Trematoda, Plagiorchiidae), parasito de Hydrodynastes gigas Dum.
et Brib. (Reptilia, Colubridae). Alem. lnst. Butantan, 40/41:265-279, 1976/77.
Plagiorchis
Glypthelmins
Esôfago
Esôfago curto
Esôfago curto ou moderada¬
mente longo.
Cecos
Cecos terminando na extre¬
midade posterior ou próxi¬
mo delas.
Cecos geralmente não atin¬
gindo a extremidade pos¬
terior.
Testículos
Testículos em diagonal, na
metade posterior ou no terço
médio do corpo.
Testículos em diagonal, pós-
acetabulares.
Bolsa do
cirro
Bolsa do cirro, estendendo-
se para trás, além do ace-
tábulo.
Bolsa do cirro mais ou me¬
nos alongada, podendo ou
não se estender além do
acetábulo.
Poro
genital
Poro genital imediatamente
pré-acetabular, em geral um
pouco à esquerda da linha
mediana.
Poro genital pré-acetabular.
Ovário
Ovário posterior ou póstero
lateral ao acetábulo.
Ovário sub-mediano, poste¬
rior ou lateral ao acetábulo,
pré-testicular.
Espermateca
Espermateca rudimentar, ou
ausente.
Espermateca pequena.
Canal de
Laurer
Canal de Laurer presente.
Canal de Laurer presente.
Vitelinos
Folículos vitelínicos esten¬
dendo-se nos campos laterais,
da extremidade posterior até
à zona ovariana ou acetabu-
lar, ou um pouco além,
ocasionalmente até à ventosa
oral.
Vitelinos laterais ao intesti¬
no, não atingindo a extre¬
midade posterior.
Útero
Útero passando entre o ová¬
rio e o testículo anterior,
bem como entre os dois tes¬
tículos, atingindo, ou quase
atingindo a extremidade pos¬
terior.
Útero atingindo a extremida¬
de posterior, em geral não
ocupando os campos extra-
cecais.
Ovos
Ovos pequenos e numerosos.
Vesícula
excretora
Vesícula excretora dividida
em furcas curtas entre o ová¬
rio e o testículo anterior.
Vesícula excretora com a
forma de Y, cada braço divi¬
dido em túbulo anterior e
outro posterior.
Fórmula de
células vibráteis
Fórmula das células vibráteis
2x6x3 em G. californiensis
(Cort) e G. rugocaudata
(Yoshida).
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ARTIGAS, P. de T. & CAMPOS M.S. de — Considerações sobre Plagiorchis luehei Travassos, 1927
(= Microderma lühei Mehra, 1931) (Trematoda, Plagiorchiidae), parasito de Hydrodynastes gigas Dum.
et Brib. (Reptilia, Colubridae). Alem. Insl. Butantan, 40/41:265-279, 1976/77.
Torna-se desnecessário comparar as definições oferecidas por Travassos,
Freitas e Kohn, pois sentimos serem elas orientadas na mesma ordem de idéias
proposta por Yamaguti.
Em sã consciência, não existem nas duas diagnoses elementos que real¬
mente permitam a separação das espécies de Plagiorchis e de Glypthelmins; par¬
ticularmente, P. luehei podería se situar em qualquer dos dois gêneros. Aliás,
quando começamos a examinar o nosso material, consideramos o nosso trema-
tóide como sendo um Glypthelmins, embora Yoshida afirme que esse gênero
inclue apenas parasitos do intestino, raramente da vesícula biliar, de anfíbios.
Yamaguti enumera, em 1951, vinte e seis espécies de Plagiorchis, parasi¬
tando mamíferos; mais seis espécies, parasitando anfíbios; mais sete espécies,
parasitando répteis; mais quarenta e nove espécies, em aves; existem, pois, lis¬
tados pelo menos oitenta e oito espécies de Plagiorchis.
Em relação às espécies de Glypthelmins, Yamaguti, em 1951, refere 16
espécies, todas parasitos de anfíbios.
Olsen, 1937, admite os dois subgêneros de Plagiorchis proposto por Schulz
e Skworzov em 1931, respectivamente Plagiorchis e Multiglandularis.
Não temos condições de analisar toda esta lista de trematóides; é um tra
balho que alguém deverá fazer. No momento, insistimos que não existem dife¬
renças morfológicas que realmente separem os gêneros Plagiorchis e Glypthel¬
mins; portanto, Glypthelmins deve se tornar sinônimo de Plagiorchis.
Agradecimentos: Os autores são extremamente gratos à Diretoria do Instituto Butantan
e ao eminente herpetologista A.R.Hoge, pelo fornecimento dos ofídios utilizados neste tra¬
balho. Agradecem aos Srs. José Navas, Cassiano Pereira Nunes, Iladyr da Silva Commerço
e José Antonio de Camargo, respectivamente técnico de laboratório, desenhista, datilógrafa
e secretário do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Uni¬
versidade de São Paulo, pela colaboração prestada.
ABSTRACT: Travassos (1927) described Plagiorchis luehei, a trematode
from the aesophagus of Hydrodynastes gigas (= Cyclagras gigas)-, this
snake is frequent in the Amazonas, Paraná and Paraguay basins (three
large South American rivers).
Mehra (1931) transfered P. luehei to the new genus Microderma he had
established for Microderma elinguis, a trematode parasitising a turtle of
the indian fauna.
P. luehei is redescribed in this paper, as well it is again replaced in the
genus Plagiorchis Luehe, 1899, accordind to the first proposition by Tra¬
vassos.
Attention is called upon Plagiorchis Luehe, 1899 and Glypthelmins
Stafford, 1905; it seems too hard to recognise Glypthelmins as a good
genus; it would be better to consider this genus as a synonim of Pla¬
giorchis.
UNITERMS: Trematoda. Plagiorchiidae. Plagiorchis. Glypthelmins. Mi¬
croderma. Morphology of P. luehei.
BIBLIOGRAFIA
1. AMARAL, A., 1929 — Contribuição ao conhecimento dos ophidios do Brasil. Mem.
Inst. But. 4, 72-125.
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ARTIGAS, P. de T. & CAMPOS M.S. de — Considerações sobre Plagiorchis luehei Travassos, 1927
(= Microderma lühei Mehra, 1931) (Tremaloda, Plagiorchiidae), parasito de Hydrodynastes gigas Dum.
et Brib. (Reptilia, Colubridae ). Mem. Inst. Butantan, 40 / 41:265-27'9, 1976/77.
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Recebido para publicação em 11-III-1977 e aceito em 29-VII-1977.
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KALICEPHALUS IN Eli MIS
MOLIN, 1861 (NEM A TODA ■ DIA PHANOCEPHA LI DA E).
RE DESCRIÇÃO E CONFIRMAÇÃO
DESTA ESPÉCIE; INFORMAÇÕES DE NATUREZA
BIOLÓGICA E CRÍTICA DO GRUPO
“INERMIS” PROPOSTO POR SCHAD.
MARIA DA PENHA MAIA FERNANDES* PAULO DE TOLEDO ARTIGAS**
Departamento de Parasitologia, Universidade de São Paulo
RESUMO: Kalicephahis inermis Molin, 1861, parasito de ofídios sul-ame¬
ricanos, é redescrito e homologada, com algumas ressalvas, a descrição
confirmatória da autoria de Schad (1962). Faz-se a crítica da inconsis¬
tência do grupo inermis proposto por Schad na mesma ocasião e assi¬
nala-se a conveniência de serem mantidas como boas espécies Kaliceplialus
inermis, Molin, 1861, Kaliceplialus macrovulvus Caballero, 1954 e
Kaliceplialus coroneUae Ortlepp, 1923 — que, no ponto de vista de Schad,
deveriam ser consideradas subespécies, ou raças geográficas.
São apresentados alguns dados biológicos pertinentes a K. inermis,
posta em relevo a sua frouxa especificidade parasitária e ressaltado o fato
de serpentes dos gêneros Waglerophis e Xenodon, que compartilham do
nicho ecológico das cobras habitualmente parasitadas por K. inermis, não
se apresentarem parasitadas por esse nematóide. Igualmente é posta em re¬
levo a percentualidade elevada de Bothrops jararaca, e outras espécies,
portadoras de calicéfalos ( K. inermis ou K. costalus), embora se trate
de animais de vida solitária, o que leva a supor um ciclo biológico par¬
ticular para estes nematóides.
Tendo sido coletada apreciável amostragem do K. inermis (material pro¬
veniente de 451 necropsias), chama-se a atenção para a uniformidade so¬
mática de K. inermis, aparecendo apenas variação anatômica discreta na
raia dorsal da bolsa copuladora.
UNITERMOS: Parasitismo de ofídios por Kaliceplialus inermis Molin,
1861; morfologia; prevalência parasitária. Nematoda; Diaplianocephalidae.
INTRODUÇÃO
Molin, em 1861, ao publicar sua monografia “II sottordine degli Acrofalli”,
criou o gênero Kaliceplialus e descreve, entre outras espécies, Kaliceplialus iner¬
mis, parasito de Bothrops jararaca e de Crotalus horridus (= Crotalus durissus
* Docente voluntária do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo; bolsista da
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
** Professor colaborador da Unicamp.
Endereço para correspondência: Instituto de Ciências Biomédicas da USP - Caixa Postal 00508 - São Paulo
- Brasil.
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FERNANDES, M. da P.M. & ARTIGAS, P. dc T. — Kalicephalus inermis Molin, 1861 (Nematoda;
Diaphanocephalidae) : redcscrição e confirmação desta espécie; informações dc natureza biológica e crítica
do grupo « inermis » proposto por Schad. Alem. Inst. Butantan, 40/41:281-297, 1976/77.
terrificus). Este calicéfalo é o primeiro das várias espécies congenéricas assi¬
naladas no trabalho de Molin e a única cuja descrição é acompanhada de de¬
senhos. Não obstante, com base apenas na descrição e nos desenhos de Molin,
não seria possível convalidar o K. inermis. Schad, manipulando o material de
Molin depositado no Museu de História Natural de Viena, coletado por Natte-
rer no Brasil, redescreveu e, definitivamente, individualizou K. inermis.
