ISSN 0073 - 9901
MIBUAH
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE
COORDENAÇÃO DOS INSTITUTOS DE PESQUISA
INSTITUTO BUTANTAN
SÃO PAULO, SP - BRASIL
Memórias
Butantan
VOLUME 50 NÚMERO 3,1988
SciELO
17
As "MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN" têm por finalidade a apre¬
sentação de trabalhos originais que contribuam para o progresso nos campos das
Ciências Biológicas, Médicas e Químicas, elaborados por especialistas nacionais
e estrangeiros.
São publicadas sob a orientação da Comissão Editorial, sendo que os con¬
ceitos emitidos são de inteira responsabilidade dos autores.
The "MEMÓRIAS DO INSTITUTO BUTANTAN" are the vehicle of com-
munication for original papers written by national and foreign specialists who
contribute to the progress of Biological, Medicai and Chemical Sciences.
They are published under the direction of the Editorial Board which assu¬
mes no responsibility for statements and opinions advanced by contributors.
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cm
SciELO
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MEMÓRIAS do INSTITUTO BUTANTAN. (Secretaria de Estado da Saúde)
São Paulo, SP — Brasil, 1918 —
1918 - 1983/84, 1 - 47/48
Publicação interrompida de 1985 a 1986.
1987, 49 (1-3)
1988, 50 (1-3)
ISSN 0073-9901
MIBUAH CDD 614.07205
Solicita-se permuta / Exchange desired
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Mem. Inst. Butantan
50 (3), 1988
SUMÁRIO/CONTENTS
Zeferinel/a vazi n.g.n.sp. (Plagiorchiidae), parasito da cavidade
bucal e esôfago de Erythrolamprus -ãesculapii (Ophidia, Colubri-
dae).
Zeferinella vazi n.g.n.sp. (Plagiorchiidae), parasite of the mouth
and oesophagus of Erythrolamprus aesculapii (Ophidia, Colubri-
dae).
Paulo de Toledo ARTIGAS; Rosangela Clara PAULINO.
63-69
Cesariana e enterotomia em cascavel, Crotalus durissus
collilineatus (Viperidae — Crotalinae)
Cesarian and enterotomy in rattlesnake, Crotalus durissus
\ collilinea tus (Viperidae — Crotalinae)
1 Clair Motos de OLIVEIRA; Rubens Pinto CARDOSO JÚNIOR;
Claudia Stoll BRUNCKHORST; Alma Yasodhara Alexandra
HOGE.
71-75
A ocorrência de taurina na anêmona-do-mar Phyllactis flosculifera
1 Lesueur1817.
| The occurrence of taurine in the sea-anemone Phyllactis
1 flosculifera Lesueur 1817.
| Maria de Fátima Alves da SILVA; Flavia Martellini LANDS-
| HOFF; Marcus BUONONATO; Raymond ZELNIK.
77-81
1 Um estudo de biologia comportamental de jararaca, Bothrops
1 jararaca, com uso de marcas naturais.
I A study of behavioural biology of the pit viper, Bothrops jararaca,
1 with use of natural markings.
1 Ivan SAZIMA .
83-99
K Coletânea de resumos de trabalhos publicados pelos pesquisado-
E res do Instituto Butantan (1987)
1 Collection of sumaries of articles published by the scientific staff
1 of Instituto Butantan (1987).
103-110
I Coletânea de resumos de trabalhos publicados pelos pesquisado-
I res do Instituto Butantan (1978-1986)
I Collection of sumaries of articles published by the scientific staff
I of Instituto Butantan (1978-1986)
111-115
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...
■
.
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Mem. Inst. Butantan
50(31:63-69,1988
ZEFERINELLA VAZI N.G.N.SP. (PLAGIORCHIIDAE),
PARASITO DA CAVIDADE BUCAL E ESOFAGO DE
ERYTHROLAMPFtUSAESCULAPII (SERPENTES, COLUBRIDAE)
Paulo de Toledo ARTIGAS*
Rosangela Clara PAULINO**
RESUMO: Descreve-se neste trabalho um novo dístomo digenético:
Zeferinella vazi n.g.n.sp. Esta nova espécie zoológica deve se situar na
ordem PLAGIORCHIIFORMES Caballero & Ungria, 1958, superfamília
PLAGIORCHOIDEA Dolifuss, 1929, Possivelmente, este novo gênero,
presentemente com uma única espécie, dê origem a uma nova sub-
família de PLAGIORCHIIDAE Ward, 1917.
PALAVRAS-CHAVE: Trematoda, Plagiorchidae, Serpentes, Colubridae.
INTRODUÇÃO
Fazendo a necropsia, com finalidade parasitológica, de um exemplar de
Erythrolamprus aesculapii (L.) 1 , tivemos o ensejo de recolher, da boca e do
esôfago, seis exemplares de um dístomo que, por suas características mor¬
fológicas, não se enquadra entre as várias espécies de dístomas já descritas
como parasitas daquelas localizações em ofídios.
Assinalamos, desde logo, a raridade desta espécie de verme: é o primei¬
ro lote encontrado nas pesquisas que, há alguns anos, vêm sendo levadas
a efeito no Departamento de Parasitologia do ICB — USP, em que mais de
4.000 serpentes, de diferentes famílias, gêneros e espécies, já foram examb
nadas, com a finalidade de verificação de seu parasitismo por helmintos.
MATERIAL E MÉTODOS
Os vermes colhidos foram fixados em formol de Railliet & Henry, ligei¬
ramente comprimidos entre duas lâminas de vidro, seguras por um elástico
delgado.
O exame microscópico dos seis exemplares encontrados foi feito antes
e após a coloração pelo carmim clorídrico.
Prof. Catedrático do Departamento de Parasitologia do ICB da USP.
*’ Estagiária do LEZEP/lnstituto Butantan - Bolsista da FUNDAP.
SciELO
ARTIGAS, P. deT & PAULINO, R.C. Zeferinella vazi n.g.n.sp. (Plagiorchiidae), parasito da cavidade
bucal e esôfago de Erythrolamprus aesculapii (Serpentes, Colubridael. Mem Inst. Butantan,
50(31:63-69, 1988,
Os desenhos apresentados (Figs. 1 a 6) foram feitos com o auxílio de
câmara clara e serviram, também, para as medidas constantes nesta publi¬
cação (Tabela I).
DESCRIÇÃO
Trata-se de dístomas de pequeno tamanho, de contorno regular, alon¬
gados, não apresentando espinhos no tegumento. Ventosa oral ligeiramen¬
te maior que o acetábulo; aquela situada na extremidade anterior e este,
aproximadamente, na união do terço anterior com o terço médio do corpo.
Aparelho digestivo: Abertura oral localizada na ventosa oral: pré-
faringe ausente, faringe musculosa e bem desenvolvida; esôfago longo e
dando origem aos cecos que se prolongam desde a zona média do terço
anterior até, aproximadamente, a zona de união do terço médio com o ter¬
ço posterior do corpo.
Genitália masculina: Testículos de contorno liso e arredondado;
dispõem-se em situação ligeiramente oblíqua; localização na zona posterior
do terço médio do corpo. Bolsa do cirro bem desenvolvida e abrindo, junta¬
mente com o metratermo, no poro genital situado na zona imediatamente
pré-acetabular.
Genitália feminina: Útero muito desenvolvido, com grande número de
ovos. As alças uterinas ocupam toda a região do corpo compreendida en¬
tre a zona de localização dos testículos e a extremidade posterior; a porção
terminal do útero, formada por alças ascendentes, se prolonga até atingir o
poro genital, passando entre os dois testículos. Vitelinos formados por nu¬
merosos folículos; são de situação extracecal e se estendem desde a zona
imediatamente pré-acetabular até a zona em que se localiza o testículo pos¬
terior. O ovário, arredondado, é de localização póstero-lateral em relação
TABELA 1
MEDIDAS EM MILÍMETROS, DE 6 EXEMPLARES E OVOS DE
Zeferinella vazi
Exemplar Compri-
n.° mento
Largura
máxima
Ventosa*
oral
Faringe
Esôfago
Ventosa*
acetabular
Distância
entre
as ventosas
Ovário
Testículo*
anterior
Testículo*
posterior
Ovos.*
i
5,754
1,646
0,477
0,185
0,646
0,354
1,538
0,277
0,369
0,462
0,0418
X
X
X
X
X
0,538
0,369
0,477
0,477
0,0234
2
6,328
1,746
0,537
0,209
0,731
0,328
1,806
0,298
0,343
0,373
0,0442
X
X
X
X
X
0,537
0,328
0,463
0,552
0,0250
3
7,209
1,522
0,552
0,194
0,896
0,403
2,194
0,269
0,478
0,478
0,0442
X
X
X
X
X
0,522
0,373
0,448
0,448
0,0240
4
5,892
1,508
0,569
0,215
0,538
0,385
1,492
0,292
0,400
0,431
0,0438
X
X
X
X
X
0,569
0,385
0,477
0,538
0,0232
5
5,478
1,657
0,522
0,194
0,492
0,313
1,418
0,254
0,403
0,478
0,0410
X
X
X
X
X
0,463
0,328
0,448
0,463
0,0216
6
6,923
1,646
0,538
0,215
0,877
0,385
1,969
0,292
0,415
0,385
0,0476
X
X
X
X
. X
0,508
0,369
0,508
0,492
0,0224
' comprimento x largura
média da medida de 5 ovos
64
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ARTIGAS, P. deTEf PAULINO, R.C. Zeferinella vazi n.g.n.sp. (Plagiorchiidae), parasito da cavidade
bucal e esôfago de Erythrolamprus aesculapii (Serpentes. Colubridae). Mem Inst. Butantan,
50(31:63-69, 1988.
ao acetábulo; vesícula seminal presente e de pequeno tamanho. Canal de
Laurer não foi observado.
Ovos abundantes, de pequeno tamanho, sem miracídio; apresentam
opérculo e são de casca delgada.
Fig. 1 — Zeferinella vazi (exemplar n.° 1) — adulto e ovos
Fig. 2 — Zeferinella vazi (exemplar n.° 2) — adulto e ovos.
ARTIGAS, P. de T. & Paulino, R.C. Zeferinella vazi n.g.n.sp. (Plagiorchiidae), parasito da cavidade
bucal e esôfato de Erythrolamprus aesculapii (Serpentes, Còlubridae). Mem. Inst. Butantan,
50(3): 63-69, 1988.
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ARTIGAS, P. de T & PAULINO, R.C. Zeferinella vazi n.g.n.sp. (Plagiorchiidae), parasito da cavidade
bucal e esôfago de Erythrolamprus aesculapii (Serpentes, Colubridae). Mem Inst. Butantan,
50(31:63-69, 1988.
DISCUSSÃO
A observação da anatomia do digenético, assunto da presente pesqui¬
sa, dá ensejo às observações que, a seguir, estão expostas.
Com relação às demais espécies de digenéticos parasitando ofídios, ve¬
rificados no Brasil, as espécies que mais se aproximam da espécie aqui es¬
tudada são: Plagiorchis luehei Travassos, 1927 2 - 3 ; Ochetosoma
heterocoelium (Travassos, 1921 ) 2 - 3 e demais espécies do gênero e
Travtrema stenocotyle Kohn, 1902 2 ' 3 .
* 54 *
W
Fig. 5 — Zeferinella vazi (exemplar n.° 5) — adulto e ovos.
De P. luehei, o novo digenético se distingue pelo esôfago, mais curto
em P. luehei ; os cecos são longos em P. luehei e relativamente curtos na
nova espécie; vitelinos se estendendo bem para trás dos campos testicula-
res em P. lueheie não ultrapassando os referidos campos na nova espécie.
Das espécies de Ochetosoma se distingue pelas seguintes característi¬
cas: acetábulo maior que a ventosa oral em Ochetosoma ; na espécie em
causa, o acetábulo é menor que a ventosa oral; a abertura genital em
Ochetosoma é lateral e pré-acetabular; na nova espécie essa abertura é pa-
ramediana e pré-acetabular.
De Travtrema, a nova espécie se afasta: pelo esôfago muito curto em
Travtrema e bastante longo na espécie em foco. Pelo tamanho relativo das
ventosas; em Travtrema, o acetábulo é nitidamente maior que a ventosa
oral; na nova espécie, o acetábulo é menor que a ventosa oral. As glându¬
las vitelínicas, aparentemente, estão compactadas em Travtrema ; na nova
espécie tais folículos aparecem em extensão muito mais longa.
67
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ARTIGAS, P. de T & PAULINO, R.C. Zeferinella vazi n.g.n.sp. (Plagiorchiidae), parasito da cavidade
bucal e esôfago de Erythrolamprus aesculapii (Serpentes, Colubridae). Mem Inst. Butantan,
50(31:63-69, 1988,
A nosso ver, não há condição, sequer, para situar a espécie ora focali¬
zada em qualquer dos três gêneros, cujas espécies dela se aproximam. En¬
tendemos, assim, que nada se opõe à consideração de que estamos tratan¬
do de uma espécie nova que deve servir de tipo a um novo gênero. Â vista
do que, propomos para este digenético a denominação de Zeferinella vazi
n.g. n.sp.
A nova composição designativa é uma homenagem à memória do Prof.
Zeferino Vaz, que, durante vários anos, trabalhou, de modo intenso, no es¬
tudo de digenéticos parasitos de animais da fauna brasileira, predominan¬
temente de peixes.
p
3
3
Fig. 6 — Zeferinella vaz/(exemplar n.° 6) — adulto e ovos.
Os seis exemplares, cujos desenhos estão presentes nesta publicação,
constituem o material tipo para a documentação deste novo parasito de
ofídio. Não foi separado um exemplar tipo. Está esse material tipo deposi¬
tado, sob o número 7.357, na coleção de digenéticos, no Departamento de
Parasitologia, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São
Paulo.
ABSTRACT: In this paper, are described a new genus and a new species
of a digenetic trematode, found in the mouth and oesophagus of a com-
mon brazilian snake (COLUBRIDAE), Erythrolamprus aesculapii { L.). It is
proposed the name Zeferinella vazi n.g. n.sp. for this distomic worm. The
a.a. call attention for the rarity of this worm; in a very extensivy research,
with more than 4000 examinated snakes, it is the first time this digenetic
worm is found.
KEYWORDS: Trernatoda. Plagiorchiidae. Serpentes. Colubridae.
68
cm
2 3
z
5 6
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ARTIGAS, P. de T. & Paulino, R.C. Zeferinella vazi n.g.n.sp. (Plagiorchiidae), parasito da cavidade
bucal e esôfato de Erythrolamprus aesculapii (Serpentes, Colubridae). Mem. Inst. Butantan,
50(3): 63-69, 1988.
AGRADECIMENTOS
Impõe-se uma lembrança carinhosa de profunda saudade e de agrade¬
cimento a José Navas, técnico do Laboratório e recentemente falecido. Foi
este excelente companheiro de atividades que teve a oportunidade de ne-
cropsiar e colher os parasitos que deram ensejo a esta publicação. Os auto¬
res agradecem à Diretoria do Instituto Butantan pelo fornecimento do
ofídio utilizado neste trabalho e à desenhista Eliana Viana Prado pela passa¬
gem dos desenhos a nanquim.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. AMARAL, A. do. Serpentes do Brasil: iconografia colorida. São Paulo, Melhoramen-
tos/EDUSP, 1977. 248 p.
2. CORRÊA, A. A. de S. Fauna de trematóides parasitos de ofídios da área geográfica brasi¬
leira. São Paulo, 1980. Tese — Depto. de Parasitologia, ICB, USP.
3. TRAVASSOS, L.; FREITAS, J.F.T. de ; KOHN, A. Trematóides do Brasil. Mem. Inst.
Oswaldo Cruz 67 :1 -886, 1969. Fascículo único.
Recebido para publicação em 28/4/1988 e aceito em 22/7/1988.
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Mem. Inst. Butantan
50(31:71-75, 1988
CESARIANA E ENTEROTOMIA EM CASCAVEL,
CROTALUS DURISSUS COLLILINEA TUS
(ViPERIDAE — CROTALINAE)
Clair Motos de OLIVEIRA *
Rubens Pinto CARDOSO JÚNIOR **
Claudia Stoll BRUNCKHORST *
Alma Yasodhara Alexandra ROGE ***
RESUMO: Os autores descrevem as etapas da cesariana e enterotomia
em Crotalus durissus coll/lineatus. O exame clínico associado ao radio-
gráfico levaram os autores a optarem pelo tratamento cirúrgico. A imobi¬
lização do animal, através de gelo seco, permitiu sua contenção e poste¬
rior anestesia, feita com associação de Ketalar IR1 e Halothane IRI , permitin¬
do a realização de intervenção cirúrgica. Comentam-se também os resul¬
tados obtidos durante o pós-operatório.
PALAVRAS-CHAVE: Enterotomia, cesariana, distocia, serpente e casca¬
vel.
INTRODUÇÃO
Alguns casos de distocia em serpentes, mantidas em cativeiro para pro¬
dução de venenos e pesquisa, têm sido observados 1.2,7,11,12,13,14 e tratados
com ocitócitos 7 ' 13 , aspiração dos ovos 13 e cesariana 1 ' 2 ,! 1 . 12 , 13 ,i 4 .
No caso a ser relatado, além da cesariana foi necessária enterotomia.
MATERIAL E MÉTODOS
No dia 15.09.86, foi encaminhada ao Instituto Butantan uma serpente
Crotalus durissus collilineatus (cascavel), que foi mantida em biotério, à
temperatura média de 25°C, durante quatro meses e meio. Ao final deste
período, a serpente que pesava 600g e media 92cm de comprimento, pariu
dois filhotes: um morto e outro que veio a óbito em noventa dias. Não se
encontrou outros filhotes em sua caixa e notou-se aumento de volume em
'Setor de Obstetrícia do Hospital Veterinário — Faculdade de Medicina Veterinárias
Zootecnia — Universidade de São Paulo.
'Seção de Venenos — Instituto Butantan
'Estagiária da Seção de Venenos — Instituto Butantan
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OLIVEIRA, C. M. de; CARDOSO JÚNIOR, R. P.; BRUNCKHORST, C. S.; HOGE, A. Y. A. Cesariana e
enterotomia em cascavel, Crotalus durissus collilineatus (Crotalinae-Viperidae). Mem. Inst. Butan-
tan, 50(31:71-75, 1988.
porção distai do corpo. À palpação foram constatadas três massas: a mais
caudal, a 15cm da cloaca, com 6-7cm de diâmetro, de consistência firme, e
as outras a 16 e 20cm da cloaca, com diâmetro de 2-3cm, apresentavam-se
com pontos de flutuação. Quanto à mobilidade destas formações, apenas
as mais craniais podiam ser deslocadas no sentido longitudinal. Ao exame
radiológico constatou-se que a formação mais cranial era arredondada e de
radiopacidade não homogênea, e as outras, de formato irregular e mais ra-
diopacas (Fig. 1). Não havendo diagnóstico clínico, nem radiológico,
optou-se por laparotomia exploratória, realizada oito dias após o parto.