Atualmente, pesquisando os Kalicephalus sul-americanos, com abundante
material por nós colecionado, temos condição para apreciar as observações de
Schad, pertinentes ao nematóide em apreço.
Previamente, cremos ser de todo oportuno o desenvolvimento de nossa
descrição de K. inermis, comparando-a com a de Schad.
Nossa descrição baseia-se em material colhido em Bothrops jararaca pro¬
veniente de Iguape (SP), tendo sido coletados 20 machos e 23 fêmeas, e a
necropsia efetuada poucas horas após a morte do hospedeiro. Referência: ne¬
cropsia n 9 2.264, efetuada em 27.08.74.
REDESCRIÇÃO DE K. INERMIS
a) Caracteres gerais:
Nematóides de corpo cilindróide; espessura regularmente uniforme; nas
fêmeas, atenuando-se ligeiramente nas extremidades; nos machos, o corpo se
atenua ligeiramente à medida que se torna mais próxima a extremidade cefálica.
A extremidade cefálica tem um contorno tendendo para quadrilateral e
apresenta posteriormente ligeira constrição. A cápsula bucal mostra a estrutura
característica dos calicéfalos, possuindo no fundo da cavidade oral “coronula
radiata” facilmente visível; as peças laterais posteriores tendem para a forma
triangular; goteira dorsal facilmente visível. Observada lateralmente, a cabeça
mostra-se simétrica e nitidamente dirigida para a frente. Os prolongamentos
parenquimatosos da cápsula bucal, três em cada valva, terminam em papilas
sensoriais bem desenvolvidas. Esôfago relativamente largo na sua união com a
cápsula bucal, estreitando-se na sua porção média (istmo) e expandindo-se pos¬
teriormente em um bulbo mais largo que a porção esofagiana anterior. Anel
nervoso na parte média do esôfago. Poro excretor ventral e na altura do bulbo
esofagiano. Anteriormente ao poro excretor, duas espículas dérmicas, de situa¬
ção lateral. Intestino retilíneo, tanto no macho como na fêmea; presentes glân¬
dulas para-intestinais na sua região terminal.
b) Fêmeas
Comprimento médio: 12,3 mm
Largura máxima: 0,54 mm
Cápsula bucal: altura = 0,18 mm e diâmetro latero-lateral = 0,28 mm
Esôfago: comprimento = 0,59 mm, largura na região anterior = 0,20
e largura máxima do bulbo = 0,27 mm.
Genitália: vulva via de regra proeminente, situada a 4,4 mm da extremi¬
dade caudal; relação vulvo-corporal (obtida dividindo a porção pré-vulvar pela
porção pós-vulvar) igual a 1,7. Vagina curta e bifurcando para a formação dos
ovejectores que são opostos; úteros opostos, tipo anfidelfo. As alças genitais
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FERNANDES, M. da P.M. & ARTIGAS, P. de T. — Kalicephalus inermis Molin, 1861 (Nematoda;
Diaphanocephalidae): redescrição e confirmação desta espécie; informações de natureza biológica e crítica
do grupo « inermis » proposto por Schad. Alem. Inst. Butantan, 40/41:281-297, 1976/77.
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FERNANDES, M. da P.M. & ARTIGAS, P. de T. — Katicephnlus inermis Molin, 1861 (Nemaloda;
Diaphanocephalidae): rcdescrição e confirmação desta espécie; informações de natureza biológica e crítica
do grupo « inermis » proposto por Schad. Alem. Inst. Bulanlan, 40/41:28l-297, 1976/77.
ovarianas iniciam-se logo após o esôfago e pouco acima da abertura anal: ovos
de casca delgada, morulados já na cavidade uterina e medindo 0,072x0,040 mm.
A cauda da fêmea é característica: curta, robusta, com espinho curto terminal;
no rebordo posterior do ânus observa-se uma expansão cuticular, variável no
seu tamanho.
c) Machos
Comprimento: 9,6 mm
Largura máxima: 0,46 mm
Cápsula bucal: altura = 0,14 mm e diâmetro latero-lateral = 0,24 mm.
Esôfago: comprimento = 0,54 mm, largura na região anterior = 0,18 mm
e largura máxima do bulbo = 0,25 mm.
Genitália: bolsa copuladora ampla, ligeiramente oblíqua; cone genital bem
desenvolvido, apresentando três pares superpostos de papilas no rebordo poste¬
rior. Raias ventrais associadas, dividindo-se somente no terço distai; dirigidas
para frente. Grupos das laterais originando-se de um tronco único, sendo a la¬
teral anterior dirigida para a frente; raias média e lateral posterior bem sepa¬
radas, sendo a posterior a mais longa. A raia dorsal apresenta os ramos dor¬
sais externos, robustos; a raia dorsal propriamente dita apresenta-se palmada;
é do tipo IV de Schad; os três ramos de cada lado bem distintos, sendo o
interno o mais longo. Espículos iguais, finos, ligeiramente espatulados na extre¬
midade distai; em toda sua extensão percebe-se que, nos dois terços proximais,
apresenta uma bárbula contínua; comprimento do espículo = 0,76 mm. Guber-
náculo presente naviculado com o comprimento de 0,21 mm.
As medidas em apreço representam a média das mensurações de nove ma¬
chos e treze fêmeas.
O GRUPO “INERMIS”; CONCEITUAÇÃO DE SCHAD
Schad estabelece o “grupo inermis ”, como constituído por duas espécies,
K. inermis e K. subulatus e propõe para esse “grupo” a seguinte diagnose:
“Anfidelfos; ausência de corônula radiata; ausência de dentes orais; infla¬
ção da cutícula cervical presente ou ausente; machos abundantes, espículos
iguais e longos (raramente com menos de 0,5 mm); raia dorsal longa com
a ramificação terminal do tipo III, ou IV, ou V; no esôfago e estômago
de serpentes do Novo Mundo”.
A espécie K. inermis se desdobrando em três subespécies, ou “raças geográ¬
ficas”, a saber:
K. inermis inermis, ocorrendo no Brasil;
K. inermis macrovulvus, ocorrendo na região setentrional da América do
Sul e América Central;
K. inermis coronellae, ocorrendo no México, no Centro-Sul e Leste dos
Estados Unidos da América do Norte;
Quanto a K. subulatus, tal espécie não apresenta desdobramentos sub-espe-
cíficos.
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FERNANDES, M. cia P.M. & ARTIGAS, P. cie T. — Kalicephalus inermis Molin, 1861 (Nematoda;
Diaphanocephalidae) : reclescrição e confirmação desta espécie; informações de natureza biológica e crítica
do grupo «inermis» proposto por Scliad. Aí em. Inst. Butanían, 40/41:281-297, 1976/77.
Para a “espécie” K. inermis Molin, 1861, oferece Schad a seguinte diagnose:
“Do grupo inermis; cutícula cervical não inflada, ou apenas ligeiramente
inflada; raias laterais da bolsa nitidamente associadas e relativamente pa¬
ralelas com exceção das extremidades; ramos terminais da raia dorsal do
tipo III, IV, ou V; face em ponta ou arredondada; cauda da fêmea brevi-
cônica ou alongada; em diversas serpentes norte e sul-americanas, excluin-
do-se Constrictor constrictor".
As seguintes diagnoses, traduzidas literalmente, definem, no ponto de vista
de Schad, as três subespécies do grupo:
a) K. inermis inermis Molin, 1861.
K. inermis, com a cauda da fêmea curta e robusta; ramos terminais da raia
dorsal em grupos palmados (tipo V), face pontuda ou fortemente arredon¬
dada; cutícula cervical não inflada.
b) K. inermis macrovulvus (Caballero, 1954).
K. inermis, com a cauda da fêmea longa e cilíndrica na maior parte de sua
extensão, arredondada abruptamente na ponta; ramos terminais da raia dorsal
formando dois grupos um tanto (somewhat) palmados, com os ramos internos
longos; face arredondada; cutícula cervical não inflada.
c) K. inermis coronellae Ortlepp, 1923.
K. inermis, com a cauda da fêmea longa e afilando para terminar em ponta;
ramos terminais da raia dorsal distintamente isolados (spaced), não formando
grupos palmados, sendo os ramos terminais internos curtos; face arredondada;
cutícula cervical ligeiramente inflada.
(Para boa compreensão das três diagnoses, reproduzimos as figuras ofere
cidas por Schad).
Admitindo as três subespécies de K. inermis, Schad procura, com seguinte
argumentação, de fundamentação exclusivamente topogeográfica, fortalecer o seu
entendimento:
“K. inermis inermis (ocorrendo) no Brasil, com uma face que é tipica¬
mente pontuda, cauda da fêmea curta e raia dorsal bipalmada é substi¬
tuída para o norte por uma forma com a face arredondada, cauda de
fêmea alongada, cilíndrica, arredondada na extremidade, e a raia dorsal
bipalmada. Esta última, K. i. macrovulvus, é substituída ainda mais ao
norte por uma forma com a face mais achatada (flatter), uma cauda de
fêmea alongada, cônica, pontuda e uma raia dorsal com ramos terminais
separados, dos quais os mais internos são curtos se comparados com aque¬
les do primeiro. A mais setentrional das subespécies é K. i. coronellae."
CRÍTICA DA CONCEPÇÃO DE SCHAD,
RELATIVA AO “GRUPO” INERMIS E SUAS TRÊS SUBESPÉCIES,
OU “RAÇAS GEOGRÁFICAS”.
Schad, estabelecendo o “grupo inermis” e considerando como sub¬
espécies K. inermis Molin, 1961, K. macrovulvus Caballero, 1954 e K. coro¬
nellae Ortlepp, 1923, além dos caracteres anatômicos que invoca para identifi¬
car as três subespécies, procura se apoiar numa circunstância da natureza
zoogeográfica, a nosso ver realmente simplista. Afirma ele que na zona me-
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FERNANDES, M. da P.M. & ARTIGAS, P. de T. — Kalicephalus inermis Molin, 1861 (Nematoda;
Diaphanocephalidae): redescrição e confirmação desta espécie; informações de natureza biológica e crítica
do grupo «inermis» proposto por Schad. Alem. Inst. Butantan, 40/41:281-297, 1976/77.
PRANCHA III — K. i. coronellae, segundo Schad: 1 - Extremidade anterior. 2 - Vulva e porção terminal
da genitália feminina, ovejectores opostos. 3 - Cauda de fêmea. 4 - Bolsa copuladora, espículos e gubernáculo.
5 - Raia dorsal. 6 - Cone genital.
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FERNANDES, M. da P.M. & ARTIGAS, P. de T. — Kalicephalus inerrnis Molin, 1861 (Nemaloda;
Diaphanocephalidae): redcscrição c confirmação desta espécie; informações de natureza biológica e crítica
do grupo «inerrnis» proposto por Schad. Mem. lnst. Bulanlan, 40/41:281-297, 1976/77.
ridional da região neotrópica aparece K. inennis inerrnis, parasitando algumas
serpentes dessa área; mais para o norte, já em área em que tais serpentes dei¬
xam de aparecer, surge o K. inennis macrovulvus, ocorrendo em serpentes ex¬
clusivas da área, inclusive Lachesis muta que deve ser Lachesis mula mula, isto
é, a subespécie de L. mula setentrional, desde que L. m. noctívaga, ocorre ape¬
nas nas matas da vertente atlântica, desde o Estado do Rio de Janeiro até o de
Alagoas (Hoge e Romano, 1972). Enfim, no Estado de Massachussetts (USA)
e para o sul, nos Estados de Guerrero e Vera Cruz (México), ocorreria o K. i.
coronellae, encontrado em numerosas serpentes, cuja distribuição geográfica não
se estende para o sul.
Não há como negar a afinidade morfológica de K. i. inerrnis, K. i. macro
vulvus e K. i. coronellae; aliás, todas as espécies congenéricas de calicéfalos são
morfologicamente parecidas e o diagnóstico, no microscópio, de um calicéfalo
não oferece qualquer dificuldade. Também não se pode negar que a cauda das
fémeas é diferente, no caso de K. inerrnis inerrnis e K. i. macrovulvus, ou no caso
de K. i. inerrnis e K. i. coronellae; outra separação morfológica está patente na
raia dorsal, que em K. i. inerrnis e K. i. macrovulvus é do tipo V e em
K. i. coronellae é do tipo III.
Em trabalho publicado em 1975, nas Memórias do Instituto Butantan, dis¬
cutimos Kalicephalus subulatus Molin, 1861, e externamos nosso ponto de vista
de que K. subulatus e K. coronellae Caballero, 1954, devem ser na realidade
muito próximos, eventualmente uma mesma espécie.
Quanto a admitir-se o “grupo” inerrnis, nada há a opor; trata-se de uma
iniciativa sem maior importância, procurando reunir as espécies (que já são afins
genericamente) com afinidade morfológica mais acentuada. Opinamos, entre¬
tanto, que o subgrupo inerrnis deve se compor apenas de duas espécies: K. iner-
mis e K. subulatus, devendo desaparecer a denominação trinominal, das três sub¬
espécies ou “raças geográficas” de inerrnis.
No entendimento é o seguinte: K. inerrnis é espécie de ocorrência muito fre¬
quente no Centro e no Sul do Brasil; possivelmente pode ser encontrado no norte
da Argentina, no Paraguai no sul da Bolívia, parasitando ofídios que têm, nessa
área, seu habitat geográfico. K. macrovulvus, descrito por Caballero, é outro
calicéfalo, exclusivo do norte da região neotrópica e ocorrendo em serpentes
que não existem na área meridional da região neotrópica (apud Schad: Thale-
rophis occidentalis, Agkisírodon bilineatus, Bothrops atrox e Lachesis muta = L.
muta muta). Quanto a K. coronellae, a sua afinidade com K. inerrnis é bem
menos evidente e, na realidade, se reduz à anfidélfia da fêmea; a cauda da fêmea
do K. coronellae é longa e afilando-se progressivamente (a de K. inerrnis é curta,
grossa e com curto espinho terminal); o complexo da raia dorsal da bolsa co-
puladora masculina é do tipo III. Quanto aos hospedeiros de K. coronellae, Schad
enumera pelo menos 20 espécies de ofídios, embora tenha examinado apenas ma¬
terial de 5 ofídios diferentes, referidos na página 1099 de sua monografia. Diante
do exposto, verifica-se que o único carácter comum dos calicéfalos do grupo
inerrnis de Schad é a anfidélfia, apanágio da grande maioria dos calicéfalos (cerca
de 20); ao passo que os calicéfalos prodelfos não são mais que sete. Entende¬
mos que não há consistência para se compor o grupo inerrnis; é muito mais ló
gico considerar como espécies válidas e independentes os calicéfalos que tão arti¬
ficialmente Schad incluiu nesse grupo. O advérbio “artificialmente” cabe com
todas as suas letras; o grupo teria razão se se tratasse de espécies, ocorrendo na
mesma região e com idênticos hospedeiros; não é o caso.
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FERNANDES, M. da P.M. & ARTIGAS, P. dc T. — Kalicephalus inermis Molin, 1861 (Nematoda;
Diaphanocephalidae): redescrição e confirmação desta espécie; informações de natureza biológica e crítica
do grupo « inermis» proposto por Schad. Alem. lnst. Butantan, 40/41:281-297, 1976/77.
1,0 mm
1 i r rrmTrr n
necrop. 2264
PRANCHA IV — Kalicephalus inermis. Material proveniente de Bothrops jararaca, de Iguape, São Paulo:
1 a 13 - Desenhos totais de fêmeas, para se avaliar adequadamente a situação da vulva e ânus.
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FERNANDES, M. da P.M. & ARTIGAS, P. de T. — Kalicephalus inermis Molin, 1861 (Nematoda;
Diaphanocephalidae) : retlescrição e confirmação desta espécie; informações de natureza biológica e crítica
do grupo « inermis » proposto por Schad. Alem. Inst. tíutanlan, 40/41:281 -297 , 1976/77.
ALGUMAS INFORMAÇÕES BIOLÓGICAS
E MORFOLÓGICAS PERTINENTES A K. INERMIS
Aparentemente, a especificidade parasitária de K. inermis é muito frouxa,
pois encontramos este nematóide em dez espécies diferentes de ofídios, notando
que não foram raros os casos de parasitismo misto, com a presença de K. inermis
e K. costatus, dois calicéfalos fáceis de serem distinguidos por seus caracteres ana¬
tômicos.
Tal apreciação se justifica também para o K. costatus que foi encontrado,
em maior ou menor percentagem, nas mesmas dez espécies de serpentes para¬
sitadas por K. inermis. — Entretanto, cabe aqui assinalar um fato curioso, quan¬
do lida-se com parasitas de tal ubiqüidade; é o caso das boipevas ( Waglerophis
merremii, Xenodon neuwiedii e Xenodon guentheri), em que não encontramos
K. inermis, embora tenham sido necropsiadas, respectivamente, 73, 35 e 4 exem¬
plares; as boipevas são parasitadas exclusivamente por K. costatus. Interessa
assinalar que boipevas e outras cobras parasitadas por Kalicephalus são frequen¬
temente encontradas no mesmo nicho ecológico. Talvez no decurso de pesqui¬
sas relacionadas com ciclo biológico desses calicéfalos venham à tona as razões
da aparente refractariedade das boipevas ao K. inermis.
Varia muito o número de exemplares de K. inermis encontrados; frequen¬
temente não ultrapassa de uma dezena de parasitas; entretanto há infestações,
sobretudo em B. jararaca, em que o número de nematóides ultrapassa uma cen¬
tena.
Fato digno de ser focado é o do elevado número de ofídios, de várias espé¬
cies, parasitados por calicéfalos (B. cotiara, 32 exemplares necropsiados, 65%
parasitados; B. jararaca, 646 exemplares necropsiados, 53% parasitados); igual¬
mente é interessante notar a prevalência de K. inermis, sobre K. costatus (B.
cotiara, em 21 exemplares parasitados, a presença de K. inermis foi de 95,2%;
B. jararaca, em 348 exemplares parasitados, a presença de K. inermis foi de
90,8%). Do ponto de vista biológico, é sem dúvida curioso o que foi verificado
e esse fato permite indagações: Por quê esta receptividade maior pelo K. iner¬
mis? Em que condições, esses ofídios que não são espécies zoológicas sociá¬
veis e sendo encontrados, via de regra, isolados um dos outros mostram-se pa¬
rasitados com tanta freqüência? A alta percentualidade de parasitismo não
mereceria maior atenção se esses ofídios formassem sociedades íntimas que fa¬
vorecessem a disseminação desses parasitas, como ocorre com determinados hel¬
mintos de aves ou mamíferos domésticos, ou do próprio homem na zona rural,
quando encontra-se, em determinadas circunstâncias, praticamente toda uma po¬
pulação albergando o Necator americanas ou o Ancylostoma duodenale.
Particularidades como estas aqui citadas põem em destaque a necessidade
de melhor conhecimento dos parasitas de serpentes, cuja biologia, elucidada, de¬
verá trazer contribuição de valor em outros setores da parasitologia animal.
Quanto ao tamanho de K. inermis, verificamos haver acentuada variação;
parece-nos que essa variação deva estar relacionada com o micro-clima repre¬
sentado pelo organismo do ofídio parasitado. Aparentemente, B. jararaca é o
hospedeiro mais adequado, e nesta serpente temos encontrado os maiores exem¬
plares de K. inermis.
A variação do tamanho não é acompanhada de variação anatômica; nas fê¬
meas, particularmente, existe impressionante uniformidade de características moi-
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FERNANDES, M. da P.M. & ARTIGAS, P. de T. — Kalicephalus inermis Molin, 1861 (Nematoda;
Diaphanocephalidae) : redescrição e confirmação desta espécie; informações de natureza biológica e crítica
do grupo « inermis » proposto por Scliad. Mem. lnst. Butantan, 40/41:281-297', 1976/77.