Fig. 1 Exame radiológico mostrando as formações próximas à região da cloaca.
A imobilização da serpente para exames clínico, radiológico e anestesia
foi feita com auxílio de gelo seco. Colocou-se a cascavel em caixa de poliu¬
retano fechada, com gelo seco sobre tampa de metal. Com a liberação de
C0 2 e o resfriamento local, a serpente em hipóxia e baixa do metabolismo
pelo resfriamento, apresentou movimentos mais lentos, o que facilitou a
manipulação. A contenção para anestesia e cirurgia foi feita em tubo de
poliuretano transparente com tira flexível, presa com velcro (Fig. 2).
Fig. 2. Tubo de poliuretano com fita de velcro ,RI para contenção de serpente.
72
cm
2 3 4 5 6 SCÍELOq 2.1 12 13 14 15 16
OLIVEIRA, C. M. de; CARDOSO JÚNIOR, R. P.; BRUNCKHORST, C, S.; HOGE, A. Y, A. Cesariana e
enterotomia em cascavel, Crotalus durissus collilineatus (Crotalinae-Viperidae). Mem. Inst. Butan-
tan, 50(31:71-75, 1988.
Na anestesia, utilizou-se inicialmente Halothane (R) , através de sistema
aberto com máscara, e a seguir, quando os movimentos corporais da cas¬
cavel se tornaram mais lentos, aplicou-se Ketalar (R) (40 mg/kg) 3 ' n - 13 por
via intramuscular, o que resultou em perda do reflexo de endireitamento
(ao se colocar o animal em decúbito dorsal, este não retorna a sua posição
natural), e perda de sensibilidade, após sete minutos. A serpente foi manti¬
da em plano anestésico com Halothane (R> , a concentrações variadas, de
acordo com seus reflexos.
A serpente foi colocada sobre panos estéreis, em decúbito lateral direi¬
to, e todos os cuidados com relação à assepsia foram tomados (utilização
de iodo como antisséptico, colocação de primeiro e segundo campos cirúr¬
gicos, esterilização de materiais cirúrgicos, para hemostasia e sutura) 6 - 9 .
Como acesso às formações anteriormente descritas, procedeu-se a
incisão longitudinal esquerda de aproximadamente 7cm, a 12cm da cloaca,
entre a segunda e a terceira fileiras de escamas dorsais. Seguiu-se à divul-
são do tecido sub-cutâneo, incisão da musculatura e membrana celomáti-
ca. Formações a nível de oviduto e porção final de intestino foram consta¬
tadas. Exteriorizou-se o oviduto direito e duas incisões de aproximadamen¬
te 3cm (uma 14cm e outra 20cm da cloaca), foram necessárias para retirada
de dois embriões mortos, um com 3cm e outro com 15cm de comprimento.
A sutura do oviduto foi feita em dois planos: cerzidura e Lembert. A porção
final do intestino, próxima à cloaca, foi exteriorizada e uma incisão de 3cm
foi suficiente para remoção de três fecalomas de comprimentos variados
(7,5cm, 2,5cm, 2,5cm). Seguiram-se as suturas em cerzidura do intestino e
da membrana celomática separadamente. A pele foi suturada em pontos
simples separados. O fio de sutura utilizado em todas as etapas foi vicryl (RI
4-0.
Durante a cirurgia a freqüência cardíaca manteve-se ao redor de 60 bati¬
mentos por minuto. Logo após a cirurgia, a cascavel apresentava reflexo
pupilar, porém seus batimentos cardíacos eram débeis, de difícil avaliação
e não se notavam movimentos respiratórios. Procedeu-se à respiração for¬
çada (uma sonda uretral n.° 6 foi cortada em sua extremidade e adaptada
para entubação endotraqueal) e aplicação de 0,1 ml de Cardiasol 1R) ,
observou-se melhora em três minutos. A recuperação anestésica ocorreu
em sessenta minutos. Um dia após a cirurgia a serpente apresentava-se
aparentemente em estado satisfatório. No pós-operatório, adotou-se Bino-
tal <R) (100 mg/kg/72 horas/7 dias) 5 - 10 e jejum quarenta dias. Pretendia-se
deixar a sutura de pele, por se tratar de fio reabsorvível, entretanto, apesar
de relato em contrário 14 , por se temer interferência em ecdise, retirou-se os
pontos 90 dias após a intervenção cirúrgica. A serpente encontra-se em
bom estado geral, com apetite e defecando regularmente. Com relação às
funções reprodutivas, nada ainda pode ser afirmado.
DISCUSSÃO
O Ketalar (R) tem sido utilizado como anestésico em serpentes :
2,3,11,13
em
doses variando de 30 a 75 mg/kg. Os efeitos relatados são de tranquiliza¬
ção à anestesia em planos superficiais 3 . Por se tratar de aplicação dolorosa,
refere-se a importância da contenção 3 . O Halothane (RI mostrou-se eficiente
em serpentes 2 - 4 - 12 , entretanto o animal também tenta evadir-se 4 . O uso de
recipientes fechados, na anestesia com Halothane (RI , é outra solução viá-
73
cm
SciELO
11 12 13 14 15 16 17
OLIVEIRA, C. M. de; CARDOSO JUNIOR, R. P.; BRUNCKHORST, C. S.; HOGE, A. Y. A. Cesariana e
enterotomia em cascavel, Crotalus durissus collilineatus (Crotalinae-Viperidae). Mem. Inst. Butan-
tan, 50(31:71-75, 1988.
vel 4 . Na prática cirúrgica, planos mais profundos de anestesia precisam ser
atingidos, assim, o uso exclusivo de Ketalar (R1 não nos parece adequado, já
a sua associação com Halothane (R> , mostrou-se eficiente.
As técnicas cirúrgicas adotadas em outras espécies 6 ' 9 devem ser segui¬
das. Cuidados com relação à assepsia são citados pelos autores 2 ' 11 ' 12 ' 13 ' 14 .
Estes aspectos quando não respeitados podem ser a causa de insucessos.
CONCLUSÃO
A presença de fecalomas em porção final de intestino, próximos à cloa¬
ca, promovendo compressão sobre o oviduto e impedindo a eliminação
dos embriões, foi a provável causa de distocia.
A ação do gelo seco promovendo hipóxia e baixa do metabolismo por
resfriamento, mostrou-se de valia para a imobilização da serpente, possibi¬
litando sua manipulação e contenção. Antes que o efeito do gelo seco ter¬
mine, deve ser feita aplicação do Ketalar (R) , sendo o Halothane lR) usado
apenas para atingir plano anestésico adequado para realização do ato cirúr¬
gico.
A delicadeza dos tecidos internos da serpente nos leva a sugerir a utili¬
zação de fio para sutura de menor diâmetro.
ABSTRACT: The authors describe the steps followed during a caesarian
and enterotomy in a Brazilian rattlesnake ( Crotalus durissus collilineatus).
The clinicai and radiological examinations suggest the need of a surgical
intervention. Dry ice was used to permit restraint, contention and anes-
thesia of the animal. An association of Ketalar ,RI and Halothane IRI was
used. Comments are also made on the post-operative treatment.
KEYWORDS: Enterotomy, caesarian, dystocia, snakeand rattlesnake.
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. Masao Iwasaki e à Dra. Sandra Maria de Oliveira, pela análise
dos dados radiológicos e à Dra. Sonia Umburanas Balady, pela realização
da documentação fotográfica.
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Recebido para publicação em 18/02/1988 e aceito em 05/08/1988
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A OCORRÊNCIA DE TAURINA NA ANÊMONA-DO-MAR
PHYLLACTIS FLOSCULIFERA LESUEUR 1817
Maria de Fátima Alves Da SILVA* *
Flávia Martellini LANDSHOFF*
Marcus BUONONATO**
Raymond ZELNIK***
RESUMO: A anêmona-do-mar Phyllactis flosculifera Lesueur 1817 foi
submetida a um tratamento extrativo com acetona e metanol e os extra¬
tos cromatografados em colunas de Sephadex LH-20, resultando no iso¬
lamento de um composto organo-sulfurado que foi identificado por es-
pectrometria no infravermelho como sendo a taurina. O papel biológico
deste aminoácido em invertebrados marinhos é discutido.
PALAVRAS-CHAVES: Anêmona-do-mar; Coelenterata; Phyllactis
flosculifera Lesueur 1817; taurina.
INTRODUÇÃO
As anêmonas-do-mar (Coelenterata, Anthozoa, Actinaria) são conheci¬
das por liberarem toxinas de natureza polipeptídica 1 ' 3 , caracterizadas por
propriedades cardiotóxicas 4 ' 5 , citolíticas 6 e antitumorais 7 . A realização de
pesquisas químicas permitiu a descoberta de substâncias orgânicas, desta¬
cando derivados guanidínicos 8 , organo-sulfurados 8 , organo-fosforados 9 e
da triptamina 10 . Uma purina metilada, denominada caissarone, foi isolada
na espécie Bunodosoma caissarum 11 . No intuito de descobrir substâncias
biologicamente ativas de organismos marinhos, empreendeu-se o estudo
da espécie Phyllactis flosculifera 12 , anêmona-do-mar que se encontra no
litoral dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.
MATERIAL E MÉTODOS
As anémonas foram coletadas de fundos arenosos e rochosos em São
Sebastião e Ubatuba, Estado de São Paulo. Os animais, totalizando
* Bolsistas da FUNDAP e do FEDIB, Serviço de Química Orgânica, IB.
* * Biologista, Seção do Museu do Instituto Butantan.
‘ * * Pesquisador-Científico, Serviço de Química Orgânica, IB.
Endereço para correspondência: Instituto Butantan, C.P. 65, 01051, São Paulo, Brasil.
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SILVA, M.F.A. da; LANDSHOFF, F.M.; BUONONATO, M.; ZELNIK, R. A ocorrência de
taurina na anêmona-do-mar Phyllactis flosculifera Lesueur 1817. Mem. Inst. Butantan,
50(3): 77-81, 1988.
1.500g, foram congelados no Centro de Biologia Marinha da USP em São
Sebastião. Após descongelamento, foram triturados num liquidificador e
extraídos com acetona e metanol a temperatura ambiente, conforme o flu-
xograma apresentado no Esquema I.
ESQUEMA
FLUXOGRAMA DA EXTRAÇA0
Os extratos acetômco e metanólico, A e B, após concentração sob
pressão reduzida, foram submetidos à extração com éter sulfúrico para a
remoção de pigmentos e lipídeos. Esta operação resultou em extratos
aquosos F e G e etéricos D e E, sendo estes últimos deixados para poste¬
rior análise.
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SILVA, M.F.A. da; LANDSHOFF, F.M.; BUONONATO, M.; ZELNIK, R. A ocorrência de
taurina na anêmona-do-mar Phyllactis flosculifera Lesueur 1817. Mem. Inst. Butantan,
50(3): 77-81,1988.
Aos concentrados F e G, foi adicionado metanol, formando os precipita¬
dos 1 e 2 que revelaram ser idênticos em análises por cromatografia em ca¬
mada delgada (CCD) (Eluentes: metanol-acetato de etila; adsorvente: Síli¬
ca H da Merck; revelação: vapores de iodo). Estes precipitados foram reu¬
nidos, fornecendo 13,2g e foram submetidos à cromatografia em coluna,
empregando Sephadex LH-20-100 (Sigma) como adsorvente e MeOH-H 2 0
3:1 como eluente. Os espectros no Infravermelho, devido à ausência de
bandas de absorção, permitiram descartar as frações com predominância
de sais minerais. Nas frações contendo substâncias orgânicas, evidencia¬
das pelas análises por cromatografia em camada delgada e por espectro-
metria no Infravermelho, verificou-se a presença em maior quantidade de
um composto orgânico, denominado PH-A, com ponto de fusão em torno
de 300°.
RESULTADOS
Ao término das operações cromatográficas e após recristalizações em
H 2 0-MeOH, obtivemos um total de 770mg da substância PH-A, represen¬
tando um rendimento de 0,05% sobre o extrato úmido total. Esta substân¬
cia apresenta-se na forma de agulhas transparentes com ponto de fusão de
296-305°. O teste de Dragendorff 13 para aminas quaternárias foi negativo.
O teste de fusão com sódio 14 revelou a presença de nitrogênio e de enxo¬
fre. O espectro no Infravermelho apontou bandas de absorção em 3200-
3000 (OH ou NH 2 ), 1620-1590 (NH 2 ), 1210-1150 (éster ou S0 3 H), 1100-1090
(C-0 ou S0 3 ) cnrr 1 .
Entre os compostos nitrogenados organo-sulfurados produzidos por or¬
ganismos marinhos, encontra-se a taurina (ácido 2-aminoetano-sulfônico)
(I), de ponto de fusão 300° 8 . Comparando este dado com o da substância
PH-A, concluímos tratar-se da taurina, hipótese logo confirmada por com¬
paração direta entre os espectros no Infravermelho da taurina 15 e da subs¬
tância PH-A.
H 2 N-CH 2 -CH 2 -S0 3 H
DISCUSSÃO
A presença de taurina em Celenterados foi registrada por diversos auto¬
res. Robin e Roche determinaram a distribuição desta substância em qua¬
tro espécies de anêmonas-do-mar 16 . Ellington estudou o metabolismo de
Bunodosoma cavernata 17 , tendo verificado que a taurina representa 57%
da composição em aminoácidos. Contudo nenhum destes autores esclare¬
ceu o papel biológico da taurina nestes invertebrados marinhos.
Outrossim uma alta concentração intracelular de aminoácidos livres ca¬
racteriza certos invertebrados pela capacidade de adaptação em ambientes
de salinidades diferentes graças a um mecanismo de osmorregulação: os
aminoácidos que mais contribuem para este fenômeno são a prolina, a gli-
cina, a alanina e a taurina, sendo que este último, por existir em maior con¬
centração do que os demais, é tido como principal responsável da osmorre¬
gulação. 18 ' 19 .
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SILVA, M.F.A. da; LANDSHOFF, F.M.; BUONONATO, M.; ZELNIK, R. A ocorrência de
taurina na anêmona-do-mar Phyllactis flosculifera Lesueur 1817. Mem. Inst. Butantan,
50(3): 77-81, 1988.
Outro derivado guanidínico da taurina, a taurociamina (II), ocorre nos
tecidos das anêmonas-do-mar 16 ' 20 e é considerado como um precursor do
fosfágeno (III), particularmente útil como reserva energética para a contra¬
ção muscular 21 .
?o 3 h 2
hn-c-nh-ch 2 -ch 2 -so 3 h
h 2 n-c-nh-ch 2 -ch 2 -so 3 h
NH
II
NH
II
III
A anêmona-do-mar Phyllactis flosculifera elabora quantidades apreciá¬
veis de taurina, cujo papel biológico poderia ser tanto de fator osmorregu-
lador como de precursor do fosfágeno. A presença de outros metabólitos,
tais como a taurociamina (II), não pode ser detectada em virtude da interfe¬
rência de sais inorgânicos, cuja concentração alta, dificultou os processos
de fracionamentos cromatográficos.
ABSTRACT: Acetone and methanol extracts of the sea-anemone
Phyllactis flosculifera, Lesueur 1817 furnished, upon chromatography on
columns of Sephadex LFI-20, expressive amount of taurine. The biologi-
cal significance of this aminoacid and related guanidine derivatives in
Coelenterates is discussed.
KEYWORDS: Sea-anemones; Coelenterates; Phyllactis flosculifera Le¬
sueur 1817; taurine.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem ao Centro de Biologia Marinha da Universidade
de São Paulo pelo apoio técnico-científico proporcionado, à Professora
Dra. Erika Schlenz do Departamento de Zoologia desta Universidade pela
classificação da espécie estudada, ao Professor Dr. John McNamara do
Instituto de Ciências Biomédicas e ao Biólogo Mauro Bleich do Instituto
Oceanográfico da Universidade de São Paulo pela preciosa colaboração na
laboriosa coleta das anêmonas-do-mar, ao Sr. Jovelino da Silva pelos ser¬
viços técnicos prestados. M.F.A. da Silva e F. Martellini Landshoff agrade¬
cem, respectivamente, à Fundação para o Desenvolvimento da Adminis¬
tração Pública (FUNDAP) e ao Fundo Especial de Despesas do Instituto
Butantan (FEDIB) pela concessão de bolsas de pós-graduação.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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taurina na anêmona-do-mar Phyllactis flosculifera Lesueur 1817. Mem. Inst. Butantan,
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Recebido para publicação em 01 /6/1988 e aceito em 25/8/1988.
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Mem. Inst. Butantan
50 ( 31 : 83 - 99 , 1988
UM ESTUDO DE BIOLOGIA COMPORTAMENTAL DA JARARACA,
BOTHROPS JARARACA, COM USO DE MARCAS NATURAIS
Ivan SAZIMA
RESUMO: Setenta e um indivíduos (47 fêmeas, 24 machos) de jararaca,
Bothrops jararaca, foram encontrados ao longo de 29 meses num estudo
de campo, em Campinas, São Paulo. Treze indivíduos (12 fêmeas, um
macho) foram reconhecidos por marcas naturais, quando reencontrados.
Fêmeas adultas pareceram ser mais sedentárias que os machos. Nove fê¬
meas (cinco visivelmente grávidas) usaram os mesmos sítios (5-7m 2 ) para
assoalhamento e abrigo, por períodos de até 45-78 dias. B. jararaca foi ra¬
ramente observada totalmente exposta a raios solares, sendo mais co¬
mum encontrá-la em locais parcialmente sombreados. As serpentes esti¬
veram ativas principalmente ao crepúsculo e à noite, a temperaturas do
ar entre 19° e31°C e umidade relativa entre 68% e 100%. Tanto jovens
como adultos podem subir pela vegetação, por vezes a 2m acima do so¬
lo. A seqüência das táticas defensivas pode ser escalonada de imobilida¬
de e fuga, a enrodilhamento e bote. Fêmeas adultas (grávidas) foram me¬
nos propensas à fuga que os indivíduos jovens e machos adultos, espe¬
cialmente durante a termo-regulação. Atividade ao longo do ano, na área
do estudo, parece abranger um período de pouca nriovimentação, passa¬
do principalmente em abrigos, durante três meses mais secos e frios (jun-
ago).
PALAVRAS-CFIAVE: história natural, Crotalinae, sudeste brasileiro.
INTRODUÇÃO
A jararaca, Bothrops jararaca (Wied), é uma serpente Viperidae com
ampla distribuição no sudeste da América do Sul 22 - 33 . De hábitos terrestres
e atividade basicamente noturna, é encontrada em matas, cerrados, cam¬
pos cultivados, onde se alimenta principalmente de pequenos roedores 2 - 46 .
Ovovivípara, produz de 12 a 18 filhotes 3 . Afora as informações de caráter
geral, pouco mais há disponível sobre a história natural da jararaca, espe¬
cialmente em natureza. B. jararaca pode ser localmente comum, por vezes
ocorre em regiões com alta densidade humana 12 - 43 e parece apresentar há¬
bitos ecléticos. Talvez devido a esses atributos, causa c. 50% dos aciden¬
tes ofídicos registrados no Brasil 36 .
•Departamento de Zoologia, Universidade Estadual de Campinas, 13081 Campinas, São Paulo - Brasil.
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SAZIMA, I. Um estudo de biologia comportamental da jararaca, Bothrops jararaca, com
uso de marcas naturais. Mem. Inst. Butantan, 50(31:83-99, 1988.
Na presente comunicação, apresento e comento um método para iden¬
tificação de indivíduos de B. jararaca (registro fotográfico das manchas
dorsais), usado durante estudo de biologia comportamental desse vi-
perídeo na região de Campinas, São Paulo 38 . (Por biologia comportamental
entendo estudos observacionais, de história natural, notadamente sobre
aspectos do comportamento.) A identificação e o reconhecimento de in¬
divíduos é uma das necessidades básicas em diversos tipos de estudo, em
ecologia e comportamento de animais 25 . Marcação ou uso de marcas natu¬
rais permitem diferenciar os indivíduos entre si. O uso de marcas naturais é
difundido em estudos de diversos vertebrados, mas tem sido pouco usado
em estudos sobre serpentes 1 1 25 .
Apresento e comento, também, resultados parciais desse estudo de
biologia comportamental da jararaca, com objetivo de difundir o uso do
método observacional na coleta de dados sobre hábitos de serpentes em
natureza, bem como apontar algumas referências básicas a esse tipo de es¬
tudo. A necessidade de informações derivadas de estudos observacionais,
em história natural 14 , tem sido mencionada com freqüência crescente 30 ' 37 •
48 , devido ao seu valor no suprimento de conhecimento fatual sobre hábi¬
tos de serpentes. Assim, ficam aqui disponíveis informações preliminares
sobre os hábitos da jararaca na região de Campinas, em particular seus
períodos de atividade, uso habitual de sítios, modos de locomoção e táticas
defensivas.
PROCEDIMENTO
1. Área de estudo
O trabalho de campo foi feito na Reserva Mata de Santa Genebra, Cam¬
pinas, São Paulo (c. 22°49'S, 47°06'W, 640m). É uma área remanescente,
com 250ha de mata latifoliada subtropical, semidecídua, cercada por plan¬
tações de soja e milho, por vezes algodão. Está situada em terreno de rele¬
vo plano a suavemente ondulado, composto por latossolos, ocorrendo so¬
los hidromórficos nas regiões baixas e mal drenadas (há locais brejosos e
pequenos cursos de água). A vegetação é característica das matas mesófi-
las semidecíduas do planalto paulista 8 ' 29 , com predominância de espécies
de Leguminosae, Rubiaceae, Meliaceae, Rutaceae, Myrtaceaee Lauraceae
(J.Y. Tamashiro, com. pess). As bordas da mata e dos caminhos estão
perturbadas por ação antrópica e apresentam grande riqueza de plantas es-
candentes e trepadeiras.
O clima da região pode ser caracterizado corno temperado moderada¬
mente chuvoso, de inverno seco não rigoroso, macrotérmico 29 . O período
mais quente e chuvoso está situado entre novembro e fevereiro e o mais
frio e seco, entre maio e agosto. O volume anual médio de chuvas é
1 366,8mm, sendo dezembro e janeiro os meses mais chuvosos (total
469,8mm) e julho e agosto, os mais secos (60,0mm). A temperatura média
anual é de 22,4°C (média das mínimas 15,5°C e média das máximas
27,3°C). A umidade média anual é de 72,5% (dados climatológicos segun¬
do Seção de Climatologia Agrícola, Inst. Agronômico de Campinas, com
médias de 1929 a 1974). Informações adicionais sobre a área estão em Cas-
tellani 7 e Senna 39 .
Na Mata de Santa Genebra foram encontradas 18 espécies de répteis,
sendo as avistadas com maior freqüência, no período de estudo: B.
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SAZIMA, I. Um estudo de biologia comportamental da jararaca, Bothrops jararaca, com
uso de marcas naturais. Mem. Inst. Butantan, 50 (3): 83-99, 1988.
jararaca (77 indivíduos), Dipsas indica Laur. (14), Oxyrhopus trigeminus D.,
B. et D. (10) e Spilotes pullatus (L.) (7), entre as serpentes e Tupinambis
teguixin (L), Mabuya frenata (Cope) e Mabuya dorsivittata Cope, entre os
lagartos (não recenseados).
2. Modo de procura e esforço de captura
As jararacas foram procuradas principalmente em bordas da mata, ca¬
minhos ou clareiras. Esses ambientes de interface, além de facilitar o en¬
contro e a observação (devido à maior visibilidade), podem ser mais favorá¬
veis à ocupação por algumas espécies de serpentes, por apresentarem
maior disponibilidade de locais para termo-regulação, abrigos e alimento 49 .
A procura das serpentes foi visual, durante caminhada ou em veículo ro¬
dando a baixa velocidade (5-10km/h). Ao longo dos 29 meses do estudo,
outubro 1985 a fevereiro 1988, o esforço de captura foi c. 3 800km percorri¬
dos (400 a pé e 3 400 em veículo) totalizando 616h de trabalho de campo.
Nos primeiros 24 meses, os horários de procura cobriram os mais variados
períodos e condições meteorológicas, com objetivo de reunir informações
em circunstâncias as mais diversificadas (e.g., períodos de atividade, ter¬
mo-regulação, uso de sítios, modos de locomoção); nos 5 meses subse-
qüentes, a procura foi mais restrita, concentrando-se nos períodos e condi¬
ções mais produtivos ao estudo de aspectos como comportamento preda¬
tório e táticas defensivas.
3. Documentação individual e espécimes-testemunho
Localizada a serpente, estacionária ou em locomoção, fotografias fo¬
ram tomadas (diapositivos a cores), para documentar circunstâncias, posi¬
ções, posturas e, principalmente, para individualizar o animal pela variação
nas manchas dorsais (Figurasl-6). Para isso, ambos os flancos de cada ja¬
raraca foram fotografados (por vezes, para uma posição adequada era ne¬
cessário ajeitar ou reter o animal por instantes). O documentário do dese¬
nho dorsal era periodicamente revisto, para detectar presumível reencontro
dos mesmos indivíduos. Esquemas foram feitos (Figura 2) a partir da proje¬
ção dos diapositivos, facilitando a comparação das manchas dorsais, com
vistas à familiarização com os indivíduos estudados.
O comprimento total de cada serpente foi avaliado visualmente por
comparação com escala e, periodicamente, alguns indivíduos eram retidos
e medidos com régua milimetrada, para aferição das estimativas (o erro foi
inferior a 5% na maioria dos casos, nunca ultrapassando 10%). O sexo do
animal foi verificado visualmente, sendo feita a palpação ou sondagem 11
nos casos de dúvida (o mesmo procedimento foi usado para avaliar gravi¬
dez). Os cuidados em não perturbar ou manusear as serpentes visaram à
interferência mínima, uma condição desejável em estudo observacional de
um tipo de animal cujo encontro é fortuito e a observação em natureza,
difícil 2 ' 11 ' 32 . Na necessidade de reter algum indivíduo para exame em labo¬
ratório, o animal foi solto após um a dois dias, em mesmo local e período
em que foi capturado. O local onde um dado indivíduo foi avistado era assi¬
nalado na cerca que margeia a reserva, ou na vegetação. Temperatura do
ar, umidade relativa (UR) do ambiente, condições meteorológicas, foram
registradas quando localizada uma serpente.
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SAZIMA, I. Um estudo de biologia comportamental da jararaca, Bothrops jararaca, com
uso de marcas naturais. Mem. Inst. Butantan, 50 (3): 83-99, 1988.
Duas fêmeas de B. jararaca, uma juvenil (ZUEC 512) e uma adulta
(ZUEC 612), depositadas no Museu de História Natural da Univ. Est. Cam¬
pinas, mais 525 diapositivos a cores, são os espécimes-testemunho do pre¬
sente estudo.
4. Observação de comportamento
Métodos de observação naturalística e manipulação experimental do
ambiente 25 foram usados no estudo de diversas fases do comportamento
(e.g., locomoção, defesa, predação), além do registro dos períodos de ati¬
vidade e uso habitual de sítios por alguns indivíduos. Amostragem "ad libi-
tum" foi adotada na maioria das observações de campo, devido à natureza
fortuita do encontro dos animais, ao caráter exploratório do estudo e ao va¬
lor heurístico do método 25 . A coleta de dados comportamentais seguiu os
métodos de "todas as ocorrências" e "amostragem de seqüências" 25 , to¬
talizando 116 horas de estudo.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
USO DE MARCAS NATURAIS
1. Aplicação do método em jararacas
A jararaca, Bothrops jararaca, apresenta manchas angulares ao longo
do corpo, em forma de "V" invertido, na maioria dos espécimes. O forma¬
to, a integridade, as dimensões e a posição relativa das manchas variam in¬
dividualmente, bem como a tonalidade do colorido básico (Figuras 1 -5). Es¬
sas variações são identificáveis com mais facilidade na região mediana do
corpo, devido ao seu obscurecimento na anterior e à fragmentação na pos¬
terior (Figuras 1,3a-d). As manchas podem apresentar formato trapezoidal
(Figuras la, 3e-f) ou fragmentar-se (Figura 2) ao longo do corpo, sendo
condição mais comum a irregularidade de uma ou poucas manchas num
dado indivíduo. Graus variados de fusão, fragmentação, redução e outros
tipos de deformação, aliados à posição relativa dessas irregularidades nas
manchas (Figuras 2-3 e 5), permitiram a caracterização de 71 indivíduos (47
fêmeas, 24 machos), dos 77 encontrados no presente estudo — duas ser¬
pentes foram mortas durante a manutenção dos aceiros e quatro não fo¬
ram documentadas. Quando ocorreram irregularidades semelhantes no
mesmo lado de dois indivíduos, esses puderam ser diferenciados entre si
pelo exame concomitante dos seus lados esquerdo e direito. Para isso, é
ideal que o animal seja documentado em postura pouco ondulada ou, mes¬
mo, quase esticada (Figura 3a-d). No caso de indivíduos com manchas re¬
gulares, sem variação notável (Figura 2, n.° 14), essa postura é particular¬
mente desejável, pois pormenores podem ficar pouco evidentes e dificultar
o reconhecimento posterior. (Essa é uma das maiores fraquezas do méto¬
do, baseado justamente em irregularidades.)
No presente estudo, o uso de marcas naturais (variação nas manchas
dorsais) foi satisfatório a ponto de permitir o reconhecimento de três in¬
divíduos após mudanças no seu aspecto, como quando embarreados e lo¬
go após muda de peie (Figura 3c,d), apesar da diferença na nitidez das
manchas e da tonalidade básica. No início do estudo, os cerca de 20 in-
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SAZIMA, I. Um estudo de biologia comportamental da jararaca, Bothrops jararaca, com
uso de marcas naturais. Mem. Inst. Butantan, 50 (3): 83-99, 1988.
FIGURA 1 — Bothrops jararaca, dois exemplos de variação em tonalidade básica e formato
do padrão de desenho dorsal, que ocorrem na Mata de Sta. Genebra, Campinas, São Pau¬
lo. A —indivíduo escuro, com manchas trapezoidais (macho n.° 42, 91 cm, em fase de enro-
dilhamento com bote armado; note distensão e achatamento do corpo); B - indivíduo cla¬
ro, com manchas triangulares (fêmea 49, c. 85cm, retraída em uma das posturas adequadas
para desferir bote defensivo).
divíduos não pareciam oferecer dificuldade para reconhecimento posterior,
mas quando seu número ultrapassou 50, precisei repassar o documentário
a cada encontro, comparando as novas fotografias com as arquivadas.
Com o passar do tempo, alguns indivíduos com marcas particulares
tornaram-se familiares a ponto de não ser necessária a documentação para
seu reconhecimento (e.g., fêmea 30, figura 3e-f). Essa familiaridade é de¬
sejável, devido a variações individuais de comportamento (veja exemplos e
comentários em Slater 44 ).
2. Limitações do uso de marcas naturais
Em estudos sobre serpentes, marcação de indivíduos tem sido preferida
ao uso de marcas naturais (veja discussão de diversos métodos em
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uso de marcas naturais. Mem. Inst. Butantan, 50(3): 83-99, 1988.
Fitch 11 ). Para Fitch 11 , o uso de marcas naturais em estudos sobre serpentes
é complicado, pouco controlável e muito menos eficiente que um sistema
baseado em numeração seriada. Entretanto, o método de marcas naturais
mostrou ser proveitoso em estudo ecológico do colubrídeo Natrix natrix
(L), na Europa, tendo sido estendido para outras espécies de répteis e
anfíbios 6 . Os oito requisitos básicos propostos por Lewke & Stroud 27 , para
marcação de serpentes em estudos de campo, foram satisfeitos no presen¬
te trabalho, com maior ou menor confiabilidade.
Concordo, em parte, com a crítica de Fitch 11 e adotaria outros modos
de individualizar as serpentes, caso fosse essencial manusear o animal
(e.g., para tomar medidas precisas de peso, comprimento rostro-anal, tem¬
peratura cloacal), ou o número de animais fosse muito alto. Na fase seguin¬
te ao presente estudo, as serpentes estão sendo capturadas, marcadas por
picotamento de escamas ventrais 5 , pesadas e suas medidas tomadas, vi¬
sando ao estudo de aspectos do crescimento. Entretanto, acredito ser viá¬
vel o uso de marcas naturais em estudos observacionais, por período limi¬
tado (algumas semanas a 1-2 anos), com até 50-70 indivíduos. De qualquer
modo, a escolha de um dado método de marcação depende dos objetivos
do estudo 11 - 25 e das limitações do pesquisador. A jararaca mostrou ser
uma serpente adequada para o método, sendo provável que indivíduos de
outras espécies de Bothrops possam ser reconhecidos por marcas naturais.
Penso que espécies basicamente unicolores ou com padrão simples ofere¬
çam dificuldades maiores mas, teoricamente, indivíduos de qualquer espé¬
cie de serpente teriam alguma marca apropriada para reconhecimento pos¬
terior 21 .
3. Vantagens do método
A situação vantajosa do uso de marcas naturais, em estudos de hábitos
de serpentes, fica mais evidente em observações sobre comportamento
predatório em encontros provocados (Figura 3c), comportamento de
termo-regulação (Figura 3e-f), registro de indivíduos durante deslocamen¬
tos por um mesmo sítio (Figura 3a-b), ou uso habitual de um dado sítio (Fi¬
gura 5a-b). Em qualquer dessas circunstâncias, as perturbações causadas
pelo observador, incluindo captura e manuseio, resultam na fuga do animal
e arruinam a observação (Patterson & Davies 32 comentam a raridade das
observações sobre comportamento de serpentes em natureza, à parte de
fuga). Além disso, o manuseio causa estresse ao animal e, no caso de es¬
pécies peçonhentas, há a considerar o risco envolvido no manusear repeti¬
do 11 .
Com o uso de marcas naturais foi possível o reconhecimento posterior
de 13 invidíduos, 12 fêmeas e 1 macho, no decorrer do estudo (portanto,
18% de reencontros ou "recapturas”). Ainda, foi possível a observação in¬
termitente de nove dessas fêmeas, nos seus sítios habituais, por períodos
de até onze semanas. Esses resultados, mais as observações independen¬
tes de reconhecimento individual, forneceram uma idéia inicial dos hábitos
de Bothrops jararaca na região de Campinas, resumidamente relatada por
Sazima 38 e aqui ampliada com informações adicionais e comentários.
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BIOLOGIA COMPORTAMENTAL
1. Período de atividade
As jararacas foram encontradas em atividade 13 a maior parte do ano,
de outubro a maio, sendo a maioria observada de novembro a fevereiro,
durante a época mais úmida e quente (Figura 4). Não foram encontradas
de junho a setembro, os meses mais secos e frios, na região. (Entretanto,
veja comentário em Gibbons & Semlitch 13 sobre a atividade percebida e as
falhas disso resultantes, na coleta de dados sobre atividade de serpentes.)
Encontrei indivíduos ativos de B. jararaca a temperatura ambiente entre
19° e 31°C e UR de 68 a 100%. Rosenfeld 36 menciona que a maioria dos
acidentes ofídicos, no Brasil, incluindo os causados por jararaca, ocorre
nos meses mais quentes e chuvosos, a temperaturas acima de 18°C e UR
entre 75 e 94%. Esses fatos indicam que maior incidência de acidentes cor¬
responde a maior atividade de serpentes, entre outras causas. Desloca¬
mentos das jararacas foram observados nos diversos períodos do dia, a
maioria dos indivíduos ativos (48 em 52) sendo encontrada ao crepúsculo e
no início da noite (18h30-21 h30), presumível fase de maior atividade, nas
serpentes consideradas noturnas 42 (mas veja Gibbons & Semlitch 13 ). Para
Bothrops moojeni Hoge, em Minas Gerais, Leloup 26 encontrou período de
atividade noturna semelhante à aqui referida.
66d ,
20 d
18 d
36 d
5d
49 d
FIGURA 2 — Exemplos de variação em formato, irregularidade e disposição do padrão de
desenho dorsal, na região mediana do corpo, em 12 indivíduos de Bothrops jararaca, permi¬
tindo a sua caracterização na população de Sta. Genebra. Os números representam a nu¬
meração seqüencial atribuída aos indivíduos, à medida que são encontrados; as letras, o seu
lado direito ou esquerdo.
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2. Termo-regulação
Durante o dia foram encontrados 23 indivíduos de B. jararaca (21 fê¬
meas, 2 machos), dos quais 19 em postura enrodilhada ou encurvada, no
chão, sobre serapilheira, ou na vegetação (Figuras 3e, 5a, b). Nessas oca¬
siões, as jararacas podem ficar total ou parcialmente encobertas pela folha¬
gem, dificultando ainda mais a sua detecção visual, já complicada pela sua
coloração procríptica (Figura 5a). A atividade diurna esteve, em geral, rela¬
cionada a termo-regulação comportamental 13 ' 23 A jararaca raras vezes foi
vista totalmente exposta à radiação solar, sendo mais comum encontrá-la
em locais onde a radiação estivesse interceptada total ou parcialmente pela
vegetação ("sun-shade mosaic" 19 ). Aquecimento foi freqüente em locais
previamente expostos à radiação, ao longo do dia. À noite, as jararacas po¬
dem se aquecer em postura estirada ou ondulada, achatando o corpo sobre
o substrato e comportando-se como um réptil tigmotermo 23 ' 34 . Outras es¬
pécies, como Bothrops neuwiedi urutu Lacerda, podem apresentar tendên¬
cias mais heliotérmicas, como observei na Serra do Cipó, Minas Gerais, em
diversas épocas do ano.