1 1 1 1 1 necrop. 2264
PRANCHA V — Kalicephalus inermis, proveniente de Bothrops jararaca, de Iguape, São Paulo: 1 a 5 -
Extremidade cefálica de fêmeas. 6 a 12 - Extremidade anterior de fêmeas. 13 a 19 - Extremidade caudal
de fêmeas.
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FERNANDES, M. da P.M. & ARTIGAS, P. de T. — Kalicephalus inermis Molin, 1861 (Nematoda;
Diaphanocephalidae): rcdcscriçâo e confirmação desta espécie; informações de natureza biológica e crítica
do grupo «inermis» proposto por Schad. Mem. Inst. Butantan, 40/41:281-297\ 1976/77.
fológicas. Nos machos, entretanto, surgem variações nas raias de bolsa copula-
dora que serão assinaladas mais adiante.
Aliás, na amostragem bastante ampla a nosso dispor, não seria de estra¬
nhar a presença de variações anatômicas e é curioso termos só nos machos
notado tal verificação, quando focalizamos nossa atenção para a bolsa copu-
ladora. É o caso do complexo raia dorsal, que tipicamente é do grupo V de
Schad; entretanto este complexo radial dorsal varia, como demonstram os de¬
senhos anexos, nos quais as ramificações se mostram mais curtas e grossas,
situando-se no grupo IV de Schad.
É igualmente interessante o encontro bastante freqüente de anomalias no
complexo dorsal da bolsa copuladora, como se acha bem assinalado nos de¬
senhos anexados ao trabalho.
Com relação à localização parasitária, parece-nos ser o estômago e a pri¬
meira porção intestinal a zona de eleição; entretanto, em necropsias efetuadas
decorridas algumas horas da morte, encontram-se calicéfalos migrando até o
reto e, anteriormente, para o esôfago, inclusive a boca.
HOSPEDEIROS DE K. INERMIS E K. COSTATUS
E DADOS PERCENTUAIS DE SERPENTES PARASITADAS
Hospedeiro
Total de
, - „ ofídios
necropsias . .
parasitados
Total de
Total de
portadores
de K. inermis
Total de
portadores
de K. costalus
Total de
portadores
de parasitismo
misto:
(K. inermis e
K. costatus)
No
No
%
No
%
No
%
No
c /o
Bothrops alternalus
30
7
23,33
1
14,28
6
85,71
_
_
Bolhrops cotiara
32
21
65,62
20
95,23
1
4,76
—
—
Bothrops jararaca
646
348
53,86
316
90,80
17
4,88
15
4,31
Bothrops jararacussu
10
6
60
5
83,33
1
16,66
— . •
—
Bothrops pradoi
35
2
5,71
1
50
1
50
—
—
Crotalus durissus lerrificus
323
45
13,93
34
75,55
10
22,22
2,22
—
Epicrates cenchria crassus
2
1
50
1
100
—
—
—
—
Liophis miliaris
59
9
15,25
2
22,22
7
77,77
—
_
Vhilodryas patagoniensis
22
11
50
1
9,09
10
90,9
—
—
Simophis rhinoslotna
2
1
50
1
100
—
—
—
—
No seguinte quad
ro estão relacionados
os
hospedeiros de K.
inermis
e K.
costalus, na região centro-sul brasileira. Igualmente, são apresentados os percen¬
tuais das serpentes portadoras dos dois nematóides em apreço, com infestações
isoladas, ou em casos de parasitismo misto. Não se incluem neste quadro Wagle-
rophis meremii, Xenodon neuwiedii e Xenodon guentheri, parasitadas exclusiva¬
mente por K. costatus.
DISCUSSÃO
a) Análise comparativa entre nossa redescrição e a descrição de Schad.
Uma discrepância está no fato de no grupo “inermis” sensu Schad, não
existir “corônula radiata”; trata-se evidentemente de uma observação imperfeita
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FERNANDES, M. da P.M. & ARTIGAS, P. de T. — Kalicephalus inertnis Molin, 1861 (Nematoda;
Diaphanocephalidae): redescrição e confirmação desta espécie; informações de natureza biológica c crítica
do grupo « inertnis » proposto por Schad. Alem. Inst. Butantan, 40/41:281 -297 , 1976/77.
0,2 mm
necrop. 2214
PRANCHA VI — Kalicephalus inermis provenientes de Bothrops jararaca, do Estado do Espírito Santo:
l - Extremidade cefálica de fêmea. 2 - Extremidade anterior de fêmea. 3 - Porção terminal da genitália
feminina, mostrando ovcjectores opostos. 4 - Extremidade anterior de macho. 5 - Extremidade cefálica de
macho. 6 - Espículos e gubernáculo. 7 - Ovos desenhados quando ainda na cavidade uterina. 8 - Extre¬
midade caudal de fêmea. 9 - Bolsa copuladora, vista lateral. 10 - Raia dorsal com maior aumento. 11 -
Grupo ventral das raias da bolsa copuladora.
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Diaphanocephalidae): redescrição e confirmação desta espécie; informações de natureza biológica e crítica
do grupo « inermis » proposto por Schad. Alem. Inst. Butantan, 40/41:281-297, 1976/77.
de Schad; o K. inermis apresenta no fundo da cápsula bucal uma formação
característica franjada circular, contínua, tipicamente uma “corônula radiata”
interna. Dizemos que a observação de Schad foi imperfeita, baseados na
circunstância de termos examinado a amostra do Instituto Butantan n.° 005775,
que também serviu para o estudo de Schad; nessa amostra a “corônula” inter¬
na foi inequivocamente verificada.
Outra apreciação de Schad, que não tem consistência, é referir: “K. inermis
no Brasil, com uma face que é tipicamente pontuda”. É possível que o mate¬
rial de Molin apresente-se com esse aspecto; trata-se, entretanto, de material
antigo e já castigado pelo tempo e podendo ter defeitos de fixação ou decor¬
rentes de manipulação. O K. inermis de área geográfica brasileira tem a cabeça
tendendo para a forma trapezóide.
Quanto aos demais aspectos somáticos, podemos admitir que a descrição
de Schad enquadra-se razoavelmente com a nossa e que não existe condição
para que se deixe de fixar, desde logo, o K. inermis, com uma espécie boa de
parasito extremamente comum em ofídios da região centro-sul brasileira.
b) O “grupo inermis” de Schad.
Já foi feita adequadamente nossa crítica sobre este “grupo”; apresentamos
nossas razões contrárias ao desejo de Schad de considerar, como “raças geográ¬
ficas”, ou “subespécies”, três boas espécies, isto é, K. inermis, K. macrovulvus e
K. coronellae. Trata-se, entendemos, de três nematóides com afinidade anatô¬
mica, realmente indiscutível; aliás, todas as espécies de calicéfalos apresentam
uma uniformidade morfológica realmente impressionante. Entretanto, além da
distribuição geográfica definida para cada um e de hospedeiros distintos, aqueles
três calicéfalos apresentam diferenciação anatômica fixa; a cauda das fêmeas
do K. inermis e do K. macrovulvus é de conformação diversa e, no caso do K.
coronellae a raia dorsal da bolsa copuladora é do tipo III. Admitindo, em
taxonomia, que possa haver divergência na maneira de ver de diferentes pes¬
quisadores, deve haver, naturalmente, um limite para tal disparidade; apresen¬
tamos nossa maneira de considerar os três calicéfalos, com conceituação dife
rente da de Schad.
Em trabalho publicado em Memórias do Instituto Butantan, afirmamos que
K. i. coronellae morfologicamente se confunde com K. subulatus, e que, se as
áreas de dispersão dos dois nematóides se superpõem, não haverá outro ele¬
mento de classificação que o de hospedeiros; previmos também, nesse traba¬
lho, que K. i. coronellae, feitas as necessárias indagações de ordem zoogeográ-
fica e de hospedeiros, poderá realmente passar a ser um sinônimo de K. subulatus.
CONCLUSÕES
1. Kalicephalus inermis Molin, 1861, redescrito por Schad, em 1962, é
uma espécie bem caracterizada e ocorrendo, com muita frequência, no centro e
sul do Brasil e, provavelmente, em áreas limítrofes de países vizinhos.
2. Não existe consistência para se admitir o “grupo inermis'’ proposto por
Schad, e que K. i. inermis, K. i. macrovulvus e K. i. coronellae são espécies bem
definidas e não subespécies ou raças geográficas.
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Diaphanocephalidae): redescrição e confirmação desta espécie; informações de natureza biológica e crítica
do grupo «inermis» proposto por Schad. Mem. Inst. Butantan, 40/41:281 -297 , 1976/77.
PRANCHA VII — Kalicephalus inermis: 1 a 11 - Desenhos da raia dorsal da bolsa copuladora de K. inermis,
obtidos de vários hospedeiros, demonstrando variação no complexo do grupo dorsal interno. 12 a 16 -
Desenho da raia dorsal da bolsa copuladora da K. inermis; observar a presença de anomalias de tipo
variável; exemplares oriundos de diferentes hospedeiros.
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FERNANDES, M. da P.M. & ARTIGAS, P. de T. — Kalicephalus inermis Molin, 1861 (Nematoda;
Diaphanocephalidae): reclescrição e confirmação desta espécie; informações de natureza biológica e crítica
do grupo «inermis» proposto por Schad. Alem. lnst. Dutanlan , 40/41:28l-297, 1976/77.
3. Embora encontrado em diferentes serpentes, K. inermis não ocorre em
“boipevas” (ofídios dos gêneros Waglerophis e Xenodon), que coabitam as
mesmas áreas ecológicas com outras cobras frequentemente parasitadas por esse
nematóide.
4. É elevada a percentualidade de diferentes ofídios portadores de cali-
céfalos ( K. inermis, K. costatus, sobretudo K. inermis), embora tais serpentes
não vivam em sociedade e, ao contrário, via de regra são encontradas isolada¬
mente.