Na mata de Sta. Genebra, em algumas ocasiões encontrei fêmeas grá¬
vidas de B. jararaca, ou indivíduos que ingeriram presa recentemente, em
locais com temperaturas do ar entre 32° e 34°C. (Regai 34 e Greenwald &
Kanter 18 discutem as vantagens adptativas de termofilia e eficiência diges¬
tiva em serpentes.) Leloup 26 encontrou indivíduos de B. moojeni ativos à
temperatura de 14°C e fêmeas grávidas parcialmente expostas a tempera¬
turas de até 57°C, fatos que sugerem ser essa serpente mais euritérmica
que B. jararaca. Entretanto, o comportamento termo-regulatório e o seu
significado ecológico somente poderão ser satisfatoriamente estudados
com rádio-telemetria 28 .
3. Sedentarismo em fêmeas
O uso habitual de um dado sítio foi observado em nove fêmeas de B.
jararaca (cinco delas visivelmente grávidas), por períodos que variaram de 3
a 78 dias. Uma fêmea com c. lOOcm usou um sítio com c. 5m2 por 45 dias
seguidos (8 jan-21 fev 87), permanecendo à vista por períodos de 1 a 7h.
Passava parte do tempo termo-regulando (Figura 3e) e, ao entardecer,
abrigava-se sob densa coivara, no mesmo sítio. Uma outra fêmea, grávida,
c. 1 lOcm, foi esporadicamente avistada termo-regulando (Figura 5a) numa
área com c. 7m2, ao longo de 78 dias (25 out 87-10 jan 88), tendo feito a ec-
dise duas vezes, nesse período. Em certos locais, trechos da vegetação fi¬
caram acamados devido à presença habitual, por períodos prolongados,
das serpentes. Três fêmeas adultas foram avistadas em atividade noturna,
em locais distantes c. 5, 18 e 200m dos seus sítios diurnos. Nos sítios de
quatro fêmeas havia tocos de árvores ou escavações por mamíferos, usa¬
das como abrigo (diurno ou noturno) pelas serpentes. Na Serra do Cipó,
Minas Gerais, observei sedentarismo (embora por período limitado a seis
dias), em duas fêmeas de B. neuwiedi urutu.
Os exemplos de aparente sedentarismo em B. jararaca são semelhantes
ao observado para uma fêmea de Bothrops asper (Garman) 14 e diversos in¬
divíduos de Lachesis muta (L.) 16 , na Costa Rica, podendo representar um
comportamento habitual de alguns viperídeos neotropicais, em certas épo-
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cas. Entretanto, dados obtidos de poucos indivíduos, numa mesma área e
por pouco tempo, devem ser interpretados com cautela: Shine 41 , em estu¬
do rádio-telemétrico de uma espécie de elapídeo australiano, encontrou
considerável variação intra-populacional em atividade e uso de habitat. Um
macho de B. jararaca (c. 70cm) foi reencontrado após 25 dias (25 out-14
dez 87), em local distante c. 1 km, em linha reta, do sítio onde fora avistado
a primeira vez. Os parcos dados obtidos dos reencontros sugerem que as
fêmeas adultas de jararacas sejam mais sedentárias que os machos (ao me¬
nos em determinadas épocas), possivelmente relacionado à gravidez. Se-
dentarismo em fêmeas grávidas, bem como tendência dos machos a va¬
guear mais, são conhecidos para outras espécies de serpentes, durante a
época de reprodução 13 .
4. Atividade durante o ano
0 padrão de atividade ao longo do ano, para a população de B. jararaca
de Sta. Genebra, parece ser do tipo unimodal 13 , contendo um período de
pouca movimentação, a julgar pelos encontros (Figura 4) (veja, porém, ad¬
vertência sobre atividade em Gibbons & Semlitch 13 ). Esse período, provave-
mente passado na maior parte em abrigos, ocorreu principalmente de ju¬
nho a agosto, podendo se estender áté setembro. Essa aparente ausência
de atividade pode estar relacionada à baixa umidade e à menor disponibili¬
dade de presas, à semelhança do encontrado para algumas outras espécies
de serpentes 20 ' 35 . Observações limitadas sugerem que roedores e outras
presas potenciais (anfíbios, lagartos), que ocorrem na área de estudo, dimi¬
nuem sua atividade nos meses secos e frios. Com início das chuvas e au¬
mento de temperatura, as jararacas provavelmente saem dos abrigos e a
maioria dos indivíduos realiza ecdise, a julgar por sua aparência aveludada
e mudas encontradas nas proximidades dos presumíveis abrigos. Num es¬
tudo sobre o lagarto teiú, Tupinambis teguixin (L), na região de Rio Claro,
São Paulo, Helena R. Lopes (com. pess.) encontrou ritmo sazonal de ativi¬
dade semelhante ao aqui relatado para B. jararaca, incluindo uso de hiber-
náculos e saída seguida de ecdise. Penso que ritmos parecidos sejam en¬
contrados em algumas outras espécies de répteis, em regiões com clima
semelhante.
A partir de outubro-novembro surgiram as primeiras fêmeas visivelmen¬
te grávidas, encontradas até março. Esse fato sugere que ao menos parte
dos acasalamentos, na Mata de Sta. Genebra, poderia ocorrer na época
que antecede o período invernal. Leloup 26 observou, para B. moojeni, aca¬
salamentos a partir de maio, as primeiras parturições acontecendo sete me¬
ses após, em plena época chuvosa. Em Bothrops insularis (Amaral), as có¬
pulas foram observadas de agosto a setembro, os primeiros nascimentos
ocorrendo em janeiro 1 .
5. Locomoção
Os modos de locomoção de B. jararaca incluem ondulação lateral, loco¬
moção retilínea, em acordeão ou "concertina" e um modo semelhante à
ântero-lateral ou "sidewinding", bem como combinações desses modos
(veja descrição e discussão dos modos de locomoção de serpentes em Jay-
ne 24 ). A ondulação lateral é o modo mais usado (Figura 3a,c), a amplitude e
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a regularidade das ondulações variando de acordo com o estado motivacio-
nal ("pressa") da serpente e o tipo de substrato. A retilínea foi observada
principalmente em fêmeas grávidas, ao se deslocar por superfícies unifor¬
mes (Figura 3b). A locomoção em acordeão foi observada em indivíduos ao
subir por rampas, em substrato de pouco apoio (arenoso) e, também, ante¬
cedendo o bote predatório. A ântero-lateral é um modo complexo de loco¬
moção, usado principalmente sobre superfícies arenosas ou lisas 24 . Em ja¬
raracas, foi observada locomoção semelhante, nos indivíduos em fuga (Fi¬
gura 5c), perturbados quando em áreas abertas, uniformes e arenosas (lei¬
to da estrada). Tanto jovens como adultos foram observados deslocando-
se na vegetação, por vezes a 1-2m acima do solo. Os jovens podem usar a
cauda para funções preensoras, quando na vegetação. Uma fêmea grávida
(c. 120cm).usou um agrupamento de capim-elefante, Panicum maximum
FIGURA3 — Três indivíduos de Bothrops jararaca 6a Mata de Sta. Genebra, quando do en¬
contro (A, C, E) e reencontro (B, D, F), em diversas circunstâncias. A — fêmea 4 (c. 90cm),
ao atravessar caminho na mata, em ondulação lateral (15 dez 85); B — mesmo indivíduo,
durante locomoção retilínea, c. 18m distante do local anterior (19 jan 86); C — fêmea 58,
114cm, (embarreada após enxurrada) ao iniciar ingestão de camundongo que envenenou
(19 dez 87); D — mesmo indivíduo, no mesmo sítio, após muda recente de pele (17 fev 88);
E — fêmea 30 (c. lOOcm), grávida, ao assoalhar na vegetação; note postura sigmóide da re¬
gião anterior, facilitando pronto bote defensivo (4 jan 87); F — mesmo indivíduo, no mesmo
sítio, quando preparado para fuga; note região anterior soerguida e postura sigmóide dO’
pescoco (1 fev 87 j.
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Nees, durante termo-regulacão, podendo ficar a 2m acima do solo (dez
1987-jan 1988).
Ao forragear, a jararaca parece combinar as táticas de espreita e de pro¬
cura, provavelmente predominando a primeira, como é habitual para a
maioria das Viperidae estudadas 13 ' 30 . Entretanto, o seu porte relativamente
delgado sugere participação maior de procura ativa, nas suas táticas de ca¬
ça, que nas espécies mais curtas e robustas de Bothrops. As principais fa¬
ses do seu comportamento predatório, sobre pequenos roedores, são des¬
critas em comunicação à parte, juntamente com o modo de estudo (I. Sazi-
ma, manuscrito em preparação).
6. Táticas defensivas
O comportamento defensivo de B. jararaca foi aqui estudado em 20 in¬
divíduos adultos (13 fêmeas, 7 machos) e 9 juvenis, em 46 confrontos,
usando modo de aproximação semelhante ao descrito por Duvall et al , 10 !
em estudo da cascavel Crotalus viridis (Rafinesque), na América do Norte!
As ações defensivas da jararaca podem ser apresentadas, de modo escalo¬
nado, em quatro fases principais: imobilidade, fuga, retração ou enrodilha-
mento, bote. A imobilidade é, na jararaca, favorecida pela sua coloração
procríptica e conseqüente camuflagem, podendo ser usada por indivíduos
anteriormente em deslocamento ou por aqueles já estacionários (e.g., ter-
mo-regulando, figura 5b). Imobilidade seguida de fuga foi a tática mais
usada (37 dos 46 confrontos).
A fase de fuga inclui modos de locomoção semelhantes aos usados em
outras atividades, mas o animal se move direta e rapidamente, afastando-
se da fonte de perturbação 10 . A locomoção ântero-lateral, em B. jararaca,
parece ser usada basicamente em situações defensivas. Fêmeas grávidas
exibiram menor propensão à fuga, que as não grávidas, os machos ou os
jovens. Essa situação é conhecida para algumas outras espécies de répteis,
possivelmente refletindo maior dependência da camuflagem como defesa!
face à redução na capacidade de fuga devido à gravidez 15 . Neill 31 sugere
que ovo-viviparidade e capacidade defensiva estejam associadas, em ser¬
pentes, o que também poderia contribuir à menor tendência à fuga, em fê¬
meas grávidas de B. jararaca. No entanto, nas fêmeas grávidas notei tam¬
bém menor propensão ao bote defensivo, em relação a machos e in¬
divíduos jovens (q.v. adiante).
No seu escalonamento defensivo, a jararaca pode retrair a região ante¬
rior do corpo em curva sigmóide (Figura 3d,f), o que possibilita pronta reta¬
liação, desferindo botes. No recuar com bote armado ("cocking'', cf. Du¬
vall efa/. 10 ), a serpente permanece com a região anterior retraída em postu¬
ra sigmóide, encarando o antagonista e recuando com ondulação das por¬
ções posteriores do corpo (Figura 5d). Nessa fase, é freqüente o bater rápi¬
do da cauda contra o substrato, possivelmente uma exibição de advertên¬
cia 15 . A fase do enrodilhamento com bote armado (Figura 1 a,b) é uma das
expressões mais intensas do comportamento defensivo de B. jararaca, po¬
dendo culminar com o bote. Os indivíduos jovens e machos adultos exibi¬
ram maior propensão a desferir bote, que as fêmeas adultas (grávidas), ca¬
racterística encontrada em algumas outras espécies de serpentes 15 . Entre¬
tanto, devido ao baixo número de animais testados, à variabilidade indivi¬
dual 10 ' 15 ' 44 e à diversidade de circunstâncias, esses dados devem ser toma-
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FIGURA 4 — Distribuição, ao longo do ano, de 46 indivíduos (29 fêmeas, 17 machos), de
Bothrops jararaca encontrados em 24 meses (excluídos os reencontros), na Mata de Sta.
Genebra, Campinas, São Paulo. Esforço de captura: 112-146km/mês, totalizando c.
3.200km percorridos. Umidade relativa (UR) e temperatura (T°) representam normais climá¬
ticas da região de Campinas, período 1956-1981.
dos com cautela. Encontrei duas fêmeas de jararaca particularmente irritá¬
veis, termo-regulando na vegetação, nas quais a fuga foi precedida por bo¬
te (3 em 4 observações, cada) a partir de postura sigmóide da região ante¬
rior (Figura 3f), adotada já durante o enrodilhamento na termo-regulação
(Figura 3e). È possível que, em função da temperatura corporal, esses dois
indivíduos estivessem mais propensos a desferir botes defensivos 17 .
No decorrer do bote defensivo, a jararaca projeta bruscamente sua re¬
gião anterior em direção ao antagonista, em geral abduzindo as maxilas em
amplo ângulo (Figura 6). Por vezes, o bote é desferido estando a serpente
com as maxilas cerradas ou entreabertas ("botes em falso", cf. Greene 15 ).
Retração e bote, antecedendo a fuga, foram usados por seis dos 29 in¬
divíduos testados, em 9 dos 46 confrontos (c. 20%). A freqüência de botes
aumenta quando a serpente não tem pronto acesso a vias de escape, cir¬
cunstância em que chega a c. 90%, mantidas as condições experimentais
do confronto 10 . O bote defensivo de B. jararaca causa a impressão de ser,
em boa parte das vezes, mais lento que o de B. moojeni ou B. neuwiedi
urutu, por exemplo. Para Crotalus viridis, a velocidade máxima de bote é
de 277cm/seg 45 , mas desconheço dados comparáveis para Bothrops.
Duvall et al. 10 sugerem que o escalonamento defensivo, observado em
C. viridis, indica ser a serpente capaz de avaliar a intensidade e os riscos de¬
correntes de um ataque, nas diversas circunstâncias. Esse poderia ser tam¬
bém o caso de B. jararaca, que pode exibir modos de defesa diferentes e
escalonados, de acordo com as circunstâncias (e.g., em área aberta ou
próximo a abrigo, durante o dia ou à noite) e, provavelmente, relacionado a
temperatura ambiente 10 ' 17 .
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7. Modos de estudo em hábitos de serpentes
0 estudo observacional mostrou ser viável e rendoso, na obtenção de
informações iniciais sobre diversos aspectos dos hábitos da jararaca. Foi
particularmente vantajoso na obtenção de dados sobre táticas defensivas,
comportamento predatório (em prep.) e modos de locomoção. Permitiu
boa inferência sobre períodos de atividade (avaliados por episódios de des¬
locamento) e uso habitual de sítios (observação repetida dos mesmos in¬
divíduos), possibilitando, assim, base para um planejamento mais objetivo
de estudos com uso de radiotelemetria. Em B. jararaca, assim como em ou¬
tras serpentes, aspectos como ritmo diário de atividade, amplitude de des¬
locamento e área ocupada num dado período, proporção de tempo empre¬
gada nas diversas atividades (termo-regulação, caça) somente poderão ser
estudados satisfatoriamente com uso de radiotelemetria 13 - 16 - 41 . Algumas
das informações colhidas no presente estudo são obviamente deficientes
(e.g., atividade de termo-regulação). Ainda assim, preferi apresentá-las,
dada a pouca informação publicada sobre hábitos das espécies de
Bothrops do sudeste brasileiro (e.g., Amaral 1 e Leloup 26 ).
O estudo naturalístico, observacional, fornece um tipo de conhecimen¬
to fatual que não pode ser obtido de outros modos, por vezes usados em
estudos sobre hábitos de serpentes ("ecologia sobre animais capturados e
mortos", e.g., 40 - 47 ). Além disso, possui valor heurístico e permite estudos
posteriores mais refinados e testes de hipóteses 14 - 25 . Em estudos sobre his-
cm
SciELO
FIGURA 5 — Bothrops jararaca, aspectos de biologia comportamental, na Mata de Sta. Ge¬
nebra, Campinas. A — fêmea 45 (c. IlOcm), ao assoalhar na vegetação baixa, c. 50cm do
solo, pouco visível devido à sua coloração procríptica (esse indivíduo foi esporadicamente
avistado no mesmo sítio ao longo de 78 dias); B — fêmea 57 (c. 120cm), grávida, ao termo-
regular sobre vegetação recém-cortada; podia também subir pela vegetação, a 2m do solo
(o indivíduo foi visto diversas vezes nesse sítio, ao longo de 57 dias); C — macho 10 (c.
80cm), durante fuga com uso de locomoção ântero-lateral; D — fêmea 4, durante fuga com
bote armado, o animal encarando o antagonista e recuando com ondulações da parte pos¬
terior do corpo.
SAZIMA, I. Um estudo de biologia comportamental da jararaca, Bothrops jararaca, com
uso de marcas naturais. Mem. Inst. Butantan, 50(3): 83-99, 1988.
tória natural, o método observacional é único (veja argumentação sobre a
importância básica da história natural, para estudos de biologia evolutiva,
em Greene 14 ' 15 ).
APÊNDICE
História natural em profilaxia de ofidismo
A utilização de informações originadas em estudos de história natural
de serpentes venenosas, na profilaxia de acidentes ofídicos, pode ser dis¬
cutível. Entretanto, análise preliminar de 25 casos de envenenamento por
B. jararaca, registrados no Hospital Vital Brazil e ocorridos à época do pre¬
sente estudo (I.Sazima & J.L.C. Cardoso, inédito), sugere haver corres¬
pondência entre diversos aspectos comportamentais aqui comentados e as
circunstâncias em que ocorreram os acidentes. Por exemplo, 72% dos aci¬
dentes parecem ter ocorrido durante a termo-regulação diurna, circunstân¬
cia em que a jararaca procura locais com temperatura adequada, sendo
difícil de detectar visualmente (Figura 5a). Ainda, nesse período parece ter
pouca propensão à fuga, usando mais a imobilidade ou o bote, como re¬
curso defensivo (Figuras 5b, 6). Somado a isso, o período coincide com a
maior parte das lides agrícolas (Rosenfeld 36 comenta que a maioria dos aci¬
dentes ofídicos ocorre durante a manhã).