Agradecimentos: Entendemos justo deixar nossos agradecimentos a:
1. Diretoria, pesquisadores e auxiliares do Instituto Butantan, pelo franco apoio,
fornecendo-nos material e cooperando por todas as maneiras.
2. Srta. Wilma Garcia de Souza, pelos serviços de datilografia.
Sr. Cassiano Pereira Nunes, desenhista do Departamento, pela execução dos de-
3.
senhos.
4.
5.
Sr. José Navas, técnico, colaborador nas necropsias e coleta de material.
Sr. Wagner de Mello, auxiliar técnico, participando das várias atividades no de¬
curso da pesquisa.
ABSTRACT: Kalicepliahis inermis Molin, 1861, a Diaphanocephalidae of
South American snakes, is redescribed and confirmed with eventual discre-
pance the description of Schad (1962).
It is criticized the “inermis Group” proposed by Schad and remarked
the convenience of maintening as good species Kalicephalus inermis Molin,
1861, Kalicephalus macrovulvus Caballero, 1954 and Kalicephalus co-
ronellae Ortlepp, 1923, which, according to Schad’s opinion, would be
considered as subspecies or “geographical races”. Some biological informa-
tions upon K. inermis are presented; a reference to its low parasitic
especificity is explained and called attention for the matter that snakes of
the genus Waglerophis and Xenodon are not parasited by that nema,
notwithstanding the circunstance of living in the same ecological niche
with other parasited snakes. It is remarked that Bothrops jararaca and
some other snakes are parasited in a high percentage by K. inermis, or
K. costatus; this is a curious finding since these snakes live insulated, and
not search for society; this condition allows one to suppose a different
biological developmcnt for the worms. As a good collection of K. inermis
has been joined (worms from 451 necropsied snakes), attention is called
to the somatical uniformity of K. inermis; only slight anatomic variation
has been observed in the pattern of dorsal ray in males.
UNITERMS: Parasitism in snakes by Kalicephalus inermis Molin, 1861;
morphology; parasitic prevalence. Nematoda; Diaphanocephalidae.
BIBLIOGRAFIA
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Recebido para publicação em 17-XTly75 e aceito em 13-IV-1977.
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Mem. Inst. Butantan
40/41: 299-304, 1976/77.
VERIFICAÇÃO DO PARASITISMO
DO POLYGHRUS ACUTIROSTRIS SPIX, 1821
(SAURIA: IGUANIDAE), NOVO HOSPEDEIRO
NATURAL DO PLASMODIUM ( GA RINAMO E BA )
MIN APENSE CARINI & RUDOLPH, 1912.
NELSON DA SILVA CORDEIRO * *
RESUMO: Relata-se o parasitismo, de Polychrus acutirostris Spix, 182],
vulgarmente chamado “lagarto preguiça”, proveniente de Matheus Leme
(MG, Brasil), por Plasmodium ( Carinamoeba ) minasense Carini &
Rudolph, 1912. Redescreve-se o hematozoário, com apresentação de figu¬
ras nos vários estágios do seu desenvolvimento naquele lacertílio.
UN1TERMOS: Plasmodiidae. Plasmodium minasense (*). Iguanidae.
Novo hospedeiro (*).
INTRODUÇÃO
Interessados na pesquisa de espécies de Plasmodium parasitos de lacertílios.,
tivemos a oportunidade de examinar um exemplar de Polychrus acutirostris Spix,
1821, lagarto capturado na localidade denominada Matheus Leme (Minas Ge¬
rais — Brasil), cuja identificação devemos à gentileza do Professor Paulo Emí¬
lio Vanzolini, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.
Nesse iguanídeo, em esfregaços de sangue corados, encontramos uma espé¬
cie de Plasmodidae que, por suas características morfológicas, identificamos
como Plasmodium minasense Carini & Rudolph, 1912 2 ; espécie do subgênero
Carinamoeba Garnham, 19661 Sendo esta a primeira verificação do parasi¬
tismo no lagarto acima referido, julgamos oportuno torná-la pública.
MATERIAL E MÉTODOS
Como os demais lacertílios trazidos ao laboratório, este P. acutirostris,
depois de identificado e numerado, foi mantido em cativeiro, em ambiente com
boa umidade e regularmente alimentado com larvas de Tenébrio sp.
Trabalho realizado, em parte, no Instituto de Ciências Biológicas da UFMG j Departamento de Zoologia
e Parasitologia e concluído no Departamento de Parasitologia da UNICAMP, sob os auspícios da CAPES
e CNPq.
(*) Unitermos principais.
* Departamento de Parasitologia do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP),
Caixa Postal 1170 - Campinas - São Paulo - Brasil.
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CORDEIRO, N. da S. — Verificação do parasitismo do Polychrus acutirostris Spix, 1821 (Sauria: Iguanidae),
novo hospedeiro natural do Plasmodium (Carinamocba) minasense Carini & Rudolph, 1912. Mem. lnst.
Butantan, 40/41: 299-304, 1976/77.
Figs. 1 a 24 — Desenhos em câmara-clara do Plasmodium (Carinamocba) minasense de esfregaços sanguíneos,
corados pelo Giemsa.
FERNANDES, M. da P.M. & ARTIGAS, P. de T. — Kalicephalus inermis Molin, 1861 (Nematoda;
Diaphanocephalidae): redescrição e confirmação desta espécie; informações de natureza biológica e crítica
do grupo « inermis » proposto por Schad. Alem. Inst. Butantan, 40/41:28I-297 , 1976/77.
Figuras 6 e 7 — Formas alongadas com granulações finas de pigmento
Figura 8 — Forma em anel, com um grão compacto de pigmento
Todos os trofozoítos apresentam citoplasma estreito, englobando um vacúolo
central.
Esquizontes:
Figuras 9 e 10 — Formas alongadas, com granulações finas e dois núcleos
Figura 11 — Forma larga, com granulações finas e dois núcleos
Figura 12 — Forma em abano, com um grão compacto de pigmento e dois
núcleos
Figura 13 — Forma em cone, com um grão compacto de pigmento e três
núcleos
Figuras 14 e 15 — Formas cruciformes, com granulações finas, três e qua¬
tro núcleos, respectivamente
Figura 16 — Configuração arredondada, com granulações finas e quatro
núcleos
Figuras 17 e 18 — Forma em abano, com um grão compacto de pigmento e
quatro núcleos
Figuras 19 e 20 — Configuração arredondada, com granulações finas de
pigmento central; cinco e seis núcleos.
Gametócitos:
Figuras 21 e 22 — Macrogametócito: oval ou alongado, núcleo com cro-
matina densa. Pigmento em grão compacto. Pode apresentar vacúolo
Figuras 23 e 24 — Microgametócito: oval ou arredondado, núcleo com cro-
matina difusa, irregular. Pigmento em grão compacto. Pode apresentar vacúolo.
Agradecimento: Ao biólogo João Evangelista da Silva, pelo fornecimento do lagarto
infectado para este estudo.
ABSTRACT: The author reports a new host of Plasmodium minasense,
the lizard Polychrus acutirostris, from Matheus Leme, Minas Gerais
(Brasil). Measurements of the parasite in host cells were made from
camera lúcida drawings. A redescription of this Plasmodium is offered.
(JNITERMS: Plasmodiidae. Plasmodium minasense(*) . Iguanidae. New
host(*).
303
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FERNANDES, M. da P.M. & ARTIGAS, P. de T. — Kalicephalus inermis Molin, 1861 (Nemaloda;
Diaphanocephalidae): redescrição e confirmação desta espécie; informações de natureza biológica e crítica
do grupo « inermis » proposto por Schad. Mem. Inst. Butantun, 40/41 -.281-297, 1976/77.
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10 .
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A NEW SUBSPECIES OF C ROT A LU S DURISSUS
(SERPENTES : CROTALIDAE) FROM THE
R UPUNUNIS AVANNA OF SOUTH WESTERN OU Y AN A
HERBERT S. HARRIS, JR. and ROBERT S. SIMMONS
Department of Herpetology, Nat. Hist. Soc. of Maryland, U.S.A.
ABSTRACT: A new subspecies of Crotalus durissus is described from
the Rupununi Savanna of southwestern Guyana. It is distinguished from
all other subspecies of Crotalus durissus by the presence of a definite
triangular light mark on each of the supraoculars, and in having the
body diamonds edged with white tipped scales. Its possible taxonomic
status as a full species is discussed.
UNITERMS: Crotalus durissus trigonicus subsp. nov.(*); Crotalus duris¬
sus cumanensis Humbold and Bonpland; Crotalus durissus cascavella Wa-
gler; Crotalus durissus terrificus (Laurenti); Crotalus durissus marajoensis
Hoge; Crotalus durissus ruruima Hoge (*); Crotalus unicolor Van Lidth
de Jeude Crotalus durissus collilineatus Amaral; Crotalus durissus dryinus
(Linnaeus) (*).
1NTRODUCTION
Allen and Neil (1957) were first to point out the existence of an apparently
undescribed Crotalus durissus inhabiting the Rupununi Savanna in southwestern
British Guiana (=Guyana). They pointed out that both Gloyd (1940) and Klau-
ber (1941, 1956) felt there were probably some undescribed subspecies of Cro¬
talus durissus in South America, but that a taxonomic appraisal must await addi-
tional material. Klauber (1956) suggested that at least three subspecies of Cro¬
talus durissus would probably eventually be recognized from Suth America, C. d.
cumanensis Humboldt in the north (Venezuela and Colombia), C. d. cascavella
Wagler, in the Brazilian “bulge” and C. d. terrificus (Laurenti) in the south
(southeastern Brazil, Paraguay, Uruguay, northern Argentina and Bolivia and
extreme eastern Peru). Vellard (1938, 1943), Gonçalves (1954), Gonçalves
and Viera (1950, 1956) and Schenberg’s (1959a 1959b) studies on venom gave
clues to still another subspecies of C. durissus occurring in Brazil. Hoge (1966),
(*) Principal uniterms.