Cerca de 45% dos 25 acidentes analisados foram provocados por ser¬
pentes jovens, que, além de serem mais difíceis de detectar (menores di¬
mensões), parecem apresentar maior propensão a desferir botes defensi¬
vos. A tendência da jararaca a subir pela vegetação, em certas circunstân¬
cias, pode favorecer acidentes (dos 25 estudados, um ocorreu em canavial
e outro em milharal — estando a serpente na planta), os quais poderão au¬
mentar com a expansão desse tipo de cultura. O uso habitual de certos
- V
FIGURA 6 — Bothrops jararaca, ao desferir bote defensivo contra sola de calçado, aproxi¬
mado bruscamente (macho47, c. 65cm).
96
SAZIMA, I. Um estudo de biologia comportamental da jararaca, Bothrops jararaca, com
uso de marcas naturais. Mem. Inst. Butantan, 50(3): 83-99, 1988.
sítios, para onde a jararaca volta mesmo após perturbação (Figura 5b), po¬
de contribuir para as circunstâncias favoráveis ao acidente ofídico.
A dificuldade na detecção visual da jararaca, o uso habitual que fêmeas
dessa serpente podem fazer de alguns sítios, a propensão de certos in¬
divíduos a desferir botes defensivos, possivelmente são fatores que contri¬
buem para aumentar a incidência de acidentes botrópicos. Talvez mais que
isso, a jararaca ocorre em áreas alteradas por atividades agrícolas (a exem¬
plo de B. atrox na Amazônia 9 ), e em regiões com densidade humana relati¬
vamente alta 4 ' 4a Esses fatos, somados à sua aparente versatilidade no uso
do ambiente, asseguram a B. jararaca uma posição destacada como pro¬
blema de saúde pública.
ABSTRACT: Seventy one individuais (47 females, 24 males) of the pit vi-
per, Bothrops jararaca, were found over 29 months of a field study at
Campinas, São Paulo, southeastern Brazil. Thirteen individuais (12 fema¬
les, one male) were recognized by means of natural markings when later
found again. Adult females seemed more sedentary than males. Nine fe¬
males (five visibly gravid), used the same sites (5-7m2) for basking and
sheltering, for periods up to 45-78 days. B. jararaca was rarely observed
wholly exposed to direct sunlight, being instead commonly seen in partly
shaded sites. The snakes were active mostly at dusk and night, at air
temperatures from 19° to 31 °C, and 68 to 100% air humidity. Young as
well as adults may climb on vegetation, sometimes up to 2m above
ground. Defensive tactics sequence was escalated from immobility and
fleeing, to coiling or cocking, and striking. Adult (gravid) females were
less prone to flee than young snakes and adult males, especially when
basking. Year-round activity at the study site seems to include a period of
little activity spent mostly inside retreats, over three driest and coldest
months (Jun-Aug).
KEYWORDS: natural history, Crotalinae, southeastern Brazil.
AGRADECIMENTOS
Sou grato a Augusto S. Abe, por empréstimo de material e bibliografia,
críticas ao manuscrito e sugestões; Christine Strüssmann e Miguel T. Ro¬
drigues, por críticas ao manuscrito e sugestões; Pedro A. Federsoni Jr., e
Wilson Fernandes, por informações e leitura do manuscrito; Helena R. Lo¬
pes, Jorge Y. Tamashiro, Sylvia M. Lucas e Pérsio de Biasi, por informa¬
ções ou sugestões; Ricardo, Marlies e Cristina Sazima, Christine Strüss¬
mann, Monica e Otávio Froehlich, José P. Pombal Jr. e Éllen Cordeiro, por
ajuda no trabalho de campo e sugestões; Paulo R. Manzani, por ajuda no
trabalho de laboratório; Rosemary S. de Assis, por tomada de dados no
Hospital Vital Brazil; Esmeralda Z. Borghi, por acabamento artístico dos de¬
senhos originais; funcionários de vigia e manutenção da Reserva Mata de
Sta. Genebra, por facilitar o trabalho de campo; Fundação "José Pedro de
Oliveira", por permitir o trabalho na reserva; CNPq (proc. 300992/79.3) e
FAP-UNICAMP (proc. 59/87), por ajuda financeira. Dedico o estudo à me¬
mória de Helena R. Lopes, profissional competente e amiga querida.
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COLETÂNEA DE RESUMOS DE TRABALHOS
PUBLICADOS PELOS PESQUISADORES DO
INSTITUTO BUTANTAN
( 1987 )
Mem. Inst. Butantan
50 (3) -103-110, 1988.
COLETÂNEA DE RESUMOS DE TRABALHOS
PUBLICADOS PELOS PESQUISADORES DO
INSTITUTO BUTANTAN
( 1987 )
1. BELLUOMINI, H.E.; WAKAMATSU, C.T.; LUCAS, S.M.; CARDOSO, J.L.C.
Acidentes do trabalho por animais peçonhentos.
Rev. bras. Saúde Ocup. 75(60): 38-42, 1987.
Resumo: Entre os 2.757 prontuários dos atendimentos em 1983 do Hospital Vital Brazil foram en¬
contrados 561 casos de ofidismo (20,3%), 1.136 casos de araneísmo (41,2%) e 390 casos de escor-
pionismo (14,1 %). Os restantes 24,4% eram picadas de abelhas, outros insetos, dermatites por ta¬
turanas etc. As tabelas mostram a distribuição de acordo com idade e sexo. Foram considerados
como acidentes de trabalho 314 casos, sendo a atividade de maior risco a construção civil.
Abstract: The 2.757 file cards of the medicai attendances at the HVB In 1983, showed that 561 were
cases of ophidism (20,3%), 1.136 cases caused by araneids (41,2%), the remainder, stings by bees
and other insects; dermatitis caused by caterpillars etc. The tables show the distribution according
to age, sex and occupation. A series of cases — 314 — were regarded as labor accidents, where the
civil construction was considered as the activity of highest risk.
2. CARLINI, E.A.; BRAZ, S.; TRONCONE, L.R.P.; TUFIK, S.; ROMANACH, A.K.; PUSTIGLIONE,
M.; SPOSATI, M.C.; CUDIZIO FILHO, O.; ALMEIDA PRADO, M.l.
Efeito hipnótico de medicação homeopática e do placebo. Avaliação pela técnica de "duplo-cego"
e "cruzamento".
Rev. Ass. méd. bras., 33(5/6): 83-88, 1987.
Resumo: Quarenta e quatro pacientes com insônia foram atendidos nos consultórios de médicos
homeopatas e encaminhados ao Departamento de Psicobiologia para responderem a um questioná¬
rio que avaliava parâmetros do sono: tempo de indução, manutenção, sonhos e pesadelos e desper¬
tar. Estes pacientes passaram a receber em esquema "duplo-cego" a medicação homeopática ou
placebo, durante três meses, por seis vezes, com intervalos de 15 dias. Metade dos pacientes ini¬
ciou o tratamento com placebo e após o 45.° dia passou a tomar medicação homeopática, ocorren¬
do o inverso com a outra metade. Vinte e seis pacientes terminaram o tratamento, tendo havido me¬
lhora marcante da insônia em todos. Esta melhora independeu de medicação ou do placebo e foi
observada tanto pelos médicos homeopatas como pelo questionário de sono. Também não houve
distinção entre a melhora apresentada por pacientes que iniciaram o tratamento recebendo o medi¬
camento e aqueles que iniciaram com o placebo.
Abstract: Forty four patients attending homeopathic clinics were selected under the basis of com-
plaint of severe insomnia in their symptomatology. The patients agreed to participate in an experi-
ment in which they were to receive homeopathic medication or placebo in a double-blind procedu-
re, during 45 days; after that, the medications were crossed and given for more 45 days.
Evaluation of treatments was performed at 15 days intervals and consisted of attributing degrees
for the insomnia symptoms by the homeopathic doctors and the application of a 10 item question-
naire aimed to evaíuate sleep parameters such a sleep induction sleep quality dream recall and rea-
wakening.
Twenty six patients ended the treatment and all of them reported a marked improvement of their
sleep habits. This improvement was noted through the homeopathic doctods evaluation as well as
through the questionnaire and occurred after both, the placebo and homeopathic remedies.
103
SciELCTo ^
14
J. CARNEIRO, S.M. ô SESSO, A.
Morphometric evaluation of zymogen granule membrane transfer to Golgi cisternae following
exocytosis in pancreatic acinar cells from suckling newborn rats.
J. Submicrosc. Cytoi, 79(1); 19-33, 1987.
Abstract; Pancreatic acinar cells from unfed, newborn rats and sucking for 4,8 and 16 h were stu-
died morphometrically in semi-and ultrathin sections. In the cells of the unfed, newborn rats, nume-
rícal and volume densities of the zymogen granules (ZG) and volume of the Golgi apparatus are res-
pectively the highest and lowest observed during peri-and postnatal life. Cisternae of the rough en-
doplasmic reticulum (RER) appear irregularly dísposed among theZG. Once feeding starts, cytoplas-
mic volume becomes progressively reduced until the 16th hour owing to sustained exocytosis of ZG
contents. The decline in numerical density of ZG between 0 and 4h revealed the minimum number
of ZG exocytosed in the first 240min. The sum of the membrane surfaces measured in the various
subcellular compartments, [RER, condensing vacuoles (CV), Golgi cisternae (GC), Golgi apparatus-
associated microvesicles (GM), 'other structures', apical and basolateral plasmalemmae and mito-
chondria] did not vary significantly in the various groups of rats. After 4 and 8 h, the net amount of
cellular ZG membrane surface internalized represents 10% and 15% respectively of the total measu¬
red cell membrane. These quantities are sufficient to account for the expressive increase in mem¬
brane surfaces occurring at these times in CV, GC and GM. The curves showing membrane surface
decrease in ZG and increase in the Golgi appear to express a precursor -* product relationship. The
results of topochemical reactions are consistem with the interpretation that part of the ZG membra¬
ne internalized after exocytosis induced by alimentary stimulus is reused to expand and/or form
trans (thiamine pyrophosphatase positive) and trans-most (acid phosphatase positive) GC.
Resumo: Células acinosas pancreáticas de ratos recém-nascidos não alimentados foram estudadas
morfometricamente através de cortes semi e ultrafinos. As densidades numérica e de volume dos
grãos de zimogêneo (Z) nas células dos animais não alimentados são as maiores observadas durante
a vida pré e pós-natal, enquanto que o volume total do aparelho de Golgi (G) nesses animais corres¬
ponde ao menor valor observado. Cisternas do retículo endoplasmático rugoso (RER) estão dispos¬
tas de forma irregular por entre os Z. Com o início da alimentação, o volume citoplasmático reduz-
se, progressivamente, até a 16.° hora, devido à continua exocitose do conteúdo dos Z. O declínio
da densidade numérica dos Z entre 0 e 4h revela o número mínimo de Z exocitados nos primeiros
240 minutos. O total de superfície de membranas medidas nos diversos compartimentos subcelula-
res (RER, Z, vacúolos de condensação, cisternas de Golgi, microvesículas associadas ao aparelho
de Golgi, plasmalema apical e basolateral, mitocondria e outras estruturas) não variou significativa¬
mente entre os vários grupos de ratos. Após 4 e8h, o total de superfície de membranas deZ interna¬
lizada representa 10% e 15%, respectivamente, do total de membranas medidas na célula. Essas
quantidades são suficientes para explicar o nítido aumento de superfície de membrana que ocorre
nesses intervalos nos vacúolos de condensação, cisternas de Golgi e microvesículas associadas ao
Golgi. As curvas que representam o decréscimo de superfície de membranas de Z e aumento de
membranas de Golgi parecem expressar uma relação semelhante à de precursor produto. Os resul¬
tados de reações citoquímicas são consistentes com a interpretação de que parte das membranas
de Z internalizadas após exocitose induzida pelo estímulo alimentar é reutilizada para expandir e/ou
formar cisternas de Golgi mais internas (trans), tiaminopirofosfatase positivas e fosfatase ácida po¬
sitivas.
4. DENARO-MACHADO, L; OGATA, T.R.P.; LONGO, M.A.; DAVID, M.L.V.M.G.; KFOURI, S.A.;
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tudos biológicos.
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Resumo: - Os AA. relatam o comportamento biológico de tumores crescidos em ratos nude, pós-
transplante de oito passagens sucessivas de linhagem celular tumoral humana (KB), enfatizando a
possibilidade de utilização desse modelo experimental em estudos biológicos, fisiológicos e terapêu¬
ticos dos tumores assim gerados.
Abstract: - The authors describe the biological behavior of tumors grown in nude rats transplanted
in 8 serial passages with human tumor KB cell line, emphasizing the possibility of utilization of this
experimental model in biological and physiological studies, as well as in therapeutic assays.
5. FERREIRA, L.A.F. & HENRIQUES, O.B.
Kallikrein isolated from commercial crystalline pepsin preparations.
BrazUianJ. Med. Biol. Res., 20;511-520, 1987.
Abstract: 1. An experimented designed to study the relationship between pH and kininogenase acti-
vity of three commercial preparations of porcine crystallized pepsin showed that each preparation
had two well separated pH óptima, pH4 and 8. 2. From the inibition spectrum of the pH 8 kinonege-
nase it was concluded that it is a kallikrein of the glandular type, since it proved to be a serine pro-
tease and was msensitive to protein trypsin inhibitors. 3. Kallikrein activity can be separated from
pepsin by affinity chromatography on Sepharose-4B-Pro-Phe-agmatine. This separation permitted
us to obtain purifled material with kallikrein specific activity 43 times higher than that of crude pep¬
sin and which showed a single band on polyacrylamide gel electrophoresis. 4, The kallikrein activity
was found to have a molecular weight of 36 kDal and a Michaelis constant of 25*rM when acting on
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Bz-Pro-Phe-Arg-p-nitroanilide at pH 8.6. 5. On the basis of these properties, kallíkrein from com-
mercial pepsin resembles the kallikreins previously described from rat or human stomach.
Resumo: 1 — Experiência realizada para estudar a relação pH-atividade cimnogenásica de três pre¬
parações comerciais de pepsina cristalizada mostrou que cada preparação apresentava dois pH óti¬
mos nitidamente separados, pH 4 e pH 8. 2 — A partir do espectro de inibição da cininogenase pH
8, concluiu-se ser ela uma calicreína de tipo glandular pois comportou-se como uma serino-protease
e foi insensível a inibidores protéicos de tripsina. 3 — A atividade calicreinásica pode ser separada
daquela de pepsina por cromatografia de afinidade em Sefarose-4B-Pro-Phe agmatina; esta prepa¬
ração permitiu-nos obter material purificado, com atividade específica de calicreína 43 vezes maior
de que aquela observada com a pepsina comercial utilizada, e apresentou apenas uma banda em
eletroforese realizada em gel de poliacrílamida. 4 — Para a proteína com atividade calicreinásica,
observou-se um peso molecular de 36 KDal e uma constante de Michaelís de 25M em sua ação so¬
bre Bz-Pro-Phe-Arg-p-nitroanilida, em pH 8.6. 5 — Na base dessas propriedades pode-se afirmar
que a calicreína obtida da preparação de pepsina comercial se assemelha à calicreína previamente
descrita em estômago de rato ou de homem.
6. HENRIQUES, O.B.; DEUS, R.B. de; SANTOS, R.A.S.
Bradykinin protentiating peptides isolated from casein tryptic hydrolysate.
Biochem. Pharmacol., 36i, 1): 182-184, 1987.
Abstract: The observation that a peptone preparation, resulting from tryptic hydrolysis of casein,
potentiated bradykinin (Henriques et al, 1983), led us to study this potentiating activity on hydroly-
sates of a, fi and 3 chains of casein. For this purpose these chains were purified by the method of
solubility in urea solution (McMeekin, 1954). These fractions were separately incubated with
Trypsin-TPCK. After incubation the enzime was inactivated by heating and the capacity of the
hydrolysate to potentiate braddykinin was measured on the isolated guinea pig preparation. Compa-
ring the potentiating activity of these fractions we observed that or -casein hydrolysate was the most
active among them. This hydrolysate was chromatographed on Sephadex G-25M and the active
peptides separated were further purified by filtration on Sephadex G-25F. From these fractions, the
ones that potentiated the effect on the guinea-pig-ileum, 11 to 14 times, were pooled and lyophili-
zed. The whole procedure was repeated twice, starting with the casein fractionation and chromato-
graphy on the sane Sephadex colums, with similar results. The avarege activity found for the three
preparations was 2.93 ± 0.2 after the G-25M column and 13.3 ± 0.3 after G-25F.
Resumo: A observação de que a preparação de peptona, resultante de hidrolisado tríptico de ca¬
seína, potência a bradicinina (Henriques et al, 1983), levou-nos a estudar essa atividade potenciado-
ra em hidrolisados das cadeias or, fl e 3 da caseína. Para isto essas cadeias foram purificadas pelo
método de solubilidade em uréa (McMeekin, 1954). As frações foram separadamente incubadas
com Tripsina-TPCK. Após a incubação a enzima foi inativada por calor e a capacidade de potenciar
bradicinina do hidrolisado foi medida em preparação de íleo isolado de cobaia. Comparando a ativi¬
dade potenciadora dessas frações observamos que o hidrolisado de a -caseína foi o mais ativo. Este
hidrolisado cromatografado em Sephadex G-25M e os peptídios ativos separados foram purificados
por filtração em Sephadex G-25F. Dessas frações aquelas que potenciaram 11 a 14 vezes a atividade
do íleo isolado de cobaia foram ajuntadas e liofilisadas. O processo todo foi repetido duas vezes, co¬
meçando com o fracionamento da caseína seguido de cromatografia nas mesmas colunas de Se¬
phadex, obtendo-se resultados semelhantes. A atividade média encontrada para as três prepara¬
ções foi 2.93 ± 0.2 após cromatografia em Sephadex G-25M e 13.3 ± 0.3 após G-25F.
7. KAMIGUTI, A.S.; ANTONIO, L.C.; MARIANO, M.
Coagulant activity of the venom of mature and immature snakes (Bothrops jararaca) on the blood of
some mammals. In ASIA - PACIFIC CONGRESS ON ANIMAL, PLANT AND M1CROBIAL TO-
XINS, 1., Singapore, 1987. Progress in venom and toxin research.
Proceedings. Singapore, National University of Singapore, 1987.
Abstract: The intravenous injection of snake venoms in mice was proposed for the determination of
the minimum defibrinogenating dose (MDD). This method was used for venoms of mature and im¬
mature Bothrops jararaca snakes, the latter being responsible for frequent haemostatic alterations in
bitten patients. The same MDD was recorded for both venoms. A possible difference in the sensiti-
vity of animal plasma was investigated by examining the coagulant activity of the venoms on citra-
ted plasma of different mammals. Activity of the two venoms varied in the following decreasing or-
der: rabbit, dog, man, rat, hamster, mouse, guinea-pig. In this series, clotting time induced by ve¬
nom of immature snakes was significantly shorter in all species, except for guinea-pig and mouse
plasmas. An inhibitory effect of guinea-pig, mouse and human sera was found on the clotting acti¬
vity of both venoms. Results suggest that mice and guinea-pigs are not the best choice of animais
for the comparative MDD determination of B. jararacave nom.