Mailing address: Department of Herpetology, Natural History Society of Maryland, Inc.
Street - Raltimore - Maryland 21218 - U.S.A.
2643 North Charles
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HARRIS JR., H.S. & SIMMONS. R.S. — A new suhspccies of Crotalus durissus (Serpentes: Crotalidac)
from thc Rupununi Savanna of southwestern Guyana. Mem. Inst. Butantan, 40/41:305-311 , 1976/77.
in his “Preliminary Account on Neotropical Crotalinae (Serpentes Viperidae)”,
divided thc rattlesnakes of South America into eight subspecies. He resurrected
four from the synonymy of Crotalus d. terrificus (two that Klauber, 1956, had
predicted )and described two others, C. d. marajoensis and C. d. ruruima. He
recognized C. unicolor as a subspecies of C. durissus, apparently following Bron-
gersma (1940). Harris and Simmons (1972a), since that time have elevated C.
unicolor to specific status.
Klauber (1972) in his revised edition of the “Rattlesnakes” did not appa¬
rently understand Hoge’s (1966) work, and did not recognize his revision of the
South American C. durissus. He did, however, list the separation given by Hoge
(1966) in a footnote. Harris and Simmons (1972a) presented “A checklist of
the rattlesnakes ( Crotalus durissus group) of South America” recognizing the
division of this group as proposed by Hoge (1966), and presented a map giving
the distribution of the South American representatives of the Crotalus durissus
group. Harris and Simmons (1972b) also presented identification keys for this
group which were adapted from Peters and Orejas-M irando (1970). Harris and
Simmons (1976) presented “A preliminary account of the rattlesnakes” and con¬
tinue to recognize Hoge’s (1966) separation, although they point out the existence
of a new subspecies in southwestern Guyana, specifically the one pointed out
by Allen and Neill (1957).
CROTALUS DURISSUS TRIGONICUS SUBSP. NOV.
RUPUNUNI SAVANNA RATTLESNAKE
1972. Crotalus durissus terrificus Klauber, Rattlesnakes, vol. 1, p. 35.
Holotype. — No. RS907HSH/RSS in the authors’ collection at the Natural
History Society of Maryland, an adult female collected in December 1970, in the
Rupununi Savanna of southwestern Guyana (Figure 1).
Paratypes. — Four specimens from the type locality, collected at thc McTurk
Homestead on the Rupununi River, about 3 mi E Karanambu, British Guiana
(=Guyana) during September 1952 and catalogued UF 16157, 16159-16161 in
the collection of the Florida State Museum, University of Florida.
Range. — Known at present only from the type locality: the isolated Rupru-
nuni Savannas of southwestern Guyana. Probably also occurs in the adjacent
savannas of the State of Roraima, Brazil.
Diagnostic Characters. — A dwarfed subspecies of Crotalus durissus inter-
mediate in pattern between C. d. ruruima and C. d. dryinus. It has a definite
triangular light mark (V shaped) on the supraoculars with the apex towards the
ccnter of the head (Figure 2). The body is boldly patterned with white — tipped
scales bordering the diamonds. The centers of the diamonds are ground color
bordered with deep brown to black, then bordered on the outside by the white —
tipped scales.
Description of the Holotype. — An adult female. Total length 1157 mm;
tail length 82 mm; ratio of tail to total length 0.071 . The head length is 5.02 cm
and is contained in the total length 23 times. The body is stout and the vertebral
ridge conspicuous.
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HARRIS JR., H.S. & SIMMONS. R.S. — A nevv subspecies of Crolalus durissus (Serpentes: Crotalidae)
from the Rupununi Savanna of southwcstern Guyana. Alem. Inst. Bulantan, 40/41:305-311, 1976/77.
Fig. 1 — The holotype (RS 907 HSH/RSS), an adult female Crotalus durissus tngonicus from the Kupunum
Savanna of southwestern Guyana.
Fig. 2 — A close-up of the head of the holotype (RS 907 HSH/RSS), an adult female Crotalus durissus
trigonicus from the Rupununi Savanna of southwestern Guyana.
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HARRIS JR., II.S. & SIMMONS. R.S. — A ncw subspecies of Crotalus durissus (Serpentes: Crotalidae)
from the Rupununi Savanna of southwestern Guyana. Alem. lnst. Butantan, 40/41:305-311 , 1976/77.
The scale rows are 29-31-21. The dorsal scales are strongly keeled, espe-
cially anteriorly; the first lateral row is smooth. There are 11 scale rows at the
center of the tail.
The head is more oval than triangular, and the snout is blunt. The rostral
is triangular and is slightly higher than wide; it is bordered by six scales, a su-
pralabial, a prenasal, and an internasal on cach side. The scales on top of the
head, anterior to the supraoculars, comprise of a pair of triangular internasals,
and a pair of larger prefrontals. The frontal area is occupied anteriorly by a pair
of scales contacting medianly; posterior to these are five scales (2 pairs containing
a scale in the center) which are bordered posteriorly by a crescent — shaped
scale on each side that curves around behind the supraocular. Directly behind
the frontal region are a number of irregular scales; the remaining head scales are
fairly regular, and are conspicuously rediged and imbricate.
The nasais are divided; the anterior is larger, and the posterior contains the
nostril. There are two loreals on each side, the upper is interposed between the
upper preocular and the prefrontal. The supraoculars are of normal size and jut
out slightly over the eyes. There are two preoculars (the upper is larger), the
lower being divided posterioly; 2 suboculars and 3 postoculars on the right side,
while there are 1 subocular and 2 postoculars on the left side. There are four
scales between the supralabials and the orbit. The supralabials are 14/14 with
only the first and fourth enlarged; the infralabials are 16/16, the first pair divi¬
ded; the first three on either side contact the geniais. The mental is triangular;
there is one pair of geniais contacting medianly.
There are 178 ventrals and 23 subcaudals. The anal is entire .The rattle
string is incomplete but comprises of 7 equal width segments. The width of the
proximal rattle is 13.47 mm.
Dorsally, the ground color in life was olive greenish with dorsal diamonds
of which the centers were the same color. The ground color centers were bordered
by dark brown to black of about one to two scale widths, which in turn
was bordered by a scale row of scales of which at least half was white or ivory
in color, distinctly setting off the light centered diamonds. There are twenty
diamonds on the body which fade out posteriorly. There are two darker bands
on the tail, and at least one-half of the tail (posterior) is black. The white —
tipped scales which border the dorsal diamonds continue laterally to border the
dark lateral (paraventral) blotch (sometimes with a ground color center) as well.
There are numerous black — tipped scales between the diamonds laterally as
well as within the light diamond centers. The ventral is immaculate anteriorly
with some blotching on the edges of the ventrals at the first scale row, bccoming
more dense across the ventrals posteriorly. Ventral surface of the tail is darker
than the ventral surface of the body and becomes jet black posteriorly.
Variation in the Paratypes. — The paratypes basically agree well with the
holotype and are described as follows: Body stout. Head length is contained
about 22 times in total length. Ratio of tail length to total length about 0.098
in males, and 0.077 in females (Allen and Neill, 1957, give 0. 104 and 0.070,
respectively; the specimens being preserved so long prior to my measurements
may account for the difference).
The head is more oval than triangular and the snout blunt. The rostral is
triangular, almost as wide as high, and is bordered by a pair of supralabials, pre-
nasals and internasals. The scales on top of the head, anterior to the supraoculars,
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HARRIS JR., H.S. & SIMMONS. R.S. — A ncw subspecies of Crotalus durissus (Serpentes: Crotalidae)
from the Rupununi Savanna of southwestern Guyana. Mem. Insl. Butantan, 40141:305-311, 1976/77.
include a pair of triangular internasals and a pair of larger prefrontals. The
frontal area is occupied anteriorly by a pair of scales in contact medianly. Poste¬
rior to these the number of scales in this region varies from about 4 to 6. These
border on each side a more or less crescent — shaped scale at the posterior end
of the supraoculars. The remaining head scales are more or less regular and
are conspicuously ridged and imbricate.
The nasais are divided, the anterior larger; the posterior containing the nos-
tril. There are two loreals on each side. Supraoculars normal, slightly jutting
over eyes. There are two preoculars, two suboculars, and two or three postoculars.
There are four rows of scales between the supralabials and orbit. Supralabials 12
to 15; infralabials 14 to 17, first pair divided. Mental is triangular and one pair of
geniais in contact medianly. Ventrals vary from 170-172 in males, and 177 — 178
in females. Subcaudals 29-31 in males, and 21-23 in females. Scale rows
29-29-21, 29-31-21 or 29-29-20.
The rattle segments in three of the four paratypes indicate by equal segment
size in the segments nearest the proximal rattle that sexual maturity has been
attained. Total lengths of these specimens vary between 680 and 923 mm (2
males and 1 female). Allen and Neill (1957) indicate that in two other females
measuring 949 and 1031 mm, the rattle segments become progressively larger
toward the proximal rattle indicating that maturity had not been reached. It
must be remembered that the holotype is a 1157 mm female that had reached
maturity, and is the largest C. d. írigonicus known to date. This subspecies is
larger than C. d. ruruima, but still on an average smaller than the other C. durissus
subspecies.
Discussion. — Crotalus durissus írigonicus is intermediate in many characters
between C. d. dryinus and C. d. ruruima which in order show a cline toward
Crotalus vegrandis. Apparently, C. vegrandis has been ecologically isolated suffi-
cient time for complete differentiation to the specific levei. Both C. d. írigonicus
and C. d. ruruima may no longer intergrade due to dwarfism and ecological isola-
tion, and may actually be full species. This decision must await a thorough study
when more material is available from these areas as well as the intervening areas
between the forms here recognized.
Crotalus durissus írigonicus can be separated from C. d. durissus, C. d. culmi-
natus, C. d. totonacus, C. d. tzabcan, C. d. cumanensis, C. d. dryinus, C. d. ma-
rajoensis, C. d. cascavella and C. d. collilineatus by the white — tipped scales
bordering the dorsal diamonds and the triangular light mark on the supraoculars.