Resumo: A administração intravenosa de venenos de serpente em camundongos foi proposta para
a determinação da dose mínima desfibrinogenizante (DMD). Este método foi usado para venenos
de serpentes adultas e jovens Bothrops jararaca, sendo as últimas responsáveis por freqüente alte¬
ração hemostática nos pacientes picados. A mesma DMD foi registrada para ambos os venenos.
Uma possível diferença na sensibilidade dos plasmas foi investigada pelo exame da atividade coagu-
lante dos venenos sobre o plasma citratado de diferentes mamíferos. A atividade dos dois venenos
variou na seguinte ordem decrescente: coelho, cão, homem, rato, hamster, camundongo e cobaia.
ScÍELCTo ^
105
Nesta série, a coagulação induzida pelo veneno de serpentes jovens foi significativamente em tem¬
po mais curto em todas as espécies, exceto para os plasmas de cobaia e camundongo. Um efeito
inibitório dos soros de cobaia, camundongo e humano foi encontrado sobre a atividade coagulante
de ambos os venenos. Os resultados sugerem que camundongos e cobaias não são os melhores
animais de escolha para a determinação comparativa da DMD do veneno de B. jararaca.
8. KAWANO, T. & SIMÕES, L.C.G.
Morphogenetic effects of caffeine on Biomphalariaglabrata (Pulmonata, Planorbidae)
Proc. Kon. ned. Akad. Wet., 90C (3): 281-302, 1987.
Abstract: Experiments with 0.1% caffeine solution were carried out using Biomphalaria glabrata
embryos. The embryos were treated during the first cleavage for 24 hours. Five groups of Controls
and caffeine-treated embryos were fixed at intervals ranging from 24 to 120 hours after the first clea¬
vage. The results depict the main and most common malformations found in caffeine-treated embr¬
yos: 1) Delayed cleavage of cells. 2) Head vesicle formed by 13 cells. 3) Supernumerary cells in the
apical plates. 4) Occurrence of monophthalmia dextra or sinistra. 5) Exogastrula.
Resumo: Embriões de Biomphalaria glabrata no início da 1.* clivagem do ovo foram tratados com
0,1 % de cafeína durante 24 horas. Cinco grupos de controles e embriões tratados com cafeína fo¬
ram fixados em intervalos de 24 até 120 horas após a 1. 8 clivagem do ovo.
Resultados demonstraram que as principais malformações encontradas em embriões submeti¬
dos a cafeína foram:
1) O retardo na clivagem das células
2) Vesícula cerebral formada por 13 células
3) A placa apical constituída de células supernumerárias
4) Ocorrência de monoftalmia dextra ou sinistra
5) Exogástrula
9. KAWANO, T.; SIMÕES, L.C.G.; TOLEDO, L.F. de A.
Nucleolar organizer region in three species of the genus Biomphalaria (Mollusca, Gastropoda)
Rev. bras. Genet., 101 4): 695-707, 1987.
Abstract: The karyotypes of three species of the genus Biomphalaria IB. glabrata, B. tenogophila
and B. straminea ) were analyzed comparatively. The three species have the same diploid chromoso-
me number, 2n = 36. The results obtained were comparated to those previously obtained by diffe-
rent authors.
In the present paper, the chromosomes were classified as follows on the basis of centromere posi-
tion: B. glabrata and B. tenagophila, 12 metacentric pairs, 4 submetacentric pairs and 2 subtelocen-
tric pairs; B. straminea, 13 metacentric pairs, 3 submetacentric pairs and 2 subtelocentric pairs.
The nucleolus organizer regions (NORsl, identified by silver staining, were located on chromosome
pair number 11 in all three species.
Resumo: Estudou-se o cariótipo de três espécies de Biomphalaria: B. glabrata, B. tenogophila e B.
straminea. Todas as espécies apresentaram o mesmo número cromossômico de 2n = 36.
Os resultados deste trabalho (de acordo com a posição centroméríca dos cromossomos) demons¬
traram que a B. glabrata e B. tenagophila possuem 12 pares de cromossomos metacêntricos, 4 pa¬
res de submetacêntricos e 2 pares de subtelocêntricos. A B. straminea possui 13 pares de cromos¬
somos metacêntricos, 3 submetacêntricos e 2 pares de cromossomos subtelocêntricos.
Compararam-se os resultados de diferentes autores com relação à classificação morfológica dos
cromossomos.
As três espécies estudadas apresentaram (grupo VI) a RON, que foi identificada pela coloração por
nitrato de prata, no par 11.
10. MALUCELLI, M.I.C.; SAKAUCHI, M.A.; SHIMIZU, Y.; CREPALDI, R.F.; PIETRO, A.S.; PEREI¬
RA, A.; PEREIRA, M.M.M.
Tempo ae destoxificação e rendimento de suspensões de Bordetella pertussis concentradas por
centrifugação e precipitação ácida.
Rev. Farm. Bioquim. Univ. S. Pauto, 23(2): 65-78, 1987.
Resumo: O tempo de destoxificação, o rendimento do processo de concentração e a potência da
vacina Pertussis foram avaliados a partir de cultivos de Bordetella pertussisem fermentadores Biola-
fitte 50L, submetidos a diferentes processos. As suspensões do microorganismo concentradas por
centrifugação e destoxificadas pelo calor e tiomersal apresentaram menor tempo de destoxificação
quando comparado com outros processos. A concentração por centrifugação foi mais satisfatória
que a precipitação ácida, quanto ao rendimento. Em todos os processos a potência foi superior a 8
Úl/ml, em conformidade com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Abstract: The time of detoxification, the yield of the concentration process and the potency of the
Pertussis vaccine were evaluated from the cultivation of the Bordetella pertussis\n Biolafitte 50L fer-
menters subjected to different methods of concentration and detoxification. Suspensions of
Bordetella pertussis concentrated by centrifugation and detoxifyed by heat and thimerosal presen-
ted a shorter time of detoxification when compared with the other methods. The concentration by
centrifugation was better than the acid precipitation in relation to the yield. In all methods the po¬
tency was not less than 8 Ul/ml in accordance to the WHO recommendations.
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11. MANCINI, D.A.P.; NASCIMENTO, E.M.M. do; YANO, A.F.B.; TAVARES, V.R. Avaliação da imu-
nogenicidade das cepas A (H, N-|), A (H 3 N 2 ) e B do vírus influenza, componentes da vacina triva-
lente contra gripe produzida pelo Instituto Butantan.
Rev. Farm. Bioquim. Univ. S. Paulo, 23(11:1-10, 1987.
Resumo : A resposta imune mediada por anticorpos específicos contra as cepas A/SP/1/77
(H 3 N 2 ), A/SP/1/78 (H 1 N 1 ) e B/Engl./847/73 do vírus influenza foi analisada pelas técnicas de inibi¬
ção da hemaglutinação (IH) e hemólise radial simples (HRS). Para tanto, utilizou-se soros de in¬
divíduos antes e após a inoculação de duas doses de vacina trivalente inativada contra a gripe, pro¬
duzida pelo Instituto Butantan, composta das referidas cepas virais. Aumentos significativos de an¬
ticorpos ocorreram nos soros dos indivíduos vacinados e através da análise estatística do x 2 (corrigi¬
do) e do Coeficiente de Associação de Yule (C. Yule), demonstrou-se a diferença das respostas de
anticorpos entre, antes e depois da vacinação dos indivíduos. Para a cepa A/SP/1 /77 (H 3 N 2 )
verificou-se a significância de P « 0,001 e P < 0,01 e C. Yule = 0,83 e 0,70; para a cepa
A/SP/1/78 (H,N t a significância foi de P « 0,001 e P < 0,02 e C. Yule = 0,74 e 0,90 e para a cepa
B/Engl./847/73 a significância foi de P <0,10 e P < 0,01 e C. Yule = 0,52 e 1,0. Foi observada, ain¬
da, maior sensibilidade no teste de HRS para detecção de anticorpos contra o vírus influenza, prin¬
cipalmente com a cepa do tipo B.
Abslract : The immune response mediated by specific antibodies, against the A/SP/1 /77 (H 3 N 2 ),
A/SP/1/78 (H,N,1 and B/Engl/847/73 strains of influenza virus, was evaluated by the Haemagglu-
tínation Inhibition (Hl) and Single Radial Haemolysis (SRH) techniques, before and after the vacci-
nation of the individuais with two doses of inactivated trivalent antil Influenza vaccine, composed of
related strains, and produced in Instituto Butantan (SP, Brazil). Considerable increase of serum an¬
tibodies occurred in vaccinated persons and according to the statistic analysis of the x 2 and C. Yule,
differences on the antibody response before and after vaccination were demonstrated. In relation to
A/SP/1/77 (H 3 N 2 ) strain, it was verified the significance of P « 0,001 and P < 0,05 and C. Yule =
0,83 and 0,70; to the A/SP/1/78 (H N) strain, the sjgnificance was P « 0,001 and P < 0,02 and C.
Yule = 0,74 and 0,50 and to the B/Engl/847/73 strain, it was verified the significance of P < 0,10
and P < 0,02 and C. Yule = 0,52 and 1,0. The sensitivity of SRH test was observed to be higher
than Hl test mainly for the detection of antibodies of influenza virus B strain.
12. MUNAÔ DINIZ, L.S.; BELLUOMINI, H.E.; TRAVASSOS FILHO, L.P.; ROCHA, M.B. da. Presence
of the ear mite Otobius megnini in the externai ear canal of lions ( Panthera leo )
J.Zoo. An. Med. 75(4): 154-155, 1987.
Abstract : Lions ( Panthera leo) imported from Argentina by the São Paulo Zoo, Brazil, were found
to be infested with Otobius megnini, a known carrier of rickettsial organisms. This is the first report
of infestation with this ear mite in a non domestic feline.
Resumo: Verificou-se que leões ( Panthera leo) importados da Argentina pelo Zoológico de São
Paulo estavam infestados com Otobius megnini, um conhecido portador de organismos Rickettsia.
Trata-se da primeira comunicação sobre infestação com este ácaro, que se instala na orelha de feli¬
nos selvagens.
13. NOVAES, A.P. de; ABE, A.S.; FERNANDES, W. Anestesia em jararaca [Bothrops jararaca) como
uso do relaxante muscular triiodoetilato de galamina.
Arq. Biol. Tecnol., 30 (41:635-639, 1987.
Resumo : O triiodoetilato de galamina foi injetado por via intramuscular, intrapericárdica e intraperi-
tonial para a anestesia de jararaca, Bothrops jararaca. Foram considerados cinco graus de aneste¬
sia, de acordo com os níveis de imobilidade, sendo considerados os 4 e 5 como sendo satisfatórios
pois B. jararaca é de perigoso manuseio. Os efeitos de uma dada dosagem atua dentro de 13 a 23
minutos, independente da via injetada. A dose intramuscular foi significativamente mais baixa (4,6
±1,7mg/kg) que as vias intraperitonial (6,8±mg/kg) e intrapericárdica (6,0±mg/kg). E discutida a
confiabilidade do uso do triiodoetilato de galamina como anestésico para serpentes.
Abstract ; Gallamine triethiodide was injected by intramuscular, intrapericardic, and intraperitonial
routes to anesthetize the pit viper, Bothrops jararaca. According to the immobility levei, five anes-
thetic degrees were used, the 4th and 5th leveis being considered satisfactory, since B. jararaca is a
dangerous species to handle. The effect of a given dosage develops from 13 to 23 min regardless
the injection route. The dosage was significantly lower by intramuscular (4,6 ± 1,7mg/kg) route
than peritonial (6,8 ± 0,5mg/kg) and intrapericardic (6,0 ± 0,9 mg/kg) routes. The reliability of galla¬
mine triethiodide as snake anesthetic is discussed.
14. PEREIRA, C.A. 8 PICKEL, K.
An immunological analysis of natural resistance to mouse hepatitis virus (JHMV strain) infection in
C3H mice.
Brazilian J. Med. Biol. Res., 20 : 115-123, 1987.
Abstract: 1. Since the development of resistance against mouse hepatitis virus (JHMV strain) coin¬
cides with the maturation of the immune System, we studied the possible role of distinct immunolo¬
gical components in the resistance of adult mice during JHMV infection. 2. Adult C3H mice natu-
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rally resistant to JHMV were rendered susoeptible to infection by lethal 60 Co-irradiation and were
subsequently reconstituted with limiting numbers of syngeneic bone marrow cells or spleen cells. 3.
Resistance or susceptibility depended on the number ot cells used for reconstitutíon and the interval
between reconstitution and infection. Spleen cells from suckling mice affected neither resistance
nor susceptibility and peritoneal cells from adult mice and thymus cells reduced resistance. Persis-
tence of JHMV was demonstrated by virus reactivatron. 4. Animais infected with JHMV only once
before being rendered immunoincompetent showed a different pattern of resistance. One to four
months after infection, 15 to 35% of the animais died after reconstitution without having been rein-
fected, and persisting JHMV was found in their liver, spleen and peritoneal exudate. The survivors
(47 to 87%) were resistante to further JHMV infection during immunodeficiency. 5. Animais immu-
nized 3 times with JHMV before irradiation did not show virus reactivation and were fully resistant
to JHMV reinfection after reconstitution. The levei of neutralizing anti-JHMV serum antibodies in
the group of mice immunized only once was comparable with the levei of those immunized 3 times.
6. The role of macrophage activation and cell-mediated immunity in this model are discussed as an
explanation for the resistance to, and persistence of, JHMV.
Resumo : Camundongos C3H adultos, naturalmente resistentes á infecção por JHMV, após irradia¬
ção tornaram-se suscetíveis e foram utilizados para o estudo de populações celulares responsáveis
pela resistência orgânica. Quando os animais eram infectados antes da irradiação e reconstituídos
com diferentes populações celulares, ocorreu a reativação do vírus e demonstração da infecção per¬
sistente.
15. PEREIRA, C.A.; STEFFAN, A.M.; KOEHREN, F., DOUGLAS C.R.; KIRN, A.
Increased susceptibility of mice to MHV3 infection induced by hypercholesterolemic diet: impair-
ment of Kupffer cell function.
Immunobiol., 174: 253-265, 1987.
Abstract: Nutritionally induced hypercholesterolemia in A/J mice causes susceptibility to Mouse
Hepatitis type 3 (MHV 3), whereas normal A/J mice are fully resistant. A/J mice fed with a hyper¬
cholesterolemic diet for 15 to 60 days develop 5 to 7 days after MHV 3 infection an acute hepatitis
which led to high leveis of mortality. A direct relationship was found between the high leveis of plas¬
ma and hepatic cholesterol and the mortality. In attempting to define the dietary-induced physiolo-
gical changes which led to the loss of resistance, the Kupffer cells were shown to exhibit an impair-
ment of functions in their ability to become activated by LPS in order to take up C3-coated IgM op-
sonized sheep red blood cejls, C3(lgM)SRBC, or 3 H-thymidine Escherich/a coli, and the susceptibi¬
lity to interferon (IFN) for the induction of an antiviral State. Peritoneal macrophages which were
studied in comparison with the Kupffer cells showed no impaired functions. The findings presented
here indicate an inhibition of host resistance, by nutritional hypercholesterolemia, of A/J mice to
MHV 3 infection and that, at least one site of impairment occurs specifically at the stage of Kupffer
cells function.
Resumo: Hipercolesterolemía nutricional induziu perda da resistência orgânica de camundongos ao
MHV3. Na tentativa de se encontrar a modificação fisiológica responsável pela perda de resistência,
verificamos que as funções das células de Kupffer tais como: fagocitose e sensibilidade ao interfe¬
ron estavam diminuídas.
16. RIBEIRO, L.R.; RABELLO-GAY, M.N.; SALVADORI, D.M.F.: PEREIRA, C.A.B.; BEÇAK, W.
Cytogenetic effects of inhaled ethylene oxide in somatic and germ cells of mice.
Arch. Toxico/., 59: 332-335, 1987.
Abstract: The induction of cytogenetic effects by inhalation of ethylene oxide was tested in bone
marrow cells and primary spermatocytes at diakinesis-metaphase, I cells from mouse after a single
treatment (6 h/1 day) at 0,200, 400 and 600 ppm, and multiple treatment (6 h/5 days/2 weeks) at
0,200 and 400 ppm. Ethylene oxide inducede, chromosomal aberrations in both somatic as well as in
germ cell of mice.
In the single treatment the response observed for germ cells was not equivalem to that observed for
somatic cells. In the latter there was a greater sensibility for bone marrow cells. With multiple treat¬
ment the effects on the chromosomes were equivalent in somatic and in germ cells.
Resumo: A indução de efeitos citogenéticos, por inalação de óxido de etileno, foi testada em células
de medula óssea e espermatócitbs primários, em células em diacinese-metáfase I de camundongo,
após tratamento simples (6 h/1 dia) com 0, 200, 400 e 600 ppm, e tratamento múltiplo (6 h/5 dias/2
semanas) com 0, 200 e 400 ppm. O óxido de etileno induziu aberrações cromossômicas em ambas,
células somáticas assim como em células germinativas de camundongo.
No tratamento simples a resposta observada para células germinativas não foi equivalente ao obser¬
vado para as células somáticas. Nas últimas ocorreu maior sensibilidade nas células da medula ós¬
sea. Com tratamento múltiplo os efeitos nos cromossomos eram equivalentes, em células somáti¬
cas e germinativas.
17. RIBEIRO, L.R.; SALVADORI, D.M.F.; PEREIRA, C.A.B.; BEÇAK, W.
Activity of ethylene oxide in the mouse sperm morphology test.
Arch. Toxico/., 60: 331-333, 1987.
Abstract: Inhaled ethylene oxide induced an increased frequency of abnormal sperm cells in mice
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when the animais were Ireated at 200 and 400 ppm (6 h per day; 5 days) in three stages of cell deve-
lopment: spermatozoa, spermatid and preleptotene spermatogonial cells. These results suggest
that sperm head morphology changes can be induced by interference of ethylene oxide with sper-
matogenesis, which, depending on the stage of the treated germ cells, may be correlated with the
mutagenic potential of this Chemical agent.
Resumo: Óxido de etileno, inalado, induziu um aumento de frequência de células espermáticas anô¬
malas em camundongos, quando os animais eram tratados com 200, 400 ppm (6 h por dia; 5 dias)
em três estágios do desenvolvimento celular: espermatozóide, espermátide e células espermatogo-
niais em preleptoteno, Esses resultados sugerem que as modificações na morfologia da cabeça do
espermatozóide podem ser induzidas por interferência do óxido de etileno com a espermatogênese,
que, dependendo do estágio das células germinativas tratadas, podem ser correlacionadas com o
potencial mutagênico do agente químico.