It can be separated from C. d. terrificus by the strongly contrasting pattern of dark
biotches on a light background and again the triangular light mark on the su¬
praoculars. From C. d. ruruima by the presence of this same triangular shaped
light mark on the supraoculars. Occasional specimens of C. d. dryinus, especially
those from more inland localities, may also show the triangular light marks on
the supraoculars, but they do not have the white — tipped scales bordering the
body diamonds as in C. d. írigonicus. A specimen of Crotalus d. dryinus exami-
ned (RS 986 HSH/RSS) supposedly collected near Georgetown, Guyana is the
only one we have seen with a triangular light mark on each supraocular, but its
body pattern shows no white — tipped scales even remotely resembling C. d.
írigonicus.
Allen and Neill (1957) point out that in the Rupununi Savannas the Macusí
fndians claim that there are two kinds of rattlesnakes in the area, a “savanna
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IIARRIS JR., H.S. & SIMMONS. R.S. — A new subspccies of Crolalus durissus (Serpentes: Crotalidae)
from the Rupununi Savanna of southwcstern Guyana. Mem. Insl. Butanlan, 40/41:305-311 , 1976/77.
rattlesnake”, and a large “bush rattlesnake”. The “bush rattlesnake” collected
by them was collected in thickly wooded country bordering the savanna at Kara-
nambu. Apparently the “savanna rattlesnake” and the “bush rattlesnake” are
ecologically separated. Many records exist of “Crotalus durissus terrificus” from
isolated savannas in Brazil and Venezuela, but taxonomic assignment of these
specimens must await additional material before we can include them in the
taxonomic pattern now emerging.
Acknowledgments: I would like to thank Dr. Alphonse R. Hoge who persuaded us
to go ahead and describe C. d. trigonicus without awaiting a final appraisal of the species,
and Mrs. Margaret Bost who so kindly typed the manuscript.
RESUMO: Uma subespécie nova de Crotalus durissus é descrita da Sa-
vanna de Rupununi no sudoeste da Guyana. Distingue-se de todas as
outras subespécies de Crotalus durissus pela presença de uma marca, clara
triangular, bem distinta em cada supraocular, e por ter as marcas rom-
boidais do corpo orladas por escamas com ponta branca. A sua posição
taxonômica como possível espécie é discutida.
UNITERMOS: Crotalus durissus trigonicus subesp. nov. (*); Crotalus
durissus cumanensis Humbold and Bonpland; Crotalus durissus casca-
vella Wagler; Crotalus durissus terrificus (Laurenti); Crotalus durissus
tnarajoensis Hoge; Crotalus durissus ruruima Hoge (*); Crotalus unicolor
Van Lidth de Jeude Crotalus durissus collilineatus Amaral; Crotalus
durissus dryinus (Linnaeus) .(*)
2 .
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SEGUNDO HALLAZGO DE HELICOPS HOGEI
LANCINI, 1964 (SERPENTES: COLÜBRIDAE )
GILBERTO PÉREZ BRAVO
Departamento de Zoologia Museo de Ciências Naturales.
RESUMO: O segundo exemplar conhecido de Helicops hogei Lancini
1964 é descrito estendendo a sua distribuição geográfica até o Delta
Amacure, Venezuela.
UN1TERMOS: Helicops hogei Lancini, 1964(*); Helicops polylepis Gün-
ther, 1861 (*); Helicops angulatus (Linnaeus) 1758; Helicops scalaris Jan
1865.(*)
INTRODUCIÓN
Em 1964, Lancini (1) describió una nueva espécie dei género Helicops
basado en un ejemplar colectado en el rio Autana, Território Federal Amazonas,
Venezuela por el Rey Leopoldo de Bélgica en Mayo de 1952.
Recientemente revisando la colección dei Museo de Biologia de la Univer-
sidad Central de Venezuela, encontramos un ejemplar de Helicops, M.B.U.C.V.
N 9 8449, que por sus características parecia ser Ia espécie descrita por Lancini.
Comparando con el holotypo (MCNC n.° 462) pudimos comprobar que se trataba
de ejemplar de la misma espécie y dei mismo sexo que el holotipo.
Con el hallazgo de este ejemplar dei Museo de Biologia, es el segundo que
se conoce en Venezuela.
DESCRIPCION
Ejemplar N. 9 8449 dei Museo de Biologia Universidad Central de Venezuela
(MBUCV).
Localidad: Rio Cuyubini, 61° 30’ Long W por 8 o 35’ Lat N, altitude 100-200
m. Cerro La Paloma, Sierra Imataca Território Delta Amacur, Venezuela; Cole¬
tado por el Dr. Junlian Steymark.
Ojos pequenos, rostral visible desde arriba y en contacto con las internasales,
nasales divididas, internasal triangular, orifícios nasales en posicion superior,
(*) Ténninus principales.
Endereço para correspondência: Calle Miranda - Callejon Monteverde no 8 Paraíso - Caracas - Venezuela.
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PEREZ BRAVO, G. — Segundo hallazgo de Helicops hogei Lancini, 1964. (Serpentes: Colubridae). Mem.
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frontal más larga que ancha y su largo igual a su distancia hasta la punta dei
hocico, las parietales más grandes que la frontal en comparación con el holotipo.
Presenta un pre y dos postoculares, la escama loreal de forma trapezoidal.
Supralabiales 8 (4), infralabiales 13 (5) en el lado izquierdo, (el lado derecho
presenta traumatismo). La fórmula temporal: 2 + 3. Tiene 23-21-17 hileras
dorsales, fuertemente carenadas, 118 ventrales, anal dividida y 73/73 subcau-
dales. El ejemplar mide 648mm de largo y 185mm de cola.
Coloracion: — Rostro oscuro con una amplia franja de color pardo que
comienza cn las escamas parietales, con espacios de color marrón intercalados
transversal mente y dos franjas laterales de color marrón claro intercaladas por
espacios casi triangulares de color pardo, que llegan hasta los bordes de las esca¬
mas ventrales.
El vientre en su tercio anterior presenta dos bordes marrones claros, salpi¬
cados de puntos más oscuros, y a continación las bandas se irregularizan por
espacios marrones más claros, con los bordes salpicados de un marrón un poco
más oscuro, dejando la parte central de las escamas ventrales con un color blanco
amarillento que se intercala entre los espacios oscuros.
La parte terminal de la cola presenta una coloración marrón tanto ventral
como dorsalmente. La garganta está salpicada ligeiramente de marrón.
Distribucion: — Hasta, el momento ha sido colectado Helicops hogei, en
la localidad tipica: Rio Autana, Território Federal Amazonas y en el Rio
Cuyubini, Cerro La Paloma, Território Delta Amacuro lo cual permite extender
la distribución geográfica de esta especie hasta la cuenca hidrográfica dei Rio
Orinoco.
Cabe destacar que el area de distribucion de Helicops angulatus esta dentro
de la misma de Helicops hogei, es decir, que cubren las mismas hoyas hidrográ¬
ficas da la parte sur y sureste de la cuenca dei Orinoco.
Comentário: — Lancini en la diagnosis de la especie dejo entrever que
Helicops hogei presenta cierta afinidad en lo que se refiere a Helicops polylepis
en su escamación dorsal, pero diferia en el número de las escamas ventrales.
Tomando en cuenta las variaciones entre machos y hembras se observa, que a
pesar de ser ambas especies representantes amazônicas difieren.
Dorsales
V
Sc
SI
11
T
DMax.
Helicops polypepis
23-23-17
124
86
8/8
10/10
1+2
15 + 2
25-23-19
128
77
9/9
12/12
2 + 3
16 + 2
Helicops hogei
23-21-17
116
75
8/8
12/12
2 + 3 + 3
16 + 2
23-21-17
118
73
8/8
13/13
2 + 3
16 + 2
CLAVE PARA LAS ESPECIES DE VENEZUELA DEL GENERO HELICOPS
19 hileras de escamas dorsales, 8-9 (404 e 5) supralabiales.
. H. angulatus
314
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
PEREZ BRAVO, G. — Segundo hallazgo de Helicops hogei Lancini, 1964. (Serpentes: Colubridae). Mem.
Inst. Butantan, 40141:313-315, 1976/77.
21 hileras de escamas dorsales, 9 supralabiales .
. H. scalaris
23 hileras de escamas dorsales; 8 (4) supralabiales .
. H. hogei
ABSTRACT: In this paper we do mention and describe the second spe-
cimen of Helicops hogei Lancini 1964, originally collected at Rio Antana,
Venezuela, widening so, its geografical range to the Delta Amacure,
Venezuela.
UNITERMS: Helicops hogei Lancini, I964(*); Helicops polylepis Gün-
ther, 1861 (*); Helicops angulatus (Linnaeus) 1758); Helicops scalaris Jan
1865.(*)
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
LANCINI, A.R. — Contribucion al Conocimiento de la Distribucion en Veenzuela de
Helicops scalaris y Descripcion de Helicops hogei (Serpentes: Colubridae) , nueva
espécie de serpiente semiacuática para la ciência. Publ. Osas. Mus. Cien. Nat. Ser.
Zool. n.° 7: 1-3; Feb. 1964.
Recebido para publicação em 06-XII-1976 e aceito em 13-IV-1977.
316
cm
SciELO
10 11 12 13 14 15 16
ÍNDICE DE AUTOR/AUTHOR INDEX
ABE, A.S.
123
ARAÚJO, P.
251, 259
ARTIGAS, P. de T.
265, 281
AUTUORI, M.P.
129
BANCHER, W.
181
BELLUOMINI, H.E.
11, 79, 117, 123, 129, 155, 167, 173
BIASI, P. De
117, 155, 167, 173
BORELLI, V.
117
BRAZIL, O.V.
221
CAMPOS, M.S. de
265
CEMBRANELLI, E.L.
129
CORDEIRO, C.L.