18. SALOMÃO, M, da G.; MIMURA, O.M.; SAWAYA, P.
Fisioecologia de poecilídeos ( Poecilia reticulatae Phalloceros caudimaculatus). Influência da salini¬
dade.
Boi. Fisiol. anim., São Paulo, 11: 73-93, 1987.
Resumo: Deu-se ênfase á determinação da tolerância de P. reticulatae de P. caudimaculatus às va¬
riações de salinidade; verificou-se a influência da salinidade sobre o desenvolvimento de ambas as
espécies, bem como aferiu-se a aplicabilidade das expressões matemáticas propostas pela metodo¬
logia usualmente empregada em peixes, no estudo de aspectos quantitativos do desenvolvimento
nas condições de laboratório. P. caudimaculatus é menos tolerante à salinidade do que P.
reticulata. Quanto aos efeitos da variação de salinidade sobre o desenvolvimento, as observações
indicaram um crescimento mais acentuado dos alevínos de P. reticulata quando foram transferidos
para água do mar S = 8°/oo e as fêmeas grávidas permaneceram em água doce. O inverso foi regis¬
trado para P. caudimaculatus, cujos alevinos apresentaram crescimento mais acentuado em água
doce quando a fêmea tinha sido aclimada em água doce.
Os parâmetros relacionados com o crescimento em comprimento (L, k e t) relação peso/compri¬
mento e BI e crescimento em peso foram estimados, sendo que os resultados obtidos mostraram
que as expressões matemáticas utilizadas são adequadas para descrever quantitativamente o de¬
senvolvimento de P. caudimaculatuse o de P. reticulata em todas as condições experimentais.
O aumento da salinidade acelera o aparecimento dos caracteres sexuais secundários em P.
reticulata."
Abstract: The present study aims to determine the tolerance of the poecilid fish Poecilia reticulata
and Phalloceros caudimaculatus to salinity variations and to verify the influence of this environmen-
tal parameter on development of the species as well as to examine the applicabílity of certain mathe-
matical expressions frequently employed in quantitative studies of development under laboratory
conditions.
The results showed that P. caudimaculatus is less tolerant to salinity variation than P. reticulata and
that the imtial growth is higher in P. reticulata when the alevins derived from females maintained in
freshwater were transfered to seawater of 8°/oo. The opposite was found in P. caudimaculatus
where alevins showed increased initial growth in freswater, when the gravid female was held in
freshwater.
The growth parameters estimated from lenght (L, k and t) and weight, and the relationship between
weight and length (+ and 0) were obtained. The results showed that the mathematical expressions
utilized describe adequately the development in the two species under the experimental conditions
employed.
Salinity decreases the times of appearance of the secondary sexual characteristics in P. reticulata.
19. SOARES, M.F.M; MACEDO, M.S.; MOTA, I.
Suppressive offect of an Ascaris suum ex, tract on IgE and IgG antibody response in mice.
BraziUanJ. Med. Biol. Res., 20: 203-211, 1987.
Abstract: 1. A suppressed cytotropic and agglutinating antibody response against ovalbumin was
induced in mice immunized with this antigen and an Ascaris suumex tract. 2. Suppression of IgE an¬
tibody production was abolished by administration of cyclophosphamide or X-irradiation before im-
munization. In contrast, suppression of homocytotropic IgGI and heterocytotropic lgG2a antibody
responses was considerably resistant to the same treatments. 3. The low leveis of IgG agglutinating
antibodies also remained unchanged after these treatments. 4. These results indicate that distinct
regulatory mechanisms are the targets of suppression induced by A. suum extract in IgE and IgG
responses.
Resumo: 1. Camundongos imunizados com ovalbumina e extrato de Ascaris suum apresentam uma
acentuada supressão da resposta de anticorpos citotrópicos e aglutinantes anti-ovalbumina. 2. A
supressão da resposta de anticorpos da classe IgE foi abolida pela administração de ciclofosfamida
ou baixas doses de irradiação antes da imunização. Entretanto, a supressão da resposta de anticor¬
pos das classes IgGI e lgG2 foi consideravelmente resistente aos mesmos tratamentos. 3. A produ¬
ção de anticorpos mercaptoetanol-resistentes também não foi afetada por estes tratamentos. 4. Es¬
tes resultados indicam que mecanismos regulatórios distintos são responsáveis pela supressão indu¬
zida pelo extrato de A. suum nas respostas de anticorpos das classes IgE e IgG.
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20. TUFIK, S.; TRONCONE, L.R.P.; BRAZ, S.; SILVA-FILHO, A.R.; NEUMANN, B.G.
Does REM sleep deprivation induce subsensitivity of presynaptic dopamine or postsynaptic acetyl-
choline receptors in the rat brain?
Europ. J. PharmacoL, 740:215-219, 1987.
Abstract : Yawning behavior was used to evaluate the sensitivity of presynaptic dopamine recep¬
tors and postsynaptic acetylcholine receptors of normal and REM sleep-deprived (REMSD) rats.
The results Show a lowering of the dose-response curve obtained with apomorphine and pilocarpi-
ne, as well as a shift to the right in the curve obtained with physostigmine. These results suggest
that REMSD induces subsensitization of presynaptic dopamine receptors and/or postsynaptic
acetylcholine receptors with different characteristics related to the mechanism of action of the cho-
linomimetic agent employed.
Resumo : Empregou-se o comportamento de bocejo para avaliar a sensibilidade de receptores do-
paminérgicos pré-sinápticos e receptores colinérgicos pós-sinápticos do sistema nervoso central de
ratos normais e privados de sono REM (PSREM). Os resultados mostram uma redução das curvas
dose resposta obtidas com apomorfina e pilocarpina, assim como um deslocamento para a direita,
na curva obtida com fisostigmina. Estes resultados sugerem que a PSREM induz uma subsensibili-
zação dos receptores dopaminérgicos pré-sinápticos e/ou receptores colinérgicos pós-sinápticos,
com características relacionadas ao mecanismo de ação do agente colinomimético empregado.
110
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2 3
Z
5 6
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Mem. Inst. Butantan
50(31:111-115, 1988
COLETÂNEA DE RESUMOS DE TRABALHOS
PUBLICADOS PELOS PESQUISADORES DO
INSTITUTO BUTANTAN
( 1978 - 1986 )*
BIASI, P. de; RIZZO, E. de; ARTIGAS, P. deT.; BALDERRAMA, O.K.A.; CARDOSO JR., R.P.
"In vitro" development of Trypanosoma butantanense Arantes and Fonseca, 1931.
Rev. Inst Med. trop. S. Paulo, 23(21:41-47, 1981.
Abstract: The Authors studied the "in vitro" maintenance of the flagellate Trypanosoma
butantanense isolated from a specimen of Waglerophis merremii (Serpentes, Colubridae). For the
passages, Eagle and L.I.T. media were enriched whit (i) whole blood, (ii) plasma, or (iii) snake red
blood cells. Best results were obtained with media supplemented with whole blood, red blood cells
proving better than plasma. For the in v/Votransmission, inocula of infected blood diluted in Eagle
proved the most efficacious. 14/. merremii, as well as young Crotalus durissus terrificussbowed high
susceptibility to T. butantanense, while young Bothrops alternatuswere less susceptible. The Au¬
thors suspect a possible biological resistance in adult C. d. terrificus. Transmission of T.
butantanense both by oral route or throught the leech Haementeria gracitis (Hirudinae) was negati-
ve.
Keywords: Trypanosoma butantanense. Trypanosoma transmission. Trypanosomeculture.
Resumo : Os autores estudaram a manutenção "in vitro" do flagelado Trypanosoma butantanense,
isolado de espécime de Waglerophis merremii (serpente, Colubridae). Para a realização das passa¬
gens, os meios L.I.T. e Eagle foram suplementados com (i) sangue total, (ii) plasma (iii) hemácias de
serpentes. Os melhores resultados foram obtidos com meios enriquecidos com sangue total, sendo
as hemácias mais eficientes do que o plasma. Para a transmissão "in vitro" o sangue infectado, di¬
luído em meio Eagle, foi o mais efetivo; W. merremii, assim como filhotes de Crotalus durissus
terrificus, apresentaram maior suscetibilidade ao T. butantanense, ao passo que os filhotes de
Bothrops alternatus foram menos suscetíveis. Os Autores suspeitam de uma possível resistência
biológica dos C. d. terrificus adultos ao flagelado. Não foi possível transmitir o T. butantanense por
via oral ou através de sanguessuga Haementeria grac/7/s(Hirundinea).
MARTINS, M.T.; SOARES, L.A.; MOLINA, A.G.; RIZZO, E. de.
Sensibilidade de diferentes linhagens celulares na detecção de enterovirus humanos presentes em
águas.
Rev. Microbiol., São Paulo, 7321:166-172, 1982.
Resumo : Duas linhagens celulares de origem símia (LLC-MK 2 e BS-C-1) e duas de origem humana
(FleLa e HEp 2 -C) foram testadas quanto à sensibilidade a enterovirus humanos. Culturas celulares
da mesma linhagem, a LLC-MK 2 , obtidas de dois laboratórios diferentes, quando cultivadas sob as
mesmas condições, mostraram diferenças quanto à sensibilidade a enterovirus isolados de esgoto.
Células FleLa, inoculadas com poliovirus tipo ll-MEF, apresentaram efeito citopático, quando culti¬
vadas em meio líquido; porém mostraram-se inadequadas para a formação de placas (UFP), quando
cultivadas sob meio gelificado. Quando poliovirus tipo l-Mahoney, adicionado a água tratada e de
manancial, posteriormente submetidas à concentração, foi inoculado paralelamente, em células
BS-C-1 e LLC-MK 2 , as primeiras se mostraram mais sensíveis para a recuperação desse virus. Com
Trabalhos que não constaram do V.49(31:97-141, 1987.
111
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linhagens de células de rim de macaco foram obtidos melhores índices de recuperação de virus do
que com linhagens de origem humana, tendo a BS-C-1 apresentado os melhores índices de pla-
queamento e podendo, pois, ser considerada como linhagem ideal, dentre aquelas empregadas no
estudo.
Abstract: Cell lines of simian origin (LLC-MK 2 and BS-C-1) and two human cell lines (HeLa and
Hp 2 -C) had their sensitivity tested for the detection of enteroviruses. Cell cultures of the LLC-MK 2 li-
ne, obtained from two different laboratories, differed in their relatíve sensitivity to enteroviruses iso-
lated from sewage when cultivated under the same conditions. HeLa cells infected with type II-
MEF-poliovirus showed a cytopathic effect when cultivated in fluid médium, but failed to produce
plaques (PFU) under agar overlay. When type l-Mahoney poliovirus, added to treated water and
wastewater and later recovered by concentration, was inoculated into BS-C-1 and LLC-MK 2 lines,
the former were found to be more susceptible for virus recovery. Higher recovery rates were rea-
ched with lines of simian origin (monkey kidney cells) than with cell lines of human origin; the BS-C-
1 line gave the best response to virai replication, being considered the cell line of election in this
study.
OLIVEIRA, B.; MARANGONI, S.; ARAÚJO, A.L.; SOARES, M.A.
Evidenceof IgGI and lgG2 antibodies in capivara {Hydrochoerus hidrochaeris, Linnaeus 1766)
Cell. Mol. Biol., 31 (21:125-130,1985.
Abstrac. Two antibody populations present in immunized capivara serum have been described.
They Show a slow and fast mobility towards the anode in agar gel immunoelectrophoresis and are
easily separated in DEAE-cellulose chromatography. In Sephadex gel filtration these two globulins
ascompared toa human myeloma IgGI protein and other IgG markers had a typical behaviour of 7S
IgG immunoglobulins. Their specificity was confirmed by affinity chromatography and reactivity of
the antibodies eluted was checked by immunodifusion against the antigen in agar gel plates. In
Ouchterlony analysis an antiserum specific to human IgG y-chains showed a cross-reaction with
both slow and fast mobility capivara immunoglobulin populations. These findings suggest a fast 7S
IgGI and a slow 7S lgG2 immunoglobulin System in capivara immune serum.
Resumo : São descritas-duas populações de anticorpos no soro de capivaras imunizadas. Mostram
uma mobilidade respectivamente lenta e rápida em direção ao ânodo, em imunoeletroforese em gel
de agar, e são facilmente separadas por cromatografia em DEAE celulose. Essas duas globulinas,
quando comparadas por filtração em gel de sephadex, com uma proteína IgGI de mieloma humano
e outros marcadores IgG, apresentaram um comportamento típico de imunoglobulinas IgG 7S. As
respectivas especificidades foram confirmadas por cromatografia de afinidade e a reatividade dos
anticorpos eluídos, confirmada por imunodifusão contra o antígeno, em placas de gel de agar. Em
análise de Ouchterlony, um anti-soro específico para cadeias pesadas de IgG humana mostrou uma
reação cruzada com ambas as populações, a lenta e a rápida, de imunoglobulinas de capivara. Estes
resultados sugerem a existência de uma imunoglobulina rápida IgGI -7S e uma lenta lgG2-7S, no so¬
ro do sistema imunitário da capivara.
PRAL, M.M.; WOE FANG, F.L.; RIZZO, E. de.
Potency control of live, attenuated vaccines against measles used children vaccinations in the State
of São Paulo, Brazil (1976-1980).
Rev. Inst. Med. trop. S. Paulo, 24(1); 1-5. 1982.
Abstract: Through the inoculation of serial dilutions of reconstituted live attenuated vaccines
against measles in culture of Vero cells, 161 different lots of vaccines imported from England, Fran-
ce and Belgium for the vaccination of infants of the State of São Paulo, Brazil, were titrated for po¬
tency. In the conditions of the test, titer failures of 20.0, 11.5 and 25.0% were observed among the
tested vaccine lots imported from England, France and Belgium, respectively. None of the 72 lots
imported from France as bulk and freeze-dried in Brazil has been impugnated due to lack of titer.
Resumo: Pela inoculação de diluições seriadas da vacina viva, atenuada, contra o sarampo, em cul¬
turas de células Vero, foram titulados, para controle de potência, 161 lotes de vacinas importadas
da Inglaterra, França e Bélgica, destinadas à vacinação da população infantil do Estado de São Pau¬
lo. Nas condições do teste, 20,0, 11,5 e 25,0% dos lotes de vacina testadas, importadas da Inglater¬
ra, França e Bélgica, respectivamente, não apresentaram o título mínimo exigido; dentre os 72 lotes
importados da França e liofilizados no Brasil, não ocorreram impugnações devidas à insuficiência de
título.
RIZZO, E. de; CARDOZO, B.S.; LASCALLA, D.F.; TUCHIYA, H.N.; MENDES, I.F.
The jet infection apparatus (Ped-O-Jet) for use in mass vaccination against measles. An effective
procedure for its disinfection.
Rev. Inst. Med. trop. S. Paulo, 24(5): 263-267, 1982.
Abstract: A procedure was investígated for the decontamination of the jet injection apparatus (Ped-
O Jet) used in mass vaccination against measles, with a germicide (brand name Germekil), used as
112
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is, and with the purpose of avoidíng the inactivation of the virus present in the vaccine, diluted at
1:50 and 1:100. It was shown that employing 10 water rinsings, traces of the disinfectant still pre¬
sent were able to inactivate the virus particles up to the 8th dose dispensed, whereas 20 rinsings
thoroughly eliminated the Chemical, preventing virai inactivation. According to our studies, the di-
sínfection of Ped-O-Jets should be carried out as follows:
1) Calibrate the injector for its full volume (1 ml) and fill it up with Germekil (1:50 or 1:100) for four
consecutive times; 2) Allow the Chemical of the 5th aspiration to remain in contact with the inner
parts for at least 20 min; 3) Rinse the injector by 20 aspirations of sterile distilled water; 4) Recalibra-
te the Ped-O-Jet to 0.5 ml and adapt the vial of reconstitute vaccine to it; 5) Start administering the
doses.
Resumo: Padronizou-se um processo para a desinfecção de rotina do aparelho injetor (Ped-O-Jet)
empregado nas vacinações em massa contra o sarampo, com vacina viva atenuada. Foi estudado o
desinfetante de nome comercial Germekil, usado em sua concentração original e também diluído a
1:50 e a 1:100, com o objetivo de prevenir a inativação das partículas de vírus presentes na vacina,
devida a traços residuais do germicida nas partes internas do aparelho, se a lavagem se processar
com volume insuficiente de água destilada estéril. Ficou demonstrado que 10 enxágües sucessivos
com água não são suficientes para eliminar o desinfetante: há inativação das partículas virais da 1. a
a 8, a dose, apenas a 9.“ e 10.° doses satisfazendo ao limite mínimo de potência. Verificou-se, entre¬
tanto, que 20 enxágües sucessivos eliminam o risco de inativação do vírus pelo desinfetante. Com
base nos estudos desenvolvidos, sugere-se o seguinte procedimento para a desinfecção de Ped-O-
Jet: 1) Calibrar o aparelho para sua capacidade máxima (1 ml) e aspirar com ele o desinfetante (di¬
luído a 1:50 ou a 1:100) por quatro vezes consecutivas; 2) Deixar o desinfetante da 5. 8 aspiração
permanecer em contacto com as partes internas por, no mínimo, 20 minutos; 3) Lavar o injetor com
20 enxágües de água destilada estéril; 4) Recalibrar o Ped-O-Jet para 0,5ml e adaptar a ele o frasco
de vacina reconstituída; 5) Iniciar a administração das doses.
RIZZO, E. de; WOE FANG, F.L.; GALLINA, N.M.F.; TAKATA, C.S.; MIYAKI, C.; PLUCIENNIK,
A.M.A.; SATO, A.; PRAL, M.M.; PRAL, E.M.F.; MENDES, I.F.
Seringas hipodérmicas descartáveis versus reutilizáveis. Estudo de possíveis efeitos sobre o vírus da
vacina viva, atenuada contra o sarampo.
Rev. Saúdepúbl., S. Paulo, 20(6): 475-80, 1986.
Resumo: Objetivou-se verificar entre seringas hipodérmicas descartáveis e reutilizáveis qual interfe¬
re mais com o vírus vivo presente na vacina contra o sarampo. Vacinas pertencentes a dois lotes fo¬
ram reconstituídas com os dois tipos de seringas, de modo a formarem dois pools distintos, manti¬
dos à temperatura dè +2 a +8°C e protegidos da luz. De cada lote foram realizadas, no mínimo,
seis titulações em paralelo, com amostragem a cada hora, de zero a seis horas após reconstituição.