37, 71, 75
CORDEIRO, N. da S.
299
DISSMANN, F.
79
EICKSTEDT, V.R.D. von
211
FEDERSONI JR., P.A.
19
FERNANDES, M. da P.M.
281
FERNANDES, W.
11, 155
FONTANA, M.D.
221
FURLANETTO, R.S.
241
FURLANETTO, S.M.P.
181
HARRIS JR., H.S.
305
HOGE, A.R.
11, 19, 37, 53, 55, 63, 71, 75, 79, 167
HYAKUTAKE, S.
173
LIZASO, N.M.
205
LUCAS, S.
187
MACHADO, J.C.
1
PELLEGRINI F.°., A.
221
PENHA, A.M.
79
PÉREZ BRAVO, G.
313
PIMONT, R.P.
187
PUORTO, G.
117, 167
ROLIM ROSA, R.
181, 241
ROMANO, S.A.R.W.D.L.
37, 53, 55, 63, 71, 75
SALIBA, A.M.
123
SANTA ROSA, C.A.
173
SILES VILLARROEL, M.
181, 241
SILVEIRA F.°, J.F. da
1
SIMMONS, R.S.
305
VEINERT, T.
79
ZELANTE, F.
241
317
ÍNDICE DE ASSUNTOS
Acarina: Listrophoridae
205
Ácaros
Acarina: Listrophoridae
Prolistrophorus inornatus sp.n. : 205
Aranhas
Ctenus albovittatus : 211
Ctenus binotatus : 211
Ctenus gynheraldicus : 211
Ctenus taeniatus : 211
Ctenus thomasi : 211
Aranhas vide também artrópodes peçonhentos
187
Artrópodes peçonhentos
informação e educação
recursos audiovisuais
: 187
187
Bicefalia
em serpentes
Boidae : 37, 79
117
Bothrops
atrox
filhotes, alimentação, desenvolvimento
:19
inquérito anátomo-patológico
jararaca
lepidoses : 11
pradoi
quantidades de veneno : 155
123
Colubridae
Crotalinae
: 37, 55, 63, 75, 313
: 53
Crotalus : 305
durissus terrificus
bicefalia : 117
inquérito antomo-patológico
123
Elapidae : 221
Elapinae : 71
Escorpiões vide também artrópodes peçonhentos
Gynaecometra bahiensis n.gen. e n.sp. : 251
Informação e educação
artrópodes peçonhentos : 187
187
319
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Mem. Inst. Butanlan
40/41: 319-321 1976/77
Kalicephalus inermis
: 281
Lacertílios
parasitas
Gynaecometra bahiensis n.gen. e n.sp.
: 251
Lepidoses
11
Leptospira
serpentes
dados ecológicos : 173
estudo epidemiológico
173
Neyraplcctami
259
Pancreatite hemorrágica aguda
em cães : 1
Parasitas
em iguanideo
em lacertílio
em serpentes
: 299
: 251
: 259, 265, 281
Plasmodium minasense
iguanideo, novo hospedeiro : 299
Postos anti-ofídicos
instalação : 129
ProUstrophorus inornatus sp.n. : 205
Recursos audiovisuais
artrópodes peçonhentos : 187
Serpentes
anoxia : 167
bicefalia : 117
lioidae : 37
Eunectes murinus
biologia : 79
Bothrops
atrox : 19
jararaca
lepidoses : 11
pradoi : 173
quantidades de veneno : 155
captura : 129
Cohibridae : 37
Dromicus : 75
Dromicus amazônicas : 75
Dromicus amazônicas lancini non.nov.pro. : 75
Dromicus amazônicas poecilogyrus amazônicas : 75
Helicops angu latas : 313
Helicops liogei : 313
Helicops polylepis : 313
Helicops scalar is : 313
Leimadophis : 75
Oxyrhopus trigeminus guibei subsp.nov. : 55
Oxyrhopus trigeminus trigeminus : 55
Sordellina punctata : 63
Crotalas darissas cascavclla : 305
Crotalas darissas collilineatas : 305
Crotalas darissas camanensis : 305
Crotalas darissas dryinus : 305
Crotalas darissas marajoensis : 305
320
cm
10 11 12 13 14 15 16
Crotalus durissus ruruima : 305
Crotahis durissus terrificus : 305
Crotalus unicolor trigonicus : 305
Elapinae
M. coliaris : 71
M. donosii : 71
M. karlschmidti : 71
M. narducci : 71
inquérito anátomo-patológico : 123
leptospira : 173
parasitas
Kalicephaius inermis : 281
Neyraplectana : 259
Piagiorchis inchei : 265
Viperidae : 37
Crotalinae
Lachesis muta noctívaga : 53
Lachesis muta rhombeata : 53
Lachesis rhombeata : 53
Trigonocephaius ( Lachoesis ) brasiiiensis : 53
Serpentes, Maranhão, Brasil : 37
Sistemática
ácaros
Acarina: Listrophoridae : 205
Proiistrophorus inornatus sp.n. : 205
aranhas
Ctenus : 211
serpentes
Boidae : 37
Colubridae : 37, 55, 63, 75, 313
Crotalus : 305
Elapinae : 1 1
Viperidae : 37
Crotalinae : 53
Sucuris vide Boidae : 79
Veneno escorpiônico
em cães : 1
Venenos de serpentes
botrópicos
imunoquímica : 181, 241
quantidades : 155
extração com gás carbônico: 167
Micrurus frontalis
antagonismo (venin-néostigmine) : 221
toxicidade : 221
Viperidae : 37, 53
SciELCy
SUBJECT INDEX
Acarid
Acarina: Listrophoridae
Prolistrophorus inornatus sp.n. : 205
Acarina: Listrophoridae : 205
Acute hemorrhagic pancreatitis
in dogs : 1
Anaconda see Boidae : 79
Anti-ophidic stations
installation : 129
Audiovisual resources
venomous arthropods : 187
Bicephaly
in snakes : 117
Boidae : 37, 79
Bothrops
anatomic-pathologic inquiry : 123
atrox
young, alimentation, growth : 19
jararaca
lepidosis : 11
pradoi
quantities of venom : 155
Colubridae : 37, 55, 63, 75, 313
Crotalinae : 53
Crolalus : 305
anatomic-pathologic inquiry : 123
diirissus terrificus
bicephaly : 117
Elapidae : 221
Elapinae : 71
Escorpionic venom
in dogs : 1
Gynaecometra bahiensis n.gen. and n.sp.
Information and education
venomous arthropods : 187
Kalicephalus inermis : 281
: 251
Mem. Inst. Dutantan
40/41: 323-325, 1976/77
Lacertilians
parasites
Gynaecometra bahiensis n.gen. and n.sp.
: 251
Lepidosis
11
Leptospira
snakes
ecological notes : 173
epidemiological study : 173
Neyraplectana
259
205
187
Parasites
in iguanids : 299
in lacertilians : 251
in snakes : 259, 265, 281
Plasmodium minasense
iguanids, a new host : 299
Prolistrophonis inornatus sp.n. :
Scorpions see also venomous arthropods
Snakes
anoxia : 167
bicephaly : 117
Boidae : 37
Eunectes mitrinus
biology : 79
Bothrops
atrox : 19
jararaca
lepidosis : 11
pradoi : 173
quantities of venom : 155
capture : 129
Colubridae : 37
Dromicus : 75
Dromicus amazônicas : 75
Dromicus amazônicas lancini non.nov.pro :
Dromicus amazônicas poccihgyrus amazônicas
Helicops angulai as ; 312
Helicops hogei : 313
Helicops polylepis : 313
Helicops scalaris : 313
Leimadophis : 75
Oxyrhopus trigeminus gaibei subsp.nov. : 55
Oxyrhopus trigeminus trigeminus : 55
Sordellina punctata : 63
anatomic-pathologic inquiry : 123
Crotalas durissus cascavella : 305
Crotalas durissus collilineatus : 305
Crotalas durissus cumanensis : 305
Crotalas durissus dryinus : 305
Crotalas durissus marajoensis : 305
Crotalas darissas ruruima : 305
Crotalas durissus terríficas : 305
Crotalas unicolor trigonicus : 305
Elapinae
M. collaris : 71
M. donosii : 71
M. karlschmidti : 71
M. narducci : 71
75
75
324
cm
10 11 12 13 14 15 16
leptospira : 173
parasites
Kalicephahis inermis : 281
Neyraplectana : 259
Plagiorchis luehei : 265
Viperidae : 37
Crotalinae
Lachesis muta noctívaga : 53
Lachesis muta rhombeata : 53
Lachesis rhombeata : 53
Trigonocephalus ( Lachoesis ) brasiliensis
: 53
Snakes, Maranhão, Brazil
: 37
Spiders
Ctenus albovittatus : 211
Ctenns binotatus : 211
Ctenus gynheraldicus : 211
Ctenus taeniatus : 211
Ctenus thomasi : 211
Spiders see also venomous arthropods :
Systematics
acarid
Acarina: Listrophoridae : 205
Prolistrophorus inornatus sp.n. :
snakes
Boidae : 37
Colubridae : 37, 55, 63, 75, 313
Crotalus : 305
Elapinae : 71
Viperidae . 37
Crotalinae : 53
spiders
Ctenus : 211
187
205
Venomous arthropods
audiovisual resources : 187
information and education :
187
Venoms of snakes
bothropics
immunochemistry : 181, 241
quantities : 155
extraction with carbon dioxide :
Micrurus frontalis
antagonism (venom-neostigmine)
toxicity : 221
Viperidae : 37, 53
167
221
325
cm
SciELO
LO 11 12 13 14 15 16
Composição
POLIARTE, Artes Gríficas Ltda.
Rua Massaranduba, 59, Tel.: 577-4930
Impressão
Novos Horizontes, Editora Ltda.
Rua Pfof. Aprígio Gonzaga, 201
Tel.: 276-9470
cm
2 3 4 5 6 SCÍELO lo 2.1 12 13 14 15 16
SciELO^o
2
3
5
6
11
12
13
14
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cm