A análise estatística dos resultados obtidos nas titulações, feita pelo sistema de retas de regressão,
demonstrou que embora as vacinas manipuladas com ambos os tipos de seringas apresentassem
um decréscimo de título estatisticamente significativo com o decorrer das horas, ele foi bem mais
acentuado para as vacinas reconstituídas com seringas reutilizáveis. A menor interferência das des¬
cartáveis no título da vacina viva, atenuada contra o sarampo, demonstrou que a preconização e
uso desse tipo de seringas pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo é o ideal e recomendá¬
vel, por preservar mais a vacina desde a reconstituição até sua administração e, conseqüentemente,
a sua eficácia na prevenção dessa infecção.
Abstract: The study was performed in the State ofS. Paulo, SP, Brazil, with the purpose of finding
out whether reusable (glass) and disposable hypodermic syringes used for administration of live at-
tenuated measles vaccines would interfere with their virus. At least six different experiments using
two distinct lots of vaccines were carried out. Each time, a lot was reconstituted with reusable and
disposable syringes in parallel to form separate pools from which samples were collected hourly
from zero to the sixtieth hour after reconstitution for virus titration in monolayers of Vero cells. The
straight line regression System chosen for the analysis of the results demonstrated that although
vaccines reconstituted with both types of syringes presented a statistically significative titer decrea-
se as time went by, there was a more pronounced decrease for vaccines manipulated with the glass
syringes. The fact that the disposable syringes affected the titer of the virus present in the live, atte-
nuated measles vaccine less confirmed that the preconization and routine usage of this type of
syringe by the Health Department of the State of S. Paulo, Brazil, is ideal and highly recommended
because it preserves the vaccine from reconstitution to administration better, and thus, its efficacy
in preventing the infection.
TUCHIYA, H.N.; MENDES, I.F.; MIYAKI, C.; RIZZO, E. de.
Study on the growth promotion capacity of calf serum for animal cells in vitro. I. Test of 56 lots of
calf serum against several cell lines and primary cell cultures.
Rev. Inst. Med. trop. S. Paulo, 22(6): 281-285, 1980.
Abstract: Fifty-six different lots of calf serum were tested against eleven cell lines and two types of
primary cell cultures in order to establish their efficiency in promoting cell multiplication and thus,
the viability of their use in the routine serial propagation of animal cells in vitro. The study demons¬
trated that the efficiency of the sera tested varied from lot to lot. Sera rated "fair" or "poor" were
unable to support the serial propagation of the majority of the cell lines for long periods of time al¬
though efficient for the multiplication of primary cells. Certain cell lines were more demanding in re-
113
SciELO
0 11 12 13 14 15
lation to the sera used. Even when a serum rated "good" was employed to supplement culture me¬
dia, it was observed that certain cell lines could not be kept in active multiplication, which indicates
that a great variability of nutritional needs prevails among cell lines.
Resumo: Cinqüenta e seis lotes de soros de vitelo foram testados contra 11 linhagens celulares e a
dois tipos de culturas de células primárias, com o objetivo de estabelecer sua eficiência na multipli¬
cação celular e assim a viabilidade do seu uso na manutenção de rotina de células animais, in vitro.
O estudo demonstrou que a eficiência dos soros testados variou de lote para lote. Soros considera¬
dos "regulares" ou "pobres" foram incapazes de manter a propagação em série da maioria das li¬
nhagens celulares por períodos longos de tempo, embora se mostrassem eficientes na multiplicação
de células primárias. Certas linhagens foram mais exigentes do que outras em relação ao soro usa¬
do. Mesmo quando soros considerados "bons" foram empregados para suplementar meios de cul¬
tura que se observou, certas linhagens celulares não puderam ser mantidas em multiplicação ativa,
indicando que, entre elas, predomina grande variabilidade quanto às necessidades nutritivas.
114
cm
2 3 4 5 6 SCÍELOq 2.1 12 13 14 15 16
ÍNDICE DE AUTOR/AUTHOR INDEX
ABE, A.S.
107
MUNAÕ DINIZ, L.S.
107
ALMEIDA PRADO, M.l.
103
NASCIMENTO, E.M.M. do
107
ANTONIO, L.C.
105
NEUMANN, B.G.
110
ARAÚJO, A.L.
112
NOVAES, A.P. de
107
ARTIGAS, P. deT.
111
OGATA, T.R.P.
104
BALDERRAMA, O.K.A.
111
OLIVEIRA, B.
112
BEÇAK, W.
108
PEREIRA, A.
106
BELLUOMINI, H.E.
103, 107
PEREIRA, C.A.
107, 108
BIASI, P. de
111
PEREIRA, C.A.B.
108
BRAZ, S.
103,110
PEREIRA, M.M.M.
106
CARDOSO, J.L.C.
103
PICKEL, K.
107
CARDOSO JR., R.P.
111
PIETRO, A.S.
106
CARDOZO, B.S.
112
PLUCIENNIK, A.M.A.
113
CARLINI, E.A.
103
PRAL, E.M.F.
113
CARNEIRO, S.M.
104
PRAL, M.M
112,113
CREPALDI, R.F.
106
PUSTIGLIONE, M.
103
CUDIZIO FILHO, 0.
103
RABELLO-GAY, M.N.
108
DAVID, M.L.V.M.G.
104
RIBEIRO, L.R.
108
DENARO-MACHADO, L.
104
RIZZO, E. de 111,
112,113
DEUS, R.B. de
105
ROCHA, M.B. da
107
DOUGLAS, C.R.
108
ROMANACH, A.K.
103
FERNANDES, W.
107
SAKAUCHI, M.A.
106
FERREIRA, L.A.F.
104
SALOMÃO, M. da G.
109
GALLINA, N.M.F.
113
SALVADORI, D.M.F.
108
HENRIQUES, O.B.
104, 105
SANTOS, R.A.S.
105
KAMIGUTI, A.S.
105
SATO, A.
113
KAWANO, T.
106
SAWAYA, P.
109
KFOURI, S.A.
104
SESSO, A.
104
KIRN, A.
108
SHIMIZU, Y.
106
KOEHREN, F.
108
SILVA-FILHO, A.R.
110
LASCALLA, D.F.
112
SIMÕES, L.C.G
106
LONGO, M.A.
104
SOARES, L.A.
111
LUCAS, S.M.
103
SOARES, M.A.
112
MACEDO, M.S.
109
SOARES, M.F.M
109
MACHADO, J.C.
104
SPOSATI, M.C.
103
MALUCELLI, M.I.C.
106
STEFAN A.M.
108
MANCINI, D.A.P.
107
TAKATA, C.S.
113
MARANGONI, S.
112
TAVARES, V.R.
107
MARIANO, M.
105
TOLEDO, L.F. de A.
106
MARTINS, M.T.
111
TRAVASSOS FILHO, L.P.
107
MENDES, I.F.
112
TRONCONE, L.R.P.
103,110
MIMURA, O.M.
109
TUCHIYA, H.N.
112,113
MIYAKI, C.
113
TUFIK, S.
103,110
MOLINA, A.G.
111
YANO, A.F.B.
107
MOTA, 1
109
WAKAMATSU, C.T.
103
WOE FANG, F.L.
112,113
115
MEMÓRIAS
DO
INSTITUTO BUTANTAN
VOLUME 50
1988
Mem. Inst. Butantan
V. 50
n 1-3
p.1-115
1988
SciELO
0 11 12 13 14 15
ÍNDICE DE AUTOR/AUTHOR INDEX
ABE, A.S. 15
ARTIGAS, P. deT. 63
BRUNCKHORST, C.S.71
BUONONATO, M.77
CARDOSO JÚNIOR, R.P.71
Dl SALVIO, V.M.P.21
FERNANDES, W. 29
FURTADO, M. DE F.D.29
GOMES, N. 51
GUIDOLIN, R. 21
HIGASHI, H.G. 21
HOGE, A.Y.A. 71
IIZUKA, H. 29
LANDSHOFF, F.M.77
MANZANI, P.R. 15
MARCELINO, J.R. 21
MATIDA, A.K.47
MORAES, R.H.P.41
MORAIS, J.F. 21
OLIVEIRA, C.M. de . 71
OLIVEIRA, E.C. de.47
PAULINO, R.C. 63
ROLIM-ROSA, R. 29
SAZIMA, 1.83
SILVA, M.F.A. da. 77
VEIGA, R.M. deO . 41
VIEIRA, E.G.J.29
ZELNIK, R. 47, 77
P
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
cm
CONTEÚDO/CONTENTS
VOLUME 50,1988
N.° 1
Karl Heinrich Slotta. .. 5
Sobre dois novos métodos de preparo do hemipénis de serpentes.
On two new methods for preparing snake hemipepis.
Paulo Roberto MANZANI; Augusto Shinya ABÉ . 15
Soro anti-rábico heterólogo de uso humano. Antiçorpos inespecíficos.
Human use heterologous antirabies serum. Inespécific antibodies.
Hisako Gondo HIGASHI; Josefina Farina MORAIS; Rosalvo GUIDO-
LIN; José Roberto MARCELINO; Valéria’ Maria Pinheiro Dl
SALVIO. 21
m
Influências sazonal e do processo de extração sobre a produção, toxici¬
dade do veneno e sobrevida de Bothrops jararaéà (Wied, 1824).
Seasonal influence on quantity and toxicity offhe venom of Bothrops
jararaca (Wied, 1824) obtained by manual extraçtion and through elec-
tric stimulation.
Elisabete Gomes Jardim VIEIRA; Raymundo ROLIM-ROSA; Hideyo
IIZUKA; Maria de Fátima Domingues FURTÀbO; Wilson FERNAN¬
DES. 29
N.° 2
nd(
Sobre uma rara anomalia em genitália de Lutzomyia migonei (França,
1920) (Diptera — Psychodidae — Phlebotominaè).
About a rare anomaly in genitalia of Lutzomyia migonei ( França, 1920)
(Diptera — Psychodidae — Phlebotominae). .
Roberto Henrique Pinto MORAES; Rosa
<o
iio
de Oliveira VEIGA.
Identificação e caracterização de manitol em 'Sargassum cymosum
Agardh, uma alga parda do litoral brasileiro.
Identification and characterization of mannitol in Sargassum cymosum
Agardh, a brown algae from the coast of south-eastern Brazil.
Amabile Kazuko MATIDA; Raymond ZELNIK; Eurico C. de OLIVEI¬
RA.
41
47
Osteologia comparada de duas espécies do gênero Crossodactylodes
Cochran, 1938 (Amphibia, Anura, Leptodactylidae).
Comparative osteology of two species of the genus Crossodactylodes
Cochran, 1938 (Amphibia, Anura, Leptodactylidae).
GOMES, Norma.
51
N.° 3
Zeferinella vazi n.g.n.sp. (Plagiorchiidae), parasito da cavidade bucal e
esôfago de Erythrolamprus Aesculapii (Ophidia, Colubridae).
Zeferinella vazi n.g.n.sp. (Plagiorchiidae), parasite of the mouth and
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
oesophagus of Erythrolamprus aesculapiU Ophidia, Colubridae).
Paulo de Toledo ARTIGAS; Rosangela Clara PAULINO. 63
Cesariana e enterotomia em cascavel, Crotalus durissus collilineatus
(Viperidae — Crotalinae)
Cesarian and enterotomy in rattlesnake, Crotalus durissus collilineatus
(Viperidae — Crotalinae)
Clair Motos de OLIVEIRA; Rubens Pinto CARDOSO JÚNIOR; Clau¬
dia Stoll BRUNCKHORST; Alma Yasodhara Alexandra HOGE.... 71
A ocorrência de taurina na anêmona-do-mar Phyllactis flosculifera Le-
sueur1817.
The occurrence of taurine in the sea-anemone Phyllactis flosculifera
Lesueur1817.
Maria de Fátima Alves da SILVA; Flavia Martellini LANDSHOFF;
Marcus BUONONATO; Raymond ZELNIK. 77
Um estudo de biologia comportamental de jararaca, Bothrops jararaca,
com uso de marcas naturais.
A study of behavioural biology of the pit viper, Bothrops jararaca, with
use of natural markings.
Ivan SAZIMA. 83
Coletânea de resumos de trabalhos publicados pelos pesquisadores do
Instituto Butantan (1987)
Collection of sumaries of artieles published by the scientific staff of Ins¬
tituto Butantan (1987). 103
Coletânea de resumos de trabalhos publicados pelos pesquisadores do
Instituto Butantan (1978-1986) .
Collection of sumaries of artieles published by the scientific staff of Ins¬
tituto Butantan (1978-1986). 111
SciELO
0 11 12 13 14
SUPLEMENTO
INTERNATIONAL SYMPOSIUM SYNTHETIC AND GENETIC ENGINEE-
RING VACCINES
Presentation
Willy Beçak.
1
Opening lecture
Carlos CHAGAS. 3
Purification and properties of genetically
engineered protein containing the repeating
sequence in the glycophoring-binding
protein of malaria merozoite
CHUn-Yen Lai . 5
Development of a synthetic vaccine against
malaria sporozoites
Fidel ZAVALA. 13
Approaches towards vaccination against
leishmaniasis
Charles L. JAFFE. 15
Molecular biology of schistosome — Astep
towards recombinant vaccines
Israel Schechter . 19
Perspectives of genetic engineering vaccines
against foot-and-mouth disease
Ingrid E. BERGMAN. 21
Cloning and expression on Escherichia coli
of C- DNA sequences encoding foot-and-
mouth disease virus VP1
Arnaldo ZAHA. 31
Synthetic macromolecular antigens,
drugs and vaccines
Michael SELA. 35
The evolution of the split gene strategy and
diversification of antibody molecules
Israel Schechter. 39
Poliovirus sequences cloning into
vaccinia virus
Lucille M. FLOETER-WINTER. 41
cm
SciELO
0 11 12 13 14 15 16
Perspectives for the development of
dengue vírus vaccines
Ricardo Galler. 45
Hepatitis B virus proteins eliciting
protective immunity
Robert NEURATH. 53
Development of a recombinant yHBs
vaccine and its field trial
A. TAKAMIZAWA. 65
Synthetic peptides as the basis for
anti-viral vaccines
RuthARNON. 71
SciELO
0 11 12 13 14
INSTRUÇÕES AOS AUTORES
* Somente serão aceitos trabalhos inéditos c que se destinem cxclusivamente à revista. Ê proibida a reprodução
com fins lucrativos. Os artigos de revisão serão publicados a convite da Comissão Editorial.
2. Os trabalhos deverão ser redigidos em português, inglês ou francês, datilografados preferencialmente em má¬
quina elétrica, cm espaço duplo cm 3 (três) vias, em papel formato ofício e numerados no ângulo superior direi¬
to.
3. No preparo do original será observada, sempre que possível, a seguinte estrutura: Página de rosto: título do ar¬
tigo, nome(s) do(s) autor(es) c filiação científica. Texto: introdução, material c métodos, resultados, discussão,
conclusões, agradecimentos (antes da referência bibliográfica). Material de referência: resumos (em português e
inglês); palavras-chave (palavras ou expressões que identificam o conteúdo do artigo; devem ser incluídas até
um limite máximo de três, cm português c inglês); Referências bibliográficas.
í • As referências bibliográficas deverão ser ordenadas alfabeticamente c numeradas.
Exemplos:
Para livros: autor, título, edição, local de publicação, editor, ano, páginas.
7. BIER, O. Microbiologia e imunologia. 24.ed. São Paulo, Melhoramentos, 1985. 1234p.
Para artigos: autor, título do artigo, título do periódico, volume, página inicial e final, ano.
8. MACHADO, J.C. & SILVEIRA F.°, J.F. Obtenção experimental da pancreatite hemorrágica aguda no cão
por veneno escorpiônico. Mem. Inst. Butantan, 40/41: 1-9, 1976/77.
As citações no texto devem ser por números-índices correspondentes às respectivas referências bibliográficas.
Exemplos:
• •• método derivado de simplificação de armadilha de Disney 1
... segundo vários autores 21 - 4
3 ■ As ilustrações (fotos, tabelas, gráficos etc.) deverão ser originais e acompanhadas de legendas explicativas. As le¬
gendas serão numeradas c reunidas em folha a parte. Os desenhos deverão ser a nanquim e as fotografias bem
nítidas, trazendo no verso o nome do autor e a indicação numérica da ordem a ser obedecida no texto. As ilus¬
trações deverão ser organizadas de modo a permitirem sua reprodução dentro de uma página normal da revista
(22 x 12,5cm).
Os artigos deverão conter no máximo 6 (seis) ilustrações (branco c preto). De cada trabalho serão impressas 30
(cinqüenta) separatas, sendo 10 para a Biblioteca do Instituto e 40 para os autores.
Os textos originais não serão devolvidos e os originais das ilustrações estarão à disposição dos autores.
6 .
INSTRUCTIONS TO AUTHORS
1 Manuscripts submitted to the Editorial Board should be unpublished texts and should not be under considera-
tion for publication clsewherc. Rcproduction for commcrcíal purposes is not allowed. The Editorial Board will
plan the publication of revision artícles.
2- The original and two copies of papers should be typewritten in Portuguese, English or French, double spaced,
un typing paper (31 x 2 letn). Pages should be numbered consccutively at the uV>per right corner.
3- The following strueture should be considered in the preparation of the manuscript: Title page: with article ti-
tlc, name of author(s), professional address. Tcxt: with introduction, material and methods, rcsults, discus-
sion, conclusions, acknowlcdgments, refcrences, sumtnary (in Portuguese and English), and key-words. A ma-
xtmal number of 03 key-words should be includcd in Portuguese and English.
4. Referénces in alphabetical order should be numbered consccutively.
Examples:
Books
7. BIER, O. Microbiologia c imunologia. 24.ed. São Paulo, Melhoramentos, 1985. 1234p.
Articlcs
8. MACHADO, J.C. & SILVEIRA F.°, J.F. Obtenção experimental da pancreatite hemorrágica aguda no cão
por vencOo escorpiônico. Mem. Inst. Butantan, 40/41: 1-9, 1976/77.
Citations in the text should be identificd by the reference number.
Examples:
método derivado de simplificação de armadilha de Disney 1
... segundo vários autores 2 - 3 - 4
5. Illustrations (photographs, tables, figures etc.) should be the originais and legends should be submitted typew¬
ritten on a separate sheet. Line-drawings should be with China ink and photographs must be of top quality. On
the back of each figure or photograph the name of the author(s) should be lighly written and rhc number indi-
cating thesequence in the text. Illustrations should fit in a page measuring 22 x I2,5cm.
6. No more than 6 illustrations will be accepted and photographs should be black and white. Fifty reprints of each
article are provided without charge, and 10 will be kcpt at the library.
7. Submitted manuscripts will not be returned to the author(s) but the original illustrations are available to au-
ihor(s) by request.
cm
-SciELO,
11 12 13 14 15 16 17